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DE UM SERMÃO DO PADRE VIEIRA SOBRE A ORAÇÃO VOCAL E A MENTAL

“Quanta é a diferença que têm (posto que estejam tão juntos) na rosa, o cheiro e a virtude; na árvore, a folha e o fruto; no mar, a concha e a pérola; no céu, a aurora e o dia; no homem, o corpo e a alma.

E para que digamos por seus próprios termos: quanta é a vantagem que faz o entendimento à voz, tanta é a que tem (posto que irmãs entre si) a oração mental sobre a vocal.

A vocal é o exterior da oração, a mental, o interior; a vocal é a parte sensível, a mental a que não sente; a vocal é um corpo formado no ar, a mental o espírito que a informa, e lhe dá vida.

A vocal recita preces, a mental contempla mistérios; a vocal fala, a mental medita; a vocal lê, a mental imprime; a vocal pede, a mental convence.

A vocal pode ser forçada, a mental sempre é voluntária; a vocal pode não sair do coração, a mental entra nele e o penetra; e, se é duro, o abranda.

A vocal exercita a memória, a mental discorre com o entendimento, e move a vontade; a vocal caminha pela estrada aberta, a mental cava no campo, e não só cultiva a terra, mas descobre tesouros.”

(Padre Antônio Vieira, “Terceiro Sermão sobre o Rosário”)

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