top of page

A IGREJA ATEÍSTA – Pe. Santiago Martín

“Desiderio desideravi” é o título da Carta Apostólica publicada esta semana, pelo Papa, para explicar como deve ser praticada e vivida a liturgia eucarística. As suas primeiras palavras, que dão à carta o seu nome, são retiradas do Evangelho de São Lucas (22,15), onde o Senhor exprime o desejo que tinha de celebrar a primeira Eucaristia: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer”. O Papa quer que a Eucaristia se torne vida e não continue a ser um mero ritualismo, mais ou menos belo. Parece-me um objetivo louvável, que nunca será perseguido com intensidade suficiente.

Mas, não esqueçamos, o objetivo da liturgia é adorar a Deus como Deus quer que O adoremos. A liturgia não é uma invenção dos homens, mas também faz parte da revelação, pois foi o próprio Cristo que nos ensinou a fazê-lo na Última Ceia, e depois os primeiros cristãos celebraram-na de uma forma que é, na sua essência, idêntica à forma como a usamos agora. Portanto, o primeiro objetivo da liturgia é a glória de Deus e celebrá-la com dignidade é essencial para isso.

O principal problema, hoje em dia, não é que alguns se refugiem no rito extraordinário porque rejeitam o Concílio Vaticano II — o que, se assim for, é muito errado —, mas o principal problema reside nos frequentes e muito graves abusos litúrgicos. O próprio Papa o disse: a liturgia não é propriedade do padre ou da assembleia, que a pode modificar como quiser, mas sim propriedade da Igreja. O padre não é o dono da liturgia, mas o seu primeiro servo e também o seu defensor, perante as pretensões de que alguns poderiam ter de a manipular.

De todas as coisas que o padre deve guardar e defender, a mais importante e sagrada é a própria Eucaristia, o Corpo e Sangue do Senhor. É o grande tesouro da Igreja e o padre deve estar pronto a dar a sua vida para o defender. É por isso que acho muito penoso que, no mesmo dia em que um documento pontifício é publicado para avaliar a liturgia, seja permitido, não menos que no Vaticano, que seja dada a comunhão a uma pessoa (Nancy Pelosi) que estava proibida de comungar pelo seu bispo.

É possível, embora improvável, que o padre que o fez não soubesse quem era Nancy Pelosi. Está na sua consciência, e se alguém lhe ordenou que o fizesse, está também na consciência daquele que o ordenou. Será que acreditam realmente na presença real do Senhor na Eucaristia, ou será que acreditam, como alguns protestantes acreditam, que é um mero símbolo que não pode ser negado a ninguém?

Talvez pensem que a proibição de São João Paulo II, que estabeleceu que os políticos que apoiam as leis do aborto não podem receber a comunhão, já não tem qualquer valor; se essa proibição já não tem qualquer significado, deve ser levantada, mas enquanto existir deve ser cumprida. Como pode a Eucaristia ser dignificada enquanto o Corpo de Cristo é profanado? Não são os abusos litúrgicos — e este é o pior de todos — que levam alguns a olhar para trás e a procurar refúgio no rito antigo?

Não quero terminar esta reflexão de hoje sem olhar para duas notícias dolorosas. A primeira é o recorde que houve na Igreja da Alemanha, com 360.000 apostasias no ano passado, às quais se devem acrescentar as pessoas que morreram, de modo que o número de católicos diminuiu em mais de meio milhão num só ano. E elas têm o descaramento de dizer que estão de partida porque não há mulheres sacerdotes na Igreja Católica, entre outras coisas, como se não estivessem de partida tanto, se não mais, da Igreja Luterana, que até tem bispos lésbicas. O que lhes falta — e é por isso que as pessoas estão saindo da Igreja — é a fé. Perderam a fé e por isso é lógico que as pessoas vão embora. De que serve continuar pertencendo a uma igreja ateia?

A outra notícia dolorosa é a expulsão da Nicarágua das freiras de Madre Teresa. As freiras de Madre Teresa, terroristas! A sangrenta ditadura comunista nicaraguense já nem sequer se preocupa em tentar ser credível. Os Missionários da Caridade encontrarão muitos lugares para onde ir, mas as adolescentes violentadas por elas cuidadas, ou os idosos que elas tiravam das ruas, estes sim terão problemas, pois não terão mais ninguém que os ajude.

Mas isso não importa para os comunistas. Eles estão apenas interessados no poder, em viver dele, sem se preocuparem com as pessoas que oprimem e exploram.


0 visualização0 comentário

Posts Relacionados

Ver tudo

Comments


bottom of page