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A POLÊMICA PROTESTANTE NA HISTÓRIA DO BRASIL: UM FRACASSO COMPLETO

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São antigos os embates teológicos entre católicos e protestantes, neste nosso Brasil.

Já na segunda metade do século XIX (época mais importante da implantação do protestantismo em nosso país) eles já se faziam presentes.

Nesses quase dois séculos, vários personagens destacaram-se em tais lutas do pensamento, em busca sincera da verdade cristã em sua sua pureza original.

Sobre o assunto, cito as palavras de Carlos Barros Gonçalves, Mestre em História pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFG) e Pesquisador do Centro de Documentação Regional da UFGD.

——— “Outros dois personagens de destaque na história do protestantismo brasileiro, sobretudo devido os debates e polêmicas sobre o catolicismo, foram os presbiterianos Álvaro Reis e Eduardo Carlos Pereira. Álvaro Reis (1864-1925) foi um grande pregador e polemista. Diversos de seus sermões e controvérsias foram publicados. O livro As setes palavras de Cristo na cruz, publicado numa série pelo Jornal do Comércio (RJ) durante a Semana Santa15 do ano de 1914, foi conforme palavras do próprio Álvaro Reis, fruto da espera pelo “costumeiro ataque do rev. Padre Dr. Julio Maria ao catholicismo evangélico. Surpreendido por não tê-lo feito, resolvi, na véspera de Domingo de Ramos, encetar uma série de conferências sobre o Evangelho da Cruz, tomando por tema as últimas sete quão sublimes palavras proferidas por Cristo quando pregado na cruz” (REIS, 1917)16. 14 Questão Religiosa é uma expressão brasileira da luta entre a Igreja e o mundo liberal. Anos antes do conflito entre os bispos e o Imperador D. Pedro II, o episcopado brasileiro vinha tendo confrontos com o pensamento liberal e o realismo imperial” (MENDONÇA; VELASQUES FILHO, 2002, p. 70). 15 A chamada Semana Santa faz parte do calendário cristão, sobretudo do católico, e tem como marco temporal de início a chegada de Jesus Cristo na cidade de Jerusalém, dias antes da crucificação, e o chamado Domingo de Páscoa, quando se comemora a ressurreição de Jesus e o fim da referida semana. 16 Outras obras do reverendo Álvaro Reis: O mimetismo católico, debate com o ultramontano Dr. Carlos Pimenta de Laet da Academia Brasileira de Letras; O tribunal de Cristo; As origens chaldaicas da Bíblia; Os escândalos; O clamor das pedras. 158 Fronteiras, Dourados, MS, v. 12, n. 21, jan./jun. 2010 Universidade Federal da Grande Dourados O reverendo Eduardo Carlos Pereira (1855-1923) foi o organizador da Sociedade Brasileira de Tratados Evangélicos que a partir de 1883 publicou diversos folhetos, a maioria escrito por protestantes brasileiros, e que diziam respeito ao discurso anticatolicismo: A bem-aventurada virgem Maria (1887), O único advogado dos pecadores (1884), O culto dos santos e dos anjos (1884) entre outros. O reverendo ainda publicou ao longo de seu ministério pastoral diversos textos nos jornais protestantes do país. Um das obras de sua autoria, fruto de debate foi O protestantismo é uma nulidade, polêmica com o Monsenhor Nascimento Castro, em 1896 (MENDONÇA, 1995, p. 87). Outro nome importante no que se refere a publicações anticatolicismo foi o reverendo presbiteriano Ernesto Luiz de Oliveira (1875-1938). Em 1906, por exemplo, entrou em contenda com o pároco de Campinas ao debater sobre a fala atribuída a Jesus Cristo Isto é o meu corpo, narrada no episodio conhecido como a última ceia, registrado no livro de I Coríntios, capítulo 11 e versículo 24, e a interpretação a ser dada a essa assertiva (LIMA, 1995, p. 10). Outros escritos foram Breves reparos às conferências do Revmo. Mar. Manoel Vicente (1903), Vindicação da fé evangélica perante a Bíblia-refutação ao opúsculo A Igreja Católica e o Protestantismo do bispo de Campinas (1904), Roma, a Igreja e o AntiCristo (2 ed. 1961), São Pedro ou São Rocha (1933). Convém citar também o reverendo Othoniel Mota (1878-1951), talvez o mais erudito dos polemistas protestantes. Importante filólogo e intelectual reconhecido. Dirigiu a Biblioteca Pública de São Paulo, atual Biblioteca Mário de Andrade, foi membro da Academia Paulista de Letras, escreveu diversos livros e artigos de jornal. Aposentou-se como professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (LIMA, 1995, p. 10). Do lado católico, convém citar o padre Julio Maria de Lombaerde (1878- 1944), que escreveu diversos textos ao longo da década de 1920 de combate aos “filhos de Lutero”. Os escritos de Julio Maria o tornaram nacionalmente conhecido como polemista, recebendo a alcunha de martelo do protestantismo no Brasil. Alguns de seus livros: O perigo dos colégios protestantes (1929), Palhaçada protestante (1929), A mulher e a serpente (1930), Objeções e erros protestantes (1932), Ataques protestantes às verdades católicas (1934) e muitos outros. Sem dúvida, o padre Júlio Maria fez por merecer o dito nome de martelo do protestantismo, pois, foi um dos escritores polemistas que mais publicaram textos de caráter antiprotestantismo no Brasil. Sem dúvida, um divisor na história dos debates entre católicos e protestantes no Brasil foram os escritos do padre Leonel Franca. Ao longo da década de 1920 Leonel Franca escreveu diversos textos de combate ao protestantismo no Brasil, bem como publicou respostas aos argumentos protestantes. Um exemplo foi a resposta ao livro O problema religioso da América Latina (1916)17. de Eduardo Carlos Pereira, que vinculava o atraso econômico e intelectual do Brasil à religião católica secular. A resposta de Franca foi intitulada A Igreja, a Reforma e a civilização, com o subtítulo com observações críticas à margem d’O problema religiosa da América Latina do Sr. Eduardo Carlos Pereira. As publicações dos debates ocorridos a partir das manifestações de Leonel Franca ganharam tal dimensão que ao longo dos anos de 1920 e primeiros de 1930, outros protestantes de renome como o reverendo Othoniel Motta, que utilizava o pseudônimo de Frederico Hansen, Ernesto Luiz de Oliveira e Lisânias de Cerqueira Leite. Entre as publicações de Leonel Franca, destacam-se Catolicismo e protestantismo (2. ed. 1952), Lutero e o sr. Frederico Hansen (3. ed. 1952), O protestantismo no Brasil (3. ed. 1952). Do reverendo Othoniel Motta, Lutero e o Padre Leonel Franca (1933), A defesa do padre Leonel Franca (1933), O papado e o padre Leonel Franca (1933), A divinação do papa (1934). Lisânias de Cerqueira Leite publicou Protestantismo e romanismo: resposta ao pé da letra, à obra de Leonel Franca S. J., A Igreja, a Reforma e a civilização (vol. I, 1933, vol. II 1938, vol. III 1942) e A Igreja, o papado e a Reforma (1941)” (ver aqui: http://ojs.ufgd.edu.br/…/FRONTEIR…/article/viewFile/1179/716) ———-

Vemos, no artigo acima, que Carlos Barros Gonçalves citou várias personalidades, protestantes e católicas:

Rev.. Álvaro Reis Dr. Carlos de Laet (católico) Pe. Júlio Maria de Lombaerde Rev. Eduardo Carlos Pereira Rev. Ernesto Luis de Oliveira Reverendo Othoniel Motta Rev. Lisânias de Cerqueira Leite e….

…O PE. LEONEL FRANCA!

Este merece uma consideração à parte.

Falemos, antes, porém, brevemente, alguma coisa sobre os demais.

O pastor Álvaro Reis ( pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil e presidente, por dois anos, do Supremo Concílio da referida igreja (na época denominado Assembléia Geral) foi, segundo o texto acima: “um grande pregador e polemista”.

O Rev. Reis é, de fato, um nome reconhecidíssimo e muito festejado pelos “reformados” brasileiros.

Até um busto em sua homenagem foi inaugurado no Rio de Janeiro, em praça que leva o seu nome (ver aqui: https://www.google.com.br/search…)

Muito bem.

Esse “grande polemista” foi esmagado em debate com o leigo católico Dr. Carlos de Laet.

ESMIGALHADO!

Leigo entre aspas Carlos de Laet!

Com efeito, “PRÍNCIPE DOS JORNALISTAS” chama-lhe Elvandro de Azevedo Burity, em obra sobre o grande autor. ver aqui: http://gleg.com.br/Livrospublic…/OPríncipedosJornalistas.pdf)

Fez parte da ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS.

E no site da própria ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, da qual Carlos de Laet ocupou a cadeira de ninguém menos do que Ruy Barbosa, está:

—- Carlos de Laet (Carlos Maximiliano Pimenta de Laet), jornalista, professor e poeta, nasceu em 3 de outubro de 1847, no Rio de Janeiro, RJ, e faleceu também no Rio de Janeiro em 7 de dezembro de 1927. Convidado para a última sessão preparatória da instalação da Academia, em 28 de janeiro de 1897, foi o fundador da cadeira n. 32, que tem como patrono Araújo Porto-Alegre…Na Academia Brasileira, Laet recebeu sempre provas de apreço e consideração de seus companheiros. Eleito presidente em 1919, na vaga de Rui Barbosa, exerceu três mandatos até 1922, quando renunciou. Foi presidente da primeira comissão do Dicionário da Academia.(ver aqui: http://www.academia.org.br/academi…/carlos-de-laet/biografia) —-

Escreveu cerca de 3.000 artigos! (ver aqui: https://m.facebook.com/cdbosco/posts/1716328808663425)

Um GIGANTE das letras nacionais, portanto.

Vitorioso, por exemplo, em debates com homens da envergadura de Camilo Castelo Branco.

“Debates vitoriosos”, digo, porque os li, em: “Obras Seletas de Carlos de Laet, v. 2 – Polêmicas”, com mais de 400 páginas.

E na magnífica obra “HERESIA PROTESTANTE” (Editora A. Campos, s/d), reduziu a pó os argumentos do referido pastor (Álvaro Reis) , principalmente sobre a Intercessão dos Santos.

Reduziu, sim! Porque também possuo a obra (em português antigo e belíssimo) e pude constatar.

E quem quiser constatar também, que leia a obra e comprove.

Está na Estante Virtual e custa cerca de R$ 300,00, por ser livro raro.

Quanto ao Pe. Júlio Maria de Lombaerde, este não carece nem sequer de apresentação.

Como vemos no texto acima, recebeu a alcunha de ” martelo do protestantismo no Brasil”.

NUNCA FOI REFUTADO COM SUCESSO, apesar das muitas tentativas feitas.

E, por fim, o príncipe dos apologistas católicos brasileiros, em minha modesta opinião:

O PE. LEONEL FRANCA!

Depois de ler a obra ” O Problema Religioso da América Latina”, do Rev. Eduardo Carlos Pereira ( que exerceu grande influência nos círculos protestantes de sua época), o Pe. Franca a rebateu em sua: “A Igreja, a Reforma e a Civilização”.

E a rebateu de tal forma, que o PROTESTANTE Émile-G. Léonard (integrante da Escola Francesa de Roma e professor da Universidade de Nápoles), na obra “O Protestantismo Brasileiro”, editada pela ASTE, afirma do livro do Pe. Franca que este trouxe (versais minhas):

—- “Respostas fáceis A UM FRACO LIVRO DE APOLOGÉTICA pragmatista de EDUARDO CARLOS PEREIRA”. ( s/d, p. 214) —-

Sem falar que houve até pastores que, após lerem a obra do Pe. Leonel Franca, abandonaram o protestantismo e se fizeram católicos.

Contra o Pe. Leonel Franca se insurgiram, depois, o Rev. Ernesto Luiz de Oliveira, o Rev. Othoniel Mota e o Rev. Lisânias de Cerqueira Leite.

TODOS FORAM CABALMENTE REFUTADOS!

Para terem um ideia, APENAS A INTRODUÇÃO de “Catolicismo e Protestantismo”, que o Pe. Franca escreveu em réplica à: “Roma, a Igreja e o Anticristo” (do Rev. Ernesto Luiz de Oliveira), APENAS TAL INTRODUÇÃO desacredita completamente a obra do pastor.

Otoniel Motta e Lisânias Cerqueira Leite foram ambos refutados CABALMENTE em “O Protestantismo no Brasil”, livro que Éber Ferreira S. Lima, na obra: “Leonel França Versus Protestantes: Itinerário de uma Polêmica” (livro que recomendo), chama de: “O CANTO DO CISNE” do grande jesuíta.

Para quem não sabe, a expessão metafórica “Canto do Cisne” é normalmente usada para as últimas realizações de uma pessoa.

É usada, como diz https://www.significados.com.br/canto-do-cisne/ (versais minhas):

—- “…para descrever a derradeira e mais importante obra de um artista, como se este tivesse alcançado nos últimos momentos de vida, UMA SUPREMA INSPIRAÇÃO ARTÍSTICA”. —-

Foi o que se deu com o Pe. Franca em sua réplica à Othoniel Motta (que escrevia sob o pseudônimo de Frederico Hansen) e ao Rev, Lisânias.

Uma obra de arte, emoldurada por um vernáculo magnífico.

Vernáculo que muito me influenciou e que, talvez por isso, alguns hereges deste grupo duvidem que sou eu mesmo o autor do que posto.

É que lendo carcaças como Silas Malafaia, R.R. Soares e Marco Feliciano, esse povo desaprende!

Falo tudo isso, sobre essa polêmica toda que faz parte da nossa história religiosa e cujo resultado inegável foi o triunfo da apologética católica, porque TENHO COMIGO os autos do processo.

Tenho os livros dos autores católicos e protestantes que citei.

Tenho todas as exposições, com as respectivas réplicas e tréplicas…

Portanto, embora eu não seja nenhum “funkeiro”, como disse, maliciosamente, o Fabiano Dias, reitero a frase:

“TÁ TUDO DOMINADO!”

Na história do Brasil, a apologética protestnte, no seu melhor, SEMPRE PERDEU.

Como perde aqui, no seu pior.

Créditos: Fábio Morais

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