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A RESPOSTA DE ROMA AO CÂNONE TRÊS DO CONCÍLIO DE CONSTANTINOPLA




A RESPOSTA DE ROMA AO CÂNONE TRÊS DO CONCÍLIO DE CONSTANTINOPLA

O terceiro canon foi a proposta de Constantinopla ser o 2° em honra após Roma, pois era o bispado da “Nova Roma”. Se o argumento ortodoxo tivesse alguma razão, e o bispo de Roma fosse o primus inter pares por ser o bispo do reino (um argumento típico ortodoxo, já que coloca a política tomando precedência sobre o espírito), porque Constantinopla pediria para ter a prerrogativa de honra APÓS o bispo de Roma, quando na verdade o Reino já estava em Constantinopla, e não se colocaria como primus ele mesmo (sem necessidade de concílio algum, já que agora ele teria procedência política)? Quanto ao 3° cânone, Roma nunca o aprovou, e foi contestado por Roma na época pela redução de honra do bispado de Antioquia e Alexandria e negado no futuro pelo papa Leão, o Grande.

O Primeiro Concílio de Constantinopla não tinha originalmente a intenção de ser um concílio ecumênico, mas regional, motivo pelo qual os bispos ocidentais e papa Damaso | foram ignorados. Somente em 451, o Concilio de Calcedônia considerou o Primeiro Concílio de Constantinopla como ecumênico e só foi reconhecido pelo Ocidente no século VI pelo papa Hormisda e mesmo assim a validade do terceiro cânone (que deu ao bispo de Constantinopla a precedência sobres os bispos de Alexandria e Antioquia) não foi aceito pelos papas, argumentando-se que violava o cânon sexto do Concílio de Niceia, os direitos de Alexandria e Antioquia, nos quais o Bispo de Roma baseava sua autoridade no fato de ser o sucessor de São Pedro, e não o bispo da capital imperial.

este argumento poderoso em apoio à interpretação do sexto canon de Nicéia, é que os antigos viram nele um reconhecimento simples e formal pelos Padres de Nicéia do primado da Sé Apostólica. De fato, o papa St. Gelasius proclama um judicium invictum et singulare . Por que processo de raciocínio você pode persuadir-se, ele escreve aos bispos orientais, que os direitos dos outros serão respeitados, se não se derrame a veneração do Beato Pedro, porque aquilo que tem Sempre foi o apoio e baluarte de toda a dignidade sacerdotal, e ao qual o testemunho único e irrefragável dos trezentos e dezoito Pais reconhecem a veneração imemorial Por isso, se acreditarmos em Gelasius, o nome do Pontífice romano foi usado pelos pais Nicenos para servir de apoio e baluarte para os privilégios de Alexandria, Antioquia e outras igrejas. Os imperadores Teodosio e Valentiniano também expressam esse sentimento generalizado em seu célebre edito sobre o primado da Sé Apostólica. O poder civil, eles argumentam, deve reconhecer o Bispo de Roma como Chefe da Igreja, primeiro porque é o sucessor de São Pedro, o Chefe dos Bispos; Segundo, por causa da dignidade de sua cidade; E terceiro, porque sua supremacia foi confirmada pelo concilio sagrado…..

A posição de Roma está dada pela primazia e sucessão de S. Pedro e foi um erro (crasso) considerar que se tratava do ”centro do mundo” no ”Império”, como preconizado pelo neoplatônico João Filopono. Assim, parecia que o centro do Cristianismo não tinha ligação intrínseca e eterna com a Cidade Eterna, Roma, mas, ao contrário, poderia ser movida de acordo com o eixo do ”centro do mundo”, isto é, de acordo com a capital do Império Romano. Coisa que se mostra falsa.

Acrescentando que o Papa Leão Magno recusou-se a aceitar esse cânone(no final do texto está o documento), e empregando uma espécie de (veto de item de linha), ordenou que isso acontecesse a partir dos documentos do Concilio. Nisto, Dom Anatolius de Constantinopla escreve ao Papa Leão, pedindo desculpas e explicando como o cânone chegou, dizendo … Quanto às coisas que o Concílio universal de Calcedônia recentemente ordenou em favor da igreja de Constantinopla, deixe Sua Santidade ter certeza de que não houve culpa em mim, que desde a minha juventude sempre amei a paz e a quietude, me mantendo humilde. Era o clérigo mais reverente da igreja de Constantinopla que estava ansioso por isso, e eles eram igualmente apoiados pelos mais reverentes sacerdotes dessas partes, que concordaram com isso. Mesmo assim, toda a força de confirmação dos atos foi reservada para a autoridade de sua bem-aventurança. Portanto, deixe a Sua Santidade saber com certeza que não fiz nada para aprofundar o assunto, sabendo sempre que eu me obrigava a evitar os desejos de orgulho e cobiça. – Patriarca Anatolius de Constantinopla ao Papa Leão Magno.

A posição dos ortodoxos é insustentável com relação a própria carta de Dom Anatolius de Constantinopla que confirma que é o orgulho e a cobiça que levaram a propor o Cânon 3

Esta variação é encontrada em todas as versões ante-Dionisianas, como pode ser visto consultando a edição Ballerini-Quesnel das obras de São Leão, vol. 3. Se este fosse o lugar apropriado, seria uma ocupação instrutiva e divertida traçar o processo de corrupção que o nosso cânone sofreu quando passou pelas mãos dos sucessivos editores. O additamentum foi, sem dúvida, em primeira instância, o título selecionado pelo primeiro tradutor romano. Em seguida, na Antiquissima, o Quod foi abandonado. Então, os seguintes editores, achando necessário que cada cânone tenha um título apropriado e acreditando que o sexto não tivesse nenhum, acrescentou as palavras De Primatu Ecclesim Romanm. O editor da Prisca, para confundir a confusão, – como vários escritores protestantes fizeram – que podem estar no Concilio de Nicéia, como alguns autores católicos tentaram fazer. Para os católicos que expressam indignação na tentativa de Calvino de substituir Rufinus pelo Conselho e ao protestante que está igualmente indignado com o que podemos chamar de substituição de Darras-Rohrbacher de uma versão latina para o cânone original.

ROMA E CONSTANTINOPLA

O concílio de Constantinopla(381) – honra imediata Cânon 3, Mansi, 560 C

O bispo de Constantinopla tem a primazia de honra imediatamente depois do bispo de Roma, pois Constantinopla é a nova Roma

O concílio de Calcedónia (451) – jurisdição paralela

Cânon 9, 28. Bright, cânones dos primeiros quatro concílios gerais, XLI, XLVIII

[ESTES CÂNONES FORAM DENUNCIADOS POR LEÃO E NUNCA FORAM ACEITOS NO OCIDENTE]

9. O clérigo que tiver uma demanda contra outro clérigo não pode deixar o foro do seu próprio bispo nem recorrer a tribunais seculares. Levará sua causa, em primeira instância, ao próprio bispo ou, com vénia deste, a árbitros aceitos por ambas as partes… Mas, se um clérigo tiver uma demanda contra seu bispo ou algum outro bispo, seja esta enviada ao sínodo de sua própria província. Se um bispo ou um clérigo tiver uma demanda contra seu metropolitano, a envie ao exarca da diocese [ao metropolitano mais elevado de um grupo de dioceses] ou à cátedra da cidade imperial de Constantinopla, e aí pleiteie-se a causa.

28. Fiéis em tudo à determinação dos santos pais apostólicos e reconhecendo os cânones dos 150 bispos mais piedosos [reunidos no concílio de Constantinopla, em 381] que acabamos de ler, determinamos e decretamos idênticas prerrogativas e privilégios a favor da santíssima cidade de Constantinopla, a nova Roma. Os pais tinham conhecido por justas razões privilégios ao trono da velha Roma, pois era cidade imperial. Pelas mesmas ponderações, os 150 bispos estenderam esses privilégios ao santíssimo trono da nova Roma; estimaram com toda razão que a cidade, ilustrada pela monarquia e pelo senado, e adornada com os mesmos privilégios da velha cidade imperial, deveria receber igual distinção em assuntos eclesiásticos e, depois dela, ocupar o segundo lugar.

Semelhantemente, decretamos que os metropolitanos, e somente eles, das dioceses do ponto, da Ásia e da trácia (juntamente com os bispos das dioceses estabelecidas entre os bárbaros) sejam ordenados pela mencionada santíssima cátedra da santa igreja de Constantinopla. Cada metropolitano dessas dioceses ordenará os bispos de sua província, como estabelecido pelos divinos cânones…

[Nota: Naquele tempo, a unidade de organização, tanto eclesiástica como imperial, era província, sendo a diocese um grupo de províncias. Posteriormente, estes termos foram invertidos, tomando o sentido que conservam até hoje] [Relativamente aos editos de Graciano e de Valentiniano III, reporta-se a primeira parte da seção I, III,s.e.v]

A respeito do Concílio , o Papa e o Imperador já não concordavam entre si. Por isto Justiniano convocou o Concílio por sua exclusiva iniciativa. Reunido sob a presidência de Eutiquio , novo Patriarca de Bizâncio, renovou a condenação dos Três Capítulos ( maio e junho de 553).

Virgílio então em 13/05/553, no decurso do próprio concilio , publicou o Constitutum, que se opunha à condenação dos Três Capítulos. Justiniano não aceitou a nova posição do Papa e mandou cancelar o nome de Virgilio nas orações da Liturgia.

Finalmente, sob o peso das pressões e da doença, o Papa em dezembro de 553 retirou o seu Constitutum e aderiu às decisões do Concílio de Constantinopla de 553. Num segundo Constitutum de 23/02/554, expôs as razões da sua atitude. Em conseqüência, o Imperador permitiu-lhe voltar para Roma; todavia morreu em viagem (555). Era vítima da sua inconstância de seu caráter.

Os papas que lhe sucederam, a começar por Pelágio | ( 556-561), reconheceram o concílio de 553 como ecumênico; é o Constantinopla || . As dioceses do Ocidente aos poucos também o foram reconhecendo, embora tivessem consciência de que significava uma humilhação para o Papado. Notemos que as hesitações do Papa Virgílio não versavam sobre assuntos de fé propriamente dita, mas sobre a oportunidade ou não de se condenarem três nomes de escritores antigos. — O episódio também é interessante por evidenciar quanto era prestigiada a Sé Romana; o Imperador quis absolutamente ganhar o consenso do Papa Virgílio; por isto mandou buscá- lo em Roma e pressionou- o repetidamente para que subscrevesse ao decreto imperial, como se este precisasse da assinatura do papa para ser válido.

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