A VIDA NO INFINITO (Dom Fernando Gomes dos Santos)

Tudo foi tão rápido! De repente, O espaço sumiu, o tempo acabou.
– Não sei como foi. Entrei com a vida no Infinito.
– Não sei como foi. O corpo sumiu, para onde não sei.
– Desnudo, liberto, tomei consciência de ser alguém.
Por isso, talvez, senti-me tão bem!
Julguei ser seguro como se todos e tudo, os homens, o mundo, estivessem comigo no infinito.
– Descrever não se pode. Não há frio, nem calor… Nada se sente! É diferente!
A gente não ouve, não sofre, não geme, não tem fome, nem bebe.
Sem tato, sem dor, sem cheiro, sem gosto, sem grito, sem choro, sem nada que impeça a liberdade na glória dos filhos de Deus.
– O infinito consiste em ver e amar. Basta ver, intuir, conhecer sem cessar, por amor, para amar.
– Amar é morrer sem acabar. Morrer é amar.
Só isso, mais nada!
– Libertação total da inveja e do ódio, do ciúme e do medo.
– No infinito não há aventura ou calúnia, conivência, omissão, injustiça, opressão.
Morrer é tão bom!
– Tudo isso foi sonho? Será profecia? Ficou na lembrança…
– Um sonho, talvez, que me trouxe alegria, me alimenta a Esperança!
– Quem me dera morrer de repente, sem dar trabalho, mas trabalhando na missão, como agente da Redenção.
– Morrer é tão bom!
Para ver sem sombra, sem véu, a face de Deus, na casa do Pai, que mora no céu!
(Dom Fernando Gomes dos Santos, Antigo Arcebispo Metropolitano de Goiânia – GO).
















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