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A VIRGEM NÃO GEROU UMA NATUREZA, MAS UM SER COMPLETO, DIVINO E HUMANO.

Maria torna-se MÃE DE DEUS, por ser MÃE da Pessoa Divina, o Emanuel, que une num mesmo ser a Divindade e a Humanidade: — “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus E O VERBO ERA DEUS. (São João 1.1)”

Embora em Cristo hajam duas Naturezas, a DIVINA e a HUMANA, essas estão numa Única Pessoa.

Ora, a natureza é apenas o componente essencial que dá origem ao ser, a qual o define em suas qualidades, e no qual está contida, não sendo elemento autônomo que possa ser gerado sozinho, e em separado.

Uma geratriz não gera uma natureza, mas um ser completo. Ensinou Santo Agostinho: — “Tanto a substância(1) Divina, como a substância Humana formam o Filho Único de Deus. Uma pelo Verbo, outra pelo Homem. (Suma Teológica Q2 art. 2º da Encarnação do Verbo)” Maria não é Mãe da Natureza Humana, mas da Pessoa Completa do Cristo que é Divino e Humano.

Aceitar que pudesse ser mãe apenas do “cristo carnal” separado do “cristo divino,” então a Trindade já não seria Três. Daí o Título de teótokos(2) conferido a Virgem desde a Era Primitiva da Igreja.

Ensina Santo Tomás: — “Se não se fez a União das Duas Naturezas, então não se fez a Pessoa do Filho. (Suma Q 31 art. 2º)”

“No Verbo Divino não é uma coisa a Pessoa, e outra a sua Natureza. (Suma Q 31 art. 4º)”

De certo que Maria não criou o Espírito Divino, como também as mulheres não criam o espírito nos filhos, e nem por isso deixam de ser mães legítimas dos seus rebentos. Mães e pais não criam a alma, pois só geram (com a intervenção de Deus) o corpo.

Maternidade está associada a natividade, e não a criação completa do sujeito.

Nos seres vivos, existe a alma espiritual e a matéria biológica, na qual o corpo se forma.

Desses, apenas a matéria incumbe ser participada aos progenitores, posto a alma ser criação exclusiva de Deus. Logo, geramos filhos por natividade.(3)

Sem o espírito ou alma espiritual criada por Deus, e infusa desde a concepção dos sêmens masculino e feminino, geraríamos apenas fetos cadáveres, e nada mais.

Usurpar o Título de Mãe de Deus da Virgem Maria, como queria Nestório(4) por ela não ter gerado a Natureza Divina do Cristo, teríamos então que tirar o título de mãe de todas as mulheres, pois delas não proveio a natureza espiritual dos filhos.

A Virgem não é, como defendiam nestorianos e fontinistas,(5) apenas a progenitora da “natureza carnal” pois a natividade do Cristo reúne em uma Pessoa, as Naturezas Divina e Humana formando em Unicidade (Hipóstase), o Ser Completo.

Daí os dizeres de São Cirilo, Patriarca de Alexandria: — “HÁ UM SÓ CRISTO, feito pela União das Naturezas Divina e Humana.” (Quinto Sínodo, anos 300, p.12, 4; Migne, PL 50, 467).

Da mesma maneira é a hipóstase humana que une corpo e espírito para formar o indivíduo, vez que o homem sem corpo é espírito; e corpo sem alma é cadáver. Como disse São Damasceno: — “A natividade é da hipóstase, e não da natureza.”

Assim é a SANTÍSSIMA VIRGEM, MÃE LEGÍTIMA DE CRISTO, e por isso, MÃE DE DEUS, posto que lhe concedida a Graça Maior de nela conceber e gerar a Pessoa Divina, o Cristo, o Emanuel, que reúne em si, inseparavelmente, Humanidade e Divindade.

Não é possível gerar natureza, pois esta é a origem, o princípio do ser nascido, e não o ser efetivamente. Toda pessoa é uma hipóstase, isto é, a união inseparável e harmônica de todos os seus elementos.

Isto significa que a existência de um sujeito, só se faz de modo unitivo, ao passo que a natureza é apenas a sua origem, aquilo lhe empresta a forma e a identidade no mundo físico.

Como disse Santo Tomás de Aquino: — “Por isso, a natividade é própria da Pessoa, do sujeito que nasce, e não de sua natureza. ( Q. 35 art. 2º da Natividade do Cristo)”.

Natividade ou nascimento, portanto, é o movimento do ser sendo gerado e expelido de uma determinada NATUREZA, a qual é responsável por lhe dar determinada forma e essência.

____ (1) No conceito aristotélico, é toda matéria individual ou genérica, heterogenia ou homogenia do qual se possa dar uma forma, e do qual se forma um ser.

(2)(Θεοτόκος: Théos = Deus + Tókos = Mãe, Portadora ou Geratriz) é um Título Sarcedotal conferido a Santíssima desde século I.

(3) Natividade ou ato final do processo de geração (nascimento)

(4) Promoveu grande divisão na Igreja, (cisma nestoriano). Vencido no Concílio de Éfeso (431 DC), fora excluído do Clero por heresia. Defendia que Maria não podia ser a MÃE DE DEUS, pois o “cristo homem” não tinha a Natureza Divina do Pai. (Epístola aos Monges do Egito, Patrologia Graeca 77:13B) Funda sua seita “igreja Assíria do Oriente, que após 1.700, anos retorna a Comunhão com a Sé Romana, abandonando as doutrinas do seu antigo fundador, tornando-se a Igreja Católica da Caldeia.

(5) Seitas do século III, que negavam a união das duas Naturezas, num único ser, em Cristo.

[JOÃO DAMASCENO].

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