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- Papa visitará a Mesquita Azul de Istambul
Como sinal de respeito pelos crentes do islã CIDADE DO VATICANO, domingo, 26 de novembro de 2006 (ZENIT.org).- Como sinal de respeito pelos crentes do islã, Bento XVI visitará a Mesquita Azul de Istambul em sua próxima viagem à Turquia, segundo confirmou este domingo o padre Federico Lombardi, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé. O Papa havia manifestado seu desejo de poder visitar uma mesquita durante a viagem que realizará à Turquia de 28 de novembro a 1º de dezembro, segundo já havia confirmado o padre Lombardi esse sábado. A visita acontecerá na tarde de 30 de novembro, imediatamente depois da visita ao Museu da Santa Sé. «O programa está cheio de compromissos, mas se conseguiu prever esta visita que será um sinal de respeito e atenção para o islã», declarou o padre Lombardi. Será o segundo Papa a entrar no recinto de uma mesquita, depois que João Paulo II visitou a Mesquita dos Omeyas em Damasco, em 6 de maio de 2001. A Mesquita Azul foi construída durante o reinado do décimo quarto sultão otomano, Ahmet I, entre 1603-1617. É a maior mesquita de Istambul. #Lombardi #respeito #Islã #Santa #Mesquita #novembro #Viagem #Turquia
- A visão da Igreja sobre a democracia
Segundo o bispo Crepaldi, secretário do Pontifício Conselho «Justiça e Paz» SALAMANCA, domingo, 26 de novembro de 2006 (ZENIT.org).- Dom Giampaolo Crepaldi, secretário do Pontifício Conselho «Justiça e Paz», afirmou em conferência no final de outubro que «a democracia é um regime político que defende os direitos da pessoa e promove seus deveres» e que, compreendida dessa maneira, pode «servir à dimensão da família humana universal». Com uma conferência titulada «Unidade da família humana e democracia: uma visão trinitária», o prelado participou na jornada conclusiva do XLII Simpósio de Teologia Trinitária, que aconteceu em Salamanca, no final de outubro. Dom Crepaldi, segundo recolhe a agência Veritas, questionou se a democracia pode «favorecer a comunhão dentro da família humana» e considerou que tem essa potencialidade quando não é considerada «só uma técnica para contar as mãos levantadas em uma assembléia». «A democracia é um instrumento a serviço da comunhão entre as pessoas e, para poder exercer esse papel, deve relacionar-se com algo distinto de si mesma», afirmou. O prelado considerou dois dos elementos que caracterizam a democracia, a saber, «o acesso às eleições livres» e o «debate público», porém os julgou, todavia, insuficientes, porque inclusive quando se garantem «o diálogo público não manipulado e a participação no debate sobre as questões políticas», mantém-se o valor da democracia reduzida ao processual. «A respeito do debate público e dando voz a todos, as democracias podem realizar violações significativas dos direitos humanos. A história nos fala de políticas eugênicas, extermínios e genocídios, de assassinatos de seres humanos mediante a legalização do aborto, acobertados em regimes de democracia comunicativa e de debate público transparente», precisou. Dom Crepaldi considerou que a definição da democracia como «regime político que defende os direitos da pessoa e promove seus deveres» leva em consideração «o critério de inclusão», englobando o resto de elementos que caracterizam essa forma de governo. «A democracia verdadeiramente útil para o amadurecimento de uma comunidade universalmente humana é, portanto, a que se entende não somente como liberdade política e eleitoral, não somente como igualdade no debate público, mas também e sobretudo como tutela e desenvolvimento da pessoa», sintetizou. O secretário do Pontifício Conselho «Justiça e Paz» reconheceu que hoje existem «várias visões da pessoa», e expressou a possibilidade de «estabelecer uma hierarquia, utilizando o critério da inclusão: se uma visão de pessoa responde às exigências das outras e, todavia, mais que as outras, esta é principalmente inclusiva». Como exemplo para esclarecer essa idéia «é o choque entre mundo católico e mundo leigo acerca da procriação assistida», que «põe em evidência duas visões da pessoa considerada em relação com sua liberdade». «A primeira sustenta que a liberdade de consciência e de investigação se fundam sobre algo distinto de si mesmas: a dignidade da pessoa humana, que é seu fundamento e, portanto, também seu limite. A segunda, ao contrário, sustenta que liberdade de consciência e a de investigação tenham uma dignidade em si mesmas, que sejam estas a dar fundamento à dignidade da pessoa humana, de maneira que toda limitação que se lhes imponha é uma ferida causada no homem. Como é evidente, a primeira tese é mais inclusiva que a segunda. Enquanto aquela reconhece dignidade humana também a quem não tem consciência explícita, esta limita a liberdade unicamente em presença da consciência», explicou. Finalmente questionou se «o Ocidente faz coincidir a pessoa e a democracia com o niilismo da técnica, ou com a ditadura do relativismo, propõe uma concepção de pessoa e de democracia pouco inclusivas, e compatível somente com uma globalização reduzida a globalismo e com uma família humana próxima, porém não unida» ou se, pelo contrário, «permanecendo fiel a sua história, que funde suas raízes em Jerusalém, Atenas e Roma, o Ocidente saberá propor uma visão “incondicionada” da pessoa sobre a qual construir uma democracia como instrumento para a tutela e a promoção das pessoas». Dom Crepaldi disse que o Ocidente poderá realizar essa missão se levar em consideração a visão cristã da pessoa, que «se deriva da essência trinitária» e reconhece a capacidade de abertura do ser humano. A justificativa teológica Dom Crepaldi chegou a essas idéias da democracia a partir de uma síntese das bases teológicas da família humana segundo a fé cristã e justificou «a unidade do gênero humano» a partir do conceito de «relação» que na Santíssima Trindade se estabelece de modo «essencial», dando um giro à concepção da filosofia antiga, que considerava a essa categoria um mero «acidente». Baseando-se em idéias expressadas pelo Cardeal Joseph Ratzinger em sua obra «Introdução ao Cristianismo», Dom Crepaldi disse que «a idéia de relação é o núcleo central do conceito de pessoa, que é diverso e mais elevado que o conceito de indivíduo». «A nova importância assumida pela relação no dogma trinitário consiste no fato de que a pessoa “é” relação, enquanto que anteriormente se podia crer que a pessoa é e, portanto, se relaciona. A relação se volta para a pessoa um elemento absoluto e não relativo», precisou. Neste contexto, afirmou também que «a fé cristã não inspira forma alguma de coletivismo» mas que «leva a tomar consciência do fato de que a unidade e a comunhão autênticas estão fundadas no espírito, na liberdade e que, por este motivo, não têm necessidade de anular as pessoas singulares, mas, pelo contrário, de avaliar ao máximo». «Também o encontro pessoal com Deus –encontro de pessoa a Pessoa– não comporta alguma anulação de si mesmo em uma indistinção vazia, mas em uma valorização máxima da categoria do encontro pessoal», acrescentou. O prelado considerou que «esta chave de leitura» permite liberar a «a interdependência criada pela globalização» do «niilismo da técnica» e dar-lhe um novo sentido. «A técnica não pode criar comunidade, e o niilismo da técnica pode sem dúvida corroer a comunhão e impedir um encontro real entre pessoas e povos. A técnica pode fazer-nos mais próximos, porém não mais unidos. Por isso disse ao início que a técnica corre o perigo também de esconder e até de anular o significado profundo, autenticamente humano, da dimensão universal da família humana», precisou. O Simpósio de Teologia Trinitária é organizado há mais de 40 anos pelo Editorial Secretariado Trinitário. Em colaboração com a Faculdade de Teologia da Universidade Pontifícia de Salamanca (UPSA), as reflexões do Simpósio giraram em torno do lema «A Santíssima Trindade e a Paz». #dignidade #acidente #liberdade #visão #consciência #família #público #pessoa #amadurecimento #secretário #Pontifício
- Papa convida jovens a ter Cristo no centro de sua vida
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 22 de novembro de 2006 (ZENIT.org).- Nesta quarta-feira, Bento XVI convidou os jovens a colocar Jesus no centro de sua vida, recordando que no próximo domingo a Igreja celebrará a solenidade de Cristo Rei. Ao final da audiência geral, celebrada sob a chuva na praça de São Pedro, o pontífice quis dirigir uma saudação aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. «Queridos jovens, colocai Jesus no centro de vossa vida, e recebereis d’Ele luz e valentia em toda decisão cotidiana», disse-lhes o pontífice. «Que Cristo, que fez da Cruz seu trono régio», disse depois, dirigindo-se aos doentes, alguns deles presentes em cadeiras de rodas, «vos ajude a compreender o valor redentor do sofrimento vivido em união com Ele». Por último, saudou os recém-casados, alguns com sua roupa de casamento, para recordar que se celebrava nesse dia o vigésimo quinto aniversário da promulgação da exortação apostólica de João Paulo II «Familiaris consortio», «que deu um grande impulso à pastoral familiar na Igreja». O Papa lhes desejou «percorrer vosso caminho matrimonial unidos sempre a Cristo». Antes de subir no «papa-móvel», Bento XVI agradeceu os peregrinos «pela paciência» com que enfrentaram um temporal e deu graças a Deus «que nos deu momentos de luz e uma pausa da chuva». #Cristo #Jovens #convida #pontífice #Igreja #Jesus
- Quem encontra a Igreja, encontra Cristo, assegura Papa
Uma enorme responsabilidade para os cristãos, esclarece na audiência geral CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 22 novembro de 2006 (ZENIT.org).- Quem encontra a Igreja, encontra Cristo, constatou Bento XVI na audiência geral desta quarta-feira. Por isso, o Papa afirmou: «Uma pessoa não cristã que entra em uma assembléia nossa, no final deveria poder dizer: “Verdadeiramente, Deus está convosco”». Nesta frase concentrou uma das grandes lições que deixou o apóstolo Paulo com sua vida e suas obras. O bispo de Roma dedicou sua quarta e última meditação sobre Saulo de Tarso a ilustrar sua visão sobre «a vida na Igreja». Cerca de 50.000 peregrinos escutaram suas palavras — o dobro do previsto, segundo «Rádio Vaticano» –, que na praça de São Pedro desafiaram a violenta chuva. Ao rememorar a história do «décimo terceiro» apóstolo, o pontífice explicou que «a história nos demonstra que se chega normalmente a Jesus passando pela Igreja». Paulo, de fato, «encontrou a Igreja antes de encontrar Jesus». Agora, explicou, «em seu caso, este contato foi contraproducente: não provocou a adesão, mas sim uma repulsão violenta». O apóstolo descobriu a Igreja «graças a uma intervenção direta a Cristo, que ao revelar-se no caminho de Damasco, se identificou com a Igreja e lhe deu a entender que perseguir a Igreja era perseguir a Ele, o Senhor»: «Saulo, Saulo, por que me persegues?» (cf. Atos 9, 4). «Então, Paulo converteu-se, ao mesmo tempo, a Cristo e à Igreja», indicou, explicando que deste modo se entende a importância que o apóstolo dá em seus escritos à Igreja, a qual chamava de «corpo de Cristo», definição «que não encontramos em outros autores cristãos do século I». «A raiz mais profunda desta surpreendente definição da Igreja é encontrada no Sacramento do Corpo de Cristo», assinalou, declarando que «na própria Eucaristia Cristo nos dá seu Corpo e nos torna seu Corpo». «Não só se dá uma pertença da Igreja a Cristo, mas também uma certa forma de equiparação e identificação da Igreja com o próprio Cristo», sublinhou. Disso, afirmou, «se deriva a grandeza e a nobreza da Igreja, ou seja, de todos nós que fazemos parte dela: do fato de ser membros de Cristo, uma espécie de extensão de sua presença pessoal no mundo». «E daí se deriva, naturalmente — acrescentou –, nosso dever de viver realmente em conformidade com Cristo.» Por este motivo, seguiu explicando, Paulo «chega a apresentar a Igreja como esposa de Cristo», retomando «uma antiga metáfora profética, que fazia do povo de Israel a esposa do Deus da aliança». «Expressa assim até que ponto são íntimas as relações entre Cristo e sua Igreja, seja porque é objetivo do mais terno amor por parte de seu Senhor, seja porque o amor tem que ser mútuo e que nós, enquanto membros da Igreja, temos de demonstrar-lhe uma fidelidade apaixonada.» «Esta é nossa definição: fazemos parte dos que invocam o nome do Senhor Jesus Cristo», disse, indicando que isso constitui, ao mesmo tempo, a grande responsabilidade do cristão. #Cristo #apostolo #Senhor #Aliança #corpo #Igreja #Paulo #Amor #Jesus
- Bento XVI: Liberdade religiosa implica que poder civil favoreça vida religiosa
VATICANO, 20 Nov. 06 (ACI) .- O Papa Bento XVI explicou que a ausência de violência não é a única garantia do direito à liberdade religiosa e assegurou que este supõe o compromisso do poder civil de “facilitar as condições propícias que favoreçam a vida religiosa“. Ao receber nesta manhã o Presidente da República Italiana, Giorgio Napolitano, em visita oficial, o Pontífice afirmou que a Igreja e o Estado devem servir o ser humano, “segundo sua respectiva missão e com os próprios fins e meios” e “colaboram para promover melhor o bem integral do homem”. Depois de destacar que a solicitação da comunidade civil pelo bem dos cidadãos “não se pode limitar à saúde física, o bem-estar econômico, a formação intelectual ou as relações sociais”, o Santo Padre destacou que “o ser humano se apresenta ao Estado também com sua dimensão religiosa“. “Seria entretanto limitado considerar que o direito à liberdade religiosa é suficientemente garantido quando não se faz violência ou não se intervém nas condições pessoais ou se limita a respeitar a manifestação da fé no âmbito do lugar de culto”, indicou. Neste sentido, precisou que “a mesma natureza social do homem exige que este manifeste externamente os atos internos de religião, que se comunique com os demais em matéria religiosa e professe sua religião de forma comunitária. A liberdade religiosa é, portanto, um direito não só da pessoa, mas também da família, dos grupos religiosos e da própria Igreja”. O Papa insistiu em que “um respeito adequado do direito à liberdade religiosa implica, portanto, o compromisso do poder civil a facilitar as condições propícias que favoreçam a vida religiosa, para que os cidadãos possam exercer efetivamente os direitos da religião e cumprir seus deveres”. “A liberdade, que a Igreja e os cristãos reivindicam, não prejudica os interesses do Estado ou de outros grupos sociais e não aspira a uma supremacia autoritária sobre eles, mas sim é a condição para que se possa realizar aquele precioso serviço que a Igreja oferece à Itália e a cada país em que esteja presente. Este serviço à sociedade também se expressa no âmbito civil e político“, acrescentou. Precisou que por sua natureza e missão “a Igreja não é e não pretende ser um agente político”, entretanto, “tem um juro profundo no bem comum da política”. O Papa fez insistência em que “esta contribuição específica a oferecem principalmente os fiéis leigos”, que “quando se comprometem com a palavra e com a ação a combater os grandes desafios atuais não atuam por seu próprio interesse peculiar ou em nome de princípios perceptíveis unicamente por quem professa um determinado credo religioso: fazem-no no contexto e segundo as regras da convivência democrática, pelo bem de toda a sociedade e em nome de valores que cada pessoa de boa vontade pode compartilhar”. Ao final do discurso, o Santo Padre expressou o desejo de que a Itália “avance pelo caminho do autêntico progresso e ofereça à comunidade internacional sua preciosa contribuição, promovendo sempre aqueles valores humanos e cristãos que forjam sua história, sua cultura, seu patrimônio ideal, jurídico e artístico, e que continuam sendo a base da existência e do compromisso de seus cidadãos. Neste esforço, não faltará a contribuição leal e generosa da Igreja Católica através do ensinamento de seus bispos e graças à obra de todos os fiéis”. Napolitano, eleito Presidente no último dia 10 de maio, também dirigiu um discurso no qual disse ser profundamente consciente da missão universal da Igreja Católica e do precioso serviço que oferece à nação. Posteriormente, Napolitano visitou o cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado Vaticano. Durante a apresentação, o Cardeal Bertone destacou “a amplitude de relações que a Santa Sé mantém com numerosos estados de todos os continentes e com diversos organismos internacionais”, observando que “não é casualidade que, inclusive quem não compartilha a fé cristã, vê no Papa o porta-voz de instâncias morais supremas e escuta suas chamadas a respeito da dignidade do ser humano, da promoção da paz e o desenvolvimento e ao desenvolvimento e a colaboração sincera entre povos, religiões e culturas por um futuro melhor da família humana”. Depois de reiterar o desejo de colaborar com a Itália e com todos os países da Terra, o Cardeal Bertone animou ao presidente italiano a perseverar nos compromissos que compartilha com a Santa Sé não só pelo bem da nação italiana, com uma atenção especial para as regiões do sul, mas também no que respeita à “unificação do continente europeu” e “a paz em todo mundo”, “contrastando as forças obscuras e violentas do terrorismo e do ódio“, a fim de “promover ativamente o bem da humanidade”. #religião #Direito #liberdade #contribuição #missão #Itália #serviço #Igreja #compromisso
- O Papa se reuniu com chefes de dicastérios vaticanos sobre caso Milingo e sacerdotes casados
VATICANO, 16 Nov. 06 (ACI) .- A Santa Sé informou que o Papa Bento XVI se reuniu nesta manhã com os chefes dos dicastérios da Cúria romana para “examinar a situação que se criou depois da desobediência do arcebispo Emmanuel Milingo” assim como refletir sobre os casos de sacerdotes casados. “Segundo a ordem do dia, também se refletiu sobre os pedidos de dispensa da obrigação do celibato e as de readmissão ao ministério sacerdotal que apresentaram os sacerdotes casados durante os últimos anos”, informou o Vatican Information Service (VIS). Em 26 de setembro passado, a Santa Sé tinha anunciado a excomunhão automática de Dom Milingo, Arcebispo Emérito de Lusaka, Zâmbia, e de quatro sacerdotes casados que este ordenou dias antes através de uma polêmica associação fundada por ele mesmo. A Santa Sé constatou que “expoentes de vários níveis da Igreja procuraram inutilmente contatar ao arcebispo Milingo, para dissuadi-lo do prosseguir em ações que provocam escândalo, sobretudo em relação aos fiéis que seguiram seu ministério pastoral a favor dos pobres e os doentes“. #ministério #vaticanos #Vaticano #Cúria #Arcebispo
- Papa Pio XII: «Deves sentir-te orgulhoso de ser judeu»
Descoberto o testemunho de um jovem judeu publicado em 1944 ROMA, quinta-feira, 16 de novembro de 2006 (ZENIT.org).- Um artigo publicado em 28 de abril de 1944 por um jovem judeu em «The Palestine Post» –a partir de 1950 «The Jerusalem Post» (o jornal mais importante e difundido do local)–, demonstra a estima de Pio XII pelo «povo eleito». No artigo, publicado na página seis da citada edição, com o título «Uma audiência papal em tempo de guerra», e assinado «por um refugiado» (no pé de página se diz que o autor do artigo chegou à Palestina na enbarcação de refugiados «Nyassa»), o escritor relata que no outono de 1941 foi recebido, junto a outros judeus, em audiência pelo Papa Pio XII. Quando o Santo Padre se aproximou, o jovem revelou ter nascido na Alemanha, mas ser judeu, e o Papa lhe respondeu: «Diga-me, o que posso fazer por ti?». O jovem judeu contou ao Papa o naufrágio dos judeus refugiados que foram salvos por um barco italiano no mar Egeu e feitos prisioneiros em um campo em uma ilha local. O pontífice escutou atentamente e se preocupou pela situação física e saúde dos judeus feitos prisioneiros. Segundo o artigo, a seguir Pio XII lhe disse: «Fizeste bem em vir aqui me contar esta história, já estava informado ao respeito. Vem amanhã com um informe escrito e entrega-o à Secretaria de Estado, que se encarregará da questão. Mas agora, com relação a ti, és um jovem judeu. Sei bem o que isto significa e espero que tu estejas sempre orgulhoso de ser judeu». A seguir, o autor do artigo sublinha que o pontífice levantou a voz de maneira que todos na sala pudessem escutá-lo claramente: «Filho, aquilo do que és merecedor só o Senhor sabe, mas creia-me, tu tens a mesma dignidade de qualquer outro ser humano que vive em nossa terra! E agora, meu querido amigo judeu, vai com a proteção de Deus, e não esqueças nunca de sentir-te orgulhoso de ser judeu». Relata o autor do artigo que, após esta declaração feita em voz alta, o Papa levantou a mão para dar-lhe a acostumada bênção, mas «se deteve, sorriu, e com os dedos me tocou a cabeça e me convidou a levantar-me», dado que estava ajoelhado. Pio XII pronunciou estas palavras no curso de uma audiência na qual estavam presentes cardeais, bispos e também um grupo de soldados alemães. Este importante testemunho foi descoberto no Arquivo da Universidade de Tel Aviv por William Doino, colaborador da revista americana «Inside the Vatican» e autor de uma bibliografia no livro «The Pius War: Responses to the Critics of Pius XII» (A guerra de Pio: respostas às críticas a Pio XII), em 2004, de Lexington Books. Segundo William Doino, «este testemunho é relevante porque mostra a atenção e o grande amor do pontífice pelos judeus, além de reafirmar a rejeição das teorias raciais nazistas que consideravam os judeus como os últimos da terra». Sobre este assunto, William Doino publicará no número de dezembro de «Inside The Vatican» uma informação completa sobre a cópia original de «The Jerusalem Post». #bibliasagrada #William #publicado #Alemanha #artigo #bíbliavivaonline #audiência #testemunho #pontífice #jovem #NovoTestamento #judeu #Amor
- Imagem de Nossa Senhora de Fátima é atacada por vândalos em João Pessoa (Brasil)
Bispo celebrou missa de desagravo diante do fato JOÃO PESSOA, quinta-feira, 16 de novembro de 2006 (ZENIT.org).- Vândalos atiraram bombas caseiras em uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, na madrugada desta quarta-feira, em João Pessoa (Estado da Paraíba, nordeste do Brasil). A imagem em madeira e gesso, que veio de Portugal há dez anos por meio do Movimento Mundial do Imaculado Coração de Maria, encontrava-se em uma redoma de vidro na praça em frente à Igreja de Nossa Senhora de Fátima, no bairro Miramar. Os braços e a cabeça da imagem foram danificados. Os vidros que compunham a redoma foram totalmente destruídos. Ao chegar pela manhã à igreja, o padre José Carlos Serafim chamou a polícia. Os investigadores pretendem chagar aos criminosos por meio das impressões digitais que serão colhidas em uma bomba que não estourou. Segundo o sacerdote, vizinhos informaram à polícia que viram duas pessoas lançando as bombas incendiárias na madrugada e saírem correndo em seguida. Padre José Carlos referiu ao jornal Correio da Paraíba que a tristeza do clero e dos fiéis «não se dá pela imagem em si, é mais por saber que isso vem da falta de educação no lar, da falta de afeto em família». Ao destacar que a imagem já fora atacada uma vez, «há algum tempo, alguém disparou um tiro contra a caixa de vidro que protege a imagem», o sacerdote atribuiu o ato de vandalismo à violência registrada na cidade. «Nós associamos este ato ao aumento do uso de drogas, principalmente nos bairros de classe média desta cidade», disse. Padre José Carlos referiu ainda que tem aumentado o número de assaltos, arrombamentos de casas e carros no bairro Miramar. O arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, celebrou missa de desagravo no fim da tarde dessa quarta-feira. #desagravo #bibliasagrada #bíbliavivaonline #Fátima #NossaSenhora #Carlos #celebrou #NovoTestamento #Imagem #Missa
- Papa denuncia injustiça que condena 800 milhões de pessoas à fome
Em sua intervenção antes de rezar o Angelus CIDADE DO VATICANO, domingo, 12 de novembro de 2006 (ZENIT.org).- Bento XVI se fez este domingo porta-voz de mais de 800 milhões de pessoas que sofrem no mundo pela fome, alertando da responsabilidade de todos, instituições e cidadãos, para derrotar este flagelo. Milhares de pessoas desafiaram a chuvosa manhã de Roma para escutar o Santo Padre, que, por ocasião da celebração na Itália da Jornada anual do Agradecimento, aprofundou no tema da convocatória: «A terra: um dom para toda a família humana». E aludiu a uma questão «muito dolorosa: o drama da fome», que ainda se tendo discutido recentemente «nas mais altas sedes instituições, como as Nações Unidas e em particular FAO [Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Ndr], continua sendo sempre muito grave» e inclusive piora. «Mais de 800 milhões de pessoas vivem em situação de desnutrição» e «muitas pessoas, especialmente crianças, morrem de fome»: uma realidade que «a Igreja conhece muito bem, pela experiência direta das comunidades e dos missionários», e que assim confirmou no último informe anual da FAO, alertou o Papa. Para enfrentar esta tragédia, Bento XVI afirmou a necessidade de «eliminar as causas estruturais ligadas ao sistema de governo da economia mundial, que destina a maior parte dos recursos do planeta a uma minoria da população», uma «injustiça» que já haviam denunciado Paulo VI e João Paulo II. Em síntese, de acordo com o Papa, «para influenciar em grande escala é necessário “converter” o modelo de desenvolvimento global». E isso é exigido «já não só pelo escândalo da fome, mas também pelas emergências ambientais e energéticas», advertiu. Desta forma apontou para que a responsabilidade de cada pessoa e de cada família, que «podem e devem» atuar para aliviar a fome no mundo. E lhes propôs, para isso, adotar «um estilo de vida e de consumo compatível com a salvaguarda da criação e com critérios de justiça para com quem cultiva a terra em cada país». Daí sua exortação geral a um compromisso concreto «para derrotar o açoite da fome» e para «promover em toda parte do globo a justiça e a solidariedade». «A seus discípulos Jesus ensinou a orar pedindo ao Pai celestial não «meu», mas «nosso» pão de cada dia –indicou aos peregrinos–. Quis assim que cada homem se sinta responsável por seus irmãos, a fim de que a nenhum falte o necessário para viver». #bibliasagrada #terra #bíbliavivaonline #Denuncia #Nações #família #advertiu #fome #BentoXVI #NovoTestamento #responsabilidade #alimentação #Jesus
- Bento XVI: Reconstruir a confiança após escândalos de sacerdotes
Discurso aos bispos da Irlanda CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 7 de novembro de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos o discurso que dirigiu Bento XVI aos bispos da Conferência Episcopal da Irlanda ao receber-lhes por ocasião de sua visita «ad limina apostolorum» em 28 de outubro. * * * Queridos Irmãos Bispos Segundo as palavras de uma tradicional saudação irlandesa, dirijo-vos cem mil boas-vindas, Bispos da Irlanda, na circunstância da vossa visita ad Limina. Ao venerardes os túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo, possais haurir inspiração da coragem e da visão destes dois grandes Santos, que tão fielmente guiaram o caminho da missão da Igreja de proclamar Cristo ao mundo. Hoje, viestes para fortalecer os vínculos de comunhão com o Sucessor de Pedro, e manifesto com alegria o meu apreço pelas amáveis palavras que me foram dirigidas em vosso nome pelo Arcebispo D. Seán Brady, Presidente da vossa Conferência Episcopal. O testemunho constante de inumeráveis gerações do povo irlandês na sua fé em Cristo, e a sua fidelidade à Santa Sé, forjaram a Irlanda no nível mais profundo da sua história e da sua cultura. Todos nós estamos conscientes da contribuição saliente que a Irlanda tem oferecido para a vida da Igreja, e da extraordinária coragem dos seus filhos e das suas filhas missionários, que levaram a mensagem do Evangelho muito além do seu litoral. Entretanto, a chama da fé continuou a arder intrepidamente na pátria, através das provações que afligiram o seu povo ao longo da sua história. Em conformidade com as palavras do Salmista: “Hei-de cantar para sempre o amor do Senhor; a todas as gerações hei-de anunciar a sua fidelidade” (Sl 89 [88], 1). O momento presente oferece numerosas novas oportunidades para dar testemunho de Cristo e dos renovados desafios para a Igreja na Irlanda. Vós falastes sobre as consequências para a sociedade, do aumento da prosperidade que se verificou ao longo dos últimos quinze anos. Depois de séculos de emigração, que envolveu a dor da separação para muitas famílias, pela primeira vez estais a receber uma onda de imigração. A tradicional hospitalidade irlandesa está a passar por renovadas e inesperadas manifestações. Como o sábio pai de família, que “tira coisas novas e velhas do seu tesouro” (Mt 13, 52), o vosso povo tem necessidade de considerar com discernimento as mudanças que estão a verificar-se na sociedade, e nisto ele busca a vossa orientação. Ajudai-o a reconhecer a incapacidade que a cultura secular e materialista tem de suscitar satisfação e alegria autênticas. Tende a coragem de lhes falar da alegria que provém do anúncio de Cristo e de uma vida levada em conformidade com os seus mandamentos. Recordai-lhe que os vossos corações foram criados para o Senhor e que estão inquietos, enquanto não descansam nele (cf. Santo Agostinho, Confissões, 1, 1). Com muita frequência, o testemunho contracorrente oferecido pela Igreja é entendido de modo equívoco, como se fosse algo atrasado e negativo para a sociedade contemporânea. Eis por que motivo é importante pôr em evidência a Boa Nova, a mensagem evangélica que dá vida e a dá em abundância (cf. Jo 10, 10). Embora seja necessário falar vigorosamente contra os males que nos ameaçam, contudo temos o dever de corrigir a ideia de que o catolicismo é meramente “uma colectânea de proibições”. Aqui são necessárias uma catequese sólida e uma atenta “formação do coração”, e a este propósito na Irlanda tendes a bênção de dispor de sólidos recursos na vossa rede de escolas católicas, e em numerosos religiosos empenhados e professores leigos, que estão comprometidos seriamente na educação dos jovens. Continuai a encorajá-los na sua tarefa e certificai-vos de que os seus programas catequéticos permaneçam alicerçados no Catecismo da Igreja Católica, assim como no novo Compêndio. É necessário evitar apresentações superficiais do ensinamento católico, pois somente a plenitude da fé pode comunicar o poder libertador do Evangelho. Mediante o exercício da vigilância sobre a qualidade dos programas de estudo e dos livros de texto utilizados, e através da proclamação da doutrina da Igreja na sua integridade, vós assumis a vossa responsabilidade de “anunciar a palavra… oportuna e inoportunamente… com toda a magnanimidade e doutrina” (2 Tm 4, 2). Na prática do vosso ministério pastoral tivestes que responder, ao longo destes últimos anos, a muitos e dilacerantes casos de abuso sexual contra menores. E eles são ainda mais trágicos, quando quem abusa é um clérigo. As feridas causadas por tais actos são profundas, e é urgente a tarefa de reconstruir a confidência e a confiança, onde elas foram prejudicadas. Nos vossos esforços permanentes em vista de resolver eficazmente este problema, é importante estabelecer a verdade a respeito daquilo que aconteceu no passado, dar todos os passos que forem necessários para impedir que ele volte a ocorrer, assegurar que os princípios da justiça sejam plenamente respeitados e, sobretudo, dar alívio às vítimas e a todas as pessoas que foram atingidas por estes crimes hediondos. Desta forma, a Igreja que está na Irlanda será fortalecida, tornando-se cada vez mais capaz de dar testemunho do poder redentor da Cruz de Cristo. Rezo a fim de que, mediante a graça do Espírito Santo, este tempo de purificação torne todo o povo de Deus capaz de, “com a ajuda de Deus, conservar e aperfeiçoar na sua vida a santidade que receberam [de Deus]” (Gaudium et spes, 40). O trabalho excelente e a dedicação altruísta da grande maioria de sacerdotes e religiosos na Irlanda não deveriam ser obscurecidos pelas agressões cometidas por alguns dos seus irmãos. Estou persuadido de que as pessoas compreendem isto e continuam a considerar o seu clero com carinho e estima. Encorajo os vossos presbíteros a buscarem sempre a renovação espiritual e a descobrirem novamente a alegria de exercer o seu ministério em favor dos respectivos rebanhos, no seio da grande família da Igreja. Outrora, a Irlanda foi abençoada com tal abundância de vocações sacerdotais e religiosas, que uma boa parte do mundo podia beneficiar das suas obras apostólicas. Todavia, nos anos mais recentes o número de vocações diminuiu vertiginosamente. Então, como é urgente prestar atenção às palavras do Senhor. “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe” (Mt 9, 37-38). É-me grato saber que muitas das vossas dioceses adoptaram a prática da oração silenciosa pelas vocações diante do Santíssimo Sacramento. Isto deveria ser calorosamente encorajado. Mas acima de tudo compete a vós, Bispos, bem como ao vosso clero, oferecer aos jovens uma visão inspiradora e atraente do sacerdócio ordenado. A nossa oração pelas vocações “deve conduzir à acção, a fim de que do nosso coração orante brote uma centelha da nossa alegria em Deus e no Evangelho, suscitando no coração dos outros a disponibilidade para dizer “sim”” (Discurso aos sacerdotes e aos diáconos permanentes, Freising, 14 de Setembro de 2006). Não obstante o compromisso cristão seja considerado obsoleto em determinados contextos, entre os jovens da Irlanda existe uma fome espiritual concreta e um desejo generoso de servir o próximo. A vocação ao sacerdócio ou à vida religiosa oferece a oportunidade de responder a esta aspiração, de maneira a suscitar uma profunda alegria e a realização individual. Permiti que acrescente uma observação, que me está a peito. Durante muitos anos, os representantes cristãos de todas as denominações, os líderes políticos e numerosos homens e mulheres de boa vontade estiveram comprometidos na busca de instrumentos para garantir um futuro mais resplandecente à Irlanda do Norte. Embora o caminho seja árduo, nos últimos tempos já se alcançou um grande progresso. Rezo a fim de que os esforços decididos, realizados pelas pessoas interessadas, leve à formação de uma sociedade que se caracterize por um espírito de reconciliação, de respeito recíproco e de solícita cooperação, em vista do bem comum de todos. No momento em que vos preparais para regressar às vossas respectivas Dioceses, confio o vosso ministério apostólico à intercessão de todos os Santos da Irlanda e asseguro-vos o meu profundo afecto, assim como a minha oração constante por todos vós e pelo povo irlandês em geral. Que Nossa Senhora de Knock vele sobre vós, protegendo-vos sempre. A todos vós, aos sacerdotes, aos religiosos e aos fiéis leigos da vossa amada Ilha, concedo do íntimo do coração a minha Bênção Apostólica, como penhor de paz e de júbilo no Senhor Jesus Cristo. [Tradução distribuída pela Santa Sé © Copyright 2006 – Libreria Editrice Vaticana] #Cristo #bibliasagrada #abusosexual #escândalos #adlimina #bíbliavivaonline #coragem #Confiança #Sacerdotes #Irlanda #testemunho #NovoTestamento #Igreja #Amor #alegria #abundância #abençoada #povo #Jesus #Agostinho
- Católicos turcos esperam ansiosos pelo Papa
ISTAMBUL, 05 Nov. 06 (ACI) .- “A Igreja na Turquia espera encontrar-se com Bento XVI. Estamos preparando a celebração de primeiro de dezembro, o dia em que o Pontífice se reunirá na Catedral do Istambul, com os fiéis católicos e seus pastores”, indicou o porta-voz da Conferência Episcopal Turca, o Pe. Georges Marovitch. Do mesmo modo, o sacerdote indicou que estão “recebendo muitos pedidos para esta liturgia, mas os lugares são limitados. Por isso decidimos colocar um telão na Igreja do Santo Antônio para que todos possam acompanhar esta celebração”. Conforme informa a agência italiana SIR, o presbítero também explicou que “depois do discurso do Papa em Regensburg, os jornais turcos escreviam que o Presidente da República não se encontraria com o Papa, mas que outro delegado do Governo o faria em seu lugar. Nesse momento nos surpreendemos, mas as notícias foram logo precisadas. O Presidente Necdet Sezer receberá o Santo Padre sem seu Primeiro-ministro, Erdogan, que estará em Riga para a cúpula da OTAN”. Também se espera ansiosamente o encontro do Santo Padre com o Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I. “Nada se filtrou sobre a declaração conjunta que ambos assinarão. Acredito que será uma surpresa”, concluiu. #celebração #bibliasagrada #católicos #Presidente #bíbliavivaonline #Padre #Santo #NovoTestamento #esperam #Turquia #Igreja
- Cristo destruiu o sorriso sarcástico da morte, afirma o Papa
Na oitava dos fiéis defuntos CIDADE DO VATICANO, domingo, 5 de novembro de 2006 (ZENIT.org).- Quem acredita em Cristo e vive como ele «fica liberado do medo da morte», assegurou bento XVI neste domingo, ao rezar a oração Mariana do Ângelus. Ao dirigir-se desde a janela dos seus aposentos aos milhares de peregrinos congregados na praça de São Pedro do Vaticano, o Papa considerou que é preciso temer mais a «morte da alma», isto é, o pecado, que nos separa de Deus. O pontífice aprofundou na visão cristã da morte, recordando que em muitas paróquias do mundo, nestes dias, se vive a oitava dos defuntos, semana que tem lugar após a comemoração liturgia dos fiéis defuntos. Como ele mesmo reconheceu, trata-se de «uma ocasião para lembrar dos nossos seres queridos na oração, e meditar sobre a realidade da morte, que a “civilização do bem-estar” tenta remover com freqüência da consciência das pessoas, submergida nas preocupações da vida cotidiana». «Morrer — segundo Bento XVI –, na verdade, faz parte da vida e não somente do seu final, senão também, se prestamos atenção, de todo instante.» Em alguns momentos, acrescentou, «a perda de um ser querido nos faz descobrir o “problema”, permitindo-nos sentir a morte como uma presença radicalmente hostil e contrária à nossa natural vocação à vida e à felicidade». Pois bem, como o próprio bispo de Roma explicou, «Jesus revolucionou o sentido da morte», já que, «morrendo, ele destruiu a morte». «O Filho de Deus quis compartilhar até o fundo a nossa condição humana, para abri-la à esperança. Em última instância, nasceu para poder morrer e, desta forma, libertar-nos da escravidão da morte», recalcou. «A partir de então, a morte já não é a mesma: ela ficou privada, por assim dizer, do seu “veneno”», esclareceu. Desta forma, «se em Cristo a vida é uma passagem “deste mundo ao Pai”, a hora da morte é o momento em que esta passagem acontece de forma concreta e definitiva». Citando o Cântico das Criaturas, de São Francisco de Assis, o Papa explicou que «quem se compromete a viver como Ele fica liberado do medo da morte, deixando de mostrar o sorriso sarcástico de uma inimiga para oferecer o rosto amigo de uma “irmã”». Por isso, insistiu o Papa desde uma visão de fé, «não é preciso ter medo da morte do corpo, pois é um sonho do qual nos despertaremos um dia». «A autêntica morte, da que é preciso ter medo, é a da alma – alertou –, chamada pelo Apocalipse de “segunda morte”.» «Quem morre em pecado mortal, sem arrependimento, fechado na orgulhosa rejeição doamor de Deus — recordou –, se auto-exclui do reino da vida.» O sucessor do apóstolo Pedro concluiu convidando as pessoas que o escutavam a preparar-se «serenamente para deixar este mundo, quando Ele quiser nos chamar, com a esperança de poder permanecer eternamente com Ele, em companhia dos santos e dos nossos queridos defuntos». #Cristo #Deus #medo #Alma #sorriso #Jesus #Destruiu #morte
- Religião: força vital para a paz em tempos de globalização, recorda Vaticano
Intervenção do arcebispo Celestino Migliore ante as Nações Unidas NOVA YORK, segunda-feira, 30 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- Em tempos de globalização, nos quais a discriminação religiosa ganha terreno em alguns países, a Santa Sé recordou nas Nações Unidas que a religião constitui uma força vital para a paz e o entendimento entre os povos. Assim explicou em 27 de outubro o arcebispo Celestino Migliore, observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, ante a comissão da assembléia geral que discutia o tema: «Promoção e proteção dos direitos humanos». «Em nosso mundo mutável, a religião é mais que uma questão interna de pensamento e consciência — advertiu o representante do Papa. Ela tem a capacidade de unir-nos como irmãos e da família humana.» Segundo o prelado, «não podemos ignorar o papel que a religião desempenha para alimentar o faminto, para vestir o nu, para curar os doentes e visitar os presos». «Tampouco deveria desestimar-se sua força, especialmente em meio ao conflito e à divisão, para orientar nossos pensamentos à paz, para permitir que os inimigos possam falar-se, para unir em amizade aqueles que não se conhecem, e para que as nações busquem juntas a paz», afirmou. Por isso, assegurou, «a religião é uma força vital para o bem, para a harmonia e para a paz entre os povos, em especial durante tempos atormentados». Em sua intervenção, o prelado recordou que se celebra o vigésimo quinto aniversário da adoção da Declaração para a eliminação de todas as formas de intolerância e discriminação baseadas na religião ou nas crenças. Neste contexto, confessou, «minha delegação está seriamente preocupada pelo fato de que a liberdade de religião ou de crença não existe para indivíduos e comunidades, especialmente entre as minorias religiosas, em muitas partes do mundo». «Também nos preocupa o elevado nível de intolerância religiosa em alguns países, que está levando a um nível alarmante de tensão e discriminação.» «Temos a grave tarefa de trabalhar juntos para mudar o curso desta tendência», reconheceu. #religião #Intervenção #Santa #Celestino #força #Nações #advertiu #Migliore #discriminação #Arcebispo
- É preciso apresentar Jesus Cristo como modelo e referência aos jovens
Igreja no Brasil celebra Dia Nacional da Juventude SÃO PAULO, domingo, 22 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- Os jovens buscam modelos e referências. Essa busca é uma grande oportunidade de colocá-los em contato com o modelo supremo, Jesus Cristo. Essa é umas das linhas de orientação que se desprendem do estudo “Evangelização da Juventude”, texto escrito a partir das discussões da 44ª Assembléia Geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), realizada em Itaici (São Paulo), de 9 a 17 de maio de 2006. Antes de se tornar um documento oficial, este texto, impresso pela Editora Paulus, circula na comunidade eclesial, especialmente entre os jovens, para passar por uma reflexão mais aprofundada e ampliada. As orientações da CNBB para a evangelização da juventude ganham voz especial neste domingo, ocasião em que a Igreja no Brasil celebra justamente o Dia Nacional da Juventude. O texto do organismo episcopal afirma que, com criatividade pastoral, «é importante apresentar Jesus Cristo dentro do contexto em que o jovem vive hoje e como resposta às suas angústias e aspirações mais profundas». «Um Jesus que caminha com o jovem, como caminhava com os discípulos de Emaús, escutando, dialogando e orientando.» O próprio texto da CNBB lança luzes sobre o contexto de incertezas e dificuldades em que vive o jovem hoje no Brasil. O recenseamento geral da população feito em 2000 revelava que no Brasil havia 34 milhões de jovens, considerando a faixa etária entre 15 e 24 anos. O número se elevava a 47 milhões de jovens se se considerasse também a faixa dos 25 aos 30 anos de idade. Segundo afirma o estudo da CNBB, «a maioria dos 34 milhões de jovens brasileiros representa um dos segmentos populacionais mais fortemente atingidos pelos mecanismos de exclusão social». O censo de 2000 revelava que a maioria dos jovens brasileiros, 56,7%, vivia em famílias que tinham uma renda per capita mensal menor do que um salário mínimo (pouco menos de 170 dólares americanos hoje). Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelam que o desemprego atinge cerca de 20% dos jovens. O texto da CNBB afirma que, entre os principais problemas que os jovens enfrentam hoje, estão a disparidade de renda, o acesso restrito à educação de qualidade e frágeis condições para a permanência nos sistemas escolares, o desemprego e a inserção no mercado de trabalho. Há ainda o envolvimento com drogas lícitas (álcool, tabaco) e ilícitas, a gravidez na adolescência, a violência no campo e na cidade, a intensa migração, as mortes por causas externas (homicídio, acidentes de trânsito e suicídio), o limitado acesso às atividades esportivas, lúdicas e culturais. Diante de todo esse quadro de adversidades é que o episcopado propõe a formação do jovem que seja discípulo de Jesus, pois o «discípulo se compromete com coerência de vida e ação na transformação dos sistemas políticos, econômicos, trabalhistas, culturais e sociais que mantêm na miséria espiritual e material milhões de pessoas em nosso continente». O jovem, recorda o episcopado, é convidado por Jesus, assim como todo cristão, a ser discípulo. «O convite é pessoal: Vem e segue-me (Lc 18,22).» E «quem se torna discípulo de Jesus transforma-se em portador de sua mensagem», ou seja, em missionário de seu amor. «O encontro com Jesus não é algo abstrato. É necessário mostrar aos jovens os lugares e os momentos concretos nos quais é possível encontrá-lo.» Estes lugares são «a Sagrada Escritura; a Liturgia, sobretudo a Eucaristia; a comunidade reunida em seu nome, os irmãos e irmãs, especialmente os mais necessitados, nos quais Jesus Cristo está misteriosamente presente», escrevem os bispos. #celebra #CNBB #Cristo #bibliasagrada #apresentar #JesusCristo #bíbliavivaonline #adolescência #Referência #jovem #Nacional #NovoTestamento #juventude #Igreja #Amor #Discípulo #Jesus
- Ser missionário é anunciar que Deus é amor, explica o Papa
No octagésimo Domingo Mundial das Missões (DOMUND) CIDADE DO VATICANO, domingo, 22 outubro de 2006 (ZENIT.org).- No octagésimo Domingo Mundial das Missões (DOMUND), Bento XVI explicou que ser missionário significa «levar a toda pessoa a boa notícia: “Deus é amor”». «A missão, se não é motivada pelo amor, fica reduzida à atividade filantrópica e social», esclareceu ao meio-dia, ao rezar a oração mariana do Ângelus desde a janela de seus aposentos, juntos a cerca de 30.000 peregrinos congregados na praça de São Pedro do Vaticano. A mensagem que, como de costume, o Papa havia escrito para esta jornada tem por lema: «A caridade, alma da missão». «A missão surge do coração — reconheceu o pontífice em uma agradável jornada do outono romano: quando a pessoa pára para rezar diante do Crucifixo, com o olhar fixo no lado transpassado, não pode deixar de experimentar dentro de si a alegria de saber que é amada e o desejo de amar e de tornar-se um instrumento da misericórdia e da reconciliação.» Como exemplo, citou a experiência que o jovem Francisco de Assis viveu, há precisamente oitocentos anos, na pequena Igreja de São Damião, que então estava derruída. Escutou a voz do Crucifixo, que lhe dizia: «Vai, reconstrói a minha casa que está em ruínas». «Aquela “casa” era, antes de tudo, sua própria vida, que precisava ser “reconstruída”, mediante uma autêntica conversão; era a Igreja, não a que está feita de tijolos, senão de pessoas vivas, que sempre precisa de purificação; era também toda a humanidade, na que Deus quer fazer sua morada.» «A missão — constatou — sempre nasce do coração transformado pelo amor de Deus, como testemunham inúmeras histórias de santos e de mártires, que de diferentes maneiras gastaram sua vida ao serviço do Evangelho.» Por isso, assegurou, na missão «existe um lugar para todos», segundo seus diferentes estados de vida. Concretamente, disse, existe espaço na missão «para quem se compromete a realizar em sua própria família o Reino de Deus; para quem vive com espírito cristão o trabalho profissional; para quem se consagra totalmente ao Senhor; para quem segue Jesus Bom Pastor no ministério ordenado ao Povo de Deus; para quem vai especificamente anunciar Cristo a quem ainda não o conhece». #coração #anunciar #Mundial #Deus #agradável #missão #Domingo #pessoa #Alma #Amor #alegria #Jesus
- Basílica vaticana representa Igreja edificada sobre a fé de Pedro
Cardeal Bertone inaugurou a exposição «Petros Eni» CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 18 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- A Basílica de São Pedro representa no grau máximo a Igreja construída sobre o fundamento estabelecido por Cristo: a fé de Pedro, afirmou o cardeal Tarcísio Bertone, secretário de Estado vaticano. O purpurado afirmou isso ao presidir, em 11 de outubro passado, no átrio da Sala Paulo VI, a inauguração da exposição titulada «Petros Eni» (Pedro está aqui), situada na Ala Carlos Magno da colunata de Bernini, no contexto das celebrações do 500º aniversário da Basílica de São Pedro. O principal responsável pela mostra é o professor Antonio Paolucci, presidente da Superintendência do Museu de Florença. A instalação oferece a possibilidade de admirar cerca de cem obras-primas, provenientes de importantes museus do mundo, que ajudarão os visitantes a percorrer a história da Basílica vaticana através de um itinerário histórico, cultural e espiritual. «Se cada igreja constitui para os fiéis de um certo território um ponto de referência religiosamente significativo, a Basílica levantada sobre o túmulo do apóstolo Pedro reveste um valor excepcional para os católicos do mundo inteiro», disse o cardeal Bertone. «A Sagrada Escritura –acrescentou– nos ensina que Deus não precisa de templos construídos pelo homem, e que o lugar no qual gosta de pôr sua morada é um coração humilde e um povo fiel a seus valores.» «Contudo, o homem peregrino na terra precisa de símbolos, e as igrejas, sejam de madeira ou de pedra, desde as pequenas ermidas rurais e de montanha até as majestosas catedrais, constituem sinais necessários para a comunidade de fiéis, que são a verdadeira Igreja, edifício espiritual constituído por pedras vivas.» O purpurado afirmou que se o Santo Sepulcro em Jerusalém é a «memória insuperável do mistério pascal», a Basílica de São Pedro «representa no grau máximo a Igreja, construída sobre o fundamento estabelecido por Cristo: a fé de Pedro, cabeça do Colégio apostólico». Recordando que desde os inícios do século XI até finais do XVII a Basílica vaticana foi uma permanente «obra» a céu aberto, o purpurado afirmou que «é sugestivo recolher da história justamente a imagem da obra como metáfora da Igreja». «Uma obra — explicou — na qual o edifício espiritual se constrói dia a dia, na escuta da Palavra de Deus, na celebração da Eucaristia e na oração, mas também no encontro entre os povos e as culturas e na elaboração do magistério colegial», como sucedeu nos dois últimos Concílios, e em especial no Vaticano II. «Como cada igreja, e inclusive mais, devido a seu universal valor simbólico, São Pedro não pode ser antes de tudo e sobretudo somente “casa de oração”», disse o purpurado, expressando o desejo de que a mostra contribua a fazer perceber a Basílica vaticana também como «uma escola para crescer na fé». #exposição #Bertone #PetrusEni #Vaticana #Basílica #Pedro #purpurado #afirmou #Petros #Igreja #Vaticano #Cardeal
- Leitura contemporânea do sacrifício de Abraão
Fala a filósofa Amália Quevedo BOGOTÁ, quarta-feira, 18 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- A professora Amália Quevedo acaba de publicar um livro para propor uma leitura atual do sacrifício bíblico de Abraão. Ninguém permanece indiferente ante o «relato do sacrifício de Isaac», reconhece, e considera que este episódio «poderia dar uma luz para nossa época, marcada pelo sangue de sacrifícios inauditos». Quevedo, que é professora na Universidade de Sabana (Colômbia) apresenta sua proposta «No último instante. A leitura contemporânea do sacrifício de Abraão», volume editado na Espanha por EUNSA, Edições Internacionais Universitárias. Na primeira parte, «Caminhos do Moria», se recolhe, analisa e compara o que eminentes filósofos e escritores disseram acerca do sacrifício de Abraão. São eles Kant, Hegel, Schelling, Kierkegaard, Thomas Mann, Kafka, Sartre, Kolakowski, René Girard. A segunda parte, que leva por título «De Kierkegard a Derrida», se ocupa da leitura que autores como Auerbach, Blanchot, Lévinas e Derrida fazem de «Temor e tremor», a obra de Kierkegaard dedicada a Abraão. Abraão é um homem sem saída, pego entre o imperativo divino e o assassinato do ser a quem ama, dividido pela mais lacerante e pungente contradição, explica a autora em declarações à agência Zenit. No fundo, toda a cultura humana, as instituições, as artes, a ciência — a própria psicanálise –, segundo Quevedo, podem ser lidas como esforços — sempre limitados, nunca suficientes — de dar uma explicação à vida que transcorre após o episódio aterrador do país de Moria. Nada volta a ser igual. Desta maneira, o sacrifício de Abraão se encontra presente na raiz, não só da literatura moderna, como sustenta Derrida, mas da cultura ocidental inteira, segue constatando o livro. Portanto, boa parte da literatura universal pode ser entendida como uma variação dos acontecimentos do Moria. Em toda a literatura, a relação paterno-filial passa de algum modo por Abraão. «Eu sugiro que o sacrifício de Abraão contém uma força iluminadora que não acabamos de esgotar nem de explorar, e a reflexão sobre este fato pode dar luzes para a nossa vida, não só em seus aspectos extraordinários ou trágicos, mas também no que tem de cotidiano. #sacrifíciodeisaque #Caminhos #Internacionais #sacrifício #sacrifíciodeabraão #sacrifícioisaque #universidade #Colômbia #Abraão #Bíblico #Bogotá
- Terminada uma superprodução em desenho animado sobre João Paulo II
ROMA, terça-feira, 3 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- Depois de onze meses de produção, a Cavin Cooper Productions finalizou a realização do desenho animado e do documentário sobre o Papa João Paulo II. O desenho animado, com o título de «João Paulo II, o amigo de toda a humanidade» e o documentário com o título de «João Paulo II por João Paulo II», constituem o «biopic» inédito e apaixonante de um dos homens mais decisivos do século XX, assegura a produtora em um comunicado enviado à agência Zenit. «Nesta produção, criada, produzida e dirigida por José Luis López-Guardia (apelidado de Cavin Cooper), em colaboração com o Centro Televisivo Vaticano, mostra-se em sua dinâmica realização, feitos e acontecimentos desconhecidos, dos quais não existem documentos gráficos, mas que ajudam decisivamente a entender a trajetória que o converteu em Papa», afirma a nota informativa. Em 7 de outubro próximo se apresentará em Cannes, no MIPCOM JUNIOR e no MIPCOM, apoiada por uma ação de patrocínio ativo muito original, no primeiro deles. Posteriormente, em 17 de outubro, apresentar-se-á em Roma, e em 8 de novembro, na Espanha, na Universidade do Abat Oliva de Barcelona. A produção foi dublada em sete idiomas e se comercializará em quatro packs distintos para facilitar sua distribuição mundial, feita pela mesma produtora. Podem ser visto o trailer e maiores informações sobre Cavin Cooper em www.cavincooperprods.com. #comunicado #JoãoPauloII #Papa #Televisivo #Roma #documentário
- O Papa anima a servir a Deus com alegria e reto desapego do mundo
VATICANO, 13 Out. 06 (ACI) .- Ao receber hoje os prelados da Conferência Episcopal da Zâmbia, o Papa Bento XVI lembrou que é tarefa dos bispos “guiar os fiéis no caminho que leva à santidade” e lhes pediu que comuniquem, especialmente aos sacerdotes, “a alegria de servir ao Senhor com um desapego apropriado das coisas deste mundo”. Em seu discurso aos bispos que realizaram sua quinquenal visita “ad Limina”, o Santo Padre lhes animou a “impulsionar seu povo à prática da oração e à santidade, descobrindo o tesouro de uma vida assentada na fé em Cristo. A luz da santidade, que brilha em quantos o descobriram, acende-se no momento do batismo, que livra o crente do domínio do pecado, de uma existência cheia de medo e superstição e o chama uma nova vida”. O Papa indicou deste modo que é tarefa dos prelados “guiar os fiéis no caminho que leva à santidade, com sábios conselhos, firme decisão e afeto paternal”, e destacou a importância deste dever nas relações com os sacerdotes, que “às vezes podem se sentir arrastados pelas muitas tentações da sociedade contemporânea”. “Como pastores e pais –destacou– deveis comunicar-lhes a alegria de servir ao Senhor com um desapego apropriado das coisas deste mundo”. “Cremos que a Igreja é Santa. Quando alentais vossos sacerdotes a viver vistas santas conforme a seu chamado, quando predicais o amor generoso e a fidelidade no matrimônio e exortais a praticar as obras de misericórdia, lembrai-lhes as palavras do Senhor: ‘Vós sois a luz do mundo’. Mostrai a compaixão de Cristo sobretudo com os pobres, os refugiados, os doentes e os que sofrem”, acrescentou. Mais adiante, o Pontífice exortou os bispos a instruir a seus fiéis “sobre o valor e a prática da oração, sobretudo litúrgica, onde de modo sublime a Igreja se une com Cristo, Sumo sacerdote, em sua intercessão eterna para a salvação do mundo”. Neste contexto, o Papa lhes recordou que a Igreja anima também as “formas populares de piedade”. “Ensinai sempre, portanto, o valor da intercessão dos Santos, que são grandes amigos de Jesus, e em particular a intercessão especial de Maria, sua Mãe, sempre atenta a nossas necessidades”, apontou. Finalmente, Bento XVI animou a seguir proclamando “a necessidade da honradez, o afeto familiar, a disciplina e a fidelidade, que têm um impacto decisivo sobre a saúde e a estabilidade social”. #Cristo #santidade #adlimina #Senhor #Conferência #adiante #BentoXVI #Igreja #fidelidade #Amor #alegria #Jesus
- Bento XVI canoniza quatro santos
Deixaram tudo para seguir a Cristo CIDADE DO VATICANO, domingo, 15 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- Os santos deixam tudo para seguir Jesus, explicou este domingo Bento XVI, ao proclamar a santidade de um bispo, um sacerdote e de duas religiosas. «Seus nomes serão recordados para sempre», disse, ao apresentá-los à veneração da Igreja universal na celebração que presidiu na praça de São Pedro, no Vaticano. Entre os novos santos se encontra São Rafael Guízar Valencia, bispo mexicano de Veracruz (1878-1938), que é agora o primeiro bispo santo nascido na América Latina. São Filippo Smaldone (1848-1923), por sua parte, era um sacerdote de Nápoles, que se caracterizava por ser o apóstolo dos surdo-mudos. Fundou a congregação das Religiosas Salesianas dos Sagrados Corações. Rosa Venerini (1656-1728), originário de Viterbo (Itália), também é santa a partir deste domingo. Criou a primeira escola pública feminina na Itália e fundou a congregação dedicada à educação das Mestras Pías Venerini. Por último, foi canonizada Theodore Guérin (Anne-Thérèse), religiosa francesa (1798-1856), que fundou nos Estados Unidos, país no qual faleceu, a congregação das Religiosas da Providência de Saint Mary of the Woods. Estes quatro santos deixaram uma lição, constatou o Papa na homilia: «se o homem põe sua confiança nas riquezas deste mundo não alcança pleno sentido da vida nem a autêntica alegria». «Pelo contrário –sublinhou–, se, confiando na palavra de Deus, renuncia a si mesmo e a seus bens pelo Reino dos Céus, aparentemente perde muito, mas na realidade ganha tudo». «O santo é precisamente esse homem, essa mulher que, respondendo com alegria e generosidade ao chamado de Cristo, deixa tudo para segui-lo», recordou. «As riquezas terrenas ocupam e preocupam a mente e o coração –declarou–. Jesus não diz que são más, mas que nos afastam de Deus se não se “investem”, por assim dizer, no Reino dos Céus, se não se gastam para ajudar a quem está na pobreza». #celebração #Cristo #veneração #Congregação #canonização #américalatina #Pedro #Itália #Religiosas #sacerdote #mexicano #alegria #Jesus #América #quatro
- Diálogo e tolerância não implica deixar de afirmar a própria identidade cristã, diz o Papa
VATICANO, 11 Out. 06 (ACI) .- 40 mil fiéis se congregaram nesta manhã na Praça de São Pedro para participar da Audiência Geral com o Papa Bento XVI, que ao apresentar as figuras dos apóstolos Simão Cananeu e Judas Tadeu recordou que o diálogo não deve perder de vista as linhas mestras e irrenunciáveis da identidade cristã. Sobre a carta do Novo Testamento atribuída a Judas, cujo apelido Tadeu significa “magnânimo”, o Santo Padre destacou que sua “preocupação central é alertar os cristãos de todos os que com o pretexto da graça de Deus se desculpam de seus desenfreios e enganam os outros com ensinamentos inaceitáveis, introduzindo divisões na Igreja“. “Possivelmente hoje não estamos acostumados a utilizar uma linguagem tão polêmica -observou o Papa-, que embora com imagens muito formosas não deixa de dizer com muita claridade o que caracteriza o cristianismo e o que é incompatível com ele”. “É preciso prosseguir com perseverança o caminho da indulgência e do diálogo, felizmente empreendido pelo Concílio Vaticano II. Mas não podemos esquecer o dever de repropor e destacar sempre com igual força as linhas mestras e irrenunciáveis de nossa identidade cristã, que não é apenas cultural, mas sim requer a força, a clareza e a coragem dos desafios próprios da fé“. precisou. Igualmente, o Bispo de Roma se referiu a Simão Cananeu, chamado também “zelota“, quem como resultado de tal nome poderia ser caracterizado “por um ardente zelo pela identidade judaica, portanto por Deus, por seu povo e pela Lei divina”. “De ser assim, Simão é completamente diferente de Mateus -disse o Santo Padre-, que como publicano, procedia de uma atividade considerada impura. Este é um sinal evidente de que Jesus chama seus discípulos e colaboradores de todos os níveis sociais e religiosos, sem diferenças. Interessam-lhe as pessoas, não as categorias sociais ou as etiquetas”. “Seus seguidores, embora diversos, coexistiam superando as imagináveis dificuldades: Jesus era o motivo de coesão. Nós, ao contrário, tendemos freqüentemente a sublinhar as diferenças e inclusive as contraposições, esquecendo que em Jesus Cristo reside a força para resolver nossos conflitos“, apontou. Finalmente o Papa leu um resumo de suas palavras em diversos idiomas, entoou o Pater Noster e deu a Bênção Apostólica. #Identidade #Deus #Testamento #JesusCristo #Pedro #linguagem #Tolerância #BentoXVI #Discípulo #Jesus #diálogo
- Bento XVI propõe aos jovens ser os novos missionários das cidades
Ao dirigir-se aos jovens que concluíram uma missão na Cidade Eterna CIDADE DO VATICANO, domingo, 8 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- Bento XVI propôs aos jovens neste domingo que se convertessem nos novos missionários nas ruas e praças das cidades. O Papa dirigiu sua exortação ao cumprimentar os 350 jovens «missionários», como ele os chamou, que acabam de participar da terceira edição da missão «Jesus no centro», celebrada de 28 de setembro a 8 de outubro pelas ruas do centro histórico de Roma. Os jovens se encontravam reunidos na praça de São Pedro, junto aos peregrinos que rezaram o Ângelus com o Papa. Este encontro se converteu no ato conclusivo desta experiência missionária. «Queridos amigos, eu me alegro pelo seu gozoso compromisso de anúncio do Evangelho nas ruas e praças, nas escolas e hospitais, assim como nos lugares de diversão dos jovens romanos», reconheceu. «Eu os alento a manter este estilo missionário na vida de todos os dias, aproveitando sempre as iniciativas formativas diocesanas», acrescentou. No contexto da missão, organizaram-se encontros de oração e adoração eucarística em algumas das igrejas da cidade eterna, a Via Sacra desde a basílica de São João de Latrão até a basílica da Santa Cruz de Jerusalém, atividades nas ruas e a instalação da «barraca do encontro». Abriu-se cada dia uma «Cidade do esporte» , com a possibilidade de participar de torneios de futebol e vôlei. Não faltaram momento de festa e testemunho, com o concerto de abertura da missão que foi celebrado na Praça Navona, na noite do dia 30 de setembro. Graças à primeira edição deste missão, surgiu em Roma uma «Escola de evangelização diocesana», aberta a pessoas de 18 a 35 anos, dedicada a aprender a orar, à escuta da Palavra de Deus, na qual se oferecem, além disso, «práticas de evangelização». A missão foi organizada pelo serviço diocesano, pela pastoral juvenil do Vicariato de Roma e do Seminário Pontifício Romano Maior, em colaboração com algumas paróquias, associações e movimentos presentes no território da diocese. #Evangelho #encontro #AdoraçãoEucarística #Jovens #Pedro #exortação #missionária #experiência #compromisso #adoração #Jesus #evangelização
- Papa pede a fiéis ser protagonistas da missão evangelizadora
VATICANO, 07 Out. 06 (ACI) .- Esta manhã o Papa Bento XVI recebeu aos participantes da peregrinação a Roma da diocese de Emilia Romagna e em seu discurso exortou aos peregrinos a manter a esperança e testemunhar a todos a alegria de ser cristãos. O Pontífice pediu aos presentes que as palavras de João Paulo II durante sua visita à diocese do norte da Itália “sejam um estímulo à reflexão e ao aprofundamento da comunhão afetiva e efetiva entre todos os componentes das respectivas Igrejas particulares”. “É um convite a caminhar unidos aos vossos Pastores e ao Sucessor de Pedro; é um alento para os membros de vossas Dioceses a prosseguir, com renovado ardor, a comum missão evangelizadora, testemunhando o Evangelho da esperança em nossa época”, disse o Papa. Diante de tal missão, o Santo Padre recordou que só é possível “graças ao sustento de Deus e à valoração convencida e valorosa do patrimônio espiritual que a população romagnola soube proteger e defender no curso dos séculos reconhecendo nela uma ‘comunidade cristã e humana plena de ardor operativo, consciente de seu rol dentro da sociedade no atual momento histórico: uma comunidade de cristãos que, segundo a tradição dos católicos romagnolos, quer manter unidas a fé e a valentia do testemunho social, a adesão à comunidade eclesiástica e a lealdade para a sociedade civil”. Sobre a situação atual, destacou a “crise que ameaça a tantas famílias, a crescente necessidade de vocações sacerdotais e religiosas ante o preocupante declínio numérico e a idade dos sacerdotes; penso nas tantas insídias de uma sociedade consumista e secularizada, que trata de seduzir um número sempre crescente de pessoas, as induzindo a sofrer uma progressiva separação dos valores da fé na vida familiar, civil e política”. Ante tais desafios o Santo Padre convidou aos presentes a encará-los “sem perder os ânimos, olhando com confiança os muitos motivos de esperança que graças a Deus não faltam. Que testemunhar a alegria de ser cristãos seja vosso compromisso. Prosseguei e intensificai a comunhão eclesiástica e sede protagonistas generosos da missão evangelizadora que o Senhor vos confia”. #Deus #caminhar #eclesiástica #missão #exortou #Dioceses #esperança #sociedade #pontífice #comunidade #sucessor #alegria #testemunhar
- Pregador do Papa: é possível fazer que as crises não desgastem o matrimônio, mas que o melhorem
Comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap., sobre a liturgia do próximo domingo ROMA, sexta-feira, 6 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap. — pregador da Casa Pontifícia — sobre a liturgia do próximo domingo, XXVII do tempo comum. * * * E os dois serão uma só carne XVII Domingo do tempo comum (B) Gênesis 2, 18-24; Hebreus 2, 9-11; Marcos 10, 2-16 O tema deste XXVII Domingo é o matrimônio. A primeira leitura começa com as bem conhecidas palavras: «Disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma ajuda adequada». Em nossos dias, o mal do matrimônio é a separação e o divórcio, enquanto que nos tempos de Jesus o era o repúdio. Em certo sentido, este era um mal pior, porque implicava também uma injustiça com relação à mulher, que ainda persiste, lamentavelmente, em certas culturas. O homem, de fato, tinha o direito de repudiar a própria esposa, mas a mulher não tinha o direito de repudiar seu próprio marido. Duas opiniões se contrapunham, com relação ao repúdio, no judaísmo. Segundo uma delas, era lícito repudiar a própria mulher por qualquer motivo, ao arbítrio, portanto, do marido; segundo a outra, ao contrário, se necessitava de motivo grave, contemplado pela Lei. Um dia submeteram esta questão a Jesus, esperando que adotasse uma postura a favor de uma ou outra tese. Mas receberam uma resposta que não esperavam: «Tendo em conta a dureza de vosso coração [Moisés] escreveu para vós este preceito. Mas desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem seu pai e a sua mãe, e os dois serão uma só carne. De maneira que já não são dois, mas uma só carne. Pois bem, o que Deus uniu, o homem não separe». A lei de Moisés acerca do repúdio é vista por Cristo como uma disposição não querida, mas tolerada por Deus (como a poligamia ou outras desordens) por causa da dureza de coração e da imaturidade humana. Jesus não critica Moisés pela concessão feita; reconhece que nesta matéria o legislador humano não pode deixar de levar em conta a realidade de fato. Mas volta a propor a todos o ideal originário da união indissolúvel entre o homem e a mulher («uma só carne») que, ao menos para seus discípulos, deverá ser já a única forma possível de matrimônio. Contudo, Jesus não se limita a reafirmar a lei; acrescenta-lhe a graça. Isto quer dizer que os esposos cristãos não têm só o dever de manter-se fiéis até a morte; têm também as ajudas necessárias para fazê-lo. Da morte redentora de Cristo vem uma força — o Espírito Santo — que permeia todo aspecto da vida do crente, inclusive o matrimônio. Este inclusive é elevado à dignidade de sacramento e de imagem viva de sua união esponsalícia com a Igreja na cruz (Ef. 5, 31-32). Dizer que o matrimônio é um sacramento não significa só (como com freqüência se crê) que nele está permitida e é lícita e boa a união dos sexos, que fora daquele seria desordem e pecado; significa — mais ainda — dizer que o matrimônio se converte em um modo de unir-se a Cristo através do amor ao outro, um verdadeiro caminho de santificação. Esta visão positiva é a que mostrou tão felizmente o Papa Bento XVI em sua Encíclica «Deus caritas est», sobre amor e caridade. O Papa não contrapõe nela a união indissolúvel no matrimônio a outra forma de amor erótico; mas a apresenta como a forma mais madura e perfeita desde o ponto de vista não só cristão, mas também humano. «O desenvolvimento do amor para com suas altas cotas e sua mais íntima pureza — diz — leva a que agora se aspire ao definitivo, e isto em um duplo sentido: enquanto implica exclusividade — só esta pessoa –, e no sentido do “para sempre”. O amor engloba a existência inteira e em todas as suas dimensões, inclusive também o tempo. Não poderia ser de outra maneira, já que sua promessa aponta para o definitivo: o amor tende à eternidade.» [n. 6] Este ideal de fidelidade conjugal nunca foi fácil (adultério é uma palavra que ressoa sinistramente até na Bíblia); mas hoje a cultura permissiva e hedonista na qual vivemos o tornou imensamente mais difícil. A alarmante crise que a instituição do matrimônio atravessa em nossa sociedade está à vista de todos. Legislações civis, como a do governo espanhol, que permitem (e indiretamente, de tal forma, estimulam!) iniciar os trâmites de divórcio apenas poucos meses depois de vida em comum. Palavras como: «estou farto desta vida», «se é assim, cada um por si!», «vou embora», já se pronunciam entre cônjuges diante da primeira dificuldade (dito seja de passagem: creio que um cônjuge cristão deveria acusar-se em confissão do simples fato de ter pronunciado uma destas palavras, porque o simples fato de dizer é uma ofensa à unidade e constitui um perigoso precedente psicológico). O matrimônio sofre nisso a mentalidade comum do «usar e jogar fora». Se um aparelho ou uma ferramenta sofre algum dano ou uma pequena avaria, não se pensa em repará-lo (desapareceram já aqueles que tinham estes ofícios), pensa-se só em substituir. Aplicada ao matrimônio, esta mentalidade resulta mortífera. O que se pode fazer para conter esta tendência, causa de tanto mal para a sociedade e de tanta tristeza para os filhos? Tenho uma sugestão: redescobrir a arte do remendo! Substituir a mentalidade do «usar e jogar fora» pela do «usar e remendar». Quase ninguém faz remendos mais. Mas se não se fazem já na roupa, deve-se praticar esta arte do remendo no matrimônio. Remendar os desgarrões. E remendá-los rapidamente. São Paulo dava ótimos conselhos ao respeito: «Se vos irais, não pequeis; não se ponha o sol enquanto estejais irados, nem deis ocasião ao Diabo», «suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente se algum tem queixa contra outro», «ajudai-vos mutuamente a levar vossas cargas» (Ef 4, 26-27; Col 3, 13; Ga 6, 2). O importante que se deve entender é que neste processo de desgarrões e recosidos, de crises e superações, o matrimônio não se gasta, mas se afina e melhora. Percebo uma analogia entre o processo que leva a um matrimônio exitoso e o que leva à santidade. Em seu caminho rumo à perfeição, nenhum impulso, tem aridez estão vazios, fazem tudo à força de vontade e com fadiga. Depois desta, chega a «noite escura do espírito», na qual não entra em crise só o sentimento, mas também a inteligência e a vontade. Chega-se a duvidar de que se esteja no caminho adequado, se é que acaso não foi tudo um erro, escuridão completa, tentações sem fim. Segue-se adiante só por fé. Então tudo se acaba? Ao contrário! Tudo isto não era senão purificação. Depois de passar por estas crises, os santos percebem quão mais profundo e mais desinteressado é agora seu amor a Deus, com relação ao do começo. A muitos casais não será custoso reconhecer nisso sua própria experiência. Também terão atravessado freqüentemente, em seu matrimônio, a noite dos sentidos, na qual falta todo êxtase daqueles, e se alguma vez houve, é só uma lembrança do passado. Alguns conhecem também a noite do espírito, o estado em que entra em crise até a opção de fundo e parece que não se tem já nada em comum. Se com boa vontade e a ajuda de alguém se conseguem superar estas crises, percebe-se até que ponto o impulso e o entusiasmo dos primeiros dias era pouca coisa, com relação ao amor estável e a comunhão amadurecidos nos anos. Se primeiro o esposo e a esposa se amavam pela satisfação que isso lhes procurava, hoje talvez se amam um pouco mais com um amor de ternura, livre de egoísmo e capaz de compaixão; amam-se pelas coisas que passaram e sofreram juntos. [Traduzido por Zenit] #mulher #Homem #Deus #matrimônio #Cantalamessa #Domingo #divórcio #adiante #Moisés #adequada #Amor #Jesus #adultério
- Bento XVI convoca próximo Sínodo de Bispos em 2008 sobre a Palavra de Deus na Igreja
VATICANO, 06 Out. 06 (ACI) .- O Papa Bento XVI convocou a 12º Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, dedicada ao tema “A palavra de Deus na vida e na missão da Igreja” a realizar-se no Vaticano do 5 a 26 de outubro de 2008. Assim deu a conhecer um comunicado facilitado hoje pelo Departamento de Imprensa da Santa Sé. Esta Assembléia se celebrará três anos depois da última realizada de 2 a 23 de outubro de 2005, cujo tema foi “A Eucaristia fonte e cume da vida e da missão da Igreja”. O Sínodo é uma assembléia de bispos que representa ao episcopado católico e tem como tarefa ajudar o Papa no governo da Igreja universal dando-lhe seu conselho. Em um Sínodo os bispos intercambiam mutuamente pareceres e compartilham experiências com o objetivo comum de procurar soluções pastorais que tenham validade e aplicação universal. Trata-se de uma instituição permanente, criada pelo Papa Paulo VI em 1965 em resposta aos desejos dos Padres do Concílio Vaticano II para manter vivo o espírito de colegialidade nascido da experiência conciliar. #Deus #Católico #Sínodo #Eucaristia #missão #Episcopado #BentoXVI #Igreja #Assembléia #Imprensa #Palavra
- A riqueza da liturgia beneditina
Entrevista com o presidente do Pontifício Instituto Litúrgico de Roma SANTO DOMINGO DE SILOS, domingo, 1 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- Existe uma liturgia beneditina? Em uma conversa com o monge beneditino Juan Javier Flores –presidente do Pontifício Instituto Litúrgico de Roma (no Ateneu Pontifício Santo Anselmo)– Zenit explorou esta questão, sumamente atual desde a eleição de Bento XVI. O padre Juan Javier Flores, da Abadia Beneditina de Santo Domingo de Silos, explica nesta entrevista a influência dos monastérios beneditinos na vida litúrgica da Igreja. –Pode-se falar especificamente de uma liturgia beneditina ou é uma expressão inadequada? –P. Flores: Não existe uma «liturgia monástica», como não existe uma liturgia beneditina, nem nunca existiu; existe um modo monástico ou beneditino de celebrar a sagrada liturgia. Porque a liturgia pertence à Igreja e é pensada, atuada e vivida para todos os cristãos. Os monges não se separam da liturgia da Igreja, mas a aproveitam e vivem dela, posto que a liturgia é da Igreja. Com este princípio como base, penso que a liturgia nos mosteiros de hoje deve ser uma liturgia que reflita o espírito e a letra dos livros litúrgicos renovados após a reforma litúrgica. Sem nostalgias nem voltas a um passado romântico, os mosteiros estiveram na vanguarda do movimento litúrgico e, em linha com ele, deverão continuar sendo lugares onde se celebra e se vive a liturgia de hoje com o espírito de sempre. A Regra de São Bento não tem nenhuma peculiaridade a respeito da Eucaristia ou ao restante dos sacramentos. É um documento do século VI; logo reflete a situação eclesial do momento. Só no referente ao ofício divino –que agora chamamos de liturgia das horas– tem uma grande peculiaridade e originalidade. Ao largo do tempo e até hoje, têm existido na Igreja latina dois tipos de ofícios, o monástico e o ofício catedral ou clerical. O ofício beneditino se funda em princípios de tradição monástica anterior, reúne e ordena elementos litúrgicos que em seu tempo aparecem no uso em diferentes igrejas. Tanto em seu conjunto como em inumeráveis detalhes o ofício divino da Regra beneditina tem uma grande originalidade. –Qual tem sido a influência dos beneditinos na história da liturgia? –P. Flores: Os monastérios beneditinos têm desde seu início um ofício divino diverso do clero diocesano e dos demais religiosos, baseando-se na distribuição que São Bento faz do saltério. O princípio da Regra que se tem mantido categoricamente durante os séculos até agora é que «se atenda a que cada semana se recite íntegro o saltério de cento e cinqüenta salmos…» (RB 18). Há que admitir que não se trata aqui de uma –e menos ainda da– forma existencial da vida monástica beneditina, mas sim de seu modo de organizar algo tão importante como é a oração comunitária. E também há que reconhecer que a piedade monástica desde o princípio em uma grande medida tem estado marcada pela piedade dos salmos. Dado que é certo que os mosteiros beneditinos não devem ser museus de história da Igreja nem de história da liturgia, em conseqüência não se deveriam transformar nisso; não obstante, é muito legítima a esperança de que se possa manter nos monastérios beneditinos o Psalterium per hebdomadam, que tem mais de 1.500 anos de tradição, pelo menos no ofício monástico. Mas os mosteiros beneditinos se adaptam ao tempo e ao lugar. O poder separar-se do princípio assumido pelo monacato de rezar os 150 salmos em um modo determinado já se prevê no mesmo capítulo 18 da regra beneditina: «sobretudo advertimos que se porventura a alguém não agradar esta distribuição de salmos, a ordene de outro modo, se lhe parecer melhor» (RB 18, 22) mas –acrescenta São Bento– mantendo o anterior princípio do saltério semanal. –Como se organiza a distribuição dos salmos? –P. Flores: A reforma do ofício divino nos monastérios beneditinos se baseia unicamente no Thesaurus Liturgiæ Horarum Monasticæ, preparado por e para a Confederação Beneditina, onde já se estabelecem outros modos de distribuição do saltério segundo as possibilidades dos diferentes monastérios. Entre as quatro possibilidades que podem escolher os monastérios está o esquema A – ou da Regra –, o esquema B – Fuglister – que distribui o saltério em uma ou duas semanas com critérios exegéticos e bíblicos diferentes dos que em seu dia teve São Bento, mais outros dois esquemas que têm tido menos ressonância. Portanto, hoje os diferentes mosteiros têm opção de optar por um ofício divino que responda mais às exigências do tempo, lugar e trabalho de cada mosteiro. Alguns têm optado por manter o esquema tradicional beneditino; uma grande maioria segue hoje o esquema B com distribuição dos saltérios em uma ou duas semanas; alguns inclusive optaram por adotar a mesma liturgia das horas romana. É, portanto, mais uma responsabilidade própria de cada mosteiro beneditino escolher um ou outro esquema, sabendo que entre os elementos da vida beneditina o Ofício Divino deve ocupar o primeiro lugar (RB 8, 20; 43, 3) e nada se deve antepor a ele. –Que repercussão têm os monastérios beneditinos na vida litúrgica da Igreja? –P. Flores: Ao longo dos séculos, os mosteiros beneditinos têm sido lugares de irradiação espiritual e litúrgica; mais ainda, eles mantiveram durante a Idade Média a cultura e de suas escolas surgiram os personagens da Igreja do momento. Pensamos nos grandes mosteiros como Cluny, Saint Gall, etc. Em 1909, precisamente em torno ao mosteiro belga de Mont César, dá início o «movimento litúrgico», pelas mãos de Lamberto Beauduin, que, por ser sacerdote dedicado ao mundo do trabalho, havia passado a ser monge beneditino no referido mosteiro. Deste movimento litúrgico se passou à reforma litúrgica à raiz do Concílio Vaticano II. Foram os mosteiros beneditinos centros de irradiação espiritual e portanto litúrgica; pensemos em Solesmes (França), Beuron e Maria Laach (Alemanha), Montserrat e Silos (Espanha), Montecasino e Subiaco (Itália), Mredsous e o já citado de Mont César (Bélgica), etc. Todos estes mosteiros têm suas portas abertas a seu tesouro mais precioso, sua oração litúrgica, de modo que a oração da comunidade que ali vive é compartilhada com hóspedes e visitantes que são introduzidos desse modo na grande oração da Igreja. Isto pode considerar-se o apostolado monástico por excelência. Desse modo os mosteiros têm evangelizado. Também hoje existe um modo excelente de passar as «férias» indo a uma hospedagem monástica e participando das diferentes horas da jornada, ao compasso e com a ajuda dos monges e monjas beneditinos. –O Papa Bento XVI recebeu a influência desta espiritualidade litúrgica beneditina? –P. Flores: O Papa Bento XVI tem manifestado um grande amor e apreço pela ordem beneditina e por São Bento ao longo de sua trajetória. O fato de ter escolhido o nome do patriarca dos monges do ocidente é muito significativo, como ele mesmo explicou poucos dias depois de sua eleição. A liturgia tem formado parte de sua vida, como ele mesmo disse em sua autobiografia, já desde seus anos de seminário. Visitava regularmente o mosteiro beneditino alemão de Scheyern, na Baviera, e todos os anos, na festa do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, vivendo em Roma, dirigia-se ao mosteiro das monjas beneditinas de Rosano, próximo a Florença, onde participava da liturgia das monjas e presidia pessoalmente a procissão do Corpo. #litúrgica #Litúrgico #Alemanha #influência #piedade #Amor #mosteiro #Pontifício #alemão
- Papa chama a rezar o Rosário em família pela paz do mundo e a missão da Igreja
Em sua intervenção antes de rezar o Ângelus CASTEL GANDOLFO, domingo, 1 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- Este domingo, primeiro dia do mês que a Igreja dedica tradicionalmente ao Rosário e às Missões, Bento XVI recordou a essência desta oração mariana e pediu que se reze em família pela paz, pelas Missões e também em apoio de seu ministério petrino. Reunidos junto ao Papa na residência pontifícia de Castel Gandolfo, milhares de fiéis e peregrinos responderam a este convite acolhendo-o com um forte aplauso. «É como se, cada ano, Nossa Senhora nos convidasse a redescobrir a beleza desta oração, tão simples e profunda», reconheceu o Santo Padre aludindo também à festa da Virgem do Rosário, no próximo 7 de outubro. O Rosário «oração contemplativa e cristocêntrica, inseparável da meditação da Sagrada Escritura», é «a oração do cristão que avança na peregrinação da fé, no seguimento de Jesus, precedido por Maria», sintetizou o Papa. E convidou «a rezar o Rosário durante este mês em família» e nessas outras famílias espirituais mais amplas, «nas comunidades e nas paróquias», «pelas intenções do Papa, pela missão da Igreja e pela paz do mundo». Também quis assinalar ao «grande apóstolo do Rosário», seu predecessor, «o amado» João Paulo II. «Recordamo-lo ajoelhado com o rosário entre as mãos, imerso na contemplação de Cristo, como ele mesmo convidou a fazer com a Carta Apostólica “Rosarium Virginis Mariae”, evocou Bento XVI. Foi em 16 de outubro de 2002 quando o Papa Karol Wojtyla celebrou os 24 anos de seu pontificado com dois gestos simbólicos: a proclamação do Ano do Rosário e a publicação da citada Carta Apostólica dedicada a esta oração mariana. Durante a tradicional audiência das quartas-feiras, celebrada aquele dia na Praça de São Pedro no Vaticano ante milhares de peregrinos dos cinco continentes, João Paulo II firmou esta Carta e pôs nas mãos da Virgem Maria «a vida da Igreja e a vida tão convulsionada da humanidade». Em «Rosarium Virginis Mariae» («O Rosário da Virgem Maria»), o então pontífice apresentou a oração mariana — se se reza «com devoção e não mecanicamente» — como uma «meditação dos mistérios da vida e da obra de Cristo». E como nos quinze mistérios do Rosário – que até então se contemplavam – faltavam os grandes acontecimentos da vida pública de Cristo, na nova carta o Papa Karol Wojtyla acrescentou outros cinco mistérios e os chamou «Mistérios de luz». #Intervenção #Karol #virgem #amado #mariana #Wojtyla #meditação #Pontifícia #Jesus
- Palestra: Validade e Nulidades Matrimoniais no Direito Canônico
A Paróquia São José Operário e a OAB/SP convidam para a Palestra: “Validade e Nulidades Matrimoniais no Direito Canônico” Palestrante: Prof. Dr. Pe. Rúbens Miraglia Zani – Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma. Juiz do Tribunal Eclesiástico Interdiocesando de São Paulo. Local: Salão da Paróquia São José Operário End.: Rua Daniel Mongolo, 99 – Cohab. José Bonifácio – Itaquera – São Paulo Data/Hora: 18/10/2006 às 19:30h Apoio: 104ª Subsecção da Ordem dos Advogados do Brasil – Presidente Dr. Sídney D´Alberto Liberal #Eclesiástico #Ordem #Doutor #Advogados #Tribunal #Palestra #apoio #Canônico #universidade
- Só o amor de Cristo faz possível evangelizar, ainda com perigo à vida, adverte Papa
Ante quase cem novos bispos em terras de missão CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 25 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- É o amor de Cristo que impulsiona a evangelização, sem temor à perseguição nem à morte, recorda Bento XVI. Ordenados nos dois últimos anos para países de missão na África, Ásia, América e Oceania, 98 novos prelados escutaram as palavras dirigidas pelo Santo Padre no sábado. A audiência papal no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo (Roma) foi o ponto de partida do Seminário de Estudo da Congregação para a Evangelização dos Povos, organizada para estes prelados desde 1994. «Chamados a serem pastores entre populações que em boa parte ainda não conhecem Jesus», como «primeiros responsáveis do anúncio evangélico, deveis portanto realizar esforços consideráveis para que seja dada a todos a possibilidade de acolhê-lo», disse o bispo de Roma a seus irmãos no episcopado. E admitiu que «só impulsionados pelo amor de Cristo é possível levar a cabo este esforço apostólico, que reclama o ardor intrépido de quem pelo Senhor não teme nem a perseguição nem a morte». Foi um momento em que Bento XVI quis recordar os «numerosos sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos que, nos séculos passados e em nossos tempos, regaram os territórios de missão com seu sangue sua fidelidade a Cristo e à Igreja». E recordou, mais uma vez, o último sacrifício que se acrescentou recentemente «ao número destas heróicas testemunhas do Evangelho», o da «Irmã Leonella Sgorbati, missionária da Consolata, barbaramente assassinada em Mogadiscio» (Somália), enfatizando que «o sangue dos mártires é semente de novos cristãos». Como ser bispo em terra de missão Sublinhando aos quase cem novos prelados, a quem é confiado «o mandato de custodiar e transmitir a fé em Cristo, depositada na tradição viva da Igreja e pela qual muitos deram a vida», o Papa apontou as chaves para levar a cabo tal tarefa. «É essencial que, em primeiro lugar, sejais “exemplo em tudo de boas obras, pureza de doutrina, dignidade, palavra sã, irrepreensível”», disse, citando São Paulo. «O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres… Ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas», afirmou, apontando palavras de seu predecessor, Paulo VI. Daí a necessidade de «que deis importância primária em vosso ministério episcopal à oração e à incessante busca da santidade», insistiu o Papa aos novos prelados. Também lhes pediu que mantenham «a unidade da fé na diversidade de suas expressões culturais», o que exige estar unidos permanente aos fiéis a eles confiados. «Como sentinelas do Povo de Deus, evitai com firmeza e valor as divisões, especialmente quando sejam devidas a motivos étnicos e sócio-culturais», alertou. Finalmente, sublinhou ante os bispos a importância de que se preocupem «por uma séria formação dos seminaristas e de uma permanente atualização dos sacerdotes e dos catequistas». O seminário «é o coração da diocese» e deve ser preocupação do bispo dotá-lo «de um número suficiente de formadores, escolhidos e preparados com atenção, os quais sejam antes de tudo exemplos e modelos para os seminaristas». «Da preparação dos futuros sacerdotes e de todos os demais agentes de pastoral, em particular dos catequistas, depende o futuro de vossas comunidades e o da Igreja universal», concluiu, assegurando-lhes sua permanente união espiritual na missão encomendada. #Cristo #África #Padre #importância #Santo #Igreja #Apostólico #Vaticano #Amor #perseguição #Jesus #evangelização #América #morte #adverte
- Cardeal Kasper: unidade entre Igrejas ortodoxas é vital para ecumenismo
Conclui a reunião da Comissão católico-ortodoxa para o Diálogo Teológico CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 27 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Para que católicos e ortodoxos possam avançar no caminho rumo a unidade plena, é necessária a unidade entre as Igrejas ortodoxas, reconhece o cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. O purpurado alemão comentou nesta quarta-feira as conclusões da sessão plenária da Comissão Mista Internacional para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e a Igreja ortodoxa em seu conjunto, celebrada em Belgrado (Sérvia) de 18 a 25 de setembro. Tratava-se de um encontro sumamente esperado, pois relançou o diálogo oficial, que havia ficado estancado desde a sessão plenária celebrada em Baltimore (Estados Unidos), em julho de 2000. Segundo explicou o cardeal Kasper aos microfones da «Rádio Vaticano», a reunião supôs um «passo adiante», pois «estavam presentes todas as Igrejas ortodoxas» e «as sessões de trabalho se desenvolveram em uma atmosfera amigável, positiva e construtiva». Informa que se encontraram «muitos pontos de contato» sobre o tema discutido, «a Igreja como comunhão», ou seja, a relação entre os concílios e a autoridade no âmbito local, regional e universal. Nesta ocasião, decidiu-se não enfrentar o tema dos «uniatas», termo com o qual os ortodoxos indicam as Igrejas de tradição ortodoxas que estão unidas ao Papa, pois bloqueou o diálogo católico-ortodoxo nos últimos dez anos. «Evidentemente há dificuldades que são bem conhecidas — reconheceu o purpurado –, mas dado que discutimos em uma atmosfera serena e positiva, temos a esperança de poder avançar.» O purpurado sublinha em particular a «hospitalidade inesperada, muito surpreendente» oferecida pela Igreja ortodoxa da Sérvia e em particular pelo patriarca Pavle de Belgrado. Os católicos assistiram à liturgia católica. «Tudo se desenvolveu verdadeiramente em uma atmosfera ótima», confirma. O problema se deveu aos contrastes existentes desde há anos entre o patriarcado de Moscou e o patriarcado ecumênico de Constantinopla. Após o encontro, o bispo da Igreja ortodoxa russa em Viena e na Áustria, Hilarion, criticou em 25 de setembro, através da agência de imprensa Interfax, o cardeal Kasper pelas questões de procedimento adotadas no encontro. Em particular, na metodologia adotada, surgiram diferenças sobre a aplicação do princípio tradicional, segundo o qual a sede do patriarcado ecumênico de Constantinopla goza de um primado de honra entre as Igrejas ortodoxas. «A questão é interortodoxa e não constitui um argumento de discussão entre católicos e ortodoxos», declara o cardeal Kasper. «A parte católica declarou explicitamente que não desejava intervir nesta controvérsia interna.» «A questão foi enfrentada exclusivamente desde o ponto de vista do procedimento e só para ver como era possível superá-la.» «Esta posição foi expressamente explicada à delegação ortodoxa russa, o que torna dificilmente compreensível seu protesto público», confessa o cardeal. Por este motivo, ante a reunião da Comissão católico-ortodoxa do próximo ano, o cardeal espera que, enquanto isso, «se chegue a uma solução das diferenças existentes no âmbito ortodoxo». «Se a questão ficar aberta, provocará de fato uma permanente dificuldade para o diálogo internacional católico-ortodoxo», conclui. #Constantinopla #ortodoxa #adiante #purpurado #Igrejas #Cristãos #Catolica #Unidade #Igreja #Pontifício #Cardeal #alemão
- Papa recomenda ter coragem para dizer a Deus "não te entendo", "ajuda-me"
Ao apresentar a figura de Tomé apóstolo CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 27 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Inspirando-se no exemplo do apóstolo Tomé, Bento XVI recomendou aos fiéis nesta quarta-feira ter coragem para dizer a Deus «não te entendo», «ajuda-me a compreender», nos momentos de incerteza. «Deste modo — declarou –, com esta franqueza, que é o autêntico modo de rezar, de falar com Jesus, expressamos a pequenez de nossa capacidade para compreender, mas ao mesmo tempo assumimos a atitude de confiança de quem espera luz e força de quem é capaz de dá-las.» O Santo Padre dedicou a audiência geral desta quarta-feira a apresentar a figura do apóstolo conhecido sobretudo por suas dúvidas após a ressurreição de Jesus. Com esta audiência geral, da qual participaram cerca de 30.000 peregrinos, o pontífice continuou a série de catequeses sobre os doze apóstolos e as origens da Igreja. O bispo de Roma recordou as passagens nas quais os evangelhos falam deste apóstolo, conhecido como «Dídimo». Em particular, mencionou a Última Ceia, quando Jesus anuncia que após sua partida preparará um lugar para que os discípulos também estejam com Ele; e especifica: «E para onde eu vou, vós sabeis o caminho» (João 14, 4). Então Tomé intervém, dizendo: «Senhor, não sabemos aonde irás, como podemos saber o caminho?». Jesus lhe respondeu com a famosa definição: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida». «Cada vez que escutamos ou lemos estas palavras, podemos pôr-nos com o pensamento junto a Tomé e imaginar que o Senhor também fala conosco como falou com ele», recomendou o Papa aos fiéis em uma bela manhã de sol na praça de São Pedro, no Vaticano. Ao mesmo tempo, sugeriu, «sua pergunta também nos dá o direito, por assim dizer, de pedir explicações a Jesus». «Com freqüência, não o compreendemos — reconheceu –. Devemos ter o valor de dizer-lhe: não te entendo, Senhor, escuta-me, ajuda-me a compreender.» O Papa também recordou a cena de incredulidade de Tomé, que aconteceu depois da ressurreição, quando o próprio apóstolo disse: «Se eu não vir em suas mãos o sinal dos pregos e não colocar o dedo no lugar dos pregos, e não colocar a mão em seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, Jesus apareceria aos apóstolos, e nesta ocasião, ao estar presente Tomé, ele o interpela diretamente com estas palavras: «Aproxima aqui teu dedo e olha minhas mãos, traz tua mão e coloca-a no meu lado, e não sejas incrédulo, mas crente». «Tomé reage com a profissão de fé mais esplêndida do Novo Testamento — assegurou o sucessor de Pedro: “Meu Senhor e meu Deus”.» «Porque me viste, creste. Felizes os que não viram e creram», respondeu-lhe Jesus, enunciando «um princípio fundamental para os cristãos que viriam depois de Tomé, ou seja, para todos nós», indicou. Em primeiro lugar, disse, «ele nos consola em nossas inseguranças»; em segundo lugar, «ele nos demonstra que toda dúvida pode ter um final luminoso, além de toda incerteza»; e, por último, recorda-nos «o autêntico sentido da fé madura e nos estimula a continuar, apesar das dificuldades, pelo caminho de fidelidade a ele». Após recordar que, segundo a tradição, Tomé evangelizou a Síria, a Pérsia e parte da Índia, desejou que «o exemplo de Tomé confirme cada vez mais nossa fé em Jesus Cristo, nosso Senhor e nosso Deus». #Deus #apostolo #Senhor #Tomé #Pedro #BentoXVI #Jesus #compreender #Ressurreição
- Quatro canonizações e uma visita a Verona, na agenda do Papa para o mês de outubro
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 25 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Os dois acontecimentos mais importantes na agenda de Bento XVI para ao mês de outubro são a canonização de quatro beatos e a viagem a Verona (Itália) por ocasião do IV Congresso Eclesial Nacional da Igreja na Itália. Segundo o calendário das cerimônias que serão presididas pelo Santo Padre, publicado pelo Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice, no domingo 15 de outubro acontecerá na praça de São Pedro, às 10 da manhã, a esperada canonização. Os futuros santos são: Rafael Guízar Valencia, bispo mexicano de Vera Cruz (1878-1938), que se converterá no primeiro bispo santo nascido na América Latina. Filippo Smaldone (1848-1923), sacerdote de Nápoles, fundador da congregação das Religiosas Salesianas dos Sagrados Corações. Rosa Venerini (1656-1728), originária de Viterbo (Itália), fundadora da Congregação dedicada à educação das Mestras Pias Venerini. Theodore Guérin (Anne-Thérèse), religiosa francesa (1798-1856), que fundou nos Estados Unidos, país no qual faleceu, a congregação das Religiosas da Providência de Saint Mary of the Woods. O calendário revela que o Papa viajará na quinta-feira, 19 de outubro, a Verona (Itália), para presidir a celebração eucarística no estádio Bentegodi, por ocasião do IV Congresso Eclesial Nacional da Igreja Italiana. O Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice informa que no mês de outubro acontecerão na Itália, Espanha e Alemanha três beatificações. No domingo 8 de outubro, às 16:00h, no anfiteatro romano de Fiésole (Itália), será beatificada a religiosa Maria Teresa de Jesus (no século Maria Scrilli), italiana, fundadora da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora do Carmelo (1825-1889). No domingo 22 de outubro, às 17:00h, na catedral de Bilbao (Espanha), acontecerá a beatificação de Margarita Maria López de Maturana, espanhola, fundadora do Instituto das Irmãs Mercedárias Missionárias (1884-1934). Por último, no domingo 29 de outubro, às 14:30h, na catedral de Speyer (Alemanha), será beatificado Paul Josef Nardini, sacerdote diocesano e fundador das Religiosas Franciscanas da Sagrada Família (1821-1862). #Maria #eclesial #Alemanha #Congregação #canonização #américalatina #Padre #Pedro #Guízar #Espanha #Religiosas #pontífice #Celebrações #Congresso #sacerdote #Igreja #Jesus #América
- Papa e muçulmanos: um encontro que vale mais que mil palavras
Um escritor iraquiano presente considera que se abre uma nova etapa CASTEL GANDOLFO, segunda-feira, 25 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Ao convidar nesta segunda-feira a Castel Gandolfo os diplomatas de vinte e um países de maioria islâmica e os representantes muçulmanos da Itália, Bento XVI era consciente de que há gestos que valem mais que muitas palavras. Antes que o Papa chegasse, seus hóspedes na residência pontifícia veraneia conversaram com o cardeal Paul Poupard, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, e com os membros desse dicastério da Santa Sé, em particular com Dom Khaled Akasheh, chefe do Escritório para o Islã. Também se uniu a estas conversas Dom Pietro Parolin, subsecretário da Seção da Secretaria de Estado para as Relações com os Estados. Os 21 países representados pelos diplomatas eram: Kuwait, Jordânia, Paquistão, Qatar, Costa do Marfim, Indonésia, Turquia, Bósnia-Herzegovina, Líbano, Yemen, Egito, Iraque, Senegal, Argélia, Marrocos, Albânia, Síria, Tunísia, Líbia, Irã e Azerbaijão. Na audiência, estava presente também o representante da Liga dos Estados Árabes, Salid Khalid, pois a Santa Sé tem o estatuto de observador nessa instituição. Quinze muçulmanos participaram, em representação dos membros da Consulta Islâmica na Itália, entre os quais se encontrava o embaixador italiano Mario Scialoja e o escritor iraquiano residente no país Younis Tawfik. Na audiência, também saudou o Papa o imame da mesquita de Roma, Ali Salem Mohammed Salem, e o secretário-geral do Centro Islâmico Cultural da Itália, Abdellah Redouane. O discurso do Papa, no qual reafirmou que o diálogo entre muçulmanos e cristãos «é uma necessidade vital, da qual depende em grande parte nosso futuro», foi acolhido por um aplauso. O cardeal Poupard apresentou o Santo Padre a cada um de seus hóspedes muçulmanos, entre os quais havia quatro mulheres, e o Papa conversou com cada um deles. O encontro durou mais de meia hora e não faltou a foto de grupo. Após a audiência, Younis Tawfik confessou que o discurso do Papa foi «emocionante e de grande impacto, pois não quis retomar ou afirmar a polêmica dos dias passados, mas pronunciar um discurso totalmente novo, como se quisesse dar uma volta, virar a página, dando a impressão de continuar o caminho da Igreja pelo diálogo». «Confirmou sua estima pelo islã, pelos muçulmanos, dando-nos uma aula de grande tolerância, sobretudo quando passou a saudar-nos um a um. Deteve-se o tempo suficiente para perguntar a cada um quem era e para agradecer-lhe por ter vindo à audiência», explicou o escritor iraquiano aos microfones da «Rádio Vaticano». Para Tawfik, o discurso do Papa é muito importante nestes momentos em que «muitas pessoas só buscam seus interesses, entre outras coisas, fomentando o ódio e o confronto». «Pelo contrário, o discurso do Santo Padre quis evitar este confronto, quis convidar todos a refletirem sobre a importância da paz e dos valores da humanidade», concluiu o escritor. #Muçulmanos #encontro #Islã #dicastério #audiência #Papa #Pontifícia #Akasheh #diálogo #iraquiano #Pontifício #Interreligioso
- Muçulmanos da Rússia satisfeitos com as explicações dadas pela Igreja
Após os protestos islâmicos contra o discurso do Papa MOSCOU, sexta-feira, 22 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- «As declarações dadas pela parte católica me satisfazem completamente», disse nesta quinta-feira o presidente da Direção Espiritual Muçulmana no território europeu da Rússia, o mufti Ravil Gainutdin, em relação ao discurso pronunciado pelo Santo Padre Bento XVI na Universidade de Ratisbona, motivo de protestos no mundo muçulmano. O também presidente do Conselho de Muftis na Rússia se expressou assim ao arcebispo da Arquidiocese da Mãe de Deus em Moscou, o metropolita Tadeusz Kondrusiewicz, durante uma reunião que ambos líderes religiosos tiveram na residência do próprio Gainutdin, por iniciativa da hierarquia católica neste país. Segundo se deu a conhecer, tanto muçulmanos como católicos assinalaram que o conflito sobre as declarações do pontífice havia sido considerado como encerrado no território da Federação Russa e fizeram um chamado a todos os fiéis para trabalharem pelo diálogo de paz e cooperação para o bem-estar do país. Durante o encontro, que no dizer dos participantes se levou a cabo em uma atmosfera de irmandade e abertura, Dom Kondrusiewicz agradeceu ao mufti a oportunidade de encontrar-se e discutir o tema, ao mesmo tempo em que manifestou seu pesar pelo mal-entendido suscitado. O metropolita reiterou a posição oficial da Igreja Católica, ressaltando que Bento XVI de forma alguma teve a intenção de ofender o sentimento muçulmano. Explicou que em seu discurso, o sumo pontífice pretendeu fazer algumas reflexões sobre o freqüente questionamento entre a relação «religião-violência», para concluir que a violência não tem nenhuma motivação religiosa. Ambos representantes assinalaram que nos últimos anos se intensificaram os exemplos de entendimento e cooperação entre católicos russos e muçulmanos. Assim, por exemplo, cada vez são mais as ocasiões nas quais conjuntamente participam em reuniões e celebrações, ocupam posições no mesmo nível na discussão de temas fundamentais para a sociedade moderna, como a família, a defesa da vida, os valores morais, a tolerância religiosa, a consolidação da sociedade e o desenvolvimento democrático, entre outros. Inclusive não foram poucos os casos nos quais se deu a colaboração em obras benéficas. Deve-se recordar que um sinal do desenvolvimento da vida religiosa na Rússia foi a realização, no outono do ano passado, em uma das salas de conferência da principal mesquita de Moscou, da conferência dedicada a comemorar o quadragésimo aniversário da declaração do Concílio Vaticano II «Nostra Aetate», sobre a relação da Igreja Católica com as religiões não-cristãs. O arcebispo Kondrusiewicz assegurou ao mufti Ravil Gainutdin que a Igreja Católica na Rússia, daqui adiante, acompanhará de perto o desenvolvimento do diálogo com os fiéis do Islã. O prelado considerou muito oportuno o chamado do presidente Vladimir Putin aos líderes religiosos mundiais à responsabilidade e à discrição. O arcebispo mostrou também seu reconhecimento pela mensagem da Direção do Conselho de Muftis na Rússia ao povo muçulmano nesse país, no qual lhes foi pedido que considerassem com calma e em sua justa medida a situação suscitada e, aos países que professam o Islã, que fizessem todo o possível para não provocar nenhum confronto. Tanto o mufti Ravil Gainutdin como o arcebispo Tadeus Kondrusiewicz expressaram que, «nos desafios do mundo moderno, todos temos esperança no diálogo e na cooperação sincera, com o fim de construir uma sociedade fundamentada no respeito mútuo entre as pessoas de diferentes crenças e nacionalidades». «Isso nos deve ajudar a ser testemunhas da unidade de Deus e juntos a defender a igualdade social, os valores morais, a paz e a liberdade, tal como ensina o Concílio Vaticano II», apontou o metropolita. #Muçulmana #Deus #Islã #Espiritual #Conferência #adiante #Rússia #muçulmano #pontífice #Igreja #Concílio #diálogo #Arcebispo
- Vaticanista adverte que "guerra islâmica contra o Papa é irracional"
VATICANO, 19 Set. 06 (ACI) .- O vaticanista italiano Sandro Magister afirmou que as reações violentas dos muçulmanos contra o discurso do Papa Bento XVI do dia 12 de setembro na Universidade de Ratisbona representam uma “guerra irracional“. Em sua coluna semanal do semanário italiano L’Espresso, Magister afirma que o Papa “ofereceu como terreno para o diálogo entre cristãos e muçulmanos ‘atuar em concordância com a razão’. Entretanto, o mundo islâmico o atacou, distorcendo seu pensamento, confirmando assim que o rechaço à razão traz junto com ele intolerância e violência“. O especialista em assuntos vaticanos afirma que “menos diplomacia e mais Evangelho” parece ser o curso que “Joseph Ratzinger está estabelecendo para o governo central da Igreja“. “Inclusive ter escolhido o arcebispo Mamberti, nascido em Marrakesh (Marrocos) e de nacionalidade francesa” e com ampla experiência diplomática em vários países islâmicos, como Secretário para as Relações com os Estados, deixa claro que o que o Papa teve em mente foi ter a alguém familiarizado com o mundo muçulmano e com os assuntos sobre fé e civilização”. “E foi este mesmo critério: menos diplomacia e mais Evangelho, o que fez que o Papa, durante sua visita à Alemanha, dissesse o que foi considerado tão politicamente incorreto”, acrescentou o vaticanista. Segundo Magíster, qualquer um que conheça algo da arte da diplomacia teria “qualificado de inoportunos e perigosos” muitas passagens das homilias e discursos de Bento XVI, porque “este não é um Papa que se submeta a tal censura ou que se auto-censure” mas sim diz o que deve quando isto é “pilar para sua pregação”. “Seu objetivo na viagem à Alemanha foi iluminar o homem moderno -cristão, gnóstico, de outra fé, europeu, africano ou asiático- dizer-lhe que a simples e suprema verdade além de que Deus é Amor, a que o Papa lhe dedicou sua encíclica Deus Caritas est, é que Deus é também razão, Ele é o ‘logos’”; acrescentou Magister. “E quando a razão se separa de Deus, fecha-se sobre si mesma. E assim, a fé em um Deus ‘irracional‘, uma vontade absoluta, sem limites, pode se converter na semente da violência. Toda religião, cultura e civilização está exposta a este maior engano: não só o Islã mas também o Cristianismo, ao que o Papa dedicou todo seu discurso”, manifestou o vaticanista. “Dois dias antes de seu discurso na Universidade de Ratisbona -prosseguiu- contra o que autoridades de governos muçulmanos e líderes de opinião elevaram seus protestos, Bento XVI tinha exposto a verdade em sua homilia da Missa em Munique, com algumas conotações que o fizeram passar como pró-islâmico, segundo alguns comentários da mídia”, assegurou o vaticanista. “Mas em seguida veio o discurso de Ratisbona, e a interpretação feita por muitos muçulmanos” de muitos meios e de muitas formas “com um exagero e propagação semelhantes ao que se viu faz alguns meses contra umas charges ofensivas, foi diametralmente oposta. A acusação se estendeu a partir de uma tremenda distorção do exposto pelo Bento XVI, e se apartou precisamente do exercício da razão invocado pelo Papa como o terreno adequado para o verdadeiro diálogo entre as religiões e civilizações”, continuou o especialista. Diante desta posição do Papa, segundo Magister, era correta a posição adotada pelo Arcebispo Mamberti e o Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, de apoiar o Papa e sugerir uma “direta e completa“ leitura do discurso de 12 de setembro. “Inclusive no Ângelus de 17 de setembro, o próprio Pontífice expressou sua pena pelas reações dos muçulmanos a seu discurso na Universidade de Ratisbona”, indicou Magister. Leia a coluna completa de Magister (em inglês) em http://www.chiesa.espressonline.it/dettaglio.jsp?id=84185&eng=y #africano #Evangelho #Alemanha #civilização #secretário #acusação #violência #Amor #diálogo #adverte #Arcebispo
- Católicos devem eleger candidatos empenhados em defender a vida, afirma bispo
Dom Rafael Llano Cifuentes, bispo de Nova Friburgo (Brasil) BRASÍLIA, quarta-feira, 20 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Os eleitores católicos devem eleger candidatos que «hão de estar comprometidos a se empenharem, com determinação, a defender a vida humana desde a sua concepção até a sua morte natural», afirma um bispo. «De acordo com a nossa consciência cristã, este é um critério determinante para uma indicação acertada», enfatiza Dom Rafael Llano Cifuentes, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). O bispo escreveu uma carta aos bispos do Brasil no contexto das eleições para governadores, deputados, senadores e presidente da república que acontecerá no país no próximo mês de outubro. O texto foi divulgado esta quarta-feira pela CNBB. Segundo Dom Rafael Cifuentes, «na iminência das eleições faz-se necessário a nossa importante atuação como pastores do povo de Deus a nós confiados», no sentido de «continuar formando a consciência de nossos fiéis, a fim de que escolham, através de um voto convicto, os melhores candidatos». O bispo afirma que a sociedade tem acompanhado «os diversos ataques que a vida humana vem sofrendo em nossos dias, manifestados de maneira clara pelo interesse de grupos internos e externos que procuram de todas as formas conseguir a descriminalização do aborto no Brasil». «É nesse sentido que precisaríamos orientar, de forma convincente, aos eleitores que estão sob a nossa responsabilidade e que esperam de nós, pastores, uma posição clara e segura para nortear a melhor escolha no dia da eleição», explica. Segundo Dom Rafael Cifuentes, «aqueles que desejamos eleger hão de estar comprometidos a se empenharem, com determinação, a defender a vida humana desde a sua concepção até a sua morte natural». #concepção #CNBB #cristã #Episcopal #Conferência #Comissão #consciência #república #Vida #Pastoral #bispos #Nacional #Friburgo #morte
- Direito judeu, direito da Igreja Católica e direito israelense
Congresso Internacional em Jerusalém ROMA, terça-feira, 19 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- De 17 a 18 de outubro se celebrará em Jerusalém um inédito Congresso internacional de estudos sobre «Direito judeu, direito da Igreja Católica e direito israelense». O objetivo, segundo seus organizadores, consiste em «favorecer o intercâmbio cultural das experiências jurídicas judaicas, da Igreja Católica e dos israelenses, com o fim de promover o mútuo conhecimento e o desenvolvimento das relativas relações acadêmicas». Entre outros objetivos, o Congresso, que reunirá em torno da mesma mesa especialistas no direito judeu, juristas israelenses e canonistas, «propõe-se também fazer emergir, a partir da comum raiz judaico-cristã, os elementos de atualidade nas respostas próprias dos ordenamentos jurídicos de matiz religioso, levando em conta os desafios da justiça no século XXI». O fio condutor das duas jornadas de estudo será em especial o artigo 7 do Acordo Fundamental entre a Santa Sé e o Estado de Israel, firmado em 30 de dezembro de 1993, que diz assim: «A Santa Sé e o Estado de Israel reconhecem ter um interesse comum em promover e animar os intercâmbios culturais entre os institutos católicos em todo o mundo e os institutos de formação, de cultura e de investigação em Israel…». Os trabalhos começarão em 17 de outubro na sede do Centro Notre Dame de Jerusalém e serão inaugurados pelo presidente do comitê diretivo, o professor Joaquim Llobell, da Universidade pontifícia da Santa Cruz de Roma. Seguirá uma confrontação recíproca sobre «As fontes do Direito» nos três distintos ordenamentos (judeu, israelense e católico) e em especial o «Direito de Família» em suas implicações «paterno-filiais» e «matrimoniais». No dia seguinte, na sede da Universidade Hebraica de Jerusalém, se refletirá, por outro lado, sobre questões relativas à relação «Religião e Estado», centrando a atenção nas «propostas do direito internacional e nos ordenamentos judaicos e católicos», tentando traçar uma confrontação com as propostas de matiz europeu. Entre os palestrantes procedentes do Oriente Médio, destacam-se: o professor Henina Bem-Menache, da Universidade Hebraica de Jerusalém; o professor Yoram Shachar, do Centro Interdisciplinar Herzliya; o doutor Yechiel Kaplan, da Universidade de Haifa e a doutora Ruth Talperin-Kadari, da Universidade Bar-Ilan. Da Europa intervirão o professor Robert Gahl, da Universidade Pontifícia da Santa Cruz de Roma; o professor Gaetano Lo Castro, da Universidade La Sapienza de Roma; o professor Sandro Gherro, da Universidade de Pádua; a professora Isabel Trujillo, da Universidade de Palermo; o professor David M. Jaeger, da Universidade Pontifícia Antonianum; o reitor magnífico da Universidade LUMSA (Roma), professor Giuseppe della Torre; o professor Javier Martinez-Torrón, da Universidade Complutense de Madri; o professor Szabolcs Szuromi, da Universidade de Budapeste e o professor Robert Ombres, da Universidade Pontifícia Santo Tomás de Aquino. Promovem este encontro de confronto e estudo, o primeiro em sua sala, os reitores magníficos da Universidade Pontifícia da Santa Cruz, da LUMSA, da Universidade Católica Pázmány Peter, de Budapeste, e o decano da Faculdade de Jurisprudência da Universidade Hebraica de Jerusalém. [A inscrição é gratuita e se pode realizar até o dia 25 de setembro. Pode-se pedir mais informação à secretaria do congresso: convjeerusalem@pusc.it] #Hebraica #Internacional #Direito #Palestra #israelense #Catolica #Congresso #Pontifícia #Igreja #Cruz #Jerusalém #justiça
- Papa reitera que palavras de Manuel II não expressam sua convicção pessoal
VATICANO, 20 Set. 06 (ACI) .- Durante a Audiência Geral desta quarta-feira na Praça de São Pedro, o Papa Bento XVI lembrou sua viagem à Alemanha e reiterou que em nenhum momento quis fazer suas as palavras pronunciadas pelo imperador medieval Manuel II Paleólogo que citou em seu discurso na Universidade de Ratisbona ao não expressar sua convicção pessoal. Diante dos mais de 40 mil fiéis que se congregaram no recinto vaticano, o Santo Padre se referiu a sua conferência pronunciada no dia 12 de setembro no recinto acadêmico e em que abordou o tema da relação entre fé e razão A respeito, o Pontífice explicou que “para que o auditório compreendesse o caráter dramático e atual do argumento, citei algumas palavras de um diálogo cristão-islâmico do século XIV, onde o interlocutor cristão, o imperador bizantino Manuel II Paleólogo, de forma incompreensivelmente brusca para nós, apresentava ao interlocutor islâmico o problema da relação entre religião e violência”. “Infelizmente, esta citação pôde dar pé a um mal-entendido. Para o leitor atento de meu texto, está claro que não queria em nenhum momento fazer minhas as palavras negativas pronunciadas pelo imperador medieval neste diálogo e que seu conteúdo polêmico não expressa minha convicção pessoal“, disse o Pontífice. “Minha intenção -continuou- era muito diversa: partindo do que Manuel II afirma depois de forma muito positiva, com palavras muito belas, a respeito da racionalidade na transmissão da fé, queria explicar que a religião não anda unida à violência, mas à razão“. Reiterando que o tema de sua conferência foi a relação entre a fé e a razão, acrescentou que “queria convidar ao diálogo da fé cristã com o mundo moderno e ao diálogo de todas as culturas e religiões”. Deste modo manifestou seu desejo de que “nas diversas ocasiões de sua vista tenha sido claro meu profundo respeito pelas grandes religiões e, em particular, pelos muçulmanos, que ‘adoram ao único Deus’”. Confio então em que, depois das reações do primeiro momento, minhas palavras na Universidade de Ratisbona possam constituir um impulso e um alento a um diálogo positivo, também autocrítico, tanto entre as religiões como entre a razão moderna e a fé dos cristãos”. Não só Ratisbona, também Munique Depois de sua intervenção, foi lida em diversos idiomas uma síntese da catequese em que o Santo Padre indicou que seu verdadeiro pensamento “desprende-se claramente também de outras passagens” de sua visita à Bavária. “Meu verdadeiro pensamento se desprende claramente também de outras passagens, como quando em Munique, com grande respeito pelas grandes religiões do mundo, também pelos muçulmanos -que “adoram um único Deus”-, sublinhei a importância de respeitar o sagrado e a importância do diálogo inter-religioso e a colaboração comum em favor do bem comum, a justiça social e os valores morais”, concluiu. #religião #respeito #Deus #imperador #Alemanha #Conferência #Padre #pontífice #Munique #Vaticano #interlocutor
- Santa Sede rechaça "supostas" ofensas do Bento XVI ao Islã
VATICANO, 15 Set. 06 (ACI) .- O Diretor do Escritório de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, realizou ontem uma declaração a propósito da interpretação e reações de alguns representantes muçulmanos sobre o discurso do Papa Bento XVI na Universidade de Ratisbonne, assegurando que seu interesse era rejeitar clara e radicalmente a motivação religiosa da violência e não ofender a sensibilidade dos crentes islâmicos. Sobre o discurso do Santo Padre pronunciado o passado 12 de setembro durante sua recente viagem a Bavária, o porta-voz da Santa Sé, assinalou que “é oportuno notar que –como se desprende de uma atenta leitura do texto– o que interessa ao Santo Padre é um rechaço claro e radical da motivação religiosa da violência“. “Certamente, não era intenção do Santo Padre levar a cabo um estudo profundo sobre a jihad e sobre o pensamento muçulmano nesse sentido, e tão menos ofender a sensibilidade dos crentes muçulmanos“, prosseguiu. Mais adiante, o porta-voz vaticano explicou que, pelo contrário, “nos discursos do Santo Padre aparece com claridade a advertência, dirigida à cultura ocidental, de que se evite ‘o desprezo de Deus e o cinismo que considera a zombaria do sagrado um direito da liberdade’, a justa consideração da dimensão religiosa é efetivamente uma premissa essencial para um diálogo frutuoso com as grandes culturas e religiões do mundo”. “Assim, nas conclusões do discurso na Universidade da Ratisbonnea, Bento XVI afirmou: ‘As culturas profundamente religiosas do mundo vêem na exclusão do divino da universalidade da razão um ataque a suas convicções mais arraigadas. Uma razão que frente ao divino é surda e relega a religião ao âmbito de uma cultura de segundo grau é incapaz de inserir-se no diálogo das culturas’”. Como conclusão, o Pe. Lombardi destacou que “fica clara a vontade do Santo Padre de cultivar uma atitude de respeito e diálogo para as outras religiões e culturas, evidentemente também para o Islã“. Em uma anterior oportunidade, o mesmo dia do discurso do Santo Padre, o porta-voz tinha declarado que Bento XVI “só quis pôr um exemplo” e que em nenhum momento quis dar a interpretação “de que o Islã é violento, embora dentro dele haja posições que o são”. Alemanha, Turquia, França Contra a violência, não contra a fé Em seu discurso, Bento XVI ressaltou as contradições entre o Islã moderado e o fanático e advertiu que as “culturas profundamente religiosas” vêem na exclusão de Deus cada vez mais assentada no Ocidente como “um ataque” a suas convicções mais íntimas. Diante de essa situação, o Papa ressaltou a necessidade e urgência de um “verdadeiro” diálogo entre culturas e entre religiões para reencontrar o equilíbrio entre a fé e a razão. Citando alguns escritores para refletir sobre fé e razão nas diferentes religiões e a difusão de fé, o Papa ressaltou algumas contradições do Islã. Ao recordar o diálogo entre o imperador bizantino Manuel II Paleólogo (1391) com um persa o Santo Padre ressaltou que o mandatário dizia a seu interlocutor que na Maomé só se viam “coisas más e desumanas, como sua ordem de difundir usando a espada a fé que ele pregava”, enquanto que o Corão proclama “nenhuma obrigação nas coisas da fé”. Recordando as palavras do imperador, o Papa assinalou que a violência está em contraposição com a natureza de Deus e a natureza da alma. “Deus não sente prazer com o sangue, atuar contra a razão é contrário à natureza de Deus. A fé é fruto da alma e não do corpo. Quem quer levar a algum à fé precisa falar bem e raciocinar corretamente e não usar a violência e à ameaça“, afirmou o Pontífice recordando as palavras do imperador. #Deus #Islã #imperador #advertência #Alemanha #adiante #advertiu #Ofensas #declaração #interpretação #violência #Alma #diálogo
- Desafio da Igreja frente ao jovem pós-moderno, segundo cardeal Murphy-O’Connor
MELBOURNE, quinta-feira, 14 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- O perfil da sociedade pós-moderna está impulsionando os jovens a uma busca, que representa o desafio de toda a igreja de acompanhá-los em seu itinerário, adverte o presidente do episcopado católico da Inglaterra e Gales. O cardeal Cormac Murphy-O’Connor teve a oportunidade de refletir sobre a situação dos jovens em tal meio social durante a conferência que pronunciou, no final de agosto, em sua visita às três maiores dioceses australianas: Sydney, Melbourne e Brisbane. «Tempo de crise» e «temporada alta» para todo tipo de futurologias, onde «tudo é possível, mas nada é certo»: é assim como se está vendo o novo milênio, disse o purpurado — arcebispo de Westminster. «Na era pós-moderna, quase tudo se revolve e os perfis da sociedade — em outro tempo claros — se confundiram»; «nosso mundo contemporâneo cada vez está mais dominado pela escolha, pela preferência pessoal e pela imediatez», um contexto no qual até a religião «torna-se “a la carte”», constatou. É um âmbito — seguindo ao cardeal Murphy O’Connor — no qual «a verdade já não se recebe, não precisa ser provada objetivamente porque não existe nada objetivo». O purpurado se interrogou sobre situação dos jovens neste mundo pós-moderno, no qual, contudo, para muitos jovens ocidentais a vida pode ser bastante boa. Mas «a imagem e as perspectivas não são uniformemente positivas para a juventude», alertou. E existe uma «crescente brecha entre ricos e pobres», e a tendência a uma «aspiração generalizada por mais e melhor», sendo esta «atiçada» pela cultura publicitária — «orientada deliberadamente aos consumidores mais jovens» — que o purpurado sintetizou na frase: «se você quer, você pode ter». Em conjunto, são elementos que conduzem à «individualização da sociedade», e a «maior ameaça que brota do individualismo é que, em última instância, ameaça a coesão social, a família e a comunidade», apontou. Um aspecto de extrema importância, portanto — afirmou — «nosso sentido de comunhão, de comunidade, é a parte fundamental de nosso ser humano», pois «ser humano significa estar em relação», enquanto a «concentração de indivíduos na sociedade contemporânea trouxe, ao passar, mais isolamento pessoal e solidão». Fazendo uma leitura da atualidade, o purpurado percebe que há «muitos jovens que são parte de uma comunidade que está em busca, e que essa busca é um desafio para toda a Igreja para acompanhá-los» em seu caminho. Em particular, os jovens empreendem tal itinerário em três frentes: «em primeiro lugar, estão buscando a Deus, mas não sempre sabem onde ir», reconheceu o cardeal Murphy O’Connor. «Em segundo lugar, estão buscando pertencer, buscam Comunidade», insistiu. Em terceiro lugar — seguiu — «buscam o Pobre, e como podemos chegar àqueles em maior necessidade». Na sociedade pós-moderna — como apontava o purpurado ao início — existe desolação em «muitas pessoas», mas isso é «o começo de nossa busca de Deus». «Suspeito que nossa sociedade pós-moderna está nos conduzindo de volta a Deus», concluiu. #Deus #MELBOURNE #Católico #Jovens #Sydney #Episcopado #sociedade #oportunidade #adverte
- «Quem crê nunca está só»: Homilia do Papa na multitudinária missa de Ratisbona
RATISBONA, quarta-feira, 13 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos a homilia que Bento XVI pronunciou nesta terça-feira, durante a santa missa que presidiu ante mais de 250.000 pessoas na explanada do Islinger Feld de Ratisbona. * * * Queridos irmãos e irmãs! «Quem crê nunca está só» é o lema destes dias. Nós o vemos aqui realizado. A fé nos reúne e nos doa uma festa. Nos doa o gozo em Deus, o gozo pela criação e por estar juntos. Sei que esta festa exigiu muita fadiga e muito trabalho prévio. Através das notícias dos jornais, pude perceber um pouco de quantas pessoas comprometeram seu tempo e suas forças para preparar esta explanada de forma tão digna; graças a eles, a Cruz está sobre a colina como sinal de Deus para a paz do mundo; os caminhos de acesso e de saída estão livres; a segurança e a ordem estão garantidas; prepararam-se alojamentos etc. Não podia imaginar — de fato, agora sei só sucintamente — quanto trabalho, até os mínimos detalhes, foi necessário para que possamos reunir-nos. Por tudo isso, só posso dizer: «Obrigado de coração!». Que o Senhor vos recompense e que o gozo que agora podemos experimentar graças à vossa preparação, seja devolvido multiplicado por cem a cada um de vós. Eu me comovi quando escutei todas as pessoas, em particular das escolas profissionais de Leiden e Amberg, assim como companhias e pessoas, homens e mulheres, colaboraram para embelezar minha casa e meu jardim. Estou um tanto desconcertado ante tanta bondade, e posso neste caso também dizer somente um humilde «obrigado!» por este esforço. Não fizestes tudo isto somente por um homem, por minha pobre pessoa; vós o fizestes na solidariedade da fé, deixando-vos guiar pelo amor ao Senhor e à Igreja. Tudo isto é um sinal de verdadeira humanidade, que nasce de ter sido tocados por Jesus Cristo. Nós nos reunimos em uma celebração da fé. Agora, contudo, surge a pergunta: Mas em que cremos realmente? O que significa crer? Pode ainda existir algo assim no mundo moderno? Vendo as grandes «Sumas» de teologia redigidas no Medieval ou pensando na quantidade de livros escritos cada dia a favor ou contra a fé, podemos desalentar-nos e pensar que tudo isto é complicado demais. Afinal, se se querem ver as árvores individualmente, não se vê mais o bosque. É verdade: a visão da fé compreende céu e terra; o passado, o presente, o futuro, a eternidade, e por isso não é esgotável jamais. Agora, em seu núcleo é muito mais simples. O Senhor fala sobre isso com o Pai dizendo: «Ocultaste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequenos» (cf. Mateus 11, 25). A Igreja, por sua parte, nos oferece uma pequena «Suma», na qual se expressa todo o essencial: é o assim chamado «Credo dos Apóstolos». Divide-se normalmente em doze artigos, segundo o número dos Apóstolos, e fala de Deus, criador e princípio de todas as coisas; de Cristo e da obra da salvação, até a ressurreição dos mortos e a vida eterna. Mas em sua concepção de fundo, o Credo está composto só por três partes principais, e segundo sua história, não mais que uma ampliação da fórmula batismal, que o Senhor ressuscitado entregou aos discípulos para todos os tempos quando lhes disse: «Ide, pois, e fazei discípulos a todas as pessoas, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Mateus 28, 19). Nesta visão se demonstram duas coisas: a fé é simples. Cremos em Deus, em Deus, princípio e fim da vida humana. Nesse Deus que se põe em relação conosco, seres humanos, que é para nós origem e futuro. Assim, a fé, contemporaneamente, é ao mesmo tempo esperança, é a certeza de que temos um futuro e de que não cairemos no vazio. E a fé é amor, porque o amor de Deus quer «contagiar-nos». Isto é o primeiro: nós simplesmente cremos em Deus, e isto leva consigo também a esperança e o amor. Como segundo ponto, podemos constatar: o Credo não é um conjunto de sentenças, não é uma teoria. Está justamente ancorado no acontecimento do Batismo, um acontecimento de encontro entre Deus e o homem. Deus, no mistério do Batismo, se inclina sobre o homem; sai ao nosso encontro e assim também nos aproxima mutuamente. Porque o Batismo significa que Jesus Cristo, por assim dizer, nos adota como seus irmãos e irmãs, acolhendo-nos como filhos na família de Deus. Deste modo, faz de todos nós uma grande família na comunidade universal da Igreja. Sim, quem crê nunca está só. Deus nos sai ao encontro. Encaminhemo-nos, também nós, rumo a Deus e saiamos assim uns ao encontro dos outros! Não deixemos sozinhos, enquanto o consintam nossas forças, nenhum dos filhos de Deus! Nós cremos em Deus. Esta é uma opção fundamental. Mas é hoje ainda possível? É algo racional? Desde o Iluminismo, ao menos uma parte da ciência se dedicou a buscar uma explicação sobre o mundo na qual Deus seria desnecessário. E se isso fosse assim, Deus seria desnecessário em nossas vidas. Mas cada vez que parecia que este intento havia conseguido êxito, inevitavelmente surgia o evidente: as contas não batiam. As contas sobre o homem, sem Deus, não batem, e as contas sobre o mundo, sobretudo o universo, sem Ele, não batem. No final de contas, apresentam-se duas alternativas: O que existiu primeiro? A Razão criadora, o Espírito que faz tudo e suscita o desenvolvimento, ou a Irracionalidade que, carente de toda razão, produz estranhamente um cosmos ordenado matematicamente, como o homem e sua razão. Esta última, contudo, não seria mais que um resultado casual da evolução e, portanto, definitivamente, também racional. Como cristãos, dizemos: «Creio em Deus Pai, Criador do céu e da terra», creio no Espírito Criador. Nós cremos que na origem está o Verbo eterno, a Razão e não a Irracionalidade. Com esta fé, não temos necessidade de esconder-nos, não temos que ter medo de encontrar-nos com ela em uma rua sem saída. Estamos contentes de poder conhecer a Deus! E buscamos fazer os outros verem a racionalidade da fé, como São Pedro nos exorta em sua primeira Carta! Nós cremos em Deus. Afirmam as partes principais do Credo e o destaca sobretudo sua primeira parte. Mas agora surge a segunda pergunta: Em que Deus? Pois bem, cremos nesse Deus que é Espírito Criador, Razão criadora, do qual provém tudo e do qual proviemos também nós. A segunda parte do Credo nos diz algo mais. Esta Razão criadora é Bondade. É Amor. Tem um rosto. Deus não nos deixa andar às apalpadelas na escuridão. Mostrou-se como homem. Ele é tão grande que se pode permitir tornar-se pequenino. «Quem me viu, viu o Pai» (João 14, 9), diz Jesus. Deus assumiu um rosto humano. E nos ama até de deixar-se crucificar por nós na Cruz, para levar os sofrimentos da humanidade até o coração de Deus. Hoje, que aprendemos a reconhecer as patologias e as enfermidades mortais da religião e da razão, e a maneira em que a imagem de Deus pode ser destruída por causa do ódio e do fanatismo, é importante dizer com clareza em que Deus cremos, e professar confiadamente que este Deus tem um rosto humano. Só isto nos impede ter medo de Deus, que definitivamente é a raiz do ateísmo moderno. Só este Deus nos salva do medo do mundo e da ansiedade ante o vazio da vida. Só olhando Jesus Cristo, nosso gozo em Deus alcança sua plenitude, torna-se gozo redimido. Dirijamos durante esta celebração solene da Eucaristia nosso olhar ao Senhor e peçamos-lhe o grande gozo que Ele prometeu a seus discípulos! (cf. João 16, 24). A segunda parte do Credo termina com a perspectiva do Juízo Final, e a terceira parte com a ressurreição dos mortos. Juízo, acaso esta palavra não nos dá medo também? Mas, por outro lado, não desejamos todos que um dia se faça justiça a todos os condenados injustamente, a todos que sofreram ao longo da vida e depois de uma vida cheia de dor, foram tragados pela morte? Não queremos acaso que o excesso de injustiça e sofrimento que vemos na história, ao final se dissolva; que todos possam estar definitivamente alegres, que tudo adquira um sentido? O conceito de Juízo universal é esse triunfo da justiça, essa conjunção de tantos fragmentos de história que parecem privados de sentido e de sua integração em um todo, no qual dominem a verdade e o amor. A fé não existe para causar medo; ao contrário — com certeza — nos chama à responsabilidade. Não devemos desperdiçar nossa vida, nem abusar dela; tampouco devemos guardá-la para nós mesmos; frente à injustiça, não devemos permanecer indiferentes, tornando-nos colaboradores silenciosos ou inclusive cúmplices. Devemos perceber nossa missão na história e buscar corresponder. O que se necessita não é medo, senão responsabilidade, responsabilidade e preocupação por nossa salvação, e pela salvação do mundo inteiro. Mas quando a responsabilidade e a preocupação tendem a converter-se em medo, deveríamos recordar as palavras de São João: «Filhos meus, eu vos escrevo isto para que não pequeis. Mas se alguém pecar, temos alguém que advogue ante o Pai: Jesus Cristo, o Justo» (1 João 2, 1). «Em caso de que a nossa consciência nos condene, Deus é maior que nossa consciência e conhece tudo» (Ibidem 3, 20). Celebramos hoje a festa do «Santíssimo Nome de Maria». A todas que têm este nome — minha mãe e irmã o tiveram — quero expressar minhas mais cordiais felicitações por seu onomástico. Maria, a Mãe do Senhor, recebeu do povo fiel o título de «Advogada», pois é nossa advogada ante Deus. Assim a conhecemos desde as bodas de Caná: como a mulher benigna, cheia de solicitude materna e de amor, a mulher que percebe as necessidades alheias e, para ajudar, as leva ante o Senhor. Hoje escutamos no Evangelho como o Senhor a entrega como Mãe ao discípulo predileto e, nele, a todos nós. Em toda época, os cristãos acolheram com gratidão este testamento de Jesus e, junto à Mãe, encontraram sempre essa segurança e confiada esperança, que nos dão gozo em Deus. Acolhamos, também nós, a Maria como a estrela de nossa vida, que nos introduz na grande família de Deus! Sim, quem crê nunca está só. Amém! [Tradução realizada por Zenit. © Copyright 2006 – Libreria Editrice Vaticana] #Mateus #Cristo #Credo #criador #Apóstolos #Senhor #batismo #Espírito #esperança #Igreja #advogada #Amor #céu #Jesus
- Papa convida a descobrir a beleza da oração em família
Em um encontro esse domingo com crianças de primeira comunhão, com seus pais e seus educadores MUNIQUE, segunda-feira, 11 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Ao encontrar-se na tarde desse domingo, na catedral de Munique, com crianças da primeira comunhão, com seus pais e seus catequistas, Bento XVI os convidou a descobrir a beleza da oração em família. No templo, no qual em 28 de maio de 1977 recebeu a ordenação episcopal Joseph Ratzinger, apresentou a Comunhão como a «fonte da vida» com a qual Jesus «vem a nós e se une a cada um de nós». Por este motivo, o Santo Padre se dirigiu em particular aos pais das crianças, para convidá-los «encarecidamente a ajudar vossos filhos a crer» a «acompanhá-los em seu caminho para a primeira Comunhão». Definitivamente, explicou, trata-se de ajudá-los em «seu caminho até Jesus e com Jesus». «Peço-vos — implorou: ide com vossos filhos à Igreja para participar da celebração eucarística do domingo.» «Vereis que não é tempo perdido — assegurou –, é o que mantém a família verdadeiramente unida.» «O domingo se torna mais belo, toda a família se torna mais bela, se juntos participais da liturgia dominical.» «E, por favor, rezai também em casa juntos: na mesa e antes de ir dormir. A oração nos leva não só para Deus, mas também para o outro». «É uma força de paz e de alegria — reconheceu. A vida da família se torna mais festiva e adquire um alcance mais amplo se Deus está presente e se experimenta sua proximidade na oração.» O Papa se dirigiu também aos professores de religião, para pedir-lhes que tenham presente «na escola a busca de Deus, desse Deus que em Jesus se tornou visível para nós». «Sei que em nosso mundo pluralista é difícil apresentar na escola o tema da fé. Mas não é suficiente, muito pelo contrário, que as crianças e jovens só adquiram na escola conhecimentos e capacidades técnicas, em vez de critérios que orientem e dêem sentido aos conhecimentos e as capacidades.» «Estimulai os alunos a propor perguntas não só sobre isto ou aquilo — algo que está bem — mas perguntar sobretudo o “de onde” e o “para onde” de nossa vida. Ajudai-os a perceber que todas as respostas que não chegam até Deus são curtas demais.» #Deus #ordenação #descobrir #Joseph #Padre #família #beleza #BentoXVI #Igreja #Ratzinger #alegria #Jesus
- Guia prático para uso inteligente dos meios de comunicação na família
Iniciativa da Organização Católica canadense para a Vida e a Família ONTÁRIO, segunda-feira, 11 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Constatando as possibilidades quase ilimitadas dos meios de comunicação para promover valores, mas também para ferir a família, a Organização Católica canadense para a Vida e a Família (COLF, em suas siglas em inglês) sintetiza em uma guia sugestões para um uso inteligente destas ferramentas de comunicação. Trata-se de um folheto de seis páginas coloridas, recém difundido sob o título «Os meios: um desafio fascinante para a família». As destacadas palavras «televisão», «imagens», «blogs», «revistas», «rádio», «Internet», «anúncios», «vídeos», «rede», dão idéia da dimensão deste desafio. A convicção que fundamenta as sugestões de COLF é que as famílias podem treinar-se para abordar os meios com olho crítico e com bases em sua fé e em sua paixão pela verdade. Daí que convide a sacudir a passividade, o temor, a indiferença, e a aprender a escolher — e a ensinar a fazê-lo — entre a enorme oferta midiática. Considera importante abandonar o papel de mero espectador para passar a tomar parte ativa nos meios: cartas ao diretor, ou aos patrocinadores dos programas, ligações ao vivo, iniciar um blog, falar como especialista em determinado campo… O folheto adverte que a opinião pública se faz com a implicação ativa dos cidadãos que contribuem em sua formação, deixando de lado os complexos. Para os pais, aponta umas recomendações especiais para o uso inteligente dos meios na família: 1. Determinar um tempo de «meios de comunicação» ao dia, e evitar utilizar a TV como brinquedo eletrônico. 2. Com relação aos menores, optar por espetáculos estimulantes e apropriados para a sua idade. Vê-los com eles e falar de seu conteúdo. 3. Convidar os adolescentes a escolher os espetáculos que vêem com normalidade seguindo determinadas diretrizes. 4. Ajudar as crianças a verem a diferença entre as imagens reais e fictícias que se apresentam «online», em anúncios comerciais, em filmes ou em programas de TV. 5. Escolher filmes ou vídeos com discernimento, comprovando em sites de confiança as críticas que se oferecem. Alguns pais vêem os filmes antes. 6. Instalar controles — de segurança — na TV e no acesos à Internet, a fim de limitar a entrada das crianças a determinados espetáculos ou sites da rede. 7. Proibir determinados tipos de comunicação ou certos espetáculos. Buscar tempo que esteja livre dos meios de comunicação e fazer algo juntos como família. 8. Dar bom exemplo, fazendo em primeira pessoa um uso dos meios de forma moderada e seletiva. 9. Organizar um cine-fórum para adolescentes, seguido de tempo de debate e de compartilhar idéias. 10. Criar um «clube da Internet» e uma «comunidade cyber-crente» para difundir boas notícias, tais como iniciativas caritativas, celebrações, testemunhos pessoais, etc. 12. Criar uma associação de pais ou espectadores para fazer ouvir a própria voz entre produtores, publicitários e autoridades públicas. Dizer-lhes o que se estima e o que não é bem recebido. 13. Rezar por todos os que trabalham nos meios. O folheto da COLF está integramente disponível em inglês, em formato «pdf», no seguinte link: http://colf.cccb.ca/Files/COLF_Message2006.pdf. O objetivo desta organização é promover o respeito pela vida humana e sua dignidade, assim como o papel essencial da família. Conta com o apoio da Conferência dos Bispos Católicos do Canadá (CCCB). #Iniciativa #comunicação #rádio #ONTÁRIO #organização #família #Vida #canadense #Catolica #Internet #adverte #televisão
- Pregador do Papa: Jesus continua «tocando-nos» fisicamente para curar-nos espiritualmente
Comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap., sobre a liturgia do próximo domingo ROMA, sexta-feira, 8 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap. — pregador da Casa Pontifícia — sobre a liturgia do próximo domingo, XXIII do tempo comum. * * * Efatá. Abre-te! XXIII Domingo do tempo comum (B) Isaías 35, 4-7a; Tiago 2, 1-5; Marcos 7, 31-37 A passagem do Evangelho nos refere uma bela cura realizada por Jesus: «Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer “Abre-te”. Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade». Jesus não fazia milagres como quem move uma varinha mágica ou estala os dedos. Aquele «gemido» que deixa escapar no momento de tocar os ouvidos do surdo nos diz que se identificava com os sofrimentos das pessoas, participava intensamente em sua desgraça, se encarregava dela. Em uma ocasião, depois de que Jesus havia curado muitos enfermos, o evangelista comenta: «Ele tomou nossas fraquezas e carregou nossas enfermidades» (Mateus 8, 17). Os milagres de Cristo jamais são fins em si mesmos; são «sinais». O que Jesus fez um dia por uma pessoa no plano físico indica o que Ele quer fazer cada dia por cada pessoa no plano espiritual. O homem curado por Cristo era surdo-mudo, não podia comunicar-se com os outros, ouvir sua voz e expressar seus próprios sentimentos e necessidades. Se a surdez e mudez consistem na incapacidade de comunicar-se corretamente com o próximo, de ter relações boas e belas, então devemos reconhecer que todos somos, uns mais, outros menos, surdo-mudos, e é por isso que Jesus dirige a todos aquele grito seu: efatá, abre-te!. A diferença é que a surdez física não depende do sujeito e é totalmente sem culpa, enquanto a moral é culpável. Hoje se evita o termo «surdo» e se prefere falar de «incapacidade auditiva», precisamente para distinguir o simples fato de não ouvir da surdez moral. Somos surdos, por exemplo, quando não ouvimos o grito de ajuda que se eleva para nós e preferimos pôr entre nós e o próximo o «duplo vidro» da indiferença. Os pais são surdos quando não entendem que certas atitudes estranhas ou desordenadas dos filhos escondem um pedido de atenção e de amor. Um marido é surdo quando não sabe ver no nervosismo de sua mulher o sinal do cansaço ou a necessidade de um esclarecimento. E o mesmo quanto à esposa. Estamos mudos quando nos fechamos, por orgulho, em um silêncio esquivo e ressentido, enquanto talvez com uma só palavra de desculpa e de perdão poderíamos devolver a paz e a serenidade ao nosso lar. Os religiosos e as religiosas têm, no dia, tempos de silêncio, e às vezes se acusam na Confissão, dizendo: «Quebrei o silêncio». Penso que às vezes deveríamos acusar-nos do contrário e dizer: «Não quebrei o silêncio». O que, contudo, decide a qualidade de uma comunicação não é simplesmente falar ou não falar, mas falar ou não fazê-lo por amor. Santo Agostinho dizia às pessoas em um discurso: É impossível saber em toda circunstância o que é o justo que se deve fazer: se falar ou calar, se corrigir ou deixar passar algo. Eis aqui então que se dá uma regra que vale para todos os casos: «Ama e faz o que quiseres». Preocupa-te de que em teu coração haja amor; depois, se falas, será por amor, se calas, será por amor, e tudo estará bem porque do amor não brota mais que o bem. A Bíblia permite entender onde começa a ruptura da comunicação, de onde vem nossa dificuldade para relacionar-nos de uma maneira sã e bela uns com os outros. Enquanto Adão e Eva estavam em boas relações com Deus, também sua relação recíproca era bela e extasiante: «Esta é carne de minha carne…». Enquanto se interrompe, pela desobediência, sua relação com Deus, começam as acusações recíprocas: «Foi ele, foi ela…». É daí de onde é preciso recomeçar cada vez. Jesus veio para «reconciliar-nos com Deus» e assim reconciliar-nos uns com os outros. Ele o faz sobretudo através dos sacramentos. A Igreja sempre viu nos gestos aparentemente estranhos que Jesus realiza no surdo-mudo (pôr os dedos nos ouvidos e tocar a língua) um símbolo dos sacramentos graças aos quais Ele continua «tocando-nos» fisicamente para curar-nos espiritualmente. Por isso, no batismo, o ministro realiza sobre o batizando os gestos que Jesus realizou sobre o surdo-mudo: põe-lhe os dedos nos ouvidos e lhe toca a ponta da língua, repetindo a palavra de Jesus: efatá, abre-te! Em particular, o sacramento da Eucaristia nos ajuda a vencer a incomunicabilidade com o próximo, fazendo-nos experimentar a mais maravilhosa comunhão com Deus. [Traduzido por Zenit] #RanieroCantalamessa #dificuldade #Cristo #Homem #Pregador #Deus #curado #Cantalamessa #Adão #Raniero #Amor #Jesus #Palavra #Agostinho
- Bento XVI quer suscitar alegria do cristianismo na Baviera
Carta aos leitores do semanário católico «Munchener Kirchenzeitung» CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 8 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Bento XVI confessou a seus compatriotas suas esperanças para a viagem à Baviera que empreenderá neste sábado: suscitar a alegria do cristianismo e fazer que os jovens recuperem a confiança na Igreja. O pontífice deixou espaço a estas confidências em uma carta que enviou aos leitores «Munchener Kirchenzeitung», o semanário católico da arquidiocese de Munique e Freising, por ocasião de sua visita à Baviera, que acontecerá de 9 a 14 de setembro. Em sua peregrinação, percorrerá alguns dos lugares decisivos para a vida de Joseph Ratzinger: Munique, a cidade da qual foi arcebispo de 1977 a 1982; o Santuário de Altotting, símbolo do catolicismo bávaro: Marktl am Inn, seu povoado natal; e Ratisbona, cidade na qual foi catedrático, na qual vive seu irmão, e na qual se encontram sepultados seus pais e sua irmã. «Quero expressar, como desejo do fundo de meu coração, que minha visita à minha pátria possa despertar a alegria no cristianismo e sobretudo que possa reforçar a confiança na responsabilidade que se assumiu na comunidade eclesial de realizar um futuro humano para todos», escreve o Papa em sua carta autógrafa firmada em 15 de agosto. «A isto, uno também a esperança de que haja cada vez mais jovens que possam superar suas dúvidas na capacidade de futuro da Igreja e seguir a vocação de serviço como sacerdotes ou religiosos», indica. Ao explicar os motivos desta quarta peregrinação apostólica internacional, o Papa reconhece que «em meus anos romanos, e ainda mais intensamente após minha eleição como sucessor de Pedro, recebi muitas atenções precisamente da Baviera, que quer agradecer e intercambiar de todo coração». O lema da visita, escolhido pelos bispos bávaros é «Quem crê, nunca está só!». A esperança do Papa é que na Baviera, o «cristianismo», «às vezes cansado», «possa viver um tempo de Pentecostes e criar valentia para um novo despertar». #semanário #PapaBentoXVI #Peregrinação #Católico #Joseph #Símbolo #pontífice #Arquidiocese #Igreja #Munique #Ratzinger #alegria #Altotting
- Mensagem do Papa por ocasião do 20º aniversário do Encontro Inter-religioso pela Paz em Assis
«Uma profecia», reconhece Bento XVI CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 4 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos a mensagem que Bento XVI enviou ao arcebispo de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino, Dom Domenico Sorrentino, por ocasião da celebração do vigésimo aniversário do Encontro Inter-religioso de Oração pela Paz, que acontece em Assis de 4 a 5 de setembro. Ao venerado irmão Dom Domenico Sorrentino Bispo de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino Celebra-se este ano o vigésimo aniversário do Encontro Inter-religioso de Oração pela Paz, convocado por meu venerado predecessor João Paulo II, em 27 de outubro de 1986, na cidade de Assis. Ele não só convidou para aquele encontro os cristãos das diferentes confissões, mas também os expoentes das diferentes religiões. A iniciativa teve um amplo eco na opinião pública: foi uma mensagem vibrante a favor da paz e se converteu em um acontecimento que deixou uma marca na história de nosso tempo. Compreende-se, portanto, que a lembrança do que então sucedeu continue suscitando iniciativas de reflexão e de compromisso. Algumas foram organizadas precisamente em Assis, por ocasião do vigésimo aniversário daquele acontecimento. Penso na celebração, organizada em colaboração com essa diocese, pela Comunidade de Santo Egídio, seguindo os passos de análogos encontros realizados anualmente pela mesma. Nos dias do aniversário se celebrará também um Congresso organizado pelo Instituto Teológico de Assis, no qual se encontrarão as Igrejas particulares dessa região em torno da Eucaristia celebrada pelos bispos da Úmbria na Basílica de São Francisco. Por último, o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso organizará um encontro de diálogo, de oração e de formação na paz para jovens católicos e de outras religiões. Estas iniciativas, cada uma com seu caráter específico, sublinham o valor da intuição que João Paulo II teve e mostram sua atualidade à luz dos acontecimentos ocorridos nestes vinte anos e da situação que a humanidade atravessa nestes momentos. O acontecimento mais significativo neste espaço de tempo foi, sem dúvida, a queda, no Leste da Europa, dos regimes de inspiração comunista. Com esta, terminou a «guerra fria», que havia gerado aterradores arsenais de armas e de exércitos preparados para uma guerra total. Foi um momento de geral esperança de paz, que levou muitos a sonhar com um mundo diferente, no qual as relações entre os povos se desenvolveriam distantes do pesadelo da guerra, e o processo de «globalização» aconteceria em um ambiente de pacífica confrontação entre povos e culturas, no marco do direito internacional compartilhado, inspirado no respeito das exigências da verdade, da justiça, da solidariedade. Infelizmente, este sonho de paz não se tornou realidade. O terceiro milênio começou com cenários de terrorismo e de violência que não parecem desvanecer-se. Também o fato de que os conflitos armados se desenvolvem sobretudo com o pano de fundo de tensões geopolíticas existentes em muitas regiões pode dar a impressão de que não só as diferenças culturais, mas também as diferenças religiosas são motivo de instabilidade ou de ameaça para as perspectivas de paz. Precisamente desde este ponto de vista, a iniciativa promovida há vinte anos por João Paulo II se converte em uma profecia. Seu convite aos líderes das religiões mundiais a dar um testemunho conjunto de paz serviu para declarar sem possibilidade de equívocos que a religião só pode ser promotora da paz. Como ensinou o Concílio Vaticano II, na declaração «Nostra Aetate» sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs, «não podemos invocar a Deus, Pai de todos, se nos negamos a conduzir-nos fraternalmente com alguns homens, criados à imagem de Deus» (número 5). Apesar das diferenças que caracterizam os diferentes caminhos religiosos, o reconhecimento da existência de Deus, ao que os homens podem chegar inclusive baseando-se unicamente na experiência da criação (Cf. Romanos 1, 20), disporá necessariamente os crentes a considerar os demais seres humanos como irmãos. A ninguém é lícito, portanto, servir-se da diferença religiosa como pressuposto para uma atitude beligerante para com os demais seres humanos. Poder-se-á objetar que a história conhece o triste fenômeno das guerras de religião. Sabemos, contudo, que semelhantes manifestações de violência não podem atribuir-se à religião enquanto tal, mas aos limites culturais com que se vive e se desenvolve no tempo. E agora, quando o sentido religioso alcançar sua maturidade, gera no crente a percepção de que a fé em Deus, Criador do universo e Pai de todos, tem de promover necessariamente relações de fraternidade universal entre os homens. De fato, registram-se testemunhos do íntimo laço que existe entre a relação com Deus e a ética do amor em todas as grandes tradições religiosas. Nós, os cristãos, sentimo-nos confirmados neste sentido e ulteriormente iluminados pela Palavra de Deus. Já o Antigo Testamento manifesta o amor de Deus por todos os povos que Ele, na aliança feita com Noé, reúne em um grande abraço, simbolizado pelo «arco nas nuvens» (Gêneses 9, 13.14.16) que, segundo as palavras dos profetas, pretende congregar em uma só família universal (cf. Isaías 2,2ss; 42, 6; 66, 18-21; Jeremias 4, 2; Salmo 47). Depois, no Novo Testamento, a revelação deste desígnio universal de amor culmina no mistério pascal, no qual o Filho de Deus encarnado, com um surpreendente ato de solidariedade salvífica, se oferece em sacrifício na cruz por toda a humanidade. Deus mostra deste modo que sua natureza é o Amor. É o que eu quis sublinhar em minha primeira encíclica, que começa precisamente com as palavras «Deus caritas est» (1 João 4, 7). Esta afirmação da Escritura não só ilumina o mistério de Deus, mas ilumina também as relações entre os homens, todos eles chamados a viver segundo o mandamento do amor. O encontro promovido em Assis pelo servo de Deus João Paulo II sublinhou o valor da oração na construção da paz. Somos conscientes de quão difícil é o caminho para este bem fundamental e às vezes parece humanamente impossível. A paz é um valor no qual confluem tantos componentes. Para construí-la, são importantes caminhos de caráter cultural, político, econômico. Agora, em primeiro lugar, a paz tem de ser construída nos corações. Lá é onde se desenvolvem os sentimentos que podem alentá-la ou, pelo contrário, ameaçá-la, debilitá-la, sufocá-la. O coração do homem, de fato, é o lugar no qual Deus atua. Portanto, junto à dimensão «horizontal» das relações com os demais homens, é de importância fundamental a dimensão «vertical» da relação de cada um com Deus, em quem tudo encontra seu fundamento. Isto é precisamente o que quis recordar com força ao mundo o Papa João Paulo II, com a iniciativa de 1986. Pediu uma oração autêntica, que envolvesse toda a existência. Quis, por este motivo, que estivesse acompanhada pelo jejum e que fosse expressada com a peregrinação, símbolo do caminho para o encontro com Deus. E explicou: «A oração comporta da nossa parte a conversão do coração» («Insegnamenti di Giovanni Paolo II», 1986, vol. II, p. 1253). Entre os aspectos caracterizadores do encontro de 1986, deve-se sublinhar que este valor da oração na construção da paz foi testemunhado por expoentes de diferentes tradições religiosas, e isso não sucedeu na distância, mas no contexto de um encontro. Deste modo, os orantes das diferentes religiões puderam mostrar, com a linguagem do testemunho, que a oração não divide, mas une, e que constitui um elemento determinante para uma eficaz pedagogia da paz, baseada na amizade, na acolhida recíproca, no diálogo entre os homens de diferentes culturas e religiões. Temos mais necessidade que nunca, especialmente se prestamos atenção às novas gerações. Muitos jovens, nas zonas do mundo caracterizadas por conflitos, são educados em sentimentos de ódio e de vingança, em contextos ideológicos nos quais se cultivam as sementes de antigos rancores e se preparam os espíritos para futuras violências. É necessário abater estas paliçadas e favorecer o encontro. Alegro-me pelo fato de que as iniciativas programadas neste ano em Assis vão nesta direção e por que o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso tenha pensado em sua aplicação particularmente aos jovens. Para não desviar o sentido do que João Paulo II quis realizar em 1986, e que se qualificou em uma expressão sua como «espírito de Assis», é importante não esquecer a atenção que então se pôs para que o encontro inter-religioso de oração não se prestasse a interpretações sincretistas, fundadas em uma concepção relativista. Precisamente por este motivo, desde um primeiro momento, João Paulo II declarou: «O fato de que tenhamos vindo aqui não implica nenhuma intenção de buscar um consenso religioso entre nós ou de negociar nossas convicções de fé. Quer dizer que as religiões podem reconciliar-se no âmbito de um compromisso comum em um projeto terreno que supera todas elas. E tampouco é uma concessão ao relativismo nas crenças religiosas…» («Insegnamenti», cit., p. 1252). Desejo confirmar este princípio, que constitui o pressuposto desse diálogo entre as religiões que auspiciou há quarenta anos o Concílio Vaticano II na Declaração sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs (cf. «Nostra aetate», 2). Aproveito com prazer a ocasião para saudar os expoentes das demais religiões que participam das comemorações de Assis. Como nós, os cristãos, também eles sabem que na oração se pode fazer uma experiência especial de Deus e tirar estímulos eficazes para a entrega à causa da paz. Neste sentido, também é um dever evitar confusões. Por isso, quando nos encontramos juntos para rezar pela paz, é necessário que a oração se desenvolva segundo esses caminhos diferentes que são próprios das diferentes religiões. Esta foi a escolha que se fez em 1986 e esta escolha não pode deixar se continuar sendo válida também hoje. A convergência da diversidade não deve dar a impressão de ser uma concessão a esse relativismo que nega o sentido próprio da verdade e a possibilidade de alcançá-la. João Paulo II quis escolher para sua iniciativa audaz e profética o sugestivo cenário dessa cidade de Assis, universalmente conhecida pela figura de São Francisco. O «pobrezinho» encarnou de maneira exemplar a bem-aventurança proclamada por Jesus no Evangelho: «Bem-aventurados os que trabalham pela paz, porque eles serão chamados filhos de Deus» (Mateus 5, 9). O testemunho que deu em sua época faz dele um ponto de referência natural para quem cultiva também hoje o ideal da paz, do respeito da natureza, do diálogo entre as pessoas, entre as religiões e as culturas. Agora, é importante recordar, se não se quer trair sua mensagem, que a escolha radical de Cristo lhe ofereceu a chave para compreender a fraternidade à qual todos os homens estão chamados, e na qual também participam em certo sentido as criaturas inanimadas — desde o «irmão sol» até «a irmã lua». Quero recordar, portanto, que neste vigésimo aniversário da iniciativa de oração pela paz de João Paulo II se celebra também o oitavo centenário da conversão de São Francisco. As duas comemorações se iluminam reciprocamente. Nas palavras que o Crucifixo de São Damiã lhe dirigiu — «Vai, repara minha casa» –, em sua escolha da pobreza radical, no beijo do leproso com o qual expressou sua nova capacidade de ver e de amar a Cristo nos irmãos que sofrem, começava essa aventura humana e cristã que continua fascinando tantos homens de nosso tempo e que faz que essa cidade seja meta de inumeráveis peregrinos. Confio-lhe, venerado irmão, pastor dessa Igreja de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino, a tarefa de dar a conhecer minhas reflexões aos participantes nas diferentes celebrações previstas para comemorar o vigésimo aniversário daquele histórico acontecimento, o Encontro Inter-religioso de 27 de outubro de 1986. Transmita a todos minha afetuosa saudação, enviando-lhes minha bênção, que vai acompanhada do desejo e a oração do pobrezinho de Assis: «A paz do Senhor seja convosco!». Castel Gandolfo, 2 de setembro de 2006 BENEDICTUS P.P. XVI #religião #acolhida #Deus #ilumina #Testamento #Assis #Aliança #mistério #profecia #Paulo #João #Amor #Jesus #diálogo #existência
- «Criação e evolução se integram, não se excluem»
Explica o decano de Filosofia do «Regina Apostolorum» ROMA, sexta-feira, 1º de setembro de 2006 (ZENIT.org).- «Criação e evolução se integram, não se excluem», assegura o Pe. Rafael Pascual, LC, decano de Filosofia e diretor do Mestrado sobre Ciência e Fé no Ateneu Pontifício «Regina Apostolorum» de Roma. O argumento está sendo tratado em um simpósio a portas fechadas, no qual participam de 1° a 3 de setembro antigos alunos de Joseph Ratzinger na residência pontifícia de Castel Gandolfo. Neste contexto, o Pe. Pascual acaba de apresentar na Itália o livro «A evolução, encruzilhada de ciência, filosofia e teologia» («L’evoluzione crocevia di scienza, filosofia e teologia», Editorial «Studium»), no qual se recolhem as atas de um congresso internacional sobre o tema, celebrado em Roma em 2002. O congresso foi o ponto de partida de um novo projeto: um Mestrado em Ciência e Fé, iniciado no ano acadêmico 2002-2003, e se enquadra no Projeto STOQ («Science, Theology and the Ontological Quest») junto às universidades pontifícias: Gregoriana, Lateranense, Santa Cruz, Salesiana e Angelicum, sob os auspícios de Conselho Pontifício para a Cultura, e com o apoio da Fundação John Templeton. Entrevistado por Zenit, o pe. Pascual explica que «o debate sobre a evolução está aberto. É preciso distinguir os diversos níveis: científico-filosófico-teológico, sem confundi-los nem separá-los totalmente». Com relação ao debate sobre o caráter do «desenho inteligente», o Pe. Pascual afirma que «não se trata de uma questão científica, mas filosófica». «Mas tampouco a negação do finalismo ou o recurso à pura casualidade e à necessidade são científicos», por isto «parece equivocado apresentar o desenho inteligente como uma teoria científica alternativa à teoria da evolução». À pergunta de se se deve ensinar teoria da evolução nas escolas, o Pe. Pascual respondeu que «sim, mas como teoria científica, com os argumentos a favor, mas também reconhecendo os limites e os problemas ainda sem resolver, e não como ideologia, como uma espécie de dogma absoluto, definitivo e indiscutível». Então, criacionismo ou evolucionismo? «Nem um nem outro, mas criação e evolução –responde. Enquanto criacionismo e evolucionismo são em si incompatíveis, não o são criação e evolução, que, pelo contrário, se encontram em dois níveis diferentes, e são compatíveis.» O decano de Filosofia recorda o livro «Criação e pecado», do então cardeal Joseph Ratzinger, onde se lê: «Não podemos afirmar: criação ou evolução. A fórmula exata é criação e evolução, porque duas coisas respondem a duas perguntas diversas. O relato do pó da terra e do alento de Deus não nos narra como o homem teve origem. Ele nos diz o que é. Nos fala de sua origem mais íntima, ilustra o projeto que está por trás dele. Vice-versa, a teoria da evolução trata de especificar e descrever processos biológicos. Não consegue, ao contrário, explicar a origem do ‘projeto’ homem, explicar sua derivação interior e sua essência. Nós nos encontramos, assim, frente a duas questões que se integram, não se excluem». Em conclusão, o Pe. Pascual sublinha que «deve-se distinguir entre teoria (ou teorias) da evolução e darwinismo, e logo, dentro do mesmo darwinismo, entre elementos de caráter científico e aqueles de tipo filosófico ou ideológico. Não se deve confundir a ciência com o cientificismo». #evolução #Regina #Homem #simpósio #Origem #criação #evolucionismo #filosofia #ciência #Ratzinger #Roma #Apostolorum #Pontifício
- Movimentos católicos ajudam a conseguir cessar-fogo no norte da Uganda
Entre o governo do país e o Exército de Resistência do Senhor ROMA, quarta-feira, 30 de agosto de 2006 (ZENIT.org).- Graças à mediação de movimentos católicos, conseguiu-se firmar em 26 de agosto passado em Juba, capital do sul do Sudão, um acordo de cessar-fogo entre o governo da Uganda e os rebeldes do Exército de Resistência do Senhor (LRA, por sua sigla em inglês). A declaração do cessar de hostilidades acontece depois de 20 anos de um terrível conflito que provocou um dos maiores desastres humanitários do planeta: entre 1,8 e 2 milhões de desabrigados e a perda de umas 129 vidas humanas diárias como conseqüência da violência e das difíceis condições de vida nos campos de refugiados. Trata-se do primeiro passo significativo, alcançado graças ao trabalho de mais de um mês do «Talk Peace», uma equipe de mediação internacional da qual fazem parte movimentos católicos como a Comunidade de Sant’Egidio e Pax Christi. «Trata-se de um ponto de chegada sem retorno. Agora é preciso trabalhar nos detalhes técnicos» para avançar na paz, explica Simon Simone, de Pax Christi, que esteve trabalhando neste processo de paz desde há oito anos. Fundado por Joseph Kony, o LRA lutou contra o governo pela criação de um Estado baseado na observância de pretendidos conceitos «bíblicos», que são interpretados segundo elementos tomados do Cristianismo, do Islã e também animistas. O LRA foi acusado por missionários e organizações humanitárias de seqüestrar crianças para utilizá-las como soldados. #Graças #Pax #comunidade #Christi #violência #Roma #conflito #Resistência
- Católicos na Terra Santa: «Construir pontes e eliminar o ódio dos corações»
Chamado do patriarca coadjutor de Jerusalém RÍMINI, quinta-feira, 31 de agosto de 2006 (ZENIT.org).- «Estamos todos chamados a trabalhar para construir pontes e eliminar o ódio dos corações», disse Dom Fouad Twal, patriarca coadjutor de Jerusalém dos Latinos, ao lançar um chamado desde o Meeting de Rímini, Itália. Em sua intervenção, pronunciada em 25 de agosto, Dom Twal começou recordando que «a voz da Terra Santa quer ser o testemunho da experiência de fé das primeiras comunidades cristãs», apesar de que, com um desemprego que chega a 60% e a imigração, «a situação piora continuamente» para eles. Nesta situação, sublinhou o patriarca, «a paz nesta terra é a exigência mais imediata» e é necessário realizar numerosos «esforços para conseguir que os cristãos permaneçam em sua terra». «A paz e a confiança no futuro são o caminho para conter o fenômeno migratório», acrescentou Dom Twal. A tarefa fundamental, contudo, é a de «pronunciar uma palavra de esperança a partir da fé.» Em uma realidade na qual falar é um risco, deve-se «falar menos e amar mais», indicou. Quanto à relação com os muçulmanos, Dom Twal recordou que «se dá desde há treze séculos» e que os cristãos anunciam que «a cidade santa é mãe de todos os fiéis filhos de Abraão». «Não se governa com as armas e com o terrorismo», disse, sublinhando que a Igreja é uma «voz de paz e de perdão» e por isto terá sempre um lugar destacado na Terra Santa, «no lugar no qual a humanidade foi alcançada pela presença de Deus». Com relação às ameaças de guerra, Dom Twal explicou que «o conflito não é uma questão entre o Hizbullah e Israel, mas que faz parte de uma situação mais global de toda a área», e que «a debilidade de Israel consiste em confiar no aparato militar e não em outros recursos». O patriarca auspiciou um futuro no qual exista o reconhecimento da liberdade assim «como Deus a quis, na oração de todos, no amar o outro, sem limites e sem barreiras». Por último, Dom Twal disse que «apesar de tudo, a situação não é desesperada, as dificuldades são muitas, mas muitas são também as esperanças, confortadas pela ajuda dos amigos que não nos deixam sozinhos». «Tenho o pressentimento — concluiu o patriarca — de que um dia o infinito se manifestará em Jerusalém.» #Intervenção #ódio #terra #Deus #Santa #patriarca #eliminar #Jerusalém
- Pio XII salvou muitas vidas de judeus, constata a investigação histórica de um rabino
«O mito do Papa de Hitler: como Pio XII salvou os judeus dos nazistas» BUENOS AIRES, terça-feira, 29 de agosto de 2006 (ZENIT.org).- Um novo livro, publicado nos Estados Unidos por um rabino, coloca dados históricos significativos sobre a relação do Papa Pio XII com o povo judeu em plena segunda guerra mundial. Convocados pela «Fundação Internacional Raoul Wallenberg» e as organizações não-governamentais inclusive em sua rede «Casa Argentina em Jerusalém» «Interfe Internacional», «Instituto Internacional Angelo Roncalli» e o «Instituto Internacional Souza Dantas», diretivos de diferentes confissões se reuniram para analisar este enfoque apresentado por David G. Dalin em seu livro «O mito do Papa de Hitler: como Pio XII salvou os judeus dos nazistas» («The Myth of Hitler’s Pope: How Pius XII rescued Jews from the Nazis»). O fundador destes centros interconfessionais, Baruj Tenembaum, fez uma análise do que significa a aparição de um livro que analisa temas tão polêmicos e sua perspectiva autenticamente judaica. Tenembaum é formado pelo Majon Lelimude, Hayahadut, professor de Bíblia e hebreu em diferentes casas de estudo e mestre de rabinos, intelectuais, sacerdotes, pelo que sua opinião constitui o ponto de referência. Foi um dos pioneiros do movimento interconfessional, pelo que foi distinguido e condecorado pelo Papa Paulo VI e por vários governos. O autor do livro é David G. Dalin, historiador, professor em Ave Maria University, ordenado rabino, que dedicou longos anos à investigação do tema. Para explicar o contexto, Tenembaum recordou que a obra teatral «O Vigário» escrita em 1963 por Ralf Hoch Hunt, colocou as bases de uma particular visão de Eugênio Pacelli, que em 1939 foi eleito Papa com o nome de Pio XII. Logo, em 1999, o católico John Cornwell publicou «O Papa de Hitler («Hitler’s Pope») e Daniel Goldhagen, em 2002, apresentou seu livro «A Moral Reckoning», ambos com enfoques críticos sobre o papel desempenhado pelo Papa. Dalin em sua obra trata de demonstrar que Pio XII salvou muitas vidas judaicas durante o Holocausto. Ainda que pessoas como R.P. José Tiso, o líder esloveno que segundo fontes históricas pediu aos alemães que deportassem os judeus à Polônia (ocupada pela Alemanha) e terminando em campos de concentração, era um sacerdote católico, muitos outros sacerdotes, monjas e padres salvaram judeus, especialmente na Polônia, França e Itália. Dalin cita o agradecimento de Golda Meir, a ministra de Relações Exteriores de Israel, a Pio XII, que enviou uma mensagem ao Vaticano por ocasião da morte do Papa, «Lamentamos, perdemos um servidor da paz. A voz do Papa durante o Nazismo foi clara e em defesa das vítimas». O trágico capítulo da deportação dos judeus de Roma a Auschwitz em 1943 é analisado e documentado por Dalin, que oferece uma análise exaustiva com menções de fontes diversas, inclusive a princesa ítalo-católica Enza Aragona Cortes. O Papa instruiu seu Secretário de Estado, o cardeal Luigi Maglione, que protestou ao embaixador alemão ante o Vaticano, Ernst von Weizsacker. O cardeal pediu: «Tentem salvar os inocentes que sofrem por pertencer a uma raça determinada». Ante o pedido do cardeal Maglione, o embaixador alemão deu ordens de interromper a deportação; e o Papa instruiu abrir o Vaticano para esconder os judeus de Roma, que se refugiaram em conventos e mosteiros do Vaticano, segundo estas fontes. Graças ao trabalho do Papa, Roma contou com a maior porcentagem de judeus que sobreviveram nas cidades ocupadas pelos Nazistas. Dos 5.715 judeus de Roma, registrados pela Alemanha para ser deportados, 4.715 foram acomodados em 150 instituições católicas, e deles, 477 em santuários do Vaticano. O embaixador britânico ante o Vaticano ratifica este fato. O Papa teve uma atitude similar na Hungria através de seu representante, o núncio apostólico Dom Angelo Rotta, que teve um papel decisivo na hora de salvar a vida de 5.000 judeus. Uma lista de fatos históricos mencionados por Dalin, inclui Bulgária, e em particular a atitude do arcebispo Angelo Roncalli (futuro João XXIII), assim como de outros personagens católicos que salvaram judeus e asseguraram que o fizeram por ordem do Papa. Documenta fatos curiosos, como a nomeação de especialistas no Vaticano a judeus despedidos por Benito Mussolini. Tenembaum declara que não assume papel algum nesta discussão, mas «convoca a todos, a buscar e anunciar a verdade. Nada de preconceitos! Só a verdade! Não aferrar-se a preconceitos, não difundir calúnias! Sigamos o caminho da reconciliação com as mentes abertas!». «A reiteração retórica não certifica acertos nem garante verdades; nós, os judeus, desejamos recordar e defender a verdade. Toda a verdade e nada mais que a verdade», concluiu. #PapaPioXII #Católico #Alemanha #Judeus #Polônia #Angelo #Pope #Cardeal #alemão








