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- Power of Suggestion by Fr Bernard Shaw
Suggestion is one of the many useful and wonderful natural forces bestowed by God upon man. Its power under favourable circumstances is described by psychologists and proved by facts to be very great, sometimes even tremendous. It can be used for good and bad ends, for constructive and destructive purposes, for helping and harming, for curing and killing, for serving and dominating others… A frenchman of rank was condemned to death for some crime, and his friends, willing to avoid the scandal of public execution, allowed him to be made subject of an experiment. He was told that he must bleed to death. His eyes were bandaged and his arm having been slightly pricked, a stream of warm water was made to trickle down it and fall into a basin, while the assistant kept up a conversation on his supposed condition. “He is getting faint.” “The heart action is becoming feebler.” “His pulse is almost gone,” and other remarks of the sort. In a very short time, the miserable man died without having lost a drop of blood.
- Consequences of Knowing God and Divine Truths Through Reason Alone By St Thomas Aquinas
If a truth of this nature were left to the sole enquiry of reason, three disadvantages would follow; 1.)The knowledge of God would be confined to a few. The discovery of truth is the fruit of studious enquiry. From this, very many are hindered. Some are hindered by constitutional unfitness, their natures being ill-disposed to the acquisition of knowledge. They could never study knowledge of God. Some are hindered by Sloth. The knowledge of the truths that reason can investigate concerning God presupposes much previous knowledge. Indeed almost the entire study of philosophy is directed to the knowledge of God……Thus only with great labour of study is it possible to arrive at the searching out of the aforesaid truth; and this labour few are willing to undergo for sheer love of knowledge.Others will be hindered by needs of business and the ties of the management and property. There must be in a human society, some men are devoted to temporary affairs. These could not possibly spend time enough in the learned lessons of speculative enquiry to arrive at the hghest point of human enquiry. 2.)The discovery of the aforesaid truth would take a long time over it, on account of the profundity of such truth, and the many prerequisites to study, and also because in youth and early manhood, the soul, tossed to and fro on the waves of passion, is not fit for the study of such high truth; “only in settled age does the soul become prudent and scientific,” as the philosophers say. Thus, if the only way to open to knowledge of God were the way of reason, the human race would dwell long in thick darkness of ignorance; as the knowledge of God, the best human instrument for making men perfect and good, would accrue only to a few, and those few after a considerable lapse of time. 3.)Owing to the infirmity of our judgement and the perturbing force of imagination, there is some admixture of error in most of the investigations of human reason. This would be a reason to many for continuing to doubt even the most accurate demonstrations, not perceiving the force of demonstration, and seeing the divers judgements of divers persons who have the name of being wisemen….And therefore it was necessary for the real truth concerning divine things to be presented to men with fixed certainty by way of faith. ST THOMAS AQUINAS, PRAY FOR US.
- First blog post
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- Cardeal apresenta o Tratado da Verdadeira Devoção como ‘atalho’ para a santidade dos sa
VATICANO -Um “atalho” para a santidade dos sacerdotes do terceiro milênio: “São Luís Maria Grignion de Montfort nos mostra como conhecer, amar e servir Nosso Senhor tendo Maria como nossa Mãe, modelo e guia” O testemunho do Cardeal Ivan Dias Dublin (Agência Fides) – O “Tratado sobre a verdadeira devoção a Maria”, escrito por São Luís Maria Grignion de Montfort (1673-1716) no início de 1700, apesar de ser endereçado a todos os cristãos em geral, pode ser aplicado de modo particular aos sacerdotes, para que estes “sejam santos” segundo o desejo expresso pelo Papa João Paulo II, e sejam sacerdotes “segundo o Sagrado Coração de Jesus”. Um testemunho sobre a importância do “Tratado” na vida sacerdotal foi apresentado pelo Card. Ivan Dias, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, que interveio em 24 de maio, em Dublin, sobre o tema “A Nova Evangelização: sacerdotes e leigos. O grande desafio do novo milênio”. O Card. Dias confidenciou que, no pequeno livro providencialmente comprado em uma livraria de Bombaim, conheceu o segredo que São Luís Maria Grignion de Montfort revelava, “um atalho para a santidade”: “o segredo é Maria, a obra-prima da criação de Deus. Luís de Montfort nos mostra como conhecer, amar e servir Nosso Senhor com Maria como nossa Mãe, Modelo e Guia. Este livro é um tesouro inestimável”. No Tratado, cuja leitura foi recomendada por muitos Pontífices, São Luís Maria Grignion de Montfort “apresenta uma vívida imagem da Bem-aventurada Virgem Maria, que é muito relevante na sua relação com os sacerdotes”. O Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos falou então sobre as três principais dimensões da vocação sacerdotal: um chamado à santidade, um chamado ao serviço e um chamado ao combate espiritual. “São Luís Maria nos ensina como Maria possa desempenhar um papel essencial em cada uma delas”, disse o Cardeal. A santidade consiste em amar a Deus sobre todas as coisas com todo o nosso coração, a nossa alma e a nossa mente. Para alcançar este objetivo, Grignion de Montfort convida a consagrar-se completamente a Jesus por meio de Maria, em uma “escravidão de amor”. Uma escravidão que certamente não degrada a pessoa humana , mas enobrece e enaltece a dignidade humana. A Virgem Maria constitui um exemplo a seguir: “Ela se entregou totalmente a Deus como sua criatura sem levar nada para si mesma. Toda a sua existência foi dirigida unicamente a Deus. Deste modo, a Bem-aventurada Virgem Maria ensina a nós, sacerdotes, que devemos ter o cuidado de não nos colocar em um pedestal ou de tomar para nós mesmos a glória devida somente a Deus. Um sacerdote deve constantemente recordar a si mesmo que a sua vocação sacerdotal é um livre dom de Deus, dado não para méritos pessoais, talentos ou metas alcançadas, mas para a sua santificação e para construir o povo de Deus”. Em relação ao tema do humilde serviço de amor que caracteriza a vocação sacerdotal, o Card. Dias recordou que, na escola de espiritualidade de Monfort, “um sacerdote que consagra si mesmo como escravo do amor nunca pode considerar como sua prioridade pessoal algo que possui: a sua posição e os seus talentos, os seus bens materiais, as pessoas confiadas aos seus cuidados pastorais. Todas as coisas são dadas a ele somente para serem geridas”. Quando o Arcanjo Gabriel se afastou de Maria após a Anunciação, Maria não se comprazeu com as novas dignidades de que foi investida, de ser a Mãe de Deus, “mas foi correndo ajudar sua prima Isabel que, em idade avançada, esperava uma criança”. Nas núpcias de Cana, enquanto todos festejavam durante o banquete, Maria percebeu que os jarros de vinho estavam vazios e convenceu Jesus a realizar o seu primeiro milagre. “Para Maria, ser criatura do Senhor significa sair e ir ao encontro das necessidades dos outros, e continua a fazer isso também hoje, do seu trono no céu. Maria nos ensina… a colocar o nosso tempo e os nossos talentos a serviço de Deus e do próximo”. Em seguida, o Cardeal citou alguns trechos evangélicos da vida de Cristo, relacionados ao serviço, que constituem um válido exemplo para a realização do ministério sacerdotal. A terceira consideração do Card. Dias ligada à vocação sacerdotal disse respeito ao combate espiritual. A luta contra o mal teve início no jardim do Éden, no início da história humana. Já então Deus quis que Maria entrasse em cena e ali permanecesse até o final dos tempos. Nos mais de dois mil anos de história da Igreja, o combate entre as forças do bem e do mal se realizou com intensidade variável, na Igreja, em geral, e nos indivíduos. Os Santos, em particular, experimentaram mais plenamente este confronto, com perseguições, sofrimentos e dificuldades de vários gêneros. “Muitas pessoas, inclusive sacerdotes, preferem viver uma vida medíocre para não ser atormentados por Lucífero e pelos seus demônios – afirmou o Card. Dias -. De Montfort entendeu rapidamente esta batalha, e ele mesmo sofreu muito com as astúcias do Maligno.” O antídoto a todas as tentações do Maligno (riqueza, sucesso, poder) é a pobreza de espírito, que significa distância de tudo aquilo que nos afasta de Deus e, sobretudo, a humildade, que enternece o coração de Deus e o faz olhar para os pobres e os humildes. É justamente isso que de Montfort propõe na consagração a Jesus por meio de Maria. A seguir, o Card. Dias recordou as aparições da Virgem a Santa Catarina Labouré e o significado da Medalha Milagrosa, em que a Virgem é representada no ato de espezinhar a cabeça da cobra, o diabo. “A maior humilhação de Lucífero afirmou o Cardeal – é ser espezinhado pela Bem-aventurada Virgem Maria, um ser puramente humano, pertencente a uma categoria inferior a dos anjos: Ela o espezinhou não somente porque é a Mãe de Deus, mas por causa da sua humildade, que é o golpe de martelo com o qual espezinhou o obstinado orgulho de Lucífero”. O Card. Dias concluiu a sua intervenção recordando que, nos tempos em que vivemos, o sublime chamado ao sacerdócio requer ser “homens de Deus e homens pelos outros” e “no Tratado sobre a verdadeira devoção a Maria temos um segredo que pode ajudar a nós, padres, a levar adiante de modo eficaz esses impulsos da nossa vocação sacerdotal, de modo que sejam bem aceitos aos olhos de Deus. O segredo é Maria, por meio da qual São Luís Maria Grignion de Montfort nos chama a consagrar-nos como escravos do amor de Jesus”. (S.L.) Fonte: Agência Fides – 26/5/2007 #FormaçõesCatólicas
- Cardeal apresenta o Tratado da Verdadeira Devoção como ‘atalho’ para a santidade dos sa
VATICANO -Um “atalho” para a santidade dos sacerdotes do terceiro milênio: “São Luís Maria Grignion de Montfort nos mostra como conhecer, amar e servir Nosso Senhor tendo Maria como nossa Mãe, modelo e guia” O testemunho do Cardeal Ivan Dias Dublin (Agência Fides) – O “Tratado sobre a verdadeira devoção a Maria”, escrito por São Luís Maria Grignion de Montfort (1673-1716) no início de 1700, apesar de ser endereçado a todos os cristãos em geral, pode ser aplicado de modo particular aos sacerdotes, para que estes “sejam santos” segundo o desejo expresso pelo Papa João Paulo II, e sejam sacerdotes “segundo o Sagrado Coração de Jesus”. Um testemunho sobre a importância do “Tratado” na vida sacerdotal foi apresentado pelo Card. Ivan Dias, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, que interveio em 24 de maio, em Dublin, sobre o tema “A Nova Evangelização: sacerdotes e leigos. O grande desafio do novo milênio”. O Card. Dias confidenciou que, no pequeno livro providencialmente comprado em uma livraria de Bombaim, conheceu o segredo que São Luís Maria Grignion de Montfort revelava, “um atalho para a santidade”: “o segredo é Maria, a obra-prima da criação de Deus. Luís de Montfort nos mostra como conhecer, amar e servir Nosso Senhor com Maria como nossa Mãe, Modelo e Guia. Este livro é um tesouro inestimável”. No Tratado, cuja leitura foi recomendada por muitos Pontífices, São Luís Maria Grignion de Montfort “apresenta uma vívida imagem da Bem-aventurada Virgem Maria, que é muito relevante na sua relação com os sacerdotes”. O Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos falou então sobre as três principais dimensões da vocação sacerdotal: um chamado à santidade, um chamado ao serviço e um chamado ao combate espiritual. “São Luís Maria nos ensina como Maria possa desempenhar um papel essencial em cada uma delas”, disse o Cardeal. A santidade consiste em amar a Deus sobre todas as coisas com todo o nosso coração, a nossa alma e a nossa mente. Para alcançar este objetivo, Grignion de Montfort convida a consagrar-se completamente a Jesus por meio de Maria, em uma “escravidão de amor”. Uma escravidão que certamente não degrada a pessoa humana , mas enobrece e enaltece a dignidade humana. A Virgem Maria constitui um exemplo a seguir: “Ela se entregou totalmente a Deus como sua criatura sem levar nada para si mesma. Toda a sua existência foi dirigida unicamente a Deus. Deste modo, a Bem-aventurada Virgem Maria ensina a nós, sacerdotes, que devemos ter o cuidado de não nos colocar em um pedestal ou de tomar para nós mesmos a glória devida somente a Deus. Um sacerdote deve constantemente recordar a si mesmo que a sua vocação sacerdotal é um livre dom de Deus, dado não para méritos pessoais, talentos ou metas alcançadas, mas para a sua santificação e para construir o povo de Deus”. Em relação ao tema do humilde serviço de amor que caracteriza a vocação sacerdotal, o Card. Dias recordou que, na escola de espiritualidade de Monfort, “um sacerdote que consagra si mesmo como escravo do amor nunca pode considerar como sua prioridade pessoal algo que possui: a sua posição e os seus talentos, os seus bens materiais, as pessoas confiadas aos seus cuidados pastorais. Todas as coisas são dadas a ele somente para serem geridas”. Quando o Arcanjo Gabriel se afastou de Maria após a Anunciação, Maria não se comprazeu com as novas dignidades de que foi investida, de ser a Mãe de Deus, “mas foi correndo ajudar sua prima Isabel que, em idade avançada, esperava uma criança”. Nas núpcias de Cana, enquanto todos festejavam durante o banquete, Maria percebeu que os jarros de vinho estavam vazios e convenceu Jesus a realizar o seu primeiro milagre. “Para Maria, ser criatura do Senhor significa sair e ir ao encontro das necessidades dos outros, e continua a fazer isso também hoje, do seu trono no céu. Maria nos ensina… a colocar o nosso tempo e os nossos talentos a serviço de Deus e do próximo”. Em seguida, o Cardeal citou alguns trechos evangélicos da vida de Cristo, relacionados ao serviço, que constituem um válido exemplo para a realização do ministério sacerdotal. A terceira consideração do Card. Dias ligada à vocação sacerdotal disse respeito ao combate espiritual. A luta contra o mal teve início no jardim do Éden, no início da história humana. Já então Deus quis que Maria entrasse em cena e ali permanecesse até o final dos tempos. Nos mais de dois mil anos de história da Igreja, o combate entre as forças do bem e do mal se realizou com intensidade variável, na Igreja, em geral, e nos indivíduos. Os Santos, em particular, experimentaram mais plenamente este confronto, com perseguições, sofrimentos e dificuldades de vários gêneros. “Muitas pessoas, inclusive sacerdotes, preferem viver uma vida medíocre para não ser atormentados por Lucífero e pelos seus demônios – afirmou o Card. Dias -. De Montfort entendeu rapidamente esta batalha, e ele mesmo sofreu muito com as astúcias do Maligno.” O antídoto a todas as tentações do Maligno (riqueza, sucesso, poder) é a pobreza de espírito, que significa distância de tudo aquilo que nos afasta de Deus e, sobretudo, a humildade, que enternece o coração de Deus e o faz olhar para os pobres e os humildes. É justamente isso que de Montfort propõe na consagração a Jesus por meio de Maria. A seguir, o Card. Dias recordou as aparições da Virgem a Santa Catarina Labouré e o significado da Medalha Milagrosa, em que a Virgem é representada no ato de espezinhar a cabeça da cobra, o diabo. “A maior humilhação de Lucífero afirmou o Cardeal – é ser espezinhado pela Bem-aventurada Virgem Maria, um ser puramente humano, pertencente a uma categoria inferior a dos anjos: Ela o espezinhou não somente porque é a Mãe de Deus, mas por causa da sua humildade, que é o golpe de martelo com o qual espezinhou o obstinado orgulho de Lucífero”. O Card. Dias concluiu a sua intervenção recordando que, nos tempos em que vivemos, o sublime chamado ao sacerdócio requer ser “homens de Deus e homens pelos outros” e “no Tratado sobre a verdadeira devoção a Maria temos um segredo que pode ajudar a nós, padres, a levar adiante de modo eficaz esses impulsos da nossa vocação sacerdotal, de modo que sejam bem aceitos aos olhos de Deus. O segredo é Maria, por meio da qual São Luís Maria Grignion de Montfort nos chama a consagrar-nos como escravos do amor de Jesus”. (S.L.) Fonte: Agência Fides – 26/5/2007 #FormaçõesCatólicas
- A Grande Missão da Santíssima Virgem
Deus nos chama todos a sermos felizes. A nossa vida e o tempo que Deus nos deu é para que possamos dar essa resposta a Deus, assim como os anjos tiveram que, um dia, dar a sua resposta a Deus, se queriam ou não viver com o Senhor. Nós temos esse tempo agora! A vida é o tempo da nossa provação, é o tempo que Deus nos dá para firmarmos ou não nossa pertença a Ele, o nosso desejo de viver com Ele, de sermos felizes com Ele. Acontece que o nosso tempo aqui na terra, além de ser breve, é marcado por muitas tribulações, e o inimigo de Deus, satanás, quer de todas as maneiras, nos atingir porque ele, não podendo atingir o próprio Deus, tenta se vingar de Deus atingindo os seus filhos. De forma que nós passamos por este mundo em meio a muitas tribulações, que se nós não tivermos atentos podemos nos iludir e ser seduzidos pela astúcia de satanás. Nossa Senhora, ao contrário do que muitos pensam, não foi uma mulher qualquer, cuja missão se resumiu em gerar Jesus Cristo. Caso fosse apenas essa a sua missão, já seria um feito insuperável, digno das maiores das honrarias e realezas. Contudo, a missão da Santíssima Virgem vai muito além do que ser uma “barriga de aluguel”. São Luís Maria Grignion de Montfort nos ensina: “Jesus Cristo deu mais gloria a Deus, submetendo-se a Maria durante trinta anos, do que se tivesse convertido toda a terra pela realização dos mais estupendos milagres.” Deus nos dá a Santíssima Virgem como o meio, e como um auxílio para nos garantir trilhar o caminho correto e não nos desviar da verdade, mas praticar a justiça de forma a merecermos o Reino de Deus. Leia também A Origem da Total Consagração a Nossa Senhora Deus fez de Maria Santíssima, Mãe de todos nós, mãe, mestra e formadora para que Ela pudesse, então, nos ajudar atingir a meta que é a comunhão de amor com Deus para sempre. E para tal, Ele a constituiu como Senhora e Soberana de todos os corações. Para exercer a sua missão materna, para exercer essa maternidade espiritual sobre todos os seus filhos, evidentemente que Deus lhe concedeu a autoridade de Mãe. Como uma mãe tem a autoridade sobre seus filhos, Nossa Senhora tem a autoridade dada por Deus sobre nós e essa só pode e só será exercida à medida que nós aceitarmos, aderirmos este projeto, a esta vontade de Deus em relação a nós. Na vida natural uma mãe, mesmo com sua autoridade materna, pode ou não exerce-la sobre o filho à medida que o filho se deixa educar por ela. Deus quer o melhor para nós, Nossa Senhora é mãe e quer o melhor para nós, mas Ela pode nos formar, nos influenciar e nos orientar à medida que nós nos abrirmos a sua formação, formos dóceis aos seus conselhos, nos deixarmos moldar por Ela. Aqui está este ato de entrega, ato de abandono a Santíssima Virgem, dando a Ela essa liberdade de nos formar interiormente. Leia também A Total Consagração e a estratégia de Deus para salvar seu povo, revelada por Nossa Senhora em Fátima É necessário que nós nos deixemos formar por Ela, porque mesmo Ela tendo esta autoridade dada por Deus, Ela não pode exercê-la, se da nossa parte não houver abertura para essa missão que ela tem junto ao nosso coração. Nós precisamos, portanto, ter o conhecimento disto e depois aderir com todo o coração a este projeto de Deus. A grande parte dos católicos, dos cristãos não tira o proveito espiritual por desconhecer esta ligação que deveriam ter com a Santíssima Virgem. Cabe a Ela, portanto, nos conduzir no caminho da santidade, nos levar a este conhecimento de Deus e nos levar a este crescimento no amor de Deus. Se nós não tivermos a consciência da relação que Ela tem ao nosso coração, a nossa vida espiritual, nós vamos amá-la certamente, vamos confiar n’Ela, mas não vamos deixar formar por Ela, porque nem sabemos que isso deve acontecer. É isso que tem de fato acontecido, de maneira geral, com os nossos cristãos católicos, desconhecem essa missão de Nossa Senhora, em relação a sua vida pessoal, em relação à Igreja, desconhecem a missão confiada por Deus a Santíssima Virgem no âmbito pessoal (a missão d’Ela de conduzir cada um de nós a santidade – “Eis aí a Tua Mãe, como diz no evangelho”) e geral (a missão que Ela tem de conduzir toda Igreja – como comandante do exército de Deus). Leia também A MULHER, A SERPENTE E A PROFECIA Nossa Senhora disse a Lúcia de Fátima: “Estou reunindo meu exército, para a derradeira batalha com satanás”. Deus confiou a Ela a missão de esmagar a cabeça de satanás e de estender o Reinado de seu Filho no mundo, por isso ela disse também: “Por fim meu Imaculado Coração Triunfará”. Acontecerá esse Triunfo, mas depende do estabelecimento da verdadeira devoção. Porque para que Nossa Senhora possa conduzir o exército de Deus a este combate, a essa vitória, é preciso que os filhos de Deus se deixem conduzir por Ela e eles só deixarão se conduzir se tiverem consciência e convicção que Ela é essa comandante que Deus deixou, que Ela é a Mãe que Deus nos deu para conduzir os nossos passos. E a partir do momento que temos essa convicção fazemos um ato de abandono, somos dóceis às inspirações, a formação que Ela tem para nos oferecer, e é com esse objetivo que as pessoas conheçam e se deixem formar por Maria é que Deus suscitou muitos santos na escola da Igreja para nos falar da devoção, mas de uma maneira especial, São Luís de Montfort e o Tratado que ele escreveu que nos dá uma consciência dessa missão. Pe. Rodrigo Maria (transcrição de uma pregação) Leia também O que é a Santa Escravidão de Amor a Jesus por Maria? #FormaçõesCatólicas #NossaSenhora #TotalConsagração #TotusTuus
- A Grande Missão da Santíssima Virgem
Deus nos chama todos a sermos felizes. A nossa vida e o tempo que Deus nos deu é para que possamos dar essa resposta a Deus, assim como os anjos tiveram que, um dia, dar a sua resposta a Deus, se queriam ou não viver com o Senhor. Nós temos esse tempo agora! A vida é o tempo da nossa provação, é o tempo que Deus nos dá para firmarmos ou não nossa pertença a Ele, o nosso desejo de viver com Ele, de sermos felizes com Ele. Acontece que o nosso tempo aqui na terra, além de ser breve, é marcado por muitas tribulações, e o inimigo de Deus, satanás, quer de todas as maneiras, nos atingir porque ele, não podendo atingir o próprio Deus, tenta se vingar de Deus atingindo os seus filhos. De forma que nós passamos por este mundo em meio a muitas tribulações, que se nós não tivermos atentos podemos nos iludir e ser seduzidos pela astúcia de satanás. Nossa Senhora, ao contrário do que muitos pensam, não foi uma mulher qualquer, cuja missão se resumiu em gerar Jesus Cristo. Caso fosse apenas essa a sua missão, já seria um feito insuperável, digno das maiores das honrarias e realezas. Contudo, a missão da Santíssima Virgem vai muito além do que ser uma “barriga de aluguel”. São Luís Maria Grignion de Montfort nos ensina: “Jesus Cristo deu mais gloria a Deus, submetendo-se a Maria durante trinta anos, do que se tivesse convertido toda a terra pela realização dos mais estupendos milagres.” Deus nos dá a Santíssima Virgem como o meio, e como um auxílio para nos garantir trilhar o caminho correto e não nos desviar da verdade, mas praticar a justiça de forma a merecermos o Reino de Deus. Leia também A Origem da Total Consagração a Nossa Senhora Deus fez de Maria Santíssima, Mãe de todos nós, mãe, mestra e formadora para que Ela pudesse, então, nos ajudar atingir a meta que é a comunhão de amor com Deus para sempre. E para tal, Ele a constituiu como Senhora e Soberana de todos os corações. Para exercer a sua missão materna, para exercer essa maternidade espiritual sobre todos os seus filhos, evidentemente que Deus lhe concedeu a autoridade de Mãe. Como uma mãe tem a autoridade sobre seus filhos, Nossa Senhora tem a autoridade dada por Deus sobre nós e essa só pode e só será exercida à medida que nós aceitarmos, aderirmos este projeto, a esta vontade de Deus em relação a nós. Na vida natural uma mãe, mesmo com sua autoridade materna, pode ou não exerce-la sobre o filho à medida que o filho se deixa educar por ela. Deus quer o melhor para nós, Nossa Senhora é mãe e quer o melhor para nós, mas Ela pode nos formar, nos influenciar e nos orientar à medida que nós nos abrirmos a sua formação, formos dóceis aos seus conselhos, nos deixarmos moldar por Ela. Aqui está este ato de entrega, ato de abandono a Santíssima Virgem, dando a Ela essa liberdade de nos formar interiormente. Leia também A Total Consagração e a estratégia de Deus para salvar seu povo, revelada por Nossa Senhora em Fátima É necessário que nós nos deixemos formar por Ela, porque mesmo Ela tendo esta autoridade dada por Deus, Ela não pode exercê-la, se da nossa parte não houver abertura para essa missão que ela tem junto ao nosso coração. Nós precisamos, portanto, ter o conhecimento disto e depois aderir com todo o coração a este projeto de Deus. A grande parte dos católicos, dos cristãos não tira o proveito espiritual por desconhecer esta ligação que deveriam ter com a Santíssima Virgem. Cabe a Ela, portanto, nos conduzir no caminho da santidade, nos levar a este conhecimento de Deus e nos levar a este crescimento no amor de Deus. Se nós não tivermos a consciência da relação que Ela tem ao nosso coração, a nossa vida espiritual, nós vamos amá-la certamente, vamos confiar n’Ela, mas não vamos deixar formar por Ela, porque nem sabemos que isso deve acontecer. É isso que tem de fato acontecido, de maneira geral, com os nossos cristãos católicos, desconhecem essa missão de Nossa Senhora, em relação a sua vida pessoal, em relação à Igreja, desconhecem a missão confiada por Deus a Santíssima Virgem no âmbito pessoal (a missão d’Ela de conduzir cada um de nós a santidade – “Eis aí a Tua Mãe, como diz no evangelho”) e geral (a missão que Ela tem de conduzir toda Igreja – como comandante do exército de Deus). Leia também A MULHER, A SERPENTE E A PROFECIA Nossa Senhora disse a Lúcia de Fátima: “Estou reunindo meu exército, para a derradeira batalha com satanás”. Deus confiou a Ela a missão de esmagar a cabeça de satanás e de estender o Reinado de seu Filho no mundo, por isso ela disse também: “Por fim meu Imaculado Coração Triunfará”. Acontecerá esse Triunfo, mas depende do estabelecimento da verdadeira devoção. Porque para que Nossa Senhora possa conduzir o exército de Deus a este combate, a essa vitória, é preciso que os filhos de Deus se deixem conduzir por Ela e eles só deixarão se conduzir se tiverem consciência e convicção que Ela é essa comandante que Deus deixou, que Ela é a Mãe que Deus nos deu para conduzir os nossos passos. E a partir do momento que temos essa convicção fazemos um ato de abandono, somos dóceis às inspirações, a formação que Ela tem para nos oferecer, e é com esse objetivo que as pessoas conheçam e se deixem formar por Maria é que Deus suscitou muitos santos na escola da Igreja para nos falar da devoção, mas de uma maneira especial, São Luís de Montfort e o Tratado que ele escreveu que nos dá uma consciência dessa missão. Pe. Rodrigo Maria (transcrição de uma pregação) Leia também O que é a Santa Escravidão de Amor a Jesus por Maria? #FormaçõesCatólicas #NossaSenhora #TotalConsagração #TotusTuus
- A última entrevista pública da Irmã Lúcia
Citada pelo P.e Joaquin María Alonso, C.M.F. († 12 de Dezembro de 1981), Arquivista oficial de Fátima, do seu opúsculo La verdad sobre el Secreto de Fátima, Fátima sin mitos O Pe. Augustín Fuentes, sacerdote mexicano, nomeado vice-postulador das causas de beatificação dos videntes, conversa com Lúcia no dia 26 de Dezembro de 1957. Regressado ao México, proferiu uma conferência na Casa Mãe das Missionárias do Sagrado Coração e de Nossa Senhora de Guadalupe a 22 de Maio do ano seguinte (1958), na qual lhes comunicou aquela entrevista. Possuímos dois textos “autênticos” dessa conferência: um em espanhol e outro em inglês. O primeiro é bastante mais longo do que o segundo, que é uma tradução abreviada, embora essencialmente idêntica ao primeiro. Assim sendo, recolhamos apenas do texto mais original, em espanhol, os parágrafos que se referem às declarações de Lúcia. Começa por se falar de uma mensagem recebida «da própria boca da principal vidente». «(…) Quero contar-vos unicamente a última conversa que tive com ela, e que foi a 26 de Dezembro do ano passado: «Encontrei-a no seu convento muito triste, pálida e macerada; e disse-me. “Senhor Padre, a Santíssima Virgem está muito triste, por ninguém fazer caso da Sua Mensagem, nem os bons nem os maus: os bons, porque continuam no seu caminho de bondade, mas sem fazer caso desta Mensagem; os maus, porque, não vendo que o castigo de Deus já paira sobre eles por causa dos seus pecados, continuam também no seu caminho de maldade, sem fazer caso desta Mensagem. Mas – creia-me, Senhor Padre – Deus vai castigar o mundo, e vai castigá-lo de uma maneira tremenda. O castigo do Céu está iminente. Senhor Padre, o que falta para 1960? E o que sucederá então? Será uma coisa muito triste para todos, não uma coisa alegre, se, antes, o mundo não fizer oração e penitência. Não posso detalhar mais, uma vez que é ainda um segredo que, por vontade da Santíssima Virgem, só pôde ser conhecido pelo Santo Padre e pelo Senhor Bispo de Fátima – mas nem um nem outro o quiseram ler, para não se deixarem influenciar. É a terceira parte da Mensagem de Nossa Senhora, que ainda permanece em segredo até essa data de 1960. Diga-lhes, Senhor Padre, que a Santíssima Virgem repetidas vezes – tanto aos meus primos Francisco e Jacinta como a mim – nos disse: ‘Que muitas nações desaparecerão da face da terra, que a Rússia seria o instrumento do castigo do Céu para todo o mundo, se antes não alcançássemos a conversão dessa pobre Nação (…)’. A Irmã Lúcia disse-me ainda: “Senhor Padre, o demónio está travando uma batalha decisiva contra a Virgem Maria. E como sabe que é o que mais ofende a Deus e o que, em menos tempo, lhe fará ganhar um maior número de almas, trata de ganhar para si as almas consagradas a Deus, pois que desta maneira deixa também o campo das almas desamparado e mais facilmente se apodera delas. Diga-lhes também, Senhor Padre, que os meus primos Francisco e Jacinta sacrificaram-se porque viram a Santíssima Virgem sempre muito triste em todas as Suas aparições. Nunca Se sorriu para nós; e essa tristeza e essa angústia que notávamos na Santíssima Virgem, por causa das ofensas a Deus e dos castigos que ameaçavam os pecadores, sentíamo-las até à alma. E nem sabíamos o que mais inventar para encontrarmos, na nossa imaginação infantil, meios de fazer oração e sacrifícios (…). O segundo [meio] que santificou estas crianças foi a visão do inferno (…). Por isso, Senhor Padre, a minha missão não é indicar ao mundo os castigos materiais que decerto virão sobre a terra se, antes, o mundo não fizer oração e penitência. Não. A minha missão é indicar a todos o perigo iminente em que estamos de perder para sempre a nossa alma, se persistirmos em continuar agarrados ao pecado.” “Senhor Padre – dizia-me a Irmã Lúcia –, não esperemos que venha de Roma um chamamento à penitência, da parte do Santo Padre, para todo o mundo; nem esperemos também que tal apelo venha da parte dos Senhores Bispos para cada uma das Dioceses; nem sequer, ainda, das Congregações Religiosas. Não. Nosso Senhor usou já muitos destes meios e ninguém fez caso deles. Por isso, agora… agora que cada um de nós comece por si próprio a sua reforma espiritual: que tem que salvar não só a sua alma mas também todas as almas que Deus pôs no seu caminho (…). Senhor Padre, a Santíssima Virgem não me disse que nos encontramos nos últimos tempos do mundo, mas deu-mo a entender por três motivos: O primeiro, porque me disse que o demónio está travando uma batalha decisiva contra a Virgem Maria – e uma batalha decisiva é uma batalha final, onde se vai saber de que lado será a vitória e de que lado será a derrota. Por isso, agora, ou somos de Deus ou somos do demónio: não há meio termo.O segundo, porque me disse, tanto aos meus primos como a mim, que eram dois os últimos remédios que Deus dava ao mundo: o Santo Rosário [ou o Santo Terço] e a devoção ao Coração Imaculado de Maria; e, se são os últimos remédios, quer dizer que são mesmo os últimos, que já não vai haver outros. E o terceiro porque – sempre – nos planos da Divina Providência, quando Deus vai castigar o mundo, esgota primeiro todos os outros meios; depois, ao ver que o mundo não fez caso de nenhum deles, só então (como diríamos no nosso modo imperfeito de falar) é que Sua Mãe Santíssima nos apresenta, envolto num certo temor, o último meio de salvação. Porque se desprezarmos e repelirmos este último meio, já não obteremos o perdão do Céu: porque cometemos um pecado a que no Evangelho é costume chamar ‘pecado contra o Espírito Santo’ e que consiste em repelir abertamente, com todo o conhecimento e vontade, a salvação que nos é entregue em mãos; e também porque Nosso Senhor é muito bom Filho, e não permite que ofendamos e desprezemos Sua Mãe Santíssima – tendo como testemunho patente a história de vários séculos da Igreja que, com exemplos terríveis, nos mostra como Nosso Senhor saiu sempre em defesa da Honra de Sua Mãe Santíssima. São dois os meios para salvar o mundo, dizia-me a Irmã Lúcia de Jesus: a oração e o sacrifício (…). E depois, o Santo Rosário. Olhe, Senhor Padre, a Santíssima Virgem, nestes últimos tempos em que vivemos, deu uma nova eficácia à oração do Santo Rosário. De tal maneira que agora não há problema, por mais difícil que seja, seja temporal ou, sobretudo, espiritual – que se refira à vida pessoal de cada um de nós; ou à vida das nossas famílias, sejam as famílias do mundo sejam as Comunidades Religiosas; ou à vida dos povos e das nações –, não há problema, repito, por mais difícil que seja, que não possamos resolver agora com a oração do Santo Rosário. Com o Santo Rosário nos salvaremos, nos santificaremos, consolaremos a Nosso Senhor e obteremos a salvação de muitas almas. E depois, a devoção ao Imaculado Coração de Maria, Mãe Santíssima, vendo nós Nela a sede da clemência, da bondade e do perdão, e a porta segura para entrar no Céu. Esta é a primeira parte da Mensagem referente a Nossa Senhora de Fátima; e a segunda parte que, embora mais breve, não é menos importante, refere-se ao Santo Padre.
- A última entrevista pública da Irmã Lúcia
Citada pelo P.e Joaquin María Alonso, C.M.F. († 12 de Dezembro de 1981), Arquivista oficial de Fátima, do seu opúsculo La verdad sobre el Secreto de Fátima, Fátima sin mitos O Pe. Augustín Fuentes, sacerdote mexicano, nomeado vice-postulador das causas de beatificação dos videntes, conversa com Lúcia no dia 26 de Dezembro de 1957. Regressado ao México, proferiu uma conferência na Casa Mãe das Missionárias do Sagrado Coração e de Nossa Senhora de Guadalupe a 22 de Maio do ano seguinte (1958), na qual lhes comunicou aquela entrevista. Possuímos dois textos “autênticos” dessa conferência: um em espanhol e outro em inglês. O primeiro é bastante mais longo do que o segundo, que é uma tradução abreviada, embora essencialmente idêntica ao primeiro. Assim sendo, recolhamos apenas do texto mais original, em espanhol, os parágrafos que se referem às declarações de Lúcia. Começa por se falar de uma mensagem recebida «da própria boca da principal vidente». «(…) Quero contar-vos unicamente a última conversa que tive com ela, e que foi a 26 de Dezembro do ano passado: «Encontrei-a no seu convento muito triste, pálida e macerada; e disse-me. “Senhor Padre, a Santíssima Virgem está muito triste, por ninguém fazer caso da Sua Mensagem, nem os bons nem os maus: os bons, porque continuam no seu caminho de bondade, mas sem fazer caso desta Mensagem; os maus, porque, não vendo que o castigo de Deus já paira sobre eles por causa dos seus pecados, continuam também no seu caminho de maldade, sem fazer caso desta Mensagem. Mas – creia-me, Senhor Padre – Deus vai castigar o mundo, e vai castigá-lo de uma maneira tremenda. O castigo do Céu está iminente. Senhor Padre, o que falta para 1960? E o que sucederá então? Será uma coisa muito triste para todos, não uma coisa alegre, se, antes, o mundo não fizer oração e penitência. Não posso detalhar mais, uma vez que é ainda um segredo que, por vontade da Santíssima Virgem, só pôde ser conhecido pelo Santo Padre e pelo Senhor Bispo de Fátima – mas nem um nem outro o quiseram ler, para não se deixarem influenciar. É a terceira parte da Mensagem de Nossa Senhora, que ainda permanece em segredo até essa data de 1960. Diga-lhes, Senhor Padre, que a Santíssima Virgem repetidas vezes – tanto aos meus primos Francisco e Jacinta como a mim – nos disse: ‘Que muitas nações desaparecerão da face da terra, que a Rússia seria o instrumento do castigo do Céu para todo o mundo, se antes não alcançássemos a conversão dessa pobre Nação (…)’. A Irmã Lúcia disse-me ainda: “Senhor Padre, o demónio está travando uma batalha decisiva contra a Virgem Maria. E como sabe que é o que mais ofende a Deus e o que, em menos tempo, lhe fará ganhar um maior número de almas, trata de ganhar para si as almas consagradas a Deus, pois que desta maneira deixa também o campo das almas desamparado e mais facilmente se apodera delas. Diga-lhes também, Senhor Padre, que os meus primos Francisco e Jacinta sacrificaram-se porque viram a Santíssima Virgem sempre muito triste em todas as Suas aparições. Nunca Se sorriu para nós; e essa tristeza e essa angústia que notávamos na Santíssima Virgem, por causa das ofensas a Deus e dos castigos que ameaçavam os pecadores, sentíamo-las até à alma. E nem sabíamos o que mais inventar para encontrarmos, na nossa imaginação infantil, meios de fazer oração e sacrifícios (…). O segundo [meio] que santificou estas crianças foi a visão do inferno (…). Por isso, Senhor Padre, a minha missão não é indicar ao mundo os castigos materiais que decerto virão sobre a terra se, antes, o mundo não fizer oração e penitência. Não. A minha missão é indicar a todos o perigo iminente em que estamos de perder para sempre a nossa alma, se persistirmos em continuar agarrados ao pecado.” “Senhor Padre – dizia-me a Irmã Lúcia –, não esperemos que venha de Roma um chamamento à penitência, da parte do Santo Padre, para todo o mundo; nem esperemos também que tal apelo venha da parte dos Senhores Bispos para cada uma das Dioceses; nem sequer, ainda, das Congregações Religiosas. Não. Nosso Senhor usou já muitos destes meios e ninguém fez caso deles. Por isso, agora… agora que cada um de nós comece por si próprio a sua reforma espiritual: que tem que salvar não só a sua alma mas também todas as almas que Deus pôs no seu caminho (…). Senhor Padre, a Santíssima Virgem não me disse que nos encontramos nos últimos tempos do mundo, mas deu-mo a entender por três motivos: O primeiro, porque me disse que o demónio está travando uma batalha decisiva contra a Virgem Maria – e uma batalha decisiva é uma batalha final, onde se vai saber de que lado será a vitória e de que lado será a derrota. Por isso, agora, ou somos de Deus ou somos do demónio: não há meio termo.O segundo, porque me disse, tanto aos meus primos como a mim, que eram dois os últimos remédios que Deus dava ao mundo: o Santo Rosário [ou o Santo Terço] e a devoção ao Coração Imaculado de Maria; e, se são os últimos remédios, quer dizer que são mesmo os últimos, que já não vai haver outros. E o terceiro porque – sempre – nos planos da Divina Providência, quando Deus vai castigar o mundo, esgota primeiro todos os outros meios; depois, ao ver que o mundo não fez caso de nenhum deles, só então (como diríamos no nosso modo imperfeito de falar) é que Sua Mãe Santíssima nos apresenta, envolto num certo temor, o último meio de salvação. Porque se desprezarmos e repelirmos este último meio, já não obteremos o perdão do Céu: porque cometemos um pecado a que no Evangelho é costume chamar ‘pecado contra o Espírito Santo’ e que consiste em repelir abertamente, com todo o conhecimento e vontade, a salvação que nos é entregue em mãos; e também porque Nosso Senhor é muito bom Filho, e não permite que ofendamos e desprezemos Sua Mãe Santíssima – tendo como testemunho patente a história de vários séculos da Igreja que, com exemplos terríveis, nos mostra como Nosso Senhor saiu sempre em defesa da Honra de Sua Mãe Santíssima. São dois os meios para salvar o mundo, dizia-me a Irmã Lúcia de Jesus: a oração e o sacrifício (…). E depois, o Santo Rosário. Olhe, Senhor Padre, a Santíssima Virgem, nestes últimos tempos em que vivemos, deu uma nova eficácia à oração do Santo Rosário. De tal maneira que agora não há problema, por mais difícil que seja, seja temporal ou, sobretudo, espiritual – que se refira à vida pessoal de cada um de nós; ou à vida das nossas famílias, sejam as famílias do mundo sejam as Comunidades Religiosas; ou à vida dos povos e das nações –, não há problema, repito, por mais difícil que seja, que não possamos resolver agora com a oração do Santo Rosário. Com o Santo Rosário nos salvaremos, nos santificaremos, consolaremos a Nosso Senhor e obteremos a salvação de muitas almas. E depois, a devoção ao Imaculado Coração de Maria, Mãe Santíssima, vendo nós Nela a sede da clemência, da bondade e do perdão, e a porta segura para entrar no Céu. Esta é a primeira parte da Mensagem referente a Nossa Senhora de Fátima; e a segunda parte que, embora mais breve, não é menos importante, refere-se ao Santo Padre.
- Exame de Consciência é o primeiro passo para uma boa Confissão
O Exame de Consciência é o primeiro passo para fazer uma boa confissão. Neste exame de consciência vamos examinar nossas atitudes tendo como base os 10 mandamentos. Leia: 🛐 5 passos para uma boa confissão: a) Exame de Consciência bem feito – rezar e pensar nos pecados cometidos por pensamentos, palavras, atos e omissões; b) Arrependimento sincero dos pecados cometidos – inclusive os pecados que já foram perdoados c) Propósito de nunca mais pecar – “Antes morrer do que pecar” ~ São Domingos Sávio d) Confissão individual com o sacerdote – contar aos pecados ao confessor em espécie, número e circunstâncias. e) Satisfação – isto é, execução da penitência imposta pelo confessor, se possível imediatamente. 📌 Dicas sobre como se confessar – Antes de mais nada, examine bem a sua consciência através do exame de consciência. – De preferência escreva os pecados em um papel. Essa prática é muito comum e muito útil para não esquecer nenhum pecado no momento da confissão e, desta forma, a confissão é mais rápida e objetiva. – Diga ao sacerdote que pecados específicos cometeu, com a maior exatidão possível, quantas vezes os cometeu desde a sua última boa confissão. – Só é obrigado a confessar os pecados mortais, visto que pode obter o perdão dos seus pecados veniais através de sacrifícios e atos de caridade, mas se quiser incluir os pecados veniais recorrentes, não há impedimento. – Recorde-se, também, que a confissão dos pecados veniais ajuda muito a evitar o pecado e a avançar na direção do Céu. – Se estiver em dúvida sobre se um pecado é mortal ou venial, mencione ao confessor a sua dúvida. ✝️ Pecado Mortal O pecado considerado mortal ou grave (que nos retira da graça e a comunhão com Deus) é uma desobediência grave à Deus e à sua Lei. Veja as condições necessárias para um pecado ser mortal. Um pecado é considerado mortal quando: 1 – A matéria é grave (ou seja, quando se trata de algo importante) 2 – Existe o conhecimento de causa (ou seja, quando a pessoa sabe o que está fazendo) 3 – Há a vontade deliberada (ou seja, quando se faz por querer, livremente) Se faltar um desses três itens o pecado é leve ou venial. Para saber mais leia o artigo: Pecado Mortal – Obstáculo para nossa Salvação 🕯️ Oração para antes da Confissão Senhor, iluminai-me para me ver a mim próprio tal como Vós me vedes, e dai-me a graça de me arrepender verdadeira e efetivamente dos meus pecados. Ó Virgem Santíssima, ajudai-me a fazer uma boa confissão. Considerações preliminares: Alguma vez deixei de confessar um pecado grave, ou conscientemente disfarcei ou escondi um tal pecado? Nota: Esconder deliberadamente um pecado mortal invalida a confissão, e é igualmente pecado mortal. Lembre-se que a confissão é privada e sujeita ao Sigilo da Confissão, o que quer dizer que é pecado mortal um sacerdote revelar a quem quer que seja a matéria de uma confissão. Alguma vez fui irreverente para com este Sacramento, não examinando a minha consciência com o devido cuidado? Alguma vez deixei de cumprir a penitência que o sacerdote me impôs? Tenho quaisquer hábitos de pecado grave que deva confessar logo no início (por exemplo, impureza, alcoolismo, etc.)? 1º Mandamento – Amar a Deus sobre todas as coisas Eu sou o Senhor teu Deus, Não terás deuses estranhos perante Mim (incluindo pecados contra a Fé, Esperança e Caridade). Descuidei o conhecimento da minha fé, tal como o Catecismo a ensina, tal como o Credo dos Apóstolos, os Dez Mandamentos, os Sete Sacramentos, o Pai Nosso, etc? Alguma vez duvidei deliberadamente de algum ensinamento da Igreja, ou o neguei? Tomei parte num ato de culto não católico? Sou membro de alguma organização religiosa não católica, de alguma sociedade secreta ou de um grupo anti-católico? Alguma vez li, com consciência do que fazia, alguma literatura herética, blasfema ou anti-católica? Pratiquei alguma superstição (tal como horóscopos, adivinhação, tábua Ouija, etc.)? Omiti algum dever ou prática religiosa por respeitos humanos? Recomendo-me a Deus diariamente? Tenho rezado fielmente as minhas orações diárias? Abusei os Sacramentos de alguma maneira? Recebi-os com irreverência, como, por exemplo, a Comunhão na Mão sem obedecer aos princípios e às sete regras promulgadas por Paulo VI como sendo obrigatórias neste caso? Trocei de Deus, de Nossa Senhora, dos Santos, da Igreja, dos Sacramentos, ou de quaisquer coisas santas? Fui culpado de grande irreverência na igreja, como, por exemplo, em conversas, comportamento ou modo como estava vestido? Fui indiferente quanto à minha Fé Católica — acreditando que uma pessoa pode salvar-se em qualquer religião, ou que todas as religiões são iguais? Presumi em qualquer altura que tinha garantida a misericórdia de Deus? Desesperei da misericórdia de Deus? Detestei a Deus? Dei demasiada importância a alguma criatura, atividade, objeto ou opinião? 2º Mandamento – Não tomarás o Nome do Senhor teu Deus em vão Jurei pelo nome de Deus falsamente, impensadamente, ou em assuntos triviais e sem importância? Murmurei ou queixei-me contra Deus (blasfêmia)? Amaldiçoei-me a mim próprio, ou a outra pessoa ou criatura? Provoquei alguém à ira, para o fazer praguejar ou blasfemar a Deus? Quebrei uma promessa feita a Deus? 3º Mandamento – Guardar Domingos e Festas Faltei à Missa nos Domingos ou Festas de guarda? Cheguei atrasado à Missa nos Domingos e Dias Santos de guarda, ou saí mais cedo por minha culpa? Fiz com que outras pessoas faltassem à Missa nos Domingos e Dias Santos de guarda, ou saíssem mais cedo, ou chegassem atrasados à Missa? Estive distraído propositadamente durante a Missa? Fiz ou mandei fazer trabalho servil desnecessário num Domingo ou Festa de guarda? Comprei ou vendi coisas sem necessidade nos Domingos e Dias Santos de guarda? 4º Mandamento: Honra o teu pai e a tua mãe Desobedeci aos meus pais, faltei-lhes ao respeito, descuidei-me em ajudá-los nas suas necessidades ou na compilação do seu testamento, ou recusei-me a fazê-lo? Mostrei irreverência em relação a pessoas em posições de autoridade? Insultei ou disse mal de sacerdotes ou de outras pessoas consagradas a Deus? Tive menos reverência para com pessoas de idade? Tratei mal a minha esposa ou os meus filhos? Foi desobediente ao meu marido, ou faltei-lhe ao respeito? Sobre os meus filhos: – Descuidei as suas necessidades materiais? – Não tratei de os fazer batizar cedo? *(Veja-se em baixo.) – Descuidei a sua educação religiosa correcta? – Permiti que eles descuidassem os seus deveres religiosos? – Consenti que se encontrassem ou namorassem sem haver hipótese de se celebrar o matrimónio num futuro próximo? (Santo Afonso propõe um ano, no máximo). – Deixei de vigiar as companhias com quem andam? – Deixei de os disciplinar quando necessitassem de tal? – Dei-lhes mau exemplo? – Escandalizei-os, discutindo com o meu cônjuge em frente deles? – Escandalizei-os ao dizer imprecações e obscenidades à sua frente? – Guardei modéstia na minha casa? – Permiti-lhes que usassem roupa imodesta (minissaias; calças justas, vestidos ou camisolas justos; blusas transparentes; calções muito curtos; fatos de banho reveladores; etc.)? † – Neguei-lhes a liberdade de casar ou seguir uma vocação religiosa? † Muito Importante: MODÉSTIA NO VESTUÁRIO * As crianças devem ser batizadas o mais cedo possível. Além das prescrições diocesanas particulares, parece ser a opinião geral que uma criança deve ser batizada cerca de uma semana ou dez dias a seguir ao nascimento. Muitos católicos atrasam o baptismo por quinze dias ou um pouco mais. A ideia de administrar o Batismo nos três dias que se seguem ao parto é demasiado estrita. Santo Afonso, seguindo a opinião geral, pensava que um atraso não justificado de mais de dez ou onze dias a seguir ao parto seria um pecado grave. Segundo o costume moderno, que é conhecido e não corrigido pelos Ordinários locais, um atraso de mais de um mês sem motivo seria um pecado grave. Se não houve perigo aparente para a criança, os pais que atrasem o batismo por três semanas, pouco mais ou menos, não podem ser acusadas de pecado grave, mas a prática de batizar o recém-nascido na semana ou dez dias que se seguem ao parto deve recomendar-se firmemente; e, de facto, pode mesmo recomendar-se um período ainda mais curto. (H. Davis S.J., Moral and Pastoral Theology, Vol. III, pg. 65, Sheed and Ward, New York, 1935) 5º Mandamento – Não matarás Procurei, desejei ou apressei a morte ou o ferimento de alguém? Alimentei ódio para com alguém? Oprimi alguém? Desejei vingar-me? Provoquei a inimizade entre outras pessoas? Discuti ou lutei com alguém? Desejei mal a alguém? Quis ferir ou maltratar alguém, ou tentei fazê-lo? Recuso-me a falar com alguém, ou ressentimento de alguém? Regozijei-me com a desgraça alheia? Tive ciúmes ou inveja de alguém? Fiz ou tentei fazer um aborto, ou aconselhei alguém a que o fizesse? Mutilei o meu corpo desnecessàriamente de alguma maneira? Consenti em pensamentos de suicídio, desejei suicidar-me ou tentar suicidar-me? Embriaguei-me ou usei drogas ilícitas? Comi demais, ou não como o suficiente por descuido (isto é, alimentos nutritivos)? Deixei de corrigir alguém dentro das normas da caridade? Causei dano à alma de alguém, especialmente crianças, dando escândalo através de mau exemplo? Fiz mal à minha alma, expondo-a intencionalmente e sem necessidade a tentações, como maus programas de TV, música reprovável, praias, etc.? 6º e 9º Mandamentos – Não cometerás adultério – Não cobiçarás a mulher do próximo Neguei ao meu cônjuge os seus direitos matrimoniais? Pratiquei o controlo de natalidade (com pílulas, dispositivos, interrupção)? Abusei dos meus direitos matrimoniais de algum outro modo? Cometi adultério ou fornicação (sexo pré-marital)? Cometi algum pecado impuro contra a natureza (homosexualidade ou lesbianismo, etc.)? Toquei ou abracei outra pessoa de forma impura? Troquei beijos prolongados ou apaixonados? Pratiquei a troca prolongada de carícias? Pequei impuramente contra mim próprio (masturbação)? Consenti em pensamentos impuros, ou tive prazer neles? Consenti em desejos impuros para com alguém, ou desejei conscientemente ver ou fazer alguma coisa impura? Entreguei-me conscientemente a prazeres sexuais, completos ou incompletos? Fui ocasião de pecado para os outros, por usar roupa justa, reveladora ou imodesta? Fiz alguma coisa, deliberadamente ou por descuido, que provocasse pensamentos ou desejos impuros noutra pessoa? Li livros indecentes ou vi figuras obscenas? Vi filmes ou programas de televisão sugestivos, ou pornografia na Internet, ou permiti que os meus filhos os vissem? Usei linguagem indecente ou contei histórias indecentes? Ouvi tais histórias de boa vontade? Gabei-me dos meus pecados, ou deleitei-me em recordar pecados antigos? Estive com companhias indecentes? Consenti em olhares impuros? Deixei de controlar a minha imaginação? Rezei imediatamente, para afastar maus pensamentos e tentações? Evitei a preguiça, a gula, a ociosidade, e as ocasiões de impureza? Fui a bailes imodestos ou peças de teatro indecentes? Fiquei sozinho sem necessidade na companhia de alguém do sexo oposto? Note bem: Não tenha receio de confessar ao sacerdote qualquer pecado impuro que tenha cometido. Não esconda ou tente disfarçá-lo. O sacerdote está ali para o ajudar e perdoar. Nada do que possa dizer o escandalizará; por isso, não tenha medo, por mais envergonhado que esteja. 7º e 10º Mandamentos – Não roubarás e Não cobiçarás os bens do teu próximo Roubei alguma coisa? O quê, ou quanto? Danifiquei a propriedade de outrem? Deixei estragar, por negligência, a propriedade de outrem? Fui negligente na guarda do dinheiro ou bens de outrem? Fiz batota ou defraudei alguém? Joguei em excesso? Recusei-me a pagar alguma dívida, ou descuidei-me no seu pagamento? Adquiri alguma coisa que sabia ter sido roubada? Deixei de restituir alguma coisa emprestada? Lesei o meu patrão, não trabalhando como se esperava de mim? Fui desonesto com o salário dos meus empregados? Recusei-me a ajudar alguém que precisasse urgentemente de ajuda, ou descuidei-me a fazê-lo? Deixei de restituir o que roubei, ou obtive por embusted ou fraude? (Pergunte ao sacerdote como poderá fazer a restituição, ou seja, devolver ao legítimo dono o que lhe tirou). Tive inveja de alguém, por ter algo que eu não tenho? Invejei os bens de alguém? Tenho sido avarento? Tenho sido cúpido e invejoso, dando demasiada importância aos bens e confortos materiais? O meu coração inclina-se para as posses terrenas ou para os verdadeiros tesouros do Céu? 8º Mandamento – Não levantarás falsos testemunhos contra o teu próximo Menti a respeito de alguém (calúnia)? As minhas mentiras causaram a alguém danos materiais ou espirituais? Fiz julgamentos temerários a respeito de alguém (isto é, acreditei firmemente, sem provas suficientes, que eram culpados de algum defeito moral ou crime)? Atingi o bom nome de alguém, revelando faltas autênticas mas ocultas (maledicência)? Revelei os pecados de outra pessoa? Fui culpado de fazer intrigas (isto é, de contar alguma coisa desfavorável que alguém disse de outra pessoa, para criar inimizade entre eles)? Dei crédito ou apoio à divulgação de escândalos sobre o meu próximo? Jurei falso ou assinei documentos falsos? Sou crítico ou negativo sem necessidade ou falto à caridade nas minhas conversas? Lisonjeei outras pessoas? Recebi a Sagrada Comunhão em estado de pecado mortal? (Este é um dos sacrilégios mais graves que existem). Exame de PDF Se preferir, é possível baixar o exame de consciência em PDF. Clique Aqui para baixar o exame de consciência para uma boa confissão em PDF para celular. (segure o link apertado ou clique com o botão direito e escolha a opção "salvar link como...") As obras de Misericórdia espirituais e corporais Descuidei-me no cumprimento das obras seguintes, quando as circunstâncias mo pediam? As sete obras de Misericórdia espirituais 1. Dar bom conselho aos que pecam. 2. Ensinar os ignorantes. 3. Aconselhar os que duvidam. 4. Consolar os tristes. 5. Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo. 6. Perdoar as injúrias por amor de Deus. 7. Rogar a Deus pelos vivos e pelos defuntos. As sete obras de Misericórdia corporais 1. Dar de comer a quem tem fome. 2. Dar de beber a quem tem sede. 3. Vestir os nus. 4. Visitar e resgatar os cativos. 5. Dar pousada aos peregrinos. 6. Visitar os doentes. 7. Enterrar os mortos. Lembre-se que a nossa Santa Fé Católica nos ensina que assim como o corpo sem o espírito está morto, também a fé sem obras está morta (Tiago 2: 26). Os sete vícios capitais e as virtudes opostas 1. Soberba………………………………….Humildade 2. Avareza………………………………….Liberalidade 3. Luxúria………………………………….Castidade 4. Ira………………………………………… Paciência 5. Gula………………………………………Temperança 6. Inveja…………………………………….Caridade 7. Preguiça…………………………………Diligência Os cinco efeitos do orgulho 1. Vanglória: a. Jactância b. Dissimulação/ Duplicidade 2. Ambição 3. Desprezo dos outros 4. Ira/ Vingança/ Ressentimento 5. Teimosia/ Obstinação. Nove maneiras de ser cúmplice do pecado de outrem a. Alguma vez fiz deliberadamente com que outros pecassem? b. Alguma vez cooperei nos pecados de outrem: 1. Aconselhando? 2. Mandando? 3. Consentindo? 4. Provocando? 5. Lisonjeando? 6. Ocultando? 7. Compartilhando? 8. Silenciando? 9. Defendendo o mal feito? Os quatro pecados que bradam aos Céus 1. Homicídio voluntário. 2. O pecado de sodomia ou lesbianismo. (pecado impuro contra a natureza) 3. Opressão dos pobres, viúvas e órfãos. 4. Não pagar o salário justo a quem trabalha. Os seis Mandamentos da Igreja Ouvi Missa nos Domingos e Festas de guarda? Cumpri o jejum e a abstinência nos dias prescritos, e guardei o jejum eucarístico? Confessei-me pelo menos uma vez no ano? Recebi a Sagrada Eucaristia pelo menos uma vez por ano? Contribui, na medida do possível, para as despesas do culto? Observei as leis da Igreja sobre o Matrimónio, ou seja, quanto ao matrimónio sem a presença de um sacerdote, ou no caso de matrimónio com um parente próximo ou um não-Católico? As cinco blasfêmias contra o Coração Imaculado de Maria Blasfemei contra a Imaculada Conceição? Blasfemei contra a Virgindade Perpétua de Nossa Senhora? Blasfemei contra a Maternidade Divina de Nossa Senhora? Deixei de reconhecer a Nossa Senhora como Mãe de todos os homens? Tentei pùblicamente semear nos corações das crianças indiferença ou desprezo, ou mesmo ódio, em relação à sua Mãe Imaculada? Ultrajei-A directamente nas Suas santas imagens? Assista este vídeo de formação sobre os pecados mortais: O exame dos pecados veniais de Santo António Maria Claret A alma deve evitar todos os pecados veniais, especialmente os que abrem caminho ao pecado grave. Ó minha alma, não chega desejar firmemente antes sofrer a morte do que cometer um pecado grave. É necessário tem uma resolução semelhante em relação ao pecado venial. Quem não encontrar em si esta vontade, não pode sentir-se seguro. Não há nada que nos possa dar uma tal certeza de salvação eterna do que uma preocupação constante em evitar o pecado venial, por insignificante que seja, e um zelo definido e geral, que alcance todas as práticas da vida espiritual — zelo na oração e nas relações com Deus; zelo na mortificação e na negação dos apetites; zelo em obedecer e em renunciar à vontade própria; zelo no amor de Deus e do próximo. Para alcançar este zelo e conservá-lo, devemos querer firmement evitar sempre os pecados veniais, especialmente os seguintes: O pecado de dar entrada no coração de qualquer suspeita não razoável ou de opinião injusta a respeito do próximo. O pecado de iniciar uma conversa sobre os defeitos de outrem, ou de faltar à caridade de qualquer outra maneira, mesmo levemente. O pecado de omitir, por preguiça, as nossas práticas espirituais, ou de as cumprir com negligência voluntária. O pecado de manter um afecto desregrado por alguém. O pecado de ter demasiada estima por si próprio, ou de mostrar satisfação vã por coisas que nos dizem respeito. O pecado de receber os Santos Sacramentos de forma descuidada, com distracções e outras irreverências, e sem preparação séria. Impaciência, ressentimento, recusa em aceitar desapontamentos como vindo da Mão de Deus; porque isto coloca obstáculos no caminho dos decretos e disposições da Divina Providência quanto a nós. O pecado de nos proporcionarmos uma ocasião que possa, mesmo remotamente, manchar uma situação imaculada de santa pureza. O pecado de esconder propositadamente as nossas más inclinações, fraquezas e mortificações de quem devia saber delas, querendo seguir o caminho da virtude de acordo com os caprichos individuais e não segundo a direcção da obediência. Nota: Fala-se aqui de situações em que encontraremos aconselhamento digno se o procurarmos, mas nós, apesar disso, preferimos seguir as nossas próprias luzes, embora frouxas. Oração para uma boa confissão: Meu Deus, por causa dos meus pecados crucifiquei de novo o Vosso Divino Filho e escarneci dEle. Por isto sou merecedor da Vossa cólera e expus-me ao fogo do Inferno. E como fui ingrato para conVosco, meu Pai do Céu, que me criastes do nada, me redimistes pelo preciosíssimo sangue do Vosso Filho e me santificastes pelos Vossos santos Sacramentos e pelo Espírito Santo! Mas Vós poupastes-me pela Vossa misericórdia, para que eu pudesse fazer esta confissão. Recebei-me, pois, como Vosso filho pródigo e dai-me a graça de uma boa confissão, para que possa recomeçar a amar-Vos de todo o meu coração e de toda a minha alma, e para que possa, a partir de agora, cumprir os Vossos Mandamentos e sofrer com paciência os castigos temporais que possam cair sobre mim. Espero, pela Vossa bondade e poder, obter a vida eterna no Paraíso. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amen. Nota final Lembre-se de confessar os seus pecados com arrependimento sobrenatural, tendo uma resolução firme de não tornar a pecar e de evitar situações que levem ao pecado. Peça ao seu confessor que o ajude a superar alguma dificuldade que tenha em fazer uma boa confissão. Cumpra prontamente a sua penitência. Acto de Contrição Meu Deus, porque sois infinitamente bom e Vos amo de todo o meu coração, pesa-me de Vos ter ofendido, e com o auxílio da Vossa divina graça, proponho firmemente emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Peço e espero o perdão das minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia. Amém. Meditações: Acredito num Salvador que me ama, que perdoa os meus pecados e que me dá a graça de me tornar santo. Jesus Cristo, através do ministério dos Seus sacerdotes, faz ambas as coisas no Sacramento da Penitência. “Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio. . . Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados; e a quem os retiverdes, ser-lhe-ão retidos.” (João 20:21-23) “Mesmo que os teus pecados sejam como escarlate, ficarão brancos como neve.” (Isaías 1:18) “Não vim chamar os justos, mas os pecadores.” (Mateus 9:13) “Os homens receberam de Deus um poder que não foi dado aos anjos nem aos arcanjos. Nunca foi dito aos espíritos celestes, ‘O que ligardes e desligardes na terra será ligado e desligado no céu’. Os príncipes deste mundo só podem ligar e desligar o corpo. O poder do sacerdote vai mais além; alcança a alma, e exerce-se não só em baptizar, mas ainda mais em perdoar os pecados. Não coremos, pois, ao confessar as nossas faltas. Quem se envergonhar de revelar os seus pecados a um homem, e não os confessar, será envergonhado no Dia do Juízo na presença de todo o Universo.” (S. João Crisóstomo, Tratado sobre os Sacerdotes, Liv. 3) A Santa Igreja nos orienta a confessar com frequência, e isso significa aproximadamente 1 vez por mês, sendo que existe um mandamento da Igreja que nos obriga a confessar no mínimo 1 vez por ano, para pessoas que têm mais dificuldade para encontrar sacerdotes disponíveis. São Pio de Pietrelcina dizia que não entendia como alguém conseguia se manter longe dos confessionários por mais de uma semana! Assista ao vídeo com uma formação sobre confissão: Leia também: Curso sobre os 10 Mandamentos da Lei de Deus #confissão #Conversão #Eucaristia #Modéstia #FormaçõesCatólicas #SacramentodaConfissão
- Exame de Consciência é o primeiro passo para uma boa Confissão
O Exame de Consciência é o primeiro passo para fazer uma boa confissão. Neste exame de consciência vamos examinar nossas atitudes tendo como base os 10 mandamentos. Leia: 🛐 5 passos para uma boa confissão: a) Exame de Consciência bem feito – rezar e pensar nos pecados cometidos por pensamentos, palavras, atos e omissões; b) Arrependimento sincero dos pecados cometidos – inclusive os pecados que já foram perdoados c) Propósito de nunca mais pecar – “Antes morrer do que pecar” ~ São Domingos Sávio d) Confissão individual com o sacerdote – contar aos pecados ao confessor em espécie, número e circunstâncias. e) Satisfação – isto é, execução da penitência imposta pelo confessor, se possível imediatamente. 📌 Dicas sobre como se confessar – Antes de mais nada, examine bem a sua consciência através do exame de consciência. – De preferência escreva os pecados em um papel. Essa prática é muito comum e muito útil para não esquecer nenhum pecado no momento da confissão e, desta forma, a confissão é mais rápida e objetiva. – Diga ao sacerdote que pecados específicos cometeu, com a maior exatidão possível, quantas vezes os cometeu desde a sua última boa confissão. – Só é obrigado a confessar os pecados mortais, visto que pode obter o perdão dos seus pecados veniais através de sacrifícios e atos de caridade, mas se quiser incluir os pecados veniais recorrentes, não há impedimento. – Recorde-se, também, que a confissão dos pecados veniais ajuda muito a evitar o pecado e a avançar na direção do Céu. – Se estiver em dúvida sobre se um pecado é mortal ou venial, mencione ao confessor a sua dúvida. ✝️ Pecado Mortal O pecado considerado mortal ou grave (que nos retira da graça e a comunhão com Deus) é uma desobediência grave à Deus e à sua Lei. Veja as condições necessárias para um pecado ser mortal. Um pecado é considerado mortal quando: 1 – A matéria é grave (ou seja, quando se trata de algo importante) 2 – Existe o conhecimento de causa (ou seja, quando a pessoa sabe o que está fazendo) 3 – Há a vontade deliberada (ou seja, quando se faz por querer, livremente) Se faltar um desses três itens o pecado é leve ou venial. Para saber mais leia o artigo: Pecado Mortal – Obstáculo para nossa Salvação 🕯️ Oração para antes da Confissão Senhor, iluminai-me para me ver a mim próprio tal como Vós me vedes, e dai-me a graça de me arrepender verdadeira e efetivamente dos meus pecados. Ó Virgem Santíssima, ajudai-me a fazer uma boa confissão. Considerações preliminares: Alguma vez deixei de confessar um pecado grave, ou conscientemente disfarcei ou escondi um tal pecado? Nota: Esconder deliberadamente um pecado mortal invalida a confissão, e é igualmente pecado mortal. Lembre-se que a confissão é privada e sujeita ao Sigilo da Confissão, o que quer dizer que é pecado mortal um sacerdote revelar a quem quer que seja a matéria de uma confissão. Alguma vez fui irreverente para com este Sacramento, não examinando a minha consciência com o devido cuidado? Alguma vez deixei de cumprir a penitência que o sacerdote me impôs? Tenho quaisquer hábitos de pecado grave que deva confessar logo no início (por exemplo, impureza, alcoolismo, etc.)? 1º Mandamento – Amar a Deus sobre todas as coisas Eu sou o Senhor teu Deus, Não terás deuses estranhos perante Mim (incluindo pecados contra a Fé, Esperança e Caridade). Descuidei o conhecimento da minha fé, tal como o Catecismo a ensina, tal como o Credo dos Apóstolos, os Dez Mandamentos, os Sete Sacramentos, o Pai Nosso, etc? Alguma vez duvidei deliberadamente de algum ensinamento da Igreja, ou o neguei? Tomei parte num ato de culto não católico? Sou membro de alguma organização religiosa não católica, de alguma sociedade secreta ou de um grupo anti-católico? Alguma vez li, com consciência do que fazia, alguma literatura herética, blasfema ou anti-católica? Pratiquei alguma superstição (tal como horóscopos, adivinhação, tábua Ouija, etc.)? Omiti algum dever ou prática religiosa por respeitos humanos? Recomendo-me a Deus diariamente? Tenho rezado fielmente as minhas orações diárias? Abusei os Sacramentos de alguma maneira? Recebi-os com irreverência, como, por exemplo, a Comunhão na Mão sem obedecer aos princípios e às sete regras promulgadas por Paulo VI como sendo obrigatórias neste caso? Trocei de Deus, de Nossa Senhora, dos Santos, da Igreja, dos Sacramentos, ou de quaisquer coisas santas? Fui culpado de grande irreverência na igreja, como, por exemplo, em conversas, comportamento ou modo como estava vestido? Fui indiferente quanto à minha Fé Católica — acreditando que uma pessoa pode salvar-se em qualquer religião, ou que todas as religiões são iguais? Presumi em qualquer altura que tinha garantida a misericórdia de Deus? Desesperei da misericórdia de Deus? Detestei a Deus? Dei demasiada importância a alguma criatura, atividade, objeto ou opinião? 2º Mandamento – Não tomarás o Nome do Senhor teu Deus em vão Jurei pelo nome de Deus falsamente, impensadamente, ou em assuntos triviais e sem importância? Murmurei ou queixei-me contra Deus (blasfêmia)? Amaldiçoei-me a mim próprio, ou a outra pessoa ou criatura? Provoquei alguém à ira, para o fazer praguejar ou blasfemar a Deus? Quebrei uma promessa feita a Deus? 3º Mandamento – Guardar Domingos e Festas Faltei à Missa nos Domingos ou Festas de guarda? Cheguei atrasado à Missa nos Domingos e Dias Santos de guarda, ou saí mais cedo por minha culpa? Fiz com que outras pessoas faltassem à Missa nos Domingos e Dias Santos de guarda, ou saíssem mais cedo, ou chegassem atrasados à Missa? Estive distraído propositadamente durante a Missa? Fiz ou mandei fazer trabalho servil desnecessário num Domingo ou Festa de guarda? Comprei ou vendi coisas sem necessidade nos Domingos e Dias Santos de guarda? 4º Mandamento: Honra o teu pai e a tua mãe Desobedeci aos meus pais, faltei-lhes ao respeito, descuidei-me em ajudá-los nas suas necessidades ou na compilação do seu testamento, ou recusei-me a fazê-lo? Mostrei irreverência em relação a pessoas em posições de autoridade? Insultei ou disse mal de sacerdotes ou de outras pessoas consagradas a Deus? Tive menos reverência para com pessoas de idade? Tratei mal a minha esposa ou os meus filhos? Foi desobediente ao meu marido, ou faltei-lhe ao respeito? Sobre os meus filhos: – Descuidei as suas necessidades materiais? – Não tratei de os fazer batizar cedo? *(Veja-se em baixo.) – Descuidei a sua educação religiosa correcta? – Permiti que eles descuidassem os seus deveres religiosos? – Consenti que se encontrassem ou namorassem sem haver hipótese de se celebrar o matrimónio num futuro próximo? (Santo Afonso propõe um ano, no máximo). – Deixei de vigiar as companhias com quem andam? – Deixei de os disciplinar quando necessitassem de tal? – Dei-lhes mau exemplo? – Escandalizei-os, discutindo com o meu cônjuge em frente deles? – Escandalizei-os ao dizer imprecações e obscenidades à sua frente? – Guardei modéstia na minha casa? – Permiti-lhes que usassem roupa imodesta (minissaias; calças justas, vestidos ou camisolas justos; blusas transparentes; calções muito curtos; fatos de banho reveladores; etc.)? † – Neguei-lhes a liberdade de casar ou seguir uma vocação religiosa? † Muito Importante: MODÉSTIA NO VESTUÁRIO * As crianças devem ser batizadas o mais cedo possível. Além das prescrições diocesanas particulares, parece ser a opinião geral que uma criança deve ser batizada cerca de uma semana ou dez dias a seguir ao nascimento. Muitos católicos atrasam o baptismo por quinze dias ou um pouco mais. A ideia de administrar o Batismo nos três dias que se seguem ao parto é demasiado estrita. Santo Afonso, seguindo a opinião geral, pensava que um atraso não justificado de mais de dez ou onze dias a seguir ao parto seria um pecado grave. Segundo o costume moderno, que é conhecido e não corrigido pelos Ordinários locais, um atraso de mais de um mês sem motivo seria um pecado grave. Se não houve perigo aparente para a criança, os pais que atrasem o batismo por três semanas, pouco mais ou menos, não podem ser acusadas de pecado grave, mas a prática de batizar o recém-nascido na semana ou dez dias que se seguem ao parto deve recomendar-se firmemente; e, de facto, pode mesmo recomendar-se um período ainda mais curto. (H. Davis S.J., Moral and Pastoral Theology, Vol. III, pg. 65, Sheed and Ward, New York, 1935) 5º Mandamento – Não matarás Procurei, desejei ou apressei a morte ou o ferimento de alguém? Alimentei ódio para com alguém? Oprimi alguém? Desejei vingar-me? Provoquei a inimizade entre outras pessoas? Discuti ou lutei com alguém? Desejei mal a alguém? Quis ferir ou maltratar alguém, ou tentei fazê-lo? Recuso-me a falar com alguém, ou ressentimento de alguém? Regozijei-me com a desgraça alheia? Tive ciúmes ou inveja de alguém? Fiz ou tentei fazer um aborto, ou aconselhei alguém a que o fizesse? Mutilei o meu corpo desnecessàriamente de alguma maneira? Consenti em pensamentos de suicídio, desejei suicidar-me ou tentar suicidar-me? Embriaguei-me ou usei drogas ilícitas? Comi demais, ou não como o suficiente por descuido (isto é, alimentos nutritivos)? Deixei de corrigir alguém dentro das normas da caridade? Causei dano à alma de alguém, especialmente crianças, dando escândalo através de mau exemplo? Fiz mal à minha alma, expondo-a intencionalmente e sem necessidade a tentações, como maus programas de TV, música reprovável, praias, etc.? 6º e 9º Mandamentos – Não cometerás adultério – Não cobiçarás a mulher do próximo Neguei ao meu cônjuge os seus direitos matrimoniais? Pratiquei o controlo de natalidade (com pílulas, dispositivos, interrupção)? Abusei dos meus direitos matrimoniais de algum outro modo? Cometi adultério ou fornicação (sexo pré-marital)? Cometi algum pecado impuro contra a natureza (homosexualidade ou lesbianismo, etc.)? Toquei ou abracei outra pessoa de forma impura? Troquei beijos prolongados ou apaixonados? Pratiquei a troca prolongada de carícias? Pequei impuramente contra mim próprio (masturbação)? Consenti em pensamentos impuros, ou tive prazer neles? Consenti em desejos impuros para com alguém, ou desejei conscientemente ver ou fazer alguma coisa impura? Entreguei-me conscientemente a prazeres sexuais, completos ou incompletos? Fui ocasião de pecado para os outros, por usar roupa justa, reveladora ou imodesta? Fiz alguma coisa, deliberadamente ou por descuido, que provocasse pensamentos ou desejos impuros noutra pessoa? Li livros indecentes ou vi figuras obscenas? Vi filmes ou programas de televisão sugestivos, ou pornografia na Internet, ou permiti que os meus filhos os vissem? Usei linguagem indecente ou contei histórias indecentes? Ouvi tais histórias de boa vontade? Gabei-me dos meus pecados, ou deleitei-me em recordar pecados antigos? Estive com companhias indecentes? Consenti em olhares impuros? Deixei de controlar a minha imaginação? Rezei imediatamente, para afastar maus pensamentos e tentações? Evitei a preguiça, a gula, a ociosidade, e as ocasiões de impureza? Fui a bailes imodestos ou peças de teatro indecentes? Fiquei sozinho sem necessidade na companhia de alguém do sexo oposto? Note bem: Não tenha receio de confessar ao sacerdote qualquer pecado impuro que tenha cometido. Não esconda ou tente disfarçá-lo. O sacerdote está ali para o ajudar e perdoar. Nada do que possa dizer o escandalizará; por isso, não tenha medo, por mais envergonhado que esteja. 7º e 10º Mandamentos – Não roubarás e Não cobiçarás os bens do teu próximo Roubei alguma coisa? O quê, ou quanto? Danifiquei a propriedade de outrem? Deixei estragar, por negligência, a propriedade de outrem? Fui negligente na guarda do dinheiro ou bens de outrem? Fiz batota ou defraudei alguém? Joguei em excesso? Recusei-me a pagar alguma dívida, ou descuidei-me no seu pagamento? Adquiri alguma coisa que sabia ter sido roubada? Deixei de restituir alguma coisa emprestada? Lesei o meu patrão, não trabalhando como se esperava de mim? Fui desonesto com o salário dos meus empregados? Recusei-me a ajudar alguém que precisasse urgentemente de ajuda, ou descuidei-me a fazê-lo? Deixei de restituir o que roubei, ou obtive por embusted ou fraude? (Pergunte ao sacerdote como poderá fazer a restituição, ou seja, devolver ao legítimo dono o que lhe tirou). Tive inveja de alguém, por ter algo que eu não tenho? Invejei os bens de alguém? Tenho sido avarento? Tenho sido cúpido e invejoso, dando demasiada importância aos bens e confortos materiais? O meu coração inclina-se para as posses terrenas ou para os verdadeiros tesouros do Céu? 8º Mandamento – Não levantarás falsos testemunhos contra o teu próximo Menti a respeito de alguém (calúnia)? As minhas mentiras causaram a alguém danos materiais ou espirituais? Fiz julgamentos temerários a respeito de alguém (isto é, acreditei firmemente, sem provas suficientes, que eram culpados de algum defeito moral ou crime)? Atingi o bom nome de alguém, revelando faltas autênticas mas ocultas (maledicência)? Revelei os pecados de outra pessoa? Fui culpado de fazer intrigas (isto é, de contar alguma coisa desfavorável que alguém disse de outra pessoa, para criar inimizade entre eles)? Dei crédito ou apoio à divulgação de escândalos sobre o meu próximo? Jurei falso ou assinei documentos falsos? Sou crítico ou negativo sem necessidade ou falto à caridade nas minhas conversas? Lisonjeei outras pessoas? Recebi a Sagrada Comunhão em estado de pecado mortal? (Este é um dos sacrilégios mais graves que existem). Exame de PDF Se preferir, é possível baixar o exame de consciência em PDF. Clique Aqui para baixar o exame de consciência para uma boa confissão em PDF para celular. (segure o link apertado ou clique com o botão direito e escolha a opção "salvar link como...") As obras de Misericórdia espirituais e corporais Descuidei-me no cumprimento das obras seguintes, quando as circunstâncias mo pediam? As sete obras de Misericórdia espirituais 1. Dar bom conselho aos que pecam. 2. Ensinar os ignorantes. 3. Aconselhar os que duvidam. 4. Consolar os tristes. 5. Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo. 6. Perdoar as injúrias por amor de Deus. 7. Rogar a Deus pelos vivos e pelos defuntos. As sete obras de Misericórdia corporais 1. Dar de comer a quem tem fome. 2. Dar de beber a quem tem sede. 3. Vestir os nus. 4. Visitar e resgatar os cativos. 5. Dar pousada aos peregrinos. 6. Visitar os doentes. 7. Enterrar os mortos. Lembre-se que a nossa Santa Fé Católica nos ensina que assim como o corpo sem o espírito está morto, também a fé sem obras está morta (Tiago 2: 26). Os sete vícios capitais e as virtudes opostas 1. Soberba………………………………….Humildade 2. Avareza………………………………….Liberalidade 3. Luxúria………………………………….Castidade 4. Ira………………………………………… Paciência 5. Gula………………………………………Temperança 6. Inveja…………………………………….Caridade 7. Preguiça…………………………………Diligência Os cinco efeitos do orgulho 1. Vanglória: a. Jactância b. Dissimulação/ Duplicidade 2. Ambição 3. Desprezo dos outros 4. Ira/ Vingança/ Ressentimento 5. Teimosia/ Obstinação. Nove maneiras de ser cúmplice do pecado de outrem a. Alguma vez fiz deliberadamente com que outros pecassem? b. Alguma vez cooperei nos pecados de outrem: 1. Aconselhando? 2. Mandando? 3. Consentindo? 4. Provocando? 5. Lisonjeando? 6. Ocultando? 7. Compartilhando? 8. Silenciando? 9. Defendendo o mal feito? Os quatro pecados que bradam aos Céus 1. Homicídio voluntário. 2. O pecado de sodomia ou lesbianismo. (pecado impuro contra a natureza) 3. Opressão dos pobres, viúvas e órfãos. 4. Não pagar o salário justo a quem trabalha. Os seis Mandamentos da Igreja Ouvi Missa nos Domingos e Festas de guarda? Cumpri o jejum e a abstinência nos dias prescritos, e guardei o jejum eucarístico? Confessei-me pelo menos uma vez no ano? Recebi a Sagrada Eucaristia pelo menos uma vez por ano? Contribui, na medida do possível, para as despesas do culto? Observei as leis da Igreja sobre o Matrimónio, ou seja, quanto ao matrimónio sem a presença de um sacerdote, ou no caso de matrimónio com um parente próximo ou um não-Católico? As cinco blasfêmias contra o Coração Imaculado de Maria Blasfemei contra a Imaculada Conceição? Blasfemei contra a Virgindade Perpétua de Nossa Senhora? Blasfemei contra a Maternidade Divina de Nossa Senhora? Deixei de reconhecer a Nossa Senhora como Mãe de todos os homens? Tentei pùblicamente semear nos corações das crianças indiferença ou desprezo, ou mesmo ódio, em relação à sua Mãe Imaculada? Ultrajei-A directamente nas Suas santas imagens? Assista este vídeo de formação sobre os pecados mortais: O exame dos pecados veniais de Santo António Maria Claret A alma deve evitar todos os pecados veniais, especialmente os que abrem caminho ao pecado grave. Ó minha alma, não chega desejar firmemente antes sofrer a morte do que cometer um pecado grave. É necessário tem uma resolução semelhante em relação ao pecado venial. Quem não encontrar em si esta vontade, não pode sentir-se seguro. Não há nada que nos possa dar uma tal certeza de salvação eterna do que uma preocupação constante em evitar o pecado venial, por insignificante que seja, e um zelo definido e geral, que alcance todas as práticas da vida espiritual — zelo na oração e nas relações com Deus; zelo na mortificação e na negação dos apetites; zelo em obedecer e em renunciar à vontade própria; zelo no amor de Deus e do próximo. Para alcançar este zelo e conservá-lo, devemos querer firmement evitar sempre os pecados veniais, especialmente os seguintes: O pecado de dar entrada no coração de qualquer suspeita não razoável ou de opinião injusta a respeito do próximo. O pecado de iniciar uma conversa sobre os defeitos de outrem, ou de faltar à caridade de qualquer outra maneira, mesmo levemente. O pecado de omitir, por preguiça, as nossas práticas espirituais, ou de as cumprir com negligência voluntária. O pecado de manter um afecto desregrado por alguém. O pecado de ter demasiada estima por si próprio, ou de mostrar satisfação vã por coisas que nos dizem respeito. O pecado de receber os Santos Sacramentos de forma descuidada, com distracções e outras irreverências, e sem preparação séria. Impaciência, ressentimento, recusa em aceitar desapontamentos como vindo da Mão de Deus; porque isto coloca obstáculos no caminho dos decretos e disposições da Divina Providência quanto a nós. O pecado de nos proporcionarmos uma ocasião que possa, mesmo remotamente, manchar uma situação imaculada de santa pureza. O pecado de esconder propositadamente as nossas más inclinações, fraquezas e mortificações de quem devia saber delas, querendo seguir o caminho da virtude de acordo com os caprichos individuais e não segundo a direcção da obediência. Nota: Fala-se aqui de situações em que encontraremos aconselhamento digno se o procurarmos, mas nós, apesar disso, preferimos seguir as nossas próprias luzes, embora frouxas. Oração para uma boa confissão: Meu Deus, por causa dos meus pecados crucifiquei de novo o Vosso Divino Filho e escarneci dEle. Por isto sou merecedor da Vossa cólera e expus-me ao fogo do Inferno. E como fui ingrato para conVosco, meu Pai do Céu, que me criastes do nada, me redimistes pelo preciosíssimo sangue do Vosso Filho e me santificastes pelos Vossos santos Sacramentos e pelo Espírito Santo! Mas Vós poupastes-me pela Vossa misericórdia, para que eu pudesse fazer esta confissão. Recebei-me, pois, como Vosso filho pródigo e dai-me a graça de uma boa confissão, para que possa recomeçar a amar-Vos de todo o meu coração e de toda a minha alma, e para que possa, a partir de agora, cumprir os Vossos Mandamentos e sofrer com paciência os castigos temporais que possam cair sobre mim. Espero, pela Vossa bondade e poder, obter a vida eterna no Paraíso. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amen. Nota final Lembre-se de confessar os seus pecados com arrependimento sobrenatural, tendo uma resolução firme de não tornar a pecar e de evitar situações que levem ao pecado. Peça ao seu confessor que o ajude a superar alguma dificuldade que tenha em fazer uma boa confissão. Cumpra prontamente a sua penitência. Acto de Contrição Meu Deus, porque sois infinitamente bom e Vos amo de todo o meu coração, pesa-me de Vos ter ofendido, e com o auxílio da Vossa divina graça, proponho firmemente emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Peço e espero o perdão das minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia. Amém. Meditações: Acredito num Salvador que me ama, que perdoa os meus pecados e que me dá a graça de me tornar santo. Jesus Cristo, através do ministério dos Seus sacerdotes, faz ambas as coisas no Sacramento da Penitência. “Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio. . . Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados; e a quem os retiverdes, ser-lhe-ão retidos.” (João 20:21-23) “Mesmo que os teus pecados sejam como escarlate, ficarão brancos como neve.” (Isaías 1:18) “Não vim chamar os justos, mas os pecadores.” (Mateus 9:13) “Os homens receberam de Deus um poder que não foi dado aos anjos nem aos arcanjos. Nunca foi dito aos espíritos celestes, ‘O que ligardes e desligardes na terra será ligado e desligado no céu’. Os príncipes deste mundo só podem ligar e desligar o corpo. O poder do sacerdote vai mais além; alcança a alma, e exerce-se não só em baptizar, mas ainda mais em perdoar os pecados. Não coremos, pois, ao confessar as nossas faltas. Quem se envergonhar de revelar os seus pecados a um homem, e não os confessar, será envergonhado no Dia do Juízo na presença de todo o Universo.” (S. João Crisóstomo, Tratado sobre os Sacerdotes, Liv. 3) A Santa Igreja nos orienta a confessar com frequência, e isso significa aproximadamente 1 vez por mês, sendo que existe um mandamento da Igreja que nos obriga a confessar no mínimo 1 vez por ano, para pessoas que têm mais dificuldade para encontrar sacerdotes disponíveis. São Pio de Pietrelcina dizia que não entendia como alguém conseguia se manter longe dos confessionários por mais de uma semana! Assista ao vídeo com uma formação sobre confissão: Leia também: Curso sobre os 10 Mandamentos da Lei de Deus #confissão #Conversão #Eucaristia #Modéstia #FormaçõesCatólicas #SacramentodaConfissão
- TOTAL CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA – APROVAÇÃO DA SANTA IGREJA
“Não se pode objetar que esta devoção seja nova ou sem importância. Não é nova porque os concílios, os padres e muitos autores antigos e modernos falam desta Consagração a Nosso Senhor ou renovação das promessas do batismo, como de uma prática antiga, aconselhando-a a todos os cristãos”. Mas será a Santa Escravidão uma doutrina certa, segura, aprovada pela Santa Igreja? Convém responder a esta pergunta, pois o lado misterioso desta doutrina, este segredo, parece, à primeira vista, em oposição com a doutrina da Igreja, que é sempre clara, precisa, ao alcance de todos. Sim, tal doutrina é plenamente aprovada pela Santa Igreja. E a sua prática entra plenamente no espírito do Evangelho. O Evangelho, como diz o Apóstolo, é um escândalo para os judeus e uma loucura para os gentios (1 Cor 1,23); como a sabedoria deste mundo – diz o mesmo Apóstolo – é loucura perante Deus (1 Cor 3,19). Leia também: O que é a Santa Escravidão de Amor? Basta averiguar que o fim desta devoção é a humildade, a renúncia de nós mesmos e o espírito de sacrifício, para se poder dizer que é uma doutrina profundamente evangélica. Podemos ajuntar a este argumento mais um outro de grande valor; é que tal devoção é um meio de amor mais ardente à Mãe de Jesus, amor que a Igreja procura sempre incutir com tamanha insistência. Ora, assim sendo, já se vê que, praticando-a, estamos plenamente com o ensino do Evangelho e da Igreja. Há muito por onde desconfiar da doutrina que leva ao comodismo e afasta de Maria Santíssima; mas podemos absolutamente confiar no ensino que estimula à penitência e aproxima as almas da Santíssima Virgem. Penitência e amor de Maria – estes são os dois caracteres da doutrina cristã, as duas asas da alma fervorosa, os dois luzeiros da verdadeira fé. Vamos agora mais particular citando os Sumos Pontífices. Passemos, entretanto, em silêncio sobre numerosas aprovações de bispos e teólogos afamados, para só indicar documentos autênticos da Santa Sé. Clemente VIII (1592-1605) – Confere grande indulgência à Confraria dos escravos, estabelecida nos Conventos Religiosos do Hospital de Caridade, no bairro de São Germano, em Paris, assim como aos que tragam consigo, e recitem a Coroinha de Nossa Senhora. Gregório XV (1621-1623) – Confere igualmente indulgências aos Escravos de Nossa Senhora. Urbano VIII (1623-1644) – Este Soberano Pontífice, consultando sobre as práticas exteriores de nossa devoção, especialmente sobre as correntinhas que os escravos trazem, aprovou tão louvável fervor e deu a 20 de junho de 1631 a bula Cum sicut accepimus, pela qual concede grande número de indulgências aos escravos de Maria Santíssima. Alexandre VII (1655-1667) – Expediu uma bula, a 23 de junho de 1658, na qual, por motivo da organização da “Sociedade da Escravidão” em Marselha, no Convento dos PP.Agostinianos da Provença, acrescenta às indulgências concedidas pelo Papa Urbano VIII aos escravos da Santíssima Virgem, outras muitas e consideráveis. Pio IX (1846-1878) – é sob seu pontificado que, a 12 de maio de 1853, se promulga em Roma o decreto declaratório de que os escritos de São Luís eram isentos de todo erro que pudesse obstar-lhe a beatificação. São Pio X – tinha uma singular estima à perfeita devoção, e especialmente ao Tratado da Verdadeira Devoção, escrito por São Luís Maria Grignion de Montfort. Quando pensou em compor a encíclica comemorativa do Jubileu da Imaculada Conceição, este Pontífice, que de muito, conhecia o livro de São Luís Maria Grignion de Montfort, quis relê-lo, como confessou depois; e valeu-se do “Tratado” relendo-o tantas vezes, a ponto de reproduzir os pensamentos e, não raro, as mesmas expressões do santo missionário. O Procurador Geral da Companhia de Maria, numa audiência, disse ao Papa: “Vossa Santidade deseja, sem dúvida, como nós, que a verdadeira devoção, ensinada por São Luís Maria Grignion de Montfort, se espalhe cada vez mais… E há de desculpar-me se venho pedir-lhe uma bênção especial e estímulo”.Mal acabara de falar, e o Santo Padre, estendendo a mão, com um sorriso afirmativo, tomou a “súplica” escrita do Procurador, leu-a, e, apenas findada a leitura, tomou da pena, e escreveu em baixo estas linhas:“Acedendo a vosso pedido, recomendamos vivamente o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, tão admiravelmente escrito por São Luís Maria Grignion de Montfort; e a quantos lerem este Tratado concedemos, de todo o coração, a bênção apostólica. 27 de dezembro de 1908 Pio P.P.X” Uma recomendação tão solícita e vinda de tão alto deve, necessariamente, produzir uma forte impressão nos corações católicos. Ao receber o documento supra, o Procurador disse: “Esse livrinho já fez um grande bem; recomendado agora por vossa Santidade, ele há de fazer muito mais no futuro”. “Ele é verdadeiramente belo!” – Respondeu o Santo Padre, com convicção. Sob o pontificado de São Pio X foi a santa escravidão definitivamente organizada em associação, tanto para esses sacerdotes, como para os simples fiéis. A Arquiconfraria de Nossa Senhora, cujo fim é a prática da santa escravidão, foi ereta canonicamente pelo Papa São Pio X a 28 de abril de 1913. Quanto à Associação dos Padres de Maria, já existia praticamente, mas foi canonicamente organizada no Congresso Mariano de Einsideln (Suíça – 1906), tendo como protetores os Cardeais Vannutelli e Vives. São Pio X foi o primeiro a inscrever-se nela, figurando pois o seu nome no cabeçalho da lista dos sacerdotes consagrados a Maria Santíssima. Bento XV – Não foi menos devoto à Santa Escravidão. A 28 de abril de 1916 por ocasião do segundo centenário de São Luís Maria Grignion de Montfort, enviou Ele uma carta autógrafa ao Superior da Congregação de Maria, na qual disse: “A verdadeira devoção à Santíssima Virgem” é um livro pequeno em tamanho, mas de uma grande autoridade, e de grande unção. Possa ele espalhar-se mais e mais, e avivar o espírito cristão num grande número de almas!”.Em face dessas autoridades, é forçoso concluir que a santa escravidão não é uma novidade, uma doutrina sem aprovação da Igreja. Ao contrário, deve dinamar, como o provamos, dos mais sagrados dogmas de nossa religião, qual conclusão lógica de premissas certas.Uma vida tão santa, os muitos milagres, e, sobretudo a beatificação de seu autor, já seria uma prova suficiente de que a santa escravidão é conforme ao ensino da Igreja.É, entretanto, bom e reconfortante ouvir a aprovação dada a incitar os cristãos a uma tão bela prática.Fonte: Pe. Lombaerde, Júlio Maria. O Segredo da Verdadeira Devoção para com a Santíssima Virgem. Múltipla Gráfica e Editora Ltda, 1ºed., 2005, págs. 191-194. Papa João Paulo II – Escravo por amor – TOTUS TUUS O Papa João Paulo II expressava um grande amor à Santíssima Virgem. Tanto, que escolheu para seu lema de pontificado, o “Totus Tuus” – Todo teu, ó Maria!. Quando seminarista leu o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Sua devoção a Nossa Senhora, desde então, tornou-se mais intensa. Como ele próprio disse: “A leitura deste livro marcou em minha vida uma transformação decisiva… A consciência foi que a devoção de minha infância e mesmo de minha juventude para com a Mãe de Cristo ganhou uma nova dimensão… Enquanto antes me mostrava reservado, com medo de que a devoção a Maria pudesse deixar Cristo na sombra, em vez de lhe dar prioridade, entendi agora, à luz do Tratado de Grignion de Montfort, que a realidade é totalmente diferente. A devoção a Maria, que tomou assim uma forma determinada, continuou viva em mim. Tornou-se uma parte integrante da minha vida interior e de meu conhecimento espiritual de Deus.” (“Não tenham medo”, André Frossard, entrevista com o Papa João Paulo II, ed.Círculo do Livro, pág. 143-145). Em uma carta do Papa João Paulo II, do dia 15 de agosto de 1984, por ocasião da celebração de XXV aniversário da consagração da Itália ao Coração Imaculado de Maria explica os fundamentos bíblicos e teológicos da Consagração à Santíssima Virgem: “O significado antigo da consagração à Virgem Santíssima consiste não apenas num efêmero gesto devocional, mas na acolhida filial daquela que Cristo nos deu por Mãe na ordem da graça, na pessoa do discípulo amado (cf. Jo 19, 25-27). Tal relacionamento direto e permanente com Maria na oração, na disponibilidade ao seu influxo e na assimilação das suas atitudes evangélicas, por sua vez transforma-se em um caminho de fidelidade a Cristo, de docilidade ao Espírito Santo, de comunhão de amor com o Pai e de vida eclesial. Leia também: .: Os erros mais comuns sobre a Total Consagração à Santíssima Virgem .: BISPO PROÍBE USO DO SAGRADO VÉU E CADEIAS DA TOTAL CONSAGRAÇÃO EM SUA DIOCESE .: A Santa Escravidão de Amor Espero, portanto, que o renovado empenho de consagração a Maria seja visto e vivido em referência à história da salvação, ‘como modo seguro para realizar a aliança com Deus’, restabelecida por Jesus Cristo no Mistério Pascal e efetuada pelos cristãos no batismo, na confirmação e na Eucaristia. Consagrados a Deus por iniciativa gratuita do amor misericordioso, devemos viver para Ele, oferecendo a nossa pessoa ‘como sacrifício vivente, santo, agradável a Deus’ (Rm 12,1) sob o exemplo de Maria, a Virgem consagrada ao Senhor. #TotusTuus #VerdadeiraDevoção #TotalConsagração #NossaSenhora #SantaEscravidão #FormaçõesCatólicas #SantíssimaVirgem
- TOTAL CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA – APROVAÇÃO DA SANTA IGREJA
“Não se pode objetar que esta devoção seja nova ou sem importância. Não é nova porque os concílios, os padres e muitos autores antigos e modernos falam desta Consagração a Nosso Senhor ou renovação das promessas do batismo, como de uma prática antiga, aconselhando-a a todos os cristãos”. Mas será a Santa Escravidão uma doutrina certa, segura, aprovada pela Santa Igreja? Convém responder a esta pergunta, pois o lado misterioso desta doutrina, este segredo, parece, à primeira vista, em oposição com a doutrina da Igreja, que é sempre clara, precisa, ao alcance de todos. Sim, tal doutrina é plenamente aprovada pela Santa Igreja. E a sua prática entra plenamente no espírito do Evangelho. O Evangelho, como diz o Apóstolo, é um escândalo para os judeus e uma loucura para os gentios (1 Cor 1,23); como a sabedoria deste mundo – diz o mesmo Apóstolo – é loucura perante Deus (1 Cor 3,19). Leia também: O que é a Santa Escravidão de Amor? Basta averiguar que o fim desta devoção é a humildade, a renúncia de nós mesmos e o espírito de sacrifício, para se poder dizer que é uma doutrina profundamente evangélica. Podemos ajuntar a este argumento mais um outro de grande valor; é que tal devoção é um meio de amor mais ardente à Mãe de Jesus, amor que a Igreja procura sempre incutir com tamanha insistência. Ora, assim sendo, já se vê que, praticando-a, estamos plenamente com o ensino do Evangelho e da Igreja. Há muito por onde desconfiar da doutrina que leva ao comodismo e afasta de Maria Santíssima; mas podemos absolutamente confiar no ensino que estimula à penitência e aproxima as almas da Santíssima Virgem. Penitência e amor de Maria – estes são os dois caracteres da doutrina cristã, as duas asas da alma fervorosa, os dois luzeiros da verdadeira fé. Vamos agora mais particular citando os Sumos Pontífices. Passemos, entretanto, em silêncio sobre numerosas aprovações de bispos e teólogos afamados, para só indicar documentos autênticos da Santa Sé. Clemente VIII (1592-1605) – Confere grande indulgência à Confraria dos escravos, estabelecida nos Conventos Religiosos do Hospital de Caridade, no bairro de São Germano, em Paris, assim como aos que tragam consigo, e recitem a Coroinha de Nossa Senhora. Gregório XV (1621-1623) – Confere igualmente indulgências aos Escravos de Nossa Senhora. Urbano VIII (1623-1644) – Este Soberano Pontífice, consultando sobre as práticas exteriores de nossa devoção, especialmente sobre as correntinhas que os escravos trazem, aprovou tão louvável fervor e deu a 20 de junho de 1631 a bula Cum sicut accepimus, pela qual concede grande número de indulgências aos escravos de Maria Santíssima. Alexandre VII (1655-1667) – Expediu uma bula, a 23 de junho de 1658, na qual, por motivo da organização da “Sociedade da Escravidão” em Marselha, no Convento dos PP.Agostinianos da Provença, acrescenta às indulgências concedidas pelo Papa Urbano VIII aos escravos da Santíssima Virgem, outras muitas e consideráveis. Pio IX (1846-1878) – é sob seu pontificado que, a 12 de maio de 1853, se promulga em Roma o decreto declaratório de que os escritos de São Luís eram isentos de todo erro que pudesse obstar-lhe a beatificação. São Pio X – tinha uma singular estima à perfeita devoção, e especialmente ao Tratado da Verdadeira Devoção, escrito por São Luís Maria Grignion de Montfort. Quando pensou em compor a encíclica comemorativa do Jubileu da Imaculada Conceição, este Pontífice, que de muito, conhecia o livro de São Luís Maria Grignion de Montfort, quis relê-lo, como confessou depois; e valeu-se do “Tratado” relendo-o tantas vezes, a ponto de reproduzir os pensamentos e, não raro, as mesmas expressões do santo missionário. O Procurador Geral da Companhia de Maria, numa audiência, disse ao Papa: “Vossa Santidade deseja, sem dúvida, como nós, que a verdadeira devoção, ensinada por São Luís Maria Grignion de Montfort, se espalhe cada vez mais… E há de desculpar-me se venho pedir-lhe uma bênção especial e estímulo”.Mal acabara de falar, e o Santo Padre, estendendo a mão, com um sorriso afirmativo, tomou a “súplica” escrita do Procurador, leu-a, e, apenas findada a leitura, tomou da pena, e escreveu em baixo estas linhas:“Acedendo a vosso pedido, recomendamos vivamente o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, tão admiravelmente escrito por São Luís Maria Grignion de Montfort; e a quantos lerem este Tratado concedemos, de todo o coração, a bênção apostólica. 27 de dezembro de 1908 Pio P.P.X” Uma recomendação tão solícita e vinda de tão alto deve, necessariamente, produzir uma forte impressão nos corações católicos. Ao receber o documento supra, o Procurador disse: “Esse livrinho já fez um grande bem; recomendado agora por vossa Santidade, ele há de fazer muito mais no futuro”. “Ele é verdadeiramente belo!” – Respondeu o Santo Padre, com convicção. Sob o pontificado de São Pio X foi a santa escravidão definitivamente organizada em associação, tanto para esses sacerdotes, como para os simples fiéis. A Arquiconfraria de Nossa Senhora, cujo fim é a prática da santa escravidão, foi ereta canonicamente pelo Papa São Pio X a 28 de abril de 1913. Quanto à Associação dos Padres de Maria, já existia praticamente, mas foi canonicamente organizada no Congresso Mariano de Einsideln (Suíça – 1906), tendo como protetores os Cardeais Vannutelli e Vives. São Pio X foi o primeiro a inscrever-se nela, figurando pois o seu nome no cabeçalho da lista dos sacerdotes consagrados a Maria Santíssima. Bento XV – Não foi menos devoto à Santa Escravidão. A 28 de abril de 1916 por ocasião do segundo centenário de São Luís Maria Grignion de Montfort, enviou Ele uma carta autógrafa ao Superior da Congregação de Maria, na qual disse: “A verdadeira devoção à Santíssima Virgem” é um livro pequeno em tamanho, mas de uma grande autoridade, e de grande unção. Possa ele espalhar-se mais e mais, e avivar o espírito cristão num grande número de almas!”.Em face dessas autoridades, é forçoso concluir que a santa escravidão não é uma novidade, uma doutrina sem aprovação da Igreja. Ao contrário, deve dinamar, como o provamos, dos mais sagrados dogmas de nossa religião, qual conclusão lógica de premissas certas.Uma vida tão santa, os muitos milagres, e, sobretudo a beatificação de seu autor, já seria uma prova suficiente de que a santa escravidão é conforme ao ensino da Igreja.É, entretanto, bom e reconfortante ouvir a aprovação dada a incitar os cristãos a uma tão bela prática.Fonte: Pe. Lombaerde, Júlio Maria. O Segredo da Verdadeira Devoção para com a Santíssima Virgem. Múltipla Gráfica e Editora Ltda, 1ºed., 2005, págs. 191-194. Papa João Paulo II – Escravo por amor – TOTUS TUUS O Papa João Paulo II expressava um grande amor à Santíssima Virgem. Tanto, que escolheu para seu lema de pontificado, o “Totus Tuus” – Todo teu, ó Maria!. Quando seminarista leu o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Sua devoção a Nossa Senhora, desde então, tornou-se mais intensa. Como ele próprio disse: “A leitura deste livro marcou em minha vida uma transformação decisiva… A consciência foi que a devoção de minha infância e mesmo de minha juventude para com a Mãe de Cristo ganhou uma nova dimensão… Enquanto antes me mostrava reservado, com medo de que a devoção a Maria pudesse deixar Cristo na sombra, em vez de lhe dar prioridade, entendi agora, à luz do Tratado de Grignion de Montfort, que a realidade é totalmente diferente. A devoção a Maria, que tomou assim uma forma determinada, continuou viva em mim. Tornou-se uma parte integrante da minha vida interior e de meu conhecimento espiritual de Deus.” (“Não tenham medo”, André Frossard, entrevista com o Papa João Paulo II, ed.Círculo do Livro, pág. 143-145). Em uma carta do Papa João Paulo II, do dia 15 de agosto de 1984, por ocasião da celebração de XXV aniversário da consagração da Itália ao Coração Imaculado de Maria explica os fundamentos bíblicos e teológicos da Consagração à Santíssima Virgem: “O significado antigo da consagração à Virgem Santíssima consiste não apenas num efêmero gesto devocional, mas na acolhida filial daquela que Cristo nos deu por Mãe na ordem da graça, na pessoa do discípulo amado (cf. Jo 19, 25-27). Tal relacionamento direto e permanente com Maria na oração, na disponibilidade ao seu influxo e na assimilação das suas atitudes evangélicas, por sua vez transforma-se em um caminho de fidelidade a Cristo, de docilidade ao Espírito Santo, de comunhão de amor com o Pai e de vida eclesial. Leia também: .: Os erros mais comuns sobre a Total Consagração à Santíssima Virgem .: BISPO PROÍBE USO DO SAGRADO VÉU E CADEIAS DA TOTAL CONSAGRAÇÃO EM SUA DIOCESE .: A Santa Escravidão de Amor Espero, portanto, que o renovado empenho de consagração a Maria seja visto e vivido em referência à história da salvação, ‘como modo seguro para realizar a aliança com Deus’, restabelecida por Jesus Cristo no Mistério Pascal e efetuada pelos cristãos no batismo, na confirmação e na Eucaristia. Consagrados a Deus por iniciativa gratuita do amor misericordioso, devemos viver para Ele, oferecendo a nossa pessoa ‘como sacrifício vivente, santo, agradável a Deus’ (Rm 12,1) sob o exemplo de Maria, a Virgem consagrada ao Senhor. #TotusTuus #VerdadeiraDevoção #TotalConsagração #NossaSenhora #SantaEscravidão #FormaçõesCatólicas #SantíssimaVirgem
- Após conceber Jesus, Maria continuou Virgem?
Uma das acusações mais infundadas dos protestantes é de que a Virgem Maria teve outros filhos e Jesus outros irmãos. Porém essa objeção entra em conflito com um dos mais importantes dogmas da Igreja: a “Virgindade Perpétua de Maria”. Aprenda mais para poder responder após protestantes… Extraído do livro Respostas da Bíblia – Pe. Vicente, SVD OBJEÇÃO : Os católicos ensinam que Maria ficou sempre virgem. Porém, em vários lugares da Bíblia (por ex. Mc 3,31-32) lemos de irmãos de Jesus. Portanto Maria devia ter outros filhos, além de Jesus! a) Na linguagem bíblica, “irmão” e freqüentemente usado em lugar de primo, sobrinho, tio, parente. Por ex. em Gen 13,8 Abraão diz a Ló: “Somos irmãos,”- enquanto de Gen 11,27-31 consta claramente que Ló era filho de Aran – irmão de Abraão, portanto seu sobrinho. Também Labão, em Gen 29,15 fala a Jacó: “Por seres meu irmão, servir-me-ás de graça?” – Mas em Gen 27,43 e 29,10-11 – Labão é declarado irmão de Rebeca, mãe de Jacó, e tio dele. b) Os evangelistas Mateus e Marcos, (em Mt 13,55 e Mc 6,3) enumeram como “irmãos de Jesus”: Tiago, José, Judas Simão: Porém, na cena da crucificação de Jesus, João Evangelista coloca debaixo da cruz: “Sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena”. Enquanto Marcos acrescenta, que esta outra Maria (irmã da Mãe de Jesus) era mãe de Tiago, o Menor, e de José. Estes últimos eram portanto sobrinhos de Maria Santíssima, e primos de Jesus (Jo 19,25 e Mc 15,40). Ora, Judas (Tadeu) Apóstolo, declara-se, no início de sua carta apostólica (Jd 1,1) “Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago”. O mesmo se dá com Simão Apóstolo. c) Alguns “crentes” teimam tirar uma conclusão (errada!) de que Maria – depois da concepção virginal do Salvador – tinha relações e outros filhos com José, dos três seguintes textos bíblicos: 1a Mt 1,18: “Maria, sua Mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, ela concebeu por virtude do Espírito Santo”. RESPOSTA: “Antes de coabitarem” significa apenas: “Antes de morarem juntos na mesma casa”. Isso aconteceu, quando “José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa (Maria)” (Mt 1,24). 22 Lc 2,7: “Maria deu à luz o seu filho primogênito”. EXPLICAÇÃO: É errado concluir, que devia seguir o segundo ou mais filhos. A lei mosaica exige: “Consagrar-me-ás todo o primogênito (primeiro gerado) entre os israelitas, tanto homem como animal: ele é meu.”(Ex 13,2). – Também, quando o primogênito era filho único. Um exemplo: No Egito foi encontrada uma inscrição judaica: “Arisoné entre as dores do parto morreu, ao dar à luz seu filho primogênito. 32 Mt 1,25: (Só em algumas traduções) “José não conheceu Maria (= não teve relações com ela) até que ela desse à luz um filho (Jesus)”. EXPLICAÇÃO: Seria errado insinuar, que depois daquele “até” José devia “conhecer” Maria. “Até” na linguagem bíblica refere-se apenas ao passado. Exemplo: “Micol, filha de Saul, não teve filhos até ao dia de sua morte” (II Sm 6,23). d) Como fidelíssimo observador da Lei de Moisés, Jesus não podia, na hora de sua morte na cruz, confiar sua Mãe a João Apóstolo (Jo 19,26), mas devia a tê-la confiado ao filho mais idoso dela, se ela de fato os tivesse. e) Por isso, o Símbolo dos Apóstolos, que é mais antigo do que o Cânon dos Livros Sagrados, reza: “Nasceu da Virgem Maria’. = no sentido de Sto. Agostinho: “Virgem concebeu, Virgem deu à luz, Virgem permaneceu”. Conseqüentemente, os ‘irmãos (primos, parentes) de Jesus, tão freqüentemente mencionados nos esritos do Novo Testamento, nunca são chamados FiIhos de Maria, nem filhos de José, confirmando a tradição apostólica. f) Até os Muçulmanos, nos seus livros sagrados, veneram a Mãe de Jesus como Virgem. Portanto, a acusação contra a virgindade de Maria, Mãe de Jesus, demonstra apenas a ignorância ou malícia dos acusadores. Os irmãos de Jesus eram os filhos de Maria? Antes de responder essa questão é preciso entender que na linguagem bíblica, freqüentemente “irmão” é utilizado no lugar de io, sobrinho e parente próximo, pois a palavra “irmão” em aramaico ou hebraico também assume tais significados. Em Gen13,8 Abraão diz a Ló: “Somos irmãos”, porém vemos que em Gen11,27-31 Ló é na verdade sobrinho e Abraão. Esse exemplo não é único: Labão se refere a Jacó como sendo seu irmão, entretanto em Gen 27,43 e 29,10s , vemos que Labão é irmão de Rebeca e, portanto, tio de Abraão. Em 1Cor 23,21ss: “Os filhos de Merari foram Moholi e Musi. Os filhos de Moholi foram Eleázaro e Cis. Eleázaro morreu sem ter filhos, mas apenas filhas; os filhos de Cis, seus irmãos (= primos) as tomaram como mulheres”. Por isso, a tradução grega do Antigo Testamento realizada em Alexandria entre 250 e 100 a.C. usa a palavra grega adephós (irmãos), embora existisse a palavra em grego para dizer sobrinhos e primos. O linguajar dos LXX conserva esse fundo semita, influenciando a linguagem dos escritores do Novo Testamento, familiarizados com a tradução dos LXX. Jesus como filho único Se Maria teve outros filhos, esses com certeza eram mais novos de Jesus. Com efeito, a autoridade autoritária dos “irmãos”de Jesus para com Ele, descrita em Mc 3,21.31-35 e Jo 7,2-5, no Oriente não teria cabimento se esses irmãos mais jovens; sim, a mentalidade judaica exigia dos irmãos mais novos um comportamento de reverência para com o primogênito, como se deduz, por exemplo, das palavras de Isaque a Jacó: “Sê o Senhor dos teus irmãos; diante de ti se curvem os filhos de tua mãe!”( Gn 27,29). Em Jo 19,26s, Jesus Confiou sua mãe a João, filho de Zebedeu, membro de outra família. Esse gesto não seria compreensível se Maria tivesse outros filhos em sua casa, pois como observador fidelíssimo da Lei de Moisés, Ele deveria tê-la confiado ao seu filho mais idoso. O Novo Testamento nunca fala nos filhos de Maria e José. Em Lucas 3,23 Jesus é dito o filho de José ; em Mc 6,3 é chamado de o filho de Maria.Os evangelistas sempre se referem a “Maria e os irmãos de Jesus”, locução pesado e pouco compreensível se eles fossem seus filhos. Outras objeções por parte de grupos separados da Igreja: Mt1,18 . Antes de coabitarem significa antes de morarem juntos na mesma casa. Lc 1,7 : Primogênito, bekor em hebraico, pode significar o bem-amado ou até mesmo ser sinônimo de unigênito.Zc12,11: “Quanto àquele que transpassaram, chorá-lo-ão como se chora um filho unigênito: chorá-lo-ão amargamente como se chora um primogênito”. “José não conheceu Maria até que ela desse à luz um filho.” Mt1,25 . A afirmação por parte de alguns grupos que depois do parto José teve relações com Maria é um tanto tendenciosa. A expressão “até que” vem do hebraico ad ki e quer dizer apenas que até dado momento tal fato não aconteceu, porém não indica se ocorreu no futuro. Exemplos: -Em Gn8,7: “O corvo que Noé soltou após o dilúvio, não voltou à arca até que as águas secassem”. Isso não quer dizer que após o dilúvio o corvo voltou à arca. -“Micol, filha de Saul não teve filhos até o dia de sua morte”( IISm 6,23), será que depois da morte Micol teve filhos???Pouco provável. Por conseguinte esse versículo também é traduzido como : “Sem que ele (José) a tivesse conhecido, ela (Maria) deu à luz.” -Em Gn 28,15: Diz o Senhor a Jacó: “Não te abandonarei até que eu tenha realizado o que te prometi”. Certamente o Senhor não abandonou Jacó depois de cumprir as suas promessas. -Mt 28,20: “Estarei conosco todos os dias até a consumação dos séculos”. Alguém vai imaginar que Deus deixará de estar com os seus no fim dos tempos. É interessante notar também que a questão da virgindade perpétua de Maria não é unânime nem entre os próprios protestantes. John Wesley, inventor da Igreja Metodista, declara o seguinte: “Creio que (Jesus) foi feito homem unindo sua natureza humana à divina em uma só pessoa; sendo concebido pela obra singular do Espírito Santo, nascido da abençoada Virgem Maria, que, tanto antes quanto depois de dá-lo à luz, continuou virgem pura e imaculada” (Carta a um católico escrita em 18 de junho de 1749) Bibliografia: Livro Católicos perguntam , de D. Estevão Bettebcourt , Ed. O Mensageiro de Santo Antônio Apostila do curso de Mariologia da Escola Matter Ecclesiae , de D. Estevão Bettencourt Livro Perguntas e respostas sobre a fé, de pe. Alberto Gambarini , Ed. Ágape Para se aprofundar no assunto, assista o vídeo: A Virgindade Perpétua Desde as primeiras formulações da fé, a Igreja confessou que Jesus foi concebido exclusivamente pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, afirmando também o aspecto corporal deste evento. Os relatos evangélicos explicam a Conceição Virginal como uma obra divina que ultrapassa toda compreensão e toda possibilidade humanas. Os primeiros intérpretes da Palavra viram na Conceição Virginal o sinal de que verdadeiramente o Filho de Deus veio a uma humanidade como a nossa. E o dogma realmente nos faz compreender que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, visto ser Mãe do Filho eterno de Deus feito homem sem deixar de ser Deus. Além disso, nos faz compreender a Maternidade espiritual de Maria, que se estende a todos na humanidade, que Jesus veio salvar. O DOGMA – “Se alguém não confessa, de acordo com os santos Padres, que a Santa e sempre Virgem e Imaculada Maria é própria e verdadeiramente Mãe de Deus, como queira que própria e verdadeiramente concebeu sem sêmen, por obra do Espírito Santo, o mesmo Deus Verbo que nasceu do Pai antes de todos os séculos, e que deu à luz sem corrupção permanecendo sua virgindade indissolúvel depois do parto, seja condenado”. (Sínodo Romano Lateranense, sob Martinho I (649)) O QUE DIZ A SAGRADA ESCRITURA – 9CAT 497-498) É de notar a profecia de Is 7,14, traduzida literalmente do hebraico: “Eis a jovem donzela (almah) concebe e dará à luz um filho, que ela chamará Emanuel”. Os Evangelhos afirmam que Maria Virgem concebeu o Filho de Deus sem a intervenção de semente humana; MT 1,18-20; Lc 1, 26-38 . Em Lc 2, 48 José é dito “pai de Jesus” Lucas afirma (Lc 3,22) que José era o Pai adotivo de Jesus. A Divina Providência quis que Maria fosse verdadeiramente casada com José, homem justo, a fim de que seu lar tivesse a tutela que o homem pode e deve dar à mãe e ao filho. MARIA SERMPRE VIRGEM – Em 649, o Concilio regional do Latrão declarou: Maria, a santa Mãe de Deus e imaculada Virgem,… concebeu do Espírito Santo sem semente viril o próprio Deus Verbo; deu à luz sem perder a sua integridade, e também depois antes do parto, no parto e perpetuamente depois do parto”. O aprofundamento da sua fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria, mesmo no parto do Filho de Deus feito homem. Com efeito, o nascimento de Cristo “não lhe violou, mas sagrou a integridade virginal” da sua mãe. A Liturgia da Igreja celebra Maria como a “Aeiparthenos”, “sempre-virgem”. A VIRGINDADE NO PARTO – Jo 1,12s “A todos os que O receberam, deu o poder de se tornarem filhos de Deus, aos que crêem em seu nome, Ele (o verbo) que não nasceu do sangue, nem da vontade da carne ,nem da vontade do homem, mas nasceu de Deus”. Lc 2,7: “Maria gerou seu filho primogênito, envolveu-o em panos e deitou-o no presépio”. Estes dizeres insinuam a ausência das dores e da prostração que costumam acompanhar todo parto. A Tradição afirma que “Maria deu à Luz sem dor”, intencionando assim professar a maternidade virginal de Maria. Lucas (2,23) aplica a Jesus o texto de Ex. 13,2,12,15, texto conforme o qual Cristo seria “o filho que abre o seio materno”: esta é uma expressão clássica da Lei de Moisés par designar o primeiro (ou também… o único) filho. Tais palavras não tem em vista um fenômeno fisiológico, mas apenas a posição jurídica do filho na família. Por conseguinte, a passagem de Lc 2,23 não contradiz ao nascimento virginal de Jesus. A fé da Igreja se afirma em numerosos testemunhos – São Leão Magno Papa: “O Filho de Deus concebido do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, que O deu à luz, conservando a sua virgindade (salva virginitate), como O concebeu conservando a sua virgindade”. – São Gregório Magno Papa: “O corpo do Senhor, após a ressurreição, entrou onde se achavam os discípulos, passando por portas fechadas, esse mesmo corpo que, ao nascer, saiu do seio fechado, manifestando-se aos olhos dos homens. Não é para admirar que o Senhor, ressuscitado para viver eternamente, tenha atravessado portas fechadas, visto que, para morrer, Ele veio a nós através do seio fechado da Virgem”. O parto virginal de Maria é fato singular e transcendental, que há de ser preservado com respeito e reverência. VIRGINDADE APÓS P PARTO – O FILHO ÚNICO – Mc 6,3; MT 13,55s; Mc 3.31-35; MT 12,46-50; Lc 8,19-21; Jo 2,12; 7,2-10; At 1,14; Gl 1,19; I Cor 9,5 A igreja sempre entendeu que essas passagens não designam outros filhos da Virgem Maria: com efeito , Tiago e José, “irmãos de Jesus”(MT 13,55), são os filhos de uma Maria discípula de Cristo que significativamente é designada como “a outra Maria”(MT 28,1) Trata-se de parentes próximos de Jesus, consoante uma expressão conhecida do Antigo Testamento. Jesus é o Filho único de Maria. Mas a maternidade espiritual de Maria estende-se a todos os homens que Ele veio salvar. “Ela engendrou seu Filho, do qual Deus fez o primogênito entre uma multidão de irmãos (Rm 8,29), isto é entre os fiéis, em cujo nascimento e educação Ela coopera com amor materno. Lc 2,41-52; Lc 2,43; Jo 19,26s/ Primos de Jesus: MT 27,56; Mc 15-40; Jo 19,25: O aramaico que os judeus falavam no tempo de Jesus e que os evangelistas supõem, era língua pobre de vocábulos. A palavra aramaica e hebraica “ah” podia significar não somente os filhos dos mesmos genitores, mas também os primos e até parentes mais distantes: – Gn 13,8: Abraão disse a seu sobrinho Lote, filho do seu irmão: “Somos irmãos”. (Ver também: Gn 29,12.15; 31,23; I Cor 23,21-23) Lemos em MT 1,25: “José não conheceu Maria (não teve relações com Maria) até que ela desse a luz um filho (Jesus)”. Isso não significa que depois de Ter dado à luz, Maria tenha tido relações com José. A expressão “até que” corresponde ao grego “heos hou” e ao hebraico ad ki. Esta partícula na Escritura ocorre para designar apenas o que se deu (ou não se deu) no passado, sem indicação do que havia de acontecer no futuro. Ainda hoje na vida cotidiana recorremos a semelhante modo de falar, quando dizemos por exemplo: “Tal homem morreu antes de Ter realizado os seus “planos”. Poderia alguém concluir que, depois da morte, o defunto tenha executado os seus desígnios? Por fim, o termo primogênito não significa que Maria tenha tido outros filhos após Ele. Em hebraico “bekor”, primogênito, podia designar “o bem-amado”. MISTÉRIO NO SEU DESÍGNIO SALVÍFICO – Falar da Virgindade de Maria significa entrar no mistério espiritual de sua relação com Deus. Se a Virgem Maria teve uma relação verdadeiramente privilegiada com Deus, todos os acontecimentos de sua vida foram marcados pelo extraordinário. A Virgindade de Maria manifesta a iniciativa absoluta de Deus na Encarnação. Assim é que no seu Evangelho, Mateus (1,23) CITA A Profecia de Isaías (7,14): “Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho”. E Lucas 1,35 confirma: “O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te envolverá com a Sua sombra”. Eis um extrato de um texto promulgado pela Igreja no Concilio de Trento, que nos convida a dobrar-nos diante das imensas obras do Criador. “Se a concepção do Salvador está acima de todas as leis da natureza, seu nascimento não lhe é inferior. Seu nascimento é divino, o que é absolutamente prodigioso, o que ultrapassa todo pensamento, toda palavra, é que Ele nasceu de sua Mãe sem acarretar a perda da virgindade, do mesmo modo que, mais tarde, ele saiu do túmulo sem quebrar a rocha que o mantinha fechado, da mesma maneira que ele entrou na casa com as portas fechadas onde estavam seus discípulos… Assim é a Encarnação de Deus em Maria, sem intervenção do homem! Assim é a natividade de Jesus, que preservou a integridade de Maria, do mesmo modo como, na ressurreição, Cristo saiu do túmulo pelo único poder do seu Amor. O extraordinário torna-se possível, o sobrenatural torna-se natural quando Deus intervém para realizar seu desejo de Salvação”. Da parte de Nossa Senhora, sua Maternidade Virginal é sinal de sua fé e da sua doação total à vontade de Deus: Pela fé , Maria submeteu-se inteiramente ao poder do altíssimo, e viu acontecer em sua vida o extraordinário, o impossível. O dom total de si, da sua pessoa, a serviço dos desígnios salvíficos do Altíssimo. Assim é que João Paulo II escreve em sua Carta Encíclica Redemptoris Mater, sobre a Virgem Maria na vida da Igreja. “O consentimento que ela dá `a maternidade é fruto sobretudo da doação total a Deus na virgindade. Maria aceitou a eleição para ser Mãe do Filho de Deus, guiada pelo amor esponsal, amor que consagra totalmente a Deus uma pessoa humana. Em virtude desse amor, Maria desejava sempre em tudo doada a Deus, vivendo na virgindade”. (RM 39). Essa atitude esponsal, de abertura total à pessoa de Cristo, a toda a sua obra e a toda a sua missão, une em si, de maneira perfeita, o amor próprio da virgindade e o amor característico da maternidade, num só amor. Ao mesmo tempo Virgem e Mãe, Maria é a forma mais perfeita da Igreja ( Veja Cat. 507). #FormaçõesCatólicas #NossaSenhora #VirgindadePerpétua
- Após conceber Jesus, Maria continuou Virgem?
Uma das acusações mais infundadas dos protestantes é de que a Virgem Maria teve outros filhos e Jesus outros irmãos. Porém essa objeção entra em conflito com um dos mais importantes dogmas da Igreja: a “Virgindade Perpétua de Maria”. Aprenda mais para poder responder após protestantes… Extraído do livro Respostas da Bíblia – Pe. Vicente, SVD OBJEÇÃO : Os católicos ensinam que Maria ficou sempre virgem. Porém, em vários lugares da Bíblia (por ex. Mc 3,31-32) lemos de irmãos de Jesus. Portanto Maria devia ter outros filhos, além de Jesus! a) Na linguagem bíblica, “irmão” e freqüentemente usado em lugar de primo, sobrinho, tio, parente. Por ex. em Gen 13,8 Abraão diz a Ló: “Somos irmãos,”- enquanto de Gen 11,27-31 consta claramente que Ló era filho de Aran – irmão de Abraão, portanto seu sobrinho. Também Labão, em Gen 29,15 fala a Jacó: “Por seres meu irmão, servir-me-ás de graça?” – Mas em Gen 27,43 e 29,10-11 – Labão é declarado irmão de Rebeca, mãe de Jacó, e tio dele. b) Os evangelistas Mateus e Marcos, (em Mt 13,55 e Mc 6,3) enumeram como “irmãos de Jesus”: Tiago, José, Judas Simão: Porém, na cena da crucificação de Jesus, João Evangelista coloca debaixo da cruz: “Sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena”. Enquanto Marcos acrescenta, que esta outra Maria (irmã da Mãe de Jesus) era mãe de Tiago, o Menor, e de José. Estes últimos eram portanto sobrinhos de Maria Santíssima, e primos de Jesus (Jo 19,25 e Mc 15,40). Ora, Judas (Tadeu) Apóstolo, declara-se, no início de sua carta apostólica (Jd 1,1) “Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago”. O mesmo se dá com Simão Apóstolo. c) Alguns “crentes” teimam tirar uma conclusão (errada!) de que Maria – depois da concepção virginal do Salvador – tinha relações e outros filhos com José, dos três seguintes textos bíblicos: 1a Mt 1,18: “Maria, sua Mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, ela concebeu por virtude do Espírito Santo”. RESPOSTA: “Antes de coabitarem” significa apenas: “Antes de morarem juntos na mesma casa”. Isso aconteceu, quando “José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa (Maria)” (Mt 1,24). 22 Lc 2,7: “Maria deu à luz o seu filho primogênito”. EXPLICAÇÃO: É errado concluir, que devia seguir o segundo ou mais filhos. A lei mosaica exige: “Consagrar-me-ás todo o primogênito (primeiro gerado) entre os israelitas, tanto homem como animal: ele é meu.”(Ex 13,2). – Também, quando o primogênito era filho único. Um exemplo: No Egito foi encontrada uma inscrição judaica: “Arisoné entre as dores do parto morreu, ao dar à luz seu filho primogênito. 32 Mt 1,25: (Só em algumas traduções) “José não conheceu Maria (= não teve relações com ela) até que ela desse à luz um filho (Jesus)”. EXPLICAÇÃO: Seria errado insinuar, que depois daquele “até” José devia “conhecer” Maria. “Até” na linguagem bíblica refere-se apenas ao passado. Exemplo: “Micol, filha de Saul, não teve filhos até ao dia de sua morte” (II Sm 6,23). d) Como fidelíssimo observador da Lei de Moisés, Jesus não podia, na hora de sua morte na cruz, confiar sua Mãe a João Apóstolo (Jo 19,26), mas devia a tê-la confiado ao filho mais idoso dela, se ela de fato os tivesse. e) Por isso, o Símbolo dos Apóstolos, que é mais antigo do que o Cânon dos Livros Sagrados, reza: “Nasceu da Virgem Maria’. = no sentido de Sto. Agostinho: “Virgem concebeu, Virgem deu à luz, Virgem permaneceu”. Conseqüentemente, os ‘irmãos (primos, parentes) de Jesus, tão freqüentemente mencionados nos esritos do Novo Testamento, nunca são chamados FiIhos de Maria, nem filhos de José, confirmando a tradição apostólica. f) Até os Muçulmanos, nos seus livros sagrados, veneram a Mãe de Jesus como Virgem. Portanto, a acusação contra a virgindade de Maria, Mãe de Jesus, demonstra apenas a ignorância ou malícia dos acusadores. Os irmãos de Jesus eram os filhos de Maria? Antes de responder essa questão é preciso entender que na linguagem bíblica, freqüentemente “irmão” é utilizado no lugar de io, sobrinho e parente próximo, pois a palavra “irmão” em aramaico ou hebraico também assume tais significados. Em Gen13,8 Abraão diz a Ló: “Somos irmãos”, porém vemos que em Gen11,27-31 Ló é na verdade sobrinho e Abraão. Esse exemplo não é único: Labão se refere a Jacó como sendo seu irmão, entretanto em Gen 27,43 e 29,10s , vemos que Labão é irmão de Rebeca e, portanto, tio de Abraão. Em 1Cor 23,21ss: “Os filhos de Merari foram Moholi e Musi. Os filhos de Moholi foram Eleázaro e Cis. Eleázaro morreu sem ter filhos, mas apenas filhas; os filhos de Cis, seus irmãos (= primos) as tomaram como mulheres”. Por isso, a tradução grega do Antigo Testamento realizada em Alexandria entre 250 e 100 a.C. usa a palavra grega adephós (irmãos), embora existisse a palavra em grego para dizer sobrinhos e primos. O linguajar dos LXX conserva esse fundo semita, influenciando a linguagem dos escritores do Novo Testamento, familiarizados com a tradução dos LXX. Jesus como filho único Se Maria teve outros filhos, esses com certeza eram mais novos de Jesus. Com efeito, a autoridade autoritária dos “irmãos”de Jesus para com Ele, descrita em Mc 3,21.31-35 e Jo 7,2-5, no Oriente não teria cabimento se esses irmãos mais jovens; sim, a mentalidade judaica exigia dos irmãos mais novos um comportamento de reverência para com o primogênito, como se deduz, por exemplo, das palavras de Isaque a Jacó: “Sê o Senhor dos teus irmãos; diante de ti se curvem os filhos de tua mãe!”( Gn 27,29). Em Jo 19,26s, Jesus Confiou sua mãe a João, filho de Zebedeu, membro de outra família. Esse gesto não seria compreensível se Maria tivesse outros filhos em sua casa, pois como observador fidelíssimo da Lei de Moisés, Ele deveria tê-la confiado ao seu filho mais idoso. O Novo Testamento nunca fala nos filhos de Maria e José. Em Lucas 3,23 Jesus é dito o filho de José ; em Mc 6,3 é chamado de o filho de Maria.Os evangelistas sempre se referem a “Maria e os irmãos de Jesus”, locução pesado e pouco compreensível se eles fossem seus filhos. Outras objeções por parte de grupos separados da Igreja: Mt1,18 . Antes de coabitarem significa antes de morarem juntos na mesma casa. Lc 1,7 : Primogênito, bekor em hebraico, pode significar o bem-amado ou até mesmo ser sinônimo de unigênito.Zc12,11: “Quanto àquele que transpassaram, chorá-lo-ão como se chora um filho unigênito: chorá-lo-ão amargamente como se chora um primogênito”. “José não conheceu Maria até que ela desse à luz um filho.” Mt1,25 . A afirmação por parte de alguns grupos que depois do parto José teve relações com Maria é um tanto tendenciosa. A expressão “até que” vem do hebraico ad ki e quer dizer apenas que até dado momento tal fato não aconteceu, porém não indica se ocorreu no futuro. Exemplos: -Em Gn8,7: “O corvo que Noé soltou após o dilúvio, não voltou à arca até que as águas secassem”. Isso não quer dizer que após o dilúvio o corvo voltou à arca. -“Micol, filha de Saul não teve filhos até o dia de sua morte”( IISm 6,23), será que depois da morte Micol teve filhos???Pouco provável. Por conseguinte esse versículo também é traduzido como : “Sem que ele (José) a tivesse conhecido, ela (Maria) deu à luz.” -Em Gn 28,15: Diz o Senhor a Jacó: “Não te abandonarei até que eu tenha realizado o que te prometi”. Certamente o Senhor não abandonou Jacó depois de cumprir as suas promessas. -Mt 28,20: “Estarei conosco todos os dias até a consumação dos séculos”. Alguém vai imaginar que Deus deixará de estar com os seus no fim dos tempos. É interessante notar também que a questão da virgindade perpétua de Maria não é unânime nem entre os próprios protestantes. John Wesley, inventor da Igreja Metodista, declara o seguinte: “Creio que (Jesus) foi feito homem unindo sua natureza humana à divina em uma só pessoa; sendo concebido pela obra singular do Espírito Santo, nascido da abençoada Virgem Maria, que, tanto antes quanto depois de dá-lo à luz, continuou virgem pura e imaculada” (Carta a um católico escrita em 18 de junho de 1749) Bibliografia: Livro Católicos perguntam , de D. Estevão Bettebcourt , Ed. O Mensageiro de Santo Antônio Apostila do curso de Mariologia da Escola Matter Ecclesiae , de D. Estevão Bettencourt Livro Perguntas e respostas sobre a fé, de pe. Alberto Gambarini , Ed. Ágape Para se aprofundar no assunto, assista o vídeo: A Virgindade Perpétua Desde as primeiras formulações da fé, a Igreja confessou que Jesus foi concebido exclusivamente pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, afirmando também o aspecto corporal deste evento. Os relatos evangélicos explicam a Conceição Virginal como uma obra divina que ultrapassa toda compreensão e toda possibilidade humanas. Os primeiros intérpretes da Palavra viram na Conceição Virginal o sinal de que verdadeiramente o Filho de Deus veio a uma humanidade como a nossa. E o dogma realmente nos faz compreender que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, visto ser Mãe do Filho eterno de Deus feito homem sem deixar de ser Deus. Além disso, nos faz compreender a Maternidade espiritual de Maria, que se estende a todos na humanidade, que Jesus veio salvar. O DOGMA – “Se alguém não confessa, de acordo com os santos Padres, que a Santa e sempre Virgem e Imaculada Maria é própria e verdadeiramente Mãe de Deus, como queira que própria e verdadeiramente concebeu sem sêmen, por obra do Espírito Santo, o mesmo Deus Verbo que nasceu do Pai antes de todos os séculos, e que deu à luz sem corrupção permanecendo sua virgindade indissolúvel depois do parto, seja condenado”. (Sínodo Romano Lateranense, sob Martinho I (649)) O QUE DIZ A SAGRADA ESCRITURA – 9CAT 497-498) É de notar a profecia de Is 7,14, traduzida literalmente do hebraico: “Eis a jovem donzela (almah) concebe e dará à luz um filho, que ela chamará Emanuel”. Os Evangelhos afirmam que Maria Virgem concebeu o Filho de Deus sem a intervenção de semente humana; MT 1,18-20; Lc 1, 26-38 . Em Lc 2, 48 José é dito “pai de Jesus” Lucas afirma (Lc 3,22) que José era o Pai adotivo de Jesus. A Divina Providência quis que Maria fosse verdadeiramente casada com José, homem justo, a fim de que seu lar tivesse a tutela que o homem pode e deve dar à mãe e ao filho. MARIA SERMPRE VIRGEM – Em 649, o Concilio regional do Latrão declarou: Maria, a santa Mãe de Deus e imaculada Virgem,… concebeu do Espírito Santo sem semente viril o próprio Deus Verbo; deu à luz sem perder a sua integridade, e também depois antes do parto, no parto e perpetuamente depois do parto”. O aprofundamento da sua fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria, mesmo no parto do Filho de Deus feito homem. Com efeito, o nascimento de Cristo “não lhe violou, mas sagrou a integridade virginal” da sua mãe. A Liturgia da Igreja celebra Maria como a “Aeiparthenos”, “sempre-virgem”. A VIRGINDADE NO PARTO – Jo 1,12s “A todos os que O receberam, deu o poder de se tornarem filhos de Deus, aos que crêem em seu nome, Ele (o verbo) que não nasceu do sangue, nem da vontade da carne ,nem da vontade do homem, mas nasceu de Deus”. Lc 2,7: “Maria gerou seu filho primogênito, envolveu-o em panos e deitou-o no presépio”. Estes dizeres insinuam a ausência das dores e da prostração que costumam acompanhar todo parto. A Tradição afirma que “Maria deu à Luz sem dor”, intencionando assim professar a maternidade virginal de Maria. Lucas (2,23) aplica a Jesus o texto de Ex. 13,2,12,15, texto conforme o qual Cristo seria “o filho que abre o seio materno”: esta é uma expressão clássica da Lei de Moisés par designar o primeiro (ou também… o único) filho. Tais palavras não tem em vista um fenômeno fisiológico, mas apenas a posição jurídica do filho na família. Por conseguinte, a passagem de Lc 2,23 não contradiz ao nascimento virginal de Jesus. A fé da Igreja se afirma em numerosos testemunhos – São Leão Magno Papa: “O Filho de Deus concebido do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, que O deu à luz, conservando a sua virgindade (salva virginitate), como O concebeu conservando a sua virgindade”. – São Gregório Magno Papa: “O corpo do Senhor, após a ressurreição, entrou onde se achavam os discípulos, passando por portas fechadas, esse mesmo corpo que, ao nascer, saiu do seio fechado, manifestando-se aos olhos dos homens. Não é para admirar que o Senhor, ressuscitado para viver eternamente, tenha atravessado portas fechadas, visto que, para morrer, Ele veio a nós através do seio fechado da Virgem”. O parto virginal de Maria é fato singular e transcendental, que há de ser preservado com respeito e reverência. VIRGINDADE APÓS P PARTO – O FILHO ÚNICO – Mc 6,3; MT 13,55s; Mc 3.31-35; MT 12,46-50; Lc 8,19-21; Jo 2,12; 7,2-10; At 1,14; Gl 1,19; I Cor 9,5 A igreja sempre entendeu que essas passagens não designam outros filhos da Virgem Maria: com efeito , Tiago e José, “irmãos de Jesus”(MT 13,55), são os filhos de uma Maria discípula de Cristo que significativamente é designada como “a outra Maria”(MT 28,1) Trata-se de parentes próximos de Jesus, consoante uma expressão conhecida do Antigo Testamento. Jesus é o Filho único de Maria. Mas a maternidade espiritual de Maria estende-se a todos os homens que Ele veio salvar. “Ela engendrou seu Filho, do qual Deus fez o primogênito entre uma multidão de irmãos (Rm 8,29), isto é entre os fiéis, em cujo nascimento e educação Ela coopera com amor materno. Lc 2,41-52; Lc 2,43; Jo 19,26s/ Primos de Jesus: MT 27,56; Mc 15-40; Jo 19,25: O aramaico que os judeus falavam no tempo de Jesus e que os evangelistas supõem, era língua pobre de vocábulos. A palavra aramaica e hebraica “ah” podia significar não somente os filhos dos mesmos genitores, mas também os primos e até parentes mais distantes: – Gn 13,8: Abraão disse a seu sobrinho Lote, filho do seu irmão: “Somos irmãos”. (Ver também: Gn 29,12.15; 31,23; I Cor 23,21-23) Lemos em MT 1,25: “José não conheceu Maria (não teve relações com Maria) até que ela desse a luz um filho (Jesus)”. Isso não significa que depois de Ter dado à luz, Maria tenha tido relações com José. A expressão “até que” corresponde ao grego “heos hou” e ao hebraico ad ki. Esta partícula na Escritura ocorre para designar apenas o que se deu (ou não se deu) no passado, sem indicação do que havia de acontecer no futuro. Ainda hoje na vida cotidiana recorremos a semelhante modo de falar, quando dizemos por exemplo: “Tal homem morreu antes de Ter realizado os seus “planos”. Poderia alguém concluir que, depois da morte, o defunto tenha executado os seus desígnios? Por fim, o termo primogênito não significa que Maria tenha tido outros filhos após Ele. Em hebraico “bekor”, primogênito, podia designar “o bem-amado”. MISTÉRIO NO SEU DESÍGNIO SALVÍFICO – Falar da Virgindade de Maria significa entrar no mistério espiritual de sua relação com Deus. Se a Virgem Maria teve uma relação verdadeiramente privilegiada com Deus, todos os acontecimentos de sua vida foram marcados pelo extraordinário. A Virgindade de Maria manifesta a iniciativa absoluta de Deus na Encarnação. Assim é que no seu Evangelho, Mateus (1,23) CITA A Profecia de Isaías (7,14): “Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho”. E Lucas 1,35 confirma: “O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te envolverá com a Sua sombra”. Eis um extrato de um texto promulgado pela Igreja no Concilio de Trento, que nos convida a dobrar-nos diante das imensas obras do Criador. “Se a concepção do Salvador está acima de todas as leis da natureza, seu nascimento não lhe é inferior. Seu nascimento é divino, o que é absolutamente prodigioso, o que ultrapassa todo pensamento, toda palavra, é que Ele nasceu de sua Mãe sem acarretar a perda da virgindade, do mesmo modo que, mais tarde, ele saiu do túmulo sem quebrar a rocha que o mantinha fechado, da mesma maneira que ele entrou na casa com as portas fechadas onde estavam seus discípulos… Assim é a Encarnação de Deus em Maria, sem intervenção do homem! Assim é a natividade de Jesus, que preservou a integridade de Maria, do mesmo modo como, na ressurreição, Cristo saiu do túmulo pelo único poder do seu Amor. O extraordinário torna-se possível, o sobrenatural torna-se natural quando Deus intervém para realizar seu desejo de Salvação”. Da parte de Nossa Senhora, sua Maternidade Virginal é sinal de sua fé e da sua doação total à vontade de Deus: Pela fé , Maria submeteu-se inteiramente ao poder do altíssimo, e viu acontecer em sua vida o extraordinário, o impossível. O dom total de si, da sua pessoa, a serviço dos desígnios salvíficos do Altíssimo. Assim é que João Paulo II escreve em sua Carta Encíclica Redemptoris Mater, sobre a Virgem Maria na vida da Igreja. “O consentimento que ela dá `a maternidade é fruto sobretudo da doação total a Deus na virgindade. Maria aceitou a eleição para ser Mãe do Filho de Deus, guiada pelo amor esponsal, amor que consagra totalmente a Deus uma pessoa humana. Em virtude desse amor, Maria desejava sempre em tudo doada a Deus, vivendo na virgindade”. (RM 39). Essa atitude esponsal, de abertura total à pessoa de Cristo, a toda a sua obra e a toda a sua missão, une em si, de maneira perfeita, o amor próprio da virgindade e o amor característico da maternidade, num só amor. Ao mesmo tempo Virgem e Mãe, Maria é a forma mais perfeita da Igreja ( Veja Cat. 507). #FormaçõesCatólicas #NossaSenhora #VirgindadePerpétua
- São Bento de Núrsia
Por Papa Bento XVI Tradução: José Caetano Fonte: Zenit/Vaticano Caros irmãos e irmãs, Hoje eu gostaria de falar de São Bento, Fundador do monasticismo ocidental, e também padroeiro de meu pontificado. Começo com uma palavra de São Gregório Magno, que escreve de São Bento: «O homem de Deus que brilhou sobre esta terra com tantos milagres não brilhou menos pela eloqüência com a qual soube expor sua doutrina» (Dial. II, 36). Estas palavras foram escritas pelo grande Papa no ano 592; o santo monge estava morto há apenas 50 anos e estava ainda vivo na memória das pessoas e sobretudo na florescente Ordem religiosa por ele fundada. São Bento de Núrcia, com sua vida e sua obra, exerceu uma influência fundamental sobre o desenvolvimento da civilização e da cultura européia. A fonte mais importante sobre a vida dele é o segundo livro dos Diálogos de São Gregório Magno. Não é uma biografia no sentido clássico. Segundo as idéias de seu tempo, ele quer ilustrar, mediante o exemplo de um homem concreto – precisamente de São Bento –, a subida aos montes da contemplação, como pode ser realizada por quem se abandona a Deus. Então nos dá um modelo da vida humana como subida ao vértice da perfeição. São Gregório Magno relata também, neste livro dos Diálogos, muitos milagres realizados pelo santo, e também aqui não quer simplesmente relatar alguma coisa extraordinária, mas demonstrar como Deus, admoestando, ajudando e também punindo, intervém nas situações concretas da vida do homem. Quer mostrar que Deus não é uma hipótese distante posicionada na origem do mundo, mas está presente na vida do homem, de todo homem. Esta perspectiva do «biógrafo» se explica também à luz do contexto geral de seu tempo: entre os séculos V e VI, o mundo era devastado rapidamente por uma tremenda crise de valores e de instituições, causada pela queda do Império Romano, pelas invasões dos novos povos e pela decadência dos costumes. Com a apresentação de São Bento como «astro luminoso», Gregório queria indicar nesta situação, justamente aqui nesta cidade de Roma, a via de escape da «noite escura da história» (cf. João Paulo II, Insegnamenti, II/1, 1979, p. 1158). De fato, a obra do santo e, de modo particular, sua Regra, revelaram-se portadoras de um autêntico fermento espiritual, que penetrou no curso dos séculos, muito além dos confins de sua pátria e de seu tempo, o rosto da Europa, suscitando depois da queda da unidade política criada pelo império romano uma nova unidade espiritual e cultural, a da fé cristã partilhada pelos povos do continente. Nasceu justamente assim a realidade que nós chamamos de «Europa». O nascimento de São Bento ocorreu por volta do ano 480. Provinha, assim disse São Gregório, «ex provincia Nursiae» – da região da Núrsia. Seus progenitores logo o mandaram para realizar os estudos em Roma. Ele, porém, não se firmou muito tempo na Cidade Eterna. Como explicação plenamente acreditável, Gregório indica o fato de que o jovem Bento estava incomodado pelo estilo de vida de muitos de seus colegas de estudos, que viviam de modo dissoluto, e não queria cair nos mesmos erros. Queria agradar a Deus somente; «soli Deo placere desiderans» (II Dial., Prol 1). Assim, ainda antes da conclusão de seus estudos, Bento deixou Roma e se retirou na solidão dos montes ao leste de Roma. Depois de uma primeira estadia no vilarejo de Effide (hoje: Affile), onde por certo período se associou a uma «comunidade religiosa» de monges, fez-se eremita na distante Subiaco. Lá viveu por três anos completamente só em uma gruta que, a partir da Alta Idade Média, constitui o «coração» de um mosteiro beneditino chamado «Sacro Speco». O período em Subiaco, um período de solidão com Deus, foi para Bento um tempo de amadurecimento. Lá devia suportar e superar as três tentações fundamentais de todo ser humano: a tentação da auto-afirmação e do desejo de pôr a si mesmo no centro, a tentação da sensualidade e, por fim, a tentação da ira e da vingança. Era, de fato, convicção de Bento que, só depois de ter vencido estas tentações, ele poderia dizer aos outros uma palavra útil para sua situação de necessidade. E assim, pacificada sua alma, estava em condições de controlar plenamente os impulsos do eu, para ser assim um criador de paz em torno de si. Só então decide fundar os primeiros mosteiros no vale do Anio, vizinho a Subiaco. No ano de 529 Bento deixou Subiaco para estabelecer-se em Montecassino. Alguns explicaram esta transferência como uma fuga diante das intrigas de um invejoso eclesiástico local. Mas esta tentativa de explicação se revelou pouco convincente, já que a morte inesperada dele não induz Bento a retornar (II Diál. 8). Na verdade, ele se impôs esta decisão porque havia entrado em uma nova fase de seu amadurecimento interior e de sua experiência monástica. Segundo Gregório Magno, o êxodo do remoto vale do Anio para Montecassino – uma altura que, dominando a vasta planície circunstante, é visível de longe – reveste um caráter simbólico: a vida monástica no ocultamento tem sua razão de ser, mas um mosteiro tem também uma finalidade pública na vida da Igreja e da sociedade: deve dar visibilidade à fé como força de vida. De fato, quando, em 21 de março de 547, Bento conclui sua vida terrena, deixou com sua Regra e com a família beneditina por ele fundada um patrimônio que produziu nos séculos transcorridos, e produz ainda agora, fruto no mundo inteiro. Em todo o segundo livro dos Diálogos, Gregório nos ilustra como a vida de São Bento estava imersa em uma atmosfera de oração, principal fundamento de sua existência. Sem a oração não há experiência de Deus. Mas a espiritualidade de Bento não era uma interioridade fora da realidade. Na inquietude e na confusão de seu tempo, ele vivia sob o olhar de Deus e justamente assim não perde mais de vista os deveres da vida cotidiana e o homem com suas necessidades concretas. Vendo Deus, entende a realidade do homem e sua missão. Na sua Regra, ele qualifica a vida monástica como «uma escola do serviço do Senhor» (Prol. 45) e pede a seus monges que «à Obra de Deus [isto é, ao Ofício Divino ou à Liturgia das Horas] não se anteponha nada» (43, 3). Sublinha, porém, que a oração é em primeiro lugar um ato de escuta (Pról. 9-11), que deve pois traduzir-se em ação concreta. «O Senhor espera que nós respondamos todo dia, com fatos, a seus santos ensinamentos», ele afirma (Pról. 35). Assim, a vida do monge se torna uma simbiose fecunda entre ação e contemplação, «a fim de que em tudo Deus seja glorificado» (57, 9). Em contraste com uma auto-realização fácil e egocêntrica, hoje mesmo exaltada, o primeiro e irrenunciável empenho do discípulo de São Bento é a sincera busca de Deus (58, 7), sobre o caminho traçado por Cristo humilde e obediente (5, 13), ao amor do qual ele não deve antepor qualquer coisa (4, 21; 72, 11); e justamente assim, no serviço ao outro, torna-se homem do serviço e da paz. No exercício da obediência transformada em ato com uma fé animada pelo amor (5,2), o monge conquista a humildade (5,1), à qual a Regra dedica um capítulo inteiro (7). Deste modo, o homem se torna sempre mais conforme a Cristo e alcança a verdadeira auto-realização como criatura à imagem e semelhança de Deus. À obediência do discípulo deve corresponder a sabedoria do Abade, que no mosteiro assume «o lugar de Cristo» (2,2; 63,13). Sua figura, delineada sobretudo no segundo capítulo da Regra, com um perfil de espiritual beleza e de exigente empenho, pode ser considerada como um auto-retrato de Bento, pois – como escreve Gregório Magno – «o Santo não pode de modo algum ensinar diversamente de como viveu» (Diál. II, 36). O Abade deve ser ao mesmo tempo um tenro pai e também um severo mestre (2, 24), um verdadeiro educador. Inflexível contra os vícios, é, porém, chamado sobretudo a imitar a ternura do Bom Pastor (27,8), a «ajudar muito mais que dominar» (64,8), a «acentuar mais com os fatos que com as palavras tudo o que é bom e santo» e a «ilustrar os divinos mandamentos com seu exemplo» (2,12). Para estar em grau de decidir responsavelmente, o Abade também deve ser alguém que escuta «o conselho dos irmãos» (3,2), porque «mesmo Deus revela ao mais jovem a solução melhor» (3,3). Esta disposição torna surpreendentemente moderna uma Regra escrita há quase quinze séculos! Um homem de responsabilidade pública, e também em pequenos âmbitos, deve sempre ser também um homem que sabe escutar e sabe aprender do que escuta. Bento qualifica a Regra como «mínima, escrita só para o início» (73,8); na verdade, porém, essa oferece indicações úteis não só aos monges, mas também a todos aqueles que buscam um guia em seu caminho para Deus. Pela sua medida, sua humanidade e seu sóbrio discernimento entre o essencial e o secundário na vida espiritual, ela pode manter sua força iluminadora até hoje. Paulo VI, proclamando em 24 de outubro de 1964 São Bento como padroeiro da Europa, queria reconhecer a obra maravilhosa desenvolvida pelo Santo mediante a Regra para a formação da civilização e da cultura européia. Hoje a Europa – saída há pouco de um século profundamente ferido por duas guerras mundiais e depois da queda das grandes ideologias reveladas como trágicas utopias – está em busca de sua identidade. Para criar uma unidade nova e duradoura, são certamente importantes os instrumentos políticos, econômicos e jurídicos, mas ocorre também suscitar uma renovação ética e espiritual que chegue às raízes cristãs do continente, ou então não se pode reconstruir a Europa. Sem esta seiva vital, o homem fica exposto ao perigo de sucumbir à antiga tentação de querer ser redimido por si mesmo – utopia que, de uma forma diversa, na Europa do século passado causou, como revelou o Papa João Paulo II, «uma volta sem precedentes na atormentada história da humanidade» (Insegnamenti, XIII/1, 1990, p. 58). Buscando o verdadeiro progresso, escutemos também hoje a Regra de São Bento como uma luz para nosso caminho. O grande monge permanece sendo um verdadeiro mestre de cuja escola podemos aprender a arte de viver o verdadeiro humanismo. #Cristo #Homem #Deus #solidão #Senhor #monástica #amadurecimento #SãoBento #Alma #Amor #mosteiro
- Líder anglicano converte-se ao catolicismo
Fonte: http://www.doutrinacatolica.com/ O líder anglicano Edward Norman, chanceler da catedral de York (Inglaterra) e renomado historiador eclesiástico, anunciou sua conversão ao catolicismo, no livro Dificuldades anglicanas: um novo guia de erros. Nele, Norman escreve que no anglicanismo “a covardia moral habitual é apresentada como sendo um juízo sábio, e a ambigüidade na formulação dos compromissos é uma segunda natureza para os líderes”. Norman declarou ao “Daily Telegraph” de Londres: “Não acredito que [a anglicana] seja realmente uma igreja”. Norman havia aprovado a ordenação de sacerdotisas, mas agora manifesta-se contrário a essa medida. Ele se baseia “na evidência”: “De início as sacerdotisas foram apresentadas como um enriquecimento do sacerdócio. Esse enriquecimento nunca aconteceu”. Elogiou a “sabedoria de Nosso Senhor, que confiou o sacerdócio ao homem”. #conversão #Eclesiástico #contrário #líder #ordenação #catolicismo #covardia #Chanceler #historiador #Anglicana #anglicano #Sacerdócio #ambigüidade #Igreja #evidência #Dificuldades #Anglicanismo
- Pregador do Papa: Jesus, tesouro escondido e pérola preciosa
Comentário ao Evangelho do 17º domingo do Tempo Comum ROMA, sexta-feira, 25 de julho de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Ranieiro Cantalamessa, OFM Cap., pregador da Casa Pontifícia, sobre a liturgia do próximo domingo. XVII Domingo do Tempo Comum 1 Reis 3,5.7-12; Romanos 8,28-30; Mateus 13, 44-52 O tesouro escondido e a pérola preciosa O que Jesus queria dizer com as duas parábolas do tesouro escondido e da pérola preciosa? Mais ou menos isso: chegou a hora decisiva da história. O Reino de Deus chegou à terra! Concretamente, trata-se d’Ele, de sua vinda à terra. O tesouro escondido, a pérola preciosa não é outra coisa senão o próprio Jesus. É como se Jesus quisesse dizer isso com suas parábolas: a salvação chegou a vós gratuitamente, por iniciativa de Deus; tomai a decisão, aproveitai a oportunidade, não a deixeis passar. Chegou a hora da decisão. O que me vem à mente é o que aconteceu no dia em que a 2ª Guerra Mundial terminou. Na cidade, os partisanos e os aliados abriram os armazéns de provisões que o exército alemão tinha deixado ao retirar-se. Em pouco tempo, a notícia chegou aos povoados do campo e todos correram velozmente para pegar todas essas maravilhas: uns voltaram para casa com cobertores, outros com cestas de alimentos. Acho que Jesus, com essas duas parábolas, queria criar um clima assim. Ele queria dizer: Correi enquanto estais a tempo! Existe um tesouro escondido que vos espera gratuitamente, uma pérola preciosa. Não percais essa oportunidade. Só que, no caso de Jesus, o que está em jogo é infinitamente mais sério. Trata-se de arriscar tudo para receber tudo. O Reino é a única realidade que pode salvar do risco supremo da vida, que é o de perder o motivo pelo qual estamos neste mundo. Vivemos em uma sociedade baseada em seguranças. As pessoas se asseguram contra tudo. Em certas nações, isso se transformou em uma espécie de mania. Fazem seguros inclusive contra o risco de mau tempo durante as férias. Entre todos, o seguro mais importante e freqüente é o da vida. Mas reflitamos por um instante: de que adianta esse seguro e o que ele nos garante? Contra a morte? Claro que não! Ele garante que, em caso de morte, alguém receberá uma indenização. O reino dos céus também é um seguro de vida e contra a morte, mas um seguro real, que beneficia não somente aquele que fica, mas também aquele que vai embora, aquele que morre. «Quem crê em mim, ainda que morra, viverá», diz Jesus. Dessa forma, entende-se também a exigência radical que um «negócio» como esse oferece: vender tudo, deixar tudo. Em outras palavras, estar disposto, se for necessário, a qualquer sacrifício. Mas não para pagar o preço do tesouro e da pérola, que por definição não têm «preço», mas para ser dignos deles. Em cada uma das duas parábolas, existem na verdade 2 atores: um evidente, que vai, vende, compra; e outro escondido, dado por descontado. Este último é o velho proprietário que não percebe que em seu campo existe um tesouro e o vende ao primeiro que lhe pede; é o homem ou a mulher que possuía a pérola preciosa, mas que não percebia seu valor; acaba cedendo-a ao primeiro comprador que passa, talvez trocando-a por uma coleção de pérolas falsas. Como não ver nisso uma advertência para nós, que acabamos vendendo nossa fé e nossa herança cristã? Pois bem, na parábola não se diz que «um homem vendeu tudo o que tinha e foi procurar um tesouro escondido». Sabemos como terminam as histórias que começam assim: a pessoa perde o que tinha e não acha tesouro algum. Histórias de sonhadores, visionários. Não, um homem encontrou um tesouro e por isso vendeu tudo o que tinha para comprá-lo. É necessário, em poucas palavras, ter encontrado o tesouro para ter a força e a alegria de vender tudo. Deixando a parábola de lado: é preciso encontrar Jesus antes; encontrá-lo de uma maneira pessoal, nova, convencida; descobri-lo como amigo e salvador. Depois será simples vender tudo; isso é algo que a pessoa fará «cheia de alegria», como o camponês do qual o Evangelho fala. #RanieroCantalamessa #Homem #Evangelho #Tesouro #Pregador #advertência #gratuitamente #Cantalamessa #Alimentos #Pérola #parábola #Raniero #alegria #Jesus #alemão
- Boécio de Roma
Por Papa Bento XVI Tradução: Élison Santos Fonte: Vaticano/Zenit Queridos irmãos e irmãs: Quero falar hoje de (…) Boécio (…), que [viveu] em uma das épocas mais atribuladas do Ocidente cristão, em particular na península italiana. Odoacro, rei dos hérulos, uma etnia germânica, havia se rebelado, acabando com o império romano do Ocidente (ano 476), mas logo sucumbiu aos ostrogodos de Teodorico, que durante algumas décadas controlaram a península italiana. Boécio, nascido em Roma por volta do ano 480, da nobre estirpe dos Anícios, entrou sendo ainda jovem na vida pública, alcançando aos 25 anos o cargo de senador. Fiel à tradição de sua família, ele se comprometeu na política, certo de que era possível harmonizar as linhas fundamentais da sociedade romana com os valores dos novos povos. E neste novo tempo de encontro de culturas, considerou como missão própria reconciliar e unir estas duas culturas, a clássica e romana, com o nascente do povo ostrogodo. Deste modo, foi muito ativo na política, inclusive sob Teodorico, que nos primeiros tempos o estimava muito. Apesar desta atividade pública, Boécio não descuidou dos estudos, dedicando-se em particular a aprofundar nos temas do tipo filosófico-religioso. Mas escreveu também manuais de aritmética, de geometria, de música, de astronomia: tudo com a intenção de transmitir às novas gerações, aos novos tempos, a grande cultura greco-romana. Neste âmbito, ou seja, no compromisso por promover o encontro das culturas, utilizou as categorias da filosofia grega para propor a fé cristã, buscando uma síntese entre o patrimônio helênico-romano e a mensagem evangélica. Precisamente por este motivo, Boécio foi qualificado como o último representante da cultura romana antiga e o primeiro dos intelectuais medievais. Certamente, sua obra mais conhecida é o «De consolatione philosophiae», que compôs na prisão para dar sentido à sua injusta detenção. Havia sido acusado de complô contra o rei Teodorico por ter defendido um amigo em um juízo, o senador Albino. Mas não se tratava de um pretexto: na verdade, Teodorico, ariano e bárbaro, acreditava que Boécio era simpático ao imperador bizantino Justiniano. Processado e condenado à morte, foi executado em 23 de outubro do ano 524, quando tinha apenas 44 anos. Por causa de sua dramática morte, ele pode falar também a partir de sua experiência ao homem contemporâneo e sobretudo às numerosas pessoas que sofrem o mesmo por causa da injustiça presente em boa parte da «justiça humana». Nesta obra, na prisão, busca consolo, busca luz, busca sabedoria. E diz que soube distinguir, precisamente nesta situação, entre os bens aparentes – na prisão estes desaparecem – e entre os bens verdadeiros, como a autêntica amizade, que na prisão não desaparecem. O bem mais elevado é Deus: Boécio aprendeu – e nos ensina – a não cair no fatalismo, que apaga a esperança. Ele nos ensina que não somos governados pelo destino, mas pela Providência, e esta tem um rosto. Com a Providência se pode falar, porque a Providência é Deus. Deste modo, inclusive na prisão, resta-lhe a possibilidade da oração, do diálogo com Aquele que nos salva. Ao mesmo tempo, inclusive nesta situação, ele conserva o sentido da beleza da cultura e recorda o ensinamento dos grandes filósofos antigos, gregos e romanos, como Platão, Aristóteles – havia começado a traduzir estes gregos ao latim –, Cícero, Sêneca, e também poetas como Tíbulo e Virgílio. A filosofia, no sentido da busca da verdadeira sabedoria, é, segundo Boécio, o verdadeiro remédio da alma (Livro I). Por outro lado, o homem só pode experimentar a autêntica felicidade na própria interioridade (Livro II). Por este motivo, Boécio consegue encontrar um sentido ao pensar na própria tragédia pessoal à luz de um texto sapiencial do Antigo Testamento (Sabedoria 7, 30-8, 1) que ele cita: «… sobre a Sabedoria não prevalece o mal. Ela se estende com vigor de um extremo ao outro do mundo e governa o universo com bondade» (Livro III, 12: PL 63, col. 780). A assim chamada «prosperidade dos malvados», portanto, converte-se em mentirosa (livro IV), e manifesta a natureza providencial da fortuna adversa. As dificuldades da vida não só revelam até que ponto esta é efêmera e breve, mas que se demonstra inclusive úteis para encontrar e manter as autênticas relações entre os homens. A fortuna adversa permite, de fato, distinguir os amigos falsos dos verdadeiros e dá a entender que não há nada mais belo para o homem que uma amizade verdadeira. Aceitar fatalistamente a condição de sofrimento é algo totalmente perigoso, acrescenta o crente Boécio, pois «elimina em sua própria raiz a possibilidade da oração e da esperança teologal, que constituem a base da relação do homem com Deus» (Livro V, 3: PL 63, col. 842). A peroração final do «De consolatione philosophiae» pode ser considerada como uma síntese de todo ensinamento que Boécio dirige a si mesmo e a todos os que possam encontrar-se em suas mesmas condições. Na prisão, ele escreve: «Lutai, portanto, contra os vícios, dedicai-vos a uma vida de virtude orientada pela esperança, que eleva o coração até alcançar o céu, com as orações alimentadas de humildade. A imposição que haveis sofrido pode mudar, se vos negais a mentir, na vantagem enorme de ter sempre ante os olhos o juiz supremo que vê e que sabe como as coisas realmente são» (Livro V, 6: PL 63, col. 862). Cada detido, independentemente do motivo pelo qual tenha acabado na prisão, intui como é dura esta particular condição humana, sobretudo quando é embrutecida, como aconteceu com Boécio, pela tortura. Mas é particularmente absurda a condição daquele, como Boécio, a quem a cidade de Pavia reconhece e celebra na liturgia como mártir na fé, que é torturado até a morte pelo único motivo de suas próprias convicções, políticas e religiosas. Boécio, símbolo de um número imenso de detidos injustamente de todos os tempos e de todas as latitudes, é de fato uma porta objetiva para entrar na contemplação do misterioso Crucifixo do Gólgota. #livro #Providência #Homem #Deus #filosofia #prisão #ensinamento #Alma #sabedoria #Roma #Ocidente
- Papa pede novos modos de apresentar a verdade imutável do Evangelho
Em uma mensagem aos bispos africanos congregados na Tanzânia CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 24 de julho de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI pediu que se encontrem modos novos e eficazes de apresentar a verdade imutável do Evangelho, em particular o valor da alegria da vida. É o conselho que o pontífice lança em uma mensagem aos bispos africanos responsáveis pela pastoral da cultura. Os prelados participam de um congresso organizado em Bagamoyo (Tanzânia) pelo Conselho Pontifício para a Cultura, sobre o tema: «Perspectivas pastorais para a nova evangelização no contexto da globalização e seus efeitos nas culturas africanas». Na mensagem, lida esta quarta-feira, no início do congresso, o Papa considera que «evangelizar a cultura e inculturar o Evangelho é uma missão antiga, mas sempre nova». Por esse motivo, segundo informa a Santa Sé, o pontífice pede aos prelados africanos que se encontrem «modos novos eficazes de apresentar a verdade imutável do Evangelho, especialmente os valores da alegria da vida, do respeito pela criança ainda não-nascida, o importante papel da família e o profundo sentido de comunhão e solidariedade presentes nas culturas africanas». O congresso, que durará quatro dias, abriu esta quarta-feira com a Santa Missa, presidida pelo cardeal Polycarp Pengo, arcebispo de Dar-es-Salaam (Tanzânia). Depois da mensagem do Papa, foi lida a intervenção do arcebispo Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, intitulada «Os desafios culturais do secularismo propagados através da globalização». Entre estes desafios, o arcebispo citava «o esquecimento do bem comum, os comportamentos sociais guiados por lógicas mercantilistas, a destruição dos modelos de vida transmitidos pela família, a escola e a paróquia, a exaltação do individualismo». Os mais pobres, observava o arcebispo, são os mais expostos aos perigos de uma globalização mal-entendida, que leva à «destruição dos valores ligados às tradições culturais ancestrais, à desestabilização das consciências e à perda das raízes culturais de gerações inteiras, mergulhadas em uma espiral que as leva da pobreza à miséria». Mas precisamente em um contexto de secularização globalizada, conclui, a Igreja pode descobrir como fazer que ressurja «o humanismo cristão» e «propor de novo os grandes desafios morais», com «a Palavra de Deus capaz de fecundar os desertos da indiferença e da superficialidade». #evangelizar #respeito #Verdade #Evangelho #PapaBentoXVI #comunhão #Cultura #imutável #Papa #pontífice #Congresso #alegria #evangelização #mensagem #Pontifício
- Lutero e a Bíblia
Por Lluís Pifarré Tradução: Carlos Martins Nabeto Fonte: http://www.apologeticacatolica.org/ É opinião bastante corrente que a obra mais significativa de Lutero foi a tradução que fez das Sagradas Escrituras para a língua alemã, fato que permitiu que muitas pessoas de qualquer condição pudessem tomar conhecimento direto da Palavra de Deus. É também uma opinião, ou melhor, uma acusação bastante divulgada – e o próprio Lutero foi um dos que a propagou de maneira mais repetitiva – que a Igreja Católica, movida por um excesso de zêlo, não facilitava a leitura da Bíblia aos seus fiéis, para evitar que deformassem sua mensagem em razão da livre interpretação pessoal. No entanto, consideramos ser esta uma acusação injusta e injustificável quando afirmada de forma impensada. Em primeiro lugar, porque é o próprio Lutero quem nos informa que ao ingressar no Convento dos Agostinianos da cidade alemã de Erfurt, movido por seu desejo de tornar-se frade, o mestre dos noviços deste Convento, fr. Johan Greffenstein, depositou em suas mãos “uma Bíblia de capa vermelha”; e que este novo noviço ficou tão entusiasmado com a sua leitura que quase a memorizou. Devemos recordar que o estudo e o conhecimento das Sagradas Escrituras era uma regra obrigatória nas comunidades religiosas e constituía a fonte fundamental de inspiração para os frades de vida ascética e contemplativa. Ao mesmo tempo, nas diversas bibliotecas das escolas, universidades e mosteiros da Idade Média, existiam Bíblias de várias edições, já que era a base do ensino teológico e elemento essencial da pregação e da liturgia. São testemunhos desta atividade bíblica os mais de 8.000 manuscritos antigos que se conservam da Vulgata latina, além do que, entre os anos de 1450 e 1522, foram impressas mais de 160 vezes a denominada “Biblia Pauperum”, tida como que o catecismo das pessoas mais simples. A respeito da publicação de Bíblias na língua alemã, devemos ressaltar que muito antes de ser publicada a Bíblia de Lutero, já tinham sido catalogadas nada menos que 18 traduções, sendo 14 em alto alemão e 4 em baixo alemão. Delas é possível destacar a tradução completa da Bíblia, promovida no século XIV na Baviera, cuja publicação teve tão boa acolhida que o impressor Johan Mentelin a editou em outras 13 oportunidades, convertendo-a numa espécie de “Vulgata alemã”. Poderíamos acrescentar a este balanço as numerosas edições parciais dos Saltérios, Epistolários e Evangeliários, muitos deles traduzidos em diversas línguas vernáculas. Um dos inúmeros poemas populares existentes na Alemanha do século XV, intitulado “A Barca dos Loucos”, fazia referência a este dinamismo bíblico em um de seus versos: “Todos os países estão atualmente inundados das Sagradas Escrituras e daquelas coisas que afetam a saúde das almas”. Se este conjunto de dados desmente a acusação genericamente feita contra a Igreja Católica, sobre o seu suposto desinteresse para dar a conhecer a Bíblia, será o historiador Francesc Falk quem esclarecerá melhor a falta de base destas acusações, através do seu livro “Die Babel am Ausgange del Mittelalters” (=As Bíblias Produzidas na Idade Média), publicado na Mogúncia em 1905. Nesta obra, afirma que na linha cronológica existente entre a invenção da imprensa (cerca do ano 1450) até o ano de 1520, foram traduzidas mais de 156 edições de Bíblias católicas, número que para aquela época não era nada mal. Devemos recordar também da tradução da Bíblia organizada pelo Card. Jiménez de Cisneros, publicada em 6 volumes em julho de 1517, sob a denominação “Bíblia Poliglota Complutense”, em cuja confecção interveio uma prestigiosa equipe de humanistas, filólogos e orientalistas que, entre outras coisas, tiveram o acerto de transcrever de forma paralela os textos originais do grego, hebraico e aramaico ao lado da correspondente tradução latina. Retomando a questão de Lutero e sua tradução da Bíblia, é conveniente enquadrá-la no contexto da situação social e tecnológica do século XV na Europa, visto que graças a invenção da imprensa foi possível multiplicar as traduções da Bíblia em línguas vernáculas. Tal evento facilitou a possibilidade de pôr em contato com a Bíblia o povo simples e pouco culto, incrementando a tendência biblicista e anti-escolástica que se manifestava em muitos mosteiros e universidades alemãs do século XVI. Um dos mais importantes impulsores deste ambiente foi o famoso filólogo holandês Erasmo [de Roterdan], que em 1515 escrevia em sua “Epiclesis”: “Discordo daqueles que se opõem a que os ignorantes venham a ler as divinas letras traduzidas em língua vulgar. Desejaria que todas as moças lessem o Evangelho e as Epístolas Paulinas. E oxalá que o agricultor, com a mão no arado, fosse cantando alguma passagem da Bíblia; e fizesse o mesmo o tecelão em seu tear; e o caminhante aliviasse a fastidiosa viagem com essas histórias! Disso deveriam tratar as conversas de todos os cristãos”[1]. No mosteiro de Vintemberg, Lutero tinha lido e assimilado esta exortação de Erasmo e, querendo tornar-se braço executor do humanista holandês, proporá levar a cabo a tradução da Bíblia para dá-la a conhecer a todos os alemães. Iniciou esta tarefa traduzindo o Novo Testamento para a língua alemã, aproveitando os últimos meses que lhe restavam de sua estadia no bem equipado castelo de Wartburg, situado na comarca da Turíngia, lugar em que se escondeu ao fugir da sentença condenatória do Edito de Worms. Nesta tarefa exigente, manifestou sua capacidade de trabalho, pois em um período de três meses (de dezembro de 1521 até princípios de março de 1522, data em que saiu do esconderijo para acorrer novamente a Vintemberg), praticamente terminou a tradução do Novo Testamento. Seis meses depois, mais concretamente em setembro de 1522, saiu impressa esta tradução do Novo Testamento, sob o título “Das Newe Testament Eutzsch, Wittemberg”, em que não aparecia nem o ano nem o nome do impressor, nem tampouco o nome de seu autor, talvez para obter uma maior difusão do livro. Nesta primeira edição foram impressos 3.000 exemplares que logo se esgotaram, pois em finais do ano seguinte já era publicada uma segunda edição. Segundo cálculos de um dos biógrafos de Lutero, Hartman Grisar, até o ano de 1527 foram feitas 16 edições em Vintemberg, sem contar as mais de 50 edições em outras cidades alemãs. Lutero efetuou a tradução alemã do Novo Testamento recorrendo aos procedimentos usados naquele tempo, que consistiam em partir da Vulgata latina, do original grego da Septuaginta [LXX] – apesar de Lutero não ser especialista na língua helênica – e também das anteriores traduções alemãs da Bíblia[2]. Levado por seu ardor evangelista, que era alimentado por suas vivências subjetivas interiores, Lutero considerava que as anteriores traduções da Bíblia não refletiam o sentido teológico que desejava dar-lhes; e considerando mais o sentido que a letra dos textos, utilizou uma linguagem tão viva, natural e popular que qualquer leitor o poderia entender sem maiores dificuldades. Com a tradução do Novo Testamento, Lutero pretendia corroborar suas próprias doutrinas e aproveitou a ocasião para acusar a Igreja de não ter entendido o autêntico Evangelho (e, de passagem, para desacreditar e injuriar o papado e a Sé Romana, especialmente através das polêmicas ilustrações que acompanhavam algumas páginas da edição, realizadas pelo famoso desenhista Lucas Cranach “o Velho”). Quanto à tradução do Antigo Testamento, sua edição foi retardada por algum tempo, em parte devido ao insuficiente conhecimento que Lutero tinha da língua hebraica. Isto o obrigou a pedir a colaboração de uma equipe formada por ilustres auxiliares reformistas e por alguns reconhecidos lingüistas[3]. Tal como já tinha feito com o Novo Testamento, voltou a se servir da tradução grega da Septuaginta [LXX], da Vulgata latina e das antigas traduções alemãs. A tradução completa da Bíblia só foi concluída e impressa no ano de 1534 e estava dividida em 6 partes. Esta primeira edição era acompanhada de prefácios e notas marginais, juntamente com diversas gravuras (muitas delas realizadas por artistas desconhecidos) altamente ofensivas aos católicos. Esta edição teve uma boa acolhida em todas as comarcas da Alemanha, obrigando a se realizar uma nova edição no ano seguinte. Calcula-se que entre o período de 1534 e 1584 cerca de 100.000 exemplares foram vendidos, uma cifra considerável para aquela época. Com a intenção de melhorar estas traduções, Lutero continuou revisando a sua Bíblia nos anos seguintes, auxiliado por seus clássicos colaboradores. De fato, a correção linguística da sua Bíblia supera a de muitas edições das antigas Bíblias alemãs, já que estas refletiam um alemão bastante tosco e rudimentar, que dependia dos dialetos existentes. Além disso, estas antigas traduções copiavam quase que literalmente a Vulgata [latina], reproduzindo uma série de latinismos e hebraísmos de difícil compreensão, que já não se adaptavam suficientemente à língua popular da Germânia do século XVI. É indubitável que Lutero colocou em tensão todas as forças de seu espírito e também de seu corpo na tradução da Bíblia para o alemão, com o objetivo de não perder nenhuma de suas típicas matizes e de sua estrutura sintática. Isto lhe exigiu traduzir de forma literal e dar a muitas das frases originais das Sagradas Escrituras alguns sentidos diferentes dos tradicionais, obrigando-o a introduzir termos que não tinham correspondência com os textos originais, mudando seu significado conceitual, de modo que a Palavra de Deus passava a adquirir um sentido suspeitamente subjetivista. Lutero nos descreve o método simples e direto em que se inspirou para sua peculiar tradução: “Não se deve perguntar às sílabas da língua latina como se deve falar em alemão; deve-se na verdade perguntar à mãe de família em sua casa, às crianças da rua, ao homem comum na praça e observar-lhes a boca para comprovar como falam e, segundo tudo isto, traduzir”[4]. Os católicos, surpresos pela grande difusão da Bíblia de Lutero, tentaram contrapor a esta influência a publicação de diferentes edições da Bíblia. Talvez as mais conhecidas sejam as do dominicano Johan Dietenberger, publicada na Mogúncia em 1534 e que teve uma boa acolhida. Ainda que se ajustasse à Vulgata latina, devemos assinalar que também se beneficiava consideravelmente da tradução luterana. Outra edição da Bíblia foi a do prestigioso teólogo Johan Eck[5], “Bibel auf hochteusch verdolmetsch, Ingolstadt”, de 1537. Esta tradução era mais exata que a de Dietenberger, embora não tenha gozado de tanto sucesso, talvez por sua linguagem mais figurada, áspera e difícil. Alguns anos antes, Jeronimo Emser, falecido em 1527, havia publicado um Novo Testamento fazendo uso de uma linguagem clara e acessível, que em alguns aspectos se inspirou no estilo popular do Novo Testamento luterano. Os adversários de Lutero o acusaram de falta de ortodoxia doutrinal e de torcer os textos sagrados para acomodá-los às sua opiniões teológicas particulares e subjetivas. O já citado Jeronimo Emser afirma que na tradução luterana do Novo Testamento havia encontrado mais de 1.400 erros e falsidades de todos os tipos. Diante destes ataques, Lutero respondia com grande arrogância: “Minha doutrina é a de Cristo e a de Cristo não é outra que a contida na Bíblia. Se me argumentam com um texto da Escritura, eu lhes responderei com Cristo, contra a letra da Escritura”[6]. A partir do ponto de vista teológico e doutrinário, são de maior gravidade as acusações que se referem à arbitrária seleção que fez do cânon dos livros bíblicos, de tal maneira que aqueles em que encontrava apoio suficiente para confirmar sua doutrina eram exaltados como verdadeiros, divinos e proféticos; ao contrário, aqueles que não expressavam esta concordância, mereciam sua rejeição. O Profeta de Vitemberg não faz cerimônias para sustentar que sua própria interpretação da Bíblia está acima, inclusive, da autoridade dos Apóstolos: “Aquele que não favorece o conhecimento de Cristo não é apostólico, ainda que o diga Pedro ou Paulo; ao contrário, aquele que prega a Cristo é apostólico, ainda que o diga Judas [Iscariotes], Anás, Pilatos e Herodes”[7]. Para Lutero, o Novo Testamento era constituído principalmente pelo Evangelho de São João e pelas Cartas de São Paulo e São Pedro; ao contrário, os três Evangelhos sinóticos não lhe mereciam muito apreço. No prólogo de uma de suas edições do Novo Testamento, escreve: “Deve-se distinguir entre livros e livros. Os melhores são o Evangelho de São João e as Epístolas de São Paulo, especialmente aquelas aos Romanos, aos Gálatas e aos Efésios, e a 1ª Epístola de São Pedro; estes são os livros que te manifestam a Cristo e te ensinam tudo o que precisas para a salvação, ainda que não conheças nenhum dos outros livros. A Epístola de São Tiago, diante destas, nada mais é que palha, pois não apresenta nenhuma marca evangélica”[8]. De outro lado, nega que a Epístola aos Hebreus pertença a São Paulo; e da Epístola de São Judas, diz que é um extrato da de São Pedro e, portanto, desnecessária. A respeito do Apocalipse, expressa sua rejeição, pois não concebe que Cristo aja como um juiz severo: “Não encontro neste livro nada que seja apostólico, nem profético”[9]. Quanto aos livros do Antigo Testamento, faz uso do mesmo procedimento arbitrariamente seletivo de aceitá-los ou rejeitá-los conforme coincidam ou não com as suas próprias interpretações teológicas[10]. Apesar disso, a Bíblia de Vitemberg seguiu seu incessável curso e continuou a ser aceita por um amplo setor do povo alemão e também dos países do norte da Europa. —– Notas: [1] Opera Omnia, VI, 3. [2] O texto grego que lhe serviu de base foi o “Novum Testamentum Graece”, de Nicolas Gerbel, que por sua vez dependia do “Novum Testamentum”, de Erasmo [de Roterdan]. Também se serviu das Anotações de Lorenzo Valla e das Apostilas de Nicolas de Lira. [3] Esta equipe, que era uma espécie de “Academia Luterana”, era formada pelo helenista Felipe Melancton, o professor de exegese bíblica Gaspar Cruciger, o professor de hebraico J. Jonas, o humanista e hebraísta de Leipzig Bernat Ziegler, o pregador J. Bugenhagen e o destacado discípulo de Reuchlin, Joan Foster, autor de um dicionário de hebraico. O diácono J. Rörer era o corretor e redator do protocolo. [4] Senbrief, 637. As citações de Lutero correspondem às O. C. da edicão de Weimar. [5] Jonan Eck, conhecido como “o teólogo de Ingolstadt”, debateu e venceu Lutero, na famosa disputa teológica que ocorreu em Leipzig no mês de julho de 1519, na grande sala do castelo de Pleissemburg, regido então pelo duque da Saxônia, Jorge o Barbudo. [6] WA 39, 1. [7] Prólogo às Epístolas de Tiago e Judas (Bibel VII, 384). [8] Prólogo do Novo Testamento de 1546 (Bibel VI, 10). [9] (Bibel VII, 404) [10] Do Antigo Testamento, [Lutero] rejeitará – como “livros apócrifos” – Judite, Sabedoria de Salomão, Tobias, Eclesiástico, Baruc, 1 e 2Macabeus, além de algumas partes do livro de Ester e outros fragmentos [de Daniel]. Para citar este artigo: PIFARRÉ, Lluís. Apostolado Veritatis Splendor: LUTERO E A BÍBLIA. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4894. Desde 7/23/2008. #Lutero #difusão #acolhida #Evangelho #universidades #Testamento #Vulgata #SagradasEscrituras #Alemanha #traduzir #agricultor #Septuaginta #língua #impressa #Liturgia #Bíblia #Vintemberg #Latina #acusação #tradução #alemão
- Cassiodoro de Squillace
Por Papa Bento XVI Tradução: Élison Santos Fonte: Vaticano/Zenit Queridos irmãos e irmãs: Quero falar hoje de (…) Cassiodoro, que [também viveu] em uma das épocas mais atribuladas do Ocidente cristão, em particular na península italiana. Odoacro, rei dos hérulos, uma etnia germânica, havia se rebelado, acabando com o império romano do Ocidente (ano 476), mas logo sucumbiu aos ostrogodos de Teodorico, que durante algumas décadas controlaram a península italiana. Marco Aurélio Cassiodoro foi contemporâneo de Boécio. Calabrês, nascido em Squillace por volta do ano 485, morreu muito ancião em Vivarium, por volta do ano 580. Procedente também de um elevado nível social, ele se dedicou à vida política e ao compromisso cultural como poucos outros no Ocidente romano de seu tempo. Talvez os únicos que poderiam se igualar a ele neste duplo interesse eram o já recordado Boécio, e o futuro Papa de Roma, Gregório Magno (590-604). Consciente da necessidade de não deixar no esquecimento todo o patrimônio humano e humanista acumulado nos séculos de ouro do Império Romano, Cassiodoro colaborou generosamente, nos mais elevados níveis de responsabilidade política, com os povos novos que haviam atravessado as fronteiras do Império e se haviam estabelecido na Itália. Também foi modelo de encontro cultural, de diálogo, de reconciliação. As vicissitudes históricas não lhe permitiram realizar seus sonhos políticos e culturais, que buscavam criar uma síntese entre a tradição romano-cristã da Itália e a nova cultura gótica. Aquelas mesmas vicissitudes o convenceram sobre o caráter providencial do movimento monástico, que ia se afirmando nas terras cristãs. Decidiu apoiá-lo, dedicando a isso todas as suas riquezas materiais e suas forças espirituais. Teve a idéia de confiar precisamente aos monges a tarefa de recuperar, conservar e transmitir às gerações futuras o imenso patrimônio cultural dos antigos, para que não se perdesse. Por isto fundou Vivarium, um cenóbio no qual tudo estava organizado de maneira que se estimasse como extremamente belo e irrenunciável o trabalho intelectual dos monges. Estabeleceu também que os monges que não tinham uma formação intelectual não se dedicariam só ao trabalho material, da agricultura, mas também à transcrição dos manuscritos para que deste modo ajudassem na transmissão da grande cultural às futuras gerações. E isso sem que fosse em detrimento algum do compromisso espiritual monástico e cristão e da atividade caritativa pelos pobres. Em seu ensinamento, distribuído em várias obras, mas sobretudo no tratado «De anima e no Institutiones divinarum litterarum», a oração (C. PL 69, col. 1108), alimentada pela Sagrada Escritura e particularmente pela meditação assídua dos Salmos (cf. PL 69, col. 1149), tem sempre um lugar central como comida necessária para todos. Este douto calabrês introduz assim sua «Expositio in Psalterium»: «Rejeitadas e abandonadas em Ravena as solicitudes da carreira política, caracterizada pelo sabor desgostoso das preocupações mundanas, tendo desfrutado do Saltério, livro caído do céu como autêntico mel para a alma, lancei-me avidamente como um sedento para escrutá-lo e deixar-me penetrar totalmente por essa doçura saudável, depois de ter me saciado das inumeráveis amarguras da vida ativa» (PL 70, col. 10). A busca de Deus, orientada à sua contemplação – escreve Cassiodoro –, continua sendo o objetivo permanente da vida monástica (cf. PL 69, col. 1107). Contudo, acrescenta que com a ajuda da graça divina (cf. PL 69, col. 1131.1142), pode se desfrutar melhor da Palavra revelada, utilizando as conquistas científicas e culturais «profanas» que os gregos e os romanos possuíam (cf. PL 69, col. 1140). Cassiodoro se dedicou pessoalmente aos estudos filosóficos, teológicos e exegéticos sem particular criatividade, mas prestando atenção nas intuições que considerava válidas nos demais. Lia com respeito e devoção sobretudo Jerônimo e Agostinho. Deste último, dizia: «Em Agostinho há tanta riqueza que me parece impossível encontrar algo que já não tenha sido tratado abundantemente por ele» (cf. PL 70, col. 10). Citando Jerônimo, exortava os monges de Vivarium: «Não alcançam a palma da vitória somente aqueles que lutam até derramar o sangue ou que vivem na virgindade, mas também todos aqueles que, com a ajuda de Deus, vencem os vícios do corpo e conservam a reta fé. Mas para que possais vencer com a ajuda de Deus mais facilmente os estímulos do mundo, permanecendo nele como peregrinos em contínuo caminho, buscai antes de tudo a saudável ajuda sugerida pelo primeiro salmo, que recomenda meditar dia e noite na lei do Senhor. O inimigo não encontrará, de fato, nenhuma entrada para assaltar-vos se toda vossa atenção está ocupada em Cristo» («De Institutione Divinarum Scripturarum», 32; PL 69, col. 1147). É uma advertência que também podemos considerar como válida para nós. Vivemos, de fato, também nós, em um tempo de encontro de culturas, de perigo de violência que destrói as culturas, e no qual é necessário o compromisso para transmitir os grandes valores e ensinar às novas gerações o caminho da reconciliação e da paz. Encontramos este caminho orientando-nos para o Deus com rosto humano, o Deus que se nos revelou em Cristo. #Deus #advertência #Jerônimo #Itália #patrimônio #Santos #Alma #compromisso #Ocidente #império #Agostinho #tradução
- São Leão I Magno de Roma
Por Papa Bento XVI Tradução: Élison Santos Fonte: Vaticano/Zenit Queridos irmãos e irmãs: Continuando nosso caminho entre os padres da Igreja, autênticos astros que brilham de longe, no encontro de hoje nos aproximamos da figura de um Papa que em 1754 foi proclamado doutor da Igreja por Bento XIV: trata-se de São Leão Magno. Como indica o apelativo que depois a tradição lhe atribuiu, ele foi verdadeiramente um dos maiores pontífices que honraram a Sede de Roma, oferecendo uma grande contribuição para reforçar sua autoridade e prestígio. Primeiro bispo de Roma em levar o nome de Leão, adotado depois por outros doze sumos pontífices, é também o primeiro papa do qual nos chegou a pregação, dirigida ao povo que o rodeava durante as celebrações. Vem à mente espontaneamente sua lembrança no contexto das atuais audiências gerais da quarta-feira, encontros que se converteram para o bispo de Roma em uma costumeira forma de encontro com os fiéis e com os visitantes procedentes de todas as partes do mundo. Leão havia nascido na Tuscia. Foi diácono da Igreja de Roma em torno do ano 430, e com o tempo alcançou nela uma posição de grande importância. Este papel destacado levou, no ano 440, a Gala Placidia, que nesse momento regia o Império do Ocidente, a enviar-lhe à Gália para resolver a difícil situação. Mas no verão daquele ano, o Papa Sixto III, cujo nome está ligado aos magníficos mosaicos da Basílica de Santa Maria a Maior, faleceu e foi eleito como seu sucessor Leão, que recebeu a notícia enquanto desempenhava sua missão de paz em Gália. Após regressar a Roma, o novo Papa foi consagrado em 29 de setembro do ano 440. Iniciava deste modo seu pontificado, que durou mais de 21 anos e que foi sem dúvida um dos mais importantes na história da Igreja. Ao morrer, em 10 de novembro do ano 461, o Papa foi sepultado junto ao túmulo de São Pedro. Suas relíquias continuam custodiadas em um dos altares da Basílica Vaticana. O Papa Leão viveu em tempos sumamente difíceis: as repetidas invasões bárbaras, o progressivo enfraquecimento no Ocidente da autoridade imperial, e uma longa crise social haviam obrigado o bispo de Roma – como sucederia com mais clareza ainda um século e meio depois, durante o pontificado de Gregório Magno – a assumir um papel destacado inclusive nas vicissitudes civis e políticas. Isto não impediu que aumentasse a importância e o prestígio da Sé Romana. É famoso um episódio da vida de Leão. Remonta-se ao ano 452, quando o Papa em Mantua, junto a uma delegação romana, saiu ao passo de Atila, o chefe dos hunos, para convencer-lhe de que não continuasse a guerra de invasão com a qual havia devastado as regiões do nordeste da Itália. Deste modo salvou o resto da península. Este importante acontecimento depois se tornou memorável e permanece como um sinal emblemático da ação de paz desempenhada pelo pontífice. Não foi tão positivo, infelizmente, três anos depois, o resultado de outra iniciativa do Papa, que de todos modos manifestou uma valentia que ainda hoje surpreende: na primavera do ano 455, Leão não conseguiu impedir que os vândalos de Genserico, ao chegar às portas de Roma, invadiram a cidade indefesa, que foi saqueada durante duas semanas. Contudo, o gesto do Papa, que inerme e rodeado de seu clero, saiu ao passo do invasor para pedir-lhe que se detivesse, impediu ao menos que Roma fosse incendiada e conseguiu que não fossem saqueadas as basílicas de São Pedro, de São Paulo e de São João, nas quais se refugiou parte da população aterrorizada. Conhecemos bem a ação do Papa Leão graças a seus maravilhosos sermões – conservaram-se quase cem em um latim esplêndido e claro – e a suas cartas, cerca de 150. Nestes textos, o pontífice se apresenta em toda a sua grandeza, dedicado ao serviço da verdade na caridade, através de um exercício assíduo da palavra, como teólogo e pastor. Leão Magno, constantemente requerido por seus fiéis e pelo povo de Roma, assim como pela comunhão entre as diferentes Igrejas e por suas necessidades, apoiou e promoveu incansavelmente o primado romano, apresentando-se como um autêntico herdeiro do apóstolo Pedro: os numerosos bispos, em boa parte orientais, reunidos no Concílio de Calcedônia, demonstraram que eram sumamente conscientes disso. Celebrado em 451, com 350 bispos participantes, este Concílio se converteu na assembléia mais importante celebrada até então na historia da Igreja. Calcedônia representa a meta segura da cristologia dos três concílios ecumênicos precedentes: o de Nicéia, do ano 325, o de Constantinopla, do ano 381 e o de Éfeso, do ano 431. Já no século VI estes quatro concílios, que resumem a fé da Igreja antiga, foram comparados aos quatro Evangelhos: e o afirma Gregório Magno em uma famosa carta (I, 24), na qual declara que se deve «acolher e venerar, como os quatro livros do Santo Evangelho, os quatro concílios», porque, como continua explicando Gregório, sobre eles «se edifica a estrutura da santa fé, como sobre uma pedra quadrada». O Concílio de Calcedônia, ao rejeitar a heresia de Eutiques, que negava a autêntica natureza humana do Filho de Deus, afirmou a união em sua única Pessoa, sem confusão nem separação, das duas naturezas, humana e divina. Esta fé em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, era afirmada pelo Papa em um importante texto doutrinal dirigido ao bispo de Constantinopla, o assim chamado «Tomo a Flaviano», que ao ser lido em Calcedônia, foi acolhido pelos bispos presentes com uma aclamação eloqüente, registrada nas atas do Concílio: «Pedro falou pela boca de Leão», exclamaram unidos os padres conciliares. A partir daquela intervenção e de outras pronunciadas durante a controvérsia cristológica daqueles anos, torna-se evidente que o Papa experimentava com particular urgência as responsabilidades do sucessor de Pedro, cujo papel é único na Igreja, pois «a um só apostolado se confia o que a todos os apóstolos se comunica», como afirma Leão em um de seus sermões por ocasião da festa dos santos Pedro e Paulo (83,2). E o pontífice soube exercer estas responsabilidades, tanto no Ocidente como no Oriente, intervindo em diferentes circunstâncias com prudência, firmeza e lucidez, através de seus escritos e de seus legados. Mostrava deste modo como o exercício do primado romano era necessário então, como o é hoje, para servir eficazmente a comunhão, característica da única Igreja de Cristo. Consciente do momento histórico no qual vivia e da transição que acontecia, em um período de profunda crise, da Roma pagã à cristã, Leão Magno soube estar perto do povo e dos fiéis com a ação pastoral e a pregação. Alentou a caridade em uma Roma afetada pelas carestias, pela chegada de refugiados, pelas injustiças e pela pobreza. Enfrentou as superstições pagãs e a ação dos grupos maniqueístas. Ligou a liturgia à vida cotidiana dos cristãos: por exemplo, unindo a prática do jejum com a caridade e com a esmola, sobretudo com motivo das Quattro tempora, que caracterizam no transcurso do ano a mudança das estações. Em particular, Leão Magno ensinou a seus fiéis – e suas palavras continuam sendo válidas para nós – que a liturgia cristã não é a lembrança de acontecimentos passados, mas a atualização de realidades invisíveis que atuam na vida de cada um. Ele a sublinha em um sermão (64, 1-2) falando da Páscoa, que deve ser celebrada em todo tempo do ano, «não como algo do passado, mas como um acontecimento do presente». Tudo isso se enquadra em um projeto preciso, insiste o pontífice: assim como o Criador animou com o sopro da vida racional o homem feito no barro da terra, do mesmo modo, após o pecado original, enviou seu Filho ao mundo para restituir ao homem a dignidade perdida e destruir o domínio do diabo através da nova vida da graça. Este é o mistério cristológico ao qual São Leão Magno, com sua carta ao Concílio de Éfeso, ofereceu uma contribuição eficaz e essencial, confirmando para todos os tempos, através desse Concílio, o que disse São Pedro em Cesaréia de Filipo. Com Pedro e como Pedro confessou: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo». Por este motivo, ao ser Deus e Homem ao mesmo tempo, «não é alheio ao gênero humano, mas é alheio ao pecado» (cf. Sermão 64). Na força desta fé cristológica, foi uma grande mensagem de paz e de amor. Desta maneira nos mostra o caminho: na fé aprendemos a caridade. Aprendamos, portanto, com São Leão Magno a crer em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, e a viver esta fé cada dia na ação pela paz e no amor ao próximo. #autoridade #PapaBentoXVI #acolher #Magno #Basílica #Pedro #pontífice #Santos #Igreja #Leão #Bispo #Amor #Roma #Ocidente #Jesus #Concílio #tradução #Calcedônia
- Santo Agostinho de Hipona
Por Papa Bento XVI Tradução: Élison Santos Fonte: Vaticano/Zenit A VIDA Queridos irmãos e irmãs: Depois das grandes festividades natalinas, quero voltar a meditar sobre os padres da Igreja e falar hoje do maior padre da Igreja Latina, Santo Agostinho: homem de paixão e de fé, de elevadíssima inteligência e de incansável entrega pastoral. Este grande santo e doutor da Igreja é conhecido, ao menos de nome, inclusive por quem ignora o cristianismo ou não tem familiaridade com ele, por ter deixado uma marca profunda na vida cultural do Ocidente e de todo o mundo. Por sua singular relevância, Santo Agostinho teve uma influência enorme e poderia afirmar-se, por uma parte, que todos os caminhos da literatura cristã latina levam a Hipona (hoje Anaba, na costa da Argélia), localidade na qual era bispo e, por outra, que desta cidade da África romana, na qual Agostinho foi bispo desde o ano 395 até 430, partem muitos outros caminhos do cristianismo sucessivo e da própria cultura ocidental. Poucas vezes uma civilização encontrou um espírito tão grande, capaz de acolher os valores e de exaltar sua intrínseca riqueza, inventando idéias e formas das quais se alimentariam as gerações posteriores, tal como sublinhou também Paulo VI: «Pode-se dizer que todo o pensamento da antiguidade conflui em sua obra e dessa se derivam correntes de pensamento que penetram toda a tradição doutrinal dos séculos posteriores» (AAS, 62, 1970, p. 426). Agostinho é também o padre da Igreja que deixou o maior número de obras. Seu biógrafo, Posídio, diz: parecia impossível que um homem pudesse escrever tanto em vida. Em um próximo encontro falaremos destas obras. Hoje, nossa atenção se concentrará em sua vida, que pôde reconstruir-se com seus escritos, e em particular com as «Confissões», sua extraordinária biografia espiritual escrita para louvor de Deus, sua obra mais famosa. As «Confissões» constituem, precisamente por sua atenção à interioridade e à psicologia, um modelo único na literatura ocidental, e não só ocidental, inclusive a não-religiosa, ate a modernidade. Esta atenção pela vida espiritual, pelo mistério do eu, pelo mistério de Deus que se esconde no eu, é algo extraordinário, sem precedentes, e permanece para sempre como um «cume» espiritual. Mas voltamos à sua vida. Agostinho nasceu em Tagaste, na província de Numídia, na África romana, em 13 de novembro de 354, filho de Patrício, um pagão que deopis chegou a ser catecúmeno, e de Mônica, fervorosa cristã. Esta mulher apaixonada, venerada como santa, exerceu em seu filho uma enorme influência e o educou na fé cristã. Agostinho havia recebido também o sal, como sinal da acolhida no catecumenato. E sempre se fascinou pela figura de Jesus Cristo; e mais, diz que sempre amou Jesus, mas que se afastou cada vez mais da fé eclesial, da prática eclesial, como acontece também hoje com muitos jovens. Agostinho tinha também um irmão, Navigio, e uma irmã, da qual desconhecemos o nome e que, após ficar viúva, converteu-se em superiora de um mosteiro feminino. O rapaz, de agudíssima inteligência, recebeu uma boa educação, ainda que nem sempre foi estudante exemplar. De qualquer forma, aprendeu bem a Gramática, primeiro em sua cidade natal e depois em Madaura e, a partir do ano 370, Retórica, em Cartago, capital da África romana: chegou a dominar perfeitamente o Latim, mas não alcançou o mesmo nível em grego, nem aprendeu o púnico, língua que seus antepassados falavam. Em Cartago, Agostinho leu pela primeira vez o «Hortensius», obra de Cícero que depois se perderia e que se marca no início de seu caminho rumo à conversão. O texto ciceroniano despertou nele o amor pela sabedoria, como escrevia já sendo bispo nas «Confissões»: «Aquele livro mudou meus sentimentos», até o ponto de que «de repente todas as minhas vãs esperanças envelheceram ante meus olhos e comecei a acender-me em um incrível ardor do coração por uma sabedoria imortal» (III, 4, 7). Mas, dado que estava convencido de que sem Jesus não se pode dizer que se encontrou efetivamente a verdade, e dado que nesse livro apaixonante faltava esse nome, ao acabar de lê-lo começou a ler a Escritura, a Bíblia. Ficou decepcionado. Não só porque o estilo da tradução ao Latim da Sagrada Escritura era deficiente, mas também porque o mesmo conteúdo não lhe parecia satisfatório. Nas narrações da Escritura sobre guerras e outras vicissitudes humanas, ele não encontrava a altura da filosofia, o esplendor da busca da verdade que lhe é próprio. Contudo, não queria viver sem Deus e buscava uma religião que respondesse a seu desejo de verdade e também a seu desejo de aproximar-se de Jesus. Desta maneira, caiu na rede dos maniqueístas, que se apresentavam como cristãos e prometiam uma religião totalmente racional. Afirmavam que o mundo está dividido em dois princípios: o bem e o mal. E assim se explicaria toda a complexidade da história humana. A moral dualista também atraía Santo Agostinho, pois comportava uma moral muito elevada para os eleitos: e para quem, como ele, aderia à mesma era possível uma vida muito mais adequada à situação da época, especialmente se era jovem. Tornou-se, portanto, maniqueísta, convencido nesse momento de que havia encontrado a síntese entre racionalidade, busca da verdade e amor a Jesus Cristo. E tirou uma vantagem concreta para sua vida: a adesão aos maniqueístas abria fáceis perspectivas de carreira. Aderir a essa religião, que contava com muitas personalidades influentes, permitia-lhe continuar sua relação com uma mulher e continuar com sua carreira. Desta mulher teve um filho, Adeodato, a quem amava muito, sumamente inteligente, que depois estaria presente em sua preparação para o batismo no lago de Como, participando nesses «Diálogos» que Santo Agostinho nos deixou. Infelizmente, o rapaz faleceu prematuramente. Sendo professor de Gramática, por volta dos vinte anos, em sua cidade natal, logo regressou a Cartago, onde se converteu em um brilhante e famoso professor de Retórica. Com o passar do tempo, contudo, Agostinho começou a afastar-se da fé dos maniqueístas, que o decepcionaram precisamente desde o ponto de vista intelectual, pois eram incapazes de resolver suas dúvidas, e se transferiu a Roma, depois a Milão, onde residia na corte imperial e onde havia obtido um cargo de prestígio, por recomendação do prefeito de Roma, o pagão Símaco, que era hostil ao bispo de Milão, Santo Ambrósio. Em Milão, Agostinho se acostumou a escutar, em um primeiro momento com o objetivo de enriquecer sua bagagem retórica, as belíssimas pregações do bispo Ambrósio, que havia sido representante do imperador para a Itália do Norte. O retórico africano ficou fascinado pela palavra do grande prelado milanês, não só por sua retórica. O conteúdo foi tocando cada vez mais seu coração. O grande problema do Antigo Testamento, a falta de beleza retórica, de nível filosófico, resolveu-se com as pregações de Santo Ambrósio, graças à interpretação tipológica do Antigo Testamento: Agostinho compreendeu que todo o Antigo Testamento é um caminho para Jesus Cristo. Deste modo, encontrou a chave para compreender a beleza, a profundidade inclusive filosófica do Antigo Testamento e compreendeu toda a unidade do mistério de Cristo na história, assim como a síntese entre filosofia, racionalidade e fé no Logos, em Cristo, Verbo eterno, que se fez carne. Depois, Agostinho percebeu que a literatura alegórica da Escritura e a filosofia neoplatônica do bispo de Milão lhe permitiam resolver as dificuldades intelectuais que, quando era mais jovem, em seu primeiro contato com os textos bíblicos, haviam lhe parecido insuperáveis. Agostinho continuou a leitura dos escritos dos filósofos com a da Escritura, e sobretudo das cartas de São Paulo. A conversão ao cristianismo, em 15 de agosto de 386, marcou portanto o final de um longo e agitado caminho interior, do qual continuaremos falando em outra catequese. O africano se mudou para o campo, ao norte de Milão, ao longo de Como, com sua mãe, Mônica, o filho Adeodato, e um pequeno grupo de amigos, para preparar-se para o batismo. Deste modo, aos 32 anos, Agostinho foi batizado por Ambrósio em 24 de abril de 387, durante a vigília pascoal na catedral de Milão. Após o batismo, Agostinho decidiu regressar à África com seus amigos, com a idéia de levar vida em comum, de caráter monástico, ao serviço de Deus. Mas em Óstia, enquanto esperava para embarcar, sua mãe se enfermou e pouco depois morreu, destroçando o coração do filho. Após regressar finalmente à sua pátria, o convertido se estabeleceu em Hipona para fundar um mosteiro. Nessa cidade da costa africana, apesar de resistir-se à idéia, foi ordenado presbítero no ano 391 e começou com alguns companheiros a vida monástica na qual estava pensando há algum tempo, dividindo seu tempo entre a oração, o estudo e a pregação. Queria estar ao serviço da verdade, não se sentia chamado à vida pastoral, mas depois compreendeu que o chamado de Deus significava ser pastor entre os demais e assim oferecer o dom da verdade aos outros. Em Hipona, quatro anos depois, no ano 395, foi ordenado bispo. Continuando com o aprofundamento no estudo das Escrituras e dos textos da tradição cristã, Agostinho se converteu em um bispo exemplar, com um incansável compromisso pastoral: pregava várias vezes por semana a seus fiéis, ajudava os pobres e os órfãos, atendia a formação do clero e a organização dos mosteiros femininos e masculinos. Em pouco tempo, o antigo professor de Retórica se converteu em um dos expoentes mais importantes do cristianismo dessa época: sumamente ativo no governo de sua diocese, com notáveis implicações também civis, em seus mais de 35 anos de episcopado, o bispo de Hipona exerceu uma ampla influência na guia da Igreja Católica da África romana e mais em geral no cristianismo de sua época, enfrentando tendências religiosas e heresias tenazes e desagregadoras, como o maniqueísmo, o donatismo e o pelagianismo, que colocavam em perigo a fé cristã no único Deus e rico em misericórdia. Agostinho se confiou a Deus cada dia, até o final de sua vida: contraiu febre, enquanto a cidade de Hipona se encontrava assediada há quase três meses por vândalos invasores. O bispo, conta seu amigo Posídio na «Vita Augustini», pediu que transcrevessem com letra grande os salmos penitenciais «e pediu que colassem as folhas na parede, de maneira que desde a cama em sua enfermidade pudesse ver e ler, e chorava sem interrupção lágrimas quentes» (31, 2). Assim passaram os últimos dias da vida de Agostinho, que faleceu em 28 de agosto do ano 430, sem ter completado 76 anos. Dedicaremos os próximos encontros a suas obras, à sua mensagem e à sua experiência interior. A CONVERSÃO Após vermos sua vida, (…) hoje quero (…) recordar sua experiência interior, que fez dele um dos maiores convertidos da história cristã. A esta experiência dediquei em particular minha reflexão durante a peregrinação que fiz a Pavia, no ano passado, para venerar os restos mortais deste Padre da Igreja. Deste modo quis expressar a homenagem de toda a Igreja Católica, e ao mesmo tempo tornar visível minha pessoal devoção e reconhecimento por uma figura à qual me sinto sumamente unido pela importância que teve em minha vida de teólogo, de sacerdote e de pastor. Ainda hoje é possível recorrer às vivências de Santo Agostinho, graças sobretudo às «Confissões», escritas para o louvor de Deus, que constituem a origem de uma das formas literárias mais específicas do Ocidente, a autobiografia, ou seja, a expressão do conhecimento de si mesmo. Quem quer que se aproxime deste extraordinário e fascinante livro, ainda hoje sumamente lido, percebe facilmente que a conversão de Agostinho não foi repentina nem aconteceu plenamente desde o início, mas que pode ser definida mais como um autêntico caminho, que continua sendo um modelo para cada um de nós. Este itinerário culminou certamente com a conversão e depois com o batismo, mas não se concluiu com aquela vigília pascal do ano 387, quando em Milão o professor de retórica africano foi batizado pelo bispo Ambrósio. O caminho de conversão de Agostinho continuou humildemente até o final de sua vida, até o ponto de que se pode verdadeiramente dizer que suas diferentes etapas – podemos distinguir facilmente três – são uma única e grande conversão. A primeira conversão Santo Agostinho foi um buscador apaixonado da verdade: desde o início e depois durante toda a sua vida. A primeira etapa em seu caminho de conversão se realizou precisamente na aproximação progressiva ao cristianismo. Na realidade, ele havia recebido da mãe Mônica, com a qual sempre esteve muito unido, uma educação cristã e, apesar de que havia vivido nos anos de juventude uma vida desordenada, sempre sentiu uma profunda atração por Cristo, tendo bebido o amor pelo nome do Senhor com o leite materno, como ele mesmo sublinha (cf. «Confissões», III, 4, 8). Mas a filosofia, sobretudo a de orientação platônica, também havia contribuído para aproximá-lo de Cristo, manifestando-lhe a existência do Logos, a razão criadora. Os livros dos filósofos lhe indicavam que existe a razão, da qual procede todo o mundo, mas não lhe diziam como alcançar este Logos, que parecia tão afastado. Só a leitura das cartas de São Paulo, na fé da Igreja Católica, revelou-lhe plenamente a verdade. Esta experiência foi sintetizada por Agostinho em uma das páginas mais famosas das «Confissões»: conta que, no tormento de suas reflexões, retirado em um jardim, escutou de repente uma voz infantil que repetia uma canção, nunca antes escutada: «tolle,, lege, tolle, lege», «toma, lê, toma, lê» (VIII, 12, 29). Então se lembrou da conversão de Antônio, pai do monaquismo, e com atenção voltou a tomar um livro de São Paulo que pouco antes tinha entre as mãos: abriu-o e o olhar se fixou na passagem da carta aos Romanos na qual o apóstolo exorta a abandonar as obras da carne e a revestir-se de Cristo (13, 13-14). Ele havia compreendido que essa palavra, naquele momento, dirigia-se pessoalmente a ele, procedia de Deus através do apóstolo e lhe indicava o que ele tinha de fazer nesse momento. Deste modo sentiu como desapareciam as trevas da dúvida e era libertado para entregar-se totalmente a Cristo: «Havias convertido a ti meu ser», comenta («Confissões», VIII, 12, 30). Esta foi a primeira e decisiva conversão. O professor de retórica africano chegou a esta etapa fundamental em seu longo caminho graças à sua paixão pelo homem e pela verdade, paixão que o levou a buscar a Deus, grande e inacessível. A fé em Cristo o fez compreender que Deus não estava tão afastado como parecia. Ele se havia feito próximo de nós, convertendo-se em um de nós. Neste sentido, a fé em Cristo levou a cumprimento a longa busca de Santo Agostinho no caminho da verdade. Só um Deus que se fez «tocável», um de nós, era, em última instância, um Deus ao qual se podia rezar, pelo qual se podia viver e com o qual se podia viver. A segunda conversão É um caminho que deve ser percorrido com valentia e ao mesmo tempo com humildade, abertos a uma purificação permanente, algo que cada um de nós sempre precisa. Mas o caminho de Agostinho não havia concluído com aquela vigília pascal do ano 387, como dissemos. Ao regressar à África, fundou um pequeno mosteiro e se retirou nele, junto a uns poucos amigos, para dedicar-se à vida contemplativa e de estudo. Este era o sonho de sua vida. Agora estava chamado a viver totalmente para a verdade, com a verdade, na amizade de Cristo, que é a verdade. Um lindo sonho que durou três anos, até que, apesar dele, foi consagrado sacerdote em Hipona e destinado a servir aos fiéis. Certamente continuou vivendo com Cristo e por Cristo, mas ao serviço de todos. Isso era muito difícil para ele, mas compreendeu desde o início que só vivendo para os demais, e não simplesmente para sua contemplação privada, podia realmente viver com Cristo e por Cristo. Deste modo, renunciando a uma vida consagrada só à meditação, Agostinho aprendeu, às vezes com dificuldade, a pôr à disposição o fruto de sua inteligência para benefício dos demais. Aprendeu a comunicar sua fé às pessoas simples e a viver assim para ela naquela cidade que se converteu na sua, desempenhando sem cessar uma generosa atividade, que descreve com estas palavras em um de seus belíssimos sermões: «Pregar continuamente, discutir, repreender, edificar, estar à disposição de todos, é um ingente cargo e um grande peso, um enorme cansaço» («Sermões» 339, 4). Mas ele carregou este peso, compreendendo que precisamente deste modo podia estar mais próximo de Cristo. Sua segunda conversão consistiu em compreender que se chega aos demais com simplicidade e humildade. A terceira conversão Mas há uma última etapa no caminho de Agostinho, uma terceira conversão: é a que o levou cada dia de sua vida a pedir perdão a Deus. Ao início, havia pensado que uma vez batizado, na vida de comunhão com Cristo, nos sacramentos na celebração da Eucaristia, chegaria à vida proposta pelo Sermão da Montanha: a perfeição doada no batismo e reconfirmada pela Eucaristia. Na última parte de sua vida, ele compreendeu que o que havia dito em suas primeiras pregações sobre o Sermão da Montanha – ou seja, que nós, como cristãos, vivemos agora este ideal permanentemente – estava errado. Só o próprio Cristo realiza verdadeira e completamente o Sermão da Montanha. Nós temos sempre necessidade de ser levados por Cristo, que nos lava os pés, e de ser renovados por Ele. Temos necessidade de conversão permanente. Até o final precisamos desta humildade que reconhece que somos pecadores em caminho, até que o Senhor nos dá a mão definitivamente e nos introduz na vida eterna. Agostinho morreu com esta última atitude de humildade, vivida dia-a-dia. Esta atitude de humildade profunda ante o único Senhor Jesus o introduziu na experiência de uma humildade também intelectual. Agostinho, que é uma das maiores figuras na história do pensamento, quis, nos últimos anos de sua vida, submeter a um lúcido exame crítico suas numerosas obras. Surgiram assim as «Retractationes» («revisões»), que deste modo introduzem seu pensamento teológico, verdadeiramente grande, na fé humilde e santa daquela à qual chama simplesmente com o nome de Catholica, ou seja, a Igreja. «Compreendi – escreve precisamente neste originalíssimo livro (I, 19 1-3) – que só um é verdadeiramente perfeito e que as palavras do Sermão da Montanha só são realizadas totalmente por um só: no próprio Jesus Cristo. Toda a Igreja, pelo contrário, todos nós, inclusive os apóstolos, temos de rezar cada dia: ‘perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido’». Convertido a Cristo, que é verdade e amor, Agostinho o seguiu durante toda a vida e se converteu em um modelo para todo ser humano, para todos nós na busca de Deus. Por este motivo, eu quis concluir minha peregrinação a Pavia voltando a entregar espiritualmente à Igreja e ao mundo, ante o túmulo deste grande enamorado de Deus, minha primeira encíclica, Deus caritas est. Esta, de fato, tem uma grande dívida, sobretudo em sua primeira parte, com o pensamento de Santo Agostinho. Também hoje, como em sua época, a humanidade tem necessidade de conhecer e sobretudo de viver esta realidade fundamental: Deus é amor, e o encontro com ele é a única resposta às inquietudes do coração humano. Um coração no qual vive a esperança – talvez ainda escura e inconsciente em muitos de nossos contemporâneos –, para nós, os cristãos, abre já hoje ao futuro, até o ponto de que São Paulo escreveu que «na esperança fomos salvos» (Romanos, 8, 24). À esperança quis dedicar minha segunda encíclica, Spe Salvi, que também contraiu uma grande dívida com Agostinho e seu encontro com Deus. Um escrito sumamente lindo de Agostinho define a oração como expressão do desejo e afirma que Deus responde abrindo a ele o nosso coração. Por nossa parte, temos de purificar nossos desejos e nossas esperanças para acolher a doçura de Deus (cf. Santo Agostinho, «In Ioannis», 4, 6). Só esta nos salva, abrindo-nos também aos demais. Rezemos, portanto, para que em nossa vida nos seja concedido cada dia seguir o exemplo deste grande convertido, encontrando como ele, em todo momento de nossa vida, o Senhor Jesus, o único que nos salva, que nos purifica e nos dá a verdadeira alegria, a verdadeira vida. AS OBRAS (…) É o padre da Igreja que deixou o maior número de obras, e destas quero falar brevemente. Alguns dos escritos de Agostinho são de importância capital, e não só para a história do cristianismo, mas também para a formação de toda a cultura ocidental: o exemplo mais claro está na obra «Confissões», sem dúvida um dos livros da antiguidade cristã mais lidos ainda hoje. Como vários padres da Igreja dos primeiros séculos, ainda que em uma medida incomparavelmente mais ampla, também o bispo de Hipona exerceu uma influência persistente, como se pode ver pela superabundante tradição manuscrita de suas obras, que são extraordinariamente numerosas. Ele mesmo as revisou anos antes de morrer nas «Retratações» e pouco depois de sua morte foram cuidadosamente registradas no «Indiculus» (Índice), acrescentado pelo fiel amigo Posídio à biografia de Santo Agostinho, «Vita Augustini». A lista das obras de Agostinho foi realizada com o objetivo explícito de salvaguardar sua memória, enquanto a invasão dos vândalos se estendia por toda a África romana, e contabiliza 1.300 escritos numerados por seu autor, junto com outros «que não podem ser numerados porque não colocou nenhum número». Bispo de uma cidade próxima, Posídio ditava estas palavras precisamente em Hipona, onde se havia refugiado e onde havia assistido à morte de seu amigo, e quase seguramente se baseava no catálogo da biblioteca pessoal de Agostinho. Hoje sobreviveram mais de 300 cartas do bispo de Hipona, e quase 600 homilias, mas estas eram originalmente muitas mais, talvez inclusive entre 3.000 e 4.000, fruto de quatro décadas de pregação do antigo orador, que havia decidido seguir Jesus e deixar de falar aos grandes da corte imperial para dirigir-se à população simples de Hipona. Em anos recentes, a descoberta de um grupo de cartas e de algumas homilias enriqueceram o conhecimento deste grande padre da Igreja. «Muitos livros – escreve Posídio – foram redigidos por ele e publicados, muitas pregações foram pronunciadas na igreja, transcritas e corrigidas, ora para refutar hereges, ora para interpretar as Sagradas Escrituras para edificação dos santos filhos da Igreja. Estas obras – sublinha o bispo amigo – são tão numerosas que dificilmente um estudioso tem a possibilidade de lê-las e aprender a conhecê-las.» («Vita Augustini», 18, 9) Entre a produção literária de Agostinho, portanto, mais de mil publicações divididas em escritos filosóficos, apologéticos, doutrinais, morais, monásticos, exegéticos e contra os hereges, assim como as cartas e homilias, destacam algumas obras excepcionais de grande importância teológica e filosófica. Antes de tudo, devem-se recordar as «Confissões», antes mencionadas, escritas em treze livros entre os anos 397 e 400 para louvor de Deus. São uma espécie de autobiografia em forma de diálogo com Deus. Este gênero literário reflete a vida de Santo Agostinho, que não estava fechada em si mesma, perdida em mil coisas, mas vivida essencialmente como um diálogo com Deus e, deste modo, uma vida com os demais. Por si só, o título «Confissões» indica o caráter específico desta biografia. Esta palavra «confissões», no latim cristão desenvolvido pela tradição dos Salmos, tem dois significados, que se entrecruzam. «Confissões» indica, em primeiro lugar, a confissão das próprias fraquezas, da miséria dos pecados; mas ao mesmo tempo, «confissões» significa louvor a Deus, reconhecimento de Deus. Ver a própria miséria à luz de Deus se converte em louvor de Deus e em ação de graças, pois Deus nos ama e nos aceita, transforma-nos e nos eleva para si mesmo. Ele mesmo escreveu sobre estas «Confissões», que tiveram grande êxito já na vida de Santo Agostinho: «Exerceram sobre mim um grande impacto enquanto as escrevia e o continuam exercendo quando volto a lê-las. Há muitos irmãos que gostam destas obras («Retratações», II, 6): e tenho de reconhecer que eu também sou um destes ‘irmãos’». E graças às «Confissões», podemos acompanhar, passo a passo, o caminho interior desse homem extraordinário e apaixonado por Deus. Menos difundidas, ainda que igualmente originais e muito importantes são também as «Retratações» [Revisões], redigidas em dois livros por volta do ano 427, nas quais Santo Agostinho, já idoso, faz uma «revisão» («retractatio») de toda sua obra escrita, deixando assim um documento literário singular e sumamente precioso, mas ao mesmo tempo um ensinamento de sinceridade e de humildade intelectual. «De civitate Dei» [A Cidade de Deus], obra imponente e decisiva para o desenvolvimento do pensamento político ocidental e para a teologia cristã da história, foi escrita entre os anos 413 e 426, em 22 livros. A ocasião era o saque de Roma por parte dos godos no ano 410. Muitos pagãos, ainda em vida, assim como muitos cristãos, haviam dito: Roma caiu, agora o Deus cristão e os apóstolos já não podem proteger a cidade. Durante a presença das divindades pagãs, Roma era a «caput mundi», a grande capital, e ninguém podia imaginar que cairia nas mãos dos inimigos. Agora, com o Deus cristão, esta grande cidade já não parecia segura. Portanto, o Deus dos cristãos não protegia, não podia ser o Deus a quem se encomendar. A esta objeção, que também tocava profundamente o coração dos cristãos, Santo Agostinho responde com esta grandiosa obra, «De civitate Dei», declarando o que deveriam esperar de Deus e o que não podiam esperar d’Ele, qual é a relação entre a esfera política e a esfera da fé, da Igreja. Ainda hoje este livro é uma fonte para definir bem a autêntica laicidade e a competência da Igreja, a grande esperança que nos dá a fé. Este grande livro é uma apresentação da história da humanidade governada pela Providência divina, mas atualmente dividida em dois amores. E este é o desígnio fundamental, sua interpretação da história, a luta entre dois amores: o amor próprio, «até chegar ao menosprezo de Deus» e o amor a Deus, «até chegar ao desprezo de si mesmo», («De civitate Dei», XIV, 28), à plena liberdade e si mesmo através dos demais à luz de Deus. Este é talvez o maior livro de Santo Agostinho, de uma importância permanente. Igualmente, é importante o «De Trinitate» [Sobre a Trindade], obra em quinze livros sobre o núcleo principal da fé cristã, a fé no Deus trinitário, escrita em dois momentos: entre os anos 399 e 412 os primeiros doze livros, publicados sem que Agostinho soubesse, ele que os completou por volta do ano 420 e revisou a obra completa. Nele reflete sobre o rosto de Deus e trata de compreender este mistério de Deus que é único, o único criador do mundo, de todos nós, e que, contudo, este Deus único é trinitário, um círculo de amor. Ele procura compreender o mistério insondável: precisamente seu ser trinitário, em três Pessoas, é a unidade mais real e profunda do único Deus. O «De doctrina Christiana» [Sobre a doutrina cristã] é uma autêntica introdução cultural à interpretação da Bíblia e, em definitivo, ao próprio cristianismo, que teve uma importância decisiva na formação da cultura ocidental. Apesar de toda sua humildade, Agostinho foi certamente consciente de sua própria importância intelectual. Mas para ele era mais importante levar a mensagem cristã aos simples que redigir grandes obras de elevado nível teológico. Sua intenção mais profunda, que o guiou durante toda sua vida, pode-se ver em uma carta escrita ao colega Evódio, na qual lhe comunica a decisão de deixar de ditar por um tempo os livros do «De Trinitate», «pois são muito cansativos e creio que podem ser entendidos por poucos; são mais necessários textos que esperamos que sejam úteis para muitos» («Epistulae», 169, 1, 1). Portanto, para ele era mais útil comunicar a fé de maneira compreensível para todos que escrever grandes obras teológicas. A responsabilidade agudamente experimentada pela divulgação da mensagem cristã se encontra na origem de escritos como o «De catechizandis rudibus», uma teoria e também uma aplicação da catequese, ou o «Psalmus contra partem Donati». Os donatistas eram o grande problema da África e de Santo Agostinho, um cisma que queria ser africano. Diziam: a autêntica cristandade é a africana. Opunham-se à unidade da Igreja. Contra este cisma, o grande bispo lutou durante toda sua vida, procurando convencer os donatistas de que só na unidade inclusive a africanidade pode ser verdadeira. E para que o entendessem os simples, que não podiam compreender o grande latim do orador, disse: tenho de escrever inclusive com erros gramaticais, em um latim muito simplificado. E o fez, sobretudo neste «Psalmus», uma espécie de simples poesia contra os donatistas para ajudar todos a compreender que só na unidade da Igreja se realiza realmente nossa relação com Deus e cresce a paz no mundo. Nesta produção destinada a um grande público, tem particular importância o grande número de suas homilias, com freqüência improvisadas, transcritas por taquígrafos durante a pregação e imediatamente postas em circulação. Entre estas, destacam as belíssimas «Enarrationes in Psalmus», muito lidas na Idade Média. A publicação de milhares de homilias de Agostinho, com freqüência sem controle do autor, explica tanto sua ampla difusão como sua vitalidade. Imediatamente, as pregações do bispo de Hipona se convertiam, pela fama do autor, em textos sumamente requeridos e eram utilizados também pelos demais bispos e sacerdotes como modelos, adaptados sempre a novos contextos. Na tradição iconográfica, um fresco de Latrão que se remonta ao século IV representa Santo Agostinho com um livro na mão, não só para expressar sua produção literária, que tanta influência teve no pensamento dos cristãos, mas também para expressar seu amor pelos livros, pela literatura e pelo conhecimento da grande cultura precedente. Ao morrer, não deixou nada, conta Posídio, mas «recomendava sempre que se conservasse para as futuras gerações a biblioteca da igreja com todos seus códices», sobretudo os de suas obras. Nestas, sublinha Posídio, Agostinho está «sempre vivo» e é de utilidade para quem lê seus escritos, ainda que, como ele diz, «creio que poderiam tirar mais proveito de seu contato os que puderam vê-lo e escutá-lo quando falava pessoalmente na igreja e sobretudo os que foram testemunhas de sua vida cotidiana entre as pessoas» («Vita Augustini», 31). Sim, também para nós seria maravilhoso poder senti-lo vivo. Mas ele está realmente vivo em seus escritos; está presente em nós e deste modo vemos também a permanente vitalidade da fé pela qual ele entregou toda a sua vida. A MORTE (…) Quatro anos antes de morrer, ele quis nomear seu sucessor. Por este motivo, em 26 de setembro do ano 426, reuniu o povo na Basílica da Paz, em Hipona, para apresentar aos fiéis quem havia designado para esta tarefa. Disse: «Nesta vida, todos somos mortais, mas o último dia desta vida é sempre incerto para cada indivíduo. De qualquer forma, na infância se espera chegar à adolescência; na adolescência, à juventude; na juventude, à idade adulta; na idade adulta, à idade madura; na idade madura, à velhice. Não se está seguro de que chegará, mas se espera. A velhice, pelo contrário, não tem ante si outro período no qual poder esperar; sua própria duração é incerta… Eu, por vontade de Deus, cheguei a esta cidade no vigor de minha vida; mas agora minha juventude passou e já sou velho» (Carta 213, 1). Nesse momento, Agostinho pronunciou o nome de seu sucessor designado, o sacerdote Heráclio. A assembléia estourou em um aplauso de aprovação, repetindo 23 vezes: «Graças sejam dadas a Deus!». Com outras aclamações, os fiéis aprovaram também o que depois disse Agostinho sobre os propósitos para seu futuro: queria dedicar os anos que lhe restavam a um estudo mais intenso das Sagradas Escrituras (cf. Carta 213, 6). De fato, seguiram quatro anos de extraordinária atividade intelectual: concluiu obras importantes, empreendeu outras não menos significativas, manteve debates públicos com os hereges – sempre buscava o diálogo –, promoveu a paz nas províncias africanas insidiadas pelas tribos bárbaras do sul. Neste sentido, escreveu ao conde Dario, que foi à África para superar as diferenças entre o conde Bonifácio e a corte imperial, das que se aproveitavam as tribos dos vândalos para as suas invasões: «Título de grande glória é precisamente o de adiar a guerra com a palavra, em vez de matar os homens com a espada, e buscar ou manter a paz com a paz e não com a guerra. Certamente, inclusive aqueles que combatem, se são bons, buscam sem dúvida a paz, mas à custa de derramar sangue. Tu, pelo contrário, foste enviado precisamente para impedir que se derrame o sangue» (Carta 229, 2). Infelizmente foi defraudada a esperança de uma pacificação dos territórios africanos: em maio do ano 429, os vândalos, enviados à África como vingança pelo próprio Bonifácio, passaram o Estreito de Gibraltar e penetraram na Mauritânia. A invasão se estendeu rapidamente por outras ricas províncias africanas. Em maio e em junho do ano 430, «os destruidores do império romano», como Possídio qualifica esses bárbaros (Vida, 30, 1), rodeavam Hipona, assediando-a. Na cidade, também se havia refugiado Bonifácio, que, reconciliando-se tarde demais com a corte, tratava em vão de bloquear a passagem dos invasores. O biógrafo Possídio descreve a dor de Agostinho: «Mais que de costume, suas lágrimas eram seu pão dia e noite e, levando já ao final de sua vida, ele se arrastava mais que os outros, na amargura e no luto, sua velhice» (Vida, 28, 6). E explica: «Esse homem de Deus via as matanças e as destruições das cidades; as casas destruídas nos campos e os habitantes assassinados pelos inimigos ou expulsos; as igrejas sem sacerdotes ou ministros, as virgens consagradas e os religiosos dispersos por toda parte; entre eles, alguns haviam desfalecido ante as torturas, outros haviam sido assassinados com a espada, outros eram prisioneiros, perdendo a integridade da alma e do corpo e inclusive a fé, obrigados pelos inimigos a uma escravidão dolorosa e longa» (ibidem, 28,8). Ainda que era ancião e estava cansado, Agostinho permaneceu em primeira linha, consolando a si mesmo e aos outros com a oração e com a meditação dos misteriosos desígnios da Providência. Falava da «velhice do mundo» – e era verdadeiramente velho este mundo romano –, falava desta velhice como já o havia feito anos antes para consolar os refugiados procedentes da Itália, quando no ano 410 os godos de Alarico invadiram a cidade de Roma. Na velhice, dizia, abundam os ataques: tosse, catarro, remelas, ansiedade, esgotamento. Mas se o mundo envelhece, Cristo é sempre jovem. E lançava este convite: «não se deve negar-se a rejuvenescer com Cristo, que te diz: ‘Não temas, tua juventude se renovará como a da águia’» (cf.Sermão 81, 8). Por isso, o cristão não deve abater-se nas situações difíceis, mas procurar ajudar o necessitado. É o que o grande doutor sugere respondendo ao bispo de Tiabe, Honorato, que lhe havia pedido se, sob a pressão das invasões bárbaras, um bispo ou um sacerdote ou qualquer homem de Igreja podia fugir para salvar a vida. «Quando o perigo é comum a todos, ou seja, para bispos, clérigos e leigos, quem tem necessidade dos outros não deve ser abandonado por aqueles de quem tem necessidade. Neste caso, todos devem refugiar-se em lugares seguros; mas se alguns têm necessidade de ficar, que não sejam abandonados por quem tem o dever de assisti-los com o ministério sagrado, de maneira que, ou se salvam juntos ou juntos suportam as calamidades que o Pai de família quer que sofram» (Carta 228, 2). E concluía: «Esta é a prova suprema da caridade» (ibidem, 3). Como não reconhecer nestas palavras a heróica mensagem que tantos sacerdotes, através dos séculos, acolheram e tornaram sua? «No terceiro mês daquele assédio – narra – ficou com febre: era sua última doença» (Vida, 29, 3). O santo ancião aproveitou aquele momento, finalmente livre, para dedicar-se com mais intensidade à oração. Costumava dizer que ninguém, bispo, religioso ou leigo, por mais irrepreensível que possa parecer sua conduta, pode enfrentar a morte sem uma adequada penitência. Por este motivo, repetia continuamente entre lágrimas os salmos penitenciais, que tantas vezes havia recitado com o povo (cf. ibidem, 31, 2). Quanto mais se agravava sua situação, mais necessidade o bispo sentia de solidão e de oração: «Para não ser perturbado por ninguém em seu recolhimento, aproximadamente dez dias antes de abandonar o corpo, ele nos pediu que não deixássemos ninguém entrar em seu quarto, com exceção dos momentos nos quais os médicos vinham para vê-lo ou quando lhe levavam a comida. Sua vontade foi cumprida fielmente e durante todo esse tempo ele aguardava em oração» (ibidem, 31, 3). Faleceu em 28 de agosto do ano 430: seu grande coração finalmente descansou em Deus. «Por ocasião da inumação de seu corpo – informa Possídio –, ofereceu-se a Deus o sacrifício, ao qual assistimos, e depois ele foi sepultado» (Vida,31, 5). Seu corpo, em data incerta, foi trasladado à Cardenha e, no ano 725, a Pavia, à basílica de São Pedro no Céu de Ouro, onde descansa hoje. Seu primeiro biógrafo dá este juízo conclusivo: «Deixou à Igreja um clero muito numeroso, assim como mosteiros de homens e de mulheres cheios de pessoas dedicadas à continência e à obediência a seus superiores, junto com as bibliotecas que continham os livros e discursos dele e de outros santos, pelos que se conhece qual foi, por graça de Deus, seu mérito e sua grandeza na Igreja, e nos quais os fiéis sempre o encontram vivo» (Possídio, Vida, 31, 8). É um juízo ao qual podemos associar-nos: em seus escritos também nós o «encontramos vivo». Quando leio os escritos de Santo Agostinho, não tenho a impressão de que seja um homem morto há mais ou menos 1.600 anos, mas o sinto como um homem de hoje: um amigo, um contemporâneo que me fala, que nos fala com sua fé fresca e atual. Em Santo Agostinho que nos fala – fala a mim em seus escritos –, vemos a atualidade permanente de sua fé, da fé que vem de Cristo, do Verbo Eterno encarnado, Filho de Deus e Filho do homem. E podemos ver que esta fé não é de ontem, ainda que tenha sido pregada ontem; é sempre atual, porque realmente Cristo é ontem, hoje e sempre. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Deste modo, Santo Agostinho nos anima a confiar neste Cristo sempre vivo e a encontrar assim o caminho da vida. FÉ E RAZÃO (…) Meu querido predecessor João Paulo II lhe dedicou, em 1986, ou seja, no décimo sexto centenário de sua conversão, um longo e denso documento, a carta apostólica Augustinum Hipponensem. O próprio Papa quis definir este texto como «uma ação de graças a Deus pelo dom que fez à Igreja, e mediante ela à humanidade inteira, graças àquela admirável conversão». (Augustinum Hipponensem, 1). Quero enfrentar o tema da conversão em uma próxima audiência. É um tema fundamental não só para sua vida pessoal, mas também para a nossa. No Evangelho do domingo passado, o próprio Senhor resumiu sua pregação com a palavra: «Convertei-vos». Seguindo o caminho de Santo Agostinho, poderemos meditar sobre o que é esta conversão: é algo definitivo, decisivo, mas a decisão fundamental deve desenvolver-se, deve realizar-se em toda nossa vida. A catequese de hoje está dedicada, pelo contrário, ao tema fé e razão, que é um tema determinante, ou melhor, o tema determinante da biografia de Santo Agostinho. Desde criança, havia aprendido de sua mãe, Mônica, a fé católica. Mas sendo adolescente, havia abandonado esta fé porque já não conseguia ver sua racionalidade e não queria uma religião que não fosse expressão da razão, ou seja, da verdade. Sua sede de verdade era radical e o levou a afastar-se da fé católica. Mas sua radicalidade era tal que não podia contentar-se com filosofias que não chegassem à própria verdade, que não chegassem até Deus. E a um Deus que não fosse só uma hipótese última cosmológica, mas que fosse o verdadeiro Deus, o Deus que dá a vida e que entra em nossa própria vida. Deste modo, todo o itinerário intelectual e espiritual de Santo Agostinho constitui um modelo válido também hoje na relação entre fé e razão, tema não só para homens crentes, mas para todo homem que busca a verdade, tema central para o equilíbrio e o destino de todo o ser humano. Estas duas dimensões, fé e razão, não devem separar-se nem contrapor-se, mas devem estar sempre unidas. Como escreveu Agostinho após sua conversão, fé e razão são «as forças que nos levam a conhecer» (Contra Acadêmicos, III 20, 43). Neste sentido, continuam sendo famosas suas duas fórmulas (Sermões, 43, 9) com as quais expressa esta síntese coerente entre fé e razão: crede ut intelligas («crê para compreender») – crer abre o caminho para cruzar a porta da verdade –, mas também e de maneira inseparável, intellige ut credas («compreende para crer»), perscrutar a verdade para poder encontrar a Deus e crer. As duas afirmações de Agostinho manifestam com eficácia e profundidade a síntese deste problema, em que a Igreja Católica vê seu caminho manifestado. Historicamente, esta síntese foi-se formando já antes da vinda de Cristo, no encontro entre a fé judaica e o pensamento grego no judaísmo helênico. Sucessivamente, na história esta síntese foi retomada e desenvolvida por muitos pensadores cristãos. A harmonia entre fé e razão significa sobretudo que Deus não está longe: não está longe de nossa razão, de nossa vida; está perto de todo ser humano, perto de nosso coração e de nossa razão, se realmente nos colocamos a caminho. Precisamente esta proximidade de Deus do homem foi experimentada com extraordinária intensidade por Agostinho. A presença de Deus no homem é profunda e ao mesmo tempo misteriosa, mas pode reconhecer-se e descobrir-se na própria intimidade: não há que sair para fora – afirma o convertido –, «volte sobre ti mesmo. A verdade habita no homem interior. E se encontras que sua natureza é mutável, transcende-te a ti mesmo. Mas recorda ao fazê-lo assim que transcendes uma alma que raciocina. Assim, pois, dirige-te ali onde se acende a própria luz da razão» (De vera religione, 39, 72). Ele mesmo sublinha em uma afirmação famosíssima do início das Confissões, autobiografia espiritual escrita em louvor de Deus: «Nos fizeste, Senhor, para ti, e nosso coração está inquieto, até que descanse em ti» (I, 1,1). A distância de Deus equivale, portanto, à distância de si mesmos. «Porque tu – reconhece Agostinho (Confissões III, 6, 11) – estavas dentro de mim, mais interior que o mais íntimo meu e mais elevado que o mais supremo meu», interior intimo meo et superior summo meo; até o ponto de que, em outra passagem, recordando o tempo precedente a sua conversão, acrescenta: «Tu estavas, certamente, diante de mim, mas eu me havia afastado de mim mesmo e não me encontrava» (Confissões V, 2, 2). Precisamente porque Agostinho viveu em primeira pessoa este itinerário intelectual e espiritual, soube apresentá-lo em suas obras com tanta proximidade, profundidade e sabedoria, reconhecendo em outras duas famosas passagens das Confissões(IV, 4, 9 e 14, 22) que o homem é «um grande enigma» (magna quaestio) e «um grande abismo» (grande profundum), enigma e abismo que só Cristo ilumina e preenche. Isto é importante: quem está longe de Deus também está longe de si mesmo, alienado de si mesmo, e só pode encontrar a si se se encontra com Deus. Deste modo, consegue chegar a seu verdadeiro eu, sua verdadeira identidade. O ser humano, sublinha depois Agostinho no De civitate Dei (XIII, 27), é sociável por natureza mas anti-sociável por vício, e é salvo por Cristo, único mediador entre Deus e a humanidade, e «caminho universal da liberdade e da salvação», como repetiu meu predecessor João Paulo II (Augustinum Hipponensem, 21): foi deste caminho, que nunca faltou ao gênero humano, segue afirmando Agostinho nessa mesma obra, «ninguém foi libertado nunca, ninguém é libertado, ninguém será libertado» (De civitate Dei, X, 32, 2). Como único mediador da salvação, Cristo é cabeça da Igreja e está unido misticamente a ela de modo que Agostinho afirma: «Nos convertemos em Cristo. De fato, se ele é a cabeça, nós somos seus membros, o homem total é ele e nós» (In Iohannis evangelium tractatus, 21, 8). Povo de Deus e casa de Deus, a Igreja, segundo a visão de Agostinho, está portanto ligada intimamente ao conceito de Corpo de Cristo, fundamentada na releitura cristológica do Antigo Testamento e na vida sacramental centrada na Eucaristia, na qual o Senhor nos dá seu Corpo e nos transforma em seu Corpo. Portanto, é fundamental que a Igreja, povo de Deus, em sentido cristológico e não em sentido sociológico, esteja verdadeiramente integrada em Cristo, que, segundo afirma Agostinho em uma página maravilhosa, «reza por nós, reza em nós, é rezado por nós como nosso Deus: reconhecemos portanto nele nossa voz e nós nele a sua» (Enarrationes in Psalmos, 85, 1). Na conclusão da carta apostólica Augustinum Hipponensem, João Paulo II quis perguntar ao próprio santo o que podia dizer aos homens de hoje e responde sobretudo com as palavras que Agostinho confiou em uma carta ditada pouco depois de sua conversão: «Me parece que se deve levar aos homens a esperança de encontrar a verdade» (Epistulae, 1,1); essa verdade que é Cristo, Deus verdadeiro, a quem se dirige uma das orações mais lindas e famosas das Confissões (X, 27, 38): «Tarde te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Estavas dentro de mim e eu estava fora, e aí te procurava. Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas. Estavas comigo e eu não estava contigo. Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não existiriam se em ti não existissem. Mas Tu me chamaste, clamaste e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste e curaste a minha cegueira. Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti. Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz». Deste modo, Agostinho encontrou a Deus e durante toda a sua vida fez sua experiência até o ponto de que esta realidade – que é antes de tudo o encontro com uma Pessoa, Jesus – mudou sua vida, como muda a de todos que, homens e mulheres, em todo tempo, têm a graça de encontrar-se com Ele. Peçamos ao Senhor que nos dê esta graça e nos faça encontrar assim sua paz. #Adeodato #acolhida #africano #Deus #adolescente #acolher #Louvor #adolescência #adequada #AçãodeGraças #Igreja #Alma #Ambrósio #Amor #verdadeira #alegria #SantoAgostinho #Jesus #agostinhobispodehipona #ocidental #Agostinho
- O que é a Verdade? (João 18,38)
Por Bob Stanley Tradução: n/c Fonte: http://www.veritatis.com.br Verdade: o que é? A definição de “Verdade” é “o contrário de erro”. Verdade significa estar em harmonia com um fato. É correto. Verdade é ação, é quando a consciência humana concorda com o intelecto. A Verdade é “UMA”. Só pode haver uma verdade, Jo 17,17-23. Qualquer variação de uma verdade não é mais verdade, é erro. A Verdade é uma pessoa. Jesus Cristo disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, Jo 14,6. Quando DEUS criou cada um de nós, Ele escreveu Sua lei em nossos corações…”Os pagãos, que não têm a lei, fazendo naturalmente as coisas que são da lei, emboram não tenham a lei, a si mesmos servem de lei; ELES MOSTRAM QUE O OBJETO DA LEI ESTÁ GRAVADO NOS SEUS CORAÇÕES, DANDO-LHES TESTEMUNHO A SUA CONSCIÊNCIA, BEM COMO OS SEUS RACIOCÍNIOS, COM OS QUAIS SE ACUSAM OU SE ESCUSAM MUTUALMENTE.”, Rom 2,14-15. Leia também Heb 8,10 e Heb 10,16. É a nossa consciência que examina essas leis. O “livre arbítrio”, que nos foi dado quando fomos criados, faz uma decição baseado no que a consciência está lhe dizendo, e o que o intelecto está afirmando. “Livre arbítrio” nos dá a abilidade de tomar as decisões certas ou erradas aos olhos de DEUS. DEUS fez as leis e, repetidamente, nos instruiu a fazer o que é correto, e nos advertiu contra fazer o mal. Se não tivéssemos livre arbítrio, não haveria necessidade de instruções e advertências. DEUS poderia simplesmente nos mandar fazer a Sua vontade e nós não teríamos como nos opôr. Usando o livre arbítrio, decidimos qual curso de ação será tomada para cada incidente individual com o qual nos deparamos na vida. Usando o livre arbítrio, cada um decide por si mesmo onde passará a eternidade.. DEUS não manda ninguém para o inferno. Nós mandamos a nós mesmos, através das decisões que fazemos nesta vida. Em acréscimo às leis de DEUS escritas em nossos corações, DEUS também infundiu uma fome e um desejo inato de procurá-Lo. Como DEUS é a “Verdade”, este desejo inato é o de procurar a “verdade” em todas as coisas. Quando procuramos a verdade e a encontramos, então encontramos DEUS. Isto nos leva ao propósito deste arquivo. A fim de encontrar a verdade, nós temos que fazer testes. Temos a obrigação de questionar se estamos no processo de entrar pelo larga porta da perdição ou a porta estreita da salvação. “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida E RAROS SÃO OS QUE O ENCONTRAM.”, Mat 7,13-14. Estes versículos dizem claramente que a maioria de nós está no largo caminho da destruição. Você não quer estar no caminho estreito que leva ao Céu? A fim de se assegurar de que está no caminho certo, você tem que fazer testes. Você é obrigado a verificar todas as opções, examiná-las com o intelecto e fazer com que elas concordem com a consciência. Satanás sabe muito bem se disfarçar e nos enganar, a fim de que acreditemos que algo parece verdade enquanto, na realidade, é erro. . Leia Is 5,20: “Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas”. Ele é o responsável por tantos que caminharem pelo caminho largo. Ele está constantemente lhe dizendo que você está no caminho estreito quando, de fato, ele já te colocou no caminho largo, a super rodovia para os seus domínios. Nós não devemos nos acomodar e aceitar que temos a verdade sem pô-la a prova constantemente. Se você se acomoda e se recusa a testar, existe a chance de que esteja no caminho largo, conforme Mat 7,13-14 está tentando lhe dizer… Mas como testamos a verdade? Já lhe dei a resposta no primeiro parágrafo. Você deve procurar pelo erro, você tem que ver se a verdade se ajusta ao fato. Aqui estão algumas dicas. Consulte sua consciência enquanto as estuda … Você já se sentiu desconfortável (em termos de consciência) com alguns versículos da Bíblia que não parecem se harmonizar com o ensinamento da sua Igreja? A Escritura é toda harmoniosa e tudo tem que se encaixar exatamente como num quebra-cabeças gigante. Quando você questiona algum ensinamento, você sempre obtém respostas definidas? Você recebe respostas nebulosas ou sem sentido? Você está absolutamente certo de que está na Igreja que foi fundada por Jesus Cristo? Ele só fundou “UMA” Igreja em Mat 16,18. Aquele versículo não diz “Igrejas”. Isso me faz lembrar de 1Cor 10,12: “Portanto, quem pensa estar de pé veja que não caia”. Existem hoje mais de 33.800 seitas Cristãs diferentes no mundo. Como você pode ter certeza de que escolheu a certa? Lembre-se que “A VERDADE É UMA SÓ”, então como pode haver 33.800 Igrejas Cristãs diferentes, todas elas ensinando UMA VERDADE. Se todas as Igrejas ensinam a mesma verdade, então não deveria haver 33.800, mas apenas uma. O quê um exame de consciência nos diz agora? Isto deve significar que existem 33.799 Igrejas ensinando o erro. Se este é o caso, então deve haver 33.799 Igrejas seguindo o “caminho largo” e só uma no “estreito”. Não gosto dessa chance de jogo de 1 em 33.800. Isso incomoda a sua consciência? A maioria das Igrejas alega ser a Igreja da verdade. Em quem você acredita? Qual delas está certa? Qual é a Igreja que a Bíblia diz ser a Igreja da verdade? A Igreja da verdade está escrita na Bíblia. É a única Igreja a qual foi dada a autoridade, aquela na qual habita para sempre o Espírito Santo. João 14,15-17. “Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em DEUS.”, Jo 3,21. Este versículo diz tudo. Se você não encontrou a verdade, então você não encontrou DEUS. Esta é uma mensagem muito séria, que todos deveriam prestar atenção se realmente se importam com sua salvação. Afinal de contas, vocês estão jogando uma Roleta-Russa com as suas almas imortais. Todos nós passaremos a eternidade no céu ou no inferno. Nós próprios fazemos esta escolha com o nosso livre arbítrio. Só temos esta vida para fazer a escolha. Quem sabe quando esta vida vai terminar? Pode ser nos próximos minutos. Não há uma segunda chance. A hora é AGORA! Você já parou para comparar a eternidade com a vida neste mundo? Este período na terra é insignificante, somente um piscar de olhos, comparado com uma eternidade de torturas no inferno ou com as felicidades inimagináveis do céu. “Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou, tais são os bens que DEUS tem preparado para aqueles que O amam.” 1Cor 2,9… #Cristo #Verdade #arbítrio #Deus #livre #consciência #correto #Igrejas #advertiu #VerdadeiraIgreja #Igreja #caminho #porta #IgrejaCatólica #Jesus
- São Paulino de Nola
Por Papa Bento XVI Tradução: Élison Santos Fonte: Vaticano/Zenit Queridos irmãos e irmãs: O padre da Igreja que apresentaremos hoje é São Paulino de Nola. Da mesma época de Santo Agostinho, com quem esteve unido através de uma intensa amizade, Paulino exerceu seu ministério em Campânia, em Nola, onde foi monge, e depois presbítero e bispo. Era originário de Aquitânia, no sul da França, mais concretamente de Bordeaux, onde nasceu no seio de uma família de alta ascendência. Lá recebeu uma fina educação literária, tendo por mestre o poeta Ausônio. Afastou-se de sua terra em um primeiro momento para seguir sua precoce carreira política. Sendo ainda jovem, desempenhou o papel de governador de Campânia. Neste cargo público, destacou-se por sua sabedoria e mansidão. Neste período, a graça fez germinar em seu coração a semente da conversão. A chama surgiu da fé simples e intensa com a qual o povo honrava o túmulo de um santo, o mártir Félix, no santuário da atual Cimitile. Como responsável público, Paulino se preocupou por este santuário e fez construir um hospital para os pobres e um caminho para tornar mais fácil o acesso dos numerosos peregrinos. Enquanto se dedicava a construir a cidade terrena, descobria o caminho para a cidade celestial. O encontro com Cristo foi o ponto de chegada, depois de um caminho árduo, semeado de provas. Circunstâncias dolorosas, começando pela perda do favor da autoridade política, fizeram-no tocar a caducidade do terreno. Após descobrir a fé, escreveria: «o homem sem Cristo é pó e sombra» (Carmen X, 289). Buscando o sentido da existência, viajou a Milão para aprender de Santo Ambrósio. Depois completou a formação cristã em sua terra natal, onde recebeu o batismo das mãos do bispo Delfim, de Burdeos. Em seu caminho de fé aparece também o matrimônio. Casou-se com Teresa, uma mulher nobre de Barcelona, com quem teve um filho. Teria seguido sendo um bom leigo cristão, se a morte do filho poucos dias depois não lhe tivesse afetado interiormente, mostrando-lhe que Deus tinha outro desígnio para sua vida. Sentiu-se chamado a entregar-se a Cristo em uma rigorosa vida ascética. Em pleno acordo com sua mulher, Teresa, vendeu seus bens para ajudar os pobres e, junto com ela, deixou Aquitânia para morar em Nola, junto à basílica do protetor São Félix, em casta fraternidade, segundo uma forma de vida à qual outros se uniram. O ritmo era tipicamente monástico, mas Paulino, que foi ordenado presbítero em Barcelona, começou a exercer também o ministério sacerdotal com os peregrinos. Isso lhe trouxe a simpatia e a confiança da comunidade cristã que, ao morrer o bispo, no ano 409, escolheu-o como sucessor na cátedra de Nola. Sua ação pastoral se intensificou, caracterizando-se por uma atenção aos pobres. Deixou a imagem de um autêntico pastor da caridade, como o descreveu São Gregório Magno no capítulo III de seu Diálogos, onde Paulino é retratado no heróico gesto de oferecer-se como prisioneiro no lugar do filho de uma viúva. O episódio é discutido historicamente, mas resta-nos a figura de um bispo de grande coração, que soube estar junto a seu povo nas tristes contingências das invasões dos bárbaros. A conversão de Paulino impressionou seus contemporâneos. Seu mestre, Ausônio, poeta pagão, sentiu-se «traído» e lhe dirigiu palavras duras, repreendendo-lhe por seu «desprezo», considerado irracional, dos bens materiais, e por abandonar sua vocação de escritor. Paulino replicou que sua ajuda aos pobres não significava desprezo pelos bens terrenos, mas sim valorização deles com o fim mais elevado da caridade. Pelo que se refere a suas capacidades literárias, Paulino não havia abandonado o talento poético, que seguiria cultivando, mas sim as fórmulas poéticas inspiradas na mitologia e nos ideais pagãos. Uma nova ascética regia sua sensibilidade: era a beleza do Deus encarnado, crucificado e ressuscitado de quem agora se havia convertido em trovador. Na realidade, não havia deixado a poesia, mas passava a buscar inspiração no Evangelho, como diz neste verso: «Para mim a única arte é a fé, e Cristo é minha poesia» («At nobis ars una fides, et musica Christus»: Carmen XX, 32). Seus poemas são cantos de fé e de amor, nos quais a história diária dos pequenos e grandes acontecimentos é vista como história de salvação, como história de Deus conosco. Muitas dessas composições estão ligados à festa anual do mártir Félix, a quem havia escolhido como padroeiro celeste. Recordando São Félix, queria glorificar o próprio Cristo, certo de que a intercessão do santo lhe havia alcançado a graça da conversão: «Em tua luz, glorioso, amei a Cristo» (Carmen XXI, 373). Expressou este mesmo conceito ampliando o espaço do santuário com uma nova basílica, que decorou de forma que as pinturas, ilustradas com explicações adequadas, converteram-se para os peregrinos em uma catequese visual. Deste modo, explicava seu projeto em um «carmen», dedicado a outro grande catequista, São Niceto de Remesiana, enquanto o acompanhava em uma visita a suas basílicas: «Agora quero que contemples a longa série de pinturas das paredes dos pórticos… Pareceu-nos útil representar com a pintura argumentos sagrados em toda a casa de Félix, com a esperança de que, ao ver estas imagens, a figura desenhada suscite o interesse das mentes surpreendidas dos camponeses» (Carmen XXVII, versículos 511.580.583). Ainda hoje se podem admirar aqueles vestígios que fazem do santo de Nola uma das figuras de referência da arqueologia cristã. No cenóbio de Cimitile, a vida discorria em pobreza, oração e totalmente submersa na lectio divina. A Escritura lida, meditada, assimilada, era o raio de luz através do qual o santo de Nola escrutava sua alma em sua busca da perfeição. A quem se surpreendia pela sua decisão de abandonar os bens materiais, ele recordava que este gesto não representava nem de longe a plena conversão: «Abandonar ou vender os bens temporais possuídos neste mundo não significa o cumprimento, mas só o início da carreira no estágio; não é, por assim dizer, a meta, mas só a saída. O atleta não ganha quando tira sua roupa, pois a deixa de lado para poder começar a lutar. Só recebe a coroa de vencedor depois de ter combatido como se deve» (cf. Epístola XXIV, 7 a Sulpício Severo). Junto à ascese e à Palavra de Deus, a caridade: na comunidade monástica, os pobres se sentiam em sua casa. Paulino não se limitava a dar-lhes esmola: acolhia-os como se fossem o próprio Cristo. Reservava-lhes uma ala do mosteiro e, deste modo, não tinha a impressão de dar, mas de receber, no intercâmbio de dons entre a acolhida oferecida e a gratidão feita oração daqueles a quem ajudava. Chamava os pobres de seus «donos» (cf. Epístola XIII, 11 a Pamáquio) e, ao observar que eles ficavam no andar inferior, dizia-lhes que sua oração desempenhava a função dos fundamentos de sua casa (cf. Carmen XXI, 393-394). São Paulino não escreveu tratados de teologia, mas seus «carmens» e seu denso epistolário estão repletos de uma teologia vivida, penetrada pela Palavra de Deus, escrutada constantemente como luz para a vida. Em particular, expressa o sentido da Igreja como mistério de unidade. Vivia a comunhão sobretudo através de uma profunda prática da amizade espiritual. Neste sentido, Paulino foi um verdadeiro mestre, fazendo de sua vida um cruzamento de caminhos de espíritos escolhidos: de Martinho de Tours a Jerônimo, de Ambrósio a Agostinho, de Delfin de Burdeos a Niceto de Remesiana, de Vitricio de Rouen a Rufino de Aquiléia, de Pamáquio a Sulpício Severo, e muitos mais, sejam conhecidos ou não. Neste clima nascem as intensas páginas que dirigiu a Agostinho. Independentemente dos conteúdos das diferentes cartas, impressiona o ardor com o qual o santo de Nola canta a própria amizade, como manifestação do único corpo de Cristo animado pelo Espírito Santo. Esta é uma significativa passagem dos inícios da correspondência entre os dois amigos: «Não é de surpreender que nós, apesar da distância, estejamos juntos, e sem ter-nos conhecido nos conhecemos, pois somos membros de um só corpo, temos uma só cabeça, ficamos inundados por uma só graça, vivemos de um só pão, caminhamos por um caminho único, vivemos na mesma casa» (Epístola 6, 2). Como se pode ver, trata-se de uma belíssima descrição do que significa ser cristãos, ser Corpo de Cristo, viver na comunhão da Igreja. A teologia em nosso tempo encontrou precisamente no conceito de comunhão a chave para enfrentar o mistério da Igreja. O testemunho de São Paulino de Nola nos ajuda a experimentar a Igreja como o Concílio Vaticano II a apresenta: sacramento da íntima união com Deus e, deste modo, da unidade de todos nós e por último, de todo o gênero humano (cf. Lumen gentium, 1). Com esta perspectiva, eu desejo a todos vós um feliz tempo de Advento. #coração #Carmen #Advento #Cristo #mártir #acolhida #ministério #Santuário #presbítero #Teresa #Bispo #Alma #Ambrósio #Amor #Agostinho
- São Cromácio de Aquiléia
Por Papa Bento XVI Tradução: Zenit Fonte: Vaticano/Zenit Queridos irmãos e irmãs: Nas últimas catequeses, fizemos uma excursão pelas Igrejas do Oriente de língua semítica, meditando sobre Afraates, o persa, e Santo Efrém, o sírio; hoje regressamos ao mundo latino, ao norte do Império Romano, com São Cromácio de Aquiléia. Este bispo desempenhou seu ministério na antiga Igreja de Aquiléia, fervoroso centro de vida cristã situado na Décima região do Império Romano, a Venetia et Histria. No ano 388, quando Cromácio subiu à cátedra episcopal da cidade, a comunidade cristã local já havia amadurecido uma gloriosa história de fidelidade ao Evangelho. Entre a segunda metade do século III e os primeiros anos do IV, as perseguições de Décio, de Valeriano e de Diocleciano haviam colhido um grande número de mártires. A Igreja de Aquiléia também havia tido de enfrentar, como as demais Igrejas da época, a ameaça da heresia ariana. O próprio Atanásio, o arauto da Ortodoxia de Nicéia, a quem os arianos haviam expulsado ao exílio, encontrou refúgio durante um tempo em Aquiléia. Sob a guia de seus bispos, a comunidade cristã resistiu às insídias da heresia e reforçou sua adesão à fé católica. Em setembro do ano 381, Aquiléia foi sede de um sínodo, que reuniu cerca de 35 bispos da costa da África, do Vale do Rin, e de toda a Décima região. O sínodo pretendia acabar com os últimos resíduos de arianismo no Ocidente. No Concílio participou o presbítero Cromácio como perito do bispo de Aquiléia, Valeriano (370/1-387/8). Os anos em torno do sínodo do ano 381 representam a «idade de ouro» da comunidade de Aquiléia. São Jerônimo, que havia nascido em Dalmácia, junto com Rufino de Concórdia falam com nostalgia de sua permanência em Aquiléia (370-373), naquela espécie de cenáculo teológico que Jerônimo não hesita em definir como «tamquam chorus beatorum» (Crônica: PL XXVII, 697-698). Neste cenáculo, que em certos aspectos recorda as experiências comunitárias vividas por Eusébio de Vercelli e por Agostinho, conformam-se as personalidades mais notáveis das Igrejas do Alto Adriático. Mas já em sua família, Cromácio havia aprendido a conhecer e a amar Cristo. Ele nos fala dela com palavras cheias de admiração; o próprio Jerônimo compara a mãe de Cromácio com a profetiza Ana, a suas irmãs com as virgens prudentes da parábola evangélica, e o próprio Cromácio e seu irmão Eusébio com o jovem Samuel (cf. Epístola VII: PL XXII, 341). Jerônimo segue dizendo: «O beato Cromácio e o santo Eusébio eram tão irmãos de sangue como pela união de ideais» (Epístola VIII: PL XXII, 342). Cromácio havia nascido em Aquiléia no ano 345. Foi ordenado diácono e depois presbítero; por último, foi eleito pastor daquela Igreja (ano 388). Após receber a consagração episcopal do bispo Ambrósio, dedicou-se com valentia e energia a uma ingente tarefa pela extensão do campo que havia sido confiado à sua atenção pastoral: a jurisdição eclesiástica de Aquiléia, que se estendia desde os territórios da atual Suíça, Baviera, Áustria e Eslovênia, até chegar à Hungria. É possível imaginar como Cromácio era conhecido e estimado na igreja de seu tempo por um episódio da vida de São João Crisóstomo. Quando o bispo de Constantinopla foi exilado de sua sede, escreveu três cartas a quem considerava como os mais importantes bispos do ocidente para alcançar seu apoio ante os imperadores: uma carta foi escrita ao bispo de Roma, a segunda ao bispo de Milão e a terceira ao bispo de Aquiléia, ou seja, Cromácio (Epístola CLV: PG LII, 702). Também para ele eram tempos difíceis por causa da precária situação política. Com toda probabilidade, Cromácio faleceu no exílio, em Grado, enquanto tentava escapar dos saques dos bárbaros, no mesmo ano 407, no qual também morria Crisóstomo. Por prestígio e importância, Aquiléia era a quarta cidade da península italiana, e a nona do Império romano: por este motivo, chamava a atenção dos godos e dos hunos. Além de causar graves lutos e destruição, as invasões destes povos comprometeram gravemente a transmissão das obras dos Padres conservadas na biblioteca episcopal, rica em códices. Perderam-se também os escritos de Cromácio, que se dispersaram, e com freqüência foram atribuídos a outros autores: a João Crisóstomo (em parte, por causa de que seus dois nomes começavam da mesma forma: «Chromatius» como «Chrysostomus») ou a Ambrósio e a Agostinho; e inclusive a Jerônimo, a quem Cromácio havia ajudado muito na revisão do texto e na tradução latina da Bíblia. A redescoberta de grande parte da obra de Cromácio se deve a afortunadas vicissitudes, que permitiram nos anos recentes reconstruir um corpus de escritos bastante consistente: mais de quarenta sermões, dos quais uma dezena em fragmentos, além de aproximadamente sessenta tratados de comentário ao Evangelho de São Mateus. Cromácio foi um sábio mestre e zeloso pastor. Seu primeiro e principal compromisso foi o de pôr-se à escuta da Palavra para ser capaz de converter-se em seu arauto: em seu ensinamento, ele sempre se baseava na Palavra de Deus e a ela regressava sempre. Alguns temas eram predominantes nele: antes de tudo, o mistério da Trindade, que contempla em sua revelação através da história da salvação. Depois está o tema do Espírito Santo: Cromácio recorda constantemente aos fiéis a presença e a ação da terceira Pessoa da Santíssima Trindade na vida da Igreja. Mas o santo bispo enfrenta com particular insistência o mistério de Cristo. O Verbo encarnado é verdadeiro Deus e verdadeiro homem: assumiu integralmente a humanidade para entregar-lhe como dom a própria divindade. Estas verdades, repetidas com insistência, em parte em chave antiariana, levariam, cerca de cinqüenta anos depois, à definição do Concílio de Calcedônia. O fato de sublinhar intensamente a natureza humana de Cristo leva Cromácio a falar da Virgem Maria. Sua doutrina mariológica é precisa. Devemos-lhe algumas descrições sugestivas da Virgem Santíssima: Maria é a «virgem evangélica capaz de acolher Deus»; é a «ovelha imaculada» que gerou o «cordeiro coberto de púrpura» (cf. Sermo XXIII, 3: «Scrittori dell’area santambrosiana» 3/1, p. 134). O bispo de Aquiléia põe freqüentemente a Virgem em relação com a Igreja: ambas, de fato, são «virgens» e «mães». A eclesiologia de Cromácio se desenvolve sobretudo no comentário a Mateus. Estes são alguns dos conceitos repetidos: a Igreja é única, nasceu do sangue de Cristo; é um vestido precioso tecido pelo Espírito Santo; a Igreja está ali onde se anuncia que Cristo nasceu da Virgem, onde floresce a fraternidade e a concórdia. Uma imagem particularmente querida por Cromácio é a do barco no mar na tempestade – viveu em uma época de tempestades, como vimos: «Não há dúvida, afirma o santo bispo, de que esta nave representa a Igreja» (cf. Tract. XLII, 5: «Scrittori dell’area santambrosiana» 3/2, p. 260). Como zeloso pastor, Cromácio sabe falar à sua gente com uma linguagem fresca, colorida e incisiva. Sem ignorar a perfeita construção latina, prefere recorrer à linguagem popular, rica de imagens facilmente compreensíveis. Deste modo, por exemplo, usando a imagem do mar, põe em relação por uma parte a pesca natural de peixes que, deixados na margem, morrem; e por outra, a pregação evangélica, graças à qual os homens são salvos das águas da morte, e introduzidos na verdadeira vida (cf. Tract. XVI, 3: «Scrittori dell’area santambrosiana» 3/2, p. 106). Desde o ponto de vista do bom pastor, em um período difícil como o seu, flagelado pelos saques dos bárbaros, sabe pôr-se sempre ao lado dos fiéis para alentar-lhes e para abrir seu espírito à confiança em Deus, que nunca abandona a seus filhos. Recolhemos, no final, como conclusão destas reflexões, uma exortação de Cromácio que ainda hoje continua sendo válida: «Invoquemos o Senhor com todo o coração e com toda a fé – recomenda o bispo de Aquiléia em um Sermão; peçamos-lhe que nos liberte de toda incursão dos inimigos, de todo temor dos adversários. Que não leve em conta nossos méritos, mas sua misericórdia. Que nos proteja com seu acostumado amor misericordioso, e que atue através de nós o que disse São Moisés aos filhos de Israel: ‘O Senhor lutará em vossa defesa e vós ficareis em silêncio’. Quem luta é Ele e é Ele quem vence…E para que se digne fazê-lo, temos de rezar tudo o que for possível. Ele mesmo diz pelos lábios do profeta: ‘Invoca-me no dia da tribulação; eu te libertarei e tu me glorificarás’ (Sermo XVI, 4: «Scrittori dell’area santambrosiana» 3/1, pp. 100-102). Deste modo, precisamente no início do Advento, São Cromácio nos recorda que o Advento é tempo de oração, no qual é necessário entrar em contato com Deus. Deus nos conhece, Ele me conhece, conhece cada um de nós, Ele me ama, não me abandona. Sigamos adiante com esta confiança no tempo litúrgico recém-começado. #Advento #Evangelho #acolher #Sínodo #adiante #Jerônimo #Igrejas #presbítero #Cenáculo #Eusébio #epístola #Ambrósio #Amor #Ocidente #heresia #Romano #Agostinho #tradução
- Ordem que foi próxima do arcebispo Lefebvre anuncia comunhão com Roma
Os Redentoristas Transalpinos, com sede central na ilha da Escócia ROMA, segunda-feira, 14 de julho de 2008 (ZENIT.org).- O Frei Michael Mary, C.SS.R., vigário geral dos Redentoristas Transalpinos, com sede central em uma ilha escocesa, que em sua história recebeu ajuda do arcebispo Marcel Lefebvre e da fraternidade sacerdotal de São Pio X, anunciou pela internet sua comunhão com Roma. O anúncio acontece em uma carta apresentada no site da Ordem, (http://www.papastronsay.com) e publicada em seu próprio blog (http://papastronsay.blogspot.com). A ordem celebra a Eucaristia segundo o rito precedente à reforma litúrgica do Concílio Vaticano II. O anúncio explica que este passo aconteceu depois que em «18 de junho passado, diante do cardeal Darío Castrillón e dos membros da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, em Roma, eu pedira humildemente à Santa Sé, em meu nome e em nome do conselho do mosteiro, que as sanções sacerdotais fossem suspensas». «Em 26 de junho, recebi oralmente a mensagem que afirmava que a Santa Sé apoiou nossa petição. Todas as censuras canônicas foram suspensas», anuncia. «Estamos profundamente agradecidos ao nosso Santo Padre, Bento XVI, por ter publicado em julho do ano passado o Motu Proprio Summorum Pontificum, que nos convidou a uma comunhão serena com ele», afirma o vigário. «Agora temos esta serena comunhão! É uma pérola de grande valor; um tesouro escondido no campo; uma doçura que não pode ser imaginada por aqueles que não a provaram.» «Seu valor não pode ser expresso plenamente com a linguagem humana, e por esse motivo esperamos que todos os sacerdotes tradicionalistas que ainda não o fizeram, respondam ao convite do Papa Bento XVI para desfrutar da graça da serena comunhão com ele.» Pensando no futuro, segundo explica, «o próximo passo será erigir canonicamente nossa comunidade». Originalmente baseada em Joinville, França, a ordem se trasladou à ilha de Sheppey, Kent, e de maneira permanente em Papa Stronsay, pequena ilha do norte de Escócia, em 1999. Vivem no mosteiro de Golgotha e publicam «The Catholic». A ordem estabeleceu recentemente um segundo mosteiro na cidade de Christischurch, Nova Zelândia, cujo blog também divulgou o anúncio da comunhão com Roma. Sua regra se baseia na de Santo Alfonso Maria de Ligório, mas não tem laços hierárquicos com a ordem Redentorista. #SantoPadre #comunhão #BentoXVI #Roma #Fraternidade #mosteiro
- Santo Efrém da Síria
Por Papa Bento XVI Tradução: Zenit Fonte: Vaticano/Zenit Queridos irmãos: Segundo uma opinião comum hoje, o cristianismo seria uma religião européia, que teria exportado a cultura deste continente a outros países. Mas a realidade é muito mais complexa, pois a raiz da religião cristã se encontra no Antigo Testamento e, portanto, em Jerusalém e no mundo semítico. O cristianismo se alimenta sempre desta raiz do Antigo Testamento. Sua expansão nos primeiros séculos aconteceu tanto para o Ocidente como para o mundo greco-latino, onde depois inspirou a cultura Européia, como para o Oriente, até a Pérsia, Índia, ajudando deste modo a suscitar uma cultura específica, com línguas semíticas, e com uma identidade própria. Para mostrar esta multiformidade cultural da única fé cristã dos inícios, na catequese da quarta-feira passada falei de um representante deste outro cristianismo, Afraates o sábio persa, para nós quase desconhecido. Nesta mesma linha, quero falar hoje de Santo Efrém o sírio, nascido em Nisibis em torno do ano 306, no seio de uma família cristã. Foi o representante mais importante do cristianismo no idioma sírio e conseguiu conciliar de maneira única a vocação de teólogo com a de poeta. Formou-se e cresceu junto a Tiago, bispo de Nisibis (303-338), e junto a ele fundou a escola teológica de sua cidade. Ordenado diácono, viveu intensamente a vida da comunidade local até o ano 363, no qual Nisibis caiu nas mãos dos persas. Então Efrém imigrou para Edesa, onde continuou pregando. Morreu nesta cidade no ano 373, ao ser contagiado de peste em sua obra de atenção aos enfermos. Não se sabe realmente se ele era monge, mas em todo caso é certo que decidiu continuar sendo diácono durante toda a sua vida, abraçando a virgindade e a pobreza. Deste modo, no caráter específico de sua cultura, pode-se ver a comum e fundamental identidade cristã: a fé, a esperança – essa esperança que permite viver pobre e casto neste mundo, pondo toda expectativa no Senhor – e por último a caridade, até oferecer o dom de si mesmo no cuidado dos enfermos de peste. Santo Efrém nos deixou uma grande herança teológica: sua considerável produção pode reagrupar-se em quatro categorias: obras escritas em prosa (suas obras polêmicas e os comentários bíblicos); obras em prosa poética; homilias em verso; e por último, os hinos, sem dúvida a obra mais ampla de Efrém. É um autor prolífico e interessante em muitos aspectos, mas sobretudo desde o ponto de vista teológico. O caráter específico de seu trabalho consiste em unir teologia e poesia. Ao aproximar-nos de sua doutrina, temos de insistir desde o início nisso: ele faz teologia de forma poética. A poesia lhe permite aprofundar na reflexão teológica através de paradoxos e imagens. Ao mesmo tempo, sua teologia se torna liturgia, se torna música: de fato, era um grande compositor, um músico. Teologia, reflexão sobre a fé, poesia, canto, louvor a Deus, estão unidos; e precisamente por este caráter litúrgico, aparece com nitidez na teologia de Efrém a verdade divina. Na busca de Deus, ao fazer teologia, segue o caminho do paradoxo e do símbolo. Privilegia as imagens opostas, pois lhe servem para sublinhar o mistério de Deus. Agora não posso falar muito dele, em parte porque é difícil traduzir a poesia, mas para dar ao menos uma idéia de sua teologia poética, quero citar passagens de dois hinos. Antes de tudo, e frente também ao próximo Advento, eu vos proponho umas esplêndidas imagens tomadas dos hinos «Sobre a natividade de Cristo». Diante de Nossa Senhora, Efrém manifesta com inspiração sua maravilha: «O Senhor veio a ela para tornar-se servo. O Verbo veio a ela para calar em seu seio. O raio veio a ela para não fazer ruído. O pastor veio a ela, e nasceu o Cordeiro, que chora docemente. O seio de Maria trocou os papéis: quem criou tudo apoderou-se dele, mas na pobreza. O Altíssimo veio a ela (Maria), mas entrou humildemente. O esplendor veio a ela, mas vestido com roupas humildes. Quem tudo dá experimentou a fome. Quem dá de beber a todos sofreu a sede. Saiu dela nu, quem tudo reveste (de beleza)» (Himno «De Nativitate» 11, 6-8) Para expressar o mistério de Cristo, Efrém utiliza uma grande variedade de temas, de expressões, de imagens. Em um de seus hinos põe em relação Adão (no paraíso) com Cristo (na Eucaristia). «Foi fechando com a espada do querubim, até deixar fechado o caminho da árvore da vida. Mas para os povos, o Senhor desta árvore entregou-se ele mesmo como alimento, como oblação (eucarística). As árvores do Éden foram dadas como alimento ao primeiro Adão. Por nós o jardineiro do Jardim em pessoa fez-se alimento para nossas almas. De fato, todos nós havíamos saído do Paraíso junto com Adão, que o deixou às suas costas. Agora que foi retirada a espada, abaixo (na cruz) pela lança podemos regressar» (Hino 49, 9-11) Para falar da Eucaristia, Efrém utiliza duas imagens: as brasas ou o carvão ardente, e a pérola. O tema das brasas está tomado do profeta Isaías (cf. 6, 6). É a imagem do serafim, que toma as brasas e toca simplesmente os lábios do profeta para purificá-los; o cristão, pelo contrário, toca e digere as próprias Brasas, o próprio Cristo: «Em teu pão se esconde o Espírito, que não pode digerir-se; em teu vinho está o fogo, que não pode beber-se. O Espírito em teu pão, o fogo em teu vinho: esta é a maravilha acolhida por nossos lábios. O serafim não podia aproximar seus dedos das brasas, E elas só puderam aproximar-se os lábios de Isaías; nem os dedos as tomaram, nem os lábios as digeriram; mas o Senhor concedeu a nós ambas coisas. O fogo desceu com ira para destruir os pecadores, mas o fogo da graça desce sobre o pão e ali permanece. Em vez do fogo que destruiu o homem, comemos o fogo no pão e fomos salvos» (Hino «De Fide», 10, 8-10). Outro exemplo dos hinos de Santo Efrém, onde fala da pérola como símbolo da riqueza e da beleza da fé: «Coloquei (a pérola), irmãos, na palma de minha mão para poder examiná-la. Observei-a por todos os lados: tinha o mesmo aspecto desde todos os lados. Assim é a busca do Filho, inescrutável, pois é totalmente luminosa. Em sua limpidez, vi o Límpido, que não se opaca; em sua pureza, vi o símbolo do Corpo de nosso Senhor, que é puro. Em seu caráter indivisível, vi a verdade, que é indivisível» (Hino sobre a Pérola 1, 2-3). A figura de Efrém continua sendo plenamente atual para a vida de várias Igrejas cristãs. Nós o descobrimos em primeiro lugar como teólogo, que a partir da Sagrada Escritura reflete poeticamente sobre o mistério da redenção do homem realizada por Cristo, Verbo de Deus encarnado. Faz uma reflexão teológica expressa com imagens e símbolos tomados da natureza, da vida cotidiana e da Bíblia. Efrém confere à poesia e aos hinos para a Liturgia um caráter didático e catequético; trata-se de hinos teológicos e ao mesmo tempo, adequados para ser recitados no canto litúrgico. Efrém se serve destes hinos para difundir, por ocasião das festas litúrgicas, a doutrina da Igreja. Com o passar do tempo, eles se converteram em um instrumento catequético sumamente eficaz para a comunidade cristã. É importante a reflexão de Efrém sobre o tema de Deus criador: na criação não há nada isolado, e o mundo é, junto à Sagrada Escritura, uma Bíblia de Deus. Ao utilizar de maneira equivocada sua liberdade, o homem inverte a ordem do cosmos. Para Efrém, dado que não há Redenção sem Jesus, tampouco há Encarnação sem Maria. As dimensões divinas e humanas do mistério de nossa redenção se encontram nos escritos de Efrém; de maneira poética e com imagens tomadas fundamentalmente das Escrituras, ele antecipa o fundo teológico e em certo sentido a própria linguagem das grandes definições cristológicas dos Concílios do século V. Efrém, honrado pela tradição cristã com o título de «cítara do Espírito Santo», decidiu continuar sendo diácono de sua Igreja durante toda a vida. Foi uma decisão decisiva e emblemática: foi diácono, ou seja servidor, seja no ministério litúrgico, seja de maneira mais radical no amor a Cristo, cantado por ele de maneira sem par, por último na caridade aos irmãos, a quem introduziu de forma excepcional no conhecimento da Revelação divina. #Identidade #religião #cristã #Advento #Cristo #diácono #acolhida #Altíssimo #Deus #Testamento #Senhor #pobreza #antigo #Síria #Santo #Européia #Alimento #Adão #sírio #Teológica #teologia #Amor #Jesus
- «Estar em férias com Deus»: proposta para Ano Paulino
Proposta das Fraternidades Monásticas de Jerusalém Por Nieves San Martín PARIS, quinta-feira, 10 de julho de 2008 (ZENIT.org).- Passar o tempo em férias com Deus graças à internet. Aproveitando o Ano Paulino, as Fraternidades Monásticas de Jerusalém propõem em seu site uma leitura acompanhada da Carta de Paulo aos Romanos. Qualificada de difícil, a Carta merece ser relida, considera esta nova realidade eclesial surgida na França. Mas os cristãos de Roma, no século I, não eram mais teólogos que nossos contemporâneos, acrescentam. As questões que esse escrito de Paulo apresenta são essenciais e «trataremos, em dez dias, de ajudá-los a perceber toda sua atualidade e sua profundidade espiritual», indica o site http://jerusalem.cef.fr/, em francês. O itinerário está previsto para 10 dias, mas cada um pode ir a seu ritmo. Para cada dia se propõe: ler uma pequena parte da Carta (introduzida por um curto comentário); uma passagem mais curta para meditar; e uma curta oração para retomar a temática da jornada. E para quem quiser ir mais longe se propõe: dicas da «lectio divina»; um ponto «para compreender»; e um comentário bíblico. Os participantes podem consultar on-line, ou baixar e/ou imprimir tudo ou parte do itinerário, segundo seu interesse. Como complemento ao itinerário bíblico, pode-se solicitar, no mesmo site, o próximo número da revista «Sources Vives», que terá como tema «Paulo apóstolo», e com a qual se pode completar a própria ‘lectio divina’ e encontrar resposta a muitas questões. Esta oferta finaliza em 15 de julho. #Deus #eclesial #proposta #França #Nieves #Internet #Romanos #Paulo #Jerusalém #Bíblico
- Afraates da Síria
Por Papa Bento XVI Tradução: Zenit Fonte: Vaticano/Zenit Caríssimos irmãos e irmãs, Em nossa excursão ao mundo dos Padres da Igreja, irei hoje vos guiar a uma parte pouco conhecida deste universo da fé, que são os territórios nos quais floresceram as Igrejas de língua semítica, ainda não influenciadas pelo pensamento grego. Essas Igrejas se desenvolveram ao longo do século IV no Oriente Médio, desde a Terra Santa até o Líbano e a Mesopotâmia. Durante aquele século, que foi um período de formação no âmbito eclesial e literário, em tais comunidades se manifestou o fenômeno ascético-monástico com características autóctones, que não experimentaram a influência do monaquismo egípcio. Deste modo, as comunidades sírias do século IV foram uma representação do mundo semítico do qual saiu a própria Bíblia, e foram expressão de um cristianismo cuja formulação teológica ainda não havia entrado em contato com correntes culturais diversas, mas que vivia de formas de pensamento próprias. Foram Igrejas nas quais o ascetismo, sob várias formas eremíticas (eremitas no deserto, nas grutas, reclusos e estilistas), e o monaquismo, sob formas de vida comunitária, desempenharam um papel de vital importância para o desenvolvimento do pensamento teológico e espiritual. Quero apresentar este mundo através da grande figura de Afraates, conhecido também como «Sábio», um dos personagens mais importantes e, ao mesmo tempo, mais enigmáticos do cristianismo sírio do século IV. Originário da região de Nínive-Mosul, hoje Iraque, viveu na primeira metade do século IV. Temos poucas notícias sobre sua vida; de qualquer forma, ele manteve relações estreitas com os ambientes ascético-monásticos da Igreja síria, sobre a qual nos transmitiu algumas notícias em sua obra e à qual dedicou parte de sua reflexão. Segundo algumas fontes, dirigiu inclusive um mosteiro e, por último, foi ordenado bispo. Escreveu vinte e três discursos conhecidos com o nome de «Exposições» ou «Demonstrações», nos quais tratou diversos temas de vida cristã, como a fé, o amor, o jejum, a humildade, a oração, a própria vida ascética e também a relação entre judaísmo e cristianismo, entre Antigo e Novo Testamento. Escreveu com um estilo simples, com frases breves e com paralelismos às vezes contrastantes; contudo, conseguiu fazer uma reflexão coerente, com um desenvolvimento bem articulado dos vários temas que enfrentou. Afraates era originário de uma comunidade eclesial que se encontrava na fronteira entre o judaísmo e o cristianismo. Era uma comunidade muito unida à Igreja de Jerusalém, e seus bispos eram eleitos tradicionalmente dentre os assim chamados «familiares» de Tiago, o «irmão do Senhor» (cf. Marcos 6, 3), ou seja, eram pessoas com vínculos de sangue e de fé com a Igreja jerosolimita. A língua de Afraates era o sírio, portanto, uma língua semítica como o hebraico do Antigo Testamento e o aramaico falado pelo próprio Jesus. A comunidade eclesial na qual Afraates viveu era uma comunidade que procurava permanecer fiel à tradição judaico-cristã, da qual se sentia filha. Por isso, mantinha uma relação estreita com o mundo judaico e com seus livros sagrados. Afraates se definia significativamente como «discípulo da Sagrada Escritura» do Antigo e do Novo Testamento («Exposição» 22, 26), que considerava sua única fonte de inspiração, recorrendo a ela tão freqüentemente até o ponto de convertê-la no centro de sua reflexão. Os argumentos que Afraates desenvolveu em suas «Exposições» são variados. Fiel à tradição síria, apresentou com freqüência a salvação realizada por Cristo como uma cura e, por conseguinte, o próprio Cristo como o médico. No entanto, considera o pecado como uma ferida, que só a penitência pode sanar: «Um homem que foi ferido em batalha – dizia Afraates –, não se envergonha de colocar-se nas mãos de um médico sábio (…); do mesmo modo, quem foi ferido por Satanás não deve envergonhar-se de reconhecer sua culpa e afastar-se dela, pedindo o remédio da penitência» («Exposição» 7, 3). Outro aspecto importante da obra de Afraates é seu ensinamento sobre a oração e, em especial, sobre Cristo como mestre de oração. O cristão reza seguindo o ensinamento de Jesus e seu exemplo orante: «Nosso Salvador ensinou a rezar dizendo assim: ‘Ora no segredo a quem está escondido, mas vê tudo’; e também: ‘Entra em teu quarto e ora a teu Pai, que está no segredo, e teu Pai, que vê no segredo, te recompensará’ (Mateus 6, 6) (…). O que nosso Salvador quer mostrar é que Deus conhece os desejos e os pensamentos do coração» («Exposição», 4, 10). Para Afraates, a vida cristã se centraliza na imitação de Cristo, em tomar seu jugo e em segui-lo pelo caminho do Evangelho. Uma das virtudes mais convenientes para o discípulo de Cristo é a humildade. Não é um aspecto secundário da vida espiritual do cristão: a natureza do homem é humilde, e Deus a eleva à sua própria glória. A humildade – observou Afraates – não é um valor negativo: «Se a raiz do homem está plantada na terra, seus frutos crescem ante o Senhor da grandeza» («Exposição» 9, 14). Sendo humilde, inclusive na realidade terrena que vive, o cristão pode entrar em relação com o Senhor. «O humilde é humilde, mas seu coração se eleva a alturas excelsas. Os olhos de seu rosto observam a terra e os olhos de sua mente, a altura excelsa» («Exposição» 9, 2). A visão do homem e de sua realidade corporal que Afraates tinha é muito positiva: o corpo humano, seguindo o exemplo de Cristo humilde, está chamado à beleza, à alegria e à luz: «Deus se aproxima do homem que ama, e é justo amar a humildade e permanecer na condição de humilde. Os humildes são simples, pacientes, amados, íntegros, retos, especialistas no bem, prudentes, serenos, sábios, tranqüilos, pacíficos, misericordiosos, dispostos a converter-se, benévolos, profundos, ponderados, maravilhosos e desejáveis» («Exposição» 9, 14). Em Afraates, a vida cristã se apresenta com freqüência com uma clara dimensão ascética e espiritual: a fé é sua base, seu fundamento; transforma o homem em um templo onde habita o próprio Cristo. Assim, pois, a fé torna possível uma caridade sincera, que se expressa no amor a Deus e ao próximo. Outro aspecto importante em Afraates é o jejum, que ele interpretava em sentido amplo. Falava do jejum do alimento como uma prática necessária para ser caridoso e virgem, do jejum constituído pela continência visando à santidade, do jejum das palavras vãs ou detestáveis, do jejum da cólera, do jejum da propriedade dos bens visando ao ministério, e do jejum do sono para dedicar-se à oração. Queridos irmãos e irmãs, voltemos mais uma vez – para concluir – ao ensinamento de Afraates sobre a oração. Segundo este antigo «Sábio», a oração se realiza quando Cristo habita no coração do cristão, e o convida a um compromisso coerente de caridade com o próximo. Com efeito, ele escreveu: «Consola os aflitos, visita os enfermos, sê solicito com os pobres: esta é a oração. A oração é boa, e suas obras são maravilhosas. A oração é aceita quando consola o próximo. A oração é escutada quando nela se encontra também o perdão das ofensas. A oração é forte quando está cheia da força de Deus» («Exposição» 4, 14-16). Com estas palavras, Afraates nos convida a uma oração que se converte em vida cristã, em vida realizada, em vida impregnada de fé, de abertura a Deus e, assim, de amor ao próximo. #cristã #Cristo #Originário #Testamento #pensamento #Síria #Igrejas #semítica #Alimento #humildade #língua #sírio #reflexão #AfraatesdaSíria #Amor #alegria #monaquismo #Sábio #Jesus
- São Jerônimo de Stridone
Por Papa Bento XVI Tradução: Zenit Fonte: Vaticano/Zenit Caros irmãos e irmãs! Hoje, centraremos nossa atenção em São Jerônimo, um Padre da Igreja que colocou a Bíblia no centro de sua vida: traduziu-a para a língua latina, comentou-a em sua obra e sobretudo se empenhou em vivê-la concretamente em sua longa existência terrena, não obstante o notável caráter difícil e caloroso que recebeu da natureza. Jerônimo nasceu em Stridone em 347, de uma família cristã, que lhe assegurou uma formação apurada, enviando-o a Roma para aperfeiçoar seus estudos. Quando jovem, sentiu a atração pela vida mundana (cf. Ep. 22,7), mas prevaleceu nele o desejo e o interesse pela religião cristã. Recebeu o batismo em 366, orientou-se à vida ascética e foi viver em Aquiléia, inserindo-se num grupo de fervorosos cristãos, por ele definido quase como «um coro de beatos» (Chron. ad ann. 374) reunido em torno do Bispo Valeriano. Partiu depois para o Oriente e viveu como eremita no deserto de Calcide, ao sul de Aleppo (cf. Ep. 14, 10), dedicando-se seriamente aos estudos. Aperfeiçoou seu conhecimento do grego, iniciou o estudo do hebraico (cf. Ep. 125, 12), transcreveu códigos e obras patrísticas (cf. Ep. 5, 2). A meditação, a solidão, o contato com a Palavra de Deus fizeram-no amadurecer sua sensibilidade cristã. Sentiu fortemente o peso das transgressões juvenis (cf. Ep. 22, 7) e experimentou vivamente o contraste entre a mentalidade pagã e a vida cristã: um contraste que ficou famoso pela dramática e vivaz «visão», da qual ele nos deixou o relato. Nela, pareceu-lhe ser flagelado na presença de Deus, porque era «ciceroniano e não cristão» (cf. Ep. 22, 30). Em 382 transferiu-se a Roma: aqui, o Papa Damaso, conhecendo sua fama de asceta e sua competência de estudioso, nomeou-o secretário e conselheiro; encorajou-o a empreender uma nova tradução latina dos textos bíblicos por motivos pastorais e culturais. Algumas pessoas da aristocracia romana, sobretudo nobres mulheres como Paola, Marcella, Asella, Lea e outras, desejando empenharem-se no caminho da perfeição cristã e de aprofundar seu conhecimento da Palavra de Deus, escolheram-no como seu guia espiritual e mestre na aproximação metódica dos textos sacros. Estas nobres mulheres aprenderam também o grego e o hebraico. Depois da morte do Papa Damaso, Jerônimo deixou Roma em 385 e lançou-se em peregrinação, primeiramente à Terra Santa, silenciosa testemunha da vida terrena de Cristo, depois para o Egito, terra de escolha de muitos monges (cf. Contra Rufinum 3, 22; Ep. 108, 6-14). Em 386 firmou-se em Belém, onde, pela generosidade da Sra. Paola, foram construídos um mosteiro masculino, um feminino e uma hospedaria para os peregrinos que viajavam à Terra Santa, «pensando que Maria e José não tinham encontrado acolhida» (Ep. 108, 14). Ele ficou em Belém até a morte, e continuou desenvolvendo uma intensa atividade: comentou a Palavra de Deus; defendeu a fé, opondo-se vigorosamente a várias heresias; exortou os monges à perfeição; lecionou cultura clássica e cristã a jovens; acolheu com ânimo pastoral os peregrinos que visitavam a Terra Santa. Faleceu em sua cela, junto à gruta da Natividade, em 30 de setembro de 419/420. A preparação literária e a vasta erudição permitiram a Jerônimo a revisão e a tradução de muitos textos bíblicos: um belíssimo trabalho para a Igreja e para a cultura ocidental. Com base nos textos originais em grego e em hebraico, e graças ao confronto com versões precedentes, ele fez a revisão dos quatro Evangelhos em língua latina, depois do Saltério e de grande parte do Antigo Testamento. Levando em conta o original hebraico e grego, dos Setenta, a clássica versão grega do Antigo Testamento que remonta a tempos antes do cristianismo, e das precedentes versões latinas, Jerônimo, ajudado por outros colaboradores, pôde oferecer uma tradução melhor: essa constitui a assim chamada «Vulgata», o texto «oficial» da Igreja latina, que foi reconhecido como tal pelo Concílio de Trento e que, depois da recente revisão, permanece sendo o texto «oficial» da Igreja de língua latina. É interessante comprovar os critérios aos quais o grande biblista se ateve em sua obra de tradutor. Ele mesmo revela isso quando afirma respeitar até mesmo a ordem das palavras da Sagrada Escritura, pois nela, diz, «até a ordem das palavras é um mistério» (Ep. 57, 5), isto é, uma revelação. Confirma também a necessidade de recorrer aos textos originais: «No caso de surgir uma discussão entre os Latinos sobre o Novo Testamento, pela leitura discordante dos manuscritos, recorríamos ao original, isto é, ao texto grego, no qual foi escrito o Novo Pacto. Da mesma forma, para o Antigo Testamento, se havia divergências entre os textos gregos e latinos, íamos ao texto original, em hebraico; assim, tudo aquilo que surge da fonte, podemos encontrar nos riachos» (Ep. 106, 2). Jerônimo, por outro lado, comentou também muitos textos bíblicos. Para ele, os comentários devem oferecer múltiplas opiniões, «de forma que o leitor prudente, depois de ter lido as diversas explicações e de ter conhecido múltiplos pareceres – que tem de aceitar ou rejeitar –, julgue qual é o melhor e, como um especialista agente de câmbio, rejeite a moeda falsa» (Contra Rufinum 1, 16). Ele combateu com energia e vivacidade os hereges que não aceitavam a tradição e a fé da Igreja. Demonstrou também a importância e a validez da literatura cristã, convertida em uma autêntica cultura que, para então, já era digna de ser confrontada com a clássica; ele o fez redigindo «De viris illustribus», uma obra na qual Jerônimo apresenta as biografias de mais de cem autores cristãos. Ele escreveu biografias de monges, ilustrando, junto a outros itinerários espirituais, o ideal monástico; além disso, traduziu várias obras de autores gregos. Por último, no importante Epistolário, autêntica obra-prima da literatura latina, Jerônimo se destaca por suas características de homem culto, asceta e guia das almas. O que podemos aprender de São Jerônimo? Sobretudo, penso o seguinte: amar a Palavra de Deus na Sagrada Escritura. São Jerônimo diz: «Ignorar as escrituras é ignorar Cristo». Por isso, é importante que todo cristão viva em contato e em diálogo pessoal com a Palavra de Deus, que nos é entregue na Sagrada Escritura. Este diálogo com ela deve ter sempre duas dimensões: por um lado, deve haver um diálogo realmente pessoal, pois Deus fala com cada um de nós através da Sagrada Escritura e tem uma mensagem para cada um. Não temos de ler a Sagrada Escritura como uma palavra do passado, mas como Palavra de Deus que é dirigida também a nós, e procurar entender o que o Senhor quer nos dizer. Mas para não cair no individualismo, temos de ter presente que a Palavra de Deus nos é dada precisamente para construir comunhão, para unir-nos na verdade de nosso caminho rumo a Deus. Portanto, apesar de que sempre é uma Palavra pessoal, é também uma Palavra que edifica a comunidade, que edifica a Igreja. Por isso, temos de lê-la em comunhão com a Igreja viva. O lugar privilegiado da leitura e da escuta da Palavra de Deus é a liturgia, na qual, ao celebrar a Palavra e ao tornar presente o Sacramento do Corpo de Cristo, atualizamos a Palavra em nossa vida e a fazemos presente entre nós. Não podemos esquecer jamais que a Palavra de Deus transcende os tempos. As opiniões humanas chegam e vão embora. O que hoje é moderníssimo, amanhã será velhíssimo. A Palavra de Deus, pelo contrário, é Palavra de vida eterna, tem em si a eternidade, o que vale para sempre. Ao levar em nós a Palavra de Deus, levamos, portanto, a vida eterna. Concluo com uma frase dirigida por São Jerônimo a São Paulino de Nola. Nela, o grande exegeta expressa precisamente esta realidade, ou seja, na Palavra de Deus recebemos a eternidade, a vida eterna. São Jerônimo diz: «Procuremos aprender na terra essas verdades cuja consistência permanecerá também no tempo» (Epístola 53, 10). ENSINAMENTOS Ele dedicou sua vida ao estudo da Bíblia, até o ponto de que foi reconhecido por meu predecessor, o Papa Bento XV, como «eminente doutor na interpretação das Sagradas Escrituras». Jerônimo sublinhava a alegria e a importância de familiarizar-se com os textos bíblicos: «Não te parece que estás – já aqui, na terra – no reino dos céus, quando se vive entre estes textos, quando se medita neles, quando não se busca outra coisa? (Epístola 53, 10). Na realidade, dialogar com Deus, com sua Palavra, é em um certo sentido presença do Céu, ou seja, presença de Deus. Aproximar-se dos textos bíblicos, sobretudo do Novo Testamento, é essencial para o crente, pois ignorar a Escritura é ignorar a Cristo». É sua esta famosa frase, citada pelo Concílio Vaticano II na constituição «Dei Verbum» (n. 25). «Enamorado» verdadeiramente da Palavra de Deus, ele se perguntava: «Como é possível viver sem a ciência das Escrituras, através das quais se aprende a conhecer o próprio Cristo, que é a vida dos crentes?» (Epístola 30, 7). A Bíblia, instrumento «com o qual cada dia Deus fala aos fiéis» (Epístola 133, 13), converte-se deste modo em estímulo e manancial da vida cristã para todas as situações e para toda pessoa. Ler a Escritura é conversar com Deus: «Se rezas – escreve a uma jovem nobre de Roma – falas com o Esposo; se lês, é Ele quem te fala» (Epístola 22, 25). O estudo e a meditação da Escritura tornam o homem sábio e sereno (cf. «In Eph.», prólogo). Certamente, para penetrar de uma maneira cada vez mais profunda na Palavra de Deus se precisa de uma aplicação constante e progressiva. Por este motivo, Jerônimo recomendava ao sacerdote Nepociano: «Ler com muita freqüência as divinas Escrituras; e mais, que o Livro não caia nunca de tuas mãos. Aprende nele o que tens de ensinar» (Epístola 52, 7). À matrona romana, Leta, ele dava estes conselhos para a educação cristã de sua filha: «Assegura-te de que estude todos os dias alguma passagem da Escritura. Que acompanhe a oração com a leitura e a leitura com a oração… Que ame os Livros divinos em vez das jóias e os vestidos de seda» (Epístolas 107, 9.12). Com a meditação e a ciência das Escrituras se «mantém o equilíbrio da alma» («Ad Eph.», prol.). Só um profundo espírito de oração e a ajuda do Espírito Santo podem introduzir-nos na compreensão da Bíblia: «Ao interpretar a Sagrada Escritura, sempre temos necessidade da ajuda do Espírito Santo» («In Mich.», 1, 1, 10, 15). Um amor apaixonado pelas Escrituras caracterizou portanto toda a vida de Jerônimo, um amor que ele sempre procurou suscitar nos fiéis. Recomendava a uma de suas filhas espirituais: «Ama a Sagrada Escritura e a sabedoria te amará; ama-a ternamente, e te custodiará, honra-a e receberás suas carícias. Que seja para ti como teus colares e teus brincos» (Epístola 130, 20). E acrescentava: «Ama a ciência da Escritura, e não amarás os vícios da carne» (Epístola 125, 11). Para Jerônimo, um critério metodológico fundamental na interpretação das Escrituras era a sintonia com o magistério da Igreja. Por nós mesmos, nunca podemos ler a Escritura. Encontramos demasiadas portas fechadas e caímos em erros. A Bíblia foi escrita pelo Povo de Deus e para o Povo de Deus, sob a inspiração do Espírito Santo. Só nesta comunhão com o Povo de Deus podemos entrar realmente com o «nós» no núcleo da verdade que o próprio Deus nos quer comunicar. Para ele, uma autêntica interpretação da Bíblia tinha de estar sempre em harmonia com a fé da Igreja Católica. Não se trata de uma exigência imposta a este livro desde o exterior; o Livro é precisamente a voz do Povo de Deus que peregrina e só na fé deste Povo podemos estar, por assim dizer, no tom adequado para compreender a Sagrada Escritura. Por este motivo, Jerônimo alentava: «Permanece firmemente unido à doutrina da tradição que te foi ensinada para que possas exortar segundo a sã doutrina e refutar quem a contradiz» (Epístola 52, 7). Em particular, dado que Jesus Cristo fundou sua Igreja sobre Pedro, todo cristão, concluía, deve estar em comunhão «com a Cátedra de São Pedro. Eu sei que sobre esta pedra está edificada a Igreja» (Epístola 15, 2). Portanto, com clareza, declarava: «Estou com quem estiver unido à Cátedra de São Pedro» (Epístola 16). Jerônimo não descuida do aspecto ético. Com freqüência reafirma o dever de recordar a vida com a Palavra divina. Uma coerência indispensável para todo cristão e particularmente para o pregador, a fim de que suas ações não contradigam seus discursos. Assim, exorta ao sacerdote Nepociano: «Que tuas ações não desmintam tuas palavras, para que não suceda que, quando pregues na Igreja, alguém em sua intimidade comente: ‘Por que então tu não ages assim?’ Curioso mestre o que, com o estômago cheio, se pôr a pronunciar discursos sobre o jejum; inclusive um ladrão pode criticar a avareza; mas no sacerdote de Cristo, a mente e a palavra devem estar de acordo» (Epístola 52, 7). Em outra carta, Jerônimo confirma: «Ainda que tenha uma esplêndida doutrina, é vergonhosa a pessoa que se sente condenada pela própria consciência» (Epístola 127, 4). Falando da coerência, observa: o Evangelho deve traduzir-se em atitudes de autêntica caridade, pois em todo ser humano está presente a Pessoa do próprio Cristo. Dirigindo-se, por exemplo, ao presbítero Paulino, que depois chegou a ser bispo de Nola e santo, Jerônimo dá este conselho: «O verdadeiro templo de Cristo é a alma do fiel: adorna este santuário, embeleza-o, deposita nele tuas oferendas e recebe Cristo. Que sentido tem decorar as paredes com pedras preciosas se Cristo morre de fome na pessoa de um pobre?» (Epístola 58, 7). Jerônimo concretiza: é necessário «vestir Cristo nos pobres, visitá-lo nos que sofrem, dar-lhe de comer nos famintos, abrigá-lo nos que não têm um teto» (Epístola 130, 14). O amor por Cristo, alimentado com o estudo e a meditação, nos permite superar toda dificuldade: «Se nós amamos Jesus Cristo e buscamos sempre a união com Ele, o que é difícil nos parecerá fácil» (Epístola 22, 40). Jerônimo, definido por Próspero de Aquitânia como «modelo de conduta e mestre do gênero humano» («Carmen de ingratis», 57), deixou-nos também um ensinamento rico e variado sobre o ascetismo cristão. Recorda que um valente compromisso pela perfeição requer uma constante vigilância, freqüentes mortificações, ainda que com moderação e prudência, um assíduo trabalho intelectual ou manual para evitar o ócio (cf. Epístolas 125, 11 e 130, 15), e sobretudo a obediência a Deus: «Não há nada que agrade tanto a Deus como a obediência…, que é a mais excelsa das virtudes» («Hom. de oboedientia»: CCL 78, 552). Do caminho ascético podem também fazer parte as peregrinações. Em particular, Jerônimo as impulsionou à Terra Santa, onde os peregrinos eram acolhidos e hospedados em edifícios surgidos junto ao mosteiro de Belém, graças à generosidade da mulher nobre Paula, filha espiritual de Jerônimo (cf. Epístola 108, 14). Não se deve esquecer, por último, a contribuição oferecida por Jerônimo à pedagogia cristã (cf. Epístolas 107 e 128). Propõe-se formar «uma alma que tem de converter-se em templo do Senhor» (Epístola 107, 4), uma «jóia preciosíssima» aos olhos de Deus (Epístola 107, 13). Com profunda intuição, aconselha preservá-la do mal e das ocasiões de pecado, evitar as amizades equívocas ou que dissipam (cf. Epístola 107, 4 e 8-9; cf. Também Epístola 128, 3-4). Exorta sobretudo aos pais a criar um ambiente de serenidade e de alegria ao redor dos filhos, para que lhes estimulem no estudo e no trabalho, e lhes ajudem com o elogio (cf. Epístolas 107, 4 e 128, 1) a superar as dificuldades, favorecendo neles os bons costumes e preservando-lhes dos maus porque – diz, citando uma frase de Publilio Siro que havia escutado na escola – «dificilmente conseguirás corrigir-te das coisas às que te vais acostumando tranqüilamente» (Epístola 107, 8). Os pais são os principais educadores dos filhos, os mestres da vida. Com muita clareza, Jerônimo, dirigindo-se à mãe de uma moça e depois ao pai, adverte, como expressando uma exigência fundamental de toda criatura humana que se chega à existência: «Que ela encontre em ti a sua mestra e que sua adolescência se oriente para ti maravilhada. Que nunca veja em ti nem em seu pai atitudes que a levem ao pecado. Recordai que podeis educá-la mais com o exemplo que com a palavra» (Epístola 107, 9). Entre as principais intuições de Jerônimo como pedagogo, é preciso sublinhar a importância atribuída a uma sã e integral educação desde a primeira infância, a peculiar responsabilidade atribuída aos pais, a urgência de uma formação moral religiosa, a exigência do estudo para conseguir uma formação humana mais completa. Também há um aspecto bastante descuidado nos tempos antigos, mas que era considerado vital por nosso autor: a promoção da mulher, a quem reconhece o direito a uma formação completa: humana, acadêmica, religiosa, profissional. E precisamente hoje vemos como a educação da personalidade em sua integridade, a educação na responsabilidade ante Deus e ante os homens, é a autêntica condição de todo progresso, de toda paz, de toda reconciliação e de toda exclusão da violência. Educação ante Deus e ante o homem: a Sagrada Escritura nos oferece a guia da educação e, portanto, do autêntico humanismo. Não podemos concluir estas rápidas observações sobre este grande padre da Igreja sem mencionar a eficaz contribuição que ofereceu à salvaguarda de elementos positivos e válidos da antiga cultura judaica, grega e romana na nascente civilização cristã. Jerônimo reconheceu e assimilou os valores artísticos, a riqueza dos sentimentos e a harmonia das imagens presentes nos clássicos, que educam o coração e a fantasia nos nobres sentimentos. Sobretudo, pôs no centro de sua vida e de sua atividade a Palavra de Deus, que indica ao homem os caminhos da vida, e lhe revela os segredos da santidade. Por tudo isso, precisamente em nossos dias, podemos sentir-nos profundamente agradecidos a São Jerônimo. #livro #Sagrada #Cristo #acolhida #Amarás #Escritura #Deus #Escrituras #adolescência #Espírito #oração #Bíblia #epístola #SãoJerônimo #interpretação #Alma #Amor #alegria #Jesus #diálogo #adverte #Palavra
- São Máximo de Turim
Por Papa Bento XVI Tradução: Zenit Fonte: Vaticano/Zenit Queridos irmãos e irmãs: Entre o final do século IV e começo do V, outro Padre da Igreja, depois de Santo Ambrósio, contribuiu decididamente para a difusão e a consolidação do cristianismo na Itália do norte: trata-se de São Máximo, que era bispo de Turim no ano 398, um ano depois da morte de Ambrósio. Restam-nos poucas notícias dele; recentemente, recebemos uma coleção de aproximadamente noventa «Sermões». Neles se pode constatar a profunda e vital união do bispo com sua cidade, que testifica um ponto evidente de contato entre o ministério episcopal de Ambrósio e o de Máximo. Naquele tempo, graves tensões turbavam a convivência civil. Máximo, neste contexto, conseguiu unir o povo cristão em torno de sua pessoa de pastor e mestre. A cidade estava ameaçada por grupos de bárbaros que, ao penetrar pelas entradas orientais, avançavam até os Alpes ocidentais. Por este motivo, Turim estava constantemente rodeada de guarnições militares, e se converteu, nos momentos críticos, em refúgio para as populações que fugiam do campo e dos centros urbanos sem proteção. As intervenções de Máximo perante esta situação testemunham o compromisso de reagir ante a degradação civil e a desagregação. Ainda que seja difícil determinar a composição social dos destinatários dos «Sermões», parece que a pregação de Máximo, para superar o risco de ser genérica, dirigia-se especificamente a um núcleo selecionado da comunidade cristã de Turim, constituído por ricos proprietários de terras, que tinham suas fazendas no campo e a casa na cidade. Foi uma lúcida decisão pastoral do bispo, que concebeu esta pregação como o caminho mais eficaz para manter e reforçar seus laços com o povo. Para ilustrar, nesta perspectiva, o ministério de Máximo em sua cidade, quero apresentar como exemplo os «Sermões» 17 e 18, dedicados a um tema sempre atual, o da riqueza e da pobreza nas comunidades cristãs. Também neste sentido se davam agudas tensões na cidade. Acumulavam e ocultavam riquezas. «Não se pensa nas necessidades do outro», constatava amargamente o bispo em seu «Sermão» número 17. «De fato, muitos cristãos não só não distribuem o que têm, mas roubam dos demais. Não só não levam aos pés dos apóstolos o que recolheram, mas também afastam dos pés dos sacerdotes os irmãos que buscam ajuda». E conclui: «Em nossa cidade há muitos hóspedes e peregrinos. Fazei o que prometestes» aderindo à fé, «para que não se diga também de vós o que se disse de Ananias: ‘Não mentistes aos homens, mas a Deus’». («Sermão» 17, 2-3) No «Sermão» sucessivo, número 18, Máximo critica as formas comuns de depredação das desgraças dos demais. «Dize-me, cristão, exorta o bispo a seus fiéis, dize-me por que tomaste a presa abandonada pelos predadores? Por que introduziste em tua casa um ‘lucro’ depredado e contaminado?». «Mas, acrescenta, talvez dizes que o compraste e por isso achas que evitas assim a acusação de avareza. Mas deste modo não há relação entre o que se compra e o que se vende. Comprar é algo bom, mas em tempo de paz, quando se vende com liberdade, e não quando se vende o que foi roubado… Comporta-te, portanto, como cristão e como cidadão que compra para devolver» («Sermão» 18, 3). Sem mostrar muito, Máximo pregou uma relação profunda entre os deveres do cristão e os do cidadão. Para ele, viver a vida cristã significa também assumir os compromissos civis. Pelo contrário, o cristão que, «apesar de que pode viver com seu trabalho, pega a presa do outro com o furor das feras» ou «ataca seu vizinho, cada dia buscando parte de seus bens, tomando posse de seus produtos», não lhe parece nem sequer semelhante à raposa que degola as galinhas, mas ao lobo que se lança contra os porcos («Sermão» 41, 4). Pelo que se refere à prudente atitude de defesa assumida por Ambrósio para justificar sua famosa iniciativa de resgatar os prisioneiros de guerra, podemos ver com clareza as mudanças históricas que aconteceram na relação entre o bispo e as instituições cidadãs. Contando já com o apoio de uma legislação que pedia aos cristãos que redimissem os prisioneiros, Máximo, ante a queda das autoridades civis do Império Romano, sentia-se plenamente autorizado para exercer nesse sentido um autêntico poder de controle sobre a cidade. Este poder se tornaria depois cada vez mais amplo e eficaz, até chegar a suprir a ausência de magistrados e das instituições civis. Neste contexto, Máximo não só se dedica a estimular nos fiéis o amor tradicional à pátria cidadã, mas proclama também o preciso dever de enfrentar os gastos fiscais, por mais pesados e desagradáveis que pareçam («Sermão 26, 2). Em definitivo, o tom e a essência dos «Sermões» implicam uma maior consciência da responsabilidade política do bispo nas específicas circunstâncias históricas. É a «atalaia» da cidade. Acaso não são estas atalaias, pergunta-se Máximo no «Sermão» 92, «os beatíssimos bispos que, colocados, por assim dizer, em uma rocha elevada de sabedoria para a defesa dos povos, vêem desde longe os males que chegam?». E no «Sermão» 89, o bispo de Turim ilustra aos fiéis suas tarefas, servindo-se de uma comparação singular entre a função episcopal e a das abelhas: «Como a abelha, diz, os bispos observam a castidade do corpo, oferecem o alimento da vida celestial, utilizam o ferrão da lei. São puros para santificar, doces para reconfortar, severos para castigar». Deste modo, São Máximo descreve a tarefa do bispo em sua época. Em definitivo, a análise histórica e literária demonstra uma consciência cada vez maior da responsabilidade política da autoridade eclesiástica, em um contexto no qual ela estava substituindo de fato a civil. É o desenvolvimento do ministério do bispo no ocidente da Itália, a partir de Eusébio, que «como um monge», vivia em sua cidade de Vercelli, até Máximo de Turim, que «com uma sentinela», encontrava-se na rocha mais elevada da cidade. É evidente que o contexto histórico, cultural e social hoje é profundamente diferente. O atual contexto é mais o descrito por meu venerado predecessor, o Papa João Paulo II, na exortação pós sinodal «Ecclesia in Europa», na qual oferece uma articulada análise dos desafios e dos sinais de esperança para a Igreja na Europa hoje (6-22). Em todo caso, independentemente da mudança de circunstâncias, continuam sendo válidas as obrigações do crente ante sua cidade e sua pátria. A íntima relação entre o «cidadão honesto» e o «bom cristão» segue totalmente vigente. Para concluir, quero recordar o que diz a constituição pastoral «Gaudium et spes» para esclarecer um dos aspectos mais importantes da unidade de vida do cristão: a coerência entre a fé e o comportamento, entre Evangelho e cultura. O Concílio exorta os fiéis «a que procurem cumprir fielmente os seus deveres terrenos, guiados pelo espírito do Evangelho. Afastam-se da verdade os que, sabendo que não temos aqui na terra uma cidade permanente, mas que vamos em demanda da futura, pensam que podem por isso descuidar os seus deveres terrenos, sem atenderem a que a própria fé ainda os obriga mais a cumpri-los, segundo a vocação própria de cada um» (n. 43). Seguindo o magistério de São Máximo e de outros muitos Padres, façamos nosso o desejo do Concílio; que haja cada vez mais fiéis que queiram «exercer todas as suas atividades temporais fazendo uma síntese vital do esforço humano, familiar, profissional, científico ou técnico, com os valores religiosos, sob cuja altíssima hierarquia tudo coopera para a glória de Deus» (ibidem) e, dessa forma, ao bem da humanidade. #cristão #Sermão #pregação #ministério #Máximo #Padre #Santo #Alimento #Turim #acusação #Igreja #Ambrósio #Amor
- Santo Ambrósio de Milão
Por Papa Bento XVI Tradução: Zenit Fonte: Vaticano/Zenit Queridos irmãos e irmãs: O santo bispo Ambrósio, de quem vos falarei hoje, faleceu em Milão na noite entre os dias 3 e 4 de abril do ano 397. Era o amanhecer do sábado santo. No dia anterior, por volta das 17h, ele estava rezando, prostrado no leito, com os braços abertos em forma de cruz. Deste modo, participava do solene tríduo pascal, da morte e da ressurreição do Senhor. «Nós víamos que seus lábios se mexiam, testifica Paulino, o diácono fiel que por convite de Agostinho escreveu sua ‘Vida’, mas não escutávamos sua voz». De repente, parecia que a situação chegava a seu fim. Honorato, bispo de Vercelli, que estava ajudando Ambrósio e que dormia no andar superior, acordou ao escutar uma voz que lhe repetia: «Levanta-te logo! Ambrósio está a ponto de morrer…». Honorato desceu imediatamente – continua contando Paulino – «e lhe ofereceu o santo Corpo do Senhor. Ao acabar de recebê-lo, Ambrósio entregou o espírito, levando consigo o viático. Deste modo, sua alma, alimentada pela virtude desse alimento, goza agora da companhia dos anjos» («Vida» 47). Naquela sexta-feira santa do ano 297, os braços abertos de Ambrósio moribundo expressavam sua participação mística na morte e ressurreição do Senhor. Era sua última catequese: no silêncio das palavras, continuava falando com o testemunho da vida. Ambrósio não era idoso quando faleceu. Não tinha nem sequer sessenta anos, pois nasceu por volta do ano 340 em Tréveris, onde seu pai era prefeito das Gálias. A família era cristã. Quando seu pai faleceu, sua mãe o levou a Roma, sendo ainda um menino, e lhe preparou para a carreira civil, dando-lhe uma sólida educação retórica e jurídica. Por volta do ano 370, propuseram-lhe governar as províncias de Emilia e Ligúria, com sede em Milão. Precisamente lá estava a luta entre ortodoxos e arianos, sobretudo depois da morte do bispo ariano Ausêncio. Ambrósio interveio para pacificar os espíritos das duas facções enfrentadas, e sua autoridade foi tal que, apesar de que não era mais que um simples catecúmeno, foi proclamado bispo de Milão pelo povo. Até esse momento, Ambrósio era o mais alto magistrado do Império na Itália do norte. Sumamente preparado culturalmente, mas desprovido do conhecimento das Escrituras, o novo bispo dedicou-se a estudá-las com fervor. Aprendeu a conhecer e a comentar a Bíblia através das obras de Orígenes, o indiscutível mestre da «escola de Alexandria». Deste modo, Ambrósio levou ao ambiente latino a meditação das Escrituras começadas por Orígenes, começando no Ocidente a prática da «lectio divina». O método da «lectio» chegou a guiar toda a pregação e os escritos de Ambrósio, que surgem precisamente da escuta orante da Palavra de Deus. Um célebre início de uma catequese ambrosiana mostra egregiamente a maneira em que o santo bispo aplicava o Antigo Testamento à vida cristã: «Quando lemos as histórias dos Patriarcas e as máximas dos Provérbios, enfrentamos cada dia a moral – diz o bispo de Milão a seus catecúmenos e aos neófitos – para que, formados por eles, vos acostumeis a entrar na vida dos Padres e a seguir o caminho da obediência aos preceitos divinos» («Os mistérios» 1, 1). Em outras palavras, os neófitos e os catecúmenos, segundo o bispo, após ter aprendido a arte de viver moralmente, podiam considerar-se que já estavam preparados para os grandes mistérios de Cristo. Deste modo, a pregação de Ambrósio, que representa o coração de sua ingente obra literária, parte da leitura dos livros sagrados («os Patriarcas», ou seja, os livros históricos, e «os Provérbios», ou seja, os livros sapienciais), para viver segundo a Revelação divina. É evidente que o testamento pessoal do pregador e a exemplaridade da comunidade cristã condiciona a eficácia da pregação. Desde este ponto de vista, é significativa uma passagem das «Confissões» de Santo Agostinho. Ele havia ido a Milão como professor de retórica; era cético, não cristão. Estava buscando, mas não era capaz de encontrar realmente a verdade cristã. Ao jovem retórico africano, cético e desesperado, não lhe moveram a converter-se definitivamente as belas homilias de Ambrósio (apesar de que as admirava muito). Foi mais o testemunho do bispo e de sua Igreja milanesa, que rezava e cantava, unida como um só corpo. Uma Igreja capaz de resistir à prepotência do imperador e de sua mãe, que nos primeiros dias do ano 386 haviam voltado a exigir a expropriação de um edifício de culto para as cerimônias dos arianos. No edifício que tinha que ser desapropriado, conta Agostinho, «o povo devoto velava, disposto a morrer com seu próprio bispo». Este testemunho das «Confissões» é belíssimo, pois mostra que algo estava acontecendo na intimidade de Agostinho, que continua dizendo: «E nós também, apesar de que ainda éramos tíbios, participávamos do movimento de todo o povo» («Confissões» 9, 7). Da vida e do exemplo do bispo Ambrósio, Agostinho aprendeu a crer e a pregar. Podemos fazer referência a um famoso sermão do africano, que mereceu ser citado muitos séculos depois na Constituição conciliar «Dei Verbum»: «É necessário – adverte de fato a «Dei Verbum» no número 25 –, que todos os clérigos, sobretudo os sacerdotes de Cristo e os demais que, como os diáconos e catequistas, dedicam-se legitimamente ao ministério da palavra, submergem-se nas Escrituras com assídua leitura e com estudo diligente, para que nenhum deles acabe sendo – e aqui vem a citação de Agostinho – ‘pregador vazio e supérfluo da palavra de Deus, que não a escuta em seu interior’». Havia aprendido precisamente de Ambrósio essa «escuta em seu interior», essa assiduidade com a leitura da Sagrada Escritura com atitude de oração, para acolher realmente no coração e assimilar a Palavra de Deus. Queridos irmãos e irmãs: quero apresentar-vos uma espécie de «ícone patrístico» que, interpretado à luz do que dissemos, representa eficazmente o coração da doutrina de Ambrósio. No mesmo livro das «Confissões», Agostinho narra seu encontro com Ambrósio, certamente um encontro de grande importância para a história da Igreja. Escreve que, quando visitava o bispo de Milão, sempre o via rodeado de pessoas cheias de problemas, por quem vivia para atender suas necessidades. Sempre havia uma longa fila que estava esperando pra falar com Ambrósio, para encontrar nele consolo e esperança. Quando Ambrósio não estava com eles, com as pessoas (e isso acontecia em brevíssimos espaços de tempo), ou estava alimentando o corpo com a comida necessária, ou o espírito com as leituras. Aqui Agostinho canta suas maravilhas, porque Ambrósio lia as Escrituras com a boca fechada, só com os olhos (cf. «Confissões». 6, 3). De fato, nos primeiros séculos cristãos, a leitura só se concebia para ser proclamada, e ler em voz alta facilitava também a compreensão a quem lia. O fato de que Ambrósio pudesse passar as páginas só com os olhos é para o admirado Agostinho uma capacidade singular de leitura e de familiaridade com as Escrituras. Pois bem, nessa leitura, na qual o coração se empenha por alcançar a compreensão da Palavra de Deus – este é o «ícone» do qual estamos falando –, pode-se entrever o método da catequese de Ambrósio: a própria Escritura, intimamente assimilada, sugere os conteúdos que é necessário anunciar para levar à conversão dos corações. Deste modo, segundo o magistério de Ambrósio e de Agostinho, a catequese é inseparável do testemunho de vida. Pode servir também para o catequista o que escrevi na «Introdução ao cristianismo» sobre os teólogos. Quem educa na fé não pode correr o risco de apresentar-se como uma espécie de «clown», que recita um papel «por ofício». Mais ainda, utilizando uma imagem de Orígenes, escritor particularmente admirado por Ambrósio, tem de ser como o discípulo amado, que apoiou a cabeça no coração do Mestre, e lá aprendeu a maneira de pensar, de falar, de atuar. No final de tudo, o verdadeiro discípulo é quem anuncia o Evangelho da maneira mais confiável e eficaz. Como o apóstolo João, o bispo Ambrósio, que nunca se cansava de repetir: «‘Omnia Christus est nobis’!; Cristo é tudo para nós!», continua sendo uma autêntica testemunha do Senhor. Com suas próprias palavras, cheias de amor por Jesus, concluímos assim nossa catequese: «‘Omnia Christus est nobis!’ Se queres curar uma ferida, ele é o médico; se estás ardendo de febre, ele é a fonte; se estás oprimido pela iniqüidade, ele é a justiça; se tens necessidade de ajuda, ele é a força, se tens medo da morte, ele é a vida; se desejas o céu, ele é o caminho; se estás nas trevas, ele é a luz… Provai e vede que bom é o Senhor, bem-aventurado o homem que espera nele!» («De virginitate» 16, 99). Nós também esperamos em Cristo. Dessa forma seremos bem-aventurados e viveremos na paz. #africano #pregação #acolher #Alexandria #Senhor #Escrituras #Santo #Alimento #testemunho #amado #Milão #catequese #Bispo #Alma #Orígenes #Ambrósio #Amor #AmbrósiodeMilão #Jesus #adverte #Ressurreição #Provérbios #Agostinho
- Jornada Mundial da Juventude 2008 – Sidney/Austrália
RECEIVE THE POWER (RECEBA A FORÇA) (Sydney 2008) Estrofe 1 Every nation, every tribe, (Toda nação, toda tribo,) come together to worship You. (Chegam juntas para adorar-Te.) In Your presence we delight, (Em Tua presença nós nos alegramos,) we will follow to the ends of the earth. (nós Te seguiremos até os confins da terra.) Refrão Alleluia! Alleluia! Receive the Power, from the Holy Spirit! (Receba a Força, vinda do Espírito Santo!) Alleluia! Alleluia! Receive the Power to be a light unto the world! (Receba a Força para ser uma luz em meio ao mundo!) Estrofe 2 As Your Spirit calls to rise (Assim que Teu Espírito nos chama a ascender) we will answer and do Your Will. (Nós responderemos e faremos Tua Vontade.) We’ll forever testify (Nós testemunharemos eternamente) of Your mercy and unfailing love. (Tua misericórdia e teu infinito amor.) Refrão Alleluia! Alleluia! Receive the Power, from the Holy Spirit! (Receba a Força, vinda do Espírito Santo!) Alleluia! Alleluia! Receive the Power to be a light unto the world! (Receba a Força para ser uma luz em meio ao mundo!) Estribilho Lamb of God, we worship You, (Cordeiro de Deus, nós Te adoramos,) Holy One, we worship You, (Santo dos Santos, nós Te adoramos,) Bread of Life, we worship You, (Pão da Vida, nós Te adoramos,) Emmanuel, we worship You. (Emanuel, nós Te adoramos,) Lamb of God, we worship You, (Cordeiro de Deus, nós Te adoramos,) Holy One, we worship You, (Santo dos Santos, nós Te adoramos,) Bread of Life, we worship You, (Pão da Vida, nós Te adoramos,) Emmanuel, we will sing forever. (Emmanuel, vamos cantar para sempre.) Refrão Alleluia! Alleluia! Receive the Power, from the Holy Spirit! (Receba a Força, vinda do Espírito Santo!) Alleluia! Alleluia! Receive the Power to be a light unto the world! (Receba a Força para ser uma luz em meio ao mundo!)2008 #Cordeiro #PapaBentoXVI #Mundial #Deus #Emmanuel #Alleluia #Adorar #Senhor #Espírito #Jornada #JornadaMundialdaJuventude #juventude #Amor #Emanuel #EspíritoSanto #Austrália #Jesus #testemunhar
- Atualidade de São Paulo em um mundo multirreligioso, segundo Papa
Primeira catequese do novo ciclo sobre o apóstolo dos gentios CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 2 de julho de 2008 (ZENIT.org).- Em um mundo multicultural e multirreligioso, São Paulo tem uma mensagem particularmente atual, considera Bento XVI. O pontífice apresentou nesta quarta-feira o exemplo de apóstolo dos povos, em particular sua capacidade para assimilar os grandes valores filosóficos de sua época e de harmonizá-los sem trair no mínimo a sua fé em Jesus Cristo. Deste modo, começou um novo ciclo de catequeses –em seu encontro semanal com os fiéis– dedicado a Paulo de Tarso, por ocasião do Ano Paulino (de 28 de junho de 2008 a 29 de junho de 2009), que ele mesmo convocou para celebrar os dois mil anos de nascimento do apóstolo. Sua primeira intervenção, celebrada na Sala Paulo VI do Vaticano, com a participação de quase dez mil peregrinos, se concentrou em apresentar uma análise do ambiente na qual o santo viveu, pois – como assinalou – «o contexto sócio-cultural de hoje não é muito diferente do de então». O bispo de Roma apresentou São Paulo como «homem de três culturas», «levando em conta sua origem judaica, seu idioma grego e sua prerrogativa de “civis romanus”, como testemunha também o nome de origem latina». «A visão universalista típica da personalidade de São Paulo, ao menos do Paulo cristão que surgiu após a queda no caminho de Damasco, deve certamente seu impulso básico à fé em Jesus Cristo, enquanto a figura do Ressuscitado supera todo particularismo», reconheceu o pontífice. De fato, «para o apóstolo, “já não há judeu nem grego; nem escravo nem livre; nem homem nem mulher, já que todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas3, 28). No entanto, a situação histórico-cultural de seu tempo e ambiente também influíram em suas opções e compromisso». Em particular, o Papa mencionou como Paulo acolheu os valores positivos da filosofia estóica, que ainda que de maneira marginal, influiu no cristianismo das origens. «Tudo o que há de verdadeiro, de nobre, de justo, de puro, de amável, de honrável, tudo o que for virtude e coisa digna de elogio, tudo isso levai-o em conta», diz o apóstolo em Filipenses (4, 8). Um filósofo como Sêneca, superando todo ritualismo exterior, ensinava que «Deus está perto de ti, está contigo, está dentro de ti» (Cartas a Lucilio, 41, 1), recordou Bento XVI. Do mesmo modo, quando Paulo se dirige a um auditório de filósofos epicuristas e estóicos no Areópago de Atenas, diz textualmente que «Deus… não habita em santuários fabricados por mãos humanas…, pois nele vivemos, nos movemos e existimos» (Atos dos Apóstolos 17, 24.28). «Deste modo, ele se faz certamente eco da fé judaica em um Deus que não pode ser representado em termos antropomórficos, mas se põe também em uma longitude de onda religiosa que seus ouvintes conheciam bem», declarou o Papa. Após seu olhar sobre o ambiente cultural do século I da era cristã, o Papa concluiu constatando que «não é possível compreender adequadamente São Paulo sem situá-lo no contexto tanto judeu como pagão de seu tempo». «Mas tudo isso é igualmente válido para o cristianismo em geral, do qual o apóstolo Paulo é um paradigma de primeiro plano, de quem todos temos ainda tanto que aprender e este é o objetivo do Ano Paulino: aprender de São Paulo a fé, aprender dele quem é Cristo, aprender, em definitivo, o caminho para uma vida reta», concluiu. Na tarde desta quarta-feira, o Papa se trasladou à residência pontifícia de Castel Gandolfo, a 30 quilômetros de Roma. A partir desta semana, como é já habitual, o Santo Padre dirigirá a oração do Angelus dos próximos domingos no pátio interno do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo. Bento XVI viajará de 12 a 21 de julho a Sydney, na Austrália, para presidir a Jornada Mundial da Juventude. #Cristo #Deus #apostolo #SãoPaulo #Origem #Gandolfo #pontífice #catequese #Judaica #grego #Paulo #judeu #Jesus
- Paulo é modelo para os sacerdotes, diz patriarca de Lisboa
D. José Policarpo ordena padres e diáconos na abertura do Ano Paulino Por Alexandre Ribeiro LISBOA, segunda-feira, 30 de junho de 2008 (ZENIT.org).- O Cardeal-Patriarca de Lisboa apresentou nesse domingo o exemplo de Paulo aos presbíteros recém-ordenados, destacando que o sacerdote tem de aprender a acreditar em Jesus Cristo e na Igreja. D. José Policarpo presidiu à missa de abertura do Ano Paulino no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, ocasião em que ordenou sete padres e quatro diáconos. Segundo o cardeal, «o apóstolo Paulo e o seu itinerário de fidelidade» impõem-se como «modelo inspirador do vosso ministério». D. José Policarpo afirma que Paulo está seguro de que o Senhor é capaz de o manter fiel na fé. «Cristo vivo é o fundamento sólido da fé de Paulo, desde o início, a sua conversão na Estrada de Damasco, até ao fim, quando lhe será atribuída a coroa de justiça que o Senhor lhe dará naquele dia, o dia da plena manifestação de Cristo.» «Entre estes dois momentos situa-se a sua vida, o palco do grande combate, em que reconhece: “o Senhor esteve a meu lado e deu-me força” (2Tim. 4,17)», afirma. De acordo com o cardeal, a fé foi para Paulo «uma aventura de amor e de fidelidade a Jesus Cristo. “Para mim viver é Cristo” (Fil. 1,21), é o desabafo que o define». «É através da fé que mergulha em Jesus Cristo e usufrui da Sua fecundidade redentora. A fé é um mergulho em Jesus Cristo, que leva a mergulhar em Deus.» O testemunho de vida de Paulo prova que «a evangelização não é um programa humano, é uma paixão por Jesus Cristo». «Paulo está de tal maneira consciente de que é na fé que se ama Jesus Cristo, que se nos revela como Salvador, que a maior urgência é comunicar a fé, que nasce da Palavra que é Cristo vivo, porque Ele é a Palavra encarnada.» «Evangelizar é proporcionar aos homens a relação vital com Jesus Cristo». «Evangelizar é fazer ouvir Jesus Cristo, levar a entregar-se a Ele na fé, na certeza de que a fé é uma experiência de amor», enfatiza o cardeal. D. José Policarpo falou então aos ordinandos que São Paulo os ajudaria «a descobrir a centralidade decisiva da fé, na vossa vida cristã e no exercício do vosso ministério». «Cultivai a vossa fé, nunca esquecendo que ela é um dom de Deus, fruto da ação de Deus em nós, nos atrai, nos escolhe e nos consagra.» «Não esqueçais também que a fé é um combate que há-de dar forma à vossa fidelidade a Cristo, à Igreja, ao Povo que Ele ama e a quem vos confia», afirmou. De acordo com o patriarca de Lisboa, o sacerdote «tem de aprender a acreditar em Jesus Cristo, na Igreja e a amar Jesus Cristo, amando a Igreja». «Saúdo neste momento todos: os que começam, os que há 25, 50, 60 anos procuraram amar a Cristo, amando a Igreja. Oxalá todos possam exclamar à chegada: “Combati o bom combate, guardei a fé” (2Tim. 4,7)», destacou o cardeal. #Cristo #evangelizar #AIS #ministério #Senhor #acreditar #patriarca #sacerdote #Igreja #fidelidade #Paulo #Alexandre #Amor #Jesus #JoséPolicarpo #mosteiro
- Pregador do Papa: Festa dos Santos Pedro e Paulo
Meditação do padre Raniero Cantalamessa ROMA, sexta-feira, 27 de junho de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, OFM Cap., pregador da Casa Pontifícia, sobre a liturgia do próximo domingo. * * * 29 de Junho: Festa dos Santos Pedro e Paulo Atos 12, 1-11; 2 Timóteo 4, 6-8.17-18; Mateus 16, 13-19 Tu és Pedro! O Evangelho de hoje é o Evangelho da entrega das chaves a Pedro. Sobre isso, a tradição católica sempre foi baseada em fundar a autoridade do Papa sobre toda a Igreja. Alguém poderia dizer: mas o que tem a ver o Papa com tudo isto? Eis a resposta da teologia católica. Se Pedro deve funcionar como «fundamento» e «rocha» da Igreja, continuando a existir a Igreja deve continuar a existir também o fundamento. É impensável que as prerrogativas quase solenes («a ti darei as chaves do reino dos céus») se referissem somente aos primeiros vinte ou trinta anos da vida da Igreja e que elas seriam cessadas com a morte do apóstolo. O papel de Pedro se prolonga portanto em seus sucessores. Por todo o primeiro milênio, este ofício de Pedro foi reconhecido universalmente por todas as Igrejas, ainda que interpretado de forma diversa no Oriente e no Ocidente. Os problemas e as divisões nasceram com o milênio há pouco terminado. E hoje também nós, católicos, admitimos que não são nascidos todos por culpa dos outros, dos considerados «cismáticos»: antes os orientais, depois os protestantes. A primazia instituída por Cristo, como todas as coisas humanas, foi exercitada ora bem ora menos bem. Ao poder espiritual se mesclou, pouco a pouco, um poder político e terreno, e com isso os abusos. O próprio Papa João Paulo II, na carta sobre o ecumenismo, Ut unum sint, indicou a possibilidade de rever as formas concretas com as quais é exercida a primazia do Papa, de modo a tornar novamente possível em torno a isso a concórdia de todas as Igrejas. Como católicos, não podemos não desejar que se prossiga com sempre maior coragem e humildade sobre esta estrada da conversão e da reconciliação, de modo a incrementar a colegialidade desejada pelo Concílio. Aquilo que não podemos desejar é que o próprio ministério de Pedro, como sinal e fator da unidade da Igreja, seja menor. Seria uma forma de nos privar de um dos dons mais preciosos que Cristo deu à sua Igreja, além de contradizer sua vontade precisa. Pensar que basta à Igreja ter a Bíblia e o Espírito Santo com o qual interpretá-la, para poder viver e difundir o Evangelho, é como dizer que bastaria aos fundadores dos Estados Unidos escrever a constituição americana e mostrar em si mesmos o espírito com o qual devia ser interpretada, sem prever algum governo para o país. Existiria ainda os Estados Unidos? Uma coisa que podemos fazer já e todos para aplainar a estrada para a reconciliação entre as Igrejas é começar a reconciliar-nos com anossa Igreja. «Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja»: Jesus disse a «minha» Igreja, no singular, não as «minhas» Igrejas. Ele pensou e quis uma só Igreja, não uma multipliciade de Igrejas independentes ou, pior, em luta umas contra as outras. «Minha», além de singular, é também um adjetivo possessivo. Jesus reconhece portanto a Igreja como «sua»; disse «a minha Igreja» como um homem diria: «a minha esposa», ou «o meu corpo». Identifica-se com ela, não se envergonha dela. Sobre os lábios de Jesus a palavra «Igreja» não tem nenhum daqueles significados negativos que acrescentamos. Isto é, naquela expressão de Cristo, um forte chamado a todos os crentes a reconciliarem-se com a Igreja. Renegar a Igreja é como renegar a própria mãe. «Não pode ter Deus por pai – dizia São Cipriano – quem não tem a Igreja por mãe». Seria um belo fruto da festa dos santos apóstolos Pedro e Paulo se começássemos a dizer também nós, da Igreja Católica à qual pertencemos: «aminhaIgreja!» [Traduzido do italiano por José Caetano] #RanieroCantalamessa #Evangelho #Pregador #Unidos #Cantalamessa #Espírito #Pedro #reconciliação #Igrejas #Catolica #Igreja #Paulo #Raniero #Jesus #mãe
- Santo Eusébio de Vercelli
Por Papa Bento XVI Tradução: Zenit Fonte: Vaticano/Zenit Caros irmãos e irmãs, Nesta manhã, eu vos convido a refletir sobre Santo Eusébio de Vercelli, o primeiro bispo da Itália setentrional de que temos notícia segura. Nascido em Sardenha no início do século IV, ainda em tenra idade se transferiu para Roma com sua família. Mais tarde foi instituído leitor, passando a fazer parte do clero de Urbe, em um tempo em que a Igreja era gravemente provada pela heresia ariana. A grande estima que aumentou por Eusébio explica sua eleição em 345 à cátedra episcopal de Vercelli. O novo Bispo iniciou logo uma intensa obra de evangelização em um território ainda em grande parte pagão, especialmente na área rural. Inspirado em Santo Atanásio – que havia escrito a «Vida de Santo Antônio», iniciador do monaquismo no Oriente –, fundou em Vercelli uma comunidade sacerdotal, semelhante a uma comunidade monástica. Esta experiência deu ao clero da Itália setentrional um significativo traço de santidade apostólica, e suscitou figuras de Bispos importantes, como Limênio e Onorato, sucessores de Eusébio em Vercelli, Gaudêncio em Novara, Esuperâncio em Tortona, Eustásio em Aosta, Eulógio em Ivrea, Máximo em Turim, todos venerados da Igreja como santos. Solidamente formado na fé nicena, Eusébio defende com todas as forças a divindade de Jesus Cristo, definida no Credo de Nicéia «consubstancial» ao Pai. A tal propósito se aliou com os grandes Padres do século IV – sobretudo com Santo Atanásio, bispo da ortodoxia nicena – contra a política filo-ariana do imperador. Para o imperador, a fé ariana, mais simples, parece politicamente mais útil como ideologia do império. Para ele, não importava a verdade, mas a oportunidade política: queria instrumentalizar a religião como ponto de unidade do império. Mas estes grandes Padres resistiram, defendendo a verdade contra a dominação da política. Por esse motivo, Eusébio foi condenado ao exílio como tantos outros Bispos do Oriente e do Ocidente: como o próprio Atanásio, como Hilário de Poitiers – dos quais falamos da última vez –, como Ósio de Córdoba. Em Escitópolis, na Palestina, onde foi confinado em 355 e em 360, Eusébio escreve uma página maravilhosa da sua vida. Também lá fundou um cenóbio com um pequeno grupo de discípulos e desde então manteve o contato com seus fiéis de Piamonte, como demonstra sobretudo a segunda das três Cartas de Eusébio reconhecidas como autênticas. Posteriormente, depois do ano 350, foi exilado na Capadócia e Tebaida, onde sofreu muito fisicamente. No ano 361, ao falecer Constâncio II, foi substituído pelo imperador Juliano, chamado o apóstata, a quem não lhe interessava o cristianismo como religião do império, mas que queria mais restaurar o paganismo. Ele acabou com o exílio desses bispos e deste modo permitiu também que Eusébio voltasse a tomar posse de sua sede. No ano 362 foi convidado por Anastásio a participar no Concílio de Alexandria, que decidiu o perdão aos bispos arianos, com a condição de que voltassem ao estado leigo. Eusébio pôde continuar exercendo durante aproximadamente dez anos seu ministério episcopal, até a morte, estabelecendo com sua cidade uma relação exemplar, que inspirou o serviço pastoral de outros bispos da Itália do Norte, de quem falaremos nas próximas catequeses, como Santo Ambrósio de Milão e São Máximo de Turim. A relação entre o bispo de Vercelli e sua cidade fica iluminada sobretudo por dois testemunhos epistolares. O primeiro se encontra na Carta já citada, que Eusébio escreveu desde o exílio de Escitópolis «aos queridíssimos filhos e aos presbíteros tão desejados, assim como aos santos povos firmes na fé de Vercelli, Novara, Ivrea e Tortona» («Ep. Secunda», CCL 9, p. 104). Estas expressões iniciais, que mostram a comoção do bom pastor ante seu rebanho, encontram ampla confirmação ao final da Carta, nas saudações do padre a todos e a cada um de seus filhos de Vercelli, com expressões transbordantes de carinho e amor. Deve-se destacar antes de tudo a relação explícita que une o bispo com as «sanctae plebes» não só de Vercelli – a primeira, e por anos a única diocese do Piamonte –, mas também com as de Novara, Ivrea e Tortona, ou seja, as comunidades que, dentro da mesma diocese, haviam conseguido uma certa consistência e autonomia. Outro elemento interessante aparece na despedida da Carta: Eusébio pede a seus filhos e a suas filhas que saúdem «também quem está fora da Igreja, e que se dignam a amar-nos: “etiam hos, qui foris sunt et nos dignantur diligere”». Sinal evidente de que a relação do bispo com sua cidade não se limitava à população cristã, mas se estendia também àqueles que, estando fora da Igreja, reconheciam em certo sentido sua autoridade espiritual e amavam este homem exemplar. O segundo testemunho da relação singular que se dava entre o bispo e sua cidade aparece na Carta que Santo Ambrósio de Milão escreveu aos cristãos de Vercelli em torno ao ano 394, mais de 20 anos depois da morte de Eusébio («Ep. Extra collectionem 14»: Maur. 63). A Igreja de Vercelli estava passando um momento difícil: estava dividida e sem pastor. Com franqueza, Ambrósio declara que lhe custa reconhecer neles a «descendência dos santos padres, que deram sua aprovação a Eusébio sem antes vê-lo, sem tê-lo conhecido, esquecendo inclusive seus próprios concidadãos». Na mesma Carta, o bispo de Milão testemunha claramente sua estima por Eusébio: «Um grande homem», escreve, que «mereceu ser eleito por toda a Igreja». A admiração de Ambrósio por Eusébio se baseia sobretudo no fato de que o bispo de Vercelli governava sua diocese com o testemunho de sua vida: «Com a austeridade do jejum governava sua Igreja». De fato, também Ambrósio estava fascinado, como reconhece ele mesmo, pelo ideal monástico da contemplação de Deus, que Eusébio havia buscado seguindo as pegadas do profeta Elias. Em primeiro lugar, escreve Ambrósio, o bispo de Vercelli reuniu o próprio clero em «vita communis» e o educou na «observância das regras monásticas, apesar de viver na cidade». O bispo e seu clero tinham que compartilhar os problemas de seus concidadãos, e o fizeram de uma maneira crível, cultivando ao mesmo tempo uma cidadania diferente, a do Céu (cf. Hebreus 13, 14). E, deste modo, edificaram uma autêntica cidadania, uma autêntica solidariedade comum entre os cidadãos de Vercelli. Deste modo, Eusébio, assumindo a causa da «sancta plebs», de Vercelli, vivia no seio da cidade como um monge, abrindo a cidade a Deus. Esta dimensão, portanto, não tirou nada de seu dinamismo pastoral. Entre outras coisas, parece que instituiu em Vercelli as igrejas rurais para um serviço eclesial ordenado e estável, e promoveu os santuários marianos para a conversão das populações rurais pagãs. Pelo contrário, este «caráter monástico» dava uma dimensão particular à relação do bispo com sua cidade. Igual aos apóstolos, por quem Jesus rezava na Última Ceia, os pastores e os fiéis da Igreja «estão no mundo» (Jo 17, 11), mas não são «do mundo». Por esse motivo, os pastores, recordava Eusébio, têm que exortar os fiéis a não considerarem as cidades do mundo como sua morada estável, mas devem buscar a Cidade futura, a Jerusalém definitiva do céu. Esta «dimensão escatológica» permite aos pastores e aos fiéis salvaguardar a hierarquia justa dos valores, sem render-se jamais às modas do momento e às injustas pretensões do poder político. A autêntica hierarquia dos valores, parece dizer toda a vida Eusébio, não é decidida pelos imperadores de ontem ou de hoje, mas procede de Jesus Cristo, o Homem perfeito, igual ao Pai na divindade, e ao mesmo tempo homem como nós. Referindo-se a esta hierarquia de valores, Eusébio não se cansa de «recomendar efusivamente» a seus fiéis que guardem «com todos os meios a fé, que mantenham a concórdia, que sejam assíduos na oração» (Ep. Secunda», cit.) Queridos amigos, também eu vos recomendo de todo o coração estes valores perenes, e vos abençôo e saúdo com as mesmas palavras com as que o santo bispo Eusébio concluía sua segunda Carta: «Me dirijo a todos vós, irmãos meus e santas irmãs, filhos e filhas, fiéis dos dois sexos e de toda idade, para que… leveis nossa saudação também aos que estão fora da Igreja, e que se dignam a amar-nos» (ibidem). #Episcopal #Clero #Máximo #Alexandria #Oriente #Atanásio #Itália #Turim #Eusébio #Igreja #Ambrósio #Amor #AmbrósiodeMilão #Jesus #império
- Santo Hilário de Poitiers
Por Papa Bento XVI Tradução: Zenit Fonte: Vaticano/Zenit Queridos irmãos e irmãs: Hoje quero falar de um grande padre da Igreja do Ocidente, Santo Hilário de Poitiers, uma das grandes figuras de bispos do século IV. Ante os arianos, que consideravam o Filho de Deus como uma criatura, ainda que excelente, mas só uma criatura, Hilário consagrou toda sua vida à defesa da fé na divindade de Jesus Cristo, Filho de Deus e Deus como o Pai, que o gerou desde a eternidade. Não contamos com dados seguros sobre a maior parte da vida de Hilário. As fontes antigas dizem que nasceu em Poitiers, provavelmente por volta do ano 310. De família acomodada, recebeu uma formação literária, que pode reconhecer-se com clareza em seus escritos. Parece que não foi criado em um ambiente cristão. Ele mesmo nos fala de um caminho de busca da verdade, que o levou pouco a pouco ao reconhecimento do Deus criador e do Deus encarnado, morto para dar-nos a vida eterna. Batizado por volta do ano 345, foi eleito bispo de sua cidade natal em torno de 353-354. Nos anos seguintes, Hilário escreveu sua primeira obra, o «Comentário ao Evangelho de Mateus». Trata-se do comentário mais antigo em latim que nos chegou desse Evangelho. No ano 356, ele assistiu como bispo ao sínodo de Béziers, no sul da França, o «sínodo dos falsos apóstolos», como ele mesmo o chama, pois a assembléia estava dominada por bispos filoarianos, que negavam a divindade de Jesus Cristo. Estes «falsos apóstolos» pediram ao imperador Constâncio que condenasse ao exílio o bispo de Poitiers. Dessa forma, Hilário se viu obrigado a abandonar a Gália no verão do ano 356. Exilado na Frígia, na atual Turquia, Hilário entrou em contato com um contexto religioso totalmente dominado pelo arianismo. Também lá sua solicitude como pastor o levou a trabalhar sem descanso a favor do restabelecimento da unidade da Igreja, baseando-se na reta fé formulada pelo Concílio de Nicéia. Com este objetivo, empreendeu a redação de sua obra dogmática mais importante e conhecida: o «De Trinitate» (sobre a Trindade). Nela, Hilário expõe seu caminho pessoal para o conhecimento de Deus e se preocupa por mostrar que a Escritura testifica claramente a divindade do Filho e sua igualdade com o Pai não só no Novo Testamento, mas também em muitas páginas do Antigo Testamento, nas quais já se apresenta o mistério de Cristo. Ante os arianos, insiste na verdade dos nomes do Pai e do Filho e desenvolve toda sua teologia trinitária partindo da fórmula do Batismo que o próprio Senhor nos entregou: «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo». O Pai e o Filho são da mesma natureza. E ainda que algumas passagens do Novo Testamento poderiam levar a pensar que o Filho é inferior ao Pai, Hilário oferece regras precisas para evitar interpretações equívocas: alguns textos da Escritura falam de Jesus como Deus, outros sublinham sua humanidade. Alguns se referem a Ele em sua pré-existência junto ao Pai; outros levam em consideração o estado de abaixamento («kénosis»), sua descida até a morte; outros, por último, o contemplam na glória da ressurreição. Nos anos de seu exílio, Hilário escreveu também o «Livro dos Sínodos», no qual reproduz e comenta para os irmãos bispos da Gália as confissões de fé e outros documentos de sínodos reunidos no Oriente ao redor da metade do século IV. Sempre firme na oposição aos arianos radicais, Santo Hilário se assemelha ao Pai na essência, naturalmente tentando levá-los sempre para a plena fé, segundo a qual não se dá só uma semelhança, mas uma verdadeira igualdade entre o Pai e o Filho na divindade. Isso também nos parece característico: seu espírito de conciliação trata de compreender quem ainda não chegou à verdade plena e os ajuda, com grande inteligência teológica, a alcançar a plena fé na verdadeira divindade do Senhor Jesus Cristo. No ano 360 ou 361, Hilário pôde finalmente regressar do exílio à sua pátria e imediatamente voltou a empreender a atividade pastoral em sua Igreja, mas o influxo de seu magistério se estendeu, de fato, muito além dos confins da mesma. Um sínodo celebrado em Paris no ano 360 ou 361 retomou a linguagem do Concílio de Nicéia. Alguns autores antigos consideram que esta mudança antiariana do episcopado da Gália se deveu em boa parte à fortaleza e mansidão do bispo de Poitiers. Esta era precisamente sua qualidade: conjugar a fortaleza na fé com a mansidão na relação interpessoal. Nos últimos anos de sua vida, ele compôs os «Tratados sobre os Salmos», um comentário a 58 salmos, interpretados segundo o princípio sublinhado na introdução: «Não cabe dúvida de que todas as coisas que se dizem nos salmos devem ser entendidas segundo o anúncio evangélico, de forma que, independentemente da voz com a qual o espírito profético falou, tudo se refere ao conhecimento da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, encarnação, paixão e reino, e à glória e potência de nossa ressurreição» («Instructio Psalmorum» 5). Ele vê em todos os salmos esta transparência do mistério de Cristo e de seu Corpo, que é a Igreja. Em várias ocasiões, Hilário se encontrou com São Martinho: precisamente o futuro bispo de Tours fundou um mosteiro perto de Poitiers, que ainda existe hoje. Hilário faleceu no ano 367. Sua memória litúrgica é celebrada em 13 de janeiro. Em 1851, o beato Pio IX o proclamou doutor da Igreja. Para resumir o essencial de sua doutrina, quero dizer que o ponto de partida da reflexão teológica de Hilário é a fé batismal. Em «De Trinitate», Hilário escreve: Jesus «mandou batizar ‘em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’ (cf. Mateus 28, 19), ou seja, confessando o Autor, o Unigênito e o Dom. Só há um Autor de todas as coisas, pois só há um Deus Pai, de quem tudo procede. E um só Senhor nosso, Jesus Cristo, por quem tudo foi feito (I Coríntios 8, 6), e um só Espírito (Efésios 4, 4), dom em todos… Não se pode encontrar nada que falte a uma plenitude tão grande, na qual convergem no Pai, no Filho e no Espírito Santo a imensidão no Eterno, a revelação na Imagem, a alegria no Dom» («De Trinitate» 2, 1). Deus Pai, sendo todo amor, é capaz de comunicar em plenitude sua divindade ao Filho. Considero particularmente bela esta formulação de Santo Hilário: «Deus só sabe ser amor, e só sabe ser Pai. E quem ama não é invejoso, e quem é Pai o é totalmente. Este nome não admite compromissos, como se Deus só fosse Pai em certos aspectos e em outros não» (ibidem 9, 61). Por este motivo, o Filho é plenamente Deus sem falta ou diminuição alguma: «Quem procede do perfeito é perfeito, porque quem tem tudo lhe deu tudo» (ibidem 2, 8). Só em Cristo, Filho de Deus e Filho do homem, a humanidade encontra a salvação. Assumindo a natureza humana, uniu consigo todo homem; Ele «se tornou a carne de todos nós» («Tractatus in Psalmos» 54, 9); «assumiu a natureza de toda carne e, convertido assim na videira verdadeira, é a raiz de todo ramo» (ibidem 51, 16). Precisamente por este motivo o caminho para Cristo está aberto a todos, porque Ele atraiu todos em seu ser homem, ainda que sempre seja necessária a conversão pessoal: «Através da relação com sua carne, o acesso a Cristo está aberto a todos, com a condição de que deixem para trás o homem velho (cf. Efésios 4, 22) e o encravem em sua cruz (cf. Colossenses 2, 14); com a condição de que abandonem as obras de antes e se convertam para ficar sepultados com Ele em seu batismo, frente à vida (cf. Colossenses 1, 12; Romanos 6, 4)» (Ibidem 91, 9). A fidelidade a Deus é um dom de sua graça. Por isso, Santo Hilário pede ao final de seu tratado sobre a Trindade poder manter-se sempre fiel à fé do batismo. É uma característica deste livro: a reflexão se transforma em oração e a oração se torna reflexão. Todo o livro é um diálogo com Deus. Quero concluir a catequese de hoje com uma dessas orações, que se converte também em oração nossa: «Fazei, Senhor – reza Hilário, movido pela inspiração – que me mantenha sempre fiel ao que professei no símbolo de minha regeneração, quando fui batizado no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Que eu vos adore, Pai nosso, e junto a vós, o vosso Filho; que seja merecedor do vosso Espírito Santo, que procede de vós através do vosso Unigênito… Amém» («De Trinitate» 12, 57). #Cristo #Evangelho #Escritura #Deus #Testamento #Senhor #Nicéia #Sínodo #Santo #mistério #igualdade #Igreja #Bispo #Amor #alegria #Divindade #conhecimento #Jesus #Concílio
- São Cirilo de Alexandria
Por Papa Bento XVI Tradução: Zenit Fonte: Vaticano/Zenit Queridos irmãos e irmãs: Também hoje, continuando com nosso caminho seguindo os passos dos Padres da Igreja, encontramos uma grande figura: São Cirilo de Alexandria. Ligado à controvérsia cristológica que levou ao Concílio de Éfeso do ano 431, último representante de importância da tradição alexandrina, Cirilo foi definido mais tarde no Oriente como «Custódio da exatidão» – que quer dizer custódio da verdadeira fé – e inclusive como «selo dos Padres». Estas antigas expressões manifestam um dado de fato que é característico de Cirilo, ou seja, a constante referência do bispo de Alexandria aos autores eclesiásticos precedentes (entre estes, sobretudo Atanásio) com o objetivo de mostrar a continuidade da própria teologia com a tradição. Quis integrar-se explicitamente na tradição da Igreja, na qual reconhece a garantia de continuidade com os apóstolos e com o próprio Cristo. Venerado como santo tanto no Oriente como no Ocidente, em 1882 São Cirilo foi proclamado doutor da Igreja pelo Papa Leão XIII, quem ao mesmo tempo atribuiu o mesmo título a outro importante expoente da patrística grega, São Cirilo de Jerusalém. Revelaram-se assim a atenção e o amor pelas tradições cristãs orientais daquele Papa, que depois quis proclamar também doutor da Igreja São João Damasceno, mostrando que tanto a tradição oriental como a ocidental expressam a doutrina da única Igreja de Cristo. Chegaram-nos poucas notícias sobre a vida de Cirilo antes de sua eleição à importante sede de Alexandria. Sobrinho de Teófilo, que desde o ano 385 como bispo regeu com mão firme e prestigio a diocese de Alexandria, Cirilo nasceu provavelmente nessa mesma cidade egípcia entre o ano 370 e 380. Depois abraçou a vida eclesiástica e recebeu uma boa educação, tanto cultural como teológica. No ano 403 se encontrava em Constantinopla seguindo seu poderoso tio e lá participou do Sínodo que depôs o bispo da cidade, João (depois conhecido como Crisóstomo), registrando assim o triunfo da sede de Alexandria sobre seu rival tradicional, Constantinopla, onde residia o imperador. Após a morte do seu tio Teófilo, sendo ainda jovem, Cirilo foi eleito no ano 412 como bispo da influente Igreja de Alexandria, governando-a com grande energia durante 32 anos, buscando afirmar sempre o primado em todo o Oriente, fortalecido também pelos laços tradicionais com Roma. Dois ou três anos depois, no ano 417, o bispo de Alexandria deu provas de realismo ao sanar a ruptura da comunhão com Constantinopla, que acontecia desde o ano 406, após a deposição de Crisóstomo. Mas o antigo contraste com a sede de Constantinopla voltou a estourar dez anos depois, quando no ano 428 foi eleito Nestório, monge severo e de prestígio formado em Antioquia. O novo bispo de Constantinopla suscitou logo oposições, pois em sua pregação preferia para Maria o título de «Mãe de Cristo» («Christotòkos»), ao invés de «Mãe de Deus» (Theotòkos»), já então muito querido pela devoção popular. O motivo dessa decisão do bispo Nestório era sua adesão à cristologia da tradição de Antioquia que, para salvaguardar a importância da humanidade de Cristo, acabava afirmando sua separação da divindade. Deste modo, já não era uma autêntica união entre Deus e o homem em Cristo e, portanto, já não podia falar-se de «Mãe de Deus». A reação de Cirilo, então máximo expoente da cristologia de Alexandria, que sublinha intensamente a unidade da pessoa de Cristo, foi imediata e se deslocou com todos os meios já a partir do ano 429, entre outras coisas, enviando algumas cartas ao mesmo Nestório. Na Segunda Carta (PG 77, 44-49) que Cirilo enviou, em fevereiro de 430, lemos uma clara afirmação do dever dos pastores de preservar a fé do Povo de Deus. Este era seu critério, válido também para hoje: a fé do Povo de Deus é expressão da tradição, é garantia da sã doutrina. Escreve estas linhas a Nestório: «É necessário expor ao povo de Deus o ensinamento e a interpretação da fé de maneira mais irrepreensível e recordar que quem escandaliza ainda que for a um só dos pequenos que crêem em Cristo, sofrerá um castigo intolerável». Na mesma carta a Nestório, carta que mais tarde, no ano 451, teria sido aprovada pelo Concilio de Calcedônia, quarto concilio ecumênico, Cirilo descreve com clareza sua fé cristológica: «São diversas as naturezas que se uniram em uma verdadeira unidade, mas de ambas resultou um só Cristo e Filho, não porque por causa da unidade se tenha eliminado a diferença das naturezas humana e divina, mas porque humanidade e divindade reunidas de forma inefável produziram o único Senhor, Cristo, o Filho de Deus». Isso é importante: realmente a verdadeira humanidade e a verdadeira divindade se unem em uma só Pessoa, nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, continua dizendo o bispo de Alexandria, «professamos um só Cristo e Senhor, não só no sentido de que adoramos o homem junto com o ‘Logos’, para não insinuar a idéia da separação dizendo ‘junto’, mas no sentido de que adoramos um só, pois seu corpo não é algo alheio ao ‘Logos’, com o qual está sentado à destra do Pai. Não estão sentados a seu lado dois filhos, mas um só, unido com a própria carne». Rapidamente, o bispo de Alexandria, graças a agudas alianças, conseguiu que Nestório fosse condenado repetidamente: por parte da sede romana com uma série de doze anátemas redigidos por ele mesmo e, finalmente, pelo Concílio de Éfeso, no ano 431, o terceiro concílio ecumênico. A assembléia, que se desenvolveu com vicissitudes tumultuosas, concluiu com o primeiro grande triunfo da devoção a Maria e com o exílio do bispo de Constantinopla, que não queria reconhecer à Virgem o título de «Mãe de Deus», por causa de uma cristologia equivocada, que criava divisão no próprio Cristo. Depois de ter prevalecido deste modo sobre o rival e sua doutrina, Cirilo soube alcançar já no ano 433 uma fórmula teológica de compromisso e de reconciliação com os de Antioquia. E isso também é significativo: por uma parte se dá a clareza da doutrina da fé, mas por outra, a intensa busca da unidade da reconciliação. Nos anos seguintes, ele se dedicou com todos os meios a defender e esclarecer sua posição teológica até a morte, ocorrida em 27 de junho do ano 444. Os escritos de Cirilo, verdadeiramente muito numerosos e difundidos amplamente, inclusive em diferentes traduções latinas e orientais já em sua vida, prova de seu êxito imediato, são de importância primária para a história do cristianismo. São importantes seus comentários a muitos livros do Antigo e do Novo Testamento, entre os quais se destaca todo o Pentateuco, Isaías, os Salmos e os Evangelhos de João e de Lucas. São de grande importância também muitas obras doutrinais, nas quais aparece continuamente a defesa da fé trinitária contra as teses arianas e contra as de Nestório. A base do ensino de Cirilo é a tradição eclesiástica e, em particular, como mencionei, os escritos de Atanásio, seu grande predecessor na sede de Alexandria. Entre os outros escritos de Cirilo, é preciso recordar por último os livros «Contra Juliano», última grande resposta às polêmicas anti-cristãs, ditado pelo bispo de Alexandria provavelmente nos últimos anos de vida para refutar a obra «Contra os Galileus», composta muitos anos antes, em 363, pelo imperador que foi chamado de «o Apóstata» por ter abandonado o cristianismo no qual havia sido educado. A fé cristã é antes de tudo um encontro com Jesus, «uma pessoa que dá à vida um novo horizonte» (encíclica «Deus caritas est», 1). De Jesus Cristo, Verbo de Deus encarnado, São Cirilo de Alexandria foi uma incansável e firme testemunha, sublinhando sobretudo a unidade, como repete no ano 433, na primeira carta (PG 77, 228-237) ao bispo Sucenso: «Um só é o Filho, um só o Senhor Jesus Cristo, seja antes da encarnação ou depois da encarnação. De fato, não se trata de um filho, o ‘Logos’, nascido de Deus Pai, e de outro, nascido da santa Virgem, mas cremos que precisamente Aquele que está antes dos tempos nasceu também segundo a carne de uma mulher». Esta afirmação, muito além de seu significado doutrinal, mostra que a fé em Jesus, «Logos», nascido do Pai, está também sumamente arraigada na história, pois, como afirma São Cirilo, este mesmo Jesus entrou no tempo com o nascimento de Maria, a «Theotòkos», e estará sempre conosco, segundo sua promessa, e isso é importante: Deus é eterno, nasceu de uma mulher e continua conosco cada dia. Nesta confiança vivemos, nesta confiança encontramos o caminho de nossa vida. #Constantinopla #Cristo #Padres #Alexandria #Nestório #Senhor #Oriente #Doutrina #Igreja #Amor #verdadeira #Divindade #Jesus
- São João Crisóstomo de Antioquia
Por Papa Bento XVI Tradução: Zenit Fonte: Vaticano/Zenit Queridos irmãos e irmãs! Este ano se completa o décimo sexto centenário da morte de São João Crisóstomo (407-2007). João de Antioquia, chamado Crisóstomo, isto é, «Boca de ouro» por sua eloqüência, pode dizer-se que segue vivo hoje, também por suas obras. Um anônimo copista deixou escrito que estas «atravessam todo o orbe como raios fulminantes». Seus escritos também permitem a nós, como aos fiéis de seu tempo, que repetidamente se viram privados dele por causa de seus exílios, viver com seus livros, apesar de sua ausência. É tudo que ele mesmo sugeria desde o exílio em uma carta (cf. A Olimpiade, Carta 8, 45). Nascido em torno do ano 349, em Antioquia da Síria (atualmente Antakya, no sul da Turquia), desenvolveu lá o ministério presbiteral durante cerca de onze anos, até o ano 397, quando, nomeado bispo de Constantinopla, exerceu na capital do Império o ministério episcopal antes dos dois exílios, seguidos em breve distância um do outro, entre o ano 403 e 407. Nós nos limitamos hoje a considerar os anos de Crisóstomo na Antioquia. Órfão de pai em terna idade, viveu com sua mãe, Antusa, que lhe transmitiu uma profunda sensibilidade humana e uma profunda fé cristã. Freqüentados os estudos inferiores e superiores, coroados pelos cursos de filosofia e de retórica, teve como mestre Libânio, pagão, o mais célebre reitor do tempo. Em sua escola, João se converteu no maior orador da antiguidade tardia grega. Batizado no ano 368 e formado na vida eclesiástica pelo bispo Melécio, foi por ele instituído leitor em 371, o Asceterio, um tipo de seminário de Antioquia, junto a um grupo de jovens, alguns dos quais foram depois bispos, sob a guia do famoso exegeta Diodoro de Tarso, que encaminhou João à exegese histórico-literal, característica da tradição de Antioquia. Ele se retirou depois durante quatro anos entre os eremitas do próximo monte Silpio. Prosseguiu aquele retiro por outros dois anos que viveu sozinho em uma gruta sob a guia de um «ancião». Nesse período se dedicou totalmente a meditar «As leis de Cristo», os Evangelhos e especialmente as Cartas de Paulo. Enfermando-se, ele se encontrou na impossibilidade de cuidar de si mesmo e por isso teve de regressar à comunidade cristã de Antioquia (cf. Palladio, Vita, 5). O Senhor – explica o biógrafo – interveio com a enfermidade no momento justo para permitir a João seguir sua verdadeira vocação. Com efeito, escreverá ele mesmo que, posto na alternativa de escolher entre o governo da Igreja e a tranqüilidade da vida monástica, teria preferido mil vezes o serviço pastoral (cf. Sobre o sacerdócio, 6, 7): precisamente a este se sentia chamado o Crisóstomo. E aqui se realizou o giro decisivo de sua história vocacional: pastor de almas a tempo integral! A intimidade com a Palavra de Deus, cultivada durante os anos da vida eremítica, havia amadurecido nele a urgência de pregar o Evangelho, de dar aos demais o que ele havia recebido nos anos de meditação. O ideal missionário o lançou assim, alma de fogo, à atenção pastoral. Entre o ano 378 e 379, ele regressou à sua cidade. Diácono em 381 e presbítero em 386, converteu-se em célebre pregador nas igrejas de sua cidade. Pronunciou homilias contra os arianos, seguidas daquelas comemorativas dos mártires de Antioquia e de outras sobre as principais festividades litúrgicas: trata-se de um grande ensinamento da fé de Cristo, também à luz de seus Santos. O ano 387 foi o «ano heróico» de João, o da chamada «revolta das estátuas». O povo derrubou as estátuas imperiais em sinal de protesto contra o aumento dos impostos. Naqueles dias de Quaresma e de angústia por ocasião dos eminentes castigos por parte do imperador, pronunciou suas vinte e duas vibrantes Homilias das estátuas, orientadas à penitência e à conversão. Seguiu-lhe o período de serena atenção pastoral (387-397). O Crisóstomo se situa entre os Padres mais prolíficos: dele nos chegaram 17 tratados, mais de 700 homilias autênticas, os comentários a Mateus e a Paulo (Cartas aos Romanos, aos Coríntios, aos Efésios e aos Hebreus) e 241 cartas. Não foi um teólogo especulativo. Transmitiu, ao contrário, a doutrina tradicional e segura da Igreja em uma época de controversas teológicas suscitadas sobretudo pelo arianismo, isto é, pela negação da divindade de Cristo. É, portanto, um testemunho fiável do desenvolvimento dogmático alcançado pela Igreja no século IV-V. Sua teologia é maravilhosamente pastoral; nela é constante a preocupação da coerência entre o pensamento expresso pela palavra e a vivência existencial. É este, em particular, o fio condutor das esplêndidas catequeses com as quais preparava os catecúmenos para receber o Batismo. Próximo da morte, escreveu que o valor do homem está no «conhecimento exato da verdade e na retidão na vida» (Carta desde o exílio). As duas coisas, conhecimento exato da verdade e retidão na vida, vão juntas: o conhecimento deve traduzir-se em vida. Toda intervenção sua se orientou sempre a desenvolver nos fiéis o exercício da inteligência, da verdadeira razão, para compreender e traduzir na prática as exigências morais e espirituais da fé. João Crisóstomo se preocupa por acompanhar com seus escritos o desenvolvimento integral da pessoa, nas dimensões físicas, intelectual e religiosa. As diversas etapas do crescimento são comparadas a outros tantos mares de um imenso oceano: «O primeiro destes mares é a infância» (Homilia 81, 5 sobre o Evangelho de Mateus). Com efeito, «precisamente nesta primeira idade se manifestam as inclinações ao vício e à virtude». Por isso, a lei de Deus deve ser desde o princípio impressa na alma «como em um bloco de cera» (Homilia 3, 1 sobre o Evangelho de João): de fato, é esta a idade mais importante. Devemos ter presente quão fundamental é que nesta primeira fase da vida entrem realmente no homem as grandes orientações que dão a perspectiva justa à existência. Crisóstomo por isso recomenda: «Desde a mais terna idade abastecei as crianças de armas espirituais e ensinai-as a persignar-se» (Homilia 12, 7 sobre a Primeira Carta aos Coríntios). Chegam depois a adolescência e a juventude: «À infância segue o mar da adolescência, onde os ventos sopram violentos…, porque em nós cresce… a concupiscência» (Homilia 81, 5 sobre o Evangelho de Mateus). Chegam finalmente o noivado e o matrimônio: «À juventude sucede a idade da pessoa madura, na qual sobrevêm os compromissos de família: é o tempo de buscar esposa» (Ibid). Do matrimônio ele recorda os fins, enriquecendo-os – com a alusão à virtude da temperança – de uma rica trama de relações personalizadas. Os esposos bem preparados cortam assim o caminho do divórcio: tudo se desenvolve com alegria e se podem educar aos filhos na virtude. Quando nasce o primeiro filho, este é «como uma ponte; os três se convertem em uma só carne, dado que o filho reúne as duas partes» (Homilia 12, 5 sobre a Carta aos Colossenses), e os três constituem «uma família, pequena Igreja» (Homilia 20, 6 sobre a Carta aos Efésios). A pregação do Crisóstomo acontecia habitualmente no curso da liturgia, «lugar» no qual a comunidade se constrói com a Palavra e a Eucaristia. Aqui a assembléia reunida expressa a única Igreja (Homilia 8, 7 sobre a Carta aos Romanos), a mesma palavra se dirige em todo lugar a todos (Homilia 24, 2 sobre a Primeira Carta aos Coríntios) e a comunhão eucarística se faz sinal eficaz de unidade (Homilia 32,7 sobre o Evangelho de Mateus). Seu projeto pastoral se inseria na vida da Igreja, na qual os fiéis leigos com o Batismo assumem o ofício sacerdotal, real e profético. Ao fiel leigo ele diz: «Também a ti o Batismo te faz rei, sacerdote e profeta» (Homilia 3, 5 sobre a Segunda Carta aos Coríntios). Surge daqui o dever fundamental da missão, porque cada um em alguma medida é responsável pela salvação dos demais: «Este é o princípio de nossa vida social… não interessar-nos só por nós!» (). Tudo se desenvolve entre dois pólos: a grande Igreja e a «pequena Igreja», a família, em recíproca relação. Como podeis ver, queridos irmãos e irmãs, esta lição do Crisóstomo sobre a presença autenticamente cristã dos fiéis leigos na família e na sociedade, é hoje mais atual que nunca. Roguemos ao Senhor para que nos torne dóceis aos ensinamentos deste grande mestre da fé. PAI DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA Continuamos nossa reflexão sobre São João Crisóstomo. Após o período passado em Antioquia, no ano 397, foi nomeado bispo de Constantinopla, capital do Império romano do Oriente. Desde o início, João projetou a reforma de sua Igreja: a austeridade do palácio episcopal tinha de ser um exemplo para todos: clero, viúvas, monges, pessoas da corte e ricos. Infelizmente, não poucos deles, tocados por seus juízos, se afastaram dele. Solícito com os pobres, João foi chamado também de «o esmoleiro». Como administrador atento, conseguiu criar instituições caritativas muito apreciadas. Sua capacidade empreendedora nos diferentes campos fez que alguns o vissem como um perigoso rival. Contudo, como autêntico pastor, tratava todos de maneira cordial e paterna. Em particular, sempre tinha gestos de ternura especial pela mulher e dedicava uma atenção particular ao matrimônio e à família. Convidava os fiéis a participar da vida litúrgica, que tornou esplêndida e atrativa com uma criatividade genial. Apesar de sua bondade, não teve uma vida tranqüila. Pastor da capital do Império, ele se viu envolvido com freqüência nas intrigas políticas por suas contínuas relações com as autoridades e as instituições civis. No âmbito nível eclesiástico, dado que havia deposto na Ásia, no ano 401, seis bispos indignamente eleitos, foi acusado de ter superado os limites de sua jurisdição, convertendo-se em alvo de acusações fáceis. Outro pretexto de ataques contra ele foi a presença de alguns monges egípcios, excomungados pelo patriarca Teófilo de Alexandria, que se refugiaram em Constantinopla. Depois se criou uma forte polêmica causada pelas críticas de Crisóstomo à imperatriz Eudóxia e a suas cortesãs, que reagiram desacreditando-o e insultando-o. Deste modo, foi deposto, no sínodo organizado pelo próprio patriarca Teófilo, no ano 403, e condenado a um primeiro exílio breve. Após regressar, a hostilidade que suscitou por causa de seus protestos contra as festas em honra da imperatriz, que o bispo considerava como festas pagãs, luxuosas, e a expulsão dos presbíteros encarregados dos batismos na Vigília Pascoal do ano 404 marcaram o início da perseguição contra João Crisóstomo e seus seguidores, chamados «joanistas». Então, João denunciou com uma carta os fatos ao bispo de Roma, Inocêncio I. Mas já era tarde demais. No ano 406 foi exilado novamente, esta vez em Cucusa, Armênia. O Papa estava certo de sua inocência, mas não tinha poder para ajudá-lo. Não se pôde celebrar um concílio, promovido por Roma para conseguir a pacificação entre as duas partes do Império e entre suas Igrejas. A dura viagem de Cucusa a Pitionte, destino ao qual nunca chegou, devia impedir as visitas dos fiéis e romper a resistência do prelado esgotado: a condenação ao exílio foi uma autêntica condenação à morte! São comovedoras as numerosas cartas do exílio, nas quais João manifesta suas preocupações pastorais com tons de dor pelas perseguições contra os seus. A marcha para a morte se deteve em Comana Pontica. Lá, João foi levado à capela do mártir São Basilisco, onde entregou o espírito a Deus e foi sepultado, como mártir junto ao mártir (Paládio, «Vida» 119). Era o dia 14 de setembro de 407, festa da Exaltação da Santa Cruz. A reabilitação aconteceu no ano 438, com Teodósio II. As relíquias do santo bispo, colocadas na igreja dos Apóstolos, em Constantinopla, foram transportadas no ano 1204 a Roma, na primitiva Basílica de Constantino, e jazem agora na capela do Coro dos Canônicos da Basílica de São Pedro. Em 24 de agosto de 2004, uma parte importante da mesma foi entregue pelo Papa João Paulo II ao patriarca Bartolomeu I de Constantinopla. A memória litúrgica do santo se celebra em 13 de setembro. O beato João XXIII o proclamou padroeiro do Concílio Vaticano II. De João Crisóstomo se disse que, quando se sentou no trono da Nova Roma, ou seja, Constantinopla, Deus fez ver nele um segundo Paulo, um doutor do universo. Na realidade, em Crisóstomo se dá uma unidade essencial de pensamento e de ação, tanto em Antioquia como em Constantinopla. Só mudam seu papel e as situações. Ao meditar nas oito obras realizadas por Deus na seqüência dos seis dias, no comentário do Gênesis, João Crisóstomo quer fazer que os fiéis se remontem da criação ao Criador: «É de grande ajuda saber o que é a criatura e o que é o Criador», diz. Ele nos mostra a beleza da criação e a transparência de Deus em sua criação, que se converte deste modo em uma espécie de «escada» para ascender a Deus, para conhecê-lo. Mas a este primeiro passo segue outro: esse Deus criador é também o Deus da condescendência («synkatabasis»). Nós somos fracos para «ascender», nossos olhos são fracos. Deste modo, Deus se converte no Deus da condescendência, que envia ao homem caído e estrangeiro uma carta, a Sagrada Escritura. Deste modo, a criação e a escritura se completam. À luz da Escritura, da carta que Deus nos deu, podemos decifrar a criação. Deus é chamado «pai terno» («philostorgios») (ibidem), médico das almas (Homilia, 40, 3 sobre o Gênesis), mãe (ibidem) e amigo carinhoso («Sobre a Providência» 8, 11-12). Mas ao primeiro passo da criação como «escada» para Deus, e ao segundo da condescendência de Deus, através da carta que nos deu, a Sagrada Escritura, é acrescentado um terceiro passo: Deus não só nos transmite uma carta; em definitivo, Ele mesmo desce, encarna-se, converte-se realmente em «Deus conosco», nosso irmão até a morte na Cruz. E com estes três passos – Deus que se torna visível na criação, Deus que nos envia uma carta, Deus que desce e se converte em um de nós – chega-se finalmente a um quarto passo: na vida e ação do cristão, o princípio vital e dinâmico é o Espírito Santo («Pneuma»), que transforma a realidade do mundo. Deus entra em nossa própria existência através do Espírito Santo e nos transforma desde dentro de nosso coração. Com este pano de fundo, precisamente em Constantinopla, João, ao comentar os Atos dos Apóstolos, propõe o modelo da Igreja primitiva (Atos 4, 32-37) como modelo para a sociedade, desenvolvendo uma «utopia» social (como uma «cidade ideal»). Tratava-se, de fato, de dar uma alma e um rosto cristão à cidade. Em outras palavras, Crisóstomo compreendeu que não é suficiente dar esmola, ajudar os pobres de vez em quando, mas é necessário criar uma nova estrutura, um novo modelo de sociedade; um modelo baseado na perspectiva do Novo Testamento. É a nova sociedade que se revela na Igreja nascente. Portanto, João Crisóstomo se converte deste modo em um dos grandes pais da Doutrina Social da Igreja: a velha idéia da «pólis» grega é substituída por uma nova idéia de cidade inspirada na fé cristã. Crisóstomo defendeu, como Paulo (cf. 1 Coríntios 8, 11), o primado de cada cristão, da pessoa enquanto tal, inclusive do escravo e do pobre. Seu projeto corrige deste modo a tradicional visão da «pólis» grega, da cidade, enquanto na cidade cristã todos são irmãos e irmãs com os mesmos direitos. O primado da pessoa é também a conseqüência do fato de que, baseando-se nela se constrói a cidade, enquanto na «pólis» grega a pátria era colocada acima do indivíduo, que ficava totalmente subordinado à cidade em seu conjunto. Deste modo, com Crisóstomo começa a visão de uma sociedade construída com a consciência cristã. Ele nos diz que nossa «pólis» é outra, «nossa pátria está nos céus» (Filipenses 3, 20) e esta nossa pátria, inclusive nesta terra, torna todos iguais, irmãos e irmãs, e nos obriga à solidariedade. Ao final de sua vida, desde o exílio nas fronteiras de Armênia, «o lugar mais remoto do mundo», João, enlaçando com sua primeira pregação do ano 386, retomou o tema que tanto gostava do plano que Deus tem para a humanidade: é um plano «inefável e incompreensível», mas certamente guiado por Ele com amor (cf. «Sobre a providência» 2, 6). Esta é a nossa certeza. Ainda que não possamos decifrar os detalhes da história pessoal e coletiva, sabemos que o plano de Deus está sempre inspirado por seu amor. Deste modo, apesar de seus sofrimentos, João Crisóstomo reafirmava a descoberta de que Deus ama cada um de nós com um amor infinito, e por este motivo quer a salvação de todos. Por sua parte, o santo bispo cooperou com esta salvação com generosidade, sem poupar esforços, durante toda a sua vida. De fato, considerava como último fim de sua existência essa glória de Deus; já moribundo, deixou como último testamento: «Glória a Deus por tudo!» (Paládio, «Vida» 11). #Mateus #Constantinopla #Evangelho #Coríntios #Antioquia #Alexandria #matrimônio #adolescência #SãoJoãoCrisóstomo #família #Homilia #patriarca #juventude #Igreja #Bispo #Alma #Amor #alegria #império
- São Pedro e São Paulo: «inseparáveis»
Bispo de Terrassa explica o que o Papa pretende com o ano jubilar paulino Por Miriam Díez i Bosch TERRASSA, quinta-feira, 19 de junho de 2008 (ZENIT.org).- Josep Angel Saiz Meneses, bispo da diocese de Terrassa, recorda o vínculo intrínseco que une São Pedro e São Paulo diante do iminente ano paulino que começa em 28 de junho. «Desde o início da era cristã, a tradição considerou São Pedro e São Paulo inseparáveis um do outro, ainda que cada um teve uma missão diversa a cumprir: São Pedro foi o primeiro a confessar a fé em Cristo; São Paulo obteve o dom de poder aprofundar em sua riqueza», escreve em sua carta dominical. «São Pedro fundou a primeira comunidade de cristãos provenientes do povo escolhido; São Paulo se converteu no apóstolo dos pagãos. Com carismas diversos – e não sem algumas tensões entre eles – trabalharam ambos por uma única causa: o testemunho de Jesus Cristo e a construção de sua Igreja», reconhece. «O que Bento XVI pretende ao proclamar este ano jubilar paulino?», pergunta-se este jovem bispo: «A resposta nos foi dada pelo próprio Papa na homilia no curso da qual fez o anúncio: aproveitar esta ocasião para unir-nos mais profundamente a Cristo mediante a fé, a esperança e o amor, e para dar testemunho dele diante da nossa sociedade de hoje». «Será bom acolher as mesmas palavras do Santo Padre. Em sua homilia, o Papa aludiu a um detalhe muito pessoal de São Paulo. É uma circunstância que pode iluminar a nós, cristãos de hoje, que sentimos a responsabilidade de dar testemunho de Cristo e, «com temor e tremor» – como Paulo – talvez sentimos a dificuldade de fazê-lo com coerência e o medo de que não sejamos escutados», alenta. O bispo da nova diocese de Terrassa, a qual acaba de completar quatro anos depois de ser desmembrada da antiga arquidiocese de Barcelona, escreve que São Paulo não sabia falar muito bem, mas isso não impediu que seu trabalho apostólico tocasse as pessoas. «Por suas cartas, sabemos que São Paulo não sabia falar muito bem; mais ainda, compartilhava com Moisés e Jeremias a falta de talento oratório. ‘Sua presença física é pobre a sua palavra depreciável’ (2 Co 10, 10). Portanto, os extraordinários resultados apostólicos que pôde conseguir não devem ser atribuídos a uma brilhante retórica ou a refinadas estratégias apologéticas e missionárias. O êxito de seu apostolado depende, sobretudo, de seu compromisso pessoal ao anunciar o Evangelho com total entrega a Cristo», afirma. «Este acho que deve ser o primeiro fruto deste ano paulino: imitar o grande apóstolo na entrega a Cristo e na valentia em dar testemunho de nossa fé», anima o bispo Saiz Meneses. #Cristo #PapaBentoXVI #apostolo #SãoPaulo #acolher #vínculo #Angel #Pedro #Homilia #SãoPedro #Paulo #Bispo #Amor #Jesus
- São Gregório de Nissa
Por Papa Bento XVI Tradução: Zenit Fonte: Vaticano/Zenit Queridos irmãos e irmãs: Nas últimas catequeses, falei de dois grandes doutores da Igreja do século IV, Basílio e Gregório de Nazianzeno, bispo em Capadócia, na atual Turquia. Hoje falaremos de um terceiro, o irmão de Basílio, São Gregório de Nisa, homem de caráter meditativo, com grande capacidade de reflexão e uma inteligência desperta, aberta à cultura de seu tempo. Converteu-se assim em um pensador original e profundo da história do cristianismo. Nasceu por volta do ano 335; sua formação cristã foi atendida particularmente por seu irmão Basílio, definido por ele como «pai e mestre» (Epístola 13, 4:SC 363, 198), e por sua irmã Macrina. Em seus estudos, gostava particularmente da filosofia e da retórica. Em um primeiro momento, ele se dedicou ao ensino e se casou. Depois, como seu irmão e sua irmã, entregou-se totalmente à vida ascética. Mais tarde, foi eleito bispo de Nisa, convertendo-se em pastor zeloso, conquistando a estima da comunidade. Acusado de malversações econômicas por seus adversários hereges, teve de abandonar brevemente sua sede episcopal, mas depois regressou triunfantemente (cF. Epístola 6:SC 363, 164-170), e continuou comprometendo-se na luta por defender a autêntica fé. Após a morte de Basílio, recolhendo sua herança espiritual, cooperou sobretudo no triunfo da ortodoxia. Participou de vários sínodos; procurou dirimir os enfrentamentos entre as Igrejas; participou na reorganização eclesiástica e, como «coluna da ortodoxia», foi um dos protagonistas do Concílio de Constantinopla do ano 381, que definiu a divindade do Espírito Santo. Teve vários encargos oficiais por parte do imperador Teodósio, pronunciou importantes homilias e discursos fúnebres, compôs várias obras teológicas. No ano 394 voltou a participar de um sínodo que se celebrou em Constantinopla. Desconhece-se a data de sua morte. Gregório expressa com clareza a finalidade de seus estudos, objetivo supremo ao que dedica seu trabalho teológico: não entregar a vida a coisas banais, mas encontrar a luz que permita discernir o que é verdadeiramente útil (cf. «In Ecclesiasten hom. »1: SC 416, 106-146). Encontrou este bem supremo no cristianismo, graças ao qual é possível «a imitação da natureza divina» («De professione christiana»: PG 46, 244C). Com sua aguda inteligência e seus amplos conhecimentos filosóficos e teológicos, defendeu a fé cristã contra os hereges, que negavam a divindade do Espírito Santo (como Eunômio e os macedônios), ou questionavam a perfeita humanidade de Cristo (como Apolinário). Comentou a Sagrada Escritura, meditando na criação do homem. A criação era para ele um tema central. Ele via na criatura um reflexo do Criador e a partir daí encontrava o caminho para Deus. Mas também escreveu um importante livro sobre a vida de Moisés, a quem apresenta como homem em caminho para Deus: esta ascensão para o Monte Sinai se converte para ele em uma imagem de nossa ascensão na vida humana para a verdadeira vida, para o encontro com Deus. Interpretou também a oração do Senhor, o Pai Nosso e as Bem-aventuranças. Em seu «Grande discurso catequético» («Oratio catechetica magna»), expôs as linhas fundamentais da teologia, não de uma teologia acadêmica, fechada em si mesma, mas ofereceu aos catequistas um sistema de referência para seus ensinamentos, como uma espécie de padrão no qual se move depois a interpretação pedagógica da fé. Gregório também é insigne por sua doutrina espiritual. Sua teologia não era uma reflexão acadêmica, mas a expressão de uma vida espiritual de uma vida de fé vivida. Como grande «padre de mística», apresentou em vários tratados – como o «De professione christiana» e o «De perfectione christiana» – o caminho que os cristãos têm de empreender para alcançar a verdadeira vida, a perfeição. Exaltou a virgindade consagrada («De virginitate»), e propôs um modelo insigne na vida de sua irmã Macrina, que foi para ele sempre uma guia, um exemplo (cf. «Vita Macrinae»). Pronunciou vários discursos e homilias, escreveu numerosas cartas. Comentando a criação do homem, Gregório sublinha que Deus, «o melhor dos artistas, forja nossa natureza de maneira que seja capaz do exercício da realeza. Por causa da superioridade da alma, e graças à própria conformação do corpo, faz que o homem seja realmente idôneo para desempenhar o poder régio» («De hominis opificio» 4: PG 44, 136B). Mas vemos como o homem, na rede dos pecados, com freqüência abusa da criação e não exerce a verdadeira realeza. Por este motivo, para desempenhar uma verdadeira responsabilidade ante as criaturas, tem de ser penetrado por Deus e viver em sua luz. O homem, de fato, é um reflexo dessa beleza original que é Deus: «Tudo o que Deus criou era ótimo», escreve o santo bispo. E acrescenta: «A narração da criação testemunha isso (cf. Gêneses 1, 31). Entre as coisas ótimas também se encontrava o homem, dotado de uma beleza muito superior à de todas as coisas belas. Que outra coisa podia ser tão bela como a que era semelhante à beleza pura e incorruptível?… Reflexo e imagem da vida eterna, ele era realmente belo, mais ainda, belíssimo, com o sinal radiante da vida em seu rosto» («Homilia in Canticum» 12: PG 44, 1020). O homem foi honrado por Deus e colocado acima de toda criatura: «O céu não foi feito à imagem de Deus, nem a lua, nem o sol, nem a beleza das estrelas, nem nada do que aparece na criação. Só tu (alma humana) foste feita à imagem da natureza que supera toda inteligência, semelhante à beleza incorruptível, marca da verdadeira divindade, espaço de vida bem-aventurada, imagem da verdadeira luz, e ao contemplar-te te convertes no que Ele é, pois por meio do raio refletido que provém de tua pureza tu imitas aquele que brilha em ti. Nada do que existe é tão grande que possa ser comparado à tua grandeza» («Homilia in Canticum 2»: PG 44, 805D). Meditemos neste elogio do homem. Vejamos também como o homem foi degradado pelo pecado. E procuremos voltar à grandeza originária: somente se Deus está presente, o homem alcança sua verdadeira grandeza. O homem, portanto, reconhece dentro de si o reflexo da luz divina: purificando seu coração, volta a ser, como era no início, uma imagem límpida de Deus, Beleza exemplar (cf. «Oratio catechetica 6»: SC 453, 174). Deste modo, o homem, purificando-se, pode ver Deus, como os puros de coração (cf. Mateus 5, 8):«Se, com um estilo de vida diligente e atento, lavas as fealdades que se depositaram em teu coração, resplandecerá em ti a beleza divina… Contemplando-te a ti mesmo, verás em ti o desejo de teu coração e serás feliz» («De beatitudinibus, 6»:PG 44, 1272AB). Portanto, é preciso lavar as fealdades que se depositaram em nosso coração e voltar a encontrar em nós mesmos a luz de Deus. O homem tem como fim, portanto, a contemplação de Deus. Só nela poderá encontrar sua plenitude. Para antecipar em certo sentido este objetivo já nesta vida, tem de avançar incessantemente a uma vida espiritual, uma vida de diálogo com Deus. Em outras palavras – e esta é a lição importante que São Gregório de Nisa nos deixa – a plena realização do homem consiste na santidade, em uma vida vivida no encontro com Deus, que deste modo se torna luminosa também para os demais, também para o mundo. ENSINAMENTOS Eu vos proponho alguns aspectos da doutrina de São Gregório de Nisa, de quem já falamos na quarta-feira passada. Antes de tudo, Gregório manifesta uma concepção muito elevada da dignidade do homem. O fim do homem, diz o santo bispo, é o de tornar-se semelhante a Deus, e este fim se alcança sobretudo através do amor, do conhecimento e da prática das virtudes, «raios luminosos que descendem da natureza divina» («De beatitudinibus» 6: PG 44, 1272C), com um movimento perpétuo de adesão ao bem, como o corredor que tende para frente. Gregório utiliza neste sentido uma imagem eficaz, que já estava presente na carta de Paulo aos Filipenses: «épekteinómenos» (3, 13), ou seja, «tendendo-me» para o que é maior, para a verdade e o amor. Esta expressão plástica indica uma realidade profunda: a perfeição que queremos encontrar não é algo que se conquista para sempre; perfeição é seguir o caminho, é uma contínua disponibilidade para seguir adiante, pois nunca se alcança a plena semelhança com Deus; sempre estamos a caminho (cf. «Homilia in Canticum 12»: PG 44, 1025d). A história de cada alma é a de um amor que é cumulado em cada ocasião, e que ao mesmo temo está aberto a novos horizontes, pois Deus dilata continuamente as possibilidades da alma para torná-la capaz de bens sempre maiores. O próprio Deus semeou em nós sementes de bem e d’Ele surge toda iniciativa de santidade, «modela o bloco… Limando e polindo nosso espírito forma, Cristo em nós» («In Psalmos 2», 11: PG 44, 544B). Gregório declara: «Não é obra nossa, e não é tampouco o êxito de uma potência humana o chegar a ser semelhantes à Divindade, mas o resultado da generosidade de Deus, que desde sua origem ofereceu à nossa natureza a graça da semelhança com Ele» («De virginitate 12», 2:SC 119, 408-410). Para a alma, portanto, «não se trata de conhecer algo de Deus, mas de ter Deus em si» («De beatitudinibus 6»: PG 44,1269c). De fato, constata agudamente Gregório, «a divindade é pureza, é libertação das paixões e remoção de todo mal: se tudo isso está em ti, Deus realmente está em ti» («De beatitudinibus 6»: PG 44,1272C). Quando temos Deus em nós, quando o homem ama Deus, por essa reciprocidade que é própria da lei do amor, quer o que Deus mesmo quer (cf. «Homilia in Canticum 9»: PG 44,956ac), e, portanto, coopera com Deus para modelar em si a imagem divina, de maneira que «nosso nascimento espiritual é o resultado de uma opção livre, e nós somos em certo sentido os pais de nós mesmos, criando-nos de uma opção livre, e nós mesmos queremos ser, e formando-nos por nossa vontade segundo o modelo que escolhemos» («Vita Moysis 2», 3: SC 1bis, 108). Para ascender a Deus, o homem deve purificar-se: «A vida que reconduz a natureza humana ao céu não é mais que se afastar dos maus deste mundo… Tornar-se semelhante a Deus significa chegar a ser justo, santo e bom… Se, portanto, segundo o Eclesiastes (5,1), ‘Deus está no céu’ e se, segundo o profeta (Salmo 72, 28), vós ‘estais com Deus’, isso quer dizer necessariamente que tendes de estar ali onde está Deus, pois estais unidos a Ele. Dado que Ele vos ordenou que, quando rezardes, deveis chamar Deus de Pai, está vos dizendo que sejais semelhantes ao vosso Pai celestial, com uma vida digna de Deus, como o Senhor nos ordena com mais clareza em outro momento, quando diz: ‘Sede perfeitos como é perfeito vosso Pai celestial’ (Mateus 5, 48)» («De oratione dominica 2»: PG 44, 1145ac). Neste caminho de ascensão espiritual, Cristo é o modelo e o mestre que nos permite ver a bela imagem de Deus (cf. «De perfectione christiana»: PG 46,272a ). Cada um de nós, contemplando-O, se converte no «pintor da própria vida», fazendo que a vontade seja a realizadora do trabalho e as virtudes, como as pinturas das quais pode servir-se (ibidem: PG 46, 272b). Portanto, se o homem é considerado digno do nome de Cristo, como deve comportar-se? Gregório responde assim: tem de «examinar sempre em sua intimidade os pensamentos, as palavras e as ações, para ver se estão dirigidos a Cristo ou se afastam dele» (ibidem: PG 46,284c). E este ponto é importante para o valor que dá à palavra «cristão». Cristão é quem leva o nome de Cristo e, portanto, deve assemelhar-se a Ele também na vida. Nós, os cristãos com o Batismo, assumimos uma grande responsabilidade. Pois bem, Cristo, recorda Gregório, está presente também nos pobres, de maneira que eles jamais podem ser ultrajados: «Não desprezeis aqueles que estão prostrados, como se por este motivo não valessem nada. Considera quem são e descobrirás qual é a sua dignidade: representam a Pessoa do Salvador. E assim é, pois o Senhor, em sua bondade, lhes prestou sua própria Pessoa para que, através dela, tenham compaixão por aqueles que são duros de coração e inimigos dos pobres» («De pauperibus amandis»: PG 46,460bc). Gregório, como dizíamos, fala de uma ascensão: ascensão a Deus na oração através da pureza de coração; mas ascensão a Deus também mediante o amor ao próximo. O amor é a escada que leva a Deus. Portanto, Gregório de Nisa exorta vivamente aos que o escutavam: «Sê generoso com estes irmãos, vítimas da desventura. Dá ao faminto o que tiras do teu estômago» (ibidem: PG 46,457c). Com muita clareza, Gregório recorda que todos nós dependemos de Deus, e por isso exclama: «Não penseis que tudo é vosso! Tem de haver também uma parte para os pobres, os amigos de Deus. A verdade, de fato, é que tudo procede de Deus, Pai universal, e que somos irmãos, e pertencemos a uma mesma estirpe» (Ibidem:PG 46, 465b). Então, o cristão deve examinar-se, continua insistindo Gregório: «Mas, de que te serve jejuar e fazer abstinência, se depois com tua maldade não fazes mais que dano a teu irmão? O que ganhas, ante Deus, pelo fato de não comer do teu, se depois, atuando injustamente, arrancas das mãos do pobre o que é seu?» (Ibidem: PG 46,456a). Concluamos nossas catequeses sobre os três grandes padres da Capadócia recordando mais uma vez esse aspecto importante da doutrina espiritual de Gregório de Nisa, que é a oração. Para avançar no caminho para a perfeição e acolher Deus em si, levando em si o Espírito de Deus, o amor de Deus, o homem tem de dirigir-se com confiança a Ele na oração: «Através da oração conseguimos estar com Deus. E quem está com Deus, está longe do inimigo. A oração é apoio e defesa da castidade, freio da ira, sossego e domínio da soberba. A oração é custódia da virgindade, proteção da fidelidade no matrimônio, esperança para quem vela, abundância de frutos para os agricultores, segurança para os navegantes» («De oratione dominica 1»:PG 44,1124A-B). O cristão reza inspirando-se sempre na oração do Senhor: «Se, portanto, queremos pedir que desça sobre nós o Reino de Deus, pedimos com a potência da Palavra: que eu seja afastado da corrupção, que seja libertado da morte e das correntes do erro; que nunca reine sobre mim a morte, que não tenha nunca poder sobre nós a tirania do mal, que não me domine o adversário nem me torne seu prisioneiro com o pecado, mas que venha a mim teu Reino para que se afastem de mim, ou melhor ainda, se anulem as paixões que agora me dominam» (ibidem 3:PG 44,1156d-1157a). Terminada sua vida terrena, o cristão poderá dirigir-se com serenidade a Deus. Falando disso, são Gregório pensa na morte de sua irmã Macrina e escreve que ela, no momento da morte, rezava a Deus com estas palavras: «Tu, que tens na terra o poder de perdoar os pecados, perdoa-me para que possa ter descanso (cf. Salmo 38, 14), e para que me apresente em tua presença sem mancha, no momento no qual fico despojada de meu corpo (cf. Colossenses 2, 11), de maneira que meu espírito, santo e imaculado (cf. Efésios 5, 27) seja acolhido em tuas mãos, ‘como incenso ante ti’ (Salmo 140,2)» («Vita Macrinae 24»: SC 178, 224). Este ensinamento de São Gregório continua sendo válido sempre: não podemos somente falar de Deus, mas levar Deus em nós mesmos. E o fazemos com o compromisso da oração e vivendo no espírito de amor por todos os nossos irmãos. #coração #Deus #acolher #Abstinência #adiante #criação #Homilia #pureza #Ortodoxia #Alma #Amor #verdadeira #abundância #Divindade #Imagem #Pai
- Bento XVI restaura a comunhão de joelhos
Diante de 70 mil pessoas, o papa Bento XVI fez história domingo durante a celebração de uma missa em Brindisi, cidade situada na região sudoeste da Itália. No momento da comunhão, o pontífice restaurou o costume de entregar a hóstia consagrada aos fiéis ajoelhados. Apenas os diáconos puderam comungar de pé, diante do líder da Igreja. O gesto, de forte apelo simbólico, resgatou uma tradição abandonada havia 43 anos, quando a reforma litúrgica definida pelo Concílio Vaticano II determinou que os peregrinos receberiam a hóstia de pé e nas mãos. A partir de agora, todos os católicos escolhidos pela Santa Sé para a comunhão com o papa terão de se ajoelhar diante de um reclinatório e receber a eucaristia diretamente na boca. Bento XVI já havia feito o mesmo na missa de 22 de maio, celebrada na Igreja de São João Latrão, em Roma. Como o número de fiéis presentes era menor, a atitude teve pouca ou quase nenhuma repercussão. ‘‘Nós, os cristãos, nos ajoelhamos diante do Santíssimo Sacramento (a hóstia) porque, nele, sabemos e acreditamos estar na presença do único e verdadeiro Deus’’, afirmou o papa, naquela ocasião. ‘‘Estou convencido da urgência de dar novamente a hóstia diretamente na boca aos fiéis, sem que a toquem, e de voltar à genuflexão no momento da comunhão como sinal de respeito’’, acrescentou. A assessoria de imprensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) afirmou ao Correio que ainda não recebeu qualquer comunicado do Vaticano sobre a inclusão dos 125 milhões de brasileiros católicos na mudança litúrgica. ‘‘Resta saber se essa é uma norma ou uma orientação do Santo Padre’’, declarou a entidade. Ainda que a determinação valha apenas para fiéis que comungarem diretamente das mãos do pontífice, ela reforça a tendência de Bento XVI em recuperar partes mais tradicionalistas do ritual, que caíram em desuso com o tempo. Em três anos de pontificado, o papa manteve-se fiel ao antigo cargo de prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé: condenou o casamento homossexual e o aborto e exigiu que as pesquisas genéticas respeitem a vida. Mas a medida mais surpreendente até então foi o relançamento da missa em latim, com base no rito tridentino (em que o sacerdote fica de costas para os fiéis e faz a celebração no idioma milenar). Em vigor desde 14 de setembro, a norma foi bem recebida pela área mais conservadora da Igreja Católica. Fonte: Diário de Natal #celebração #litúrgica #PapaBentoXVI #comunhão #história #Eucaristia #pontífice #ajoelhar #hóstia #Tradição #forte #comungar #Concílio #consagrada
- São Gregório de Nanzianzo
Por Papa Bento XVI Tradução: Zenit Fonte: Vaticano/Zenit Queridos irmãos e irmãs! Na passada quarta-feira falei de um grande mestre da fé, o Padre da Igreja São Basílio. Hoje gostaria de falar do seu amigo Gregório de Nazianzo, também ele, como Basílio, originário da Capadócia. Teólogo ilustre, orador e defensor da fé cristã no século IV, foi célebre pela sua eloquência, e teve também, como poeta, uma alma requintada e sensível. Gregório nasceu de uma família nobre. A mãe consagrou-o a Deus desde o nascimento, que aconteceu por volta de 330. Depois da primeira educação familiar, frequentou as mais célebres escolas da sua época: primeiro foi a Cesareia da Capadócia, onde estreitou amizade com Basílio, futuro Bispo daquela cidade, e deteve-se em seguida noutras metrópoles do mundo antigo, como Alexandria do Egipto e sobretudo Atenas, onde encontrou de novo Basílio (cf. Oratio 14-24: SC 384, 146-180). Reevocando a sua amizade, Gregório escreverá mais tarde: “Então não só eu me sentia cheio de veneração pelo meu grande Basílio devido à seriedade dos seus costumes e à maturidade e sabedoria dos seus discursos, mas induzia a fazer o mesmo também a outros, que ainda não o conheciam… Guiava-nos a mesma ansiedade de saber… Esta era a nossa competição: não quem era o primeiro, mas quem permitisse ao outro de o ser. Parecia que tínhamos uma só alma em dois corpos” (Oratio 43, 16.20: SC 384, 154-156.164). São palavras que representam um pouco o auto-retrato desta alma nobre. Mas também se pode imaginar que este homem, que estava fortemente projectado para além dos valores terrenos, tenha sofrido muito pelas coisas deste mundo. Tendo regressado a casa, Gregório recebeu o Baptismo e orientou-se para uma vida monástica: a solidão, a meditação filosófica e espiritual fascinavam-no. Ele mesmo escreverá: “Nada me parece maior do que isto: fazer calar os próprios sentidos, sair da carne do mundo, recolher-se em si mesmo, não se ocupar mais das coisas humanas, a não ser das que são estritamente necessárias; falar consigo mesmo e com Deus, levar uma vida que transcende as coisas visíveis; levar na alma imagens divinas sempre puras, sem misturar formas terrenas e erróneas; ser verdadeiramente um espelho imaculado de Deus e das coisas divinas, e tornar-se tal cada vez mais, tirando luz da luz…; gozar, na esperança presente, o bem futuro, e conversar com os anjos; ter já deixado a terra, mesmo estando na terra, transportado para o alto com o espírito” (Oratio 2, 7: SC 247, 96). Como escreve na sua autobiografia (cf. Carmina [historica] 2, 1, 11 De vita sua 340-349: PG 37, 1053), recebeu a ordenação presbiteral com uma certa resistência, porque sabia que depois teria que ser Pastor, ocupar-se dos outros, das suas coisas, e portanto já não podia recolher-se só na meditação. Contudo aceitou depois esta vocação e assumiu o ministério pastoral em total obediência, aceitando, como com frequência lhe aconteceu na sua vida, ser guiado pela Providência aonde não queria ir (cf. Jo 21, 18). Em 371 o seu amigo Basílio, Bispo de Cesareia, contra o desejo do próprio Gregório, quis consagrá-lo Bispo de Sasima, uma Cidade extremamente importante da Capadócia. Mas ele, devido a várias dificuldades, nunca tomou posse dela e permaneceu na cidade de Nazianzo. Por volta de 379, Gregório foi chamado a Constantinopla, a capital, para guiar a pequena comunidade católica fiel ao Concílio de Niceia e à fé trinitária. A maioria aderia ao contrário ao arianismo, que era “politicamente correcto” e considerado pelos imperadores útil sob o ponto de vista político. Deste modo ele encontrou-se em condições de minoria, circundado por hostilidades. Na pequena igreja de Anastasis pronunciou cinco Discursos teológicos (Orationes 27-31: SC 250, 70-343) precisamente para defender e tornar também inteligível a fé trinitária, a habilidade do raciocínio, que faz compreender realmente que esta é a lógica divina. E também o esplendor da forma os torna hoje fascinantes. Gregório recebeu, devido a estes discursos, o apelativo de “teólogo”. Assim é chamado na Igreja ortodoxa: o “teólogo”. E isto porque para ele a teologia não é uma reflexão meramente humana, ou muito menos apenas o fruto de especulações complicadas, mas deriva de uma vida de oração e de santidade, de um diálogo assíduo com Deus. E precisamente assim mostra à nossa razão a realidade de Deus, o mistério trinitário. No silêncio contemplativo, imbuído de admiração diante das maravilhas do mistério revelado, a alma acolhe a beleza e a glória divina. Enquanto participava no segundo Concílio Ecuménico de 381, Gregório foi eleito Bispo de Constantinopla, e assumiu a presidência do Concílio. Mas desencadeou-se imediatamente contra ele uma grande oposição, e a situação tornou-se insustentável. Para uma alma tão sensível estas inimizades eram insuportáveis. Repetia-se o que Gregório já tinha lamentado anteriormente com palavras ardentes: “Dividimos Cristo, nós que tanto amávamos Deus e Cristo! Mentimos uns aos outros devido à Verdade, alimentámos sentimentos de ódio devido ao Amor, dividimo-nos uns dos outros!” (Oratio 6, 3: SC 405, 128). Chega-se assim, num clima de tensão, à sua demissão. Na catedral apinhada Gregório pronunciou um discurso de despedida com grande afecto e dignidade (cf Oratio 42: SC 384, 48-114). Concluía a sua fervorosa intervenção com estas palavras: “Adeus, grande cidade, amada por Cristo… Meus filhos, suplico-vos, guardai o depósito [da fé] que vos foi confiado (cf. 1 Tm 6, 20), recordai-vos dos meus sofrimentos (cf. Cl 4, 18). Que a graça do nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos vós” (cf. Oratio 42, 27: SC 384, 112-114). Regressou a Nazianzo, e por cerca de dois anos dedicou-se ao cuidado pastoral daquela comunidade cristã. Depois retirou-se definitivamente em solidão na vizinha Arianzo, a sua terra natal, dedicando-se ao estudo e à vida ascética. Nesse período compôs a maior parte da sua obra poética, sobretudo autobiográfica: o De vita sua, uma releitura em versos do próprio caminho humano e espiritual, um caminho exemplar de um cristão sofredor, de um homem de grande interioridade num mundo cheio de conflitos. É um homem que nos faz sentir a primazia de Deus e por isso fala também a nós, a este nosso mundo: sem Deus o homem perde a sua grandeza, sem Deus não há verdadeiro humanismo. Por isso, ouçamos esta voz e procuremos conhecer também nós o rosto de Deus. Numa das suas poesias escrevera, dirigindo-se a Deus: “Sê benigno, Tu, o Além de tudo” (Carmina [dogmatica] 1, 1, 29: PG 37, 508). E em 390 Deus acolheu nos seus braços este servo fiel, que com inteligência perspicaz tinha defendido nos escritos, e com tanto amor o tinha cantado nas suas poesias. LIÇÕES Nos retratos dos grandes padres e doutores da Igreja que estou procurando oferecer nestas catequeses, da última vez falei de São Gregório Nazianzeno, bispo do século IV, e hoje quero continuar completando o retrato desse grande mestre. Hoje trataremos de recolher alguns de seus ensinamentos. Refletindo sobre a missão que Deus lhe havia confiado, São Gregório Nazianzeno concluía: «Fui criado para ascender até Deus com minhas ações» («Oratio 14, 6 de pauperum amore»: PG 35, 865). De fato, pôs ao serviço de Deus e da Igreja seu talento de escritor e orador. Escreveu numerosos discursos, homilias e panegíricos, muitas cartas e obras poéticas (quase 18.000 versos): uma atividade verdadeiramente prodigiosa. Havia compreendido qual era a missão que Deus lhe havia confiado: «Servo da Palavra, oferece minha adesão ao ministério da Palavra, que nunca me permita descuidar desse bem. Eu aprecio e me alegro com esta vocação; ela me dá mais alegria que todo o resto» («Oratio 6,5»: SC 405, 134; cf. também «Oratio 4, 10»). O nazianzeno era um homem manso, e em sua vida sempre procurou promover a paz na Igreja de seu tempo, dilacerada por discórdias e heresias. Com audácia evangélica, ele se esforçou por superar sua própria timidez para proclamar a verdade da fé. Sentia profundamente o anseio de aproximar-se de Deus, de unir-se a Ele. Ele mesmo o expressa em uma poesia, na qual escreve: «grandes correntes do mar da vida, agitado daqui para lá por impetuosos ventos… Havia só uma coisa que queria, minha única riqueza, consolo e esquecimento dos cansaços, a luz da santa Trindade» («Carmina [histórica]» 2,1,15: PG 37, 1250ss.). Gregório fez resplandecer a luz da Trindade, defendendo a fé proclamada no Concílio de Nicéia: um só Deus em três Pessoas iguais e distintas – Pai, Filho e Espírito Santo –, «tripla luz que se une em um único esplendor» («Hino vespertino: Carmina [histórica]» 2, 1, 32:PG 37, 512). Deste modo, Gregório, seguindo São Paulo (1 Coríntios 8, 6), afirma: «para nós há um Deus, o Pai, do qual procedem todas as coisas; um Senhor, Jesus Cristo, por quem são todas as coisas, e um Espírito Santo, no qual estão todas as coisas» («Oratio 39», 12: SC 358, 172). Gregório destacou muito a plena humanidade de Cristo: para redimir o homem em sua totalidade de corpo, alma e espírito, Cristo assumiu todos os componentes da natureza humana, do contrário o homem não teria sido salvo. Contra a heresia de Apolinário, que assegurava que Jesus Cristo não havia assumido uma alma racional, Gregório enfrenta o problema à luz do mistério da salvação: «O que não foi assumido não foi curado» (Epístola 101», 32: SC 208, 50), e se Cristo não tivesse tido «intelecto racional, como teria podido ser homem?» («Epístola 101», 34: SC 208, 50). Precisamente nosso intelecto, nossa razão, tinha necessidade da relação, do encontro com Deus em Cristo. Ao fazer-se homem, Cristo nos deu a possibilidade de chegar a ser como Ele. O nazianzeno exorta: «Procuremos ser como Cristo, pois também Cristo se fez como nós: ser como deuses por meio d’Ele, pois Ele mesmo se fez homem por nós. Carregou o pior para dar-nos o melhor» («Oratio 1,5»: SC 247, 78). Maria, que deu a natureza humana a Cristo, é verdadeira Mãe de Deus («Theotókos»: cf. «Epístola 101», 16: SC 208, 42), e de cara a sua elevadíssima missão foi «pré-purificada» («Oratio 38», 13: SC 358, 132, apresentando uma espécie de distante prelúdio do dogma da Imaculada Conceição). Propõe Maria como modelo dos cristãos, sobretudo às virgens, e como auxílio que é preciso invocar nas necessidades (cf. «Oratio 24», 11: SC 282, 60-64). Gregório nos recorda que, como pessoas humanas, temos de ser solidários uns com os outros. Escreve: «‘Nós, sendo muitos, não formulamos mais que um só corpo em Cristo’ (cf. Romanos 12, 5), ricos e pobres, escravos e livres, sadios e enfermos: e única é a cabeça da qual tudo deriva: Jesus Cristo. E como acontece com os membros de um só corpo, cada um se ocupa de cada um, e todos de todos». Depois, referindo-se aos enfermos e às pessoas que atravessam dificuldades, conclui: «Esta é a única salvação para nossa carne e nossa alma: a caridade para com eles» («Oratio 14, 8 de pauperum amore»: PG 35, 868ab). Gregório sublinha que o homem tem de imitar a bondade e o amor de Deus e, portanto, recomenda: «Se estás sadio e és rico, alivia a necessidade de quem está enfermo e é pobre; se não caíste, ajuda quem caiu e vive no sofrimento; se estás contente, consola quem está triste; se és afortunado, ajuda quem foi mordido pela desventura. Dá a Deus uma prova de reconhecimento para que sejas um dos que podem fazer o bem, e não dos que têm de ser ajudados… Não sejas rico de bens, mas de piedade; não só de ouro, mas de virtudes, ou melhor, só desta. Supera a fama de teu próximo sendo melhor bom que todos; converte-se em Deus para o desventurado, imitando a misericórdia de Deus» («Oratio 14, 26 de pauperum amore»: PG 35, 892bc). Gregório nos ensina, antes de tudo, a importância da necessidade da oração. Afirma que «é necessário se lembrar de Deus com mais freqüência do que respiramos» («Oratio 27», 4: PG 250, 78), pois a oração é o encontro da sede de Deus com nossa sede. Deus tem sede de que tenhamos sede d’Ele (cf. «Oratio 40», 27: SC 358, 260). Na oração, temos que dirigir nosso coração a Deus para entregar-nos a Ele como oferenda que deve ser purificada e transformada. Na oração, vemos tudo à luz de Cristo, deixamos cair nossas máscaras e nos submergimos na verdade e na escuta de Deus, alimentando o fogo do amor. Em uma poesia, que ao mesmo tempo é meditação sobre o sentido da vida e invocação implícita de Deus, Gregório escreve: «Alma minha, tens uma tarefa, se queres, uma grande tarefa. Escruta seriamente em teu interior, teu ser, teu destino; de onde vens e para onde irás, procura saber se é vida a que vives ou se há algo mais. Alma minha, tens uma tarefa, purifica, portanto, tua vida: considera, por favor, Deus e seus mistérios, indaga no que havia antes deste universo, e o que é para ti, de onde procede e qual será seu destino. Esta é tua tarefa, alma minha, portanto, purifica tua vida» («Carmina [histórica] 2», 1,78: PG 37, 1425-1426). O santo bispo pede continuamente ajuda a Cristo para elevar-se e reiniciar o caminho: «Decepcionou-me, Cristo meu, minha exagerada presunção: das alturas caí muito baixo. Mas, volta a levantar-me novamente agora, pois vejo que enganei a mim mesmo; se volto a confiar demais em mim mesmo, voltarei a cair imediatamente, e a queda será fatal» («Carmina [histórica] 2», 1, 67: PG 37, 1408). Gregório, portanto, sentiu necessidade de aproximar-se de Deus para superar o cansaço de seu próprio eu. Experimentou o impulso da alma, a vivacidade de um espírito sensível e a instabilidade da felicidade efêmera. Para ele, no drama de uma vida sobre a qual pesava a consciência de sua própria fraqueza e de sua própria miséria, sempre foi mais forte a experiência do amor de Deus. Tens uma tarefa – diz São Gregório também a nós –, a tarefa de encontrar a verdadeira luz, de encontrar a verdadeira altura de tua vida. E tua vida consiste em encontrar-te com Deus, de quem temos sede. #Cristo #Homem #Verdade #Deus #veneração #Alexandria #Senhor #missão #Espírito #mistério #teólogo #Servo #Trindade #Igreja #Bispo #Alma #Amor #alegria #caminho #Jesus #Concílio #Palavra
- Inicia Congresso Eucarístico de Québec
QUÉBEC, segunda-feira, 16 de junho de 2008 (ZENIT.org).- Cerca de 11 mil peregrinos, 50 cardeais e mais de 100 bispos participam desde ontem do 49º Congresso Eucarístico Internacional, que se desenvolve em Québec, Canadá, com o lema «A Eucaristia, dom de Deus para a vida do mundo», e que se estenderá até 22 de junho. A abertura formal foi feita pelo legado pontifício, cardeal Jozef Tomko, persidente emérito do Comitê Pontifício para os Congressos Eucarísticos Internacionais, que foi portador de uma mensagem especial do Papa Bento XVI. Também se abriu o Congresso nos lugares de adoração eucarística. Apesar de que o pontífice não viajará ao Canadá, a tecnologia permitirá que pronuncie em 22 de junho a homilia da missa de encerramento, ao vivo, via satélite desde Roma. Para poder vê-la e escutá-la, os organizadores colocarão telões em toda a área. A missa começará às 11h com uma procissão de 1.200 pessoas. Procissão eucarística Nesta segunda-feira, o arcebispo de Washington, Dom Donald William Wuerl, falou sobre «a Eucaristia, dom de Deus por excelência», e estava prevista uma procissão eucarística pelas ruas de Québec, que sairá do Colisée Pepsi para ir até o Ágora do Porto Velho, em um percurso de pouco mais de 5 quilômetros. O cardeal Marc Ouellet, arcebispo de Québec, encarregado da organização do Congresso, explicou que «esta atividade pública permitirá um encontro entre os peregrinos congressistas e os cidadãos da Cidade de Québec». Cerca de 15 mil pessoas participarão da procissão, que será encabeçada por um veículo no qual se transportará o Santíssimo Sacramento. Para a ocasião, o veículo foi chamado de Tabor, pelo Monte Tabor, que se encontra na Palestina e é altamente simbólico. Imensos estandartes e portadores de figuras gigantes acompanharão a multidão de caminhantes. Entre elas, haverá também imagens de santos e beatos canadenses. Durante todo o trajeto, estão previstas paradas em diferentes lugares. A primeira escala se fará por volta das 19h30, na igreja Saint-François-d’Assise, onde já estarão reunidas algumas pessoas. Nesse momento, o Cardeal Tomko entrará na igreja, acompanhando o Santíssimo Sacramento, e abençoará a assembléia. A segunda parada será por volta das 21h, na igreja Saint-Roch, na qual poderá entrar muita gente. A escolha desee ponto para deter-se se deve ao apoio que se dá às numerosas ações sociais e comunitárias que surgiram no bairro Saint-Roch. Como na igreja Saint-François-d’Assise, o legado visitará esse lugar sagrado. Lá os peregrinos poderão acender seu círio ao iniciar a etapa final que os levará ao Ágora. Cerca de 20 minutos antes que os peregrinos cheguem, o grupo Gen Verde subirá ao cenário do Ágora. #Santíssimo #AdoraçãoEucarística #Eucaristia #Comitê #Eucarísticos #Igreja #Ágora #adoração #eucarística #Pontifício
- Judeus sobreviventes do holocausto visitarão o Papa
Agradecerão a Igreja Católica por ter salvado suas vidas Por Inmaculada Álvarez ROMA, segunda-feira, 16 de junho de 2008 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI receberá na próxima quarta-feira um pequeno grupo de judeus sobreviventes do holocausto, num encontro auspiciado pela Fundação Pave The Way (PTWF). Esses judeus, presentes em Roma por ocasião de um simpósio sobre o Papa Pio XII que a Fundação patrocina, querem agradecer pessoalmente a intervenção da Igreja Católica, que conseguiu salvar-lhes a vida durante a Segunda Guerra Mundial. A Fundação Pave The Way, dedicada ao diálogo inter-religioso, apresentará nessa mesma manhã o simpósio especial sobre o Papado de Pio XII, que acontecerá em Roma de 15 a 18 de setembro. Segundo seu presidente, Gary L. Krupp, a Fundação apresentará publicamente uma série de gravações, realizadas com a colaboração da agência de televisão Rome Reports, na qual se recolhem testemunhos que mostram as atividades secretas do Papa e de membros da casa pontifícia para salvar as vidas de judeus durante a guerra. «Fontes vaticanas nos confirmaram que não tinham conhecimento de algumas dessas atividades», afirma Gary L. Krupp. O propósito do Simpósio, acrescenta, é o de «analisar o que se sabe até hoje, antes da abertura dos arquivos vaticanos. Não se trata de fazer uma revisão erudita centrada só nos arquivos originais, mas sim um tribunal onde os acontecimentos de então e os testemunhos atuais ajudem o grupo a chegar a uma conclusão razoável, que receberá confirmação histórica quando os arquivos forem abertos». «O mundo judaico foi exposto só à obra fictícia «O Vigário». Contudo, na opinião dos historiadores internacionais reconhecidos da Segunda Guerra Mundial, assim como do biógrafo oficial de Winston Churchill, sir Martin Gilbert (Também judeu), essa obra é uma hábil invenção não baseada na precisão histórica. Também o livro de John Cornwell, «O Papa de Hitler», foi desacreditado. O simpósio pretende, segundo o presidente, oferecer relatos jornalísticos da época, assim como documentos e o testemunho de testemunhas oculares ainda vivas. «Também se oferecerão as respostas dadas pelo Vaticano às alegações e suposições de historiadores como Susan Zuccotti.» Ao simpósio estão convidadas cerca de 100 pessoas, em sua maior parte líderes religiosos e educativos de comunidades judaicas de todo o mundo. Também foram convidados a assistir os mais importantes centros de estudo sobre o holocausto, para que possam descobrir o que as fontes vaticanas descobriram e possam confrontar algumas descobertas. «Esperamos que o simpósio ajude a melhorar as tensões entre judeus e católicos sobre esta questão. É de uma importância providencial, neste sentido, que este ano coincidam, em 9 de outubro, a festa judaica do Perdão, o Yom Kippur, com o 50º aniversário da morte de Pio XII», explica Krupp. Entre os palestrantes, destaca-se o historiador alemão Peter Gumpel S.J., o historiador judeu e rabino David Dalin, e os investigadores Ron Rychlad, William Doino, Margherita Marchione, Patrick Gallo e Dan Kurzman, especialistas naquela época. A Fundação destaca também a colaboração do jornal Inside the Vatican. A Fundação Pave The Way (Aplainai o caminho), com sede em Nova York e delegação em Roma, está dedicada a promover a tolerância e a compreensão entre as religiões, através do intercâmbio cultural e intelectual, e da realização de gestos de boa vontade. De especial relevância são os gestos de aproximação entre a Igreja e o mundo judaico, promovidos pela Fundação. Entre eles destaca-se o encontro entre o Papa João Paulo II e uma nutrida delegação de representantes religiosos judeus, em 18 de janeiro de 2005, no Vaticano. #Alvarez #PapaBentoXVI #simpósio #delegação #Palestra #Judeus #Papa #Catolica #judaico #Igreja #judeu #Krupp #Guerra #alemão
- São Columbano lembra que a Europa deve renascer de suas raízes cristãs, diz o Papa
ACI).- O Papa Bento XVI dedicou a Audiência Geral desta quarta-feira a São Columbano, um monge irlandês do século VI que nutriu as raízes cristãs da Europa ao evangelizá-la e que com seu esforço e trabalho apostólico mostra que é a partir delas que deve renascer o Velho Continente. Este santo nasceu em 543, na província de Leinster, ao sudeste da Irlanda, ingressou aos 20 anos ao monastério de Bangor. Aos 50 anos deixou a ilha com 12 companheiros para iniciar “uma obra missionária no continente europeu, onde por causa da emigração de povos vindos do Norte e do Leste, amplas zonas cristianizadas tinham voltado para paganismo”, destacou o Santo Padre. O Pontífice explicou que seu trabalho deu muito fruto em novas vocações para o qual foi necessário fundar outro monastério em Luxeuil, onde o Santo escreveu a “Regula monachorum” que descreve a imagem ideal do monge; e onde “introduziu no continente a confissão privada e a penitência, que devia ser proporcional à gravidade do pecado cometido”. “Por sua intransigência com todas as questões morais, entrou em conflito com a casa real, porque tinha admoestado duramente ao rei Teodorico por suas relações adúlteras” e em 610 foi expulso de Luxeuil junto com todos os monges irlandeses, “que foram condenados a um exílio definitivo”, prosseguiu Bento XVI. Seguidamente narrou como, devido a uns problemas durante a navegação, o navio encalhou a pouca distância da praia e os monges voltaram para terra. Mas em vez de retornar a Luxeuil “começaram uma nova etapa evangelizadora”, primeiro em Tuggen (Suíça) e depois na parte oriental do lago Constanza. Ao chegar a Itália, São Columbano teve que confrontar “notáveis dificuldades: a vida da Igreja estava rasgada pela heresia arriana, que ainda prevalecia entre os longobardos, e o cisma que tinha separado a maior parte das Igrejas da Itália setentrional da comunhão com o Bispo de Roma”. Neste contexto, o Santo irlandês “escreveu um libelo contra o arianismo e uma carta ao Papa Bonifacio IV para convenc^-lo de que se comprometesse decididamente em restabelecer a unidade”. Columbano, continuou Bento XVI, “fundou em Bobbio um novo monastério que chegaria a ser um centro de cultura comparável ao famoso monastério de Montecasino. Aqui transcorreu seus últimos dias: morreu em 23 de novembro do 615 e nessa data é comemorado no rito romano até hoje”. “A mensagem de São Columbano se concentra em uma firme chamada à conversão e ao desapego das coisas terrenas em vista da herança eterna. Com sua vida ascética e seu comportamento sem compromissos frente à corrupção dos poderosos, evoca a figura severa de São João Batista. Sua austeridade, entretanto, solo é o meio para abrir-se livremente ao amor de Deus e corresponder com todo o ser aos dons recebidos Dele, reconstruindo em si a imagem de Deus e ao mesmo tempo trabalhando a terra e renovando a sociedade humana”, explicou o Santo Padre. Finalmente, Bento XVI destacou que São Columbano foi um “homem de grande cultura e rico de dons de graça, seja como incansável construtor de monastérios, que como pregador penitencial intransigente, dedicou todas suas energias a alimentar as raízes cristãs da Europa que estava nascendo. Com sua energia espiritual, com sua fé, com seu amor a Deus e ao próximo se converteu em um dos pais da Europa, que nos mostra hoje onde estão as raízes das quais pode renascer nosso continente”. #Deus #SãoJoãoBatista #Província #paganismo #renascer #Itália #Irlanda #Apostólico #Amor #monge
- São Basílio Magno da Cesaréia
Por Papa Bento XVI Tradução: Zenit Fonte: Vaticano/Zenit Queridos irmãos e irmãs: Hoje queremos recordar um dos grandes padres da Igreja, São Basílio, definido pelos textos litúrgicos bizantinos como um «luzeiro da Igreja», que foi um grande bispo do século IV e é admirado tanto pela Igreja do Oriente como pela do Ocidente por sua santidade de vida, pela excelência de sua doutrina e pela síntese harmoniosa de capacidades especulativas e práticas. Nasceu por volta do ano 330, em uma família de santos, «verdadeira igreja doméstica», que vivia em um clima de profunda fé. Estudou com os melhores mestres de Atenas e Constantinopla. Insatisfeito com os êxitos mundanos, ao perceber que havia perdido muito tempo em vaidades, ele mesmo confessa: «Um dia, como despertando de um sonho profundo, eu me dirigi à admirável luz da verdade do Evangelho…, e chorei sobre minha miserável vida» (cf. Carta 223: PG 32, 824a). Atraído por Cristo, começou a ter olhos só para ele e a escutar só ele (cf. «Moralia» 80, 1: PG 31, 860bc). Com determinação, dedicou-se à vida monástica na oração, na meditação das Sagradas Escrituras e dos escritos dos Padres da Igreja e no exercício da caridade (cf. Cartas. 2 e 22), seguindo também o exemplo de sua irmã, Santa Macrina, que já vivia a acética monacal. Depois foi ordenado sacerdote e, por último, no ano 370, consagrado bispo de Cesaréia de Capadócia, na atual Turquia. Com a pregação e os escritos, desenvolveu uma intensa atividade pastoral, teológica e literária. Com sábio equilíbrio, soube unir ao mesmo tempo o serviço às almas e a entrega à oração e à meditação na solidão. Servindo-se de sua experiência pessoal, favoreceu a fundação de muitas «fraternidades» ou comunidades de cristãos consagrados a Deus, às quais visitava com freqüência (cf. Gregório Nazianzeno, «Oratio 43, 29 in laudem Basili»: PG 36, 536b). Com a palavra e os escritos, muitos dos quais ainda hoje se conservam (cf. «Regulae brevius tractatae», Proemio: PG 31, 1080ab), ele os exortava a viver e a avançar na perfeição. Desses escritos se valeram depois não poucos legisladores da vida monástica, entre eles, muito especialmente, São Bento, que considera Basílio como seu mestre (Sf «Regula» 73, 5). Na verdade, são Basílio criou um monaquismo muito particular: não estava fechado à comunidade da Igreja local, mas aberto a ela. Seus monges faziam parte da Igreja local, eram o núcleo animador que, precedendo os demais fiéis no seguimento de Cristo e não só da fé, mostrava sua firme adesão a ele, o amor por ele, sobretudo nas obras de caridade. Estes monges, que tinham escolas e hospitais, estavam ao serviço dos pobres e deste modo mostraram a vida cristã de uma maneira completa. O servo de Deus João Paulo II, falando do monaquismo, escreveu: «muitos opinam que essa instituição tão importante em toda a Igreja, a vida monástica, ficou estabelecida, para todos os séculos, principalmente por São Basílio ou que, ao menos, a natureza da mesma não teria ficado tão propriamente definida sem sua decisiva contribuição» (carta apostólica «Patres Ecclesiae» 2). Como bispo e pastor de sua estendida diocese, Basílio se preocupou constantemente pelas difíceis condições materiais nas quais os fiéis viviam; denunciou com firmeza o mal; comprometeu-se com os pobres e os marginalizados; interveio ante os governantes para aliviar os sofrimentos da população, sobretudo em momentos de calamidade; velou pela liberdade da Igreja, enfrentando os potentes para defender o direito de professar a verdadeira fé (cf. Gregório Nazianzeno, «Oratio 43, 48-51 in laudem Basili»: PG 36, 557c-561c). Deu testemunho de Deus, que é amor e caridade, com a construção de vários hospitais para necessitados (cf. Basílio, Carta 94: PG 32, 488bc), uma espécie de cidade da misericórdia, que tomou seu nome, «Basiliade» (cf. Sozomeno, «História Eclesiástica». 6, 34: PG 67, 1397ª). Nela fundem suas raízes os modernos hospitais para a atenção dos doentes. Consciente de que «a liturgia é o cume ao qual tende a atividade da Igreja e ao mesmo tempo a fonte de onde emana toda sua força» («Sacrosanctum Concilium» 10), Basílio, ainda que se preocupava por viver a caridade, que é a característica da fé, foi também um sábio «reformador litúrgico» (cf. Gregório Nazianzeno, «Oratio 43, 34 in laudem Basili»: PG 36, 541c). Ele nos deixou uma grande oração eucarística [ou anáfora] que toma seu nome e que deu uma ordem fundamental à oração e salmodia: graças a ele, o povo amou e conheceu os Salmos e ia rezá-los inclusive à noite (cf. Basílio, «In Psalmum» 1,1-2: PG 29, 212ª-213c). Deste modo, podemos ver como liturgia, adoração e oração estão unidas à caridade, se condicionam reciprocamente. Com zelo e valentia, Basílio soube opor-se aos hereges, que negavam que Jesus Cristo fosse Deus como o Pai (cF. Basílio, Carta 9, 3: PG 32, 272a; Carta 52, 1-3: PG 32,392b-396a; «Adversus Eunomium». Do mesmo modo, contra quem não aceitava a divindade do Espírito Santo, afirmou que também o Espírito Santo é Deus e «tem de ser colocado e glorificado junto ao Pai e o Filho» (cf. «De spiritu Sancto»: SC 17bis, 348). Por este motivo, Basílio é um dos grandes padres que formularam a doutrina sobre a Trindade: o único Deus, dado que é Amor, é um Deus em três Pessoas, que formam a unidade mais profunda que existe, a unidade divina. Em seu amor por Cristo e seu Evangelho, o grande capadócio se comprometeu também por sanar as divisões dentro da Igreja (cf. Carta 70 e 243), buscando sempre que todos se convertessem a Cristo e à sua Palavra (cf. «De iudicio» 4: PG 31, 660b-661c). Concluindo, Basílio se entregou totalmente ao fiel serviço da Igreja no multiforme serviço do ministério episcopal. Segundo o programa que ele mesmo traçou, converteu-se em «apóstolo e ministro de Cristo, dispensador dos mistérios de Deus, arauto do reino, modelo e regra de piedade, olho do corpo da Igreja, pastor das ovelhas de Cristo, médico piedoso, pai, cooperador de Deus, agricultor de Deus, construtor do templo de Deus» (cf. «Moralia» 80, 11-20: PG 31, 846b-868b). Este é o programa que o santo bispo entrega aos arautos da Palavra, tanto ontem como hoje, um programa que ele mesmo se comprometeu generosamente a viver. No ano 379, Basílio, sem ter completado os cinqüenta anos, esgotado pelo cansaço e a ascese, voltou para Deus, «com a esperança da vida eterna, através de Jesus Cristo, nosso Senhor» («De Batismo» 1, 2, 9). Foi um homem que viveu verdadeiramente com o olhar dirigido a Cristo, um homem do amor pelo próximo. Repleto de esperança e da alegria da fé, Basílio nos mostra como ser realmente cristãos. CATEQUESES (…) Hoje desejo simplesmente relacionar-me com a última catequese, que tinha como tema a vida e os escritos de São Basílio, Bispo na actual Turquia, na Ásia Menor, no IV século. A existência deste grande Santo e as suas obras são ricas de temas de reflexão e de ensinamentos válidos também para nós hoje. Antes de tudo a chamada ao mistério de Deus, que permanece a referência mais significativa e vital para o homem. O Padre é “o princípio de tudo e a causa de ser do que existe, a raiz dos vivos” (Hom. 15, 2 de fide: PG 31, 465c), e sobretudo é “o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (Anaphora sancti Basilii). Remontando a Deus através das criaturas, nós, “tomamos consciência da sua bondade e da sua sabedoria” (Basílio, Contra Eunomium 1, 14; PG 29, 544b). O Filho é a “imagem da bondade do Pai e sigilo de forma igual a ele” (cf. Anaphora sancti Basilii). Com a sua obediência e com a sua paixão o Verbo encarnado realizou a missão de Redentor do homem (cf. Basílio, In Psalmum 48, 8: PG 29, 452ab; cf. também De Baptismo 1, 2: SC 357, 158). Por fim, ele fala amplamente do Espírito Santo, ao qual dedicou um livro inteiro. Revela-nos que o Espírito anima a Igreja, a enche dos seus dons, a torna santa. A luz maravilhosa do mistério divino reflecte-se sobre o homem, imagem de Deus, e eleva a sua dignidade. Olhando para Cristo, compreende-se plenamente a dignidade do homem. Basílio exclama: “[Homem], consciencializa-te da tua grandeza considerando o preço derramado por ti: olha para o preço do teu resgate, e compreende a tua dignidade!” (In Psalmum 48, 8: PG 29, 452b). Em particular o cristão, vivendo em conformidade com o Evangelho, reconhece que os homens são todos irmãos entre eles; que a vida é uma administração dos bens recebidos de Deus, pelos quais cada um é responsável perante os outros, e quem é rico deve ser como um “executor das ordens de Deus benfeitor” (Hom. 6 de avaritia: PG 32, 1181-1196). Todos nos devemos ajudar, e cooperar como os membros de um corpo (Ep 203, 3). E ele, nas suas homilias, usou também palavras corajosas, fortes sobre este ponto. De facto, quem segundo o mandamento de Deus deseja amar o próximo como a si mesmo, “não deve possuir nada mais de quanto possui o seu próximo” (Hom. in divites: PG 31, 281b). Em tempos de carestias e de calamidades, com palavras apaixonadas o Santo Bispo exortava os fiéis a “não se mostrarem mais cruéis que as feras…, apropriando-se do que é comum, e possuindo sozinhos o que é de todos” (Hom. tempore famis: PG 31, 325a). O pensamento profundo de Basílio sobressai bem nesta frase sugestiva: “Todas os necessitados olham para as nossas mãos, como nós próprios olhamos para as de Deus, quando estamos em necessidade”. É muito apropriado o elogio feito por Gregório de Nazianzo, que depois da morte de Basílio disse: “Basílio persuadiu-nos de que nós, sendo homens, não devemos desprezar os homens, nem ultrajar Cristo, cabeça comum de todos, com a nossa desumanidade para com os homens; antes, nas desgraças dos outros, devemos beneficiar nós próprios, e fazer empréstimo a Deus da nossa misericórdia, porque temos necessidade de misericórdia” (Gregório Nazianzeno, Oratio 43, 63; PG 36, 580b). São palavras muito actuais. Vemos como São Basílio é realmente um dos Padres da Doutrina Social da Igreja. Além disso, Basílio recorda-nos que para manter vivo em nós o amor a Deus e aos homens é necessária a Eucaristia, alimento adequado para os Baptizados, capaz de alimentar as novas energias derivantes do Baptismo (cf. De Baptismo 1, 3: SC 357, 192). É motivo de imensa alegria poder participar na Eucaristia (Moralia 21, 3: PG 31, 741a), instituída “para conservar incessantemente a recordação daquele que morreu e ressuscitou por nós” (Moralia 80, 22: PG 31, 869b). A Eucaristia, imenso dom de Deus, tutela em cada um de nós a recordação do selo baptismal, e permite viver em plenitude e fidelidade a graça do Baptismo. Por isto o Santo Bispo recomenda a comunhão frequente, também quotidiana: “Comungar até todos os dias recebendo o santo corpo e sangue de Cristo é bom e útil; porque ele mesmo diz claramente: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue terá a vida eterna” (Jo 6, 54). Portanto, quem duvidará de que comungar continuamente da vida não seja viver em plenitude?” (Ep. 93: PG 32, 484b). A Eucaristia, em síntese, é-nos necessária para acolhermos em nós a verdadeira vida, a vida eterna (cf. Moralia 21, 1: PG 31, 737c). Por fim, Basílio interessou-se naturalmente também daquela porção eleita do povo de Deus que são os jovens, o futuro da sociedade. A eles dirigiu um Discurso sobre o modo de tirar proveito da cultura pagã desse tempo. Com muito equilíbrio e abertura, ele reconhece que na literatura clássica, grega e latina, se encontram exemplos de virtude. Estes exemplos de vida recta podem ser úteis para o jovem cristão em busca da verdade, do modo recto de viver (cf. Ad Adolescentes 3). Por isso, é preciso tirar dos textos dos autores clássicos tudo o que é conveniente e conforme com a verdade: assim com atitude crítica e aberta de facto trata-se de um verdadeiro e próprio “discernimento” os jovens crescem em liberdade. Com a célebre imagem das abelhas, que tiram das flores apenas o que serve para o mel, Basílio recomenda: “Como as abelhas sabem tirar das flores o mel, diferenciando-se dos outros animais que se limitam a gozar do perfume e da cor das flores, assim também destes escritos… se pode obter algum proveito para o espírito. Devemos utilizar estes livros seguindo em tudo o exemplo das abelhas. Elas não vão indistintamente a todas as flores, nem sequer procuram tirar tudo das flores nas quais pousam, mas tiram só o que serve para a elaboração do mel, e deixam o resto. E nós, se formos sábios, tiraremos daqueles escritos o que se adapta a nós, e é conforme à verdade, e deixaremos o resto” (Ad Adolescentes 4). Basílio, sobretudo, recomenda aos jovens que cresçam nas virtudes, no recto modo de viver: “Enquanto os outros bens… passam deste para aquele como no jogo dos dados, só a virtude é um bem inalienável, e permanece durante a vida e depois da morte” (Ad Adolescentes 5). Queridos irmãos e irmãs, parece-me que se pode dizer que este Padre de outrora fala também a nós e nos diz coisas importantes. Antes de tudo, esta participação atenta, crítica e criativa para a cultura de hoje. Depois, a responsabilidade social: este é um tempo no qual, num mundo globalizado, também os povos geograficamente distantes são realmente o nosso próximo. Portanto, a amizade com Cristo, o Deus com rosto humano. E, por fim, o conhecimento e o reconhecimento a Deus Criador, Pai de todos nós: só abertos a este Deus, Pai comum, podemos construir um mundo justo e um mundo fraterno. #Evangelho #Senhor #Cesaréia #Espírito #agricultor #Alimento #Igreja #Amor #alegria #SacrosanctumConcilium #adoração #Jesus #Palavra














