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A REFORMA PROTESTANTE FOI PERSEGUIDA PELO SANTO OFÍCIO?

A REFORMA PROTESTANTE FOI PERSEGUIDA PELO SANTO OFÍCIO?

Vamos entender a atividade do Santo Ofício no período de 1520 a 1630/40, que é chamada de segunda etapa da Inquisição espanhola, apesar de até 1580 que foi o ano em que Portugal foi anexado a península ibérica, quase não se tinham registros de processos por heresia judaizante. O Tribunal encontrava-se especialmente dedicado a erradicar a heresia dos Protestantes(os autos de Sevilha e Valladolid, 1558-1562, todos do clero e Nobreza), apesar de que os processos não foram muitos. Em sua maior parte foram estrangeiros, pois os protestantes espanhóis, em sua maioria, residiam no exterior.

O protestantismo na Espanha teve pouca importância, pois os protestantes concentraram-se nas comunidades de Sevilha e Valladolid. Não obstante, é preciso esclarecer que os estrangeiros visitantes e de passagem estavam isentos da ação inquisitorial, protegidos por tratados como o que havia sido firmado por Felipe III com James I da Inglaterra (Tratado de Londres 1604), Onde se estipula, em um de seus artigos, “que não serão molestado em terra nem em mar por questões de consciência, dentro dos domínios do rei da Espanha, se não der em lugar a escândalo público. É preciso dizer que foi Carlos V, imediatamente depois do encontro com Lutero na dieta de Worms, quem ordenou à inquisição que desce urgente prioridade a esta seita herética, e examinasse Principalmente os homens que ingressaram na península vindos das regiões que tiveram a influência dos reformistas como Flanders.

Cumpre esclarecer, a este propósito, duas coisas. A inquisição foi muito mal criticada pela perseguição aos protestantes, acusação que contém importantes imprecisões, Muitas delas semeadas de forma deliberada. Em primeiro lugar, convenhamos que não se pode perseguir algo que não existe. Aos protestantes modernos, evangélicos ou seja como se chamam hoje em dia ou como se autodenominam, não havia igreja protestante, o que na verdade, é visível aos olhos de um cego que hoje em dia não existe igreja protestante. Existem várias igrejas com várias divisões, podemos ter em conta que no começo de sua iniciação na história, o protestantismo não se apresentou como “a heresia”, aquela que em um futuro próximo teria de ser confrontada pela Igreja católica com o uso de todos os seus recursos. pelo contrário começou como um erro a mais em um conglomerado de erros que era necessário refutar e condenar. Não havia nada de original nestes “reformistas”, pois o desejo de reforma na Igreja como mostra Jaime Balmes, existia desde muito antes.

Reformas sucessivas foram sendo feitas com o passar do tempo, mas a igreja não precisou de Lutero e seus seguidores para modificar aquilo que devia ser modificado não teve necessidade antes e não tem necessidade muito menos hoje.

Os pretensos “protestantes” processados pelo Santo Ofício não foram sacerdotes, monges, freiras, bispos, Frades e outros homens pertencentes à Igreja católica (A ÚNICA IGREJA CRISTÃ NAQUELE MOMENTO) que difundiam desavergonhadamente a heresia entre os seus Fiéis. Por exemplo, Juan Gil, designado bispo por Carlos V, havia sido o fundador da comunidade protestante em Sevilha. Seu sucessor, um tal de Constantino Ponce de La Fuente, havia sido confessor de Carlos V. Salvando as naturais diferenças, aplicou-se o mesmo critério que com os judeus, os quais não eram perseguidos por praticar sua religião ou por sua condição de judeus (direitos sempre reconhecido), mas por Pretender fazê-lo entre os fiéis cristãos, convertendo-se falsamente.

Quando foram condenados, foi por serem cristãos, traidores, e não por serem judeus. No caso dos reformadores, de sua perseguição, isto é ainda mais fácil de compreender, se, se considera que, Diferentemente do Judaísmo, estes nem sequer tinham, naquele momento (assim como não o tem hoje), um corpo hierárquico, doutrinal e teológico uniforme: não existia algo como a “religião” ou “igreja protestante”. Portanto, não se pode falar propriamente de uma perseguição a protestantes, mas sim a católicos hereges. Hoje, que é reconhecida formalmente como uma confissão diferente da católica, hoje sim, não se poderia justificar que fossem processados pela Igreja por encontrar-se naturalmente fora de sua competência. É importante deixar isso bem claro e para ser registrado por nossos amigos Protestantes e interessados.

Corresponde também a esse período, especialmente no final do século XVI, alguma atividade dirigida contra os mouriscos, as bruxas e os feiticeiros (assunto que escreverei a parte futuramente). Esta, diz Dedieu, é uma longa etapa da vida da Inquisição (120 anos), que pode caracterizar-se por dois traços. Primeiro, assistimos à consolidação da instituição. Segundo, fica Definitivamente configurada a geografia dos distritos inquisitoriais e das sedes de seus respectivos tribunais.

Como diz Belloc, “hoje em dia tanto católicos quantos protestante tendem a cometer um erro histórico capital”. Tendem a considerar o catolicismo de um lado e o protestantismo de outro, como dois sistemas religiosos e morais opostos, produzindo, em seus membros individuais, desde a origem do movimento, característica morais agudamente contrastantes. Tomam essa dualidade como natural mesmo no começo.

Por quase 100 anos depois do movimento chamado reforma ter começado (digamos de 1520 a 1600), os homens permaneceram numa atitude mental que considerava toda a querela da cristandade como ecumênica. Pensavam como num debate em que toda a cristandade estar engajada e na qual alguma decisão final iria ser tomada para todos. Essa decisão se aplicaria à cristandade como todo e produziria uma Paz religiosa geral.

O desgaste que a reforma Protestantes causou a Europa foi muito grande, a Europa não aguentaria continuar mais tempo em uma desunião religiosa. A aceitação relutante do desastre não se torna evidente — até a paz de westfalia, 130 anos depois do primeiro desafio de Lutero, e a completa separação em grupo católico e grupo protestante não aconteceu por ainda mais 50 anos aproximadamente em 1690 e 1700.

É fundamental a importância da apreciação da Verdade histórica. somente alguns dos mais amargos e ardentes reformadores estavam decididos a destruir o catolicismo como uma coisa existente em separado, da qual estavam Consciente e a qual odiavam. Um número ainda menor de reformadores estava decidido a exigir alguma outra contra-religião unificada.

Eles estavam decididos (como disseram e como foi dito por um século e meio antes da grande revolta) a reformar. Diziam-se dispostos a purificar a Igreja e restaurar suas virtudes originais de simplicidade e Sinceridade. Estavam dispostos, de várias maneiras (e os vários grupos diferiam em quase tudo exceto em sua reação crescente contra a unidade), a se livrar das excrescências, supertições, e falsidades históricas — das quais, Deus sabe, havia uma multidão para eles atacarem.

Com passar do tempo os dois partidos passaram a se tornar bem distintos, dois exércitos hostis, dois Campos separados e finalmente a completa separação foi atingida. O que tinha sido a cristandade do ocidente se rompeu em dois fragmentos: um em que seria, dali em diante a cultura protestante, outra a cultura católica. Cada um dali para frente, reconhecia a si próprio e seu espírito como algo separado e hostil ao outro. cada um se desenvolveu, associando o Novo Espírito com sua região, nacionalidade ou cidade-estado Inglaterra, Escócia, Hamburgo etc.

Nessa segunda fase os dois mundos, católica e Protestantes, estão conscientemente separados e são conscientemente antagônicos. É um período repleto de lutas físicas: “as guerras religiosas” na França e na Irlanda e, sobretudo, nas regiões da Europa central que falavam alemão. Muito antes das lutas físicas terminarem, os dois adversários estão cristalizados em sua forma permanentemente.

A Europa católica acabou aceitando como aparentemente inevitável, a perda do que são agora os estados e cidades protestantes. A Europa protestante perdeu toda a esperança de influenciar com seu espírito aquela parte da Europa que foi salva para a fé. O novo Estado de coisas foi fixado pelos principais estados que puseram fim às guerras religiosas na Alemanha (na primeira metade dos anos 1600). Mas a luta continuou esporadicamente por mais uns 40 anos, e partes das Fronteiras entre aquelas duas regiões flutuavam, mesmo depois desse período adicional. As coisas não se assentaram permanentemente Nos Dois Mundos até 1688 na Inglaterra ou mesmo 1715 se considerarmos toda Europa.

Para tornar as coisas Claras basta fixar as datas. Podemos considerar como a origem da luta aberta a violenta revolta relacionado ao nome de Martinho Lutero em 1517. Por volta de 1600, o movimento, como um movimento europeu generalizado, tinha se diferenciado bastante em um mundo católico e um mundo protestante, e a luta começara em torno da questão sobre qual dos dois mundos deveria predominar, não soube qual a filosofia deveria prevalecer em nossa civilização; apesar disso, Como Belloc salienta: “muitos ainda tinha uma esperança de que no final, ou a antiga tradição católica pereceria, ou a cristandade como um todo iria se reintegrar”.

A segunda fase começa, em uma data tardia como 1606 na Inglaterra ou poucos anos antes no continente e não termina numa data precisa, mas, geralmente falando, nos últimos 20 anos do século XVII. Termina na França antes que a Inglaterra. Termina nos Estados germânicos — de exaustão, mais do que por qualquer outra razão — ainda mais cedo do que na França, mas pode-se dizer que a ideia de uma luta religiosa direta estava se transformando na ideia de uma luta política já nos anos 1670 ou 1680. As guerras religiosas preencheram a primeira parte dessa fase, terminando na Irlanda no meio do século XVII e na Alemanha poucos anos antes, mas a coisa era ainda pensada como sendo um acontecimento religioso até 1688 ou mesmo Poucos Anos depois, naquelas regiões onde o conflito ainda se mantinham.

Vale ressaltar que as origens daquele grande movimento que abalou e dividiu, por gerações, o mundo espiritual e que chamamos de “reforma” a preparação dos materiais para aquela explosão que estilhaçou a cristandade no século XVI levou um século e meio, Pelo menos, antes do primeiro ato de rebelião contra a unidade religiosa em 1517.

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