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- Homilia Diária | O que a vida de São Francisco nos ensina?
(Memória de São Francisco de Assis) Deus quer nos ver salvos, é verdade; mas Ele também quer fazer-nos santos e, para isso, espera que cada um de nós, não sem o auxílio da graça, disponha-se a ir além, a fazer mais do que nos é pedido, a abandonar esse ânimo medíocre, acomodado ao mínimo do mínimo, e tudo sacrificar por amor a Ele, pois foi Ele que, em primeiro lugar, sacrificou-se por amor a nós. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quarta-feira, dia 4 de outubro, e peçamos a São Francisco de Assis, que soube viver tão bem a radicalidade do Evangelho, a graça de imitarmos os seus passos e, cada um no seu próprio estado de vida, entregarmo-nos por inteiro ao nosso único e verdadeiro Amado! Evangelho (Lc 9,57-62) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Eu tudo considero como perda e como lixo, a fim de eu ganhar Cristo e ser achado nele! (Fl 3,8-9) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 57 enquanto Jesus e seus discípulos caminhavam, alguém na estrada disse a Jesus: “Eu te seguirei para onde quer que fores”. 58 Jesus lhe respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”. 59 Jesus disse a outro: “Segue-me”. Este respondeu: “Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai”. 60 Jesus respondeu: “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus”. 61 Um outro ainda lhe disse: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares”. 62 Jesus, porém, respondeu-lhes: “Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Diária | O que a vida de São Francisco nos ensina?
(Memória de São Francisco de Assis) Deus quer nos ver salvos, é verdade; mas Ele também quer fazer-nos santos e, para isso, espera que cada um de nós, não sem o auxílio da graça, disponha-se a ir além, a fazer mais do que nos é pedido, a abandonar esse ânimo medíocre, acomodado ao mínimo do mínimo, e tudo sacrificar por amor a Ele, pois foi Ele que, em primeiro lugar, sacrificou-se por amor a nós. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quarta-feira, dia 4 de outubro, e peçamos a São Francisco de Assis, que soube viver tão bem a radicalidade do Evangelho, a graça de imitarmos os seus passos e, cada um no seu próprio estado de vida, entregarmo-nos por inteiro ao nosso único e verdadeiro Amado! Evangelho (Lc 9,57-62) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Eu tudo considero como perda e como lixo, a fim de eu ganhar Cristo e ser achado nele! (Fl 3,8-9) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 57 enquanto Jesus e seus discípulos caminhavam, alguém na estrada disse a Jesus: “Eu te seguirei para onde quer que fores”. 58 Jesus lhe respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”. 59 Jesus disse a outro: “Segue-me”. Este respondeu: “Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai”. 60 Jesus respondeu: “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus”. 61 Um outro ainda lhe disse: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares”. 62 Jesus, porém, respondeu-lhes: “Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- São Francisco de Assis, padroeiro dos pobres – 4 de outubro
SANTO DO DIA – 04 DE OUTUBRO – SÃO FRANCISCO DE ASSIS Padroeiro da Itália (1181-1226) Este gigante da santidade era fisicamente de modesta estatura, tinha barbicha rala e escura. E, no plano cultural, ainda mais modesto. Conhecia o provençal, ensinado pelo pai, por ter feito algumas leituras de romances de cavalaria. Era um hábil vendedor de tecidos, ao lado de um pai que lhe enchia a bolsa de moedas. Nas alegres noitadas com os amigos, Francisco não media despesas. Participou das lutas entre as cidades e conheceu a humilhação da derrota e de um ano de prisão em Perúgia. No regresso, fez-se armar cavaleiro pelo conde Gualtério e esteve a ponto de partir para a Apúlia. Mas, em Espoleto, “pareceu-lhe ver”, conta são Boaventura na célebre biografia, “um palácio magnífico e belo, e dentro dele muitíssimas armas marcadas com a cruz, e uma voz que vinha do céu: ‘São tuas e dos teus cavaleiros’”. A interpretação do sonho veio-lhe no dia seguinte: “Francisco, quem te pode fazer mais bem, o senhor ou o servo?” Francisco compreendeu, voltou sobre seus passos, abandonou definitivamente a alegre companhia e, enquanto estava absorto em oração na igreja de São Damião, ouviu claramente o apelo: “Francisco, vai e repara a minha Igreja que, como vês, está toda em ruínas”. O jovem não fez delongas e, diante do bispo Guido — a cuja presença o pai o conduzira à força para fazê-lo desistir —, despojou-se de todas as roupas e as restituiu ao pai. Improvisou-se em pedreiro e restaurou do melhor modo possível três igrejinhas rurais, entre as quais Santa Maria dos Anjos, dita Porciúncula. Uma frase iluminante do Evangelho indicou-lhe o caminho a seguir: “Ide e pregai… Curai os enfermos… Não leveis alforje, nem duas túnicas, nem sapatos, nem bastão”. Na primavera de 1208, 11 jovens tinham-se unido a ele. Escreveu a primeira regra da Ordem dos Frades Menores, aprovada oralmente pelo papa Inocêncio III, depois que os 12 foram recebidos em audiência, em meio ao estupor e à indignação da cúria pontifícia diante daqueles jovens descalços e malvestidos. Mas aquele pacífico contestador teve também a solene aprovação do sucessor, Honório III, com a bula Solet Annuere, de 29 de novembro de 1223. Um ano depois, na solidão do monte Alverne, Francisco recebeu o selo da Paixão de Cristo, com os estigmas impressos em seus membros. Depois, ao aproximar-se da “irmã Morte”, improvisou seu “Cântico ao irmão Sol”, como hino conclusivo da pregação de seus frades. Por fim, pediu para ser levado à sua Porciúncula e deposto sobre a terra nua, onde se extinguiu cantando o salmo ‘Voce mea’, nas vésperas de 3 de outubro. Retirado do livro ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. SÃO FRANCISCO DE ASSIS São Francisco foi um grande santo, e um homem cheio de alegria. “A sua simplicidade, a sua fé, o seu amor por Cristo, a sua bondade por cada homem o fizeram feliz em toda situação. Olhando para ele, compreendemos que é este o segredo da verdadeira felicidade: tornarmo-no santos!” (Bento XVI) No início do décimo-terceiro século, havia na cidade de Assis, um homem oriundo de estirpe nobre, mas que se fizera mercador e dispunha de avultada fortuna. Tinha um filho, que se chamava João. Como o seu comércio obrigava a constantes contatos com os franceses, fez questão que o filho aprendesse francês. João chegou a falar tão bem essa língua, que recebeu a alcunha de François (Francisco), sob a qual é conhecido. Unicamente preocupados como os negócios, os pais do jovem Francisco haviam negligenciado a sua educação. Este, a princípio, mostrava-se muito inclinado aos vãos divertimentos mundanos e a adquirir riquezas. Entretanto, obrigara-se a dar esmola a todo e qualquer pobre que a pedisse pelo amor de Deus. Certa vez em que, muito ocupado, se recusara a atender um mendigo, arrependeu-se, e correu atrás dele para entregar-lhe o óbulo solicitado. Outra vez, recuperando-se de grave moléstia, mandou fazer roupas luxuosas e montou a cavalo, disposto a divertir-se um pouco. De súbito, porém, no meio de uma planície, apeia-se, despoja-se das vestes, troca-as pelos andrajos de um mendigo, cuja miséria lhe comovera o coração. Essa fidelidade às primeiras graças é recompensada por Deus com graças ainda maiores. Certo dia, ao dar com um leproso que se aproximava, o primeiro impulso de Francisco foi recuar, horrorizado, Recuperando-se, porém, beija o leproso e dá-lhe esmola, Era assim que aquele filho de mercador fazia seu aprendizado na virtude. Finalmente decidido a chegar à perfeição, Francisco só achava prazer na solidão e pedia a Deus, incessantemente, que lhe desse a conhecer a vontade. Muitas vezes visitava os hospitais, onde carinhosamente se punha a serviço dos enfermos; chegava a beijar-lhes as úlceras, sem dar atenção às fraquezas e repulsas da natureza. Quando não dispunha de dinheiro para distribuir entre os pobres, dava-lhes suas próprias roupas. Irritado com as suas prodigalidades, o pai fê-lo comparecer perante o bispo de Assis para que renunciasse aos seus bens. Francisco devolveu-lhe até mesmo as roupas que usava, e cobriu-se com um surrado capote de camponês, que alguns dias mais tarde, substituiu por um manto de eremita. Dois anos depois, durante uma missa a que assistia, ficou extremamente impressionado com as palavras do Evangelho: “Não queirais possuir ouro nem prata, nem tragais dinheiro em vossas cinturas, nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem calçado, nem bordão”. Obedeceu-lhe literalmente e aplicou-as a si mesmo; e, depois de jogar fora seu dinheiro, de tirar os sapatos e abandonar o cajado e o cinto de couro, vestiu um pobre hábito, que amarrou com uma corda. Era o traje habitual dos pastores e dos pobres camponeses daquele cantão da Itália. Foram esses os primórdios de São Francisco; como seriam os dias que viriam depois? Possa eu terminar por onde ele começou! Meu Deus, quando medito na vida de vossos santos, cada vez mais me convenço de que nada valho e de que nada faço. E assim mesmo chego a imaginar muitas vezes que sou qualquer coisa, que faço qualquer coisa! Meu Deus, tende piedade da minha miséria e do meu orgulho. Concedei-me a graça de fazer com que me despreza e me aborreça, mas sem impaciência, e sem desconfiar da vossa misericórdia. São Francisco tornou-se o patriarca de uma ordem religiosa que se espalhou pela terra inteira. Deu ao seus monges o nome de “Irmãos Menores”, ou “Irmãozinhos”, para distingui-los dos religiosos de São Domingos, denominados “Irmãos Pregadores”. No decorrer do tempo, receberam também as alcunhas de “franciscanos”, e de “Cordeleiros”, porque cingiam a cintura com uma corda. Dividiram-se em várias famílias, das quais a dos Capuchinhos é a que mais estritamente observa a pobreza. Francisco dizia que o espírito da pobreza era o fundamento da sua ordem. Seus religiosos nada possuíam que lhes pertencesse exclusivamente. Também não permitia que recebessem dinheiro, apenas as coisas necessárias à subsistência diária. Chamava a pobreza sua dama, sua rainha, sua mãe, sua esposa, reclamava-a insistentemente de Deus, como seu quinhão, seu privilégio: “Ó Jesus, vós que vos comprouvestes em viver na extrema pobreza, fazei-me a graça de conceder-me o privilégio da pobreza. Meu desejo mais ardente é ser enriquecido com esse tesouro, Peço-o para mim e para os meus, a fim de que para a glória do vosso santo nome nada possuamos, nunca, sob o céu, para que devamos nossa própria subsistência à caridade dos outros e por isso mesmo sejamos muito moderados e muito sóbrios”. O amor de Francisco pela obediência não era menos digno de admiração. Com freqüência era visto consultando os últimos de seus irmãos, embora fosse dotado de rara prudência e até mesmo do dom da profecia. Nas suas viagens costumava prometer obediência ao religioso que o acompanhava. Considerava a propensão que tinha para a obediência uma das maiores graças que Deus lhe concedera, pois com a mesma facilidade e presteza obedecia tanto um simples noviço como ao mais antigo e prudente dos frades; dizia, justificando-se, que devemos considerar não a pessoa a quem obedecemos, mas à vontade de Deus manifestada através da vontade dos superiores. Vemos como São Francisco amava a pobreza e a obediência. E, nós, será que amamos? E, nós, será que as praticamos? Quanto à milagrosa impressão dos estigmas de São Francisco, é comemorada no dia 17 de setembro. Tinha particular afeição pelas cotovias. Comprazia-se em admirar na plumagem desses pássaros o matiz pardo e acinzentado que escolhera para a sua ordem, a fim de dar aos frades freqüentes ocasiões para meditarem na morte, na cinza do túmulo. Ao mostrar aos seus discípulos a cotovia que se erguia nos ares e se punha a cantar, depois de ter apanhado alguns grãozinhos no chão, dizia alegremente: “Vede, elas nos ensinam a dar graças ao Pai comum que nos proporciona alimento, a comer apenas para a sua glória, a desprezar a terra e a elevar-nos ao céu, onde devemos nos entreter.” Certa vez, quando pregava no povoado de Alviano e não conseguia ser ouvido por causa da algazarra das andorinhas que tinham construído o ninho naquele lugar, a eles se dirigiu nestes termos: “Irmãs andorinhas, já falastes bastante, chegou agora a minha vez de falar. Escutai a palavra de Deus e ficai em silêncio enquanto eu pregar”. As avezinhas não soltaram mais um único pio, e não se mexeram do lugar em que se encontravam. São Boaventura, que narra o fato, acrescenta que, sentindo-se um estudante de Paris incomodado com o chilrear de uma andorinha, disse a seus condiscípulos: “Devem ser uma das que perturbavam o bem-aventurado Francisco no seu sermão e à qual mandou calar-te”. Depois disse à andorinha: “Em nome de Francisco, servo de Deus, ordeno-te que te cales e que te chegues a mim”. Imediatamente o pássaro se calou e pousou-lhe na mão. Surpreso, ele a deixou ir, e não foi mais importunado. Era assim que Deus se comprazia em honrar o nome do seu servo. Um dia, quando São Francisco se preparava para tomar a refeição em companhia do irmão Leão, sentiu-se intimamente confortado ao ouvir o canto de um rouxinol. Pediu a Leão que também cantasse os louvores de Deus, alternando sua voz com a do pássaro. Como o religioso se desculpasse, alegando falta de voz, o santo pôs-se a responder ao rouxinol, e assim continuou até à noite, quando foi obrigado a interromper-se, confessando com santa inveja que o passarinha o derrotara. Fê-lo pousar na sua mão, louvou-o por ter cantado tão bem, deu-lhe de comer, e só depois de ter recebido a sua benção, e com a sua permissão, foi que o rouxinol voou. Quando, pela primeira vez, visitou o monte Alvergue, viu-se rodeado por uma multidão de pássaros que lhe pousaram na cabeça, nos ombros, no peito e nas mãos, batendo as asas e demonstrando com o movimento de suas cabecinhas o prazer que lhes causava a chegada de seu amigo. “Vejo, disse Francisco a seu companheiro, vejo que devo permanecer aqui, pois meus irmãozinhos estão contentes.” Durante uma estada sua nessas montanhas, um falcão, aninhando nas proximidades, afeiçoou-se ao santo homem; anunciava-lhe com um grito que chegara a hora em que costumava rezar; e, se Francisco se encontrava doente, dava-lhe o aviso uma hora mais tarde a fim de poupá-lo; e quando, ao romper do dia, sua voz, como um sino inteligente, tocava as matinas, tinha o cuidado de atenuá-la e suavizar-lhe a sonoridade. Era, afirma São Boaventura, o divino presságio dos grandes favores que o santo receberia nesse mesmo lugar. Se isso nos surpreende é por nunca termos suficientemente meditado no mistério a que se refere São Paulo, ao dirigir-se aos cristãos de Roma: “A natureza inteira, criada para glorificar a deus, está sujeita, embora a contragosto, à vaidade do homem; sofre, e espera que os filhos de Deus a libertem. Pois a própria criação só será libertada dessa servidão corrupta por uma certa participação na glória dos filhos de Deus, na glória dos santos.” É o que ensina o Apóstolo. Não deve surpreender aos cristãos, pois, o fato de sofrerem as criaturas com a sujeição em que as mantém os pecadores, de se alegrarem à vista dos santos que lhes iniciam a libertação, lhes testemunharem à sua maneira um respeito religioso e lhes obedecerem à voz, como muitas vezes vimos fazer os leões e os ursos dos anfiteatros, que se deitavam familiarmente aos pés dos mártires, e os animais do deserto, que obedeciam à voz de Santo Antão. Entre os animais, São Francisco amava particularmente os que podiam simbolizar a mansuetude de Jesus Cristo, ou figurar qualquer virtude. O cordeiros evocavam-lhe o dulcíssimo Cordeiro de Deus, que se deixava conduzir à morte para remir os pecados do mundo. Quando passava ao longo das pastagens, saudava amigavelmente os rebanhos, e as ovelhas aproximavam-se dele e festejavam-no à sua maneira. Mais de uma vez resgatou cordeiros a caminho do matadouro. Ao mesmo tempo dominava a ferocidade dos lobos e fazia pactos com eles. Certo dia, quando viajava de Grécio a Cotannelo com um camponês, os lobos achegaram-se e acariciaram-no como fazem os cães. Testemunhando o prodígio, os habitantes dos arredores suplicaram a São Francisco que os livrasse dos dois grandes flagelos que os atormentavam, os lobos e o granizo. Disse-lhes São Francisco: “Pela honra e pela glória de Deus Todo-Poderoso, dou-vos minha palavra que, se crerdes em mim e tiverdes piedade de vossas almas fazendo uma boa confissão e dignos frutos de penitência, o Senhor vos considerará favoravelmente, vos livrará dessas calamidades e tornará vossa terra abundante em toda a espécie de bens. Mas também vos declaro que, se fordes ingratos, se fizerdes como o cão que retorna ao vômito, Deus ainda mais irritado ficará contra vós, e dobrará vossas dores e tribulações”. Enquanto os habitantes do vale de Grécio permanecerem fiéis a Deus, os lobos não comerão seus rebanhos, e a nuvem, pesada de saraiva e de tempestade, desviar-se-á de suas terras para desfazer-se noutro lugar. No tempo em que São Francisco morava na cidade de Eugúbio, um lobo assolava aquela região, e cidadãos armados andavam à sua procura como se fosse um inimigo público. Não obstante as súplicas dos irmãos, São Francisco dirigiu-se, sozinho, ao encontro do lobo. Assim que avistou, ordenou-lhe, em nome de Deus, que não fizesse mais devastações, e o feroz animal, que se tornou manso como um cordeiro, foi deitar-se aos pés do santo. Este assim lhe falou: “Meu irmão lobo, tu atacas e matas as criaturas de Deus, és um assassino, e toda a região tem horror a ti. Mas quero, irmão lobo, que falcas a paz com ela. Como éa fome que te conduz ao mal, quero que me prometas não mais praticá-lo, se te alimentarem”. Em sinal de consentimento, o lobo inclinou profundamente a cabeça. “Dá-me um penhor da tua palavra”, continuou o santo homem, estendendo-lhe a mão. O lobo ergueu com naturalidade a pata dianteira e pousou-a na mão de seu amigo e senhor, e depois o acompanhou à cidade. São Francisco disse ao povo que se reunira para admirar tão grande maravilha: “Entre outras coisas, Deus permitiu esse flagelo por causa dos pecadores; mas as chamas eternas do inferno são bem mais temíveis aos condenados do que a ferocidade de um lobo, que só pode matar o corpo. Meus irmãozinhos, convertei-vos a Deus, e fazei penitência, e Deus vos livrará do lobo, no tempo, e do inferno, na eternidade. Meu irmão lobo, aqui presente, prometeu-me fazer um pacto convosco, se do vosso lado prometerdes dar-lhe todos os dias o alimento necessário.” O povo, por aclamação, comprometeu-se a fazê-lo. O lobo novamente deu mostras do seu consentimento e, durante dois anos consecutivos, veio à cidade, de casa em casa, reclamar alimento, como fazem os animais domésticos; e os habitantes ficaram muito pesarosos quando morreu, pois representava para eles um memorial da virtude e da santidade de Francisco. Por amizade para com as abelhas, Francisco mandava levar-lhes, durante o inverno, mel ou bom vinho para alimentá-las e aquecê-las. Amava a água por ser símbolo da penitência e por ter lavado nossa alma no batismo. Também reverenciava as pedras, lembrando-se da pedra angular do Evangelho. Recomendava aos irmãos que iam cortar lenha na montanha para deixarem rebentos vigorosos em memória de Jesus Cristo que quisera morrer pela nossa salvação no lenho da Cruz. Fazia questão de que o jardineiro conservasse, no centro do jardim principal, um jardinzinho composto de flores suaves, fragrantes e belas ao olhar, a fim de que com sua beleza convidassem a todos para louvar a Deus. As flores elevavam sua alma a essa flor brotada da haste de Jessé, e cujo perfume alegre o mundo. Essa fraternidade na piedade e na afeição, Francisco estendia-se até mesmo aos elementos. Um dia em que os médicos iam aplicar-lhe um ferro em brasa nas têmporas, primeiro o abençoou e depois lhe disse: “Meu irmão fogo, o Senhor te fez antes de todas as coisas, e te fez belo, útil e poderoso; se, pois, cauteloso hoje, e digne-se Deus suavizar-se de tal maneira que eu possa suportar-te”. O ferro foi-lhe aplicado e o santo exclamou: “Meus irmãos, louvai comigo o Altíssimo; o próprio fogo não queima, e não sinto a menor dor”. Quando o amor transbordava no coração de Francisco, ele se punha a andar pelo campo; convidava as colheitas, as vinhas, as árvores, as flores do campo, as estrelas do céu, todos seus irmãos da natureza, a juntarem-se a ele na exaltação ao Criador, e sua ingênua e radiosa ternura, erguendo-se de grau em grau até o sol, um hino ascendia de sua alma. (…) Havia já dois anos que São Francisco recebera os estigmas, e sua saúde declinava dia a dia; e tendo aumentado os pregos de seus pés, não podia mais caminhar. Pedia que o levassem às cidades e às aldeias para animar os outros a carregarem a cruz de Jesus Cristo. Numa dessas excursões, curou uma criancinha de Bagnara que, mais tarde foi São Boaventura. Francisco tinha um grande desejo de voltar às primeiras práticas de humildade, servir os leprosos, e obrigar o corpo a servir-lhe, como no início da conversão. O fervor do espírito compensava a fraqueza do corpo; mas as enfermidades de tal modo se agravaram que eram raros os lugares nos quais não sentia dores muito fortes; e, tendo as suas carnes se consumido inteiramente, só lhe restavam pele e ossos. Os frades acreditavam defrontar outro Job, tanto por causa dos sofrimentos como da paciência com que os suportava. O santo pediu-lhes que o levassem à Nossa Senhora dos Anjos, a fim de entregar a alma a Deus no mesmo lugar onde recebera o espírito da graça. Nos seus últimos momentos, ditou uma carta dirigida a todos os superiores, sacerdotes e irmãos da ordem, recomendando-lhes respeito para com o santíssimo sacramento do altar. Chegou a ditar seu testamento, no qual recomendou particularmente o respeito para com os sacerdotes, a observação da regra e o trabalho manual. Sentindo aproximar-se a última hora, mandou que deitassem na terra nua, tirou a túnica, a fim de tornar mais sensível o seu perfeito despojamento; depois, erguendo os olhos ao céu, cobriu com a mão esquerda a chaga do lado direito e disse a seus irmãos: “Fiz o que me cabia: Nosso Senhor vos ensinará o que deveis fazer”. Eles se desfaziam em lágrimas; e um dos religiosos, a quem denominava seu guarda, adivinhando a intenção do santo, levantou-se prontamente, apanhou uma túnica e uma corda que lhe apresentou, dizendo: “Empresto-vos este hábito como a um mendigo, aceitai-o por obediência.” O santo homem ergueu as mãos para o céu e bendisse a deus por ter sido aliviado de todos os cuidados. Em seguida mandou chamar todos os irmãos que se encontravam na casa e exortou-os a perseverarem no amor de Deus, na paciência, na pobreza, na fé da Igreja Romana; depois, estendendo sobre eles os braços colocados um sobre o outro em forma de Cruz, deu sua benção tanto aos ausentes como aos presentes. Satisfazendo-lhe a um desejo, Frei Leão e Frei Ângelo cantaram em coro o cântico do irmão sol e da irmã morte. Terminado o cântico, pediu que lhe lessem a Paixão de Nosso Senhor, segundo São João. Depois dessa leitura, começou a recitar com voz agonizante o salmo de Davi: Com minha voz, clamei ao Senhor; com minha voz supliquei ao Senhor. Depois de pronunciar as últimas palavras, sua boca fechou-se para sempre: Francisco não mais pertencia a este mundo. Era a noite do sábado para domingo, no dia 4 de Outubro de 1226, quadragésimo-quinto da sua vida, vigésimo da sua conversão, décimo-oitavo da instituição da sua ordem. (…) Fotos: santiebeati.it (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVII, p. 303 à 319) Conheça mais sobre São Francisco de Assis São Francisco de Assis nasceu em 1182, tendo partido para a Eternidade em 1226, aos 44 anos de idade. Na região e na época em que viveu era grande o apego ao luxo e às riquezas, o que minava a sociedade e causava danos à Igreja. Propôs ele um novo ideal de pobreza, obediência e castidade, tendo fundado a Ordem dos Frades Menores (franciscanos), que se expandiu pelo mundo através de várias ramificações. Também, com Santa Clara, fundou a ordem das Clarissas. Havia se iniciado o século XIII. O jovem filho de um bem sucedido comerciante da cidade de Assis, até então apegado às amizades, aos bens materiais e às atrações do mundo, como a quase totalidade dos rapazes de sua idade, começa a inclinar-se à carreira das armas. Em uma batalha foi preso, tendo de aguardar cerca de um ano até ser resgatado, quando então foi prostrado por uma doença. Recuperado, tentou novamente engajar-se em um exército, porém o chamado de Deus foi mais forte: o jovem João, apelidado Francisco (nome pelo qual se tornou conhecido), voltou-se para o Criador, pois passou a vê-lo com os olhos do espírito ao considerar as virtudes através das quais Ele se revelava. A juventude e a conversão Francisco trabalhava como comerciante, e mesmo gostando de obter lucros jamais se prendeu desesperadamente ao dinheiro e às riquezas, gostando, por vezes, de ajudar os pobres. Era muito rico, mas não avarento, e sim pródigo e gastador; um negociante esperto, mas ao mesmo tempo esbanjador insensato. Era gentil, paciente, afável e manso, mas nem sempre as qualidades se sobressaíam naquele jovem que tinha por objetivo a vida mundana. Certa vez um pobre adentrou a loja em que estava Francisco ocupado com os negócios, para pedir uma esmola pelo amor de Deus, sendo despedido com rispidez sem nada ganhar. A consciência de Francisco logo o acusou, dizendo: “se ele tivesse pedido algo em nome de algum conde ou barão, com certeza o terias atendido; quanto mais não o deverias ter feito pelo Rei dos reis e Senhor de todos”. Tomou ali Francisco a decisão de nunca mais negar o que lhe fosse pedido em nome de tão grande Senhor. Francisco passou a dar generosas esmolas aos pobres que encontrava, inclusive distribuindo suas roupas e outros bens, procurando assim seguir o mandamento do amor ao próximo tantas vezes ilustrado pelos fatos e parábolas narrados nas Sagradas Escrituras. Passou a ser alvo de críticas e deboches por parte dos habitantes da região, e de grande raiva por parte de seu pai, dotado de profundo apego a todos os bens e riquezas que acumulara no comércio de tecidos em que enriquecera. A rejeição ao mundo e a entrega à pobreza O conflito familiar chegou a tal ponto que o pai de Francisco, Pedro de Bernardone, levou o caso ao bispo, acusando o filho de dissipar sua fortuna e exigindo uma compensação por tudo o que fora por ele retirado de sua loja para dar aos pobres. Então o jovem, inspirado pelo Espírito Santo, tomou a decisão inimaginável por todos os que ali presenciavam a cena: entregou ao avarento progenitor tudo o que tinha consigo, inclusive as próprias roupas, e disse: doravante não mais direi “meu pai Pedro de Bernardone”, e sim “Pai nosso que estais no Céu”. Coberto apenas pelo cilício (um áspero couro animal destinado a incomodar a pele, que usava sob as roupas para combater certos impulsos corporais), Francisco foi então abrigado pela capa cedida pelo bispo, ali renunciando publicamente à herança; pediu a bênção episcopal e partiu para a vida de pobreza, passando depois a ter por companheiros vários amigos que quiseram seguir a mesma via de perfeição. Não chegara sequer aos 25 anos quando esses fatos ocorreram. Era o início da família franciscana, que não se restringiu ao sexo masculino, pois Francisco, com a jovem Clara – que se inclinou a seguir os passos desse santo homem -, fundou o ramo feminino, que obteve do papa Inocêncio III o reconhecimento do direito de ser pobre e de nada possuir. Diz-se que Francisco e a Pobreza contraíram um casamento místico. Na verdade, conforme estudos aprofundados feitos nos antiquíssimos escritos históricos e alegóricos a respeito do Fundador e dos primeiros franciscanos, nota-se que o que Francisco fez foi uma vassalagem mística com a Pobreza, a quem se entregou para servi-la. A ela se referia como “minha senhora”, expressão que na época caracterizava uma obediência e com a qual se entregava àquela virtude que tanto admirava. Entre as mais famosas e importantes virtudes, que no homem preparam um lugar para Deus e ensinam o caminho melhor e mais rápido para chegar até Ele, a santa Pobreza sobressai a todos por uma certa prerrogativa e supera os títulos das outras por uma beleza singular. Ela é fundamento e guardiã das virtudes todas, e entre as conhecidas virtudes evangélicas ela tem, merecidamente, um lugar de honra. Essas palavras iniciam o texto alegórico que mostra a relação mística entre o Fundador franciscano e a Senhora Pobreza, esposa de Cristo. A Oração da Paz, espelho do amor ao próximo Em tudo Francisco procurava seguir o Evangelho, como bem se pode perceber nas belas palavras da Oração da Paz que externam o amor ao próximo, e que nunca perderam a atualidade: Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvidas, que eu leve a fé. Onde houver erro, que eu leve a verdade. Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz. Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar que ser consolado. Compreender que ser compreendido; amar que ser amado. Pois é dando que se recebe; é perdoando que se é perdoado. E é morrendo que se vive para a vida eterna. Algumas admoestações de Francisco evidenciam a paz e o amor que se deve ter para com o próximo. Disse ele, comentando as palavras do Divino Mestre “bem aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus”: São verdadeiramente pacíficos os que, no meio de tudo quanto padecem neste mundo, se conservam em paz, interior e exteriormente, por amor de Nosso Senhor Jesus Cristo. Disse também que é bem aventurado o homem que suporta o seu próximo com suas fraquezas tanto quanto quisera ser suportado por ele se estivesse na mesma situação. E ainda, referindo-se à benquerença que deve reinar nas Casas da família franciscana: Bem aventurado o servo que ama o seu confrade enfermo que não lhe pode ser útil, tanto como ao que tem saúde e está em condições de lhe prestar serviços. Bem aventurado o servo que tanto ama e respeita o seu confrade quando está longe como se estivesse perto, e não diz na ausência dele coisa alguma que não possa dizer na sua presença sem lhe faltar à caridade. Irmão Sol, irmão vento, irmã água, irmão fogo Vendo a presença de Deus em tudo, Francisco compôs o belíssimo Cântico das Criaturas em que manifesta irmandade até mesmo com os seres inanimados ao neles perceber que, como o homem, foram criados pelo Altíssimo, a quem é devido todo o louvor: Altíssimo, omnipotente, bom Senhor, Teus são o louvor, a glória, a honra, e toda a bênção. Só a ti, Altíssimo, são devidos, e nenhum homem é digno de te mencionar. Louvado sejas, ó meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o senhor irmão Sol, que clareia o dia e com sua luz nos ilumina. E ele é belo e radiante, com grande esplendor; de ti, Altíssimo, ele é a imagem. Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Lua e as Estrelas; no céu as formastes claras, preciosas e belas. Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Vento e pelo ar, ou nublado ou sereno, e todo o tempo, por quem dás às tuas criaturas o sustento. Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Água, que é tão útil e humilde, e preciosa e casta. Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Fogo, pelo qual iluminas a noite. Ele é belo e jucundo, e vigoroso e forte. Louvado sejas, ó meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe Terra, que nos sustenta e governa, e produz frutos diversos, com flores coloridas, e ervas. Louvado sejas, ó meu Senhor, por aqueles que perdoam por teu amor e suportam enfermidades e tribulações. Bem aventurados aqueles que as suportam em paz, pois por ti, Altíssimo, serão coroados. Louvado sejas, ó meu Senhor, por nossa irmã, a Morte corporal, da qual homem algum pode escapar. Ai dos que morrerem em pecado mortal! Felizes os que ela achar conformes a tua santíssima vontade, porque a morte segunda não lhes fará mal. Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças e servi-o com grande humildade. Saudação à Mãe de Deus A Santíssima Virgem, honrada na capelinha de Santa Maria dos Anjos (a Porciúncula, de onde Francisco, ao findar seus dias neste mundo, partiria rumo à Casa do Pai) era especialmente venerada pelo Pobrezinho de Assis, que lhe compôs uma singela saudação: Salve, ó Senhora santa, Rainha santíssima, Mãe de Deus, ó Maria, que sois Virgem feita igreja, eleita pelo santíssimo Pai celestial, que vos consagrou por seu santíssimo e dileto Filho e o Espírito Santo Paráclito! Em vós residiu e reside toda a plenitude da graça e todo o bem! Salve, ó palácio do Senhor! Salve, ó tabernáculo do Senhor! Salve, ó morada do Senhor! Salve, ó manto do Senhor! Salve, ó serva do Senhor! Salve, ó Mãe do Senhor, e salve vós todas, ó santas virtudes derramadas pela graça e iluminação do Espírito Santo, nos corações dos fiéis, transformando-os de infiéis em servos fiéis de Deus! Discernindo em tudo o Criador Dois anos antes de passar à Eternidade, o Pobrezinho de Assis compôs um belíssimo hino de louvor a Deus, cuidadosamente registrado e passado à posteridade por um de seus seguidores. Nele se percebe como procurava Francisco, em tudo, discernir o Criador: Vós sois o santo Senhor e Deus único, que operais maravilhas. Vós sois o Forte. Vós sois o Grande. Vós sois o Altíssimo. Vós sois o Rei onipotente, santo Pai, Rei do Céu e da Terra. Vós sois o Trino e Uno, Senhor e Deus, Bem universal. Vós sois o Bem, o Bem universal, o sumo Bem, Senhor e Deus, vivo e verdadeiro. Vós sois a delícia do amor. Vós sois a Sabedoria. Vós sois a Humildade. Vós sois a Paciência. Vós sois a Segurança. Vós sois o Descanso. Vós sois a Alegria e o Júbilo. Vós sois a Justiça e a Temperança. Vós sois a Plenitude da Riqueza. Vós sois a Beleza. Vós sois a Mansidão. Vós sois o Protetor. Vós sois o Guarda e o Defensor. Vós sois a Fortaleza. Vós sois o Alívio. Vós sois nossa Esperança. Vós sois nossa Fé. Vós sois nossa inefável Doçura. Vós sois nossa eterna Vida, ó grande e maravilhoso Deus, Senhor Onipotente, misericordioso Redentor. Vê-se, nessas inspiradas palavras, o profundo entendimento das riquíssimas qualidades de Deus manifestado por aquele que se entregou à pobreza, e que abraçou os conselhos evangélicos e as demais virtudes que tão bem percebia no Criador, a quem se deu por inteiro. Dotado de personalidade marcante, Francisco deixou-se impregnar pelas qualidades divinas de tal forma que não só a época em que viveu ficou marcada por sua passagem por este mundo, mas também os séculos que se seguiram. Deixou-nos ele um dos maiores exemplos da verdadeira contemplação das perfeições de Deus – que chegavam a levá-lo a um verdadeiro êxtase – e do amor que se deve ter para com Ele, sem o que nenhuma religiosidade atinge sua plenitude. Assemelhando-se cada vez mais ao Altíssimo Francisco tanto amou o Altíssimo que não só no espírito, mas também no corpo, assemelhou-se a Deus. Cerca de dois anos antes de sua morte, foi agraciado com as marcas da Paixão de Cristo, passando a ter nas mãos e pés as feridas correspondentes à crucifixão; na mesma ocasião também foi dotado de uma chaga correspondente à que foi feita pelo soldado que, com a lança, transpassara o coração de Jesus. Indo de encontro à cruz, teve a glória de receber os estigmas do Crucificado. Os estigmas da Paixão foram concedidos a Francisco em seguida a um momento de profunda oração contemplativa no Monte Alverne, em que o Crucificado lhe apareceu sob a forma inicial de um Serafim com seis asas. Registrou-se que suas mãos e pés pareciam atravessados bem no meio pelos cravos, aparecendo as cabeças no interior das mãos e em cima dos pés, com as ponta saindo do outro lado. Os sinais eram redondos no interior das mãos e longos no lado de fora, deixando ver um pedaço de carne como se fossem pontas de cravos entortados e rebatidas, saindo para fora da carne. Também nos pés estavam marcados os sinais dos cravos, sobressaindo da carne. O lado direito parecia atravessado por uma lança, com uma cicatriz fechada que muitas vezes soltava sangue, de maneira que sua túnica e suas calças estavam muitas vezes banhadas no sagrado sangue. Infelizmente foram muito poucos os que mereceram ver a ferida sagrada do seu peito, enquanto viveu crucificado o servo do Senhor crucificado. […] Pois tinha muito cuidado em esconder essas coisas dos estranhos, e ocultava-as mesmo dos mais chegados, de maneira que até os irmãos que eram seus companheiros e seguidores mais devotados não souberam delas por muito tempo. Buscando a perfeição, Frei Francisco tinha por costume não revelar, senão a poucos, ou a ninguém, o seu principal segredo, temendo que a revelação lhe trouxesse alguma predileção por parte dos outros que resultasse em detrimento da graça que tinha recebido. Por isso guardava sempre em seu coração e repetia aquela frase do profeta: “Escondi tuas palavras em meu coração para não pecar contra ti”. Frei Francisco partiu para a eternidade no início da noite de 3 de outubro de 1226, sendo canonizado menos de dois anos depois. Biografado por vários de seus filhos espirituais, teve a vida divulgada em verso e em prosa até mesmo por tradição oral, em que a verdade e a lenda se entrelaçaram tão magnífica e pitorescamente que, ainda que alguns detalhes não correspondam minuciosamente à história da família franciscana, retratam muito bem o espírito do franciscanismo e de seu Fundador, o seráfico São Francisco de Assis, cuja comemoração litúrgica ocorre em 4 de outubro. Biografia sugerida: SÃO FRANCISCO DE ASSIS (Escritos e biografias de São Francisco de Assis, Crônicas e outros testemunhos do primeiro século franciscano). Petrópolis, Editora Vozes, 2000, 9ª edição. #SãoFrancisco
- São Francisco de Assis, padroeiro dos pobres – 4 de outubro
SANTO DO DIA – 04 DE OUTUBRO – SÃO FRANCISCO DE ASSIS Padroeiro da Itália (1181-1226) Este gigante da santidade era fisicamente de modesta estatura, tinha barbicha rala e escura. E, no plano cultural, ainda mais modesto. Conhecia o provençal, ensinado pelo pai, por ter feito algumas leituras de romances de cavalaria. Era um hábil vendedor de tecidos, ao lado de um pai que lhe enchia a bolsa de moedas. Nas alegres noitadas com os amigos, Francisco não media despesas. Participou das lutas entre as cidades e conheceu a humilhação da derrota e de um ano de prisão em Perúgia. No regresso, fez-se armar cavaleiro pelo conde Gualtério e esteve a ponto de partir para a Apúlia. Mas, em Espoleto, “pareceu-lhe ver”, conta são Boaventura na célebre biografia, “um palácio magnífico e belo, e dentro dele muitíssimas armas marcadas com a cruz, e uma voz que vinha do céu: ‘São tuas e dos teus cavaleiros’”. A interpretação do sonho veio-lhe no dia seguinte: “Francisco, quem te pode fazer mais bem, o senhor ou o servo?” Francisco compreendeu, voltou sobre seus passos, abandonou definitivamente a alegre companhia e, enquanto estava absorto em oração na igreja de São Damião, ouviu claramente o apelo: “Francisco, vai e repara a minha Igreja que, como vês, está toda em ruínas”. O jovem não fez delongas e, diante do bispo Guido — a cuja presença o pai o conduzira à força para fazê-lo desistir —, despojou-se de todas as roupas e as restituiu ao pai. Improvisou-se em pedreiro e restaurou do melhor modo possível três igrejinhas rurais, entre as quais Santa Maria dos Anjos, dita Porciúncula. Uma frase iluminante do Evangelho indicou-lhe o caminho a seguir: “Ide e pregai… Curai os enfermos… Não leveis alforje, nem duas túnicas, nem sapatos, nem bastão”. Na primavera de 1208, 11 jovens tinham-se unido a ele. Escreveu a primeira regra da Ordem dos Frades Menores, aprovada oralmente pelo papa Inocêncio III, depois que os 12 foram recebidos em audiência, em meio ao estupor e à indignação da cúria pontifícia diante daqueles jovens descalços e malvestidos. Mas aquele pacífico contestador teve também a solene aprovação do sucessor, Honório III, com a bula Solet Annuere, de 29 de novembro de 1223. Um ano depois, na solidão do monte Alverne, Francisco recebeu o selo da Paixão de Cristo, com os estigmas impressos em seus membros. Depois, ao aproximar-se da “irmã Morte”, improvisou seu “Cântico ao irmão Sol”, como hino conclusivo da pregação de seus frades. Por fim, pediu para ser levado à sua Porciúncula e deposto sobre a terra nua, onde se extinguiu cantando o salmo ‘Voce mea’, nas vésperas de 3 de outubro. Retirado do livro ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. SÃO FRANCISCO DE ASSIS São Francisco foi um grande santo, e um homem cheio de alegria. “A sua simplicidade, a sua fé, o seu amor por Cristo, a sua bondade por cada homem o fizeram feliz em toda situação. Olhando para ele, compreendemos que é este o segredo da verdadeira felicidade: tornarmo-no santos!” (Bento XVI) No início do décimo-terceiro século, havia na cidade de Assis, um homem oriundo de estirpe nobre, mas que se fizera mercador e dispunha de avultada fortuna. Tinha um filho, que se chamava João. Como o seu comércio obrigava a constantes contatos com os franceses, fez questão que o filho aprendesse francês. João chegou a falar tão bem essa língua, que recebeu a alcunha de François (Francisco), sob a qual é conhecido. Unicamente preocupados como os negócios, os pais do jovem Francisco haviam negligenciado a sua educação. Este, a princípio, mostrava-se muito inclinado aos vãos divertimentos mundanos e a adquirir riquezas. Entretanto, obrigara-se a dar esmola a todo e qualquer pobre que a pedisse pelo amor de Deus. Certa vez em que, muito ocupado, se recusara a atender um mendigo, arrependeu-se, e correu atrás dele para entregar-lhe o óbulo solicitado. Outra vez, recuperando-se de grave moléstia, mandou fazer roupas luxuosas e montou a cavalo, disposto a divertir-se um pouco. De súbito, porém, no meio de uma planície, apeia-se, despoja-se das vestes, troca-as pelos andrajos de um mendigo, cuja miséria lhe comovera o coração. Essa fidelidade às primeiras graças é recompensada por Deus com graças ainda maiores. Certo dia, ao dar com um leproso que se aproximava, o primeiro impulso de Francisco foi recuar, horrorizado, Recuperando-se, porém, beija o leproso e dá-lhe esmola, Era assim que aquele filho de mercador fazia seu aprendizado na virtude. Finalmente decidido a chegar à perfeição, Francisco só achava prazer na solidão e pedia a Deus, incessantemente, que lhe desse a conhecer a vontade. Muitas vezes visitava os hospitais, onde carinhosamente se punha a serviço dos enfermos; chegava a beijar-lhes as úlceras, sem dar atenção às fraquezas e repulsas da natureza. Quando não dispunha de dinheiro para distribuir entre os pobres, dava-lhes suas próprias roupas. Irritado com as suas prodigalidades, o pai fê-lo comparecer perante o bispo de Assis para que renunciasse aos seus bens. Francisco devolveu-lhe até mesmo as roupas que usava, e cobriu-se com um surrado capote de camponês, que alguns dias mais tarde, substituiu por um manto de eremita. Dois anos depois, durante uma missa a que assistia, ficou extremamente impressionado com as palavras do Evangelho: “Não queirais possuir ouro nem prata, nem tragais dinheiro em vossas cinturas, nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem calçado, nem bordão”. Obedeceu-lhe literalmente e aplicou-as a si mesmo; e, depois de jogar fora seu dinheiro, de tirar os sapatos e abandonar o cajado e o cinto de couro, vestiu um pobre hábito, que amarrou com uma corda. Era o traje habitual dos pastores e dos pobres camponeses daquele cantão da Itália. Foram esses os primórdios de São Francisco; como seriam os dias que viriam depois? Possa eu terminar por onde ele começou! Meu Deus, quando medito na vida de vossos santos, cada vez mais me convenço de que nada valho e de que nada faço. E assim mesmo chego a imaginar muitas vezes que sou qualquer coisa, que faço qualquer coisa! Meu Deus, tende piedade da minha miséria e do meu orgulho. Concedei-me a graça de fazer com que me despreza e me aborreça, mas sem impaciência, e sem desconfiar da vossa misericórdia. São Francisco tornou-se o patriarca de uma ordem religiosa que se espalhou pela terra inteira. Deu ao seus monges o nome de “Irmãos Menores”, ou “Irmãozinhos”, para distingui-los dos religiosos de São Domingos, denominados “Irmãos Pregadores”. No decorrer do tempo, receberam também as alcunhas de “franciscanos”, e de “Cordeleiros”, porque cingiam a cintura com uma corda. Dividiram-se em várias famílias, das quais a dos Capuchinhos é a que mais estritamente observa a pobreza. Francisco dizia que o espírito da pobreza era o fundamento da sua ordem. Seus religiosos nada possuíam que lhes pertencesse exclusivamente. Também não permitia que recebessem dinheiro, apenas as coisas necessárias à subsistência diária. Chamava a pobreza sua dama, sua rainha, sua mãe, sua esposa, reclamava-a insistentemente de Deus, como seu quinhão, seu privilégio: “Ó Jesus, vós que vos comprouvestes em viver na extrema pobreza, fazei-me a graça de conceder-me o privilégio da pobreza. Meu desejo mais ardente é ser enriquecido com esse tesouro, Peço-o para mim e para os meus, a fim de que para a glória do vosso santo nome nada possuamos, nunca, sob o céu, para que devamos nossa própria subsistência à caridade dos outros e por isso mesmo sejamos muito moderados e muito sóbrios”. O amor de Francisco pela obediência não era menos digno de admiração. Com freqüência era visto consultando os últimos de seus irmãos, embora fosse dotado de rara prudência e até mesmo do dom da profecia. Nas suas viagens costumava prometer obediência ao religioso que o acompanhava. Considerava a propensão que tinha para a obediência uma das maiores graças que Deus lhe concedera, pois com a mesma facilidade e presteza obedecia tanto um simples noviço como ao mais antigo e prudente dos frades; dizia, justificando-se, que devemos considerar não a pessoa a quem obedecemos, mas à vontade de Deus manifestada através da vontade dos superiores. Vemos como São Francisco amava a pobreza e a obediência. E, nós, será que amamos? E, nós, será que as praticamos? Quanto à milagrosa impressão dos estigmas de São Francisco, é comemorada no dia 17 de setembro. Tinha particular afeição pelas cotovias. Comprazia-se em admirar na plumagem desses pássaros o matiz pardo e acinzentado que escolhera para a sua ordem, a fim de dar aos frades freqüentes ocasiões para meditarem na morte, na cinza do túmulo. Ao mostrar aos seus discípulos a cotovia que se erguia nos ares e se punha a cantar, depois de ter apanhado alguns grãozinhos no chão, dizia alegremente: “Vede, elas nos ensinam a dar graças ao Pai comum que nos proporciona alimento, a comer apenas para a sua glória, a desprezar a terra e a elevar-nos ao céu, onde devemos nos entreter.” Certa vez, quando pregava no povoado de Alviano e não conseguia ser ouvido por causa da algazarra das andorinhas que tinham construído o ninho naquele lugar, a eles se dirigiu nestes termos: “Irmãs andorinhas, já falastes bastante, chegou agora a minha vez de falar. Escutai a palavra de Deus e ficai em silêncio enquanto eu pregar”. As avezinhas não soltaram mais um único pio, e não se mexeram do lugar em que se encontravam. São Boaventura, que narra o fato, acrescenta que, sentindo-se um estudante de Paris incomodado com o chilrear de uma andorinha, disse a seus condiscípulos: “Devem ser uma das que perturbavam o bem-aventurado Francisco no seu sermão e à qual mandou calar-te”. Depois disse à andorinha: “Em nome de Francisco, servo de Deus, ordeno-te que te cales e que te chegues a mim”. Imediatamente o pássaro se calou e pousou-lhe na mão. Surpreso, ele a deixou ir, e não foi mais importunado. Era assim que Deus se comprazia em honrar o nome do seu servo. Um dia, quando São Francisco se preparava para tomar a refeição em companhia do irmão Leão, sentiu-se intimamente confortado ao ouvir o canto de um rouxinol. Pediu a Leão que também cantasse os louvores de Deus, alternando sua voz com a do pássaro. Como o religioso se desculpasse, alegando falta de voz, o santo pôs-se a responder ao rouxinol, e assim continuou até à noite, quando foi obrigado a interromper-se, confessando com santa inveja que o passarinha o derrotara. Fê-lo pousar na sua mão, louvou-o por ter cantado tão bem, deu-lhe de comer, e só depois de ter recebido a sua benção, e com a sua permissão, foi que o rouxinol voou. Quando, pela primeira vez, visitou o monte Alvergue, viu-se rodeado por uma multidão de pássaros que lhe pousaram na cabeça, nos ombros, no peito e nas mãos, batendo as asas e demonstrando com o movimento de suas cabecinhas o prazer que lhes causava a chegada de seu amigo. “Vejo, disse Francisco a seu companheiro, vejo que devo permanecer aqui, pois meus irmãozinhos estão contentes.” Durante uma estada sua nessas montanhas, um falcão, aninhando nas proximidades, afeiçoou-se ao santo homem; anunciava-lhe com um grito que chegara a hora em que costumava rezar; e, se Francisco se encontrava doente, dava-lhe o aviso uma hora mais tarde a fim de poupá-lo; e quando, ao romper do dia, sua voz, como um sino inteligente, tocava as matinas, tinha o cuidado de atenuá-la e suavizar-lhe a sonoridade. Era, afirma São Boaventura, o divino presságio dos grandes favores que o santo receberia nesse mesmo lugar. Se isso nos surpreende é por nunca termos suficientemente meditado no mistério a que se refere São Paulo, ao dirigir-se aos cristãos de Roma: “A natureza inteira, criada para glorificar a deus, está sujeita, embora a contragosto, à vaidade do homem; sofre, e espera que os filhos de Deus a libertem. Pois a própria criação só será libertada dessa servidão corrupta por uma certa participação na glória dos filhos de Deus, na glória dos santos.” É o que ensina o Apóstolo. Não deve surpreender aos cristãos, pois, o fato de sofrerem as criaturas com a sujeição em que as mantém os pecadores, de se alegrarem à vista dos santos que lhes iniciam a libertação, lhes testemunharem à sua maneira um respeito religioso e lhes obedecerem à voz, como muitas vezes vimos fazer os leões e os ursos dos anfiteatros, que se deitavam familiarmente aos pés dos mártires, e os animais do deserto, que obedeciam à voz de Santo Antão. Entre os animais, São Francisco amava particularmente os que podiam simbolizar a mansuetude de Jesus Cristo, ou figurar qualquer virtude. O cordeiros evocavam-lhe o dulcíssimo Cordeiro de Deus, que se deixava conduzir à morte para remir os pecados do mundo. Quando passava ao longo das pastagens, saudava amigavelmente os rebanhos, e as ovelhas aproximavam-se dele e festejavam-no à sua maneira. Mais de uma vez resgatou cordeiros a caminho do matadouro. Ao mesmo tempo dominava a ferocidade dos lobos e fazia pactos com eles. Certo dia, quando viajava de Grécio a Cotannelo com um camponês, os lobos achegaram-se e acariciaram-no como fazem os cães. Testemunhando o prodígio, os habitantes dos arredores suplicaram a São Francisco que os livrasse dos dois grandes flagelos que os atormentavam, os lobos e o granizo. Disse-lhes São Francisco: “Pela honra e pela glória de Deus Todo-Poderoso, dou-vos minha palavra que, se crerdes em mim e tiverdes piedade de vossas almas fazendo uma boa confissão e dignos frutos de penitência, o Senhor vos considerará favoravelmente, vos livrará dessas calamidades e tornará vossa terra abundante em toda a espécie de bens. Mas também vos declaro que, se fordes ingratos, se fizerdes como o cão que retorna ao vômito, Deus ainda mais irritado ficará contra vós, e dobrará vossas dores e tribulações”. Enquanto os habitantes do vale de Grécio permanecerem fiéis a Deus, os lobos não comerão seus rebanhos, e a nuvem, pesada de saraiva e de tempestade, desviar-se-á de suas terras para desfazer-se noutro lugar. No tempo em que São Francisco morava na cidade de Eugúbio, um lobo assolava aquela região, e cidadãos armados andavam à sua procura como se fosse um inimigo público. Não obstante as súplicas dos irmãos, São Francisco dirigiu-se, sozinho, ao encontro do lobo. Assim que avistou, ordenou-lhe, em nome de Deus, que não fizesse mais devastações, e o feroz animal, que se tornou manso como um cordeiro, foi deitar-se aos pés do santo. Este assim lhe falou: “Meu irmão lobo, tu atacas e matas as criaturas de Deus, és um assassino, e toda a região tem horror a ti. Mas quero, irmão lobo, que falcas a paz com ela. Como éa fome que te conduz ao mal, quero que me prometas não mais praticá-lo, se te alimentarem”. Em sinal de consentimento, o lobo inclinou profundamente a cabeça. “Dá-me um penhor da tua palavra”, continuou o santo homem, estendendo-lhe a mão. O lobo ergueu com naturalidade a pata dianteira e pousou-a na mão de seu amigo e senhor, e depois o acompanhou à cidade. São Francisco disse ao povo que se reunira para admirar tão grande maravilha: “Entre outras coisas, Deus permitiu esse flagelo por causa dos pecadores; mas as chamas eternas do inferno são bem mais temíveis aos condenados do que a ferocidade de um lobo, que só pode matar o corpo. Meus irmãozinhos, convertei-vos a Deus, e fazei penitência, e Deus vos livrará do lobo, no tempo, e do inferno, na eternidade. Meu irmão lobo, aqui presente, prometeu-me fazer um pacto convosco, se do vosso lado prometerdes dar-lhe todos os dias o alimento necessário.” O povo, por aclamação, comprometeu-se a fazê-lo. O lobo novamente deu mostras do seu consentimento e, durante dois anos consecutivos, veio à cidade, de casa em casa, reclamar alimento, como fazem os animais domésticos; e os habitantes ficaram muito pesarosos quando morreu, pois representava para eles um memorial da virtude e da santidade de Francisco. Por amizade para com as abelhas, Francisco mandava levar-lhes, durante o inverno, mel ou bom vinho para alimentá-las e aquecê-las. Amava a água por ser símbolo da penitência e por ter lavado nossa alma no batismo. Também reverenciava as pedras, lembrando-se da pedra angular do Evangelho. Recomendava aos irmãos que iam cortar lenha na montanha para deixarem rebentos vigorosos em memória de Jesus Cristo que quisera morrer pela nossa salvação no lenho da Cruz. Fazia questão de que o jardineiro conservasse, no centro do jardim principal, um jardinzinho composto de flores suaves, fragrantes e belas ao olhar, a fim de que com sua beleza convidassem a todos para louvar a Deus. As flores elevavam sua alma a essa flor brotada da haste de Jessé, e cujo perfume alegre o mundo. Essa fraternidade na piedade e na afeição, Francisco estendia-se até mesmo aos elementos. Um dia em que os médicos iam aplicar-lhe um ferro em brasa nas têmporas, primeiro o abençoou e depois lhe disse: “Meu irmão fogo, o Senhor te fez antes de todas as coisas, e te fez belo, útil e poderoso; se, pois, cauteloso hoje, e digne-se Deus suavizar-se de tal maneira que eu possa suportar-te”. O ferro foi-lhe aplicado e o santo exclamou: “Meus irmãos, louvai comigo o Altíssimo; o próprio fogo não queima, e não sinto a menor dor”. Quando o amor transbordava no coração de Francisco, ele se punha a andar pelo campo; convidava as colheitas, as vinhas, as árvores, as flores do campo, as estrelas do céu, todos seus irmãos da natureza, a juntarem-se a ele na exaltação ao Criador, e sua ingênua e radiosa ternura, erguendo-se de grau em grau até o sol, um hino ascendia de sua alma. (…) Havia já dois anos que São Francisco recebera os estigmas, e sua saúde declinava dia a dia; e tendo aumentado os pregos de seus pés, não podia mais caminhar. Pedia que o levassem às cidades e às aldeias para animar os outros a carregarem a cruz de Jesus Cristo. Numa dessas excursões, curou uma criancinha de Bagnara que, mais tarde foi São Boaventura. Francisco tinha um grande desejo de voltar às primeiras práticas de humildade, servir os leprosos, e obrigar o corpo a servir-lhe, como no início da conversão. O fervor do espírito compensava a fraqueza do corpo; mas as enfermidades de tal modo se agravaram que eram raros os lugares nos quais não sentia dores muito fortes; e, tendo as suas carnes se consumido inteiramente, só lhe restavam pele e ossos. Os frades acreditavam defrontar outro Job, tanto por causa dos sofrimentos como da paciência com que os suportava. O santo pediu-lhes que o levassem à Nossa Senhora dos Anjos, a fim de entregar a alma a Deus no mesmo lugar onde recebera o espírito da graça. Nos seus últimos momentos, ditou uma carta dirigida a todos os superiores, sacerdotes e irmãos da ordem, recomendando-lhes respeito para com o santíssimo sacramento do altar. Chegou a ditar seu testamento, no qual recomendou particularmente o respeito para com os sacerdotes, a observação da regra e o trabalho manual. Sentindo aproximar-se a última hora, mandou que deitassem na terra nua, tirou a túnica, a fim de tornar mais sensível o seu perfeito despojamento; depois, erguendo os olhos ao céu, cobriu com a mão esquerda a chaga do lado direito e disse a seus irmãos: “Fiz o que me cabia: Nosso Senhor vos ensinará o que deveis fazer”. Eles se desfaziam em lágrimas; e um dos religiosos, a quem denominava seu guarda, adivinhando a intenção do santo, levantou-se prontamente, apanhou uma túnica e uma corda que lhe apresentou, dizendo: “Empresto-vos este hábito como a um mendigo, aceitai-o por obediência.” O santo homem ergueu as mãos para o céu e bendisse a deus por ter sido aliviado de todos os cuidados. Em seguida mandou chamar todos os irmãos que se encontravam na casa e exortou-os a perseverarem no amor de Deus, na paciência, na pobreza, na fé da Igreja Romana; depois, estendendo sobre eles os braços colocados um sobre o outro em forma de Cruz, deu sua benção tanto aos ausentes como aos presentes. Satisfazendo-lhe a um desejo, Frei Leão e Frei Ângelo cantaram em coro o cântico do irmão sol e da irmã morte. Terminado o cântico, pediu que lhe lessem a Paixão de Nosso Senhor, segundo São João. Depois dessa leitura, começou a recitar com voz agonizante o salmo de Davi: Com minha voz, clamei ao Senhor; com minha voz supliquei ao Senhor. Depois de pronunciar as últimas palavras, sua boca fechou-se para sempre: Francisco não mais pertencia a este mundo. Era a noite do sábado para domingo, no dia 4 de Outubro de 1226, quadragésimo-quinto da sua vida, vigésimo da sua conversão, décimo-oitavo da instituição da sua ordem. (…) Fotos: santiebeati.it (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVII, p. 303 à 319) Conheça mais sobre São Francisco de Assis São Francisco de Assis nasceu em 1182, tendo partido para a Eternidade em 1226, aos 44 anos de idade. Na região e na época em que viveu era grande o apego ao luxo e às riquezas, o que minava a sociedade e causava danos à Igreja. Propôs ele um novo ideal de pobreza, obediência e castidade, tendo fundado a Ordem dos Frades Menores (franciscanos), que se expandiu pelo mundo através de várias ramificações. Também, com Santa Clara, fundou a ordem das Clarissas. Havia se iniciado o século XIII. O jovem filho de um bem sucedido comerciante da cidade de Assis, até então apegado às amizades, aos bens materiais e às atrações do mundo, como a quase totalidade dos rapazes de sua idade, começa a inclinar-se à carreira das armas. Em uma batalha foi preso, tendo de aguardar cerca de um ano até ser resgatado, quando então foi prostrado por uma doença. Recuperado, tentou novamente engajar-se em um exército, porém o chamado de Deus foi mais forte: o jovem João, apelidado Francisco (nome pelo qual se tornou conhecido), voltou-se para o Criador, pois passou a vê-lo com os olhos do espírito ao considerar as virtudes através das quais Ele se revelava. A juventude e a conversão Francisco trabalhava como comerciante, e mesmo gostando de obter lucros jamais se prendeu desesperadamente ao dinheiro e às riquezas, gostando, por vezes, de ajudar os pobres. Era muito rico, mas não avarento, e sim pródigo e gastador; um negociante esperto, mas ao mesmo tempo esbanjador insensato. Era gentil, paciente, afável e manso, mas nem sempre as qualidades se sobressaíam naquele jovem que tinha por objetivo a vida mundana. Certa vez um pobre adentrou a loja em que estava Francisco ocupado com os negócios, para pedir uma esmola pelo amor de Deus, sendo despedido com rispidez sem nada ganhar. A consciência de Francisco logo o acusou, dizendo: “se ele tivesse pedido algo em nome de algum conde ou barão, com certeza o terias atendido; quanto mais não o deverias ter feito pelo Rei dos reis e Senhor de todos”. Tomou ali Francisco a decisão de nunca mais negar o que lhe fosse pedido em nome de tão grande Senhor. Francisco passou a dar generosas esmolas aos pobres que encontrava, inclusive distribuindo suas roupas e outros bens, procurando assim seguir o mandamento do amor ao próximo tantas vezes ilustrado pelos fatos e parábolas narrados nas Sagradas Escrituras. Passou a ser alvo de críticas e deboches por parte dos habitantes da região, e de grande raiva por parte de seu pai, dotado de profundo apego a todos os bens e riquezas que acumulara no comércio de tecidos em que enriquecera. A rejeição ao mundo e a entrega à pobreza O conflito familiar chegou a tal ponto que o pai de Francisco, Pedro de Bernardone, levou o caso ao bispo, acusando o filho de dissipar sua fortuna e exigindo uma compensação por tudo o que fora por ele retirado de sua loja para dar aos pobres. Então o jovem, inspirado pelo Espírito Santo, tomou a decisão inimaginável por todos os que ali presenciavam a cena: entregou ao avarento progenitor tudo o que tinha consigo, inclusive as próprias roupas, e disse: doravante não mais direi “meu pai Pedro de Bernardone”, e sim “Pai nosso que estais no Céu”. Coberto apenas pelo cilício (um áspero couro animal destinado a incomodar a pele, que usava sob as roupas para combater certos impulsos corporais), Francisco foi então abrigado pela capa cedida pelo bispo, ali renunciando publicamente à herança; pediu a bênção episcopal e partiu para a vida de pobreza, passando depois a ter por companheiros vários amigos que quiseram seguir a mesma via de perfeição. Não chegara sequer aos 25 anos quando esses fatos ocorreram. Era o início da família franciscana, que não se restringiu ao sexo masculino, pois Francisco, com a jovem Clara – que se inclinou a seguir os passos desse santo homem -, fundou o ramo feminino, que obteve do papa Inocêncio III o reconhecimento do direito de ser pobre e de nada possuir. Diz-se que Francisco e a Pobreza contraíram um casamento místico. Na verdade, conforme estudos aprofundados feitos nos antiquíssimos escritos históricos e alegóricos a respeito do Fundador e dos primeiros franciscanos, nota-se que o que Francisco fez foi uma vassalagem mística com a Pobreza, a quem se entregou para servi-la. A ela se referia como “minha senhora”, expressão que na época caracterizava uma obediência e com a qual se entregava àquela virtude que tanto admirava. Entre as mais famosas e importantes virtudes, que no homem preparam um lugar para Deus e ensinam o caminho melhor e mais rápido para chegar até Ele, a santa Pobreza sobressai a todos por uma certa prerrogativa e supera os títulos das outras por uma beleza singular. Ela é fundamento e guardiã das virtudes todas, e entre as conhecidas virtudes evangélicas ela tem, merecidamente, um lugar de honra. Essas palavras iniciam o texto alegórico que mostra a relação mística entre o Fundador franciscano e a Senhora Pobreza, esposa de Cristo. A Oração da Paz, espelho do amor ao próximo Em tudo Francisco procurava seguir o Evangelho, como bem se pode perceber nas belas palavras da Oração da Paz que externam o amor ao próximo, e que nunca perderam a atualidade: Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvidas, que eu leve a fé. Onde houver erro, que eu leve a verdade. Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz. Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar que ser consolado. Compreender que ser compreendido; amar que ser amado. Pois é dando que se recebe; é perdoando que se é perdoado. E é morrendo que se vive para a vida eterna. Algumas admoestações de Francisco evidenciam a paz e o amor que se deve ter para com o próximo. Disse ele, comentando as palavras do Divino Mestre “bem aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus”: São verdadeiramente pacíficos os que, no meio de tudo quanto padecem neste mundo, se conservam em paz, interior e exteriormente, por amor de Nosso Senhor Jesus Cristo. Disse também que é bem aventurado o homem que suporta o seu próximo com suas fraquezas tanto quanto quisera ser suportado por ele se estivesse na mesma situação. E ainda, referindo-se à benquerença que deve reinar nas Casas da família franciscana: Bem aventurado o servo que ama o seu confrade enfermo que não lhe pode ser útil, tanto como ao que tem saúde e está em condições de lhe prestar serviços. Bem aventurado o servo que tanto ama e respeita o seu confrade quando está longe como se estivesse perto, e não diz na ausência dele coisa alguma que não possa dizer na sua presença sem lhe faltar à caridade. Irmão Sol, irmão vento, irmã água, irmão fogo Vendo a presença de Deus em tudo, Francisco compôs o belíssimo Cântico das Criaturas em que manifesta irmandade até mesmo com os seres inanimados ao neles perceber que, como o homem, foram criados pelo Altíssimo, a quem é devido todo o louvor: Altíssimo, omnipotente, bom Senhor, Teus são o louvor, a glória, a honra, e toda a bênção. Só a ti, Altíssimo, são devidos, e nenhum homem é digno de te mencionar. Louvado sejas, ó meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o senhor irmão Sol, que clareia o dia e com sua luz nos ilumina. E ele é belo e radiante, com grande esplendor; de ti, Altíssimo, ele é a imagem. Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Lua e as Estrelas; no céu as formastes claras, preciosas e belas. Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Vento e pelo ar, ou nublado ou sereno, e todo o tempo, por quem dás às tuas criaturas o sustento. Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Água, que é tão útil e humilde, e preciosa e casta. Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Fogo, pelo qual iluminas a noite. Ele é belo e jucundo, e vigoroso e forte. Louvado sejas, ó meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe Terra, que nos sustenta e governa, e produz frutos diversos, com flores coloridas, e ervas. Louvado sejas, ó meu Senhor, por aqueles que perdoam por teu amor e suportam enfermidades e tribulações. Bem aventurados aqueles que as suportam em paz, pois por ti, Altíssimo, serão coroados. Louvado sejas, ó meu Senhor, por nossa irmã, a Morte corporal, da qual homem algum pode escapar. Ai dos que morrerem em pecado mortal! Felizes os que ela achar conformes a tua santíssima vontade, porque a morte segunda não lhes fará mal. Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças e servi-o com grande humildade. Saudação à Mãe de Deus A Santíssima Virgem, honrada na capelinha de Santa Maria dos Anjos (a Porciúncula, de onde Francisco, ao findar seus dias neste mundo, partiria rumo à Casa do Pai) era especialmente venerada pelo Pobrezinho de Assis, que lhe compôs uma singela saudação: Salve, ó Senhora santa, Rainha santíssima, Mãe de Deus, ó Maria, que sois Virgem feita igreja, eleita pelo santíssimo Pai celestial, que vos consagrou por seu santíssimo e dileto Filho e o Espírito Santo Paráclito! Em vós residiu e reside toda a plenitude da graça e todo o bem! Salve, ó palácio do Senhor! Salve, ó tabernáculo do Senhor! Salve, ó morada do Senhor! Salve, ó manto do Senhor! Salve, ó serva do Senhor! Salve, ó Mãe do Senhor, e salve vós todas, ó santas virtudes derramadas pela graça e iluminação do Espírito Santo, nos corações dos fiéis, transformando-os de infiéis em servos fiéis de Deus! Discernindo em tudo o Criador Dois anos antes de passar à Eternidade, o Pobrezinho de Assis compôs um belíssimo hino de louvor a Deus, cuidadosamente registrado e passado à posteridade por um de seus seguidores. Nele se percebe como procurava Francisco, em tudo, discernir o Criador: Vós sois o santo Senhor e Deus único, que operais maravilhas. Vós sois o Forte. Vós sois o Grande. Vós sois o Altíssimo. Vós sois o Rei onipotente, santo Pai, Rei do Céu e da Terra. Vós sois o Trino e Uno, Senhor e Deus, Bem universal. Vós sois o Bem, o Bem universal, o sumo Bem, Senhor e Deus, vivo e verdadeiro. Vós sois a delícia do amor. Vós sois a Sabedoria. Vós sois a Humildade. Vós sois a Paciência. Vós sois a Segurança. Vós sois o Descanso. Vós sois a Alegria e o Júbilo. Vós sois a Justiça e a Temperança. Vós sois a Plenitude da Riqueza. Vós sois a Beleza. Vós sois a Mansidão. Vós sois o Protetor. Vós sois o Guarda e o Defensor. Vós sois a Fortaleza. Vós sois o Alívio. Vós sois nossa Esperança. Vós sois nossa Fé. Vós sois nossa inefável Doçura. Vós sois nossa eterna Vida, ó grande e maravilhoso Deus, Senhor Onipotente, misericordioso Redentor. Vê-se, nessas inspiradas palavras, o profundo entendimento das riquíssimas qualidades de Deus manifestado por aquele que se entregou à pobreza, e que abraçou os conselhos evangélicos e as demais virtudes que tão bem percebia no Criador, a quem se deu por inteiro. Dotado de personalidade marcante, Francisco deixou-se impregnar pelas qualidades divinas de tal forma que não só a época em que viveu ficou marcada por sua passagem por este mundo, mas também os séculos que se seguiram. Deixou-nos ele um dos maiores exemplos da verdadeira contemplação das perfeições de Deus – que chegavam a levá-lo a um verdadeiro êxtase – e do amor que se deve ter para com Ele, sem o que nenhuma religiosidade atinge sua plenitude. Assemelhando-se cada vez mais ao Altíssimo Francisco tanto amou o Altíssimo que não só no espírito, mas também no corpo, assemelhou-se a Deus. Cerca de dois anos antes de sua morte, foi agraciado com as marcas da Paixão de Cristo, passando a ter nas mãos e pés as feridas correspondentes à crucifixão; na mesma ocasião também foi dotado de uma chaga correspondente à que foi feita pelo soldado que, com a lança, transpassara o coração de Jesus. Indo de encontro à cruz, teve a glória de receber os estigmas do Crucificado. Os estigmas da Paixão foram concedidos a Francisco em seguida a um momento de profunda oração contemplativa no Monte Alverne, em que o Crucificado lhe apareceu sob a forma inicial de um Serafim com seis asas. Registrou-se que suas mãos e pés pareciam atravessados bem no meio pelos cravos, aparecendo as cabeças no interior das mãos e em cima dos pés, com as ponta saindo do outro lado. Os sinais eram redondos no interior das mãos e longos no lado de fora, deixando ver um pedaço de carne como se fossem pontas de cravos entortados e rebatidas, saindo para fora da carne. Também nos pés estavam marcados os sinais dos cravos, sobressaindo da carne. O lado direito parecia atravessado por uma lança, com uma cicatriz fechada que muitas vezes soltava sangue, de maneira que sua túnica e suas calças estavam muitas vezes banhadas no sagrado sangue. Infelizmente foram muito poucos os que mereceram ver a ferida sagrada do seu peito, enquanto viveu crucificado o servo do Senhor crucificado. […] Pois tinha muito cuidado em esconder essas coisas dos estranhos, e ocultava-as mesmo dos mais chegados, de maneira que até os irmãos que eram seus companheiros e seguidores mais devotados não souberam delas por muito tempo. Buscando a perfeição, Frei Francisco tinha por costume não revelar, senão a poucos, ou a ninguém, o seu principal segredo, temendo que a revelação lhe trouxesse alguma predileção por parte dos outros que resultasse em detrimento da graça que tinha recebido. Por isso guardava sempre em seu coração e repetia aquela frase do profeta: “Escondi tuas palavras em meu coração para não pecar contra ti”. Frei Francisco partiu para a eternidade no início da noite de 3 de outubro de 1226, sendo canonizado menos de dois anos depois. Biografado por vários de seus filhos espirituais, teve a vida divulgada em verso e em prosa até mesmo por tradição oral, em que a verdade e a lenda se entrelaçaram tão magnífica e pitorescamente que, ainda que alguns detalhes não correspondam minuciosamente à história da família franciscana, retratam muito bem o espírito do franciscanismo e de seu Fundador, o seráfico São Francisco de Assis, cuja comemoração litúrgica ocorre em 4 de outubro. Biografia sugerida: SÃO FRANCISCO DE ASSIS (Escritos e biografias de São Francisco de Assis, Crônicas e outros testemunhos do primeiro século franciscano). Petrópolis, Editora Vozes, 2000, 9ª edição. #SãoFrancisco
- Homilia Diária | Mártires da Eucaristia no Brasil
(Mem. dos Santos André de Soveral e companheiros) Celebramos hoje os primeiros mártires do Brasil: os santos André de Soveral, Ambrósio Ferro e seus 30 companheiros, terrivelmente massacrados no século XVII nas mãos de calvinistas holandeses, por se recusarem a abjurar da fé católica na Santíssima Eucaristia e renegar a única Igreja em que se preservam a sucessão apostólica e os sacramentos que o Filho de Deus instituiu para a nossa santificação. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta terça-feira, dia 3 de outubro, e peçamos a estes santos mártires que, por sua intercessão, nos deem a graça de sermos católicos firmes e convictos, dispostos a dar a própria vida em testemunho da verdade da Santa Igreja Romana. Evangelho (Lc 9,51-56) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Veio o Filho do Homem, a fim de servir e dar sua vida em resgate por muitos. (Mc 10,45) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. 51 Estava chegando o tempo de Jesus ser levado para o céu. Então ele tomou a firme decisão de partir para Jerusalém 52 e enviou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram num povoado de samaritanos, a fim de preparar hospedagem para Jesus. 53 Mas os samaritanos não o receberam, pois Jesus dava a impressão de que ia a Jerusalém. 54 Vendo isso, os discípulos Tiago e João disseram: “Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para destruí-los?” 55 Jesus, porém, voltou-se e repreendeu-os. 56 E partiram para outro povoado. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Diária | Mártires da Eucaristia no Brasil
(Mem. dos Santos André de Soveral e companheiros) Celebramos hoje os primeiros mártires do Brasil: os santos André de Soveral, Ambrósio Ferro e seus 30 companheiros, terrivelmente massacrados no século XVII nas mãos de calvinistas holandeses, por se recusarem a abjurar da fé católica na Santíssima Eucaristia e renegar a única Igreja em que se preservam a sucessão apostólica e os sacramentos que o Filho de Deus instituiu para a nossa santificação. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta terça-feira, dia 3 de outubro, e peçamos a estes santos mártires que, por sua intercessão, nos deem a graça de sermos católicos firmes e convictos, dispostos a dar a própria vida em testemunho da verdade da Santa Igreja Romana. Evangelho (Lc 9,51-56) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Veio o Filho do Homem, a fim de servir e dar sua vida em resgate por muitos. (Mc 10,45) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. 51 Estava chegando o tempo de Jesus ser levado para o céu. Então ele tomou a firme decisão de partir para Jerusalém 52 e enviou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram num povoado de samaritanos, a fim de preparar hospedagem para Jesus. 53 Mas os samaritanos não o receberam, pois Jesus dava a impressão de que ia a Jerusalém. 54 Vendo isso, os discípulos Tiago e João disseram: “Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para destruí-los?” 55 Jesus, porém, voltou-se e repreendeu-os. 56 E partiram para outro povoado. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- São Dionísio Areopagita, bispo que conheceu a Virgem Maria – 3 de outubro
SANTO DO DIA – 03 DE OUTUBRO – SÃO DIONÍSIO AREOPAGITA Mártir (século I) Os cristãos sempre sofreram intensas perseguições, chacinas e saques durante o transcorrer dos séculos, principalmente no início da formação da Igreja. Tanto que muitos dos escritos foram queimados ou destruídos de outra forma. Por isso a memória da Igreja, às vezes, tem dados insuficientes sobre a vida e a obra de santos e mártires do seu passado mais remoto. Para que essas poucas evidências não se perdessem, ela se valeu das fontes mais fiéis da literatura mundial, que nada mais são do que as próprias narrações das antigas tradições orais cristãs preservadas pela humanidade. Interessante é o caso dos dois santos com o nome de Dionísio, venerados pelo cristianismo. A data de hoje é consagrada ao Areopagita, sendo, o outro santo, o primeiro bispo de Paris, festejado no dia 9 deste mês. O Dionísio homenageado foi convertido pelo apóstolo Paulo (At 17,34) durante a sua pregação aos gregos no Areópago, daí ter sido agregado ao seu nome o apelido de Areopagita. O Areópago era o tribunal supremo de Atenas, na Grécia, onde eram decididas as leis e regras gerais de conduta do povo. Só pertenciam a ele cidadãos nascidos na cidade, com posses, cultura e prestígio na comunidade. Dionísio era um desses areopagitas. Nascido na Grécia, no seio de uma nobre família pagã, estudou Filosofia e Astronomia em Atenas. Em seguida, foi para o Egito finalizar os estudos da Matemática. Ao regressar a Atenas, foi nomeado juiz. Até ele chegou o apóstolo Paulo, quando acusado ante o tribunal em que se encontrava Dionísio. Ao assistir à eloquente pregação de Paulo, Dionísio foi o primeiro a converter-se. Por isso conseguiu para si inimigos poderosos entre a elite pagã que comandava a cidade. Foi, então, que são Paulo acolheu o areopagita entre seus primeiros discípulos. Logo em seguida, Dionísio foi consagrado pelo próprio apóstolo como bispo de Atenas. Nessa condição, ele fez muitas viagens a terras estrangeiras, para pregar e aprender a cultura dos outros povos. Segundo se narra, nessas jornadas, teria conhecido pessoalmente são Pedro, são Tiago, são Lucas e outros apóstolos. Além de os registros antigos fazerem referência sobre ele na Dormição e Assunção da Virgem Maria, a mãe do Filho de Deus. Em Atenas, seus opositores na política conseguiram sua condenação à morte pelo fogo, mas ele se salvou, viajando para encontrar-se com o papa em Roma. Depois, só temos a informação do Martirológio Romano, na qual consta que são Dionísio Areopagita morreu sob a perseguição contra os cristãos no ano 95. Texto: Paulinas Internet Testemunho de quem viu pessoalmente Maria São Luís Grignion afirma no Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem “os encantos admiráveis com que o próprio Deus havia ornado a aparência exterior [de Nossa Senhora]. São Dionísio, o Areopagita, (…) diz que, quando a viu, tê-la-ia tomado por uma divindade, tal o encanto que emanava de sua pessoa de beleza incomparável, se a fé, em que estavabem confirmado, não lhe ensinasse o contrário” . (1) Quem é São Dionísio Areopagita que teve a ventura de conhecer pessoalmente Nossa Senhora? São Lucas nos Atos do Apóstolos refere-se a Dionísio (At 17, 34) na narrativa do apostolado de São Paulo no Areópago de Atenas. Este era um misto de Senado, academia de filósofos e corte suprema de justiça. A graça, servindo-se da eloquêcia de São Paulo, tocou a fundo o coração de Dionísio, convertendo-o das trevas do paganismo para a luz da verdadeira fé. Dionísio após a conversão conheceu pessoalmente São Pedro, São Tiago e o Evangelista São lucas, este em Éfeso. Em Éfeso vivia nada mais que Nossa Senhora. Foi aí que Dionísio A conheceu e foi objeto do zelo apostólico da Mãe do Salvador. Seu primeiro encontro com Maria Santíssima proporcionou o comentário a que se refere São Luís Grignion. Primeiro Bispo de Atenas Confirmado assim na fé, de volta a Atenas foi sagrado por São Paulo seu primeiro Bispo. São atribuídas a São Dionísio inúmeras obras doutrinárias e narrativas históricas, nas quais relata muitos fatos dos quais foi testemunha ocular ou ouviu diretamente das mesmas. Entre estas últimas estão vários Apóstolos ou discípulos contemporâneos a Jesus. Devido ao rápido crescimento da comunidade cristã, os pagãos procuravam obstaculizar por todos modos. Tal ódio logo teve como alvo a Dionísio que foi condenado à morte pelo fogo. Uma frase sua sobre Nossa Senhora mostra como Ela era venerada pelos primeiros cristãos: “[Maria] é Fonte da Vida, que recebeu o Deus Encarnado” . (2) (1) São Luís Grignion de Montfort, Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, Ed. Vozes, Petrópolis, 46ª edição, nº 49, p. 52-53. (2) São Dionísio Areopagita, Obras Completas, São Paulo, Ed. Paulus, 2004. #SantodoDia
- São Dionísio Areopagita, bispo que conheceu a Virgem Maria – 3 de outubro
SANTO DO DIA – 03 DE OUTUBRO – SÃO DIONÍSIO AREOPAGITA Mártir (século I) Os cristãos sempre sofreram intensas perseguições, chacinas e saques durante o transcorrer dos séculos, principalmente no início da formação da Igreja. Tanto que muitos dos escritos foram queimados ou destruídos de outra forma. Por isso a memória da Igreja, às vezes, tem dados insuficientes sobre a vida e a obra de santos e mártires do seu passado mais remoto. Para que essas poucas evidências não se perdessem, ela se valeu das fontes mais fiéis da literatura mundial, que nada mais são do que as próprias narrações das antigas tradições orais cristãs preservadas pela humanidade. Interessante é o caso dos dois santos com o nome de Dionísio, venerados pelo cristianismo. A data de hoje é consagrada ao Areopagita, sendo, o outro santo, o primeiro bispo de Paris, festejado no dia 9 deste mês. O Dionísio homenageado foi convertido pelo apóstolo Paulo (At 17,34) durante a sua pregação aos gregos no Areópago, daí ter sido agregado ao seu nome o apelido de Areopagita. O Areópago era o tribunal supremo de Atenas, na Grécia, onde eram decididas as leis e regras gerais de conduta do povo. Só pertenciam a ele cidadãos nascidos na cidade, com posses, cultura e prestígio na comunidade. Dionísio era um desses areopagitas. Nascido na Grécia, no seio de uma nobre família pagã, estudou Filosofia e Astronomia em Atenas. Em seguida, foi para o Egito finalizar os estudos da Matemática. Ao regressar a Atenas, foi nomeado juiz. Até ele chegou o apóstolo Paulo, quando acusado ante o tribunal em que se encontrava Dionísio. Ao assistir à eloquente pregação de Paulo, Dionísio foi o primeiro a converter-se. Por isso conseguiu para si inimigos poderosos entre a elite pagã que comandava a cidade. Foi, então, que são Paulo acolheu o areopagita entre seus primeiros discípulos. Logo em seguida, Dionísio foi consagrado pelo próprio apóstolo como bispo de Atenas. Nessa condição, ele fez muitas viagens a terras estrangeiras, para pregar e aprender a cultura dos outros povos. Segundo se narra, nessas jornadas, teria conhecido pessoalmente são Pedro, são Tiago, são Lucas e outros apóstolos. Além de os registros antigos fazerem referência sobre ele na Dormição e Assunção da Virgem Maria, a mãe do Filho de Deus. Em Atenas, seus opositores na política conseguiram sua condenação à morte pelo fogo, mas ele se salvou, viajando para encontrar-se com o papa em Roma. Depois, só temos a informação do Martirológio Romano, na qual consta que são Dionísio Areopagita morreu sob a perseguição contra os cristãos no ano 95. Texto: Paulinas Internet Testemunho de quem viu pessoalmente Maria São Luís Grignion afirma no Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem “os encantos admiráveis com que o próprio Deus havia ornado a aparência exterior [de Nossa Senhora]. São Dionísio, o Areopagita, (…) diz que, quando a viu, tê-la-ia tomado por uma divindade, tal o encanto que emanava de sua pessoa de beleza incomparável, se a fé, em que estavabem confirmado, não lhe ensinasse o contrário” . (1) Quem é São Dionísio Areopagita que teve a ventura de conhecer pessoalmente Nossa Senhora? São Lucas nos Atos do Apóstolos refere-se a Dionísio (At 17, 34) na narrativa do apostolado de São Paulo no Areópago de Atenas. Este era um misto de Senado, academia de filósofos e corte suprema de justiça. A graça, servindo-se da eloquêcia de São Paulo, tocou a fundo o coração de Dionísio, convertendo-o das trevas do paganismo para a luz da verdadeira fé. Dionísio após a conversão conheceu pessoalmente São Pedro, São Tiago e o Evangelista São lucas, este em Éfeso. Em Éfeso vivia nada mais que Nossa Senhora. Foi aí que Dionísio A conheceu e foi objeto do zelo apostólico da Mãe do Salvador. Seu primeiro encontro com Maria Santíssima proporcionou o comentário a que se refere São Luís Grignion. Primeiro Bispo de Atenas Confirmado assim na fé, de volta a Atenas foi sagrado por São Paulo seu primeiro Bispo. São atribuídas a São Dionísio inúmeras obras doutrinárias e narrativas históricas, nas quais relata muitos fatos dos quais foi testemunha ocular ou ouviu diretamente das mesmas. Entre estas últimas estão vários Apóstolos ou discípulos contemporâneos a Jesus. Devido ao rápido crescimento da comunidade cristã, os pagãos procuravam obstaculizar por todos modos. Tal ódio logo teve como alvo a Dionísio que foi condenado à morte pelo fogo. Uma frase sua sobre Nossa Senhora mostra como Ela era venerada pelos primeiros cristãos: “[Maria] é Fonte da Vida, que recebeu o Deus Encarnado” . (2) (1) São Luís Grignion de Montfort, Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, Ed. Vozes, Petrópolis, 46ª edição, nº 49, p. 52-53. (2) São Dionísio Areopagita, Obras Completas, São Paulo, Ed. Paulus, 2004. #SantodoDia
- Resposta do papa Francisco às “dubia” levantadas por cinco cardeais
O Vaticano divulgou as respostas originais do Papa Francisco a um conjunto de dubia sobre questões doutrinárias altamente carregadas apresentadas por cinco cardeais no início deste verão – e criticou os cardeais por tornarem o assunto público poucos dias antes do início do Sínodo sobre a Sinodalidade. As respostas do papa , emitidas originalmente em 11 de julho, responderam a pedidos de esclarecimento doutrinário sobre a natureza do desenvolvimento da doutrina, a incapacidade da Igreja de abençoar as uniões do mesmo sexo, a autoridade do próximo Sínodo, a impossibilidade de ordenar sacramentalmente mulheres e a necessidade de arrependimento para ser absolvido sacramentalmente. Elas foram disponibilizadas no site do Vaticano hoje cedo, poucas horas depois de os cardeais terem anunciado publicamente que o papa não havia respondido a um conjunto revisado de perguntas destinadas a obter respostas mais claras. “Embora nem sempre me pareça prudente responder às perguntas dirigidas especificamente a mim, e seria impossível abordar todas elas, neste caso, pareceu-me apropriado fazê-lo devido à proximidade do Sínodo, ” escreveu o papa em resposta às dubia dos cardeais em 10 de julho, dirigindo-se a eles como “queridos irmãos”. Os cinco cardeais – o cardeal alemão Walter Brandmüller, o cardeal americano Raymond Burke, o cardeal chinês Zen Ze-Kiun, o cardeal mexicano Juan Sandoval Íñiguez e o cardeal guineense Robert Sarah – submeteram um conjunto revisado de dubia ao papa em 21 de agosto porque, como eles disse hoje numa declaração ao National Catholic Register, as suas respostas originais não foram no formato habitual de “sim” ou “não”, e “não resolveram as dúvidas que tínhamos levantado, mas, pelo menos, aprofundaram-nas”. Os cardeais tornaram públicas as suas dubia hoje cedo, depois de o papa não ter respondido ao seu conjunto revisto de perguntas. No entanto, um alto funcionário do Vaticano criticou duramente os cinco cardeais por não divulgarem simultaneamente as respostas originais do papa, que ele lhes forneceu “apesar das suas muitas ocupações”. “Em vez de publicarem essas respostas, eles agora tornam públicas novas questões, como se o papa fosse seus escravos para tarefas”, disse o cardeal Victor Manuel Fernandez, novo chefe do escritório de doutrina do Vaticano, à agência de notícias espanhola ABC. Os cinco cardeais disseram que não publicaram as respostas do papa porque foram dirigidas especificamente a eles e, portanto, não seria apropriado compartilhá-las publicamente. A resposta do papa Nas suas respostas recém-lançadas em 11 de julho, o papa forneceu respostas extensas e em várias partes para cada pergunta enviada. Em resposta às dúvidas dos cardeais sobre as bênçãos das uniões sexuais entre pessoas do mesmo sexo, o papa sublinhou que a Igreja “evita qualquer rito ou sacramental que possa contradizer” a sua convicção no casamento como “uma união exclusiva, estável e indissolúvel entre um homem”. e uma mulher, naturalmente aberta à procriação.” “No entanto”, escreveu o Papa, “no trato com as pessoas, não devemos perder a caridade pastoral”, afirmando ainda que “a prudência pastoral deve discernir adequadamente se existem formas de bênção, solicitadas por uma ou mais pessoas, que não transmitem uma concepção errada do casamento” e, citando a sua exortação apostólica Amoris Laetitia de 2015 , “não têm necessariamente de se tornar uma norma”. Ao abordar a questão dos cardeais relacionada ao desenvolvimento da doutrina e à possibilidade de contradição, o Papa Francisco escreveu que embora “as mudanças culturais e os novos desafios na história não modifiquem a revelação”, a Igreja deve sempre se esforçar para interpretar os textos de uma forma que “ permite-nos distinguir as suas substâncias perenes dos condicionamentos culturais”, com especial atenção à interpretação dos textos à luz da “verdade perene da dignidade inalienável da pessoa humana”. Porque não pode haver mudança “naquilo que foi revelado ‘para a salvação’ de todos”, a Igreja deve discernir constantemente o que é essencial para a salvação e o que é secundário ou menos diretamente ligado a este objetivo”, o que pode inevitavelmente “levar a uma melhor expressão de algumas afirmações passadas do magistério”. Sobre o tema da autoridade do próximo Sínodo, o papa reafirmou o seu ensinamento de que a Igreja é inerentemente sinodal, implicando uma “participação real” de todos os seus membros de maneiras que “devem fazer com que a sua voz seja ouvida e se sinta parte da jornada da Igreja”, mas ele não pareceu abordar diretamente a questão dos cardeais sobre a extensão da autoridade do Sínodo. Relativamente à ordenação pela Igreja apenas de homens ao sacerdócio, o Papa Francisco escreveu que o ensinamento estabelecido pela Igreja sobre o assunto “deve ser aceite por todos”, apesar de não ter sido fornecida uma “definição dogmática” sobre a questão. No entanto, embora ninguém possa contradizer publicamente este ensinamento, ele ainda pode ser “objeto de estudo, como é o caso da validade das ordenações na Comunhão Anglicana”. O papa também acrescentou que não reconhecer que o sacerdócio está “inteiramente ordenado à santidade dos membros de Cristo” tornaria “difícil aceitar que o sacerdócio é reservado apenas aos homens”. Finalmente, o papa afirmou a necessidade do arrependimento para a validade da absolvição sacramental, mas observou que “aqui não há matemática” e que os ministros ordenados devem “abrir espaço no cuidado pastoral para o amor incondicional de Deus”, especialmente nos casos em que o penitente estado psicológico ou “auto-estima profundamente ferida” podem inibir a sua capacidade de seguir práticas típicas no confessionário. Leia as respostas na Íntegra O documento foi publicado em espanhol no site do Vaticano em formato pdf e contém o pedido que o prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, cardeal Víctor Fernández, fez ao papa Francisco para divulgar esta comunicação, o texto completo das dubia apresentadas e as respostas completas do papa. As respostas do papa Francisco foram traduzidas ao português por Vatican News: 1) Dubium sobre a afirmação de que a Revelação Divina deve ser reinterpretada de acordo com as mudanças culturais e antropológicas em voga. Após as afirmações de alguns bispos, que não foram corrigidas nem retratadas, surge a questão de saber se a Revelação Divina na Igreja deve ser reinterpretada de acordo com as mudanças culturais de nosso tempo e de acordo com a nova visão antropológica que essas mudanças promovem; ou se a Revelação Divina é vinculante para sempre, imutável e, portanto, não pode ser contradita, de acordo com o que foi ditado pelo Concílio Vaticano II, de que a Deus que revela é devida “a obediência da fé” (Dei Verbum 5); de que o que é revelado para a salvação de todos deve permanecer “para sempre intacto” e vivo, e ser “transmitido a todas as gerações” (7) e de que o progresso da compreensão não implica nenhuma mudança na verdade das coisas e das palavras, porque a fé foi “transmitida de uma vez por todas” (8), e o Magistério não é superior à palavra de Deus, mas ensina apenas o que foi transmitido (10). Respostas do papa Francisco Caros irmãos, embora nem sempre pareça prudente responder diretamente às perguntas que me são dirigidas, e seria impossível responder a todas elas, neste caso considerei oportuno fazê-lo, dada a proximidade do Sínodo. Resposta à primeira pergunta a) A resposta depende do significado que atribuem à palavra “reinterpretar”. Se for entendida como “interpretar melhor”, a expressão é válida. Nesse sentido, o Concílio Vaticano II afirmou que é necessário que, através do trabalho dos exegetas – e eu acrescentaria, dos teólogos – “o juízo da Igreja amadureça” (Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição Dogmática Dei Verbum, 12). b) Portanto, se é verdade que a Revelação divina é imutável e sempre vinculante, a Igreja deve ser humilde e reconhecer que nunca esgota sua insondável riqueza e precisa crescer em sua compreensão. c) Consequentemente, também cresce em sua compreensão do que ela mesma afirmou em seu Magistério. d) As mudanças culturais e os novos desafios da história não alteram a Revelação, mas podem nos estimular a expressar melhor certos aspectos de sua riqueza transbordante que oferece sempre mais. e) É inevitável que isso possa levar a uma melhor expressão de algumas afirmações passadas do Magistério, e isso de fato aconteceu ao longo da história. f) Por outro lado, é verdade que o Magistério não é superior à Palavra de Deus, mas também é verdade que tanto os textos da Escritura quanto os testemunhos da Tradição precisam de uma interpretação que permita distinguir sua substância perene dos condicionamentos culturais. Isso é evidente, por exemplo, em textos bíblicos (como Êxodo 21, 20-21) e em algumas intervenções magisteriais que toleravam a escravidão (cf. Nicolau V, Bula Dum Diversas, 1452). Esse não é um argumento secundário, dada sua íntima conexão com a verdade perene da dignidade inalienável da pessoa humana. Esses textos precisam de uma interpretação. O mesmo se aplica a algumas considerações do Novo Testamento sobre as mulheres (1 Coríntios 11, 3-10; 1 Timóteo 2, 11-14) e a outros textos da Escritura e testemunhos da Tradição que não podem ser repetidos hoje assim como. g) É importante enfatizar que o que não pode mudar é o que foi revelado “para a salvação de todos” (Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição Dogmática Dei Verbum, 7). Portanto, a Igreja deve discernir constantemente o que é essencial para a salvação e o que é secundário ou menos diretamente relacionado a esse objetivo. Interessa-me recordar o que São Tomás de Aquino afirmou: “quanto mais se vai aos particulares, mais aumenta a indeterminação” (Summa Theologiae 1-1 1, q. 94, art. 4). h) Por fim, uma única formulação de uma verdade nunca pode ser compreendida adequadamente se for apresentada isoladamente, isolada do contexto rico e harmonioso de toda a Revelação. A “hierarquia das verdades” também implica colocar cada verdade em conexão adequada com verdades mais centrais e com o ensino da Igreja como um todo. Isso pode levar a diferentes maneiras de expor a mesma doutrina, mesmo que “para aqueles que sonham com uma doutrina monolítica defendida por todos sem nuances, isso pode parecer uma dispersão imperfeita. Mas a realidade é que tal variedade ajuda a manifestar e desenvolver melhor os diferentes aspectos da inesgotável riqueza do Evangelho (Evangelii gaudium, 40). Toda corrente teológica tem seus riscos, mas também suas oportunidades. 2) Dubium sobre a afirmação de que a prática difusa de abençoar uniões do mesmo sexo está de acordo com a Revelação e o Magistério (CCC 2357). De acordo com a Revelação Divina, atestada na Sagrada Escritura, que a Igreja, “por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, piedosamente escuta, santamente conserva e fielmente expõe” (Dei Verbum IO): “No princípio” Deus criou o homem à sua imagem, macho e fêmea os criou e os abençoou, para que fossem fecundos (cf. Gn 1, 27-28), pelo que o Apóstolo Paulo ensina que negar a diferença sexual é a consequência de negar o Criador (Rm 1, 24-32). Pergunta-se: pode a Igreja derrogar esse “princípio”, considerando-o, em contraste com o que ensina a Veritatis splendor 103, como um mero ideal, e aceitando como “bem possível” situações objetivamente pecaminosas, como as uniões entre pessoas do mesmo sexo, sem deixar de respeitar a doutrina revelada? Resposta do Papa Francisco à segunda pergunta a) A Igreja tem uma concepção muito clara do matrimônio: uma união exclusiva, estável e indissolúvel entre um homem e uma mulher, naturalmente aberta a gerar filhos. Somente essa união pode ser chamada de “matrimônio”. Outras formas de união o realizam apenas “de maneira parcial e analógica” (Amoris laetitia 292), portanto não podem ser chamadas estritamente de “matrimônio”. b) Não se trata apenas de uma questão de nomes, mas a realidade que chamamos de matrimônio tem uma constituição essencial única que requer um nome exclusivo, não aplicável a outras realidades. É, sem dúvida, muito mais do que um mero “ideal”. c) Por essa razão, a Igreja evita qualquer tipo de rito ou sacramental que possa contradizer essa convicção e levar a entender que se reconheça como matrimônio algo que não o é. d) Todavia, em nosso relacionamento com as pessoas, não devemos perder a caridade pastoral, que deve permear todas as nossas decisões e atitudes. A defesa da verdade objetiva não é a única expressão dessa caridade, que também é composta de gentileza, paciência, compreensão, ternura e encorajamento. Portanto, não podemos ser juízes que apenas negam, rejeitam, excluem. e) Portanto, a prudência pastoral deve discernir adequadamente se existem formas de bênção, solicitadas por uma ou mais pessoas, que não transmitam um conceito errôneo de matrimônio. Pois, quando se pede uma bênção, está se expressando um pedido de ajuda a Deus, uma súplica para poder viver melhor, uma confiança em um Pai que pode nos ajudar a viver melhor. f) Por outro lado, embora existam situações que, de um ponto de vista objetivo, não são moralmente aceitáveis, a mesma caridade pastoral exige que não tratemos simplesmente como “pecadores” outras pessoas cuja culpa ou responsabilidade pode ser atenuada por vários fatores que influenciam a imputabilidade subjetiva (cf. São João Paulo II, Reconciliatio et Paenitentia, 17). g) As decisões que podem fazer parte da prudência pastoral em determinadas circunstâncias não precisam necessariamente se tornar uma norma. Ou seja, não é conveniente que uma Diocese, uma Conferência Episcopal ou qualquer outra estrutura eclesial habilite constante e oficialmente procedimentos ou ritos para todo tipo de questão, pois tudo “que faz parte de um discernimento prático diante de uma situação particular não pode ser elevado ao nível de norma”, porque isso “daria lugar a uma casuística insuportável” (Amoris laetitia 304). O Direito Canônico não deve e não pode abranger tudo, nem as Conferências Episcopais, com seus vários documentos e protocolos, devem pretender isso, uma vez que a vida da Igreja flui por muitos canais além dos normativos. 3) Dubium acerca da afirmação de que a sinodalidade é “dimensão constitutiva da Igreja” (Cost.Ap. Episcopalis Communio 6), de modo que a Igreja seria por sua natureza sinodal. Já que o Sínodo dos bispos não representa o colégio episcopal, mas é um mero órgão consultivo do Papa, enquanto os bispos, como testemunhas da fé, não podem delegar sua confissão da verdade, se questiona se a sinodalidade pode ser critério regulamentar supremo do governo permanente da Igreja sem alterar o seu regime constitutivo desejado pelo seu Fundador, para o qual a suprema e plena autoridade da Igreja é exercitada seja pelo Papa, em virtude do seu cargo, seja pelo colégio dos bispos juntamente com a sua cabeça, o Romano Pontífice (Lumen gentium 22). Resposta do papa Francisco à terceira pergunta a) Não obstante reconheçam que a autoridade suprema e plena da Igreja seja exercitada seja pelo Papa em virtude do seu cargo, seja pelo colégio dos bispos com a sua cabeça o Romano Pontífice (Cfr. Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição dogmática Lumen gentium, 22), com essas mesmas perguntas os senhores manifestam a própria necessidade de participar, de expressar livremente o seu parecer e de colaborar, pedindo assim uma forma de “sinodalidade” no exercício do meu ministério. b) A Igreja é um “mistério de comunhão missionária”, mas esta comunhão não é somente afetiva ou etérea, mas implica necessariamente uma participação real: não só a hierarquia, mas todo o Povo de Deus em modos diversos e em diferentes níveis pode fazer ouvir a própria voz e sentir-se parte do caminho da Igreja. Neste sentido, podemos dizer que a sinodalidade, como estilo e dinamismo, é uma dimensão essencial da vida da Igreja. Sobre este ponto, disse coisas muito belas são João Paulo II na Novo millennio ineunte. c) Outra coisa é sacralizar ou impor uma determinada metodologia sinodal que agrada um grupo, transformá-la em norma e percurso obrigatório para todos, porque isto levaria somente a “congelar” o caminho sinodal, ignorando as diversas características das várias Igrejas particulares e a variegada riqueza da Igreja universal. 4) Dubium acerca do apoio de pastores e teólogos à teoria de que “a teologia da Igreja mudou” e que, portanto, a ordenação sacerdotal pode ser conferida às mulheres. Após as afirmações de alguns prelados, que não foram nem corrigidas nem retratadas, segundo os quais com o Vaticano II teria mudado a teologia da Igreja e o significado da Missa, se questiona se ainda é válido o ditado do Concílio Vaticano II, de que “o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial diferem essencialmente e não apenas em grau” (Lumen Gentium IO) e que os presbíteros, em virtude do “sacro poder da ordem para oferecer o sacrifício e perdoar os pecados” (Presbyterorum Ordinis 2), agem em nome e na pessoa de Cristo mediador, por meio do qual tornou-se perfeito o sacrifício espiritual dos fiéis. Questiona-se também se ainda é válido o ensinamento da carta apostólica de são João Paulo II Ordinatio Sacerdotalis, que ensina como verdade a ser considerada definitiva a impossibilidade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, de modo que este ensinamento não está mais sujeito a mudanças nem à livre discussão dos pastores ou dos teólogos. Resposta do papa Francisco à quarta pergunta a) “O sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial diferem essencialmente” (Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição dogmática Lumen gentium, 10). Não é oportuno apoiar uma diferença de grau que implique considerar o sacerdócio comum dos fiéis como algo de “segunda categoria” ou de menor valor (“um grau inferior”). Ambas as formas de sacerdócio se iluminam e se amparam reciprocamente. b) Quando são João Paulo II ensinou que é preciso afirmar “de modo definitivo” a impossibilidade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres de modo algum estava denigrando as mulheres e conferindo um poder supremo aos homens. São João Paulo II afirmou também outras coisas. Por exemplo, que quando falamos do poder sacerdotal “estamos no âmbito da função, não da dignidade e da santidade”. (são João Paulo II, Christifideles laici, 51). São palavras que não colhemos suficientemente. Afirmou ainda claramente que não obstante só o sacerdote presida à Eucaristia, as tarefas “não dão justificação à superioridade de uns sobre os outros” (são João Paulo II, Christifideles laici, nota 190; Cfr. Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Inter Insigniores, VI). Afirmou também que se a função sacerdotal é “hierárquica”, não deve ser compreendida como uma forma de domínio, mas “é totalmente ordenada à santidade dos membros de Cristo” (são João Paulo II, Mulieris dignitatem, 27). Se isto não for compreendido e não forem tiradas as consequências práticas dessas distinções, será difícil aceitar que o sacerdócio seja reservado só aos homens e não poderemos reconhecer os direitos das mulheres ou a necessidade de que elas participem, de vários modos, na condução da Igreja. c) De outro lado, para ser rigorosos, reconheçamos que ainda não foi desenvolvida exaustivamente uma doutrina clara e com autoridade sobre a natureza exata de uma “declaração definitiva”. Não é uma definição dogmática, e mesmo assim deve ser aceita por todos. Ninguém pode contradizê-la publicamente e todavia pode ser objeto de estudo, como no caso da validade das ordenações na Comunhão anglicana. 5) Dubium acerca da afirmação de que “o perdão é um direito humano” e a insistência do Santo Padre sobre o dever de absolver todos e sempre, para o qual o arrependimento não seria condição necessária para a absolvição sacramental. Questiona-se se ainda está em vigor o ensinamento do Concílio de Trento, segundo o qual, para a validade da confissão sacramental, é necessária a contrição do penitente, que consiste em detestar o pecado cometido com o propósito de não pecar mais (Parágrafo XIV, Capítulo IV: DH 1676), de modo que o sacerdote deve adiar a absolvição quando estiver claro que esta condição não foi realizada. Resposta do papa Francisco à quinta pergunta a) O arrependimento é necessário para a validade da absolvição sacramental e implica a intenção de não pecar. Mas aqui não há matemática e devo recordar mais uma vez que o confessionário não é uma alfândega. Não somos os donos, mas humildes administradores dos Sacramentos que nutrem os fiéis, porque estes dons do Senhor, mais do que relíquias a conservar, são auxílio do Espírito Santo para a vida das pessoas. b) Existem muitas maneiras de expressar arrependimento. Muitas vezes, nas pessoas que estão com a autoestima muito ferida, declararem-se culpadas é uma tortura cruel, mas só o ato de se aproximar da confissão é uma expressão simbólica de arrependimento e de busca da ajuda divina. c) Quero também recordar que “às vezes nos custa muito dar espaço na pastoral ao amor incondicional de Deus” (Amoris laetitia 311), mas se deve aprender. Seguindo são João Paulo II, defendo que não devemos pedir aos fiéis propósitos de correção demasiados detalhados e firmes, que no final acabam por ser abstratos ou até mesmo narcisistas, mas inclusive a previsibilidade de uma nova queda “não prejudica a autenticidade do propósito” (são João Paulo II, Carta ao Card. William W. Baum e aos participantes do curso anual da Penitenciaria Apostólica, 22 de março de 1996, 5). d) Por fim, deve ser claro que todas as condições que normalmente se colocam na confissão geralmente não são aplicáveis quando a pessoa se encontra numa situação de agonia ou com as suas capacidades mentais e psíquicas muito limitadas. Papa Francisco Prelúdio do Sínodo As idas e vindas públicas sobre as dubia dos cardeais e a resposta do papa acontecem apenas dois dias antes do início do Sínodo sobre a assembleia universal da Sinodalidade, que acontece de 4 a 29 de outubro. Os cardeais declararam expressamente que decidiram apresentar as suas preocupações “em vista de várias declarações de prelados de alto escalão” feitas em relação ao próximo Sínodo que foram “abertamente contrárias à constante doutrina e disciplina da Igreja”. Os organizadores do Vaticano insistiram que o Sínodo – que inclui uma assembleia adicional em Outubro de 2024 – não se concentra em questões doutrinais, mas em como a Igreja pode aumentar a participação de todos os seus membros na sua comunhão e missão. Fonte: Catholic News Agency e ACI Digital #papafrancisco #Vaticano
- Resposta do papa Francisco às “dubia” levantadas por cinco cardeais
O Vaticano divulgou as respostas originais do Papa Francisco a um conjunto de dubia sobre questões doutrinárias altamente carregadas apresentadas por cinco cardeais no início deste verão – e criticou os cardeais por tornarem o assunto público poucos dias antes do início do Sínodo sobre a Sinodalidade. As respostas do papa , emitidas originalmente em 11 de julho, responderam a pedidos de esclarecimento doutrinário sobre a natureza do desenvolvimento da doutrina, a incapacidade da Igreja de abençoar as uniões do mesmo sexo, a autoridade do próximo Sínodo, a impossibilidade de ordenar sacramentalmente mulheres e a necessidade de arrependimento para ser absolvido sacramentalmente. Elas foram disponibilizadas no site do Vaticano hoje cedo, poucas horas depois de os cardeais terem anunciado publicamente que o papa não havia respondido a um conjunto revisado de perguntas destinadas a obter respostas mais claras. “Embora nem sempre me pareça prudente responder às perguntas dirigidas especificamente a mim, e seria impossível abordar todas elas, neste caso, pareceu-me apropriado fazê-lo devido à proximidade do Sínodo, ” escreveu o papa em resposta às dubia dos cardeais em 10 de julho, dirigindo-se a eles como “queridos irmãos”. Os cinco cardeais – o cardeal alemão Walter Brandmüller, o cardeal americano Raymond Burke, o cardeal chinês Zen Ze-Kiun, o cardeal mexicano Juan Sandoval Íñiguez e o cardeal guineense Robert Sarah – submeteram um conjunto revisado de dubia ao papa em 21 de agosto porque, como eles disse hoje numa declaração ao National Catholic Register, as suas respostas originais não foram no formato habitual de “sim” ou “não”, e “não resolveram as dúvidas que tínhamos levantado, mas, pelo menos, aprofundaram-nas”. Os cardeais tornaram públicas as suas dubia hoje cedo, depois de o papa não ter respondido ao seu conjunto revisto de perguntas. No entanto, um alto funcionário do Vaticano criticou duramente os cinco cardeais por não divulgarem simultaneamente as respostas originais do papa, que ele lhes forneceu “apesar das suas muitas ocupações”. “Em vez de publicarem essas respostas, eles agora tornam públicas novas questões, como se o papa fosse seus escravos para tarefas”, disse o cardeal Victor Manuel Fernandez, novo chefe do escritório de doutrina do Vaticano, à agência de notícias espanhola ABC. Os cinco cardeais disseram que não publicaram as respostas do papa porque foram dirigidas especificamente a eles e, portanto, não seria apropriado compartilhá-las publicamente. A resposta do papa Nas suas respostas recém-lançadas em 11 de julho, o papa forneceu respostas extensas e em várias partes para cada pergunta enviada. Em resposta às dúvidas dos cardeais sobre as bênçãos das uniões sexuais entre pessoas do mesmo sexo, o papa sublinhou que a Igreja “evita qualquer rito ou sacramental que possa contradizer” a sua convicção no casamento como “uma união exclusiva, estável e indissolúvel entre um homem”. e uma mulher, naturalmente aberta à procriação.” “No entanto”, escreveu o Papa, “no trato com as pessoas, não devemos perder a caridade pastoral”, afirmando ainda que “a prudência pastoral deve discernir adequadamente se existem formas de bênção, solicitadas por uma ou mais pessoas, que não transmitem uma concepção errada do casamento” e, citando a sua exortação apostólica Amoris Laetitia de 2015 , “não têm necessariamente de se tornar uma norma”. Ao abordar a questão dos cardeais relacionada ao desenvolvimento da doutrina e à possibilidade de contradição, o Papa Francisco escreveu que embora “as mudanças culturais e os novos desafios na história não modifiquem a revelação”, a Igreja deve sempre se esforçar para interpretar os textos de uma forma que “ permite-nos distinguir as suas substâncias perenes dos condicionamentos culturais”, com especial atenção à interpretação dos textos à luz da “verdade perene da dignidade inalienável da pessoa humana”. Porque não pode haver mudança “naquilo que foi revelado ‘para a salvação’ de todos”, a Igreja deve discernir constantemente o que é essencial para a salvação e o que é secundário ou menos diretamente ligado a este objetivo”, o que pode inevitavelmente “levar a uma melhor expressão de algumas afirmações passadas do magistério”. Sobre o tema da autoridade do próximo Sínodo, o papa reafirmou o seu ensinamento de que a Igreja é inerentemente sinodal, implicando uma “participação real” de todos os seus membros de maneiras que “devem fazer com que a sua voz seja ouvida e se sinta parte da jornada da Igreja”, mas ele não pareceu abordar diretamente a questão dos cardeais sobre a extensão da autoridade do Sínodo. Relativamente à ordenação pela Igreja apenas de homens ao sacerdócio, o Papa Francisco escreveu que o ensinamento estabelecido pela Igreja sobre o assunto “deve ser aceite por todos”, apesar de não ter sido fornecida uma “definição dogmática” sobre a questão. No entanto, embora ninguém possa contradizer publicamente este ensinamento, ele ainda pode ser “objeto de estudo, como é o caso da validade das ordenações na Comunhão Anglicana”. O papa também acrescentou que não reconhecer que o sacerdócio está “inteiramente ordenado à santidade dos membros de Cristo” tornaria “difícil aceitar que o sacerdócio é reservado apenas aos homens”. Finalmente, o papa afirmou a necessidade do arrependimento para a validade da absolvição sacramental, mas observou que “aqui não há matemática” e que os ministros ordenados devem “abrir espaço no cuidado pastoral para o amor incondicional de Deus”, especialmente nos casos em que o penitente estado psicológico ou “auto-estima profundamente ferida” podem inibir a sua capacidade de seguir práticas típicas no confessionário. Leia as respostas na Íntegra O documento foi publicado em espanhol no site do Vaticano em formato pdf e contém o pedido que o prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, cardeal Víctor Fernández, fez ao papa Francisco para divulgar esta comunicação, o texto completo das dubia apresentadas e as respostas completas do papa. As respostas do papa Francisco foram traduzidas ao português por Vatican News: 1) Dubium sobre a afirmação de que a Revelação Divina deve ser reinterpretada de acordo com as mudanças culturais e antropológicas em voga. Após as afirmações de alguns bispos, que não foram corrigidas nem retratadas, surge a questão de saber se a Revelação Divina na Igreja deve ser reinterpretada de acordo com as mudanças culturais de nosso tempo e de acordo com a nova visão antropológica que essas mudanças promovem; ou se a Revelação Divina é vinculante para sempre, imutável e, portanto, não pode ser contradita, de acordo com o que foi ditado pelo Concílio Vaticano II, de que a Deus que revela é devida “a obediência da fé” (Dei Verbum 5); de que o que é revelado para a salvação de todos deve permanecer “para sempre intacto” e vivo, e ser “transmitido a todas as gerações” (7) e de que o progresso da compreensão não implica nenhuma mudança na verdade das coisas e das palavras, porque a fé foi “transmitida de uma vez por todas” (8), e o Magistério não é superior à palavra de Deus, mas ensina apenas o que foi transmitido (10). Respostas do papa Francisco Caros irmãos, embora nem sempre pareça prudente responder diretamente às perguntas que me são dirigidas, e seria impossível responder a todas elas, neste caso considerei oportuno fazê-lo, dada a proximidade do Sínodo. Resposta à primeira pergunta a) A resposta depende do significado que atribuem à palavra “reinterpretar”. Se for entendida como “interpretar melhor”, a expressão é válida. Nesse sentido, o Concílio Vaticano II afirmou que é necessário que, através do trabalho dos exegetas – e eu acrescentaria, dos teólogos – “o juízo da Igreja amadureça” (Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição Dogmática Dei Verbum, 12). b) Portanto, se é verdade que a Revelação divina é imutável e sempre vinculante, a Igreja deve ser humilde e reconhecer que nunca esgota sua insondável riqueza e precisa crescer em sua compreensão. c) Consequentemente, também cresce em sua compreensão do que ela mesma afirmou em seu Magistério. d) As mudanças culturais e os novos desafios da história não alteram a Revelação, mas podem nos estimular a expressar melhor certos aspectos de sua riqueza transbordante que oferece sempre mais. e) É inevitável que isso possa levar a uma melhor expressão de algumas afirmações passadas do Magistério, e isso de fato aconteceu ao longo da história. f) Por outro lado, é verdade que o Magistério não é superior à Palavra de Deus, mas também é verdade que tanto os textos da Escritura quanto os testemunhos da Tradição precisam de uma interpretação que permita distinguir sua substância perene dos condicionamentos culturais. Isso é evidente, por exemplo, em textos bíblicos (como Êxodo 21, 20-21) e em algumas intervenções magisteriais que toleravam a escravidão (cf. Nicolau V, Bula Dum Diversas, 1452). Esse não é um argumento secundário, dada sua íntima conexão com a verdade perene da dignidade inalienável da pessoa humana. Esses textos precisam de uma interpretação. O mesmo se aplica a algumas considerações do Novo Testamento sobre as mulheres (1 Coríntios 11, 3-10; 1 Timóteo 2, 11-14) e a outros textos da Escritura e testemunhos da Tradição que não podem ser repetidos hoje assim como. g) É importante enfatizar que o que não pode mudar é o que foi revelado “para a salvação de todos” (Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição Dogmática Dei Verbum, 7). Portanto, a Igreja deve discernir constantemente o que é essencial para a salvação e o que é secundário ou menos diretamente relacionado a esse objetivo. Interessa-me recordar o que São Tomás de Aquino afirmou: “quanto mais se vai aos particulares, mais aumenta a indeterminação” (Summa Theologiae 1-1 1, q. 94, art. 4). h) Por fim, uma única formulação de uma verdade nunca pode ser compreendida adequadamente se for apresentada isoladamente, isolada do contexto rico e harmonioso de toda a Revelação. A “hierarquia das verdades” também implica colocar cada verdade em conexão adequada com verdades mais centrais e com o ensino da Igreja como um todo. Isso pode levar a diferentes maneiras de expor a mesma doutrina, mesmo que “para aqueles que sonham com uma doutrina monolítica defendida por todos sem nuances, isso pode parecer uma dispersão imperfeita. Mas a realidade é que tal variedade ajuda a manifestar e desenvolver melhor os diferentes aspectos da inesgotável riqueza do Evangelho (Evangelii gaudium, 40). Toda corrente teológica tem seus riscos, mas também suas oportunidades. 2) Dubium sobre a afirmação de que a prática difusa de abençoar uniões do mesmo sexo está de acordo com a Revelação e o Magistério (CCC 2357). De acordo com a Revelação Divina, atestada na Sagrada Escritura, que a Igreja, “por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, piedosamente escuta, santamente conserva e fielmente expõe” (Dei Verbum IO): “No princípio” Deus criou o homem à sua imagem, macho e fêmea os criou e os abençoou, para que fossem fecundos (cf. Gn 1, 27-28), pelo que o Apóstolo Paulo ensina que negar a diferença sexual é a consequência de negar o Criador (Rm 1, 24-32). Pergunta-se: pode a Igreja derrogar esse “princípio”, considerando-o, em contraste com o que ensina a Veritatis splendor 103, como um mero ideal, e aceitando como “bem possível” situações objetivamente pecaminosas, como as uniões entre pessoas do mesmo sexo, sem deixar de respeitar a doutrina revelada? Resposta do Papa Francisco à segunda pergunta a) A Igreja tem uma concepção muito clara do matrimônio: uma união exclusiva, estável e indissolúvel entre um homem e uma mulher, naturalmente aberta a gerar filhos. Somente essa união pode ser chamada de “matrimônio”. Outras formas de união o realizam apenas “de maneira parcial e analógica” (Amoris laetitia 292), portanto não podem ser chamadas estritamente de “matrimônio”. b) Não se trata apenas de uma questão de nomes, mas a realidade que chamamos de matrimônio tem uma constituição essencial única que requer um nome exclusivo, não aplicável a outras realidades. É, sem dúvida, muito mais do que um mero “ideal”. c) Por essa razão, a Igreja evita qualquer tipo de rito ou sacramental que possa contradizer essa convicção e levar a entender que se reconheça como matrimônio algo que não o é. d) Todavia, em nosso relacionamento com as pessoas, não devemos perder a caridade pastoral, que deve permear todas as nossas decisões e atitudes. A defesa da verdade objetiva não é a única expressão dessa caridade, que também é composta de gentileza, paciência, compreensão, ternura e encorajamento. Portanto, não podemos ser juízes que apenas negam, rejeitam, excluem. e) Portanto, a prudência pastoral deve discernir adequadamente se existem formas de bênção, solicitadas por uma ou mais pessoas, que não transmitam um conceito errôneo de matrimônio. Pois, quando se pede uma bênção, está se expressando um pedido de ajuda a Deus, uma súplica para poder viver melhor, uma confiança em um Pai que pode nos ajudar a viver melhor. f) Por outro lado, embora existam situações que, de um ponto de vista objetivo, não são moralmente aceitáveis, a mesma caridade pastoral exige que não tratemos simplesmente como “pecadores” outras pessoas cuja culpa ou responsabilidade pode ser atenuada por vários fatores que influenciam a imputabilidade subjetiva (cf. São João Paulo II, Reconciliatio et Paenitentia, 17). g) As decisões que podem fazer parte da prudência pastoral em determinadas circunstâncias não precisam necessariamente se tornar uma norma. Ou seja, não é conveniente que uma Diocese, uma Conferência Episcopal ou qualquer outra estrutura eclesial habilite constante e oficialmente procedimentos ou ritos para todo tipo de questão, pois tudo “que faz parte de um discernimento prático diante de uma situação particular não pode ser elevado ao nível de norma”, porque isso “daria lugar a uma casuística insuportável” (Amoris laetitia 304). O Direito Canônico não deve e não pode abranger tudo, nem as Conferências Episcopais, com seus vários documentos e protocolos, devem pretender isso, uma vez que a vida da Igreja flui por muitos canais além dos normativos. 3) Dubium acerca da afirmação de que a sinodalidade é “dimensão constitutiva da Igreja” (Cost.Ap. Episcopalis Communio 6), de modo que a Igreja seria por sua natureza sinodal. Já que o Sínodo dos bispos não representa o colégio episcopal, mas é um mero órgão consultivo do Papa, enquanto os bispos, como testemunhas da fé, não podem delegar sua confissão da verdade, se questiona se a sinodalidade pode ser critério regulamentar supremo do governo permanente da Igreja sem alterar o seu regime constitutivo desejado pelo seu Fundador, para o qual a suprema e plena autoridade da Igreja é exercitada seja pelo Papa, em virtude do seu cargo, seja pelo colégio dos bispos juntamente com a sua cabeça, o Romano Pontífice (Lumen gentium 22). Resposta do papa Francisco à terceira pergunta a) Não obstante reconheçam que a autoridade suprema e plena da Igreja seja exercitada seja pelo Papa em virtude do seu cargo, seja pelo colégio dos bispos com a sua cabeça o Romano Pontífice (Cfr. Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição dogmática Lumen gentium, 22), com essas mesmas perguntas os senhores manifestam a própria necessidade de participar, de expressar livremente o seu parecer e de colaborar, pedindo assim uma forma de “sinodalidade” no exercício do meu ministério. b) A Igreja é um “mistério de comunhão missionária”, mas esta comunhão não é somente afetiva ou etérea, mas implica necessariamente uma participação real: não só a hierarquia, mas todo o Povo de Deus em modos diversos e em diferentes níveis pode fazer ouvir a própria voz e sentir-se parte do caminho da Igreja. Neste sentido, podemos dizer que a sinodalidade, como estilo e dinamismo, é uma dimensão essencial da vida da Igreja. Sobre este ponto, disse coisas muito belas são João Paulo II na Novo millennio ineunte. c) Outra coisa é sacralizar ou impor uma determinada metodologia sinodal que agrada um grupo, transformá-la em norma e percurso obrigatório para todos, porque isto levaria somente a “congelar” o caminho sinodal, ignorando as diversas características das várias Igrejas particulares e a variegada riqueza da Igreja universal. 4) Dubium acerca do apoio de pastores e teólogos à teoria de que “a teologia da Igreja mudou” e que, portanto, a ordenação sacerdotal pode ser conferida às mulheres. Após as afirmações de alguns prelados, que não foram nem corrigidas nem retratadas, segundo os quais com o Vaticano II teria mudado a teologia da Igreja e o significado da Missa, se questiona se ainda é válido o ditado do Concílio Vaticano II, de que “o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial diferem essencialmente e não apenas em grau” (Lumen Gentium IO) e que os presbíteros, em virtude do “sacro poder da ordem para oferecer o sacrifício e perdoar os pecados” (Presbyterorum Ordinis 2), agem em nome e na pessoa de Cristo mediador, por meio do qual tornou-se perfeito o sacrifício espiritual dos fiéis. Questiona-se também se ainda é válido o ensinamento da carta apostólica de são João Paulo II Ordinatio Sacerdotalis, que ensina como verdade a ser considerada definitiva a impossibilidade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, de modo que este ensinamento não está mais sujeito a mudanças nem à livre discussão dos pastores ou dos teólogos. Resposta do papa Francisco à quarta pergunta a) “O sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial diferem essencialmente” (Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição dogmática Lumen gentium, 10). Não é oportuno apoiar uma diferença de grau que implique considerar o sacerdócio comum dos fiéis como algo de “segunda categoria” ou de menor valor (“um grau inferior”). Ambas as formas de sacerdócio se iluminam e se amparam reciprocamente. b) Quando são João Paulo II ensinou que é preciso afirmar “de modo definitivo” a impossibilidade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres de modo algum estava denigrando as mulheres e conferindo um poder supremo aos homens. São João Paulo II afirmou também outras coisas. Por exemplo, que quando falamos do poder sacerdotal “estamos no âmbito da função, não da dignidade e da santidade”. (são João Paulo II, Christifideles laici, 51). São palavras que não colhemos suficientemente. Afirmou ainda claramente que não obstante só o sacerdote presida à Eucaristia, as tarefas “não dão justificação à superioridade de uns sobre os outros” (são João Paulo II, Christifideles laici, nota 190; Cfr. Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Inter Insigniores, VI). Afirmou também que se a função sacerdotal é “hierárquica”, não deve ser compreendida como uma forma de domínio, mas “é totalmente ordenada à santidade dos membros de Cristo” (são João Paulo II, Mulieris dignitatem, 27). Se isto não for compreendido e não forem tiradas as consequências práticas dessas distinções, será difícil aceitar que o sacerdócio seja reservado só aos homens e não poderemos reconhecer os direitos das mulheres ou a necessidade de que elas participem, de vários modos, na condução da Igreja. c) De outro lado, para ser rigorosos, reconheçamos que ainda não foi desenvolvida exaustivamente uma doutrina clara e com autoridade sobre a natureza exata de uma “declaração definitiva”. Não é uma definição dogmática, e mesmo assim deve ser aceita por todos. Ninguém pode contradizê-la publicamente e todavia pode ser objeto de estudo, como no caso da validade das ordenações na Comunhão anglicana. 5) Dubium acerca da afirmação de que “o perdão é um direito humano” e a insistência do Santo Padre sobre o dever de absolver todos e sempre, para o qual o arrependimento não seria condição necessária para a absolvição sacramental. Questiona-se se ainda está em vigor o ensinamento do Concílio de Trento, segundo o qual, para a validade da confissão sacramental, é necessária a contrição do penitente, que consiste em detestar o pecado cometido com o propósito de não pecar mais (Parágrafo XIV, Capítulo IV: DH 1676), de modo que o sacerdote deve adiar a absolvição quando estiver claro que esta condição não foi realizada. Resposta do papa Francisco à quinta pergunta a) O arrependimento é necessário para a validade da absolvição sacramental e implica a intenção de não pecar. Mas aqui não há matemática e devo recordar mais uma vez que o confessionário não é uma alfândega. Não somos os donos, mas humildes administradores dos Sacramentos que nutrem os fiéis, porque estes dons do Senhor, mais do que relíquias a conservar, são auxílio do Espírito Santo para a vida das pessoas. b) Existem muitas maneiras de expressar arrependimento. Muitas vezes, nas pessoas que estão com a autoestima muito ferida, declararem-se culpadas é uma tortura cruel, mas só o ato de se aproximar da confissão é uma expressão simbólica de arrependimento e de busca da ajuda divina. c) Quero também recordar que “às vezes nos custa muito dar espaço na pastoral ao amor incondicional de Deus” (Amoris laetitia 311), mas se deve aprender. Seguindo são João Paulo II, defendo que não devemos pedir aos fiéis propósitos de correção demasiados detalhados e firmes, que no final acabam por ser abstratos ou até mesmo narcisistas, mas inclusive a previsibilidade de uma nova queda “não prejudica a autenticidade do propósito” (são João Paulo II, Carta ao Card. William W. Baum e aos participantes do curso anual da Penitenciaria Apostólica, 22 de março de 1996, 5). d) Por fim, deve ser claro que todas as condições que normalmente se colocam na confissão geralmente não são aplicáveis quando a pessoa se encontra numa situação de agonia ou com as suas capacidades mentais e psíquicas muito limitadas. Papa Francisco Prelúdio do Sínodo As idas e vindas públicas sobre as dubia dos cardeais e a resposta do papa acontecem apenas dois dias antes do início do Sínodo sobre a assembleia universal da Sinodalidade, que acontece de 4 a 29 de outubro. Os cardeais declararam expressamente que decidiram apresentar as suas preocupações “em vista de várias declarações de prelados de alto escalão” feitas em relação ao próximo Sínodo que foram “abertamente contrárias à constante doutrina e disciplina da Igreja”. Os organizadores do Vaticano insistiram que o Sínodo – que inclui uma assembleia adicional em Outubro de 2024 – não se concentra em questões doutrinais, mas em como a Igreja pode aumentar a participação de todos os seus membros na sua comunhão e missão. Fonte: Catholic News Agency e ACI Digital #papafrancisco #Vaticano
- Urgente: Cardeais apresentam “dubia” ao papa Francisco antes do Sínodo da Sinodalidade
Um grupo de cardeais tornou públicas cinco dubia (plural de “dúvida” em latim) que enviaram ao papa Francisco para pedir esclarecimentos sobre temas de doutrina e disciplina, dois dias antes do início do Sínodo da Sinodalidade. Por ACI Digital – Em uma declaração enviada ao jornal National Catholic Register, os cardeais relataram que tinham apresentado cinco perguntas, chamadas dubia, pedindo clareza sobre temas relacionados ao desenvolvimento doutrinal, a bênção das uniões de pessoas do mesmo sexo, a autoridade do Sínodo da Sinodalidade, a ordenação de mulheres e a absolvição sacramental. As dubia são perguntas formais apresentadas ao papa e ao Dicastério para a Doutrina da Fé (DDF) para obter uma resposta “sim” ou “não”, sem argumentação teológica. A palavra dubia é o plural de dubium, que significa “dúvida” em latim. Normalmente, as dubia são levantadas por cardeais ou outros membros de alto escalão da hierarquia eclesiástica e têm como objetivo buscar esclarecimentos sobre questões de doutrina ou ensino da Igreja. Os cardeais Juan Sandoval Íñiguez, do México, Robert Sarah, da Guiné, Joseph Zen Ze-kiun, da China, Raymond Leo Burke, dos EUA, e Walter Brandmüller, da Alemanha, dizem que enviaram as dubia para esclarecer o que consideram uma “grande confusão” causada por “várias declarações de alguns altos prelados relativas à celebração do próximo Sínodo dos Bispos, evidentemente contrárias à doutrina e à disciplina constantes da Igreja”. Os signatários dizem que diante “da queda no erro, manifestamos ao Romano Pontífice a nossa profundíssima preocupação”. As cinco dubia abordam temas teológicos questionadas por alguns bispos, padres e teólogos durante o primeiro processo de “escuta sinodal”, cujas conclusões serão debatidas a partir da quarta-feira (4) no Vaticano. Os cardeais, vindos de diferentes continentes, enviaram as dubia em carta ao Dicastério para a Doutrina da Fé em 10 de julho de 2023 e receberam resposta do papa apenas um dia depois, em 11 de julho. No entanto, — dizem — a resposta do papa “não seguiu a prática das responsa ad dubia [respostas às dúvidas]”, na qual o papa responde com sim ou não às perguntas feitas e por isso decidiram reformular as suas perguntas em uma nova carta dirigida ao papa Francisco, “para suscitar uma resposta clara, baseada na doutrina e na disciplina perenes da Igreja”. Estas “dubia reformuladas” foram enviadas em 21 de agosto de 2023 e até o momento não foram respondidas pelo papa Francisco. Os cardeais não aceitaram o pedido para mostrar a resposta enviada pelo papa Francisco datada de 11 de julho, porque acreditam que esta foi dirigida apenas a eles e não se destinava ao público. Hoje (2), os cardeais signatários tornaram públicas as cinco perguntas que enviaram em agosto através de uma notificação dirigida aos fiéis. “Julgamos ser nosso dever informar-vos, fiéis (Cân. 212 § 3), para que não sejais sujeitos à confusão, ao erro e ao desânimo, mas rezeis pela Igreja universal e, em particular, pelo Romano Pontífice, para que o Evangelho seja ensinado cada vez mais claramente e seguido cada vez mais fielmente”, dizem. As 5 dubia apresentadas ao papa Francisco Estas são, em resumo, as cinco dubia enviadas pelos cardeais em julho ao papa Francisco através do Dicastério para a Doutrina da Fé, cujo texto completo pode ser ao final. 1. Dubium sobre a afirmação de que a Revelação Divina deve ser reinterpretada tendo por base as mudanças culturais e antropológicas em voga. 2. Dubium sobre a afirmação de que a prática difusa da bênção das uniões com pessoas do mesmo sexo estaria de acordo com a Revelação e o Magistério (CIC 2357). 3. Dubium sobre a afirmação de que a sinodalidade é uma «dimensão constitutiva da Igreja» (Const. Ap. Episcopalis communio 6), de modo que a Igreja, pela sua natureza, seria sinodal. 4. Dubium sobre o apoio dado por pastores e teólogos à teoria de que «a teologia da Igreja mudou» e, portanto, de que se poderia conferir a ordenação sacerdotal às mulheres. 5. Dubium sobre a afirmação «o perdão é um direito humano» e a insistência do Santo Padre no dever de absolver a todos e sempre, pelo que o arrependimento não seria condição necessária para a absolvição sacramental. As reformulações das dubia Embora os cardeais não tenham divulgado a resposta que o papa Francisco lhes enviou no dia 11 de julho, na reformulação das dubia – dirigidas em 23 de agosto ao papa Francisco – expressam ao papa que as suas “respostas não resolveram as dúvidas que tínhamos levantado, mas, quando muito, aprofundaram-nas” e por isso “voltamos a propor-Vos as nossas perguntas, para que a essas se possa responder com um simples «sim» ou «não»”. Leia também Resposta do papa Francisco às “dubia” levantadas por cinco cardeais Leia abaixo a carta assinada pelos cardeais e em seguida o texto completo das DUBIA Notificação aos fiéis de Cristo (cân. 212 § 3) sobre Dubia submetida ao Papa Francisco Irmãos e Irmãs em Cristo, Nós, membros do Sagrado Colégio dos Cardeais, de acordo com o dever de todos os fiéis “de manifestar aos sagrados pastores a sua opinião sobre os assuntos que dizem respeito ao bem da Igreja” (cân. 212 § 3) e, sobretudo, , de acordo com a responsabilidade dos Cardeais “de ajudar o Romano Pontífice… individualmente… especialmente no cuidado quotidiano da Igreja universal” (cân. 349), tendo em conta diversas declarações de Prelados de alto nível, relativas à celebração do próximo Sínodo dos Bispos, que são abertamente contrários à constante doutrina e disciplina da Igreja, e que geraram e continuam a gerar grande confusão e a queda no erro entre os fiéis e outras pessoas de boa vontade, manifestaram a nossa mais profunda preocupação para o Romano Pontífice. Pela nossa carta de 10 de julho de 2023, empregando a prática comprovada de submeter dubia [perguntas] a um superior para proporcionar ao superior a ocasião de deixar clara, por meio de sua responsa [respostas], a doutrina e a disciplina da Igreja, nós submeti cinco dubia ao Papa Francisco, [selecione o link nos comentários]. Por sua carta de 11 de julho de 2023, o Papa Francisco respondeu à nossa carta. Tendo estudado a sua carta que não seguia a prática da responsa ad dubia [respostas às perguntas], reformulámos as dubia para obter uma resposta clara baseada na doutrina e disciplina perenes da Igreja. Por nossa carta de 21 de agosto de 2023, submetemos as dubia reformuladas [selecione o link nos comentários], ao Romano Pontífice. Até o momento não recebemos resposta às dubia reformuladas. Dada a gravidade da questão das dubia, especialmente tendo em vista a iminente sessão do Sínodo dos Bispos, julgamos ser nosso dever informar-vos, fiéis (cân. 212 § 3), para que não fiqueis sujeitos a confusão, erro e desânimo, mas sim rezar pela Igreja universal e, em particular, pelo Romano Pontífice, para que o Evangelho seja ensinado cada vez mais claramente e seguido cada vez mais fielmente. D U B I A 1) Dubium sobre a afirmação de que a Revelação Divina deve ser reinterpretada tendo por base as mudanças culturais e antropológicas em voga. Depois das afirmações de alguns bispos, que não foram corrigidas nem retratadas, pergunta-se se, na Igreja, a Revelação Divina deve ser reinterpretada segundo as mudanças culturais do nosso tempo e segundo a nova visão antropológica que tais mudanças promovem; ou se a Revelação Divina é vinculante para sempre, imutável e que, portanto, não é de se contradizer, de acordo com o ditame do Concílio Vaticano II de que a Deus que revela é devida «a obediência da fé» (Dei Verbum 5); que o que é revelado para a salvação de todos deve permanecer para sempre «íntegro» e vivo, e deve ser «transmitido a todas as gerações» (7); e que o progresso da compreensão não implica qualquer mudança da verdade das coisas e das palavras, porque a fé foi transmitida «duma vez para sempre» (8), e o Magistério não é superior à palavra de Deus, mas ensina apenas o que foi transmitido (10). 2) Dubium sobre a afirmação de que a prática difusa da bênção das uniões com pessoas do mesmo sexo estaria de acordo com a Revelação e o Magistério (CIC 2357). Segundo a Revelação Divina, atestada na Sagrada Escritura, que a Igreja «por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, […] ouve piedosamente, […] guarda religiosamente e expõe fielmente» (Dei Verbum 10): «No princípio», Deus criou o homem à sua imagem, macho e fêmea os criou, e abençoou-os, para que fossem fecundos (cfr. Gn 1, 27-28), pelo que o Apóstolo Paulo ensina que negar a diferença sexual é consequência da negação do Criador (Rm 1, 24 – 32). Pergunta-se: pode a Igreja derrogar este “princípio”, considerando-o, em contraste com o que ensina Veritatis splendor 103, como um simples ideal, e aceitando como “bem possível” situações objectivamente pecaminosas, como as uniões com pessoas do mesmo sexo, sem assim atentar contra a doutrina revelada? 3) Dubium sobre a afirmação de que a sinodalidade é uma «dimensão constitutiva da Igreja» (Const. Ap. Episcopalis communio 6), de modo que a Igreja, pela sua natureza, seria sinodal. Dado que o Sínodo dos Bispos não representa o colégio episcopal, mas é um mero órgão consultivo do Papa, porquanto os bispos, como testemunhas da fé, não podem delegar a sua confissão da verdade, pergunta-se se a sinodalidade pode ser o supremo critério regulador do governo permanente da Igreja sem assim se convulsionar a sua configuração constitutiva tal como foi querida pelo seu Fundador, e segundo a qual a autoridade suprema e plena da Igreja há-de ser exercida tanto pelo Papa, em virtude do seu ofício, como pelo colégio dos bispos juntamente com a sua cabeça, o Romano Pontífice (Lumen gentium 22). 4) Dubium sobre o apoio dado por pastores e teólogos à teoria de que «a teologia da Igreja mudou» e, portanto, de que se poderia conferir a ordenação sacerdotal às mulheres. No seguimento das afirmações de alguns prelados, que não foram corrigidas nem retractadas, segundo as quais, com o Concílio Vaticano II, teria mudado a teologia da Igreja e o significado da Missa, pergunta-se se ainda é válido o ditame do Concílio Vaticano II de que “o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial diferem essencialmente e não apenas em grau” (Lumen gentium 10) e de que os prebíteros, em virtude do «sagrado poder da Ordem para oferecer o Sacrifício e perdoar pecados» (Presbyterorum Ordinis 2), agem em nome e na pessoa de Cristo mediador, e por meio dele torna-se perfeito o sacrifício espiritual dos fiéis? Pergunta-se, além disso, se ainda é válido o ensinamento da carta apostólica de São João Paulo II Ordinatio sacerdotalis, que ensina como verdade a ser mantida de forma definitiva a impossibilidade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, pelo que este ensinamento já não está sujeito a mudança nem à livre discussão de pastores ou teólogos. 5) Dubium sobre a afirmação «o perdão é um direito humano» e a insistência do Santo Padre no dever de absolver a todos e sempre, pelo que o arrependimento não seria condição necessária para a absolvição sacramental. Pergunta-se se ainda está em vigor o ensinamento do Concílio de Trento segundo o qual, para a validade da confissão sacramental, é necessária a contrição do penitente, que consiste em detestar o pecado cometido com o propósito de não pecar mais (Sessão XIV, Capítulo IV: DH 1676), de modo que o sacerdote deve adiar a absolvição quando for claro que esta condição não está cumprida. Cidade do Vaticano, 10 de Julho de 2023 Walter Card. BRANDMÜLLER Raymond Leo Card. BURKE Juan Card. SANDOVAL ÍÑIGUEZ Robert Card. SARAH Joseph Card. ZEN ZE-KIUN, S.D.B Leia também Resposta do papa Francisco às “dubia” levantadas por cinco cardeais #papafrancisco #Vaticano
- Urgente: Cardeais apresentam “dubia” ao papa Francisco antes do Sínodo da Sinodalidade
Um grupo de cardeais tornou públicas cinco dubia (plural de “dúvida” em latim) que enviaram ao papa Francisco para pedir esclarecimentos sobre temas de doutrina e disciplina, dois dias antes do início do Sínodo da Sinodalidade. Por ACI Digital – Em uma declaração enviada ao jornal National Catholic Register, os cardeais relataram que tinham apresentado cinco perguntas, chamadas dubia, pedindo clareza sobre temas relacionados ao desenvolvimento doutrinal, a bênção das uniões de pessoas do mesmo sexo, a autoridade do Sínodo da Sinodalidade, a ordenação de mulheres e a absolvição sacramental. As dubia são perguntas formais apresentadas ao papa e ao Dicastério para a Doutrina da Fé (DDF) para obter uma resposta “sim” ou “não”, sem argumentação teológica. A palavra dubia é o plural de dubium, que significa “dúvida” em latim. Normalmente, as dubia são levantadas por cardeais ou outros membros de alto escalão da hierarquia eclesiástica e têm como objetivo buscar esclarecimentos sobre questões de doutrina ou ensino da Igreja. Os cardeais Juan Sandoval Íñiguez, do México, Robert Sarah, da Guiné, Joseph Zen Ze-kiun, da China, Raymond Leo Burke, dos EUA, e Walter Brandmüller, da Alemanha, dizem que enviaram as dubia para esclarecer o que consideram uma “grande confusão” causada por “várias declarações de alguns altos prelados relativas à celebração do próximo Sínodo dos Bispos, evidentemente contrárias à doutrina e à disciplina constantes da Igreja”. Os signatários dizem que diante “da queda no erro, manifestamos ao Romano Pontífice a nossa profundíssima preocupação”. As cinco dubia abordam temas teológicos questionadas por alguns bispos, padres e teólogos durante o primeiro processo de “escuta sinodal”, cujas conclusões serão debatidas a partir da quarta-feira (4) no Vaticano. Os cardeais, vindos de diferentes continentes, enviaram as dubia em carta ao Dicastério para a Doutrina da Fé em 10 de julho de 2023 e receberam resposta do papa apenas um dia depois, em 11 de julho. No entanto, — dizem — a resposta do papa “não seguiu a prática das responsa ad dubia [respostas às dúvidas]”, na qual o papa responde com sim ou não às perguntas feitas e por isso decidiram reformular as suas perguntas em uma nova carta dirigida ao papa Francisco, “para suscitar uma resposta clara, baseada na doutrina e na disciplina perenes da Igreja”. Estas “dubia reformuladas” foram enviadas em 21 de agosto de 2023 e até o momento não foram respondidas pelo papa Francisco. Os cardeais não aceitaram o pedido para mostrar a resposta enviada pelo papa Francisco datada de 11 de julho, porque acreditam que esta foi dirigida apenas a eles e não se destinava ao público. Hoje (2), os cardeais signatários tornaram públicas as cinco perguntas que enviaram em agosto através de uma notificação dirigida aos fiéis. “Julgamos ser nosso dever informar-vos, fiéis (Cân. 212 § 3), para que não sejais sujeitos à confusão, ao erro e ao desânimo, mas rezeis pela Igreja universal e, em particular, pelo Romano Pontífice, para que o Evangelho seja ensinado cada vez mais claramente e seguido cada vez mais fielmente”, dizem. As 5 dubia apresentadas ao papa Francisco Estas são, em resumo, as cinco dubia enviadas pelos cardeais em julho ao papa Francisco através do Dicastério para a Doutrina da Fé, cujo texto completo pode ser ao final. 1. Dubium sobre a afirmação de que a Revelação Divina deve ser reinterpretada tendo por base as mudanças culturais e antropológicas em voga. 2. Dubium sobre a afirmação de que a prática difusa da bênção das uniões com pessoas do mesmo sexo estaria de acordo com a Revelação e o Magistério (CIC 2357). 3. Dubium sobre a afirmação de que a sinodalidade é uma «dimensão constitutiva da Igreja» (Const. Ap. Episcopalis communio 6), de modo que a Igreja, pela sua natureza, seria sinodal. 4. Dubium sobre o apoio dado por pastores e teólogos à teoria de que «a teologia da Igreja mudou» e, portanto, de que se poderia conferir a ordenação sacerdotal às mulheres. 5. Dubium sobre a afirmação «o perdão é um direito humano» e a insistência do Santo Padre no dever de absolver a todos e sempre, pelo que o arrependimento não seria condição necessária para a absolvição sacramental. As reformulações das dubia Embora os cardeais não tenham divulgado a resposta que o papa Francisco lhes enviou no dia 11 de julho, na reformulação das dubia – dirigidas em 23 de agosto ao papa Francisco – expressam ao papa que as suas “respostas não resolveram as dúvidas que tínhamos levantado, mas, quando muito, aprofundaram-nas” e por isso “voltamos a propor-Vos as nossas perguntas, para que a essas se possa responder com um simples «sim» ou «não»”. Leia também Resposta do papa Francisco às “dubia” levantadas por cinco cardeais Leia abaixo a carta assinada pelos cardeais e em seguida o texto completo das DUBIA Notificação aos fiéis de Cristo (cân. 212 § 3) sobre Dubia submetida ao Papa Francisco Irmãos e Irmãs em Cristo, Nós, membros do Sagrado Colégio dos Cardeais, de acordo com o dever de todos os fiéis “de manifestar aos sagrados pastores a sua opinião sobre os assuntos que dizem respeito ao bem da Igreja” (cân. 212 § 3) e, sobretudo, , de acordo com a responsabilidade dos Cardeais “de ajudar o Romano Pontífice… individualmente… especialmente no cuidado quotidiano da Igreja universal” (cân. 349), tendo em conta diversas declarações de Prelados de alto nível, relativas à celebração do próximo Sínodo dos Bispos, que são abertamente contrários à constante doutrina e disciplina da Igreja, e que geraram e continuam a gerar grande confusão e a queda no erro entre os fiéis e outras pessoas de boa vontade, manifestaram a nossa mais profunda preocupação para o Romano Pontífice. Pela nossa carta de 10 de julho de 2023, empregando a prática comprovada de submeter dubia [perguntas] a um superior para proporcionar ao superior a ocasião de deixar clara, por meio de sua responsa [respostas], a doutrina e a disciplina da Igreja, nós submeti cinco dubia ao Papa Francisco, [selecione o link nos comentários]. Por sua carta de 11 de julho de 2023, o Papa Francisco respondeu à nossa carta. Tendo estudado a sua carta que não seguia a prática da responsa ad dubia [respostas às perguntas], reformulámos as dubia para obter uma resposta clara baseada na doutrina e disciplina perenes da Igreja. Por nossa carta de 21 de agosto de 2023, submetemos as dubia reformuladas [selecione o link nos comentários], ao Romano Pontífice. Até o momento não recebemos resposta às dubia reformuladas. Dada a gravidade da questão das dubia, especialmente tendo em vista a iminente sessão do Sínodo dos Bispos, julgamos ser nosso dever informar-vos, fiéis (cân. 212 § 3), para que não fiqueis sujeitos a confusão, erro e desânimo, mas sim rezar pela Igreja universal e, em particular, pelo Romano Pontífice, para que o Evangelho seja ensinado cada vez mais claramente e seguido cada vez mais fielmente. D U B I A 1) Dubium sobre a afirmação de que a Revelação Divina deve ser reinterpretada tendo por base as mudanças culturais e antropológicas em voga. Depois das afirmações de alguns bispos, que não foram corrigidas nem retratadas, pergunta-se se, na Igreja, a Revelação Divina deve ser reinterpretada segundo as mudanças culturais do nosso tempo e segundo a nova visão antropológica que tais mudanças promovem; ou se a Revelação Divina é vinculante para sempre, imutável e que, portanto, não é de se contradizer, de acordo com o ditame do Concílio Vaticano II de que a Deus que revela é devida «a obediência da fé» (Dei Verbum 5); que o que é revelado para a salvação de todos deve permanecer para sempre «íntegro» e vivo, e deve ser «transmitido a todas as gerações» (7); e que o progresso da compreensão não implica qualquer mudança da verdade das coisas e das palavras, porque a fé foi transmitida «duma vez para sempre» (8), e o Magistério não é superior à palavra de Deus, mas ensina apenas o que foi transmitido (10). 2) Dubium sobre a afirmação de que a prática difusa da bênção das uniões com pessoas do mesmo sexo estaria de acordo com a Revelação e o Magistério (CIC 2357). Segundo a Revelação Divina, atestada na Sagrada Escritura, que a Igreja «por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, […] ouve piedosamente, […] guarda religiosamente e expõe fielmente» (Dei Verbum 10): «No princípio», Deus criou o homem à sua imagem, macho e fêmea os criou, e abençoou-os, para que fossem fecundos (cfr. Gn 1, 27-28), pelo que o Apóstolo Paulo ensina que negar a diferença sexual é consequência da negação do Criador (Rm 1, 24 – 32). Pergunta-se: pode a Igreja derrogar este “princípio”, considerando-o, em contraste com o que ensina Veritatis splendor 103, como um simples ideal, e aceitando como “bem possível” situações objectivamente pecaminosas, como as uniões com pessoas do mesmo sexo, sem assim atentar contra a doutrina revelada? 3) Dubium sobre a afirmação de que a sinodalidade é uma «dimensão constitutiva da Igreja» (Const. Ap. Episcopalis communio 6), de modo que a Igreja, pela sua natureza, seria sinodal. Dado que o Sínodo dos Bispos não representa o colégio episcopal, mas é um mero órgão consultivo do Papa, porquanto os bispos, como testemunhas da fé, não podem delegar a sua confissão da verdade, pergunta-se se a sinodalidade pode ser o supremo critério regulador do governo permanente da Igreja sem assim se convulsionar a sua configuração constitutiva tal como foi querida pelo seu Fundador, e segundo a qual a autoridade suprema e plena da Igreja há-de ser exercida tanto pelo Papa, em virtude do seu ofício, como pelo colégio dos bispos juntamente com a sua cabeça, o Romano Pontífice (Lumen gentium 22). 4) Dubium sobre o apoio dado por pastores e teólogos à teoria de que «a teologia da Igreja mudou» e, portanto, de que se poderia conferir a ordenação sacerdotal às mulheres. No seguimento das afirmações de alguns prelados, que não foram corrigidas nem retractadas, segundo as quais, com o Concílio Vaticano II, teria mudado a teologia da Igreja e o significado da Missa, pergunta-se se ainda é válido o ditame do Concílio Vaticano II de que “o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial diferem essencialmente e não apenas em grau” (Lumen gentium 10) e de que os prebíteros, em virtude do «sagrado poder da Ordem para oferecer o Sacrifício e perdoar pecados» (Presbyterorum Ordinis 2), agem em nome e na pessoa de Cristo mediador, e por meio dele torna-se perfeito o sacrifício espiritual dos fiéis? Pergunta-se, além disso, se ainda é válido o ensinamento da carta apostólica de São João Paulo II Ordinatio sacerdotalis, que ensina como verdade a ser mantida de forma definitiva a impossibilidade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, pelo que este ensinamento já não está sujeito a mudança nem à livre discussão de pastores ou teólogos. 5) Dubium sobre a afirmação «o perdão é um direito humano» e a insistência do Santo Padre no dever de absolver a todos e sempre, pelo que o arrependimento não seria condição necessária para a absolvição sacramental. Pergunta-se se ainda está em vigor o ensinamento do Concílio de Trento segundo o qual, para a validade da confissão sacramental, é necessária a contrição do penitente, que consiste em detestar o pecado cometido com o propósito de não pecar mais (Sessão XIV, Capítulo IV: DH 1676), de modo que o sacerdote deve adiar a absolvição quando for claro que esta condição não está cumprida. Cidade do Vaticano, 10 de Julho de 2023 Walter Card. BRANDMÜLLER Raymond Leo Card. BURKE Juan Card. SANDOVAL ÍÑIGUEZ Robert Card. SARAH Joseph Card. ZEN ZE-KIUN, S.D.B Leia também Resposta do papa Francisco às “dubia” levantadas por cinco cardeais #papafrancisco #Vaticano
- Homilia Diária | Deus cuida de nós por meio dos anjos da guarda
(Memória dos Santos Anjos da Guarda) Na vida presente, diz Santo Tomás, o homem se encontra como que em um caminho que deve percorrer até chegar à pátria. Ao longo do percurso, ameaçam-no muitos perigos, tanto exteriores como interiores, conforme diz o Salmo: “Na senda em que ando, ocultaram-me um laço”. Ora, assim como aos que andam por sendas perigosas se costuma oferecer proteção e companhia, assim também a cada homem, enquanto caminha neste mundo, confia Deus um anjo que o proteja e guarde continuamente. Eis o grande e feliz mistério que a Igreja nos convida a celebrar hoje. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta segunda-feira, dia 2 de outubro, e, rendendo graças a Deus por nos ter dado tão fiel amigo, invoquemos sempre a ajuda do nosso santo anjo custódio. Santo do Dia: Festa dos Anjos da Guarda, nossos zelosos protetores Evangelho (Mt 18,1-5.10) — O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquela hora, 1 os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” 2 Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3 e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. 4 Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus. 5 E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe. 10 Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Diária | Deus cuida de nós por meio dos anjos da guarda
(Memória dos Santos Anjos da Guarda) Na vida presente, diz Santo Tomás, o homem se encontra como que em um caminho que deve percorrer até chegar à pátria. Ao longo do percurso, ameaçam-no muitos perigos, tanto exteriores como interiores, conforme diz o Salmo: “Na senda em que ando, ocultaram-me um laço”. Ora, assim como aos que andam por sendas perigosas se costuma oferecer proteção e companhia, assim também a cada homem, enquanto caminha neste mundo, confia Deus um anjo que o proteja e guarde continuamente. Eis o grande e feliz mistério que a Igreja nos convida a celebrar hoje. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta segunda-feira, dia 2 de outubro, e, rendendo graças a Deus por nos ter dado tão fiel amigo, invoquemos sempre a ajuda do nosso santo anjo custódio. Santo do Dia: Festa dos Anjos da Guarda, nossos zelosos protetores Evangelho (Mt 18,1-5.10) — O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquela hora, 1 os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” 2 Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3 e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. 4 Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus. 5 E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe. 10 Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Festa dos Anjos da Guarda, nossos zelosos protetores – 2 de Outubro
SANTO DO DIA – 02 DE OUTUBRO – SANTOS ANJOS DA GUARDA É uma consoladora verdade de fé que, desde a infância até a morte, nossa vida seja circundada pela proteção dos anjos e por sua intercessão pois, lê-se no Catecismo da Igreja Católica, “Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida. Ainda aqui na terra, a vida cristã participa na fé da sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus”. A existência desses seres espirituais, não corporais, chamados anjos, tem a seu favor o claro testemunho das Sagradas Escrituras e a unanimidade da Tradição. “O anjo de Iahweh acampa ao redor dos que o temem, e os liberta”(Sl 34,8). Os anjos são mensageiros da salvação: “porventura não são todos eles espíritos servidores, enviados ao serviço dos que devem herdar a salvação?”, lê-se na carta aos Hebreus (1,14). Fundando esta verdade de fé na própria afirmação de Jesus, a Igreja nos diz que cada cristão, desde o momento do batismo, é confiado a um anjo particular, que tem a missão de guardá-lo, guiá-lo no caminho do bem, inspirar-lhe bons sentimentos, secundar suas livres escolhas quando estas o encaminham a Deus, ou fazer-lhe perceber a censura interior da consciência quando elas conduzem à transgressão da lei divina. A estas invisíveis testemunhas de nossos pensamentos mais recônditos e inconfessáveis, de nossas ações boas ou não tão boas, públicas ou escondidas, nossa época voltou a dar particular atenção. Seu precioso “serviço” é testemunhado na vida de muitos santos de nosso tempo. “Os anjos”, escreve Bossuet, “oferecem a Deus as nossas esmolas, recolhem até nossos desejos, fazem valer diante de Deus também nossos pensamentos. Sejamos felizes por ter amigos assim pressurosos, intercessores fiéis, intérpretes caridosos”. A festividade deste dia foi estendida à Igreja universal por Paulo V, em 1608, mas já um século antes era celebrada à parte da de São Miguel. Retirado do livro “Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente”, Paulinas Editora. Em quem posso confiar? – perguntam-se muitos de nossos contemporâneos, fartos de decepções no relacionamento humano. Bem junto de cada um de nós, entretanto, há sempre alguém que só pensa em nos favorecer. A cada dia aumenta o volume de cartas, telefonemas e e-mails de pessoas que recorrem às orações das instituições católicas por sentirem-se desoladas, abandonadas e, até mesmo, traídas por aqueles dos quais esperavam receber maior apoio e solidariedade. Às vezes, são pessoas unidas pelos fortes laços da natureza as que defraudam e ferem os corações de seus mais próximos. Numa das últimas cartas, uma frase resume bem a situação de inúmeros outros remetentes: “Já não tenho em quem confiar”. Uma realidade tão cruel atrai a compaixão… O principal remédio, sem dúvida, é a oração, mas não haverá algo mais a fazer para ajudar nossos irmãos e irmãs nessa situação dramática, tão difundida por toda parte? O ideal seria cada um deles ter um conselheiro fiel sempre à disposição, que, por pura amizade, os orientasse, consolasse, encorajasse. Um amigo de verdade, em quem pudessem depositar toda a sua confiança. Eis uma utopia, um problema para o qual parece não haver solução, pelo menos em termos humanos. Com efeito, onde encontrar tantas pessoas assim? Entretanto, muitos de nós, se olharmos para trás, para o tempo dourado de nossa infância, quando, ajudados por nossas mães, começávamos a rezar nossas primeiras orações, talvez nos lembremos de alguém que sabíamos estar sempre ao nosso lado, e a quem chamávamos de “zeloso guardador”. Um ser ao qual talvez tenhamos muito recorrido, e cuja figura ficou depois empoeirada nalgum canto de nossas recordações. Tomo, pois, a liberdade de lhe recordar, leitor, a existência desse amigo invisível, mas presente constante e fielmente ao nosso lado, poderoso e amável, que vive sempre na contemplação de Deus e, ao mesmo tempo nunca deixa de cuidar de nós: o Anjo da Guarda. Ele nos quer todo o bem Desde o início de sua vida até o momento de passar para a eternidade, todo ser humano é cercado pela proteção e intercessão de um anjo designado por Deus para o guiar, proteger e orientar. Assim, cada um de nós tem um Anjo da Guarda. Provavelmente, quase todos nós aprendemos em casa, ou nas aulas de catecismo, a clássica oração: “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, já que a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, guarda, governa e ilumina. Amém”. Apesar disso, talvez tenha escapado alguma vez de nossos lábios uma pergunta, repassada mais de admiração do que de dúvida: “Então eu tenho mesmo um anjo incumbido por Deus de cuidar de mim?” É realmente admirável o fato de cada um de nós possuir um anjo cuja missão específica é favorecer-nos em tudo quanto se relacione com nossa salvação eterna, mas é essa a realidade: Deus “os fez mensageiros de seu projeto de salvação”, afirma o Catecismo da Igreja Católica. E diz São Paulo: “Não são todos os anjos espíritos ao serviço de Deus, o qual lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a salvação?” (Hb 1,14). “Grande é a dignidade das almas – exclama São Jerônimo -, quando cada uma delas, desde a hora de seu nascimento, tem um anjo destinado para sua custódia!” É muito reconfortante saber que um ser superior à nossa natureza está continuamente a nosso lado; que ele, puro espírito, mantém-se na contemplação incessante de Deus e, ao mesmo tempo, vela por nós, quer-nos todo o bem, e seu objetivo é levar-nos para a felicidade perfeita e infindável do Céu. Quando nos damos conta da presença desse incomparável guardião, estabelecemos com ele uma amizade firme e íntima, como descreve o grande escritor francês Paul Claudel: “Entre o anjo e nós existe algo permanente. Há uma mão que, ainda quando dormimos, não solta a nossa. Sobre a terra onde nos encontramos, compartilhamos o pulso e o latejar do coração desse irmão celeste que fala com o nosso Pai”. Se tivéssemos maior confiança nesse celeste protetor, nesse bom amigo que nunca falha – ainda quando dele nos afastamos, por nossa má conduta -, seríamos capazes de recobrar a paz e o equilíbrio dos quais tanto precisamos! Eles estão a nosso lado, incansáveis, solícitos, bondosos A Bem-Aventurada Hosana Andreasi, de Mântua (Itália), ainda com seis anos de idade, tomara o gosto de passear pelas margens do Rio Pó, extasiada com a beleza do panorama. Um dia encontrava-se sozinha nesse lugar, quando de repente viu surgir diante de si um belo jovem, alto e forte. Nunca o havia visto antes… Surpresa, mas não amedrontada, ouviu o recém-chega chegado dizer com voz clara, ao mesmo tempo suave e firme: “A vida e a morte consistem em amar a Deus”. Sua surpresa aumentou quando o “jovem” a ergueu do chão e, olhando-a diretamente nos olhos, acrescentou: “Para entrar no Céu, você precisa amar muito a Deus. Ame?O. Tudo foi criado por Ele, para que as pessoas O amem”. Foi este o primeiro de numerosos encontros que Hosana teve, até seu falecimento (em 1505), com seu Anjo da Guarda. Casos como esse, de relacionamento intenso com os anjos, não são nada raros. Santa Gemma Galgani (1878- 1903), por exemplo, teve a constante companhia de seu anjo protetor, com quem mantinha um trato familiar. Ele lhe prestava todo tipo de ajuda, até mesmo levando suas mensagens para seu confessor, em Roma. Ainda mais próximos de nós, encontramos os episódios freqüentes ocorridos com São Pio de Pietrelcina (1887-1968), grande incentivador da devoção aos Anjos da Guarda. Em diversas ocasiões ele recebeu recados dos Anjos da Guarda de pessoas que, à distância, necessitavam de algum auxílio dele. O Beato João XXIII, outro grande devoto dos anjos, dizia: “Nosso desejo é que aumente a devoção ao Anjo Custódio”. Nossos anjos guardiães estão ao lado de cada um de nós, incansáveis, solícitos, bondosos, prontos para nos ajudar em tudo quanto precisarmos – inclusive em nossas necessidades materiais, mas especialmente para nos proporcionar os bens espirituais, auxiliando- nos a caminhar na via da virtude. Estimado leitor, queira Deus que esses pensamentos, tirados da Revelação e do tesouro da Santa Igreja, possam nos ajudar a nos tornarmos mais próximos desses fiéis amigos celestiais, consolando-nos e animando- nos. E aumentar nossa vontade de conhecê-los sem os sagrados véus da fé, quando nos encontrarmos lá no alto, no Reino dos Céus. Os outros anjos… Além dos Anjos da Guarda, outros espíritos angélicos vagam pela terra e têm um extremo interesse em nós… para nossa perdição: os demônios, anjos decaídos, que outrora faziam parte da corte celestial. Revoltando- se contra Deus, passaram a trabalhar com um objetivo diametralmente oposto àquele para o qual Ele os criou. Sua preocupação única e obsessiva é a de nos fazer perder a possibilidade de contemplarmos a Deus por toda a eternidade. A isso os movem o ódio a seu Criador, cujo plano para a humanidade desejam obstruir, e a inveja do gênero humano, pois somos capazes de alcançar aquela felicidade eterna que eles perderam para sempre. Se os demônios tanto nos perseguem, por que não recorrermos ao Anjo da Guarda, pedindo sua proteção? Certamente, crescer no relacionamento com ele significará estar mais defendido das ações dos espíritos malignos, e ser mais ajudado na luta contra as tentações. Diz São João da Cruz: “Os anjos, além de levar a Deus notícias de nós, trazem os auxílios divinos para nossas almas e as apascentam como bons pastores (…) amparando-nos e defendendonos dos lobos, os demônios”. Confiando-nos inteiramente aos nossos Anjos da Guarda, não precisamos temer os demônios. Afinal, estes últimos nada conseguem contra o poder daqueles. (Revista Arautos do Evangelho, Out/2006, n. 58, p. 34 e 35) #AnjodaGuarda #SantosAnjos
- Festa dos Anjos da Guarda, nossos zelosos protetores – 2 de Outubro
SANTO DO DIA – 02 DE OUTUBRO – SANTOS ANJOS DA GUARDA É uma consoladora verdade de fé que, desde a infância até a morte, nossa vida seja circundada pela proteção dos anjos e por sua intercessão pois, lê-se no Catecismo da Igreja Católica, “Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida. Ainda aqui na terra, a vida cristã participa na fé da sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus”. A existência desses seres espirituais, não corporais, chamados anjos, tem a seu favor o claro testemunho das Sagradas Escrituras e a unanimidade da Tradição. “O anjo de Iahweh acampa ao redor dos que o temem, e os liberta”(Sl 34,8). Os anjos são mensageiros da salvação: “porventura não são todos eles espíritos servidores, enviados ao serviço dos que devem herdar a salvação?”, lê-se na carta aos Hebreus (1,14). Fundando esta verdade de fé na própria afirmação de Jesus, a Igreja nos diz que cada cristão, desde o momento do batismo, é confiado a um anjo particular, que tem a missão de guardá-lo, guiá-lo no caminho do bem, inspirar-lhe bons sentimentos, secundar suas livres escolhas quando estas o encaminham a Deus, ou fazer-lhe perceber a censura interior da consciência quando elas conduzem à transgressão da lei divina. A estas invisíveis testemunhas de nossos pensamentos mais recônditos e inconfessáveis, de nossas ações boas ou não tão boas, públicas ou escondidas, nossa época voltou a dar particular atenção. Seu precioso “serviço” é testemunhado na vida de muitos santos de nosso tempo. “Os anjos”, escreve Bossuet, “oferecem a Deus as nossas esmolas, recolhem até nossos desejos, fazem valer diante de Deus também nossos pensamentos. Sejamos felizes por ter amigos assim pressurosos, intercessores fiéis, intérpretes caridosos”. A festividade deste dia foi estendida à Igreja universal por Paulo V, em 1608, mas já um século antes era celebrada à parte da de São Miguel. Retirado do livro “Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente”, Paulinas Editora. Em quem posso confiar? – perguntam-se muitos de nossos contemporâneos, fartos de decepções no relacionamento humano. Bem junto de cada um de nós, entretanto, há sempre alguém que só pensa em nos favorecer. A cada dia aumenta o volume de cartas, telefonemas e e-mails de pessoas que recorrem às orações das instituições católicas por sentirem-se desoladas, abandonadas e, até mesmo, traídas por aqueles dos quais esperavam receber maior apoio e solidariedade. Às vezes, são pessoas unidas pelos fortes laços da natureza as que defraudam e ferem os corações de seus mais próximos. Numa das últimas cartas, uma frase resume bem a situação de inúmeros outros remetentes: “Já não tenho em quem confiar”. Uma realidade tão cruel atrai a compaixão… O principal remédio, sem dúvida, é a oração, mas não haverá algo mais a fazer para ajudar nossos irmãos e irmãs nessa situação dramática, tão difundida por toda parte? O ideal seria cada um deles ter um conselheiro fiel sempre à disposição, que, por pura amizade, os orientasse, consolasse, encorajasse. Um amigo de verdade, em quem pudessem depositar toda a sua confiança. Eis uma utopia, um problema para o qual parece não haver solução, pelo menos em termos humanos. Com efeito, onde encontrar tantas pessoas assim? Entretanto, muitos de nós, se olharmos para trás, para o tempo dourado de nossa infância, quando, ajudados por nossas mães, começávamos a rezar nossas primeiras orações, talvez nos lembremos de alguém que sabíamos estar sempre ao nosso lado, e a quem chamávamos de “zeloso guardador”. Um ser ao qual talvez tenhamos muito recorrido, e cuja figura ficou depois empoeirada nalgum canto de nossas recordações. Tomo, pois, a liberdade de lhe recordar, leitor, a existência desse amigo invisível, mas presente constante e fielmente ao nosso lado, poderoso e amável, que vive sempre na contemplação de Deus e, ao mesmo tempo nunca deixa de cuidar de nós: o Anjo da Guarda. Ele nos quer todo o bem Desde o início de sua vida até o momento de passar para a eternidade, todo ser humano é cercado pela proteção e intercessão de um anjo designado por Deus para o guiar, proteger e orientar. Assim, cada um de nós tem um Anjo da Guarda. Provavelmente, quase todos nós aprendemos em casa, ou nas aulas de catecismo, a clássica oração: “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, já que a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, guarda, governa e ilumina. Amém”. Apesar disso, talvez tenha escapado alguma vez de nossos lábios uma pergunta, repassada mais de admiração do que de dúvida: “Então eu tenho mesmo um anjo incumbido por Deus de cuidar de mim?” É realmente admirável o fato de cada um de nós possuir um anjo cuja missão específica é favorecer-nos em tudo quanto se relacione com nossa salvação eterna, mas é essa a realidade: Deus “os fez mensageiros de seu projeto de salvação”, afirma o Catecismo da Igreja Católica. E diz São Paulo: “Não são todos os anjos espíritos ao serviço de Deus, o qual lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a salvação?” (Hb 1,14). “Grande é a dignidade das almas – exclama São Jerônimo -, quando cada uma delas, desde a hora de seu nascimento, tem um anjo destinado para sua custódia!” É muito reconfortante saber que um ser superior à nossa natureza está continuamente a nosso lado; que ele, puro espírito, mantém-se na contemplação incessante de Deus e, ao mesmo tempo, vela por nós, quer-nos todo o bem, e seu objetivo é levar-nos para a felicidade perfeita e infindável do Céu. Quando nos damos conta da presença desse incomparável guardião, estabelecemos com ele uma amizade firme e íntima, como descreve o grande escritor francês Paul Claudel: “Entre o anjo e nós existe algo permanente. Há uma mão que, ainda quando dormimos, não solta a nossa. Sobre a terra onde nos encontramos, compartilhamos o pulso e o latejar do coração desse irmão celeste que fala com o nosso Pai”. Se tivéssemos maior confiança nesse celeste protetor, nesse bom amigo que nunca falha – ainda quando dele nos afastamos, por nossa má conduta -, seríamos capazes de recobrar a paz e o equilíbrio dos quais tanto precisamos! Eles estão a nosso lado, incansáveis, solícitos, bondosos A Bem-Aventurada Hosana Andreasi, de Mântua (Itália), ainda com seis anos de idade, tomara o gosto de passear pelas margens do Rio Pó, extasiada com a beleza do panorama. Um dia encontrava-se sozinha nesse lugar, quando de repente viu surgir diante de si um belo jovem, alto e forte. Nunca o havia visto antes… Surpresa, mas não amedrontada, ouviu o recém-chega chegado dizer com voz clara, ao mesmo tempo suave e firme: “A vida e a morte consistem em amar a Deus”. Sua surpresa aumentou quando o “jovem” a ergueu do chão e, olhando-a diretamente nos olhos, acrescentou: “Para entrar no Céu, você precisa amar muito a Deus. Ame?O. Tudo foi criado por Ele, para que as pessoas O amem”. Foi este o primeiro de numerosos encontros que Hosana teve, até seu falecimento (em 1505), com seu Anjo da Guarda. Casos como esse, de relacionamento intenso com os anjos, não são nada raros. Santa Gemma Galgani (1878- 1903), por exemplo, teve a constante companhia de seu anjo protetor, com quem mantinha um trato familiar. Ele lhe prestava todo tipo de ajuda, até mesmo levando suas mensagens para seu confessor, em Roma. Ainda mais próximos de nós, encontramos os episódios freqüentes ocorridos com São Pio de Pietrelcina (1887-1968), grande incentivador da devoção aos Anjos da Guarda. Em diversas ocasiões ele recebeu recados dos Anjos da Guarda de pessoas que, à distância, necessitavam de algum auxílio dele. O Beato João XXIII, outro grande devoto dos anjos, dizia: “Nosso desejo é que aumente a devoção ao Anjo Custódio”. Nossos anjos guardiães estão ao lado de cada um de nós, incansáveis, solícitos, bondosos, prontos para nos ajudar em tudo quanto precisarmos – inclusive em nossas necessidades materiais, mas especialmente para nos proporcionar os bens espirituais, auxiliando- nos a caminhar na via da virtude. Estimado leitor, queira Deus que esses pensamentos, tirados da Revelação e do tesouro da Santa Igreja, possam nos ajudar a nos tornarmos mais próximos desses fiéis amigos celestiais, consolando-nos e animando- nos. E aumentar nossa vontade de conhecê-los sem os sagrados véus da fé, quando nos encontrarmos lá no alto, no Reino dos Céus. Os outros anjos… Além dos Anjos da Guarda, outros espíritos angélicos vagam pela terra e têm um extremo interesse em nós… para nossa perdição: os demônios, anjos decaídos, que outrora faziam parte da corte celestial. Revoltando- se contra Deus, passaram a trabalhar com um objetivo diametralmente oposto àquele para o qual Ele os criou. Sua preocupação única e obsessiva é a de nos fazer perder a possibilidade de contemplarmos a Deus por toda a eternidade. A isso os movem o ódio a seu Criador, cujo plano para a humanidade desejam obstruir, e a inveja do gênero humano, pois somos capazes de alcançar aquela felicidade eterna que eles perderam para sempre. Se os demônios tanto nos perseguem, por que não recorrermos ao Anjo da Guarda, pedindo sua proteção? Certamente, crescer no relacionamento com ele significará estar mais defendido das ações dos espíritos malignos, e ser mais ajudado na luta contra as tentações. Diz São João da Cruz: “Os anjos, além de levar a Deus notícias de nós, trazem os auxílios divinos para nossas almas e as apascentam como bons pastores (…) amparando-nos e defendendonos dos lobos, os demônios”. Confiando-nos inteiramente aos nossos Anjos da Guarda, não precisamos temer os demônios. Afinal, estes últimos nada conseguem contra o poder daqueles. (Revista Arautos do Evangelho, Out/2006, n. 58, p. 34 e 35) #AnjodaGuarda #SantosAnjos
- Mês das Almas do Purgatório
Durante o mês de novembro vamos nos empenhar em conhecer mais sobre o purgatório e rezar pelas almas que tanto precisam das nossas orações. Leia o texto logo abaixo e em seguida escolha o dia do mês. 1º Dia – A Vigília dos Mortos 2º Dia – Lembrança dos mortos 3º Dia – Lembrança dos mortos 4º Dia – Relação com os mortos 5º Dia – Relação com os mortos 6º Dia – A Depositária das Recordações 7º Dia – Consolação 8º Dia – Consolação 9º Dia – Felicidade de ser útil aos Mortos 10º Dia – Esperança 11º Dia – Esperança 12º Dia – Esperança 13º Dia – 1º Sofrimento: Pena dos Sentidos 14º Dia – 2º Sofrimento: Pena do Dano 15º Dia – 3º Sofrimento: Impotência de se acudirem a si Próprias 16º Dia – 4º Sofrimento: O Conhecimento dos seus Pecados 17º Dia – 5º Sofrimento: O Olvido de que Caem 18º Dia – 6º Sofrimento: Incerteza do Tempo a sofrer no Purgatório 19º Dia – 1º Primeiro Motivo: O Serviço que prestamos a Deus e a glória que lhe proporcionamos 20º Dia – 2º motivo: O serviço que prestamos a nós mesmos 21º Dia – 3º Motivo: As principais virtudes que assim praticamos 22º Dia – 4º Motivo: O Julgamento que nos espera após a Morte 23º Dia – Meios que a Igreja nos fornece para aliviar as Almas Purgatório 24º Dia – 1º Meio: A Oração 25º Dia – 2º Meio: A Santa Missa 26º Dia – 3º Meio: O Jejum, as Mortificações, a Esmola 27º Dia – 4º Meio: O Ato Heroico 28º Dia – I. Horror ao pecado 29º Dia – II. Reparar os pecados pela penitência 30º Dia – III. Evitar também o pecado venial Existência do Purgatório I. — O Purgatório é um lugar de sofrimento em que as almas dos que morrem em estado da graça, mas sem haver satisfeito à justiça divina quanto à pena temporal incorrida por seus pecados, acabam de se purificar, solvendo essa dívida para poderem ser admitidas no Céu, onde conforme a Escritura, só entrará quem for puro. II. — As provas da existência do Purgatório podem ser tomadas : 1º. DA ESCRITURA SAGRADA. O Antigo Testamento mostranos Judas Macabeu recolhendo doze mil dracmas, espolio de uma vitória memorável, e remetendo-as para Jerusalém, a fim de que se oferecessem sacrifícios pelas almas dos que haviam perecido no combate, por ser, dizia ele, um pensamento pio e salutar o de orar pelos mortos para que se resgatem de suas faltas. O Novo Testamento refere-nos estas palavras de Jesus Cristo bem claras e precisas: Há pecados que nunca são remetidos, nem neste mundo nem no outro. (Mat. 12) Haverá, portanto, pecados que serão perdoados na outra vida. Não são menos frisantes estas outras palavras da parábola do credor: Há uma prisão donde não se sairá senão quando se tiver pago o ceitil derradeiro. (Mat, 18). — E estas de São Paulo: Haverá no último dia um fogo que destruirá as obras de certas almas, que só então salvar-seão. (Cr, 3.) 2º. DA TRADIÇÃO INTEIRA, à qual deu o Concilio de Trento esta ratificação infalível: «Se alguém pretender que todo pecador penitente, quando recebe a graça da justificação, obtém a remissão da culpa e da pena eterna de tal sorte que não fica devedor de nenhuma pena temporal a sofrer na terra ou na vida futura no Purgatório, antes de entrar no reino dos Céus: seja anátema ! (Sess. 6.a) 3º. DA RAZÃO, finalmente, como São Boaventura com sua lucidez ordinária expõe nestes termos: «O Purgatório deve existir por muitas causas: A primeira, como observa Santo Agostinho, é que há três ordens de pessoas: Umas inteiramente más, e a essas não aproveitam os sufrágios da Igreja; outras inteiramente boas, que não precisam de tais sufrágios; outras, enfim, que não são de todo más, nem de todo justas e a estas cabem as penas passageiras do Purgatório, porque suas faltas são veniais. A segunda causa é a própria justiça de Deus, porque, assim como a soberana bondade não sofre que o bem fique sem remuneração, assim a suprema justiça não permite que o mal fique sem nenhuma punição… A terceira razão para que haja um Purgatório é a sublime e santíssima dignidade da luz divina que somente olhos puros devem contemplar. É preciso, pois, que volte cada um à sua inocência batismal, antes de comparecer na presença, do Altíssimo. Além disso, todo pecado ofende a Majestade Divina, — é prejudicial à Igreja — e desfigura em nós a imagem de Deus. Ora, toda ofensa pede um castigo, todo dano uma reparação, todo mal um remédio; portanto é necessário também (neste mundo ou no outro) uma pena que corresponda ao pecado. Demais, os contrários ordinariamente curam-se com os contrários, e como o pecado nasce do prazer, o castigo vem a ser o seu remédio natural. A ninguém pode aproveitar a negligência, que é um defeito, e, se tal defeito não fosse punido, pareceria de vantagem para a vida futura não cuidar de fazer penitência neste mundo.» (Comp. teol., 7). II Penas do Purgatório A revelação que nos fala claramente da existência de um Purgatório não se explica tão claramente sobre o estado em que se acham as almas que precisam de purificar-se; não podemos, portanto, saber com exatidão nem onde elas sofrem, nem o que sofrem, nem de que modo sofrem. Só podemos afirmar que as penas do Purgatório são extremamente graves e de duas -espécies: a primeira, a mais insuportável, diz o Concílio de Florença, é a privação de Deus. A necessidade de ver e possuir a Deus, que a alma, desprendida do corpo, compreende ser o objeto único de sua felicidade: essa necessidade se faz sentir a todas as nossas faculdades com uma força extraordinária. É uma sede ardente, é uma fome devoradora, é um vazio medonho, uma espécie de asfixia produzida pela ausência de Deus, que é o alimento e o ar de nossa alma. A segunda é uma dor que põe a alma em torturas mais cruéis do que as que os tiranos infligiam aos mártires. A Igreja não definiu a natureza desta dor, mas permite ensinar-se geralmente que há no Purgatório, como no inferno, um fogo misterioso que envolve as almas sem consumi-las; e, diz La Luzerne, conquanto não seja um artigo de fé, todas as autoridades dão tanto peso à doutrina de um fogo expiatório que seria temeridade desprezá-la. III Causas do Purgatório São duas as causas do Purgatório: 1. A falta de satisfação suficiente pelos pecados remetidos. É de fé que Deus, perdoando os pecados cometidos depois do batismo e a pena eterna devida a esses pecados quando são mortais, deixa ordinariamente ao pecador já reconciliado a dívida de uma certa pena temporal que ele há de solver nesta vida ou na outra. 2. Os pecados veniais de que os justos podem estar maculados quando partem deste mundo. IV Estado das almas do Purgatório Conquanto padecendo os mais cruéis tormentos, não se abandonam as almas do Purgatório à impaciência nem ao desespero: estão na graça e na caridade, e sua vontade tanto se conforma com a vontade divina, que elas querem com alegria tudo o que Deus quer. — Adoram a mão que as castiga e, por mais desejos que tenham de seu livramento, não o almejam senão na ordem dos decretos divinos. Consolam-se com a certeza que tem de não ofender mais a Deus e de ir um dia possuí-lo no Céu por toda a eternidade. V Duração das penas do Purgatório Essas penas durarão pouco em relação às penas do inferno que são eternas, mas, consideradas em si mesmas, podem durar muito tempo. A Igreja autoriza os sufrágios de aniversário por muitos anos e até durante séculos: o que faz supor que as almas podem ficar todo esse tempo no Purgatório. Autores respeitáveis, entre outros Belarmino, admitem que haja pecadores detidos no Purgatório até o fim do mundo. VI Boas obras em favor das almas do Purgatório Há entre os fieis vivos e os fieis mortos comunicação das boas obras. — «A Igreja católica, esclarecida pelo Espírito Santo, aprendeu nas divinas Escrituras e na antiga Tradição dos Santos Padres e tem ensinado nos grandes Concílios que há um Purgatório e que as almas detidas nesse lugar são socorridas pelos sufrágios dos fiéis e principalmente pelo precioso Sacrifício do Altar». (Conc. Trent. sess, 25.) O corpo místico de Jesus Cristo se compõe de três Igrejas bem distintas: a Igreja triunfante no Céu, — a Igreja padecente no Purgatório, a Igreja militante na terra. Essas Igrejas, distintas em razão de sua situação diversa, compõem realmente um só corpo, do qual Jesus Cristo é a cabeça; em virtude da comunhão dos Santos, que professam no símbolo, elas se prestam mútuo auxilio. Tal é a magnífica harmonia do corpo da Igreja católica. Não poderíamos nunca, diz o catecismo romano, exaltar e agradecer devidamente a inefável bondade divina que outorgou aos homens o poder de satisfazer uns pelos outros e pagar assim o que é devido ao Senhor. VII As orações das almas do Purgatório É certo que as almas do Purgatório não podem merecer para si, mas ensinam comumente os teólogos, diz Monsenhor Devie, que se lhes pode fazer súplicas e que Deus se digna atendê-las, quando elas exercem a caridade para conosco, pedindo o que é necessário. — Os Santos no Céu, acrescenta esse prelado, não podem merecer para si; entretanto eles pedem por nós. É a doutrina de Belarmino, de Suarez, de Lessio e de Liguori. «As almas que pensam, diz Belarmino, são santas, oram como os Santos; e são escutadas em razão de seus méritos anteriores.» «A opinião de que as almas do Purgatório oram por nós, diz Suarez, é muito pia e muito conforme à ideia que temos da bondade divina: não é em nada errônea.» «Os mortos, observa ainda Belarmino, podem vir em nosso auxilio, porque os membros devem imitar a cabeça, o chefe Jesus Cristo… Há-de se dar a reciprocidade entre os membros de um mesmo corpo: assim como na Igreja os vivos socorrem os mortos, os mortos devem socorrer os vivos, cada um a seu modo». Todavia, a Igreja em seu culto externo não pratica a invocação das almas do Purgatório. VIII Aparições das almas do purgatório 1º. Estas aparições estão na ordem, das coisas que Deus pode permitir, e não repugnam a nenhuma das suas perfeições. Mas as almas do Purgatório, privadas dos seus corpos, não podem por força própria entrar em comunicação com o mundo sensível: é preciso um prodígio para que isto se realize. 2º. A Sagrada Escritura faz menção de a parições de mortos como de Samuel a Saul, de Jeremias e do grão-sacerdote Onias a Judas Macabeu, de muitos que saíram do túmulo na morte de Jesus Cristo e foram vistos em Jerusalém. 3º. Um grande número de aparições que se contam são imaginárias, mas é certo que as tem havido verdadeiras, até mesmo em tempos não remotos. Santo Agostinho, S. Bernardo, S. Gregório Magno e S. Liguori referem várias, e seria mais do que temerário acusá-los de mentira ou de imbecilidade. S. Tomás diz: «As almas dos mortos manifestam-se algumas vezes por uma disposição particular da Providencia para se ocuparem de coisas humanas». 4º. A Igreja não condenou, em tempo nenhum, esta crença. Cumpre dizer também que ela nunca sancionou com sua autoridade a autenticidade absoluta de nenhuma aparição citada pelos Santos. 5º. Sendo as almas do Purgatório santas, boas e caritativas conosco, quando têm de Deus a permissão de nos aparecer não é evidentemente senão para testemunhar seu amor ou invocar o nosso: longe, pois, de nos causar terror, uma aparição deveria alegrar-nos. Assim devemos ter como alucinação fantasmagórica, conto de pura invenção, toda aparição que só tenha por fim apavorar os vivos. É uma indignidade prestar este papel a almas santas. Extraído do livro – Mês das Almas do Purgatório – Mons José Basílio Pereira – 10a. Edição – 1943 – Editora Mensageiro da Fé Ltda. – Salvador – Bahia #MêsdasAlmasdoPurgatório #Purgatório
- Mês das Almas do Purgatório
Durante o mês de novembro vamos nos empenhar em conhecer mais sobre o purgatório e rezar pelas almas que tanto precisam das nossas orações. Leia o texto logo abaixo e em seguida escolha o dia do mês. 1º Dia – A Vigília dos Mortos 2º Dia – Lembrança dos mortos 3º Dia – Lembrança dos mortos 4º Dia – Relação com os mortos 5º Dia – Relação com os mortos 6º Dia – A Depositária das Recordações 7º Dia – Consolação 8º Dia – Consolação 9º Dia – Felicidade de ser útil aos Mortos 10º Dia – Esperança 11º Dia – Esperança 12º Dia – Esperança 13º Dia – 1º Sofrimento: Pena dos Sentidos 14º Dia – 2º Sofrimento: Pena do Dano 15º Dia – 3º Sofrimento: Impotência de se acudirem a si Próprias 16º Dia – 4º Sofrimento: O Conhecimento dos seus Pecados 17º Dia – 5º Sofrimento: O Olvido de que Caem 18º Dia – 6º Sofrimento: Incerteza do Tempo a sofrer no Purgatório 19º Dia – 1º Primeiro Motivo: O Serviço que prestamos a Deus e a glória que lhe proporcionamos 20º Dia – 2º motivo: O serviço que prestamos a nós mesmos 21º Dia – 3º Motivo: As principais virtudes que assim praticamos 22º Dia – 4º Motivo: O Julgamento que nos espera após a Morte 23º Dia – Meios que a Igreja nos fornece para aliviar as Almas Purgatório 24º Dia – 1º Meio: A Oração 25º Dia – 2º Meio: A Santa Missa 26º Dia – 3º Meio: O Jejum, as Mortificações, a Esmola 27º Dia – 4º Meio: O Ato Heroico 28º Dia – I. Horror ao pecado 29º Dia – II. Reparar os pecados pela penitência 30º Dia – III. Evitar também o pecado venial Existência do Purgatório I. — O Purgatório é um lugar de sofrimento em que as almas dos que morrem em estado da graça, mas sem haver satisfeito à justiça divina quanto à pena temporal incorrida por seus pecados, acabam de se purificar, solvendo essa dívida para poderem ser admitidas no Céu, onde conforme a Escritura, só entrará quem for puro. II. — As provas da existência do Purgatório podem ser tomadas : 1º. DA ESCRITURA SAGRADA. O Antigo Testamento mostranos Judas Macabeu recolhendo doze mil dracmas, espolio de uma vitória memorável, e remetendo-as para Jerusalém, a fim de que se oferecessem sacrifícios pelas almas dos que haviam perecido no combate, por ser, dizia ele, um pensamento pio e salutar o de orar pelos mortos para que se resgatem de suas faltas. O Novo Testamento refere-nos estas palavras de Jesus Cristo bem claras e precisas: Há pecados que nunca são remetidos, nem neste mundo nem no outro. (Mat. 12) Haverá, portanto, pecados que serão perdoados na outra vida. Não são menos frisantes estas outras palavras da parábola do credor: Há uma prisão donde não se sairá senão quando se tiver pago o ceitil derradeiro. (Mat, 18). — E estas de São Paulo: Haverá no último dia um fogo que destruirá as obras de certas almas, que só então salvar-seão. (Cr, 3.) 2º. DA TRADIÇÃO INTEIRA, à qual deu o Concilio de Trento esta ratificação infalível: «Se alguém pretender que todo pecador penitente, quando recebe a graça da justificação, obtém a remissão da culpa e da pena eterna de tal sorte que não fica devedor de nenhuma pena temporal a sofrer na terra ou na vida futura no Purgatório, antes de entrar no reino dos Céus: seja anátema ! (Sess. 6.a) 3º. DA RAZÃO, finalmente, como São Boaventura com sua lucidez ordinária expõe nestes termos: «O Purgatório deve existir por muitas causas: A primeira, como observa Santo Agostinho, é que há três ordens de pessoas: Umas inteiramente más, e a essas não aproveitam os sufrágios da Igreja; outras inteiramente boas, que não precisam de tais sufrágios; outras, enfim, que não são de todo más, nem de todo justas e a estas cabem as penas passageiras do Purgatório, porque suas faltas são veniais. A segunda causa é a própria justiça de Deus, porque, assim como a soberana bondade não sofre que o bem fique sem remuneração, assim a suprema justiça não permite que o mal fique sem nenhuma punição… A terceira razão para que haja um Purgatório é a sublime e santíssima dignidade da luz divina que somente olhos puros devem contemplar. É preciso, pois, que volte cada um à sua inocência batismal, antes de comparecer na presença, do Altíssimo. Além disso, todo pecado ofende a Majestade Divina, — é prejudicial à Igreja — e desfigura em nós a imagem de Deus. Ora, toda ofensa pede um castigo, todo dano uma reparação, todo mal um remédio; portanto é necessário também (neste mundo ou no outro) uma pena que corresponda ao pecado. Demais, os contrários ordinariamente curam-se com os contrários, e como o pecado nasce do prazer, o castigo vem a ser o seu remédio natural. A ninguém pode aproveitar a negligência, que é um defeito, e, se tal defeito não fosse punido, pareceria de vantagem para a vida futura não cuidar de fazer penitência neste mundo.» (Comp. teol., 7). II Penas do Purgatório A revelação que nos fala claramente da existência de um Purgatório não se explica tão claramente sobre o estado em que se acham as almas que precisam de purificar-se; não podemos, portanto, saber com exatidão nem onde elas sofrem, nem o que sofrem, nem de que modo sofrem. Só podemos afirmar que as penas do Purgatório são extremamente graves e de duas -espécies: a primeira, a mais insuportável, diz o Concílio de Florença, é a privação de Deus. A necessidade de ver e possuir a Deus, que a alma, desprendida do corpo, compreende ser o objeto único de sua felicidade: essa necessidade se faz sentir a todas as nossas faculdades com uma força extraordinária. É uma sede ardente, é uma fome devoradora, é um vazio medonho, uma espécie de asfixia produzida pela ausência de Deus, que é o alimento e o ar de nossa alma. A segunda é uma dor que põe a alma em torturas mais cruéis do que as que os tiranos infligiam aos mártires. A Igreja não definiu a natureza desta dor, mas permite ensinar-se geralmente que há no Purgatório, como no inferno, um fogo misterioso que envolve as almas sem consumi-las; e, diz La Luzerne, conquanto não seja um artigo de fé, todas as autoridades dão tanto peso à doutrina de um fogo expiatório que seria temeridade desprezá-la. III Causas do Purgatório São duas as causas do Purgatório: 1. A falta de satisfação suficiente pelos pecados remetidos. É de fé que Deus, perdoando os pecados cometidos depois do batismo e a pena eterna devida a esses pecados quando são mortais, deixa ordinariamente ao pecador já reconciliado a dívida de uma certa pena temporal que ele há de solver nesta vida ou na outra. 2. Os pecados veniais de que os justos podem estar maculados quando partem deste mundo. IV Estado das almas do Purgatório Conquanto padecendo os mais cruéis tormentos, não se abandonam as almas do Purgatório à impaciência nem ao desespero: estão na graça e na caridade, e sua vontade tanto se conforma com a vontade divina, que elas querem com alegria tudo o que Deus quer. — Adoram a mão que as castiga e, por mais desejos que tenham de seu livramento, não o almejam senão na ordem dos decretos divinos. Consolam-se com a certeza que tem de não ofender mais a Deus e de ir um dia possuí-lo no Céu por toda a eternidade. V Duração das penas do Purgatório Essas penas durarão pouco em relação às penas do inferno que são eternas, mas, consideradas em si mesmas, podem durar muito tempo. A Igreja autoriza os sufrágios de aniversário por muitos anos e até durante séculos: o que faz supor que as almas podem ficar todo esse tempo no Purgatório. Autores respeitáveis, entre outros Belarmino, admitem que haja pecadores detidos no Purgatório até o fim do mundo. VI Boas obras em favor das almas do Purgatório Há entre os fieis vivos e os fieis mortos comunicação das boas obras. — «A Igreja católica, esclarecida pelo Espírito Santo, aprendeu nas divinas Escrituras e na antiga Tradição dos Santos Padres e tem ensinado nos grandes Concílios que há um Purgatório e que as almas detidas nesse lugar são socorridas pelos sufrágios dos fiéis e principalmente pelo precioso Sacrifício do Altar». (Conc. Trent. sess, 25.) O corpo místico de Jesus Cristo se compõe de três Igrejas bem distintas: a Igreja triunfante no Céu, — a Igreja padecente no Purgatório, a Igreja militante na terra. Essas Igrejas, distintas em razão de sua situação diversa, compõem realmente um só corpo, do qual Jesus Cristo é a cabeça; em virtude da comunhão dos Santos, que professam no símbolo, elas se prestam mútuo auxilio. Tal é a magnífica harmonia do corpo da Igreja católica. Não poderíamos nunca, diz o catecismo romano, exaltar e agradecer devidamente a inefável bondade divina que outorgou aos homens o poder de satisfazer uns pelos outros e pagar assim o que é devido ao Senhor. VII As orações das almas do Purgatório É certo que as almas do Purgatório não podem merecer para si, mas ensinam comumente os teólogos, diz Monsenhor Devie, que se lhes pode fazer súplicas e que Deus se digna atendê-las, quando elas exercem a caridade para conosco, pedindo o que é necessário. — Os Santos no Céu, acrescenta esse prelado, não podem merecer para si; entretanto eles pedem por nós. É a doutrina de Belarmino, de Suarez, de Lessio e de Liguori. «As almas que pensam, diz Belarmino, são santas, oram como os Santos; e são escutadas em razão de seus méritos anteriores.» «A opinião de que as almas do Purgatório oram por nós, diz Suarez, é muito pia e muito conforme à ideia que temos da bondade divina: não é em nada errônea.» «Os mortos, observa ainda Belarmino, podem vir em nosso auxilio, porque os membros devem imitar a cabeça, o chefe Jesus Cristo… Há-de se dar a reciprocidade entre os membros de um mesmo corpo: assim como na Igreja os vivos socorrem os mortos, os mortos devem socorrer os vivos, cada um a seu modo». Todavia, a Igreja em seu culto externo não pratica a invocação das almas do Purgatório. VIII Aparições das almas do purgatório 1º. Estas aparições estão na ordem, das coisas que Deus pode permitir, e não repugnam a nenhuma das suas perfeições. Mas as almas do Purgatório, privadas dos seus corpos, não podem por força própria entrar em comunicação com o mundo sensível: é preciso um prodígio para que isto se realize. 2º. A Sagrada Escritura faz menção de a parições de mortos como de Samuel a Saul, de Jeremias e do grão-sacerdote Onias a Judas Macabeu, de muitos que saíram do túmulo na morte de Jesus Cristo e foram vistos em Jerusalém. 3º. Um grande número de aparições que se contam são imaginárias, mas é certo que as tem havido verdadeiras, até mesmo em tempos não remotos. Santo Agostinho, S. Bernardo, S. Gregório Magno e S. Liguori referem várias, e seria mais do que temerário acusá-los de mentira ou de imbecilidade. S. Tomás diz: «As almas dos mortos manifestam-se algumas vezes por uma disposição particular da Providencia para se ocuparem de coisas humanas». 4º. A Igreja não condenou, em tempo nenhum, esta crença. Cumpre dizer também que ela nunca sancionou com sua autoridade a autenticidade absoluta de nenhuma aparição citada pelos Santos. 5º. Sendo as almas do Purgatório santas, boas e caritativas conosco, quando têm de Deus a permissão de nos aparecer não é evidentemente senão para testemunhar seu amor ou invocar o nosso: longe, pois, de nos causar terror, uma aparição deveria alegrar-nos. Assim devemos ter como alucinação fantasmagórica, conto de pura invenção, toda aparição que só tenha por fim apavorar os vivos. É uma indignidade prestar este papel a almas santas. Extraído do livro – Mês das Almas do Purgatório – Mons José Basílio Pereira – 10a. Edição – 1943 – Editora Mensageiro da Fé Ltda. – Salvador – Bahia #MêsdasAlmasdoPurgatório #Purgatório
- Os Sacrilégios Contra a SS Eucaristia: Bispos e Padres Incentivando As Profanações
O Primeiro e mais importante dos Mandamentos nos diz que devemos amar a Deus sobre todas as coisas, de modo que os pecados mais graves que um ser humano pode cometer são aqueles contra o próprio Deus. A profanação e o sacrilégio contra a Santíssima Eucaristia é dos pecados mais graves que uma pessoa pode cometer, daí a dura advertência de São Paulo: “Quem come e bebe o Corpo do Senhor sem distinguir, come e bebe a própria condenação.( ICor.11,29) Toda pessoa que recebe a Sagrada Comunhão em situação de pecado mortal comete sacrilégio e profanação. Os bispos e padres que não instruem o povo sobre as disposições necessárias para se receber a Sagrada Eucaristia são partícipes dessas profanações. Pior ainda quando esses mesmos pastores do povo de Deus incentivam pessoas em situação de pecado mortal irem à comunhão. Por conta da ação e omissão de bispos e padres explodiu o aumento de profanações e sacrilégios contra a Santíssima Eucaristia. Por isso os crimes, males e sofrimentos se multiplicam e vemos pessoas e uma sociedade doente. Que Deus tenha misericórdia de seu povo. Assista: #Formaçõesaovivo
- Os Sacrilégios Contra a SS Eucaristia: Bispos e Padres Incentivando As Profanações
O Primeiro e mais importante dos Mandamentos nos diz que devemos amar a Deus sobre todas as coisas, de modo que os pecados mais graves que um ser humano pode cometer são aqueles contra o próprio Deus. A profanação e o sacrilégio contra a Santíssima Eucaristia é dos pecados mais graves que uma pessoa pode cometer, daí a dura advertência de São Paulo: “Quem come e bebe o Corpo do Senhor sem distinguir, come e bebe a própria condenação.( ICor.11,29) Toda pessoa que recebe a Sagrada Comunhão em situação de pecado mortal comete sacrilégio e profanação. Os bispos e padres que não instruem o povo sobre as disposições necessárias para se receber a Sagrada Eucaristia são partícipes dessas profanações. Pior ainda quando esses mesmos pastores do povo de Deus incentivam pessoas em situação de pecado mortal irem à comunhão. Por conta da ação e omissão de bispos e padres explodiu o aumento de profanações e sacrilégios contra a Santíssima Eucaristia. Por isso os crimes, males e sofrimentos se multiplicam e vemos pessoas e uma sociedade doente. Que Deus tenha misericórdia de seu povo. Assista: #Formaçõesaovivo
- Aprenda a “pequena via” de Santa Teresinha
Para cumprir o seu chamado, Teresinha descobriu um caminho inteiramente novo, uma pequena via, que pode ser igualmente percorrida por cada um de nós. Trata-se de um caminho pelo qual nos tornamos ofertas de amor a Deus nas pequenas coisas do dia a dia. A 9 de abril de 1888, o carmelo de Lisieux, na França, abria as suas portas para aquela que um dia seria a padroeira das missões: Teresa Martin, ou Teresinha do Menino Jesus, como é popularmente venerada no Brasil. Assista a Aula com Padre Paulo Ricardo: A própria santa é quem nos narra a grandiosidade daquele momento, “que é preciso ter passado por ele para saber o que ele é”, no seu Manuscrito A, da História de uma alma (69v) : Minha emoção não se traduziu exteriormente; depois de ter abraçado todos os membros da minha família querida, pus-me de joelhos diante de meu incomparável Pai, pedindo-lhe a sua bênção; para me dá-la ele mesmo se pôs de joelhos me abraçou chorando… Era um espetáculo que devia fazer sorrir os anjos aquele desse ancião apresentando ao Senhor sua filha ainda na primavera da vida! Alguns instantes depois, as portas da arca sagrada se fechavam sobre mim e lá eu recebia os abraços das irmãs queridas que me tinham servido de mães e que ia doravante tomar como modelos de minhas ações. Enfim meus desejos estavam realizados, minha alma sentia uma paz tão suave e tão profunda que me seria impossível exprimi-la e desde os sete anos e meio essa paz íntima permaneceu sendo meu quinhão, não me abandonou no meio das maiores provações. (grifos nossos) A entrega heróica de Teresinha à vida religiosa coloca-nos diante de uma verdade: nós nascemos para Deus. Não há outro meio ou lugar onde o ser humano encontre a felicidade autêntica senão na realização total da sua vocação cristã. De fato, a maior parte de nós nunca terá a chance de ouvir “as portas da arca sagrada” se fecharem sobre nós, como ouviu Teresinha. Todavia, podemos imitar a sua entrega por meio do cumprimento heróico do nosso estado de vida, fazendo tudo o que está a nosso alcance por amor a Deus e à Igreja. Para cumprir o seu chamado, Teresinha descobriu um caminho inteiramente novo, uma pequena via, que pode ser igualmente percorrida por cada um de nós. Trata-se de um caminho pelo qual nos tornamos ofertas de amor a Deus nas pequenas coisas do dia a dia. A “pequena via” de Santa Teresinha é, deveras, uma redescoberta original do Evangelho, o que lhe rendeu o título de “doutor da Igreja”. No resumo de sua tese sobre a espiritualidade da pequena santa, o padre Conrado de Meester fala que esse “novo caminho” nada mais seria que uma resposta a uma “indagação vital” de todo ser humano, motivo pelo qual Teresinha “conseguiu causar um eco na Igreja bastante universal” (2018, p. 74). Mas como foi que Teresa de Lisieux fez essa descoberta? Teresinha entrou no Carmelo com apenas 15 anos de idade. Aos 16, seu pai caiu doente, após uma infecção causada pela picada de uma mosca. A doença levou o senhor Luís Martin à demência, a ponto de ele pegar em armas, durante um delírio, para defender as filhas num suposto fronte de guerra. Com medo de um acidente mais grave, a família achou por bem interná-lo numa clínica. A situação provocou os comentários da cidade, que responsabilizou Teresinha pela doença do pai. É claro que isso causou graves constrangimentos ao coração da pequena santa, de modo que ela foi, aos poucos, descobrindo uma maneira de entregar-se a Deus nesse sofrimento. Após a morte do pai, em 1894, quando tinha ela já 21 anos, Teresinha finalmente entendeu a “pequena via” da santidade, lendo algumas citações bíblicas do Antigo Testamento, que encontrara nas anotações de sua irmã Celina, recém-chegada ao Carmelo. A descoberta foi uma verdadeira eclosão de amor, o passo decisivo para a sua entrada na sétima morada, que ocorreu na festa da Santíssima Trindade, em 1895. A “pequena via” ajudou Teresinha a entregar-se como verdadeiro holocausto de amor pela salvação das almas. É incrível que , sem jamais ter lido Santo Tomás de Aquino, ela tenha entendido que o que santifica as almas não é a grandiosidade dos atos, mas a intensidade com que cada ação é praticada, de maneira que uma pequena ação pode converter-se numa grande declaração de amor a Jesus e ao próximo. A intuição de Teresinha levou-a a apresentar-se à misericórdia divina com as mãos vazias. Vendo-se pequena e incapaz de qualquer mérito, olhando para os grandes santos e enxergando a sua miséria, ela simplesmente recorreu ao amor misericordioso de Cristo para que Ele mesmo realizasse a sua santificação. “O elevador que deve elevar-me até o Céu” , dizia Teresinha, “são vossos braços, ó Jesus” ( Manuscrito B , 3v). Na verdade, Teresinha apenas compreendeu que o amor perfeito é o amor misericordioso. Afinal de contas, Deus deseja almas de mãos vazias para que Ele possa derramar-se inteiramente sobre elas. Ele não quer ser obrigado a amar por justiça, a gratificar-nos segundo nossos méritos. Ele quer derramar-se de uma maneira inteiramente gratuita e inesperada, deseja entregar-se totalmente , de modo que Teresinha via que não precisava mais crescer, mas permanecer pequena (cf. Manuscrito B , 3v). Essa espiritualidade de Teresinha produz a virtude da humildade e da magnanimidade . Colocando-nos humildemente aos pés de Deus, com as mãos vazias, admitimos nossa miséria e incapacidade para todo bem. Por outro lado, confiamos que nossa santificação é obra de um Outro, o qual não pode inspirar desejos irrealizáveis . Por isso, caminhamos na certeza de que Deus nos quer no Céu e, se correspondermos a Sua graça, um dia poderemos contemplá-lo face a face na eternidade. Como um pequeno passarinho nas mãos de Deus, aproximemo-nos, portanto, da Sua misericórdia para que sejamos tão grandes quanto a humilde Teresinha do Menino Jesus.
- Aprenda a “pequena via” de Santa Teresinha
Para cumprir o seu chamado, Teresinha descobriu um caminho inteiramente novo, uma pequena via, que pode ser igualmente percorrida por cada um de nós. Trata-se de um caminho pelo qual nos tornamos ofertas de amor a Deus nas pequenas coisas do dia a dia. A 9 de abril de 1888, o carmelo de Lisieux, na França, abria as suas portas para aquela que um dia seria a padroeira das missões: Teresa Martin, ou Teresinha do Menino Jesus, como é popularmente venerada no Brasil. Assista a Aula com Padre Paulo Ricardo: A própria santa é quem nos narra a grandiosidade daquele momento, “que é preciso ter passado por ele para saber o que ele é”, no seu Manuscrito A, da História de uma alma (69v) : Minha emoção não se traduziu exteriormente; depois de ter abraçado todos os membros da minha família querida, pus-me de joelhos diante de meu incomparável Pai, pedindo-lhe a sua bênção; para me dá-la ele mesmo se pôs de joelhos me abraçou chorando… Era um espetáculo que devia fazer sorrir os anjos aquele desse ancião apresentando ao Senhor sua filha ainda na primavera da vida! Alguns instantes depois, as portas da arca sagrada se fechavam sobre mim e lá eu recebia os abraços das irmãs queridas que me tinham servido de mães e que ia doravante tomar como modelos de minhas ações. Enfim meus desejos estavam realizados, minha alma sentia uma paz tão suave e tão profunda que me seria impossível exprimi-la e desde os sete anos e meio essa paz íntima permaneceu sendo meu quinhão, não me abandonou no meio das maiores provações. (grifos nossos) A entrega heróica de Teresinha à vida religiosa coloca-nos diante de uma verdade: nós nascemos para Deus. Não há outro meio ou lugar onde o ser humano encontre a felicidade autêntica senão na realização total da sua vocação cristã. De fato, a maior parte de nós nunca terá a chance de ouvir “as portas da arca sagrada” se fecharem sobre nós, como ouviu Teresinha. Todavia, podemos imitar a sua entrega por meio do cumprimento heróico do nosso estado de vida, fazendo tudo o que está a nosso alcance por amor a Deus e à Igreja. Para cumprir o seu chamado, Teresinha descobriu um caminho inteiramente novo, uma pequena via, que pode ser igualmente percorrida por cada um de nós. Trata-se de um caminho pelo qual nos tornamos ofertas de amor a Deus nas pequenas coisas do dia a dia. A “pequena via” de Santa Teresinha é, deveras, uma redescoberta original do Evangelho, o que lhe rendeu o título de “doutor da Igreja”. No resumo de sua tese sobre a espiritualidade da pequena santa, o padre Conrado de Meester fala que esse “novo caminho” nada mais seria que uma resposta a uma “indagação vital” de todo ser humano, motivo pelo qual Teresinha “conseguiu causar um eco na Igreja bastante universal” (2018, p. 74). Mas como foi que Teresa de Lisieux fez essa descoberta? Teresinha entrou no Carmelo com apenas 15 anos de idade. Aos 16, seu pai caiu doente, após uma infecção causada pela picada de uma mosca. A doença levou o senhor Luís Martin à demência, a ponto de ele pegar em armas, durante um delírio, para defender as filhas num suposto fronte de guerra. Com medo de um acidente mais grave, a família achou por bem interná-lo numa clínica. A situação provocou os comentários da cidade, que responsabilizou Teresinha pela doença do pai. É claro que isso causou graves constrangimentos ao coração da pequena santa, de modo que ela foi, aos poucos, descobrindo uma maneira de entregar-se a Deus nesse sofrimento. Após a morte do pai, em 1894, quando tinha ela já 21 anos, Teresinha finalmente entendeu a “pequena via” da santidade, lendo algumas citações bíblicas do Antigo Testamento, que encontrara nas anotações de sua irmã Celina, recém-chegada ao Carmelo. A descoberta foi uma verdadeira eclosão de amor, o passo decisivo para a sua entrada na sétima morada, que ocorreu na festa da Santíssima Trindade, em 1895. A “pequena via” ajudou Teresinha a entregar-se como verdadeiro holocausto de amor pela salvação das almas. É incrível que , sem jamais ter lido Santo Tomás de Aquino, ela tenha entendido que o que santifica as almas não é a grandiosidade dos atos, mas a intensidade com que cada ação é praticada, de maneira que uma pequena ação pode converter-se numa grande declaração de amor a Jesus e ao próximo. A intuição de Teresinha levou-a a apresentar-se à misericórdia divina com as mãos vazias. Vendo-se pequena e incapaz de qualquer mérito, olhando para os grandes santos e enxergando a sua miséria, ela simplesmente recorreu ao amor misericordioso de Cristo para que Ele mesmo realizasse a sua santificação. “O elevador que deve elevar-me até o Céu” , dizia Teresinha, “são vossos braços, ó Jesus” ( Manuscrito B , 3v). Na verdade, Teresinha apenas compreendeu que o amor perfeito é o amor misericordioso. Afinal de contas, Deus deseja almas de mãos vazias para que Ele possa derramar-se inteiramente sobre elas. Ele não quer ser obrigado a amar por justiça, a gratificar-nos segundo nossos méritos. Ele quer derramar-se de uma maneira inteiramente gratuita e inesperada, deseja entregar-se totalmente , de modo que Teresinha via que não precisava mais crescer, mas permanecer pequena (cf. Manuscrito B , 3v). Essa espiritualidade de Teresinha produz a virtude da humildade e da magnanimidade . Colocando-nos humildemente aos pés de Deus, com as mãos vazias, admitimos nossa miséria e incapacidade para todo bem. Por outro lado, confiamos que nossa santificação é obra de um Outro, o qual não pode inspirar desejos irrealizáveis . Por isso, caminhamos na certeza de que Deus nos quer no Céu e, se correspondermos a Sua graça, um dia poderemos contemplá-lo face a face na eternidade. Como um pequeno passarinho nas mãos de Deus, aproximemo-nos, portanto, da Sua misericórdia para que sejamos tão grandes quanto a humilde Teresinha do Menino Jesus.
- Homilia Dominical | “No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor”
(26.º Domingo do Tempo Comum) Como chave de leitura para o Evangelho deste domingo, que narra a parábola dos dois filhos, Padre Paulo Ricardo coloca-nos diante dos olhos a vocação de Santa Teresinha do Menino Jesus, cuja memória litúrgica a Igreja celebra no dia 1.º de outubro. Essa santa carmelita descobriu que só conseguimos viver a vontade de Deus se tivermos um coração abrasado de amor. Para isso, precisamos de um verdadeiro “transplante de coração”, pelo qual abrimos mão do nosso coração de pedra e deixamos reinar em nós o Coração de Cristo. Sem isso, todo o Evangelho se transforma num “moralismo esmagador”. Ouça a homilia deste domingo e suplique a Nosso Senhor que lhe dê um novo coração! Santo do Dia: Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, Doutora da Igreja Anúncio do Evangelho (Mt 21,28-32) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Minhas ovelhas escutam a minha voz, minha voz estão elas a escutar; eu conheço, então, minhas ovelhas, que me seguem, comigo a caminhar! (Jo 10,27) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo: 28 “Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ 29 O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi. 30 O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. 31 Qual dos dois fez a vontade do pai?” Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro”. Então Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. 32 Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Dominical | “No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor”
(26.º Domingo do Tempo Comum) Como chave de leitura para o Evangelho deste domingo, que narra a parábola dos dois filhos, Padre Paulo Ricardo coloca-nos diante dos olhos a vocação de Santa Teresinha do Menino Jesus, cuja memória litúrgica a Igreja celebra no dia 1.º de outubro. Essa santa carmelita descobriu que só conseguimos viver a vontade de Deus se tivermos um coração abrasado de amor. Para isso, precisamos de um verdadeiro “transplante de coração”, pelo qual abrimos mão do nosso coração de pedra e deixamos reinar em nós o Coração de Cristo. Sem isso, todo o Evangelho se transforma num “moralismo esmagador”. Ouça a homilia deste domingo e suplique a Nosso Senhor que lhe dê um novo coração! Santo do Dia: Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, Doutora da Igreja Anúncio do Evangelho (Mt 21,28-32) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Minhas ovelhas escutam a minha voz, minha voz estão elas a escutar; eu conheço, então, minhas ovelhas, que me seguem, comigo a caminhar! (Jo 10,27) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo: 28 “Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ 29 O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi. 30 O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. 31 Qual dos dois fez a vontade do pai?” Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro”. Então Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. 32 Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- A morte luminosa de Santa Teresinha do Menino Jesus
Na tarde de 30 de setembro de 1897, uma cena inesquecível desdobrava-se na enfermaria do Carmelo de Lisieux. Cercada de toda a comunidade ajoelhada em torno de seu leito de dores, Santa Teresinha do Menino Jesus, fitando os olhos no crucifixo, pronunciava suas últimas palavras nesta terra de exílio: – Oh! eu O amo… Meu Deus… eu… Vos amo! Subitamente, seus amortecidos olhos de agonizante recuperam vida e fixam-se num ponto abaixo da imagem de Nossa Senhora. Seu rosto retoma a aparência juvenil de quando ela gozava de plena saúde. Parecendo estar em êxtase, ela fecha os olhos e expira. Um misterioso sorriso aflora-lhe aos lábios e aumenta a formosura de sua fisionomia. “Eu não morro, eu entro na Vida”, havia ela escrito poucos meses antes. Sua luz brilha no mundo inteiro Talis vita finis ita. – “Cada um morre como viveu.” Sua morte, aos 24 anos, foi um reflexo de sua breve existência – uma vida de virtude heróica, de amor a Deus e ao próximo levado a limites extremos, e de sofrimentos suportados com uma radiante alegria e uma santa despretensão. Quis ela passar inteiramente despercebida neste mundo. E este seu desejo de vida oculta teria sido realizado, se Deus não tivesse outros desígnios a esse respeito. Por ordem das superioras, a humilde carmelita escreveu seus famosos Manuscritos Autobiográficos – “História de uma alma” – que tanto bem fizeram, fazem e farão ao longo dos séculos, além de várias cartas, poesias e outros documentos registrados pela História. E algumas irmãs de hábito que bem compreenderam sua extraordinária virtude, tomaram nota das conversas tidas com ela nos seus últimos meses d e vida. Graças a isso, a chama acesa por Jesus na alma dessa Santa ilumina hoje o mundo inteiro. E nós podemos, nas linhas abaixo, apreciar alguns “flashes” fulgurantes dessa luz. Em abril de 1897, quando a doença mortal entrava em sua última fase, sua irmã Paulina (em religião, Madre Inês de Jesus) fez a primeira anotação em seu caderno: “Quando somos incompreendidas e julgadas desfavoravelmente, de que nos serve defender-nos ou explicar-nos? É muito melhor não dizer nada e deixar que os outros nos julguem como lhes agrada. Não vemos no Evangelho Maria explicando-se quando sua irmã a acusou de ficar aos pés de Jesus sem fazer nada! Não, ela preferiu permanecer em silêncio. Ó abençoado silêncio que dá tanta paz às almas!” Trechos como este, de conversas íntimas com a Santa, quase nos fazem esquecer que ela está passando por sofrimentos físicos atrozes, incompreensões e, muito mais duro de suportar, uma terrível provação espiritual, “a noite da Fé”. Descrevendo essa provação nos Manuscritos Autobiográficos, ela afirma: “Jesus permitiu que uma escuridão negra como boca de lobo varresse minha alma e deixasse o pensamento do Céu, tão doce para mim desde a minha infância, destruir minha paz e torturar-me…” E em conversa com suas irmãs acrescenta: “Minha alma está exilada, o Céu está fechado para mim e do lado da terra tudo é provação também”. Olhando pela janela da enfermaria, viu um “buraco negro” no jardim e confidenciou à Madre Superiora: “É num buraco como esse que eu me encontro, de corpo e alma. Oh! sim, que trevas! Mas estou em paz dentro delas”. No dia da partida para a eternidade, pôde ela declarar com singela despretensão: “Oh, eu rezei fervorosamente a Ele, mas estou realmente em agonia sem nenhuma mistura de consolação”. Apesar de todos os sofrimentos físicos e espirituais, ela iluminava com seu sorriso e aquecia com sua caridade as demais religiosas do convento. Naquela enfermaria não se respirava atmosfera de tristeza. Santa Teresinha não o permitia! Escreve sua irmã Maria: “Quanto à força moral, é sempre a mesma coisa, a alegria em pessoa, fazendo rir todos quantos dela se aproximam. Creio que ela morrerá rindo, de tal forma ela é alegre!” A Santa usava seu vasto repertório de jogos de palavras, imitações de pessoas, ditos espirituosos a respeito dela mesma e da incapacidade dos médicos – tudo para praticar a caridade fraterna. Sua alegria nada tinha de inautêntico, de forjado. A Irmã Teresinha detestava o fingimento! No entanto, ela se encontrava num tal extremo de padecimentos que chegou a dizer: “Nunca eu teria acreditado que fosse possível sofrer tanto. Nunca! Nunca! Não posso explicar isto, exceto pelos desejos ardentes que eu tive de salvar almas”. E em outra ocasião: “Que seria de mim se Deus não me desse forças? Não se tem idéia do que é sofrer tanto assim. Se eu não tivesse a Fé, eu teria me dado a morte sem hesitar um só instante…” Donde lhe vinha, pois, tanta força e alegria? Da total aceitação da vontade de Deus – “o Papai bom Deus”, dizia ela graciosamente. Santa Teresinha tinha um grande medo: o de desagradar, no mínimo que fosse, seu bem-amado Jesus. Quanto ao resto, nada temia, muito menos a morte. Fazendo alusão ao ensinamento do Evangelho: “a morte vem como um ladrão”, gracejava ela de forma encantadora: “Diz-se no Evangelho que a morte virá como um ladrão. Oh! ele virá roubar-me muito gentilmente. Como eu gostaria de ajudar este ladrão!” E mais: “Não tenho medo do ladrão. Eu o vejo à distância e tomo muito cuidado para não gritar: ‘Socorro, ladrão!’ Pelo contrário, eu o chamo dizendo: ‘Por aqui, por aqui!’” Como explicar uma tal serenidade diante da morte iminente, mais ainda, uma tal vontade de que ela se apresse? Muito fácil. Pela confiança inabalável no amor misericordioso de Jesus, e pelo ardente desejo de perder-se nesse Amor o mais cedo possível. O amor à bondade e à misericórdia Santa Teresinha foi escolhida por Deus para ensinar um caminho de santificação a ser trilhado pelas almas fracas – a “pequena via”, a via da Confiança por excelência. Escreveu ela nos Manuscritos: “Sempre desejei ser uma santa (…) O bom Deus não inspira desejos irrealizáveis, eu posso, portanto, aspirar à santidade apesar de minha pequenez. Tornar-me grande, é impossível. Devo, pois, suportar- me tal como sou, com todas as minhas imperfeições, mas quero procurar um meio de ir ao Céu por uma pequena via, bem reta, bem curta (…) Eu quereria encontrar um elevador para subir até Jesus, porque sou pequena demais para escalar a áspera escada da perfeição. (…) Ah! o elevador que me fará subir ao Céu são vossos próprios braços, ó meu Jesus!” Essa grande Santa manteve intacta sua Inocência batismal, nunca manchou sua alma por um único pecado grave sequer. É por este motivo que ela demonstrava tal confiança na bondade do Divino Salvador? Nem de longe! Nas últimas frases dos Manuscritos, podemos ler esta confortadora mensagem, a qual não deixa a menor dúvida de que a via da confiança está aberta inteiramente até para os maiores pecadores: “… mas, sobretudo, imito a conduta de Maria Madalena. Sua admirável, ou melhor, sua amorosa audácia encanta o Coração de Jesus, e seduz o meu. Sim, eu o sinto: mesmo se me pesassem na consciência todos os pecados possíveis de cometer, eu iria, com o coração partido de arrependimento, jogar-me nos braços de Jesus, pois sei quanto Ele ama o filho pródigo que vem Lhe pedir perdão. Não é porque o bom Deus, em sua previdente misericórdia, preservou minha alma do pecado mortal que eu me elevo a Ele pela confiança e pelo amor.” E já nos últimos dias de sua vida terrena, exclama: “Oh! como sou feliz por me ver imperfeita e por ter tanta necessidade da misericórdia do bom Deus no momento da morte!” Deixar-se carregar por Jesus, por Maria Santíssima, no caminho da santidade… Sentir-se feliz por ser fraco e ter necessidade da misericórdia e da bondade de Deus… Eis o caminho curto e seguro indicado por Santa Teresinha – Doutora da Igreja, note-se! – para os católicos de nossos dias, homens e mulheres, de todas as idades e condições sociais. Ninguém tem pretexto para não desejar a santidade O preceito do Divino Mestre, “sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito “, é dirigido à humanidade inteira. O que para qualquer ser humano é impossível, Ele tornou possível até para os mais débeis, pelos méritos infinitos de sua Paixão e Morte na Cruz. As miríades de Santos do Céu dão testemunho dessa verdade consoladora. Santa Teresinha, porém, vai mais longe. Além de nos ensinar pela doutrina e pelo exemplo, ela se põe à nossa disposição, como se pode ver nas palavras ditas a suas irmãs de Vocação no dia 17 de julho, menos de três meses antes de subir ao Céu: “Sobretudo, sinto que minha missão vai começar, minha missão de fazer amar o bom Deus como eu O amo, de comunicar às almas minha “pequena via”. Se o Bom Deus realiza meus desejos, meu Céu se passará sobre a terra até o fim do mundo. Sim, quero passar meu Céu fazendo bem à terra.” “… minha missão de fazer amar o bom Deus como eu O amo”. – Então, que ela cumpra em cada um de nós, leitor, sua sublime lição! Peçamos esta graça com toda confiança. Últimos momentos Por volta das 5 horas, eu estava sozinha perto dela. Seu rosto mudou de repente, compreendi que era a última agonia. Quando a Comunidade entrou na enfermaria, ela acolheu todas as irmãs com um doce sorriso. Ela segurava seu Crucifixo e o olhava constantemente. Durante mais de duas horas, a respiração rouca arranhava seu peito. Seu rosto estava congestionado, suas mãos roxas, ela tinha os pés congelados e tremia todos seus membros. Um suor abundante caia em gotas enormes sobre seu rosto e inundava suas bochechas. Ela estava sob uma opressão cada vez maior e lançava às vezes pequenos gritos involuntários para respirar. Durante esse tempo tão cheio de agonia para nós, escutávamos pela janela – e eu sofria bastante – o canto de vários pássaros, mas tão fortemente, de tão perto e durante tanto tempo! Eu rezava para o bom Deus de os fazer calar, esse concerto me perfurava o coração e tinha medo que ele cansasse nossa Terezinha. Durante outro momento, ela parecia ter a boca tão ressecada que a irmã Genevieve, achando que a aliviaria, lhe colocava nos lábios um pequeno pedaço de gelo. Ela o aceitou lhe fazendo um sorriso que nunca me esquecerei. Era como um supremo adeus. Às 6 horas o Angelus soou, ela olhou longamente para a estátua da Virgem Maria. Enfim, às 7 horas e pouco, Nossa Madre tendo despedido a Comunidade, ela suspirou: Minha Madre!? Não é isso a agonia?… Não irei morrer?… Sim, minha pobrezinha, é a agonia, mas o bom Deus quer talvez prolongá-la por algumas horas. Ela retoma com coragem: Ora bem!… Vamos!… Vamos!… Oh! Eu não quereria sofrer menos tempo… E olha seu Crucifixo: Oh! Eu o amo!…………………………. Meu Deus… Eu vos amo…………………………. De uma hora para outra, após ter pronunciado essas palavras, ela caiu suavemente para trás, com a cabeça inclinada para a direita. Nossa Madre fez soar imediatamente o sino da enfermaria para chamar a Comunidade. “Abram-se todas as portas” dizia a Madre no mesmo instante. Essas palavras tinha algo de solene, e me fizeram pensar que no Céu o bom Deus o dizia também a seus anjos. As irmãs tiveram o tempo de se ajoelhar em torno do leito e foram testemunhas do êxtase da pequena Santa que morria. Seu rosto tinha tomado a cor de uma flor-de-lis que tinha quando em plena saúde, seus olhos estavam fixados no alto, brilhantes de paz e de alegria. Ela fazia alguns movimentos de cabeça, como se Alguém a tivesse divinamente ferido com uma flecha de amor, depois retirado a Flecha para a ferir novamente… A irmã Maria da Eucaristia se aproximou com uma vela para ver de mais perto seu olhar sublime. Diante da luz dessa vela, não houve movimento algum de suas pálpebras. Esse êxtase durou o tempo de um “Credo”, e ela deu seu último suspiro. Após sua morte, ela conservou um sorriso celeste. Ela estava com uma beleza encantadora. Ela segurava tão forte seu Crucifixo que foi necessário arrancá-lo de suas mãos para enterrá-la. A irmã Maria do Sagrado Coração e eu fizemos tal serviço, com a irmã Amada de Jesus, e notamos que ela não parecia ter mais do que 12 ou 13 anos. Os membros do seu corpo permaneceram flexíveis até o dia do seu enterro, numa segunda-feira, no dia 4 de outubro de 1897.” Leia também Conheça mais sobre a vida de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, Doutora da Igreja #SantaTeresinha
- A morte luminosa de Santa Teresinha do Menino Jesus
Na tarde de 30 de setembro de 1897, uma cena inesquecível desdobrava-se na enfermaria do Carmelo de Lisieux. Cercada de toda a comunidade ajoelhada em torno de seu leito de dores, Santa Teresinha do Menino Jesus, fitando os olhos no crucifixo, pronunciava suas últimas palavras nesta terra de exílio: – Oh! eu O amo… Meu Deus… eu… Vos amo! Subitamente, seus amortecidos olhos de agonizante recuperam vida e fixam-se num ponto abaixo da imagem de Nossa Senhora. Seu rosto retoma a aparência juvenil de quando ela gozava de plena saúde. Parecendo estar em êxtase, ela fecha os olhos e expira. Um misterioso sorriso aflora-lhe aos lábios e aumenta a formosura de sua fisionomia. “Eu não morro, eu entro na Vida”, havia ela escrito poucos meses antes. Sua luz brilha no mundo inteiro Talis vita finis ita. – “Cada um morre como viveu.” Sua morte, aos 24 anos, foi um reflexo de sua breve existência – uma vida de virtude heróica, de amor a Deus e ao próximo levado a limites extremos, e de sofrimentos suportados com uma radiante alegria e uma santa despretensão. Quis ela passar inteiramente despercebida neste mundo. E este seu desejo de vida oculta teria sido realizado, se Deus não tivesse outros desígnios a esse respeito. Por ordem das superioras, a humilde carmelita escreveu seus famosos Manuscritos Autobiográficos – “História de uma alma” – que tanto bem fizeram, fazem e farão ao longo dos séculos, além de várias cartas, poesias e outros documentos registrados pela História. E algumas irmãs de hábito que bem compreenderam sua extraordinária virtude, tomaram nota das conversas tidas com ela nos seus últimos meses d e vida. Graças a isso, a chama acesa por Jesus na alma dessa Santa ilumina hoje o mundo inteiro. E nós podemos, nas linhas abaixo, apreciar alguns “flashes” fulgurantes dessa luz. Em abril de 1897, quando a doença mortal entrava em sua última fase, sua irmã Paulina (em religião, Madre Inês de Jesus) fez a primeira anotação em seu caderno: “Quando somos incompreendidas e julgadas desfavoravelmente, de que nos serve defender-nos ou explicar-nos? É muito melhor não dizer nada e deixar que os outros nos julguem como lhes agrada. Não vemos no Evangelho Maria explicando-se quando sua irmã a acusou de ficar aos pés de Jesus sem fazer nada! Não, ela preferiu permanecer em silêncio. Ó abençoado silêncio que dá tanta paz às almas!” Trechos como este, de conversas íntimas com a Santa, quase nos fazem esquecer que ela está passando por sofrimentos físicos atrozes, incompreensões e, muito mais duro de suportar, uma terrível provação espiritual, “a noite da Fé”. Descrevendo essa provação nos Manuscritos Autobiográficos, ela afirma: “Jesus permitiu que uma escuridão negra como boca de lobo varresse minha alma e deixasse o pensamento do Céu, tão doce para mim desde a minha infância, destruir minha paz e torturar-me…” E em conversa com suas irmãs acrescenta: “Minha alma está exilada, o Céu está fechado para mim e do lado da terra tudo é provação também”. Olhando pela janela da enfermaria, viu um “buraco negro” no jardim e confidenciou à Madre Superiora: “É num buraco como esse que eu me encontro, de corpo e alma. Oh! sim, que trevas! Mas estou em paz dentro delas”. No dia da partida para a eternidade, pôde ela declarar com singela despretensão: “Oh, eu rezei fervorosamente a Ele, mas estou realmente em agonia sem nenhuma mistura de consolação”. Apesar de todos os sofrimentos físicos e espirituais, ela iluminava com seu sorriso e aquecia com sua caridade as demais religiosas do convento. Naquela enfermaria não se respirava atmosfera de tristeza. Santa Teresinha não o permitia! Escreve sua irmã Maria: “Quanto à força moral, é sempre a mesma coisa, a alegria em pessoa, fazendo rir todos quantos dela se aproximam. Creio que ela morrerá rindo, de tal forma ela é alegre!” A Santa usava seu vasto repertório de jogos de palavras, imitações de pessoas, ditos espirituosos a respeito dela mesma e da incapacidade dos médicos – tudo para praticar a caridade fraterna. Sua alegria nada tinha de inautêntico, de forjado. A Irmã Teresinha detestava o fingimento! No entanto, ela se encontrava num tal extremo de padecimentos que chegou a dizer: “Nunca eu teria acreditado que fosse possível sofrer tanto. Nunca! Nunca! Não posso explicar isto, exceto pelos desejos ardentes que eu tive de salvar almas”. E em outra ocasião: “Que seria de mim se Deus não me desse forças? Não se tem idéia do que é sofrer tanto assim. Se eu não tivesse a Fé, eu teria me dado a morte sem hesitar um só instante…” Donde lhe vinha, pois, tanta força e alegria? Da total aceitação da vontade de Deus – “o Papai bom Deus”, dizia ela graciosamente. Santa Teresinha tinha um grande medo: o de desagradar, no mínimo que fosse, seu bem-amado Jesus. Quanto ao resto, nada temia, muito menos a morte. Fazendo alusão ao ensinamento do Evangelho: “a morte vem como um ladrão”, gracejava ela de forma encantadora: “Diz-se no Evangelho que a morte virá como um ladrão. Oh! ele virá roubar-me muito gentilmente. Como eu gostaria de ajudar este ladrão!” E mais: “Não tenho medo do ladrão. Eu o vejo à distância e tomo muito cuidado para não gritar: ‘Socorro, ladrão!’ Pelo contrário, eu o chamo dizendo: ‘Por aqui, por aqui!’” Como explicar uma tal serenidade diante da morte iminente, mais ainda, uma tal vontade de que ela se apresse? Muito fácil. Pela confiança inabalável no amor misericordioso de Jesus, e pelo ardente desejo de perder-se nesse Amor o mais cedo possível. O amor à bondade e à misericórdia Santa Teresinha foi escolhida por Deus para ensinar um caminho de santificação a ser trilhado pelas almas fracas – a “pequena via”, a via da Confiança por excelência. Escreveu ela nos Manuscritos: “Sempre desejei ser uma santa (…) O bom Deus não inspira desejos irrealizáveis, eu posso, portanto, aspirar à santidade apesar de minha pequenez. Tornar-me grande, é impossível. Devo, pois, suportar- me tal como sou, com todas as minhas imperfeições, mas quero procurar um meio de ir ao Céu por uma pequena via, bem reta, bem curta (…) Eu quereria encontrar um elevador para subir até Jesus, porque sou pequena demais para escalar a áspera escada da perfeição. (…) Ah! o elevador que me fará subir ao Céu são vossos próprios braços, ó meu Jesus!” Essa grande Santa manteve intacta sua Inocência batismal, nunca manchou sua alma por um único pecado grave sequer. É por este motivo que ela demonstrava tal confiança na bondade do Divino Salvador? Nem de longe! Nas últimas frases dos Manuscritos, podemos ler esta confortadora mensagem, a qual não deixa a menor dúvida de que a via da confiança está aberta inteiramente até para os maiores pecadores: “… mas, sobretudo, imito a conduta de Maria Madalena. Sua admirável, ou melhor, sua amorosa audácia encanta o Coração de Jesus, e seduz o meu. Sim, eu o sinto: mesmo se me pesassem na consciência todos os pecados possíveis de cometer, eu iria, com o coração partido de arrependimento, jogar-me nos braços de Jesus, pois sei quanto Ele ama o filho pródigo que vem Lhe pedir perdão. Não é porque o bom Deus, em sua previdente misericórdia, preservou minha alma do pecado mortal que eu me elevo a Ele pela confiança e pelo amor.” E já nos últimos dias de sua vida terrena, exclama: “Oh! como sou feliz por me ver imperfeita e por ter tanta necessidade da misericórdia do bom Deus no momento da morte!” Deixar-se carregar por Jesus, por Maria Santíssima, no caminho da santidade… Sentir-se feliz por ser fraco e ter necessidade da misericórdia e da bondade de Deus… Eis o caminho curto e seguro indicado por Santa Teresinha – Doutora da Igreja, note-se! – para os católicos de nossos dias, homens e mulheres, de todas as idades e condições sociais. Ninguém tem pretexto para não desejar a santidade O preceito do Divino Mestre, “sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito “, é dirigido à humanidade inteira. O que para qualquer ser humano é impossível, Ele tornou possível até para os mais débeis, pelos méritos infinitos de sua Paixão e Morte na Cruz. As miríades de Santos do Céu dão testemunho dessa verdade consoladora. Santa Teresinha, porém, vai mais longe. Além de nos ensinar pela doutrina e pelo exemplo, ela se põe à nossa disposição, como se pode ver nas palavras ditas a suas irmãs de Vocação no dia 17 de julho, menos de três meses antes de subir ao Céu: “Sobretudo, sinto que minha missão vai começar, minha missão de fazer amar o bom Deus como eu O amo, de comunicar às almas minha “pequena via”. Se o Bom Deus realiza meus desejos, meu Céu se passará sobre a terra até o fim do mundo. Sim, quero passar meu Céu fazendo bem à terra.” “… minha missão de fazer amar o bom Deus como eu O amo”. – Então, que ela cumpra em cada um de nós, leitor, sua sublime lição! Peçamos esta graça com toda confiança. Últimos momentos Por volta das 5 horas, eu estava sozinha perto dela. Seu rosto mudou de repente, compreendi que era a última agonia. Quando a Comunidade entrou na enfermaria, ela acolheu todas as irmãs com um doce sorriso. Ela segurava seu Crucifixo e o olhava constantemente. Durante mais de duas horas, a respiração rouca arranhava seu peito. Seu rosto estava congestionado, suas mãos roxas, ela tinha os pés congelados e tremia todos seus membros. Um suor abundante caia em gotas enormes sobre seu rosto e inundava suas bochechas. Ela estava sob uma opressão cada vez maior e lançava às vezes pequenos gritos involuntários para respirar. Durante esse tempo tão cheio de agonia para nós, escutávamos pela janela – e eu sofria bastante – o canto de vários pássaros, mas tão fortemente, de tão perto e durante tanto tempo! Eu rezava para o bom Deus de os fazer calar, esse concerto me perfurava o coração e tinha medo que ele cansasse nossa Terezinha. Durante outro momento, ela parecia ter a boca tão ressecada que a irmã Genevieve, achando que a aliviaria, lhe colocava nos lábios um pequeno pedaço de gelo. Ela o aceitou lhe fazendo um sorriso que nunca me esquecerei. Era como um supremo adeus. Às 6 horas o Angelus soou, ela olhou longamente para a estátua da Virgem Maria. Enfim, às 7 horas e pouco, Nossa Madre tendo despedido a Comunidade, ela suspirou: Minha Madre!? Não é isso a agonia?… Não irei morrer?… Sim, minha pobrezinha, é a agonia, mas o bom Deus quer talvez prolongá-la por algumas horas. Ela retoma com coragem: Ora bem!… Vamos!… Vamos!… Oh! Eu não quereria sofrer menos tempo… E olha seu Crucifixo: Oh! Eu o amo!…………………………. Meu Deus… Eu vos amo…………………………. De uma hora para outra, após ter pronunciado essas palavras, ela caiu suavemente para trás, com a cabeça inclinada para a direita. Nossa Madre fez soar imediatamente o sino da enfermaria para chamar a Comunidade. “Abram-se todas as portas” dizia a Madre no mesmo instante. Essas palavras tinha algo de solene, e me fizeram pensar que no Céu o bom Deus o dizia também a seus anjos. As irmãs tiveram o tempo de se ajoelhar em torno do leito e foram testemunhas do êxtase da pequena Santa que morria. Seu rosto tinha tomado a cor de uma flor-de-lis que tinha quando em plena saúde, seus olhos estavam fixados no alto, brilhantes de paz e de alegria. Ela fazia alguns movimentos de cabeça, como se Alguém a tivesse divinamente ferido com uma flecha de amor, depois retirado a Flecha para a ferir novamente… A irmã Maria da Eucaristia se aproximou com uma vela para ver de mais perto seu olhar sublime. Diante da luz dessa vela, não houve movimento algum de suas pálpebras. Esse êxtase durou o tempo de um “Credo”, e ela deu seu último suspiro. Após sua morte, ela conservou um sorriso celeste. Ela estava com uma beleza encantadora. Ela segurava tão forte seu Crucifixo que foi necessário arrancá-lo de suas mãos para enterrá-la. A irmã Maria do Sagrado Coração e eu fizemos tal serviço, com a irmã Amada de Jesus, e notamos que ela não parecia ter mais do que 12 ou 13 anos. Os membros do seu corpo permaneceram flexíveis até o dia do seu enterro, numa segunda-feira, no dia 4 de outubro de 1897.” Leia também Conheça mais sobre a vida de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, Doutora da Igreja #SantaTeresinha
- Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, Doutora da Igreja – 1 de Outubro
SANTO DO DIA – 01 DE OUTUBRO – SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS Religiosa carmelita descalça e doutora da Igreja (1873-1897) A “santa do sorriso”, que “se havia oferecido ao Menino Jesus para ser seu brinquedo, uma bolinha de nenhum valor, que pudesse ser jogada ao chão, empurrada com o pé, deixada a um canto”, foi tomada ao pé da letra. E não teríamos jamais sabido quantos sofrimentos se esconderam por trás daquela calma e composta tristeza se ela mesma, por obediência, não tivesse confiado a seus cadernos aquela incomparável ‘História de uma alma’, que desvelou essa extraordinária força interior. Marie Françoise Thérèse Martin, jovem de transparente beleza, órfã de mãe aos 4 anos, criada em Lisieux, ao lado de um pai afetuoso e bom, aos 15 anos pôde ingressar, graças a um indulto especial, no Carmelo de Lisieux, onde já duas irmãs a haviam precedido e a terceira haveria de segui-las. Percorreu a grandes passos o caminho rumo à santidade, “lançando a Jesus as flores dos pequenos sacrifícios”, que não eram pequenos, como não foi fácil a ascese sob o signo da “infância espiritual” — ditada não pela tendência toda feminina de fazer uso de diminutivos e de palavras carinhosas, mas por uma autêntica e robusta espiritualidade, em sintonia com a advertência evangélica de “tornar-se pequenos como as crianças”. Nos nove anos de vida claustral, Teresa deixou uma marca profunda, oferecendo ao mundo cristão a surpreendente imagem de uma jovem freira que, embora relegada à estrita clausura do Carmelo, viveu imersa na vida eclesial. Isso a ponto de, em 1927, dois anos depois da canonização, ser proclamada padroeira das Missões, junto com são Francisco Xavier, e, em 1944, copadroeira da França ao lado da guerreira santa Joana d’Arc. Pio X não hesitou em defini-la “a maior santa dos tempos modernos”. Em 19 de outubro de 1997, João Paulo II declarou-a Doutora da Igreja, a terceira mulher a receber esta homenagem, depois de Catarina de Sena e Teresa de Ávila. Teresa de Lisieux queria ser tudo: guerreira, missionária, apóstolo. Depois teve a intuição: o amor! “No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor.” (Retirado do livro ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora) Conheça mais sobre Santa Teresinha do Menino Jesus O que tanto atrai em Santa Teresinha, cuja devoção se tornou universal em pouco tempo? Falecida aos 24 anos, ela continua a nos sorrir e a nos convidar a seguir uma nova via de santificação, a “pequena via”, acessível a todos. Na tarde de 30 de setembro de 1897, uma cena inesquecível desdobrava-se na enfermaria do Carmelo de Lisieux. Cercada de toda a comunidade ajoelhada em torno de seu leito de dores, Santa Teresinha do Menino Jesus, fitando os olhos no crucifixo, pronunciava suas últimas palavras nesta terra de exílio: – Oh! eu O amo… Meu Deus… eu… Vos amo! Subitamente, seus amortecidos olhos de agonizante recuperam vida e fixam-se num ponto abaixo da imagem de Nossa Senhora. Seu rosto retoma a aparência juvenil de quando ela gozava de plena saúde. Parecendo estar em êxtase, ela fecha os olhos e expira. Um misterioso sorriso aflora-lhe aos lábios e aumenta a formosura de sua fisionomia. “Eu não morro, eu entro na Vida”, havia ela escrito poucos meses antes. Sua luz brilha no mundo inteiro Talis vita finis ita. – “Cada um morre como viveu.” Sua morte, aos 24 anos, foi um reflexo de sua breve existência – uma vida de virtude heroica, de amor a Deus e ao próximo levado a limites extremos, e de sofrimentos suportados com uma radiante alegria e uma santa despretensão. Quis ela passar inteiramente despercebida neste mundo. E este seu desejo de vida oculta teria sido realizado, se Deus não tivesse outros desígnios a esse respeito. Por ordem das superioras, a humilde carmelita escreveu seus famosos Manuscritos Autobiográficos – “História de uma alma” – que tanto bem fizeram, fazem e farão ao longo dos séculos, além de várias cartas, poesias e outros documentos registrados pela História. E algumas irmãs de hábito que bem compreenderam sua extraordinária virtude, tomaram nota das conversas tidas com ela nos seus últimos meses de vida. Graças a isso, a chama acesa por Jesus na alma dessa Santa ilumina hoje o mundo inteiro. E nós podemos, nas linhas abaixo, apreciar alguns “flashes” fulgurantes dessa luz. Em abril de 1897, quando a doença mortal entrava em sua última fase, sua irmã Paulina (em religião, Madre Inês de Jesus) fez a primeira anotação em seu caderno: “Quando somos incompreendidas e julgadas desfavoravelmente, de que nos serve defender-nos ou explicar-nos? É muito melhor não dizer nada e deixar que os outros nos julguem como lhes agrada. Não vemos no Evangelho Maria explicando-se quando sua irmã a acusou de ficar aos pés de Jesus sem fazer nada! Não, ela preferiu permanecer em silêncio. Ó abençoado silêncio que dá tanta paz às almas!” Trechos como este, de conversas íntimas com a Santa, quase nos fazem esquecer que ela está passando por sofrimentos físicos atrozes, incompreensões e, muito mais duro de suportar, uma terrível provação espiritual, “a noite da Fé”. Descrevendo essa provação nos Manuscritos Autobiográficos, ela afirma: “Jesus permitiu que uma escuridão negra como boca de lobo varresse minha alma e deixasse o pensamento do Céu, tão doce para mim desde a minha infância, destruir minha paz e torturar-me…” E em conversa com suas irmãs acrescenta: “Minha alma está exilada, o Céu está fechado para mim e do lado da terra tudo é provação também”. Olhando pela janela da enfermaria, viu um “buraco negro” no jardim e confidenciou à Madre Superiora: “É num buraco como esse que eu me encontro, de corpo e alma. Oh! sim, que trevas! Mas estou em paz dentro delas”. No dia da partida para a eternidade, pôde ela declarar com singela despretensão: “Oh, eu rezei fervorosamente a Ele, mas estou realmente em agonia sem nenhuma mistura de consolação”. Apesar de todos os sofrimentos físicos e espirituais, ela iluminava com seu sorriso e aquecia com sua caridade as demais religiosas do convento. Naquela enfermaria não se respirava atmosfera de tristeza. Santa Teresinha não o permitia! Escreve sua irmã Maria: “Quanto à força moral, é sempre a mesma coisa, a alegria em pessoa, fazendo rir todos quantos dela se aproximam. Creio que ela morrerá rindo, de tal forma ela é alegre!” A Santa usava seu vasto repertório de jogos de palavras, imitações de pessoas, ditos espirituosos a respeito dela mesma e da incapacidade dos médicos – tudo para praticar a caridade fraterna. Sua alegria nada tinha de inautêntico, de forjado. A Irmã Teresinha detestava o fingimento! No entanto, ela se encontrava num tal extremo de padecimentos que chegou a dizer: “Nunca eu teria acreditado que fosse possível sofrer tanto. Nunca! Nunca! Não posso explicar isto, exceto pelos desejos ardentes que eu tive de salvar almas”. E em outra ocasião: “Que seria de mim se Deus não me desse forças? Não se tem ideia do que é sofrer tanto assim. Se eu não tivesse a Fé, eu teria me dado a morte sem hesitar um só instante…” Donde lhe vinha, pois, tanta força e alegria? Da total aceitação da vontade de Deus – “o Papai bom Deus”, dizia ela graciosamente. Santa Teresinha tinha um grande medo: o de desagradar, no mínimo que fosse, seu bem-amado Jesus. Quanto ao resto, nada temia, muito menos a morte. Fazendo alusão ao ensinamento do Evangelho: “a morte vem como um ladrão”, gracejava ela de forma encantadora: “Diz-se no Evangelho que a morte virá como um ladrão. Oh! ele virá roubar-me muito gentilmente. Como eu gostaria de ajudar este ladrão!” E mais: “Não tenho medo do ladrão. Eu o vejo à distância e tomo muito cuidado para não gritar: ‘Socorro, ladrão!’ Pelo contrário, eu o chamo dizendo: ‘Por aqui, por aqui!’” Como explicar uma tal serenidade diante da morte iminente, mais ainda, uma tal vontade de que ela se apresse? Muito fácil. Pela confiança inabalável no amor misericordioso de Jesus, e pelo ardente desejo de perder-se nesse Amor o mais cedo possível. O amor à bondade e à misericórdia Santa Teresinha foi escolhida por Deus para ensinar um caminho de santificação a ser trilhado pelas almas fracas – a “pequena via”, a via da Confiança por excelência. Escreveu ela nos Manuscritos: “Sempre desejei ser uma santa (…) O bom Deus não inspira desejos irrealizáveis, eu posso, portanto, aspirar à santidade apesar de minha pequenez. Tornar-me grande, é impossível. Devo, pois, suportar- me tal como sou, com todas as minhas imperfeições, mas quero procurar um meio de ir ao Céu por uma pequena via, bem reta, bem curta (…) Eu quereria encontrar um elevador para subir até Jesus, porque sou pequena demais para escalar a áspera escada da perfeição. (…) Ah! o elevador que me fará subir ao Céu são vossos próprios braços, ó meu Jesus!” Essa grande Santa manteve intacta sua Inocência batismal, nunca manchou sua alma por um único pecado grave sequer. É por este motivo que ela demonstrava tal confiança na bondade do Divino Salvador? Nem de longe! Nas últimas frases dos Manuscritos, podemos ler esta confortadora mensagem, a qual não deixa a menor dúvida de que a via da confiança está aberta inteiramente até para os maiores pecadores: “… mas, sobretudo, imito a conduta de Maria Madalena. Sua admirável, ou melhor, sua amorosa audácia encanta o Coração de Jesus, e seduz o meu. Sim, eu o sinto: mesmo se me pesassem na consciência todos os pecados possíveis de cometer, eu iria, com o coração partido de arrependimento, jogar-me nos braços de Jesus, pois sei quanto Ele ama o filho pródigo que vem Lhe pedir perdão. Não é porque o bom Deus, em sua previdente misericórdia, preservou minha alma do pecado mortal que eu me elevo a Ele pela confiança e pelo amor.” E já nos últimos dias de sua vida terrena, exclama: “Oh! como sou feliz por me ver imperfeita e por ter tanta necessidade da misericórdia do bom Deus no momento da morte!” Deixar-se carregar por Jesus, por Maria Santíssima, no caminho da santidade… Sentir-se feliz por ser fraco e ter necessidade da misericórdia e da bondade de Deus… Eis o caminho curto e seguro indicado por Santa Teresinha – Doutora da Igreja, note-se! – para os católicos de nossos dias, homens e mulheres, de todas as idades e condições sociais. Ninguém tem pretexto para não desejar a santidade O preceito do Divino Mestre, “sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”, é dirigido à humanidade inteira. O que para qualquer ser humano é impossível, Ele tornou possível até para os mais débeis, pelos méritos infinitos de sua Paixão e Morte na Cruz. As miríades de Santos do Céu dão testemunho dessa verdade consoladora. Santa Teresinha, porém, vai mais longe. Além de nos ensinar pela doutrina e pelo exemplo, ela se põe à nossa disposição, como se pode ver nas palavras ditas a suas irmãs de Vocação no dia 17 de julho, menos de três meses antes de subir ao Céu: “Sobretudo, sinto que minha missão vai começar, minha missão de fazer amar o bom Deus como eu O amo, de comunicar às almas minha “pequena via”. Se o Bom Deus realiza meus desejos, meu Céu se passará sobre a terra até o fim do mundo. Sim, quero passar meu Céu fazendo bem à terra.” “… minha missão de fazer amar o bom Deus como eu O amo”. – Então, que ela cumpra em cada um de nós, leitor, sua sublime lição! Peçamos esta graça com toda confiança. Com semblante belo e luminoso, e dizendo palavras que soavam como uma melodia de Anjo, Santa Teresinha apareceu diversas vezes para comunicar ao mundo inteiro esta animadora verdade: a santidade está ao alcance de todas as almas, mesmo as mais débeis. Estamos em 1897. Duas jovens carmelitas conversam no Carmelo de Lisieux. Uma delas, Sor Teresinha do Menino Jesus, aproxima-se do fim de sua vida e do cume da santidade. A outra, que nutre por ela verdadeira admiração, é uma noviça vinda de Paris, Sor Maria da Trindade. Antes de tudo é preciso crer no Papa As duas conversam sobre a via espiritual que a Irmã Teresinha ensinava: a “pequena via”. Ante as insistentes perguntas da noviça, a santa e doutora da Igreja afirma com absoluta segurança: – Se estou te induzindo a erro com minha pequena via de amor, não temas que eu te deixe seguindo-a durante muito tempo. Aparecerei logo para te dizer que tomes outro rumo. Mas se eu não voltar, crê na verdade de minhas palavras: no bom Deus, tão poderoso e misericordioso, nunca se confia demais. D’Ele se obtém tudo quanto se espera. – Creio nisso tão firmemente que me parece que se o Papa dissesse que estás errada, não acreditaria nele… Santa Teresinha logo corrige a jovem religiosa, muito fervorosa, mas um tanto estouvada: – Oh! Antes de tudo, é preciso crer no Papa. Porém, não tenhas receio de que ele venha a dizer-te para mudar de via: não lhe darei tempo, pois, se chegando ao Céu me inteirasse que te induzi a erro, eu obteria do bom Deus autorização para vir imediatamente te prevenir. Até lá, deves crer que minha via é segura, e segui-la fielmente. Um angustiante problema financeiro Folheando as atas do processo de beatificação da Serva de Deus, encontramos, além de seus escritos e das declarações das testemunhas, também o relato de milagres realizados por ela post mortem. Num desses, operado no mosteiro carmelita de Gallipoli (Itália), Santa Teresinha confirma a segurança e a santidade de sua “pequena via”. No mês de janeiro de 1910, o Carmelo de Gallipoli encontrava-se numa situação econômica catastrófica: em matéria de alimentação, as freiras estavam reduzidas a um quilo de pão para cada uma, por semana; havia dias em que, nada havendo para comer, elas iam para a capela rezar, em vez de ir para o refeitório. Passou por lá nessa época uma religiosa da Congregação das Marcelinas, de Milão, falou-lhes da jovem Serva de Deus Teresinha do Menino Jesus e lhes deu de presente a tradução italiana da História de uma Alma. As carmelitas de Gallipoli se entusiasmaram com essa sua irmã de hábito morta em odor de santidade na França e iniciaram, por intercessão dela, um tríduo à Santíssima Trindade, pedindo a solução de seu angustiante problema financeiro. No dia 16 desse mesmo mês de janeiro, a Madre Priora, Sor Maria Carmela do Coração de Jesus, caiu doente com febre e mal-estar, devido às preocupações pelas dívidas do seu mosteiro. Ela própria narra o que aconteceu nessa noite. “Aqui tens 500 francos para pagar as dívidas” Por volta de três horas da madrugada – conta ela – senti que uma mão me cobria com muita ternura com o cobertor que havia caído. Julgando ser uma religiosa do convento, disse-lhe sem abrir os olhos: – Deixa-me, estou transpirando muito. Ouvi então uma voz doce e desconhecida que me dizia: – Não, o que estou fazendo é uma coisa boa. Escuta, o bom Deus se serve dos habitantes do Céu, como dos da terra, para socorrer os seus servidores. Toma, aqui tens 500 francos para pagar as dívidas da comunidade. – A dívida da comunidade é de apenas 300 francos. – Pois bem, restarão 200. Agora, como não podes guardar dinheiro na cela, vem comigo. Eu, porém, pensei: “Como levantar- me? Estou cheia de suores”. Então a celeste visão me disse sorrindo: “A bilocação nos ajudará”. Encontrei-me imediatamente fora da cela em companhia de uma jovem carmelita cujo hábito e véu deixavam transparecer uma claridade paradisíaca que nos iluminava o caminho. Ela conduziu-me à sala onde guardávamos o dinheiro em uma pequena caixa. Ali estava a anotação das dívidas da comunidade, e ali ela depositou os 500 francos. Olhei-a com uma admiração cheia de alegria e me prosternei para lhe agradecer, dizendo: “Oh! Minha Santa Madre!” (É assim que as carmelitas se referem a Santa Teresa de Ávila). Ela, porém, acariciandome com muito afeto, disse: “Não, não sou nossa Santa Madre, sou a Serva de Deus Sor Teresa de Lisieux”. Então a jovem religiosa, acariciando- me uma vez mais com amor, afastou- se suavemente. “Minha via é segura e não me enganei seguindo-a” Atônita pelo que acabava de suceder, e pensando que Santa Teresinha não encontraria a porta de saída do Carmelo, a Priora disse-lhe um tanto maquinalmente: – Cuidado, poderia errar o caminho! – Não, não, minha via é segura e não me enganei seguindo-a – respondeu a Santa com um sorriso celestial. Sor Maria Carmela levantou-se imediatamente e foi para a Capela. As religiosas, notando nela algo diferente, lhe perguntaram o que havia acontecido. Ela lhes narrou a maravilhosa visão e foram todas ver a caixa onde se guardava o dinheiro do Carmelo, e lá encontraram a nota de 500 francos! O bispo perdeu, as carmelitas ganharam Mas não terminou aí o milagre. Nos meses seguintes a Serva de Deus apareceu diversas vezes à afortunada Priora, falava-lhe de “coisas espirituais” e lhe dava ajudas econômicas. Na noite de 15 de junho, narra a Madre Carmela, “ela prometeu trazer-me em breve 100 francos”. Porém, o mais pitoresco e gracioso deste modo de agir de Santa Teresinha é a maneira como fez chegar essa importância às carmelitas de Gallipoli. O bispo dessa diocese, Dom Gaetan, contou-lhes que havia notado em sua caixa a falta de uma nota de 100 francos e esperava que Sor Teresa a levaria para elas… E assim ocorreu! Em 6 de agosto, a Santa de Lisieux apareceu novamente à Madre Carmela, trazendo na mão uma nota de 100 francos, e lhe disse: “O poder de Deus retira ou dá com a mesma facilidade tanto nas coisas temporais quanto nas espirituais”. A Priora apressou-se a devolver essa quantia ao Bispo, mas este a enviou de volta às religiosas. “Esses ossos benditos farão milagres extraordinários” Em 5 de setembro desse ano – véspera da exumação de seus restos mortais – a Serva de Deus apareceu mais uma vez. “Depois de falar-me a respeito do bem espiritual da comunidade – narra a Madre Carmela – ela me anunciou que na exumação só se encontrariam ossos. Depois me fez compreender os prodígios que ela faria no futuro. ‘Esteja segura, minha querida Madre, de que esses ossos benditos farão milagres extraordinários e serão armas poderosas contra o demônio’.” A Priora observou que a Santa da “pequena via” sempre aparecia na aurora, seu semblante era belo e luminoso, suas vestes brilhavam como prata transparente e suas palavras soavam como melodia de Anjo. Uma nova confirmação Sor Teresinha voltou a manifestar- se nesse Carmelo no ano seguinte, desta vez a propósito de Dom Nicolas Giannattasio, Bispo de Nardo, cidade próxima de Gallipoli. Esse Prelado havia estudado muito a vida da Serva de Deus. Sem ter tido conhecimento das palavras dela a Sor Maria da Trindade em 1897, julgava que a resposta dada à Priora em 1910 – “minha via é segura” – devia ser entendida no sentido espiritual e como uma confirmação de sua “pequena via”. Com a idéia de obter essa confirmação, e de pedir para si e para sua Diocese a proteção da jovem Serva de Deus, decidiu fazer um teste ousado. Colocou num envelope uma nota de 500 liras, junto com seu cartão de visitas, no qual escreveu: In memoriam “Minha via é segura e eu não me enganei”. Sor Teresinha do Menino Jesus a Sor Maria Carmela, em Gallipoli, no dia 16 de janeiro de 1910. Ora pro me quotidie ut Deus misereatur mei (Roga por mim todos os dias, para Deus ter piedade de mim). Dom Giannasttasio lacrou o envolope e o entregou às carmelitas de Gallipoli, pedindo-lhes para colocá- lo na caixa onde Santa Teresinha havia operado os milagres. Pouco tempo depois foi ao Carmelo pregar um retiro, no fim do qual quis ver esse envelope. Ele estava intacto, mas um tanto mais volumoso… Abrindo-o, o bispo encontrou, não apenas as 500 liras, mas 800, que ele deu imediatamente às religiosas. Uma das notas exalava um suave odor de rosas. Tanto Dom Giannasttasio quanto as carmelitas compreenderam que, por meio desse novo prodígio, Santa Teresinha queria manifestar claramente que sua “pequena via” era segura. Poucas vezes um caminho de perfeição foi confirmado por uma ação milagrosa tão extraordinária. Podemos imaginar a alegria de Sor Maria da Trindade ao tomar conhecimento desses fatos narrados por suas irmãs de vocação do Carmelo de Gallipoli. A Pequena Via de sua querida mestra de noviças era comprovadamente um caminho seguro e não levava ao erro… A santidade ao alcance das pessoas comuns A própria Santa Teresinha explica, nos Manuscritos Autobiográficos, em que consiste a sua “pequena via” de santificação. “Sempre desejei ser santa, mas – pobre de mim! – sempre constatei, ao me comparar com os santos, que entre eles e eu existe a mesma diferença que há entre uma montanha cujo cume se perde nos céus e o grão de areia obscuro pisado pelos transeuntes. Longe de desanimar, disse a mim mesma: ‘O bom Deus não pode inspirar desejos irrealizáveis. Logo, apesar de minha pequenez, posso aspirar à santidade. Tornar-me grande, é impossível; devo, pois, me suportar tal como sou, com todas as minhas imperfeições, mas quero procurar um meio de ir ao Céu por uma pequena via bem direita, bem curta, uma pequena via inteiramente nova’.” Nessa época, fazia enorme sucesso o elevador, recém-inventado, que poupava às pessoas o esforço de subir escadas. Sor Teresinha sentiu um grande desejo de “encontrar um ascensor para me elevar até Jesus, porque sou pequena demais para galgar a rude escada da perfeição”. Pôs-se então a procurar nos Livros Sagrados e encontrou este pensamento: “Se alguém é pequenino, que venha a Mim” (Pr 9, 4). Continuando sua pesquisa, encontrou esta afirmação: “Como uma mãe acaricia seu filho, assim Eu vos consolarei, vos carregarei ao peito” (Is 66, 12-13). E concluiu cheia de júbilo: “Ah! O elevador que deve me erguer até o Céu são vossos braços, ó Jesus!” Estava explicitado em que consiste a “pequena via”, o caminho da infância espiritual. Nela, o importante, não é fazer grandes mortificações corporais, mas aceitar com humildade a própria pequenez, as próprias limitações, até mesmo as próprias imperfeições, e ter um amor e uma confiança sem limites na bondade de Deus; e, como fruto desse amor, ter imensos desejos de fazer com perfeição os atos da vida diária. Com sua doutrina e, sobretudo, com seu exemplo, a suave Carmelita de Lisieux demonstrou que a santidade é acessível a todos. Ela “viveu a santidade pura e simples, com todo o encanto e sedução da alma moderna, muito humana e muito próxima de nós”, afirma um de seus mais insignes biógrafos. Ao canonizá-la – mais ainda, ao proclamá-la Doutora da Igreja – a Santa Igreja oficializou sua “pequena via” como um autêntico caminho de santidade. Isso foi afirmado claramente pelo Papa Bento XV, em discurso de 14 de agosto de 1921: “No caminho da infância espiritual está o segredo da santidade para os fiéis do mundo inteiro”. E a bula de canonização assinala que por meio de Santa Teresinha Deus propunha aos homens um novo modelo de santidade, ao alcance não só de padres e freiras, mas também dos leigos de todas as idades e condições sociais. (Revista Arautos do Evangelho, Out/2005, n. 46 e Set/2004, n. 33) Santa Teresinha do Menino Jesus, Carmelita Maria Francisca Teresa, ou Teresinha, depois Teresinha do Menino Jesus, nascida aos 2 de Janeiro de 1873, era filha de Luís José Aloyles Estanislau Martin e de Zélia Maria Guerin, dos quais a Santa, mais tarde diria: “O bom Deus deu-me um pai e uma mãe mais dignos do céu do que da terra.” Depois de terem imitado, durante dez meses, a vida toda a pureza de Nossa Senhora e de São José, rogaram ao Senhor que se dignasse dar-lhes muitos filhos, e os tomasse para si. Com efeito, casados em 1858, em 1860 nasceu-lhes Maria Luísa; em 1861, Maria Paulina; em 1863, Maria Leônia; em 1864, Maria Helena, que faleceu em 1870; em 1866, Maria Celina, falecida no Carmelo de Lisieux; e em 1870, Maria Melânia Teresa, que morreu no ano mesmo em que nasceu. Com excessão das falecidas, as demais foram religiosas. Santa Teresinha veio ao mundo em Alencon. Quando a mãe, a boa Zélia Maria, faleceu, contava quatro anos e, embora em tenra idade, sofreu grande choque. Luís Martin então deixou a cidade e foi ficar-se em Lisieux, nos Buissonnets, perto da farmácia do cunhado Guérin. Teresinha, para Luís Martin, era a filha querida, a “pequenina rainha da França e da Navarra”, como a chamava. Invariavelmente, colocava-a sobre os joelhos e, em cadência de cavalinho, ia-a balançando, a cantar, destacando as sílabas: Mon petit Reinot qui a fait La fortune de toute l’Auvergne, fouchtra! Morta a mãe, Teresinha viu-se rodeada pela ternura do pai e das irmãs, principalmente dos cuidados de Paulina, a sua mãezinha. Desde os três anos de idade que a nossa santa resolveu nada recusar a Jesus, Assim é que, sendo a caçula, e, pois, a mais mimada, assentou que de tal privilégio não havia de abusar jamais. Tímida, amável, obediente, às vezes, como ela mesma nos conta, era vaidosa. Vivia-lhe ainda a mãe, quando nos relata o que se segue: Duma feita, devíamos ir ao campo, à casa duma família amiga. A mamãe disse a Maria que me pusesse o meu lindo vestido, mas que me cobrisse os braços. Não disse palavra, mostrei até indiferença, própria das crianças daquela idade, mas, interiormente, dizia: Quanto mais bonita iria eu com os meus bracinhos de fora”. E então? Como se os santos já nascessem santos! Quanto detratores há da religião, pelo mundo afora, que, por isto e por aquilo, desmerecem os escolhidos de Deus. A santidade há que se conquistar com o combate, combate rude, que só com a graça do Alto se levará a bom termo. Com treze anos por motivo de doença, retiraram-na do colégio, para ficar com uma preceptora da sociedade, que se encarregaria de lhe completar a educação. Daqueles tempos, diria: “Nesta salinha mobiliada à antiga, rodeada de cadernos, assisti, muitas vezes, à recepção de numerosas visitas. A mãe da minha professora era quem sustentava a conversa. Todavia, nesses dias, não aprendia grande coisa. Com o nariz em cima do livro, ouvia tudi, até mesmo o que seria melhor não ouvir. Uma das senhores dizia que eu tinha um lindíssimo cabelo, outra, ao sair, perguntava quem era a mocinha tão bonita. E estas palavras, tanto mais lisonjeadoras porque eram pronunciadas para mim, davam-me tal prazer que eu via claramente quanto estava cheia de amor próprio. Em agosto do ano de 1879, estava, então com quase sete anos, ocorreu o primeiro fenômeno verdadeiramente extraordinário que encontramos na vida mística da Irmã Teresa, – como diz Petitot – a visão profética que se relaciona com Luís Martin. Segundo a autobiografia, confirmada pelo depoimento das principais testemunhas, dá-nos a cena como passada no verão. Deviam ser dias ou três horas da tarde. O sol, esplendoroso, brilhava por todo os Buissonets, e a natureza parecia estar em festa. Luís Martin estava fora, ausentava-se já de alguns dias. Em Alencon, tratava de negócios. Maria e Paulina, num dos quartos da casa, trabalhavam. Noutro quarto, Teresinha, pela janela, apreciava a natureza. Teve a santa, naquele dia, a sombria visão da mais pesada prova moral que, em 1892, muitos anos mais tarde, pois, devia afligi-la. Diz ela com pormenores: Encontrava-me sozinha a uma das janelas que davam para o jardim e tinha o espírito com pensamentos alegres, quando vi defronte da lavanderia, à minha frente, um homem vestido exatamente como meu pai, da mesma estatura, com o mesmo andar, mas mais curvado e envelhecido. Digo envelhecido para pintar o conjunto geral da sua pessoa, porque não lhe vi o rosto; a cabeça estava coberta com um espesso véu. Caminhava lentamente e, com passo regular, ao longo do jardinzinho. Imediatamente, fui tomada dum sentimento de pavor sobrenatural e gritei alto, com voz trêmula: – Papai, Papai! Mas a personagem misteriosa parecia não ouvir; continuou a andar sem se voltar, e dirigiu-se para um bosquezinho de pinheiros que cortava a álea principal do jardim. Esperava vê-la reaparecer do outro lado das grandes árvores, mas a visão profética desvanecera-se. Maria e Paulina, quando ouviram aquele grito: Papai!Papai! correram até Teresa, em busca de explicação para as notas de terror que sentiram na voz da irmã. Cientes do sucedido, deram minuciosa busca por toda a extensão do jardim, e nada encontraram. Mas Teresa teimava e dizia: – Eu vi um homem e esse homem parecia-se absolutamente com papai! Cansadas de rebuscar pelas moitas, pelos arbustos, de olhar por todos os recantos que pudessem esconder um ser humano, acabaram por voltar para casa. E as duas mais velhas aconselharam a Teresinha que não mais pensasse no caso. Não pensar mais no que sucedera! Ah! Diria ela, mais tarde, se estivesse na minha mãe! Muitas vezes a imaginação me representava essa visão misteriosa. Muitas vezes procurava levantar o véu que lhe encobria o sentido, e no íntimo do coração tinha a convicção de que um dia me seria inteiramente revelada. E o foi, de fato. Anos mais tarde, Luís Martin precisaria ir a Alençon. Julgando-se muito feliz, conta-nos Petitot, muito cheio de consolações, ofereceu-se como vítima na Igreja de Nossa Senhora: – Meu Deus, exclamou ele, é demasiado! Sim, sou feliz demais, e não é possível ir assim para o céu – quero sofrer alguma coisa por vós! Ofereço-me para ser vítima… Deus aceitou a oferta deste pai venerado e, pouco tempo depois foi acometido de ataques de paralisia que, pouco a pouco, acabaram por lhe tirar o uso das faculdades intelectuais. Que prova para aquele pai e para a família a perda da inteligência! Era a luz, o sol do mundo ideal que se extinguia e, com ela, tudo o que dizia respeito ao espírito sucumbia nas trevas e no caos. Na definição do homem, se lhe tira o uso da razão, que fica? O velho curvado que Teresa vira na sua inexplicável visão é o pai acometido pela paralisia mental que avança a passo lento para o túmulo. Coisa notável, conta-nos uma das filhas, no princípio da doença, viam-no, muitas vezes, cobrir a cabeça. Como a realidade corresponde exatamente à profecia até nos pormenores, que pareciam secundários! Mas uma pergunta se formula, que a própria Irmã Teresa na sua autobiografia se acautela de não iludir: “Por que, escreveu ela, quis Nosso Senhor dar esta luz a uma criança que, se a tivesse compreendido, teria morrido de dor? Por que? Eis um mistério que só no céu compreenderemos para fazer dele assunto da nossa admiração. (…) Em 1881, então com oito anos, Teresinha passou a freqüentar, como semi-pensionista a abadia beneditina de Lisieux, onde se aplicou aos estudos, tudo para que ao pai pudesse dar alegria. As boas notas que tirava, porque se esforçava para ser sempre das primeiras da turma, eram todas para o bom Luís Martin. E Teresinha estudava muito, mesmo nas horas em que os colegas pulavam o recreio. A idéia de tirar notas baixas martirizava-a. Paulina, a doce Paulina que escolhera para substituir a mãe, a mãezinha Paulina, estava prestes a buscar a quietude do convento. Em 1882, abria-se em Teresinha a ferida causada com a morte de Zélia Maria: com a entrada da mãezinha no Carmelo de Lisieux, ia-se transformar. Não brincaria mais, Iria viver tristemente, a suspirar. Com efeito, só faiza pensar e pensar. Começou, então a ter dores de cabeça com muita freqüência. Às vezes, queixava-se. E, para esquecer a mãezinha que se fora, estudava, estudava muito. Que falta, que grande falta lhe fazia Paulina! Em 1883, adoeceu gravemente. Era uma doença estranha, que parecia sobretudo nervosa. As dores de cabeça, de suportáveis, passaram a terríveis, insuportáveis, e um esquisito tremor entrou a apoderar-se da menina. E as coisas do quarto em que jazia, tomavam formas fantásticas, que aterravam. Gritava. Gritava de espantar. Quando lhe iam administrar remédios, recuava, apavorada, recusava-os terminantemente. E gritava, de confranger: – Querem envenenar-me! Maria, a irmã mais velha, um dia, percebeu que Teresa não a reconhecia. Que dor! Aflita, pôs-se a dizer quem era. Lançando mão de toda a suavidade, calcando a dor, procurava fazer-se reconhecer. Tudo em vão. Quem poderia descrever a amargura de Luís Martin? Que teria a sua Rainha, aquela rainha que punha sobre os joelhos e enchia de mimos? Maria, desesperada, principiou a rogar a Nossa Senhora, numa novena, a cura da irmãzinha que não mais a conhecia. Leônia e Celina, prontamente, cheias do mais vivo fervor, uniram-se a ela, com a alma a vibrar. E Teresinha, mesmo naquele triste desolador estado, abalada por violentas crises, acompanhou-as. A segunda visão da festejada Santa de Lisieux estava próxima. Ia dar-se o milagre. No quarto da enferma havia uma estátua da Virgem. No domingo de Pentecostes, enquanto as irmãs oravam a Nossa Senhora das Vitórias, Teresinha viu a imagem mover-se. De repente, diria, a estátua animou-se! A Santíssima Virgem tornou-se linda, tão linda, que nunca encontrei expressão que pudesse dar uma idéia desta divina beleza. O rosto respirava doçura, bondade, ternura inefáveis, mas que me penetrou até o fundo da alma foi o seu sorriso arrebatador! Então, todas as minhas penas se desvaneceram, duas grossas lágrimas me caíram das pálpebras e correram silenciosamente. Estava curada, radicalmente curada. Tinha o rosto radiante, tão radiante, que as irmãs adivinharam a cura. E Teresinha, a elas, candidamente, tudo contou. Em 1886, Maria, a irmã mais velha buscava seguindo as pegadas de Paulina, o Carmelo. No ano seguinte, a “rainha da França e da Navarra” confiava ao pai o desejo que tinha de também entrar naquela ordem. Luís Martin, depois dalguma reflexão, consentiu, mas o farmacêutico Guerin, embora fosse ótimo cristão, opôs-se. Teresinha não se desencorajou. E, toda esperança, pôs-se à espera. Conta-se dela nessa altura da vida, a conversão que conseguiu do bandido Pranzini, à força da oração. Havia vencido certos escrúpulos, porque muito impressionável, excessivamente emotiva, e agora, confiante, toda no desejo de salvar almas, propusera-se obter de Deus a conversão daquele homem à beira do abismo, Foi atendida. O capelão, que assistiu aos derradeiros momentos de Pranzini, contou que o pobre condenado, braços atados às costas, pediu insistentemente o crucifixo, ao qual, com grande amor e maior respeito, várias vezes cobriu de beijos. Que grande alegria! Salvar uma alma prestes a perder-se. “É o meu primeiro filho, dizia ela, depois. Mandava celebrar-lhe missas pela alma, dizendo: “Não posso esquecê-lo, pois deve ter tanta necessidade disso, depois da partidas que pregou.” Eis senão quando, o tio Guérin acabou por consentir que a sobrinha procurasse as carmelitas. Assim, com o pai, viajou para Bayeux, em busca da autorização para a entrada no Carmelo, porque tinha somente quinze anos. O superior achava conveniente esperar até que Teresinha completasse os vinte e um, mas a jovem foi tão eloqüente, o pai apoiou-a tão firmemente, que o bispo acabou prometendo tudo fazer para que o desejo da pequena fosse satisfeito. Em Roma, a audiência com o Supremo Pontífice correu bem. Disse a ela o Papa Leão XIII: – Se o bom Deus quiser, tu entrarás. Escreveu a Paulina – Irmã Inês de Jesus: “Se tu soubesses como me bateu o coração, ao ver que minha hora havia chegado!” Santa Teresinha estava no Carmelo aos 9 de Abril de 1888. A 10 de Janeiro do ano seguinte, tomava o hábito. Desde então passou a ser irmã Teresa do Menino Jesus da Santa Face. Em Fevereiro o pai era transferido para a casa de saúde de Caen. A 8 de Setembro de 1890, fez profissão. Com vinte anos, foi encarregada da direção espiritual das noviças. Leiamos o que escreveu: “Logo que penetrei no santuário das almas, julguei, à primeira vistam que a tarefa excedia as minhas forças, mas logo me lancei nos braços de Nosso Senhor …. e disse-lhe: Senhor, bem vedes, sou pequenina para alimentar as vossas filhas; dai-lhes, em meu lugar, o que a cada uma convém, enchei a minha mão e, sem deixar os vossos braços, sem mesmo afastar a cabeça, distribuirei os vossos tesouros à alma que me vier pedir sustento … compreendendo assim que nada podia fazer por mim mesma, a tarefa pareceu-me simplificada. Ocupava-me interior e unicamente em me unir a Deus cada vez mais, sabendo que o resto me seria dado por acréscimo…. Confesso, minha Madre, se tivesse agido doutra maneira, se me tivesse apoiado nas próprias forças, teria, sem demora, deposto as armas!” Por toda a vida religiosa, Santa Teresinha do Menino Jesus procurou, nas mínimas coisas, praticar a regra do Carmelo. Procurava, contudo, evitar os excessos, porque não queria ser alvo de atenções. Queria passar despercebida, desejava trabalhar “sem ver o fruto do seu labor”. Às vezes era mal interpretada por esta ou aquela da comunidade, Dizia certa irmã conversa, que se azafamava na cozinha: – Vejam como ela anda. Nunca tem pressa. Quando tem de fazer alguma coisa não serve para nada. Por que este dito? Porque era moderada, e dizia: Vós vos entregais com demasiado ardor no que fazeis, atormentai-vos nos vossos empregos como se fosseis as únicas responsáveis por eles. Como algumas almas não lhe conheciam o caráter! Diziam as irmãs de Santa Teresinha: Viam-na sempre sorridente, mostrando uma alegria amável, e, não penetrando na sua intimidade, podia julgar-se que seguia uma senda muito suave, muito cheia de consolações. Também muitos leitores da sua vida não descobrem a significação desse sorriso, não vêem a cruz cuidadosamente oculta debaixo das flores. Esquecem as palavras do réu profeta: “Quando se olha para Deus, fica-se radiante de alegria”. Se as religiosas que a censuravam pudessem agir como Teresinha agia, encontrariam sem dúvida, e bem depressa, o inverso. Uma santa religiosa da comunidade, conta-nos a Santa de Lisieux, tinha outrora o defeito de me desagradar em tudo. Procurava eu então fazer por essa Irmã tudo quanto faria pela pessoa que mais estimasse. Sempre que me encontrava com ela, pedia a Nosso Senhor por ela. Prestava-lhe todos os serviços que estavam ao meu alcance, e quando tinha vontade de lhe dar uma resposta desagradável, apressava-se a dar-lhe o meu melhor sorriso, mudando de conversa. Muitas vezes, também, quando o demônio me tentava violentamente e não podia esquivar-me, sem que ela percebesse a minha luta íntima, fugia como o soldado desertor. Entretanto, disse-me ela, um dia, com ar radiante: Irmã Teresa do Menino Jesus, diga-me, em segredo o que é que em mim a atrai? Nunca a encontro sem que não me dê um gracioso sorriso. Ah! O que nela me atraia, era Jesus oculto no fundo da sua alma, o Jesus que torna doce quanto há de mais amargo! A 29 de julho de 1894, Luís Martin falecia na casa do cunhado Guerin. Em setembro, Celina ia juntar-se às irmãs no Carmelo, Teresinha, então, era monitora. Em Dezembro, nossa Santa recebia da priora, da mãezinha Paulina, agora Madre Inês de Jesus, a ordem de escrever as recordações da infância. Santa Teresinha ajoelhou-se diante da imagem de Nossa Senhora do Sorriso, a quem devia a cura milagrosa daqueles duros dias de enferma, orou por algum tempo, abriu o Novo Testamento e principiou a obra. Diz ela: Antes de tomar a pena, ajoelhoei-me diante da estátua de Maria, aquela que tantas provas nos deu das maternais preferências da Rainha do Céu, pedi-lhe que me guiasse a mão, para não escrever uma linha só que lhe desagradasse. Em seguida, abertos os Santos Evangelhos, os meus olhos depararam com estas palavras: Jesus, subindo a uma montanha chamou a si aqueles que quis … Sem se preocupar com técnica de composição ou com o que quer que seja, sem consultar livros, memórias, dicionários ou gramáticas (apenas alguns documentos de família) foi escrevendo, calmamente, sem se exaltar. Sentada num banquinho baixo, muito baixo, escrevia sobre uma caixa, de gavetinha, colocada nos joelhos, Quieta, rememorando coisas passadas ali, dum canto da cela, perto da enxerga, compôs para os pósteros. Inês de Jesus, leu o manuscrito e ficou maravilhada. Era um primor, uma obra-prima de simplicidade e de honestidade. Nas primeiras páginas indicou três períodos bem marcados na sua infância, conta-nos H. Petitot, até a sua entrada no Carmelo, Foi o Padre Godofredo Madalena, premonstratense, que, de acordo com a Madre Inês de Jesus, dividiu a obra em capítulos. Como se adverte no Prefácio das últimas edições, o trabalho inicial da Irmã Teresa só compreendia os oito primeiros capítulos. Começada nos primeiros dias de 1894, a redação estava terminada a 20 de janeiro de 1896, festa de Santa Inês. Entrando no coro das religiosas para a oração da noite, a Irmã Teresa veio entregar, de joelhos, à Prioresa, a narrativa que esta lhe mandara escrever. A Madre Inês de Jesus, que estava a acabar o termo do seu priorado e cujos momentos era absorvidos por múltiplos cuidados, colocou distraidamente o manuscrito na estante, depois levou-o para a cela e o guardou. Alguns dias mais tarde, as irmãs tiveram que eleger outra prioresa. A eleição foi trabalhosa, A Madre Inês de Jesus, pelo seu caráter de suave firmeza, adquirira a estima das religiosas, mas a Madre Maria de Gonzaga, pelo prestígio da sua autoridade, conservava as suas partidárias. Após sete escrutínios, foi eleita. A transmissão de poderes numa comunidade religiosa faz-se sem complicações. Todavia, a Madre Inês de Jesus andava bastante preocupada com todas estas mudanças, e esqueceu por completo o manuscrito a que não ligava importância de maior; e a Irmã Teresa despegada de tudo, buscando só a paz e o esquecimento, também tinha o cuidado de a ele não fazer a menor alusão, Ninguém pensava então na publicação dessa obra-prima. Assim, decorreram dois meses. A Madre Inês de Jesus, voltando a simples religiosa e dispondo de mais tempo, encontrou o manuscrito, leu-o, e ficou edificadíssima e encantada. Aos 4 de Abril de 1896, sexta-feira santa, a doença que devia levar Teresinha deste mundo declarou-se. A Madre Inês de Jesus estava desolada. A irmã quase nada escrevera sobre a vida religiosa. Embora o manuscrito desse precioso, jazia incompleto, e incompleto permaneceria se a nova prioresa não lhe desse ordem para continuar. Que fazer, se a Madre Maria de Gonzaga era muito conservadora, muito autoritária? Era bem capaz de recusar a ordem sem pestanejar. Afinal, depois de muito pensar, Inês de Jesus, criando coragem, foi ter com a prioresa. Mais tarde, escreveria: Vendo a Irmã Teresa do Menino Jesus muitíssimo doente, na tarde de 2 de Julho de 1897, quatro meses antes de sua morte, pela meia-noite, fui ter com a Madre Prioresa: Minha Madre, disse-lhe eu, não posso dormir sem lhe confiar um segredo: quando eu era prioresa, a Irmã Teresa escreveu, por obediência e para me dar prazer, algumas recordações de sua infância. Reli-as outro dia; é bonito, mas não se poderá tirar dali grande coisa quando tiver que se fazer circular anunciando a sua morte, porque não diz nada da sua vida religiosa. Se lhe ordenasse, ela poderia escrever qualquer coisa mais grave e não duvido de que ficaria com coisa muito melhor do que a que eu possuo. Nosso Senhor abençoou os meus passos e, no dia seguinte, de manhã, a Nossa Madre ordenou à Irmã Teresa que continuasse a sua narrativa. Já lhe tinha preparado um caderno um caderno, mas ela o achou bom demais, ainda que fosse vulgar, e temia cometer falta contra a virtude da pobreza, servindo-se dele. Perguntou-se se não seria preciso apertar as linhas para gastar menos papel. Respondi-lhe que estava muito doente para se cansar, se escrevesse desse modo. O que precisava era espacejar as linhas e escrever coom letra grande. Em julho do mesmo 1897, havia redigido cinqüenta páginas. A pena, então, caiu-lhe da mão. Era a fraqueza. Instalaram-na, pois, numa cadeira de rodas, e Teresinha entrou a escrever no jardim, ao ar livre, à sombra dos castanheiros. Foi ali que escreveu, para as carmelitas, as últimas páginas, como que o seu testamento espiritual. (…) Tratando-se de graças místicas, Santa Teresa de Lisieux foi favorecida com elas. Duma feita, a Madre Inês de Jesus perguntou-lhe se conhecera estados de oração. Teresinha respondeu-lhes: Sim, no jardim por várias vezes, à hora do calmo silêncio da noite, no verão, tendo-me sentido em tão grande recolhimento e o coração de tal modo unido a Deus, com tanto ardor e com tão suaves aspirações de amor, que me parece que estas graças são as que a nossa Madre Santa Teresa chama vôos de espírito. A oração de recolhimento, quando se perpetua, é como fogo que arde debaixo da cinza, diz o autor de Santa Teresa de Lisieux, mas, em certos momentos projeta chamas ou transportes de amor. Quando estes transportes de amor. Quando estes transportes são muito veementes, atravessam o invólucro da nossa carne mortal e são capazes de por a vida em risco. Nossa Santa provou várias vezes estes transportes de amor. Uma vez, mesmo, quase veio a morrer. Diz-nos ela mesma: Alguns dias depois do meu oferecimento ao Amor Misericordioso, comecei no coro o exercício da Via Sacra; de repente, senti-me ferida dum dardo de fogo tão ardente que me julguei à morte. Não sei como explicar este transporte; não há comparação que possa fazer compreender a intensidade desta chama. Parecia-me que uma força invisível me mergulhava inteiramente no gogo. Oh! Que fogo! Mas, que doçura!… Um minuto, um segundo mais, e a minha alma separar-se-ia do corpo …. Mas ai! Encontrava-me sobre a terra…. e a aridez, imediatamente, voltou a habitar no meu coração!. Depois: Enfim, minha Mãezinha, é o que os santos tantas vezes experimentaram. São João da Cruz, com efeito, cantou: “Ó suave ardência! Ó chaga deliciosa! Ó suave mão! Ó suave toque! Tendes o sabor da vida eterna …” Santa Teresinha morreu num êxtase de amor. Como vimos, descaiu-lhe a cabeça para o lado direito, dir-se-ia que terminara o combate, mas, de repente, levantou-a, ficando a estátua de Maria Santíssima num longo, estático olhar de amor. Diz a Madre Inês de Jesus: Julgávamos que tudo estava acabado, quando, de repente, levantou os olhos cheios de vida e chama, nos quais se refletia uma felicidade que exercia todas as nossas esperanças. A Irmã Maria da Eucaristia, querendo ver mais de perto esse olhar, que durou o espaço dum Credo, passou e repassou uma luz por diante das suas pálpebras sem as fazer vacilar. Era um êxtase, uma visão do céu, mas uma visão que lhe punha no coração demasiado amor, demasiado reconhecimento, e não pode suportar os “assaltos deliciosos” e teve que quebrar os elos dessa cadeia. São João da Cruz expôs como morrem os santos inflamados no amor divino. Sucumbem, sem dúvida, por causa da doença, em virtude das fadigas, do peso da idade, mas o que lhes arrebata a vida é outra coisa – “é uma aspiração suprema de amor.” Santa Teresinha, na terra, viveu de aspirações de amor: poderia, então, morrer doutra maneira, ela que, no mundo, vivia no céu? Não sei bem, dizia, o que é que poderei ter a mais no céu do que p que possuo na terra. Verei a Nosso Senhor, é certo, mas, quanto a estar com ele, já estou inteiramente com ele na terra. E também: Vives em mim prisioneira noite e dia. Um das santas mais populares do mundo, a origem da veneração e da glória de Santa Teresinha data da primeira publicação da sua autobiografia – História duma Alma – aparecida em 1898, depois traduzida para mais de trinta línguas.Antes da Primeira Grande Guerra, quando ainda não tinha sido beatificada, tinham-se editado nos primeiros quinze anos, cerca de duzentos mil exemplares em língua francesa. Cartas, pedidos de retratos, choviam, diariamente, no Carmelo de Lisieux. E o povo cristão vivia no mais fervoroso afã de conseguir o que quer que fosse pertencente a Santa Teresinha, porque, lendo a História duma Alma, tinha a certeza de que inteiramente conhecia a alma da meiga Santa de Lisieux, alma que aparecia “como um lindíssimo modelo de heróica santidade em que Nossa Senhor pôs a sua graça”. Sentia-se que logo seria beatificada, logo seria canonizada, O povo mesmo, antes da Igreja, já a havia canonizado. Fotos: santiebeati.it /// (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVII, p. 270 à 296) Leia também: .: Santo do Dia – 30 de Setembro – São Jerônimo .: Santo do Dia – 02 de Outubro – Santos Anjos da Guarda #SantaTeresinha
- Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, Doutora da Igreja – 1 de Outubro
SANTO DO DIA – 01 DE OUTUBRO – SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS Religiosa carmelita descalça e doutora da Igreja (1873-1897) A “santa do sorriso”, que “se havia oferecido ao Menino Jesus para ser seu brinquedo, uma bolinha de nenhum valor, que pudesse ser jogada ao chão, empurrada com o pé, deixada a um canto”, foi tomada ao pé da letra. E não teríamos jamais sabido quantos sofrimentos se esconderam por trás daquela calma e composta tristeza se ela mesma, por obediência, não tivesse confiado a seus cadernos aquela incomparável ‘História de uma alma’, que desvelou essa extraordinária força interior. Marie Françoise Thérèse Martin, jovem de transparente beleza, órfã de mãe aos 4 anos, criada em Lisieux, ao lado de um pai afetuoso e bom, aos 15 anos pôde ingressar, graças a um indulto especial, no Carmelo de Lisieux, onde já duas irmãs a haviam precedido e a terceira haveria de segui-las. Percorreu a grandes passos o caminho rumo à santidade, “lançando a Jesus as flores dos pequenos sacrifícios”, que não eram pequenos, como não foi fácil a ascese sob o signo da “infância espiritual” — ditada não pela tendência toda feminina de fazer uso de diminutivos e de palavras carinhosas, mas por uma autêntica e robusta espiritualidade, em sintonia com a advertência evangélica de “tornar-se pequenos como as crianças”. Nos nove anos de vida claustral, Teresa deixou uma marca profunda, oferecendo ao mundo cristão a surpreendente imagem de uma jovem freira que, embora relegada à estrita clausura do Carmelo, viveu imersa na vida eclesial. Isso a ponto de, em 1927, dois anos depois da canonização, ser proclamada padroeira das Missões, junto com são Francisco Xavier, e, em 1944, copadroeira da França ao lado da guerreira santa Joana d’Arc. Pio X não hesitou em defini-la “a maior santa dos tempos modernos”. Em 19 de outubro de 1997, João Paulo II declarou-a Doutora da Igreja, a terceira mulher a receber esta homenagem, depois de Catarina de Sena e Teresa de Ávila. Teresa de Lisieux queria ser tudo: guerreira, missionária, apóstolo. Depois teve a intuição: o amor! “No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor.” (Retirado do livro ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora) Conheça mais sobre Santa Teresinha do Menino Jesus O que tanto atrai em Santa Teresinha, cuja devoção se tornou universal em pouco tempo? Falecida aos 24 anos, ela continua a nos sorrir e a nos convidar a seguir uma nova via de santificação, a “pequena via”, acessível a todos. Na tarde de 30 de setembro de 1897, uma cena inesquecível desdobrava-se na enfermaria do Carmelo de Lisieux. Cercada de toda a comunidade ajoelhada em torno de seu leito de dores, Santa Teresinha do Menino Jesus, fitando os olhos no crucifixo, pronunciava suas últimas palavras nesta terra de exílio: – Oh! eu O amo… Meu Deus… eu… Vos amo! Subitamente, seus amortecidos olhos de agonizante recuperam vida e fixam-se num ponto abaixo da imagem de Nossa Senhora. Seu rosto retoma a aparência juvenil de quando ela gozava de plena saúde. Parecendo estar em êxtase, ela fecha os olhos e expira. Um misterioso sorriso aflora-lhe aos lábios e aumenta a formosura de sua fisionomia. “Eu não morro, eu entro na Vida”, havia ela escrito poucos meses antes. Sua luz brilha no mundo inteiro Talis vita finis ita. – “Cada um morre como viveu.” Sua morte, aos 24 anos, foi um reflexo de sua breve existência – uma vida de virtude heroica, de amor a Deus e ao próximo levado a limites extremos, e de sofrimentos suportados com uma radiante alegria e uma santa despretensão. Quis ela passar inteiramente despercebida neste mundo. E este seu desejo de vida oculta teria sido realizado, se Deus não tivesse outros desígnios a esse respeito. Por ordem das superioras, a humilde carmelita escreveu seus famosos Manuscritos Autobiográficos – “História de uma alma” – que tanto bem fizeram, fazem e farão ao longo dos séculos, além de várias cartas, poesias e outros documentos registrados pela História. E algumas irmãs de hábito que bem compreenderam sua extraordinária virtude, tomaram nota das conversas tidas com ela nos seus últimos meses de vida. Graças a isso, a chama acesa por Jesus na alma dessa Santa ilumina hoje o mundo inteiro. E nós podemos, nas linhas abaixo, apreciar alguns “flashes” fulgurantes dessa luz. Em abril de 1897, quando a doença mortal entrava em sua última fase, sua irmã Paulina (em religião, Madre Inês de Jesus) fez a primeira anotação em seu caderno: “Quando somos incompreendidas e julgadas desfavoravelmente, de que nos serve defender-nos ou explicar-nos? É muito melhor não dizer nada e deixar que os outros nos julguem como lhes agrada. Não vemos no Evangelho Maria explicando-se quando sua irmã a acusou de ficar aos pés de Jesus sem fazer nada! Não, ela preferiu permanecer em silêncio. Ó abençoado silêncio que dá tanta paz às almas!” Trechos como este, de conversas íntimas com a Santa, quase nos fazem esquecer que ela está passando por sofrimentos físicos atrozes, incompreensões e, muito mais duro de suportar, uma terrível provação espiritual, “a noite da Fé”. Descrevendo essa provação nos Manuscritos Autobiográficos, ela afirma: “Jesus permitiu que uma escuridão negra como boca de lobo varresse minha alma e deixasse o pensamento do Céu, tão doce para mim desde a minha infância, destruir minha paz e torturar-me…” E em conversa com suas irmãs acrescenta: “Minha alma está exilada, o Céu está fechado para mim e do lado da terra tudo é provação também”. Olhando pela janela da enfermaria, viu um “buraco negro” no jardim e confidenciou à Madre Superiora: “É num buraco como esse que eu me encontro, de corpo e alma. Oh! sim, que trevas! Mas estou em paz dentro delas”. No dia da partida para a eternidade, pôde ela declarar com singela despretensão: “Oh, eu rezei fervorosamente a Ele, mas estou realmente em agonia sem nenhuma mistura de consolação”. Apesar de todos os sofrimentos físicos e espirituais, ela iluminava com seu sorriso e aquecia com sua caridade as demais religiosas do convento. Naquela enfermaria não se respirava atmosfera de tristeza. Santa Teresinha não o permitia! Escreve sua irmã Maria: “Quanto à força moral, é sempre a mesma coisa, a alegria em pessoa, fazendo rir todos quantos dela se aproximam. Creio que ela morrerá rindo, de tal forma ela é alegre!” A Santa usava seu vasto repertório de jogos de palavras, imitações de pessoas, ditos espirituosos a respeito dela mesma e da incapacidade dos médicos – tudo para praticar a caridade fraterna. Sua alegria nada tinha de inautêntico, de forjado. A Irmã Teresinha detestava o fingimento! No entanto, ela se encontrava num tal extremo de padecimentos que chegou a dizer: “Nunca eu teria acreditado que fosse possível sofrer tanto. Nunca! Nunca! Não posso explicar isto, exceto pelos desejos ardentes que eu tive de salvar almas”. E em outra ocasião: “Que seria de mim se Deus não me desse forças? Não se tem ideia do que é sofrer tanto assim. Se eu não tivesse a Fé, eu teria me dado a morte sem hesitar um só instante…” Donde lhe vinha, pois, tanta força e alegria? Da total aceitação da vontade de Deus – “o Papai bom Deus”, dizia ela graciosamente. Santa Teresinha tinha um grande medo: o de desagradar, no mínimo que fosse, seu bem-amado Jesus. Quanto ao resto, nada temia, muito menos a morte. Fazendo alusão ao ensinamento do Evangelho: “a morte vem como um ladrão”, gracejava ela de forma encantadora: “Diz-se no Evangelho que a morte virá como um ladrão. Oh! ele virá roubar-me muito gentilmente. Como eu gostaria de ajudar este ladrão!” E mais: “Não tenho medo do ladrão. Eu o vejo à distância e tomo muito cuidado para não gritar: ‘Socorro, ladrão!’ Pelo contrário, eu o chamo dizendo: ‘Por aqui, por aqui!’” Como explicar uma tal serenidade diante da morte iminente, mais ainda, uma tal vontade de que ela se apresse? Muito fácil. Pela confiança inabalável no amor misericordioso de Jesus, e pelo ardente desejo de perder-se nesse Amor o mais cedo possível. O amor à bondade e à misericórdia Santa Teresinha foi escolhida por Deus para ensinar um caminho de santificação a ser trilhado pelas almas fracas – a “pequena via”, a via da Confiança por excelência. Escreveu ela nos Manuscritos: “Sempre desejei ser uma santa (…) O bom Deus não inspira desejos irrealizáveis, eu posso, portanto, aspirar à santidade apesar de minha pequenez. Tornar-me grande, é impossível. Devo, pois, suportar- me tal como sou, com todas as minhas imperfeições, mas quero procurar um meio de ir ao Céu por uma pequena via, bem reta, bem curta (…) Eu quereria encontrar um elevador para subir até Jesus, porque sou pequena demais para escalar a áspera escada da perfeição. (…) Ah! o elevador que me fará subir ao Céu são vossos próprios braços, ó meu Jesus!” Essa grande Santa manteve intacta sua Inocência batismal, nunca manchou sua alma por um único pecado grave sequer. É por este motivo que ela demonstrava tal confiança na bondade do Divino Salvador? Nem de longe! Nas últimas frases dos Manuscritos, podemos ler esta confortadora mensagem, a qual não deixa a menor dúvida de que a via da confiança está aberta inteiramente até para os maiores pecadores: “… mas, sobretudo, imito a conduta de Maria Madalena. Sua admirável, ou melhor, sua amorosa audácia encanta o Coração de Jesus, e seduz o meu. Sim, eu o sinto: mesmo se me pesassem na consciência todos os pecados possíveis de cometer, eu iria, com o coração partido de arrependimento, jogar-me nos braços de Jesus, pois sei quanto Ele ama o filho pródigo que vem Lhe pedir perdão. Não é porque o bom Deus, em sua previdente misericórdia, preservou minha alma do pecado mortal que eu me elevo a Ele pela confiança e pelo amor.” E já nos últimos dias de sua vida terrena, exclama: “Oh! como sou feliz por me ver imperfeita e por ter tanta necessidade da misericórdia do bom Deus no momento da morte!” Deixar-se carregar por Jesus, por Maria Santíssima, no caminho da santidade… Sentir-se feliz por ser fraco e ter necessidade da misericórdia e da bondade de Deus… Eis o caminho curto e seguro indicado por Santa Teresinha – Doutora da Igreja, note-se! – para os católicos de nossos dias, homens e mulheres, de todas as idades e condições sociais. Ninguém tem pretexto para não desejar a santidade O preceito do Divino Mestre, “sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”, é dirigido à humanidade inteira. O que para qualquer ser humano é impossível, Ele tornou possível até para os mais débeis, pelos méritos infinitos de sua Paixão e Morte na Cruz. As miríades de Santos do Céu dão testemunho dessa verdade consoladora. Santa Teresinha, porém, vai mais longe. Além de nos ensinar pela doutrina e pelo exemplo, ela se põe à nossa disposição, como se pode ver nas palavras ditas a suas irmãs de Vocação no dia 17 de julho, menos de três meses antes de subir ao Céu: “Sobretudo, sinto que minha missão vai começar, minha missão de fazer amar o bom Deus como eu O amo, de comunicar às almas minha “pequena via”. Se o Bom Deus realiza meus desejos, meu Céu se passará sobre a terra até o fim do mundo. Sim, quero passar meu Céu fazendo bem à terra.” “… minha missão de fazer amar o bom Deus como eu O amo”. – Então, que ela cumpra em cada um de nós, leitor, sua sublime lição! Peçamos esta graça com toda confiança. Com semblante belo e luminoso, e dizendo palavras que soavam como uma melodia de Anjo, Santa Teresinha apareceu diversas vezes para comunicar ao mundo inteiro esta animadora verdade: a santidade está ao alcance de todas as almas, mesmo as mais débeis. Estamos em 1897. Duas jovens carmelitas conversam no Carmelo de Lisieux. Uma delas, Sor Teresinha do Menino Jesus, aproxima-se do fim de sua vida e do cume da santidade. A outra, que nutre por ela verdadeira admiração, é uma noviça vinda de Paris, Sor Maria da Trindade. Antes de tudo é preciso crer no Papa As duas conversam sobre a via espiritual que a Irmã Teresinha ensinava: a “pequena via”. Ante as insistentes perguntas da noviça, a santa e doutora da Igreja afirma com absoluta segurança: – Se estou te induzindo a erro com minha pequena via de amor, não temas que eu te deixe seguindo-a durante muito tempo. Aparecerei logo para te dizer que tomes outro rumo. Mas se eu não voltar, crê na verdade de minhas palavras: no bom Deus, tão poderoso e misericordioso, nunca se confia demais. D’Ele se obtém tudo quanto se espera. – Creio nisso tão firmemente que me parece que se o Papa dissesse que estás errada, não acreditaria nele… Santa Teresinha logo corrige a jovem religiosa, muito fervorosa, mas um tanto estouvada: – Oh! Antes de tudo, é preciso crer no Papa. Porém, não tenhas receio de que ele venha a dizer-te para mudar de via: não lhe darei tempo, pois, se chegando ao Céu me inteirasse que te induzi a erro, eu obteria do bom Deus autorização para vir imediatamente te prevenir. Até lá, deves crer que minha via é segura, e segui-la fielmente. Um angustiante problema financeiro Folheando as atas do processo de beatificação da Serva de Deus, encontramos, além de seus escritos e das declarações das testemunhas, também o relato de milagres realizados por ela post mortem. Num desses, operado no mosteiro carmelita de Gallipoli (Itália), Santa Teresinha confirma a segurança e a santidade de sua “pequena via”. No mês de janeiro de 1910, o Carmelo de Gallipoli encontrava-se numa situação econômica catastrófica: em matéria de alimentação, as freiras estavam reduzidas a um quilo de pão para cada uma, por semana; havia dias em que, nada havendo para comer, elas iam para a capela rezar, em vez de ir para o refeitório. Passou por lá nessa época uma religiosa da Congregação das Marcelinas, de Milão, falou-lhes da jovem Serva de Deus Teresinha do Menino Jesus e lhes deu de presente a tradução italiana da História de uma Alma. As carmelitas de Gallipoli se entusiasmaram com essa sua irmã de hábito morta em odor de santidade na França e iniciaram, por intercessão dela, um tríduo à Santíssima Trindade, pedindo a solução de seu angustiante problema financeiro. No dia 16 desse mesmo mês de janeiro, a Madre Priora, Sor Maria Carmela do Coração de Jesus, caiu doente com febre e mal-estar, devido às preocupações pelas dívidas do seu mosteiro. Ela própria narra o que aconteceu nessa noite. “Aqui tens 500 francos para pagar as dívidas” Por volta de três horas da madrugada – conta ela – senti que uma mão me cobria com muita ternura com o cobertor que havia caído. Julgando ser uma religiosa do convento, disse-lhe sem abrir os olhos: – Deixa-me, estou transpirando muito. Ouvi então uma voz doce e desconhecida que me dizia: – Não, o que estou fazendo é uma coisa boa. Escuta, o bom Deus se serve dos habitantes do Céu, como dos da terra, para socorrer os seus servidores. Toma, aqui tens 500 francos para pagar as dívidas da comunidade. – A dívida da comunidade é de apenas 300 francos. – Pois bem, restarão 200. Agora, como não podes guardar dinheiro na cela, vem comigo. Eu, porém, pensei: “Como levantar- me? Estou cheia de suores”. Então a celeste visão me disse sorrindo: “A bilocação nos ajudará”. Encontrei-me imediatamente fora da cela em companhia de uma jovem carmelita cujo hábito e véu deixavam transparecer uma claridade paradisíaca que nos iluminava o caminho. Ela conduziu-me à sala onde guardávamos o dinheiro em uma pequena caixa. Ali estava a anotação das dívidas da comunidade, e ali ela depositou os 500 francos. Olhei-a com uma admiração cheia de alegria e me prosternei para lhe agradecer, dizendo: “Oh! Minha Santa Madre!” (É assim que as carmelitas se referem a Santa Teresa de Ávila). Ela, porém, acariciandome com muito afeto, disse: “Não, não sou nossa Santa Madre, sou a Serva de Deus Sor Teresa de Lisieux”. Então a jovem religiosa, acariciando- me uma vez mais com amor, afastou- se suavemente. “Minha via é segura e não me enganei seguindo-a” Atônita pelo que acabava de suceder, e pensando que Santa Teresinha não encontraria a porta de saída do Carmelo, a Priora disse-lhe um tanto maquinalmente: – Cuidado, poderia errar o caminho! – Não, não, minha via é segura e não me enganei seguindo-a – respondeu a Santa com um sorriso celestial. Sor Maria Carmela levantou-se imediatamente e foi para a Capela. As religiosas, notando nela algo diferente, lhe perguntaram o que havia acontecido. Ela lhes narrou a maravilhosa visão e foram todas ver a caixa onde se guardava o dinheiro do Carmelo, e lá encontraram a nota de 500 francos! O bispo perdeu, as carmelitas ganharam Mas não terminou aí o milagre. Nos meses seguintes a Serva de Deus apareceu diversas vezes à afortunada Priora, falava-lhe de “coisas espirituais” e lhe dava ajudas econômicas. Na noite de 15 de junho, narra a Madre Carmela, “ela prometeu trazer-me em breve 100 francos”. Porém, o mais pitoresco e gracioso deste modo de agir de Santa Teresinha é a maneira como fez chegar essa importância às carmelitas de Gallipoli. O bispo dessa diocese, Dom Gaetan, contou-lhes que havia notado em sua caixa a falta de uma nota de 100 francos e esperava que Sor Teresa a levaria para elas… E assim ocorreu! Em 6 de agosto, a Santa de Lisieux apareceu novamente à Madre Carmela, trazendo na mão uma nota de 100 francos, e lhe disse: “O poder de Deus retira ou dá com a mesma facilidade tanto nas coisas temporais quanto nas espirituais”. A Priora apressou-se a devolver essa quantia ao Bispo, mas este a enviou de volta às religiosas. “Esses ossos benditos farão milagres extraordinários” Em 5 de setembro desse ano – véspera da exumação de seus restos mortais – a Serva de Deus apareceu mais uma vez. “Depois de falar-me a respeito do bem espiritual da comunidade – narra a Madre Carmela – ela me anunciou que na exumação só se encontrariam ossos. Depois me fez compreender os prodígios que ela faria no futuro. ‘Esteja segura, minha querida Madre, de que esses ossos benditos farão milagres extraordinários e serão armas poderosas contra o demônio’.” A Priora observou que a Santa da “pequena via” sempre aparecia na aurora, seu semblante era belo e luminoso, suas vestes brilhavam como prata transparente e suas palavras soavam como melodia de Anjo. Uma nova confirmação Sor Teresinha voltou a manifestar- se nesse Carmelo no ano seguinte, desta vez a propósito de Dom Nicolas Giannattasio, Bispo de Nardo, cidade próxima de Gallipoli. Esse Prelado havia estudado muito a vida da Serva de Deus. Sem ter tido conhecimento das palavras dela a Sor Maria da Trindade em 1897, julgava que a resposta dada à Priora em 1910 – “minha via é segura” – devia ser entendida no sentido espiritual e como uma confirmação de sua “pequena via”. Com a idéia de obter essa confirmação, e de pedir para si e para sua Diocese a proteção da jovem Serva de Deus, decidiu fazer um teste ousado. Colocou num envelope uma nota de 500 liras, junto com seu cartão de visitas, no qual escreveu: In memoriam “Minha via é segura e eu não me enganei”. Sor Teresinha do Menino Jesus a Sor Maria Carmela, em Gallipoli, no dia 16 de janeiro de 1910. Ora pro me quotidie ut Deus misereatur mei (Roga por mim todos os dias, para Deus ter piedade de mim). Dom Giannasttasio lacrou o envolope e o entregou às carmelitas de Gallipoli, pedindo-lhes para colocá- lo na caixa onde Santa Teresinha havia operado os milagres. Pouco tempo depois foi ao Carmelo pregar um retiro, no fim do qual quis ver esse envelope. Ele estava intacto, mas um tanto mais volumoso… Abrindo-o, o bispo encontrou, não apenas as 500 liras, mas 800, que ele deu imediatamente às religiosas. Uma das notas exalava um suave odor de rosas. Tanto Dom Giannasttasio quanto as carmelitas compreenderam que, por meio desse novo prodígio, Santa Teresinha queria manifestar claramente que sua “pequena via” era segura. Poucas vezes um caminho de perfeição foi confirmado por uma ação milagrosa tão extraordinária. Podemos imaginar a alegria de Sor Maria da Trindade ao tomar conhecimento desses fatos narrados por suas irmãs de vocação do Carmelo de Gallipoli. A Pequena Via de sua querida mestra de noviças era comprovadamente um caminho seguro e não levava ao erro… A santidade ao alcance das pessoas comuns A própria Santa Teresinha explica, nos Manuscritos Autobiográficos, em que consiste a sua “pequena via” de santificação. “Sempre desejei ser santa, mas – pobre de mim! – sempre constatei, ao me comparar com os santos, que entre eles e eu existe a mesma diferença que há entre uma montanha cujo cume se perde nos céus e o grão de areia obscuro pisado pelos transeuntes. Longe de desanimar, disse a mim mesma: ‘O bom Deus não pode inspirar desejos irrealizáveis. Logo, apesar de minha pequenez, posso aspirar à santidade. Tornar-me grande, é impossível; devo, pois, me suportar tal como sou, com todas as minhas imperfeições, mas quero procurar um meio de ir ao Céu por uma pequena via bem direita, bem curta, uma pequena via inteiramente nova’.” Nessa época, fazia enorme sucesso o elevador, recém-inventado, que poupava às pessoas o esforço de subir escadas. Sor Teresinha sentiu um grande desejo de “encontrar um ascensor para me elevar até Jesus, porque sou pequena demais para galgar a rude escada da perfeição”. Pôs-se então a procurar nos Livros Sagrados e encontrou este pensamento: “Se alguém é pequenino, que venha a Mim” (Pr 9, 4). Continuando sua pesquisa, encontrou esta afirmação: “Como uma mãe acaricia seu filho, assim Eu vos consolarei, vos carregarei ao peito” (Is 66, 12-13). E concluiu cheia de júbilo: “Ah! O elevador que deve me erguer até o Céu são vossos braços, ó Jesus!” Estava explicitado em que consiste a “pequena via”, o caminho da infância espiritual. Nela, o importante, não é fazer grandes mortificações corporais, mas aceitar com humildade a própria pequenez, as próprias limitações, até mesmo as próprias imperfeições, e ter um amor e uma confiança sem limites na bondade de Deus; e, como fruto desse amor, ter imensos desejos de fazer com perfeição os atos da vida diária. Com sua doutrina e, sobretudo, com seu exemplo, a suave Carmelita de Lisieux demonstrou que a santidade é acessível a todos. Ela “viveu a santidade pura e simples, com todo o encanto e sedução da alma moderna, muito humana e muito próxima de nós”, afirma um de seus mais insignes biógrafos. Ao canonizá-la – mais ainda, ao proclamá-la Doutora da Igreja – a Santa Igreja oficializou sua “pequena via” como um autêntico caminho de santidade. Isso foi afirmado claramente pelo Papa Bento XV, em discurso de 14 de agosto de 1921: “No caminho da infância espiritual está o segredo da santidade para os fiéis do mundo inteiro”. E a bula de canonização assinala que por meio de Santa Teresinha Deus propunha aos homens um novo modelo de santidade, ao alcance não só de padres e freiras, mas também dos leigos de todas as idades e condições sociais. (Revista Arautos do Evangelho, Out/2005, n. 46 e Set/2004, n. 33) Santa Teresinha do Menino Jesus, Carmelita Maria Francisca Teresa, ou Teresinha, depois Teresinha do Menino Jesus, nascida aos 2 de Janeiro de 1873, era filha de Luís José Aloyles Estanislau Martin e de Zélia Maria Guerin, dos quais a Santa, mais tarde diria: “O bom Deus deu-me um pai e uma mãe mais dignos do céu do que da terra.” Depois de terem imitado, durante dez meses, a vida toda a pureza de Nossa Senhora e de São José, rogaram ao Senhor que se dignasse dar-lhes muitos filhos, e os tomasse para si. Com efeito, casados em 1858, em 1860 nasceu-lhes Maria Luísa; em 1861, Maria Paulina; em 1863, Maria Leônia; em 1864, Maria Helena, que faleceu em 1870; em 1866, Maria Celina, falecida no Carmelo de Lisieux; e em 1870, Maria Melânia Teresa, que morreu no ano mesmo em que nasceu. Com excessão das falecidas, as demais foram religiosas. Santa Teresinha veio ao mundo em Alencon. Quando a mãe, a boa Zélia Maria, faleceu, contava quatro anos e, embora em tenra idade, sofreu grande choque. Luís Martin então deixou a cidade e foi ficar-se em Lisieux, nos Buissonnets, perto da farmácia do cunhado Guérin. Teresinha, para Luís Martin, era a filha querida, a “pequenina rainha da França e da Navarra”, como a chamava. Invariavelmente, colocava-a sobre os joelhos e, em cadência de cavalinho, ia-a balançando, a cantar, destacando as sílabas: Mon petit Reinot qui a fait La fortune de toute l’Auvergne, fouchtra! Morta a mãe, Teresinha viu-se rodeada pela ternura do pai e das irmãs, principalmente dos cuidados de Paulina, a sua mãezinha. Desde os três anos de idade que a nossa santa resolveu nada recusar a Jesus, Assim é que, sendo a caçula, e, pois, a mais mimada, assentou que de tal privilégio não havia de abusar jamais. Tímida, amável, obediente, às vezes, como ela mesma nos conta, era vaidosa. Vivia-lhe ainda a mãe, quando nos relata o que se segue: Duma feita, devíamos ir ao campo, à casa duma família amiga. A mamãe disse a Maria que me pusesse o meu lindo vestido, mas que me cobrisse os braços. Não disse palavra, mostrei até indiferença, própria das crianças daquela idade, mas, interiormente, dizia: Quanto mais bonita iria eu com os meus bracinhos de fora”. E então? Como se os santos já nascessem santos! Quanto detratores há da religião, pelo mundo afora, que, por isto e por aquilo, desmerecem os escolhidos de Deus. A santidade há que se conquistar com o combate, combate rude, que só com a graça do Alto se levará a bom termo. Com treze anos por motivo de doença, retiraram-na do colégio, para ficar com uma preceptora da sociedade, que se encarregaria de lhe completar a educação. Daqueles tempos, diria: “Nesta salinha mobiliada à antiga, rodeada de cadernos, assisti, muitas vezes, à recepção de numerosas visitas. A mãe da minha professora era quem sustentava a conversa. Todavia, nesses dias, não aprendia grande coisa. Com o nariz em cima do livro, ouvia tudi, até mesmo o que seria melhor não ouvir. Uma das senhores dizia que eu tinha um lindíssimo cabelo, outra, ao sair, perguntava quem era a mocinha tão bonita. E estas palavras, tanto mais lisonjeadoras porque eram pronunciadas para mim, davam-me tal prazer que eu via claramente quanto estava cheia de amor próprio. Em agosto do ano de 1879, estava, então com quase sete anos, ocorreu o primeiro fenômeno verdadeiramente extraordinário que encontramos na vida mística da Irmã Teresa, – como diz Petitot – a visão profética que se relaciona com Luís Martin. Segundo a autobiografia, confirmada pelo depoimento das principais testemunhas, dá-nos a cena como passada no verão. Deviam ser dias ou três horas da tarde. O sol, esplendoroso, brilhava por todo os Buissonets, e a natureza parecia estar em festa. Luís Martin estava fora, ausentava-se já de alguns dias. Em Alencon, tratava de negócios. Maria e Paulina, num dos quartos da casa, trabalhavam. Noutro quarto, Teresinha, pela janela, apreciava a natureza. Teve a santa, naquele dia, a sombria visão da mais pesada prova moral que, em 1892, muitos anos mais tarde, pois, devia afligi-la. Diz ela com pormenores: Encontrava-me sozinha a uma das janelas que davam para o jardim e tinha o espírito com pensamentos alegres, quando vi defronte da lavanderia, à minha frente, um homem vestido exatamente como meu pai, da mesma estatura, com o mesmo andar, mas mais curvado e envelhecido. Digo envelhecido para pintar o conjunto geral da sua pessoa, porque não lhe vi o rosto; a cabeça estava coberta com um espesso véu. Caminhava lentamente e, com passo regular, ao longo do jardinzinho. Imediatamente, fui tomada dum sentimento de pavor sobrenatural e gritei alto, com voz trêmula: – Papai, Papai! Mas a personagem misteriosa parecia não ouvir; continuou a andar sem se voltar, e dirigiu-se para um bosquezinho de pinheiros que cortava a álea principal do jardim. Esperava vê-la reaparecer do outro lado das grandes árvores, mas a visão profética desvanecera-se. Maria e Paulina, quando ouviram aquele grito: Papai!Papai! correram até Teresa, em busca de explicação para as notas de terror que sentiram na voz da irmã. Cientes do sucedido, deram minuciosa busca por toda a extensão do jardim, e nada encontraram. Mas Teresa teimava e dizia: – Eu vi um homem e esse homem parecia-se absolutamente com papai! Cansadas de rebuscar pelas moitas, pelos arbustos, de olhar por todos os recantos que pudessem esconder um ser humano, acabaram por voltar para casa. E as duas mais velhas aconselharam a Teresinha que não mais pensasse no caso. Não pensar mais no que sucedera! Ah! Diria ela, mais tarde, se estivesse na minha mãe! Muitas vezes a imaginação me representava essa visão misteriosa. Muitas vezes procurava levantar o véu que lhe encobria o sentido, e no íntimo do coração tinha a convicção de que um dia me seria inteiramente revelada. E o foi, de fato. Anos mais tarde, Luís Martin precisaria ir a Alençon. Julgando-se muito feliz, conta-nos Petitot, muito cheio de consolações, ofereceu-se como vítima na Igreja de Nossa Senhora: – Meu Deus, exclamou ele, é demasiado! Sim, sou feliz demais, e não é possível ir assim para o céu – quero sofrer alguma coisa por vós! Ofereço-me para ser vítima… Deus aceitou a oferta deste pai venerado e, pouco tempo depois foi acometido de ataques de paralisia que, pouco a pouco, acabaram por lhe tirar o uso das faculdades intelectuais. Que prova para aquele pai e para a família a perda da inteligência! Era a luz, o sol do mundo ideal que se extinguia e, com ela, tudo o que dizia respeito ao espírito sucumbia nas trevas e no caos. Na definição do homem, se lhe tira o uso da razão, que fica? O velho curvado que Teresa vira na sua inexplicável visão é o pai acometido pela paralisia mental que avança a passo lento para o túmulo. Coisa notável, conta-nos uma das filhas, no princípio da doença, viam-no, muitas vezes, cobrir a cabeça. Como a realidade corresponde exatamente à profecia até nos pormenores, que pareciam secundários! Mas uma pergunta se formula, que a própria Irmã Teresa na sua autobiografia se acautela de não iludir: “Por que, escreveu ela, quis Nosso Senhor dar esta luz a uma criança que, se a tivesse compreendido, teria morrido de dor? Por que? Eis um mistério que só no céu compreenderemos para fazer dele assunto da nossa admiração. (…) Em 1881, então com oito anos, Teresinha passou a freqüentar, como semi-pensionista a abadia beneditina de Lisieux, onde se aplicou aos estudos, tudo para que ao pai pudesse dar alegria. As boas notas que tirava, porque se esforçava para ser sempre das primeiras da turma, eram todas para o bom Luís Martin. E Teresinha estudava muito, mesmo nas horas em que os colegas pulavam o recreio. A idéia de tirar notas baixas martirizava-a. Paulina, a doce Paulina que escolhera para substituir a mãe, a mãezinha Paulina, estava prestes a buscar a quietude do convento. Em 1882, abria-se em Teresinha a ferida causada com a morte de Zélia Maria: com a entrada da mãezinha no Carmelo de Lisieux, ia-se transformar. Não brincaria mais, Iria viver tristemente, a suspirar. Com efeito, só faiza pensar e pensar. Começou, então a ter dores de cabeça com muita freqüência. Às vezes, queixava-se. E, para esquecer a mãezinha que se fora, estudava, estudava muito. Que falta, que grande falta lhe fazia Paulina! Em 1883, adoeceu gravemente. Era uma doença estranha, que parecia sobretudo nervosa. As dores de cabeça, de suportáveis, passaram a terríveis, insuportáveis, e um esquisito tremor entrou a apoderar-se da menina. E as coisas do quarto em que jazia, tomavam formas fantásticas, que aterravam. Gritava. Gritava de espantar. Quando lhe iam administrar remédios, recuava, apavorada, recusava-os terminantemente. E gritava, de confranger: – Querem envenenar-me! Maria, a irmã mais velha, um dia, percebeu que Teresa não a reconhecia. Que dor! Aflita, pôs-se a dizer quem era. Lançando mão de toda a suavidade, calcando a dor, procurava fazer-se reconhecer. Tudo em vão. Quem poderia descrever a amargura de Luís Martin? Que teria a sua Rainha, aquela rainha que punha sobre os joelhos e enchia de mimos? Maria, desesperada, principiou a rogar a Nossa Senhora, numa novena, a cura da irmãzinha que não mais a conhecia. Leônia e Celina, prontamente, cheias do mais vivo fervor, uniram-se a ela, com a alma a vibrar. E Teresinha, mesmo naquele triste desolador estado, abalada por violentas crises, acompanhou-as. A segunda visão da festejada Santa de Lisieux estava próxima. Ia dar-se o milagre. No quarto da enferma havia uma estátua da Virgem. No domingo de Pentecostes, enquanto as irmãs oravam a Nossa Senhora das Vitórias, Teresinha viu a imagem mover-se. De repente, diria, a estátua animou-se! A Santíssima Virgem tornou-se linda, tão linda, que nunca encontrei expressão que pudesse dar uma idéia desta divina beleza. O rosto respirava doçura, bondade, ternura inefáveis, mas que me penetrou até o fundo da alma foi o seu sorriso arrebatador! Então, todas as minhas penas se desvaneceram, duas grossas lágrimas me caíram das pálpebras e correram silenciosamente. Estava curada, radicalmente curada. Tinha o rosto radiante, tão radiante, que as irmãs adivinharam a cura. E Teresinha, a elas, candidamente, tudo contou. Em 1886, Maria, a irmã mais velha buscava seguindo as pegadas de Paulina, o Carmelo. No ano seguinte, a “rainha da França e da Navarra” confiava ao pai o desejo que tinha de também entrar naquela ordem. Luís Martin, depois dalguma reflexão, consentiu, mas o farmacêutico Guerin, embora fosse ótimo cristão, opôs-se. Teresinha não se desencorajou. E, toda esperança, pôs-se à espera. Conta-se dela nessa altura da vida, a conversão que conseguiu do bandido Pranzini, à força da oração. Havia vencido certos escrúpulos, porque muito impressionável, excessivamente emotiva, e agora, confiante, toda no desejo de salvar almas, propusera-se obter de Deus a conversão daquele homem à beira do abismo, Foi atendida. O capelão, que assistiu aos derradeiros momentos de Pranzini, contou que o pobre condenado, braços atados às costas, pediu insistentemente o crucifixo, ao qual, com grande amor e maior respeito, várias vezes cobriu de beijos. Que grande alegria! Salvar uma alma prestes a perder-se. “É o meu primeiro filho, dizia ela, depois. Mandava celebrar-lhe missas pela alma, dizendo: “Não posso esquecê-lo, pois deve ter tanta necessidade disso, depois da partidas que pregou.” Eis senão quando, o tio Guérin acabou por consentir que a sobrinha procurasse as carmelitas. Assim, com o pai, viajou para Bayeux, em busca da autorização para a entrada no Carmelo, porque tinha somente quinze anos. O superior achava conveniente esperar até que Teresinha completasse os vinte e um, mas a jovem foi tão eloqüente, o pai apoiou-a tão firmemente, que o bispo acabou prometendo tudo fazer para que o desejo da pequena fosse satisfeito. Em Roma, a audiência com o Supremo Pontífice correu bem. Disse a ela o Papa Leão XIII: – Se o bom Deus quiser, tu entrarás. Escreveu a Paulina – Irmã Inês de Jesus: “Se tu soubesses como me bateu o coração, ao ver que minha hora havia chegado!” Santa Teresinha estava no Carmelo aos 9 de Abril de 1888. A 10 de Janeiro do ano seguinte, tomava o hábito. Desde então passou a ser irmã Teresa do Menino Jesus da Santa Face. Em Fevereiro o pai era transferido para a casa de saúde de Caen. A 8 de Setembro de 1890, fez profissão. Com vinte anos, foi encarregada da direção espiritual das noviças. Leiamos o que escreveu: “Logo que penetrei no santuário das almas, julguei, à primeira vistam que a tarefa excedia as minhas forças, mas logo me lancei nos braços de Nosso Senhor …. e disse-lhe: Senhor, bem vedes, sou pequenina para alimentar as vossas filhas; dai-lhes, em meu lugar, o que a cada uma convém, enchei a minha mão e, sem deixar os vossos braços, sem mesmo afastar a cabeça, distribuirei os vossos tesouros à alma que me vier pedir sustento … compreendendo assim que nada podia fazer por mim mesma, a tarefa pareceu-me simplificada. Ocupava-me interior e unicamente em me unir a Deus cada vez mais, sabendo que o resto me seria dado por acréscimo…. Confesso, minha Madre, se tivesse agido doutra maneira, se me tivesse apoiado nas próprias forças, teria, sem demora, deposto as armas!” Por toda a vida religiosa, Santa Teresinha do Menino Jesus procurou, nas mínimas coisas, praticar a regra do Carmelo. Procurava, contudo, evitar os excessos, porque não queria ser alvo de atenções. Queria passar despercebida, desejava trabalhar “sem ver o fruto do seu labor”. Às vezes era mal interpretada por esta ou aquela da comunidade, Dizia certa irmã conversa, que se azafamava na cozinha: – Vejam como ela anda. Nunca tem pressa. Quando tem de fazer alguma coisa não serve para nada. Por que este dito? Porque era moderada, e dizia: Vós vos entregais com demasiado ardor no que fazeis, atormentai-vos nos vossos empregos como se fosseis as únicas responsáveis por eles. Como algumas almas não lhe conheciam o caráter! Diziam as irmãs de Santa Teresinha: Viam-na sempre sorridente, mostrando uma alegria amável, e, não penetrando na sua intimidade, podia julgar-se que seguia uma senda muito suave, muito cheia de consolações. Também muitos leitores da sua vida não descobrem a significação desse sorriso, não vêem a cruz cuidadosamente oculta debaixo das flores. Esquecem as palavras do réu profeta: “Quando se olha para Deus, fica-se radiante de alegria”. Se as religiosas que a censuravam pudessem agir como Teresinha agia, encontrariam sem dúvida, e bem depressa, o inverso. Uma santa religiosa da comunidade, conta-nos a Santa de Lisieux, tinha outrora o defeito de me desagradar em tudo. Procurava eu então fazer por essa Irmã tudo quanto faria pela pessoa que mais estimasse. Sempre que me encontrava com ela, pedia a Nosso Senhor por ela. Prestava-lhe todos os serviços que estavam ao meu alcance, e quando tinha vontade de lhe dar uma resposta desagradável, apressava-se a dar-lhe o meu melhor sorriso, mudando de conversa. Muitas vezes, também, quando o demônio me tentava violentamente e não podia esquivar-me, sem que ela percebesse a minha luta íntima, fugia como o soldado desertor. Entretanto, disse-me ela, um dia, com ar radiante: Irmã Teresa do Menino Jesus, diga-me, em segredo o que é que em mim a atrai? Nunca a encontro sem que não me dê um gracioso sorriso. Ah! O que nela me atraia, era Jesus oculto no fundo da sua alma, o Jesus que torna doce quanto há de mais amargo! A 29 de julho de 1894, Luís Martin falecia na casa do cunhado Guerin. Em setembro, Celina ia juntar-se às irmãs no Carmelo, Teresinha, então, era monitora. Em Dezembro, nossa Santa recebia da priora, da mãezinha Paulina, agora Madre Inês de Jesus, a ordem de escrever as recordações da infância. Santa Teresinha ajoelhou-se diante da imagem de Nossa Senhora do Sorriso, a quem devia a cura milagrosa daqueles duros dias de enferma, orou por algum tempo, abriu o Novo Testamento e principiou a obra. Diz ela: Antes de tomar a pena, ajoelhoei-me diante da estátua de Maria, aquela que tantas provas nos deu das maternais preferências da Rainha do Céu, pedi-lhe que me guiasse a mão, para não escrever uma linha só que lhe desagradasse. Em seguida, abertos os Santos Evangelhos, os meus olhos depararam com estas palavras: Jesus, subindo a uma montanha chamou a si aqueles que quis … Sem se preocupar com técnica de composição ou com o que quer que seja, sem consultar livros, memórias, dicionários ou gramáticas (apenas alguns documentos de família) foi escrevendo, calmamente, sem se exaltar. Sentada num banquinho baixo, muito baixo, escrevia sobre uma caixa, de gavetinha, colocada nos joelhos, Quieta, rememorando coisas passadas ali, dum canto da cela, perto da enxerga, compôs para os pósteros. Inês de Jesus, leu o manuscrito e ficou maravilhada. Era um primor, uma obra-prima de simplicidade e de honestidade. Nas primeiras páginas indicou três períodos bem marcados na sua infância, conta-nos H. Petitot, até a sua entrada no Carmelo, Foi o Padre Godofredo Madalena, premonstratense, que, de acordo com a Madre Inês de Jesus, dividiu a obra em capítulos. Como se adverte no Prefácio das últimas edições, o trabalho inicial da Irmã Teresa só compreendia os oito primeiros capítulos. Começada nos primeiros dias de 1894, a redação estava terminada a 20 de janeiro de 1896, festa de Santa Inês. Entrando no coro das religiosas para a oração da noite, a Irmã Teresa veio entregar, de joelhos, à Prioresa, a narrativa que esta lhe mandara escrever. A Madre Inês de Jesus, que estava a acabar o termo do seu priorado e cujos momentos era absorvidos por múltiplos cuidados, colocou distraidamente o manuscrito na estante, depois levou-o para a cela e o guardou. Alguns dias mais tarde, as irmãs tiveram que eleger outra prioresa. A eleição foi trabalhosa, A Madre Inês de Jesus, pelo seu caráter de suave firmeza, adquirira a estima das religiosas, mas a Madre Maria de Gonzaga, pelo prestígio da sua autoridade, conservava as suas partidárias. Após sete escrutínios, foi eleita. A transmissão de poderes numa comunidade religiosa faz-se sem complicações. Todavia, a Madre Inês de Jesus andava bastante preocupada com todas estas mudanças, e esqueceu por completo o manuscrito a que não ligava importância de maior; e a Irmã Teresa despegada de tudo, buscando só a paz e o esquecimento, também tinha o cuidado de a ele não fazer a menor alusão, Ninguém pensava então na publicação dessa obra-prima. Assim, decorreram dois meses. A Madre Inês de Jesus, voltando a simples religiosa e dispondo de mais tempo, encontrou o manuscrito, leu-o, e ficou edificadíssima e encantada. Aos 4 de Abril de 1896, sexta-feira santa, a doença que devia levar Teresinha deste mundo declarou-se. A Madre Inês de Jesus estava desolada. A irmã quase nada escrevera sobre a vida religiosa. Embora o manuscrito desse precioso, jazia incompleto, e incompleto permaneceria se a nova prioresa não lhe desse ordem para continuar. Que fazer, se a Madre Maria de Gonzaga era muito conservadora, muito autoritária? Era bem capaz de recusar a ordem sem pestanejar. Afinal, depois de muito pensar, Inês de Jesus, criando coragem, foi ter com a prioresa. Mais tarde, escreveria: Vendo a Irmã Teresa do Menino Jesus muitíssimo doente, na tarde de 2 de Julho de 1897, quatro meses antes de sua morte, pela meia-noite, fui ter com a Madre Prioresa: Minha Madre, disse-lhe eu, não posso dormir sem lhe confiar um segredo: quando eu era prioresa, a Irmã Teresa escreveu, por obediência e para me dar prazer, algumas recordações de sua infância. Reli-as outro dia; é bonito, mas não se poderá tirar dali grande coisa quando tiver que se fazer circular anunciando a sua morte, porque não diz nada da sua vida religiosa. Se lhe ordenasse, ela poderia escrever qualquer coisa mais grave e não duvido de que ficaria com coisa muito melhor do que a que eu possuo. Nosso Senhor abençoou os meus passos e, no dia seguinte, de manhã, a Nossa Madre ordenou à Irmã Teresa que continuasse a sua narrativa. Já lhe tinha preparado um caderno um caderno, mas ela o achou bom demais, ainda que fosse vulgar, e temia cometer falta contra a virtude da pobreza, servindo-se dele. Perguntou-se se não seria preciso apertar as linhas para gastar menos papel. Respondi-lhe que estava muito doente para se cansar, se escrevesse desse modo. O que precisava era espacejar as linhas e escrever coom letra grande. Em julho do mesmo 1897, havia redigido cinqüenta páginas. A pena, então, caiu-lhe da mão. Era a fraqueza. Instalaram-na, pois, numa cadeira de rodas, e Teresinha entrou a escrever no jardim, ao ar livre, à sombra dos castanheiros. Foi ali que escreveu, para as carmelitas, as últimas páginas, como que o seu testamento espiritual. (…) Tratando-se de graças místicas, Santa Teresa de Lisieux foi favorecida com elas. Duma feita, a Madre Inês de Jesus perguntou-lhe se conhecera estados de oração. Teresinha respondeu-lhes: Sim, no jardim por várias vezes, à hora do calmo silêncio da noite, no verão, tendo-me sentido em tão grande recolhimento e o coração de tal modo unido a Deus, com tanto ardor e com tão suaves aspirações de amor, que me parece que estas graças são as que a nossa Madre Santa Teresa chama vôos de espírito. A oração de recolhimento, quando se perpetua, é como fogo que arde debaixo da cinza, diz o autor de Santa Teresa de Lisieux, mas, em certos momentos projeta chamas ou transportes de amor. Quando estes transportes de amor. Quando estes transportes são muito veementes, atravessam o invólucro da nossa carne mortal e são capazes de por a vida em risco. Nossa Santa provou várias vezes estes transportes de amor. Uma vez, mesmo, quase veio a morrer. Diz-nos ela mesma: Alguns dias depois do meu oferecimento ao Amor Misericordioso, comecei no coro o exercício da Via Sacra; de repente, senti-me ferida dum dardo de fogo tão ardente que me julguei à morte. Não sei como explicar este transporte; não há comparação que possa fazer compreender a intensidade desta chama. Parecia-me que uma força invisível me mergulhava inteiramente no gogo. Oh! Que fogo! Mas, que doçura!… Um minuto, um segundo mais, e a minha alma separar-se-ia do corpo …. Mas ai! Encontrava-me sobre a terra…. e a aridez, imediatamente, voltou a habitar no meu coração!. Depois: Enfim, minha Mãezinha, é o que os santos tantas vezes experimentaram. São João da Cruz, com efeito, cantou: “Ó suave ardência! Ó chaga deliciosa! Ó suave mão! Ó suave toque! Tendes o sabor da vida eterna …” Santa Teresinha morreu num êxtase de amor. Como vimos, descaiu-lhe a cabeça para o lado direito, dir-se-ia que terminara o combate, mas, de repente, levantou-a, ficando a estátua de Maria Santíssima num longo, estático olhar de amor. Diz a Madre Inês de Jesus: Julgávamos que tudo estava acabado, quando, de repente, levantou os olhos cheios de vida e chama, nos quais se refletia uma felicidade que exercia todas as nossas esperanças. A Irmã Maria da Eucaristia, querendo ver mais de perto esse olhar, que durou o espaço dum Credo, passou e repassou uma luz por diante das suas pálpebras sem as fazer vacilar. Era um êxtase, uma visão do céu, mas uma visão que lhe punha no coração demasiado amor, demasiado reconhecimento, e não pode suportar os “assaltos deliciosos” e teve que quebrar os elos dessa cadeia. São João da Cruz expôs como morrem os santos inflamados no amor divino. Sucumbem, sem dúvida, por causa da doença, em virtude das fadigas, do peso da idade, mas o que lhes arrebata a vida é outra coisa – “é uma aspiração suprema de amor.” Santa Teresinha, na terra, viveu de aspirações de amor: poderia, então, morrer doutra maneira, ela que, no mundo, vivia no céu? Não sei bem, dizia, o que é que poderei ter a mais no céu do que p que possuo na terra. Verei a Nosso Senhor, é certo, mas, quanto a estar com ele, já estou inteiramente com ele na terra. E também: Vives em mim prisioneira noite e dia. Um das santas mais populares do mundo, a origem da veneração e da glória de Santa Teresinha data da primeira publicação da sua autobiografia – História duma Alma – aparecida em 1898, depois traduzida para mais de trinta línguas.Antes da Primeira Grande Guerra, quando ainda não tinha sido beatificada, tinham-se editado nos primeiros quinze anos, cerca de duzentos mil exemplares em língua francesa. Cartas, pedidos de retratos, choviam, diariamente, no Carmelo de Lisieux. E o povo cristão vivia no mais fervoroso afã de conseguir o que quer que fosse pertencente a Santa Teresinha, porque, lendo a História duma Alma, tinha a certeza de que inteiramente conhecia a alma da meiga Santa de Lisieux, alma que aparecia “como um lindíssimo modelo de heróica santidade em que Nossa Senhor pôs a sua graça”. Sentia-se que logo seria beatificada, logo seria canonizada, O povo mesmo, antes da Igreja, já a havia canonizado. Fotos: santiebeati.it /// (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVII, p. 270 à 296) Leia também: .: Santo do Dia – 30 de Setembro – São Jerônimo .: Santo do Dia – 02 de Outubro – Santos Anjos da Guarda #SantaTeresinha
- Homilia Diária | De quem falam as Escrituras?
(Mem. de São Jerônimo, Presbítero e Doutor da Igreja) A Igreja celebra hoje a memória de São Jerônimo, transformado por Deus de inimigo da Escritura em insigne Doutor nas páginas sagradas. Educado no melhor latim de sua época, afeito aos brilhos do estilo e à expressão elegante, a graça divina pôde vencer o orgulho literário de Jerônimo, fazendo-o encontrar, sob a simplicidade quase “rude” do Texto Santo, a pérola preciosa da sabedoria de Cristo. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este sábado, 30 de setembro, e aprendamos de São Jerônimo a descobrir, pela luz sobrenatural da graça, o sentido profundo e inesgotável das Sagradas Escrituras, alimento para a nossa alma. Santo do Dia: São Jerônimo, o tradutor da Bíblia, doutor da Igreja Evangelho (Lc 9,43b-45) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Jesus Cristo Salvador destruiu o mal e a morte; fez brilhar pelo Evangelho a luz e a vida imperecíveis. (cf. 2Tm 1,10) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 43b todos estavam admirados com todas as coisas que Jesus fazia. Então Jesus disse a seus discípulos: 44 “Prestai bem atenção às palavras que vou dizer: O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens”. 45 Mas os discípulos não compreenderam o que Jesus dizia. O sentido lhes ficava escondido, de modo que não podiam entender; e eles tinham medo de fazer perguntas sobre o assunto. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
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(Mem. de São Jerônimo, Presbítero e Doutor da Igreja) A Igreja celebra hoje a memória de São Jerônimo, transformado por Deus de inimigo da Escritura em insigne Doutor nas páginas sagradas. Educado no melhor latim de sua época, afeito aos brilhos do estilo e à expressão elegante, a graça divina pôde vencer o orgulho literário de Jerônimo, fazendo-o encontrar, sob a simplicidade quase “rude” do Texto Santo, a pérola preciosa da sabedoria de Cristo. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este sábado, 30 de setembro, e aprendamos de São Jerônimo a descobrir, pela luz sobrenatural da graça, o sentido profundo e inesgotável das Sagradas Escrituras, alimento para a nossa alma. Santo do Dia: São Jerônimo, o tradutor da Bíblia, doutor da Igreja Evangelho (Lc 9,43b-45) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Jesus Cristo Salvador destruiu o mal e a morte; fez brilhar pelo Evangelho a luz e a vida imperecíveis. (cf. 2Tm 1,10) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 43b todos estavam admirados com todas as coisas que Jesus fazia. Então Jesus disse a seus discípulos: 44 “Prestai bem atenção às palavras que vou dizer: O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens”. 45 Mas os discípulos não compreenderam o que Jesus dizia. O sentido lhes ficava escondido, de modo que não podiam entender; e eles tinham medo de fazer perguntas sobre o assunto. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- São Jerônimo, o tradutor da Bíblia, doutor da Igreja – 30 de Setembro
SANTO DO DIA – 30 DE SETEMBRO – SÃO JERÔNIMO Sacerdote e doutor da Igreja (347-420) É incontestável o grande débito que a cultura e os cristãos de todos os tempos têm com este santo de inteligência brilhante e temperamento intratável. Jerônimo nasceu em uma família muito rica na Dalmácia, hoje Croácia, no ano 347. Com a morte dos pais, herdou uma boa fortuna, que aplicou na realização de sua vocação para os estudos, pois tinha uma inteligência privilegiada. Viajou para Roma, onde procurou os melhores mestres de retórica e desfrutou a juventude com uma certa liberdade. Jerônimo estudou por toda a vida, viajando da Europa ao Oriente com sua biblioteca dos clássicos antigos, nos quais era formado e graduado doutor. Ele foi batizado pelo papa Libério, já com 25 anos de idade. Passando pela França, conheceu um monastério e decidiu retirar-se para vivenciar a experiência espiritual. Uma de suas características era o gosto pelas entregas radicais. Ficou muitos anos no deserto da Síria, praticando rigorosos jejuns e penitências, que quase o levaram à morte. Em 375, depois de uma doença, Jerônimo passou ao estudo da Bíblia com renovada paixão. Foi ordenado sacerdote pelo bispo Paulino, na Antioquia, em 379. Mas Jerônimo não tinha vocação pastoral e decidiu que seria um monge dedicado à reflexão, ao estudo e divulgação do cristianismo. Voltou para Roma em 382, chamado pelo papa Dâmaso, para ser seu secretário particular. Jerônimo foi incumbido de traduzir a Bíblia, do grego e do hebraico, para o latim. Nesse trabalho, dedicou quase toda a sua vida. O conjunto final de sua tradução da Bíblia em latim chamou-se ‘Vulgata’ e tornou-se oficial no Concílio de Trento. Romano de formação, Jerônimo era um enciclopédico. Sua obra literária revelou o filósofo, o retórico, o gramático, o dialético, capaz de escrever e pensar em latim, grego e hebraico, escritor de estilo rico, puro e, ao mesmo tempo, eloquente. Dono de personalidade e temperamento fortíssimos, sua passagem despertava polêmicas ou entusiasmos. Devido a certas intrigas do meio romano, retirou-se para Belém, onde viveu como um monge, continuando seus estudos e trabalhos bíblicos. Para não ser esquecido, reaparecia, de vez em quando, com um novo livro. Suas violências verbais não perdoavam ninguém. Teve palavras duras para Ambrósio, Basílio e para com o próprio Agostinho. Mas sempre amenizava as intemperanças do seu caráter para que prevalecesse o direito espiritual. Jerônimo era fantástico, consciente de suas próprias culpas e de seus limites, tinha total clareza de seus merecimentos. Ao escrever o livro ‘Homens ilustres’, concluiu-o com um capítulo dedicado a ele mesmo. Morreu de velhice no ano 420, em 30 de setembro, em Belém. Foi declarado padroeiro dos estudos bíblicos e é celebrado no dia de sua morte. Texto: Paulinas Internet Conheça mais sobre São Jerônimo A Santa Igreja Católica reconheceu sempre a São Jerônimo como um homem eleito por Deus para explicar e fazer entender melhor a Bíblia Sagrada, por isso foi declarado Patrono de todos os que no mundo se dedicam a fazer entender e amar mais a Palavra de Deus gravadas nas Escrituras Sagradas. “E as portas do inferno não prevalecerão contra Ela”! Nas eras conturbadas para a Igreja é que aparecem os grandes guias. O período situado entre o final do século IV e meados do século V foi uma dessas eras. Erros e heresias pululavam no seio da Cristandade. Então, surgiram grandes luzeiros de santidade e ciência: Santo Hilário, de Poitiers, Santo Ambrósio, de Milão, o grande Santo Agostinho. Havia ainda um outro luminar que, com os anteriores, formou o conjunto dos “Santos Padres da Igreja”: São Jerônimo, cuja festa celebra-se no dia 30 de setembro, o “mês da Bíblia”. Jerônimo de Stridon Jeronimo nasceu no ano de 342. Era filho de Eusébio, da cidade de Stridon, já na divisa entre a Panomia e a Dalmácia, em terras não distantes de Aquileia, na Itália. Sua família era cristã, nobre e rica. Acompanhando o costume da época, foi batizado apenas aos 18 anos, contudo, teve uma educação cristã desde criança. Seu pai percebeu logo as precoces aptidões que Jerônimo tinha para os estudos e apenas esperou que ele chegasse à adolescência para enviá-lo a estudar em Roma. Ali usando a pequena fortuna que seu pai lhe deu, procurou os melhores mestres. Tendo, porém, uma juventude um tanto livre. No centro do mundo civilizado de então, o jovem dedicou-se com afinco aos estudos da gramática, da retórica e da filosofia. Estudou latim tendo como professor de línguas um famoso pagão chamado Donato. Jerônimo tornou-se um grande latinista, sendo também muito bom conhecedor do grego e de outros idiomas mais. Jerônimo e os clássicos romanos e gregos Ele dedicava horas e horas de seus dias lendo, estudando e até decorando livros de grandes autores latinos: Cícero, Virgílio, Horácio, Tácito, E ainda encontrava disposição para conhecer autores gregos. Entre eles Homero e Platão. Tal era seu entusiasmo e admiração pelos escritores clássicos que logo formou uma biblioteca só com obras deles, chegando até a copiar a mão vários desses livros. Dedicando tanto tempo a esses autores, quase nunca encontrava ocasião para as leituras cristãs. Totalmente posto nessa situação nada conveniente, ele, contudo, não tinha rompido com os princípios que conhecera na infância, não havia, de todo, cortado os laços com suas raízes cristãs. Foi, certamente, sua inexperiência juvenil que o levou a mergulhar sem censuras no ambiente mundano e decadente da Roma de seu tempo. Mais que um extraviado exacerbado, ele foi uma vítima do modismo da época. Tempos mais tarde, Jerônimo admitiu que essa sua atitude o tinha colocado fora do verdadeiro caminho. Apesar disso ele recordava também que Deus não o havia abandonado nunca e que o guiava constantemente. Foi por essa ocasião que ele tornou-se catecúmeno. Continuava seus estudos e preparava-se para ser batizado. Seus domingos em Roma consistiam em constantes visitas às catacumbas. Ali ele meditava sobre a fé dos mártires, admirava a atitude deles e venerava suas relíquias. Jerônimo batizado Jerônimo recebeu o santo batismo na idade adulta. Ele foi batizado pelo Papa Libério. Já como cristão batizado, ele fez uma viagem de estudos pelas Gálias. Para acompanhá-lo levou consigo seu irmão de leite Bonoso. Nessa viagem, em Treveris, ele decidiu entregar-se ao serviço de Deus e, depois de conhecer ali uma das mais afamadas academias que existiam no Ocidente, ele continuou sua viagem. Foi primeiramente para a Grécia, depois visitou parte do Oriente Médio. Ali, numa região desértica perto de Antioquia, viveu alguns anos em plena solidão. Por essa ocasião, ele já tinha começado a dirigir seus estudos para outros pontos do saber humano, fora dos clássicos. Então, ele aproveitou seu tempo para estudar hebreu com um judeu convertido. Sua intenção era poder estudar as Sagradas Escrituras em seu idioma original. Isso não foi fácil: só o fim a que agora destinava seus estudos e o seu constante desejo de conhecimento lhe mantiveram nesse intento. Ele chega a afirmar que “As fadigas que isto me causou e os esforços que me custaram, só Deus sabe. Quantas vezes desanimei e quantas voltei atrás e tornei a começar pelo desejo de saber; sei-o eu que passei por isso, e sabem-no também os que viviam na minha companhia. Agora dou graças ao Senhor, pois que colho os saborosos frutos das raízes amargas dos estudos” (Pe. José Leite, Santos de Cada Dia, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 1987, vol. III, p. 104. ) Jerônimo: tentações e consolo Nesse período, as dificuldades e cansaços que estes estudos lhe traziam não eram todo o sofrimento pelo qual ele teve que passar. Para ele, foi necessário enfrentar um inimigo mais sutil, inteligente e mau. Deus permitiu que o demônio o torturasse. A cada instante o maligno o assaltava com tentações e desejos imundos contra o sexto mandamento. Para combatê-los, Jerônimo entregava-se à oração e à penitência. Eram jejuns que, às vezes, duravam semanas inteiras. Mas Deus não o abandonava! Em meio às tentações, o Senhor o consolava: “depois de chorar muito e contemplar o céu, sucedia-me, por vezes, ser introduzido dentro dos coros dos anjos. Louco de alegria, eu cantava… (Pe. José Leite, Santos de Cada Dia, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 1987, vol. III, p. 105) Cristão, não: Ciceroniano! Jerônimo quis visitar Jerusalém. Queria caminhar pela Terra Santa, venerar os lugares que foram santificados pela presença de Nosso Senhor. Aproveitou a ocasião de sua estada em Jerusalém para aprofundar seus conhecimentos da língua hebraica, ele desejava ter um meio a mais para conhecer melhor as Sagradas Escrituras. Assim, poderia ter mais segurança nas respostas às questões que o Papa São Dâmaso lhe fazia constantemente a respeito de passagens difíceis dos Livros Sagrados. No entanto, ler a Sagrada Escritura não lhe trazia prazer. Para Jerônimo, o texto bíblico era simples demais e não tinha ornato… Ele tinha sido formado na leitura dos clássicos latinos e gregos e se acostumara com a “eloquência” e “elegância” da literatura de estilo pagão. Ele sentia muita aridez na leitura da Bíblia. Apesar de ser um sábio para o mundo, um conhecedor com ampla visão das ciências de então, continuava cego para as coisas mais elevadas, as coisas divinas. Para que ele mudasse de vida, foi necessário que o próprio Deus chamasse sua atenção. Jerônimo, anos mais tarde, contou em carta a uma de suas discípulas, Santa Eustóquia, o que foi que se passou com ele: Era o ano 374, ele estava na Antiópia e fazia austeras penitencias. Estando em oração, Jerônimo teve uma visão. Ele tinha sido arrebatado aos céus, e se via diante do Juízo de Deus. O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo presidia o Tribunal e perguntava sobre seu estado de alma e sua Fé. – Sou cristão. Responde Jerônimo. Ao que o Juiz lhe replicou com severidade: – Mentira!… Você não é cristão, mas ciceroniano… Isso seria o mesmo que dizer: “Não sois de Cristo, sois de Cícero.” O Juiz mandou que ele fosse açoitado. Os assistentes pediram clemência argumentando que ele ainda era jovem e poderia corrigir-se, arrepender-se e salvar-se. Diante do que lhe acontecia, Jerônimo reconheceu o estado de alma em que se encontrava e nessa situação tomou a única atitude que lhe seria conveniente: reconheceu seu erro, pediu perdão. É certo que ele percebeu que tinha sido perdoado, então, naquele instante, ele fez o firme propósito de emendar-se, saindo do arrebatamento cheio de compunção e muito arrependido e pleno do amor de Deus. “Desde aquela hora eu me entreguei com tanta diligência e atenção a ler as coisas divinas, como jamais havia tido nas humanas”, conclui o Santo em sua carta a Santa Eustáquia. (Pe. Ribadaneira, in La Leyenda de Oro, op. cit., p. 644) Jerônimo convive com Santos Ele foi, então, para Chalcis, no deserto da Síria e lá passou quatro anos. Tinha uma vida de monge e aproveitou o tempo para aprofundar seus conhecimentos de hebreu e estudar os escritos de São Paulo de Tebas. Jerônimo deixou o ambiente monacal e dirigiu-se a Constantinopla. Ele queria ver e ouvir São Gregório Nanzianzeno. Devido a sua oratória e erudição, esse Santo era conhecido como sendo “o Teólogo”. Durante três anos ele ali permaneceu estudando com São Gregório. Foi ele quem lhe abriu o espírito ao amor pela exegese das Sagradas Escrituras. Foi nessa ocasião também que Jerônimo teve oportunidade de fazer uma grande e profunda amizade com dois outros luzeiros que brilhavam na Igreja do Oriente: São Basílio e seu irmão São Gregório de Nissa. Jerônimo Sacerdote Ele esteve algum tempo também na Antioquia da Síria. Ali prestou serviços ao Bispo Paulino que o incentivou a receber o sacramento da Ordem. Estava com mais de trinta anos quando tornou-se sacerdote. Ele obteve condições especiais de vida sacerdotal. Poderia continuar sua vida como monge e não estar sujeito à jurisdição de nenhuma diocese. Quase nunca exerceu o ministério sacerdotal. Tornou-se um monge para quem o isolamento monacal seria ocasião para dedicação total ao estudo, à reflexão, à oração, tendo em vista a difusão do cristianismo. Ele pôde nessa ocasião, com muita dificuldade, estudar hebraico e aperfeiçoar seus conhecimentos do grego tendo em vista poder compreender melhor as escrituras em suas línguas originais. Jerônimo pensou em ir para o deserto a fim de penitenciar-se de seus pecados. Ele pensava especialmente sacrificar-se para afastar de si as fortes tendências e os grandes desejos que o impeliam para a sensualidade. Naquele lugar de silencio e isolamento ele rezava. Jejuava muito e passava noites sem dormir, em oração e sacrifícios. Ali, porém, ele não encontrou a paz. Deus reservava para ele o encontro com uma descoberta: sua missão não era viver na solidão. Jerônimo voltou para Roma. Jerônimo secretário do Papa Por causa do modo de ser e da mentalidade dos povos orientais, na Igreja do Oriente havia vários ambientes onde os erros doutrinários encontravam terreno propício para germinarem. As heresias se difundiam e causavam confusão em todo o corpo social. Era tal a situação que tornou-se necessária uma reação da autoridade espiritual e da temporal. Elas tinham que se unir para defender-se dos erros que ali pululavam. Para isso o Imperador Teodósio e o Papa São Dâmaso resolveram convocar um sínodo em Roma. O secretário do evento deveria ser Santo Ambrósio, porém, o culto e famoso bispo de Milão adoeceu gravemente. Para substituí-lo, o Papa convidou Jerônimo. Ele desempenhou esse cargo com muita eficiência e sabedoria. Reconhecendo em São Jerônimo seus dotes extraordinários e seu grande saber, o Papa São Dâmaso quis tê-lo junto de si e o nomeou como seu secretário, assim que terminou o sínodo. Como secretário Jerônimo tornou-se o encarregado de redigir as cartas enviadas pelo Pontífice. Era dele uma outra atribuição muito importante dentro do governo da Igreja: “responder a todas as questões que se referissem à religião, de esclarecer as dificuldades das Igrejas particulares [dioceses], das assembléias sinodais, de prescrever àqueles que voltavam das heresias o que eles deveriam crer ou não, e de estabelecer, para isso, regras e fórmulas” (Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, d’après le Père Giry, par Mgr. Paul Guérin, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, tomo XI, p. 565) Jerônimo e as Escrituras Sagradas O Papa desejava ter uma tradução da Bíblia que fosse o mais fiel possível aos textos originais. Os textos bíblicos até então existentes tinham imperfeições de linguagem e imprecisões de traduções. O Papa percebia a necessidade de uma tradução que pudesse servir de texto único e uniforme para servir de base para na liturgia, nos estudos e orações dos fiéis, já que as versões populares eram imperfeitas e passiveis de criar confusão entre os fiéis. Foi então que o Papa São Dâmaso encarregou São Jerônimo de verter o texto das Escrituras Sagradas para o latim. O Papa sabia que seu secretário teria condições para levar a cabo esse importante projeto. Ele já tinha provas do profundo conhecimento que Jerônimo tinha dos textos bíblicos. Sua fama de latinista erudito e poliglota consumado era sabida por todos. Além do latim, ele conhecia bem o grego e o hebraico, e ainda entendia bem o aramaico; línguas muito ligadas aos textos Sagrados. O trabalho de São Jerônimo abrangeu praticamente sua vida toda. Ele escrevia com elegância clássica o latim e traduziu a Bíblia inteira. Daí foi que surgiu a texto da Bíblia conhecido como “Vulgata”, que significa “de uso comum”. Essa tradução foi usada largamente em quase quinze séculos. Seu texto tornou-se oficial com o Concílio de Trento e só cedeu o lugar nos últimos tempos, depois de estudos linguísticos exegéticos mais recentes. No trabalho deixado por São Jerônimo, ele mostra seu agudo senso crítico, um amor extraordinário à Palavra de Deus e uma grande riqueza de informações sobre tempos, usos e lugares relativos à Bíblia Sagrada. O Papa Clemente VIII afirmou que São Jerônimo, nesse trabalho de suma importância, foi assistido e inspirado pelo Espírito Santo. A dedicação extraordinária que São Jerônimo teve na tradução das Escrituras Sagradas só pode ter, de fato, um motivo de origem sobrenatural. E é o que se confirma ao ver as explicações que ele mesmo deu ao justificar seu empenho nesse importantíssimo trabalho: “Cumpro o meu dever, obedecendo aos preceitos de Cristo que diz: ‘Examinai as Escrituras e procurai e encontrareis’ para que não tenhais de ouvir o que foi dito aos judeus: ‘Estais enganados, porque não conheceis as Escrituras nem o poder de Deus’. Se, de fato, como diz o Apóstolo Paulo, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus, aquele que não conhece as Escrituras não conhece o poder de Deus nem a sua sabedoria. Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”. (Pe. José Leite, op. Cit., p. 106.) Jerônimo perseguido em Roma Até a morte de São Dâmaso, em 384, Jerônimo permaneceu em Roma. “Todos acorriam a ele, e cada qual procurava ganhar-lhe a vontade: uns louvavam sua santidade, outros a doutrina, outros sua doçura e trato suave e benigno, e finalmente todos tinham postos os olhos nele como em um espelho de toda virtude, de penitência, e oráculo de sabedoria” .(Pe. Ribadaneira, op. cit. p. 645.) Em Roma, criou-se em torno de Jerônimo amplo círculo de amizades, sobretudo de matronas da alta sociedade que o ajudavam com seus recursos para custear seus trabalhos e que lhe orientava nos ásperos caminhos da santidade de cunho monástico. Porém, os altos cargos que exercia, a dureza com a qual tinha que corrigir os defeitos existentes no seio da alta classe social lhe trouxeram também todo tipo de invejas. Em Roma, onde não aceitavam seu modo enérgico de correção, Jerônimo sentia-se incompreendido e caluniado. Após a morte do Papa São Damaso, os inimigos de São Jerônimo iniciaram uma verdadeira campanha de difamação e perseguição contra ele. Jerônimo troca Roma por Belém Tal era o ambiente que se criou em Roma contra Jerônimo que ele decidiu afastar-se da Cidade Eterna indo, definitivamente, para a Terra Santa. Estabeleceu-se em Belém onde ficou com Santo Eustáquio, Santa Paula e sua filha Eudóxia e outros mais seguidores pregando na Palestina e no Egito. Várias das ricas senhoras romanas que haviam se convertido através de seus ensinamentos e conselhos o acompanharam e foram morar junto à Gruta do Presépio, sob sua orientação espiritual Fundaram, sob a direção do Santo, um mosteiro masculino e um feminino, este dirigido por Santa Paula. Estas senhoras haviam vendido tudo que tinham em Roma. Com o dinheiro obtido ajudaram São Jerônimo na construção de um convento para homens e três para mulheres, além de construir uma casa para atender peregrinos que chegavam de todas as partes do mundo para visitar o lugar onde havia nascido Jesus. São Jerônimo, porém, levava vida como monge de penitencias rígidas. Seus últimos 35 anos ele os passou em uma grande cova, próxima à Gruta do Presépio. Ali continuou, até a morte, seus estudos e trabalhos bíblicos e com muita energia ainda escrevia contra os herege que se atreviam a negar as verdades da Santa Igreja Católica, entre eles Helvídio e Joviano. São Jerônimo e Santo Agostinho Houve um princípio de polêmica entre os dois grandes Doutores da Igreja, Santo Agostinho e São Jerônimo. Tudo porém foi explicado: tratava-se de um mal-entendido entre esses dois luminares do cristianismo. Tudo foi explicado, as coisas se puseram em seu devido lugar e uma amizade que nunca havia se rompido, continuou cheia de respeito. Eles continuaram unidos até a morte, melhor seria dizer até no Céu. São Jerônimo dizia que Santo Agostinho era “seu filho em idade, e seu pai em dignidade”, uma vez que era Bispo. Por seu lado, o Bispo de Hipona escreveu-lhe: “Li dois escritos vossos que me caíram nas mãos, e achei-os tão ricos e plenos que não quereria, para aproveitar em meus estudos, senão poder estar sempre a vosso lado”. (7 – Edelvives, El Santo de Cada Día, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1955, tomo V, p. 307.) No dia 30 do mês de setembro do ano 420, falece São Jerônimo. Estava avançado em idade e crescido em virtude faleceu. No mesmo dia, em visão, ele aparecia a Santo Agostinho e descrevia como era o estado das almas bem-aventuradas no Céu… O Leão de São Jerônimo Numa certa tarde, como faziam todos os dias nas horas canônicas, os monges estavam reunidos ouvindo as lições do dia durante. São Jerônimo estava entre eles e ouvia atento. De repente, todos perceberam que um leão se aproximava. Foi uma correria geral. São Jerônimo manteve a calma: foi o único. Ele levantou-se e foi encontrar-se com aquele hospede não convidado… Era um animal enorme que usava somente três patas para caminhar. A quarta pata ele a trazia levantada. Claro que o leão não poderia falar, mas dava a impressão de querer comunicar alguma coisa e ofereceu a Jerônimo a pata que trazia levantada. O monge a examinou e percebeu que o animal estava gravemente ferido. Jerônimo chamou o menos medroso dos monges para ajudá-lo a limpar e cuidar do ferimento que estava em carne viva, infeccionado e ainda cheio de espinhos. Jerônimo tratou do animal, retirou-lhe os espinhos e o medicou com unguentos. O animal sarou. Os cuidados oferecidos ao animal amansaram a “besta fera”. O leão passou, então a caminhar pacificamente pelo mosteiro. Onde estivesse São Jerônimo, junto estava o animal que se comportava como um animal doméstico. Jerônimo mostrou aos monges uma primeira lição do episódio: “Pensem sobre isto e vocês poderão encontrar lições de vida. Eu creio que não foi tanto para a cura de sua pata que Deus o enviou até nós, pois, o leão se curaria sem a nossa ajuda. Deus nos enviou esse leão para mostrar quanto a Providencia estava ansiosa para nos prover do que necessitamos para nosso bem.” O jumento foi roubado ou comido pelo Leão? Os monges sugeriram então que o leão fosse usado para acompanhar e proteger o jumento que carregava a lenha para o mosteiro. E, por muito tempo, assim foi: o leão guardava o jumento enquanto este trabalhava. Um dia, porém, o leão dormiu enquanto o jumento pastava e alguns mercadores que por ali passavam roubaram o jumento. O leão acordou e passou a procurar o jumento. Procurou todo o dia, sem encontrá-lo. Voltou para o mosteiro e ficou diante do portão. Parecia ter consciência de sua culpa: não tinha mais o andar imponente que parecia quando andava ao lado do burrico. Alguns monges concluíram que o leão tinha comido o jumento. E se recusaram a alimentá-lo, enviando de volta para comece o resto de sua vítima. Será que havia sido o leão que dera cabo do jumento? Jerônimo mandou que procurassem a carcaça do jumento. Eles não encontraram nada e não viram sinais de violência. Ao saber disso São Jerônimo disse: ” Eu fico triste com a perda do asno, mas não façam isto com o leão. Tratem dele como antes, deem comida para ele. Ele fará o serviço do jumento: deverá trazer em seu lombo a lenha que necessitamos.” E assim aconteceu. Um Leão que cumpre a vontade de Deus O leão regularmente fazia a sua tarefa, mas continuava a procurar o seu velho companheiro. Um dia do alto de uma colina e viu na estrada homens montados em camelos e um deles montando um jumento. O leão foi ao encontro a eles. Aproximando-se, reconheceu o seu amigo e começou a rugir. Os mercadores assustados correram deixando para trás o jumento, os camelos e a carga que traziam. Como faria um cão pastor, o leão conduziu os animais para o mosteiro. Quando os monges viram aquele desfile inusitada correram até São Jerônimo. E foi até os portões e os abriu dizendo: “Tirem a carga dos camelos e do jumento, lavem suas patas e deem comida para eles. Esperemos para ver o que Deus queria mostrar a este seu servo quando nos deu o leão”. Confie na sua Ovelha Os monges seguiram as instruções de Jerônimo. O leão começou a rugir de novo e a balançar sua cauda, alegremente. Pesarosos por causa do que pensaram sobre o Leão, relembraram um pensamento conhecido na região: “Irmão, confie na sua ovelha, mesmo que se por um tempo ela pareça um ganancioso rufião. Deus fará um milagre para curar o seu caráter”. Jerônimo, sabendo o que iria acontecer disse: “Meus irmãos, preparem boa água, refrescos e frutas pois, chegarão novos hóspedes que deverão ser bem tratados’. Tudo aconteceu como o Santo pediu. E logo um grupo de mercadores estava diante do portão. Embora tivessem sido bem recebidos pelos monges, correram até São Jerônimo e prostraram-se a seus pés, pedindo perdão e agradecendo o acolhimento. Jerônimo ainda disse aos monges: “deem os refrescos a eles e deixem partir com os seu camelos e suas cargas”. Através do Leão, Deus supre as necessidades do mosteiro. Os mercadores, como retribuição e gratidão, ofereceram metade do óleo que os seus camelos carregavam para que fosse usado nas lâmpadas do mosteiro e ainda deixaram alimentos para os monges. Então, o chefe dos mercadores ainda disse: “Nós daremos todo óleo que vocês precisarem durante todo ano e nossos filhos e netos serão instruídos de também seguirem esta ordem: nada de sua propriedade será jamais tocada por qualquer de nós “. São Jerônimo aceitou a oferta e os mercadores de sua parte aceitaram os refrescos e partiram com a benção do Santo, voltaram alegres para o seu povo. São Jerônimo, tirando uma lição de toda essa história, respondeu a pergunta que ele mesmo havia feito anteriormente: “vejam meus irmãos o que Deus tinha em mente quando nos mandou o seu leão”! Esta narração foi adaptada por nós. Ela procura dar uma breve explicação do porque a iconografia costuma apresentar São Jerônimo com um leão junto dele. Leia também: .: Santo do Dia – 29 de Setembro – São Miguel, São Gabriel e São Rafael .: Santo do Dia – 01 de Outubro – Santa Teresinha do Menino Jesus (de Lisieux) #Bíblia #SantodoDia
- São Jerônimo, o tradutor da Bíblia, doutor da Igreja – 30 de Setembro
SANTO DO DIA – 30 DE SETEMBRO – SÃO JERÔNIMO Sacerdote e doutor da Igreja (347-420) É incontestável o grande débito que a cultura e os cristãos de todos os tempos têm com este santo de inteligência brilhante e temperamento intratável. Jerônimo nasceu em uma família muito rica na Dalmácia, hoje Croácia, no ano 347. Com a morte dos pais, herdou uma boa fortuna, que aplicou na realização de sua vocação para os estudos, pois tinha uma inteligência privilegiada. Viajou para Roma, onde procurou os melhores mestres de retórica e desfrutou a juventude com uma certa liberdade. Jerônimo estudou por toda a vida, viajando da Europa ao Oriente com sua biblioteca dos clássicos antigos, nos quais era formado e graduado doutor. Ele foi batizado pelo papa Libério, já com 25 anos de idade. Passando pela França, conheceu um monastério e decidiu retirar-se para vivenciar a experiência espiritual. Uma de suas características era o gosto pelas entregas radicais. Ficou muitos anos no deserto da Síria, praticando rigorosos jejuns e penitências, que quase o levaram à morte. Em 375, depois de uma doença, Jerônimo passou ao estudo da Bíblia com renovada paixão. Foi ordenado sacerdote pelo bispo Paulino, na Antioquia, em 379. Mas Jerônimo não tinha vocação pastoral e decidiu que seria um monge dedicado à reflexão, ao estudo e divulgação do cristianismo. Voltou para Roma em 382, chamado pelo papa Dâmaso, para ser seu secretário particular. Jerônimo foi incumbido de traduzir a Bíblia, do grego e do hebraico, para o latim. Nesse trabalho, dedicou quase toda a sua vida. O conjunto final de sua tradução da Bíblia em latim chamou-se ‘Vulgata’ e tornou-se oficial no Concílio de Trento. Romano de formação, Jerônimo era um enciclopédico. Sua obra literária revelou o filósofo, o retórico, o gramático, o dialético, capaz de escrever e pensar em latim, grego e hebraico, escritor de estilo rico, puro e, ao mesmo tempo, eloquente. Dono de personalidade e temperamento fortíssimos, sua passagem despertava polêmicas ou entusiasmos. Devido a certas intrigas do meio romano, retirou-se para Belém, onde viveu como um monge, continuando seus estudos e trabalhos bíblicos. Para não ser esquecido, reaparecia, de vez em quando, com um novo livro. Suas violências verbais não perdoavam ninguém. Teve palavras duras para Ambrósio, Basílio e para com o próprio Agostinho. Mas sempre amenizava as intemperanças do seu caráter para que prevalecesse o direito espiritual. Jerônimo era fantástico, consciente de suas próprias culpas e de seus limites, tinha total clareza de seus merecimentos. Ao escrever o livro ‘Homens ilustres’, concluiu-o com um capítulo dedicado a ele mesmo. Morreu de velhice no ano 420, em 30 de setembro, em Belém. Foi declarado padroeiro dos estudos bíblicos e é celebrado no dia de sua morte. Texto: Paulinas Internet Conheça mais sobre São Jerônimo A Santa Igreja Católica reconheceu sempre a São Jerônimo como um homem eleito por Deus para explicar e fazer entender melhor a Bíblia Sagrada, por isso foi declarado Patrono de todos os que no mundo se dedicam a fazer entender e amar mais a Palavra de Deus gravadas nas Escrituras Sagradas. “E as portas do inferno não prevalecerão contra Ela”! Nas eras conturbadas para a Igreja é que aparecem os grandes guias. O período situado entre o final do século IV e meados do século V foi uma dessas eras. Erros e heresias pululavam no seio da Cristandade. Então, surgiram grandes luzeiros de santidade e ciência: Santo Hilário, de Poitiers, Santo Ambrósio, de Milão, o grande Santo Agostinho. Havia ainda um outro luminar que, com os anteriores, formou o conjunto dos “Santos Padres da Igreja”: São Jerônimo, cuja festa celebra-se no dia 30 de setembro, o “mês da Bíblia”. Jerônimo de Stridon Jeronimo nasceu no ano de 342. Era filho de Eusébio, da cidade de Stridon, já na divisa entre a Panomia e a Dalmácia, em terras não distantes de Aquileia, na Itália. Sua família era cristã, nobre e rica. Acompanhando o costume da época, foi batizado apenas aos 18 anos, contudo, teve uma educação cristã desde criança. Seu pai percebeu logo as precoces aptidões que Jerônimo tinha para os estudos e apenas esperou que ele chegasse à adolescência para enviá-lo a estudar em Roma. Ali usando a pequena fortuna que seu pai lhe deu, procurou os melhores mestres. Tendo, porém, uma juventude um tanto livre. No centro do mundo civilizado de então, o jovem dedicou-se com afinco aos estudos da gramática, da retórica e da filosofia. Estudou latim tendo como professor de línguas um famoso pagão chamado Donato. Jerônimo tornou-se um grande latinista, sendo também muito bom conhecedor do grego e de outros idiomas mais. Jerônimo e os clássicos romanos e gregos Ele dedicava horas e horas de seus dias lendo, estudando e até decorando livros de grandes autores latinos: Cícero, Virgílio, Horácio, Tácito, E ainda encontrava disposição para conhecer autores gregos. Entre eles Homero e Platão. Tal era seu entusiasmo e admiração pelos escritores clássicos que logo formou uma biblioteca só com obras deles, chegando até a copiar a mão vários desses livros. Dedicando tanto tempo a esses autores, quase nunca encontrava ocasião para as leituras cristãs. Totalmente posto nessa situação nada conveniente, ele, contudo, não tinha rompido com os princípios que conhecera na infância, não havia, de todo, cortado os laços com suas raízes cristãs. Foi, certamente, sua inexperiência juvenil que o levou a mergulhar sem censuras no ambiente mundano e decadente da Roma de seu tempo. Mais que um extraviado exacerbado, ele foi uma vítima do modismo da época. Tempos mais tarde, Jerônimo admitiu que essa sua atitude o tinha colocado fora do verdadeiro caminho. Apesar disso ele recordava também que Deus não o havia abandonado nunca e que o guiava constantemente. Foi por essa ocasião que ele tornou-se catecúmeno. Continuava seus estudos e preparava-se para ser batizado. Seus domingos em Roma consistiam em constantes visitas às catacumbas. Ali ele meditava sobre a fé dos mártires, admirava a atitude deles e venerava suas relíquias. Jerônimo batizado Jerônimo recebeu o santo batismo na idade adulta. Ele foi batizado pelo Papa Libério. Já como cristão batizado, ele fez uma viagem de estudos pelas Gálias. Para acompanhá-lo levou consigo seu irmão de leite Bonoso. Nessa viagem, em Treveris, ele decidiu entregar-se ao serviço de Deus e, depois de conhecer ali uma das mais afamadas academias que existiam no Ocidente, ele continuou sua viagem. Foi primeiramente para a Grécia, depois visitou parte do Oriente Médio. Ali, numa região desértica perto de Antioquia, viveu alguns anos em plena solidão. Por essa ocasião, ele já tinha começado a dirigir seus estudos para outros pontos do saber humano, fora dos clássicos. Então, ele aproveitou seu tempo para estudar hebreu com um judeu convertido. Sua intenção era poder estudar as Sagradas Escrituras em seu idioma original. Isso não foi fácil: só o fim a que agora destinava seus estudos e o seu constante desejo de conhecimento lhe mantiveram nesse intento. Ele chega a afirmar que “As fadigas que isto me causou e os esforços que me custaram, só Deus sabe. Quantas vezes desanimei e quantas voltei atrás e tornei a começar pelo desejo de saber; sei-o eu que passei por isso, e sabem-no também os que viviam na minha companhia. Agora dou graças ao Senhor, pois que colho os saborosos frutos das raízes amargas dos estudos” (Pe. José Leite, Santos de Cada Dia, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 1987, vol. III, p. 104. ) Jerônimo: tentações e consolo Nesse período, as dificuldades e cansaços que estes estudos lhe traziam não eram todo o sofrimento pelo qual ele teve que passar. Para ele, foi necessário enfrentar um inimigo mais sutil, inteligente e mau. Deus permitiu que o demônio o torturasse. A cada instante o maligno o assaltava com tentações e desejos imundos contra o sexto mandamento. Para combatê-los, Jerônimo entregava-se à oração e à penitência. Eram jejuns que, às vezes, duravam semanas inteiras. Mas Deus não o abandonava! Em meio às tentações, o Senhor o consolava: “depois de chorar muito e contemplar o céu, sucedia-me, por vezes, ser introduzido dentro dos coros dos anjos. Louco de alegria, eu cantava… (Pe. José Leite, Santos de Cada Dia, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 1987, vol. III, p. 105) Cristão, não: Ciceroniano! Jerônimo quis visitar Jerusalém. Queria caminhar pela Terra Santa, venerar os lugares que foram santificados pela presença de Nosso Senhor. Aproveitou a ocasião de sua estada em Jerusalém para aprofundar seus conhecimentos da língua hebraica, ele desejava ter um meio a mais para conhecer melhor as Sagradas Escrituras. Assim, poderia ter mais segurança nas respostas às questões que o Papa São Dâmaso lhe fazia constantemente a respeito de passagens difíceis dos Livros Sagrados. No entanto, ler a Sagrada Escritura não lhe trazia prazer. Para Jerônimo, o texto bíblico era simples demais e não tinha ornato… Ele tinha sido formado na leitura dos clássicos latinos e gregos e se acostumara com a “eloquência” e “elegância” da literatura de estilo pagão. Ele sentia muita aridez na leitura da Bíblia. Apesar de ser um sábio para o mundo, um conhecedor com ampla visão das ciências de então, continuava cego para as coisas mais elevadas, as coisas divinas. Para que ele mudasse de vida, foi necessário que o próprio Deus chamasse sua atenção. Jerônimo, anos mais tarde, contou em carta a uma de suas discípulas, Santa Eustóquia, o que foi que se passou com ele: Era o ano 374, ele estava na Antiópia e fazia austeras penitencias. Estando em oração, Jerônimo teve uma visão. Ele tinha sido arrebatado aos céus, e se via diante do Juízo de Deus. O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo presidia o Tribunal e perguntava sobre seu estado de alma e sua Fé. – Sou cristão. Responde Jerônimo. Ao que o Juiz lhe replicou com severidade: – Mentira!… Você não é cristão, mas ciceroniano… Isso seria o mesmo que dizer: “Não sois de Cristo, sois de Cícero.” O Juiz mandou que ele fosse açoitado. Os assistentes pediram clemência argumentando que ele ainda era jovem e poderia corrigir-se, arrepender-se e salvar-se. Diante do que lhe acontecia, Jerônimo reconheceu o estado de alma em que se encontrava e nessa situação tomou a única atitude que lhe seria conveniente: reconheceu seu erro, pediu perdão. É certo que ele percebeu que tinha sido perdoado, então, naquele instante, ele fez o firme propósito de emendar-se, saindo do arrebatamento cheio de compunção e muito arrependido e pleno do amor de Deus. “Desde aquela hora eu me entreguei com tanta diligência e atenção a ler as coisas divinas, como jamais havia tido nas humanas”, conclui o Santo em sua carta a Santa Eustáquia. (Pe. Ribadaneira, in La Leyenda de Oro, op. cit., p. 644) Jerônimo convive com Santos Ele foi, então, para Chalcis, no deserto da Síria e lá passou quatro anos. Tinha uma vida de monge e aproveitou o tempo para aprofundar seus conhecimentos de hebreu e estudar os escritos de São Paulo de Tebas. Jerônimo deixou o ambiente monacal e dirigiu-se a Constantinopla. Ele queria ver e ouvir São Gregório Nanzianzeno. Devido a sua oratória e erudição, esse Santo era conhecido como sendo “o Teólogo”. Durante três anos ele ali permaneceu estudando com São Gregório. Foi ele quem lhe abriu o espírito ao amor pela exegese das Sagradas Escrituras. Foi nessa ocasião também que Jerônimo teve oportunidade de fazer uma grande e profunda amizade com dois outros luzeiros que brilhavam na Igreja do Oriente: São Basílio e seu irmão São Gregório de Nissa. Jerônimo Sacerdote Ele esteve algum tempo também na Antioquia da Síria. Ali prestou serviços ao Bispo Paulino que o incentivou a receber o sacramento da Ordem. Estava com mais de trinta anos quando tornou-se sacerdote. Ele obteve condições especiais de vida sacerdotal. Poderia continuar sua vida como monge e não estar sujeito à jurisdição de nenhuma diocese. Quase nunca exerceu o ministério sacerdotal. Tornou-se um monge para quem o isolamento monacal seria ocasião para dedicação total ao estudo, à reflexão, à oração, tendo em vista a difusão do cristianismo. Ele pôde nessa ocasião, com muita dificuldade, estudar hebraico e aperfeiçoar seus conhecimentos do grego tendo em vista poder compreender melhor as escrituras em suas línguas originais. Jerônimo pensou em ir para o deserto a fim de penitenciar-se de seus pecados. Ele pensava especialmente sacrificar-se para afastar de si as fortes tendências e os grandes desejos que o impeliam para a sensualidade. Naquele lugar de silencio e isolamento ele rezava. Jejuava muito e passava noites sem dormir, em oração e sacrifícios. Ali, porém, ele não encontrou a paz. Deus reservava para ele o encontro com uma descoberta: sua missão não era viver na solidão. Jerônimo voltou para Roma. Jerônimo secretário do Papa Por causa do modo de ser e da mentalidade dos povos orientais, na Igreja do Oriente havia vários ambientes onde os erros doutrinários encontravam terreno propício para germinarem. As heresias se difundiam e causavam confusão em todo o corpo social. Era tal a situação que tornou-se necessária uma reação da autoridade espiritual e da temporal. Elas tinham que se unir para defender-se dos erros que ali pululavam. Para isso o Imperador Teodósio e o Papa São Dâmaso resolveram convocar um sínodo em Roma. O secretário do evento deveria ser Santo Ambrósio, porém, o culto e famoso bispo de Milão adoeceu gravemente. Para substituí-lo, o Papa convidou Jerônimo. Ele desempenhou esse cargo com muita eficiência e sabedoria. Reconhecendo em São Jerônimo seus dotes extraordinários e seu grande saber, o Papa São Dâmaso quis tê-lo junto de si e o nomeou como seu secretário, assim que terminou o sínodo. Como secretário Jerônimo tornou-se o encarregado de redigir as cartas enviadas pelo Pontífice. Era dele uma outra atribuição muito importante dentro do governo da Igreja: “responder a todas as questões que se referissem à religião, de esclarecer as dificuldades das Igrejas particulares [dioceses], das assembléias sinodais, de prescrever àqueles que voltavam das heresias o que eles deveriam crer ou não, e de estabelecer, para isso, regras e fórmulas” (Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, d’après le Père Giry, par Mgr. Paul Guérin, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, tomo XI, p. 565) Jerônimo e as Escrituras Sagradas O Papa desejava ter uma tradução da Bíblia que fosse o mais fiel possível aos textos originais. Os textos bíblicos até então existentes tinham imperfeições de linguagem e imprecisões de traduções. O Papa percebia a necessidade de uma tradução que pudesse servir de texto único e uniforme para servir de base para na liturgia, nos estudos e orações dos fiéis, já que as versões populares eram imperfeitas e passiveis de criar confusão entre os fiéis. Foi então que o Papa São Dâmaso encarregou São Jerônimo de verter o texto das Escrituras Sagradas para o latim. O Papa sabia que seu secretário teria condições para levar a cabo esse importante projeto. Ele já tinha provas do profundo conhecimento que Jerônimo tinha dos textos bíblicos. Sua fama de latinista erudito e poliglota consumado era sabida por todos. Além do latim, ele conhecia bem o grego e o hebraico, e ainda entendia bem o aramaico; línguas muito ligadas aos textos Sagrados. O trabalho de São Jerônimo abrangeu praticamente sua vida toda. Ele escrevia com elegância clássica o latim e traduziu a Bíblia inteira. Daí foi que surgiu a texto da Bíblia conhecido como “Vulgata”, que significa “de uso comum”. Essa tradução foi usada largamente em quase quinze séculos. Seu texto tornou-se oficial com o Concílio de Trento e só cedeu o lugar nos últimos tempos, depois de estudos linguísticos exegéticos mais recentes. No trabalho deixado por São Jerônimo, ele mostra seu agudo senso crítico, um amor extraordinário à Palavra de Deus e uma grande riqueza de informações sobre tempos, usos e lugares relativos à Bíblia Sagrada. O Papa Clemente VIII afirmou que São Jerônimo, nesse trabalho de suma importância, foi assistido e inspirado pelo Espírito Santo. A dedicação extraordinária que São Jerônimo teve na tradução das Escrituras Sagradas só pode ter, de fato, um motivo de origem sobrenatural. E é o que se confirma ao ver as explicações que ele mesmo deu ao justificar seu empenho nesse importantíssimo trabalho: “Cumpro o meu dever, obedecendo aos preceitos de Cristo que diz: ‘Examinai as Escrituras e procurai e encontrareis’ para que não tenhais de ouvir o que foi dito aos judeus: ‘Estais enganados, porque não conheceis as Escrituras nem o poder de Deus’. Se, de fato, como diz o Apóstolo Paulo, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus, aquele que não conhece as Escrituras não conhece o poder de Deus nem a sua sabedoria. Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”. (Pe. José Leite, op. Cit., p. 106.) Jerônimo perseguido em Roma Até a morte de São Dâmaso, em 384, Jerônimo permaneceu em Roma. “Todos acorriam a ele, e cada qual procurava ganhar-lhe a vontade: uns louvavam sua santidade, outros a doutrina, outros sua doçura e trato suave e benigno, e finalmente todos tinham postos os olhos nele como em um espelho de toda virtude, de penitência, e oráculo de sabedoria” .(Pe. Ribadaneira, op. cit. p. 645.) Em Roma, criou-se em torno de Jerônimo amplo círculo de amizades, sobretudo de matronas da alta sociedade que o ajudavam com seus recursos para custear seus trabalhos e que lhe orientava nos ásperos caminhos da santidade de cunho monástico. Porém, os altos cargos que exercia, a dureza com a qual tinha que corrigir os defeitos existentes no seio da alta classe social lhe trouxeram também todo tipo de invejas. Em Roma, onde não aceitavam seu modo enérgico de correção, Jerônimo sentia-se incompreendido e caluniado. Após a morte do Papa São Damaso, os inimigos de São Jerônimo iniciaram uma verdadeira campanha de difamação e perseguição contra ele. Jerônimo troca Roma por Belém Tal era o ambiente que se criou em Roma contra Jerônimo que ele decidiu afastar-se da Cidade Eterna indo, definitivamente, para a Terra Santa. Estabeleceu-se em Belém onde ficou com Santo Eustáquio, Santa Paula e sua filha Eudóxia e outros mais seguidores pregando na Palestina e no Egito. Várias das ricas senhoras romanas que haviam se convertido através de seus ensinamentos e conselhos o acompanharam e foram morar junto à Gruta do Presépio, sob sua orientação espiritual Fundaram, sob a direção do Santo, um mosteiro masculino e um feminino, este dirigido por Santa Paula. Estas senhoras haviam vendido tudo que tinham em Roma. Com o dinheiro obtido ajudaram São Jerônimo na construção de um convento para homens e três para mulheres, além de construir uma casa para atender peregrinos que chegavam de todas as partes do mundo para visitar o lugar onde havia nascido Jesus. São Jerônimo, porém, levava vida como monge de penitencias rígidas. Seus últimos 35 anos ele os passou em uma grande cova, próxima à Gruta do Presépio. Ali continuou, até a morte, seus estudos e trabalhos bíblicos e com muita energia ainda escrevia contra os herege que se atreviam a negar as verdades da Santa Igreja Católica, entre eles Helvídio e Joviano. São Jerônimo e Santo Agostinho Houve um princípio de polêmica entre os dois grandes Doutores da Igreja, Santo Agostinho e São Jerônimo. Tudo porém foi explicado: tratava-se de um mal-entendido entre esses dois luminares do cristianismo. Tudo foi explicado, as coisas se puseram em seu devido lugar e uma amizade que nunca havia se rompido, continuou cheia de respeito. Eles continuaram unidos até a morte, melhor seria dizer até no Céu. São Jerônimo dizia que Santo Agostinho era “seu filho em idade, e seu pai em dignidade”, uma vez que era Bispo. Por seu lado, o Bispo de Hipona escreveu-lhe: “Li dois escritos vossos que me caíram nas mãos, e achei-os tão ricos e plenos que não quereria, para aproveitar em meus estudos, senão poder estar sempre a vosso lado”. (7 – Edelvives, El Santo de Cada Día, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1955, tomo V, p. 307.) No dia 30 do mês de setembro do ano 420, falece São Jerônimo. Estava avançado em idade e crescido em virtude faleceu. No mesmo dia, em visão, ele aparecia a Santo Agostinho e descrevia como era o estado das almas bem-aventuradas no Céu… O Leão de São Jerônimo Numa certa tarde, como faziam todos os dias nas horas canônicas, os monges estavam reunidos ouvindo as lições do dia durante. São Jerônimo estava entre eles e ouvia atento. De repente, todos perceberam que um leão se aproximava. Foi uma correria geral. São Jerônimo manteve a calma: foi o único. Ele levantou-se e foi encontrar-se com aquele hospede não convidado… Era um animal enorme que usava somente três patas para caminhar. A quarta pata ele a trazia levantada. Claro que o leão não poderia falar, mas dava a impressão de querer comunicar alguma coisa e ofereceu a Jerônimo a pata que trazia levantada. O monge a examinou e percebeu que o animal estava gravemente ferido. Jerônimo chamou o menos medroso dos monges para ajudá-lo a limpar e cuidar do ferimento que estava em carne viva, infeccionado e ainda cheio de espinhos. Jerônimo tratou do animal, retirou-lhe os espinhos e o medicou com unguentos. O animal sarou. Os cuidados oferecidos ao animal amansaram a “besta fera”. O leão passou, então a caminhar pacificamente pelo mosteiro. Onde estivesse São Jerônimo, junto estava o animal que se comportava como um animal doméstico. Jerônimo mostrou aos monges uma primeira lição do episódio: “Pensem sobre isto e vocês poderão encontrar lições de vida. Eu creio que não foi tanto para a cura de sua pata que Deus o enviou até nós, pois, o leão se curaria sem a nossa ajuda. Deus nos enviou esse leão para mostrar quanto a Providencia estava ansiosa para nos prover do que necessitamos para nosso bem.” O jumento foi roubado ou comido pelo Leão? Os monges sugeriram então que o leão fosse usado para acompanhar e proteger o jumento que carregava a lenha para o mosteiro. E, por muito tempo, assim foi: o leão guardava o jumento enquanto este trabalhava. Um dia, porém, o leão dormiu enquanto o jumento pastava e alguns mercadores que por ali passavam roubaram o jumento. O leão acordou e passou a procurar o jumento. Procurou todo o dia, sem encontrá-lo. Voltou para o mosteiro e ficou diante do portão. Parecia ter consciência de sua culpa: não tinha mais o andar imponente que parecia quando andava ao lado do burrico. Alguns monges concluíram que o leão tinha comido o jumento. E se recusaram a alimentá-lo, enviando de volta para comece o resto de sua vítima. Será que havia sido o leão que dera cabo do jumento? Jerônimo mandou que procurassem a carcaça do jumento. Eles não encontraram nada e não viram sinais de violência. Ao saber disso São Jerônimo disse: ” Eu fico triste com a perda do asno, mas não façam isto com o leão. Tratem dele como antes, deem comida para ele. Ele fará o serviço do jumento: deverá trazer em seu lombo a lenha que necessitamos.” E assim aconteceu. Um Leão que cumpre a vontade de Deus O leão regularmente fazia a sua tarefa, mas continuava a procurar o seu velho companheiro. Um dia do alto de uma colina e viu na estrada homens montados em camelos e um deles montando um jumento. O leão foi ao encontro a eles. Aproximando-se, reconheceu o seu amigo e começou a rugir. Os mercadores assustados correram deixando para trás o jumento, os camelos e a carga que traziam. Como faria um cão pastor, o leão conduziu os animais para o mosteiro. Quando os monges viram aquele desfile inusitada correram até São Jerônimo. E foi até os portões e os abriu dizendo: “Tirem a carga dos camelos e do jumento, lavem suas patas e deem comida para eles. Esperemos para ver o que Deus queria mostrar a este seu servo quando nos deu o leão”. Confie na sua Ovelha Os monges seguiram as instruções de Jerônimo. O leão começou a rugir de novo e a balançar sua cauda, alegremente. Pesarosos por causa do que pensaram sobre o Leão, relembraram um pensamento conhecido na região: “Irmão, confie na sua ovelha, mesmo que se por um tempo ela pareça um ganancioso rufião. Deus fará um milagre para curar o seu caráter”. Jerônimo, sabendo o que iria acontecer disse: “Meus irmãos, preparem boa água, refrescos e frutas pois, chegarão novos hóspedes que deverão ser bem tratados’. Tudo aconteceu como o Santo pediu. E logo um grupo de mercadores estava diante do portão. Embora tivessem sido bem recebidos pelos monges, correram até São Jerônimo e prostraram-se a seus pés, pedindo perdão e agradecendo o acolhimento. Jerônimo ainda disse aos monges: “deem os refrescos a eles e deixem partir com os seu camelos e suas cargas”. Através do Leão, Deus supre as necessidades do mosteiro. Os mercadores, como retribuição e gratidão, ofereceram metade do óleo que os seus camelos carregavam para que fosse usado nas lâmpadas do mosteiro e ainda deixaram alimentos para os monges. Então, o chefe dos mercadores ainda disse: “Nós daremos todo óleo que vocês precisarem durante todo ano e nossos filhos e netos serão instruídos de também seguirem esta ordem: nada de sua propriedade será jamais tocada por qualquer de nós “. São Jerônimo aceitou a oferta e os mercadores de sua parte aceitaram os refrescos e partiram com a benção do Santo, voltaram alegres para o seu povo. São Jerônimo, tirando uma lição de toda essa história, respondeu a pergunta que ele mesmo havia feito anteriormente: “vejam meus irmãos o que Deus tinha em mente quando nos mandou o seu leão”! Esta narração foi adaptada por nós. Ela procura dar uma breve explicação do porque a iconografia costuma apresentar São Jerônimo com um leão junto dele. Leia também: .: Santo do Dia – 29 de Setembro – São Miguel, São Gabriel e São Rafael .: Santo do Dia – 01 de Outubro – Santa Teresinha do Menino Jesus (de Lisieux) #Bíblia #SantodoDia
- “A batalha no Céu”: A história de São Miguel Arcanjo
O que sabemos sobre o poderoso Arcanjo Miguel, a partir do relato do Apocalipse sobre a queda dos anjos rebeldes capitaneados por Lúcifer São Miguel Arcanjo é, provavelmente, o mais famoso dos guerreiros de Deus contra o mal, especialmente o mal personificado no anjo rebelde Lúcifer, que optou por afastar-se eternamente do Criador. O que conhecemos sobre essa grande “batalha no céu” é condensado no seguinte excerto de um texto publicado pelo site do Pe. Paulo Ricardo . São Miguel e o auxílio dos anjos De uma forma geral, o nosso relacionamento com os anjos, essas criaturas de Deus, é bastante desleixado: agimos, muitas vezes, como se os anjos sequer existissem. E, no entanto, eles verdadeiramente existem: são uma criação extraordinária de Deus, situada, hierarquicamente, entre o homem e Deus. Eles são puramente espirituais, não têm corpo, mas também estão a serviço de Deus e são muito mais poderosos e gloriosos que os homens, estando alguns ordenados para o auxílio dos seres humanos. Dispostos em hierarquia, os anjos que estão em contato com os homens são os das miríades inferiores, como, por exemplo, os arcanjos, que constituem o segundo coro angélico. É nesse nível que se encontra São Miguel Arcanjo, cuja celebração acontece no dia 29 de setembro. São Miguel e os anjos caídos A história desse arcanjo está ligada ao relato da queda dos anjos. Deus criou-os, antes mesmo da criação do mundo, inseridos, de algum modo, no tempo, e ofereceu-lhes uma ocasião para demonstrar o seu amor. É importante lembrar que, quando Deus criou os anjos, eles não estavam em Sua presença. Ele revelava-se a eles de alguma forma, mas não era um contato face a face, pois isso obstruiria a liberdade angélica: Deus é uma verdade tão atraente que, uma vez contemplada, elimina a capacidade das criaturas de escolher. Então, certa vez, para testar o seu amor, Deus deu-lhes uma provação. Sabe-se disso pela Tradição, mas também pelo ministério dos exorcistas, que expõe que certas ideias são insuportáveis ao demônio, a saber: a encarnação do Verbo divino, o seu aniquilamento na Cruz e, por fim, a posição de primazia de Nossa Senhora entre todas as criaturas. Foi por tais ideias que Lúcifer – um anjo cheio de glória e beleza –, juntamente com um terço dos anjos, decaiu. O relato da batalha travada no Céu por essa ocasião está resumida no livro do Apocalipse de São João: “Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus anjos travaram combate, mas não prevaleceram. E já não houve lugar no céu para eles. Foi então precipitado o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitado na terra, e com eles os seus anjos” (Ap 12, 7-9). Em Roma, o arcanjo domina a cidade do alto da Mole Adriana, a qual tomou o nome de Castelo Santo Anjo. Leia também A misteriosa linha reta que une 7 santuários dedicados a São Miguel Arcanjo O relato de um exorcista O padre exorcista espanhol José Antonio Fortea, no livro “ História do mundo dos anjos “, destrincha essa impressionante história, colocando a rica teologia angélica dentro de uma obra literária. Para explicar por que São Miguel, mesmo sendo de uma hierarquia inferior, é aclamado como “príncipe da milícia celeste”, ele coloca na boca de um anjo a seguinte narração: “Dentre os anjos fiéis a Deus, no meio de todas essas lutas houve um que se destacou. Não se tratava de um anjo superior, mas o seu amor era superior. Foi ele quem manteve mais viva a chama da fidelidade nos piores momentos da batalha, quando tudo estava escuro e parecia que a metade dos anjos iriam se rebelar. Foi destacado no bem e a sua fé iluminou a muitos. Foi ele quem no momento mais escuro, na hora mais terrível no qual as multidões começaram a duvidar, no meio do inicial silêncio geral gritou: – Quem como Deus! Foi assim que ficou o seu nome: Mika-El , Miguel. O lutador infatigável e invencível. Miguel continuava a se destacar como guerreiro. A luz do seu veemente amor iluminou a muitos que estavam confusos. O seu amor arrebatador derrubou a muitos que lutavam em favor do erro. Inclusive, aqueles que combatiam com Lúcifer reconheciam que nenhum dardo envenenado com suas razões, poderia penetrar a couraça da sua fé inquebrantável. No meio da dúvida, ele foi imbatível. Ele é representado com uma couraça, mas ele não portava nenhuma couraça material. Tratava-se de uma couraça espiritual impenetrável às seduções lançadas pelo iníquos. A única arma dele era a espada da verdade, da verdade sobre Deus. Miguel conhecia melhor a Deus que os inteligentes, porque ele amava mais. Por essa razão, aqueles que foram ao seu encontro, tiveram que recuar” ( José Antonio Fortea. História do mundo dos anjos. Trad. Laura de Andrade. São Paulo: Palavra & Prece, 2012. p. 61-62 ). Leia também Aparição de São Miguel Arcanjo no Monte Gargano “Miguel conhecia melhor a Deus que os inteligentes, porque ele amava mais”. Mesmo sendo de hierarquia inferior, “o seu amor era superior”. Por isso, venceu as hostes inimigas que, embora tivessem como líder o regente dos coros angélicos, Lúcifer, por seu ódio, “tiveram que recuar”. Mas, que as pessoas não se enganem, pensando que Deus pode perdoar o demônio. De fato, Ele ofereceu a reconciliação a Lúcifer, no tempo da provação, mas ele a rejeitou total e absolutamente. Ainda do livro de padre Fortea: “Inesperadamente o onipotente Deus, Senhor de todas as coisas, falou. Dirigiu-se a Satanás. Todos sabiam que eram as últimas palavras que iria lhe dirigir. ‘Filho Meu, volta para Mim. Repito, esta é a última oportunidade. O Teu pecado não é maior que a Minha misericórdia. Fui grande ao criar o Céu, mas é maior Meu perdão. Se retornares e coras as tuas faltas, você será a joia do Céu. A luz da Minha compaixão perfeita resplandecerá em ti. Os milênios te contemplarão e Me glorificarão’. Quão grande foi o Altíssimo ao lhe perdoar todo o seu mal. ‘Filho Meu, você será a joia da Minha misericórdia. Haverás de brilhar e ficarão atônitos os humanos que virão. Eles te olhando compreenderão que não há pecado que eu não possa perdoar. Você melhor do que ninguém poderá transmitir essa confiança ao caído. Você será um grande pregador, um grande intercessor que ao longo dos séculos me repetirá: se me perdoaste a mim, perdoa ele’. (…) O diabo ergueu a cabeça e com toda a frialdade respondeu: – Jamais! Nunca me ajoelharei! (…) No mesmo momento que o Dragão ameaçou em se lançar de novo em direção ao mundo angélico, Miguel o arcanjo, desembainhou a espada e mostrou-a para ele. Satã deu um sorriso e com um gesto de desprezo deu um impulso para se jogar em direção das nuvens de anjos. Miguel, sem duvidar e com um gesto instantâneo, cravou-lhe a espada no coração. A Verdade enterrada no próprio coração do diabo teve um efeito fulminante. O imenso Dragão ficou como com seus pés colados ao chão, como se não pudesse levantá-los nenhum milímetro. Parecia que houvesse batido com um muro, essa espada era como uma muralha de granito” ( José Antonio Fortea. História do mundo dos anjos. Trad. Laura de Andrade. São Paulo: Palavra & Prece, 2012. p. 89-90 ). A vida do homem na terra é uma luta. O combate que se travou no Céu continua no mundo dos homens. Invoquemos a intercessão de São Miguel Arcanjo, para que, assim como ele, sejamos destemidos e experimentemos, em nossas vidas, o primado de Deus. Leia também A verdadeira história da oração a São Miguel Arcanjo do Papa Leão XIII ____________ Trecho de publicação original do site do Pe. Paulo Ricardo Leia também Aprenda a rezar a Coroa Angélica de São Miguel Arcanjo #SãoMiguel
- “A batalha no Céu”: A história de São Miguel Arcanjo
O que sabemos sobre o poderoso Arcanjo Miguel, a partir do relato do Apocalipse sobre a queda dos anjos rebeldes capitaneados por Lúcifer São Miguel Arcanjo é, provavelmente, o mais famoso dos guerreiros de Deus contra o mal, especialmente o mal personificado no anjo rebelde Lúcifer, que optou por afastar-se eternamente do Criador. O que conhecemos sobre essa grande “batalha no céu” é condensado no seguinte excerto de um texto publicado pelo site do Pe. Paulo Ricardo . São Miguel e o auxílio dos anjos De uma forma geral, o nosso relacionamento com os anjos, essas criaturas de Deus, é bastante desleixado: agimos, muitas vezes, como se os anjos sequer existissem. E, no entanto, eles verdadeiramente existem: são uma criação extraordinária de Deus, situada, hierarquicamente, entre o homem e Deus. Eles são puramente espirituais, não têm corpo, mas também estão a serviço de Deus e são muito mais poderosos e gloriosos que os homens, estando alguns ordenados para o auxílio dos seres humanos. Dispostos em hierarquia, os anjos que estão em contato com os homens são os das miríades inferiores, como, por exemplo, os arcanjos, que constituem o segundo coro angélico. É nesse nível que se encontra São Miguel Arcanjo, cuja celebração acontece no dia 29 de setembro. São Miguel e os anjos caídos A história desse arcanjo está ligada ao relato da queda dos anjos. Deus criou-os, antes mesmo da criação do mundo, inseridos, de algum modo, no tempo, e ofereceu-lhes uma ocasião para demonstrar o seu amor. É importante lembrar que, quando Deus criou os anjos, eles não estavam em Sua presença. Ele revelava-se a eles de alguma forma, mas não era um contato face a face, pois isso obstruiria a liberdade angélica: Deus é uma verdade tão atraente que, uma vez contemplada, elimina a capacidade das criaturas de escolher. Então, certa vez, para testar o seu amor, Deus deu-lhes uma provação. Sabe-se disso pela Tradição, mas também pelo ministério dos exorcistas, que expõe que certas ideias são insuportáveis ao demônio, a saber: a encarnação do Verbo divino, o seu aniquilamento na Cruz e, por fim, a posição de primazia de Nossa Senhora entre todas as criaturas. Foi por tais ideias que Lúcifer – um anjo cheio de glória e beleza –, juntamente com um terço dos anjos, decaiu. O relato da batalha travada no Céu por essa ocasião está resumida no livro do Apocalipse de São João: “Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus anjos travaram combate, mas não prevaleceram. E já não houve lugar no céu para eles. Foi então precipitado o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitado na terra, e com eles os seus anjos” (Ap 12, 7-9). Em Roma, o arcanjo domina a cidade do alto da Mole Adriana, a qual tomou o nome de Castelo Santo Anjo. Leia também A misteriosa linha reta que une 7 santuários dedicados a São Miguel Arcanjo O relato de um exorcista O padre exorcista espanhol José Antonio Fortea, no livro “ História do mundo dos anjos “, destrincha essa impressionante história, colocando a rica teologia angélica dentro de uma obra literária. Para explicar por que São Miguel, mesmo sendo de uma hierarquia inferior, é aclamado como “príncipe da milícia celeste”, ele coloca na boca de um anjo a seguinte narração: “Dentre os anjos fiéis a Deus, no meio de todas essas lutas houve um que se destacou. Não se tratava de um anjo superior, mas o seu amor era superior. Foi ele quem manteve mais viva a chama da fidelidade nos piores momentos da batalha, quando tudo estava escuro e parecia que a metade dos anjos iriam se rebelar. Foi destacado no bem e a sua fé iluminou a muitos. Foi ele quem no momento mais escuro, na hora mais terrível no qual as multidões começaram a duvidar, no meio do inicial silêncio geral gritou: – Quem como Deus! Foi assim que ficou o seu nome: Mika-El , Miguel. O lutador infatigável e invencível. Miguel continuava a se destacar como guerreiro. A luz do seu veemente amor iluminou a muitos que estavam confusos. O seu amor arrebatador derrubou a muitos que lutavam em favor do erro. Inclusive, aqueles que combatiam com Lúcifer reconheciam que nenhum dardo envenenado com suas razões, poderia penetrar a couraça da sua fé inquebrantável. No meio da dúvida, ele foi imbatível. Ele é representado com uma couraça, mas ele não portava nenhuma couraça material. Tratava-se de uma couraça espiritual impenetrável às seduções lançadas pelo iníquos. A única arma dele era a espada da verdade, da verdade sobre Deus. Miguel conhecia melhor a Deus que os inteligentes, porque ele amava mais. Por essa razão, aqueles que foram ao seu encontro, tiveram que recuar” ( José Antonio Fortea. História do mundo dos anjos. Trad. Laura de Andrade. São Paulo: Palavra & Prece, 2012. p. 61-62 ). Leia também Aparição de São Miguel Arcanjo no Monte Gargano “Miguel conhecia melhor a Deus que os inteligentes, porque ele amava mais”. Mesmo sendo de hierarquia inferior, “o seu amor era superior”. Por isso, venceu as hostes inimigas que, embora tivessem como líder o regente dos coros angélicos, Lúcifer, por seu ódio, “tiveram que recuar”. Mas, que as pessoas não se enganem, pensando que Deus pode perdoar o demônio. De fato, Ele ofereceu a reconciliação a Lúcifer, no tempo da provação, mas ele a rejeitou total e absolutamente. Ainda do livro de padre Fortea: “Inesperadamente o onipotente Deus, Senhor de todas as coisas, falou. Dirigiu-se a Satanás. Todos sabiam que eram as últimas palavras que iria lhe dirigir. ‘Filho Meu, volta para Mim. Repito, esta é a última oportunidade. O Teu pecado não é maior que a Minha misericórdia. Fui grande ao criar o Céu, mas é maior Meu perdão. Se retornares e coras as tuas faltas, você será a joia do Céu. A luz da Minha compaixão perfeita resplandecerá em ti. Os milênios te contemplarão e Me glorificarão’. Quão grande foi o Altíssimo ao lhe perdoar todo o seu mal. ‘Filho Meu, você será a joia da Minha misericórdia. Haverás de brilhar e ficarão atônitos os humanos que virão. Eles te olhando compreenderão que não há pecado que eu não possa perdoar. Você melhor do que ninguém poderá transmitir essa confiança ao caído. Você será um grande pregador, um grande intercessor que ao longo dos séculos me repetirá: se me perdoaste a mim, perdoa ele’. (…) O diabo ergueu a cabeça e com toda a frialdade respondeu: – Jamais! Nunca me ajoelharei! (…) No mesmo momento que o Dragão ameaçou em se lançar de novo em direção ao mundo angélico, Miguel o arcanjo, desembainhou a espada e mostrou-a para ele. Satã deu um sorriso e com um gesto de desprezo deu um impulso para se jogar em direção das nuvens de anjos. Miguel, sem duvidar e com um gesto instantâneo, cravou-lhe a espada no coração. A Verdade enterrada no próprio coração do diabo teve um efeito fulminante. O imenso Dragão ficou como com seus pés colados ao chão, como se não pudesse levantá-los nenhum milímetro. Parecia que houvesse batido com um muro, essa espada era como uma muralha de granito” ( José Antonio Fortea. História do mundo dos anjos. Trad. Laura de Andrade. São Paulo: Palavra & Prece, 2012. p. 89-90 ). A vida do homem na terra é uma luta. O combate que se travou no Céu continua no mundo dos homens. Invoquemos a intercessão de São Miguel Arcanjo, para que, assim como ele, sejamos destemidos e experimentemos, em nossas vidas, o primado de Deus. Leia também A verdadeira história da oração a São Miguel Arcanjo do Papa Leão XIII ____________ Trecho de publicação original do site do Pe. Paulo Ricardo Leia também Aprenda a rezar a Coroa Angélica de São Miguel Arcanjo #SãoMiguel
- A misteriosa linha reta que une 7 santuários dedicados a São Miguel Arcanjo
Será que essa linha impressionante, de milhares de quilômetros, representa a espada do Arcanjo que mandou o diabo para o inferno? Uma linha reta impressionante e misteriosa, que vai da Irlanda a Israel, une sete mosteiros e santuários relacionados com o Arcanjo São Miguel. Será mera coincidência? Terá sido proposital? Os sete santuários ficam a grandes distâncias um do outro, mas estão alinhados de modo perfeito e assombroso. A “Linha Sacra de São Miguel Arcanjo” simboliza, de acordo com a tradição, o golpe de espada que o Arcanjo infligiu ao diabo para enviá-lo ao inferno depois da batalha nos céus entre os anjos fiéis e os anjos rebeldes que, liderados por Lúcifer, tinham se voltado contra Deus. Seja como for, é surpreendente a disposição de todos esses santuários ao longo de uma linha reta. Seria uma advertência do Arcanjo para que, respeitando as leis de Deus, os fiéis caminhem sempre na retidão? A Linha Sacra, além disso, fica perfeitamente alinhada com o poente no dia do solstício de verão no hemisfério Norte. Como se não bastasse, os três mais importantes santuários da linha misteriosa ficam à mesma distância um do outro: a belíssima e famosíssima abadia do Mont Saint-Michel, na divisa entre as regiões francesas da Normandia e da Bretanha; a Sacra di San Michele, no vale italiano de Susa, região do Piemonte; e o santuário de Monte Sant’Angelo, no também italiano Monte Gargano, situado na região da Apúlia. Conheça todos os sete santuários da Linha Sacra: 1) SKELLING MICHAEL O traçado da Linha Sacra começa na Irlanda, numa ilha deserta onde o Arcanjo Miguel teria aparecido para São Patrício a fim de ajudá-lo a libertar o país dos ataques do demônio. É nessa ilha que se levanta o primeiro mosteiro: o de Skellig Michael ou Sceilig Mhichíl, em idioma gaélico (“Rocha de Miguel”). Leia também A verdadeira história da oração a São Miguel Arcanjo do Papa Leão XIII 2) SAINT MICHAEL’S MOUNT Rumando para o sul, a linha passa pelo St. Michael’s Mount, na Inglaterra: é uma ilhota da Cornuália que, na maré baixa, se junta à terra firme. Nesse local, São Miguel teria falado com um grupo de pescadores. Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo 3) MONT SAINT-MICHEL © Shutterstock A Linha Sacra prossegue então para a França, cruzando outra célebre ilha que também se junta à terra firme nas baixas marés: o espetacular Mont Saint-Michel, outro local de aparição do Arcanjo. A beleza e a riqueza histórica e artística deste santuário e da sua baía na costa normanda fazem dele um dos lugares mais visitados de toda a França, além de terem garantido a sua proclamação como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1979. O Mont Saint-Michel já era cercado de forte misticismo desde a Alta Idade Média. Há mais de 1.300 anos, em 709, o Arcanjo apareceu, conforme a tradição, ao bispo de Avranches, Santo Aubert, pedindo a construção do santuário. Os trabalhos começaram logo, mas a abadia beneditina só foi ficar pronta no século X. Leia também Aprenda a rezar a Coroa Angélica de São Miguel Arcanjo 4) SACRA DI SAN MICHELE A cerca de 1.000 quilômetros de distância, no vale piemontês de Susa, ergue-se o quarto santuário: a Sacra di San Michele (pronuncia-se “Mikéle”, em italiano). Este impressionante complexo de mais de dez séculos, formado por um mosteiro e uma igreja, foi construído entre os anos de 983 e 987 sobre uma enorme rocha do Vale de Susa, na região do Piemonte, aproximadamente a 40 quilômetros de Turim. Ao curso dos séculos, foram sendo acrescentadas novas estruturas como a hospedaria construída pelos monges beneditinos, já que o santo lugar ficava na rota dos peregrinos da Via Francígena, antiga estrada que ia da França para Roma. Na noite de 24 de janeiro de 2018, um incêndio de grandes proporções provocou graves danos ao teto desta milenar abadia. Saiba mais sobre este episódio tão recente acessando este artigo: Incêndio atinge milenar abadia da “linha reta dos 7 santuários” de São Miguel Arcanjo. 5) SANTUÁRIO DO MONTE SANT’ANGELO Mais 1.000 quilômetros em linha reta e se chega à também italiana região da Apúlia, mais precisamente ao Monte Gargano. Ali, uma caverna de acesso muito difícil se transformou em lugar sagrado e viu erguer-se o Santuário de São Miguel Arcanjo, iniciado no longínquo ano de 490. Ele marca a primeira aparição do Arcanjo Miguel a São Lourenço Maiorano. Leia também Aparição de São Miguel Arcanjo no Monte Gargano 6) MOSTEIRO DE SYMI Deixando a Itália, a fascinante Linha Sacra de São Miguel chega ao sexto santuário, agora na ilha grega de Symi: aqui, o mosteiro alberga uma das maiores efígies do Arcanjo que existem no mundo, com três metros de altura. 7) MOSTEIRO DO MONTE CARMELO A Linha Sacra termina em território israelense: o mosteiro do Monte Carmelo, em Haifa. O local é venerado desde a antiguidade, mas a construção do santuário cristão remonta ao século XII Via Aleteia Leia também “A batalha no Céu”: A história de São Miguel Arcanjo #SãoMiguel
- A misteriosa linha reta que une 7 santuários dedicados a São Miguel Arcanjo
Será que essa linha impressionante, de milhares de quilômetros, representa a espada do Arcanjo que mandou o diabo para o inferno? Uma linha reta impressionante e misteriosa, que vai da Irlanda a Israel, une sete mosteiros e santuários relacionados com o Arcanjo São Miguel. Será mera coincidência? Terá sido proposital? Os sete santuários ficam a grandes distâncias um do outro, mas estão alinhados de modo perfeito e assombroso. A “Linha Sacra de São Miguel Arcanjo” simboliza, de acordo com a tradição, o golpe de espada que o Arcanjo infligiu ao diabo para enviá-lo ao inferno depois da batalha nos céus entre os anjos fiéis e os anjos rebeldes que, liderados por Lúcifer, tinham se voltado contra Deus. Seja como for, é surpreendente a disposição de todos esses santuários ao longo de uma linha reta. Seria uma advertência do Arcanjo para que, respeitando as leis de Deus, os fiéis caminhem sempre na retidão? A Linha Sacra, além disso, fica perfeitamente alinhada com o poente no dia do solstício de verão no hemisfério Norte. Como se não bastasse, os três mais importantes santuários da linha misteriosa ficam à mesma distância um do outro: a belíssima e famosíssima abadia do Mont Saint-Michel, na divisa entre as regiões francesas da Normandia e da Bretanha; a Sacra di San Michele, no vale italiano de Susa, região do Piemonte; e o santuário de Monte Sant’Angelo, no também italiano Monte Gargano, situado na região da Apúlia. Conheça todos os sete santuários da Linha Sacra: 1) SKELLING MICHAEL O traçado da Linha Sacra começa na Irlanda, numa ilha deserta onde o Arcanjo Miguel teria aparecido para São Patrício a fim de ajudá-lo a libertar o país dos ataques do demônio. É nessa ilha que se levanta o primeiro mosteiro: o de Skellig Michael ou Sceilig Mhichíl, em idioma gaélico (“Rocha de Miguel”). Leia também A verdadeira história da oração a São Miguel Arcanjo do Papa Leão XIII 2) SAINT MICHAEL’S MOUNT Rumando para o sul, a linha passa pelo St. Michael’s Mount, na Inglaterra: é uma ilhota da Cornuália que, na maré baixa, se junta à terra firme. Nesse local, São Miguel teria falado com um grupo de pescadores. Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo 3) MONT SAINT-MICHEL © Shutterstock A Linha Sacra prossegue então para a França, cruzando outra célebre ilha que também se junta à terra firme nas baixas marés: o espetacular Mont Saint-Michel, outro local de aparição do Arcanjo. A beleza e a riqueza histórica e artística deste santuário e da sua baía na costa normanda fazem dele um dos lugares mais visitados de toda a França, além de terem garantido a sua proclamação como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1979. O Mont Saint-Michel já era cercado de forte misticismo desde a Alta Idade Média. Há mais de 1.300 anos, em 709, o Arcanjo apareceu, conforme a tradição, ao bispo de Avranches, Santo Aubert, pedindo a construção do santuário. Os trabalhos começaram logo, mas a abadia beneditina só foi ficar pronta no século X. Leia também Aprenda a rezar a Coroa Angélica de São Miguel Arcanjo 4) SACRA DI SAN MICHELE A cerca de 1.000 quilômetros de distância, no vale piemontês de Susa, ergue-se o quarto santuário: a Sacra di San Michele (pronuncia-se “Mikéle”, em italiano). Este impressionante complexo de mais de dez séculos, formado por um mosteiro e uma igreja, foi construído entre os anos de 983 e 987 sobre uma enorme rocha do Vale de Susa, na região do Piemonte, aproximadamente a 40 quilômetros de Turim. Ao curso dos séculos, foram sendo acrescentadas novas estruturas como a hospedaria construída pelos monges beneditinos, já que o santo lugar ficava na rota dos peregrinos da Via Francígena, antiga estrada que ia da França para Roma. Na noite de 24 de janeiro de 2018, um incêndio de grandes proporções provocou graves danos ao teto desta milenar abadia. Saiba mais sobre este episódio tão recente acessando este artigo: Incêndio atinge milenar abadia da “linha reta dos 7 santuários” de São Miguel Arcanjo. 5) SANTUÁRIO DO MONTE SANT’ANGELO Mais 1.000 quilômetros em linha reta e se chega à também italiana região da Apúlia, mais precisamente ao Monte Gargano. Ali, uma caverna de acesso muito difícil se transformou em lugar sagrado e viu erguer-se o Santuário de São Miguel Arcanjo, iniciado no longínquo ano de 490. Ele marca a primeira aparição do Arcanjo Miguel a São Lourenço Maiorano. Leia também Aparição de São Miguel Arcanjo no Monte Gargano 6) MOSTEIRO DE SYMI Deixando a Itália, a fascinante Linha Sacra de São Miguel chega ao sexto santuário, agora na ilha grega de Symi: aqui, o mosteiro alberga uma das maiores efígies do Arcanjo que existem no mundo, com três metros de altura. 7) MOSTEIRO DO MONTE CARMELO A Linha Sacra termina em território israelense: o mosteiro do Monte Carmelo, em Haifa. O local é venerado desde a antiguidade, mas a construção do santuário cristão remonta ao século XII Via Aleteia Leia também “A batalha no Céu”: A história de São Miguel Arcanjo #SãoMiguel
- Consagração a São Miguel Arcanjo
Aqueles que acompanharam a Quaresma de São Miguel e possuem especial devoção por ele podem, no dia de sua festa gloriosa, fazer a consagração a ele que é o Príncipe das Milícias Celestes. Segue a consagração disponibilizada pela comunidade Hesed. Aqueles que desejarem podem baixar o arquivo PDF da consagração para imprimir. Clique aqui para baixar a consagração para impressão. Consagração a São Miguel Gloriosíssimo Príncipe das hierarquias angélicas, valente arauto de Deus Altíssimo, zeloso campeão da glória do Senhor, terror dos anjos rebeldes, amor e delícia dos Anjos fiéis, meu diletíssimo Arcanjo S. Miguel, desejando pertencer ao número dos vossos devotos e servos, hoje me ofereço a vós, dou me e consagro-me a vós. Coloco a minha pessoa, a minha família e os meus bens sob a vossa potentíssima proteção. É muito pouca coisa a oferta que vos faço, sendo eu um miserável pecador, mas não duvido que quereis aumentar o fervor no meu coração e proteger aquele que a vós recorre. Recordai aquele que agora se coloca sob o vosso patrocínio e de hoje em diante protegei-me, assisti-me em todas as dificuldades da minha existência terrena, alcança-me o perdão dos meus muitos e graves pecados, a graça de amar de todo coração o meu Deus, o meu doce Salvador Jesus e a minha doce Mãe Maria, e impetrai-me os auxílios necessários para obter a coroa da glória. Defendei a minha alma contra todos os seus inimigos e quando chegar a hora de deixar este mundo, vinde então, Príncipe Gloriosíssimo, assistir-me na luta final e que o vosso gládio potente afaste para longe, para os abismos da morte e do inferno, o anjo apóstata e soberbo que derrotaste em combate no Céu. Amém. Compromissos da Consagração no Exército de São Miguel 1) Prometo não passar nenhum dia sem invocá-lo com a oração do Papa Leão XIII e constituirei São Miguel, depois de Nossa Senhora e São José, como meu principal protetor e advogado. 2) Procurarei trazer comigo a medalha do Exército de São Miguel como distintivo do seu patronato. 3) Renovarei esta consagração solenemente anualmente no dia 29 de setembro. 4) Procurarei honrá-lo divulgando a sua devoção, dando exemplo de vida cristã, buscando viver os mandamentos da Lei de Deus, sufragando as almas do Purgatório e realizando atos de caridade sobretudo para com os mais necessitados #QuaresmadeSãoMiguel #SãoMiguel
- Consagração a São Miguel Arcanjo
Aqueles que acompanharam a Quaresma de São Miguel e possuem especial devoção por ele podem, no dia de sua festa gloriosa, fazer a consagração a ele que é o Príncipe das Milícias Celestes. Segue a consagração disponibilizada pela comunidade Hesed. Aqueles que desejarem podem baixar o arquivo PDF da consagração para imprimir. Clique aqui para baixar a consagração para impressão. Consagração a São Miguel Gloriosíssimo Príncipe das hierarquias angélicas, valente arauto de Deus Altíssimo, zeloso campeão da glória do Senhor, terror dos anjos rebeldes, amor e delícia dos Anjos fiéis, meu diletíssimo Arcanjo S. Miguel, desejando pertencer ao número dos vossos devotos e servos, hoje me ofereço a vós, dou me e consagro-me a vós. Coloco a minha pessoa, a minha família e os meus bens sob a vossa potentíssima proteção. É muito pouca coisa a oferta que vos faço, sendo eu um miserável pecador, mas não duvido que quereis aumentar o fervor no meu coração e proteger aquele que a vós recorre. Recordai aquele que agora se coloca sob o vosso patrocínio e de hoje em diante protegei-me, assisti-me em todas as dificuldades da minha existência terrena, alcança-me o perdão dos meus muitos e graves pecados, a graça de amar de todo coração o meu Deus, o meu doce Salvador Jesus e a minha doce Mãe Maria, e impetrai-me os auxílios necessários para obter a coroa da glória. Defendei a minha alma contra todos os seus inimigos e quando chegar a hora de deixar este mundo, vinde então, Príncipe Gloriosíssimo, assistir-me na luta final e que o vosso gládio potente afaste para longe, para os abismos da morte e do inferno, o anjo apóstata e soberbo que derrotaste em combate no Céu. Amém. Compromissos da Consagração no Exército de São Miguel 1) Prometo não passar nenhum dia sem invocá-lo com a oração do Papa Leão XIII e constituirei São Miguel, depois de Nossa Senhora e São José, como meu principal protetor e advogado. 2) Procurarei trazer comigo a medalha do Exército de São Miguel como distintivo do seu patronato. 3) Renovarei esta consagração solenemente anualmente no dia 29 de setembro. 4) Procurarei honrá-lo divulgando a sua devoção, dando exemplo de vida cristã, buscando viver os mandamentos da Lei de Deus, sufragando as almas do Purgatório e realizando atos de caridade sobretudo para com os mais necessitados #QuaresmadeSãoMiguel #SãoMiguel
- Aprenda a rezar a Coroa Angélica de São Miguel Arcanjo
Esta devoção foi ensinada e pedida pelo próprio Arcanjo à serva Antónia de Astónaco, em Portugal A devoção passou para outros países, foi aprovada por muitos bispos e até pelo Santo Papa Pio IX, que a enriqueceu de indulgências, a 8 de Agosto de 1851. Método para rezar: DEUS vinde em nosso auxílio. SENHOR socorrei-nos e salvai-nos. Glória ao Pai, ao Filhos e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Ámen. Primeira Saudação Pela intercessão de SÃO MIGUEL e do coro celeste dos SERAFINS, fazei-nos SENHOR dignos do fogo da perfeita Caridade. Um Pai Nosso… Três Ave Marias … Segunda Saudação Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos QUERUBINS, pedimos SENHOR a graça de trilharmos a estrada da perfeição cristã. Um Pai Nosso… Três Ave Marias … Terceira Saudação Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos TRONOS, pedimos SENHOR que nos deis o espírito da verdadeira humildade. Um Pai Nossa… Três Ave Marias … Quarta Saudação Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das DOMINAÇÕES, pedimos ao SENHOR nos conceda a graça de dominar nossos sentidos, e de nos corrigir das nossas más paixões. Um Pai Nosso… Três Ave Marias … Quinta Saudação Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das POTESTADES, pedimos ao SENHOR se digne de proteger nossas almas contra as ciladas e as tentações de satanás e dos demónios. Um Pai Noss… Três Ave Marias … Sexta Saudação Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das VIRTUDES, pedimos ao SENHOR a graça de sermos, vencedores no perigoso combate das tentações. Um Pai Nosso… Três Ave Marias … Sétima Saudação Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos PRINCIPADOS, pedimos ao SENHOR que nos dê o espírito de uma verdadeira e sincera obediência a Ele. Um Pai Nosso… Três Ave Marias … Oitava Saudação Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste de todos os ARCANJOS, pedimos ao SENHOR nos conceder o dom da perseverança na Fé e nas boas obras, a fim de que possamos chegar a possuir a glória do Paraíso. Um Pai Nosso… Três Ave Marias … Nona Saudação Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste de todos os ANJOS, pedimos ao SENHOR que estes espíritos bem-aventurados nos guardem sempre, e principalmente na hora da nossa morte e nos conduzam à glória do Paraíso. Um Pai Nosso… Três Ave Marias … No final reza-se: Um Pai Nosso… (em honra de São Miguel Arcanjo) Um Pai Nosso… (em honra de São Gabriel) Um Pai Nosso… (em honra de São Rafael) Um Pai Nosso .. (em honra do nosso Anjo da Guarda) Termina-se rezando: Leia também Conheça mais sobre São Miguel, São Gabriel e São Rafael Arcanjos Antífona: Glorioso São Miguel, chefe e príncipe dos exércitos celestes, fiel guardião das almas, vencedor dos espíritos rebeldes, amado da casa de DEUS, nosso admirável guia depois de Cristo; vós cuja excelência e virtudes são eminentíssimas, dignai-vos livrar-nos de todos os males, nós todos que recorremos a vós com confiança, e fazei pela vossa incomparável protecção que adiantemos, cada dia mais, na fidelidade em servir a DEUS. Ámen. Rogai por nós, ó bem-aventurado São Miguel, príncipe da Igreja de CRISTO. Para que sejamos dignos de Suas promessas. Oração: DEUS, todo poderoso e eterno, que por um prodígio de bondade e misericórdia para a salvação dos homens, escolhesses para príncipe de vossa Igreja o gloriosíssimo arcanjo São Miguel, tornai-nos dignos, nós Vo-lo pedimos, de sermos preservados de todos os nossos inimigos, a fim de que na hora da nossa morte nenhum deles nos possa inquietar, mas que nos seja dado de sermos introduzidos por ele na presença da Vossa poderosa e Augusta Majestade, pelos merecimentos de JESUS CRISTO, Nosso Senhor. Ámen. Reze também Aprenda a rezar a Súplica Ardente aos Santos Anjos – Uma oração para tempos de grandes provações #SãoMiguel
- Aprenda a rezar a Coroa Angélica de São Miguel Arcanjo
Esta devoção foi ensinada e pedida pelo próprio Arcanjo à serva Antónia de Astónaco, em Portugal A devoção passou para outros países, foi aprovada por muitos bispos e até pelo Santo Papa Pio IX, que a enriqueceu de indulgências, a 8 de Agosto de 1851. Método para rezar: DEUS vinde em nosso auxílio. SENHOR socorrei-nos e salvai-nos. Glória ao Pai, ao Filhos e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Ámen. Primeira Saudação Pela intercessão de SÃO MIGUEL e do coro celeste dos SERAFINS, fazei-nos SENHOR dignos do fogo da perfeita Caridade. Um Pai Nosso… Três Ave Marias … Segunda Saudação Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos QUERUBINS, pedimos SENHOR a graça de trilharmos a estrada da perfeição cristã. Um Pai Nosso… Três Ave Marias … Terceira Saudação Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos TRONOS, pedimos SENHOR que nos deis o espírito da verdadeira humildade. Um Pai Nossa… Três Ave Marias … Quarta Saudação Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das DOMINAÇÕES, pedimos ao SENHOR nos conceda a graça de dominar nossos sentidos, e de nos corrigir das nossas más paixões. Um Pai Nosso… Três Ave Marias … Quinta Saudação Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das POTESTADES, pedimos ao SENHOR se digne de proteger nossas almas contra as ciladas e as tentações de satanás e dos demónios. Um Pai Noss… Três Ave Marias … Sexta Saudação Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das VIRTUDES, pedimos ao SENHOR a graça de sermos, vencedores no perigoso combate das tentações. Um Pai Nosso… Três Ave Marias … Sétima Saudação Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos PRINCIPADOS, pedimos ao SENHOR que nos dê o espírito de uma verdadeira e sincera obediência a Ele. Um Pai Nosso… Três Ave Marias … Oitava Saudação Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste de todos os ARCANJOS, pedimos ao SENHOR nos conceder o dom da perseverança na Fé e nas boas obras, a fim de que possamos chegar a possuir a glória do Paraíso. Um Pai Nosso… Três Ave Marias … Nona Saudação Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste de todos os ANJOS, pedimos ao SENHOR que estes espíritos bem-aventurados nos guardem sempre, e principalmente na hora da nossa morte e nos conduzam à glória do Paraíso. Um Pai Nosso… Três Ave Marias … No final reza-se: Um Pai Nosso… (em honra de São Miguel Arcanjo) Um Pai Nosso… (em honra de São Gabriel) Um Pai Nosso… (em honra de São Rafael) Um Pai Nosso .. (em honra do nosso Anjo da Guarda) Termina-se rezando: Leia também Conheça mais sobre São Miguel, São Gabriel e São Rafael Arcanjos Antífona: Glorioso São Miguel, chefe e príncipe dos exércitos celestes, fiel guardião das almas, vencedor dos espíritos rebeldes, amado da casa de DEUS, nosso admirável guia depois de Cristo; vós cuja excelência e virtudes são eminentíssimas, dignai-vos livrar-nos de todos os males, nós todos que recorremos a vós com confiança, e fazei pela vossa incomparável protecção que adiantemos, cada dia mais, na fidelidade em servir a DEUS. Ámen. Rogai por nós, ó bem-aventurado São Miguel, príncipe da Igreja de CRISTO. Para que sejamos dignos de Suas promessas. Oração: DEUS, todo poderoso e eterno, que por um prodígio de bondade e misericórdia para a salvação dos homens, escolhesses para príncipe de vossa Igreja o gloriosíssimo arcanjo São Miguel, tornai-nos dignos, nós Vo-lo pedimos, de sermos preservados de todos os nossos inimigos, a fim de que na hora da nossa morte nenhum deles nos possa inquietar, mas que nos seja dado de sermos introduzidos por ele na presença da Vossa poderosa e Augusta Majestade, pelos merecimentos de JESUS CRISTO, Nosso Senhor. Ámen. Reze também Aprenda a rezar a Súplica Ardente aos Santos Anjos – Uma oração para tempos de grandes provações #SãoMiguel
- A verdadeira história da oração a São Miguel Arcanjo do Papa Leão XIII
Não existe um relato histórico definitivo sobre o que exatamente aconteceu com o Papa Leão XIII para que, na década de 1880, escrevesse a conhecida oração a São Miguel Arcanjo. Entretanto, testemunhos presenciais asseguraram que o Pontífice teve uma visão na qual Satanás apareceu, o que o motivou a pedir a intercessão de São Miguel para toda a Igreja. No livro “Um exorcista conta-nos”, do falecido exorcista italiano Gabrielle Amorth, narra-se que um sacerdote chamado Domenico Pechinino conhecei pessoalmente o que levou o Papa Leão XIII a escrever a oração. Este relatou o seguinte: “Não recordo o ano exato. Uma manhã, o Sumo Pontífice Leão XIII tinha celebrado a Santa Missa e estava assistindo a outra, de agradecimento, como era habitual. Logo, eu o vi levantar energicamente a cabeça e, em seguida, olhar algo por cima do celebrante. Olhava fixamente, sem piscar, mas com ar de terror e de espanto, desfigurado. Algo estranho, grande, ocorria com ele”. “Finalmente, como voltando em si, com um rápido mas enérgico gesto levanta-se. Ele é visto se encaminhar ao seu escritório particular. Os familiares o seguem com pressa e ansiedade. Dizem a ele em voz baixa: ‘Santo Padre, não se sente bem? Precisa de alguma coisa?’. Resposta: ‘Nada, nada’. Depois de meia hora, chama o secretário da Congregação dos Ritos e, entregando-lhe uma folha, manda imprimi-la e enviá-la a todos os bispos diocesanos do mundo”, acrescentou. “O que continha? A oração que rezamos ao final da Missa junto com o povo, com a súplica a Maria e a ardorosa invocação ao príncipe das milícias celestiais, implorando a Deus que volte a lançar Satanás ao inferno”, concluiu. A oração de São Miguel se acrescentou em 1886 às outras “orações Leoninas” que o Santo Padre havia mandado recitar depois de 1884. Segundo a tradição, o que motivou o Papa Leão XIII a escrever a oração foram as terríveis imagens que viu e escutou. “Vi demônios e ouvi seus gritos, suas blasfêmias, sua zombaria. Ouvi a voz sinistra de Satanás desafiando Deus, dizendo que ele poderia destruir a Igreja e levar o mundo inteiro para o inferno se tivesse tempo e poder suficientes. Satanás pediu a Deus permissão para ter 100 anos para poder influenciar o mundo como nunca havia sido capaz de fazer antes”, disse. A prática da oração a São Miguel esteve vigente até antes das reformas litúrgicas do Concílio Vaticano II. Entretanto, os fiéis podem continuar com esta devoção de modo privado. Oração a São Miguel Arcanjo do Papa Leão XIII: São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede nosso refúgio contra a maldade e as ciladas do demônio! Ordene-lhe Deus, instantemente o suplicamos, e vós, príncipe da milícia celeste, pela virtude divina, precipitai ao inferno satanás e todos os espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém. Fonte: ACI Digital #SantosAnjos #SãoMiguel
- A verdadeira história da oração a São Miguel Arcanjo do Papa Leão XIII
Não existe um relato histórico definitivo sobre o que exatamente aconteceu com o Papa Leão XIII para que, na década de 1880, escrevesse a conhecida oração a São Miguel Arcanjo. Entretanto, testemunhos presenciais asseguraram que o Pontífice teve uma visão na qual Satanás apareceu, o que o motivou a pedir a intercessão de São Miguel para toda a Igreja. No livro “Um exorcista conta-nos”, do falecido exorcista italiano Gabrielle Amorth, narra-se que um sacerdote chamado Domenico Pechinino conhecei pessoalmente o que levou o Papa Leão XIII a escrever a oração. Este relatou o seguinte: “Não recordo o ano exato. Uma manhã, o Sumo Pontífice Leão XIII tinha celebrado a Santa Missa e estava assistindo a outra, de agradecimento, como era habitual. Logo, eu o vi levantar energicamente a cabeça e, em seguida, olhar algo por cima do celebrante. Olhava fixamente, sem piscar, mas com ar de terror e de espanto, desfigurado. Algo estranho, grande, ocorria com ele”. “Finalmente, como voltando em si, com um rápido mas enérgico gesto levanta-se. Ele é visto se encaminhar ao seu escritório particular. Os familiares o seguem com pressa e ansiedade. Dizem a ele em voz baixa: ‘Santo Padre, não se sente bem? Precisa de alguma coisa?’. Resposta: ‘Nada, nada’. Depois de meia hora, chama o secretário da Congregação dos Ritos e, entregando-lhe uma folha, manda imprimi-la e enviá-la a todos os bispos diocesanos do mundo”, acrescentou. “O que continha? A oração que rezamos ao final da Missa junto com o povo, com a súplica a Maria e a ardorosa invocação ao príncipe das milícias celestiais, implorando a Deus que volte a lançar Satanás ao inferno”, concluiu. A oração de São Miguel se acrescentou em 1886 às outras “orações Leoninas” que o Santo Padre havia mandado recitar depois de 1884. Segundo a tradição, o que motivou o Papa Leão XIII a escrever a oração foram as terríveis imagens que viu e escutou. “Vi demônios e ouvi seus gritos, suas blasfêmias, sua zombaria. Ouvi a voz sinistra de Satanás desafiando Deus, dizendo que ele poderia destruir a Igreja e levar o mundo inteiro para o inferno se tivesse tempo e poder suficientes. Satanás pediu a Deus permissão para ter 100 anos para poder influenciar o mundo como nunca havia sido capaz de fazer antes”, disse. A prática da oração a São Miguel esteve vigente até antes das reformas litúrgicas do Concílio Vaticano II. Entretanto, os fiéis podem continuar com esta devoção de modo privado. Oração a São Miguel Arcanjo do Papa Leão XIII: São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede nosso refúgio contra a maldade e as ciladas do demônio! Ordene-lhe Deus, instantemente o suplicamos, e vós, príncipe da milícia celeste, pela virtude divina, precipitai ao inferno satanás e todos os espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém. Fonte: ACI Digital #SantosAnjos #SãoMiguel
- São Miguel, São Gabriel e São Rafael Arcanjos – 29 de Setembro
SANTO DO DIA – 29 DE SETEMBRO – SÃO MIGUEL, SÃO GABRIEL E SÃO RAFAEL Arcanjos A Igreja celebra neste dia 29 de setembro a festa dos santos arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael, que aparecem na Bíblia com missões importantes dadas por Deus. São Miguel em hebreu significa “Quem como Deus” e é um dos principais anjos. Seu nome era o grito de guerra dos anjos bons na batalha combatida no céu contra o inimigo e seus seguidores. Segundo a Bíblia, ele é um dos sete espíritos assistentes ao Trono do Altíssimo, portanto, um dos grandes príncipes do Céu e ministro de Deus. É chamado pelo profeta Daniel, no Antigo Testamento, de príncipe protetor dos judeus. No Novo Testamento, é citado na carta de São Judas e no Livro do Apocalipse. Aparece como protetor dos filhos de Deus e de Sua Igreja. São Gabriel significa “Fortaleza de Deus”. Teve a missão muito importante de anunciar a Nossa Senhora que ela seria a Mãe do Salvador. Segundo o profeta Daniel (IX, 21), foi Gabriel quem anunciou o tempo da vinda do Messias; quem apareceu a Zacarias “estando de pé à direita do altar do incenso” (Lc 1, 10-19), para lhe dar a conhecer o futuro nascimento do Precursor; e, finalmente, o arcanjo como embaixador de Deus, foi enviado a Maria, em Nazaré para proclamar o mistério da Encarnação. É ele o portador de uma das orações mais populares e queridas do cristianismo, a Ave Maria. São Rafael quer dizer “Medicina de Deus” ou “Deus obrou a saúde”. É o arcanjo amigo dos caminhantes, médico dos doentes, auxílio dos perseguidos. No Livro de Tobias é narrado o momento que quando Tobit, pai de Tobias e homem de grande caridade, passou pela provação da cegueira e todos lhe questionavam a fé, juntamente quando Sara era atormentada por um demônio que matava seus maridos nas núpcias. Então, ambos rezaram a Deus e foram ouvidos; e foi Rafael que foi enviado para lhes prestar socorro. São Rafael tomou a forma humana, fez-se chamar Azarías e acompanhou Tobias em sua viagem, ajudando-o em suas dificuldades, guiando-o por todo o caminho e auxiliando-o a encontrar uma esposa da mesma linhagem. Então, o Arcanjo explicou ao jovem Tobias que poderia se casar com Sara sem perigo algum. E, por fim, ao retornarem esclareceu como ele poderia curar o pai da cegueira. No livro de Tobias o próprio arcanjo se descreve como “um dos sete que estão na presença do Senhor”. Leia também São Rafael tomou a forma humana, fez-se chamar Azarías e acompanhou Tobias em sua viagem, ajudando-o em suas dificuldades, guiando-o por todo o caminho e auxiliando-o a encontrar uma esposa da mesma linhagem. Então, o Arcanjo explicou ao jovem Tobias que poderia se casar com Sara sem perigo algum. E, por fim, ao retornarem esclareceu como ele poderia curar o pai da cegueira. No livro de Tobias o próprio arcanjo se descreve como “um dos sete que estão na presença do Senhor”. Leia também “A batalha no Céu”: A história de São Miguel Arcanjo Conheça mais sobre os Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael O novo calendário reúne em celebração única os três arcanjos que eram comemorados em dia diferentes. Este dia seria a festa do arcanjo São Miguel, o antigo padroeiro da sinagoga e agora padroeiro universal da Igreja. São Gabriel é o anjo da Anunciação, enquanto São Rafael é invocado como guia dos que viajam. A existência dos seres incorpóreos, que as Sagradas Escrituras chamam habitualmente de anjos, é uma verdade de fé. Mas quem são os anjos? Eis a resposta de Santo Agostinho: “Angelus officii nomen est, non naturae”. Anjo é denominação de encargo, não de natureza. Se perguntares pela denominação de natureza, é um espírito; se perguntares pelo encargo, é um anjo: é espírito por aquilo que é, e é anjo por aquilo que faz. Os anjos são, pois, servidores e mensageiros de Deus. Pelo fato que “veem sempre a face do Pai que está no céu”, como se lê no Evangelho de Mateus, “eles são executores poderosos de suas palavra, obedientes ao som da sua palavra”( Salmo 103,20). São Miguel, como expressão da onipotência de Deus, recebeu, desde o começo da história do cristianismo, um culto particular. Constantino e Justiniano erigiram-lhe dois santuários nas duas extremidades do Bósforo. Em Roma, o arcanjo domina a cidade do alto da Mole Adriana, a qual tomou o nome de Castelo Santo Anjo. Leia também A misteriosa linha reta que une 7 santuários dedicados a São Miguel Arcanjo São Gabriel,”aquele que está diante de Deus”, é o anunciador por excelência das divinas revelações: anuncia ao profeta Daniel o retorno do exílio do povo eleito; leva a Zacarias a notícia da iminente concepção do precursor do Messias. Depois, é-lhe confiada a missão mais alta que possa ser dada a uma criatura: o anúncio a Maria da Encarnação do Filho de Deus. São Rafael é nomeado em um único livro das Escrituras: tem a missão de acompanhar o jovem Tobias para tornar-lhe seguro o caminho por estradas desconhecidas e lhe sugere a receita para curar o pai da cegueira temporária (“Rafael” significa, de fato, “Deus Cura”), sendo, por isso, invocado como protetor de quem se põe em viagem e como patrono de quem se dedica à cura dos doentes. Retirado do livro “Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente”, Paulinas Editora. A Festa dos Três Arcanjos Durante toda a eternidade ela subsistia em Deus, ou melhor, era o próprio Deus: sociedade inefável de três pessoas numa mesma essência. Agora, ela transpõe os séculos, passa sobre a terra para associar-nos à sagrada unidade universal e perpétua, e retornar conosco à eternidade de que proveio. Os primeiros chamados a essa união divina foram os anjos. Tendo sido criados bons, porém livres, Deus os põe à prova, tal como fez conosco. Desde então houve cisma e heresia. Em lugar de tomarem como única regra a si próprios. Foram excluídos da comunhão de Deus, mas não da sua providência. Divididos em nove coros subordinados um ao outro, os anjos que se conservaram fiéis foram um exército invencível. Seu número é incalculável. Quando o altíssimo está sentado no seu trono, mil anjos o servem, e dez mil vezes cem mil compõe a sua corte. Ele denomina a si próprio o Deus dos deuses. Há anjos encarregados de governar os astros, os elementos, os reinos, as províncias; outros, o comportamento dos indivíduos. Como filhos da Igreja, constituímos com eles uma única sociedade. Pois, diz São Paulo, aos cristãos da raça de Jacó: “não vos aproximastes como aqueles que receberam a antiga lei de uma montanha sensível e terrestre, de um fogo ardente e de uma nuvem escura e tenebrosa, de tempestades e raios, do som de uma trombeta, e do clamor de uma voz formidável. Mas vos aproximastes da montanha de Sião, da cidade de Deus vivo, da Jerusalém celeste, de inumeráveis miríades de anjos, da assembléia e da Igreja dos primogênitos que estão inscritos no céu, de Deus que é o juiz de todos, dos espíritos dos justos que estão na glória, de Jesus que é o mediador da nova aliança, e daquele sangue por nós derramado e que fala mais proveitosamente do que o de Abel. Leia também Aparição de São Miguel Arcanjo no Monte Gargano Desde o início existiu o ministério dos santos anjos. Depois de ter lançado a sua sentença sobre nossos dois primeiros antepassados, Deus colocou os querubins às portas do paraíso terrestre com uma espada flamejante, incumbidos de guardar-lhe a entrada. Eram provavelmente os quatro querubins citados várias vezes nas profecias de Ezequiel, e no Apocalipse de São João, e que apareciam como as quatro principais potências pelas quais Deus governa o universo material, o gênero humano, e a Igreja cristã. Seu conjunto forma uma espécie de carro sobre o qual o Altíssimo avança através dos mundos e dos séculos; um trono onde está sentado, e do qual ele lança suas sentenças sobre os reis e as nações. Do centro do trono partem os trovões e os raios que executam as sentenças. Será essa, talvez, a significação da espada de fogo brandida à entrada do paraíso. Deus que a princípio tratara o homem com a familiaridade de um pai, quer fazer-lhe suceder, segundo parece, o formidável aparato de um senhor e soberano juiz. Com Abraão, inicia-se uma era de misericórdia. Três anjos ou personagens, nos quais os Padres da Igreja reconheceram as três pessoas divinas, lhe aparecem sob o carvalho de Mambré, e lhe anunciam um filho em que serão abençoados todas as nações da terra. Dois anjos salvam Lot e sua família, antes de começarem a destruição de Sodoma e Gomorra. Vê-se a providência ministerial do anjo em relação a Agar e Ismael, pai dos árabes: o anjo de Deus no episódio do sacrifício de Isaías na montanha de Moriah, mais tarde do Calvário: os anjos de Deus subindo e descendo a escada de Jacó, em Bethel: a luta de Jacó contra um anjo que o abençoa e lhe dá o nome de Israel: os anjos perante Deus, e satã entre eles, na história de Jó: o anjo do Eterno na sarça ardente, confiando uma missão a Moisés: o anjo de Deus que guiou o povo de Israel: o anjo aparecendo a Balaam: o anjo de Deus dando ordens a Josué, a fim de introduzir o povo na terra prometida: o anjo aparecendo a Gedeão e designando-o para salvar o seu povo: o anjo anunciando o nascimento de Sansão, que libertaria o povo do jugo dos filisteus. Depois de ter pregado a penitência no reino de Israel, o profeta Elias diante do trono de Deus e recebe uma missão. Os querubins são avistados pelo profeta Ezequiel. Só há três anjos cujos nomes próprios as Escrituras Sagradas nos dão a conhecer. Leia também A verdadeira história da oração a São Miguel Arcanjo do Papa Leão XIII Miguel é o grande capitão do exército celeste. Seu nome Mi-cha-el significa, quem é igual a Deus? Quando Lúcifer, cego pelo orgulho, quis igualar-se ao Altíssimo, Miguel exclamou com voz trovejante: “Quem é igual a Deus?” E acompanhado pelos anjos fiéis, precipitou do alto dos céus a tropa rebelde dos apóstatas. Assim se tornou o generalíssimo do incontável exército dos santos anjos. Vê-se, nos profetas, que era o protetor do povo de Israel; agora o é da Igreja. Rejubilemo-nos por estarmos sob o comando de tão destemido chefe; mas também imitemos a sua fidelidade. A grande batalha iniciada no céu prossegue sobre a terra, Batalha cujo objeto somos nós. Satanás e seus demônios gostariam de arrastar-nos com ele para o inferno; Miguel e seus anjos gostariam de levar-nos com eles para o céu. Com quem permaneceremos eternamente? Com quem estamos agora? Necessariamente devemos estar com um ou com outro: não é possível nos conservarmos neutros. Ao lado de quem combateremos? De quem seguiremos as inspirações? Do anjo de Deus ou do anjo de Satã? Se morrermos no estado em que nos encontramos, seria um anjo ou um demônio, que nos apresentaria ao tribunal de Deus? Com efeito, será que, ao morrermos, nos reconhecerá São Miguel como fiéis companheiros de armas? Se me deixar derrotar pelo demônio nessa batalha, a culpa será unicamente minha. Deu-me Deus um defensor para o corpo e para a alma, meu anjo bom. Ser-me-á bastante escutá-lo: combaterá comigo e por mim. No fundo, só há um inimigo a temer: eu mesmo. Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Gabriel, cujo nome significa Força de Deus, anuncia ao profeta Daniel a época da grande obra de Deus, a época do Filho de Deus feito homem, Cristo condenado à morte, a remissão dos pecados, o Evangelho pregado a todas as nações, a ruína de Jerusalém e de seu templo, a condenação final do povo judeu. É o mesmo anjo Gabriel que prediz ao sacerdote Zacarias, no templo, no santuário, junto ao altar dos perfumes, o nascimento de um homem que será chamado João, ou cheio de graça, e que não mais anunciará a vinda do Salvador, mas que o apontará: “Eis o Cordeiro de Deus! Eis quem tira os pecados do mundo!” É o mesmo arcanjo, sempre enviado para anunciar grandes coisas, que irá à humilde casa de Nazaré anunciar à Virgem Maria a maior de todas as coisas; comunicar que, sem deixar de ser virgem, ela daria à luz ao Filho do Altíssimo, que seria chamado Jesus ou Salvador, porque seria o Salvador do mundo. É esse glorioso arcanjo que nos ensina a dizer tal como ele: “Ave-Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres!” Rafael, cujo nome significa Médico ou cura de Deus, dá-se a conhecer a Tobias: “Quando oráveis, vós e Sara vossa nora, ou apresentava o memorial de vossas orações diante do santo; e quando sepultáveis os mortos, estava presente junto de vós. Quando não vos recusáveis a levantar-vos da mesa e deixar vosso jantar para amortalhardes um morto, o bem que praticáveis não permanecia oculto; pois eu estava convosco. E por que éreis agradáveis a Deus, foi necessário que fosseis provados. Agora, porém, Deus enviou-me para curar-vos, a vós e a Sara, esposa de vosso Filho. Sou Rafael, um dos sete anjos que apresentam as orações dos santos, e que podem defrontar a majestade do Santíssimo! Leia também Aprenda a rezar a Coroa Angélica de São Miguel Arcanjo Para celebrar esta data, recordamos a oração aos Santos Arcanjos: Ajudai-nos, ó grandes santos, irmãos nossos, que sois servos como nós diante de Deus. Defendei-nos de nós mesmos, de nossa covardia e tibieza, de nosso egoísmo e de nossa ambição, de nossa inveja e desconfiança, de nossa avidez em procurar a saciedade, a boa vida e a estima. Desatai as algemas do pecado e do apego a tudo o que passa. Desvendai os nossos olhos que nós mesmos fechamos para não precisar ver as necessidades de nosso próximos e poder, assim, ocupar-nos de nós mesmos numa tranquila autocomplacência. Colocai em nosso coração o espinho da santa ansiedade de Deus para que não deixemos de procurá-lo com ardor, contrição e amor. Contemplai em nós o Sangue do Senhor, que Ele derramou por nossa causa. Contemplai em nós as lágrimas de vossa Rainha, que ela derramou sobre nós. Contemplai em nós a pobre, desbotada, arruinada imagem de Deus, comparando-a com a imagem íntegra que deveríamos ser Sua vontade e Seu amor. Ajudai-nos a conhecer Deus, a adorá-Lo, a amá-Lo e a servir-Lhe. Ajudai-nos no combate contra os poderes das trevas que, traiçoeiramente, nos envolvem e nos afligem. Ajudai-nos para que nenhum de nós se perca e para que, um dia, estejamos todos jubilosamente reunidos na eterna bem-aventurança. Amém. São Miguel, assisti-nos com vossos santos anjos; Ajudai-nos e rogai por nós. São Rafael, assisti-nos com vossos santos anjos; Ajudai-nos e rogai por nós. São Gabriel, assisti-nos com vossos santos anjos; Ajudai-nos e rogai por nós. Leia também: .: Santo do Dia – 28 de Setembro – São Venceslau .: Santo do Dia – 30 de Setembro – São Jerônimo #SantodoDia #SantosAnjos #SãoMiguel
- São Miguel, São Gabriel e São Rafael Arcanjos – 29 de Setembro
SANTO DO DIA – 29 DE SETEMBRO – SÃO MIGUEL, SÃO GABRIEL E SÃO RAFAEL Arcanjos A Igreja celebra neste dia 29 de setembro a festa dos santos arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael, que aparecem na Bíblia com missões importantes dadas por Deus. São Miguel em hebreu significa “Quem como Deus” e é um dos principais anjos. Seu nome era o grito de guerra dos anjos bons na batalha combatida no céu contra o inimigo e seus seguidores. Segundo a Bíblia, ele é um dos sete espíritos assistentes ao Trono do Altíssimo, portanto, um dos grandes príncipes do Céu e ministro de Deus. É chamado pelo profeta Daniel, no Antigo Testamento, de príncipe protetor dos judeus. No Novo Testamento, é citado na carta de São Judas e no Livro do Apocalipse. Aparece como protetor dos filhos de Deus e de Sua Igreja. São Gabriel significa “Fortaleza de Deus”. Teve a missão muito importante de anunciar a Nossa Senhora que ela seria a Mãe do Salvador. Segundo o profeta Daniel (IX, 21), foi Gabriel quem anunciou o tempo da vinda do Messias; quem apareceu a Zacarias “estando de pé à direita do altar do incenso” (Lc 1, 10-19), para lhe dar a conhecer o futuro nascimento do Precursor; e, finalmente, o arcanjo como embaixador de Deus, foi enviado a Maria, em Nazaré para proclamar o mistério da Encarnação. É ele o portador de uma das orações mais populares e queridas do cristianismo, a Ave Maria. São Rafael quer dizer “Medicina de Deus” ou “Deus obrou a saúde”. É o arcanjo amigo dos caminhantes, médico dos doentes, auxílio dos perseguidos. No Livro de Tobias é narrado o momento que quando Tobit, pai de Tobias e homem de grande caridade, passou pela provação da cegueira e todos lhe questionavam a fé, juntamente quando Sara era atormentada por um demônio que matava seus maridos nas núpcias. Então, ambos rezaram a Deus e foram ouvidos; e foi Rafael que foi enviado para lhes prestar socorro. São Rafael tomou a forma humana, fez-se chamar Azarías e acompanhou Tobias em sua viagem, ajudando-o em suas dificuldades, guiando-o por todo o caminho e auxiliando-o a encontrar uma esposa da mesma linhagem. Então, o Arcanjo explicou ao jovem Tobias que poderia se casar com Sara sem perigo algum. E, por fim, ao retornarem esclareceu como ele poderia curar o pai da cegueira. No livro de Tobias o próprio arcanjo se descreve como “um dos sete que estão na presença do Senhor”. Leia também São Rafael tomou a forma humana, fez-se chamar Azarías e acompanhou Tobias em sua viagem, ajudando-o em suas dificuldades, guiando-o por todo o caminho e auxiliando-o a encontrar uma esposa da mesma linhagem. Então, o Arcanjo explicou ao jovem Tobias que poderia se casar com Sara sem perigo algum. E, por fim, ao retornarem esclareceu como ele poderia curar o pai da cegueira. No livro de Tobias o próprio arcanjo se descreve como “um dos sete que estão na presença do Senhor”. Leia também “A batalha no Céu”: A história de São Miguel Arcanjo Conheça mais sobre os Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael O novo calendário reúne em celebração única os três arcanjos que eram comemorados em dia diferentes. Este dia seria a festa do arcanjo São Miguel, o antigo padroeiro da sinagoga e agora padroeiro universal da Igreja. São Gabriel é o anjo da Anunciação, enquanto São Rafael é invocado como guia dos que viajam. A existência dos seres incorpóreos, que as Sagradas Escrituras chamam habitualmente de anjos, é uma verdade de fé. Mas quem são os anjos? Eis a resposta de Santo Agostinho: “Angelus officii nomen est, non naturae”. Anjo é denominação de encargo, não de natureza. Se perguntares pela denominação de natureza, é um espírito; se perguntares pelo encargo, é um anjo: é espírito por aquilo que é, e é anjo por aquilo que faz. Os anjos são, pois, servidores e mensageiros de Deus. Pelo fato que “veem sempre a face do Pai que está no céu”, como se lê no Evangelho de Mateus, “eles são executores poderosos de suas palavra, obedientes ao som da sua palavra”( Salmo 103,20). São Miguel, como expressão da onipotência de Deus, recebeu, desde o começo da história do cristianismo, um culto particular. Constantino e Justiniano erigiram-lhe dois santuários nas duas extremidades do Bósforo. Em Roma, o arcanjo domina a cidade do alto da Mole Adriana, a qual tomou o nome de Castelo Santo Anjo. Leia também A misteriosa linha reta que une 7 santuários dedicados a São Miguel Arcanjo São Gabriel,”aquele que está diante de Deus”, é o anunciador por excelência das divinas revelações: anuncia ao profeta Daniel o retorno do exílio do povo eleito; leva a Zacarias a notícia da iminente concepção do precursor do Messias. Depois, é-lhe confiada a missão mais alta que possa ser dada a uma criatura: o anúncio a Maria da Encarnação do Filho de Deus. São Rafael é nomeado em um único livro das Escrituras: tem a missão de acompanhar o jovem Tobias para tornar-lhe seguro o caminho por estradas desconhecidas e lhe sugere a receita para curar o pai da cegueira temporária (“Rafael” significa, de fato, “Deus Cura”), sendo, por isso, invocado como protetor de quem se põe em viagem e como patrono de quem se dedica à cura dos doentes. Retirado do livro “Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente”, Paulinas Editora. A Festa dos Três Arcanjos Durante toda a eternidade ela subsistia em Deus, ou melhor, era o próprio Deus: sociedade inefável de três pessoas numa mesma essência. Agora, ela transpõe os séculos, passa sobre a terra para associar-nos à sagrada unidade universal e perpétua, e retornar conosco à eternidade de que proveio. Os primeiros chamados a essa união divina foram os anjos. Tendo sido criados bons, porém livres, Deus os põe à prova, tal como fez conosco. Desde então houve cisma e heresia. Em lugar de tomarem como única regra a si próprios. Foram excluídos da comunhão de Deus, mas não da sua providência. Divididos em nove coros subordinados um ao outro, os anjos que se conservaram fiéis foram um exército invencível. Seu número é incalculável. Quando o altíssimo está sentado no seu trono, mil anjos o servem, e dez mil vezes cem mil compõe a sua corte. Ele denomina a si próprio o Deus dos deuses. Há anjos encarregados de governar os astros, os elementos, os reinos, as províncias; outros, o comportamento dos indivíduos. Como filhos da Igreja, constituímos com eles uma única sociedade. Pois, diz São Paulo, aos cristãos da raça de Jacó: “não vos aproximastes como aqueles que receberam a antiga lei de uma montanha sensível e terrestre, de um fogo ardente e de uma nuvem escura e tenebrosa, de tempestades e raios, do som de uma trombeta, e do clamor de uma voz formidável. Mas vos aproximastes da montanha de Sião, da cidade de Deus vivo, da Jerusalém celeste, de inumeráveis miríades de anjos, da assembléia e da Igreja dos primogênitos que estão inscritos no céu, de Deus que é o juiz de todos, dos espíritos dos justos que estão na glória, de Jesus que é o mediador da nova aliança, e daquele sangue por nós derramado e que fala mais proveitosamente do que o de Abel. Leia também Aparição de São Miguel Arcanjo no Monte Gargano Desde o início existiu o ministério dos santos anjos. Depois de ter lançado a sua sentença sobre nossos dois primeiros antepassados, Deus colocou os querubins às portas do paraíso terrestre com uma espada flamejante, incumbidos de guardar-lhe a entrada. Eram provavelmente os quatro querubins citados várias vezes nas profecias de Ezequiel, e no Apocalipse de São João, e que apareciam como as quatro principais potências pelas quais Deus governa o universo material, o gênero humano, e a Igreja cristã. Seu conjunto forma uma espécie de carro sobre o qual o Altíssimo avança através dos mundos e dos séculos; um trono onde está sentado, e do qual ele lança suas sentenças sobre os reis e as nações. Do centro do trono partem os trovões e os raios que executam as sentenças. Será essa, talvez, a significação da espada de fogo brandida à entrada do paraíso. Deus que a princípio tratara o homem com a familiaridade de um pai, quer fazer-lhe suceder, segundo parece, o formidável aparato de um senhor e soberano juiz. Com Abraão, inicia-se uma era de misericórdia. Três anjos ou personagens, nos quais os Padres da Igreja reconheceram as três pessoas divinas, lhe aparecem sob o carvalho de Mambré, e lhe anunciam um filho em que serão abençoados todas as nações da terra. Dois anjos salvam Lot e sua família, antes de começarem a destruição de Sodoma e Gomorra. Vê-se a providência ministerial do anjo em relação a Agar e Ismael, pai dos árabes: o anjo de Deus no episódio do sacrifício de Isaías na montanha de Moriah, mais tarde do Calvário: os anjos de Deus subindo e descendo a escada de Jacó, em Bethel: a luta de Jacó contra um anjo que o abençoa e lhe dá o nome de Israel: os anjos perante Deus, e satã entre eles, na história de Jó: o anjo do Eterno na sarça ardente, confiando uma missão a Moisés: o anjo de Deus que guiou o povo de Israel: o anjo aparecendo a Balaam: o anjo de Deus dando ordens a Josué, a fim de introduzir o povo na terra prometida: o anjo aparecendo a Gedeão e designando-o para salvar o seu povo: o anjo anunciando o nascimento de Sansão, que libertaria o povo do jugo dos filisteus. Depois de ter pregado a penitência no reino de Israel, o profeta Elias diante do trono de Deus e recebe uma missão. Os querubins são avistados pelo profeta Ezequiel. Só há três anjos cujos nomes próprios as Escrituras Sagradas nos dão a conhecer. Leia também A verdadeira história da oração a São Miguel Arcanjo do Papa Leão XIII Miguel é o grande capitão do exército celeste. Seu nome Mi-cha-el significa, quem é igual a Deus? Quando Lúcifer, cego pelo orgulho, quis igualar-se ao Altíssimo, Miguel exclamou com voz trovejante: “Quem é igual a Deus?” E acompanhado pelos anjos fiéis, precipitou do alto dos céus a tropa rebelde dos apóstatas. Assim se tornou o generalíssimo do incontável exército dos santos anjos. Vê-se, nos profetas, que era o protetor do povo de Israel; agora o é da Igreja. Rejubilemo-nos por estarmos sob o comando de tão destemido chefe; mas também imitemos a sua fidelidade. A grande batalha iniciada no céu prossegue sobre a terra, Batalha cujo objeto somos nós. Satanás e seus demônios gostariam de arrastar-nos com ele para o inferno; Miguel e seus anjos gostariam de levar-nos com eles para o céu. Com quem permaneceremos eternamente? Com quem estamos agora? Necessariamente devemos estar com um ou com outro: não é possível nos conservarmos neutros. Ao lado de quem combateremos? De quem seguiremos as inspirações? Do anjo de Deus ou do anjo de Satã? Se morrermos no estado em que nos encontramos, seria um anjo ou um demônio, que nos apresentaria ao tribunal de Deus? Com efeito, será que, ao morrermos, nos reconhecerá São Miguel como fiéis companheiros de armas? Se me deixar derrotar pelo demônio nessa batalha, a culpa será unicamente minha. Deu-me Deus um defensor para o corpo e para a alma, meu anjo bom. Ser-me-á bastante escutá-lo: combaterá comigo e por mim. No fundo, só há um inimigo a temer: eu mesmo. Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Gabriel, cujo nome significa Força de Deus, anuncia ao profeta Daniel a época da grande obra de Deus, a época do Filho de Deus feito homem, Cristo condenado à morte, a remissão dos pecados, o Evangelho pregado a todas as nações, a ruína de Jerusalém e de seu templo, a condenação final do povo judeu. É o mesmo anjo Gabriel que prediz ao sacerdote Zacarias, no templo, no santuário, junto ao altar dos perfumes, o nascimento de um homem que será chamado João, ou cheio de graça, e que não mais anunciará a vinda do Salvador, mas que o apontará: “Eis o Cordeiro de Deus! Eis quem tira os pecados do mundo!” É o mesmo arcanjo, sempre enviado para anunciar grandes coisas, que irá à humilde casa de Nazaré anunciar à Virgem Maria a maior de todas as coisas; comunicar que, sem deixar de ser virgem, ela daria à luz ao Filho do Altíssimo, que seria chamado Jesus ou Salvador, porque seria o Salvador do mundo. É esse glorioso arcanjo que nos ensina a dizer tal como ele: “Ave-Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres!” Rafael, cujo nome significa Médico ou cura de Deus, dá-se a conhecer a Tobias: “Quando oráveis, vós e Sara vossa nora, ou apresentava o memorial de vossas orações diante do santo; e quando sepultáveis os mortos, estava presente junto de vós. Quando não vos recusáveis a levantar-vos da mesa e deixar vosso jantar para amortalhardes um morto, o bem que praticáveis não permanecia oculto; pois eu estava convosco. E por que éreis agradáveis a Deus, foi necessário que fosseis provados. Agora, porém, Deus enviou-me para curar-vos, a vós e a Sara, esposa de vosso Filho. Sou Rafael, um dos sete anjos que apresentam as orações dos santos, e que podem defrontar a majestade do Santíssimo! Leia também Aprenda a rezar a Coroa Angélica de São Miguel Arcanjo Para celebrar esta data, recordamos a oração aos Santos Arcanjos: Ajudai-nos, ó grandes santos, irmãos nossos, que sois servos como nós diante de Deus. Defendei-nos de nós mesmos, de nossa covardia e tibieza, de nosso egoísmo e de nossa ambição, de nossa inveja e desconfiança, de nossa avidez em procurar a saciedade, a boa vida e a estima. Desatai as algemas do pecado e do apego a tudo o que passa. Desvendai os nossos olhos que nós mesmos fechamos para não precisar ver as necessidades de nosso próximos e poder, assim, ocupar-nos de nós mesmos numa tranquila autocomplacência. Colocai em nosso coração o espinho da santa ansiedade de Deus para que não deixemos de procurá-lo com ardor, contrição e amor. Contemplai em nós o Sangue do Senhor, que Ele derramou por nossa causa. Contemplai em nós as lágrimas de vossa Rainha, que ela derramou sobre nós. Contemplai em nós a pobre, desbotada, arruinada imagem de Deus, comparando-a com a imagem íntegra que deveríamos ser Sua vontade e Seu amor. Ajudai-nos a conhecer Deus, a adorá-Lo, a amá-Lo e a servir-Lhe. Ajudai-nos no combate contra os poderes das trevas que, traiçoeiramente, nos envolvem e nos afligem. Ajudai-nos para que nenhum de nós se perca e para que, um dia, estejamos todos jubilosamente reunidos na eterna bem-aventurança. Amém. São Miguel, assisti-nos com vossos santos anjos; Ajudai-nos e rogai por nós. São Rafael, assisti-nos com vossos santos anjos; Ajudai-nos e rogai por nós. São Gabriel, assisti-nos com vossos santos anjos; Ajudai-nos e rogai por nós. Leia também: .: Santo do Dia – 28 de Setembro – São Venceslau .: Santo do Dia – 30 de Setembro – São Jerônimo #SantodoDia #SantosAnjos #SãoMiguel
- Último dia da Quaresma de São Miguel
Reze os 40 dias conosco! Como sugestão, além do roteiro que disponibilizamos abaixo, convidamos a todos para rezar o Rosário com o Frei Gilson ou Instituto Hesed , todos os dias às 4h da manhã ou no horário que tiver possibilidade: Aqueles que preferirem podem rezar a versão resumida: É costume que a Quaresma de São Miguel seja rezada diariamente, entre 15 de agosto e 29 de setembro , quando se celebra a festa deste Santo Arcanjo. Mas ela também pode ser feita em qualquer outra época do ano, por um período de 40 dias. Esta devoção deve-se a São Francisco de Assis, que sempre fazia orações especiais a São Miguel, quarenta dias antes da festa do Arcanjo (29 de Setembro). Foi difundida através dos seus discípulos, que o imitavam nessa devoção e recebiam graças. E, até hoje, temos esse belíssimo costume de consagrar as nossas vidas a São Miguel. Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Por se tratar de uma devoção privada , os fiéis que a praticam são livres para adotar as orações de sua preferência. As preces a seguir são mais uma sugestão de roteiro do que um rito fixo e imóvel, e costumam ser rezadas em frente a uma escultura ou estampa de São Miguel, e com uma vela benta acesa em sua honra. Também é hábito que se una a essas orações a prática de alguma penitência especial ao longo de toda a quarentena. Aos que praticam essa devoção em família, talvez valha a pena baixar este arquivo em formato pdf , com as orações em latim e português, e fazer uma impressão dele para esses dias. No final do artigo é possível baixar outros arquivos que ajudarão a viver bem a Quaresma de São Miguel. Baixe o roteiro de oração em formato pdf Aos que desejarem conhecer mais e melhor essa prática, sua origem e seu significado espiritual, recomendamos que assistam aos seguintes programas “Ao vivo com Pe. Paulo”, sobre esse tema: O que é necessário? Antes de tudo, termos os devidos cuidados para não cairmos em superstição. A superstição é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Então, o nosso coração deve estar reconciliado com Deus e cheio de bons propósitos, para isso faça um breve exame de consciência. Após esta breve análise da sua vida, faça um altar com uma imagem de São Miguel (pode ser estátua ou de papel), colocando velas ou lamparinas bentas, e flores para enfeitar. Durante a Quaresma, faça penitências, jejuns e abstinências e uma boa confissão. Leia também Sugestões de penitências e mortificações na quaresma Durante todos os dias da quaresma de São Miguel, faça o Sinal da Cruz, se possível acenda uma vela, diga a sua intenção particular – por si ou por alguém – e reze as orações abaixo, e no dia 29 de Setembro procure participar da Festa de São Miguel com a Santa Missa. 1. Sinal da cruz . — Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 2. Pequeno exorcismo de Leão XIII . — São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate. Cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o Deus, instantemente o pedimos; e vós, príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno Satanás e os outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém. 3. Ladainha de São Miguel Arcanjo ( versão latina aqui ): Senhor, tende piedade de nós . Jesus Cristo, tende piedade de nós . Senhor, tende piedade de nós . Cristo, ouvi-nos . Cristo, atendei-nos . Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós . Filho redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós . Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós . Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós . Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós . São Miguel, rogai por nós . São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai … São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, São Miguel, coroado de honra e de glória, São Miguel, poderosíssimo príncipe dos exércitos do Senhor, São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, São Miguel, guardião do Paraíso, São Miguel, guia e consolador do povo israelita, São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante, São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante, São Miguel, luz dos anjos, São Miguel, baluarte dos cristãos, São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da cruz, São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, São Miguel, socorro muito certo, São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, São Miguel, arauto da sentença eterna, São Miguel, consolador das almas que estão no Purgatório, São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas depois da morte, São Miguel, nosso príncipe, São Miguel, nosso advogado, rogai por nós . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós . Rogai por nós, ó glorioso São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo, para que sejamos dignos de suas promessas . Oremos : Senhor Jesus, santificai-nos por uma bênção sempre nova e concedei-nos, pela intercessão de São Miguel, essa sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas do céu e a trocar os bens do tempo presente pelos da eternidade. Vós que viveis e reinais em todos os séculos dos séculos. Amém. 4. Consagração a São Miguel Arcanjo . — Ó Príncipe nobilíssimo dos Anjos, valoroso guerreiro do Altíssimo, zeloso defensor da glória do Senhor, terror dos espíritos rebeldes, amor e delícia de todos os Anjos justos, meu diletíssimo Arcanjo São Miguel, desejando eu fazer parte do número dos vossos devotos e servos, a vós hoje me consagro, me dou e me ofereço e ponho-me a mim próprio, a minha família e tudo o que me pertence, debaixo da vossa poderosíssima proteção. É pequena a oferta do meu serviço, sendo como sou um miserável pecador, mas vós engrandecereis o afeto do meu coração; recordai-vos que de hoje em diante estou debaixo do vosso sustento e deveis assistir-me em toda a minha vida e obter-me o perdão dos meus muitos e graves pecados, a graça de amar a Deus de todo coração, ao meu querido Salvador Jesus Cristo e a minha Mãe Maria Santíssima. Obtende-me aqueles auxílios que me são necessários para obter a coroa da eterna glória. Defendei-me dos inimigos da alma, especialmente na hora da morte. Vinde, ó príncipe gloriosíssimo, assistir-me na última luta e com a vossa arma poderosa lançai para longe, precipitando nos abismos do inferno, aquele anjo quebrador de promessas e soberbo que um dia prostrastes no combate no Céu. São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate para que não pereçamos no supremo juízo. 5. Oração final . — Levanta-se Deus, pela intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, São Miguel Arcanjo e todas as milícias celestes; sejam dispersos os seus inimigos e fujam de sua face todos os que o odeiam. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 6. Oração “Augusta Rainha” . — Augusta Rainha dos céus, soberana mestra dos Anjos, Vós que, desde o princípio, recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, nós vo-lo pedimos humildemente, enviai vossas legiões celestes para que, sob vossas ordens, e por vosso poder, elas persigam os demônios, combatendo-os por toda a parte, reprimindo-lhes a insolência, e lançando-os no abismo. Quem é como Deus? Ó Mãe de bondade e ternura, Vós sereis sempre o nosso amor e a nossa esperança. Ó Mãe divina, enviai os Santos Anjos para nos defenderem, e repeli para longe de nós o cruel inimigo. Santos Anjos e Arcanjos, defendei-nos e guardai-nos. Amém. Notas Na liturgia atual, S. Gabriel e S. Rafael também são celebrados no dia 29 de setembro, quando se encerra essa devoção. Mas vale a pena recordar, aos amantes do rito tradicional, que no calendário antigo os três arcanjos eram festejados separadamente: Gabriel em 24 de março, véspera da Anunciação, e Rafael em 24 de outubro (ambas festas de 3.ª classe, o equivalente às nossas memórias ). São Miguel manteve o dia 29 de setembro, mas antes era honrado com uma festa de 1.ª classe (o equivalente às nossas solenidades ). Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Outros arquivos para baixar : Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (preto e branco) Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (colorido) Calendário da Quaresma de São Miguel Capelinha de São Miguel #QuaresmadeSãoMiguel
- Último dia da Quaresma de São Miguel
Reze os 40 dias conosco! Como sugestão, além do roteiro que disponibilizamos abaixo, convidamos a todos para rezar o Rosário com o Frei Gilson ou Instituto Hesed , todos os dias às 4h da manhã ou no horário que tiver possibilidade: Aqueles que preferirem podem rezar a versão resumida: É costume que a Quaresma de São Miguel seja rezada diariamente, entre 15 de agosto e 29 de setembro , quando se celebra a festa deste Santo Arcanjo. Mas ela também pode ser feita em qualquer outra época do ano, por um período de 40 dias. Esta devoção deve-se a São Francisco de Assis, que sempre fazia orações especiais a São Miguel, quarenta dias antes da festa do Arcanjo (29 de Setembro). Foi difundida através dos seus discípulos, que o imitavam nessa devoção e recebiam graças. E, até hoje, temos esse belíssimo costume de consagrar as nossas vidas a São Miguel. Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Por se tratar de uma devoção privada , os fiéis que a praticam são livres para adotar as orações de sua preferência. As preces a seguir são mais uma sugestão de roteiro do que um rito fixo e imóvel, e costumam ser rezadas em frente a uma escultura ou estampa de São Miguel, e com uma vela benta acesa em sua honra. Também é hábito que se una a essas orações a prática de alguma penitência especial ao longo de toda a quarentena. Aos que praticam essa devoção em família, talvez valha a pena baixar este arquivo em formato pdf , com as orações em latim e português, e fazer uma impressão dele para esses dias. No final do artigo é possível baixar outros arquivos que ajudarão a viver bem a Quaresma de São Miguel. Baixe o roteiro de oração em formato pdf Aos que desejarem conhecer mais e melhor essa prática, sua origem e seu significado espiritual, recomendamos que assistam aos seguintes programas “Ao vivo com Pe. Paulo”, sobre esse tema: O que é necessário? Antes de tudo, termos os devidos cuidados para não cairmos em superstição. A superstição é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Então, o nosso coração deve estar reconciliado com Deus e cheio de bons propósitos, para isso faça um breve exame de consciência. Após esta breve análise da sua vida, faça um altar com uma imagem de São Miguel (pode ser estátua ou de papel), colocando velas ou lamparinas bentas, e flores para enfeitar. Durante a Quaresma, faça penitências, jejuns e abstinências e uma boa confissão. Leia também Sugestões de penitências e mortificações na quaresma Durante todos os dias da quaresma de São Miguel, faça o Sinal da Cruz, se possível acenda uma vela, diga a sua intenção particular – por si ou por alguém – e reze as orações abaixo, e no dia 29 de Setembro procure participar da Festa de São Miguel com a Santa Missa. 1. Sinal da cruz . — Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 2. Pequeno exorcismo de Leão XIII . — São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate. Cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o Deus, instantemente o pedimos; e vós, príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno Satanás e os outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém. 3. Ladainha de São Miguel Arcanjo ( versão latina aqui ): Senhor, tende piedade de nós . Jesus Cristo, tende piedade de nós . Senhor, tende piedade de nós . Cristo, ouvi-nos . Cristo, atendei-nos . Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós . Filho redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós . Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós . Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós . Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós . São Miguel, rogai por nós . São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai … São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, São Miguel, coroado de honra e de glória, São Miguel, poderosíssimo príncipe dos exércitos do Senhor, São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, São Miguel, guardião do Paraíso, São Miguel, guia e consolador do povo israelita, São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante, São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante, São Miguel, luz dos anjos, São Miguel, baluarte dos cristãos, São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da cruz, São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, São Miguel, socorro muito certo, São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, São Miguel, arauto da sentença eterna, São Miguel, consolador das almas que estão no Purgatório, São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas depois da morte, São Miguel, nosso príncipe, São Miguel, nosso advogado, rogai por nós . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós . Rogai por nós, ó glorioso São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo, para que sejamos dignos de suas promessas . Oremos : Senhor Jesus, santificai-nos por uma bênção sempre nova e concedei-nos, pela intercessão de São Miguel, essa sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas do céu e a trocar os bens do tempo presente pelos da eternidade. Vós que viveis e reinais em todos os séculos dos séculos. Amém. 4. Consagração a São Miguel Arcanjo . — Ó Príncipe nobilíssimo dos Anjos, valoroso guerreiro do Altíssimo, zeloso defensor da glória do Senhor, terror dos espíritos rebeldes, amor e delícia de todos os Anjos justos, meu diletíssimo Arcanjo São Miguel, desejando eu fazer parte do número dos vossos devotos e servos, a vós hoje me consagro, me dou e me ofereço e ponho-me a mim próprio, a minha família e tudo o que me pertence, debaixo da vossa poderosíssima proteção. É pequena a oferta do meu serviço, sendo como sou um miserável pecador, mas vós engrandecereis o afeto do meu coração; recordai-vos que de hoje em diante estou debaixo do vosso sustento e deveis assistir-me em toda a minha vida e obter-me o perdão dos meus muitos e graves pecados, a graça de amar a Deus de todo coração, ao meu querido Salvador Jesus Cristo e a minha Mãe Maria Santíssima. Obtende-me aqueles auxílios que me são necessários para obter a coroa da eterna glória. Defendei-me dos inimigos da alma, especialmente na hora da morte. Vinde, ó príncipe gloriosíssimo, assistir-me na última luta e com a vossa arma poderosa lançai para longe, precipitando nos abismos do inferno, aquele anjo quebrador de promessas e soberbo que um dia prostrastes no combate no Céu. São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate para que não pereçamos no supremo juízo. 5. Oração final . — Levanta-se Deus, pela intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, São Miguel Arcanjo e todas as milícias celestes; sejam dispersos os seus inimigos e fujam de sua face todos os que o odeiam. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 6. Oração “Augusta Rainha” . — Augusta Rainha dos céus, soberana mestra dos Anjos, Vós que, desde o princípio, recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, nós vo-lo pedimos humildemente, enviai vossas legiões celestes para que, sob vossas ordens, e por vosso poder, elas persigam os demônios, combatendo-os por toda a parte, reprimindo-lhes a insolência, e lançando-os no abismo. Quem é como Deus? Ó Mãe de bondade e ternura, Vós sereis sempre o nosso amor e a nossa esperança. Ó Mãe divina, enviai os Santos Anjos para nos defenderem, e repeli para longe de nós o cruel inimigo. Santos Anjos e Arcanjos, defendei-nos e guardai-nos. Amém. Notas Na liturgia atual, S. Gabriel e S. Rafael também são celebrados no dia 29 de setembro, quando se encerra essa devoção. Mas vale a pena recordar, aos amantes do rito tradicional, que no calendário antigo os três arcanjos eram festejados separadamente: Gabriel em 24 de março, véspera da Anunciação, e Rafael em 24 de outubro (ambas festas de 3.ª classe, o equivalente às nossas memórias ). São Miguel manteve o dia 29 de setembro, mas antes era honrado com uma festa de 1.ª classe (o equivalente às nossas solenidades ). Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Outros arquivos para baixar : Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (preto e branco) Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (colorido) Calendário da Quaresma de São Miguel Capelinha de São Miguel #QuaresmadeSãoMiguel
- Homilia Diária | Os Arcanjos a serviço dos homens
(Festa dos S. Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael) Após quarenta dias de devota preparação, finalmente celebramos a festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, que, empunhando a espada da humildade, triunfaram da soberba de Satanás e seus demônios e, com o escudo da obediência, protegem e auxiliam todos os fiéis a preservarmos intocado o dom preciosíssimo da graça santificante, conquistado para nós na Cruz e derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta sexta-feira, dia 29 de setembro, e que os Santos Arcanjos nos guardem sempre de todos os perigos e, por sua intercessão, nos alcancem a luz necessária para reconhecermos o quanto vale a graça divina! Santo do Dia: São Miguel, São Gabriel e São Rafael Arcanjos Evangelho (Jo 1,47-51) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Bendizei ao Senhor Deus, os seus poderes, seus ministros que fazeis sua vontade! (Sl 102,21) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 47 Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. 48 Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. 49 Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. 50 Jesus disse: “Tu crês porque te disse: ‘Eu te vi debaixo da figueira?’ Coisas maiores que esta verás!” 51 E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Homilia Diária | Os Arcanjos a serviço dos homens
(Festa dos S. Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael) Após quarenta dias de devota preparação, finalmente celebramos a festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, que, empunhando a espada da humildade, triunfaram da soberba de Satanás e seus demônios e, com o escudo da obediência, protegem e auxiliam todos os fiéis a preservarmos intocado o dom preciosíssimo da graça santificante, conquistado para nós na Cruz e derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta sexta-feira, dia 29 de setembro, e que os Santos Arcanjos nos guardem sempre de todos os perigos e, por sua intercessão, nos alcancem a luz necessária para reconhecermos o quanto vale a graça divina! Santo do Dia: São Miguel, São Gabriel e São Rafael Arcanjos Evangelho (Jo 1,47-51) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Bendizei ao Senhor Deus, os seus poderes, seus ministros que fazeis sua vontade! (Sl 102,21) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 47 Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. 48 Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. 49 Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. 50 Jesus disse: “Tu crês porque te disse: ‘Eu te vi debaixo da figueira?’ Coisas maiores que esta verás!” 51 E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária
- Súplica ardente aos Santos Anjos – Uma oração para tempos de grandes provações
Aprenda a rezar conosco esta poderosíssima oração . Se preferir reze acompanhando o vídeo: Súplica Ardente aos Santos Anjos Deus Uno e Trino, Onipotente e Eterno! Antes de recorrermos aos vossos servos, os Santos Anjos, prostramo-nos na vossa presença e Vos adoramos: Pai, Filho e Espírito Santo. Bendito e louvado sejais por toda a eternidade! Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal: que todos os Anjos e homens, que por Vós foram criados, Vos adorem, Vos amem e permaneçam no vosso serviço! E Vós, Maria, Rainha de todos os Anjos, aceitai benignamente as súplicas que dirigimos aos vossos servos; apresentai-as ao Altíssimo, Vós que sois a Medianeira de todas as graças e a onipotência suplicante, a fim de obtermos graça, salvação e auxílio. Amém! Poderosos Santos Anjos, que por Deus nos fostes concedidos para nossa proteção e auxílio, em nome da Santíssima Trindade, nós vos suplicamos: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos em nome do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos pelo poderosíssimo nome de Jesus: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos por todas as chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos por todos os martírios de Nosso Senhor Jesus Cristo: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos pela Palavra Santa de Deus: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos pelo Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos em nome do amor que Deus tem por nós pobres: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos em nome da fidelidade de Deus por nós pobres: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos em nome da misericórdia de Deus por nós pobres: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos em nome de Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos em nome de Maria, Rainha do Céu e da terra: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos em nome de Maria, vossa Rainha e Senhora: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos pela vossa própria bem-aventurança: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos pela vossa própria fidelidade: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos pela vossa luta na defesa do Reino de Deus: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos: Protegei-nos com o vosso escudo! Nós vos suplicamos: Defendei-nos com a vossa espada! Nós vos suplicamos: Iluminai-nos com a vossa luz! Nós vos suplicamos: Salvai-nos sob o manto protetor de Maria! Nós vos suplicamos: Guardai-nos no Coração de Maria! Nós vos suplicamos: Confiai-nos às mãos de Maria! Nós vos suplicamos: Mostrai-nos o caminho que conduz à porta da vida: o coração aberto de Nosso Senhor! Nós vos suplicamos: Guiai-nos com segurança à casa do Pai Celestial! Todos vós, nove coros dos Espíritos bem-aventurados: Vinde depressa, socorrei-nos! Nossos companheiros especiais e enviados por Deus: Vinde depressa, socorrei-nos! Insistentemente vos suplicamos: Vinde depressa, socorrei-nos! O Sangue Preciosíssimo de Nosso Senhor e Rei foi derramado por nós pobres: Insistentemente vos suplicamos: vinde depressa, socorrei-nos! O Coração de Nosso Senhor e Rei bate por amor de nós pobres: Insistentemente vos suplicamos: vinde depressa, socorrei-nos! O Coração Imaculado de Maria, Virgem puríssima e vossa Rainha, bate por amor de nós pobres: Insistentemente vos suplicamos: vinde depressa, socorrei-nos! São Miguel Arcanjo: Vós, Príncipe dos exércitos celestes, vencedor do dragão infernal, recebestes de Deus força e poder para aniquilar, pela humildade, a soberba do príncipe das trevas. Insistentemente vos suplicamos que nos alcanceis de Deus a verdadeira humildade de coração, uma fidelidade inabalável no cumprimento contínuo da vontade de Deus e uma grande fortaleza no sofrimento e na penúria. Ao comparecermos perante o tribunal de Deus socorrei-nos para que não desfaleçamos! São Gabriel Arcanjo: Vós, Anjo da Encarnação, Mensageiro fiel de Deus, abri os nossos ouvidos para que possam captar até mais suaves sugestões e apelos da graça emanados do Coração amabilíssimo de Nosso Senhor. Nós vos suplicamos que fiqueis sempre junto de nós, para que compreendendo bem a Palavra de Deus e suas inspirações, saibamos obedecer-lhe, cumprindo docilmente aquilo que Deus quer de nós. Fazei que estejamos sempre disponíveis e vigilantes. Que o Senhor, quando vier, não nos encontre dormindo! São Rafael Arcanjo: Vós que sois lança e bálsamo do amor divino, nós vos suplicamos, feri o nosso coração e depositai nele um amor ardente de Deus. Que a ferida não se apague nele, para que nos faça perseverar todos os dias no caminho do amor. Que tudo vençamos pelo amor! Anjos poderosos e nossos irmãos santos que servis diante do Trono de Deus, vinde em nosso auxílio. Defendei-nos de nós próprios, da nossa covardia e tibieza, do nosso egoísmo e ambição, da nossa inveja e falta de confiança, da nossa avidez na busca da abundância, do bem-estar e da estima pública. Desatai em nós as algemas do pecado e do apego às coisas terrenas. Tirai dos nossos olhos as vendas que nós mesmos lhes pusemos e que nos impedem de ver as necessidades do nosso próximo e a miséria do nosso ambiente, porque nos fechamos numa mórbida complacência de nós mesmos. Cravai no nosso coração o aguilhão da santa ansiedade por Deus, para que não cessemos de procurá-Lo com ardor, contrição e amor. Contemplai o Sangue do Senhor, derramado por nossa causa! Contemplai as lágrimas da vossa Rainha, choradas por nossa causa! Contemplai em nós a imagem de Deus, desfigurada por nossos pecados, que Ele por amor imprimiu em nossa alma! Auxiliai-nos a reconhecer a Deus, a adorá-Lo, amá-Lo e servi-Lo! Auxiliai-nos na luta contra o poder das trevas que, disfarçadamente, nos envolve e aflige. Auxiliai-nos, para que nenhum de nós se perca, permitindo assim que um dia nos reunamos todos, jubilosamente na eterna Bem-aventurança. Amém. Reza-se de manhã a Súplica Ardente e durante o dia invocam-se muitas vezes os Santos Anjos: São Miguel, assisti-nos com os vossos santos anjos. Ajudai-nos e rogai por nós. São Rafael, assisti-nos com os vossos santos anjos. Ajudai-nos e rogai por nós. São Gabriel, assisti-nos com os vossos santos anjos. Ajudai-nos e rogai por nós. ( Com aprovação eclesiástica do Vicariato de Roma em 1997) Ordem dos Cónegos Regrantes de Santa Cruz, Braga #Oração #SantosAnjos #SãoMiguel
- Súplica ardente aos Santos Anjos – Uma oração para tempos de grandes provações
Aprenda a rezar conosco esta poderosíssima oração . Se preferir reze acompanhando o vídeo: Súplica Ardente aos Santos Anjos Deus Uno e Trino, Onipotente e Eterno! Antes de recorrermos aos vossos servos, os Santos Anjos, prostramo-nos na vossa presença e Vos adoramos: Pai, Filho e Espírito Santo. Bendito e louvado sejais por toda a eternidade! Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal: que todos os Anjos e homens, que por Vós foram criados, Vos adorem, Vos amem e permaneçam no vosso serviço! E Vós, Maria, Rainha de todos os Anjos, aceitai benignamente as súplicas que dirigimos aos vossos servos; apresentai-as ao Altíssimo, Vós que sois a Medianeira de todas as graças e a onipotência suplicante, a fim de obtermos graça, salvação e auxílio. Amém! Poderosos Santos Anjos, que por Deus nos fostes concedidos para nossa proteção e auxílio, em nome da Santíssima Trindade, nós vos suplicamos: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos em nome do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos pelo poderosíssimo nome de Jesus: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos por todas as chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos por todos os martírios de Nosso Senhor Jesus Cristo: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos pela Palavra Santa de Deus: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos pelo Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos em nome do amor que Deus tem por nós pobres: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos em nome da fidelidade de Deus por nós pobres: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos em nome da misericórdia de Deus por nós pobres: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos em nome de Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos em nome de Maria, Rainha do Céu e da terra: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos em nome de Maria, vossa Rainha e Senhora: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos pela vossa própria bem-aventurança: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos pela vossa própria fidelidade: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos pela vossa luta na defesa do Reino de Deus: Vinde depressa, socorrei-nos! Nós vos suplicamos: Protegei-nos com o vosso escudo! Nós vos suplicamos: Defendei-nos com a vossa espada! Nós vos suplicamos: Iluminai-nos com a vossa luz! Nós vos suplicamos: Salvai-nos sob o manto protetor de Maria! Nós vos suplicamos: Guardai-nos no Coração de Maria! Nós vos suplicamos: Confiai-nos às mãos de Maria! Nós vos suplicamos: Mostrai-nos o caminho que conduz à porta da vida: o coração aberto de Nosso Senhor! Nós vos suplicamos: Guiai-nos com segurança à casa do Pai Celestial! Todos vós, nove coros dos Espíritos bem-aventurados: Vinde depressa, socorrei-nos! Nossos companheiros especiais e enviados por Deus: Vinde depressa, socorrei-nos! Insistentemente vos suplicamos: Vinde depressa, socorrei-nos! O Sangue Preciosíssimo de Nosso Senhor e Rei foi derramado por nós pobres: Insistentemente vos suplicamos: vinde depressa, socorrei-nos! O Coração de Nosso Senhor e Rei bate por amor de nós pobres: Insistentemente vos suplicamos: vinde depressa, socorrei-nos! O Coração Imaculado de Maria, Virgem puríssima e vossa Rainha, bate por amor de nós pobres: Insistentemente vos suplicamos: vinde depressa, socorrei-nos! São Miguel Arcanjo: Vós, Príncipe dos exércitos celestes, vencedor do dragão infernal, recebestes de Deus força e poder para aniquilar, pela humildade, a soberba do príncipe das trevas. Insistentemente vos suplicamos que nos alcanceis de Deus a verdadeira humildade de coração, uma fidelidade inabalável no cumprimento contínuo da vontade de Deus e uma grande fortaleza no sofrimento e na penúria. Ao comparecermos perante o tribunal de Deus socorrei-nos para que não desfaleçamos! São Gabriel Arcanjo: Vós, Anjo da Encarnação, Mensageiro fiel de Deus, abri os nossos ouvidos para que possam captar até mais suaves sugestões e apelos da graça emanados do Coração amabilíssimo de Nosso Senhor. Nós vos suplicamos que fiqueis sempre junto de nós, para que compreendendo bem a Palavra de Deus e suas inspirações, saibamos obedecer-lhe, cumprindo docilmente aquilo que Deus quer de nós. Fazei que estejamos sempre disponíveis e vigilantes. Que o Senhor, quando vier, não nos encontre dormindo! São Rafael Arcanjo: Vós que sois lança e bálsamo do amor divino, nós vos suplicamos, feri o nosso coração e depositai nele um amor ardente de Deus. Que a ferida não se apague nele, para que nos faça perseverar todos os dias no caminho do amor. Que tudo vençamos pelo amor! Anjos poderosos e nossos irmãos santos que servis diante do Trono de Deus, vinde em nosso auxílio. Defendei-nos de nós próprios, da nossa covardia e tibieza, do nosso egoísmo e ambição, da nossa inveja e falta de confiança, da nossa avidez na busca da abundância, do bem-estar e da estima pública. Desatai em nós as algemas do pecado e do apego às coisas terrenas. Tirai dos nossos olhos as vendas que nós mesmos lhes pusemos e que nos impedem de ver as necessidades do nosso próximo e a miséria do nosso ambiente, porque nos fechamos numa mórbida complacência de nós mesmos. Cravai no nosso coração o aguilhão da santa ansiedade por Deus, para que não cessemos de procurá-Lo com ardor, contrição e amor. Contemplai o Sangue do Senhor, derramado por nossa causa! Contemplai as lágrimas da vossa Rainha, choradas por nossa causa! Contemplai em nós a imagem de Deus, desfigurada por nossos pecados, que Ele por amor imprimiu em nossa alma! Auxiliai-nos a reconhecer a Deus, a adorá-Lo, amá-Lo e servi-Lo! Auxiliai-nos na luta contra o poder das trevas que, disfarçadamente, nos envolve e aflige. Auxiliai-nos, para que nenhum de nós se perca, permitindo assim que um dia nos reunamos todos, jubilosamente na eterna Bem-aventurança. Amém. Reza-se de manhã a Súplica Ardente e durante o dia invocam-se muitas vezes os Santos Anjos: São Miguel, assisti-nos com os vossos santos anjos. Ajudai-nos e rogai por nós. São Rafael, assisti-nos com os vossos santos anjos. Ajudai-nos e rogai por nós. São Gabriel, assisti-nos com os vossos santos anjos. Ajudai-nos e rogai por nós. ( Com aprovação eclesiástica do Vicariato de Roma em 1997) Ordem dos Cónegos Regrantes de Santa Cruz, Braga #Oração #SantosAnjos #SãoMiguel


















































