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Irmã Adélia, vidente de Cimbres, é declarada serva de Deus

Irmã Adélia foi uma das videntes das aparições de Nossa Senhora em Cimbres (PE) e pode se tornar a primeira santa pernambucana.

Por ACI Digital

“É com imensa alegria e gratidão ao nosso bom Deus que nesta quinta-feira, 22 de fevereiro, recebemos o anúncio do dicastério para a Causa dos Santos que reconhece a nossa irmã Adélia serva de Deus, declarando assim que, pela Santa Sé, não há nada que impeça a realização da causa de beatificação e de canonização da religiosa”, anunciou a superiora provincial das Religiosas da Instrução Cristã, irmã Cleonice Aparecida dos Santos, em um vídeo publicada nas redes sociais da congregação.

A irmã Cleonice disse que essa notícia era aguardada “com expectativa” pelas religiosas da Instrução Cristã e pela diocese de Pesqueira (PE). “Esse título é de fato o reconhecimento para aquela que buscou ser em toda a sua vida uma verdadeira serva do nosso Senhor, no amor sacrifical, oferecido a todas as pessoas que a ela se achegavam e também as que continuam recebendo graças após a sua partida para a casa do Pai”.

“Nosso pedido é que continuemos rezando para que o clamor deste mundo possa alcançar o céu na proclamação de irmã Adélia santa, a primeira pernambucana, amada e admirada por muitos corações. Que o seu amor por Nossa Senhora também seja nossa inspiração”, completou.


Irmã Adélia nasceu em 16 de dezembro de 1922, em Pesqueira. Seu nome de batismo era Maria da Luz Teixeira de Carvalho, filha de Arthur Teixeira de Carvalho e Auta Monteiro de Carvalho.

Em 6 de agosto de 1936, Maria da Luz estava colhendo sementes de mamona na Aldeia Guarda, no povoado de Cimbres, com a amiga Maria da Conceição. Na época o cangaceiro Lampião e seu bando agiam na região com roubos e assassinatos. Maria da Luz, então, perguntou à amiga o que faria se Lampião aparecesse. Maria da Conceição respondeu: “Nossa Senhora haveria de dar um jeito de nos proteger”. Em seguida, elas viram no alto da serra a imagem de uma mulher com uma criança nos braços que acenava para que elas se aproximassem.

Ao retornarem para casa, narra o site oficial da Irmã Adélia, as meninas contaram a história para os pais de Maria da Luz. “Inicialmente, os dois não acreditaram e Arthur foi com as meninas até o local da aparição, que era de difícil acesso. Chegando lá, as duas viram novamente a mulher. Sem conseguir enxergar e achando que era alucinação das garotas, o pai de Maria da Luz pediu que ela perguntasse para a moça quem era Ela e o que queria. ‘Eu sou a Graça’, respondeu. ‘Vim para avisar que hão de vir três castigos mandados por Deus. Diga ao povo que reze e faça penitência’”.

A notícia logo se espalhou pela região e muitos passaram a ir ao local para rezar ou por curiosidade. “Muitos foram os sinais da presença de Nossa Senhora e relatos de milagres”, diz o site.

Outras aparições aconteceram no mesmo local às duas crianças e foi nomeado na época um inquisidor das aparições, o padre José Kehler. Ele fazia perguntas para Nossa Senhora em alemão e latim e Maria da Luz e Maria da Conceição respondiam em português.

Mais tarde, Maria da Luz entrou para o Instituto das Religiosas da Instrução Cristã e recebeu o nome de irmã Adélia. Fez seus votos perpétuos em 1946. Ela “optou pelo silêncio em relação às aparições até 1985, quando resolveu reunir as religiosas da congregação para partilhar a experiência que teve com Nossa Senhora”, diz o site de irmã Adélia. A decisão de dar o testemunho foi “porque estava com câncer, com metástase no fígado, e achava que tinha pouco tempo de vida”.

“Nessa época, a vida dela passou a ser na enfermaria da comunidade, de onde continuou o sacrifício na oração e no silêncio, no despojamento e na oferta de sua vida”.

Segundo o site, semanas depois de ter contado a história para as religiosas, irmã Adélia foi ao local das aparições com um grupo de irmãs. “Durante as orações, pediu que se fosse da vontade da Mãe do Céu que aquelas aparições fossem divulgadas, que Ela lhe desse, então, a cura. Foi o que ocorreu. Os novos exames realizados mostraram que não tinha mais câncer”.

“Incansável em sua humildade e simplicidade” a irmã Adélia “dedicou sua vida a transmitir o Evangelho, ajudar os pobres e rezar pelos sacerdotes. Servir os empobrecidos foi a sua grande missão, deixando um belo legado na favela de Santa Luzia, no bairro da Torre, no Recife”.

Ela morreu em 13 de outubro de 2013, em Recife, aos 90 anos.

Em 2 de outubro de 2021, o bispo de Pesqueira (PE), dom José Luiz Ferreira Sales, publicou uma carta pastoral em que reconheceu as “presumíveis aparições de Nossa Senhora da Graça” a duas crianças na Vila de Cimbres, em 1936, e concedeu “a permissão para que os fiéis possam, nessas terras, continuar com a devoção e a veneração à Virgem Santíssima, Mãe de Deus, invocada com o título de ‘Nossa Senhora da Graça’”.

Na carta pastoral, dom Salles também disse que já havia sido solicitado o nihil obstat (nada obsta) da então Congregação para a Causa dos Santos – atualmente dicastério – para a abertura do processo de beatificação e canonização de irmã Adélia.

Segundo a arquidiocese de Olinda e Recife (PE), onde a religiosa morreu, no dia 10 de março será instaurado o Tribunal para as escutas das testemunhas que tiveram esse contato com a irmã Adélia, que vão dar prosseguimento ao processo. Esta celebração será no Colégio Damas, em Recife. Depois da instauração será celebrada missa presidida pelo bispo de Pesqueira, Dom Luís Sales.

Para divulgar a vida de irmã Adélia, no dia 13 de cada mês acontece missa no Colégio Damas, data que relembra o dia de morte da religiosa.

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