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A TRADIÇÃO DE SEMPRE UBIQUE,SEMPER, AB OMNIBUS[EM TODA PARTE, SEMPRE E POR TODOS]

Para o Consenso ortodoxo, era fundamental afirmação da autoridade da tradição com aquela que tinha sido crida “em toda parte, sempre e por todos [ubique,semper, ab omnibus]” (Vicente de Lérins admoestação 2.3). o critério para o que se constitui a tradição Ortodoxa foi a “universalidade, a antiguidade e o consenso” (Vicente de Lérins admoestações 2.3). O critério da universalidade exige que uma doutrina – para ser reconhecida como o ensinamento da igreja, em vez de uma teoria privada de um homem ou de uma escola – seja genuinamente católica, isto é, seja a confissão de “todas as igrejas[…], uma grande multidão de pessoas da Palestina à calcedônia ressoando em uma só voz os louvores a Cristo” (Jerônimo contra Vigilantio 5). Esse argumento foi usado em um conflito dogmático após o outro,com menor ou maior propriedade, para refutar a heresia. Hilário tinha citado diversos credos orientais como evidência da universalidade do que ele defendia no acidente como a fé Nicena(Hilário de poitiers sobre os concílios 30); Atanásio tinha justificado sua posição ao se referir a “tantos bispos em unanimidade” com ele, incluindo os bispos ocidentais (Atanásio segunda argumentação contra os arianos); e Agostinho, ao escrever contra os donatistas, cunhou a fórmula: “o julgamento do mundo todo é confiável” [Securus judiciat orbis terrarum]” (Agostinho contra a epístola de parmeniano3.4.24). A catolicidade era uma marca tanto da verdadeira igreja quanto da verdadeira doutrina, pois estas eram inseparáveis. “As igrejas, embora sejam muitas, compõem uma igreja católica difundida por todo o mundo” conforme disse Gregório I (Gregório Magnum discursos morais sobre Jó 17.29.43). ou, em uma explicação mais completa, “porque os estados derivam seu nome das pessoas que vivem juntas neles, é adequado que as igrejas da verdadeira fé sejam denominados de estado, que – embora localizadas em várias partes do mundo – compõem uma única Igreja Católica na qual todos que acreditam corretamente em Deus vivem juntos em harmonia” Gregório Magnum discursos morais sobre Jó 16.55.68). para identificar a doutrina Ortodoxa é necessário identificar seu Locus, que era a Igreja Católica, nem oriental nem ocidental, nem grega nem Latina, mais universal em todo o mundo civilizado (oikoymenê). Essa igreja era a depositária da Verdade, a distribuidora da Graça, a fiadora da salvação, a matriz da adoração aceitável. Só nela Deus aceita sacrifícios, só nela havia intercessão confiante por aqueles que estavam em erro, só nela as boas obras frutificam, só nela o poderoso elo de amor une os homens e “só a partir da igreja católica a verdade resplandece” (Gregório Magno discursos Morais sobre Jó 35.8.13). Os hereges, de forma característica, enganavam-se em um extremo ou no outro, negando uma pessoa ou as três, rejeitando o casamento ou denegrindo a virgindade. Mas a igreja, Em contrapartida, continua com ordenada compostura no meio das disputas de ambos os lados. Ela sabe como aceitar o bem maior de maneira a simultaneamente venerar o mais baixo, porque ela não põe o mais alto no mesmo plano do mais baixo nem, por outro lado, despreza o mais baixo quando o venera o mais alto (Gregório Magno discursos morais sobre Jó 19.18.27). Embora a igreja estivesse “oprimida pelas tribulações dos hereges, e dos homens carnais” seus discípulos fiéis prestavam atenção à orientação dela como aqueles que eram chamados “para não a julgar, mas a obedecer” (Gregório Magno discursos Morais sobre Jó). Pelo fato de a Igreja Universal, ela, ao contrário dos hereges, não ensinava uma coisa em público e outra em particular; mas a igreja confessava e ensinava o que cria e vivia de acordo com sua confissão (Gregório Magno discursos Morais sobre Jó 8.5.7). Portanto, “a santa igreja não esconde nada da Verdade” (Gregório Magno discursos Morais sobre Jó 18.11.18). Contudo, na apresentação da Verdade aqueles que estavam em erro, a igreja, “instruída pelo ensinamento de humildade, não ordena como se o fizesse pela autoridade, mas persuade por meio da Razão” (Gregório Magno discursos morais sobre Jó 8.2.3). O que isso aparentemente significava não era que faltava autoridade à igreja, mas que ela – como Cristo “que sabia todas as coisas, mas, em sua maneira de falar, tomou Nossa ignorância sobre si mesmo” (Gregório Magno discursos Morais sobre Jó 1.23.1) – renunciou a invocar sua autoridade em vez disso confiou em seu poder de persuasão.

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