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- Nossa Senhora de Guadalupe – 12 de Dezembro
SANTO DO DIA – 12 DE DEZEMBRO – NOSSA SENHORA DE GUADALUPE Por volta de 1531, os missionários espanhóis haviam já aprendido a língua dos indígenas para fins de evangelização. Conforme a antiga tradição, foi justamente nesse ano que a Virgem Mãe de Deus apareceu ao recém convertido Juan Diego (João Diogo, em Português), um piedoso índio, na colina de Tepeyac, perto da capital do México. Com muita afabilidade o exortou a ir ter com o Bispo e pedir-lhe que nesse lugar erguessem um Santuário em sua honra. O Bispo da diocese, Dom Frei João de Zumárraga retardou a resposta a fim de averiguar, cuidadosamente, o que tinha acontecido. Quando Juan, movido por uma segunda aparição e nova insistência da Santíssima Virgem, renovou as suas súplicas, entre lágrimas, ordenou-lhe o bispo que pedisse um sinal que comprovasse de que a ordem vinha realmente da grande Mãe de Deus. Vindo Juan, certo dia, de um lugar mais distante, por um caminho que não passa pela colina de Tepeyac e dirigindo-se à capital, à procura de um sacerdote que administrasse os últimos sacramentos ao tio moribundo, a Virgem veio ao seu encontro, pela terceira vez, e consolou-o com a notícia do completo restabelecimento do tio, colocando-lhe no manto estendido belíssimas flores que haviam desabrochado há pouco tempo, apesar da esterilidade do terreno e do inverno: “Escuta, meu filho, não temas; não fiques preocupado ou assustado; não tens que temer essa doença, nem outro qualquer dissabor ou aflição. Não estou eu aqui ao teu lado? Eu sou a Mãe dadivosa. Não te escolhi para mim e não te tomei ao meu cuidado? Não permitas que nada te aflija ou perturbe. Quanto à doença do teu tio, não é mortal. Acredita: agora mesmo ficará curado.” Ao ouvir estas palavras, o piedoso vidente voltou a renovar o seu oferecimento para levar o sinal ao Bispo. A SS. Virgem mandou-o ao lugar onde a tinha visto pela primeira vez, dizendo-lhe que lá encontraria uma grande variedade de flores. Que as colhesse e as trouxesse. Subiu Juan Diego ao alto da colina. No frio mês de Dezembro, naquela terra árida e rochosa, onde nem vegetação havia, tinham brotado abundantes rosas de cor e perfume maravilhosos. Nossa Senhora colocou-as no “poncho” (manta com um buraco no meio por onde enfiavam a cabeça) e mandou levá-las ao Bispo que com este sinal se havia de convencer. Juan Diego obedeceu e, ao despejar as flores perante o Bispo, apareceu uma linda pintura de Nossa Senhora tal como ela se mostrara na colina perto da cidade. O bispo acompanhou Juan ao local designado por Nossa Senhora e depois foi ver o tio dele, já curado. Este, ouvindo descrever a Senhora, assentiu sorrindo: “Eu também a vi. Ela veio a esta casa e falou-me. Disse-me também que desejava a construção de um templo na colina de Tepeyac. Disse que sua imagem seria chamada Santa Maria de Guadalupe, embora não tenha explicado o porquê.” A fama do milagre espalhou-se rapidamente por todo o território. Os cidadãos, profundamente impressionados por tão grande prodígio, procuraram guardar respeitosamente a santa Imagem na capela do paço episcopal. Mais tarde, após várias construções e ampliações, chegou-se ao magnífico templo actual. De toda a parte e não só do México, acorrem os homens à Senhora de Guadalupe. Em 1754, escrevia o Papa Bento XIV: “Nela tudo é milagroso: uma imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros; uma Imagem estampada num tecido tão transparente que se pode ver através dele facilmente o povo e a nave da Igreja: uma imagem em nada deteriorada, nem no seu supremo encanto, nem na nitidez das cores, pelas emanações da humidade do lago vizinho que já corroeram a prata, o ouro e o bronze… Deus não procedeu assim com nenhuma outra nação.” Em outros santuários marianos, a fé move os devotos, mas em Guadalupe a celestial visão nunca cessa. Junto a essa presença maternal, ninguém se sente como um filho culpado de Adão; cada qual experimenta a inocente simplicidade e o doce aconchego de um filho amoroso. Conheça mais sobre Nossa Senhora de Guadalupe Em 9 de dezembro de 1531, João Diego estava nos arredores da colina Tepeyac, atual cidade do México. Repentinamente, ouviu uma música suave, sonora e melodiosa… era Nossa Senhora de Guadalupe Pensa-se geralmente que João Diego era um indígena “pobre” e de “baixa condição social”. Contudo, sabemos hoje, por diversos testemunhos, que ele era filho do rei de Texcoco, Netzahualpiltzintli, e neto do famoso rei Netzahualcóyolt. Sua mãe era a rainha Tlacayehuatzin, descendente de Moctezuma e senhora de Atzcapotzalco e Atzacualco. Nestes dois lugares João Diego possuía terras e outros bens de herança. A este representante das etnias indígenas do Novo Mundo, a Mãe de Deus apareceu há quase quinhentos anos, trazendo uma mensagem de benquerença, doçura e suavidade, cuja luz se prolonga até nossos dias. Para compreendermos a magnitude da bondosa mensagem de Nossa Senhora, devemos transladar-nos ao ambiente psico-religioso daquele tempo. De um lado, as numerosas etnias que habitavam o vale de Anahuac, atual Cidade do México, haviam vivido durante décadas sob a tirania dos astecas, tribo poderosa, dada à prática habitual de sangrentos ritos idolátricos. Anualmente, sacrificavam milhares de jovens para manter aceso o “fogo do sol”. A antropofagia, a poligamia e o incesto faziam parte da rotina de vida desse povo. Os dedicados missionários, chegados ali com os conquistadores espanhóis, viam a necessidade imperiosa de evangelizar aquela gente, extirpando de modo categórico tão repugnantes costumes. Entretanto, os maus hábitos adquiridos, a dificuldade do idioma e, sobretudo, um certo orgulho indígena de não aceitar o “Deus do conquistador” em detrimento de suas divindades, tornavam difícil a tarefa de introduzir nesse ambiente a Luz do mundo. Deus Nosso Senhor, todavia, em sua infinita misericórdia, querendo que todos os homens “se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tim 2, 4), preparava uma maravilhosa solução para esse impasse. Nossa Senhora aparece a São João Diego Em 9 de dezembro de 1531, João Diego estava nos arredores da colina Tepeyac, na atual Cidade do México. Repentinamente, ouviu uma música suave, sonora e melodiosa que, pouco a pouco, foi-se extinguindo. Nesse momento escutou ele uma lindíssima voz, que no idioma nahualt o chamava pelo nome. Era Nossa Senhora de Guadalupe. Depois de cumprimentá-lo com muito carinho e afeto, Ela lhe dirigiu estas palavras cheias de bondade: “Porque sou verdadeiramente vossa Mãe compassiva, quero muito, desejo muito que construam aqui para mim um templo, para nele Eu mostrar e dar todo o meu amor, minha compaixão, meu auxílio e minha salvação a ti, a todos os outros moradores desta terra e aos demais que me amam, me invoquem e em mim confiem. Neste lugar quero ouvir seus lamentos, remediar todas as suas misérias, sofrimentos e dores.” Em seguida, Nossa Senhora pediu a João Diego que fosse ao palácio do Bispo do México, e lhe comunicasse que Ela o enviava e pedia a construção do templo. Sem hesitar, o “mensageiro da Virgem” foi entrevistar-se com Dom Luís de Zumárraga, e contou-lhe o que havia acontecido. Mas o Bispo não lhe deu crédito e mandou-o voltar outro dia. Segunda e terceira aparições Nesse mesmo dia, ao pôr-do-sol, João Diego, pesaroso, foi comunicar a Nossa Senhora o fracasso de sua missão. Com encantadora inocência, pediu a Ela que escolhesse um embaixador mais digno, estimado e respeitado. A Mãe de Deus lhe respondeu: “Escuta, ó menor de meus filhos! Tem por certo que não são poucos os meus servidores, meus mensageiros, aos quais Eu possa encarregar de levar minha mensagem e fazer minha vontade. Mas é muito necessário que vás tu, pessoalmente, e que por teu intermédio se realize, se efetive meu querer, minha vontade. E muito te rogo, filho meu, o menor de todos, e firmemente te ordeno, que vás amanhã outra vez ver o Bispo. E de minha parte faze-o saber, faze-o ouvir o meu querer, a minha vontade, para que este a realize, faça meu templo, que lhe peço. E outra vez dize-lhe que eu, pessoalmente, a sempre Virgem Santa Maria, Mãe de Deus, te envio.” No dia seguinte, depois de assistir à Missa, João Diego voltou a procurar o Bispo Dom Zumárraga, que o recebeu com atenção, porém mais céptico ainda, dizendo-lhe ser necessário um “sinal” para demonstrar que era realmente a Rainha do Céu que o enviava. Com toda naturalidade, o indígena respondeu que sim, ia pedir à Senhora o sinal solicitado. Ao cair do sol, como das vezes anteriores, apareceu a João Diego Nossa Senhora, radiante de doçura. Ela aceitou sem a menor dificuldade conceder-lhe o sinal pedido. Para isto, convidou-o a voltar no dia seguinte. Ele foge, Ela vai ao seu encontro Todavia, na segunda-feira, dia 11, João Diego não se apresentou à hora marcada. Seu tio, João Bernardino, caiu repentinamente doente, e Diego tentou todos os recursos medicinais indígenas para curá-lo. Foi em vão. Quando o enfermo percebeu a aproximação da morte, sendo já cristão fervoroso, pediu a seu sobrinho que lhe tentasse trazer um sacerdote. Pressuroso, João Diego saiu ao amanhecer do dia 12 em busca do confessor. Mas decidiu tomar um caminho diferente do habitual, para que a “Senhora do Céu” não lhe aparecesse, pois pensava: “Ela vai me pedir satisfação de sua incumbência e não poderei buscar o sacerdote.” Mas sua artimanha não funcionou. Para seu espanto, a Mãe de Deus lhe apareceu nesse caminho. Envergonhado, João Diego tratou de se desculpar com fórmulas de cortesia próprias do costume indígena: “Minha jovenzinha, filha minha, a pequenina, menina minha, oxalá estejas contente.” E depois de explicar-Lhe a enfermidade de seu tio, como causa de sua falta de diligência, concluiu: “Rogo-te que me perdoes, que tenhas ainda um pouco de paciência comigo, porque com isso não A estou enganando, minha filha pequenina, menina minha. Amanhã sem falta virei a toda pressa.” Ao que lhe respondeu Nossa Senhora, com bondade e carinho próprios à melhor de todas as Mães: “Escuta, e põe em teu coração, filho meu, o menor: o que te assusta e aflige não é nada. Não se perturbe teu rosto, teu coração; não temas esta enfermidade, nem qualquer outra enfermidade e angústia. Não estou eu aqui, tua Mãe? Não estás sob minha sombra e minha proteção? Não sou eu a fonte de tua alegria? Não estás porventura em meu regaço? Tens necessidade de alguma outra coisa? Que nenhuma outra coisa te aflija, nem te perturbe. Não te assuste a enfermidade de teu tio, porque dela não morrerá por agora. Tem por certo que já sarou.” Sinal para o “Mensageiro da Virgem” Assim que ouviu essas belíssimas palavras, João Diego, muito consolado, creu em Nossa Senhora. Mas era preciso cumprir a missão. Qual era o sinal? Ela lhe ordenou subir à colina de Tepeyac e cortar as flores que ali encontrasse. Esse encargo era impossível, uma vez que lá nunca elas nasciam, e menos ainda nesse tempo de inverno. Mas Diego não duvidou. Subiu a colina e no seu cume encontrou as mais belas e variadas rosas, todas perfumadas e cheias de gotas de orvalho como se fossem pérolas. Cortou-as e as guardou em sua tilma (o poncho típico dos índios mexicanos). Ao chegar embaixo, João Diego apresentou as flores a Nossa Senhora, que as tocou com suas mãos celestiais e voltou a colocá-las na tilma. “Filhinho meu, o menor, esta variedade de flores é a prova e sinal que levarás ao Bispo. Tu lhe dirás de minha parte que veja nela a minha vontade e que ele tem de cumpri-la. Tu és meu embaixador, no qual absolutamente deposito toda a confiança. Com firmeza te ordeno que diante do Bispo abras tua manta e mostres o que levas.” João Diego se dirigiu novamente ao palácio de Dom Zumárraga. Depois de muito esperar e insistir, os criados o deixaram chegar à presença do Bispo. O “Mensageiro da Virgem” começou a narrar todo o sucedido com Nossa Senhora e em certo momento estendeu sua tilma, descobrindo o sinal. Caíram as mais preciosas e perfumadas flores e, no mesmo instante, estampou-se milagrosamente no tecido a portentosa Imagem da Perfeita Virgem Santa Maria Mãe de Deus, que se venera até hoje no Santuário de Guadalupe. Profundo sentido eclesial e missionário Assim foi a grande aparição cujo primeiro resultado foi a conversão em grande escala dos indígenas. “O Acontecimento Guadalupano – assinala o episcopado do México – significou o início da evangelização, com uma vitalidade que extravasou todas as expectativas. A mensagem de Cristo, por meio de sua Mãe, tomou os elementos centrais da cultura indígena, purificou-os e deu-lhes o definitivo sentido de salvação.” E o Papa completa: “É assim que Guadalupe e João Diego tomaram um profundo sentido eclesial e missionário, sendo um modelo de evangelização perfeitamente inculturada” (Missa de Canonização, 31/7/2002). Por isso, determinou Sua Santidade que no dia 12 de dezembro seja celebrada, em todo o Continente, a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe e Evangelizadora da América (Exortação Apostólica Ecclesia in América). ² * * * * * * * Na homilia de 31 de julho de 2002, o Santo Padre dirigiu ao recém-canonizado São João Diego esta comovedora oração: Ditoso Juan Diego, índio bondoso e cristão, em quem o povo simples sempre viu um homem santo! Nós te suplicamos que acompanhes a Igreja peregrina no México, para que seja cada dia mais evangelizadora e missionária. Encoraja os Bispos, sustenta os presbíteros, suscita novas e santas vocações, ajuda todas as pessoas que entregam a sua própria vida pela causa de Cristo e pela difusão do seu Reino. Bem-aventurado Juan Diego, homem fiel e verdadeiro! Nós te recomendamos os nossos irmãos e as nossas irmãs leigos a fim de que, sentindo-se chamados à santidade, penetrem todos os âmbitos da vida social com o espírito evangélico. Abençoa as famílias, fortalece os esposos no seu matrimônio, apoia os desvelos dos pais empenhados na educação cristã dos seus filhos. Olha com solicitude para a dor dos indivíduos que sofrem no corpo e no espírito, de quantos padecem em virtude da pobreza, da solidão, da marginalização ou da ignorância. Que todos, governantes e governados, trabalhem sempre em conformidade com as exigências da justiça e do respeito da dignidade de cada homem individualmente, para que desta forma a paz seja consolidada. Amado Juan Diego, a “águia que fala”! Ensina-nos o caminho que conduz para a Virgem Morena de Tepeyac, para que Ela nos receba no íntimo do seu coração, dado que é a Mãe amorosa e misericordiosa que nos orienta para o Deus verdadeiro. (Homilia no dia da canonização Oração a São João Diego) * * * * * * * Nossa Senhora de Guadalupe: Uma prova de amor para com os povos americanos Os povos pré-hispanos do México, transmitiam e conservavam a memória da sua história de geração em geração através de canções e poemas que foram transcritas pelos números e símbolos hieroglíficos, rudes fibras de cactos, algodão, couros ou cascas de árvore. Estes são chamados de “códices”. Por sua parte, os historiadores são unânimes em afirmar que a figura de Nossa Senhora de Guadalupe ou impresso na Tilman Ayate , poncho típico dos povos indígenas do México, cujo proprietário era São Juan Diego, e esta repleto de figuras simbólicas. Característica que torna ainda mais exclusivo, porque foi destinado a pessoas que comunicaram precisamente através de imagens e símbolos. Na opinião Indígena, a estampa da “Mãe de Deus” não era apenas um retrato, bonito e extraordinário, como o foi para os missionários e conquistadores, mas era uma mensagem, ou um “códice” vindo dos céus. Através desta demonstração sobrenatural, Nossa Senhora de Guadalupe, expressou sua afeição por todas aquelas pessoas especiais, sua bondade e misericórdia sem limites e uma suavidade que até então os índios nunca tinha provado. Analisemos alguns destes símbolos presentes na imagem de Nossa Senhora de Guadalupe.O cinto e o resplendor Nossa Senhora de Guadalupe é apresentada com um cinto que não está localizado em sua cintura, mas, acima. Foi o sinal para os índios que estava grávida. A quem dará à luz? Ao sol resplandecente. O grande resplendor que Nossa Senhora tem por trás dela, e que saia Dela é o sol. Para os habitantes do México, esse astro é um símbolo da divindade. Logo, a senhora da figura não era outra senão a Mãe de Deus. Data da aparição Existe um fato significativo, ligado ao símbolo do sol. E está relacionado com o chamado solstício de inverno. Em todo o hemisfério sul, ocorre em 22 de junho. Por causa da inclinação do eixo da Terra, o Sol atinge o seu máximo de distância do equador. É o início do inverno, e também o dia mais tarde quando o sol nasce e se poe mais tarde. Por essa razão, aliás, é o mais curto dia e a noite mais longa do ano. No hemisfério norte, que fica localizado no México, neste inverno solstício ocorre em 22 de dezembro. Desde tempos imemoriais, os povos pagãos acreditavam que a data como a mais importante do ano, pelo simbolismo do sol que depois de se pôr volta a crescer. Os povos pré-colombianos do México, muito conhecedores da astronomia tinham naquele dia na mais alta consideração religiosa, era o dia em que o sol moribundo recobrava vigor, era o retorno a vida, era o surgimento da luz, a vitoria sobre as trevas. A aparição de Nossa Senhora de Guadalupe se deu exatamente nessa ocasião. Embora, nesse momento, como registrado em 12 de dezembro (e por respeito pela tradição é a data que se mantém até hoje), foi um erro do calendário Juliano então em vigor, e que foi corrigida mais tarde. Para reforçar a impressão que causou, ao mesmo tempo o famoso cometa Halley’s atingiu o seu Zenit nos céus mexicanos. Seu manto de estrelas De acordo com estudos recentes que podem ser comprovadas com precisão admirável, no manto de Nossa Senhora, estão representadas as mais brilhantes estrelas das principais constelações visíveis no Vale de Anahuac -atual cidade do México- no dia da aparição. Foi mais uma prova aos índios que a senhora vinha do céu. A flor de Quatro Pétalas Se tivermos um olhar para o manto de Nossa Senhora, abaixo da cintura deve ver uma pequena flor de quatro pétalas. Esta flor é Nahui-Hollín, de grande importância na perspectiva indígena do universo. Ela representa a antiga cidade de Tenochtitlán, a capital asteca, e em particular a colina do Tepeyac, onde se deu a aparição de Nossa Senhora. Também representadas, a plenitude da presença de Deus. Era outra indicação, que a senhora com o manto de estrelas, levava em seu puríssimo seio o Deus único e verdadeiro. O resto das flores e figuras impressas em suas vestes não estão colocadas ali ao acaso. Correspondem às diferenças geográficas do México, que os indígenas interpretavam à perfeição. O cabelo Nossa Senhora traz o cabelo solto que entre todos os Astecas era um sinal de virgindade. Portanto, a mostra de que a senhora é virgem e mãe.O Rosto Por fim, Nossa Senhora quis mostrar-se com traços mestiços, rosto moreno e ovalado, dizendo que ela quer ser a mãe amorosa de todos os habitantes da América. Muitos outros símbolos podem ser vistos na extraordinária figura de Nossa Senhora de Guadalupe, e nenhuma delas é aleatória, porque tudo isso está em um altíssimo nível de Sabedoria. Por outro lado, existe uma infinidade de belezas que a virgem oculta, que a ciência com todos os seus avanços tecnológicos não conseguem explicar. Por exemplo, o fenômeno das pupilas, na qual se distinguem com lupa minúsculas figuras humanas. A durabilidade inexplicável do rude manto, nem mesmo o acido sulfúrico caído por acidente conseguiu destruir. O modo misterioso que foi impressa a figura de nossa Senhora e outros aspectos que proximamente abordaremos. São as maravilhas da “Sempre Virgem Maria, Mãe do verdadeiro Deus” como ela mesma se definiu quando falou pela primeira vez com São Juan Diego. #FestasdeNossaSenhora
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SANTO DO DIA – 12 DE DEZEMBRO – NOSSA SENHORA DE GUADALUPE Por volta de 1531, os missionários espanhóis haviam já aprendido a língua dos indígenas para fins de evangelização. Conforme a antiga tradição, foi justamente nesse ano que a Virgem Mãe de Deus apareceu ao recém convertido Juan Diego (João Diogo, em Português), um piedoso índio, na colina de Tepeyac, perto da capital do México. Com muita afabilidade o exortou a ir ter com o Bispo e pedir-lhe que nesse lugar erguessem um Santuário em sua honra. O Bispo da diocese, Dom Frei João de Zumárraga retardou a resposta a fim de averiguar, cuidadosamente, o que tinha acontecido. Quando Juan, movido por uma segunda aparição e nova insistência da Santíssima Virgem, renovou as suas súplicas, entre lágrimas, ordenou-lhe o bispo que pedisse um sinal que comprovasse de que a ordem vinha realmente da grande Mãe de Deus. Vindo Juan, certo dia, de um lugar mais distante, por um caminho que não passa pela colina de Tepeyac e dirigindo-se à capital, à procura de um sacerdote que administrasse os últimos sacramentos ao tio moribundo, a Virgem veio ao seu encontro, pela terceira vez, e consolou-o com a notícia do completo restabelecimento do tio, colocando-lhe no manto estendido belíssimas flores que haviam desabrochado há pouco tempo, apesar da esterilidade do terreno e do inverno: “Escuta, meu filho, não temas; não fiques preocupado ou assustado; não tens que temer essa doença, nem outro qualquer dissabor ou aflição. Não estou eu aqui ao teu lado? Eu sou a Mãe dadivosa. Não te escolhi para mim e não te tomei ao meu cuidado? Não permitas que nada te aflija ou perturbe. Quanto à doença do teu tio, não é mortal. Acredita: agora mesmo ficará curado.” Ao ouvir estas palavras, o piedoso vidente voltou a renovar o seu oferecimento para levar o sinal ao Bispo. A SS. Virgem mandou-o ao lugar onde a tinha visto pela primeira vez, dizendo-lhe que lá encontraria uma grande variedade de flores. Que as colhesse e as trouxesse. Subiu Juan Diego ao alto da colina. No frio mês de Dezembro, naquela terra árida e rochosa, onde nem vegetação havia, tinham brotado abundantes rosas de cor e perfume maravilhosos. Nossa Senhora colocou-as no “poncho” (manta com um buraco no meio por onde enfiavam a cabeça) e mandou levá-las ao Bispo que com este sinal se havia de convencer. Juan Diego obedeceu e, ao despejar as flores perante o Bispo, apareceu uma linda pintura de Nossa Senhora tal como ela se mostrara na colina perto da cidade. O bispo acompanhou Juan ao local designado por Nossa Senhora e depois foi ver o tio dele, já curado. Este, ouvindo descrever a Senhora, assentiu sorrindo: “Eu também a vi. Ela veio a esta casa e falou-me. Disse-me também que desejava a construção de um templo na colina de Tepeyac. Disse que sua imagem seria chamada Santa Maria de Guadalupe, embora não tenha explicado o porquê.” A fama do milagre espalhou-se rapidamente por todo o território. Os cidadãos, profundamente impressionados por tão grande prodígio, procuraram guardar respeitosamente a santa Imagem na capela do paço episcopal. Mais tarde, após várias construções e ampliações, chegou-se ao magnífico templo actual. De toda a parte e não só do México, acorrem os homens à Senhora de Guadalupe. Em 1754, escrevia o Papa Bento XIV: “Nela tudo é milagroso: uma imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros; uma Imagem estampada num tecido tão transparente que se pode ver através dele facilmente o povo e a nave da Igreja: uma imagem em nada deteriorada, nem no seu supremo encanto, nem na nitidez das cores, pelas emanações da humidade do lago vizinho que já corroeram a prata, o ouro e o bronze… Deus não procedeu assim com nenhuma outra nação.” Em outros santuários marianos, a fé move os devotos, mas em Guadalupe a celestial visão nunca cessa. Junto a essa presença maternal, ninguém se sente como um filho culpado de Adão; cada qual experimenta a inocente simplicidade e o doce aconchego de um filho amoroso. Conheça mais sobre Nossa Senhora de Guadalupe Em 9 de dezembro de 1531, João Diego estava nos arredores da colina Tepeyac, atual cidade do México. Repentinamente, ouviu uma música suave, sonora e melodiosa… era Nossa Senhora de Guadalupe Pensa-se geralmente que João Diego era um indígena “pobre” e de “baixa condição social”. Contudo, sabemos hoje, por diversos testemunhos, que ele era filho do rei de Texcoco, Netzahualpiltzintli, e neto do famoso rei Netzahualcóyolt. Sua mãe era a rainha Tlacayehuatzin, descendente de Moctezuma e senhora de Atzcapotzalco e Atzacualco. Nestes dois lugares João Diego possuía terras e outros bens de herança. A este representante das etnias indígenas do Novo Mundo, a Mãe de Deus apareceu há quase quinhentos anos, trazendo uma mensagem de benquerença, doçura e suavidade, cuja luz se prolonga até nossos dias. Para compreendermos a magnitude da bondosa mensagem de Nossa Senhora, devemos transladar-nos ao ambiente psico-religioso daquele tempo. De um lado, as numerosas etnias que habitavam o vale de Anahuac, atual Cidade do México, haviam vivido durante décadas sob a tirania dos astecas, tribo poderosa, dada à prática habitual de sangrentos ritos idolátricos. Anualmente, sacrificavam milhares de jovens para manter aceso o “fogo do sol”. A antropofagia, a poligamia e o incesto faziam parte da rotina de vida desse povo. Os dedicados missionários, chegados ali com os conquistadores espanhóis, viam a necessidade imperiosa de evangelizar aquela gente, extirpando de modo categórico tão repugnantes costumes. Entretanto, os maus hábitos adquiridos, a dificuldade do idioma e, sobretudo, um certo orgulho indígena de não aceitar o “Deus do conquistador” em detrimento de suas divindades, tornavam difícil a tarefa de introduzir nesse ambiente a Luz do mundo. Deus Nosso Senhor, todavia, em sua infinita misericórdia, querendo que todos os homens “se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tim 2, 4), preparava uma maravilhosa solução para esse impasse. Nossa Senhora aparece a São João Diego Em 9 de dezembro de 1531, João Diego estava nos arredores da colina Tepeyac, na atual Cidade do México. Repentinamente, ouviu uma música suave, sonora e melodiosa que, pouco a pouco, foi-se extinguindo. Nesse momento escutou ele uma lindíssima voz, que no idioma nahualt o chamava pelo nome. Era Nossa Senhora de Guadalupe. Depois de cumprimentá-lo com muito carinho e afeto, Ela lhe dirigiu estas palavras cheias de bondade: “Porque sou verdadeiramente vossa Mãe compassiva, quero muito, desejo muito que construam aqui para mim um templo, para nele Eu mostrar e dar todo o meu amor, minha compaixão, meu auxílio e minha salvação a ti, a todos os outros moradores desta terra e aos demais que me amam, me invoquem e em mim confiem. Neste lugar quero ouvir seus lamentos, remediar todas as suas misérias, sofrimentos e dores.” Em seguida, Nossa Senhora pediu a João Diego que fosse ao palácio do Bispo do México, e lhe comunicasse que Ela o enviava e pedia a construção do templo. Sem hesitar, o “mensageiro da Virgem” foi entrevistar-se com Dom Luís de Zumárraga, e contou-lhe o que havia acontecido. Mas o Bispo não lhe deu crédito e mandou-o voltar outro dia. Segunda e terceira aparições Nesse mesmo dia, ao pôr-do-sol, João Diego, pesaroso, foi comunicar a Nossa Senhora o fracasso de sua missão. Com encantadora inocência, pediu a Ela que escolhesse um embaixador mais digno, estimado e respeitado. A Mãe de Deus lhe respondeu: “Escuta, ó menor de meus filhos! Tem por certo que não são poucos os meus servidores, meus mensageiros, aos quais Eu possa encarregar de levar minha mensagem e fazer minha vontade. Mas é muito necessário que vás tu, pessoalmente, e que por teu intermédio se realize, se efetive meu querer, minha vontade. E muito te rogo, filho meu, o menor de todos, e firmemente te ordeno, que vás amanhã outra vez ver o Bispo. E de minha parte faze-o saber, faze-o ouvir o meu querer, a minha vontade, para que este a realize, faça meu templo, que lhe peço. E outra vez dize-lhe que eu, pessoalmente, a sempre Virgem Santa Maria, Mãe de Deus, te envio.” No dia seguinte, depois de assistir à Missa, João Diego voltou a procurar o Bispo Dom Zumárraga, que o recebeu com atenção, porém mais céptico ainda, dizendo-lhe ser necessário um “sinal” para demonstrar que era realmente a Rainha do Céu que o enviava. Com toda naturalidade, o indígena respondeu que sim, ia pedir à Senhora o sinal solicitado. Ao cair do sol, como das vezes anteriores, apareceu a João Diego Nossa Senhora, radiante de doçura. Ela aceitou sem a menor dificuldade conceder-lhe o sinal pedido. Para isto, convidou-o a voltar no dia seguinte. Ele foge, Ela vai ao seu encontro Todavia, na segunda-feira, dia 11, João Diego não se apresentou à hora marcada. Seu tio, João Bernardino, caiu repentinamente doente, e Diego tentou todos os recursos medicinais indígenas para curá-lo. Foi em vão. Quando o enfermo percebeu a aproximação da morte, sendo já cristão fervoroso, pediu a seu sobrinho que lhe tentasse trazer um sacerdote. Pressuroso, João Diego saiu ao amanhecer do dia 12 em busca do confessor. Mas decidiu tomar um caminho diferente do habitual, para que a “Senhora do Céu” não lhe aparecesse, pois pensava: “Ela vai me pedir satisfação de sua incumbência e não poderei buscar o sacerdote.” Mas sua artimanha não funcionou. Para seu espanto, a Mãe de Deus lhe apareceu nesse caminho. Envergonhado, João Diego tratou de se desculpar com fórmulas de cortesia próprias do costume indígena: “Minha jovenzinha, filha minha, a pequenina, menina minha, oxalá estejas contente.” E depois de explicar-Lhe a enfermidade de seu tio, como causa de sua falta de diligência, concluiu: “Rogo-te que me perdoes, que tenhas ainda um pouco de paciência comigo, porque com isso não A estou enganando, minha filha pequenina, menina minha. Amanhã sem falta virei a toda pressa.” Ao que lhe respondeu Nossa Senhora, com bondade e carinho próprios à melhor de todas as Mães: “Escuta, e põe em teu coração, filho meu, o menor: o que te assusta e aflige não é nada. Não se perturbe teu rosto, teu coração; não temas esta enfermidade, nem qualquer outra enfermidade e angústia. Não estou eu aqui, tua Mãe? Não estás sob minha sombra e minha proteção? Não sou eu a fonte de tua alegria? Não estás porventura em meu regaço? Tens necessidade de alguma outra coisa? Que nenhuma outra coisa te aflija, nem te perturbe. Não te assuste a enfermidade de teu tio, porque dela não morrerá por agora. Tem por certo que já sarou.” Sinal para o “Mensageiro da Virgem” Assim que ouviu essas belíssimas palavras, João Diego, muito consolado, creu em Nossa Senhora. Mas era preciso cumprir a missão. Qual era o sinal? Ela lhe ordenou subir à colina de Tepeyac e cortar as flores que ali encontrasse. Esse encargo era impossível, uma vez que lá nunca elas nasciam, e menos ainda nesse tempo de inverno. Mas Diego não duvidou. Subiu a colina e no seu cume encontrou as mais belas e variadas rosas, todas perfumadas e cheias de gotas de orvalho como se fossem pérolas. Cortou-as e as guardou em sua tilma (o poncho típico dos índios mexicanos). Ao chegar embaixo, João Diego apresentou as flores a Nossa Senhora, que as tocou com suas mãos celestiais e voltou a colocá-las na tilma. “Filhinho meu, o menor, esta variedade de flores é a prova e sinal que levarás ao Bispo. Tu lhe dirás de minha parte que veja nela a minha vontade e que ele tem de cumpri-la. Tu és meu embaixador, no qual absolutamente deposito toda a confiança. Com firmeza te ordeno que diante do Bispo abras tua manta e mostres o que levas.” João Diego se dirigiu novamente ao palácio de Dom Zumárraga. Depois de muito esperar e insistir, os criados o deixaram chegar à presença do Bispo. O “Mensageiro da Virgem” começou a narrar todo o sucedido com Nossa Senhora e em certo momento estendeu sua tilma, descobrindo o sinal. Caíram as mais preciosas e perfumadas flores e, no mesmo instante, estampou-se milagrosamente no tecido a portentosa Imagem da Perfeita Virgem Santa Maria Mãe de Deus, que se venera até hoje no Santuário de Guadalupe. Profundo sentido eclesial e missionário Assim foi a grande aparição cujo primeiro resultado foi a conversão em grande escala dos indígenas. “O Acontecimento Guadalupano – assinala o episcopado do México – significou o início da evangelização, com uma vitalidade que extravasou todas as expectativas. A mensagem de Cristo, por meio de sua Mãe, tomou os elementos centrais da cultura indígena, purificou-os e deu-lhes o definitivo sentido de salvação.” E o Papa completa: “É assim que Guadalupe e João Diego tomaram um profundo sentido eclesial e missionário, sendo um modelo de evangelização perfeitamente inculturada” (Missa de Canonização, 31/7/2002). Por isso, determinou Sua Santidade que no dia 12 de dezembro seja celebrada, em todo o Continente, a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe e Evangelizadora da América (Exortação Apostólica Ecclesia in América). ² * * * * * * * Na homilia de 31 de julho de 2002, o Santo Padre dirigiu ao recém-canonizado São João Diego esta comovedora oração: Ditoso Juan Diego, índio bondoso e cristão, em quem o povo simples sempre viu um homem santo! Nós te suplicamos que acompanhes a Igreja peregrina no México, para que seja cada dia mais evangelizadora e missionária. Encoraja os Bispos, sustenta os presbíteros, suscita novas e santas vocações, ajuda todas as pessoas que entregam a sua própria vida pela causa de Cristo e pela difusão do seu Reino. Bem-aventurado Juan Diego, homem fiel e verdadeiro! Nós te recomendamos os nossos irmãos e as nossas irmãs leigos a fim de que, sentindo-se chamados à santidade, penetrem todos os âmbitos da vida social com o espírito evangélico. Abençoa as famílias, fortalece os esposos no seu matrimônio, apoia os desvelos dos pais empenhados na educação cristã dos seus filhos. Olha com solicitude para a dor dos indivíduos que sofrem no corpo e no espírito, de quantos padecem em virtude da pobreza, da solidão, da marginalização ou da ignorância. Que todos, governantes e governados, trabalhem sempre em conformidade com as exigências da justiça e do respeito da dignidade de cada homem individualmente, para que desta forma a paz seja consolidada. Amado Juan Diego, a “águia que fala”! Ensina-nos o caminho que conduz para a Virgem Morena de Tepeyac, para que Ela nos receba no íntimo do seu coração, dado que é a Mãe amorosa e misericordiosa que nos orienta para o Deus verdadeiro. (Homilia no dia da canonização Oração a São João Diego) * * * * * * * Nossa Senhora de Guadalupe: Uma prova de amor para com os povos americanos Os povos pré-hispanos do México, transmitiam e conservavam a memória da sua história de geração em geração através de canções e poemas que foram transcritas pelos números e símbolos hieroglíficos, rudes fibras de cactos, algodão, couros ou cascas de árvore. Estes são chamados de “códices”. Por sua parte, os historiadores são unânimes em afirmar que a figura de Nossa Senhora de Guadalupe ou impresso na Tilman Ayate , poncho típico dos povos indígenas do México, cujo proprietário era São Juan Diego, e esta repleto de figuras simbólicas. Característica que torna ainda mais exclusivo, porque foi destinado a pessoas que comunicaram precisamente através de imagens e símbolos. Na opinião Indígena, a estampa da “Mãe de Deus” não era apenas um retrato, bonito e extraordinário, como o foi para os missionários e conquistadores, mas era uma mensagem, ou um “códice” vindo dos céus. Através desta demonstração sobrenatural, Nossa Senhora de Guadalupe, expressou sua afeição por todas aquelas pessoas especiais, sua bondade e misericórdia sem limites e uma suavidade que até então os índios nunca tinha provado. Analisemos alguns destes símbolos presentes na imagem de Nossa Senhora de Guadalupe.O cinto e o resplendor Nossa Senhora de Guadalupe é apresentada com um cinto que não está localizado em sua cintura, mas, acima. Foi o sinal para os índios que estava grávida. A quem dará à luz? Ao sol resplandecente. O grande resplendor que Nossa Senhora tem por trás dela, e que saia Dela é o sol. Para os habitantes do México, esse astro é um símbolo da divindade. Logo, a senhora da figura não era outra senão a Mãe de Deus. Data da aparição Existe um fato significativo, ligado ao símbolo do sol. E está relacionado com o chamado solstício de inverno. Em todo o hemisfério sul, ocorre em 22 de junho. Por causa da inclinação do eixo da Terra, o Sol atinge o seu máximo de distância do equador. É o início do inverno, e também o dia mais tarde quando o sol nasce e se poe mais tarde. Por essa razão, aliás, é o mais curto dia e a noite mais longa do ano. No hemisfério norte, que fica localizado no México, neste inverno solstício ocorre em 22 de dezembro. Desde tempos imemoriais, os povos pagãos acreditavam que a data como a mais importante do ano, pelo simbolismo do sol que depois de se pôr volta a crescer. Os povos pré-colombianos do México, muito conhecedores da astronomia tinham naquele dia na mais alta consideração religiosa, era o dia em que o sol moribundo recobrava vigor, era o retorno a vida, era o surgimento da luz, a vitoria sobre as trevas. A aparição de Nossa Senhora de Guadalupe se deu exatamente nessa ocasião. Embora, nesse momento, como registrado em 12 de dezembro (e por respeito pela tradição é a data que se mantém até hoje), foi um erro do calendário Juliano então em vigor, e que foi corrigida mais tarde. Para reforçar a impressão que causou, ao mesmo tempo o famoso cometa Halley’s atingiu o seu Zenit nos céus mexicanos. Seu manto de estrelas De acordo com estudos recentes que podem ser comprovadas com precisão admirável, no manto de Nossa Senhora, estão representadas as mais brilhantes estrelas das principais constelações visíveis no Vale de Anahuac -atual cidade do México- no dia da aparição. Foi mais uma prova aos índios que a senhora vinha do céu. A flor de Quatro Pétalas Se tivermos um olhar para o manto de Nossa Senhora, abaixo da cintura deve ver uma pequena flor de quatro pétalas. Esta flor é Nahui-Hollín, de grande importância na perspectiva indígena do universo. Ela representa a antiga cidade de Tenochtitlán, a capital asteca, e em particular a colina do Tepeyac, onde se deu a aparição de Nossa Senhora. Também representadas, a plenitude da presença de Deus. Era outra indicação, que a senhora com o manto de estrelas, levava em seu puríssimo seio o Deus único e verdadeiro. O resto das flores e figuras impressas em suas vestes não estão colocadas ali ao acaso. Correspondem às diferenças geográficas do México, que os indígenas interpretavam à perfeição. O cabelo Nossa Senhora traz o cabelo solto que entre todos os Astecas era um sinal de virgindade. Portanto, a mostra de que a senhora é virgem e mãe.O Rosto Por fim, Nossa Senhora quis mostrar-se com traços mestiços, rosto moreno e ovalado, dizendo que ela quer ser a mãe amorosa de todos os habitantes da América. Muitos outros símbolos podem ser vistos na extraordinária figura de Nossa Senhora de Guadalupe, e nenhuma delas é aleatória, porque tudo isso está em um altíssimo nível de Sabedoria. Por outro lado, existe uma infinidade de belezas que a virgem oculta, que a ciência com todos os seus avanços tecnológicos não conseguem explicar. Por exemplo, o fenômeno das pupilas, na qual se distinguem com lupa minúsculas figuras humanas. A durabilidade inexplicável do rude manto, nem mesmo o acido sulfúrico caído por acidente conseguiu destruir. O modo misterioso que foi impressa a figura de nossa Senhora e outros aspectos que proximamente abordaremos. São as maravilhas da “Sempre Virgem Maria, Mãe do verdadeiro Deus” como ela mesma se definiu quando falou pela primeira vez com São Juan Diego. #FestasdeNossaSenhora
- Homilia Diária | Sejamos cooperadores de Cristo
Segunda-feira da 2.ª Semana do Advento O Evangelho que a Igreja hoje proclama nos desvela um mistério tremendo: Cristo, Cabeça de uma humanidade renovada, quer ser ajudado em sua obra de salvação pelos membros de seu Corpo Místico, não por fraqueza ou indigência, mas para que nós, unidos à sua Paixão, cooperemos com nossas dores e orações para a salvação de nossos irmãos no Filho eterno do Pai. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta segunda-feira, dia 11 de dezembro, e peçamos a Maria Santíssima, Rainha da Igreja, que nos dê a graça de vivermos com profundidade o mistério de nossa colaboração com o divino Redentor! Santo do Dia: Hoje celebramos São Dâmaso, o Papa mais notável do século IV Evangelho (Lc 5,17-26) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Eis que o Rei há de vir, Senhor da terra, ele mesmo de nós afastará o jugo do nosso cativeiro. — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. 17 Um dia Jesus estava ensinando. À sua volta estavam sentados fariseus e doutores da Lei, vindos de todas as aldeias da Galileia, da Judeia e de Jerusalém. E a virtude do Senhor o levava a curar. 18 Uns homens traziam um paralítico num leito e procuravam fazê-lo entrar para apresentá-lo. 19 Mas, não achando por onde introduzi-lo, devido à multidão, subiram ao telhado e por entre as telhas o desceram com o leito no meio da assembleia diante de Jesus. 20 Vendo-lhes a fé, ele disse: “Homem, teus pecados estão perdoados”. 21 Os escribas e fariseus começaram a murmurar, dizendo: “Quem é este que assim blasfema?” 22 Conhecendo-lhes os pensamentos, Jesus respondeu, dizendo: “Por que murmurais em vossos corações? 23 O que é mais fácil dizer: ‘teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘levanta-te e anda’? 24 Pois, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder de perdoar pecados — disse ao paralítico — eu te digo: levanta-te, pega o leito e vai para casa”. 25 Imediatamente, diante deles, ele se levantou, tomou o leito e foi para casa, louvando a Deus. 26 Todos ficaram fora de si, glorificavam a Deus e cheios de temor diziam: “Hoje vimos coisas maravilhosas!” — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
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Segunda-feira da 2.ª Semana do Advento O Evangelho que a Igreja hoje proclama nos desvela um mistério tremendo: Cristo, Cabeça de uma humanidade renovada, quer ser ajudado em sua obra de salvação pelos membros de seu Corpo Místico, não por fraqueza ou indigência, mas para que nós, unidos à sua Paixão, cooperemos com nossas dores e orações para a salvação de nossos irmãos no Filho eterno do Pai. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta segunda-feira, dia 11 de dezembro, e peçamos a Maria Santíssima, Rainha da Igreja, que nos dê a graça de vivermos com profundidade o mistério de nossa colaboração com o divino Redentor! Santo do Dia: Hoje celebramos São Dâmaso, o Papa mais notável do século IV Evangelho (Lc 5,17-26) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Eis que o Rei há de vir, Senhor da terra, ele mesmo de nós afastará o jugo do nosso cativeiro. — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. 17 Um dia Jesus estava ensinando. À sua volta estavam sentados fariseus e doutores da Lei, vindos de todas as aldeias da Galileia, da Judeia e de Jerusalém. E a virtude do Senhor o levava a curar. 18 Uns homens traziam um paralítico num leito e procuravam fazê-lo entrar para apresentá-lo. 19 Mas, não achando por onde introduzi-lo, devido à multidão, subiram ao telhado e por entre as telhas o desceram com o leito no meio da assembleia diante de Jesus. 20 Vendo-lhes a fé, ele disse: “Homem, teus pecados estão perdoados”. 21 Os escribas e fariseus começaram a murmurar, dizendo: “Quem é este que assim blasfema?” 22 Conhecendo-lhes os pensamentos, Jesus respondeu, dizendo: “Por que murmurais em vossos corações? 23 O que é mais fácil dizer: ‘teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘levanta-te e anda’? 24 Pois, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder de perdoar pecados — disse ao paralítico — eu te digo: levanta-te, pega o leito e vai para casa”. 25 Imediatamente, diante deles, ele se levantou, tomou o leito e foi para casa, louvando a Deus. 26 Todos ficaram fora de si, glorificavam a Deus e cheios de temor diziam: “Hoje vimos coisas maravilhosas!” — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Hoje celebramos São Dâmaso, o Papa mais notável do século IV – 11 de Dezembro
SANTO DO DIA – 11 DE DEZEMBRO – SÃO DÂMASO I Papa (305-384) Dâmaso era espanhol, mas não se descarta que ele possa ter nascido em Roma, no ano 305. Culto e instruído, ocupou o trono da Igreja de 366 a 384. Foi considerado um dos mais firmes e valentes sucessores de Pedro. Sem temer as ameaças e protecionismos imperiais, demitiu de uma só vez todos os bispos que mantinham vínculo com a heresia ariana, trazendo estabilidade à Igreja através da unidade, da obediência e respeito ao papa de Roma. Sua eleição foi tumultuada por causa da oposição. Houve até luta armada entre as facções, vitimando cento e trinta e sete pessoas. Mas, ao assumir, o então papa Dâmaso I trouxe de volta a tradição da doutrina à Igreja, havendo um florescimento de ritos, orações e pregações durante seu mandato. Devem-se a ele, por exemplo, os estudos para a revisão dos textos da Bíblia e a nova versão em latim feita pelo depois são Jerônimo, seu secretário. Em seu governo, a Igreja conseguiu uma nova postura e respeito na sua participação na vida pública civil. Os bispos podiam escrever, catequizar, advertir e condenar. Esse papa sabia como ninguém fazer-se entender com os impérios e reinados e conseguia paz para que a Igreja se autogerisse. Foi uma figura digna do seu tempo, pois conviveu com grandes destaques do cristianismo, como os santos: Ambrósio, Agostinho e Jerônimo, só para citar alguns. Além de administrador, era, também, um poeta inspirado pelas orações e cânticos antigos e um excelente arqueólogo. Graças a ele as catacumbas foram recuperadas, com o próprio papa percorrendo-as para identificar os túmulos dos mártires e dar-lhes as devidas honras. Nesse mesmo local exaltou os mártires em seus famosos ‘Títulos’, ou seja, epigramas talhados nas pedras pelo calígrafo Dionísio Filocalo, com os lindos poemas que escrevia especialmente para cada um. Dâmaso I escolheu, pessoalmente, o túmulo no qual gostaria que fossem depositados seus restos mortais. Na cripta dos papas, localizada nas Catacumbas de São Calisto, ao término dos seus escritos em honra deles, deixou registrado: ‘Aqui, eu, Dâmaso, gostaria que fossem depositados meus espólios. Mas temo perturbar as piedosas cinzas dos mártires’. Ao morrer, em 384, com quase oitenta anos, foi sepultado num solitário e humilde túmulo na via Andreatina, que ele, discreto, preparara para si. Santo papa Dâmaso I é venerado no dia 11 de dezembro. Texto: Paulinas Internet S. Dâmaso I, Papa À morte do Papa Libério em 366, elegeu-se Dâmaso, espanhol de origem, mas nascido em Roma, onde o pai, chamado Antônio, fora, sucessivamente, escrivão, leitor, diácono e, afinal, padre do título de São Lourenço. Dâmaso serviu na mesma igreja. Quando Libério foi banido, em 355, já ele era diácono da igreja romana e se comprometia, diz-se, por um juramento solene, com o resto do clero de Roma, a jamais receber outro Papa que não Libério, enquanto vivo, ao qual acompanhou mesmo no exílio, por algum tempo. Estava Dâmaso com mais de sessenta anos quando foi eleito pelo julgamento de Deus, segundo testemunho de Santo Ambrósio. Os costumes do Santo eram tão puros, que São Jerônimo o chamou, depois da morte, “Dâmaso de santa memória, virgem e doutor da Igreja virgem”. Foi, então, ordenado na basílica de Lucínio, outrora de São Lourenço, que era título, Pouco tempo depois, Ursino, também diácono da igreja romana, não se conformando com a escolha de Dâmaso, vendo-se preterido, reuniu sediciosos em outra basílica, e persuadiu Paulo, bispo de Tibur, homem grosseiro e ignorante, a ordená-lo bispo, contra a regra da tradição geral, que queria três bispos para ordenar um, e contra o antigo costume da Igreja romana, pelo qual o bispo devia ser ordenado pelo de Óstia. O povo tomou partido no cisma. Juvêncio, prefeito de Roma, e Juliano, prefeito dos víveres, enviaram ao exílio Ursino, e mais os diáconos Amâncio e Lobo, os principais fautores. Os demais iam ser expulsos da cidade. Parte do povo que era do partido de Ursino, porém, revoltou-se. E os que eram do partido de Dâmaso, armando-se de espadas e porretes, correram à basílica de Libério, antigamente de Sicine, onde Ursino fora ordenado e se escondiam aqueles que os do partido do sedicioso haviam levado, arrancados que foram das mãos dos soldados, quando iam ser expulsos da cidade. Cercada a basílica, travou-se grande luta, e trezentas pessoas, ambos os sexos, foram mortas. Vencia o partido de Dâmaso. O prefeito Juvêncio não conseguindo dominar a sedição, retirou-se a uma casa de campo. Quando considero o esplendor de Roma, disse a propósito Amiano Marcelino, não nego os que desejavam aquele lugar não devesse, fazer todos os esforços para consegui-lo porque, uma vez obtido, viriam a enriquecer facilmente tão só com as dádivas das senhoras, que dizer de aparecer em público, carregado, vestido com magnificência? E os magníficos festins? Eram eles de fazer inveja aos reis mesmos! Poderiam ser verdadeiramente felizes! São palavras dum autor pagão, e, pois, justificam-se. Além do testemunho de Amiano, temos ainda outra prova, na qual São Jerônimo lembra Pretextato, personagem célebre na história daqueles tempos pelos cargos que no império ocupou, e que morreu cônsul. Tinha o costume de dizer a Dâmaso, rindo: – Ordenem-me bispo de Roma e far-me-ei cristão. Isto mostra o que significava ser bispo de Roma, coisa que, aos olhos dos pagãos mesmos e segundo o mundo, era a mais importante, mais ilustre que todas as dignidades do império romano. Pretextato foi prefeito de Roma, depois de Juvêncio, e pela conduta justa e sábia, muito contribuiu para acalmar um pouco a tensão. Os cismáticos agiram de tal maneira na corte, que residia sempre nas Gálias, que acabaram por conseguir um rescrito de Valentiniano a Pretextato, pelo qual se permitia a Ursino e seus cúmplices retornarem à cidade, mas com a condição de não mais tomar parte em quaisquer movimentos, caso contrário seriam severamente punidos. Intrigava-se muito na corte. São Dâmaso foi vítima de vários atentados. Provavelmente, o prefeito ou o príncipe deixaram-se embair por intrigas e calúnias. Os partidários de Ursino queriam culpar o Santo, dizendo-o o autor das desordens passadas e do cisma. O fato é que Pretextato, atilado, em tempo sustou princiípios de tumulto: afastou Ursino e restabeleceu a paz e a tranqüilidade em Roma. São Jerônimo e Santo Ambrósio, bem como os concílios de Roma e de Aquiléia, provaram que a causa de todo o mal, proviera dum único culpado – Ursino. São Jerônimo atribui a glória de ter livrado o pontífice legítimo das tramas cismáticas a Evagro, depois bispo de Antioquia e sucessor de Paulino. Estando na corte de Valentiniano por outros negócios, obteve do imperador uma ordem a Pretextato para nova expulsão de Ursino de Roma, bem como doutros chefes da facção. Cada qual foi banido para diferentes lugares, indo o Antipapa para as Gálias. No Ocidente, o imperador Constâncio empregava todas as violências e todos os ardis para implantar o arianismo. Todas as manobras em Rímini foram vãs. Pouco depois, todos os bispos, exceto dois ou três, achavam-se unidos como antigamente na profissão da antiga fé. Todavia, o que o imperador Constâncio procurava desunir, o Papa Libério unira. E Dâmaso continuou a obra de Libério. Para exterminar o cisma de Ursino, São Dâmaso dirigiu-se à terra e ao céu. Os cismáticos, embora sem clérigos, à frente, não deixaram de concorrer às assembléias nos cemitérios, tendo mesmo uma igreja. A uma petição da Igreja romana, Valentiniano a tudo fez cessar, ordenando que todos voltassem ao Papa. Para a volta do clero cismático, São Dâmaso fez votos aos santos mártires. Desde os primeiros tempos de pontificado, reuniu o Santo dois concílios em Roma, onde se confirmou a fé de Nicéia e se declarou nulo tudo aquilo que se procurara fazer em Rímini. As igrejas do Ocidente estavam divididas entre elas mesmas e os arianos, São Basílio escreveu estas memoráveis palavras a Santo Atanásio: “Pareceu-nos conveniente escrever ao bispo de Roma, para que considerasse o que aqui se passa. Como seria difícil de lá enviar deputados para um concílio, aconselhamos que usasse da autoridade nesta questão e escolhesse homens capazes de suportar a fadiga da viagem, que falasse com doçura e firmeza aos que não andam direito, industriando os que vierem ver de perto, que o façam secretamente, sem barulho e por mar, para que os inimigos da paz não se apercebam. Assim, levarão, depois, todas as atas de Rímino, para anular o que pela violência foi feito”. Santo Atanásio, morrendo em 373, Pedro, o sucessor, viu os idólatras e os arianos levar vantagens pelo favor do imperador Constâncio. Pedro deixou Alexandria, porque não lhe era permitido exercer o ministério, e foi para Roma, centro sagrado da Igreja, refúgio de bispos perseguidos e fiéis. A igreja de Antioquia estava dividida entre dois discípulos católicos, Melécio e Paulino, e dois heréticos, Vital, apolinarista, e Doroteu, ariano. São Dâmaso enviou a Paulino um formulário de fé que Vital devia subscrever. O apolinarista estivera em Roma e quisera enganar o Pontífice, mas São Dâmaso, descobrindo a trama, enviara o dito formulário de fé, que o embusteiro se negou a assinar, sendo, então excomungado e anatematizada a fraudulenta confissão que ao Santo fizera. São Jerônimo estava inquieto com aquela divisão da Antioquia. Perguntavam-lhe por quem era ele, se por Vital, Melécio ou Paulino. O bispo dos arianos e dos católicos do partido de Melécio perguntava-lhe se sustentava três hipóstases na Trindade. Cansado daquelas questões, escreveu ao Papa São Dâmaso nestes termos: “Como no Oriente, agitado por antigas paixões violentas, rasgou a veste sem costura do Senhor, eu creio dever consultar pela boca do apóstolo, à procura de alimento para minha alma. Vossa grandeza me assusta, mas vossa bondade me atrai. Ovelha, procuro o socorro do pastor. Para trás, pois, inveja! Para trás, grandeza e dignidade de Roma! Eu falo ao sucessor do pescador e do discípulo da Cruz! Não sigo ninguém mais que a Cristo. Estou indo à comunhão de vossa Beatitude, quero dizer, à cátedra de Pedro. Sei que sobre aquela pedra foi estabelecida a Igreja. Quem quer que participe do Cordeiro fora daquela cidade, é profano. Não conheço Vital, rejeito Melécio, ignoro quem seja Paulino. Quem quer que não comungue convosco, aparta-o – isto é, quem não pertence ao Cristo, pertence ao Anticristo. Perguntam-me se admito três hipóstases. Pergunto o que tais palavras querem significar: respondem-me que são três pessoas subsistentes; digo que assim creio; dizem que tal não é suficiente. Nós dizemos altamente: Se alguém não confessar três hipóstases, no sentido de três pessoas subsistentes, que seja anatematizado. Por que empregamos a palavra sem explicação somos heréticos? Dizemos, por outro lado: Se alguém, entendendo por hipóstase essência, não confesse uma hipóstase em três pessoas, é estranho ao Cristo, e acusam-no de confundir as três pessoas em uma. Decidi, pois, eu vos conjuro. Se o aprovardes, eu não temerei em dizer três hipóstases. Se ordenardes, far-se-á um novo símbolo depois de Nicéia, e professar-se-á a fé ortodoxa nos mesmos termos pouco mais ou menos que os arianos professam o erro. É que os arianos diziam três hipóstases no sentido de essência, segundo o uso de autores profanos – o que aumentava a desconfiança de São Jerônimo. Por isso que suplica ao Papa a autorização de dizer ou não dizer as hipóstases. Não tendo recebido resposta à primeira carta, escreveu uma segunda, na qual dizia: Dum lado, os arianos exercem a sua atividade, sustentados pelo poder do século, e doutro, a Igreja, dividida em três partidos, vem atrair-me: os monges que me cercam usam para comigo da antiga autoridade. Entretanto, grito: ” Se alguém está unidos a Cátedra de Pedro, esse é dos meus! Melécio, Vital e Paulino, todos os três, dizem que estão unidos a vós. Poderia crer se um só deles mo dissesse, mas são três. Eis porque conjuro a Vossa Beatitude, pela Cruz do Senhor, que me instrua, com suas cartas: a quem devo comunicar-me? Não desprezeis uma alma pela qual Jesus Cristo morreu.” Naquela época, o Papa São Dâmaso estava às voltas com muitos concílios em Roma. Num deles, ao qual assistia Pedro de Alexandria, condenou que se depusesse Apolinário, que negava que Nosso Senhor tomara uma alma humana, e Timóteo, o principal discípulo, que fora a Roma para lhe defender a causa. No mesmo concílio, ou num outro, enviou uma profissão de fé aos bispos do Oriente, que, sobre a divindade do Verbo e do Espírito Santo, assim como sobre a encarnação, continha, à maneira de exposição, a mesma doutrina que a enviada a Paulino sob forma de anátema. Mais tarde, cento e quarenta e seis bispos orientais, tendo à frente Melécio e Santo Eusébio de Samosate, subscreveram-na num concílio de Antioquia. Assim, apesar das dificuldades do tempo, malgrado as divisões e as prevenções de toda espécie, Roma era sempre o centro da unidade e da ação na Igreja, e também no universo intelectual. Entretanto, o concílio, do qual o Papa havia falado no ano precedente, numa das cartas a seu legado, Santo Áscolo da Tessolônica, reuniu-se efetivamente em Constantinopla no mês de maio de 381, por ordem do imperador Teodósio. Tinha, então, Santo Áscolo a tarefa de fazer com que se elegesse um bispo católico, próprio para consolidar a paz das igrejas. Era este o assunto principal. Quanto à ordenação de Máximo, o Papa, sobre o que disse Santo Áscolo e outros bispos da Macedônia, condenara-a. Quanto às questões dogmáticas, o mesmo Papa havia-as já decidido numa exposição de fé enviada aos bispos do Oriente, e que os que ali estavam subscreveram num concílio de Antioquia, em número superior a cinqüenta. O que dizia respeito à divindade do Espírito Santo, aos caracteres da Igreja, à unidade do batismo, à ressurreição da carne, à vida do século futuro, mais ao símbolo de Nicéia, era para ser aprendido de cor por todos os bispos ortodoxos e pelos catecúmenos. É o que Santo Epifânio nos atesta em 373, no fim do seu Ancorat. Quanto ao cisma de Antioquia, o acordo jurado entre os dois partidos fora proposto e aprovado de antemão pelos bispos da Itália, São noções indispensáveis para julgar sensatamente coisas e pessoas. O concílio, tendo eleito Nectário para Constantinopla e Flaviano para Antioquia, o imperador Teodósio enviou uma embaixada ao Papa Dâmaso para dele obter a confirmação da eleição. Eis como o Papa Bonifácio fala do fato numa carta aos bispos da Ilíria: “O príncipe Teodósio, de clementíssima memória, pensando que a ordenação de Nectário era sem solidez, porque nós dela não participamos, enviou-nos oficiais da corte com bispos, para solicitar, conforme as regras, uma carta que assegurasse o sacerdócio a Nectário. Isto não sucedeu somente com respeito a Nectário, já que com Flaviano agiram do mesmo modo. A consequência natural é que, segundo o testemunho do imperador Teodósio e dos bispos do concílio, a confirmação do Papa era necessária para que a eleição de Nectário e de Flaviano, aprovada por um concílio ecumênico, ficasse consolidada. Entrementes, os bispos do Oriente e do Ocidente reuniam-se em Roma, em virtude das cartas imperiais. Eis o que diz São Jerônimo, de maneira incidente, no elogio de Santa Paula, ilustre dama romana. Entre os bispos do Oriente, nomeia Santo Epifânio, metropolitano de Chipre, e Paulino de Antioquia, que o acompanhava. Santo Epifânio, hospedou-se na casa de Santa Paula. Paulino, por seu lado, via-a muito frequentemente, e ambos os dois lhe inspiraram ardente desejo de solidão. Passaram o inverno em Roma e não retornaram ao Oriente senão no ano seguinte. É bem de crer que, além dos três deputados do concílio de Constantinopla, Timóteo de Alexandria ali estivesse igualmente com outros bispos, seja do Egito, seja da Arábia. Via-se, então do Ocidente, Anêmio de Sirmium, Áscolo da Tessalônica, Ambrósio de Milão, Britão de Tréveris. Como se vê pelas atas do concílio, não se sabe qual foi o resultado. A carta seguinte, do Papa Dâmaso, leva-nos a crer que o resultado foi pacífico e feliz. Segundo o testemunho de Teodoreto, foi ela endereçada a todos os bispos do Oriente. O assunto é a condenação de Apolinário e de Timóteo, o discípulo, que pretendia ao primeiro fazer bispo: “Quando vossa caridade tributa à cátedra apostólica o respeito que lhe é devido, o maior proveito é para vós mesmos, meus honoráveis filhos, porque, embora sejamos obrigados a sustentar o governo da Igreja, na qual o Santo Apóstolo se sentou e ensinou, nos reconhecemos, não obstante, bem abaixo desta honra. Eis porque trabalhamos com todas as nossas forças para ter êxito, e se possível, a glória de sua beatitude. Sabei, pois, que há já muito tempo que condenamos o profano Timóteo, discípulo do herético Apolinário, com seu ímpio dogma, e esperamos que, para o futuro, nada mais fique da seita. Porque, se a velha serpente reaparecer por seu suplício, depois de ter sido fulminada uma ou duas vezes pelo anátema e expulsa da Igreja, e se põe, com o veneno, a infectar fiéis quaisquer, evitai-a como a peste se evita, recorrendo sempre à fé dos Apóstolos, sobretudo aquela que foi escrita e publicada pelos de Nicéia. Permanecei firmes e imutáveis, porque já demos a fórmula da lei, a fim de que quem quer que faça profissão de ser cristão guarde o que foi transmitido pelos Apóstolos, segundo esta palavra de São Paulo: Se alguém vos anunciar outra coisa que não aquela que recebestes, seja anátema! Porque pedis uma segunda deposição de Timóteo? Não foi já deposto com o mestre, Apolinário, pelo julgamento da cátedra apostólica, em presença de Pedro, bispo de Alexandria? Se tentar arrastar alguns levianos, quem que resista à regra da Igreja, com ele perigará. Deus vos conserve, filhos bem-amados!” São Dâmaso morreu em 385, a 11 de dezembro, com quase oitenta anos, depois de longo e glorioso pontificado de dezoito anos e dois meses. Queria ser enterrado no lugar onde estavam as relíquias de São Sixto e de muitos outros mártires, mas desistiu, temeroso de revolver aqueles santos restos. Foi, então, sepultado numa igreja que erigira nas Catacumbas, no caminho de Ardéia, ao lado da mãe e da irmã, a virgem Irene, da qual escrevera o epitáfio, e o seu também, dizendo que esperava ressuscitar um dia. São Dâmaso restaurou, aumentou e embelezou a igreja de São Lourenço, onde servira depois do pai. Adornara-a com pinturas da história santa, enriquecera-a com vasos de prata, aumentando-lhe a renda com casas e terras. A de São Pedro do Vaticano também lhe sentiu as liberalidades. Além de cartas e pequenos poemas, deixou muitos escritos, respostas às consultas do Oriente e do Ocidente, trabalhos que não chegaram até nós. (Vida de Santos, Padre Rohrbacher, Volume XXI, p. 200 à 210) #SantodoDia
- Hoje celebramos São Dâmaso, o Papa mais notável do século IV – 11 de Dezembro
SANTO DO DIA – 11 DE DEZEMBRO – SÃO DÂMASO I Papa (305-384) Dâmaso era espanhol, mas não se descarta que ele possa ter nascido em Roma, no ano 305. Culto e instruído, ocupou o trono da Igreja de 366 a 384. Foi considerado um dos mais firmes e valentes sucessores de Pedro. Sem temer as ameaças e protecionismos imperiais, demitiu de uma só vez todos os bispos que mantinham vínculo com a heresia ariana, trazendo estabilidade à Igreja através da unidade, da obediência e respeito ao papa de Roma. Sua eleição foi tumultuada por causa da oposição. Houve até luta armada entre as facções, vitimando cento e trinta e sete pessoas. Mas, ao assumir, o então papa Dâmaso I trouxe de volta a tradição da doutrina à Igreja, havendo um florescimento de ritos, orações e pregações durante seu mandato. Devem-se a ele, por exemplo, os estudos para a revisão dos textos da Bíblia e a nova versão em latim feita pelo depois são Jerônimo, seu secretário. Em seu governo, a Igreja conseguiu uma nova postura e respeito na sua participação na vida pública civil. Os bispos podiam escrever, catequizar, advertir e condenar. Esse papa sabia como ninguém fazer-se entender com os impérios e reinados e conseguia paz para que a Igreja se autogerisse. Foi uma figura digna do seu tempo, pois conviveu com grandes destaques do cristianismo, como os santos: Ambrósio, Agostinho e Jerônimo, só para citar alguns. Além de administrador, era, também, um poeta inspirado pelas orações e cânticos antigos e um excelente arqueólogo. Graças a ele as catacumbas foram recuperadas, com o próprio papa percorrendo-as para identificar os túmulos dos mártires e dar-lhes as devidas honras. Nesse mesmo local exaltou os mártires em seus famosos ‘Títulos’, ou seja, epigramas talhados nas pedras pelo calígrafo Dionísio Filocalo, com os lindos poemas que escrevia especialmente para cada um. Dâmaso I escolheu, pessoalmente, o túmulo no qual gostaria que fossem depositados seus restos mortais. Na cripta dos papas, localizada nas Catacumbas de São Calisto, ao término dos seus escritos em honra deles, deixou registrado: ‘Aqui, eu, Dâmaso, gostaria que fossem depositados meus espólios. Mas temo perturbar as piedosas cinzas dos mártires’. Ao morrer, em 384, com quase oitenta anos, foi sepultado num solitário e humilde túmulo na via Andreatina, que ele, discreto, preparara para si. Santo papa Dâmaso I é venerado no dia 11 de dezembro. Texto: Paulinas Internet S. Dâmaso I, Papa À morte do Papa Libério em 366, elegeu-se Dâmaso, espanhol de origem, mas nascido em Roma, onde o pai, chamado Antônio, fora, sucessivamente, escrivão, leitor, diácono e, afinal, padre do título de São Lourenço. Dâmaso serviu na mesma igreja. Quando Libério foi banido, em 355, já ele era diácono da igreja romana e se comprometia, diz-se, por um juramento solene, com o resto do clero de Roma, a jamais receber outro Papa que não Libério, enquanto vivo, ao qual acompanhou mesmo no exílio, por algum tempo. Estava Dâmaso com mais de sessenta anos quando foi eleito pelo julgamento de Deus, segundo testemunho de Santo Ambrósio. Os costumes do Santo eram tão puros, que São Jerônimo o chamou, depois da morte, “Dâmaso de santa memória, virgem e doutor da Igreja virgem”. Foi, então, ordenado na basílica de Lucínio, outrora de São Lourenço, que era título, Pouco tempo depois, Ursino, também diácono da igreja romana, não se conformando com a escolha de Dâmaso, vendo-se preterido, reuniu sediciosos em outra basílica, e persuadiu Paulo, bispo de Tibur, homem grosseiro e ignorante, a ordená-lo bispo, contra a regra da tradição geral, que queria três bispos para ordenar um, e contra o antigo costume da Igreja romana, pelo qual o bispo devia ser ordenado pelo de Óstia. O povo tomou partido no cisma. Juvêncio, prefeito de Roma, e Juliano, prefeito dos víveres, enviaram ao exílio Ursino, e mais os diáconos Amâncio e Lobo, os principais fautores. Os demais iam ser expulsos da cidade. Parte do povo que era do partido de Ursino, porém, revoltou-se. E os que eram do partido de Dâmaso, armando-se de espadas e porretes, correram à basílica de Libério, antigamente de Sicine, onde Ursino fora ordenado e se escondiam aqueles que os do partido do sedicioso haviam levado, arrancados que foram das mãos dos soldados, quando iam ser expulsos da cidade. Cercada a basílica, travou-se grande luta, e trezentas pessoas, ambos os sexos, foram mortas. Vencia o partido de Dâmaso. O prefeito Juvêncio não conseguindo dominar a sedição, retirou-se a uma casa de campo. Quando considero o esplendor de Roma, disse a propósito Amiano Marcelino, não nego os que desejavam aquele lugar não devesse, fazer todos os esforços para consegui-lo porque, uma vez obtido, viriam a enriquecer facilmente tão só com as dádivas das senhoras, que dizer de aparecer em público, carregado, vestido com magnificência? E os magníficos festins? Eram eles de fazer inveja aos reis mesmos! Poderiam ser verdadeiramente felizes! São palavras dum autor pagão, e, pois, justificam-se. Além do testemunho de Amiano, temos ainda outra prova, na qual São Jerônimo lembra Pretextato, personagem célebre na história daqueles tempos pelos cargos que no império ocupou, e que morreu cônsul. Tinha o costume de dizer a Dâmaso, rindo: – Ordenem-me bispo de Roma e far-me-ei cristão. Isto mostra o que significava ser bispo de Roma, coisa que, aos olhos dos pagãos mesmos e segundo o mundo, era a mais importante, mais ilustre que todas as dignidades do império romano. Pretextato foi prefeito de Roma, depois de Juvêncio, e pela conduta justa e sábia, muito contribuiu para acalmar um pouco a tensão. Os cismáticos agiram de tal maneira na corte, que residia sempre nas Gálias, que acabaram por conseguir um rescrito de Valentiniano a Pretextato, pelo qual se permitia a Ursino e seus cúmplices retornarem à cidade, mas com a condição de não mais tomar parte em quaisquer movimentos, caso contrário seriam severamente punidos. Intrigava-se muito na corte. São Dâmaso foi vítima de vários atentados. Provavelmente, o prefeito ou o príncipe deixaram-se embair por intrigas e calúnias. Os partidários de Ursino queriam culpar o Santo, dizendo-o o autor das desordens passadas e do cisma. O fato é que Pretextato, atilado, em tempo sustou princiípios de tumulto: afastou Ursino e restabeleceu a paz e a tranqüilidade em Roma. São Jerônimo e Santo Ambrósio, bem como os concílios de Roma e de Aquiléia, provaram que a causa de todo o mal, proviera dum único culpado – Ursino. São Jerônimo atribui a glória de ter livrado o pontífice legítimo das tramas cismáticas a Evagro, depois bispo de Antioquia e sucessor de Paulino. Estando na corte de Valentiniano por outros negócios, obteve do imperador uma ordem a Pretextato para nova expulsão de Ursino de Roma, bem como doutros chefes da facção. Cada qual foi banido para diferentes lugares, indo o Antipapa para as Gálias. No Ocidente, o imperador Constâncio empregava todas as violências e todos os ardis para implantar o arianismo. Todas as manobras em Rímini foram vãs. Pouco depois, todos os bispos, exceto dois ou três, achavam-se unidos como antigamente na profissão da antiga fé. Todavia, o que o imperador Constâncio procurava desunir, o Papa Libério unira. E Dâmaso continuou a obra de Libério. Para exterminar o cisma de Ursino, São Dâmaso dirigiu-se à terra e ao céu. Os cismáticos, embora sem clérigos, à frente, não deixaram de concorrer às assembléias nos cemitérios, tendo mesmo uma igreja. A uma petição da Igreja romana, Valentiniano a tudo fez cessar, ordenando que todos voltassem ao Papa. Para a volta do clero cismático, São Dâmaso fez votos aos santos mártires. Desde os primeiros tempos de pontificado, reuniu o Santo dois concílios em Roma, onde se confirmou a fé de Nicéia e se declarou nulo tudo aquilo que se procurara fazer em Rímini. As igrejas do Ocidente estavam divididas entre elas mesmas e os arianos, São Basílio escreveu estas memoráveis palavras a Santo Atanásio: “Pareceu-nos conveniente escrever ao bispo de Roma, para que considerasse o que aqui se passa. Como seria difícil de lá enviar deputados para um concílio, aconselhamos que usasse da autoridade nesta questão e escolhesse homens capazes de suportar a fadiga da viagem, que falasse com doçura e firmeza aos que não andam direito, industriando os que vierem ver de perto, que o façam secretamente, sem barulho e por mar, para que os inimigos da paz não se apercebam. Assim, levarão, depois, todas as atas de Rímino, para anular o que pela violência foi feito”. Santo Atanásio, morrendo em 373, Pedro, o sucessor, viu os idólatras e os arianos levar vantagens pelo favor do imperador Constâncio. Pedro deixou Alexandria, porque não lhe era permitido exercer o ministério, e foi para Roma, centro sagrado da Igreja, refúgio de bispos perseguidos e fiéis. A igreja de Antioquia estava dividida entre dois discípulos católicos, Melécio e Paulino, e dois heréticos, Vital, apolinarista, e Doroteu, ariano. São Dâmaso enviou a Paulino um formulário de fé que Vital devia subscrever. O apolinarista estivera em Roma e quisera enganar o Pontífice, mas São Dâmaso, descobrindo a trama, enviara o dito formulário de fé, que o embusteiro se negou a assinar, sendo, então excomungado e anatematizada a fraudulenta confissão que ao Santo fizera. São Jerônimo estava inquieto com aquela divisão da Antioquia. Perguntavam-lhe por quem era ele, se por Vital, Melécio ou Paulino. O bispo dos arianos e dos católicos do partido de Melécio perguntava-lhe se sustentava três hipóstases na Trindade. Cansado daquelas questões, escreveu ao Papa São Dâmaso nestes termos: “Como no Oriente, agitado por antigas paixões violentas, rasgou a veste sem costura do Senhor, eu creio dever consultar pela boca do apóstolo, à procura de alimento para minha alma. Vossa grandeza me assusta, mas vossa bondade me atrai. Ovelha, procuro o socorro do pastor. Para trás, pois, inveja! Para trás, grandeza e dignidade de Roma! Eu falo ao sucessor do pescador e do discípulo da Cruz! Não sigo ninguém mais que a Cristo. Estou indo à comunhão de vossa Beatitude, quero dizer, à cátedra de Pedro. Sei que sobre aquela pedra foi estabelecida a Igreja. Quem quer que participe do Cordeiro fora daquela cidade, é profano. Não conheço Vital, rejeito Melécio, ignoro quem seja Paulino. Quem quer que não comungue convosco, aparta-o – isto é, quem não pertence ao Cristo, pertence ao Anticristo. Perguntam-me se admito três hipóstases. Pergunto o que tais palavras querem significar: respondem-me que são três pessoas subsistentes; digo que assim creio; dizem que tal não é suficiente. Nós dizemos altamente: Se alguém não confessar três hipóstases, no sentido de três pessoas subsistentes, que seja anatematizado. Por que empregamos a palavra sem explicação somos heréticos? Dizemos, por outro lado: Se alguém, entendendo por hipóstase essência, não confesse uma hipóstase em três pessoas, é estranho ao Cristo, e acusam-no de confundir as três pessoas em uma. Decidi, pois, eu vos conjuro. Se o aprovardes, eu não temerei em dizer três hipóstases. Se ordenardes, far-se-á um novo símbolo depois de Nicéia, e professar-se-á a fé ortodoxa nos mesmos termos pouco mais ou menos que os arianos professam o erro. É que os arianos diziam três hipóstases no sentido de essência, segundo o uso de autores profanos – o que aumentava a desconfiança de São Jerônimo. Por isso que suplica ao Papa a autorização de dizer ou não dizer as hipóstases. Não tendo recebido resposta à primeira carta, escreveu uma segunda, na qual dizia: Dum lado, os arianos exercem a sua atividade, sustentados pelo poder do século, e doutro, a Igreja, dividida em três partidos, vem atrair-me: os monges que me cercam usam para comigo da antiga autoridade. Entretanto, grito: ” Se alguém está unidos a Cátedra de Pedro, esse é dos meus! Melécio, Vital e Paulino, todos os três, dizem que estão unidos a vós. Poderia crer se um só deles mo dissesse, mas são três. Eis porque conjuro a Vossa Beatitude, pela Cruz do Senhor, que me instrua, com suas cartas: a quem devo comunicar-me? Não desprezeis uma alma pela qual Jesus Cristo morreu.” Naquela época, o Papa São Dâmaso estava às voltas com muitos concílios em Roma. Num deles, ao qual assistia Pedro de Alexandria, condenou que se depusesse Apolinário, que negava que Nosso Senhor tomara uma alma humana, e Timóteo, o principal discípulo, que fora a Roma para lhe defender a causa. No mesmo concílio, ou num outro, enviou uma profissão de fé aos bispos do Oriente, que, sobre a divindade do Verbo e do Espírito Santo, assim como sobre a encarnação, continha, à maneira de exposição, a mesma doutrina que a enviada a Paulino sob forma de anátema. Mais tarde, cento e quarenta e seis bispos orientais, tendo à frente Melécio e Santo Eusébio de Samosate, subscreveram-na num concílio de Antioquia. Assim, apesar das dificuldades do tempo, malgrado as divisões e as prevenções de toda espécie, Roma era sempre o centro da unidade e da ação na Igreja, e também no universo intelectual. Entretanto, o concílio, do qual o Papa havia falado no ano precedente, numa das cartas a seu legado, Santo Áscolo da Tessolônica, reuniu-se efetivamente em Constantinopla no mês de maio de 381, por ordem do imperador Teodósio. Tinha, então, Santo Áscolo a tarefa de fazer com que se elegesse um bispo católico, próprio para consolidar a paz das igrejas. Era este o assunto principal. Quanto à ordenação de Máximo, o Papa, sobre o que disse Santo Áscolo e outros bispos da Macedônia, condenara-a. Quanto às questões dogmáticas, o mesmo Papa havia-as já decidido numa exposição de fé enviada aos bispos do Oriente, e que os que ali estavam subscreveram num concílio de Antioquia, em número superior a cinqüenta. O que dizia respeito à divindade do Espírito Santo, aos caracteres da Igreja, à unidade do batismo, à ressurreição da carne, à vida do século futuro, mais ao símbolo de Nicéia, era para ser aprendido de cor por todos os bispos ortodoxos e pelos catecúmenos. É o que Santo Epifânio nos atesta em 373, no fim do seu Ancorat. Quanto ao cisma de Antioquia, o acordo jurado entre os dois partidos fora proposto e aprovado de antemão pelos bispos da Itália, São noções indispensáveis para julgar sensatamente coisas e pessoas. O concílio, tendo eleito Nectário para Constantinopla e Flaviano para Antioquia, o imperador Teodósio enviou uma embaixada ao Papa Dâmaso para dele obter a confirmação da eleição. Eis como o Papa Bonifácio fala do fato numa carta aos bispos da Ilíria: “O príncipe Teodósio, de clementíssima memória, pensando que a ordenação de Nectário era sem solidez, porque nós dela não participamos, enviou-nos oficiais da corte com bispos, para solicitar, conforme as regras, uma carta que assegurasse o sacerdócio a Nectário. Isto não sucedeu somente com respeito a Nectário, já que com Flaviano agiram do mesmo modo. A consequência natural é que, segundo o testemunho do imperador Teodósio e dos bispos do concílio, a confirmação do Papa era necessária para que a eleição de Nectário e de Flaviano, aprovada por um concílio ecumênico, ficasse consolidada. Entrementes, os bispos do Oriente e do Ocidente reuniam-se em Roma, em virtude das cartas imperiais. Eis o que diz São Jerônimo, de maneira incidente, no elogio de Santa Paula, ilustre dama romana. Entre os bispos do Oriente, nomeia Santo Epifânio, metropolitano de Chipre, e Paulino de Antioquia, que o acompanhava. Santo Epifânio, hospedou-se na casa de Santa Paula. Paulino, por seu lado, via-a muito frequentemente, e ambos os dois lhe inspiraram ardente desejo de solidão. Passaram o inverno em Roma e não retornaram ao Oriente senão no ano seguinte. É bem de crer que, além dos três deputados do concílio de Constantinopla, Timóteo de Alexandria ali estivesse igualmente com outros bispos, seja do Egito, seja da Arábia. Via-se, então do Ocidente, Anêmio de Sirmium, Áscolo da Tessalônica, Ambrósio de Milão, Britão de Tréveris. Como se vê pelas atas do concílio, não se sabe qual foi o resultado. A carta seguinte, do Papa Dâmaso, leva-nos a crer que o resultado foi pacífico e feliz. Segundo o testemunho de Teodoreto, foi ela endereçada a todos os bispos do Oriente. O assunto é a condenação de Apolinário e de Timóteo, o discípulo, que pretendia ao primeiro fazer bispo: “Quando vossa caridade tributa à cátedra apostólica o respeito que lhe é devido, o maior proveito é para vós mesmos, meus honoráveis filhos, porque, embora sejamos obrigados a sustentar o governo da Igreja, na qual o Santo Apóstolo se sentou e ensinou, nos reconhecemos, não obstante, bem abaixo desta honra. Eis porque trabalhamos com todas as nossas forças para ter êxito, e se possível, a glória de sua beatitude. Sabei, pois, que há já muito tempo que condenamos o profano Timóteo, discípulo do herético Apolinário, com seu ímpio dogma, e esperamos que, para o futuro, nada mais fique da seita. Porque, se a velha serpente reaparecer por seu suplício, depois de ter sido fulminada uma ou duas vezes pelo anátema e expulsa da Igreja, e se põe, com o veneno, a infectar fiéis quaisquer, evitai-a como a peste se evita, recorrendo sempre à fé dos Apóstolos, sobretudo aquela que foi escrita e publicada pelos de Nicéia. Permanecei firmes e imutáveis, porque já demos a fórmula da lei, a fim de que quem quer que faça profissão de ser cristão guarde o que foi transmitido pelos Apóstolos, segundo esta palavra de São Paulo: Se alguém vos anunciar outra coisa que não aquela que recebestes, seja anátema! Porque pedis uma segunda deposição de Timóteo? Não foi já deposto com o mestre, Apolinário, pelo julgamento da cátedra apostólica, em presença de Pedro, bispo de Alexandria? Se tentar arrastar alguns levianos, quem que resista à regra da Igreja, com ele perigará. Deus vos conserve, filhos bem-amados!” São Dâmaso morreu em 385, a 11 de dezembro, com quase oitenta anos, depois de longo e glorioso pontificado de dezoito anos e dois meses. Queria ser enterrado no lugar onde estavam as relíquias de São Sixto e de muitos outros mártires, mas desistiu, temeroso de revolver aqueles santos restos. Foi, então, sepultado numa igreja que erigira nas Catacumbas, no caminho de Ardéia, ao lado da mãe e da irmã, a virgem Irene, da qual escrevera o epitáfio, e o seu também, dizendo que esperava ressuscitar um dia. São Dâmaso restaurou, aumentou e embelezou a igreja de São Lourenço, onde servira depois do pai. Adornara-a com pinturas da história santa, enriquecera-a com vasos de prata, aumentando-lhe a renda com casas e terras. A de São Pedro do Vaticano também lhe sentiu as liberalidades. Além de cartas e pequenos poemas, deixou muitos escritos, respostas às consultas do Oriente e do Ocidente, trabalhos que não chegaram até nós. (Vida de Santos, Padre Rohrbacher, Volume XXI, p. 200 à 210) #SantodoDia
- Dom Ascona e perseguição aos conservadores do clero
Embora os modernistas revolucionários tenham sempre na boca o discurso de amor ao próximo, tolerância e inclusão, na prática não suportam a oposição e fazem de tudo para eliminar a divergência. Esse comportamento autoritário e intolerante pode ser amplamente observado em todo sujeito revolucionário que possui algum poder, como fica evidenciado nas demissões, perseguições e silenciamentos promovidos pelo Papa Francisco contra quem não se alinhou às suas ideias e ações heterodoxas. No último mês o Papa mandou despejar e suspender o salário do Cardeal Burke por considerá-lo seu opositor. Seguindo o exemplo do Pontífice foi comunicado pela Nunciatura Apostólica que Dom Ascona, bispo emérito da Prelazia da Ilha de Marajó, estava proibido de ter residência naquela ilha pastoreada por ele por décadas. Porque Dom Ascona recebeu essa ordem absurda? Porque o bispo que irá assumir o governo pastoral daquela ilha é um modernista revolucionário… Para assistir, acesse nosso canal do youtube no horário marcado: #Formaçõesaovivo
- Dom Ascona e perseguição aos conservadores do clero
Embora os modernistas revolucionários tenham sempre na boca o discurso de amor ao próximo, tolerância e inclusão, na prática não suportam a oposição e fazem de tudo para eliminar a divergência. Esse comportamento autoritário e intolerante pode ser amplamente observado em todo sujeito revolucionário que possui algum poder, como fica evidenciado nas demissões, perseguições e silenciamentos promovidos pelo Papa Francisco contra quem não se alinhou às suas ideias e ações heterodoxas. No último mês o Papa mandou despejar e suspender o salário do Cardeal Burke por considerá-lo seu opositor. Seguindo o exemplo do Pontífice foi comunicado pela Nunciatura Apostólica que Dom Ascona, bispo emérito da Prelazia da Ilha de Marajó, estava proibido de ter residência naquela ilha pastoreada por ele por décadas. Porque Dom Ascona recebeu essa ordem absurda? Porque o bispo que irá assumir o governo pastoral daquela ilha é um modernista revolucionário… Para assistir, acesse nosso canal do youtube no horário marcado: #Formaçõesaovivo
- Homilia Dominical | De onde vem a falta de esperança do homem moderno?
2.º Domingo do Advento O Advento é um tempo litúrgico especial para fortalecermos a virtude da esperança. Mas como falar dessa virtude a uma sociedade que se entregou ao desespero? Por que o homem moderno não é capaz de cultivar a verdadeira esperança cristã? De onde vem a falta de esperança do homem moderno? Na homilia deste domingo, partindo de uma importante lição de Santo Tomás de Aquino, Padre Paulo Ricardo explica que quem acredita já estar gozando da felicidade neste mundo jamais conseguirá nutrir esperança pela felicidade do Céu. Afinal, não pode ter o coração nas coisas do alto quem se encontra apegado aos prazeres da carne. Anúncio do Evangelho (Mc 1,1-8) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Preparai o caminho do Senhor; endireitai suas veredas. Toda a carne há de ver a salvação do nosso Deus. (Lc 3,4.6) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos. — Glória a vós, Senhor. 1 Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. 2 Está escrito no livro do profeta Isaías: “Eis que envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho. 3 Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!’” 4 Foi assim que João Batista apareceu no deserto, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados. 5 Toda a região da Judeia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu encontro. Confessavam os seus pecados e João os batizava no rio Jordão. 6 João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel do campo. 7 E pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. 8 Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Dominical | De onde vem a falta de esperança do homem moderno?
2.º Domingo do Advento O Advento é um tempo litúrgico especial para fortalecermos a virtude da esperança. Mas como falar dessa virtude a uma sociedade que se entregou ao desespero? Por que o homem moderno não é capaz de cultivar a verdadeira esperança cristã? De onde vem a falta de esperança do homem moderno? Na homilia deste domingo, partindo de uma importante lição de Santo Tomás de Aquino, Padre Paulo Ricardo explica que quem acredita já estar gozando da felicidade neste mundo jamais conseguirá nutrir esperança pela felicidade do Céu. Afinal, não pode ter o coração nas coisas do alto quem se encontra apegado aos prazeres da carne. Anúncio do Evangelho (Mc 1,1-8) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Preparai o caminho do Senhor; endireitai suas veredas. Toda a carne há de ver a salvação do nosso Deus. (Lc 3,4.6) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos. — Glória a vós, Senhor. 1 Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. 2 Está escrito no livro do profeta Isaías: “Eis que envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho. 3 Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!’” 4 Foi assim que João Batista apareceu no deserto, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados. 5 Toda a região da Judeia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu encontro. Confessavam os seus pecados e João os batizava no rio Jordão. 6 João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel do campo. 7 E pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. 8 Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Festa do milagre da Transladação da Casa da Virgem para Loreto – 10 de Dezembro
Segundo a tradição, a Santa Casa de Loreto é a mesma Casa de Nazaré, na qual se deu o anúncio do Anjo, foi concebido Jesus Cristo e onde o Senhor viveu com José e a Virgem. Apresentamos a história de como milagrosamente esta casa “voou” da Terra de Jesus até Loreto, na Itália, cuja festa é celebrada neste dia 10 de dezembro. A Santa Casa de Nazaré tinha duas partes, uma pequena gruta e uma estrutura de tijolos que se estendia a partir da entrada da gruta. Em 1291, os sarracenos conquistaram a Terra Santa e queriam destruir todos os lugares sagrados do cristianismo. Quando chegaram às proximidades de Nazaré, os inimigos diziam: “nunca mais os cristãos celebrarão a Anunciação aqui”. A basílica construída sobre a Casa tinha sido destruída em duas ocasiões (1090 e 1263), mas a Casa permaneceu intacta. No entanto, os cruzados não puderam voltar a reconstruí-la e o lar de Maria ficou desprotegido. Segundo a tradição do translado, quando os cruzados perdiam o controle na Terra Santa, o Senhor enviou seus anjos com a ordem de levarem a casa para um lugar seguro. Em 12 de maio de 1291, os anjos a transladaram para uma cidade chamada Tersatto, na Croácia. Pela manhã, os vizinhos ficaram surpresos ao ver a Casa sem fundações e sem saber como chegou. Dentro, encontraram um altar de pedra e em cima dele uma estátua de cedro da Virgem Maria com o menino Jesus em seus braços. O menino segurava com sua mão esquerda uma esfera de ouro que representava o mundo e seus dois dedos da mão direita estavam estendidos, como abençoando. Ambos vestiam uma espécie de túnica e tinham coroas de ouro. Dias depois, a Virgem apareceu a um sacerdote local e explicou a ele o lugar de onde a Casa procedia. Maria lhe disse: “deves saber que a casa que recentemente foi trazida a tua terra é a mesma casa na qual eu nasci e cresci. Aqui, na Anunciação do Anjo Gabriel, eu concebi o Criador de todas as coisas. Aqui, o Verbo se fez carne”. “O altar foi que foi transladado com a casa foi consagrado por Pedro, o Príncipe dos Apóstolos. Esta casa veio de Nazaré para tua terra pelo poder de Deus, para o qual nada é impossível”, acrescentou. Como verdadeira prova de tudo o que a Virgem lhe comunicou, o presbítero foi curado. O sacerdote, que tinha estado doente por muito tempo, anunciou o milagre e começaram as peregrinações. Os habitantes elevaram sobre a Casa um edifício simples para protege-la da natureza. Depois de três anos e cinco meses, em 10 de dezembro de 1294, a Casa desapareceu de Tersatto e alguns pastores de Loreto, na Itália, disseram ter visto uma casa voando sobre o mar e sustentada por anjos. A tradição assinala que um anjo com capa vermelho, São Miguel, dirigia os outros e a Virgem com o Menino estavam sentados sobre a Casa. Os anjos baixaram o recinto a um lugar chamado Banderuola e, posteriormente, levaram-na a uma colina, no meio de uma propriedade, para depois ser transladada a outra colina. Foi colocada no meio do caminho e ocupou esse local por mais de 700 anos. Dois anos depois, a Virgem se apresentou a Paulo, um eremita, a quem contou a origem e a história da Santa Casa. Ele compartilhou com as pessoas do povoado e iniciaram medidas para verificar a autenticidade. Os peritos foram a Tersatto e viram que a réplica que os moradores tinham feito era exatamente a mesma que a de Loreto e que muitos elementos coincidiam. Em Nazaré, constataram que as medidas da fundação eram exatas às da Casa em Loreto e a réplica construída em Tersatto. Após 6 meses, voltaram a Loreto e foi declarada a autenticidade da Santa Casa, que não tem fundação, porque esta permaneceu em Nazaré. Com o tempo, muitos peregrinos foram ao Santuário e o Papa Clemente VII mandou fechar a porta original e que fossem construídas três portas para que as pessoas não brigassem por ter apenas uma porta de entrada e saída. Ninguém pediu permissão à Virgem e, por isso, quando o arquiteto pegou seu martelo para dar início ao trabalho, sua mão começou a tremer. Depois disso, ninguém quis fazer o trabalho, até que um clérigo aceitou e, ajoelhando-se, disse à Mãe de Deus que este era um pedido do Papa e que se ela estava zangada, que ela se resolvesse com o Pontífice. O clérigo pôde completar o seu trabalho e as pessoas de Loreto quiseram proteger a Casa erguendo uma parede de tijolo. Quando terminaram, a parede se separou da Casa e, por isso, há um espaço entre a Santa Casa e a parede construída. Em outra ocasião, um Bispo de Portugal, com a permissão do Papa, mandou seu secretário tirar uma pedra e leva-la para construir uma Igreja em honra à Virgem de Loreto. O Prelado ficou doente e, quando o secretário chegou, o Bispo estava quase morto. O Bispo pediu a algumas religiosas que rezassem por ele e, dias depois, recebeu uma mensagem: “Nossa senhora disse, se o Bispo deseja se recuperar, deve devolver à Virgem o que ele pegou”. O Bispo e o secretário ficaram desconcertados porque ninguém sabia da pedra. O secretário devolveu o objeto e o Bispo se recuperou. Por esta razão, os Papas proibiram que se extraia alguma parte da Santa Casa. Grandes santos passaram por esta Casa, como São Francisco de Sales, Santa Teresa de Lisieux, São Maximiliano Kolbe, São João XXIII e São João Paulo II. A tradição que conta a transladação feita pelos anjos não seria a única explicação da Santa Casa de Loreto, mas também há documentos que indicariam que o responsável seria um comerciante chamado Nicéforo Angelo del S. XIII. Em todo caso, o translado, sem dúvidas, teve a proteção e orientação do céu. Texto: ACI Digital #FestasdeNossaSenhora #FestasLitúrgicas #Milagre #NossaSenhora
- Festa do milagre da Transladação da Casa da Virgem para Loreto – 10 de Dezembro
Segundo a tradição, a Santa Casa de Loreto é a mesma Casa de Nazaré, na qual se deu o anúncio do Anjo, foi concebido Jesus Cristo e onde o Senhor viveu com José e a Virgem. Apresentamos a história de como milagrosamente esta casa “voou” da Terra de Jesus até Loreto, na Itália, cuja festa é celebrada neste dia 10 de dezembro. A Santa Casa de Nazaré tinha duas partes, uma pequena gruta e uma estrutura de tijolos que se estendia a partir da entrada da gruta. Em 1291, os sarracenos conquistaram a Terra Santa e queriam destruir todos os lugares sagrados do cristianismo. Quando chegaram às proximidades de Nazaré, os inimigos diziam: “nunca mais os cristãos celebrarão a Anunciação aqui”. A basílica construída sobre a Casa tinha sido destruída em duas ocasiões (1090 e 1263), mas a Casa permaneceu intacta. No entanto, os cruzados não puderam voltar a reconstruí-la e o lar de Maria ficou desprotegido. Segundo a tradição do translado, quando os cruzados perdiam o controle na Terra Santa, o Senhor enviou seus anjos com a ordem de levarem a casa para um lugar seguro. Em 12 de maio de 1291, os anjos a transladaram para uma cidade chamada Tersatto, na Croácia. Pela manhã, os vizinhos ficaram surpresos ao ver a Casa sem fundações e sem saber como chegou. Dentro, encontraram um altar de pedra e em cima dele uma estátua de cedro da Virgem Maria com o menino Jesus em seus braços. O menino segurava com sua mão esquerda uma esfera de ouro que representava o mundo e seus dois dedos da mão direita estavam estendidos, como abençoando. Ambos vestiam uma espécie de túnica e tinham coroas de ouro. Dias depois, a Virgem apareceu a um sacerdote local e explicou a ele o lugar de onde a Casa procedia. Maria lhe disse: “deves saber que a casa que recentemente foi trazida a tua terra é a mesma casa na qual eu nasci e cresci. Aqui, na Anunciação do Anjo Gabriel, eu concebi o Criador de todas as coisas. Aqui, o Verbo se fez carne”. “O altar foi que foi transladado com a casa foi consagrado por Pedro, o Príncipe dos Apóstolos. Esta casa veio de Nazaré para tua terra pelo poder de Deus, para o qual nada é impossível”, acrescentou. Como verdadeira prova de tudo o que a Virgem lhe comunicou, o presbítero foi curado. O sacerdote, que tinha estado doente por muito tempo, anunciou o milagre e começaram as peregrinações. Os habitantes elevaram sobre a Casa um edifício simples para protege-la da natureza. Depois de três anos e cinco meses, em 10 de dezembro de 1294, a Casa desapareceu de Tersatto e alguns pastores de Loreto, na Itália, disseram ter visto uma casa voando sobre o mar e sustentada por anjos. A tradição assinala que um anjo com capa vermelho, São Miguel, dirigia os outros e a Virgem com o Menino estavam sentados sobre a Casa. Os anjos baixaram o recinto a um lugar chamado Banderuola e, posteriormente, levaram-na a uma colina, no meio de uma propriedade, para depois ser transladada a outra colina. Foi colocada no meio do caminho e ocupou esse local por mais de 700 anos. Dois anos depois, a Virgem se apresentou a Paulo, um eremita, a quem contou a origem e a história da Santa Casa. Ele compartilhou com as pessoas do povoado e iniciaram medidas para verificar a autenticidade. Os peritos foram a Tersatto e viram que a réplica que os moradores tinham feito era exatamente a mesma que a de Loreto e que muitos elementos coincidiam. Em Nazaré, constataram que as medidas da fundação eram exatas às da Casa em Loreto e a réplica construída em Tersatto. Após 6 meses, voltaram a Loreto e foi declarada a autenticidade da Santa Casa, que não tem fundação, porque esta permaneceu em Nazaré. Com o tempo, muitos peregrinos foram ao Santuário e o Papa Clemente VII mandou fechar a porta original e que fossem construídas três portas para que as pessoas não brigassem por ter apenas uma porta de entrada e saída. Ninguém pediu permissão à Virgem e, por isso, quando o arquiteto pegou seu martelo para dar início ao trabalho, sua mão começou a tremer. Depois disso, ninguém quis fazer o trabalho, até que um clérigo aceitou e, ajoelhando-se, disse à Mãe de Deus que este era um pedido do Papa e que se ela estava zangada, que ela se resolvesse com o Pontífice. O clérigo pôde completar o seu trabalho e as pessoas de Loreto quiseram proteger a Casa erguendo uma parede de tijolo. Quando terminaram, a parede se separou da Casa e, por isso, há um espaço entre a Santa Casa e a parede construída. Em outra ocasião, um Bispo de Portugal, com a permissão do Papa, mandou seu secretário tirar uma pedra e leva-la para construir uma Igreja em honra à Virgem de Loreto. O Prelado ficou doente e, quando o secretário chegou, o Bispo estava quase morto. O Bispo pediu a algumas religiosas que rezassem por ele e, dias depois, recebeu uma mensagem: “Nossa senhora disse, se o Bispo deseja se recuperar, deve devolver à Virgem o que ele pegou”. O Bispo e o secretário ficaram desconcertados porque ninguém sabia da pedra. O secretário devolveu o objeto e o Bispo se recuperou. Por esta razão, os Papas proibiram que se extraia alguma parte da Santa Casa. Grandes santos passaram por esta Casa, como São Francisco de Sales, Santa Teresa de Lisieux, São Maximiliano Kolbe, São João XXIII e São João Paulo II. A tradição que conta a transladação feita pelos anjos não seria a única explicação da Santa Casa de Loreto, mas também há documentos que indicariam que o responsável seria um comerciante chamado Nicéforo Angelo del S. XIII. Em todo caso, o translado, sem dúvidas, teve a proteção e orientação do céu. Texto: ACI Digital #FestasdeNossaSenhora #FestasLitúrgicas #Milagre #NossaSenhora
- Homilia Diária | Por que precisamos de pastores?
Sábado da 1.ª Semana do Advento No Antigo Testamento, Deus instituiu três classes de ungidos para assistir e guiar o seu povo: os sacerdotes, os profetas e os reis. Como porém os primeiros e os últimos não só mataram os profetas como decaíram de sua altíssima função, Deus enviou o seu Filho para instituir um novo sacerdócio e reinado, a fim de que ao novo Israel, que é a Igreja, não faltassem bons pastores. Isso, no entanto, sob a condição de que as ovelhas não deixassem de pedir por eles: “Pedi ao dono da messe que envie trabalhadores”. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este sábado, dia 9 de dezembro, e medite conosco mais uma página do santo Evangelho! Santo do Dia: São Juan Diego, o vidente de Guadalupe Evangelho (Mt 9,35–10,1.6-8) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — É o Senhor nosso juiz e nosso Rei. O Senhor legislador nos salvará. (Is 33,22) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 35 Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o evangelho do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade. 36 Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: 37 “A Messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38 Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!” 10,1 E, chamando os seus doze discípulos deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade. Enviou-os com as seguintes recomendações: 6 “Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! 7 Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. 8 Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!” — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Diária | Por que precisamos de pastores?
Sábado da 1.ª Semana do Advento No Antigo Testamento, Deus instituiu três classes de ungidos para assistir e guiar o seu povo: os sacerdotes, os profetas e os reis. Como porém os primeiros e os últimos não só mataram os profetas como decaíram de sua altíssima função, Deus enviou o seu Filho para instituir um novo sacerdócio e reinado, a fim de que ao novo Israel, que é a Igreja, não faltassem bons pastores. Isso, no entanto, sob a condição de que as ovelhas não deixassem de pedir por eles: “Pedi ao dono da messe que envie trabalhadores”. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este sábado, dia 9 de dezembro, e medite conosco mais uma página do santo Evangelho! Santo do Dia: São Juan Diego, o vidente de Guadalupe Evangelho (Mt 9,35–10,1.6-8) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — É o Senhor nosso juiz e nosso Rei. O Senhor legislador nos salvará. (Is 33,22) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 35 Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o evangelho do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade. 36 Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: 37 “A Messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38 Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!” 10,1 E, chamando os seus doze discípulos deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade. Enviou-os com as seguintes recomendações: 6 “Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! 7 Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. 8 Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!” — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- São Juan Diego, o vidente de Guadalupe – 09 de Dezembro
SANTO DO DIA – 09 DE DEZEMBRO – SÃO JOÃO (JUAN) DIEGO CUAUHTLATOATZIN (1474-1548) Os registros oficiais narram que Juan Diego, para nós João Diego, nasceu em 1474 na calpulli, ou melhor, no bairro de Tlayacac ao norte da atual Cidade do México. Era um índio nativo, que antes de ser batizado tinha o nome de Cuauhtlatoatzin, traduzido como ‘águia que fala’ ou ‘aquele que fala como águia’. Era um índio pobre, pertencia à mais baixa casta do Império Azteca, sem ser, entretanto, um escravo. Dedicava-se ao difícil trabalho no campo e à fabricação de esteiras. Possuía um pedaço de terra, onde vivia feliz com a esposa, numa pequena casa, mas não tinha filhos. Atraído pela doutrina dos padres franciscanos que chegaram ao México em 1524, se converteu e foi batizado, junto como sua esposa. Receberam o nome cristão de João Diego e Maria Lúcia, respectivamente. Era um homem dedicado, religioso, que sempre se retirava para as orações contemplativas e penitências. Costumava caminhar de sua vila à Cidade do México, a quatorze milhas de distância, para aprender a Palavra de Cristo. Andava descalço e vestia, nas manhãs frias, uma roupa de tecido grosso de fibra de cactos como um manto, chamado tilma ou ayate, como todos de sua classe social. A esposa, Maria Lúcia, ficou doente e faleceu em 1529. Ele, então, foi morar com seu tio, diminuindo a distância da igreja para nove milhas. Fazia esse percurso todo sábado e domingo, saindo bem cedo, antes do amanhecer. Durante uma de suas idas à igreja, no dia 9 de dezembro de 1531, por volta de três horas e meia, entre a vila e a montanha, ocorreu a primeira aparição de Nossa Senhora de Guadalupe, num lugar hoje chamado ‘Capela do Cerrinho’, onde a Virgem Maria o chamou em sua língua nativa, nahuatl, dizendo: ‘Joãozinho, João Dieguito’, ‘o mais humilde de meus filhos’, ‘meu filho caçula’, ‘meu queridinho’. A Virgem o encarregou de pedir ao bispo, o franciscano João de Zumárraga, para construir uma igreja no lugar da aparição. Como o bispo não se convenceu, ela sugeriu que João Diego insistisse. No dia seguinte, domingo, voltou a falar com o bispo, que pediu provas concretas sobre a aparição. Na terça-feira, 12 de dezembro, João Diego estava indo à cidade quando a Virgem apareceu e o consolou. Em seguida, pediu que ele colhesse flores para ela no alto da colina de Tepeyac. Apesar do frio inverno, ele encontrou lindas flores, que colheu, colocou no seu manto e levou para Nossa Senhora. Ela disse que as entregasse ao bispo como prova da aparição. Diante do bispo, João Diego abriu sua túnica, as flores caíram e no tecido apareceu impressa a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe. Tinha, então, cinquenta e sete anos. Após o milagre de Guadalupe, foi morar numa sala ao lado da capela que acolheu a sagrada imagem, depois de ter passado seus negócios e propriedades ao seu tio. Dedicou o resto de sua vida propagando as aparições aos seus conterrâneos nativos, que se convertiam. Ele amou, profundamente, a santa Eucaristia, e obteve uma especial permissão do bispo para receber a comunhão três vezes na semana, um acontecimento bastante raro naqueles dias. João Diego faleceu no dia 30 de maio de 1548, aos setenta e quatro anos, de morte natural. O papa João Paulo II, durante sua canonização em 2002, designou a festa litúrgica para 9 de dezembro, dia da primeira aparição, e louvou são João Diego, pela sua simples fé nutrida pelo catecismo, como um modelo de humildade para todos nós. Texto: Paulinas Internet São Juan Diego e Nossa Senhora de Guadalupe Em 9 de dezembro de 1531, João Diego estava nos arredores da colina Tepeyac, atual cidade do México. Repentinamente, ouviu uma música suave, sonora e melodiosa… era Nossa Senhora de Guadalupe Em 9 de dezembro de 1531, João Diego estava nos arredores da colina Tepeyac, na atual Cidade do México. Repentinamente, ouviu uma música suave, sonora e melodiosa que, pouco a pouco, foi-se extinguindo. Nesse momento escutou ele uma lindíssima voz, que no idioma nahualt o chamava pelo nome. Era Nossa Senhora de Guadalupe. Depois de cumprimentá-lo com muito carinho e afeto, Ela lhe dirigiu estas palavras cheias de bondade: “Porque sou verdadeiramente vossa Mãe compassiva, quero muito, desejo muito que construam aqui para mim um templo, para nele Eu mostrar e dar todo o meu amor, minha compaixão, meu auxílio e minha salvação a ti, a todos os outros moradores desta terra e aos demais que me amam, me invoquem e em mim confiem. Neste lugar quero ouvir seus lamentos, remediar todas as suas misérias, sofrimentos e dores.” Em seguida, Nossa Senhora pediu a João Diego que fosse ao palácio do Bispo do México, e lhe comunicasse que Ela o enviava e pedia a construção do templo. Sem hesitar, o “mensageiro da Virgem” foi entrevistar-se com Dom Luís de Zumárraga, e contou-lhe o que havia acontecido. Mas o Bispo não lhe deu crédito e mandou-o voltar outro dia. Nossa Senhora aparece a João Diego Segunda e terceira aparições Nesse mesmo dia, ao pôr-do-sol, João Diego, pesaroso, foi comunicar a Nossa Senhora o fracasso de sua missão. Com encantadora inocência, pediu a Ela que escolhesse um embaixador mais digno, estimado e respeitado. A Mãe de Deus lhe respondeu: “Escuta, ó menor de meus filhos! Tem por certo que não são poucos os meus servidores, meus mensageiros, aos quais Eu possa encarregar de levar minha mensagem e fazer minha vontade. Mas é muito necessário que vás tu, pessoalmente, e que por teu intermédio se realize, se efetive meu querer, minha vontade. E muito te rogo, filho meu, o menor de todos, e firmemente te ordeno, que vás amanhã outra vez ver o Bispo. E de minha parte faze-o saber, faze-o ouvir o meu querer, a minha vontade, para que este a realize, faça meu templo, que lhe peço. E outra vez dize-lhe que eu, pessoalmente, a sempre Virgem Santa Maria, Mãe de Deus, te envio.” No dia seguinte, depois de assistir à Missa, João Diego voltou a procurar o Bispo Dom Zumárraga, que o recebeu com atenção, porém mais céptico ainda, dizendo-lhe ser necessário um “sinal” para demonstrar que era realmente a Rainha do Céu que o enviava. Com toda naturalidade, o indígena respondeu que sim, ia pedir à Senhora o sinal solicitado. Ao cair do sol, como das vezes anteriores, apareceu a João Diego Nossa Senhora, radiante de doçura. Ela aceitou sem a menor dificuldade conceder-lhe o sinal pedido. Para isto, convidou-o a voltar no dia seguinte. Ele foge, Ela vai ao seu encontro Todavia, na segunda-feira, dia 11, João Diego não se apresentou à hora marcada. Seu tio, João Bernardino, caiu repentinamente doente, e Diego tentou todos os recursos medicinais indígenas para curá-lo. Foi em vão. Quando o enfermo percebeu a aproximação da morte, sendo já cristão fervoroso, pediu a seu sobrinho que lhe tentasse trazer um sacerdote. Pressuroso, João Diego saiu ao amanhecer do dia 12 em busca do confessor. Mas decidiu tomar um caminho diferente do habitual, para que a “Senhora do Céu” não lhe aparecesse, pois pensava: “Ela vai me pedir satisfação de sua incumbência e não poderei buscar o sacerdote.” Mas sua artimanha não funcionou. Para seu espanto, a Mãe de Deus lhe apareceu nesse caminho. Envergonhado, João Diego tratou de se desculpar com fórmulas de cortesia próprias do costume indígena: “Minha jovenzinha, filha minha, a pequenina, menina minha, oxalá estejas contente.” E depois de explicar-Lhe a enfermidade de seu tio, como causa de sua falta de diligência, concluiu: “Rogo-te que me perdoes, que tenhas ainda um pouco de paciência comigo, porque com isso não A estou enganando, minha filha pequenina, menina minha. Amanhã sem falta virei a toda pressa.” Ao que lhe respondeu Nossa Senhora, com bondade e carinho próprios à melhor de todas as Mães: “Escuta, e põe em teu coração, filho meu, o menor: o que te assusta e aflige não é nada. Não se perturbe teu rosto, teu coração; não temas esta enfermidade, nem qualquer outra enfermidade e angústia. Não estou eu aqui, tua Mãe? Não estás sob minha sombra e minha proteção? Não sou eu a fonte de tua alegria? Não estás porventura em meu regaço? Tens necessidade de alguma outra coisa? Que nenhuma outra coisa te aflija, nem te perturbe. Não te assuste a enfermidade de teu tio, porque dela não morrerá por agora. Tem por certo que já sarou.” Estampou-se milagrosamente no tecido a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe Sinal para o “Mensageiro da Virgem” Assim que ouviu essas belíssimas palavras, João Diego, muito consolado, creu em Nossa Senhora. Mas era preciso cumprir a missão. Qual era o sinal? Ela lhe ordenou subir à colina de Tepeyac e cortar as flores que ali encontrasse. Esse encargo era impossível, uma vez que lá nunca elas nasciam, e menos ainda nesse tempo de inverno. Mas Diego não duvidou. Subiu a colina e no seu cume encontrou as mais belas e variadas rosas, todas perfumadas e cheias de gotas de orvalho como se fossem pérolas. Cortou-as e as guardou em sua tilma (o poncho típico dos índios mexicanos). Ao chegar embaixo, João Diego apresentou as flores a Nossa Senhora, que as tocou com suas mãos celestiais e voltou a colocá-las na tilma. “Filhinho meu, o menor, esta variedade de flores é a prova e sinal que levarás ao Bispo. Tu lhe dirás de minha parte que veja nela a minha vontade e que ele tem de cumpri-la. Tu és meu embaixador, no qual absolutamente deposito toda a confiança. Com firmeza te ordeno que diante do Bispo abras tua manta e mostres o que levas.” João Diego se dirigiu novamente ao palácio de Dom Zumárraga. Depois de muito esperar e insistir, os criados o deixaram chegar à presença do Bispo. O “Mensageiro da Virgem” começou a narrar todo o sucedido com Nossa Senhora e em certo momento estendeu sua tilma, descobrindo o sinal. Caíram as mais preciosas e perfumadas flores e, no mesmo instante, estampou-se milagrosamente no tecido a portentosa Imagem da Perfeita Virgem Santa Maria Mãe de Deus, que se venera até hoje no Santuário de Guadalupe. Profundo sentido eclesial e missionário Assim foi a grande aparição cujo primeiro resultado foi a conversão em grande escala dos indígenas. “O Acontecimento Guadalupano – assinala o episcopado do México – significou o início da evangelização, com uma vitalidade que extravasou todas as expectativas. A mensagem de Cristo, por meio de sua Mãe, tomou os elementos centrais da cultura indígena, purificou-os e deu-lhes o definitivo sentido de salvação.” E o Papa completa: “É assim que Guadalupe e João Diego tomaram um profundo sentido eclesial e missionário, sendo um modelo de evangelização perfeitamente inculturada” (Missa de Canonização, 31/7/2002). Por isso, determinou Sua Santidade que no dia 12 de dezembro seja celebrada, em todo o Continente, a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe e Evangelizadora da América (Exortação Apostólica Ecclesia in América). ² * * * * * * * Na homilia de 31 de julho de 2002, o Santo Padre dirigiu ao recém-canonizado São João Diego esta comovedora oração: Ditoso Juan Diego, índio bondoso e cristão, em quem o povo simples sempre viu um homem santo! Nós te suplicamos que acompanhes a Igreja peregrina no México, para que seja cada dia mais evangelizadora e missionária. Encoraja os Bispos, sustenta os presbíteros, suscita novas e santas vocações, ajuda todas as pessoas que entregam a sua própria vida pela causa de Cristo e pela difusão do seu Reino. Bem-aventurado Juan Diego, homem fiel e verdadeiro! Nós te recomendamos os nossos irmãos e as nossas irmãs leigos a fim de que, sentindo-se chamados à santidade, penetrem todos os âmbitos da vida social com o espírito evangélico. Abençoa as famílias, fortalece os esposos no seu matrimônio, apoia os desvelos dos pais empenhados na educação cristã dos seus filhos. Olha com solicitude para a dor dos indivíduos que sofrem no corpo e no espírito, de quantos padecem em virtude da pobreza, da solidão, da marginalização ou da ignorância. Que todos, governantes e governados, trabalhem sempre em conformidade com as exigências da justiça e do respeito da dignidade de cada homem individualmente, para que desta forma a paz seja consolidada. Amado Juan Diego, a “águia que fala”! Ensina-nos o caminho que conduz para a Virgem Morena de Tepeyac, para que Ela nos receba no íntimo do seu coração, dado que é a Mãe amorosa e misericordiosa que nos orienta para o Deus verdadeiro. (Homilia no dia da canonização Oração a São João Diego) #SantodoDia
- São Juan Diego, o vidente de Guadalupe – 09 de Dezembro
SANTO DO DIA – 09 DE DEZEMBRO – SÃO JOÃO (JUAN) DIEGO CUAUHTLATOATZIN (1474-1548) Os registros oficiais narram que Juan Diego, para nós João Diego, nasceu em 1474 na calpulli, ou melhor, no bairro de Tlayacac ao norte da atual Cidade do México. Era um índio nativo, que antes de ser batizado tinha o nome de Cuauhtlatoatzin, traduzido como ‘águia que fala’ ou ‘aquele que fala como águia’. Era um índio pobre, pertencia à mais baixa casta do Império Azteca, sem ser, entretanto, um escravo. Dedicava-se ao difícil trabalho no campo e à fabricação de esteiras. Possuía um pedaço de terra, onde vivia feliz com a esposa, numa pequena casa, mas não tinha filhos. Atraído pela doutrina dos padres franciscanos que chegaram ao México em 1524, se converteu e foi batizado, junto como sua esposa. Receberam o nome cristão de João Diego e Maria Lúcia, respectivamente. Era um homem dedicado, religioso, que sempre se retirava para as orações contemplativas e penitências. Costumava caminhar de sua vila à Cidade do México, a quatorze milhas de distância, para aprender a Palavra de Cristo. Andava descalço e vestia, nas manhãs frias, uma roupa de tecido grosso de fibra de cactos como um manto, chamado tilma ou ayate, como todos de sua classe social. A esposa, Maria Lúcia, ficou doente e faleceu em 1529. Ele, então, foi morar com seu tio, diminuindo a distância da igreja para nove milhas. Fazia esse percurso todo sábado e domingo, saindo bem cedo, antes do amanhecer. Durante uma de suas idas à igreja, no dia 9 de dezembro de 1531, por volta de três horas e meia, entre a vila e a montanha, ocorreu a primeira aparição de Nossa Senhora de Guadalupe, num lugar hoje chamado ‘Capela do Cerrinho’, onde a Virgem Maria o chamou em sua língua nativa, nahuatl, dizendo: ‘Joãozinho, João Dieguito’, ‘o mais humilde de meus filhos’, ‘meu filho caçula’, ‘meu queridinho’. A Virgem o encarregou de pedir ao bispo, o franciscano João de Zumárraga, para construir uma igreja no lugar da aparição. Como o bispo não se convenceu, ela sugeriu que João Diego insistisse. No dia seguinte, domingo, voltou a falar com o bispo, que pediu provas concretas sobre a aparição. Na terça-feira, 12 de dezembro, João Diego estava indo à cidade quando a Virgem apareceu e o consolou. Em seguida, pediu que ele colhesse flores para ela no alto da colina de Tepeyac. Apesar do frio inverno, ele encontrou lindas flores, que colheu, colocou no seu manto e levou para Nossa Senhora. Ela disse que as entregasse ao bispo como prova da aparição. Diante do bispo, João Diego abriu sua túnica, as flores caíram e no tecido apareceu impressa a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe. Tinha, então, cinquenta e sete anos. Após o milagre de Guadalupe, foi morar numa sala ao lado da capela que acolheu a sagrada imagem, depois de ter passado seus negócios e propriedades ao seu tio. Dedicou o resto de sua vida propagando as aparições aos seus conterrâneos nativos, que se convertiam. Ele amou, profundamente, a santa Eucaristia, e obteve uma especial permissão do bispo para receber a comunhão três vezes na semana, um acontecimento bastante raro naqueles dias. João Diego faleceu no dia 30 de maio de 1548, aos setenta e quatro anos, de morte natural. O papa João Paulo II, durante sua canonização em 2002, designou a festa litúrgica para 9 de dezembro, dia da primeira aparição, e louvou são João Diego, pela sua simples fé nutrida pelo catecismo, como um modelo de humildade para todos nós. Texto: Paulinas Internet São Juan Diego e Nossa Senhora de Guadalupe Em 9 de dezembro de 1531, João Diego estava nos arredores da colina Tepeyac, atual cidade do México. Repentinamente, ouviu uma música suave, sonora e melodiosa… era Nossa Senhora de Guadalupe Em 9 de dezembro de 1531, João Diego estava nos arredores da colina Tepeyac, na atual Cidade do México. Repentinamente, ouviu uma música suave, sonora e melodiosa que, pouco a pouco, foi-se extinguindo. Nesse momento escutou ele uma lindíssima voz, que no idioma nahualt o chamava pelo nome. Era Nossa Senhora de Guadalupe. Depois de cumprimentá-lo com muito carinho e afeto, Ela lhe dirigiu estas palavras cheias de bondade: “Porque sou verdadeiramente vossa Mãe compassiva, quero muito, desejo muito que construam aqui para mim um templo, para nele Eu mostrar e dar todo o meu amor, minha compaixão, meu auxílio e minha salvação a ti, a todos os outros moradores desta terra e aos demais que me amam, me invoquem e em mim confiem. Neste lugar quero ouvir seus lamentos, remediar todas as suas misérias, sofrimentos e dores.” Em seguida, Nossa Senhora pediu a João Diego que fosse ao palácio do Bispo do México, e lhe comunicasse que Ela o enviava e pedia a construção do templo. Sem hesitar, o “mensageiro da Virgem” foi entrevistar-se com Dom Luís de Zumárraga, e contou-lhe o que havia acontecido. Mas o Bispo não lhe deu crédito e mandou-o voltar outro dia. Nossa Senhora aparece a João Diego Segunda e terceira aparições Nesse mesmo dia, ao pôr-do-sol, João Diego, pesaroso, foi comunicar a Nossa Senhora o fracasso de sua missão. Com encantadora inocência, pediu a Ela que escolhesse um embaixador mais digno, estimado e respeitado. A Mãe de Deus lhe respondeu: “Escuta, ó menor de meus filhos! Tem por certo que não são poucos os meus servidores, meus mensageiros, aos quais Eu possa encarregar de levar minha mensagem e fazer minha vontade. Mas é muito necessário que vás tu, pessoalmente, e que por teu intermédio se realize, se efetive meu querer, minha vontade. E muito te rogo, filho meu, o menor de todos, e firmemente te ordeno, que vás amanhã outra vez ver o Bispo. E de minha parte faze-o saber, faze-o ouvir o meu querer, a minha vontade, para que este a realize, faça meu templo, que lhe peço. E outra vez dize-lhe que eu, pessoalmente, a sempre Virgem Santa Maria, Mãe de Deus, te envio.” No dia seguinte, depois de assistir à Missa, João Diego voltou a procurar o Bispo Dom Zumárraga, que o recebeu com atenção, porém mais céptico ainda, dizendo-lhe ser necessário um “sinal” para demonstrar que era realmente a Rainha do Céu que o enviava. Com toda naturalidade, o indígena respondeu que sim, ia pedir à Senhora o sinal solicitado. Ao cair do sol, como das vezes anteriores, apareceu a João Diego Nossa Senhora, radiante de doçura. Ela aceitou sem a menor dificuldade conceder-lhe o sinal pedido. Para isto, convidou-o a voltar no dia seguinte. Ele foge, Ela vai ao seu encontro Todavia, na segunda-feira, dia 11, João Diego não se apresentou à hora marcada. Seu tio, João Bernardino, caiu repentinamente doente, e Diego tentou todos os recursos medicinais indígenas para curá-lo. Foi em vão. Quando o enfermo percebeu a aproximação da morte, sendo já cristão fervoroso, pediu a seu sobrinho que lhe tentasse trazer um sacerdote. Pressuroso, João Diego saiu ao amanhecer do dia 12 em busca do confessor. Mas decidiu tomar um caminho diferente do habitual, para que a “Senhora do Céu” não lhe aparecesse, pois pensava: “Ela vai me pedir satisfação de sua incumbência e não poderei buscar o sacerdote.” Mas sua artimanha não funcionou. Para seu espanto, a Mãe de Deus lhe apareceu nesse caminho. Envergonhado, João Diego tratou de se desculpar com fórmulas de cortesia próprias do costume indígena: “Minha jovenzinha, filha minha, a pequenina, menina minha, oxalá estejas contente.” E depois de explicar-Lhe a enfermidade de seu tio, como causa de sua falta de diligência, concluiu: “Rogo-te que me perdoes, que tenhas ainda um pouco de paciência comigo, porque com isso não A estou enganando, minha filha pequenina, menina minha. Amanhã sem falta virei a toda pressa.” Ao que lhe respondeu Nossa Senhora, com bondade e carinho próprios à melhor de todas as Mães: “Escuta, e põe em teu coração, filho meu, o menor: o que te assusta e aflige não é nada. Não se perturbe teu rosto, teu coração; não temas esta enfermidade, nem qualquer outra enfermidade e angústia. Não estou eu aqui, tua Mãe? Não estás sob minha sombra e minha proteção? Não sou eu a fonte de tua alegria? Não estás porventura em meu regaço? Tens necessidade de alguma outra coisa? Que nenhuma outra coisa te aflija, nem te perturbe. Não te assuste a enfermidade de teu tio, porque dela não morrerá por agora. Tem por certo que já sarou.” Estampou-se milagrosamente no tecido a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe Sinal para o “Mensageiro da Virgem” Assim que ouviu essas belíssimas palavras, João Diego, muito consolado, creu em Nossa Senhora. Mas era preciso cumprir a missão. Qual era o sinal? Ela lhe ordenou subir à colina de Tepeyac e cortar as flores que ali encontrasse. Esse encargo era impossível, uma vez que lá nunca elas nasciam, e menos ainda nesse tempo de inverno. Mas Diego não duvidou. Subiu a colina e no seu cume encontrou as mais belas e variadas rosas, todas perfumadas e cheias de gotas de orvalho como se fossem pérolas. Cortou-as e as guardou em sua tilma (o poncho típico dos índios mexicanos). Ao chegar embaixo, João Diego apresentou as flores a Nossa Senhora, que as tocou com suas mãos celestiais e voltou a colocá-las na tilma. “Filhinho meu, o menor, esta variedade de flores é a prova e sinal que levarás ao Bispo. Tu lhe dirás de minha parte que veja nela a minha vontade e que ele tem de cumpri-la. Tu és meu embaixador, no qual absolutamente deposito toda a confiança. Com firmeza te ordeno que diante do Bispo abras tua manta e mostres o que levas.” João Diego se dirigiu novamente ao palácio de Dom Zumárraga. Depois de muito esperar e insistir, os criados o deixaram chegar à presença do Bispo. O “Mensageiro da Virgem” começou a narrar todo o sucedido com Nossa Senhora e em certo momento estendeu sua tilma, descobrindo o sinal. Caíram as mais preciosas e perfumadas flores e, no mesmo instante, estampou-se milagrosamente no tecido a portentosa Imagem da Perfeita Virgem Santa Maria Mãe de Deus, que se venera até hoje no Santuário de Guadalupe. Profundo sentido eclesial e missionário Assim foi a grande aparição cujo primeiro resultado foi a conversão em grande escala dos indígenas. “O Acontecimento Guadalupano – assinala o episcopado do México – significou o início da evangelização, com uma vitalidade que extravasou todas as expectativas. A mensagem de Cristo, por meio de sua Mãe, tomou os elementos centrais da cultura indígena, purificou-os e deu-lhes o definitivo sentido de salvação.” E o Papa completa: “É assim que Guadalupe e João Diego tomaram um profundo sentido eclesial e missionário, sendo um modelo de evangelização perfeitamente inculturada” (Missa de Canonização, 31/7/2002). Por isso, determinou Sua Santidade que no dia 12 de dezembro seja celebrada, em todo o Continente, a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe e Evangelizadora da América (Exortação Apostólica Ecclesia in América). ² * * * * * * * Na homilia de 31 de julho de 2002, o Santo Padre dirigiu ao recém-canonizado São João Diego esta comovedora oração: Ditoso Juan Diego, índio bondoso e cristão, em quem o povo simples sempre viu um homem santo! Nós te suplicamos que acompanhes a Igreja peregrina no México, para que seja cada dia mais evangelizadora e missionária. Encoraja os Bispos, sustenta os presbíteros, suscita novas e santas vocações, ajuda todas as pessoas que entregam a sua própria vida pela causa de Cristo e pela difusão do seu Reino. Bem-aventurado Juan Diego, homem fiel e verdadeiro! Nós te recomendamos os nossos irmãos e as nossas irmãs leigos a fim de que, sentindo-se chamados à santidade, penetrem todos os âmbitos da vida social com o espírito evangélico. Abençoa as famílias, fortalece os esposos no seu matrimônio, apoia os desvelos dos pais empenhados na educação cristã dos seus filhos. Olha com solicitude para a dor dos indivíduos que sofrem no corpo e no espírito, de quantos padecem em virtude da pobreza, da solidão, da marginalização ou da ignorância. Que todos, governantes e governados, trabalhem sempre em conformidade com as exigências da justiça e do respeito da dignidade de cada homem individualmente, para que desta forma a paz seja consolidada. Amado Juan Diego, a “águia que fala”! Ensina-nos o caminho que conduz para a Virgem Morena de Tepeyac, para que Ela nos receba no íntimo do seu coração, dado que é a Mãe amorosa e misericordiosa que nos orienta para o Deus verdadeiro. (Homilia no dia da canonização Oração a São João Diego) #SantodoDia
- Homilia Diária | As três graças da Imaculada
Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora É com o coração transbordante de alegria que a Igreja inteira, rendendo graças a Deus onipotente, celebra hoje a Imaculada Conceição da toda pura e toda santa Mãe de Deus, preservada imune da mancha de pecado desde o primeiro instante de sua concepção. Apesar de enriquecida com uma plenitude inicial de graças que a fez digna Mãe do Redentor, Maria não deixou de crescer na graça divina ao longo de sua vida na terra, amando com um amor singular o Deus que nela assumiu a condição mortal para que nós, chamados à glória do Céu, participássemos um dia de sua divindade. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta sexta-feira, dia 8 de dezembro, e consagremo-nos hoje à Virgem puríssima, sem pecado concebida! Santo do Dia: Solenidade da Imaculada Conceição de Maria Evangelho (Lc 1,26-38) — Aleluia! Aleluia! Aleluia! — Maria, alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor é contigo! (cf. Lc 1,28) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 26 no sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27 a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. 28 O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” 29 Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. 30 O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31 Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32 Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33 Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”. 34 Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?” 35 O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. 36 Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37 porque para Deus nada é impossível”. 38 Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Diária | As três graças da Imaculada
Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora É com o coração transbordante de alegria que a Igreja inteira, rendendo graças a Deus onipotente, celebra hoje a Imaculada Conceição da toda pura e toda santa Mãe de Deus, preservada imune da mancha de pecado desde o primeiro instante de sua concepção. Apesar de enriquecida com uma plenitude inicial de graças que a fez digna Mãe do Redentor, Maria não deixou de crescer na graça divina ao longo de sua vida na terra, amando com um amor singular o Deus que nela assumiu a condição mortal para que nós, chamados à glória do Céu, participássemos um dia de sua divindade. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta sexta-feira, dia 8 de dezembro, e consagremo-nos hoje à Virgem puríssima, sem pecado concebida! Santo do Dia: Solenidade da Imaculada Conceição de Maria Evangelho (Lc 1,26-38) — Aleluia! Aleluia! Aleluia! — Maria, alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor é contigo! (cf. Lc 1,28) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 26 no sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27 a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. 28 O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” 29 Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. 30 O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31 Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32 Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33 Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”. 34 Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?” 35 O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. 36 Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37 porque para Deus nada é impossível”. 38 Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora – 08 de Dezembro
Santo do Dia – 08 de Dezembro – Imaculada Conceição de Nossa Senhora A esta criatura dileta entre todas, superior a tudo quanto foi criado, e inferior somente à humanidade santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus conferiu um privilégio incomparável, que é a Imaculada Conceição. O vocabulário humano não é suficiente para exprimir a santidade de Nossa Senhora. Na ordem natural, os Santos e os Doutores A compararam ao sol. Mas se houvesse algum astro inconcebivelmente mais brilhante e mais glorioso do que o sol, é a esse que A comparariam. E acabariam por dizer que este astro daria d’Ela uma imagem pálida, defeituosa, insuficiente. Na ordem moral, afirmam que Ela transcendeu de muito todas as virtudes, não só de todos os varões e matronas insignes da Antiguidade, mas – o que é incomensuravelmente mais – de todos os Santos da Igreja Católica. Imagine-se uma criatura tendo todo o amor de São Francisco de Assis, todo o zelo de São Domingos de Gusmão, toda a piedade de São Bento, todo o recolhimento de Santa Teresa, toda a sabedoria de São Tomás, toda a intrepidez de Santo Inácio, toda a pureza de São Luiz Gonzaga, a paciência de um São Lourenço, o espírito de mortificação de todos os anacoretas do deserto: ela não chegaria aos pés de Nossa Senhora. Mais ainda. A glória dos Anjos é algo de incompreensível ao intelecto humano. Certa vez, apareceu a um santo o seu Anjo da Guarda. Tal era sua glória, que o Santo pensou que se tratasse do próprio Deus, e se dispunha a adorá-lo, quando o Anjo revelou quem era. Ora, os Anjos da Guarda não pretendem habitualmente às mais altas hierarquias celestes. E a glória de Nossa Senhora está incomensuravelmente acima da de todos os coros angélicos. Poderia haver contraste maior entre esta obra-prima da natureza e da graça, não só indescritível mas até inconcebível, e o charco de vícios e misérias, que era o mundo antes de Cristo? A Imaculada Conceição A esta criatura dileta entre todas, superior a tudo quanto foi criado, e inferior somente à humanidade santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus conferiu um privilégio incomparável, que é a Imaculada Conceição. Em virtude do pecado original, a inteligência humana se tornou sujeita a errar, a vontade ficou exposta a desfalecimentos, a sensibilidade ficou presa das paixões desordenadas, o corpo por assim dizer foi posto em revolta contra a alma. Ora, pelo privilégio de sua Conceição Imaculada, Nossa Senhora foi preservada da mancha do pecado original desde o primeiro instante de seu ser. E, assim, n’Ela tudo era harmonia profunda, perfeita, imperturbável. O intelecto jamais exposto a erro, dotado de um entendimento, uma clareza, uma agilidade inexprimível, iluminado pelas graças mais altas, tinha um conhecimento admirável das coisas do Céu e da Terra. A vontade, dócil em tudo ao intelecto, estava inteiramente voltada para o bem, e governava plenamente a sensibilidade, que jamais sentia em si, nem pedia à vontade algo que não fosse plenamente justo e conforme à razão. Imagine-se uma vontade naturalmente tão perfeita, uma sensibilidade naturalmente tão irrepreensível, esta e aquela enriquecidas e super-enriquecidas de graças inefáveis, perfeitissimamente correspondidas a todo o momento, e se pode ter uma idéia do que era a Santíssima Virgem. Ou antes se pode compreender por que motivo nem sequer se é capaz de formar uma ideia do que a Santíssima Virgem era. “Inimicitias Ponam” Dotada de tantas luzes naturais e sobrenaturais, Nossa Senhora conheceu por certo, em seus dias, a infâmia do mundo. E com isto amargamente sofreu. Pois quanto maior é o amor à virtude, tanto maior é o ódio ao mal. Ora, Maria Santíssima tinha em si abismos de amor à virtude, e, portanto, sentia forçosamente em si abismos de ódio ao mal. Maria era pois inimiga do mundo, do qual viveu alheia, segregada, sem qualquer mistura nem aliança, voltada unicamente para as coisas de Deus. O mundo, por sua vez, parece não ter compreendido nem amado Maria. Pois não consta que lhe tivesse tributado admiração proporcionada à sua formosura castíssima, à graça nobilíssima, a seu trato dulcíssimo, à sua caridade sempre exorável, acessível, mais abundante do que as águas do mar e mais suave do que o mel. E como não haveria de ser assim? Que compreensão poderia haver entre Aquela que era toda do Céu, e aqueles que viviam só para a Terra? Aquela que era toda fé, pureza, humildade, nobreza, e aqueles que eram todos idolatria, ceticismo, heresia, concupiscência, orgulho, vulgaridade? Aquela que era toda sabedoria, razão, equilíbrio, senso perfeito de todas as coisas, temperança absoluta e sem mácula nem sombra, e aqueles que eram todo desmando, extravagância, desiquilíbrio, senso errado, cacofônico, contraditório, berrante a respeito de tudo, e intemperança crônica, sistemática, vertiginosamente crescente em tudo? Aquela que era a fé levada por uma lógica adamantina e inflexível a todas as suas consequências, e aqueles que eram o erro levado por uma lógica infernalmente inexorável, também a suas últimas consequências? Ou aqueles que, renunciando a qualquer lógica, viviam voluntariamente num pântano de contradições, em que todas as verdades se misturavam e se poluíam na monstruosa interpenetração de todos os erros que lhe são contrários? “Imaculado” é uma palavra negativa. Ela significa etimologicamente a ausência de mácula, e pois de todo e qualquer erro por menos que seja, de todo e qualquer pecado por mais leve e insignificante que pareça. É a integridade absoluta na fé e na virtude. E, portanto, a intransigência absoluta, sistemática, irredutível, a aversão completa, profunda, diametral a toda a espécie de erro ou de mal. A santa intransigência na verdade e no bem, é a ortodoxia, a pureza, enquanto em oposição à heterodoxia e ao mal. Por amar a Deus sem medida, Nossa Senhora correspondentemente amou de todo o Coração tudo quanto era de Deus. E porque odiou sem medida o mal, odiou sem medida Satanás, suas pompas e suas obras, o demônio e a carne. Nossa Senhora da Conceição é Nossa Senhora da santa intransigência. Verdadeiro ódio, verdadeiro amor Por isto, Nossa Senhora rezava sem cessar. E segundo tão razoavelmente se crê, Ela pedia o advento do Messias, e a graça de ser uma serva daquele que fosse escolhida para Mãe de Deus. Pedia o Messias, para que viesse Aquele que poderia fazer brilhar novamente a justiça na face da Terra, para que se levantasse o Sol divino de todas as virtudes, espancando por todo o mundo as trevas da impiedade e do vício. Nossa Senhora desejava, é certo, que os justos vivendo na Terra encontrassem na vinda do Messias a realização de seus anseios e de suas esperanças, que os vacilantes se reanimassem, e que de todos os pauis, de todos os abismos, almas tocadas pela luz da graça, levantassem voo para os mais altos píncaros da santidade. Pois estas são por excelência as vitórias de Deus, que é a Verdade e o Bem, e as derrotas do demônio, que é o chefe de todo erro e de todo o mal. A Virgem queria a glória de Deus por essa justiça que é a realização na Terra da ordem desejada pelo Criador. Mas, pedindo a vinda do Messias, Ela não ignorava que este seria a Pedra de escândalo, pela qual muitos se salvariam e muitos receberiam também o castigo de seu pecado. Este castigo do pecador irredutível, este esmagamento do ímpio obcecado e endurecido, Nossa Senhora também o desejou de todo o Coração, e foi uma das consequências da Redenção e da fundação da Igreja, que Ela desejou e pediu como ninguém. Ut inimicos Santae Ecclesiae Humiliare digneris, Te rogamus audi nos, canta a Liturgia. E antes da Liturgia por certo o Coração Imaculado de Maria já elevou a Deus súplica análoga, pela derrota dos ímpios irredutíveis. Admirável exemplo de verdadeiro amor, de verdadeiro ódio. Onipotência suplicante Deus quer as obras. Ele fundou a Igreja par ao apostolado. Mas acima de tudo quer a oração. Pois a oração é a condição da fecundidade de todas as obras. E quer como fruto da oração a virtude. Rainha de todos os apóstolos, Nossa Senhora e entretanto principalmente o modelo das almas que rezam e se santificam, a estrela podar de toda meditação e vida interior. Pois, dotada de virtude imaculada, Ela dez sempre o que era mais razoável, e se nunca sentiu em si as agitações e as desordens das almas que só amam a ação e a agitação, nunca experimentou em si, tampouco, as apatias e as negligências das almas frouxas que fazem da vida interior um pára-vento a fim de disfarçar sua indiferença pela causa da Igreja. Seu afastamento do mundo não significou um desinteresse pelo mundo. Quem fez mais pelos ímpios e pelos pecadores do que Aquela que, para os salvar, voluntariamente consentiu na imolação crudelíssima de seu Filho infinitamente inocente e santo? Quem fez mais pelos homens, do que Aquela que consentiu se realizasse em seus dias a promessa da vinda do Salvador? Mas, confiante sobretudo na oração e na vida interior, não nos deu a Rainha dos Apóstolos uma grande lição de apostolado, fazendo de uma e outra o seu principal instrumento de ação? Aplicação a nossos dias Tanto valem aos olhos de Deus as almas que, como Nossa Senhora, possuem o segredo do verdadeiro amor e do verdadeiro ódio, da intransigência perfeita, do zelo incessante, do completo espírito de renúncia, que propriamente são elas que podem atrair para o mundo as graças divinas. Estamos numa época parecida com a da vinda de Jesus Cristo à Terra. Em 1928 escreveu o Santo Padre Pio XI que “o espetáculo das desgraças contemporâneas é de tal maneira aflitivo, que se poderia ver nele a aurora deste início de dores que trará o Homem do pecado, elevando-se contra tudo quanto é chamado Deus e recebe a honra de um culto” (Enc. Miserentissimus Redemptor, de 8 de maio de 1928). Que diria ele hoje? E a nós, que nos compete fazer? Lutar em todos os terrenos permitidos, com todas as armas lícitas. Mas antes de tudo, acima de tudo, confiar na vida interior e na oração. É o grande exemplo de Nossa Senhora. O exemplo de Nossa Senhora, só com o auxílio de Nossa Senhora se pode imitar. E o auxílio de Nossa Senhora só com a devoção a Nossa Senhora se pode conseguir. Ora, a devoção a Maria Santíssima no que de melhor pode consistir, do que em lhe pedirmos não só o amor a Deus e o ódio ao demônio, mas aquela santa inteireza no amor ao bem e no ódio ao mal, em uma palavra aquela santa intransigência, que tanto refulge em sua Imaculada Conceição? * * * * * * * A Imaculada Conceição da Maria Virgem – singular privilégio concedido por Deus, desde toda a eternidade, Àquela que seria Mãe de seu Filho Unigênito – preside a todos os louvores que Lhe rendemos na recitação de seu Pequeno Ofício. Assim, parece-nos oportuno percorrer rapidamente a história dessa “piedosa crença” que atravessou os séculos, até encontrar, nas infalíveis palavras de Pio IX, sua solene definição dogmática. Onze séculos de tranqüila aceitação da “piedosa crença” Os mais antigos Padres da Igreja, amiúde se expressam em termos que traduzem sua crença na absoluta imunidade do pecado, mesmo o original, concedida à Virgem Maria. Assim, por exemplo, São Justino, Santo Irineu, Tertuliano, Firmio, São Cirilo de Jerusalém, Santo Epifânio, Teódoro de Ancira, Sedulio e outros comparam Maria Santíssima com Eva antes do pecado. Santo Efrém, insigne devoto da Virgem, A exalta como tendo sido “sempre, de corpo e de espírito, íntegra e imaculada”. Para Santo Hipólito Ela é um “tabernáculo isento de toda corrupção”. Orígenes A aclama “imaculada entre imaculadas, nunca afetada pela peçonha da serpente”. Por Santo Ambrósio é Ela declarada “vaso celeste, incorrupta, virgem imune por graça de toda mancha de pecado”. Santo Agostinho afirma, disputando contra Pelágio, que todos os justos conheceram o pecado, “menos a Santa Virgem Maria, a qual, pela honra do Senhor, não quero que entre nunca em questão quando se trate de pecados”. Cedo começou a Igreja – com primazia da Oriental – a comemorar em suas funções litúrgicas a imaculada conceição de Maria. Passaglia, no seu De Inmaculato Deiparae Conceptu, crê que a princípios do Século V já se celebrava a festa da Conceição de Maria (com o nome de Conceição de Sant’Ana) no Patriarcado de Jerusalém. O documento fidedigno mais antigo é o cânon de dita festa, composto por Santo André de Creta, monge do mosteiro de São Sabas, próximo a Jerusalém, o qual escreveu seus hinos litúrgicos na segunda metade do século VII. Tampouco faltam autorizadíssimos testemunhos dos Padres da Igreja, reunidos em Concílio, para provar que já no século VII era comum e recebida por tradição a piedosa crença, isto é, a devoção dos fiéis ao grande privilégio de Maria (Concílio de Latrão, em 649, e Concílio Constantinopolitano III, em 680). Em Espanha, que se gloria de ter recebido com a fé o conhecimento deste mistério, comemora-se sua festa desde o século VII. Duzentos anos depois, esta solenidade aparece inscrita nos calendários da Irlanda, sob o título de “Conceição de Maria”. Também no século IX era já celebrada em Nápoles e Sicílias, segundo consta do calendário gravado em mármore e editado por Mazzocchi em 1744. Em tempos do Imperador Basílio II (976-1025), a festa da “Conceição de Sant’Ana” passou a figurar no calendário oficial da Igreja e do Estado, no Império Bizantino. No século XI parece que a comemoração da Imaculada estava estabelecida na Inglaterra, e, pela mesma época, foi recebida em França. Por uma escritura de doação de Hugo de Summo, consta que era festejada na Lombardia (Itália) em 1047. Certo é também que em fins do século XI, ou princípios do XII, celebrava-se em todo o antigo Reino de Navarra. Séculos XII-XIII: Oposições No mesmo século XII começou a ser combatido, no Ocidente, este grande privilégio de Maria Santíssima. Tal oposição haveria ainda de ser mais acentuada e mais precisa na centúria seguinte, no período clássico da escolástica. Entre os que puseram em dúvida a Imaculada Conceição, pela pouca exatidão de idéias à matéria encontram-se doutos e virtuosos varões, como, por exemplo, São Bernardo, São Boaventura, Santo Alberto Magno e o angélico São Tomás de Aquino. Século XIV: Escoto e a reação a favor do dogma O combate a esta augusta prerrogativa da Virgem não fez senão acrisolar o ânimo de seus partidários. Assim, o século XIV se inicia com uma grande reação a favor da Imaculada, na qual se destacou, como um de seus mais ardorosos defensores, o beato espanhol Raimundo Lulio. Outro dos primeiros e mais denodados campeões da Imaculada Conceição foi o venerável João Duns Escoto (seu país natal é incerto: Escócia, Inglaterra ou Irlanda; morreu em 1308), glória da Ordem dos Menores Franciscanos, o qual, depois de bem fixar os verdadeiros termos da questão, estabeleceu com admirável clareza os sólidos fundamentos para desvanecer as dificuldades que os contrários opunham à singular prerrogativa mariana. Sobre o impulso dado por Escoto à causa da Imaculada Conceição, existe uma tocante legenda. Teria ele vindo de Oxford a Paris, precisamente para fazer triunfar o imaculatismo. Na Universidade da Sorbonne, em 1308, sustentou uma pública e solene disputa em favor do privilégio da Virgem. No dia dessa grande ato, Escoto, quando chegou ao local da discussão, prosternou-se diante de uma imagem de Nossa Senhora que se encontrava em sua passagem, e lhe dirigiu esta prece: “Dignare me laudare te, Virgo sacrata: da mihi virtutem contra hostes tuos”. A Virgem, para mostrar seu contentamento com esta atitude inclinou a cabeça – postura que, a partir de então, Ela teria conservado… Depois de Escoto, a solução teológica das dificuldades levantadas contra a Imaculada Conceição se tornou casa dia mais clara e perfeita, com o que seus defensores se multiplicaram prodigiosamente. Em seu favor escreveram inúmeros filhos de São Francisco, entre os quais se podem contar os franceses Aureolo (m. em 1320) e Mayron (m. em 1325), o escocês Bassolis e o espanhol Guillermo Rubión. Acredita-se que esses ardorosos propagandistas do santo mistério estejam na origem de sua celebração em Portugal, nos primórdios do século XIV. O documento mais antigo da instituição da festa da Imaculada nesse país é um decreto do Bispo de Coimbra, D. Raimundo Evrard, datado de 17 de Outubro de 1320. A par dos doutores franciscanos, cumpre ainda mencionar, entre os defensores da Imaculada Conceição nos séculos XIV-XV, o carmelita João Bacon (m. em 1340), o agostiniano Tomás de Estrasburgo, Dionísio, o Cartuxo (m. em 1471), Gerson (m. em 1429), Nicolau de Cusa (m. em 1464) e outros muitos esclarecidos teólogos pertencentes a diversas escolas e nações. Séculos XV-XVI: acirradas disputas Em meados do século XV, a Imaculada Conceição foi objeto de renhido combate durante o Concílio de Basiléia, resultando num decreto de definição sem valor dogmático, posto que este sínodo perdeu a legitimidade ao se desligar do Papa. Entretanto, crescia cada dia mais o número das cidades, nações e colégios que celebravam oficialmente a festa da Imaculada. E com tal fervor, que nas cortes da Catalunha, reunidas em Barcelona entre 1454 e 1458, decretou-se pena de perpétuo desterro para quem combatesse o santo privilégio. O autêntico Magistério da Igreja não tardou a dar satisfação aos defensores do dogma e da festa. Pela bula Cum proeexcelsa, de 27 de Fevereiro de 1477, o Papa Sixto IV aprovou a festa da Conceição de Maria, enriqueceu-a de indulgências semelhantes às festas do Santíssimo Sacramento e autorizou ofício e missa especial para essa solenidade. Pelos fins do século XV, porém, a disputa em torno da Imaculada Conceição de tal maneira acirrou os ânimos dos contendores, que o mesmo Papa Sixto IV se viu obrigado a publicar, em data de 4 de setembro de 1483, a Constituição Grave Nimis, proibindo sob pena de excomunhão que os de uma parte chamassem hereges aos da outra. Por essa época, festejavam a Imaculada célebres universidades, como as de Oxford, de Cambridge e a de Paris, a qual, em 1497, instituiu para todos os seus doutores o juramento e o voto de defender perpetuamente o mistério da Imaculada Conceição, excluindo de seus quadros quem não os fizesse. De modo semelhante procederam as universidades de Colônia (em 1499), de Magúncia (em 1501) e a de Valência (em 1530). No Concílio de Trento (1545-1563) se ofereceu nova ocasião para denodado combate entre os dois partidos. Sem proferir uma definição dogmática da Imaculada Conceição, esta assembléia confirmou de modo solene as decisões de Sixto IV. A 15 de Junho de 1546, na sessão V, em seguida aos cânones sobre o pecado original, acrescentaram-se estas significativas palavras: “O sagrado Concílio declara que não é sua intenção compreender neste decreto, que trata do pecado original, a Bem-aventurada e imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus, mas que devem observar-se as constituições do Papa Sixto IV, de feliz memória, sob as penas que nelas se cominam e que este Concílio renova”. Por esse tempo, começaram a reforçar as fileiras dos defensores da Imaculada Conceição os teólogos da recém-fundada Companhia de Jesus, entre os quais não se achou um só de opinião contrária. Aliás, pelos primeiros missionários jesuítas no Brasil temos notícia de que, já em 1554, celebrava-se o singular privilégio mariano em nosso País. Além da festa comemorada no dia 8 de Dezembro, capelas, ermidas e igrejas eram edificadas sob o título de Nossa Senhora da Conceição. Entretanto, a piedosa crença ainda suscitava polêmicas, coibidas pela intervenção do Sumo Pontífice. Assim, em outubro de 1567, São Pio V, condenando uma proposição de Bayo que afirmava ter morrido Nossa Senhora em conseqüência do pecado herdado de Adão, proibiu novamente a disputa acerca do augusto privilégio da Virgem. Séculos XVII e seguintes: consolidação da “piedosa crença” No século XVII, o culto da Imaculada Conceição conquista Portugal inteiro, desde os reis e os teólogos até os mais humildes filhos do povo. A 9 de Dezembro de 1617, a Universidade de Coimbra, reunida em claustro pleno, resolve escrever ao Papa manifestando-lhe a sua crença na imaculabilidade de Maria. Naquele mesmo ano, Paulo V, decretou que ninguém se atrevesse a ensinar publicamente que Maria Santíssima teve pecado original. Semelhante foi a atitude de Gregório XV, em 1622. Por essa época, a Universidade de Granada se obrigou a defender a Imaculada Conceição com voto de sangue, quer dizer, comprometendo-se a dar a vida e derramar o sangue, se necessário fosse, na defesa deste mistério. Magnífico exemplo que foi imitado, sucessivamente, por grande número de cabidos, cidades, reinos e ordens militares. A partir do século XVII também foram se multiplicando as corporações e sociedades, tanto religiosas como civis, e até mesmo estados, que adotaram por padroeira à Virgem no mistéiro de sua Imaculada Conceição. Digna de particular referência é a iniciativa de D. João IV, Rei de Portugal, proclamando Nossa Senhora da Conceição padroeira de seus “Reinos e Senhorios”, ao mesmo tempo que jura defendê-La até à morte, segundo se lê na provisão régia de 25 de março de 1646. A partir deste momento, em homenagem à sua Imaculada Soberana, nunca mais os reis portugueses puseram a coroa na cabeça. Em 1648, aquele mesmo Monarca mandou cunhar moedas de ouro e prata. Foi com estas que se pagou o primeiro feudo a Nossa Senhora. Com o nome de Conceição, tais moedas tinham no anverso a legenda: JOANNES IIII, D. G. PORTUGALIAE ET ALBARBIAE REX, a Cruz de Cristo e as armas lusitanas. No reverso: a imagem da Senhora da Conceição sobre o globo e a meia lua, com a data de 1648 e, nos lados, o sol, o espelho, o horto, a casa de ouro, a fonte selada e a Arca da Aliança, símbolos bíblicos da Santíssima Virgem. Outro decreto de D. João IV, assinado em 30 de junho de 1654, ordenava que “em todas as portas e entradas das cidades, vilas e lugares de seus Reinos”, fosse colocada uma lápide cuja inscrição exprimisse a fé do povo português na imaculada Conceição de Maria. Igualmente a partir do século XVII imperadores, reis e as cortes dos reinos começaram a pedir com admirável constância, e com uma insistência de que há poucos exemplos na História, a declaração dogmática da Imaculada Conceição. Pediram-na a Urbano VIII (m. em 1644) o Imperador Fernando II da Áustria; Segismundo, Rei da Polônia; Leopoldo, Arquiduque do Tirol; o eleitor de Magúncia; Ernesto de Baviera, eleitor de Colônia. O mesmo Urbano VIII a pedidos do Duque de Mântua e de outros príncipes, criou a ordem militar dos Cavaleiros da Imaculada Conceição, aprovando ao mesmo tempo seus estatutos. Por devoção à Virgem Imaculada, quis ele ser o primeiro a celebrar o augusto Sacrifício na primeira igreja edificada em Roma sob o título da Imaculada, para uso dos menores capuchinhos de São Francisco. Porém, o ato mais importante emanado da Santa Sé, no século XVII, em favor da Imaculada Conceição, foi a bula Sollicitude omnium Ecclesiarum, do Papa Alexandre VII, em 1661. Neste documento, escrito de sua própria mão, o Pontífice renova e ratifica as constituições em favor de Maria Imaculada, ao mesmo tempo que impõe gravíssimas penas a quem sustentar e ensinar opinião contrária aos ditos decretos e constituições. Esta bula memorável precede diretamente, sem outro decreto intermediário, a bula decisiva de Pio IX. Em 1713, Felipe V de Espanha e as Cortes de Aragão e Castela pediram a solene definição a Clemente XI. E o mesmo Rei, com quase todos os Bispos espanhóis, as universidades e Ordens religiosas, a solicitaram a Clemente XII, em 1732. No pontificado de Gregório XVI, e nos primeiros anos de Pio IX, elevaram-se à Sé Apostólica mais de 220 petições de Cardeais, Arcebispos e Bispos (sem contar as dos cabidos e ordens religiosas) para que se fizesse a definição dogmática. (Monsenhor João Clá Dias, EP, Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado, Volume I, 2° Edição – Agosto 2010, p. 436 à 441) #FestasdeNossaSenhora #ImaculadaConceição #NossaSenhora #SantíssimaVirgem
- Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora – 08 de Dezembro
Santo do Dia – 08 de Dezembro – Imaculada Conceição de Nossa Senhora A esta criatura dileta entre todas, superior a tudo quanto foi criado, e inferior somente à humanidade santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus conferiu um privilégio incomparável, que é a Imaculada Conceição. O vocabulário humano não é suficiente para exprimir a santidade de Nossa Senhora. Na ordem natural, os Santos e os Doutores A compararam ao sol. Mas se houvesse algum astro inconcebivelmente mais brilhante e mais glorioso do que o sol, é a esse que A comparariam. E acabariam por dizer que este astro daria d’Ela uma imagem pálida, defeituosa, insuficiente. Na ordem moral, afirmam que Ela transcendeu de muito todas as virtudes, não só de todos os varões e matronas insignes da Antiguidade, mas – o que é incomensuravelmente mais – de todos os Santos da Igreja Católica. Imagine-se uma criatura tendo todo o amor de São Francisco de Assis, todo o zelo de São Domingos de Gusmão, toda a piedade de São Bento, todo o recolhimento de Santa Teresa, toda a sabedoria de São Tomás, toda a intrepidez de Santo Inácio, toda a pureza de São Luiz Gonzaga, a paciência de um São Lourenço, o espírito de mortificação de todos os anacoretas do deserto: ela não chegaria aos pés de Nossa Senhora. Mais ainda. A glória dos Anjos é algo de incompreensível ao intelecto humano. Certa vez, apareceu a um santo o seu Anjo da Guarda. Tal era sua glória, que o Santo pensou que se tratasse do próprio Deus, e se dispunha a adorá-lo, quando o Anjo revelou quem era. Ora, os Anjos da Guarda não pretendem habitualmente às mais altas hierarquias celestes. E a glória de Nossa Senhora está incomensuravelmente acima da de todos os coros angélicos. Poderia haver contraste maior entre esta obra-prima da natureza e da graça, não só indescritível mas até inconcebível, e o charco de vícios e misérias, que era o mundo antes de Cristo? A Imaculada Conceição A esta criatura dileta entre todas, superior a tudo quanto foi criado, e inferior somente à humanidade santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus conferiu um privilégio incomparável, que é a Imaculada Conceição. Em virtude do pecado original, a inteligência humana se tornou sujeita a errar, a vontade ficou exposta a desfalecimentos, a sensibilidade ficou presa das paixões desordenadas, o corpo por assim dizer foi posto em revolta contra a alma. Ora, pelo privilégio de sua Conceição Imaculada, Nossa Senhora foi preservada da mancha do pecado original desde o primeiro instante de seu ser. E, assim, n’Ela tudo era harmonia profunda, perfeita, imperturbável. O intelecto jamais exposto a erro, dotado de um entendimento, uma clareza, uma agilidade inexprimível, iluminado pelas graças mais altas, tinha um conhecimento admirável das coisas do Céu e da Terra. A vontade, dócil em tudo ao intelecto, estava inteiramente voltada para o bem, e governava plenamente a sensibilidade, que jamais sentia em si, nem pedia à vontade algo que não fosse plenamente justo e conforme à razão. Imagine-se uma vontade naturalmente tão perfeita, uma sensibilidade naturalmente tão irrepreensível, esta e aquela enriquecidas e super-enriquecidas de graças inefáveis, perfeitissimamente correspondidas a todo o momento, e se pode ter uma idéia do que era a Santíssima Virgem. Ou antes se pode compreender por que motivo nem sequer se é capaz de formar uma ideia do que a Santíssima Virgem era. “Inimicitias Ponam” Dotada de tantas luzes naturais e sobrenaturais, Nossa Senhora conheceu por certo, em seus dias, a infâmia do mundo. E com isto amargamente sofreu. Pois quanto maior é o amor à virtude, tanto maior é o ódio ao mal. Ora, Maria Santíssima tinha em si abismos de amor à virtude, e, portanto, sentia forçosamente em si abismos de ódio ao mal. Maria era pois inimiga do mundo, do qual viveu alheia, segregada, sem qualquer mistura nem aliança, voltada unicamente para as coisas de Deus. O mundo, por sua vez, parece não ter compreendido nem amado Maria. Pois não consta que lhe tivesse tributado admiração proporcionada à sua formosura castíssima, à graça nobilíssima, a seu trato dulcíssimo, à sua caridade sempre exorável, acessível, mais abundante do que as águas do mar e mais suave do que o mel. E como não haveria de ser assim? Que compreensão poderia haver entre Aquela que era toda do Céu, e aqueles que viviam só para a Terra? Aquela que era toda fé, pureza, humildade, nobreza, e aqueles que eram todos idolatria, ceticismo, heresia, concupiscência, orgulho, vulgaridade? Aquela que era toda sabedoria, razão, equilíbrio, senso perfeito de todas as coisas, temperança absoluta e sem mácula nem sombra, e aqueles que eram todo desmando, extravagância, desiquilíbrio, senso errado, cacofônico, contraditório, berrante a respeito de tudo, e intemperança crônica, sistemática, vertiginosamente crescente em tudo? Aquela que era a fé levada por uma lógica adamantina e inflexível a todas as suas consequências, e aqueles que eram o erro levado por uma lógica infernalmente inexorável, também a suas últimas consequências? Ou aqueles que, renunciando a qualquer lógica, viviam voluntariamente num pântano de contradições, em que todas as verdades se misturavam e se poluíam na monstruosa interpenetração de todos os erros que lhe são contrários? “Imaculado” é uma palavra negativa. Ela significa etimologicamente a ausência de mácula, e pois de todo e qualquer erro por menos que seja, de todo e qualquer pecado por mais leve e insignificante que pareça. É a integridade absoluta na fé e na virtude. E, portanto, a intransigência absoluta, sistemática, irredutível, a aversão completa, profunda, diametral a toda a espécie de erro ou de mal. A santa intransigência na verdade e no bem, é a ortodoxia, a pureza, enquanto em oposição à heterodoxia e ao mal. Por amar a Deus sem medida, Nossa Senhora correspondentemente amou de todo o Coração tudo quanto era de Deus. E porque odiou sem medida o mal, odiou sem medida Satanás, suas pompas e suas obras, o demônio e a carne. Nossa Senhora da Conceição é Nossa Senhora da santa intransigência. Verdadeiro ódio, verdadeiro amor Por isto, Nossa Senhora rezava sem cessar. E segundo tão razoavelmente se crê, Ela pedia o advento do Messias, e a graça de ser uma serva daquele que fosse escolhida para Mãe de Deus. Pedia o Messias, para que viesse Aquele que poderia fazer brilhar novamente a justiça na face da Terra, para que se levantasse o Sol divino de todas as virtudes, espancando por todo o mundo as trevas da impiedade e do vício. Nossa Senhora desejava, é certo, que os justos vivendo na Terra encontrassem na vinda do Messias a realização de seus anseios e de suas esperanças, que os vacilantes se reanimassem, e que de todos os pauis, de todos os abismos, almas tocadas pela luz da graça, levantassem voo para os mais altos píncaros da santidade. Pois estas são por excelência as vitórias de Deus, que é a Verdade e o Bem, e as derrotas do demônio, que é o chefe de todo erro e de todo o mal. A Virgem queria a glória de Deus por essa justiça que é a realização na Terra da ordem desejada pelo Criador. Mas, pedindo a vinda do Messias, Ela não ignorava que este seria a Pedra de escândalo, pela qual muitos se salvariam e muitos receberiam também o castigo de seu pecado. Este castigo do pecador irredutível, este esmagamento do ímpio obcecado e endurecido, Nossa Senhora também o desejou de todo o Coração, e foi uma das consequências da Redenção e da fundação da Igreja, que Ela desejou e pediu como ninguém. Ut inimicos Santae Ecclesiae Humiliare digneris, Te rogamus audi nos, canta a Liturgia. E antes da Liturgia por certo o Coração Imaculado de Maria já elevou a Deus súplica análoga, pela derrota dos ímpios irredutíveis. Admirável exemplo de verdadeiro amor, de verdadeiro ódio. Onipotência suplicante Deus quer as obras. Ele fundou a Igreja par ao apostolado. Mas acima de tudo quer a oração. Pois a oração é a condição da fecundidade de todas as obras. E quer como fruto da oração a virtude. Rainha de todos os apóstolos, Nossa Senhora e entretanto principalmente o modelo das almas que rezam e se santificam, a estrela podar de toda meditação e vida interior. Pois, dotada de virtude imaculada, Ela dez sempre o que era mais razoável, e se nunca sentiu em si as agitações e as desordens das almas que só amam a ação e a agitação, nunca experimentou em si, tampouco, as apatias e as negligências das almas frouxas que fazem da vida interior um pára-vento a fim de disfarçar sua indiferença pela causa da Igreja. Seu afastamento do mundo não significou um desinteresse pelo mundo. Quem fez mais pelos ímpios e pelos pecadores do que Aquela que, para os salvar, voluntariamente consentiu na imolação crudelíssima de seu Filho infinitamente inocente e santo? Quem fez mais pelos homens, do que Aquela que consentiu se realizasse em seus dias a promessa da vinda do Salvador? Mas, confiante sobretudo na oração e na vida interior, não nos deu a Rainha dos Apóstolos uma grande lição de apostolado, fazendo de uma e outra o seu principal instrumento de ação? Aplicação a nossos dias Tanto valem aos olhos de Deus as almas que, como Nossa Senhora, possuem o segredo do verdadeiro amor e do verdadeiro ódio, da intransigência perfeita, do zelo incessante, do completo espírito de renúncia, que propriamente são elas que podem atrair para o mundo as graças divinas. Estamos numa época parecida com a da vinda de Jesus Cristo à Terra. Em 1928 escreveu o Santo Padre Pio XI que “o espetáculo das desgraças contemporâneas é de tal maneira aflitivo, que se poderia ver nele a aurora deste início de dores que trará o Homem do pecado, elevando-se contra tudo quanto é chamado Deus e recebe a honra de um culto” (Enc. Miserentissimus Redemptor, de 8 de maio de 1928). Que diria ele hoje? E a nós, que nos compete fazer? Lutar em todos os terrenos permitidos, com todas as armas lícitas. Mas antes de tudo, acima de tudo, confiar na vida interior e na oração. É o grande exemplo de Nossa Senhora. O exemplo de Nossa Senhora, só com o auxílio de Nossa Senhora se pode imitar. E o auxílio de Nossa Senhora só com a devoção a Nossa Senhora se pode conseguir. Ora, a devoção a Maria Santíssima no que de melhor pode consistir, do que em lhe pedirmos não só o amor a Deus e o ódio ao demônio, mas aquela santa inteireza no amor ao bem e no ódio ao mal, em uma palavra aquela santa intransigência, que tanto refulge em sua Imaculada Conceição? * * * * * * * A Imaculada Conceição da Maria Virgem – singular privilégio concedido por Deus, desde toda a eternidade, Àquela que seria Mãe de seu Filho Unigênito – preside a todos os louvores que Lhe rendemos na recitação de seu Pequeno Ofício. Assim, parece-nos oportuno percorrer rapidamente a história dessa “piedosa crença” que atravessou os séculos, até encontrar, nas infalíveis palavras de Pio IX, sua solene definição dogmática. Onze séculos de tranqüila aceitação da “piedosa crença” Os mais antigos Padres da Igreja, amiúde se expressam em termos que traduzem sua crença na absoluta imunidade do pecado, mesmo o original, concedida à Virgem Maria. Assim, por exemplo, São Justino, Santo Irineu, Tertuliano, Firmio, São Cirilo de Jerusalém, Santo Epifânio, Teódoro de Ancira, Sedulio e outros comparam Maria Santíssima com Eva antes do pecado. Santo Efrém, insigne devoto da Virgem, A exalta como tendo sido “sempre, de corpo e de espírito, íntegra e imaculada”. Para Santo Hipólito Ela é um “tabernáculo isento de toda corrupção”. Orígenes A aclama “imaculada entre imaculadas, nunca afetada pela peçonha da serpente”. Por Santo Ambrósio é Ela declarada “vaso celeste, incorrupta, virgem imune por graça de toda mancha de pecado”. Santo Agostinho afirma, disputando contra Pelágio, que todos os justos conheceram o pecado, “menos a Santa Virgem Maria, a qual, pela honra do Senhor, não quero que entre nunca em questão quando se trate de pecados”. Cedo começou a Igreja – com primazia da Oriental – a comemorar em suas funções litúrgicas a imaculada conceição de Maria. Passaglia, no seu De Inmaculato Deiparae Conceptu, crê que a princípios do Século V já se celebrava a festa da Conceição de Maria (com o nome de Conceição de Sant’Ana) no Patriarcado de Jerusalém. O documento fidedigno mais antigo é o cânon de dita festa, composto por Santo André de Creta, monge do mosteiro de São Sabas, próximo a Jerusalém, o qual escreveu seus hinos litúrgicos na segunda metade do século VII. Tampouco faltam autorizadíssimos testemunhos dos Padres da Igreja, reunidos em Concílio, para provar que já no século VII era comum e recebida por tradição a piedosa crença, isto é, a devoção dos fiéis ao grande privilégio de Maria (Concílio de Latrão, em 649, e Concílio Constantinopolitano III, em 680). Em Espanha, que se gloria de ter recebido com a fé o conhecimento deste mistério, comemora-se sua festa desde o século VII. Duzentos anos depois, esta solenidade aparece inscrita nos calendários da Irlanda, sob o título de “Conceição de Maria”. Também no século IX era já celebrada em Nápoles e Sicílias, segundo consta do calendário gravado em mármore e editado por Mazzocchi em 1744. Em tempos do Imperador Basílio II (976-1025), a festa da “Conceição de Sant’Ana” passou a figurar no calendário oficial da Igreja e do Estado, no Império Bizantino. No século XI parece que a comemoração da Imaculada estava estabelecida na Inglaterra, e, pela mesma época, foi recebida em França. Por uma escritura de doação de Hugo de Summo, consta que era festejada na Lombardia (Itália) em 1047. Certo é também que em fins do século XI, ou princípios do XII, celebrava-se em todo o antigo Reino de Navarra. Séculos XII-XIII: Oposições No mesmo século XII começou a ser combatido, no Ocidente, este grande privilégio de Maria Santíssima. Tal oposição haveria ainda de ser mais acentuada e mais precisa na centúria seguinte, no período clássico da escolástica. Entre os que puseram em dúvida a Imaculada Conceição, pela pouca exatidão de idéias à matéria encontram-se doutos e virtuosos varões, como, por exemplo, São Bernardo, São Boaventura, Santo Alberto Magno e o angélico São Tomás de Aquino. Século XIV: Escoto e a reação a favor do dogma O combate a esta augusta prerrogativa da Virgem não fez senão acrisolar o ânimo de seus partidários. Assim, o século XIV se inicia com uma grande reação a favor da Imaculada, na qual se destacou, como um de seus mais ardorosos defensores, o beato espanhol Raimundo Lulio. Outro dos primeiros e mais denodados campeões da Imaculada Conceição foi o venerável João Duns Escoto (seu país natal é incerto: Escócia, Inglaterra ou Irlanda; morreu em 1308), glória da Ordem dos Menores Franciscanos, o qual, depois de bem fixar os verdadeiros termos da questão, estabeleceu com admirável clareza os sólidos fundamentos para desvanecer as dificuldades que os contrários opunham à singular prerrogativa mariana. Sobre o impulso dado por Escoto à causa da Imaculada Conceição, existe uma tocante legenda. Teria ele vindo de Oxford a Paris, precisamente para fazer triunfar o imaculatismo. Na Universidade da Sorbonne, em 1308, sustentou uma pública e solene disputa em favor do privilégio da Virgem. No dia dessa grande ato, Escoto, quando chegou ao local da discussão, prosternou-se diante de uma imagem de Nossa Senhora que se encontrava em sua passagem, e lhe dirigiu esta prece: “Dignare me laudare te, Virgo sacrata: da mihi virtutem contra hostes tuos”. A Virgem, para mostrar seu contentamento com esta atitude inclinou a cabeça – postura que, a partir de então, Ela teria conservado… Depois de Escoto, a solução teológica das dificuldades levantadas contra a Imaculada Conceição se tornou casa dia mais clara e perfeita, com o que seus defensores se multiplicaram prodigiosamente. Em seu favor escreveram inúmeros filhos de São Francisco, entre os quais se podem contar os franceses Aureolo (m. em 1320) e Mayron (m. em 1325), o escocês Bassolis e o espanhol Guillermo Rubión. Acredita-se que esses ardorosos propagandistas do santo mistério estejam na origem de sua celebração em Portugal, nos primórdios do século XIV. O documento mais antigo da instituição da festa da Imaculada nesse país é um decreto do Bispo de Coimbra, D. Raimundo Evrard, datado de 17 de Outubro de 1320. A par dos doutores franciscanos, cumpre ainda mencionar, entre os defensores da Imaculada Conceição nos séculos XIV-XV, o carmelita João Bacon (m. em 1340), o agostiniano Tomás de Estrasburgo, Dionísio, o Cartuxo (m. em 1471), Gerson (m. em 1429), Nicolau de Cusa (m. em 1464) e outros muitos esclarecidos teólogos pertencentes a diversas escolas e nações. Séculos XV-XVI: acirradas disputas Em meados do século XV, a Imaculada Conceição foi objeto de renhido combate durante o Concílio de Basiléia, resultando num decreto de definição sem valor dogmático, posto que este sínodo perdeu a legitimidade ao se desligar do Papa. Entretanto, crescia cada dia mais o número das cidades, nações e colégios que celebravam oficialmente a festa da Imaculada. E com tal fervor, que nas cortes da Catalunha, reunidas em Barcelona entre 1454 e 1458, decretou-se pena de perpétuo desterro para quem combatesse o santo privilégio. O autêntico Magistério da Igreja não tardou a dar satisfação aos defensores do dogma e da festa. Pela bula Cum proeexcelsa, de 27 de Fevereiro de 1477, o Papa Sixto IV aprovou a festa da Conceição de Maria, enriqueceu-a de indulgências semelhantes às festas do Santíssimo Sacramento e autorizou ofício e missa especial para essa solenidade. Pelos fins do século XV, porém, a disputa em torno da Imaculada Conceição de tal maneira acirrou os ânimos dos contendores, que o mesmo Papa Sixto IV se viu obrigado a publicar, em data de 4 de setembro de 1483, a Constituição Grave Nimis, proibindo sob pena de excomunhão que os de uma parte chamassem hereges aos da outra. Por essa época, festejavam a Imaculada célebres universidades, como as de Oxford, de Cambridge e a de Paris, a qual, em 1497, instituiu para todos os seus doutores o juramento e o voto de defender perpetuamente o mistério da Imaculada Conceição, excluindo de seus quadros quem não os fizesse. De modo semelhante procederam as universidades de Colônia (em 1499), de Magúncia (em 1501) e a de Valência (em 1530). No Concílio de Trento (1545-1563) se ofereceu nova ocasião para denodado combate entre os dois partidos. Sem proferir uma definição dogmática da Imaculada Conceição, esta assembléia confirmou de modo solene as decisões de Sixto IV. A 15 de Junho de 1546, na sessão V, em seguida aos cânones sobre o pecado original, acrescentaram-se estas significativas palavras: “O sagrado Concílio declara que não é sua intenção compreender neste decreto, que trata do pecado original, a Bem-aventurada e imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus, mas que devem observar-se as constituições do Papa Sixto IV, de feliz memória, sob as penas que nelas se cominam e que este Concílio renova”. Por esse tempo, começaram a reforçar as fileiras dos defensores da Imaculada Conceição os teólogos da recém-fundada Companhia de Jesus, entre os quais não se achou um só de opinião contrária. Aliás, pelos primeiros missionários jesuítas no Brasil temos notícia de que, já em 1554, celebrava-se o singular privilégio mariano em nosso País. Além da festa comemorada no dia 8 de Dezembro, capelas, ermidas e igrejas eram edificadas sob o título de Nossa Senhora da Conceição. Entretanto, a piedosa crença ainda suscitava polêmicas, coibidas pela intervenção do Sumo Pontífice. Assim, em outubro de 1567, São Pio V, condenando uma proposição de Bayo que afirmava ter morrido Nossa Senhora em conseqüência do pecado herdado de Adão, proibiu novamente a disputa acerca do augusto privilégio da Virgem. Séculos XVII e seguintes: consolidação da “piedosa crença” No século XVII, o culto da Imaculada Conceição conquista Portugal inteiro, desde os reis e os teólogos até os mais humildes filhos do povo. A 9 de Dezembro de 1617, a Universidade de Coimbra, reunida em claustro pleno, resolve escrever ao Papa manifestando-lhe a sua crença na imaculabilidade de Maria. Naquele mesmo ano, Paulo V, decretou que ninguém se atrevesse a ensinar publicamente que Maria Santíssima teve pecado original. Semelhante foi a atitude de Gregório XV, em 1622. Por essa época, a Universidade de Granada se obrigou a defender a Imaculada Conceição com voto de sangue, quer dizer, comprometendo-se a dar a vida e derramar o sangue, se necessário fosse, na defesa deste mistério. Magnífico exemplo que foi imitado, sucessivamente, por grande número de cabidos, cidades, reinos e ordens militares. A partir do século XVII também foram se multiplicando as corporações e sociedades, tanto religiosas como civis, e até mesmo estados, que adotaram por padroeira à Virgem no mistéiro de sua Imaculada Conceição. Digna de particular referência é a iniciativa de D. João IV, Rei de Portugal, proclamando Nossa Senhora da Conceição padroeira de seus “Reinos e Senhorios”, ao mesmo tempo que jura defendê-La até à morte, segundo se lê na provisão régia de 25 de março de 1646. A partir deste momento, em homenagem à sua Imaculada Soberana, nunca mais os reis portugueses puseram a coroa na cabeça. Em 1648, aquele mesmo Monarca mandou cunhar moedas de ouro e prata. Foi com estas que se pagou o primeiro feudo a Nossa Senhora. Com o nome de Conceição, tais moedas tinham no anverso a legenda: JOANNES IIII, D. G. PORTUGALIAE ET ALBARBIAE REX, a Cruz de Cristo e as armas lusitanas. No reverso: a imagem da Senhora da Conceição sobre o globo e a meia lua, com a data de 1648 e, nos lados, o sol, o espelho, o horto, a casa de ouro, a fonte selada e a Arca da Aliança, símbolos bíblicos da Santíssima Virgem. Outro decreto de D. João IV, assinado em 30 de junho de 1654, ordenava que “em todas as portas e entradas das cidades, vilas e lugares de seus Reinos”, fosse colocada uma lápide cuja inscrição exprimisse a fé do povo português na imaculada Conceição de Maria. Igualmente a partir do século XVII imperadores, reis e as cortes dos reinos começaram a pedir com admirável constância, e com uma insistência de que há poucos exemplos na História, a declaração dogmática da Imaculada Conceição. Pediram-na a Urbano VIII (m. em 1644) o Imperador Fernando II da Áustria; Segismundo, Rei da Polônia; Leopoldo, Arquiduque do Tirol; o eleitor de Magúncia; Ernesto de Baviera, eleitor de Colônia. O mesmo Urbano VIII a pedidos do Duque de Mântua e de outros príncipes, criou a ordem militar dos Cavaleiros da Imaculada Conceição, aprovando ao mesmo tempo seus estatutos. Por devoção à Virgem Imaculada, quis ele ser o primeiro a celebrar o augusto Sacrifício na primeira igreja edificada em Roma sob o título da Imaculada, para uso dos menores capuchinhos de São Francisco. Porém, o ato mais importante emanado da Santa Sé, no século XVII, em favor da Imaculada Conceição, foi a bula Sollicitude omnium Ecclesiarum, do Papa Alexandre VII, em 1661. Neste documento, escrito de sua própria mão, o Pontífice renova e ratifica as constituições em favor de Maria Imaculada, ao mesmo tempo que impõe gravíssimas penas a quem sustentar e ensinar opinião contrária aos ditos decretos e constituições. Esta bula memorável precede diretamente, sem outro decreto intermediário, a bula decisiva de Pio IX. Em 1713, Felipe V de Espanha e as Cortes de Aragão e Castela pediram a solene definição a Clemente XI. E o mesmo Rei, com quase todos os Bispos espanhóis, as universidades e Ordens religiosas, a solicitaram a Clemente XII, em 1732. No pontificado de Gregório XVI, e nos primeiros anos de Pio IX, elevaram-se à Sé Apostólica mais de 220 petições de Cardeais, Arcebispos e Bispos (sem contar as dos cabidos e ordens religiosas) para que se fizesse a definição dogmática. (Monsenhor João Clá Dias, EP, Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado, Volume I, 2° Edição – Agosto 2010, p. 436 à 441) #FestasdeNossaSenhora #ImaculadaConceição #NossaSenhora #SantíssimaVirgem
- Homilia Diária | Contemplar a Verdade: vocação de todo cristão
Memória de Santo Ambrósio de Milão Hoje, véspera da Imaculada Conceição, celebramos a memória do grande pregador a quem deve Santo Agostinho sua conversão à fé: Santo Ambrósio de Milão, Bispo e Doutor da Igreja. Elevado quase repentinamente ao episcopado, Ambrósio cresceu na santidade, meditando a Palavra de Deus e comunicando aos demais tudo o que ali contemplava. Foi o seu amor à verdade, até mais do que seu talento com as palavras, o fator decisivo para que os olhos de Agostinho se abrissem para a luz de Jesus Cristo. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quinta-feira, dia 7 de dezembro, e peçamos a Deus que nos tire das trevas da ignorância e nos ilumine sempre com a luz da fé. Santo do Dia: Santo Ambrósio, Bispo e Doutor da Igreja Evangelho (Mt 7,21.24-27) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Buscai o Senhor, vosso Deus, invocai-o enquanto está perto! (Is 55,6) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 21 “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus. 24 Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. 25 Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha. 26 Por outro lado, quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática, é como um homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. 27 Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos sopraram e deram contra a casa, e a casa caiu, e sua ruína foi completa!” — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Diária | Contemplar a Verdade: vocação de todo cristão
Memória de Santo Ambrósio de Milão Hoje, véspera da Imaculada Conceição, celebramos a memória do grande pregador a quem deve Santo Agostinho sua conversão à fé: Santo Ambrósio de Milão, Bispo e Doutor da Igreja. Elevado quase repentinamente ao episcopado, Ambrósio cresceu na santidade, meditando a Palavra de Deus e comunicando aos demais tudo o que ali contemplava. Foi o seu amor à verdade, até mais do que seu talento com as palavras, o fator decisivo para que os olhos de Agostinho se abrissem para a luz de Jesus Cristo. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quinta-feira, dia 7 de dezembro, e peçamos a Deus que nos tire das trevas da ignorância e nos ilumine sempre com a luz da fé. Santo do Dia: Santo Ambrósio, Bispo e Doutor da Igreja Evangelho (Mt 7,21.24-27) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Buscai o Senhor, vosso Deus, invocai-o enquanto está perto! (Is 55,6) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 21 “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus. 24 Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. 25 Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha. 26 Por outro lado, quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática, é como um homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. 27 Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos sopraram e deram contra a casa, e a casa caiu, e sua ruína foi completa!” — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Diária | Cristo quer nascer em almas contritas
(Quarta-feira da 1.ª Semana do Advento) O Advento é tempo de alegria, porque sabemos que o Senhor virá; mas é também tempo de penitência, porque é preciso preparar-lhe a casa. E como não há melhor maneira de dar ao Senhor boa hospedagem do que purificando-se dos próprios pecados, o Advento é por excelência o tempo da Confissão. Saibamos aproveitá-lo com sabedoria, para que o Senhor, ao vir até nós na noite de Natal, encontre limpa e arrumada a manjedoura de nossa alma. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quarta-feira, dia 6 de dezembro. Santo do Dia: São Nicolau Evangelho (Mt 15,29-37) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Eis que o Senhor há de vir a fim de salvar o seu povo; felizes são todos aqueles que estão prontos para ir-lhe ao encontro. — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 29 Jesus foi para as margens do mar da Galileia, subiu a montanha, e sentou-se. 30 Numerosas multidões aproximaram-se dele, levando consigo coxos, aleijados, cegos, mudos, e muitos outros doentes. Então os colocaram aos pés de Jesus. E ele os curou. 31 O povo ficou admirado, quando viu os mudos falando, os aleijados sendo curados, os coxos andando e os cegos enxergando. E glorificaram o Deus de Israel. 32 Jesus chamou seus discípulos e disse: “Tenho compaixão da multidão, porque já faz três dias que está comigo, e nada tem para comer. Não quero mandá-los embora com fome, para que não desmaiem pelo caminho”. 33 Os discípulos disseram: “Onde vamos buscar, neste deserto, tantos pães para saciar tão grande multidão?” 34 Jesus perguntou: “Quantos pães tendes?” Eles responderam: “Sete, e alguns peixinhos”. 35 E Jesus mandou que a multidão se sentasse pelo chão. 36 Depois pegou os sete pães e os peixes, deu graças, partiu-os, e os dava aos discípulos, e os discípulos, às multidões. 37 Todos comeram, e ficaram satisfeitos; e encheram sete cestos com os pedaços que sobraram. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Diária | Cristo quer nascer em almas contritas
(Quarta-feira da 1.ª Semana do Advento) O Advento é tempo de alegria, porque sabemos que o Senhor virá; mas é também tempo de penitência, porque é preciso preparar-lhe a casa. E como não há melhor maneira de dar ao Senhor boa hospedagem do que purificando-se dos próprios pecados, o Advento é por excelência o tempo da Confissão. Saibamos aproveitá-lo com sabedoria, para que o Senhor, ao vir até nós na noite de Natal, encontre limpa e arrumada a manjedoura de nossa alma. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quarta-feira, dia 6 de dezembro. Santo do Dia: São Nicolau Evangelho (Mt 15,29-37) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Eis que o Senhor há de vir a fim de salvar o seu povo; felizes são todos aqueles que estão prontos para ir-lhe ao encontro. — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 29 Jesus foi para as margens do mar da Galileia, subiu a montanha, e sentou-se. 30 Numerosas multidões aproximaram-se dele, levando consigo coxos, aleijados, cegos, mudos, e muitos outros doentes. Então os colocaram aos pés de Jesus. E ele os curou. 31 O povo ficou admirado, quando viu os mudos falando, os aleijados sendo curados, os coxos andando e os cegos enxergando. E glorificaram o Deus de Israel. 32 Jesus chamou seus discípulos e disse: “Tenho compaixão da multidão, porque já faz três dias que está comigo, e nada tem para comer. Não quero mandá-los embora com fome, para que não desmaiem pelo caminho”. 33 Os discípulos disseram: “Onde vamos buscar, neste deserto, tantos pães para saciar tão grande multidão?” 34 Jesus perguntou: “Quantos pães tendes?” Eles responderam: “Sete, e alguns peixinhos”. 35 E Jesus mandou que a multidão se sentasse pelo chão. 36 Depois pegou os sete pães e os peixes, deu graças, partiu-os, e os dava aos discípulos, e os discípulos, às multidões. 37 Todos comeram, e ficaram satisfeitos; e encheram sete cestos com os pedaços que sobraram. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Guardar domingos e festas de guarda – Lista dos dias santos de obrigação do catolicismo
Guardar domingos e festas de guarda – Lista dos dias santos de obrigação do catolicismo Baseando-se no terceiro mandamento da Lei de Deus ( guardar os domingos e festas de guarda), a Igreja Católica estipula que todos os católicos são obrigados a irem à missa em todos os domingos e festas de guarda. Por isso, está obrigatoriamente nos Cinco M andamentos da Igreja Católica. A maior parte das festas de guarda calham sempre num domingo (ex: Domingo de Ramos, Pentecostes, domingo de Páscoa, Santíssima Trindade, etc.), que já é o dia semanal obrigatório de preceito ou guarda. Um detalhe importante, é que é possível cumprir o preceito participando da missa nas vésperas da solenidade, ou seja, na noite anterior. Então, as festas de guarda que podem não ser no domingo são apenas dez. Antes de ver a lista das festas de guarda, assista esta aula sobre o terceiro mandamento da lei de Deus: Clique aqui para se aprofundar sobre os outros mandamentos da Lei de Deus Lista dos dias santos de obrigação do catolicismo: 1 de Janeiro – Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus; 6 de Janeiro – Epifania 19 de Março – Solenidade de São José Ascensão de Jesus – data variável: quinta-feira da sexta semana da Páscoa. Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo ( Corpus Christi ) – data variável entre maio e junho: 1ª quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. 29 de Junho – Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo. 15 de Agosto – Assunção de Maria 1 de Novembro – Dia de Todos-os-Santos 8 de Dezembro – Imaculada Conceição de Maria 25 de Dezembro – Natal Porém, nem todos os países e dioceses festejam e guardam estes dez dias de preceito, porque, “com a prévia aprovação da Sé Apostólica, […] a Conferência Episcopal pode suprimir algumas das festas de preceito ou transferi-los para um domingo”. No Brasil os dias santos de guarda são 4: No Brasil muitas das datas são transferidas para o domingo, entretanto as datas listadas abaixo são de participação obrigatória, mesmo quando acontecem durante a semana. Santa Maria, Mãe de Deus – 1 de janeiro Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi) – data variável entre maio e junho: 1ª quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. Imaculada Conceição de Maria – 8 de dezembro Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo – 25 de dezembro. Aqueles que não participarem da Santa Missa em algum domingo ou em alguma das festas de guarda, cometem pecado mortal , precisam imediatamente buscar a confissão sacerdotal. Apenas pessoas com problemas graves de saúde, ou com impedimentos graves, que estejam além do controle, não cometem pecado mortal. Na dúvida deve sempre evitar comungar antes de se confessar. Saiba mais sobre pecado mortal, clique aqui . SANTIFICAR AS FESTAS DE PRECEITO E DOMINGO Parece incrível que se deva fazer força para obter dos cristãos de não trabalhar nos domingos e em festas de guarda para dedicar-se ao Senhor e à própria alma. Não só, mas o cúmulo é que só se consegue obter o descanso festivo e a participação à Santa Missa só de uma pequena minoria de cristãos. Já chegamos a este ponto! Com quais consequências? Aquelas já previstas pelo Papa Leão XIII: “Não respeitar os domingos, este é o princípio de todos os males: é a festa apagada, a eternidade esquecida, é Deus excluído da vida do homem.” É o quadro mundial da sociedade de hoje: ateísmo, laicismo, materialismo, animalismo. Com o Concílio Vaticano II, o domingo ficou posto ainda mais em lugar de honra, como o dia do Senhor e o dia da alegria do homem. Todos os domingos” os fiéis devem reunir-se em assembleia para ouvir a Palavra de Deus e participar à Eucaristia. O domingo é a festa primordial que deve ser proposta à piedade dos fiéis, de modo que resulte também em um dia de alegria e de descanso” (SC, n.106). Todos os domingos, os cristãos hão de ganhar para a alma, com a nutrição espiritual que recebem da S. Missa para o corpo, com o descanso que restaura das fadigas da semana. Só temos a ganhar! O domingo recarrega de energias a alma e o corpo. É um dom de Deus. É dia de graça. “Este é o dia que o Senhor fez para nós” (Sl 117,24). Por isso, S. Tomás Moro, o Chanceler da Inglaterra, mesmo quando com a perseguição foi preso, festejava o Domingo, mandando trazer e vestindo os hábitos da festa para agradar o Senhor. Todos à Santa Missa As duas coisas mais importantes das festas são a participação à Santa Missa e o repouso do trabalho. A participação na Santa Missa não consiste em estar presente na Igreja durante a celebração, porque os bancos e as paredes também estão, mas em participar ativa e sentidamente: ativa no seguir ponto por ponto o desenrolar dela; sentida no unir-se vivamente a Jesus que se sacrifica no Altar entre as mãos do sacerdote. A participação é plena se se recebe também a Comunhão, depois de ter devidamente purificado a alma com o Sacramento da Confissão. É este o Domingo do cristão: Confissão, Santa Missa e Comunhão. São três tesouros de infinito valor que enriquecem maravilhosamente a vida da Graça. Em tal modo, o domingo é o “Dia do Senhor” e a “Festa da Alma”. Muitos cristãos se contentam só com a Santa Missa. Por quê? Porque estão provados dos dois Sacramentos da Confissão e Comunhão. E se pode chamar dia do Senhor um domingo sem a Comunhão? Os antigos cristãos chamavam o domingo também com duas palavras: Dies Panis: Dia do Pão, porque todos participavam à Santa Missa e recebiam Jesus Eucarístico, Pão do Céu (cf. Jo 6,41). Não devia ser assim também hoje para todos os cristãos? É pecado mortal O dever da Santa Missa festiva é grave. Quem não participa à Santa Missa festiva comete pecado mortal. Só o caso de grave necessidade ou de impossibilidade (doença) faz evitar o pecado. Nem vale escutar a Santa Missa pelos meios de comunicação. Este é um ato de devoção útil a quem está privado de ir a Igreja. A Santa Missa é o ato comunitário e social por excelência. Por isto é necessária a presença viva no seio da comunidade. Lembremo-nos sempre: pela sua importância, a Santa Missa deve ocupar o 1º lugar no domingo. Tudo lhe deve ser subordinado e condicionado. Quando o Pio Alberto I, Rei da Bélgica, encontrou-se nas Índias, organizaram-lhe uma esplêndida excursão para o dia de domingo. O programa foi apresentado ao Rei, que examinou e logo disse: “Esquecestes um ponto: A Santa Missa. Este antes de mais nada.” Que lição para tantos de nossos excursionistas, tão prontos em sacrificar a Santa Missa e em transformar o domingo de “Dia do Senhor” em “dia do demônio”. Ainda mais edificante é o exemplo que dão alguns simples fiéis, que enfrentam sacrifícios duros para não perderem a Santa Missa. Uma senhora deve percorrer a pé diversas horas do caminho; um operário que pode correr à Santa Missa só às primeiras horas do dia; uma mãe de muitos filhos que nunca perdeu uma Missa… O repouso festivo Para louvar o Senhor, para a Ele dedicar-se, cuidando da própria alma, é necessária a abstenção do trabalho. Ensina S. Gregório Magno: “No domingo se deve interromper o trabalho e dar-se à oração, para que as negligências dos dias precedentes sejam descontadas com a oração deste grande dia”. Se se pudessem escutar de novo os sermões que S. Cura d’Ars fez por 8 anos contra o trabalho festivo, ficaríamos tocados e comovidos. Dizia o Santo: “Se perguntamos a quem trabalha no domingo: O que estais fazendo? Deveria responder: Estou vendendo a alma ao demônio e colocando Jesus na Cruz de novo, condenando-me ao Inferno”. Próprio naqueles tempos Maria aparecia nos montes de La Salette e advertia: “O Senhor vos deu seis dias para trabalhar, reservando-se o 7º, e não o quereis dar. Eis o que faz ficar pesado o braço Divino”. É possível que temamos de perder, se servimos o Senhor, observando o seu Mandamento? “Gente de pouca fé! Procurais antes o Reino de Deus e a sua justiça, e o mais vos virá por acréscimo!” (Mt 6,33). O pai de S. Terezinha tinha uma ourivesaria. Aberta toda a semana e fechada os dias festivos. Uma pessoa aconselhou-o a abri-la nos dias que fechava, já que os camponeses iam nestes dias fazer compras. Até seu confessor o autorizou. Mas ele não quis. Preferia perder aquele lucro a afastar uma só bênção de Deus sobre a sua família. E o Senhor o fez enriquecer com os lucros da loja. É fundamental Observar o 3º mandamento é fundamental para a vida do cristão. Frequentar a Igreja, aproximar-se dos Sacramentos, participar à Santa Missa, ouvir a Palavra de Deus, são alimentos vitais da vida cristã. Privar-se significa condenar-se à ruína, ao sofrimento eterno. Um venerado Bispo Francês, ao preparar o seu túmulo, fez esculpir uma pedra com estas palavras: “Lembrai-vos de santificar as festas, porque só isso me basta. Se os fiéis me obedecerem, chegarão certamente à salvação. “Tinha razão. Quem santifica as festas se tem em relação com Deus e fica de domingo sob seu salutar influxo e chamada. Por isso Pe. Pio, na Confissão, era muito severo ao fazer respeitar este mandamento, e muitos penitentes tiveram por causa deste pecado recusada a absolvição, mandados embora bruscamente com um: “Vai embora, desgraçado!” Maria, Mãe de Jesus e nossa, quer ver ao menos todos os domingos reunidos em volta do Altar, em volta de Jesus, seus filhos. Ela nos quer todos os domingos para nos poder ter no Domingo Eterno, que é o Paraíso. #SantaMãedeDeus #SantaMissa #Liturgia #FestasdeGuarda #SantodeGuarda #ImaculadaConceição #Natal #Missa #CorpusChristi
- Guardar domingos e festas de guarda – Lista dos dias santos de obrigação do catolicismo
Guardar domingos e festas de guarda – Lista dos dias santos de obrigação do catolicismo Baseando-se no terceiro mandamento da Lei de Deus ( guardar os domingos e festas de guarda), a Igreja Católica estipula que todos os católicos são obrigados a irem à missa em todos os domingos e festas de guarda. Por isso, está obrigatoriamente nos Cinco M andamentos da Igreja Católica. A maior parte das festas de guarda calham sempre num domingo (ex: Domingo de Ramos, Pentecostes, domingo de Páscoa, Santíssima Trindade, etc.), que já é o dia semanal obrigatório de preceito ou guarda. Um detalhe importante, é que é possível cumprir o preceito participando da missa nas vésperas da solenidade, ou seja, na noite anterior. Então, as festas de guarda que podem não ser no domingo são apenas dez. Antes de ver a lista das festas de guarda, assista esta aula sobre o terceiro mandamento da lei de Deus: Clique aqui para se aprofundar sobre os outros mandamentos da Lei de Deus Lista dos dias santos de obrigação do catolicismo: 1 de Janeiro – Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus; 6 de Janeiro – Epifania 19 de Março – Solenidade de São José Ascensão de Jesus – data variável: quinta-feira da sexta semana da Páscoa. Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo ( Corpus Christi ) – data variável entre maio e junho: 1ª quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. 29 de Junho – Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo. 15 de Agosto – Assunção de Maria 1 de Novembro – Dia de Todos-os-Santos 8 de Dezembro – Imaculada Conceição de Maria 25 de Dezembro – Natal Porém, nem todos os países e dioceses festejam e guardam estes dez dias de preceito, porque, “com a prévia aprovação da Sé Apostólica, […] a Conferência Episcopal pode suprimir algumas das festas de preceito ou transferi-los para um domingo”. No Brasil os dias santos de guarda são 4: No Brasil muitas das datas são transferidas para o domingo, entretanto as datas listadas abaixo são de participação obrigatória, mesmo quando acontecem durante a semana. Santa Maria, Mãe de Deus – 1 de janeiro Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi) – data variável entre maio e junho: 1ª quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. Imaculada Conceição de Maria – 8 de dezembro Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo – 25 de dezembro. Aqueles que não participarem da Santa Missa em algum domingo ou em alguma das festas de guarda, cometem pecado mortal , precisam imediatamente buscar a confissão sacerdotal. Apenas pessoas com problemas graves de saúde, ou com impedimentos graves, que estejam além do controle, não cometem pecado mortal. Na dúvida deve sempre evitar comungar antes de se confessar. Saiba mais sobre pecado mortal, clique aqui . SANTIFICAR AS FESTAS DE PRECEITO E DOMINGO Parece incrível que se deva fazer força para obter dos cristãos de não trabalhar nos domingos e em festas de guarda para dedicar-se ao Senhor e à própria alma. Não só, mas o cúmulo é que só se consegue obter o descanso festivo e a participação à Santa Missa só de uma pequena minoria de cristãos. Já chegamos a este ponto! Com quais consequências? Aquelas já previstas pelo Papa Leão XIII: “Não respeitar os domingos, este é o princípio de todos os males: é a festa apagada, a eternidade esquecida, é Deus excluído da vida do homem.” É o quadro mundial da sociedade de hoje: ateísmo, laicismo, materialismo, animalismo. Com o Concílio Vaticano II, o domingo ficou posto ainda mais em lugar de honra, como o dia do Senhor e o dia da alegria do homem. Todos os domingos” os fiéis devem reunir-se em assembleia para ouvir a Palavra de Deus e participar à Eucaristia. O domingo é a festa primordial que deve ser proposta à piedade dos fiéis, de modo que resulte também em um dia de alegria e de descanso” (SC, n.106). Todos os domingos, os cristãos hão de ganhar para a alma, com a nutrição espiritual que recebem da S. Missa para o corpo, com o descanso que restaura das fadigas da semana. Só temos a ganhar! O domingo recarrega de energias a alma e o corpo. É um dom de Deus. É dia de graça. “Este é o dia que o Senhor fez para nós” (Sl 117,24). Por isso, S. Tomás Moro, o Chanceler da Inglaterra, mesmo quando com a perseguição foi preso, festejava o Domingo, mandando trazer e vestindo os hábitos da festa para agradar o Senhor. Todos à Santa Missa As duas coisas mais importantes das festas são a participação à Santa Missa e o repouso do trabalho. A participação na Santa Missa não consiste em estar presente na Igreja durante a celebração, porque os bancos e as paredes também estão, mas em participar ativa e sentidamente: ativa no seguir ponto por ponto o desenrolar dela; sentida no unir-se vivamente a Jesus que se sacrifica no Altar entre as mãos do sacerdote. A participação é plena se se recebe também a Comunhão, depois de ter devidamente purificado a alma com o Sacramento da Confissão. É este o Domingo do cristão: Confissão, Santa Missa e Comunhão. São três tesouros de infinito valor que enriquecem maravilhosamente a vida da Graça. Em tal modo, o domingo é o “Dia do Senhor” e a “Festa da Alma”. Muitos cristãos se contentam só com a Santa Missa. Por quê? Porque estão provados dos dois Sacramentos da Confissão e Comunhão. E se pode chamar dia do Senhor um domingo sem a Comunhão? Os antigos cristãos chamavam o domingo também com duas palavras: Dies Panis: Dia do Pão, porque todos participavam à Santa Missa e recebiam Jesus Eucarístico, Pão do Céu (cf. Jo 6,41). Não devia ser assim também hoje para todos os cristãos? É pecado mortal O dever da Santa Missa festiva é grave. Quem não participa à Santa Missa festiva comete pecado mortal. Só o caso de grave necessidade ou de impossibilidade (doença) faz evitar o pecado. Nem vale escutar a Santa Missa pelos meios de comunicação. Este é um ato de devoção útil a quem está privado de ir a Igreja. A Santa Missa é o ato comunitário e social por excelência. Por isto é necessária a presença viva no seio da comunidade. Lembremo-nos sempre: pela sua importância, a Santa Missa deve ocupar o 1º lugar no domingo. Tudo lhe deve ser subordinado e condicionado. Quando o Pio Alberto I, Rei da Bélgica, encontrou-se nas Índias, organizaram-lhe uma esplêndida excursão para o dia de domingo. O programa foi apresentado ao Rei, que examinou e logo disse: “Esquecestes um ponto: A Santa Missa. Este antes de mais nada.” Que lição para tantos de nossos excursionistas, tão prontos em sacrificar a Santa Missa e em transformar o domingo de “Dia do Senhor” em “dia do demônio”. Ainda mais edificante é o exemplo que dão alguns simples fiéis, que enfrentam sacrifícios duros para não perderem a Santa Missa. Uma senhora deve percorrer a pé diversas horas do caminho; um operário que pode correr à Santa Missa só às primeiras horas do dia; uma mãe de muitos filhos que nunca perdeu uma Missa… O repouso festivo Para louvar o Senhor, para a Ele dedicar-se, cuidando da própria alma, é necessária a abstenção do trabalho. Ensina S. Gregório Magno: “No domingo se deve interromper o trabalho e dar-se à oração, para que as negligências dos dias precedentes sejam descontadas com a oração deste grande dia”. Se se pudessem escutar de novo os sermões que S. Cura d’Ars fez por 8 anos contra o trabalho festivo, ficaríamos tocados e comovidos. Dizia o Santo: “Se perguntamos a quem trabalha no domingo: O que estais fazendo? Deveria responder: Estou vendendo a alma ao demônio e colocando Jesus na Cruz de novo, condenando-me ao Inferno”. Próprio naqueles tempos Maria aparecia nos montes de La Salette e advertia: “O Senhor vos deu seis dias para trabalhar, reservando-se o 7º, e não o quereis dar. Eis o que faz ficar pesado o braço Divino”. É possível que temamos de perder, se servimos o Senhor, observando o seu Mandamento? “Gente de pouca fé! Procurais antes o Reino de Deus e a sua justiça, e o mais vos virá por acréscimo!” (Mt 6,33). O pai de S. Terezinha tinha uma ourivesaria. Aberta toda a semana e fechada os dias festivos. Uma pessoa aconselhou-o a abri-la nos dias que fechava, já que os camponeses iam nestes dias fazer compras. Até seu confessor o autorizou. Mas ele não quis. Preferia perder aquele lucro a afastar uma só bênção de Deus sobre a sua família. E o Senhor o fez enriquecer com os lucros da loja. É fundamental Observar o 3º mandamento é fundamental para a vida do cristão. Frequentar a Igreja, aproximar-se dos Sacramentos, participar à Santa Missa, ouvir a Palavra de Deus, são alimentos vitais da vida cristã. Privar-se significa condenar-se à ruína, ao sofrimento eterno. Um venerado Bispo Francês, ao preparar o seu túmulo, fez esculpir uma pedra com estas palavras: “Lembrai-vos de santificar as festas, porque só isso me basta. Se os fiéis me obedecerem, chegarão certamente à salvação. “Tinha razão. Quem santifica as festas se tem em relação com Deus e fica de domingo sob seu salutar influxo e chamada. Por isso Pe. Pio, na Confissão, era muito severo ao fazer respeitar este mandamento, e muitos penitentes tiveram por causa deste pecado recusada a absolvição, mandados embora bruscamente com um: “Vai embora, desgraçado!” Maria, Mãe de Jesus e nossa, quer ver ao menos todos os domingos reunidos em volta do Altar, em volta de Jesus, seus filhos. Ela nos quer todos os domingos para nos poder ter no Domingo Eterno, que é o Paraíso. #SantaMãedeDeus #SantaMissa #Liturgia #FestasdeGuarda #SantodeGuarda #ImaculadaConceição #Natal #Missa #CorpusChristi
- Homilia Diária | A presença de Cristo nas almas
Terça-feira da 1.ª Semana do Advento São três as vindas de Cristo. A primeira, na humildade de sua carne passível, já se cumpriu há dois mil anos. A segunda, na glória de sua majestade, há de cumprir-se no fim dos tempos. A terceira, no silêncio de sua graça, é a que Ele deseja realizar hoje em cada um de nós, sobretudo neste tempo propício de conversão e penitência que é o Advento. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta terça-feira, dia 5 de dezembro, deixemos Cristo entrar em nossa alma por uma boa confissão e aprendamos a notar pela oração sua presença viva em nós. Santo do Dia: São Sabas, abade. Evangelho (Lc 10,21-24) — Aleluia, aleluia, aleluia. — Eis que virá o nosso Deus com poder e majestade. E ele há de iluminar os olhos dos seus servos. (Sl 84,8) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. 21 Naquele momento Jesus exultou no Espírito Santo e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 22 Tudo me foi entregue pelo meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai; ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. 23 Jesus voltou-se para os discípulos e disse-lhes em particular: “Felizes os olhos que veem o que vós vedes! 24 Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não puderam ouvir”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Diária | A presença de Cristo nas almas
Terça-feira da 1.ª Semana do Advento São três as vindas de Cristo. A primeira, na humildade de sua carne passível, já se cumpriu há dois mil anos. A segunda, na glória de sua majestade, há de cumprir-se no fim dos tempos. A terceira, no silêncio de sua graça, é a que Ele deseja realizar hoje em cada um de nós, sobretudo neste tempo propício de conversão e penitência que é o Advento. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta terça-feira, dia 5 de dezembro, deixemos Cristo entrar em nossa alma por uma boa confissão e aprendamos a notar pela oração sua presença viva em nós. Santo do Dia: São Sabas, abade. Evangelho (Lc 10,21-24) — Aleluia, aleluia, aleluia. — Eis que virá o nosso Deus com poder e majestade. E ele há de iluminar os olhos dos seus servos. (Sl 84,8) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. 21 Naquele momento Jesus exultou no Espírito Santo e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 22 Tudo me foi entregue pelo meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai; ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. 23 Jesus voltou-se para os discípulos e disse-lhes em particular: “Felizes os olhos que veem o que vós vedes! 24 Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não puderam ouvir”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Diária | A importância da oração no Advento
Segunda-feira da 1.ª Semana do Advento O Advento é um período especial de preparação para a vinda de Nosso Senhor na noite de Natal. A essa preparação é imprescindível, mais do que esta ou aquela mortificação, dedicar um pouco mais de tempo à alma de toda a nossa vida espiritual: a oração, constante e silenciosa, feita aos pés d’Aquele a quem tanto devemos amar e a quem devemos preparar dignamente o humilde presépio do nosso coração. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta segunda-feira, dia 4 de dezembro, e peçamos à Virgem Santíssima, Mãe puríssima, a graça de termos um Advento de oração e crescimento contínuo na fé. Santo do Dia: Santa Bárbara Evangelho (Mt 8,5-11) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Ó vinde libertar-nos, Senhor e nosso Deus; mostrai a vossa face e nós seremos salvos! Cf. Sl 79(80),4 — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 5 quando Jesus entrou em Carfanaum, um oficial romano aproximou-se dele, suplicando: 6 “Senhor, o meu empregado está de cama, lá em casa, sofrendo terrivelmente com uma paralisia”. 7 Jesus respondeu: “Vou curá-lo”. 8 O oficial disse: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado. 9 Pois eu também sou subordinado e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: ‘Vai!’, e ele vai; e a outro: ‘Vem!’, e ele vem; e digo a meu escravo: ‘Faze isto!’, e ele o faz”. 10 Quando ouviu isso, Jesus ficou admirado, e disse aos que o seguiam: “Em verdade, vos digo: nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé. 11 Eu vos digo: muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa no Reino dos Céus, junto com Abraão, Isaac e Jacó”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Diária | A importância da oração no Advento
Segunda-feira da 1.ª Semana do Advento O Advento é um período especial de preparação para a vinda de Nosso Senhor na noite de Natal. A essa preparação é imprescindível, mais do que esta ou aquela mortificação, dedicar um pouco mais de tempo à alma de toda a nossa vida espiritual: a oração, constante e silenciosa, feita aos pés d’Aquele a quem tanto devemos amar e a quem devemos preparar dignamente o humilde presépio do nosso coração. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta segunda-feira, dia 4 de dezembro, e peçamos à Virgem Santíssima, Mãe puríssima, a graça de termos um Advento de oração e crescimento contínuo na fé. Santo do Dia: Santa Bárbara Evangelho (Mt 8,5-11) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Ó vinde libertar-nos, Senhor e nosso Deus; mostrai a vossa face e nós seremos salvos! Cf. Sl 79(80),4 — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 5 quando Jesus entrou em Carfanaum, um oficial romano aproximou-se dele, suplicando: 6 “Senhor, o meu empregado está de cama, lá em casa, sofrendo terrivelmente com uma paralisia”. 7 Jesus respondeu: “Vou curá-lo”. 8 O oficial disse: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado. 9 Pois eu também sou subordinado e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: ‘Vai!’, e ele vai; e a outro: ‘Vem!’, e ele vem; e digo a meu escravo: ‘Faze isto!’, e ele o faz”. 10 Quando ouviu isso, Jesus ficou admirado, e disse aos que o seguiam: “Em verdade, vos digo: nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé. 11 Eu vos digo: muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa no Reino dos Céus, junto com Abraão, Isaac e Jacó”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Santa Bárbara, protetora contra os relâmpagos e tempestades – 4 de Dezembro
SANTO DO DIA – 04 DE DEZEMBRO – SANTA BÁRBARA Virgem e Mártir (Século III) Santa Bárbara nasceu na cidade de Nicomédia na região da Bitínia, onde hoje se localiza a cidade de Izmit, na Turquia, às margens do Mar de Mármara. Bárbara viveu no final do Século III. Foi uma bela jovem, filha única de Dióscoro, um rico e nobre morador de Nicomédia. Dióscoro não queria deixar sua filha única viver no meio da sociedade corrupta daquele tempo. Por isso, decidiu fechá-la numa torre. Lá, ela era ensinada por tutores da confiança de seu pai. Porém, aquilo que parecia um castigo, começou a abrir a mente de Bárbara. Do alto da torre ela contemplou a natureza: as estações do ano, a chuva, o sol, a neve, o frio, o calor, as aves, os animais, etc. Tudo isso fez Bárbara questionar se aquilo era realmente criação dos “deuses”, como seus tutores e seu povo creditavam, ou se havia “alguém” muito mais inteligente e poderoso por trás da criação. Quando atingiu a idade para o casamento, por volta de 17 anos, seu pai a trouxe para casa e permitia que ela recebesse a visita de pretendentes, mas não permitia que ela visitasse a cidade. Bárbara era uma jovem muito bela e de família rica. Por isso, muitos eram os pretendentes que queriam se casar com ela. Mas Bárbara não aceitava nenhum, enxergando neles a superficialidade e o interesse, e nenhum toque de amor verdadeiro. Para seu pai, isso era um problema sério, pois, segundo os costumes, ele tinha obrigação de casar sua filha. Dióscoro pensava que as “desfeitas” da filha diante dos pretendentes se davam por causa do tempo que ela passou na torre. Então, ele decidiu permitir que Bárbara conhecesse a cidade. Santa Bárbara, então, começou a frequentar a cidade. Nessas visitas, acabou conhecendo os cristãos de Nicomédia. Estes passaram para Bárbara a mensagem de Jesus Cristo. Falaram-lhe também sobre o mistério da Santíssima Trindade . A novidade cristã tocou profundamente o coração de Bárbara. Com os cristãos ela encontrou a resposta para seus questionamentos: o Criador de tudo era o Deus Único e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo e não os deuses que seu povo cultuava. Bárbara se converteu ao cristianismo de todo o coração. Logo, um padre vindo de Alexandria ministrou a ela o batismo. E Bárbara passou a ser uma jovem fervorosa e cheia de virtudes cristãs. Em Jesus Cristo ela encontrou o sentido mais profundo de sua vida. Dióscoro, pai de Santa Bárbara, decidiu construir para ela uma casa de banho na torre, onde ele planejou instalar duas belas janelas. Quando a obra começou, Dióscoro teve que fazer uma longa viagem. Durante a viagem do pai, Santa Bárbara ordenou que construíssem uma terceira janela na obra. Sua intenção era que a torre tivesse três janelas em homenagem à Santíssima Trindade. Além disso, Santa Bárbara esculpiu uma cruz na torre. Quando Dióscoro voltou, reparou logo nas mudanças feitas na construção e foi perguntar à filha o por que daquilo. Santa Bárbara explicou que as mudanças eram símbolos de sua nova fé: três janelas em homenagem ao Deus Uno e Trino, Criador de todas as coisas. E a Cruz lembrava o sacrifício do Filho de Deus para salvar a humanidade. Dióscoro ficou furioso. Ao perceber que a filha estava irredutível em sua fé cristã, Dióscoro, num impulso de ira, denunciou a filha ao prefeito da cidade. Este ordenou que Bárbara fosse torturada em praça pública, para tentar fazer com que a jovem renegasse a fé cristã. Porém, para surpresa de todos, Santa Bárbara não renegou sua fé, mesmo diante dos mais atrozes sofrimentos. Durante a tortura, uma jovem cristã chamada Juliana denunciou os nomes dos carrascos, coisa que era expressamente proibida na época. Por isso, Juliana foi presa e condena à morte por decapitação juntamente com Santa Bárbara. As duas jovens cristãs foram levadas amarradas pelas ruas de Nicomédia, sob os gritos furiosos de muita gente. Santa Bárbara teve os seios cortados. Depois, foi conduzida para fora da cidade. Lá, seu próprio pai a degolou. Quando Dióscoro degolou a filha e a cabeça de Santa Bárbara rolou pelo chão, um raio riscou o céu e um enorme trovão foi ouvido pelo povo. E, para o assombro de todos, o corpo de Dióscoro caiu no chão sem vida, atingido pelo raio. Parece que a natureza se revoltou contra a atitude desse pai infanticida. Depois deste fato, Santa Bárbara ganhou o status de “protetora contra relâmpagos e tempestades”, além de ser nomeada Padroeira dos artilheiros, dos mineradores e das pessoas que trabalham com fogo. Também é invocada como intercessora para assegurar o recebimento da confissão e da Eucaristia na hora da morte. A festa de Santa Bárbara é celebrada na Igreja Católica e na Igreja Ortodoxa. A festa é celebrada no dia 4 de Dezembro de cada ano. Mas a grande mensagem de Santa Bárbara destina-se a todos aqueles que buscam a verdade, principalmente os jovens. Ela nos ensina a buscar a verdade com coração sincero e aberto. Ensina também que o casamento não deve acontecer por mero interesse, mas sim por amor. Por fim, Santa Bárbara nos dá uma mensagem de coragem e fé. A palavra mártir quer dizer testemunha e se aplica aos cristãos que preferiram morrer a negar sua fé e pecar. Este é o grande testemunho de Santa Bárbara. Oração de Santa Bárbara “Santa Bárbara, que sois mais forte que as torres das fortalezas e a violência dos furacões, fazei que os raios não me atinjam, os trovões não me assustem e o troar dos canhões não me abalem a coragem e a bravura. Ficai sempre ao meu lado para que possa enfrentar de fronte erguida e rosto sereno todas as tempestades e batalhas de minha vida, para que, vencedor de todas as lutas, com a consciência do dever cumprido, possa agradecer a vós, minha protetora, e render graças a Deus, criador do céu, da terra e da natureza: este Deus que tem poder de dominar o furor das tempestades e abrandar a crueldade das guerras. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.” #SantodoDia
- Santa Bárbara, protetora contra os relâmpagos e tempestades – 4 de Dezembro
SANTO DO DIA – 04 DE DEZEMBRO – SANTA BÁRBARA Virgem e Mártir (Século III) Santa Bárbara nasceu na cidade de Nicomédia na região da Bitínia, onde hoje se localiza a cidade de Izmit, na Turquia, às margens do Mar de Mármara. Bárbara viveu no final do Século III. Foi uma bela jovem, filha única de Dióscoro, um rico e nobre morador de Nicomédia. Dióscoro não queria deixar sua filha única viver no meio da sociedade corrupta daquele tempo. Por isso, decidiu fechá-la numa torre. Lá, ela era ensinada por tutores da confiança de seu pai. Porém, aquilo que parecia um castigo, começou a abrir a mente de Bárbara. Do alto da torre ela contemplou a natureza: as estações do ano, a chuva, o sol, a neve, o frio, o calor, as aves, os animais, etc. Tudo isso fez Bárbara questionar se aquilo era realmente criação dos “deuses”, como seus tutores e seu povo creditavam, ou se havia “alguém” muito mais inteligente e poderoso por trás da criação. Quando atingiu a idade para o casamento, por volta de 17 anos, seu pai a trouxe para casa e permitia que ela recebesse a visita de pretendentes, mas não permitia que ela visitasse a cidade. Bárbara era uma jovem muito bela e de família rica. Por isso, muitos eram os pretendentes que queriam se casar com ela. Mas Bárbara não aceitava nenhum, enxergando neles a superficialidade e o interesse, e nenhum toque de amor verdadeiro. Para seu pai, isso era um problema sério, pois, segundo os costumes, ele tinha obrigação de casar sua filha. Dióscoro pensava que as “desfeitas” da filha diante dos pretendentes se davam por causa do tempo que ela passou na torre. Então, ele decidiu permitir que Bárbara conhecesse a cidade. Santa Bárbara, então, começou a frequentar a cidade. Nessas visitas, acabou conhecendo os cristãos de Nicomédia. Estes passaram para Bárbara a mensagem de Jesus Cristo. Falaram-lhe também sobre o mistério da Santíssima Trindade . A novidade cristã tocou profundamente o coração de Bárbara. Com os cristãos ela encontrou a resposta para seus questionamentos: o Criador de tudo era o Deus Único e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo e não os deuses que seu povo cultuava. Bárbara se converteu ao cristianismo de todo o coração. Logo, um padre vindo de Alexandria ministrou a ela o batismo. E Bárbara passou a ser uma jovem fervorosa e cheia de virtudes cristãs. Em Jesus Cristo ela encontrou o sentido mais profundo de sua vida. Dióscoro, pai de Santa Bárbara, decidiu construir para ela uma casa de banho na torre, onde ele planejou instalar duas belas janelas. Quando a obra começou, Dióscoro teve que fazer uma longa viagem. Durante a viagem do pai, Santa Bárbara ordenou que construíssem uma terceira janela na obra. Sua intenção era que a torre tivesse três janelas em homenagem à Santíssima Trindade. Além disso, Santa Bárbara esculpiu uma cruz na torre. Quando Dióscoro voltou, reparou logo nas mudanças feitas na construção e foi perguntar à filha o por que daquilo. Santa Bárbara explicou que as mudanças eram símbolos de sua nova fé: três janelas em homenagem ao Deus Uno e Trino, Criador de todas as coisas. E a Cruz lembrava o sacrifício do Filho de Deus para salvar a humanidade. Dióscoro ficou furioso. Ao perceber que a filha estava irredutível em sua fé cristã, Dióscoro, num impulso de ira, denunciou a filha ao prefeito da cidade. Este ordenou que Bárbara fosse torturada em praça pública, para tentar fazer com que a jovem renegasse a fé cristã. Porém, para surpresa de todos, Santa Bárbara não renegou sua fé, mesmo diante dos mais atrozes sofrimentos. Durante a tortura, uma jovem cristã chamada Juliana denunciou os nomes dos carrascos, coisa que era expressamente proibida na época. Por isso, Juliana foi presa e condena à morte por decapitação juntamente com Santa Bárbara. As duas jovens cristãs foram levadas amarradas pelas ruas de Nicomédia, sob os gritos furiosos de muita gente. Santa Bárbara teve os seios cortados. Depois, foi conduzida para fora da cidade. Lá, seu próprio pai a degolou. Quando Dióscoro degolou a filha e a cabeça de Santa Bárbara rolou pelo chão, um raio riscou o céu e um enorme trovão foi ouvido pelo povo. E, para o assombro de todos, o corpo de Dióscoro caiu no chão sem vida, atingido pelo raio. Parece que a natureza se revoltou contra a atitude desse pai infanticida. Depois deste fato, Santa Bárbara ganhou o status de “protetora contra relâmpagos e tempestades”, além de ser nomeada Padroeira dos artilheiros, dos mineradores e das pessoas que trabalham com fogo. Também é invocada como intercessora para assegurar o recebimento da confissão e da Eucaristia na hora da morte. A festa de Santa Bárbara é celebrada na Igreja Católica e na Igreja Ortodoxa. A festa é celebrada no dia 4 de Dezembro de cada ano. Mas a grande mensagem de Santa Bárbara destina-se a todos aqueles que buscam a verdade, principalmente os jovens. Ela nos ensina a buscar a verdade com coração sincero e aberto. Ensina também que o casamento não deve acontecer por mero interesse, mas sim por amor. Por fim, Santa Bárbara nos dá uma mensagem de coragem e fé. A palavra mártir quer dizer testemunha e se aplica aos cristãos que preferiram morrer a negar sua fé e pecar. Este é o grande testemunho de Santa Bárbara. Oração de Santa Bárbara “Santa Bárbara, que sois mais forte que as torres das fortalezas e a violência dos furacões, fazei que os raios não me atinjam, os trovões não me assustem e o troar dos canhões não me abalem a coragem e a bravura. Ficai sempre ao meu lado para que possa enfrentar de fronte erguida e rosto sereno todas as tempestades e batalhas de minha vida, para que, vencedor de todas as lutas, com a consciência do dever cumprido, possa agradecer a vós, minha protetora, e render graças a Deus, criador do céu, da terra e da natureza: este Deus que tem poder de dominar o furor das tempestades e abrandar a crueldade das guerras. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.” #SantodoDia
- São João Damasceno – 04 de Dezembro
SANTO DO DIA – 04 DE DEZEMBRO – SÃO JOÃO DAMASCENO Sacerdote e doutor da Igreja (675-749) João Damasceno é considerado o último dos santos Padres orientais da Igreja, antes que o Oriente se separasse definitivamente de Roma, no ano 1054. Uma das grandes figuras do cristianismo, não só da época em que viveu, mas de todos os tempos, especialmente pela obra teológica que nos legou. Seu nome de batismo era João Mansur. Nasceu no seio de uma família árabe cristã no ano 675, em Damasco, na Síria. Veio daí seu apelido ‘Damasceno’ ou ‘de Damasco’. Nessa época a cidade já estava dominada pelos árabes muçulmanos, que acabavam de conquistar, também, a Palestina. No início da ocupação, ainda se permitia alguma liberdade de culto e organização dos cristãos, dessa forma o convívio entre as duas religiões era até possível. A família dos Mansur ocupava altos postos no governo da cidade, sob a administração do califa muçulmano, espécie de prefeito árabe. Dessa maneira, na juventude, João, culto e brilhante, se tornou amigo do califa, que depois o nomeou seu conselheiro, com o título de grão-visir de Damasco. Mas como era, ao mesmo tempo, um cristão reto e intransigente com a verdadeira doutrina, logo preferiu se retirar na Palestina. Foi ordenado sacerdote e ingressou na comunidade religiosa de São Sabas, e desde então viveu na penitência, na solidão, no estudo das Sagradas Escrituras, dedicado à atividade literária e à pregação. Saía do convento apenas para pregar na igreja do Santo Sepulcro, para defender o rigor da doutrina. Suas homilias, depois, eram escritas e distribuídas para as mais diversas dioceses, o que o fez respeitado no meio do clero e do povo. Também a convite de João V, bispo de Jerusalém, participou, ao seu lado, no Concílio ecumênico de Nicéia, defendendo a posição da Igreja contra os hereges iconoclastas. O valor que passou para a Igreja foi através da santidade de vida, da humildade e da caridade, que fazia com que o povo já o venerasse como santo ainda em vida. Além disso, por sua obra escrita, sintetizando os cinco primeiros séculos de tentativas e esforços de sedimentação do cristianismo. Suas obras mais importantes são ‘A fonte da ciência’, ‘A fé ortodoxa’, ‘Sacra paralela’ e ‘Orações sobre as imagens sagradas’, onde defende o culto das imagens nas igrejas, contra o conceito dos iconoclastas. Por causa desse livro, João Damasceno foi muito perseguido e até preso pelos hereges. Até mesmo o califa foi induzido a acreditar que João Damasceno conspirava, junto com os cristãos, contra ele. Mandou prendê-lo a aplicar-lhe a lei muçulmana: sua mão direita foi decepada, para que não escrevesse mais. Mas pela fé e devoção que dedicava à Virgem Maria tanto rezou que a Mãe recolocou a mão no lugar e ele ficou curado. E foram inúmeras orações, hinos, poesias e homilias que dedicou, especialmente, a Nossa Senhora. Através de sua obra teológica foi ele quem deu início à teologia mariana. Morreu no ano 749, segundo a tradição, no Mosteiro de São Sabas. Tão importante foi sua contribuição para a Igreja que o papa Leão XIII o proclamou doutor da Igreja e os críticos e teólogos o declararam ‘são Tomás do Oriente’. Sua celebração, no novo calendário litúrgico da Igreja, ocorre no dia 4 de dezembro. Texto: Paulinas Internet São João Damasceno: A teologia vivificada pelo amor Teólogo, espiritualista, orador, escritor e, sobretudo, santo. Este é o perfil de São João Damasceno, cujas obras fazem sentir o frescor da doutrina patrística oriental. Situada aos pés do monte Hermon, à beira do deserto da Síria, Damasco é considerada por muitos estudiosos como a mais antiga cidade do mundo continuamente habitada. De origem imemorial, sua história está repleta de vicissitudes. Treze séculos antes de Cristo, a região foi campo de batalha entre hititas e egípcios. Duzentos anos depois, os arameus a tornaram uma importante urbe que o Rei Davi submeteu, fazendo-a pagar-lhe tributo (cf. II Sm 8, 5-6). No século IV, apossou- -se dela Alexandre Magno; e, depois da morte deste, disputaram-na acirradamente o Império Selêucida e o Ptolomaico, até cair por fim, no ano 64 a.C., em mãos romanas. Na época de Nosso Senhor Jesus Cristo, Damasco fazia parte da Decápolis, e pouco depois da Ressurreição do Divino São João Damasceno logrou fazer uma excelente síntese da doutrina patrística usando uma oratória de grande beleza Mestre, já achamos nela um grupo de cristãos, cuja fé motiva a viagem de Saulo de Tarso com o intuito de persegui-los. É nessa cidade lendária, crisol de raças e culturas, que veio ao mundo o último dos Padres da Igreja oriental: São João Damasceno. Piedade, beleza e a mais pura ortodoxia De família árabe, mas cristã de religião e socialmente bem situada, nasceu João por volta do ano 675, quando Damasco já se encontrava sob domínio muçulmano. Aos trinta anos abandonou as comodidades da casa paterna e ingressou no Mosteiro de São Sabas, situado no deserto da Judeia, próximo de Jerusalém. Pouco depois, foi ordenado presbítero e escolhido pelo Patriarca João de Jerusalém para pregar na Anástasis (lugar do sepulcro de Jesus) e em outros templos da Cidade Santa. De tal maneira brilharam sua eloquência e a segurança doutrinária que foi cognominado Chrysorrohas (rio de ouro), nome dado às águas que, procedentes do Antilíbano, tornavam um fecundo oásis os arredores de Damasco. São João Damasceno logrou fazer uma excelente síntese da doutrina patrística usando uma oratória de grande beleza. A influência do seu pensamento se estendeu do Oriente ao Ocidente, onde suas obras foram objeto de estudo por São Tomás e os escolásticos. Lutou especialmente contra os erros dos iconoclastas, mas nas suas homilias e escritos encontramos a refutação de muitas das heresias que assolavam as comunidades cristãs da época. Após alcançar uma avançada idade – calcula-se que tenha morrido aos 74 anos – entregou sua alma a Deus no ano 749, provavelmente em 4 de dezembro. Foi declarado doutor da Igreja pelo Papa Leão XIII, em 19 de agosto de 1890. Como já foi apontado, saber unir piedade, beleza literária e a mais pura ortodoxia doutrinária foi um dos grandes méritos de São João Damasceno. Ele conseguiu, com um brilho verdadeiramente excepcional, aliar o Verum, o Bonum e o Pulchrum (Verdade, Bondade e Beleza) numa linguagem tão acessível que deleita e ao mesmo tempo ensina as mais elevadas verdades sobre Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe Santíssima. A obra deste Padre da Igreja é tão vasta, seus escritos de tal modo magistrais na exposição e ricos em conceitos teológicos, cristológicos, apologéticos, pastorais e mariológicos, que selecionar alguns excertos para ilustrar este artigo sem ultrapassar seus curtos limites torna-se um árduo desafio. Sólida doutrina cristológica Valendo-se de uma terminologia perfeita do ponto de vista teológico, São João Damasceno exalta em suas homilias os mistérios de Nosso Senhor e refuta os erros cristológicos correntes naqueles tempos. Afirmando a plena união do Verbo Encarnado com Deus Pai e Deus Espírito Santo, desqualifica o monofisismo, que pretende ver a natureza humana de Cristo absorvida pela divindade; o nestorianismo, que considera Nosso Senhor como uma pessoa humana na qual o Verbo haveria estabelecido sua morada como num templo ou mansão, sem assumir de fato a natureza do homem; ou o monotelismo que nega a existência da vontade humana n’Ele. Assim, por exemplo, em sua homilia sobre a Transfiguração do Senhor, ecoam os ensinamentos antimonofisistas do Concílio de Calcedônia, realizado em 451: “Como é possível que coisas incomunicáveis se misturem e permaneçam sem confundir-se? Como podem se unir uns elementos inconciliáveis, sem perder as características próprias da natureza? Precisamente isto é o que se efetua na união hipostática, de maneira tal que os elementos que se unem formam um só ser e uma só pessoa, mas conservando a unidade pessoal e a duplicidade de naturezas, numa diversidade indivisível e numa união sem confusão, que se realiza mediante a encarnação do Verbo imutável e a incompreensível e definitiva divinização da carne mortal. Como consequência dessa permuta, dessa recíproca comunicação sem confusão e da perfeita união hipostática, os atributos humanos vêm a pertencer a Deus e os divinos chegam a pertencer a um homem. Um só é, com efeito, aquele que, sendo Deus desde sempre, depois Se faz homem”.1 Com igual fé e profundidade teológica, o santo de Damasco não teme abordar um tema pouco tratado por teólogos mais recentes: o que aconteceu com a alma de Cristo após sua morte? A divindade separou-se da alma humana e do corpo do Senhor? Explica ele: “Embora a alma santa e divina tenha se separado do corpo incontaminado e vivificante, a divindade do Verbo não se separou de nenhum desses dois elementos, ou seja, nem do corpo nem da alma, por efeito da indivisa união hipostática das duas naturezas, que se realizou na concepção efetuada no seio da santa Virgem Maria, Mãe de Deus. Assim resulta que, inclusive ao produzir-se a morte, continua havendo em Cristo uma só pessoa, que é o Verbo divino, e depois da morte do Senhor, nesta pessoa seguem subsistindo a alma e o corpo”.2 Homilias sobre Nossa Senhora Não são menos belas e esplendorosas as homilias do Damasceno sobre Nossa Senhora. Elas nos mostram como a devoção à Santíssima Virgem vem desde os primeiros tempos do Cristianismo, como o amor a Ela era muito patente já na época de Santo Inácio de Antioquia, que foi discípulo do Apóstolo João, de São Justino (†165) e de Santo Irineu (†202). Nessas homilias se encontram em germe os elementos doutrinários que, séculos depois, facilitaram a proclamação de diversos dogmas marianos, como o da Imaculada Conceição e o da Assunção da Virgem Maria em corpo e alma aos Céus. Cabe ressaltar nelas, além da profundidade teológica, o entusiasmo e o amor de seu autor à Santíssima Virgem. “La raison parle, mais l’amour chante” (a razão fala, mas o amor canta), escreveu o romancista Alfred de Vigny. Em São João Damasceno, a razão disserta e o amor canta, ao tratar d’Aquela que foi achada digna de ser a Mãe do Redentor. Eis como ele entoa louvores à virgindade perpétua de Maria: “Ó Joaquim e Ana, casal bem-aventurado e verdadeiramente irrepreensível! Vós levastes uma vida agradável a Deus e digna d’Aquela de quem vos tornastes pais. Tendo vivido com pureza e santidade, gerastes a joia da virgindade, ou seja, Aquela que foi virgem antes do parto, virgem no parto e virgem depois do parto. Aquela que é a Virgem por excelência, virgem para sempre, virgem perpétua no espírito, na alma e no corpo”.3 E com quanta beleza literária, servindo-se de figuras extraídas do Antigo Testamento, nos ensina ser Maria Mãe de Deus: “Ó Virgem, claramente prefigurada na sarça, nas tábuas escritas por Deus, na arca da lei, no vaso de ouro, no candelabro, na mesa e na vara de Aarão que floresceu. De Vós, com efeito, procede a chama da divindade, o Verbo e manifestação do Pai, o maná suavíssimo e celestial, o nome inefável que está acima de todo nome, a luz eterna e inacessível, o celeste pão de vida. De Vós brotou corporalmente aquele fruto que não é resultado do trabalho de nenhum cultivador”.4 Essa capacidade de unir doutrina, poesia e fervor, é exemplo típico do que Urs Von Balthasar chama “teologia de joelhos”, em oposição à “teologia de escritório”, tão habitual nos dias atuais.5 Prenunciador do dogma da Assunção São João Damasceno comparte uma opinião generalizada entre os Santos Padres, de que há uma estreita relação entre a virgindade perpétua de Maria e a incorrupção de seu corpo virginal depois da morte. Ao ponto de que, em trechos como os mencionados a seguir, ele prenuncia o dogma da Assunção de Maria ao Céu, em corpo e alma. “Convinha que aquela que no parto manteve ilibada virgindade conservasse o corpo incorrupto mesmo depois da morte. Convinha que aquela que trouxe no seio o Criador encarnado, habitasse entre os divinos tabernáculos. […] Convinha que a Mãe de Deus possuísse o que era do Filho, e que fosse venerada por todas as criaturas como Mãe e Serva do mesmo Deus”.6 Foi na cidade lendária de Damasco, crisol de raças e culturas, que veio ao mundo o último dos Padres da Igreja oriental: São João Damasceno Essa passagem do Damasceno foi reproduzida literalmente por Pio XII ao definir o Dogma da Assunção, na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus. Nela, o Papa elogia também a “veemente eloquência” desse santo “que entre todos se distingue como pregoeiro dessa tradição”.7 “São Tomás do Oriente” São João Damasceno dizia de si mesmo que nada possuía de original, apenas compilava trechos de antigos escritores. No entanto, a luz de seu pensamento atravessou os séculos e ilumina até hoje os horizontes dos estudos teológicos. O próprio Papa Bento XVI, tomando-o como tema da Audiência Geral de 6 de maio de 2009, põe em realce a originalidade de sua argumentação em defesa do culto às imagens e às relíquias dos santos e o qualifica de “personalidade de primeira grandeza na história da teologia bizantina, um grande doutor na história da Igreja universal”. São João Damasceno foi adequadamente cognominado “o São Tomás do Oriente”. Feliz equiparação porque esses dois luminares da Igreja se assemelham a um título muito superior: ambos refulgem pela santidade de vida tanto ou mais que pela ciência. Deles se pode bem dizer: “Quando o amor vivifica a dimensão orante da teologia, o conhecimento, adquirido através da razão, se dilata. A verdade é procurada com humildade, acolhida com enlevo e gratidão: numa palavra, o conhecimento cresce somente quando se ama a verdade. O amor se torna inteligência e a teologia se torna autêntica sabedoria do coração, que orienta e sustenta a fé e a vida dos fiéis”.8 Notas: 1 SAN JUAN DAMASCENO. Homilía sobre la Transfiguración. In: PONS, Guillermo (Intr. e notas). Homilías Cristológicas y Marianas. Madrid: Ciudad Nueva, 1996, p.24. 2 SAN JUAN DAMASCENO. Homilía sobre el Sábado Santo. In: Op. cit., p.103. 3 SAN JUAN DAMASCENO. Homilía sobre la Natividad. In: Op. Cit., p.125. 4 SAN JUAN DAMASCENO. Homilía sobre la Dormición de María. In: Op. cit., p.154. 5 Cf. BENTO XVI. Discurso aos monges reunidos na abadia de Heiligenkreuz, 9/9/2007. 6 Idem, ibidem. 7 Cf. Munificentissimus Deus, 1/11/1950. 8 Audiência Geral de 28/10/2009. O trânsito de Maria aos Céus Na verdade, poderemos designar com o nome de morte o mistério que se realizou em Vós, oh Maria? […] Uma vez que, quando Vos tornastes Mãe, vossa virgindade permaneceu incólume, vosso corpo foi preservado da decomposição ao emigrar deste mundo, ficando transformado num tabernáculo mais ilustre e excelso, não mais sujeito à morte, mas destinado a perdurar pelos séculos sem fim. […] Não chamaremos de morte o vosso sagrado trânsito, mas dormição ou emigração e, com mais propriedade ainda, o designaremos como permanência na pátria, pois, ao deixar este mundo, obtendes uma morada muito mais excelente. Os anjos e arcanjos Vos trasladaram. Ante vosso trânsito, os espíritos imundos que voam pelos ares, estremeceram-se de espanto. Com vossa passagem, o ar ficou abençoado e o éter santificado. O Céu, com gozo, recebe vossa alma […]. Não subistes ao Paraíso à maneira de Elias, nem fostes como São Paulo transportada ao terceiro Céu, mas chegastes até ao trono real de vosso Filho, ao qual contemplais com vossos próprios olhos e com Ele habitais num clima de grande felicidade e confiança. (SAN JUAN DAMASCENO. Homilía sobre la Dormición de María) (Revista Arautos do Evangelho, Nov/2010, n. 107, p. 36 à 39) #SantodoDia
- São João Damasceno – 04 de Dezembro
SANTO DO DIA – 04 DE DEZEMBRO – SÃO JOÃO DAMASCENO Sacerdote e doutor da Igreja (675-749) João Damasceno é considerado o último dos santos Padres orientais da Igreja, antes que o Oriente se separasse definitivamente de Roma, no ano 1054. Uma das grandes figuras do cristianismo, não só da época em que viveu, mas de todos os tempos, especialmente pela obra teológica que nos legou. Seu nome de batismo era João Mansur. Nasceu no seio de uma família árabe cristã no ano 675, em Damasco, na Síria. Veio daí seu apelido ‘Damasceno’ ou ‘de Damasco’. Nessa época a cidade já estava dominada pelos árabes muçulmanos, que acabavam de conquistar, também, a Palestina. No início da ocupação, ainda se permitia alguma liberdade de culto e organização dos cristãos, dessa forma o convívio entre as duas religiões era até possível. A família dos Mansur ocupava altos postos no governo da cidade, sob a administração do califa muçulmano, espécie de prefeito árabe. Dessa maneira, na juventude, João, culto e brilhante, se tornou amigo do califa, que depois o nomeou seu conselheiro, com o título de grão-visir de Damasco. Mas como era, ao mesmo tempo, um cristão reto e intransigente com a verdadeira doutrina, logo preferiu se retirar na Palestina. Foi ordenado sacerdote e ingressou na comunidade religiosa de São Sabas, e desde então viveu na penitência, na solidão, no estudo das Sagradas Escrituras, dedicado à atividade literária e à pregação. Saía do convento apenas para pregar na igreja do Santo Sepulcro, para defender o rigor da doutrina. Suas homilias, depois, eram escritas e distribuídas para as mais diversas dioceses, o que o fez respeitado no meio do clero e do povo. Também a convite de João V, bispo de Jerusalém, participou, ao seu lado, no Concílio ecumênico de Nicéia, defendendo a posição da Igreja contra os hereges iconoclastas. O valor que passou para a Igreja foi através da santidade de vida, da humildade e da caridade, que fazia com que o povo já o venerasse como santo ainda em vida. Além disso, por sua obra escrita, sintetizando os cinco primeiros séculos de tentativas e esforços de sedimentação do cristianismo. Suas obras mais importantes são ‘A fonte da ciência’, ‘A fé ortodoxa’, ‘Sacra paralela’ e ‘Orações sobre as imagens sagradas’, onde defende o culto das imagens nas igrejas, contra o conceito dos iconoclastas. Por causa desse livro, João Damasceno foi muito perseguido e até preso pelos hereges. Até mesmo o califa foi induzido a acreditar que João Damasceno conspirava, junto com os cristãos, contra ele. Mandou prendê-lo a aplicar-lhe a lei muçulmana: sua mão direita foi decepada, para que não escrevesse mais. Mas pela fé e devoção que dedicava à Virgem Maria tanto rezou que a Mãe recolocou a mão no lugar e ele ficou curado. E foram inúmeras orações, hinos, poesias e homilias que dedicou, especialmente, a Nossa Senhora. Através de sua obra teológica foi ele quem deu início à teologia mariana. Morreu no ano 749, segundo a tradição, no Mosteiro de São Sabas. Tão importante foi sua contribuição para a Igreja que o papa Leão XIII o proclamou doutor da Igreja e os críticos e teólogos o declararam ‘são Tomás do Oriente’. Sua celebração, no novo calendário litúrgico da Igreja, ocorre no dia 4 de dezembro. Texto: Paulinas Internet São João Damasceno: A teologia vivificada pelo amor Teólogo, espiritualista, orador, escritor e, sobretudo, santo. Este é o perfil de São João Damasceno, cujas obras fazem sentir o frescor da doutrina patrística oriental. Situada aos pés do monte Hermon, à beira do deserto da Síria, Damasco é considerada por muitos estudiosos como a mais antiga cidade do mundo continuamente habitada. De origem imemorial, sua história está repleta de vicissitudes. Treze séculos antes de Cristo, a região foi campo de batalha entre hititas e egípcios. Duzentos anos depois, os arameus a tornaram uma importante urbe que o Rei Davi submeteu, fazendo-a pagar-lhe tributo (cf. II Sm 8, 5-6). No século IV, apossou- -se dela Alexandre Magno; e, depois da morte deste, disputaram-na acirradamente o Império Selêucida e o Ptolomaico, até cair por fim, no ano 64 a.C., em mãos romanas. Na época de Nosso Senhor Jesus Cristo, Damasco fazia parte da Decápolis, e pouco depois da Ressurreição do Divino São João Damasceno logrou fazer uma excelente síntese da doutrina patrística usando uma oratória de grande beleza Mestre, já achamos nela um grupo de cristãos, cuja fé motiva a viagem de Saulo de Tarso com o intuito de persegui-los. É nessa cidade lendária, crisol de raças e culturas, que veio ao mundo o último dos Padres da Igreja oriental: São João Damasceno. Piedade, beleza e a mais pura ortodoxia De família árabe, mas cristã de religião e socialmente bem situada, nasceu João por volta do ano 675, quando Damasco já se encontrava sob domínio muçulmano. Aos trinta anos abandonou as comodidades da casa paterna e ingressou no Mosteiro de São Sabas, situado no deserto da Judeia, próximo de Jerusalém. Pouco depois, foi ordenado presbítero e escolhido pelo Patriarca João de Jerusalém para pregar na Anástasis (lugar do sepulcro de Jesus) e em outros templos da Cidade Santa. De tal maneira brilharam sua eloquência e a segurança doutrinária que foi cognominado Chrysorrohas (rio de ouro), nome dado às águas que, procedentes do Antilíbano, tornavam um fecundo oásis os arredores de Damasco. São João Damasceno logrou fazer uma excelente síntese da doutrina patrística usando uma oratória de grande beleza. A influência do seu pensamento se estendeu do Oriente ao Ocidente, onde suas obras foram objeto de estudo por São Tomás e os escolásticos. Lutou especialmente contra os erros dos iconoclastas, mas nas suas homilias e escritos encontramos a refutação de muitas das heresias que assolavam as comunidades cristãs da época. Após alcançar uma avançada idade – calcula-se que tenha morrido aos 74 anos – entregou sua alma a Deus no ano 749, provavelmente em 4 de dezembro. Foi declarado doutor da Igreja pelo Papa Leão XIII, em 19 de agosto de 1890. Como já foi apontado, saber unir piedade, beleza literária e a mais pura ortodoxia doutrinária foi um dos grandes méritos de São João Damasceno. Ele conseguiu, com um brilho verdadeiramente excepcional, aliar o Verum, o Bonum e o Pulchrum (Verdade, Bondade e Beleza) numa linguagem tão acessível que deleita e ao mesmo tempo ensina as mais elevadas verdades sobre Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe Santíssima. A obra deste Padre da Igreja é tão vasta, seus escritos de tal modo magistrais na exposição e ricos em conceitos teológicos, cristológicos, apologéticos, pastorais e mariológicos, que selecionar alguns excertos para ilustrar este artigo sem ultrapassar seus curtos limites torna-se um árduo desafio. Sólida doutrina cristológica Valendo-se de uma terminologia perfeita do ponto de vista teológico, São João Damasceno exalta em suas homilias os mistérios de Nosso Senhor e refuta os erros cristológicos correntes naqueles tempos. Afirmando a plena união do Verbo Encarnado com Deus Pai e Deus Espírito Santo, desqualifica o monofisismo, que pretende ver a natureza humana de Cristo absorvida pela divindade; o nestorianismo, que considera Nosso Senhor como uma pessoa humana na qual o Verbo haveria estabelecido sua morada como num templo ou mansão, sem assumir de fato a natureza do homem; ou o monotelismo que nega a existência da vontade humana n’Ele. Assim, por exemplo, em sua homilia sobre a Transfiguração do Senhor, ecoam os ensinamentos antimonofisistas do Concílio de Calcedônia, realizado em 451: “Como é possível que coisas incomunicáveis se misturem e permaneçam sem confundir-se? Como podem se unir uns elementos inconciliáveis, sem perder as características próprias da natureza? Precisamente isto é o que se efetua na união hipostática, de maneira tal que os elementos que se unem formam um só ser e uma só pessoa, mas conservando a unidade pessoal e a duplicidade de naturezas, numa diversidade indivisível e numa união sem confusão, que se realiza mediante a encarnação do Verbo imutável e a incompreensível e definitiva divinização da carne mortal. Como consequência dessa permuta, dessa recíproca comunicação sem confusão e da perfeita união hipostática, os atributos humanos vêm a pertencer a Deus e os divinos chegam a pertencer a um homem. Um só é, com efeito, aquele que, sendo Deus desde sempre, depois Se faz homem”.1 Com igual fé e profundidade teológica, o santo de Damasco não teme abordar um tema pouco tratado por teólogos mais recentes: o que aconteceu com a alma de Cristo após sua morte? A divindade separou-se da alma humana e do corpo do Senhor? Explica ele: “Embora a alma santa e divina tenha se separado do corpo incontaminado e vivificante, a divindade do Verbo não se separou de nenhum desses dois elementos, ou seja, nem do corpo nem da alma, por efeito da indivisa união hipostática das duas naturezas, que se realizou na concepção efetuada no seio da santa Virgem Maria, Mãe de Deus. Assim resulta que, inclusive ao produzir-se a morte, continua havendo em Cristo uma só pessoa, que é o Verbo divino, e depois da morte do Senhor, nesta pessoa seguem subsistindo a alma e o corpo”.2 Homilias sobre Nossa Senhora Não são menos belas e esplendorosas as homilias do Damasceno sobre Nossa Senhora. Elas nos mostram como a devoção à Santíssima Virgem vem desde os primeiros tempos do Cristianismo, como o amor a Ela era muito patente já na época de Santo Inácio de Antioquia, que foi discípulo do Apóstolo João, de São Justino (†165) e de Santo Irineu (†202). Nessas homilias se encontram em germe os elementos doutrinários que, séculos depois, facilitaram a proclamação de diversos dogmas marianos, como o da Imaculada Conceição e o da Assunção da Virgem Maria em corpo e alma aos Céus. Cabe ressaltar nelas, além da profundidade teológica, o entusiasmo e o amor de seu autor à Santíssima Virgem. “La raison parle, mais l’amour chante” (a razão fala, mas o amor canta), escreveu o romancista Alfred de Vigny. Em São João Damasceno, a razão disserta e o amor canta, ao tratar d’Aquela que foi achada digna de ser a Mãe do Redentor. Eis como ele entoa louvores à virgindade perpétua de Maria: “Ó Joaquim e Ana, casal bem-aventurado e verdadeiramente irrepreensível! Vós levastes uma vida agradável a Deus e digna d’Aquela de quem vos tornastes pais. Tendo vivido com pureza e santidade, gerastes a joia da virgindade, ou seja, Aquela que foi virgem antes do parto, virgem no parto e virgem depois do parto. Aquela que é a Virgem por excelência, virgem para sempre, virgem perpétua no espírito, na alma e no corpo”.3 E com quanta beleza literária, servindo-se de figuras extraídas do Antigo Testamento, nos ensina ser Maria Mãe de Deus: “Ó Virgem, claramente prefigurada na sarça, nas tábuas escritas por Deus, na arca da lei, no vaso de ouro, no candelabro, na mesa e na vara de Aarão que floresceu. De Vós, com efeito, procede a chama da divindade, o Verbo e manifestação do Pai, o maná suavíssimo e celestial, o nome inefável que está acima de todo nome, a luz eterna e inacessível, o celeste pão de vida. De Vós brotou corporalmente aquele fruto que não é resultado do trabalho de nenhum cultivador”.4 Essa capacidade de unir doutrina, poesia e fervor, é exemplo típico do que Urs Von Balthasar chama “teologia de joelhos”, em oposição à “teologia de escritório”, tão habitual nos dias atuais.5 Prenunciador do dogma da Assunção São João Damasceno comparte uma opinião generalizada entre os Santos Padres, de que há uma estreita relação entre a virgindade perpétua de Maria e a incorrupção de seu corpo virginal depois da morte. Ao ponto de que, em trechos como os mencionados a seguir, ele prenuncia o dogma da Assunção de Maria ao Céu, em corpo e alma. “Convinha que aquela que no parto manteve ilibada virgindade conservasse o corpo incorrupto mesmo depois da morte. Convinha que aquela que trouxe no seio o Criador encarnado, habitasse entre os divinos tabernáculos. […] Convinha que a Mãe de Deus possuísse o que era do Filho, e que fosse venerada por todas as criaturas como Mãe e Serva do mesmo Deus”.6 Foi na cidade lendária de Damasco, crisol de raças e culturas, que veio ao mundo o último dos Padres da Igreja oriental: São João Damasceno Essa passagem do Damasceno foi reproduzida literalmente por Pio XII ao definir o Dogma da Assunção, na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus. Nela, o Papa elogia também a “veemente eloquência” desse santo “que entre todos se distingue como pregoeiro dessa tradição”.7 “São Tomás do Oriente” São João Damasceno dizia de si mesmo que nada possuía de original, apenas compilava trechos de antigos escritores. No entanto, a luz de seu pensamento atravessou os séculos e ilumina até hoje os horizontes dos estudos teológicos. O próprio Papa Bento XVI, tomando-o como tema da Audiência Geral de 6 de maio de 2009, põe em realce a originalidade de sua argumentação em defesa do culto às imagens e às relíquias dos santos e o qualifica de “personalidade de primeira grandeza na história da teologia bizantina, um grande doutor na história da Igreja universal”. São João Damasceno foi adequadamente cognominado “o São Tomás do Oriente”. Feliz equiparação porque esses dois luminares da Igreja se assemelham a um título muito superior: ambos refulgem pela santidade de vida tanto ou mais que pela ciência. Deles se pode bem dizer: “Quando o amor vivifica a dimensão orante da teologia, o conhecimento, adquirido através da razão, se dilata. A verdade é procurada com humildade, acolhida com enlevo e gratidão: numa palavra, o conhecimento cresce somente quando se ama a verdade. O amor se torna inteligência e a teologia se torna autêntica sabedoria do coração, que orienta e sustenta a fé e a vida dos fiéis”.8 Notas: 1 SAN JUAN DAMASCENO. Homilía sobre la Transfiguración. In: PONS, Guillermo (Intr. e notas). Homilías Cristológicas y Marianas. Madrid: Ciudad Nueva, 1996, p.24. 2 SAN JUAN DAMASCENO. Homilía sobre el Sábado Santo. In: Op. cit., p.103. 3 SAN JUAN DAMASCENO. Homilía sobre la Natividad. In: Op. Cit., p.125. 4 SAN JUAN DAMASCENO. Homilía sobre la Dormición de María. In: Op. cit., p.154. 5 Cf. BENTO XVI. Discurso aos monges reunidos na abadia de Heiligenkreuz, 9/9/2007. 6 Idem, ibidem. 7 Cf. Munificentissimus Deus, 1/11/1950. 8 Audiência Geral de 28/10/2009. O trânsito de Maria aos Céus Na verdade, poderemos designar com o nome de morte o mistério que se realizou em Vós, oh Maria? […] Uma vez que, quando Vos tornastes Mãe, vossa virgindade permaneceu incólume, vosso corpo foi preservado da decomposição ao emigrar deste mundo, ficando transformado num tabernáculo mais ilustre e excelso, não mais sujeito à morte, mas destinado a perdurar pelos séculos sem fim. […] Não chamaremos de morte o vosso sagrado trânsito, mas dormição ou emigração e, com mais propriedade ainda, o designaremos como permanência na pátria, pois, ao deixar este mundo, obtendes uma morada muito mais excelente. Os anjos e arcanjos Vos trasladaram. Ante vosso trânsito, os espíritos imundos que voam pelos ares, estremeceram-se de espanto. Com vossa passagem, o ar ficou abençoado e o éter santificado. O Céu, com gozo, recebe vossa alma […]. Não subistes ao Paraíso à maneira de Elias, nem fostes como São Paulo transportada ao terceiro Céu, mas chegastes até ao trono real de vosso Filho, ao qual contemplais com vossos próprios olhos e com Ele habitais num clima de grande felicidade e confiança. (SAN JUAN DAMASCENO. Homilía sobre la Dormición de María) (Revista Arautos do Evangelho, Nov/2010, n. 107, p. 36 à 39) #SantodoDia
- Uma Guerra declarada contra a Tradição: o que Deus espera de nós diante da apostasia?
Embora seja crescente o número de fiéis católicos que vai se dando conta da tragédia que está em curso, constatando a desorientação dos fiéis e a perda da fé da maior parte do clero, ainda assim a reação a tudo isso tem sido lenta, e em geral desarticulada. Em parte, a lentidão da reação a toda a essa apostasia, se dá ao fato de que as pessoas em um primeiro momento ficam perplexas e têm dificuldade para acreditar que homens que foram consagrados ao serviço de Deus para transmitir a verdade católica, não apenas NÃO fazem isso como sabotam e combatem os poucos que o fazem. A mente da maioria dos católicos que conservam algo de sua fé tem uma imensa resistência ao fato de que boa parte do governo da Igreja foi tomado pelos inimigos, que agora usam sua estrutura para fazer perder a fé dos que estão dentro da Igreja para simplesmente aprender sobre Deus e viver de acordo com a Fé ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo. Os leigos não sabem (nem mesmo a maior parte do Clero), como têm sido a infiltração e a ação dos inimigos de Deus dentro da Igreja de Cristo, por isso têm dificuldade para aceitar essa realidade e mais ainda em se determinar fazer algo para mudar essa realidade. Enquanto isso o mal vai avançando quase sem resistência… Os bispos e padres mal formados ou conformados a ação dos inimigos da Igreja se aproveitam do desconhecimento dos fiéis leigos para impedir ou dificultar ações que possam escancarar a ação do mal e motivar uma reação. Entretanto em tempos em que a internet está popularizada e o acesso à informação foi muito facilitado os fiéis pouco a poucos vão tomando consciência da real situação da Igreja e do mundo e desejando fazer algo para combater o avanço dessa revolução do mal. Queremos colaborar com essa tomada de consciência e com a união dos que amam a Santa Igreja para que as trevas da apostasia sejam debeladas e doutrina católica seja apresentada com toda clareza e convicção. Participe da formação ao vivo para compreender qual nosso papel diante da apostasia… Para assistir, acesse: ⚠️ Você é nosso convidado especial! A formação acontecerá hoje, 21h horário de Brasília Templário de Maria | templariodemaria.com #Formaçõesaovivo
- Uma Guerra declarada contra a Tradição: o que Deus espera de nós diante da apostasia?
Embora seja crescente o número de fiéis católicos que vai se dando conta da tragédia que está em curso, constatando a desorientação dos fiéis e a perda da fé da maior parte do clero, ainda assim a reação a tudo isso tem sido lenta, e em geral desarticulada. Em parte, a lentidão da reação a toda a essa apostasia, se dá ao fato de que as pessoas em um primeiro momento ficam perplexas e têm dificuldade para acreditar que homens que foram consagrados ao serviço de Deus para transmitir a verdade católica, não apenas NÃO fazem isso como sabotam e combatem os poucos que o fazem. A mente da maioria dos católicos que conservam algo de sua fé tem uma imensa resistência ao fato de que boa parte do governo da Igreja foi tomado pelos inimigos, que agora usam sua estrutura para fazer perder a fé dos que estão dentro da Igreja para simplesmente aprender sobre Deus e viver de acordo com a Fé ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo. Os leigos não sabem (nem mesmo a maior parte do Clero), como têm sido a infiltração e a ação dos inimigos de Deus dentro da Igreja de Cristo, por isso têm dificuldade para aceitar essa realidade e mais ainda em se determinar fazer algo para mudar essa realidade. Enquanto isso o mal vai avançando quase sem resistência… Os bispos e padres mal formados ou conformados a ação dos inimigos da Igreja se aproveitam do desconhecimento dos fiéis leigos para impedir ou dificultar ações que possam escancarar a ação do mal e motivar uma reação. Entretanto em tempos em que a internet está popularizada e o acesso à informação foi muito facilitado os fiéis pouco a poucos vão tomando consciência da real situação da Igreja e do mundo e desejando fazer algo para combater o avanço dessa revolução do mal. Queremos colaborar com essa tomada de consciência e com a união dos que amam a Santa Igreja para que as trevas da apostasia sejam debeladas e doutrina católica seja apresentada com toda clareza e convicção. Participe da formação ao vivo para compreender qual nosso papel diante da apostasia… Para assistir, acesse: ⚠️ Você é nosso convidado especial! A formação acontecerá hoje, 21h horário de Brasília Templário de Maria | templariodemaria.com #Formaçõesaovivo
- Homilia Dominical | Três passos para viver bem o Advento
1.º Domingo do Advento A partir deste domingo, a Igreja se veste de roxo para, em atitude de penitência e vigilância, esperar o nascimento de Cristo. Mas o que devemos fazer concretamente para estarmos preparados para a vinda do Senhor? Que propósitos devemos colocar em prática para fazer do Advento um tempo de verdadeira conversão? Ouça a homilia dominical do Padre Paulo Ricardo e aprenda três passos fundamentais para preparar sua alma para a vinda do Senhor. Santo do Dia: São Francisco Xavier, Sacerdote jesuíta, padroeiro das Missões Anúncio do Evangelho (Mc 13,33-37) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei! (Sl 84,8) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 33 “Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento. 34 É como um homem que, ao partir para o estrangeiro, deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa. E mandou o porteiro ficar vigiando. 35 Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer. 36 Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo. 37 O que vos digo, digo a todos: Vigiai!”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor #HomiliaDiária
- Homilia Dominical | Três passos para viver bem o Advento
1.º Domingo do Advento A partir deste domingo, a Igreja se veste de roxo para, em atitude de penitência e vigilância, esperar o nascimento de Cristo. Mas o que devemos fazer concretamente para estarmos preparados para a vinda do Senhor? Que propósitos devemos colocar em prática para fazer do Advento um tempo de verdadeira conversão? Ouça a homilia dominical do Padre Paulo Ricardo e aprenda três passos fundamentais para preparar sua alma para a vinda do Senhor. Santo do Dia: São Francisco Xavier, Sacerdote jesuíta, padroeiro das Missões Anúncio do Evangelho (Mc 13,33-37) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei! (Sl 84,8) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 33 “Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento. 34 É como um homem que, ao partir para o estrangeiro, deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa. E mandou o porteiro ficar vigiando. 35 Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer. 36 Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo. 37 O que vos digo, digo a todos: Vigiai!”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor #HomiliaDiária
- São Francisco Xavier, Sacerdote jesuíta, padroeiro das Missões – 3 de Dezembro
SANTO DO DIA – 03 DE DEZEMBRO – SÃO FRANCISCO XAVIER Sacerdote jesuíta, padroeiro das Missões (1506-1552) A Igreja sempre se apoiou nos missionários para sua expansão no decorrer dos séculos. Primeiro foram os apóstolos que se espalharam pelo mundo após a ressurreição de Jesus. Durante o período do descobrimento, entre os séculos XV e XVI, o cristianismo encontrou nos missionários da Companhia de Jesus, os jesuítas, a forma de iniciar a evangelização nas Américas e no Oriente: Índia, Japão e China. Francisco Xavier, considerado o maior dos missionários jesuítas, foi o fundador dessas missões no Oriente. Nasceu no reino de Navarra, Espanha, em 7 de abril de 1506. Era filho de uma família nobre, que havia projetado para ele um futuro de glória e riqueza no mundo, matriculando-o, com dezoito anos, na Universidade de Paris. Mas não foi no campo terreno que ele se sobressaiu e sim no espiritual. Francisco formou-se em filosofia e lecionava na mesma universidade, onde conheceu um aluno bem mais velho e de ideias objetivas e tudo mudou. Tratava-se do futuro santo Inácio de Loyola, fundador dos jesuítas. Loyola sonhava formar uma companhia de apóstolos para a defesa e propagação do cristianismo no mundo. Viu em Francisco alguém capaz de ajudá-lo na empreitada e tentou conquistá-lo para a causa. Tarefa que se revelou nada fácil, por causa do orgulho e da ambição que Xavier tinha, projetadas em si por sua família. Loyola, enfim, convenceu-o com uma frase que lhe tocou a alma: ‘De que vale a um homem ganhar o mundo inteiro se perder sua alma?’ (Mc 8, 36). Francisco tomou-a como lema e nunca mais a abandonou, nem ao seu autor, Jesus Cristo. Os papéis se inverteram e Inácio passou a ser mestre de seu professor, ensinando-lhe o difícil caminho da humildade e dos exercícios espirituais. Francisco, por fim, se retirou por quarenta dias na solidão, preparando-se para receber a ordenação sacerdotal. Celebrou sua primeira missa com trinta e um anos e se tornou cofundador da Companhia de Jesus. Passou, então, a cuidar dos doentes leprosos, doença de então, segregados pela sociedade. Com outros companheiros, fixou-se, em 1537, em Veneza, onde recolhia das ruas e tratava aqueles a quem ninguém tinha coragem de recolher. Foi então que D. João III, rei de Portugal, pediu a Inácio de Loyola para organizar um grupo de sacerdotes que acompanhassem as expedições ao Oriente e depois evangelizassem as Índias. O grupo estava pronto e treinado quando um dos missionários adoeceu e Francisco Xavier decidiu tomar o seu lugar. O navio, com novecentos passageiros, entre eles Francisco Xavier, partiu de Lisboa com destino às Índias. Foi o início de uma viagem perigosíssima e cheia de transtornos, que demorou praticamente um ano. Durante todo esse tempo, Francisco trabalhou em todos os serviços mais humildes do navio. Era auxiliar de cozinha, faxineiro e enfermeiro. Finalmente, chegaram ao porto de Goa. Desde então, Francisco Xavier realizou uma das missões mais árduas da Igreja Católica. Ia de aldeia em aldeia, evangelizava os nativos, batizava as crianças e os adultos. Reunia as aldeias em grupos, fundava comunidades eclesiais e deixava outro sacerdote para tocar a obra, enquanto investia em novas frentes apostólicas noutra região. Acabou saindo das Índias para pregar no Japão, além de ter feito algumas incursões clandestinas na China. Numa delas, na ilha de Sacian, adoeceu e uma febre persistente o debilitou, levando-o à morte, em 3 de dezembro de 1552, com apenas quarenta e seis anos de idade. A Igreja o beatificou em 1619, canonizando-o em 1622. Celebrado no dia de sua morte, como exemplo do missionário moderno, são Francisco Xavier foi, com toda justiça, proclamado pela Igreja patrono das missões, e pelo trabalho tão significativo recebeu o apelido de ‘são Paulo do Oriente’. Texto: Paulinas Internet Com alegria, celebramos hoje a memória de São Francisco Xavier, padroeiro das missões juntamente com S. Teresinha do Menino Jesus. Que maravilha celebrar S. Francisco Xavier no meio do Advento! Por quê? Porque um missionário, na verdade, é quem causa o advento de Cristo na vida de outros. São Francisco Xavier, com 35 anos de idade, discípulo de Inácio de Loyola, foi enviado para o Oriente, às Índias, a fim de evangelizá-las. Em Goa, de colonização portuguesa, começou a ver que os cristãos que lá estavam viviam muito longe da amizade de Cristo. Longe de casa, de suas famílias e mulheres, esses aventureiros portugueses viviam uma vida tão devassa e tremenda que chegava a escandalizar os próprios pagãos. São Francisco Xavier põe então mãos à obra e começa a converter os próprios cristãos. E, nessa dinâmica espiritual de conversões, ele começa a tocar também o coração dos gentios. Seu trabalho estende-se pela Índia, acompanhado de portentos e milagres. De fato, no seu processo de canonização foram atestadas 24 ressurreições! Trata-se, realmente, de um missionário que evangelizou, como os primeiros Apóstolos, com sinais e prodígios. Mas esses sinais e prodígios eram somente um “dedo” que apontava para o grande mistério. Na Índia, diante de tantos milagres e portentos, os sacerdotes brâmanes procuram S. Francisco para que lhes revele o segredo por trás daquele poder. Os sacerdotes brâmanes, acostumados a pensar que tais poderes seriam sempre esotéricos (isto é, secretos e misteriosos), prometem a Francisco Xavier: “Se nos revelares o segredo, prometemos não contá-lo a ninguém mais”. S. Francisco Xavier respondeu: “Ora, pelo contrário: dir-vos-ei donde vem todo esse poder, que é de Jesus Cristo, e quero que o anuncieis a todo o mundo, porque o Evangelho há de ser proclamado sobre os telhados. Não o escondais, não escondais: antes, revelai-o a todos!” Os sacerdotes brâmanes, naturalmente, pensaram que Francisco os estaria caçoando porque, afinal de contas, se é tão precioso o Evangelho, não deveria estar à disposição de todos… Eis aqui uma característica do cristianismo, da Santa Igreja Católica: Nosso Senhor Jesus Cristo — poderíamos dizer — fundou o primeiro projeto educacional universal. Em outras culturas, a educação era sempre privilégio de uma elite; para nós, cristãos, conhecer a verdade é para todos, pois a verdade não deve ficar escondida, mas brilhar para todos. Todos precisam conhecer a verdade, aproximar-se do amor de Cristo! S. Francisco Xavier, que converteu e batizou milhares de pessoas, continuou sua evangelização até chegar ao Japão, onde fundou algumas comunidades na cidade de Nagasaki, em uma região que iria florescer em grandes mártires. Francisco Xavier morreu na China, diante daquele continente inexplorado, e até hoje estamos nós aqui a rezar e pedir a Deus que converta a China e dê àquele povo a verdade do Evangelho. CONHEÇA MAIS SOBRE SÃO FRANCISCO XAVIER Missionário como ninguém, operando os mais espetaculares milagres para converter povos inteiros para Jesus Cristo, Francisco Xavier imitou o Divino Mestre até o fim. Soprava com persistência o frio vento do norte e as ondas do oceano rompiam cada vez mais violentas naquela praia que parecia deserta. O céu, coberto de plúmbeas nuvens, escurecia rapidamente, prenunciando longa e tormentosa noite. Não muito longe da beira do mar, elevava-se uma mísera cabana, feita com algumas pranchas de madeira carcomida, cuja cobertura de palha seca era agitada pelo vento glacial. Dentro dela, estendido sobre uma esteira, um homem agonizava. Seu corpo exangue ardia consumido pela febre, mas seu olhar profundo e vivo espelhava um espírito de fogo, refletia a eternidade… Morria o Apóstolo do Oriente, Francisco Xavier. Início promissor No dia 6 de maio de 1542, aportava na remota e lendária Índia, depois de conturbada viagem de treze meses, o filho dileto de Santo Inácio de Loyola. As portas da Ásia abriam-se diante desse sacerdote de apenas 35 anos de idade. Seu primeiro campo de ação foi a cidade de Goa, principal colônia portuguesa no Oriente, onde os europeus esquecidos de sua missão civilizadora, dedicavam-se a um lucrativo comércio e se deixavam arrastar pela sensualidade e pelos vícios do mundo pagão. Em poucas semanas, fizeram-se sentir naquela cidade o benéfico efeito da ação de presença, das pregações e do ativo zelo do novo missionário: “Tantos eram os que vinham se confessar que, se eu fosse dividido em dez partes, todas elas precisariam atender confissões” – escreveu ele em setembro de 1542 aos jesuítas de Roma. “Num mês batizei mais de dez mil pessoas” Depois de passar alguns meses nessa cidade, rumou Francisco para terras ainda mais distantes. Toda a costa sul da península indiana foi percorrida por ele. E a partir de então, sua vida tornou-se um ininterrupto peregrinar por terras, mares e ilhas longínquas, alargando sem cessar as fronteiras do Reino de Jesus. Em carta de janeiro de 1544, disse ele a seus irmãos de vocação: “Tanta é a multidão dos que se convertem à fé de Cristo nesta terra por onde ando, que muitas vezes me acontece ter os braços cansados de tanto batizar (…). Há dias em que batizo todo um povoado”. Um ano depois, relatava novas maravilhas operadas por Deus naquelas paragens: “Notícias destas partes da Índia: faço-lhes saber que Deus nosso Senhor moveu muitos, num reino por onde ando, a se tornarem cristãos, de modo que num mês batizei mais de dez mil pessoas. (…) Depois de batizá-los, mando derrubar as casas onde tinham seus ídolos e ordeno que rompam as imagens dos ídolos em pequenas partes. Acabando de fazer isto num lugar, dirijo-me a outro, e deste modo vou de lugar em lugar fazendo cristãos”. No Império do Sol Nascente Assim, enfunadas as velas de sua alma pelo sopro do Espírito Santo, com heróica generosidade Francisco Xavier fez de sua existência um contínuo “fiat mihi secundum verbum tuum”, lançando- se sempre, de ousadia em ousadia, à conquista de mais almas, para a maior glória de Deus. Depois de ter percorrido o sul da Ásia durante dez anos, São Francisco Xavier veio falecer às portas da China Roteiro das viagens de São Francisco Xavier Certo dia, estando na cidade de Malaca, apresentaram-lhe um homem de olhos oblíquos e mirada inteligente, que havia percorrido centenas de milhas tendo por único intuito encontrar-se com o célebre e venerável ocidental que perdoava os pecados… Seu nome era Hashiro e sua terra natal, o Japão. Imediatamente, vislumbrou Francisco a riqueza que seria para a Igreja se o povo representado por esse intrépido neófito fosse santificado pelas águas do Batismo. Escreveu então a seu fundador, em janeiro de 1549: “Não deixaria eu de ir ao Japão pelo muito que tenho sentido dentro de minha alma, ainda que possuísse a certeza de que haveria de passar pelos maiores perigos da minha vida, porque tenho grande esperança em Deus Nosso Senhor que nessas terras há de crescer muito nossa santa fé. Não poderia descrever quanta consolação interior sinto em fazer esta viagem ao Japão”. Lutando contra adversidades de toda ordem, mais de dois anos passou Francisco no remotíssimo Império do Sol Nascente, fundando igrejas, anunciando a verdadeira fé a príncipes e nobres, a pobres camponeses e inocentes crianças. Em carta de novembro desse mesmo ano, declarou a seus irmãos residentes em Roma: “Pela experiência que temos do Japão, faço-lhes saber que seu povo é o melhor dos descobertos até agora”. Entretanto, tendo como objetivo conseguir mais missionários para essa promissora terra, partiu de volta à Índia, deixando no Japão, que não mais o veria, uma robusta e florescente cristandade. Sempre mais! Depois de ter percorrido o Extremo Oriente em todas as direções durante dez anos e levantado a Cruz no arquipélago nipônico, o coração de Francisco, insaciável da glória de Deus, lançou- se a conquistar novos povos para seu Rei e Senhor: a China seria agora sua grande meta. Pela importância do império chinês, por sua incalculável população e, sobretudo, seu prestígio e riqueza cultural, compreendeu que, se fizesse nele correr as águas batismais, a Ásia inteira se prostraria aos pés do Divino Redentor. “Este ano espero ir à China, pelo grande serviço a nosso Deus, que lá se poderá obter”, escreveu em janeiro de 1552 a seu pai, Inácio de Loyola. No mesmo ano, referindo-se a esta nação, comunicou a seus irmãos de vocação os anelos e esperanças de sua alma de missionário: “Vivemos com muita esperança de que, se Deus nosso Senhor nos der mais dez anos de vida, veremos grandes coisas nestas regiões. Pelos méritos infinitos da Morte e Paixão de Deus nosso Senhor, espero que Ele me dará a graça de fazer essa viagem à China”. A última viagem Retornando do Japão, pouco tempo se deteve o Pe. Francisco na Índia. Apenas o suficiente para atender as necessidades da Companhia de Jesus nessas terras e preparar a tão desejada viagem à China. Um dedicado amigo do infatigável missionário, chamado Diogo Pereira, empregou toda a sua fortuna fretando um navio, carregando-o com esplêndidos presentes para o imperador da China e adquirindo magníficos paramentos de seda e de damasco, e todo tipo de ricos ornamentos para celebrar a Santa Missa com toda a pompa, de modo a dar aos chineses noção da grandeza da verdadeira religião que lhes seria anunciada. Fisionomia de São Francisco, pintada em vida (Igreja do Gesù, Roma) Antes de viajar, o Santo escreveu ao Rei de Portugal, em abril de 1552: “Parto daqui a cinco dias para Malaca, que é o caminho da China, para ir dali, em companhia de Diogo Pereira, à corte do imperador da China. Levamos ricos presentes comprados por Diogo Pereira. E da parte de Vossa Alteza levo um que nunca foi enviado por nenhum rei nem senhor a esse imperador: a Lei verdadeira de Jesus Cristo nosso Redentor e Senhor”. Assim, no dia 17 de abril de 1552, embarcou na nave Santa Cruz para conquistar o império de seus sonhos “Desamparado de todo humano favor” No entanto, poucos dias de navegação haviam transcorrido, quando desencadeou- se terrível tempestade. A tripulação do navio, espantada com a violência dos elementos e tendo perdido qualquer esperança de salvação, pedia com grandes clamores o sacramento da Penitência. Francisco Xavier, imperturbável, recolheu-se em profunda oração. E imediatamente – assim como outrora à voz do Divino Salvador as águas do Lago de Genezaré haviam- se acalmado – o vento cessou de soprar e as ondas tornaram-se suaves e calmas pela fé e pelas preces desse humilde conquistador de impérios. Mas a partir deste momento, não cessaram os infernos de levantar obstáculos e contrariar a viagem. “Tende por certo e não duvideis que de modo algum quer o demônio que os da Companhia do nome de Jesus entrem na China” – escreveu ele em novembro de 1552 aos padres Francisco Pérez e Gaspar Barzeo. Chegando à cidade de Malaca, última escala antes de penetrar em águas chinesas, inopinadamente, o capitão português desse porto – que, aliás, devia seu cargo aos bons ofícios e recomendações de Francisco – impediu a continuação da viagem, alegando que só a ele caberia o comando de uma expedição à China… Tendo sido inúteis todas as súplicas e rogos, empregou Francisco Xavier um último recurso: apresentou a bula papal que o nomeava legado pontifício, a qual até então nunca havia utilizado, e exigiu a plena liberdade de viajar à China em nome do Papa e do Rei de Portugal. Além disso, anunciou ao obstinado capitão que incorreria em excomunhão se continuasse a impedir a partida do navio. Sem embargo, também isso foi inútil. A ambição e a cobiça desse infeliz levaram-no ao extremo de insultar e maltratar aquele peregrino da glória de Deus. Finalmente, após várias semanas de espera, a nave Santa Cruz pôde singrar as águas em direção à China, mas sob o comando de homens nomeados pelo capitão português, o qual morreu pouco tempo depois, excomungado e corroído pela lepra. Com o coração partido, Francisco revelou ao Pe. Gaspar Barzeo em julho de 1552: “Não podereis acreditar quanto fui perseguido em Malaca. Vou para as ilhas de Cantão, no império da China, desamparado de todo humano favor”. À espera do barco, olhando sem cessar para a meta. Sancião era o nome dado pelos portugueses à inóspita ilha de Shangchuan, situada a 180 quilômetros da cidade de Cantão. Nessa ilha, onde os navios europeus costumavam aportar para comerciar com os chineses, desembarcou o santo missionário em outubro de 1552. Esforçaram-se ali os portugueses por encontrar, entre os numerosos mercadores chineses, algum que se prontificasse a levá-lo a Cantão. Todos, porém, se escusavam, pois isso era vedado pelas leis imperiais, e os transgressores expunham- se a perder todos os haveres e até a própria vida. Por fim, um deles, decidido a correr o risco, se dispôs a transportar São Francisco numa pequena embarcação, mediante o pagamento de 200 cruzados. “Os perigos que corremos neste empreendimento são dois, segundo a gente da terra: o primeiro é que o homem que nos leve, depois de receber os duzentos cruzados, nos abandone numa ilha deserta ou nos jogue no mar; o segundo é que, chegando a Cantão, o governador nos mande para o suplício ou para o cativeiro” – escreveu Xavier ao Pe. Francisco Pérez. Esses perigos, porém, o infatigável apóstolo não os temia, pois seguro estava de que “sem a permissão de Deus, os demônios e seus asseclas nada podem contra nós”. Acompanhado de apenas dois auxiliares, um indiano e um chinês, ficou na Ilha de Sancião à espera do retorno do comerciante que se comprometera a transportá-lo. Celebrava diariamente ali o Santo Sacrifício do Altar, olhando sem cessar para o continente pelo qual com tanto ardor suspirava. Mas os dias e as semanas se passaram, e em vão aguardou Francisco a volta do chinês: este infelizmente nunca retornou. Últimas palavras de um santo As forças físicas do ardoroso missionário chegaram então ao termo. Uma altíssima febre o obrigou a recolher- se em sua improvisada cabana, onde, desamparado dos homens e padecendo frio, fome e toda classe de privações, deveria passar os últimos dias de sua heróica existência nesta terra de exílio. De Francisco Deus não queria a conversão da China, mas queria a sua alma (Morte de São Francisco, Igreja de São Pedro, Lima) Àquele varão que não conhecera o cansaço, àquele apóstolo que com sua palavra arrastava multidões, àquele taumaturgo que havia ultrapassado grandes obstáculos operando milagres portentosos, o Senhor do Céu e da Terra reservava a mais heróica e gloriosa das mortes: a exemplo de seu Mestre Divino, Francisco Xavier morreria no auge do abandono e da aparente contradição. Alguns dias antes de entregar seu espírito, entrou em delírio, revelando então a magnitude do holocausto que a Providência lhe pedia: falava continuamente da China, de seu veemente desejo de converter esse império e da glória que adviria para Deus se esse povo fosse atraído para a Santa Igreja Católica… E nas primeiras horas da madrugada de 3 de dezembro de 1552, Francisco Xavier expirou docemente no Senhor, sem uma queixa ou reclamação, divisando ao longe aquela China que não conseguira conquistar e que tanto havia desejado depositar aos pés de seu Rei, Nosso Senhor Jesus Cristo. Suas derradeiras palavras foram estas frases de um cântico de glória: In te, Domine, speravi. Non confundar in aeternum. Em Vós espero, Senhor. Não me abandoneis para sempre! A maior glória de Deus À primeira vista, sobretudo para quem não tem seu olhar habituado a contemplar os horizontes infindos da Fé, a vida de São Francisco Xavier parece, em certo sentido, frustrada. Quantas almas não se teriam salvo e quanta glória não haveria recebido a Santa Igreja se o imenso e super povoado império chinês houvesse sido evangelizado por este apóstolo de fogo! Entretanto, quando se encontrava ele, finalmente, às portas desta nação, depois de haver passado por dificuldades e combates de toda ordem, o chamado de Deus se fez ouvir: “Francisco, meu filho, cessa tua luta e vem a Mim!” Oh! mistério do Amor Infinito! De Francisco, Deus não queria a China… mas queria Francisco. E o intrépido conquistador respondeu, sem hesitar, como Jesus no Horto das Oliveiras: “Senhor, faça-se a vossa vontade e não a minha. Sim, Redentor meu, cumpram-se, antes de mais nada e sobre todas as coisas, vossos perfeitíssimos desígnios e assim, e só assim, Vos será dada a eternidade!” maior glória nesta terra e por toda a eternidade. (Revista Arautos do Evangelho, Nov/2005, n. 47, p. 20 a 23) #SantodoDia
- São Francisco Xavier, Sacerdote jesuíta, padroeiro das Missões – 3 de Dezembro
SANTO DO DIA – 03 DE DEZEMBRO – SÃO FRANCISCO XAVIER Sacerdote jesuíta, padroeiro das Missões (1506-1552) A Igreja sempre se apoiou nos missionários para sua expansão no decorrer dos séculos. Primeiro foram os apóstolos que se espalharam pelo mundo após a ressurreição de Jesus. Durante o período do descobrimento, entre os séculos XV e XVI, o cristianismo encontrou nos missionários da Companhia de Jesus, os jesuítas, a forma de iniciar a evangelização nas Américas e no Oriente: Índia, Japão e China. Francisco Xavier, considerado o maior dos missionários jesuítas, foi o fundador dessas missões no Oriente. Nasceu no reino de Navarra, Espanha, em 7 de abril de 1506. Era filho de uma família nobre, que havia projetado para ele um futuro de glória e riqueza no mundo, matriculando-o, com dezoito anos, na Universidade de Paris. Mas não foi no campo terreno que ele se sobressaiu e sim no espiritual. Francisco formou-se em filosofia e lecionava na mesma universidade, onde conheceu um aluno bem mais velho e de ideias objetivas e tudo mudou. Tratava-se do futuro santo Inácio de Loyola, fundador dos jesuítas. Loyola sonhava formar uma companhia de apóstolos para a defesa e propagação do cristianismo no mundo. Viu em Francisco alguém capaz de ajudá-lo na empreitada e tentou conquistá-lo para a causa. Tarefa que se revelou nada fácil, por causa do orgulho e da ambição que Xavier tinha, projetadas em si por sua família. Loyola, enfim, convenceu-o com uma frase que lhe tocou a alma: ‘De que vale a um homem ganhar o mundo inteiro se perder sua alma?’ (Mc 8, 36). Francisco tomou-a como lema e nunca mais a abandonou, nem ao seu autor, Jesus Cristo. Os papéis se inverteram e Inácio passou a ser mestre de seu professor, ensinando-lhe o difícil caminho da humildade e dos exercícios espirituais. Francisco, por fim, se retirou por quarenta dias na solidão, preparando-se para receber a ordenação sacerdotal. Celebrou sua primeira missa com trinta e um anos e se tornou cofundador da Companhia de Jesus. Passou, então, a cuidar dos doentes leprosos, doença de então, segregados pela sociedade. Com outros companheiros, fixou-se, em 1537, em Veneza, onde recolhia das ruas e tratava aqueles a quem ninguém tinha coragem de recolher. Foi então que D. João III, rei de Portugal, pediu a Inácio de Loyola para organizar um grupo de sacerdotes que acompanhassem as expedições ao Oriente e depois evangelizassem as Índias. O grupo estava pronto e treinado quando um dos missionários adoeceu e Francisco Xavier decidiu tomar o seu lugar. O navio, com novecentos passageiros, entre eles Francisco Xavier, partiu de Lisboa com destino às Índias. Foi o início de uma viagem perigosíssima e cheia de transtornos, que demorou praticamente um ano. Durante todo esse tempo, Francisco trabalhou em todos os serviços mais humildes do navio. Era auxiliar de cozinha, faxineiro e enfermeiro. Finalmente, chegaram ao porto de Goa. Desde então, Francisco Xavier realizou uma das missões mais árduas da Igreja Católica. Ia de aldeia em aldeia, evangelizava os nativos, batizava as crianças e os adultos. Reunia as aldeias em grupos, fundava comunidades eclesiais e deixava outro sacerdote para tocar a obra, enquanto investia em novas frentes apostólicas noutra região. Acabou saindo das Índias para pregar no Japão, além de ter feito algumas incursões clandestinas na China. Numa delas, na ilha de Sacian, adoeceu e uma febre persistente o debilitou, levando-o à morte, em 3 de dezembro de 1552, com apenas quarenta e seis anos de idade. A Igreja o beatificou em 1619, canonizando-o em 1622. Celebrado no dia de sua morte, como exemplo do missionário moderno, são Francisco Xavier foi, com toda justiça, proclamado pela Igreja patrono das missões, e pelo trabalho tão significativo recebeu o apelido de ‘são Paulo do Oriente’. Texto: Paulinas Internet Com alegria, celebramos hoje a memória de São Francisco Xavier, padroeiro das missões juntamente com S. Teresinha do Menino Jesus. Que maravilha celebrar S. Francisco Xavier no meio do Advento! Por quê? Porque um missionário, na verdade, é quem causa o advento de Cristo na vida de outros. São Francisco Xavier, com 35 anos de idade, discípulo de Inácio de Loyola, foi enviado para o Oriente, às Índias, a fim de evangelizá-las. Em Goa, de colonização portuguesa, começou a ver que os cristãos que lá estavam viviam muito longe da amizade de Cristo. Longe de casa, de suas famílias e mulheres, esses aventureiros portugueses viviam uma vida tão devassa e tremenda que chegava a escandalizar os próprios pagãos. São Francisco Xavier põe então mãos à obra e começa a converter os próprios cristãos. E, nessa dinâmica espiritual de conversões, ele começa a tocar também o coração dos gentios. Seu trabalho estende-se pela Índia, acompanhado de portentos e milagres. De fato, no seu processo de canonização foram atestadas 24 ressurreições! Trata-se, realmente, de um missionário que evangelizou, como os primeiros Apóstolos, com sinais e prodígios. Mas esses sinais e prodígios eram somente um “dedo” que apontava para o grande mistério. Na Índia, diante de tantos milagres e portentos, os sacerdotes brâmanes procuram S. Francisco para que lhes revele o segredo por trás daquele poder. Os sacerdotes brâmanes, acostumados a pensar que tais poderes seriam sempre esotéricos (isto é, secretos e misteriosos), prometem a Francisco Xavier: “Se nos revelares o segredo, prometemos não contá-lo a ninguém mais”. S. Francisco Xavier respondeu: “Ora, pelo contrário: dir-vos-ei donde vem todo esse poder, que é de Jesus Cristo, e quero que o anuncieis a todo o mundo, porque o Evangelho há de ser proclamado sobre os telhados. Não o escondais, não escondais: antes, revelai-o a todos!” Os sacerdotes brâmanes, naturalmente, pensaram que Francisco os estaria caçoando porque, afinal de contas, se é tão precioso o Evangelho, não deveria estar à disposição de todos… Eis aqui uma característica do cristianismo, da Santa Igreja Católica: Nosso Senhor Jesus Cristo — poderíamos dizer — fundou o primeiro projeto educacional universal. Em outras culturas, a educação era sempre privilégio de uma elite; para nós, cristãos, conhecer a verdade é para todos, pois a verdade não deve ficar escondida, mas brilhar para todos. Todos precisam conhecer a verdade, aproximar-se do amor de Cristo! S. Francisco Xavier, que converteu e batizou milhares de pessoas, continuou sua evangelização até chegar ao Japão, onde fundou algumas comunidades na cidade de Nagasaki, em uma região que iria florescer em grandes mártires. Francisco Xavier morreu na China, diante daquele continente inexplorado, e até hoje estamos nós aqui a rezar e pedir a Deus que converta a China e dê àquele povo a verdade do Evangelho. CONHEÇA MAIS SOBRE SÃO FRANCISCO XAVIER Missionário como ninguém, operando os mais espetaculares milagres para converter povos inteiros para Jesus Cristo, Francisco Xavier imitou o Divino Mestre até o fim. Soprava com persistência o frio vento do norte e as ondas do oceano rompiam cada vez mais violentas naquela praia que parecia deserta. O céu, coberto de plúmbeas nuvens, escurecia rapidamente, prenunciando longa e tormentosa noite. Não muito longe da beira do mar, elevava-se uma mísera cabana, feita com algumas pranchas de madeira carcomida, cuja cobertura de palha seca era agitada pelo vento glacial. Dentro dela, estendido sobre uma esteira, um homem agonizava. Seu corpo exangue ardia consumido pela febre, mas seu olhar profundo e vivo espelhava um espírito de fogo, refletia a eternidade… Morria o Apóstolo do Oriente, Francisco Xavier. Início promissor No dia 6 de maio de 1542, aportava na remota e lendária Índia, depois de conturbada viagem de treze meses, o filho dileto de Santo Inácio de Loyola. As portas da Ásia abriam-se diante desse sacerdote de apenas 35 anos de idade. Seu primeiro campo de ação foi a cidade de Goa, principal colônia portuguesa no Oriente, onde os europeus esquecidos de sua missão civilizadora, dedicavam-se a um lucrativo comércio e se deixavam arrastar pela sensualidade e pelos vícios do mundo pagão. Em poucas semanas, fizeram-se sentir naquela cidade o benéfico efeito da ação de presença, das pregações e do ativo zelo do novo missionário: “Tantos eram os que vinham se confessar que, se eu fosse dividido em dez partes, todas elas precisariam atender confissões” – escreveu ele em setembro de 1542 aos jesuítas de Roma. “Num mês batizei mais de dez mil pessoas” Depois de passar alguns meses nessa cidade, rumou Francisco para terras ainda mais distantes. Toda a costa sul da península indiana foi percorrida por ele. E a partir de então, sua vida tornou-se um ininterrupto peregrinar por terras, mares e ilhas longínquas, alargando sem cessar as fronteiras do Reino de Jesus. Em carta de janeiro de 1544, disse ele a seus irmãos de vocação: “Tanta é a multidão dos que se convertem à fé de Cristo nesta terra por onde ando, que muitas vezes me acontece ter os braços cansados de tanto batizar (…). Há dias em que batizo todo um povoado”. Um ano depois, relatava novas maravilhas operadas por Deus naquelas paragens: “Notícias destas partes da Índia: faço-lhes saber que Deus nosso Senhor moveu muitos, num reino por onde ando, a se tornarem cristãos, de modo que num mês batizei mais de dez mil pessoas. (…) Depois de batizá-los, mando derrubar as casas onde tinham seus ídolos e ordeno que rompam as imagens dos ídolos em pequenas partes. Acabando de fazer isto num lugar, dirijo-me a outro, e deste modo vou de lugar em lugar fazendo cristãos”. No Império do Sol Nascente Assim, enfunadas as velas de sua alma pelo sopro do Espírito Santo, com heróica generosidade Francisco Xavier fez de sua existência um contínuo “fiat mihi secundum verbum tuum”, lançando- se sempre, de ousadia em ousadia, à conquista de mais almas, para a maior glória de Deus. Depois de ter percorrido o sul da Ásia durante dez anos, São Francisco Xavier veio falecer às portas da China Roteiro das viagens de São Francisco Xavier Certo dia, estando na cidade de Malaca, apresentaram-lhe um homem de olhos oblíquos e mirada inteligente, que havia percorrido centenas de milhas tendo por único intuito encontrar-se com o célebre e venerável ocidental que perdoava os pecados… Seu nome era Hashiro e sua terra natal, o Japão. Imediatamente, vislumbrou Francisco a riqueza que seria para a Igreja se o povo representado por esse intrépido neófito fosse santificado pelas águas do Batismo. Escreveu então a seu fundador, em janeiro de 1549: “Não deixaria eu de ir ao Japão pelo muito que tenho sentido dentro de minha alma, ainda que possuísse a certeza de que haveria de passar pelos maiores perigos da minha vida, porque tenho grande esperança em Deus Nosso Senhor que nessas terras há de crescer muito nossa santa fé. Não poderia descrever quanta consolação interior sinto em fazer esta viagem ao Japão”. Lutando contra adversidades de toda ordem, mais de dois anos passou Francisco no remotíssimo Império do Sol Nascente, fundando igrejas, anunciando a verdadeira fé a príncipes e nobres, a pobres camponeses e inocentes crianças. Em carta de novembro desse mesmo ano, declarou a seus irmãos residentes em Roma: “Pela experiência que temos do Japão, faço-lhes saber que seu povo é o melhor dos descobertos até agora”. Entretanto, tendo como objetivo conseguir mais missionários para essa promissora terra, partiu de volta à Índia, deixando no Japão, que não mais o veria, uma robusta e florescente cristandade. Sempre mais! Depois de ter percorrido o Extremo Oriente em todas as direções durante dez anos e levantado a Cruz no arquipélago nipônico, o coração de Francisco, insaciável da glória de Deus, lançou- se a conquistar novos povos para seu Rei e Senhor: a China seria agora sua grande meta. Pela importância do império chinês, por sua incalculável população e, sobretudo, seu prestígio e riqueza cultural, compreendeu que, se fizesse nele correr as águas batismais, a Ásia inteira se prostraria aos pés do Divino Redentor. “Este ano espero ir à China, pelo grande serviço a nosso Deus, que lá se poderá obter”, escreveu em janeiro de 1552 a seu pai, Inácio de Loyola. No mesmo ano, referindo-se a esta nação, comunicou a seus irmãos de vocação os anelos e esperanças de sua alma de missionário: “Vivemos com muita esperança de que, se Deus nosso Senhor nos der mais dez anos de vida, veremos grandes coisas nestas regiões. Pelos méritos infinitos da Morte e Paixão de Deus nosso Senhor, espero que Ele me dará a graça de fazer essa viagem à China”. A última viagem Retornando do Japão, pouco tempo se deteve o Pe. Francisco na Índia. Apenas o suficiente para atender as necessidades da Companhia de Jesus nessas terras e preparar a tão desejada viagem à China. Um dedicado amigo do infatigável missionário, chamado Diogo Pereira, empregou toda a sua fortuna fretando um navio, carregando-o com esplêndidos presentes para o imperador da China e adquirindo magníficos paramentos de seda e de damasco, e todo tipo de ricos ornamentos para celebrar a Santa Missa com toda a pompa, de modo a dar aos chineses noção da grandeza da verdadeira religião que lhes seria anunciada. Fisionomia de São Francisco, pintada em vida (Igreja do Gesù, Roma) Antes de viajar, o Santo escreveu ao Rei de Portugal, em abril de 1552: “Parto daqui a cinco dias para Malaca, que é o caminho da China, para ir dali, em companhia de Diogo Pereira, à corte do imperador da China. Levamos ricos presentes comprados por Diogo Pereira. E da parte de Vossa Alteza levo um que nunca foi enviado por nenhum rei nem senhor a esse imperador: a Lei verdadeira de Jesus Cristo nosso Redentor e Senhor”. Assim, no dia 17 de abril de 1552, embarcou na nave Santa Cruz para conquistar o império de seus sonhos “Desamparado de todo humano favor” No entanto, poucos dias de navegação haviam transcorrido, quando desencadeou- se terrível tempestade. A tripulação do navio, espantada com a violência dos elementos e tendo perdido qualquer esperança de salvação, pedia com grandes clamores o sacramento da Penitência. Francisco Xavier, imperturbável, recolheu-se em profunda oração. E imediatamente – assim como outrora à voz do Divino Salvador as águas do Lago de Genezaré haviam- se acalmado – o vento cessou de soprar e as ondas tornaram-se suaves e calmas pela fé e pelas preces desse humilde conquistador de impérios. Mas a partir deste momento, não cessaram os infernos de levantar obstáculos e contrariar a viagem. “Tende por certo e não duvideis que de modo algum quer o demônio que os da Companhia do nome de Jesus entrem na China” – escreveu ele em novembro de 1552 aos padres Francisco Pérez e Gaspar Barzeo. Chegando à cidade de Malaca, última escala antes de penetrar em águas chinesas, inopinadamente, o capitão português desse porto – que, aliás, devia seu cargo aos bons ofícios e recomendações de Francisco – impediu a continuação da viagem, alegando que só a ele caberia o comando de uma expedição à China… Tendo sido inúteis todas as súplicas e rogos, empregou Francisco Xavier um último recurso: apresentou a bula papal que o nomeava legado pontifício, a qual até então nunca havia utilizado, e exigiu a plena liberdade de viajar à China em nome do Papa e do Rei de Portugal. Além disso, anunciou ao obstinado capitão que incorreria em excomunhão se continuasse a impedir a partida do navio. Sem embargo, também isso foi inútil. A ambição e a cobiça desse infeliz levaram-no ao extremo de insultar e maltratar aquele peregrino da glória de Deus. Finalmente, após várias semanas de espera, a nave Santa Cruz pôde singrar as águas em direção à China, mas sob o comando de homens nomeados pelo capitão português, o qual morreu pouco tempo depois, excomungado e corroído pela lepra. Com o coração partido, Francisco revelou ao Pe. Gaspar Barzeo em julho de 1552: “Não podereis acreditar quanto fui perseguido em Malaca. Vou para as ilhas de Cantão, no império da China, desamparado de todo humano favor”. À espera do barco, olhando sem cessar para a meta. Sancião era o nome dado pelos portugueses à inóspita ilha de Shangchuan, situada a 180 quilômetros da cidade de Cantão. Nessa ilha, onde os navios europeus costumavam aportar para comerciar com os chineses, desembarcou o santo missionário em outubro de 1552. Esforçaram-se ali os portugueses por encontrar, entre os numerosos mercadores chineses, algum que se prontificasse a levá-lo a Cantão. Todos, porém, se escusavam, pois isso era vedado pelas leis imperiais, e os transgressores expunham- se a perder todos os haveres e até a própria vida. Por fim, um deles, decidido a correr o risco, se dispôs a transportar São Francisco numa pequena embarcação, mediante o pagamento de 200 cruzados. “Os perigos que corremos neste empreendimento são dois, segundo a gente da terra: o primeiro é que o homem que nos leve, depois de receber os duzentos cruzados, nos abandone numa ilha deserta ou nos jogue no mar; o segundo é que, chegando a Cantão, o governador nos mande para o suplício ou para o cativeiro” – escreveu Xavier ao Pe. Francisco Pérez. Esses perigos, porém, o infatigável apóstolo não os temia, pois seguro estava de que “sem a permissão de Deus, os demônios e seus asseclas nada podem contra nós”. Acompanhado de apenas dois auxiliares, um indiano e um chinês, ficou na Ilha de Sancião à espera do retorno do comerciante que se comprometera a transportá-lo. Celebrava diariamente ali o Santo Sacrifício do Altar, olhando sem cessar para o continente pelo qual com tanto ardor suspirava. Mas os dias e as semanas se passaram, e em vão aguardou Francisco a volta do chinês: este infelizmente nunca retornou. Últimas palavras de um santo As forças físicas do ardoroso missionário chegaram então ao termo. Uma altíssima febre o obrigou a recolher- se em sua improvisada cabana, onde, desamparado dos homens e padecendo frio, fome e toda classe de privações, deveria passar os últimos dias de sua heróica existência nesta terra de exílio. De Francisco Deus não queria a conversão da China, mas queria a sua alma (Morte de São Francisco, Igreja de São Pedro, Lima) Àquele varão que não conhecera o cansaço, àquele apóstolo que com sua palavra arrastava multidões, àquele taumaturgo que havia ultrapassado grandes obstáculos operando milagres portentosos, o Senhor do Céu e da Terra reservava a mais heróica e gloriosa das mortes: a exemplo de seu Mestre Divino, Francisco Xavier morreria no auge do abandono e da aparente contradição. Alguns dias antes de entregar seu espírito, entrou em delírio, revelando então a magnitude do holocausto que a Providência lhe pedia: falava continuamente da China, de seu veemente desejo de converter esse império e da glória que adviria para Deus se esse povo fosse atraído para a Santa Igreja Católica… E nas primeiras horas da madrugada de 3 de dezembro de 1552, Francisco Xavier expirou docemente no Senhor, sem uma queixa ou reclamação, divisando ao longe aquela China que não conseguira conquistar e que tanto havia desejado depositar aos pés de seu Rei, Nosso Senhor Jesus Cristo. Suas derradeiras palavras foram estas frases de um cântico de glória: In te, Domine, speravi. Non confundar in aeternum. Em Vós espero, Senhor. Não me abandoneis para sempre! A maior glória de Deus À primeira vista, sobretudo para quem não tem seu olhar habituado a contemplar os horizontes infindos da Fé, a vida de São Francisco Xavier parece, em certo sentido, frustrada. Quantas almas não se teriam salvo e quanta glória não haveria recebido a Santa Igreja se o imenso e super povoado império chinês houvesse sido evangelizado por este apóstolo de fogo! Entretanto, quando se encontrava ele, finalmente, às portas desta nação, depois de haver passado por dificuldades e combates de toda ordem, o chamado de Deus se fez ouvir: “Francisco, meu filho, cessa tua luta e vem a Mim!” Oh! mistério do Amor Infinito! De Francisco, Deus não queria a China… mas queria Francisco. E o intrépido conquistador respondeu, sem hesitar, como Jesus no Horto das Oliveiras: “Senhor, faça-se a vossa vontade e não a minha. Sim, Redentor meu, cumpram-se, antes de mais nada e sobre todas as coisas, vossos perfeitíssimos desígnios e assim, e só assim, Vos será dada a eternidade!” maior glória nesta terra e por toda a eternidade. (Revista Arautos do Evangelho, Nov/2005, n. 47, p. 20 a 23) #SantodoDia
- Homilia Diária | Os prazeres que nos tornam insensíveis
Sábado da 34.ª Semana do Tempo Comum A busca desordenada pelo prazer sensível e as vãs preocupações da vida procedem todas de um mesmo mal: julgamos insensatamente que encontraremos a felicidade perfeita neste mundo; por isso nos deixamos escravizar pela carne, que nos embota a inteligência, e perdemos a paz diante das contrariedades, que nos enchem de agitação. O remédio só pode ser a graça de Cristo, que nos recorda que o nosso coração foi feito para uma alegria não desta terra passageira, mas dum Céu de paz e gozo eternos. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este sábado, dia 2 de dezembro, e encerre ao nosso lado mais um ano litúrgico. Santo do Dia: Santa Viviana Evangelho (Lc 21,34-36) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Vigiai e orai para ficardes de pé ante o filho do homem! (Lc 21,36) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 34 “Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; 35 pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra. 36 Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar a tudo o que deve acontecer e para ficardes de pé diante do Filho do Homem”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Diária | Os prazeres que nos tornam insensíveis
Sábado da 34.ª Semana do Tempo Comum A busca desordenada pelo prazer sensível e as vãs preocupações da vida procedem todas de um mesmo mal: julgamos insensatamente que encontraremos a felicidade perfeita neste mundo; por isso nos deixamos escravizar pela carne, que nos embota a inteligência, e perdemos a paz diante das contrariedades, que nos enchem de agitação. O remédio só pode ser a graça de Cristo, que nos recorda que o nosso coração foi feito para uma alegria não desta terra passageira, mas dum Céu de paz e gozo eternos. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este sábado, dia 2 de dezembro, e encerre ao nosso lado mais um ano litúrgico. Santo do Dia: Santa Viviana Evangelho (Lc 21,34-36) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Vigiai e orai para ficardes de pé ante o filho do homem! (Lc 21,36) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 34 “Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; 35 pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra. 36 Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar a tudo o que deve acontecer e para ficardes de pé diante do Filho do Homem”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Santo do Dia – 02 de Dezembro – Santa Bibiana ou Viviana
SANTO DO DIA – 02 DE DEZEMBRO – SANTA BIBIANA OU VIVIANA Virgem e mártir (século IV) Na época em que Roma estava sob o poder o imperador Juliano, ‘o Apóstata’, aconteceu um dos últimos surtos de perseguição fatal aos cristãos, entre 361 e 363. O tirano, que já tinha renegado seu batismo e abandonado a religião, passou a lutar pela extinção completa do cristianismo. Começou substituindo todos os cristãos que ocupavam empregos civis por pagãos, tentando colocar os primeiros no esquecimento. Mas não parou por aí. Os mais populares e os mais perseverantes eram humilhados, torturados e, por fim, mortos. No ano 363, a família de Bibiana foi executada na sua presença, porque não renunciou à fé cristã. Flaviano, seu pai, morreu com uma marca na testa que o identificava como escravo. Defrosa, sua mãe foi decapitada. Ela e a irmã Demétria, antes, foram levadas para a prisão. A primeira a morrer foi Demétria, que perseverou na fé após severos suplícios na presença da irmã. Por último, foi o martírio de Bibiana, para a qual, conforme a antiga tradição, o governador local usou outra tática. Foi levada a um bordel de luxo para abandonar a religião ou ser prostituída. Mas os homens não conseguiam aproveitar-se de sua beleza, pois a um simples toque eram tomados por um surto de loucura. Bibiana, então, foi transferida para um asilo de loucos e lá ocorreu o inverso, os doentes eram curados. Sem renegar Cristo, foi entregue aos carrascos para ser chicoteada até a morte e o corpo jogado aos cães selvagens. Outro prodígio aconteceu nesse instante, pois os cães não o tocaram. Ao contrário, mantiveram uma distância respeitosa do corpo da mártir. Os seus restos, então, foram recolhidos pelos demais cristãos e enterrados ao lado dos familiares, num túmulo construído no monte Esquilino, em Roma. Finalmente, a perseguição sangrenta acabou. A história do seu martírio ganhou uma devoção dos fieis. Santa Bibiana passou a ser invocada contra os males de cabeça e as doenças mentais e a epilepsia. Seu túmulo tornou-se meta de peregrinação e o seu bonito nome escolhido na hora do batismo. Também a conhecida variação, não menos bela, de Viviana se tornou popular na cristandade. A veneração era tão intensa que o papa Simplício mandou construir sob sua sepultura uma pequena igreja dedicada a ela, no ano 407. O culto ganhou um reforço maior ainda quando, por volta de 1625, foi erguida sob as ruínas da antiga igreja uma basílica. Nela, as relíquias de santa Bibiana se encontram guardadas debaixo do altar-mor. Além de ser uma das padroeiras da belíssima cidade de Sevilha, na Espanha, santa Bibiana é, também, padroeira da diocese de Los Angeles, nos Estados Unidos. É celebrada no dia 2 de dezembro, considerado o de sua morte pela fé em Cristo. Texto: Paulinas Internet Santa Bibiana, Virgem e Mártir Durante o reinado do ímpio Juliano, Flaviano, prefeito, e Dafrosa, sua esposa, tornaram-se cristãos secretamente. Flaviano e Dafrosa tinham duas filhas: Bibiana e Demétria. Quando Juliano descobriu que o prefeito se tornara cristão, confiscou-lhe os bens e o exilou, enviando-o para as Águas Taurianas (ad aquas Taurianas), na Via Cláudia, distante seiscentas milhas de Roma. Quanto a Dafrosa, reduziu-a à fome, porque não consentiu em apostatar. As duas filhas foram levadas diante de Juliano. Demétria morreu de medo, mas Bibiana, mais calma, resistiu à entrevista, sendo, então confiada a uma ímpia mulher, chamada Rufina. Chicoteada cruelmente, quatro dias mais tarde, a vomitar sangue, entregou a alma a Deus. O corpo ficou dois dias exposto, depois do que foi sepultado ao lado do da mãe e do da irmã, por um padre João. A mais antiga menção que se conhece de Santa Bibiana e da igreja que tem o seu nome vem do Liber pontificalis: “No interior da cidade de Roma, perto do palácio de Liciniano, a basílica da bem-aventurada mártir Bibiana, onde seu corpo repousa”. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XX, p. 384)
- Santo do Dia – 02 de Dezembro – Santa Bibiana ou Viviana
SANTO DO DIA – 02 DE DEZEMBRO – SANTA BIBIANA OU VIVIANA Virgem e mártir (século IV) Na época em que Roma estava sob o poder o imperador Juliano, ‘o Apóstata’, aconteceu um dos últimos surtos de perseguição fatal aos cristãos, entre 361 e 363. O tirano, que já tinha renegado seu batismo e abandonado a religião, passou a lutar pela extinção completa do cristianismo. Começou substituindo todos os cristãos que ocupavam empregos civis por pagãos, tentando colocar os primeiros no esquecimento. Mas não parou por aí. Os mais populares e os mais perseverantes eram humilhados, torturados e, por fim, mortos. No ano 363, a família de Bibiana foi executada na sua presença, porque não renunciou à fé cristã. Flaviano, seu pai, morreu com uma marca na testa que o identificava como escravo. Defrosa, sua mãe foi decapitada. Ela e a irmã Demétria, antes, foram levadas para a prisão. A primeira a morrer foi Demétria, que perseverou na fé após severos suplícios na presença da irmã. Por último, foi o martírio de Bibiana, para a qual, conforme a antiga tradição, o governador local usou outra tática. Foi levada a um bordel de luxo para abandonar a religião ou ser prostituída. Mas os homens não conseguiam aproveitar-se de sua beleza, pois a um simples toque eram tomados por um surto de loucura. Bibiana, então, foi transferida para um asilo de loucos e lá ocorreu o inverso, os doentes eram curados. Sem renegar Cristo, foi entregue aos carrascos para ser chicoteada até a morte e o corpo jogado aos cães selvagens. Outro prodígio aconteceu nesse instante, pois os cães não o tocaram. Ao contrário, mantiveram uma distância respeitosa do corpo da mártir. Os seus restos, então, foram recolhidos pelos demais cristãos e enterrados ao lado dos familiares, num túmulo construído no monte Esquilino, em Roma. Finalmente, a perseguição sangrenta acabou. A história do seu martírio ganhou uma devoção dos fieis. Santa Bibiana passou a ser invocada contra os males de cabeça e as doenças mentais e a epilepsia. Seu túmulo tornou-se meta de peregrinação e o seu bonito nome escolhido na hora do batismo. Também a conhecida variação, não menos bela, de Viviana se tornou popular na cristandade. A veneração era tão intensa que o papa Simplício mandou construir sob sua sepultura uma pequena igreja dedicada a ela, no ano 407. O culto ganhou um reforço maior ainda quando, por volta de 1625, foi erguida sob as ruínas da antiga igreja uma basílica. Nela, as relíquias de santa Bibiana se encontram guardadas debaixo do altar-mor. Além de ser uma das padroeiras da belíssima cidade de Sevilha, na Espanha, santa Bibiana é, também, padroeira da diocese de Los Angeles, nos Estados Unidos. É celebrada no dia 2 de dezembro, considerado o de sua morte pela fé em Cristo. Texto: Paulinas Internet Santa Bibiana, Virgem e Mártir Durante o reinado do ímpio Juliano, Flaviano, prefeito, e Dafrosa, sua esposa, tornaram-se cristãos secretamente. Flaviano e Dafrosa tinham duas filhas: Bibiana e Demétria. Quando Juliano descobriu que o prefeito se tornara cristão, confiscou-lhe os bens e o exilou, enviando-o para as Águas Taurianas (ad aquas Taurianas), na Via Cláudia, distante seiscentas milhas de Roma. Quanto a Dafrosa, reduziu-a à fome, porque não consentiu em apostatar. As duas filhas foram levadas diante de Juliano. Demétria morreu de medo, mas Bibiana, mais calma, resistiu à entrevista, sendo, então confiada a uma ímpia mulher, chamada Rufina. Chicoteada cruelmente, quatro dias mais tarde, a vomitar sangue, entregou a alma a Deus. O corpo ficou dois dias exposto, depois do que foi sepultado ao lado do da mãe e do da irmã, por um padre João. A mais antiga menção que se conhece de Santa Bibiana e da igreja que tem o seu nome vem do Liber pontificalis: “No interior da cidade de Roma, perto do palácio de Liciniano, a basílica da bem-aventurada mártir Bibiana, onde seu corpo repousa”. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XX, p. 384)
- Homilia Diária | Qual o sentido de “céus e terra passarão”?
Sexta-feira da 34.ª Sem. do T. Comum Todas as obras de Deus proclamam a grandeza do seu amor e da sua sabedoria. Também nós, como criaturas saídas de suas mãos, somos uma palavra, uma expressão, ainda que limitada e parcial, de sua bondade infinita. Mas Ele não nos fez para que desaparecêssemos com os céus e a terra; Ele nos fez à sua imagem e semelhança, para que fôssemos luz, verdade e amor para os outros, iluminando e aquecendo os que estão ao nosso redor. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta sexta-feira, dia 1.º de dezembro, e peçamos a graça de sermos testemunhas do amor e da verdade de Cristo. Santo do Dia: Santo Elói Evangelho (Lc 21,29-33) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Levantai vossa cabeça e olhai, pois, a vossa redenção se aproxima! (Lc 21,28) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 29 Jesus contou-lhes uma parábola: “Olhai a figueira e todas as árvores. 30 Quando vedes que elas estão dando brotos, logo sabeis que o verão está perto. 31 Vós também, quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo que o Reino de Deus está perto. 32 Em verdade, eu vos digo: tudo isso vai acontecer antes que passe esta geração. 33 O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Diária | Qual o sentido de “céus e terra passarão”?
Sexta-feira da 34.ª Sem. do T. Comum Todas as obras de Deus proclamam a grandeza do seu amor e da sua sabedoria. Também nós, como criaturas saídas de suas mãos, somos uma palavra, uma expressão, ainda que limitada e parcial, de sua bondade infinita. Mas Ele não nos fez para que desaparecêssemos com os céus e a terra; Ele nos fez à sua imagem e semelhança, para que fôssemos luz, verdade e amor para os outros, iluminando e aquecendo os que estão ao nosso redor. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta sexta-feira, dia 1.º de dezembro, e peçamos a graça de sermos testemunhas do amor e da verdade de Cristo. Santo do Dia: Santo Elói Evangelho (Lc 21,29-33) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Levantai vossa cabeça e olhai, pois, a vossa redenção se aproxima! (Lc 21,28) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 29 Jesus contou-lhes uma parábola: “Olhai a figueira e todas as árvores. 30 Quando vedes que elas estão dando brotos, logo sabeis que o verão está perto. 31 Vós também, quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo que o Reino de Deus está perto. 32 Em verdade, eu vos digo: tudo isso vai acontecer antes que passe esta geração. 33 O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Santo Elói ou Elígio, bispo – 1 de Dezembro
SANTO DO DIA – 01 DE DEZEMBRO – SANTO ELOI OU ELÍGIO Bispo (588-660) Bispo, escultor, modelista, marceneiro e ourives, Elói ou Elígio foi um artista e religioso completo. Nasceu na cidade de Chaptelat, perto de Limoges, em 588, na França. Seus pais, de origem franco-italiana, eram modestos camponeses cristãos com princípios rígidos de honestidade e lealdade, transmitidos com eficiência ao filho. Com sabedoria e muito sacrifício, fizeram questão que ele estudasse, pois sua única herança seria uma profissão. Assim foi que, na juventude, Elói ingressou na escola de ourives de Limoges, a mais conceituada da Europa da época e respeitada ainda hoje. Ao se formar mestre da profissão, já era afamado pela competência, integridade e honestidade. Tinha alma de monge e de artista, fugia dos gastos com jogos e diversões. Tudo dispendia com os pobres. Levava uma vida austera e de oração meditativa, ganhando o apelido de ‘o Monge’. Conta-se que sua fama chegou à Corte e aos ouvidos do rei Clotário II, em Paris. Ele decidiu contratar Elói para fazer um trono de ouro e lhe deu a quantidade do metal que julgava ser suficiente. Mas, com aquela quantidade, Elói fez dois tronos e entregou ambos ao rei. Admirado com a honestidade do artista, ele o convidou para ser guardião e administrador do tesouro real. Assim, foi residir na Corte, em Paris. Elói assumiu o cargo e também o de mestre dos ourives do rei. E assim se manteve mesmo depois da morte do soberano. Quando o herdeiro real assumiu o trono, como Dagoberto II, quis manter Elói na corte como seu colaborador, pois lhe tinha grande estima. Logo o nomeou um de seus conselheiros e embaixador, devido à confiança em suas virtudes. Elói também realizou obras de arte importantes, como o túmulo de são Martinho de Tours, o mausoléu de são Dionísio em Paris, o cálice de Cheles e outros trabalhos artísticos de cunho religioso. Além disso, e acima de tudo, Elói era um homem religioso, não lhe faltou inspiração para grandes obras beneméritas e na arte de dedicar-se ao próximo, em especial aos pobres e abandonados. O dinheiro que recebia pelos trabalhos na Corte, usava-o todo para resgatar prisioneiros de guerra, fundar e reconstruir mosteiros masculinos e femininos, igrejas e para contribuir com outras tantas obras para o bem estar espiritual e material dos mais necessitados. Em 639, o rei Dagoberto II morreu. Elói, então, ingressou para a vida religiosa. Dois anos depois, era consagrado bispo de Noyon, na região de Flandres. Foi uma existência totalmente empenhada na campanha da evangelização e reevangelização, no norte da França, Holanda e Alemanha, onde se tornou um dos principais protagonistas e se revelou um grande e zeloso pastor a serviço da Igreja de Cristo. Durante os últimos dezenove anos de sua vida, Elói evitou o luxo e viveu na pobreza e na piedade. Foi um incansável exemplo de humildade, caridade e mortificação. A região de sua diocese estava entregue ao paganismo e à idolatria. Com as pregações de Elói e suas visitas a todas as paróquias, o povo foi se convertendo até que, um dia, todos estavam batizados. Morreu no dia 1º de dezembro de 660, na Holanda, durante uma missão evangelizadora. A história da sua vida e santidade se espalhou rapidamente por toda a França, Itália, Holanda e Alemanha, graças ao seu amigo bispo Aldoeno que escreveu sua biografia. A Igreja o canonizou e autorizou o seu culto, um dos mais antigos da cristandade. A festa de santo Elói ou Elígio, padroeiro dos joalheiros e ourives, ocorre na data de sua morte. Entretanto ele é celebrado também como padroeiro dos cuteleiros, ferreiros, ferramenteiros, celeiros, comerciantes de cavalos, carreteiros, cocheiros, garagistas e metalúrgicos. Texto: Paulinas Internet #SantodoDia
- Santo Elói ou Elígio, bispo – 1 de Dezembro
SANTO DO DIA – 01 DE DEZEMBRO – SANTO ELOI OU ELÍGIO Bispo (588-660) Bispo, escultor, modelista, marceneiro e ourives, Elói ou Elígio foi um artista e religioso completo. Nasceu na cidade de Chaptelat, perto de Limoges, em 588, na França. Seus pais, de origem franco-italiana, eram modestos camponeses cristãos com princípios rígidos de honestidade e lealdade, transmitidos com eficiência ao filho. Com sabedoria e muito sacrifício, fizeram questão que ele estudasse, pois sua única herança seria uma profissão. Assim foi que, na juventude, Elói ingressou na escola de ourives de Limoges, a mais conceituada da Europa da época e respeitada ainda hoje. Ao se formar mestre da profissão, já era afamado pela competência, integridade e honestidade. Tinha alma de monge e de artista, fugia dos gastos com jogos e diversões. Tudo dispendia com os pobres. Levava uma vida austera e de oração meditativa, ganhando o apelido de ‘o Monge’. Conta-se que sua fama chegou à Corte e aos ouvidos do rei Clotário II, em Paris. Ele decidiu contratar Elói para fazer um trono de ouro e lhe deu a quantidade do metal que julgava ser suficiente. Mas, com aquela quantidade, Elói fez dois tronos e entregou ambos ao rei. Admirado com a honestidade do artista, ele o convidou para ser guardião e administrador do tesouro real. Assim, foi residir na Corte, em Paris. Elói assumiu o cargo e também o de mestre dos ourives do rei. E assim se manteve mesmo depois da morte do soberano. Quando o herdeiro real assumiu o trono, como Dagoberto II, quis manter Elói na corte como seu colaborador, pois lhe tinha grande estima. Logo o nomeou um de seus conselheiros e embaixador, devido à confiança em suas virtudes. Elói também realizou obras de arte importantes, como o túmulo de são Martinho de Tours, o mausoléu de são Dionísio em Paris, o cálice de Cheles e outros trabalhos artísticos de cunho religioso. Além disso, e acima de tudo, Elói era um homem religioso, não lhe faltou inspiração para grandes obras beneméritas e na arte de dedicar-se ao próximo, em especial aos pobres e abandonados. O dinheiro que recebia pelos trabalhos na Corte, usava-o todo para resgatar prisioneiros de guerra, fundar e reconstruir mosteiros masculinos e femininos, igrejas e para contribuir com outras tantas obras para o bem estar espiritual e material dos mais necessitados. Em 639, o rei Dagoberto II morreu. Elói, então, ingressou para a vida religiosa. Dois anos depois, era consagrado bispo de Noyon, na região de Flandres. Foi uma existência totalmente empenhada na campanha da evangelização e reevangelização, no norte da França, Holanda e Alemanha, onde se tornou um dos principais protagonistas e se revelou um grande e zeloso pastor a serviço da Igreja de Cristo. Durante os últimos dezenove anos de sua vida, Elói evitou o luxo e viveu na pobreza e na piedade. Foi um incansável exemplo de humildade, caridade e mortificação. A região de sua diocese estava entregue ao paganismo e à idolatria. Com as pregações de Elói e suas visitas a todas as paróquias, o povo foi se convertendo até que, um dia, todos estavam batizados. Morreu no dia 1º de dezembro de 660, na Holanda, durante uma missão evangelizadora. A história da sua vida e santidade se espalhou rapidamente por toda a França, Itália, Holanda e Alemanha, graças ao seu amigo bispo Aldoeno que escreveu sua biografia. A Igreja o canonizou e autorizou o seu culto, um dos mais antigos da cristandade. A festa de santo Elói ou Elígio, padroeiro dos joalheiros e ourives, ocorre na data de sua morte. Entretanto ele é celebrado também como padroeiro dos cuteleiros, ferreiros, ferramenteiros, celeiros, comerciantes de cavalos, carreteiros, cocheiros, garagistas e metalúrgicos. Texto: Paulinas Internet #SantodoDia
- Santo André, Apóstolo- 30 de Novembro
SANTO DO DIA – 30 DE NOVEMBRO – SANTO ANDRÉ Apóstolo (século I) Entre os Doze apóstolos de Cristo, André foi o primeiro a ser seu discípulo. Além de ser apontado por eles próprios como o ‘número dois’, depois, somente, de Pedro. Na lista dos apóstolos, pela ordem está entre os quatro primeiros. Morava em Cafarnaum, era discípulo de João Batista, filho de Jonas de Betsaida, irmão de Simão-Pedro e ambos eram pescadores no mar da Galiléia. Foi levado por João Batista à verde planície de Jericó, juntamente com João Evangelista, para conhecer Jesus. Ele passava. E o visionário profeta indicou-o e disse a célebre frase: ‘Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo’. André, então, começou a segui-lo. A seguir, André levou o irmão Simão-Pedro a conhecer Jesus, afirmando: ‘Encontramos o Messias’. Assim, tornou-se, também, o primeiro dos apóstolos a recrutar novos discípulos para o Senhor. Aparece no episódio da multiplicação dos pães: depois da resposta de Filipe, André indica a Jesus um jovem que possuía os únicos alimentos ali presentes: cinco pães e dois peixes. Pouco antes da morte do Redentor, aparece o discípulo André ao lado de Filipe, como um de grande autoridade. Pois é a ele que Filipe se dirige quando certos gregos pedem para ver o Senhor, e ambos contaram a Jesus. André participou da vida publica de Jesus, estava presente na última ceia, viu o Cristo Ressuscitado, testemunhou a Ascenção e recebeu o primeiro Pentecostes. Ajudou a sedimentar a Igreja de Cristo a partir da Palestina, mas as localidades e regiões por onde pregou não sabemos com exatidão. Alguns historiadores citam que depois de Jerusalém foi evangelizar na Galiléia, Cítia, Etiópia, Trácia e, finalmente, na Grécia. Nessa última, formou um grande rebanho e pôde fundar a comunidade cristã de Patras, na Acaia, um dos modelos de Igreja nos primeiros tempos. Mas foi lá, também, que acabou martirizado nas mãos do inimigo, Egéas, governador e juiz romano local. André ousou não obedecer à autoridade do governador, desafiando-o a reconhecer em Jesus um juiz acima dele. Mais ainda, clamou que os deuses pagãos não passavam de demônios. Egéas não hesitou e condenou-o à crucificação. Para espanto dos carrascos, aceitou com alegria a sentença, afirmando que, se temesse o martírio, não estaria ‘pregando a grandeza da cruz, onde morreu Jesus’. Ficou dois dias pregado numa cruz em forma de ‘X’; antes, porém, despojou-se de suas vestes e bens, doando-os aos algozes. Conta a tradição que, um pouco antes de André morrer, foi possível ver uma grande luz envolvendo-o e apagando-se a seguir. Tudo ocorreu sob o império de Nero, em 30 de novembro do ano 60, data que toda a cristandade guarda para sua festa. O imperador Constantino trasladou, em 357, de Patos para Constantinopla, as relíquias mortais de santo André, Apóstolo. Elas foram levadas para Roma, onde permanecem até hoje, na Catedral de Amalfi, só no século XIII. Santo André, Apóstolo, é celebrado como padroeiro da Rússia e Escócia. Texto: Paulinas Internet Santo André, Apóstolo Todos os anos, o início do ano litúrgico é marcado pela proximidade da festa de S. André. Irmão de Pedro, S. André é chamado protocletos — “o primeiro chamado” —, porque, no Evangelho de S. João, o vemos entre os discípulos do Batista, que apontou para Jesus e disse: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, o que fez André ir, junto com o discípulo amado, ao encontro de Cristo. E Jesus, como notasse que o seguiam, perguntou-lhes: “Que procurais?” Eles responderam: “Mestre, onde moras?”, e Jesus lhe disse: “Vinde e vede”. Esse foi o momento do encontro de André com Jesus, encontro que se faz contagiante: André vai então à procura de Pedro para dar a notícia: “Encontramos o Messias!” Foi André, portanto, quem chamou Pedro para conhecer Jesus. O Evangelho de hoje, porém, simplifica essa história, centrando-se no momento decisivo em que os dois irmãos pecadores se encontram com Jesus e, por isso, deixam tudo para o seguir. O Evangelho narra: “Quando Jesus andava à beira do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse a eles: ‘Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens’. Eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram” (v. 18s). A reação ao chamado foi imediata, mas houve antes uma gestação, um conhecimento de Jesus que os tornou dispostos a tudo deixar para ser pescadores de homens. O que significa “pescador de homem”? Ora, o que faz o pescador? O pescador mata o peixe. Simples assim. O pescador tira o peixe de seu ambiente natural, que é a água, e então ele morre. O pescador de homem, ou seja, o apóstolo, é chamado a tirar as almas de seu ambiente, por assim dizer, “natural”, que não é bem a natureza, mas o ambiente mundano . É necessário morrer para o mundo, a fim de nascer para o Céu. Jesus o dirá claramente aos seus Apóstolos na Última Ceia. Ao rezar por eles, diz: “Sim, eles estão no mundo, mas eles não são do mundo”: eles foram tirados, pescados, porque Jesus é o maior pescador de homens. Passando à beira do lago da Galileia, Ele pescou André e Pedro, também Tiago e João, e os tirou do ambiente mundano para que o seguissem. Vemos aqui aquele “deixar tudo” de André e Pedro. Vemos acontecer ali a própria pescaria, que acontece quando, depois de ouvir a Palavra de Deus — ouvir homilias ou pregações, participar de retiros etc. —, a pessoa finalmente enxerga: “Eu não me pertenço. Eu não sou dono de mim; eu sou dele, de Jesus”. Esse “deixar tudo” não quer dizer deixar mulher e filhos, esposo e vida (para os que já são casados). Não, nada disso. Quer dizer tomar consciência e, a partir de agora, viver na realidade: “Eu estou no mundo, mas não sou do mundo; eu não me pertenço, porque eu fui pescado e, agora, é minha vez de ser pescador de outros”. Conheça mais sobre Santo André Eis que envio o meu anjo ante a tua presença, o qual preparará o teu caminho diante de ti. Voz do que clama no deserto; Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. E apareceu João Batista no deserto, pregando o batismo de penitência, para remissão dos pecados. Um dia, João, com dois discípulos, eis o que tira os pecados do mundo. Ouvindo aquelas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus. O Senhor, voltando-se para trás, e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: – Que buscai vós? – Responderam-lhe, perguntando: – Mestre, onde habitas? – Disse-lhe Jesus: – Vinde ver. Foram e viram onde habitava, e ficaram com Ele aquele dia. Ora, André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que haviam ouvido o que João Batista dissera e seguira Jesus. André, encontrando-se com o irmão Simão, disse-lhe: – Encontramos o Messias. E levou-o ao Senhor Jesus. Nosso Senhor, ficando em Simão o olhar, disse-lhe: – Tu és Simão, filho de Jonas. Serás chamado Cefas. Eis como André levou o irmão a Jesus, aquele sobre o qual seria edificada a igreja do Mestre. E que belo par de irmãos! Eram eles então discípulos de Jesus, mas não o seguiam ainda habitualmente. Ora, diz o Evangelho que, passando Jesus ao longo do mar da Galiléia, viu Simão e André que lançavam a rede, pois eram pescadores. Aproximando-se dos dois, Jesus disse-lhe: – Segui-me, e eu vos farei pescadores de homens. No mesmo instante, abandonaram ambos as redes e seguiram o Senhor. E, tendo passado um pouco adiante donde então estiveram, viram Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão,que estavam também numa barca, consertando as redes. Chamou-os, e eles, deixando na barca o pai, Zebedeu, com os jornaleiros, seguiram o Senhor. Depois foram a Cafarnaum e à Sinagoga. Logo que deixaram a Sinagoga, foram à casa de Simão e André com Tiago e João. Ora, a sogra de Simão estava de cama, com febre. A Jesus falaram a respeito dela. Aproximando-se, o Senhor tomou-a pela mão e levantou-a. Imediatamente, deixou-a a febre e pôs-se a servi-los, solícita e lépida. De tarde, sendo o sol já posto -porque era um dia de sábado e os judeus nada faziam antes desta hora – trouxeram a Jesus todos os enfermos e possessos. Toda a cidade estava reunida diante da porta. O Senhor, impondo as mãos ora neste, ora naquele, já naquele outro, ia a todos curando e expelindo muitos demônios, de maneira que cumpria o que fora dito pelo profeta Isaías: Tomou para si as nossas fraquezas, e está carregado de nossas enfermidades. Os demônios, saindo do corpo de muitos, gritavam, dizendo: – Vós, sois o Cristo, o Filho de Deus. Mas o Senhor, ameaçando-os, não lhes permitia dizer que o conheciam, porque, sendo o diabo o pai da mentira, Jesus não lhe queria o testemunho, mesmo verdadeiro. No dia seguinte, levantando-se o Mestre muito antes do amanhecer, saiu, e foi a um lugar solitário. E lá fazia orações. Simão e os demais foram procurá-los. E, tendo-o encontrado, disseram-lhe: – Todos te procuram. Respondeu-lhes Jesus: – Vamos para outra parte, para as aldeias vizinhas, a fim de que eu também lá pregue, pois para isso é que vim. E andava pregando nas sinagogas e por toda a Galiléia. E pregando o Evangelho do reino de Deus, curava todas as enfermidades entre o povo. A fama espalhou-se por toda a Síria; traziam-lhe todos os que tinham algum mal, possuídos de vários achaques e dores, e os possessos, os lunáticos, os paralíticos: a todos curava-os Jesus. Grandes multidões de povo, da Galiléia, e da Decápolis, e de Jerusalém, e da Judéia, e do país de além do Jordão, o seguiam. Ora,, comprimindo-se as multidões em volta do Senhor para ouvir a palavra de Deus, como estavam junto ao lago de Genezaré, viu Ele duas barcas que estacionavam à margem. Os pescadores haviam saído e lavavam as redes. Entrando numa dessas barcas – que era a de Simão – rogou-lhe se afastasse um pouco da terra. E, estando sentado, ensinava o povo, da barca. Quando acabou de falar, disse a Simão: – Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. Respondendo Simão, disse-lhe: – Mestre, tendo trabalhado toda a noite, não apanhamos nada. Mas, sobre a tua palavra lançarei a rede. Tendo feito aquilo, apanharam tão grande quantidade de peixes, que a rede se rompia. Então, fizeram sinal aos companheiros que estavam na outra barca, para que lá fossem ajudá-los. Assim foi, e encheram tanto ambas as embarcações que quase se afundavam. Simão Pedro, vendo aquilo, lançou-se aos pés de Jesus, dizendo: – Retira-te de mim, Senhor, pois eu sou um homem pecador. Porque, tanto ele como todos os que se encontravam com ele ficaram possuídos de espanto, por causa da pesca que haviam feito. O mesmo acontecera a Tiago e a João, filhos ambos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus olhou-os, e disse a Simão: – Não tenhas medo: desta hora em diante serás pescador de homens. E, trazidas as barcas para terra, deixando tudo, seguiram a Jesus. Antes, como viviam da pesca, às vezes à faina do mar retornavam. Talvez pescassem à noite e seguissem o Mestre durante o dia. Depois daquela pesca miraculosa, porém, deixaram-na definitivamente, e não só ao labor, mas a tudo – o que dá a entender a vocação última e definitiva: ligar-se ao Mestre inseparavelmente. Mais tarde, tendo convocado os doze discípulos, deu-lhes Jesus poder sobre os espíritos imundos, para os expelirem, e curarem todas as doenças e todos os achaques. E eram os doze Simão, chamado Pedro, e André seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem entregou o Mestre. Jesus instruindo-os, disse-lhes: – Não vades agora para entre os gentios, nem entreis nas cidades dos samaritanos. Ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel. E, pondo-vos a caminho, pregai, dizendo: “Está próximo o reino dos céus.” Continuando, disse-lhes: – Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expedi os demônios. Daí graça o que de graça recebestes. E dizia mais: – Não queirais trazer nas vossas cinturas bem curo, bem rata, nem dinheiro, nem alforje para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão – porque o operário é digno do seu alimento. E acrescentou: – Em qualquer cidade ou aldeia, logo ao entrardes, informai-vos de quem há nela digno de vos receber, e ficai aí até que vos retireis. Ao entrardes na casa, saudai-a, dizendo: A paz esteja nesta casa. Se aquela casa for digna, descerá sobre ela a vossa paz. Se não for digna, a vossa paz retornará para vós. Se não vos receberem nem ouvirem as vossas palavras, ao sair para fora daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo: será menos punida no dia do juízo a terra de Sodoma e Gomorra, do que aquela cidade. Eis que eu vos mando como ovelhas no meio dos lobos. Sede pois prudentes como serpentes, e simples como pombas. Antes de enviar os apóstolos por toda a terra, Jesus enviou-os à Judéia, para que ali fizessem uma espécie de noviciado, como num seminário. De volta daquela missão, reunidos a Ele, contaram-lhe o que haviam feito e ensinado. E Jesus lhes disse: – Vinde à parte, a um lugar solitário, e descansai um pouco. Porque eram muitos os que iam e vinham, e nem tinham tempo para comer. Entrando, pois, numa barca, retiraram-se à parte, a um lugar solitário. Muitos, porém, os viram partir e souberam para onde iam. E para lá foram, ao solitário lugar, a pé. Antes de Jesus e dos Apóstolos mesmo chegarem, já uma grande multidão os aguardava. E era gente de todas as cidades. Jesus teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor, e começou a ensinar-lhes muitas coisas. Fazendo-se tarde, chegaram a Ele os discípulos e disseram-lhe: – Este lugar é solitário e a hora é já adiantada: despede-os, a fim de que possam ir às quintas e povoados próximos e comprem alguma coisa para comer. Perguntou Jesus a Filipe: – Onde compraremos nós pão, para dar de comer a esta gente? O Mestre, porém, assim dizia para o discípulo experimentar, porque sabia o que havia de fazer. Respondeu-lhe Filipe: – Senhor, duzentos dinheiros de pão não bastam para que cada um receba um pequeno bocado. Um dos discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse: – Está aqui um jovem, que tem cinco pães de cevada e dois peixes, mas que é isso para tanta gente? Jesus, porém, disse: – Mandai sentar essa gente. Havia muita erva naquele lugar. Sentaram-se, pois, os homens, em número de cinco mil. E Jesus, tomando os pães do jovem que os trazia, dando graças, distribuiu-os entre os que estavam recostados e igualmente os peixes, quanto eles queriam. Estando assim todos saciados, disse o Senhor aos discípulos: – Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca. Eles os recolheram, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido. E aqueles homens, vendo o milagre que Jesus fizera, diziam: – Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo. Durante as últimas festas da Páscoa estava Jesus em Jerusalém. Ora, havia alguns gregos, daqueles que tinham ido adorar a Deus no dia da festa: aproximaram-se de Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e fizeram-lhe este pedido, dizendo: – Senhor, desejamos ver a Jesus. Foi Filipe e disse-o a André. André e Filipe disseram-no a Jesus. E Jesus, respondeu-lhes: – Chegou a hora em que o Filho do homem será glorificado. Em verdade, em verdade vos digo que se o grão de trigo, que cai na terra, não morrer, fica infecundo. Mas, se morrer, produz muito fruto. O que ama a sua vida, perde-la-á, e quem aborrece a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me serve, siga-me. E onde eu estou, estará ali também o que me serve. Se alguém me servir, meu Pai o honrará. Agora minha alma está turbada. E que direi eu? Pai, livra-me desta hora. Mas é para isso que eu cheguei a esta hora. Pai glorifica o teu nome. Então veio do céu esta voz: Eu glorifiquei e glorificarei novamente. Ora, o povo que ali estava e ouvira, dizia: – Foi um trovão! E outros: – Um anjo lhe falou. Jesus respondeu: – Esta voz não veio por amor de mim, mas veio por amor de vós. Agora é o juízo deste mundo. Agora será lançado fora o príncipe deste mundo. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim. Dizia isto para designar de que morte havia de morrer. Nos gentios que o queriam ver, Jesus fixou imediatamente o pensamento: devia ser o fruto de sua morte. Os grandes profetas e as grandes profecias estão lhe presentes. O pequeno voi o grande. O que os magos haviam começado na sua infância, no presépio, que era a conversão dos gentios em suas pessoas mesmas, continuava ainda pelo tempo de sua morte. E o Salvador, notando nos gentios o desejo de o ver, com o dos judeus em o perder, via, ao mesmo tempo, naquilo, o principiar do grande mistério da vocação de uns, pela cegueira e reprovação de outros. Por isso disse: Chegou a hora em que o Filho do homem será glorificado.Vem os gentios, e seu reino estender-se-á por toda a terra. E via mais, e mais longe. Via, segundo os profetas antigos, que seria pela morte que devia conquistar novo povo e a numerosa posteridade que lhe fora prometida. Foi depois de ter dito: Perfuraram meus pés e minhas mãos, que Davi acrescentou: Todas as nações converter-se-ão ao Senhor. E Isaías: Se o grão de trigo, que cai na terra, não morrer, fica infecundo. Mas se morrer, produz muito fruto. É assim que vemos nas palavras de Jesus o verdadeiro comentário e a verdadeira explicação das profecias. Agora minha alma está turbada: eis o começo da agonia, daquela agonia que devia sofrer no Jardim das Oliveiras; do combate interior que devia combater contra o suplício, contra o Pai, por assim dizer, contra si mesmo. E que direi eu? Pai, livra-me desta hora. Mas não, era para isso que chegara aquela hora. Pai, glorifica o teu nome. É pelo devotamento ao Pai que lançará fora o príncipe deste mundo, e que, do alto da cruz, atrairá todas as coisas. Jesus, saindo do templo onde havia pregado dizendo-lhe alguns, a respeito do templo, que estava ornado de belas pedras e de ricas ofertas, disse: – De tudo isto que vedes, virão dias em que não ficará pedra sobre pedra, que não seja demolida. Quando estavam sobre o Monte das Oliveiras, descortinando-se o templo, abordaram-nos os discípulos em particular, e Pedro, Tiago, João e André perguntaram-lhe: – Mestre, quando acontecerão estas coisas, e que sinal haverá, quando estiverem para acontecer? Os apóstolos, na pergunta, confundiam a ruína de Jerusalém, a de todo o universo e o fim dos séculos, o que levou a Jesus a lhes falar: – Quando ouvirdes falar de guerras e de tumultos, não vos assusteis. Estas coisas devem suceder primeiro, mas não será logo o fim. De resto, havia para tal uma razão profunda, uma vez que Jerusalém e o templo eram imagem do universo. A ruína de um era naturalmente a figura da ruína de outro. Depois da ressurreição, estando Jesus com os apóstolos à mesa, ordenou-lhes se não afastassem de Jerusalém. Que esperassem a promessa do Pai: – A que ouvistes, disse Ele da minha boca. Porque João na verdade batizou em água, mas vós seres batizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias. Então, os que se tinham congregado interrogavam-no dizendo: – Senhor, porventura chegou o tempo em que ides restabelecer o reino de Israel? Ele lhes disse: – Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai reservou ao seu poder. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e me sereis testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia, na Samaria e até as extremidades da terra. Levou-os para fora, e até perto de Betânia. E, levantando as mãos, abençoou-os. Ora, aconteceu que, enquanto os abençoava, separou-se deles, e elevava-se ao céu. E uma nuvem ocultou-o do olhar de todos. Como estivessem olhando para o céu, quando Ele ia subindo, eis que se apresentaram junto deles dois personagens vestidos de branco, os quais lhe disseram: – Homens da Galiléia, porque estais aí parados olhando para o céu? Esse Jesus que, separando-se de vós, foi arrebatado ao céu, virá do mesmo modo que o vistes ir para o céu. Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras que está perto de Jerusalém, à distância da jornada de um sábado, cheios de júbilo. Logo que chegaram, subiram ao cenáculo, onde permaneciam habitualmente Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelador, e Judas, irmão de Tiago. Todos estes perseveraram unanimemente em oração, com as mulheres, e com Maria, Mãe de Deus, e com os irmãos dele. Quando se completaram os dias do Pentecostes, estavam todos juntos no mesmo lugar. E, de repente, veio do céu um estrondo, como de vento que soprava impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. E, apareceram-lhes repartidas uma como línguas de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Foram todos cheios do Espírito Santo, e começaram a falar várias línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Viera-lhes prometido. Agora era ir e ensinar a todas as nações, batizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Deus estaria com eles todos os dias, até a consumação dos séculos. Segundo os esclarecimentos dos Doutores da Igreja, o apóstolo Santo André pregou o Evangelho na Cítia, na Sogdiana, na Cólquida, na Grécia, particularmente no Épiro, e terminou a vida pelo martírio em Patras, na Acaia. A igreja conta-nos as circunstâncias: Assim como o irmão, o chefe dos Apóstolos, teve a glória de ser crucificado, como o mestre fora. Como pregava em Patras o mistério da cruz e convertia multidões, o procôncul Egéias, encolerizado, disse-lhes: – Cessa de louvar Cristo, porque discursos semelhantes não o impediram de ser morto na cruz pelos judeus. André replicou, calmamente: – Cristo ofereceu-se livremente para ser crucificado, senhor. Morreu para salvar o gênero humano, a todos nós resgatando. O procônsul sorriu: – Trata mas é de salvar a vida, sacrificando aos ídolos. – Só sacrifício, e todos os dias, respondeu o apóstolo ao Deus Todo-poderoso, que é um só e verdadeiro. Sacrifico sobre o altar, não a carne dos touros, nem o sangue dos bodes, mas o Cordeiro sem mancha, o Cordeiro que, depois de ter sido imolado e comido por todo o povo, pelos fiéis, continua sempre inteiro e vivo. Egéias, encolerizadíssimo, chamou alguns homens da guarda e gritou: – Agarrai este homem que me não dá sossego! Masmorra com ele! O povo, facilmente, tê-lo-ia livrado tão exaltado estava, mas André suplicou-lhe, todo doçura. Não, que não o privassem do martírio, da glória do martírio! O procônsul, diante do qual André novamente exaltara o mistério da cruz, condenou-o à crucifixão. Para imitar o Cristo. Levado ao lugar do suplício, André gritou, todo êxtase, assim que viu o madeiro: -Ó Cruz belíssima que foste glorificada pelo contato que tivesse do corpo de Cristo, cruz longa, docemente desejada, ardentemente querida, sempre procurada, e enfim preparada para o meu coração apressado, de ti desejoso! Recolhe-me , abraça-me, retira-me dentre os homens, leva-me depressa, diligentemente ao Mestre querido! Por ti Ele me receberá, Ele que, por ti, a mim resgatou! Foi, pois, levado à cruz o Apóstolo. E nela ficou por dois dias. Foram dois dias maravilhosos para André. André do alto do lenho, não cessava de pregar a fé em Cristo, aquele Cristo a quem desejara imitar na morte. E, levantando os olhos para o alto, para o céu, naquele céu em que o Mestre o aguardava, dizia: – Senhor, réu eterno da glória, recebei-me, assim pendido como estou ao madeiro, à cruz tão doce! Vós sois meu Deus! Oh, vós, a quem vi! Não permitais me desliguem da cruz! Fazei isto por mim, por mim, senhor, que conheci a virtude de vossa santa cruz! Foi nessa maravilhosa disposição que o Apóstolo entregou a alma ao Senhor. As relíquias de Santo André foram transferidas, primeiramente para Constantinopla e mais tarde para Amalfi. O chefe, o irmão, descansa na basílica que lhe tem o nome – São Pedro de Roma. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XX, p. 320 à 335) #SantodoDia
- Santo André, Apóstolo- 30 de Novembro
SANTO DO DIA – 30 DE NOVEMBRO – SANTO ANDRÉ Apóstolo (século I) Entre os Doze apóstolos de Cristo, André foi o primeiro a ser seu discípulo. Além de ser apontado por eles próprios como o ‘número dois’, depois, somente, de Pedro. Na lista dos apóstolos, pela ordem está entre os quatro primeiros. Morava em Cafarnaum, era discípulo de João Batista, filho de Jonas de Betsaida, irmão de Simão-Pedro e ambos eram pescadores no mar da Galiléia. Foi levado por João Batista à verde planície de Jericó, juntamente com João Evangelista, para conhecer Jesus. Ele passava. E o visionário profeta indicou-o e disse a célebre frase: ‘Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo’. André, então, começou a segui-lo. A seguir, André levou o irmão Simão-Pedro a conhecer Jesus, afirmando: ‘Encontramos o Messias’. Assim, tornou-se, também, o primeiro dos apóstolos a recrutar novos discípulos para o Senhor. Aparece no episódio da multiplicação dos pães: depois da resposta de Filipe, André indica a Jesus um jovem que possuía os únicos alimentos ali presentes: cinco pães e dois peixes. Pouco antes da morte do Redentor, aparece o discípulo André ao lado de Filipe, como um de grande autoridade. Pois é a ele que Filipe se dirige quando certos gregos pedem para ver o Senhor, e ambos contaram a Jesus. André participou da vida publica de Jesus, estava presente na última ceia, viu o Cristo Ressuscitado, testemunhou a Ascenção e recebeu o primeiro Pentecostes. Ajudou a sedimentar a Igreja de Cristo a partir da Palestina, mas as localidades e regiões por onde pregou não sabemos com exatidão. Alguns historiadores citam que depois de Jerusalém foi evangelizar na Galiléia, Cítia, Etiópia, Trácia e, finalmente, na Grécia. Nessa última, formou um grande rebanho e pôde fundar a comunidade cristã de Patras, na Acaia, um dos modelos de Igreja nos primeiros tempos. Mas foi lá, também, que acabou martirizado nas mãos do inimigo, Egéas, governador e juiz romano local. André ousou não obedecer à autoridade do governador, desafiando-o a reconhecer em Jesus um juiz acima dele. Mais ainda, clamou que os deuses pagãos não passavam de demônios. Egéas não hesitou e condenou-o à crucificação. Para espanto dos carrascos, aceitou com alegria a sentença, afirmando que, se temesse o martírio, não estaria ‘pregando a grandeza da cruz, onde morreu Jesus’. Ficou dois dias pregado numa cruz em forma de ‘X’; antes, porém, despojou-se de suas vestes e bens, doando-os aos algozes. Conta a tradição que, um pouco antes de André morrer, foi possível ver uma grande luz envolvendo-o e apagando-se a seguir. Tudo ocorreu sob o império de Nero, em 30 de novembro do ano 60, data que toda a cristandade guarda para sua festa. O imperador Constantino trasladou, em 357, de Patos para Constantinopla, as relíquias mortais de santo André, Apóstolo. Elas foram levadas para Roma, onde permanecem até hoje, na Catedral de Amalfi, só no século XIII. Santo André, Apóstolo, é celebrado como padroeiro da Rússia e Escócia. Texto: Paulinas Internet Santo André, Apóstolo Todos os anos, o início do ano litúrgico é marcado pela proximidade da festa de S. André. Irmão de Pedro, S. André é chamado protocletos — “o primeiro chamado” —, porque, no Evangelho de S. João, o vemos entre os discípulos do Batista, que apontou para Jesus e disse: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, o que fez André ir, junto com o discípulo amado, ao encontro de Cristo. E Jesus, como notasse que o seguiam, perguntou-lhes: “Que procurais?” Eles responderam: “Mestre, onde moras?”, e Jesus lhe disse: “Vinde e vede”. Esse foi o momento do encontro de André com Jesus, encontro que se faz contagiante: André vai então à procura de Pedro para dar a notícia: “Encontramos o Messias!” Foi André, portanto, quem chamou Pedro para conhecer Jesus. O Evangelho de hoje, porém, simplifica essa história, centrando-se no momento decisivo em que os dois irmãos pecadores se encontram com Jesus e, por isso, deixam tudo para o seguir. O Evangelho narra: “Quando Jesus andava à beira do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse a eles: ‘Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens’. Eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram” (v. 18s). A reação ao chamado foi imediata, mas houve antes uma gestação, um conhecimento de Jesus que os tornou dispostos a tudo deixar para ser pescadores de homens. O que significa “pescador de homem”? Ora, o que faz o pescador? O pescador mata o peixe. Simples assim. O pescador tira o peixe de seu ambiente natural, que é a água, e então ele morre. O pescador de homem, ou seja, o apóstolo, é chamado a tirar as almas de seu ambiente, por assim dizer, “natural”, que não é bem a natureza, mas o ambiente mundano . É necessário morrer para o mundo, a fim de nascer para o Céu. Jesus o dirá claramente aos seus Apóstolos na Última Ceia. Ao rezar por eles, diz: “Sim, eles estão no mundo, mas eles não são do mundo”: eles foram tirados, pescados, porque Jesus é o maior pescador de homens. Passando à beira do lago da Galileia, Ele pescou André e Pedro, também Tiago e João, e os tirou do ambiente mundano para que o seguissem. Vemos aqui aquele “deixar tudo” de André e Pedro. Vemos acontecer ali a própria pescaria, que acontece quando, depois de ouvir a Palavra de Deus — ouvir homilias ou pregações, participar de retiros etc. —, a pessoa finalmente enxerga: “Eu não me pertenço. Eu não sou dono de mim; eu sou dele, de Jesus”. Esse “deixar tudo” não quer dizer deixar mulher e filhos, esposo e vida (para os que já são casados). Não, nada disso. Quer dizer tomar consciência e, a partir de agora, viver na realidade: “Eu estou no mundo, mas não sou do mundo; eu não me pertenço, porque eu fui pescado e, agora, é minha vez de ser pescador de outros”. Conheça mais sobre Santo André Eis que envio o meu anjo ante a tua presença, o qual preparará o teu caminho diante de ti. Voz do que clama no deserto; Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. E apareceu João Batista no deserto, pregando o batismo de penitência, para remissão dos pecados. Um dia, João, com dois discípulos, eis o que tira os pecados do mundo. Ouvindo aquelas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus. O Senhor, voltando-se para trás, e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: – Que buscai vós? – Responderam-lhe, perguntando: – Mestre, onde habitas? – Disse-lhe Jesus: – Vinde ver. Foram e viram onde habitava, e ficaram com Ele aquele dia. Ora, André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que haviam ouvido o que João Batista dissera e seguira Jesus. André, encontrando-se com o irmão Simão, disse-lhe: – Encontramos o Messias. E levou-o ao Senhor Jesus. Nosso Senhor, ficando em Simão o olhar, disse-lhe: – Tu és Simão, filho de Jonas. Serás chamado Cefas. Eis como André levou o irmão a Jesus, aquele sobre o qual seria edificada a igreja do Mestre. E que belo par de irmãos! Eram eles então discípulos de Jesus, mas não o seguiam ainda habitualmente. Ora, diz o Evangelho que, passando Jesus ao longo do mar da Galiléia, viu Simão e André que lançavam a rede, pois eram pescadores. Aproximando-se dos dois, Jesus disse-lhe: – Segui-me, e eu vos farei pescadores de homens. No mesmo instante, abandonaram ambos as redes e seguiram o Senhor. E, tendo passado um pouco adiante donde então estiveram, viram Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão,que estavam também numa barca, consertando as redes. Chamou-os, e eles, deixando na barca o pai, Zebedeu, com os jornaleiros, seguiram o Senhor. Depois foram a Cafarnaum e à Sinagoga. Logo que deixaram a Sinagoga, foram à casa de Simão e André com Tiago e João. Ora, a sogra de Simão estava de cama, com febre. A Jesus falaram a respeito dela. Aproximando-se, o Senhor tomou-a pela mão e levantou-a. Imediatamente, deixou-a a febre e pôs-se a servi-los, solícita e lépida. De tarde, sendo o sol já posto -porque era um dia de sábado e os judeus nada faziam antes desta hora – trouxeram a Jesus todos os enfermos e possessos. Toda a cidade estava reunida diante da porta. O Senhor, impondo as mãos ora neste, ora naquele, já naquele outro, ia a todos curando e expelindo muitos demônios, de maneira que cumpria o que fora dito pelo profeta Isaías: Tomou para si as nossas fraquezas, e está carregado de nossas enfermidades. Os demônios, saindo do corpo de muitos, gritavam, dizendo: – Vós, sois o Cristo, o Filho de Deus. Mas o Senhor, ameaçando-os, não lhes permitia dizer que o conheciam, porque, sendo o diabo o pai da mentira, Jesus não lhe queria o testemunho, mesmo verdadeiro. No dia seguinte, levantando-se o Mestre muito antes do amanhecer, saiu, e foi a um lugar solitário. E lá fazia orações. Simão e os demais foram procurá-los. E, tendo-o encontrado, disseram-lhe: – Todos te procuram. Respondeu-lhes Jesus: – Vamos para outra parte, para as aldeias vizinhas, a fim de que eu também lá pregue, pois para isso é que vim. E andava pregando nas sinagogas e por toda a Galiléia. E pregando o Evangelho do reino de Deus, curava todas as enfermidades entre o povo. A fama espalhou-se por toda a Síria; traziam-lhe todos os que tinham algum mal, possuídos de vários achaques e dores, e os possessos, os lunáticos, os paralíticos: a todos curava-os Jesus. Grandes multidões de povo, da Galiléia, e da Decápolis, e de Jerusalém, e da Judéia, e do país de além do Jordão, o seguiam. Ora,, comprimindo-se as multidões em volta do Senhor para ouvir a palavra de Deus, como estavam junto ao lago de Genezaré, viu Ele duas barcas que estacionavam à margem. Os pescadores haviam saído e lavavam as redes. Entrando numa dessas barcas – que era a de Simão – rogou-lhe se afastasse um pouco da terra. E, estando sentado, ensinava o povo, da barca. Quando acabou de falar, disse a Simão: – Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. Respondendo Simão, disse-lhe: – Mestre, tendo trabalhado toda a noite, não apanhamos nada. Mas, sobre a tua palavra lançarei a rede. Tendo feito aquilo, apanharam tão grande quantidade de peixes, que a rede se rompia. Então, fizeram sinal aos companheiros que estavam na outra barca, para que lá fossem ajudá-los. Assim foi, e encheram tanto ambas as embarcações que quase se afundavam. Simão Pedro, vendo aquilo, lançou-se aos pés de Jesus, dizendo: – Retira-te de mim, Senhor, pois eu sou um homem pecador. Porque, tanto ele como todos os que se encontravam com ele ficaram possuídos de espanto, por causa da pesca que haviam feito. O mesmo acontecera a Tiago e a João, filhos ambos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus olhou-os, e disse a Simão: – Não tenhas medo: desta hora em diante serás pescador de homens. E, trazidas as barcas para terra, deixando tudo, seguiram a Jesus. Antes, como viviam da pesca, às vezes à faina do mar retornavam. Talvez pescassem à noite e seguissem o Mestre durante o dia. Depois daquela pesca miraculosa, porém, deixaram-na definitivamente, e não só ao labor, mas a tudo – o que dá a entender a vocação última e definitiva: ligar-se ao Mestre inseparavelmente. Mais tarde, tendo convocado os doze discípulos, deu-lhes Jesus poder sobre os espíritos imundos, para os expelirem, e curarem todas as doenças e todos os achaques. E eram os doze Simão, chamado Pedro, e André seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem entregou o Mestre. Jesus instruindo-os, disse-lhes: – Não vades agora para entre os gentios, nem entreis nas cidades dos samaritanos. Ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel. E, pondo-vos a caminho, pregai, dizendo: “Está próximo o reino dos céus.” Continuando, disse-lhes: – Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expedi os demônios. Daí graça o que de graça recebestes. E dizia mais: – Não queirais trazer nas vossas cinturas bem curo, bem rata, nem dinheiro, nem alforje para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão – porque o operário é digno do seu alimento. E acrescentou: – Em qualquer cidade ou aldeia, logo ao entrardes, informai-vos de quem há nela digno de vos receber, e ficai aí até que vos retireis. Ao entrardes na casa, saudai-a, dizendo: A paz esteja nesta casa. Se aquela casa for digna, descerá sobre ela a vossa paz. Se não for digna, a vossa paz retornará para vós. Se não vos receberem nem ouvirem as vossas palavras, ao sair para fora daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo: será menos punida no dia do juízo a terra de Sodoma e Gomorra, do que aquela cidade. Eis que eu vos mando como ovelhas no meio dos lobos. Sede pois prudentes como serpentes, e simples como pombas. Antes de enviar os apóstolos por toda a terra, Jesus enviou-os à Judéia, para que ali fizessem uma espécie de noviciado, como num seminário. De volta daquela missão, reunidos a Ele, contaram-lhe o que haviam feito e ensinado. E Jesus lhes disse: – Vinde à parte, a um lugar solitário, e descansai um pouco. Porque eram muitos os que iam e vinham, e nem tinham tempo para comer. Entrando, pois, numa barca, retiraram-se à parte, a um lugar solitário. Muitos, porém, os viram partir e souberam para onde iam. E para lá foram, ao solitário lugar, a pé. Antes de Jesus e dos Apóstolos mesmo chegarem, já uma grande multidão os aguardava. E era gente de todas as cidades. Jesus teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor, e começou a ensinar-lhes muitas coisas. Fazendo-se tarde, chegaram a Ele os discípulos e disseram-lhe: – Este lugar é solitário e a hora é já adiantada: despede-os, a fim de que possam ir às quintas e povoados próximos e comprem alguma coisa para comer. Perguntou Jesus a Filipe: – Onde compraremos nós pão, para dar de comer a esta gente? O Mestre, porém, assim dizia para o discípulo experimentar, porque sabia o que havia de fazer. Respondeu-lhe Filipe: – Senhor, duzentos dinheiros de pão não bastam para que cada um receba um pequeno bocado. Um dos discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse: – Está aqui um jovem, que tem cinco pães de cevada e dois peixes, mas que é isso para tanta gente? Jesus, porém, disse: – Mandai sentar essa gente. Havia muita erva naquele lugar. Sentaram-se, pois, os homens, em número de cinco mil. E Jesus, tomando os pães do jovem que os trazia, dando graças, distribuiu-os entre os que estavam recostados e igualmente os peixes, quanto eles queriam. Estando assim todos saciados, disse o Senhor aos discípulos: – Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca. Eles os recolheram, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido. E aqueles homens, vendo o milagre que Jesus fizera, diziam: – Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo. Durante as últimas festas da Páscoa estava Jesus em Jerusalém. Ora, havia alguns gregos, daqueles que tinham ido adorar a Deus no dia da festa: aproximaram-se de Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e fizeram-lhe este pedido, dizendo: – Senhor, desejamos ver a Jesus. Foi Filipe e disse-o a André. André e Filipe disseram-no a Jesus. E Jesus, respondeu-lhes: – Chegou a hora em que o Filho do homem será glorificado. Em verdade, em verdade vos digo que se o grão de trigo, que cai na terra, não morrer, fica infecundo. Mas, se morrer, produz muito fruto. O que ama a sua vida, perde-la-á, e quem aborrece a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me serve, siga-me. E onde eu estou, estará ali também o que me serve. Se alguém me servir, meu Pai o honrará. Agora minha alma está turbada. E que direi eu? Pai, livra-me desta hora. Mas é para isso que eu cheguei a esta hora. Pai glorifica o teu nome. Então veio do céu esta voz: Eu glorifiquei e glorificarei novamente. Ora, o povo que ali estava e ouvira, dizia: – Foi um trovão! E outros: – Um anjo lhe falou. Jesus respondeu: – Esta voz não veio por amor de mim, mas veio por amor de vós. Agora é o juízo deste mundo. Agora será lançado fora o príncipe deste mundo. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim. Dizia isto para designar de que morte havia de morrer. Nos gentios que o queriam ver, Jesus fixou imediatamente o pensamento: devia ser o fruto de sua morte. Os grandes profetas e as grandes profecias estão lhe presentes. O pequeno voi o grande. O que os magos haviam começado na sua infância, no presépio, que era a conversão dos gentios em suas pessoas mesmas, continuava ainda pelo tempo de sua morte. E o Salvador, notando nos gentios o desejo de o ver, com o dos judeus em o perder, via, ao mesmo tempo, naquilo, o principiar do grande mistério da vocação de uns, pela cegueira e reprovação de outros. Por isso disse: Chegou a hora em que o Filho do homem será glorificado.Vem os gentios, e seu reino estender-se-á por toda a terra. E via mais, e mais longe. Via, segundo os profetas antigos, que seria pela morte que devia conquistar novo povo e a numerosa posteridade que lhe fora prometida. Foi depois de ter dito: Perfuraram meus pés e minhas mãos, que Davi acrescentou: Todas as nações converter-se-ão ao Senhor. E Isaías: Se o grão de trigo, que cai na terra, não morrer, fica infecundo. Mas se morrer, produz muito fruto. É assim que vemos nas palavras de Jesus o verdadeiro comentário e a verdadeira explicação das profecias. Agora minha alma está turbada: eis o começo da agonia, daquela agonia que devia sofrer no Jardim das Oliveiras; do combate interior que devia combater contra o suplício, contra o Pai, por assim dizer, contra si mesmo. E que direi eu? Pai, livra-me desta hora. Mas não, era para isso que chegara aquela hora. Pai, glorifica o teu nome. É pelo devotamento ao Pai que lançará fora o príncipe deste mundo, e que, do alto da cruz, atrairá todas as coisas. Jesus, saindo do templo onde havia pregado dizendo-lhe alguns, a respeito do templo, que estava ornado de belas pedras e de ricas ofertas, disse: – De tudo isto que vedes, virão dias em que não ficará pedra sobre pedra, que não seja demolida. Quando estavam sobre o Monte das Oliveiras, descortinando-se o templo, abordaram-nos os discípulos em particular, e Pedro, Tiago, João e André perguntaram-lhe: – Mestre, quando acontecerão estas coisas, e que sinal haverá, quando estiverem para acontecer? Os apóstolos, na pergunta, confundiam a ruína de Jerusalém, a de todo o universo e o fim dos séculos, o que levou a Jesus a lhes falar: – Quando ouvirdes falar de guerras e de tumultos, não vos assusteis. Estas coisas devem suceder primeiro, mas não será logo o fim. De resto, havia para tal uma razão profunda, uma vez que Jerusalém e o templo eram imagem do universo. A ruína de um era naturalmente a figura da ruína de outro. Depois da ressurreição, estando Jesus com os apóstolos à mesa, ordenou-lhes se não afastassem de Jerusalém. Que esperassem a promessa do Pai: – A que ouvistes, disse Ele da minha boca. Porque João na verdade batizou em água, mas vós seres batizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias. Então, os que se tinham congregado interrogavam-no dizendo: – Senhor, porventura chegou o tempo em que ides restabelecer o reino de Israel? Ele lhes disse: – Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai reservou ao seu poder. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e me sereis testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia, na Samaria e até as extremidades da terra. Levou-os para fora, e até perto de Betânia. E, levantando as mãos, abençoou-os. Ora, aconteceu que, enquanto os abençoava, separou-se deles, e elevava-se ao céu. E uma nuvem ocultou-o do olhar de todos. Como estivessem olhando para o céu, quando Ele ia subindo, eis que se apresentaram junto deles dois personagens vestidos de branco, os quais lhe disseram: – Homens da Galiléia, porque estais aí parados olhando para o céu? Esse Jesus que, separando-se de vós, foi arrebatado ao céu, virá do mesmo modo que o vistes ir para o céu. Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras que está perto de Jerusalém, à distância da jornada de um sábado, cheios de júbilo. Logo que chegaram, subiram ao cenáculo, onde permaneciam habitualmente Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelador, e Judas, irmão de Tiago. Todos estes perseveraram unanimemente em oração, com as mulheres, e com Maria, Mãe de Deus, e com os irmãos dele. Quando se completaram os dias do Pentecostes, estavam todos juntos no mesmo lugar. E, de repente, veio do céu um estrondo, como de vento que soprava impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. E, apareceram-lhes repartidas uma como línguas de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Foram todos cheios do Espírito Santo, e começaram a falar várias línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Viera-lhes prometido. Agora era ir e ensinar a todas as nações, batizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Deus estaria com eles todos os dias, até a consumação dos séculos. Segundo os esclarecimentos dos Doutores da Igreja, o apóstolo Santo André pregou o Evangelho na Cítia, na Sogdiana, na Cólquida, na Grécia, particularmente no Épiro, e terminou a vida pelo martírio em Patras, na Acaia. A igreja conta-nos as circunstâncias: Assim como o irmão, o chefe dos Apóstolos, teve a glória de ser crucificado, como o mestre fora. Como pregava em Patras o mistério da cruz e convertia multidões, o procôncul Egéias, encolerizado, disse-lhes: – Cessa de louvar Cristo, porque discursos semelhantes não o impediram de ser morto na cruz pelos judeus. André replicou, calmamente: – Cristo ofereceu-se livremente para ser crucificado, senhor. Morreu para salvar o gênero humano, a todos nós resgatando. O procônsul sorriu: – Trata mas é de salvar a vida, sacrificando aos ídolos. – Só sacrifício, e todos os dias, respondeu o apóstolo ao Deus Todo-poderoso, que é um só e verdadeiro. Sacrifico sobre o altar, não a carne dos touros, nem o sangue dos bodes, mas o Cordeiro sem mancha, o Cordeiro que, depois de ter sido imolado e comido por todo o povo, pelos fiéis, continua sempre inteiro e vivo. Egéias, encolerizadíssimo, chamou alguns homens da guarda e gritou: – Agarrai este homem que me não dá sossego! Masmorra com ele! O povo, facilmente, tê-lo-ia livrado tão exaltado estava, mas André suplicou-lhe, todo doçura. Não, que não o privassem do martírio, da glória do martírio! O procônsul, diante do qual André novamente exaltara o mistério da cruz, condenou-o à crucifixão. Para imitar o Cristo. Levado ao lugar do suplício, André gritou, todo êxtase, assim que viu o madeiro: -Ó Cruz belíssima que foste glorificada pelo contato que tivesse do corpo de Cristo, cruz longa, docemente desejada, ardentemente querida, sempre procurada, e enfim preparada para o meu coração apressado, de ti desejoso! Recolhe-me , abraça-me, retira-me dentre os homens, leva-me depressa, diligentemente ao Mestre querido! Por ti Ele me receberá, Ele que, por ti, a mim resgatou! Foi, pois, levado à cruz o Apóstolo. E nela ficou por dois dias. Foram dois dias maravilhosos para André. André do alto do lenho, não cessava de pregar a fé em Cristo, aquele Cristo a quem desejara imitar na morte. E, levantando os olhos para o alto, para o céu, naquele céu em que o Mestre o aguardava, dizia: – Senhor, réu eterno da glória, recebei-me, assim pendido como estou ao madeiro, à cruz tão doce! Vós sois meu Deus! Oh, vós, a quem vi! Não permitais me desliguem da cruz! Fazei isto por mim, por mim, senhor, que conheci a virtude de vossa santa cruz! Foi nessa maravilhosa disposição que o Apóstolo entregou a alma ao Senhor. As relíquias de Santo André foram transferidas, primeiramente para Constantinopla e mais tarde para Amalfi. O chefe, o irmão, descansa na basílica que lhe tem o nome – São Pedro de Roma. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XX, p. 320 à 335) #SantodoDia


















































