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O NASCIMENTO DA CULTURA CRISTÃ – Alejandro Cuevas Olavarría


Quais foram os marcos fundamentais que delimitaram o nascimento da cultura cristã, no mundo ocidental? Quem foram as figuras-chave em torno das quais a Europa se tornou o que é, ou melhor, o que era?

Na obra O Nascimento da Cultura Cristã, o escritor argentino Rubén Peretó Rivas (Mendoza, 1966) responde a essas perguntas por meio de um estudo detalhado de algumas das figuras mais relevantes na construção da civilização ocidental. Nomes conhecidos de todos, como São Benito, e outros nem tanto, como Casiodoro, político e escritor latino do tempo do reinado de Teodorico, cujo legado lançou as bases para o que viria depois.

O autor focaliza, as figuras-chave, mas nos aproxima delas com uma nova perspectiva: não como santos perfeitos, mas como gente de carne e osso, pessoas reais, determinadas, adaptadas a seu tempo, que souberam ou quiseram dar o melhor de si. Pessoas que, em face dos acontecimentos que se sucediam diante delas, tomaram as decisões corretas para transformar um mundo decaído em algo mais agradável aos olhos de Deus, no qual os frutos da redenção de Cristo pudessem crescer com vigor e frescor.

Não foram personagens portentosos. Ao contrário: no seu quotidiano, marcados pela oração, pelo amor a Deus e ao próximo, pela consciência clara do fim último souberam construir, com paciência e ao longo de toda a vida, uma cultura florescente no conhecimento e nas artes, marcados com o selo de Cristo, e que sobreviveriam no Ocidente até os rubros albores da Revolução Francesa de 1789.

Peretó explica, de forma simples, os principais marcos que assinalaram o surgimento dessa cultura, falando à inteligência, mas também ao coração dos leitores. Refere-se a temas centrais na construção de uma cultura cristã europeia, tal como a educação das crianças, o papel dos mosteiros no florescimento das artes liberais ou a importância da liturgia cristã: pilares básicos, todos eles, sobre os quais se ergueu a cultura cristã ao longo dos séculos da Idade Média.

No prólogo, a escritora Natalia Sanmartín nos indica a necessidade de voltar ao que nos precede, à base das nossas crenças, àquelas que puseram o Ocidente novamente de pé. Defende o valor das injuriadas línguas clássicas e argumenta que a recuperação de uma cultura cristã passa por recordar suas figuras-chave. Felizmente, a obra de Peretó, não concebida como uma obra científica, nem como um cerrado ensaio, coloca essa restauração cultural ao alcance de nossas mãos.

Tudo o que fazemos, tudo o que dizemos, tudo o que vivemos, permanece em nós: vai nos esculpindo aos poucos, até chegar à obra final. Herdeiros e legítimos possuidores do passado que deu origem à civilização ocidental, a cultura cristã pode ser reerguida pelos cristãos do nosso tempo, pois cada um desses cristãos, à sua maneira, têm algo com que contribuir. Conhecer esse passado comum e esse processo é cada vez mais necessário para alcançar esse velho mundo novo.

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