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A milagrosa história da imagem da Mãe do Bom Conselho de Genazzano

Na Albânia, no século XV, a religião corria grave risco: de um lado, o fervor da população católica estava em declínio; de outro lado, assaltavam-na com crescente furor as hordas dos invasores maometanos, cujo objetivo era destruir até à raiz a Fé católica em território albanês.

Para evitar a catástrofe, a Providência suscitara um herói comparável, pelo destemor e pela Fé, aos pares de Carlos Magno e aos batalhadores mais salientes das Cruzadas e da Reconquista luso-hispânica: Scanderbeg.

Enquanto ele viveu, a Albânia resistiu.

Ele morto, em seguida a feitos heróicos e gloriosos, a resistência albanesa se esboroou.

Explicável castigo para uma população atolada na tibieza.

Além de Scanderbeg ‒ e quão superior a ele ‒ havia na Albânia outro pilar da Cristandade abalada.

Era a Imagem ‒ um afresco ‒ de Nossa Senhora então chamada “dos Bons Ofícios” (invocação análoga à de Nossa Senhora Auxiliadora, hoje generalizada em todo o mundo católico).

Essa Imagem, venerada em santuário próximo de Scútari, ocasião de tantas e tão preciosas graças para aquele povo corrompido pela tibieza, cairia nas mãos do invasor maometano?

Era o que se perguntavam com ansiedade dois devotos albaneses, Georgio e De Sclavis, dignos, representantes do que a Albânia ainda conservava de fiel.

A resposta a essa pergunta não tardou.

A Imagem se destacou lentamente da parede; ante os olhos atônitos dos dois devotos compatriotas do grande Scanderbeg.

Ela se alçou e foi prosseguindo em direção às águas do Mar Adriático.

E se foi deslocando sempre em igual direção, ao mesmo tempo em que fazia entender aos dois albaneses que queria ser seguida por eles.

Com Fé e estofo moral análogos aos de Scanderbeg, ambos os albaneses não hesitaram.

Foram caminhando milagrosamente sobre as águas, até que a Imagem atingisse o território da catolicíssima Itália.

Um mundo que desaba, vítima de sua crise religiosa e moral, mais ainda do que do vigor do terrível adversário.

Dois fiéis continuam a crer e esperar contra toda a esperança, e um milagre estupendo a coroar a perseverança deles: eis em síntese o esquema do até aqui narrado.

Em condições concretas muito diversas, o mesmo esquema se desenvolverá em traços muito largos, mas análogos, até nossos dias.

A ligar um esquema a outro, figura uma misteriosa e cruel provação, da qual são participes os dois valentes albaneses, mais uma idosa italiana, a Beata Petruccia, cujo valor de alma tinha proporção com os dois heróis, escolhidos por Nossa Senhora do Bom Conselho para Lhe constituírem imortal escolta de honra na travessia do Mar Adriático.

Com efeito, enquanto ambos os albaneses continuavam a seguir a Imagem pelo território italiano, esta… desapareceu.

E foi encher de celestes consolações a alma de Petruccia, então no auge de seu revés e de sua provação.

É o momento de dizer uma palavra sobre esta grande figura de mulher forte do Evangelho, que Nossa Senhora elegera para Lhe erguer o santuário mil vezes abençoado em que a Imagem dEla está exposta à veneração de incontáveis fiéis, desde há cinco séculos.

Era ela uma viúva dotada de alguns bens. Muito piedosa, fora favorecida com uma visão na qual a Santíssima Virgem a incumbia de restaurar a igreja de Nossa Senhora do Bom Conselho, em Genazzano, então ameaçada de ruir.

Para tal fim, Petruccia recorrera à caridade dos fiéis. Mas o atendimento destes deixara a desejar.

Animosa, resolvera ela então aplicar na construção o restante de seu patrimônio pessoal. Mas até mesmo este fora insuficiente, pelo que as obras ainda estavam longe de ter chegado ao termo.

Tal insucesso atraía sobre a Beata os sarcasmos injustos dessa mesma população que dera tíbio atendimento aos pedidos dela.

Mas Petruccia continuava animosa, apesar de seus oitenta anos, confiando com firmeza no auxílio da Santíssima Virgem.

Foi pois imensa e maravilhosa a surpresa dela, e a de toda a população de Genazzano, quando, na tarde do sábado 25 de abril de 1467, viram pousar sobre o lugarejo uma nuvem de aspecto admirável, da qual partiam os sons de uma música não menos bela.

Aos poucos, destacou-se da nuvem o quadro de Nossa Senhora do Bom Conselho, o qual foi pousar sobre o altar que, na previsão da futura conclusão das obras, Petruccia fizera erguer.

Estava confirmada a visão da Beata Petruccia. Tornava-se manifesto que a Santíssima Virgem desejava a conclusão das obras.

E a população, que acorrera, enlevada para prestar culto à Imagem, haveria de contribuir generosamente, de então em diante, para a construção da igreja.

Esta não tardou em ser concluída. E, enquanto nela os fiéis veneram o quadro da Virgem e do Menino, maravilhosamente transportado de Scútari pelos anjos, nela também dormem o sono da paz os restos mortais da Beata Petruccia, à espera da ressurreição final.

Os dois albaneses, que haviam ficado desconcertados pelo desaparecimento de sua tão querida Imagem, ignoravam o aparecimento desta última em Genazzano.

E andavam sem rumo pela Itália, na vã procura de seu tesouro perdido.

Quando lhes chegou aos ouvidos a notícia do ocorrido no lugarejo em que residia Petruccia, para lá se dirigiram.

É fácil calcular quanto se maravilharam e se alegraram ao reencontrarem ali o quadro celestial.

Estava assim terminada a missão deles, a qual consistia, neste lance final, em atestar a identidade entre o quadro venerado em Scútari e o que empolgava toda Genazzano.

Georgio e De Sclavis casaram em Genazzano e deixaram descendência; a de Georgio se conserva até aos dias de hoje.

Os pontos de contato são evidentes: a missão dos dois albaneses se conectava com a de Petruccia.

Guiados pela Virgem, os três trabalhavam, através de toda a sorte de obstáculos e provações, para um mesmo fim.

Este acabou por ser alcançado gloriosamente, sempre sob a direção materna de Maria Santíssima.

E eis que, isto posto, essas analogias nos transportam bruscamente a nosso século, corroído pela decadência religiosa e moral, a qual é, por sua vez, ponto de partida para todas as outras formas da decadência contemporânea.

Em 1917, a Virgem fala aos pastorinhos de Fátima, incumbindo-os de comunicar à terra sua mensagem de justiça e de misericórdia.

Se o mundo não se convertesse e não fosse consagrado a Ela pelo Santo Padre simultaneamente com todos os Bispos nas respectivas dioceses, tremendos castigos haveriam de o assolar.

A impiedade e a imoralidade seriam assim devidamente punidas e, em consequência, também derrotadas. “Por fim ‒ concluía a Virgem ‒ meu Imaculado Coração triunfará”.

É bem de ver que, durante esse tempo de provação, a Providência não deixará de suscitar em sua Igreja almas fortes e generosas, às quais fará conhecer, de um modo ou de outro, os seus desígnios.

E que as utilizará também, de um modo ou de outro, para a obtenção de sua vitória.

Quando se fala nos acontecimentos previstos em Fátima, as atenções se fixam principalmente nos castigos vindouros, e nos que os sofrerão.

E parecem esquecer os privilegiados devotos da Virgem que Ela suscitará.

Quais serão estes?

Compraz-nos conjecturar que constituirão ponderável minoria, a qual confluirá de todos os quadrantes da Terra, e se recrutarão entre pessoas das mais diversas nacionalidades e condições sociais.

Cada qual, segundo as formas e graus escolhidos por Maria Santíssima, será alvo de graças admiráveis, terá de enfrentar obstáculos tremendos, julgará por vezes estar atolado em um insucesso total.

Mas, por fim, no dia do grande triunfo, será convocado maravilhosamente para participar da glorificação da Santíssima Mãe de Deus, e viver nos primeiros dias ‒ pelo menos ‒ daquela gloriosa era marial eloquentemente prevista por São Luís Maria Grignion de Montfort, o grande apóstolo da Virgem Santíssima no século o XVIII.

(Autor: excertos tirados de Plinio Corrêa de Oliveira, sem revisão do autor)

FONTE: https://oracoesemilagresmedievais.blogspot.com/

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