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A CONSTRUÇÃO DO EVANGELHO DE SÃO MARCOS E A PRIMEIRA EPÍSTOLA DE SÃO PEDRO Cerca do ano 45


A CONSTRUÇÃO DO EVANGELHO DE SÃO MARCOS E A PRIMEIRA EPÍSTOLA DE SÃO PEDRO


Cerca do ano 45



Depois de fazer numerosas conversões em Alexandria, S. Marcos ali recebeu o martírio, no ano 62 ou 68 da era cristã. Mas antes, e durante a sua estada em Roma, cerca do ano 45, havia composto o seu Evangelho, a pedido dos fiéis que queriam conservar por escrito o que S. Pedro ensinara de viva voz. Eis o que a esse respeito diz Papias, que o soubera de um velho ou de um dos padres que ele considerava como seus mestres e que, pertencendo a uma geração anterior, tinha podido ver ou tinha visto os Apóstolos e vivido com eles: “Como Marcos era secretario de Pedro, escreveu com cuidado o que sabia da boca dele e que conservava na sua memória; por causa disso não escreveu segundo a ordem, em que teve lugar o que Cristo disse ou fez, porque não ouviu o Senhor e não o seguiu como seu discípulo. Mais tarde, porém, agregou-se a Pedro, que doutrinava os ouvintes segundo as suas necessidades, e não com o fim de fazer uma história seguida dos oráculos do Senhor”. E muito provável que S. Marcos escrevesse o seu Evangelho na língua grega, que era a mais espalhada e tão usada então, até em Roma, que as mulheres ali a falavam com facilidade. S. Pedro reviu-o e aprovou-o; e é esta a razão por que alguns padres o atribuíram a este Apóstolo. A profunda humildade do chefe ali se nota em muitos lugares: assim não se encontra lá o elogio que Jesus Cristo fez a S. Pedro, mas sim as suas três negações, com todas as suas circunstâncias.





No mesmo tempo, S. Marcos escreveu também, ou ao menos verteu do grego para o latim, a primeira Epístola de S. Pedro aos fiéis do Ponto, da Galícia, Bitínia e Capadócia, onde fundara várias Igrejas. Roma ali é chamada Babilônia (Toda antiguidade cristã entendeu por Babilônia a cidade de Roma: S. João, em seu Apocalipse; Tertuliano; Eusébio; S. Jerônimo; S. Agostinho, etc.), por ser o centro da idolatria. Essa Epístola contém uma enérgica exortação à santidade e as regras mais importantes da moral cristã, expostas, diz o protestante Grótio, de um modo digno do Príncipe dos Apóstolos. Com efeito, ele fala como chefe dos pastores: “Apascentai, diz ele aos bispos e aos sacerdotes, apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele não por força, mas espontaneamente segundo Deus: nem por amor de lucro vergonhoso, mas de boa vontade: não como que quereis ter domínio sobre a herança do Senhor, mas feitos exemplares do rebanho com uma virtude sincera. E, quando aparecer o Príncipe dos Pastores, recebereis a coroa de glória, que nunca se poderá murchar”.



MISSÃO DE PAULO E BARNABÉ


Desde 43 a 46




Enquanto S. Pedro implantava a cruz em Roma, pregavam Saulo, Barnabé e alguns outros discípulos em Antioquia e nas vizinhanças (É em Antioquia e por esse tempo de 41 a 43 que os discípulos de Jesus Cristo, recebendo com alegria um motejo popular, denominaram-se cristãos, Bergier, art. Cristãos. Vida de Jesus Cristo, por Veuillot). Um dia em que eles ofereciam o sacrifício do Senhor, disse-lhes o Espirito Santo: “Separai-me Saulo e Barnabé para a obra a que eu os hei destinado”, Jejuaram, oraram, impuseram-lhes as mãos (alguns autores julgam que Saulo e Barnabé foram ordenados bispos por essa imposição das mãos; mas Árias Montano, Caetano e Suarez creem que essa cerimônia não foi senão uma rogativa) e os enviaram aonde o Espírito de Deus os chamava. Saulo, considerado até ali como simples cooperador de Barnabé, ocupou desde então o primeiro lugar, por ter sido o primeiro designado pela voz celeste para pregar o Evangelho aos gentios. Para o animar e amparar na difícil obra que ia empreender, arrebatou-o o Senhor ao terceiro céu; mas, para que essa revelação não lhe fosse motivo de soberba, submeteu-o a fortes tentações.




CONVERSÃO DO PROCÔNSUL SÉRGIO PAULO



Assim, divinamente preparado, “o sublime Paulo, diz S. Jerónimo, partiu a conquista da terra imitando o seu Mestre, o divino Sol da Justiça, de quem está escrito: de um salto voa de uma até a outra extremidade do céu”. Acompanhado de Barnabé e de João, que tinha por sobrenome Marcos, diferente do Evangelista, o grande Apóstolo dirigiu-se primeiro a ilha de Chipre, cujo governador era o procônsul Sérgio Paulo, varão prudente. Desejando ouvir a palavra de Deus, ele mandou chamar Saulo e Barnabé. Mas tinha ao pé de si um judeu mágico e falso profeta, por nome Barjesu, que se opunha aos Apóstolos, procurando apartar da fé o procônsul. Paulo disse-lhe: Eris coecus, “serás cego”; e logo caiu sobre ele uma obscuridade e trevas, e andando à roda procurava quem lhe desse a mão. Vendo esse fato, o procônsul abraçou a fé. Desde esse momento, dá a Sagrada Escritura sempre a Saulo o nome de Paulo; quer ele o tomasse do procônsul, como um monumento de sua conquista espiritual, quer houvesse tido desde o princípio dois nomes: um hebraico, como judeu de nascença; outro latino, como cidadão romano, e adotasse esse último quando foi pregar aos gentios.



Tratado de história eclesiástica, volume 1 — Padre RIVAUX, 1876— Brasília: Editora Pinus, 2011.

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