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A SIMBOLOGIA DA REVOLUÇÃO E DA MAÇONARIA<code>O triângulo</code>

O triângulo Neste artigo iremos tratar de um símbolo que causa muita confusão. Essa confusão é fruto da mais pura ignorância e má formação. Dentro do contexto revolucionário havia uma necessitados recrutar aqueles que estavam fora dos círculos internos, os revolucionários se inspiraram outro símbolos pitagórico de grande importância: o triângulo. Se o círculo sugeria o objetivo – a perfeição igualitária da natureza, o triângulo sugeria o alcançá-lo. O triângulo, símbolo fundamental para os maçons tinha para os pitagóricos o sentido especial de ser o meio mais simples de encerrar uma superfície com linhas retas. O triângulo expressava relações harmônicas (com do teorema de Pitágoras) e se tornaria um símbolo importante na iconografia revolucionária. A tríada revolucionária (Liberdade, Igualdade, Fraternidade e a forma tricolor (vermelho, branco e azul) adornavam cada um dos lados do onipresente triângulo em selos e estampas. O ocultismo pitagórico acrescentou importância ao símbolo. O influente livro de Franz von Baader de 1798, Sobre o quadrado pitagórico natureza sugeria que os três elementos da natureza fogo, água e terra – tinham sido energizados pelo “princípio que tudo anima” ou “ponto da aurora”, representado como um ponto no centro de um triângulo equilátero◬¹. Qualquer letra, símbolo ou máxima a que um grupo revolucionário quisesse prestar especial veneração recebia esse lugar de autoridade oculta em um inevitável selo triangular.2 Maréchal divulgou a idéia ocultista de harmonias triangulares em sua “CARTA DA RAÇA HUMANA” de 1793, anunciando o dever tripartite do homem de ser pai, filho e marido como “estabelecido pela Natureza no homem”: “um triângulo para além do qual ele não se atreverá a ir impunemente”³. Essa ideia aparentemente tradicional é revalidada para o liberto “homem sem Deus” ao vê-lo para como uma espécie de trindade secular: três pessoas em uma única substância. Maréchal frequentemente colocava sua alcunha HSD dentro de um triângulo. Os primeiros revolucionários, ao estabelecer suas organizações nucleares, revelaram uma mania por triângulos. A ideia original dos Iluminados de um círculo interno de nove homens foi logo descartada como suscetível demais à penetração policial, de modo que projetos posteriores de reorganização repartiram o círculo em três “triângulos” de três homens. Um homem de um grupo interno recrutaria dois de um grupo externo para serem aprendizes; e assim uma cadeia indefinida de organizações interconectadas poderia ser formada. – Qualquer membro só precisava conhecer outros dois – de algum outro grupo situado acima ou abaixo dele hierarquicamente – fora de sua célula de três. Pode ser que esse processo de triangulação não tenha sido implementado pelos Iluminados – ou sequer concebido por eles. Os projetos atribuídos aos Iluminados foram publicados pelo governo da Baviera como parte de um relatório, e talvez tenham sido editados para parecerem mais incriminadores⁴. Mas, tenha a direita inventado essa tática da esquerda ou apenas a divulgado, ela foi logo adotada pelos círculos revolucionários. Essa forma triangular de organização, íntima e relativamente segura, reapareceu nos tempos modernos: no Vietnã, na Argélia e até na União Soviética⁵. Pouco após sua chegada a Genebra em 1806, Buonarroti e seus amigos seguiram a dica. Seu programa de 1808-1809 para os Sublimes Mestres Perfeitos estava repleto de símbolos triangulares. O símbolo para cada célula era⁶ ∴⃝ e o altar no santuário para o qual cada novo membro era levado consistia apenas em um ponto no vértice de um triângulo de relicários. Os outros dois pontos representavam oceano o oceano (da nova vida, o elemento água) e o vulcão (ou revolução, o terra). Na direção Leste, por trás do triângulo altar-oceano-vulcão, três velas ficavam acesas num candelabro com o formato de um triângulo equilátero sob um semicírculo que significava o equador (que, por sua vez, significava o giro circular do globo terrestre inteiro e a perfeição da eternidade⁷ Os três homens que se viam diante dessa figura simbólica do universo podem ter servido de modelo para a organização de Buonarroti em triunviratos. No centro desse triângulo humano que fitava os triângulos simbólicos estava a Estrela Polar, líder das duas outras Grandes Estrelas. A Estrela Polar era claramente aquela que guiava, e assim se tornou uma marca favorita dos jornais revolucionários. Adotando o nome de Camille, Buonarroti se juntou à loja maçônica moderadamente republicana dos Amigos Sinceros, em Genebra, para recrutar revolucionários. Ele estava, contudo, sob vigilância, e a loja foi infiltrada pela polícia e fechada em 1811. Ele então tentou continuar a realizar seus encontros em segredo, aparentemente reorganizando a loja, com participação expandida de militares, sob o novo nome de Triângulo ⁸. Nada mais se sabe sobre essa organização, mas o nome escolhido e as circunstâncias de perseguição politica podem indicar o início de organização triangular. Esse sistema de células secretas interligadas aparentemente foi utilizado pelo maior complô para matar um rei na Europa pós-napoleônica: a Conspiração do Triângulo na Espanha em 1816⁹. Assim como os companheiros de Buonarroti, os incansáveis jovens espanhóis estavam realizando a passagem das conspirações contra Napoleão para um conceito mais amplo de combate a monarcas de toda espécie. Os Sublimes Mestres Perfeitos devem ter visto com simpatia, se é que não participaram dela, a tentativa de matar o rei restaurado Fernando VII, o qual havia rejeitado a Constituição liberal de 1812 e reinstituído a inquisição. Esse método triangular de organização permaneceu um meio básico de garantir a segurança de conspirações ao longo da década de 1830; e foi levado de volta para a Alemanha nos estatutos de 1836 da primeira organização revolucionária de emigrados alemães em Paris: a Liga dos Fora-da-Lei. Das suas “tendas” locais até a “fogueira” central, essa progenitora da primeira Liga dos Comunistas manteve vários níveis de organização ignorantes uns dos outros. Cada homem de um vasto grupo formava um triângulo com um representante secreto de outro grupo do seu mesmo nível e com um terceiro representante, que se ligava a ambos e pertencia a um nível superior.10 Bibliográfia: 1. F. von Baader, Über das pythagoräische Quadrat in der Natur oder die vier Weltgegenden, Tüb 1798, em Sämtliche Werke, Aalen, 1963, vol. III, pp. 266-267; também p. 249. A influencia Baader deu-se principalmente sobre a idéia conservadora de uma “Santa Aliança”, um triangulo poder no qual “três reis do Oriente” (um russo ortodoxo, um prussiano protestante e um austri católico) eram unificados pelo Espírito Santo para proporcionar o “ponto de aurora” na Eur pós-napoleônica. O livro de Baader, Über das durch die französische Revolution herbeigefü Bedürfniss einer neuern und innigern Verbindung der Religion mit der Politik, foi divulgado aos três monarcas em 1814 e publicado em Nuremberga, em 1815. V. H. Schäder, Die dritte Kolon und die Heilige Allianz, 1934, pp. 65-70; F. Büchler, Die geistige Wurzeln der Heiligen Allianz Freiburg, 1929, pp. 53-60, para essas e outras influências ocultistas 2. Só em Le Mans, encontram-se selos triangulares de lojas que trazem a estrela do “triplo laço social Freiburg, 1929, pp. 53-60, para essas e outras influências ocultistas alemãs. O olho da vigilância, o “E” de Elêusis e as palavras “Age d’Or” [Era de Ouro], que estão ilustrados em A. Bouton, Les Francs-maçons manceaux et la révolution française, 1741-1815, Le Mans, jun 1958 p. 100, 252, 275, 286. 3.Maréchal, Correctif, pp. 313-314. Maréchal também insistia em que, nos casamentos republicanos, se abençoasse a natalidade cantando em resposta à Marselhesa: “Aux armes, couple heureux, comblez votre destin!/Neuf mois, neuf mois;/Et donnez nous um fier Républicain!”. Recueil d’hymnes républicains et de chansons guerrières et patriotiques, s/l., s/d., p. 19 (BH). 4. Como sugere R. Eckart, “Aus den Papieren eines Illuminaten”, em Forschungen zur kultur-und literaturgeschichte Bayerns, vol. III, 1895, p. 208. O fascínio pelos múltiplos triângulos interligados na maçonaria ocultista chegou a gerar debates especiosos, por exemplo sobre se o “G” dentro do triângulo do Universo (Deus [God]), à mais alta ciência da Geometria, ao deus hermafrodita dos gnósticos ou central de um símbolo (que incluía seis outros triângulos triplos) fazia referência ao Grande Arquiteto a uma usurpação da maçonaria pelo superior [geral] da Ordem dos Jesuítas (a posição defendida por Bonneville). V. E. Lesueur, La franc-maçonnerie artésienne au XVIIIe siècle, 1914, p. 205. 5. O modelo de célula de três homens é particularmente prezado pelos revolucionários que, assim como os primeiros revolucionários europeus do início do século XIX, viam-se como veículos da educação bem como da mobilização de um povo. Esse modelo se tornou fundamental para o comunismo vietnamita; e, levado para a Argélia, foi ilustrado em imagens com o filme A Batalha de Argel. O sistema de celulas de três homens desconhecidos entre si reapareceu em meio a grupos de dissidentes da União Soviética ao fim da década de 1960: P. Sormani, “Dissidence in moscow”, Survey, 1971, primavera, p. 18-19 6. Saitta, vol.II, P. 79-80 7. Saitta, vol. II, p. 78-79 8. Lehning, pp. 119-120, complementado por F. Ruchon, Histoire de la franc-maçonnerie à Genève 1736 à 1900, Genebra, 1935, pp. 99-120. G. Weill, valendo-se de um boletim policial, identificou Buonarroti, Vilard e Terray de Lyon como o “triângulo” original: Revue Historique, vol. LXXVI, 1901, mai.-ago., p. 261. 9. Sobre a ainda misteriosa Conspiración del triángulo, v. E. Astur, Riego, Oviedo, 1933, p. 102. V. de la Fuente Historia de las sociedades secretas antiguas y modernas em España, Barcelona, 1933, p. 270-276, esp. P. 270 sobre a influência dos Iluminados; também M. LaFuente e J. Valera, Historia general de España, Barcelona, 1889, vol. XVIII, pp. 203-204; e F. Suárez, La crisis política del antiguo régimen em España (1800-1840), Madri, 1950, 2ª ed., pp. 60-61. 10. Esse princípio pode ser deduzido dos estatutos descobertos nos arquivos de Merseberg na Alemanha Oriental e reimpressos em Bund der Kommunisten, 1970, vol. II, pp. 975-982, esp. Artigos 14, 52b, 23 e 33ª, para os elos entre os graus ascendentes: Zelt/Lager/Kreislager/Brennpunkt.

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