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A QUARESMA BRASILEIRA É UMA PENITÊNCIA EM SI

Por Ana Paula Barros

Eu sei, a Quaresma mal começou e você já está cansado. Principalmente se você criou uma aversão à Campanha do Desgosto, quer dizer da Fraternidade. Mas ao menos podemos pensar que é uma obra de misericórdia (claro, enviesada politicamente para alicerçar algumas falas dos últimos anos…tá parei), mas não deixa de ser uma obra de misericórdia. Aliás, quem também precisa de misericórdia é o fiel católico… está puxado ser católico, de verdade, na terra tupiniquim (mas ao menos não estamos sendo perseguidos abertamente…).

Provavelmente, nós poderíamos competir com uma escola de samba no quesito barulho. Em pensar que os antigos diziam que todo mundo silenciava na quarta de cinzas… mas agora a Igreja faz é barulho o ano todo. Viciados em barulho, obcecados pelo novo.

Eu, particularmente, estou cansada de tanto barulho, tanta cafonice, tanta obsessão pelo novo, novo, novo. Todos estão cansados, mas nenhum padre (ou bispo) se pergunta se isso cansa e vem nos socorrer. O diálogo só existe no texto, não na realidade. E se existe só alguns são contemplados.

E, provavelmente, alguns padres acharão que minha fala é contra a obediência, porque o certo é todo mundo engolir barulho, cafonice, frases vazias sem reclamar. Eu tenho pra mim que uma Igreja da Congregação é mais silenciosa que a nossa e (pasmem) eles usam o órgão (é um instrumento do rito católico, veja bem, o instrumento por excelência) todo domingo. Enquanto nós ficamos nas guitarras, baterias e todo o tipo de percussão, até na Quaresma. Uma escola de samba deslocada. E depois ninguém sabe o que estamos fazendo de errado, mas ninguém pode falar isso… é quase um tabu, assim como outros temas.

Portanto, estamos a pedir demais que uma igreja católica, com padre católico, seja católica. Me parece que é um pedido muito difícil. E todo tipo de desacordo é solenemente ignorado, afinal nós temos que nos adaptar.

Eu, pessoalmente, não quero me adaptar. Eu não vou me adaptar a essa joça cafona, barulhenta e cansativa. Considerando que existe um número grande de pessoas que não querem se adaptar (e não são escutadas), a Quaresma no Brasil se tornou o tempo litúrgico em que a relação “pais e filhos eclesiásticos” se revela desordenada e atritiva. Simplesmente porque os padres (e bispos) resolveram escutar mais uns filhos do que outros, sendo que deviam escutar a Tradição Católica. Assim está formado o momento em que ir a missa já é uma penitência. E estou eu aqui a escrever coisas que muitos católicos queriam gritar na Santa Missa (inclusive eu) para ver se o padre, os ministros e os músicos, principalmente os músicos, se comportem segundo o tempo litúrgico.

A Quaresma Católica no Brasil se tornou um tempo de revolta, porque os padres não escutam os filhos, ou escutam alguns filhos, aqueles que rejeitam solenemente a Tradição (interessantemente). Praticamente não existe silêncio, não existe reflexão, não existe valorização da piedade. Tudo se foi na realidade paroquial. Simplesmente, não existe. E ninguém sabe o que estamos fazendo de errado.

Passamos um período falando do combate a fome enquanto morremos de inanição, com fome de silêncio, de reverência, de piedade, de reflexão tranquila, de beleza penitencial. Fome da Tradição Católica. E ninguém sabe o que estamos fazendo de errado.

Fonte: Salus in Caritate | Texto de Ana Paula Barros

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