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O PODER IDEOLÓGICO DA MÍDIA – Mathieu Bock-Côté


A mídia tem um poder imenso: o de transformar a realidade em narrativa, moldar a opinião pública, definir as grandes questões relevantes para uma sociedade, ou, pelo menos, a forma como devem se apresentar a ela. Podemos compreender por que, cada vez mais, os políticos desconfiam da grande mídia e procuram por si mesmos se aproximar da população, não mais permitindo que sua mensagem seja desviada ou distorcida por aqueles que decidiram abandonar seu papel de analistas dos acontecimentos.

A partir dessa perspectiva, a mídia fez com que os políticos preservassem seu discurso da formatação midiática, recuperando a capacidade de falar diretamente com os eleitores.

Indiretamente, isso nos leva de volta à velha tradição dos jornais partidários, que assumiam claramente sua linha ideológica e até política. O que quer que se pense disso, tinha lá as suas virtudes. É normal e legítimo que um político busque controlar sua mensagem e a forma como é apresentada publicamente. E sejamos claros: se os jornalistas estão certos em questionar os líderes políticos, os líderes políticos também estão certos em não aceitar ser personagens no teatro midiático.

O problema pode ser visto, de forma mais ampla, em todo o mundo ocidental. Todo o poder ideológico da mídia está em sua capacidade de definir quem é respeitável e quem não é, quem é admirável e quem é detestável, quem merece o título de humanista e quem merece o título de polemista, quem deve ser visto como progressista, e quem será julgado retrógrado.

A mídia tem o poder de fixar o “sentido da história” e de julgar quem “está preso ao passado”. Pode colocar um rótulo depreciativo nas correntes políticas de que não gosta e até mesmo na mídia que vai contra a visão de mundo dominante, ora acusando-os de divulgar fake news, ora colando-lhes um rótulo ideológico qualquer. E quando não é obedecida, ela se deixa cair na tentação de repreender o desobediente.

Antigamente, a dissidência consistia em se opor ao Estado. De certa forma, isso volta a ocorrer hoje, numa época em que a “mentalidade diversitária” [multiculturalismo] se entrega à tentação penalizadora. Hoje, porém, a dissidência consiste também em se opor ao sistema midiático e não se submeter às suas categorias.

Se alguns líderes políticos se sentem tratados injustamente pela mídia, eles têm toda razão de reclamar.

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