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A verdadeira Israel de Deus é a igreja (PARTE III)

Um elemento diferente de destaque nessa literatura de diálogo era inevitavelmente a questão da continuidade da validade da lei mosaica. O antigo testamento tinha destacado que a lei era tão permanente quanto a aliança com Israel (Cipr. Test. 2.1[CSEL 3:63]); mas os cristãos “tratados essa aliança com descaso irrefletido rejeitaram as responsabilidades inerentes a ela” (Just. Dial. 10.4). Isso pareceu ao pensamento judaico ser um repúdio tanto da lei quanto da aliança. Justino replicou acusando Trifão, com efeito, por estratificar a lei antigo testamento. Os cristãos mantiveram todas as coisas da lei de Moisés que fossem “que fossem naturalmente boas, piedosas e justas” (Just. Dial. 45.3), qualquer coisa, em geral, adequada a uma concepção reducionista da lei natural. Até mesmo entre os Judeus, insistiam os cristãos, a lei natural precedeu a lei de Moisés como, por exemplo, quando uma mulher dá à luz uma criança no sábado (Anf. Mesop. [PG 39:121]). Isso indica que “a providência – que havia muito tempo dera a lei [Moisés], mas agora, dava o evangelho de Jesus Cristo – não queria que as práticas dos Judeus continuassem” (Or. Cels. 7.26). Os cristãos não tinham de ficar presos por nada que fora dirigido à antiga Israel como povo. Essa estratificação dos elementos morais, civis e cerimoniais da lei Mosaica provou ser muito difícil de seguir com alguma consistência, e os pais não fizeram com que aderissem a esses elementos. Ireneu, por exemplo, celebrou a superioridade da doutrina e da vida cristã sobre toda a lei, incluindo o decálogo, embora ele também afirmasse que “as palavras do decálogo” tinham sido “expandidas e ampliadas”, em vez de terem sido “canceladas” pela vinda de Cristo na carne (Iren. Dem. 96. Iren. Her. 4.16.4.

A exegese alegórica e tipológica fornece uma forma mais eficaz que a estratificação para estar à altura do antigo testamento. Aqui, a Epístola de Barnabé vai mais uma vez além da maioria, À questão: “não existe um mandamento de Deus que proíba comer” animais cerimonialmente impuros, ela replica: “Há,sim, Moisés estava falando em termos espirituais ” (Barn. 10.2). O mesmo era verdade em relação à circuncisão de Abraão (Barn.9.7). Tertuliano, argumenta que uma “nova lei” e uma “nova circuncisão” substituíram as antigas que foram instituídas apenas como um sinal ou tipo do que estava por vir (Tert. Jud 3.8). Orígenes, extraindo diretamente de fontes do Judaísmo helenista, põe sua interpretação da lei Mosaica no contexto de uma alegoria do Êxodo do Egito; “com Orígenes a alegoria de Fílon [sobre a vida de Moisés e o Êxodo] é incorporada à tradição cristã e se torna parte da tipologia tradicional” (Danielou 1960, pg. 219). Uma característica especial da tipologia de Êxodo era a antecipação do Batismo pelo milagre do mar vermelho; o batismo, por sua vez, foi estabelecido em oposição à circuncisão do antigo testamento (Just. Dial. 29.1). Com certeza, é um exagero, dizer que “os pais apostólicos, pela transformação do evangelho na nova lei, retornaram a situação impossível” (Torrance 1959, pg.134) do homem sem Cristo, para que o termo”nova lei” e termos relacionados, como “sob a lei de cristo” não era destituída de conteúdo evangélico que a “lei”, às vezes, carrega no uso no novo testamento. Ao mesmo tempo, fica evidente que enquanto o moralismo e o legalismo se manifestaram na teologia cristã (Rm 3.27), apararam-se boa parte das arestas do argumento da apologética cristã contra o que era considerado a concepção “farisaica” da lei.


A teologia cristã, embora a lei e os profetas pertencentes à linguagem da teologia judaica, identificava sua causa com a dos profetas contra a lei. Ignácio argumentou que os profetas tinham observado o Domingo, em vez do sábado Judaico (Ign. Mag. 9.1). As apologéticas cristãs eram ainda mais persistentes na procura dr provas de que Jesus era o cumprimento das promessas proféticas do que eram em encontrar indicações de que ele era “o fim da lei” (Rm 10.4). O começo desse processo já está evidente no novo testamento, em especial, claro, em livros como o evangelho de Mateus e a Epístola para os Hebreus, mas também no evangelho de Lucas, o único escritor do novo testamento tradicionalmente identificado como grego; é nesse evangelho que o Cristo ressurreto ” começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito em todas as escrituras [antigo testamento]” (Lc 24 27). A fórmula do novo testamento: “para que se cumprisse a escritura”, às vezes,refere-se ao resultado, em vez de a um propósito, mas a tradução “para que a escritura [por decreto divino] fosse cumprida” sugere que a precisa distinção entre propósito e resultado não é realmente aplicável aqui. Ireneu resumiu o ensinamento do novo testamento e da tradição cristã primitiva, de modo geral, quando declarou: “todas essas coisas que aconteceriam foram preditas pelo espírito de Deus por intermédio dos profetas, e os que servem a Deus em verdade tem de acreditar firmemente neles” (Iren.Dem.42).



Bibliografia: Jaroslav pelikan

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