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A Bíblia é confiável? Estudo completo.

Porque podemos confiar no relato bíblico? Será que a Bíblia foi adulterada para enganar as pessoas? Seriam os relatos bíblicos fruto de um mito?

Será demonstrado através de argumentos baseados em evidências históricas, arqueologia e estudos comparativos com outros documentos históricos, como a Bíblia, principalmente o Novo Testamento, é muito superior a qualquer outro documento antigo em matéria de confiabilidade histórica. Estamos provando aqui não a inspiração, mas a credibilidade histórica das Escrituras. Deve-se testar a credibilidade histórica das Escrituras pelos mesmos critérios usados para testar todos os documentos históricos.

Então se prepara, o estudo é longo, mas muito enriquecedor.

Mas antes de analisarmos a Bíblia, o que é a Bíblia?

A Bíblia não pode ser considerada exatamente um livro e sim uma coleção deles reunidos ao longo de aproximadamente 1500 anos com cerca de 40 autores humanos diferentes. Os autores foram reis, pescadores, sacerdotes, oficiais do governo, fazendeiros, pastores e médicos. Escrita em três idiomas e em três continentes diferentes. Ela foi escrita no deserto, em tempos de exílio, em tempos de guerra, na prisão, durante viagens, em tempos de paz, sob forte perseguição e até numa ilha prisional grega. De toda essa diversidade surge uma unidade incrível, com temas em comum por todo o seu percurso. E uma única verdade que vai se revelando, redenção do homem por parte de Deus.

A Bíblia pode confundir um leitor inexperiente ao não entender que, em geral, ela não obedece a uma ordem cronológica. O Antigo Testamento foi agrupado de acordo com os seguintes tópicos: 1) Torá, 2) os outros livros históricos, 3) literatura e 4) Profecias, e distribuída em subgrupos em ordem cronológica dentro destas categorias, e segundo a ordem da canonização feita pelos judeus.

O Novo Testamento começa com os três Evangelhos sinóticos (similares), seguidos pelo livro de João. Em seguida, vem o livro histórico dos Atos dos apóstolos, que se acredita ser uma continuação do livro de Lucas. As cartas de Paulo vêm em seguida no Novo Testamento, e depois as cartas dos outros apóstolos. E o Novo Testamento termina com o livro do Apocalipse.[1]

A Vulgata (versão da Bíblia em latim) foi o primeiro livro a ser impresso. Além disso, a Bíblia é o livro mais impresso até os dias de hoje e com maior circulação do mundo.[2]

A visão que a Bíblia apresenta de Deus, do universo e da humanidade estava presente em todas as principais línguas ocidentais e, portanto, no processo intelectual do homem ocidental (…). Desde a invenção da imprensa, a Bíblia se tornou mais que a tradução de um livro antigo de literatura oriental. Ela não se parece com um livro estrangeiro, e tem sido a fonte mais confiável, disponível e familiar e árbitro dos ideais intelectuais, morais e espirituais do ocidente.”[3]

Apesar de no início ter sido escrita em material perecível, tendo que ser copiada e recopiada durante centenas de anos, antes da invenção da imprensa, não prejudicou seu estilo, exatidão ou existência. Comparada com outros escritos antigos, a Bíblia possui mais provas em termos de manuscritos do que, juntos, possuem os dez textos de literatura clássica com maior número de manuscritos.

O filósofo indiano Vishal Mangalwadi, após um extenso estudo demonstra a grande influência das Escrituras Sagradas em praticamente cada faceta da civilização ocidental. Da política à ciência, à academia e à tecnologia, das artes à música, a Bíblia tornou-se a chave que abriu a mente do Ocidente. A influência dos ensinamentos bíblicos e a pessoa de Jesus construíram as bases da civilização ocidental. [4] Analisaremos essas contribuições do cristianismo para o mundo com mais detalhes em outras oportunidades.

Após essa breve introdução sobre a Bíblia, vamos analisar os fatos. Como podemos afirmar que um documento histórico é confiável?

Ninguém duvida da existência de Alexandre, O grande e suas conquistas, ou o grande imperador romano Júlio César . Vários eventos na história são amplamente aceitos sem muitos questionamentos, mas quando se trata de Bíblia, sempre existe um ceticismo exagerado, o padrão se eleva, e nenhuma evidência em favor dela parece ser boa o suficiente. Para avaliar a confiabilidade  histórica de um documento, geralmente se utilizam os seguintes métodos: – Teste bibliográfico

– Teste das evidências internas

– Teste das evidências externas

– A arqueologia

Por se tratar de eventos antigos, quanto mais próximos pudermos chegar ao fato histórico que estamos analisando melhor. E quanto mais evidências internas e externas que corroborem as informações, mais confiável o documento é.

Vamos aos fatos!

Começando pelo teste bibliográfico.

O teste bibliográfico é um exame da transmissão textual pela qual os documentos chegam até nós. Em outras palavras, uma vez que não dispomos dos documentos originais, qual a credibilidade das cópias que temos em relação ao número de manuscritos e ao intervalo de tempo transcorrido entre o original e a cópia existente?

Avaliar a qualidade das cópias torna-se um aspecto fundamental para se verificar a qualidade do documento, e quanto mais cópias disponíveis para estudo melhor, pois comparando as cópias entre si ao longo da histórica, pode-se facilmente detectar os erros e possíveis alterações. E quanto menor o intervalo entre elas significa menos tempos para que adulterações dos textos surjam, e quando mais próximos do evento histórico as cópias são, melhor.

Atualmente sabe-se da existência de mais de 5.300 manuscritos gregos do Novo Testamento. Acrescente-se a esse número mais de 10.000 manuscritos da Vulgata Latina e, pelo menos, 9.300 de outras antigas versões, e teremos hoje mais de 24.000 cópias de porções do Novo Testamento. Nenhum outro documento da história antiga chega perto desses números e dessa confirmação. Em comparação, a Ilíada de Homero vem em segundo lugar, com apenas 643 manuscritos que sobreviveram até hoje. O primeiro texto completo e preservado de Homero data do século treze.[5] Nenhum outro documento da antiguidade tem um intervalo tão pequeno entre as cópias e os originais.

Por exemplo, embora as Gathas, livros sagrados da religião persa de Zoroastro, que datam de 1000 a.C, sejam consideradas autênticas, a maior parte das escrituras do zoroastrismo só foram postas por escrito no século III d.C. A biografia pársi mais popular de Zoroastro foi escrita em 1278 d.C. Os escritos de Buda, que viveu no século VI a.C, só foram registrados depois da era cristã. A primeira biografia de Buda foi escrita no século I d.C. Embora as palavras de Maomé (570-632) estejam registradas no Alcorão, sua biografia só foi escrita em 767 d..C, mais de um século depois de sua morte. Portanto, o caso do Novo Testamento não tem paralelo. [6]

O mais antigo dos manuscritos do Novo Testamento é uma tira de papiro designada (p52) que contém partes do evangelho de João e data da primeira terça parte do século II d.C., menos de quarenta anos depois que o Evangelho de João foi escrito nos anos 90. Mais de trinta papiros datam do período entre o fim do século II até o início do século III. Alguns destes papiros contêm grandes trechos de livros inteiros do Novo Testamento. Um deles abrange grande parte dos Evangelhos e do livro de Atos (p4S); outro, grande parte das epístolas de Paulo (p46). Quatro Novos Testamentos muito confiáveis e quase completos datam do século IV.[7]

E estudos recentes demonstram uma descoberta fascinante, o Dr. Gary Habermas, afirmou que o um recente manuscrito encontrado no Egito, que continha parte do evangelho de Marcos foi analisado por um especialista em paleologia (especialista em antiguidades) que datou o fragmento como tendo sido escrito entre 80-110 DC.  Se a data se mantiver, demonstraria que o Evangelho de Marcos circulou no século I, encurtando o tempo entre a morte de Jesus e a evidência escrita. Em suma, seria uma evidência histórica fornecendo testemunhas oculares antigas sobre a vida, a morte e a ressurreição de Jesus.

Para visualizar melhor a questão de quantidade de cópias, intervalos entre elas, veja o quadro comparativo.


Perceba que comparando as principais obras da antiguidade, o Novo Testamento leva a melhor em todos os critérios de avaliação.

Se os céticos aplicassem à Bíblia os mesmos padrões que os historiadores e estudiosos de textos aplicam à literatura secular da antiguidade, os registros bíblicos seriam aceitos como os mais dignos de confiança e de credibilidade entre todos os documentos antigos.

Mas como foi bem observado por Richard Purtill, em seu livro Thinking About Religion [Pensando em religião]: “Às vezes se afirma que os historiadores simplesmente encaram a história do Antigo e do Novo Testamento como não confiáveis, com base em algum argumento histórico independente. Mas […] muitos eventos considerados verídicos do ponto de vista histórico estão bem mais longe da evidência documental do que muitos eventos bíblicos, e os documentos nos quais os historiadores se apoiam para a maioria da história secular foram escritos muito tempo depois da ocorrência do evento do que inúmeros relatos de eventos bíblicos. Além disso, temos bem mais cópias de narrativas bíblicas do que de histórias seculares, e as cópias existentes são mais antigas do que aquelas sobre as quais se baseia a nossa evidência da história secular. Então, por que os modernistas duvidam dos relatos bíblicos?

Se as narrativas bíblicas não contivessem relatos de eventos miraculosos ou não fizessem referência a Deus, aos anjos e assim por diante, a história bíblica provavelmente seria encarada como muito mais verídica do que a maioria da história da Grécia clássica ou de Roma.”[8]

O teólogo John Warwick Montgomery afirma que “ter uma atitude cética quanto ao texto disponível dos livros do Novo Testamento é permitir que toda a antiguidade clássica se torne desconhecida, pois nenhum documento da história antiga é tão bem confirmado bibliograficamente como o Novo Testamento.” [9]

O eminente estudioso e uma das maiores autoridades acadêmicas em Novo testamento F. F. Bruce declara: “No mundo não há qualquer corpo de literatura antiga que, à semelhança do Novo Testamento, desfrute uma tão grande riqueza de confirmação textual”.[10]

Mostramos como é importante no processo de determinação da confiabilidade histórica, a quantidade de cópias, o intervalo entre o original e as cópias e a proximidade entre as cópias e o evento que elas narram. E em todos os quesitos o Novo Testamento é incrivelmente superior.

Vamos avaliar ainda outra questão importante, as chamadas variantes textuais dessas cópias.

Mas o que são variantes textuais?

É qualquer variação nas palavras dentro dos manuscritos, podendo ser na ordem, omissão de palavras, adição e até mesmo erros ortográficos. Mesmo o menor erro, por mais irrelevante que seja, conta como uma variante. Os estudiosos afirmam que no Novo Testamento em grego, existem por volta de 200.000 variantes textuais. Parece muito, mas não se trata de quantidade, mas sim da qualidade delas. Se um manuscrito contém um erro, e suas cópias preservarem esse erro, todas às vezes ele será contabilizado.

A razão por haver tantas variantes textuais, se dá pelo fato de existirem milhares de manuscritos disponíveis para estudo, o que é excelente. Quanto maior o número de manuscritos, maior o número de variantes textuais, consequentemente, maior a probabilidade de se chegar aos fatos originais. A quantidade de manuscritos é de suma importância para atribuir confiabilidade histórica a um texto, como já pudemos demonstrar. Então, ao contrário das críticas de alguns céticos, o número de variantes textuais por si só não indica corrupção de um texto.

Mas quais são os tipos de variantes textuais que temos no Novo testamento?

Após estudo criterioso, os especialistas chegaram a seguinte conclusão:

99% delas são irrelevantes para a compreensão do texto. São erros ortográficos irrelevantes, diferenças de estilo de escrita ou uso de sinônimos. Por exemplo, é está escrito: João, Pedro e Tiago foram à casa de Maria.  E foram à casa de Maria, João, Pedro e Tiago. Essa diferença já é contada como variante textual, apesar o significado da frase ser o mesmo.

Somente menos de 1% do total de variantes são significativas ou afetam o significado da palavra no texto. Mas em nenhuma delas, nenhuma doutrina cristã está envolvida. Nenhum ponto da fé cristã é afetado por essas variantes. Utilizar o número de variantes textuais contra a confiabilidade dos textos é um grande erro que não resiste à investigação e ao estudo criterioso dos fatos.[11]

Sir Frederic Kenyon (grande autoridade no campo da crítica textual do Novo Testamento) declara enfaticamente que as variações textuais não representam ameaça à doutrina: “Finalmente, deve-se enfatizar uma palavra de advertência já pronunciada anteriormente. Nenhuma doutrina fundamental da fé cristã depende de algum texto controvertido…”Nunca é demais lembrar que, em sua maior parte, o texto da Bíblia é fidedigno, especialmente no caso do Novo Testamento. O número de manuscritos do Novo Testamento, de antigas traduções do Novo Testamento e de citações pelos mais antigos escritores da Igreja, é tão grande que é praticamente certo que o texto autêntico de cada passagem duvidosa encontra-se preservado em uma ou outra dessas antigas autoridades. De nenhum outro livro antigo em todo o mundo se pode dizer o mesmo. “

“Os estudiosos se dão por satisfeitos por possuírem substancialmente o texto autêntico dos principais escritores gregos e romanos, cujas obras chegam até nós, de Sófocles, Tucídedes, Cícero, Virgílio; no entanto, nosso conhecimento das obras desses escritores depende de um pequeno punhado de manuscritos, enquanto que os manuscritos do Novo Testamento se contam às centenas e até aos milhares.”[12]

Creio que, racionalmente e a partir do ponto de vista das evidências literárias, é possível chegar-se à conclusão de que a credibilidade do Novo Testamento é bem maior do que a de qualquer outro documento da antiguidade.

O Antigo Testamento não dispõe de uma vastidão de manuscritos como o Novo, mas foram muito bem preservados, se comparados com outros documentos antigos.

Com a recente descoberta dos Rolos do Mar Morto em 1947, vários manuscritos do Antigo Testamento foram encontrados, aos quais os estudiosos atribuem datas anteriores à época de Cristo. Antes das descobertas do Mar Morto, o mais completo e antigo manuscrito hebraico do Antigo Testamento datava de 900 d.C – intervalo de mais de 1.300 anos do original. Para avaliarmos a qualidade do texto do Antigo Testamento devemos avaliar os seus copistas. O principal deles eram os talmudistas, que eram extremamente rigorosos no processo de cópia de um texto sagrado. Os talmudistas tinham tanta certeza de que, ao terminarem de transcrever um manuscrito, eles teriam uma cópia exata, que atribuíam à nova cópia uma autoridade igual à do original.

A idade de uma cópia talmudista não era uma vantagem para ela – ao contrário, poderia se tornar ilegível em alguns pontos com o tempo, e era então considerada imprópria, e guardada em um armário, existente em cada sinagoga, chamado Gheniza. Quando a Gheniza se enchia, as cópias defeituosas eram queimadas.

Isso explica a ausência de volumes de cópias do Antigo Testamento.

Um manuscrito talmudista mais antigo do livro de Isaías era de 980 DC. Quando esse foi comparado com os manuscritos do Mar Morto (quase 1000 anos entre as cópias) verificou-se 95% de exatidão absoluta, e os outros 5% eram pequenos erros de ortografia. Nesses 1000 anos a mensagem não havia se corrompido! Isso mostra que a cópia de textos sagrados era uma prática onde eles empenhavam o máximo de esforço para manter os elevados padrões entre as cópias.

Além disso, a arqueologia tem demonstrado que a cultura, os eventos narrados, as pessoas, os lugares descritos no Antigo Testamento são relatos confiáveis. Nomes até pouco tempo atrás conhecidos apenas no texto bíblico, encontraram respaldo na arqueologia, como Sargão, Jeú, Davi, Uzias, Acabe,Senaqueribe, Ezequias, Xerxes, Ciro, Manaém, Balaão e tantos outros. Também já foram descobertos povos bíblicos como os heteus ou horeus, assim como diversos lugares.

O teste das evidências internas

As evidências internas nos fornecem muitas evidências em favor da confiabilidade do relato bíblico. Esse critério também averígua se há fraudes, erros ou mentiras deliberadas por parte dos escritores em relação a fatos conhecidos. Notar que dificuldades e problemas não solucionados não significam necessariamente erros. Um erro é uma discrepância que se verifica sem sombra de dúvidas.

Um fator muito importante são os testemunhos oculares. Em qualquer investigação criminal, o testemunho ocular do crime é determinante para investigação do fato. E na nossa investigação não é diferente. Qualquer evento histórico com testemunhas oculares se torna muito mais historicamente confiável, pois geram relatos independentes que podem ser confrontados.

Os escritores do Novo Testamento escreveram como testemunhas oculares ou a partir de informações de primeira mão:

Lucas 1:1-3 – “Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares, e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem.”

2 Pedro 1:16 — “Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade.”

1 João 1:3 — “… o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós igualmente mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo.”

Atos 2:22 – “Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós, com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis….”

João 19:35 – “Aquele que isto viu, testificou, sendo verdadeiro o seu testemunho; e ele sabe que diz a verdade, para que também vós creiais.”

Lucas 3:1 — “No décimo-quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Ituréia e Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene… F . F. Bruce, professor e uma das maiores autoridades em exegese Bíblica, diz o seguinte a respeito do valor das fontes primárias dos registros do Novo Testamento: “Os primeiros pregadores do evangelho reconheciam o valor do testemunho de primeira mão, e repetida» vezes fizeram uso dele. ‘Somos testemunhas destas coisas’ era a afirmação constante e confiante que faziam. E, ao contrário do que parecem pensar alguns escritores, não teria sido absolutamente fácil inventar palavras e obras de Jesus naqueles primeiros dias, quando tantos discípulos estavam por ali espalhados, os quais poderiam lembrar-se do que tinha e do que não tinha acontecido.” “E os primeiros pregadores tiveram que levar em conta não apenas as testemunhas oculares simpáticas ao cristianismo; havia outros bem menos dispostos que também eram conhecedores dos principais fatos sobre o ministério e a morte de Jesus. Os discípulos não podiam se dar ao luxo de correr o risco de apresentar fatos inexatos (para não mencionar uma manipulação internacional dos fatos), os quais seriam imediatamente denunciados por aqueles que teriam imenso prazer em fazê-lo. Pelo contrário, um dos pontos fortes da pregação apostólica original é o apelo confiante ao conhecimento dos ouvintes; eles não apenas diziam ‘somos testemunhas destas coisas’, mas também ‘como vós mesmos sabeis’ (Atos 2:22).[13]

Dos 12 apóstolos, excetuando-se Judas, 10 foram assassinados por causa da mensagem que pregavam, e 1 (João) foi barbaramente torturado e preso por ela. É plausível crer que 11 pessoas estivessem dispostas a sacrificar suas próprias vidas para sustentar uma mentira inventada por eles mesmos?

Além do testemunho ocular, Colin Hemer, um estudioso clássico que se dedicou aos estudos do Novo Testamento, em sua obra The Book of Acts in the Setting of Hellenistic History [O livro de Atos no contexto da história helenística], ele analisa todo o livro de Atos com um pente fino, extraindo dele uma enorme riqueza de detalhes históricos que vão desde coisas que teriam sido senso comum até detalhes que somente uma pessoa local teria sabido.

Com esmerado detalhamento, Hemer identifica 84 fatos nos últimos 16 capítulos de Atos que foram confirmados por pesquisas históricas e arqueológicas. Repetidamente a precisão de Lucas fica demonstrada: das navegações da esquadra alexandrina ao território costeiro das ilhas mediterrâneas e aos títulos peculiares de oficiais locais, Lucas é sempre preciso.[14]

Não por coincidência, Sir William Ramsey, um arqueólogo mundialmente renomado e uma das maiores autoridades em arqueologia bíblica afirma: “Lucas é um historiador de primeira classe […] Esse autor deveria ser colocado entre os maiores historiadores”.[15]

Outra evidência é o chamado suporte não-intencional das testemunhas, que são relatos independentes que constam no Novo Testamento que se completam não-intencionalmente. Por exemplo, em  Mateus 8:16 temos a seguinte passagem: “E, chegada a noite, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele com a sua palavra expulsou deles os espíritos, e curou todos os que estavam enfermos;”

Surge a pergunta, porque espera até a noite para trazer os que precisavam de cura?

A resposta se encontra em Marcos 1:21; Lucas 4:31. “Porque era sábado.”

Em Mateus 26:67-68, vemos os judeus batendo em Jesus no julgamento e dizendo: “Se és o Cristo, Profetiza quem te bateu” .

Isso pode parecer estranho, visto que Jesus estava em pé na frente deles e facilmente poderia dizer quem foi. Mas em Lucas 22:63-65, vemos que Jesus estava vendado quando foi levado para lá.

E dentre diversos outros casos. Esse tipo de harmonização é comum em depoimentos de testemunhas oculares diferentes, cada uma conta sua visão sobre o mesmo fato, mas dá mais importância para detalhe A ou B. Isso atesta e da confiabilidade ao testemunho, tornando-o mais verídico, como peças de um quebra-cabeça, que quando se juntam formam a história toda. É exatamente o mesmo critério que um detetive esperaria encontrar em um grupo de testemunhas oculares de um crime. Pois se contassem exatamente do mesmo jeito, ficaria claro que teriam combinado entre si, e se os relatos fossem discrepantes demais, estariam mentindo. Como afirma Simon Greenleaf, da Faculdade de Direito de Harvard: ” Existe um volume significativo de discrepância, o que aponta para o fato de os autores não poderem ter estabelecido nenhum tipo de acordo entre si; por outro lado, há também uma harmonia de tal magnitude que demonstra sua condição de narradores independentes de uma transação de grande importância.”[16]

Os autores do Novo Testamento também incluíram detalhes embaraçosos sobre si mesmos. A tendência da maioria dos autores nesse tipo de narrativa histórica é deixar de fora qualquer coisa que prejudique a sua aparência e manche a sua moral. É o chamado “critério do embaraço”. Agora pense: Se você e seus amigos estivessem forjando uma história e que vocês quisessem que ela fosse aceita e vista como verdadeira por todos, vocês se mostrariam como covardes, tolos e apáticos, pessoas que foram advertidas e que duvidaram? É claro que não. Mas é exatamente isso que encontramos no Novo Testamento. Se você fosse o autor do Novo Testamento, escreveria que um dos seus principais líderes foi chamado de “Satanás” por Jesus, o negou três vezes, escondeu-se durante a crucifixão e, mais tarde, foi repreendido numa questão teológica? Muito improvável! O que você acha que os autores do Novo Testamento teriam feito se estivessem inventando uma história? Teriam deixado de lado a sua inaptidão, sua covardia, a repreensão que receberam, as negações e seus problemas teológicos, mostrando-se como cristãos ousados que se colocaram a favor de Jesus diante de tudo e que, de maneira confiante, marcharam até a tumba na manhã de domingo, bem diante dos guardas romanos, para encontrarem o Jesus ressurreto que os esperava para salvá-los por sua grande fé! Os homens que escreveram o Novo Testamento também diriam que eles é que contaram às mulheres sobre o Jesus ressurreto, e não ao contrário, e que eram elas as únicas que estavam escondendo-se por medo dos judeus. E, naturalmente, se a história fosse uma invenção, nenhum discípulo, em momento algum, teria sido retratado como alguém que duvida (especialmente depois de Jesus ter ressuscitado). Mas Tomé duvidou até o último momento.

E não apenas detalhes embaraçosos sobre si, mas também sobre Jesus constam por todo o Novo Testamento. Jesus foi considerado “fora de Si” por sua família, foi visto como enganador e herético; foi abandonado por seus seguidores e quase apedrejado em algumas ocasiões, foi chamado de “beberrão” e de “endemoninhado”, além de “louco”. Finalmente, foi crucificado como malfeitor junto com dois bandidos. Se os autores do Novo Testamento queriam mostrar a todos que Jesus era Deus, o rei de Israel, o Messias ungido, então por que não eliminaram dizeres e situações complicados que parecem argumentar contra isso?

Mas mesmo após essa avalanche de evidencias o crítico ainda pode argumentar: “ Mas existem contradições nos relatos, no evangelho de Mateus diz que tinha um anjo no túmulo após a ressurreição, e no de João diz que que eram dois.”

Os críticos são rápidos em citar os relatos aparentemente contraditórios dos evangelhos como evidência de que não são dignos de confiança em informação precisa. Detalhes divergentes, na verdade, fortalecem a questão de que esses são relatos feitos por testemunhas oculares. Como? Primeiro, é preciso destacar que o relato dos anjos não é contraditório. Mateus não diz que havia apenas um anjo na sepultura. Os críticos precisam acrescentar uma palavra ao relato de Mateus para torná-lo contraditório ao de João. Mas por que Mateus mencionou apenas um anjo, se realmente havia dois ali? Pela mesma razão que dois repórteres de diferentes jornais cobrindo um mesmo fato optam por incluir detalhes diferentes em suas histórias. Duas testemunhas oculares independentes raramente veem todos os mesmos detalhes e descrevem um fato exatamente com as mesmas palavras. Elas vão registrar o mesmo fato principal (Jesus ressuscitou dos mortos), mas podem diferir nos detalhes (quantos anjos havia no túmulo). Não há na Bíblia nenhum relato que em sua aparente contradição não foi explicado e respondido a exaustão nesses 2000 anos. Há séculos tentam fazer isso, mas sem sucesso.

À luz dos diversos detalhes divergentes do NT, está claro que os autores não se reuniram para harmonizar seus testemunhos. Isso significa que certamente não estavam tentando fazer uma mentira passar por verdade. Se estavam inventando a história do Novo Testamento, teriam se reunido para certificar-se de que eram coerentes em todos os detalhes. Simon Greenleaf, professor de Direito da Universidade de Harvard creditou sua conversão ao cristianismo ao seu cuidadoso exame das testemunhas oculares dos evangelhos. Se alguém conhecia as características do depoimento genuíno de testemunhas oculares, essa pessoa era Greenleaf. Ele concluiu que os quatro evangelhos “seriam aceitos como provas em qualquer tribunal de justiça, sem a menor hesitação”.[17]

Teste das evidências externas

Esse teste se propõe a averiguar se existem fontes externas aos documentos bíblicos que confirmam sua exatidão. Em outras palavras, que outras fontes existem, além da literatura que está sendo examinada, que confirmam sua exatidão, credibilidade e autenticidade?

Eusébio de Cesareia, que pode ser considerado o pai da história da Igreja, em sua obra História Eclesiástica, escrita por volta de 325 d.C, preserva os escritos de Papias, bispo de Hierápolis (130 A.D.), os quais Papias recebeu do Ancião (apóstolo João): “O Ancião também costumava dizer o seguinte: ‘Marcos, tendo sido o intérprete de Pedro, escreveu fielmente tudo o que ele (Pedro) mencionava, fossem palavras ou obras de Cristo; todavia, não o fez em ordem cronológica. Pois não esteve ouvindo pessoalmente o Senhor nem o esteve acompanhando; mas mais tarde, conforme eu já disse, ele acompanhou Pedro, o qual adaptou os seus ensinos conforme as necessidades, não como se estivesse elaborando uma compilação das palavras do Senhor. Dessa forma, então, Marcos não cometeu qualquer erro, tendo assim escrito algumas coisas à medida que ele (Pedro) as mencionava; pois ele prestava toda atenção a isso, a fim de não omitir qualquer coisa que ouvisse, nem incluir qualquer afirmação falsa no que registrava.'”[18]

Irineu, bispo de Lion (180 d.C.), foi aluno de Policarpo, bispo de Esmirna, o qual foi martirizado em 156 d.C., tendo sido cristão por 86 anos e discípulo do apóstolo João. Irineu escreveu: “Tão firme é a base sobre a qual esses Evangelhos repousam que os próprios hereges dão testemunho a favor desses livros, e, tomando-os por base, cada um deles se esforça por estabelecer sua própria doutrina particular” [19]

Irineu, na mesma obra,  já desde aquela época refutava a ideia de “outros evangelhos perdidos”, afirmando como conhecemos hoje que existem somente 4 evangelhos aceitos. “Pois assim como existem os quatro cantos do mundo onde vivemos, e quatro ventos universais, e assim como a Igreja se encontra dispersa por toda a terra, e o evangelho é a coluna e o alicerce da Igreja e o sopro de vida, de igual maneira é natural que o evangelho tenha quatro colunas […] [Deus] deu-nos o evangelho em forma quádrupla, forma que se mantém coesa por meio de um só Espírito.”

Clemente de Roma, em aproximadamente 95 d.C, escreve um carta a igreja em Corinto para apaziguar constantes controvérsias. Quem está familiarizado com as epístolas de Paulo ao Coríntios, sabe que a igreja daquele local sempre foi considerada “problemática”. Há hipóteses de que esse mesmo Clemente seja o citado na epístola aos Filipenses 4:3. Nessa carta, Clemente faz muitas referências a várias passagens bíblicas tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, confirmando os recentes ensinamentos de Jesus.

Inácio (70-110 A.D.) foi bispo de Antioquia, tendo sido martirizado por causa de sua fé em Cristo. Conheceu todos os apóstolos e foi discípulo de Policarpo, que foi discípulo direto do apóstolo João. Inácio, quando a caminho do martírio, escreveu sete cartas às igrejas da sua região, nessas cartas ele faz inúmeras citações de vários livros do Novo Testamento.

Policarpo (70-156 A.D.), martirizado aos 86 anos de idade, foi bispo de Esmirna e discípulo do apóstolo João, também fez inúmeras citações bíblicas em seus escritos.

Existem diversos autores do período conhecido como Patrística que também citaram o Novo Testamento, dentre eles se encontram-se a epístola de Barnabé (cerca de 70 d.C), O Pastor, de Hermas (cerca de 95 d.C.), Diatasserão, de Taciano (cerca de 170 d.C.), Clemente de Alexandria (150-212 d.C), Tertuliano (160-220 A.D.) que foi presbítero da igreja em Cartago, tendo citado mais de 7.000 vezes o Novo Testamento, das quais 3.800 são citações dos Evangelhos. Hipólito (170-235 d.C.) que fez mais de 1.300 referências ao Novo Testamento. Justino Mártir (133 d.C.) que combateu o herege Marcião citando o Novo Testamento. Orígenes (185 – 254 dC.), que foi um grande escritor e teólogo, fez uma compilação a partir de mais de 6.000 obras. Ele apresenta mais de 18.000 citações do Novo Testamento.

A todos esses ainda se podem acrescentar os nomes de Agostinho de Hipona, Amábio, Latâncio, Crisóstomo, Jerônimo, Gaio Romano, Atanásio, Ambrósio de Milão, Cirilo de Alexandria, Efraim o Sírio, Hilário de Poitiers, Gregório de Nissa, e etc.

Some-se a isso um documento conhecido como Didaquê, escrito entre os anos 60 – 70 d.C, na região da Síria ou Egito, ele demonstra que vários ensinos cristãos pautados no Novo Testamento, já eram praticados pelas comunidades cristãs desde o primeiro século. Demonstrando assim, que poucos anos após a morte de Jesus, os ensinos contidos nos evangelhos e das cartas de Paulo já circulavam pelas comunidades, instruindo os primeiros cristãos nas práticas corretas concernentes ao que foi ensinado por Jesus.

Nos escritos do Didaquê são reforçados o batismo no nome do Pai, Filho e Espírito Santo, a volta de Jesus, sua divindade, a oração do Pai Nosso, a eucaristia e algumas outras instruções morais sobre a ética cristã.

Para exemplificar as citações do período Patrístico, observe o quadro a seguir.

citações patristica NTn

O estudioso J.Harold Greenlee diz que as citações da Escritura nas obras dos primeiros escritores cristãos  “são em número tão grande que é virtualmente possível reconstituir o Novo Testamento a partir dessas citações, sem fazer uso dos manuscritos do Novo Testamento”. [20]

Sobre esse mesmo assunto, o eminente estudioso Bruce Metzger afirma:  “De fato, essas citações são tão vastas que, se todas as demais fontes de conhecimento sobre o texto do Novo Testamento fossem destruídas, sozinhas essas citações seriam suficientes para a reconstituição de praticamente todo o Novo Testamento”. [21]

E porque tudo isso é importante? As evidências demonstram de modo categórico que as informações contidas no Novo Testamento foram preservadas do mesmo jeito por séculos e séculos, pois foram sendo citadas, copiadas e espalhadas por todo o mundo. Caso a Igreja tivesse adulterado a Bíblia como dizem, ele teria que modificar centenas de milhares dessas citações também. Como praticamente todo o Novo Testamento é citado pelos pais da igreja ainda nos primeiro séculos da história cristã, através de livros e cartas, tudo isso antes do Concílio de Nicéia (325 d.C), também acaba derrubando a falácia de que a bíblia foi criada nessa época, ou que a divindade de Jesus foi inventada bem posteriormente.

Nenhuma obra literária da antiguidade chega perto dos números históricos do Novo Testamento, uma análise criteriosa das evidências aponta com precisão a confiabilidade do texto bíblico.

A arqueologia

Para corroborar tudo que falamos até aqui, iremos agora analisar o que a arqueologia diz sobre o relato bíblico. A arqueologia é um ramo da ciência que procura recuperar o ambiente histórico e a cultura dos povos antigos, através de escavações e do estudo de documentos por eles deixados. Essa ciência tem ajudado na identificação dos lugares e no estabelecimento de datas, identificando a existência de personagens históricos que antes só se conhecia através da Bíblia, tem contribuído para o melhor conhecimento de antigos costumes e idiomas, aspectos culturais e sociais de povos antigos, e tem trazido luz sobre o significado de numerosas palavras bíblicas, aumentado nosso entendimento sobre certos pontos doutrinários do Novo Testamento, e silenciado progressivamente certos críticos que sempre colocaram em dúvida a credibilidade dos relatos bíblicos.

Começamos citando uma das maiores autoridades em arqueologia bíblica, o renomado arqueólogo judeu Nelson Glueck: “Pode-se afirmar categoricamente que até hoje nenhuma descoberta arqueológica contradisse qualquer informação dada pela Bíblia”. E prossegue comentando a “incrível fidelidade da memória histórica da Bíblia, especialmente quando corroborada pelas descobertas arqueológicas”. [22]

William F. Albright, também conhecido por sua grande reputação como um dos grandes arqueólogos, afirma: “Não pode haver dúvida alguma de que a arqueologia tem confirmado a historicidade substancial da tradição do Antigo Testamento”. [23]

Albright ainda acrescenta: “Progressivamente o exagerado ceticismo para com a Bíblia foi sendo desacreditado, por parte de importantes sistemas históricos, sendo que alguns aspectos de tais sistemas ainda se manifestam periodicamente. Uma descoberta após a outra tem confirmado a exatidão de incontáveis detalhes e tem feito com que a Bíblia receba um reconhecimento cada vez maior como fonte histórica”. [24]

Millar Burrows, da Universidade de Yale, comenta: “Em muitos casos a arqueologia tem refutado as opiniões de críticos modernos. Ela tem demonstrado em vários casos que essas opiniões repousam sobre pressuposições falsas e esquemas irreais e artificiais.[25]

F.F Bruce acrescenta que, “em sua maior parte, o serviço que a arqueologia tem prestado ao estudo do Novo Testamento é completar as lacunas no conhecimento do contexto histórico, social e cultural, com o que poderemos ler o Novo Testamento com uma compreensão e uma apreciação maiores. Esse contexto é um contexto do primeiro século. A narrativa do Novo Testamento simplesmente não se encaixa num contexto do segundo século”. [26]

O famoso arqueólogo e teólogo Merrill Unger faz um resumo: “A arqueologia do Antigo Testamento tem redescoberto nações inteiras, tem ressurgido povos importantes e, de um modo bem surpreendente, tem preenchido vazios históricos, aumentando imensuravelmente o conhecimento do contexto histórico, social e cultural da Bíblia”. [27]

Vamos analisar algumas descobertas da arqueologia que confirmam a confiabilidade da Bíblia sob diversos aspectos. Mostrando que não faltam evidências em favor da Bíblia.

Antigo Testamento

Foi divulgado em 2017 pela Biblical Archaeology Society, um artigo do professor Lawrence Mykytiuk, onde são atestados pelo menos 53 personagens bíblicos do Antigo Testamento que foram confirmados por descobertas arqueológicas.[28] Dentre eles vários antigos reis de Israel como Davi, Uzias e Ezequias, os sumos sacerdotes Azarias e Hilquias, dentre faraós egípcios, reis persas, assírios e babilônicos. Mykytiuk escreve que essas figuras “mencionadas na Bíblia foram identificadas no registro arqueológico. Seus nomes aparecem em inscrições escritas durante o período descrito pela Bíblia e na maioria dos casos durante ou muito perto da vida da pessoa identificada ”. As descobertas foram datadas e confirmaram a época em que os fatos bíblicos foram narrados. No estudo são mencionados todos os achados e suas referências bíblicas.

Os tabletes de Ebla

Um achado arqueológico interessante que diz respeito à crítica bíblica são os tabletes de Ebla, recentemente descobertos. A descoberta foi feita no norte da Síria por dois professores da Universidade de Roma, os doutores Paolo Matthiae, arqueólogo, e Giovanni Petinato, especialista em epigrafia. Desde 1974, têm sido escavados e encontrados 17.000 tabletes do período do reino de Ebla. Levará algum tempo até que se faça uma pesquisa significativa para estabelecer a relação entre Ebla e o mundo bíblico. No entanto, algumas contribuições valiosas já foram feitas à crítica bíblica.

Um exemplo adicional da contribuição da descoberta de Ebla diz respeito a Gênesis 14, texto que durante anos tem sido considerado pouco confiável do ponto-de-vista histórico. A vitória de Abraão sobre Quedor-laomer e os reis mesopotâmicos tem sido descrita como fictícia e as cinco cidades da planície (Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Zoar) como lendárias. No entanto, os arquivos de Ebla se referem a todas as cinco cidades da planície, e um tablete relaciona as cidades numa sequência idêntica a de Gênesis 14. O ambiente descrito nos tabletes reflete a cultura do período patriarcal e descreve que, antes da catástrofe registrada em Gênesis 14, a área era uma região florescente, que experimentava prosperidade e progresso, o que também está registrado em Gênesis. As tábuas de Ebla também confirmaram o culto aos deuses pagãos, como Baal, Dagom e Asera, que antes  só eram conhecidos pela narrativa da Bíblia.

Os Amuletos de Ketef Hinnom

Ketef Hinnom é composto por uma série de câmaras funerárias, localizadas a sudoeste da Cidade velha de Jerusalém, na estrada para Belém. Em 1979, os arqueólogos fizeram uma descoberta importante: duas placas de prata enroladas com textos escritos em hebraico antigo. Acredita-se que esses itens tenham sido usados como amuletos e tenham sido datados do século VII a.C, sendo considerados uns dos textos bíblicos mais antigos. Em um dos amuletos havia o tetragrama (YHVH), o nome sagrado de Deus na Bíblia Hebraica. E também a benção sacerdotal contida na Bíblia em Números 6: ” O Senhor te abençoe e te guarde; O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti; O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz.”

Essa descoberta é importante para colocar fim a algumas acusações de que o Antigo Testamento foi escrito posteriormente, é uma prova concreta de referência a um texto bíblico extremamente antigo.

O obelisco negro de Salmanaser III

É um artefato que o arqueólogo Henry Layard encontrou na antiga cidade de Nínive, o assim chamado um dos mais antigos artefatos arqueológicos a se referir a um personagem bíblico: o rei hebreu Jeú (2Reis 9 e 10). Data de 841 a.C. e se encontra atualmente no Museu Britânico de Londres. Este artefato mostra um desenho do rei Jeú prostrado diante de Salmaneser III, oferecendo tributo, sendo um relato condizente com as passagens bíblicas de 2 Reis 10.

Os textos de Balaão

Fragmentos de escrita aramaica foram encontrados em Tell Deir Allá (provavelmente a cidade bíblica de Sucote). Juntos eles trazem um episódio na vida de “Balaão filho de Beor” – provavelmente o mesmo Balaão que a Bíblia narra em Números 22.  Os textos ainda descreviam uma de suas visões, indicando que os cananitas mantiveram lembrança desse profeta.

Selo do profeta Isaías

De acordo com a arqueóloga da Universidade Hebraica Dra. Eilat Mazar, sua equipe descobriu a minúscula bula, ou impressão de selo, no Ophel, localizado no sopé da encosta sul do Monte do Templo.  Na pequena peça, com menos de um centímetro, a observa-se a figura do que parece ser um cordeiro e a frase “motivo de bênção e proteção encontrado em Judá, particularmente em Jerusalém”. Contudo, por estar quebrada, precisa ser melhor estudada antes de um “veredito” final. A esperança é encontrarem o pedaço restante ou outra igual.

Na sua porção legível, há uma inscrição com as letras hebraicas usadas no período do Primeiro Templo, que parecem soletrar l’Yesha’yah [Pertence a Isaias]. Na linha abaixo, há a palavra parcial nvy, que significaria “profeta”. Como a bula está ligeiramente danificada no final da palavra nvy, não se sabe com certeza se originalmente terminava com a letra hebraica aleph, escrevendo a palavra hebraica para ‘profeta’ e não restaria dúvida que aquele era o selo usado como a assinatura do profeta Isaías”, esclarece Mazar.[29]

Estela de Merneptah

Coluna comemorativa, datada de cerca de 1207 a.C., que descreve as conquistas militares do faraó Merneptah. Israel é mencionado como um dos inimigos do Egito no período bíblico dos juízes, provando que Israel já existia como nação neste tempo, o que até então era negado pela maioria dos estudiosos. É a menção mais antiga do nome “Israel” fora da Bíblia.

Os Hititas

Os hititas representaram um papel proeminente na história do Antigo Testamento. Eles interagiram com personagens bíblicos desde Abraão até Salomão. São mencionados em Gênesis 15:20 como um povo que habitava a terra de Canaã. 1 Reis 10:29 registra que eles compravam carruagens e cavalos do rei Salomão. Os hititas foram uma força considerável no Oriente Médio desde 1750 a.C. até 1200 a.C. Até o fim do século 19, nada se sabia a respeito dos hititas fora da Bíblia, e muitos críticos alegavam que eles eram uma invenção dos autores bíblicos.

Em 1876 uma descoberta dramática mudou esta percepção. Um estudioso britânico chamado A. H. Sayce encontrou inscrições gravadas em rochas na Turquia. Ele suspeitou que pudessem ser evidência da nação hitita. Dez anos depois, mais tábuas de argila foram encontradas na Turquia, em um lugar chamado Boghaz-koy. O especialista alemão em escrita cuneiforme, Hugo Winckler, investigou as tábuas e começou a sua própria expedição no sítio em 1906. As escavações de Winckler revelaram cinco templos, uma cidadela fortificada e diversas esculturas maciças. Em uma despensa, ele encontrou mais de dez mil tábuas de pedra. Um dos documentos provou ser um registro de um acordo entre Ramessés II e o rei hitita. Outras tábuas mostravam que Boghaz-koy era a capital do reino hitita. Seu nome original era Hattusha e a cidade abrangia uma área de 300 acres. A nação hitita havia sido descoberta!

O Império Hitita fazia tratados com civilizações que conquistava. Duas dúzias desses tratados já foram traduzidos e fornecem um melhor entendimento dos tratados do Antigo Testamento. A descoberta do Império Hitita em Boghaz-koy tem melhorado significativamente o nosso entendimento acerca do período patriarcal. Dr. Fred Wright resume a importância deste achado com respeito à historicidade bíblica: “ Ora, a imagem bíblica acerca deste povo se encaixa perfeitamente com o que sabemos a respeito da nação hitita a partir dos monumentos. Como um império, eles nunca conquistaram a terra de Canaã propriamente, embora as tribos hititas locais se estabelecessem ali uma data antiga. Nada do que foi descoberto pelos escavadores em qualquer aspecto tem desacreditado o relato bíblico. A exatidão da Escritura uma vez mais tem sido comprovada pelo arqueólogo.” [30]

Sodoma e Gomorra

A história de Sodoma e Gomorra tem sido considerada uma lenda. Os críticos assumem que ela foi criada para comunicar princípios morais. Contudo, por toda a Bíblia esta história é tratada como um evento histórico. Os profetas do Antigo Testamento se referem à destruição de Sodoma em diversas ocasiões (Dt 29:23; Is 13:19; Jr 49:18), e essas cidades representam um papel fundamental nos ensinos de Jesus e dos Apóstolos (Mt 10:15; 2 Pe 2:6 e Judas 7). O que a arqueologia tem descoberto para estabelecer a existência dessas cidades?

Os arqueólogos têm pesquisado a região do Mar Morto durante muitos anos em busca de Sodoma e Gomorra. Gênesis 14:3 dá a sua localização como sendo no Vale de Sidim, conhecido como Mar Salgado, outro nome para o Mar Morto. Em 1924, o famoso arqueólogo Dr. William Albright escavou este sítio, procurando Sodoma e Gomorra. Ele descobriu que se tratava de uma cidade fortemente guarnecida. Embora relacionasse esta cidade com a das “Cidades das Planícies” bíblicas, ele não pode encontrar evidências conclusivas para justificar esta suposição.

Mais escavações foram feitas em 1965, 1967 e 1973. Os arqueólogos descobriram uma muralha de 23 polegadas de espessura em torno da cidade, juntamente com inúmeras casas e um grande templo. Do lado de fora da cidade havia imensos sítios tumulares onde milhares de esqueletos foram desenterrados. Isto revelou que a cidade era bem populosa durante o começo da Era do Bronze, em torno do tempo em que Abraão teria vivido. Mais intrigante era a evidência de que um imenso incêndio havia destruído a cidade. Esta jazia soterrada sob uma camada de cinzas com vários pés de espessura. Um cemitério de um quilômetro do lado de fora da cidade continha restos carbonizados de telhas, pilares e tijolos avermelhados pelo fogo.

Dr. Bryant Wood, ao descrever esses cemitérios, disse que um fogo começou nos telhados dessas construções. Eventualmente, o teto em chamas desmoronou para o interior e espalhou-se pela construção. Este era o caso em todas as casas que eles escavaram. Uma destruição pelo fogo tão imensa se igualaria ao relato bíblico de que a cidade fora destruída por fogo que choveu desde o céu. Wood declara: “A evidência sugeriria que este sítio de Bab edh-Drha é a cidade bíblica de Sodoma”.

Cinco cidades da planície são mencionadas em Gênesis 14: Sodoma, Gomorra, Admá, Zoar e Zeboim. Vestígios destas outras quatro cidades também são encontrados junto ao Mar Morto. Seguindo um caminho em direção ao sul desde Bab edh-Drha, há uma cidade chamada Numeria. Continuando para o sul, está a cidade chamada es-Safi. Mais para o sul estão as antigas cidades de Feifa e Khanazir. Estudos nestas cidades revelaram que elas haviam sido abandonadas ao mesmo tempo, por volta de 2450-2350 a.C. Muitos arqueólogos acreditam que, se Bab edh-Drha é Sodoma, Numeria é Gomorra, e es-Safi é Zoar.

O que fascinou os arqueólogos é que estas cidades estavam cobertas pela mesma cinza que Bab edh-Drha. Numeria, que se acredita ser Gomorra, tinha sete pés de cinza em alguns lugares. Em cada uma das cidades destruídas, depósitos de cinza transformaram o solo em um carvão vegetal esponjoso, tornando impossível a reconstrução. De acordo com a Bíblia, quatro das cinco cidades foram destruídas, permitindo que Ló fugisse para Zoar. Zoar não foi destruída pelo fogo, mas foi abandonada durante este período. [31]

Os Tabletes de Nuzi

Gênesis 16 nos diz que a esposa de Abraão, Sarai, não podia ter filhos. Ela concordou que Abraão poderia ter uma segunda esposa para gerar um filho: sua serva egípcia chamada Hagar. Esta prática é atestada em muitos textos encontrados por arqueólogos. Os textos de Alalakh  e até mesmo o Código de Hamurabi concordam que a aquisição de um filho dessa maneira era um costume aceito. Os tabletes de Nuzi são um grupo de textos particularmente relevantes para este episódio. Datadas da segunda metade do século XV a.C, foram recuperadas de um antigo sítio hurúrico no atual Iraque. Esses textos mencionam que uma esposa estéril poderia fornecer uma escrava ao marido para gerar um filho. [32] Fato que corrobora perfeitamente com a narrativa bíblica.

O Papiro de Ipuwer

O Papiro Ipuwer é um antigo papiro Egípcio. É atualmente mantido na Rijksmuseum van Oudheden de Leyden, na Holanda. O manuscrito data de aproximadamente 1300 a.C como provável uma transcrição de um texto anterior do século XIX e XVII a.C. Este descreve motins violentos no Egito, fome, seca, fuga de escravos com as riquezas dos egípcios e morte ao longo da sua terra. Pela descrição, narra do ponto de vista egípcio de quem foi testemunha das pragas como as do Êxodo.

Existem muitas descobertas arqueológicas que ainda poderiam ser citadas que corroboram a existências de vários aspectos culturais, cidades, personagens, tradições e etc. Mas já podemos ter uma boa noção que o Antigo Testamento é uma narrativa histórica que se sustenta sobre uma grande camada de evidências em seu favor. A arqueologia é uma grande aliada ao relato bíblico, por séculos a Bíblia sempre foi posta a prova e desacreditada, mas sempre que uma nova descoberta surgia, ela dava provas que sempre esteve falando a verdade e que não há motivos para essa ceticismo exagerado.

O Novo Testamento

É inquestionável a credibilidade de Lucas como historiador. Quem está familiarizado com o evangelho de Lucas e o livro dos Atos dos Apóstolos, ambos escritos por ele, percebe que a narrativa envolve vários lugares, viagens, detalhes culturais e até mesmo conhecimento marítimo. Merril Unger nos informa que a arqueologia tem confirmado os relatos dos Evangelhos, especialmente a narrativa de Lucas. Nas palavras de Unger, “Hoje é geralmente aceito nos círculos eruditos que Atos dos Apóstolos é uma obra de Lucas, que pertence ao primeiro século e que exigiu a dedicação de um historiador cuidadoso, o qual foi substancialmente fiel no uso de suas fontes”. [33]

Sir William Ramsey é considerado um dos maiores arqueólogos que já existiu. Foi instruído de acordo com os princípios da escola histórica alemã (extremamente crítica) de meados do século dezenove. Em consequência dessa formação, ele cria que o Livro de Atos fora composto em meados do século segundo depois de Cristo.

Cria nisso com grande convicção. Numa pesquisa para fazer um estudo topográfico da Ásia Menor teve que considerar os escritos de Lucas. Como consequência, devido às provas surpreendentes que sua pesquisa revelou, viu-se forçado à alteração radical de suas convicções. Sobre isso ele comentou: “Posso afirmar com absoluta certeza que comecei esta investigação sem uma ideia preconcebida em favor da conclusão que procurarei demonstrar ao leitor. Na ocasião não era meu propósito estudar o assunto minuciosamente; mas mais recentemente eu me vi em contato com o Livro de Atos, tendo-o como uma autoridade sobre a Ásia Menor em questões de topografia, e de usos e costumes da antiguidade. Para mim foi ficando cada vez mais claro que, em inúmeros detalhes, a narrativa revelava ser maravilhosamente verdadeira. Aliás, principiando com uma ideia fixa de que a obra era essencialmente uma composição do segundo século e jamais aceitando que seus dados refletissem as condições do primeiro século, pouco a pouco vim a descobrir nesse livro um útil aliado na investigação de alguns pontos obscuros e difíceis”.[34]

Ramsey ainda acrescenta: “O relato de Lucas, em termos de fidedignidade, não tem rival”.[35]

Em certa época cria-se que Lucas havia errado completamente nos acontecimentos que ele apresentou como ocorridos à mesma época do nascimento de Jesus (Lucas 2:1-3). Os críticos afirmavam que não houve censo algum, que Quirino não era governador da Síria àquela época e que ninguém teve que voltar à terra natal de sua família para se recensear.

Primeiro, as descobertas arqueológicas revelaram que os romanos regularmente promoviam cadastramento de contribuintes de impostos e também realizavam censos a cada 14 anos. Na verdade essa prática começou sob o reinado de Augusto e ocorreu pela primeira vez em 23-22 a.C. e/ou em 9-8 a.C. Esta última data é provavelmente aquela a que Lucas se refere.

Segundo, temos indícios de que Quirino foi governador da Síria por volta de 7 a.C. Esta pressuposição baseia-se numa inscrição encontrada em Antioquia, que identifica Quirino com esse posto. Em consequência desse achado, atualmente se supõe que ele foi governador duas vezes — a primeira vez em 7 a.C. e a outra em 6 A.D. (a data atribuída por Josefo).[36]

Inicialmente os arqueólogos acreditavam que Lucas estava errado ao afirmar que Listra e Derbe ficavam na Licaônia, enquanto Icônio não ficava. (Atos 14:6). Baseavam sua crença em escritos de romanos, tais como os de Cícero, que indicavam que Icônio ficava também na Licaônia. Por isso, os arqueólogos diziam que o Livro de Atos não era confiável. Em 1910, contudo, Sir William Ramsey encontrou um monumento que mostrava que Icônio era uma cidade da Frígia. Descobertas posteriores confirmaram essa informação.[37]

Entre outras referências históricas feitas por Lucas, encontra-se a menção a Lisânias, tetrarca de Abilene (Lucas 3:1), menção que é identificada com o início do ministério de João Batista, em 27 d.C. O único Lisânias conhecido dos historiadores da antiguidade era um que foi morto em 36 a.C. Contudo, uma inscrição encontrada perto de Damasco registra um “liberto de Lisânias, o Tetrarca”, a qual é datada do período entre 14 e 29 d.C.[38]

Lucas escreve sobre o tumulto em Éfeso e descreve a realização de uma assembleia (ecclesia) civil num teatro (Atos 19:23). Os fatos são que a assembleia realmente se reunia naquele local, conforme se vê numa inscrição sobre estátuas de prata de Artemis (Diana), as quais deviam ser colocadas no “teatro durante uma reunião formal da Ecclesia”. Feitas as escavações, comprovou-se que o teatro tinha espaço para comportar 25.000 pessoas.

Lucas também relata um tumulto ocorrido em Jerusalém pelo fato de Paulo levar um gentio ao templo (Atos 21:28). Encontraram-se inscrições em latim e em grego com os seguintes dizeres: “Nenhum estrangeiro tem permissão para atravessar o muro que cerca o templo e a área adjacente. Quem quer que for surpreendido nessa falta será pessoalmente responsável pela morte que lhe advirá”. Mais uma vez comprovou-se que Lucas estava certo. [39]

Muitos estudiosos haviam criticado a escolha que Lucas fez da palavra ‘procônsul’ como título para Gálio (Atos 18:12), mas mais uma vez ele estava correto, como comprova a inscrição de Delfos, que num trecho diz: “Lúcio Júnio Gálio, meu amigo e procônsul da Acaia…”.

Junius Gálio, foi procônsul da Acaia no ano de 52 d.C, sua historicidade é confirmada pela arqueologia e pelas cartas trocadas com seu irmão, o grande filósofo romano Sêneca. Em uma tese na Universidade de Paris, de 1905, Emile Bourget publicou quatro fragmentos de uma inscrição de Delfos.

A inscrição menciona claramente Gálio como procônsul (anthupatos) da Acaia e a 26º aclamação do César.  Isso levanta a interessante possibilidade de datar o evento que Atos descreve. A 26ª aclamação do Cesar deveria ter ocorrido no primeiro semestre do ano 52.  O procônsul normalmente servia apenas um ano e iniciava-se seu mandato na primavera.

Portanto, esse fato coloca Atos 18 como uma fonte histórica sólida no ano de 52. [40]

Lucas trata Públio, o principal líder em Malta, pelo título de “homem principal da ilha” (Atos 28:7). Através de escavações descobriram-se inscrições que lhe conferem o título de “homem principal“.[41]

Uma vez que a palavra ‘politarxes‘ não é encontrada na literatura clássica, mais uma vez pressupôs-se que Lucas estivesse errado. No entanto, foram encontradas cerca de dezenove inscrições que empregam o título. Curiosamente, cinco dessas inscrições referem-se às autoridades de Tessalônica.[42]

Não é de admirar que E. M. Blaiklock, professor de Literatura Clássica na Universidade de Auckland, chegue à conclusão de que “Lucas é um historiador da mais alta capacidade, com todo o direito de ser colocado entre os grandes escritores gregos”.[43]

Vimos que Lucas era um historiador fantástico. Nos seus escritos são mencionados dezenas de figuras políticas, que foram sendo confirmadas por dezenas de descobertas arqueológicas e referências históricas extra bíblicas.

Erasto, administrador de Corinto.

Erasto é mencionado em três ocasiões, na Bíblia, Atos 16.21,Timóteo 4.20 e Romanos 16:23. Na passagem em Romanos, é relatado “Erasto, procurador da cidade”. Paulo estava na cidade de Corinto quando escreveu a cartas aos Romanos. Em 1929, entre as ruínas escavadas da Corinto antiga foi descoberta uma inscrição em um bloco de mármore usado para calçamento de uma praça, contendo uma inscrição em latim que declara ser ele [Erasto] o encarregado de obra pública. Está escrito “ERASTVS. PRO. AED. SP STRAVIT”, uma abreviatura de “Erasto PRO AEDILITATE SUA pecunia STRAVIT”. Traduzido: “Erasto, comissário de obras públicas, custeou as despesas dessa pavimentação”. Erasto teria doado fundos para projetos como a construção de prédios e ruas públicas.

O termo grego usado por Paulo para administrador (oikonomos),é o termo apropriado para descrever o “aedile”, ou magistrado supervisor de obras públicas, fato feito corretamente por Paulo.[44]

Também se encontrou em Corinto um fragmento de inscrição que, acredita-se, continha na íntegra as palavras “Sinagoga dos Hebreus”. Pode-se imaginar que essa inscrição ficasse sobre a porta da sinagoga em que Paulo debateu sobre o evangelho (Atos 18:4-7). Uma outra inscrição de Corinto menciona o “mercado de carne” da cidade, ao qual Paulo se refere em 1 Coríntios 10:25.

Assim, graças às inúmeras descobertas arqueológicas, a maioria das antigas cidades mencionadas no livro de Atos tem sido identificada. Como resultado dessas descobertas, hoje é possível identificar com precisão o trajeto percorrido por Paulo em suas viagens. [45]

O poço de Betesda

Outro local sem qualquer registro a não ser no Novo Testamento, pode agora ser localizado com uma boa dose de certeza, na zona nordeste da cidade velha. Em João 5: 1-15 descreve uma piscina em Jerusalém, perto do Portão das Ovelhas,  chamada Betesda, cercada por cinco colunatas cobertas. Até o século 19, não havia evidência fora do evangelho de João para a sua existência e a descrição incomum de João fez com que os estudiosos da Bíblia duvidassem da confiabilidade do relato, mas a piscina foi devidamente descoberta na década de 1930 – com quatro colunatas em torno de suas bordas e uma em seu meio.

Ian Wilson relata:“ Escavações exaustivas feitas pelo arqueólogo israelense Professor Joachim Jeremias trouxeram à luz precisamente tal edifício, incluindo ainda duas enormes cisternas fundas, nos arredores da Igreja de Santa Ana.” [46]

O túmulo do apóstolo Filipe

Em um comunicado de imprensa a Sociedade Bíblica Arqueológica no dia 29 de julho de 2011 anunciou que: “Durante a escavação de uma igreja da era bizantina na antiga cidade grega de Hierápolis (no sudoeste moderno da Turquia), o Professor Francesco D’Andria e sua equipe arqueológica descobriram a tumba de São Filipe, um dos doze apóstolos.” [47]

João Batista, profeta

Citado pelo Novo Testamento como o profeta que anunciaria de vinda de Jesus, João Batista também é citado pelo historiador judeu do primeiro século Flávio Josefo como sendo homem justo, e que batizava além do Jordão e que foi morto a mando de Herodes, exatamente como a Bíblia o descreve.[48] Em 2010, o arqueólogo Kazimir Popkonstantinov, em entrevista a CNN, afirmou tem encontrado o ossuário de João Batista, com inscrições em grego antigo que mencionavam seu nome.[49] Segundo Dr Georges Kazan [do Instituto de Arqueologia de Oxford], essas relíquias foram preservadas por monges do século IV e levadas a Constantinopla.

Dr Lachezar Savov, utilizando de scaners modernos, estudou o ossuário e afirma que os ossos pertenciam a um homem entre 30-40 anos e com práticas alimentares vegetarianas. Acadêmicos concordam que as evidências acumulativas mostram que o ossuário é de grande probabilidade de pertencer a João Batista.

Alexandre de Cirene

Quando Jesus estava no caminho para ser crucificado, os soldados romanos forçaram um homem chamado Simão de Cirene a carregar sua cruz (Mateus 27:32; Lucas 23:26). Simão teve filhos chamados Alexandre e Rufo (Marcos 15:21; Romanos 16:13).

Em 1941, arqueóloga israelense Eleazar Sukenik, descobriu um túmulo a oeste de Jerusalém, com cerâmicas do século I, contendo vários nomes. Alguns nomes eram particularmente comuns em Cirenaica. As inscrições em um desses ossuários dizem: “Alexandre (filho de) Simão”. Na tampa do ossuário, há uma inscrição com o nome Alexandre em grego e, em seguida, o QRNYT em hebraico. O significado disso não está claro, mas uma possibilidade é que a pessoa que fez a inscrição tenha escrito QRNYH – o hebraico para “Cyrenian”. Tom Powers comenta: “Quando consideramos quão incomum o nome Alexander era, e note que a inscrição do ossuário o relaciona na mesma relação com Simão do Novo Testamento, e lembra que a caverna funerária contém os restos mortais de pessoas de Cirenaica, a chance de Simão a que o ossuário se refere ser ao Simão de Cirene mencionado nos Evangelhos parece altamente provável.”[50]

A família Barsabás

José, chamado Barsabás, era um dos seguidores de Jesus, ele disputou com Matias a vaga deixada por Judas Iscariotes para fazer parte do círculo dos doze apóstolos, mas Matias acabou sendo escolhido. Também há referência a Judas Barsabás em Atos 15:22, um outro membro da família.

Achados arqueológicos modernos feitos por peritos israelenses em 2010 encontraram no Vale de Kidron, ossuários do século I com inscrições contendo nomes dos familiares e com símbolos de cruz. Professor Mazar diz: ” Essas descobertas são fascinantes, há evidências que o túmulo foi hermeticamente fechado menos de uma década após a crucificação de Jesus, quando o Novo Testamento ainda nem tinha sido escrito, provando que a Bíblia é muito consistente com as evidências arqueológicas.” [51]

Alexamenos graffiti

É um desenho satírico ao cristianismo primitivo, encontrado próximo ao Circus Maximus em Roma, datado aproximadamente do ano 200 d.C. O desenho exibe Alexamenos, um romano, provavelmente um soldado, adorando a um homem crucificado com cabeça de um animal como a um Deus. No grafite está escrito: “ALE XAMENOS SEBETE THEON”, que significa, “Alexamenos adora o seu Deus”.[52]

Segundo historiadores, a cabeça do animal provém das críticas dos romanos aos judeus, e como o cristianismo primitivo era visto como ramo do judaísmo, daí a associação. O grafite, apesar de blasfemo, é uma das mais antigas alusões visuais de Jesus crucificado. Mostrando a incapacidade dos romanos de entender a adoração a um homem considerado Deus que tinha sido morto de tal forma.

Esse grafite é interessante pois reforça algumas coisas, Jesus foi crucificado, era adorado como Deus e já havia forte presença cristã em Roma desde muito cedo.

Igreja Cristã em Megido, c. 220 d.C.

John Dickson relata que “Megido é o sítio do primeiro prédio de igreja já encontrado. Essa cidade comercial estratégica contém os restos de uma sala de orações Cristã datada do terceiro século. Ela contém três inscrições em mosaicos que apontam para seu uso Cristão.” Uma inscrição Grega, que se refere à mesa no centro da sala, que provavelmente era usada para a comunhão, afirma “Akeptous, que ama a Deus, ofereceu a mesa ao Deus Jesus Cristo”. O peixe que adorna o centro de um de quatro mosaicos na sala é um símbolo Cristão – a palavra ichthys (peixe em Grego): “é um anagrama das palavras Iesous Christos Theou Yios Soter: Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”. [53]

Perceba que a casa já era usada como ‘domus ecclesiae’, casas que os arqueólogos acreditam ter áreas dedicadas à oração e a reunião. O mais interessante é a dedicatória contida na mesa, “ao Deus Jesus Cristo”, mostrando que a crença na divindade de Jesus é historicamente comprovada como sendo extremamente antiga e sendo atestada por fontes extra-bíblicas.

Graças a arqueologia já foram identificados vários personagens do Novo Testamento, desde os famosos imperadores romanos como Otávio Augusto, Tibério, Cláudio e Nero, passando por vários membros da família do rei Herodes, como sua mulher e seus filhos, por governadores de províncias como Pôncio Pilatos e Festus, até figuras políticas independentes, como Aretas e Judas Galileu. [54] Vemos então que a arqueologia cada vez mais comprova a autenticidade do relato, mostrando que as histórias narradas são um fato histórico, e não há o menor sentido nessa crítica cética exagerada.

Conclusão

Creio que as evidências levantadas até aqui são mais do que suficientes para respondermos a questão levantada no início do capítulo,A Bíblia é confiável?

Comparado com qualquer documento histórico da antiguidade, o Novo Testamento apresenta as melhores evidências. Maior quantidade e qualidade de cópias, as cópias mais antigas, relatos de testemunhas oculares e menor intervalo entre o evento original e as primeiras cópias.

As evidências internas e externas também fornecem uma grande amostra da confiabilidade do relato bíblico. Pois nos coloca numa posição privilegiada de análise, onde podemos comparar dados de épocas diferentes sobre o mesmo assunto, ver como a mesma história permanece fiel com o passar do tempo ao seu propósito original  e como inclusive pessoa inimigas da fé cristã, acabaram corroborando com críticas a veracidade do testemunho narrado. Além dos inúmeros relatos independentes, inclusive de fontes não-cristãs, que acabam por trazer mais confirmação ao texto. E a arqueologia, que nos abastece com uma enormidade de evidências empíricas que comprovam dezenas de personagens citados nos textos bíblicos, locais, aspectos culturais e tradições.

Se alguém rejeitar a Bíblia alegando não poder confiar nela, terá então que rejeitar quase toda a literatura da antiguidade. Pois nenhum outro livro religioso ou secular da antiguidade possui essa quantidade de evidências em seu favor. A exagerada crítica e rejeição da Bíblia não possui fundamento sério, é baseado em puras pressuposições, falácias e distorções. O principal argumento usado é que a Bíblia contém milagres, mas se como demonstramos no capítulo 1, se Deus existir, os milagres são plenamente possíveis. O crítico precisa apresentar melhores evidências para rejeitar a Bíblia do que simplesmente um argumento baseado numa opinião pessoal que de milagres não podem ocorrer.

Esse é parte de uma série de estudos que estou fazendo. Acompanhe a página O Caminho para ficar por dentro das novidades. Compartilhe com os amigos!

Ramon Serrano

Referências:

[1] Ralfh O. Muncaster – Examine as Evidências p. 143

[2] Stanley Lawrence, ed. Cambridge History of the Bible

[3] Grady Davis, History of the world.

[4] Vishal Mangalwadi , O livro que fez o seu mundo.

[5] Josh McDowell, Evidência que Exige um Veredito. p.44

[6] Edwin Yamauchi, citado por Lee Strobel, Em defesa de Cristo p.49.

[7] Craig Blomberg, Questões cruciais do Novo Testamento. p. 16

[8] Richard Purttill, Thinking about religion.

[9] John W. Montgomery, History and Christianity.

[10] F.F Bruce, The Books and the Parchments .

[11] Extraído e adaptado da palestra do Dr Daniel B. Wallace, New Testment Reliability.

[12] Frederic G.Kenyon, Our Bible and the Ancient Manuscripts.

[13] F.F Bruce, Merece Confiança o Novo Testamento?

[14] Willian L. Craig Em Guarda p.215

[15] William M. Ramsay, The Bearing of Recent Discovery on the Trustworthiness of  the

New Testament.

[16] Simon Greenleaf, The testimony of the evangelists p. 8.

[17] Simon Greenleaf, The testimony of the evangelists p.10

[18] Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica p.74

[19] Irineu de Lyon, Contra as Heresias.

[20] J. Harold Greenlee, Introduction to New Testament Textual.

[21] Bruce Metzger, The Text of the New Testament.

[22] Nelson Glueck. Rivers in the Desert; History of Negev. P.31

[23] ALBRIGHT, William F. Archaeology and the Religions of Israel.p.176

[24] ALBRIGHT, William F. The Archaeology of Palestine. p.127

[25] BURROWS, Millar. What Mean These Stones? p. 291

[26] BRUCE, F. F. “Archaeological Confirmation of the New Testament” p.331

[27] UNGER, Merrill F. Archaeology and the New Testament p.15

[28] biblicalarchaeology.org/daily/people-cultures-in-the-bible/people-in-the-bible/50-people-in-the-bible-confirmed-archaeologically/

[29] biblicalarchaeology.org/daily/people-cultures-in-the-bible/people-in-the-bible/prophet-isaiah-signature-jerusalem/

[30] Fred Wright, Highlights of Archaeology in the Bible Lands

[31] Randal Price, Arqueologia bíblica.p.88

[32] Randal Price, Arqueologia bíblica.p.80

[33] UNGER, Merrill F. Archaeology and the New Testament p.24

[34] W. Ramsey , St. Paul the Traveller and the Roman Citizen.

[35] W. RAMSEY, The Bearing of Recent Discovery on the Trustworthiness of the New Testament p.81

[36] ELDER, John. Prophets, Idols and Diggers p.160

[37] FREE, Joseph. Archaeology and Bible History p.317

[38] BRUCE, F. F. Archaeological Confirmation of the New Testament p.321

[39] Ibidem p.326

[40] C.R Heines – Heathen contact with christianity its first century and half

[41] Ibidem p. 325

[42] Ibidem p.326

[43] ALAIKLOCK, Edward Musgrave. The A ets of the Apostles p.98

[44] John McRay, ‘Archaeological Evidence for the New Testament’ in John Ashton & Michael Westacott.

[45] COLLIER, Donald. “New Radiocarbon Method for Dating the Past p.95

[46] Ian Wilson, The Bible is History p. 170

[47] Francesco D’Andria, “Conversion, Crucifixion and Celebration,” Biblical Archaeology Review, July/August 2011.

[48] Flávio Josefo, Antiguidades judaicas 7.p.489.

[49] Kazimir Popkonstantinov quoted by Simon Hooper, ‘Are these the bones of John the Baptist?’

[50] Tom Powers, in the July / August 2003 issue of Biblical Archaeology Review

[51] Jerusalem Christian Review (December 2000 online edition)

[52] Alan Millard, ‘The First Christians – Archaeologically Invisible?’, Faith & Thought, October 2008, No.45, p.9.

[53] John Dickson & Greg Clarke, Life of Jesus Guidebook p.120.

[54] biblicalarchaeology.org/daily/people-cultures-in-the-bible/people-in-the-bible/new-testament-political-figures-the-evidence/


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