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Bispo brasileiro convida fiéis a rezarem pelo Sínodo

Não posso deixar de manifestar uma preocupação, a meu ver, legítima, que quero compartilhar em relação ao Sínodo, para podermos rezar muito e pedir que este momento tão importante não possa se perder em projetos de simples matiz humana, especialmente pressionados por autênticos “lobbys”. Sínodo deve manter fidelidade à verdade da fé e à lei moral, diz bispo do Rio Grande do Sul.

Por ACI Digital – O bispo de Frederico Westphalen (RS), dom Antonio Carlos Rossi Keller, publicou uma nota pastoral sobre o Sínodo da Sinodalidade, na qual manifestou sua “preocupação” sobre propostas que pedem “uma Igreja mais inclusiva e respeitosa”. Ele pediu orações para que, no sínodo, seja mantida a “fidelidade à verdade da fé e à lei moral”.

O Sínodo da Sinodalidade foi convocado pelo papa Francisco em outubro de 2021, com o tema “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”. Inicialmente, a assembleia geral estava programada para outubro de 2023, mas o papa Francisco decidiu dividi-la em suas sessões, uma em 2023 e outra em 2024.

Para a sessão que acontecerá neste mês, entre os dias 4 e 29, no Vaticano, foram convidadas 365 pessoas, entre bispos, padres, religiosos, diáconos e leigos. Pela primeira vez, os não-bispos – incluindo 54 mulheres – terão o direito de voto.

“O Sínodo é a concretização do desejo do papa Francisco, que nos orienta em sermos uma Igreja que se expanda para além de suas fronteiras tradicionais, indo ao encontro das pessoas nas margens da sociedade, levando o amor de Cristo a todos os cantos do mundo”, diz dom Keller em sua nota pastoral.

Todo o processo do sínodo teve início com a fase diocesana, quando os fiéis foram ouvidos por suas dioceses. O conteúdo dessa fase foi enviado para as conferências episcopais nacionais, que produziram relatórios sobre as respostas da fase diocesana. Em seguida, na fase continental, os relatórios nacionais foram consolidados em relatórios de cada um dos continentes, que foram enviados ao Vaticano.

Com base nas sínteses continentais, uma equipe nomeada pelo papa Francisco produziu o Instrumentum laboris, “que é um documento preparatório para a realização do Sínodo, fornece uma base para a discussão dessas estratégias que visam alcançar o objetivo fundamental da Igreja, a evangelização do mundo”, diz o bispo de Frederico Westphalen.

Entretanto, dom Keller manifestou “uma preocupação”, a seu ver, “legítima” sobre o sínodo, “para podermos rezar muito e pedir que este momento tão importante não possa se perder em projetos de simples matiz humana, especialmente pressionados por autênticos ‘lobbys’”.

Para o bispo, “fica evidente que uma preocupação bastante acentuada é apresentada tanto por aqueles que prepararam o ‘Instrumentum laboris’, bem como, a partir das respostas das consultas”. “Trata-se da afirmação da necessidade de se criar um ambiente mais acolhedor para aqueles que se ‘sentem’ alienados ou rejeitados da vida da Igreja. Muitos desses, que inclusive se manifestaram nas consultas efetuadas, são conhecidos como verdadeiros grupos de pressão, que há anos apresentam já algumas propostas que são totalmente contrárias ao Magistério milenar da Igreja e da sua Disciplina”.

Segundo ele, “tais propostas englobam, por exemplo, a inclusão das mulheres no ministério ordenado, a benção às uniões homoafetivas, a aceitação de uma nova estrutura antropológica em relação aos gêneros e outros temas”.

Antes de continuar a leitura, segue o convite:


Para dom Keller, “é natural que a Igreja, frente a determinadas realidades que possam envolver sentimentos de alienação ou rechaço, deva buscar se tornar uma Igreja mais inclusiva e respeitosa”. Entretanto, advertiu, “surge uma questão complexa quando, vê-se quase que uma organizada manifestação sugerindo que o Sínodo deva considerar mudanças no ensino moral da Igreja e na disciplina sacramental, na busca de um acomodamento dos que se sentem excluídos”.

O bispo considera que isso “é algo inaceitável, uma vez que os sentimentos, por mais intensos que sejam, não devem ser o único critério teológico que ilumine a ação pastoral da Igreja”. “A Igreja não pode fundamentar sua ação pastoral no princípio instável do sentimentalismo”, diz.

Dom Keller destaca que “a alienação e a exclusão podem surgir de várias razões”, como as “baseadas em preconceito e intolerância”. Mas há também outras razões que “podem ser consequência de uma desconexão profunda entre as exigências da Igreja e o modo de vida de uma pessoa”. “Nesse último caso, a solução certamente envolve uma mudança na atitude e no comportamento da pessoa, em vez de uma mudança na Doutrina ou na Disciplina da Igreja”, diz.

“A questão fundamental, portanto, é que não podemos solucionar as questões desafiadoras propostas à atenção pastoral da Igreja com um simples ‘acomodamento’, fundamentado no princípio de responder a sentimentos e a agradar o pensamento dominante”, diz dom Keller.

Para o bispo, “as respostas caridosas e amorosas da Igreja, buscando ir ao encontro e responder às questões cruciais que lhe são apresentadas, exigem um aprofundamento na argumentação teológica, ancorada na Palavra de Deus, na tradição teológica e na lei moral natural”.

“Portanto, tendo consciência da gravidade do momento e da responsabilidade dos participantes do Sínodo em oferecerem caminhos não discordes a toda a Tradição Sagrada da Igreja, é essencial que todos os fiéis orem por ele, para ser de verdade, um momento de renovação espiritual e de discernimento sob a orientação do Espírito Santo, tendo o papa Francisco como garante da autentica eclesialidade do Sínodo, para que a Igreja possa encontrar maneiras eficazes de cumprir sua missão de proclamar o Evangelho a todas as nações, mantendo ao mesmo tempo, sua fidelidade à verdade da fé e à lei moral e sendo a Casa de todos e de cada um dos seres humanos”, conclui.

Leia a nota na íntegra:

NOTA PASTORAL SOBRE O SÍNODO DA SINODALIDADE

Queridos irmãos em Cristo, Diocesanos da amada Diocese de Frederico Westphalen, pessoas de boa vontade.

Nesta semana, inicia-se em Roma o Sínodo da Sinodalidade, convocado pelo Papa Francisco, com representação das mais variadas realidades da Igreja.

Este é, certamente, um evento de grande importância para a nossa Igreja Católica e pretende envolver toda a comunidade católica, tanto clérigos, como religiosos e consagrados e também fiéis cristãos leigos, na missão de Cristo de proclamar o Evangelho a todas as nações. Trata-se de um esforço coletivo, sob a guia do Santo Padre o Papa Francisco, na busca de orientar a Igreja, sob a luz do Espírito Santo, na promoção da continuidade e fidelidade às indicações do Concílio Vaticano II, enfatizando principalmente a concretização da “nova” evangelização, tão querida e buscada na Igreja, incentivada pelo comprometimento dos últimos Papas.

O Sínodo é a concretização do desejo do Papa Francisco, que nos orienta em sermos uma Igreja que se expanda para além de suas fronteiras tradicionais, indo ao encontro das pessoas nas margens da sociedade, levando o amor de Cristo a todos os cantos do mundo. O “Instrumentum laboris”, que é um documento preparatório para a realização do Sínodo, fornece uma base para a discussão dessas estratégias que visam alcançar o objetivo fundamental da Igreja, a evangelização do mundo.

O coração da Assembleia Sinodal será, portanto, o de buscar novos e eficazes caminhos para que a cada pessoa e também às estruturas constitutivas do mundo de hoje, chegue a mensagem de Salvação que Nosso Senhor Jesus Cristo veio trazer. Todos estarão envolvidos nesta busca de caminhos adequados e eficazes. Que o Espírito Santo a todos ilumine!

No entanto, não posso deixar de manifestar uma preocupação, a meu ver, legítima, que quero compartilhar em relação ao Sínodo, para podermos rezar muito e pedir que este momento tão importante não possa se perder em projetos de simples matiz humana, especialmente pressionados por autênticos “lobbys”.

Com base nas inúmeras intervenções e contribuições da fase pré-sinodal, bem como segundo o que consta no próprio “Instrumentum laboris”, fica evidente que uma preocupação bastante acentuada é apresentada tanto por aqueles que prepararam o “Instrumentum laboris”, bem como, a partir das respostas das consultas. Trata-se da afirmação da necessidade de se criar um ambiente mais acolhedor para aqueles que se “sentem” alienados ou rejeitados da vida da Igreja. Muitos desses, que inclusive se manifestaram nas consultas efetuadas, são conhecidos como verdadeiros grupos de pressão, que há anos apresentam já algumas propostas que são totalmente contrárias ao Magistério milenar da Igreja e da sua Disciplina. Tais propostas englobam, por exemplo, a inclusão das mulheres no ministério ordenado, a benção às uniões homoafetivas, a aceitação de uma nova estrutura antropológica em relação aos gêneros e outros temas. Já se ouviu dizer que neste Sínodo “tudo está em discussão”.

Ora, é natural que a Igreja, frente a determinadas realidades que possam envolver sentimentos de alienação ou rechaço, deva sempre buscar se tornar uma Igreja mais inclusiva e respeitosa, aliás, como já está indicado, por exemplo, no Catecismo da Igreja Católica e no Magistério dos últimos papas, especialmente daquele do Papa Francisco. Sem dúvida, com outros desafios, esta deve ser uma preocupação pastoral. No entanto, surge uma questão complexa quando, vê-se quase que uma organizada manifestação sugerindo que o Sínodo deva considerar mudanças no ensino moral da Igreja e na disciplina sacramental, na busca de um acomodamento dos que se sentem excluídos. Isso é um ponto sensível, sem dúvida. Mas é algo inaceitável, uma vez que os sentimentos, por mais intensos que sejam, não devem ser o único critério teológico que ilumine a ação pastoral da Igreja. A Igreja não pode fundamentar sua ação pastoral no princípio instável do sentimentalismo.

É importante reconhecer que a alienação e a exclusão podem surgir por várias razões, algumas das quais são baseadas em preconceitos e intolerância, enquanto outras podem ser consequência de uma desconexão profunda entre as exigências da Igreja e o modo de vida de uma pessoa. Nesse último caso, a solução certamente envolve uma mudança na atitude e no comportamento da pessoa, em vez de uma mudança na Doutrina ou na Disciplina da Igreja. No Evangelho, Nosso Senhor vai ao encontro das pessoas, de cada uma delas, nas situações mais diversificadas nas quais se encontram. Acolhe a todos, dedica-se a todos. Mas a todos e a cada um individualmente propõe um caminho de conversão, de mudança. O próprio Papa Francisco, em uma entrevista, diz que a Igreja é aberta a todos, acolhe a todos. Mas que, após entrar, há regras…

A questão fundamental, portanto, é que não podemos solucionar as questões desafiadoras propostas à atenção pastoral da Igreja com um simples “acomodamento”, fundamentado no princípio de responder a sentimentos e a agradar o pensamento dominante.

As respostas caridosas e amorosas da Igreja, buscando ir ao encontro e responder às questões cruciais que lhe são apresentadas, exigem um aprofundamento na argumentação teológica, ancorada na Palavra de Deus, na tradição teológica e na lei moral natural. O Sínodo deve se dedicar a esse trabalho fundamental que envolve tanto a dimensão pastoral quanto a dimensão teológica da questão da inclusão.

Portanto, tendo consciência da gravidade do momento e da responsabilidade dos participantes do Sínodo em oferecerem caminhos não discordes a toda a Tradição Sagrada da Igreja, é essencial que todos os fiéis orem por ele, para ser de verdade, um momento de renovação espiritual e de discernimento sob a orientação do Espírito Santo, tendo o Papa Francisco como garante da autentica eclesialidade do Sínodo, para que a Igreja possa encontrar maneiras eficazes de cumprir sua missão de proclamar o Evangelho a todas as nações, mantendo ao mesmo tempo, sua fidelidade à verdade da fé e à lei moral e sendo a Casa de todos e de cada um dos seres humanos.

Peço, pois, encarecidamente, que neste momento tão importante para a Igreja, todos nos coloquemos em oração constante pelo bom êxito deste Sínodo.

Dada e passada na Sede da Diocese de Frederico Westphalen, ao primeiro dia do mês de outubro do ano do Senhor de dois mil e vinte e três, vigésimo sexto domingo do Tempo Comum.

+ Antonio Carlos Rossi Keller

Bispo de Frederico Westphalen

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