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Carta de católicos italianos ao Papa Francisco


Agosto 07, 2021


Santo Padre Francisco,

O último livro de Andrea Riccardi, fundador de Santo Egídio e voz conhecida do mundo católico progressista, intitula-se A Igreja queima? Crise e futuro do Cristianismo. Nós não escrevemos nenhum livro, não realizámos nenhuma análise detalhada, mas vemos, a cada dia, o fogo lento que devora e destrói a Igreja Católica na Itália e no mundo. 

A renúncia de Bento XVI, há já oito anos, deixou muitos na desolação e outros na esperança. Durante algum tempo, falou-se do “efeito Bergoglio”, aludindo a um renascimento que, infelizmente, nunca aconteceu.        

Pelo contrário! A “Igreja em saída” permaneceu um slogan sem contrapartida real. Pelo contrário, a cidade santa da Cristandade, na era do COVID-19, foi a primeira a barricar as suas igrejas, dando ao mundo um sinal de total deserção.     

Assistimos a caminhos sinodais que pareceram verdadeiras guerras civis, com manobradores empenhados em garantir uma democracia ao estilo soviético, e que conduziram a documentos controversos e praticamente totalmente inúteis. As igrejas, os confessionários e até os cofres do Vaticano estão cada vez mais vazios: um sinal de que o povo de Deus não reconhece a voz dos pastores.   

Os católicos chineses, liderados pelo Cardeal Zen, vivem com sofrimento com os acordos do Vaticano com a ditadura chinesa; cardeais que estiveram durante anos na brecha, ao Vosso lado, como Becciu, acabaram em escândalos económicos que não aconteciam desde os dias de Marcinkus; outros, como Caffarra, Burke, Sarah, Müller, Pell, foram humilhados, silenciados, ignorados; outros ainda, muito próximos de Vós, impediram que a Conferência Episcopal Americana se aprofundasse no acontecimento da pedofilia…      

Como se isso não bastasse, ordens religiosas conservadoras inteiras foram comissariadas e tiveram que sofrer uma perseguição inimaginável mesmo nos tempos mais sombrios da Santa Inquisição; mesmo personalidades de orientação completamente oposta, como Enzo Bianchi, foram “misericordiosas” da noite para o dia, com uma dureza sem precedentes. Assim, bispos, sacerdotes, religiosos… em todo o país.   

A Igreja é, hoje, um verdadeiro “hospital de campanha” cheio de feridos, que necessita urgentemente não tanto de discursos sobre a misericórdia, mas de misericórdia verdadeira, real, concreta. De verdadeira paz.   

A Vossa última disposição, contra a chamada Missa em latim, causou ainda mais estragos e divisões, sem qualquer motivação. Por que negar o que o Vosso antecessor havia concedido? Por que humilhar um pequeno rebanho de fiéis, acusando a todos de forma sumária, sem apelação e, como parece cada vez mais evidente, sem fundamento? 

Assim, passados ​​8 anos, a “igreja queima” como nunca antes: está dividida e dilacerada, na Itália, na China, nos EUA, na Alemanha… como nos tempos de Lutero. 

Também nós, leigos – embora mais livres e não sujeitos a arbitrariedades crescentes no mundo clerical –, sofremos com este clima que se tornou pesado, quase irrespirável, este desaparecimento agora total de toda a sã pluralidade. A Igreja, de mãe, parece cada vez mais uma madrasta, impõe anátemas, excomunhões, comissariados, a um ritmo contínuo.           

Por isso, pedimos-Vos humildemente: ponde fim a esta guerra civil na Igreja, como um Pai que olha para o bem de todos os seus filhos e não como o chefe de uma corrente clerical que parece querer usar a sua autoridade monárquica completamente, muitas vezes além dos limites do direito canónico, para realizar uma agenda pessoal ideológica.

Luigi Abeti      Tina Abbate   Francesco Agnoli       Sabrina Caporali                    Teresa Di Chio            Claudio Forti Silvia Frassinito          Giacomo Luigi Mancini                     Simone Ortolani        Riccardo Rodelli         Manuela Zanzottera Giovanni Zenone

FONTE: https://www.diesirae.pt/

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