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  • Homilia Diária | Da Última Ceia, brotam rios de salvação

    Quinta-feira Santa Nesta noite santa, em que a Igreja acompanha Cristo em suas angústias no Getsêmani, somos chamados a contemplar os anelos de amor e união que palpitam, com ardor inigualável, no Coração Eucarístico de Nosso Senhor. Ali, na intimidade do Cenáculo, Ele se dá aos discípulos como alimento espiritual e, por meio do sacerdócio a eles conferido, entrega-se aos fiéis de todos os tempos, como remédio para a alma e penhor de vida eterna. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta Quinta-feira Santa, dia 28 de março, e ofereça ao Coração de Jesus o amor de sua companhia diante do Santíssimo Sacramento. Santo do Dia: São Gontrão, rei e confessor, padroeiro dos divorciados Anúncio do Evangelho (Jo 13,1-15) — Glória a vós, ó Cristo, Verbo de Deus. —Eu vos dou este novo Mandamento, nova ordem, agora, vos dou, que, também, vos ameis uns aos outros, como eu vos amei, diz o Senhor. (Jo 13,34) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + escrito por João. — Glória a vós, Senhor. 1 Era antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. 2 Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. 3 Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, 4 levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5 Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido. 6 Chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: “Senhor, tu me lavas os pés?” 7 Respondeu Jesus: “Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás”. 8 Disse-lhe Pedro: “Tu nunca me lavarás os pés!” Mas Jesus respondeu: “Se eu não te lavar, não terás parte comigo”. 9 Simão Pedro disse: “Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça”. 10 Jesus respondeu: “Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos”. 11 Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: “Nem todos estais limpos”. 12 Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: “Compreendeis o que acabo de fazer? 13 Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. 14 Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15 Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • São Gontrão, rei e confessor, padroeiro dos divorciados – 28 de Março

    SANTO DO DIA – 28 DE MARÇO – SÃO GONTRÃO Rei da Burgúndia ou Borgonha (+529) Os francos emergem dos anos de trevas da primeira Idade Média com o rei Clóvis (482-511), que conseguiu eliminar o parco domínio romano na Gália. Graças à influência da mulher, a princesa burgúndia Crodechildes (santa Clotilde), católica fervorosa, Clóvis fez batizar com todos os seus soldados pelo bispo são Remígio, depois de haver vencido os alamanos e os próprios burgúndios, aumentando assim os limites do reino que, a sua morte, foi dividido entre os quatro filhos. A Gontrão coube a própria terra dos burgúndios. Os outros irmãos, em guerra uns com os outros, acabaram por eliminar-se reciprocamente. Apenas Gontrão sobreviveu, por se ter dedicado mais aos prazeres da vida do que à espada. Sua conduta não foi exemplar. Repudiou a primeira esposa – culpada de ter-lhe dado apenas um filho, natimorto. A segunda esposa não teve melhor sorte. Nem a terceira, Austrechildes, que caiu em desgraça quando os dois filhos morreram em tenra idade. Era grande a tentação de mudar de novo de mulher, mas, convencido de que a morte havia batido repetidamente a sua porta por causa dos seus pecados, Gontrão mudou radicalmente de conduta. Adotou o sobrinho Childelberto, escolheu como capital do reino a cidade de Chalon-sur-Saône e promoveu a evangelização dos territórios do Jura. Fundou igrejas e mosteiros em vários lugares. E como fizera enforcar o médico da família por não ter conseguido curar seus filhinhos, favoreceu os estudos, instituindo as primeiras escolas nas proximidades dos mosteiros. Mostrou-se respeitoso dos direitos da igreja, sem jamais se intrometer na nomeação dos bispos, mas convocou seis concílios regionais para promover algumas reformas. Dedicou-se pessoalmente a socorrer se povo, afligido por repetidas pestes e pela fome; ofereceu-se a Deus como vítima de expiação por seus próprios pecados e pelos dos outros. Parece ter vestido o hábito monacal em razão da assídua frequência ao mosteiro de São Marcelo de Chalon. Tudo isso lhe valeu a auréola de santidade. São Gontrão Filho de Clotário I, rei de França e neto de Clóvis I e de Santa Clotilde, Clotário era senhor de França e de uma parte da Alemanha, quando a doença o prostrou, e ele se viu obrigado a tudo deixar. “Que pensais, dizia aos cortesãos, quem é esse rei celeste que faz morrer assim tão grandes reis?” Morreu, dessa forma, em Compiegne, no ano de 561, após ter reinado cinqüenta anos.Seus quatro filhos lançaram a sorte sobre o reino. Cariberto teve Paris e a Aquitânia. Gontrão recebeu Orleans, a Borgonha e estabeleceu a capital em Châlon-sobre-o-Saône. A Sigeberto, o mais jovem, coube a Austrásia, e em Metz estabeleceu a capital. Era uma época de revoluções e de assassínios políticos. Cariberto morreu em 567, sem deixar filho. Seus três irmãos dividiram entre si o reino que lhe cabia. Sigeberto foi assassinado, deixando um filho de cinco anos. Chilperico morreu da mesma maneira, deixando um filho de dois meses. Gontrão serviu de pai aos dois sobrinhos. No começo de seu reinado, cometeu maus de uma falta por fraqueza e induzimento. Mas expirou-as pela penitência. O traço dominante de seu caráter era a bondade e a piedade. Morrendo Chilperico, foi a Paris e dedicou-se à reparação das injustiças que seu irmão cometera. Fez com que fossem restituídos aos particulares os bens que Chilperico lhes havia tomado, ordenou a execução dos testamentos em favor da Igreja, que ele tinha cassado e mostrou-se de grande liberalidade para com os pobres. Advertiram-no, todavia, de que sua vida corria perigo. Foi a causa de andar sempre rodeado de guardas, mesmo quando ia à igreja, durante a estada em Paris. Um domingo em que assistia à missa, o diácono fez com que o povo mantivesse silêncio para começar o sacrifício. Gontrão voltou-se para o povo e disse: ” – Eu vos conjuro, homens e mulheres que aqui estais, a guardar-me fidelidade inviolável e não me matar, como fizestes recentemente a meus irmãos. Que me seja permitido, ao menos durante três anos, educar meus sobrinhos que são meus filhos adotivos. Tenho receio – o que Deus queira evitar – de que se eu morrer, venhais a perecer com essas crianças, não tendo um homem feito em nossa família para vos defender”. A essas palavras, todo o povo dirigiu a Deus preces pelo rei. Seus dois sobrinhos eram Childeberto da Austrásia, filho de Sigeberto e de Brunehaut, e Clotário II, filho de Chilperico e de Fredegunda. Gontrão recebeu o jovem rei da Austrásia com ternura paternal. Colocando-lhe uma lança na mão, disse-lhe, diante de todos: “É este o sinal que te dou da entrega de meu reino. Para o futuro, submete à tua autoridade todas as minhas cidades como se fossem as tuas, porque, por causa dos nossos pecados, não resta de nossa família senão tu, que és filho de meu irmão. Serás meu herdeiro e meu sucessor em todo o reino, com exclusão de todos os outros.” Depois, tomando-o em separado e recomendando-lhe o mais profundo silêncio sobre o que ia lhe dizer, fê-lo conhecer em pormenores quais os homens que devia, ou não, honrar com sua confiança. Um dia, quando se dirigia para fazer orações, às diversas igrejas de Orleans, o rei Gontrão rumou para a residência de São Gregório de Tours, que morava na igreja de Santo Avito. Gregório levantou-se cheio de alegria ao reconhecê-lo e, depois de lhe ter dado a benção, rogou-lhe houvesse por bem aceitar com ele alguns elogios de São Martinho. Gontrão aceitou. Entrou com muita cordialidade, bebeu um copo de vinho, lembrou a Gregório que devia estar presente no jantar para o qual havia convidado todos os bispos e retirou-se alegre. O que ele fazia por Gregório de Tours, fazia-o por todos os cidadãos de Orleans. Aceitou o convite, compareceu ao jantar e encantou-os como sua bondade. Chamavam-no geralmente o bom rei. Gregório pedira-lhe indulto para alguns senhores implicados em uma insurreição política e que se haviam refugiado na igreja de São Martinho de Tours. Mas nada conseguiu, Não se agastou. Voltou no dia seguinte e disse ao rei: “Escutai-me príncipe. Fui enviado a vós como emissário de meu senhor. Que resposta quereis que lhe dê, desde que não vos dignais dá-la a mim?” O rei surpreendido perguntou-lhe: “Quem é o senhor que vos envia?” O bispo lhe disse sorrindo: “São Martinho”. A esse nome, Gontrão fez com que os culpados lhe viessem à presença, repreendeu-os por causa da perfídia, chamou-os de raposas malignas e, depois, lhes concedeu o indulto, bem como os bens que lhes haviam sido subtraídos. O zelo de Gontrão sustinha e animava o dos prelados de seu reino. Perdendo os dois filhos que deviam suceder-lhe, aplicou-se mais do que nunca a toda sorte de boas obras. Parecia, diz Fredegário, um bispo entre os bispos, tal o zelo pelos interesses da Igreja. Os exemplos de um rei tão bom santificaram a família. As duas princesas, suas filhas, Clodoberge e Clotilde, renunciaram às grandezas e aos prazeres do mundo, para se consagrarem a Deus, na sua virgindade. E Clodoberge não tardou em receber a recompensa celeste. Gontrão distinguiu-se especialmente pala magnificência com que fundava e dotava as igrejas. Deu diversas terras ao mosteiro de São Sinfrônio de Autun e ao de São Benigno de Dijon. Neste último estabeleceu os salmos perpétuos, a exemplo do mosteiro de Agaune, onde os monges, divididos em vários grupos, se revezavam dia e noite, para cantarem, sem interrupção, os louvores de Deus. Mandou construir uma igreja magnífica e um mosteiro nos arredores de Châlon-sobre-o-Saône, em honra de São Marcelo, mártir, e instituiu também um coro contínuo querendo com isso que a ordem dos salmos fosse a mesma a ser observada na igreja de Tours. Fez com que o regulamento por ele estabelecido fosse aprovado por quarenta bispos. Nada mais edificante do que a maneira pela qual o príncipe fala na ata da fundação desse mosteiro. Começa assim: “Gontrão, pela disposição da Divina Providência, rei sob o reino de Deus, servidor dos servidores do Senhor, a todos os filhos da nossa Mãe, a santa Igreja, saudações. Vejo com sentimento que para punição dos nossos pecados, nossas igrejas, fundadas para o serviço de Deus, definham por causa da ambição desmedida dos príncipes e pela exagerada negligência dos prelados. E estou penetrado de dor de não poder bastar para tudo. Todavia, para não comparecer de mãos vazias diante do Senhor, resolvemos dotar com as mais belas terras a basílica que erguemos em honra do glorioso São Marcelo de Châlon.” Indica a seguir, vários lugares, cujos habitantes encarregou de construir os diversos edifícios necessários aos mosteiros e termina com estas palavras: “Se alguém violar estas disposições, seja varrido do livro da vida.” O rei Gontrão reuniu vários concílios, não somente para regular os negócios da Igreja, como também para tratar dos bens temporais dos povos, para conciliar as diferenças do reino a outro, e prevenir, dessa forma, as guerras vivis entre os francos. Para ele, os concílios eram ainda conselhos de Estado. Sua caridade se mostrou sobretudo nessa circunstância. Um navio que chegara da Espanha, espalhara em Marselha a peste, enquanto Teodoro, bispo dessa cidade se encontrava na corte de Childeberto. O santo bispo retornou imediatamente para consolar o povo, e aliviar-lhe o sofrimento. Não omitiu nenhum dos socorros espirituais e temporais que podia dar. E quando a doença e a deserção reduziram os habitantes da grande cidade a um pequeno número, encerrou-se no recinto da igreja de São Vítor, com os que restavam, passando os dias e as noites em orações, para acalmar a cólera divina. O mal contagioso passou de Marselha para Lião. Gontrão desempenhou, ao mesmo tempo, as funções de um bom rei e de um piedoso bispo. Ordenou que fossem celebradas as rogações e que, durante três dias, tempo que deviam durar, se jejuasse, comendo pão de cevada e bebendo água. Foi o primeiro a dar exemplo, redobrando as austeridades, as orações e as esmolas costumeiras. Seus súditos o olhavam com veneração e respeitavam nele mais a qualidade de santo do que a de rei. Arrancavam-lhe pedaços das vestes para aplicá-los aos doentes. Uma mulher curou dessa forma, seu filho de uma febre. Levavam-lhe até os possessos, e Gregório de Tours disse que fora testemunha do poder que tinha sobre eles. Gontrão era, sobretudo, o protetor da inocência oprimida pelos grandes, como o demonstrou no ano seguinte, 589, tomando a defesa de uma jovem virgem, a quem o amor ao pudor havia inspirado a coragem de uma heroína. O duque de Amolon, na ausência da esposa, tomou-se de paixão criminosa por uma jovem e fez que lhe conduzissem, durante a noite, os seus criados, estando ele bêbado. Como ela resistisse com todas as forças, os criados lhe deram pancadas, a ponto de arrancar-lhe sangue. O duque, tomado pelo álcool, recebeu-a nesse estado. Mas, imediatamente ela agarrou uma espada que percebeu na cabeceira da cama e desferiu-lhe um golpe vigoroso na cabeça, como outrora Judite fizera a Holofernes. Aos gritos do duque, os criados acorreram, querendo matá-la. Mas o duque lhes disse: “Não lhe façais nada. Eu é que pequei, querendo manchar-lhe a honra. O que ela fez merece antes que a vida lhe seja conservada”. A jovem heroína, aproveitando-se da tristeza em que se encontrava a família, escapou da casa em de noite mesmo, dói refugiar-se na igreja de São Marcelo. Lá, atirando-se aos pés do rei Gontrão, contou-lhe o que acontecera. O príncipe a recebeu com bondade, concedeu-lhe não somente a vida, mas, em seu favor, expediu uma ordem pela qual declarava que a tomava sob sua proteção e proibia aos parentes do duque que a importunassem. Enfim, o bom rei Gontrão – assim chamavam os contemporâneos – morreu em 28 de março de 593, em Châlon-sobre-o-Saône, onde foi sepultado na igreja de São Marcelo, que ele mesmo havia fundado. Com sua morte, o sobrinho Childeberto, rei da Austrásia, herdou-lhe o reino da Borgonha. A igreja colocou o nome do rei Gontrão entre os santos e celebra-lhe a memória no dia 28 de Março. #SantodoDia

  • Aprenda como receber Indulgência Plenária no Tríduo Pascal

    Durante o santo Tríduo Pascal podemos ganhar para nós ou para os defuntos o dom da Indulgência Plenária se realizarmos algumas das seguintes obras estabelecidas pela Santa Sé. Que é a Indulgência? “A Indulgencia é a remissão diante de Deus da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, convenientemente disposto e mediante certas condições definidas, obtém por intervenção da Igreja que, como administradora da Redenção, distribui e aplica com autoridade o tesouro da satisfações de Cristo e dos Santos” Obras que gozam do dom da indulgência pascal: Quinta-feira Santa 1. Se durante a solene reserva do Santíssimo, que segue à Missa da Ceia do Senhor, recitamos ou cantamos o hino eucarístico “Tantum Ergo” (“Adoremos Prostrados”). 2. Se visitarmos pelo espaço de meia hora o Santíssimo Sacramento reservado no Monumento para adorá-lo. Sexta-feira Santa 1. Se na Sexta-feira Santa assistirmos piedosamente à Veneração da Cruz na solene celebração da Paixão do Senhor. Sábado Santo 1. Se rezarmos juntos a reza do Santo Rosário. Vigília Pascal 1. Se assistirmos à celebração da Vigília Pascal (Sábado Santo de noite) e nela renovamos as promessas de nosso Santo Batismo. Condições: Para ganhar a Indulgência Plenária além de ter realizado a obra enriquecida se requer o cumprimento das seguintes condições: A. Exclusão de todo afeto para qualquer pecado, inclusive venial. B. Cumprir uma das obras indulgenciadas acima. C. Confissão sacramental; D. Comunhão eucarística; E. Oração pelas intenções do Sumo Pontífice; Estas três últimas condições podem ser cumpridas uns dias antes ou depois da execução da obra enriquecida com a Indulgência Plenária; mas convém que se realizem no mesmo dia em que se cumpre a obra. É oportuno assinalar que com uma só confissão sacramental podemos ganhar várias indulgências. Convém, não obstante, que se receba freqüentemente a graça do sacramento da Penitência, para aprofundar na conversão e na pureza de coração. Por outro lado, com uma só comunhão eucarística e uma só oração pelas intenções do Santo Padre só se ganha uma Indulgência Plenária. A condição de orar pelas intenções do Sumo Pontífice se cumpre rezando-se em sua intenção um Pai Nosso e Ave-Maria; mas se concede a cada fiel cristão a faculdade de rezar qualquer outra fórmula, segundo sua piedade e devoção. Fonte: ACI Digital Leia também Aprenda mais sobre Indulgência: a grande misericórdia de Deus desconhecida por quase todos os cristãos #Indulgências

  • Homilia Diária | Nossa preparação é a de Cristo ou a de Judas?

    Quarta-feira da Semana Santa Estamos a pouquíssimos dias da Páscoa do Senhor. Hoje, Quarta-feira da Semana Santa, recordamos os preparativos para a Última Ceia: de um lado, vemos Judas Iscariotes, que, levado por sua avareza, vende Jesus pelo preço de um escravo; de outro, contemplamos o próprio Cristo, cujo Coração Eucarístico está inflamado de um desejo ardentíssimo de entregar-se a nós na Sagrada Eucaristia. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quarta-feira, dia 27 de março, e peçamos a Nossa Senhora que nos prepare convenientemente para a celebração dos mistérios pascais. Santo do Dia: São Ruperto, Bispo e Confessor Evangelho (Mt 26,14-25) — Salve, Cristo, Luz da vida, companheiro na partilha! — Salve, nosso Rei, somente vós tendes compaixão dos nossos erros. — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 14 um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15 e disse: “Que me dareis se vos entregar Jesus?” Combinaram, então, trinta moedas de prata. 16 E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus. 17 No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?” 18 Jesus respondeu: “Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa, junto com meus discípulos’”. 19 Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a Páscoa. 20 Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. 21 Enquanto comiam, Jesus disse: “Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair”. 22 Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: “Senhor, será que sou eu?” 23 Jesus respondeu: “Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. 24 O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!” 25 Então Judas, o traidor, perguntou: “Mestre, serei eu?” Jesus lhe respondeu: “Tu o dizes”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • São Ruperto, Bispo e Confessor – 27 de Março

    SANTO DO DIA – 27 DE MARÇO – SÃO RUPERTO, PRIMEIRO BISPO DE SALISBURGO Bispo (séculos VII e VII) Ruperto era um nobre descendente dos condes que dominavam a região do médio e do alto Reno, rio que percorre os Alpes europeus. Os Rupertinos eram parentes dos Carolíngios e o centro de suas atividades estava em Worms, onde Ruperto recebeu sua formação junto aos monges irlandeses. No ano 700, sua vocação de pregador se manifestou e ele dirigiu-se à Baviera, na Alemanha, com este intuito. Com o apoio do conde Téodo da Baviera, que era pagão e foi convertido por Ruperto, fundou uma igreja dedicada a São Pedro, perto do lago Waller, a dez quilômetros de Salzburgo. Mas, o local não condizia ainda com os objetivos de Ruperto, que conseguiu do conde outro terreno, próximo do rio Salzach, nos arredores da antiga cidade romana de Juvavum. Nesse terreno, o mosteiro que o bispo Ruperto construiu é o mais antigo da Áustria e veio a ser justamente o núcleo de formação da nova cidade de Salzburgo. Teve para isso o apoio de doze concidadãos, dois dos quais também se tornaram santos: Cunialdo e Gislero. Fundou, ao lado deste, um mosteiro feminino, que entregou a direção para sua sobrinha, a abadessa Erentrudes. Foi o responsável pela conversão total da Baviera e, é claro, de toda a Áustria. Morreu no dia 27 de março de 718, um domingo de Páscoa, depois de rezar a missa, no mosteiro de Juvavum. Antes, como percebera que a morte estava próxima, fez algumas recomendações e pedido de orações à sua sobrinha, e irmã espiritual, Erentrudes. Suas relíquias estão guardadas na belíssima catedral de Salzburgo, construída no século XVII. Ele é o padroeiro de seus habitantes e de suas minas de sal. São Ruperto, reconhecido como o fundador da bela cidade de Salzburgo, cujo significado é cidade do sal, aparece retratado com um saleiro na mão, tamanha sua ligação com a própria origem e desenvolvimento da cidade. Foi seu primeiro bispo e sua influência alastrou-se tanto, que é festejado nesse dia, não só nas regiões de língua alemã, como também na Irlanda, onde estudou, porque ali foi tomado como modelo pelos monges irlandeses. São Gontrão São Ruperto ou Roberto era da raça dos reis de França e bispo de Worms, no segundo ano de Childerico III, no ano de 696. Sua reputação chegou até Teodão, duque da Baviera. Este lhe enviou emissário para lhe rogar insistentemente que viesse ensinar na Província de Nórica. O santo bispo enviou, a princípio, alguns missionários, depois foi pessoalmente para lá. O duque, pleno de alegria, veio-lhe ao encontro, recebendo-o em Ratisbona, com grandes homenagens. São Ruperto ensinou tanto a moral como a fé católica, batizou-os juntamente com muitos súditos, tanto nobres como plebeus. É certo que, desde o tempo do rei Teodorico I, os bávaros haviam recebido a religião cristã, como consta de suas leis; mas vemos ao mesmo tempo, sobretudo pelo capitulário do Papa Gregório, que não havia nenhuma organização de bispados sob uma metrópole, nem, por conseguinte, nenhuma sucessão assegurada aos bispos. Concebe-se que, em tal estado de coisas, sobretudo em meio a resoluções políticas do reino da Austrásia, as gerações novas da Baviera, sem serem precisamente idólatras, nem sempre eram cristãs. Era a isso que o Papa Gregório procurava remediar, por seus legados. Convertendo-se o duque Teodão prometeu a São Ruperto escolher um lugar para estabelecer uma sede episcopal e construir igrejas e alojamentos para os eclesiásticos. O santo bispo embarcou no Danúbio e foi até as fronteiras da Panônia inferior, pregando a fé. Ao voltar, passou por Laureac, atualmente Lorch, antiga metrópole de Nórica onde curou vários doentes por suas orações e converteu inúmeras pessoas. Em seguida, sabendo que um lugar chamado Juvave havia existido quantidade apreciável de edifícios maravilhosos, mas, então, quase que em ruínas e cobertos de árvores, foi para lá e pediu esse lugar ao duque de Teodão. Esse lhe concedeu de boa vontade, com as terras dos arredores, em uma extensão de duas léguas. São Ruperto, estabeleceu sua sede episcopal, construiu uma igreja muito bonita em honra de São Pedro, com um claustro e alojamentos para os clérigos, para celebrarem o ofício todos os dias. Foi assim que, à voz do pontífice, a antiga Juvave saiu das ruínas para reviver séculos sob o nome de Salisburgo. Esse santo bispo tinha necessidade de operários que pregassem o Evangelho. Por isso voltou a seu país e trouxe consigo doze, com sua sobrinha Erentrude, que se havia consagrado a Deus. Fundou para ela um mosteiro em honra da santa Virgem sobre uma montanha vizinha, do qual ela foi a primeira abadessa. Ele continuou a visitar assiduamente todo o país, a construir igrejas e a ordenar clérigos. Enfim, após ter ordenando seu sucessor, morreu em 718, no dia da Páscoa, 27 de Março, dia em que a Igreja lhe honra a memória. #SantodoDia

  • Homilia Diária | Seremos como Judas ou como Pedro?

    Terça-feira da Semana Santa São Pedro e Judas Iscariotes, semelhantes pelo apostolado a que foram chamados, têm ainda um outro ponto em comum: ambos traíram a Cristo. O primeiro, por covardia, negando-o; o segundo, por avareza, vendendo-o aos judeus. O que os distingue é a resposta que deram ao Coração misericordioso de Cristo: Judas, desesperado, preferiu crer-se imperdoável; São Pedro, ao contrário, lançou-se arrependido à misericórdia do Senhor. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta terça-feira, dia 26 de março, e peçamos a Cristo que nos conceda, por sua benignidade, um sincero arrependimento de nossas traições. Santo do Dia: São Ludgero, Bispo Evangelho (Jo 13,21-33.36-38) — Honra, glória, poder e louvor a Jesus, nosso Deus e Senhor! — Salve, ó Rei, obediente ao Pai, vós fostes levado para ser crucificado, como um manso cordeiro é conduzido à matança. — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, estando à mesa com seus discípulos, 21 Jesus ficou profundamente comovido e testemunhou: “Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará”. 22 Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem Jesus estava falando. 23 Um deles, a quem Jesus amava, estava recostado ao lado de Jesus. 24 Simão Pedro fez-lhe um sinal para que ele procurasse saber de quem Jesus estava falando. 25 Então, o discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: “Senhor, quem é?” 26 Jesus respondeu: “É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho”. Então Jesus molhou um pedaço de pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. 27 Depois do pedaço de pão, Satanás entrou em Judas. Então Jesus lhe disse: “O que tens a fazer, executa-o depressa”. 28 Nenhum dos presentes compreendeu por que Jesus lhe disse isso. 29 Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam que Jesus lhe queria dizer: ‘Compra o que precisamos para a festa’, ou que desse alguma coisa aos pobres. 30 Depois de receber o pedaço de pão, Judas saiu imediatamente. Era noite. 31 Depois que Judas saiu, disse Jesus: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. 32 Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. 33 Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Vós me procurareis, e agora vos digo, como eu disse também aos judeus: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir’”. 36 Simão Pedro perguntou: “Senhor, para onde vais?” Jesus respondeu-lhe: “Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas seguirás mais tarde”. 37 Pedro disse: “Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei a minha vida por ti!” 38 Respondeu Jesus: “Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • São Ludgero, Bispo – 26 de Março

    SANTO DO DIA – 26 DE MARÇO – SÃO LUDGERO Bispo (742-809) Ludgero nasceu no ano 742 em Zuilen, Friesland, atual Holanda, e foi um dos grandes evangelizadores do seu tempo. Era descendente de família nobre e, dedicado aos estudos religiosos desde pequeno. Ordenou-se sacerdote em 777, em Colônia, na Alemanha. Seu trabalho de apóstolo teve início em sua terra natal, pois começou a trabalhar justamente nas regiões pagãs da Holanda, Suécia, Dinamarca, ponto alto da missão de São Bonifácio, que teve como discípulos São Gregório e Alcuíno de York, dos quais foi seguidor também Ludgero. Mais tarde, foi chamado pelo imperador Carlos Magno para evangelizar as terras que dominava. Entretanto, este empregava métodos de conversão junto aos povos conquistados, não condizentes com os princípios do cristianismo. Logo de início, por exemplo, obrigava os soldados vencidos a se converterem pela força, sob pena de serem condenados à morte se não se batizassem. Como consequência, dessa atitude autoritária estourou a revolta de Widukindo e Ludgero teve que fugir, seguindo para Roma. Depois foi para Montecassino, onde aprimorou seus estudos sobre o catolicismo e vestiu o hábito de monge, sem contudo emitir os votos. A revolta de Widukindo foi a muito custo dominada em 784 e o próprio Carlos Magno foi a Montecassino pedir que Ludgero retornasse para seu trabalho evangelizador, que então produziu muitos frutos. Pregou o evangelho na Saxônia e em Vestfália. Carlos Magno ofereceu-lhe o bispado de Treves, mas ele recusou. Ludgero emitiu os votos tomando o hábito definitivo de monge e fundou um mosteiro, ao redor do qual cresceu a cidade de Muester, cujo significado, literalmente, é mosteiro, e da qual foi eleito o primeiro bispo. Ludgero não parou mais, fundou várias igrejas e escolas, criou novas paróquias e as entregou aos sacerdotes que ele mesmo formara. Ainda encontrou tempo para retomar a evangelização na Frísia, realizando o seu sonho de contribuir para a conversão de sua pátria, a Holanda, e fundar outro mosteiro, este beneditino, em Werden, antes de morrer, que ocorreu no dia 26 de março de 809. O corpo de Ludgero foi sepultado na capela do mosteiro de Werden. Os fiéis tornaram o local mais uma meta de peregrinação pedindo a sua intercessão para muitas graças e milagres, que passaram a ocorrer em abundância. O culto à São Ludgero, que ocorre neste dia é muito intenso especialmente na Holanda, Suécia, Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Itália, países cujo solo pisou durante seu ministério. São Ludgero Ludigero, contemporâneo de Carlos Magno, era natural de Frisa, e descendia de família nobre. Seus pais eram cristãos. A mãe fora conservada por benefício singular da Providência. Tinha uma avó pagã, a qual, irritada pelo fato de seu filho ter apenas filhas, ordenou que a matassem antes de ser amamentada. Isso porque esses pagãos acreditavam ser permitido matar uma criança, uma vez que não houvesse tomado nenhum alimento. A criada encarregada da execução quis afundar a criança em um balde cheio de água, começando pela cabeça. Mas a pequena, estendendo os braços contra os bordos do balde, resistiu durante muito tempo, acabando por obter a compaixão de uma mulher vizinha, que a tomou, levou, para casa e lhe fez engolir imediatamente um pouco de mel. Após o que, desapareceu o perigo de morrer. Foi mãe de dois santos bispos, Ludigero e Hildegrimo, e de várias filhas, mães de inúmeros outros bispos. Desde a infância, São Ludigero, pedia aos pais que lhe dessem instrução por meio de algum homem de Deus. E eles o colocaram sob a direção de São Gregório de Utrecht, que vendo-o avançar na virtude, deu-lhe o hábito e o colocou em um mosteiro. Era uma escola de onde saíram inúmeros bispos e sacerdotes. Em seguida o enviou à Inglaterra com o inglês Aluberto, que viera trabalhar com ele na Frísia, o qual Gregório desejava fosse sagrado bispo. Ludigero lá passou um ano estudando, sob a direção de Alcuíno e foi ordenado diácono, sendo Aluberto bispo. Após o que, voltou para a Frísia para junto do abade Gregório. Mas algum tempo depois, obteve a permissão para retornar à Inglaterra, a fim de se instruir ainda com Alcuíno, que ensinava em York. Depois de três anos, estava de volta, trazendo grande quantidade de livros. Santo Alberico o ordenou sacerdote em Colônio, ao mesmo tempo em que foi sagrado bispo, e o encarregou da igreja de Dokem, onde São Bonifácio sofrera o martírio. Mas não deixava de governar o mosteiro de Utrecht, trimestralmente, com dois outros sacerdotes e o bispo Alberico, que o havia ordenado. São Ludigero trabalhou durante sete anos na Frísia, depois da morte de São Gregório, ou seja, de 776 a 783. E durante esse tempo, operou grande número de conversões, fundou várias igrejas e inúmeros mosteiros. As coisas estavam nesse pé, quando a invasão dos saxões o obrigou a deixar a Frísia. Distribuiu seus discípulos entre diversos lugares, em grande número, e levou dois consigo: Hildegrimo, seu irmão, e Gerberto, cognominado o Casto. Foi em Roma, seja com São Willehade, como dizem alguns, seja no ano seguinte, e passou pelo monte Cassino, onde se deteve, para aprender a regra de São Bento, porque desejava fundar um mosteiro em um terreno que lhe pertencia. Decorridos dois anos e meio, voltou a Frísia. Carlos Magno, que ouvira falar de Ludigero, encarregou-o da instrução dos frisões, dos cinco cantões a oriente do rio de Labec. A conselho do príncipe, passou para uma ilha, situada entre a Frísia e a Dinamarca, onde se adorava um deus chamado Sosise. Ele lhes derrubou os templo, construiu uma igreja, e, após converter os habitantes, batizou-os em uma fonte, onde São Willebrod, por superstição não bebiam a água, senão em silêncio. Entre os frisões que Ludigero teve a felicidade de converter, encontrava-se Landerico, filho do príncipe desses país. O santo missionário, que foi seu padrinho, instruiu-o com dedicação nas letras santas e, em seguida, o ordenou sacerdote. Landerico correspondeu a todas as esperanças. Foi, por longo tempo, chefe da escola dos frisões, e o mais firme sustentáculo dessa comunidade cristã, tanto pelo zelo como pelo crédito que lhe dava o nascimento. Deus autorizou por prodígios a pregação de Ludigero. Um dia, em que se encontrava à mesa com os discípulos em casa de uma senhora natural da Frísia, apresentaram-lhe um homem que ficava cego havia três anos, de nome Bernlef, conhecidíssimo e estimadíssimo em toda a região, porque sabia cantar com graça os combates dos antigos reis de sua nação. Essas canções, conservadas de cor, por tradição, eram os únicos monumentos da história entre a maior parte desses povos bárbaros. E Carlos Magno foi o primeiro que os fez escrevê-las. Ludigero, olhando para ele com ar jovial, perguntou-lhe senão queria confessar-se e receber a penitência. Bernlef, que não esperava pela pergunta, aceitou-a todavia. Ludigero, marcou-lhe, um encontro para o dia seguinte. O santo missionário montou a cavalo. Bernlef se fez onduzir sobre um cavalo até o lugar onde devia encontrar Ludigero. Esse tomou o cavalo Fo cego pelas rédeas e o levou a certa distância, onde ouviu o cego em confissão e lhe impôs uma penitência. Depois, fazendo-lhe o sinal da cruz sobre os olhos, colocou-lhe, diante, a mão, perguntando se estava vendo alguma coisa. Ele respondeu, cheio de alegria que estava vendo a mão. Continuando a caminho, aproximaram-se de uma vila chamada Werthem. Ludigero perguntou-lhe se reconhecia aquele lugar. Bernlef disse o nome do lugar e assegurou que distinguia as casas das árvores. Então o santo missionário o conduziu a um oratório vizinho e, após fazê-lo agradecer a Deus, lhe disse: ” Jura que, enquanto for vivo, não dirás a ninguém que fui eu que te curei.” Bernlef jurou e cumpriu a palavra. Durante algum tempo, fez-se ainda cego, para melhor esconder o autor da cura. E não contou o milagre senão depois da morte do santo. São Ludigero foi obrigado a deixar a Frísia durante uma segunda perseguição. Encarregou Bernlef, que sabia ser benquisto por toda a parte, de ir de casa em casa batizar, com o consentimento das mães, as crianças moribundas, por imersão ou por infusão. Batizou, assim, dezoito, que morreram logo após, exceto duas, às quais Ludigero, em seguida, deu a confirmação. O que aqui é dito do batismo por infusão prova somente que ele era usado para os doentes. Bernlef morreu santamente, em idade avançada. Sua esposa, vendo-o no leito de morte, afirmava que não poderia sobreviver-lhe, desfazendo-se em lágrimas. “Consola-te, disse-lhe ele, se tiver algum poder junto de Deus, tu me seguirás em breve”. Ela morreu com efeito, quinze dias depois. Quando a colheita se tornou mais abundante na Saxônia, Carlos Magno encarregou Ludigero de cultivar a parte ocidental dessa região. E isso deixar o cuidado da missão de Frísia. Para facilitar o progresso do Evangelho, propôs ordenar bispo um dos seus discípulos. Mas Hildebrando, bispo de Colônia, forçou-o a aceitar ele mesmo o episcopado. Respondeu com estas palavras do apóstolo: “Pobre de mim! Respondeu Hildebrando, essa regra serve bem para mim!” Mas, novamente insistiu com Ludigero, que, finalmente, se viu obrigado a ceder aos desejos do povo e à ordem do imperador. Foi sagrado em 801, primeiro bispo de Mimigardtfort, que mais tarde veio a se chamar Münster, por causa de um mosteiro de cônegos que o santo bispo lá fez construir. Alguns ano antes, mandara construir em terras de sua propriedade, o mosteiro de Werden, cuja fundação é dada como sendo de 796. Fez também ser construído um em Helmstat. Carlos Magno, que conhecia o santo costume que ele fazia dos bens da igreja, deu-lhe, com o bispado de Mimigardtfort, o mosteiro de Leuza em Brabante. Como Ludigero, não tivesse feito profissão de vida monástica, embora a praticasse, desde que fora sagrado bispo, passou a comer carne e abandonou a cogula. Mas não deixou de usar o cilício, que trazia escondido sob as roupas. Como bispo, curou mais um cego. Durante o tempo em que visitava a diocese, encontrando-se um dia à mesa em certa localidade da Saxônia, um cego veio gritar-lhe à porta. Enviou-lhe um diácono que cuidava dos pobres, para dar-lhe pão e carne. O cego não quis. O diácono procurou fazê-lo beber, o que ele também recusou, dizendo que desejava somente comparecer à presença do bispo, para que este o socorresse. O diácono que não compreendia o que ele desejava, deixou-o e o cego começou a gritar mais alto do que antes. Ludigero lhe enviou dinheiro que foi também recusado. O cego insistia somente em querer ser levado à presença do bispo. Foi, então, introduzido e Ludigero lhe disse: “Meu irmão que desejas de mim?” Respondeu o cego: “Fazei que eu veja por amor de Deus!” tornou Ludigero, espantando-se com o pedido. E, no mesmo instante, embora não tivesse repetido essas palavras senão para dar a entender o espanto, o cego recuperou a visão. E, colocando-se à mesa, bebeu e comeu com grande alegria. O santo bispo teve ardente desejo de ir pregar o Evangelho aos normandos, ou seja, dinamarqueses e outros povos do norte. Mas não conseguiu obter permissão de Carlos Magno, que o achava necessário para a Germânia. Em uma época em que não temia nada, o santo homem teve revelação das invasões que os normandos fariam um dia no império dos francos. Predisse-o à irmã Heriburga, chorando copiosamente. Ela exclamou: “Praza a Deus levar-me deste mundo antes que tais calamidades aconteçam!” Ludigero respondeu: “Não será assim. Essas infelicidades acontecerão enquanto fores viva. Eu, porém, não as verei no meu corpo.” E de fato, quando o bispo Alfrido, segundo sucessor de São Ludigero, escrevia esses pormenores, ditados por Heriburga, os normandos daquelas paragens, reduzindo os campos e os desertos. As grandes caridades que Ludigero praticava deram ocasião a alguns invejosos de o caluniarem. Pelo fato de distribuir com liberalidade, aos pobres todas as suas rendas, foi acusado junto de Carlos Magno de dissipar os bens da igreja. Foi chamado a prestas contas de suas administração. Dirigiu-se à corte e hospedou-se perto do palácio. Carlos Magno, ao saber de sua chegada, mandou chamá-lo logo pela manhã. Ludigero estava recintando o ofício. Respondeu que iria a audiência, quando tivesse feito suas orações. O imperador, impaciente por vê-lo, mandou por três vezes seus emissários apressarem o bispo. Mas não conseguiu que ele interrompesse as orações. Ao terminá-las, foi saudar o imperador, que lhe disse com um pouco de emoção: “Bispo, de onde vem essa consideração às minhas ordens e por que obrigar-me a enviar tantos recados?” “- Príncipe, respondeu Ludigero, é que eu creio dever preferir Deus a vós e aos homens todos, é o que vós mesmo me mandastes fazer, quando me destes meu bispado”. ” – Bispo, replicou imediatamente Carlos Magno, agradeço-vos por vos encontrar tal qual vos acreditava, Alguns interpretaram mal vossas boas obras. Mas eu vos prometo não escutá-los mais.” Hildegrimo, irmão de São Ludigero, distinguia-se de maneira apreciável pela piedade. Carlos magno lhe deu o bispado de Châlons-sobre o Marne. Mas, ao que parece, o deixou após a morte de São Ludigero, que aconteceu em 26 de Março de 809, dia em que é lembrado. Ludigero, embora enfermo no fim da vida, celebrava todos os dias a missa e no domingo da Paixão, que precedeu a noite em que morreu, pregou por duas vezes, a primeira na missa da manhã, e a segunda na que celebrou às nove horas. Seus discípulos quiseram enterrá-lo em Werden, segundo ele mesmo havia mandado. O povo, porém, se opôs a isso e deliberou-se deixar o corpo na igreja de Mimigardtfort, como em depósito. Durante esse tempo, Hildegrimo obteve ordem do imperador de fazer executar as últimas vontades de seu irmão. Sucedeu-lhe na direção do mosteiro de Werden, e Gefredo, seu sobrinho, na assembléia de Münster. A vida de São Ludigero, foi escrita por Altfrido, seu segundo sucessor, com base nas memórias que lhe foram fornecidas por Hildegrimo, irmão do santo, pela religiosa Heriburga, sua irmã e Gefredo, seu sobrinho. #SantodoDia

  • São Dimas, o Bom Ladrão – 25 de Março

    O Evangelho fala pouco deste Santo. Nem mesmo o nome, os evangelistas fixaram. O que sabemos foi trazido pela tradição que são os nomes: Dimas, o Bom Ladrão e Simas, o mau ladrão. Ubekendt spansk mester (-), Den gode roever (Skt. Dismas), 1450-1460 Sem dúvida alguma, se trata de um santo original, único, privilegiado, que mereceu a honra de ser canonizado em vida por Jesus Cristo, na hora solene de nossa Redenção. Os outros santos só foram solenemente reconhecidos, no outro milênio, a partir do ano 999. A Igreja comemorava os mártires e confessores, mas sem uma declaração oficial e formal. Enquanto que, a de São Dimas quem proclamou foi o próprio Fundador da Igreja. Dimas foi o operário da última hora, o que nos fez ver o mistério da graça derradeira. O mau ladrão resistiu, explodiu em blasfêmias. Rejeitou a graça, visivelmente dada pelo Redentor. O Bom Ladrão, depois de vacilar (Mt 27,44 -Mc 15,32), confessou a própria culpa, reclamou da injustiça contra Aquele que só fez o bem, reconheceu-O como Rei e lhe pediu que se lembrasse dele, quando estivesse no seu Reino. Segundo a tradição, Dimas não era judeu, mas sim egípcio de nascimento. Dimas e Simas praticavam o banditismo nos desertos de passagem para o Egito. Lá a Sagrada Família, que fugia da perseguição do rei Herodes, foi assaltada por dois ladrões e um deles a protegeu. Era Dimas. Naquela época, entre os bandidos havia o costume de nunca roubar, nem matar, crianças, velhos e mulheres. Assim, Dimas deu abrigo ao Menino Jesus protegendo a Virgem Maria e São José. Dimas foi um bandido muito perigoso da Palestina. E isso, realmente pode ser afirmado pelo suplício da cruz que mereceu. Essa condenação horrível era reservada somente aos grandes criminosos e aos escravos. O Martirológio Romano diz apenas no dia 25 de Março: “Em Jerusalém comemoração do Bom Ladrão que na cruz professou a fé de Jesus Cristo”. E no mundo todo São Dimas passou a ser festejado neste dia. O Bom Ladrão ou São Dimas foi o primeiro que entrou no céu: “Ainda hoje estarás comigo no Paraíso”. (Lc 23,43). Ele passou a ser popularmente considerado o “Padroeiro dos pecadores arrependidos da hora derradeira, dos agonizantes, da boa morte”. Morreu sacramentado pela absolvição do próprio Cristo, e por Ele conduzido ao Paraíso. Escute essa bela canção feita inspirada na passagem do Bom Ladrão: São Dimas e sua conversão Na história dos Santos existem exemplos de conversões impressionantes: muitas vezes, pecadores persistentes que num determinado momento de suas vidas, foram tocados e corresponderam a uma Graça eficaz que os fez mudar radicalmente, abraçando, a partir dali, uma vida inteiramente dedicada ao serviço de Deus. O exemplo mais pungente talvez seja a conversão de São Paulo, que, a caminho de Damasco, perseguindo os cristãos foi, literalmente, derrubado do cavalo, tornando-se o grande Apóstolo dos gentios. E assim, por diante. Outro exemplo não menos impressionante e milagroso é a conversão de São Dimas, cuja reflexão é para nós muito propícia durante esta Semana Santa, pois nos aponta a confiança que devemos ter na misericórdia de Deus até o nosso último momento de vida. Esta história nos é apresentada abaixo, na redação de um adolescente dos Arautos do Evangelho. São Dimas e sua conversão Todos sabem como foi surpreendente a conversão, no alto da cruz, do bom ladrão. Há inclusive os que dizem que São Dimas “soube roubar” até mesmo o céu. Mas a verdade é que ele alcançou essa imensa graça, na hora da morte, pela misericórdia e orações de Nossa Senhora. Sobre esse santo, há uma história muito bonita que, sendo verídica ou não, vale a pena aqui contar: Partira a Sagrada Família para o Egito. São José, Nossa Senhora e o Mennino Jesus fugiam da perseguição do malvado Herodes. Estando eles em viagem, foram cercados e aprisionados por uma quadrilha de ladrões. Foram então levados para a tenda do chefe do bando, na qual uma mulher trazia em seu colo um menino todo leproso. Nossa Senhora, tendo então uma grande piedade, perguntou-lhe: – Mulher, que tem o teu filho? E, com ar de tristeza, a esposa do bandido respondeu: – Meu filho nasceu assim, com lepra; e está condenado à morte! Ouvindo isso, Nossa Senhora lhe fez uma proposta: – Traga-me uma bacia com água para que eu dê banho no Meu Filho. E quando terminar, lave o seu menino na mesma água em que o banhei. Trouxeram a bacia. Nossa Senhora banhou o Menino Jesus naquela água e pediu que a mulher desse um banho em seu filho também ali, e foi o que ela fez. Após banhar seu menino, ele ficou curado, e por esse fato, os ladrões os soltaram e deixaram ir em paz. *** Muito diferentes foram os caminhos seguidos por aqueles dois meninos: o Menino Jesus, anunciava o reino dos céus; e o outro, como já vinha fazendo em toda a sua vida, não parava de roubar. Mas a Divina Providència havia preparado algo melhor para aquele ladrão: fez com que ele fosse condenado à morte de cruz, ao lado de Jesus. Ele não se lembrava de quando era leproso e, com um outro ladrão também crucificado, blasfemava contra o redentor. Foi então aí que Nossa Senhora quis, por piedade, curar a pior doença: a lepra da alma. Rezou pelos dois ladrões, mas somente um se converteu. Curado novamente, defendeu a Cristo e lhe pediu: – Senhor, lembrai-vos de mim, quando entrardes em vosso reino. Como resposta, ouviu do Divino Redentor: – Ainda hoje, entrarás comigo no Paraíso! E assim, foi ele canonizado pelo próprio Nosso Senhor. A conversão de São Dimas nos prova que Nossa Senhora nos ajuda em qualquer condição, e até na última hora… Entretanto, é claro que não vamos deixar para nos converter somente no fim da vida, não é? Comecemos então, a seguir o bom caminho desde já, confiantes no auxílio maternal de nossa Mãe Celeste, que intercede sempre por cada um de nós. #SantodoDia

  • Homilia Diária | O amor não conhece medidas

    Segunda-feira da Semana Santa O Evangelho de hoje nos transporta a Betânia, à casa de Lázaro, Marta e Maria. Ali, Jesus se recosta à mesa em companhia dos discípulos, e, num gesto de grande generosidade, Maria rompe um vaso caríssimo de nardo, um perfume precioso equivalente ao salário anual de um trabalhador, para ungir os pés do Senhor. Ali mesmo, obscurecido pela falta de fé, Judas não consegue compreender a linguagem generosa do amor e, em vez de se alegrar com o carinho dispensado ao Mestre, só consegue pensar no próprio bolso: “Por que não se vendeu este perfume por trezentas moedas de prata?” Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta segunda-feira, dia 25 de março, e não tenhamos medida para amar a Cristo, especialmente nesta Semana Santa, que nos convida a ir além da nossa generosidade habitual. Santo do Dia: São Dimas, o Bom Ladrão Evangelho (Jo 12,1-11) — Honra, glória, poder e louvor a Jesus, nosso Deus e Senhor! — Salve, nosso rei, somente vós tendes compaixão dos nossos erros. — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. 1 Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde morava Lázaro, que ele havia ressuscitado dos mortos. 2 Ali ofereceram a Jesus um jantar; Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. 3 Maria, tomando quase meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo. 4 Então, falou Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de entregar: 5 “Por que não se vendeu este perfume por trezentas moedas de prata, para dá-las aos pobres?” 6 Judas falou assim, não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão; ele tomava conta da bolsa comum e roubava o que se depositava nela. 7 Jesus, porém, disse: “Deixa-a; ela fez isto em vista do dia da minha sepultura. 8 Pobres, sempre os tereis convosco, enquanto a mim, nem sempre me tereis”. 9 Muitos judeus, tendo sabido que Jesus estava em Betânia, foram para lá, não só por causa de Jesus, mas também para verem Lázaro, que Jesus ressuscitara dos mortos. 10 Então, os sumos sacerdotes decidiram matar também Lázaro, 11 porque por causa dele, muitos deixavam os judeus e acreditavam em Jesus. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Conversão Sincera: como amar a Deus verdadeiramente?

    Estamos iniciando a semana maior do ano litúrgico, a Semana Santa! Assim como o calendário civil, acompanhado pelas estações do ano, possui uma dinâmica que nos faz experimentar diferentes sentimentos em cada época, da mesma forma o ano litúrgico, como se fosse um organismo vivo, nos conduz por diferentes tempos de graças. Na quaresma, e de modo mais intenso na Semana Santa, Deus proporciona um volume superior de graças que facilitam a nossa conversão e nos abre para reconhecer sua vontade em nossas vidas. Na formação ao vivo de hoje descobriremos como amar a Deus verdadeiramente e alcançar uma Conversão Sincera. Para assistir, acesse no horário marcado: #Formaçõesaovivo

  • Homilia Dominical |Na Cruz, a justiça e a misericórdia se encontram

    Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor Ao olharmos para a Cruz de Cristo, o que vemos é um grande fracasso. No entanto, a Igreja, movida pela fé da Virgem Maria, diz: “Vitória, tu reinarás! Ó Cruz, tu nos salvarás!” Por trás da aparente derrota de Nosso Senhor, está a sua vitória sobre Satanás e o pecado; vitória esta que somos chamados a viver ao longo dessa Semana Santa que se inicia. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor e renove sua fé no magnífico mistério que se realizou na Cruz de Cristo. Santo do Dia: Santa Catarina da Suécia Anúncio do Evangelho (Mc 15,1-39 – Forma breve) Narrador 1: Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo Marcos: 1 Logo pela manhã, os sumos sacerdotes, com os anciãos, os mestres da Lei e todo o Sinédrio, reuniram-se e tomaram uma decisão. Levaram Jesus amarrado e o entregaram a Pilatos. 2 E Pilatos o interrogou: Leitor 1: “Tu és o rei dos judeus?” Narrador 1: Jesus respondeu: — “Tu o dizes”. Narrador 1: 3 E os sumos sacerdotes faziam muitas acusações contra Jesus. 4 Pilatos o interrogou novamente: Leitor 1: “Nada tens a responder? Vê de quanta coisa te acusam!” Narrador 1: 5 Mas Jesus não respondeu mais nada, de modo que Pilatos ficou admirado. 6 Por ocasião da Páscoa, Pilatos soltava o prisioneiro que eles pedissem. 7 Havia então um preso, chamado Barrabás, entre os bandidos, que, numa revolta, tinha cometido um assassinato. 8 A multidão subiu a Pilatos e começou a pedir que ele fizesse como era costume. 9 Pilatos perguntou: Leitor 1: “Vós quereis que eu solte o rei dos judeus?” Narrador 2: 10 Ele bem sabia que os sumos sacerdotes haviam entregado Jesus por inveja. 11 Porém, os sumos sacerdotes instigaram a multidão para que Pilatos lhes soltasse Barrabás. 12 Pilatos perguntou de novo: Leitor 1: “Que quereis então que eu faça com o rei dos judeus?” Narrador 2: 13 Mas eles tornaram a gritar: — “Crucifica-o!” Narrador 2: 14 Pilatos perguntou: Leitor 1: “Mas, que mal ele fez?” Narrador 2: Eles, porém, gritaram com mais força: — “Crucifica-o!” Narrador 2: 15 Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus e o entregou para ser crucificado. 16 Então os soldados o levaram para dentro do palácio, isto é, o pretório, e convocaram toda a tropa. 17 Vestiram Jesus com um manto vermelho, teceram uma coroa de espinhos e a puseram em sua cabeça. 18 E começaram a saudá-lo: — “Salve, rei dos judeus!” Narrador 1: 19 Batiam-lhe na cabeça com uma vara. Cuspiam nele e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante dele. 20 Depois de zombarem de Jesus, tiraram-lhe o manto vermelho, vestiram-no de novo com suas próprias roupas e o levaram para fora, a fim de crucificá-lo. Narrador 2: 21 Os soldados obrigaram um certo Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo, que voltava do campo, a carregar a cruz. 22 Levaram Jesus para o lugar chamado Gólgota, que quer dizer “Calvário”. 23 Deram-lhe vinho misturado com mirra, mas ele não o tomou. 24 Então o crucificaram e repartiram as suas roupas, tirando a sorte, para ver que parte caberia a cada um. Narrador 1: 25 Eram nove horas da manhã quando o crucificaram. 26 E ali estava uma inscrição com o motivo de sua condenação: “O Rei dos Judeus”. 27 Com Jesus foram crucificados dois ladrões, um à direita e outro à esquerda. (28) 29 Os que por ali passavam o insultavam, balançando a cabeça e dizendo: — “Ah! Tu, que destróis o Templo e o reconstróis em três dias, 30 salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!” Narrador 1: 31 Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, com os mestres da Lei, zombavam entre si, dizendo: — “A outros salvou, a si mesmo não pode salvar! 32 O Messias, o rei de Israel… que desça agora da cruz, para que vejamos e acreditemos!” Narrador 2: Os que foram crucificados com ele também o insultavam. 33 Quando chegou o meio-dia, houve escuridão sobre toda a terra, até as três horas da tarde. 34 Pelas três da tarde, Jesus gritou com voz forte: — “Eloi, Eloi, lamá sabactâni?” Narrador 2: Que quer dizer: — “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Narrador 2: 35 Alguns dos que estavam ali perto, ouvindo-o, disseram: — “Vejam, ele está chamando Elias!” Narrador 2: 36 Alguém correu e embebeu uma esponja em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara e lhe deu de beber, dizendo: — “Deixai! Vamos ver se Elias vem tirá-lo da cruz”. Narrador 1: 37 Então Jesus deu um forte grito e expirou. (Todos se ajoelham um instante) 38 Nesse momento, a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes. 39 Quando o oficial do exército, que estava bem em frente dele, viu como Jesus havia expirado, disse: — “Na verdade, este homem era Filho de Deus!” — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Homilia Dominical |Na Cruz, a justiça e a misericórdia se encontram

    Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor Ao olharmos para a Cruz de Cristo, o que vemos é um grande fracasso. No entanto, a Igreja, movida pela fé da Virgem Maria, diz: “Vitória, tu reinarás! Ó Cruz, tu nos salvarás!” Por trás da aparente derrota de Nosso Senhor, está a sua vitória sobre Satanás e o pecado; vitória esta que somos chamados a viver ao longo dessa Semana Santa que se inicia. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor e renove sua fé no magnífico mistério que se realizou na Cruz de Cristo. Santo do Dia: Santa Catarina da Suécia Anúncio do Evangelho (Mc 15,1-39 – Forma breve) Narrador 1: Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo Marcos: 1 Logo pela manhã, os sumos sacerdotes, com os anciãos, os mestres da Lei e todo o Sinédrio, reuniram-se e tomaram uma decisão. Levaram Jesus amarrado e o entregaram a Pilatos. 2 E Pilatos o interrogou: Leitor 1: “Tu és o rei dos judeus?” Narrador 1: Jesus respondeu: — “Tu o dizes”. Narrador 1: 3 E os sumos sacerdotes faziam muitas acusações contra Jesus. 4 Pilatos o interrogou novamente: Leitor 1: “Nada tens a responder? Vê de quanta coisa te acusam!” Narrador 1: 5 Mas Jesus não respondeu mais nada, de modo que Pilatos ficou admirado. 6 Por ocasião da Páscoa, Pilatos soltava o prisioneiro que eles pedissem. 7 Havia então um preso, chamado Barrabás, entre os bandidos, que, numa revolta, tinha cometido um assassinato. 8 A multidão subiu a Pilatos e começou a pedir que ele fizesse como era costume. 9 Pilatos perguntou: Leitor 1: “Vós quereis que eu solte o rei dos judeus?” Narrador 2: 10 Ele bem sabia que os sumos sacerdotes haviam entregado Jesus por inveja. 11 Porém, os sumos sacerdotes instigaram a multidão para que Pilatos lhes soltasse Barrabás. 12 Pilatos perguntou de novo: Leitor 1: “Que quereis então que eu faça com o rei dos judeus?” Narrador 2: 13 Mas eles tornaram a gritar: — “Crucifica-o!” Narrador 2: 14 Pilatos perguntou: Leitor 1: “Mas, que mal ele fez?” Narrador 2: Eles, porém, gritaram com mais força: — “Crucifica-o!” Narrador 2: 15 Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus e o entregou para ser crucificado. 16 Então os soldados o levaram para dentro do palácio, isto é, o pretório, e convocaram toda a tropa. 17 Vestiram Jesus com um manto vermelho, teceram uma coroa de espinhos e a puseram em sua cabeça. 18 E começaram a saudá-lo: — “Salve, rei dos judeus!” Narrador 1: 19 Batiam-lhe na cabeça com uma vara. Cuspiam nele e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante dele. 20 Depois de zombarem de Jesus, tiraram-lhe o manto vermelho, vestiram-no de novo com suas próprias roupas e o levaram para fora, a fim de crucificá-lo. Narrador 2: 21 Os soldados obrigaram um certo Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo, que voltava do campo, a carregar a cruz. 22 Levaram Jesus para o lugar chamado Gólgota, que quer dizer “Calvário”. 23 Deram-lhe vinho misturado com mirra, mas ele não o tomou. 24 Então o crucificaram e repartiram as suas roupas, tirando a sorte, para ver que parte caberia a cada um. Narrador 1: 25 Eram nove horas da manhã quando o crucificaram. 26 E ali estava uma inscrição com o motivo de sua condenação: “O Rei dos Judeus”. 27 Com Jesus foram crucificados dois ladrões, um à direita e outro à esquerda. (28) 29 Os que por ali passavam o insultavam, balançando a cabeça e dizendo: — “Ah! Tu, que destróis o Templo e o reconstróis em três dias, 30 salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!” Narrador 1: 31 Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, com os mestres da Lei, zombavam entre si, dizendo: — “A outros salvou, a si mesmo não pode salvar! 32 O Messias, o rei de Israel… que desça agora da cruz, para que vejamos e acreditemos!” Narrador 2: Os que foram crucificados com ele também o insultavam. 33 Quando chegou o meio-dia, houve escuridão sobre toda a terra, até as três horas da tarde. 34 Pelas três da tarde, Jesus gritou com voz forte: — “Eloi, Eloi, lamá sabactâni?” Narrador 2: Que quer dizer: — “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Narrador 2: 35 Alguns dos que estavam ali perto, ouvindo-o, disseram: — “Vejam, ele está chamando Elias!” Narrador 2: 36 Alguém correu e embebeu uma esponja em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara e lhe deu de beber, dizendo: — “Deixai! Vamos ver se Elias vem tirá-lo da cruz”. Narrador 1: 37 Então Jesus deu um forte grito e expirou. (Todos se ajoelham um instante) 38 Nesse momento, a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes. 39 Quando o oficial do exército, que estava bem em frente dele, viu como Jesus havia expirado, disse: — “Na verdade, este homem era Filho de Deus!” — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Hong Kong aprova lei que obriga padres a quebrar sigilo de confissão

    Os legisladores de Hong Kong aprovaram o polêmico Artigo 23, que expande a draconiana Lei de Segurança Nacional em vigor. Espera-se que leve a mais restrições às liberdades e possa prender padres católicos que se recusem a quebrar o sigilo da confissão. Em 19 de março, festa de São José, o Artigo 23 foi aprovado por unanimidade na Câmara do Conselho Legislativo de Hong Kong. Entrará em vigor em 23 de março, depois que um projeto de lei foi apresentado menos de duas semanas antes, e em 30 de janeiro o chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, iniciou um período de consulta de quatro semanas para o Artigo 23. John Lee saudou a aprovação da lei e a forma como Hong Kong está cada vez mais se alinhando com o Partido Comunista Chinês (PCC). Ele classificou como “um momento histórico que esperamos 26 anos, oito meses e 19 dias para… Hoje, Hong Kong cumpriu finalmente o seu dever constitucional de legislar o artigo 23.º da Lei Básica. Correspondemos às expectativas do governo central e do nosso país.” O artigo 23 da nova norma representa um risco para os sacerdotes e para o sacramento da confissão. Um comunicado de 13 de março de um grupo de indivíduos e grupos – incluindo o Hong Kong Watch – alertou que os termos da lei poderiam afetar diretamente a Igreja Católica. Aqueles que não “revelarem o cometimento de traição por outros” podem ser condenados a 14 anos de prisão, e isso, alertaram os signatários, pode incluir padres que ouviram detalhes de tais ações sob o sigilo do confessionário.

  • Hong Kong aprova lei que obriga padres a quebrar sigilo de confissão

    Os legisladores de Hong Kong aprovaram o polêmico Artigo 23, que expande a draconiana Lei de Segurança Nacional em vigor. Espera-se que leve a mais restrições às liberdades e possa prender padres católicos que se recusem a quebrar o sigilo da confissão. Em 19 de março, festa de São José, o Artigo 23 foi aprovado por unanimidade na Câmara do Conselho Legislativo de Hong Kong. Entrará em vigor em 23 de março, depois que um projeto de lei foi apresentado menos de duas semanas antes, e em 30 de janeiro o chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, iniciou um período de consulta de quatro semanas para o Artigo 23. John Lee saudou a aprovação da lei e a forma como Hong Kong está cada vez mais se alinhando com o Partido Comunista Chinês (PCC). Ele classificou como “um momento histórico que esperamos 26 anos, oito meses e 19 dias para… Hoje, Hong Kong cumpriu finalmente o seu dever constitucional de legislar o artigo 23.º da Lei Básica. Correspondemos às expectativas do governo central e do nosso país.” O artigo 23 da nova norma representa um risco para os sacerdotes e para o sacramento da confissão. Um comunicado de 13 de março de um grupo de indivíduos e grupos – incluindo o Hong Kong Watch – alertou que os termos da lei poderiam afetar diretamente a Igreja Católica. Aqueles que não “revelarem o cometimento de traição por outros” podem ser condenados a 14 anos de prisão, e isso, alertaram os signatários, pode incluir padres que ouviram detalhes de tais ações sob o sigilo do confessionário.

  • O que é a novena de nove meses convocada pelo Cardeal Burke?

    O cardeal Raymond Leo Burke convoca os fiéis católicos das Américas a participarem de uma Novena de Nove Meses em homenagem a Nossa Senhora de Guadalupe, oferecendo reflexões e orientação espiritual por meio de e-mails mensais. (Por ocasião da preparação para a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, o cardeal Raymond Leo Burke fez um convite a todos os fiéis católicos do continente americano para que se juntem e participem de uma novena de nove meses na qual compartilharão reflexões, mensagens de encorajamento e direção espiritual por meio de e-mails mensais. “Apelo a todos os católicos da América para que voltem a Nossa Senhora e se unam em oração”, disse o cardeal Burke, iniciando sua mensagem de convite. Você pode participar clicando aqui. O cardeal continuou sua convocação: “Meu amigo, Nosso Senhor não nos chamou a temer. Não importa as trevas de nossa era, os homens e mulheres de fé não estão sem a verdade e o amor de Cristo, nem sem o cuidado fiel de Sua mãe. Foi numa época muito parecida com a nossa que a Virgem apareceu pela primeira vez a São Juan Diego, há cerca de 500 anos. Mesmo naquela época, o mundo lutava contra a fome e as doenças, e a guerra na Terra Santa ameaçava reduzir aquela bela e torturada região ao caos. Mesmo assim, uma confusão venenosa dentro da Igreja corroeu a fé dos cristãos em todo o mundo. E também vimos as forças do pecado recuarem diante da presença de Nossa Senhora. Através da humilde e corajosa cooperação de São Juan Diego com a graça, Nossa Senhora reivindicou o Novo Mundo para Cristo, atraindo quase nove milhões de novas almas para a Igreja até a morte de São Juan Diego em 1548. É esse mesmo cuidado e proteção materna que buscamos hoje; um cuidado e proteção que ela nos concederá, se lhe pedirmos fervorosamente. Para isso, apelo a todos os católicos, especialmente aos da América, para que se juntem a mim na oração de uma novena de nove meses pedindo a intercessão de Nossa Senhora, a partir de 12 de março. Este imenso empreendimento espiritual culminará com a consagração a Nossa Senhora de Guadalupe no dia 12 de dezembro, sua festa. Aqueles que se juntam a esta grande causa espiritual podem esperar de mim breves reflexões em vídeo a cada mês para ajudar a guiá-los, além das reflexões e orações escritas regulares. A conversão dos nossos corações transforma indefectivelmente o nosso mundo: nunca percamos a confiança no cuidado de Nossa Senhora por nós e nunca percamos a fé na verdade e no amor de Cristo. A escuridão do pecado parece tão grande. Mas o Senhor não nos chama a temer. O mal não pode aproximar-se do poder da graça de Deus. O pecado não pode impedir que a misericórdia curativa de Nosso Senhor chegue àqueles que se arrependem e a buscam. E nada pode diminuir o cuidado e a proteção de Nossa Senhora por nós, que continua tão forte hoje quanto há 500 anos. Vós no Sagrado Coração de Jesus e no Imaculado Coração de Maria, e no Puríssimo Coração de São José, Cardeal Raymond Leo Burke.” O que é a Novena de Nove Meses do Cardeal Burke? Oração Diária A partir de 12 de março, rezaremos diariamente pela intercessão de Nossa Senhora. O Cardeal Burke compôs uma oração específica para esta Novena. Meditações em vídeo Todos os meses, Sua Eminência enviará uma breve meditação sobre as aparições de Nossa Senhora de Guadalupe, bem como algum encorajamento prático em sua jornada através destes meses cheios de graça. Reflexões Escritas Além das breves reflexões em vídeo, Sua Eminência fornecerá reflexões escritas para ajudá-lo a aprofundar seu amor por Nossa Senhora e Cristo, Seu Filho. Você pode participar clicando aqui. #CardealBurke

  • O que é a novena de nove meses convocada pelo Cardeal Burke?

    O cardeal Raymond Leo Burke convoca os fiéis católicos das Américas a participarem de uma Novena de Nove Meses em homenagem a Nossa Senhora de Guadalupe, oferecendo reflexões e orientação espiritual por meio de e-mails mensais. (Por ocasião da preparação para a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, o cardeal Raymond Leo Burke fez um convite a todos os fiéis católicos do continente americano para que se juntem e participem de uma novena de nove meses na qual compartilharão reflexões, mensagens de encorajamento e direção espiritual por meio de e-mails mensais. “Apelo a todos os católicos da América para que voltem a Nossa Senhora e se unam em oração”, disse o cardeal Burke, iniciando sua mensagem de convite. Você pode participar clicando aqui. O cardeal continuou sua convocação: “Meu amigo, Nosso Senhor não nos chamou a temer. Não importa as trevas de nossa era, os homens e mulheres de fé não estão sem a verdade e o amor de Cristo, nem sem o cuidado fiel de Sua mãe. Foi numa época muito parecida com a nossa que a Virgem apareceu pela primeira vez a São Juan Diego, há cerca de 500 anos. Mesmo naquela época, o mundo lutava contra a fome e as doenças, e a guerra na Terra Santa ameaçava reduzir aquela bela e torturada região ao caos. Mesmo assim, uma confusão venenosa dentro da Igreja corroeu a fé dos cristãos em todo o mundo. E também vimos as forças do pecado recuarem diante da presença de Nossa Senhora. Através da humilde e corajosa cooperação de São Juan Diego com a graça, Nossa Senhora reivindicou o Novo Mundo para Cristo, atraindo quase nove milhões de novas almas para a Igreja até a morte de São Juan Diego em 1548. É esse mesmo cuidado e proteção materna que buscamos hoje; um cuidado e proteção que ela nos concederá, se lhe pedirmos fervorosamente. Para isso, apelo a todos os católicos, especialmente aos da América, para que se juntem a mim na oração de uma novena de nove meses pedindo a intercessão de Nossa Senhora, a partir de 12 de março. Este imenso empreendimento espiritual culminará com a consagração a Nossa Senhora de Guadalupe no dia 12 de dezembro, sua festa. Aqueles que se juntam a esta grande causa espiritual podem esperar de mim breves reflexões em vídeo a cada mês para ajudar a guiá-los, além das reflexões e orações escritas regulares. A conversão dos nossos corações transforma indefectivelmente o nosso mundo: nunca percamos a confiança no cuidado de Nossa Senhora por nós e nunca percamos a fé na verdade e no amor de Cristo. A escuridão do pecado parece tão grande. Mas o Senhor não nos chama a temer. O mal não pode aproximar-se do poder da graça de Deus. O pecado não pode impedir que a misericórdia curativa de Nosso Senhor chegue àqueles que se arrependem e a buscam. E nada pode diminuir o cuidado e a proteção de Nossa Senhora por nós, que continua tão forte hoje quanto há 500 anos. Vós no Sagrado Coração de Jesus e no Imaculado Coração de Maria, e no Puríssimo Coração de São José, Cardeal Raymond Leo Burke.” O que é a Novena de Nove Meses do Cardeal Burke? Oração Diária A partir de 12 de março, rezaremos diariamente pela intercessão de Nossa Senhora. O Cardeal Burke compôs uma oração específica para esta Novena. Meditações em vídeo Todos os meses, Sua Eminência enviará uma breve meditação sobre as aparições de Nossa Senhora de Guadalupe, bem como algum encorajamento prático em sua jornada através destes meses cheios de graça. Reflexões Escritas Além das breves reflexões em vídeo, Sua Eminência fornecerá reflexões escritas para ajudá-lo a aprofundar seu amor por Nossa Senhora e Cristo, Seu Filho. Você pode participar clicando aqui. #CardealBurke

  • Santa Catarina da Suécia – 24 de Março

    SANTO DO DIA – 24 DE MARÇO – SANTA CATARINA DA SUÉCIA Monja brigidina (1331-1381) Catarina foi ao mesmo tempo filha, discípula e companheira inseparável da mãe, Santa Brígida, a maior expressão religiosa feminina da história da Suécia. Nascida num berço nobre e cristão, Catarina nasceu em 1331 e recebeu educação e cultura com sólida base religiosa. Aos sete anos de idade, foi entregue às Irmãs do convento de Risberg, que souberam desenvolver totalmente sua vocação, cristalizando os ensinamentos cristãos que já vinha recebendo desde o berço. Mas, circunstâncias políticas e sociais fizeram com que a jovem tivesse que se casar com um nobre da corte, Edgard, que além de fervoroso cristão era doente. Assim, decidiu aceitar o voto de castidade que Catarina fizera e ele mesmo resolveu adota-lo, vivendo como irmãos. Quando Edgard, ficou paralítico, Catarina passou a cuidar dele com todo carinho e generosidade. Por ocasião da morte do pai de Catarina, sua mãe Brígida resolveu se voltar totalmente para a vida religiosa, iniciando-a com uma romaria aos túmulos dos apóstolos, em Roma. Pouco tempo depois, Catarina conseguiu a autorização do marido para encontrar-se com a ela. Mas, quando estavam em Roma receberam a notícia da morte de Edgard. Então, ambas fizeram os votos e vestiram o hábito de religiosas e não se separaram mais. Catarina ajudou e acompanhou todo o trabalho de caridade e evangelização desenvolvido pela mãe. Fundaram juntas o duplo mosteiro de Vadstena, na Suécia, do qual Brígida foi abadessa, criando a Ordem de São Salvador, cujas religiosas são chamadas de brigidinas. Catarina, como sua assistente, seguiu-a em todas as viagens perigosas, em seu país e no exterior, sendo muita vezes salvas por um cervo selvagem que sempre aparecia para socorrer Catarina. Foi após uma peregrinação à Terra Santa, que Brígida veio a falecer, em Roma. Catarina acompanhou o corpo de volta para a Suécia e foi recebida com aclamação popular, junto com os restos mortais da mãe, que já era venerada por sua santidade. Os registros relatam mais fatos prodigiosos, ocorridos com a nova abadessa, pois Catarina foi eleita sucessora da mãe no convento. Eles contam que alguns pretendentes queriam que ela abandonasse os votos e o hábito depois a morte de Edgard. Um, mais audacioso, ao tentar atacá-la, teria ficado cego e só recuperado a visão depois de se ajoelhar aos seus pés e pedir perdão, quando abriu os olhos viu ao lado de Catarina um cervo selvagem. Por isso, nas suas representações sempre há um cervo junto dela. Entretanto, a rainha-mãe Brígida, depois de falecida passou a operar prodígios, segundo muitos devotos e peregrinos que afirmavam ter alcançado graças por sua intercessão. Por isso, a pedido do povo e das autoridades da corte, a abadessa Catarina foi a Roma requerer do Sumo Pontífice a canonização da mãe, em nome da população do seu país. Ali viveu por cinco anos, interna de um convento onde ficaram registrados sua extrema disciplina, o senso de caridade e a humildade com que tratava os doentes e necessitados. Catarina, quando voltou para a Suécia, já era portadora de grave enfermidade, talvez pelas horas de duras penitências que praticava. Tinha cinquenta anos de idade quando faleceu, no dia 24 de março de 1381. O papa Inocente VIII, confirmou o culto de Santa Catarina da Suécia, em 1484. Mas o seu culto já era muito vigoroso em toda a Europa, uma vez que segundo a população romana ela teria salvado a cidade da inundação do rio Tevere cuja cheia já havia derrubado os diques que o continham. Santa Catarina da Suécia Pelo ano 1331, nascia Santa Catarina da Suécia, num lar de gente aparentada com a casa reinante e rica de muitas terras. Seu pai, Ulfo Gadmarsson, membro do Conselho Real e governador da região de Narke, era um fervoroso cristão, sua mãe, santa Brígida, patrona da Europa, ensinava-lhe como aos outros sete filhos as vias da espiritualidade, sobretudo através de leituras bíblicas e do exemplo dos santos cujas vidas estavam constantemente sob o seu olhar. Educada desde tenra idade, na abadia de Bisberg, aos catorze anos, foi, segundo as normas da gente fidalga naquela época, dada em casamento a Edgar, de nobre linhagem e fervoroso católico. Catarina aceitou este matrimónio, mas fez saber ao marido a sua intenção de permanecer virgem, promessa que ele respeitou durante os sete anos que viveu com ela. Estava esta bem-aventurada mulher em Roma, para ganhar o jubileu de 1350, quando recebe a notícia da morte do marido. Como aí se encontrava sua mãe, fundadora da Ordem do Santíssimo Salvador, desejosa de cooperar na reforma da Igreja tão pouco empenhada no serviço de Deus, nessa época, quando os Papas viviam em Avinhão, permaneceu com ela, durante vinte e três anos, secundando as suas iniciativas e propósitos. No mosteiro, a existência desenrola-se nas práticas de penitência, jejuns, orações quase contínuas e obras de caridade, dando um admirável exemplo a toda a comunidade. Em 1372, faz-se, com a mãe, peregrina dos lugares santos. Vive na Palestina, a Terra do Evangelho como costuma denominá-la, durante meio ano, haurindo um amor entranhado a Jesus Cristo, apoiada pela contemplação dos espaços, onde decorreram os acontecimentos da salvação. Volvida a Roma, morre-lhe a mãe, no dia 23 de Julho de 1373. Decide acompanhar os seus restos mortais até Vadstena, onde a sepulta, e tomar a direcção da comunidade aí sediada. Volta, de novo, a Roma a fim de apressar a canonização de sua mãe e obter do Papa a aprovação definitiva da Ordem monástica por ela fundada. Nesse interim, enquanto habitava a casa, onde vivera Santa Brígida, na Praça Farnese, contactou com gradas figuras da Igreja, entre as quais Santa Catarina de Sena e interveio na triste polémica do cisma do Ocidente entre o Papa Urbano VI e o antipapa Clemente VII. Lutou a favor do Papa de Roma e juntamente com a sua homónima de Sena conseguiu pacificar as intrigas da cidade eterna. Em 1380, encontramo-la no mosteiro de Vadstena, no seu posto de abadessa. Aí morre a 24 de Março de 1381, por entre um prestígio admirável donde ressalta não apenas a sua santidade como ainda a prudência, na condução dos negócios da Igreja. Seguindo o exemplo da mãe, deixou alguns tratados inéditos de conteúdo místico, onde trata vários assuntos práticos do caminho espiritual. Embora nunca se houvesse celebrado oficialmente a cerimónia de sua canonização, tão pedida pela nobreza sueca a Sixto IV, o povo sempre a venerou, por causa dos muitos milagres acontecidos junto da sua tumba. Clemente VIII autorizou a trasladação do seu corpo e daí o seu culto. #SantodoDia

  • Santa Catarina da Suécia – 24 de Março

    SANTO DO DIA – 24 DE MARÇO – SANTA CATARINA DA SUÉCIA Monja brigidina (1331-1381) Catarina foi ao mesmo tempo filha, discípula e companheira inseparável da mãe, Santa Brígida, a maior expressão religiosa feminina da história da Suécia. Nascida num berço nobre e cristão, Catarina nasceu em 1331 e recebeu educação e cultura com sólida base religiosa. Aos sete anos de idade, foi entregue às Irmãs do convento de Risberg, que souberam desenvolver totalmente sua vocação, cristalizando os ensinamentos cristãos que já vinha recebendo desde o berço. Mas, circunstâncias políticas e sociais fizeram com que a jovem tivesse que se casar com um nobre da corte, Edgard, que além de fervoroso cristão era doente. Assim, decidiu aceitar o voto de castidade que Catarina fizera e ele mesmo resolveu adota-lo, vivendo como irmãos. Quando Edgard, ficou paralítico, Catarina passou a cuidar dele com todo carinho e generosidade. Por ocasião da morte do pai de Catarina, sua mãe Brígida resolveu se voltar totalmente para a vida religiosa, iniciando-a com uma romaria aos túmulos dos apóstolos, em Roma. Pouco tempo depois, Catarina conseguiu a autorização do marido para encontrar-se com a ela. Mas, quando estavam em Roma receberam a notícia da morte de Edgard. Então, ambas fizeram os votos e vestiram o hábito de religiosas e não se separaram mais. Catarina ajudou e acompanhou todo o trabalho de caridade e evangelização desenvolvido pela mãe. Fundaram juntas o duplo mosteiro de Vadstena, na Suécia, do qual Brígida foi abadessa, criando a Ordem de São Salvador, cujas religiosas são chamadas de brigidinas. Catarina, como sua assistente, seguiu-a em todas as viagens perigosas, em seu país e no exterior, sendo muita vezes salvas por um cervo selvagem que sempre aparecia para socorrer Catarina. Foi após uma peregrinação à Terra Santa, que Brígida veio a falecer, em Roma. Catarina acompanhou o corpo de volta para a Suécia e foi recebida com aclamação popular, junto com os restos mortais da mãe, que já era venerada por sua santidade. Os registros relatam mais fatos prodigiosos, ocorridos com a nova abadessa, pois Catarina foi eleita sucessora da mãe no convento. Eles contam que alguns pretendentes queriam que ela abandonasse os votos e o hábito depois a morte de Edgard. Um, mais audacioso, ao tentar atacá-la, teria ficado cego e só recuperado a visão depois de se ajoelhar aos seus pés e pedir perdão, quando abriu os olhos viu ao lado de Catarina um cervo selvagem. Por isso, nas suas representações sempre há um cervo junto dela. Entretanto, a rainha-mãe Brígida, depois de falecida passou a operar prodígios, segundo muitos devotos e peregrinos que afirmavam ter alcançado graças por sua intercessão. Por isso, a pedido do povo e das autoridades da corte, a abadessa Catarina foi a Roma requerer do Sumo Pontífice a canonização da mãe, em nome da população do seu país. Ali viveu por cinco anos, interna de um convento onde ficaram registrados sua extrema disciplina, o senso de caridade e a humildade com que tratava os doentes e necessitados. Catarina, quando voltou para a Suécia, já era portadora de grave enfermidade, talvez pelas horas de duras penitências que praticava. Tinha cinquenta anos de idade quando faleceu, no dia 24 de março de 1381. O papa Inocente VIII, confirmou o culto de Santa Catarina da Suécia, em 1484. Mas o seu culto já era muito vigoroso em toda a Europa, uma vez que segundo a população romana ela teria salvado a cidade da inundação do rio Tevere cuja cheia já havia derrubado os diques que o continham. Santa Catarina da Suécia Pelo ano 1331, nascia Santa Catarina da Suécia, num lar de gente aparentada com a casa reinante e rica de muitas terras. Seu pai, Ulfo Gadmarsson, membro do Conselho Real e governador da região de Narke, era um fervoroso cristão, sua mãe, santa Brígida, patrona da Europa, ensinava-lhe como aos outros sete filhos as vias da espiritualidade, sobretudo através de leituras bíblicas e do exemplo dos santos cujas vidas estavam constantemente sob o seu olhar. Educada desde tenra idade, na abadia de Bisberg, aos catorze anos, foi, segundo as normas da gente fidalga naquela época, dada em casamento a Edgar, de nobre linhagem e fervoroso católico. Catarina aceitou este matrimónio, mas fez saber ao marido a sua intenção de permanecer virgem, promessa que ele respeitou durante os sete anos que viveu com ela. Estava esta bem-aventurada mulher em Roma, para ganhar o jubileu de 1350, quando recebe a notícia da morte do marido. Como aí se encontrava sua mãe, fundadora da Ordem do Santíssimo Salvador, desejosa de cooperar na reforma da Igreja tão pouco empenhada no serviço de Deus, nessa época, quando os Papas viviam em Avinhão, permaneceu com ela, durante vinte e três anos, secundando as suas iniciativas e propósitos. No mosteiro, a existência desenrola-se nas práticas de penitência, jejuns, orações quase contínuas e obras de caridade, dando um admirável exemplo a toda a comunidade. Em 1372, faz-se, com a mãe, peregrina dos lugares santos. Vive na Palestina, a Terra do Evangelho como costuma denominá-la, durante meio ano, haurindo um amor entranhado a Jesus Cristo, apoiada pela contemplação dos espaços, onde decorreram os acontecimentos da salvação. Volvida a Roma, morre-lhe a mãe, no dia 23 de Julho de 1373. Decide acompanhar os seus restos mortais até Vadstena, onde a sepulta, e tomar a direcção da comunidade aí sediada. Volta, de novo, a Roma a fim de apressar a canonização de sua mãe e obter do Papa a aprovação definitiva da Ordem monástica por ela fundada. Nesse interim, enquanto habitava a casa, onde vivera Santa Brígida, na Praça Farnese, contactou com gradas figuras da Igreja, entre as quais Santa Catarina de Sena e interveio na triste polémica do cisma do Ocidente entre o Papa Urbano VI e o antipapa Clemente VII. Lutou a favor do Papa de Roma e juntamente com a sua homónima de Sena conseguiu pacificar as intrigas da cidade eterna. Em 1380, encontramo-la no mosteiro de Vadstena, no seu posto de abadessa. Aí morre a 24 de Março de 1381, por entre um prestígio admirável donde ressalta não apenas a sua santidade como ainda a prudência, na condução dos negócios da Igreja. Seguindo o exemplo da mãe, deixou alguns tratados inéditos de conteúdo místico, onde trata vários assuntos práticos do caminho espiritual. Embora nunca se houvesse celebrado oficialmente a cerimónia de sua canonização, tão pedida pela nobreza sueca a Sixto IV, o povo sempre a venerou, por causa dos muitos milagres acontecidos junto da sua tumba. Clemente VIII autorizou a trasladação do seu corpo e daí o seu culto. #SantodoDia

  • Homilia Diária | A última profecia

    Sábado da 5.ª Semana da Quaresma A partir de hoje, as autoridades judaicas farão de tudo para perder Jesus. E como remate desta obra terrível de incredulidade, perseguição e injustiça, Deus permite que, pela boca de Caifás, último sumo sacerdote da Lei, pronuncie o Antigo Testamento as suas últimas palavras, antes de ser selado no Sangue de Cristo a Nova e eterna Aliança: “É melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira”, a fim de que sejam reunidos numa só Igreja os filhos de Deus dispersos pelo mundo. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este sábado, dia 23 de março, e intensifiquemos nossa oração para bem nos prepararmos para a Semana Santa que se aproxima. Santo do Dia: São Turíbio de Mogrovejo, padroeiro do Episcopado latino-americano Evangelho (Jo 11,45-56) — Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai! — Lançai para bem longe toda a vossa iniquidade! Criai em vós um novo espírito e um novo coração! (Ez 18,31) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 45 muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. 46 Alguns, porém, foram ter com os fariseus e contaram o que Jesus tinha feito. 47 Então os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram o Conselho e disseram: “Que faremos? Este homem realiza muitos sinais. 48 Se deixamos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar Santo e a nossa nação”. 49 Um deles, chamado Caifás, sumo sacerdote em função naquele ano, disse: “Vós não entendeis nada. 50 Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?” 51 Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote em função naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação. 52 E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos. 53 A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus. 54 Por isso, Jesus não andava mais em público no meio dos judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto, para a cidade chamada Efraim. Ali permaneceu com os seus discípulos. 55 A Páscoa dos judeus estava próxima. Muita gente do campo tinha subido a Jerusalém para se purificar antes da Páscoa. 56 Procuravam Jesus e, ao reunirem-se no Templo, comentavam entre si: “Que vos parece? Será que ele não vem para a festa?” — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Homilia Diária | A última profecia

    Sábado da 5.ª Semana da Quaresma A partir de hoje, as autoridades judaicas farão de tudo para perder Jesus. E como remate desta obra terrível de incredulidade, perseguição e injustiça, Deus permite que, pela boca de Caifás, último sumo sacerdote da Lei, pronuncie o Antigo Testamento as suas últimas palavras, antes de ser selado no Sangue de Cristo a Nova e eterna Aliança: “É melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira”, a fim de que sejam reunidos numa só Igreja os filhos de Deus dispersos pelo mundo. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este sábado, dia 23 de março, e intensifiquemos nossa oração para bem nos prepararmos para a Semana Santa que se aproxima. Santo do Dia: São Turíbio de Mogrovejo, padroeiro do Episcopado latino-americano Evangelho (Jo 11,45-56) — Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai! — Lançai para bem longe toda a vossa iniquidade! Criai em vós um novo espírito e um novo coração! (Ez 18,31) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 45 muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. 46 Alguns, porém, foram ter com os fariseus e contaram o que Jesus tinha feito. 47 Então os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram o Conselho e disseram: “Que faremos? Este homem realiza muitos sinais. 48 Se deixamos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar Santo e a nossa nação”. 49 Um deles, chamado Caifás, sumo sacerdote em função naquele ano, disse: “Vós não entendeis nada. 50 Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?” 51 Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote em função naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação. 52 E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos. 53 A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus. 54 Por isso, Jesus não andava mais em público no meio dos judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto, para a cidade chamada Efraim. Ali permaneceu com os seus discípulos. 55 A Páscoa dos judeus estava próxima. Muita gente do campo tinha subido a Jerusalém para se purificar antes da Páscoa. 56 Procuravam Jesus e, ao reunirem-se no Templo, comentavam entre si: “Que vos parece? Será que ele não vem para a festa?” — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Homilia Diária | Condenado por dizer a verdade

    Sexta-feira da 5.ª Semana da Quaresma Há quem diga, influenciado por má teologia e ideias de estranha procedência, que Jesus foi condenado à morte por motivos puramente políticos e ideológicos: aos olhos dos chefes do povo e das autoridades romanas, Ele não passaria de um agitador importuno, contrário ao “sistema” e à cobrança de impostos. Mas será isso realmente verdade? O que nos dizem as Escrituras e as palavras do próprio Cristo a esse respeito? Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta sexta-feira, dia 22 de março, e prepare-se conosco para esta próxima Semana Santa! Santo do Dia: São Basílio de Ancira, que combateu os pagãos e o arianismo Evangelho (Jo 10,31-42) — Glória a Cristo, Palavra eterna do Pai que é amor! — Senhor, tuas palavras são espírito, são vida; só tu tens palavras de vida eterna! (Jo 6,63c.68c) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 31 os judeus pegaram pedras para apedrejar Jesus. 32 E ele lhes disse: “Por ordem do Pai, mostrei-vos muitas obras boas. Por qual delas me quereis apedrejar?” 33 Os judeus responderam: “Não queremos te apedrejar por causa das obras boas, mas por causa de blasfêmia, porque sendo apenas um homem, tu te fazes Deus!” 34 Jesus disse: “Acaso não está escrito na vossa Lei: ‘Eu disse: vós sois deuses’? 35 Ora, ninguém pode anular a Escritura: se a Lei chama deuses as pessoas às quais se dirigiu a palavra de Deus, 36 por que então me acusais de blasfêmia, quando eu digo que sou Filho de Deus, eu a quem o Pai consagrou e enviou ao mundo? 37 Se não faço as obras do meu Pai, não acrediteis em mim. 38 Mas, se eu as faço, mesmo que não queirais acreditar em mim, acreditai nas minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu no Pai”. 39 Outra vez procuravam prender Jesus, mas ele escapou das mãos deles. 40 Jesus passou para o outro lado do Jordão, e foi para o lugar onde, antes, João tinha batizado. E permaneceu ali. 41 Muitos foram ter com ele, e diziam: “João não realizou nenhum sinal, mas tudo o que ele disse a respeito deste homem, é verdade”. 42 E muitos, ali, acreditaram nele. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Homilia Diária | Condenado por dizer a verdade

    Sexta-feira da 5.ª Semana da Quaresma Há quem diga, influenciado por má teologia e ideias de estranha procedência, que Jesus foi condenado à morte por motivos puramente políticos e ideológicos: aos olhos dos chefes do povo e das autoridades romanas, Ele não passaria de um agitador importuno, contrário ao “sistema” e à cobrança de impostos. Mas será isso realmente verdade? O que nos dizem as Escrituras e as palavras do próprio Cristo a esse respeito? Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta sexta-feira, dia 22 de março, e prepare-se conosco para esta próxima Semana Santa! Santo do Dia: São Basílio de Ancira, que combateu os pagãos e o arianismo Evangelho (Jo 10,31-42) — Glória a Cristo, Palavra eterna do Pai que é amor! — Senhor, tuas palavras são espírito, são vida; só tu tens palavras de vida eterna! (Jo 6,63c.68c) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 31 os judeus pegaram pedras para apedrejar Jesus. 32 E ele lhes disse: “Por ordem do Pai, mostrei-vos muitas obras boas. Por qual delas me quereis apedrejar?” 33 Os judeus responderam: “Não queremos te apedrejar por causa das obras boas, mas por causa de blasfêmia, porque sendo apenas um homem, tu te fazes Deus!” 34 Jesus disse: “Acaso não está escrito na vossa Lei: ‘Eu disse: vós sois deuses’? 35 Ora, ninguém pode anular a Escritura: se a Lei chama deuses as pessoas às quais se dirigiu a palavra de Deus, 36 por que então me acusais de blasfêmia, quando eu digo que sou Filho de Deus, eu a quem o Pai consagrou e enviou ao mundo? 37 Se não faço as obras do meu Pai, não acrediteis em mim. 38 Mas, se eu as faço, mesmo que não queirais acreditar em mim, acreditai nas minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu no Pai”. 39 Outra vez procuravam prender Jesus, mas ele escapou das mãos deles. 40 Jesus passou para o outro lado do Jordão, e foi para o lugar onde, antes, João tinha batizado. E permaneceu ali. 41 Muitos foram ter com ele, e diziam: “João não realizou nenhum sinal, mas tudo o que ele disse a respeito deste homem, é verdade”. 42 E muitos, ali, acreditaram nele. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • São Nicolau de Flue, por 19 anos se alimentou somente da Eucaristia – 21 de Março

    SANTO DO DIA – 21 DE MARÇO – SÃO NICOLAU DE FLUE Eremita Padroeiro da Suiça (1417-1487) Bruder Klaus nasceu no dia 21 de março de 1417, na Suíça. Oriundo de família pobre, ainda jovem queria ser monge ou eremita. Nesta época não pôde realizar o sonho porque tinha que ajudar os pais nos trabalhos do campo. Mais tarde também não o conseguiu, pois se casou. Felizmente a escolhida era uma moça muito virtuosa e religiosa, chamada Dorotéia, com a qual teve dez filhos. Vários deles se tornaram sacerdotes, e um dos netos, Conrado Scheuber, morreu com o conceito de santidade. Ainda neste período Klaus não pôde se dedicar totalmente às orações e meditações como queria. Os escritos da época narram que, devido ao seu reconhecido senso de justiça, retidão de consciência e integridade moral, foi convocado a assumir vários cargos públicos, como, juiz, conselheiro e deputado. Finalmente, aos cinqüenta anos de idade conseguiu a concordância da família e abandonou tudo. Adotou o nome de Nicolau e foi viver numa cabana que ele mesmo construiu, não muito longe de sua casa, mas num local ermo e totalmente abandonado. Tinha por travesseiro uma pedra e como cama uma tábua dura. Naquele local viveu por dezenove anos e há um fato desse período que impressionou no passado e impressiona até hoje. Há provas oficiais de que ele, durante todos esses anos, alimentou-se exclusivamente da Sagrada Comunhão. Entretanto, não conseguia se manter na solidão. Amável e receptivo, não fugia de quem o procurasse. E a pátria precisou dele várias vezes. Conhecido por seus atos e pela condição de eremita, foi chamado a mediar situações explosivas como a ameaça de guerra contra os austríacos e a eclosão iminente de uma guerra civil. Mas, quando não houve jeito de alcançar a paz no diálogo, ele também não fugiu de assumir seu lugar nos campos de batalha, como soldado e mesmo oficial. Entretanto, seu trabalho na reconciliação entre as partes envolvidas nestas questões de guerra repercutiu muito na população. Nicolau passou a ser venerado pelo povo, que logo o chamou de “Pai da Pátria”. Porém, à qualquer chance que tinha voltava para sua cabana, até ser solicitado novamente. Foi conselheiro espiritual e moral de muita gente, tanto pessoas simples como ocupantes de cargos elevados. Era muito respeitado por católicos e protestantes. Há quase um consenso em seu país de que a Suíça é hoje um país neutro e pacífico, que dificilmente se envolve em guerras ou conflitos internacionais, graças à influência do “Irmão Klaus”, como era, e ainda é, carinhosamente chamado por todos os suíços. Ele morreu no dia 21 de março de 1487, exatos setenta anos do seu nascimento. O corpo de Nicolau está sepultado na Igreja de Sachslen. Beatificado em 1669, foi canonizado pelo Papa Pio XII em 1947. A memória de São Nicolau de Flue é venerada pela Igreja, no dia 21 de março e como herói da pátria, no dia 25 de setembro. Ele é o Santo mais popular da Suíça. #SantodoDia

  • São Nicolau de Flue, por 19 anos se alimentou somente da Eucaristia – 21 de Março

    SANTO DO DIA – 21 DE MARÇO – SÃO NICOLAU DE FLUE Eremita Padroeiro da Suiça (1417-1487) Bruder Klaus nasceu no dia 21 de março de 1417, na Suíça. Oriundo de família pobre, ainda jovem queria ser monge ou eremita. Nesta época não pôde realizar o sonho porque tinha que ajudar os pais nos trabalhos do campo. Mais tarde também não o conseguiu, pois se casou. Felizmente a escolhida era uma moça muito virtuosa e religiosa, chamada Dorotéia, com a qual teve dez filhos. Vários deles se tornaram sacerdotes, e um dos netos, Conrado Scheuber, morreu com o conceito de santidade. Ainda neste período Klaus não pôde se dedicar totalmente às orações e meditações como queria. Os escritos da época narram que, devido ao seu reconhecido senso de justiça, retidão de consciência e integridade moral, foi convocado a assumir vários cargos públicos, como, juiz, conselheiro e deputado. Finalmente, aos cinqüenta anos de idade conseguiu a concordância da família e abandonou tudo. Adotou o nome de Nicolau e foi viver numa cabana que ele mesmo construiu, não muito longe de sua casa, mas num local ermo e totalmente abandonado. Tinha por travesseiro uma pedra e como cama uma tábua dura. Naquele local viveu por dezenove anos e há um fato desse período que impressionou no passado e impressiona até hoje. Há provas oficiais de que ele, durante todos esses anos, alimentou-se exclusivamente da Sagrada Comunhão. Entretanto, não conseguia se manter na solidão. Amável e receptivo, não fugia de quem o procurasse. E a pátria precisou dele várias vezes. Conhecido por seus atos e pela condição de eremita, foi chamado a mediar situações explosivas como a ameaça de guerra contra os austríacos e a eclosão iminente de uma guerra civil. Mas, quando não houve jeito de alcançar a paz no diálogo, ele também não fugiu de assumir seu lugar nos campos de batalha, como soldado e mesmo oficial. Entretanto, seu trabalho na reconciliação entre as partes envolvidas nestas questões de guerra repercutiu muito na população. Nicolau passou a ser venerado pelo povo, que logo o chamou de “Pai da Pátria”. Porém, à qualquer chance que tinha voltava para sua cabana, até ser solicitado novamente. Foi conselheiro espiritual e moral de muita gente, tanto pessoas simples como ocupantes de cargos elevados. Era muito respeitado por católicos e protestantes. Há quase um consenso em seu país de que a Suíça é hoje um país neutro e pacífico, que dificilmente se envolve em guerras ou conflitos internacionais, graças à influência do “Irmão Klaus”, como era, e ainda é, carinhosamente chamado por todos os suíços. Ele morreu no dia 21 de março de 1487, exatos setenta anos do seu nascimento. O corpo de Nicolau está sepultado na Igreja de Sachslen. Beatificado em 1669, foi canonizado pelo Papa Pio XII em 1947. A memória de São Nicolau de Flue é venerada pela Igreja, no dia 21 de março e como herói da pátria, no dia 25 de setembro. Ele é o Santo mais popular da Suíça. #SantodoDia

  • Homilia Diária | Você seguirá a Cristo ou aos fariseus?

    Quinta-feira da 5.ª Semana da Quaresma Deus se fez homem, tornando-se vulnerável à nossa indiferença e selvageria, e nós o matamos. Preferimos a mentira confortável do nosso egoísmo e, de ouvidos fechados à verdade, fizemos pouco caso do Amor, atingido e chagado pelo nosso desamor. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quinta-feira, dia 21 de março, e peçamos a Nossa Senhora que nos dê coragem de amar e deixar-nos ferir pela caridade ardente de seu Filho. Santo do Dia: São Nicolau de Flue, por 19 anos se alimentou somente da Eucaristia Evangelho (Jo 8,51-59) — Glória a Cristo, Palavra eterna do Pai, que é amor! — Oxalá ouvísseis hoje a sua voz. Não fecheis os corações como em Meriba! (Cf. Sl 94(95),8ab) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: 51 “Em verdade, em verdade vos digo: se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte”. 52 Disseram então os judeus: “Agora sabemos que tens um demônio. Abraão morreu e os profetas também, e tu dizes: ‘Se alguém guardar a minha palavra jamais verá a morte’. 53 Acaso és maior do que nosso pai Abraão, que morreu, como também os profetas? Quem pretendes ser?” 54 Jesus respondeu: “Se me glorifico a mim mesmo, minha glória não vale nada. Quem me glorifica é o meu Pai, aquele que vós dizeis ser o vosso Deus. 55 No entanto, não o conheceis. Mas eu o conheço e, se dissesse que não o conheço, seria um mentiroso, como vós! Mas eu o conheço e guardo a sua palavra. 56 Vosso pai Abraão exultou, por ver o meu dia; ele o viu, e alegrou-se”. 57 Os judeus disseram-lhe então: “Nem sequer cinquenta anos tens, e viste Abraão!” 58 Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, antes que Abraão existisse, eu sou”. 59 Então eles pegaram em pedras para apedrejar Jesus, mas ele escondeu-se e saiu do Templo. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Homilia Diária | Você seguirá a Cristo ou aos fariseus?

    Quinta-feira da 5.ª Semana da Quaresma Deus se fez homem, tornando-se vulnerável à nossa indiferença e selvageria, e nós o matamos. Preferimos a mentira confortável do nosso egoísmo e, de ouvidos fechados à verdade, fizemos pouco caso do Amor, atingido e chagado pelo nosso desamor. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quinta-feira, dia 21 de março, e peçamos a Nossa Senhora que nos dê coragem de amar e deixar-nos ferir pela caridade ardente de seu Filho. Santo do Dia: São Nicolau de Flue, por 19 anos se alimentou somente da Eucaristia Evangelho (Jo 8,51-59) — Glória a Cristo, Palavra eterna do Pai, que é amor! — Oxalá ouvísseis hoje a sua voz. Não fecheis os corações como em Meriba! (Cf. Sl 94(95),8ab) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: 51 “Em verdade, em verdade vos digo: se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte”. 52 Disseram então os judeus: “Agora sabemos que tens um demônio. Abraão morreu e os profetas também, e tu dizes: ‘Se alguém guardar a minha palavra jamais verá a morte’. 53 Acaso és maior do que nosso pai Abraão, que morreu, como também os profetas? Quem pretendes ser?” 54 Jesus respondeu: “Se me glorifico a mim mesmo, minha glória não vale nada. Quem me glorifica é o meu Pai, aquele que vós dizeis ser o vosso Deus. 55 No entanto, não o conheceis. Mas eu o conheço e, se dissesse que não o conheço, seria um mentiroso, como vós! Mas eu o conheço e guardo a sua palavra. 56 Vosso pai Abraão exultou, por ver o meu dia; ele o viu, e alegrou-se”. 57 Os judeus disseram-lhe então: “Nem sequer cinquenta anos tens, e viste Abraão!” 58 Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, antes que Abraão existisse, eu sou”. 59 Então eles pegaram em pedras para apedrejar Jesus, mas ele escondeu-se e saiu do Templo. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Homilia Diária | Até quando você será escravo de Satanás?

    Quarta-feira da 5.ª Semana da Quaresma Por causa do pecado, a humanidade tornou-se escrava da iniquidade, ré de morte eterna e sujeita às mentiras do diabo. Ainda que muitos clamem por liberdade, no fundo, não é possível ser livre sem a graça redentora de Cristo, que nos dá a força de lutar pelo bem e pela virtude, as duas grandes armas de que dispomos para resistir à astúcia homicida de Satanás. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quarta-feira, dia 20 de março, e que o Senhor fortaleça hoje o nosso coração com a sua verdade libertadora. Santo do Dia: São Cutiberto Evangelho (Jo 8,31-42) — Honra, glória, poder e louvor a Jesus, nosso Deus e Senhor. — Felizes os que observam a palavra do Senhor, de reto coração, e que produzem muitos frutos, até o fim perseverantes! (cf. Lc 8,15) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 31 Jesus disse aos judeus que nele tinham acreditado: ‘Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, 32 e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.’ 33 Responderam eles: ‘Somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém. Como podes dizer: ‘Vós vos tornareis livres’?’ 34 Jesus respondeu: ‘Em verdade, em verdade vos digo, todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. 35 O escravo não permanece para sempre numa família, mas o filho permanece nela para sempre. 36 Se, pois, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres. 37 Bem sei que sois descendentes de Abraão no entanto, procurais matar-me, porque a minha palavra não é acolhida por vós. 38 Eu falo o que vi junto do Pai; e vós fazeis o que ouvistes do vosso pai.’ 39 Eles responderam então: ‘O nosso pai é Abraão.’ Disse-lhes Jesus: ‘Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão! 40 Mas agora, vós procurais matar-me, a mim, que vos falei a verdade que ouvi de Deus. Isto, Abraão não o fez. 41 Vós fazeis as obras do vosso pai.’ Disseram-lhe, então: ‘Nós não nascemos do adultério, temos um só pai: Deus.’ 42 Respondeu-lhes Jesus: ‘Se Deus fosse vosso Pai, vós certamente me amaríeis, porque de Deus é que eu saí, e vim. Não vim por mim mesmo, mas foi ele que me enviou. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Homilia Diária | Até quando você será escravo de Satanás?

    Quarta-feira da 5.ª Semana da Quaresma Por causa do pecado, a humanidade tornou-se escrava da iniquidade, ré de morte eterna e sujeita às mentiras do diabo. Ainda que muitos clamem por liberdade, no fundo, não é possível ser livre sem a graça redentora de Cristo, que nos dá a força de lutar pelo bem e pela virtude, as duas grandes armas de que dispomos para resistir à astúcia homicida de Satanás. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quarta-feira, dia 20 de março, e que o Senhor fortaleça hoje o nosso coração com a sua verdade libertadora. Santo do Dia: São Cutiberto Evangelho (Jo 8,31-42) — Honra, glória, poder e louvor a Jesus, nosso Deus e Senhor. — Felizes os que observam a palavra do Senhor, de reto coração, e que produzem muitos frutos, até o fim perseverantes! (cf. Lc 8,15) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 31 Jesus disse aos judeus que nele tinham acreditado: ‘Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, 32 e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.’ 33 Responderam eles: ‘Somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém. Como podes dizer: ‘Vós vos tornareis livres’?’ 34 Jesus respondeu: ‘Em verdade, em verdade vos digo, todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. 35 O escravo não permanece para sempre numa família, mas o filho permanece nela para sempre. 36 Se, pois, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres. 37 Bem sei que sois descendentes de Abraão no entanto, procurais matar-me, porque a minha palavra não é acolhida por vós. 38 Eu falo o que vi junto do Pai; e vós fazeis o que ouvistes do vosso pai.’ 39 Eles responderam então: ‘O nosso pai é Abraão.’ Disse-lhes Jesus: ‘Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão! 40 Mas agora, vós procurais matar-me, a mim, que vos falei a verdade que ouvi de Deus. Isto, Abraão não o fez. 41 Vós fazeis as obras do vosso pai.’ Disseram-lhe, então: ‘Nós não nascemos do adultério, temos um só pai: Deus.’ 42 Respondeu-lhes Jesus: ‘Se Deus fosse vosso Pai, vós certamente me amaríeis, porque de Deus é que eu saí, e vim. Não vim por mim mesmo, mas foi ele que me enviou. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • São Cutiberto – 20 de Março

    SANTO DO DIA – 20 DE MARÇO – SÃO CUTIBERTO Bispo (634-687) Natural da vizinhança do mosteiro de Mailros, na ilha de Lindisfarne. Desde a juventude, foi privilegiado com graças especiais que o atraíram para Deus. Uma noite em que guardava um rebanho, viu, quando rezava, subir ao céu a alma de santo Aidão, cuja morte soube pela manhã do dia seguinte. Sentiu-se de tal modo tocado com essa visão, que se tornou monge na abadia de Mailros, na região dos Merciões, mas habitada por irlandeses. Foi um dos monges enviados para fundar a abadia de Tipom. Quando esta foi dada a São Wilfredo, retirou-se com os outros do rito irlandês e retornou a Mailros, onde foi prior algum tempo depois. Saía algumas vezes para ir aos lugares afastados, ou inacessíveis, instruir os camponeses, que todos os outros eclesiásticos descuravam, por causa da pobreza e da pouca formação que possuíam. E algumas vezes ficava com eles durante três semanas ou um mês, e batizava os que ainda não eram cristãos. Fazia grande número de milagres. Seu abade o enviou novamente ao mosteiro de Lindisfarne. Lá encontrou montes, desregrados, os quais reconduziu ao bom caminho, pela doçura e pela paciência. Derramava abundantes lágrimas quando celebrava a missa e quando ouvia as confissões dos pecadores. Após ter sido, durante doze anos, prior em Lindisfarne, retirou-se para a ilha de Farne, para lá viver em solidão. Vivia do trabalho das próprias mãos e negligenciava de tal modo o corpo, que não de descalçava durante vários anos, a não ser na quinta-feira santa para o lava pés. Fez ainda inúmeros milagres. São Cutiberto passara vários anos nessa solidão quando São Teodoro reuniu um concílio em presença do rei Egfrido, no ano de 684, quando foi eleito inânimo bispo de Lindisfarne. Enviaram-lhe vários mensageiros, sem conseguirem arrancá-lo do retiro. Foi necessário que o rei lá fosse em pessoa com São Trumwin, bispo dos pictos, e várias pessoas de consideração. Mesmo assim, tiveram dificuldades em convencê-lo. Sua sagração foi adiada para o ano seguinte, e celebrada em York, na presença do rei, no dia de Páscoa, 26 de Março de 685. Sete bispos assistiram à cerimônia e à testa deles, São Teodoro. O novo bispo de Lindisfarne continuou guardando as observâncias monásticas, aplicando-se, todavia, com grande cuidado à instrução de seu povo. Visitava toda a diocese, até as menores vilas, para dar conselhos salutares e impor as mãos aos novos batizados, para que eles recebessem a graça do Espírito Santo. Fez ainda muitos milagres durante seu episcopado, principalmente para a cura de doentes. Morreu, porém, ao cabo de dois anos, em 687, no dia 20 de Março dia em que a igreja lhe honra a memória. A vida de São Cutiberto foi escrita por outro santo, o venerável Beda, que vivia nessa época e que tomou todas as precauções para não dizer senão coisas das quais não se possa duvidar. Conheça mais sobre São Cutiberto Vida Cuteberto ou São Cutiberto foi um monge, bispo e eremita associado aos monastérios de Melrose e Lindisfarne no Reino da Nortúmbria no Nordeste da Inglaterra.[1] Depois de sua morte, ele se tornou um dos mais importantes santos medievais do norte da Inglaterra, sendo considerado o santo patrono da região e sua festa litúrgica é celebrada em 20 de março. Cresceu próximo a Abadia de Melrose, uma casa-filha de Lindisfarne, hoje na Escócia. Ele decidiu se tornar monge após uma visão numa noite em 651 da morte de Santo Aidan, o fundador de Lindisfarne, mas primeiro precisou passar alguns anos em serviços militares. Ele alcançou rápido o posto de guest-master no monastério de Ripon, pouco depois de 655, mas teve que voltar com Eata a Melrose quando Vilfrido recebeu o comando do monastério.[2] Por volta de 662 foi nomeado prior de Melrose e em 665 prior de Lindisfarne. Em 684 foi nomeado bispo de Lindisfarne mas no final de 686 renunciou e voltou a vida de isolamento como eremita quando ele sentiu que estava prestes a morrer, embora ele provavelmente estivesse por volta dos 50 anos.[3] Origens Cuteberto nasceu em 634 no que hoje é conhecido como as Fronteiras Escocesas, alguns anos depois da conversão ao cristianismo do Rei Eduíno em 627, cuja religião aos poucos também foi adotado pelo resto de seu povo. Eduíno foi batizado por Paulino de York, um italiano que veio junto com a missão gregoriana de Roma, porém o seu sucessor Osvaldo da Nortúmbria convidou monges irlandeses de Iona para fundar o monastério de Lindisfarne, onde Cuteberto passou grande parte da vida. As tensões entre as tradições celtas e as romanas, frequentemente exacerbadas pelo Santo Vilfrido, um defensor intransigente dos ritos romanos foram uma das principais características da vida de Cuteberto. O próprio Cuteberto, embora educado seguindo as tradições celtas, seguiu seu mentor Eata aceitando o modo romano após o Concílio de Whitby em 664. As biografias recentes se concentram nos diversos milagres que seguiram seus primeiros anos de vida, mas ele era evidentemente um pregador incansável, que viajava por todo o reino divulgando o Cristinanismo e também era capaz de causar uma boa impressão entre a realeza e a nobreza. Ao contrário de Vilfrido, tinha um estilo de vida austero e mesmo após decidir viver como eremita continuou recebendo vários visitantes. Durante uma noite na sua infância Cuteberto teve uma visão de Aidan sendo conduzido ao céu por anjos, pouco depois chegou a notícia de que Aidan falecera naquela noite. O historiador Edwin Burton sugere que os pais de Cuteberto eram pessoas humildes, uma vez que quando menino ele costumava cuidar das ovelhas perto do monastério de Melrose. Sua história menciona que ele chegou a prestar serviços militares, mas em algum momento decidiu entrar para o Monastério de Melrose, sob o priorado de Boisil. Após a morte de Boisil em 661, Cuteberto o sucedeu como prior do monastério. São Cuteberto era possivelmente primo de segundo grau do Rei Aldfrite da Northumbria (de acordo com a genealogia irlandesa), o que pode explicar a razão de propor que Aldfrite fosse coroado rei. Carreira A fama de piedoso, diligente e obediente de Cuteberto cresceu rapidamente. Quando Alchfrith, rei de Deira, fundou um novo monastério em Ripon, Cuteberto tornou-se seu praepositus hospitum ou guest master de Eata. Quando o monastério foi dado a Vilfrido, Eata and Cuteberto voltaram para Melrose. Uma enfermidade se abateu sob o monastério em 664 e quando o prior morreu, Cuteberto assumiu a posição. Depois do Concílio de Whitby, Cuteberto começou a adotar os costumes romanos e seu antigo prior Eata, convidou a introduzí-los em Lindisfarne como prior do local. Seu asceticismo era complementado pela sua generosidade com os pobres e a reputação do seu dom de cura e da visão atrairam muitas pessoas para se consultar com ele, ganhando a alcunha de “Wonder Worker of Britain”. Ele continuou seu trabalho missionário viajando pelo país desde Berwickshire até Galloway realizando seu trabalho pastoral, chegando a fundar uma pequena capela em Dull na Escócia, com uma grande cruz de pedra e uma pequena cela para seu uso, o local foi transformado em um monastério e mais tarde na Universidade de St Andrews. Também lhe é atribuída a fundação da Igreja Paroquial de São Cuthbert em Edimburgo. Vida como eremita Cuteberto aposentou-se em 676, movido pelo desejo de ter uma vida de contemplação. Com a permissão de seu abade ele se mudou para um lugar que o Arcebispo Eyre chamou de Ilha de São Cuteberto próximo a Lindisfarne, porém Raine acha que ficava perto de Holburn, num lugar conhecido como Caverna de São Cuteberto. Pouco tempo depois se mudou para a Ilha Farne Interior na costa da Nortúmbria onde se forçou a ter uma vida de austeridade. No início ele recebia visitantes, porém mais tarde se confinou em uma cela onde apenas abria uma janela para dar sua bênção. Recebeu a visita da abadessa Elfleda, filha de Oswiu da Nortúmbria, que sucedeu Santa Hilda como abadessa de Whitby em 680. O encontro aconteceu na ilha de Coquet. Eleição ao bispado de Lindisfarne Em 684, Cuteberto foi eleito Bispo de Hexham, no Concílio de Twyford mas ele estava relutante em deixar seu retiro para assumir o cargo, somente após uma visita de uma comitiva, que incluía o Rei Egfrido que ele concordou em assumir as responsabilidades do bispado, porém com a condição de que ele fosse indicado para Bispo de Lindisfarne, trocando com Eata, que iria para Hexham. Ele foi consagrado em York pelo Arcebispo Teodoro e seis bispos em 26 de março de 685. Entretanto, após o Natal ele voltou a sua cela na Ilha Farne (duas milhas de Bamburgo, Northumberland), onde faleceu em 20 de março de 687. Legado Diversos milagres foram atribuídos a Cuteberto após sua morte, inclusive Alfredo, o Grande Rei de Wessex foi inspirado e encorajado em sua luta contra os dinamarqueses através de um sonho que teve com Cuteberto. Desde então a Casa de Wessex, que vieram a se tornar os reis da Inglaterra, construíram um local para o culto a Cuteberto, que também serviu como uma mensagem política, tendo em vista que eles eram de lados geograficamente opostos no reino. Cuteberto foi “uma figura de conciliação e um ponto de convergência para a reforma da identidade da Nortúmbria e da Inglaterra após a absorção da população dinamarquesa na sociedade anglo-saxã. Ele foi descrito como “talvez sendo o mais famoso santo do priorado da Inglaterra até a morte de Thomas Becket em 1170.” Em 698 Cuteberto foi exumado e sepultado novamente em Lindisfarne em um caixão de carvalho decorado conhecido como Caixão de São Cuteberto. O santuário de Cuteberto na Catedral de Durham foi um importante local de peregrinação durante a Idade Média, até que foi desapropriada por comissários de Henrique VIII na Dissolução dos Mosteiros. Durante o período medieval, São Cuteberto tornou-se politicamente importante na definição da identidade das pessoas que moravam na região semi-autônoma conhecida como Liberty de Durham, que se tornou depois o Condado Palatino de Durham. Dentro desta área o Bispo de Durham]] tinha tanto poder quanto o rei da Inglaterra e o santo se tornou um símbolo poderoso da autonomia da região. Os habitantes ficaram conhecidos como haliwerfolc, que pode ser traduzido como “povo do santo” e Cuteberto ganhou a reputação de protetor feroz de seus domínios. Por exemplo, existe uma estória de que a Batalha da cruz de Neville em 1346 o prior da Abadia de Durham teve uma visão de Cuteberto ordenando que ele pegasse o manto corporax do santo e o erguesse no campo de batalha como uma bandeira. Com isso, o prior e seus monges estariam protegidos “pela meditação de São Cuteberto e pela presença da relíquia.” #SantodoDia

  • São Cutiberto – 20 de Março

    SANTO DO DIA – 20 DE MARÇO – SÃO CUTIBERTO Bispo (634-687) Natural da vizinhança do mosteiro de Mailros, na ilha de Lindisfarne. Desde a juventude, foi privilegiado com graças especiais que o atraíram para Deus. Uma noite em que guardava um rebanho, viu, quando rezava, subir ao céu a alma de santo Aidão, cuja morte soube pela manhã do dia seguinte. Sentiu-se de tal modo tocado com essa visão, que se tornou monge na abadia de Mailros, na região dos Merciões, mas habitada por irlandeses. Foi um dos monges enviados para fundar a abadia de Tipom. Quando esta foi dada a São Wilfredo, retirou-se com os outros do rito irlandês e retornou a Mailros, onde foi prior algum tempo depois. Saía algumas vezes para ir aos lugares afastados, ou inacessíveis, instruir os camponeses, que todos os outros eclesiásticos descuravam, por causa da pobreza e da pouca formação que possuíam. E algumas vezes ficava com eles durante três semanas ou um mês, e batizava os que ainda não eram cristãos. Fazia grande número de milagres. Seu abade o enviou novamente ao mosteiro de Lindisfarne. Lá encontrou montes, desregrados, os quais reconduziu ao bom caminho, pela doçura e pela paciência. Derramava abundantes lágrimas quando celebrava a missa e quando ouvia as confissões dos pecadores. Após ter sido, durante doze anos, prior em Lindisfarne, retirou-se para a ilha de Farne, para lá viver em solidão. Vivia do trabalho das próprias mãos e negligenciava de tal modo o corpo, que não de descalçava durante vários anos, a não ser na quinta-feira santa para o lava pés. Fez ainda inúmeros milagres. São Cutiberto passara vários anos nessa solidão quando São Teodoro reuniu um concílio em presença do rei Egfrido, no ano de 684, quando foi eleito inânimo bispo de Lindisfarne. Enviaram-lhe vários mensageiros, sem conseguirem arrancá-lo do retiro. Foi necessário que o rei lá fosse em pessoa com São Trumwin, bispo dos pictos, e várias pessoas de consideração. Mesmo assim, tiveram dificuldades em convencê-lo. Sua sagração foi adiada para o ano seguinte, e celebrada em York, na presença do rei, no dia de Páscoa, 26 de Março de 685. Sete bispos assistiram à cerimônia e à testa deles, São Teodoro. O novo bispo de Lindisfarne continuou guardando as observâncias monásticas, aplicando-se, todavia, com grande cuidado à instrução de seu povo. Visitava toda a diocese, até as menores vilas, para dar conselhos salutares e impor as mãos aos novos batizados, para que eles recebessem a graça do Espírito Santo. Fez ainda muitos milagres durante seu episcopado, principalmente para a cura de doentes. Morreu, porém, ao cabo de dois anos, em 687, no dia 20 de Março dia em que a igreja lhe honra a memória. A vida de São Cutiberto foi escrita por outro santo, o venerável Beda, que vivia nessa época e que tomou todas as precauções para não dizer senão coisas das quais não se possa duvidar. Conheça mais sobre São Cutiberto Vida Cuteberto ou São Cutiberto foi um monge, bispo e eremita associado aos monastérios de Melrose e Lindisfarne no Reino da Nortúmbria no Nordeste da Inglaterra.[1] Depois de sua morte, ele se tornou um dos mais importantes santos medievais do norte da Inglaterra, sendo considerado o santo patrono da região e sua festa litúrgica é celebrada em 20 de março. Cresceu próximo a Abadia de Melrose, uma casa-filha de Lindisfarne, hoje na Escócia. Ele decidiu se tornar monge após uma visão numa noite em 651 da morte de Santo Aidan, o fundador de Lindisfarne, mas primeiro precisou passar alguns anos em serviços militares. Ele alcançou rápido o posto de guest-master no monastério de Ripon, pouco depois de 655, mas teve que voltar com Eata a Melrose quando Vilfrido recebeu o comando do monastério.[2] Por volta de 662 foi nomeado prior de Melrose e em 665 prior de Lindisfarne. Em 684 foi nomeado bispo de Lindisfarne mas no final de 686 renunciou e voltou a vida de isolamento como eremita quando ele sentiu que estava prestes a morrer, embora ele provavelmente estivesse por volta dos 50 anos.[3] Origens Cuteberto nasceu em 634 no que hoje é conhecido como as Fronteiras Escocesas, alguns anos depois da conversão ao cristianismo do Rei Eduíno em 627, cuja religião aos poucos também foi adotado pelo resto de seu povo. Eduíno foi batizado por Paulino de York, um italiano que veio junto com a missão gregoriana de Roma, porém o seu sucessor Osvaldo da Nortúmbria convidou monges irlandeses de Iona para fundar o monastério de Lindisfarne, onde Cuteberto passou grande parte da vida. As tensões entre as tradições celtas e as romanas, frequentemente exacerbadas pelo Santo Vilfrido, um defensor intransigente dos ritos romanos foram uma das principais características da vida de Cuteberto. O próprio Cuteberto, embora educado seguindo as tradições celtas, seguiu seu mentor Eata aceitando o modo romano após o Concílio de Whitby em 664. As biografias recentes se concentram nos diversos milagres que seguiram seus primeiros anos de vida, mas ele era evidentemente um pregador incansável, que viajava por todo o reino divulgando o Cristinanismo e também era capaz de causar uma boa impressão entre a realeza e a nobreza. Ao contrário de Vilfrido, tinha um estilo de vida austero e mesmo após decidir viver como eremita continuou recebendo vários visitantes. Durante uma noite na sua infância Cuteberto teve uma visão de Aidan sendo conduzido ao céu por anjos, pouco depois chegou a notícia de que Aidan falecera naquela noite. O historiador Edwin Burton sugere que os pais de Cuteberto eram pessoas humildes, uma vez que quando menino ele costumava cuidar das ovelhas perto do monastério de Melrose. Sua história menciona que ele chegou a prestar serviços militares, mas em algum momento decidiu entrar para o Monastério de Melrose, sob o priorado de Boisil. Após a morte de Boisil em 661, Cuteberto o sucedeu como prior do monastério. São Cuteberto era possivelmente primo de segundo grau do Rei Aldfrite da Northumbria (de acordo com a genealogia irlandesa), o que pode explicar a razão de propor que Aldfrite fosse coroado rei. Carreira A fama de piedoso, diligente e obediente de Cuteberto cresceu rapidamente. Quando Alchfrith, rei de Deira, fundou um novo monastério em Ripon, Cuteberto tornou-se seu praepositus hospitum ou guest master de Eata. Quando o monastério foi dado a Vilfrido, Eata and Cuteberto voltaram para Melrose. Uma enfermidade se abateu sob o monastério em 664 e quando o prior morreu, Cuteberto assumiu a posição. Depois do Concílio de Whitby, Cuteberto começou a adotar os costumes romanos e seu antigo prior Eata, convidou a introduzí-los em Lindisfarne como prior do local. Seu asceticismo era complementado pela sua generosidade com os pobres e a reputação do seu dom de cura e da visão atrairam muitas pessoas para se consultar com ele, ganhando a alcunha de “Wonder Worker of Britain”. Ele continuou seu trabalho missionário viajando pelo país desde Berwickshire até Galloway realizando seu trabalho pastoral, chegando a fundar uma pequena capela em Dull na Escócia, com uma grande cruz de pedra e uma pequena cela para seu uso, o local foi transformado em um monastério e mais tarde na Universidade de St Andrews. Também lhe é atribuída a fundação da Igreja Paroquial de São Cuthbert em Edimburgo. Vida como eremita Cuteberto aposentou-se em 676, movido pelo desejo de ter uma vida de contemplação. Com a permissão de seu abade ele se mudou para um lugar que o Arcebispo Eyre chamou de Ilha de São Cuteberto próximo a Lindisfarne, porém Raine acha que ficava perto de Holburn, num lugar conhecido como Caverna de São Cuteberto. Pouco tempo depois se mudou para a Ilha Farne Interior na costa da Nortúmbria onde se forçou a ter uma vida de austeridade. No início ele recebia visitantes, porém mais tarde se confinou em uma cela onde apenas abria uma janela para dar sua bênção. Recebeu a visita da abadessa Elfleda, filha de Oswiu da Nortúmbria, que sucedeu Santa Hilda como abadessa de Whitby em 680. O encontro aconteceu na ilha de Coquet. Eleição ao bispado de Lindisfarne Em 684, Cuteberto foi eleito Bispo de Hexham, no Concílio de Twyford mas ele estava relutante em deixar seu retiro para assumir o cargo, somente após uma visita de uma comitiva, que incluía o Rei Egfrido que ele concordou em assumir as responsabilidades do bispado, porém com a condição de que ele fosse indicado para Bispo de Lindisfarne, trocando com Eata, que iria para Hexham. Ele foi consagrado em York pelo Arcebispo Teodoro e seis bispos em 26 de março de 685. Entretanto, após o Natal ele voltou a sua cela na Ilha Farne (duas milhas de Bamburgo, Northumberland), onde faleceu em 20 de março de 687. Legado Diversos milagres foram atribuídos a Cuteberto após sua morte, inclusive Alfredo, o Grande Rei de Wessex foi inspirado e encorajado em sua luta contra os dinamarqueses através de um sonho que teve com Cuteberto. Desde então a Casa de Wessex, que vieram a se tornar os reis da Inglaterra, construíram um local para o culto a Cuteberto, que também serviu como uma mensagem política, tendo em vista que eles eram de lados geograficamente opostos no reino. Cuteberto foi “uma figura de conciliação e um ponto de convergência para a reforma da identidade da Nortúmbria e da Inglaterra após a absorção da população dinamarquesa na sociedade anglo-saxã. Ele foi descrito como “talvez sendo o mais famoso santo do priorado da Inglaterra até a morte de Thomas Becket em 1170.” Em 698 Cuteberto foi exumado e sepultado novamente em Lindisfarne em um caixão de carvalho decorado conhecido como Caixão de São Cuteberto. O santuário de Cuteberto na Catedral de Durham foi um importante local de peregrinação durante a Idade Média, até que foi desapropriada por comissários de Henrique VIII na Dissolução dos Mosteiros. Durante o período medieval, São Cuteberto tornou-se politicamente importante na definição da identidade das pessoas que moravam na região semi-autônoma conhecida como Liberty de Durham, que se tornou depois o Condado Palatino de Durham. Dentro desta área o Bispo de Durham]] tinha tanto poder quanto o rei da Inglaterra e o santo se tornou um símbolo poderoso da autonomia da região. Os habitantes ficaram conhecidos como haliwerfolc, que pode ser traduzido como “povo do santo” e Cuteberto ganhou a reputação de protetor feroz de seus domínios. Por exemplo, existe uma estória de que a Batalha da cruz de Neville em 1346 o prior da Abadia de Durham teve uma visão de Cuteberto ordenando que ele pegasse o manto corporax do santo e o erguesse no campo de batalha como uma bandeira. Com isso, o prior e seus monges estariam protegidos “pela meditação de São Cuteberto e pela presença da relíquia.” #SantodoDia

  • Homilia Diária | Do escondimento para a mais alta glória no Céu

    Solenidade de São Jo sé É com imensa alegria que a Igreja celebra hoje, rompendo a austeridade da Quaresma, a solenidade de seu santo Patrono e Protetor: São José, castíssimo esposo da Virgem Maria e pai virginal do Filho de Deus. Este humilde carpinteiro, que viveu em silêncio e servindo discretamente a Sagrada Família, atravessou os séculos sem despertar muito a devoção dos fiéis, até que o Pai, enfim, quis “tirá-lo” do seu silêncio e proclamar, nestes tempos, a dignidade e a glória daquele a quem confiara a guarda de seu Filho muito amado. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta segunda-feira, dia 19 de março, e peçamos a São José que ampare sempre a Igreja Católica, continuação da Sagrada Família. Santo do Dia: Solenidade de São José Evangelho (Mt 1,16.18-21.24a) — Louvor e glória a ti, Senhor, Cristo, Palavra de Deus! — Felizes os que habitam vossa casa, para sempre eles hão de vos louvar! (Sl 83(84),5) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo. 18 A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19 José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo. 20 Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 21 Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”. 24a Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor! Ou (Escolhe-se um dos Evangelhos) Evangelho (Lc 2,41-51a) — O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor! 41 Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. 42 Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. 43 Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. 44 Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. 45 Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura. 46 Três dias depois, o encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas. 47 Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas. 48 Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe lhe disse: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura”. 49 Jesus respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” 50 Eles, porém, não compreenderam as Palavras que lhes dissera. 51a Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor #HomiliaDiária

  • Homilia Diária | Do escondimento para a mais alta glória no Céu

    Solenidade de São Jo sé É com imensa alegria que a Igreja celebra hoje, rompendo a austeridade da Quaresma, a solenidade de seu santo Patrono e Protetor: São José, castíssimo esposo da Virgem Maria e pai virginal do Filho de Deus. Este humilde carpinteiro, que viveu em silêncio e servindo discretamente a Sagrada Família, atravessou os séculos sem despertar muito a devoção dos fiéis, até que o Pai, enfim, quis “tirá-lo” do seu silêncio e proclamar, nestes tempos, a dignidade e a glória daquele a quem confiara a guarda de seu Filho muito amado. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta segunda-feira, dia 19 de março, e peçamos a São José que ampare sempre a Igreja Católica, continuação da Sagrada Família. Santo do Dia: Solenidade de São José Evangelho (Mt 1,16.18-21.24a) — Louvor e glória a ti, Senhor, Cristo, Palavra de Deus! — Felizes os que habitam vossa casa, para sempre eles hão de vos louvar! (Sl 83(84),5) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo. 18 A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19 José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo. 20 Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 21 Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”. 24a Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor! Ou (Escolhe-se um dos Evangelhos) Evangelho (Lc 2,41-51a) — O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor! 41 Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. 42 Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. 43 Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. 44 Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. 45 Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura. 46 Três dias depois, o encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas. 47 Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas. 48 Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe lhe disse: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura”. 49 Jesus respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” 50 Eles, porém, não compreenderam as Palavras que lhes dissera. 51a Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor #HomiliaDiária

  • Solenidade do Glorioso São José – 19 de Março

    SANTO DO DIA – 19 DE MARÇO – SÃO JOSÉ Esposo da Virgem Maria Do esposo de Maria sabemos somente aquilo que nos dizem os evangelistas Mateus e Lucas, mas é o que basta para colocar esse incomparável ‘homem justo’ na mais alta cátedra de santidade e de nossa devoção, logo abaixo da Mãe de Jesus. Venerado desde os primeiros séculos no Oriente, seu culto se difundiu no Ocidente somente no século IX, mas num crescendo não igual ao de outros santos. Em 1621, Gregório XV declarou de preceito a festa litúrgica deste dia; Pio IX elegeu são José padroeiro da Igreja, e os papas sucessivos o enriqueceram de outros títulos, instituindo uma segunda comemoração no dia 1º de maio, ligada a seu modesto e nobre ofício de artesão. O privilégio de ser pai adotivo do Messias constitui o título mais alto concedido a um homem. O extraordinário evento da Anunciação e da divina maternidade de Maria – da qual foi advertido pelo anjo depois da sofrida decisão de repudiar a esposa – coloca são José sob uma luz de simpatia humana, em razão do papel de devoto defensor da incolumidade da Virgem Mãe, mistério prenunciado pelos profetas, mas acima da inteligência humana. Resolvido o angustiante dilema, José não se questiona. Cumpre as prescrições da lei: dirige-se a Belém para o recenseamento, assiste Maria no parto, acolhe os pastores e os reis Magos com útil disponibilidade, conduz a salvo Maria e o Menino para subtraí-lo do sanguinário Herodes, depois volta à laboriosa quietude da casinha de Nazaré, partilhando alegrias e dores comuns a todos os pais de família que deviam ganhar o pão com o suor de sua fronte. Nós o revemos na ansiosa procura de Jesus, que ele conduz ao templo por ter cumprido os 12 anos de idade. Enfim, o Evangelho se despede dele com uma imagem rica de significado, que coloca mais de um tema para nossa reflexão: Jesus, o filho de Deus, o Messias esperado, obedece a ele e a Maria, crescendo em sabedoria, idade e graça. Como Deus, honra a São José! Coloca-o por assim dizer, em seu próprio lugar. Confiou-lhe seu Filho único, um Deus feito homem, com sua Santíssima Mãe. Confiou-lhe tais pessoas sob a mais afetuosa confiança. José é o esposo legítimo de Maria, e, neste sentido, o pai de Jesus, pai legal, pai adotivo, mas sobretudo, pai por afeição. Foi ele o primeiro homem a quem Deus revelou o cumprimento da grande promessa feita aos nossos primeiros pais, após a queda. Promessa de graça e de misericórdia, renovada de geração em geração aos profetas e patriarcas; promessa aplicada pelo profeta Isaías à casa de Davi, atribuindo-lhe, desde então, grande glória: Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um Filho e chamá-lo-ão Emanuel, isto é, Deus conosco. O anjo do Senhor lhe disse: “José, Filho de Davi, não receies ficar com Maria, tua esposa, Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus ou Salvador, dado que ele salvará o povo dos pecados”. Tu lhe darás o nome de Jesus …. Que glória para o humilde e casto José! São Jerônimo nos diz em seu livro contra o herético Helvídio, que São José sempre foi virgem, e é sabido que, após ter-se unido à santa esposa, viveu sempre na mais perfeita continência. Por isso, justifica-se a intimidade que o céu lhe dedica. Foi ele que Deus encarregou de cuidar do Divino Infante. Foi ele que o anjo mandou o levasse de Belém ao Egito, desde à Judéia, da Judéia a Nazaré. Como Jesus honrava o estremecido pai! Como Maria honrava o casto esposo! Que felicidade, que honra para ele morrer entre os braços de Jesus e de Maria! Aprendamos de Deus a glorificar tão grande santo. Como São José se tornou o que é? Ele era humilde, pobre, dócil, temente a Deus. Descendia da família real de Davi, porém vivia do trabalho de suas mãos. Vindo para a cidade dos pais, Belém, viu-se obrigado a morar em um estábulo, Todavia não se lamentou. O anjo lhe disse, durante a noite, que fugisse para o Egito. Levantou-se no mesmo instante. Os maiores mistérios lhe foram revelados. E o segredo foi guardado com fidelidade inquebrantável. Como não devia amar a Jesus e a Maria! Venerava sua castíssima esposa como o templo vivo de Deus, do qual ele mesmo foi instituído guarda. Com que piedade terna não devia carregar nos braços o Menino Jesus, cobrindo-o de beijos, dirigindo-lhe os primeiros passos, recolhendo-lhe as primeiras palavras. Oh! Quem poderá compreender a amizade recíproca desse pai e dessa criança! Consideremos um pouco os principais acontecimentos da vida de São José. A Santa Família morava, a princípio, em Nazaré, Foi lá que Cristo foi concebido. Mas, segundo a profecia, deveria nascer em Belém. Como, pois, iria a profecia ser cumprida? Admiremos a Providência de Deus. O imperador romano, César Augusto, desejoso de saber o número dos súditos de seu império, ordenou fosse cada qual inscrever-se na sua terra natal. Como José era originário de Belém, para lá e dirigiu com Maria, sua esposa. Como a cidade fosse pequena e para lá acorresse enorme multidão, foram obrigados a se abrigarem em um estábulo. E foi nesse lugar que Jesus nasceu. OH, que santa família a de Jesus, Maria e José. Sim, foi no estábulo de Belém que ela se tornou completa! Quem não ambicionaria a glória desse estábulo? Os anjos do céu a proclamam. Glória a Deus no mais alto dos céus, diziam, e paz na terra aos homens de boa vontade. Anunciaram a boa nova aos pastores: Não temais, hoje vos nasceu um Salvador, que é o Cristo Senhor, na cidade de Davi. Eis o sinal pelo qual o reconhecereis. Encontrareis um menino envolto em faixas e deitado em uma manjedoura. Vinde, humildes pastores, vinde, sede os primeiros! E ei-los a contar a Maria e a José o que viram e ouviram. Maria e José se encheram de admiração e de alegria. Depois dos pastores de Belém vieram os reis do Oriente, os magos. Ofereceram ao novo rei dos judeus ouro, incenso e mirra. Novo motivo de admiração por parte de Maria e de José. Iluminados pelo Espírito de Deus, viram nesses magos o cumprimento das profecias; viram as primeiras conversões dos gentios a Deus. E esses gentios somos nós mesmos. Desde então nos regozijamos pelos corações de Maria e de José. Mas isso não é tudo. Quarenta dias após o nascimento do infante Jesus, São José o apresentou, com Maria, no templo,para oferecê-lo a Deus e resgatá-lo pelo sacrifício de duas rolinhas. Maria e José foram as pessoas que o ofereceram a Deus, no templo, ele, o Filho eterno e único de Deus, feito homem e vítima. O santo velho Simeão o reconheceu, o abraçou, adorou e o proclamou, não apenas glória de Israel, mas Salvador de todos os povos, luz de todas as nações. Uma santa profetisa juntou seus louvores. Maria e José se encheram de admiração. Simeão os bendisse e a Maria, mãe do menino, dirigiu estas palavras: “Este foi posto para ruína e para a ressurreição de muitos em Israel e como sinal de contradição. E tua alma será traspassada por uma espada, para que sejam descobertos os pensamentos de muitos, escondidos no fundo do coração”. Essa espada, essas contradições, começarão imediatamente. Após a partida dos magos e a apresentação no templo, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta-te, toma a criança e sua mãe e foge para o Egito e fica lá até que te avise, porque Herodes procurará o menino, para matá-lo.” José levantou-se, tomou a criança e a mãe durante a noite e se retirou para o Egito. Lá ficou até a morte de Herodes; para que se cumprisse o que o Senhor tinha anunciado pelo profeta, ou seja: Do Egito chamei meu Filho. Se Deus nos tivesse encarregado do bem-estar da santa família, provavelmente, em seu lugar de fazê-la pobre, tê-la-iamos feito muito mais rica do que Abraão. Em lugar de fazer com que Jesus nascesse em um estábulo, ter-lhe-íamos dado um berço mais rico do que o de Salomão. Deus não pensou como nós, Não somente quis que a santa família fosse pobre, mas obrigou-a em um estábulo. As riquezas e os palácios, deixou-os para o malvado Herodes, que, ao invés de nisso encontrar felicidade, encontrou invejas, ódios e todas as paixões. Não é tudo. Poder-se-ia esperar que a santa família fosse ao menos tranqüila em sua pobreza. Mas, isso não se deu, porque teve de fugir em plena noite, como se fosse uma família de malfeitores. Atravessou os desertos e dirigiu-se para o Egito, país desconhecido, onde não havia outro recurso que a Providência e o trabalho das próprias mãos. Anjos do céu, cuidai destes pobres emigrantes! E durante esse tempo, que fez Herodes! Matou as criancinhas de Belém e dos arredores. E não parou aí a mortandade. Matou o avô de sua esposa, o cunhado, a própria mulher e três filhos. Quis matar a si mesmo. Ordenou que, à sua morte, fossem mortos os principais chefes de família, para que nos seus funerais houvesse muito pranto. O palácio deste homem malvado era feito de invejas, ódios, acusações de uns contra os outros, conspirações, assassinatos, envenenamentos. Era verdadeira imagem do inferno. Santa família de Jesus, Maria e José, preservai-nos, preservai-me de algo semelhante! Refugio-me no vosso seio. Dignai-vos receber-me, se não como criancinha, pelo menos como servo. Prefiro ser humilde na casa de Deus, a habitar nos palácios dos pecadores. Após a morte de Herodes, um anjo apareceu em sonho a José, no Egito, dizendo-lhe: “Levanta-se, toma o menino e sua mãe e volta para o país o de Israel, porque já não são mortos os que procuravam a alma da criança”. José se levantou, tomou a criança e a mãe e voltou para a terra de Israel, Mas, sabendo que Arquelau reinava na Judéia, em lugar de Herodes, seu pai, temeu ir para lá. E, advertido em sonho por aviso divino, retirou-se para a Galiléia. Lá chegando, foi morar em uma pequena cidade chamada Nazaré, a fim de que se cumprisse o que havia sido dito pelos profetas: “Será chamado Nazareno”. Em hebraico, Notzer ou Notzri.(…) José e Maria segundo o preceito da lei, não faltavam, todos os anos, às celebrações da Páscoa, no templo de Jerusalém. perda e encontro de Jesus no templo.bmpLevavam o filho querido junto, que percebia essa santa observância e talvez se deixasse instruir a respeito do mistério dessa festa, Ele já estivera nela antes de nascer; Ele era o fundo da desta, dado que era o verdadeiro cordeiro que devia ser imolado e comido em memória de nossa passagem para a vida futura. Mas Jesus, sempre submisso aos pais mortais durante sua infância, deixou um dia patente que sua submissão não povinha da fraqueza e da incapacidade de uma idade ignorante, mas de ordem mais profunda. Escolheu, para cumprir esse mistério, a idade dos doze anos, quando se começava a obter capacidade de raciocínio e de reflexões mais sólidas, a fim de não parecer querer forçar a natureza, mas, antes, seguir-lhe o curso e o progresso. A subtração de Jesus, escapando à sua santa Mãe e ao santo José, não é uma punição, mas um exercício. Não se lê que tenham sido acusados de tê-lo perdido por negligência ou por qualquer falta; é, pois, uma humilhação e um exercício. Primeiramente, sentiram-se inquietos, depois tristes, pelo fato de não o encontrarem entre os parentes e os conhecidos entre os quais julgavam estar. Quantas vezes, se nos é permitido fazer conjeturas, quantas vezes o santo ancião deve ter-se mortificado, pelo pouco cuidado que tivera com o depósito celeste! Como não teria ficado aflita com ele a terna Mãe, como a melhor esposa que jamais existiu? Os encantos do santo menino eram surpreendentes. É para admitir que todos os quisessem para si. E nem Maria nem José podiam deixar de crer que estivesse em qualquer grupo de viajantes, porque as pessoas da mesma região iam de Jerusalém em grupos, para se fazerem companhia. Assim, Jesus escapou facilmente e seus pais caminharam um dia sem se aperceberem da perda. Voltai a Jerusalém. Não é entre os parentes nem entre os homens que se deve procurar Jesus Cristo. É na cidade santa. É no templo que o encontraremos ocupado com os assuntos de seu Pai. Com efeito, após três dias de procura laboriosa, quando tinha sido bastante pranteado e procurado, o santo menino se deixou encontrar no templo. Estava sentado no meio dos doutores. Estes o escutavam e o interrogavam. E todos os que ouviam se admiravam de sua prudência e de suas respostas. Ei-lo, pois, de um lado, sentado com os doutores, como se ele mesmo fosse um deles e tivesse nascido para ensiná-los; e de outro, não o vemos dar lições expressas. Escutava, interrogava os que eram reconhecidos como mestres em Israel, não juridicamente, por assim dizer, nem dessa maneira autêntica da qual usou mais tarde. Era, se podemos dizer, um menino, e como que desejoso de ser instruído. E por isso que foi dito que escutava e respondia, por sua vez, os doutores que o interrogavam; e se admiravam de suas respostas, menino modesto que era, doce e bem instruído, nele percebendo, como é claro algo de superior, de sorte que o deixavam tomar lugar entre os mestres.(…) Seus pais ficaram admirados de encontrá-lo entre os doutores, aos quais causava espanto. O que assinala que estes não viam nele nada de extraordinário no comum da vida, porque tudo estava como que envolto no véu da infância; e Maria, que era a primeira a sentir a perda de um filho tão querido, foi também a primeira a lamentar-lhe a ausência. E, meu filho, disse Ela, por que nos fizestes isso? Teu pai e eu, aflitos, te procurávamos. Notai: teu pai e eu. Ela disse pai e, de fato, ele o era, como já vimos; pai, não somente pela adoção do santo menino, mas ainda verdadeiramente pai pelo sentimento, pelo cuidado, pela doçura; o que fez como que Maria dissesse: teu pai e eu, aflitos. Iguais na aflição, porque sem ter tomado parte no teu nascimento, partilha comigo da alegria de te possuir e da dor de te perder. Todavia, mulher obediente e respeitosa, nomeia a José por primeiro: teu pai e eu, dando-lhe a honra de tratá-lo como se fosse pai a exemplo dos demais. (…) Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-se das coisas de meu Pai? Eis a resposta sublime do menino. Teria com isso corrigido a Maria, por ter chamado a José de seu pai? Absolutamente. Ele lembra apenas a doce lembrança de seu verdadeiro pai, Deus, cuja vontade, assunto do qual quer falar, deve ser sua ocupação. A vontade do Pai era que lhe dessem então, uma amostra da sabedoria da qual estava pleno e que vinha declarar, juntamente com a superioridade como devia tratar os pais mortais sem seguir a carne e o sangue, seus superiores de direito, a eles submetido por deferência especial. (…) Compete esclarecer que, pelo que parece, (Jesus) perdeu José antes do tempo de seu ministério. Por ocasião da paixão, deixou sua Mãe com o discípulo bem amado, que a recebeu em sua casa, coisa que não teria feito, se José, seu casto esposo, ainda estivesse vivo. Desde o começo de seu ministério, vê-se Maria convidada com Jesus às bodas de Caná; não se fala de José. Pouco depois, vemo-lo em Cafarnaum, com sua Mãe, irmãos e discípulos. José não aparece. Maria aparece muitas vezes. Mas, depois de ter sido educado por São José, não se fala mais deste santo homem. E quando, no começo de seu ministério, Jesus Cristo vinha pregar em sua terra, dizia-se: Não é este o carpinteiro filho de Maria? Como ele, não nos envergonhemos pelo fato de o terem visto, por assim dizer, manter a oficina, sustentar com seu trabalho a Mãe viúva e levar adiante o pequeno comércio de uma profissão que garantia a subsistência de ambos. Sua mãe não se chama Maria? Não temos entre nós seus irmãos Jacó e José, e Simão e Judas e suas irmãs? Não se fala de seu pai. Aparentemente, pois, jaó havia perdido. Jesus o servira durante sua última doença. Feliz pai a quem tal filho fechou os olhos! Verdadeiramente, morreu-lhe nos braços e como que num beijo do Senhor. Jesus ficou para consolar sua Mãe, para servi-la. Nisso consistiu todo seu exercício. Santa família de Jesus, Maria e José, ah, se todas as famílias vos fossem semelhantes! O céu começaria na terra! Não teríamos guerras, violências, injustiças, processos, ódios, Por toda parte reinaria a paz, a união, a concórdia, a caridade. Todos amariam todos em Deus e Deus em todos. São José – O varão a quem Deus chamou de pai Há certos homens, ao longo da História, cuja grandeza ultrapassa qualquer lenda e esgota mesmo a mais rica capacidade de imaginação. Tais homens parecem ser objeto de uma especial predileção de Deus, o qual Se compraz em adornar cuidadosamente suas almas com o brilho das virtudes e de raríssimos dons. Predestinados desde o nascimento, sua vida se desenvolve em meio a aventuras extraordinárias e assombrosas que ora lhes favorecem o desempenho da missão, ora levantam-se como obstáculos intransponíveis, dando ocasião a lances de confiança e audácia que tornam suas pessoas ainda mais dignas de admiração. No Antigo Testamento encontramos narrativas dessas a cada passo. Extasiamo-nos diante do poder de um Moisés, que com o simples gesto de levantar seu cajado dividiu as águas do mar em duas gigantescas muralhas líquidas; ou perante a serena autoridade de Josué, que não duvidou em dar ordens ao próprio sol para deter o seu curso. Mais adiante, impressionam-nos a força de Sansão, ao carregar nos ombros as portas de Gaza, e o zelo ardoroso do profeta Elias, fazendo cessar a chuva durante três anos. A todos eles a Providência Divina concedeu o domínio sobre a natureza, essa fé que move montanhas e as faz saltar como cabritos… Tais prodígios sublinhavam o poder justiceiro do Criador e visavam, sobretudo, educar uma humanidade manchada pelo pecado original, sobre a qual ainda não se haviam derramado os benefícios da Redenção. Uma nova economia da graça Chegada a plenitude dos tempos, as manifestações da onipotência divina, longe de diminuir, atingiram um auge de profundidade e esplendor. No Novo Testamento, porém, a grandeza se esconde muitas vezes sob os véus da comum existência humana, e isso é permitido por Deus para aumentar nossos méritos e acrisolar ainda mais nossa fé. O exemplo paradigmático dessa nova economia da graça, nós o vemos realizar-se num varão cuja vida transcorreu na humildade e no silêncio, mas que mereceu ouvir dos lábios do Homem-Deus o doce nome de pai! Sem dúvida, Moisés, ao abrir o mar em duas partes, ou Josué, ao parar o sol, marcaram de forma indelével as futuras gerações. Mas, o que é ter sujeitado os elementos, criaturas inanimadas, diante da honra suprema de ser obedecido por Aquele de quem canta o salmista: “Mais forte que o bramido das ondas caudalosas, mais poderoso que o rebentar das vagas, é o Senhor lá nas alturas” (Sl 92, 4), e que mais tarde foi visto por Malaquias quando disse: “Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o Sol da Justiça trazendo salvação em suas asas” (Ml 3, 20)? O que significa ter carregado às costas as portas de Gaza, em confronto com a glória de estreitar nos braços Aquele que afirmou de Si mesmo: “Eu sou a porta das ovelhas” (Jo 10, 7)? Caberá alguma comparação entre o profeta que fez parar a chuva e o patriarca cujas preces aceleraram a “chuva do Justo vindo das alturas” (cf. Is 45, 8)? Uma das mais altas vocações da História São José, o homem justo por excelência, o glorioso esposo de Maria e pai legal do Filho de Deus, é certamente um dos santos mais venerados pela piedade popular. No entanto, quase só ouvimos falar dele como “o artesão de Nazaré” ou “o padroeiro dos operários”. Esses títulos são muito legítimos, mas estão longe de nos dar idéia do píncaro de santidade ao qual Deus houve por bem elevá-lo. Ele nunca será devidamente conhecido e venerado por nós se — repetindo em nossa época a triste cegueira dos habitantes de Nazaré — o considerarmos apenas como o pobre carpinteiro da Galiléia. Para não nos tornarmos culpados de um erro que poderia ser qualificado de “calúnia hagiográfica”, procuremos analisar a verdade a respeito deste varão destinado a uma das mais altas vocações da História. Deus escolhe sempre o mais belo Deus Todo-Poderoso, para quem “nada é impossível” (Lc 1, 37) e que tudo governa com sabedoria infinita, possui algo que poderíamos chamar de sua “única limitação”: ao criar, Ele nada pode escolher de menos belo e perfeito, ou que não seja para sua glória. Desde toda a eternidade, ao determinar a Encarnação do Verbo, quis o Pai que — apesar das aparências de pobreza e humildade através das quais Se mostraria, e que contribuiriam para sua maior exaltação — a vinda de seu Filho ao mundo se revestisse da suprema pulcritude conveniente a Deus. Assim, dispôs que Ele fosse concebido por uma Virgem, concebida por sua vez sem pecado original, unindo em Si as alegrias da maternidade à flor da virgindade. Porém, para completar o quadro, tornava-se necessária a presença de alguém que projetasse na terra a própria “sombra do Pai”. Para tal missão Deus destinou José, ao qual poderíamos aplicar as palavras da Escritura, referindo-se a seu antepassado Davi: “O Senhor escolheu para Si um homem segundo o seu coração” (1 Sm 13, 14). Varão justo por excelência Levando em conta o axioma latino: “nemo summus fit repente” e o acertado dito de Napoleão: “a educação de uma criança começa cem anos antes de ela nascer”, é provável que, em atenção à sua missão e ao seu papel de educador junto ao Menino-Deus, José tenha sido santificado já no seio materno, como o foi João Batista no ventre de Santa Isabel. Essa tese é defendida por diversos autores e pode sintetizar-se nas palavras de São Bernardino de Sena: “Sempre que a graça divina escolhe alguém para algum favor especial ou para algum estado elevado, concede-lhe todos os dons necessários à sua missão; dons que a ornam abundantemente”. O louvor de José, tal como o Evangelho no-lo traça, encerra-se numa única e breve frase: era justo. Tal elogio, à primeira vista de um laconismo desconcertante, nada tem de medíocre. Na linguagem bíblica, o adjetivo “justo” designa todas as virtudes reunidas. No Antigo Testamento, justo é aquele a quem a Igreja dá o nome de santo: justiça e santidade exprimem a mesma realidade. O próprio silêncio das Escrituras a seu respeito nos revela um aspecto primordial de sua perfeição: a contemplação. São José é o modelo da alma contemplativa, mais desejosa de pensar que de agir, embora seu ofício de carpinteiro o levasse a consagrar tanto tempo ao trabalho. Nele vemos realizar-se o ensinamento de São Tomás: a contemplação é superior à ação, porém, mais perfeita ainda é a junção de uma e de outra numa mesma pessoa. Ao serrar a madeira, fabricar um móvel ou um arado, José mantinha sempre seu espírito voltado para o sobrenatural, elevando-se para o aspecto mais sublime das coisas e considerando tudo sob o prisma de Deus. Suas atitudes refletiam a seriedade e a altíssima intenção com a qual sempre agia, e isso contribuía para o maior primor dos trabalhos por ele executados. Sua humilde condição de trabalhador manual em nada lhe diminuía a nobreza. Reunia em si, de forma admirável, as duas classes sociais: como legítimo herdeiro do trono de Davi, conservava em seu porte e semblante a distinção e a elegância próprias a um príncipe, aliando-as, porém, a uma alegre simplicidade de caráter. Para ele, mais importante do que a nobreza de sangue é aquela que se alcança pelo brilho da virtude; e esta, ele a possuía largamente. A Providência, entretanto, o destinava a alcançar a mais alta honra que se possa dar a uma criatura concebida no pecado original e o colocava em desproporção com todo o restante dos homens. Diz São Gregório Nazianzeno: “O Senhor conjugou em José, como num sol, tudo quanto os outros santos têm, em conjunto, de luz e de esplendor”. Todas as glórias acumulam-se neste varão incomparável, cuja existência terrena transcorre dentro de uma sublimidade ignorada por seus conhecidos e compatriotas, num silêncio e apagamento quase completos. Admirável consonância entre duas almas virgens No Antigo Testamento, a virgindade ainda não adquirira o prestígio do qual passou a gozar na Era Cristã. Muito pelo contrário, quem não constituísse família, ou se visse impossibilitado de gerar filhos, era considerado maldito por Deus. “A espera do Messias dominava a tal ponto os espíritos, que o desprezo do casamento equivalia a uma recusa desonrosa de contribuir para a vinda d’Aquele que havia de restaurar o reino de Israel” (1). De acordo com a opinião generalizada, José, movido por uma especial moção do Espírito Santo, decidira permanecer virgem por toda a vida. Porém, não querendo singularizar-se, contrariando os costumes de seu tempo, resignara-se a contrair matrimônio, convencido de que o Senhor, tendo lhe inspirado esse bom propósito, o ajudaria a levá-lo a cabo. Cedendo, pois, às exigências sociais, resolveu pedir a mão de Maria, a qual ele provavelmente já conhecia, pois ambos pertenciam à mesma tribo e habitavam na mesma aldeia. Tudo indica que naquela época os pais de Maria haviam falecido e Ela vivia sob a tutela de algum parente. Sem levar em conta a opinião da jovem, seu tutor apenas Lhe comunicou ter aceito o pedido de um pretendente a ser seu marido. É sabido que Maria, desde a infância, consagrara ao Senhor sua virgindade. Entretanto, acostumada a obedecer, inclinou-Se ante a decisão de seus parentes, acreditando ser essa a manifesta vontade da Providência. Se conservava algum receio, deve este ter-se dissipado quando soube que o escolhido era José, o nobre descendente da estirpe de Davi, em cuja alma Ela já vira, por seu aguçado dom de discernimento, as altíssimas qualidades postas por Deus. Antes dos esponsais, Maria precisava dar a conhecer ao seu noivo o voto de virgindade, sob pena de o matrimônio ser nulo. Fê-lo de forma séria e decidida, falando com toda a simplicidade de seu inocente coração. José pensou estar ouvindo uma voz do Céu e reconheceu, emocionado, a mão da Providência atendendo às suas preces. É impossível ter idéia do grau de concórdia dessas duas almas, ao se revelarem mutuamente seus mais íntimos mistérios. Desde esse instante, José passou a ser o modelo perfeito do devoto de Nossa Senhora. Podemos bem imaginar que, já nesse primeiro encontro, a graça o tocou de maneira especial, levando-o a consagrar-se como escravo de amor Àquela que, mais do que esposa, já considerava como Senhora e Rainha. Proporcionado a Jesus e Maria O contrato matrimonial deveria ser acertado entre as duas famílias. Um ponto ao qual se costumava dar escrupulosa importância, sobretudo entre pessoas de nobre origem, era a igualdade de condições. Tanto Maria quanto José eram da tribo de Judá e descendentes de Davi. Mais, porém, do que qualquer requisito social, sobre aquele matrimônio pairava, desde toda a eternidade, um desígnio divino. Para a rea­lização da vontade do Altíssimo, deveria o esposo ser proporcionado à esposa, o pai ao filho, a fim de sustentar com toda dignidade a honra de ser pai adotivo de Deus. E houve só um homem criado e preparado para essa missão, inteiramente à altura de exercê-la: São José. Ele estava na proporção de Jesus Cristo e de Maria Santíssima. Para fazermos uma idéia exata da magnitude de sua personalidade, devemos imaginá-lo como sendo uma versão masculina de Nossa Senhora, o homem dotado de sabedoria, força e pureza bastantes para governar as duas criaturas mais excelsas saídas das mãos de Deus: a Humanidade santíssima de Nosso Senhor e a Rainha dos anjos e dos homens. Em Israel os esponsais equivaliam juridicamente ao casamento de hoje. A partir dessa cerimônia — na qual o noivo colocava um anel de ouro no dedo de sua prometida, dizendo: “Este é o anel pelo qual tu te unes a mim diante de Deus, segundo o rito de Moisés” — ambos passavam a pertencer de forma irrevogável um ao outro e a partir de então se consideravam esposos. Contudo, a coabitação era em geral adiada pelo prazo de um ano, para dar tempo à esposa de completar o enxoval e ao marido de preparar a casa. Maria e José, fiéis cumpridores da Lei, ativeram-se a todas essas formalidades. Mas um segredo Divino envolvia seu caso concreto, do qual certamente nenhuma das testemunhas do acontecimento — parentes e amigos — chegou a suspeitar. Ali estavam “duas almas virgens que se prometiam mútua fidelidade, uma fidelidade que consistiria em guardarem ambos a virgindade”. Quanto mais uma pessoa sofre, mais é digna de amor Nesse intervalo entre os esponsais e as bodas, Maria recebeu a embaixada do Arcanjo Gabriel. O Evangelho de Mateus deixa-o bem claro ao afirmar: “Antes de coabitarem, aconteceu que Ela concebeu por virtude do Espírito Santo” (Mt 1, 18). Supérfluo seria nos estendermos aqui sobre os detalhes da Anunciação e da Encarnação do Verbo, já tão conhecidos e tantas vezes comentados. Um ponto apenas é preciso deixar bem claro: poucos dias depois desse acontecimento, Maria dirigiu-se apressadamente para o pequeno po­voa­do das montanhas da Judéia onde habitavam seus primos, Zacarias e Isabel. Boa parte dos comentaristas defende a idéia de que José acompanhou sua esposa na viagem de ida e, transcorridos três meses, foi buscá-La. Tal opinião parece bem fundada, pois a juventude de Maria e as dificuldades de um penoso percurso eram razões de sobra para mover a solicitude de um esposo fiel e zeloso, como era o seu. Depois do regresso a Nazaré, não tardou ele a perceber os primeiros sinais da gravidez de sua desposada. No começo, relutou em acreditar, julgando-se vítima de uma alucinação. Passados, porém, alguns dias, não pôde mais duvidar da realidade patente ante seus olhos: Maria trazia uma criança em seu seio. Nesse momento eclodiu, como violento turbilhão, o drama na vida de São José. Talvez a provação mais terrível que uma mera criatura humana — fazendo abstração da Santíssima Virgem ao longo da Paixão — jamais tenha enfrentado. Essa era, entretanto, a divina vontade do Menino que Se formava nas puríssimas entranhas de Maria. Desejava Ele que seu nascimento viesse com o selo indelével da dor santamente aceita, para dar-nos a lição de que quanto mais uma pessoa sofre, tanto mais é digna de amor. O pai adotivo que escolhera como imagem de seu Pai Celestial, Ele o submetia a uma dura prova, dando-lhe oportunidade de levar seu heroísmo a alturas inimagináveis. Ao mesmo tempo, aparecia com maior esplendor a virgindade de Nossa Senhora. O herói da fé A perplexidade de José não consistia, como pensaram alguns Padres antigos, em duvidar da fidelidade de sua esposa. Tal hipótese contunde a nossa piedade, pois desmerece a perfeição eminente alcançada pelo santo Patriarca e, ademais, Deus não permitiria que a honra virginal de Maria pudesse ser ferida por uma suspeita no espírito de José. O texto do Auctor imperfecti exprime com belíssimas palavras a postura dele diante do fato: “Ó inestimável louvor de Maria! São José acreditava mais na castidade de sua esposa do que naquilo que seus olhos viam, mais na graça do que na natureza. Via claramente que sua esposa era mãe e não podia acreditar que fosse adúltera; acreditou que era mais possível uma mulher conceber sem varão do que Maria poder pecar” (3). Sua angústia tornava-se tanto mais lancinante quanto mais via resplandecer a virtude no rosto angelical de Maria. Por um lado, a evidência saltava-lhe aos olhos, por outro, considerava fora de cogitação a possibilidade de aquela criatura tão inocente ter cometido um pecado. Ora, se a concepção de Maria era obra sobrenatural, o que fazia ele ali? Não estaria ofendendo a Deus, intrometendo-se num mistério para ele incompreensível, o qual se lhe afigurava como absolutamente divino? Não seria ele um intruso, atrapalhando os planos do Altíssimo? José não julgou. Suspendeu o juízo da carne ante os inescrutáveis desígnios de Deus. Subjugou a razão humana à fé inabalável e procurou uma saída para o caso, pois, como resume São Tomás. Desde o princípio descartou a hipótese de denunciá-La, como o exigia o Deuteronômio, segundo o qual a mulher deveria sofrer a pena de lapidação. Estava convicto da inocência de Maria e estremecia diante dessa idéia. Existia também a opção do repúdio: a Lei de Moisés permitia ao homem despedir sua mulher, dando-lhe o libelo de divórcio. Mas essa possibilidade repugnava-lhe igualmente, porque atentaria contra a reputação da Santa Virgem. Numa pequena aldeia, onde todos os habitantes se conheciam, tal atitude daria margem a suspeitas sobre o comportamento de Maria: por qual motivo o marido A teria afastado de repente? No futuro, a Virgem traria sempre a marca de uma mulher rejeitada. A solução encontrada por José não se achava nos livros da Lei, mas partiu de seu coração: “Resolveu deixá-La secretamente” (Mt 1, 19). Agindo assim, salvaguardava a fama de sua esposa, pois Ela seria vista como uma pobre jovem abandonada pela crueldade de um homem sem palavra. A culpa recairia toda sobre ele. Nesse passo de sua vida, José revelou o brilho alcandorado de sua nobre alma, sua sabedoria e sua humildade levadas ao grau heróico. Com efeito, a ele poderíamos aplicar estas belas palavras de um autor francês: “O herói é um grande coração que se ignora, uma grande alma que se esquece de si mesma. (…) Todas as fraquezas de nossa pobre natureza humana estão concentradas em torno desse egoísmo que faz de cada um de nós o centro do Universo. O herói é aquele que rompeu esse círculo estreito onde todas as naturezas, até mesmo as mais dotadas, vegetam ou se estiolam. Esse “eu” que em alguns é rei, nele, durante toda sua vida, permanece escravo”. Esqueceu-se completamente de si, preferindo desacreditar-se diante da opinião pública, a ver o prestígio de Maria manchado. Além do mais, renunciava também à sua própria felicidade: tinha de abandonar Nossa Senhora, o maior tesouro da terra. Isso era um sofrimento imenso, pois para ele o convívio com Maria significava um verdadeiro Paraíso. D’Ela aprendera, nos seus gestos mais simples, lições excelsas de sabedoria e de bondade; ao contemplá-La, sentia-se mais próximo de Deus. E via-se agora obrigado a sacrificar aquilo que mais apreciava em sua vida! Passaria seus dias longe, venerando um mistério que não entendera. Durante alguns dias, José maturou sua resolução, decidido a pô-la em prática. Numa noite enevoada e sem lua encontrou ocasião propícia, preparou seus pobres pertences e deitou-se para refazer as forças antes da partida. Pouco a pouco, por uma ação angélica, seu coração aflito serenou e ele adormeceu profundamente. Como outrora com Abraão, o Senhor esperara até o último instante para deter o golpe fatal. No meio da noite apareceu-lhe um anjo, anunciando: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que n’Ela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo de seus pecados” (Mt 1, 20-21). “Os que semeiam entre lágrimas, recolherão com alegria” (Sl 125, 5) É impossível medir o gozo de José ao despertar do sonho. Logo ao alvorecer, correu a encontrar-se com sua esposa. Mas como se sentia agora mais tomado pela veneração e ternura que culminavam no ardoroso desejo de servi-La! Certamente nada disse a Maria, mas a alegre expressão do seu semblante era mais eloqüente do que as palavras. De joelhos, adorou a Deus no seio virginal de sua Mãe, primeiro tabernáculo no qual Se dignara habitar sobre a terra. Um Deus que também era seu filho, pois os dizeres do anjo manifestavam com clareza a autoridade a ele outorgada sobre o fruto de sua esposa: “um filho a quem porás o nome de Jesus”. Paternidade nova, única e especial A paternidade de São José em relação a Cristo tem sido um tema muito discutido pelos autores. Os títulos multiplicam-se: pai legal, pai putativo, pai nutrício, pai adotivo, pai virginal… Cada um deles define aspectos parciais e incompletos, sem chegar a exprimir por inteiro a paternidade deste varão excepcional. O Pe. Bonifácio Llamera OP parece ter chegado a uma conclusão satisfatória: “A paternidade de São José em relação a Jesus é certamente distinta de qualquer outra paternidade natural, seja física ou adotiva. É verdadeira paternidade, mas muito singular. É uma paternidade nova, única e especial, pois não procede da geração segundo a natureza, mas está fundada num vínculo moral inteiramente real. E tão real é esta paternidade singular, como é verdadeiro o vínculo matrimonial entre Maria e José. (…) “Esta paternidade de São José, tão admirável como difícil de expressar numa palavra, é confirmada e esclarecida pelos Santos Padres e autores de obras sobre o santo Patriarca, os quais concentraram em três vínculos principais a subtil realidade que une São José a Jesus: o direito, que é conjugal; a virgindade e a autoridade que adornam o mistério de São José”. Na encíclica Quamquam pluries, o Papa Leão XIII afirmou: “É verdade que a dignidade da Mãe de Deus é tão alta que nada a pode ultrapassar. Porém, como existe entre a Virgem e São José um laço conjugal, não há a menor dúvida de que ele se aproximou mais do que ninguém dessa dignidade supereminente que coloca a Mãe de Deus muito acima de todas as criaturas.” Uma criatura dando conselhos ao Criador… Quantas vezes teve São José nos braços o Divino Infante? O dia inteiro no convívio com o Menino Jesus, observando-O rezar, falar, fazer todos os atos de sua vida comum… Nessa contemplação constante, para a qual ele tinha uma alma maravilhosamente apta, recebia graças extraordinárias e se deixava modelar. Por vezes, o Menino parava diante dele e dizia: “Peço-vos um conselho: como devo fazer tal coisa?” E São José se comovia, considerando que quem estava lhe pedindo um conselho era o próprio Filho de Deus! A esse homem a Providência concedeu lábios suficientemente puros e humildade bastante grande para fazer essa coisa formidável: responder a Deus. A criatura plasmada pelas mãos do Criador dava-Lhe conselhos! Ele foi o predestinado para exercer uma verdadeira autoridade sobre Nossa Senhora e o Menino Jesus, o privilegiado que alcançou uma altíssima intimidade com Jesus e Maria, o bem-aventurado a quem foi outorgada a graça de expirar entre os braços de Deus, seu Filho, e da Mãe de Deus, sua Esposa! “Ao vencedor concederei assentar-se comigo no meu trono” (Ap 3, 21) “Não separe o homem o que Deus uniu” (Mt 19, 6). Se, ao longo de sua existência terrena, José foi o inseparável companheiro da Virgem Maria, partilhando suas dores e alegrias, é inconcebível que na eternidade essa convivência não tenha atingido sua plenitude. Ora, para o convívio ser perfeito, é necessário estar juntos e olhar-se. Por esta razão, uma forte corrente de teólogos defende a tese de que “sem a assunção gloriosa de José em corpo e alma, a Sagrada Família reconstituída no Céu teria tido uma nota discordante na sua exaltação e glória” (6). A esse respeito, afirma São Francisco de Sales: “Se é verdade o que devemos acreditar, que, em virtude do Santíssimo Sacramento que recebemos, os nossos corpos hão de ressuscitar no dia do Juízo Final, como podemos duvidar de que Nosso Senhor tenha feito subir ao Céu, em corpo e alma, o glorioso São José, o qual teve a honra e a graça de trazê-Lo tantas vezes em seus braços benditos? Não resta dúvida, pois, de que São José está no Céu em corpo e alma”. Uma nobreza mais resplandecente do que o sol Tenha-se em conta que a nobreza humana pode ser considerada em sua causa, em sua essência e em sua ação. Considerando-a em sua causa, é a nobreza de origem, no que foi singularíssimo São José, pois tem sua origem numa tríplice dignidade: corporal, espiritual e celeste. Ou seja, uma dignidade real, sacerdotal e profética, que é celestial, pois predizer o futuro é só de Deus. Davi foi rei, Abraão patriarca, Natã profeta, e os três foram antepassados de São José. São José era nobre em sua essência, quer dizer, na sua própria pessoa, porque encontramos nela tríplice nobreza: ele foi justo em sua alma, alcançou a dignidade de esposo da Rainha do Céu e teve ofício de pai nutrício do Filho de Deus. Também em suas obras ele deu provas, ao mundo inteiro, de uma singular nobreza. Recebeu em sua casa o Salvador do mundo, O conduziu são e salvo através de vários países, O serviu e alimentou durante muitos anos com seus trabalhos e seus suores. Esses são os raios que emite a nobreza do santíssimo José, tornando-a mais resplandecente que o mesmo sol. (Pe. Isidoro de Isolano, Suma dos dons de São José) “Tome este glorioso Santo por mestre” Só peço, por amor de Deus, que o comprove quem não acreditar em mim, e verá por experiência própria como é vantajoso encomendar-se e ter devoção a este glorioso Patriarca. Sobretudo as pessoas de oração deveriam ser-lhe afeiçoadas. Pois não sei como podem pensar na Rainha dos Anjos e no longo tempo que passou com o Menino Jesus, sem agradecer a São José pelo muito bem que lhes fez. Quem não encontrar mestre que lhe dê orientação na oração, tome este glorioso Santo por mestre, e não errará o caminho. (Santa Teresa de Jesus, Livro da Vida) Morte de São José Por ter falecido nos braços de Jesus e Maria, São José é o padroeiro da boa morte. Pois se julga, e com razão, que ninguém foi tão bem assistido como ele em seus últimos momentos. Por ter falecido nos braços de Jesus e Maria, São José é o padroeiro da boa morte. Pois se julga, e com razão, que ninguém foi tão bem assistido como ele em seus últimos momentos. Quase se poderia dizer que por isso o termo de sua vida foi tão suave e consolador que dele esteve ausente qualquer sofrimento ou angústia. No entanto, não podemos esquecer que para José esta foi a suprema perplexidade de sua existência terrena. Pois, ao falecer, separava-se do convívio inefável com sua virginal esposa e com Jesus, o Filho de Deus. José partia para a Eternidade, deixando na terra o seu Céu… A consideração do exemplo e dos preciosos dons concedidos por Deus ao pai adotivo de Jesus nos leve a confiar na poderosa intercessão daquele a quem o próprio Filho de Deus obedeceu: “E era-Lhes submisso” (Lc 2, 51). “O exemplo de São José – afirmou o Papa Bento XVI na comemoração de sua festa litúrgica – é para todos nós um forte convite a desempenhar com fidelidade, simplicidade e humildade a tarefa que a Providência nos destinou. Penso antes de tudo, nos pais e nas mães de família, e rezo para que saibam sempre apreciar a beleza de uma vida simples e laboriosa, cultivando com solicitude o relacionamento conjugal e cumprindo com entusiasmo a grande e difícil missão educativa. Aos sacerdotes, que exercem a paternidade em relação às comunidades eclesiais, São José obtenha que amem a Igreja com afeto e dedicação total, e ampare as pessoas consagradas na sua jubilosa e fiel observância dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência. Proteja os trabalhadores de todo o mundo, para que contribuam com as suas várias profissões para o progresso de toda a humanidade, e ajude cada cristão a realizar com confiança e com amor a vontade de Deus, cooperando assim para o cumprimento da obra da salvação” #SantodoDia

  • Solenidade do Glorioso São José – 19 de Março

    SANTO DO DIA – 19 DE MARÇO – SÃO JOSÉ Esposo da Virgem Maria Do esposo de Maria sabemos somente aquilo que nos dizem os evangelistas Mateus e Lucas, mas é o que basta para colocar esse incomparável ‘homem justo’ na mais alta cátedra de santidade e de nossa devoção, logo abaixo da Mãe de Jesus. Venerado desde os primeiros séculos no Oriente, seu culto se difundiu no Ocidente somente no século IX, mas num crescendo não igual ao de outros santos. Em 1621, Gregório XV declarou de preceito a festa litúrgica deste dia; Pio IX elegeu são José padroeiro da Igreja, e os papas sucessivos o enriqueceram de outros títulos, instituindo uma segunda comemoração no dia 1º de maio, ligada a seu modesto e nobre ofício de artesão. O privilégio de ser pai adotivo do Messias constitui o título mais alto concedido a um homem. O extraordinário evento da Anunciação e da divina maternidade de Maria – da qual foi advertido pelo anjo depois da sofrida decisão de repudiar a esposa – coloca são José sob uma luz de simpatia humana, em razão do papel de devoto defensor da incolumidade da Virgem Mãe, mistério prenunciado pelos profetas, mas acima da inteligência humana. Resolvido o angustiante dilema, José não se questiona. Cumpre as prescrições da lei: dirige-se a Belém para o recenseamento, assiste Maria no parto, acolhe os pastores e os reis Magos com útil disponibilidade, conduz a salvo Maria e o Menino para subtraí-lo do sanguinário Herodes, depois volta à laboriosa quietude da casinha de Nazaré, partilhando alegrias e dores comuns a todos os pais de família que deviam ganhar o pão com o suor de sua fronte. Nós o revemos na ansiosa procura de Jesus, que ele conduz ao templo por ter cumprido os 12 anos de idade. Enfim, o Evangelho se despede dele com uma imagem rica de significado, que coloca mais de um tema para nossa reflexão: Jesus, o filho de Deus, o Messias esperado, obedece a ele e a Maria, crescendo em sabedoria, idade e graça. Como Deus, honra a São José! Coloca-o por assim dizer, em seu próprio lugar. Confiou-lhe seu Filho único, um Deus feito homem, com sua Santíssima Mãe. Confiou-lhe tais pessoas sob a mais afetuosa confiança. José é o esposo legítimo de Maria, e, neste sentido, o pai de Jesus, pai legal, pai adotivo, mas sobretudo, pai por afeição. Foi ele o primeiro homem a quem Deus revelou o cumprimento da grande promessa feita aos nossos primeiros pais, após a queda. Promessa de graça e de misericórdia, renovada de geração em geração aos profetas e patriarcas; promessa aplicada pelo profeta Isaías à casa de Davi, atribuindo-lhe, desde então, grande glória: Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um Filho e chamá-lo-ão Emanuel, isto é, Deus conosco. O anjo do Senhor lhe disse: “José, Filho de Davi, não receies ficar com Maria, tua esposa, Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus ou Salvador, dado que ele salvará o povo dos pecados”. Tu lhe darás o nome de Jesus …. Que glória para o humilde e casto José! São Jerônimo nos diz em seu livro contra o herético Helvídio, que São José sempre foi virgem, e é sabido que, após ter-se unido à santa esposa, viveu sempre na mais perfeita continência. Por isso, justifica-se a intimidade que o céu lhe dedica. Foi ele que Deus encarregou de cuidar do Divino Infante. Foi ele que o anjo mandou o levasse de Belém ao Egito, desde à Judéia, da Judéia a Nazaré. Como Jesus honrava o estremecido pai! Como Maria honrava o casto esposo! Que felicidade, que honra para ele morrer entre os braços de Jesus e de Maria! Aprendamos de Deus a glorificar tão grande santo. Como São José se tornou o que é? Ele era humilde, pobre, dócil, temente a Deus. Descendia da família real de Davi, porém vivia do trabalho de suas mãos. Vindo para a cidade dos pais, Belém, viu-se obrigado a morar em um estábulo, Todavia não se lamentou. O anjo lhe disse, durante a noite, que fugisse para o Egito. Levantou-se no mesmo instante. Os maiores mistérios lhe foram revelados. E o segredo foi guardado com fidelidade inquebrantável. Como não devia amar a Jesus e a Maria! Venerava sua castíssima esposa como o templo vivo de Deus, do qual ele mesmo foi instituído guarda. Com que piedade terna não devia carregar nos braços o Menino Jesus, cobrindo-o de beijos, dirigindo-lhe os primeiros passos, recolhendo-lhe as primeiras palavras. Oh! Quem poderá compreender a amizade recíproca desse pai e dessa criança! Consideremos um pouco os principais acontecimentos da vida de São José. A Santa Família morava, a princípio, em Nazaré, Foi lá que Cristo foi concebido. Mas, segundo a profecia, deveria nascer em Belém. Como, pois, iria a profecia ser cumprida? Admiremos a Providência de Deus. O imperador romano, César Augusto, desejoso de saber o número dos súditos de seu império, ordenou fosse cada qual inscrever-se na sua terra natal. Como José era originário de Belém, para lá e dirigiu com Maria, sua esposa. Como a cidade fosse pequena e para lá acorresse enorme multidão, foram obrigados a se abrigarem em um estábulo. E foi nesse lugar que Jesus nasceu. OH, que santa família a de Jesus, Maria e José. Sim, foi no estábulo de Belém que ela se tornou completa! Quem não ambicionaria a glória desse estábulo? Os anjos do céu a proclamam. Glória a Deus no mais alto dos céus, diziam, e paz na terra aos homens de boa vontade. Anunciaram a boa nova aos pastores: Não temais, hoje vos nasceu um Salvador, que é o Cristo Senhor, na cidade de Davi. Eis o sinal pelo qual o reconhecereis. Encontrareis um menino envolto em faixas e deitado em uma manjedoura. Vinde, humildes pastores, vinde, sede os primeiros! E ei-los a contar a Maria e a José o que viram e ouviram. Maria e José se encheram de admiração e de alegria. Depois dos pastores de Belém vieram os reis do Oriente, os magos. Ofereceram ao novo rei dos judeus ouro, incenso e mirra. Novo motivo de admiração por parte de Maria e de José. Iluminados pelo Espírito de Deus, viram nesses magos o cumprimento das profecias; viram as primeiras conversões dos gentios a Deus. E esses gentios somos nós mesmos. Desde então nos regozijamos pelos corações de Maria e de José. Mas isso não é tudo. Quarenta dias após o nascimento do infante Jesus, São José o apresentou, com Maria, no templo,para oferecê-lo a Deus e resgatá-lo pelo sacrifício de duas rolinhas. Maria e José foram as pessoas que o ofereceram a Deus, no templo, ele, o Filho eterno e único de Deus, feito homem e vítima. O santo velho Simeão o reconheceu, o abraçou, adorou e o proclamou, não apenas glória de Israel, mas Salvador de todos os povos, luz de todas as nações. Uma santa profetisa juntou seus louvores. Maria e José se encheram de admiração. Simeão os bendisse e a Maria, mãe do menino, dirigiu estas palavras: “Este foi posto para ruína e para a ressurreição de muitos em Israel e como sinal de contradição. E tua alma será traspassada por uma espada, para que sejam descobertos os pensamentos de muitos, escondidos no fundo do coração”. Essa espada, essas contradições, começarão imediatamente. Após a partida dos magos e a apresentação no templo, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta-te, toma a criança e sua mãe e foge para o Egito e fica lá até que te avise, porque Herodes procurará o menino, para matá-lo.” José levantou-se, tomou a criança e a mãe durante a noite e se retirou para o Egito. Lá ficou até a morte de Herodes; para que se cumprisse o que o Senhor tinha anunciado pelo profeta, ou seja: Do Egito chamei meu Filho. Se Deus nos tivesse encarregado do bem-estar da santa família, provavelmente, em seu lugar de fazê-la pobre, tê-la-iamos feito muito mais rica do que Abraão. Em lugar de fazer com que Jesus nascesse em um estábulo, ter-lhe-íamos dado um berço mais rico do que o de Salomão. Deus não pensou como nós, Não somente quis que a santa família fosse pobre, mas obrigou-a em um estábulo. As riquezas e os palácios, deixou-os para o malvado Herodes, que, ao invés de nisso encontrar felicidade, encontrou invejas, ódios e todas as paixões. Não é tudo. Poder-se-ia esperar que a santa família fosse ao menos tranqüila em sua pobreza. Mas, isso não se deu, porque teve de fugir em plena noite, como se fosse uma família de malfeitores. Atravessou os desertos e dirigiu-se para o Egito, país desconhecido, onde não havia outro recurso que a Providência e o trabalho das próprias mãos. Anjos do céu, cuidai destes pobres emigrantes! E durante esse tempo, que fez Herodes! Matou as criancinhas de Belém e dos arredores. E não parou aí a mortandade. Matou o avô de sua esposa, o cunhado, a própria mulher e três filhos. Quis matar a si mesmo. Ordenou que, à sua morte, fossem mortos os principais chefes de família, para que nos seus funerais houvesse muito pranto. O palácio deste homem malvado era feito de invejas, ódios, acusações de uns contra os outros, conspirações, assassinatos, envenenamentos. Era verdadeira imagem do inferno. Santa família de Jesus, Maria e José, preservai-nos, preservai-me de algo semelhante! Refugio-me no vosso seio. Dignai-vos receber-me, se não como criancinha, pelo menos como servo. Prefiro ser humilde na casa de Deus, a habitar nos palácios dos pecadores. Após a morte de Herodes, um anjo apareceu em sonho a José, no Egito, dizendo-lhe: “Levanta-se, toma o menino e sua mãe e volta para o país o de Israel, porque já não são mortos os que procuravam a alma da criança”. José se levantou, tomou a criança e a mãe e voltou para a terra de Israel, Mas, sabendo que Arquelau reinava na Judéia, em lugar de Herodes, seu pai, temeu ir para lá. E, advertido em sonho por aviso divino, retirou-se para a Galiléia. Lá chegando, foi morar em uma pequena cidade chamada Nazaré, a fim de que se cumprisse o que havia sido dito pelos profetas: “Será chamado Nazareno”. Em hebraico, Notzer ou Notzri.(…) José e Maria segundo o preceito da lei, não faltavam, todos os anos, às celebrações da Páscoa, no templo de Jerusalém. perda e encontro de Jesus no templo.bmpLevavam o filho querido junto, que percebia essa santa observância e talvez se deixasse instruir a respeito do mistério dessa festa, Ele já estivera nela antes de nascer; Ele era o fundo da desta, dado que era o verdadeiro cordeiro que devia ser imolado e comido em memória de nossa passagem para a vida futura. Mas Jesus, sempre submisso aos pais mortais durante sua infância, deixou um dia patente que sua submissão não povinha da fraqueza e da incapacidade de uma idade ignorante, mas de ordem mais profunda. Escolheu, para cumprir esse mistério, a idade dos doze anos, quando se começava a obter capacidade de raciocínio e de reflexões mais sólidas, a fim de não parecer querer forçar a natureza, mas, antes, seguir-lhe o curso e o progresso. A subtração de Jesus, escapando à sua santa Mãe e ao santo José, não é uma punição, mas um exercício. Não se lê que tenham sido acusados de tê-lo perdido por negligência ou por qualquer falta; é, pois, uma humilhação e um exercício. Primeiramente, sentiram-se inquietos, depois tristes, pelo fato de não o encontrarem entre os parentes e os conhecidos entre os quais julgavam estar. Quantas vezes, se nos é permitido fazer conjeturas, quantas vezes o santo ancião deve ter-se mortificado, pelo pouco cuidado que tivera com o depósito celeste! Como não teria ficado aflita com ele a terna Mãe, como a melhor esposa que jamais existiu? Os encantos do santo menino eram surpreendentes. É para admitir que todos os quisessem para si. E nem Maria nem José podiam deixar de crer que estivesse em qualquer grupo de viajantes, porque as pessoas da mesma região iam de Jerusalém em grupos, para se fazerem companhia. Assim, Jesus escapou facilmente e seus pais caminharam um dia sem se aperceberem da perda. Voltai a Jerusalém. Não é entre os parentes nem entre os homens que se deve procurar Jesus Cristo. É na cidade santa. É no templo que o encontraremos ocupado com os assuntos de seu Pai. Com efeito, após três dias de procura laboriosa, quando tinha sido bastante pranteado e procurado, o santo menino se deixou encontrar no templo. Estava sentado no meio dos doutores. Estes o escutavam e o interrogavam. E todos os que ouviam se admiravam de sua prudência e de suas respostas. Ei-lo, pois, de um lado, sentado com os doutores, como se ele mesmo fosse um deles e tivesse nascido para ensiná-los; e de outro, não o vemos dar lições expressas. Escutava, interrogava os que eram reconhecidos como mestres em Israel, não juridicamente, por assim dizer, nem dessa maneira autêntica da qual usou mais tarde. Era, se podemos dizer, um menino, e como que desejoso de ser instruído. E por isso que foi dito que escutava e respondia, por sua vez, os doutores que o interrogavam; e se admiravam de suas respostas, menino modesto que era, doce e bem instruído, nele percebendo, como é claro algo de superior, de sorte que o deixavam tomar lugar entre os mestres.(…) Seus pais ficaram admirados de encontrá-lo entre os doutores, aos quais causava espanto. O que assinala que estes não viam nele nada de extraordinário no comum da vida, porque tudo estava como que envolto no véu da infância; e Maria, que era a primeira a sentir a perda de um filho tão querido, foi também a primeira a lamentar-lhe a ausência. E, meu filho, disse Ela, por que nos fizestes isso? Teu pai e eu, aflitos, te procurávamos. Notai: teu pai e eu. Ela disse pai e, de fato, ele o era, como já vimos; pai, não somente pela adoção do santo menino, mas ainda verdadeiramente pai pelo sentimento, pelo cuidado, pela doçura; o que fez como que Maria dissesse: teu pai e eu, aflitos. Iguais na aflição, porque sem ter tomado parte no teu nascimento, partilha comigo da alegria de te possuir e da dor de te perder. Todavia, mulher obediente e respeitosa, nomeia a José por primeiro: teu pai e eu, dando-lhe a honra de tratá-lo como se fosse pai a exemplo dos demais. (…) Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-se das coisas de meu Pai? Eis a resposta sublime do menino. Teria com isso corrigido a Maria, por ter chamado a José de seu pai? Absolutamente. Ele lembra apenas a doce lembrança de seu verdadeiro pai, Deus, cuja vontade, assunto do qual quer falar, deve ser sua ocupação. A vontade do Pai era que lhe dessem então, uma amostra da sabedoria da qual estava pleno e que vinha declarar, juntamente com a superioridade como devia tratar os pais mortais sem seguir a carne e o sangue, seus superiores de direito, a eles submetido por deferência especial. (…) Compete esclarecer que, pelo que parece, (Jesus) perdeu José antes do tempo de seu ministério. Por ocasião da paixão, deixou sua Mãe com o discípulo bem amado, que a recebeu em sua casa, coisa que não teria feito, se José, seu casto esposo, ainda estivesse vivo. Desde o começo de seu ministério, vê-se Maria convidada com Jesus às bodas de Caná; não se fala de José. Pouco depois, vemo-lo em Cafarnaum, com sua Mãe, irmãos e discípulos. José não aparece. Maria aparece muitas vezes. Mas, depois de ter sido educado por São José, não se fala mais deste santo homem. E quando, no começo de seu ministério, Jesus Cristo vinha pregar em sua terra, dizia-se: Não é este o carpinteiro filho de Maria? Como ele, não nos envergonhemos pelo fato de o terem visto, por assim dizer, manter a oficina, sustentar com seu trabalho a Mãe viúva e levar adiante o pequeno comércio de uma profissão que garantia a subsistência de ambos. Sua mãe não se chama Maria? Não temos entre nós seus irmãos Jacó e José, e Simão e Judas e suas irmãs? Não se fala de seu pai. Aparentemente, pois, jaó havia perdido. Jesus o servira durante sua última doença. Feliz pai a quem tal filho fechou os olhos! Verdadeiramente, morreu-lhe nos braços e como que num beijo do Senhor. Jesus ficou para consolar sua Mãe, para servi-la. Nisso consistiu todo seu exercício. Santa família de Jesus, Maria e José, ah, se todas as famílias vos fossem semelhantes! O céu começaria na terra! Não teríamos guerras, violências, injustiças, processos, ódios, Por toda parte reinaria a paz, a união, a concórdia, a caridade. Todos amariam todos em Deus e Deus em todos. São José – O varão a quem Deus chamou de pai Há certos homens, ao longo da História, cuja grandeza ultrapassa qualquer lenda e esgota mesmo a mais rica capacidade de imaginação. Tais homens parecem ser objeto de uma especial predileção de Deus, o qual Se compraz em adornar cuidadosamente suas almas com o brilho das virtudes e de raríssimos dons. Predestinados desde o nascimento, sua vida se desenvolve em meio a aventuras extraordinárias e assombrosas que ora lhes favorecem o desempenho da missão, ora levantam-se como obstáculos intransponíveis, dando ocasião a lances de confiança e audácia que tornam suas pessoas ainda mais dignas de admiração. No Antigo Testamento encontramos narrativas dessas a cada passo. Extasiamo-nos diante do poder de um Moisés, que com o simples gesto de levantar seu cajado dividiu as águas do mar em duas gigantescas muralhas líquidas; ou perante a serena autoridade de Josué, que não duvidou em dar ordens ao próprio sol para deter o seu curso. Mais adiante, impressionam-nos a força de Sansão, ao carregar nos ombros as portas de Gaza, e o zelo ardoroso do profeta Elias, fazendo cessar a chuva durante três anos. A todos eles a Providência Divina concedeu o domínio sobre a natureza, essa fé que move montanhas e as faz saltar como cabritos… Tais prodígios sublinhavam o poder justiceiro do Criador e visavam, sobretudo, educar uma humanidade manchada pelo pecado original, sobre a qual ainda não se haviam derramado os benefícios da Redenção. Uma nova economia da graça Chegada a plenitude dos tempos, as manifestações da onipotência divina, longe de diminuir, atingiram um auge de profundidade e esplendor. No Novo Testamento, porém, a grandeza se esconde muitas vezes sob os véus da comum existência humana, e isso é permitido por Deus para aumentar nossos méritos e acrisolar ainda mais nossa fé. O exemplo paradigmático dessa nova economia da graça, nós o vemos realizar-se num varão cuja vida transcorreu na humildade e no silêncio, mas que mereceu ouvir dos lábios do Homem-Deus o doce nome de pai! Sem dúvida, Moisés, ao abrir o mar em duas partes, ou Josué, ao parar o sol, marcaram de forma indelével as futuras gerações. Mas, o que é ter sujeitado os elementos, criaturas inanimadas, diante da honra suprema de ser obedecido por Aquele de quem canta o salmista: “Mais forte que o bramido das ondas caudalosas, mais poderoso que o rebentar das vagas, é o Senhor lá nas alturas” (Sl 92, 4), e que mais tarde foi visto por Malaquias quando disse: “Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o Sol da Justiça trazendo salvação em suas asas” (Ml 3, 20)? O que significa ter carregado às costas as portas de Gaza, em confronto com a glória de estreitar nos braços Aquele que afirmou de Si mesmo: “Eu sou a porta das ovelhas” (Jo 10, 7)? Caberá alguma comparação entre o profeta que fez parar a chuva e o patriarca cujas preces aceleraram a “chuva do Justo vindo das alturas” (cf. Is 45, 8)? Uma das mais altas vocações da História São José, o homem justo por excelência, o glorioso esposo de Maria e pai legal do Filho de Deus, é certamente um dos santos mais venerados pela piedade popular. No entanto, quase só ouvimos falar dele como “o artesão de Nazaré” ou “o padroeiro dos operários”. Esses títulos são muito legítimos, mas estão longe de nos dar idéia do píncaro de santidade ao qual Deus houve por bem elevá-lo. Ele nunca será devidamente conhecido e venerado por nós se — repetindo em nossa época a triste cegueira dos habitantes de Nazaré — o considerarmos apenas como o pobre carpinteiro da Galiléia. Para não nos tornarmos culpados de um erro que poderia ser qualificado de “calúnia hagiográfica”, procuremos analisar a verdade a respeito deste varão destinado a uma das mais altas vocações da História. Deus escolhe sempre o mais belo Deus Todo-Poderoso, para quem “nada é impossível” (Lc 1, 37) e que tudo governa com sabedoria infinita, possui algo que poderíamos chamar de sua “única limitação”: ao criar, Ele nada pode escolher de menos belo e perfeito, ou que não seja para sua glória. Desde toda a eternidade, ao determinar a Encarnação do Verbo, quis o Pai que — apesar das aparências de pobreza e humildade através das quais Se mostraria, e que contribuiriam para sua maior exaltação — a vinda de seu Filho ao mundo se revestisse da suprema pulcritude conveniente a Deus. Assim, dispôs que Ele fosse concebido por uma Virgem, concebida por sua vez sem pecado original, unindo em Si as alegrias da maternidade à flor da virgindade. Porém, para completar o quadro, tornava-se necessária a presença de alguém que projetasse na terra a própria “sombra do Pai”. Para tal missão Deus destinou José, ao qual poderíamos aplicar as palavras da Escritura, referindo-se a seu antepassado Davi: “O Senhor escolheu para Si um homem segundo o seu coração” (1 Sm 13, 14). Varão justo por excelência Levando em conta o axioma latino: “nemo summus fit repente” e o acertado dito de Napoleão: “a educação de uma criança começa cem anos antes de ela nascer”, é provável que, em atenção à sua missão e ao seu papel de educador junto ao Menino-Deus, José tenha sido santificado já no seio materno, como o foi João Batista no ventre de Santa Isabel. Essa tese é defendida por diversos autores e pode sintetizar-se nas palavras de São Bernardino de Sena: “Sempre que a graça divina escolhe alguém para algum favor especial ou para algum estado elevado, concede-lhe todos os dons necessários à sua missão; dons que a ornam abundantemente”. O louvor de José, tal como o Evangelho no-lo traça, encerra-se numa única e breve frase: era justo. Tal elogio, à primeira vista de um laconismo desconcertante, nada tem de medíocre. Na linguagem bíblica, o adjetivo “justo” designa todas as virtudes reunidas. No Antigo Testamento, justo é aquele a quem a Igreja dá o nome de santo: justiça e santidade exprimem a mesma realidade. O próprio silêncio das Escrituras a seu respeito nos revela um aspecto primordial de sua perfeição: a contemplação. São José é o modelo da alma contemplativa, mais desejosa de pensar que de agir, embora seu ofício de carpinteiro o levasse a consagrar tanto tempo ao trabalho. Nele vemos realizar-se o ensinamento de São Tomás: a contemplação é superior à ação, porém, mais perfeita ainda é a junção de uma e de outra numa mesma pessoa. Ao serrar a madeira, fabricar um móvel ou um arado, José mantinha sempre seu espírito voltado para o sobrenatural, elevando-se para o aspecto mais sublime das coisas e considerando tudo sob o prisma de Deus. Suas atitudes refletiam a seriedade e a altíssima intenção com a qual sempre agia, e isso contribuía para o maior primor dos trabalhos por ele executados. Sua humilde condição de trabalhador manual em nada lhe diminuía a nobreza. Reunia em si, de forma admirável, as duas classes sociais: como legítimo herdeiro do trono de Davi, conservava em seu porte e semblante a distinção e a elegância próprias a um príncipe, aliando-as, porém, a uma alegre simplicidade de caráter. Para ele, mais importante do que a nobreza de sangue é aquela que se alcança pelo brilho da virtude; e esta, ele a possuía largamente. A Providência, entretanto, o destinava a alcançar a mais alta honra que se possa dar a uma criatura concebida no pecado original e o colocava em desproporção com todo o restante dos homens. Diz São Gregório Nazianzeno: “O Senhor conjugou em José, como num sol, tudo quanto os outros santos têm, em conjunto, de luz e de esplendor”. Todas as glórias acumulam-se neste varão incomparável, cuja existência terrena transcorre dentro de uma sublimidade ignorada por seus conhecidos e compatriotas, num silêncio e apagamento quase completos. Admirável consonância entre duas almas virgens No Antigo Testamento, a virgindade ainda não adquirira o prestígio do qual passou a gozar na Era Cristã. Muito pelo contrário, quem não constituísse família, ou se visse impossibilitado de gerar filhos, era considerado maldito por Deus. “A espera do Messias dominava a tal ponto os espíritos, que o desprezo do casamento equivalia a uma recusa desonrosa de contribuir para a vinda d’Aquele que havia de restaurar o reino de Israel” (1). De acordo com a opinião generalizada, José, movido por uma especial moção do Espírito Santo, decidira permanecer virgem por toda a vida. Porém, não querendo singularizar-se, contrariando os costumes de seu tempo, resignara-se a contrair matrimônio, convencido de que o Senhor, tendo lhe inspirado esse bom propósito, o ajudaria a levá-lo a cabo. Cedendo, pois, às exigências sociais, resolveu pedir a mão de Maria, a qual ele provavelmente já conhecia, pois ambos pertenciam à mesma tribo e habitavam na mesma aldeia. Tudo indica que naquela época os pais de Maria haviam falecido e Ela vivia sob a tutela de algum parente. Sem levar em conta a opinião da jovem, seu tutor apenas Lhe comunicou ter aceito o pedido de um pretendente a ser seu marido. É sabido que Maria, desde a infância, consagrara ao Senhor sua virgindade. Entretanto, acostumada a obedecer, inclinou-Se ante a decisão de seus parentes, acreditando ser essa a manifesta vontade da Providência. Se conservava algum receio, deve este ter-se dissipado quando soube que o escolhido era José, o nobre descendente da estirpe de Davi, em cuja alma Ela já vira, por seu aguçado dom de discernimento, as altíssimas qualidades postas por Deus. Antes dos esponsais, Maria precisava dar a conhecer ao seu noivo o voto de virgindade, sob pena de o matrimônio ser nulo. Fê-lo de forma séria e decidida, falando com toda a simplicidade de seu inocente coração. José pensou estar ouvindo uma voz do Céu e reconheceu, emocionado, a mão da Providência atendendo às suas preces. É impossível ter idéia do grau de concórdia dessas duas almas, ao se revelarem mutuamente seus mais íntimos mistérios. Desde esse instante, José passou a ser o modelo perfeito do devoto de Nossa Senhora. Podemos bem imaginar que, já nesse primeiro encontro, a graça o tocou de maneira especial, levando-o a consagrar-se como escravo de amor Àquela que, mais do que esposa, já considerava como Senhora e Rainha. Proporcionado a Jesus e Maria O contrato matrimonial deveria ser acertado entre as duas famílias. Um ponto ao qual se costumava dar escrupulosa importância, sobretudo entre pessoas de nobre origem, era a igualdade de condições. Tanto Maria quanto José eram da tribo de Judá e descendentes de Davi. Mais, porém, do que qualquer requisito social, sobre aquele matrimônio pairava, desde toda a eternidade, um desígnio divino. Para a rea­lização da vontade do Altíssimo, deveria o esposo ser proporcionado à esposa, o pai ao filho, a fim de sustentar com toda dignidade a honra de ser pai adotivo de Deus. E houve só um homem criado e preparado para essa missão, inteiramente à altura de exercê-la: São José. Ele estava na proporção de Jesus Cristo e de Maria Santíssima. Para fazermos uma idéia exata da magnitude de sua personalidade, devemos imaginá-lo como sendo uma versão masculina de Nossa Senhora, o homem dotado de sabedoria, força e pureza bastantes para governar as duas criaturas mais excelsas saídas das mãos de Deus: a Humanidade santíssima de Nosso Senhor e a Rainha dos anjos e dos homens. Em Israel os esponsais equivaliam juridicamente ao casamento de hoje. A partir dessa cerimônia — na qual o noivo colocava um anel de ouro no dedo de sua prometida, dizendo: “Este é o anel pelo qual tu te unes a mim diante de Deus, segundo o rito de Moisés” — ambos passavam a pertencer de forma irrevogável um ao outro e a partir de então se consideravam esposos. Contudo, a coabitação era em geral adiada pelo prazo de um ano, para dar tempo à esposa de completar o enxoval e ao marido de preparar a casa. Maria e José, fiéis cumpridores da Lei, ativeram-se a todas essas formalidades. Mas um segredo Divino envolvia seu caso concreto, do qual certamente nenhuma das testemunhas do acontecimento — parentes e amigos — chegou a suspeitar. Ali estavam “duas almas virgens que se prometiam mútua fidelidade, uma fidelidade que consistiria em guardarem ambos a virgindade”. Quanto mais uma pessoa sofre, mais é digna de amor Nesse intervalo entre os esponsais e as bodas, Maria recebeu a embaixada do Arcanjo Gabriel. O Evangelho de Mateus deixa-o bem claro ao afirmar: “Antes de coabitarem, aconteceu que Ela concebeu por virtude do Espírito Santo” (Mt 1, 18). Supérfluo seria nos estendermos aqui sobre os detalhes da Anunciação e da Encarnação do Verbo, já tão conhecidos e tantas vezes comentados. Um ponto apenas é preciso deixar bem claro: poucos dias depois desse acontecimento, Maria dirigiu-se apressadamente para o pequeno po­voa­do das montanhas da Judéia onde habitavam seus primos, Zacarias e Isabel. Boa parte dos comentaristas defende a idéia de que José acompanhou sua esposa na viagem de ida e, transcorridos três meses, foi buscá-La. Tal opinião parece bem fundada, pois a juventude de Maria e as dificuldades de um penoso percurso eram razões de sobra para mover a solicitude de um esposo fiel e zeloso, como era o seu. Depois do regresso a Nazaré, não tardou ele a perceber os primeiros sinais da gravidez de sua desposada. No começo, relutou em acreditar, julgando-se vítima de uma alucinação. Passados, porém, alguns dias, não pôde mais duvidar da realidade patente ante seus olhos: Maria trazia uma criança em seu seio. Nesse momento eclodiu, como violento turbilhão, o drama na vida de São José. Talvez a provação mais terrível que uma mera criatura humana — fazendo abstração da Santíssima Virgem ao longo da Paixão — jamais tenha enfrentado. Essa era, entretanto, a divina vontade do Menino que Se formava nas puríssimas entranhas de Maria. Desejava Ele que seu nascimento viesse com o selo indelével da dor santamente aceita, para dar-nos a lição de que quanto mais uma pessoa sofre, tanto mais é digna de amor. O pai adotivo que escolhera como imagem de seu Pai Celestial, Ele o submetia a uma dura prova, dando-lhe oportunidade de levar seu heroísmo a alturas inimagináveis. Ao mesmo tempo, aparecia com maior esplendor a virgindade de Nossa Senhora. O herói da fé A perplexidade de José não consistia, como pensaram alguns Padres antigos, em duvidar da fidelidade de sua esposa. Tal hipótese contunde a nossa piedade, pois desmerece a perfeição eminente alcançada pelo santo Patriarca e, ademais, Deus não permitiria que a honra virginal de Maria pudesse ser ferida por uma suspeita no espírito de José. O texto do Auctor imperfecti exprime com belíssimas palavras a postura dele diante do fato: “Ó inestimável louvor de Maria! São José acreditava mais na castidade de sua esposa do que naquilo que seus olhos viam, mais na graça do que na natureza. Via claramente que sua esposa era mãe e não podia acreditar que fosse adúltera; acreditou que era mais possível uma mulher conceber sem varão do que Maria poder pecar” (3). Sua angústia tornava-se tanto mais lancinante quanto mais via resplandecer a virtude no rosto angelical de Maria. Por um lado, a evidência saltava-lhe aos olhos, por outro, considerava fora de cogitação a possibilidade de aquela criatura tão inocente ter cometido um pecado. Ora, se a concepção de Maria era obra sobrenatural, o que fazia ele ali? Não estaria ofendendo a Deus, intrometendo-se num mistério para ele incompreensível, o qual se lhe afigurava como absolutamente divino? Não seria ele um intruso, atrapalhando os planos do Altíssimo? José não julgou. Suspendeu o juízo da carne ante os inescrutáveis desígnios de Deus. Subjugou a razão humana à fé inabalável e procurou uma saída para o caso, pois, como resume São Tomás. Desde o princípio descartou a hipótese de denunciá-La, como o exigia o Deuteronômio, segundo o qual a mulher deveria sofrer a pena de lapidação. Estava convicto da inocência de Maria e estremecia diante dessa idéia. Existia também a opção do repúdio: a Lei de Moisés permitia ao homem despedir sua mulher, dando-lhe o libelo de divórcio. Mas essa possibilidade repugnava-lhe igualmente, porque atentaria contra a reputação da Santa Virgem. Numa pequena aldeia, onde todos os habitantes se conheciam, tal atitude daria margem a suspeitas sobre o comportamento de Maria: por qual motivo o marido A teria afastado de repente? No futuro, a Virgem traria sempre a marca de uma mulher rejeitada. A solução encontrada por José não se achava nos livros da Lei, mas partiu de seu coração: “Resolveu deixá-La secretamente” (Mt 1, 19). Agindo assim, salvaguardava a fama de sua esposa, pois Ela seria vista como uma pobre jovem abandonada pela crueldade de um homem sem palavra. A culpa recairia toda sobre ele. Nesse passo de sua vida, José revelou o brilho alcandorado de sua nobre alma, sua sabedoria e sua humildade levadas ao grau heróico. Com efeito, a ele poderíamos aplicar estas belas palavras de um autor francês: “O herói é um grande coração que se ignora, uma grande alma que se esquece de si mesma. (…) Todas as fraquezas de nossa pobre natureza humana estão concentradas em torno desse egoísmo que faz de cada um de nós o centro do Universo. O herói é aquele que rompeu esse círculo estreito onde todas as naturezas, até mesmo as mais dotadas, vegetam ou se estiolam. Esse “eu” que em alguns é rei, nele, durante toda sua vida, permanece escravo”. Esqueceu-se completamente de si, preferindo desacreditar-se diante da opinião pública, a ver o prestígio de Maria manchado. Além do mais, renunciava também à sua própria felicidade: tinha de abandonar Nossa Senhora, o maior tesouro da terra. Isso era um sofrimento imenso, pois para ele o convívio com Maria significava um verdadeiro Paraíso. D’Ela aprendera, nos seus gestos mais simples, lições excelsas de sabedoria e de bondade; ao contemplá-La, sentia-se mais próximo de Deus. E via-se agora obrigado a sacrificar aquilo que mais apreciava em sua vida! Passaria seus dias longe, venerando um mistério que não entendera. Durante alguns dias, José maturou sua resolução, decidido a pô-la em prática. Numa noite enevoada e sem lua encontrou ocasião propícia, preparou seus pobres pertences e deitou-se para refazer as forças antes da partida. Pouco a pouco, por uma ação angélica, seu coração aflito serenou e ele adormeceu profundamente. Como outrora com Abraão, o Senhor esperara até o último instante para deter o golpe fatal. No meio da noite apareceu-lhe um anjo, anunciando: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que n’Ela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo de seus pecados” (Mt 1, 20-21). “Os que semeiam entre lágrimas, recolherão com alegria” (Sl 125, 5) É impossível medir o gozo de José ao despertar do sonho. Logo ao alvorecer, correu a encontrar-se com sua esposa. Mas como se sentia agora mais tomado pela veneração e ternura que culminavam no ardoroso desejo de servi-La! Certamente nada disse a Maria, mas a alegre expressão do seu semblante era mais eloqüente do que as palavras. De joelhos, adorou a Deus no seio virginal de sua Mãe, primeiro tabernáculo no qual Se dignara habitar sobre a terra. Um Deus que também era seu filho, pois os dizeres do anjo manifestavam com clareza a autoridade a ele outorgada sobre o fruto de sua esposa: “um filho a quem porás o nome de Jesus”. Paternidade nova, única e especial A paternidade de São José em relação a Cristo tem sido um tema muito discutido pelos autores. Os títulos multiplicam-se: pai legal, pai putativo, pai nutrício, pai adotivo, pai virginal… Cada um deles define aspectos parciais e incompletos, sem chegar a exprimir por inteiro a paternidade deste varão excepcional. O Pe. Bonifácio Llamera OP parece ter chegado a uma conclusão satisfatória: “A paternidade de São José em relação a Jesus é certamente distinta de qualquer outra paternidade natural, seja física ou adotiva. É verdadeira paternidade, mas muito singular. É uma paternidade nova, única e especial, pois não procede da geração segundo a natureza, mas está fundada num vínculo moral inteiramente real. E tão real é esta paternidade singular, como é verdadeiro o vínculo matrimonial entre Maria e José. (…) “Esta paternidade de São José, tão admirável como difícil de expressar numa palavra, é confirmada e esclarecida pelos Santos Padres e autores de obras sobre o santo Patriarca, os quais concentraram em três vínculos principais a subtil realidade que une São José a Jesus: o direito, que é conjugal; a virgindade e a autoridade que adornam o mistério de São José”. Na encíclica Quamquam pluries, o Papa Leão XIII afirmou: “É verdade que a dignidade da Mãe de Deus é tão alta que nada a pode ultrapassar. Porém, como existe entre a Virgem e São José um laço conjugal, não há a menor dúvida de que ele se aproximou mais do que ninguém dessa dignidade supereminente que coloca a Mãe de Deus muito acima de todas as criaturas.” Uma criatura dando conselhos ao Criador… Quantas vezes teve São José nos braços o Divino Infante? O dia inteiro no convívio com o Menino Jesus, observando-O rezar, falar, fazer todos os atos de sua vida comum… Nessa contemplação constante, para a qual ele tinha uma alma maravilhosamente apta, recebia graças extraordinárias e se deixava modelar. Por vezes, o Menino parava diante dele e dizia: “Peço-vos um conselho: como devo fazer tal coisa?” E São José se comovia, considerando que quem estava lhe pedindo um conselho era o próprio Filho de Deus! A esse homem a Providência concedeu lábios suficientemente puros e humildade bastante grande para fazer essa coisa formidável: responder a Deus. A criatura plasmada pelas mãos do Criador dava-Lhe conselhos! Ele foi o predestinado para exercer uma verdadeira autoridade sobre Nossa Senhora e o Menino Jesus, o privilegiado que alcançou uma altíssima intimidade com Jesus e Maria, o bem-aventurado a quem foi outorgada a graça de expirar entre os braços de Deus, seu Filho, e da Mãe de Deus, sua Esposa! “Ao vencedor concederei assentar-se comigo no meu trono” (Ap 3, 21) “Não separe o homem o que Deus uniu” (Mt 19, 6). Se, ao longo de sua existência terrena, José foi o inseparável companheiro da Virgem Maria, partilhando suas dores e alegrias, é inconcebível que na eternidade essa convivência não tenha atingido sua plenitude. Ora, para o convívio ser perfeito, é necessário estar juntos e olhar-se. Por esta razão, uma forte corrente de teólogos defende a tese de que “sem a assunção gloriosa de José em corpo e alma, a Sagrada Família reconstituída no Céu teria tido uma nota discordante na sua exaltação e glória” (6). A esse respeito, afirma São Francisco de Sales: “Se é verdade o que devemos acreditar, que, em virtude do Santíssimo Sacramento que recebemos, os nossos corpos hão de ressuscitar no dia do Juízo Final, como podemos duvidar de que Nosso Senhor tenha feito subir ao Céu, em corpo e alma, o glorioso São José, o qual teve a honra e a graça de trazê-Lo tantas vezes em seus braços benditos? Não resta dúvida, pois, de que São José está no Céu em corpo e alma”. Uma nobreza mais resplandecente do que o sol Tenha-se em conta que a nobreza humana pode ser considerada em sua causa, em sua essência e em sua ação. Considerando-a em sua causa, é a nobreza de origem, no que foi singularíssimo São José, pois tem sua origem numa tríplice dignidade: corporal, espiritual e celeste. Ou seja, uma dignidade real, sacerdotal e profética, que é celestial, pois predizer o futuro é só de Deus. Davi foi rei, Abraão patriarca, Natã profeta, e os três foram antepassados de São José. São José era nobre em sua essência, quer dizer, na sua própria pessoa, porque encontramos nela tríplice nobreza: ele foi justo em sua alma, alcançou a dignidade de esposo da Rainha do Céu e teve ofício de pai nutrício do Filho de Deus. Também em suas obras ele deu provas, ao mundo inteiro, de uma singular nobreza. Recebeu em sua casa o Salvador do mundo, O conduziu são e salvo através de vários países, O serviu e alimentou durante muitos anos com seus trabalhos e seus suores. Esses são os raios que emite a nobreza do santíssimo José, tornando-a mais resplandecente que o mesmo sol. (Pe. Isidoro de Isolano, Suma dos dons de São José) “Tome este glorioso Santo por mestre” Só peço, por amor de Deus, que o comprove quem não acreditar em mim, e verá por experiência própria como é vantajoso encomendar-se e ter devoção a este glorioso Patriarca. Sobretudo as pessoas de oração deveriam ser-lhe afeiçoadas. Pois não sei como podem pensar na Rainha dos Anjos e no longo tempo que passou com o Menino Jesus, sem agradecer a São José pelo muito bem que lhes fez. Quem não encontrar mestre que lhe dê orientação na oração, tome este glorioso Santo por mestre, e não errará o caminho. (Santa Teresa de Jesus, Livro da Vida) Morte de São José Por ter falecido nos braços de Jesus e Maria, São José é o padroeiro da boa morte. Pois se julga, e com razão, que ninguém foi tão bem assistido como ele em seus últimos momentos. Por ter falecido nos braços de Jesus e Maria, São José é o padroeiro da boa morte. Pois se julga, e com razão, que ninguém foi tão bem assistido como ele em seus últimos momentos. Quase se poderia dizer que por isso o termo de sua vida foi tão suave e consolador que dele esteve ausente qualquer sofrimento ou angústia. No entanto, não podemos esquecer que para José esta foi a suprema perplexidade de sua existência terrena. Pois, ao falecer, separava-se do convívio inefável com sua virginal esposa e com Jesus, o Filho de Deus. José partia para a Eternidade, deixando na terra o seu Céu… A consideração do exemplo e dos preciosos dons concedidos por Deus ao pai adotivo de Jesus nos leve a confiar na poderosa intercessão daquele a quem o próprio Filho de Deus obedeceu: “E era-Lhes submisso” (Lc 2, 51). “O exemplo de São José – afirmou o Papa Bento XVI na comemoração de sua festa litúrgica – é para todos nós um forte convite a desempenhar com fidelidade, simplicidade e humildade a tarefa que a Providência nos destinou. Penso antes de tudo, nos pais e nas mães de família, e rezo para que saibam sempre apreciar a beleza de uma vida simples e laboriosa, cultivando com solicitude o relacionamento conjugal e cumprindo com entusiasmo a grande e difícil missão educativa. Aos sacerdotes, que exercem a paternidade em relação às comunidades eclesiais, São José obtenha que amem a Igreja com afeto e dedicação total, e ampare as pessoas consagradas na sua jubilosa e fiel observância dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência. Proteja os trabalhadores de todo o mundo, para que contribuam com as suas várias profissões para o progresso de toda a humanidade, e ajude cada cristão a realizar com confiança e com amor a vontade de Deus, cooperando assim para o cumprimento da obra da salvação” #SantodoDia

  • Descobertas sobre Santo Sudário são aprofundadas em livro inédito lançado no Brasil

    Publicada pela Minha Biblioteca Católica, obra investiga dados da história e da ciência envolvendo a relíquia sagrada Na fé católica, o Santo Sudário se apresenta como possibilidade de prova viva da Ressurreição. Com objetivo de reunir evidências históricas e científicas que fundamentam a autenticidade da mortalha de Jesus Cristo, o historiador francês Jean-Christian Petitfils decidiu escrever um livro que é resultado de mais de quatro décadas de pesquisas. E, pela primeira vez, o público brasileiro terá acesso a essa obra que se aprofunda na história e na ciência por trás dessa relíquia sagrada. Recém-lançado, “O Santo Sudário: testemunha da Paixão e da Ressurreição” faz parte do box de março da Minha Biblioteca Católica, maior clube de assinatura de livros religiosos do país. A publicação, que oferece uma visão abrangente e atualizada sobre o tema, se divide em três partes: história, ciência e iconografia. Segundo Matheus Bazzo, a leitura proporciona uma meditação profunda no sacrifício redentor de Nosso Senhor. “Somos conduzidos para uma jornada de fé, descoberta e reflexão. Esse é um livro fascinante, que certamente impactará e enriquecerá a fé de muitos católicos. Sua importância está na capacidade de unir ciência e fé em um diálogo profundo e significativo”, avalia o fundador da Minha Biblioteca Católica. A obra investiga desde os testes científicos que iniciaram no começo do século 20 e chega até as mais recentes discussões sobre o teste de carbono-14. Cada aspecto é avaliado pelo autor, apresentando estudos com evidências convincentes em relação à autenticidade do Sudário de Turim. São explorados diversos detalhes, incluindo tipo de tecido, tridimensionalidade real da imagem e elementos presentes no material, como pólen. Quaresma e jornada espiritual O período de lançamento do livro — durante a Quaresma — no Brasil não foi uma coincidência. Segundo o clube, a obra busca oferecer uma nova perspectiva sobre a Paixão de Cristo ao longo destes 40 importantes dias do calendário litúrgico da Igreja, convidando os leitores a evoluírem em sua fé e devoção. “Esse livro é um recurso poderoso para nos ajudar em direção à santidade, propiciando a cada um de nós uma verdadeira experiência de intimidade com Deus. Somos chamados a uma compreensão renovada da nossa fé”, conclui Matheus Bazzo, acrescentando que “O Santo Sudário” ajuda a tangibilizar a Paixão de Cristo. Confira trechos da obra: “Nessa imagem integral e verdadeira que o Cristo redentor nos deixou de si mesmo, na mortalha de seu sepulcro, e que Ele como que a preparou para ser revelada ao mundo ao fim de uma era de ceticismo e incredulidade, em que sua divindade nunca foi tão negada, pode-se ver um penhor de renovação cristã para os tempos vindouros.” “Quando João percebeu que o túmulo estava vazio, desceu os poucos degraus. A mortalha estava posta sobre o nicho, esticada sobre o banco talhado no calcário a 60 cm do chão, exatamente onde estava quando o túmulo foi fechado. Vista de cima, sua aparência assemelhava-se muito à de 36 horas antes, quando, como especificou João, o corpo fora envolto num tecido de linho, segundo a maneira de sepultar usada entre os judeus. O sudário que fora colocado sobre o rosto estava na mesma câmara, enrolado separadamente, formando um cone irregular com seu nó acima. Em suma, nesse pequeno espaço, não havia qualquer impressão de desordem ou de ordem artificialmente recriada. A Mortalha não tinha sido movida. Não tinha caído no chão, nem fora amarrotada depois de aberta. Estava simplesmente estendida, não mais deformada pela posição curvada da cabeça e pela contração dos joelhos”. “No caso da Mortalha, que funcionou como um curativo, as manchas de sangue são visíveis na frente e no verso do tecido; o sangue, portanto, passou através dele e, em 36 horas, teve tempo suficiente para secar e colar a Mortalha às inúmeras feridas. Ao ser examinada a Mortalha, nenhuma das centenas de manchas apresenta borda irregular ou danificada. Há que se render às evidências: o corpo se desprendeu da Mortalha sem deixar o menor vestígio de separação. Esse caso impossível, evidentemente, não é reproduzível, mas, por outro lado, é extremamente fácil de ser verificado; basta examinar a Mortalha… isso está ao alcance de todos”. “Longe de nós a ideia de que essa relíquia possa, por si só, provar a materialidade da Ressurreição, que é uma realidade física como um ato de fé – e que, portanto, só pode ser compreendido na plenitude da Revelação. No entanto, a Mortalha nos proporciona uma proximidade misteriosa e singular dela”. #MinhaBibliotecaCatólica

  • Descobertas sobre Santo Sudário são aprofundadas em livro inédito lançado no Brasil

    Publicada pela Minha Biblioteca Católica, obra investiga dados da história e da ciência envolvendo a relíquia sagrada Na fé católica, o Santo Sudário se apresenta como possibilidade de prova viva da Ressurreição. Com objetivo de reunir evidências históricas e científicas que fundamentam a autenticidade da mortalha de Jesus Cristo, o historiador francês Jean-Christian Petitfils decidiu escrever um livro que é resultado de mais de quatro décadas de pesquisas. E, pela primeira vez, o público brasileiro terá acesso a essa obra que se aprofunda na história e na ciência por trás dessa relíquia sagrada. Recém-lançado, “O Santo Sudário: testemunha da Paixão e da Ressurreição” faz parte do box de março da Minha Biblioteca Católica, maior clube de assinatura de livros religiosos do país. A publicação, que oferece uma visão abrangente e atualizada sobre o tema, se divide em três partes: história, ciência e iconografia. Segundo Matheus Bazzo, a leitura proporciona uma meditação profunda no sacrifício redentor de Nosso Senhor. “Somos conduzidos para uma jornada de fé, descoberta e reflexão. Esse é um livro fascinante, que certamente impactará e enriquecerá a fé de muitos católicos. Sua importância está na capacidade de unir ciência e fé em um diálogo profundo e significativo”, avalia o fundador da Minha Biblioteca Católica. A obra investiga desde os testes científicos que iniciaram no começo do século 20 e chega até as mais recentes discussões sobre o teste de carbono-14. Cada aspecto é avaliado pelo autor, apresentando estudos com evidências convincentes em relação à autenticidade do Sudário de Turim. São explorados diversos detalhes, incluindo tipo de tecido, tridimensionalidade real da imagem e elementos presentes no material, como pólen. Quaresma e jornada espiritual O período de lançamento do livro — durante a Quaresma — no Brasil não foi uma coincidência. Segundo o clube, a obra busca oferecer uma nova perspectiva sobre a Paixão de Cristo ao longo destes 40 importantes dias do calendário litúrgico da Igreja, convidando os leitores a evoluírem em sua fé e devoção. “Esse livro é um recurso poderoso para nos ajudar em direção à santidade, propiciando a cada um de nós uma verdadeira experiência de intimidade com Deus. Somos chamados a uma compreensão renovada da nossa fé”, conclui Matheus Bazzo, acrescentando que “O Santo Sudário” ajuda a tangibilizar a Paixão de Cristo. Confira trechos da obra: “Nessa imagem integral e verdadeira que o Cristo redentor nos deixou de si mesmo, na mortalha de seu sepulcro, e que Ele como que a preparou para ser revelada ao mundo ao fim de uma era de ceticismo e incredulidade, em que sua divindade nunca foi tão negada, pode-se ver um penhor de renovação cristã para os tempos vindouros.” “Quando João percebeu que o túmulo estava vazio, desceu os poucos degraus. A mortalha estava posta sobre o nicho, esticada sobre o banco talhado no calcário a 60 cm do chão, exatamente onde estava quando o túmulo foi fechado. Vista de cima, sua aparência assemelhava-se muito à de 36 horas antes, quando, como especificou João, o corpo fora envolto num tecido de linho, segundo a maneira de sepultar usada entre os judeus. O sudário que fora colocado sobre o rosto estava na mesma câmara, enrolado separadamente, formando um cone irregular com seu nó acima. Em suma, nesse pequeno espaço, não havia qualquer impressão de desordem ou de ordem artificialmente recriada. A Mortalha não tinha sido movida. Não tinha caído no chão, nem fora amarrotada depois de aberta. Estava simplesmente estendida, não mais deformada pela posição curvada da cabeça e pela contração dos joelhos”. “No caso da Mortalha, que funcionou como um curativo, as manchas de sangue são visíveis na frente e no verso do tecido; o sangue, portanto, passou através dele e, em 36 horas, teve tempo suficiente para secar e colar a Mortalha às inúmeras feridas. Ao ser examinada a Mortalha, nenhuma das centenas de manchas apresenta borda irregular ou danificada. Há que se render às evidências: o corpo se desprendeu da Mortalha sem deixar o menor vestígio de separação. Esse caso impossível, evidentemente, não é reproduzível, mas, por outro lado, é extremamente fácil de ser verificado; basta examinar a Mortalha… isso está ao alcance de todos”. “Longe de nós a ideia de que essa relíquia possa, por si só, provar a materialidade da Ressurreição, que é uma realidade física como um ato de fé – e que, portanto, só pode ser compreendido na plenitude da Revelação. No entanto, a Mortalha nos proporciona uma proximidade misteriosa e singular dela”. #MinhaBibliotecaCatólica

  • Homilia Diária | Sabendo ou não, traímos a Cristo!

    Segunda-feira da 4.ª Semana da Quaresma Era adúltera a mulher que hoje lançam aos pés de Cristo, porque fora realmente infiel, deitando-se com outro homem. Mas eram adúlteros também os acusadores, porque traziam no coração uma infidelidade até mais grave, que foi a de rejeitarem como a um estranho o Esposo de nossas almas. E nós? Porventura encontraremos nas linhas que, inclinado de misericórdia, escreve Jesus no chão o pecado do nosso adultério espiritual? Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta segunda-feira, dia 18 de março, e medite conosco mais uma página do santo Evangelho. Santo do Dia: São Cirilo de Jerusalém Evangelho (Jo 8,1-11) — Glória a vós, Senhor Jesus, Primogênito dentre os mortos! — Não quero a morte do pecador, diz o Senhor, mas que ele volte, se converta e tenha vida. (Ez 33,11) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 1 Jesus foi para o monte das Oliveiras. 2 De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. 3 Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Levando-a para o meio deles, 4 disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. 5 Moisés na Lei mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?” 6 Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. 7 Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. 8 E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. 9 E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no meio, em pé. 10 Então Jesus se levantou e disse: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” 11 Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Então Jesus lhe disse: “Eu, também, não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Homilia Diária | Sabendo ou não, traímos a Cristo!

    Segunda-feira da 4.ª Semana da Quaresma Era adúltera a mulher que hoje lançam aos pés de Cristo, porque fora realmente infiel, deitando-se com outro homem. Mas eram adúlteros também os acusadores, porque traziam no coração uma infidelidade até mais grave, que foi a de rejeitarem como a um estranho o Esposo de nossas almas. E nós? Porventura encontraremos nas linhas que, inclinado de misericórdia, escreve Jesus no chão o pecado do nosso adultério espiritual? Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta segunda-feira, dia 18 de março, e medite conosco mais uma página do santo Evangelho. Santo do Dia: São Cirilo de Jerusalém Evangelho (Jo 8,1-11) — Glória a vós, Senhor Jesus, Primogênito dentre os mortos! — Não quero a morte do pecador, diz o Senhor, mas que ele volte, se converta e tenha vida. (Ez 33,11) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 1 Jesus foi para o monte das Oliveiras. 2 De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. 3 Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Levando-a para o meio deles, 4 disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. 5 Moisés na Lei mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?” 6 Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. 7 Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. 8 E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. 9 E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no meio, em pé. 10 Então Jesus se levantou e disse: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” 11 Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Então Jesus lhe disse: “Eu, também, não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • São Cirilo de Jerusalém – 18 de Março

    SANTO DO DIA – 18 DE MARÇO – SÃO CIRILO DE JERUSALÉM Bispo e doutor da Igreja (315-386) Desde o início dos tempos cristãos a heresia se infiltrara na Igreja, mas, foi no século IV, que ocorreram as do arianismo e do nestorianismo causando profundas divisões. Cirilo viveu nesse período em Jerusalém, perto de onde nascera em 315, de pais cristãos e bem situados financeiramente. Muito preparado, desde a infância, nas Sagradas Escrituras e nas matérias humanísticas, em 345 foi ordenado sacerdote. Em 348, foi consagrado, bispo de Jerusalém. Ocupou o cargo durante aproximadamente trinta e cinco anos, dezesseis dos quais passou no exílio, em três ocasiões diferentes. A primeira porque o bispo Acácio, de grande influência na Igreja, cuja obra foi citada por São Jerônimo, acusou Cirilo de heresia. A segunda por ordem do imperador Constâncio que entendeu ser Cirilo realmente um simpatizante dos hereges, mas em sua defesa atuaram os bispos, Atanásio e Hilário, ambos Padres da Igreja assim como o próprio bispo Cirilo o é. A terceira, foi a mais longa, porque o imperador Valente, este sim herege, decidiu mandar de volta ao exílio todos os bispos anistiados, fato que fez Cirilo peregrinar durante onze anos, por várias cidades da Ásia, até a morte do soberano, em 378. O seu trabalho, entretanto resistiu a tudo e chegou até nossos dias e especialmente porque ele sabia ensinar o Evangelho, como poucos. Em sua cidade, logo que se tornou sacerdote e no início do episcopado era o responsável por preparar os catecúmenos, isto é, os adultos que se convertiam e iriam ser batizados. Foi nesse período que escreveu dezoito discursos catequéticos, um sermão, a carta ao imperador Constantino e outros pequenos fragmentos. Treze escritos eram dedicados à exposição geral da doutrina e cinco dedicados ao comentário dos ritos Sacramentais da iniciação cristã. Assim, seus escritos explicam detalhadamente os ‘como’ e os ‘porquês’ de cada oração, do batismo, da crisma, da penitência, dos sacramentos e dos mistérios do Cristianismo, ditos dogmas da Igreja. Cirilo também soube viver a religião na prática. Numa época de grande carestia, por exemplo, não hesitou em vender valiosos vasos litúrgicos e outras preciosidades eclesiásticas, para matar a fome dos pobres da cidade. Ele morreu no ano 386. Desde o início de sua vida religiosa, Cirilo cujo caráter era afável e suave, sempre preferiu a catequese aos assuntos polêmicos, chegando quase a se comprometer com os arianos e semi-arianos. Porém, de maneira contundente aderiu à doutrina ortodoxa da Igreja no III Concílio ecumênico de Constantinopla, em 382, no qual ficou clara sua sempre fiél postura à Santa Sé e à Verdade de Cristo. Nessa oportunidade teve em seu favor a eloquência das vozes dos sinceros bispos e amigos, Atanásio e Hilário, que o chamaram ‘valente lutador para defender a Igreja dos hereges que negam as verdades de nossa religião’. Sua canonização demorou porque, durante muito tempo, seu pensamento teológico foi considerado vacilante, como dizem os registros. Em 1882, o Papa Leão XIII, na solenidade em que instituiu sua veneração, honrou São Cirilo de Jerusalém com os títulos de doutor da Igreja e príncipe dos catequistas católicos. Conheça mais sobre São Cirilo de Jerusalém Nossa atenção se concentra hoje em São Cirilo de Jerusalém. Sua vida representa o cruzamento de duas dimensões: por um lado, a atenção pastoral, e por outro, a participação, apesar dele, das acesas controvérsias que turbaram então a Igreja do Oriente. Nascido em torno do ano 315, em Jerusalém ou perto dela, Cirilo recebeu uma ótima formação literária, que se converteu no fundamento de sua cultura eclesiástica, centrada no estudo da Bíblia. Ordenado presbítero pelo bispo Máximo, quando este morreu ou foi deposto, no ano 348, foi ordenado bispo por Acácio, influente metropolitano de Cesaréia da Palestina, filo-ariano, convencido de que era seu aliado. Por este motivo, deu-se a suspeita de que havia alcançado a nomeação episcopal após ter feito concessões ao arianismo. Na realidade, rapidamente, Cirilo enfrentou Acácio não só no campo doutrinal, mas também no da jurisdição, pois Cirilo reivindicava a autonomia de sua própria sede com relação à do metropolitano de Cesaréia. Em cerca de vinte anos, Cirilo experimentou três exílios: o primeiro, no ano 357, após ter sido deposto por um Sínodo de Jerusalém; no ano 360, um segundo exílio provocado por Acácio e, por último, um terceiro, mais longo — durou onze anos –, no ano 367, por iniciativa do imperador filo-ariano Valente. Só em 378, depois da morte do imperador, Cirilo pôde voltar a tomar definitivamente posse de sua sede, restabelecendo entre os fiéis a unidade e a paz. A favor de sua ortodoxia, posta em dúvida por algumas fontes da época, advogam outras fontes da mesma antiguidade. Entre elas, a mais autorizada é a carta sinodal do ano 382, depois do segundo Concilio ecumênico de Constantinopla (381), no qual Cirilo havia participado com um papel destacado. Nessa carta, enviada ao pontífice romano, os bispos orientais reconhecem oficialmente a mais absoluta ortodoxia de Cirilo, a legitimidade de sua ordenação episcopal e os méritos de seu serviço pastoral, ao qual a morte pôs ponto final no ano de 387. Dele conservamos 24 famosas catequeses, que pronunciou como bispo por volta do ano 350. Introduzidas por uma «Procatequese» de acolhida, as primeiras 18 estão dirigidas aos catecúmenos ou «iluminados» («photizomenoi»). Foram pronunciadas na basílica do Santo Sepulcro. As primeiras (1-5) falam respectivamente das disposições prévias ao Batismo, da conversão dos costumes pagãos, do sacramento do Batismo, das dez verdades dogmáticas contidas no Credo ou Símbolo da fé. As sucessivas (6-18) constituem uma «catequese contínua» sobre o Símbolo de Jerusalém, em chave antiariana. Entre as últimas cinco (19-23), chamadas «mistagógicas», as duas primeiras desenvolveram um comentário aos ritos do Batismo, as últimas três falam do crisma, do Corpo e do Sangue de Cristo e da liturgia eucarística. Incluem a explicação do Pai Nosso («Oratio dominica»), que apresenta um caminho de iniciação à oração, que se desenvolve paralelamente à iniciação aos três sacramentos, o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia. O fundamento da educação na fé cristã se desenvolvia, em parte, em chave polêmica contra os pagãos, judeu-cristãos e adeptos do maniqueísmo. A argumentação se fundamentava na aplicação das promessas do Antigo Testamento, com uma linguagem cheia de imagens. A catequese era um momento importante, marcado no amplo contexto de toda a vida, em particular a litúrgica, da comunidade cristã, em cujo seio materno acontecia a gestação do futuro fiel, acompanhada pela oração e pelo testemunho dos irmãos. Em seu conjunto, as homilias de Cirilo constituem uma catequese sistemática sobre o renascimento através do Batismo. Ao catecúmeno, ele diz: «Caíste nas redes da Igreja (cf. Mateus 13, 47): com vida serás colhido; não fujas; é Jesus quem te jogou a isca, e não para destinar-te a morte, mas para, entregando-te a ela, recobrar-te vivo: pois é necessário que tu morras e ressuscites (cf. Romanos 6, 11.14)… Morre aos pecados e vive para a justiça; fá-lo desde hoje» («Procatequese» 5). Desde o ponto de vista doutrinal, Cirilo comenta o Símbolo de Jerusalém recorrendo à «tipologia» das Escrituras, em relação «sinfônica» entre os dois Testamentos, até chegar a Cristo, centro do universo. A tipologia será eficazmente descrita por Agostinho de Hipona: «O Novo Testamento está escondido no Antigo, enquanto o Antigo se torna manifesto no Novo» («De catechizandis rudibus» 4, 8). A catequese moral está ancorada com uma profunda unidade na catequese doutrinal: faz que o dogma descenda progressivamente nas almas, que deste modo são alentadas a transformar os comportamentos pagãos na nova vida em Cristo, dom do Batismo. Por último, a catequese mistagógica constituía a reunião da educação que Cirilo ministrava aos que já não eram catecúmenos, mas neobatizados ou neófitos durante a semana da Páscoa. Levava-os a descobrir, nos ritos batismais da Vigília pascal, os mistérios contidos neles e que ainda não lhes haviam sido desvelados. Iluminados por uma fé mais profunda graças ao Batismo, os neófitos eram capazes finalmente de compreendê-los melhor, ao ter celebrado os ritos. Este texto explica o mistério do Batismo: «Fostes submersos três vezes na água, levantando-vos também três vezes. Também nisso significastes em imagem e simbolicamente a sepultura de Cristo por três dias. Pois, assim como nosso Salvador passou três dias e três noites no seio da terra (cf. Mateus 12, 40), também vós imitastes o primeiro dia que Cristo passou no sepulcro ao levantar-vos da água pela primeira vez e, com a imersão, a primeira noite, pois do mesmo modo que o que está na noite já não vê, e o que se move no dia caminha na luz, vós, ao submergir-vos, como na noite, deixastes de ver, mas, ao sair, fostes postos como no dia. No mesmo momento haveis morrido e haveis nascido, e aquela água chegou a ser para vós sepulcro e mãe… Para vós.. o tempo de morrer coincidiu com o tempo de nascer. E um tempo único conseguiu ambas coisas, pois com vossa morte coincidiu vosso nascimento» («Segunda Catequese Mistagógica», 4). O mistério que é preciso assimilar é o plano de Deus, que se realiza através das ações salvíficas de Cristo na Igreja. Por sua vez, a dimensão mistagógica está acompanhada pela dos símbolos que expressam a vivência espiritual que fazem «explodir». Deste modo, a catequese de Cirilo, em virtude dos três elementos descritos — doutrinal, moral e, por último, mistagógico — converte-se em uma catequese global no espírito. A dimensão mistagógica se converte em síntese das duas primeiras, orientando-as à celebração sacramental, na qual se realiza a salvação de todo o homem. Trata-se, em definitivo, de uma catequese integral que implica o corpo, a alma e o espírito e continua sendo emblemática para a formação catequética dos cristãos de hoje. Catequeses Mistagógicas de S. Cirilo de Jerusalém Prefácio A obra catequética de S. Cirilo de Jerusalém compõe-se de 2 Catequeses. No presente volume apresentamos as Catequeses Mistagógicas. Deixamos para um próximo volume a Catequese Preli-minar e as 18 Catequeses Pré-batismais. Publicamos em primeiro lugar as Catequeses Mistagógicas não só pela importância das mesmas, mas por constituírem uma unidade de doutrina que nos abre as portas para uma melhor compreensão e aproveitamento das demais Catequeses. As Catequeses de S. Cirilo são consideradas como sendo a coleção catequética, após a de Agostinho, a mais completa que a Antigüidade nos legou. Através delas podemos apreciar o con-teúdo de tudo quanto constituía a educação religiosa ministrada aos que se convertiam ao Cristianismo. O Credo, detalhadamente comentado, é tido como uma jóia preciosa do tesouro teológico da Igreja Primitiva. Nas Catequeses Pré-batismais o Credo, muito semelhante ao Credo Niceno-constantinopolitano, nos é transmitido com comentários e interpretações próprias da época. Nas Catequeses Mistagógicas é o culto cristão: Batismo, Confirmação, Celebração Eucarística, com o respectivo rito, que é explicado. Pelas Catequeses temos acesso ao anúncio da fé da Igreja Primitiva e às manifestações culturais desta fé. A tradução de toda a obra catequética foi feita por fr. Frederico Vier, O.F.M. Durante os últimos anos de sua vida, ele consagrou as horas que lhe sobravam do cansativo trabalho de Revisor e Vice-Diretor da Editora Vozes a este trabalho de tradução das Catequeses de S. Cirilo. É a ele que dedicamos esta obra como expressão de uma vida de dedicação incansável e de perseverança inexaurível. Era com amor que o víamos horas a fio tentando descobrir a melhor expressão, o termo mais apropriado para designar o pensamento do bispo de Jerusalém. A experiência de anos na revisão de textos e manuscritos o tornou sensível às sutilezas da língua e solidificou seu desejo de fidelidade ao autor. Infelizmente, a morte o colheu antes que tivesse concluído a obra. Coube-nos, com a colaboração de fr. Salésio Hillesheim, O.F.M., concluí-la. Petrópolis, 21 de agosto de 1976. Frei Fernando A. Figueiredo, O.F.M. Introdução Dados biográficos No ano 348 tornou-se Cirilo bispo da cidade de Jerusalém, onde provavelmente nasceu por volta do ano 315. Fora em 345 ordenado sacerdote por Máximo II, a quem sucederia após sua morte ou deposição levada a efeito pelos eusebianos. Muito depressa Acácio, metropolita da Província e um dos chefes dos eusebianos, investe contra Cirilo, defensor da fé de Nicéia. Seguem-se acusações mútuas acerca da fé de cada um. Cirilo é exilado por três vezes em uma situação parecida à de S. João Crisóstomo com Teófilo de Alexandria. Em 358/9 o concílio de Seleucia o restabelece em sua sé episcopal. No ano seguinte será desterrado por ordem do Imperador Constâncio, movido por Acácio e seguidores. Ele permanece no desterro até 362, quando é favorecido pela anistia geral proclamada por Juliano. Porém, em 367, apesar da morte de Acácio, ele volta ao exílio até que, em 378, Graciano decreta a suspensão do desterro para todos os bispos católicos. Em 381 encontramo-lo entre os padres conciliares do primeiro Concílio de Constantinopla. A liturgia ocidental e oriental comemora no dia 18 de março a sua morte, que deve ter-se dado no ano de 387. É necessário distinguir em Cirilo o teólogo e a testemunha da fé e da Tradição cristã, de modo geral, e da Igreja de Jerusalém, em particular. Como teólogo ele não apresenta a profundidade doutrinal dos Padres da segunda metade do século IV, defensores da ortodoxia, como S. Atanásio e S. Hilário ou teólogos como Basílio e os demais Padres Capadócios que marcarão o pensamento teológico, influenciando as gerações futuras. Mas é uma valiosa testemunha da Tradição antiga e eco da fé católica professada em Nicéia e, mais tarde, no primeiro Concílio de Constantinopla. Caracterização da época Uma rápida visão da época em que viveu Cirilo ajudar-nos-á a melhor apreender o motivo que subjaz a muitos ditos seus ao longo de suas obras. No século II a Igreja se vê diante de correntes religiosas que se esforçam para exercer uma espécie de sedução sobre os homens de seu tempo: a gnose e as religiões de Mistério. O gnosticismo continuará presente nos séculos posteriores sob formas diversas, sendo combatido por Justino, Santo Ireneu, Tertuliano e o autor dos Philosophumena. Localizar-se-á, sobretudo, no Egito e na Síria. A gnose fala de uma centelha divina no homem, o qual, provindo do reino divino, caiu neste mundo. Aqui o homem se encontra submisso ao destino, ao nascimento, à morte e tem necessidade de ser despertado por seu arquétipo celeste ao qual ele finalmente se reunirá. Esta libertação se dá pelo conhecimento (gnose), que consiste essencialmente em conhecer-se, melhor, se reduz à necessidade de reconhecer o elemento divino que constitui o verdadeiro «eu». Liberta-se assim de todos os «poderes» que o retêm no «profano» e no erro. Ao mesmo tempo que tais correntes angariavam adeptos, no interior da Igreja se assistia ao surgimento de doutrinas anti-trinitárias. Incapazes de admitir a diversidade de Pessoas na uni-dade de uma e mesma Natureza divina, negavam alguns a divindade do Cristo reduzindo-o a um simples homem dotado de extraordinários poderes e virtudes (dinamistas), ou explicavam sua personalidade como mera modalidade da de Deus Pai (modalistas, patripassianos). Em relação ao Filho, temos Noeto e Práxeas; em relação ao Espírito Santo, temos Sabélio. Daí à doutrina sustentada por Ario, sacerdote da Igreja de Alexandria, seria um passo. Logo após a vitória sobre Licínio, Constantino, único imperador, escreve a Alexandre, bispo de Alexandria, para que ele se ponha de acordo com Ario. Alexandre se escandalizara com as posições cristológicas de seu sacerdote Ario, que, de mil maneiras, mesmo através de cânticos populares, ensinava que o Cristo não é verdadeiramente Deus. Em uma carta a Eusébio de Nicomedia, Ario expõe sua posição: «Ele (o Cristo) começou a existir por um ato de vontade. Antes de ser gerado Ele não era». Tal discussão culminará com o primeiro Concílio Ecumênico de Nicéia, em 325, onde se proclamará, contra o arianismo, a divindade do Filho e sua consubstancialidade (homo-ousía) com o Pai.A luta ariana (318-381) coincide com a vida de S. Cirilo e caracteriza este período. Concílios e sínodos, fórmulas e mais fórmulas de fé, mútuas condenações constituem a tecedura desta luta. Para aumentar a confusão dos fiéis, surgiram, dentro das correntes heterodoxas, outras com matizes diversos, uma mais extremada, a dos anomeus, outra mais mitigada; a dos semi-arianos ou homoioúsios. A muitos faltavam serenidade e magnanimidade, deixando-se envolver em intrigas e mesmo fraudes e violências. Em meio a tal situação se destacam a ousadia e a sobriedade, a profundidade e a mente esclarecida de um Basílio Magno, Gregório Nazianzeno, Gregório de Nissa, Cirilo de Alexandria e outros. S. Cirilo em suas catequeses alerta os fiéis não só contra as afirmações anticristãs provindas do meio gentílico ou judaico, mas também contra as asserções heréticas. Enumera os vícios dos deuses adorados pelos pagãos, assim como de seus adoradores. Busca no A.T. anúncios e prefigurações do N.T., em oposição aos judeus, e mostra a unidade de ambos os Testamentos, o que era rejeitado pelos gnósticos. Levanta-se contra os hereges, cujas obras ele diz ter lido: «Estas coisas, fala Cirilo, estão nos livros dos maniqueus, eu as li, porque não cria nos que me falavam delas; e as examinei cuidadosamente para segurança vossa e ruína dos outros». Muito se escreveu sobre o fato de Cirilo jamais empregar o termo homooúsios: consubstancial. Todavia, a simples leitura de suas catequeses nos mostra um Cirilo preocupado em ser o mais simples possível, evitando sempre que possível o emprego de termos teológicos. Ele tem diante de si pessoas pouco versadas em doutrina cristã, às quais deseja transmitir de modo acessível e com proveito suas instruções. Daí o fato de ele expor a doutrina em uma terminologia fundamentalmente bíblica. Ademais, o termo homooúsios foi compreendido por alguns em um sentido sabeliano, que Cirilo tantas vezes combate. Particularidades da Igreja de Jerusalém Através das próprias catequeses de S. Cirilo podemos ter uma idéia da Igreja de Jerusalém. O costume da catequese era cuidadosamente observado em Jerusalém. Se em outras Igrejas a exposição do Credo se resumia a duas, três ou mais apresentações, em Jerusalém se lhe dedicava todo o tempo da Quaresma. Compreende-se o motivo pelo qual o conjunto das catequeses nos oferece todo um sistema doutrinário. Na Catequese Preliminar ele nos faz ver a importância conferida a esta ação catequética: «Aprende o que ouves e guarda-o para sempre. Não creias serem estas homilias habituais. Também elas são boas e dignas de fé». Cirilo pronuncia as catequeses na Igreja da Ressurreição e na Capela do Santo Sepulcro. Para que alguém fosse admitido ao catecumenato exigia-se, segundo menciona Eusébio, a imposição das mãos e a oração. O primeiro Concílio de Constantinopla (381) nos fala dos exorcismos e da insuflação, feitos em três dias consecutivos. No primeiro dia, diz o Concílio, fazemo-los cristãos; no segundo catecúmenos; no terceiro os exorcizamos, soprando por três vezes o rosto e os ouvidos e assim os catequizamos. 4 São Cirilo se refere expressamente aos exorcismos 5, os quais são recebidos com a face coberta com um véu: «O teu rosto foi coberto com um véu, a fim de que todo o teu pensamento não estivesse disperso, e o olhar, divagando, não fizesse vagar também o coração». Após o primeiro grau de Catecumenato passa-se ao dos Competentes com todo um período de preparação e que antecedia em algumas semanas à Páscoa. O bispo lhes dirigia uma exortação, seguida da inscrição nos registros da Igreja. Esta se fazia, em Jerusalém, no princípio da Quaresma e num mesmo dia. Recebiam então o nome de fiéis. «Vê que, sendo chamado fiel, tua intenção não seja de um infiel». Findo o que se seguia à preparação imediata para o batismo que compreendia duas partes principais: a) Preparação ascética, que Cirilo descreve na Catequese Preliminar, na primeira e na segunda Catequese. Três obras a caracterizam: o jejum, a penitência e a confissão dos pecados. Jejum – O jejum se estendia, na comunidade jerosolimitana, pelo espaço de 40 dias, inclusive os sábados e domingos , e abarcava também a abstinência de vinho e carnes. Além deste jejum quaresmal existia o jejum pascal, muito mais rigoroso. Penitência – Acentua-se não só a penitência externa, mas também a interna como meio imprescindível para uma digna recepção do batismo. Diz Cirilo: «Prepara teu coração para re-ceberes as doutrinas, para participares dos sagrados mistérios». É o convite à renúncia a todo mau hábito e à purificação dos pecados. «Deixa desde já toda obra má; que tua língua não fale palavras inconvenientes; que teu olhar já não peque mais e que teu espírito não se ocupe com coisas vãs.” Este espírito de penitência é fruto da graça de Deus implorada na oração. Por isso Cirilo insiste que seus ouvintes sejam assíduos à oração: “Reza com insistência a fim de que Deus te faça digno dos celestes e imortais mistérios. Não cesses nem de dia nem de noite”. Quarenta dias, no entanto, é pouco tempo de preparação para os que viveram entregues às vaidades. Daí a necessidade de receber com toda devoção os exorcismos , assistir às catequeses com pureza de intenção. Confissão – S. Cirilo desenvolve de modo todo especial o inciso sobre a confissão dos pecados. No início da primeira Catequese ele exclama: «Vós que estais cobertos com o manto das transgressões e estais ligados com as cadeias dos vossos pecados, escutai a voz profética que diz: Lavai-vos, purificai-vos». Em outra Catequese ele repete: «Quão excelente é confessar-se». A segunda Catequese é praticamente uma grande exortação à confissão apresentada não como mero relato de pecados, mas expressando uma situação existencial e conseqüente vontade de mudar de vida. Os termos que ocorrem para designar a confissão são significativos: (confissão) e (penitência). b) Preparação catequética. Nota-se aqui a diferença da Igreja de Jerusalém das demais Igrejas. Como já dissemos acima, em Jerusalém se emprega toda a Quaresma para explicar o Credo, enquanto nas demais igrejas a exposição do Credo se restringe a duas ou mais apresentações. Cirilo profere 23 catequeses, o que por si só exprime a importância que é dada à catequese na preparação batismal. As dezoito primeiras se dirigem aos que se preparam para o batismo e comentam basicamente o Credo artigo por artigo. As últimas cinco são pronunciadas para os recém-batizados, durante a semana da Páscoa, na capela do Santo Sepulcro. As cinco tratam da doutrina, dos ritos e cerimônias dos sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia. Apresentação geral de sua obra Como já assinalamos Cirilo pronuncia 23 catequeses que podem ser divididas em dois blocos distintos: As 18 primeiras pronunciadas em preparação para o batismo e as 5 últimas aos já batizados. Quase todas foram proferidas na Igreja do Santo Sepulcro e, como observa J. Quasten, «uma nota conservada em diversos manuscritos recorda que elas foram copiadas em estenografia, ou, ainda; que elas representam a transcrição de um de seus ouvintes, e não uma cópia «manu propria» do bispo». Precede às 18 primeiras uma alocução preliminar ou introdução geral, na qual Cirilo prepara os ouvintes para receber, com maior proveito, as instruções pré-batismais. Após uma ardorosa recepção: «Já vos impregna, ó iluminandos, o odor da bem-aventurança», o bispo acentua a necessidade da penitência e purificação dos pecados, da prece e da disciplina pessoal e de uma intenção livre de todo interesse mundano para se aproximar do sacramento de iniciação. O mesmo é repetido nas duas primeiras catequeses, que versam sobre o pecado e a penitência. Na terceira, ele trata do batismo e de seus efeitos. A quarta é um breve compêndio da doutrina sobre a fé. Aí ele expõe as verdades necessárias ao homem para que ele se salve. Em primeiro lugar, alude ao Credo onde se professa o Deus Criador, seu Filho Jesus Cristo e o Espírito Santo. Em seguida, apresenta a doutrina cristã sobre o homem, sua natureza, sua vida moral e seu fim último. Finalmente, discorre sobre o conhecimento de Deus e de nós mesmos, fundado na Sagrada Escritura. Da quinta à décima oitava Catequese Cirilo dá uma explicação detalhada dos artigos do Credo, que se aproxima muito da fórmula do Concílio de Constantinopla (381). Por exemplo, na quinta ele expõe a palavra Credo. Segue-se o primeiro artigo: “Creio em um só Deus” e assim por diante. As Catequeses Mistagógicas (19-23) versam sobre os sacramentos recebidos pelos neófitos na vigília pascal. Doutrina que permanecera até então oculta. Daí o nome de catequeses mistagógicas. Nas duas primeiras, o bispo busca explicar as cerimônias que precederam ao batismo. Na terceira fala da Confirmação; na quarta da Eucaristia e na quinta trata da liturgia da Santa Missa. Autoria das Catequeses A. Piédagnel apresenta, na edição francesa das Catequeses Mistagógicas, uma visão histórica bastante ampla da questão da autoria das catequeses, em geral, e das Mistagógicas, em particular. A questão surgiu no século XVI com Josias Simler que, fundado em um catálogo de manuscritos gregos da cidade de Augsburgo, conclui que a totalidade das catequeses são erroneamente atribuídas a Cirilo. Teriam sido proferidas por João II de Jerusalém, sucessor de Cirilo. Mais tarde, o protestante Thomas Mille refere-se não mais ao catálogo, mas aos títulos encontrados em tal manuscrito e que não indicam a autoria das catequeses «ad illuminandos». As cinco mistagógicas têm, no entanto, a João como autor. Mesmo assim Thomas as atribui a Cirilo. A edição de A. Touttée, beneditino, algum tempo depois, busca provar a autoria de Cirilo para as Mistagógicas. No século XIX as edições de W. K. Reischl e J. Rupp, embora assinalem que o Codex Monacencis 394 por duas vezes citava as mistagógicas como sendo pronunciadas por João II, consideram não ser um argumento válido para negar a autoria de Cirilo face a tantos outros testemunhos em seu favor. Quatro outros manuscritos, o Ottobonianus 86 (s.X-XI), o Ottobonianus 446 (s.XV), o Vaticanus 602 (s. XVI) e o Monacensis 278 (s.XVI), atribuem as mistagógicas ora a Cirilo, ora a João. Por causa de tais manuscritos, Th. Schermann, W. J. J. Swaans, M. Richard, W. Telfer, G. Kretschmar e outros fazem remontar a redação das mistagógicas para o final do IV século, atribuindo-as a João II. Apesar de tais objeções, diversos autores citam outros manuscritos, como por ex. o Bodleianus Roe 25, o Vindobonensis 55 etc., que apresentam as catequeses mistagógicas sem nome do autor, logo após a Catequese Preliminar e as 18 Pré-batismais. Antecede à Catequese Preliminar o nome de Cirilo. Existe também uma tradição literária, embora tardia (séc. VIII-XI), na qual encontram-se citações das Catequeses Mistagógicas com o nome de Cirilo. Ademais, fez-se toda uma análise das diversas catequeses chegando-se a inúmeras provas que falam de um único e mesmo autor, Cirilo. O estudo comparativo entre passagens de textos de cada grupo de catequeses indica uma origem comum. «Touttée, escreve A. Piédagnel, assinalava também o emprego do mesmo método de exposição nas duas séries de catequeses: ele consiste em partir de uma citação da Escritura, em se referir ao longo da Catequese a numerosos textos, do AT em particular, em intercalar aí algumas paráfrases, em terminar por uma exortação de ordem moral e uma doxologia idêntica». Chegou-se assim a um consenso final de que não se encontra na tradição manuscrita um respaldo suficiente para negar a autoria de Cirilo não só em relação à Catequese Preliminar e às 18 Pré-batismais, como também em relação às Catequeses Mistagógicas. Conteúdo doutrinário das Catequeses A doutrina exposta por S. Cirilo nas Catequeses se resume basicamente ao Credo. Eis a profissão de fé da comunidade de Jerusalém: Cremos em um Deus, Pai Todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. E em um Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, gerado do Pai, Deus verdadeiro, antes de todos os séculos, pelo qual foram feitas todas as coisas. Que veio na carne e se fez homem (da Virgem e do Espírito Santo). Foi crucificado e sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia. E subiu aos céus e está sentado à direita do Pai. E virá na glória para julgar os vivos e os mortos, cujo reino não terá fim. E em um Espírito Santo, o Paráclito que falou nos pro-fetas. E em um batismo de penitência para remissão dos pecados. E em uma santa católica Igreja. E na ressurreição da carne. E na vida eterna. O símbolo não se encontra escrito integralmente nas Catequeses. Isso por causa da disciplina do arcano. Cirilo insiste sobre o segredo que os candidatos devem conservar não divulgando o que lhes fora ensinado. «Oferecemo-vos em poucos versículos o dogma inteiro da fé. Quero que o fixeis com as próprias palavras e o repitais convosco mesmos com todo cuidado, não o escrevendo em papel, mas gravando-o na memória de vosso coração». O texto acima apresentado foi restabelecido por Touttée a partir do que se podia colher cá e lá nos títulos e ao longo das Catequeses. Todavia, a reconstrução, embora nos sugira qual seja o Credo de Cirilo, não é autêntica em todas as suas partes. Nas Catequeses 9,4 e 10,3 temos citações de Cirilo e que foram certamente transcritas de modo fiel pelos taquígrafos. Quanto aos títulos não se dá o mesmo. Parecem ser mais apresentações do redator que do próprio Cirilo. O redator procura resumir em poucas palavras o assunto a ser tratado nas Catequeses. Apesar destas dificuldades o texto exprime substancialmente o símbolo de Cirilo. As Catequeses falam da fé e de suas fontes: a Sagrada Escritura e a Tradição, unidade e trindade de Deus, divindade e consubstancialidade das três Pessoas, mistério da Redenção, anjos, origem divina do homem, espiritualidade e imortalidade da alma, livre arbítrio, pecado, novíssimos, Igreja, sacramentos. Sobre o Cristo Cirilo rejeita o arianismo e apresenta sua posição que concorda com a fé de Nicéia. Cristo é verdadeiramente Deus. Ele é um com o Pai. «São um pela dignidade da divindade (…) Um são eles, porque não há entre eles discórdia ou separação, pois não são umas as obras criadas por Cristo, outras as criadas pelo Pai». O Espírito Santo é professado como uma personalidade distinta do Pai e do Filho, gozando igualmente da mesma divindade. Ele proclama sua fé trinitária: «Indivisa a fé, inseparável a piedade. Não fazemos separação na Santíssima Trin-dade, como alguns; nem confusão, como Sabélio». Estes temas não são tratados de modo igual, pois o objetivo de Cirilo é explicar o Símbolo e não apresentar um tratado sobre cada um dos temas. As Catequeses Mistagógicas, no entanto, falarão extensamente do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia. Cirilo apresenta uma visão geral do batismo, explicitando o significado da unção e da imersão, e aponta seus efeitos, eficácia, necessidade, autor, sujeito e ministro. Pelo batismo o cristão participa da vida mesma de Cristo. Cristo assumiu toda a realidade humana para que pudéssemos participar da salvação. «Batizados em Cristo e dele revestidos vos tornastes conformes ao Filho de Deus». Esta semelhança ao Filho é significada especificamente na Crisma, quando, «ungidos com o óleo, fostes feitos participes e companheiros de Cristo». Este processo de assemelhação ao Filho se realiza no e pelo próprio Filho, que se torna alimento espiritual. «Em forma de pão te é dado o corpo, e em forma de vinho o sangue, para que te tornes, tomando o corpo e o sangue de Cristo, concorpóreo e consangüíneo com Cristo». Ele é bastante explícito ao declarar que o pão e o vinho não são simples elementos, mas «são, conforme a afirmação do Mestre, corpo e sangue». 30 A coroa ou o «edifício espiritual» de toda instrução é a celebração eucarística, que o bispo de Jerusalém descreve minuciosamente interpretando a liturgia eucarística em seu desenrolar. Vê-se pois a importância e o sentido das Catequeses de S. Cirilo não só para a Catequese e para a Liturgia, como também para a Teologia, que tem nelas o testemunho da Tradição cristã sobre as principais verdades de fé. Método e estilo Em suas obras, Cirilo não nos deixa perceber que tenha observado um método com regras precisas. Com isso não se quer dizer que não haja certa ordem ao longo da exposição. Por vezes ele começa apresentando o erro dos hereges e mostra o ponto fraco da doutrina deles, para então expor a verdadeira doutrina e os argumentos que a apóiam. Outras vezes segue exatamente o caminho oposto. E quando a doutrina é puramente moral, como na Catequese Preliminar; ele não observa nenhuma ordem. Ele apresenta suas considerações assim como elas lhe vêem à mente. Penitência, aversão ao pecado, oração, leitura da Bíblia, rejeição da heresia, distanciamento de espectáculos e jogos maus ou perigosos, são recomendações que voltam sempre que é possível. Quanto ao estilo, ele é bastante popular e simples. Diante de um auditório, que era de iniciantes na fé, sua linguagem assume uma feição muito familiar. É em tom de conversação que ele desenvolve as instruções. Muitas vezes ele deixa o tratamento «vós», que é empregado quando ele se dirige aos seus ouvintes de modo geral, e fala em «tu» como se estivesse se dirigindo pessoalmente a alguém. Refletem as Catequeses comunicação e clareza de linguagem. Algumas vezes porém ele deixa perceber uma eloqüência muito viva. Lemos na sexta Catequese: «Lembrai-vos do que foi dito: Que consórcio há entre a justiça e a iniqüidade? Que comunidade entre a luz e as trevas? (…) Aqui há ordem, aqui há disciplina, aqui há seriedade, aqui há castidade, aqui é considerado pecado olhar alguma mulher com olhos concupiscentes. Aqui o matrimônio é mantido em santidade (…). Associa-te às ovelhas. Foge dos lobos. Não te afastes da Igreja…». Extratos pelo Apostolado Veritatis Splendor segundo a obra CATEQUESES MISTAGÓGICAS, S. Cirilo de Jerusalém. Coordenador: Frei Alberto Beckhäuser, O.F.M. Tradução de Frei Frederico Vier, O.F.M. Introdução e notas de Frei Fernando Figueiredo, O.F.M. Petrópolis, Editora Vozes Ltda. 1977. #SantodoDia

  • São Cirilo de Jerusalém – 18 de Março

    SANTO DO DIA – 18 DE MARÇO – SÃO CIRILO DE JERUSALÉM Bispo e doutor da Igreja (315-386) Desde o início dos tempos cristãos a heresia se infiltrara na Igreja, mas, foi no século IV, que ocorreram as do arianismo e do nestorianismo causando profundas divisões. Cirilo viveu nesse período em Jerusalém, perto de onde nascera em 315, de pais cristãos e bem situados financeiramente. Muito preparado, desde a infância, nas Sagradas Escrituras e nas matérias humanísticas, em 345 foi ordenado sacerdote. Em 348, foi consagrado, bispo de Jerusalém. Ocupou o cargo durante aproximadamente trinta e cinco anos, dezesseis dos quais passou no exílio, em três ocasiões diferentes. A primeira porque o bispo Acácio, de grande influência na Igreja, cuja obra foi citada por São Jerônimo, acusou Cirilo de heresia. A segunda por ordem do imperador Constâncio que entendeu ser Cirilo realmente um simpatizante dos hereges, mas em sua defesa atuaram os bispos, Atanásio e Hilário, ambos Padres da Igreja assim como o próprio bispo Cirilo o é. A terceira, foi a mais longa, porque o imperador Valente, este sim herege, decidiu mandar de volta ao exílio todos os bispos anistiados, fato que fez Cirilo peregrinar durante onze anos, por várias cidades da Ásia, até a morte do soberano, em 378. O seu trabalho, entretanto resistiu a tudo e chegou até nossos dias e especialmente porque ele sabia ensinar o Evangelho, como poucos. Em sua cidade, logo que se tornou sacerdote e no início do episcopado era o responsável por preparar os catecúmenos, isto é, os adultos que se convertiam e iriam ser batizados. Foi nesse período que escreveu dezoito discursos catequéticos, um sermão, a carta ao imperador Constantino e outros pequenos fragmentos. Treze escritos eram dedicados à exposição geral da doutrina e cinco dedicados ao comentário dos ritos Sacramentais da iniciação cristã. Assim, seus escritos explicam detalhadamente os ‘como’ e os ‘porquês’ de cada oração, do batismo, da crisma, da penitência, dos sacramentos e dos mistérios do Cristianismo, ditos dogmas da Igreja. Cirilo também soube viver a religião na prática. Numa época de grande carestia, por exemplo, não hesitou em vender valiosos vasos litúrgicos e outras preciosidades eclesiásticas, para matar a fome dos pobres da cidade. Ele morreu no ano 386. Desde o início de sua vida religiosa, Cirilo cujo caráter era afável e suave, sempre preferiu a catequese aos assuntos polêmicos, chegando quase a se comprometer com os arianos e semi-arianos. Porém, de maneira contundente aderiu à doutrina ortodoxa da Igreja no III Concílio ecumênico de Constantinopla, em 382, no qual ficou clara sua sempre fiél postura à Santa Sé e à Verdade de Cristo. Nessa oportunidade teve em seu favor a eloquência das vozes dos sinceros bispos e amigos, Atanásio e Hilário, que o chamaram ‘valente lutador para defender a Igreja dos hereges que negam as verdades de nossa religião’. Sua canonização demorou porque, durante muito tempo, seu pensamento teológico foi considerado vacilante, como dizem os registros. Em 1882, o Papa Leão XIII, na solenidade em que instituiu sua veneração, honrou São Cirilo de Jerusalém com os títulos de doutor da Igreja e príncipe dos catequistas católicos. Conheça mais sobre São Cirilo de Jerusalém Nossa atenção se concentra hoje em São Cirilo de Jerusalém. Sua vida representa o cruzamento de duas dimensões: por um lado, a atenção pastoral, e por outro, a participação, apesar dele, das acesas controvérsias que turbaram então a Igreja do Oriente. Nascido em torno do ano 315, em Jerusalém ou perto dela, Cirilo recebeu uma ótima formação literária, que se converteu no fundamento de sua cultura eclesiástica, centrada no estudo da Bíblia. Ordenado presbítero pelo bispo Máximo, quando este morreu ou foi deposto, no ano 348, foi ordenado bispo por Acácio, influente metropolitano de Cesaréia da Palestina, filo-ariano, convencido de que era seu aliado. Por este motivo, deu-se a suspeita de que havia alcançado a nomeação episcopal após ter feito concessões ao arianismo. Na realidade, rapidamente, Cirilo enfrentou Acácio não só no campo doutrinal, mas também no da jurisdição, pois Cirilo reivindicava a autonomia de sua própria sede com relação à do metropolitano de Cesaréia. Em cerca de vinte anos, Cirilo experimentou três exílios: o primeiro, no ano 357, após ter sido deposto por um Sínodo de Jerusalém; no ano 360, um segundo exílio provocado por Acácio e, por último, um terceiro, mais longo — durou onze anos –, no ano 367, por iniciativa do imperador filo-ariano Valente. Só em 378, depois da morte do imperador, Cirilo pôde voltar a tomar definitivamente posse de sua sede, restabelecendo entre os fiéis a unidade e a paz. A favor de sua ortodoxia, posta em dúvida por algumas fontes da época, advogam outras fontes da mesma antiguidade. Entre elas, a mais autorizada é a carta sinodal do ano 382, depois do segundo Concilio ecumênico de Constantinopla (381), no qual Cirilo havia participado com um papel destacado. Nessa carta, enviada ao pontífice romano, os bispos orientais reconhecem oficialmente a mais absoluta ortodoxia de Cirilo, a legitimidade de sua ordenação episcopal e os méritos de seu serviço pastoral, ao qual a morte pôs ponto final no ano de 387. Dele conservamos 24 famosas catequeses, que pronunciou como bispo por volta do ano 350. Introduzidas por uma «Procatequese» de acolhida, as primeiras 18 estão dirigidas aos catecúmenos ou «iluminados» («photizomenoi»). Foram pronunciadas na basílica do Santo Sepulcro. As primeiras (1-5) falam respectivamente das disposições prévias ao Batismo, da conversão dos costumes pagãos, do sacramento do Batismo, das dez verdades dogmáticas contidas no Credo ou Símbolo da fé. As sucessivas (6-18) constituem uma «catequese contínua» sobre o Símbolo de Jerusalém, em chave antiariana. Entre as últimas cinco (19-23), chamadas «mistagógicas», as duas primeiras desenvolveram um comentário aos ritos do Batismo, as últimas três falam do crisma, do Corpo e do Sangue de Cristo e da liturgia eucarística. Incluem a explicação do Pai Nosso («Oratio dominica»), que apresenta um caminho de iniciação à oração, que se desenvolve paralelamente à iniciação aos três sacramentos, o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia. O fundamento da educação na fé cristã se desenvolvia, em parte, em chave polêmica contra os pagãos, judeu-cristãos e adeptos do maniqueísmo. A argumentação se fundamentava na aplicação das promessas do Antigo Testamento, com uma linguagem cheia de imagens. A catequese era um momento importante, marcado no amplo contexto de toda a vida, em particular a litúrgica, da comunidade cristã, em cujo seio materno acontecia a gestação do futuro fiel, acompanhada pela oração e pelo testemunho dos irmãos. Em seu conjunto, as homilias de Cirilo constituem uma catequese sistemática sobre o renascimento através do Batismo. Ao catecúmeno, ele diz: «Caíste nas redes da Igreja (cf. Mateus 13, 47): com vida serás colhido; não fujas; é Jesus quem te jogou a isca, e não para destinar-te a morte, mas para, entregando-te a ela, recobrar-te vivo: pois é necessário que tu morras e ressuscites (cf. Romanos 6, 11.14)… Morre aos pecados e vive para a justiça; fá-lo desde hoje» («Procatequese» 5). Desde o ponto de vista doutrinal, Cirilo comenta o Símbolo de Jerusalém recorrendo à «tipologia» das Escrituras, em relação «sinfônica» entre os dois Testamentos, até chegar a Cristo, centro do universo. A tipologia será eficazmente descrita por Agostinho de Hipona: «O Novo Testamento está escondido no Antigo, enquanto o Antigo se torna manifesto no Novo» («De catechizandis rudibus» 4, 8). A catequese moral está ancorada com uma profunda unidade na catequese doutrinal: faz que o dogma descenda progressivamente nas almas, que deste modo são alentadas a transformar os comportamentos pagãos na nova vida em Cristo, dom do Batismo. Por último, a catequese mistagógica constituía a reunião da educação que Cirilo ministrava aos que já não eram catecúmenos, mas neobatizados ou neófitos durante a semana da Páscoa. Levava-os a descobrir, nos ritos batismais da Vigília pascal, os mistérios contidos neles e que ainda não lhes haviam sido desvelados. Iluminados por uma fé mais profunda graças ao Batismo, os neófitos eram capazes finalmente de compreendê-los melhor, ao ter celebrado os ritos. Este texto explica o mistério do Batismo: «Fostes submersos três vezes na água, levantando-vos também três vezes. Também nisso significastes em imagem e simbolicamente a sepultura de Cristo por três dias. Pois, assim como nosso Salvador passou três dias e três noites no seio da terra (cf. Mateus 12, 40), também vós imitastes o primeiro dia que Cristo passou no sepulcro ao levantar-vos da água pela primeira vez e, com a imersão, a primeira noite, pois do mesmo modo que o que está na noite já não vê, e o que se move no dia caminha na luz, vós, ao submergir-vos, como na noite, deixastes de ver, mas, ao sair, fostes postos como no dia. No mesmo momento haveis morrido e haveis nascido, e aquela água chegou a ser para vós sepulcro e mãe… Para vós.. o tempo de morrer coincidiu com o tempo de nascer. E um tempo único conseguiu ambas coisas, pois com vossa morte coincidiu vosso nascimento» («Segunda Catequese Mistagógica», 4). O mistério que é preciso assimilar é o plano de Deus, que se realiza através das ações salvíficas de Cristo na Igreja. Por sua vez, a dimensão mistagógica está acompanhada pela dos símbolos que expressam a vivência espiritual que fazem «explodir». Deste modo, a catequese de Cirilo, em virtude dos três elementos descritos — doutrinal, moral e, por último, mistagógico — converte-se em uma catequese global no espírito. A dimensão mistagógica se converte em síntese das duas primeiras, orientando-as à celebração sacramental, na qual se realiza a salvação de todo o homem. Trata-se, em definitivo, de uma catequese integral que implica o corpo, a alma e o espírito e continua sendo emblemática para a formação catequética dos cristãos de hoje. Catequeses Mistagógicas de S. Cirilo de Jerusalém Prefácio A obra catequética de S. Cirilo de Jerusalém compõe-se de 2 Catequeses. No presente volume apresentamos as Catequeses Mistagógicas. Deixamos para um próximo volume a Catequese Preli-minar e as 18 Catequeses Pré-batismais. Publicamos em primeiro lugar as Catequeses Mistagógicas não só pela importância das mesmas, mas por constituírem uma unidade de doutrina que nos abre as portas para uma melhor compreensão e aproveitamento das demais Catequeses. As Catequeses de S. Cirilo são consideradas como sendo a coleção catequética, após a de Agostinho, a mais completa que a Antigüidade nos legou. Através delas podemos apreciar o con-teúdo de tudo quanto constituía a educação religiosa ministrada aos que se convertiam ao Cristianismo. O Credo, detalhadamente comentado, é tido como uma jóia preciosa do tesouro teológico da Igreja Primitiva. Nas Catequeses Pré-batismais o Credo, muito semelhante ao Credo Niceno-constantinopolitano, nos é transmitido com comentários e interpretações próprias da época. Nas Catequeses Mistagógicas é o culto cristão: Batismo, Confirmação, Celebração Eucarística, com o respectivo rito, que é explicado. Pelas Catequeses temos acesso ao anúncio da fé da Igreja Primitiva e às manifestações culturais desta fé. A tradução de toda a obra catequética foi feita por fr. Frederico Vier, O.F.M. Durante os últimos anos de sua vida, ele consagrou as horas que lhe sobravam do cansativo trabalho de Revisor e Vice-Diretor da Editora Vozes a este trabalho de tradução das Catequeses de S. Cirilo. É a ele que dedicamos esta obra como expressão de uma vida de dedicação incansável e de perseverança inexaurível. Era com amor que o víamos horas a fio tentando descobrir a melhor expressão, o termo mais apropriado para designar o pensamento do bispo de Jerusalém. A experiência de anos na revisão de textos e manuscritos o tornou sensível às sutilezas da língua e solidificou seu desejo de fidelidade ao autor. Infelizmente, a morte o colheu antes que tivesse concluído a obra. Coube-nos, com a colaboração de fr. Salésio Hillesheim, O.F.M., concluí-la. Petrópolis, 21 de agosto de 1976. Frei Fernando A. Figueiredo, O.F.M. Introdução Dados biográficos No ano 348 tornou-se Cirilo bispo da cidade de Jerusalém, onde provavelmente nasceu por volta do ano 315. Fora em 345 ordenado sacerdote por Máximo II, a quem sucederia após sua morte ou deposição levada a efeito pelos eusebianos. Muito depressa Acácio, metropolita da Província e um dos chefes dos eusebianos, investe contra Cirilo, defensor da fé de Nicéia. Seguem-se acusações mútuas acerca da fé de cada um. Cirilo é exilado por três vezes em uma situação parecida à de S. João Crisóstomo com Teófilo de Alexandria. Em 358/9 o concílio de Seleucia o restabelece em sua sé episcopal. No ano seguinte será desterrado por ordem do Imperador Constâncio, movido por Acácio e seguidores. Ele permanece no desterro até 362, quando é favorecido pela anistia geral proclamada por Juliano. Porém, em 367, apesar da morte de Acácio, ele volta ao exílio até que, em 378, Graciano decreta a suspensão do desterro para todos os bispos católicos. Em 381 encontramo-lo entre os padres conciliares do primeiro Concílio de Constantinopla. A liturgia ocidental e oriental comemora no dia 18 de março a sua morte, que deve ter-se dado no ano de 387. É necessário distinguir em Cirilo o teólogo e a testemunha da fé e da Tradição cristã, de modo geral, e da Igreja de Jerusalém, em particular. Como teólogo ele não apresenta a profundidade doutrinal dos Padres da segunda metade do século IV, defensores da ortodoxia, como S. Atanásio e S. Hilário ou teólogos como Basílio e os demais Padres Capadócios que marcarão o pensamento teológico, influenciando as gerações futuras. Mas é uma valiosa testemunha da Tradição antiga e eco da fé católica professada em Nicéia e, mais tarde, no primeiro Concílio de Constantinopla. Caracterização da época Uma rápida visão da época em que viveu Cirilo ajudar-nos-á a melhor apreender o motivo que subjaz a muitos ditos seus ao longo de suas obras. No século II a Igreja se vê diante de correntes religiosas que se esforçam para exercer uma espécie de sedução sobre os homens de seu tempo: a gnose e as religiões de Mistério. O gnosticismo continuará presente nos séculos posteriores sob formas diversas, sendo combatido por Justino, Santo Ireneu, Tertuliano e o autor dos Philosophumena. Localizar-se-á, sobretudo, no Egito e na Síria. A gnose fala de uma centelha divina no homem, o qual, provindo do reino divino, caiu neste mundo. Aqui o homem se encontra submisso ao destino, ao nascimento, à morte e tem necessidade de ser despertado por seu arquétipo celeste ao qual ele finalmente se reunirá. Esta libertação se dá pelo conhecimento (gnose), que consiste essencialmente em conhecer-se, melhor, se reduz à necessidade de reconhecer o elemento divino que constitui o verdadeiro «eu». Liberta-se assim de todos os «poderes» que o retêm no «profano» e no erro. Ao mesmo tempo que tais correntes angariavam adeptos, no interior da Igreja se assistia ao surgimento de doutrinas anti-trinitárias. Incapazes de admitir a diversidade de Pessoas na uni-dade de uma e mesma Natureza divina, negavam alguns a divindade do Cristo reduzindo-o a um simples homem dotado de extraordinários poderes e virtudes (dinamistas), ou explicavam sua personalidade como mera modalidade da de Deus Pai (modalistas, patripassianos). Em relação ao Filho, temos Noeto e Práxeas; em relação ao Espírito Santo, temos Sabélio. Daí à doutrina sustentada por Ario, sacerdote da Igreja de Alexandria, seria um passo. Logo após a vitória sobre Licínio, Constantino, único imperador, escreve a Alexandre, bispo de Alexandria, para que ele se ponha de acordo com Ario. Alexandre se escandalizara com as posições cristológicas de seu sacerdote Ario, que, de mil maneiras, mesmo através de cânticos populares, ensinava que o Cristo não é verdadeiramente Deus. Em uma carta a Eusébio de Nicomedia, Ario expõe sua posição: «Ele (o Cristo) começou a existir por um ato de vontade. Antes de ser gerado Ele não era». Tal discussão culminará com o primeiro Concílio Ecumênico de Nicéia, em 325, onde se proclamará, contra o arianismo, a divindade do Filho e sua consubstancialidade (homo-ousía) com o Pai.A luta ariana (318-381) coincide com a vida de S. Cirilo e caracteriza este período. Concílios e sínodos, fórmulas e mais fórmulas de fé, mútuas condenações constituem a tecedura desta luta. Para aumentar a confusão dos fiéis, surgiram, dentro das correntes heterodoxas, outras com matizes diversos, uma mais extremada, a dos anomeus, outra mais mitigada; a dos semi-arianos ou homoioúsios. A muitos faltavam serenidade e magnanimidade, deixando-se envolver em intrigas e mesmo fraudes e violências. Em meio a tal situação se destacam a ousadia e a sobriedade, a profundidade e a mente esclarecida de um Basílio Magno, Gregório Nazianzeno, Gregório de Nissa, Cirilo de Alexandria e outros. S. Cirilo em suas catequeses alerta os fiéis não só contra as afirmações anticristãs provindas do meio gentílico ou judaico, mas também contra as asserções heréticas. Enumera os vícios dos deuses adorados pelos pagãos, assim como de seus adoradores. Busca no A.T. anúncios e prefigurações do N.T., em oposição aos judeus, e mostra a unidade de ambos os Testamentos, o que era rejeitado pelos gnósticos. Levanta-se contra os hereges, cujas obras ele diz ter lido: «Estas coisas, fala Cirilo, estão nos livros dos maniqueus, eu as li, porque não cria nos que me falavam delas; e as examinei cuidadosamente para segurança vossa e ruína dos outros». Muito se escreveu sobre o fato de Cirilo jamais empregar o termo homooúsios: consubstancial. Todavia, a simples leitura de suas catequeses nos mostra um Cirilo preocupado em ser o mais simples possível, evitando sempre que possível o emprego de termos teológicos. Ele tem diante de si pessoas pouco versadas em doutrina cristã, às quais deseja transmitir de modo acessível e com proveito suas instruções. Daí o fato de ele expor a doutrina em uma terminologia fundamentalmente bíblica. Ademais, o termo homooúsios foi compreendido por alguns em um sentido sabeliano, que Cirilo tantas vezes combate. Particularidades da Igreja de Jerusalém Através das próprias catequeses de S. Cirilo podemos ter uma idéia da Igreja de Jerusalém. O costume da catequese era cuidadosamente observado em Jerusalém. Se em outras Igrejas a exposição do Credo se resumia a duas, três ou mais apresentações, em Jerusalém se lhe dedicava todo o tempo da Quaresma. Compreende-se o motivo pelo qual o conjunto das catequeses nos oferece todo um sistema doutrinário. Na Catequese Preliminar ele nos faz ver a importância conferida a esta ação catequética: «Aprende o que ouves e guarda-o para sempre. Não creias serem estas homilias habituais. Também elas são boas e dignas de fé». Cirilo pronuncia as catequeses na Igreja da Ressurreição e na Capela do Santo Sepulcro. Para que alguém fosse admitido ao catecumenato exigia-se, segundo menciona Eusébio, a imposição das mãos e a oração. O primeiro Concílio de Constantinopla (381) nos fala dos exorcismos e da insuflação, feitos em três dias consecutivos. No primeiro dia, diz o Concílio, fazemo-los cristãos; no segundo catecúmenos; no terceiro os exorcizamos, soprando por três vezes o rosto e os ouvidos e assim os catequizamos. 4 São Cirilo se refere expressamente aos exorcismos 5, os quais são recebidos com a face coberta com um véu: «O teu rosto foi coberto com um véu, a fim de que todo o teu pensamento não estivesse disperso, e o olhar, divagando, não fizesse vagar também o coração». Após o primeiro grau de Catecumenato passa-se ao dos Competentes com todo um período de preparação e que antecedia em algumas semanas à Páscoa. O bispo lhes dirigia uma exortação, seguida da inscrição nos registros da Igreja. Esta se fazia, em Jerusalém, no princípio da Quaresma e num mesmo dia. Recebiam então o nome de fiéis. «Vê que, sendo chamado fiel, tua intenção não seja de um infiel». Findo o que se seguia à preparação imediata para o batismo que compreendia duas partes principais: a) Preparação ascética, que Cirilo descreve na Catequese Preliminar, na primeira e na segunda Catequese. Três obras a caracterizam: o jejum, a penitência e a confissão dos pecados. Jejum – O jejum se estendia, na comunidade jerosolimitana, pelo espaço de 40 dias, inclusive os sábados e domingos , e abarcava também a abstinência de vinho e carnes. Além deste jejum quaresmal existia o jejum pascal, muito mais rigoroso. Penitência – Acentua-se não só a penitência externa, mas também a interna como meio imprescindível para uma digna recepção do batismo. Diz Cirilo: «Prepara teu coração para re-ceberes as doutrinas, para participares dos sagrados mistérios». É o convite à renúncia a todo mau hábito e à purificação dos pecados. «Deixa desde já toda obra má; que tua língua não fale palavras inconvenientes; que teu olhar já não peque mais e que teu espírito não se ocupe com coisas vãs.” Este espírito de penitência é fruto da graça de Deus implorada na oração. Por isso Cirilo insiste que seus ouvintes sejam assíduos à oração: “Reza com insistência a fim de que Deus te faça digno dos celestes e imortais mistérios. Não cesses nem de dia nem de noite”. Quarenta dias, no entanto, é pouco tempo de preparação para os que viveram entregues às vaidades. Daí a necessidade de receber com toda devoção os exorcismos , assistir às catequeses com pureza de intenção. Confissão – S. Cirilo desenvolve de modo todo especial o inciso sobre a confissão dos pecados. No início da primeira Catequese ele exclama: «Vós que estais cobertos com o manto das transgressões e estais ligados com as cadeias dos vossos pecados, escutai a voz profética que diz: Lavai-vos, purificai-vos». Em outra Catequese ele repete: «Quão excelente é confessar-se». A segunda Catequese é praticamente uma grande exortação à confissão apresentada não como mero relato de pecados, mas expressando uma situação existencial e conseqüente vontade de mudar de vida. Os termos que ocorrem para designar a confissão são significativos: (confissão) e (penitência). b) Preparação catequética. Nota-se aqui a diferença da Igreja de Jerusalém das demais Igrejas. Como já dissemos acima, em Jerusalém se emprega toda a Quaresma para explicar o Credo, enquanto nas demais igrejas a exposição do Credo se restringe a duas ou mais apresentações. Cirilo profere 23 catequeses, o que por si só exprime a importância que é dada à catequese na preparação batismal. As dezoito primeiras se dirigem aos que se preparam para o batismo e comentam basicamente o Credo artigo por artigo. As últimas cinco são pronunciadas para os recém-batizados, durante a semana da Páscoa, na capela do Santo Sepulcro. As cinco tratam da doutrina, dos ritos e cerimônias dos sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia. Apresentação geral de sua obra Como já assinalamos Cirilo pronuncia 23 catequeses que podem ser divididas em dois blocos distintos: As 18 primeiras pronunciadas em preparação para o batismo e as 5 últimas aos já batizados. Quase todas foram proferidas na Igreja do Santo Sepulcro e, como observa J. Quasten, «uma nota conservada em diversos manuscritos recorda que elas foram copiadas em estenografia, ou, ainda; que elas representam a transcrição de um de seus ouvintes, e não uma cópia «manu propria» do bispo». Precede às 18 primeiras uma alocução preliminar ou introdução geral, na qual Cirilo prepara os ouvintes para receber, com maior proveito, as instruções pré-batismais. Após uma ardorosa recepção: «Já vos impregna, ó iluminandos, o odor da bem-aventurança», o bispo acentua a necessidade da penitência e purificação dos pecados, da prece e da disciplina pessoal e de uma intenção livre de todo interesse mundano para se aproximar do sacramento de iniciação. O mesmo é repetido nas duas primeiras catequeses, que versam sobre o pecado e a penitência. Na terceira, ele trata do batismo e de seus efeitos. A quarta é um breve compêndio da doutrina sobre a fé. Aí ele expõe as verdades necessárias ao homem para que ele se salve. Em primeiro lugar, alude ao Credo onde se professa o Deus Criador, seu Filho Jesus Cristo e o Espírito Santo. Em seguida, apresenta a doutrina cristã sobre o homem, sua natureza, sua vida moral e seu fim último. Finalmente, discorre sobre o conhecimento de Deus e de nós mesmos, fundado na Sagrada Escritura. Da quinta à décima oitava Catequese Cirilo dá uma explicação detalhada dos artigos do Credo, que se aproxima muito da fórmula do Concílio de Constantinopla (381). Por exemplo, na quinta ele expõe a palavra Credo. Segue-se o primeiro artigo: “Creio em um só Deus” e assim por diante. As Catequeses Mistagógicas (19-23) versam sobre os sacramentos recebidos pelos neófitos na vigília pascal. Doutrina que permanecera até então oculta. Daí o nome de catequeses mistagógicas. Nas duas primeiras, o bispo busca explicar as cerimônias que precederam ao batismo. Na terceira fala da Confirmação; na quarta da Eucaristia e na quinta trata da liturgia da Santa Missa. Autoria das Catequeses A. Piédagnel apresenta, na edição francesa das Catequeses Mistagógicas, uma visão histórica bastante ampla da questão da autoria das catequeses, em geral, e das Mistagógicas, em particular. A questão surgiu no século XVI com Josias Simler que, fundado em um catálogo de manuscritos gregos da cidade de Augsburgo, conclui que a totalidade das catequeses são erroneamente atribuídas a Cirilo. Teriam sido proferidas por João II de Jerusalém, sucessor de Cirilo. Mais tarde, o protestante Thomas Mille refere-se não mais ao catálogo, mas aos títulos encontrados em tal manuscrito e que não indicam a autoria das catequeses «ad illuminandos». As cinco mistagógicas têm, no entanto, a João como autor. Mesmo assim Thomas as atribui a Cirilo. A edição de A. Touttée, beneditino, algum tempo depois, busca provar a autoria de Cirilo para as Mistagógicas. No século XIX as edições de W. K. Reischl e J. Rupp, embora assinalem que o Codex Monacencis 394 por duas vezes citava as mistagógicas como sendo pronunciadas por João II, consideram não ser um argumento válido para negar a autoria de Cirilo face a tantos outros testemunhos em seu favor. Quatro outros manuscritos, o Ottobonianus 86 (s.X-XI), o Ottobonianus 446 (s.XV), o Vaticanus 602 (s. XVI) e o Monacensis 278 (s.XVI), atribuem as mistagógicas ora a Cirilo, ora a João. Por causa de tais manuscritos, Th. Schermann, W. J. J. Swaans, M. Richard, W. Telfer, G. Kretschmar e outros fazem remontar a redação das mistagógicas para o final do IV século, atribuindo-as a João II. Apesar de tais objeções, diversos autores citam outros manuscritos, como por ex. o Bodleianus Roe 25, o Vindobonensis 55 etc., que apresentam as catequeses mistagógicas sem nome do autor, logo após a Catequese Preliminar e as 18 Pré-batismais. Antecede à Catequese Preliminar o nome de Cirilo. Existe também uma tradição literária, embora tardia (séc. VIII-XI), na qual encontram-se citações das Catequeses Mistagógicas com o nome de Cirilo. Ademais, fez-se toda uma análise das diversas catequeses chegando-se a inúmeras provas que falam de um único e mesmo autor, Cirilo. O estudo comparativo entre passagens de textos de cada grupo de catequeses indica uma origem comum. «Touttée, escreve A. Piédagnel, assinalava também o emprego do mesmo método de exposição nas duas séries de catequeses: ele consiste em partir de uma citação da Escritura, em se referir ao longo da Catequese a numerosos textos, do AT em particular, em intercalar aí algumas paráfrases, em terminar por uma exortação de ordem moral e uma doxologia idêntica». Chegou-se assim a um consenso final de que não se encontra na tradição manuscrita um respaldo suficiente para negar a autoria de Cirilo não só em relação à Catequese Preliminar e às 18 Pré-batismais, como também em relação às Catequeses Mistagógicas. Conteúdo doutrinário das Catequeses A doutrina exposta por S. Cirilo nas Catequeses se resume basicamente ao Credo. Eis a profissão de fé da comunidade de Jerusalém: Cremos em um Deus, Pai Todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. E em um Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, gerado do Pai, Deus verdadeiro, antes de todos os séculos, pelo qual foram feitas todas as coisas. Que veio na carne e se fez homem (da Virgem e do Espírito Santo). Foi crucificado e sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia. E subiu aos céus e está sentado à direita do Pai. E virá na glória para julgar os vivos e os mortos, cujo reino não terá fim. E em um Espírito Santo, o Paráclito que falou nos pro-fetas. E em um batismo de penitência para remissão dos pecados. E em uma santa católica Igreja. E na ressurreição da carne. E na vida eterna. O símbolo não se encontra escrito integralmente nas Catequeses. Isso por causa da disciplina do arcano. Cirilo insiste sobre o segredo que os candidatos devem conservar não divulgando o que lhes fora ensinado. «Oferecemo-vos em poucos versículos o dogma inteiro da fé. Quero que o fixeis com as próprias palavras e o repitais convosco mesmos com todo cuidado, não o escrevendo em papel, mas gravando-o na memória de vosso coração». O texto acima apresentado foi restabelecido por Touttée a partir do que se podia colher cá e lá nos títulos e ao longo das Catequeses. Todavia, a reconstrução, embora nos sugira qual seja o Credo de Cirilo, não é autêntica em todas as suas partes. Nas Catequeses 9,4 e 10,3 temos citações de Cirilo e que foram certamente transcritas de modo fiel pelos taquígrafos. Quanto aos títulos não se dá o mesmo. Parecem ser mais apresentações do redator que do próprio Cirilo. O redator procura resumir em poucas palavras o assunto a ser tratado nas Catequeses. Apesar destas dificuldades o texto exprime substancialmente o símbolo de Cirilo. As Catequeses falam da fé e de suas fontes: a Sagrada Escritura e a Tradição, unidade e trindade de Deus, divindade e consubstancialidade das três Pessoas, mistério da Redenção, anjos, origem divina do homem, espiritualidade e imortalidade da alma, livre arbítrio, pecado, novíssimos, Igreja, sacramentos. Sobre o Cristo Cirilo rejeita o arianismo e apresenta sua posição que concorda com a fé de Nicéia. Cristo é verdadeiramente Deus. Ele é um com o Pai. «São um pela dignidade da divindade (…) Um são eles, porque não há entre eles discórdia ou separação, pois não são umas as obras criadas por Cristo, outras as criadas pelo Pai». O Espírito Santo é professado como uma personalidade distinta do Pai e do Filho, gozando igualmente da mesma divindade. Ele proclama sua fé trinitária: «Indivisa a fé, inseparável a piedade. Não fazemos separação na Santíssima Trin-dade, como alguns; nem confusão, como Sabélio». Estes temas não são tratados de modo igual, pois o objetivo de Cirilo é explicar o Símbolo e não apresentar um tratado sobre cada um dos temas. As Catequeses Mistagógicas, no entanto, falarão extensamente do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia. Cirilo apresenta uma visão geral do batismo, explicitando o significado da unção e da imersão, e aponta seus efeitos, eficácia, necessidade, autor, sujeito e ministro. Pelo batismo o cristão participa da vida mesma de Cristo. Cristo assumiu toda a realidade humana para que pudéssemos participar da salvação. «Batizados em Cristo e dele revestidos vos tornastes conformes ao Filho de Deus». Esta semelhança ao Filho é significada especificamente na Crisma, quando, «ungidos com o óleo, fostes feitos participes e companheiros de Cristo». Este processo de assemelhação ao Filho se realiza no e pelo próprio Filho, que se torna alimento espiritual. «Em forma de pão te é dado o corpo, e em forma de vinho o sangue, para que te tornes, tomando o corpo e o sangue de Cristo, concorpóreo e consangüíneo com Cristo». Ele é bastante explícito ao declarar que o pão e o vinho não são simples elementos, mas «são, conforme a afirmação do Mestre, corpo e sangue». 30 A coroa ou o «edifício espiritual» de toda instrução é a celebração eucarística, que o bispo de Jerusalém descreve minuciosamente interpretando a liturgia eucarística em seu desenrolar. Vê-se pois a importância e o sentido das Catequeses de S. Cirilo não só para a Catequese e para a Liturgia, como também para a Teologia, que tem nelas o testemunho da Tradição cristã sobre as principais verdades de fé. Método e estilo Em suas obras, Cirilo não nos deixa perceber que tenha observado um método com regras precisas. Com isso não se quer dizer que não haja certa ordem ao longo da exposição. Por vezes ele começa apresentando o erro dos hereges e mostra o ponto fraco da doutrina deles, para então expor a verdadeira doutrina e os argumentos que a apóiam. Outras vezes segue exatamente o caminho oposto. E quando a doutrina é puramente moral, como na Catequese Preliminar; ele não observa nenhuma ordem. Ele apresenta suas considerações assim como elas lhe vêem à mente. Penitência, aversão ao pecado, oração, leitura da Bíblia, rejeição da heresia, distanciamento de espectáculos e jogos maus ou perigosos, são recomendações que voltam sempre que é possível. Quanto ao estilo, ele é bastante popular e simples. Diante de um auditório, que era de iniciantes na fé, sua linguagem assume uma feição muito familiar. É em tom de conversação que ele desenvolve as instruções. Muitas vezes ele deixa o tratamento «vós», que é empregado quando ele se dirige aos seus ouvintes de modo geral, e fala em «tu» como se estivesse se dirigindo pessoalmente a alguém. Refletem as Catequeses comunicação e clareza de linguagem. Algumas vezes porém ele deixa perceber uma eloqüência muito viva. Lemos na sexta Catequese: «Lembrai-vos do que foi dito: Que consórcio há entre a justiça e a iniqüidade? Que comunidade entre a luz e as trevas? (…) Aqui há ordem, aqui há disciplina, aqui há seriedade, aqui há castidade, aqui é considerado pecado olhar alguma mulher com olhos concupiscentes. Aqui o matrimônio é mantido em santidade (…). Associa-te às ovelhas. Foge dos lobos. Não te afastes da Igreja…». Extratos pelo Apostolado Veritatis Splendor segundo a obra CATEQUESES MISTAGÓGICAS, S. Cirilo de Jerusalém. Coordenador: Frei Alberto Beckhäuser, O.F.M. Tradução de Frei Frederico Vier, O.F.M. Introdução e notas de Frei Fernando Figueiredo, O.F.M. Petrópolis, Editora Vozes Ltda. 1977. #SantodoDia

  • Homilia Dominical |Cristo viveu a angústia pensando na sua angústia

    5º Domingo da Quaresma Vamos iniciar a Semana da Paixão do Senhor e, no Evangelho deste domingo, Jesus Cristo revela sentir-se “angustiado” com o que está por vir. O Filho de Deus, homem perfeitíssimo, aceitou passar pela angústia e pela tristeza, para que as nossas angústias e tristezas fossem redimidas na Cruz. Ouça a homilia dominical do Padre Paulo Ricardo e entenda que os nossos sofrimentos e agonias, em vez de serem motivo de vitimização, devem ser vistos como instrumentos de salvação, pelos quais nos unimos ao Crucificado e recebemos as suas graças. Santo do Dia: São Patrício, apóstolo da Irlanda Anúncio do Evangelho (Jo 12,20-33) — Glória a vós, ó Cristo, Verbo de Deus. — Se alguém me quer servir, que venha atrás de mim; e onde eu estiver, ali estará meu servo. (Jo 12,26) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 20 havia alguns gregos entre os que tinham subido a Jerusalém, para adorar durante a festa. 21 Aproximaram-se de Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e disseram: “Senhor, gostaríamos de ver Jesus”. 22 Filipe combinou com André, e os dois foram falar com Jesus. 23 Jesus respondeu-lhes: “Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado. 24 Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto. 25 Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna. 26 Se alguém me quer seguir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará. 27 Agora sinto-me angustiado. E que direi? ‘Pai, livra-me desta hora?’ Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. 28 Pai, glorifica o teu nome!” Então veio uma voz do céu: “Eu o glorifiquei e o glorificarei de novo!” 29 A multidão, que aí estava e ouviu, dizia que tinha sido um trovão. Outros afirmavam: “Foi um anjo que falou com ele”. 30 Jesus respondeu e disse: “Essa voz que ouvistes não foi por causa de mim, mas por causa de vós. 31 É agora o julgamento deste mundo. Agora o chefe deste mundo vai ser expulso, 32 e eu, quando for elevado da terra, atrairei todos a mim”. 33 Jesus falava assim para indicar de que morte iria morrer”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Homilia Dominical |Cristo viveu a angústia pensando na sua angústia

    5º Domingo da Quaresma Vamos iniciar a Semana da Paixão do Senhor e, no Evangelho deste domingo, Jesus Cristo revela sentir-se “angustiado” com o que está por vir. O Filho de Deus, homem perfeitíssimo, aceitou passar pela angústia e pela tristeza, para que as nossas angústias e tristezas fossem redimidas na Cruz. Ouça a homilia dominical do Padre Paulo Ricardo e entenda que os nossos sofrimentos e agonias, em vez de serem motivo de vitimização, devem ser vistos como instrumentos de salvação, pelos quais nos unimos ao Crucificado e recebemos as suas graças. Santo do Dia: São Patrício, apóstolo da Irlanda Anúncio do Evangelho (Jo 12,20-33) — Glória a vós, ó Cristo, Verbo de Deus. — Se alguém me quer servir, que venha atrás de mim; e onde eu estiver, ali estará meu servo. (Jo 12,26) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 20 havia alguns gregos entre os que tinham subido a Jerusalém, para adorar durante a festa. 21 Aproximaram-se de Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e disseram: “Senhor, gostaríamos de ver Jesus”. 22 Filipe combinou com André, e os dois foram falar com Jesus. 23 Jesus respondeu-lhes: “Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado. 24 Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto. 25 Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna. 26 Se alguém me quer seguir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará. 27 Agora sinto-me angustiado. E que direi? ‘Pai, livra-me desta hora?’ Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. 28 Pai, glorifica o teu nome!” Então veio uma voz do céu: “Eu o glorifiquei e o glorificarei de novo!” 29 A multidão, que aí estava e ouviu, dizia que tinha sido um trovão. Outros afirmavam: “Foi um anjo que falou com ele”. 30 Jesus respondeu e disse: “Essa voz que ouvistes não foi por causa de mim, mas por causa de vós. 31 É agora o julgamento deste mundo. Agora o chefe deste mundo vai ser expulso, 32 e eu, quando for elevado da terra, atrairei todos a mim”. 33 Jesus falava assim para indicar de que morte iria morrer”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • São Patrício – 17 de Março

    SANTO DO DIA – 17 DE MARÇO – SÃO PATRÍCIO Apóstolo da Irlanda – Bispo (377-461) Há poucos dados sobre a origem de Patrício, mas os que temos foram tirados do seu livro autobiográfico ‘Confissão’. Nele, Patrício diz ter nascido numa vila de seu pai, situada na Inglaterra ou Escócia, no ano 377. Era filho de Calpurnius. Apesar de ter nascido cristão, só na adolescência passou a professar a fé. Aos dezesseis anos, foi raptado por piratas irlandeses e vendido como escravo. Levado para a Irlanda foi obrigado a executar duros trabalhos em meio a um povo rude e pagão. Por duas vezes Patrício tentou a fuga, até que na terceira vez conseguiu se libertar. Embarcou para a Grã-Bretanha e depois para a Gália, atual França, onde frequentou vários mosteiros e se habilitou para a vida monástica e missionária. A princípio, acompanhou São Germano do mosteiro de Auxerre, numa missão apostólica na Grã-Bretanha. Mas seu destino parecia mesmo ligado à Irlanda, mesmo porque sua alma piedosa desejava evangelizar aquela nação pagã, que o escravizara. Quando faleceu o Bispo Paládio, responsável pela missão no país, o Papa Celestino I o convocou para dar seguimento à missão. Foi consagrado bispo e viajou para a ‘Ilha Verde’, no ano 432. Sua obra naquelas terras ficará eternamente gravada na História da Igreja Católica e da própria humanidade, pois mudou o destino de todo um povo. Em quase três décadas, o bispo Patrício converteu praticamente todo o país. Não contava com apoio político e muito menos usou de violência contra os pagãos. Com isso, não houve repressão também contra os cristãos. O próprio rei Leogário deu o exemplo maior, possibilitando a conversão de toda sua corte. O trabalho desse fantástico e singelo bispo foi tão eficiente que o catolicismo se enraizou na Irlanda, vendo nos anos seguintes florescer um grande número de Santos e evangelizadores missionários. O método de Patrício para conseguir tanta conversão foi a fundação de incontáveis mosteiros. Esse método foi imitado pela Igreja também na Inglaterra e na evangelização dos alemães do norte da Europa. Promovendo por toda parte a construção e povoação de mosteiros, o bispo Patrício fez da Ilha um centro de irradiação de fé e cultura. Dali partiram centenas de monges missionários que peregrinaram por terras estrangeiras levando o Evangelho. Temos, como exemplo, a atuação dos célebres apóstolos Columbano, Galo, Willibrordo, Tarásio, Donato e tantos outros. A obra do bispo Patrício interferiu tanto na cultura dos irlandeses, que as lendas heroicas desse povo falam sempre de monges simples com suas aventuras, prodígios e graças, enquanto outras nações têm como protagonistas seus reis e suas façanhas bélicas. Patrício morreu no dia 17 de março de 461, na cidade de Down, atualmente Downpatrick. Até hoje, no dia de sua festa os irlandeses fixam à roupa um trevo, cuja folha se divide em três, numa homenagem ao venerado São Patrício que o usava para exemplificar melhor o sentido do mistério da Santíssima Trindade: ‘um só Deus em três pessoas’. A data de 17 de março há séculos marca a festa de São Patrício, a glória da Irlanda. Os irlandeses sempre sentiram um enorme orgulho de sua pátria, tanto, por ter ela nascido na chamada Ilha dos Santos, quanto, por ter sido convertida pelo venerado bispo. Só na Irlanda existem duzentos santuários erguidos em honra a São Patrício, seu padroeiro. São Patrício É aos Pontífices romanos, que a Grã-Bretanha, a Escola e a Irlanda do Norte devem a conversão ao cristianismo e, consequentemente, as preciosas vantagens da vida presente e da vida futura. Sem falarmos aqui do Papa São Gregório, o Grande, que pelo fim do sexto século da era cristã, converteu a nação inglesa propriamente dita, por seu discípulo Santo Agostinho, já no segundo século, o Santo rei Lúcio da Grã-bretanha pedia missionários ao Papa Santo Eleutério, que lhe enviou alguns. Na primeira metade do quinto século, um pelágio procurava espalhar sua heresia entre os bretões. Esses povos detestavam o erro. Acontece, porém, que não estavam bem instruídos para combatê-lo. Recorreram ao Papa e aos bispos dos gauleses. O Papa São Celestino mandou como seu legado São Germano, bispo de Auxerre, que foi acompanhado de São Lobo, bispo de Troyes. Isso foi no ano de 429. Para firmar ainda mais a religião na Grã-Bretanha, o Papa São Celestino para lá enviou novamente o diácono que ordenara bispo dos escoceses, dos quais uma parte tinha transmigrado da Irlanda para o norte da Bretanha. E foi ele o primeiro bispo dessa nação, que até então era bárbara. São Jerônimo afirma que não havia casamentos moralizados e que eles comiam carne humana. São Paládio, para lá foi enviado como bispo, no ano de 435. É lembrado no dia 6 de Julho. O Papa São Celestino, ao sabê-lo morto, substituiu-o por São Patrício, que foi sagrado bispo e o enviou a pregar a fé na Irlanda, de onde os escoceses era originários. São Patrício tinha cerca de cinqüenta e cinco anos, nascido que fora pelo ano de 377, na Escócia, circunscrição da cidade de Alclude, hoje Dunbritton. Com a idade de 16 anos, foi levado prisioneiro para a Irlanda e lá ficou cinco ou seis anos, durante os quais aprendeu a língua e os costumes do país. Piratas o levaram para a Gália em 400, quando se retirou para um mosteiro, o de São Martinho, isto é, em Marmoutier, recebendo a tonsura monástica. Lá ficou três anos. Voltou para a Grã-Bretanha, depois passou para a Itália, onde dedicou sete anos à visita a mosteiros do país e das ilhas vizinhas. Todavia, acreditou ele ter recebido ordem de Deus, por revelações, para ir trabalhar na conversão dos irlandeses. Para lá se dirigiu; porém, em vão. Os bárbaros não quiseram ouvi-lo. Voltou para a Gália e passou cerca de sete anos perto de São Germano de Auxerre, retirando-se, em seguida, para a ilha de Arles, onde morou nove anos. A conselho de São Germano, foi a Roma. Foi quando o Papa São Celestino o sagrou bispo e o mandou para a Irlanda, no ano de 432. Pregou o Evangelho e com muito êxito. Seu zelo foi confirmado pelos milagres de tal sorte que é tido como apóstolo da ilha. Um ano depois, fundou o mosteiro de Sabal, perto da cidade de Doun e deixou-lhe como abade São Dunnius, seu discípulo. Fundou também a igreja de Armagh, a principal do país. A vida de São Patrício era austera. Fez todas as viagens a pé, até a idade de cinqüenta e cinco anos, ou seja, até se tornar bispo. Depois, os caminhos ruins da Irlanda o obrigaram a servir-se de uma carruagem. Foi ele que introduziu entre os irlandeses as letras, que não tinham, antes disso, outras obras públicas senão versos rimados, compostos por seus poetas que se relacionavam com sua história. São Patrício foi ainda duas vezes a Roma, uma em 444 e outra em 445. Morreu pelo ano de 460, com a idade de oitenta anos. #SantodoDia

  • São Patrício – 17 de Março

    SANTO DO DIA – 17 DE MARÇO – SÃO PATRÍCIO Apóstolo da Irlanda – Bispo (377-461) Há poucos dados sobre a origem de Patrício, mas os que temos foram tirados do seu livro autobiográfico ‘Confissão’. Nele, Patrício diz ter nascido numa vila de seu pai, situada na Inglaterra ou Escócia, no ano 377. Era filho de Calpurnius. Apesar de ter nascido cristão, só na adolescência passou a professar a fé. Aos dezesseis anos, foi raptado por piratas irlandeses e vendido como escravo. Levado para a Irlanda foi obrigado a executar duros trabalhos em meio a um povo rude e pagão. Por duas vezes Patrício tentou a fuga, até que na terceira vez conseguiu se libertar. Embarcou para a Grã-Bretanha e depois para a Gália, atual França, onde frequentou vários mosteiros e se habilitou para a vida monástica e missionária. A princípio, acompanhou São Germano do mosteiro de Auxerre, numa missão apostólica na Grã-Bretanha. Mas seu destino parecia mesmo ligado à Irlanda, mesmo porque sua alma piedosa desejava evangelizar aquela nação pagã, que o escravizara. Quando faleceu o Bispo Paládio, responsável pela missão no país, o Papa Celestino I o convocou para dar seguimento à missão. Foi consagrado bispo e viajou para a ‘Ilha Verde’, no ano 432. Sua obra naquelas terras ficará eternamente gravada na História da Igreja Católica e da própria humanidade, pois mudou o destino de todo um povo. Em quase três décadas, o bispo Patrício converteu praticamente todo o país. Não contava com apoio político e muito menos usou de violência contra os pagãos. Com isso, não houve repressão também contra os cristãos. O próprio rei Leogário deu o exemplo maior, possibilitando a conversão de toda sua corte. O trabalho desse fantástico e singelo bispo foi tão eficiente que o catolicismo se enraizou na Irlanda, vendo nos anos seguintes florescer um grande número de Santos e evangelizadores missionários. O método de Patrício para conseguir tanta conversão foi a fundação de incontáveis mosteiros. Esse método foi imitado pela Igreja também na Inglaterra e na evangelização dos alemães do norte da Europa. Promovendo por toda parte a construção e povoação de mosteiros, o bispo Patrício fez da Ilha um centro de irradiação de fé e cultura. Dali partiram centenas de monges missionários que peregrinaram por terras estrangeiras levando o Evangelho. Temos, como exemplo, a atuação dos célebres apóstolos Columbano, Galo, Willibrordo, Tarásio, Donato e tantos outros. A obra do bispo Patrício interferiu tanto na cultura dos irlandeses, que as lendas heroicas desse povo falam sempre de monges simples com suas aventuras, prodígios e graças, enquanto outras nações têm como protagonistas seus reis e suas façanhas bélicas. Patrício morreu no dia 17 de março de 461, na cidade de Down, atualmente Downpatrick. Até hoje, no dia de sua festa os irlandeses fixam à roupa um trevo, cuja folha se divide em três, numa homenagem ao venerado São Patrício que o usava para exemplificar melhor o sentido do mistério da Santíssima Trindade: ‘um só Deus em três pessoas’. A data de 17 de março há séculos marca a festa de São Patrício, a glória da Irlanda. Os irlandeses sempre sentiram um enorme orgulho de sua pátria, tanto, por ter ela nascido na chamada Ilha dos Santos, quanto, por ter sido convertida pelo venerado bispo. Só na Irlanda existem duzentos santuários erguidos em honra a São Patrício, seu padroeiro. São Patrício É aos Pontífices romanos, que a Grã-Bretanha, a Escola e a Irlanda do Norte devem a conversão ao cristianismo e, consequentemente, as preciosas vantagens da vida presente e da vida futura. Sem falarmos aqui do Papa São Gregório, o Grande, que pelo fim do sexto século da era cristã, converteu a nação inglesa propriamente dita, por seu discípulo Santo Agostinho, já no segundo século, o Santo rei Lúcio da Grã-bretanha pedia missionários ao Papa Santo Eleutério, que lhe enviou alguns. Na primeira metade do quinto século, um pelágio procurava espalhar sua heresia entre os bretões. Esses povos detestavam o erro. Acontece, porém, que não estavam bem instruídos para combatê-lo. Recorreram ao Papa e aos bispos dos gauleses. O Papa São Celestino mandou como seu legado São Germano, bispo de Auxerre, que foi acompanhado de São Lobo, bispo de Troyes. Isso foi no ano de 429. Para firmar ainda mais a religião na Grã-Bretanha, o Papa São Celestino para lá enviou novamente o diácono que ordenara bispo dos escoceses, dos quais uma parte tinha transmigrado da Irlanda para o norte da Bretanha. E foi ele o primeiro bispo dessa nação, que até então era bárbara. São Jerônimo afirma que não havia casamentos moralizados e que eles comiam carne humana. São Paládio, para lá foi enviado como bispo, no ano de 435. É lembrado no dia 6 de Julho. O Papa São Celestino, ao sabê-lo morto, substituiu-o por São Patrício, que foi sagrado bispo e o enviou a pregar a fé na Irlanda, de onde os escoceses era originários. São Patrício tinha cerca de cinqüenta e cinco anos, nascido que fora pelo ano de 377, na Escócia, circunscrição da cidade de Alclude, hoje Dunbritton. Com a idade de 16 anos, foi levado prisioneiro para a Irlanda e lá ficou cinco ou seis anos, durante os quais aprendeu a língua e os costumes do país. Piratas o levaram para a Gália em 400, quando se retirou para um mosteiro, o de São Martinho, isto é, em Marmoutier, recebendo a tonsura monástica. Lá ficou três anos. Voltou para a Grã-Bretanha, depois passou para a Itália, onde dedicou sete anos à visita a mosteiros do país e das ilhas vizinhas. Todavia, acreditou ele ter recebido ordem de Deus, por revelações, para ir trabalhar na conversão dos irlandeses. Para lá se dirigiu; porém, em vão. Os bárbaros não quiseram ouvi-lo. Voltou para a Gália e passou cerca de sete anos perto de São Germano de Auxerre, retirando-se, em seguida, para a ilha de Arles, onde morou nove anos. A conselho de São Germano, foi a Roma. Foi quando o Papa São Celestino o sagrou bispo e o mandou para a Irlanda, no ano de 432. Pregou o Evangelho e com muito êxito. Seu zelo foi confirmado pelos milagres de tal sorte que é tido como apóstolo da ilha. Um ano depois, fundou o mosteiro de Sabal, perto da cidade de Doun e deixou-lhe como abade São Dunnius, seu discípulo. Fundou também a igreja de Armagh, a principal do país. A vida de São Patrício era austera. Fez todas as viagens a pé, até a idade de cinqüenta e cinco anos, ou seja, até se tornar bispo. Depois, os caminhos ruins da Irlanda o obrigaram a servir-se de uma carruagem. Foi ele que introduziu entre os irlandeses as letras, que não tinham, antes disso, outras obras públicas senão versos rimados, compostos por seus poetas que se relacionavam com sua história. São Patrício foi ainda duas vezes a Roma, uma em 444 e outra em 445. Morreu pelo ano de 460, com a idade de oitenta anos. #SantodoDia

  • O que está por trás da Campanha da Fraternidade 2024?

    Jornalista Católico publica documentário mostrando “o que ninguém percebeu” sobre a Campanha da Fraternidade de 2024 O jornalista católico Bernardo Küster publicou neste final de semana(15) um documentário expondo uma análise detalhada do tema e do texto da campanha da fraternidade promovida pela CNBB este ano, cujo tema é “Fraternidade e Amizade Social”. Nesta análise ele busca, junto aos católicos que o assistem, encontrar respostas sobre o real significado do tema proposto e desvendar os mistérios por trás de um dos textos de campanha mais confusos e ambíguos de todos os tempos, uma vez que diante das pressões sofridas nos anos anteriores, a CNBB aparenta estar mais cuidadosa e já não pode mais propagar a heresia da Teologia da Libertação de forma explícita. Assista o documentário na íntegra e compartilhe com seus irmãos católicos. Leia também Campanha Da Fraternidade, Amizade Social, Coleta da CNBB e Financiamento da Apostasia #CampanhadaFraternidade

  • O que está por trás da Campanha da Fraternidade 2024?

    Jornalista Católico publica documentário mostrando “o que ninguém percebeu” sobre a Campanha da Fraternidade de 2024 O jornalista católico Bernardo Küster publicou neste final de semana(15) um documentário expondo uma análise detalhada do tema e do texto da campanha da fraternidade promovida pela CNBB este ano, cujo tema é “Fraternidade e Amizade Social”. Nesta análise ele busca, junto aos católicos que o assistem, encontrar respostas sobre o real significado do tema proposto e desvendar os mistérios por trás de um dos textos de campanha mais confusos e ambíguos de todos os tempos, uma vez que diante das pressões sofridas nos anos anteriores, a CNBB aparenta estar mais cuidadosa e já não pode mais propagar a heresia da Teologia da Libertação de forma explícita. Assista o documentário na íntegra e compartilhe com seus irmãos católicos. Leia também Campanha Da Fraternidade, Amizade Social, Coleta da CNBB e Financiamento da Apostasia #CampanhadaFraternidade

  • Homilia Diária | É tempo de se humilhar!

    Sábado da 4.ª Semana da Quaresma O Tempo da Quaresma é a ocasião de nos humilharmos, encarando com toda franqueza a miséria que somos, para, bem dispostos, abrirmo-nos ao rio de amor que brota da misericórdia de Deus. Essa humilhação se concretiza, de modo particular, por meio das três obras quaresmais — o jejum, a esmola e a oração —, que nos revelam, cada uma ao seu modo, o nada que somos e o pouco que podemos fazer sem Deus. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este sábado, dia 16 de março, e preparemo-nos juntos, de coração humilhado, para a Páscoa que se aproxima. Santo do Dia: Santo Heriberto Evangelho (Jo 7,40-53) — Glória a Cristo, Palavra eterna do Pai, que é amor! — Felizes os que observam a palavra do Senhor, de reto coração, e produzem muitos frutos, até o fim perseverantes! (Cf. Lc 8,15) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 40 ao ouvirem as palavras de Jesus, algumas pessoas diziam: “Este é, verdadeiramente, o Profeta”. 41 Outros diziam: “Ele é o Messias”. Mas alguns objetavam: “Porventura o Messias virá da Galileia? 42 Não diz a Escritura que o Messias será da descendência de Davi e virá de Belém, povoado de onde era Davi?” 43 Assim, houve divisão no meio do povo por causa de Jesus. 44 Alguns queriam prendê-lo, mas ninguém pôs as mãos nele. 45 Então, os guardas do Templo voltaram para os sumos sacerdotes e os fariseus, e estes lhes perguntaram: “Por que não o trouxestes?” 46 Os guardas responderam: “Ninguém jamais falou como este homem”. 47 Então os fariseus disseram-lhes: “Também vós vos deixastes enganar? 48 Por acaso algum dos chefes ou dos fariseus acreditou nele? 49 Mas esta gente que não conhece a Lei, é maldita!” 50 Nicodemos, porém, um dos fariseus, aquele que se tinha encontrado com Jesus anteriormente, disse: 51 “Será que a nossa Lei julga alguém, antes de o ouvir e saber o que ele fez?” 52 Eles responderam: “Também tu és galileu, porventura? Vai estudar e verás que da Galileia não surge profeta”. 53 E cada um voltou para sua casa. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Homilia Diária | É tempo de se humilhar!

    Sábado da 4.ª Semana da Quaresma O Tempo da Quaresma é a ocasião de nos humilharmos, encarando com toda franqueza a miséria que somos, para, bem dispostos, abrirmo-nos ao rio de amor que brota da misericórdia de Deus. Essa humilhação se concretiza, de modo particular, por meio das três obras quaresmais — o jejum, a esmola e a oração —, que nos revelam, cada uma ao seu modo, o nada que somos e o pouco que podemos fazer sem Deus. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este sábado, dia 16 de março, e preparemo-nos juntos, de coração humilhado, para a Páscoa que se aproxima. Santo do Dia: Santo Heriberto Evangelho (Jo 7,40-53) — Glória a Cristo, Palavra eterna do Pai, que é amor! — Felizes os que observam a palavra do Senhor, de reto coração, e produzem muitos frutos, até o fim perseverantes! (Cf. Lc 8,15) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 40 ao ouvirem as palavras de Jesus, algumas pessoas diziam: “Este é, verdadeiramente, o Profeta”. 41 Outros diziam: “Ele é o Messias”. Mas alguns objetavam: “Porventura o Messias virá da Galileia? 42 Não diz a Escritura que o Messias será da descendência de Davi e virá de Belém, povoado de onde era Davi?” 43 Assim, houve divisão no meio do povo por causa de Jesus. 44 Alguns queriam prendê-lo, mas ninguém pôs as mãos nele. 45 Então, os guardas do Templo voltaram para os sumos sacerdotes e os fariseus, e estes lhes perguntaram: “Por que não o trouxestes?” 46 Os guardas responderam: “Ninguém jamais falou como este homem”. 47 Então os fariseus disseram-lhes: “Também vós vos deixastes enganar? 48 Por acaso algum dos chefes ou dos fariseus acreditou nele? 49 Mas esta gente que não conhece a Lei, é maldita!” 50 Nicodemos, porém, um dos fariseus, aquele que se tinha encontrado com Jesus anteriormente, disse: 51 “Será que a nossa Lei julga alguém, antes de o ouvir e saber o que ele fez?” 52 Eles responderam: “Também tu és galileu, porventura? Vai estudar e verás que da Galileia não surge profeta”. 53 E cada um voltou para sua casa. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Santo Heriberto – 16 de Março

    SANTO DO DIA – 16 DE MARÇO – SANTO HERIBERTO Bispo (970-1021) Heriberto foi arcebispo de Colônia, na Alemanha, ainda muito moço, pois sua religiosidade brotara ainda na infância. Conta a história que, no dia em que nasceu, em 970, filho de descendentes dos condes de Worms, notou-se uma extraordinária luz pairando sobre a casa de seus pais. O fenômeno teria durado várias horas e marcado para sempre a vida de Heriberto, que caminhou reto para o caminho da santidade. Como desde pequeno mostrava vocação para a religião e os estudos, seus pais o entregaram ao convento de Gorze. Ali, Heriberto descobriu para si e para o mundo que era extremamente talentoso, mas decidiu-se pela ordenação sacerdotal, que ocorreu em 995. Com o decorrer do tempo cursou diversas escolas, chegando a ser considerado o homem mais sábio de seu tempo. E foi nesta condição que o imperador Oton III o nomeou chanceler, seu assessor de maior confiança. Sua fama e popularidade cresceram, não só devido à sabedoria, mas também pela humildade e a caridade que praticava com todos. Assim, foi eleito bispo de Colônia, em 999. Quando Oton III morreu, o imperador que o sucedeu, Henrique II, também acabou tornando-se admirador de Heriberto, apesar da oposição que lhe fez no início. Uma vez que o bispo Heriberto o consagrou rei sem nenhuma contestação. E por fim o novo rei Henrique II o chamou para ser seu conselheiro. Então, a obra caridosa do bispo pôde continuar. Os registros mostraram que, depois de fundar um hospital para os pobres, Heriberto visitava os doentes todos os dias, cuidando deles pessoalmente. Diz a tradição que, certa vez, houve na cidade uma grande seca, ficando sem chover por meses. O bispo comandou um jejum de três dias e, finalmente, uma procissão de penitência pedindo chuva aos céus. Como nem assim choveu, Heriberto comovido começou a chorar na frente do povo, culpando-se pela seca. Dizia que seus pecados é que impediam Deus de fazer misericórdia. Mas, um fato prodigioso aconteceu nesse momento, imediatamente o céu escureceu e uma forte chuva caiu sobre a cidade, durando alguns dias e pondo fim à estiagem. Com fama de santidade ainda em vida, o bispo Heriberto morreu no dia 16 de março de 1021, numa viagem de visita pastoral à cidade de Deutz, onde contraiu uma febre maligna que assolava a população. Suas relíquias estão na catedral dessa cidade, na Colônia, Alemanha. Na igreja que ele mesmo fundou junto com o mosteiro ao lado, que foi entregue aos beneditinos. Amado pelos fiéis a peregrinação à sua sepultura difundiu seu culto que se tornou vigoroso em toda a Europa, especialmente na Itália e na Alemanha, país de sua origem. Foi canonizado em 1227, pelo Papa Gregório IX que autorizou o culto à Santo Heriberto, já tradicionalmente festejado pelos devotos no dia 16 de março. #SantodoDia

  • Santo Heriberto – 16 de Março

    SANTO DO DIA – 16 DE MARÇO – SANTO HERIBERTO Bispo (970-1021) Heriberto foi arcebispo de Colônia, na Alemanha, ainda muito moço, pois sua religiosidade brotara ainda na infância. Conta a história que, no dia em que nasceu, em 970, filho de descendentes dos condes de Worms, notou-se uma extraordinária luz pairando sobre a casa de seus pais. O fenômeno teria durado várias horas e marcado para sempre a vida de Heriberto, que caminhou reto para o caminho da santidade. Como desde pequeno mostrava vocação para a religião e os estudos, seus pais o entregaram ao convento de Gorze. Ali, Heriberto descobriu para si e para o mundo que era extremamente talentoso, mas decidiu-se pela ordenação sacerdotal, que ocorreu em 995. Com o decorrer do tempo cursou diversas escolas, chegando a ser considerado o homem mais sábio de seu tempo. E foi nesta condição que o imperador Oton III o nomeou chanceler, seu assessor de maior confiança. Sua fama e popularidade cresceram, não só devido à sabedoria, mas também pela humildade e a caridade que praticava com todos. Assim, foi eleito bispo de Colônia, em 999. Quando Oton III morreu, o imperador que o sucedeu, Henrique II, também acabou tornando-se admirador de Heriberto, apesar da oposição que lhe fez no início. Uma vez que o bispo Heriberto o consagrou rei sem nenhuma contestação. E por fim o novo rei Henrique II o chamou para ser seu conselheiro. Então, a obra caridosa do bispo pôde continuar. Os registros mostraram que, depois de fundar um hospital para os pobres, Heriberto visitava os doentes todos os dias, cuidando deles pessoalmente. Diz a tradição que, certa vez, houve na cidade uma grande seca, ficando sem chover por meses. O bispo comandou um jejum de três dias e, finalmente, uma procissão de penitência pedindo chuva aos céus. Como nem assim choveu, Heriberto comovido começou a chorar na frente do povo, culpando-se pela seca. Dizia que seus pecados é que impediam Deus de fazer misericórdia. Mas, um fato prodigioso aconteceu nesse momento, imediatamente o céu escureceu e uma forte chuva caiu sobre a cidade, durando alguns dias e pondo fim à estiagem. Com fama de santidade ainda em vida, o bispo Heriberto morreu no dia 16 de março de 1021, numa viagem de visita pastoral à cidade de Deutz, onde contraiu uma febre maligna que assolava a população. Suas relíquias estão na catedral dessa cidade, na Colônia, Alemanha. Na igreja que ele mesmo fundou junto com o mosteiro ao lado, que foi entregue aos beneditinos. Amado pelos fiéis a peregrinação à sua sepultura difundiu seu culto que se tornou vigoroso em toda a Europa, especialmente na Itália e na Alemanha, país de sua origem. Foi canonizado em 1227, pelo Papa Gregório IX que autorizou o culto à Santo Heriberto, já tradicionalmente festejado pelos devotos no dia 16 de março. #SantodoDia

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