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- Homilia Diária | Evangelho de Lucas: um ícone precioso de Maria
Festa de São Lucas, Evangelista São Lucas, cuja festa hoje celebramos, tem um papel ímpar na história da Igreja. Além de companheiro e secretário de São Paulo em suas viagens missionárias, Lucas é também o autor dos Atos dos Apóstolos e do terceiro evangelho. Com sua inteligência penetrante e espírito de médico, ele nos conta a vida de Cristo, não à base de simples tradições, mas à luz do testemunho direto de pessoas que viram e ouviram a Palavra de Deus encarnada. Entre essas testemunhas, conta-se ninguém menos do que a própria Mãe do Salvador, que guardou com diligência todas as coisas que se passaram com seu Filho. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quarta-feira, dia 18 de outubro, e peçamos a São Lucas, autor divinamente inspirado, a graça de sermos bons devotos de Nossa Senhora e leitores assíduos das Sagradas Escrituras. Evangelho (Lc 10,1-9) — Aleluia, aleluia, aleluia. — Eu vos designei, para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça, assim disse o Senhor. (Jo 15,16) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 1 o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2 E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3 Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! 5 Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6 Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7 Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. 8 Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9 curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘o Reino de Deus está próximo de vós’”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Diária | Evangelho de Lucas: um ícone precioso de Maria
Festa de São Lucas, Evangelista São Lucas, cuja festa hoje celebramos, tem um papel ímpar na história da Igreja. Além de companheiro e secretário de São Paulo em suas viagens missionárias, Lucas é também o autor dos Atos dos Apóstolos e do terceiro evangelho. Com sua inteligência penetrante e espírito de médico, ele nos conta a vida de Cristo, não à base de simples tradições, mas à luz do testemunho direto de pessoas que viram e ouviram a Palavra de Deus encarnada. Entre essas testemunhas, conta-se ninguém menos do que a própria Mãe do Salvador, que guardou com diligência todas as coisas que se passaram com seu Filho. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quarta-feira, dia 18 de outubro, e peçamos a São Lucas, autor divinamente inspirado, a graça de sermos bons devotos de Nossa Senhora e leitores assíduos das Sagradas Escrituras. Evangelho (Lc 10,1-9) — Aleluia, aleluia, aleluia. — Eu vos designei, para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça, assim disse o Senhor. (Jo 15,16) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 1 o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2 E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3 Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! 5 Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6 Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7 Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. 8 Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9 curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘o Reino de Deus está próximo de vós’”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- São Lucas Evangelista, padroeiro dos médicos – 18 de Outubro
SANTO DO DIA – 18 DE OUTUBRO – SÃO LUCAS Evangelista (século I) Um escrito do século II, que estudos recentes consideram historicamente verídico, sintetiza do seguinte modo o perfil desse santo evangelista: “Lucas, um sírio de Antioquia, médico de profissão, discípulo dos apóstolos, mais tarde seguiu são Paulo até a confissão (martírio) deste. Serviu irrepreensivelmente ao Senhor, jamais tomou mulher, nem teve filhos. Morreu aos 84 anos, na Boécia, cheio do Espírito Santo”. Das notas de viagem, isto é, dos Atos dos Apóstolos, no qual Lucas fala na primeira pessoa, apreendemos todas as notícias que a ele dizem respeito, além de breves acenos nas cartas de são Paulo — apóstolo ao qual, mais do que a qualquer outro, estava ligado por fraterna amizade. “Saúda-vos Lucas, médico amado”, lê-se na Carta aos Colossenses. A profissão de médico pressupõe uma boa cultura. Realmente, em seus escritos, revela-se um homem culto, com inclinações artísticas e bons dotes literários. Com são Paulo, realizou a segunda viagem missionária de Trôade a Filipos, por volta do ano 50. Em Filipos, deteve-se um par de anos para consolidar o trabalho do Apóstolo, após o qual voltou a Jerusalém. Foi de novo companheiro de viagem de são Paulo e, com ele, compartilhou a prisão em Roma. Os cristãos orientais atribuem ao “médico pintor”, Lucas, numerosos quadros representando a Virgem. Em seu evangelho, escrito em um grego fluente e límpido, Lucas traça a biografia da Virgem e fala da infância de Jesus. Revela-nos os íntimos segredos da Anunciação, da Visitação e do Natal, fazendo-nos entender que conheceu pessoalmente a Virgem, a ponto de alguns exegetas considerarem que tenha sido Maria quem lhe transcreveu o ‘Magnificat’. É Lucas mesmo quem afirma ter feito pesquisas e pedido informações sobre fatos relativos à vida de Jesus junto àqueles que deles foram testemunhas. Só Maria podia ser testemunha da Anunciação e dos fatos que se seguiram. Lucas conhecia os evangelhos de Mateus e Marcos quando começou a escrever o seu, antes do ano 70. Julgava que, ao primeiro, faltava uma certa ordem no desenvolvimento dos fatos, e considerava o segundo por demais conciso. Como diligente estudioso, Lucas, depois de ter documentado escrupulosamente as notícias da vida de Jesus “desde o início”, quis narrá-la novamente de forma ordenada, de modo que os fatos e ensinamentos progredissem ‘pari passu’ como a realidade. Deu prova da mesma agradável fluência narrativa também na redação dos Atos dos Apóstolos. Três cidades se ufanam de conservar suas relíquias: Constantinopla, Pádua e Veneza. Retirado do livro ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. Conheça mais sobre São Lucas Evangelista São Lucas começa o Evangelho nos seguintes termos: “Visto que muitos já empreenderam por em ordem a narração das coisas que entre nós se cumpriram, como no-las referiram os que, desde o princípio, as viram, e foram ministros da palavra; pareceu-me bom também a mim, excelentíssimo Teófilo, depois de ter investigado diligentemente tudo desde o princípio, escrever-te por ordem a sua narração para que conheças a verdade daquelas coisas em que foste instruído. O Evangelho de São Lucas é como que o primeiro livro de sua história; os Atos dos Apóstolos constituem o segundo. Por isso, diz no prefácio dos Atos: “Na primeira narração, ó Teófilo, falei de todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, até ao dia em que, tendo dado preceitos por meio do Espírito Santo aos Apóstolos que tinha escolhido, foi arrebatado ao céu; aos quais também se manifestou vivo, depois da sua Paixão, com muitas provas de que vivia, aparecendo-lhes por quarenta dias, e falando do reino de Deus. E, estando à mesa com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual ouvistes da minha boca; porque João na verdade batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo.” Tal é, de acordo com o próprio São Lucas, o conjunto dos dois livros da sua autoria. Quanto ao primeiro, que compreende a história de Jesus Cristo até à sua Ascensão, nem a todos os fatos testemunhou, mas deles ouviu a narração da boca das pessoas que viram Jesus Cristo com os próprios olhos e viveram na sua intimidade. Entre essas testemunhas oculares, inclui-se a Santa Virgem em relação à vida privada do Salvador, e os apóstolos em relação à sua vida pública. Na vida oculta do Salvador se encontra a aparição do anjo Gabriel ao sacerdote Zacarias no santuário do Templo; a revelação de que nasceria de sua mulher Isabel um filho que seria o precursor do Messias; a aparição do anjo do Gabriel a Maria, na casa de Nazaré; a comunicação que ela conceberia do Espírito Santo e daria à luz o próprio Messias, que seria chamado Jesus: a visita de Maria à sua prima Isabel, que nela reconheceu a Mãe do seu Senhor; o Magnificat ou Cântico de Maria para bendizer Deus pelas grandes coisas que operaria nela e por ela; o nascimento de João Batista, o milagre de seu pai Zacarias, que recobrou a palavra para celebrar no Benedictus as misericórdias de Deus de Israel sobre os homens, em particular sobre a criança que acabava de nascer; a viagem da santa família de Nazaré, o nascimento do Salvador num estábulo; os anjos que o anunciam aos pastores e cantam a Glória in Excelsis; os pastores que vem adorá-lo no presépio; o nome de Jesus, que lhe foi dado no dia da Circuncisão; a apresentação ao templo, onde é resgatado por duas rolas e reconhecido pelo santo velho Simeão, que canta o Nume Dimitris; a peregrinação ao templo de Jerusalém com a idade de doze anos; sua permanência no templo, a volta a Nazaré, onde está sujeito a Maria e a José. São Lucas teve conhecimento pela própria boca da santa Virgem de todos esses divinos mistérios, cuja contemplação transporta de júbilo os anjos. É como se ela mesma os narrasse. Quanto à vida pública do Salvador, nem os evangelistas, nem os apóstolos a relataram inteiramente. O próprio São João diz no fim do seu Evangelho: “Muitas coisas há que fez Jesus, as quais, se fossem descritas uma por uma, creio que nem no mundo todo poderiam caber os livros que seria preciso escrever. O que cada um dos evangelistas escreveu basta, não simplesmente para fazer-nos conhecer, mas, de acordo com a expressão do texto original de São Lucas, para fazer-nos superconhecer a verdade, a exatidão das coisas que já conhecemos de maneira certa através do ensinamento oral da Igreja. Eis alguns tocantes episódios que devemos a São Lucas: A história da pecadora que vai à casa do fariseu Simeão prosternar-se aos pés do Salvador, regá-los em lágrimas, e a quem é concedida a remissão dos pecados; a cura de Hemorroisse por haver tocado a fímbria do seu vestido, e aressurreição da filha de Jair; a caridade do Samaritano; a parábola do filho pródigo; a história do mau rico e do pobre Lázaro; a oração do fariseu e a do publicano, a conversão pública de Zacarias, que o recebeu na sua casa, e que dá aos pobres a metade de seus bens. São Lucas conhecia esses episódios por intermédio daqueles que os tinham testemunhado com seus olhos e ouvidos; pois não pertencia ao número dos primeiros discípulos do Salvador, nem mesmo era judeu de origem, e sim, grego de Antioquia. Foi em grego que escrevei o Evangelho e os Atos dos Apóstolos; seu estilo lembra a elegante simplicidade de Xenofonte e Heródoto. De resto, um escritor inglês demonstrou que muitas locuções da Bíblia, em particular do Novo Testamento, consideradas hebraísmos, barbarismos, solecismos por certos críticos, são locuções próprias dos poetas e historiadores clássicos dos gregos. Teófilo, a quem São Lucas dedica seus dois livros, e ao qual dá o título de Excelente ou Excelência, parece ter sido cristão de alta posição social. Os Atos dos Apóstolos, iniciados por São Lucas com a Ascensão de Jesus Cristo, mostram-nos os discípulos e os apóstolos reunidos no cenáculo, cm Maria, Mãe de Jesus; São Pedro fazendo, pela primeira vez, uso da sua autoridade de Vigário de Jesus Cristo e de Chefe da Igreja, na eleição de um novo apóstolo para substituir Judas, o traidor; o Espírito Santo descendo sobre os apóstolos e os discípulos no dia de Pentecostes; São Pedro convertendo três mil almas com uma única pregação, curando um coxo de nascimento, e convertendo cinco mil almas; Pedro e João encarcerados; sua perseverança; nova efusão do Espírito Santo; vida edificante dos primeiros cristãos; Barnabé vende seu campo e dá o dinheiro aos pobres; punição de Ananias e Safira por terem mantido a São Pedro; curas operadas pelos apóstolos, a popularidade dos mesmos apóstolos; a prisão e conseqüente libertação dos apóstolos por um anjo; discurso de Gamaliel no sinédrio; os apóstolos espancados com varas; eleição dos sete diáconos; zelo e poder de Estevão, seu martírio; perseguição dos fiéis; o diácono Filipe na Samaria; Simão, o mágico; o eunuco da rainha Candança batizado por Filipe; conversão de São Paulo; paz na Igreja; Pedro cura o paralítico Enéias, ressuscita a viúva Tabita e batiza o centurião Cornélio, primícias dos gentios; martírio de São Tiago; Pedro libertado da prisão por um anjo; primeiro concílio de Jerusalém, presidido por São Pedro. Na continuação dos Atos São Lucas fala quase só de São Paulo, de quem foi companheiro inseparável, e termina o livro com a prisão desse apóstolo, em Roma. São Paulo, refere-se várias vezes a São Lucas como a seu fiel cooperador. Saúda os cristãos de Colosso da parte de Lucas, médico, que lhe é muito caro. Alguns escritores antigos também atribuem a este último a qualidade de pintor. São Paulo enviou-o com Tito a Corinto. Depois da morte do Apóstolo, São Lucas pregou o Evangelho em diversos países, entre outros, na Gália. Um antigo martirológio lhe confere os títulos de evangelistas e de mártir. Encerrou a longa carreira na Bitínia, ou, de acordo com outros, na Acaia. Suas relíquias foram transportadas para Constantinopla, e de lá para Pádua. (Padre Rohrbacher, Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVIII, p. 300 à 306). #SantodoDia
- São Lucas Evangelista, padroeiro dos médicos – 18 de Outubro
SANTO DO DIA – 18 DE OUTUBRO – SÃO LUCAS Evangelista (século I) Um escrito do século II, que estudos recentes consideram historicamente verídico, sintetiza do seguinte modo o perfil desse santo evangelista: “Lucas, um sírio de Antioquia, médico de profissão, discípulo dos apóstolos, mais tarde seguiu são Paulo até a confissão (martírio) deste. Serviu irrepreensivelmente ao Senhor, jamais tomou mulher, nem teve filhos. Morreu aos 84 anos, na Boécia, cheio do Espírito Santo”. Das notas de viagem, isto é, dos Atos dos Apóstolos, no qual Lucas fala na primeira pessoa, apreendemos todas as notícias que a ele dizem respeito, além de breves acenos nas cartas de são Paulo — apóstolo ao qual, mais do que a qualquer outro, estava ligado por fraterna amizade. “Saúda-vos Lucas, médico amado”, lê-se na Carta aos Colossenses. A profissão de médico pressupõe uma boa cultura. Realmente, em seus escritos, revela-se um homem culto, com inclinações artísticas e bons dotes literários. Com são Paulo, realizou a segunda viagem missionária de Trôade a Filipos, por volta do ano 50. Em Filipos, deteve-se um par de anos para consolidar o trabalho do Apóstolo, após o qual voltou a Jerusalém. Foi de novo companheiro de viagem de são Paulo e, com ele, compartilhou a prisão em Roma. Os cristãos orientais atribuem ao “médico pintor”, Lucas, numerosos quadros representando a Virgem. Em seu evangelho, escrito em um grego fluente e límpido, Lucas traça a biografia da Virgem e fala da infância de Jesus. Revela-nos os íntimos segredos da Anunciação, da Visitação e do Natal, fazendo-nos entender que conheceu pessoalmente a Virgem, a ponto de alguns exegetas considerarem que tenha sido Maria quem lhe transcreveu o ‘Magnificat’. É Lucas mesmo quem afirma ter feito pesquisas e pedido informações sobre fatos relativos à vida de Jesus junto àqueles que deles foram testemunhas. Só Maria podia ser testemunha da Anunciação e dos fatos que se seguiram. Lucas conhecia os evangelhos de Mateus e Marcos quando começou a escrever o seu, antes do ano 70. Julgava que, ao primeiro, faltava uma certa ordem no desenvolvimento dos fatos, e considerava o segundo por demais conciso. Como diligente estudioso, Lucas, depois de ter documentado escrupulosamente as notícias da vida de Jesus “desde o início”, quis narrá-la novamente de forma ordenada, de modo que os fatos e ensinamentos progredissem ‘pari passu’ como a realidade. Deu prova da mesma agradável fluência narrativa também na redação dos Atos dos Apóstolos. Três cidades se ufanam de conservar suas relíquias: Constantinopla, Pádua e Veneza. Retirado do livro ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. Conheça mais sobre São Lucas Evangelista São Lucas começa o Evangelho nos seguintes termos: “Visto que muitos já empreenderam por em ordem a narração das coisas que entre nós se cumpriram, como no-las referiram os que, desde o princípio, as viram, e foram ministros da palavra; pareceu-me bom também a mim, excelentíssimo Teófilo, depois de ter investigado diligentemente tudo desde o princípio, escrever-te por ordem a sua narração para que conheças a verdade daquelas coisas em que foste instruído. O Evangelho de São Lucas é como que o primeiro livro de sua história; os Atos dos Apóstolos constituem o segundo. Por isso, diz no prefácio dos Atos: “Na primeira narração, ó Teófilo, falei de todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, até ao dia em que, tendo dado preceitos por meio do Espírito Santo aos Apóstolos que tinha escolhido, foi arrebatado ao céu; aos quais também se manifestou vivo, depois da sua Paixão, com muitas provas de que vivia, aparecendo-lhes por quarenta dias, e falando do reino de Deus. E, estando à mesa com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual ouvistes da minha boca; porque João na verdade batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo.” Tal é, de acordo com o próprio São Lucas, o conjunto dos dois livros da sua autoria. Quanto ao primeiro, que compreende a história de Jesus Cristo até à sua Ascensão, nem a todos os fatos testemunhou, mas deles ouviu a narração da boca das pessoas que viram Jesus Cristo com os próprios olhos e viveram na sua intimidade. Entre essas testemunhas oculares, inclui-se a Santa Virgem em relação à vida privada do Salvador, e os apóstolos em relação à sua vida pública. Na vida oculta do Salvador se encontra a aparição do anjo Gabriel ao sacerdote Zacarias no santuário do Templo; a revelação de que nasceria de sua mulher Isabel um filho que seria o precursor do Messias; a aparição do anjo do Gabriel a Maria, na casa de Nazaré; a comunicação que ela conceberia do Espírito Santo e daria à luz o próprio Messias, que seria chamado Jesus: a visita de Maria à sua prima Isabel, que nela reconheceu a Mãe do seu Senhor; o Magnificat ou Cântico de Maria para bendizer Deus pelas grandes coisas que operaria nela e por ela; o nascimento de João Batista, o milagre de seu pai Zacarias, que recobrou a palavra para celebrar no Benedictus as misericórdias de Deus de Israel sobre os homens, em particular sobre a criança que acabava de nascer; a viagem da santa família de Nazaré, o nascimento do Salvador num estábulo; os anjos que o anunciam aos pastores e cantam a Glória in Excelsis; os pastores que vem adorá-lo no presépio; o nome de Jesus, que lhe foi dado no dia da Circuncisão; a apresentação ao templo, onde é resgatado por duas rolas e reconhecido pelo santo velho Simeão, que canta o Nume Dimitris; a peregrinação ao templo de Jerusalém com a idade de doze anos; sua permanência no templo, a volta a Nazaré, onde está sujeito a Maria e a José. São Lucas teve conhecimento pela própria boca da santa Virgem de todos esses divinos mistérios, cuja contemplação transporta de júbilo os anjos. É como se ela mesma os narrasse. Quanto à vida pública do Salvador, nem os evangelistas, nem os apóstolos a relataram inteiramente. O próprio São João diz no fim do seu Evangelho: “Muitas coisas há que fez Jesus, as quais, se fossem descritas uma por uma, creio que nem no mundo todo poderiam caber os livros que seria preciso escrever. O que cada um dos evangelistas escreveu basta, não simplesmente para fazer-nos conhecer, mas, de acordo com a expressão do texto original de São Lucas, para fazer-nos superconhecer a verdade, a exatidão das coisas que já conhecemos de maneira certa através do ensinamento oral da Igreja. Eis alguns tocantes episódios que devemos a São Lucas: A história da pecadora que vai à casa do fariseu Simeão prosternar-se aos pés do Salvador, regá-los em lágrimas, e a quem é concedida a remissão dos pecados; a cura de Hemorroisse por haver tocado a fímbria do seu vestido, e aressurreição da filha de Jair; a caridade do Samaritano; a parábola do filho pródigo; a história do mau rico e do pobre Lázaro; a oração do fariseu e a do publicano, a conversão pública de Zacarias, que o recebeu na sua casa, e que dá aos pobres a metade de seus bens. São Lucas conhecia esses episódios por intermédio daqueles que os tinham testemunhado com seus olhos e ouvidos; pois não pertencia ao número dos primeiros discípulos do Salvador, nem mesmo era judeu de origem, e sim, grego de Antioquia. Foi em grego que escrevei o Evangelho e os Atos dos Apóstolos; seu estilo lembra a elegante simplicidade de Xenofonte e Heródoto. De resto, um escritor inglês demonstrou que muitas locuções da Bíblia, em particular do Novo Testamento, consideradas hebraísmos, barbarismos, solecismos por certos críticos, são locuções próprias dos poetas e historiadores clássicos dos gregos. Teófilo, a quem São Lucas dedica seus dois livros, e ao qual dá o título de Excelente ou Excelência, parece ter sido cristão de alta posição social. Os Atos dos Apóstolos, iniciados por São Lucas com a Ascensão de Jesus Cristo, mostram-nos os discípulos e os apóstolos reunidos no cenáculo, cm Maria, Mãe de Jesus; São Pedro fazendo, pela primeira vez, uso da sua autoridade de Vigário de Jesus Cristo e de Chefe da Igreja, na eleição de um novo apóstolo para substituir Judas, o traidor; o Espírito Santo descendo sobre os apóstolos e os discípulos no dia de Pentecostes; São Pedro convertendo três mil almas com uma única pregação, curando um coxo de nascimento, e convertendo cinco mil almas; Pedro e João encarcerados; sua perseverança; nova efusão do Espírito Santo; vida edificante dos primeiros cristãos; Barnabé vende seu campo e dá o dinheiro aos pobres; punição de Ananias e Safira por terem mantido a São Pedro; curas operadas pelos apóstolos, a popularidade dos mesmos apóstolos; a prisão e conseqüente libertação dos apóstolos por um anjo; discurso de Gamaliel no sinédrio; os apóstolos espancados com varas; eleição dos sete diáconos; zelo e poder de Estevão, seu martírio; perseguição dos fiéis; o diácono Filipe na Samaria; Simão, o mágico; o eunuco da rainha Candança batizado por Filipe; conversão de São Paulo; paz na Igreja; Pedro cura o paralítico Enéias, ressuscita a viúva Tabita e batiza o centurião Cornélio, primícias dos gentios; martírio de São Tiago; Pedro libertado da prisão por um anjo; primeiro concílio de Jerusalém, presidido por São Pedro. Na continuação dos Atos São Lucas fala quase só de São Paulo, de quem foi companheiro inseparável, e termina o livro com a prisão desse apóstolo, em Roma. São Paulo, refere-se várias vezes a São Lucas como a seu fiel cooperador. Saúda os cristãos de Colosso da parte de Lucas, médico, que lhe é muito caro. Alguns escritores antigos também atribuem a este último a qualidade de pintor. São Paulo enviou-o com Tito a Corinto. Depois da morte do Apóstolo, São Lucas pregou o Evangelho em diversos países, entre outros, na Gália. Um antigo martirológio lhe confere os títulos de evangelistas e de mártir. Encerrou a longa carreira na Bitínia, ou, de acordo com outros, na Acaia. Suas relíquias foram transportadas para Constantinopla, e de lá para Pádua. (Padre Rohrbacher, Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVIII, p. 300 à 306). #SantodoDia
- Homilia Diária | Santo Inácio de Antioquia e a hierarquia dos amores
Terça-feira da 28ª Sem. T. C. O grão de trigo que se lança à terra, para poder dar fruto, tem de morrer. Por isso, abrasados pela caridade de Cristo, os mártires não desejam outra coisa senão que chegue logo a hora dos tormentos, quando, moídos nos dentes das feras, eles podem por fim tornar-se pão imaculado e imitadores da Paixão do Senhor. Porque, para quem ama, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta terça-feira, dia 17 de outubro, e peçamos juntos a Deus que olhe para a nossa fraqueza e, pela intercessão de Santo Inácio de Antioquia, alivie-nos do peso das nossas culpas e nos crucifique para este mundo que passa. Evangelho (Lc 11,37-41) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — A palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções do coração. (Lucas 11,37-41) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 37 enquanto Jesus falava, um fariseu convidou-o para jantar com ele. Jesus entrou e pôs-se à mesa. 38 O fariseu ficou admirado ao ver que Jesus não tivesse lavado as mãos antes da refeição. 39 O Senhor disse ao fariseu: “Vós fariseus, limpais o copo e o prato por fora, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades. 40 Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior? 41 Antes, dai esmola do que vós possuís e tudo ficará puro para vós”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Diária | Santo Inácio de Antioquia e a hierarquia dos amores
Terça-feira da 28ª Sem. T. C. O grão de trigo que se lança à terra, para poder dar fruto, tem de morrer. Por isso, abrasados pela caridade de Cristo, os mártires não desejam outra coisa senão que chegue logo a hora dos tormentos, quando, moídos nos dentes das feras, eles podem por fim tornar-se pão imaculado e imitadores da Paixão do Senhor. Porque, para quem ama, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta terça-feira, dia 17 de outubro, e peçamos juntos a Deus que olhe para a nossa fraqueza e, pela intercessão de Santo Inácio de Antioquia, alivie-nos do peso das nossas culpas e nos crucifique para este mundo que passa. Evangelho (Lc 11,37-41) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — A palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções do coração. (Lucas 11,37-41) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 37 enquanto Jesus falava, um fariseu convidou-o para jantar com ele. Jesus entrou e pôs-se à mesa. 38 O fariseu ficou admirado ao ver que Jesus não tivesse lavado as mãos antes da refeição. 39 O Senhor disse ao fariseu: “Vós fariseus, limpais o copo e o prato por fora, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades. 40 Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior? 41 Antes, dai esmola do que vós possuís e tudo ficará puro para vós”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Os 5 Mandamentos da Igreja
Você sabia que além dos 10 mandamentos existem também 5 mandamentos da Igreja que todo católico precisa obedecer? Nesta matéria você vai conhecer quais são estes 5 mandamentos para nunca mais esquecer. Depois de terminar essa leitura, faça também o nosso curso gratuito sobre os 10 Mandamentos da Lei de Deus . Cristo deu poderes à Sua Igreja a fim de estabelecer normas para a salvação da humanidade. Ele disse aos Apóstolos: “Quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita a mim rejeita, e quem me rejeita, rejeita Aquele que me enviou” (Lc 10,16). E prossegue: “Em verdade, tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra, será também desligado no céu.” (Mt 18,18) Então, a Igreja legisla com o “poder de Cristo”, e quem não a obedece, não obedece a Cristo, e conseqüentemente a Deus Pai. De modo que para a salvação do povo de Deus, a Igreja estabeleceu cinco obrigações que todo católico tem de cumprir, conforme ensina o Catecismo da Igreja Católica (CIC). Este ensina: “Os mandamentos da Igreja situam-se nesta linha de uma vida moral ligada à vida litúrgica e que dela se alimenta. O caráter obrigatório dessas leis positivas promulgadas pelas autoridades pastorais tem como fim garantir aos fiéis o mínimo indispensável no espírito de oração e no esforço moral, no crescimento do amor de Deus e do próximo.” (§2041) Note que o Catecismo diz que isso é o “mínimo indispensável” para o crescimento na vida espiritual dos fiéis. Podemos e devemos fazer muito mais, pois isso é apenas o mínimo obrigado pela Igreja. Ela sabe que, como Mãe, tem filhos de todos os tipos e condições, portanto, fixa, sabiamente, apenas o mínimo necessário, deixando que cada um, conforme a sua realidade, faça mais. E devemos fazer mais. 1 – Participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho Ordena aos fiéis que santifiquem o dia em que se comemora a ressurreição do Senhor, e as festas litúrgicas em honra dos mistérios do Senhor, da santíssima Virgem Maria e dos santos, em primeiro lugar participando da celebração eucarística, em que se reúne a comunidade cristã, e se abstendo de trabalhos e negócios que possam impedir tal santificação desses dias (Código de Direito Canônico-CDC , cân. 1246-1248) (§2042). Os Dias Santos – com obrigação de participar da missa, são esses, conforme o Catecismo: “Devem ser guardados [além dos domingos] o dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Epifania (domingo no Brasil), da Ascensão (domingo) e do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi), de Santa Maria, Mãe de Deus (1º de janeiro), de sua Imaculada Conceição (8 de dezembro) e Assunção (domingo), de São José (19 de março), dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo (domingo), e por fim, de Todos os Santos (domingo)” (CDC, cân. 1246,1; n. 2043 após nota 252) (§2177). 2 – Confessar-se ao menos uma vez por ano Assegura a preparação para a Eucaristia pela recepção do Sacramento da Reconciliação, que continua a obra de conversão e perdão do Batismo (CDC, cân. 989). É claro que é pouco se confessar uma vez ao ano, seria bom que cada um se confessasse ao menos uma vez por mês, pois fica mais fácil de se recordar dos pecados e de ter a graça para vencê-los. 3 – Receber o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa da ressurreição (O período pascal vai da Páscoa até festa da Ascenção) e garante um mínimo na recepção do Corpo e do Sangue do Senhor em ligação com as festas pascais, origem e centro da Liturgia cristã (CDC, cân. 920). Também é muito pouco comungar ao menos uma vez ao ano. A Igreja recomenda (não obriga) a comunhão diária. 4 – Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja (No Brasil isso deve ser feito na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa). Este jejum consiste em um leve café da manhã, um almoço leve e um lanche também leve à tarde, sem mais nada no meio do dia, nem o cafezinho. Quem desejar, pode fazer um jejum mais rigoroso; o obrigatório é o mínimo. Os que já tem mais de sessenta anos estão dispensados da obrigatoriedade, mas podem fazê-lo se desejarem. Diz o Catecismo que o jejum “Determina os tempos de ascese e penitência que nos preparam para as festas litúrgicas; contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração (CDC, cân. 882)”. 5 – Ajudar a Igreja em suas necessidades Recorda aos fiéis que devem ir ao encontro das necessidades materiais da Igreja, cada um conforme as próprias possibilidades (CDC, cân. 222). Não é obrigatório que o dízimo seja de 10% do salário, nem o Catecismo nem o Código de Direito Canônico obrigam esta porcentagem, mas é bom e bonito se assim o for. O importante é, como disse São Paulo, dar com alegria, pois “Deus ama aquele que dá com alegria” (cf. 2Cor 9, 7). Esta ajuda às necessidades da Igreja pode ser dada uma parte na paróquia e em outras obras da Igreja. Nota: Conforme preceitua o Código de Direito Canônico, as Conferências Episcopais de cada país podem estabelecer outros preceitos eclesiásticos para o seu território (CDC, cân. 455) (§2043). Faça também o nosso curso gratuito sobre os 10 Mandamentos da Lei de Deus #Catequese #Mandamentos
- Os 5 Mandamentos da Igreja
Você sabia que além dos 10 mandamentos existem também 5 mandamentos da Igreja que todo católico precisa obedecer? Nesta matéria você vai conhecer quais são estes 5 mandamentos para nunca mais esquecer. Depois de terminar essa leitura, faça também o nosso curso gratuito sobre os 10 Mandamentos da Lei de Deus . Cristo deu poderes à Sua Igreja a fim de estabelecer normas para a salvação da humanidade. Ele disse aos Apóstolos: “Quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita a mim rejeita, e quem me rejeita, rejeita Aquele que me enviou” (Lc 10,16). E prossegue: “Em verdade, tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra, será também desligado no céu.” (Mt 18,18) Então, a Igreja legisla com o “poder de Cristo”, e quem não a obedece, não obedece a Cristo, e conseqüentemente a Deus Pai. De modo que para a salvação do povo de Deus, a Igreja estabeleceu cinco obrigações que todo católico tem de cumprir, conforme ensina o Catecismo da Igreja Católica (CIC). Este ensina: “Os mandamentos da Igreja situam-se nesta linha de uma vida moral ligada à vida litúrgica e que dela se alimenta. O caráter obrigatório dessas leis positivas promulgadas pelas autoridades pastorais tem como fim garantir aos fiéis o mínimo indispensável no espírito de oração e no esforço moral, no crescimento do amor de Deus e do próximo.” (§2041) Note que o Catecismo diz que isso é o “mínimo indispensável” para o crescimento na vida espiritual dos fiéis. Podemos e devemos fazer muito mais, pois isso é apenas o mínimo obrigado pela Igreja. Ela sabe que, como Mãe, tem filhos de todos os tipos e condições, portanto, fixa, sabiamente, apenas o mínimo necessário, deixando que cada um, conforme a sua realidade, faça mais. E devemos fazer mais. 1 – Participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho Ordena aos fiéis que santifiquem o dia em que se comemora a ressurreição do Senhor, e as festas litúrgicas em honra dos mistérios do Senhor, da santíssima Virgem Maria e dos santos, em primeiro lugar participando da celebração eucarística, em que se reúne a comunidade cristã, e se abstendo de trabalhos e negócios que possam impedir tal santificação desses dias (Código de Direito Canônico-CDC , cân. 1246-1248) (§2042). Os Dias Santos – com obrigação de participar da missa, são esses, conforme o Catecismo: “Devem ser guardados [além dos domingos] o dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Epifania (domingo no Brasil), da Ascensão (domingo) e do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi), de Santa Maria, Mãe de Deus (1º de janeiro), de sua Imaculada Conceição (8 de dezembro) e Assunção (domingo), de São José (19 de março), dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo (domingo), e por fim, de Todos os Santos (domingo)” (CDC, cân. 1246,1; n. 2043 após nota 252) (§2177). 2 – Confessar-se ao menos uma vez por ano Assegura a preparação para a Eucaristia pela recepção do Sacramento da Reconciliação, que continua a obra de conversão e perdão do Batismo (CDC, cân. 989). É claro que é pouco se confessar uma vez ao ano, seria bom que cada um se confessasse ao menos uma vez por mês, pois fica mais fácil de se recordar dos pecados e de ter a graça para vencê-los. 3 – Receber o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa da ressurreição (O período pascal vai da Páscoa até festa da Ascenção) e garante um mínimo na recepção do Corpo e do Sangue do Senhor em ligação com as festas pascais, origem e centro da Liturgia cristã (CDC, cân. 920). Também é muito pouco comungar ao menos uma vez ao ano. A Igreja recomenda (não obriga) a comunhão diária. 4 – Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja (No Brasil isso deve ser feito na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa). Este jejum consiste em um leve café da manhã, um almoço leve e um lanche também leve à tarde, sem mais nada no meio do dia, nem o cafezinho. Quem desejar, pode fazer um jejum mais rigoroso; o obrigatório é o mínimo. Os que já tem mais de sessenta anos estão dispensados da obrigatoriedade, mas podem fazê-lo se desejarem. Diz o Catecismo que o jejum “Determina os tempos de ascese e penitência que nos preparam para as festas litúrgicas; contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração (CDC, cân. 882)”. 5 – Ajudar a Igreja em suas necessidades Recorda aos fiéis que devem ir ao encontro das necessidades materiais da Igreja, cada um conforme as próprias possibilidades (CDC, cân. 222). Não é obrigatório que o dízimo seja de 10% do salário, nem o Catecismo nem o Código de Direito Canônico obrigam esta porcentagem, mas é bom e bonito se assim o for. O importante é, como disse São Paulo, dar com alegria, pois “Deus ama aquele que dá com alegria” (cf. 2Cor 9, 7). Esta ajuda às necessidades da Igreja pode ser dada uma parte na paróquia e em outras obras da Igreja. Nota: Conforme preceitua o Código de Direito Canônico, as Conferências Episcopais de cada país podem estabelecer outros preceitos eclesiásticos para o seu território (CDC, cân. 455) (§2043). Faça também o nosso curso gratuito sobre os 10 Mandamentos da Lei de Deus #Catequese #Mandamentos
- Santo Inácio de Antioquia, primeiro que chamou a Igreja de Católica – 17 de Outubro
SANTO DO DIA – 17 DE OUTUBRO – SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA Bispo e mártir (+107) ‘Inácio, o teóforo” (aquele que conduz a Deus, como ele mesmo gostava de ser chamado), bispo do coração ardente (Inácio — Ignatius — quer dizer precisamente “fogo”), ficou na memória dos cristãos de todos os tempos por causa das inusitadas expressões de amor dirigidas a Cristo e à Igreja, as quais se leem nas cartas escritas durante a viagem que, de Antioquia, devia levá-lo a Roma, para ser jogado às feras, sendo vítima ilustre da perseguição de Trajano. Inácio ocupava, desde o ano 79, a sede episcopal de Antioquia — a metrópole síria, terceira em ordem de grandeza no vasto Império Romano —, e o historiador Eusébio de Cesaréia o tem na conta de sucessor imediato de são Pedro. Informa-nos de que “Inácio foi mandado da Síria a Roma para ser lançado como alimento às feras, por causa do seu testemunho de Cristo. Realizando sua viagem pela Ásia, sob a custódia rígida de uma guarda numerosa, nas cidades onde parava, ia consolidando as igrejas com pregações e admoestações…” De Esmirna, onde era bispo seu jovem amigo Policarpo, escreveu às igrejas de Éfeso, Magnésia e Tralli, confiando as cartas aos respectivos bispos — Onésimo, Dama e Políbio —, que haviam acorrido a fim de o encontrar para uma última saudação. Chegado a Trôade, Inácio escreveu outras cartas, entre as quais uma a Policarpo, para confiar-lhe seus fiéis de Antioquia, a fim de que a grei não ficasse muito tempo sem pastor: “Onde está o bispo, aí esteja a comunidade, assim como onde está Cristo Jesus, aí está a Igreja católica”. Esta última expressão, destinada a passar para a história, parece ter sido cunhada por ele, juntamente com a palavra “cristianismo”. A viagem, depois da travessia de Durazo a Bríndisi, prosseguiu pela via Ápia até Roma, onde terminou seus dias no anfiteatro, devorado pelas feras, apesar de a comunidade cristã ter-se empenhado em poupar-lhe a pena capital. Mas ele desejava ardentemente o martírio: “Deixai-me ser alimento das feras, pelas quais me será dado desfrutar Deus. Eu sou o trigo de Deus: é preciso que ele seja triturado pelos dentes das feras a fim de ser considerado puro pão de Cristo”. Para não ser incômodo a ninguém, almejava encontrar sepultura no ventre de alguma fera esfaimada. É provável que os fiéis tenham conseguido subtrair os restos de seu corpo martirizado até o extremo ultraje, pois desde a Antiguidade os cristãos de Antioquia veneram seu sepulcro, situado às portas da cidade, e celebram sua memória em 17 de outubro (dia adotado no novo calendário em lugar de 1º de fevereiro). Retirado do livro ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. Santo Inácio de Antioquia: Aquele que portava Cristo no seu coração O Coliseu romano guarda até hoje o calor dos feitos heroicos que se passaram em sua arena. Ali, a graça do martírio penetrou profundamente e legou à Cristandade uma de suas mais gloriosas páginas… O exemplo do primeiro Bispo de Antioquia encerra toda a doçura e a força com que a Santa Igreja lançou suas divinas raízes … Quem já teve a oportunidade de viajar para Roma e conhecer seus antiquíssimos monumentos – obras-primas da inteligência e da capacidade de nossos ancestrais – certamente terá experimentado uma forte atração ao deparar com o anfiteatro Flaviano, mais conhecido pelo nome de Coliseu. Sólido e bem edificado, com suas galerias de arcos tipicamente romanos, ele atravessa os séculos, insensível ao tempo, como imagem de um passado que poucos sabem admirar. Com efeito, hoje em dia o Coliseu é objeto da incessante curiosidade dos turistas que o visitam durante todo o ano. Muitos formam intermináveis filas para nele ingressar, com o desejo de fotografá-lo e depois vangloriar-se de ter estado num dos locais mais famosos do mundo; outros percorrem-no com o mero intuito de constatar seu valor artístico e estrutural; poucos são, porém, os que para lá se dirigem na intenção de rezar. O Coliseu, teatro de crueldades O imperador Vespasiano, invejoso da afetuosa lembrança que o povo guardava a respeito de César Augusto e sabendo que este, antes da sua morte, prometera construir um imenso anfiteatro que excedesse em esplendor todos os edifícios do mundo, concebeu a ideia de realizar este plano e assim rivalizar em fama com aquele seu predecessor. No segundo ano após sua ascensão ao trono (72 d.C.), Vespasiano iniciou sua obra. Entretanto, também a ele não seria dado ver o objeto de suas ambições, e a morte colheu-o antes de ser completada a construção, que só seria dedicada no ano 80 d.C., por seu filho Tito. Este último teve grande parte na ereção do anfiteatro, empregando nos trabalhos aproximadamente 50 mil prisioneiros, trazidos de sua vitoriosa campanha na Judéia. Construída especialmente para ser palco daqueles jogos de gladiadores que os romanos tanto apreciavam, a gigantesca mole estava, porém, reservada para servir de quadro a combates de fé e de heroísmo muito mais gloriosos do que desprezíveis eram aqueles espetáculos pagãos! Se os divertimentos do Coliseu deixaram uma mancha no passado por causa das horríveis cenas de crueldade ali representadas, outros fatos, sob o ponto de vista sobrenatural, constituem uma das mais belas páginas da história da Santa Igreja. Pedestal de bem-aventurados É com espírito de piedade que deve penetrar no Coliseu o verdadeiro peregrino católico. Bastará permanecer em silêncio por um curto tempo, para perceber os imponderáveis e inverossímeis de fé, força e coragem que habitam sob essas numerosas arcadas. É evocativo esse edifício, no qual cada pedra tem um belo fato para contar e até as gramas e os musgos mais recentes desejariam dizer uma palavra sobre aquele passado feito de sangue, dor e glória. Contemplando mais detidamente essa arena, outrora pedestal de tantos bem-aventurados, podemos ainda divisar os compartimentos onde as feras eram mantidas na fome. Vê-se também ao lado destes as celas que aprisionaram os que hoje constituem uma verdadeira legião, no gozo da visão beatífica. Essas veneráveis ruínas, nas quais refulge um misterioso brilho sobrenatural, parecem cantar, ao longo dos séculos, a célebre frase latina: sine sanguine non fit remissio; lembrando aos homens que, para ser verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, é necessário primeiro segui- Lo até as ignomínias do Calvário para depois participar do triunfo da ressurreição. Sim, foi sobre essas pedras benditas, banhadas de sangue católico, que nasceram as raízes da era em que a filosofia do Evangelho dominou sobre todos os povos. Ouçamos, pois, atentos, um dos emocionantes feitos que esses valos, essas muralhas e arcadas têm a nos narrar. Inácio, o Teóforo Corria o ano 106 da era cristã. O imperador Trajano festejava sua vitória sobre Decébalo, rei da Dácia. Querendo manifestar seu reconhecimento aos deuses, a quem atribuía seu recente sucesso, Trajano organizou uma perseguição contra os cristãos que negassem a existência dessas divindades. Entre os condenados estava um venerável ancião, presa de grande valor, – pois se tratava do bispo de uma das cidades de maior importância naquela época – varão que gozava de muita estima e autoridade entre os fiéis da Ásia Menor, por ter sido discípulo do evangelista São João e designado pelo próprio São Pedro para assumir o cargo naquela Igreja: Inácio de Antioquia. Segundo uma antiga tradição, o primeiro encontro entre o imperador e Inácio dera-se quando este último, sabendo da passagem do césar por sua diocese, fora apresentar-se voluntariamente a ele. Submetido a um interrogatório no qual Trajano tratou-o de “espírito malvado”, respondeu o santo com majestade: “Ninguém pode chamar a Teóforo de espírito malvado”. “Quem é o Teóforo ou portador de Deus?” perguntaram-lhe.”É aquele que leva a Cristo em seu peito…” Instado pelo imperador para que se explicasse mais sobre essa afirmação, o homem de Deus declarou: “Está escrito: ‘Habitarei e andarei no meio deles’” (2 Cor 6, 16). Assim, por essas palavras, ele mesmo dava testemunho de um milagre que viria a ser confirmado após o seu martírio. Trajano ordenou, pois, que Inácio fosse acorrentado e conduzido a Roma, sob a custódia de dez soldados, para ali ser lançado às feras no anfiteatro Flaviano. Dolorosa viagem, desfile triunfal Grande foi a consternação dos fiéis ao conhecerem a sentença que recaíra sobre seu amado pastor. Ele, pelo contrário, regozijava-se e não deixava de dar graças a Deus por ter sido achado digno de tão grande misericórdia. Já antes da partida, embarcando no porto de Selêucia, a notícia de sua detenção espalhara-se por aquelas regiões e de todas as partes acorriam os cristãos para vê-lo passar e dar um último adeus àquele que os precederia no Reino dos Céus. A dolorosa viagem viu-se, então, transformada em verdadeiro desfile triunfal. Em Esmirna, o bispo São Policarpo, acompanhado de seu rebanho, acolheu- o com manifestações de homenagem e respeito. Também as comunidades de Éfeso, Trales e Magnésia foram- lhe ao encontro em grande multidão, desejosas de pedir sua bênção e testemunhar os padecimentos daquele atleta de Cristo. Ele, de seu lado, não esquecera a missão que o Senhor lhe confiara e continuava a exercer seu ministério, apesar de ter as mãos apertadas por grilhões. A muitos batizou pelo caminho, a outros edificou pelas suas palavras cheias de unção, e a um número incontável inflamou na caridade, arrastando-os com seu exemplo a acompanhá-lo no martírio. Seu zelo incansável levou-o a escrever sete cartas, dirigidas àquelas mesmas Igrejas que tão fervorosamente o haviam recebido. Seus escritos, verdadeiros tesouros de doutrina e espiritualidade, podem ser considerados como “a segunda formulação doutrinária cristã” 1. Zeloso pregador da doutrina Uma de suas principais preocupações estava na união que os fiéis deviam manter com Jesus Cristo, através da legítima hierarquia: bispos e presbíteros. Assim, exortava ele na carta aos magnésios:“Esforçai-vos por ficar firmes na doutrina do Senhor e dos apóstolos, para que tudo quanto fizerdes tenha bom êxito na carne e no espírito, pela fé e pela caridade, no Filho, no Pai e no Espírito, no princípio e no fim, com vosso digno bispo e a bem entretecida coroa espiritual de vosso presbitério, juntamente com os diáconos agradáveis a Deus. Sede submissos ao bispo e uns aos outros como, em sua humanidade, Jesus Cristo ao Pai, e os apóstolos a Cristo e ao Pai e ao Espírito, para que a união seja corporal e espiritual.” 2 Em outra passagem, aconselhava a seu amigo Policarpo: “Tem cuidado pela unidade, pois nada há de melhor.”3 Ao bispo de Antioquia é devida a honra de ter dado à Santa Igreja, por primeira vez, o glorioso título de católica: “Onde estiver o bispo, ali estarão também as multidões, da mesma forma que onde estiver Jesus Cristo, ali estará a Igreja Católica”. 4 Também foi ele o defensor de um ponto que só viria a ser elevado à categoria de dogma séculos mais tarde: o parto virginal da Santa Mãe de Deus. Assim escreveu aos efésios: “ao príncipe deste mundo foi ocultada a virgindade de Maria, seu parto e também a morte do Senhor”.5 Aos seus caros esmirnenses também afirmava: “Crendo de igual modo que verdadeiramente nasceu da Virgem, foi batizado por João ‘para que nele se cumprisse toda a justiça.’” 6 A doutrina de Inácio era clara e segura; ele a haurira dos lábios daquele discípulo a quem tantos mistérios haviam sido revelados ao repousar a cabeça sobre o peito do Verbo Encarnado e nos longos anos de convivência com Maria Santíssima. “Procuro aquele que morreu por nós!” Entretanto, se as cartas deste insigne doutor manifestam toda a riqueza de seu ensinamento teológico, uma outra ainda, aquela enviada aos romanos, deixa entrever o sublime ardor de sua alma, elevada aos píncaros da mais pura mística. Tendo-lhe chegado a notícia de que os fiéis de Roma procuravam interpor toda sua influência para afastar dele a mortal condenação, apressou-se em dirigir- lhes, desde Esmirna, uma comovedora súplica: “Tenho escrito a todas as Igrejas e a todas elas faço saber que com alegria morro por Deus, contanto que vós não mo impeçais. Suplicovos: não demonstreis por mim uma benevolência intempestiva. Deixai-me ser alimento das feras, porque, através delas, pode-se alcançar a Deus. Sou trigo de Deus: que seja eu triturado pelos dentes das feras para tornar-me puro pão de Cristo! Instigai, ao contrário, os animais para que neles encontre o meu sepulcro e nada reste de meu corpo para não ser pesado a ninguém, depois de adormecer. Então serei verdadeiro discípulo de Cristo, quando o mundo não mais vir sequer o meu corpo. Suplicai a Deus por mim, que por este meio me torne uma hóstia para Deus. […] Que nada, tanto das coisas visíveis quanto das invisíveis, segure o meu espírito, a fim de que eu possa alcançar a Jesus Cristo. Que o fogo, a cruz, um bando de feras, os dilaceramentos, os cortes, a deslocação dos ossos, o esquartejamento, as feridas pelo corpo todo, os duros tormentos do diabo venham sobre mim para que eu ganhe unicamente a Jesus Cristo! […] Procuro aquele que morreu por nós: quero aquele que por nós ressuscitou. Meu nascimento está iminente. Perdoai- me, irmãos! Não me impeçais de viver, não desejeis que eu morra, pois desejo ser de Deus. […] Vivo, vos escrevo, desejando morrer. Meu amor está crucificado. Não há em mim um fogo que busque alimenta-se da matéria, apenas uma água viva e murmurante dentro de mim, dizendome em segredo: ‘Vem para o Pai!’ […] Se for martirizado, vós me quisestes bem. Se for rejeitado, vós me odiastes.” 7 Expressões de tão heroica caridade só poderiam brotar de um coração tomado pela graça do martírio de maneira superabundante. Com efeito, assim nos explica São Tomás de Aquino: “Entre todos os atos de virtude, o martírio é aquele que manifesta no mais alto grau a perfeição da caridade. Porque tanto mais se manifesta que alguém ama alguma coisa, quanto por ela despreza uma coisa amada e abraça um sofrimento. É evidente que entre todos os bens da vida presente aquele que o homem mais preza é a vida e, ao contrário, aquilo que ele mais odeia é a morte, principalmente quando vem acompanhada de torturas e suplícios por medo dos quais ‘até os próprios animais ferozes se afastam dos prazeres mais desejáveis’, como diz Agostinho. Deste ponto de vista, é evidente que o martírio é, por natureza, o mais perfeito dos atos humanos, enquanto sinal do mais alto grau de amor, segundo a palavra da Escritura: ‘Não existe maior prova de amor do que dar a vida por seus amigos.’” 8. Um lutador resignado só pode ser traidor Esta excelência da caridade que pervadia o interior de nosso santo, só tendia a crescer à medida em que se sucediam as etapas da viagem que o aproximavam da tão almejada meta. Embarcando no porto de Dirraquio – sempre sob o olhar vigilante dos guardas, os quais ele mesmo chamava de “dez leopardos”, a causa dos maus tratos que lhe infligiam – enfrentou uma longa travessia, bordejando o sul da Itália e, por fim, desembarcou em Óstia, a 20 de dezembro do ano 107, último dia das festas públicas que se celebravam em Roma. Na orgulhosa metrópole dos imperadores comemorava-se ainda o triunfo de Trajano sobre os dácios. Durante 123 dias haviam-se prolongado os espetáculos nos quais morreram 10.000 gladiadores e 12.000 feras. O bispo Inácio era esperado com ansiedade pela turba pagã, pois as vítimas ilustres e de aspecto venerável exerciam maior atração nos jogos circenses. Por isso, os soldados para lá conduziram-no sem demora. Os cristãos receberam-no às portas da cidade, com manifestações de sincera admiração e respeito. Alegravam-se ao vê-lo, mas lamentavam, ao mesmo tempo, que lhes fosse arrebatado tão cedo. Rogaram-lhe, então, que obtivesse de Deus o favor de que algumas relíquias suas lhes fossem deixadas após o martírio. Embora contra sua vontade – pois ele desejava ser devorado por inteiro – o santo varão acedeu bondosamente em faze-se cargo de pedido tão filial. Arrastando suas cadeias, Inácio atravessou as ruas pavimentadas da capital do império: ao longe podia divisar os imponentes muros do Coliseu dominando o vale, circundado pelos montes Palatino, Esquilino e Célio. Aquele edifício representava para ele o termo de seus anelos, a realização de suas esperanças mais íntimas, a consumação de seu holocausto. Caminhava apressadamente, não com a resignação de um condenado, mas impelido pelos ardores de entusiasmo que não mais cabiam dentro de sua alma, convicto de que o lutador resignado é traidor. Aquele edifício servir-lhe-ia de túmulo e de altar, ao passo que seria o pedestal de onde seu espírito voaria ao céu. “Desejaria ser triturado como o trigo” Uma numerosa multidão acorrera ao Coliseu para presenciar o sangrento espetáculo e se deliciar com o destroçamento do corpo do mártir. Este, sereno e alegre, não manifestou a menor vacilação quando as grades foram abertas e entrou no vasto anfiteatro, à espera do trágico momento em que as bestas ferozes fossem soltas. As vaias e os escárnios daqueles pagãos para ele nada significavam. Pelo contrário, eram-lhe uma razão a mais para crer na invisível coorte de bem-aventurados a esperá-lo com uma palma e uma coroa. Ouve-se um hurra na turbamulta, sucedido por silêncio e um grande suspense: os famintos leões irromperam na arena e, impetuosos, avançaram sobre a pura e inocente vítima para devorá-la. Entretanto, com a majestade e império que possuem as almas tomadas pelo Espírito Santo, o mártir estancou-as a meio caminho, com um simples gesto de mão. Num movimento solene, ajoelhou-se e, elevando os braços ao céu, clamou em alta voz: “Senhor, aqueles que me acompanharam e que são também vossos filhos, pediram-me que rezasse a fim de que algo lhes sobre deste martírio, para estímulo de sua fé. Eu, porém, desejaria ser triturado como o trigo para vos ser oferecido como hóstia pura. Senhor, fazei a vontade deles e também a minha, eu vos peço”. Após a oração, assistida com estupefação pela horda criminosa e pagã e pelas feras, com respeito, eis que ainda mais grandioso e nobre gesto permitiu a estas últimas sair de seu miraculoso encantamento e dar vazão aos instintos de sua voraz natureza. Em poucos minutos, lá entravam os gladiadores a agrilhoar aqueles animais que acabavam de saciar seu bestial apetite com as carnes de um novo serafim. A arena vazia, o espetáculo terminado, retirou-se vagarosa e frustrada a assistência. Que demonstração de fé e de nobreza haviam presenciado! “Põe-me como um selo em teu coração” Os cristãos por ali ainda permaneceram à espera do cair do sol. E quando o manto da noite passou a cobrir a cidade de Roma, penetraram na arena à procura das poeiras tornadas relíquias ao serem embebidas pelo sangue daquele que agora os precedia na glória celeste. Um milagre! Encontraram intactos um fêmur e o coração! Tomados de sobrenatural entusiasmo, caminharam sem medir distâncias, rumo às catacumbas e depois de algumas horas, constataram, à luz das lamparinas, outro milagre: num círculo, as veias e artérias do coração do santo mártir, constituíam as célebres palavras: Iesus Nazarenus, Rex iudeorum. Inácio, o Teóforo, o portador de Deus, atestara seu nome com aquele comovedor prodígio. Seu coração amante fora subjugado e modelado pelo Amado, segundo aquele pedido do Cântico: “Põe-me como um selo em teu coração” (Ct 8, 6). Nem as tribulações, nem as correntes, nem os suplícios, nem a própria morte o haviam podido separar do amor de Cristo. Por sua santa vida, rica em pregações, em caridade e exemplos, assemelhara-se ao Divino Mestre, imitando- o enquanto verdadeiro Pastor das ovelhas. Por sua generosa entrega levada ao extremo da imolação, alcançara para sempre aquela “única coisa necessária” (Lc 10, 42): o convívio eterno com Aquele a quem só procurara na Terra, Jesus! A este santo varão de Deus bem poderiam ser aplicadas as belas palavras de um autor medieval: “Forte é o amor, que tem poder para privarnos do dom da vida. Forte é o amor, que tem poder para restituir-nos o gozo de uma vida melhor. Forte é a morte, poderosa para despojar-nos do revestimento deste corpo. Forte é o amor, poderoso para nos roubar os despojos da morte e no-los entregar de novo. Forte é a morte, a ela o homem não pode resistir. Forte é o amor que pode vencê-la, embotar-lhe o aguilhão, travar- lhe o ímpeto, quebrantar-lhe a vitória.” 9 E uma vez mais caiu a noite sobre a grandiosa mole do Coliseu. As areias do circo pagão, regadas pelo sangue daquele que portara a seu Redentor no peito, transformaramse de novo em campo arado e fértil, de onde germinariam muitos outros filhos da Esposa Mística de Cristo.(Revista Arautos do Evangelho, Out/2007, n. 70, p. 32 à 37) #SantodoDia
- Santo Inácio de Antioquia, primeiro que chamou a Igreja de Católica – 17 de Outubro
SANTO DO DIA – 17 DE OUTUBRO – SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA Bispo e mártir (+107) ‘Inácio, o teóforo” (aquele que conduz a Deus, como ele mesmo gostava de ser chamado), bispo do coração ardente (Inácio — Ignatius — quer dizer precisamente “fogo”), ficou na memória dos cristãos de todos os tempos por causa das inusitadas expressões de amor dirigidas a Cristo e à Igreja, as quais se leem nas cartas escritas durante a viagem que, de Antioquia, devia levá-lo a Roma, para ser jogado às feras, sendo vítima ilustre da perseguição de Trajano. Inácio ocupava, desde o ano 79, a sede episcopal de Antioquia — a metrópole síria, terceira em ordem de grandeza no vasto Império Romano —, e o historiador Eusébio de Cesaréia o tem na conta de sucessor imediato de são Pedro. Informa-nos de que “Inácio foi mandado da Síria a Roma para ser lançado como alimento às feras, por causa do seu testemunho de Cristo. Realizando sua viagem pela Ásia, sob a custódia rígida de uma guarda numerosa, nas cidades onde parava, ia consolidando as igrejas com pregações e admoestações…” De Esmirna, onde era bispo seu jovem amigo Policarpo, escreveu às igrejas de Éfeso, Magnésia e Tralli, confiando as cartas aos respectivos bispos — Onésimo, Dama e Políbio —, que haviam acorrido a fim de o encontrar para uma última saudação. Chegado a Trôade, Inácio escreveu outras cartas, entre as quais uma a Policarpo, para confiar-lhe seus fiéis de Antioquia, a fim de que a grei não ficasse muito tempo sem pastor: “Onde está o bispo, aí esteja a comunidade, assim como onde está Cristo Jesus, aí está a Igreja católica”. Esta última expressão, destinada a passar para a história, parece ter sido cunhada por ele, juntamente com a palavra “cristianismo”. A viagem, depois da travessia de Durazo a Bríndisi, prosseguiu pela via Ápia até Roma, onde terminou seus dias no anfiteatro, devorado pelas feras, apesar de a comunidade cristã ter-se empenhado em poupar-lhe a pena capital. Mas ele desejava ardentemente o martírio: “Deixai-me ser alimento das feras, pelas quais me será dado desfrutar Deus. Eu sou o trigo de Deus: é preciso que ele seja triturado pelos dentes das feras a fim de ser considerado puro pão de Cristo”. Para não ser incômodo a ninguém, almejava encontrar sepultura no ventre de alguma fera esfaimada. É provável que os fiéis tenham conseguido subtrair os restos de seu corpo martirizado até o extremo ultraje, pois desde a Antiguidade os cristãos de Antioquia veneram seu sepulcro, situado às portas da cidade, e celebram sua memória em 17 de outubro (dia adotado no novo calendário em lugar de 1º de fevereiro). Retirado do livro ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. Santo Inácio de Antioquia: Aquele que portava Cristo no seu coração O Coliseu romano guarda até hoje o calor dos feitos heroicos que se passaram em sua arena. Ali, a graça do martírio penetrou profundamente e legou à Cristandade uma de suas mais gloriosas páginas… O exemplo do primeiro Bispo de Antioquia encerra toda a doçura e a força com que a Santa Igreja lançou suas divinas raízes … Quem já teve a oportunidade de viajar para Roma e conhecer seus antiquíssimos monumentos – obras-primas da inteligência e da capacidade de nossos ancestrais – certamente terá experimentado uma forte atração ao deparar com o anfiteatro Flaviano, mais conhecido pelo nome de Coliseu. Sólido e bem edificado, com suas galerias de arcos tipicamente romanos, ele atravessa os séculos, insensível ao tempo, como imagem de um passado que poucos sabem admirar. Com efeito, hoje em dia o Coliseu é objeto da incessante curiosidade dos turistas que o visitam durante todo o ano. Muitos formam intermináveis filas para nele ingressar, com o desejo de fotografá-lo e depois vangloriar-se de ter estado num dos locais mais famosos do mundo; outros percorrem-no com o mero intuito de constatar seu valor artístico e estrutural; poucos são, porém, os que para lá se dirigem na intenção de rezar. O Coliseu, teatro de crueldades O imperador Vespasiano, invejoso da afetuosa lembrança que o povo guardava a respeito de César Augusto e sabendo que este, antes da sua morte, prometera construir um imenso anfiteatro que excedesse em esplendor todos os edifícios do mundo, concebeu a ideia de realizar este plano e assim rivalizar em fama com aquele seu predecessor. No segundo ano após sua ascensão ao trono (72 d.C.), Vespasiano iniciou sua obra. Entretanto, também a ele não seria dado ver o objeto de suas ambições, e a morte colheu-o antes de ser completada a construção, que só seria dedicada no ano 80 d.C., por seu filho Tito. Este último teve grande parte na ereção do anfiteatro, empregando nos trabalhos aproximadamente 50 mil prisioneiros, trazidos de sua vitoriosa campanha na Judéia. Construída especialmente para ser palco daqueles jogos de gladiadores que os romanos tanto apreciavam, a gigantesca mole estava, porém, reservada para servir de quadro a combates de fé e de heroísmo muito mais gloriosos do que desprezíveis eram aqueles espetáculos pagãos! Se os divertimentos do Coliseu deixaram uma mancha no passado por causa das horríveis cenas de crueldade ali representadas, outros fatos, sob o ponto de vista sobrenatural, constituem uma das mais belas páginas da história da Santa Igreja. Pedestal de bem-aventurados É com espírito de piedade que deve penetrar no Coliseu o verdadeiro peregrino católico. Bastará permanecer em silêncio por um curto tempo, para perceber os imponderáveis e inverossímeis de fé, força e coragem que habitam sob essas numerosas arcadas. É evocativo esse edifício, no qual cada pedra tem um belo fato para contar e até as gramas e os musgos mais recentes desejariam dizer uma palavra sobre aquele passado feito de sangue, dor e glória. Contemplando mais detidamente essa arena, outrora pedestal de tantos bem-aventurados, podemos ainda divisar os compartimentos onde as feras eram mantidas na fome. Vê-se também ao lado destes as celas que aprisionaram os que hoje constituem uma verdadeira legião, no gozo da visão beatífica. Essas veneráveis ruínas, nas quais refulge um misterioso brilho sobrenatural, parecem cantar, ao longo dos séculos, a célebre frase latina: sine sanguine non fit remissio; lembrando aos homens que, para ser verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, é necessário primeiro segui- Lo até as ignomínias do Calvário para depois participar do triunfo da ressurreição. Sim, foi sobre essas pedras benditas, banhadas de sangue católico, que nasceram as raízes da era em que a filosofia do Evangelho dominou sobre todos os povos. Ouçamos, pois, atentos, um dos emocionantes feitos que esses valos, essas muralhas e arcadas têm a nos narrar. Inácio, o Teóforo Corria o ano 106 da era cristã. O imperador Trajano festejava sua vitória sobre Decébalo, rei da Dácia. Querendo manifestar seu reconhecimento aos deuses, a quem atribuía seu recente sucesso, Trajano organizou uma perseguição contra os cristãos que negassem a existência dessas divindades. Entre os condenados estava um venerável ancião, presa de grande valor, – pois se tratava do bispo de uma das cidades de maior importância naquela época – varão que gozava de muita estima e autoridade entre os fiéis da Ásia Menor, por ter sido discípulo do evangelista São João e designado pelo próprio São Pedro para assumir o cargo naquela Igreja: Inácio de Antioquia. Segundo uma antiga tradição, o primeiro encontro entre o imperador e Inácio dera-se quando este último, sabendo da passagem do césar por sua diocese, fora apresentar-se voluntariamente a ele. Submetido a um interrogatório no qual Trajano tratou-o de “espírito malvado”, respondeu o santo com majestade: “Ninguém pode chamar a Teóforo de espírito malvado”. “Quem é o Teóforo ou portador de Deus?” perguntaram-lhe.”É aquele que leva a Cristo em seu peito…” Instado pelo imperador para que se explicasse mais sobre essa afirmação, o homem de Deus declarou: “Está escrito: ‘Habitarei e andarei no meio deles’” (2 Cor 6, 16). Assim, por essas palavras, ele mesmo dava testemunho de um milagre que viria a ser confirmado após o seu martírio. Trajano ordenou, pois, que Inácio fosse acorrentado e conduzido a Roma, sob a custódia de dez soldados, para ali ser lançado às feras no anfiteatro Flaviano. Dolorosa viagem, desfile triunfal Grande foi a consternação dos fiéis ao conhecerem a sentença que recaíra sobre seu amado pastor. Ele, pelo contrário, regozijava-se e não deixava de dar graças a Deus por ter sido achado digno de tão grande misericórdia. Já antes da partida, embarcando no porto de Selêucia, a notícia de sua detenção espalhara-se por aquelas regiões e de todas as partes acorriam os cristãos para vê-lo passar e dar um último adeus àquele que os precederia no Reino dos Céus. A dolorosa viagem viu-se, então, transformada em verdadeiro desfile triunfal. Em Esmirna, o bispo São Policarpo, acompanhado de seu rebanho, acolheu- o com manifestações de homenagem e respeito. Também as comunidades de Éfeso, Trales e Magnésia foram- lhe ao encontro em grande multidão, desejosas de pedir sua bênção e testemunhar os padecimentos daquele atleta de Cristo. Ele, de seu lado, não esquecera a missão que o Senhor lhe confiara e continuava a exercer seu ministério, apesar de ter as mãos apertadas por grilhões. A muitos batizou pelo caminho, a outros edificou pelas suas palavras cheias de unção, e a um número incontável inflamou na caridade, arrastando-os com seu exemplo a acompanhá-lo no martírio. Seu zelo incansável levou-o a escrever sete cartas, dirigidas àquelas mesmas Igrejas que tão fervorosamente o haviam recebido. Seus escritos, verdadeiros tesouros de doutrina e espiritualidade, podem ser considerados como “a segunda formulação doutrinária cristã” 1. Zeloso pregador da doutrina Uma de suas principais preocupações estava na união que os fiéis deviam manter com Jesus Cristo, através da legítima hierarquia: bispos e presbíteros. Assim, exortava ele na carta aos magnésios:“Esforçai-vos por ficar firmes na doutrina do Senhor e dos apóstolos, para que tudo quanto fizerdes tenha bom êxito na carne e no espírito, pela fé e pela caridade, no Filho, no Pai e no Espírito, no princípio e no fim, com vosso digno bispo e a bem entretecida coroa espiritual de vosso presbitério, juntamente com os diáconos agradáveis a Deus. Sede submissos ao bispo e uns aos outros como, em sua humanidade, Jesus Cristo ao Pai, e os apóstolos a Cristo e ao Pai e ao Espírito, para que a união seja corporal e espiritual.” 2 Em outra passagem, aconselhava a seu amigo Policarpo: “Tem cuidado pela unidade, pois nada há de melhor.”3 Ao bispo de Antioquia é devida a honra de ter dado à Santa Igreja, por primeira vez, o glorioso título de católica: “Onde estiver o bispo, ali estarão também as multidões, da mesma forma que onde estiver Jesus Cristo, ali estará a Igreja Católica”. 4 Também foi ele o defensor de um ponto que só viria a ser elevado à categoria de dogma séculos mais tarde: o parto virginal da Santa Mãe de Deus. Assim escreveu aos efésios: “ao príncipe deste mundo foi ocultada a virgindade de Maria, seu parto e também a morte do Senhor”.5 Aos seus caros esmirnenses também afirmava: “Crendo de igual modo que verdadeiramente nasceu da Virgem, foi batizado por João ‘para que nele se cumprisse toda a justiça.’” 6 A doutrina de Inácio era clara e segura; ele a haurira dos lábios daquele discípulo a quem tantos mistérios haviam sido revelados ao repousar a cabeça sobre o peito do Verbo Encarnado e nos longos anos de convivência com Maria Santíssima. “Procuro aquele que morreu por nós!” Entretanto, se as cartas deste insigne doutor manifestam toda a riqueza de seu ensinamento teológico, uma outra ainda, aquela enviada aos romanos, deixa entrever o sublime ardor de sua alma, elevada aos píncaros da mais pura mística. Tendo-lhe chegado a notícia de que os fiéis de Roma procuravam interpor toda sua influência para afastar dele a mortal condenação, apressou-se em dirigir- lhes, desde Esmirna, uma comovedora súplica: “Tenho escrito a todas as Igrejas e a todas elas faço saber que com alegria morro por Deus, contanto que vós não mo impeçais. Suplicovos: não demonstreis por mim uma benevolência intempestiva. Deixai-me ser alimento das feras, porque, através delas, pode-se alcançar a Deus. Sou trigo de Deus: que seja eu triturado pelos dentes das feras para tornar-me puro pão de Cristo! Instigai, ao contrário, os animais para que neles encontre o meu sepulcro e nada reste de meu corpo para não ser pesado a ninguém, depois de adormecer. Então serei verdadeiro discípulo de Cristo, quando o mundo não mais vir sequer o meu corpo. Suplicai a Deus por mim, que por este meio me torne uma hóstia para Deus. […] Que nada, tanto das coisas visíveis quanto das invisíveis, segure o meu espírito, a fim de que eu possa alcançar a Jesus Cristo. Que o fogo, a cruz, um bando de feras, os dilaceramentos, os cortes, a deslocação dos ossos, o esquartejamento, as feridas pelo corpo todo, os duros tormentos do diabo venham sobre mim para que eu ganhe unicamente a Jesus Cristo! […] Procuro aquele que morreu por nós: quero aquele que por nós ressuscitou. Meu nascimento está iminente. Perdoai- me, irmãos! Não me impeçais de viver, não desejeis que eu morra, pois desejo ser de Deus. […] Vivo, vos escrevo, desejando morrer. Meu amor está crucificado. Não há em mim um fogo que busque alimenta-se da matéria, apenas uma água viva e murmurante dentro de mim, dizendome em segredo: ‘Vem para o Pai!’ […] Se for martirizado, vós me quisestes bem. Se for rejeitado, vós me odiastes.” 7 Expressões de tão heroica caridade só poderiam brotar de um coração tomado pela graça do martírio de maneira superabundante. Com efeito, assim nos explica São Tomás de Aquino: “Entre todos os atos de virtude, o martírio é aquele que manifesta no mais alto grau a perfeição da caridade. Porque tanto mais se manifesta que alguém ama alguma coisa, quanto por ela despreza uma coisa amada e abraça um sofrimento. É evidente que entre todos os bens da vida presente aquele que o homem mais preza é a vida e, ao contrário, aquilo que ele mais odeia é a morte, principalmente quando vem acompanhada de torturas e suplícios por medo dos quais ‘até os próprios animais ferozes se afastam dos prazeres mais desejáveis’, como diz Agostinho. Deste ponto de vista, é evidente que o martírio é, por natureza, o mais perfeito dos atos humanos, enquanto sinal do mais alto grau de amor, segundo a palavra da Escritura: ‘Não existe maior prova de amor do que dar a vida por seus amigos.’” 8. Um lutador resignado só pode ser traidor Esta excelência da caridade que pervadia o interior de nosso santo, só tendia a crescer à medida em que se sucediam as etapas da viagem que o aproximavam da tão almejada meta. Embarcando no porto de Dirraquio – sempre sob o olhar vigilante dos guardas, os quais ele mesmo chamava de “dez leopardos”, a causa dos maus tratos que lhe infligiam – enfrentou uma longa travessia, bordejando o sul da Itália e, por fim, desembarcou em Óstia, a 20 de dezembro do ano 107, último dia das festas públicas que se celebravam em Roma. Na orgulhosa metrópole dos imperadores comemorava-se ainda o triunfo de Trajano sobre os dácios. Durante 123 dias haviam-se prolongado os espetáculos nos quais morreram 10.000 gladiadores e 12.000 feras. O bispo Inácio era esperado com ansiedade pela turba pagã, pois as vítimas ilustres e de aspecto venerável exerciam maior atração nos jogos circenses. Por isso, os soldados para lá conduziram-no sem demora. Os cristãos receberam-no às portas da cidade, com manifestações de sincera admiração e respeito. Alegravam-se ao vê-lo, mas lamentavam, ao mesmo tempo, que lhes fosse arrebatado tão cedo. Rogaram-lhe, então, que obtivesse de Deus o favor de que algumas relíquias suas lhes fossem deixadas após o martírio. Embora contra sua vontade – pois ele desejava ser devorado por inteiro – o santo varão acedeu bondosamente em faze-se cargo de pedido tão filial. Arrastando suas cadeias, Inácio atravessou as ruas pavimentadas da capital do império: ao longe podia divisar os imponentes muros do Coliseu dominando o vale, circundado pelos montes Palatino, Esquilino e Célio. Aquele edifício representava para ele o termo de seus anelos, a realização de suas esperanças mais íntimas, a consumação de seu holocausto. Caminhava apressadamente, não com a resignação de um condenado, mas impelido pelos ardores de entusiasmo que não mais cabiam dentro de sua alma, convicto de que o lutador resignado é traidor. Aquele edifício servir-lhe-ia de túmulo e de altar, ao passo que seria o pedestal de onde seu espírito voaria ao céu. “Desejaria ser triturado como o trigo” Uma numerosa multidão acorrera ao Coliseu para presenciar o sangrento espetáculo e se deliciar com o destroçamento do corpo do mártir. Este, sereno e alegre, não manifestou a menor vacilação quando as grades foram abertas e entrou no vasto anfiteatro, à espera do trágico momento em que as bestas ferozes fossem soltas. As vaias e os escárnios daqueles pagãos para ele nada significavam. Pelo contrário, eram-lhe uma razão a mais para crer na invisível coorte de bem-aventurados a esperá-lo com uma palma e uma coroa. Ouve-se um hurra na turbamulta, sucedido por silêncio e um grande suspense: os famintos leões irromperam na arena e, impetuosos, avançaram sobre a pura e inocente vítima para devorá-la. Entretanto, com a majestade e império que possuem as almas tomadas pelo Espírito Santo, o mártir estancou-as a meio caminho, com um simples gesto de mão. Num movimento solene, ajoelhou-se e, elevando os braços ao céu, clamou em alta voz: “Senhor, aqueles que me acompanharam e que são também vossos filhos, pediram-me que rezasse a fim de que algo lhes sobre deste martírio, para estímulo de sua fé. Eu, porém, desejaria ser triturado como o trigo para vos ser oferecido como hóstia pura. Senhor, fazei a vontade deles e também a minha, eu vos peço”. Após a oração, assistida com estupefação pela horda criminosa e pagã e pelas feras, com respeito, eis que ainda mais grandioso e nobre gesto permitiu a estas últimas sair de seu miraculoso encantamento e dar vazão aos instintos de sua voraz natureza. Em poucos minutos, lá entravam os gladiadores a agrilhoar aqueles animais que acabavam de saciar seu bestial apetite com as carnes de um novo serafim. A arena vazia, o espetáculo terminado, retirou-se vagarosa e frustrada a assistência. Que demonstração de fé e de nobreza haviam presenciado! “Põe-me como um selo em teu coração” Os cristãos por ali ainda permaneceram à espera do cair do sol. E quando o manto da noite passou a cobrir a cidade de Roma, penetraram na arena à procura das poeiras tornadas relíquias ao serem embebidas pelo sangue daquele que agora os precedia na glória celeste. Um milagre! Encontraram intactos um fêmur e o coração! Tomados de sobrenatural entusiasmo, caminharam sem medir distâncias, rumo às catacumbas e depois de algumas horas, constataram, à luz das lamparinas, outro milagre: num círculo, as veias e artérias do coração do santo mártir, constituíam as célebres palavras: Iesus Nazarenus, Rex iudeorum. Inácio, o Teóforo, o portador de Deus, atestara seu nome com aquele comovedor prodígio. Seu coração amante fora subjugado e modelado pelo Amado, segundo aquele pedido do Cântico: “Põe-me como um selo em teu coração” (Ct 8, 6). Nem as tribulações, nem as correntes, nem os suplícios, nem a própria morte o haviam podido separar do amor de Cristo. Por sua santa vida, rica em pregações, em caridade e exemplos, assemelhara-se ao Divino Mestre, imitando- o enquanto verdadeiro Pastor das ovelhas. Por sua generosa entrega levada ao extremo da imolação, alcançara para sempre aquela “única coisa necessária” (Lc 10, 42): o convívio eterno com Aquele a quem só procurara na Terra, Jesus! A este santo varão de Deus bem poderiam ser aplicadas as belas palavras de um autor medieval: “Forte é o amor, que tem poder para privarnos do dom da vida. Forte é o amor, que tem poder para restituir-nos o gozo de uma vida melhor. Forte é a morte, poderosa para despojar-nos do revestimento deste corpo. Forte é o amor, poderoso para nos roubar os despojos da morte e no-los entregar de novo. Forte é a morte, a ela o homem não pode resistir. Forte é o amor que pode vencê-la, embotar-lhe o aguilhão, travar- lhe o ímpeto, quebrantar-lhe a vitória.” 9 E uma vez mais caiu a noite sobre a grandiosa mole do Coliseu. As areias do circo pagão, regadas pelo sangue daquele que portara a seu Redentor no peito, transformaramse de novo em campo arado e fértil, de onde germinariam muitos outros filhos da Esposa Mística de Cristo.(Revista Arautos do Evangelho, Out/2007, n. 70, p. 32 à 37) #SantodoDia
- São Geraldo Majela – Uma alma pura que viu a Deus – 16 de Outubro
Como um cristal puríssimo atravessado por intensos raios do Sol, a alma de São Geraldo Majela deixou passar a luz divina sem opor-lhe resistência. Por isso, pôde ele, ainda neste vale de lágrimas, “ver a Deus”! Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5, 8). Talvez seja esta uma das mais belas frases do Evangelho, e uma das mais conhecidas. Entretanto, nem sempre atinamos com o significado mais profundo visado pelo Divino Mestre ao pronunciá-la. Decerto não se referia Ele só à pureza dos Santos no Céu, nem àquela pela qual o coração, já aqui na Terra, está continuamente à procura de Deus, mas também à visão que o inocente possui de todas as criaturas, discernindo nelas um reflexo do Criador. Ora, segundo Santo Agostinho, São Tomás de Aquino e outros Doutores, é possível ao homem começar a gozar, ainda nesta vida, dos prêmios prometidos no Sermão da Montanha. Acerca da recompensa dos puros, escreve o Doutor Angélico: “Com a visão purificada pelo dom da inteligência, Deus pode, de certo modo, ser visto”.1 Se todos os Santos alcançam esta singular virgindade de espírito, em alguns ela parece brilhar com maior esplendor, servindo de modelo a ser imitado. Tal se dá com São Geraldo Majela, que em sua curta existência de apenas 29 anos legou à Igreja um exemplo vivo desta bem-aventurança. “Ó meu Deus, de todas as virtudes que Vos são agradáveis, a minha preferida é a pureza de coração”2 — escreveu ele. Ao percorrermos sua história, analisando suas virtudes, seus milagres e, sobretudo, os terríveis sofrimentos que teve de enfrentar, temos a impressão de contemplar um cristal puríssimo atravessado por intensos raios do Sol: sua alma deixou passar a luz divina sem opor-lhe resistências. Por isso, pôde ele, ainda neste vale de lágrimas, “ver a Deus”! Um menino predestinado Último filho de uma piedosa família, Geraldo nasceu na pequena cidade de Muro Lucano, próxima de Nápoles, em abril de 1726. Desde muito jovem deu manifestações de ser uma alma predileta da Providência: nunca pedia alimento e, em alguns dias da semana, chegava a rejeitá-lo, prenunciando os jejuns que haveria de praticar mais tarde e sua célebre máxima: “O amor a Deus não entra na alma se o estômago está cheio”.3 Seu principal passatempo consistia em erigir pequenos altares, adornando-os com velas e flores; mas seu local preferido era a capela de Capodigiano, dedicada à Santíssima Virgem, distante de Muro cerca de 2 km. Dali voltou, certa vez, trazendo um pequeno pão branco. Indagado pela mãe acerca de quem lhe havia dado o alimento, respondeu: “O filho de uma bela senhora com o qual brinquei”.4 A cidade de Muro, tendo no alto a Concatedral de São Nicolau – Foto: Pitichinaccio (PD) Como o fato se repetisse diariamente durante vários meses, uma de suas irmãs o seguiu um dia, sem ele perceber, e pôde testemunhar o seguinte espetáculo: apenas Geraldo se ajoelhou aos pés da imagem de Maria, o Menino Jesus desceu dos braços de sua Mãe para brincar com ele e, ao despedir-Se, entregou-lhe um pãozinho. Sua Primeira Comunhão não foi menos extraordinária: tendo recebido do pároco uma categórica resposta negativa, por ser ainda muito novo para receber o Pão dos fortes, o pequeno Geraldo pôs-se a soluçar no fundo da igreja. Na mesma noite apareceu-lhe São Miguel Arcanjo e lhe administrou a Sagrada Eucaristia! Já na adolescência, sinal de contradição À semelhança de Nosso Senhor Jesus Cristo, Geraldo foi, desde os primeiros anos, um sinal de contradição (cf. Lc 2, 34) nos ambientes que frequentava. Devido ao falecimento de seu pai, viu-se obrigado a trabalhar como aprendiz de alfaiate. O dono do estabelecimento se afeiçoou a ele; mas o chefe dos empregados, pelo contrário, tomou-se de aversão pelo jovenzinho, justamente por vê-lo tão piedoso. Acusava-o de vagabundo, cobria-o de bofetadas, a ponto de, em uma ocasião, fazê-lo perder os sentidos. Geraldo jamais se queixava com o patrão; antes, alegrava-se em padecer por Jesus e repetia a seu carrasco: “Batei, batei mais, eu mereço este castigo”!5 Algum tempo depois, pôs-se a serviço de Dom Albini, Bispo de Lacedonia, conhecido por seu caráter irascível. Durante três anos Geraldo suportou humilhações, reprimendas, maus-tratos… Numa ocasião, deixou cair na cisterna o molho de chaves da residência episcopal. Em meio a uma terrível aflição, só encontrou uma saída: fez descer até o fundo do poço, amarrada na corda, uma imagem do Menino Jesus, enquanto suplicava: “Só Vós podeis ajudar-me… Se não vierdes em meu socorro, Monsenhor ralhará comigo. Por favor, devolvei-me a chave!”.6 Puxou a corda e — oh, maravilha! — a imagem trazia as chaves na mão. Este prodígio e sua heroica paciência valeram-lhe a admiração de toda a cidade, exceção feita do próprio prelado. E quando este faleceu, Geraldo demonstrou com suas lágrimas quanto estimava aquele que tanto o fazia sofrer: — Perdi meu melhor amigo! — exclamava desconsolado. “Mais louco sois Vós, Senhor”! Tendo retornado a Muro, Geraldo abriu uma alfaiataria. Enquanto a agulha corria entre seus dedos ágeis, sua alma elevava-se às alturas da contemplação. Nutria filial devoção por Maria Santíssima, a quem consagrara sua virgindade, e bastava-lhe pronunciar seu nome para experimentar transportes de amor. Inebriado pela “loucura” da Cruz (cf. I Cor 1, 18), em tudo buscava imitar os sofrimentos do Salvador: flagelava-se até o sangue, fazia-se de louco para atrair o desprezo de seus concidadãos, passava dias inteiros sem comer e, às noites, escalava a torre da catedral para introduzir-se pelas arcadas dos sinos e ir rezar aos pés do Santíssimo Sacramento. Se, de um lado, o demônio lhe armava ciladas, aparecendo como um cão furioso ou provocando acidentes, de outro, o Senhor o recompensava com inúmeras consolações. Numa dessas longas vigílias, uma voz suave, vinda do sacrário, rasgou o silêncio noturno: “Pazzerello! — Louquinho!”.7 A resposta brotou rápida em seus lábios ardorosos: “Mais louco sois Vós, Senhor, que por amor estais aqui, prisioneiro no tabernáculo!”.8 Santo Afonso de Ligório – Catedral de Carlow, Irlanda – Foto: Andreas F. Borchert (CC-3.0) Na Congregação do Santíssimo Redentor Ser religioso sempre fora o sonho de Geraldo; contudo, aprouve à Providência provar-lhe a perseverança antes de aceitar sua entrega. Fracassou em duas tentativas de ingresso nos capuchinhos e numa curta experiência como anacoreta. Isto desanimaria qualquer outro, não o jovem Majela! Alguns padres da Congregação Redentorista, recém-fundada por Santo Afonso de Ligório, chegaram a Muro para pregar uma missão. Logo ao vê-los, Geraldo compreendeu ser esta sua vocação, e solicitou entrada na ordem. O superior, padre Paulo Cafaro, recusou-se rotundamente, alegando não possuir ele forças para suportar os rigores da vida religiosa. Como teimasse em sua resolução e o importunasse sem cessar, o padre Cafaro pediu que sua mãe o trancasse no quarto, no dia da partida dos missionários. O jovem, porém, usando uma corda fabricada com lençóis, escapou pela janela e correu atrás dos redentoristas, deixando um bilhete para a família: “Vou tornar-me santo. Esquecei-me”.9 Alcançou-os na estrada e os acompanhou até a cidade vizinha, recebendo sempre a mesma negativa. Por fim, sua santa e serena tenacidade pôde mais que a determinação férrea do superior: em maio de 1749, aos 23 anos, foi acolhido, a título de prova, no convento de Deliceto. Incansável apóstolo, grande taumaturgo Começava para Geraldo a última etapa de sua vida: apenas seis anos o separavam de sua partida para a eternidade… seis anos fecundos em méritos, ricos de fatos miraculosos e arroubamentos celestes, entremeados de provações e sofrimentos quase sobre-humanos. Considerado inútil para qualquer trabalho devido à sua extrema magreza, não tardou a desmentir esta fama. O fogo interior que o consumia supria a falta de robustez, a ponto de os religiosos afirmarem que rendia por quatro pessoas. Desdobrava-se em atenções para com os demais e assumia os encargos mais humildes: jardineiro, sacristão, coletor de esmolas, porteiro… Sua presença tornou-se disputada nas diversas casas da Congregação.?Exímio no cumprimento das obrigações, revelou-se também apóstolo infatigável e irresistível nas missões. Escreve um de seus biógrafos: “Seu aspecto, sua simples presença, relatam as testemunhas, valiam por uma pregação; sentia-se Deus nele. Sua palavra ardente imprimia nas almas o horror ao pecado, o ardor pela oração, o amor a Jesus e a Maria, e a fidelidade aos deveres de estado. […] Exalava-se de sua pessoa um não sei quê de divino que consolava os corações, curava as almas e arrastava para a virtude”.10 Secundado pelo dom de milagres concedido pela Providência, produzia abundantes frutos de apostolado. Os elementos, as doenças e os demônios obedeciam à sua palavra. Curou um número incontável de enfermos, dentre os quais uma menina paralítica de nascença. Em várias ocasiões, multiplicou os alimentos e chegou a abrir as águas de um rio que lhe impedia a passagem. Um dos seus mais retumbantes prodígios foi o realizado em Nápoles. Uma multidão reunida à beira-mar afligia-se ante o espetáculo de uma embarcação cheia de passageiros que se debatia nas ondas, em meio a uma furiosa tempestade. Passando por ali, Geraldo lançou-se à água e ordenou ao navio, em nome da Santíssima Trindade, que se detivesse. Depois o arrastou até a terra, como se fosse uma palha, e saiu da água com a roupa inteiramente seca. Todo o povo o aclamava, querendo prestar-lhe homenagens, mas ele fugiu correndo pelas ruas da cidade. Um serafim de carne e osso Todavia, onde mais se fazia sentir o aroma de sua santidade era no recinto sagrado do convento. De tal maneira neste religioso exemplar se rivalizavam as virtudes, que seria difícil apontar uma como a principal. Ninguém mais humilde, mais obediente, mais observante da regra! Seus próprios mestres tomavam-no como modelo e os confessores confundiam-se ante a integridade daquele irmão leigo, neófito na vida religiosa e já elevado aos cumes da perfeição. Alguns de seus contemporâneos chegaram a afirmar que parecia não ter sido tocado pelo pecado original, como um serafim de carne e osso! Os fenômenos místicos com os quais foi agraciado são um dos traços mais surpreendentes de sua espiritualidade. “Ao que parece, todos os favores concedidos por Deus aos outros santos, na ordem mística, quis Ele reuni-los na pessoa de nosso seráfico confrade”,11 escreve o citado padre Saint-Omer. Com efeito, num século no qual o racionalismo procurava negar a existência do sobrenatural e, no fundo, do próprio Deus, a vida de Geraldo mostrava como são tênues os véus que nos separam do mundo invisível, pelo que devemos nos compenetrar de estarmos sempre debaixo do olhar de Deus. Visões, êxtases, levitações, dom de profecia, ciência infusa, discernimento dos espíritos, conhecimento à distância, resplendores, bilocações, invisibilidade… Impossível descrever no exíguo espaço de um artigo cada uma destas maravilhas! Citemos apenas dois exemplos. Em visita ao Carmelo de Ripacandida, entrou subitamente em êxtase e seu corpo tornou-se incandescente a ponto de derreter a grade de ferro que ele tocava com as mãos. Também aconteceu-lhe de, ao contemplar uma bela pintura da Santíssima Virgem, erguer-se do solo até a altura do quadro e, beijando-o com inefável carinho, exclamar: “Como Ela é bela! Vede como é bela!”.12 Cela e capela privada de Santo Afonso de Ligório, Pagani – Foto: Alain Patrick Sob o signo da dor Faria, no entanto, uma imagem equivocada a respeito de Geraldo, quem julgasse ter ele sido um homem meio mágico, imune às tentações e aos sofrimentos. Nada de mais contrário à realidade! Desde sua entrada na Congregação, padeceu terríveis provações espirituais, nas quais se julgava abandonado por Deus, prestes a sucumbir ao desespero. Sua própria descrição, em carta a uma religiosa, é mais cogente que qualquer narrativa: “Desci tão baixo que não vejo mais sequer a possibilidade de sair deste precipício… pouco me preocuparia se pelo menos eu pudesse amar a Deus e Lhe agradar. Mas eis o espinho que transpassa meu coração: sinto-me sofrer sem Deus. […] Vejo-me como suspenso sobre o abismo do desespero. Parece-me que Deus desapareceu para sempre, que suas divinas misericórdias se esgotaram, que sobre minha cabeça pairam ameaçadores os raios de sua justiça”.13 Fato curioso: à medida que Geraldo progredia em virtude, as angústias se faziam mais frequentes e intensas. Em 1754, um ano antes da morte, sobreveio a grande prova, terrível e espantosa. De improviso, foi chamado a Pagani, onde então residia Santo Afonso de Ligório. Era o primeiro encontro do humilde irmão com o fundador… e quão doloroso! Após cumprimentá-lo, Santo Afonso leu em voz alta duas cartas nas quais alguém acusava o jovem religioso de um crime cometido precisamente contra a virtude que ele mais amava: a castidade! Não obstante, sem deixar transparecer qualquer emoção, Geraldo permaneceu em silêncio. Tal atitude equivalia a um assentimento… Surpreso, o fundador resolveu não expulsá-lo, mas lhe impôs duríssima penitência: privação da Eucaristia e proibição de tratar com pessoas externas à Congregação. Por mais de dois meses suportou ele esta situação vexatória, vigiado pelos superiores, objeto de suspeita de quantos o conheciam. O que mais lhe doía, porém, era a falta da Comunhão. Custava-lhe conter os ardores do desejo de receber tão augusto Sacramento. A um sacerdote que o instava a acolitar sua Missa, respondeu: “Não me tenteis, caro padre, poderia arrancar-vos a Hóstia das mãos!”.14 Afinal, a verdade brilhou: outras duas cartas, desmentindo a calúnia das anteriores, revelaram a Santo Afonso a falsidade da acusação à qual seu coração de pai se recusava a dar inteiro crédito… Convidado, uma vez mais, a apresentar-se ao fundador, Geraldo foi recebido com estas palavras: “Meu filho, por que não falaste? Por que não pronunciaste sequer uma palavra para defender tua inocência?”.15 Ao que ele replicou: “Meu pai, como poderia fazê-lo, se nossa regra não admite escusar-se ante as repreensões dos superiores?”.16 “A vontade divina e eu somos uma coisa só” Geraldo já não era deste mundo. Aliás, nunca o fora! Contudo, aquela tribulação apartara-o ainda mais das coisas terrenas. Em agosto de 1755, durante uma missão, teve a primeira hemoptise. Seu superior o encaminhou ao convento de Materdomini, para ali se restabelecer. Longe de regredir, a enfermidade progrediu rapidamente: sangue, febre, mal-estares sem conta. Nada, todavia, logrou arrancar-lhe sequer uma queixa: “A vontade divina e eu somos uma coisa só”,17 dizia com alegria. À custa de muito esforço deixava o leito para passar algumas horas de joelhos diante do Crucifixo de sua cela. Também este período foi marcado por fatos extraordinários: de seu corpo minado pela tuberculose emanava um perfume tão penetrante que os visitantes identificavam seu quarto com facilidade. Mais edificante ainda foi sua obediência: tendo recebido a ordem de ficar curado, levantou-se logo e retomou a vida comunitária por várias semanas. Conversa entre Santo Afonso e São Geraldo – Santuário de Pagani (Itália) – Foto: Divulgação Sem embargo, a vontade de Deus era outra, e em outubro a doença o atacou com maior rigor. Nos poucos dias que lhe restavam, padeceu, por especial favor do Céu, os tormentos da Paixão de Cristo. Chegado o dia 15, anunciou que morreria naquela mesma noite. Recebeu de manhã o Viático e, à tarde, recitou o Salmo Miserere. Duas horas antes de falecer, vendo aproximar-Se a Rainha dos Céus, ajoelhou-se sobre a cama e entrou em êxtase. Era cerca de meia-noite quando sua alma abandonou o corpo. Imediatamente sua fisionomia inerte transfigurou-se, adquirindo uma formosura angélica. E quando o sineiro do convento quis fazer soar o toque dos defuntos, sentiu uma força irresistível que o obrigou a ressoar o carrilhão das grandes festas! Em 1893, Leão XIII elevou Geraldo Majela à honra dos altares, como Beato. Onze anos depois, São Pio X inscreveu no Catálogo dos Santos este exemplar religioso que manteve sempre intacta sua pureza de coração. ◊ Notas 1 SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. I-II, q.69, a.2, ad 3. 2 DUNOYER, CSsR, Jean-Baptiste. Vie de Saint Gérard Majela, rédemptoriste. Saint-Étienne: Bureaux de “L’Apôtre du Foyer”, 1943, p.103. 3 REY-MERMET, CSsR, Thèodule. San Gerardo Maiella, il “pazzerello” di Dio. Materdomini: Stampa Valsele, 1992, p.51. 4 SAINT-OMER, CSsR, Édouard. Le Thaumaturge du XVIIIe siècle ou la vie, les vertus et les miracles du Bienheureux Gérard-Marie Majela. Desclée de Brouwer et Cie, 1893, p.2. 5 DUNOYER, op. cit., p.21. 6 Idem, p.32. 7 REY-MERMET, op. cit., p.32. 8 Idem, ibidem. 9 Idem, p.46. 10 SAINT-OMER, op. cit., p.75. 11 Idem, p.80. 12 Idem, p.46. 13 DUNOYER, op. cit., p.276-277. 14 REY-MERMET, op. cit., p.114. 15 Idem, p.115. 16 Idem, ibidem. 17 Idem, p.133. #SantodoDia
- São Geraldo Majela – Uma alma pura que viu a Deus – 16 de Outubro
Como um cristal puríssimo atravessado por intensos raios do Sol, a alma de São Geraldo Majela deixou passar a luz divina sem opor-lhe resistência. Por isso, pôde ele, ainda neste vale de lágrimas, “ver a Deus”! Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5, 8). Talvez seja esta uma das mais belas frases do Evangelho, e uma das mais conhecidas. Entretanto, nem sempre atinamos com o significado mais profundo visado pelo Divino Mestre ao pronunciá-la. Decerto não se referia Ele só à pureza dos Santos no Céu, nem àquela pela qual o coração, já aqui na Terra, está continuamente à procura de Deus, mas também à visão que o inocente possui de todas as criaturas, discernindo nelas um reflexo do Criador. Ora, segundo Santo Agostinho, São Tomás de Aquino e outros Doutores, é possível ao homem começar a gozar, ainda nesta vida, dos prêmios prometidos no Sermão da Montanha. Acerca da recompensa dos puros, escreve o Doutor Angélico: “Com a visão purificada pelo dom da inteligência, Deus pode, de certo modo, ser visto”.1 Se todos os Santos alcançam esta singular virgindade de espírito, em alguns ela parece brilhar com maior esplendor, servindo de modelo a ser imitado. Tal se dá com São Geraldo Majela, que em sua curta existência de apenas 29 anos legou à Igreja um exemplo vivo desta bem-aventurança. “Ó meu Deus, de todas as virtudes que Vos são agradáveis, a minha preferida é a pureza de coração”2 — escreveu ele. Ao percorrermos sua história, analisando suas virtudes, seus milagres e, sobretudo, os terríveis sofrimentos que teve de enfrentar, temos a impressão de contemplar um cristal puríssimo atravessado por intensos raios do Sol: sua alma deixou passar a luz divina sem opor-lhe resistências. Por isso, pôde ele, ainda neste vale de lágrimas, “ver a Deus”! Um menino predestinado Último filho de uma piedosa família, Geraldo nasceu na pequena cidade de Muro Lucano, próxima de Nápoles, em abril de 1726. Desde muito jovem deu manifestações de ser uma alma predileta da Providência: nunca pedia alimento e, em alguns dias da semana, chegava a rejeitá-lo, prenunciando os jejuns que haveria de praticar mais tarde e sua célebre máxima: “O amor a Deus não entra na alma se o estômago está cheio”.3 Seu principal passatempo consistia em erigir pequenos altares, adornando-os com velas e flores; mas seu local preferido era a capela de Capodigiano, dedicada à Santíssima Virgem, distante de Muro cerca de 2 km. Dali voltou, certa vez, trazendo um pequeno pão branco. Indagado pela mãe acerca de quem lhe havia dado o alimento, respondeu: “O filho de uma bela senhora com o qual brinquei”.4 A cidade de Muro, tendo no alto a Concatedral de São Nicolau – Foto: Pitichinaccio (PD) Como o fato se repetisse diariamente durante vários meses, uma de suas irmãs o seguiu um dia, sem ele perceber, e pôde testemunhar o seguinte espetáculo: apenas Geraldo se ajoelhou aos pés da imagem de Maria, o Menino Jesus desceu dos braços de sua Mãe para brincar com ele e, ao despedir-Se, entregou-lhe um pãozinho. Sua Primeira Comunhão não foi menos extraordinária: tendo recebido do pároco uma categórica resposta negativa, por ser ainda muito novo para receber o Pão dos fortes, o pequeno Geraldo pôs-se a soluçar no fundo da igreja. Na mesma noite apareceu-lhe São Miguel Arcanjo e lhe administrou a Sagrada Eucaristia! Já na adolescência, sinal de contradição À semelhança de Nosso Senhor Jesus Cristo, Geraldo foi, desde os primeiros anos, um sinal de contradição (cf. Lc 2, 34) nos ambientes que frequentava. Devido ao falecimento de seu pai, viu-se obrigado a trabalhar como aprendiz de alfaiate. O dono do estabelecimento se afeiçoou a ele; mas o chefe dos empregados, pelo contrário, tomou-se de aversão pelo jovenzinho, justamente por vê-lo tão piedoso. Acusava-o de vagabundo, cobria-o de bofetadas, a ponto de, em uma ocasião, fazê-lo perder os sentidos. Geraldo jamais se queixava com o patrão; antes, alegrava-se em padecer por Jesus e repetia a seu carrasco: “Batei, batei mais, eu mereço este castigo”!5 Algum tempo depois, pôs-se a serviço de Dom Albini, Bispo de Lacedonia, conhecido por seu caráter irascível. Durante três anos Geraldo suportou humilhações, reprimendas, maus-tratos… Numa ocasião, deixou cair na cisterna o molho de chaves da residência episcopal. Em meio a uma terrível aflição, só encontrou uma saída: fez descer até o fundo do poço, amarrada na corda, uma imagem do Menino Jesus, enquanto suplicava: “Só Vós podeis ajudar-me… Se não vierdes em meu socorro, Monsenhor ralhará comigo. Por favor, devolvei-me a chave!”.6 Puxou a corda e — oh, maravilha! — a imagem trazia as chaves na mão. Este prodígio e sua heroica paciência valeram-lhe a admiração de toda a cidade, exceção feita do próprio prelado. E quando este faleceu, Geraldo demonstrou com suas lágrimas quanto estimava aquele que tanto o fazia sofrer: — Perdi meu melhor amigo! — exclamava desconsolado. “Mais louco sois Vós, Senhor”! Tendo retornado a Muro, Geraldo abriu uma alfaiataria. Enquanto a agulha corria entre seus dedos ágeis, sua alma elevava-se às alturas da contemplação. Nutria filial devoção por Maria Santíssima, a quem consagrara sua virgindade, e bastava-lhe pronunciar seu nome para experimentar transportes de amor. Inebriado pela “loucura” da Cruz (cf. I Cor 1, 18), em tudo buscava imitar os sofrimentos do Salvador: flagelava-se até o sangue, fazia-se de louco para atrair o desprezo de seus concidadãos, passava dias inteiros sem comer e, às noites, escalava a torre da catedral para introduzir-se pelas arcadas dos sinos e ir rezar aos pés do Santíssimo Sacramento. Se, de um lado, o demônio lhe armava ciladas, aparecendo como um cão furioso ou provocando acidentes, de outro, o Senhor o recompensava com inúmeras consolações. Numa dessas longas vigílias, uma voz suave, vinda do sacrário, rasgou o silêncio noturno: “Pazzerello! — Louquinho!”.7 A resposta brotou rápida em seus lábios ardorosos: “Mais louco sois Vós, Senhor, que por amor estais aqui, prisioneiro no tabernáculo!”.8 Santo Afonso de Ligório – Catedral de Carlow, Irlanda – Foto: Andreas F. Borchert (CC-3.0) Na Congregação do Santíssimo Redentor Ser religioso sempre fora o sonho de Geraldo; contudo, aprouve à Providência provar-lhe a perseverança antes de aceitar sua entrega. Fracassou em duas tentativas de ingresso nos capuchinhos e numa curta experiência como anacoreta. Isto desanimaria qualquer outro, não o jovem Majela! Alguns padres da Congregação Redentorista, recém-fundada por Santo Afonso de Ligório, chegaram a Muro para pregar uma missão. Logo ao vê-los, Geraldo compreendeu ser esta sua vocação, e solicitou entrada na ordem. O superior, padre Paulo Cafaro, recusou-se rotundamente, alegando não possuir ele forças para suportar os rigores da vida religiosa. Como teimasse em sua resolução e o importunasse sem cessar, o padre Cafaro pediu que sua mãe o trancasse no quarto, no dia da partida dos missionários. O jovem, porém, usando uma corda fabricada com lençóis, escapou pela janela e correu atrás dos redentoristas, deixando um bilhete para a família: “Vou tornar-me santo. Esquecei-me”.9 Alcançou-os na estrada e os acompanhou até a cidade vizinha, recebendo sempre a mesma negativa. Por fim, sua santa e serena tenacidade pôde mais que a determinação férrea do superior: em maio de 1749, aos 23 anos, foi acolhido, a título de prova, no convento de Deliceto. Incansável apóstolo, grande taumaturgo Começava para Geraldo a última etapa de sua vida: apenas seis anos o separavam de sua partida para a eternidade… seis anos fecundos em méritos, ricos de fatos miraculosos e arroubamentos celestes, entremeados de provações e sofrimentos quase sobre-humanos. Considerado inútil para qualquer trabalho devido à sua extrema magreza, não tardou a desmentir esta fama. O fogo interior que o consumia supria a falta de robustez, a ponto de os religiosos afirmarem que rendia por quatro pessoas. Desdobrava-se em atenções para com os demais e assumia os encargos mais humildes: jardineiro, sacristão, coletor de esmolas, porteiro… Sua presença tornou-se disputada nas diversas casas da Congregação.?Exímio no cumprimento das obrigações, revelou-se também apóstolo infatigável e irresistível nas missões. Escreve um de seus biógrafos: “Seu aspecto, sua simples presença, relatam as testemunhas, valiam por uma pregação; sentia-se Deus nele. Sua palavra ardente imprimia nas almas o horror ao pecado, o ardor pela oração, o amor a Jesus e a Maria, e a fidelidade aos deveres de estado. […] Exalava-se de sua pessoa um não sei quê de divino que consolava os corações, curava as almas e arrastava para a virtude”.10 Secundado pelo dom de milagres concedido pela Providência, produzia abundantes frutos de apostolado. Os elementos, as doenças e os demônios obedeciam à sua palavra. Curou um número incontável de enfermos, dentre os quais uma menina paralítica de nascença. Em várias ocasiões, multiplicou os alimentos e chegou a abrir as águas de um rio que lhe impedia a passagem. Um dos seus mais retumbantes prodígios foi o realizado em Nápoles. Uma multidão reunida à beira-mar afligia-se ante o espetáculo de uma embarcação cheia de passageiros que se debatia nas ondas, em meio a uma furiosa tempestade. Passando por ali, Geraldo lançou-se à água e ordenou ao navio, em nome da Santíssima Trindade, que se detivesse. Depois o arrastou até a terra, como se fosse uma palha, e saiu da água com a roupa inteiramente seca. Todo o povo o aclamava, querendo prestar-lhe homenagens, mas ele fugiu correndo pelas ruas da cidade. Um serafim de carne e osso Todavia, onde mais se fazia sentir o aroma de sua santidade era no recinto sagrado do convento. De tal maneira neste religioso exemplar se rivalizavam as virtudes, que seria difícil apontar uma como a principal. Ninguém mais humilde, mais obediente, mais observante da regra! Seus próprios mestres tomavam-no como modelo e os confessores confundiam-se ante a integridade daquele irmão leigo, neófito na vida religiosa e já elevado aos cumes da perfeição. Alguns de seus contemporâneos chegaram a afirmar que parecia não ter sido tocado pelo pecado original, como um serafim de carne e osso! Os fenômenos místicos com os quais foi agraciado são um dos traços mais surpreendentes de sua espiritualidade. “Ao que parece, todos os favores concedidos por Deus aos outros santos, na ordem mística, quis Ele reuni-los na pessoa de nosso seráfico confrade”,11 escreve o citado padre Saint-Omer. Com efeito, num século no qual o racionalismo procurava negar a existência do sobrenatural e, no fundo, do próprio Deus, a vida de Geraldo mostrava como são tênues os véus que nos separam do mundo invisível, pelo que devemos nos compenetrar de estarmos sempre debaixo do olhar de Deus. Visões, êxtases, levitações, dom de profecia, ciência infusa, discernimento dos espíritos, conhecimento à distância, resplendores, bilocações, invisibilidade… Impossível descrever no exíguo espaço de um artigo cada uma destas maravilhas! Citemos apenas dois exemplos. Em visita ao Carmelo de Ripacandida, entrou subitamente em êxtase e seu corpo tornou-se incandescente a ponto de derreter a grade de ferro que ele tocava com as mãos. Também aconteceu-lhe de, ao contemplar uma bela pintura da Santíssima Virgem, erguer-se do solo até a altura do quadro e, beijando-o com inefável carinho, exclamar: “Como Ela é bela! Vede como é bela!”.12 Cela e capela privada de Santo Afonso de Ligório, Pagani – Foto: Alain Patrick Sob o signo da dor Faria, no entanto, uma imagem equivocada a respeito de Geraldo, quem julgasse ter ele sido um homem meio mágico, imune às tentações e aos sofrimentos. Nada de mais contrário à realidade! Desde sua entrada na Congregação, padeceu terríveis provações espirituais, nas quais se julgava abandonado por Deus, prestes a sucumbir ao desespero. Sua própria descrição, em carta a uma religiosa, é mais cogente que qualquer narrativa: “Desci tão baixo que não vejo mais sequer a possibilidade de sair deste precipício… pouco me preocuparia se pelo menos eu pudesse amar a Deus e Lhe agradar. Mas eis o espinho que transpassa meu coração: sinto-me sofrer sem Deus. […] Vejo-me como suspenso sobre o abismo do desespero. Parece-me que Deus desapareceu para sempre, que suas divinas misericórdias se esgotaram, que sobre minha cabeça pairam ameaçadores os raios de sua justiça”.13 Fato curioso: à medida que Geraldo progredia em virtude, as angústias se faziam mais frequentes e intensas. Em 1754, um ano antes da morte, sobreveio a grande prova, terrível e espantosa. De improviso, foi chamado a Pagani, onde então residia Santo Afonso de Ligório. Era o primeiro encontro do humilde irmão com o fundador… e quão doloroso! Após cumprimentá-lo, Santo Afonso leu em voz alta duas cartas nas quais alguém acusava o jovem religioso de um crime cometido precisamente contra a virtude que ele mais amava: a castidade! Não obstante, sem deixar transparecer qualquer emoção, Geraldo permaneceu em silêncio. Tal atitude equivalia a um assentimento… Surpreso, o fundador resolveu não expulsá-lo, mas lhe impôs duríssima penitência: privação da Eucaristia e proibição de tratar com pessoas externas à Congregação. Por mais de dois meses suportou ele esta situação vexatória, vigiado pelos superiores, objeto de suspeita de quantos o conheciam. O que mais lhe doía, porém, era a falta da Comunhão. Custava-lhe conter os ardores do desejo de receber tão augusto Sacramento. A um sacerdote que o instava a acolitar sua Missa, respondeu: “Não me tenteis, caro padre, poderia arrancar-vos a Hóstia das mãos!”.14 Afinal, a verdade brilhou: outras duas cartas, desmentindo a calúnia das anteriores, revelaram a Santo Afonso a falsidade da acusação à qual seu coração de pai se recusava a dar inteiro crédito… Convidado, uma vez mais, a apresentar-se ao fundador, Geraldo foi recebido com estas palavras: “Meu filho, por que não falaste? Por que não pronunciaste sequer uma palavra para defender tua inocência?”.15 Ao que ele replicou: “Meu pai, como poderia fazê-lo, se nossa regra não admite escusar-se ante as repreensões dos superiores?”.16 “A vontade divina e eu somos uma coisa só” Geraldo já não era deste mundo. Aliás, nunca o fora! Contudo, aquela tribulação apartara-o ainda mais das coisas terrenas. Em agosto de 1755, durante uma missão, teve a primeira hemoptise. Seu superior o encaminhou ao convento de Materdomini, para ali se restabelecer. Longe de regredir, a enfermidade progrediu rapidamente: sangue, febre, mal-estares sem conta. Nada, todavia, logrou arrancar-lhe sequer uma queixa: “A vontade divina e eu somos uma coisa só”,17 dizia com alegria. À custa de muito esforço deixava o leito para passar algumas horas de joelhos diante do Crucifixo de sua cela. Também este período foi marcado por fatos extraordinários: de seu corpo minado pela tuberculose emanava um perfume tão penetrante que os visitantes identificavam seu quarto com facilidade. Mais edificante ainda foi sua obediência: tendo recebido a ordem de ficar curado, levantou-se logo e retomou a vida comunitária por várias semanas. Conversa entre Santo Afonso e São Geraldo – Santuário de Pagani (Itália) – Foto: Divulgação Sem embargo, a vontade de Deus era outra, e em outubro a doença o atacou com maior rigor. Nos poucos dias que lhe restavam, padeceu, por especial favor do Céu, os tormentos da Paixão de Cristo. Chegado o dia 15, anunciou que morreria naquela mesma noite. Recebeu de manhã o Viático e, à tarde, recitou o Salmo Miserere. Duas horas antes de falecer, vendo aproximar-Se a Rainha dos Céus, ajoelhou-se sobre a cama e entrou em êxtase. Era cerca de meia-noite quando sua alma abandonou o corpo. Imediatamente sua fisionomia inerte transfigurou-se, adquirindo uma formosura angélica. E quando o sineiro do convento quis fazer soar o toque dos defuntos, sentiu uma força irresistível que o obrigou a ressoar o carrilhão das grandes festas! Em 1893, Leão XIII elevou Geraldo Majela à honra dos altares, como Beato. Onze anos depois, São Pio X inscreveu no Catálogo dos Santos este exemplar religioso que manteve sempre intacta sua pureza de coração. ◊ Notas 1 SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. I-II, q.69, a.2, ad 3. 2 DUNOYER, CSsR, Jean-Baptiste. Vie de Saint Gérard Majela, rédemptoriste. Saint-Étienne: Bureaux de “L’Apôtre du Foyer”, 1943, p.103. 3 REY-MERMET, CSsR, Thèodule. San Gerardo Maiella, il “pazzerello” di Dio. Materdomini: Stampa Valsele, 1992, p.51. 4 SAINT-OMER, CSsR, Édouard. Le Thaumaturge du XVIIIe siècle ou la vie, les vertus et les miracles du Bienheureux Gérard-Marie Majela. Desclée de Brouwer et Cie, 1893, p.2. 5 DUNOYER, op. cit., p.21. 6 Idem, p.32. 7 REY-MERMET, op. cit., p.32. 8 Idem, ibidem. 9 Idem, p.46. 10 SAINT-OMER, op. cit., p.75. 11 Idem, p.80. 12 Idem, p.46. 13 DUNOYER, op. cit., p.276-277. 14 REY-MERMET, op. cit., p.114. 15 Idem, p.115. 16 Idem, ibidem. 17 Idem, p.133. #SantodoDia
- Começa hoje série de lives que revela a verdade por trás do Sínodo da Sinodalidade
Muitos católicos já estão notando que este sínodo de Outubro de 2023, também conhecido como Sínodo da Sinodalidade, é bastante controverso e está levantando muitas discussões em função dos temas que ele tem tratado. Muito tem se falado que este sínodo pretende liberar a ordenação de mulheres para o diaconato, e bênçãos para homossexuais, mas segundo jornalistas católicos a coisa pode ser ainda mais séria. Alguns jornalistas católicos perceberam uma grande semelhança entre os documentos de preparação para este sínodo e ideias da teologia da libertação escritas em livros há mais de 40 anos. Numa série de aulas chamada Caixa de Pandora , Bernardo Kuster, que é jornalista, analista, comentarista e influenciador católico, vai expor esses planos e como você católico pode se preparar para o possível cenário que vamos enfrentar após este sínodo. Independente deste sínodo ser vitorioso, ou não, nós católicos precisamos nos preparar, conhecer bem o oponente que é a Teologia da Libertação e adquirir estratégias e conhecimento para combatê-lo. As aulas também contarão com materiais complementares e exercícios. Serão 3 aulas que acontecerão a partir desta segunda-feira, nos dias 16, 17 e 18. Para participar clique no link abaixo, cadastre-se e assista gratuitamente à série de três aulas essenciais para compreender tudo que está acontecendo. Ao se cadastrar você ganha acesso a um grupo exclusivo do whatsapp com a cobertura e analise do Sínodo. Inscreva-se gratuitamente . Assista a Segunda Aula, clique aqui : Assista a primeira aula, clique aqui : 👉 #SínododaSinodalidade
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Muitos católicos já estão notando que este sínodo de Outubro de 2023, também conhecido como Sínodo da Sinodalidade, é bastante controverso e está levantando muitas discussões em função dos temas que ele tem tratado. Muito tem se falado que este sínodo pretende liberar a ordenação de mulheres para o diaconato, e bênçãos para homossexuais, mas segundo jornalistas católicos a coisa pode ser ainda mais séria. Alguns jornalistas católicos perceberam uma grande semelhança entre os documentos de preparação para este sínodo e ideias da teologia da libertação escritas em livros há mais de 40 anos. Numa série de aulas chamada Caixa de Pandora , Bernardo Kuster, que é jornalista, analista, comentarista e influenciador católico, vai expor esses planos e como você católico pode se preparar para o possível cenário que vamos enfrentar após este sínodo. Independente deste sínodo ser vitorioso, ou não, nós católicos precisamos nos preparar, conhecer bem o oponente que é a Teologia da Libertação e adquirir estratégias e conhecimento para combatê-lo. As aulas também contarão com materiais complementares e exercícios. Serão 3 aulas que acontecerão a partir desta segunda-feira, nos dias 16, 17 e 18. Para participar clique no link abaixo, cadastre-se e assista gratuitamente à série de três aulas essenciais para compreender tudo que está acontecendo. Ao se cadastrar você ganha acesso a um grupo exclusivo do whatsapp com a cobertura e analise do Sínodo. Inscreva-se gratuitamente . Assista a Segunda Aula, clique aqui : Assista a primeira aula, clique aqui : 👉 #SínododaSinodalidade
- Ir para o Purgatório ou viver mais alguns anos?
Se você pudesse escolher, preferiria viver mais alguns anos ou ir para o Purgatório? Ressuscitado milagrosamente por um santo, este homem preferiu voltar ao Purgatório a viver novamente sobre a terra. A razão? Nesta vida estamos expostos ao perigo de nos perdermos; no Purgatório, não mais. Em meio aos mais intensos sofrimentos, as almas do Purgatório vivem contentes, e isso não se pode explicar senão pelas divinas consolações que o Espírito Santo lhes concede. Esse divino Espírito, por meio da fé, da esperança e da caridade, dispõe-nas como a uma pessoa doente que tem de se submeter a um tratamento muito doloroso, cujo efeito, todavia, é restaurar-lhe completamente a saúde. Essa pessoa enferma sofre, mas ama o seu sofrimento, pois é um sofrimento que a salva. O Espírito Santo Consolador dá um contentamento similar às santas almas. Disso nós temos um impressionante exemplo na história de um homem, chamado Pedro de Piotravin, ressuscitado dos mortos por Santo Estanislau da Cracóvia, e que preferiu voltar ao Purgatório a viver novamente sobre a terra [1]. Em meio aos mais intensos sofrimentos, as almas do Purgatório vivem contentes. O aclamado milagre dessa ressurreição deu-se no ano de 1070, e é assim relatado nos Acta Santorum, em 7 de maio [2]. Santo Estanislau era bispo de Cracóvia quando o duque Boleslau II governava a Polônia. O santo bispo não deixava de lembrar o príncipe de seus deveres, os quais, no entanto, ele escandalosamente violava diante de todo o povo. Como se irritasse com o santo destemor do prelado, Boleslau decidiu vingar-se dele, levantando contra o bispo os herdeiros de um certo Pedro de Piotravin, que morrera três anos antes, tendo vendido uma porção de terra para a igreja da Cracóvia. Os herdeiros acusaram o santo de ter se apossado indevidamente do terreno, sem tê-lo pagado ao dono. Estanislau declarou que havia pagado pela terra, mas, como as testemunhas que deviam defendê-lo tinham sido ou subornadas ou intimidadas, o bispo foi denunciado como usurpador da propriedade de outrem e condenado a restituir a terra. Vendo que nada podia esperar da justiça humana, o santo bispo elevou então o seu coração a Deus, de quem recebeu uma inspiração repentina. Ele pediu um prazo de três dias, prometendo fazer Pedro de Piotravin aparecer pessoalmente para atestar a aquisição legal e o pagamento do terreno. O tempo foi-lhe concedido como escárnio. Destaque de uma pintura de Bernardino Cervi retratando o Purgatório (1625). O santo jejuou, fez vigílias e suplicou a Deus que defendesse sua causa. No terceiro dia, depois de haver celebrado a Santa Missa, ele saiu, acompanhado de seu clero e de muitos dos fiéis, ao lugar onde Pedro fora enterrado. A suas ordens o túmulo foi aberto, no qual nada havia senão ossos. Ele os tocou, então, com seu báculo e em nome daquele que é a ressurreição e a vida, ordenou ao homem morto que se levantasse. Subitamente os ossos se reuniram, revestiram-se de carne e, à vista do povo estupefato, o homem morto foi visto tomando o bispo pela mão e caminhando rumo ao tribunal. Boleslau, com sua corte e uma imensa multidão de pessoas, estava esperando o resultado com ansiosa expectativa. “Olhai para Pedro”, disse o santo a Boleslau. “Ele veio, príncipe, para dar testemunho diante de vós. Interrogai-o, ele vos responderá”. Impossível era descrever o estupor do duque, de seus conselheiros e de toda a assembleia ali reunida. Pedro afirmou que tinha recebido o pagamento pela terra; voltando-se para seus herdeiros, ele repreendeu-os por ter acusado injustamente o santo prelado; e exortou-os, por fim, a fazer penitência por um pecado tão grave. Foi assim que a iniquidade, já estimando seu sucesso, foi confundida. Eis que se dá, então, a circunstância que diz respeito ao nosso assunto, e à qual gostaríamos de nos referir. Desejando completar esse grande milagre para a glória de Deus, Estanislau propôs ao falecido que, se ele desejasse viver mais alguns anos, ele obter-lhe-ia esse favor da parte de Deus. Mas Pedro replicou que não tinha tal desejo. Ele estava no Purgatório, mas preferiria retornar para lá imediatamente e suportar-lhe as penas do que expor-se à condenação nesta vida terrestre. O homem só suplicou ao santo que implorasse de Deus abreviar o tempo de seus sofrimentos, a fim de que ele pudesse entrar o quanto antes na morada dos bem-aventurados. Depois disso, acompanhado do bispo e de uma vasta multidão, Pedro retornou a seu túmulo, deitou-se, seu corpo se desfez em pedaços e seus ossos retornaram ao mesmo estado em que haviam sido achados. Temos razão para acreditar que o santo obteve rapidamente a libertação dessa alma. Mas o mais extraordinário nesse exemplo, e que mais nos deve atrair a atenção, é uma alma do Purgatório, tendo experimentado tormentos os mais excruciantes, preferir esse estado à vida deste mundo; e a razão dada a essa preferência é que nesta vida mortal estamos expostos ao perigo de nos perdermos e termos como destino último a condenação eterna. #HomiliaDiária
- Ir para o Purgatório ou viver mais alguns anos?
Se você pudesse escolher, preferiria viver mais alguns anos ou ir para o Purgatório? Ressuscitado milagrosamente por um santo, este homem preferiu voltar ao Purgatório a viver novamente sobre a terra. A razão? Nesta vida estamos expostos ao perigo de nos perdermos; no Purgatório, não mais. Em meio aos mais intensos sofrimentos, as almas do Purgatório vivem contentes, e isso não se pode explicar senão pelas divinas consolações que o Espírito Santo lhes concede. Esse divino Espírito, por meio da fé, da esperança e da caridade, dispõe-nas como a uma pessoa doente que tem de se submeter a um tratamento muito doloroso, cujo efeito, todavia, é restaurar-lhe completamente a saúde. Essa pessoa enferma sofre, mas ama o seu sofrimento, pois é um sofrimento que a salva. O Espírito Santo Consolador dá um contentamento similar às santas almas. Disso nós temos um impressionante exemplo na história de um homem, chamado Pedro de Piotravin, ressuscitado dos mortos por Santo Estanislau da Cracóvia, e que preferiu voltar ao Purgatório a viver novamente sobre a terra [1]. Em meio aos mais intensos sofrimentos, as almas do Purgatório vivem contentes. O aclamado milagre dessa ressurreição deu-se no ano de 1070, e é assim relatado nos Acta Santorum, em 7 de maio [2]. Santo Estanislau era bispo de Cracóvia quando o duque Boleslau II governava a Polônia. O santo bispo não deixava de lembrar o príncipe de seus deveres, os quais, no entanto, ele escandalosamente violava diante de todo o povo. Como se irritasse com o santo destemor do prelado, Boleslau decidiu vingar-se dele, levantando contra o bispo os herdeiros de um certo Pedro de Piotravin, que morrera três anos antes, tendo vendido uma porção de terra para a igreja da Cracóvia. Os herdeiros acusaram o santo de ter se apossado indevidamente do terreno, sem tê-lo pagado ao dono. Estanislau declarou que havia pagado pela terra, mas, como as testemunhas que deviam defendê-lo tinham sido ou subornadas ou intimidadas, o bispo foi denunciado como usurpador da propriedade de outrem e condenado a restituir a terra. Vendo que nada podia esperar da justiça humana, o santo bispo elevou então o seu coração a Deus, de quem recebeu uma inspiração repentina. Ele pediu um prazo de três dias, prometendo fazer Pedro de Piotravin aparecer pessoalmente para atestar a aquisição legal e o pagamento do terreno. O tempo foi-lhe concedido como escárnio. Destaque de uma pintura de Bernardino Cervi retratando o Purgatório (1625). O santo jejuou, fez vigílias e suplicou a Deus que defendesse sua causa. No terceiro dia, depois de haver celebrado a Santa Missa, ele saiu, acompanhado de seu clero e de muitos dos fiéis, ao lugar onde Pedro fora enterrado. A suas ordens o túmulo foi aberto, no qual nada havia senão ossos. Ele os tocou, então, com seu báculo e em nome daquele que é a ressurreição e a vida, ordenou ao homem morto que se levantasse. Subitamente os ossos se reuniram, revestiram-se de carne e, à vista do povo estupefato, o homem morto foi visto tomando o bispo pela mão e caminhando rumo ao tribunal. Boleslau, com sua corte e uma imensa multidão de pessoas, estava esperando o resultado com ansiosa expectativa. “Olhai para Pedro”, disse o santo a Boleslau. “Ele veio, príncipe, para dar testemunho diante de vós. Interrogai-o, ele vos responderá”. Impossível era descrever o estupor do duque, de seus conselheiros e de toda a assembleia ali reunida. Pedro afirmou que tinha recebido o pagamento pela terra; voltando-se para seus herdeiros, ele repreendeu-os por ter acusado injustamente o santo prelado; e exortou-os, por fim, a fazer penitência por um pecado tão grave. Foi assim que a iniquidade, já estimando seu sucesso, foi confundida. Eis que se dá, então, a circunstância que diz respeito ao nosso assunto, e à qual gostaríamos de nos referir. Desejando completar esse grande milagre para a glória de Deus, Estanislau propôs ao falecido que, se ele desejasse viver mais alguns anos, ele obter-lhe-ia esse favor da parte de Deus. Mas Pedro replicou que não tinha tal desejo. Ele estava no Purgatório, mas preferiria retornar para lá imediatamente e suportar-lhe as penas do que expor-se à condenação nesta vida terrestre. O homem só suplicou ao santo que implorasse de Deus abreviar o tempo de seus sofrimentos, a fim de que ele pudesse entrar o quanto antes na morada dos bem-aventurados. Depois disso, acompanhado do bispo e de uma vasta multidão, Pedro retornou a seu túmulo, deitou-se, seu corpo se desfez em pedaços e seus ossos retornaram ao mesmo estado em que haviam sido achados. Temos razão para acreditar que o santo obteve rapidamente a libertação dessa alma. Mas o mais extraordinário nesse exemplo, e que mais nos deve atrair a atenção, é uma alma do Purgatório, tendo experimentado tormentos os mais excruciantes, preferir esse estado à vida deste mundo; e a razão dada a essa preferência é que nesta vida mortal estamos expostos ao perigo de nos perdermos e termos como destino último a condenação eterna. #HomiliaDiária
- Homilia Diária | Buscamos a Cristo ou os milagres de Cristo?
Segunda-feira da 28ª Sem. do T. Comum A finalidade dos milagres de Jesus, inclusive das curas e ressurreições, não era nem satisfazer a curiosidade do povo, nem erradicar, de uma vez por todas, as mazelas deste vale de lágrimas em que vivemos, mas confirmar de modo claro e suficiente à inteligência de todos a sua missão divina, como Cristo de Israel e Filho de Deus encarnado. Os seus milagres são como palavras vivas e visíveis, como um dedo que, apontando para a luz, quer chamar a nossa atenção, não para si, mas para o foco luminoso que é a verdade do seu testemunho, da sua doutrina. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta segunda-feira, dia 16 de outubro, e respondamos com fé ao apelo que Ele com tanto amor nos dirige: “Crede-me: estou no Pai, e o Pai em mim. Crede-o ao menos por causa dessas obras”. Evangelho (Lc 11,29-32) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Oxalá ouvísseis hoje a sua voz, não fecheis os corações como em Meriba! (Cf. Sl 94(95),8ab) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 29 quando as multidões se reuniram em grande quantidade, Jesus começou a dizer: “Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas. 30 Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração. 31 No dia do julgamento, a rainha do Sul se levantará juntamente com os homens desta geração e os condenará. Porque ela veio de uma terra distante para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior do que Salomão. 32 No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão. Porque eles se converteram quando ouviram a pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Diária | Buscamos a Cristo ou os milagres de Cristo?
Segunda-feira da 28ª Sem. do T. Comum A finalidade dos milagres de Jesus, inclusive das curas e ressurreições, não era nem satisfazer a curiosidade do povo, nem erradicar, de uma vez por todas, as mazelas deste vale de lágrimas em que vivemos, mas confirmar de modo claro e suficiente à inteligência de todos a sua missão divina, como Cristo de Israel e Filho de Deus encarnado. Os seus milagres são como palavras vivas e visíveis, como um dedo que, apontando para a luz, quer chamar a nossa atenção, não para si, mas para o foco luminoso que é a verdade do seu testemunho, da sua doutrina. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta segunda-feira, dia 16 de outubro, e respondamos com fé ao apelo que Ele com tanto amor nos dirige: “Crede-me: estou no Pai, e o Pai em mim. Crede-o ao menos por causa dessas obras”. Evangelho (Lc 11,29-32) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Oxalá ouvísseis hoje a sua voz, não fecheis os corações como em Meriba! (Cf. Sl 94(95),8ab) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 29 quando as multidões se reuniram em grande quantidade, Jesus começou a dizer: “Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas. 30 Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração. 31 No dia do julgamento, a rainha do Sul se levantará juntamente com os homens desta geração e os condenará. Porque ela veio de uma terra distante para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior do que Salomão. 32 No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão. Porque eles se converteram quando ouviram a pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Santa Edwiges, protetora dos endividados – 16 de Outubro
SANTO DO DIA – 16 DE OUTUBRO – SANTA EDWIGES Religiosa (1174-1243) Nobre, Edwiges nasceu em 1174, na Bavária, Alemanha. Ainda criança, já mostrava mais apego às coisas espirituais do que às materiais, apesar de dispor de tudo o que quisesse comprar ou possuir. Em vez de divertir-se em festas da Corte, preferia manter-se recolhida para rezar. Aos 12 anos, como era convencionado nas casas reais, foi dada em casamento a Henrique I, duque da Silésia e da Polônia. Ela obedeceu aos pais e teve com o marido sete filhos. Quando completou 20 anos, e ele 34, sentiu o chamado definitivo ao seguimento de Jesus. Conversou com o marido e decidiram manter, dentro do casamento, o voto de abstinência sexual. Edwiges entregou-se, então, à piedade e caridade. Guardava uma pequena parte de seus ganhos para si e o resto empregava em auxílio ao próximo. Quando descobriu que muitas pessoas eram presas porque não tinham como saldar suas dívidas, passou a ir pessoalmente aos presídios para libertar tais encarcerados, pagando-lhes as dívidas com seu próprio dinheiro. Depois, ela também lhes conseguia um emprego, de modo que pudessem manter-se com dignidade. Construiu o Mosteiro de Trebnitz, na Polônia, ajudou a restaurar os outros e mandou erguer inúmeras igrejas. Desse modo, organizou uma grande rede de obras de caridade e assistência aos pobres. Além disso, visitava os hospitais constantemente, para, pessoalmente, cuidar e limpar as feridas dos mais contaminados e leprosos. Mas Edwiges tinha um especial carinho pelas viúvas e órfãos. Veio, então, um período de sucessivas desventuras familiares. Num curto espaço de tempo, assistiu à morte, um a um, dos seus seis filhos, ficando viva apenas a filha Gertrudes. Em seguida, foi a vez do marido. Henrique I fora preso pelos inimigos num combate de guerra e, mesmo depois de libertado, acabou morrendo, vitimado por uma doença contraída na prisão. Viúva, apesar da dura provação, Edwiges continuou a viver na virtude. Retirou-se e ingressou no convento que ela própria construíra, do qual a filha Gertrudes se tornara abadessa. Fez os votos de castidade e pobreza, a ponto de andar descalça sobre a neve quando atendia suas obras de caridade. Foi nessa época que recebeu o dom da cura, e operou muitos milagres, em cegos e outros enfermos, com o toque da mão e o sinal da cruz. Com fama de santidade, Edwiges morreu no dia 15 de outubro de 1243, no Mosteiro de Trebnitz, Polônia. Logo passou a ser cultuada como santa, e o local de sua sepultura tornou-se centro de peregrinação para os fiéis cristãos. Em 1266, o papa Clemente IV canonizou-a oficialmente. A Igreja designou o dia 16 de outubro para a celebração da sua festa litúrgica. O culto a santa Edwiges, padroeira dos pobres e endividados, é muito expressivo ainda hoje em todo o mundo católico e um dos mais difundidos do Brasil. Texto: Paulinas Internet Conheça mais sobre Santa Edwiges O conúbio da vida religiosa com a vocação foi a matriz de seu feliz matrimônio Diversos mosteiros foram fundados por Edwiges, que atraiu à Silésia religiosos de várias ordens e congregações, inclusive franciscanos e cistercienses, com o que dotou a região de novas formas de espiritualidade. Bertoldo, marquês de Meran e conde do Tiro, duque da Caríntia e da Ístria, havia se casado com Inês, filha do conde de Rottech. O feliz casal teve vários filhos, dentre os quais Edwiges, nascida em 1174 em Andechs, na Baviera (Alemanha). Aos seis anos Edwiges foi enviada ao mosteiro de Kicing, para ser educada pelas religiosas, e com doze anos casou-se com Henrique, duque da Silésia (a maior parte dessa região pertence à atual Polônia), e mais tarde também duque da antigaPolônia, gerando seis filhos (dos quais dois faleceram com pequena idade). Tendo recebido a educação ministrada por religiosas, Edwiges era dotada de um grande autocontrole, que manifestou desde a infância e que a acompanhou na vida adulta. Procurou fazer do lar uma igreja doméstica, e seu esposo para isso muito colaborou, podendo ambos serem considerados um casal exemplar. Mas infelizmente o exemplo dos pais não frutificou nos filhos, que lhes deram motivos para amargos sofrimentos. A temperança, virtude sempre perseguida Prezava ela, entre as virtudes, a temperança, o que soube muito bem aplicar à castidade matrimonial segundo os costumes da época. Após vinte anos de vida conjugal Edwiges e seu marido compareceram perante o bispo para prometer continência até o fim de suas vidas, o que cumpriram com fidelidade, buscando forças na oração, no jejum e na abstinência (Henrique terminou sua vida trinta anos depois). Ainda antes de enviuvar Edwiges se havia transferido para o mosteiro de Trebnitz (fundado por seu marido), acompanhada de umas poucas senhoras que a serviam e algumas amigas. Não escolheu para si cômodos luxuosos, optando por morar no fundo do mosteiro: quarto pobre, mobílias pobres; a rica duquesa fez-se pobre entre as pobres religiosas. Especial consideração pelos membros das famílias religiosas Diversos mosteiros foram fundados por Edwiges, que atraiu à Silésia religiosos de várias ordens e congregações, inclusive franciscanos e cistercienses, com o que dotou a região de novas formas de espiritualidade. Edwiges dizia-se uma grande pecadora, mas considerava as religiosas como santas, e assim as coisas que elas usavam eram, para a duquesa, relíquias. A água servida com a qual as religiosas haviam lavado os pés era usada por Edwiges para lavar os olhos, e até toda a cabeça, sendo por vezes ingerida com veneração. Os assentos e genuflexórios usados pelas religiosas eram reverentemente osculados, bem como as toalhas. Precedência para os pobres Recusava-se ela a tomar sua refeição antes de dar de comer aos pobres, e o fazia de joelhos. Por vezes, antes de tomar água, passava o copo a um pobre para que a sorvesse antes. Em várias ocasiões propiciou copiosas refeições para os pobres, aos quais pessoalmente servia os alimentos (mas ela, tomando os alimentos somente depois de tê-los servido com precedência, contentava-se com o que havia de mais simples). Alguns filhos de nobres fizeram o sutil comentário: os mendigos comiam melhor nas refeições servidas pela duquesa do que eles nas mesas dos príncipes… Poderia ela, ao ter enviuvado, fazer a profissão religiosa e emitindo os votos de pobreza, castidade e obediência. Mas ao fazer o voto de pobreza extinguiria assim a possibilidade de ajudar os pobres com os bens que tinha, e, portanto, manteve-se pobre de espírito, vivendo a pobreza evangélica mesmo continuando a possuir grande fortuna. “Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração” Edwiges renunciou a tudo. Sobre a cabeça, não havia coroa nem véus luxuosos; no pescoço ou peito, nada de ricos colares; nos dedos, nenhum luxuoso anel. Essa exterioridade era reflexo da humildade interior. Desde a promessa da continência conjugal Edwiges renunciou aos ornatos do mundo: não mais vestiu trajes coloridos, adotando o cinzento como cor, e só nas grandes solenidades mostrava-se melhor vestida do que o habitual, em reverência a Deus. “Estive preso e Me visitastes” Os encarcerados e condenados eram motivo de especial atenção de Edwiges. Durante os vários anos em que foi construído o mosteiro de Trebnitz nenhum condenado à morte foi executado: a duquesa conseguiu que eles fossem trabalhar nas obras, permitindo-lhes emendar-se de suas faltas e chegar à conversão. E durante os longos anos em que viveu neste mundo dirigiu ela o olhar para os que se encontravam privados da liberdade, visitando-os e fornecendo-lhes roupas e alimentos, sendo vários deles adversários de seu marido. Em diversas ocasiões intercedeu ela junto a Henrique pedindo que seus desafetos encarcerados voltassem às suas boas graças, conseguindo assim para eles a alegria da liberdade (e para Henrique a possibilidade de, junto com ela, fazer o bem). Certa ocasião um clérigo cometera um crime de sacrilégio, sendo sentenciado pelo juiz à pena capital. A duquesa comoveu-se profundamente pelo que ocorria com o infeliz, mas ao mesmo tempo olhando para uma santa instituição, a Igreja Católica, na qual ele atuava: um eleito de Deus condenado a uma morte infame. Apesar do crime, Edwiges considerava o estado clerical digno de grande veneração: pediu, suplicou e orou pelo condenado, conseguindo finalmente livrá-lo da sentença fatal, e depois empenhou-se na conversão daquele cuja vida havia salvo. Protetora das viúvas, órfãos, pobres, peregrinos e endividados Para as viúvas e órfãos Edwiges era uma mãe, advogada e consoladora. Aos peregrinos que se dirigiam aos Lugares Santos, Edwiges contribuía com dinheiro para suas necessidades de viagem, sentindo-se assim participante das peregrinações e de seus méritos. Certo dia demorou-se ela mais tempo nas orações, que fazia em seus aposentos. Mendigos, ao lado de fora, depois de longa espera passaram eles a lamentar, em alta voz: “hoje a senhora escondeu-se de nós“, e outras brandas manifestações de pedidos de esmolas. Uma das serviçais informou a Edwiges que os pobres estavam ali se queixando de que a duquesa não lhes dera ainda as esmolas, ao que ela determinou: “vá depressa, pegue o cofre onde está o dinheiro para os pobres, e dê a cada um conforme o Senhor a inspirar“. Santa Edwiges adquiriu fama como protetora dos endividados porque, quando algumas pessoas estavam nessa situação (ou presos, não podendo pagar os débitos financeiros que haviam contraído), ela saldava as dívidas com seu próprio dinheiro, ou obtinha o perdão para os devedores. Parte para o Paraíso Edwiges, duquesa da Silésia e da Polônia, deitada em um pobre leito entregou sua alma a Deus em 1243, no dia 15 de outubro. Essa data, como é habitual na Igreja, passou a ser o dia de sua festividade litúrgica, a qual foi depois mudada para o dia seguinte (para dar lugar à comemoração de Santa Teresa de Ávila, padroeira dos professores). Tendo sempre sido humilde e dotada de grande perfeição em vida, Santa Edwiges terá se alegrado, no paraíso, em ver concedida a precedência a essa outra grande santa da constelação da Igreja. Fontes: Vida de Santa Edwiges (Pe. Ivo Montanhese CSSR, Editora Santuário, 1884; Dix Mille Saints (les Bénédictines de Ramsgate, Brepols, 1991); Heavenly Friends (Rosalie Marie Levy, St. Paul Editions, 1984). #SantodoDia
- Santa Edwiges, protetora dos endividados – 16 de Outubro
SANTO DO DIA – 16 DE OUTUBRO – SANTA EDWIGES Religiosa (1174-1243) Nobre, Edwiges nasceu em 1174, na Bavária, Alemanha. Ainda criança, já mostrava mais apego às coisas espirituais do que às materiais, apesar de dispor de tudo o que quisesse comprar ou possuir. Em vez de divertir-se em festas da Corte, preferia manter-se recolhida para rezar. Aos 12 anos, como era convencionado nas casas reais, foi dada em casamento a Henrique I, duque da Silésia e da Polônia. Ela obedeceu aos pais e teve com o marido sete filhos. Quando completou 20 anos, e ele 34, sentiu o chamado definitivo ao seguimento de Jesus. Conversou com o marido e decidiram manter, dentro do casamento, o voto de abstinência sexual. Edwiges entregou-se, então, à piedade e caridade. Guardava uma pequena parte de seus ganhos para si e o resto empregava em auxílio ao próximo. Quando descobriu que muitas pessoas eram presas porque não tinham como saldar suas dívidas, passou a ir pessoalmente aos presídios para libertar tais encarcerados, pagando-lhes as dívidas com seu próprio dinheiro. Depois, ela também lhes conseguia um emprego, de modo que pudessem manter-se com dignidade. Construiu o Mosteiro de Trebnitz, na Polônia, ajudou a restaurar os outros e mandou erguer inúmeras igrejas. Desse modo, organizou uma grande rede de obras de caridade e assistência aos pobres. Além disso, visitava os hospitais constantemente, para, pessoalmente, cuidar e limpar as feridas dos mais contaminados e leprosos. Mas Edwiges tinha um especial carinho pelas viúvas e órfãos. Veio, então, um período de sucessivas desventuras familiares. Num curto espaço de tempo, assistiu à morte, um a um, dos seus seis filhos, ficando viva apenas a filha Gertrudes. Em seguida, foi a vez do marido. Henrique I fora preso pelos inimigos num combate de guerra e, mesmo depois de libertado, acabou morrendo, vitimado por uma doença contraída na prisão. Viúva, apesar da dura provação, Edwiges continuou a viver na virtude. Retirou-se e ingressou no convento que ela própria construíra, do qual a filha Gertrudes se tornara abadessa. Fez os votos de castidade e pobreza, a ponto de andar descalça sobre a neve quando atendia suas obras de caridade. Foi nessa época que recebeu o dom da cura, e operou muitos milagres, em cegos e outros enfermos, com o toque da mão e o sinal da cruz. Com fama de santidade, Edwiges morreu no dia 15 de outubro de 1243, no Mosteiro de Trebnitz, Polônia. Logo passou a ser cultuada como santa, e o local de sua sepultura tornou-se centro de peregrinação para os fiéis cristãos. Em 1266, o papa Clemente IV canonizou-a oficialmente. A Igreja designou o dia 16 de outubro para a celebração da sua festa litúrgica. O culto a santa Edwiges, padroeira dos pobres e endividados, é muito expressivo ainda hoje em todo o mundo católico e um dos mais difundidos do Brasil. Texto: Paulinas Internet Conheça mais sobre Santa Edwiges O conúbio da vida religiosa com a vocação foi a matriz de seu feliz matrimônio Diversos mosteiros foram fundados por Edwiges, que atraiu à Silésia religiosos de várias ordens e congregações, inclusive franciscanos e cistercienses, com o que dotou a região de novas formas de espiritualidade. Bertoldo, marquês de Meran e conde do Tiro, duque da Caríntia e da Ístria, havia se casado com Inês, filha do conde de Rottech. O feliz casal teve vários filhos, dentre os quais Edwiges, nascida em 1174 em Andechs, na Baviera (Alemanha). Aos seis anos Edwiges foi enviada ao mosteiro de Kicing, para ser educada pelas religiosas, e com doze anos casou-se com Henrique, duque da Silésia (a maior parte dessa região pertence à atual Polônia), e mais tarde também duque da antigaPolônia, gerando seis filhos (dos quais dois faleceram com pequena idade). Tendo recebido a educação ministrada por religiosas, Edwiges era dotada de um grande autocontrole, que manifestou desde a infância e que a acompanhou na vida adulta. Procurou fazer do lar uma igreja doméstica, e seu esposo para isso muito colaborou, podendo ambos serem considerados um casal exemplar. Mas infelizmente o exemplo dos pais não frutificou nos filhos, que lhes deram motivos para amargos sofrimentos. A temperança, virtude sempre perseguida Prezava ela, entre as virtudes, a temperança, o que soube muito bem aplicar à castidade matrimonial segundo os costumes da época. Após vinte anos de vida conjugal Edwiges e seu marido compareceram perante o bispo para prometer continência até o fim de suas vidas, o que cumpriram com fidelidade, buscando forças na oração, no jejum e na abstinência (Henrique terminou sua vida trinta anos depois). Ainda antes de enviuvar Edwiges se havia transferido para o mosteiro de Trebnitz (fundado por seu marido), acompanhada de umas poucas senhoras que a serviam e algumas amigas. Não escolheu para si cômodos luxuosos, optando por morar no fundo do mosteiro: quarto pobre, mobílias pobres; a rica duquesa fez-se pobre entre as pobres religiosas. Especial consideração pelos membros das famílias religiosas Diversos mosteiros foram fundados por Edwiges, que atraiu à Silésia religiosos de várias ordens e congregações, inclusive franciscanos e cistercienses, com o que dotou a região de novas formas de espiritualidade. Edwiges dizia-se uma grande pecadora, mas considerava as religiosas como santas, e assim as coisas que elas usavam eram, para a duquesa, relíquias. A água servida com a qual as religiosas haviam lavado os pés era usada por Edwiges para lavar os olhos, e até toda a cabeça, sendo por vezes ingerida com veneração. Os assentos e genuflexórios usados pelas religiosas eram reverentemente osculados, bem como as toalhas. Precedência para os pobres Recusava-se ela a tomar sua refeição antes de dar de comer aos pobres, e o fazia de joelhos. Por vezes, antes de tomar água, passava o copo a um pobre para que a sorvesse antes. Em várias ocasiões propiciou copiosas refeições para os pobres, aos quais pessoalmente servia os alimentos (mas ela, tomando os alimentos somente depois de tê-los servido com precedência, contentava-se com o que havia de mais simples). Alguns filhos de nobres fizeram o sutil comentário: os mendigos comiam melhor nas refeições servidas pela duquesa do que eles nas mesas dos príncipes… Poderia ela, ao ter enviuvado, fazer a profissão religiosa e emitindo os votos de pobreza, castidade e obediência. Mas ao fazer o voto de pobreza extinguiria assim a possibilidade de ajudar os pobres com os bens que tinha, e, portanto, manteve-se pobre de espírito, vivendo a pobreza evangélica mesmo continuando a possuir grande fortuna. “Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração” Edwiges renunciou a tudo. Sobre a cabeça, não havia coroa nem véus luxuosos; no pescoço ou peito, nada de ricos colares; nos dedos, nenhum luxuoso anel. Essa exterioridade era reflexo da humildade interior. Desde a promessa da continência conjugal Edwiges renunciou aos ornatos do mundo: não mais vestiu trajes coloridos, adotando o cinzento como cor, e só nas grandes solenidades mostrava-se melhor vestida do que o habitual, em reverência a Deus. “Estive preso e Me visitastes” Os encarcerados e condenados eram motivo de especial atenção de Edwiges. Durante os vários anos em que foi construído o mosteiro de Trebnitz nenhum condenado à morte foi executado: a duquesa conseguiu que eles fossem trabalhar nas obras, permitindo-lhes emendar-se de suas faltas e chegar à conversão. E durante os longos anos em que viveu neste mundo dirigiu ela o olhar para os que se encontravam privados da liberdade, visitando-os e fornecendo-lhes roupas e alimentos, sendo vários deles adversários de seu marido. Em diversas ocasiões intercedeu ela junto a Henrique pedindo que seus desafetos encarcerados voltassem às suas boas graças, conseguindo assim para eles a alegria da liberdade (e para Henrique a possibilidade de, junto com ela, fazer o bem). Certa ocasião um clérigo cometera um crime de sacrilégio, sendo sentenciado pelo juiz à pena capital. A duquesa comoveu-se profundamente pelo que ocorria com o infeliz, mas ao mesmo tempo olhando para uma santa instituição, a Igreja Católica, na qual ele atuava: um eleito de Deus condenado a uma morte infame. Apesar do crime, Edwiges considerava o estado clerical digno de grande veneração: pediu, suplicou e orou pelo condenado, conseguindo finalmente livrá-lo da sentença fatal, e depois empenhou-se na conversão daquele cuja vida havia salvo. Protetora das viúvas, órfãos, pobres, peregrinos e endividados Para as viúvas e órfãos Edwiges era uma mãe, advogada e consoladora. Aos peregrinos que se dirigiam aos Lugares Santos, Edwiges contribuía com dinheiro para suas necessidades de viagem, sentindo-se assim participante das peregrinações e de seus méritos. Certo dia demorou-se ela mais tempo nas orações, que fazia em seus aposentos. Mendigos, ao lado de fora, depois de longa espera passaram eles a lamentar, em alta voz: “hoje a senhora escondeu-se de nós“, e outras brandas manifestações de pedidos de esmolas. Uma das serviçais informou a Edwiges que os pobres estavam ali se queixando de que a duquesa não lhes dera ainda as esmolas, ao que ela determinou: “vá depressa, pegue o cofre onde está o dinheiro para os pobres, e dê a cada um conforme o Senhor a inspirar“. Santa Edwiges adquiriu fama como protetora dos endividados porque, quando algumas pessoas estavam nessa situação (ou presos, não podendo pagar os débitos financeiros que haviam contraído), ela saldava as dívidas com seu próprio dinheiro, ou obtinha o perdão para os devedores. Parte para o Paraíso Edwiges, duquesa da Silésia e da Polônia, deitada em um pobre leito entregou sua alma a Deus em 1243, no dia 15 de outubro. Essa data, como é habitual na Igreja, passou a ser o dia de sua festividade litúrgica, a qual foi depois mudada para o dia seguinte (para dar lugar à comemoração de Santa Teresa de Ávila, padroeira dos professores). Tendo sempre sido humilde e dotada de grande perfeição em vida, Santa Edwiges terá se alegrado, no paraíso, em ver concedida a precedência a essa outra grande santa da constelação da Igreja. Fontes: Vida de Santa Edwiges (Pe. Ivo Montanhese CSSR, Editora Santuário, 1884; Dix Mille Saints (les Bénédictines de Ramsgate, Brepols, 1991); Heavenly Friends (Rosalie Marie Levy, St. Paul Editions, 1984). #SantodoDia
- Santa Margarida Maria Alacoque: a mensageira do Sagrado Coração de Jesus – 16 de Outubro
SANTO DO DIA – 16 DE OUTUBRO – SANTA MARGARIDA MARIA ALACOQUE Religiosa (1647-1690) Quinta de um total de sete filhas de um tabelião da Borgonha, Margarida, ao ficar órfã de pai aos 12 anos, para poder seguir a vocação à vida religiosa, teve de vencer a oposição da mãe, que a queria casada com um honrado rapaz. Aos 24 anos, foi acolhida no Mosteiro da Visitação de Paray-le-Monial. Na festividade de são João Evangelista de 1673, a noviça Margarida Maria, recolhida em adoração diante do Santíssimo Sacramento, teve a primeira das visões particulares de Jesus, que se iriam repetir depois na primeira sexta-feira de cada mês. Dois anos depois, Jesus manifestou-se a ela com o peito dilacerado, e, apontando com a mão o coração rodeado de luz, disse-lhe: “Eis o Coração que tanto amou os homens, não poupando nada, até exaurir-se para demonstrar seu amor. E, em reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidão”. As extraordinárias visões trouxeram à irmã Margarida Maria sofrimentos e incompreensões. Jesus mesmo lhe indicou, então, o diretor espiritual na pessoa do santo sacerdote jesuíta Cláudio de la Colombière, que acolheu o pedido de Jesus para se empenhar pela instituição da Festa do Sagrado Coração. Este culto, a despeito da feroz oposição dos círculos jansenistas, difundiu-se logo por toda a Igreja. Irmã Margarida Maria extinguiu-se docemente aos 43 anos apenas. Foi canonizada em 1920. Retirado do livro ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. Conheça mais sobre Santa Margarida Maria Alacoque A mensagem da qual Santa Margarida Maria Alacoque foi portadora mostraria à humanidade, de um modo nunca antes imaginado, a insondável intensidade do amor que Ele tem a cada um de nós. Quando Margarida tinha apenas quatro anos de idade, começou a sentir- se levada a dizer diversas vezes: “Ó meu Deus, eu Vos consagro minha pureza e Vos faço voto de castidade perpétua”. Algo surpreendente numa menininha daquela idade, que nem sabia o que isso significava – como diria mais tarde em suas memórias. Era já o início extraordinário da história desta alma, na qual a graça divina agia preparando-a para pertencer somente a Jesus. Assim, ela poderia cumprir eximiamente uma crucial missão em benefício da humanidade: ser a mensageira do Sagrado Coração. Luta entre a vocação e o atrativo pela vida comum Margarida nasceu em 22 de julho de 1647 na Borgonha, França. Seu pai era juiz e notário real, mas homem de pequenas posses. Quando tinha 8 anos de idade, foi surpreendida pelo falecimento de seu pai, e a família precisou enviá-la para a escola das clarissas de Charolles. Ali, uma estranha enfermidade reduziu-a a um tal estado de debilidade que, ao cabo de algum tempo, sua mãe a levou de volta para casa. “Passei quatro anos sem poder caminhar”, dirá ela depois. Vendo a ineficácia dos remédios, voltou-se para a Virgem das Virgens e fez-lhe o voto de entrar para a vida religiosa, se ficasse curada. Foi atendida com rapidez, restabelecendo-se instantaneamente. Entretanto, quando Margarida completou 17 anos, sua mãe e seus irmãos decidiram que ela devia se casar. Deixando-se levar pelo amor filial, a jovem aos poucos começou a tomar parte nos folguedos de sua idade – embora se guardando de ofender a Deus – e a acariciar a idéia de contrair matrimônio, mesmo porque já tinha vários pretendentes. No seu interior travou-se então uma demorada e intensa batalha: de um lado, a atração pela vida comum lhe sussurrava ser até um dever de piedade filial constituir um lar, pois assim poderia amparar melhor sua mãe enferma. De outro, a voz da graça lembrava- lhe o voto de castidade perfeita que fizera já na infância, bem como a promessa de fazer-se esposa de Cristo. Não importa, você era muito criança para entender o que dizia, portanto, essas promessas não tinham valor; você agora é livre! – era a resposta que lhe vinha em seguida à mente. Esse cruel embate de alma durou alguns anos. Mas, ajudada de modo sensível por Nosso Senhor, a vocação religiosa acabou por vencer: em 1671, ela entrou como postulante no Mosteiro da Visitação, de Paray-le- Monial. Santa ou visionária? Desde a infância, Margarida fora beneficiada por experiências místicas. As mais importantes ocorreram no convento, a partir de 27 de dezembro de 1673, quando passou a receber uma série de revelações do Sagrado Coração de Jesus, o qual a incumbia de ser a encarregada de divulgar essa devoção. Além disso, as três superioras que, a cada seis anos, assumiram sucessivamente a autoridade no convento de Paray-le-Monial convenceram-se da santidade de Margarida. Contudo, ela sofreu acirrada oposição dentro da comunidade, que a tratava como uma excêntrica visionária. Seu principal apoio veio de São Cláudio de la Colombière, jovem sacerdote jesuíta que foi durante certo tempo confessor das freiras e testemunhou serem reais as visões da Santa. Todavia, por sua perseverança, docilidade, espírito de obediência e caridade, ela acabou vencendo as oposições e conseguiu cumprir sua missão, começando por introduzir em 1686 – no início para um círculo restrito de seu próprio convento – a festa do Sagrado Coração de Jesus. Assim, esta se espalhou com rapidez por outros mosteiros da Visitação, e transbordou para o exterior da congregação. Por fim, após uma existência na qual consumiu- se sem cessar no amor ao Sagrado Coração de Jesus, Santa Margarida Maria Alacoque morreu em 17 de outubro de 1690, aos 43 anos de idade. Foi canonizada por Bento XV em 1920. Seu corpo está colocado sob o altar da capela do convento onde viveu, e os peregrinos que ali vão rezar a ela alcançam insignes graças. Revista Arautos do Evangelho, Jun/2006, n. 54, p. 22 e 23) #SagradoCoraçãodeJesus #SantodoDia
- Santa Margarida Maria Alacoque: a mensageira do Sagrado Coração de Jesus – 16 de Outubro
SANTO DO DIA – 16 DE OUTUBRO – SANTA MARGARIDA MARIA ALACOQUE Religiosa (1647-1690) Quinta de um total de sete filhas de um tabelião da Borgonha, Margarida, ao ficar órfã de pai aos 12 anos, para poder seguir a vocação à vida religiosa, teve de vencer a oposição da mãe, que a queria casada com um honrado rapaz. Aos 24 anos, foi acolhida no Mosteiro da Visitação de Paray-le-Monial. Na festividade de são João Evangelista de 1673, a noviça Margarida Maria, recolhida em adoração diante do Santíssimo Sacramento, teve a primeira das visões particulares de Jesus, que se iriam repetir depois na primeira sexta-feira de cada mês. Dois anos depois, Jesus manifestou-se a ela com o peito dilacerado, e, apontando com a mão o coração rodeado de luz, disse-lhe: “Eis o Coração que tanto amou os homens, não poupando nada, até exaurir-se para demonstrar seu amor. E, em reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidão”. As extraordinárias visões trouxeram à irmã Margarida Maria sofrimentos e incompreensões. Jesus mesmo lhe indicou, então, o diretor espiritual na pessoa do santo sacerdote jesuíta Cláudio de la Colombière, que acolheu o pedido de Jesus para se empenhar pela instituição da Festa do Sagrado Coração. Este culto, a despeito da feroz oposição dos círculos jansenistas, difundiu-se logo por toda a Igreja. Irmã Margarida Maria extinguiu-se docemente aos 43 anos apenas. Foi canonizada em 1920. Retirado do livro ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. Conheça mais sobre Santa Margarida Maria Alacoque A mensagem da qual Santa Margarida Maria Alacoque foi portadora mostraria à humanidade, de um modo nunca antes imaginado, a insondável intensidade do amor que Ele tem a cada um de nós. Quando Margarida tinha apenas quatro anos de idade, começou a sentir- se levada a dizer diversas vezes: “Ó meu Deus, eu Vos consagro minha pureza e Vos faço voto de castidade perpétua”. Algo surpreendente numa menininha daquela idade, que nem sabia o que isso significava – como diria mais tarde em suas memórias. Era já o início extraordinário da história desta alma, na qual a graça divina agia preparando-a para pertencer somente a Jesus. Assim, ela poderia cumprir eximiamente uma crucial missão em benefício da humanidade: ser a mensageira do Sagrado Coração. Luta entre a vocação e o atrativo pela vida comum Margarida nasceu em 22 de julho de 1647 na Borgonha, França. Seu pai era juiz e notário real, mas homem de pequenas posses. Quando tinha 8 anos de idade, foi surpreendida pelo falecimento de seu pai, e a família precisou enviá-la para a escola das clarissas de Charolles. Ali, uma estranha enfermidade reduziu-a a um tal estado de debilidade que, ao cabo de algum tempo, sua mãe a levou de volta para casa. “Passei quatro anos sem poder caminhar”, dirá ela depois. Vendo a ineficácia dos remédios, voltou-se para a Virgem das Virgens e fez-lhe o voto de entrar para a vida religiosa, se ficasse curada. Foi atendida com rapidez, restabelecendo-se instantaneamente. Entretanto, quando Margarida completou 17 anos, sua mãe e seus irmãos decidiram que ela devia se casar. Deixando-se levar pelo amor filial, a jovem aos poucos começou a tomar parte nos folguedos de sua idade – embora se guardando de ofender a Deus – e a acariciar a idéia de contrair matrimônio, mesmo porque já tinha vários pretendentes. No seu interior travou-se então uma demorada e intensa batalha: de um lado, a atração pela vida comum lhe sussurrava ser até um dever de piedade filial constituir um lar, pois assim poderia amparar melhor sua mãe enferma. De outro, a voz da graça lembrava- lhe o voto de castidade perfeita que fizera já na infância, bem como a promessa de fazer-se esposa de Cristo. Não importa, você era muito criança para entender o que dizia, portanto, essas promessas não tinham valor; você agora é livre! – era a resposta que lhe vinha em seguida à mente. Esse cruel embate de alma durou alguns anos. Mas, ajudada de modo sensível por Nosso Senhor, a vocação religiosa acabou por vencer: em 1671, ela entrou como postulante no Mosteiro da Visitação, de Paray-le- Monial. Santa ou visionária? Desde a infância, Margarida fora beneficiada por experiências místicas. As mais importantes ocorreram no convento, a partir de 27 de dezembro de 1673, quando passou a receber uma série de revelações do Sagrado Coração de Jesus, o qual a incumbia de ser a encarregada de divulgar essa devoção. Além disso, as três superioras que, a cada seis anos, assumiram sucessivamente a autoridade no convento de Paray-le-Monial convenceram-se da santidade de Margarida. Contudo, ela sofreu acirrada oposição dentro da comunidade, que a tratava como uma excêntrica visionária. Seu principal apoio veio de São Cláudio de la Colombière, jovem sacerdote jesuíta que foi durante certo tempo confessor das freiras e testemunhou serem reais as visões da Santa. Todavia, por sua perseverança, docilidade, espírito de obediência e caridade, ela acabou vencendo as oposições e conseguiu cumprir sua missão, começando por introduzir em 1686 – no início para um círculo restrito de seu próprio convento – a festa do Sagrado Coração de Jesus. Assim, esta se espalhou com rapidez por outros mosteiros da Visitação, e transbordou para o exterior da congregação. Por fim, após uma existência na qual consumiu- se sem cessar no amor ao Sagrado Coração de Jesus, Santa Margarida Maria Alacoque morreu em 17 de outubro de 1690, aos 43 anos de idade. Foi canonizada por Bento XV em 1920. Seu corpo está colocado sob o altar da capela do convento onde viveu, e os peregrinos que ali vão rezar a ela alcançam insignes graças. Revista Arautos do Evangelho, Jun/2006, n. 54, p. 22 e 23) #SagradoCoraçãodeJesus #SantodoDia
- O dia em que Santa Teresa D’Ávila venceu o demônio com o poder da água benta
Santa Teresa D’Ávila é uma religiosa, mística e doutora da Igreja do século XVI, que em suas memórias relatou como, após uma longa experiência, aprendeu que “não há coisa de que os demônios fujam mais, para não mais voltar, do que a água benta”. O que não é tão conhecido são as experiências que a levaram a essa conclusão, que a santa descreve em sua autobiografia, o “Livro da vida”. “Eu estava certa vez num oratório e me apareceu, do lado esquerdo, uma figura abominável; percebi especialmente a boca, porque falava: era horrível. Parecia que lhe saía do corpo uma grande chama, muito clara, sem nenhuma sombra. Disse-me, aterrorizando-me, que eu me livrara de suas garras, mas que voltaria a elas”, revelou Santa Teresa no início do capítulo 31 de sua obra. Em seguida, assustada, tentar espantá-lo com o sinal da Cruz. O demônio a abandonou, mas logo voltou. Isso aconteceu várias vezes, até que notou que tinha água benta perto: “Isso me aconteceu por duas vezes. Não sabendo o que fazer, peguei da água benta que ali havia e lancei-a para onde essa figura se encontrava. Ela nunca mais voltou”. Em outro momento, Santa Teresa escreveu que o demônio esteve cinco horas a atormentando “com dores e desassossegos interiores e exteriores tão terríveis que pensei não poder suportar. As pessoas que estavam comigo ficaram espantadas e não sabiam o que fazer, nem eu a que recorrer”. A santa admitiu que só encontrou alívio depois de pedir água benta e jogá-la no local onde viu um demônio perto. É na explicação desse fato que é dada a conhecer a sua citação mais famosa. “A partir de muitos fatos, obtive a experiência de que não há coisa de que os demônios fujam mais, para não mais voltar, do que da água benta. Eles também fogem da cruz, mas retornam. Deve ser grande a virtude da água benta”, assinalou. Mais tarde, assegurou que conheceu o consolo da alma depois de tomar a água, o que lhe gerou “uma espécie de deleite interior” que a confortava. “Não se trata de ilusão nem de coisa que só aconteceu uma vez, mas sim de algo frequente que tenho observado com cuidado. Digamos que seja como se a pessoa estivesse com muito calor e sede e bebesse um jarro de água fria, sentindo todo o seu corpo refrescar. Penso em quão importante é tudo o que a Igreja ordena, e alegra-me muito ver que tenham tanta força as palavras que comunica à água benta para que esta fique tão diferente da comum”, continuou. Leia também Conheça mais sobre a vida de Santa Teresa de Ávila, Doutora da Igreja Santa Teresa D’Ávila conta muitas outras histórias sobre o poder da água bento no restante do capítulo. Fonte: ACI Digital
- O dia em que Santa Teresa D’Ávila venceu o demônio com o poder da água benta
Santa Teresa D’Ávila é uma religiosa, mística e doutora da Igreja do século XVI, que em suas memórias relatou como, após uma longa experiência, aprendeu que “não há coisa de que os demônios fujam mais, para não mais voltar, do que a água benta”. O que não é tão conhecido são as experiências que a levaram a essa conclusão, que a santa descreve em sua autobiografia, o “Livro da vida”. “Eu estava certa vez num oratório e me apareceu, do lado esquerdo, uma figura abominável; percebi especialmente a boca, porque falava: era horrível. Parecia que lhe saía do corpo uma grande chama, muito clara, sem nenhuma sombra. Disse-me, aterrorizando-me, que eu me livrara de suas garras, mas que voltaria a elas”, revelou Santa Teresa no início do capítulo 31 de sua obra. Em seguida, assustada, tentar espantá-lo com o sinal da Cruz. O demônio a abandonou, mas logo voltou. Isso aconteceu várias vezes, até que notou que tinha água benta perto: “Isso me aconteceu por duas vezes. Não sabendo o que fazer, peguei da água benta que ali havia e lancei-a para onde essa figura se encontrava. Ela nunca mais voltou”. Em outro momento, Santa Teresa escreveu que o demônio esteve cinco horas a atormentando “com dores e desassossegos interiores e exteriores tão terríveis que pensei não poder suportar. As pessoas que estavam comigo ficaram espantadas e não sabiam o que fazer, nem eu a que recorrer”. A santa admitiu que só encontrou alívio depois de pedir água benta e jogá-la no local onde viu um demônio perto. É na explicação desse fato que é dada a conhecer a sua citação mais famosa. “A partir de muitos fatos, obtive a experiência de que não há coisa de que os demônios fujam mais, para não mais voltar, do que da água benta. Eles também fogem da cruz, mas retornam. Deve ser grande a virtude da água benta”, assinalou. Mais tarde, assegurou que conheceu o consolo da alma depois de tomar a água, o que lhe gerou “uma espécie de deleite interior” que a confortava. “Não se trata de ilusão nem de coisa que só aconteceu uma vez, mas sim de algo frequente que tenho observado com cuidado. Digamos que seja como se a pessoa estivesse com muito calor e sede e bebesse um jarro de água fria, sentindo todo o seu corpo refrescar. Penso em quão importante é tudo o que a Igreja ordena, e alegra-me muito ver que tenham tanta força as palavras que comunica à água benta para que esta fique tão diferente da comum”, continuou. Leia também Conheça mais sobre a vida de Santa Teresa de Ávila, Doutora da Igreja Santa Teresa D’Ávila conta muitas outras histórias sobre o poder da água bento no restante do capítulo. Fonte: ACI Digital
- Homilia Dominical | O banquete de núpcias ao qual somos chamados
28.º Domingo do Tempo Comum Neste domingo, o Evangelho fala de um banquete nupcial para o qual um rei bondoso convida muitos amigos. Mas esses amigos não lhe dão atenção e, preferindo realizar outras tarefas, desprezam o seu convite. Com essa parábola, Jesus ilustra tanto a atitude dos fariseus com relação a Deus quanto a nossa. Por causa de um falso conceito sobre Nosso Senhor, acabamos desprezando a sua vontade em nossas vidas para buscarmos os banquetes pecaminosos que o mundo nos oferece. E assim nos tornamos totalmente incrédulos. Ouça a homilia deste domingo, em que Padre Paulo Ricardo nos ensina a fugir dos falsos deuses, para que consigamos comparecer ao banquete celeste com os devidos “trajes nupciais”, isto é, com um coração cheio de amor a Deus. Santo do Dia: Santa Teresa de Ávila, Doutora da Igreja Anúncio do Evangelho (Mt 22,1-14) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Que o Pai do Senhor Jesus Cristo nos dê do saber o espírito; conheçamos, assim, a esperança à qual nos chamou, como herança! (cf. Ef 1,17-18) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 1 Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, dizendo: 2 “O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho. 3 E mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram ir. 4 O rei mandou outros empregados, dizendo: ‘Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para a festa!’ 5 Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, 6 outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram. 7 O rei ficou indignado e mandou suas tropas para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. 8 Em seguida, o rei disse aos empregados: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela. 9 Portanto, ide até as encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes’. 10 Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados. 11 Quando o rei entrou para ver os convidados, observou aí um homem que não estava usando traje de festa 12 e perguntou-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?’ Mas o homem nada respondeu. 13 Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão! Aí haverá choro e ranger de dentes’. 14 Porque muitos são chamados, e poucos são escolhidos”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Dominical | O banquete de núpcias ao qual somos chamados
28.º Domingo do Tempo Comum Neste domingo, o Evangelho fala de um banquete nupcial para o qual um rei bondoso convida muitos amigos. Mas esses amigos não lhe dão atenção e, preferindo realizar outras tarefas, desprezam o seu convite. Com essa parábola, Jesus ilustra tanto a atitude dos fariseus com relação a Deus quanto a nossa. Por causa de um falso conceito sobre Nosso Senhor, acabamos desprezando a sua vontade em nossas vidas para buscarmos os banquetes pecaminosos que o mundo nos oferece. E assim nos tornamos totalmente incrédulos. Ouça a homilia deste domingo, em que Padre Paulo Ricardo nos ensina a fugir dos falsos deuses, para que consigamos comparecer ao banquete celeste com os devidos “trajes nupciais”, isto é, com um coração cheio de amor a Deus. Santo do Dia: Santa Teresa de Ávila, Doutora da Igreja Anúncio do Evangelho (Mt 22,1-14) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Que o Pai do Senhor Jesus Cristo nos dê do saber o espírito; conheçamos, assim, a esperança à qual nos chamou, como herança! (cf. Ef 1,17-18) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 1 Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, dizendo: 2 “O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho. 3 E mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram ir. 4 O rei mandou outros empregados, dizendo: ‘Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para a festa!’ 5 Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, 6 outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram. 7 O rei ficou indignado e mandou suas tropas para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. 8 Em seguida, o rei disse aos empregados: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela. 9 Portanto, ide até as encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes’. 10 Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados. 11 Quando o rei entrou para ver os convidados, observou aí um homem que não estava usando traje de festa 12 e perguntou-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?’ Mas o homem nada respondeu. 13 Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão! Aí haverá choro e ranger de dentes’. 14 Porque muitos são chamados, e poucos são escolhidos”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Santa Teresa de Ávila, Doutora da Igreja – 15 de Outubro
SANTO DO DIA – 15 DE OUTUBRO – SANTA TERESA DE ÁVILA Carmelita e Doutora da Igreja (1515-1582) Teresa de Cepeda y Ahumada, nascida em uma nobre família de Ávila, na Castela Velha, começou cedo a dar prova de temperamento vivaz, fugindo de casa aos 7 anos para buscar o martírio entre os mouros da África, por amor de Cristo. Mas, aos 16 anos, começou a se embelezar por amor a um simples mortal. E o pai, por um compreensível ciúme e para protegê-la, confiou-a a um convento de freiras. Aos 20 anos, contrariando os planos paternos, decidiu ser freira. Houve poucos anos de vida regular, pois ela também cedeu a certa moda. As vozes interiores não lhe deram tréguas e ela sentiu um desejo sempre mais insistente de retornar ao primitivo rigor dos carmelitas, sendo objeto de extraordinárias experiências místicas, traduzidas depois, por obediência, em vários tratados de oração mental, citados entre os clássicos da literatura espanhola. Aos 40 anos, ocorre a primeira grande virada na vida desta imprevisível santa de ideias generosas. Depois das aflições interiores, dos escrúpulos e daquilo que, na mística, é chamado de “noite dos sentidos” — ou trevas interiores, a prova mais dura que uma alma deve superar —, dá-se o encontro iluminador com dois santos, Francisco de Borja e Pedro de Alcântara. Estes a repõem no bom caminho, na via da total confiança em Deus. Em 1562, ela funda, em Ávila, o convento reformado sob o patrocínio de são José. Cinco anos depois, um outro decisivo encontro: João da Cruz, o príncipe da Teologia Mística. Os dois foram feitos para se entenderem. Inicia, assim, aquele singular conúbio, em meio a ardentíssimos arrebatamentos místicos e ocupações práticas do dia a dia, que fazem dela a ‘santa do bom senso’, uma contemplativa imersa na realidade. Ela possui a chave para entrar no Castelo interior da alma, “cuja porta de ingresso é a oração”, mas ao mesmo tempo sabe tratar egregiamente de matérias econômicas. “Teresa”, diz ela argutamente, “sem a graça de Deus é uma pobre mulher; com a graça de Deus, uma força; com a graça de Deus e muito dinheiro, uma potência”. Viaja pela Espanha de alto a baixo (era chamada a “freira viajante”) para erigir novos conventos reformados e revela-se uma hábil organizadora. Escreve a história da própria vida, um livro de confissões extraordinariamente sinceras: “Como me mandaram escrever o meu modo de fazer oração e as graças que o Senhor me fez, eu queria que me tivessem concedido o poder de contar minuciosamente, e com clareza, os meus grandes pecados”. Morre pronunciando as palavras: “Sou filha da Igreja”. Em 1970, Paulo VI proclamou-a Doutora da Igreja. Retirado do livro ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. Santa Teresa de Jesus é uma verdadeira mestra de vida cristã para os fiéis de todos os tempos. Ela nos ensina a ser incansáveis testemunhas de Deus, da sua presença e da sua ação. (Bento XVI) Conheça mais sobre Santa Teresa de Ávila Tudo que se tem a dizer sobre Teresa Sanchez Cepeda D’Ávila y Ahumada é extraordinário. Ela viveu e ensinou a oração pessoal como sendo a busca de uma intimidade maior com Deus. Escreveu como um poeta, cantando as glórias do Senhor do Céu e da Terra, depois de ter convivido misticamente com Ele. Reformou e aperfeiçoou o estilo de vida religiosa. Foi doutora em matéria de religião e de religiosidade. Ultrapassando os limites de si mesma, ela foi mais além: foi Santa. E uma grande Santa. Por isso mesmo é que ela é chamada de Teresa, a Grande. O legado de Teresa Teresa D’Ávila, Teresa de Jesus ou Teresa, a Grande, nasceu na região de Castela (Espanha), em Ávila, uma cidade medieval cercada por muralhas de pedras grandes e claras que se tornam douradas quando o sol está se pondo. Ela era a terceira filha do casal Alonso Sanchez Cepeda com Beatriz D’Ávila y Ahumada e tinha vários irmãos, porque Dom Alonso teve três filhos em um primeiro casamento e outros nove de seu casamento com Dona Beatriz. Era da pequena nobreza. Nasceu em 28 de março de 1515. A reforma do Carmelo e sua experiência metódica da oração pessoal na busca de uma intimidade com Deus formam seu maior legado deixado para os fiéis da Santa Igreja. Com seu irmão, uma fuga frustrada Desde menina Teresa gostava de ler história da vida de santos. Acompanhava-lhe neste gosto seu irmão Rodrigo que tinha idade próxima da dela. Os dois admiravam em conjunto a coragem e heroísmo dos santos na luta pela conquista da gloria eterna. E porque os admirava, os dois tinham seus pensamentos sempre colocados na eternidade onde os bem-aventurados já viviam. Ao conhecer a vida dos mártires, julgaram que eles tinham conseguido ir para o céu com muita facilidade. Estavam tão certos disso que decidiram partir para o país dos mouros: ali, com certeza, seriam martirizados, morreriam defendendo a fé e estariam logo no céu, mais facilmente que de qualquer outro modo… Então os dois decidiram fugir de casa. Pediram a Deus que lhes concedesse a graça de dar a vida por Cristo e partiram a procura de quem os martirizasse.A aventura das duas crianças durou pouco. Estavam ainda próximo de Ávila, em Adaja, quando foram vistos por um de seus tios que as conduziu novamente para junto da aflita mãe. A culpa de tudo recaiu sobre Teresa. Quando foram repreendidos pela mãe, Rodrigo acusou a irmã de ter sido a idealizadora do plano frustrado. Mas os dois não se separaram e nem esqueceram seu ideal: eles resolveram viver como eremitas. Sem nunca conseguir, pensavam construir suas celas nos jardins da casa e lá viver na solidão. Outra fuga, após a morte da mãe Dona Beatriz morreu quando Teresa tinha quatorze anos: “quando me dei conta da perda que sofrera, comecei a entristecer-me. Então me dirigi a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei com muitas lágrimas que me tomasse como sua filha”, disse ela. Aos quinze anos Dom Alonso levou Tereza para estudar no Convento das Agostinianas de Ávila. Um ano depois, seu pai foi buscá-la. Uma doença a impedia de continuar vivendo ali. Por essa ocasião foi que a jovem viu nascer em seu coração uma forte atração para a vida religiosa passando a pensar seriamente nisso. Mas ela tinha dúvidas quanto a decisão a tomar. A vida religiosa a atraia e assustava, ao mesmo tempo. Foi a leitura das “Cartas”, de São Jerônimo que lhe ajudou na decisão. Ela comunicou seu desejo ao pai e ele recomendou que a filha aguardasse a morte dele para depois procurar um convento. Mas não foi bem isso o que aconteceu. Numa madrugada, tendo já 20 anos, a futura santa fugiu para o Convento de La Encarnación, em Ávila, com a intenção de não voltar mais para casa. Início da Vida Religiosa E Teresa ficou no Convento da Encarnação. Dom Alonso viu que sua vocação era séria e não mais colocou objeção à entrada dela na vida religiosa. Um ano depois de sua entrada no Carmelo, ela emitiu seus votos, tornando-se Carmelita. Uma grave enfermidade fez com que seu pai a levasse de volta para casa afim de que pudesse ser tratada de uma enfermidade que novamente lhe havia atacado. Mas os médicos não conseguiram debelar a doença que logo se agravou. Teresa suportou aquele sofrimento, graças a um livrinho que lhe fora dado de presente por seu tio Pedro: “O terceiro alfabeto espiritual”, de autoria de um Padre chamado Francisco de Osuna. Ela seguiu as instruções do pequeno livro que a introduziu na pratica da oração mental. Depois de passar três anos em casa, ela recuperou a saúde e retornou ao Carmelo. Levou consigo as ideias contidas no livreto do Padre Francisco. Como eram os mosteiros… Costumes inconvenientes e nada edificantes espalharam-se pelos conventos espanhóis da época de Teresa. Um desses costumes era de que as religiosas podiam receber todos os visitantes que desejassem, a qualquer hora. Teresa também foi vítima desse costume: passava grande parte de seu tempo conversando no locutório do mosteiro. Isto a levou ao descuido com as orações, sobretudo descuidava-se da oração mental. Muitas vezes ela encontrava desculpas para esse relaxamento em suas enfermidades. Suas doenças justificariam suas falhas nesse ponto ou… a impediam de meditar. E isso ela praticava sem susto nenhum. Foi o confessor de Teresa que lhe mostrou o perigo em que se encontrava sua alma e aconselhou-a a voltar à prática intensiva das orações. Embora ainda não tivesse decidido a entregar-se totalmente a Deus, levando uma vida de contemplativa, e não tivesse renunciado totalmente as horas que passava no locutório, conversando e trocando presentes com seus visitantes, ela acatou o conselho de seu confessor e deu mais atenção à vida de oração, voltando a meditar. “Foram tuas conversas no parlatório…” – nova conversão Com o novo modo de vida de oração, ela acabou, aos poucos compreendendo seus defeitos e como era “indigna”. Por isso invocava com frequência grandes santos penitentes, sobretudo Santo Agostinho e Santa Maria Madalena. A eles estão associados dois fatos que foram decisivos na vida da santa. O primeiro deles foi a leitura das “Confissões” do Bispo de Hipona. O segundo foi um chamado à penitência que ela sentiu quando rezava diante de um quadro representando a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Senti que Santa Maria Madalena vinha em meu socorro … e desde então progredi muito na vida espiritual”, afirmou Teresa. Ela sentia-se muito atraída pelas imagens de Cristo ensanguentado, em agonia. Em certa ocasião, estando aos pés de um crucifixo que trazia marcas das chagas de Cristo e muito sangue, ela perguntou: “Senhor, quem vos colocou aí?” E pareceu-lhe ouvir uma voz que vinha do crucificado: “Foram tuas conversas no parlatório que me puseram aqui, Teresa”. Ela chorou muito e a partir de então não voltou a perder tempo com conversas inúteis e com as amizades que não a levavam à santidade. Era uma mudança de vida radical, “orientada” pelos céus, algo muito próprio para quem iria tornar-se uma das maiores místicas da Igreja. Os mosteiros precisavam ser reformados? Como a maioria das religiosas, já desde os princípios do século XVI, as carmelitas também já tinham perdido o “fervor de noviço” dos primeiros tempos. Os locutórios dos conventos de Ávila eram uma espécie de centro de reunião para damas e cavalheiros da cidade. Por qualquer pretexto, mesmo sendo contemplativas, as religiosas deixavam a clausura. Os conventos passaram a ser lugares ideais para quem desejava uma vida fácil e sem problemas. As comunidades eram tão grandes quanto habitualmente relaxadas. O Convento da Encarnação possuía quase 200 religiosas. A questões das conversas nos parlatórios, da quebra de clausura das religiosas e do desprezo pela oração eram os aspectos mais salientes e visíveis. Havia também outros pontos decadentes. Uma situação anormal, tida como normal Já que esta situação era tida como normal, as religiosas não se davam conta de que o seu modo de vida estava muito distante do espírito de seus fundadores. De fato, uma reforma era necessária. E ela tornara-se urgente. Teresa haveria de levar avante esse grandioso empreendimento. E isso não foi uma tarefa fácil. Logo no início dela as incompreensões foram enormes, as desconfianças se espalharam e os comentários e as oposições cresceram, sobretudo da parte dos que eram atingidos… Teresa foi criticada pelos nobres, pelos magistrados, pelo povo e até por suas próprias irmãs. Apesar disso tudo, o sacerdote dominicano Padre Ibañez incentivou Teresa a prosseguir seu projeto. Se a reforma não fosse uma obra querida por Deus e se não tivesse no seu início o apoio de santos como São Pedro de Alcântara, São Luís Beltran, de Bispos como Dom Francisco de Salcedo e de sacerdotes como o Padre Gaspar Daza e o Padre Bañez essa obra não teria vingado, morreria em seu nascedouro. Teresa tinha total razão quando em certa ocasião disse: “Teresa sem a graça de Deus é uma pobre mulher; com a graça de Deus, uma fortaleza; com a graça de Deus e muito dinheiro, uma potência”. Reforma nos conventos – Reforma em toda vida religiosa Se algo em uma instituição algo não anda bem, a solução e reformá-la. Não é destruí-la: não se apaga a mecha que ainda fumega… Teresa pensava assim e foi o que ela se propôs a fazer. Ela começou por estabelecer em seu convento a mais estrita clausura e o silêncio quase perpétuo. A comunidade deveria viver dentro da maior pobreza. As religiosas passaram a vestir hábitos toscos, usavam sandálias em vez de sapatos (por isso foram chamadas “descalças”) e eram obrigadas a abstinência perpétua de carne. A Reformadora do Carmelo, a princípio, não aceitava comunidades com mais de treze religiosas. Mais tarde, nos conventos que tinham possibilidades de obter alguma renda, ela aceitou que nele residissem vinte monjas. Isso era o começo. Para concretizar e aprofundar a Reforma, era necessário algo mais. Além do relacionamento entre os homens, era necessário pensar no mais importante: o relacionamento com Deus. E Teresa foi exímia nesse ponto. Oração vocal, meditação, recolhimento Santa Teresa aprendeu a prática da oração vocal com as irmãs agostinianas durante deu convívio com elas e utilizou bastante esse modo perfeitamente legítimo de rezar. Porém, ela via no seu uso certos modos de proceder que poderiam ser criticados. Em seu entendimento, ao rezar, deveria pensar-se com mais afinco no que se diz e não apenas recitar muitas fórmulas, quase maquinalmente, apenas mexendo com os lábios, sem meditação, como tinha tornado costume fazer-se já em sua época. Segundo o que ensinou Teresa, a melhor forma de oração, o mais eficaz modo de rezar seria uma oração de recolhimento. Nesse modo de rezar o espírito deve esvaziar-se de si mesmo, a imaginação e o entendimento calar-se, e então, aprende-se a amar a Deus. Em seu modo de rezar, ela se fixa no pensamento meditativo dos mistérios da humanidade de Cristo, no seu sofrimento redentor e amoroso e, pouco a pouco, abandona seu próprio ser e seu espírito, desinteressando-se de si mesmo. A alma vive e vê tudo isso. É uma forma de oração ativa, laboriosa, voluntária e perseverante. Numa palavra, contemplativa. “Não sabeis o que é oração mental, nem como se faz a vocal, nem o que é contemplação…” Falando para suas irmãs do Carmelo, Teresa ensinava-lhes a rezar e dava-lhes recomendações. De certa feita, ela ensinou a suas irmãs como rezar, como elevar suas almas a Deus: “Comecemos por nos perguntar a quem vamos falar, e quem somos. Não podemos dirigir a um príncipe de modo tão informal quanto a um trabalhador ou a pobres criaturas como nós, a que se pode falar de qualquer jeito, e sempre está muito bem!” “Dirige a Deus cada um dos teus atos, oferece-os e pede-lhe que seja com grande fervor e desejo de Deus. Em todas as coisas, observa a providência de Deus e sua sabedoria. Em tudo, envia-lhe o teu louvor. Em tempo de tristeza e de inquietação, não abandones nem as boas obras de oração, nem a penitencia a que estás habituada. Antes as intensifica. E verás com que “prontidão o Senhor te sustenta.” “Que teu desejo seja ver Deus. Teu temor, perdê-lo. Tua dor, não te comprazeres na sua presença. Tua satisfação, o que pode conduzir-te a ele. E viverás numa grande paz.” “Quem verdadeiramente ama a Deus, ama tudo o que é bom, quer tudo o que é bom, favorece tudo o que é bom; louva todo o bem, com os bons se junta sempre, para apoiá-los e defendê-los. Em uma palavra, só ama a verdade e o que é digno de ser amado.” “Quando recito o Pai-nosso, será um sinal de amor lembrar quem é esse Pai e também quem é o Mestre que nos ensinou essa oração. “Ò meu Senhor, como vos mostrais Pai de tal Filho, e como vosso Filho revela que veio de tal Pai. Bendito seja para sempre. “Deixemos a terra, minhas filhas; não é justo que apreciemos tão mal um favor como esse, e que, depois de ter compreendido sua grandeza, continuemos sobre a terra.” (Orações e recomendações de Santa Teresa, extraídas do livro: “Orar com Santa Teresa de Ávila – Edições Loyola – 1987.) Uma mística recolhida e ativa A grande mística Teresa não descuidava das coisas práticas. Sabia utilizar as práticas materiais para o serviço de Deus. Tinha uma vida interior que era o motor de suas atividades. Era dela a “equação”: vontade de Deus, mais dois ducados, mais Teresa, igual a sucesso. Certo dia encontrou-se em Medina del Campo com dois frades carmelitas que estavam dispostos a abraçar a Reforma: Frei Antonio de Jesús de Heredia, superior, e Frei Juan de Yepes, que seria o futuro São João da Cruz. Com eles começou a estender a Reforma também para o ramo masculino da Ordem do Carmo. Aproveitando a primeira oportunidade, ela fundou um pequeno convento de frades em Duruela, em 1568 e no ano seguinte fundou o de Pastrana. Nos dois reinavam a pobreza e austeridade, o recolhimento, a vida de religião. Outros conventos e mosteiros foram surgindo. Santa Teresa deixou que as novas fundações ficassem a cargo de São João da Cruz. Lutas, separação e alcance Depois de muitas lutas, incompreensões e perseguições, obteve de Roma uma ordem superior que estabelecia uma separação dentro da Ordem do Carmo: os Carmelitas Descalços não estariam mais sob a jurisdição do Provincial dos Calçados. Na época dessa separação, 1580, Santa Teresa tinha 65 anos e sua saúde já estava muito debilitada. Isto não impediu que ela ainda fundasse outros dois conventos de cumprimento exímio das regras. Os mosteiros fundados sob inspiração da reforma influenciada por Teresa -é bom que se ressalte isso– não eram simplesmente um refúgio, um descanso para as almas contemplativas, cumpridoras das regras e que procuravam apenas a santificação pessoal. Eles sempre foram uma “escola de amor de Deus” que se espalhava não só pelos outros mosteiros, mas que influenciavam almas fora deles. O viver a vida religiosa reformada influenciou a vida para além dos muros dos mosteiros. Um novo estado de espírito difundiu-se pela sociedade toda. Nos mosteiros a ação de Teresa teve uma outra consequência também muito importante: fez nascer uma espécie desejo de reparação pelos males e destroços causados nos mosteiros pelo pela revolução protestante em todos os lugares, porém, mais especialmente na Inglaterra e Alemanha. Recolhida e ativa até o fim Em sua vida, o recolhimento, a atividade e as dificuldades eram inseparáveis. Na última de suas fundações, o mosteiro de Burgos, as dificuldades não diminuíram. Quando o convento já ia com suas obras adiantadas, em julho de 1582, Santa Teresa tinha intenção de retornar a Ávila. Porém foi forçada a mudar seus planos e dirigindo-se para Alba de Tormes. Pretendia visitar a duquesa Maria Henríquez. A viagem não estava bem programada e a Santa estava tão fraca que desmaiou no caminho. Chegando a Alba, Teresa piorou. Três dias depois ela disse à Beata Ana de São Bartolomeu, sua acompanhante na viagem: “Finalmente, minha filha, chegou a hora de minha morte”. O Pe. Antônio de Heredia foi quem ministrou-lhe os últimos sacramentos. Quando ele levou-lhe o viático, a Santa conseguiu erguer-se do leito e todos ouviram quando ela exclamou: “Oh, Senhor, por fim chegou a hora de nos vermos face a face!” Pouco depois, os que estavam em torna de seu leito puderam ouvir sua última frase: “Morro como filha da Igreja”. Eram 9 horas da noite do dia 4 de outubro de 1582. Como exatamente no dia seguinte efetuou-se a mudança para o calendário gregoriano, sendo suprimidos dez dias na contagem dos anos, a comemoração de sua morte foi fixada para o dia 15 de outubro. Ela foi sepultada em Alba de Tormes, onde repousam suas relíquias. * * * * * * * Em 1614 foi beatificada pelo Papa Paulo V. Em 1622 foi canonizada por Gregório XV. O Papa Paulo VI, em 27 de setembro de 1970 proclamou Santa Tereza como Doutora da Igreja. * * * * * * * Santa Teresa de Ávila é uma das maiores personalidades da mística católica de todos os tempos, sendo considerada como um dos maiores gênios que a humanidade já produziu. Ateus e livres-pensadores se veem obrigados a enaltecer sua viva e penetrante inteligência; reconhecem a força persuasiva de seus argumentos, bem como seu estilo vivo e atraente, além de seu profundo bom senso. O grande Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório, tinha Santa Teresa em tão alta estima que a escolheu como patrona, e a ela consagrou-se como filho espiritual, enaltecendo-a em muitos de seus escritos. (JSG #SantodoDia
- Santa Teresa de Ávila, Doutora da Igreja – 15 de Outubro
SANTO DO DIA – 15 DE OUTUBRO – SANTA TERESA DE ÁVILA Carmelita e Doutora da Igreja (1515-1582) Teresa de Cepeda y Ahumada, nascida em uma nobre família de Ávila, na Castela Velha, começou cedo a dar prova de temperamento vivaz, fugindo de casa aos 7 anos para buscar o martírio entre os mouros da África, por amor de Cristo. Mas, aos 16 anos, começou a se embelezar por amor a um simples mortal. E o pai, por um compreensível ciúme e para protegê-la, confiou-a a um convento de freiras. Aos 20 anos, contrariando os planos paternos, decidiu ser freira. Houve poucos anos de vida regular, pois ela também cedeu a certa moda. As vozes interiores não lhe deram tréguas e ela sentiu um desejo sempre mais insistente de retornar ao primitivo rigor dos carmelitas, sendo objeto de extraordinárias experiências místicas, traduzidas depois, por obediência, em vários tratados de oração mental, citados entre os clássicos da literatura espanhola. Aos 40 anos, ocorre a primeira grande virada na vida desta imprevisível santa de ideias generosas. Depois das aflições interiores, dos escrúpulos e daquilo que, na mística, é chamado de “noite dos sentidos” — ou trevas interiores, a prova mais dura que uma alma deve superar —, dá-se o encontro iluminador com dois santos, Francisco de Borja e Pedro de Alcântara. Estes a repõem no bom caminho, na via da total confiança em Deus. Em 1562, ela funda, em Ávila, o convento reformado sob o patrocínio de são José. Cinco anos depois, um outro decisivo encontro: João da Cruz, o príncipe da Teologia Mística. Os dois foram feitos para se entenderem. Inicia, assim, aquele singular conúbio, em meio a ardentíssimos arrebatamentos místicos e ocupações práticas do dia a dia, que fazem dela a ‘santa do bom senso’, uma contemplativa imersa na realidade. Ela possui a chave para entrar no Castelo interior da alma, “cuja porta de ingresso é a oração”, mas ao mesmo tempo sabe tratar egregiamente de matérias econômicas. “Teresa”, diz ela argutamente, “sem a graça de Deus é uma pobre mulher; com a graça de Deus, uma força; com a graça de Deus e muito dinheiro, uma potência”. Viaja pela Espanha de alto a baixo (era chamada a “freira viajante”) para erigir novos conventos reformados e revela-se uma hábil organizadora. Escreve a história da própria vida, um livro de confissões extraordinariamente sinceras: “Como me mandaram escrever o meu modo de fazer oração e as graças que o Senhor me fez, eu queria que me tivessem concedido o poder de contar minuciosamente, e com clareza, os meus grandes pecados”. Morre pronunciando as palavras: “Sou filha da Igreja”. Em 1970, Paulo VI proclamou-a Doutora da Igreja. Retirado do livro ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. Santa Teresa de Jesus é uma verdadeira mestra de vida cristã para os fiéis de todos os tempos. Ela nos ensina a ser incansáveis testemunhas de Deus, da sua presença e da sua ação. (Bento XVI) Conheça mais sobre Santa Teresa de Ávila Tudo que se tem a dizer sobre Teresa Sanchez Cepeda D’Ávila y Ahumada é extraordinário. Ela viveu e ensinou a oração pessoal como sendo a busca de uma intimidade maior com Deus. Escreveu como um poeta, cantando as glórias do Senhor do Céu e da Terra, depois de ter convivido misticamente com Ele. Reformou e aperfeiçoou o estilo de vida religiosa. Foi doutora em matéria de religião e de religiosidade. Ultrapassando os limites de si mesma, ela foi mais além: foi Santa. E uma grande Santa. Por isso mesmo é que ela é chamada de Teresa, a Grande. O legado de Teresa Teresa D’Ávila, Teresa de Jesus ou Teresa, a Grande, nasceu na região de Castela (Espanha), em Ávila, uma cidade medieval cercada por muralhas de pedras grandes e claras que se tornam douradas quando o sol está se pondo. Ela era a terceira filha do casal Alonso Sanchez Cepeda com Beatriz D’Ávila y Ahumada e tinha vários irmãos, porque Dom Alonso teve três filhos em um primeiro casamento e outros nove de seu casamento com Dona Beatriz. Era da pequena nobreza. Nasceu em 28 de março de 1515. A reforma do Carmelo e sua experiência metódica da oração pessoal na busca de uma intimidade com Deus formam seu maior legado deixado para os fiéis da Santa Igreja. Com seu irmão, uma fuga frustrada Desde menina Teresa gostava de ler história da vida de santos. Acompanhava-lhe neste gosto seu irmão Rodrigo que tinha idade próxima da dela. Os dois admiravam em conjunto a coragem e heroísmo dos santos na luta pela conquista da gloria eterna. E porque os admirava, os dois tinham seus pensamentos sempre colocados na eternidade onde os bem-aventurados já viviam. Ao conhecer a vida dos mártires, julgaram que eles tinham conseguido ir para o céu com muita facilidade. Estavam tão certos disso que decidiram partir para o país dos mouros: ali, com certeza, seriam martirizados, morreriam defendendo a fé e estariam logo no céu, mais facilmente que de qualquer outro modo… Então os dois decidiram fugir de casa. Pediram a Deus que lhes concedesse a graça de dar a vida por Cristo e partiram a procura de quem os martirizasse.A aventura das duas crianças durou pouco. Estavam ainda próximo de Ávila, em Adaja, quando foram vistos por um de seus tios que as conduziu novamente para junto da aflita mãe. A culpa de tudo recaiu sobre Teresa. Quando foram repreendidos pela mãe, Rodrigo acusou a irmã de ter sido a idealizadora do plano frustrado. Mas os dois não se separaram e nem esqueceram seu ideal: eles resolveram viver como eremitas. Sem nunca conseguir, pensavam construir suas celas nos jardins da casa e lá viver na solidão. Outra fuga, após a morte da mãe Dona Beatriz morreu quando Teresa tinha quatorze anos: “quando me dei conta da perda que sofrera, comecei a entristecer-me. Então me dirigi a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei com muitas lágrimas que me tomasse como sua filha”, disse ela. Aos quinze anos Dom Alonso levou Tereza para estudar no Convento das Agostinianas de Ávila. Um ano depois, seu pai foi buscá-la. Uma doença a impedia de continuar vivendo ali. Por essa ocasião foi que a jovem viu nascer em seu coração uma forte atração para a vida religiosa passando a pensar seriamente nisso. Mas ela tinha dúvidas quanto a decisão a tomar. A vida religiosa a atraia e assustava, ao mesmo tempo. Foi a leitura das “Cartas”, de São Jerônimo que lhe ajudou na decisão. Ela comunicou seu desejo ao pai e ele recomendou que a filha aguardasse a morte dele para depois procurar um convento. Mas não foi bem isso o que aconteceu. Numa madrugada, tendo já 20 anos, a futura santa fugiu para o Convento de La Encarnación, em Ávila, com a intenção de não voltar mais para casa. Início da Vida Religiosa E Teresa ficou no Convento da Encarnação. Dom Alonso viu que sua vocação era séria e não mais colocou objeção à entrada dela na vida religiosa. Um ano depois de sua entrada no Carmelo, ela emitiu seus votos, tornando-se Carmelita. Uma grave enfermidade fez com que seu pai a levasse de volta para casa afim de que pudesse ser tratada de uma enfermidade que novamente lhe havia atacado. Mas os médicos não conseguiram debelar a doença que logo se agravou. Teresa suportou aquele sofrimento, graças a um livrinho que lhe fora dado de presente por seu tio Pedro: “O terceiro alfabeto espiritual”, de autoria de um Padre chamado Francisco de Osuna. Ela seguiu as instruções do pequeno livro que a introduziu na pratica da oração mental. Depois de passar três anos em casa, ela recuperou a saúde e retornou ao Carmelo. Levou consigo as ideias contidas no livreto do Padre Francisco. Como eram os mosteiros… Costumes inconvenientes e nada edificantes espalharam-se pelos conventos espanhóis da época de Teresa. Um desses costumes era de que as religiosas podiam receber todos os visitantes que desejassem, a qualquer hora. Teresa também foi vítima desse costume: passava grande parte de seu tempo conversando no locutório do mosteiro. Isto a levou ao descuido com as orações, sobretudo descuidava-se da oração mental. Muitas vezes ela encontrava desculpas para esse relaxamento em suas enfermidades. Suas doenças justificariam suas falhas nesse ponto ou… a impediam de meditar. E isso ela praticava sem susto nenhum. Foi o confessor de Teresa que lhe mostrou o perigo em que se encontrava sua alma e aconselhou-a a voltar à prática intensiva das orações. Embora ainda não tivesse decidido a entregar-se totalmente a Deus, levando uma vida de contemplativa, e não tivesse renunciado totalmente as horas que passava no locutório, conversando e trocando presentes com seus visitantes, ela acatou o conselho de seu confessor e deu mais atenção à vida de oração, voltando a meditar. “Foram tuas conversas no parlatório…” – nova conversão Com o novo modo de vida de oração, ela acabou, aos poucos compreendendo seus defeitos e como era “indigna”. Por isso invocava com frequência grandes santos penitentes, sobretudo Santo Agostinho e Santa Maria Madalena. A eles estão associados dois fatos que foram decisivos na vida da santa. O primeiro deles foi a leitura das “Confissões” do Bispo de Hipona. O segundo foi um chamado à penitência que ela sentiu quando rezava diante de um quadro representando a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Senti que Santa Maria Madalena vinha em meu socorro … e desde então progredi muito na vida espiritual”, afirmou Teresa. Ela sentia-se muito atraída pelas imagens de Cristo ensanguentado, em agonia. Em certa ocasião, estando aos pés de um crucifixo que trazia marcas das chagas de Cristo e muito sangue, ela perguntou: “Senhor, quem vos colocou aí?” E pareceu-lhe ouvir uma voz que vinha do crucificado: “Foram tuas conversas no parlatório que me puseram aqui, Teresa”. Ela chorou muito e a partir de então não voltou a perder tempo com conversas inúteis e com as amizades que não a levavam à santidade. Era uma mudança de vida radical, “orientada” pelos céus, algo muito próprio para quem iria tornar-se uma das maiores místicas da Igreja. Os mosteiros precisavam ser reformados? Como a maioria das religiosas, já desde os princípios do século XVI, as carmelitas também já tinham perdido o “fervor de noviço” dos primeiros tempos. Os locutórios dos conventos de Ávila eram uma espécie de centro de reunião para damas e cavalheiros da cidade. Por qualquer pretexto, mesmo sendo contemplativas, as religiosas deixavam a clausura. Os conventos passaram a ser lugares ideais para quem desejava uma vida fácil e sem problemas. As comunidades eram tão grandes quanto habitualmente relaxadas. O Convento da Encarnação possuía quase 200 religiosas. A questões das conversas nos parlatórios, da quebra de clausura das religiosas e do desprezo pela oração eram os aspectos mais salientes e visíveis. Havia também outros pontos decadentes. Uma situação anormal, tida como normal Já que esta situação era tida como normal, as religiosas não se davam conta de que o seu modo de vida estava muito distante do espírito de seus fundadores. De fato, uma reforma era necessária. E ela tornara-se urgente. Teresa haveria de levar avante esse grandioso empreendimento. E isso não foi uma tarefa fácil. Logo no início dela as incompreensões foram enormes, as desconfianças se espalharam e os comentários e as oposições cresceram, sobretudo da parte dos que eram atingidos… Teresa foi criticada pelos nobres, pelos magistrados, pelo povo e até por suas próprias irmãs. Apesar disso tudo, o sacerdote dominicano Padre Ibañez incentivou Teresa a prosseguir seu projeto. Se a reforma não fosse uma obra querida por Deus e se não tivesse no seu início o apoio de santos como São Pedro de Alcântara, São Luís Beltran, de Bispos como Dom Francisco de Salcedo e de sacerdotes como o Padre Gaspar Daza e o Padre Bañez essa obra não teria vingado, morreria em seu nascedouro. Teresa tinha total razão quando em certa ocasião disse: “Teresa sem a graça de Deus é uma pobre mulher; com a graça de Deus, uma fortaleza; com a graça de Deus e muito dinheiro, uma potência”. Reforma nos conventos – Reforma em toda vida religiosa Se algo em uma instituição algo não anda bem, a solução e reformá-la. Não é destruí-la: não se apaga a mecha que ainda fumega… Teresa pensava assim e foi o que ela se propôs a fazer. Ela começou por estabelecer em seu convento a mais estrita clausura e o silêncio quase perpétuo. A comunidade deveria viver dentro da maior pobreza. As religiosas passaram a vestir hábitos toscos, usavam sandálias em vez de sapatos (por isso foram chamadas “descalças”) e eram obrigadas a abstinência perpétua de carne. A Reformadora do Carmelo, a princípio, não aceitava comunidades com mais de treze religiosas. Mais tarde, nos conventos que tinham possibilidades de obter alguma renda, ela aceitou que nele residissem vinte monjas. Isso era o começo. Para concretizar e aprofundar a Reforma, era necessário algo mais. Além do relacionamento entre os homens, era necessário pensar no mais importante: o relacionamento com Deus. E Teresa foi exímia nesse ponto. Oração vocal, meditação, recolhimento Santa Teresa aprendeu a prática da oração vocal com as irmãs agostinianas durante deu convívio com elas e utilizou bastante esse modo perfeitamente legítimo de rezar. Porém, ela via no seu uso certos modos de proceder que poderiam ser criticados. Em seu entendimento, ao rezar, deveria pensar-se com mais afinco no que se diz e não apenas recitar muitas fórmulas, quase maquinalmente, apenas mexendo com os lábios, sem meditação, como tinha tornado costume fazer-se já em sua época. Segundo o que ensinou Teresa, a melhor forma de oração, o mais eficaz modo de rezar seria uma oração de recolhimento. Nesse modo de rezar o espírito deve esvaziar-se de si mesmo, a imaginação e o entendimento calar-se, e então, aprende-se a amar a Deus. Em seu modo de rezar, ela se fixa no pensamento meditativo dos mistérios da humanidade de Cristo, no seu sofrimento redentor e amoroso e, pouco a pouco, abandona seu próprio ser e seu espírito, desinteressando-se de si mesmo. A alma vive e vê tudo isso. É uma forma de oração ativa, laboriosa, voluntária e perseverante. Numa palavra, contemplativa. “Não sabeis o que é oração mental, nem como se faz a vocal, nem o que é contemplação…” Falando para suas irmãs do Carmelo, Teresa ensinava-lhes a rezar e dava-lhes recomendações. De certa feita, ela ensinou a suas irmãs como rezar, como elevar suas almas a Deus: “Comecemos por nos perguntar a quem vamos falar, e quem somos. Não podemos dirigir a um príncipe de modo tão informal quanto a um trabalhador ou a pobres criaturas como nós, a que se pode falar de qualquer jeito, e sempre está muito bem!” “Dirige a Deus cada um dos teus atos, oferece-os e pede-lhe que seja com grande fervor e desejo de Deus. Em todas as coisas, observa a providência de Deus e sua sabedoria. Em tudo, envia-lhe o teu louvor. Em tempo de tristeza e de inquietação, não abandones nem as boas obras de oração, nem a penitencia a que estás habituada. Antes as intensifica. E verás com que “prontidão o Senhor te sustenta.” “Que teu desejo seja ver Deus. Teu temor, perdê-lo. Tua dor, não te comprazeres na sua presença. Tua satisfação, o que pode conduzir-te a ele. E viverás numa grande paz.” “Quem verdadeiramente ama a Deus, ama tudo o que é bom, quer tudo o que é bom, favorece tudo o que é bom; louva todo o bem, com os bons se junta sempre, para apoiá-los e defendê-los. Em uma palavra, só ama a verdade e o que é digno de ser amado.” “Quando recito o Pai-nosso, será um sinal de amor lembrar quem é esse Pai e também quem é o Mestre que nos ensinou essa oração. “Ò meu Senhor, como vos mostrais Pai de tal Filho, e como vosso Filho revela que veio de tal Pai. Bendito seja para sempre. “Deixemos a terra, minhas filhas; não é justo que apreciemos tão mal um favor como esse, e que, depois de ter compreendido sua grandeza, continuemos sobre a terra.” (Orações e recomendações de Santa Teresa, extraídas do livro: “Orar com Santa Teresa de Ávila – Edições Loyola – 1987.) Uma mística recolhida e ativa A grande mística Teresa não descuidava das coisas práticas. Sabia utilizar as práticas materiais para o serviço de Deus. Tinha uma vida interior que era o motor de suas atividades. Era dela a “equação”: vontade de Deus, mais dois ducados, mais Teresa, igual a sucesso. Certo dia encontrou-se em Medina del Campo com dois frades carmelitas que estavam dispostos a abraçar a Reforma: Frei Antonio de Jesús de Heredia, superior, e Frei Juan de Yepes, que seria o futuro São João da Cruz. Com eles começou a estender a Reforma também para o ramo masculino da Ordem do Carmo. Aproveitando a primeira oportunidade, ela fundou um pequeno convento de frades em Duruela, em 1568 e no ano seguinte fundou o de Pastrana. Nos dois reinavam a pobreza e austeridade, o recolhimento, a vida de religião. Outros conventos e mosteiros foram surgindo. Santa Teresa deixou que as novas fundações ficassem a cargo de São João da Cruz. Lutas, separação e alcance Depois de muitas lutas, incompreensões e perseguições, obteve de Roma uma ordem superior que estabelecia uma separação dentro da Ordem do Carmo: os Carmelitas Descalços não estariam mais sob a jurisdição do Provincial dos Calçados. Na época dessa separação, 1580, Santa Teresa tinha 65 anos e sua saúde já estava muito debilitada. Isto não impediu que ela ainda fundasse outros dois conventos de cumprimento exímio das regras. Os mosteiros fundados sob inspiração da reforma influenciada por Teresa -é bom que se ressalte isso– não eram simplesmente um refúgio, um descanso para as almas contemplativas, cumpridoras das regras e que procuravam apenas a santificação pessoal. Eles sempre foram uma “escola de amor de Deus” que se espalhava não só pelos outros mosteiros, mas que influenciavam almas fora deles. O viver a vida religiosa reformada influenciou a vida para além dos muros dos mosteiros. Um novo estado de espírito difundiu-se pela sociedade toda. Nos mosteiros a ação de Teresa teve uma outra consequência também muito importante: fez nascer uma espécie desejo de reparação pelos males e destroços causados nos mosteiros pelo pela revolução protestante em todos os lugares, porém, mais especialmente na Inglaterra e Alemanha. Recolhida e ativa até o fim Em sua vida, o recolhimento, a atividade e as dificuldades eram inseparáveis. Na última de suas fundações, o mosteiro de Burgos, as dificuldades não diminuíram. Quando o convento já ia com suas obras adiantadas, em julho de 1582, Santa Teresa tinha intenção de retornar a Ávila. Porém foi forçada a mudar seus planos e dirigindo-se para Alba de Tormes. Pretendia visitar a duquesa Maria Henríquez. A viagem não estava bem programada e a Santa estava tão fraca que desmaiou no caminho. Chegando a Alba, Teresa piorou. Três dias depois ela disse à Beata Ana de São Bartolomeu, sua acompanhante na viagem: “Finalmente, minha filha, chegou a hora de minha morte”. O Pe. Antônio de Heredia foi quem ministrou-lhe os últimos sacramentos. Quando ele levou-lhe o viático, a Santa conseguiu erguer-se do leito e todos ouviram quando ela exclamou: “Oh, Senhor, por fim chegou a hora de nos vermos face a face!” Pouco depois, os que estavam em torna de seu leito puderam ouvir sua última frase: “Morro como filha da Igreja”. Eram 9 horas da noite do dia 4 de outubro de 1582. Como exatamente no dia seguinte efetuou-se a mudança para o calendário gregoriano, sendo suprimidos dez dias na contagem dos anos, a comemoração de sua morte foi fixada para o dia 15 de outubro. Ela foi sepultada em Alba de Tormes, onde repousam suas relíquias. * * * * * * * Em 1614 foi beatificada pelo Papa Paulo V. Em 1622 foi canonizada por Gregório XV. O Papa Paulo VI, em 27 de setembro de 1970 proclamou Santa Tereza como Doutora da Igreja. * * * * * * * Santa Teresa de Ávila é uma das maiores personalidades da mística católica de todos os tempos, sendo considerada como um dos maiores gênios que a humanidade já produziu. Ateus e livres-pensadores se veem obrigados a enaltecer sua viva e penetrante inteligência; reconhecem a força persuasiva de seus argumentos, bem como seu estilo vivo e atraente, além de seu profundo bom senso. O grande Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório, tinha Santa Teresa em tão alta estima que a escolheu como patrona, e a ela consagrou-se como filho espiritual, enaltecendo-a em muitos de seus escritos. (JSG #SantodoDia
- Homilia Diária | O Evangelho que exalta a Virgem Maria
Sábado da 27.ª Semana do Tempo Comum A resposta dada hoje por Cristo a um elogio à sua Mãe que irrompe, espontâneo, dos lábios de uma piedosa mulher está longe de ser uma restrição ou, menos ainda, uma negação das glórias de Maria. Porque, se bem é certo que a Virgem não seria bem-aventurada se tivesse gerado a Cristo, mas sem ouvir e guardar a Palavra de Deus, quem pode negar que ela, mais do que todos, tem a felicidade de ser, ao mesmo tempo, Mãe de Deus segundo a carne e a mais fiel cumpridora dos preceitos divinos? Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este sábado, dia 14 de outubro, e medite conosco mais uma página do santo Evangelho! #HomiliaDiária
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- São Calisto I, o Papa das Catacumbas – 14 de Outubro
SANTO DO DIA – 14 DE OUTUBRO – SÃO CALISTO I Papa (+222) Romano de Trastevere (está sepultado na igreja de Santa Maria, em Trastevere, e não nas catacumbas que levam seu nome), filho de escravos, Calisto não teve vida fácil. O cristão Carpóforo, da família do imperador Cômodo, havia-lhe confiado a administração dos bens da comunidade cristã. Não foi um hábil administrador e, descoberto um grande desfalque, Calisto fugiu. Capturado em Óstia, a ponto de zarpar, foi condenado a girar a roda de um moinho. Carpóforo mostrou-se generoso, condenando-o a pagar o débito; mas a justiça seguiu seu curso. Foi condenado à flagelação, depois deportado para as minas da Sardenha. Libertado, o papa Vítor ocupou-se pessoalmente dele — sinal de que Calisto desfrutava certa fama, furto à parte. Para desviá-lo da tentação, fixou-lhe um ordenado. O sucessor Zeferino foi igualmente generoso: ordenou-o diácono e confiou-lhe a guarda do cemitério cristão na via Ápia Antiga (as célebres catacumbas conhecidas em todo o mundo com seu nome). Numa área de 120 mil metros quadrados, com quatro pavimentos sobrepostos e 20 quilômetros de corredores, estão guardados os corpos de numerosos cristãos, de santa Cecília a são Fabiano. Quando, em 217, o diácono Calisto foi eleito papa, explodiu a primeira rebelião aberta de um grupo de cristãos “rigoristas”, por causa não só das precedentes e bem notórias desventuras de Calisto, mas sobretudo em virtude de sua atitude conciliadora para com os pecadores arrependidos — ou melhor, para com aqueles cristãos pouco dispostos ao martírio, que se tinham munido do libellum de fidelidade aos deuses de Roma, e que, uma vez passada a tempestade, pediam para voltar ao redil. Entre os rigoristas hostis ao novo papa, destacavam-se Tertuliano, Novaciano e o sanguinário Hipólito que, com seus Philosophumena, atacou violentamente Calisto, fazendo-se, depois, consagrar bispo; posteriormente um grupo de padres romanos dissidentes elegeram-no papa. Foi o primeiro antipapa da história e é, caso único, também santo, graças a seu arrependimento e ao martírio sofrido em 235 na Sardenha. Também Calisto parece ter sofrido o martírio, não pela mão do imperador romano, mas durante uma convulsão em Todi. Os cristãos, não conseguindo chegar até as catacumbas da Ápia Antiga, sepultaram-no na via Aurélia; desta, Gregório III o transferiu para a basílica de Santa Maria, em Trastevere. Retirado do livro ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. São Calisto I Calisto entendia muito bem de penitência. Na Roma do século II, ele nasceu num bairro pobre e foi escravo. Depois, liberto, sua sina de sofrimento continuou. Trabalhando para um comerciante, fracassou nos negócios e foi obrigado a indenizar o patrão, mas decidiu fugir, indo refugiar-se em Portugal. Encontrado, foi deportado para a ilha da Sardenha e punido com trabalhos forçados. Porém foi nessa prisão que sua vida se iluminou. Nas minas da Sardenha, ele tinha contato direto com os cristãos que também cumpriam penas por causa da sua religião. Ao vê-los heroicamente suportando o desterro, a humilhação e as torturas sem nunca perder a fé e a esperança em Cristo, Calisto se converteu. Depois de alguns anos, os cristãos foram indultados e Calisto retornou à vida livre, indo estabelecer-se na cidade de Anzio, onde adquiriu reconhecimento dos cristãos, como diácono. Quando o papa Zeferino assumiu o governo da Igreja, chamou o diácono para trabalhar com ele. Deu a Calisto várias missões executadas com sucesso. Depois o nomeou responsável pelos cemitérios da Igreja. Chamados de catacumbas, esses cemitérios subterrâneos da via Ápia, em Roma, tiveram importância vital para os cristãos. Além de ali enterrarem seus mortos, as catacumbas serviam, também, para cerimônias e cultos, principalmente durante os períodos de perseguição. Calisto começou suas escavações, organizou-as e valorizou-as. Nelas mandou construir uma capela, chamada Cripta dos Papas, onde estão enterrados quarenta e seis pontífices e cerca de duzentos mil mártires das perseguições contra os cristãos. Com a morte do papa Zózimo, o clero e o povo elegeram Calisto para substituí-lo, mas ele sofreu muita oposição por causa de sua origem humilde de escravo. Hipólito, um dos grandes teólogos do catolicismo e pensadores da época, era o principal deles. Hipólito tinha um entendimento diferente sobre a Santíssima Trindade e desejava que determinados pecados não fossem perdoados. Entretanto o papa Calisto I manteve-se firme na defesa da Igreja, rompendo com Hipólito e seus seguidores, respondendo a questão com aquela frase conclusiva. Anos depois, Hipólito reconciliar-se-ia com a Igreja, tornando-se mártir da Igreja por não negar sua fé em Cristo. O papa Calisto I governou por seis anos. Nesse período, concluiu o trabalho nas catacumbas romanas, conhecidas, hoje, como as catacumbas de são Calisto. Em 222, ele se tornou vítima da perseguição, foi espancado e, quase morto, jogado em um poço. No local, agora, acha-se a igreja de Santa Maria, em Trastevere, que guarda o seu corpo, em Roma. A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Fortunata e Evaristo.
- São Calisto I, o Papa das Catacumbas – 14 de Outubro
SANTO DO DIA – 14 DE OUTUBRO – SÃO CALISTO I Papa (+222) Romano de Trastevere (está sepultado na igreja de Santa Maria, em Trastevere, e não nas catacumbas que levam seu nome), filho de escravos, Calisto não teve vida fácil. O cristão Carpóforo, da família do imperador Cômodo, havia-lhe confiado a administração dos bens da comunidade cristã. Não foi um hábil administrador e, descoberto um grande desfalque, Calisto fugiu. Capturado em Óstia, a ponto de zarpar, foi condenado a girar a roda de um moinho. Carpóforo mostrou-se generoso, condenando-o a pagar o débito; mas a justiça seguiu seu curso. Foi condenado à flagelação, depois deportado para as minas da Sardenha. Libertado, o papa Vítor ocupou-se pessoalmente dele — sinal de que Calisto desfrutava certa fama, furto à parte. Para desviá-lo da tentação, fixou-lhe um ordenado. O sucessor Zeferino foi igualmente generoso: ordenou-o diácono e confiou-lhe a guarda do cemitério cristão na via Ápia Antiga (as célebres catacumbas conhecidas em todo o mundo com seu nome). Numa área de 120 mil metros quadrados, com quatro pavimentos sobrepostos e 20 quilômetros de corredores, estão guardados os corpos de numerosos cristãos, de santa Cecília a são Fabiano. Quando, em 217, o diácono Calisto foi eleito papa, explodiu a primeira rebelião aberta de um grupo de cristãos “rigoristas”, por causa não só das precedentes e bem notórias desventuras de Calisto, mas sobretudo em virtude de sua atitude conciliadora para com os pecadores arrependidos — ou melhor, para com aqueles cristãos pouco dispostos ao martírio, que se tinham munido do libellum de fidelidade aos deuses de Roma, e que, uma vez passada a tempestade, pediam para voltar ao redil. Entre os rigoristas hostis ao novo papa, destacavam-se Tertuliano, Novaciano e o sanguinário Hipólito que, com seus Philosophumena, atacou violentamente Calisto, fazendo-se, depois, consagrar bispo; posteriormente um grupo de padres romanos dissidentes elegeram-no papa. Foi o primeiro antipapa da história e é, caso único, também santo, graças a seu arrependimento e ao martírio sofrido em 235 na Sardenha. Também Calisto parece ter sofrido o martírio, não pela mão do imperador romano, mas durante uma convulsão em Todi. Os cristãos, não conseguindo chegar até as catacumbas da Ápia Antiga, sepultaram-no na via Aurélia; desta, Gregório III o transferiu para a basílica de Santa Maria, em Trastevere. Retirado do livro ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. São Calisto I Calisto entendia muito bem de penitência. Na Roma do século II, ele nasceu num bairro pobre e foi escravo. Depois, liberto, sua sina de sofrimento continuou. Trabalhando para um comerciante, fracassou nos negócios e foi obrigado a indenizar o patrão, mas decidiu fugir, indo refugiar-se em Portugal. Encontrado, foi deportado para a ilha da Sardenha e punido com trabalhos forçados. Porém foi nessa prisão que sua vida se iluminou. Nas minas da Sardenha, ele tinha contato direto com os cristãos que também cumpriam penas por causa da sua religião. Ao vê-los heroicamente suportando o desterro, a humilhação e as torturas sem nunca perder a fé e a esperança em Cristo, Calisto se converteu. Depois de alguns anos, os cristãos foram indultados e Calisto retornou à vida livre, indo estabelecer-se na cidade de Anzio, onde adquiriu reconhecimento dos cristãos, como diácono. Quando o papa Zeferino assumiu o governo da Igreja, chamou o diácono para trabalhar com ele. Deu a Calisto várias missões executadas com sucesso. Depois o nomeou responsável pelos cemitérios da Igreja. Chamados de catacumbas, esses cemitérios subterrâneos da via Ápia, em Roma, tiveram importância vital para os cristãos. Além de ali enterrarem seus mortos, as catacumbas serviam, também, para cerimônias e cultos, principalmente durante os períodos de perseguição. Calisto começou suas escavações, organizou-as e valorizou-as. Nelas mandou construir uma capela, chamada Cripta dos Papas, onde estão enterrados quarenta e seis pontífices e cerca de duzentos mil mártires das perseguições contra os cristãos. Com a morte do papa Zózimo, o clero e o povo elegeram Calisto para substituí-lo, mas ele sofreu muita oposição por causa de sua origem humilde de escravo. Hipólito, um dos grandes teólogos do catolicismo e pensadores da época, era o principal deles. Hipólito tinha um entendimento diferente sobre a Santíssima Trindade e desejava que determinados pecados não fossem perdoados. Entretanto o papa Calisto I manteve-se firme na defesa da Igreja, rompendo com Hipólito e seus seguidores, respondendo a questão com aquela frase conclusiva. Anos depois, Hipólito reconciliar-se-ia com a Igreja, tornando-se mártir da Igreja por não negar sua fé em Cristo. O papa Calisto I governou por seis anos. Nesse período, concluiu o trabalho nas catacumbas romanas, conhecidas, hoje, como as catacumbas de são Calisto. Em 222, ele se tornou vítima da perseguição, foi espancado e, quase morto, jogado em um poço. No local, agora, acha-se a igreja de Santa Maria, em Trastevere, que guarda o seu corpo, em Roma. A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Fortunata e Evaristo.
- Novena a São João Paulo II, o Papa da Família – de 13 a 21 de Outubro
“Invoquemos juntos a Sagrada Família; imploremos, em particular, a ajuda da Virgem santíssima para que todas as famílias do mundo sejam profundamente consciente de sua grade vocação”, disse certa vez São João Paulo II, conhecido como o papa peregrino e chamado “o papa da Família” pelo papa Francisco. Próximos da festa litúrgica de São João Paulo II, que é celebrada em 22 de outubro, apresentamos a seguir uma novena para pedir a intercessão daquele que é conhecido como o “Papa Peregrino”, que viajou a mais de 100 países com a missão de anunciar o Amor de Deus. Também o amor a Maria é uma das grandes marcas do seu papado. Inclusive, foi ele quem incluiu os mistérios luminosos no santo rosário, com o intuito de contemplar a dimensão missionária da vida de Cristo. Rezemos com fé a Novena de São João Paulo II. 9 dias para rezar, meditar as suas homilias e pedir muitas graças! Em nome do Pai, em nome do Filho e em nome do Espírito Santo. Amém. 1 – Oração de São João Paulo II pela família Ó Deus, de quem procede toda a paternidade no céu e na terra. Pai, que és amor e vida, faze que cada família humana sobre a terra se converta, por meio de Teu Filho, Jesus Cristo, nascido de mulher e mediante o Espírito Santo, fonte da caridade divina, em verdadeiro santuário da vida e do amor para as gerações que sempre se renovam. Faze que tua graça guie os pensamentos e as obras dos esposos para o bem de suas famílias e de todas as famílias do mundo. Faze que as jovens gerações encontrem na família apoio para sua humanidade e para seu crescimento na verdade e no amor. Faze que o amor reafirmado pela graça do sacramento do matrimônio, se revele mais forte que qualquer debilidade a qualquer crise, pelas quais às vezes passam nossas famílias. Faze, finalmente, Te pedimos por intercessão da Sagrada Família de Nazaré, que a Igreja, em todas as nações da Terra, possa cumprir frutiferamente sua missão na família e por meio da família. Tu, que és a vida, a verdade e o amor, na unidade do Filho e do Espírito Santo. Amém. Menciona-se as intenções da novena e em seguida medita-se a reflexão do dia. 2 – Medite a reflexão do dia 1º dia 2º dia 3º dia 4º dia 5º dia 6º dia 7º dia 8º dia 9º dia 3 – Ladainha Senhor, tende piedade de nós. – Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. – Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós. – Senhor, tende piedade de nós. Jesus Cristo ouvi-nos. – Jesus Cristo ouvi-nos. Jesus Cristo atendei-nos. – Jesus Cristo atendei-nos. Deus, Pai dos céus, tende piedade de nós. Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós. Deus Espírito Santo, tende piedade de nós. Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós. São João Paulo II, rogai por nós. Perfeito discípulo de Cristo, … Generosamente dotado com os dons do Espírito Santo, Grande apóstolo da Divina Misericórdia, Fiel Filho de Maria, Totalmente dedicado à Mãe de Deus, Perseverante pregador do Evangelho, Papa Peregrino, Papa do Milênio, Modelo de diligência, Modelo dos sacerdotes, Que extraístes forças da Eucaristia, Homem incansável da oração, Amante do Rosário, Força dos que duvidam de sua fé, Que desejastes unir todos aqueles que creem em Cristo, Conversor dos pecadores, Defensor da dignidade de toda pessoa, Defensor da vida desde a concepção até à morte natural, Que rogastes pelo dom da paternidade para o infértil, Amigo das crianças, Líder da juventude, Intercessor das famílias, Consolador dos sofredores, Que valorosamente suportastes vossa dor, Semeador de divina alegria, Grande intercessor pela paz, Orgulho da nação polonesa, Brilho da Santa Igreja, Para que possamos ser fiéis imitadores de Cristo, Para que possamos ser fortes com o poder do Espírito Santo, Para que possamos ter confiança na Mãe de Deus, Para que possamos crescer em nossa fé, esperança e caridade Para que possamos viver em paz em nossas famílias, Para que possamos saber perdoar, Para que possamos saber suportar o sofrimento, Para que não sucumbamos à cultura da morte, Para que não tenhamos medo e corajosamente combatamos as várias tentações, Para que interceda e nos obtenha a graça de uma morte feliz, rogai por nós. Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor! Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor! Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós! Rogai por nós, São João Paulo II, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém! 4 – Oração a São João Paulo II Ó São João Paulo, da janela do céu, dá-nos a tua bênção! Abençoa a Igreja, que tu amaste, serviste e guiaste, incentivando-a a caminhar corajosamente pelos caminhos do mundo, para levar Jesus a todos e todos a Jesus! Abençoa os jovens, que também foram tua grande paixão. Ajuda-os a voltar a sonhar, voltar a dirigir o olhar ao alto para encontrar a luz que ilumina os caminhos da vida na terra. Abençoa as famílias, abençoa cada família! Tu percebeste a ação de Satanás contra esta preciosa e indispensável faísca do céu que Deus acendeu sobre a terra. São João Paulo, com a tua intercessão, protege as famílias e cada vida que nasce dentro da família. Roga pelo mundo inteiro, ainda marcado por tensões, guerras e injustiças. Tu te opuseste à guerra, invocando o diálogo e semeando o amor; roga por nós, para que sejamos incansáveis semeadores de paz. Ó São João Paulo, da janela do céu, onde te vemos junto a Maria, faz descer sobre todos nós a bênção de Deus! Amém. 1º dia – Amor Tenha a coragem de viver por amor… A grandeza de uma pessoa não está em suas posses, mas em quem é, não naquilo que possui, mas no que compartilha com os outros. (…) Esta mensagem sobre a pureza do coração torna-se hoje muito atual. A civilização da morte quer destruir a pureza do coração. Um dos seus métodos de agir é pôr intencionalmente em dúvida o valor da atitude do homem, que definimos como virtude da castidade. É um fenômeno de modo particular perigoso quando o objectivo do ataque são as consciências sensíveis das crianças e dos jovens. Uma civilização que, agindo desta forma, fere ou até aniquila uma relação correta entre os homens, é uma civilização da morte, porque o homem não pode viver sem o verdadeiro amor… Anunciai ao mundo a «Boa Nova» da pureza do coração e, com o exemplo da vossa vida, transmiti a mensagem da civilização do amor. Conheço a vossa sensibilidade à verdade e à beleza. Hoje, a civilização da morte propõe-vos, entre outras coisas, o chamado «amor livre». Neste gênero de deformação do amor chega-se à profanação dum dos valores mais queridos e sagrados, porque a libertinagem não é amor nem liberdade… Não tenhais medo de viver contra as opiniões da moda e as propostas em contraste com a lei de Deus. A coragem da fé tem um preço muito elevado, mas vós não podeis perder o amor! Não permitais que alguém vos torne escravos! Não vos deixeis seduzir pelas ilusões da felicidade, pelas quais deveríeis pagar um preço demasiado elevado, o preço de feridas por vezes incuráveis ou até duma vida despedaçada! São João Paulo II, Homilia, Sandomierz. 12/06/1999 Oremos: Deus, nosso Pai, a fim de voltarmos para vós, devemos encontrar vossa misericórdia, vosso paciente amor que em Vós não conhece limites. Infinita é a vossa prontidão em perdoar os nossos pecados assim como inefável é o sacrifício de vosso Filho. Com confiança pedimos, pela intercessão de São João Paulo II, que nos concedais esta graça… por Cristo Nosso Senhor. Amém. Pai Nosso… Ave Maria… Glória… 👉 Ladainha (clique aqui) 2º dia – Verdade Ninguém pode ditar a outro a sua própria “verdade”. A verdade vence por seu próprio poder. Impor seus próprios pontos de vista torna as relações interpessoais piores, dando origem a disputas e tensões. Assim, uma das condições para manter a paz no mundo é de respeitar a liberdade de consciência dos outros, mesmo que eles pensam de maneira muito diferente de nós. A verdade é a luz da inteligência humana. Se desde a juventude a mente humana procura conhecer a realidade nas suas várias dimensões, faz isto a fim de possuir a verdade, para viver a verdade. Tal é a estrutura do espírito humano. A fome de verdade é a sua aspiração e expressão fundamental. Cristo diz: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Das palavras do Evangelho, estas certamente estão entre as mais importantes. Elas se referem, na verdade, ao homem todo. Explicam a base sobre a qual são construídos a partir de dentro, na dimensão do espírito humano, a dignidade e a grandeza próprias do homem. O conhecimento que liberta o homem não depende apenas da instrução, mesmo que seja na faculdade; também o pode possuir um analfabeto; mas esta instrução, como conhecimento sistemático da realidade, deve servir a essa dignidade e grandeza. Portanto, deveria servir à verdade… Neste campo as palavras de Cristo: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” vêm a ser um programa essencial. Os jovens, se podemos dizer assim, têm um “senso de verdade” congênito. E a verdade deve servir para a liberdade: os jovens também têm um espontâneo “desejo de liberdade”. O que significa ser livre? Significa saber usar a nossa liberdade na verdade, ser “verdadeiramente” livre. Ser verdadeiramente livre não significa de forma alguma fazer tudo aquilo que me agrada ou que eu queria fazer. A liberdade traz consigo a critério da verdade, a disciplina da verdade. Ser verdadeiramente livre significa usar a própria liberdade para aquilo que é verdadeiramente bom… para ser um homem de reta consciência, ser responsável, ser um homem “para os outros”. Carta Apostólica do Papa São João Paulo II aos jovens do mundo. Por ocasião do Ano Internacional da Juventude 1985 Oremos: Deus, nosso Pai, diante da Igreja do terceiro milênio se abre um vasto oceano de credos de nosso mundo contemporâneo. Crendo em Vós, colocando a minha esperança em Cristo, desejo imitá-lo e experimentar o milagre de uma pesca abundante. Vinde em auxílio de todos os cristãos da nossa geração para nos lançarmos nas profundezas da verdade, do bem e da beleza. Fazei do nosso Santo Padre João Paulo II o patrono da nova evangelização, e por sua intercessão concedei-nos esta graça… Por Cristo Nosso Senhor. Amém. Pai Nosso… Ave Maria… Glória… 👉 Ladainha (clique aqui) 3º dia – A pessoa Nesta terra, sejam portadores da fé e da esperança cristãs, vivendo em amor todos os dias. Sejam fiéis testemunhas de Cristo Ressuscitado, nunca cedendo aos obstáculos que se acumulam sobre os caminhos de sua vida. Eu conto com vocês, em seu entusiasmo juvenil e dedicação a Cristo. O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se o não experimenta e se o não torna algo seu próprio, se nele não participa vivamente. E por isto precisamente o Cristo Redentor… revela plenamente o homem ao próprio homem. Esta é – se assim é lícito exprimir-se – a dimensão humana do mistério da Redenção… «Deus, de fato, amou de tal modo o mundo, que lhe deu o Seu filho unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna» (Jo 3,16)… E por meio do Filho-Verbo, que se fez homem… Deus entrou na história da humanidade… um dos milhares de milhões e, ao mesmo tempo, Único! Para Ele queremos olhar, porque só n’Ele, Filho de Deus, está a salvação, renovando a renovando a afirmação de Pedro: «Para quem iremos nós, Senhor? Tu tens as palavras de vida eterna»… Através de todos os campos de atividade onde a Igreja se afirma presente, se encontra e se consolida, devemos tender constantemente para Aquele «que é a Cabeça», para «Aquele de quem tudo provém e nós somos criados para Ele»… A Igreja não cessa de ouvir as suas palavras, continuamente as relê e reconstrói com a máxima devoção todos os pormenores da sua vida… A Igreja vive o seu mistério e nele vai haurir sem jamais se cansar, e busca continuamente as vias para tornar este mistério do seu Mestre e Senhor próximo do gênero humano: dos povos, das nações, das gerações que se sucedem e de cada um dos homens em particular… Nesta dimensão, o homem reencontra a grandeza, a dignidade e o valor próprios da sua humanidade. No mistério da Redenção o homem é novamente «reproduzido» e, de algum modo, é novamente criado. Ele é novamente criado!… O homem que quiser compreender-se a si mesmo profundamente… deve… aproximar-se de Cristo. Ele deve, por assim dizer, entrar n’Ele com tudo o que é em si mesmo, deve «apropriar-se» e assimilar toda a realidade da Encarnação e da Redenção, para se encontrar a si mesmo. Se no homem se atuar este processo profundo, então ele produz frutos, não somente de adoração de Deus, mas também de profunda maravilha perante si próprio. Que grande valor deve ter o homem aos olhos do Criador, se «mereceu ter um tal e tão grande Redentor», se «Deus deu o seu Filho», para que ele, o homem, «não pereça, mas tenha a vida eterna». (cf Jo 3,16). São João Paulo II, Encíclica Redemptor hominis, 1979 Oremos: Deus, nosso Pai, Vós sois amor e nos amastes primeiro. Vosso filho se tornou homem para a nossa salvação, e revelando a seus irmãos e irmãs a verdade sobre o amor; permitiu-lhes compreender a si mesmos e descobrir o sentido de sua própria existência. Nós vos pedimos que, por São João Paulo II, defensor incansável da dignidade humana, bom pastor em busca de almas perdidas na confusão da vida e mergulhadas no desespero, que nos concedais esta graça… Por Cristo Nosso Senhor. Amém! Pai Nosso… Ave Maria… Glória… 👉 Ladainha (clique aqui) 4º dia – A família Uma família que tira a sua força de Deus torna-se a força do homem e de uma nação inteira. Dentre essas numerosas estradas, a primeira e a mais importante é a família: uma via comum, mesmo se permanece particular, única e irrepetível, como irrepetível é cada homem; uma via da qual o ser humano não pode separar-se. Com efeito, normalmente ele vem ao mundo no seio de uma família, podendo-se dizer que a ela deve o próprio fato de existir como homem. Quando falta a família logo à chegada da pessoa ao mundo, acaba por criar-se uma inquietante e dolorosa carência que pesará depois sobre toda a vida. A Igreja une-se com afetuosa solicitude a quantos vivem tais situações, porque está bem ciente do papel fundamental que a família é chamada a desempenhar… A família tem a sua origem naquele mesmo amor com que o Criador abraça o mundo criado, como se afirma já «ao princípio», no livro do Gênesis (1, 1). Uma suprema confirmação disso mesmo, no-la oferece Jesus no Evangelho: «Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho unigênito» (Jo 3, 16). O Filho unigênito, consubstancial ao Pai, «Deus de Deus, Luz da Luz», entrou na história dos homens através da família: «Pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-Se de certo modo a cada homem. Trabalhou com mãos humanas,… amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (3). Se é certo que Cristo «revela plenamente o homem a si mesmo» (4), fá-lo a começar da família onde Ele escolheu nascer e crescer. Sabe-se que o Redentor passou grande parte da sua vida no recanto escondido de Nazaré, «submisso» (Lc 2, 51) como «filho do homem» a Maria, sua Mãe, e a José, o carpinteiro. Esta sua «obediência» filial não é já a primeira manifestação daquela obediência ao Pai «até à morte» (Fil 2, 8), por meio da qual redimiu o mundo? São João Paulo II, Carta às Famílias Gratissimam Sane. 1994 Oremos: Deus, nosso Pai, vosso eterno plano de salvação atingiu a sua plenitude quando o vosso Amado Filho veio ao mundo através da Sagrada Família, santificando por Seu nascimento toda família humana. Confiamos a Vós nossas famílias e todas as famílias em todo o mundo. Que a oração seja uma parte de suas vidas, o amor puro, o respeito à vida, e uma saudável preocupação pela juventude. Pedimo-vos humildemente, por intercessão do Santo Papa João Paulo II, o defensor incansável dos direitos de uma família, que possamos ser fortalecidos pela graça… Por Cristo, nosso Senhor. Amém. Pai Nosso… Ave Maria… Glória… 👉 Ladainha (clique aqui) 5º dia – Juventude Você deve fazer exigências a partir de si mesmo, mesmo que os outros não exijam de você. Só fazendo exigências de si mesmo – ao contrário do consenso universal que diz: “Tome o caminho mais fácil” – você pode perceber outros desafios do Papa: escolher “ser mais” em vez de “ter mais”. O “ser mais” de um jovem hoje é a coragem de permanecer cheio de iniciativa – você não pode renunciar a isto, o futuro de todos depende disto – fiel a um testemunho dinâmico de fé e esperança. Jovens amigos… Sede benditos! Sim, sede benditos junto com Maria, que acreditou no cumprimento das palavras que lhe disse o Senhor. Sim, Sede benditos! Que o sinal da mulher vestida de sol caminhe convosco, com cada uma e cada um, ao longo de todos os caminhos da vida. Que vos conduza ao cumprimento, em Deus, de vossa adoção filial em Cristo. Verdadeiramente, o Senhor realizou maravilhas em vós! Destas «maravilhas», queridos jovens, deveis ser sempre testemunhas coerentes e valorosas em vosso ambiente, entre vossos coetâneos, em todas as circunstâncias de vossa vida. Está ao vosso lado Maria, a Virgem dócil a todos os sopros do Espírito, a que com seu «sim» generoso ao projeto de Deus abriu ao mundo a perspectiva, longamente ansiada, da salvação. Olhando para ela, humilde serva do Senhor, hoje elevada à glória do céu, vos digo com São Paulo: «Deixai-vos conduzir pelo Espírito»! (Gal 5, 16). Deixai que o Espírito de sabedoria e inteligência, de conselho e fortaleza, de conhecimento, piedade e temor do Senhor (cf. Is 11, 2) penetre em vossos corações e vossas vidas e, por meio de vós, transforme a face da terra… Revesti-vos da força que brota dele, convertei-vos em construtores de um mundo novo: um mundo diferente, fundado na verdade, na justiça, na solidariedade e no amor. Queridos amigos… Recebei o Espírito Santo e sede fortes! São João Paulo II, Homilia para a conclusão VI / DM, Czestochowa, 15 de agosto de 1991 Oremos: Deus, nosso Pai, desde nossa juventude nos chamastes para Vos seguir. Em Vosso Filho, a juventude tem um Mestre, que ensina como formar uma nova pessoa em nós – com paciência e persistência – para descobrir a própria vocação, para efetivamente construir uma cultura de amor. Pedimos a Vós por nossa juventude, para que não se deixe escravizar por desejos cegos e decepções amorosas. Que São João Paulo II, que procurou o jovem e reciprocamente os amou, seja para eles um modelo e patrono, e por sua intercessão Vos pedimos esta graça… Por Cristo Nosso Senhor. Amém. Pai Nosso… Ave Maria… Glória… 👉 Ladainha (clique aqui) 6º dia – Pecado O maior sofrimento da humanidade e de cada indivíduo é o pecado. Não há maior dor que se possa infligir a uma alma do que mergulhá-la em estado de pecado mortal. O pecado não termina nos limites da consciência humana, não se encerra nela. Por definição intrínseca, implica uma referência: a referência a Deus. Todavia, esta referência é salvífica! Significa que eu – homem – não fico só com minha culpa. E Deus, que de certo modo é testemunha “ocular” de meu pecado (ocular embora invisível), está próximo de mim não somente para julgar. Certamente me julga! Julga-me com o mesmo juízo interior de minha consciência (se esta não se tornou surda ou deformada). No entanto, o próprio juízo já é salvífico. Mediante o fato de chamar o mal por seu verdadeiro nome, de certo modo rompo com ele, mantenho-o a certa distância de mim, ainda quando ao mesmo tempo sei que este mal, o pecado, não deixa de ser meu pecado. Mas mesmo quando meu pecado é contra Deus, Deus não está contra mim. No momento da tensão interior da consciência humana, Deus não proclama sua sentença. Não condena. Deus espera que eu me volte para Ele como à justiça amorosa, como ao Pai, da forma que mostra a parábola do filho pródigo. Para que lhe “revele” o pecado. E me confie a Ele. Deste modo, do exame de consciência passamos ao que constitui a própria substância da conversão e da reconciliação com Deus. João Paulo II, Angelus, em Roma, 23 de fevereiro de 1986 Oremos: Deus, nosso Pai, o pecado é um aguilhão que causa dor e mata a graça santificante. O sofrimento em vosso conceito de salvação é o caminho que conduz a Vós. O Vosso Filho, por meio de sua paixão de vontade livre e morte na cruz, tomou sobre Si todo o mal do pecado, e deu ao sofrimento um significado totalmente novo, introduzindo-o na ordem do amor. Em nome desse amor, que foi capaz de assumir sofrimentos sem culpa, nós vos pedimos por intercessão de São João Paulo II, que ao servir o povo de Deus, foi marcado com os estigmas do martírio, esta graça especial… Por Cristo Nosso Senhor. Amém. Pai Nosso… Ave Maria… Glória… 👉 Ladainha (clique aqui) 7º dia – Misericórdia Hoje, quando o egoísmo, indiferença e insensibilidade dos corações estão se espalhando de forma assustadora, o quão intensamente nós precisamos de uma renovação da sensibilidade a uma pessoa, a sua pobreza e os sofrimentos. O mundo clama por misericórdia. Nada é mais necessário para o homem do que a misericórdia de Deus, esse amor gentil, simpático, elevando o homem acima de suas fraquezas em direção às alturas eternas da santidade de Deus. O homem, – cada um dos homens – é este filho pródigo: fascinado pela tentação de se separar do Pai para viver de modo independente a própria existência; caído na tentação; desiludido do nada que, como miragem, o tinha deslumbrado. Sozinho, desonrado e explorado no momento em que tenta construir um mundo só para si; atormentado, mesmo no mais profundo da própria miséria, pelo desejo de voltar à comunhão com o Pai. Como o pai da parábola, Deus fica à espreita do regresso do filho, abraça-o à sua chegada e põe a mesa para o banquete do novo encontro, com que se festeja a reconciliação. João Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et Penitente, 02 de dezembro de 1984 Oremos: “Jesus, eu confio em Vós”. Esta oração, querida por muitos devotos da Divina Misericórdia, expressa adequadamente a postura que também desejamos assumir ao nos confiarmos ao vosso abraço, Senhor, nosso único Salvador. Quão intensamente desejais ser amado, e quem quer que acenda em si os sentimentos de vosso coração, aprende a ser um construtor da nova cultura do amor. Um simples ato de confiança é suficiente para penetrar a cortina de melancolia e tristeza, dúvida e desespero. Os raios de vossa divina misericórdia restaura de maneira especial a esperança daqueles que se sentem oprimidos pelo peso do pecado…. Maria, Mãe de Misericórdia, concedei que a esperança que colocamos em vosso Filho, nosso Redentor, permaneça sempre viva. E vós, Santa Faustina, ajudai-nos também quando repetirmos convosco, olhando corajosamente para a face do divino Redentor, as palavras: “Jesus, eu confio em Vós. Hoje e para sempre”. Amém. Pai Nosso… Ave Maria… Glória… 👉 Ladainha (clique aqui) 8º dia – Maria Em meio a este mistério, em meio a essa confiança na fé, destaca Maria. “Eis aqui a serva do Senhor… Faça-se em mim segundo a tua palavra”. Hoje vim junto de Ti, Nossa Senhora de Jasna Gora, para me despedir mais uma vez e para Te pedir a bênção para a minha viagem… Mãe da Igreja! Mais uma vez me consagro a Ti «na Tua materna escravidão de amor»: «Totus Tuus»! Sou todo Teu! Consagro-Te toda a Igreja – em toda a parte até aos extremos confins da terra! Oh, consagro-Te a Humanidade! Eu te consagro todos os homens, meus irmãos. Todos os Povos e Nações. Consagro-Te a Europa e todos os continentes. Consagro-Te Roma e a Polônia juntas, através do Teu servo, por um novo vínculo de amor. Mãe, aceita! Oh Mãe, não nos abandones! Querida Mãe, guia-nos Tu! …Perdoa, pois, Mãe da Igreja e Rainha da Polônia, que todos nós Te agradeçamos só com o silêncio dos nossos corações, que Te cantemos, com este silêncio, o nosso «prefácio» de despedida! João Paulo II, Primeira Peregrinação Apostólica à Polônia, Czestochowa, 06 de junho de 1979 Oremos: Deus, nosso Pai, Maria, Mãe de vosso Filho, escutai a nossa prece-petição: “Advogada nossa, estes vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre. Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria!” Damos graças pelo Santo Papa João Paulo II, totalmente dedicado a Maria, com fidelidade e até o final cumprindo a missão que lhe foi dada pelo Ressuscitado; aceitai os frutos de sua vida e serviço, concedendo-nos por sua intercessão esta graça… Por Cristo, nosso Senhor. Amém. Pai Nosso… Ave Maria… Glória… 👉 Ladainha (clique aqui) 9º dia – A Eucaristia A Eucaristia é o maior dom e milagre, pois o mistério da morte e ressurreição de Cristo, a redenção da humanidade, se faz presente nela. A Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja. É com alegria que ela experimenta, de diversas maneiras, a realização incessante desta promessa: «Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20); mas, na sagrada Eucaristia, pela conversão do pão e do vinho no corpo e no sangue do Senhor, goza desta presença com uma intensidade sem par… A Igreja recebeu a Eucaristia de Cristo seu Senhor, não como um dom, embora precioso, entre muitos outros, mas como o dom por excelência, porque dom d’Ele mesmo, da sua Pessoa na humanidade sagrada, e também da sua obra de salvação. Esta não fica circunscrita no passado, pois «tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente»… É esta verdade que desejo recordar mais uma vez, colocando-me convosco, meus queridos irmãos e irmãs, em adoração diante deste Mistério: mistério grande, mistério de misericórdia. Que mais poderia Jesus ter feito por nós? Verdadeiramente, na Eucaristia demonstra-nos um amor levado até ao « extremo » (cf. Jo 13, 1), um amor sem medida. João Paulo II, Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia 17 abr 2003 Oremos: Deus, nosso Pai: Vosso Filho nos amou até ao fim e permaneceu conosco na Eucaristia. Que o Amém que dizemos na presença do Corpo e Sangue de Nosso Senhor nos disponha a um serviço humilde aos irmãos que têm fome de amor. Que sejais louvado no brilhante exemplo desse amor, como demonstrado pelo Papa São João Paulo II. Como a comunhão com a Igreja dos redimidos no céu é expressa e fortalecida na Eucaristia, concedei-nos por sua intercessão esta graça… Por Cristo, nosso Senhor. Amém. Pai Nosso… Ave Maria… Glória… 👉 Ladainha (clique aqui) Fonte: Com. Shalom #Novena #SãoJoãoPauloII
- Novena a São João Paulo II, o Papa da Família – de 13 a 21 de Outubro
“Invoquemos juntos a Sagrada Família; imploremos, em particular, a ajuda da Virgem santíssima para que todas as famílias do mundo sejam profundamente consciente de sua grade vocação”, disse certa vez São João Paulo II, conhecido como o papa peregrino e chamado “o papa da Família” pelo papa Francisco. Próximos da festa litúrgica de São João Paulo II, que é celebrada em 22 de outubro, apresentamos a seguir uma novena para pedir a intercessão daquele que é conhecido como o “Papa Peregrino”, que viajou a mais de 100 países com a missão de anunciar o Amor de Deus. Também o amor a Maria é uma das grandes marcas do seu papado. Inclusive, foi ele quem incluiu os mistérios luminosos no santo rosário, com o intuito de contemplar a dimensão missionária da vida de Cristo. Rezemos com fé a Novena de São João Paulo II. 9 dias para rezar, meditar as suas homilias e pedir muitas graças! Em nome do Pai, em nome do Filho e em nome do Espírito Santo. Amém. 1 – Oração de São João Paulo II pela família Ó Deus, de quem procede toda a paternidade no céu e na terra. Pai, que és amor e vida, faze que cada família humana sobre a terra se converta, por meio de Teu Filho, Jesus Cristo, nascido de mulher e mediante o Espírito Santo, fonte da caridade divina, em verdadeiro santuário da vida e do amor para as gerações que sempre se renovam. Faze que tua graça guie os pensamentos e as obras dos esposos para o bem de suas famílias e de todas as famílias do mundo. Faze que as jovens gerações encontrem na família apoio para sua humanidade e para seu crescimento na verdade e no amor. Faze que o amor reafirmado pela graça do sacramento do matrimônio, se revele mais forte que qualquer debilidade a qualquer crise, pelas quais às vezes passam nossas famílias. Faze, finalmente, Te pedimos por intercessão da Sagrada Família de Nazaré, que a Igreja, em todas as nações da Terra, possa cumprir frutiferamente sua missão na família e por meio da família. Tu, que és a vida, a verdade e o amor, na unidade do Filho e do Espírito Santo. Amém. Menciona-se as intenções da novena e em seguida medita-se a reflexão do dia. 2 – Medite a reflexão do dia 1º dia 2º dia 3º dia 4º dia 5º dia 6º dia 7º dia 8º dia 9º dia 3 – Ladainha Senhor, tende piedade de nós. – Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. – Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós. – Senhor, tende piedade de nós. Jesus Cristo ouvi-nos. – Jesus Cristo ouvi-nos. Jesus Cristo atendei-nos. – Jesus Cristo atendei-nos. Deus, Pai dos céus, tende piedade de nós. Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós. Deus Espírito Santo, tende piedade de nós. Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós. São João Paulo II, rogai por nós. Perfeito discípulo de Cristo, … Generosamente dotado com os dons do Espírito Santo, Grande apóstolo da Divina Misericórdia, Fiel Filho de Maria, Totalmente dedicado à Mãe de Deus, Perseverante pregador do Evangelho, Papa Peregrino, Papa do Milênio, Modelo de diligência, Modelo dos sacerdotes, Que extraístes forças da Eucaristia, Homem incansável da oração, Amante do Rosário, Força dos que duvidam de sua fé, Que desejastes unir todos aqueles que creem em Cristo, Conversor dos pecadores, Defensor da dignidade de toda pessoa, Defensor da vida desde a concepção até à morte natural, Que rogastes pelo dom da paternidade para o infértil, Amigo das crianças, Líder da juventude, Intercessor das famílias, Consolador dos sofredores, Que valorosamente suportastes vossa dor, Semeador de divina alegria, Grande intercessor pela paz, Orgulho da nação polonesa, Brilho da Santa Igreja, Para que possamos ser fiéis imitadores de Cristo, Para que possamos ser fortes com o poder do Espírito Santo, Para que possamos ter confiança na Mãe de Deus, Para que possamos crescer em nossa fé, esperança e caridade Para que possamos viver em paz em nossas famílias, Para que possamos saber perdoar, Para que possamos saber suportar o sofrimento, Para que não sucumbamos à cultura da morte, Para que não tenhamos medo e corajosamente combatamos as várias tentações, Para que interceda e nos obtenha a graça de uma morte feliz, rogai por nós. Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor! Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor! Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós! Rogai por nós, São João Paulo II, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém! 4 – Oração a São João Paulo II Ó São João Paulo, da janela do céu, dá-nos a tua bênção! Abençoa a Igreja, que tu amaste, serviste e guiaste, incentivando-a a caminhar corajosamente pelos caminhos do mundo, para levar Jesus a todos e todos a Jesus! Abençoa os jovens, que também foram tua grande paixão. Ajuda-os a voltar a sonhar, voltar a dirigir o olhar ao alto para encontrar a luz que ilumina os caminhos da vida na terra. Abençoa as famílias, abençoa cada família! Tu percebeste a ação de Satanás contra esta preciosa e indispensável faísca do céu que Deus acendeu sobre a terra. São João Paulo, com a tua intercessão, protege as famílias e cada vida que nasce dentro da família. Roga pelo mundo inteiro, ainda marcado por tensões, guerras e injustiças. Tu te opuseste à guerra, invocando o diálogo e semeando o amor; roga por nós, para que sejamos incansáveis semeadores de paz. Ó São João Paulo, da janela do céu, onde te vemos junto a Maria, faz descer sobre todos nós a bênção de Deus! Amém. 1º dia – Amor Tenha a coragem de viver por amor… A grandeza de uma pessoa não está em suas posses, mas em quem é, não naquilo que possui, mas no que compartilha com os outros. (…) Esta mensagem sobre a pureza do coração torna-se hoje muito atual. A civilização da morte quer destruir a pureza do coração. Um dos seus métodos de agir é pôr intencionalmente em dúvida o valor da atitude do homem, que definimos como virtude da castidade. É um fenômeno de modo particular perigoso quando o objectivo do ataque são as consciências sensíveis das crianças e dos jovens. Uma civilização que, agindo desta forma, fere ou até aniquila uma relação correta entre os homens, é uma civilização da morte, porque o homem não pode viver sem o verdadeiro amor… Anunciai ao mundo a «Boa Nova» da pureza do coração e, com o exemplo da vossa vida, transmiti a mensagem da civilização do amor. Conheço a vossa sensibilidade à verdade e à beleza. Hoje, a civilização da morte propõe-vos, entre outras coisas, o chamado «amor livre». Neste gênero de deformação do amor chega-se à profanação dum dos valores mais queridos e sagrados, porque a libertinagem não é amor nem liberdade… Não tenhais medo de viver contra as opiniões da moda e as propostas em contraste com a lei de Deus. A coragem da fé tem um preço muito elevado, mas vós não podeis perder o amor! Não permitais que alguém vos torne escravos! Não vos deixeis seduzir pelas ilusões da felicidade, pelas quais deveríeis pagar um preço demasiado elevado, o preço de feridas por vezes incuráveis ou até duma vida despedaçada! São João Paulo II, Homilia, Sandomierz. 12/06/1999 Oremos: Deus, nosso Pai, a fim de voltarmos para vós, devemos encontrar vossa misericórdia, vosso paciente amor que em Vós não conhece limites. Infinita é a vossa prontidão em perdoar os nossos pecados assim como inefável é o sacrifício de vosso Filho. Com confiança pedimos, pela intercessão de São João Paulo II, que nos concedais esta graça… por Cristo Nosso Senhor. Amém. Pai Nosso… Ave Maria… Glória… 👉 Ladainha (clique aqui) 2º dia – Verdade Ninguém pode ditar a outro a sua própria “verdade”. A verdade vence por seu próprio poder. Impor seus próprios pontos de vista torna as relações interpessoais piores, dando origem a disputas e tensões. Assim, uma das condições para manter a paz no mundo é de respeitar a liberdade de consciência dos outros, mesmo que eles pensam de maneira muito diferente de nós. A verdade é a luz da inteligência humana. Se desde a juventude a mente humana procura conhecer a realidade nas suas várias dimensões, faz isto a fim de possuir a verdade, para viver a verdade. Tal é a estrutura do espírito humano. A fome de verdade é a sua aspiração e expressão fundamental. Cristo diz: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Das palavras do Evangelho, estas certamente estão entre as mais importantes. Elas se referem, na verdade, ao homem todo. Explicam a base sobre a qual são construídos a partir de dentro, na dimensão do espírito humano, a dignidade e a grandeza próprias do homem. O conhecimento que liberta o homem não depende apenas da instrução, mesmo que seja na faculdade; também o pode possuir um analfabeto; mas esta instrução, como conhecimento sistemático da realidade, deve servir a essa dignidade e grandeza. Portanto, deveria servir à verdade… Neste campo as palavras de Cristo: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” vêm a ser um programa essencial. Os jovens, se podemos dizer assim, têm um “senso de verdade” congênito. E a verdade deve servir para a liberdade: os jovens também têm um espontâneo “desejo de liberdade”. O que significa ser livre? Significa saber usar a nossa liberdade na verdade, ser “verdadeiramente” livre. Ser verdadeiramente livre não significa de forma alguma fazer tudo aquilo que me agrada ou que eu queria fazer. A liberdade traz consigo a critério da verdade, a disciplina da verdade. Ser verdadeiramente livre significa usar a própria liberdade para aquilo que é verdadeiramente bom… para ser um homem de reta consciência, ser responsável, ser um homem “para os outros”. Carta Apostólica do Papa São João Paulo II aos jovens do mundo. Por ocasião do Ano Internacional da Juventude 1985 Oremos: Deus, nosso Pai, diante da Igreja do terceiro milênio se abre um vasto oceano de credos de nosso mundo contemporâneo. Crendo em Vós, colocando a minha esperança em Cristo, desejo imitá-lo e experimentar o milagre de uma pesca abundante. Vinde em auxílio de todos os cristãos da nossa geração para nos lançarmos nas profundezas da verdade, do bem e da beleza. Fazei do nosso Santo Padre João Paulo II o patrono da nova evangelização, e por sua intercessão concedei-nos esta graça… Por Cristo Nosso Senhor. Amém. Pai Nosso… Ave Maria… Glória… 👉 Ladainha (clique aqui) 3º dia – A pessoa Nesta terra, sejam portadores da fé e da esperança cristãs, vivendo em amor todos os dias. Sejam fiéis testemunhas de Cristo Ressuscitado, nunca cedendo aos obstáculos que se acumulam sobre os caminhos de sua vida. Eu conto com vocês, em seu entusiasmo juvenil e dedicação a Cristo. O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se o não experimenta e se o não torna algo seu próprio, se nele não participa vivamente. E por isto precisamente o Cristo Redentor… revela plenamente o homem ao próprio homem. Esta é – se assim é lícito exprimir-se – a dimensão humana do mistério da Redenção… «Deus, de fato, amou de tal modo o mundo, que lhe deu o Seu filho unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna» (Jo 3,16)… E por meio do Filho-Verbo, que se fez homem… Deus entrou na história da humanidade… um dos milhares de milhões e, ao mesmo tempo, Único! Para Ele queremos olhar, porque só n’Ele, Filho de Deus, está a salvação, renovando a renovando a afirmação de Pedro: «Para quem iremos nós, Senhor? Tu tens as palavras de vida eterna»… Através de todos os campos de atividade onde a Igreja se afirma presente, se encontra e se consolida, devemos tender constantemente para Aquele «que é a Cabeça», para «Aquele de quem tudo provém e nós somos criados para Ele»… A Igreja não cessa de ouvir as suas palavras, continuamente as relê e reconstrói com a máxima devoção todos os pormenores da sua vida… A Igreja vive o seu mistério e nele vai haurir sem jamais se cansar, e busca continuamente as vias para tornar este mistério do seu Mestre e Senhor próximo do gênero humano: dos povos, das nações, das gerações que se sucedem e de cada um dos homens em particular… Nesta dimensão, o homem reencontra a grandeza, a dignidade e o valor próprios da sua humanidade. No mistério da Redenção o homem é novamente «reproduzido» e, de algum modo, é novamente criado. Ele é novamente criado!… O homem que quiser compreender-se a si mesmo profundamente… deve… aproximar-se de Cristo. Ele deve, por assim dizer, entrar n’Ele com tudo o que é em si mesmo, deve «apropriar-se» e assimilar toda a realidade da Encarnação e da Redenção, para se encontrar a si mesmo. Se no homem se atuar este processo profundo, então ele produz frutos, não somente de adoração de Deus, mas também de profunda maravilha perante si próprio. Que grande valor deve ter o homem aos olhos do Criador, se «mereceu ter um tal e tão grande Redentor», se «Deus deu o seu Filho», para que ele, o homem, «não pereça, mas tenha a vida eterna». (cf Jo 3,16). São João Paulo II, Encíclica Redemptor hominis, 1979 Oremos: Deus, nosso Pai, Vós sois amor e nos amastes primeiro. Vosso filho se tornou homem para a nossa salvação, e revelando a seus irmãos e irmãs a verdade sobre o amor; permitiu-lhes compreender a si mesmos e descobrir o sentido de sua própria existência. Nós vos pedimos que, por São João Paulo II, defensor incansável da dignidade humana, bom pastor em busca de almas perdidas na confusão da vida e mergulhadas no desespero, que nos concedais esta graça… Por Cristo Nosso Senhor. Amém! Pai Nosso… Ave Maria… Glória… 👉 Ladainha (clique aqui) 4º dia – A família Uma família que tira a sua força de Deus torna-se a força do homem e de uma nação inteira. Dentre essas numerosas estradas, a primeira e a mais importante é a família: uma via comum, mesmo se permanece particular, única e irrepetível, como irrepetível é cada homem; uma via da qual o ser humano não pode separar-se. Com efeito, normalmente ele vem ao mundo no seio de uma família, podendo-se dizer que a ela deve o próprio fato de existir como homem. Quando falta a família logo à chegada da pessoa ao mundo, acaba por criar-se uma inquietante e dolorosa carência que pesará depois sobre toda a vida. A Igreja une-se com afetuosa solicitude a quantos vivem tais situações, porque está bem ciente do papel fundamental que a família é chamada a desempenhar… A família tem a sua origem naquele mesmo amor com que o Criador abraça o mundo criado, como se afirma já «ao princípio», no livro do Gênesis (1, 1). Uma suprema confirmação disso mesmo, no-la oferece Jesus no Evangelho: «Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho unigênito» (Jo 3, 16). O Filho unigênito, consubstancial ao Pai, «Deus de Deus, Luz da Luz», entrou na história dos homens através da família: «Pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-Se de certo modo a cada homem. Trabalhou com mãos humanas,… amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (3). Se é certo que Cristo «revela plenamente o homem a si mesmo» (4), fá-lo a começar da família onde Ele escolheu nascer e crescer. Sabe-se que o Redentor passou grande parte da sua vida no recanto escondido de Nazaré, «submisso» (Lc 2, 51) como «filho do homem» a Maria, sua Mãe, e a José, o carpinteiro. Esta sua «obediência» filial não é já a primeira manifestação daquela obediência ao Pai «até à morte» (Fil 2, 8), por meio da qual redimiu o mundo? São João Paulo II, Carta às Famílias Gratissimam Sane. 1994 Oremos: Deus, nosso Pai, vosso eterno plano de salvação atingiu a sua plenitude quando o vosso Amado Filho veio ao mundo através da Sagrada Família, santificando por Seu nascimento toda família humana. Confiamos a Vós nossas famílias e todas as famílias em todo o mundo. Que a oração seja uma parte de suas vidas, o amor puro, o respeito à vida, e uma saudável preocupação pela juventude. Pedimo-vos humildemente, por intercessão do Santo Papa João Paulo II, o defensor incansável dos direitos de uma família, que possamos ser fortalecidos pela graça… Por Cristo, nosso Senhor. Amém. Pai Nosso… Ave Maria… Glória… 👉 Ladainha (clique aqui) 5º dia – Juventude Você deve fazer exigências a partir de si mesmo, mesmo que os outros não exijam de você. Só fazendo exigências de si mesmo – ao contrário do consenso universal que diz: “Tome o caminho mais fácil” – você pode perceber outros desafios do Papa: escolher “ser mais” em vez de “ter mais”. O “ser mais” de um jovem hoje é a coragem de permanecer cheio de iniciativa – você não pode renunciar a isto, o futuro de todos depende disto – fiel a um testemunho dinâmico de fé e esperança. Jovens amigos… Sede benditos! Sim, sede benditos junto com Maria, que acreditou no cumprimento das palavras que lhe disse o Senhor. Sim, Sede benditos! Que o sinal da mulher vestida de sol caminhe convosco, com cada uma e cada um, ao longo de todos os caminhos da vida. Que vos conduza ao cumprimento, em Deus, de vossa adoção filial em Cristo. Verdadeiramente, o Senhor realizou maravilhas em vós! Destas «maravilhas», queridos jovens, deveis ser sempre testemunhas coerentes e valorosas em vosso ambiente, entre vossos coetâneos, em todas as circunstâncias de vossa vida. Está ao vosso lado Maria, a Virgem dócil a todos os sopros do Espírito, a que com seu «sim» generoso ao projeto de Deus abriu ao mundo a perspectiva, longamente ansiada, da salvação. Olhando para ela, humilde serva do Senhor, hoje elevada à glória do céu, vos digo com São Paulo: «Deixai-vos conduzir pelo Espírito»! (Gal 5, 16). Deixai que o Espírito de sabedoria e inteligência, de conselho e fortaleza, de conhecimento, piedade e temor do Senhor (cf. Is 11, 2) penetre em vossos corações e vossas vidas e, por meio de vós, transforme a face da terra… Revesti-vos da força que brota dele, convertei-vos em construtores de um mundo novo: um mundo diferente, fundado na verdade, na justiça, na solidariedade e no amor. Queridos amigos… Recebei o Espírito Santo e sede fortes! São João Paulo II, Homilia para a conclusão VI / DM, Czestochowa, 15 de agosto de 1991 Oremos: Deus, nosso Pai, desde nossa juventude nos chamastes para Vos seguir. Em Vosso Filho, a juventude tem um Mestre, que ensina como formar uma nova pessoa em nós – com paciência e persistência – para descobrir a própria vocação, para efetivamente construir uma cultura de amor. Pedimos a Vós por nossa juventude, para que não se deixe escravizar por desejos cegos e decepções amorosas. Que São João Paulo II, que procurou o jovem e reciprocamente os amou, seja para eles um modelo e patrono, e por sua intercessão Vos pedimos esta graça… Por Cristo Nosso Senhor. Amém. Pai Nosso… Ave Maria… Glória… 👉 Ladainha (clique aqui) 6º dia – Pecado O maior sofrimento da humanidade e de cada indivíduo é o pecado. Não há maior dor que se possa infligir a uma alma do que mergulhá-la em estado de pecado mortal. O pecado não termina nos limites da consciência humana, não se encerra nela. Por definição intrínseca, implica uma referência: a referência a Deus. Todavia, esta referência é salvífica! Significa que eu – homem – não fico só com minha culpa. E Deus, que de certo modo é testemunha “ocular” de meu pecado (ocular embora invisível), está próximo de mim não somente para julgar. Certamente me julga! Julga-me com o mesmo juízo interior de minha consciência (se esta não se tornou surda ou deformada). No entanto, o próprio juízo já é salvífico. Mediante o fato de chamar o mal por seu verdadeiro nome, de certo modo rompo com ele, mantenho-o a certa distância de mim, ainda quando ao mesmo tempo sei que este mal, o pecado, não deixa de ser meu pecado. Mas mesmo quando meu pecado é contra Deus, Deus não está contra mim. No momento da tensão interior da consciência humana, Deus não proclama sua sentença. Não condena. Deus espera que eu me volte para Ele como à justiça amorosa, como ao Pai, da forma que mostra a parábola do filho pródigo. Para que lhe “revele” o pecado. E me confie a Ele. Deste modo, do exame de consciência passamos ao que constitui a própria substância da conversão e da reconciliação com Deus. João Paulo II, Angelus, em Roma, 23 de fevereiro de 1986 Oremos: Deus, nosso Pai, o pecado é um aguilhão que causa dor e mata a graça santificante. O sofrimento em vosso conceito de salvação é o caminho que conduz a Vós. O Vosso Filho, por meio de sua paixão de vontade livre e morte na cruz, tomou sobre Si todo o mal do pecado, e deu ao sofrimento um significado totalmente novo, introduzindo-o na ordem do amor. Em nome desse amor, que foi capaz de assumir sofrimentos sem culpa, nós vos pedimos por intercessão de São João Paulo II, que ao servir o povo de Deus, foi marcado com os estigmas do martírio, esta graça especial… Por Cristo Nosso Senhor. Amém. Pai Nosso… Ave Maria… Glória… 👉 Ladainha (clique aqui) 7º dia – Misericórdia Hoje, quando o egoísmo, indiferença e insensibilidade dos corações estão se espalhando de forma assustadora, o quão intensamente nós precisamos de uma renovação da sensibilidade a uma pessoa, a sua pobreza e os sofrimentos. O mundo clama por misericórdia. Nada é mais necessário para o homem do que a misericórdia de Deus, esse amor gentil, simpático, elevando o homem acima de suas fraquezas em direção às alturas eternas da santidade de Deus. O homem, – cada um dos homens – é este filho pródigo: fascinado pela tentação de se separar do Pai para viver de modo independente a própria existência; caído na tentação; desiludido do nada que, como miragem, o tinha deslumbrado. Sozinho, desonrado e explorado no momento em que tenta construir um mundo só para si; atormentado, mesmo no mais profundo da própria miséria, pelo desejo de voltar à comunhão com o Pai. Como o pai da parábola, Deus fica à espreita do regresso do filho, abraça-o à sua chegada e põe a mesa para o banquete do novo encontro, com que se festeja a reconciliação. João Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et Penitente, 02 de dezembro de 1984 Oremos: “Jesus, eu confio em Vós”. Esta oração, querida por muitos devotos da Divina Misericórdia, expressa adequadamente a postura que também desejamos assumir ao nos confiarmos ao vosso abraço, Senhor, nosso único Salvador. Quão intensamente desejais ser amado, e quem quer que acenda em si os sentimentos de vosso coração, aprende a ser um construtor da nova cultura do amor. Um simples ato de confiança é suficiente para penetrar a cortina de melancolia e tristeza, dúvida e desespero. Os raios de vossa divina misericórdia restaura de maneira especial a esperança daqueles que se sentem oprimidos pelo peso do pecado…. Maria, Mãe de Misericórdia, concedei que a esperança que colocamos em vosso Filho, nosso Redentor, permaneça sempre viva. E vós, Santa Faustina, ajudai-nos também quando repetirmos convosco, olhando corajosamente para a face do divino Redentor, as palavras: “Jesus, eu confio em Vós. Hoje e para sempre”. Amém. Pai Nosso… Ave Maria… Glória… 👉 Ladainha (clique aqui) 8º dia – Maria Em meio a este mistério, em meio a essa confiança na fé, destaca Maria. “Eis aqui a serva do Senhor… Faça-se em mim segundo a tua palavra”. Hoje vim junto de Ti, Nossa Senhora de Jasna Gora, para me despedir mais uma vez e para Te pedir a bênção para a minha viagem… Mãe da Igreja! Mais uma vez me consagro a Ti «na Tua materna escravidão de amor»: «Totus Tuus»! Sou todo Teu! Consagro-Te toda a Igreja – em toda a parte até aos extremos confins da terra! Oh, consagro-Te a Humanidade! Eu te consagro todos os homens, meus irmãos. Todos os Povos e Nações. Consagro-Te a Europa e todos os continentes. Consagro-Te Roma e a Polônia juntas, através do Teu servo, por um novo vínculo de amor. Mãe, aceita! Oh Mãe, não nos abandones! Querida Mãe, guia-nos Tu! …Perdoa, pois, Mãe da Igreja e Rainha da Polônia, que todos nós Te agradeçamos só com o silêncio dos nossos corações, que Te cantemos, com este silêncio, o nosso «prefácio» de despedida! João Paulo II, Primeira Peregrinação Apostólica à Polônia, Czestochowa, 06 de junho de 1979 Oremos: Deus, nosso Pai, Maria, Mãe de vosso Filho, escutai a nossa prece-petição: “Advogada nossa, estes vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre. Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria!” Damos graças pelo Santo Papa João Paulo II, totalmente dedicado a Maria, com fidelidade e até o final cumprindo a missão que lhe foi dada pelo Ressuscitado; aceitai os frutos de sua vida e serviço, concedendo-nos por sua intercessão esta graça… Por Cristo, nosso Senhor. Amém. Pai Nosso… Ave Maria… Glória… 👉 Ladainha (clique aqui) 9º dia – A Eucaristia A Eucaristia é o maior dom e milagre, pois o mistério da morte e ressurreição de Cristo, a redenção da humanidade, se faz presente nela. A Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja. É com alegria que ela experimenta, de diversas maneiras, a realização incessante desta promessa: «Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20); mas, na sagrada Eucaristia, pela conversão do pão e do vinho no corpo e no sangue do Senhor, goza desta presença com uma intensidade sem par… A Igreja recebeu a Eucaristia de Cristo seu Senhor, não como um dom, embora precioso, entre muitos outros, mas como o dom por excelência, porque dom d’Ele mesmo, da sua Pessoa na humanidade sagrada, e também da sua obra de salvação. Esta não fica circunscrita no passado, pois «tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente»… É esta verdade que desejo recordar mais uma vez, colocando-me convosco, meus queridos irmãos e irmãs, em adoração diante deste Mistério: mistério grande, mistério de misericórdia. Que mais poderia Jesus ter feito por nós? Verdadeiramente, na Eucaristia demonstra-nos um amor levado até ao « extremo » (cf. Jo 13, 1), um amor sem medida. João Paulo II, Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia 17 abr 2003 Oremos: Deus, nosso Pai: Vosso Filho nos amou até ao fim e permaneceu conosco na Eucaristia. Que o Amém que dizemos na presença do Corpo e Sangue de Nosso Senhor nos disponha a um serviço humilde aos irmãos que têm fome de amor. Que sejais louvado no brilhante exemplo desse amor, como demonstrado pelo Papa São João Paulo II. Como a comunhão com a Igreja dos redimidos no céu é expressa e fortalecida na Eucaristia, concedei-nos por sua intercessão esta graça… Por Cristo, nosso Senhor. Amém. Pai Nosso… Ave Maria… Glória… 👉 Ladainha (clique aqui) Fonte: Com. Shalom #Novena #SãoJoãoPauloII
- Mais de 70 mil pessoas testemunharam o Milagre do Sol em Fátima: “para que todos acreditem”
Aproximadamente um século atrás, o sol dançava na Cova da Iria. O significado e o alcance daquele acontecimento são, obviamente, muito maiores do que a própria mensagem de Fátima: a salvação das almas que Cristo comprou com o seu sangue na Cruz. No dia 13 de outubro de 1917, diante de milhares de peregrinos que chegaram a Fátima (Portugal), ocorreu o denominado “Milagre do sol”, no qual, após a aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos Jacinta, Francisco e Lúcia, pôde-se ver o sol tremer, em uma espécie de “dança”, conforme relataram os que estavam lá. Depois de uma chuva intensa, as nuvens escuras se abriram e deram espaço ao sol que, segundo as testemunhas, aparecia como um suave disco de prata. Então, a luz do sol tomou diferentes cores e o sol pareceu envolver as milhares de pessoas, que já estavam de joelhos. O jornalista do jornal português ‘O Século’, Avelino de Almeida, estimou entre 30 mil a 40 mil pessoas o número de presentes no momento do milagre, enquanto o professor de ciências naturais da Universidade de Coimbra, Joseph Garrett, que assim como o jornalista de Almeida esteve no lugar nesse dia, estimou o número de testemunhas em 100 mil. O milagre durou cerca de três minutos. Além do “Milagre do sol”, os pastorinhos disseram ter visto imagens de Jesus, de Nossa Senhora e de São José abençoando a multidão. A Virgem de apresentou como a Senhora do Rosário. “Para que todos acreditem” “Em outubro farei o milagre, para que todos acreditem“, disse Nossa Senhora aos três pastorinhos de Fátima, em 13 de setembro. O “Milagre do Sol” – como ficou conhecido o evento sobrenatural que se deu na Cova da Iria, um mês depois – transformou o que era uma mera “revelação privada” em um autêntico apelo de Cristo à Sua Igreja. Não só o conteúdo da mensagem de Fátima dizia respeito à Igreja do mundo inteiro (afinal, quem está dispensado de rezar o Rosário ou fazer penitência pela conversão dos pecadores?), como a sua própria comprovação se deu publicamente, de maneira extraordinária: no dia 13 de outubro de 1917, “o sol dançou” diante de mais de 70 mil pessoas, homens e mulheres, pobres e abastados, sábios e ignorantes, crentes e descrentes. No dizer de um eminente professor de ciências de Coimbra, o que aconteceu naquele dia foi que o sol “girou sobre si mesmo num rodopio louco”. “Houve também mudanças de cor na atmosfera” e, por fim, “o sol, girando loucamente, parecia de repente soltar-se do firmamento e, vermelho como o sangue, avançar ameaçadamente sobre a terra como se fosse para nos esmagar com o seu peso enorme e abrasador”. O parecer do Dr. José Maria de Almeida Garrett se conclui com uma perplexidade: “Tenho que declarar que nunca, antes ou depois de 13 de Outubro, observei semelhante fenómeno solar ou atmosférico“. Para o povo mais simples, o milagre se resume em bem menos palavras. Simplesmente, “o sol dançou”. Mais do que descrever fisicamente o fenômeno, o que interessava à maioria das pessoas era o que não se podia ver, mas que ficara patente por aquela portentosa obra que eles tinham diante dos olhos: Nossa Senhora verdadeiramente apareceu a três humildes pastorinhos em Fátima. A Lúcia, Jacinta e Francisco, de fato, mais do que ver o físico e pressentir o espiritual, foi dada uma visão bem mais abrangente da realidade: a Virgem, “Abrindo as mãos, fê-las reflectir no sol. E enquanto que se elevava, continuava o reflexo da Sua própria luz a projectar-se no sol. (…) Desaparecida Nossa Senhora, na imensa distância do firmamento, vimos, ao lado do sol, São José com o Menino e Nossa Senhora vestida de branco, com um manto azul”. Na última aparição da Virgem de Fátima, portanto, brilha aos videntes a imagem da Sagrada Família de Nazaré. Esse fato pode indicar – juntamente com uma recém-revelada carta da Irmã Lúcia ao Cardeal Carlo Caffarra – que, realmente, “o confronto final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre a família e sobre o matrimônio”. Quando o caminho ordinário de santificação da humanidade, que é o casamento, se encontra obstruído pela produção desenfreada da pornografia e pela popularização dos “pecados da carne” – os quais constituem, segundo resposta da Virgem à pequena Jacinta, a classe de pecados que mais ofende a Deus –, o resultado só pode ser uma perda incalculável de almas (realidade a que a Mãe de Deus já tinha aludido, quando deu às mesmas crianças a visão do inferno). Tal cenário desolador já tinha começado a delinear-se em Portugal, com a aprovação da lei do divórcio, em 1910, e a separação entre Estado e Igreja, em 1911. Compreensível, pois, que, soado o alarme, Nossa Senhora descesse do Céu para renovar à humanidade o apelo divino à conversão e à penitência. Naquele 13 de outubro, em particular, a Virgem Santíssima tinha um pedido em especial, que ficaria gravado no coração dos pastorinhos. “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido”, ela dizia. Antes da agitação que se seguiria ao Milagre do Sol, é esta a mensagem que porta aos homens a toda santa Mãe de Deus: que os homens parem de pecar e ofender a Deus. A observadores mundanos, tal recado – combinado com a ameaça de um severo castigo – poderia parecer “arcaico” ou mesmo “irrealista” para o homem moderno. – Um “espírito” que vem dos céus para falar de “pecado”? Em que século a autora dessas aparições acha que estamos? – Pois bem, é justamente no século XX que Nossa Senhora aparece, e é a mesma mensagem de dois mil anos atrás que ela carrega consigo: “Fazei tudo o que Ele vos disser” ( Jo 2, 5). Se, por um lado, os tempos mudaram, o ser humano continua o mesmo e os perigos que rondavam a humanidade na época de Cristo não mudaram. Para ser católico e seguir Jesus, nada tão básico quanto o apelo de Fátima: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor”. Ali, o Milagre do Sol não existia apenas para confirmar a aparição de Maria, mas para realizar um outro milagre, muito maior e mais extraordinário que qualquer outro prodígio: a justificação das almas, a conversão dos pecadores. “Para que todos acreditem” em Jesus e, acreditando, tenham a vida eterna. Para que, de inimigos de Deus e habitantes do inferno, os homens se transformem em amigos de Deus e herdeiros do Céu. Para que se diga, enfim, desta civilização pagã e ateia, o que foi dito dos primeiros convertidos à fé: “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5, 20). #NossaSenhoradeFátima
- Mais de 70 mil pessoas testemunharam o Milagre do Sol em Fátima: “para que todos acreditem”
Aproximadamente um século atrás, o sol dançava na Cova da Iria. O significado e o alcance daquele acontecimento são, obviamente, muito maiores do que a própria mensagem de Fátima: a salvação das almas que Cristo comprou com o seu sangue na Cruz. No dia 13 de outubro de 1917, diante de milhares de peregrinos que chegaram a Fátima (Portugal), ocorreu o denominado “Milagre do sol”, no qual, após a aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos Jacinta, Francisco e Lúcia, pôde-se ver o sol tremer, em uma espécie de “dança”, conforme relataram os que estavam lá. Depois de uma chuva intensa, as nuvens escuras se abriram e deram espaço ao sol que, segundo as testemunhas, aparecia como um suave disco de prata. Então, a luz do sol tomou diferentes cores e o sol pareceu envolver as milhares de pessoas, que já estavam de joelhos. O jornalista do jornal português ‘O Século’, Avelino de Almeida, estimou entre 30 mil a 40 mil pessoas o número de presentes no momento do milagre, enquanto o professor de ciências naturais da Universidade de Coimbra, Joseph Garrett, que assim como o jornalista de Almeida esteve no lugar nesse dia, estimou o número de testemunhas em 100 mil. O milagre durou cerca de três minutos. Além do “Milagre do sol”, os pastorinhos disseram ter visto imagens de Jesus, de Nossa Senhora e de São José abençoando a multidão. A Virgem de apresentou como a Senhora do Rosário. “Para que todos acreditem” “Em outubro farei o milagre, para que todos acreditem“, disse Nossa Senhora aos três pastorinhos de Fátima, em 13 de setembro. O “Milagre do Sol” – como ficou conhecido o evento sobrenatural que se deu na Cova da Iria, um mês depois – transformou o que era uma mera “revelação privada” em um autêntico apelo de Cristo à Sua Igreja. Não só o conteúdo da mensagem de Fátima dizia respeito à Igreja do mundo inteiro (afinal, quem está dispensado de rezar o Rosário ou fazer penitência pela conversão dos pecadores?), como a sua própria comprovação se deu publicamente, de maneira extraordinária: no dia 13 de outubro de 1917, “o sol dançou” diante de mais de 70 mil pessoas, homens e mulheres, pobres e abastados, sábios e ignorantes, crentes e descrentes. No dizer de um eminente professor de ciências de Coimbra, o que aconteceu naquele dia foi que o sol “girou sobre si mesmo num rodopio louco”. “Houve também mudanças de cor na atmosfera” e, por fim, “o sol, girando loucamente, parecia de repente soltar-se do firmamento e, vermelho como o sangue, avançar ameaçadamente sobre a terra como se fosse para nos esmagar com o seu peso enorme e abrasador”. O parecer do Dr. José Maria de Almeida Garrett se conclui com uma perplexidade: “Tenho que declarar que nunca, antes ou depois de 13 de Outubro, observei semelhante fenómeno solar ou atmosférico“. Para o povo mais simples, o milagre se resume em bem menos palavras. Simplesmente, “o sol dançou”. Mais do que descrever fisicamente o fenômeno, o que interessava à maioria das pessoas era o que não se podia ver, mas que ficara patente por aquela portentosa obra que eles tinham diante dos olhos: Nossa Senhora verdadeiramente apareceu a três humildes pastorinhos em Fátima. A Lúcia, Jacinta e Francisco, de fato, mais do que ver o físico e pressentir o espiritual, foi dada uma visão bem mais abrangente da realidade: a Virgem, “Abrindo as mãos, fê-las reflectir no sol. E enquanto que se elevava, continuava o reflexo da Sua própria luz a projectar-se no sol. (…) Desaparecida Nossa Senhora, na imensa distância do firmamento, vimos, ao lado do sol, São José com o Menino e Nossa Senhora vestida de branco, com um manto azul”. Na última aparição da Virgem de Fátima, portanto, brilha aos videntes a imagem da Sagrada Família de Nazaré. Esse fato pode indicar – juntamente com uma recém-revelada carta da Irmã Lúcia ao Cardeal Carlo Caffarra – que, realmente, “o confronto final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre a família e sobre o matrimônio”. Quando o caminho ordinário de santificação da humanidade, que é o casamento, se encontra obstruído pela produção desenfreada da pornografia e pela popularização dos “pecados da carne” – os quais constituem, segundo resposta da Virgem à pequena Jacinta, a classe de pecados que mais ofende a Deus –, o resultado só pode ser uma perda incalculável de almas (realidade a que a Mãe de Deus já tinha aludido, quando deu às mesmas crianças a visão do inferno). Tal cenário desolador já tinha começado a delinear-se em Portugal, com a aprovação da lei do divórcio, em 1910, e a separação entre Estado e Igreja, em 1911. Compreensível, pois, que, soado o alarme, Nossa Senhora descesse do Céu para renovar à humanidade o apelo divino à conversão e à penitência. Naquele 13 de outubro, em particular, a Virgem Santíssima tinha um pedido em especial, que ficaria gravado no coração dos pastorinhos. “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido”, ela dizia. Antes da agitação que se seguiria ao Milagre do Sol, é esta a mensagem que porta aos homens a toda santa Mãe de Deus: que os homens parem de pecar e ofender a Deus. A observadores mundanos, tal recado – combinado com a ameaça de um severo castigo – poderia parecer “arcaico” ou mesmo “irrealista” para o homem moderno. – Um “espírito” que vem dos céus para falar de “pecado”? Em que século a autora dessas aparições acha que estamos? – Pois bem, é justamente no século XX que Nossa Senhora aparece, e é a mesma mensagem de dois mil anos atrás que ela carrega consigo: “Fazei tudo o que Ele vos disser” ( Jo 2, 5). Se, por um lado, os tempos mudaram, o ser humano continua o mesmo e os perigos que rondavam a humanidade na época de Cristo não mudaram. Para ser católico e seguir Jesus, nada tão básico quanto o apelo de Fátima: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor”. Ali, o Milagre do Sol não existia apenas para confirmar a aparição de Maria, mas para realizar um outro milagre, muito maior e mais extraordinário que qualquer outro prodígio: a justificação das almas, a conversão dos pecadores. “Para que todos acreditem” em Jesus e, acreditando, tenham a vida eterna. Para que, de inimigos de Deus e habitantes do inferno, os homens se transformem em amigos de Deus e herdeiros do Céu. Para que se diga, enfim, desta civilização pagã e ateia, o que foi dito dos primeiros convertidos à fé: “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5, 20). #NossaSenhoradeFátima
- Beata Alexandrina de Balazar, Apóstola da Eucaristia – 13 de Outubro
SANTO DO DIA – 13 DE OUTUBRO – BEM-AVENTURADA ALEXANDRINA MARIA DA COSTA Virgem (1904-1955) No dia 30 de março de 1904, nasceu Alexandrina Maria da Costa na pequena cidade de Balazar, em Póvoa de Varzim, Braga, Portugal. De família camponesa muito pobre, tinha apenas uma irmã mais velha, chamada Deolinda. Ambas foram educadas com amor pela mãe, Ana Maria, e dentro da doutrina cristã. Alexandrina cresceu forte, inteligente, alegre e vivaz, teve uma infância feliz dentro da sua realidade. Em 1911, recebeu a Primeira Eucaristia e, como em Balazar não havia escola, foi com a irmã Deolinda estudar em Póvoa de Varzim. Não chegaram a completar o estudo primário, um ano e meio depois estavam de volta. Nessa ocasião, as duas irmãs receberam a Crisma pelo bispo do Porto, depois foram para um local chamado ‘Calvário’, onde se fixaram. Elas viviam felizes, trabalhavam nos campos e se dedicavam à costura. Eram estimadas e queridas pelas famílias e colegas. Aos 12 anos, porém, Alexandrina quase morreu por uma grave infecção. A doença foi superada, mas a sua saúde ficou abalada. Em 1918, Alexandrina, Deolinda e mais uma amiga aprendiz estavam na sala de costura, situada no piso superior da casa, quando três homens invadiram o local para molestá-las sexualmente. Alexandrina, para salvar a sua pureza, atirou-se pela janela, de uma altura de quatro metros. Assustados, os homens fugiram sem concluir suas intenções. Mas as consequências foram terríveis, embora não imediatas. Alexandrina sofreu dores terríveis num processo longo, gradual e irreversível que a deixou paralítica. A partir do dia 14 de abril de 1925, Alexandrina nunca mais se levantou da cama. Assim, paralisada, passou 30 anos de sua vida, embora nos três anos seguintes ela ainda pedisse a Deus, por intercessão de Nossa Senhora, a graça da cura. Depois entendeu que a sua vocação era o sofrimento. Desde então, teve uma vida repleta de fenômenos místicos, de grande união com Cristo nos tabernáculos, por meio de Nossa Senhora. Quanto mais clara se tornava a sua vocação de vítima, mais crescia nela o amor ao sofrimento. Atingiu tal grau de espiritualidade que, às sextas-feiras, vivia os sofrimentos da Paixão de Cristo. Nesses dias, superando o estado habitual de paralisia, descia da cama e, com movimentos e gestos, acompanhados de angustiantes dores, repetia, por três horas e meia, os diversos momentos da ‘via crucis’. Desde 1934, orientada espiritualmente por um padre jesuíta, passou a escrever tudo quanto lhe dizia Jesus durante seus êxtases contemplativos. Em 1936, segundo ela, por ordem de Jesus, pediu ao Papa a consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria. O pedido foi renovado várias vezes até 1941, quando, então, Alexandrina parou de escrever ao Papa e também seu diário. A partir de 27 de março de 1942, deixou de alimentar-se, vivendo exclusivamente da Eucaristia. No ano seguinte, passou a ser estudada por uma junta médica. Em 1944, seu novo diretor espiritual, um padre salesiano, após constatar a profundidade espiritual a que tinha chegado, animou Alexandrina a voltar a ditar o seu diário; o que ela fez até a morte. No mesmo ano ela se inscreveu na União dos Cooperadores Salesianos, querendo colaborar com o seu sofrimento e as suas orações para a salvação das almas, sobretudo os jovens. Atraídas pela fama de santidade, muitas pessoas vindas de longe buscavam os conselhos da ‘rosa branca de Jesus’, como era também chamada pelos fiéis, que já veneravam em vida a ‘santinha de Balazar’. No dia 13 de outubro de 1955, Alexandrina morreu dizendo: ‘Sou feliz porque vou para o céu’. Em 25 de abril de 2004, foi proclamada Bem-aventurada pelo papa João Paulo II, que a propôs como modelo dos que sofrem. Texto: Paulinas Internet Conheça mais sobre a Beata Alexandrina Hoje, 13 de outubro, celebramos o aniversário da última aparição de Nossa Senhora em Fátima, e também a memória da Beata Alexandrina de Balasar, que muito cooperou na expansão da devoção ao Imaculado Coração de Maria. Ela teve experiências místicas cada vez mais fortes, e alimentou-se unicamente da Eucaristia por mais de treze anos. Sofrer, amar, reparar A meio caminho entre o Porto e Braga, situa-se o povoado de Balazar, típico exemplar das encantadoras aldeias portuguesas, com casas de pedras rústicas, rodeada de vinhedos, trigais, figueiras e oliveiras. O pequeno lugarejo não contava 2 mil habitantes em 1953, quando começou a receber milhares de visitantes por dia. Por exemplo, 6 mil a 10 de maio. O que atraía para lá essas multidões? – O brilho da santidade, refletido na vida de uma virgem heróica, prostrada há mais de 30 anos num leito de dor. Infância iluminada pela Eucaristia Ali veio ao mundo Alexandrina Maria da Costa, no dia 30 de março de 1904. Filha de camponeses devotos e laboriosos, ficou órfã de pai pouco após seu nascimento. Era uma menina muito alegre, atraente e vivaz. Mas nunca deixava levar-se por sua jovialidade e espontaneidade a ponto de prejudicar sua precoce vida espiritual. Desde seus primeiros anos, fascinava-se com as procissões religiosas cheias de colorido, que percorriam a aldeia em dias de festa. Quando fez sua Primeira Comunhão, aos sete anos, já tinha adquirido um profundo amor à Eucaristia, visitando o Santíssimo Sacramento com inabitual freqüência e fazendo comunhões espirituais nas ocasiões em que não lhe era possível assistir à Missa. Devido à difícil situação da família, viu-se obrigada, aos nove anos, a trocar os bancos escolares pelo trabalho no campo. Após três anos de serviço, um camponês de coração depravado quis atentar contra a castidade dessa frágil menina. Não teve êxito em seu intento, pois, segurando o Rosário em sua mão, foi ela dotada pelo Senhor de uma força inexplicável. Depois deste incidente, retornou Alexandrina para a casa materna. Nesse ano, 1916, adoeceu gravemente e recebeu a Unção dos Enfermos. Sua mãe dava-lhe o crucifixo a beijar, mas a jovenzinha movia a cabeça, murmurando: “Não é este que quero, mas sim Jesus na Eucaristia”. Não se recuperou inteiramente. Em precário estado de saúde, dedicou-se à costura, junto com sua irmã mais velha, Deolinda. Castidade heróica Essa tranqüila vida de trabalho em família foi interrompida de forma brutal em 1918, quando ela tinha 14 anos. Estava no andar superior da casa em companhia de Deolinda e outra jovem. Três homens aproximaram-se, exigindo com ameaças que os deixassem entrar. Assomando-se à janela, Alexandrina reconheceu um deles como aquele que havia tentado ultrajá-la anos atrás. Rapidamente, fechou a porta. Mas eles conseguiram entrar por uma portinhola. Deolinda e a outra jovem puderam escapar, porém Alexandrina ficou cercada por aquele bandido num canto do quarto. Ela gritava: “Jesus, ajudai-me!”, ao mesmo tempo que o açoitava com o Rosário. Atrás dela havia uma janela. Era sua única saída! Sem hesitar, lançou-se para baixo, preferindo arriscar a vida em defesa de sua virgindade. O golpe foi muito duro. Sentindo uma dor agudíssima que lhe fazia ranger os dentes, agarrou-se a um pedaço de madeira e arrastou-se para dentro da casa. Sua coluna ficou irreparavelmente prejudicada. Os melhores médicos especialistas do Porto nada puderam fazer para evitar a trágica conseqüência da queda: após 5 anos de dores que aumentavam sem cessar, a heróica virgem viu-se, ainda na flor da juventude, condenada à paraplegia pelo resto de sua vida. Descoberta de uma sublime vocação Insondáveis e maravilhosos são os caminhos traçados pela Divina Providência para cada alma! No leito de dor a que estava reduzida, Alexandrina começou a pedir uma maior união com Jesus. E não tardou a surgir-lhe na alma a idéia de que sua vocação era a de aceitar amorosamente os sofrimentos. À sua aldeia começaram a chegar notícias das aparições de Nossa Senhora em Fátima. A Santíssima Virgem – narravam-lhe – vinha pedir sacrifícios pela conversão dos pecadores e em reparação pelas ofensas cometidas contra o Imaculado Coração de Maria e seu Filho Divino. Certo dia, quase toda a população da pequena aldeia partiu para Fátima. Sozinha em casa, Alexandrina fechou os olhos e começou a orar, oferecendo a Jesus, nessas intenções, o sacrifício do abandono e da desolação. Estando nessa oração, seus pensamentos e desejos voavam para o Santíssimo Sacramento, presente na igreja de Santa Eulália, a poucos passos de seu aposento. Estaria Ele, lá, abandonado como ela? Inesperadamente, teve uma iluminação da graça em sua alma: “Pude entender que Nosso Senhor também se encontrava prisioneiro no tabernáculo”, declarou. A descoberta deste vínculo com Jesus Hóstia constituiu para ela um convite para ir visitá-Lo em espírito e permanecer constantemente em sua presença, adorando-O e amando-O sem interrupção, orando, oferecendo-se como vítima expiatória para consolar seu Sagrado Coração e obter a conversão dos pecadores. Uma alta missão: sofrer, amar, reparar Não pôde ir à Cova da Iria visitar a singela capelinha erguida no local onde aparecera a Mãe de Deus. Mas tornou-se uma das primeiras e mais ardorosas discípulas da Virgem de Fátima. Sumamente comovida, Alexandrina suplicava a Nosso Senhor que lhe permitisse sofrer até o limite de suas forças, para livrar do fogo do inferno os pecadores. Não se fez tardar a aceitação dessa generosa súplica: suas dores começaram a agravar-se até ficarem quase insuportáveis. Noite após noite, permanecia ela desperta e com febre muito alta. Sempre com o Rosário nas mãos, repetia entre soluços a jaculatória ensinada por Nossa Senhora de Fátima aos pastorinhos: “Ó Jesus, é por amor a Vós, pela conversão dos pecadores e em reparação às ofensas ao Imaculado Coração de Maria!” Na sagrada Eucaristia, que o Pároco de Balazar levava-lhe diariamente, obtinha ela novas forças para oferecer mais sofrimentos. Em 1931, começou a ser beneficiada por fenômenos místicos e definiu em três palavras sua missão: “Sofrer, amar, reparar”. Segundo seus próprios relatos, ela teve, sob a forma de êxtases, mais de mil contatos com o Divino Redentor, normalmente às sextas-feiras ou nos primeiros sábados. “Ajuda-me na redenção do gênero humano” No dia 6 de setembro de 1934, Jesus falou com Alexandrina pela primeira vez, convidando-a a participar de sua Paixão. Ela nunca pôde esquecer esse dia em que sofreu sua “primeira crucifixão” e emitiu o voto de fazer sempre o que fosse mais perfeito. No mês seguinte, o Divino Redentor fez-lhe um convite para ser vítima expiatória: “Ajuda-me na redenção do gênero humano”. No dia 3 de outubro de 1938, Nosso Senhor convidou-a a submergir-se em sua Paixão: “Vê, minha filha, o Calvário está pronto, aceitas?” Alexandrina acedeu generosamente. As pessoas presentes sustinham a respiração enquanto ela entrava em êxtase e, recobrando momentaneamente o uso de seus membros paralisados, empreendia os movimentos da Paixão, desde a Agonia no Horto das Oliveiras até a morte no Calvário. “Tudo parecia estar presente diante de mim. Eu sentia o medo e o horror dessas horas amargas, a ansiedade de meu diretor espiritual a meu lado e as lágrimas de minha família aterrorizada”, escreveu ela. Esse fenômeno místico repetiu-se desde então todas as sextas-feiras, até 20 de março de 1942. O Pe. Umberto Pascoale – sacerdote salesiano, seu diretor espiritual e principal biógrafo – recomendou-lhe ditar às suas duas secretárias o relato desses êxtases, que duravam do meio-dia às 3 horas da tarde. Com isto, recolheu uma documentação abundante e de alta qualidade. Alguns desses êxtases foram filmados e incorporados ao processo de beatificação. Vivendo exclusivamente da Eucaristia Num dia de 1942 ouviu a voz do Senhor dizendo-lhe: “Não te alimentarás mais com comida nesta terra. Tua comida será minha Carne, tua bebida será meu Sangue, tua vida será minha Vida”. Assim se fez. Durante os últimos 13 anos de sua vida, Alexandrina não comeu nem bebeu mais nada. Alimentava-se exclusivamente da Eucaristia. Sua fome e sede somente por Deus podiam ser saciadas. Ela comunicou a seu diretor espiritual o que Nosso Senhor lhe havia dito: “Estás vivendo só da Eucaristia porque quero mostrar ao mundo inteiro o poder da Eucaristia e o poder de minha Vida nas almas”. Decorreram, assim, longos anos de vida de vítima expiatória, entre atrozes sofrimentos, graças místicas insignes e, por incrível que possa parecer, algumas atividades apostólicas. Alexandrina tornara-se muito conhecida. No ano de 1952, o número de visitantes aumentou a ponto de o Arcebispo de Braga publicar uma circular, declarando proibidas essas visitas. Porém, poucos meses depois, declarou anulada a circular, e a afluência de pessoas cresceu ainda mais. Em 9 de maio de 1953, recebeu quase 2 mil visitantes. Em 5 de junho, perto de 5 mil. E no dia 10 do mesmo mês, cerca de 6 mil. “Não chorem por mim … por fim, vou-me para o Céu” No dia 13 de outubro de 1955, pouco depois de receber a Sagrada Eucaristia, faleceu a privilegiada participante da Paixão de Cristo Jesus. Suas últimas palavras foram: “Não chorem por mim, hoje sou imensamente feliz… por fim, vou-me para o Céu”. Aos sacerdotes, peregrinos e jornalistas que abarrotavam o lugar, deu uma recomendação na qual se reconhece o eco da Mensagem de Fátima: “Não pequem mais. Os prazeres desta vida nada valem. Recebam a Comunhão, rezem o Rosário todos os dias. Isto resume tudo!” O corpo de Alexandrina repousa na igreja paroquial de Balazar, perto do Sacrário. Seu processo de beatificação, aberto pelo Arcebispo de Braga em 1973, está concluído. No dia 25 deste mês, ela será proclamada Bem-Aventurada pelo Vigário de Cristo na terra, em cerimônia na Praça de São Pedro. Sua longa vida de sofrimentos foi uma contínua prece pela conversão dos pecadores. No Céu, será ela certamente valiosa intercessora junto a Jesus e Maria para todos quantos a ela recorrerem, pedindo essa preciosa graça para si ou para terceiros. Por Eurico Monteiro #SantodoDia
- Beata Alexandrina de Balazar, Apóstola da Eucaristia – 13 de Outubro
SANTO DO DIA – 13 DE OUTUBRO – BEM-AVENTURADA ALEXANDRINA MARIA DA COSTA Virgem (1904-1955) No dia 30 de março de 1904, nasceu Alexandrina Maria da Costa na pequena cidade de Balazar, em Póvoa de Varzim, Braga, Portugal. De família camponesa muito pobre, tinha apenas uma irmã mais velha, chamada Deolinda. Ambas foram educadas com amor pela mãe, Ana Maria, e dentro da doutrina cristã. Alexandrina cresceu forte, inteligente, alegre e vivaz, teve uma infância feliz dentro da sua realidade. Em 1911, recebeu a Primeira Eucaristia e, como em Balazar não havia escola, foi com a irmã Deolinda estudar em Póvoa de Varzim. Não chegaram a completar o estudo primário, um ano e meio depois estavam de volta. Nessa ocasião, as duas irmãs receberam a Crisma pelo bispo do Porto, depois foram para um local chamado ‘Calvário’, onde se fixaram. Elas viviam felizes, trabalhavam nos campos e se dedicavam à costura. Eram estimadas e queridas pelas famílias e colegas. Aos 12 anos, porém, Alexandrina quase morreu por uma grave infecção. A doença foi superada, mas a sua saúde ficou abalada. Em 1918, Alexandrina, Deolinda e mais uma amiga aprendiz estavam na sala de costura, situada no piso superior da casa, quando três homens invadiram o local para molestá-las sexualmente. Alexandrina, para salvar a sua pureza, atirou-se pela janela, de uma altura de quatro metros. Assustados, os homens fugiram sem concluir suas intenções. Mas as consequências foram terríveis, embora não imediatas. Alexandrina sofreu dores terríveis num processo longo, gradual e irreversível que a deixou paralítica. A partir do dia 14 de abril de 1925, Alexandrina nunca mais se levantou da cama. Assim, paralisada, passou 30 anos de sua vida, embora nos três anos seguintes ela ainda pedisse a Deus, por intercessão de Nossa Senhora, a graça da cura. Depois entendeu que a sua vocação era o sofrimento. Desde então, teve uma vida repleta de fenômenos místicos, de grande união com Cristo nos tabernáculos, por meio de Nossa Senhora. Quanto mais clara se tornava a sua vocação de vítima, mais crescia nela o amor ao sofrimento. Atingiu tal grau de espiritualidade que, às sextas-feiras, vivia os sofrimentos da Paixão de Cristo. Nesses dias, superando o estado habitual de paralisia, descia da cama e, com movimentos e gestos, acompanhados de angustiantes dores, repetia, por três horas e meia, os diversos momentos da ‘via crucis’. Desde 1934, orientada espiritualmente por um padre jesuíta, passou a escrever tudo quanto lhe dizia Jesus durante seus êxtases contemplativos. Em 1936, segundo ela, por ordem de Jesus, pediu ao Papa a consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria. O pedido foi renovado várias vezes até 1941, quando, então, Alexandrina parou de escrever ao Papa e também seu diário. A partir de 27 de março de 1942, deixou de alimentar-se, vivendo exclusivamente da Eucaristia. No ano seguinte, passou a ser estudada por uma junta médica. Em 1944, seu novo diretor espiritual, um padre salesiano, após constatar a profundidade espiritual a que tinha chegado, animou Alexandrina a voltar a ditar o seu diário; o que ela fez até a morte. No mesmo ano ela se inscreveu na União dos Cooperadores Salesianos, querendo colaborar com o seu sofrimento e as suas orações para a salvação das almas, sobretudo os jovens. Atraídas pela fama de santidade, muitas pessoas vindas de longe buscavam os conselhos da ‘rosa branca de Jesus’, como era também chamada pelos fiéis, que já veneravam em vida a ‘santinha de Balazar’. No dia 13 de outubro de 1955, Alexandrina morreu dizendo: ‘Sou feliz porque vou para o céu’. Em 25 de abril de 2004, foi proclamada Bem-aventurada pelo papa João Paulo II, que a propôs como modelo dos que sofrem. Texto: Paulinas Internet Conheça mais sobre a Beata Alexandrina Hoje, 13 de outubro, celebramos o aniversário da última aparição de Nossa Senhora em Fátima, e também a memória da Beata Alexandrina de Balasar, que muito cooperou na expansão da devoção ao Imaculado Coração de Maria. Ela teve experiências místicas cada vez mais fortes, e alimentou-se unicamente da Eucaristia por mais de treze anos. Sofrer, amar, reparar A meio caminho entre o Porto e Braga, situa-se o povoado de Balazar, típico exemplar das encantadoras aldeias portuguesas, com casas de pedras rústicas, rodeada de vinhedos, trigais, figueiras e oliveiras. O pequeno lugarejo não contava 2 mil habitantes em 1953, quando começou a receber milhares de visitantes por dia. Por exemplo, 6 mil a 10 de maio. O que atraía para lá essas multidões? – O brilho da santidade, refletido na vida de uma virgem heróica, prostrada há mais de 30 anos num leito de dor. Infância iluminada pela Eucaristia Ali veio ao mundo Alexandrina Maria da Costa, no dia 30 de março de 1904. Filha de camponeses devotos e laboriosos, ficou órfã de pai pouco após seu nascimento. Era uma menina muito alegre, atraente e vivaz. Mas nunca deixava levar-se por sua jovialidade e espontaneidade a ponto de prejudicar sua precoce vida espiritual. Desde seus primeiros anos, fascinava-se com as procissões religiosas cheias de colorido, que percorriam a aldeia em dias de festa. Quando fez sua Primeira Comunhão, aos sete anos, já tinha adquirido um profundo amor à Eucaristia, visitando o Santíssimo Sacramento com inabitual freqüência e fazendo comunhões espirituais nas ocasiões em que não lhe era possível assistir à Missa. Devido à difícil situação da família, viu-se obrigada, aos nove anos, a trocar os bancos escolares pelo trabalho no campo. Após três anos de serviço, um camponês de coração depravado quis atentar contra a castidade dessa frágil menina. Não teve êxito em seu intento, pois, segurando o Rosário em sua mão, foi ela dotada pelo Senhor de uma força inexplicável. Depois deste incidente, retornou Alexandrina para a casa materna. Nesse ano, 1916, adoeceu gravemente e recebeu a Unção dos Enfermos. Sua mãe dava-lhe o crucifixo a beijar, mas a jovenzinha movia a cabeça, murmurando: “Não é este que quero, mas sim Jesus na Eucaristia”. Não se recuperou inteiramente. Em precário estado de saúde, dedicou-se à costura, junto com sua irmã mais velha, Deolinda. Castidade heróica Essa tranqüila vida de trabalho em família foi interrompida de forma brutal em 1918, quando ela tinha 14 anos. Estava no andar superior da casa em companhia de Deolinda e outra jovem. Três homens aproximaram-se, exigindo com ameaças que os deixassem entrar. Assomando-se à janela, Alexandrina reconheceu um deles como aquele que havia tentado ultrajá-la anos atrás. Rapidamente, fechou a porta. Mas eles conseguiram entrar por uma portinhola. Deolinda e a outra jovem puderam escapar, porém Alexandrina ficou cercada por aquele bandido num canto do quarto. Ela gritava: “Jesus, ajudai-me!”, ao mesmo tempo que o açoitava com o Rosário. Atrás dela havia uma janela. Era sua única saída! Sem hesitar, lançou-se para baixo, preferindo arriscar a vida em defesa de sua virgindade. O golpe foi muito duro. Sentindo uma dor agudíssima que lhe fazia ranger os dentes, agarrou-se a um pedaço de madeira e arrastou-se para dentro da casa. Sua coluna ficou irreparavelmente prejudicada. Os melhores médicos especialistas do Porto nada puderam fazer para evitar a trágica conseqüência da queda: após 5 anos de dores que aumentavam sem cessar, a heróica virgem viu-se, ainda na flor da juventude, condenada à paraplegia pelo resto de sua vida. Descoberta de uma sublime vocação Insondáveis e maravilhosos são os caminhos traçados pela Divina Providência para cada alma! No leito de dor a que estava reduzida, Alexandrina começou a pedir uma maior união com Jesus. E não tardou a surgir-lhe na alma a idéia de que sua vocação era a de aceitar amorosamente os sofrimentos. À sua aldeia começaram a chegar notícias das aparições de Nossa Senhora em Fátima. A Santíssima Virgem – narravam-lhe – vinha pedir sacrifícios pela conversão dos pecadores e em reparação pelas ofensas cometidas contra o Imaculado Coração de Maria e seu Filho Divino. Certo dia, quase toda a população da pequena aldeia partiu para Fátima. Sozinha em casa, Alexandrina fechou os olhos e começou a orar, oferecendo a Jesus, nessas intenções, o sacrifício do abandono e da desolação. Estando nessa oração, seus pensamentos e desejos voavam para o Santíssimo Sacramento, presente na igreja de Santa Eulália, a poucos passos de seu aposento. Estaria Ele, lá, abandonado como ela? Inesperadamente, teve uma iluminação da graça em sua alma: “Pude entender que Nosso Senhor também se encontrava prisioneiro no tabernáculo”, declarou. A descoberta deste vínculo com Jesus Hóstia constituiu para ela um convite para ir visitá-Lo em espírito e permanecer constantemente em sua presença, adorando-O e amando-O sem interrupção, orando, oferecendo-se como vítima expiatória para consolar seu Sagrado Coração e obter a conversão dos pecadores. Uma alta missão: sofrer, amar, reparar Não pôde ir à Cova da Iria visitar a singela capelinha erguida no local onde aparecera a Mãe de Deus. Mas tornou-se uma das primeiras e mais ardorosas discípulas da Virgem de Fátima. Sumamente comovida, Alexandrina suplicava a Nosso Senhor que lhe permitisse sofrer até o limite de suas forças, para livrar do fogo do inferno os pecadores. Não se fez tardar a aceitação dessa generosa súplica: suas dores começaram a agravar-se até ficarem quase insuportáveis. Noite após noite, permanecia ela desperta e com febre muito alta. Sempre com o Rosário nas mãos, repetia entre soluços a jaculatória ensinada por Nossa Senhora de Fátima aos pastorinhos: “Ó Jesus, é por amor a Vós, pela conversão dos pecadores e em reparação às ofensas ao Imaculado Coração de Maria!” Na sagrada Eucaristia, que o Pároco de Balazar levava-lhe diariamente, obtinha ela novas forças para oferecer mais sofrimentos. Em 1931, começou a ser beneficiada por fenômenos místicos e definiu em três palavras sua missão: “Sofrer, amar, reparar”. Segundo seus próprios relatos, ela teve, sob a forma de êxtases, mais de mil contatos com o Divino Redentor, normalmente às sextas-feiras ou nos primeiros sábados. “Ajuda-me na redenção do gênero humano” No dia 6 de setembro de 1934, Jesus falou com Alexandrina pela primeira vez, convidando-a a participar de sua Paixão. Ela nunca pôde esquecer esse dia em que sofreu sua “primeira crucifixão” e emitiu o voto de fazer sempre o que fosse mais perfeito. No mês seguinte, o Divino Redentor fez-lhe um convite para ser vítima expiatória: “Ajuda-me na redenção do gênero humano”. No dia 3 de outubro de 1938, Nosso Senhor convidou-a a submergir-se em sua Paixão: “Vê, minha filha, o Calvário está pronto, aceitas?” Alexandrina acedeu generosamente. As pessoas presentes sustinham a respiração enquanto ela entrava em êxtase e, recobrando momentaneamente o uso de seus membros paralisados, empreendia os movimentos da Paixão, desde a Agonia no Horto das Oliveiras até a morte no Calvário. “Tudo parecia estar presente diante de mim. Eu sentia o medo e o horror dessas horas amargas, a ansiedade de meu diretor espiritual a meu lado e as lágrimas de minha família aterrorizada”, escreveu ela. Esse fenômeno místico repetiu-se desde então todas as sextas-feiras, até 20 de março de 1942. O Pe. Umberto Pascoale – sacerdote salesiano, seu diretor espiritual e principal biógrafo – recomendou-lhe ditar às suas duas secretárias o relato desses êxtases, que duravam do meio-dia às 3 horas da tarde. Com isto, recolheu uma documentação abundante e de alta qualidade. Alguns desses êxtases foram filmados e incorporados ao processo de beatificação. Vivendo exclusivamente da Eucaristia Num dia de 1942 ouviu a voz do Senhor dizendo-lhe: “Não te alimentarás mais com comida nesta terra. Tua comida será minha Carne, tua bebida será meu Sangue, tua vida será minha Vida”. Assim se fez. Durante os últimos 13 anos de sua vida, Alexandrina não comeu nem bebeu mais nada. Alimentava-se exclusivamente da Eucaristia. Sua fome e sede somente por Deus podiam ser saciadas. Ela comunicou a seu diretor espiritual o que Nosso Senhor lhe havia dito: “Estás vivendo só da Eucaristia porque quero mostrar ao mundo inteiro o poder da Eucaristia e o poder de minha Vida nas almas”. Decorreram, assim, longos anos de vida de vítima expiatória, entre atrozes sofrimentos, graças místicas insignes e, por incrível que possa parecer, algumas atividades apostólicas. Alexandrina tornara-se muito conhecida. No ano de 1952, o número de visitantes aumentou a ponto de o Arcebispo de Braga publicar uma circular, declarando proibidas essas visitas. Porém, poucos meses depois, declarou anulada a circular, e a afluência de pessoas cresceu ainda mais. Em 9 de maio de 1953, recebeu quase 2 mil visitantes. Em 5 de junho, perto de 5 mil. E no dia 10 do mesmo mês, cerca de 6 mil. “Não chorem por mim … por fim, vou-me para o Céu” No dia 13 de outubro de 1955, pouco depois de receber a Sagrada Eucaristia, faleceu a privilegiada participante da Paixão de Cristo Jesus. Suas últimas palavras foram: “Não chorem por mim, hoje sou imensamente feliz… por fim, vou-me para o Céu”. Aos sacerdotes, peregrinos e jornalistas que abarrotavam o lugar, deu uma recomendação na qual se reconhece o eco da Mensagem de Fátima: “Não pequem mais. Os prazeres desta vida nada valem. Recebam a Comunhão, rezem o Rosário todos os dias. Isto resume tudo!” O corpo de Alexandrina repousa na igreja paroquial de Balazar, perto do Sacrário. Seu processo de beatificação, aberto pelo Arcebispo de Braga em 1973, está concluído. No dia 25 deste mês, ela será proclamada Bem-Aventurada pelo Vigário de Cristo na terra, em cerimônia na Praça de São Pedro. Sua longa vida de sofrimentos foi uma contínua prece pela conversão dos pecadores. No Céu, será ela certamente valiosa intercessora junto a Jesus e Maria para todos quantos a ela recorrerem, pedindo essa preciosa graça para si ou para terceiros. Por Eurico Monteiro #SantodoDia
- Homilia Diária | O diabo e a plenitude da Revelação
Sexta-feira da 27.ª Semana do Tempo Comum O Evangelho de hoje, ao mesmo tempo que ilumina a missão de Cristo, nos chama a atenção para o fato de que a grande luta que temos de travar nesta vida não é contra a carne e o sangue, isto é, contra os homens que nos fazem mal, mas contra o próprio príncipe da maldade e os seus anjos, os únicos que podem precipitar-nos a alma e o corpo no Inferno. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta sexta-feira, dia 13 de outubro, e medite conosco mais uma página do santo Evangelho! Santo do Dia: Beata Alexandrina Balazar, Apóstola da Eucaristia Evangelho (Lc 11,15-26) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Agora o príncipe deste mundo há de ser lançado fora; quando eu for elevado da terra, atrairei para mim todo ser (Jo 12,31b-32) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, Jesus estava expulsando um demônio. 15 Mas alguns disseram: “É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios”. 16 Outros, para tentar Jesus, pediram-lhe um sinal do céu. 17 Mas, conhecendo seus pensamentos, Jesus disse-lhes: “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra. 18 Ora, se até Satanás está dividido contra si mesmo, como poderá sobreviver o seu reino? Vós dizeis que é por Belzebu que eu expulso os demônios. 19 Se é por meio de Belzebu que eu expulso demônios, vossos filhos os expulsam por meio de quem? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. 20 Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus. 21 Quando um homem forte e bem armado guarda a própria casa, seus bens estão seguros. 22 Mas, quando chega um homem mais forte do que ele, vence-o, arranca-lhe a armadura na qual ele confiava, e reparte o que roubou. 23 Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa. 24 Quando o espírito mau sai de um homem, fica vagando em lugares desertos, à procura de repouso; não o encontrando, ele diz: ‘Vou voltar para minha casa de onde saí’. 25 Quando ele chega encontra a casa varrida e arrumada. 26 Então ele vai, e traz consigo outros sete espíritos piores do que ele. E, entrando, instalam-se aí. No fim, esse homem fica em condição pior do que antes”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
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Sexta-feira da 27.ª Semana do Tempo Comum O Evangelho de hoje, ao mesmo tempo que ilumina a missão de Cristo, nos chama a atenção para o fato de que a grande luta que temos de travar nesta vida não é contra a carne e o sangue, isto é, contra os homens que nos fazem mal, mas contra o próprio príncipe da maldade e os seus anjos, os únicos que podem precipitar-nos a alma e o corpo no Inferno. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta sexta-feira, dia 13 de outubro, e medite conosco mais uma página do santo Evangelho! Santo do Dia: Beata Alexandrina Balazar, Apóstola da Eucaristia Evangelho (Lc 11,15-26) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Agora o príncipe deste mundo há de ser lançado fora; quando eu for elevado da terra, atrairei para mim todo ser (Jo 12,31b-32) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, Jesus estava expulsando um demônio. 15 Mas alguns disseram: “É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios”. 16 Outros, para tentar Jesus, pediram-lhe um sinal do céu. 17 Mas, conhecendo seus pensamentos, Jesus disse-lhes: “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra. 18 Ora, se até Satanás está dividido contra si mesmo, como poderá sobreviver o seu reino? Vós dizeis que é por Belzebu que eu expulso os demônios. 19 Se é por meio de Belzebu que eu expulso demônios, vossos filhos os expulsam por meio de quem? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. 20 Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus. 21 Quando um homem forte e bem armado guarda a própria casa, seus bens estão seguros. 22 Mas, quando chega um homem mais forte do que ele, vence-o, arranca-lhe a armadura na qual ele confiava, e reparte o que roubou. 23 Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa. 24 Quando o espírito mau sai de um homem, fica vagando em lugares desertos, à procura de repouso; não o encontrando, ele diz: ‘Vou voltar para minha casa de onde saí’. 25 Quando ele chega encontra a casa varrida e arrumada. 26 Então ele vai, e traz consigo outros sete espíritos piores do que ele. E, entrando, instalam-se aí. No fim, esse homem fica em condição pior do que antes”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Consagração a Nossa Senhora Aparecida
Com essa tradicional oração, consagre sua vida a Nossa Senhora Aparecida. Ó Maria Santíssima, pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo, em vossa querida imagem de Aparecida, espalhais inúmeros benefícios sobre todo o Brasil. Eu, embora indigno de pertencer ao número de vossos filhos e filhas, mas cheio do desejo de participar dos benefícios de vossa misericórdia, prostrado a vossos pés, consagro-vos o meu entendimento, para que sempre pense no amor que mereceis; consagro-vos a minha língua para que sempre vos louve e propague a vossa devoção; consagro-vos o meu coração, para que, depois de Deus, vos ame sobre todas as coisas. Recebei-me, ó Rainha incomparável, vós que o Cristo crucificado deu-nos por Mãe, no ditoso número de vossos filhos e filhas; acolhei-me debaixo de vossa proteção; socorrei-me em todas as minhas necessidades, espirituais e temporais, sobretudo na hora de minha morte. Abençoai-me, ó celestial cooperadora, e com vossa poderosa intercessão, fortalecei-me em minha fraqueza, a fim de que, servindo-vos fielmente nesta vida,possa louvar-vos, amar-vos e dar-vos graças no céu, por toda eternidade. Assim seja! Amém. #NossaSenhora #NossaSenhoraAparecida #Oração
- Consagração a Nossa Senhora Aparecida
Com essa tradicional oração, consagre sua vida a Nossa Senhora Aparecida. Ó Maria Santíssima, pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo, em vossa querida imagem de Aparecida, espalhais inúmeros benefícios sobre todo o Brasil. Eu, embora indigno de pertencer ao número de vossos filhos e filhas, mas cheio do desejo de participar dos benefícios de vossa misericórdia, prostrado a vossos pés, consagro-vos o meu entendimento, para que sempre pense no amor que mereceis; consagro-vos a minha língua para que sempre vos louve e propague a vossa devoção; consagro-vos o meu coração, para que, depois de Deus, vos ame sobre todas as coisas. Recebei-me, ó Rainha incomparável, vós que o Cristo crucificado deu-nos por Mãe, no ditoso número de vossos filhos e filhas; acolhei-me debaixo de vossa proteção; socorrei-me em todas as minhas necessidades, espirituais e temporais, sobretudo na hora de minha morte. Abençoai-me, ó celestial cooperadora, e com vossa poderosa intercessão, fortalecei-me em minha fraqueza, a fim de que, servindo-vos fielmente nesta vida,possa louvar-vos, amar-vos e dar-vos graças no céu, por toda eternidade. Assim seja! Amém. #NossaSenhora #NossaSenhoraAparecida #Oração
- Homilia Diária | O Brasil tem uma vocação divina
Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida O Brasil, ao contrário do tom pessimista com que tantas vezes falamos dele, não é a “terra do futebol, do carnaval e do sexo fácil”. Nascemos Terra de Santa Cruz, somos desde o início filhos de Nossa Senhora Aparecida, um povo pobre e sofrido, sim, sob muitos títulos, mas grande nos desígnios de Deus, porque também nós, brasileiros, somos chamados a fazer parte da elite, não do assim chamado “primeiro mundo”, mas dos santos do Céu, cuja fraqueza aos olhos do mundo é o maior triunfo do Altíssimo sobre o orgulho dos poderosos da terra. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quinta-feira, dia 12 de outubro, e peçamos à Santíssima Virgem de Aparecida que nos faça fiéis à nossa vocação de povo católico e solícitos em procurar em tudo a maior honra e glória de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos fulgores do seu trono celeste não deixa nunca de governar e reger o nosso país. Santo do Dia: Conheça a origem da devoção a Nossa Senhora Aparecida Anúncio do Evangelho (Jo 2,1-11) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Disse a mãe de Jesus aos serventes: “Fazei tudo o que ele disser!” (Jo 2,5b) —PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 1 houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. 2 Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. 3 Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. 4 Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”. 5 Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser!”. 6 Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros. 7 Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água!”. Encheram-nas até a boca. 8 Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala!”. E eles levaram. 9 O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água. 10 O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho bom até agora!” 11 Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Diária | O Brasil tem uma vocação divina
Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida O Brasil, ao contrário do tom pessimista com que tantas vezes falamos dele, não é a “terra do futebol, do carnaval e do sexo fácil”. Nascemos Terra de Santa Cruz, somos desde o início filhos de Nossa Senhora Aparecida, um povo pobre e sofrido, sim, sob muitos títulos, mas grande nos desígnios de Deus, porque também nós, brasileiros, somos chamados a fazer parte da elite, não do assim chamado “primeiro mundo”, mas dos santos do Céu, cuja fraqueza aos olhos do mundo é o maior triunfo do Altíssimo sobre o orgulho dos poderosos da terra. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quinta-feira, dia 12 de outubro, e peçamos à Santíssima Virgem de Aparecida que nos faça fiéis à nossa vocação de povo católico e solícitos em procurar em tudo a maior honra e glória de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos fulgores do seu trono celeste não deixa nunca de governar e reger o nosso país. Santo do Dia: Conheça a origem da devoção a Nossa Senhora Aparecida Anúncio do Evangelho (Jo 2,1-11) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Disse a mãe de Jesus aos serventes: “Fazei tudo o que ele disser!” (Jo 2,5b) —PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 1 houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. 2 Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. 3 Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. 4 Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”. 5 Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser!”. 6 Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros. 7 Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água!”. Encheram-nas até a boca. 8 Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala!”. E eles levaram. 9 O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água. 10 O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho bom até agora!” 11 Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- A história do surgimento da devoção a Nossa Senhora Aparecida no Brasil
No dia em que celebramos a Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, compartilhamos com você uma bela reflexão sobre o surgimento desta rica devoção em nosso país. Por Prof. Raphael Tonon O Brasil nasceu católico, sob a égide da Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, estampada nas velas das naus dos colonizadores portugueses. Desde o início da colonização brasileira, para além dos interesses por ouro, madeira e outros bens, a intenção primeira dos portugueses era fazer desse processo colonizador um esforço apostólico para levar nossa gente até Deus. Como em tudo o que é humano, o mistério da iniquidade esteve presente na ação dos colonizadores; injustiças foram cometidas, erros foram adotados como práticas aceitáveis, enfim, muitos problemas ocorreram nesse percurso, mas a opção de trazer o gentio de nossa terra para Deus foi inegável. Desde a Idade Média, Portugal já demonstrava sua grande e terna devoção para com a Mãe de Deus, merecendo, não sem razão, a alcunha de “Terra de Santa Maria”. O próprio fundador de Portugal, Dom Alfonso Henriques, que proclamou a independência do Condado Portucalense em relação ao Reino de Castela, na véspera da Batalha de Ourique, da qual resultou o nascimento de Portugal, teve uma visão de Cristo Crucificado que lhe pediu para que levasse o povo de Portugal e todos os demais povos que seriam confiados a Portugal para o porto seguro da fé católica. Esse mandato divino foi seguido à risca por centenas de portugueses que empenharam suas vidas no anúncio do evangelho em terras tupiniquins. Em 1640, após o fim da União Ibérica, período histórico em que o rei da Espanha, em virtude da morte, sem deixar herdeiros, de Dom Sebastião, rei de Portugal, acabou assumindo o trono espanhol e o português concomitantemente. Esse reinado que juntou num único bloco as duas nações da Península Ibérica durou sessenta anos e em 1640, D. João IV, parente próximo do rei falecido e com o apoio de boa parte da nobreza, conseguiu retomar o trono português e garantir novamente a autonomia do reino. Como ação de graças por ter conseguido operar essa mudança no cenário político e já para confiar Portugal aos cuidados da Mãe de Deus, decidiu consagrar Portugal e todos os seus domínios a Nossa Senhora da Conceição, ou seja, na prática, a partir desse momento Ela começa oficialmente a ser a padroeira também do Brasil. O dogma da Imaculada Conceição só seria proclamado oficialmente pela Igreja em 1854, mas em Portugal, de modo especial, a defesa desse dogma, as pregações e a literatura sobre esse privilégio mariano sempre foi um assunto muito caro ao clero e ao povo português, daí a grande devoção que tinham à Imaculada Conceição de Maria Santíssima e a consequente consagração que o rei lhe fez. Inúmeras igrejas, capelas e oratórios foram erigidos sob essa invocação e eram raras as casas em que não se encontrassem imagens de Nossa Senhora da Conceição no Brasil Colônia. “Capela D’Aparecida” Em 1822, por ocasião da Independência do Brasil, o Príncipe Regente Dom Pedro de Alcântara passou por Guaratinguetá e foi hospedado pelo capitão-mor, autoridade militar da vila, que não morava no centro, mas sim num bairro mais afastado, apelidado de “Capela D’Aparecida”, núcleo primitivo da atual cidade de Aparecida. Seu pai, Dom João VI, logo que chegou de Portugal ao Brasil tomou conhecimento da fama e dos prodígios que se contavam sobre a “imagenzinha” da Virgem da Conceição pescada no Rio Paraíba em 1717. Dom João, demonstrando sua devoção à Virgem enviou uma lâmpada de prata batida como doação para o santuário e agora era seu filho, Dom Pedro que vinha pessoalmente até sua capela. Como o capitão-mor morava na praça da capela, fez questão de conduzir a visita do príncipe à igreja, onde, segundo registros rezou e recomendou especialmente a causa da Independência a Nossa Senhora. No dia seguinte, partindo dali, ao passar por Pindamonhangaba recebe correspondência de sua esposa Dona Leopoldina que o alertava de que na capital brasileira tudo já estava preparado para a Independência. Saindo dali dirigiu-se à São Paulo e novamente recebeu a correspondência de sua esposa e do ministro José Bonifácio comunicando que Portugal pretendia suspender todos os direitos do príncipe regente, o que acelerou a proclamação da independência, ocorrida nas margens do Ipiranga a 7 de setembro de 1822. Assim, D. Pedro tornava-se o primeiro imperador do Brasil e o confiava à intercessão da Virgem Maria, confirmando a prática já muito comum de venerá-la sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição. Também ele mandará uma lâmpada de prata para a capela da Senhora Aparecida. Além de Nossa Senhora da Conceição que já era amplamente venerada, Dom Pedro solicitou ao Papa Leão XII que proclamasse São Pedro de Alcântara como padroeiro do Brasil. Ele era o santo de devoção da família real portuguesa, daí o nome de nossos dois imperadores. O papa acatou o pedido, mas na prática devocional cotidiana a maior parte dos brasileiros ignorava isso e veneravam Nossa Senhora da Conceição, à época algo muito comum, posto que era já a padroeira de Portugal e seus domínios. A devoção a Nossa Senhora está arraigadíssima na alma brasileira desde o início. Cabral, em suas naus fazia expor e venerar imagens da Virgem, tanto que em sua cabine particular trouxe consigo uma imagem de pedra de Nossa Senhora da Esperança que adornou o altar da primeira missa celebrada no Brasil por Frei Henrique de Coimbra. Dentro de sua nau havia um pequeno altar onde se celebrava a Santa Missa diariamente diante de um quadro de Nossa Senhora da Piedade. Esses são alguns dos muitos exemplos de amor filial que portugueses e brasileiros sempre devotaram a Nossa Senhora e no decorrer da história essa relação foi se expandindo cada vez mais. A história dos favores que Nossa Senhora dispensava ao povo brasileiro, sobretudo a partir do seu santuário em Aparecida fora adquirindo notoriedade nacional. Em 1860, a Princesa Isabel, buscando tratamento médico para que pudesse engravidar recorreu às águas termais da estância de Caxambu, em Minas Gerais. De lá, a princesa e seu esposo se dirigiram à Aparecida para rezar a Nossa Senhora suplicando pela graça de gerar um herdeiro. Dois anos depois a princesa gerava o primeiro de seus três filhos. O voto feito para Nossa Senhora era o de lhe oferecer um manto e uma coroa, mas somente em 1888 foi que a princesa conseguiu retornar à Aparecida e cumprir seu voto. Saindo de Aparecida, logo que retornou ao Rio de Janeiro, a Lei da Abolição passou no Senado e a princesa imperial sancionou a libertação dos escravos. No ano seguinte a monarquia cairia após o golpe republicano de quinze de novembro e, entre as lamentações da Princesa Isabel registradas em seus diários estava a de não poder visitar a veneranda imagem de Nossa Senhora em seu santuário de Aparecida. Basílica de Nossa Senhora Aparecida São Pio X elevou o santuário de Aparecida à categoria de basílica e já em 1894 os missionários redentoristas chegaram a Aparecida para administrar o santuário. Daí em diante um novo impulso foi dado à devoção que passou a ser conhecida em todos os cantos do Brasil. Os redentoristas, providencialmente também haviam recebido de seu fundador, Santo Afonso de Ligório, Nossa Senhora da Conceição como padroeira principal de sua congregação, sendo assim, a devoção a Nossa Senhora Aparecida de modo muito prático se ligava à expressão mariana venerada na própria congregação. A partir da vinda dos redentoristas para o Brasil, surgiu a ideia de fazer uma réplica da imagem original em tamanho um pouco maior para ser levada junto com os missionários em suas lidas apostólicas. A primeira cidade a receber a visita de uma imagem fac-símile de Nossa Senhora Aparecida foi a cidade de Areias. Dali em diante, os redentoristas sempre levarão consigo a imagem de Nossa Senhora e a devoção e os prodígios operados por intercessão da Virgem Maria a partir de sua imagem e santuário em Aparecida se espalharam e se tornaram amplamente conhecidas, resultando numa expansão muito rápida dessa invocação por todo o território nacional. Em 1904, o Papa São Pio X ordenou a coroação canônica da veneranda imagem de Nossa Senhora, ocasião em que utilizaram a coroa doada pela Princesa Isabel, a mesma que se utiliza na imagem original até o presente. Em 1931, atendendo ao clamor do povo e do episcopado brasileiro, o Papa Pio XI proclamou Nossa Senhora Aparecida como padroeira principal do Brasil. A cerimônia de acolhida do decreto papal e de consagração do Brasil a Nossa Senhora teve lugar no Rio de Janeiro, para onde a imagem original foi transportada num vagão-capela e recebida apoteoticamente por mais de um milhão de pessoas que desejavam saudar a padroeira do Brasil. Essa proclamação pontifícia foi uma confirmação de todo o histórico, desde o início da colonização de grande devoção à Mãe de Deus. Senhora Aparecida, “Generalíssima do Exército” Com tantas honras e tantas demonstrações de amor filial a Nossa Senhora, os brasileiros não pararam por aí. Em 1967, o Exército Brasileiro proclamou Nossa Senhora Aparecida como “Generalíssima do Exército” e em 1980 foi instituído o feriado nacional para honrar a padroeira do Brasil no dia 12 de outubro. Do Papa Paulo VI ao Papa Francisco, todos os pontífices (com exceção de João Paulo I que teve um pontificado muito reduzido) demonstraram sua deferência pela invocação de Nossa Senhora Aparecida e pelo povo brasileiro que a venera tão ternamente através da entrega das rosas de ouro (como Paulo VI, Bento XVI e o Papa Francisco fizeram) e mesmo de suas visitas à basílica de Aparecida (como João Paulo II que a consagrou, Bento XVI e Francisco). Para além do reconhecimento cívico e religioso da importância dessa devoção, está o aspecto espiritual, pois Deus nos deu Maria Santíssima como intercessora privilegiada para nos alcançar as graças de que necessitamos para nosso bem e salvação. Não sem razão Santo Afonso afirmará que “o verdadeiro devoto de Maria não se perderá jamais”, por isso, roguemos à Mãe de Deus e nossa que nos mantenha sempre debaixo de sua proteção! Aprofunde-se mais assistindo o vídeo abaixo: Raphael Tonon | Comunidade Católica Pantokrator Leia também Curiosidades sobre a restauração da Imagem de Nossa Senhora Aparecida #NossaSenhoraAparecida
- A história do surgimento da devoção a Nossa Senhora Aparecida no Brasil
No dia em que celebramos a Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, compartilhamos com você uma bela reflexão sobre o surgimento desta rica devoção em nosso país. Por Prof. Raphael Tonon O Brasil nasceu católico, sob a égide da Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, estampada nas velas das naus dos colonizadores portugueses. Desde o início da colonização brasileira, para além dos interesses por ouro, madeira e outros bens, a intenção primeira dos portugueses era fazer desse processo colonizador um esforço apostólico para levar nossa gente até Deus. Como em tudo o que é humano, o mistério da iniquidade esteve presente na ação dos colonizadores; injustiças foram cometidas, erros foram adotados como práticas aceitáveis, enfim, muitos problemas ocorreram nesse percurso, mas a opção de trazer o gentio de nossa terra para Deus foi inegável. Desde a Idade Média, Portugal já demonstrava sua grande e terna devoção para com a Mãe de Deus, merecendo, não sem razão, a alcunha de “Terra de Santa Maria”. O próprio fundador de Portugal, Dom Alfonso Henriques, que proclamou a independência do Condado Portucalense em relação ao Reino de Castela, na véspera da Batalha de Ourique, da qual resultou o nascimento de Portugal, teve uma visão de Cristo Crucificado que lhe pediu para que levasse o povo de Portugal e todos os demais povos que seriam confiados a Portugal para o porto seguro da fé católica. Esse mandato divino foi seguido à risca por centenas de portugueses que empenharam suas vidas no anúncio do evangelho em terras tupiniquins. Em 1640, após o fim da União Ibérica, período histórico em que o rei da Espanha, em virtude da morte, sem deixar herdeiros, de Dom Sebastião, rei de Portugal, acabou assumindo o trono espanhol e o português concomitantemente. Esse reinado que juntou num único bloco as duas nações da Península Ibérica durou sessenta anos e em 1640, D. João IV, parente próximo do rei falecido e com o apoio de boa parte da nobreza, conseguiu retomar o trono português e garantir novamente a autonomia do reino. Como ação de graças por ter conseguido operar essa mudança no cenário político e já para confiar Portugal aos cuidados da Mãe de Deus, decidiu consagrar Portugal e todos os seus domínios a Nossa Senhora da Conceição, ou seja, na prática, a partir desse momento Ela começa oficialmente a ser a padroeira também do Brasil. O dogma da Imaculada Conceição só seria proclamado oficialmente pela Igreja em 1854, mas em Portugal, de modo especial, a defesa desse dogma, as pregações e a literatura sobre esse privilégio mariano sempre foi um assunto muito caro ao clero e ao povo português, daí a grande devoção que tinham à Imaculada Conceição de Maria Santíssima e a consequente consagração que o rei lhe fez. Inúmeras igrejas, capelas e oratórios foram erigidos sob essa invocação e eram raras as casas em que não se encontrassem imagens de Nossa Senhora da Conceição no Brasil Colônia. “Capela D’Aparecida” Em 1822, por ocasião da Independência do Brasil, o Príncipe Regente Dom Pedro de Alcântara passou por Guaratinguetá e foi hospedado pelo capitão-mor, autoridade militar da vila, que não morava no centro, mas sim num bairro mais afastado, apelidado de “Capela D’Aparecida”, núcleo primitivo da atual cidade de Aparecida. Seu pai, Dom João VI, logo que chegou de Portugal ao Brasil tomou conhecimento da fama e dos prodígios que se contavam sobre a “imagenzinha” da Virgem da Conceição pescada no Rio Paraíba em 1717. Dom João, demonstrando sua devoção à Virgem enviou uma lâmpada de prata batida como doação para o santuário e agora era seu filho, Dom Pedro que vinha pessoalmente até sua capela. Como o capitão-mor morava na praça da capela, fez questão de conduzir a visita do príncipe à igreja, onde, segundo registros rezou e recomendou especialmente a causa da Independência a Nossa Senhora. No dia seguinte, partindo dali, ao passar por Pindamonhangaba recebe correspondência de sua esposa Dona Leopoldina que o alertava de que na capital brasileira tudo já estava preparado para a Independência. Saindo dali dirigiu-se à São Paulo e novamente recebeu a correspondência de sua esposa e do ministro José Bonifácio comunicando que Portugal pretendia suspender todos os direitos do príncipe regente, o que acelerou a proclamação da independência, ocorrida nas margens do Ipiranga a 7 de setembro de 1822. Assim, D. Pedro tornava-se o primeiro imperador do Brasil e o confiava à intercessão da Virgem Maria, confirmando a prática já muito comum de venerá-la sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição. Também ele mandará uma lâmpada de prata para a capela da Senhora Aparecida. Além de Nossa Senhora da Conceição que já era amplamente venerada, Dom Pedro solicitou ao Papa Leão XII que proclamasse São Pedro de Alcântara como padroeiro do Brasil. Ele era o santo de devoção da família real portuguesa, daí o nome de nossos dois imperadores. O papa acatou o pedido, mas na prática devocional cotidiana a maior parte dos brasileiros ignorava isso e veneravam Nossa Senhora da Conceição, à época algo muito comum, posto que era já a padroeira de Portugal e seus domínios. A devoção a Nossa Senhora está arraigadíssima na alma brasileira desde o início. Cabral, em suas naus fazia expor e venerar imagens da Virgem, tanto que em sua cabine particular trouxe consigo uma imagem de pedra de Nossa Senhora da Esperança que adornou o altar da primeira missa celebrada no Brasil por Frei Henrique de Coimbra. Dentro de sua nau havia um pequeno altar onde se celebrava a Santa Missa diariamente diante de um quadro de Nossa Senhora da Piedade. Esses são alguns dos muitos exemplos de amor filial que portugueses e brasileiros sempre devotaram a Nossa Senhora e no decorrer da história essa relação foi se expandindo cada vez mais. A história dos favores que Nossa Senhora dispensava ao povo brasileiro, sobretudo a partir do seu santuário em Aparecida fora adquirindo notoriedade nacional. Em 1860, a Princesa Isabel, buscando tratamento médico para que pudesse engravidar recorreu às águas termais da estância de Caxambu, em Minas Gerais. De lá, a princesa e seu esposo se dirigiram à Aparecida para rezar a Nossa Senhora suplicando pela graça de gerar um herdeiro. Dois anos depois a princesa gerava o primeiro de seus três filhos. O voto feito para Nossa Senhora era o de lhe oferecer um manto e uma coroa, mas somente em 1888 foi que a princesa conseguiu retornar à Aparecida e cumprir seu voto. Saindo de Aparecida, logo que retornou ao Rio de Janeiro, a Lei da Abolição passou no Senado e a princesa imperial sancionou a libertação dos escravos. No ano seguinte a monarquia cairia após o golpe republicano de quinze de novembro e, entre as lamentações da Princesa Isabel registradas em seus diários estava a de não poder visitar a veneranda imagem de Nossa Senhora em seu santuário de Aparecida. Basílica de Nossa Senhora Aparecida São Pio X elevou o santuário de Aparecida à categoria de basílica e já em 1894 os missionários redentoristas chegaram a Aparecida para administrar o santuário. Daí em diante um novo impulso foi dado à devoção que passou a ser conhecida em todos os cantos do Brasil. Os redentoristas, providencialmente também haviam recebido de seu fundador, Santo Afonso de Ligório, Nossa Senhora da Conceição como padroeira principal de sua congregação, sendo assim, a devoção a Nossa Senhora Aparecida de modo muito prático se ligava à expressão mariana venerada na própria congregação. A partir da vinda dos redentoristas para o Brasil, surgiu a ideia de fazer uma réplica da imagem original em tamanho um pouco maior para ser levada junto com os missionários em suas lidas apostólicas. A primeira cidade a receber a visita de uma imagem fac-símile de Nossa Senhora Aparecida foi a cidade de Areias. Dali em diante, os redentoristas sempre levarão consigo a imagem de Nossa Senhora e a devoção e os prodígios operados por intercessão da Virgem Maria a partir de sua imagem e santuário em Aparecida se espalharam e se tornaram amplamente conhecidas, resultando numa expansão muito rápida dessa invocação por todo o território nacional. Em 1904, o Papa São Pio X ordenou a coroação canônica da veneranda imagem de Nossa Senhora, ocasião em que utilizaram a coroa doada pela Princesa Isabel, a mesma que se utiliza na imagem original até o presente. Em 1931, atendendo ao clamor do povo e do episcopado brasileiro, o Papa Pio XI proclamou Nossa Senhora Aparecida como padroeira principal do Brasil. A cerimônia de acolhida do decreto papal e de consagração do Brasil a Nossa Senhora teve lugar no Rio de Janeiro, para onde a imagem original foi transportada num vagão-capela e recebida apoteoticamente por mais de um milhão de pessoas que desejavam saudar a padroeira do Brasil. Essa proclamação pontifícia foi uma confirmação de todo o histórico, desde o início da colonização de grande devoção à Mãe de Deus. Senhora Aparecida, “Generalíssima do Exército” Com tantas honras e tantas demonstrações de amor filial a Nossa Senhora, os brasileiros não pararam por aí. Em 1967, o Exército Brasileiro proclamou Nossa Senhora Aparecida como “Generalíssima do Exército” e em 1980 foi instituído o feriado nacional para honrar a padroeira do Brasil no dia 12 de outubro. Do Papa Paulo VI ao Papa Francisco, todos os pontífices (com exceção de João Paulo I que teve um pontificado muito reduzido) demonstraram sua deferência pela invocação de Nossa Senhora Aparecida e pelo povo brasileiro que a venera tão ternamente através da entrega das rosas de ouro (como Paulo VI, Bento XVI e o Papa Francisco fizeram) e mesmo de suas visitas à basílica de Aparecida (como João Paulo II que a consagrou, Bento XVI e Francisco). Para além do reconhecimento cívico e religioso da importância dessa devoção, está o aspecto espiritual, pois Deus nos deu Maria Santíssima como intercessora privilegiada para nos alcançar as graças de que necessitamos para nosso bem e salvação. Não sem razão Santo Afonso afirmará que “o verdadeiro devoto de Maria não se perderá jamais”, por isso, roguemos à Mãe de Deus e nossa que nos mantenha sempre debaixo de sua proteção! Aprofunde-se mais assistindo o vídeo abaixo: Raphael Tonon | Comunidade Católica Pantokrator Leia também Curiosidades sobre a restauração da Imagem de Nossa Senhora Aparecida #NossaSenhoraAparecida
- Conheça detalhes e curiosidades sobre a imagem de Nossa Senhora Aparecida e sua história
Você conhece bem a imagem de Nossa Senhora Aparecida ? Hoje trazemos várias curiosidades, bem como os significados dos símbolos contidos na imagem. Provavelmente, a imagem foi esculpida por frei Agostinho de Jesus, por volta do ano de 1600. Há indícios de que era uma imagem colorida e era uma representação do título de Nossa Senhora da Imaculada Conceição . Por isso, durante muitos anos os devotos a chamavam de “Nossa Senhora da Conceição Aparecida”. Por ter ficado um tempo no Rio Paraíba, a imagem perdeu a cor e enegreceu, como a conhecemos hoje. Quando encontrada pelos pescadores, em 1717, ela recebeu então o novo título de Nossa Senhora Aparecida. A imagem possui três flores na cabeça, que representam a Santíssima Trindade . O olhar dela, apesar de não ter as pupilas desenhadas, é profundo e amplo. A fita na cintura representa que Maria está grávida , o que justifica também o sorriso que ela traz nos lábios. Sorriso discreto talvez, mas que se olharmos bem de perto, é possível até ver seus dentes . Na parte inferior da imagem, encontramos outros importantes símbolos. Embaixo dos pés, está a lua , que mostra que ela é a mulher de Apocalipse. Maria é singela, delicada, mãe, mas também é aquela que nos protege de todo o mal. É possível ver também um anjo . A figura do anjo nos representa um anúncio que Deus deseja fazer ao povo e é justamente o que o encontro da imagem de Aparecida representa. Há 300 anos, quando os pescadores encontraram a imagem, o Brasil ainda vivia o período da escravidão . Na época, os senhores abusavam das escravas e, quando elas ficavam grávidas, eles as degolavam e jogavam o corpo e a cabeça no rio . E Maria vem desta maneira: negra, grávida, com cabeça e corpo separados, porque ela é a mãe que aponta sempre o Cristo, aquele que nos traz vida e salvação. Ouçam abaixo um trecho de uma ótima formação contendo detalhes sobre a magnífica história da Imagem de Nossa Senhora Aparecida. A Princesa Isabel e Nossa Senhora Aparecida O Brasil nasceu católico, sob a égide da Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, estampada nas velas das naus dos colonizadores portugueses. Da mesma forma, a devoção a Nossa Senhora está arraigadíssima na alma brasileira desde o início. Cabral, em suas naus fazia expor e venerar imagens da Virgem, tanto que em sua cabine particular trouxe consigo uma imagem de pedra de Nossa Senhora da Esperança que adornou o altar da primeira missa celebrada no Brasil. A história dos favores que Nossa Senhora dispensava ao povo brasileiro, sobretudo a partir do seu santuário em Aparecida fora adquirindo notoriedade nacional. Em 1860, a Princesa Isabel, buscando tratamento médico para que pudesse engravidar recorreu às águas termais da estância de Caxambu, em Minas Gerais. De lá, a princesa e seu esposo se dirigiram à Aparecida para rezar a Nossa Senhora suplicando pela graça de gerar um herdeiro. Dois anos depois a princesa gerava o primeiro de seus três filhos. O voto feito para Nossa Senhora era o de lhe oferecer um manto e uma coroa, mas somente em 1888 foi que a princesa conseguiu retornar à Aparecida e cumprir seu voto. Assista a formação abaixo para se aprofundar sobre A Princesa Isabel e Nossa Senhora Aparecida. Leia também A história do surgimento da devoção a Nossa Senhora Aparecida, rainha e padroeira do Brasil A Restauração da Imagem de Nossa Senhora Aparecida Em 1978, houve um atentado à imagem original de Nossa Senhora Aparecida executado por um jovem iconoclasta que invadiu o nicho da imagem aproveitando-se de um blecaute, que termina na destruição da cabeça da imagem e na quebra do corpo em vários pedaços. Houve uma restauração da imagem feita no Masp concluída no mesmo ano, e seu retorno a Aparecida. Conheça mais sobre o restauro da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Assista a entrevista em que ela conta os detalhes dessa restauração: Conheça mais sobre a história de Nossa Senhora Aparecida, acesse: Nossa Senhora da Imaculada Conceição Aparecida #FormaçõesCatólicas
- Conheça detalhes e curiosidades sobre a imagem de Nossa Senhora Aparecida e sua história
Você conhece bem a imagem de Nossa Senhora Aparecida ? Hoje trazemos várias curiosidades, bem como os significados dos símbolos contidos na imagem. Provavelmente, a imagem foi esculpida por frei Agostinho de Jesus, por volta do ano de 1600. Há indícios de que era uma imagem colorida e era uma representação do título de Nossa Senhora da Imaculada Conceição . Por isso, durante muitos anos os devotos a chamavam de “Nossa Senhora da Conceição Aparecida”. Por ter ficado um tempo no Rio Paraíba, a imagem perdeu a cor e enegreceu, como a conhecemos hoje. Quando encontrada pelos pescadores, em 1717, ela recebeu então o novo título de Nossa Senhora Aparecida. A imagem possui três flores na cabeça, que representam a Santíssima Trindade . O olhar dela, apesar de não ter as pupilas desenhadas, é profundo e amplo. A fita na cintura representa que Maria está grávida , o que justifica também o sorriso que ela traz nos lábios. Sorriso discreto talvez, mas que se olharmos bem de perto, é possível até ver seus dentes . Na parte inferior da imagem, encontramos outros importantes símbolos. Embaixo dos pés, está a lua , que mostra que ela é a mulher de Apocalipse. Maria é singela, delicada, mãe, mas também é aquela que nos protege de todo o mal. É possível ver também um anjo . A figura do anjo nos representa um anúncio que Deus deseja fazer ao povo e é justamente o que o encontro da imagem de Aparecida representa. Há 300 anos, quando os pescadores encontraram a imagem, o Brasil ainda vivia o período da escravidão . Na época, os senhores abusavam das escravas e, quando elas ficavam grávidas, eles as degolavam e jogavam o corpo e a cabeça no rio . E Maria vem desta maneira: negra, grávida, com cabeça e corpo separados, porque ela é a mãe que aponta sempre o Cristo, aquele que nos traz vida e salvação. Ouçam abaixo um trecho de uma ótima formação contendo detalhes sobre a magnífica história da Imagem de Nossa Senhora Aparecida. A Princesa Isabel e Nossa Senhora Aparecida O Brasil nasceu católico, sob a égide da Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, estampada nas velas das naus dos colonizadores portugueses. Da mesma forma, a devoção a Nossa Senhora está arraigadíssima na alma brasileira desde o início. Cabral, em suas naus fazia expor e venerar imagens da Virgem, tanto que em sua cabine particular trouxe consigo uma imagem de pedra de Nossa Senhora da Esperança que adornou o altar da primeira missa celebrada no Brasil. A história dos favores que Nossa Senhora dispensava ao povo brasileiro, sobretudo a partir do seu santuário em Aparecida fora adquirindo notoriedade nacional. Em 1860, a Princesa Isabel, buscando tratamento médico para que pudesse engravidar recorreu às águas termais da estância de Caxambu, em Minas Gerais. De lá, a princesa e seu esposo se dirigiram à Aparecida para rezar a Nossa Senhora suplicando pela graça de gerar um herdeiro. Dois anos depois a princesa gerava o primeiro de seus três filhos. O voto feito para Nossa Senhora era o de lhe oferecer um manto e uma coroa, mas somente em 1888 foi que a princesa conseguiu retornar à Aparecida e cumprir seu voto. Assista a formação abaixo para se aprofundar sobre A Princesa Isabel e Nossa Senhora Aparecida. Leia também A história do surgimento da devoção a Nossa Senhora Aparecida, rainha e padroeira do Brasil A Restauração da Imagem de Nossa Senhora Aparecida Em 1978, houve um atentado à imagem original de Nossa Senhora Aparecida executado por um jovem iconoclasta que invadiu o nicho da imagem aproveitando-se de um blecaute, que termina na destruição da cabeça da imagem e na quebra do corpo em vários pedaços. Houve uma restauração da imagem feita no Masp concluída no mesmo ano, e seu retorno a Aparecida. Conheça mais sobre o restauro da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Assista a entrevista em que ela conta os detalhes dessa restauração: Conheça mais sobre a história de Nossa Senhora Aparecida, acesse: Nossa Senhora da Imaculada Conceição Aparecida #FormaçõesCatólicas
- É obrigatório participar da missa na Solenidade de Nossa Senhora Aparecida?
A Solenidade de Nossa Senhora Aparecida é uma das ocasiões mais importantes aos brasileiros, ao ponto que a 12 de outubro seja feriado nacional, o que facilita muito a frequência dos católicos à missa na festa da Rainha e Padroeira do Brasil. Entretanto, uma dúvida muito frequente é se a Solenidade de N. Sra. Aparecida seria considerada uma missa de preceito que, de acordo com a doutrina da Igreja, obriga a participação dos católicos. Padre José Eduardo responde esta dúvida recorrente da maioria dos fiéis: Leia também Curiosidades sobre a imagem de Nossa Senhora Aparecida Todo ano, dezenas de pessoas me fazem a mesma pergunta, a qual aproveito para responder de uma vez por todas: 12 de outubro, Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, NÃO é dia de preceito. Além dos domingos, são dias de preceito no Brasil: Natal (25 de dezembro) Mãe de Deus (1º de janeiro) Corpus Christi (móvel) Imaculada Conceição (8 de dezembro). DECOREM ISSO PARA SEMPRE, POR FAVOR. Saiba mais sobre a importância dos dias de preceito: 3º Mandamento da Lei de Deus: Guardar Domingos e Festas Obviamente, um católico não se limita a ir à Missa apenas nos dias de preceito, procura ir também nas festas principais do calendário litúrgico, entre as quais figura, para nós brasileiros, o dia de nossa excelsa padroeira, Nossa Senhora Aparecida. Portanto é altamente recomentada a participação da Missa no dia da Solenidade de Nossa Senhora Aparecida. Inclusive, aqueles que desejarem, podem participar da missa na noite do dia 11 de outubro, uma vez que as grandes solenidades iniciam a celebração da liturgia a partir de sua véspera. Leia também A história do surgimento da devoção a Nossa Senhora Aparecida no Brasil
- É obrigatório participar da missa na Solenidade de Nossa Senhora Aparecida?
A Solenidade de Nossa Senhora Aparecida é uma das ocasiões mais importantes aos brasileiros, ao ponto que a 12 de outubro seja feriado nacional, o que facilita muito a frequência dos católicos à missa na festa da Rainha e Padroeira do Brasil. Entretanto, uma dúvida muito frequente é se a Solenidade de N. Sra. Aparecida seria considerada uma missa de preceito que, de acordo com a doutrina da Igreja, obriga a participação dos católicos. Padre José Eduardo responde esta dúvida recorrente da maioria dos fiéis: Leia também Curiosidades sobre a imagem de Nossa Senhora Aparecida Todo ano, dezenas de pessoas me fazem a mesma pergunta, a qual aproveito para responder de uma vez por todas: 12 de outubro, Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, NÃO é dia de preceito. Além dos domingos, são dias de preceito no Brasil: Natal (25 de dezembro) Mãe de Deus (1º de janeiro) Corpus Christi (móvel) Imaculada Conceição (8 de dezembro). DECOREM ISSO PARA SEMPRE, POR FAVOR. Saiba mais sobre a importância dos dias de preceito: 3º Mandamento da Lei de Deus: Guardar Domingos e Festas Obviamente, um católico não se limita a ir à Missa apenas nos dias de preceito, procura ir também nas festas principais do calendário litúrgico, entre as quais figura, para nós brasileiros, o dia de nossa excelsa padroeira, Nossa Senhora Aparecida. Portanto é altamente recomentada a participação da Missa no dia da Solenidade de Nossa Senhora Aparecida. Inclusive, aqueles que desejarem, podem participar da missa na noite do dia 11 de outubro, uma vez que as grandes solenidades iniciam a celebração da liturgia a partir de sua véspera. Leia também A história do surgimento da devoção a Nossa Senhora Aparecida no Brasil


















































