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  • Santa Helena, protetora da Santa Cruz de Nosso Senhor – 18 de agosto

    SANTO DO DIA – 18 DE AGOSTO – SANTA HELENA Imperatriz (século III e IV) – A Protetora da Fé Cristã Flávia Júlia Helena, esse era o seu nome completo. Nasceu em meados do século III, na Bitínia, Ásia Menor. Era descendente de uma família plebeia e tornou-se uma bela jovem, inteligente e bondosa. Trabalhava numa importante hospedaria na sua cidade natal quando conheceu o tribuno Constâncio Cloro. Apaixonados, casaram-se. Mas quando o imperador Maximiano nomeou-o corregente, portanto seu sucessor, exigiu que ele abandonasse Helena e se casasse com sua enteada Teodora. Isso era possível porque a lei romana não reconhecia o casamento entre nobres e plebeus. O ambicioso Constâncio obedeceu. Entretanto, levou consigo para Roma o filho Constantino, que nascera em 274 da união com Helena, que ficou separada do filho por 14 anos. Com a morte do pai em 306, Constantino mandou buscar a mãe para junto de si na Corte. Ela já se havia convertido e tornado uma cristã fervorosa e piedosa. O jovem Constantino, auxiliado pela sabedoria de Helena, conseguiu assumir o trono como o legítimo sucessor do pai. Primeiro, tornou-se governador; depois, o supremo e incontestável imperador de Roma, recebendo o nome de Constantino, o Grande. Para tanto, teve de vencer seu pior adversário, Maxêncio, na histórica batalha travada, em 312, às portas de Roma. Conta a história que, durante a batalha contra Maxêncio, seu exército estava em desvantagem. Influenciado por Helena, que tentava convertê-lo, Constantino teve uma visão. Apareceu-lhe uma cruz luminosa no céu com os seguintes dizeres: ‘Com este sinal, vencerás’. Imediatamente, mandou pintar a cruz em todas as bandeiras e, milagrosamente, venceu a batalha. Nesse mesmo dia, o imperador mandou cessar, imediatamente, toda e qualquer perseguição contra os cristãos e editou o famoso decreto de Milão, em 313, pelo qual concedeu liberdade de culto aos cristãos e deu a Helena o honroso título de ‘Augusta’. Helena passou a dedicar-se à expansão da evangelização e crescimento do cristianismo em todos os domínios romanos. Às custas do Império, patrocinou a construção de igrejas católicas nos lugares dos templos pagãos, de mosteiros de monges e monjas e ajudou a organizar as obras de assistência aos pobres e doentes. Depois, apesar de idosa e cansada, foi em peregrinação para a Palestina, visitar os lugares da Paixão de Cristo. Lá supervisionou a construção das importantes basílicas erguidas nos lugares santos, dentre elas a da Natividade e a do Santo Sepulcro, que existem até hoje. Conta a tradição que Helena ajudou, em Jerusalém, o bispo Macário a identificar a verdadeira cruz de Jesus, quando as três foram encontradas. Para isso, levaram ao local uma mulher agonizante, que se curou milagrosamente ao tocar aquela que era a verdadeira. Pressentindo que o fim estava próximo, voltou para junto de seu filho, Constantino, morrendo em seus braços, aos 80 anos de idade, entre 328 e 330. O culto a santa Helena, celebrado no dia 18 de agosto, é um dos mais antigos da Igreja Católica. Algumas de suas relíquias são veneradas na basílica dedicada a ela em Roma. Nasceu em meados do século III, provavelmente em Bitínia, região da Ásia Menor. Os autores britânicos afirmam que nasceu na Inglaterra, que era naquele tempo província romana, e que Constâncio Cloro, tribuno e mais tarde governador da ilha, apaixonou-se por ela, e a tomou em matrimônio. Por volta do ano 274 tiveram um menino, a quem puseram por nome Constantino. Constâncio Cloro chegou a ser marechal de campo; em seguida o imperador Maximiano o nomeou corregidor e, portanto, seu sucessor no Império, mas com a condição de que repudiasse a sua mulher e tomasse por esposa a sua enteada Teodora. Tanto Helena como Constâncio Cloro eram pagãos. Levado pela ambição Constâncio se separou dela e foi para Roma com seu pequeno filho Constantino. Quatorze anos chorou Helena sua desgraça, até que ao morrer Constâncio, no ano 306, Constantino foi nomado imperador, com o que iniciou para ela uma nova forma de vida. Constantino mandou chamar a sua mãe a corte, conferiu-lhe o nome de Augusta e o título de imperatriz. Purificada pelo sofrimento, Helena recebeu o batismo, provavelmente no ano 307, e foi uma cristã exemplar, testemunha da grande jornada em que Constantino fez pôr pela primeira vez a cruz nos estandartes de suas legiões para vencer em batalha a seu rival Magêncio. Era o mês de outubro do ano 312. No início do ano 313 o imperador publicou o edito de Milão, pelo qual se permitia o cristianismo no Império. Seguindo o exemplo de sua mãe, converteu-se, sendo batizado pelo Papa São Silvestre. Depois de trezentos anos de perseguição, a Igreja de Cristo se assentava triunfante na terra. A piedosa imperatriz se dedicou por inteiro a socorrer os pobres e aliviar as misérias de seus semelhantes. Já idosa tinha então setenta e sete anos- visitou em peregrinação os Santos lugares. Subiu ao topo do Gólgota; onde se erigia um templo em honra de Vênus, mandado construir pelo imperador Adriano, e ao inteirar-se do costume judeu de enterrar no lugar da execução de um malfeitor os instrumentos que serviram para lhe dar morte, mandou derrubar o templo e procurar a cruz onde padecera o Redentor. Três cruzes foram achadas. Uma antiga tradição relata o modo milagroso como conseguiu identificar a que correspondeu a de Jesus, mediante a cura de um moribundo. Santa Helena fez dividir a cruz em três partes. Uma das partes a entregou ao bispo Macário, para que o entronizasse na Igreja de Jerusalém; o segundo o enviou à Igreja de Constantinopla e o terceiro a Roma, à basílica que, por tal motivo, chamou-se Santa Cruz de Jerusalém. Mandou também construir três edifícios, chamados casas de Deus: um junto ao monte Calvário, outro na cova de Belém e um terceiro no monte das Oliveiras. A imperatriz permaneceu longo tempo na Palestina, servindo ao Senhor com a oração e as obras de caridade. Cuidava dos doentes, libertava os cativos e dava mantimentos aos pobres, levando sempre em seu espírito -como exemplo- a imagem da Virgem Maria. Tinha oitenta anos quando retornou de sua viagem. Faleceu pouco depois, provavelmente em Tréveris, por volta do ano 328 ou 330. O martirologio romano a comemora em 18 de agosto. Algumas de suas relíquias se conservam em Roma, em uma capela dedicada a ela. Achado da Santa Cruz Conta o historiador Eusébio da Cesaréia que o general Constantino, filho da Santa Helena, era pagão mas respeitava os cristãos. E que tendo que apresentar uma terrível batalha contra o perseguidor Magêncio, chefe de Roma, o ano 311, a noite anterior à batalha teve um sonho no qual viu uma cruz luminosa nos ares e ouviu uma voz que lhe dizia: “Com este sinal vencerá”, e que ao começar a batalha mandou colocar a cruz em várias bandeiras dos batalhões e que exclamou: “Confio em Cristo em quem minha mãe Helena crê”. E a vitória foi total, e Constantino chegou a ser Imperador e decretou a liberdade para os cristãos, que por três séculos vinham sendo muito perseguidos pelos governantes pagãos. Escritores extremamente antigos como Rufino, Zozemeno, São Crisóstomo e Santo Ambrósio, contam que Santa Helena, a mãe do imperador, pediu permissão a seu filho Constantino para ir procurar em Jerusalém a cruz na qual morreu Jesus. Depois de muitas e muito profundas escavações se encontraram três cruzes. Como não se podia distinguir qual era a cruz de Jesus, levaram a uma mulher agonizante. Ao tocá-la com a primeira cruz, a doente se agravou, ao tocá-la com a segunda, ficou igualmente doente do que estava antes, mas ao tocar a terceira cruz, a doente recuperou instantaneamente a saúde. Foi assim que Santa Helena, e o bispo de Jerusalém, Macário, e milhares de devotos levaram a cruz em piedosa procissão pelas ruas de Jerusalém. E que pelo caminho encontraram com uma mulher viúva que levava a seu filho morto a enterrar e que aproximaram a Santa Cruz ao morto e este ressuscitou. Por muitos séculos se celebrou em Jerusalém e em muitíssimos lugares do mundo inteiro, a festa do achado da Santa Cruz, nos dia 3 de Maio. Louis do Wohl, autor da obra biográfica ” A árvore da vida, história da Imperatriz Santa Helena” narra desta maneira o achado da Santa Cruz: “Aproximou-se dele uma comissão formada por três jovens sacerdotes; um deles lhe dirigiu a palavra e lhe disse em voz baixa algo a propósito de umas cartas que tinham chegado da Antióquia; lhe requeria urgentemente na cidade. – Meu lugar esta aqui -respondeu o bispo Macáirio-. Vai, meu filho. E seguiu olhando a cova que se abria na terra. Não podia ser, é obvio. Estava fora de dúvida. Mas a mais leve, a mais remota das possibilidades… Entretanto, havia um ponto, somente um, que o para pôr em jogo a acuidade de seu raciocínio: que o Imperador Adriano tinha mandado a construir um templo a Vênus naquela colina. Adriano… por volta de duzentos anos; não tinha sido amigo dos cristãos. A verdade é que os tinha odiado, tanto como um homem com uma mente tão curiosamente retorcida como a sua podia odiar. Adriano e seus perversos amigos… ele podia ser precisamente o homem a propósito para conceber uma idéia como aquela: construir um templo a Vênus no Calvário. A deusa da luxúria era uma abominação para os cristãos… levantar ali um templo significava evitar de raiz que aquele lugar se convertesse em seu lugar de reunião para a odiada seita… Aquilo tinha sentido. Mas era a única coisa que o tinha em todo aquele assunto, e se… Mas o que acontecia agora à Imperatriz? Estava tremendo violentamente… Da profundidade da cova chegou um grito prolongado… e depois outro… e outro… – Madeira! Madeira! Madeira! Helena caiu de joelhos; instintivamente, suas damas fizeram os mesmo. O bispo Macário olhou dentro da cova; sua respiração se agitou. Havia tantos trabalhadores na escavação que não se podia ver nada. Na multidão fez-se silêncio; um silêncio que flutuava no ar como uma coisa viva. Não para vento. Inclusive os pássaros e os insetos pareciam que se tornaram mudos. Só se ouviam os golpes compassados de uma enxada. O bispo Macário caiu de joelhos, lançando uma breve e rouca exclamação. Um instante depois todo mundo estava ajoelhado. Do fundo do buraco foram surgindo três cruzes. Apareciam pouco a pouco… oscilando conforme os trabalhadores as tiravam. Já estavam em cima. Um punhado de homens as seguiam com suas pás… um deles trazia na mão algo que parecia um pedaço de pergaminho. Ainda saíram mais homens. ficaram ali parados, vacilantes, desconcertados, como se não se atrevessem a aproximar-se da Imperatriz. Helena tentou ficar em pé, mas não pôde. Entre Macário e Simão a levantaram, tomando-a cada um por um braço. Os joelhos lhe dobravam quando se adiantou, cambaleando-se, até o pé das três cruzes; ficou a soluçar e o corpo inteiro lhe tremia. Apesar de sua enorme excitação, a mente do Macário trabalhava com admirável claridade. Viu o pergaminho nas mãos daquele homem e reconheceu os restos dos caracteres hebreus, gregos e latinos… era a placa que tinha mandado escrever Pilatos. Assim é que uma daquelas três cruzes tinha que ser a verdadeira Cruz. Mas qual? Antes de que pudesse terminar seu pensamento, Helena abraçou uma das cruzes, como uma mãe abraça seu filho. Depois, com um rápido movimento, agarrou o pequeno Simão por um ombro e o atirou para ela. Com os olhos cheios de espanto, o moço viu como ela tomava seu braço aleijado e o fazia tocar a madeira da Cruz. Simão lançou um gemido. Uma língua de fogo pareceu lhe percorrer o braço de cima abaixo, como se lhe ardesse. Atônito, viu com estupefação que o braço lhe obedecia. Sobressaltado, comprovou que, pela primeira vez há sete anos, os dedos de sua mão direita se moviam. Tentou outra vez, e outra vez se moveram. Tratou depois de balançar o braço… primeiro para cima… logo para os lados… À multidão pareceu que estava fazendo o sinal da Cruz. Muitos dos presentes conheciam Simão, o aleijado… e uma onda de assombro percorreu aos espectadores. Os olhos de Helena e de Macário se encontraram. Muito devagar, o bispo se inclinou e beijou o madeiro da Cruz.” Fotos: santiebeati.it | Fonte: acidigital.com Leia também: .: Santo do Dia – 17 de Agosto – Santa Beatriz da Silva .: Santo do Dia – 19 de Agosto – São João Eudes #SantodoDia

  • Santa Helena, protetora da Santa Cruz de Nosso Senhor – 18 de agosto

    SANTO DO DIA – 18 DE AGOSTO – SANTA HELENA Imperatriz (século III e IV) – A Protetora da Fé Cristã Flávia Júlia Helena, esse era o seu nome completo. Nasceu em meados do século III, na Bitínia, Ásia Menor. Era descendente de uma família plebeia e tornou-se uma bela jovem, inteligente e bondosa. Trabalhava numa importante hospedaria na sua cidade natal quando conheceu o tribuno Constâncio Cloro. Apaixonados, casaram-se. Mas quando o imperador Maximiano nomeou-o corregente, portanto seu sucessor, exigiu que ele abandonasse Helena e se casasse com sua enteada Teodora. Isso era possível porque a lei romana não reconhecia o casamento entre nobres e plebeus. O ambicioso Constâncio obedeceu. Entretanto, levou consigo para Roma o filho Constantino, que nascera em 274 da união com Helena, que ficou separada do filho por 14 anos. Com a morte do pai em 306, Constantino mandou buscar a mãe para junto de si na Corte. Ela já se havia convertido e tornado uma cristã fervorosa e piedosa. O jovem Constantino, auxiliado pela sabedoria de Helena, conseguiu assumir o trono como o legítimo sucessor do pai. Primeiro, tornou-se governador; depois, o supremo e incontestável imperador de Roma, recebendo o nome de Constantino, o Grande. Para tanto, teve de vencer seu pior adversário, Maxêncio, na histórica batalha travada, em 312, às portas de Roma. Conta a história que, durante a batalha contra Maxêncio, seu exército estava em desvantagem. Influenciado por Helena, que tentava convertê-lo, Constantino teve uma visão. Apareceu-lhe uma cruz luminosa no céu com os seguintes dizeres: ‘Com este sinal, vencerás’. Imediatamente, mandou pintar a cruz em todas as bandeiras e, milagrosamente, venceu a batalha. Nesse mesmo dia, o imperador mandou cessar, imediatamente, toda e qualquer perseguição contra os cristãos e editou o famoso decreto de Milão, em 313, pelo qual concedeu liberdade de culto aos cristãos e deu a Helena o honroso título de ‘Augusta’. Helena passou a dedicar-se à expansão da evangelização e crescimento do cristianismo em todos os domínios romanos. Às custas do Império, patrocinou a construção de igrejas católicas nos lugares dos templos pagãos, de mosteiros de monges e monjas e ajudou a organizar as obras de assistência aos pobres e doentes. Depois, apesar de idosa e cansada, foi em peregrinação para a Palestina, visitar os lugares da Paixão de Cristo. Lá supervisionou a construção das importantes basílicas erguidas nos lugares santos, dentre elas a da Natividade e a do Santo Sepulcro, que existem até hoje. Conta a tradição que Helena ajudou, em Jerusalém, o bispo Macário a identificar a verdadeira cruz de Jesus, quando as três foram encontradas. Para isso, levaram ao local uma mulher agonizante, que se curou milagrosamente ao tocar aquela que era a verdadeira. Pressentindo que o fim estava próximo, voltou para junto de seu filho, Constantino, morrendo em seus braços, aos 80 anos de idade, entre 328 e 330. O culto a santa Helena, celebrado no dia 18 de agosto, é um dos mais antigos da Igreja Católica. Algumas de suas relíquias são veneradas na basílica dedicada a ela em Roma. Nasceu em meados do século III, provavelmente em Bitínia, região da Ásia Menor. Os autores britânicos afirmam que nasceu na Inglaterra, que era naquele tempo província romana, e que Constâncio Cloro, tribuno e mais tarde governador da ilha, apaixonou-se por ela, e a tomou em matrimônio. Por volta do ano 274 tiveram um menino, a quem puseram por nome Constantino. Constâncio Cloro chegou a ser marechal de campo; em seguida o imperador Maximiano o nomeou corregidor e, portanto, seu sucessor no Império, mas com a condição de que repudiasse a sua mulher e tomasse por esposa a sua enteada Teodora. Tanto Helena como Constâncio Cloro eram pagãos. Levado pela ambição Constâncio se separou dela e foi para Roma com seu pequeno filho Constantino. Quatorze anos chorou Helena sua desgraça, até que ao morrer Constâncio, no ano 306, Constantino foi nomado imperador, com o que iniciou para ela uma nova forma de vida. Constantino mandou chamar a sua mãe a corte, conferiu-lhe o nome de Augusta e o título de imperatriz. Purificada pelo sofrimento, Helena recebeu o batismo, provavelmente no ano 307, e foi uma cristã exemplar, testemunha da grande jornada em que Constantino fez pôr pela primeira vez a cruz nos estandartes de suas legiões para vencer em batalha a seu rival Magêncio. Era o mês de outubro do ano 312. No início do ano 313 o imperador publicou o edito de Milão, pelo qual se permitia o cristianismo no Império. Seguindo o exemplo de sua mãe, converteu-se, sendo batizado pelo Papa São Silvestre. Depois de trezentos anos de perseguição, a Igreja de Cristo se assentava triunfante na terra. A piedosa imperatriz se dedicou por inteiro a socorrer os pobres e aliviar as misérias de seus semelhantes. Já idosa tinha então setenta e sete anos- visitou em peregrinação os Santos lugares. Subiu ao topo do Gólgota; onde se erigia um templo em honra de Vênus, mandado construir pelo imperador Adriano, e ao inteirar-se do costume judeu de enterrar no lugar da execução de um malfeitor os instrumentos que serviram para lhe dar morte, mandou derrubar o templo e procurar a cruz onde padecera o Redentor. Três cruzes foram achadas. Uma antiga tradição relata o modo milagroso como conseguiu identificar a que correspondeu a de Jesus, mediante a cura de um moribundo. Santa Helena fez dividir a cruz em três partes. Uma das partes a entregou ao bispo Macário, para que o entronizasse na Igreja de Jerusalém; o segundo o enviou à Igreja de Constantinopla e o terceiro a Roma, à basílica que, por tal motivo, chamou-se Santa Cruz de Jerusalém. Mandou também construir três edifícios, chamados casas de Deus: um junto ao monte Calvário, outro na cova de Belém e um terceiro no monte das Oliveiras. A imperatriz permaneceu longo tempo na Palestina, servindo ao Senhor com a oração e as obras de caridade. Cuidava dos doentes, libertava os cativos e dava mantimentos aos pobres, levando sempre em seu espírito -como exemplo- a imagem da Virgem Maria. Tinha oitenta anos quando retornou de sua viagem. Faleceu pouco depois, provavelmente em Tréveris, por volta do ano 328 ou 330. O martirologio romano a comemora em 18 de agosto. Algumas de suas relíquias se conservam em Roma, em uma capela dedicada a ela. Achado da Santa Cruz Conta o historiador Eusébio da Cesaréia que o general Constantino, filho da Santa Helena, era pagão mas respeitava os cristãos. E que tendo que apresentar uma terrível batalha contra o perseguidor Magêncio, chefe de Roma, o ano 311, a noite anterior à batalha teve um sonho no qual viu uma cruz luminosa nos ares e ouviu uma voz que lhe dizia: “Com este sinal vencerá”, e que ao começar a batalha mandou colocar a cruz em várias bandeiras dos batalhões e que exclamou: “Confio em Cristo em quem minha mãe Helena crê”. E a vitória foi total, e Constantino chegou a ser Imperador e decretou a liberdade para os cristãos, que por três séculos vinham sendo muito perseguidos pelos governantes pagãos. Escritores extremamente antigos como Rufino, Zozemeno, São Crisóstomo e Santo Ambrósio, contam que Santa Helena, a mãe do imperador, pediu permissão a seu filho Constantino para ir procurar em Jerusalém a cruz na qual morreu Jesus. Depois de muitas e muito profundas escavações se encontraram três cruzes. Como não se podia distinguir qual era a cruz de Jesus, levaram a uma mulher agonizante. Ao tocá-la com a primeira cruz, a doente se agravou, ao tocá-la com a segunda, ficou igualmente doente do que estava antes, mas ao tocar a terceira cruz, a doente recuperou instantaneamente a saúde. Foi assim que Santa Helena, e o bispo de Jerusalém, Macário, e milhares de devotos levaram a cruz em piedosa procissão pelas ruas de Jerusalém. E que pelo caminho encontraram com uma mulher viúva que levava a seu filho morto a enterrar e que aproximaram a Santa Cruz ao morto e este ressuscitou. Por muitos séculos se celebrou em Jerusalém e em muitíssimos lugares do mundo inteiro, a festa do achado da Santa Cruz, nos dia 3 de Maio. Louis do Wohl, autor da obra biográfica ” A árvore da vida, história da Imperatriz Santa Helena” narra desta maneira o achado da Santa Cruz: “Aproximou-se dele uma comissão formada por três jovens sacerdotes; um deles lhe dirigiu a palavra e lhe disse em voz baixa algo a propósito de umas cartas que tinham chegado da Antióquia; lhe requeria urgentemente na cidade. – Meu lugar esta aqui -respondeu o bispo Macáirio-. Vai, meu filho. E seguiu olhando a cova que se abria na terra. Não podia ser, é obvio. Estava fora de dúvida. Mas a mais leve, a mais remota das possibilidades… Entretanto, havia um ponto, somente um, que o para pôr em jogo a acuidade de seu raciocínio: que o Imperador Adriano tinha mandado a construir um templo a Vênus naquela colina. Adriano… por volta de duzentos anos; não tinha sido amigo dos cristãos. A verdade é que os tinha odiado, tanto como um homem com uma mente tão curiosamente retorcida como a sua podia odiar. Adriano e seus perversos amigos… ele podia ser precisamente o homem a propósito para conceber uma idéia como aquela: construir um templo a Vênus no Calvário. A deusa da luxúria era uma abominação para os cristãos… levantar ali um templo significava evitar de raiz que aquele lugar se convertesse em seu lugar de reunião para a odiada seita… Aquilo tinha sentido. Mas era a única coisa que o tinha em todo aquele assunto, e se… Mas o que acontecia agora à Imperatriz? Estava tremendo violentamente… Da profundidade da cova chegou um grito prolongado… e depois outro… e outro… – Madeira! Madeira! Madeira! Helena caiu de joelhos; instintivamente, suas damas fizeram os mesmo. O bispo Macário olhou dentro da cova; sua respiração se agitou. Havia tantos trabalhadores na escavação que não se podia ver nada. Na multidão fez-se silêncio; um silêncio que flutuava no ar como uma coisa viva. Não para vento. Inclusive os pássaros e os insetos pareciam que se tornaram mudos. Só se ouviam os golpes compassados de uma enxada. O bispo Macário caiu de joelhos, lançando uma breve e rouca exclamação. Um instante depois todo mundo estava ajoelhado. Do fundo do buraco foram surgindo três cruzes. Apareciam pouco a pouco… oscilando conforme os trabalhadores as tiravam. Já estavam em cima. Um punhado de homens as seguiam com suas pás… um deles trazia na mão algo que parecia um pedaço de pergaminho. Ainda saíram mais homens. ficaram ali parados, vacilantes, desconcertados, como se não se atrevessem a aproximar-se da Imperatriz. Helena tentou ficar em pé, mas não pôde. Entre Macário e Simão a levantaram, tomando-a cada um por um braço. Os joelhos lhe dobravam quando se adiantou, cambaleando-se, até o pé das três cruzes; ficou a soluçar e o corpo inteiro lhe tremia. Apesar de sua enorme excitação, a mente do Macário trabalhava com admirável claridade. Viu o pergaminho nas mãos daquele homem e reconheceu os restos dos caracteres hebreus, gregos e latinos… era a placa que tinha mandado escrever Pilatos. Assim é que uma daquelas três cruzes tinha que ser a verdadeira Cruz. Mas qual? Antes de que pudesse terminar seu pensamento, Helena abraçou uma das cruzes, como uma mãe abraça seu filho. Depois, com um rápido movimento, agarrou o pequeno Simão por um ombro e o atirou para ela. Com os olhos cheios de espanto, o moço viu como ela tomava seu braço aleijado e o fazia tocar a madeira da Cruz. Simão lançou um gemido. Uma língua de fogo pareceu lhe percorrer o braço de cima abaixo, como se lhe ardesse. Atônito, viu com estupefação que o braço lhe obedecia. Sobressaltado, comprovou que, pela primeira vez há sete anos, os dedos de sua mão direita se moviam. Tentou outra vez, e outra vez se moveram. Tratou depois de balançar o braço… primeiro para cima… logo para os lados… À multidão pareceu que estava fazendo o sinal da Cruz. Muitos dos presentes conheciam Simão, o aleijado… e uma onda de assombro percorreu aos espectadores. Os olhos de Helena e de Macário se encontraram. Muito devagar, o bispo se inclinou e beijou o madeiro da Cruz.” Fotos: santiebeati.it | Fonte: acidigital.com Leia também: .: Santo do Dia – 17 de Agosto – Santa Beatriz da Silva .: Santo do Dia – 19 de Agosto – São João Eudes #SantodoDia

  • Homilia Diária | A importância do perdão na vida espiritual

    Quinta-feira da 19ª Sem. do T. Comum A dificuldade de perdoar é como um peso morto, um cadáver mal cheiroso que carregamos dentro da alma e que torna pesadas todas as horas do dia. Não há momento em que não nos venha à mente a lembrança daquela injúria, daquela palavra mal colocada, daquele olhar atravessado que tanto nos feriu o orgulho. Mas com que facilidade esquecemos as tantas vezes em que ofendemos, não já o próximo, mas a Deus santíssimo, que nos reconciliou consigo pela morte de seu Filho quando ainda éramos pecadores, inimigos seus e objetos da ira divina! Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quinta-feira, dia 17 de agosto, e descubra como vencer o coração endurecido e abrir-se ao perdão que o Senhor espera de nós. Santo do Dia: Santa Beatriz da Silva Evangelho (Mt 18,21–19,1) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos! Sl 118(119),135 — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 18,21 Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22 Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24 Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25 Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26 O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo! e eu te pagarei tudo’. 27 Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. 28 Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’. 29 O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo! e eu te pagarei’. 30 Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31 Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32 Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33 Não devias, tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ 34 O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35 É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”. 19,1 Ao terminar estes discursos, Jesus deixou a Galileia e veio para o território da Judeia além do Jordão. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Homilia Diária | A importância do perdão na vida espiritual

    Quinta-feira da 19ª Sem. do T. Comum A dificuldade de perdoar é como um peso morto, um cadáver mal cheiroso que carregamos dentro da alma e que torna pesadas todas as horas do dia. Não há momento em que não nos venha à mente a lembrança daquela injúria, daquela palavra mal colocada, daquele olhar atravessado que tanto nos feriu o orgulho. Mas com que facilidade esquecemos as tantas vezes em que ofendemos, não já o próximo, mas a Deus santíssimo, que nos reconciliou consigo pela morte de seu Filho quando ainda éramos pecadores, inimigos seus e objetos da ira divina! Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quinta-feira, dia 17 de agosto, e descubra como vencer o coração endurecido e abrir-se ao perdão que o Senhor espera de nós. Santo do Dia: Santa Beatriz da Silva Evangelho (Mt 18,21–19,1) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos! Sl 118(119),135 — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 18,21 Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22 Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24 Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25 Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26 O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo! e eu te pagarei tudo’. 27 Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. 28 Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’. 29 O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo! e eu te pagarei’. 30 Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31 Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32 Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33 Não devias, tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ 34 O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35 É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”. 19,1 Ao terminar estes discursos, Jesus deixou a Galileia e veio para o território da Judeia além do Jordão. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Santo do Dia – 17 de Agosto – Santa Beatriz da Silva

    SANTO DO DIA -17 DE AGOSTO – SANTA BEATRIZ DA SILVA A família “…educada num profundo espírito e virtudes cristãs.” De nobilíssima família portuguesa, Beatriz da Silva e Menezes, nasceu na graciosa e ensolarada vila alentejana de Campo Maior, no ano de 1437. Filha de D. Rui Gomes da Silva, Alcaide Mor da já mencionada vila de Campo Maior e Ouguela e de Dona Isabel de Menezes, que era filha de D. Pedro de Menezes que foi Governador da Praça de Ceuta, nessa altura pertencente à coroa dos reis de Portugal. Os pais de Beatriz pertenciam à primeira nobreza e estavam ainda aparentados com a família real. Tiveram 11 filhos, educados por franciscanos, que inculcaram no seu coração um profundo sentido cristão, ético e moral e uma especial amor à IMACULADA. A Princesa Isabel de Portugal, filha de D. Duarte, contrai núpcias com D. João II de Castela, e leva a sua prima Beatriz como dama. Era Beatriz muito nova e bela e de alma transparente e cristalina. Os ciúmes da Rainha chegaram ao desejo de a fazer desaparecer. Mas os desígnios de Deus são outros, e como do mal pode obter um bem, enquanto esta só e cerrada num cofre esperando a morte, aparece-lhe a Virgem Imaculada, Rainha de Portugal, a anunciar-lhe que seria mãe de muitas filhas e que fundasse uma Ordem dedicada ao serviço e louvor do mistério da sua Conceição Imaculada. Sai da Corte e nos Palácios de Galiana, em Toledo funda a sua Ordem há mais de 500 anos. Beatriz passou a sua infância e adolescência nesta nobre vila, rodeada do carinho de seus pais que a educaram num profundo espírito e virtudes cristãs. Foi a oitava de doze irmãos: Pedro, Fernando, Diogo, Afonso, João (Beato Amadeu da Silva, fundador do ramo franciscano dos frades Amadeus, hoje extinto), Branca, Guiomar, Beatriz, Maria, Leonor, Catarina e Mécia. Na Corte “…enchia de fervor com o seu exemplo”. Para Beatriz decorria tranquila a vida no velho solar de Campo Maior. Totalmente entregue a Deus, tinha esquecido o mundo com toda a sua agitação, embora vivesse nele. Mas o Senhor tinha-a criado para coisas maiores que esta vida calma, e, para isso, tinha de a fazer passar pelo crisol do sofrimento, como costuma sempre fazer com os eleitos do seu coração. Quando chegou, Beatriz cujos predicados e virtudes raramente se vêm em humana criatura, deram motivo à rainha Dona Isabel, filha de D. Duarte, rei de Portugal, e esposa em segundas núpcias de D. João II de Castela para levar por sua dama, para a Corte, a jovem Beatriz, que era sua parente muito chegada. Primeiro para Lisboa e a quando do casamento com D. João II de Castela, para Tordesilhas. A virtuosa dama era o mimo, e todo o desvelo da rainha que não podia estar sem ela um só instante. Só a jovem dama conseguia moderar alguns dos excessos da temperamental rainha de Castela que, se enchia de fervor com o seu exemplo e, quando a via entre as Senhoras e Damas da Corte de Castela, tinha grande satisfação de que a sua portuguesa brilhasse, como a mais bela das rosa entre as flores, e resplandecesse, como lua entre as estrelas. Diz-nos uma biografa da Santa, que Beatriz “era formosíssima, prudente, afável, inteligente, composta e de muita gentileza”, e outro autor: “que era bela, maravilhosamente bela, até ao deslumbramento”. O Ciúme “…procurava viver em recolhimento, dando todo o seu amor e o maior tempo possível a Deus, o verdadeiro Senhor do seu coração.” Costuma dizer-se que há males que vêm para bem, e vice-versa, que há bens que vêm para mal. E foi precisamente o caso de Beatriz. Porque a felicidade humana é inconstante e falível, não podiam durar por muito tempo os excessos de carinho e de atenção da rainha para com a jovem dama portuguesa. A sua beleza, graciosidade e doçura, levou muitos nobres a pretendê-la para casar, aos quais, ela negou sempre a sua mão. Mas, o facto mais doloroso, foi causado pelo ciúme da rainha que, chegou ao cúmulo de a fechar num cofre, para que Beatriz ali morresse asfixiada. Tudo por ciúme, devido às atenções que o rei dava à jovem, que, de forma alguma, procurava atrair sobre si as atenções de quem quer que fosse, muito pelo contrário, procurava viver no recolhimento, dando assim todo o seu amor e o maior tempo possível ao Pai Eterno, o verdadeiro Senhor do seu coração. A visão “…a sua vocação: fundar uma Ordem com o fim de honrar a Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria”. Foi, porém, naquela prisão, que a Santa recebeu em plenitude o “Dom de Deus”, e lhe foi dada a conhecer a sua futura missão, a sua vocação: a de fundar uma Ordem, com o fim de honrar a Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria. Nos três dias que permaneceu naquela escura prisão, apareceu-lhe a Santíssima Virgem com o menino nos braços. Trazia vestido um hábito todo branco e escapulário da mesma cor, e a cobri-la um manto azul. Era vontade de Deus e de Maria que, Beatriz, fundasse uma Ordem destinada a defender e honrar o Mistério da Imaculada Conceição. O inesperado “…a rainha deu-lhe licença e liberdade para ir viver aonde mais fosse de sua vontade”. O desaparecimento da jovem dama, provoca no seu tio D. João de Menezes (que também se encontrava na corte de Tordesilhas, ao serviço de D. João II de Castela), grande preocupação, até porque ele sabia do grande ciúme que a rainha nutria por Beatriz e temia o pior. À pergunta de D. João de Meneses a Dona Isabel, sobre o paradeiro da sobrinha, a rainha respondeu-lhe «que viesse vê-la», e levou-o ao sítio onde a deixara encerrada, certa de que, ao abrir o cofre, a encontraria morta. Viva a viu aparecer, e mais bela do que nunca! A rainha, pasmando do que tinha diante de si, não atinava que dizer – conta soror Catarina – e, assombrada duma coisa tão inesperada, não queria dar crédito aos seus próprios olhos, que viam o que naturalmente era impossível sucedesse. Com este espanto, e, ao mesmo tempo, para se livrar da ocasião de voltar a criar problemas à dama Beatriz, a rainha deu-lhe licença e liberdade para ir viver aonde mais fosse de sua vontade. Certamente que esta «experiência de encarceramento» foi, na vida de Beatriz, um marco importante que a levou a dar uma grande viragem no rumo da sua vida e a levou a abandonar a vida palaciana da corte de Tordesilhas e a retirar-se para Toledo. Em viagem “Este encontro deixou-lhe na alma uma grande consolação e abriu-lhe o entendimento às realidades sobrenaturais”. A viagem para Toledo foi longa, arriscada e muito difícil, o que revela a personalidade forte e decidida de Beatriz. É significativo, o episódio que ocorreu durante a viagem e que, todos as biógrafos da santa, são unânimes em relatar. “Foi o caso que, no caminho para Toledo, ao passar por um monte (Beatriz), viu sair de trás dele dois religiosos da Ordem do meu Padre S. Francisco, e, julgando fossem enviados da rainha a fim de a confessarem para que depois lhe fosse tirada a vida, entrou, em grande temor; e não foi muito, que assim fizesse, quem havia experimentado os arrojos do zeloso peito duma rainha. (…) Acercaram-se os religiosos, e, um deles, que por seu modo parecia português, saudando-a na sua língua materna, lhe perguntou a causa da sua aflição e pena”. Depois de saberem dos temores da nobre viajante, tranquilizaram-na os dois frades e falaram-lhe da fundação da Ordem da Imaculada Conceição. E, assim, foram conversando durante a viagem para Toledo. Mas tal como os discípulos de Emaús, também os dois frades desapareceram aos olhos de Beatriz e da sua comitiva, quando esta insistiu com eles, para que partilhassem com ela a ceia na próxima pousada. Este encontro deixou-lhe na alma uma grande consolação e abriu-lhe o entendimento às realidades sobrenaturais e compreendeu que os seus companheiros de viagem eram Santo António de Lisboa e São Francisco de Assis. Em São Domingos “O Real” “Florescia em todas as virtudes, era tida por santa e obrava milagres”. Depois do sucedido e, com a autorização da rainha, Beatriz, retirou-se para a cidade de Toledo, onde viveu, voluntariamente, em completo encerramento, no Convento Dominicano de São Domingos O Real, ou O Antigo. Ali passou trinta longos anos, como senhora de piso, longe de tudo e de todos os seres queridos e totalmente desprendida das vaidades terrenas e desejos mundanos. E, como a formosura do seu rosto foi a causa de tantas discórdias na corte, cobriu o rosto com um véu branco durante o resto da sua vida, salvo em raríssimas excepções. No mar, o navio é presa fácil do risco dos ventos, se, porém, chegar a um calmo e tranquilo porto, já não teme calamidades, mas está seguro. Também Beatriz, enquanto se encontrou no meio dos homens, contou com tribulações, riscos e embates contra a sua sensibilidade. Mas, ao chegar ao porto do silêncio, para ela preparado, não mais teve medo, e entrega-se toda nas mãos de Deus, confiando no Seu amor sem medida. Não fazia parte das religiosas que compunham a comunidade, mas, ali vivia como uma delas, em completa vida de clausura. Como nos canta soror Catarina: Beatriz “Florescia em todas as virtudes e comia parcamente, que era tida por santa e obrava milagres, que se distinguiu sempre por sua humildade e obediência às superioras” do dito Convento de São Domingos O Real e a sua vida era verdadeiramente exemplar. Das rendas, que possuía, reservava uma moderada parte para o tratamento, e decência da sua pessoa, e, tudo o mais, o gastava em esmolas e Deus. E só pela entrega total de si mesmo se entra neste caminho de perfeição e de união com Deus. Contudo, quem diz “entrega total”, diz “renúncia total”. Deus de todos espera o desapego completo de tudo o que não seja Ele. O mais pequeno vínculo impede a alma de levantar voo. Por isso, é urgente perder tudo, para ganhar O Tudo. É urgente entregar tudo o que temos e somos sem hesitação. O mercador de pérolas do Evangelho, vendeu todos os seus bens para comprar a pérola mais fina que tivera a sorte de encontrar. Beatriz, por sua vez, renunciou à sua luminosa beleza, à sua posição social, à sua fortuna e à possibilidade de fazer um casamento invejável, aos olhos do mundo, para se fechar num Convento, onde nem sequer era freira. Assim, sem vínculo nenhum, poderia levantar voo e voar na imensidão do amor de Deus e saciar a sua sede na fonte da Água Viva. Preparando-se desta forma, para a Obra a que fora destinada pela Imaculada. A espera “…mantinha-se simplesmente à escuta do que Deus lhe ordenava”. A nós, que vemos os acontecimentos no seu aspecto meramente exterior, sem muitas vezes, poderem apreender-se as realidades profundas que essas aparências encobrem, parecerá incompreensível esta demora tão grande em realizar planos que se sabia serem divinos. Que significavam tantos anos de aparente inacção, segundo os nossos juízos? Que fazia Beatriz da Silva e Meneses em São Domingos O Real, onde, nem sequer era religiosa? Porque esperava? Ora, tais circunstâncias, levam-nos a crer que ela se mantinha simplesmente à escuta do que Deus lhe ordenava. Ia-se exercitando na conquista de uma das virtudes mais difíceis de praticar quando se deseja um bem que tarde em vir; a paciência, na perfeita conformidade com a Vontade de Deus. “Poucas vezes uma fundadora terá sido preparada tão profunda e prolongadamente para a sua missão carismática” Quando ela atingiu o grau de perfeição na virtude requerido para empreendimento tão sublime, corria o ano de 1484, recebeu então a ordem aguardada durante trinta longos anos entre os muros de São Domingos “O Real”. E logo se seguiu um período de intensa actividade, a esses longos anos vividos na obscuridade e no silêncio do claustro. Os preparativos “Com a sua admirável generosidade, passou a dar-se sem reservas, ao cumprimento da missão que Deus lhe confiava”. Dizem os biógrafos da Santa fundadora, que lhe apareceu outra vez a Mãe de Deus, tornando a mostrar-lhe como haveria de ser o hábito que trariam vestido as suas religiosas, pois, já o havia feito, a quando da visão no cofre em Tordesilhas, e, ainda, para lhe dizer que tinha chegado o tempo de pôr mãos à realização da Obra. Tinha soado a hora para a qual Beatriz da Silva orientara o curso de toda a sua vida, na qual concentrara todos os seus esforços e, para a qual, dirigira todas as suas aspirações. Urgia, agora, dedicar à realização da sua Obra todas as forças e o tempo que lhe restava viver na terra. Com a sua admirável generosidade, passou a dar-se sem reservas, ao cumprimento da missão que Deus lhe confiava. Finalmente, o sonho que iluminara toda a sua vida, o desejo que o seu coração acalentava de espalhar pelo mundo a devoção à Imaculada Conceição, e honrar através da sua futura Ordem, este mistério tão grande e tão sublime, começava a realizar-se e a criar forma. A fundação “Terão como carisma próprio o da Imaculada Conceição”. Ajudada pela rainha Isabel “a Católica”, que lhe deu os palácios chamados de Galiana, por terem outrora pertencido à princesa Galiana, filha de um rei mouro que os mandara construir propositadamente para esta sua filha, bem como a Igreja de Santa Fé, situada junto ao Palácio de Galiana. Beatriz deixa o Convento de São Domingos O Real, onde viveu 30 longos anos, para se instalar com mais doze donzelas de muita virtude e nobreza, no local que a rainha lhes oferecera. Entrou com grande alegria nessa casa tão desacomodada e, logo, deu ordens para que se fizessem as obras necessárias e conveniente para a transformar num Convento de religiosas contemplativas de clausura, começando por arranjar a Igreja. Tanto que, logo que se instalaram no seu Convento de Santa Fé, e, provido este, do essencial para a vida comunitária contemplativa, ordenou a santa fundadora o modo de viver que haviam de guardar ela e suas filhas e, composta a Regra, a enviar ao Sumo Pontífice Inocêncio VIII com petição da rainha Isabel “a Católica” para que Sua Santidade aprovasse esta Ordem com o título da Imaculada Conceição, bem como a Regra, o modo de rezar e de vestir (o hábito). Foi, por meio de um «estranho» mensageiro, que a fundadora soube que, Roma tinha expedido a Bula de aprovação da Ordem. Contudo, mais tarde, chega a notícia de que o navio que transportava a Bula de aprovação, tinha naufragado. Beatriz comunicou o facto à rainha, e só teve uma ideia: pôr-se a rezar. Ao fim de três dias, aparece a Bula num cofre do Convento. Como aconteceu este «prodígio»? A verdade é que, hoje, a dita Bula se encontra no Convento de Toledo. Inocêncio VIII tinha dito sim ao pedido de Beatriz, com o apoio da rainha Católica. Estava a Bula dirigida ao bispo de Coria e Catânia, e ao Vigário de Toledo, para «executar a Bula» em 1491. A Bula papal cita expressamente a rainha Isabel e soror Beatriz, a quem autoriza a fundar um Convento, de clausura. Segundo palavras de Sua Santidade: Nos foi humildemente suplicado que se dignasse a Nossa Benignidade Apostólica erigir na referida casa um Mosteiro de Monjas, sob a invocação da Imaculada Conceição. Beatriz gozaria da dignidade de Abadessa, e a casa teria campanário, dormitório, refeitório, hortas e outras oficinas, na qual vivam as religiosas em comunidade sob a regular observância e perpétua clausura. E dá poder à Abadessa para que possa formar estatutos e ordenanças. Vestirão de branco, com manto cor (azul) celeste, e, «no manto e escapulário, tragam fixa a imagem da Virgem Maria, e se cinjam com uma corda de cânhamo, à maneira dos Frades Menores». Terão como carisma próprio o da Imaculada Conceição. A Bula «Inter Universa» está datada de 30 de Abril de 1489, quinto ano do Pontificado de Inocêncio VIII. É esta, certamente, a autorização solene, oficial e pontifícia para a Fundação. E, finalmente, no antigo palácio, de uma princesa moura, tem o seu berço a Ordem da Imaculada Conceição, melhor dizendo, começam a escrever-se com letras de luz, silêncio e oração as glórias da Imaculada Conceição. A passagem “…no ocaso da vida tudo passa, só Deus fica e o que por Ele tivermos feito”. Seis anos passaram estas almas desejosas de uma entrega radical, à espera que lhes chegasse a aprovação de Roma. Quando esta, finalmente chega, a Obra começa a desenvolver-se em pleno. No entanto, um novo sacrifício lhes estava reservado. Tinha já sido marcada pelo Bispo de Toledo, a festa das profissões, de Beatriz e das suas doze companheiras, quando a Santíssima Virgem de novo lhe aparece dizendo-lhe: – “Dentro de dez dias virei buscar-te porque não é vontade de Meu Filho que gozes aqui na terra o que tanto desejastes”. Duro golpe difícil de compreender, mas que Beatriz aceita com o coração em festa, como através de toda a sua vida aceitou sempre qualquer manifestação da Vontade do Pai Eterno. E nisto consistiu precisamente o segredo de toda a sua santidade, pois, só no cumprimento da vontade de Deus, reside o segredo da santificação de qualquer alma. Fora desta vontade não há santificação possível. Efectivamente, no dia preciso em que estava marcada a festa do início da Ordem, Beatriz voou para o Céu, tendo, antes, recebido o hábito branco e azul, como a Senhora lhe tinha indicado, e feito nas mãos de um sacerdote Franciscano, a sua Profissão Religiosa. Morria assim, como uma verdadeira Concepcionista. A noite da sua vida passara. Tinha sido uma noite de lutas e sofrimentos em que venceu, é certo, mas que, para isso, teve de lutar denodadamente. Tudo agora findava, melhor, tudo agora começava, e morria feliz, pois, como diz o autor, “no ocaso da vida tudo passa, só Deus fica e o que por Ele tivermos feito”. É que, na eternidade seremos julgados, não tanto pelo muito que fizemos ou possuímos, mas pelo muito que amámos. E Beatriz viveu uma vida intensa de amor e de entrega total a Deus. A estrela “…do seu rosto saiam raios de luz e uma estrela luminosa fixou-se-lhe na testa e ali permaneceu até que soltou o último suspiro”. No momento da sua morte há um pormenor que não pode ser esquecido. Desde que saíra da Corte de Tordesilhas, Beatriz cobria o seu belíssimo rosto com um véu branco a fim de ocultar, aos olhos de todos, a sua grande beleza que fora causa de tantos desgostos e dissabores. E, assim, viveu os cerca de trinta anos que durou a sua vida retirada no Convento de S. Domingos “O Real”, e depois já no seu Convento definitivo. No momento derradeiro, ao levantarem-lhe o véu para lhe ser administrado o sacramento da Unção dos Enfermos, todos viram, com assombro, que, do seu rosto, saiam raios de luz que iluminaram todo o aposento em que se encontravam, e uma estrela luminosa fixou-se-lhe na testa e ali permaneceu até que soltou o último suspiro. E é este o motivo pelo que a imagem da santa de Campo Maior se representa com uma estrela na fronte. Esta significa, certamente, a luz que ela irradiou então e que continua, ainda hoje, a irradiar ao longo destes cinco séculos que nos separam já da sua morte, ocorrida em Toledo no dia 9 de Agosto de 1492. Luz que brota do testemunho de vida de Beatriz, que “…toda se abandonou à vida de santidade…” e das suas filhas, que encerradas nos seus Conventos seguem as pisadas da sua mãe e mestra, vivendo os rigores do evangelho. Depois da morte “…todas viviam unidas, «num só coração e numa só alma»”. Como nos conta Soror Catarina: “Logo que a serva de Deus expirou pensaram as religiosas de São Domingos levar para o seu Convento, não só as doze religiosas, porque não haviam professado e ficavam sem Madre, senão também o venerável corpo da Fundadora, porque, tendo vivido tantos anos com elas, julgavam que lhes pertencia; e, nesta ideia, começaram a fazer diligências, levando em seu auxílio alguns religiosos da sua Ordem para conseguirem levar a cabo a sua empresa, e, por conseguinte, para que a casa e Ordem da Imaculada Conceição ficasse desfeita. Não era porém essa a vontade do Senhor, que constantemente velava pelas suas servas; e não queria que desaparecessem de sobre a terra; e, por isso, mais uma vez as ilustrou com um novo milagre, como foi o aparecimento da Santa Fundadora a frei João de Tolosa.” Antes, mesmo, da chegada de frei João de Tolosa já os religiosos franciscanos de Toledo haviam impedido que o corpo de Beatriz da Silva fosse levado pelas religiosas de São Domingos “O Real” e o sepultaram na Igreja de Santa Fé, junto às suas filhas. Contudo, as religiosas de São Domingos não desarmaram e, visto que, não tinham conseguido os restos mortais da fundadora, pelo menos, achavam-se no direito de reclamar para si as doze jovens que faziam parte da comunidade de Beatriz, argumentando que estas ainda não tinham tomado hábito nem feito votos. Foi, neste contexto, que frei João de Tolosa veio encontrar as jovens discípulas de Beatriz da Silva. Imediatamente este ilustre franciscano fez desistir dos seus intentos as religiosas de São Domingos “O Real” e marcou, para dentro de oito dias, a tomada de hábito e a profissão religiosa das doze valorosas filhas de Beatriz. Tendo sido nomeada para Abadessa soror Filipa da Silva, sobrinha da fundadora. Contudo, não ficaram por aqui as dificuldades por que teve de passar a jovem comunidade Concepcionista. As religiosas Beneditinas do Mosteiro de São Pedro das Donas haviam decaído um pouco no fervor primitivo da sua Santa Beatriz da Silva, Fundadora da Ordem da Imaculada Conceição em 1484 com ajuda de Isabel, a Católica aprovada em 1489 – V Centenário 1989 Ordem. Por isso, o Reformador Geral de todas as Ordens no Reino de Castela, frei Francisco de Cisneros, ordenou que o Convento de Santa Fé e o Mosteiro de São Pedro das Donas se juntassem num só. Passando as religiosas de Santa Fé a viver no Mosteiro de São Pedro das Donas. Por outro lado, por breve do Papa Alexandre VI as monjas das Donas passavam a vestir o hábito da Ordem da Imaculada Conceição e adoptavam a forma de viver desta jovem Ordem. E ainda, deveria a Abadessa de São Pedro das Donas renunciar ao seu cargo em favor de Madre Filipa da Silva que passaria a ser a Abadessa da nova comunidade. No entanto, as mudanças não foram fáceis, pois, graves divisões surgiram na comunidade, que, por três vezes, esteve à beira da extinção, devido às reforma implantadas por Madre Filipa da Silva e que, desagradaram muito às antigas religiosas de São Pedro por não aceitarem que uma Ordem mais nova, viesse impor a uma Ordem mais antiga correcções e tradições. A tal ponto chegou a situação que, frei Francisco de Cisneros, à data, arcebispo de Toledo, esteve a ponto de ordenar se extinguisse de vez a Ordem da Imaculada Conceição. Não era esse, no entanto, o projecto de Deus que levou o ilustre prelado a fazer uma última tentativa para repor a unidade e a caridade no referido Convento. Para isso, dirigiu às religiosas do dito Convento, uma veemente exortação a que se apaziguassem. Conta-nos Soror Catarina que o arcebispo lhes falou com tão inspirado afecto que lhes abriu o coração e os pacificou de tal maneira que, as que haviam abandonado a comunidade, voltaram bastante emendadas, conformando-se todas numa só vontade e amor, transformando-se o Convento num autentico paraíso. E dava gosto, depois, ver o Convento da Imaculada Conceição, onde todas viviam unidas, “num só coração e numa só alma”. Depois destas duras provas, a Ordem da Imaculada Conceição entra num período de grande florescimento, tornando-se numa das maiores Ordens Religiosas femininas de vida contemplativa, da Igreja. A glorificação “…a Igreja sente necessidade e alegria em nos dizer que Beatriz da Silva, é Santa”. Ao longo da história, Deus suscita homens e mulheres que, compreendendo o único Absoluto, e que foram capazes de assumir atitudes de vida que, ainda hoje, têm lições de vida e de sabedoria. A vivência do Evangelho continua a gerar verdadeiros sábios em todas as épocas, que, com os seus exemplos e palavras, possuem uma força de persuasão que não vem dos livros, mas do Espírito Santo. Inteiramente abandonados à acção de Deus, os santos deixam-se conduzir pelo Espírito Santo por caminhos desconhecidos, até ao dom total de si mesmos. E foi o que aconteceu com Beatriz da Silva e Menezes, por isso mesmo, a Igreja sente necessidade e alegria em nos dizer que, fundadora da Ordem da Imaculada Conceição, faz parte deste grupo de obras-primas da criatividade do Espírito Santo e que nunca se repetem, que são os Santos. E fá-lo oficialmente, quando o Papa Pio XI a 28 de Julho de 1926 a beatifica e a 3 de Outubro de 1976, o papa Paulo VI a canoniza. Fotos: santiebeati.it | Fonte: santabeatrizdasilva.com Leia também: .: Santo do Dia – 16 de Agosto – São Roque .: Santo do Dia – 18 de Agosto – Santa Helena

  • Santo do Dia – 17 de Agosto – Santa Beatriz da Silva

    SANTO DO DIA -17 DE AGOSTO – SANTA BEATRIZ DA SILVA A família “…educada num profundo espírito e virtudes cristãs.” De nobilíssima família portuguesa, Beatriz da Silva e Menezes, nasceu na graciosa e ensolarada vila alentejana de Campo Maior, no ano de 1437. Filha de D. Rui Gomes da Silva, Alcaide Mor da já mencionada vila de Campo Maior e Ouguela e de Dona Isabel de Menezes, que era filha de D. Pedro de Menezes que foi Governador da Praça de Ceuta, nessa altura pertencente à coroa dos reis de Portugal. Os pais de Beatriz pertenciam à primeira nobreza e estavam ainda aparentados com a família real. Tiveram 11 filhos, educados por franciscanos, que inculcaram no seu coração um profundo sentido cristão, ético e moral e uma especial amor à IMACULADA. A Princesa Isabel de Portugal, filha de D. Duarte, contrai núpcias com D. João II de Castela, e leva a sua prima Beatriz como dama. Era Beatriz muito nova e bela e de alma transparente e cristalina. Os ciúmes da Rainha chegaram ao desejo de a fazer desaparecer. Mas os desígnios de Deus são outros, e como do mal pode obter um bem, enquanto esta só e cerrada num cofre esperando a morte, aparece-lhe a Virgem Imaculada, Rainha de Portugal, a anunciar-lhe que seria mãe de muitas filhas e que fundasse uma Ordem dedicada ao serviço e louvor do mistério da sua Conceição Imaculada. Sai da Corte e nos Palácios de Galiana, em Toledo funda a sua Ordem há mais de 500 anos. Beatriz passou a sua infância e adolescência nesta nobre vila, rodeada do carinho de seus pais que a educaram num profundo espírito e virtudes cristãs. Foi a oitava de doze irmãos: Pedro, Fernando, Diogo, Afonso, João (Beato Amadeu da Silva, fundador do ramo franciscano dos frades Amadeus, hoje extinto), Branca, Guiomar, Beatriz, Maria, Leonor, Catarina e Mécia. Na Corte “…enchia de fervor com o seu exemplo”. Para Beatriz decorria tranquila a vida no velho solar de Campo Maior. Totalmente entregue a Deus, tinha esquecido o mundo com toda a sua agitação, embora vivesse nele. Mas o Senhor tinha-a criado para coisas maiores que esta vida calma, e, para isso, tinha de a fazer passar pelo crisol do sofrimento, como costuma sempre fazer com os eleitos do seu coração. Quando chegou, Beatriz cujos predicados e virtudes raramente se vêm em humana criatura, deram motivo à rainha Dona Isabel, filha de D. Duarte, rei de Portugal, e esposa em segundas núpcias de D. João II de Castela para levar por sua dama, para a Corte, a jovem Beatriz, que era sua parente muito chegada. Primeiro para Lisboa e a quando do casamento com D. João II de Castela, para Tordesilhas. A virtuosa dama era o mimo, e todo o desvelo da rainha que não podia estar sem ela um só instante. Só a jovem dama conseguia moderar alguns dos excessos da temperamental rainha de Castela que, se enchia de fervor com o seu exemplo e, quando a via entre as Senhoras e Damas da Corte de Castela, tinha grande satisfação de que a sua portuguesa brilhasse, como a mais bela das rosa entre as flores, e resplandecesse, como lua entre as estrelas. Diz-nos uma biografa da Santa, que Beatriz “era formosíssima, prudente, afável, inteligente, composta e de muita gentileza”, e outro autor: “que era bela, maravilhosamente bela, até ao deslumbramento”. O Ciúme “…procurava viver em recolhimento, dando todo o seu amor e o maior tempo possível a Deus, o verdadeiro Senhor do seu coração.” Costuma dizer-se que há males que vêm para bem, e vice-versa, que há bens que vêm para mal. E foi precisamente o caso de Beatriz. Porque a felicidade humana é inconstante e falível, não podiam durar por muito tempo os excessos de carinho e de atenção da rainha para com a jovem dama portuguesa. A sua beleza, graciosidade e doçura, levou muitos nobres a pretendê-la para casar, aos quais, ela negou sempre a sua mão. Mas, o facto mais doloroso, foi causado pelo ciúme da rainha que, chegou ao cúmulo de a fechar num cofre, para que Beatriz ali morresse asfixiada. Tudo por ciúme, devido às atenções que o rei dava à jovem, que, de forma alguma, procurava atrair sobre si as atenções de quem quer que fosse, muito pelo contrário, procurava viver no recolhimento, dando assim todo o seu amor e o maior tempo possível ao Pai Eterno, o verdadeiro Senhor do seu coração. A visão “…a sua vocação: fundar uma Ordem com o fim de honrar a Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria”. Foi, porém, naquela prisão, que a Santa recebeu em plenitude o “Dom de Deus”, e lhe foi dada a conhecer a sua futura missão, a sua vocação: a de fundar uma Ordem, com o fim de honrar a Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria. Nos três dias que permaneceu naquela escura prisão, apareceu-lhe a Santíssima Virgem com o menino nos braços. Trazia vestido um hábito todo branco e escapulário da mesma cor, e a cobri-la um manto azul. Era vontade de Deus e de Maria que, Beatriz, fundasse uma Ordem destinada a defender e honrar o Mistério da Imaculada Conceição. O inesperado “…a rainha deu-lhe licença e liberdade para ir viver aonde mais fosse de sua vontade”. O desaparecimento da jovem dama, provoca no seu tio D. João de Menezes (que também se encontrava na corte de Tordesilhas, ao serviço de D. João II de Castela), grande preocupação, até porque ele sabia do grande ciúme que a rainha nutria por Beatriz e temia o pior. À pergunta de D. João de Meneses a Dona Isabel, sobre o paradeiro da sobrinha, a rainha respondeu-lhe «que viesse vê-la», e levou-o ao sítio onde a deixara encerrada, certa de que, ao abrir o cofre, a encontraria morta. Viva a viu aparecer, e mais bela do que nunca! A rainha, pasmando do que tinha diante de si, não atinava que dizer – conta soror Catarina – e, assombrada duma coisa tão inesperada, não queria dar crédito aos seus próprios olhos, que viam o que naturalmente era impossível sucedesse. Com este espanto, e, ao mesmo tempo, para se livrar da ocasião de voltar a criar problemas à dama Beatriz, a rainha deu-lhe licença e liberdade para ir viver aonde mais fosse de sua vontade. Certamente que esta «experiência de encarceramento» foi, na vida de Beatriz, um marco importante que a levou a dar uma grande viragem no rumo da sua vida e a levou a abandonar a vida palaciana da corte de Tordesilhas e a retirar-se para Toledo. Em viagem “Este encontro deixou-lhe na alma uma grande consolação e abriu-lhe o entendimento às realidades sobrenaturais”. A viagem para Toledo foi longa, arriscada e muito difícil, o que revela a personalidade forte e decidida de Beatriz. É significativo, o episódio que ocorreu durante a viagem e que, todos as biógrafos da santa, são unânimes em relatar. “Foi o caso que, no caminho para Toledo, ao passar por um monte (Beatriz), viu sair de trás dele dois religiosos da Ordem do meu Padre S. Francisco, e, julgando fossem enviados da rainha a fim de a confessarem para que depois lhe fosse tirada a vida, entrou, em grande temor; e não foi muito, que assim fizesse, quem havia experimentado os arrojos do zeloso peito duma rainha. (…) Acercaram-se os religiosos, e, um deles, que por seu modo parecia português, saudando-a na sua língua materna, lhe perguntou a causa da sua aflição e pena”. Depois de saberem dos temores da nobre viajante, tranquilizaram-na os dois frades e falaram-lhe da fundação da Ordem da Imaculada Conceição. E, assim, foram conversando durante a viagem para Toledo. Mas tal como os discípulos de Emaús, também os dois frades desapareceram aos olhos de Beatriz e da sua comitiva, quando esta insistiu com eles, para que partilhassem com ela a ceia na próxima pousada. Este encontro deixou-lhe na alma uma grande consolação e abriu-lhe o entendimento às realidades sobrenaturais e compreendeu que os seus companheiros de viagem eram Santo António de Lisboa e São Francisco de Assis. Em São Domingos “O Real” “Florescia em todas as virtudes, era tida por santa e obrava milagres”. Depois do sucedido e, com a autorização da rainha, Beatriz, retirou-se para a cidade de Toledo, onde viveu, voluntariamente, em completo encerramento, no Convento Dominicano de São Domingos O Real, ou O Antigo. Ali passou trinta longos anos, como senhora de piso, longe de tudo e de todos os seres queridos e totalmente desprendida das vaidades terrenas e desejos mundanos. E, como a formosura do seu rosto foi a causa de tantas discórdias na corte, cobriu o rosto com um véu branco durante o resto da sua vida, salvo em raríssimas excepções. No mar, o navio é presa fácil do risco dos ventos, se, porém, chegar a um calmo e tranquilo porto, já não teme calamidades, mas está seguro. Também Beatriz, enquanto se encontrou no meio dos homens, contou com tribulações, riscos e embates contra a sua sensibilidade. Mas, ao chegar ao porto do silêncio, para ela preparado, não mais teve medo, e entrega-se toda nas mãos de Deus, confiando no Seu amor sem medida. Não fazia parte das religiosas que compunham a comunidade, mas, ali vivia como uma delas, em completa vida de clausura. Como nos canta soror Catarina: Beatriz “Florescia em todas as virtudes e comia parcamente, que era tida por santa e obrava milagres, que se distinguiu sempre por sua humildade e obediência às superioras” do dito Convento de São Domingos O Real e a sua vida era verdadeiramente exemplar. Das rendas, que possuía, reservava uma moderada parte para o tratamento, e decência da sua pessoa, e, tudo o mais, o gastava em esmolas e Deus. E só pela entrega total de si mesmo se entra neste caminho de perfeição e de união com Deus. Contudo, quem diz “entrega total”, diz “renúncia total”. Deus de todos espera o desapego completo de tudo o que não seja Ele. O mais pequeno vínculo impede a alma de levantar voo. Por isso, é urgente perder tudo, para ganhar O Tudo. É urgente entregar tudo o que temos e somos sem hesitação. O mercador de pérolas do Evangelho, vendeu todos os seus bens para comprar a pérola mais fina que tivera a sorte de encontrar. Beatriz, por sua vez, renunciou à sua luminosa beleza, à sua posição social, à sua fortuna e à possibilidade de fazer um casamento invejável, aos olhos do mundo, para se fechar num Convento, onde nem sequer era freira. Assim, sem vínculo nenhum, poderia levantar voo e voar na imensidão do amor de Deus e saciar a sua sede na fonte da Água Viva. Preparando-se desta forma, para a Obra a que fora destinada pela Imaculada. A espera “…mantinha-se simplesmente à escuta do que Deus lhe ordenava”. A nós, que vemos os acontecimentos no seu aspecto meramente exterior, sem muitas vezes, poderem apreender-se as realidades profundas que essas aparências encobrem, parecerá incompreensível esta demora tão grande em realizar planos que se sabia serem divinos. Que significavam tantos anos de aparente inacção, segundo os nossos juízos? Que fazia Beatriz da Silva e Meneses em São Domingos O Real, onde, nem sequer era religiosa? Porque esperava? Ora, tais circunstâncias, levam-nos a crer que ela se mantinha simplesmente à escuta do que Deus lhe ordenava. Ia-se exercitando na conquista de uma das virtudes mais difíceis de praticar quando se deseja um bem que tarde em vir; a paciência, na perfeita conformidade com a Vontade de Deus. “Poucas vezes uma fundadora terá sido preparada tão profunda e prolongadamente para a sua missão carismática” Quando ela atingiu o grau de perfeição na virtude requerido para empreendimento tão sublime, corria o ano de 1484, recebeu então a ordem aguardada durante trinta longos anos entre os muros de São Domingos “O Real”. E logo se seguiu um período de intensa actividade, a esses longos anos vividos na obscuridade e no silêncio do claustro. Os preparativos “Com a sua admirável generosidade, passou a dar-se sem reservas, ao cumprimento da missão que Deus lhe confiava”. Dizem os biógrafos da Santa fundadora, que lhe apareceu outra vez a Mãe de Deus, tornando a mostrar-lhe como haveria de ser o hábito que trariam vestido as suas religiosas, pois, já o havia feito, a quando da visão no cofre em Tordesilhas, e, ainda, para lhe dizer que tinha chegado o tempo de pôr mãos à realização da Obra. Tinha soado a hora para a qual Beatriz da Silva orientara o curso de toda a sua vida, na qual concentrara todos os seus esforços e, para a qual, dirigira todas as suas aspirações. Urgia, agora, dedicar à realização da sua Obra todas as forças e o tempo que lhe restava viver na terra. Com a sua admirável generosidade, passou a dar-se sem reservas, ao cumprimento da missão que Deus lhe confiava. Finalmente, o sonho que iluminara toda a sua vida, o desejo que o seu coração acalentava de espalhar pelo mundo a devoção à Imaculada Conceição, e honrar através da sua futura Ordem, este mistério tão grande e tão sublime, começava a realizar-se e a criar forma. A fundação “Terão como carisma próprio o da Imaculada Conceição”. Ajudada pela rainha Isabel “a Católica”, que lhe deu os palácios chamados de Galiana, por terem outrora pertencido à princesa Galiana, filha de um rei mouro que os mandara construir propositadamente para esta sua filha, bem como a Igreja de Santa Fé, situada junto ao Palácio de Galiana. Beatriz deixa o Convento de São Domingos O Real, onde viveu 30 longos anos, para se instalar com mais doze donzelas de muita virtude e nobreza, no local que a rainha lhes oferecera. Entrou com grande alegria nessa casa tão desacomodada e, logo, deu ordens para que se fizessem as obras necessárias e conveniente para a transformar num Convento de religiosas contemplativas de clausura, começando por arranjar a Igreja. Tanto que, logo que se instalaram no seu Convento de Santa Fé, e, provido este, do essencial para a vida comunitária contemplativa, ordenou a santa fundadora o modo de viver que haviam de guardar ela e suas filhas e, composta a Regra, a enviar ao Sumo Pontífice Inocêncio VIII com petição da rainha Isabel “a Católica” para que Sua Santidade aprovasse esta Ordem com o título da Imaculada Conceição, bem como a Regra, o modo de rezar e de vestir (o hábito). Foi, por meio de um «estranho» mensageiro, que a fundadora soube que, Roma tinha expedido a Bula de aprovação da Ordem. Contudo, mais tarde, chega a notícia de que o navio que transportava a Bula de aprovação, tinha naufragado. Beatriz comunicou o facto à rainha, e só teve uma ideia: pôr-se a rezar. Ao fim de três dias, aparece a Bula num cofre do Convento. Como aconteceu este «prodígio»? A verdade é que, hoje, a dita Bula se encontra no Convento de Toledo. Inocêncio VIII tinha dito sim ao pedido de Beatriz, com o apoio da rainha Católica. Estava a Bula dirigida ao bispo de Coria e Catânia, e ao Vigário de Toledo, para «executar a Bula» em 1491. A Bula papal cita expressamente a rainha Isabel e soror Beatriz, a quem autoriza a fundar um Convento, de clausura. Segundo palavras de Sua Santidade: Nos foi humildemente suplicado que se dignasse a Nossa Benignidade Apostólica erigir na referida casa um Mosteiro de Monjas, sob a invocação da Imaculada Conceição. Beatriz gozaria da dignidade de Abadessa, e a casa teria campanário, dormitório, refeitório, hortas e outras oficinas, na qual vivam as religiosas em comunidade sob a regular observância e perpétua clausura. E dá poder à Abadessa para que possa formar estatutos e ordenanças. Vestirão de branco, com manto cor (azul) celeste, e, «no manto e escapulário, tragam fixa a imagem da Virgem Maria, e se cinjam com uma corda de cânhamo, à maneira dos Frades Menores». Terão como carisma próprio o da Imaculada Conceição. A Bula «Inter Universa» está datada de 30 de Abril de 1489, quinto ano do Pontificado de Inocêncio VIII. É esta, certamente, a autorização solene, oficial e pontifícia para a Fundação. E, finalmente, no antigo palácio, de uma princesa moura, tem o seu berço a Ordem da Imaculada Conceição, melhor dizendo, começam a escrever-se com letras de luz, silêncio e oração as glórias da Imaculada Conceição. A passagem “…no ocaso da vida tudo passa, só Deus fica e o que por Ele tivermos feito”. Seis anos passaram estas almas desejosas de uma entrega radical, à espera que lhes chegasse a aprovação de Roma. Quando esta, finalmente chega, a Obra começa a desenvolver-se em pleno. No entanto, um novo sacrifício lhes estava reservado. Tinha já sido marcada pelo Bispo de Toledo, a festa das profissões, de Beatriz e das suas doze companheiras, quando a Santíssima Virgem de novo lhe aparece dizendo-lhe: – “Dentro de dez dias virei buscar-te porque não é vontade de Meu Filho que gozes aqui na terra o que tanto desejastes”. Duro golpe difícil de compreender, mas que Beatriz aceita com o coração em festa, como através de toda a sua vida aceitou sempre qualquer manifestação da Vontade do Pai Eterno. E nisto consistiu precisamente o segredo de toda a sua santidade, pois, só no cumprimento da vontade de Deus, reside o segredo da santificação de qualquer alma. Fora desta vontade não há santificação possível. Efectivamente, no dia preciso em que estava marcada a festa do início da Ordem, Beatriz voou para o Céu, tendo, antes, recebido o hábito branco e azul, como a Senhora lhe tinha indicado, e feito nas mãos de um sacerdote Franciscano, a sua Profissão Religiosa. Morria assim, como uma verdadeira Concepcionista. A noite da sua vida passara. Tinha sido uma noite de lutas e sofrimentos em que venceu, é certo, mas que, para isso, teve de lutar denodadamente. Tudo agora findava, melhor, tudo agora começava, e morria feliz, pois, como diz o autor, “no ocaso da vida tudo passa, só Deus fica e o que por Ele tivermos feito”. É que, na eternidade seremos julgados, não tanto pelo muito que fizemos ou possuímos, mas pelo muito que amámos. E Beatriz viveu uma vida intensa de amor e de entrega total a Deus. A estrela “…do seu rosto saiam raios de luz e uma estrela luminosa fixou-se-lhe na testa e ali permaneceu até que soltou o último suspiro”. No momento da sua morte há um pormenor que não pode ser esquecido. Desde que saíra da Corte de Tordesilhas, Beatriz cobria o seu belíssimo rosto com um véu branco a fim de ocultar, aos olhos de todos, a sua grande beleza que fora causa de tantos desgostos e dissabores. E, assim, viveu os cerca de trinta anos que durou a sua vida retirada no Convento de S. Domingos “O Real”, e depois já no seu Convento definitivo. No momento derradeiro, ao levantarem-lhe o véu para lhe ser administrado o sacramento da Unção dos Enfermos, todos viram, com assombro, que, do seu rosto, saiam raios de luz que iluminaram todo o aposento em que se encontravam, e uma estrela luminosa fixou-se-lhe na testa e ali permaneceu até que soltou o último suspiro. E é este o motivo pelo que a imagem da santa de Campo Maior se representa com uma estrela na fronte. Esta significa, certamente, a luz que ela irradiou então e que continua, ainda hoje, a irradiar ao longo destes cinco séculos que nos separam já da sua morte, ocorrida em Toledo no dia 9 de Agosto de 1492. Luz que brota do testemunho de vida de Beatriz, que “…toda se abandonou à vida de santidade…” e das suas filhas, que encerradas nos seus Conventos seguem as pisadas da sua mãe e mestra, vivendo os rigores do evangelho. Depois da morte “…todas viviam unidas, «num só coração e numa só alma»”. Como nos conta Soror Catarina: “Logo que a serva de Deus expirou pensaram as religiosas de São Domingos levar para o seu Convento, não só as doze religiosas, porque não haviam professado e ficavam sem Madre, senão também o venerável corpo da Fundadora, porque, tendo vivido tantos anos com elas, julgavam que lhes pertencia; e, nesta ideia, começaram a fazer diligências, levando em seu auxílio alguns religiosos da sua Ordem para conseguirem levar a cabo a sua empresa, e, por conseguinte, para que a casa e Ordem da Imaculada Conceição ficasse desfeita. Não era porém essa a vontade do Senhor, que constantemente velava pelas suas servas; e não queria que desaparecessem de sobre a terra; e, por isso, mais uma vez as ilustrou com um novo milagre, como foi o aparecimento da Santa Fundadora a frei João de Tolosa.” Antes, mesmo, da chegada de frei João de Tolosa já os religiosos franciscanos de Toledo haviam impedido que o corpo de Beatriz da Silva fosse levado pelas religiosas de São Domingos “O Real” e o sepultaram na Igreja de Santa Fé, junto às suas filhas. Contudo, as religiosas de São Domingos não desarmaram e, visto que, não tinham conseguido os restos mortais da fundadora, pelo menos, achavam-se no direito de reclamar para si as doze jovens que faziam parte da comunidade de Beatriz, argumentando que estas ainda não tinham tomado hábito nem feito votos. Foi, neste contexto, que frei João de Tolosa veio encontrar as jovens discípulas de Beatriz da Silva. Imediatamente este ilustre franciscano fez desistir dos seus intentos as religiosas de São Domingos “O Real” e marcou, para dentro de oito dias, a tomada de hábito e a profissão religiosa das doze valorosas filhas de Beatriz. Tendo sido nomeada para Abadessa soror Filipa da Silva, sobrinha da fundadora. Contudo, não ficaram por aqui as dificuldades por que teve de passar a jovem comunidade Concepcionista. As religiosas Beneditinas do Mosteiro de São Pedro das Donas haviam decaído um pouco no fervor primitivo da sua Santa Beatriz da Silva, Fundadora da Ordem da Imaculada Conceição em 1484 com ajuda de Isabel, a Católica aprovada em 1489 – V Centenário 1989 Ordem. Por isso, o Reformador Geral de todas as Ordens no Reino de Castela, frei Francisco de Cisneros, ordenou que o Convento de Santa Fé e o Mosteiro de São Pedro das Donas se juntassem num só. Passando as religiosas de Santa Fé a viver no Mosteiro de São Pedro das Donas. Por outro lado, por breve do Papa Alexandre VI as monjas das Donas passavam a vestir o hábito da Ordem da Imaculada Conceição e adoptavam a forma de viver desta jovem Ordem. E ainda, deveria a Abadessa de São Pedro das Donas renunciar ao seu cargo em favor de Madre Filipa da Silva que passaria a ser a Abadessa da nova comunidade. No entanto, as mudanças não foram fáceis, pois, graves divisões surgiram na comunidade, que, por três vezes, esteve à beira da extinção, devido às reforma implantadas por Madre Filipa da Silva e que, desagradaram muito às antigas religiosas de São Pedro por não aceitarem que uma Ordem mais nova, viesse impor a uma Ordem mais antiga correcções e tradições. A tal ponto chegou a situação que, frei Francisco de Cisneros, à data, arcebispo de Toledo, esteve a ponto de ordenar se extinguisse de vez a Ordem da Imaculada Conceição. Não era esse, no entanto, o projecto de Deus que levou o ilustre prelado a fazer uma última tentativa para repor a unidade e a caridade no referido Convento. Para isso, dirigiu às religiosas do dito Convento, uma veemente exortação a que se apaziguassem. Conta-nos Soror Catarina que o arcebispo lhes falou com tão inspirado afecto que lhes abriu o coração e os pacificou de tal maneira que, as que haviam abandonado a comunidade, voltaram bastante emendadas, conformando-se todas numa só vontade e amor, transformando-se o Convento num autentico paraíso. E dava gosto, depois, ver o Convento da Imaculada Conceição, onde todas viviam unidas, “num só coração e numa só alma”. Depois destas duras provas, a Ordem da Imaculada Conceição entra num período de grande florescimento, tornando-se numa das maiores Ordens Religiosas femininas de vida contemplativa, da Igreja. A glorificação “…a Igreja sente necessidade e alegria em nos dizer que Beatriz da Silva, é Santa”. Ao longo da história, Deus suscita homens e mulheres que, compreendendo o único Absoluto, e que foram capazes de assumir atitudes de vida que, ainda hoje, têm lições de vida e de sabedoria. A vivência do Evangelho continua a gerar verdadeiros sábios em todas as épocas, que, com os seus exemplos e palavras, possuem uma força de persuasão que não vem dos livros, mas do Espírito Santo. Inteiramente abandonados à acção de Deus, os santos deixam-se conduzir pelo Espírito Santo por caminhos desconhecidos, até ao dom total de si mesmos. E foi o que aconteceu com Beatriz da Silva e Menezes, por isso mesmo, a Igreja sente necessidade e alegria em nos dizer que, fundadora da Ordem da Imaculada Conceição, faz parte deste grupo de obras-primas da criatividade do Espírito Santo e que nunca se repetem, que são os Santos. E fá-lo oficialmente, quando o Papa Pio XI a 28 de Julho de 1926 a beatifica e a 3 de Outubro de 1976, o papa Paulo VI a canoniza. Fotos: santiebeati.it | Fonte: santabeatrizdasilva.com Leia também: .: Santo do Dia – 16 de Agosto – São Roque .: Santo do Dia – 18 de Agosto – Santa Helena

  • Terceiro Dia da Quaresma de São Miguel

    Reze os 40 dias conosco! Como sugestão, além do roteiro que disponibilizamos abaixo, convidamos a todos para rezar o Rosário com o Frei Gilson ou Instituto Hesed , todos os dias às 4h da manhã ou no horário que tiver possibilidade: Aqueles que preferirem podem rezar a versão resumida: É costume que a Quaresma de São Miguel seja rezada diariamente, entre 15 de agosto e 29 de setembro , quando se celebra a festa deste Santo Arcanjo. Mas ela também pode ser feita em qualquer outra época do ano, por um período de 40 dias. Esta devoção deve-se a São Francisco de Assis, que sempre fazia orações especiais a São Miguel, quarenta dias antes da festa do Arcanjo (29 de Setembro). Foi difundida através dos seus discípulos, que o imitavam nessa devoção e recebiam graças. E, até hoje, temos esse belíssimo costume de consagrar as nossas vidas a São Miguel. Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Por se tratar de uma devoção privada , os fiéis que a praticam são livres para adotar as orações de sua preferência. As preces a seguir são mais uma sugestão de roteiro do que um rito fixo e imóvel, e costumam ser rezadas em frente a uma escultura ou estampa de São Miguel, e com uma vela benta acesa em sua honra. Também é hábito que se una a essas orações a prática de alguma penitência especial ao longo de toda a quarentena. Aos que praticam essa devoção em família, talvez valha a pena baixar este arquivo em formato pdf , com as orações em latim e português, e fazer uma impressão dele para esses dias. No final do artigo é possível baixar outros arquivos que ajudarão a viver bem a Quaresma de São Miguel. Baixe o roteiro de oração em formato pdf Aos que desejarem conhecer mais e melhor essa prática, sua origem e seu significado espiritual, recomendamos que assistam aos seguintes programas “Ao vivo com Pe. Paulo”, sobre esse tema: O que é necessário? Antes de tudo, termos os devidos cuidados para não cairmos em superstição. A superstição é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Então, o nosso coração deve estar reconciliado com Deus e cheio de bons propósitos, para isso faça um breve exame de consciência. Após esta breve análise da sua vida, faça um altar com uma imagem de São Miguel (pode ser estátua ou de papel), colocando velas ou lamparinas bentas, e flores para enfeitar. Durante a Quaresma, faça penitências, jejuns e abstinências e uma boa confissão. Leia também Sugestões de penitências e mortificações na quaresma Durante todos os dias da quaresma de São Miguel, faça o Sinal da Cruz, se possível acenda uma vela, diga a sua intenção particular – por si ou por alguém – e reze as orações abaixo, e no dia 29 de Setembro procure participar da Festa de São Miguel com a Santa Missa. 1. Sinal da cruz . — Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 2. Pequeno exorcismo de Leão XIII . — São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate. Cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o Deus, instantemente o pedimos; e vós, príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno Satanás e os outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém. 3. Ladainha de São Miguel Arcanjo ( versão latina aqui ): Senhor, tende piedade de nós . Jesus Cristo, tende piedade de nós . Senhor, tende piedade de nós . Cristo, ouvi-nos . Cristo, atendei-nos . Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós . Filho redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós . Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós . Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós . Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós . São Miguel, rogai por nós . São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai … São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, São Miguel, coroado de honra e de glória, São Miguel, poderosíssimo príncipe dos exércitos do Senhor, São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, São Miguel, guardião do Paraíso, São Miguel, guia e consolador do povo israelita, São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante, São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante, São Miguel, luz dos anjos, São Miguel, baluarte dos cristãos, São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da cruz, São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, São Miguel, socorro muito certo, São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, São Miguel, arauto da sentença eterna, São Miguel, consolador das almas que estão no Purgatório, São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas depois da morte, São Miguel, nosso príncipe, São Miguel, nosso advogado, rogai por nós . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós . Rogai por nós, ó glorioso São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo, para que sejamos dignos de suas promessas . Oremos : Senhor Jesus, santificai-nos por uma bênção sempre nova e concedei-nos, pela intercessão de São Miguel, essa sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas do céu e a trocar os bens do tempo presente pelos da eternidade. Vós que viveis e reinais em todos os séculos dos séculos. Amém. 4. Consagração a São Miguel Arcanjo . — Ó Príncipe nobilíssimo dos Anjos, valoroso guerreiro do Altíssimo, zeloso defensor da glória do Senhor, terror dos espíritos rebeldes, amor e delícia de todos os Anjos justos, meu diletíssimo Arcanjo São Miguel, desejando eu fazer parte do número dos vossos devotos e servos, a vós hoje me consagro, me dou e me ofereço e ponho-me a mim próprio, a minha família e tudo o que me pertence, debaixo da vossa poderosíssima proteção. É pequena a oferta do meu serviço, sendo como sou um miserável pecador, mas vós engrandecereis o afeto do meu coração; recordai-vos que de hoje em diante estou debaixo do vosso sustento e deveis assistir-me em toda a minha vida e obter-me o perdão dos meus muitos e graves pecados, a graça de amar a Deus de todo coração, ao meu querido Salvador Jesus Cristo e a minha Mãe Maria Santíssima. Obtende-me aqueles auxílios que me são necessários para obter a coroa da eterna glória. Defendei-me dos inimigos da alma, especialmente na hora da morte. Vinde, ó príncipe gloriosíssimo, assistir-me na última luta e com a vossa arma poderosa lançai para longe, precipitando nos abismos do inferno, aquele anjo quebrador de promessas e soberbo que um dia prostrastes no combate no Céu. São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate para que não pereçamos no supremo juízo. 5. Oração final . — Levanta-se Deus, pela intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, São Miguel Arcanjo e todas as milícias celestes; sejam dispersos os seus inimigos e fujam de sua face todos os que o odeiam. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 6. Oração “Augusta Rainha” . — Augusta Rainha dos céus, soberana mestra dos Anjos, Vós que, desde o princípio, recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, nós vo-lo pedimos humildemente, enviai vossas legiões celestes para que, sob vossas ordens, e por vosso poder, elas persigam os demônios, combatendo-os por toda a parte, reprimindo-lhes a insolência, e lançando-os no abismo. Quem é como Deus? Ó Mãe de bondade e ternura, Vós sereis sempre o nosso amor e a nossa esperança. Ó Mãe divina, enviai os Santos Anjos para nos defenderem, e repeli para longe de nós o cruel inimigo. Santos Anjos e Arcanjos, defendei-nos e guardai-nos. Amém. Notas Na liturgia atual, S. Gabriel e S. Rafael também são celebrados no dia 29 de setembro, quando se encerra essa devoção. Mas vale a pena recordar, aos amantes do rito tradicional, que no calendário antigo os três arcanjos eram festejados separadamente: Gabriel em 24 de março, véspera da Anunciação, e Rafael em 24 de outubro (ambas festas de 3.ª classe, o equivalente às nossas memórias ). São Miguel manteve o dia 29 de setembro, mas antes era honrado com uma festa de 1.ª classe (o equivalente às nossas solenidades ). Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Outros arquivos para baixar : Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (preto e branco) Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (colorido) Calendário da Quaresma de São Miguel Capelinha de São Miguel #QuaresmadeSãoMiguel

  • Terceiro Dia da Quaresma de São Miguel

    Reze os 40 dias conosco! Como sugestão, além do roteiro que disponibilizamos abaixo, convidamos a todos para rezar o Rosário com o Frei Gilson ou Instituto Hesed , todos os dias às 4h da manhã ou no horário que tiver possibilidade: Aqueles que preferirem podem rezar a versão resumida: É costume que a Quaresma de São Miguel seja rezada diariamente, entre 15 de agosto e 29 de setembro , quando se celebra a festa deste Santo Arcanjo. Mas ela também pode ser feita em qualquer outra época do ano, por um período de 40 dias. Esta devoção deve-se a São Francisco de Assis, que sempre fazia orações especiais a São Miguel, quarenta dias antes da festa do Arcanjo (29 de Setembro). Foi difundida através dos seus discípulos, que o imitavam nessa devoção e recebiam graças. E, até hoje, temos esse belíssimo costume de consagrar as nossas vidas a São Miguel. Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Por se tratar de uma devoção privada , os fiéis que a praticam são livres para adotar as orações de sua preferência. As preces a seguir são mais uma sugestão de roteiro do que um rito fixo e imóvel, e costumam ser rezadas em frente a uma escultura ou estampa de São Miguel, e com uma vela benta acesa em sua honra. Também é hábito que se una a essas orações a prática de alguma penitência especial ao longo de toda a quarentena. Aos que praticam essa devoção em família, talvez valha a pena baixar este arquivo em formato pdf , com as orações em latim e português, e fazer uma impressão dele para esses dias. No final do artigo é possível baixar outros arquivos que ajudarão a viver bem a Quaresma de São Miguel. Baixe o roteiro de oração em formato pdf Aos que desejarem conhecer mais e melhor essa prática, sua origem e seu significado espiritual, recomendamos que assistam aos seguintes programas “Ao vivo com Pe. Paulo”, sobre esse tema: O que é necessário? Antes de tudo, termos os devidos cuidados para não cairmos em superstição. A superstição é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Então, o nosso coração deve estar reconciliado com Deus e cheio de bons propósitos, para isso faça um breve exame de consciência. Após esta breve análise da sua vida, faça um altar com uma imagem de São Miguel (pode ser estátua ou de papel), colocando velas ou lamparinas bentas, e flores para enfeitar. Durante a Quaresma, faça penitências, jejuns e abstinências e uma boa confissão. Leia também Sugestões de penitências e mortificações na quaresma Durante todos os dias da quaresma de São Miguel, faça o Sinal da Cruz, se possível acenda uma vela, diga a sua intenção particular – por si ou por alguém – e reze as orações abaixo, e no dia 29 de Setembro procure participar da Festa de São Miguel com a Santa Missa. 1. Sinal da cruz . — Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 2. Pequeno exorcismo de Leão XIII . — São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate. Cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o Deus, instantemente o pedimos; e vós, príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno Satanás e os outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém. 3. Ladainha de São Miguel Arcanjo ( versão latina aqui ): Senhor, tende piedade de nós . Jesus Cristo, tende piedade de nós . Senhor, tende piedade de nós . Cristo, ouvi-nos . Cristo, atendei-nos . Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós . Filho redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós . Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós . Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós . Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós . São Miguel, rogai por nós . São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai … São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, São Miguel, coroado de honra e de glória, São Miguel, poderosíssimo príncipe dos exércitos do Senhor, São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, São Miguel, guardião do Paraíso, São Miguel, guia e consolador do povo israelita, São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante, São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante, São Miguel, luz dos anjos, São Miguel, baluarte dos cristãos, São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da cruz, São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, São Miguel, socorro muito certo, São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, São Miguel, arauto da sentença eterna, São Miguel, consolador das almas que estão no Purgatório, São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas depois da morte, São Miguel, nosso príncipe, São Miguel, nosso advogado, rogai por nós . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós . Rogai por nós, ó glorioso São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo, para que sejamos dignos de suas promessas . Oremos : Senhor Jesus, santificai-nos por uma bênção sempre nova e concedei-nos, pela intercessão de São Miguel, essa sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas do céu e a trocar os bens do tempo presente pelos da eternidade. Vós que viveis e reinais em todos os séculos dos séculos. Amém. 4. Consagração a São Miguel Arcanjo . — Ó Príncipe nobilíssimo dos Anjos, valoroso guerreiro do Altíssimo, zeloso defensor da glória do Senhor, terror dos espíritos rebeldes, amor e delícia de todos os Anjos justos, meu diletíssimo Arcanjo São Miguel, desejando eu fazer parte do número dos vossos devotos e servos, a vós hoje me consagro, me dou e me ofereço e ponho-me a mim próprio, a minha família e tudo o que me pertence, debaixo da vossa poderosíssima proteção. É pequena a oferta do meu serviço, sendo como sou um miserável pecador, mas vós engrandecereis o afeto do meu coração; recordai-vos que de hoje em diante estou debaixo do vosso sustento e deveis assistir-me em toda a minha vida e obter-me o perdão dos meus muitos e graves pecados, a graça de amar a Deus de todo coração, ao meu querido Salvador Jesus Cristo e a minha Mãe Maria Santíssima. Obtende-me aqueles auxílios que me são necessários para obter a coroa da eterna glória. Defendei-me dos inimigos da alma, especialmente na hora da morte. Vinde, ó príncipe gloriosíssimo, assistir-me na última luta e com a vossa arma poderosa lançai para longe, precipitando nos abismos do inferno, aquele anjo quebrador de promessas e soberbo que um dia prostrastes no combate no Céu. São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate para que não pereçamos no supremo juízo. 5. Oração final . — Levanta-se Deus, pela intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, São Miguel Arcanjo e todas as milícias celestes; sejam dispersos os seus inimigos e fujam de sua face todos os que o odeiam. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 6. Oração “Augusta Rainha” . — Augusta Rainha dos céus, soberana mestra dos Anjos, Vós que, desde o princípio, recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, nós vo-lo pedimos humildemente, enviai vossas legiões celestes para que, sob vossas ordens, e por vosso poder, elas persigam os demônios, combatendo-os por toda a parte, reprimindo-lhes a insolência, e lançando-os no abismo. Quem é como Deus? Ó Mãe de bondade e ternura, Vós sereis sempre o nosso amor e a nossa esperança. Ó Mãe divina, enviai os Santos Anjos para nos defenderem, e repeli para longe de nós o cruel inimigo. Santos Anjos e Arcanjos, defendei-nos e guardai-nos. Amém. Notas Na liturgia atual, S. Gabriel e S. Rafael também são celebrados no dia 29 de setembro, quando se encerra essa devoção. Mas vale a pena recordar, aos amantes do rito tradicional, que no calendário antigo os três arcanjos eram festejados separadamente: Gabriel em 24 de março, véspera da Anunciação, e Rafael em 24 de outubro (ambas festas de 3.ª classe, o equivalente às nossas memórias ). São Miguel manteve o dia 29 de setembro, mas antes era honrado com uma festa de 1.ª classe (o equivalente às nossas solenidades ). Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Outros arquivos para baixar : Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (preto e branco) Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (colorido) Calendário da Quaresma de São Miguel Capelinha de São Miguel #QuaresmadeSãoMiguel

  • Leigos se unem em Campanha pela Comunhão na Boca e de Joelhos

    Se a Eucaristia é o centro da nossa Fé, deve ser tratada com a maior dignidade. Leia a e assine a petição disponível no final da matéria. Na semana passada um Bispo negou a comunhão a uma moça pelo simples fato dela desejar receber Jesus Eucarístico da maneira mais digna e piedosa possível. Porém, pelo fato da comunhão na mão ser uma das bandeiras da Teologia da Libertação, Dom Mol que é um dos expoentes dessa ideologia nefasta, que já foi condenada pela Igreja em diversas oportunidades, negou a comunhão à jovem. Este gesto é repetido em muitas paróquias e dioceses no Brasil e além. Em nossas redes sociais promovemos enquetes perguntando aos fiéis como recebem a comunhão e o resultado foi de que mais de um dos fiéis desejariam receber a comunhão diretamente nos lábios e de joelhos, mas infelizmente são obrigados a receber a comunhão na mão. Mesmo sabendo que a Igreja proíbe com veemência essa atitude de negar a comunhão pelo simples fato do fiel desejar receber da maneira ordinária, que é de Joelhos e na Boca, muitos padres e até mesmo bispos infringem os documentos da Igreja acerca da liturgia, promovendo essa atitude rebelde e revolucionária dentro da Santa Missa. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos mostrou que menos de um terço dos católicos creem na presença real de Jesus na Eucaristia. A crise de Fé na Eucaristia acarreta uma crise maior ainda, a Apostasia da Igreja. Leia também: A Falta de Fé na Eucaristia e a Apostasia Isso significa que estamos presos em uma espiral que leva essa crise a crescer ainda mais, uma vez que, não somente muitos fiéis já não recebem catequese adequada, em função de pastores mal formados, fazendo com que não compreendam o verdadeiro significado da Eucaristia, mas evidencia principalmente o fato de que muitos de nossos pastores já não professam a Fé Católica, promovendo ideias contrárias à doutrina da Igreja, como a distribuição da Eucaristia para pessoas em adultério e sem o sacramento do matrimônio e até bênção para uniões homoafetivas, e atitudes como essa de perseguir aqueles que buscam conservar a tradição através dos atos de piedade. Foi neste contexto que diversos católicos se levantaram e fizeram a hashtag #comunhaonabocaedejoelhos ganhar destaque nas redes sociais. Inclusive diversos padres gravaram vídeos: O Centro Dom Bosco criou um abaixo assinado pedindo ao Santo Padre o Papa, ao Núncio Apostólico e aos Bispos do Brasil a volta da maneira mais digna de comungar que é diretamente na Boca e de Joelhos. Leia o conteúdo da petição e assine, logo abaixo: Depois de assinar, leia também: O que ainda não te contaram sobre a Comunhão na Mão Campanha pela Comunhão na Boca e de Joelhos #comunhaonabocaedejoelhos “A Sua Santidade Papa Francisco, Ao Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giambattista Diquattro, Aos Bispos de todo o Brasil, Para assinar este abaixo assinado, clique aqui. 👈 Considerando um dos episódios mais escandalosos da recente história da Santa Igreja Católica no Brasil, no qual o bispo auxiliar de Belo Horizonte, Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, negou a comunhão na boca e de joelhos para uma menina em sua Santa Missa de Crisma, humilhando-a publicamente na ocasião. Considerando que o mundo antigo presenciou duas modalidades de comunhão, na boca e na palma da mão. Sendo que a Santa Igreja Católica logo percebeu a superioridade da comunhão na boca pela sua maior reverência, realce da doutrina da presença real e pelo menor risco de perda dos fragmentos. Considerando que a Santa Igreja Católica começou a proibir a forma antiga de comungar na mão em todo o mundo, há 1400 anos. Sendo que, no Ocidente, a comunhão na boca e de joelhos foi a única forma de comungar existente desde o ano 800 até 1969. Considerando que o Papa Paulo VI não concordava com a comunhão na mão e que no documento Memoriale Domini (1969) o Santo Padre exorta aos “bispos, sacerdotes e fieis a que se submetam diligentemente à lei já vigente [sobre comunhão na boca] e outra vez confirmada.” Considerando que o documento Memoriale Domini (1969) concedeu o indulto à comunhão na mão por pressão das Conferências de nações rebeldes como Alemanha e Holanda, sendo que estas mesmas conferências continuam liderando o processo de ataques à Santa Igreja Católica, agora pressionando por “bênçãos” de pares homossexuais e pela “ordenação” de mulheres ou de homens casados. Considerando, por fim, que Deus tem o direito de receber toda a excelência das honras divinas também na hóstia consagrada. Sendo que o “direito” de escolha dos fiéis pela Comunhão na mão lesa o direito de máxima reverência a Nosso Senhor. Considerando todos os motivos expostos, nós que assinamos a presente petição, nos comprometemos com duas medidas, ao mesmo tempo em que estamos direcionando dois pedidos aos bispos do Brasil e à Sé Apostólica: 1. Comprometo-me, daqui em diante, em comungar da forma mais piedosa possível: a comunhão na boca e de joelhos, como sinal de adoração a Jesus Sacramentado. Só comungarei de pé apenas se vir a ter um problema de saúde que me impeça de ajoelhar. Neste caso, farei uma breve inclinação do tronco antes da comunhão. 2. Comprometo-me, na medida das possibilidades, de ensinar às pessoas sobre a necessidade de se comungar da forma que a Santa Igreja Católica sempre ensinou: a comunhão na boca e de joelhos. 3. Por meio desta missiva, pedimos filialmente à Sede Apostólica, e a cada bispo brasileiro em particular, que combata os abusos dos bispos e padres que proíbem a comunhão na boca e de joelhos. 4. Por fim, pedimos que seja restaurada a tradição bimilenar da Santa Igreja Católica. Isto implica no retorno da exclusividade do modo de comungar que melhor reflete a fé na doutrina da presença real e a disposição interna dos homens ao receber o sacramento: a comunhão na boca e de joelhos. Naturalmente, que seja permitida a comunhão em pé para os leigos com dificuldade de ajoelhar. Viva o Santíssimo Sacramento! Que Viva Cristo Rei! #comunhaonabocaedejoelhos” Para assinar este abaixo assinado, clique aqui. 👈 Depois de assinar, leia também: O que ainda não te contaram sobre a Comunhão na Mão #Comunhão #Comunhãonaboca #ComunhãonaMão #Eucaristia

  • Leigos se unem em Campanha pela Comunhão na Boca e de Joelhos

    Se a Eucaristia é o centro da nossa Fé, deve ser tratada com a maior dignidade. Leia a e assine a petição disponível no final da matéria. Na semana passada um Bispo negou a comunhão a uma moça pelo simples fato dela desejar receber Jesus Eucarístico da maneira mais digna e piedosa possível. Porém, pelo fato da comunhão na mão ser uma das bandeiras da Teologia da Libertação, Dom Mol que é um dos expoentes dessa ideologia nefasta, que já foi condenada pela Igreja em diversas oportunidades, negou a comunhão à jovem. Este gesto é repetido em muitas paróquias e dioceses no Brasil e além. Em nossas redes sociais promovemos enquetes perguntando aos fiéis como recebem a comunhão e o resultado foi de que mais de um dos fiéis desejariam receber a comunhão diretamente nos lábios e de joelhos, mas infelizmente são obrigados a receber a comunhão na mão. Mesmo sabendo que a Igreja proíbe com veemência essa atitude de negar a comunhão pelo simples fato do fiel desejar receber da maneira ordinária, que é de Joelhos e na Boca, muitos padres e até mesmo bispos infringem os documentos da Igreja acerca da liturgia, promovendo essa atitude rebelde e revolucionária dentro da Santa Missa. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos mostrou que menos de um terço dos católicos creem na presença real de Jesus na Eucaristia. A crise de Fé na Eucaristia acarreta uma crise maior ainda, a Apostasia da Igreja. Leia também: A Falta de Fé na Eucaristia e a Apostasia Isso significa que estamos presos em uma espiral que leva essa crise a crescer ainda mais, uma vez que, não somente muitos fiéis já não recebem catequese adequada, em função de pastores mal formados, fazendo com que não compreendam o verdadeiro significado da Eucaristia, mas evidencia principalmente o fato de que muitos de nossos pastores já não professam a Fé Católica, promovendo ideias contrárias à doutrina da Igreja, como a distribuição da Eucaristia para pessoas em adultério e sem o sacramento do matrimônio e até bênção para uniões homoafetivas, e atitudes como essa de perseguir aqueles que buscam conservar a tradição através dos atos de piedade. Foi neste contexto que diversos católicos se levantaram e fizeram a hashtag #comunhaonabocaedejoelhos ganhar destaque nas redes sociais. Inclusive diversos padres gravaram vídeos: O Centro Dom Bosco criou um abaixo assinado pedindo ao Santo Padre o Papa, ao Núncio Apostólico e aos Bispos do Brasil a volta da maneira mais digna de comungar que é diretamente na Boca e de Joelhos. Leia o conteúdo da petição e assine, logo abaixo: Depois de assinar, leia também: O que ainda não te contaram sobre a Comunhão na Mão Campanha pela Comunhão na Boca e de Joelhos #comunhaonabocaedejoelhos “A Sua Santidade Papa Francisco, Ao Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giambattista Diquattro, Aos Bispos de todo o Brasil, Para assinar este abaixo assinado, clique aqui. 👈 Considerando um dos episódios mais escandalosos da recente história da Santa Igreja Católica no Brasil, no qual o bispo auxiliar de Belo Horizonte, Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, negou a comunhão na boca e de joelhos para uma menina em sua Santa Missa de Crisma, humilhando-a publicamente na ocasião. Considerando que o mundo antigo presenciou duas modalidades de comunhão, na boca e na palma da mão. Sendo que a Santa Igreja Católica logo percebeu a superioridade da comunhão na boca pela sua maior reverência, realce da doutrina da presença real e pelo menor risco de perda dos fragmentos. Considerando que a Santa Igreja Católica começou a proibir a forma antiga de comungar na mão em todo o mundo, há 1400 anos. Sendo que, no Ocidente, a comunhão na boca e de joelhos foi a única forma de comungar existente desde o ano 800 até 1969. Considerando que o Papa Paulo VI não concordava com a comunhão na mão e que no documento Memoriale Domini (1969) o Santo Padre exorta aos “bispos, sacerdotes e fieis a que se submetam diligentemente à lei já vigente [sobre comunhão na boca] e outra vez confirmada.” Considerando que o documento Memoriale Domini (1969) concedeu o indulto à comunhão na mão por pressão das Conferências de nações rebeldes como Alemanha e Holanda, sendo que estas mesmas conferências continuam liderando o processo de ataques à Santa Igreja Católica, agora pressionando por “bênçãos” de pares homossexuais e pela “ordenação” de mulheres ou de homens casados. Considerando, por fim, que Deus tem o direito de receber toda a excelência das honras divinas também na hóstia consagrada. Sendo que o “direito” de escolha dos fiéis pela Comunhão na mão lesa o direito de máxima reverência a Nosso Senhor. Considerando todos os motivos expostos, nós que assinamos a presente petição, nos comprometemos com duas medidas, ao mesmo tempo em que estamos direcionando dois pedidos aos bispos do Brasil e à Sé Apostólica: 1. Comprometo-me, daqui em diante, em comungar da forma mais piedosa possível: a comunhão na boca e de joelhos, como sinal de adoração a Jesus Sacramentado. Só comungarei de pé apenas se vir a ter um problema de saúde que me impeça de ajoelhar. Neste caso, farei uma breve inclinação do tronco antes da comunhão. 2. Comprometo-me, na medida das possibilidades, de ensinar às pessoas sobre a necessidade de se comungar da forma que a Santa Igreja Católica sempre ensinou: a comunhão na boca e de joelhos. 3. Por meio desta missiva, pedimos filialmente à Sede Apostólica, e a cada bispo brasileiro em particular, que combata os abusos dos bispos e padres que proíbem a comunhão na boca e de joelhos. 4. Por fim, pedimos que seja restaurada a tradição bimilenar da Santa Igreja Católica. Isto implica no retorno da exclusividade do modo de comungar que melhor reflete a fé na doutrina da presença real e a disposição interna dos homens ao receber o sacramento: a comunhão na boca e de joelhos. Naturalmente, que seja permitida a comunhão em pé para os leigos com dificuldade de ajoelhar. Viva o Santíssimo Sacramento! Que Viva Cristo Rei! #comunhaonabocaedejoelhos” Para assinar este abaixo assinado, clique aqui. 👈 Depois de assinar, leia também: O que ainda não te contaram sobre a Comunhão na Mão #Comunhão #Comunhãonaboca #ComunhãonaMão #Eucaristia

  • A Falta de Fé na Eucaristia e a Apostasia

    Neste artigo o Padre José Eduardo faz uma alerta sobre a crise de Fé na Eucaristia. Seria ela um sintoma ou a causa da crise de Fé da Igreja? Uma leitura de proveito enorme para quem ama o Santíssimo Sacramento! Por Padre José Eduardo A doutrina católica sobre a Eucaristia remonta aos primeiros tempos do cristianismo, embora tenha sido dogmaticamente perfilada ao longo dos séculos, chegando à sua máxima expressão nos textos de São Tomás de Aquino. O Catecismo da Igreja Católica e os Catecismos anteriores recolheram exatamente essas mesmas definições. As rubricas litúrgicas, que vão desde as genuflexões até todos os gestos de cuidado para com as espécies consagradas chegam a detalhes carinhosos que não são outra coisa senão a expressão da fé da Igreja na presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento. Podemos dizer, portanto, que existe uma relação direta entre a fé e a piedade eucarística; e, paradoxalmente, que há também uma relação direta entre a crise de fé na Eucaristia e toda a falta de piedade que disso decorre. Por que precisamos dizê-lo? Por duas razões principais: porque é necessário não inverter o sintoma com a causa e porque é preciso rastrear a origem da causa para suprimir a patologia que adoece a fé, ao distanciar a nossa consciência daquilo que ensina a Igreja. Ora, podemos falar de uma crise de fé na Eucaristia? Como esta começou? Quais as suas origens? I. DIAGNÓSTICO DE UM PROBLEMA Com grande prudência e cuidado, o Papa Pio XII escrevia, na Encíclica “Mediator Dei”: “nem se diga que tal culto eucarístico provoca uma errônea confusão entre o Cristo histórico, como dizem, que viveu na terra, o Cristo presente no augusto sacramento do altar, e o Cristo triunfante no céu e dispensador de graças; deve-se, pelo contrário, afirmar que, desse modo, os fiéis testemunham e manifestam solenemente a fé da Igreja, com a qual se crê que um e idêntico é o Verbo de Deus e o Filho de Maria virgem, que sofreu na cruz, que está presente e oculto na Eucaristia, e que reina no céu” (n. 120). O Papa São Paulo VI, com muita preocupação e, segundo suas próprias palavras, com “grande ansiedade”, escreveu, em sua Encíclica “Mysterium fidei”: “Bem sabemos que, entre os que falam e escrevem sobre este Sacrossanto Mistério, alguns há que, a respeito das missas privadas, do dogma da transubstanciação e do culto eucarístico, divulgam opiniões que perturbam o espírito dos féis, provocando notável confusão quanto às verdades da fé, como se fosse lícito, a quem quer que seja, passar em silêncio a doutrina já definida da Igreja ou interpretá-la de tal maneira, que percam o seu valor o significado genuíno das palavras ou o alcance dos conceitos. “Não é lícito, só para aduzirmos um exemplo, exaltar a Missa chamada ‘comunitária’, a ponto de se tirar a sua importância à Missa privada; nem insistir tanto sobre o conceito de sinal sacramental, como se o simbolismo que todos, é claro, admitimos na Sagrada Eucaristia, exprimisse, única e simplesmente, o modo da presença de Cristo neste sacramento; ou ainda discutir sobre o mistério da Transubstanciação sem mencionar a admirável conversão de toda a substância do pão no corpo e de toda a substância do vinho no sangue de Cristo, conversão de que fala o Concílio Tridentino; limitam-se apenas à transignificação e transfinalização, conforme se exprimem. Nem é lícito, por fim, propor e generalizar a opinião que afirma não estar presente Nosso Senhor Jesus Cristo nas hóstias consagradas que sobram, depois da celebração do Sacrifício da Missa” (nn. 10-11). O mesmo Papa refere um testemunho importante, do século II: “os fiéis julgavam-se culpados, e com razão, conforme lembra Orígenes, se, recebendo o Corpo do Senhor e conservando-o com a maior cautela e veneração, apesar disso deixavam cair algum fragmento” (n. 60). São João Paulo II, na Encíclica “Ecclesia de Eucharistia” também indica os mesmos problemas: “A par destas luzes, não faltam sombras, infelizmente. De fato, há lugares onde se verifica um abandono quase completo do culto de adoração eucarística. Num contexto eclesial ou outro, existem abusos que contribuem para obscurecer a reta fé e a doutrina católica acerca deste admirável sacramento. Às vezes transparece uma compreensão muito redutiva do mistério eucarístico. Despojado do seu valor sacrificial, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesa. Além disso, a necessidade do sacerdócio ministerial, que assenta na sucessão apostólica, fica às vezes obscurecida, e a sacramentalidade da Eucaristia é reduzida à simples eficácia do anúncio. Aparecem depois, aqui e além, iniciativas ecumênicas que, embora bem-intencionadas, levam a práticas na Eucaristia contrárias à disciplina que serve à Igreja para exprimir a sua fé. Como não manifestar profunda mágoa por tudo isto? A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções” (n. 10). E a fé se manifesta no cuidado até os mínimos detalhes: “Dando à Eucaristia todo o realce que merece e procurando com todo o cuidado não atenuar nenhuma das suas dimensões ou exigências, damos provas de estar verdadeiramente conscientes da grandeza deste dom. A isto nos convida uma tradição ininterrupta desde os primeiros séculos, que mostra a comunidade cristã vigilante na defesa deste ‘tesouro’. Movida pelo amor, a Igreja preocupa-se em transmitir às sucessivas gerações cristãs a fé e a doutrina sobre o mistério eucarístico, sem perder qualquer fragmento. E não há perigo de exagerar no cuidado que lhe dedicamos, porque, ‘neste sacramento, se condensa todo o mistério da nossa salvação’” (n. 61). Ora, os Papas diagnosticaram uma espécie de “crise eucarística” e procuraram dar o remédito para ela. Mas, qual a raiz deste problema? II. ORIGENS TEOLÓGICAS DA “CRISE EUCARÍSTICA” As heresias dos reformadores acerca deste Sacramento produziram a defesa dogmática que, depois do Concílio de Trento, se tornou ainda mais firme. Foram nos últimos séculos que, graças à influência do protestantismo liberal, novas ameaças começaram a pairar sobre este sacramento. Precisamos proceder por partes. O abuso do método histórico-crítico na leitura da Sagrada Escritura Gerhard Hasel, em seu livro “Teologia do Antigo Testamento”, explica as fases que os estudos bíblicos tiveram no protestantismo. Segundo ele, “o principio protestante ‘sola Scriptura’, que se transformou no grito de guerra da Reforma contra a teologia escolástica e a tradição eclesiástica, preparou o terreno para o desenvolvimento subsequente da teologia bíblica através de sua conclamação à ‘livre interpretação’ das Escrituras” (p. 13). Um segundo momento seria o originado pelo pietismo. “O retorno ao domínio da Bíblia, característica do pietismo alemão, deu novo curso à teologia bíblica. Nesse movimento, esta tornou-se um instrumento de reação à árida ortodoxia protestante’. Philipp Jacob Spener (1635-1705), um dos pais do pietismo, combateu o escolasticismo protestante munido da ‘teologia bíblica’” (p. 14). A partir daí, ele narra com grandeza de detalhes como a teologia bíblica se foi independentizando da dogmática até que chega um momento decisivo, no final do século XVIII: “O neólogo e racionalista Johann Philipp Gabler (1753-1826), que nunca escreveu ou mesmo pretendeu escrever uma teologia bíblica, contribuiu de forma decisiva e marcante para o desenvolvimento da nova disciplina, com sua palestra de abertura na Universidade de Altdorf, em 30 de março de 1787. Esse ano marcou para a teologia bíblica o início de seu papel de disciplina exclusivamente histórica, totalmente independente da dogmática. Gabler dá sua famosa definição: ‘A teologia bíblica possui um caráter histórico: ela transmite o que os escritores sacros pensavam de temas divinos; já a teologia dogmática possui um caráter didático: e transmite as ponderações filosóficas de determinado teólogo acerca de temas divinos, levando em conta sua capacidade, época e região em que viveu, e orientação ou escola, entre outras coisas’” (pp. 17-18). A partir daí, Hasel traça todo o caminho pelo qual a crítica histórica se tornará cada vez mais hegemônica até que aconteça o processo inverso: uma vez tendo se independentizado da dogmática, as ciências bíblicas quererão construir uma própria teologia a partir de suas novas suposições. O método histórico-crítico, portanto, não é o problema em si, mas o abuso no seu uso passou a ser um problema na medida em que se pretendeu criar uma nova teologia. Novas teologias A tentação de se reconstruir a teologia depois do desmonte da Escritura é muito forte. Se Lutero havia semeado o veneno do “Sola Scriptura”, o processo subsequente fará com que a Escritura seja desmontada. Consequentemente, os teólogos não conseguirão resistir à tentação de refundar a teologia sobre as novas especulações bíblicas e até arqueológicas. O cristianismo, obviamente, é muito maior do que tudo isso. Como de algum modo reconhece Gabler, o cristianismo consiste na fusão entre a tradição Escriturística e a elaboração da Sagrada Tradição, recepcionante da síntese filosófica que aglutinou os maiores pensadores de todo o tempos, desde a filosofia até o direito. Nesse sentido, o cristianismo é a síntese mais elevada da história; e o marco epistemológico no qual se situa está muito além da pura e simples textualidade bíblica, pois, sem negá-la ou suprimi-la, assimila-a numa percepção concreta da realidade, em todos os seus níveis, físicos e metafísicos, naturais e sobrenaturais. Assim como a física moderna reduziu a realidade aos seus aspectos quantificáveis e a filosofia moderna, seguindo o seu encalço, reduziu a elaboração racional à percepção sensível ou às abstrações idealistas, os teólogos modernos reduziram a Teologia à crítica bíblico-histórica, ignorando todas as demais camadas da síntese teológica cristã. O resultado disso é que, desmanchada a teologia tradicional e reduzida a Escritura a um mero epifenômeno histórico, o dogma foi esvaziado num subjetivismo radical, condensado, num primeiro esforço, naquilo que o Papa São Pio X chamou de “modernismo”. Após a repressão dos anos posteriores à “Pascendi” do Papa Sarto, os modernistas recobraram novo fôlego e deram um passo a mais, rendendo-se às filosofias que, então, estavam na moda, como a fenomenologia, o existencialismo e o marxismo. Surgia, então, aquela que foi depreciativamente chamada de “Nova Teologia”, que abandonava aquilo que os seus autores consideravam como discussões meramente escolásticas e começaram a engajar-se nas especulações das filosofias contemporâneas e nas demandas das ciências sociais. Reféns da crítica histórica, esses autores deram pé àquilo que se convencionou chamar de “cristologia de baixo”, especialmente inspirada nos Evangelhos sinóticos, e que privilegiava uma abordagem humana de Jesus, a qual, sem negar explícitamente a sua divindade, tentava rastrear a práxis do “Jesus histórico”, aquém das “mitologizações” da Igreja primitiva, que, segundo eles, ornaram-no da áurea de divindade para tornar-se mais palatável aos poderes políticos da época. A interface litúrgico-sacramental dessa teologia O melhor de todos os teólogos que sintetizou o problema foi Rudolf Bultmann. Partindo da noção de “mito” na antiguidade, dos preconceitos racionalistas que negavam a priori a realidade do sobrenatural, da crítica histórico-textual das Escrituras e do existencialismo heideggeriano, criou uma teologia bíblica em que toda a Escritura é apresentada como construção mítica a ser desmitologizada pelo teólogo, em busca do seu núcleo fundamental. Como, por este caminho, a consequência seria a completa implosão da Igreja, Bultmann encontrou uma solução pitoresca. Valendo-se das cerimônias das religiões pagãs, que realizavam seus cultos cosmogônicos através da encenação, pensando que tais encenações reproduziam efetivamente a realidade, ele interpreta em chave dramatológica e simbólica a ação litúrgica; em outras palavras, se tudo é mito, na liturgia, a encenação do mito o torna presente, de algum modo real. “Assim como o batismo, também a ceia do Senhor foi derivada, segundo o modo de pensar dos mistérios, do destino do kyrios como fundamento instituinte; e especialmente da última ceia de Jesus com seus discípulos. É isso que dizem as palavras introdutórias de lCor 11,23: ‘O Senhor Jesus, na noite em que foi entregue…’ E assim Marcos transformou o relato da última ceia em relato etiológico de um culto, entrançando a liturgia eucarística num relato mais antigo da última ceia de Jesus como uma ceia pascal. No fundo, derivando a ceia cúltica da última ceia de Jesus, ele indica como sua verdadeira fundamentação a morte do Kyrios; pois corpo e sangue de Jesus, que são distribuídos por ele nessa ceia, naturalmente são (como o confirmam justamente os elementos interpretativos secundários), em misteriosa antecipação, corpo e sangue do crucificado, do sacrificado. Paulo deixa entrever isso claramente na frase por ele acrescentada em 1Cor 11,26: ‘pois todas as vezes que comerdes este pão e beberdes do cálice, anunciais a morte do Senhor’. Portanto, ele compreende a refeição eucarística como uma dramatização, nos moldes dos cultos de mistérios: a celebração representa a morte do Kyrios” (Bultmann, R., “Teologia do Novo Testamento”, Academia Cristã, Santo André: 2015, p. 201). Bultmann ilustra bem o fundamento dessa sua concepção do culto através do conceito de “espírito”, tomado desde uma perspectiva humanística: “Para ilustrar o que acabo de dizer, podemos tomar como exemplo a noção neotestamentária de ‘espírito’. Durante o Século XIX, as filosofias de Kant e Hegel exerceram uma profunda influência sobre os teólogos que modelaram suas concepções antropológicas e éticas a partir destas filosofias. Por conseguinte, a noção neotestamentária de ‘espírito’ foi concebida num sentido idealista, segundo a tradição do pensamento humanístico cuja origem se remonta à filosofia idealista grega. Considerava-se, pois, o ‘espírito’ como o poder da razão, no sentido amplo de um poder que atua, não só na lógica e no pensamento racional, senão também na ética, nos juízos morais e na conduta, como também no campo da arte e da poesia. (…) Graças a seus conhecimentos dos fenômenos psicológicos, os eruditos desta escola subtraíram algumas importantes ideias do Novo Testamento que até então haviam sido subestimadas ou passadas por alto. Reconheceram, por exemplo, a importância da piedade’ cultual e entusiástica, e das assembleias do culto; entenderam de um modo novo a noção de conhecimento que em geral não significa um conhecimento racional e teórico, senão uma intuição ou visão mística, uma união mística com Cristo” (Idem, “Jesus Cristo e Mitologia”, Novo Século, São Paulo: 203, pp. 38-39). Quando essa concepção do culto a partir da performance e da dramatização se encontraram com a mistagogia de Jean Danielou, a alquimia estava feita. Em sua obra, “Bíblia e liturgia: a teologia bíblica dos sacramentos e das festas segundo os Padres da Igreja” (“Bibbia e liturgia: la teologia biblica dei sacramenti e delle feste secondo i Padri della Chiesa”, Societa Editrice Vita e Pensiero, Milano 1958), Danielou introduz uma nova perspectiva na teologia sacramentária: se antes esta se preocupava sobretudo com a forma sacramental incutida na matéria, agora ele deslocava essa preocupação para o significado da própria matéria sacramental, para, a partir deste, compor a sua análise dos sacramentos (aqui fundava-se a nova mistagogia que fez com que os ritos litúrgicos fossem muito mais abordados a partir da valorização dos símbolos para uma espécie de catequese de proveito subjetivo que propriamente da eficácia sacramental, como a Igreja fizera tradicionalmente). III. CONSEQUÊNCIAS DESSA ABORDAGEM Os novos mistagogos, encantados com os gestos celebrativos, com as novas possibilidades de criatividade simbólica em que abusaram da discreta abertura promovida pela reforma litúrgica, imbuídos de muita “cristologia de baixo” impostada na perspectiva do “Cristo libertador”, desmitologizado segundo os critérios bultmanianos e romantizado segundo os critérios revolucionários, hostilizaram radicalmente os gestos de adoração e piedade, segundo eles, ligados mais à liturgia tridentina. Genuflexões, decoro cultual, solenidade, delicadeza com as espécies eucarísticas, nobreza e simplicidade, dignidade hierática e esplendor foram violentamente substituídos por barbarismos grotescos: o discreto lavabo foi substituído por bacias de escalda-pés; os cálices dourados, por artefatos de barro, de madeira grosseira, quando não de vidro ou até plástico; os paramentos bem cortados, por andrajos imensos e desajeitados; o silêncio, por palmas e alaridos; a genuflexão, por movimentação burlesca e desabrida; a sacralidade, pela invasão do profano, desde as músicas até o linguajar etc. Os novos mistagogos diziam que os gestos têm que comunicar: lavar as mãos se faz com esfregões e toalhões; comungar é comer e beber, mastigar, rasgar o pão, partilhar; ungir é besuntar a pessoa inteirinha de óleo; batizar é mergulhar até submergir por completo, lavar, molhar a pessoa todinha… Mais do que a eficácia objetiva do sacramento, a qual, inclusive, é questionada, olha-se para a eficácia subjetiva, aquela que é condicionada pela compreensão do “símbolo”, pois essa é a única maneira de presentificar o mito, dentro de toda a lógica precedente. O quanto tudo isso seja suscetível à manipulação política da teologia da libertação, nem é necessário dizer. A coisa é autoexplicativa! Apenas é útil entendermos o background teológico por trás da intolerância para com práticas tradicionais. Com clareza meridiana, São Pio X já tinha dado o antídoto contra essas heresias: “Do culto não haveria muito que dizer, se debaixo deste nome não se achassem também os Sacramentos, a respeito dos quais muito erram os modernistas. Pretendem que o culto resulta de um duplo impulso; pois que, como vimos, pelo seu sistema, tudo se deve atribuir a íntimos impulsos. O primeiro é dar à religião, alguma coisa de sensível; o segundo é a necessidade de propagá-la, coisa esta que se não poderia realizar sem uma certa forma sensível e sem atos santificantes, que se chamam Sacramentos. Os modernistas, porém, consideram os Sacramentos como meros símbolos ou sinais, bem que não destituídos de eficácia. E para indicar essa eficácia, servem-lhes de exemplo certas palavras que facilmente vingam, por terem conseguido a força de divulgar certas ideias de grande eficácia, que muito impressionam os ânimos. E assim como aquelas palavras são destinadas a despertar as referidas ideias, assim também o são os Sacramentos com relação ao sentimento religioso; nada mais do que isto. Falariam mais claro afirmando logo que os Sacramentos foram só instituídos para nutrirem a fé. Mas esta proposição é condenada pelo Concílio de Trento” (Pascendi Dominici Gregis, n. 20). IV. RESTABELECENDO A VERDADE CATÓLICA No que diz respeito à Santíssima Eucaristia, mais do que o fato de que a matéria do sacramento faz com que ele seja repartível e comestível (palavra desagradável, mas que aqui eu uso apenas para descrever o significado imediato da manducação), a realidade do Sacramento é a Presença Real de Nosso Senhor Jesus Cristo, objetiva e independentemente da fé subjetiva de cada um. É a Ele, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo Encarnado, que tributamos o culto de latria, de adoração. Por isso nos ajoelhamos, genufletimos, reverenciamos com toda a dignidade e com todo preito. O conceito tomista de “transubstanciação” – que aos modernos cheira a aristotelismo ultrapassado, já que eles estão infectados do imanentismo kantiano – é apenas a terminologia técnica utilizada pela dogmática para garantir que não estamos comendo pão, mas comungando o próprio Senhor realmente, de tal modo que toda a substância do pão e do vinho se convertem na substância da Humanidade Santíssima de Cristo. É exatamente por isso que a então Congregação para Doutrina da Fé emitiu uma Declaração em 5 de fevereiro de 1972 esclarecendo que os fragmentos da Eucaristia devem ser devidamente respeitados e as normas para a purificação da patena e do cálice devem ser cuidadosamente seguidas (cf. De fragmentis Eucharisticis). Pelo mesmo motivo, a Santa Sé advertiu: “ponha-se especial cuidado em que o comungante consuma imediatamente a hóstia, na frente do ministro, e ninguém se desloque (retorne) tendo na mão as espécies eucarísticas. Se existe perigo de profanação, não se distribua aos fiéis a Comunhão na mão. A bandeja para a Comunhão dos fiéis se deve manter, para evitar o perigo de que caia a hóstia sagrada ou algum fragmento” (Redemptionis Sacramentum, nn. 92-93). Quando concedeu a faculdade de dar a comunhão na mão, a Congregação para o Culto Divino esclareceu que “é mister tomar cuidado com os fragmentos, para que não se percam, e instruir o povo a seu respeito. É preciso, também, recomendar aos fiéis que tenham as mãos limpas” (Carta, 5 de março de 1975) e, no mesmo espírito, a Presidência da CNBB enviou uma nota explicativa a todos os bispos do Brasil dizendo que “cada comungante trate de verificar se não ficou na palma na mão ou entre os dedos alguma parcela de pão consagrado (em caso positivo, deve consumi-la)”. Enfim, quando um fiel se sente incomodado de tomar a Comunhão nas mãos para que não se adira à palma dessas algum fragmento e prefere comungar na língua; ou quando se ajoelha, para manifestar a sua adoração de modo mais expressivo, a Igreja, em coerência com a sua doutrina, sempre lhe garantiu esse direito e, ademais, sempre assegurou ser esta a forma ordinária e habitual de se comungar. Contudo, quando tais princípios sacramentais são obscurecidos pelas ideologias teológicas acima mencionadas, que apregoam que a Eucaristia “não é para se adorar, mas para se comer”, chega a ser absurdo comungar de joelhos (quem é que come de joelhos?) e na boca (quem é que recebe comida na boca?). São sentimentos como estes, oriundos de uma longa história de desconstrução e reconstrução sobre outras bases, que norteiam o imaginário de muitos de nossos contemporâneos. Publicado originalmente no Facebook do Padre José Eduardo #Eucaristia

  • A Falta de Fé na Eucaristia e a Apostasia

    Neste artigo o Padre José Eduardo faz uma alerta sobre a crise de Fé na Eucaristia. Seria ela um sintoma ou a causa da crise de Fé da Igreja? Uma leitura de proveito enorme para quem ama o Santíssimo Sacramento! Por Padre José Eduardo A doutrina católica sobre a Eucaristia remonta aos primeiros tempos do cristianismo, embora tenha sido dogmaticamente perfilada ao longo dos séculos, chegando à sua máxima expressão nos textos de São Tomás de Aquino. O Catecismo da Igreja Católica e os Catecismos anteriores recolheram exatamente essas mesmas definições. As rubricas litúrgicas, que vão desde as genuflexões até todos os gestos de cuidado para com as espécies consagradas chegam a detalhes carinhosos que não são outra coisa senão a expressão da fé da Igreja na presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento. Podemos dizer, portanto, que existe uma relação direta entre a fé e a piedade eucarística; e, paradoxalmente, que há também uma relação direta entre a crise de fé na Eucaristia e toda a falta de piedade que disso decorre. Por que precisamos dizê-lo? Por duas razões principais: porque é necessário não inverter o sintoma com a causa e porque é preciso rastrear a origem da causa para suprimir a patologia que adoece a fé, ao distanciar a nossa consciência daquilo que ensina a Igreja. Ora, podemos falar de uma crise de fé na Eucaristia? Como esta começou? Quais as suas origens? I. DIAGNÓSTICO DE UM PROBLEMA Com grande prudência e cuidado, o Papa Pio XII escrevia, na Encíclica “Mediator Dei”: “nem se diga que tal culto eucarístico provoca uma errônea confusão entre o Cristo histórico, como dizem, que viveu na terra, o Cristo presente no augusto sacramento do altar, e o Cristo triunfante no céu e dispensador de graças; deve-se, pelo contrário, afirmar que, desse modo, os fiéis testemunham e manifestam solenemente a fé da Igreja, com a qual se crê que um e idêntico é o Verbo de Deus e o Filho de Maria virgem, que sofreu na cruz, que está presente e oculto na Eucaristia, e que reina no céu” (n. 120). O Papa São Paulo VI, com muita preocupação e, segundo suas próprias palavras, com “grande ansiedade”, escreveu, em sua Encíclica “Mysterium fidei”: “Bem sabemos que, entre os que falam e escrevem sobre este Sacrossanto Mistério, alguns há que, a respeito das missas privadas, do dogma da transubstanciação e do culto eucarístico, divulgam opiniões que perturbam o espírito dos féis, provocando notável confusão quanto às verdades da fé, como se fosse lícito, a quem quer que seja, passar em silêncio a doutrina já definida da Igreja ou interpretá-la de tal maneira, que percam o seu valor o significado genuíno das palavras ou o alcance dos conceitos. “Não é lícito, só para aduzirmos um exemplo, exaltar a Missa chamada ‘comunitária’, a ponto de se tirar a sua importância à Missa privada; nem insistir tanto sobre o conceito de sinal sacramental, como se o simbolismo que todos, é claro, admitimos na Sagrada Eucaristia, exprimisse, única e simplesmente, o modo da presença de Cristo neste sacramento; ou ainda discutir sobre o mistério da Transubstanciação sem mencionar a admirável conversão de toda a substância do pão no corpo e de toda a substância do vinho no sangue de Cristo, conversão de que fala o Concílio Tridentino; limitam-se apenas à transignificação e transfinalização, conforme se exprimem. Nem é lícito, por fim, propor e generalizar a opinião que afirma não estar presente Nosso Senhor Jesus Cristo nas hóstias consagradas que sobram, depois da celebração do Sacrifício da Missa” (nn. 10-11). O mesmo Papa refere um testemunho importante, do século II: “os fiéis julgavam-se culpados, e com razão, conforme lembra Orígenes, se, recebendo o Corpo do Senhor e conservando-o com a maior cautela e veneração, apesar disso deixavam cair algum fragmento” (n. 60). São João Paulo II, na Encíclica “Ecclesia de Eucharistia” também indica os mesmos problemas: “A par destas luzes, não faltam sombras, infelizmente. De fato, há lugares onde se verifica um abandono quase completo do culto de adoração eucarística. Num contexto eclesial ou outro, existem abusos que contribuem para obscurecer a reta fé e a doutrina católica acerca deste admirável sacramento. Às vezes transparece uma compreensão muito redutiva do mistério eucarístico. Despojado do seu valor sacrificial, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesa. Além disso, a necessidade do sacerdócio ministerial, que assenta na sucessão apostólica, fica às vezes obscurecida, e a sacramentalidade da Eucaristia é reduzida à simples eficácia do anúncio. Aparecem depois, aqui e além, iniciativas ecumênicas que, embora bem-intencionadas, levam a práticas na Eucaristia contrárias à disciplina que serve à Igreja para exprimir a sua fé. Como não manifestar profunda mágoa por tudo isto? A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções” (n. 10). E a fé se manifesta no cuidado até os mínimos detalhes: “Dando à Eucaristia todo o realce que merece e procurando com todo o cuidado não atenuar nenhuma das suas dimensões ou exigências, damos provas de estar verdadeiramente conscientes da grandeza deste dom. A isto nos convida uma tradição ininterrupta desde os primeiros séculos, que mostra a comunidade cristã vigilante na defesa deste ‘tesouro’. Movida pelo amor, a Igreja preocupa-se em transmitir às sucessivas gerações cristãs a fé e a doutrina sobre o mistério eucarístico, sem perder qualquer fragmento. E não há perigo de exagerar no cuidado que lhe dedicamos, porque, ‘neste sacramento, se condensa todo o mistério da nossa salvação’” (n. 61). Ora, os Papas diagnosticaram uma espécie de “crise eucarística” e procuraram dar o remédito para ela. Mas, qual a raiz deste problema? II. ORIGENS TEOLÓGICAS DA “CRISE EUCARÍSTICA” As heresias dos reformadores acerca deste Sacramento produziram a defesa dogmática que, depois do Concílio de Trento, se tornou ainda mais firme. Foram nos últimos séculos que, graças à influência do protestantismo liberal, novas ameaças começaram a pairar sobre este sacramento. Precisamos proceder por partes. O abuso do método histórico-crítico na leitura da Sagrada Escritura Gerhard Hasel, em seu livro “Teologia do Antigo Testamento”, explica as fases que os estudos bíblicos tiveram no protestantismo. Segundo ele, “o principio protestante ‘sola Scriptura’, que se transformou no grito de guerra da Reforma contra a teologia escolástica e a tradição eclesiástica, preparou o terreno para o desenvolvimento subsequente da teologia bíblica através de sua conclamação à ‘livre interpretação’ das Escrituras” (p. 13). Um segundo momento seria o originado pelo pietismo. “O retorno ao domínio da Bíblia, característica do pietismo alemão, deu novo curso à teologia bíblica. Nesse movimento, esta tornou-se um instrumento de reação à árida ortodoxia protestante’. Philipp Jacob Spener (1635-1705), um dos pais do pietismo, combateu o escolasticismo protestante munido da ‘teologia bíblica’” (p. 14). A partir daí, ele narra com grandeza de detalhes como a teologia bíblica se foi independentizando da dogmática até que chega um momento decisivo, no final do século XVIII: “O neólogo e racionalista Johann Philipp Gabler (1753-1826), que nunca escreveu ou mesmo pretendeu escrever uma teologia bíblica, contribuiu de forma decisiva e marcante para o desenvolvimento da nova disciplina, com sua palestra de abertura na Universidade de Altdorf, em 30 de março de 1787. Esse ano marcou para a teologia bíblica o início de seu papel de disciplina exclusivamente histórica, totalmente independente da dogmática. Gabler dá sua famosa definição: ‘A teologia bíblica possui um caráter histórico: ela transmite o que os escritores sacros pensavam de temas divinos; já a teologia dogmática possui um caráter didático: e transmite as ponderações filosóficas de determinado teólogo acerca de temas divinos, levando em conta sua capacidade, época e região em que viveu, e orientação ou escola, entre outras coisas’” (pp. 17-18). A partir daí, Hasel traça todo o caminho pelo qual a crítica histórica se tornará cada vez mais hegemônica até que aconteça o processo inverso: uma vez tendo se independentizado da dogmática, as ciências bíblicas quererão construir uma própria teologia a partir de suas novas suposições. O método histórico-crítico, portanto, não é o problema em si, mas o abuso no seu uso passou a ser um problema na medida em que se pretendeu criar uma nova teologia. Novas teologias A tentação de se reconstruir a teologia depois do desmonte da Escritura é muito forte. Se Lutero havia semeado o veneno do “Sola Scriptura”, o processo subsequente fará com que a Escritura seja desmontada. Consequentemente, os teólogos não conseguirão resistir à tentação de refundar a teologia sobre as novas especulações bíblicas e até arqueológicas. O cristianismo, obviamente, é muito maior do que tudo isso. Como de algum modo reconhece Gabler, o cristianismo consiste na fusão entre a tradição Escriturística e a elaboração da Sagrada Tradição, recepcionante da síntese filosófica que aglutinou os maiores pensadores de todo o tempos, desde a filosofia até o direito. Nesse sentido, o cristianismo é a síntese mais elevada da história; e o marco epistemológico no qual se situa está muito além da pura e simples textualidade bíblica, pois, sem negá-la ou suprimi-la, assimila-a numa percepção concreta da realidade, em todos os seus níveis, físicos e metafísicos, naturais e sobrenaturais. Assim como a física moderna reduziu a realidade aos seus aspectos quantificáveis e a filosofia moderna, seguindo o seu encalço, reduziu a elaboração racional à percepção sensível ou às abstrações idealistas, os teólogos modernos reduziram a Teologia à crítica bíblico-histórica, ignorando todas as demais camadas da síntese teológica cristã. O resultado disso é que, desmanchada a teologia tradicional e reduzida a Escritura a um mero epifenômeno histórico, o dogma foi esvaziado num subjetivismo radical, condensado, num primeiro esforço, naquilo que o Papa São Pio X chamou de “modernismo”. Após a repressão dos anos posteriores à “Pascendi” do Papa Sarto, os modernistas recobraram novo fôlego e deram um passo a mais, rendendo-se às filosofias que, então, estavam na moda, como a fenomenologia, o existencialismo e o marxismo. Surgia, então, aquela que foi depreciativamente chamada de “Nova Teologia”, que abandonava aquilo que os seus autores consideravam como discussões meramente escolásticas e começaram a engajar-se nas especulações das filosofias contemporâneas e nas demandas das ciências sociais. Reféns da crítica histórica, esses autores deram pé àquilo que se convencionou chamar de “cristologia de baixo”, especialmente inspirada nos Evangelhos sinóticos, e que privilegiava uma abordagem humana de Jesus, a qual, sem negar explícitamente a sua divindade, tentava rastrear a práxis do “Jesus histórico”, aquém das “mitologizações” da Igreja primitiva, que, segundo eles, ornaram-no da áurea de divindade para tornar-se mais palatável aos poderes políticos da época. A interface litúrgico-sacramental dessa teologia O melhor de todos os teólogos que sintetizou o problema foi Rudolf Bultmann. Partindo da noção de “mito” na antiguidade, dos preconceitos racionalistas que negavam a priori a realidade do sobrenatural, da crítica histórico-textual das Escrituras e do existencialismo heideggeriano, criou uma teologia bíblica em que toda a Escritura é apresentada como construção mítica a ser desmitologizada pelo teólogo, em busca do seu núcleo fundamental. Como, por este caminho, a consequência seria a completa implosão da Igreja, Bultmann encontrou uma solução pitoresca. Valendo-se das cerimônias das religiões pagãs, que realizavam seus cultos cosmogônicos através da encenação, pensando que tais encenações reproduziam efetivamente a realidade, ele interpreta em chave dramatológica e simbólica a ação litúrgica; em outras palavras, se tudo é mito, na liturgia, a encenação do mito o torna presente, de algum modo real. “Assim como o batismo, também a ceia do Senhor foi derivada, segundo o modo de pensar dos mistérios, do destino do kyrios como fundamento instituinte; e especialmente da última ceia de Jesus com seus discípulos. É isso que dizem as palavras introdutórias de lCor 11,23: ‘O Senhor Jesus, na noite em que foi entregue…’ E assim Marcos transformou o relato da última ceia em relato etiológico de um culto, entrançando a liturgia eucarística num relato mais antigo da última ceia de Jesus como uma ceia pascal. No fundo, derivando a ceia cúltica da última ceia de Jesus, ele indica como sua verdadeira fundamentação a morte do Kyrios; pois corpo e sangue de Jesus, que são distribuídos por ele nessa ceia, naturalmente são (como o confirmam justamente os elementos interpretativos secundários), em misteriosa antecipação, corpo e sangue do crucificado, do sacrificado. Paulo deixa entrever isso claramente na frase por ele acrescentada em 1Cor 11,26: ‘pois todas as vezes que comerdes este pão e beberdes do cálice, anunciais a morte do Senhor’. Portanto, ele compreende a refeição eucarística como uma dramatização, nos moldes dos cultos de mistérios: a celebração representa a morte do Kyrios” (Bultmann, R., “Teologia do Novo Testamento”, Academia Cristã, Santo André: 2015, p. 201). Bultmann ilustra bem o fundamento dessa sua concepção do culto através do conceito de “espírito”, tomado desde uma perspectiva humanística: “Para ilustrar o que acabo de dizer, podemos tomar como exemplo a noção neotestamentária de ‘espírito’. Durante o Século XIX, as filosofias de Kant e Hegel exerceram uma profunda influência sobre os teólogos que modelaram suas concepções antropológicas e éticas a partir destas filosofias. Por conseguinte, a noção neotestamentária de ‘espírito’ foi concebida num sentido idealista, segundo a tradição do pensamento humanístico cuja origem se remonta à filosofia idealista grega. Considerava-se, pois, o ‘espírito’ como o poder da razão, no sentido amplo de um poder que atua, não só na lógica e no pensamento racional, senão também na ética, nos juízos morais e na conduta, como também no campo da arte e da poesia. (…) Graças a seus conhecimentos dos fenômenos psicológicos, os eruditos desta escola subtraíram algumas importantes ideias do Novo Testamento que até então haviam sido subestimadas ou passadas por alto. Reconheceram, por exemplo, a importância da piedade’ cultual e entusiástica, e das assembleias do culto; entenderam de um modo novo a noção de conhecimento que em geral não significa um conhecimento racional e teórico, senão uma intuição ou visão mística, uma união mística com Cristo” (Idem, “Jesus Cristo e Mitologia”, Novo Século, São Paulo: 203, pp. 38-39). Quando essa concepção do culto a partir da performance e da dramatização se encontraram com a mistagogia de Jean Danielou, a alquimia estava feita. Em sua obra, “Bíblia e liturgia: a teologia bíblica dos sacramentos e das festas segundo os Padres da Igreja” (“Bibbia e liturgia: la teologia biblica dei sacramenti e delle feste secondo i Padri della Chiesa”, Societa Editrice Vita e Pensiero, Milano 1958), Danielou introduz uma nova perspectiva na teologia sacramentária: se antes esta se preocupava sobretudo com a forma sacramental incutida na matéria, agora ele deslocava essa preocupação para o significado da própria matéria sacramental, para, a partir deste, compor a sua análise dos sacramentos (aqui fundava-se a nova mistagogia que fez com que os ritos litúrgicos fossem muito mais abordados a partir da valorização dos símbolos para uma espécie de catequese de proveito subjetivo que propriamente da eficácia sacramental, como a Igreja fizera tradicionalmente). III. CONSEQUÊNCIAS DESSA ABORDAGEM Os novos mistagogos, encantados com os gestos celebrativos, com as novas possibilidades de criatividade simbólica em que abusaram da discreta abertura promovida pela reforma litúrgica, imbuídos de muita “cristologia de baixo” impostada na perspectiva do “Cristo libertador”, desmitologizado segundo os critérios bultmanianos e romantizado segundo os critérios revolucionários, hostilizaram radicalmente os gestos de adoração e piedade, segundo eles, ligados mais à liturgia tridentina. Genuflexões, decoro cultual, solenidade, delicadeza com as espécies eucarísticas, nobreza e simplicidade, dignidade hierática e esplendor foram violentamente substituídos por barbarismos grotescos: o discreto lavabo foi substituído por bacias de escalda-pés; os cálices dourados, por artefatos de barro, de madeira grosseira, quando não de vidro ou até plástico; os paramentos bem cortados, por andrajos imensos e desajeitados; o silêncio, por palmas e alaridos; a genuflexão, por movimentação burlesca e desabrida; a sacralidade, pela invasão do profano, desde as músicas até o linguajar etc. Os novos mistagogos diziam que os gestos têm que comunicar: lavar as mãos se faz com esfregões e toalhões; comungar é comer e beber, mastigar, rasgar o pão, partilhar; ungir é besuntar a pessoa inteirinha de óleo; batizar é mergulhar até submergir por completo, lavar, molhar a pessoa todinha… Mais do que a eficácia objetiva do sacramento, a qual, inclusive, é questionada, olha-se para a eficácia subjetiva, aquela que é condicionada pela compreensão do “símbolo”, pois essa é a única maneira de presentificar o mito, dentro de toda a lógica precedente. O quanto tudo isso seja suscetível à manipulação política da teologia da libertação, nem é necessário dizer. A coisa é autoexplicativa! Apenas é útil entendermos o background teológico por trás da intolerância para com práticas tradicionais. Com clareza meridiana, São Pio X já tinha dado o antídoto contra essas heresias: “Do culto não haveria muito que dizer, se debaixo deste nome não se achassem também os Sacramentos, a respeito dos quais muito erram os modernistas. Pretendem que o culto resulta de um duplo impulso; pois que, como vimos, pelo seu sistema, tudo se deve atribuir a íntimos impulsos. O primeiro é dar à religião, alguma coisa de sensível; o segundo é a necessidade de propagá-la, coisa esta que se não poderia realizar sem uma certa forma sensível e sem atos santificantes, que se chamam Sacramentos. Os modernistas, porém, consideram os Sacramentos como meros símbolos ou sinais, bem que não destituídos de eficácia. E para indicar essa eficácia, servem-lhes de exemplo certas palavras que facilmente vingam, por terem conseguido a força de divulgar certas ideias de grande eficácia, que muito impressionam os ânimos. E assim como aquelas palavras são destinadas a despertar as referidas ideias, assim também o são os Sacramentos com relação ao sentimento religioso; nada mais do que isto. Falariam mais claro afirmando logo que os Sacramentos foram só instituídos para nutrirem a fé. Mas esta proposição é condenada pelo Concílio de Trento” (Pascendi Dominici Gregis, n. 20). IV. RESTABELECENDO A VERDADE CATÓLICA No que diz respeito à Santíssima Eucaristia, mais do que o fato de que a matéria do sacramento faz com que ele seja repartível e comestível (palavra desagradável, mas que aqui eu uso apenas para descrever o significado imediato da manducação), a realidade do Sacramento é a Presença Real de Nosso Senhor Jesus Cristo, objetiva e independentemente da fé subjetiva de cada um. É a Ele, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo Encarnado, que tributamos o culto de latria, de adoração. Por isso nos ajoelhamos, genufletimos, reverenciamos com toda a dignidade e com todo preito. O conceito tomista de “transubstanciação” – que aos modernos cheira a aristotelismo ultrapassado, já que eles estão infectados do imanentismo kantiano – é apenas a terminologia técnica utilizada pela dogmática para garantir que não estamos comendo pão, mas comungando o próprio Senhor realmente, de tal modo que toda a substância do pão e do vinho se convertem na substância da Humanidade Santíssima de Cristo. É exatamente por isso que a então Congregação para Doutrina da Fé emitiu uma Declaração em 5 de fevereiro de 1972 esclarecendo que os fragmentos da Eucaristia devem ser devidamente respeitados e as normas para a purificação da patena e do cálice devem ser cuidadosamente seguidas (cf. De fragmentis Eucharisticis). Pelo mesmo motivo, a Santa Sé advertiu: “ponha-se especial cuidado em que o comungante consuma imediatamente a hóstia, na frente do ministro, e ninguém se desloque (retorne) tendo na mão as espécies eucarísticas. Se existe perigo de profanação, não se distribua aos fiéis a Comunhão na mão. A bandeja para a Comunhão dos fiéis se deve manter, para evitar o perigo de que caia a hóstia sagrada ou algum fragmento” (Redemptionis Sacramentum, nn. 92-93). Quando concedeu a faculdade de dar a comunhão na mão, a Congregação para o Culto Divino esclareceu que “é mister tomar cuidado com os fragmentos, para que não se percam, e instruir o povo a seu respeito. É preciso, também, recomendar aos fiéis que tenham as mãos limpas” (Carta, 5 de março de 1975) e, no mesmo espírito, a Presidência da CNBB enviou uma nota explicativa a todos os bispos do Brasil dizendo que “cada comungante trate de verificar se não ficou na palma na mão ou entre os dedos alguma parcela de pão consagrado (em caso positivo, deve consumi-la)”. Enfim, quando um fiel se sente incomodado de tomar a Comunhão nas mãos para que não se adira à palma dessas algum fragmento e prefere comungar na língua; ou quando se ajoelha, para manifestar a sua adoração de modo mais expressivo, a Igreja, em coerência com a sua doutrina, sempre lhe garantiu esse direito e, ademais, sempre assegurou ser esta a forma ordinária e habitual de se comungar. Contudo, quando tais princípios sacramentais são obscurecidos pelas ideologias teológicas acima mencionadas, que apregoam que a Eucaristia “não é para se adorar, mas para se comer”, chega a ser absurdo comungar de joelhos (quem é que come de joelhos?) e na boca (quem é que recebe comida na boca?). São sentimentos como estes, oriundos de uma longa história de desconstrução e reconstrução sobre outras bases, que norteiam o imaginário de muitos de nossos contemporâneos. Publicado originalmente no Facebook do Padre José Eduardo #Eucaristia

  • São Roque, santo protetor contra as pestes – 16 de agosto

    SANTO DO DIA – 16 DE AGOSTO – SÃO ROQUE Peregrino (1350-1380) Roque nasceu no ano de 1295, na cidade de Montpellier, França, em uma família rica, da nobreza da região. Outros dados sobre sua vida e ascendência não são precisos. O que se sabe ao certo é que ficou órfão na adolescência, vendeu toda a herança e distribuiu o que arrecadou entre os pobres. Depois disso, viveu como peregrino andante. Percorreu a França com destino a Roma. Mas antes disso, Roque deparou-se com regiões infestadas pela chamada peste negra, que devastou quase todas as populações da Europa no final do século XIII e início do XIV. Era comum ver, à beira das estradas, pequenos povoados só de doentes que foram isolados do convívio das cidades para evitar o contágio. Lá eles viviam até morrer, abandonados à própria sorte e sofrendo dores terríveis. Enxergando nas pobres criaturas o verdadeiro rosto de Cristo, Roque atirou-se de corpo e alma na missão de tratá-los. Iluminado pelo Santo Espírito, em pouco tempo adquiriu o dom da cura, fazendo inúmeros prodígios. Fez isso durante dois anos, ganhando fama de santidade. Depois partiu para Roma, onde durante três dias rezou sobre os túmulos de são Pedro e são Paulo. Depois, por mais alguns anos, peregrinou por toda a Itália setentrional, onde encontrou um vasto campo de ação junto aos doentes incuráveis. Cuidando deles, descuidou-se de si próprio. Certo dia, percebeu uma ferida na perna e viu que fora contaminado pela peste. Assim, decidiu refugiar-se, sozinho, em um bosque, onde foi amparado por Deus. Roque foi encontrado por um cão, que passou a levar-lhe algum alimento todos os dias, até que seu dono, curioso, um dia o seguiu. Comovido, constatou que era seu cão que socorria o pobre doente. O homem, que não reconheceu em Roque o peregrino milagreiro, a partir daquele momento, cuidou da sua recuperação. Restabelecido, voltou para Montpellier, que, na ocasião, estava em guerra. Tido como espião, foi preso e levado para o cárcere, onde sofreu calado durante cinco anos. No cárcere, continuou praticando a caridade e pregando a palavra de Cristo, convertendo muitos prisioneiros e aliviando suas aflições, até morrer. Diz a tradição que, quando o carcereiro, manco de nascença, tocou com o pé o seu corpo, para constatar se realmente estava morto, ficou imediatamente curado e começou a andar normalmente. Esse teria sido o primeiro milagre de Roque, após seu falecimento, ocorrido em 16 de agosto de 1327, na prisão de seu país de origem. O seu culto foi reconhecido em 1584 pelo papa Gregório XIII, que manteve a sua festa no dia de sua morte. Hoje, as relíquias de são Roque são veneradas na belíssima basílica dedicada a ele em Veneza, Itália, sendo considerado o santo Protetor contra as Pestes. Por causa de sua história impressionante, São Roque tornou-se o Padroeiro dos cirurgiões; dos inválidos, dos doentes, protetor contra a peste; protetor contra as doenças contagiosas e até protetor dos cães. Sua festa é celebrada em 16 de agosto. Conheça mais sobre São Roque Nasceu em Montpellier, no começo do reino de Filipe, o Belo, de um gentil-homem chamado João. Sua mãe, chamada Libéria, que pediu muitas vezes um filho a Deus, pôs todos os cuidados em lhe inspirar a piedade cristã desde o berço. Roque, cujas inclinações se dirigiam para a virtude, viveu nessa primeira idade numa grande pureza de costumes e habituou o corpo ainda tenro a suportar a abstinência e outras mortificações. Tendo perdido o pai e a mãe na idade de vinte anos, viu-se senhor de grandes riquezas. Distribuiu aos pobres o que podia dispor, deixou a administração dos fundos de terra a um de seus tios, afastou-se do país, e encaminhou-se para Roma, com vestes de peregrino e de mendigo. Atravessando a Toscana, soube que a peste tinha chegado à cidade de Aquapendente: foi para lá oferecer-se para servir aos pestilentos. Seguiu a peste a Cesena, a Rímini, e por fim, a Roma, servindo por toda parte sem cessar os que por ela eram atingidos. Todo o seu desejo era fazer a Deus o sacrifício de sua vida naquela espécie de martírio. Depois de se ter sacrificado vários anos e em várias cidades da Lombardia, caiu doente em Placência. Para não incomodar os outros doentes do hospital, pelos gritos involuntários que lhe arrancavam as dores intermináveis, arrastou-se até uma cabana na entrada de um bosque. Um gentil-homem chamado Gotardo, que morava na vizinhança, deu-lhe as coisas necessárias. Deus recompensou um e outro: deu a Roque, uma saúde perfeita e Gotardo, comovido por seus exemplos de virtude, resolveu deixar o mundo para servir a Deus, no retiro. São Roque, saindo da Itália, voltou ao Languedoc, com o hábito de peregrino e foi hospedar-se numa aldeia que tinha pertencido a seu pai e que ele mesmo tinha cedido ao tio. Como se estava numa época de hostilidades, narra-se que foi preso por um espião e levado ao juiz de Montpellier, que era seu mesmo tio, e que o pôs na prisão, sem o conhecer. Roque, que só aspirava a viver oculto em Deus, no meio de humilhações e sofrimentos, ficou cinco anos naquela prisão, sem que ninguém se lembrasse de esclarecer aquele negócio, e sem ele mesmo disse se tivesse preocupado. Morreu, segundo a opinião maios comum, a 16 de Agosto de 1327. Sua memória tornou-se célebre pelos milagres, que o invocara desde então, contra as epidemias. Seu nome foi inserido no martirológio romano a 16 de agosto. Leia também: .: Santo do Dia – 15 de Agosto – Solenidade da Assunção de Nossa Senhora .: Santo do Dia – 17 de Agosto – Santa Beatriz da Silva #SantodoDia

  • São Roque, santo protetor contra as pestes – 16 de agosto

    SANTO DO DIA – 16 DE AGOSTO – SÃO ROQUE Peregrino (1350-1380) Roque nasceu no ano de 1295, na cidade de Montpellier, França, em uma família rica, da nobreza da região. Outros dados sobre sua vida e ascendência não são precisos. O que se sabe ao certo é que ficou órfão na adolescência, vendeu toda a herança e distribuiu o que arrecadou entre os pobres. Depois disso, viveu como peregrino andante. Percorreu a França com destino a Roma. Mas antes disso, Roque deparou-se com regiões infestadas pela chamada peste negra, que devastou quase todas as populações da Europa no final do século XIII e início do XIV. Era comum ver, à beira das estradas, pequenos povoados só de doentes que foram isolados do convívio das cidades para evitar o contágio. Lá eles viviam até morrer, abandonados à própria sorte e sofrendo dores terríveis. Enxergando nas pobres criaturas o verdadeiro rosto de Cristo, Roque atirou-se de corpo e alma na missão de tratá-los. Iluminado pelo Santo Espírito, em pouco tempo adquiriu o dom da cura, fazendo inúmeros prodígios. Fez isso durante dois anos, ganhando fama de santidade. Depois partiu para Roma, onde durante três dias rezou sobre os túmulos de são Pedro e são Paulo. Depois, por mais alguns anos, peregrinou por toda a Itália setentrional, onde encontrou um vasto campo de ação junto aos doentes incuráveis. Cuidando deles, descuidou-se de si próprio. Certo dia, percebeu uma ferida na perna e viu que fora contaminado pela peste. Assim, decidiu refugiar-se, sozinho, em um bosque, onde foi amparado por Deus. Roque foi encontrado por um cão, que passou a levar-lhe algum alimento todos os dias, até que seu dono, curioso, um dia o seguiu. Comovido, constatou que era seu cão que socorria o pobre doente. O homem, que não reconheceu em Roque o peregrino milagreiro, a partir daquele momento, cuidou da sua recuperação. Restabelecido, voltou para Montpellier, que, na ocasião, estava em guerra. Tido como espião, foi preso e levado para o cárcere, onde sofreu calado durante cinco anos. No cárcere, continuou praticando a caridade e pregando a palavra de Cristo, convertendo muitos prisioneiros e aliviando suas aflições, até morrer. Diz a tradição que, quando o carcereiro, manco de nascença, tocou com o pé o seu corpo, para constatar se realmente estava morto, ficou imediatamente curado e começou a andar normalmente. Esse teria sido o primeiro milagre de Roque, após seu falecimento, ocorrido em 16 de agosto de 1327, na prisão de seu país de origem. O seu culto foi reconhecido em 1584 pelo papa Gregório XIII, que manteve a sua festa no dia de sua morte. Hoje, as relíquias de são Roque são veneradas na belíssima basílica dedicada a ele em Veneza, Itália, sendo considerado o santo Protetor contra as Pestes. Por causa de sua história impressionante, São Roque tornou-se o Padroeiro dos cirurgiões; dos inválidos, dos doentes, protetor contra a peste; protetor contra as doenças contagiosas e até protetor dos cães. Sua festa é celebrada em 16 de agosto. Conheça mais sobre São Roque Nasceu em Montpellier, no começo do reino de Filipe, o Belo, de um gentil-homem chamado João. Sua mãe, chamada Libéria, que pediu muitas vezes um filho a Deus, pôs todos os cuidados em lhe inspirar a piedade cristã desde o berço. Roque, cujas inclinações se dirigiam para a virtude, viveu nessa primeira idade numa grande pureza de costumes e habituou o corpo ainda tenro a suportar a abstinência e outras mortificações. Tendo perdido o pai e a mãe na idade de vinte anos, viu-se senhor de grandes riquezas. Distribuiu aos pobres o que podia dispor, deixou a administração dos fundos de terra a um de seus tios, afastou-se do país, e encaminhou-se para Roma, com vestes de peregrino e de mendigo. Atravessando a Toscana, soube que a peste tinha chegado à cidade de Aquapendente: foi para lá oferecer-se para servir aos pestilentos. Seguiu a peste a Cesena, a Rímini, e por fim, a Roma, servindo por toda parte sem cessar os que por ela eram atingidos. Todo o seu desejo era fazer a Deus o sacrifício de sua vida naquela espécie de martírio. Depois de se ter sacrificado vários anos e em várias cidades da Lombardia, caiu doente em Placência. Para não incomodar os outros doentes do hospital, pelos gritos involuntários que lhe arrancavam as dores intermináveis, arrastou-se até uma cabana na entrada de um bosque. Um gentil-homem chamado Gotardo, que morava na vizinhança, deu-lhe as coisas necessárias. Deus recompensou um e outro: deu a Roque, uma saúde perfeita e Gotardo, comovido por seus exemplos de virtude, resolveu deixar o mundo para servir a Deus, no retiro. São Roque, saindo da Itália, voltou ao Languedoc, com o hábito de peregrino e foi hospedar-se numa aldeia que tinha pertencido a seu pai e que ele mesmo tinha cedido ao tio. Como se estava numa época de hostilidades, narra-se que foi preso por um espião e levado ao juiz de Montpellier, que era seu mesmo tio, e que o pôs na prisão, sem o conhecer. Roque, que só aspirava a viver oculto em Deus, no meio de humilhações e sofrimentos, ficou cinco anos naquela prisão, sem que ninguém se lembrasse de esclarecer aquele negócio, e sem ele mesmo disse se tivesse preocupado. Morreu, segundo a opinião maios comum, a 16 de Agosto de 1327. Sua memória tornou-se célebre pelos milagres, que o invocara desde então, contra as epidemias. Seu nome foi inserido no martirológio romano a 16 de agosto. Leia também: .: Santo do Dia – 15 de Agosto – Solenidade da Assunção de Nossa Senhora .: Santo do Dia – 17 de Agosto – Santa Beatriz da Silva #SantodoDia

  • Homilia Diária | Corrigir o irmão para levá-lo ao Céu

    Quarta-feira da 19ª Semana do Tempo Comum A finalidade da correção fraterna, da qual nos fala hoje o Evangelho, não é “tirar satisfação” de quem pecou contra nós, nem “vingar”, com a dureza de penas eclesiásticas, os que caíram no erro. Corrigir o irmão é, antes de tudo, zelar pelo seu maior bem, a salvação eterna. Assim como nós, ele é membro do mesmo Corpo Místico e chamado à comunhão dos filhos de Deus na glória do Céu. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quarta-feira, dia 16 de agosto, e medite sobre o verdadeiro sentido da correção fraterna. Santo do Dia: São Roque, santo protetor contra as pestes Evangelho (Mt 18,1-5.10.12-14) — Aleluia, Aleluia, Aleluia — Tomai meu jugo sobre vós e aprendei de mim que sou de coração humilde e manso! (Mt 11,29) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 1 os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” 2 Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3 e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. 4 Quem se faz pequeno como esta criança, este é o maior no Reino dos Céus. 5 E quem recebe em meu nome uma criança como esta é a mim que recebe. 10 Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus. 12 Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixa ele as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? 13 Em verdade vos digo, se ele a encontrar, ficará mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam. 14 Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Homilia Diária | Corrigir o irmão para levá-lo ao Céu

    Quarta-feira da 19ª Semana do Tempo Comum A finalidade da correção fraterna, da qual nos fala hoje o Evangelho, não é “tirar satisfação” de quem pecou contra nós, nem “vingar”, com a dureza de penas eclesiásticas, os que caíram no erro. Corrigir o irmão é, antes de tudo, zelar pelo seu maior bem, a salvação eterna. Assim como nós, ele é membro do mesmo Corpo Místico e chamado à comunhão dos filhos de Deus na glória do Céu. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quarta-feira, dia 16 de agosto, e medite sobre o verdadeiro sentido da correção fraterna. Santo do Dia: São Roque, santo protetor contra as pestes Evangelho (Mt 18,1-5.10.12-14) — Aleluia, Aleluia, Aleluia — Tomai meu jugo sobre vós e aprendei de mim que sou de coração humilde e manso! (Mt 11,29) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 1 os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” 2 Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3 e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. 4 Quem se faz pequeno como esta criança, este é o maior no Reino dos Céus. 5 E quem recebe em meu nome uma criança como esta é a mim que recebe. 10 Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus. 12 Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixa ele as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? 13 Em verdade vos digo, se ele a encontrar, ficará mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam. 14 Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Segundo Dia da Quaresma de São Miguel

    Reze os 40 dias conosco! Como sugestão, além do roteiro que disponibilizamos abaixo, convidamos a todos para rezar o Rosário com o Frei Gilson ou Instituto Hesed , todos os dias às 4h da manhã ou no horário que tiver possibilidade: Aqueles que preferirem podem rezar a versão resumida: É costume que a Quaresma de São Miguel seja rezada diariamente, entre 15 de agosto e 29 de setembro , quando se celebra a festa deste Santo Arcanjo. Mas ela também pode ser feita em qualquer outra época do ano, por um período de 40 dias. Esta devoção deve-se a São Francisco de Assis, que sempre fazia orações especiais a São Miguel, quarenta dias antes da festa do Arcanjo (29 de Setembro). Foi difundida através dos seus discípulos, que o imitavam nessa devoção e recebiam graças. E, até hoje, temos esse belíssimo costume de consagrar as nossas vidas a São Miguel. Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Por se tratar de uma devoção privada , os fiéis que a praticam são livres para adotar as orações de sua preferência. As preces a seguir são mais uma sugestão de roteiro do que um rito fixo e imóvel, e costumam ser rezadas em frente a uma escultura ou estampa de São Miguel, e com uma vela benta acesa em sua honra. Também é hábito que se una a essas orações a prática de alguma penitência especial ao longo de toda a quarentena. Aos que praticam essa devoção em família, talvez valha a pena baixar este arquivo em formato pdf , com as orações em latim e português, e fazer uma impressão dele para esses dias. No final do artigo é possível baixar outros arquivos que ajudarão a viver bem a Quaresma de São Miguel. Baixe o roteiro de oração em formato pdf Aos que desejarem conhecer mais e melhor essa prática, sua origem e seu significado espiritual, recomendamos que assistam aos seguintes programas “Ao vivo com Pe. Paulo”, sobre esse tema: O que é necessário? Antes de tudo, termos os devidos cuidados para não cairmos em superstição. A superstição é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Então, o nosso coração deve estar reconciliado com Deus e cheio de bons propósitos, para isso faça um breve exame de consciência. Após esta breve análise da sua vida, faça um altar com uma imagem de São Miguel (pode ser estátua ou de papel), colocando velas ou lamparinas bentas, e flores para enfeitar. Durante a Quaresma, faça penitências, jejuns e abstinências e uma boa confissão. Leia também Sugestões de penitências e mortificações na quaresma Durante todos os dias da quaresma de São Miguel, faça o Sinal da Cruz, se possível acenda uma vela, diga a sua intenção particular – por si ou por alguém – e reze as orações abaixo, e no dia 29 de Setembro procure participar da Festa de São Miguel com a Santa Missa. 1. Sinal da cruz . — Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 2. Pequeno exorcismo de Leão XIII . — São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate. Cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o Deus, instantemente o pedimos; e vós, príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno Satanás e os outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém. 3. Ladainha de São Miguel Arcanjo ( versão latina aqui ): Senhor, tende piedade de nós . Jesus Cristo, tende piedade de nós . Senhor, tende piedade de nós . Cristo, ouvi-nos . Cristo, atendei-nos . Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós . Filho redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós . Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós . Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós . Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós . São Miguel, rogai por nós . São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai … São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, São Miguel, coroado de honra e de glória, São Miguel, poderosíssimo príncipe dos exércitos do Senhor, São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, São Miguel, guardião do Paraíso, São Miguel, guia e consolador do povo israelita, São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante, São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante, São Miguel, luz dos anjos, São Miguel, baluarte dos cristãos, São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da cruz, São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, São Miguel, socorro muito certo, São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, São Miguel, arauto da sentença eterna, São Miguel, consolador das almas que estão no Purgatório, São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas depois da morte, São Miguel, nosso príncipe, São Miguel, nosso advogado, rogai por nós . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós . Rogai por nós, ó glorioso São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo, para que sejamos dignos de suas promessas . Oremos : Senhor Jesus, santificai-nos por uma bênção sempre nova e concedei-nos, pela intercessão de São Miguel, essa sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas do céu e a trocar os bens do tempo presente pelos da eternidade. Vós que viveis e reinais em todos os séculos dos séculos. Amém. 4. Consagração a São Miguel Arcanjo . — Ó Príncipe nobilíssimo dos Anjos, valoroso guerreiro do Altíssimo, zeloso defensor da glória do Senhor, terror dos espíritos rebeldes, amor e delícia de todos os Anjos justos, meu diletíssimo Arcanjo São Miguel, desejando eu fazer parte do número dos vossos devotos e servos, a vós hoje me consagro, me dou e me ofereço e ponho-me a mim próprio, a minha família e tudo o que me pertence, debaixo da vossa poderosíssima proteção. É pequena a oferta do meu serviço, sendo como sou um miserável pecador, mas vós engrandecereis o afeto do meu coração; recordai-vos que de hoje em diante estou debaixo do vosso sustento e deveis assistir-me em toda a minha vida e obter-me o perdão dos meus muitos e graves pecados, a graça de amar a Deus de todo coração, ao meu querido Salvador Jesus Cristo e a minha Mãe Maria Santíssima. Obtende-me aqueles auxílios que me são necessários para obter a coroa da eterna glória. Defendei-me dos inimigos da alma, especialmente na hora da morte. Vinde, ó príncipe gloriosíssimo, assistir-me na última luta e com a vossa arma poderosa lançai para longe, precipitando nos abismos do inferno, aquele anjo quebrador de promessas e soberbo que um dia prostrastes no combate no Céu. São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate para que não pereçamos no supremo juízo. 5. Oração final . — Levanta-se Deus, pela intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, São Miguel Arcanjo e todas as milícias celestes; sejam dispersos os seus inimigos e fujam de sua face todos os que o odeiam. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 6. Oração “Augusta Rainha” . — Augusta Rainha dos céus, soberana mestra dos Anjos, Vós que, desde o princípio, recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, nós vo-lo pedimos humildemente, enviai vossas legiões celestes para que, sob vossas ordens, e por vosso poder, elas persigam os demônios, combatendo-os por toda a parte, reprimindo-lhes a insolência, e lançando-os no abismo. Quem é como Deus? Ó Mãe de bondade e ternura, Vós sereis sempre o nosso amor e a nossa esperança. Ó Mãe divina, enviai os Santos Anjos para nos defenderem, e repeli para longe de nós o cruel inimigo. Santos Anjos e Arcanjos, defendei-nos e guardai-nos. Amém. Notas Na liturgia atual, S. Gabriel e S. Rafael também são celebrados no dia 29 de setembro, quando se encerra essa devoção. Mas vale a pena recordar, aos amantes do rito tradicional, que no calendário antigo os três arcanjos eram festejados separadamente: Gabriel em 24 de março, véspera da Anunciação, e Rafael em 24 de outubro (ambas festas de 3.ª classe, o equivalente às nossas memórias ). São Miguel manteve o dia 29 de setembro, mas antes era honrado com uma festa de 1.ª classe (o equivalente às nossas solenidades ). Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Outros arquivos para baixar : Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (preto e branco) Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (colorido) Calendário da Quaresma de São Miguel Capelinha de São Miguel #QuaresmadeSãoMiguel

  • Segundo Dia da Quaresma de São Miguel

    Reze os 40 dias conosco! Como sugestão, além do roteiro que disponibilizamos abaixo, convidamos a todos para rezar o Rosário com o Frei Gilson ou Instituto Hesed , todos os dias às 4h da manhã ou no horário que tiver possibilidade: Aqueles que preferirem podem rezar a versão resumida: É costume que a Quaresma de São Miguel seja rezada diariamente, entre 15 de agosto e 29 de setembro , quando se celebra a festa deste Santo Arcanjo. Mas ela também pode ser feita em qualquer outra época do ano, por um período de 40 dias. Esta devoção deve-se a São Francisco de Assis, que sempre fazia orações especiais a São Miguel, quarenta dias antes da festa do Arcanjo (29 de Setembro). Foi difundida através dos seus discípulos, que o imitavam nessa devoção e recebiam graças. E, até hoje, temos esse belíssimo costume de consagrar as nossas vidas a São Miguel. Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Por se tratar de uma devoção privada , os fiéis que a praticam são livres para adotar as orações de sua preferência. As preces a seguir são mais uma sugestão de roteiro do que um rito fixo e imóvel, e costumam ser rezadas em frente a uma escultura ou estampa de São Miguel, e com uma vela benta acesa em sua honra. Também é hábito que se una a essas orações a prática de alguma penitência especial ao longo de toda a quarentena. Aos que praticam essa devoção em família, talvez valha a pena baixar este arquivo em formato pdf , com as orações em latim e português, e fazer uma impressão dele para esses dias. No final do artigo é possível baixar outros arquivos que ajudarão a viver bem a Quaresma de São Miguel. Baixe o roteiro de oração em formato pdf Aos que desejarem conhecer mais e melhor essa prática, sua origem e seu significado espiritual, recomendamos que assistam aos seguintes programas “Ao vivo com Pe. Paulo”, sobre esse tema: O que é necessário? Antes de tudo, termos os devidos cuidados para não cairmos em superstição. A superstição é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Então, o nosso coração deve estar reconciliado com Deus e cheio de bons propósitos, para isso faça um breve exame de consciência. Após esta breve análise da sua vida, faça um altar com uma imagem de São Miguel (pode ser estátua ou de papel), colocando velas ou lamparinas bentas, e flores para enfeitar. Durante a Quaresma, faça penitências, jejuns e abstinências e uma boa confissão. Leia também Sugestões de penitências e mortificações na quaresma Durante todos os dias da quaresma de São Miguel, faça o Sinal da Cruz, se possível acenda uma vela, diga a sua intenção particular – por si ou por alguém – e reze as orações abaixo, e no dia 29 de Setembro procure participar da Festa de São Miguel com a Santa Missa. 1. Sinal da cruz . — Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 2. Pequeno exorcismo de Leão XIII . — São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate. Cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o Deus, instantemente o pedimos; e vós, príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno Satanás e os outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém. 3. Ladainha de São Miguel Arcanjo ( versão latina aqui ): Senhor, tende piedade de nós . Jesus Cristo, tende piedade de nós . Senhor, tende piedade de nós . Cristo, ouvi-nos . Cristo, atendei-nos . Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós . Filho redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós . Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós . Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós . Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós . São Miguel, rogai por nós . São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai … São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, São Miguel, coroado de honra e de glória, São Miguel, poderosíssimo príncipe dos exércitos do Senhor, São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, São Miguel, guardião do Paraíso, São Miguel, guia e consolador do povo israelita, São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante, São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante, São Miguel, luz dos anjos, São Miguel, baluarte dos cristãos, São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da cruz, São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, São Miguel, socorro muito certo, São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, São Miguel, arauto da sentença eterna, São Miguel, consolador das almas que estão no Purgatório, São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas depois da morte, São Miguel, nosso príncipe, São Miguel, nosso advogado, rogai por nós . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós . Rogai por nós, ó glorioso São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo, para que sejamos dignos de suas promessas . Oremos : Senhor Jesus, santificai-nos por uma bênção sempre nova e concedei-nos, pela intercessão de São Miguel, essa sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas do céu e a trocar os bens do tempo presente pelos da eternidade. Vós que viveis e reinais em todos os séculos dos séculos. Amém. 4. Consagração a São Miguel Arcanjo . — Ó Príncipe nobilíssimo dos Anjos, valoroso guerreiro do Altíssimo, zeloso defensor da glória do Senhor, terror dos espíritos rebeldes, amor e delícia de todos os Anjos justos, meu diletíssimo Arcanjo São Miguel, desejando eu fazer parte do número dos vossos devotos e servos, a vós hoje me consagro, me dou e me ofereço e ponho-me a mim próprio, a minha família e tudo o que me pertence, debaixo da vossa poderosíssima proteção. É pequena a oferta do meu serviço, sendo como sou um miserável pecador, mas vós engrandecereis o afeto do meu coração; recordai-vos que de hoje em diante estou debaixo do vosso sustento e deveis assistir-me em toda a minha vida e obter-me o perdão dos meus muitos e graves pecados, a graça de amar a Deus de todo coração, ao meu querido Salvador Jesus Cristo e a minha Mãe Maria Santíssima. Obtende-me aqueles auxílios que me são necessários para obter a coroa da eterna glória. Defendei-me dos inimigos da alma, especialmente na hora da morte. Vinde, ó príncipe gloriosíssimo, assistir-me na última luta e com a vossa arma poderosa lançai para longe, precipitando nos abismos do inferno, aquele anjo quebrador de promessas e soberbo que um dia prostrastes no combate no Céu. São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate para que não pereçamos no supremo juízo. 5. Oração final . — Levanta-se Deus, pela intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, São Miguel Arcanjo e todas as milícias celestes; sejam dispersos os seus inimigos e fujam de sua face todos os que o odeiam. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 6. Oração “Augusta Rainha” . — Augusta Rainha dos céus, soberana mestra dos Anjos, Vós que, desde o princípio, recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, nós vo-lo pedimos humildemente, enviai vossas legiões celestes para que, sob vossas ordens, e por vosso poder, elas persigam os demônios, combatendo-os por toda a parte, reprimindo-lhes a insolência, e lançando-os no abismo. Quem é como Deus? Ó Mãe de bondade e ternura, Vós sereis sempre o nosso amor e a nossa esperança. Ó Mãe divina, enviai os Santos Anjos para nos defenderem, e repeli para longe de nós o cruel inimigo. Santos Anjos e Arcanjos, defendei-nos e guardai-nos. Amém. Notas Na liturgia atual, S. Gabriel e S. Rafael também são celebrados no dia 29 de setembro, quando se encerra essa devoção. Mas vale a pena recordar, aos amantes do rito tradicional, que no calendário antigo os três arcanjos eram festejados separadamente: Gabriel em 24 de março, véspera da Anunciação, e Rafael em 24 de outubro (ambas festas de 3.ª classe, o equivalente às nossas memórias ). São Miguel manteve o dia 29 de setembro, mas antes era honrado com uma festa de 1.ª classe (o equivalente às nossas solenidades ). Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Outros arquivos para baixar : Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (preto e branco) Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (colorido) Calendário da Quaresma de São Miguel Capelinha de São Miguel #QuaresmadeSãoMiguel

  • Homilia Diária | Virgem Maria: a maior no Reino dos Céus

    (Terça-feira da 19ª Semana do Tempo Comum) Cristo, embora seja Deus, rebaixou-se a si mesmo e, para dar-nos a prova cabal do seu amor, deixou-se castigar pelos nossos pecados e ser esmagado pela nossa iniqüidade. Agora nós, para podermos participar um dia de sua grandeza e cantar para sempre os seus louvores, temos de segui-lo na humildade e reconhecermos o nosso nada. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta terça-feira, dia 15 de agosto, e imploremos juntos o socorro de Nossa Senhora, que, por sua perfeita submissão à vontade divina, mereceu ser exaltada como Rainha de toda criatura. Santo do Dia: Assunção de Nossa Senhora Evangelho (Mt 18,1-5.10.12-14) — Aleluia, Aleluia, Aleluia — Tomai meu jogo sobre vós e aprendei de mim que sou de coração humilde e manso! (Mt 11,29) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 1 os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” 2 Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3 e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. 4 Quem se faz pequeno como esta criança, este é o maior no Reino dos Céus. 5 E quem recebe em meu nome uma criança como esta é a mim que recebe. 10 Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus. 12 Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixa ele as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? 13 Em verdade vos digo, se ele a encontrar, ficará mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam. 14 Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Homilia Diária | Virgem Maria: a maior no Reino dos Céus

    (Terça-feira da 19ª Semana do Tempo Comum) Cristo, embora seja Deus, rebaixou-se a si mesmo e, para dar-nos a prova cabal do seu amor, deixou-se castigar pelos nossos pecados e ser esmagado pela nossa iniqüidade. Agora nós, para podermos participar um dia de sua grandeza e cantar para sempre os seus louvores, temos de segui-lo na humildade e reconhecermos o nosso nada. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta terça-feira, dia 15 de agosto, e imploremos juntos o socorro de Nossa Senhora, que, por sua perfeita submissão à vontade divina, mereceu ser exaltada como Rainha de toda criatura. Santo do Dia: Assunção de Nossa Senhora Evangelho (Mt 18,1-5.10.12-14) — Aleluia, Aleluia, Aleluia — Tomai meu jogo sobre vós e aprendei de mim que sou de coração humilde e manso! (Mt 11,29) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 1 os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” 2 Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3 e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. 4 Quem se faz pequeno como esta criança, este é o maior no Reino dos Céus. 5 E quem recebe em meu nome uma criança como esta é a mim que recebe. 10 Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus. 12 Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixa ele as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? 13 Em verdade vos digo, se ele a encontrar, ficará mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam. 14 Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Primeiro Dia da Quaresma de São Miguel

    A todos que praticam a devoção da Quaresma de São Miguel, a começar neste dia 15 de agosto, oferecemos a seguir um roteiro com várias preces a esse Arcanjo, invocado em toda a Igreja como príncipe das milícias celestes. Reze os 40 dias conosco! Como sugestão, além do roteiro que disponibilizamos abaixo, convidamos a todos para rezar o Rosário com o Frei Gilson ou Instituto Hesed , todos os dias às 4h da manhã ou no horário que tiver possibilidade: Aqueles que preferirem podem rezar a versão resumida: É costume que a Quaresma de São Miguel seja rezada diariamente, entre 15 de agosto e 29 de setembro , quando se celebra a festa deste Santo Arcanjo. Mas ela também pode ser feita em qualquer outra época do ano, por um período de 40 dias. Esta devoção deve-se a São Francisco de Assis, que sempre fazia orações especiais a São Miguel, quarenta dias antes da festa do Arcanjo (29 de Setembro). Foi difundida através dos seus discípulos, que o imitavam nessa devoção e recebiam graças. E, até hoje, temos esse belíssimo costume de consagrar as nossas vidas a São Miguel. Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Por se tratar de uma devoção privada , os fiéis que a praticam são livres para adotar as orações de sua preferência. As preces a seguir são mais uma sugestão de roteiro do que um rito fixo e imóvel, e costumam ser rezadas em frente a uma escultura ou estampa de São Miguel, e com uma vela benta acesa em sua honra. Também é hábito que se una a essas orações a prática de alguma penitência especial ao longo de toda a quarentena. Aos que praticam essa devoção em família, talvez valha a pena baixar este arquivo em formato pdf , com as orações em latim e português, e fazer uma impressão dele para esses dias. No final do artigo é possível baixar outros arquivos que ajudarão a viver bem a Quaresma de São Miguel. Aos que desejarem conhecer mais e melhor essa prática, sua origem e seu significado espiritual, recomendamos que assistam aos seguintes programas “Ao vivo com Pe. Paulo”, sobre esse tema: O que é necessário? Antes de tudo, termos os devidos cuidados para não cairmos em superstição. A superstição é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Então, o nosso coração deve estar reconciliado com Deus e cheio de bons propósitos, para isso faça um breve exame de consciência. Após esta breve análise da sua vida, faça um altar com uma imagem de São Miguel (pode ser estátua ou de papel), colocando velas ou lamparinas bentas, e flores para enfeitar. Durante a Quaresma, faça penitências, jejuns e abstinências e uma boa confissão. Leia também Sugestões de penitências e mortificações na quaresma Durante todos os dias da quaresma de São Miguel, faça o Sinal da Cruz, se possível acenda uma vela, diga a sua intenção particular – por si ou por alguém – e reze as orações abaixo, e no dia 29 de Setembro procure participar da Festa de São Miguel com a Santa Missa. 1. Sinal da cruz . — Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 2. Pequeno exorcismo de Leão XIII . — São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate. Cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o Deus, instantemente o pedimos; e vós, príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno Satanás e os outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém. 3. Ladainha de São Miguel Arcanjo ( versão latina aqui ): Senhor, tende piedade de nós . Jesus Cristo, tende piedade de nós . Senhor, tende piedade de nós . Cristo, ouvi-nos . Cristo, atendei-nos . Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós . Filho redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós . Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós . Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós . Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós . São Miguel, rogai por nós . São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai … São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, São Miguel, coroado de honra e de glória, São Miguel, poderosíssimo príncipe dos exércitos do Senhor, São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, São Miguel, guardião do Paraíso, São Miguel, guia e consolador do povo israelita, São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante, São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante, São Miguel, luz dos anjos, São Miguel, baluarte dos cristãos, São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da cruz, São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, São Miguel, socorro muito certo, São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, São Miguel, arauto da sentença eterna, São Miguel, consolador das almas que estão no Purgatório, São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas depois da morte, São Miguel, nosso príncipe, São Miguel, nosso advogado, rogai por nós . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós . Rogai por nós, ó glorioso São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo, para que sejamos dignos de suas promessas . Oremos : Senhor Jesus, santificai-nos por uma bênção sempre nova e concedei-nos, pela intercessão de São Miguel, essa sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas do céu e a trocar os bens do tempo presente pelos da eternidade. Vós que viveis e reinais em todos os séculos dos séculos. Amém. 4. Consagração a São Miguel Arcanjo . — Ó Príncipe nobilíssimo dos Anjos, valoroso guerreiro do Altíssimo, zeloso defensor da glória do Senhor, terror dos espíritos rebeldes, amor e delícia de todos os Anjos justos, meu diletíssimo Arcanjo São Miguel, desejando eu fazer parte do número dos vossos devotos e servos, a vós hoje me consagro, me dou e me ofereço e ponho-me a mim próprio, a minha família e tudo o que me pertence, debaixo da vossa poderosíssima proteção. É pequena a oferta do meu serviço, sendo como sou um miserável pecador, mas vós engrandecereis o afeto do meu coração; recordai-vos que de hoje em diante estou debaixo do vosso sustento e deveis assistir-me em toda a minha vida e obter-me o perdão dos meus muitos e graves pecados, a graça de amar a Deus de todo coração, ao meu querido Salvador Jesus Cristo e a minha Mãe Maria Santíssima. Obtende-me aqueles auxílios que me são necessários para obter a coroa da eterna glória. Defendei-me dos inimigos da alma, especialmente na hora da morte. Vinde, ó príncipe gloriosíssimo, assistir-me na última luta e com a vossa arma poderosa lançai para longe, precipitando nos abismos do inferno, aquele anjo quebrador de promessas e soberbo que um dia prostrastes no combate no Céu. São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate para que não pereçamos no supremo juízo. 5. Oração final . — Levanta-se Deus, pela intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, São Miguel Arcanjo e todas as milícias celestes; sejam dispersos os seus inimigos e fujam de sua face todos os que o odeiam. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 6. Oração “Augusta Rainha” . — Augusta Rainha dos céus, soberana mestra dos Anjos, Vós que, desde o princípio, recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, nós vo-lo pedimos humildemente, enviai vossas legiões celestes para que, sob vossas ordens, e por vosso poder, elas persigam os demônios, combatendo-os por toda a parte, reprimindo-lhes a insolência, e lançando-os no abismo. Quem é como Deus? Ó Mãe de bondade e ternura, Vós sereis sempre o nosso amor e a nossa esperança. Ó Mãe divina, enviai os Santos Anjos para nos defenderem, e repeli para longe de nós o cruel inimigo. Santos Anjos e Arcanjos, defendei-nos e guardai-nos. Amém. Notas Na liturgia atual, S. Gabriel e S. Rafael também são celebrados no dia 29 de setembro, quando se encerra essa devoção. Mas vale a pena recordar, aos amantes do rito tradicional, que no calendário antigo os três arcanjos eram festejados separadamente: Gabriel em 24 de março, véspera da Anunciação, e Rafael em 24 de outubro (ambas festas de 3.ª classe, o equivalente às nossas memórias ). São Miguel manteve o dia 29 de setembro, mas antes era honrado com uma festa de 1.ª classe (o equivalente às nossas solenidades ). Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Outros arquivos para baixar : Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (preto e branco) Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (colorido) Calendário da Quaresma de São Miguel Capelinha de São Miguel

  • Primeiro Dia da Quaresma de São Miguel

    A todos que praticam a devoção da Quaresma de São Miguel, a começar neste dia 15 de agosto, oferecemos a seguir um roteiro com várias preces a esse Arcanjo, invocado em toda a Igreja como príncipe das milícias celestes. Reze os 40 dias conosco! Como sugestão, além do roteiro que disponibilizamos abaixo, convidamos a todos para rezar o Rosário com o Frei Gilson ou Instituto Hesed , todos os dias às 4h da manhã ou no horário que tiver possibilidade: Aqueles que preferirem podem rezar a versão resumida: É costume que a Quaresma de São Miguel seja rezada diariamente, entre 15 de agosto e 29 de setembro , quando se celebra a festa deste Santo Arcanjo. Mas ela também pode ser feita em qualquer outra época do ano, por um período de 40 dias. Esta devoção deve-se a São Francisco de Assis, que sempre fazia orações especiais a São Miguel, quarenta dias antes da festa do Arcanjo (29 de Setembro). Foi difundida através dos seus discípulos, que o imitavam nessa devoção e recebiam graças. E, até hoje, temos esse belíssimo costume de consagrar as nossas vidas a São Miguel. Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Por se tratar de uma devoção privada , os fiéis que a praticam são livres para adotar as orações de sua preferência. As preces a seguir são mais uma sugestão de roteiro do que um rito fixo e imóvel, e costumam ser rezadas em frente a uma escultura ou estampa de São Miguel, e com uma vela benta acesa em sua honra. Também é hábito que se una a essas orações a prática de alguma penitência especial ao longo de toda a quarentena. Aos que praticam essa devoção em família, talvez valha a pena baixar este arquivo em formato pdf , com as orações em latim e português, e fazer uma impressão dele para esses dias. No final do artigo é possível baixar outros arquivos que ajudarão a viver bem a Quaresma de São Miguel. Aos que desejarem conhecer mais e melhor essa prática, sua origem e seu significado espiritual, recomendamos que assistam aos seguintes programas “Ao vivo com Pe. Paulo”, sobre esse tema: O que é necessário? Antes de tudo, termos os devidos cuidados para não cairmos em superstição. A superstição é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Então, o nosso coração deve estar reconciliado com Deus e cheio de bons propósitos, para isso faça um breve exame de consciência. Após esta breve análise da sua vida, faça um altar com uma imagem de São Miguel (pode ser estátua ou de papel), colocando velas ou lamparinas bentas, e flores para enfeitar. Durante a Quaresma, faça penitências, jejuns e abstinências e uma boa confissão. Leia também Sugestões de penitências e mortificações na quaresma Durante todos os dias da quaresma de São Miguel, faça o Sinal da Cruz, se possível acenda uma vela, diga a sua intenção particular – por si ou por alguém – e reze as orações abaixo, e no dia 29 de Setembro procure participar da Festa de São Miguel com a Santa Missa. 1. Sinal da cruz . — Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 2. Pequeno exorcismo de Leão XIII . — São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate. Cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o Deus, instantemente o pedimos; e vós, príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno Satanás e os outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém. 3. Ladainha de São Miguel Arcanjo ( versão latina aqui ): Senhor, tende piedade de nós . Jesus Cristo, tende piedade de nós . Senhor, tende piedade de nós . Cristo, ouvi-nos . Cristo, atendei-nos . Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós . Filho redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós . Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós . Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós . Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós . São Miguel, rogai por nós . São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai … São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, São Miguel, coroado de honra e de glória, São Miguel, poderosíssimo príncipe dos exércitos do Senhor, São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, São Miguel, guardião do Paraíso, São Miguel, guia e consolador do povo israelita, São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante, São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante, São Miguel, luz dos anjos, São Miguel, baluarte dos cristãos, São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da cruz, São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, São Miguel, socorro muito certo, São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, São Miguel, arauto da sentença eterna, São Miguel, consolador das almas que estão no Purgatório, São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas depois da morte, São Miguel, nosso príncipe, São Miguel, nosso advogado, rogai por nós . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós . Rogai por nós, ó glorioso São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo, para que sejamos dignos de suas promessas . Oremos : Senhor Jesus, santificai-nos por uma bênção sempre nova e concedei-nos, pela intercessão de São Miguel, essa sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas do céu e a trocar os bens do tempo presente pelos da eternidade. Vós que viveis e reinais em todos os séculos dos séculos. Amém. 4. Consagração a São Miguel Arcanjo . — Ó Príncipe nobilíssimo dos Anjos, valoroso guerreiro do Altíssimo, zeloso defensor da glória do Senhor, terror dos espíritos rebeldes, amor e delícia de todos os Anjos justos, meu diletíssimo Arcanjo São Miguel, desejando eu fazer parte do número dos vossos devotos e servos, a vós hoje me consagro, me dou e me ofereço e ponho-me a mim próprio, a minha família e tudo o que me pertence, debaixo da vossa poderosíssima proteção. É pequena a oferta do meu serviço, sendo como sou um miserável pecador, mas vós engrandecereis o afeto do meu coração; recordai-vos que de hoje em diante estou debaixo do vosso sustento e deveis assistir-me em toda a minha vida e obter-me o perdão dos meus muitos e graves pecados, a graça de amar a Deus de todo coração, ao meu querido Salvador Jesus Cristo e a minha Mãe Maria Santíssima. Obtende-me aqueles auxílios que me são necessários para obter a coroa da eterna glória. Defendei-me dos inimigos da alma, especialmente na hora da morte. Vinde, ó príncipe gloriosíssimo, assistir-me na última luta e com a vossa arma poderosa lançai para longe, precipitando nos abismos do inferno, aquele anjo quebrador de promessas e soberbo que um dia prostrastes no combate no Céu. São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate para que não pereçamos no supremo juízo. 5. Oração final . — Levanta-se Deus, pela intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, São Miguel Arcanjo e todas as milícias celestes; sejam dispersos os seus inimigos e fujam de sua face todos os que o odeiam. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 6. Oração “Augusta Rainha” . — Augusta Rainha dos céus, soberana mestra dos Anjos, Vós que, desde o princípio, recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, nós vo-lo pedimos humildemente, enviai vossas legiões celestes para que, sob vossas ordens, e por vosso poder, elas persigam os demônios, combatendo-os por toda a parte, reprimindo-lhes a insolência, e lançando-os no abismo. Quem é como Deus? Ó Mãe de bondade e ternura, Vós sereis sempre o nosso amor e a nossa esperança. Ó Mãe divina, enviai os Santos Anjos para nos defenderem, e repeli para longe de nós o cruel inimigo. Santos Anjos e Arcanjos, defendei-nos e guardai-nos. Amém. Notas Na liturgia atual, S. Gabriel e S. Rafael também são celebrados no dia 29 de setembro, quando se encerra essa devoção. Mas vale a pena recordar, aos amantes do rito tradicional, que no calendário antigo os três arcanjos eram festejados separadamente: Gabriel em 24 de março, véspera da Anunciação, e Rafael em 24 de outubro (ambas festas de 3.ª classe, o equivalente às nossas memórias ). São Miguel manteve o dia 29 de setembro, mas antes era honrado com uma festa de 1.ª classe (o equivalente às nossas solenidades ). Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Outros arquivos para baixar : Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (preto e branco) Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (colorido) Calendário da Quaresma de São Miguel Capelinha de São Miguel

  • O menino que, guiado pela Virgem, revelou ao Papa o dogma da Assunção

    A fantástica história Guilles Bouhours, e o milagre que marcou o pontificado do Papa Pio XII – Dogma da Assunção de Nossa Senhora. Gilles Bouhours nasce em 27 de Novembro de 1944, em Bergerac, sul de França. Quando tinha apenas 1 ano, foi curado milagrosamente, graças à intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus. Aos 4 anos foi portador de uma mensagem de Maria Santíssima, na qual se lhe ordenava que a sua missão era ir até ao Papa Pio XII para lhe transmitir o que a Virgem lhe tinha comunicado. Gil, desde pequenino tinha muita piedade, rezava longas horas e era visto fazendo penitência. E com apenas três anos de idade, um dia apresentou-se diante de seu pai e disse: “Pai, a SMA. VIRGEM deu-me uma mensagem que eu tenho que passar o para o Papa. Devo ir vê-lo”. No início, o pai não levou o assunto a sério, mas o pequeno Gil insistiu nessa missão por dois anos. E sua mãe por curiosidade perguntou-lhe como era a mensagem. A resposta foi imediata: “Mãe, a mensagem não é para você, é para o papa!” Em uma ocasião o pai perguntou-lhe: “E você sabe quem é o Papa?” GIL responde: “o Papa é o Papa e eu tenho que dar a mensagem da Virgem!” Os vizinhos cientes deste fato, ofereceram para pagar a viagem do menino e seu pai a Roma. E no ano do Senhor de 1949, finalmente partiu. Durante a viagem o senhor BOUHOURS tinha este pensamento, com que cara iria tocar as portas do Vaticano e dizer “Eu preciso de uma audiência com o Papa, mas não para mim, mas para meu filho de 5 anos!?” E quando chegaram a Roma, hospedaram-se num colégio francês. A princípio, ninguém sabia de sua chegada, que ocorreu numa terça-feira. No dia seguinte, um emissário do papa perguntou na portaria do colégio, se uma criança da região de Lourdes, havia se hospedado ali. E quando o pai se inteirou deste fato, ficou maravilhado. Como o papa ficou sabendo da sua chegada? De qualquer modo, foi um alívio saber que a audiência foi facilitada de maneira extraordinária. A entrevista seria no dia seguinte, numa quinta-feira, no dia 10 de dezembro de 1949. Um secretário recebe e leva a criança para falar com sua santidade o papa, e seu pai ficou esperando do lado de fora cerca de uma hora. Nota: as audiências com o papa raramente duravam mais que 20 minutos. Ao final da audiência, o mesmo papa tomando a criança pelas mãos, devolve o pequeno para o seu pai, agradeceu e lhe disse: “Há tempos que peço ao céu que me dê uma confirmação, um sinal claro de aceitação do céu, de um dogma que desejo declarar. E seu filho me trouxe uma mensagem da Santíssima Virgem Maria”. Nada se sabe da entrevista do Papa com o menino, que teve lugar em Maio de 1950, exceto o que o Pontífice deu a conhecer: o menino comunicou-lhe, da parte da Mãe de Deus, que esta Senhora, depois da sua vida mortal, subiu ao Céu em corpo e alma. Precisamente, o Papa Pio XII havia pedido a Nosso Senhor um sinal sobrenatural para decidir-se a proclamar o dogma da Assunção de Maria. O pequeno Gilles foi o sinal que o Céu outorgou ao Pontífice, e assim, em 1 de Novembro de 1950, foi proclamado o Dogma da Assunção de Nossa Mãe Celestial. Leia também Conheça mais sobre o Dogma da Assunção de Nossa Senhora A partir dos seus quatro anos, o pequeno Gilles teve autorização para comungar. A sua devoção a Jesus Sacramentado era extraordinária. Também desde a mais tenra idade manifestou o seu desejo de ser sacerdote e missionário. Em 12 de Junho de 1949 fez a Primeira Comunhão, e dois meses depois manteve o seguinte diálogo com um missionário conhecido: – Que queres ser quando fores grande? – Sacerdote. – E porquê queres ser sacerdote? – Para pôr Jesus na Hóstia Sagrada. – Não gostavas também de ser missionário? – Que quer dizer missionário? – É um sacerdote que faz com que se amem muito a Jesus e a Maria. – Sim, sim, claro que gostaria de ser missionário. Este desejo chegou a ser nele como uma obsessão, traduzindo-se numa fome insaciável do Pão dos Anjos. Não temia a frio, nem nada deste mundo, quando ia comungar. O seu recolhimento era algo insólito e nada usual. Inclusivamente chegou – nunca como um jogo, ou para se divertir – a celebrar “Missas Brancas”, o que significava recitar num altar, disposto num compartimento de sua casa, todas as orações da Missa, tais como as diz o sacerdote, do princípio ao fim, sem que se produzisse a Consagração, como é lógico, mas revestido com os paramentos que previamente lhe tinham confeccionado para esse efeito, tendo em conta a sua estatura. Os sermões que pregava às pessoas que presenciavam estas cerimônias, dignas de um anjo, eram cheios de profundidade e fervor, sem erro algum. É preciso dizer-se que, quando se entrevistou com Sua Santidade o Papa Pio XII, cantou a antífona litúrgica “Parce Domine”, com os braços em cruz e como o ensinou a Santíssima Virgem. Certo dia protestou durante a refeição, porque não gostava muito da sopa. Tinha 5 anos. Seu pai disse-lhe que isso não agradava à Santíssima Virgem, porque era um capricho tolo. O menino, então, comeu a sopa toda sem recalcitrar e quando acabou, disse: «Papá, dá-me um pouco mais. Está tão boa, esta sopa!» Seguidamente, transcreve-se uma pequena parte de um sermão que Gilles pronunciou em 13 de Setembro de 1952: « Hoje vamos falar da Paixão de Jesus. Estava no Jardim das Oliveiras com três dos seus Apóstolos. Sabia muito bem que havia um que O ia atraiçoar e que se acercava d’Ele com má intenção. Era em plena noite, e Jesus encontrava-se sob o peso dos pecados dos homens. E orava a seu Pai, dizendo: Que este cálice… Então, dirigindo-se aos seus Apóstolos, que dormiam, disse-lhes: “Não podeis velar uma hora co’Migo? Vigiai e orai, porque vão entregar o Filho do Homem”. » Admiráveis expressões na boca de uma criança. Muito poucos anos depois, Nosso Senhor levá-lo-á para o Céu. Leia também Aprenda como rezar a Quaresma de São Miguel Em 24 de Fevereiro de 1960 Gilles cai doente, com um misterioso torpor que nenhum médico conseguiu diagnosticar. Ao cabo de 48 horas, e após receber os últimos Sacramentos, o adolescente (15 anos) morre. Antes de expirar, disse: «Vou morrer, mas não choreis. Estou bem e contente.» Seguidamente, juntou as mãos e orou assim: «Meu Deus, peço-Vos perdão de todos os meus pecados… Senhor meu, Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro…» Entregou a sua alma a Deus em 26 de Fevereiro de 1960, às 6 horas da manhã. No seu túmulo estão gravadas estas palavras, que ele mesmo disse: “Amai a Deus e a Santíssima Virgem. Oferecei-Lhes todos os vossos sofrimentos e assim recuperareis a paz da alma.” Gilles Bouhours Leia também: Assim morreu a Virgem Maria de acordo com São João Damasceno, Doutor da Igreja #AssunçãodeNossaSenhora #NossaSenhora #SantíssimaVirgem

  • O menino que, guiado pela Virgem, revelou ao Papa o dogma da Assunção

    A fantástica história Guilles Bouhours, e o milagre que marcou o pontificado do Papa Pio XII – Dogma da Assunção de Nossa Senhora. Gilles Bouhours nasce em 27 de Novembro de 1944, em Bergerac, sul de França. Quando tinha apenas 1 ano, foi curado milagrosamente, graças à intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus. Aos 4 anos foi portador de uma mensagem de Maria Santíssima, na qual se lhe ordenava que a sua missão era ir até ao Papa Pio XII para lhe transmitir o que a Virgem lhe tinha comunicado. Gil, desde pequenino tinha muita piedade, rezava longas horas e era visto fazendo penitência. E com apenas três anos de idade, um dia apresentou-se diante de seu pai e disse: “Pai, a SMA. VIRGEM deu-me uma mensagem que eu tenho que passar o para o Papa. Devo ir vê-lo”. No início, o pai não levou o assunto a sério, mas o pequeno Gil insistiu nessa missão por dois anos. E sua mãe por curiosidade perguntou-lhe como era a mensagem. A resposta foi imediata: “Mãe, a mensagem não é para você, é para o papa!” Em uma ocasião o pai perguntou-lhe: “E você sabe quem é o Papa?” GIL responde: “o Papa é o Papa e eu tenho que dar a mensagem da Virgem!” Os vizinhos cientes deste fato, ofereceram para pagar a viagem do menino e seu pai a Roma. E no ano do Senhor de 1949, finalmente partiu. Durante a viagem o senhor BOUHOURS tinha este pensamento, com que cara iria tocar as portas do Vaticano e dizer “Eu preciso de uma audiência com o Papa, mas não para mim, mas para meu filho de 5 anos!?” E quando chegaram a Roma, hospedaram-se num colégio francês. A princípio, ninguém sabia de sua chegada, que ocorreu numa terça-feira. No dia seguinte, um emissário do papa perguntou na portaria do colégio, se uma criança da região de Lourdes, havia se hospedado ali. E quando o pai se inteirou deste fato, ficou maravilhado. Como o papa ficou sabendo da sua chegada? De qualquer modo, foi um alívio saber que a audiência foi facilitada de maneira extraordinária. A entrevista seria no dia seguinte, numa quinta-feira, no dia 10 de dezembro de 1949. Um secretário recebe e leva a criança para falar com sua santidade o papa, e seu pai ficou esperando do lado de fora cerca de uma hora. Nota: as audiências com o papa raramente duravam mais que 20 minutos. Ao final da audiência, o mesmo papa tomando a criança pelas mãos, devolve o pequeno para o seu pai, agradeceu e lhe disse: “Há tempos que peço ao céu que me dê uma confirmação, um sinal claro de aceitação do céu, de um dogma que desejo declarar. E seu filho me trouxe uma mensagem da Santíssima Virgem Maria”. Nada se sabe da entrevista do Papa com o menino, que teve lugar em Maio de 1950, exceto o que o Pontífice deu a conhecer: o menino comunicou-lhe, da parte da Mãe de Deus, que esta Senhora, depois da sua vida mortal, subiu ao Céu em corpo e alma. Precisamente, o Papa Pio XII havia pedido a Nosso Senhor um sinal sobrenatural para decidir-se a proclamar o dogma da Assunção de Maria. O pequeno Gilles foi o sinal que o Céu outorgou ao Pontífice, e assim, em 1 de Novembro de 1950, foi proclamado o Dogma da Assunção de Nossa Mãe Celestial. Leia também Conheça mais sobre o Dogma da Assunção de Nossa Senhora A partir dos seus quatro anos, o pequeno Gilles teve autorização para comungar. A sua devoção a Jesus Sacramentado era extraordinária. Também desde a mais tenra idade manifestou o seu desejo de ser sacerdote e missionário. Em 12 de Junho de 1949 fez a Primeira Comunhão, e dois meses depois manteve o seguinte diálogo com um missionário conhecido: – Que queres ser quando fores grande? – Sacerdote. – E porquê queres ser sacerdote? – Para pôr Jesus na Hóstia Sagrada. – Não gostavas também de ser missionário? – Que quer dizer missionário? – É um sacerdote que faz com que se amem muito a Jesus e a Maria. – Sim, sim, claro que gostaria de ser missionário. Este desejo chegou a ser nele como uma obsessão, traduzindo-se numa fome insaciável do Pão dos Anjos. Não temia a frio, nem nada deste mundo, quando ia comungar. O seu recolhimento era algo insólito e nada usual. Inclusivamente chegou – nunca como um jogo, ou para se divertir – a celebrar “Missas Brancas”, o que significava recitar num altar, disposto num compartimento de sua casa, todas as orações da Missa, tais como as diz o sacerdote, do princípio ao fim, sem que se produzisse a Consagração, como é lógico, mas revestido com os paramentos que previamente lhe tinham confeccionado para esse efeito, tendo em conta a sua estatura. Os sermões que pregava às pessoas que presenciavam estas cerimônias, dignas de um anjo, eram cheios de profundidade e fervor, sem erro algum. É preciso dizer-se que, quando se entrevistou com Sua Santidade o Papa Pio XII, cantou a antífona litúrgica “Parce Domine”, com os braços em cruz e como o ensinou a Santíssima Virgem. Certo dia protestou durante a refeição, porque não gostava muito da sopa. Tinha 5 anos. Seu pai disse-lhe que isso não agradava à Santíssima Virgem, porque era um capricho tolo. O menino, então, comeu a sopa toda sem recalcitrar e quando acabou, disse: «Papá, dá-me um pouco mais. Está tão boa, esta sopa!» Seguidamente, transcreve-se uma pequena parte de um sermão que Gilles pronunciou em 13 de Setembro de 1952: « Hoje vamos falar da Paixão de Jesus. Estava no Jardim das Oliveiras com três dos seus Apóstolos. Sabia muito bem que havia um que O ia atraiçoar e que se acercava d’Ele com má intenção. Era em plena noite, e Jesus encontrava-se sob o peso dos pecados dos homens. E orava a seu Pai, dizendo: Que este cálice… Então, dirigindo-se aos seus Apóstolos, que dormiam, disse-lhes: “Não podeis velar uma hora co’Migo? Vigiai e orai, porque vão entregar o Filho do Homem”. » Admiráveis expressões na boca de uma criança. Muito poucos anos depois, Nosso Senhor levá-lo-á para o Céu. Leia também Aprenda como rezar a Quaresma de São Miguel Em 24 de Fevereiro de 1960 Gilles cai doente, com um misterioso torpor que nenhum médico conseguiu diagnosticar. Ao cabo de 48 horas, e após receber os últimos Sacramentos, o adolescente (15 anos) morre. Antes de expirar, disse: «Vou morrer, mas não choreis. Estou bem e contente.» Seguidamente, juntou as mãos e orou assim: «Meu Deus, peço-Vos perdão de todos os meus pecados… Senhor meu, Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro…» Entregou a sua alma a Deus em 26 de Fevereiro de 1960, às 6 horas da manhã. No seu túmulo estão gravadas estas palavras, que ele mesmo disse: “Amai a Deus e a Santíssima Virgem. Oferecei-Lhes todos os vossos sofrimentos e assim recuperareis a paz da alma.” Gilles Bouhours Leia também: Assim morreu a Virgem Maria de acordo com São João Damasceno, Doutor da Igreja #AssunçãodeNossaSenhora #NossaSenhora #SantíssimaVirgem

  • Solenidade da Assunção de Nossa Senhora – 15 de agosto

    SANTO DO DIA – 15 DE AGOSTO – ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA A festa da Assunção nos convida a meditar sobre a glória inefável da Virgem Maria, o Paraíso de Deus. Quanto mais o homem procura aprofundar-se no conhecimento de Deus, mais compreende que não conseguirá abarcá-Lo, tais as grandezas e os mistérios com os quais se depara.O Criador, que estabelece as regras, se apraz em criar magníficas exceções. Três criaturas não podiam ser criadas em grau mais excelente, ensina-nos a Teologia. A primeira delas é Jesus Cristo, Homem-Deus: impossível ser mais perfeito, nada haveria a acrescentar. A segunda, Maria: “quase divina”, é a expressão utilizada por vários teólogos para se referir à Mãe do Redentor. E, por fim, a visão beatífica, o Céu: o prêmio reservado aos justos não poderia ser melhor nem maior. É o próprio Deus que Se dá aos Bem-aventurados! Por que morreu a Mãe da Vida? Em Maria Santíssima está a plenitude de graças e de perfeições possíveis a uma mera criatura. Segundo a bela expressão de Santo Antonino, “Deus reuniu todas as águas e chamou-as mar, reuniu todas as suas graças e chamou-as Maria”. Desde toda a eternidade, o decreto divino estabelecia o singularíssimo privilégio de ser a Virgem Santíssima concebida livre da mancha original. Privilégio este próprio Àquela que geraria em seu seio o próprio Deus. Transcorrida sua vida nesta terra, o que aconteceria com nossa Mãe? Ela, que havia dado à luz, alimentado e protegido o Menino-Deus, e recebido em seus braços virginais o Corpo dilacerado de seu Filho e Redentor, estava prestes a exalar o último suspiro. Como poderia passar pelo transe da morte aquela Virgem Imaculada, nunca tocada pela mais leve sombra de qualquer falta? Sem embargo, como o suave declinar do sol num magnífico entardecer, a Mãe da Vida rendia sua alma. Por que morria Maria? Tendo Ela participado de todas as dores da Paixão de Jesus, não quis deixar de passar pela morte, para em tudo imitar seu Deus e Senhor. Assista a homilia: De que morreu Maria? Perfeitíssima era a natureza da Virgem Maria. Com efeito, afirma Tertuliano que “se Deus empregou tanto cuidado ao formar o corpo de Adão, pela razão de seu pensamento voar até Cristo, que deveria nascer dele, quanto maior cuidado não terá tido ao formar o corpo de Maria, da qual devia nascer, não de modo remoto e mediato, mas de modo próximo e imediato, o Verbo Encarnado?” (1) Ademais, escreveu Santo Antonino, “a nobreza do corpo aumenta e se intensifica em proporção com a maior nobreza da alma, com a qual está unido e pela qual é informado. E é racional, pois a matéria e a forma são proporcionadas uma à outra. Sendo, portanto, que a alma da Virgem foi a mais nobre, depois da do Redentor, é lógico concluir-se que também seu corpo foi o mais nobre, depois do de seu Filho” (2). À alma santíssima de Maria, concebida sem pecado original e cheia de graça desde o primeiro instante de sua existência, correspondia, portanto, um organismo humano perfeitíssimo, sem o menor desequilíbrio. Em conseqüência de sua virginal natureza, Nossa Senhora foi imune a qualquer doença, e jamais esteve sujeita à degenerescência do corpo causada pela idade. De que morreu, pois, a Mãe de Deus? O termo da existência terrena de Maria deveu-se à “força do divino amor e ao veemente desejo de contemplação das coisas celestiais, que consumiam seu coração” (3). A Santíssima Virgem morreu de amor! São Francisco de Sales assim descreve esse sublime acontecimento: “Quão ativo e poderoso (…) é o amor divino! Nada de estranho se vos digo que Nossa Senhora dele morreu, pois, levando sempre em seu coração as chagas do Filho, padecia- as sem consumir-se, mas finalmente morreu pelo ímpeto da dor. Sofria sem morrer, porém, por fim, morreu sem sofrer. “Oh, paixão de amor! Oh, amor de paixão! Se seu Filho estava no Céu, seu coração já não estava n’Ela. Estava naquele corpo que amava tanto, ossos de seus ossos, carne de sua carne, e ao Céu voava aquela águia santa. Seu coração, sua alma, sua vida, tudo estava no Céu: por que haviam de ficar aqui na terra? “Finalmente, após tantos vôos espirituais, tantos arrebatamentos e tantos êxtases, aquele castelo santo de pureza e humildade rendeu-se ao último assalto do amor, depois de haver resistido a tantos. O amor A venceu, e consigo levou sua benditíssima alma” (4). Essa morte de Maria, suave e bendita como um lindo entardecer, a Igreja designa pelo sugestivo nome de “dormição”, para significar que seu corpo não sofreu a corrupção. Cheia de graça e cheia de glória Quanto durou a permanência do puríssimo corpo de Maria no sepulcro? Não o sabemos. Mas, segundo a tradição, muito pouco tempo esteve a alma separada de seu corpo. E, na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, afirma o Papa Pio XII: “Por um privilégio inteiramentesingular, Ela venceu o pecado com sua Conceição Imaculada; e por esse motivo não foi sujeita à lei de permanecer na corrupção do sepulcro, nem teve de esperar a redenção do corpo até o fim dos tempos” . Assim, resplandecente de glória, a alma santíssima de Nossa Senhora reassumiu seu virginal corpo, tornando-o completamente espiritualizado, luminoso, sutil, ágil e impassível. E Maria – que quer dizer “Senhora de Luz” – elevou-se em corpo e alma ao Céu, enquanto as incontáveis legiões das milícias angélicas exclamavam maravilhadas ao contemplar sua Soberana cruzando os umbrais eternos: “Quem é esta que surge triunfante como a aurora esplendorosa, bela como a lua, refulgente e invencível como o sol que sobe no firmamento e terrível como um exército em ordem de batalha?” (5). E ouviu-se uma grande voz que dizia: “Eis aqui o tabernáculo de Deus” (Ap 21, 3). A Filha bem-amada do Pai, a Mãe virginal do Verbo, a Esposa puríssima do Espírito Santo foi coroada, então, pelas Três Divinas Pessoas para reinar no universo, pelos séculos dos séculos, “à direita do Rei” (Sl 44, 10). O dogma A verdade desta glorificação única e completa da Santíssima Virgem foi definida solenemente como dogma de Fé pelo Papa Pio XII, no dia 1º de novembro de 1950, com estas belas palavras: “Depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a luz do Espírito de verdade, para a glória de Deus onipotente que à Virgem Maria concedeu sua especial benevolência, para a honra de seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória de sua augusta Mãe e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Bem-aventurados Apóstolos São Pedro e São Paulo e com a Nossa, pronunciamos, declaramos e definimos que: A Imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. (Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2004, n. 32, p. 18 à 20) Ascensão de Nosso Senhor e Assunção de Maria É comum haver certa confusão de conceitos a respeito da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Assunção de Nossa Senhora. O famoso teólogo Fr. Antonio Royo Marin elucida a questão: Não é exata, portanto, a distinção que estabelecem alguns entre a Ascensão do Senhor e a Assunção de Maria, como se a primeira se distinguisse da segunda pelo fato de ter sido feita por sua própria virtude ou poder, enquanto a Assunção de Maria necessitava do concurso ou ajuda dos Anjos. Não é isso. A diferença está em que Cristo teria podido ascender ao Céu por seu próprio poder ainda antes de sua morte e gloriosa ressurreição, enquanto que Maria não poderia fazê-lo – salvo um milagre – antes de sua própria ressurreição Porém, uma vez realizada esta, a Assunção se verificou utilizando sua própria agilidade gloriosa, sem a necessidade do auxílio dos Anjos e sem milagre algum (“La Virgen María”, pp. 213-214). O Dogma da Assunção da Virgem Santíssima foi proclamado, solenemente, pelo Papa Pio XII A Sagrada Tradição da Igreja ensina que Nossa Senhora foi elevada ao céu de corpo e alma, após sua morte. No entanto, as particularidades da morte da Virgem Maria não são conhecidas. Santo Epifânio, bispo de Salamina de Chipre, compôs, nos anos de 374-377, o livro sobre as heresias, no qual escreve: Ou a santa Virgem morreu e foi sepultada e seguiu-se depois sua Assunção na glória, ou sem fim verificou-se em plena e ilibada pureza, adornando a coroa de sua virgindade… (MS, p. 267). O Dogma da Assunção da Virgem Santíssima foi proclamado, solenemente, pelo Papa Pio XII no dia 1º de novembro de 1950 e sua festa é celebrada no dia 15 de agosto. Grande júbilo e alegria pairou sobre todo o mundo católico naquela data, especialmente para os filhos de Maria. Quando o Papa o decretou por meio da Constituição Apostólica Munificientissimus Deus foi uma verdadeira apoteose, tanto na Praça de São Pedro em Roma, como nas outras cidades do mundo católico. Nesse documento disse o Papa: Cristo, com Sua morte, venceu o pecado e a morte e sobre esta e sobre aquele alcançará também vitória pelos merecimentos de Cristo quem for regenerado sobrenaturalmente pelo batismo. Mas por lei natural Deus não quer conceder aos justos o completo efeito dessa vitória sobre a morte, senão quando chegar o fim dos tempos. Por isso os corpos dos justos se dissolvem depois da morte, e somente no último dia tornarão a unir-se, cada um com sua própria alma gloriosa. Mas desta lei geral Deus quis excetuar a Bem-Aventurada Virgem Maria. Ela, por um privilégio todo singular venceu o pecado; por sua Imaculada Conceição, não estando por isso sujeita à lei natural de ficar na corrupção do sepulcro, não foi preciso que esperasse até o fim do mundo para obter a ressurreição do corpo . E, assim, na Praça de São Pedro, em Roma, diante do pórtico de São Pedro, circundado por 36 Cardeais, 555 Patriarcas, Arcebispos e Bispos e sacerdotes, e perante cerca de um milhão de fiéis, o Papa proclamava solenemente: Depois de haver mais uma vez elevado a Deus nossas súplicas e invocado as luzes do Espírito Santo, a glória de Deus Onipotente, que derramou sobre a Virgem Maria Sua especial benevolência, em honra de Seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte, para maior glória de Sua augusta Mãe e para a alegria e exultação de toda a santa Igreja, e pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e Nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma de fé revelado por Deus que: a Imaculada Mãe de Deus, sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrena, foi elevada à glória celeste em corpo e alma (MS, p. 282). O Papa Paulo VI, na Exortação Apostólica Marialis Cultus, resume a importância desse dogma numa expressão cheia de densidade: A solenidade de 15 de agosto celebra a gloriosa Assunção de Maria ao céu : festa de seu destino de plenitude e de bem-aventurança, glorificação de sua alma imaculada e de seu corpo virginal, de sua perfeita configuração com Cristo ressuscitado (MC, n. 6). Assim, Maria participa da ressurreição e glorificação de Cristo. É preciso lembrar, aqui, que somente Jesus e Maria subiram ao céu, de corpo e alma. Os santos estão lá apenas com suas almas, pois os corpos estão na terra, aguardando a ressurreição do último dia. Maria, ao contrário, foi elevada ao céu também com seu corpo já ressuscitado. É uma grande glória dela. A Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, em uma Instrução de 17-05-1979, deixou bem claro: A Igreja, ao expor a sorte do homem após a morte, exclui qualquer explicação que tire o sentido à Assunção de Nossa Senhora naquilo que ela tem de único, ou seja, o fato de ser a glorificação corporal da Virgem Santíssima uma antecipação da glorificação que está destinada a todos os outros eleitos (n. 6). Quais os motivos da Assunção de Nossa Senhora? 1 – Como Maria não esteve sujeita ao poder do pecado para poder ser a Mãe de Deus, também não podia ficar sob o império da morte; pois, como disse São Paulo, o salário do pecado é a morte (Rm 6,23). Assim, Maria não experimentou a corrupção da carne mas foi glorificada em sua alma e seu corpo. 2 – A carne de Jesus e a de Maria são a mesma carne. Portanto a carne de Maria devia ter a mesma glória que teve a de seu Filho. São João de Damasco no ano 749 escreve: Era necessário que aquela que no parto havia conservado ilesa sua virgindade conservasse também sem corrupção alguma seu corpo depois da morte. Era preciso que aquela que havia trazido no seio o Criador feito menino habitasse nos tabernáculos divinos. Era necessário que aquela que tinha visto o Filho sobre a Cruz, recebendo no coração aquela espada das dores das quais fora imune ao dá-Lo à luz, O contemplasse sentado à direita do Pai. Era necessário que a Mãe de Deus possuísse aquilo que pertence ao Filho e fosse honrada por todas as criaturas como Mãe de Deus”. E assim também se exprime São Germano, patriarca de Constantinopla, falecido em 735, e outros santos (MS, pp. 272 e 273). A festa do Trânsito de Maria, que honrava sua morte, passou gradualmente a comemorar sua Assunção corporal ao céu. No sacramentário enviado pelo Papa Adriano I ao Imperador Carlos Magno (768-814), que introduziu o Cristianismo em todo o vasto império franco, está escrito: Digna de honra é para nós, Senhor, a festividade deste dia em que a Beata Virgem Maria, a Santa Mãe de Deus, sofreu a morte temporal mas não pôde ser retida pelos inexoráveis laços, porque ela deu à luz o seu Filho, nosso Senhor, que tomou sua carne (MS, p. 273). No Sínodo de Mainz, no ano 813, Carlos Magno introduziu a festa da Assunção de Maria ao Céu, depois de haver obtido autorização de Roma. Foi São Gregório de Tours, falecido em 596, o primeiro a proclamar a Assunção corpórea de Maria ao Céu. Um século mais tarde, Santo Ildefonso de Toledo afirmou: Não devemos esquecer que muitos consideram que ela [Maria] foi neste dia levada corporalmente ao céu por Nosso Senhor Jesus Cristo (MS, p. 274). Muitos santos perguntavam se o melhor dos Filhos poderia recusar à melhor das Mães à participação em sua ressurreição e o glorioso domínio à direita do Pai? Para eles sua dignidade de Mãe de Deus exige a Assunção. Para Santo Irineu, do século II, como a nova Eva, Maria participou da sorte do novo Adão, Jesus Cristo, ressuscitou depois da morte, e seu corpo não experimentou a corrupção (MS, p. 277). Como Maria não teve na alma a mancha do pecado original, ficou isenta da dura sentença dada aos demais: Es pó e em pó hás de tornar (Gn 3,19). A nós que herdamos o pecado original, é preciso voltar ao pó da terra de onde saímos, para que na ressurreição do último dia, o Senhor nos refaça sem as seqüelas do mal. A rica Tradição da Igreja reconheceu desde os primeiros séculos a gloriosa Assunção de Nossa Senhora. Dela dão testemunho S. João Damasceno, São João Crisóstomo, S. Tomás de Aquino, S. Boaventura, S. Anselmo, São Bernardo e outros luminares e teólogos famosos. Além disso, a Sagrada Liturgia sempre confirmou a verdade desse dogma, tanto nos antigos missais como nos sacramentários, hinos e saudações à subida da Rainha ao céu. Além disso, nunca, em Igreja nenhuma da terra, se venerou uma relíquia do corpo de Maria Santíssima, mostrando com isto uma convicção certa e inabalável de que Ela está no céu. Contudo, a razão mais forte da Assunção de Nossa Senhora está no fato de ela ser a Mãe do Senhor. Como disse o frei Francisco de Monte Alverne: Consentiria o meigo Jesus de Nazaré que sua morada puríssima, o céu esplêndido onde por nove meses repousaria, a estátua viva esculpida pelo próprio Criador, ficasse nessa terra de exílio? Porventura o Rei dos Exércitos esperaria o fim dos tempos para que a corte celeste prestasse homenagens reais à sua Mãe. Não, pois era mister que a humanidade reconhecesse quanto era considerada uma mãe tão extremosa (nota 22 e Tm p. 314). A glória da Assunção de Nossa Senhora ao céu é, para nós que ainda vivemos neste vale de lágrimas, a certeza de que o céu existe e é nosso destino. Leia também : .: Santo do Dia – 14 de Agosto – São Maximiliano Maria Kolbe .: Santo do Dia – 16 de Agosto – São Roque #AssunçãodeNossaSenhora

  • Solenidade da Assunção de Nossa Senhora – 15 de agosto

    SANTO DO DIA – 15 DE AGOSTO – ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA A festa da Assunção nos convida a meditar sobre a glória inefável da Virgem Maria, o Paraíso de Deus. Quanto mais o homem procura aprofundar-se no conhecimento de Deus, mais compreende que não conseguirá abarcá-Lo, tais as grandezas e os mistérios com os quais se depara.O Criador, que estabelece as regras, se apraz em criar magníficas exceções. Três criaturas não podiam ser criadas em grau mais excelente, ensina-nos a Teologia. A primeira delas é Jesus Cristo, Homem-Deus: impossível ser mais perfeito, nada haveria a acrescentar. A segunda, Maria: “quase divina”, é a expressão utilizada por vários teólogos para se referir à Mãe do Redentor. E, por fim, a visão beatífica, o Céu: o prêmio reservado aos justos não poderia ser melhor nem maior. É o próprio Deus que Se dá aos Bem-aventurados! Por que morreu a Mãe da Vida? Em Maria Santíssima está a plenitude de graças e de perfeições possíveis a uma mera criatura. Segundo a bela expressão de Santo Antonino, “Deus reuniu todas as águas e chamou-as mar, reuniu todas as suas graças e chamou-as Maria”. Desde toda a eternidade, o decreto divino estabelecia o singularíssimo privilégio de ser a Virgem Santíssima concebida livre da mancha original. Privilégio este próprio Àquela que geraria em seu seio o próprio Deus. Transcorrida sua vida nesta terra, o que aconteceria com nossa Mãe? Ela, que havia dado à luz, alimentado e protegido o Menino-Deus, e recebido em seus braços virginais o Corpo dilacerado de seu Filho e Redentor, estava prestes a exalar o último suspiro. Como poderia passar pelo transe da morte aquela Virgem Imaculada, nunca tocada pela mais leve sombra de qualquer falta? Sem embargo, como o suave declinar do sol num magnífico entardecer, a Mãe da Vida rendia sua alma. Por que morria Maria? Tendo Ela participado de todas as dores da Paixão de Jesus, não quis deixar de passar pela morte, para em tudo imitar seu Deus e Senhor. Assista a homilia: De que morreu Maria? Perfeitíssima era a natureza da Virgem Maria. Com efeito, afirma Tertuliano que “se Deus empregou tanto cuidado ao formar o corpo de Adão, pela razão de seu pensamento voar até Cristo, que deveria nascer dele, quanto maior cuidado não terá tido ao formar o corpo de Maria, da qual devia nascer, não de modo remoto e mediato, mas de modo próximo e imediato, o Verbo Encarnado?” (1) Ademais, escreveu Santo Antonino, “a nobreza do corpo aumenta e se intensifica em proporção com a maior nobreza da alma, com a qual está unido e pela qual é informado. E é racional, pois a matéria e a forma são proporcionadas uma à outra. Sendo, portanto, que a alma da Virgem foi a mais nobre, depois da do Redentor, é lógico concluir-se que também seu corpo foi o mais nobre, depois do de seu Filho” (2). À alma santíssima de Maria, concebida sem pecado original e cheia de graça desde o primeiro instante de sua existência, correspondia, portanto, um organismo humano perfeitíssimo, sem o menor desequilíbrio. Em conseqüência de sua virginal natureza, Nossa Senhora foi imune a qualquer doença, e jamais esteve sujeita à degenerescência do corpo causada pela idade. De que morreu, pois, a Mãe de Deus? O termo da existência terrena de Maria deveu-se à “força do divino amor e ao veemente desejo de contemplação das coisas celestiais, que consumiam seu coração” (3). A Santíssima Virgem morreu de amor! São Francisco de Sales assim descreve esse sublime acontecimento: “Quão ativo e poderoso (…) é o amor divino! Nada de estranho se vos digo que Nossa Senhora dele morreu, pois, levando sempre em seu coração as chagas do Filho, padecia- as sem consumir-se, mas finalmente morreu pelo ímpeto da dor. Sofria sem morrer, porém, por fim, morreu sem sofrer. “Oh, paixão de amor! Oh, amor de paixão! Se seu Filho estava no Céu, seu coração já não estava n’Ela. Estava naquele corpo que amava tanto, ossos de seus ossos, carne de sua carne, e ao Céu voava aquela águia santa. Seu coração, sua alma, sua vida, tudo estava no Céu: por que haviam de ficar aqui na terra? “Finalmente, após tantos vôos espirituais, tantos arrebatamentos e tantos êxtases, aquele castelo santo de pureza e humildade rendeu-se ao último assalto do amor, depois de haver resistido a tantos. O amor A venceu, e consigo levou sua benditíssima alma” (4). Essa morte de Maria, suave e bendita como um lindo entardecer, a Igreja designa pelo sugestivo nome de “dormição”, para significar que seu corpo não sofreu a corrupção. Cheia de graça e cheia de glória Quanto durou a permanência do puríssimo corpo de Maria no sepulcro? Não o sabemos. Mas, segundo a tradição, muito pouco tempo esteve a alma separada de seu corpo. E, na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, afirma o Papa Pio XII: “Por um privilégio inteiramentesingular, Ela venceu o pecado com sua Conceição Imaculada; e por esse motivo não foi sujeita à lei de permanecer na corrupção do sepulcro, nem teve de esperar a redenção do corpo até o fim dos tempos” . Assim, resplandecente de glória, a alma santíssima de Nossa Senhora reassumiu seu virginal corpo, tornando-o completamente espiritualizado, luminoso, sutil, ágil e impassível. E Maria – que quer dizer “Senhora de Luz” – elevou-se em corpo e alma ao Céu, enquanto as incontáveis legiões das milícias angélicas exclamavam maravilhadas ao contemplar sua Soberana cruzando os umbrais eternos: “Quem é esta que surge triunfante como a aurora esplendorosa, bela como a lua, refulgente e invencível como o sol que sobe no firmamento e terrível como um exército em ordem de batalha?” (5). E ouviu-se uma grande voz que dizia: “Eis aqui o tabernáculo de Deus” (Ap 21, 3). A Filha bem-amada do Pai, a Mãe virginal do Verbo, a Esposa puríssima do Espírito Santo foi coroada, então, pelas Três Divinas Pessoas para reinar no universo, pelos séculos dos séculos, “à direita do Rei” (Sl 44, 10). O dogma A verdade desta glorificação única e completa da Santíssima Virgem foi definida solenemente como dogma de Fé pelo Papa Pio XII, no dia 1º de novembro de 1950, com estas belas palavras: “Depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a luz do Espírito de verdade, para a glória de Deus onipotente que à Virgem Maria concedeu sua especial benevolência, para a honra de seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória de sua augusta Mãe e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Bem-aventurados Apóstolos São Pedro e São Paulo e com a Nossa, pronunciamos, declaramos e definimos que: A Imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. (Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2004, n. 32, p. 18 à 20) Ascensão de Nosso Senhor e Assunção de Maria É comum haver certa confusão de conceitos a respeito da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Assunção de Nossa Senhora. O famoso teólogo Fr. Antonio Royo Marin elucida a questão: Não é exata, portanto, a distinção que estabelecem alguns entre a Ascensão do Senhor e a Assunção de Maria, como se a primeira se distinguisse da segunda pelo fato de ter sido feita por sua própria virtude ou poder, enquanto a Assunção de Maria necessitava do concurso ou ajuda dos Anjos. Não é isso. A diferença está em que Cristo teria podido ascender ao Céu por seu próprio poder ainda antes de sua morte e gloriosa ressurreição, enquanto que Maria não poderia fazê-lo – salvo um milagre – antes de sua própria ressurreição Porém, uma vez realizada esta, a Assunção se verificou utilizando sua própria agilidade gloriosa, sem a necessidade do auxílio dos Anjos e sem milagre algum (“La Virgen María”, pp. 213-214). O Dogma da Assunção da Virgem Santíssima foi proclamado, solenemente, pelo Papa Pio XII A Sagrada Tradição da Igreja ensina que Nossa Senhora foi elevada ao céu de corpo e alma, após sua morte. No entanto, as particularidades da morte da Virgem Maria não são conhecidas. Santo Epifânio, bispo de Salamina de Chipre, compôs, nos anos de 374-377, o livro sobre as heresias, no qual escreve: Ou a santa Virgem morreu e foi sepultada e seguiu-se depois sua Assunção na glória, ou sem fim verificou-se em plena e ilibada pureza, adornando a coroa de sua virgindade… (MS, p. 267). O Dogma da Assunção da Virgem Santíssima foi proclamado, solenemente, pelo Papa Pio XII no dia 1º de novembro de 1950 e sua festa é celebrada no dia 15 de agosto. Grande júbilo e alegria pairou sobre todo o mundo católico naquela data, especialmente para os filhos de Maria. Quando o Papa o decretou por meio da Constituição Apostólica Munificientissimus Deus foi uma verdadeira apoteose, tanto na Praça de São Pedro em Roma, como nas outras cidades do mundo católico. Nesse documento disse o Papa: Cristo, com Sua morte, venceu o pecado e a morte e sobre esta e sobre aquele alcançará também vitória pelos merecimentos de Cristo quem for regenerado sobrenaturalmente pelo batismo. Mas por lei natural Deus não quer conceder aos justos o completo efeito dessa vitória sobre a morte, senão quando chegar o fim dos tempos. Por isso os corpos dos justos se dissolvem depois da morte, e somente no último dia tornarão a unir-se, cada um com sua própria alma gloriosa. Mas desta lei geral Deus quis excetuar a Bem-Aventurada Virgem Maria. Ela, por um privilégio todo singular venceu o pecado; por sua Imaculada Conceição, não estando por isso sujeita à lei natural de ficar na corrupção do sepulcro, não foi preciso que esperasse até o fim do mundo para obter a ressurreição do corpo . E, assim, na Praça de São Pedro, em Roma, diante do pórtico de São Pedro, circundado por 36 Cardeais, 555 Patriarcas, Arcebispos e Bispos e sacerdotes, e perante cerca de um milhão de fiéis, o Papa proclamava solenemente: Depois de haver mais uma vez elevado a Deus nossas súplicas e invocado as luzes do Espírito Santo, a glória de Deus Onipotente, que derramou sobre a Virgem Maria Sua especial benevolência, em honra de Seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte, para maior glória de Sua augusta Mãe e para a alegria e exultação de toda a santa Igreja, e pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e Nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma de fé revelado por Deus que: a Imaculada Mãe de Deus, sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrena, foi elevada à glória celeste em corpo e alma (MS, p. 282). O Papa Paulo VI, na Exortação Apostólica Marialis Cultus, resume a importância desse dogma numa expressão cheia de densidade: A solenidade de 15 de agosto celebra a gloriosa Assunção de Maria ao céu : festa de seu destino de plenitude e de bem-aventurança, glorificação de sua alma imaculada e de seu corpo virginal, de sua perfeita configuração com Cristo ressuscitado (MC, n. 6). Assim, Maria participa da ressurreição e glorificação de Cristo. É preciso lembrar, aqui, que somente Jesus e Maria subiram ao céu, de corpo e alma. Os santos estão lá apenas com suas almas, pois os corpos estão na terra, aguardando a ressurreição do último dia. Maria, ao contrário, foi elevada ao céu também com seu corpo já ressuscitado. É uma grande glória dela. A Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, em uma Instrução de 17-05-1979, deixou bem claro: A Igreja, ao expor a sorte do homem após a morte, exclui qualquer explicação que tire o sentido à Assunção de Nossa Senhora naquilo que ela tem de único, ou seja, o fato de ser a glorificação corporal da Virgem Santíssima uma antecipação da glorificação que está destinada a todos os outros eleitos (n. 6). Quais os motivos da Assunção de Nossa Senhora? 1 – Como Maria não esteve sujeita ao poder do pecado para poder ser a Mãe de Deus, também não podia ficar sob o império da morte; pois, como disse São Paulo, o salário do pecado é a morte (Rm 6,23). Assim, Maria não experimentou a corrupção da carne mas foi glorificada em sua alma e seu corpo. 2 – A carne de Jesus e a de Maria são a mesma carne. Portanto a carne de Maria devia ter a mesma glória que teve a de seu Filho. São João de Damasco no ano 749 escreve: Era necessário que aquela que no parto havia conservado ilesa sua virgindade conservasse também sem corrupção alguma seu corpo depois da morte. Era preciso que aquela que havia trazido no seio o Criador feito menino habitasse nos tabernáculos divinos. Era necessário que aquela que tinha visto o Filho sobre a Cruz, recebendo no coração aquela espada das dores das quais fora imune ao dá-Lo à luz, O contemplasse sentado à direita do Pai. Era necessário que a Mãe de Deus possuísse aquilo que pertence ao Filho e fosse honrada por todas as criaturas como Mãe de Deus”. E assim também se exprime São Germano, patriarca de Constantinopla, falecido em 735, e outros santos (MS, pp. 272 e 273). A festa do Trânsito de Maria, que honrava sua morte, passou gradualmente a comemorar sua Assunção corporal ao céu. No sacramentário enviado pelo Papa Adriano I ao Imperador Carlos Magno (768-814), que introduziu o Cristianismo em todo o vasto império franco, está escrito: Digna de honra é para nós, Senhor, a festividade deste dia em que a Beata Virgem Maria, a Santa Mãe de Deus, sofreu a morte temporal mas não pôde ser retida pelos inexoráveis laços, porque ela deu à luz o seu Filho, nosso Senhor, que tomou sua carne (MS, p. 273). No Sínodo de Mainz, no ano 813, Carlos Magno introduziu a festa da Assunção de Maria ao Céu, depois de haver obtido autorização de Roma. Foi São Gregório de Tours, falecido em 596, o primeiro a proclamar a Assunção corpórea de Maria ao Céu. Um século mais tarde, Santo Ildefonso de Toledo afirmou: Não devemos esquecer que muitos consideram que ela [Maria] foi neste dia levada corporalmente ao céu por Nosso Senhor Jesus Cristo (MS, p. 274). Muitos santos perguntavam se o melhor dos Filhos poderia recusar à melhor das Mães à participação em sua ressurreição e o glorioso domínio à direita do Pai? Para eles sua dignidade de Mãe de Deus exige a Assunção. Para Santo Irineu, do século II, como a nova Eva, Maria participou da sorte do novo Adão, Jesus Cristo, ressuscitou depois da morte, e seu corpo não experimentou a corrupção (MS, p. 277). Como Maria não teve na alma a mancha do pecado original, ficou isenta da dura sentença dada aos demais: Es pó e em pó hás de tornar (Gn 3,19). A nós que herdamos o pecado original, é preciso voltar ao pó da terra de onde saímos, para que na ressurreição do último dia, o Senhor nos refaça sem as seqüelas do mal. A rica Tradição da Igreja reconheceu desde os primeiros séculos a gloriosa Assunção de Nossa Senhora. Dela dão testemunho S. João Damasceno, São João Crisóstomo, S. Tomás de Aquino, S. Boaventura, S. Anselmo, São Bernardo e outros luminares e teólogos famosos. Além disso, a Sagrada Liturgia sempre confirmou a verdade desse dogma, tanto nos antigos missais como nos sacramentários, hinos e saudações à subida da Rainha ao céu. Além disso, nunca, em Igreja nenhuma da terra, se venerou uma relíquia do corpo de Maria Santíssima, mostrando com isto uma convicção certa e inabalável de que Ela está no céu. Contudo, a razão mais forte da Assunção de Nossa Senhora está no fato de ela ser a Mãe do Senhor. Como disse o frei Francisco de Monte Alverne: Consentiria o meigo Jesus de Nazaré que sua morada puríssima, o céu esplêndido onde por nove meses repousaria, a estátua viva esculpida pelo próprio Criador, ficasse nessa terra de exílio? Porventura o Rei dos Exércitos esperaria o fim dos tempos para que a corte celeste prestasse homenagens reais à sua Mãe. Não, pois era mister que a humanidade reconhecesse quanto era considerada uma mãe tão extremosa (nota 22 e Tm p. 314). A glória da Assunção de Nossa Senhora ao céu é, para nós que ainda vivemos neste vale de lágrimas, a certeza de que o céu existe e é nosso destino. Leia também : .: Santo do Dia – 14 de Agosto – São Maximiliano Maria Kolbe .: Santo do Dia – 16 de Agosto – São Roque #AssunçãodeNossaSenhora

  • O que ainda não te contaram sobre a Comunhão na Mão

    Descubra, de uma vez por todas, porque NÃO devemos receber a Sagrada Comunhão na mão… Devido à prática generalizada, a maioria dos católicos de hoje pensam que o infeliz gesto de se receber a S.S. Eucaristia nas mãos sempre foi algo normal. Na verdade, pela falta de conhecimento e pela falta de piedade, as pessoas em geral não conseguem se aperceber que tal ato (receber a Sagrada Eucaristia nas mãos) é incompatível com a dignidade desse Augusto Sacramento. A consciência de que a S.S. Eucaristia é o próprio Deus atrai os nossos joelhos para o chão em sua presença. Por isso diz o Salmo 94 “Vinde adoremos e prostremo-nos por terra e ajoelhemos ante o Deus que nos criou”; tal gesto (de se ajoelhar) é o mais adequado diante de Nosso Senhor pois põe o ser humano em seu lugar de criatura, fazendo-o reconhecer humildemente a grandeza de Deus e o respeito que Lhe é devido. Não é por acaso que os demônios gostam muito que se receba a S. Comunhão na mão e o inferno celebrou como grande vitória a introdução dessa infame prática na Igreja de Deus. Continue lendo e, ao final do artigo, volte aqui para assistir uma aula especial sobre a origem da comunhão na mão: O diabo sabe que quando alguém se ajoelha para receber Jesus Eucarístico, reforça sua fé e dá testemunho de que crê na presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento. Sabe também que o valor e a reverência daquilo em que todos põe a mão acaba por ser banalizado. A inevitável pergunta que um católico honesto fará será: “se receber a comunhão na mão é algo mal que agrada tanto ao inferno e faz perder a reverência para com Jesus, porque tornou-se uma prática normal dentro da Santa Igreja?” Normalmente quem faz uma pergunta assim desconhece o modo como o demônio age, e, como para tentar alcançar seu objetivo ele precisa destruir o núcleo em torno do qual gira e se alicerça toda a Igreja que é a Santíssima Eucaristia. Ignora igualmente que existe a chamada “Maçonaria Eclesiástica” cujos membros, infiltrados na Igreja, estão a serviço do inimigo para destruir a Igreja de Deus a partir de dentro e assim perder o maior número de almas possível. São muitos os cardeais, bispos e padres que fazem parte dessa organização. Outros não fazem parte, mas colaboram com seus objetivos em troca de dinheiro, poder ou outros favores; outros ainda (seguramente a maioria) colaboram de graça e com grande empenho, uma vez que foram convencidos que os caminhos ensinados e incentivados pelos revolucionários são os melhores… Infelizmente, após a insistência de alguns bispos, o Papa Paulo VI autorizou a experiência de se receber a comunhão na mão durante um ano em três dioceses (uma na Holanda, outra na França e outra a Alemanha); após esse tempo, informado dos frutos ruins dessa prática, o Papa retirou a autorização; acontece que durante o ano que se autorizou a tal experiência naquelas três dioceses, a prática se esparramou, se alegando (falsamente) que o Papa havia autorizado, de modo que quando o Papa Paulo VI retirou sua autorização, a triste prática já havia se difundido por várias dioceses e países, especialmente na Europa. A Maçonaria Eclesiástica e seus aliados progressistas trabalharam muito para isso… Claro que o Papa tinha a autoridade para impor sua decisão de revogar para sempre aquela infeliz autorização, mas diante da pressão de numerosos bispos e cardeais ele não quis comprar a briga. O Papa lamentou muito, mas foi fraco, não usando de sua autoridade quanto foi necessário. João Paulo II compreendia muito melhor o desastre da prática de se receber a comunhão na mão. Falou contra e proibiu em Roma, mas não teve força para debelar esse mal de toda a Igreja pois já estava bem difundido. Limitou-se a garantir no novo Código de Direito Canônico por ele promulgado em 1983 o direito INALIENÁVEL dos fiéis receberem a Santíssima Eucaristia da forma mais piedosa, ou seja: de joelhos e na boca. Como dito pelos demônios em vários e diferentes exorcismos, os “lá de baixo” trabalharam muito para fazer entrar na Igreja a prática de se receber a comunhão na mão, pois além de colaborar para fazer perder a fé e o respeito à Santíssima Eucaristia, faz perder muitas partículas que se desprendem das partículas maiores, fazendo Jesus Eucaristia ser jogado por terra milhares de vezes todos os dias; por isso disse o diabo em um outro exorcismo: “nós gostamos da comunhão na mão, pois assim podemos pisar em vosso Deus”. Além do que, a comunhão dada nas mãos facilitou muito o roubo de hóstias consagradas, que são utilizadas em rituais de missas negras e outras indizíveis profanações. Se NÃO queremos colaborar com o objetivo de satanás de destruir a fé e a piedade eucarísticas, NUNCA MAIS deveríamos receber Jesus nas mãos, mas SEMPRE NA BOCA e, se possível, AJOELHADOS. Os demônios odeiam a Deus e tudo o que é Sagrado e conduza a Deus; por isso odeiam tanto a comunhão recebida na boca e de joelhos, assim como odeiam o sagrado véu, a modéstia, etc…daí a raiva incontida daqueles padres e bispos que, influenciados ou guiados pelo inimigo, esbravejam e sobem o tom com fiéis, dizendo: “levanta, levanta!!!”; “na boca, na boca!!!”; ou simplesmente, ignoram o fiel que se ajoelhou para comungar…em todos esses casos o que se vê é um ódio irracional às coisas santas de Deus, sentimento tipicamente diabólico. Receber A Santíssima Eucaristia na boca e de joelhos é um direito dos fiéis que NÃO pode ser negado por NENHUM sacerdote, bispo ou Conferência Episcopal. A Igreja (Santa Sé) que garante esse direito, consignado no CDC (Código de Direito Canônico) e em vários outros documentos normativos (p. Ex: Redemptionis Sacramentum), está acima dos padres, bispos e Conferências Episcopais. Quando um padre ou bispo nega a Sagrada Comunhão na boca e/ou de joelhos querendo impor a impiedade da comunhão na mão e para tal, invoca a sua autoridade, apenas está demonstrando sua desonestidade, intolerância e soberba, uma vez que não aceita a autoridade da Igreja que o manda dar a comunhão aos fiéis que a pedem na boca e de joelhos. Nesse caso devemos perguntar: quem é o desobediente a Igreja? Alguns para justificar o abuso de poder e a atitude arrogante dizem que a prática da comunhão na mão existe desde o início na Igreja; que a Igreja atualmente apenas restaurou uma prática antiga, etc…é preciso dizer que isso NÃO é verdade. A prática da comunhão na mão como se tem feito hoje NUNCA existiu na Igreja Primitiva. Durante os primeiros séculos, em algumas comunidades, os fiéis recebiam a Sagrada Eucaristia em um corporal colocado sobre as mãos e a levavam diretamente à boca, sem jamais tocar nelas com os dedos. Os corporais eram recolhidos e devidamente purificados. Entretanto, mesmo essa prática foi abolida pela Igreja já nos primeiros séculos por conta dos abusos que começaram a surgir, de forma que, a partir daí, o modo ordinário de se receber a Santíssima Eucaristia foi sempre NA BOCA E DE JOELHOS. Que o fiéis não tenham medo de serem firmes na exigência do seu direito de comungar na boca e de joelhos. Não cedam à pressão, nem ao autoritarismo de padres e bispos impiedosos que não obedecem a Igreja, nem respeitam os direitos dos fiéis. É preciso compreender que estamos em uma guerra espiritual onde NÃO devemos ceder espaço ao inimigo de Deus que quer destruir a verdadeira fé e levar as pessoas à descrença e consequentemente à condenação. Os que têm a graça de crer, especialmente os têm uma fé mais esclarecida, NUNCA deveriam ceder ao plano no inimigo a pretexto obter o benefício da Santíssima Eucaristia, pois importa não apenas comungar e receber as graças advindas da Sagrada Eucaristia, mas antes de tudo importa honrar a Deus e fazê-lo honrado e adorado por todos, o que justamente é ofuscado pela prática da comunhão na mão. O demônio é um ser inteligente e planeja a longo prazo. Sabia que a popularização dessa prática ajudaria a levar ao esfriamento da fé eucarística e a multiplicação dos sacrilégios e profanações tal como se pode ver em nossos dias. Em outras palavras não deveríamos, a pretexto de obtermos os benefícios da Santíssima Eucaristia, colaborar com um plano diabólico que visa destruir a fé nessa mesma Eucaristia. Entre receber a S.S Eucaristia nas mãos e não comungar, é melhor NÃO comungar. Quando negada a Sagrada Comunhão na boca, é melhor se recolher, fazer comunhão espiritual e atos de amor, adoração e reparação. Não é necessário fazer escândalo nem gritarias; Respeitando Jesus Sacramentado e o sacerdote que está agindo mal, pode-se ficar ajoelhado o tempo que for preciso, depois voltar para o lugar e rezar em reparação da impiedade ocorrida. É importante também que se invoque o Anjo da Guarda e todos os Santos Anjos presentes naquela celebração para que recolham as partículas consagradas que possam ter se perdido. Para honrar Jesus NÃO devemos recebê-lo de um modo que lhe desagrade. Se os demônios gostam da comunhão dada na mão, nós NÃO deveríamos gostar… Que Deus tenha misericórdia de seu povo e providencie bons pastores que os alimente com a verdade e com o Pão do Céu. Assista o vídeo: Um livro recém publicado em inglês por Dom Juan Rodolfo Laise, bispo emérito de San Luis, Argentina Citando documentos oficiais do Vaticano, o Bispo Laise mostra que não existe nenhuma permissão legal no Novus Ordo para a prática da Comunhão na mão. Com base nessas evidências, ele proibiu esse abuso em sua própria diocese de San Luis, Argentina, durante seu mandato episcopal de 1971 a 2001 e, posteriormente, escreveu um livro sobre o assunto para encorajar outros bispos a examinar esse importante assunto com mais cuidado. Clique aqui para ler a edição do livro La Comunión en la mano. Documentos e historia , em espanhol. Da Introdução do livro: Desde o início, sacerdotes e fiéis sob minha responsabilidade pastoral me pediram para não introduzir essa prática na diocese de San Luis. Convoquei uma reunião de padres para 8 de agosto, na qual apresentei o decreto de Roma e a instrução Memoriale Domini. Eles concordaram unanimemente que, para o bem dos fiéis, a Comunhão na língua deveria ser mantida… O resultado dessa reunião foi um decreto diocesano no qual reitero o pedido do papa e cumpri rigorosamente a lei vigente mantendo a proibição da Comunhão na mão. No entanto, uma pergunta permaneceu: sendo o Memoriale Domini a única legislação em vigor, como é que todos adotaram a prática da Comunhão na mão como se fosse apenas uma opção proposta e até recomendada pela Igreja? Buscando uma resposta para esta questão e para defender minha decisão – que foi bastante polêmica com alguns setores eclesiásticos que se manifestaram na mídia – estimulei uma investigação mais profunda sobre a história deste uso. E os resultados desta investigação encontram-se neste trabalho. Das Conclusões: Tudo o que foi elaborado até agora permite perceber que a história da reintrodução da comunhão na mão nada mais é do que o triunfo de um ato de desobediência. A consideração dos pormenores desta história torna-nos evidente a gravidade desta desobediência: de facto, é gravíssima sobretudo pelo próprio assunto de que trata; muito grave porque implica a resistência aberta a uma diretriz clara, explícita e solidamente fundamentada do papa; mais grave por sua extensão universal; mais grave porque quem não obedecia não eram apenas os fiéis ou sacerdotes, mas em muitos casos bispos e conferências episcopais inteiras; gravíssimo, porque não só ficaram impunes como obtiveram um êxito retumbante; mais grave, enfim, porque conseguiu que o estado de desobediência permanecesse oculto, fazendo com que se acreditasse, ao contrário, que adotavam uma proposta que MEMORIALE DOMINI Instrução sobre o modo de distribuir a Sagrada Comunhão da Sagrada Congregação para o Culto Divino Editado em 29 de maio de 1969. Quando a Igreja celebra o memorial do Senhor, afirma pelo próprio rito a sua fé em Cristo e a sua adoração a Ele, Cristo presente no sacrifício e dado como alimento aos que participam da mesa eucarística. Por isso, é uma grande preocupação da Igreja que a Eucaristia seja celebrada e compartilhada com a maior dignidade e fecundidade. Conserva intacta a tradição já desenvolvida que chegou até nós, cujas riquezas passaram para o uso e a vida da Igreja. As páginas da história mostram que a celebração e as recepções da Eucaristia assumiram várias formas. Nos nossos dias, os ritos da celebração da Eucaristia foram modificados de muitas e importantes maneiras, tornando-os mais adequados às necessidades espirituais e psicológicas do homem moderno. Além disso, ocorreu uma mudança na disciplina que rege a participação dos leigos no sacramento. A Sagrada Comunhão sob dois tipos, pão e vinho foi reintroduzida. Já havia sido comum na Igreja latina também, mas posteriormente foi progressivamente abandonado. Este estado de coisas generalizou-se na época do Concílio de Trento, que o sancionou e defendeu por ensino dogmático como sendo adequado às condições da época.[1] Estas mudanças fizeram do banquete eucarístico e do fiel cumprimento do mandamento de Cristo um símbolo mais claro e vital. Ao mesmo tempo, nos últimos anos, uma participação mais plena na celebração eucarística através da Comunhão sacramental suscitou aqui e ali o desejo de voltar ao antigo costume de depositar o pão eucarístico na mão do comungante, ele mesmo então comunicando, colocando-o em a boca dele. De fato, em certas comunidades e em alguns lugares esta prática foi introduzida sem a aprovação prévia solicitada da Santa Sé e, às vezes, sem nenhuma tentativa de preparar adequadamente os fiéis. Certamente é verdade que o uso antigo permitia que os fiéis pegassem esse alimento divino em suas mãos e o colocassem na boca. Também é verdade que em tempos muito antigos era permitido levar consigo o Santíssimo Sacramento do local onde se celebrava o santo sacrifício. Isso era principalmente para poder dar a si mesmos o viático caso tivessem que enfrentar a morte por sua fé. No entanto, as prescrições da Igreja e as evidências dos Padres deixam bem claro que a maior reverência foi mostrada ao Santíssimo Sacramento e que as pessoas agiram com a maior prudência. Assim, “que ninguém . . . coma essa carne sem primeiro adorá-la”[2] Quando uma pessoa toma (o Santíssimo Sacramento), ela é avisada: “…receba-o: tenha cuidado para não perder nada.”[ 3] “Pois é o Corpo de Cristo.”[4] Além disso, o cuidado e o ministério do Corpo e Sangue de Cristo foram especialmente confiados a ministros sagrados ou a homens especialmente designados para esse fim: “Quando o presidente tiver recitado as orações e todo o povo tiver proferido uma aclamação, aqueles a quem chamamos os diáconos distribuem a todos os presentes o pão e o vinho pelos quais foram dadas graças e os levam aos ausentes»[5]. Logo a tarefa de levar a Santíssima Eucaristia aos ausentes foi confiada apenas aos ministros sagrados, para melhor garantir o respeito devido ao sacramento e atender às necessidades dos fiéis. Mais tarde, com o aprofundamento da compreensão da verdade do mistério eucarístico, do seu poder e da presença de Cristo nele, surgiu um maior sentimento de reverência para com este sacramento e sentiu-se que se exigiam uma humildade mais profunda ao recebê-lo. Assim foi estabelecido o costume de o ministro colocar uma partícula de pão consagrado na língua do comungante. Este método de distribuição da Sagrada Comunhão deve ser mantido, tendo em conta a situação atual da Igreja em todo o mundo, não apenas porque tem atrás de si muitos séculos de tradição, mas sobretudo porque expressa a reverência dos fiéis pela Eucaristia. O costume não diminui em nada a dignidade pessoal de quem se aproxima deste grande sacramento: faz parte daquela preparação necessária para a recepção mais frutuosa do Corpo do Senhor.[6] Esta reverência mostra que não se trata de uma participação no “pão e no vinho ordinário”[7], mas no Corpo e no Sangue do Senhor, mediante os quais “o povo de Deus partilha os benefícios do Sacrifício Pascal, renova a Nova Aliança que Deus fez com o homem de uma vez por todas pelo Sangue de Cristo, e na fé e na esperança prenuncia e antecipa o banquete escatológico no reino do Pai.”[8] Além disso, a prática que deve ser considerada tradicional garante, de forma mais eficaz, que a Sagrada Comunhão seja distribuída com o devido respeito, decoro e dignidade. Afasta o perigo de profanação das espécies sagradas, nas quais “de modo único, Cristo, Deus e homem, está presente íntegro, substancial e continuamente”[9]. pão consagrado que a Igreja sempre recomendou: “O que você deixou cair, pense nisso como se tivesse perdido um de seus próprios membros”[10]. Quando, portanto, um pequeno número de conferências episcopais e alguns bispos individuais pediram que a prática de colocar as hóstias consagradas nas mãos do povo fosse permitida em seus territórios, o Santo Padre decidiu que todos os bispos da Igreja latina deveriam ser questionados se eles achavam que oportuno introduzir este rito. Uma mudança em matéria de tal momento, baseada em uma tradição antiquíssima e venerável, não afeta apenas a disciplina. Traz consigo certos perigos que podem surgir da nova maneira de administrar a Sagrada Comunhão: o perigo de uma perda de reverência pelo augusto Sacramento do Altar, de profanação, de adulteração da verdadeira doutrina. Três perguntas foram feitas aos bispos, e as respostas recebidas até 12 de março de 1969 foram as seguintes: Você acha que se deve prestar atenção ao desejo de que, além da maneira tradicional, seja admitido o rito de receber a Sagrada Comunhão na mão? Sim: 597 Não: 1.233 Sim, mas com reservas: 315 Votos inválidos: 20 É seu desejo que este novo rito seja experimentado primeiro em pequenas comunidades, com o consentimento do bispo? Sim: 751 Não: 1.215 Votos inválidos, 70 Pensas que os fiéis acolherão com alegria este novo rito, depois de uma adequada preparação catequética? Sim: 835 Não: 1.185 Votos inválidos: 128 Dos retornos fica claro que a grande maioria dos bispos acredita que a atual disciplina não deveria ser alterada e que, se fosse, a mudança seria ofensiva para os sentimentos e a cultura espiritual desses bispos e de muitos fiéis. Portanto, levando em conta as palavras e os conselhos daqueles a quem “o Espírito Santo colocou para governar” as Igrejas,[11] em vista da gravidade do assunto e da força dos argumentos apresentados, o Santo Padre decidiu não mudar a maneira existente de administrar a Sagrada Comunhão aos fiéis. A Sé Apostólica, portanto, exorta enfaticamente os bispos, sacerdotes e leigos a obedecerem atentamente à lei que ainda é válida e que foi novamente confirmada. Exorta-os a levar em conta o julgamento feito pela maioria dos bispos católicos, o rito agora em uso na liturgia, o bem comum da Igreja. Onde prevalece um uso contrário, o de colocar a Sagrada Comunhão na mão, a Santa Sé – desejando ajudá-los a cumprir sua tarefa, muitas vezes difícil como é hoje em dia – atribui a essas conferências a tarefa de avaliar cuidadosamente quaisquer circunstâncias especiais que possam existir ali. , cuidando para evitar qualquer risco de falta de respeito ou de falsas opiniões sobre a Santíssima Eucaristia, e para evitar quaisquer outros efeitos nocivos que daí possam advir. Nesses casos, as conferências episcopais examinem cuidadosamente os assuntos e tomem todas as decisões, por voto secreto e com maioria de dois terços, que sejam necessárias para regular os assuntos. Suas decisões devem ser enviadas a Roma para receber a confirmação necessária,[12] acompanhadas de um relato detalhado dos motivos que os levaram a tomar essas decisões. A Santa Sé examinará cuidadosamente cada caso, levando em conta os vínculos entre as diversas Igrejas locais e entre cada uma delas e a Igreja Universal, a fim de promover o bem comum e a edificação de todos, e para que o bom exemplo recíproco aumente a fé e piedade. Nota: na Acta Apostolicae Sedis (pp. 546-547) a Instrução foi acompanhada de uma amostra da carta (em francês) que é enviada às hierarquias que pedem e recebem permissão para introduzir a prática da Sagrada Comunhão na mão . A carta estabelecia as seguintes regras: O novo método de administrar a Comunhão não deve ser imposto de forma a excluir o uso tradicional…. O rito da Comunhão na mão deve ser introduzido com tato. Com efeito, estando em causa as atitudes humanas, está ligada à sensibilidade de quem recebe a Comunhão. Deve, portanto, ser introduzido gradativamente, a partir de grupos mais instruídos e preparados. É necessário, antes de tudo, que uma catequese adequada prepare o caminho para que os fiéis compreendam o significado da ação e a pratiquem com o respeito devido ao sacramento. O resultado desta catequese deve ser afastar qualquer sugestão de vacilação por parte da Igreja em sua fé na presença eucarística, e também remover qualquer perigo ou mesmo sugestão de profanação. O fato de que o leigo agora é capaz de receber a Sagrada Comunhão na mão não deve sugerir a ele que se trata de pão comum, ou apenas qualquer objeto sagrado. Ao contrário, deve fortalecer o senso de sua dignidade como membro do Corpo Místico de Cristo, do qual o batismo e a graça da Eucaristia o fazem parte. Experimentará assim um aumento da fé na grande realidade do Corpo e do Sangue do Senhor que toca com as mãos. Sua atitude respeitosa deve ser proporcional ao que ele está fazendo. Quanto ao modo de administrar o sacramento, pode-se seguir o método tradicional, que enfatizava a função ministerial do sacerdote ou do diácono, fazendo-os colocar a hóstia na mão do comungante. Pode-se também adotar um método mais simples, permitindo que o próprio comungante retire a hóstia do cibório. Em ambos os casos, o comungante deve consumir a hóstia antes de retornar ao seu lugar, e o papel do ministro será enfatizado por ele dizer: “O Corpo de Cristo”, ao qual o comungante responde: “Amém”. Seja qual for o método adotado, deve-se tomar cuidado para não deixar cair nenhum fragmento da hóstia…. Quando a Comunhão é distribuída sob ambas as espécies, nunca é permitido colocar nas mãos dos comungantes hóstias que foram primeiro colocadas no Sangue do Senhor. Pede-se aos bispos aos quais foi permitido introduzir o novo rito da Comunhão que enviem um relatório à congregação, daqui a seis meses, sobre o resultado. [Traduzido de AAS 61 (1969), pp. 541-547.], Endnotes 1. Cf . Council of Trent, session 21, The Doctrine of Communion under Both Kinds: Denz . 1726-1727. 2. St. Augustine, On the Psalms , 98, 9. 3. St. Cyril of Jerusalem, Mystagogic Catechesis , V, 21. 4. Hippolytus, Apostolic Tradition , n. 37. 5. Justin, Apologia , 1, 65. 6. See St. Augustine, On the Psalms 98, 9. 7. See Justin, Apologia 1 66. 8. Instruction Eucharisticum Mysterium n. 3. 9. Ibid ., n. 9. 10. St. Cyril of Jerusalem, Mystagogic Catechesis V; 21. 11. See Acts 20:28. 12. See Vatican II Decree Christus Dominu s, n. 38, par. 4. #Comunhão #Comunhãonaboca #ComunhãonaMão

  • O que ainda não te contaram sobre a Comunhão na Mão

    Descubra, de uma vez por todas, porque NÃO devemos receber a Sagrada Comunhão na mão… Devido à prática generalizada, a maioria dos católicos de hoje pensam que o infeliz gesto de se receber a S.S. Eucaristia nas mãos sempre foi algo normal. Na verdade, pela falta de conhecimento e pela falta de piedade, as pessoas em geral não conseguem se aperceber que tal ato (receber a Sagrada Eucaristia nas mãos) é incompatível com a dignidade desse Augusto Sacramento. A consciência de que a S.S. Eucaristia é o próprio Deus atrai os nossos joelhos para o chão em sua presença. Por isso diz o Salmo 94 “Vinde adoremos e prostremo-nos por terra e ajoelhemos ante o Deus que nos criou”; tal gesto (de se ajoelhar) é o mais adequado diante de Nosso Senhor pois põe o ser humano em seu lugar de criatura, fazendo-o reconhecer humildemente a grandeza de Deus e o respeito que Lhe é devido. Não é por acaso que os demônios gostam muito que se receba a S. Comunhão na mão e o inferno celebrou como grande vitória a introdução dessa infame prática na Igreja de Deus. Continue lendo e, ao final do artigo, volte aqui para assistir uma aula especial sobre a origem da comunhão na mão: O diabo sabe que quando alguém se ajoelha para receber Jesus Eucarístico, reforça sua fé e dá testemunho de que crê na presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento. Sabe também que o valor e a reverência daquilo em que todos põe a mão acaba por ser banalizado. A inevitável pergunta que um católico honesto fará será: “se receber a comunhão na mão é algo mal que agrada tanto ao inferno e faz perder a reverência para com Jesus, porque tornou-se uma prática normal dentro da Santa Igreja?” Normalmente quem faz uma pergunta assim desconhece o modo como o demônio age, e, como para tentar alcançar seu objetivo ele precisa destruir o núcleo em torno do qual gira e se alicerça toda a Igreja que é a Santíssima Eucaristia. Ignora igualmente que existe a chamada “Maçonaria Eclesiástica” cujos membros, infiltrados na Igreja, estão a serviço do inimigo para destruir a Igreja de Deus a partir de dentro e assim perder o maior número de almas possível. São muitos os cardeais, bispos e padres que fazem parte dessa organização. Outros não fazem parte, mas colaboram com seus objetivos em troca de dinheiro, poder ou outros favores; outros ainda (seguramente a maioria) colaboram de graça e com grande empenho, uma vez que foram convencidos que os caminhos ensinados e incentivados pelos revolucionários são os melhores… Infelizmente, após a insistência de alguns bispos, o Papa Paulo VI autorizou a experiência de se receber a comunhão na mão durante um ano em três dioceses (uma na Holanda, outra na França e outra a Alemanha); após esse tempo, informado dos frutos ruins dessa prática, o Papa retirou a autorização; acontece que durante o ano que se autorizou a tal experiência naquelas três dioceses, a prática se esparramou, se alegando (falsamente) que o Papa havia autorizado, de modo que quando o Papa Paulo VI retirou sua autorização, a triste prática já havia se difundido por várias dioceses e países, especialmente na Europa. A Maçonaria Eclesiástica e seus aliados progressistas trabalharam muito para isso… Claro que o Papa tinha a autoridade para impor sua decisão de revogar para sempre aquela infeliz autorização, mas diante da pressão de numerosos bispos e cardeais ele não quis comprar a briga. O Papa lamentou muito, mas foi fraco, não usando de sua autoridade quanto foi necessário. João Paulo II compreendia muito melhor o desastre da prática de se receber a comunhão na mão. Falou contra e proibiu em Roma, mas não teve força para debelar esse mal de toda a Igreja pois já estava bem difundido. Limitou-se a garantir no novo Código de Direito Canônico por ele promulgado em 1983 o direito INALIENÁVEL dos fiéis receberem a Santíssima Eucaristia da forma mais piedosa, ou seja: de joelhos e na boca. Como dito pelos demônios em vários e diferentes exorcismos, os “lá de baixo” trabalharam muito para fazer entrar na Igreja a prática de se receber a comunhão na mão, pois além de colaborar para fazer perder a fé e o respeito à Santíssima Eucaristia, faz perder muitas partículas que se desprendem das partículas maiores, fazendo Jesus Eucaristia ser jogado por terra milhares de vezes todos os dias; por isso disse o diabo em um outro exorcismo: “nós gostamos da comunhão na mão, pois assim podemos pisar em vosso Deus”. Além do que, a comunhão dada nas mãos facilitou muito o roubo de hóstias consagradas, que são utilizadas em rituais de missas negras e outras indizíveis profanações. Se NÃO queremos colaborar com o objetivo de satanás de destruir a fé e a piedade eucarísticas, NUNCA MAIS deveríamos receber Jesus nas mãos, mas SEMPRE NA BOCA e, se possível, AJOELHADOS. Os demônios odeiam a Deus e tudo o que é Sagrado e conduza a Deus; por isso odeiam tanto a comunhão recebida na boca e de joelhos, assim como odeiam o sagrado véu, a modéstia, etc…daí a raiva incontida daqueles padres e bispos que, influenciados ou guiados pelo inimigo, esbravejam e sobem o tom com fiéis, dizendo: “levanta, levanta!!!”; “na boca, na boca!!!”; ou simplesmente, ignoram o fiel que se ajoelhou para comungar…em todos esses casos o que se vê é um ódio irracional às coisas santas de Deus, sentimento tipicamente diabólico. Receber A Santíssima Eucaristia na boca e de joelhos é um direito dos fiéis que NÃO pode ser negado por NENHUM sacerdote, bispo ou Conferência Episcopal. A Igreja (Santa Sé) que garante esse direito, consignado no CDC (Código de Direito Canônico) e em vários outros documentos normativos (p. Ex: Redemptionis Sacramentum), está acima dos padres, bispos e Conferências Episcopais. Quando um padre ou bispo nega a Sagrada Comunhão na boca e/ou de joelhos querendo impor a impiedade da comunhão na mão e para tal, invoca a sua autoridade, apenas está demonstrando sua desonestidade, intolerância e soberba, uma vez que não aceita a autoridade da Igreja que o manda dar a comunhão aos fiéis que a pedem na boca e de joelhos. Nesse caso devemos perguntar: quem é o desobediente a Igreja? Alguns para justificar o abuso de poder e a atitude arrogante dizem que a prática da comunhão na mão existe desde o início na Igreja; que a Igreja atualmente apenas restaurou uma prática antiga, etc…é preciso dizer que isso NÃO é verdade. A prática da comunhão na mão como se tem feito hoje NUNCA existiu na Igreja Primitiva. Durante os primeiros séculos, em algumas comunidades, os fiéis recebiam a Sagrada Eucaristia em um corporal colocado sobre as mãos e a levavam diretamente à boca, sem jamais tocar nelas com os dedos. Os corporais eram recolhidos e devidamente purificados. Entretanto, mesmo essa prática foi abolida pela Igreja já nos primeiros séculos por conta dos abusos que começaram a surgir, de forma que, a partir daí, o modo ordinário de se receber a Santíssima Eucaristia foi sempre NA BOCA E DE JOELHOS. Que o fiéis não tenham medo de serem firmes na exigência do seu direito de comungar na boca e de joelhos. Não cedam à pressão, nem ao autoritarismo de padres e bispos impiedosos que não obedecem a Igreja, nem respeitam os direitos dos fiéis. É preciso compreender que estamos em uma guerra espiritual onde NÃO devemos ceder espaço ao inimigo de Deus que quer destruir a verdadeira fé e levar as pessoas à descrença e consequentemente à condenação. Os que têm a graça de crer, especialmente os têm uma fé mais esclarecida, NUNCA deveriam ceder ao plano no inimigo a pretexto obter o benefício da Santíssima Eucaristia, pois importa não apenas comungar e receber as graças advindas da Sagrada Eucaristia, mas antes de tudo importa honrar a Deus e fazê-lo honrado e adorado por todos, o que justamente é ofuscado pela prática da comunhão na mão. O demônio é um ser inteligente e planeja a longo prazo. Sabia que a popularização dessa prática ajudaria a levar ao esfriamento da fé eucarística e a multiplicação dos sacrilégios e profanações tal como se pode ver em nossos dias. Em outras palavras não deveríamos, a pretexto de obtermos os benefícios da Santíssima Eucaristia, colaborar com um plano diabólico que visa destruir a fé nessa mesma Eucaristia. Entre receber a S.S Eucaristia nas mãos e não comungar, é melhor NÃO comungar. Quando negada a Sagrada Comunhão na boca, é melhor se recolher, fazer comunhão espiritual e atos de amor, adoração e reparação. Não é necessário fazer escândalo nem gritarias; Respeitando Jesus Sacramentado e o sacerdote que está agindo mal, pode-se ficar ajoelhado o tempo que for preciso, depois voltar para o lugar e rezar em reparação da impiedade ocorrida. É importante também que se invoque o Anjo da Guarda e todos os Santos Anjos presentes naquela celebração para que recolham as partículas consagradas que possam ter se perdido. Para honrar Jesus NÃO devemos recebê-lo de um modo que lhe desagrade. Se os demônios gostam da comunhão dada na mão, nós NÃO deveríamos gostar… Que Deus tenha misericórdia de seu povo e providencie bons pastores que os alimente com a verdade e com o Pão do Céu. Assista o vídeo: Um livro recém publicado em inglês por Dom Juan Rodolfo Laise, bispo emérito de San Luis, Argentina Citando documentos oficiais do Vaticano, o Bispo Laise mostra que não existe nenhuma permissão legal no Novus Ordo para a prática da Comunhão na mão. Com base nessas evidências, ele proibiu esse abuso em sua própria diocese de San Luis, Argentina, durante seu mandato episcopal de 1971 a 2001 e, posteriormente, escreveu um livro sobre o assunto para encorajar outros bispos a examinar esse importante assunto com mais cuidado. Clique aqui para ler a edição do livro La Comunión en la mano. Documentos e historia , em espanhol. Da Introdução do livro: Desde o início, sacerdotes e fiéis sob minha responsabilidade pastoral me pediram para não introduzir essa prática na diocese de San Luis. Convoquei uma reunião de padres para 8 de agosto, na qual apresentei o decreto de Roma e a instrução Memoriale Domini. Eles concordaram unanimemente que, para o bem dos fiéis, a Comunhão na língua deveria ser mantida… O resultado dessa reunião foi um decreto diocesano no qual reitero o pedido do papa e cumpri rigorosamente a lei vigente mantendo a proibição da Comunhão na mão. No entanto, uma pergunta permaneceu: sendo o Memoriale Domini a única legislação em vigor, como é que todos adotaram a prática da Comunhão na mão como se fosse apenas uma opção proposta e até recomendada pela Igreja? Buscando uma resposta para esta questão e para defender minha decisão – que foi bastante polêmica com alguns setores eclesiásticos que se manifestaram na mídia – estimulei uma investigação mais profunda sobre a história deste uso. E os resultados desta investigação encontram-se neste trabalho. Das Conclusões: Tudo o que foi elaborado até agora permite perceber que a história da reintrodução da comunhão na mão nada mais é do que o triunfo de um ato de desobediência. A consideração dos pormenores desta história torna-nos evidente a gravidade desta desobediência: de facto, é gravíssima sobretudo pelo próprio assunto de que trata; muito grave porque implica a resistência aberta a uma diretriz clara, explícita e solidamente fundamentada do papa; mais grave por sua extensão universal; mais grave porque quem não obedecia não eram apenas os fiéis ou sacerdotes, mas em muitos casos bispos e conferências episcopais inteiras; gravíssimo, porque não só ficaram impunes como obtiveram um êxito retumbante; mais grave, enfim, porque conseguiu que o estado de desobediência permanecesse oculto, fazendo com que se acreditasse, ao contrário, que adotavam uma proposta que MEMORIALE DOMINI Instrução sobre o modo de distribuir a Sagrada Comunhão da Sagrada Congregação para o Culto Divino Editado em 29 de maio de 1969. Quando a Igreja celebra o memorial do Senhor, afirma pelo próprio rito a sua fé em Cristo e a sua adoração a Ele, Cristo presente no sacrifício e dado como alimento aos que participam da mesa eucarística. Por isso, é uma grande preocupação da Igreja que a Eucaristia seja celebrada e compartilhada com a maior dignidade e fecundidade. Conserva intacta a tradição já desenvolvida que chegou até nós, cujas riquezas passaram para o uso e a vida da Igreja. As páginas da história mostram que a celebração e as recepções da Eucaristia assumiram várias formas. Nos nossos dias, os ritos da celebração da Eucaristia foram modificados de muitas e importantes maneiras, tornando-os mais adequados às necessidades espirituais e psicológicas do homem moderno. Além disso, ocorreu uma mudança na disciplina que rege a participação dos leigos no sacramento. A Sagrada Comunhão sob dois tipos, pão e vinho foi reintroduzida. Já havia sido comum na Igreja latina também, mas posteriormente foi progressivamente abandonado. Este estado de coisas generalizou-se na época do Concílio de Trento, que o sancionou e defendeu por ensino dogmático como sendo adequado às condições da época.[1] Estas mudanças fizeram do banquete eucarístico e do fiel cumprimento do mandamento de Cristo um símbolo mais claro e vital. Ao mesmo tempo, nos últimos anos, uma participação mais plena na celebração eucarística através da Comunhão sacramental suscitou aqui e ali o desejo de voltar ao antigo costume de depositar o pão eucarístico na mão do comungante, ele mesmo então comunicando, colocando-o em a boca dele. De fato, em certas comunidades e em alguns lugares esta prática foi introduzida sem a aprovação prévia solicitada da Santa Sé e, às vezes, sem nenhuma tentativa de preparar adequadamente os fiéis. Certamente é verdade que o uso antigo permitia que os fiéis pegassem esse alimento divino em suas mãos e o colocassem na boca. Também é verdade que em tempos muito antigos era permitido levar consigo o Santíssimo Sacramento do local onde se celebrava o santo sacrifício. Isso era principalmente para poder dar a si mesmos o viático caso tivessem que enfrentar a morte por sua fé. No entanto, as prescrições da Igreja e as evidências dos Padres deixam bem claro que a maior reverência foi mostrada ao Santíssimo Sacramento e que as pessoas agiram com a maior prudência. Assim, “que ninguém . . . coma essa carne sem primeiro adorá-la”[2] Quando uma pessoa toma (o Santíssimo Sacramento), ela é avisada: “…receba-o: tenha cuidado para não perder nada.”[ 3] “Pois é o Corpo de Cristo.”[4] Além disso, o cuidado e o ministério do Corpo e Sangue de Cristo foram especialmente confiados a ministros sagrados ou a homens especialmente designados para esse fim: “Quando o presidente tiver recitado as orações e todo o povo tiver proferido uma aclamação, aqueles a quem chamamos os diáconos distribuem a todos os presentes o pão e o vinho pelos quais foram dadas graças e os levam aos ausentes»[5]. Logo a tarefa de levar a Santíssima Eucaristia aos ausentes foi confiada apenas aos ministros sagrados, para melhor garantir o respeito devido ao sacramento e atender às necessidades dos fiéis. Mais tarde, com o aprofundamento da compreensão da verdade do mistério eucarístico, do seu poder e da presença de Cristo nele, surgiu um maior sentimento de reverência para com este sacramento e sentiu-se que se exigiam uma humildade mais profunda ao recebê-lo. Assim foi estabelecido o costume de o ministro colocar uma partícula de pão consagrado na língua do comungante. Este método de distribuição da Sagrada Comunhão deve ser mantido, tendo em conta a situação atual da Igreja em todo o mundo, não apenas porque tem atrás de si muitos séculos de tradição, mas sobretudo porque expressa a reverência dos fiéis pela Eucaristia. O costume não diminui em nada a dignidade pessoal de quem se aproxima deste grande sacramento: faz parte daquela preparação necessária para a recepção mais frutuosa do Corpo do Senhor.[6] Esta reverência mostra que não se trata de uma participação no “pão e no vinho ordinário”[7], mas no Corpo e no Sangue do Senhor, mediante os quais “o povo de Deus partilha os benefícios do Sacrifício Pascal, renova a Nova Aliança que Deus fez com o homem de uma vez por todas pelo Sangue de Cristo, e na fé e na esperança prenuncia e antecipa o banquete escatológico no reino do Pai.”[8] Além disso, a prática que deve ser considerada tradicional garante, de forma mais eficaz, que a Sagrada Comunhão seja distribuída com o devido respeito, decoro e dignidade. Afasta o perigo de profanação das espécies sagradas, nas quais “de modo único, Cristo, Deus e homem, está presente íntegro, substancial e continuamente”[9]. pão consagrado que a Igreja sempre recomendou: “O que você deixou cair, pense nisso como se tivesse perdido um de seus próprios membros”[10]. Quando, portanto, um pequeno número de conferências episcopais e alguns bispos individuais pediram que a prática de colocar as hóstias consagradas nas mãos do povo fosse permitida em seus territórios, o Santo Padre decidiu que todos os bispos da Igreja latina deveriam ser questionados se eles achavam que oportuno introduzir este rito. Uma mudança em matéria de tal momento, baseada em uma tradição antiquíssima e venerável, não afeta apenas a disciplina. Traz consigo certos perigos que podem surgir da nova maneira de administrar a Sagrada Comunhão: o perigo de uma perda de reverência pelo augusto Sacramento do Altar, de profanação, de adulteração da verdadeira doutrina. Três perguntas foram feitas aos bispos, e as respostas recebidas até 12 de março de 1969 foram as seguintes: Você acha que se deve prestar atenção ao desejo de que, além da maneira tradicional, seja admitido o rito de receber a Sagrada Comunhão na mão? Sim: 597 Não: 1.233 Sim, mas com reservas: 315 Votos inválidos: 20 É seu desejo que este novo rito seja experimentado primeiro em pequenas comunidades, com o consentimento do bispo? Sim: 751 Não: 1.215 Votos inválidos, 70 Pensas que os fiéis acolherão com alegria este novo rito, depois de uma adequada preparação catequética? Sim: 835 Não: 1.185 Votos inválidos: 128 Dos retornos fica claro que a grande maioria dos bispos acredita que a atual disciplina não deveria ser alterada e que, se fosse, a mudança seria ofensiva para os sentimentos e a cultura espiritual desses bispos e de muitos fiéis. Portanto, levando em conta as palavras e os conselhos daqueles a quem “o Espírito Santo colocou para governar” as Igrejas,[11] em vista da gravidade do assunto e da força dos argumentos apresentados, o Santo Padre decidiu não mudar a maneira existente de administrar a Sagrada Comunhão aos fiéis. A Sé Apostólica, portanto, exorta enfaticamente os bispos, sacerdotes e leigos a obedecerem atentamente à lei que ainda é válida e que foi novamente confirmada. Exorta-os a levar em conta o julgamento feito pela maioria dos bispos católicos, o rito agora em uso na liturgia, o bem comum da Igreja. Onde prevalece um uso contrário, o de colocar a Sagrada Comunhão na mão, a Santa Sé – desejando ajudá-los a cumprir sua tarefa, muitas vezes difícil como é hoje em dia – atribui a essas conferências a tarefa de avaliar cuidadosamente quaisquer circunstâncias especiais que possam existir ali. , cuidando para evitar qualquer risco de falta de respeito ou de falsas opiniões sobre a Santíssima Eucaristia, e para evitar quaisquer outros efeitos nocivos que daí possam advir. Nesses casos, as conferências episcopais examinem cuidadosamente os assuntos e tomem todas as decisões, por voto secreto e com maioria de dois terços, que sejam necessárias para regular os assuntos. Suas decisões devem ser enviadas a Roma para receber a confirmação necessária,[12] acompanhadas de um relato detalhado dos motivos que os levaram a tomar essas decisões. A Santa Sé examinará cuidadosamente cada caso, levando em conta os vínculos entre as diversas Igrejas locais e entre cada uma delas e a Igreja Universal, a fim de promover o bem comum e a edificação de todos, e para que o bom exemplo recíproco aumente a fé e piedade. Nota: na Acta Apostolicae Sedis (pp. 546-547) a Instrução foi acompanhada de uma amostra da carta (em francês) que é enviada às hierarquias que pedem e recebem permissão para introduzir a prática da Sagrada Comunhão na mão . A carta estabelecia as seguintes regras: O novo método de administrar a Comunhão não deve ser imposto de forma a excluir o uso tradicional…. O rito da Comunhão na mão deve ser introduzido com tato. Com efeito, estando em causa as atitudes humanas, está ligada à sensibilidade de quem recebe a Comunhão. Deve, portanto, ser introduzido gradativamente, a partir de grupos mais instruídos e preparados. É necessário, antes de tudo, que uma catequese adequada prepare o caminho para que os fiéis compreendam o significado da ação e a pratiquem com o respeito devido ao sacramento. O resultado desta catequese deve ser afastar qualquer sugestão de vacilação por parte da Igreja em sua fé na presença eucarística, e também remover qualquer perigo ou mesmo sugestão de profanação. O fato de que o leigo agora é capaz de receber a Sagrada Comunhão na mão não deve sugerir a ele que se trata de pão comum, ou apenas qualquer objeto sagrado. Ao contrário, deve fortalecer o senso de sua dignidade como membro do Corpo Místico de Cristo, do qual o batismo e a graça da Eucaristia o fazem parte. Experimentará assim um aumento da fé na grande realidade do Corpo e do Sangue do Senhor que toca com as mãos. Sua atitude respeitosa deve ser proporcional ao que ele está fazendo. Quanto ao modo de administrar o sacramento, pode-se seguir o método tradicional, que enfatizava a função ministerial do sacerdote ou do diácono, fazendo-os colocar a hóstia na mão do comungante. Pode-se também adotar um método mais simples, permitindo que o próprio comungante retire a hóstia do cibório. Em ambos os casos, o comungante deve consumir a hóstia antes de retornar ao seu lugar, e o papel do ministro será enfatizado por ele dizer: “O Corpo de Cristo”, ao qual o comungante responde: “Amém”. Seja qual for o método adotado, deve-se tomar cuidado para não deixar cair nenhum fragmento da hóstia…. Quando a Comunhão é distribuída sob ambas as espécies, nunca é permitido colocar nas mãos dos comungantes hóstias que foram primeiro colocadas no Sangue do Senhor. Pede-se aos bispos aos quais foi permitido introduzir o novo rito da Comunhão que enviem um relatório à congregação, daqui a seis meses, sobre o resultado. [Traduzido de AAS 61 (1969), pp. 541-547.], Endnotes 1. Cf . Council of Trent, session 21, The Doctrine of Communion under Both Kinds: Denz . 1726-1727. 2. St. Augustine, On the Psalms , 98, 9. 3. St. Cyril of Jerusalem, Mystagogic Catechesis , V, 21. 4. Hippolytus, Apostolic Tradition , n. 37. 5. Justin, Apologia , 1, 65. 6. See St. Augustine, On the Psalms 98, 9. 7. See Justin, Apologia 1 66. 8. Instruction Eucharisticum Mysterium n. 3. 9. Ibid ., n. 9. 10. St. Cyril of Jerusalem, Mystagogic Catechesis V; 21. 11. See Acts 20:28. 12. See Vatican II Decree Christus Dominu s, n. 38, par. 4. #Comunhão #Comunhãonaboca #ComunhãonaMão

  • Como rezar a Quaresma de São Miguel

    A todos que praticam a devoção da Quaresma de São Miguel, a começar neste dia 15 de agosto, oferecemos a seguir um roteiro com várias preces a esse Arcanjo, invocado em toda a Igreja como príncipe das milícias celestes. É costume que a Quaresma de São Miguel seja rezada diariamente, entre 15 de agosto e 29 de setembro , quando se celebra a festa deste Santo Arcanjo. Mas ela também pode ser feita em qualquer outra época do ano, por um período de 40 dias. Esta devoção deve-se a São Francisco de Assis, que sempre fazia orações especiais a São Miguel, quarenta dias antes da festa do Arcanjo (29 de Setembro). Foi difundida através dos seus discípulos, que o imitavam nessa devoção e recebiam graças. E, até hoje, temos esse belíssimo costume de consagrar as nossas vidas a São Miguel. Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Por se tratar de uma devoção privada , os fiéis que a praticam são livres para adotar as orações de sua preferência. As preces a seguir são mais uma sugestão de roteiro do que um rito fixo e imóvel, e costumam ser rezadas em frente a uma escultura ou estampa de São Miguel, e com uma vela benta acesa em sua honra. Também é hábito que se una a essas orações a prática de alguma penitência especial ao longo de toda a quarentena. Aos que praticam essa devoção em família, talvez valha a pena baixar este arquivo em formato pdf , com as orações em latim e português, e fazer uma impressão dele para esses dias. No final do artigo é possível baixar outros arquivos que ajudarão a viver bem a Quaresma de São Miguel. Aos que desejarem conhecer mais e melhor essa prática, sua origem e seu significado espiritual, recomendamos que assistam aos seguintes programas “Ao vivo com Pe. Paulo”, sobre esse tema: O que é necessário? Antes de tudo, termos os devidos cuidados para não cairmos em superstição. A superstição é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Então, o nosso coração deve estar reconciliado com Deus e cheio de bons propósitos, para isso faça um breve exame de consciência. Após esta breve análise da sua vida, faça um altar com uma imagem de São Miguel (pode ser estátua ou de papel), colocando velas ou lamparinas bentas, e flores para enfeitar. Durante a Quaresma, faça penitências, jejuns e abstinências e uma boa confissão. Leia também Sugestões de penitências e mortificações na quaresma Durante todos os dias da quaresma de São Miguel, faça o Sinal da Cruz, se possível acenda uma vela, diga a sua intenção particular – por si ou por alguém – e reze as orações abaixo, e no dia 29 de Setembro procure participar da Festa de São Miguel com a Santa Missa. 1. Sinal da cruz . — Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 2. Pequeno exorcismo de Leão XIII . — São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate. Cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o Deus, instantemente o pedimos; e vós, príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno Satanás e os outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém. 3. Ladainha de São Miguel Arcanjo ( versão latina aqui ): Senhor, tende piedade de nós . Jesus Cristo, tende piedade de nós . Senhor, tende piedade de nós . Cristo, ouvi-nos . Cristo, atendei-nos . Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós . Filho redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós . Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós . Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós . Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós . São Miguel, rogai por nós . São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai … São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, São Miguel, coroado de honra e de glória, São Miguel, poderosíssimo príncipe dos exércitos do Senhor, São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, São Miguel, guardião do Paraíso, São Miguel, guia e consolador do povo israelita, São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante, São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante, São Miguel, luz dos anjos, São Miguel, baluarte dos cristãos, São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da cruz, São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, São Miguel, socorro muito certo, São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, São Miguel, arauto da sentença eterna, São Miguel, consolador das almas que estão no Purgatório, São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas depois da morte, São Miguel, nosso príncipe, São Miguel, nosso advogado, rogai por nós . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós . Rogai por nós, ó glorioso São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo, para que sejamos dignos de suas promessas . Oremos : Senhor Jesus, santificai-nos por uma bênção sempre nova e concedei-nos, pela intercessão de São Miguel, essa sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas do céu e a trocar os bens do tempo presente pelos da eternidade. Vós que viveis e reinais em todos os séculos dos séculos. Amém. 4. Consagração a São Miguel Arcanjo . — Ó Príncipe nobilíssimo dos Anjos, valoroso guerreiro do Altíssimo, zeloso defensor da glória do Senhor, terror dos espíritos rebeldes, amor e delícia de todos os Anjos justos, meu diletíssimo Arcanjo São Miguel, desejando eu fazer parte do número dos vossos devotos e servos, a vós hoje me consagro, me dou e me ofereço e ponho-me a mim próprio, a minha família e tudo o que me pertence, debaixo da vossa poderosíssima proteção. É pequena a oferta do meu serviço, sendo como sou um miserável pecador, mas vós engrandecereis o afeto do meu coração; recordai-vos que de hoje em diante estou debaixo do vosso sustento e deveis assistir-me em toda a minha vida e obter-me o perdão dos meus muitos e graves pecados, a graça de amar a Deus de todo coração, ao meu querido Salvador Jesus Cristo e a minha Mãe Maria Santíssima. Obtende-me aqueles auxílios que me são necessários para obter a coroa da eterna glória. Defendei-me dos inimigos da alma, especialmente na hora da morte. Vinde, ó príncipe gloriosíssimo, assistir-me na última luta e com a vossa arma poderosa lançai para longe, precipitando nos abismos do inferno, aquele anjo quebrador de promessas e soberbo que um dia prostrastes no combate no Céu. São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate para que não pereçamos no supremo juízo. 5. Oração final . — Levanta-se Deus, pela intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, São Miguel Arcanjo e todas as milícias celestes; sejam dispersos os seus inimigos e fujam de sua face todos os que o odeiam. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 6. Oração “Augusta Rainha” . — Augusta Rainha dos céus, soberana mestra dos Anjos, Vós que, desde o princípio, recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, nós vo-lo pedimos humildemente, enviai vossas legiões celestes para que, sob vossas ordens, e por vosso poder, elas persigam os demônios, combatendo-os por toda a parte, reprimindo-lhes a insolência, e lançando-os no abismo. Quem é como Deus? Ó Mãe de bondade e ternura, Vós sereis sempre o nosso amor e a nossa esperança. Ó Mãe divina, enviai os Santos Anjos para nos defenderem, e repeli para longe de nós o cruel inimigo. Santos Anjos e Arcanjos, defendei-nos e guardai-nos. Amém. Notas Na liturgia atual, S. Gabriel e S. Rafael também são celebrados no dia 29 de setembro, quando se encerra essa devoção. Mas vale a pena recordar, aos amantes do rito tradicional, que no calendário antigo os três arcanjos eram festejados separadamente: Gabriel em 24 de março, véspera da Anunciação, e Rafael em 24 de outubro (ambas festas de 3.ª classe, o equivalente às nossas memórias ). São Miguel manteve o dia 29 de setembro, mas antes era honrado com uma festa de 1.ª classe (o equivalente às nossas solenidades ). Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Outros arquivos para baixar : Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (preto e branco) Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (colorido) Calendário da Quaresma de São Miguel Capelinha de São Miguel #Quaresma #QuaresmadeSãoMiguel #SãoMiguel

  • Como rezar a Quaresma de São Miguel

    A todos que praticam a devoção da Quaresma de São Miguel, a começar neste dia 15 de agosto, oferecemos a seguir um roteiro com várias preces a esse Arcanjo, invocado em toda a Igreja como príncipe das milícias celestes. É costume que a Quaresma de São Miguel seja rezada diariamente, entre 15 de agosto e 29 de setembro , quando se celebra a festa deste Santo Arcanjo. Mas ela também pode ser feita em qualquer outra época do ano, por um período de 40 dias. Esta devoção deve-se a São Francisco de Assis, que sempre fazia orações especiais a São Miguel, quarenta dias antes da festa do Arcanjo (29 de Setembro). Foi difundida através dos seus discípulos, que o imitavam nessa devoção e recebiam graças. E, até hoje, temos esse belíssimo costume de consagrar as nossas vidas a São Miguel. Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Por se tratar de uma devoção privada , os fiéis que a praticam são livres para adotar as orações de sua preferência. As preces a seguir são mais uma sugestão de roteiro do que um rito fixo e imóvel, e costumam ser rezadas em frente a uma escultura ou estampa de São Miguel, e com uma vela benta acesa em sua honra. Também é hábito que se una a essas orações a prática de alguma penitência especial ao longo de toda a quarentena. Aos que praticam essa devoção em família, talvez valha a pena baixar este arquivo em formato pdf , com as orações em latim e português, e fazer uma impressão dele para esses dias. No final do artigo é possível baixar outros arquivos que ajudarão a viver bem a Quaresma de São Miguel. Aos que desejarem conhecer mais e melhor essa prática, sua origem e seu significado espiritual, recomendamos que assistam aos seguintes programas “Ao vivo com Pe. Paulo”, sobre esse tema: O que é necessário? Antes de tudo, termos os devidos cuidados para não cairmos em superstição. A superstição é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Então, o nosso coração deve estar reconciliado com Deus e cheio de bons propósitos, para isso faça um breve exame de consciência. Após esta breve análise da sua vida, faça um altar com uma imagem de São Miguel (pode ser estátua ou de papel), colocando velas ou lamparinas bentas, e flores para enfeitar. Durante a Quaresma, faça penitências, jejuns e abstinências e uma boa confissão. Leia também Sugestões de penitências e mortificações na quaresma Durante todos os dias da quaresma de São Miguel, faça o Sinal da Cruz, se possível acenda uma vela, diga a sua intenção particular – por si ou por alguém – e reze as orações abaixo, e no dia 29 de Setembro procure participar da Festa de São Miguel com a Santa Missa. 1. Sinal da cruz . — Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 2. Pequeno exorcismo de Leão XIII . — São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate. Cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o Deus, instantemente o pedimos; e vós, príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno Satanás e os outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém. 3. Ladainha de São Miguel Arcanjo ( versão latina aqui ): Senhor, tende piedade de nós . Jesus Cristo, tende piedade de nós . Senhor, tende piedade de nós . Cristo, ouvi-nos . Cristo, atendei-nos . Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós . Filho redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós . Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós . Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós . Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós . São Miguel, rogai por nós . São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai … São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, São Miguel, coroado de honra e de glória, São Miguel, poderosíssimo príncipe dos exércitos do Senhor, São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, São Miguel, guardião do Paraíso, São Miguel, guia e consolador do povo israelita, São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante, São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante, São Miguel, luz dos anjos, São Miguel, baluarte dos cristãos, São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da cruz, São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, São Miguel, socorro muito certo, São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, São Miguel, arauto da sentença eterna, São Miguel, consolador das almas que estão no Purgatório, São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas depois da morte, São Miguel, nosso príncipe, São Miguel, nosso advogado, rogai por nós . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor . Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós . Rogai por nós, ó glorioso São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo, para que sejamos dignos de suas promessas . Oremos : Senhor Jesus, santificai-nos por uma bênção sempre nova e concedei-nos, pela intercessão de São Miguel, essa sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas do céu e a trocar os bens do tempo presente pelos da eternidade. Vós que viveis e reinais em todos os séculos dos séculos. Amém. 4. Consagração a São Miguel Arcanjo . — Ó Príncipe nobilíssimo dos Anjos, valoroso guerreiro do Altíssimo, zeloso defensor da glória do Senhor, terror dos espíritos rebeldes, amor e delícia de todos os Anjos justos, meu diletíssimo Arcanjo São Miguel, desejando eu fazer parte do número dos vossos devotos e servos, a vós hoje me consagro, me dou e me ofereço e ponho-me a mim próprio, a minha família e tudo o que me pertence, debaixo da vossa poderosíssima proteção. É pequena a oferta do meu serviço, sendo como sou um miserável pecador, mas vós engrandecereis o afeto do meu coração; recordai-vos que de hoje em diante estou debaixo do vosso sustento e deveis assistir-me em toda a minha vida e obter-me o perdão dos meus muitos e graves pecados, a graça de amar a Deus de todo coração, ao meu querido Salvador Jesus Cristo e a minha Mãe Maria Santíssima. Obtende-me aqueles auxílios que me são necessários para obter a coroa da eterna glória. Defendei-me dos inimigos da alma, especialmente na hora da morte. Vinde, ó príncipe gloriosíssimo, assistir-me na última luta e com a vossa arma poderosa lançai para longe, precipitando nos abismos do inferno, aquele anjo quebrador de promessas e soberbo que um dia prostrastes no combate no Céu. São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate para que não pereçamos no supremo juízo. 5. Oração final . — Levanta-se Deus, pela intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, São Miguel Arcanjo e todas as milícias celestes; sejam dispersos os seus inimigos e fujam de sua face todos os que o odeiam. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 6. Oração “Augusta Rainha” . — Augusta Rainha dos céus, soberana mestra dos Anjos, Vós que, desde o princípio, recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, nós vo-lo pedimos humildemente, enviai vossas legiões celestes para que, sob vossas ordens, e por vosso poder, elas persigam os demônios, combatendo-os por toda a parte, reprimindo-lhes a insolência, e lançando-os no abismo. Quem é como Deus? Ó Mãe de bondade e ternura, Vós sereis sempre o nosso amor e a nossa esperança. Ó Mãe divina, enviai os Santos Anjos para nos defenderem, e repeli para longe de nós o cruel inimigo. Santos Anjos e Arcanjos, defendei-nos e guardai-nos. Amém. Notas Na liturgia atual, S. Gabriel e S. Rafael também são celebrados no dia 29 de setembro, quando se encerra essa devoção. Mas vale a pena recordar, aos amantes do rito tradicional, que no calendário antigo os três arcanjos eram festejados separadamente: Gabriel em 24 de março, véspera da Anunciação, e Rafael em 24 de outubro (ambas festas de 3.ª classe, o equivalente às nossas memórias ). São Miguel manteve o dia 29 de setembro, mas antes era honrado com uma festa de 1.ª classe (o equivalente às nossas solenidades ). Leia também Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo Outros arquivos para baixar : Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (preto e branco) Roteiro de orações para a Quaresma de São Miguel (colorido) Calendário da Quaresma de São Miguel Capelinha de São Miguel #Quaresma #QuaresmadeSãoMiguel #SãoMiguel

  • Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo

    No mês de agosto inicia-se a Quaresma de São Miguel Arcanjo. Conheça a história da origem desta importante devoção ao príncipe das milícias celestes, vivida de modo especial por São Francisco de Assis. Uma tradição franciscana, a Quaresma a São Miguel Arcanjo é um tempo especial de oração e penitência. Tem início, com a Festa da Assunção de Nossa Senhora em 15 de agosto e termina no dia 28 de setembro, véspera da festa em honra aos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael. É costume que a Quaresma de São Miguel seja rezada diariamente, entre 15 de agosto e 29 de setembro , quando se celebra a festa deste Santo Arcanjo. Mas ela também pode ser feita em qualquer outra época do ano, por um período de 40 dias. Leia também Clique aqui para rezar conosco e baixe o um roteiro especial de orações para a Quaresma de São Miguel São Francisco foi um santo que na sua vida mortal procurava nutrir muito sua alma para não esfriar o seu amor por Jesus, com um espírito de oração e sacrifício muito grande. Para tanto, ele realizava por ano três quaresmas, além de outro período de jejum e oração em honra da Mãe de Deus, pela qual tinha um doce e especial amor, que ia da festa de São Pedro e São Paulo Apóstolos à festa da Assunção de Nossa Senhora. Foi de um modo muito especial que, na Quaresma de São Miguel Arcanjo, Deus coroou Francisco de graças abundantes, dentre elas a de marcá-lo em seu corpo, pelo profundo desejo de imitar ao seu Filho Jesus Cristo, com os sinais de sua Paixão. Todas essas quaresmas eram realizadas no Monte Alverne. (Alverne: “verna” vem de “vernare”, verbo utilizado por Dante e que significa “fazer frio”; gela.) São Boaventura diz em sua Legenda Maior em seu capítulo 9, parágrafo 3 dos escritos biográficos de São Francisco: “um vínculo de amor indissolúvel unia-o aos anjos cujo maravilhoso ardor o punha em êxtase diante de Deus e inflamava as almas dos eleitos”. Por devoção aos anjos, celebrava uma quaresma de jejuns e orações durante os quarenta dias que seguem a Assunção da Santíssima Virgem Maria. São Miguel, sobretudo, a quem cabe o papel de introduzir as almas no paraíso, era objetivo de uma devoção especial, em razão do desejo que tinha o santo de salvar a todos os homens. Era do conhecimento de Francisco a autoridade e o auxílio que o Arcanjo Miguel tem em exercício das almas, em salvá-las no último instante da vida e o poder de ir ao purgatório retirá-las de lá. Esse era o principal motivo pelo qual Francisco realizava sua quaresma e isso nos é relatado na legenda Terusiana no número 93 de sua biografia, na qual o santo vai dizer no ano de 1224, ano em que recebeu os estigmas ao avistar o Monte Alverne em visita ao eremitério: “Para honra de Deus, da bem-aventurada Virgem Maria e de São Miguel, Príncipe dos Anjos e das almas, quero fazer aqui uma quaresma”. É neste mesmo ano que ele realizou a 1ª quaresma em hora de São Miguel Arcanjo. Foi neste ano que estando Francisco a rezar no Monte Alverne, relata a Legenda Menor de sua biografia. Em sua primeira quaresma em honra do glorioso Arcanjo Miguel, sentiu ele com maior abundância do que nunca, a suavidade de contemplação Celeste, o andor dos desejos sobrenaturais, a profusão das graças divinas transportado até Deus num fogo de amor seráfico, e transformado pelos arroubos de uma profunda compaixão naquele que, em seus extremos de amor, quis ser crucificado. Orava certa manhã numa das partes do monte. Aproximava a festa da Exaltação da Santa Cruz, quando ele viu descer do alto do Céu um Serafim de seis asas flamejantes, o qual, num rápido vôo, chegou perto do lugar onde estava o homem de Deus. O personagem apareceu-lhe não apenas munido de asas, mas também crucificado, mãos e pés estendidos e atados a uma cruz. Duas asas elevavam-se por cima de sua cabeça, duas outras estavam abertas para o vôo, as duas últimas cobriam-lhe o corpo. Tal aparição deixou Francisco mergulhado num profundo êxtase, enquanto em sua alma se mesclava a tristeza e a alegria: uma alegria transbordante ao contemplar a Cristo que se lhe manifestava de uma maneira tão milagrosa e familiar, mas ao mesmo tempo uma dor imensa, pois a visão da cruz transpassava sua alma com uma espada de dor e de compaixão. Aquele que assim externamente aparecia e o iluminava também internamente. Francisco compreendeu então que os sofrimentos da paixão de modo algum podem atingir um Serafim que é um espírito imortal.Mas essa visão lhe fora concedido para ensinar que não era o martírio do corpo, mas o amor o incendiou a alma que deveria transformá-lo, tornando-o semelhante a Jesus Crucificado. Após uma conversação familiar, que nunca foi revelada aos outros, desapareceu aquela visão, deixando-lhe o coração inflamado de um ardor seráfico e imprimindo-lhe na carne a semelhança externa com o crucificado, como a marca de um sinete na cera que o calor do fogo fez derreter. Logo começaram, com efeito, a aparecer em suas mãos e pés as marcas dos cravos.Quando o verdadeiro amor transformou o amigo de Cristo na semelhança d’Aquele que ele amava, terminado os quarenta dias previsto no monte e na solidão, chegou a festa de são Miguel; e Francisco, homem evangélico, desceu do Monte, trazendo a imagem do crucificado, não esculpida em tábuas de pedra ou de madeira pela mão de algum artifício, mas reproduzida em sua própria carne pelo dedo do Deus Vivo. Francisco para não se igualar a Jesus que ficou 40 dias e 40 noites em jejum total, come ao final destes dias um pedaço de pão e bebe água, pois se achava indigno de se igualar a Jesus. Clevinho Maia (Combatentes de São Miguel Arcanjo) Leia também Clique aqui para rezar conosco e baixe o um roteiro especial de orações para a Quaresma de São Miguel Aos que desejarem conhecer mais e melhor essa prática, sua origem e seu significado espiritual, recomendamos que assistam aos seguintes programas “Ao vivo com Pe. Paulo”, sobre esse tema: #Quaresma

  • Conheça a origem da Quaresma de São Miguel Arcanjo

    No mês de agosto inicia-se a Quaresma de São Miguel Arcanjo. Conheça a história da origem desta importante devoção ao príncipe das milícias celestes, vivida de modo especial por São Francisco de Assis. Uma tradição franciscana, a Quaresma a São Miguel Arcanjo é um tempo especial de oração e penitência. Tem início, com a Festa da Assunção de Nossa Senhora em 15 de agosto e termina no dia 28 de setembro, véspera da festa em honra aos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael. É costume que a Quaresma de São Miguel seja rezada diariamente, entre 15 de agosto e 29 de setembro , quando se celebra a festa deste Santo Arcanjo. Mas ela também pode ser feita em qualquer outra época do ano, por um período de 40 dias. Leia também Clique aqui para rezar conosco e baixe o um roteiro especial de orações para a Quaresma de São Miguel São Francisco foi um santo que na sua vida mortal procurava nutrir muito sua alma para não esfriar o seu amor por Jesus, com um espírito de oração e sacrifício muito grande. Para tanto, ele realizava por ano três quaresmas, além de outro período de jejum e oração em honra da Mãe de Deus, pela qual tinha um doce e especial amor, que ia da festa de São Pedro e São Paulo Apóstolos à festa da Assunção de Nossa Senhora. Foi de um modo muito especial que, na Quaresma de São Miguel Arcanjo, Deus coroou Francisco de graças abundantes, dentre elas a de marcá-lo em seu corpo, pelo profundo desejo de imitar ao seu Filho Jesus Cristo, com os sinais de sua Paixão. Todas essas quaresmas eram realizadas no Monte Alverne. (Alverne: “verna” vem de “vernare”, verbo utilizado por Dante e que significa “fazer frio”; gela.) São Boaventura diz em sua Legenda Maior em seu capítulo 9, parágrafo 3 dos escritos biográficos de São Francisco: “um vínculo de amor indissolúvel unia-o aos anjos cujo maravilhoso ardor o punha em êxtase diante de Deus e inflamava as almas dos eleitos”. Por devoção aos anjos, celebrava uma quaresma de jejuns e orações durante os quarenta dias que seguem a Assunção da Santíssima Virgem Maria. São Miguel, sobretudo, a quem cabe o papel de introduzir as almas no paraíso, era objetivo de uma devoção especial, em razão do desejo que tinha o santo de salvar a todos os homens. Era do conhecimento de Francisco a autoridade e o auxílio que o Arcanjo Miguel tem em exercício das almas, em salvá-las no último instante da vida e o poder de ir ao purgatório retirá-las de lá. Esse era o principal motivo pelo qual Francisco realizava sua quaresma e isso nos é relatado na legenda Terusiana no número 93 de sua biografia, na qual o santo vai dizer no ano de 1224, ano em que recebeu os estigmas ao avistar o Monte Alverne em visita ao eremitério: “Para honra de Deus, da bem-aventurada Virgem Maria e de São Miguel, Príncipe dos Anjos e das almas, quero fazer aqui uma quaresma”. É neste mesmo ano que ele realizou a 1ª quaresma em hora de São Miguel Arcanjo. Foi neste ano que estando Francisco a rezar no Monte Alverne, relata a Legenda Menor de sua biografia. Em sua primeira quaresma em honra do glorioso Arcanjo Miguel, sentiu ele com maior abundância do que nunca, a suavidade de contemplação Celeste, o andor dos desejos sobrenaturais, a profusão das graças divinas transportado até Deus num fogo de amor seráfico, e transformado pelos arroubos de uma profunda compaixão naquele que, em seus extremos de amor, quis ser crucificado. Orava certa manhã numa das partes do monte. Aproximava a festa da Exaltação da Santa Cruz, quando ele viu descer do alto do Céu um Serafim de seis asas flamejantes, o qual, num rápido vôo, chegou perto do lugar onde estava o homem de Deus. O personagem apareceu-lhe não apenas munido de asas, mas também crucificado, mãos e pés estendidos e atados a uma cruz. Duas asas elevavam-se por cima de sua cabeça, duas outras estavam abertas para o vôo, as duas últimas cobriam-lhe o corpo. Tal aparição deixou Francisco mergulhado num profundo êxtase, enquanto em sua alma se mesclava a tristeza e a alegria: uma alegria transbordante ao contemplar a Cristo que se lhe manifestava de uma maneira tão milagrosa e familiar, mas ao mesmo tempo uma dor imensa, pois a visão da cruz transpassava sua alma com uma espada de dor e de compaixão. Aquele que assim externamente aparecia e o iluminava também internamente. Francisco compreendeu então que os sofrimentos da paixão de modo algum podem atingir um Serafim que é um espírito imortal.Mas essa visão lhe fora concedido para ensinar que não era o martírio do corpo, mas o amor o incendiou a alma que deveria transformá-lo, tornando-o semelhante a Jesus Crucificado. Após uma conversação familiar, que nunca foi revelada aos outros, desapareceu aquela visão, deixando-lhe o coração inflamado de um ardor seráfico e imprimindo-lhe na carne a semelhança externa com o crucificado, como a marca de um sinete na cera que o calor do fogo fez derreter. Logo começaram, com efeito, a aparecer em suas mãos e pés as marcas dos cravos.Quando o verdadeiro amor transformou o amigo de Cristo na semelhança d’Aquele que ele amava, terminado os quarenta dias previsto no monte e na solidão, chegou a festa de são Miguel; e Francisco, homem evangélico, desceu do Monte, trazendo a imagem do crucificado, não esculpida em tábuas de pedra ou de madeira pela mão de algum artifício, mas reproduzida em sua própria carne pelo dedo do Deus Vivo. Francisco para não se igualar a Jesus que ficou 40 dias e 40 noites em jejum total, come ao final destes dias um pedaço de pão e bebe água, pois se achava indigno de se igualar a Jesus. Clevinho Maia (Combatentes de São Miguel Arcanjo) Leia também Clique aqui para rezar conosco e baixe o um roteiro especial de orações para a Quaresma de São Miguel Aos que desejarem conhecer mais e melhor essa prática, sua origem e seu significado espiritual, recomendamos que assistam aos seguintes programas “Ao vivo com Pe. Paulo”, sobre esse tema: #Quaresma

  • Homilia Diária | São Maximiliano e a Consagração a Maria

    Memória de São Maximiliano Maria Kolbe São Maximiliano Maria Kolbe, cuja memória a Igreja hoje celebra, foi um dos grandes apóstolos da consagração total à Virgem Maria. O seu método, embora se diferencie em ênfase do de São Luís Maria Grignion de Montfort, consiste em entregar-se por completo à Imaculada e associar-se a ela no mistério de Pentecostes, para depois sair em missão, levando o Evangelho de Cristo a toda criatura. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta segunda-feira, dia 14 de agosto, e coloquemo-nos sob os cuidados de Maria e a proteção de São Maximiliano, a fim de conservarmos íntegra a nossa fé e a levarmos àqueles que ainda não a possuem. Leia também o Santo do Dia: São Maximiliano Maria Kolbe, mártir da caridade Anúncio do Evangelho (Mt 14,22-33) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Eu confio em nosso Senhor, com fé, esperança e amor; eu espero em sua palavra, hosana, ó Senhor, vem, me salva! (cf. Sl 129,5) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Depois da multiplicação dos pães, 22 Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. 23 Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho. 24 A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. 25 Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. 26 Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo. 27 Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” 28 Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”. 29 E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30 Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” 31 Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?” 32 Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. 33 Os que estavam no barco prostraram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!” — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Homilia Diária | São Maximiliano e a Consagração a Maria

    Memória de São Maximiliano Maria Kolbe São Maximiliano Maria Kolbe, cuja memória a Igreja hoje celebra, foi um dos grandes apóstolos da consagração total à Virgem Maria. O seu método, embora se diferencie em ênfase do de São Luís Maria Grignion de Montfort, consiste em entregar-se por completo à Imaculada e associar-se a ela no mistério de Pentecostes, para depois sair em missão, levando o Evangelho de Cristo a toda criatura. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta segunda-feira, dia 14 de agosto, e coloquemo-nos sob os cuidados de Maria e a proteção de São Maximiliano, a fim de conservarmos íntegra a nossa fé e a levarmos àqueles que ainda não a possuem. Leia também o Santo do Dia: São Maximiliano Maria Kolbe, mártir da caridade Anúncio do Evangelho (Mt 14,22-33) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Eu confio em nosso Senhor, com fé, esperança e amor; eu espero em sua palavra, hosana, ó Senhor, vem, me salva! (cf. Sl 129,5) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Depois da multiplicação dos pães, 22 Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. 23 Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho. 24 A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. 25 Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. 26 Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo. 27 Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” 28 Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”. 29 E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30 Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” 31 Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?” 32 Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. 33 Os que estavam no barco prostraram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!” — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • São Maximiliano Maria Kolbe, mártir da caridade – 14 de agosto

    SANTO DO DIA – 14 DE AGOSTO – SÃO MAXIMILIANO MARIA KOLBE Sacerdote mártir (1894-1941) Maximiliano Maria Kolbe nasceu no dia 8 de janeiro de 1894, na Polônia, e foi batizado com o nome de Raimundo. Sua família era pobre, de humildes operários, mas muito rica de religiosidade. Ingressou no seminário franciscano da Ordem dos Frades Menores Conventuais aos 13 anos de idade, logo demonstrando sua verdadeira vocação religiosa. No colégio, foi um estudante brilhante e atuante. Na época, manifestou seu zelo e amor a Maria, fundando o apostolado mariano ‘Milícia da Imaculada’. Concluiu os estudos em Roma, onde foi ordenado sacerdote, em 1918, e tomou o nome de Maximiliano Maria. Retornando para sua pátria, lecionou no Seminário franciscano de Cracóvia. O carisma do apostolado de padre Kolbe foi marcado pelo amor infinito a Maria e pela palavra: imprensa e falada. A partir de 1922, com poucos recursos financeiros, instalou uma tipografia católica, onde editou uma revista mariana, um diário semanal, uma revista mariana infantil e uma revista em latim para sacerdotes. Os números das tiragens dessas edições eram surpreendentes. Mas ele precisava de algo mais, por isso instalou uma emissora de rádio católica. Chegou a estender suas atividades apostólicas até o Japão. O seu objetivo era conquistar o mundo inteiro para Cristo por meio de Maria Imaculada. Mas teve de voltar para a Polônia e cuidar da direção do seminário e da formação dos novos religiosos quando a Segunda Guerra Mundial estava começando. Em 1939, as tropas nazistas tomaram a Polônia. Padre Kolbe foi preso duas vezes. A última e definitiva foi em fevereiro de 1941, quando foi enviado para o campo de concentração de Auschwitz. Em agosto de 1941, quando um prisioneiro fugiu do campo, como punição foram sorteados e condenados à morte outros dez prisioneiros. Um deles, Francisco Gajowniczek, começou a chorar e, em alta voz, declarou que tinha mulher e filhos. Padre Kolbe, o prisioneiro n. 16.670, solicitou ao comandante para ir em seu lugar e ele concordou. Todos os dez, despidos, ficaram numa pequena, úmida e escura cela dos subterrâneos, para morrer de fome e sede. Depois de duas semanas, sobreviviam ainda três com padre Kolbe. Então, foram mortos com uma injeção venenosa, para desocupar o lugar. Era o dia 14 de agosto de 1941. Foi beatificado em 1971 e canonizado pelo papa João Paulo II em 1982. O dia 14 de agosto foi incluído no calendário litúrgico da Igreja para celebrar são Maximiliano Maria Kolbe, a quem o papa chamou de ‘padroeiro do nosso difícil século XX’. Na cerimônia de canonização, estava presente o sobrevivente Francisco Gajowniczek, dando testemunho do heroísmo daquele que se ofereceu para morrer no seu lugar. Fonte: Paulinas Um santo para nossos dias: utilizando os progressos técnicos a serviço da Fé, montou um portentoso apostolado pela imprensa para difundir a devoção a Maria. E ainda morreu mártir da caridade, como sempre desejou Conheça mais sobre São Maximiliano Maria Kolbe Sobre a trágica morte de São Maximiliano Kolbe no campo de extermínio de Auschwitz, muito se sabe e se comenta. Menos conhecida, entretanto, é sua existência cheia de inteligentes e ousados empreendimentos apostólicos, fruto de um espírito de grandes horizontes iluminado por entranhada devoção à Virgem Santíssima. Talis vita, finis ita, 1 diz um conhecido adágio romano. Se Maximiliano teve, no fim da sua existência, o heroico gesto que o conduziria ao martírio, foi porque Maria Imaculada o inspirou. E ele soube corresponder inteiramente, já desde menino, a tão bela e elevada vocação. Nascido na era do progresso A Polônia dos anos finais do século XIX e iniciais do XX, como toda a Europa e a América, achava-se em plena prosperidade material. A sociedade de então se deliciava na euforia e no esplendor da Belle Époque, na fartura e no conforto, mais preocupada com o gozo da vida do que com o que se relacionava com a Religião. O laicismo dominava as mentes e os costumes. Nesse contexto histórico, nasceu Raimundo Kolbe, em 8 de janeiro de 1894, na cidade polonesa de Zdu?ska Wola, recebendo no mesmo dia as águas batismais. Seus pais, Júlio Kolbe e Maria Dabrowska, eram lídimos cristãos e devotíssimos da Virgem Maria. De seus cinco filhos, dois faleceram quando ainda crianças, e os outros três abraçaram a vida religiosa. Uma visão que deu rumo à sua vida Criança muito viva e travessa, Raimundo recebeu certo dia uma repreensão de sua mãe que lhe marcou a vida: – Se aos dez anos você é tão mau menino, briguento e malcriado, como será mais tarde? Essas palavras calaram fundo na alma do pequeno. Ficou aflito e pensativo. Queria mudar de vida e recorreu a Nossa Senhora. Ajoelhado aos pés de uma bela imagem da igreja paroquial, perguntou-Lhe: – Que vai acontecer comigo? Qual não foi sua surpresa, quando lhe apareceu a Mãe de Deus, trazendo em Suas mãos duas coroas, uma branca e outra vermelha. Sorrindo maternalmente, perguntou-lhe qual escolhia. A branca significava que perseveraria na castidade e a vermelha, que seria mártir. Grande alma, ele escolheu as duas. A vocação religiosa Nasceu-lhe, então, por graça da Imaculada, a vocação religiosa. Decidiu ser capuchinho franciscano, e aos 14 anos começou os estudos em ?ód?, no seminário menor dos frades conventuais, junto com seu irmão Francisco. Aos 16 anos, foi admitido no noviciado, escolhendo o nome de Maximiliano, em honra do grande mártir africano. Quiçá pensasse já em seu futuro… No ano seguinte, pronunciou os votos simples. Por sua privilegiada inteligência, decidiram os superiores mandá-lo para a Cidade Eterna, a fim de continuar os estudos no Colégio Seráfico Internacional, dos franciscanos, e em seguida cursar filosofia na famosa Universidade Gregoriana. Ouvindo falar das especiais dificuldades que havia para se manter a pureza na Roma de então, o jovem frade pediu para não ir. Mas, em nome da santa obediência, partiu para a Capital da Cristandade onde, além de completar seus estudos, fez sua profissão solene a 1 de novembro de 1914, acrescentando ao seu nome religioso o de Maria, a Virgem Imaculada. Começam os anos de luta Em Roma, Maximiliano chocou-se com a insolência com que os inimigos da Igreja a atacavam, sem a proporcionada reação dos católicos. Resolveu então entrar na luta antes mesmo de receber a ordenação presbiteral. Reunindo em torno de si seis condiscípulos, fundou em 1917 a associação apostólica Milícia de Maria Imaculada, cujos estatutos começavam por declarar seus objetivos: a conversão dos pecadores, inclusive dos inimigos da Igreja, e a santificação de todos os seus membros, sob a proteção de Maria Imaculada. Nela aceitou apenas jovens destemidos e verdadeiramente dispostos a acompanhá- lo nessa empresa, com o título de Cavaleiros de Vanguarda. Sua sede de almas ficou gravada nas atas de sua ordenação sacerdotal, que se deu em 28 de abril de 1918. Na manhã seguinte, quis celebrar sua primeira Missa no altar da Madonna del Miraccolo, na igreja de Sant’Andrea delle Fratte, porque aí se dera o célebre episódio com Afonso Maria Ratisbonne: ante a aparição da Santíssima Virgem, ajoelhara-se judeu e levantara católico, numa conversão miraculosa e instantânea, em 1842. E na agenda das Missas de seus primeiros dias de sacerdote, o padre Kolbe escreveu que queria celebrar o Santo Sacrifício para “impetrar a conversão dos pecadores e a graça de ser apóstolo e mártir”.2 Progresso a serviço da Fé Voltando à Polônia em 1919, esteve internado em um sanatório devido a sérios problemas de saúde. Tão logo se restabeleceu, fundou o jornal mensal da sua associação – Cavaleiro da Imaculada – pondo o progresso técnico do seu tempo em matéria gráfica, a serviço da Fé. Na véspera do lançamento, reuniu os operários, colaboradores e redatores – ao todo 327 pessoas -, e passaram o dia em jejum e oração. Nessa noite, foi organizada uma grande vigília de Adoração ao Santíssimo Sacramento e de oração à Santíssima Virgem, para que abençoassem esse empreendimento. Na noite seguinte, as rotativas imprimiram o primeiro número do jornal, “filho” dessas orações. Um grande impulso à sua obra ocorreu em 1927, quando o príncipe João Drucko-Lubecki cedeu ao padre Maximiliano um terreno situado a 40 quilômetros de Varsóvia. Aí, homem de grandes horizontes, começou ele a construir uma Niepokalanów – Cidade de Maria. Planejava a edificação de um enorme convento e novas instalações de sua obra de imprensa. Com que dinheiro? “Maria proverá – dizia o santo varão – este é um negócio dEla e de seu Filho!”. E não foi defraudado em sua confiança. Em 1939, o jornal tinha já a surpreendente tiragem de um milhão de exemplares, e a ele se haviam juntado outros dezessete periódicos de menor porte, além de uma emissora de rádio. A Cidade de Maria contava então com 762 habitantes, sendo 13 sacerdotes, 18 noviços, 527 irmãos leigos, 122 seminaristas menores e 82 candidatos ao sacerdócio. Nela habitavam também médicos, dentistas, agricultores, mecânicos, alfaiates, construtores, impressores, jardineiros e cozinheiros, além de um corpo de bombeiros. O que alimentava o dinamismo de sua obra apostólica era a sólida piedade incutida por ele nos seus discípulos. Sua mola propulsora era o amor entusiasta e militante a Maria Imaculada, da qual ele se sentia, mais do que um escravo, uma simples propriedade. E na Eucaristia estava a fonte da fecundidade de seus empreendimentos. Instituiu a Adoração Perpétua em Niepokalanów, e ele mesmo iniciava todos os seus trabalhos com um ato de Adoração ao Santíssimo Sacramento. Incursão pelo Oriente Em seu anelo de expandir por todo o orbe sua obra evangelizadora, decidiu fazer uma incursão pelo Oriente, pois queria editar sua revista nos mais diversos idiomas para atingir milhões de almas em todo o globo. Aspirava ter uma Cidade de Maria em cada país. De início, conseguiu fundar uma em Nagasaki, no Japão. Em 1930, a Niepokalanów japonesa dispunha já de uma tipografia onde foram impressos os primeiros dez mil exemplares de Cavaleiro da Imaculada no idioma dos samurais. Até os dias de hoje, mantém-se ali sua obra apostólica, com trabalhadores nativos e numerosos sacerdotes. “Quanto mais pertençamos à Imaculada, tanto melhor compreenderemos e amaremos o Coração de Jesus” Mais tarde, antes dos trágicos acontecimentos da Guerra, contou a seus religiosos uma graça mística que recebera em terras nipônicas. Graça quiçá decisiva para sua fortaleza nas atribulações pelas quais teve de passar. No refeitório da Cidade de Maria, depois de um jantar, disse-lhes: “ Eu vou morrer e vocês vão ficar. Antes de me despedir deste mundo, quero deixar- lhes uma lembrança […], contando- lhes algo, pois minha alma está transbordando de alegria: o Céu me foi prometido com toda segurança, quando estava no Japão. […] Lembrem-se disso e aprendam a estar prontos para os maiores sofrimentos”.3 A Segunda Guerra Mundial Quando estourou a Segunda Guerra Mundial, em 1939, a Cidade de Maria ficou muito exposta a riscos, pois se situava nas imediações da estrada de Potsdam a Varsóvia, rota provável de uma eventual invasão das tropas nazistas. Motivo pelo qual a prefeitura de Varsóvia ordenou sua pronta evacuação. Padre Maximiliano conseguiu lugar seguro para todos os irmãos, mas permaneceu ali, com cinquenta de seus colaboradores mais imediatos. Em setembro, as tropas invasoras levaram-nos presos para Amtitz. Mas na festa da Imaculada, dia 8 de dezembro, foram todos libertados e voltaram para sua Niepokalanów, transformando- a em refúgio e hospital para feridos de guerra, prófugos e judeus. Retomaram também o labor apostólico, pois os invasores permitiram ao padre Kolbe continuar com suas publicações, à espera de um pretexto para acabar com seu apostolado. Com grande coragem, escreveu ele no último número de Cavaleiro da Imaculada, as seguintes palavras, de admirável honestidade intelectual e integridade de convicções: “Ninguém no mundo pode mudar a verdade. O que podemos fazer é procurá-la e servi-la quando a tenhamos encontrado. O conflito real de hoje é um conflito interno. Mais além dos exércitos de ocupação e das hecatombes dos campos de extermínio, há dois inimigos irreconciliáveis no mais profundo de cada alma: o bem e o mal, o pecado e o amor. De que nos adiantam vitórias nos campos de batalha, se somos derrotados no mais profundo de nossas almas?”.4 A propósito disso, em fevereiro de 1941, a Gestapo irrompeu na Cidade de Maria e levou presos o padre Kolbe e outros quatro frades, os mais anciãos. Na prisão de Pawiak, em Varsóvia, foi submetido a injúrias e vexações, e depois trasladado para o campo de extermínio de Auschwitz. No campo de Auschwitz Começaram para o santo mártir as estações de sua via-crucis. Passou a primeira noite numa sala com outros 320 prisioneiros. Na manhã seguinte, foram todos desnudados, lavados com jatos de água gelada e recebendo cada qual uma jaqueta com um número. Coube-lhe o 16.670. Quando o oficial viu seu hábito religioso, ficou irritado. Arrancando com violência o Crucifixo de seu pescoço, gritou-lhe: – E tu acreditas nisto? Ante a categórica resposta afirmativa, deu-lhe uma “valente” bofetada! Por três vezes repetiu a pergunta e por três vezes o santo religioso confessou sua Fé, recebendo o mesmo bestial ultraje. A exemplo dos Apóstolos, São Maximiliano dava graças a Deus por ser digno de sofrer por Cristo: “ Eles saíram da sala do Grande Conselho, cheios de alegria, por terem sido achados dignos de sofrer afrontas pelo nome de Jesus” (At 5, 41). Maria não o abandonou um instante sequer. Ao entrar no campo de concentração, os guardas faziam uma revista minuciosa em todos os prisioneiros e lhes tiravam todos os objetos pessoais. Entretanto, o soldado que revistou o padre Kolbe devolveu-lhe o Rosário, dizendo: – Tome seu Rosário. E vá lá para dentro! – Era um sorriso de Nossa Senhora, como a dizer-lhe que estaria com ele a cada momento. Martírio no “‘bunker’ da morte” São bem conhecidos os demais episódios que se deram no campo de Auschwitz: o comportamento do santo sacerdote franciscano, sua incansável atividade apostólica, em cada bloco para onde era mandado, etc. No final de julho de 1941, foi transferido para o Bloco 14, cujos prisioneiros faziam trabalhos agrícolas. Tendo um deles conseguido fugir, dez outros, escolhidos por sorteio, foram condenados ao “bunker da morte”: um subterrâneo onde eles eram jogados desnudos, e permaneciam sem bebida nem alimento, à espera da morte. Ante o desespero daqueles infelizes, São Maximiliano ofereceu-se para ficar em lugar de um deles, pai de família, e foi aceito por ser sacerdote. O ódio dos esbirros ao religioso era notório, mas ficaram estupefatos ao verificar até onde pode chegar a coragem, a fortaleza e o heroísmo de um padre católico, em cuja fisionomia se revelava um varão na força do termo. Sem dúvida, movia-o uma autêntica caridade para com seu conterrâneo, entretanto, outra razão também elevada o levou a tomar essa decisão: o desejo de ajudar aqueles condenados a terem uma boa morte, salvando suas almas. Fechado o bunker, estava para sempre encerrado para eles o contato com o mundo exterior. Naquelas terríveis horas sem outra expectativa que a da morte, tratava-se de cada qual pôr em ordem sua consciência. Pode-se imaginar qual seria o medo da morte, do Juízo, do sofrimento, a tentação de desespero… Em tal situação, que privilégio poder ter por companheiro um sacerdote santo! Graças a ele, o bunker da morte se converteu em capela de oração e de cânticos… com vozes cada dia mais débeis. Três semanas depois, restavam vivos apenas quatro. Julgando que aquela situação se prolongava demasiado, decidiram as autoridades aplicar-lhes uma injeção letal de ácido muriático. Padre Kolbe foi o último a morrer naquele pavoroso subterrâneo. Estendeu espontaneamente o braço para a injeção. Alguns momentos depois, um funcionário do campo o encontrou morto “com os olhos abertos e a cabeça inclinada. Seu rosto, sereno e belo, estava radiante”.5 Cumprira sua última missão: salvara a si próprio e aos demais. Era o dia 14 de agosto de 1941, véspera da Assunção de Maria. A inspiração de sua vida foi a Imaculada E no dia 10 de outubro de 1982, na Praça de São Pedro, uma multidão de mais de duzentas mil pessoas ouvia um Papa, também polonês, declarar mártir esse sacerdote exemplar que não só morreu para salvar uma vida, mas, sobretudo, viveu para salvar muitas almas. Ele que jamais se cansava de dizer: “Não tenham medo de amar demasiado a Imaculada; jamais poderemos igualar o amor que teve por Ela o próprio Jesus: e imitar Jesus é nossa santificação. Quanto mais pertençamos à Imaculada, tanto melhor compreenderemos e amaremos o Coração de Jesus, Deus Pai, a Santíssima Trindade”.6 Pois, como afirmou João Paulo II ao canonizá-lo, “a inspiração de toda a sua vida foi a Imaculada, a quem confiava seu amor a Cristo e seu desejo de martírio”.7 (Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2009, n. 92, p. 34 à 37) Leia também: .: Santo do Dia – 13 de Agosto – Beata Dulce dos Pobres .: Santo do Dia – 15 de Agosto – Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

  • São Maximiliano Maria Kolbe, mártir da caridade – 14 de agosto

    SANTO DO DIA – 14 DE AGOSTO – SÃO MAXIMILIANO MARIA KOLBE Sacerdote mártir (1894-1941) Maximiliano Maria Kolbe nasceu no dia 8 de janeiro de 1894, na Polônia, e foi batizado com o nome de Raimundo. Sua família era pobre, de humildes operários, mas muito rica de religiosidade. Ingressou no seminário franciscano da Ordem dos Frades Menores Conventuais aos 13 anos de idade, logo demonstrando sua verdadeira vocação religiosa. No colégio, foi um estudante brilhante e atuante. Na época, manifestou seu zelo e amor a Maria, fundando o apostolado mariano ‘Milícia da Imaculada’. Concluiu os estudos em Roma, onde foi ordenado sacerdote, em 1918, e tomou o nome de Maximiliano Maria. Retornando para sua pátria, lecionou no Seminário franciscano de Cracóvia. O carisma do apostolado de padre Kolbe foi marcado pelo amor infinito a Maria e pela palavra: imprensa e falada. A partir de 1922, com poucos recursos financeiros, instalou uma tipografia católica, onde editou uma revista mariana, um diário semanal, uma revista mariana infantil e uma revista em latim para sacerdotes. Os números das tiragens dessas edições eram surpreendentes. Mas ele precisava de algo mais, por isso instalou uma emissora de rádio católica. Chegou a estender suas atividades apostólicas até o Japão. O seu objetivo era conquistar o mundo inteiro para Cristo por meio de Maria Imaculada. Mas teve de voltar para a Polônia e cuidar da direção do seminário e da formação dos novos religiosos quando a Segunda Guerra Mundial estava começando. Em 1939, as tropas nazistas tomaram a Polônia. Padre Kolbe foi preso duas vezes. A última e definitiva foi em fevereiro de 1941, quando foi enviado para o campo de concentração de Auschwitz. Em agosto de 1941, quando um prisioneiro fugiu do campo, como punição foram sorteados e condenados à morte outros dez prisioneiros. Um deles, Francisco Gajowniczek, começou a chorar e, em alta voz, declarou que tinha mulher e filhos. Padre Kolbe, o prisioneiro n. 16.670, solicitou ao comandante para ir em seu lugar e ele concordou. Todos os dez, despidos, ficaram numa pequena, úmida e escura cela dos subterrâneos, para morrer de fome e sede. Depois de duas semanas, sobreviviam ainda três com padre Kolbe. Então, foram mortos com uma injeção venenosa, para desocupar o lugar. Era o dia 14 de agosto de 1941. Foi beatificado em 1971 e canonizado pelo papa João Paulo II em 1982. O dia 14 de agosto foi incluído no calendário litúrgico da Igreja para celebrar são Maximiliano Maria Kolbe, a quem o papa chamou de ‘padroeiro do nosso difícil século XX’. Na cerimônia de canonização, estava presente o sobrevivente Francisco Gajowniczek, dando testemunho do heroísmo daquele que se ofereceu para morrer no seu lugar. Fonte: Paulinas Um santo para nossos dias: utilizando os progressos técnicos a serviço da Fé, montou um portentoso apostolado pela imprensa para difundir a devoção a Maria. E ainda morreu mártir da caridade, como sempre desejou Conheça mais sobre São Maximiliano Maria Kolbe Sobre a trágica morte de São Maximiliano Kolbe no campo de extermínio de Auschwitz, muito se sabe e se comenta. Menos conhecida, entretanto, é sua existência cheia de inteligentes e ousados empreendimentos apostólicos, fruto de um espírito de grandes horizontes iluminado por entranhada devoção à Virgem Santíssima. Talis vita, finis ita, 1 diz um conhecido adágio romano. Se Maximiliano teve, no fim da sua existência, o heroico gesto que o conduziria ao martírio, foi porque Maria Imaculada o inspirou. E ele soube corresponder inteiramente, já desde menino, a tão bela e elevada vocação. Nascido na era do progresso A Polônia dos anos finais do século XIX e iniciais do XX, como toda a Europa e a América, achava-se em plena prosperidade material. A sociedade de então se deliciava na euforia e no esplendor da Belle Époque, na fartura e no conforto, mais preocupada com o gozo da vida do que com o que se relacionava com a Religião. O laicismo dominava as mentes e os costumes. Nesse contexto histórico, nasceu Raimundo Kolbe, em 8 de janeiro de 1894, na cidade polonesa de Zdu?ska Wola, recebendo no mesmo dia as águas batismais. Seus pais, Júlio Kolbe e Maria Dabrowska, eram lídimos cristãos e devotíssimos da Virgem Maria. De seus cinco filhos, dois faleceram quando ainda crianças, e os outros três abraçaram a vida religiosa. Uma visão que deu rumo à sua vida Criança muito viva e travessa, Raimundo recebeu certo dia uma repreensão de sua mãe que lhe marcou a vida: – Se aos dez anos você é tão mau menino, briguento e malcriado, como será mais tarde? Essas palavras calaram fundo na alma do pequeno. Ficou aflito e pensativo. Queria mudar de vida e recorreu a Nossa Senhora. Ajoelhado aos pés de uma bela imagem da igreja paroquial, perguntou-Lhe: – Que vai acontecer comigo? Qual não foi sua surpresa, quando lhe apareceu a Mãe de Deus, trazendo em Suas mãos duas coroas, uma branca e outra vermelha. Sorrindo maternalmente, perguntou-lhe qual escolhia. A branca significava que perseveraria na castidade e a vermelha, que seria mártir. Grande alma, ele escolheu as duas. A vocação religiosa Nasceu-lhe, então, por graça da Imaculada, a vocação religiosa. Decidiu ser capuchinho franciscano, e aos 14 anos começou os estudos em ?ód?, no seminário menor dos frades conventuais, junto com seu irmão Francisco. Aos 16 anos, foi admitido no noviciado, escolhendo o nome de Maximiliano, em honra do grande mártir africano. Quiçá pensasse já em seu futuro… No ano seguinte, pronunciou os votos simples. Por sua privilegiada inteligência, decidiram os superiores mandá-lo para a Cidade Eterna, a fim de continuar os estudos no Colégio Seráfico Internacional, dos franciscanos, e em seguida cursar filosofia na famosa Universidade Gregoriana. Ouvindo falar das especiais dificuldades que havia para se manter a pureza na Roma de então, o jovem frade pediu para não ir. Mas, em nome da santa obediência, partiu para a Capital da Cristandade onde, além de completar seus estudos, fez sua profissão solene a 1 de novembro de 1914, acrescentando ao seu nome religioso o de Maria, a Virgem Imaculada. Começam os anos de luta Em Roma, Maximiliano chocou-se com a insolência com que os inimigos da Igreja a atacavam, sem a proporcionada reação dos católicos. Resolveu então entrar na luta antes mesmo de receber a ordenação presbiteral. Reunindo em torno de si seis condiscípulos, fundou em 1917 a associação apostólica Milícia de Maria Imaculada, cujos estatutos começavam por declarar seus objetivos: a conversão dos pecadores, inclusive dos inimigos da Igreja, e a santificação de todos os seus membros, sob a proteção de Maria Imaculada. Nela aceitou apenas jovens destemidos e verdadeiramente dispostos a acompanhá- lo nessa empresa, com o título de Cavaleiros de Vanguarda. Sua sede de almas ficou gravada nas atas de sua ordenação sacerdotal, que se deu em 28 de abril de 1918. Na manhã seguinte, quis celebrar sua primeira Missa no altar da Madonna del Miraccolo, na igreja de Sant’Andrea delle Fratte, porque aí se dera o célebre episódio com Afonso Maria Ratisbonne: ante a aparição da Santíssima Virgem, ajoelhara-se judeu e levantara católico, numa conversão miraculosa e instantânea, em 1842. E na agenda das Missas de seus primeiros dias de sacerdote, o padre Kolbe escreveu que queria celebrar o Santo Sacrifício para “impetrar a conversão dos pecadores e a graça de ser apóstolo e mártir”.2 Progresso a serviço da Fé Voltando à Polônia em 1919, esteve internado em um sanatório devido a sérios problemas de saúde. Tão logo se restabeleceu, fundou o jornal mensal da sua associação – Cavaleiro da Imaculada – pondo o progresso técnico do seu tempo em matéria gráfica, a serviço da Fé. Na véspera do lançamento, reuniu os operários, colaboradores e redatores – ao todo 327 pessoas -, e passaram o dia em jejum e oração. Nessa noite, foi organizada uma grande vigília de Adoração ao Santíssimo Sacramento e de oração à Santíssima Virgem, para que abençoassem esse empreendimento. Na noite seguinte, as rotativas imprimiram o primeiro número do jornal, “filho” dessas orações. Um grande impulso à sua obra ocorreu em 1927, quando o príncipe João Drucko-Lubecki cedeu ao padre Maximiliano um terreno situado a 40 quilômetros de Varsóvia. Aí, homem de grandes horizontes, começou ele a construir uma Niepokalanów – Cidade de Maria. Planejava a edificação de um enorme convento e novas instalações de sua obra de imprensa. Com que dinheiro? “Maria proverá – dizia o santo varão – este é um negócio dEla e de seu Filho!”. E não foi defraudado em sua confiança. Em 1939, o jornal tinha já a surpreendente tiragem de um milhão de exemplares, e a ele se haviam juntado outros dezessete periódicos de menor porte, além de uma emissora de rádio. A Cidade de Maria contava então com 762 habitantes, sendo 13 sacerdotes, 18 noviços, 527 irmãos leigos, 122 seminaristas menores e 82 candidatos ao sacerdócio. Nela habitavam também médicos, dentistas, agricultores, mecânicos, alfaiates, construtores, impressores, jardineiros e cozinheiros, além de um corpo de bombeiros. O que alimentava o dinamismo de sua obra apostólica era a sólida piedade incutida por ele nos seus discípulos. Sua mola propulsora era o amor entusiasta e militante a Maria Imaculada, da qual ele se sentia, mais do que um escravo, uma simples propriedade. E na Eucaristia estava a fonte da fecundidade de seus empreendimentos. Instituiu a Adoração Perpétua em Niepokalanów, e ele mesmo iniciava todos os seus trabalhos com um ato de Adoração ao Santíssimo Sacramento. Incursão pelo Oriente Em seu anelo de expandir por todo o orbe sua obra evangelizadora, decidiu fazer uma incursão pelo Oriente, pois queria editar sua revista nos mais diversos idiomas para atingir milhões de almas em todo o globo. Aspirava ter uma Cidade de Maria em cada país. De início, conseguiu fundar uma em Nagasaki, no Japão. Em 1930, a Niepokalanów japonesa dispunha já de uma tipografia onde foram impressos os primeiros dez mil exemplares de Cavaleiro da Imaculada no idioma dos samurais. Até os dias de hoje, mantém-se ali sua obra apostólica, com trabalhadores nativos e numerosos sacerdotes. “Quanto mais pertençamos à Imaculada, tanto melhor compreenderemos e amaremos o Coração de Jesus” Mais tarde, antes dos trágicos acontecimentos da Guerra, contou a seus religiosos uma graça mística que recebera em terras nipônicas. Graça quiçá decisiva para sua fortaleza nas atribulações pelas quais teve de passar. No refeitório da Cidade de Maria, depois de um jantar, disse-lhes: “ Eu vou morrer e vocês vão ficar. Antes de me despedir deste mundo, quero deixar- lhes uma lembrança […], contando- lhes algo, pois minha alma está transbordando de alegria: o Céu me foi prometido com toda segurança, quando estava no Japão. […] Lembrem-se disso e aprendam a estar prontos para os maiores sofrimentos”.3 A Segunda Guerra Mundial Quando estourou a Segunda Guerra Mundial, em 1939, a Cidade de Maria ficou muito exposta a riscos, pois se situava nas imediações da estrada de Potsdam a Varsóvia, rota provável de uma eventual invasão das tropas nazistas. Motivo pelo qual a prefeitura de Varsóvia ordenou sua pronta evacuação. Padre Maximiliano conseguiu lugar seguro para todos os irmãos, mas permaneceu ali, com cinquenta de seus colaboradores mais imediatos. Em setembro, as tropas invasoras levaram-nos presos para Amtitz. Mas na festa da Imaculada, dia 8 de dezembro, foram todos libertados e voltaram para sua Niepokalanów, transformando- a em refúgio e hospital para feridos de guerra, prófugos e judeus. Retomaram também o labor apostólico, pois os invasores permitiram ao padre Kolbe continuar com suas publicações, à espera de um pretexto para acabar com seu apostolado. Com grande coragem, escreveu ele no último número de Cavaleiro da Imaculada, as seguintes palavras, de admirável honestidade intelectual e integridade de convicções: “Ninguém no mundo pode mudar a verdade. O que podemos fazer é procurá-la e servi-la quando a tenhamos encontrado. O conflito real de hoje é um conflito interno. Mais além dos exércitos de ocupação e das hecatombes dos campos de extermínio, há dois inimigos irreconciliáveis no mais profundo de cada alma: o bem e o mal, o pecado e o amor. De que nos adiantam vitórias nos campos de batalha, se somos derrotados no mais profundo de nossas almas?”.4 A propósito disso, em fevereiro de 1941, a Gestapo irrompeu na Cidade de Maria e levou presos o padre Kolbe e outros quatro frades, os mais anciãos. Na prisão de Pawiak, em Varsóvia, foi submetido a injúrias e vexações, e depois trasladado para o campo de extermínio de Auschwitz. No campo de Auschwitz Começaram para o santo mártir as estações de sua via-crucis. Passou a primeira noite numa sala com outros 320 prisioneiros. Na manhã seguinte, foram todos desnudados, lavados com jatos de água gelada e recebendo cada qual uma jaqueta com um número. Coube-lhe o 16.670. Quando o oficial viu seu hábito religioso, ficou irritado. Arrancando com violência o Crucifixo de seu pescoço, gritou-lhe: – E tu acreditas nisto? Ante a categórica resposta afirmativa, deu-lhe uma “valente” bofetada! Por três vezes repetiu a pergunta e por três vezes o santo religioso confessou sua Fé, recebendo o mesmo bestial ultraje. A exemplo dos Apóstolos, São Maximiliano dava graças a Deus por ser digno de sofrer por Cristo: “ Eles saíram da sala do Grande Conselho, cheios de alegria, por terem sido achados dignos de sofrer afrontas pelo nome de Jesus” (At 5, 41). Maria não o abandonou um instante sequer. Ao entrar no campo de concentração, os guardas faziam uma revista minuciosa em todos os prisioneiros e lhes tiravam todos os objetos pessoais. Entretanto, o soldado que revistou o padre Kolbe devolveu-lhe o Rosário, dizendo: – Tome seu Rosário. E vá lá para dentro! – Era um sorriso de Nossa Senhora, como a dizer-lhe que estaria com ele a cada momento. Martírio no “‘bunker’ da morte” São bem conhecidos os demais episódios que se deram no campo de Auschwitz: o comportamento do santo sacerdote franciscano, sua incansável atividade apostólica, em cada bloco para onde era mandado, etc. No final de julho de 1941, foi transferido para o Bloco 14, cujos prisioneiros faziam trabalhos agrícolas. Tendo um deles conseguido fugir, dez outros, escolhidos por sorteio, foram condenados ao “bunker da morte”: um subterrâneo onde eles eram jogados desnudos, e permaneciam sem bebida nem alimento, à espera da morte. Ante o desespero daqueles infelizes, São Maximiliano ofereceu-se para ficar em lugar de um deles, pai de família, e foi aceito por ser sacerdote. O ódio dos esbirros ao religioso era notório, mas ficaram estupefatos ao verificar até onde pode chegar a coragem, a fortaleza e o heroísmo de um padre católico, em cuja fisionomia se revelava um varão na força do termo. Sem dúvida, movia-o uma autêntica caridade para com seu conterrâneo, entretanto, outra razão também elevada o levou a tomar essa decisão: o desejo de ajudar aqueles condenados a terem uma boa morte, salvando suas almas. Fechado o bunker, estava para sempre encerrado para eles o contato com o mundo exterior. Naquelas terríveis horas sem outra expectativa que a da morte, tratava-se de cada qual pôr em ordem sua consciência. Pode-se imaginar qual seria o medo da morte, do Juízo, do sofrimento, a tentação de desespero… Em tal situação, que privilégio poder ter por companheiro um sacerdote santo! Graças a ele, o bunker da morte se converteu em capela de oração e de cânticos… com vozes cada dia mais débeis. Três semanas depois, restavam vivos apenas quatro. Julgando que aquela situação se prolongava demasiado, decidiram as autoridades aplicar-lhes uma injeção letal de ácido muriático. Padre Kolbe foi o último a morrer naquele pavoroso subterrâneo. Estendeu espontaneamente o braço para a injeção. Alguns momentos depois, um funcionário do campo o encontrou morto “com os olhos abertos e a cabeça inclinada. Seu rosto, sereno e belo, estava radiante”.5 Cumprira sua última missão: salvara a si próprio e aos demais. Era o dia 14 de agosto de 1941, véspera da Assunção de Maria. A inspiração de sua vida foi a Imaculada E no dia 10 de outubro de 1982, na Praça de São Pedro, uma multidão de mais de duzentas mil pessoas ouvia um Papa, também polonês, declarar mártir esse sacerdote exemplar que não só morreu para salvar uma vida, mas, sobretudo, viveu para salvar muitas almas. Ele que jamais se cansava de dizer: “Não tenham medo de amar demasiado a Imaculada; jamais poderemos igualar o amor que teve por Ela o próprio Jesus: e imitar Jesus é nossa santificação. Quanto mais pertençamos à Imaculada, tanto melhor compreenderemos e amaremos o Coração de Jesus, Deus Pai, a Santíssima Trindade”.6 Pois, como afirmou João Paulo II ao canonizá-lo, “a inspiração de toda a sua vida foi a Imaculada, a quem confiava seu amor a Cristo e seu desejo de martírio”.7 (Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2009, n. 92, p. 34 à 37) Leia também: .: Santo do Dia – 13 de Agosto – Beata Dulce dos Pobres .: Santo do Dia – 15 de Agosto – Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

  • Homilia Dominical | No meio das crises, Deus está presente

    19.º Domingo do Tempo Comum Depois de avistar Nosso Senhor caminhando sobre as ondas agitadas do mar, São Pedro pede a Jesus que lhe permita fazer o mesmo. Nosso Senhor concede-lhe o pedido; mas Pedro vacila na fé e afunda. O que esse milagre extraordinário, narrado por três dos quatro Evangelhos, ensina a nós hoje? O que o vacilar de Pedro mostra à Igreja, que enfrenta uma de suas grandes crises? Qual deve ser nossa atitude espiritual diante de tudo o que está acontecendo? Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este 19º Domingo do Tempo Comum e perceba que, apesar das ondas tenebrosas que nos ameaçam, a Providência divina nunca nos abandona. Leia também o Santo do Dia: Santa Dulce dos Pobres, primeira santa brasileira – 13 de agosto Anúncio do Evangelho (Mt 14,22-33) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Eu confio em nosso Senhor, com fé, esperança e amor; eu espero em sua palavra, hosana, ó Senhor, vem, me salva! (cf. Sl 129,5) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Depois da multiplicação dos pães, 22 Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. 23 Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho. 24 A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. 25 Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. 26 Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo. 27 Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” 28 Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”. 29 E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30 Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” 31 Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?” 32 Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. 33 Os que estavam no barco prostraram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!” — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Homilia Dominical | No meio das crises, Deus está presente

    19.º Domingo do Tempo Comum Depois de avistar Nosso Senhor caminhando sobre as ondas agitadas do mar, São Pedro pede a Jesus que lhe permita fazer o mesmo. Nosso Senhor concede-lhe o pedido; mas Pedro vacila na fé e afunda. O que esse milagre extraordinário, narrado por três dos quatro Evangelhos, ensina a nós hoje? O que o vacilar de Pedro mostra à Igreja, que enfrenta uma de suas grandes crises? Qual deve ser nossa atitude espiritual diante de tudo o que está acontecendo? Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este 19º Domingo do Tempo Comum e perceba que, apesar das ondas tenebrosas que nos ameaçam, a Providência divina nunca nos abandona. Leia também o Santo do Dia: Santa Dulce dos Pobres, primeira santa brasileira – 13 de agosto Anúncio do Evangelho (Mt 14,22-33) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Eu confio em nosso Senhor, com fé, esperança e amor; eu espero em sua palavra, hosana, ó Senhor, vem, me salva! (cf. Sl 129,5) — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Depois da multiplicação dos pães, 22 Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. 23 Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho. 24 A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. 25 Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. 26 Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo. 27 Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” 28 Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”. 29 E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30 Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” 31 Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?” 32 Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. 33 Os que estavam no barco prostraram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!” — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Santa Dulce dos Pobres, primeira santa brasileira – 13 de agosto

    SANTO DO DIA – 13 DE AGOSTO – SANTA DULCE DOS POBRES Neste dia 13 de agosto é celebrado o dia da Bem-aventurada Dulce dos Pobres, a religiosa baiana que dedicou sua vida ao serviço aos pobres e doentes e que será canonizada no próximo dia 13 de outubro pelo Papa Francisco, no Vaticano. O 13 de agosto foi escolhido como o dia oficial da festa litúrgica da religiosa conhecida como Anjo Bom da Bahia porque foi nesta mesma data, em 1933, na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em Sergipe, que Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, aos 19 anos de idade, recebia o hábito de freira e adotava, em homenagem à sua mãe, o nome de Irmã Dulce. Segunda filha do dentista Augusto Lopes Pontes e de Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes, a pequena Maria Rita nasceu em 26 de maio de 1914, na capital baiana. Perdeu sua mãe aos sete anos de idade. Desde cedo, começou a manifestar seu interesse pela vida religiosa. Aos 13 anos, passou a acolher mendigos e doentes em sua casa, transformando a residência da família em um centro de atendimento. A casa ficou conhecida como ‘A Portaria de São Francisco’, devido ao grande número de carentes que se aglomeravam à sua porta. Nessa época, expressou pela primeira vez o desejo de se dedicar à vida religiosa. Entrou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe, em fevereiro 1933, tendo recebido o hábito agosto do mesmo ano, quando passou a ser chamada Irmã Dulce. Sempre com muita fé, amor e serviço, o Anjo Bom iniciou na década de 1930 um trabalho assistencial nas comunidades carentes, sobretudo nos Alagados, conjunto de palafitas que se consolidara na parte interna do bairro de Itapagipe, na capital baiana. Em 1939, Irmã Dulce invadiu cinco casas na Ilha dos Ratos, para abrigar os doentes que recolhia nas ruas de Salvador. Expulsa do lugar, peregrinou durante uma década, levando os seus doentes por vários locais da cidade. Até que em 1949, ocupou um galinheiro ao lado do convento, após a autorização da sua superiora, com os primeiros 70 doentes. Esta iniciativa deu início à criação das Obras Sociais Irmã Dulce, instituição considerada hoje um dos maiores complexos de saúde pública do país, com cerca de quatro milhões de atendimentos ambulatoriais por ano. “Quando nenhum hospital quiser aceitar algum paciente, nós aceitaremos. Esta é a última porta e por isso eu não posso fechá-la”, disse Irmã Dulce. Em 1988, foi indicada pelo então presidente da República, José Sarney, com o apoio da Rainha Sílvia, da Suécia, para o Prêmio Nobel da Paz. A religiosa também teve dois grandes momentos de sua vida ao lado de São João Paulo II. Em 7 de julho de 1980, encontrou-se com o então Papa que visitava pela primeira vez o Brasil. Na ocasião, ouviu dele o incentivo para prosseguir com a sua obra. Os dois voltaram a se encontrar em 20 de outubro de 1991, na segunda visita do Sumo Pontífice ao Brasil. João Paulo II fez questão de quebrar o rigor da sua agenda e foi ao Convento Santo Antônio visitar a religiosa baiana, cuja saúde já se encontrava bastante debilitada em função de problemas respiratórios. Cinco meses depois, no dia 13 de março de 1992, o Anjo Bom da Bahia faleceu, aos 77 anos. Em janeiro de 2000, teve início o processo de canonização de Irmã Dulce. Em 2010, a Congregação para a Causa dos Santos reconheceu a autenticidade de um milagre atribuído à religiosa. Trata-se do caso de Claudia Cristina dos Santos, ocorrido em Itabaiana, em Sergipe. Após dar à luz seu filho, Gabriel, a mulher sofreu uma forte hemorragia, durante 18 horas, tendo sido submetida a três cirurgias. Diante da gravidade do quadro, os familiares chamaram Padre José Almí para ministrar a unção dos enfermos. O sacerdote decidiu fazer uma corrente de oração pedindo a intercessão de Irmã Dulce e deu a Cláudia uma pequena relíquia da Bem-Aventurada. A hemorragia cessou subitamente. Irmã Dulce foi beatificada no dia 22 de maio de 2011 e, no próximo dia 13 de outubro, será canonizada pelo Papa Francisco, no Vaticano, após o reconhecimento da cura milagrosa de um homem após 14 anos cego. O maestro José Maurício Bragança Moreira ficou cego durante 14 anos por conta de um glaucoma. Em 2014, voltou a enxergar, após rezar pedindo à intercessão de Ir. Dulce dos Pobres. Irmã Dulce dos Pobres será a primeira santa nascida no Brasil e está será a terceira canonização mais rápida da história recente da Igreja, conforme indicou o site das Obras Sociais da Irmã Dulce (OSID). Via ACI Digital Conheça mais sobre a Irmã Dulce Uma santa nascida na Bahia Em 1949 eles eram 70. Doentes. Moradores de rua. Para ajudá-los, uma só pessoa. Magrinha. Frágil. Sem recursos. Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes tinha 35 anos e nenhum local para abrigá-los. 10 anos antes ela já havia invadido 5 casas na Ilha do Rato, em Água de Meninos, Salvador, para onde levara doentes recolhidos nas ruas. Foi expulsa e peregrinou com seus enfermos por vários locais da cidade. Até que conseguiu autorização da madre superiora do Convento Santo Antonio para usar uma construção ao lado: um galinheiro. 67 anos depois aquele galinheiro se transformou no Hospital Santo Antonio, na Avenida Dendezeiros do Bonfim, 161, em Salvador, com uma média de 16,5 mil internações e 10 mil cirurgias anuais, 373 leitos, um Centro de Tratamento Intensivo e atendimento em 17 especialidades, divididas entre as enfermarias de clínicas Médica, de Longa Permanência (crônicos) e Cirúrgica. E Maria Rita, a Irmã Dulce – Beata Dulce dos Pobres, a Bem-Aventurada Dulce dos Pobres – foi considerada santa pelo Vaticano: a primeira nascida no Brasil. As galinhas criadas pela madre superiora? Viraram canja para os doentes. Atendimentos nas Obras Sociais Irma Dulce: 2.2 Milhões de procedimentos ambulatórios por ano 954 Leitos Hospitalares 11,5 atendimentos por mês para tratamento de câncer 12 mil cirurgias por ano 787 crianças e adolescentes acolhidos no Centro Educacional 13 de março de 1992. 16h45 . O coração de Irmã Dulce parou de bater. Ela tinha 77 anos e há 2 mal conseguia respirar. 70% de seus pulmões estavam comprometidos. Um ano antes, no dia 20 de outubro de 1991, recebera a bênção e extrema-unção, das mãos do papa João Paulo II. Irmã Dulce tinha bronquiectasia, doença degenerativa que danifica as vias aéreas dos pulmões, causa tosse crônica e acúmulo de muco nos brônquios pulmonares. Ela dormia no máximo 4 horas por dia, em uma cadeira de madeira maciça, o que fez por 30 anos – para pagar uma promessa que fizera pela recuperação de sua irmã, Dulcinha, que, em 1955, deu à luz a Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, sobrinha e atual superintendente das obras sociais. Dulcinha teve uma gravidez de alto risco e poderia morrer. Irmã Dulce cumpriu a promessa até 1985, quando passou a dormir em uma cama após muita insistência dos médicos. Seus últimos 16 meses foram de sofrimento, “meses de agonia, meses de Calvário”, nas palavras de Dom Murilo Krieger, arcebispo de São Salvador da Bahia, primaz do Brasil. O corpo de Irmã Dulce foi sepultado na Capela das Relíquias, na Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em Salvador e, 8 anos depois, os restos mortais acabaram transferidos para a Capela do Convento Santo Antônio, sede das Obras Sociais Irmã Dulce, onde ficaram até 2011. A partir de então encontram-se no Santuário erguido no local. Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes nasceu em 26 de maio de 1914, segunda filha de Dona Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes e de Augusto Lopes Pontes, dentista e professor da Universidade Federal da Bahia, que nos anos 1920 saía pela cidade atendendo famílias sem condições de pagar um tratamento dentário. O avô paterno, Manuel Lopes Pontes, nasceu em Santo Amaro em 1845. Político, advogado, professor e militar, fundou o Colégio Santo Antônio na rua direita de Santo Antônio além do Carmo e foi um dos idealizadores do “Monumento aos Heróis do 2 de julho” sendo o tesoureiro da obra, em 1895. Ele também comandou o 5º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional, em 1897, no governo Luiz Viana, época da Guerra de Canudos. Ladeira da Independência, 61, no bairro de Nazaré . Era ali que morava a menina Maria Rita. Foi naquela casa que decidiu se dedicar à vida religiosa, quando tinha apenas 13 anos, depois de visitar áreas carentes de Salvador, acompanhada por um tia. Mas era jovem demais e por esse motivo acabou recusada pelo Convento de Santa Clara do Desterro. As imagens de fome e pobreza presenciadas por ela nunca foram esquecidas. E na casa de número 61 a menina de 13 anos começou a receber pessoas necessitadas, com o apoio da irmã Dulcinha. Logo eram tantos mendigos, moradores de rua e abandonados que a casa da Ladeira da Independência ficou conhecida como “a portaria de São Francisco”. Mas 6 anos antes ela já pedia farinha à mãe, para entregar aos garotos pobres de Água de Meninos. Dulce Maria, mãe de Irmã Dulce, morreu aos 26 anos de idade. A menina Maria Dulce tinha 7 anos. Um ano depois fez a Primeira Comunhão, na Igreja de Santo Antônio Além do Carmo, junto com os irmãos Augusto e Dulcinha. O amor e seus sonhos são a única porta para a eternidade — Irmã Dulce — Maria Rita teve que esperar até 8 de fevereiro de 1933, dois meses após receber o diploma de professora pela Escola Normal da Bahia, para ser aceita no Convento de São Francisco, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe, pela Congregação da Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, primeira casa de formação desta congregação no Nordeste. Tinha 19 anos. Ficava para trás a garotinha que brincava de guerra de mamona com os irmãos, empinava pipa, andava de bonde e fazia bordados. A menina que brincava na rua, sabia tocar acordeon e adorava futebol, a torcedora do Esporte Clube Ypiranga – time formado por operários -, que ia a todas partidas do clube do coração, com o pai e os irmãos, e vibrava a cada gol marcado (um tio seu dizia que ela nascera “no corpo errado”, tamanha era a sua paixão pelo esporte). Mas continuava com ela a boneca Celica, que ganhara aos 4 anos, e que nas tardes de domingo emprestava às noviças do convento em São Cristõvão, cidade histórica a 22 quilômetros de Aracaju. “Ela comia pouco, como um passarinho, em um pires”, contava a Irmã Maria das Neves. “E só após se certificar que as outras irmãs estavam se alimentando corretamente.” 13 de agosto de 1933 . Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes recebia o hábito e passava a usar o nome de Irmã Dulce, uma homenagem à mãe. Anjo dos Alagados 15 de agosto de 1934. Irmã Dulce volta a Salvador, em companhia das Irmãs Tabita e Capertana, para trabalhar na abertura do Hospital Espanhol, no bairro da Barra, desempenhando funções de enfermeira, sacristã, porteira e responsável pelo raio X. Ela também recebeu a tarefa de ser professora de Geografia e História no Colégio Santa Bernadete, no Largo da Madragoa, na Cidade Baixa. Em 1935, surgia em Salvador a comunidade de Alagados, conjunto de palafitas na parte interna da Península de Itapagipe, sobre a Enseada dos Cabritos. A comunidade era formada por operários que trabalhavam nas antigas fábricas espalhadas pela península. As casas, barracos de madeira construídos sobre estacas fincadas em mangues e ligadas por pequenas passarelas de tábuas “pairavam” sobre um mar de fezes e garrafas de plástico; os moradores conviviam com o cheiro forte de esgoto e as doenças surgidas da falta de saneamento básico. A área chegou a ter 3,5 mil palafitas e cerca de 100 mil habitantes, só começando a ser erradicada na década de 80. No mesmo ano Irmã Dulce criou um posto médico juntamente com o Dr. Bernadino Nogueira para atender operários da comunidade. A imprensa da época começava a chamá-la de “Anjo dos Alagados”. “Ela limpava feridas, dava cobertor aos que tinham frio, dava medicamentos, cortava os cabelos destas pessoas, alimentava os que tinham fome e se aproximava daqueles em que ninguém ousava tocar”, lembra Osvaldo Gouveia, assessor de Memória e Cultura das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid). O ex-professor de Museologia da Universidade Federal da Bahia (UFBa) chegou às obras em 30 de maio de 1993, para ficar 3 meses como auxiliar na fundação do memorial dedicado a contar a vida de Irmã Dulce. O que era para durar um trimestre perdura por 26 anos. Gouveia é conhecido como ‘a bíblia humana da trajetória de Irmã Dulce’, tamanha a sua dedicação e conhecimento sobre a vida da freira. Uma cusparada Irmã Dulce evitava envolvimento com política. “Ela sempre afirmou que o partido dela eram os pobres, era a pobreza. Nunca vi a imagem de Irmã Dulce em um santinho de um político e olhe que diversos deles vieram atrás dela para garantir votos; queriam ter a figura dela veiculada a eles e ela sempre foi muito categórica quanto a isso, sempre dizia não”, diz Osvaldo Gouveia. A freira baiana era insistente ao pedir dinheiro para a organização. Uma vez, recebeu uma cusparada de um feirante na Feira de São Joaquim, na mão que estendera. “Ela não aceitava um não como resposta, porque sabia que a negativa não era para ela, mas para os pobres, para os miseráveis”, explica o assessor de Memória e Cultura da Osid. O tamanho da obra deixada por Irmã Dulce pode ser medido em números: 3,5 milhões de procedimentos ambulatoriais realizados por ano na Bahia, sendo 2,2 somente em salvador 2 mil pessoas atendidas diariamente na sede das Obras, em Salvador 954 leitos para o atendimento de patologias clínicas e cirúrgicas 18 mil internamentos e 12 mil cirurgias realizadas anualmente em Salvador Mais de 11,5 mil atendimentos por mês para tratamento do câncer 150 bebês com microcefalia são acompanhados hoje na OSID 787 crianças e adolescentes, em situação de vulnerabilidade social, atendidos no Centro Educacional Santo Antônio 1,7 milhão de refeições servidas por ano para nossos pacientes e 537 mil para nossos colaboradores Mais de 4,3 mil profissionais atuam na organização, sendo mais de 2 mil no complexo das Obras A entidade filantrópica abriga um dos maiores complexos de saúde 100% SUS do país, com atendimentos ambulatoriais a idosos, pessoas com deficiência e com deformidades craniofaciais, moradores de rua, usuários de substâncias psicoativas e crianças e adolescentes em situação de risco social. Também conhecida como Complexo Roma, a sede das Obras em Salvador abriga, em seus 40 mil metros quadrados de área construída, 20 dos 21 núcleos da entidade, incluindo 954 leitos hospitalares para o atendimento de patologias clínicas e cirúrgicas. Desses núcleos, 19 apresentam atuação no campo da Saúde, a exemplo do Hospital Santo Antônio, Centro Geriátrico, Hospital da Criança, Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, Centro de Acolhimento à Pessoa com Deficiência e Centro Especializado em Reabilitação e do Centro de Acolhimento e Tratamento de Alcoolistas. Somente no Complexo Roma são contabilizados por ano cerca de 2 milhões de atendimentos ambulatoriais – metade do volume alcançado por toda a organização no estado. Ainda na sede das Obras Sociais, local que atende diariamente cerca de 2 mil pessoas, são realizadas por ano 12 mil cirurgias, além de 18 mil internamentos. Atualmente, mais de 4 mil profissionais trabalham na organização, sendo mais de 2 mil funcionários somente no complexo da capital baiana, local onde atuam ainda 320 médicos e 125 voluntários. 1 de julho de 2019, segunda-feira, 10h. Na Sala Clementina do Palácio Apostólico Vaticano, em Roma, o papa Francisco presidirá a celebração da Terceira Hora e o Consistório Ordinário Público para a Canonização da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres. No dia 13 de outubro Irmã Dulce – Santa Dulce dos Pobres – será uma santa canonizada, aquela sobre quem o Papa, baseado em depoimentos, declara oficialmente que está no céu e pode ser venerada publicamente. Santo não canonizado é aquele que se considera estar no céu mas sobre o qual não houve qualquer pronunciamento oficial do Vaticano. Canonizar é colocar o nome no cânone (lista) dos santos, uma exclusividade do Papa por decisão de Gregório IX em 1234. As normas encontram-se na constituição apostólica Divinus perfectionis Magister (25 de Janeiro de 1983) de João Paulo II, e fazem parte das resoluções traçadas pela Congregação para as Causas dos Santos. As 15 etapas de uma canonização: Fiel católico morre com fama de santo ou mártir Um bispo diocesano investiga sua autenticidade Um bispo dá início à causa de beatificação A Conferência Episcopal apoia o início da causa Tem início o processo no Vaticano O candidato a beato ganha o título de Servo de Deus Comissões de especialistas examinam a causa O Vaticano reconhece virtudes heroicas do Servo O Servo ganha o título de Venerável Uma intercessão por um milagre é comprovada Parecer é encaminhado ao Papa O Papa beatifica o Venerável, que ganha o título de Beato Uma intercessão por um segundo milagre é comprovada O Papa canoniza o Beato O Beato ganha o título de Santo Os “miraculados” O primeiro milagre – Claudia Cristina dos Santos tem hoje 41 anos e mora na cidade de Malhador, em Sergipe, a 52 quilômetros da capital Aracaju. Ela é “miraculada” (nome dado à pessoa que recebe um milagre). No dia 10 de janeiro de 2001, sofrendo de forte hemorragia após dar à luz seu segundo filho, Gabriel, Claudia Cristina estava desenganada pelos médicos. 3 cirurgias, em 18 horas, foram incapazes de estancar o sangramento. Chamado para ministrar a extrema-unção, o padre José Almir de Menezes perguntou a Claudia Cristina se ela acreditava que poderia ser salva por uma intercessão de Irmã Dulce. Ela disse que sim. Ao chegar em casa o padre foi avisado de que a hemorragia havia parado. 3 dias depois Claudia recebia alta do hospital. 10 peritos brasileiros e 6 italianos examinaram o caso. Nenhum deles conseguiu uma explicação científica para a melhora. O segundo milagre – Maurício Moreira, de 50 anos (ele é de Salvador e mora em Recife) estava cego há 14 anos, por causa de um glaucoma que se manifestou em outubro de 1999, quando ele tinha 23 anos. No réveillon daquele ano já não enxergava. Após 14 anos de cegueira, contraiu uma conjuntivite viral, acompanhada de dores muito fortes. A mãe dele tinha uma pequena imagem de Irmã Dulce e uma noite ele rezou para a freira baiana. “Eu pedi apenas que ela aliviasse as dores, mas quando acordei no dia seguinte percebi que estava começando a enxergar de novo”, disse Maurício Moreira, em Salvador, durante o anúncio da data de canonização. Ele foi aos médicos para saber que havia acontecido e todos disseram não haver uma explicação científica. Desde 2014 uma junta médica e especialistas estavam analisando o caso, em segredo, mas nenhum deles foi capaz de explicar como ele consegue ver nitidamente, apesar das lesões que continuam em seus olhos. Fonte: Uma reportagem especial do Leiamais.ba – por Morgana Montalvão e Alberto Oliveira Leia também : .: Santo do Dia – 12 de Agosto – Santa Joana Francisca de Chantal .: Santo do Dia – 14 de Agosto – São Maximiliano Maria Kolbe #SantodoDia

  • Santa Dulce dos Pobres, primeira santa brasileira – 13 de agosto

    SANTO DO DIA – 13 DE AGOSTO – SANTA DULCE DOS POBRES Neste dia 13 de agosto é celebrado o dia da Bem-aventurada Dulce dos Pobres, a religiosa baiana que dedicou sua vida ao serviço aos pobres e doentes e que será canonizada no próximo dia 13 de outubro pelo Papa Francisco, no Vaticano. O 13 de agosto foi escolhido como o dia oficial da festa litúrgica da religiosa conhecida como Anjo Bom da Bahia porque foi nesta mesma data, em 1933, na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em Sergipe, que Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, aos 19 anos de idade, recebia o hábito de freira e adotava, em homenagem à sua mãe, o nome de Irmã Dulce. Segunda filha do dentista Augusto Lopes Pontes e de Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes, a pequena Maria Rita nasceu em 26 de maio de 1914, na capital baiana. Perdeu sua mãe aos sete anos de idade. Desde cedo, começou a manifestar seu interesse pela vida religiosa. Aos 13 anos, passou a acolher mendigos e doentes em sua casa, transformando a residência da família em um centro de atendimento. A casa ficou conhecida como ‘A Portaria de São Francisco’, devido ao grande número de carentes que se aglomeravam à sua porta. Nessa época, expressou pela primeira vez o desejo de se dedicar à vida religiosa. Entrou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe, em fevereiro 1933, tendo recebido o hábito agosto do mesmo ano, quando passou a ser chamada Irmã Dulce. Sempre com muita fé, amor e serviço, o Anjo Bom iniciou na década de 1930 um trabalho assistencial nas comunidades carentes, sobretudo nos Alagados, conjunto de palafitas que se consolidara na parte interna do bairro de Itapagipe, na capital baiana. Em 1939, Irmã Dulce invadiu cinco casas na Ilha dos Ratos, para abrigar os doentes que recolhia nas ruas de Salvador. Expulsa do lugar, peregrinou durante uma década, levando os seus doentes por vários locais da cidade. Até que em 1949, ocupou um galinheiro ao lado do convento, após a autorização da sua superiora, com os primeiros 70 doentes. Esta iniciativa deu início à criação das Obras Sociais Irmã Dulce, instituição considerada hoje um dos maiores complexos de saúde pública do país, com cerca de quatro milhões de atendimentos ambulatoriais por ano. “Quando nenhum hospital quiser aceitar algum paciente, nós aceitaremos. Esta é a última porta e por isso eu não posso fechá-la”, disse Irmã Dulce. Em 1988, foi indicada pelo então presidente da República, José Sarney, com o apoio da Rainha Sílvia, da Suécia, para o Prêmio Nobel da Paz. A religiosa também teve dois grandes momentos de sua vida ao lado de São João Paulo II. Em 7 de julho de 1980, encontrou-se com o então Papa que visitava pela primeira vez o Brasil. Na ocasião, ouviu dele o incentivo para prosseguir com a sua obra. Os dois voltaram a se encontrar em 20 de outubro de 1991, na segunda visita do Sumo Pontífice ao Brasil. João Paulo II fez questão de quebrar o rigor da sua agenda e foi ao Convento Santo Antônio visitar a religiosa baiana, cuja saúde já se encontrava bastante debilitada em função de problemas respiratórios. Cinco meses depois, no dia 13 de março de 1992, o Anjo Bom da Bahia faleceu, aos 77 anos. Em janeiro de 2000, teve início o processo de canonização de Irmã Dulce. Em 2010, a Congregação para a Causa dos Santos reconheceu a autenticidade de um milagre atribuído à religiosa. Trata-se do caso de Claudia Cristina dos Santos, ocorrido em Itabaiana, em Sergipe. Após dar à luz seu filho, Gabriel, a mulher sofreu uma forte hemorragia, durante 18 horas, tendo sido submetida a três cirurgias. Diante da gravidade do quadro, os familiares chamaram Padre José Almí para ministrar a unção dos enfermos. O sacerdote decidiu fazer uma corrente de oração pedindo a intercessão de Irmã Dulce e deu a Cláudia uma pequena relíquia da Bem-Aventurada. A hemorragia cessou subitamente. Irmã Dulce foi beatificada no dia 22 de maio de 2011 e, no próximo dia 13 de outubro, será canonizada pelo Papa Francisco, no Vaticano, após o reconhecimento da cura milagrosa de um homem após 14 anos cego. O maestro José Maurício Bragança Moreira ficou cego durante 14 anos por conta de um glaucoma. Em 2014, voltou a enxergar, após rezar pedindo à intercessão de Ir. Dulce dos Pobres. Irmã Dulce dos Pobres será a primeira santa nascida no Brasil e está será a terceira canonização mais rápida da história recente da Igreja, conforme indicou o site das Obras Sociais da Irmã Dulce (OSID). Via ACI Digital Conheça mais sobre a Irmã Dulce Uma santa nascida na Bahia Em 1949 eles eram 70. Doentes. Moradores de rua. Para ajudá-los, uma só pessoa. Magrinha. Frágil. Sem recursos. Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes tinha 35 anos e nenhum local para abrigá-los. 10 anos antes ela já havia invadido 5 casas na Ilha do Rato, em Água de Meninos, Salvador, para onde levara doentes recolhidos nas ruas. Foi expulsa e peregrinou com seus enfermos por vários locais da cidade. Até que conseguiu autorização da madre superiora do Convento Santo Antonio para usar uma construção ao lado: um galinheiro. 67 anos depois aquele galinheiro se transformou no Hospital Santo Antonio, na Avenida Dendezeiros do Bonfim, 161, em Salvador, com uma média de 16,5 mil internações e 10 mil cirurgias anuais, 373 leitos, um Centro de Tratamento Intensivo e atendimento em 17 especialidades, divididas entre as enfermarias de clínicas Médica, de Longa Permanência (crônicos) e Cirúrgica. E Maria Rita, a Irmã Dulce – Beata Dulce dos Pobres, a Bem-Aventurada Dulce dos Pobres – foi considerada santa pelo Vaticano: a primeira nascida no Brasil. As galinhas criadas pela madre superiora? Viraram canja para os doentes. Atendimentos nas Obras Sociais Irma Dulce: 2.2 Milhões de procedimentos ambulatórios por ano 954 Leitos Hospitalares 11,5 atendimentos por mês para tratamento de câncer 12 mil cirurgias por ano 787 crianças e adolescentes acolhidos no Centro Educacional 13 de março de 1992. 16h45 . O coração de Irmã Dulce parou de bater. Ela tinha 77 anos e há 2 mal conseguia respirar. 70% de seus pulmões estavam comprometidos. Um ano antes, no dia 20 de outubro de 1991, recebera a bênção e extrema-unção, das mãos do papa João Paulo II. Irmã Dulce tinha bronquiectasia, doença degenerativa que danifica as vias aéreas dos pulmões, causa tosse crônica e acúmulo de muco nos brônquios pulmonares. Ela dormia no máximo 4 horas por dia, em uma cadeira de madeira maciça, o que fez por 30 anos – para pagar uma promessa que fizera pela recuperação de sua irmã, Dulcinha, que, em 1955, deu à luz a Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, sobrinha e atual superintendente das obras sociais. Dulcinha teve uma gravidez de alto risco e poderia morrer. Irmã Dulce cumpriu a promessa até 1985, quando passou a dormir em uma cama após muita insistência dos médicos. Seus últimos 16 meses foram de sofrimento, “meses de agonia, meses de Calvário”, nas palavras de Dom Murilo Krieger, arcebispo de São Salvador da Bahia, primaz do Brasil. O corpo de Irmã Dulce foi sepultado na Capela das Relíquias, na Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em Salvador e, 8 anos depois, os restos mortais acabaram transferidos para a Capela do Convento Santo Antônio, sede das Obras Sociais Irmã Dulce, onde ficaram até 2011. A partir de então encontram-se no Santuário erguido no local. Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes nasceu em 26 de maio de 1914, segunda filha de Dona Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes e de Augusto Lopes Pontes, dentista e professor da Universidade Federal da Bahia, que nos anos 1920 saía pela cidade atendendo famílias sem condições de pagar um tratamento dentário. O avô paterno, Manuel Lopes Pontes, nasceu em Santo Amaro em 1845. Político, advogado, professor e militar, fundou o Colégio Santo Antônio na rua direita de Santo Antônio além do Carmo e foi um dos idealizadores do “Monumento aos Heróis do 2 de julho” sendo o tesoureiro da obra, em 1895. Ele também comandou o 5º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional, em 1897, no governo Luiz Viana, época da Guerra de Canudos. Ladeira da Independência, 61, no bairro de Nazaré . Era ali que morava a menina Maria Rita. Foi naquela casa que decidiu se dedicar à vida religiosa, quando tinha apenas 13 anos, depois de visitar áreas carentes de Salvador, acompanhada por um tia. Mas era jovem demais e por esse motivo acabou recusada pelo Convento de Santa Clara do Desterro. As imagens de fome e pobreza presenciadas por ela nunca foram esquecidas. E na casa de número 61 a menina de 13 anos começou a receber pessoas necessitadas, com o apoio da irmã Dulcinha. Logo eram tantos mendigos, moradores de rua e abandonados que a casa da Ladeira da Independência ficou conhecida como “a portaria de São Francisco”. Mas 6 anos antes ela já pedia farinha à mãe, para entregar aos garotos pobres de Água de Meninos. Dulce Maria, mãe de Irmã Dulce, morreu aos 26 anos de idade. A menina Maria Dulce tinha 7 anos. Um ano depois fez a Primeira Comunhão, na Igreja de Santo Antônio Além do Carmo, junto com os irmãos Augusto e Dulcinha. O amor e seus sonhos são a única porta para a eternidade — Irmã Dulce — Maria Rita teve que esperar até 8 de fevereiro de 1933, dois meses após receber o diploma de professora pela Escola Normal da Bahia, para ser aceita no Convento de São Francisco, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe, pela Congregação da Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, primeira casa de formação desta congregação no Nordeste. Tinha 19 anos. Ficava para trás a garotinha que brincava de guerra de mamona com os irmãos, empinava pipa, andava de bonde e fazia bordados. A menina que brincava na rua, sabia tocar acordeon e adorava futebol, a torcedora do Esporte Clube Ypiranga – time formado por operários -, que ia a todas partidas do clube do coração, com o pai e os irmãos, e vibrava a cada gol marcado (um tio seu dizia que ela nascera “no corpo errado”, tamanha era a sua paixão pelo esporte). Mas continuava com ela a boneca Celica, que ganhara aos 4 anos, e que nas tardes de domingo emprestava às noviças do convento em São Cristõvão, cidade histórica a 22 quilômetros de Aracaju. “Ela comia pouco, como um passarinho, em um pires”, contava a Irmã Maria das Neves. “E só após se certificar que as outras irmãs estavam se alimentando corretamente.” 13 de agosto de 1933 . Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes recebia o hábito e passava a usar o nome de Irmã Dulce, uma homenagem à mãe. Anjo dos Alagados 15 de agosto de 1934. Irmã Dulce volta a Salvador, em companhia das Irmãs Tabita e Capertana, para trabalhar na abertura do Hospital Espanhol, no bairro da Barra, desempenhando funções de enfermeira, sacristã, porteira e responsável pelo raio X. Ela também recebeu a tarefa de ser professora de Geografia e História no Colégio Santa Bernadete, no Largo da Madragoa, na Cidade Baixa. Em 1935, surgia em Salvador a comunidade de Alagados, conjunto de palafitas na parte interna da Península de Itapagipe, sobre a Enseada dos Cabritos. A comunidade era formada por operários que trabalhavam nas antigas fábricas espalhadas pela península. As casas, barracos de madeira construídos sobre estacas fincadas em mangues e ligadas por pequenas passarelas de tábuas “pairavam” sobre um mar de fezes e garrafas de plástico; os moradores conviviam com o cheiro forte de esgoto e as doenças surgidas da falta de saneamento básico. A área chegou a ter 3,5 mil palafitas e cerca de 100 mil habitantes, só começando a ser erradicada na década de 80. No mesmo ano Irmã Dulce criou um posto médico juntamente com o Dr. Bernadino Nogueira para atender operários da comunidade. A imprensa da época começava a chamá-la de “Anjo dos Alagados”. “Ela limpava feridas, dava cobertor aos que tinham frio, dava medicamentos, cortava os cabelos destas pessoas, alimentava os que tinham fome e se aproximava daqueles em que ninguém ousava tocar”, lembra Osvaldo Gouveia, assessor de Memória e Cultura das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid). O ex-professor de Museologia da Universidade Federal da Bahia (UFBa) chegou às obras em 30 de maio de 1993, para ficar 3 meses como auxiliar na fundação do memorial dedicado a contar a vida de Irmã Dulce. O que era para durar um trimestre perdura por 26 anos. Gouveia é conhecido como ‘a bíblia humana da trajetória de Irmã Dulce’, tamanha a sua dedicação e conhecimento sobre a vida da freira. Uma cusparada Irmã Dulce evitava envolvimento com política. “Ela sempre afirmou que o partido dela eram os pobres, era a pobreza. Nunca vi a imagem de Irmã Dulce em um santinho de um político e olhe que diversos deles vieram atrás dela para garantir votos; queriam ter a figura dela veiculada a eles e ela sempre foi muito categórica quanto a isso, sempre dizia não”, diz Osvaldo Gouveia. A freira baiana era insistente ao pedir dinheiro para a organização. Uma vez, recebeu uma cusparada de um feirante na Feira de São Joaquim, na mão que estendera. “Ela não aceitava um não como resposta, porque sabia que a negativa não era para ela, mas para os pobres, para os miseráveis”, explica o assessor de Memória e Cultura da Osid. O tamanho da obra deixada por Irmã Dulce pode ser medido em números: 3,5 milhões de procedimentos ambulatoriais realizados por ano na Bahia, sendo 2,2 somente em salvador 2 mil pessoas atendidas diariamente na sede das Obras, em Salvador 954 leitos para o atendimento de patologias clínicas e cirúrgicas 18 mil internamentos e 12 mil cirurgias realizadas anualmente em Salvador Mais de 11,5 mil atendimentos por mês para tratamento do câncer 150 bebês com microcefalia são acompanhados hoje na OSID 787 crianças e adolescentes, em situação de vulnerabilidade social, atendidos no Centro Educacional Santo Antônio 1,7 milhão de refeições servidas por ano para nossos pacientes e 537 mil para nossos colaboradores Mais de 4,3 mil profissionais atuam na organização, sendo mais de 2 mil no complexo das Obras A entidade filantrópica abriga um dos maiores complexos de saúde 100% SUS do país, com atendimentos ambulatoriais a idosos, pessoas com deficiência e com deformidades craniofaciais, moradores de rua, usuários de substâncias psicoativas e crianças e adolescentes em situação de risco social. Também conhecida como Complexo Roma, a sede das Obras em Salvador abriga, em seus 40 mil metros quadrados de área construída, 20 dos 21 núcleos da entidade, incluindo 954 leitos hospitalares para o atendimento de patologias clínicas e cirúrgicas. Desses núcleos, 19 apresentam atuação no campo da Saúde, a exemplo do Hospital Santo Antônio, Centro Geriátrico, Hospital da Criança, Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, Centro de Acolhimento à Pessoa com Deficiência e Centro Especializado em Reabilitação e do Centro de Acolhimento e Tratamento de Alcoolistas. Somente no Complexo Roma são contabilizados por ano cerca de 2 milhões de atendimentos ambulatoriais – metade do volume alcançado por toda a organização no estado. Ainda na sede das Obras Sociais, local que atende diariamente cerca de 2 mil pessoas, são realizadas por ano 12 mil cirurgias, além de 18 mil internamentos. Atualmente, mais de 4 mil profissionais trabalham na organização, sendo mais de 2 mil funcionários somente no complexo da capital baiana, local onde atuam ainda 320 médicos e 125 voluntários. 1 de julho de 2019, segunda-feira, 10h. Na Sala Clementina do Palácio Apostólico Vaticano, em Roma, o papa Francisco presidirá a celebração da Terceira Hora e o Consistório Ordinário Público para a Canonização da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres. No dia 13 de outubro Irmã Dulce – Santa Dulce dos Pobres – será uma santa canonizada, aquela sobre quem o Papa, baseado em depoimentos, declara oficialmente que está no céu e pode ser venerada publicamente. Santo não canonizado é aquele que se considera estar no céu mas sobre o qual não houve qualquer pronunciamento oficial do Vaticano. Canonizar é colocar o nome no cânone (lista) dos santos, uma exclusividade do Papa por decisão de Gregório IX em 1234. As normas encontram-se na constituição apostólica Divinus perfectionis Magister (25 de Janeiro de 1983) de João Paulo II, e fazem parte das resoluções traçadas pela Congregação para as Causas dos Santos. As 15 etapas de uma canonização: Fiel católico morre com fama de santo ou mártir Um bispo diocesano investiga sua autenticidade Um bispo dá início à causa de beatificação A Conferência Episcopal apoia o início da causa Tem início o processo no Vaticano O candidato a beato ganha o título de Servo de Deus Comissões de especialistas examinam a causa O Vaticano reconhece virtudes heroicas do Servo O Servo ganha o título de Venerável Uma intercessão por um milagre é comprovada Parecer é encaminhado ao Papa O Papa beatifica o Venerável, que ganha o título de Beato Uma intercessão por um segundo milagre é comprovada O Papa canoniza o Beato O Beato ganha o título de Santo Os “miraculados” O primeiro milagre – Claudia Cristina dos Santos tem hoje 41 anos e mora na cidade de Malhador, em Sergipe, a 52 quilômetros da capital Aracaju. Ela é “miraculada” (nome dado à pessoa que recebe um milagre). No dia 10 de janeiro de 2001, sofrendo de forte hemorragia após dar à luz seu segundo filho, Gabriel, Claudia Cristina estava desenganada pelos médicos. 3 cirurgias, em 18 horas, foram incapazes de estancar o sangramento. Chamado para ministrar a extrema-unção, o padre José Almir de Menezes perguntou a Claudia Cristina se ela acreditava que poderia ser salva por uma intercessão de Irmã Dulce. Ela disse que sim. Ao chegar em casa o padre foi avisado de que a hemorragia havia parado. 3 dias depois Claudia recebia alta do hospital. 10 peritos brasileiros e 6 italianos examinaram o caso. Nenhum deles conseguiu uma explicação científica para a melhora. O segundo milagre – Maurício Moreira, de 50 anos (ele é de Salvador e mora em Recife) estava cego há 14 anos, por causa de um glaucoma que se manifestou em outubro de 1999, quando ele tinha 23 anos. No réveillon daquele ano já não enxergava. Após 14 anos de cegueira, contraiu uma conjuntivite viral, acompanhada de dores muito fortes. A mãe dele tinha uma pequena imagem de Irmã Dulce e uma noite ele rezou para a freira baiana. “Eu pedi apenas que ela aliviasse as dores, mas quando acordei no dia seguinte percebi que estava começando a enxergar de novo”, disse Maurício Moreira, em Salvador, durante o anúncio da data de canonização. Ele foi aos médicos para saber que havia acontecido e todos disseram não haver uma explicação científica. Desde 2014 uma junta médica e especialistas estavam analisando o caso, em segredo, mas nenhum deles foi capaz de explicar como ele consegue ver nitidamente, apesar das lesões que continuam em seus olhos. Fonte: Uma reportagem especial do Leiamais.ba – por Morgana Montalvão e Alberto Oliveira Leia também : .: Santo do Dia – 12 de Agosto – Santa Joana Francisca de Chantal .: Santo do Dia – 14 de Agosto – São Maximiliano Maria Kolbe #SantodoDia

  • Santo do Dia – 13 de Agosto – São Máximo, o Confessor

    SANTO DO DIA – 13 DE AGOSTO – SÃO MAXIMO DE CONSTANTINOPLA Nasceu em Constantinopla, pelo ano 580, de uma antiga nobreza e seus pais tinham poucas pessoas acima deles. Fizeram-no batizar ainda pequenino e educaram tão bem, que se tornou um dos homens mais sábios do século, Sua capacidade era tanto mais notável, quanto o cobria uma grande modéstia. O Imperador Heráclio, colocou-o contra vontade a seu serviço e o fez o primeiro de seus secretários. Mas o amor do retiro e também o início da nova heresia obrigaram-no a deixar a corte e a se encerrar no mosteiro de Crisópolis, perto de Calcedônia. Depois de aí ter praticado exatamente as regras, foi eleito abade. O temor dos bárbaros, isto é, dos persas e dos árabes, que mantinham o Oriente sempre alarmado, fê-lo passar ao Ocidente e ele se deteve na África. Escreveu grande número de cartas, opúsculos e tratados sobre os principais artigos da fé e da piedade cristã, cinco diálogos, por muito tempo atribuídos a Santo Atanásio, os dois primeiros entre um ortodoxo e um anomeano, sobre a divindade consubstancial do Filho; o terceiro entre um ortodoxo e um macedônio, sobre a divindade do Espírito Santo, o quarto e o quinto, entre um ortodoxo e um apolinarista, sobre que o Filho de Deus realmente se fez homem, tomando uma alma racional de um corpo humano como os nossos. Quanto à moral e à piedade cristãs, eis como lhe põe o fundo misterioso, numa carta ao Padre Talássio superior dos monges. Há três dias que atraem o homem, ou melhor, para os quais se dirige livremente: Deus, a natureza e o mundo. Cada um, atraindo-o, desliga-o, dos dois outros, transforma-o em si e o faz tornar-se por inclinação, o que ele mesmo é por natureza. Se é Deus que o leva, ele o faz tornar-se deus por participação, concede-lhe por sua graça uma deificação sobrenatural e o desliga assim perfeitamente da natureza e do mundo, Se é a natureza que o leva, ela mostra-o só homem da natureza, certo meio entre Deus e o mundo, que não participa voluntariamente, nem de um nem de outro. Se é o mundo que o arrasta, faz dele um bruto, isto é, da carne somente, inspirando-lhe ambições que o afastam da natureza e de Deus e o ensina a fazer coisas contra a natureza. Os dois extremos, isto é, deus e o mundo, desligam então um do outro, como também do meio ou da natureza. Se o meio ou a natureza somente o sobrepujam, ela afasta o homem igualmente dos dois extremos, não lhe permitindo bem se elevar até Deus, nem se abater até o mundo, Desde que o homem se prende voluntariamente a uma dessas três coisas, sua ação muda imediatamente com ele e ele mesmo chama-se diferentemente, ou carnal, ou animal ou espiritual. O caráter distintivo do homem carnal é só saber fazer o mal; do homem animal, não querer nem fazer o mal, sem o suportar. Do homem espiritual querer fazer só o bem e sofrer corajosamente, pela virtude, todas as espécies de males. A isso São Máximo induz o hegumeno Talássio. Todas as suas obras de piedade e de moral tem por fim elevar assim o homem da vida carnal e brutal à vida humanamente racional e, da vida puramente humana à vida sobrenatural e divina. Esses são os setenta e um capítulos ou resumos, nos quais, sobre diversos assuntos de teologia, de filosofia, de moral, de literatura, reúne as sentenças mais notáveis da Escritura Santa, dos Padres da Igreja e mesmo dos personagens mais ilustres do paganismo. A sabedoria pagã serve-se disso, como de introdução para a sabedoria cristã. (…) São Máximo, bem como o Papa São Martinho, foi perseguido, aprisionado, exilado e martirizado, pela fé católica, pelo imperador grego Constante II. Eis como terminaram os sofrimentos de São Máximo e de seus dois discípulos chamados ambos Anastácio dos quais um tinha sido apocrisiário ou núncio do Papa. A 14 de Setembro de 656, depois de longo interrogatório, o cônsul Teodósio tomou São Máximo e o mandou com soldados a Selimbria. Aí ficaram dois dias, até que um dos soldados foi ao acampamento dizer a todo o exército que se insurgisse contra São Máximo. O monge que blasfema contra a Mãe de Deus vem aqui. Mas o comandante, tocado por Deus, mandou a ele os chefes das companhias, as insígnias, os padres e os diáconos. São Máximo, vendo-os, pôs-se de joelhos. Eles fizeram o mesmo; depois sentaram-se e o fizeram sentar. Então um venerável ancião disse-lhe com grande respeito: Meu pai, escandalizaram-nos, dizendo que vós não chamais de Mãe de Deus à Santa Virgem. Por isso, eu vos rogo, pela Santa Trindade, que nos digais a verdade, para que não sejamos escandalizados injustamente. São Máximo pôs-se de joelhos, ergueu0se e estendendo as mãos para o céu, disse com lágrimas: Todo aquele que não diz que Nossa Senhora, a mui santa Virgem, foi verdadeiramente Mãe de Deus, Criador do céu e da terra, seja anatematizado, pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, e por todas as virtudes celestes, os apóstolos, os profetas, os mártires e todos os santos, agora e sempre, e em todos os séculos dos séculos, Amém. Então os presentes disseram, chorando: “Meu Pai! Queira Deus dar-vos a força de terminar dignamente vossa carreira”. Depois, falaram com palavras tão edificantes, que os soldados se reuniam em massa para os ouvir. Mas um dos guardas do general, vendo que seu número crescia sempre e que censuravam a maneira como se tratava o santo velho, mandou retirá-lo e o colocar a duas milhas do acampamento, até que o levassem a Perbére. Os clérigos do exército seguiram-no a pé por duas milhas e tendo-se despedido dele, puseram-no a cavalo com suas próprias mãos. Levaram-no a Perbére, onde o colocaram numa prisão. Algum tempo depois, levaram-no a Constantinopla com seu discípulo, o monge Anastácio e se reuniu contra ele um concílio onde eles foram anatematizados ambos, com o Papa São Martinho, São Sofrônio de Jerusalem e todos os seus partidários, isto é, os católicos. Levaram depois o outro Anastácio, que se anatematizou também. E o concílio, de acordo com o senado, pronunciou contra todos os três uma sentença, em que se dizia: Depois de ter levado contra vós o juízo canônico, restava que fosseis submetido à severidade das leis, por vossas impiedades, embora não haja pena proporcionada a tais crimes. Todavia, deixando ao justo juiz o maior castigo, nós vos damos a vida, dispensando-vos da exatidão das leis; e ordenamos que o prefeito, aqui presente, vos leve agora mesmo ai seu pretório. Que ele vos faça açoitar as costas com nervos de boi e cortar até à raiz, a língua, que foi instrumento de vossas blasfêmias e a mão direita que serviu para as escrever. Depois, sereis levados por doze quarteirões desta cidade e condenados ao exílio e à prisão perpétua, para lá chorar vossos pecados, o resto de vossos dias. Essa sentença foi logo executada; o prefeito levou São Máximo e os dois Anastácios, fê-los açoitar, cortar a língua a cada um deles, e a mão direita, e levou-os pela cidade de Constantinopla e os mandou ao exílio ao país dos Lazes. Lá eles chegaram no dia 8 de Junho do ano 662 e foram imediatamente separados. Tiraram-lhes mesmo o pouco que tinham até o fio de uma agulha. Como São Máximo não se pudesse manter a cavalo, nem suportar carros comuns, foi preciso fazer uma padiola de vime para o levar, como um leito e o conduziram a uma fortaleza, chamada Schemari, perto do país dos Alanos. Os dois Anastácios foram encerrados em duas outras fortalezas, de onde poucos dias depois os tiraram e levaram o monge Anastácio a Sumas. Mas ele estava tão fraco pelos sofrimentos que suportara em Constantinopla e pelas longas fadigas da viagem, que morreu a 24 de Julho do mesmo ano, 662. São Máximo, tendo chegado a Schemari, predisse o dia de sua morte que foi o sábado, 13 de Agosto de 662, dia em que a Igreja lhe honra a memória. Quanto a Santo Anastácio, o apocrisiário, tendo sido separado de seu mestre e do outro Santo Anastácio, foi levado a diversas fortalezas e fizeram-no caminhar durante seis meses por todo o país dos Lazes, onde ia a pé e seminu, morrendo de fome e de frio. Enfim aquele que governava o país foi expulso e se sucessor, de nome Gregório, tratou-o melhor e o colocou num mosteiro, onde lhe dava abundantemente todas as coisas necessárias. Santo Anastácio foi visitado por Estêvão, tesoureiro da Igreja de Jerusalém que percorreu todo o país dos Lazes, dos Apsilos e dos Aas Abasgos, publicando por toda parte a doutrina dos católicos e a heresia dos monotelitas e dissipando as calúnias espalhadas contra Santo Anastácio,. Estevão morreu numa dessas excursões apostólicas, a 1° de Janeiro do ano 665, na casa do príncipe dos Abasgos. Desse terceiro exílio, Santo Anastácio escreveu no ano seguinte a Teodósio, padre de Gangre e monge em Jerusalém, contando-lhe o que lhe tinha acontecido até então e rogando-lhe que lhe enviasse as atas do concílio reunido em Roma pelo Papa São Martinho, pois queria aproveitar o exílio para dar a conhecer a doutrina católica. Com essa carta, manda-lhe, por sua vez, passagens de Santo Hipólito, bispo de Porto, perto de Roma e mártir, para estabelecer as duas vontades e as duas operações em Jesus Cristo. Santo Anastácio escreveu mesmo aquela carta, de uma maneira que foi tida como milagrosa. Pois, como lhe tinham cortado a mão, mandou prender na ponta do braço dois pequenos bastões, em que conservava a pena e fez do mesmo modo, muitos outros escritos. O que era ainda mais admirável é que, embora lhe tivessem cortado a língua, até a raiz, falava claramente. Enfim, morreu na fortaleza de Thusume, ao pé do monte Cáucaso, no domingo, 11 de Outubro de 666, depois de ter feito grande número de milagres e conversões. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume, XIV, p. 395 à 397 e 403 à 407) São Máximo o Confessor, Monge, Pai da Igreja (+662) Máximo o Confessor (580-662) era monge e teólogo bizantino. Sua festa é celebrada em 21 de janeiro, na Igreja do Ocidente, e em 13 de agosto, nas Igrejas do Oriente. Dados hagiográficos Há duas versões da história de vida de Máximo. Segundo uma hagiografia (biografia dos santos) datada do Século X, mas que se apóia em dados de fontes anteriores, ele teria nascido numa ilustre família de Constantinopla. Nascido em 580 d.C., Máximo teria sido, aos trinta anos, protasekretis (palavra grega que significa Primeiro Secretário) na corte do imperador Heráclito. Ele teria se tornado monge em 613, no mosteiro de Crysópolis, próximo a Constantinopla, e depois em Cyzico. Após a invasão persa no ano de 626, teria se refugiado em Cartago. De acordo com um polêmico texto siríaco do Século VII, atribuído ao monofisita George (Gregório) de Resaina, Máximo seria, ao contrário, natural do vilarejo palestino de Heshfin e teria entrado no mosteiro de São Sabas, próximo a Jerusalém. Parece que esta versão é a mais próxima às relações que Máximo mantinha com personalidades palestinas, como Sofrônio de Jerusalém ou o Papa Teodoro1. Mas, por outro lado, algumas indicações presentes na obra de Máximo favorecem a primeira versão. Máximo escreveu comentários sobre trechos difíceis ou ambíguos das Sagradas Escrituras: as Quaestiones ad Thalassium, e dos Padres da Igreja: as Ambigua ad Iohannem, assim como opúsculos ascéticos e místicos, uma carta-tratado sobre a liturgia: a Mistagogia, e outras cartas abrangendo a teologia, bem como obras de controvérsia. Ele se opunha aos monofisitas, grupo que sustentava a idéia de que Cristo possui apenas uma natureza: a divina, em detrimento de Sua humanidade. Em 638, um decreto imperial quis conciliar monofisitas e ortodoxos, declarando que havia em Cristo duas naturezas (humana e divina), mas uma só vontade (monotelismo). A partir de 639, Máximo implicou-se na controvérsia sobre o monotelismo em Constantinopla, na África e em Roma. Conforme o Concílio da Calcedônia, que reconhecia “um só Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem”, Máximo defendia a teoria das duas vontades, sem as quais Cristo não poderia ser perfeitamente nem Homem, nem Deus. Em 645, ele conseguiu, durante um debate, trazer novamente à ortodoxia o antigo patriarca de Constantinopla, Pyrrus, então partidário do monofisismo e do monotelismo. Enquanto monge, ele não pôde participar do Sínodo de Latrão, ocorrido em Roma no ano de 649, que condenou o monotelismo, mas sem dúvida Máximo inspirou a decisão final dos bispos e contribuiu para a redação dos Atos do Concílio. Sua assinatura está presente num documento levado ao Concílio em nome dos monges de São Sabas. (Há grandes dúvidas sobre a autenticidade deste Concílio de Latrão, cujos atos parecem ter sido redigidos em grego antes mesmo que ele tenha acontecido.) Máximo permaneceu em Roma até 653. Em seguida, as variações doutrinais dos imperadores bizantinos voltaram-se contra ele. Ainda em 653, ele foi preso por Constante II ao mesmo tempo que o Papa Martinho. Durante seu processo em Constantinopla, Máximo recusou-se a se declarar em comunhão com o patriarca de Constantinopla. Isto lhe valeu o exílio em Bizya, às marges do Mar Negro, em 655. Ele recusou as ofertas de perdão e de reconciliação do imperador e do patriarca de Constantinopla, partidários do monotelismo. Máximo foi novamente convocado a Constantinopla, em 662, e novamente julgado pelos bispos e senadores bizantinos. Torturado, ele teve a língua e a mão direita decepadas. Em seguida, foi deportado para a região de Lazes (região Tsagueri, a Oeste do Mar Negro e ao Norte da atual Geórgia), onde veio a morrer em conseqüência dos ferimentos, no dia 13 de agosto do mesmo ano. Sua firmeza na fé, assim como os maus tratos que recebeu, valeram a Máximo o título de “Confessor” da fé. Hoje ele é reconhecido como uma autoridade de referência para a teologia, sobretudo no diálogo entre católicos e ortodoxos2. Obra A obra de São Máximo é considerável. Nela encontramos, entre outros títulos, “Questões a Thalassios”, “Séculos de Caridade”, “Mistagogia”, “Cartas”, “Ambíguas a João” (esclarecimentos sobre passagens ambíguas dos escritos de São Gregório o Teólogo e de Denis o Aeropagita), “Opúsculos teológicos e polêmicos”, um “Discurso ascético”, um “Comentário sobre o ‘Pai Nosso’ ”, dentre outros. Seus escritos teológicos e espirituais são fortemente influenciados pelas obras de Evágrio Pôntico, dos Padres capadócios, do Pseudo-Dênis o Aeropagita, de Cirilo de Alexandria e de Leôncio de Jerusalém. O monotelismo, ao qual Máximo se opunha fortemente, foi enfim condenado pelo III Concílio de Constantinopla (6º Concílio Ecumênico) em 680. Citações “Quem conseguiu se iniciar com bom senso e sabedoria nos ritos praticados na Igreja, fez de sua própria alma uma Igreja divina, uma Igreja verdadeiramente de Deus.” (Mistagogia, fim do cap. 5) “Nós fomos salvos pela vontade humana de uma Pessoa divina.” “Não é minha intenção desagradar ao Imperador, mas não posso optar por ofender Deus.” O consolo da Igreja Vida de Maria, atribuída a São Máximo o Confessor, no. 95-99 O nascimento e a adolescência daquela que concebeu e deu à luz – evento impensável, incompreensível, inefável! – ao Filho de Deus, o Verbo, Rei e Deus do Universo, já haviam sido mais maravilhosos que tudo o que se pode ver na natureza. Desde então, todos os dias de sua inteira existência, mostrou um estilo de vida superior à natureza […] Logo, no caminho de sua fatigosa tarefa, sofreu e suportou muitas tribulações, provas, aflições e lamentos durante a Crucifixão do Senhor, alcançando uma completa vitória e obtendo coroas de triunfo, até ao ponto de ser constituída a Rainha de todas as criaturas. Depois de ver o Filho, o Verbo do Pai, verdadeiro Deus e Rei da Criação, ressuscitar do sepulcro, – acontecimento superior a qualquer outro – e subir ao Céu com aquela natureza humana que dela havia tomado, depois de toda esta glória, não lhe foi poupada aqui na terra uma vida de provas e fadigas, não esteve privada de ansiedades e preocupações. Como se começasse então sua vida pública, em seu desvelo, não concedia sono a seus olhos nem descanso às suas pálpebras nem repouso ao seu corpo (Sl 131,4): e quando os apóstolos se dispersaram pelo mundo inteiro, a santa Mãe de Cristo, como Rainha de todos, vivia no centro do mundo, em Jerusalém, em Sião com o apóstolo predileto que lhe havia sido dado como filho por Nosso Senhor Jesus Cristo. […] A Virgem não só animava e ensinava aos santos apóstolos e aos demais fiéis a ser pacientes e suportar as provas, senão que era solidária com eles em suas fadigas, lhes sustentava na pregação, estava em união espiritual com os discípulos do Senhor em suas privações e suplícios, em suas prisões. Assim como havia participado com o coração traspassado, na Paixão salvadora de seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, assim sofria com eles. Mais ainda, consolava a estes dignos discípulos com suas ações, confortava-os com suas palavras pondo-lhes como modelo a Paixão de seu Filho e Rei. Recordava-lhes a recompensa e a coroa do Reino dos céus, a bem-aventurança e as delícias pelos séculos dos séculos. Quando Herodes capturou a Pedro, tendo-lhe mantido prisioneiro até a aurora, também ela estava espiritualmente prisioneira com ele: a santa e bendita Mãe de Cristo participava nas suas algemas, rezava por ele e pedia à Igreja que rezasse. E antes, quando aos maus judeus apedrejaram Estevão, quando Herodes ordenou o martírio de Tiago, irmão de João, as perseguições, sofrimentos e suplícios traspassaram o coração da Santa Mãe de Deus: na dor de seu coração e com as lágrimas de seu lamento, era martirizada com ele. […] Depois da partida de João, o Evangelista, São Tiago, o filho de José, também chamado «irmão do Senhor», tomou a seu cuidado a santa Mãe de Cristo […] Deste modo, também o regresso da santa Mãe de Deus à Jerusalém foi um bem: era ela, com efeito, a segurança, o porto e o apoio dos crentes que ali viviam. Qualquer preocupação ou dificuldade dos cristãos, era confiada à puríssima, já que habitavam em meio ao rebelde povo judeu. Antes dos santos combates e da morte, de todos os lados vinham os fiéis para vê-la. Ela consolava a todos e a todos fortalecia. Ela era a santa esperança dos cristãos de então e dos que viriam depois: até o fim do mundo será a mediadora e a fortaleza dos cristãos. Porém, então, sua preocupação e seu empenho eram mais intensos, para corrigir, para consolidar a nova lei do cristianismo, para que fosse glorificado o Nome de Cristo. As perseguições que sobre a Igreja eram disparadas, a violação dos domicílios dos fiéis, as execuções capitais de numerosos cristãos, as prisões e tribulações de todo o tipo, as perseguições, as fadigas e vexames por que passavam os apóstolos, expulsos de lugar em lugar, todas estas coisas repercutiam em seu coração materno, que sofria por todos e de todos cuidava, com palavras e obras. Era ela o modelo do bem e a melhor mestra no lugar do Senhor, seu Filho, e em vista d’Ele. Era ela a intercessora e advogada de todos os crentes. Suplicava a seu Filho que derramasse sobre todos a sua misericórdia e a sua ajuda. Os santos apóstolos havia-na escolhido como guia e mestra. Notificavam-lhe qualquer problema que surgisse e dela recebiam propostas e conselhos sobre o que deviam fazer, até o ponto que, os que se encontravam próximos a Jerusalém iam vê-la. De vez em quando, aproximavam-se dela e informavam-na o que haviam feito e como haviam pregado. Seguiam depois suas orientações. Depois de percorrer países distantes, procuravam voltar cada ano, pela páscoa, à Jerusalém, para celebrar com a Santa Mãe de Deus, a festa da Ressurreição de Cristo. Cada um lhe informava sobre sua pregação aos gentios e as perseguições que haviam encontrado por parte dos judeus e pagãos; logo, reconfortados com sua oração e doutrina, retornavam ao apostolado. Assim procediam todos, ano após ano – a menos que houvesse grave impedimento -, exceto Tomé. Ele não podia vir por causa da enorme distância e da dificuldade de se deslocar da Índia onde se encontrava. Todos os demais vinham a cada ano visitar a santa Rainha; depois, fortalecidos com sua oração, voltavam a anunciar a Boa-nova

  • Santo do Dia – 13 de Agosto – São Máximo, o Confessor

    SANTO DO DIA – 13 DE AGOSTO – SÃO MAXIMO DE CONSTANTINOPLA Nasceu em Constantinopla, pelo ano 580, de uma antiga nobreza e seus pais tinham poucas pessoas acima deles. Fizeram-no batizar ainda pequenino e educaram tão bem, que se tornou um dos homens mais sábios do século, Sua capacidade era tanto mais notável, quanto o cobria uma grande modéstia. O Imperador Heráclio, colocou-o contra vontade a seu serviço e o fez o primeiro de seus secretários. Mas o amor do retiro e também o início da nova heresia obrigaram-no a deixar a corte e a se encerrar no mosteiro de Crisópolis, perto de Calcedônia. Depois de aí ter praticado exatamente as regras, foi eleito abade. O temor dos bárbaros, isto é, dos persas e dos árabes, que mantinham o Oriente sempre alarmado, fê-lo passar ao Ocidente e ele se deteve na África. Escreveu grande número de cartas, opúsculos e tratados sobre os principais artigos da fé e da piedade cristã, cinco diálogos, por muito tempo atribuídos a Santo Atanásio, os dois primeiros entre um ortodoxo e um anomeano, sobre a divindade consubstancial do Filho; o terceiro entre um ortodoxo e um macedônio, sobre a divindade do Espírito Santo, o quarto e o quinto, entre um ortodoxo e um apolinarista, sobre que o Filho de Deus realmente se fez homem, tomando uma alma racional de um corpo humano como os nossos. Quanto à moral e à piedade cristãs, eis como lhe põe o fundo misterioso, numa carta ao Padre Talássio superior dos monges. Há três dias que atraem o homem, ou melhor, para os quais se dirige livremente: Deus, a natureza e o mundo. Cada um, atraindo-o, desliga-o, dos dois outros, transforma-o em si e o faz tornar-se por inclinação, o que ele mesmo é por natureza. Se é Deus que o leva, ele o faz tornar-se deus por participação, concede-lhe por sua graça uma deificação sobrenatural e o desliga assim perfeitamente da natureza e do mundo, Se é a natureza que o leva, ela mostra-o só homem da natureza, certo meio entre Deus e o mundo, que não participa voluntariamente, nem de um nem de outro. Se é o mundo que o arrasta, faz dele um bruto, isto é, da carne somente, inspirando-lhe ambições que o afastam da natureza e de Deus e o ensina a fazer coisas contra a natureza. Os dois extremos, isto é, deus e o mundo, desligam então um do outro, como também do meio ou da natureza. Se o meio ou a natureza somente o sobrepujam, ela afasta o homem igualmente dos dois extremos, não lhe permitindo bem se elevar até Deus, nem se abater até o mundo, Desde que o homem se prende voluntariamente a uma dessas três coisas, sua ação muda imediatamente com ele e ele mesmo chama-se diferentemente, ou carnal, ou animal ou espiritual. O caráter distintivo do homem carnal é só saber fazer o mal; do homem animal, não querer nem fazer o mal, sem o suportar. Do homem espiritual querer fazer só o bem e sofrer corajosamente, pela virtude, todas as espécies de males. A isso São Máximo induz o hegumeno Talássio. Todas as suas obras de piedade e de moral tem por fim elevar assim o homem da vida carnal e brutal à vida humanamente racional e, da vida puramente humana à vida sobrenatural e divina. Esses são os setenta e um capítulos ou resumos, nos quais, sobre diversos assuntos de teologia, de filosofia, de moral, de literatura, reúne as sentenças mais notáveis da Escritura Santa, dos Padres da Igreja e mesmo dos personagens mais ilustres do paganismo. A sabedoria pagã serve-se disso, como de introdução para a sabedoria cristã. (…) São Máximo, bem como o Papa São Martinho, foi perseguido, aprisionado, exilado e martirizado, pela fé católica, pelo imperador grego Constante II. Eis como terminaram os sofrimentos de São Máximo e de seus dois discípulos chamados ambos Anastácio dos quais um tinha sido apocrisiário ou núncio do Papa. A 14 de Setembro de 656, depois de longo interrogatório, o cônsul Teodósio tomou São Máximo e o mandou com soldados a Selimbria. Aí ficaram dois dias, até que um dos soldados foi ao acampamento dizer a todo o exército que se insurgisse contra São Máximo. O monge que blasfema contra a Mãe de Deus vem aqui. Mas o comandante, tocado por Deus, mandou a ele os chefes das companhias, as insígnias, os padres e os diáconos. São Máximo, vendo-os, pôs-se de joelhos. Eles fizeram o mesmo; depois sentaram-se e o fizeram sentar. Então um venerável ancião disse-lhe com grande respeito: Meu pai, escandalizaram-nos, dizendo que vós não chamais de Mãe de Deus à Santa Virgem. Por isso, eu vos rogo, pela Santa Trindade, que nos digais a verdade, para que não sejamos escandalizados injustamente. São Máximo pôs-se de joelhos, ergueu0se e estendendo as mãos para o céu, disse com lágrimas: Todo aquele que não diz que Nossa Senhora, a mui santa Virgem, foi verdadeiramente Mãe de Deus, Criador do céu e da terra, seja anatematizado, pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, e por todas as virtudes celestes, os apóstolos, os profetas, os mártires e todos os santos, agora e sempre, e em todos os séculos dos séculos, Amém. Então os presentes disseram, chorando: “Meu Pai! Queira Deus dar-vos a força de terminar dignamente vossa carreira”. Depois, falaram com palavras tão edificantes, que os soldados se reuniam em massa para os ouvir. Mas um dos guardas do general, vendo que seu número crescia sempre e que censuravam a maneira como se tratava o santo velho, mandou retirá-lo e o colocar a duas milhas do acampamento, até que o levassem a Perbére. Os clérigos do exército seguiram-no a pé por duas milhas e tendo-se despedido dele, puseram-no a cavalo com suas próprias mãos. Levaram-no a Perbére, onde o colocaram numa prisão. Algum tempo depois, levaram-no a Constantinopla com seu discípulo, o monge Anastácio e se reuniu contra ele um concílio onde eles foram anatematizados ambos, com o Papa São Martinho, São Sofrônio de Jerusalem e todos os seus partidários, isto é, os católicos. Levaram depois o outro Anastácio, que se anatematizou também. E o concílio, de acordo com o senado, pronunciou contra todos os três uma sentença, em que se dizia: Depois de ter levado contra vós o juízo canônico, restava que fosseis submetido à severidade das leis, por vossas impiedades, embora não haja pena proporcionada a tais crimes. Todavia, deixando ao justo juiz o maior castigo, nós vos damos a vida, dispensando-vos da exatidão das leis; e ordenamos que o prefeito, aqui presente, vos leve agora mesmo ai seu pretório. Que ele vos faça açoitar as costas com nervos de boi e cortar até à raiz, a língua, que foi instrumento de vossas blasfêmias e a mão direita que serviu para as escrever. Depois, sereis levados por doze quarteirões desta cidade e condenados ao exílio e à prisão perpétua, para lá chorar vossos pecados, o resto de vossos dias. Essa sentença foi logo executada; o prefeito levou São Máximo e os dois Anastácios, fê-los açoitar, cortar a língua a cada um deles, e a mão direita, e levou-os pela cidade de Constantinopla e os mandou ao exílio ao país dos Lazes. Lá eles chegaram no dia 8 de Junho do ano 662 e foram imediatamente separados. Tiraram-lhes mesmo o pouco que tinham até o fio de uma agulha. Como São Máximo não se pudesse manter a cavalo, nem suportar carros comuns, foi preciso fazer uma padiola de vime para o levar, como um leito e o conduziram a uma fortaleza, chamada Schemari, perto do país dos Alanos. Os dois Anastácios foram encerrados em duas outras fortalezas, de onde poucos dias depois os tiraram e levaram o monge Anastácio a Sumas. Mas ele estava tão fraco pelos sofrimentos que suportara em Constantinopla e pelas longas fadigas da viagem, que morreu a 24 de Julho do mesmo ano, 662. São Máximo, tendo chegado a Schemari, predisse o dia de sua morte que foi o sábado, 13 de Agosto de 662, dia em que a Igreja lhe honra a memória. Quanto a Santo Anastácio, o apocrisiário, tendo sido separado de seu mestre e do outro Santo Anastácio, foi levado a diversas fortalezas e fizeram-no caminhar durante seis meses por todo o país dos Lazes, onde ia a pé e seminu, morrendo de fome e de frio. Enfim aquele que governava o país foi expulso e se sucessor, de nome Gregório, tratou-o melhor e o colocou num mosteiro, onde lhe dava abundantemente todas as coisas necessárias. Santo Anastácio foi visitado por Estêvão, tesoureiro da Igreja de Jerusalém que percorreu todo o país dos Lazes, dos Apsilos e dos Aas Abasgos, publicando por toda parte a doutrina dos católicos e a heresia dos monotelitas e dissipando as calúnias espalhadas contra Santo Anastácio,. Estevão morreu numa dessas excursões apostólicas, a 1° de Janeiro do ano 665, na casa do príncipe dos Abasgos. Desse terceiro exílio, Santo Anastácio escreveu no ano seguinte a Teodósio, padre de Gangre e monge em Jerusalém, contando-lhe o que lhe tinha acontecido até então e rogando-lhe que lhe enviasse as atas do concílio reunido em Roma pelo Papa São Martinho, pois queria aproveitar o exílio para dar a conhecer a doutrina católica. Com essa carta, manda-lhe, por sua vez, passagens de Santo Hipólito, bispo de Porto, perto de Roma e mártir, para estabelecer as duas vontades e as duas operações em Jesus Cristo. Santo Anastácio escreveu mesmo aquela carta, de uma maneira que foi tida como milagrosa. Pois, como lhe tinham cortado a mão, mandou prender na ponta do braço dois pequenos bastões, em que conservava a pena e fez do mesmo modo, muitos outros escritos. O que era ainda mais admirável é que, embora lhe tivessem cortado a língua, até a raiz, falava claramente. Enfim, morreu na fortaleza de Thusume, ao pé do monte Cáucaso, no domingo, 11 de Outubro de 666, depois de ter feito grande número de milagres e conversões. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume, XIV, p. 395 à 397 e 403 à 407) São Máximo o Confessor, Monge, Pai da Igreja (+662) Máximo o Confessor (580-662) era monge e teólogo bizantino. Sua festa é celebrada em 21 de janeiro, na Igreja do Ocidente, e em 13 de agosto, nas Igrejas do Oriente. Dados hagiográficos Há duas versões da história de vida de Máximo. Segundo uma hagiografia (biografia dos santos) datada do Século X, mas que se apóia em dados de fontes anteriores, ele teria nascido numa ilustre família de Constantinopla. Nascido em 580 d.C., Máximo teria sido, aos trinta anos, protasekretis (palavra grega que significa Primeiro Secretário) na corte do imperador Heráclito. Ele teria se tornado monge em 613, no mosteiro de Crysópolis, próximo a Constantinopla, e depois em Cyzico. Após a invasão persa no ano de 626, teria se refugiado em Cartago. De acordo com um polêmico texto siríaco do Século VII, atribuído ao monofisita George (Gregório) de Resaina, Máximo seria, ao contrário, natural do vilarejo palestino de Heshfin e teria entrado no mosteiro de São Sabas, próximo a Jerusalém. Parece que esta versão é a mais próxima às relações que Máximo mantinha com personalidades palestinas, como Sofrônio de Jerusalém ou o Papa Teodoro1. Mas, por outro lado, algumas indicações presentes na obra de Máximo favorecem a primeira versão. Máximo escreveu comentários sobre trechos difíceis ou ambíguos das Sagradas Escrituras: as Quaestiones ad Thalassium, e dos Padres da Igreja: as Ambigua ad Iohannem, assim como opúsculos ascéticos e místicos, uma carta-tratado sobre a liturgia: a Mistagogia, e outras cartas abrangendo a teologia, bem como obras de controvérsia. Ele se opunha aos monofisitas, grupo que sustentava a idéia de que Cristo possui apenas uma natureza: a divina, em detrimento de Sua humanidade. Em 638, um decreto imperial quis conciliar monofisitas e ortodoxos, declarando que havia em Cristo duas naturezas (humana e divina), mas uma só vontade (monotelismo). A partir de 639, Máximo implicou-se na controvérsia sobre o monotelismo em Constantinopla, na África e em Roma. Conforme o Concílio da Calcedônia, que reconhecia “um só Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem”, Máximo defendia a teoria das duas vontades, sem as quais Cristo não poderia ser perfeitamente nem Homem, nem Deus. Em 645, ele conseguiu, durante um debate, trazer novamente à ortodoxia o antigo patriarca de Constantinopla, Pyrrus, então partidário do monofisismo e do monotelismo. Enquanto monge, ele não pôde participar do Sínodo de Latrão, ocorrido em Roma no ano de 649, que condenou o monotelismo, mas sem dúvida Máximo inspirou a decisão final dos bispos e contribuiu para a redação dos Atos do Concílio. Sua assinatura está presente num documento levado ao Concílio em nome dos monges de São Sabas. (Há grandes dúvidas sobre a autenticidade deste Concílio de Latrão, cujos atos parecem ter sido redigidos em grego antes mesmo que ele tenha acontecido.) Máximo permaneceu em Roma até 653. Em seguida, as variações doutrinais dos imperadores bizantinos voltaram-se contra ele. Ainda em 653, ele foi preso por Constante II ao mesmo tempo que o Papa Martinho. Durante seu processo em Constantinopla, Máximo recusou-se a se declarar em comunhão com o patriarca de Constantinopla. Isto lhe valeu o exílio em Bizya, às marges do Mar Negro, em 655. Ele recusou as ofertas de perdão e de reconciliação do imperador e do patriarca de Constantinopla, partidários do monotelismo. Máximo foi novamente convocado a Constantinopla, em 662, e novamente julgado pelos bispos e senadores bizantinos. Torturado, ele teve a língua e a mão direita decepadas. Em seguida, foi deportado para a região de Lazes (região Tsagueri, a Oeste do Mar Negro e ao Norte da atual Geórgia), onde veio a morrer em conseqüência dos ferimentos, no dia 13 de agosto do mesmo ano. Sua firmeza na fé, assim como os maus tratos que recebeu, valeram a Máximo o título de “Confessor” da fé. Hoje ele é reconhecido como uma autoridade de referência para a teologia, sobretudo no diálogo entre católicos e ortodoxos2. Obra A obra de São Máximo é considerável. Nela encontramos, entre outros títulos, “Questões a Thalassios”, “Séculos de Caridade”, “Mistagogia”, “Cartas”, “Ambíguas a João” (esclarecimentos sobre passagens ambíguas dos escritos de São Gregório o Teólogo e de Denis o Aeropagita), “Opúsculos teológicos e polêmicos”, um “Discurso ascético”, um “Comentário sobre o ‘Pai Nosso’ ”, dentre outros. Seus escritos teológicos e espirituais são fortemente influenciados pelas obras de Evágrio Pôntico, dos Padres capadócios, do Pseudo-Dênis o Aeropagita, de Cirilo de Alexandria e de Leôncio de Jerusalém. O monotelismo, ao qual Máximo se opunha fortemente, foi enfim condenado pelo III Concílio de Constantinopla (6º Concílio Ecumênico) em 680. Citações “Quem conseguiu se iniciar com bom senso e sabedoria nos ritos praticados na Igreja, fez de sua própria alma uma Igreja divina, uma Igreja verdadeiramente de Deus.” (Mistagogia, fim do cap. 5) “Nós fomos salvos pela vontade humana de uma Pessoa divina.” “Não é minha intenção desagradar ao Imperador, mas não posso optar por ofender Deus.” O consolo da Igreja Vida de Maria, atribuída a São Máximo o Confessor, no. 95-99 O nascimento e a adolescência daquela que concebeu e deu à luz – evento impensável, incompreensível, inefável! – ao Filho de Deus, o Verbo, Rei e Deus do Universo, já haviam sido mais maravilhosos que tudo o que se pode ver na natureza. Desde então, todos os dias de sua inteira existência, mostrou um estilo de vida superior à natureza […] Logo, no caminho de sua fatigosa tarefa, sofreu e suportou muitas tribulações, provas, aflições e lamentos durante a Crucifixão do Senhor, alcançando uma completa vitória e obtendo coroas de triunfo, até ao ponto de ser constituída a Rainha de todas as criaturas. Depois de ver o Filho, o Verbo do Pai, verdadeiro Deus e Rei da Criação, ressuscitar do sepulcro, – acontecimento superior a qualquer outro – e subir ao Céu com aquela natureza humana que dela havia tomado, depois de toda esta glória, não lhe foi poupada aqui na terra uma vida de provas e fadigas, não esteve privada de ansiedades e preocupações. Como se começasse então sua vida pública, em seu desvelo, não concedia sono a seus olhos nem descanso às suas pálpebras nem repouso ao seu corpo (Sl 131,4): e quando os apóstolos se dispersaram pelo mundo inteiro, a santa Mãe de Cristo, como Rainha de todos, vivia no centro do mundo, em Jerusalém, em Sião com o apóstolo predileto que lhe havia sido dado como filho por Nosso Senhor Jesus Cristo. […] A Virgem não só animava e ensinava aos santos apóstolos e aos demais fiéis a ser pacientes e suportar as provas, senão que era solidária com eles em suas fadigas, lhes sustentava na pregação, estava em união espiritual com os discípulos do Senhor em suas privações e suplícios, em suas prisões. Assim como havia participado com o coração traspassado, na Paixão salvadora de seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, assim sofria com eles. Mais ainda, consolava a estes dignos discípulos com suas ações, confortava-os com suas palavras pondo-lhes como modelo a Paixão de seu Filho e Rei. Recordava-lhes a recompensa e a coroa do Reino dos céus, a bem-aventurança e as delícias pelos séculos dos séculos. Quando Herodes capturou a Pedro, tendo-lhe mantido prisioneiro até a aurora, também ela estava espiritualmente prisioneira com ele: a santa e bendita Mãe de Cristo participava nas suas algemas, rezava por ele e pedia à Igreja que rezasse. E antes, quando aos maus judeus apedrejaram Estevão, quando Herodes ordenou o martírio de Tiago, irmão de João, as perseguições, sofrimentos e suplícios traspassaram o coração da Santa Mãe de Deus: na dor de seu coração e com as lágrimas de seu lamento, era martirizada com ele. […] Depois da partida de João, o Evangelista, São Tiago, o filho de José, também chamado «irmão do Senhor», tomou a seu cuidado a santa Mãe de Cristo […] Deste modo, também o regresso da santa Mãe de Deus à Jerusalém foi um bem: era ela, com efeito, a segurança, o porto e o apoio dos crentes que ali viviam. Qualquer preocupação ou dificuldade dos cristãos, era confiada à puríssima, já que habitavam em meio ao rebelde povo judeu. Antes dos santos combates e da morte, de todos os lados vinham os fiéis para vê-la. Ela consolava a todos e a todos fortalecia. Ela era a santa esperança dos cristãos de então e dos que viriam depois: até o fim do mundo será a mediadora e a fortaleza dos cristãos. Porém, então, sua preocupação e seu empenho eram mais intensos, para corrigir, para consolidar a nova lei do cristianismo, para que fosse glorificado o Nome de Cristo. As perseguições que sobre a Igreja eram disparadas, a violação dos domicílios dos fiéis, as execuções capitais de numerosos cristãos, as prisões e tribulações de todo o tipo, as perseguições, as fadigas e vexames por que passavam os apóstolos, expulsos de lugar em lugar, todas estas coisas repercutiam em seu coração materno, que sofria por todos e de todos cuidava, com palavras e obras. Era ela o modelo do bem e a melhor mestra no lugar do Senhor, seu Filho, e em vista d’Ele. Era ela a intercessora e advogada de todos os crentes. Suplicava a seu Filho que derramasse sobre todos a sua misericórdia e a sua ajuda. Os santos apóstolos havia-na escolhido como guia e mestra. Notificavam-lhe qualquer problema que surgisse e dela recebiam propostas e conselhos sobre o que deviam fazer, até o ponto que, os que se encontravam próximos a Jerusalém iam vê-la. De vez em quando, aproximavam-se dela e informavam-na o que haviam feito e como haviam pregado. Seguiam depois suas orientações. Depois de percorrer países distantes, procuravam voltar cada ano, pela páscoa, à Jerusalém, para celebrar com a Santa Mãe de Deus, a festa da Ressurreição de Cristo. Cada um lhe informava sobre sua pregação aos gentios e as perseguições que haviam encontrado por parte dos judeus e pagãos; logo, reconfortados com sua oração e doutrina, retornavam ao apostolado. Assim procediam todos, ano após ano – a menos que houvesse grave impedimento -, exceto Tomé. Ele não podia vir por causa da enorme distância e da dificuldade de se deslocar da Índia onde se encontrava. Todos os demais vinham a cada ano visitar a santa Rainha; depois, fortalecidos com sua oração, voltavam a anunciar a Boa-nova

  • Homilia Diária | Como podemos crescer na fé?

    Sábado da 18.ª Semana do Tempo Comum Ao contrário do que às vezes se pensa, a fé não é uma realidade estática. Trata-se, pelo contrário, de uma virtude dinâmica, capaz de crescer e amadurecer em nossa alma, a tal ponto que poderemos viver um dia inteiramente por ela, como diz São Paulo: “O justo vive pela fé”. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este sábado, dia 12 de agosto, e comece hoje mesmo a pedir o crescimento deste dom tão precioso, sem o qual é impossível agradar a Deus. Leia também o Santo do dia: Santa Joana Francisca de Chantal Evangelho (Mt 17,14-20) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Jesus Cristo Salvador destruiu o mal e a morte; fez brilhar pelo Evangelho a luz e a vida imperecíveis. (cf. 2Tm 1,10) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 14 chegando Jesus e seus discípulos junto da multidão, um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se e disse: 15 “Senhor, tem piedade de meu filho. Ele é epiléptico, e sofre ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo ou na água. 16 Levei-o aos teus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo!” 17 Jesus respondeu: “Ó gente sem fé e perversa! Até quando deverei ficar convosco? Até quando vos suportarei? Trazei aqui o menino”. 18 Então Jesus o ameaçou e o demônio saiu dele. Na mesma hora, o menino ficou curado. 19 Então, os discípulos aproximaram-se de Jesus e lhe perguntaram em particular: “Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?” 20 Jesus respondeu: “Porque a vossa fé é demasiado pequena. Em verdade vos digo, se vós tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda, direis a esta montanha: ‘Vai daqui para lá’ e ela irá. E nada vos será impossível”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Homilia Diária | Como podemos crescer na fé?

    Sábado da 18.ª Semana do Tempo Comum Ao contrário do que às vezes se pensa, a fé não é uma realidade estática. Trata-se, pelo contrário, de uma virtude dinâmica, capaz de crescer e amadurecer em nossa alma, a tal ponto que poderemos viver um dia inteiramente por ela, como diz São Paulo: “O justo vive pela fé”. Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para este sábado, dia 12 de agosto, e comece hoje mesmo a pedir o crescimento deste dom tão precioso, sem o qual é impossível agradar a Deus. Leia também o Santo do dia: Santa Joana Francisca de Chantal Evangelho (Mt 17,14-20) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Jesus Cristo Salvador destruiu o mal e a morte; fez brilhar pelo Evangelho a luz e a vida imperecíveis. (cf. 2Tm 1,10) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 14 chegando Jesus e seus discípulos junto da multidão, um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se e disse: 15 “Senhor, tem piedade de meu filho. Ele é epiléptico, e sofre ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo ou na água. 16 Levei-o aos teus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo!” 17 Jesus respondeu: “Ó gente sem fé e perversa! Até quando deverei ficar convosco? Até quando vos suportarei? Trazei aqui o menino”. 18 Então Jesus o ameaçou e o demônio saiu dele. Na mesma hora, o menino ficou curado. 19 Então, os discípulos aproximaram-se de Jesus e lhe perguntaram em particular: “Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?” 20 Jesus respondeu: “Porque a vossa fé é demasiado pequena. Em verdade vos digo, se vós tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda, direis a esta montanha: ‘Vai daqui para lá’ e ela irá. E nada vos será impossível”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Santo do Dia – 12 de Agosto – Santa Joana Francisca de Chantal

    SANTO DO DIA – 12 DE AGOSTO – SANTA JOANA FRANCISCA DE CHANTAL Viúva e Fundadora da Congregação da Visitação de Santa Maria (1572-1641) Filha de um político bem posicionado na França, Joana recusou matrimônio com um fidalgo milionário, por ser ele protestante calvinista. Casou-se, então, com o barão de Chantal, católico fervoroso, com quem levou uma vida profundamente religiosa e feliz. Joana nasceu em Dijon, França, em 28 de janeiro de 1572, filha de Benigno Frèmiot, presidente do parlamento de Borgonha. Após seu casamento, foi morar no castelo de Bourbillye, e sua primeira ordem na nova casa sinalizou qual seria o estilo de vida que se viveria ali. Mandou que, diariamente, fosse rezada uma missa e que todos os servidores domésticos participassem. Ocupou-se, pessoalmente, da educação religiosa dos serviçais, ajudando-os em todas as suas necessidades materiais. Quando o barão feriu-se gravemente durante uma caçada, no castelo só se rezava por sua saúde. Mas logo veio a falecer. Joana ficou viúva aos 28 anos de idade, com os filhos para criar. Dedicou-se inteiramente à educação das suas crianças, abrindo espaço em seus horários apenas para a oração e o trabalho. Nessa época, conheceu o futuro são Francisco de Sales, então bispo de Genebra. Escolheu-o para ser seu diretor espiritual e fez-se preparar para a vida de religiosa. Passados nove anos de viuvez e depois de ter muito bem casado as filhas, deixou o futuro barão de Chantal, então um adolescente de 15 anos, com o avô Benigno no castelo de Dijon e retirou-se em um convento. No ano seguinte, em 1610, junto com Francisco de Sales, fundou a Congregação da Visitação de Santa Maria, destinada à assistência aos doentes. Nessa empreitada juntaram-se, à baronesa de Chantal, a senhora Jacqueline Fabre e a senhorita Brechard. Joana, então, professou os votos e foi a primeira a vestir o hábito da nova Ordem. Eleita a madre superiora, acrescentou Francisca ao nome de batismo e dedicou-se exclusivamente à Obra, vivendo na sua primeira sede, em Anecy. Fundou mais 75 Casas para suas religiosas com toda a sua fortuna. Mas não sem dificuldades e sofrimentos, e sofrendo muitas perseguições em Paris, sem nunca esmorecer. Depois de uma dura agonia motivada por uma febre que pôs fim à sua existência, morreu em Moulins no dia 13 de dezembro de 1641. Atualmente, as Irmãs da Visitação estão espalhadas em todos os continentes e celebram, no dia 12 de agosto, santa Joana Francisca de Chantal, que foi canonizada em 1767 para ser venerada como modelo de perfeição evangélica em todos os estados de vida. No ano de 1604, a pedido do parlamento de Borgonha, São Francisco de Sales pregava a quaresma em Dijon. No auditório estava seu amigo, o arcebispo de Bourges; ele notou, ainda, uma senhora que lhe tinha já sido mostrada numa visão, como devendo ajudá-lo na instalação de uma obra santa. Ao sair do púlpito, ele perguntou ao arcebispo se conhecia aquela pessoa. O amigo respondeu: É minha irmã, a baronesa de Chantal. Efetivamente era ela. Era filha de Benigno Frémiot, presidente do parlamento de Borgonha e de Margarida de Berbizy. Sua irmã, Margarida, esposa do conde de Effran; seu irmão, André, foi arcebispo de Bourges. Nasceu em Dijon a 28 de janeiro de 1572. Recebeu o nome de Joana no batismo e a ele acrescentou o de Francisca, na confirmação. Seu pai, enviuvando muito cedo, teve grande cuidado em sua educação: ninguém correspondeu melhor que Joana a tal cuidado; também o pai teve por ela uma ternura particular. Um herege permitiu-se diante dela falar contra a Santa Eucaristia; Joana, que tinha então somente cinco anos, censurou-o asperamente. Mais tarde recusou desposar um fidalgo muito rico, unicamente porque era calvinista. Quando chegou aos vinte anos, seu pai casou-a com o barão de Chantal, o mais velho da família de Rabutin. Era um oficial de vinte e sete anos, que servia com distinção e que Henrique IV honrava com seu favor. Pouco depois do casamento, levou a esposa ao castelo de Bourbilly, onde tinha sua residência ordinária e confiou-lhe o cuidado da casa. A primeira ordem que ela deu foi dizer todos os dias a missa e de a ela fazer todos os domésticos assistir e instruí-los com cuidado, ocupá-los com discrição e ajudá-los com caridade em suas necessidades. Ela pôs em seus afazeres toda a ordem que exigia uma longa negligência, que antes se tivera. Nas festas e nos domingos ouvia a missa na paróquia. Ocupava-se em fazer panos e pequenas alfaias para os altares e em ler bons livros; mas a obra de piedade onde se mostrou mais atenta foi a caridade para com os pobres. Durante a ausência do marido, obrigado a passar uma parte do ano na guerra ou na corte, não saía de casa; não se falava então nem de jogos, nem de prazeres, nem conversas. Quando ele voltava, a alegria de o rever, o amor que tinha por ele, a vontade de lhe falar e de se regozijar, atraíam outras pessoas à sua casa; tudo isso lhe fazia diminuir insensivelmente as práticas de devoção, que tomava, na primeira ausência; enfim, no ano de 1601, seu marido foi à corte, e ela resolveu firmemente jamais se dispensar de seus exercícios de piedade. O barão de Chantal caiu doente em Paris e fez-se levar ao castelo aonde chegou nas últimas. A virtuosa esposa passava os dias à cabeceira de seu leito, e as noites, na capela. Mas ele se restabeleceu milagrosamente e a alegria foi perfeita. Um parente e amigo da vizinhança veio visitá-los, nessa ocasião, e propôs uma caçada ao barão; para lhe ser agradável ele aceitou e vestiu um hábito marron. Seu amigo, vendo-o através de alguns arbustos, tomou-o por um animal, disparou a arma e o feriu na coxa. – Estou morto! Gritou o barão, caindo; meu amigo, meu primo, disparaste imprudentemente e eu te perdôo de todo o meu coração! Depois mandou quatro criados a quatro paróquias diferentes para ter mais certamente um padre. Entretanto, levaram-no a uma casa da aldeia mais próxima, onde sua mulher veio, embora tivesse dado à luz há quinze dias. Quando a viu disse: Senhora, o decreto do céu é justo; devemos amar e morrer! – Não, senhor, devemos viver! – Ah, senhora, replicou ele, respeitemos a ordem da Providência! – Depois, com espírito tranqüilo, perguntou se o padre tinha chegado; e tendo sabido que havia um, mandou-o vir ao quarto e confessou-se. Um momento depois, vendo de longe aquele que o tinha ferido, que lhe parecia desesperado, exclamou: Meu primo, meu amigo, esse golpe me veio do céu; antes de partir deste mundo, eu te rogo, não peques e roga a Deus por mim. Morreu nove dias depois, tendo recebido todos os sacramentos, com singular piedade; rogou à esposa, ordenou ao filho, que jamais pensassem em vingar-lhe a morte e disse-lhes que ele perdoava de novo àquele que o tinha matado, sem pensar, e fez escrever esse perdão nos registros da paróquia, com a ordem que dava à família, de conter os ressentimentos. Um momento depois, expirou nos braços da esposa, cuja desolação foi inenarrável. Ficando viúva aos vinte e oito anos, com um filho e três filhas, sentiu ela a desgraça. Mas bem depressa conheceu os desígnios de Deus sobre si e correspondeu-lhes com tanta fidelidade, que, em suas maiores amarguras dizia não poder compreender como se podia estar tão contente e sofrer tanto, Nesse estado de dor e de alegria fez a Deus o sacrifício de si mesma, pelo voto de castidade e por uma resignação tão perfeita às ordens do céu, que não viveu mais vida humana; e para marcar publicamente o perdão que tinha concedido àquele que lhe matara o marido, quis ser madrinha de um de seus filhos. Viveu depois, para o futuro, segundo as regras de São Paulo e os padres traçaram para a santificação das viúvas. Passava uma parte das noites em oração, aumentou as esmolas, distribuiu aos pobres as roupas preciosas, fez voto de usar somente vestes de lã. Despediu a maior parte dos criados, depois de os ter recompensado liberalmente. Seus jejuns eram freqüentes e rigorosos. Retirada do mundo, dividia o tempo entre a oração, o trabalho e a educação dos filhos, Faltava-lhe um diretor que a pudesse levar pelas vias em que devia caminhar. Não deixava de o pedir a Deus com muitas lágrimas. Um dia, durante o fervor de sua oração, ela viu um homem de batina preta com um roquete e uma murça. Passado o ano de luto, dirigiu-se à casa do pai, em Dijon. Aí continuou o mesmo gênero de vida e não quis receber visita de algumas senhoras virtuosas e idosas. No ano seguinte, os negócios da família obrigaram-na a se retirar com seus filhos junto do velho barão de Chantal, seu sogro, em Montelon, diocese de Autun. Teve que sofrer muito por causa do mau humor do velho, bem como de uma governante que o dominava, e que tinha adquirido tal ascendente sobre seu espírito, que toda a casa era forçada a lhe obedecer. A jovem baronesa suportou a provação com paciência: jamais a ouviram lamentar-se, não dava nem mesmo o menor sinal de descontentamento. Prestava-se com o maior prazer a tudo o que era agradável ao sogro e à governante. Consagrava à piedade a maior parte do tempo e dirigia-se, aos domingos, a Autun, para assistir às instruções dos pregadores. Em 1604, foi a Dijon, à casa do pai, para ouvir São Francisco de Sales pregar. Desde a primeira vez que o viu no púlpito, julgou reconhecer nele o homem que lhe tinha sido mostrado na oração, como seu pai espiritual. Convidou-o muitas vezes a ir à casa de seu pai; e não ficava menos maravilhada com sua conversação familiar do que com seus sermões. Desejava ardentemente abrir-lhe a alma; o santo prelado inspirava-lhe toda confiança, mas ela não o ousava, porque um religioso que a dirigia lhe tinha feito prometer, por voto, reservar a ele unicamente a sua direção espiritual. De outro lado, os discursos do bispo de Genebra tocavam-na vivamente; conformava-se com seus conselhos mesmo nas coisas mínimas; e sua docilidade era sempre seguida de extraordinárias consolações. Finalmente, revelou-lhe a causa de sua perplexidade; ficou determinado que o voto que a tinham feito fazer era indiscreto e que ela podia ser dispensada. Então, confessou-se com o santo bispo de Genebra e fez-lhe uma confissão geral de toda a vida. Mas, logo a paz de alma foi perturbada por desolações interiores; teve inquietações alarmantes sobre seu proceder. Francisco de Sales disse-lhe que aproveitasse aquela provação, de sorte que a luz tomou o lugar das trevas e a calma sucedeu à tempestade. Disse-lhe, ainda, que regulasse de tal modo seus exercícios de piedade, que seu exterior parecesse depender da vontade dos outros, sobretudo quando estava em casa do pai ou do sogro. Seu proceder reunia o costume de dizer: A Senhora reza em todas as horas do dia, mas isso não incomoda a ninguém. Levantava-se às cinco horas, vestia-se sozinha e sem aquecimento, em toda a estação e fazia uma hora de oração mental. Depois, fazia levantarem-se os filhos, bem como os domésticos; cumpriam os exercícios da manhã e iam dar bom dia ao sogro; levava-o à missa, por voto, feito à Santa Virgem. Lia, depois do almoço todos os dias, por meia hora, a Escritura Sagrada; dava lições de catecismo a seus filhos, aos empregados e aos da aldeia que queriam também instruir-se. Antes da ceia, fazia um pequeno retiro espiritual de um quarto de hora e dizia o terço. À noite, retirava-se às nove horas e fazia o exame de consciência e a oração, com os filhos e os criados; dava a todos água benta e a benção e ficava ainda uma meia hora rezando sozinha; por fim terminava o dia, com a leitura da meditação para o dia seguinte. Tinha adquirido um hábito tão grande da presença de Deus, que nada a afastava dele e conservava-se sempre tranqüila na diversidade das criaturas e dos fatos Depois de ter regulado o interior, pensou em reformar o que lhe parecia ainda muito vão em sua pessoa. Cortou o cabelo; vestia-se somente de um pano fino e unido. Tinha grande cuidado de mortificar o gosto e fazia de modo que as iguarias que deixava no prato fosse dadas aos pobres. Jejuava todas as sextas-feiras, usava cilício nos outros idas e muitas vezes disciplinava-se; adquiriu pela prática dessa vida santa, tão grande ascendente sobre suas paixões que não parecia mais uma criatura mortal. Todos os domingos e festas ia aos lugares da paróquia onde sabia que havia doentes; arrumava-lhes a cama e nada lhes deixava faltar de alimento nem de remédios. Tinha sempre em casa um pobre, coberto de feridas, que ela cuidava muitas vezes, de joelhos, com respeito, considerando com fé viva a Jesus Cristo, na sua pessoa. Velava em seus extremos, assistia-lhes à morte e os sepultava, ela mesma, com uma coragem que causava pasmo a todos os que não eram animados de uma perfeita caridade. Em 1606 ela foi obrigada, pelo interesse de seus filhos, a fazer uma viagem a Bourbilly. Mas seus negócios não lhe impediram, pondo-lhes toda a ordem possível, de socorrer os enfermos de sua terra, que eram em tão grande número, que sepultava muitas vezes quatro num dia, depois de os ter assistido em sua doença, com todo o cuidado, ajudando-os com dinheiro, com orações e instruções. Mas, não podendo resistir a tantas fadigas, caiu doente com disenteria que a levou aos extremos. Nesse estado, escreveu ao pai e ao sogro, para lhes pedir a benção e para lhes recomendar os filhos. O presidente estava inconsolável, o barão de Chantal mesmo ficou muito aflito, pois, apesar das penas que lhe tinha causado e dos maus tratos que tinha sofrido e recebido dele, ela era considerada como santa que lhes trazia toda espécie de bênçãos. Depois que ficou curada, voltou a Montelon, onde foi recebida pelo sogro e pelos filhos, com uma alegria proporcionada ao temor que tinham de a perder. À medida que se desapegava das criaturas, o desejo de ser toda de Deus aumentava em sua alma. Mas como seu santo diretor lhe tinha ordenado viver santamente em seu estado, sem pensar na vida religiosa, ela teve escrúpulo de o ter desejado e escreveu ao santo bispo. Ele respondeu-lhe nestes termos: Oh! Não, minha filha! Eu não vos tinha dito que não tivésseis nenhuma esperança de ser religiosa, mas, que com isso não vos preocupásseis, nada havendo que nos impeça tanto de nos aperfeiçoarmos em nosso estado do que aspirar a outro, Os filhos de Israel não puderam cantar em Babilônia, porque pensavam em seu país; mas eu quisera que cantássemos por toda parte. Eu vejo vosso desejo de ser religiosa. Oh! Doce Jesus! Que vos direi, minha mui querida filha? Sua bondade sabe que eu muitas vezes implorei sua graça no santo sacrifício; não somente isso, mas empreguei a devoção e as orações de outros melhores que eu. E que vim a saber, minha filha! Que um dia deveis deixar tudo, mas que seja para entrar na religião, não me aconteceu ainda ser dessa opinião; o sim não se deteve ainda no meu coração e o não aí se encontra com muita firmeza, mas dai-me um pouco a ocasião para rezar e fazer rezar. No dia de Pentecostes, quando tinha vindo a Annecym para tratar com ele de sua vocação, o santo prelado, para experimentar sua submissão propôs-lhe ser religiosa de Santa Clara, depois irmã do Hospital de Beaune e depois Carmelita. Ela consentia a cada proposta com uma docilidade que o santo bispo admirou; por fim, deu-lhe conta do projeto que tinha de fundar uma nova Congregação sob o nome da Visitação de Santa Maria. Ela ficou radiante de alegria a essa notícia e sentiu uma atração de Deus, tão poderosa para esse empreendimento que não duvidou de que era essa a vontade de Deus. Previam ambos grandes obstáculos a esse intento; o pai, o sogro e os filhos da santa viúva, uns mais velhos, outros muito jovens; como deixar tudo isso para se estabelecer fora do reino? O santo Bispo dizia: Vejo um caos em tudo isso, mas a Providência saberá deslindar tudo, quando chegar o tempo. E isso não tardou. A principal dificuldade era a educação das crianças, para o que parecia necessário que a mãe ficasse no mundo. O santo fez ver que lhe seria possível velar por eles num claustro e que ela o faria mesmo de maneira mais útil para elas. Essa dificuldade dói superada e seu pai e seu sogro consentiram que ela se retirasse, não sem derramar muitas lágrimas. Como ela tinha o coração muito sensível teve rudes combates a sustentar: mas o amor divino elevou-a acima dos sentimentos da natureza. Seus outros parentes e amigos deixaram ao mesmo tempo de se opor à sua resolução. Antes de deixar o mundo a baronesa de Chantal casou a mais velha de suas filhas com o barão de Thorens, sobrinho do bispo de Genebra e esse casamento teve a aprovação das suas duas filhas. Uma morreu pouco tempo depois, a outra desposou o conde de Toulonjon, que unia ao nascimento, muita sabedoria e virtude. A mãe mesma tinha recusado um partido importante de Bourgogne e para selar com o sangue sua promessa que ela renovou de ser de Deus unicamente, ela tinha gravado em seu coração o nome de Jesus. Quanto ao jovem barão de Chantal, então com quinze anos de idade, o presidente Fremiot, seu avô, encarregou-se de terminar sua educação e a administração de seus bens, foi confiada a tutores inteligentes e de reconhecida probidade. Assim a presença da mãe não lhes era mais necessária. O dia da partida chegou e a santa viúva despediu-se do barão de Chantal, seu sogro, pôs-se de joelhos, pediu-lhe perdão, se lhe tivesse desagradado em alguma coisa e rogou-lhe que lhe desse sua benção e recomendou-lhe ainda o filho, O bom velho, com oitenta e seis anos, parecia inconsolável, abraçou ternamente a nora e desejou-lhe toda sorte de felicidade. Os habitantes da terra de Montelon, sobretudo os pobres, julgando tudo perder, perdendo-a, demonstraram-lhe a dor com lágrimas e gritos. Em Dijon ela fortificou-se com a santa Comunhão, contra a fraqueza, que previa na separação de tudo o que tinha de mais caro. Enfim, chegou também aquele momento, e ela disse a deus aos parentes, com firmeza; depois, atirando-se aos pés do pai, suplicou-lhe que a abençoasse e tivesse cuidado do filho que ela lhe deixava. O presidente sentiu o coração partido; parecia-lhe morrer de dor; banhado em lágrimas, abraçou a filha e disse: Oh! Meu Deus! Não posso desdizer o que ordenastes, cortar-me à vida; no entanto, Senhor, eu vo-la ofereço, essa querida filha, recebei-a e consolai-me! Depois abençoou-a e a ergueu. O jovem Chantal, seu filho, de quinze anos, correu para ela, atirou-se-lhe aos braços e não a queria deixar, esperando enternecer-lhe o coração e detê-la com tudo o que de comovente lhe poderia dizer. Não conseguindo o que desejava, deitou-se no =limiar da porta, por onde ela devia sair e disse-lhe: Sou muito fraco, Senhora, para vos deter, mas pelo menos dirão que passastes por cima do corpo de vosso filho único para o abandonar! A santa viúva ficou comovida e chorou amargamente, passando por cima do corpo daquela querida criança, mas, um momento depois, tendo receio de que se lhe atribuísse i pesar arrependimento de sua decisão, ela voltou-se e disse-lhes com rosto sereno: Perdoai-me a fraqueza, deixo meu pai e meu filho para sempre; mas encontrarei Deus por toda a parte. A 6 de Junho de 1610, dia de São Cláudio, que era da Santíssima Trindade, a senhora de Chantal, com a senhorita Jaqueline Fabre, filha do presidente da Sabóia e a senhorita de Bréchard, sob a direção do santo bispo de Genebra, começou em Annecy, a fundação da ordem da Visitação, tão útil ao povo porque aí se recebem as viúvas e os enfermos e tão honrosa para a Igreja pelo fervor com o qual se mantém a regularidade com que essas santas filhas edificam ainda hoje todo o mundo, dez outras mulheres vieram logo aumentar a comunidade nascente. O santo bispo pensava fazer apenas uma simples congregação, onde não se fosse obrigado à clausura, a não ser durante o ano de noviciado, depois do que se podia sair para o serviço dos enfermos. Mas o cardeal de Marquemont, arcebispo de Lião, tinha estabelecido uma de suas casas em sua cidade e escreveu ao santo bispo de Genebra e à mãe de Chantal, para lhes propor erigir o instituto em título de religião por clausura e fazerem as jovens os votos solenes. Sua grande humildade fê-las rejeitar tudo isso, a princípio; mas depois de instantes preces a Deus, para que as iluminasse, consentiram-no e o santo prelado escreveu à madre Favre, superiora da comunidade de Lião: Se S. Excia. O arcebispo minha querida filha, voz diz que me escreveu sobre o assunto de vossa clausura e de vossos votos, dir-lhe-eis que eu teria tido grande suavidade para o título simples de congregação, sob o qual lhe parece que nossas filhas teriam tido menos motivo de amor próprio do que sob outro, onde somente o temor e o amor do esposo sagrado lhes teria servido de clausura e de votos; entretanto, não somente minha vontade, mas ainda meu juízo, bem facilmente prestam homenagem que devem ao sentimento desse grande e digno prelado. Consinto, pois, de todo o coração que façamos uma religião formal pois não pretendo outra coisa, minha filha, se não que Deus seja glorificado. Seja isso, por outras luzes que não, pelas minhas, tanto melhor; estarei mais a salvo desse espírito de orgulho que tudo estraga: nossa boa mãe é do mesmo sentir. Viva Jesus! Minha filha, sou nele todo vosso! (…) Alguns anos depois de sua profissão religiosa, a madre Chantal quis ligar-se por votos a fazer sempre o que julgasse mais perfeito. São Francisco que ela consultou, permitiu-lho, porque lhe conhecia o fervor e não duvidava de que não cumprisse com fidelidade o compromisso que tinha contraído. Muitas vezes ela foi atormentada por doenças dolorosas. Os médicos nelas não viam uma causa natural: um deles, tendo-a observado vários dias: está doente de amor de Deus; não sei curar esses males. (…) Depois da morte do pai, fez uma viagem a Dijon. Passou alguns meses naquela cidade para ajustar os negócios do filho, antes de o colocar na academia. Casou-o depois com Maria de Coulanges, que reunia grande virtude à origem, riquezas e beleza: desse casamento veio a única filha, a célebre marquesa de Sevigné. A madre Chantal foi ainda obrigada a deixar Annecy, muitas vezes, para ir fundar casas de sua ordem em diversas cidades, especialmente em Grenoble, Bourges, Dijon, Moulins, em Nevers, em Orleans e em Paris. Excitou-se contra ela violenta perseguição, nesta última cidade; ela, porém, venceu, por sua confiança em Deus. Ademais sua doçura e paciência atraíram-lhe a admiração daqueles que tinham sido seus maiores inimigos. Governou a casa que tinha fundado em Paris, no subúrbio de Santo Antonio, desde o ano de 1619, até o ano de 1622. (…) Em 1622, outra aflição veio surpreender a madre Chantal: Deus levou-lhe o bem-aventurado pai, o bispo de Genebra. Essa perda foi seguida de outra. Em 1627, o barão de Chantal, foi morto combatendo contra os huguenotes, na ilha de Rhé; mas tinha-se preparado para a batalha, recebendo os sacramentos.Contava trinta e um anos e deixava uma filha que ainda não tinha um ano. Quatrio anos depois, a santa viu ir-se também a baronesa de Chantal, sua nora. Mal tinha sabido dessa notícia, anunciaram-lhe a morte do conde de Toulonjon, seu genro, que ela amava ternamente e que era governador de Pignerol. Esqueceu sua pena para só pensar na da condessa sua filho e tudo fez para a consolar. Assim Deus provava essas grandes almas, para tornar mais semelhantes ao modelo de seu Filho. Em 1638 a duquesa de Sabóia, Cristina de França, rogou insistentemente à madre de Chantal que viesse a Turin fundar um convento da Visitação. Ela o fez e conseguiu ainda mais, trazendo também os missionários de Vicente de Paulo, na diocese de Genebra. Perdeu, depois, de repente, os dois amigos íntimo,os, seu irmão, o arcebispo de Borges e o virtuoso governador de Sillery, que se tinha feito sacerdote. Obrigada a ir a Moulins, para os assuntos de sua ordem aí contraiu estreita amizade, com a duquesa de Montmorency, princesa dos Ursinos, viúva do duque Henrique de Montmorency, decapitado sob Luís XIII, por ter seguido o partido do duque de Orleans, irmão do rei. A princesa, inteiramente dedicada às boas obras, acabou por entrar na Ordem da Visitação; recusou aí ser superiora e viveu como a mais humilde das religiosas. De Moulins, Santa Chantal foi chamada a Paris, pela rainha Ana da Áustria, que a honrou com sua confiança. Chegando a 4 de Outubro , a santa partiu a 11 de Novembro, atônita com a estima e os aplausos de que se via objeto. Voltando a Moulins, foi tomada de febre, e morreu santamente a 13 de Dezembro de 1641, depois de rude agonia, pronunciando o nome de Jesus. Antes de receber o viático, rogou ao confessor que escrevesse, como sua última vontade, as recomendações seguintes às recomendações seguintes, às suas religiosas: Rogo a nossas irmãs que observem suas regras, porque são suas regras, e não porque poderiam ser segundo seus gostos – Que viam em grande união entre si, com simplicidade , retidão e humildade; que nenhum desejo lhes perturbe o espírito; que tenham grande respeito por seus superiores e uma perfeita submissão e obediência. – Que a confiança em Deus não lhes deixe outro desejo que o de lhe agradar; e, enfim, que as superiores governem segundo o espírito da regra, que é todo doçura e caridade. Santa Chantal foi assistida em seus últimos momentos pelo Padre Claudio de Lingendes, jesuíta, célebre por suas pregações, publicadas em três volumes. Muitos milagres operadoss por sua intercessão foram constatados juridicamente e ela beatificada por Bento XIV em 1751 e canonizada em 1767 por Clemente XIII. Fotos: santiebeati.it (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume, XV, p.117 à 135) #SantodoDia

  • Santo do Dia – 12 de Agosto – Santa Joana Francisca de Chantal

    SANTO DO DIA – 12 DE AGOSTO – SANTA JOANA FRANCISCA DE CHANTAL Viúva e Fundadora da Congregação da Visitação de Santa Maria (1572-1641) Filha de um político bem posicionado na França, Joana recusou matrimônio com um fidalgo milionário, por ser ele protestante calvinista. Casou-se, então, com o barão de Chantal, católico fervoroso, com quem levou uma vida profundamente religiosa e feliz. Joana nasceu em Dijon, França, em 28 de janeiro de 1572, filha de Benigno Frèmiot, presidente do parlamento de Borgonha. Após seu casamento, foi morar no castelo de Bourbillye, e sua primeira ordem na nova casa sinalizou qual seria o estilo de vida que se viveria ali. Mandou que, diariamente, fosse rezada uma missa e que todos os servidores domésticos participassem. Ocupou-se, pessoalmente, da educação religiosa dos serviçais, ajudando-os em todas as suas necessidades materiais. Quando o barão feriu-se gravemente durante uma caçada, no castelo só se rezava por sua saúde. Mas logo veio a falecer. Joana ficou viúva aos 28 anos de idade, com os filhos para criar. Dedicou-se inteiramente à educação das suas crianças, abrindo espaço em seus horários apenas para a oração e o trabalho. Nessa época, conheceu o futuro são Francisco de Sales, então bispo de Genebra. Escolheu-o para ser seu diretor espiritual e fez-se preparar para a vida de religiosa. Passados nove anos de viuvez e depois de ter muito bem casado as filhas, deixou o futuro barão de Chantal, então um adolescente de 15 anos, com o avô Benigno no castelo de Dijon e retirou-se em um convento. No ano seguinte, em 1610, junto com Francisco de Sales, fundou a Congregação da Visitação de Santa Maria, destinada à assistência aos doentes. Nessa empreitada juntaram-se, à baronesa de Chantal, a senhora Jacqueline Fabre e a senhorita Brechard. Joana, então, professou os votos e foi a primeira a vestir o hábito da nova Ordem. Eleita a madre superiora, acrescentou Francisca ao nome de batismo e dedicou-se exclusivamente à Obra, vivendo na sua primeira sede, em Anecy. Fundou mais 75 Casas para suas religiosas com toda a sua fortuna. Mas não sem dificuldades e sofrimentos, e sofrendo muitas perseguições em Paris, sem nunca esmorecer. Depois de uma dura agonia motivada por uma febre que pôs fim à sua existência, morreu em Moulins no dia 13 de dezembro de 1641. Atualmente, as Irmãs da Visitação estão espalhadas em todos os continentes e celebram, no dia 12 de agosto, santa Joana Francisca de Chantal, que foi canonizada em 1767 para ser venerada como modelo de perfeição evangélica em todos os estados de vida. No ano de 1604, a pedido do parlamento de Borgonha, São Francisco de Sales pregava a quaresma em Dijon. No auditório estava seu amigo, o arcebispo de Bourges; ele notou, ainda, uma senhora que lhe tinha já sido mostrada numa visão, como devendo ajudá-lo na instalação de uma obra santa. Ao sair do púlpito, ele perguntou ao arcebispo se conhecia aquela pessoa. O amigo respondeu: É minha irmã, a baronesa de Chantal. Efetivamente era ela. Era filha de Benigno Frémiot, presidente do parlamento de Borgonha e de Margarida de Berbizy. Sua irmã, Margarida, esposa do conde de Effran; seu irmão, André, foi arcebispo de Bourges. Nasceu em Dijon a 28 de janeiro de 1572. Recebeu o nome de Joana no batismo e a ele acrescentou o de Francisca, na confirmação. Seu pai, enviuvando muito cedo, teve grande cuidado em sua educação: ninguém correspondeu melhor que Joana a tal cuidado; também o pai teve por ela uma ternura particular. Um herege permitiu-se diante dela falar contra a Santa Eucaristia; Joana, que tinha então somente cinco anos, censurou-o asperamente. Mais tarde recusou desposar um fidalgo muito rico, unicamente porque era calvinista. Quando chegou aos vinte anos, seu pai casou-a com o barão de Chantal, o mais velho da família de Rabutin. Era um oficial de vinte e sete anos, que servia com distinção e que Henrique IV honrava com seu favor. Pouco depois do casamento, levou a esposa ao castelo de Bourbilly, onde tinha sua residência ordinária e confiou-lhe o cuidado da casa. A primeira ordem que ela deu foi dizer todos os dias a missa e de a ela fazer todos os domésticos assistir e instruí-los com cuidado, ocupá-los com discrição e ajudá-los com caridade em suas necessidades. Ela pôs em seus afazeres toda a ordem que exigia uma longa negligência, que antes se tivera. Nas festas e nos domingos ouvia a missa na paróquia. Ocupava-se em fazer panos e pequenas alfaias para os altares e em ler bons livros; mas a obra de piedade onde se mostrou mais atenta foi a caridade para com os pobres. Durante a ausência do marido, obrigado a passar uma parte do ano na guerra ou na corte, não saía de casa; não se falava então nem de jogos, nem de prazeres, nem conversas. Quando ele voltava, a alegria de o rever, o amor que tinha por ele, a vontade de lhe falar e de se regozijar, atraíam outras pessoas à sua casa; tudo isso lhe fazia diminuir insensivelmente as práticas de devoção, que tomava, na primeira ausência; enfim, no ano de 1601, seu marido foi à corte, e ela resolveu firmemente jamais se dispensar de seus exercícios de piedade. O barão de Chantal caiu doente em Paris e fez-se levar ao castelo aonde chegou nas últimas. A virtuosa esposa passava os dias à cabeceira de seu leito, e as noites, na capela. Mas ele se restabeleceu milagrosamente e a alegria foi perfeita. Um parente e amigo da vizinhança veio visitá-los, nessa ocasião, e propôs uma caçada ao barão; para lhe ser agradável ele aceitou e vestiu um hábito marron. Seu amigo, vendo-o através de alguns arbustos, tomou-o por um animal, disparou a arma e o feriu na coxa. – Estou morto! Gritou o barão, caindo; meu amigo, meu primo, disparaste imprudentemente e eu te perdôo de todo o meu coração! Depois mandou quatro criados a quatro paróquias diferentes para ter mais certamente um padre. Entretanto, levaram-no a uma casa da aldeia mais próxima, onde sua mulher veio, embora tivesse dado à luz há quinze dias. Quando a viu disse: Senhora, o decreto do céu é justo; devemos amar e morrer! – Não, senhor, devemos viver! – Ah, senhora, replicou ele, respeitemos a ordem da Providência! – Depois, com espírito tranqüilo, perguntou se o padre tinha chegado; e tendo sabido que havia um, mandou-o vir ao quarto e confessou-se. Um momento depois, vendo de longe aquele que o tinha ferido, que lhe parecia desesperado, exclamou: Meu primo, meu amigo, esse golpe me veio do céu; antes de partir deste mundo, eu te rogo, não peques e roga a Deus por mim. Morreu nove dias depois, tendo recebido todos os sacramentos, com singular piedade; rogou à esposa, ordenou ao filho, que jamais pensassem em vingar-lhe a morte e disse-lhes que ele perdoava de novo àquele que o tinha matado, sem pensar, e fez escrever esse perdão nos registros da paróquia, com a ordem que dava à família, de conter os ressentimentos. Um momento depois, expirou nos braços da esposa, cuja desolação foi inenarrável. Ficando viúva aos vinte e oito anos, com um filho e três filhas, sentiu ela a desgraça. Mas bem depressa conheceu os desígnios de Deus sobre si e correspondeu-lhes com tanta fidelidade, que, em suas maiores amarguras dizia não poder compreender como se podia estar tão contente e sofrer tanto, Nesse estado de dor e de alegria fez a Deus o sacrifício de si mesma, pelo voto de castidade e por uma resignação tão perfeita às ordens do céu, que não viveu mais vida humana; e para marcar publicamente o perdão que tinha concedido àquele que lhe matara o marido, quis ser madrinha de um de seus filhos. Viveu depois, para o futuro, segundo as regras de São Paulo e os padres traçaram para a santificação das viúvas. Passava uma parte das noites em oração, aumentou as esmolas, distribuiu aos pobres as roupas preciosas, fez voto de usar somente vestes de lã. Despediu a maior parte dos criados, depois de os ter recompensado liberalmente. Seus jejuns eram freqüentes e rigorosos. Retirada do mundo, dividia o tempo entre a oração, o trabalho e a educação dos filhos, Faltava-lhe um diretor que a pudesse levar pelas vias em que devia caminhar. Não deixava de o pedir a Deus com muitas lágrimas. Um dia, durante o fervor de sua oração, ela viu um homem de batina preta com um roquete e uma murça. Passado o ano de luto, dirigiu-se à casa do pai, em Dijon. Aí continuou o mesmo gênero de vida e não quis receber visita de algumas senhoras virtuosas e idosas. No ano seguinte, os negócios da família obrigaram-na a se retirar com seus filhos junto do velho barão de Chantal, seu sogro, em Montelon, diocese de Autun. Teve que sofrer muito por causa do mau humor do velho, bem como de uma governante que o dominava, e que tinha adquirido tal ascendente sobre seu espírito, que toda a casa era forçada a lhe obedecer. A jovem baronesa suportou a provação com paciência: jamais a ouviram lamentar-se, não dava nem mesmo o menor sinal de descontentamento. Prestava-se com o maior prazer a tudo o que era agradável ao sogro e à governante. Consagrava à piedade a maior parte do tempo e dirigia-se, aos domingos, a Autun, para assistir às instruções dos pregadores. Em 1604, foi a Dijon, à casa do pai, para ouvir São Francisco de Sales pregar. Desde a primeira vez que o viu no púlpito, julgou reconhecer nele o homem que lhe tinha sido mostrado na oração, como seu pai espiritual. Convidou-o muitas vezes a ir à casa de seu pai; e não ficava menos maravilhada com sua conversação familiar do que com seus sermões. Desejava ardentemente abrir-lhe a alma; o santo prelado inspirava-lhe toda confiança, mas ela não o ousava, porque um religioso que a dirigia lhe tinha feito prometer, por voto, reservar a ele unicamente a sua direção espiritual. De outro lado, os discursos do bispo de Genebra tocavam-na vivamente; conformava-se com seus conselhos mesmo nas coisas mínimas; e sua docilidade era sempre seguida de extraordinárias consolações. Finalmente, revelou-lhe a causa de sua perplexidade; ficou determinado que o voto que a tinham feito fazer era indiscreto e que ela podia ser dispensada. Então, confessou-se com o santo bispo de Genebra e fez-lhe uma confissão geral de toda a vida. Mas, logo a paz de alma foi perturbada por desolações interiores; teve inquietações alarmantes sobre seu proceder. Francisco de Sales disse-lhe que aproveitasse aquela provação, de sorte que a luz tomou o lugar das trevas e a calma sucedeu à tempestade. Disse-lhe, ainda, que regulasse de tal modo seus exercícios de piedade, que seu exterior parecesse depender da vontade dos outros, sobretudo quando estava em casa do pai ou do sogro. Seu proceder reunia o costume de dizer: A Senhora reza em todas as horas do dia, mas isso não incomoda a ninguém. Levantava-se às cinco horas, vestia-se sozinha e sem aquecimento, em toda a estação e fazia uma hora de oração mental. Depois, fazia levantarem-se os filhos, bem como os domésticos; cumpriam os exercícios da manhã e iam dar bom dia ao sogro; levava-o à missa, por voto, feito à Santa Virgem. Lia, depois do almoço todos os dias, por meia hora, a Escritura Sagrada; dava lições de catecismo a seus filhos, aos empregados e aos da aldeia que queriam também instruir-se. Antes da ceia, fazia um pequeno retiro espiritual de um quarto de hora e dizia o terço. À noite, retirava-se às nove horas e fazia o exame de consciência e a oração, com os filhos e os criados; dava a todos água benta e a benção e ficava ainda uma meia hora rezando sozinha; por fim terminava o dia, com a leitura da meditação para o dia seguinte. Tinha adquirido um hábito tão grande da presença de Deus, que nada a afastava dele e conservava-se sempre tranqüila na diversidade das criaturas e dos fatos Depois de ter regulado o interior, pensou em reformar o que lhe parecia ainda muito vão em sua pessoa. Cortou o cabelo; vestia-se somente de um pano fino e unido. Tinha grande cuidado de mortificar o gosto e fazia de modo que as iguarias que deixava no prato fosse dadas aos pobres. Jejuava todas as sextas-feiras, usava cilício nos outros idas e muitas vezes disciplinava-se; adquiriu pela prática dessa vida santa, tão grande ascendente sobre suas paixões que não parecia mais uma criatura mortal. Todos os domingos e festas ia aos lugares da paróquia onde sabia que havia doentes; arrumava-lhes a cama e nada lhes deixava faltar de alimento nem de remédios. Tinha sempre em casa um pobre, coberto de feridas, que ela cuidava muitas vezes, de joelhos, com respeito, considerando com fé viva a Jesus Cristo, na sua pessoa. Velava em seus extremos, assistia-lhes à morte e os sepultava, ela mesma, com uma coragem que causava pasmo a todos os que não eram animados de uma perfeita caridade. Em 1606 ela foi obrigada, pelo interesse de seus filhos, a fazer uma viagem a Bourbilly. Mas seus negócios não lhe impediram, pondo-lhes toda a ordem possível, de socorrer os enfermos de sua terra, que eram em tão grande número, que sepultava muitas vezes quatro num dia, depois de os ter assistido em sua doença, com todo o cuidado, ajudando-os com dinheiro, com orações e instruções. Mas, não podendo resistir a tantas fadigas, caiu doente com disenteria que a levou aos extremos. Nesse estado, escreveu ao pai e ao sogro, para lhes pedir a benção e para lhes recomendar os filhos. O presidente estava inconsolável, o barão de Chantal mesmo ficou muito aflito, pois, apesar das penas que lhe tinha causado e dos maus tratos que tinha sofrido e recebido dele, ela era considerada como santa que lhes trazia toda espécie de bênçãos. Depois que ficou curada, voltou a Montelon, onde foi recebida pelo sogro e pelos filhos, com uma alegria proporcionada ao temor que tinham de a perder. À medida que se desapegava das criaturas, o desejo de ser toda de Deus aumentava em sua alma. Mas como seu santo diretor lhe tinha ordenado viver santamente em seu estado, sem pensar na vida religiosa, ela teve escrúpulo de o ter desejado e escreveu ao santo bispo. Ele respondeu-lhe nestes termos: Oh! Não, minha filha! Eu não vos tinha dito que não tivésseis nenhuma esperança de ser religiosa, mas, que com isso não vos preocupásseis, nada havendo que nos impeça tanto de nos aperfeiçoarmos em nosso estado do que aspirar a outro, Os filhos de Israel não puderam cantar em Babilônia, porque pensavam em seu país; mas eu quisera que cantássemos por toda parte. Eu vejo vosso desejo de ser religiosa. Oh! Doce Jesus! Que vos direi, minha mui querida filha? Sua bondade sabe que eu muitas vezes implorei sua graça no santo sacrifício; não somente isso, mas empreguei a devoção e as orações de outros melhores que eu. E que vim a saber, minha filha! Que um dia deveis deixar tudo, mas que seja para entrar na religião, não me aconteceu ainda ser dessa opinião; o sim não se deteve ainda no meu coração e o não aí se encontra com muita firmeza, mas dai-me um pouco a ocasião para rezar e fazer rezar. No dia de Pentecostes, quando tinha vindo a Annecym para tratar com ele de sua vocação, o santo prelado, para experimentar sua submissão propôs-lhe ser religiosa de Santa Clara, depois irmã do Hospital de Beaune e depois Carmelita. Ela consentia a cada proposta com uma docilidade que o santo bispo admirou; por fim, deu-lhe conta do projeto que tinha de fundar uma nova Congregação sob o nome da Visitação de Santa Maria. Ela ficou radiante de alegria a essa notícia e sentiu uma atração de Deus, tão poderosa para esse empreendimento que não duvidou de que era essa a vontade de Deus. Previam ambos grandes obstáculos a esse intento; o pai, o sogro e os filhos da santa viúva, uns mais velhos, outros muito jovens; como deixar tudo isso para se estabelecer fora do reino? O santo Bispo dizia: Vejo um caos em tudo isso, mas a Providência saberá deslindar tudo, quando chegar o tempo. E isso não tardou. A principal dificuldade era a educação das crianças, para o que parecia necessário que a mãe ficasse no mundo. O santo fez ver que lhe seria possível velar por eles num claustro e que ela o faria mesmo de maneira mais útil para elas. Essa dificuldade dói superada e seu pai e seu sogro consentiram que ela se retirasse, não sem derramar muitas lágrimas. Como ela tinha o coração muito sensível teve rudes combates a sustentar: mas o amor divino elevou-a acima dos sentimentos da natureza. Seus outros parentes e amigos deixaram ao mesmo tempo de se opor à sua resolução. Antes de deixar o mundo a baronesa de Chantal casou a mais velha de suas filhas com o barão de Thorens, sobrinho do bispo de Genebra e esse casamento teve a aprovação das suas duas filhas. Uma morreu pouco tempo depois, a outra desposou o conde de Toulonjon, que unia ao nascimento, muita sabedoria e virtude. A mãe mesma tinha recusado um partido importante de Bourgogne e para selar com o sangue sua promessa que ela renovou de ser de Deus unicamente, ela tinha gravado em seu coração o nome de Jesus. Quanto ao jovem barão de Chantal, então com quinze anos de idade, o presidente Fremiot, seu avô, encarregou-se de terminar sua educação e a administração de seus bens, foi confiada a tutores inteligentes e de reconhecida probidade. Assim a presença da mãe não lhes era mais necessária. O dia da partida chegou e a santa viúva despediu-se do barão de Chantal, seu sogro, pôs-se de joelhos, pediu-lhe perdão, se lhe tivesse desagradado em alguma coisa e rogou-lhe que lhe desse sua benção e recomendou-lhe ainda o filho, O bom velho, com oitenta e seis anos, parecia inconsolável, abraçou ternamente a nora e desejou-lhe toda sorte de felicidade. Os habitantes da terra de Montelon, sobretudo os pobres, julgando tudo perder, perdendo-a, demonstraram-lhe a dor com lágrimas e gritos. Em Dijon ela fortificou-se com a santa Comunhão, contra a fraqueza, que previa na separação de tudo o que tinha de mais caro. Enfim, chegou também aquele momento, e ela disse a deus aos parentes, com firmeza; depois, atirando-se aos pés do pai, suplicou-lhe que a abençoasse e tivesse cuidado do filho que ela lhe deixava. O presidente sentiu o coração partido; parecia-lhe morrer de dor; banhado em lágrimas, abraçou a filha e disse: Oh! Meu Deus! Não posso desdizer o que ordenastes, cortar-me à vida; no entanto, Senhor, eu vo-la ofereço, essa querida filha, recebei-a e consolai-me! Depois abençoou-a e a ergueu. O jovem Chantal, seu filho, de quinze anos, correu para ela, atirou-se-lhe aos braços e não a queria deixar, esperando enternecer-lhe o coração e detê-la com tudo o que de comovente lhe poderia dizer. Não conseguindo o que desejava, deitou-se no =limiar da porta, por onde ela devia sair e disse-lhe: Sou muito fraco, Senhora, para vos deter, mas pelo menos dirão que passastes por cima do corpo de vosso filho único para o abandonar! A santa viúva ficou comovida e chorou amargamente, passando por cima do corpo daquela querida criança, mas, um momento depois, tendo receio de que se lhe atribuísse i pesar arrependimento de sua decisão, ela voltou-se e disse-lhes com rosto sereno: Perdoai-me a fraqueza, deixo meu pai e meu filho para sempre; mas encontrarei Deus por toda a parte. A 6 de Junho de 1610, dia de São Cláudio, que era da Santíssima Trindade, a senhora de Chantal, com a senhorita Jaqueline Fabre, filha do presidente da Sabóia e a senhorita de Bréchard, sob a direção do santo bispo de Genebra, começou em Annecy, a fundação da ordem da Visitação, tão útil ao povo porque aí se recebem as viúvas e os enfermos e tão honrosa para a Igreja pelo fervor com o qual se mantém a regularidade com que essas santas filhas edificam ainda hoje todo o mundo, dez outras mulheres vieram logo aumentar a comunidade nascente. O santo bispo pensava fazer apenas uma simples congregação, onde não se fosse obrigado à clausura, a não ser durante o ano de noviciado, depois do que se podia sair para o serviço dos enfermos. Mas o cardeal de Marquemont, arcebispo de Lião, tinha estabelecido uma de suas casas em sua cidade e escreveu ao santo bispo de Genebra e à mãe de Chantal, para lhes propor erigir o instituto em título de religião por clausura e fazerem as jovens os votos solenes. Sua grande humildade fê-las rejeitar tudo isso, a princípio; mas depois de instantes preces a Deus, para que as iluminasse, consentiram-no e o santo prelado escreveu à madre Favre, superiora da comunidade de Lião: Se S. Excia. O arcebispo minha querida filha, voz diz que me escreveu sobre o assunto de vossa clausura e de vossos votos, dir-lhe-eis que eu teria tido grande suavidade para o título simples de congregação, sob o qual lhe parece que nossas filhas teriam tido menos motivo de amor próprio do que sob outro, onde somente o temor e o amor do esposo sagrado lhes teria servido de clausura e de votos; entretanto, não somente minha vontade, mas ainda meu juízo, bem facilmente prestam homenagem que devem ao sentimento desse grande e digno prelado. Consinto, pois, de todo o coração que façamos uma religião formal pois não pretendo outra coisa, minha filha, se não que Deus seja glorificado. Seja isso, por outras luzes que não, pelas minhas, tanto melhor; estarei mais a salvo desse espírito de orgulho que tudo estraga: nossa boa mãe é do mesmo sentir. Viva Jesus! Minha filha, sou nele todo vosso! (…) Alguns anos depois de sua profissão religiosa, a madre Chantal quis ligar-se por votos a fazer sempre o que julgasse mais perfeito. São Francisco que ela consultou, permitiu-lho, porque lhe conhecia o fervor e não duvidava de que não cumprisse com fidelidade o compromisso que tinha contraído. Muitas vezes ela foi atormentada por doenças dolorosas. Os médicos nelas não viam uma causa natural: um deles, tendo-a observado vários dias: está doente de amor de Deus; não sei curar esses males. (…) Depois da morte do pai, fez uma viagem a Dijon. Passou alguns meses naquela cidade para ajustar os negócios do filho, antes de o colocar na academia. Casou-o depois com Maria de Coulanges, que reunia grande virtude à origem, riquezas e beleza: desse casamento veio a única filha, a célebre marquesa de Sevigné. A madre Chantal foi ainda obrigada a deixar Annecy, muitas vezes, para ir fundar casas de sua ordem em diversas cidades, especialmente em Grenoble, Bourges, Dijon, Moulins, em Nevers, em Orleans e em Paris. Excitou-se contra ela violenta perseguição, nesta última cidade; ela, porém, venceu, por sua confiança em Deus. Ademais sua doçura e paciência atraíram-lhe a admiração daqueles que tinham sido seus maiores inimigos. Governou a casa que tinha fundado em Paris, no subúrbio de Santo Antonio, desde o ano de 1619, até o ano de 1622. (…) Em 1622, outra aflição veio surpreender a madre Chantal: Deus levou-lhe o bem-aventurado pai, o bispo de Genebra. Essa perda foi seguida de outra. Em 1627, o barão de Chantal, foi morto combatendo contra os huguenotes, na ilha de Rhé; mas tinha-se preparado para a batalha, recebendo os sacramentos.Contava trinta e um anos e deixava uma filha que ainda não tinha um ano. Quatrio anos depois, a santa viu ir-se também a baronesa de Chantal, sua nora. Mal tinha sabido dessa notícia, anunciaram-lhe a morte do conde de Toulonjon, seu genro, que ela amava ternamente e que era governador de Pignerol. Esqueceu sua pena para só pensar na da condessa sua filho e tudo fez para a consolar. Assim Deus provava essas grandes almas, para tornar mais semelhantes ao modelo de seu Filho. Em 1638 a duquesa de Sabóia, Cristina de França, rogou insistentemente à madre de Chantal que viesse a Turin fundar um convento da Visitação. Ela o fez e conseguiu ainda mais, trazendo também os missionários de Vicente de Paulo, na diocese de Genebra. Perdeu, depois, de repente, os dois amigos íntimo,os, seu irmão, o arcebispo de Borges e o virtuoso governador de Sillery, que se tinha feito sacerdote. Obrigada a ir a Moulins, para os assuntos de sua ordem aí contraiu estreita amizade, com a duquesa de Montmorency, princesa dos Ursinos, viúva do duque Henrique de Montmorency, decapitado sob Luís XIII, por ter seguido o partido do duque de Orleans, irmão do rei. A princesa, inteiramente dedicada às boas obras, acabou por entrar na Ordem da Visitação; recusou aí ser superiora e viveu como a mais humilde das religiosas. De Moulins, Santa Chantal foi chamada a Paris, pela rainha Ana da Áustria, que a honrou com sua confiança. Chegando a 4 de Outubro , a santa partiu a 11 de Novembro, atônita com a estima e os aplausos de que se via objeto. Voltando a Moulins, foi tomada de febre, e morreu santamente a 13 de Dezembro de 1641, depois de rude agonia, pronunciando o nome de Jesus. Antes de receber o viático, rogou ao confessor que escrevesse, como sua última vontade, as recomendações seguintes às recomendações seguintes, às suas religiosas: Rogo a nossas irmãs que observem suas regras, porque são suas regras, e não porque poderiam ser segundo seus gostos – Que viam em grande união entre si, com simplicidade , retidão e humildade; que nenhum desejo lhes perturbe o espírito; que tenham grande respeito por seus superiores e uma perfeita submissão e obediência. – Que a confiança em Deus não lhes deixe outro desejo que o de lhe agradar; e, enfim, que as superiores governem segundo o espírito da regra, que é todo doçura e caridade. Santa Chantal foi assistida em seus últimos momentos pelo Padre Claudio de Lingendes, jesuíta, célebre por suas pregações, publicadas em três volumes. Muitos milagres operadoss por sua intercessão foram constatados juridicamente e ela beatificada por Bento XIV em 1751 e canonizada em 1767 por Clemente XIII. Fotos: santiebeati.it (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume, XV, p.117 à 135) #SantodoDia

  • Oração reparadora ao Santíssimo Sacramento

    Há pouco mais de um século, em 1916, um anjo visitou três pastorinhos em Portugal, preparando seus corações para as aparições de Nossa Senhora de Fátima. Ele apareceu às crianças dizendo “sou o Anjo da Paz” e ajoelhando em terra, curvou a fronte até ao chão dizendo “orai comigo”. As três crianças levadas por um movimento sobrenatural, imitaram-no e repetiram as palavras que lhe ouviram ele pronunciar três vezes: “Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.” 3x“Ó Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.” Esta segunda parte da oração ele ensinou quando apareceu pela terceira vez, trazendo na mão um Cálice e sobre ele uma Hóstia, da qual caíam, dentro do cálix, algumas gotas de sangue. Deixando o Cálice e a Hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra e repetiu três vezes a oração. E concluiu dizendo: — “Orai assim. Os Corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas.” Ato de Adoração e Reparação ao Santíssimo Sacramento Eu vos adoro com profundo respeito, meu Jesus, verdadeiro Pão da Vida Eterna! Reze agora: 1. Eu vos adoro com profundo respeito, meu Jesus, no Santíssimo Sacramento; reconheço-vos por verdadeiro Deus e homem; e tenho a intenção de suprir com este ato de adoração, a frieza de tantos cristãos ao passarem diante de vossas igrejas e, às vezes, mesmo diante de vosso sagrado tabernáculo, em que vos dignais estar a toda hora, desejando, com impaciência amorosa comunicar-vos com vossos fiéis – nem ao menos vós saúdam! E com sua indiferença se mostram como os hebreus no deserto, nauseados deste maná celeste! Eu vos ofereço o preciosíssimo Sangue que derramastes da chaga de vosso pé esquerdo, em reparação de tão insuportável tibieza; e, encerrando-me espiritualmente nesta Sagrada Chaga, peito mil e mil vezes: Graças e louvores sejam dados a todo o momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento. Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai. 2. Eu vos adoro com profundo respeito, meu Jesus. Reconheço-vos presente no Santíssimo Sacramento, e tenho a intenção de repara a ingratidão de tantos cristãos que vendo-vos sair a visitar os pobres enfermos, para ser o seu conforto e consolação na grande viagem para a eternidade, vos deixam passar sem acompanhar-vos e apenas se dignam a fazer um ato de externa adoração. Eu vos ofereço, em reparação de tamanha frieza, o preciosíssimo Sangue que derramastes da chaga de vosso pé direito, e, encerrando-me espiritualmente nesta Sagrada Chaga, repito mil e mil vezes: Graças e louvores sejam dados a todo o momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento. Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai. 3. Eu vos adoro com profundo respeito, meu Jesus, verdadeiro Pão da vida eterna; e com este ato de adoração tenho a intenção de compensar as muitas feridas que vosso Coração sofre, todos os dias pela profanação das igrejas, onde vos dignais estar debaixo das espécies sacramentais, para ser adorado e amado por vossos fiéis. Eu vos ofereço, em reparação de tantas irreverências, o preciosíssimo Sangue que derramastes da chaga de vossa mão esquerda, e, encerrando-me espiritualmente nesta Sagrada Chaga, repito mil e mil vezes: Graças e louvores sejam dados a todo o momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento. Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai. 4. Eu vos adoro com profundo respeito, meu Jesus, Pão da vivo descido dos céus; e tenho a intenção de reparar com este ato de adoração, tantas e tão repetidas irreverências que cada dia cometem vossos fiéis ao assistirem a Santa Missa, na qual por excesso de amor, renovais, de modo incruento, o mesmo Sacrifício que consumastes no calvário, para a nossa salvação. Eu vos ofereço, em reparação de tanta ingratidão, o preciosíssimo Sangue que derramastes da chaga de vossa mão direita, e, encerrando-me espiritualmente nesta Sagrada Chaga, reúno minha vós às vozes dos Anjos que, em adoração, vos rodeiam, dizendo, juntamente com eles: Graças e louvores sejam dados a todo o momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento. Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai. 5. Eu vos adoro com profundo respeito, meu Jesus, verdadeira vítima de expiação por nossos pecados; e vos ofereço este ato de adoração em compensação dos sacrilégios e ultrajes que recebeis de tantos cristãos, que se atrevem até ir receber-vos na Santa Comunhão tendo a sua alma em pecado mortal!Eu vos ofereço, em reparação de tão abomináveis sacrilégios, as últimas gotas de vosso preciosíssimo Sangue que derramastes da chaga do lado, e, encerrando-me nesta Sagrada Chaga, eu vos adoro, bendigo e amo, repetindo, em união com todas as almas devotas do santíssimo sacramento: Graças e louvores sejam dados a todo o momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento. Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai. Reze conosco a oração reparadora ao Santíssimo Sacramento: Divino Salvador Jesus, dignai-Vos baixar um olhar de misericórdia sobre Vossos filhos, que, reunidos em um mesmo pensamento de fé, reparação e amor, vêm chorar a Vossos pés suas infidelidades e a de seus irmãos, os pobres pecadores! Possamos nós, pelas promessas unânimes e solenes que vamos fazer, tocar o Vosso divino Coração, e dele alcançar misericórdia para o mundo infeliz e criminoso e para todos aqueles que não têm a felicidade de Vos amar! Daqui por diante, sim, todos nós Vo-lo prometemos: Do esquecimento e da ingratidão dos homens, Nós Vos consolaremos, Senhor! Do abandono em que sois deixado no santo Tabernáculo, Nós Vos consolaremos, Senhor! Dos crimes dos pecadores, Nós Vos consolaremos, Senhor! Do ódio dos ímpios, Nós Vos consolaremos, Senhor! Das blasfêmias que se vomitam contra Vós, Nós Vos consolaremos, Senhor! Das injúrias feitas à Vossa divindade, Nós Vos consolaremos, Senhor! Dos sacrilégios com que se profana o Vosso Sacramento de amor, Nós Vos consolaremos, Senhor! Das imodéstias e irreverências cometidas em Vossa presença adorável, Nós Vos consolaremos, Senhor! Da tibieza do maior número de Vossos filhos, Nós Vos consolaremos, Senhor! Do desprezo que se faz de Vossos convites cheios de amor, Nós Vos consolaremos, Senhor! Das infidelidades daqueles que se dizem Vossos amigos, Nós Vos consolaremos, Senhor! Do abuso de Vossas graças, Nós Vos consolaremos, Senhor! De nossas próprias infidelidades, Nós Vos consolaremos, Senhor! Da incompreensível dureza de nossos corações, Nós Vos consolaremos, Senhor! De nossa longa demora em Vos amar, Nós Vos consolaremos, Senhor! De nossa frouxidão em Vosso santo serviço, Nós Vos consolaremos, Senhor! Da amarga tristeza em que sois abismado pela perda das almas, Nós Vos consolaremos, Senhor! Do Vosso longo esperar às portas de nossos corações, Nós Vos consolaremos, Senhor! Das amargas repulsas de que sois saciado, Nós Vos consolaremos, Senhor! De Vossos suspiros de amor, Nós Vos consolaremos, Senhor! De Vossas lágrimas de amor, Nós Vos consolaremos, Senhor! De Vosso cativeiro de amor, Nós Vos consolaremos, Senhor! De Vosso martírio de amor, Nós Vos consolaremos, Senhor! Oração: Divino Salvador Jesus, que de Vosso coração deixastes escapar esta queixa dolorosa: “Eu procurei consoladores e não os achei”, dignai-Vos aceitar o pequeno tributo de nossas consolações e assistir-nos tão poderosamente com o socorro de Vossa graça que, para o futuro, fugindo cada vez mais de tudo o que Vos poderia desagradar, nos mostremos em tudo, por toda a parte e sempre, Vossos filhos, os mais fiéis e devotados. Nós vo-lo pedimos por Vós mesmo, que, sendo Deus, com o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais nos séculos dos séculos. Amém. #Eucaristia #SantíssimoSacramento

  • Oração reparadora ao Santíssimo Sacramento

    Há pouco mais de um século, em 1916, um anjo visitou três pastorinhos em Portugal, preparando seus corações para as aparições de Nossa Senhora de Fátima. Ele apareceu às crianças dizendo “sou o Anjo da Paz” e ajoelhando em terra, curvou a fronte até ao chão dizendo “orai comigo”. As três crianças levadas por um movimento sobrenatural, imitaram-no e repetiram as palavras que lhe ouviram ele pronunciar três vezes: “Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.” 3x“Ó Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.” Esta segunda parte da oração ele ensinou quando apareceu pela terceira vez, trazendo na mão um Cálice e sobre ele uma Hóstia, da qual caíam, dentro do cálix, algumas gotas de sangue. Deixando o Cálice e a Hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra e repetiu três vezes a oração. E concluiu dizendo: — “Orai assim. Os Corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas.” Ato de Adoração e Reparação ao Santíssimo Sacramento Eu vos adoro com profundo respeito, meu Jesus, verdadeiro Pão da Vida Eterna! Reze agora: 1. Eu vos adoro com profundo respeito, meu Jesus, no Santíssimo Sacramento; reconheço-vos por verdadeiro Deus e homem; e tenho a intenção de suprir com este ato de adoração, a frieza de tantos cristãos ao passarem diante de vossas igrejas e, às vezes, mesmo diante de vosso sagrado tabernáculo, em que vos dignais estar a toda hora, desejando, com impaciência amorosa comunicar-vos com vossos fiéis – nem ao menos vós saúdam! E com sua indiferença se mostram como os hebreus no deserto, nauseados deste maná celeste! Eu vos ofereço o preciosíssimo Sangue que derramastes da chaga de vosso pé esquerdo, em reparação de tão insuportável tibieza; e, encerrando-me espiritualmente nesta Sagrada Chaga, peito mil e mil vezes: Graças e louvores sejam dados a todo o momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento. Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai. 2. Eu vos adoro com profundo respeito, meu Jesus. Reconheço-vos presente no Santíssimo Sacramento, e tenho a intenção de repara a ingratidão de tantos cristãos que vendo-vos sair a visitar os pobres enfermos, para ser o seu conforto e consolação na grande viagem para a eternidade, vos deixam passar sem acompanhar-vos e apenas se dignam a fazer um ato de externa adoração. Eu vos ofereço, em reparação de tamanha frieza, o preciosíssimo Sangue que derramastes da chaga de vosso pé direito, e, encerrando-me espiritualmente nesta Sagrada Chaga, repito mil e mil vezes: Graças e louvores sejam dados a todo o momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento. Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai. 3. Eu vos adoro com profundo respeito, meu Jesus, verdadeiro Pão da vida eterna; e com este ato de adoração tenho a intenção de compensar as muitas feridas que vosso Coração sofre, todos os dias pela profanação das igrejas, onde vos dignais estar debaixo das espécies sacramentais, para ser adorado e amado por vossos fiéis. Eu vos ofereço, em reparação de tantas irreverências, o preciosíssimo Sangue que derramastes da chaga de vossa mão esquerda, e, encerrando-me espiritualmente nesta Sagrada Chaga, repito mil e mil vezes: Graças e louvores sejam dados a todo o momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento. Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai. 4. Eu vos adoro com profundo respeito, meu Jesus, Pão da vivo descido dos céus; e tenho a intenção de reparar com este ato de adoração, tantas e tão repetidas irreverências que cada dia cometem vossos fiéis ao assistirem a Santa Missa, na qual por excesso de amor, renovais, de modo incruento, o mesmo Sacrifício que consumastes no calvário, para a nossa salvação. Eu vos ofereço, em reparação de tanta ingratidão, o preciosíssimo Sangue que derramastes da chaga de vossa mão direita, e, encerrando-me espiritualmente nesta Sagrada Chaga, reúno minha vós às vozes dos Anjos que, em adoração, vos rodeiam, dizendo, juntamente com eles: Graças e louvores sejam dados a todo o momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento. Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai. 5. Eu vos adoro com profundo respeito, meu Jesus, verdadeira vítima de expiação por nossos pecados; e vos ofereço este ato de adoração em compensação dos sacrilégios e ultrajes que recebeis de tantos cristãos, que se atrevem até ir receber-vos na Santa Comunhão tendo a sua alma em pecado mortal!Eu vos ofereço, em reparação de tão abomináveis sacrilégios, as últimas gotas de vosso preciosíssimo Sangue que derramastes da chaga do lado, e, encerrando-me nesta Sagrada Chaga, eu vos adoro, bendigo e amo, repetindo, em união com todas as almas devotas do santíssimo sacramento: Graças e louvores sejam dados a todo o momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento. Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai. Reze conosco a oração reparadora ao Santíssimo Sacramento: Divino Salvador Jesus, dignai-Vos baixar um olhar de misericórdia sobre Vossos filhos, que, reunidos em um mesmo pensamento de fé, reparação e amor, vêm chorar a Vossos pés suas infidelidades e a de seus irmãos, os pobres pecadores! Possamos nós, pelas promessas unânimes e solenes que vamos fazer, tocar o Vosso divino Coração, e dele alcançar misericórdia para o mundo infeliz e criminoso e para todos aqueles que não têm a felicidade de Vos amar! Daqui por diante, sim, todos nós Vo-lo prometemos: Do esquecimento e da ingratidão dos homens, Nós Vos consolaremos, Senhor! Do abandono em que sois deixado no santo Tabernáculo, Nós Vos consolaremos, Senhor! Dos crimes dos pecadores, Nós Vos consolaremos, Senhor! Do ódio dos ímpios, Nós Vos consolaremos, Senhor! Das blasfêmias que se vomitam contra Vós, Nós Vos consolaremos, Senhor! Das injúrias feitas à Vossa divindade, Nós Vos consolaremos, Senhor! Dos sacrilégios com que se profana o Vosso Sacramento de amor, Nós Vos consolaremos, Senhor! Das imodéstias e irreverências cometidas em Vossa presença adorável, Nós Vos consolaremos, Senhor! Da tibieza do maior número de Vossos filhos, Nós Vos consolaremos, Senhor! Do desprezo que se faz de Vossos convites cheios de amor, Nós Vos consolaremos, Senhor! Das infidelidades daqueles que se dizem Vossos amigos, Nós Vos consolaremos, Senhor! Do abuso de Vossas graças, Nós Vos consolaremos, Senhor! De nossas próprias infidelidades, Nós Vos consolaremos, Senhor! Da incompreensível dureza de nossos corações, Nós Vos consolaremos, Senhor! De nossa longa demora em Vos amar, Nós Vos consolaremos, Senhor! De nossa frouxidão em Vosso santo serviço, Nós Vos consolaremos, Senhor! Da amarga tristeza em que sois abismado pela perda das almas, Nós Vos consolaremos, Senhor! Do Vosso longo esperar às portas de nossos corações, Nós Vos consolaremos, Senhor! Das amargas repulsas de que sois saciado, Nós Vos consolaremos, Senhor! De Vossos suspiros de amor, Nós Vos consolaremos, Senhor! De Vossas lágrimas de amor, Nós Vos consolaremos, Senhor! De Vosso cativeiro de amor, Nós Vos consolaremos, Senhor! De Vosso martírio de amor, Nós Vos consolaremos, Senhor! Oração: Divino Salvador Jesus, que de Vosso coração deixastes escapar esta queixa dolorosa: “Eu procurei consoladores e não os achei”, dignai-Vos aceitar o pequeno tributo de nossas consolações e assistir-nos tão poderosamente com o socorro de Vossa graça que, para o futuro, fugindo cada vez mais de tudo o que Vos poderia desagradar, nos mostremos em tudo, por toda a parte e sempre, Vossos filhos, os mais fiéis e devotados. Nós vo-lo pedimos por Vós mesmo, que, sendo Deus, com o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais nos séculos dos séculos. Amém. #Eucaristia #SantíssimoSacramento

  • Santa Clara de Assis, a dama dos pobres – 11 de Agosto

    SANTO DO DIA – 11 DE AGOSTO – SANTA CLARA DE ASSIS, PADROEIRA DA TELEVISÃO Fundou a Ordem das Clarissas (1193-1253) Clara nasceu em Assis, no ano 1193, no seio de uma família da nobreza italiana, muito rica, onde possuía de tudo. Porém o que a menina mais queria era seguir os ensinamentos de Francisco de Assis. Aliás, foi Clara a primeira mulher da Igreja a entusiasmar-se com o ideal franciscano. Sua família, entretanto, era contrária à sua resolução de seguir a vida religiosa, mas nada a demoveu do seu propósito. No dia 18 de março de 1212, aos 19 anos de idade, fugiu de casa e, humilde, apresentou-se na igreja de Santa Maria dos Anjos, onde era aguardada por Francisco e seus frades. Ele, então, cortou-lhe o cabelo, pediu que vestisse um modesto hábito de lã e pronunciasse os votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência. Depois disso, Clara, a conselho de Francisco, ingressou no Mosteiro Beneditino de São Paulo das Abadessas, para ir se familiarizando com a vida em comum. Pouco depois, foi para a Ermida de Santo Ângelo de Panço, onde Inês, sua irmã de sangue, juntou-se a ela. Pouco tempo depois, Francisco levou-as para o humilde Convento de São Damião, destinado à Ordem Segunda Franciscana, das monjas. Em agosto, quando ingressou Pacífica de Guelfúcio, Francisco deu às irmãs sua primeira forma de vida religiosa. Elas, primeiramente, foram chamadas de ‘Damianitas’, depois, como Clara escolheu, de ‘Damas Pobres’, e finalmente, como sempre serão chamadas, de ‘Clarissas’. Em 1216, sempre orientada por Francisco, Clara aceitou para a sua Ordem as regras beneditinas e o título de abadessa. Mas conseguiu o ‘privilégio da pobreza’ do papa Inocêncio III, mantendo, assim, o carisma franciscano. O testemunho de fé de Clara foi tão grande que sua mãe, Ortolana, e mais uma de suas irmãs, Beatriz, abandonaram seus ricos palácios e foram viver ao seu lado, ingressando também na nova Ordem fundada por ela. A partir de 1224, Clara adoeceu e, aos poucos, foi definhando. Em 1226, Francisco de Assis morreu, e Clara teve visões projetadas na parede da sua pequena cela. Lá, via Francisco e os ritos das solenidades do seu funeral que estavam acontecendo na igreja. Anteriormente, tivera esse mesmo tipo de visão numa noite de Natal, quando viu, projetado, o presépio, e pôde assistir ao santo ofício que se desenvolvia na igreja de Santa Maria dos Anjos. Por essas visões, que pareciam filmes projetados numa tela, santa Clara é considerada Padroeira da Televisão e de todos os seus profissionais. Depois da morte de são Francisco, Clara viveu mais 27 anos, dando continuidade à obra que aprendera e iniciara com ele. Outro feito de Clara ocorreu em 1240, quando, portando nas mãos o Santíssimo Sacramento, defendeu a cidade de Assis do ataque do exército dos turcos muçulmanos. No dia 11 de agosto de 1253, algumas horas antes de morrer, Clara recebeu das mãos de um enviado do papa Inocêncio IV a aguardada bula de aprovação canônica, deixando, assim, as sua ‘irmãs clarissas’ asseguradas. Dois anos após sua morte, o papa Alexandre IV a proclamou santa Clara de Assis. Santa Clara trabalhou incansavelmente na Seara do Senhor durante seus 41 anos de vida monástica. Recebeu de seu Divino Esposo grandes graças místicas. Foi favorecida com o dom de operar milagres. Inúmeros literatos, novelistas e romancistas ganharam celebridade narrando epopéias fictícias, produto de sua fértil imaginação. Nenhum deles, entretanto, seria capaz de inventar a história que Santa Clara deixou impressa no livro da vida, não imaginável pela mente humana.. A começar pela maneira como recebeu o nome de Clara, que significa Resplandecente. Pouco antes do seu nascimento, sua piedosa mãe, rezando diante de um crucifixo pelo bom êxito de sua entrada no mundo, ouviu uma voz que lhe disse: “Não temas, darás ao mundo uma luz que tornará mais clara a própria luz. Por isso, chamarás Clara à menina”. Luta para seguir a Vocação Veio ela à luz em 11 de julho de 1193. Seus pais eram de família nobre e cavalheiresca, e donos de grande fortuna. Desde tenra infância, causava admiração por suas virtudes, gostava da oração e desprezava os bens deste mundo. Jovem de grande formosura, de cabelos dourados e traços puros, muito cedo consagrou a Deus sua virgindade, desejosa de entregar-se por inteiro à Beleza infinita. Na flor da mocidade, aos 16 anos, ouviu diversas vezes as pregações de um frade cuja conversão havia comovido toda a cidade de Assis: São Francisco. A exemplo de Nossa Senhora, Clara meditava em seu coração as palavras incisivas do jovem pregador e não tardou a compreender que estava chamada a imitá-lo na santa vida que ele levava. Resolveu, então, tudo abandonar para seguir aquela testemunha viva de Deus. Seus pais, porém, tinham outros planos… Juntando à formosura, à nobreza e à riqueza um temperamento amável, essa moça tinha diante de si todas as possibilidades de um casamento brilhante e… proveitoso à família. Começou então para ela, não a luta de Santa Joana d’Arc nos campos de guerra, mas uma árdua batalha de palavras e atitudes para convencer seus pais a aceitarem uma decisão já tomada e irrevogável. Filha e discípula de São Francisco No domingo de Ramos de 1212, a jovem Clara se lançou numa aventura tão heróica que, a não ser inspirada pelo Espírito de Deus, faria tremer o mais audacioso dos Cruzados. Subtraindo- se à vigilância dos pais, acompanhada por uma parenta, foi ela confiar sua vocação ao bispo Guido, e seu porvir a um novo pai: São Francisco, o qual se tornou seu guia espiritual. Diante da imagem de Santa Maria dos Anjos, a jovem renunciou ao mundo por amor ao Menino Jesus, posto numa pobre manjedoura. Cobriu-se de uma túnica de lã e cingiu-se de uma corda, à maneira dos frades franciscanos, aos quais entregou suas luxuosas vestes. O próprio São Francisco cortou sua cabeleira de ouro e ela cobriu a cabeça com um véu negro, calçou sandálias de madeira e pronunciou os votos. Inconformados, seu pai e alguns parentes tentaram dissuadi-la de seguir o caminho por ela escolhido. Porém, firme na sua decisão, ela não se deixou em nada abalar pelos rogos e promessas que lhe fizeram. Quiseram, então, arrancá-la à força do Convento. Ela se pôs junto do altar e retirou o véu negro, mostrando-lhes a cabeça raspada, sinal do seu definitivo adeus ao mundo. /p> A inconformidade da família cresceu quando sua irmã Inês, por força das orações de Clara, foi juntar-se a ela no mesmo ideal de vida. Nova investida dos parentes. Doze homens fortes e bem armados, comandados pelo tio Monaldo, receberam ordens do pai para trazer Inês de volta, ainda que por meios violentos. Diante daquela demonstração de força, as freiras de Santo Ângelo decidiram deixar a jovem partir. Esta, porém, disposta a tudo, reagiu tenazmente à pretensão paterna. Arrastada pelos cabelos por um dos esbirros e espancada com brutalidade, ela gritava, pedindo socorro a Clara. A Santa rezava, invocando ajuda de Deus. De súbito, o corpo da moça torna-se pesado e rígido como um compacto bloco de pedra. Os doze robustos homens esforçam-se por arrastá-la. Tomado de fúria, o tio tenta esmagar-lhe a cabeça com suas luvas de ferro, mas fica com o braço paralisado no ar. Clara, então, aproxima-se, toma sua irmã toda esfolada, semimorta, e a reconduz ao convento. Perplexos, os agentes da prepotência paterna se retiram. A partir deste fato, a família não mais pôs obstáculos à vocação das filhas. A fortaleza espiritual da virgem frágil havia domado a força bruta da matéria. Anos depois, outra irmã, Beatriz, foi juntar-se a elas no Convento de Santo Ângelo. Finalmente, Santa Clara teve a consolação de ver sua mãe e muitas outras damas da cidade entrarem pela via de santificação aberta por ela, nas pegadas de São Francisco. Fundadora e Abadessa São Francisco escreveu uma “Regra de Vida” para as freiras, a qual se resumia na prática da Pobreza Evangélica. E em 1215 obteve para elas a aprovação do Papa Inocêncio III. Nessa ocasião, Clara, por ordem expressa do Santo Fundador, aceitou o encargo de Abadessa. Estava fundada a Ordem das Clarissas. Com a morte do seu pai, Clara herdou uma grande fortuna, da qual nada reteve para o convento. Distribuiua totalmente aos pobres. O Papa Gregório IX procurou fazê-la aceitar para si e para o convento alguns bens temporais, argumentando que podia, para esse fim, desligá-la do voto de pobreza. Ela respondeu: — Santo Padre, desligai-me dos meus pecados, mas não da obrigação de seguir Jesus Cristo! A mais perfeita imagem de São Francisco Uma das mais admiráveis conquistas de São Francisco foi Santa Clara, cujo nome parecia projetar luz e cujo simples retrato, estampado numa das paredes da basílica de Assis, ainda hoje comove o visitante com seu encanto misterioso, penetrante e atraente. Assim como a Virgem Maria é o mais perfeito reflexo de Jesus Cristo, a Fundadora das Clarissas, à maneira feminina, projeta a imagem mais perfeita de São Francisco de Assis. Imensa era a admiração de Santa Clara e suas filhas pelo seu Pai espiritual. Costumava ela dizer-lhe: “Dispõe de mim como te aprouver. Estou às tuas ordens. Depois que fiz a Deus o sacrifício de minha vontade, não mais me pertenço!” Conta-nos o historiador Joergensen que, “não obstante a humildade do Santo, ele teve de reconhecer em que alto grau de admiração era tido por Clara e suas freiras, e de compreender como grande parte dos sentimentos religiosos delas se ligava a esta veneração para com sua pessoa”. Instrumento para a realização de um plano de Deus Um biógrafo de Santa Clara observa que, nessa época na qual a Cristandade começava a imergir num processo de decadência, o mundo já parecia decrépito e envelhecido. Escurecia-se a visão da Fé, vacilavam os costumes cristãos na sociedade, enfraquecia-se o vigor dos grandes empreendimentos pela glória de Deus e salvação das almas. O ressurgimento dos antigos vícios pagãos veio agravar essa decadência. A Cristandade tendia para a moleza, o relaxamento, a perda do senso do sobrenatural, e se inebriava com os bens materiais proporcionados pelo avanço da civilização. Nesse contexto, interveio Deus, suscitando varões como São Francisco e São Domingos, verdadeiros luminares do mundo, mestres e guias dos povos. Com eles despontou um fulgor de meio-dia num mundo em ocaso. A Providência Divina não haveria de deixar sem ajuda o sexo mais frágil. Por isto, suscitou Santa Clara, acendendo nela uma luz claríssima e apresentando-a como modelo a ser imitado pelas mulheres. Os resultados não se fizeram esperar. A santidade arrasta Rapidamente se espalhou a fama de santidade de Clara. De toda parte as virgens acorriam a ela, querendo, a seu exemplo, se consagrarema Cristo. Não só isto. Tomadas de admiração pela virgindade, as mulheres já casadas sentiram um forte convite da graça para viverem mais castamente, segundo o seu estado. Nobres e ilustres senhoras, abandonando vastos palácios, construíram sentiram um forte convite da graça para viverem mais castamente, segundo o seu estado. Nobres e ilustres senhoras, abandonando vastos palácios, construíram mosteiros para neles viverem com grande honra, pelo amor de Cristo. O encanto pela pureza foi reanimado até mesmo em rapazes, os quais, pelo exemplo de Santa Clara e suas filhas, passaram a desprezar os prazeres enganosos da carne e foram procurar a verdadeira felicidade nos mosteiros dos frades franciscanos ou dominicanos. Aquele século viu com admiração e espanto uma prodigiosa inversão de conceitos. Tornou-se comum ver mães oferecerem suas filhas a Cristo, ou as filhas arrastarem suas mães. A irmã atraía as irmãs; e a tia, as sobrinhas. Todas com fervorosa emulação desejavam servir a Cristo, em troca de uma parte nessa vida angelical que Clara fez brilhar nas trevas do mundo. A novidade de tais sucessos correu pelo mundo inteiro, ganhando almas para Cristo em toda parte. Da clausura monástica, ela começou a iluminar todo o mundo. A fama de suas virtudes invadiu os salões das senhoras ilustres, chegou aos palácios das duquesas e penetrou nos aposentos das rainhas. A nata da nobreza passou a seguir suas pegadas. Santa Clara abrira o caminho para se propagar a observância da castidade no mundo, imprimindo uma vida nova ao estado de virgindade. Austeridade alegre e feliz A santa Abadessa era um exemplo vivo para suas filhas espirituais. Era a primeira a cumprir a regra na perfeição. À imitação de São Francisco, essas freiras praticaram austeridades até então desconhecidas do sexo feminino. Usavam um rústico cilício feito de crina de animal, andavam descalças, dormiam no chão, tendo por leito agressivos ramos e por travesseiro um duro pedaço de pau. Jejuavam nas vigílias de todas as festas da Igreja, passavam a pão e água todo o tempo da Quaresma. Durante o Advento — 11 de novembro ao dia de Natal — não tomavam alimento algum nas segundas, quartas e sextas-feiras. E ainda se submetiam a rudes disciplinas. Em meio a todas essas austeridades, nada se notava de melancolia ou tristeza em Santa Clara. Pelo contrário, seu rosto era sempre jovial, radiante de felicidade, cheio de encantadora serenidade e doçura, só falando de coisas alegres. À imitação do Redentor, ela lavava os pés das irmãs, servia a mesa e cuidava das enfermas, principalmente daquelas vítimas das doenças mais repugnantes. Ela mesma freqüentemente doente, entretanto, nunca deixava de trabalhar. Quando não podia se levantar, acomodava-se no leito e punha-se a bordar paramentos para as igrejas pobres. A formação diária das Irmãs No seu convento, eram perfeitas a observância do silêncio e a prática da honestidade. Entre essas virgens, não havia conversas vãs nem palavras levianas ou frívolas. A própria mestra, de poucas palavras, resumia em alocuções breves a abundância de sua mente.A santa Fundadora formava suas filhas espirituais com a pedagogia aprendida do Divino Mestre. Primeiro, mostrava-lhes como afastar da alma toda agitação, para poderem firmar-se somente na intimidade de Deus. Depois, ensinava-as a não se deixarem levar pelas lembranças dos ambientes sociais que deixaram, para viverem só para Cristo. Tinha cuidado em lhes fazer notar como o demônio insidioso arma laços ocultos para as almas puras e fervorosas, diferentes das tentações com que procura levar ao pecado as pessoas mundanas. Queria que todas tivessem tempos certos de trabalhos manuais, para fugir do torpor da negligência. “Vai em paz, minha alma!” Santa Clara trabalhou incansavelmente na Seara do Senhor durante seus 41 anos de vida monástica. Recebeu de seu Divino Esposo grandes graças místicas. Foi favorecida com o dom de operar milagres, do qual fez uso largamente em benefício de inúmeros doentes. O próprio Papa — que bem sabia como é livre o acesso das virgens puras à presença da Divina Majestade — muitas vezes dirigia-se a ela, pedindo suas valiosas orações. E sempre foi prontamente atendido. Os rigores da regra, as fadigas dos muitos trabalhos, a vida de mortificação levaram-na a contrair uma incômoda enfermidade que ela carregou com ufania ao longo dos últimos 28 anos de sua vida. Em seu leito de morte, teve a graça insigne de receber a visita do Papa Inocêncio IV, acompanhado de seus cardeais. Entregou sua luminosa alma a Deus no dia 11 de agosto de 1253, aos 60 anos de idade. Sua última conversa foi com sua própria alma: “Vai em paz minha alma! Tens um guia seguro que te mostrará o caminho: Aquele que te criou, santificou, amou e não cessou de vigiar com ternura de uma mãe que zela pelo filho único de seu amor. Dou graças e bendigo ao Senhor porque Ele criou a minha vida”. Ouvindo-a falar, uma irmã lhe perguntou: — Com quem conversavas, minha Madre? — Com minha alma — respondeu a Santa. Em 1255, menos de dois anos após sua morte, foi incluída no catálogo dos santos pelo Papa Alexandre IV, ante a evidência dos milagres obtidos através de sua intercessão. Desde então, é uma lâmpada colocada sobre o candelabro para iluminar todos os que habitam a casa do Senhor. Santa Clara de Assis Clara nasceu em Assis em 1194, duma nobre família, provavelmente no dia 11 de Julho, filha de Favorino, dos Scifi, e de Ortolana, dos Fiume, oriunda de Sterpeto. Os Scifi pertenciam a mais alta aristocracia de Assis, Favorino, que tinha o título de conde de Sasso Rosso, era cavaleiro. Aliás, todos os seus parentes buscavam a carreira das armas. Ortolana, muito piedosa, dedicada às boas obras, teve cinco filhos: um homem, Bosone, e quatro mulheres, Peneda, Clara, Inês e Beatriz. Da mãe de Santa Clara conta-se que tinha feito várias peregrinações, como a de Bari e a da Terra Santa. Estando para dar à luz a filha, rogava a Deus com instância para que tudo lhe corresse bem. Ouviu, então, uma voz que lhe disse: – Não temas. Darás ao mundo uma luz que o iluminará. Por isso, chamarás Clara à menina. Clara, luminosa e ilustre, cresceu na casa de Assis, cercada de conforto. Desde a infância, foi caridosa para com os pobres e aplicada à oração. Conta-se que, não tendo com que contar os Padre-Nossos e as Ave-Marias que rezava, e queria saber quantos diria, lançava mão de pedrinhas. Sob os ricos vestidos, usava cilício, um rude cilício de pelos bastantes ásperos. Aos quinze anos, era alta e bela, recolhida e silenciosa, de lindos cabelos loiros. Resolveram os pais, um dia, casá-la. Entre os muitos pretendentes, um, especialmente, era do agrado de Favorino e de Ortolana. Falaram, a respeito, com a filha, e muito surpresos ficaram com a firme resposta da linda jovem. Clara não queria ouvir falar em casamento, e, como a mãe entrasse a atormentá-la com perguntas buscando a razão da obstinada negativa, a filha revelou-lhe que se consagrara a Deus e estava firmemente disposta a jamais conhecer homem algum. Tendo ouvido falar de Francisco, filho de Pedro Bernardone, convertido bruscamente em 1208, e que agora levava vida à imitação de Jesus Cristo, Aquele que nem sequer tinha uma pedra onde pudesse repousar a cabeça, sentira-se tocada. Tendo restaurado as capelas de São Damião, de São Pedro e de Santa Maria dos Anjos, ao lado da qual se estabelecera com alguns companheiros. Francisco, de volta a Roma, em 1211, com autorização pontifícia para pregar, acendeu no coração de Clara o mais vivo desejo de ouvi-lo e vê-lo. Logo todos ouviram-no a predicar a quaresma. E a jovem filha de Favorino e Ortolana, desde o primeiro instante em, que relanceou os olhos no Pobrezinho de Assis, sentiu que a vida que ele levava era justamente a vida que a ele destinava a vontade de Deus. Ora, dois frades, Rufino e Silvestre, ambos pertencentes à família de Clara, propuseram-se a pô-la em contato com Francisco, e, um belo dia, a jovem, acompanhada, como convinha, duma parenta, a qual tradição chamou de Bona Guelfucci, eis a jovem, ardentemente, diante do filho de Barnardone. Francisco, duns tempos àquela parte, já havia ouvido falar de Clara, e resolveu “roubar ao mundo mau tão nobre presa, como diz a legenda, para com a jovem enriquecer o divino Mestre. Assim, ele logo se pôs a aconselhá-la, francamente, para que desprezasse o mundo, aquele mundo vão e transitório, para que resistisse aos pais e conservasse o corpo como um templo só para Deus e a não ter outro esposo senão a Nosso Senhor Jesus Cristo”. São Francisco, desde então, tornou-se o guia, o pai espiritual de Santa Clara, que, sentindo-se muito segura de si, ia preparando o terreno para o grande dia, o dia em que se daria totalmente para as coisas de Deus. O grande dia chegava. A 18 de Março de 1212, Domingo de Ramos, de manhã, foi à igreja, com a mãe, as irmãs e as mulheres que habitualmente as acompanhavam. E, enquanto as outras se apressavam a receber os ramos, Clara deixou-se ficar no seu lugar, por modéstia. E o bispo, descendo do altar, veio oferecer-lhe o ramo, como um presságio da vitória que ia obter sobre o mundo. Na noite seguinte, preparou a fuga, seguindo a ordem de Francisco, mas, como o exigia a decência, fazendo-se acompanhar. Saiu secretamente de casa. Deixou a cidade e tomou o rumo de Santa Maria dos Anjos, onde os irmãos, que cantavam as matinas, receberam-na à luz de grandes archotes. Diante do altar da Rainha das Virgens, Francisco cortou-lhe os cabelos, os “belos cabelos loiros”, e a revestiu com o hábito de penitência. Em seguida, Clara, comovidamente, pronunciou o voto de pobreza e de castidade. Tudo o que trouxera consigo e era precioso, distribuiu-o aos pobres. E Francisco, também comovido, levou-a imediatamente a um mosteiro de religiosas de São Bento, em São Paulo de Assis, onde a deixou. Clara contava, então dezoito anos. O refúgio da filha de Favorino não tardou a ser descoberto. Tendo fugido de casa por uma porta que vivia quase sempre fechada, Chamada Porta da Morte, porque por ali é que saiam os que morriam, Favorino logo deu pela coisa, já que uma pilha de lenha, então contra a porta, fora completamente arredada. Descoberto, pois o paradeiro da filha, o pai com alguns parentes, foi ter com ela, para trazê-la de volta para casa. A Clara que Favorino encontrou foi uma Clara absolutamente adversa daquela antiga jovem obediente que conhecia muito bem: resoluta e irredutível agora, de nada valeram, para demovê-la daquela vida nova que pretendia levar, as promessas e as ameaças. Empregaram, então, a violência, mas Clara, desvencilhando-se das mãos do pai, correi para junto do altar da igreja e ali tirou o véu que lhe cobria a cabeça, a todos mostrando-a raspada, dando a entender que, para todo o sempre, dera solene adeus ao século. Francisco, como as tentativas de Favorino para recuperar a filha se repetissem, resolveu transferi-la para outro convento, em que a jovem se visse mais resguardada. Foi assim que Santa Clara passou a Santo Angelo de Panzo, também das beneditinas. A cólera de Favorino, quando soube que dezesseis dias depois da fuga de Clara também Inês lhe fugia, para ir ao encontro da irmã, chegou ao auge, Noiva já, com dia do casamento marcado, eis que, louca, deixara os pais, deixara os seus, a bela casa e as belas relações, para viver como a irmã vivia, longe de tudo e de todos. Fremente, o pai rogou a Monaldo, tio de seus filhos, que arranjasse muitos homens armados e, a todo custo, trouxesse Inês de volta. Monaldo, e os homens que reunira, chegou às portas do convento, fingindo que vinha em paz. Queria somente que as freiras lhe entregasse a jovem que fugira da casa paterna e nada mais. Contudo, conforme a resposta, usariam a força. As freiras de Santo Angelo ficaram, diante daqueles homens armados, tomadas do mais vivo pavor, e prometeram entregar-lhes a moça Inês sem tardança. A filha de Favorino, porém, resistiu: ali estava, viera para ficar e não se iria, de forma alguma. Então inopinadamente, um dos homens, com um salto, apoderou-se dela, furioso ante as negativas da moça, e pôs-se a esbordá-la, a despedir-lhe rudes pontapés, entrando a puxá-la pelos cabelos, Não ia de bom aviso? Iria por mal! Inês, arrastada pelo caminho, prorrompia em brados chamando a irmã em socorro. Pobre Clara, delicada! Que poderia fazer? Que força opor à bruta força daqueles homens? Somente Deus, que tudo pode, socorreria a boa Inês. E Clara, na sua singela celazinha, toda no ardor da fé, enquanto a irmã, arrastada, de vestes rasgadas, toda esfolada, ia sendo conduzida para Assis, rogou a Deus que viesse, benigno, em auxílio de duas pobres e frágeis mulheres. Eis senão quando, os robustos homens vitoriosos sentiram que uma força estranha não mais lhes permitia arrastar a levíssima filha de Favorino. Pesada, como se fora de chumbo, não conseguiram, por mais força que empregassem, puxá-la um centímetro sequer. Debalde, os brutos sacudiram-na, malharam-na, tentaram erguê-la, fazer, enfim, qualquer coisa. O tio Monaldo, encolerizadíssimo, aproximou-se da sobrinha. Mirou-a, os olhos fuzilando, e, tomado por uma fúria sem par, levantou o braço, o punho enluvado de ferro, para golpeá-la. Quando foi descê-lo com toda a força, no rosto da sobrinha, não o conseguiu. Petrificara-se todo, o tio Monaldo, De braço alevantado, de punho ameaçador erguido, era bem, todo ele, uma estátua do furor mesclado à surpresa. Que lhe sucedia? Depois da ardente oração, Clara deixou a cela e desceu. Aproximou-se dos homens, tomou Inês para si, protetoralmente, e o tio, com os seus, abismados e surpresos, deixaram-nas em paz, indo-se para Assis. Desde aquele dia, Favorino e a família não mais se intrometeram na vida das duas moças, permitindo-lhes que vivessem a vida que tanto desejavam viver, mas sabiam os Scifi e os Fiume que, mais tarde, Beatriz havia de reunir-se às duas irmãs consagradas a Deus, bem como Ortolana. Joergensen conta-nos assim o fim da santa fundadora das pobres clarissas: Ao contrário de Francisco, por mais rígida que fosse a sua vida, Clara chegou à velhice; morreu aos sessenta anos, depois de quarenta e um de vida monacal. Este longo período foi enchido por acontecimento inolvidável: a morte de São Francisco em 1226. Quando, percebendo estar perto de morrer, Francisco fez-se levar lá para baixo, para a Porciúncula, e estendeu-se na caminha na sua pobre celinha, Clara mandou dizer-lhe que folgaria de poder tornar a vê-lo ainda uma vez. Mas, como resposta, o Santo disse a um dos frades: – Vai dizer a irmã Clara que ponha de lado toda tristeza. Neste momento é impossível que ela venha ver-me. Mas dize-lhe que pode estar certa, tanto ela, como as outras freiras de que tornarão a ver-me antes de sua morte, e se acharão com isso grandemente confortadas. Decorridos poucos dias, Francisco morreu. Mas, no dia seguinte à sua mrote, os habitantes de Assis vieram buscar-lhe os despojos corporais e, juntamente com os frades, transportaram-nos para Assis, no meio de hinos e cantos de louvor, e de sons de trombetas, levando todos os componentes do cortejo uma tocha acesa e um ramo de oliveira. E, quando, ao raiar daquela manhã de outubro, enquandto as névoas de prata ainda vagavam pelo vale e lhe davam o aspecto de um mar imenso, o fúnebre cortejo atingiu as colinas de São Damião, já iluminadas pelo sol, parou e o corpo foi levado para a igreja e depositado tão perto da grade das freiras, que estas puderam ver, pela última vez, seu pai espiritual, como este lhes prometera. E os frades que carregavam o corpo tiraram fora a grade, através da qual as servas do Senhor costumavam receber a Santíssima Eucaristia e escutar a palavra de Deus, e soergueram do ataúde aquele corpo venerável, e mantiveram-no sobre os braços, diante da janela, tão longo tempo quanto, para conforto seu, podiam desejá-lo irmã Clara e as outras monjas – como nos conta o Speculum Perfectionis (Cap. CVIII, Cf. a Vita Prima de Celano, c. X: Esta cena piedosíssima, passava-se no atual coro dos frades em São Damião, no fundo do qual ainda é visível abrindo=se uma portinha do respaldo – a janelinha pela qual as pobres mulheres de São Damião puderam beijar as chagas santíssimas do seu pranteado Mestre. (Cavanna, ap. cit., p. 107) Depois, a igrejinha ressoou de tristes lamentos e de ternos adeuses, de prantos e de soluços, porque, como diz São Tomás de Celano, “quem não ficaria comovido até as lágrimas, se até mesmo os anjos da paz choravam amargamente? Os anos passaram, e Clara vivia sempre. Francisco se fora, mas os seus amigos íntimos, Leão, Angelo, Frei Junípero, iam frequentemente a São Damião, e Clara entretinha-se de bom grado a falar com eles, do tempo em que vivia o seu amado mestre. Também Frei Egídio, que, aliás, segundo a expressão de Berbardo de Quintaval, “deixava-se ficar continuamente recluso na sua cela como uma virgenzinha na sua câmara”, ainda ia de vez em vez visitar Clara. Ora, numa destas visitas sucedeu uma cena que merece ser narrada, porque saturada de verdadeiro espírito franciscano. Um franciscano inglês, doutor em teologia pregava em São Damião, e os seus discursos eruditos eram mui diferentes dos discursos ali outrora pronunciados por Francisco. Todos notavam a diferença, quando, de repente, do fundo da igreja, Frei Egídio levantou a voz e clamou: – Cessa de falar, mestre, porque quero pregar eu! Logo o doutor inglês se calou, e Egídio falou, todo inflamado do espírito de Deus, diz-nos a antiga legenda. Quando acabou, tornou a dar a palavra ao pregador estrangeiro, que pode terminar o seu sermão. Mas Clara confessou, depois que isso que sucedera a alegrara mais do que se ela tivesse visto ressuscitar um morto: Porque era desejo de nosso pai Francisco que um doutro em teologia se humilhasse tanto a ponto de consentir imediatamente em se calar, quando um frade leigo manifestasse a vontade de pregar em lugar dele. (Acta SS. Abril, III, p. 239; Vita de F. Egídio, c. XII e LVIII). Chegou finalmente, o momento em que também irmã Clara ouviu o convite de irmã Morte. Desde que havia vinte e oito anos, ela, por assim dizer, nunca cessara de ser atormentado pelo mal. E, no outono de 1252, pareceu estar bem compenetrada do seu fim. Contudo, a grande missão de sua vida ainda não estava totalmente cumprida. Clara ainda não obtivera a confirmação explícita e absoluta do seu Privilégio de Pobreza. Por aquela época, de Lião, para onde tivera de fugir, expulso para ali pela soldadesca de Frederico II, Inocêncio IV retornou à Itália. Em 1250, esse imperador, excomungado, morreu em Fiorenzola; e, em setembro de 1252, pode o Papa estabelecer-se livremente em Perúsia. Ora, havendo-se a corte pontifícia estabelecido pacificamente na cidade umbra, o cardeal Rinaldo, o futuro Papa Alexandre IV, que então era o sustentáculo e o defensor das clarissas, foi a São Damião. De própria mão deu a comunhão à irmã Clara; e ela, aproveitando aquela visita, conjurou o cardeal a conseguir do Papa a confirmação do seu privilégio. No verão de 1253, o próprio Papa, com a corte, foi a Assis, para ali visitar Clara, enferma. Quando esta lhe pediu a sua benção, a indulgência plenária e a remissão total dos seus pecados, Inocêncio suspirou: – Oxalá, filha não tivesse eu, mais do que tu, necessidade da divina misericórdia! Depois da partida do Papa, Clara disse as freias que lhe acorreram ao redor do leito: – Minhas filhas, precisamos agradecer a Deus mais do que nunca! Porque, esta manhã, eu o recebi sob as espécies eucarísticas, e agora fui reputada digna de ser visitada pelo seu Vigário na terra! Desde esse momento, as freiras não mãos deixaram o leito de Clara. Inês, que, devendo dirigir o convento de Monticelli, perto de Florença, havia trinta anos que vivia separada da irmã, veio também, e ajoelhou-se, para rezar, próximo ao leito dela. Os dias passavam e a moribunda estava sempre no mesmo estado: havia mais de duas semanas que não comia absolutamente nada, e, contudo, sentia-se ainda bastante forte. Como o seu confessor a exortasse à paciência, ela respondeu: – Desde que o nosso saudoso pai São Francisco me descobriu as infinitas perfeições e os atrativos de Cristo, nenhuma doença me pareceu pesada, nenhuma pena demasiada cruel, nenhuma penitência excessivamente dura! Depois disse aos seus amigos da Porciúncula, Leão, Angelo e Junípero, que se aproximassem e lhe lessem a história da Paixão de Nosso Senhor. Os três aproximaram-se. Frei Junípero, comunicou-lhe o seu tesouro das “novas de Deus”, enquanto Leão, ajoelhado ao pé do leito, banhava de lágrimas o leito da moribunda, e frei Angelo procurava consolar as freiras chorosas. Após alguns momentos de silêncio solene, clara murmurou em voz baixa: – Vai, ó minha alma, vai em paz, pois tens um guia seguro que te mostra o caminho. Aquele que te criou, também te santificou e te amou, e não cessou de vigiar sobre ti com toda a ternura de uma mãe pelo filho único do seu amor. E vós, Senhor, sede bendito por me haverdes criado! Depois calou-se de novo e ficou imóvel, com os olhos abertos, como se escutasse uma resposta. – A quem falais? Perguntou-lhe uma freira. – À minha alma! – respondeu solenemente Clara. E, pouco depois, acrescentou: – Vês, minha filha, o Rei da Glória que eu estou contemplando? Os olhos de todos velados de lágrimas, olhavam para a moribunda, Mas Clara já não os vê. Sem se cansar, mantém o olhar fixo na porta da celinha. E eis que a porta se abriu e ela viu uma fila de virgens que se adiantavam, vestidas de branco, com uma coroa de ouro na cabeça. E uma dessas virgens vencia em esplendor e dominava todas as outras. O seu diadema, ornado de pedras preciosas, era o mais fúlgido, e toda a sua pessoas irradiava uma luz doce e viva que encheu a cela. A bela dama luminosa atravessou as linhas das suas companheiras para chegar até o leito de Clara, e ali, curvou-se sobre ela e recobriu-a toda de um véu esplendíssimo. E foi assim, sustentada nos braços de Maria, e sob o escudo do manto imaculado da Rainha do Céu, que a alma de clara subiu à mansão da eterna bem-aventurança. O corpo da morta ficou na caminha, e entre os dedos enrijados ela segurava a bula do Papa, escrita dois dias antes, com a confirmação solene e definitiva do direito, para Clara e suas monjas, de viverem conformemente ao ideal franciscano O convento de São Damião subsiste ainda, e é-nos mostrado quase como o conhecera Clara e suas monjas. Ali revemos o minúsculo coro, onde as primeiras clarissas rezavam o breviário. Ao longo das paredes vêem-se sempre os assentos todos gastos, grosseiramente trabalhados, e, no centro, uma estante lixada, a antiga estante com os grandes antifonários, abertos na página da festa do dia. Além disto, énos mostrada a sineta de que Clara se servia para reunir as freiras para a oração, o copo de estanho onde ela bebia após receber o Santíssimo Sacramento, o breviário que frei Leão escrevera para ela, e cujas páginas cada dia, a sua mão folheava e, depois ainda, um relicário todo de cobre, a ela dado pelo Papa Inocêncio IV. Há ali o refeitório, onde Gregório IX foi hospedado por irmã Clara, e onde, por odem do Papa ela benzeu os pães, sobre cada um dos quais, à medida que ela os benzia, desenhava-se miraculosamente uma cruz. E, depois de visitarmos a cela, estreita e baixa, de Clara, podemos ver ainda o seu chamado jardim, um pequeniníssimo talude, com umas poucas, entre dois muros. Mas, do minúsculo terraço que encerra esse jardim, descortinamos, por entre aqueles muros, o magnífico panorama de toda a região umbra: vemos Rivo Torto, a Porciúncula, as estradas brancas, as campinas semeadas de olivedos, e a pequena cidade de Betona, lá ao longe, entre as montanhas azuis. No jardim, depois, há um murinho cheio de terra, onde ainda desabrocham aquelas flores que eram as únicas amadas e cultivadas pela Santa: o lírio, símbolo da pureza, a violeta, símbolo da humildade, e a rosa, símbolo no nosso amor a Deus e aos homens. Santa Clara morreu no dia 11 de Agosto de 1253. À imitação de São Francisco, fez o testamento, onde contou a sua conversão e recomendou às irmãs, sobre todas as coisas, o amor à pobreza, seguindo o espírito do seráfico pai. Logo que se soube da morte da seráfica filha do Poverello, toda a cidade de Assis correu, aflita, incontida, a São Damião, e o prefeito foi obrigado a colocar guardas para que não lhe arrebatassem o corpo. Os frades menores começaram o ofício dos mortos e o Papa quis que se cantasse o das virgens, como para canonizar a Santa antecipadamente, mas o cardeal de Óstia fez ver que não se devia “andar tão depressa”. Assim, foi recitado o ofício e a missa dos mortos e o mesmo cardeal fez um sermão sobre o desprezo das vaidades do mundo. Como não se julgou conveniente deixar o corpo de Santa Clara em São Damião, fora da cidade, levaram-no a São Jorge, onde o Pobrezinho de Assis, tinha sido enterrado antes, e aquele cortejo, honrado com a presença do Papa e dos cardeais, fez-se ao som das trombetas, com toda a solenidade possível. Canonizada por Alexandre IV, em 1255, cinco anos depois o corpo foi solenemente transferido para São Damião, para o novo mosteiro que se tinha construído na cidade, a mandado do Papa. Em 1265, alevantou-se uma igreja que tem o nome da santa virgem fundadora das clarissas. O Papa Clemente V consagrou-lhe o altar-mor, sob a invocação da Santa, e as relíquias da filha de Favorino e de Ortolana ainda hoje ali se conservam (Acta SS.. 11 Aug.). Fotos: santiebeati.it (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIV, p. 346 à 352 – 369 à 377) Conheça também a história de outros santos: Santo do Dia – 10 de Agosto – Santa Filomena, padroeira dos Filhos de Maria Santo do Dia – 10 de Agosto – São Lourenço, Diácono e Mártir Santo do Dia – 12 de Agosto – Santa Joana Francisca de Chantal #SantodoDia

  • Santa Clara de Assis, a dama dos pobres – 11 de Agosto

    SANTO DO DIA – 11 DE AGOSTO – SANTA CLARA DE ASSIS, PADROEIRA DA TELEVISÃO Fundou a Ordem das Clarissas (1193-1253) Clara nasceu em Assis, no ano 1193, no seio de uma família da nobreza italiana, muito rica, onde possuía de tudo. Porém o que a menina mais queria era seguir os ensinamentos de Francisco de Assis. Aliás, foi Clara a primeira mulher da Igreja a entusiasmar-se com o ideal franciscano. Sua família, entretanto, era contrária à sua resolução de seguir a vida religiosa, mas nada a demoveu do seu propósito. No dia 18 de março de 1212, aos 19 anos de idade, fugiu de casa e, humilde, apresentou-se na igreja de Santa Maria dos Anjos, onde era aguardada por Francisco e seus frades. Ele, então, cortou-lhe o cabelo, pediu que vestisse um modesto hábito de lã e pronunciasse os votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência. Depois disso, Clara, a conselho de Francisco, ingressou no Mosteiro Beneditino de São Paulo das Abadessas, para ir se familiarizando com a vida em comum. Pouco depois, foi para a Ermida de Santo Ângelo de Panço, onde Inês, sua irmã de sangue, juntou-se a ela. Pouco tempo depois, Francisco levou-as para o humilde Convento de São Damião, destinado à Ordem Segunda Franciscana, das monjas. Em agosto, quando ingressou Pacífica de Guelfúcio, Francisco deu às irmãs sua primeira forma de vida religiosa. Elas, primeiramente, foram chamadas de ‘Damianitas’, depois, como Clara escolheu, de ‘Damas Pobres’, e finalmente, como sempre serão chamadas, de ‘Clarissas’. Em 1216, sempre orientada por Francisco, Clara aceitou para a sua Ordem as regras beneditinas e o título de abadessa. Mas conseguiu o ‘privilégio da pobreza’ do papa Inocêncio III, mantendo, assim, o carisma franciscano. O testemunho de fé de Clara foi tão grande que sua mãe, Ortolana, e mais uma de suas irmãs, Beatriz, abandonaram seus ricos palácios e foram viver ao seu lado, ingressando também na nova Ordem fundada por ela. A partir de 1224, Clara adoeceu e, aos poucos, foi definhando. Em 1226, Francisco de Assis morreu, e Clara teve visões projetadas na parede da sua pequena cela. Lá, via Francisco e os ritos das solenidades do seu funeral que estavam acontecendo na igreja. Anteriormente, tivera esse mesmo tipo de visão numa noite de Natal, quando viu, projetado, o presépio, e pôde assistir ao santo ofício que se desenvolvia na igreja de Santa Maria dos Anjos. Por essas visões, que pareciam filmes projetados numa tela, santa Clara é considerada Padroeira da Televisão e de todos os seus profissionais. Depois da morte de são Francisco, Clara viveu mais 27 anos, dando continuidade à obra que aprendera e iniciara com ele. Outro feito de Clara ocorreu em 1240, quando, portando nas mãos o Santíssimo Sacramento, defendeu a cidade de Assis do ataque do exército dos turcos muçulmanos. No dia 11 de agosto de 1253, algumas horas antes de morrer, Clara recebeu das mãos de um enviado do papa Inocêncio IV a aguardada bula de aprovação canônica, deixando, assim, as sua ‘irmãs clarissas’ asseguradas. Dois anos após sua morte, o papa Alexandre IV a proclamou santa Clara de Assis. Santa Clara trabalhou incansavelmente na Seara do Senhor durante seus 41 anos de vida monástica. Recebeu de seu Divino Esposo grandes graças místicas. Foi favorecida com o dom de operar milagres. Inúmeros literatos, novelistas e romancistas ganharam celebridade narrando epopéias fictícias, produto de sua fértil imaginação. Nenhum deles, entretanto, seria capaz de inventar a história que Santa Clara deixou impressa no livro da vida, não imaginável pela mente humana.. A começar pela maneira como recebeu o nome de Clara, que significa Resplandecente. Pouco antes do seu nascimento, sua piedosa mãe, rezando diante de um crucifixo pelo bom êxito de sua entrada no mundo, ouviu uma voz que lhe disse: “Não temas, darás ao mundo uma luz que tornará mais clara a própria luz. Por isso, chamarás Clara à menina”. Luta para seguir a Vocação Veio ela à luz em 11 de julho de 1193. Seus pais eram de família nobre e cavalheiresca, e donos de grande fortuna. Desde tenra infância, causava admiração por suas virtudes, gostava da oração e desprezava os bens deste mundo. Jovem de grande formosura, de cabelos dourados e traços puros, muito cedo consagrou a Deus sua virgindade, desejosa de entregar-se por inteiro à Beleza infinita. Na flor da mocidade, aos 16 anos, ouviu diversas vezes as pregações de um frade cuja conversão havia comovido toda a cidade de Assis: São Francisco. A exemplo de Nossa Senhora, Clara meditava em seu coração as palavras incisivas do jovem pregador e não tardou a compreender que estava chamada a imitá-lo na santa vida que ele levava. Resolveu, então, tudo abandonar para seguir aquela testemunha viva de Deus. Seus pais, porém, tinham outros planos… Juntando à formosura, à nobreza e à riqueza um temperamento amável, essa moça tinha diante de si todas as possibilidades de um casamento brilhante e… proveitoso à família. Começou então para ela, não a luta de Santa Joana d’Arc nos campos de guerra, mas uma árdua batalha de palavras e atitudes para convencer seus pais a aceitarem uma decisão já tomada e irrevogável. Filha e discípula de São Francisco No domingo de Ramos de 1212, a jovem Clara se lançou numa aventura tão heróica que, a não ser inspirada pelo Espírito de Deus, faria tremer o mais audacioso dos Cruzados. Subtraindo- se à vigilância dos pais, acompanhada por uma parenta, foi ela confiar sua vocação ao bispo Guido, e seu porvir a um novo pai: São Francisco, o qual se tornou seu guia espiritual. Diante da imagem de Santa Maria dos Anjos, a jovem renunciou ao mundo por amor ao Menino Jesus, posto numa pobre manjedoura. Cobriu-se de uma túnica de lã e cingiu-se de uma corda, à maneira dos frades franciscanos, aos quais entregou suas luxuosas vestes. O próprio São Francisco cortou sua cabeleira de ouro e ela cobriu a cabeça com um véu negro, calçou sandálias de madeira e pronunciou os votos. Inconformados, seu pai e alguns parentes tentaram dissuadi-la de seguir o caminho por ela escolhido. Porém, firme na sua decisão, ela não se deixou em nada abalar pelos rogos e promessas que lhe fizeram. Quiseram, então, arrancá-la à força do Convento. Ela se pôs junto do altar e retirou o véu negro, mostrando-lhes a cabeça raspada, sinal do seu definitivo adeus ao mundo. /p> A inconformidade da família cresceu quando sua irmã Inês, por força das orações de Clara, foi juntar-se a ela no mesmo ideal de vida. Nova investida dos parentes. Doze homens fortes e bem armados, comandados pelo tio Monaldo, receberam ordens do pai para trazer Inês de volta, ainda que por meios violentos. Diante daquela demonstração de força, as freiras de Santo Ângelo decidiram deixar a jovem partir. Esta, porém, disposta a tudo, reagiu tenazmente à pretensão paterna. Arrastada pelos cabelos por um dos esbirros e espancada com brutalidade, ela gritava, pedindo socorro a Clara. A Santa rezava, invocando ajuda de Deus. De súbito, o corpo da moça torna-se pesado e rígido como um compacto bloco de pedra. Os doze robustos homens esforçam-se por arrastá-la. Tomado de fúria, o tio tenta esmagar-lhe a cabeça com suas luvas de ferro, mas fica com o braço paralisado no ar. Clara, então, aproxima-se, toma sua irmã toda esfolada, semimorta, e a reconduz ao convento. Perplexos, os agentes da prepotência paterna se retiram. A partir deste fato, a família não mais pôs obstáculos à vocação das filhas. A fortaleza espiritual da virgem frágil havia domado a força bruta da matéria. Anos depois, outra irmã, Beatriz, foi juntar-se a elas no Convento de Santo Ângelo. Finalmente, Santa Clara teve a consolação de ver sua mãe e muitas outras damas da cidade entrarem pela via de santificação aberta por ela, nas pegadas de São Francisco. Fundadora e Abadessa São Francisco escreveu uma “Regra de Vida” para as freiras, a qual se resumia na prática da Pobreza Evangélica. E em 1215 obteve para elas a aprovação do Papa Inocêncio III. Nessa ocasião, Clara, por ordem expressa do Santo Fundador, aceitou o encargo de Abadessa. Estava fundada a Ordem das Clarissas. Com a morte do seu pai, Clara herdou uma grande fortuna, da qual nada reteve para o convento. Distribuiua totalmente aos pobres. O Papa Gregório IX procurou fazê-la aceitar para si e para o convento alguns bens temporais, argumentando que podia, para esse fim, desligá-la do voto de pobreza. Ela respondeu: — Santo Padre, desligai-me dos meus pecados, mas não da obrigação de seguir Jesus Cristo! A mais perfeita imagem de São Francisco Uma das mais admiráveis conquistas de São Francisco foi Santa Clara, cujo nome parecia projetar luz e cujo simples retrato, estampado numa das paredes da basílica de Assis, ainda hoje comove o visitante com seu encanto misterioso, penetrante e atraente. Assim como a Virgem Maria é o mais perfeito reflexo de Jesus Cristo, a Fundadora das Clarissas, à maneira feminina, projeta a imagem mais perfeita de São Francisco de Assis. Imensa era a admiração de Santa Clara e suas filhas pelo seu Pai espiritual. Costumava ela dizer-lhe: “Dispõe de mim como te aprouver. Estou às tuas ordens. Depois que fiz a Deus o sacrifício de minha vontade, não mais me pertenço!” Conta-nos o historiador Joergensen que, “não obstante a humildade do Santo, ele teve de reconhecer em que alto grau de admiração era tido por Clara e suas freiras, e de compreender como grande parte dos sentimentos religiosos delas se ligava a esta veneração para com sua pessoa”. Instrumento para a realização de um plano de Deus Um biógrafo de Santa Clara observa que, nessa época na qual a Cristandade começava a imergir num processo de decadência, o mundo já parecia decrépito e envelhecido. Escurecia-se a visão da Fé, vacilavam os costumes cristãos na sociedade, enfraquecia-se o vigor dos grandes empreendimentos pela glória de Deus e salvação das almas. O ressurgimento dos antigos vícios pagãos veio agravar essa decadência. A Cristandade tendia para a moleza, o relaxamento, a perda do senso do sobrenatural, e se inebriava com os bens materiais proporcionados pelo avanço da civilização. Nesse contexto, interveio Deus, suscitando varões como São Francisco e São Domingos, verdadeiros luminares do mundo, mestres e guias dos povos. Com eles despontou um fulgor de meio-dia num mundo em ocaso. A Providência Divina não haveria de deixar sem ajuda o sexo mais frágil. Por isto, suscitou Santa Clara, acendendo nela uma luz claríssima e apresentando-a como modelo a ser imitado pelas mulheres. Os resultados não se fizeram esperar. A santidade arrasta Rapidamente se espalhou a fama de santidade de Clara. De toda parte as virgens acorriam a ela, querendo, a seu exemplo, se consagrarema Cristo. Não só isto. Tomadas de admiração pela virgindade, as mulheres já casadas sentiram um forte convite da graça para viverem mais castamente, segundo o seu estado. Nobres e ilustres senhoras, abandonando vastos palácios, construíram sentiram um forte convite da graça para viverem mais castamente, segundo o seu estado. Nobres e ilustres senhoras, abandonando vastos palácios, construíram mosteiros para neles viverem com grande honra, pelo amor de Cristo. O encanto pela pureza foi reanimado até mesmo em rapazes, os quais, pelo exemplo de Santa Clara e suas filhas, passaram a desprezar os prazeres enganosos da carne e foram procurar a verdadeira felicidade nos mosteiros dos frades franciscanos ou dominicanos. Aquele século viu com admiração e espanto uma prodigiosa inversão de conceitos. Tornou-se comum ver mães oferecerem suas filhas a Cristo, ou as filhas arrastarem suas mães. A irmã atraía as irmãs; e a tia, as sobrinhas. Todas com fervorosa emulação desejavam servir a Cristo, em troca de uma parte nessa vida angelical que Clara fez brilhar nas trevas do mundo. A novidade de tais sucessos correu pelo mundo inteiro, ganhando almas para Cristo em toda parte. Da clausura monástica, ela começou a iluminar todo o mundo. A fama de suas virtudes invadiu os salões das senhoras ilustres, chegou aos palácios das duquesas e penetrou nos aposentos das rainhas. A nata da nobreza passou a seguir suas pegadas. Santa Clara abrira o caminho para se propagar a observância da castidade no mundo, imprimindo uma vida nova ao estado de virgindade. Austeridade alegre e feliz A santa Abadessa era um exemplo vivo para suas filhas espirituais. Era a primeira a cumprir a regra na perfeição. À imitação de São Francisco, essas freiras praticaram austeridades até então desconhecidas do sexo feminino. Usavam um rústico cilício feito de crina de animal, andavam descalças, dormiam no chão, tendo por leito agressivos ramos e por travesseiro um duro pedaço de pau. Jejuavam nas vigílias de todas as festas da Igreja, passavam a pão e água todo o tempo da Quaresma. Durante o Advento — 11 de novembro ao dia de Natal — não tomavam alimento algum nas segundas, quartas e sextas-feiras. E ainda se submetiam a rudes disciplinas. Em meio a todas essas austeridades, nada se notava de melancolia ou tristeza em Santa Clara. Pelo contrário, seu rosto era sempre jovial, radiante de felicidade, cheio de encantadora serenidade e doçura, só falando de coisas alegres. À imitação do Redentor, ela lavava os pés das irmãs, servia a mesa e cuidava das enfermas, principalmente daquelas vítimas das doenças mais repugnantes. Ela mesma freqüentemente doente, entretanto, nunca deixava de trabalhar. Quando não podia se levantar, acomodava-se no leito e punha-se a bordar paramentos para as igrejas pobres. A formação diária das Irmãs No seu convento, eram perfeitas a observância do silêncio e a prática da honestidade. Entre essas virgens, não havia conversas vãs nem palavras levianas ou frívolas. A própria mestra, de poucas palavras, resumia em alocuções breves a abundância de sua mente.A santa Fundadora formava suas filhas espirituais com a pedagogia aprendida do Divino Mestre. Primeiro, mostrava-lhes como afastar da alma toda agitação, para poderem firmar-se somente na intimidade de Deus. Depois, ensinava-as a não se deixarem levar pelas lembranças dos ambientes sociais que deixaram, para viverem só para Cristo. Tinha cuidado em lhes fazer notar como o demônio insidioso arma laços ocultos para as almas puras e fervorosas, diferentes das tentações com que procura levar ao pecado as pessoas mundanas. Queria que todas tivessem tempos certos de trabalhos manuais, para fugir do torpor da negligência. “Vai em paz, minha alma!” Santa Clara trabalhou incansavelmente na Seara do Senhor durante seus 41 anos de vida monástica. Recebeu de seu Divino Esposo grandes graças místicas. Foi favorecida com o dom de operar milagres, do qual fez uso largamente em benefício de inúmeros doentes. O próprio Papa — que bem sabia como é livre o acesso das virgens puras à presença da Divina Majestade — muitas vezes dirigia-se a ela, pedindo suas valiosas orações. E sempre foi prontamente atendido. Os rigores da regra, as fadigas dos muitos trabalhos, a vida de mortificação levaram-na a contrair uma incômoda enfermidade que ela carregou com ufania ao longo dos últimos 28 anos de sua vida. Em seu leito de morte, teve a graça insigne de receber a visita do Papa Inocêncio IV, acompanhado de seus cardeais. Entregou sua luminosa alma a Deus no dia 11 de agosto de 1253, aos 60 anos de idade. Sua última conversa foi com sua própria alma: “Vai em paz minha alma! Tens um guia seguro que te mostrará o caminho: Aquele que te criou, santificou, amou e não cessou de vigiar com ternura de uma mãe que zela pelo filho único de seu amor. Dou graças e bendigo ao Senhor porque Ele criou a minha vida”. Ouvindo-a falar, uma irmã lhe perguntou: — Com quem conversavas, minha Madre? — Com minha alma — respondeu a Santa. Em 1255, menos de dois anos após sua morte, foi incluída no catálogo dos santos pelo Papa Alexandre IV, ante a evidência dos milagres obtidos através de sua intercessão. Desde então, é uma lâmpada colocada sobre o candelabro para iluminar todos os que habitam a casa do Senhor. Santa Clara de Assis Clara nasceu em Assis em 1194, duma nobre família, provavelmente no dia 11 de Julho, filha de Favorino, dos Scifi, e de Ortolana, dos Fiume, oriunda de Sterpeto. Os Scifi pertenciam a mais alta aristocracia de Assis, Favorino, que tinha o título de conde de Sasso Rosso, era cavaleiro. Aliás, todos os seus parentes buscavam a carreira das armas. Ortolana, muito piedosa, dedicada às boas obras, teve cinco filhos: um homem, Bosone, e quatro mulheres, Peneda, Clara, Inês e Beatriz. Da mãe de Santa Clara conta-se que tinha feito várias peregrinações, como a de Bari e a da Terra Santa. Estando para dar à luz a filha, rogava a Deus com instância para que tudo lhe corresse bem. Ouviu, então, uma voz que lhe disse: – Não temas. Darás ao mundo uma luz que o iluminará. Por isso, chamarás Clara à menina. Clara, luminosa e ilustre, cresceu na casa de Assis, cercada de conforto. Desde a infância, foi caridosa para com os pobres e aplicada à oração. Conta-se que, não tendo com que contar os Padre-Nossos e as Ave-Marias que rezava, e queria saber quantos diria, lançava mão de pedrinhas. Sob os ricos vestidos, usava cilício, um rude cilício de pelos bastantes ásperos. Aos quinze anos, era alta e bela, recolhida e silenciosa, de lindos cabelos loiros. Resolveram os pais, um dia, casá-la. Entre os muitos pretendentes, um, especialmente, era do agrado de Favorino e de Ortolana. Falaram, a respeito, com a filha, e muito surpresos ficaram com a firme resposta da linda jovem. Clara não queria ouvir falar em casamento, e, como a mãe entrasse a atormentá-la com perguntas buscando a razão da obstinada negativa, a filha revelou-lhe que se consagrara a Deus e estava firmemente disposta a jamais conhecer homem algum. Tendo ouvido falar de Francisco, filho de Pedro Bernardone, convertido bruscamente em 1208, e que agora levava vida à imitação de Jesus Cristo, Aquele que nem sequer tinha uma pedra onde pudesse repousar a cabeça, sentira-se tocada. Tendo restaurado as capelas de São Damião, de São Pedro e de Santa Maria dos Anjos, ao lado da qual se estabelecera com alguns companheiros. Francisco, de volta a Roma, em 1211, com autorização pontifícia para pregar, acendeu no coração de Clara o mais vivo desejo de ouvi-lo e vê-lo. Logo todos ouviram-no a predicar a quaresma. E a jovem filha de Favorino e Ortolana, desde o primeiro instante em, que relanceou os olhos no Pobrezinho de Assis, sentiu que a vida que ele levava era justamente a vida que a ele destinava a vontade de Deus. Ora, dois frades, Rufino e Silvestre, ambos pertencentes à família de Clara, propuseram-se a pô-la em contato com Francisco, e, um belo dia, a jovem, acompanhada, como convinha, duma parenta, a qual tradição chamou de Bona Guelfucci, eis a jovem, ardentemente, diante do filho de Barnardone. Francisco, duns tempos àquela parte, já havia ouvido falar de Clara, e resolveu “roubar ao mundo mau tão nobre presa, como diz a legenda, para com a jovem enriquecer o divino Mestre. Assim, ele logo se pôs a aconselhá-la, francamente, para que desprezasse o mundo, aquele mundo vão e transitório, para que resistisse aos pais e conservasse o corpo como um templo só para Deus e a não ter outro esposo senão a Nosso Senhor Jesus Cristo”. São Francisco, desde então, tornou-se o guia, o pai espiritual de Santa Clara, que, sentindo-se muito segura de si, ia preparando o terreno para o grande dia, o dia em que se daria totalmente para as coisas de Deus. O grande dia chegava. A 18 de Março de 1212, Domingo de Ramos, de manhã, foi à igreja, com a mãe, as irmãs e as mulheres que habitualmente as acompanhavam. E, enquanto as outras se apressavam a receber os ramos, Clara deixou-se ficar no seu lugar, por modéstia. E o bispo, descendo do altar, veio oferecer-lhe o ramo, como um presságio da vitória que ia obter sobre o mundo. Na noite seguinte, preparou a fuga, seguindo a ordem de Francisco, mas, como o exigia a decência, fazendo-se acompanhar. Saiu secretamente de casa. Deixou a cidade e tomou o rumo de Santa Maria dos Anjos, onde os irmãos, que cantavam as matinas, receberam-na à luz de grandes archotes. Diante do altar da Rainha das Virgens, Francisco cortou-lhe os cabelos, os “belos cabelos loiros”, e a revestiu com o hábito de penitência. Em seguida, Clara, comovidamente, pronunciou o voto de pobreza e de castidade. Tudo o que trouxera consigo e era precioso, distribuiu-o aos pobres. E Francisco, também comovido, levou-a imediatamente a um mosteiro de religiosas de São Bento, em São Paulo de Assis, onde a deixou. Clara contava, então dezoito anos. O refúgio da filha de Favorino não tardou a ser descoberto. Tendo fugido de casa por uma porta que vivia quase sempre fechada, Chamada Porta da Morte, porque por ali é que saiam os que morriam, Favorino logo deu pela coisa, já que uma pilha de lenha, então contra a porta, fora completamente arredada. Descoberto, pois o paradeiro da filha, o pai com alguns parentes, foi ter com ela, para trazê-la de volta para casa. A Clara que Favorino encontrou foi uma Clara absolutamente adversa daquela antiga jovem obediente que conhecia muito bem: resoluta e irredutível agora, de nada valeram, para demovê-la daquela vida nova que pretendia levar, as promessas e as ameaças. Empregaram, então, a violência, mas Clara, desvencilhando-se das mãos do pai, correi para junto do altar da igreja e ali tirou o véu que lhe cobria a cabeça, a todos mostrando-a raspada, dando a entender que, para todo o sempre, dera solene adeus ao século. Francisco, como as tentativas de Favorino para recuperar a filha se repetissem, resolveu transferi-la para outro convento, em que a jovem se visse mais resguardada. Foi assim que Santa Clara passou a Santo Angelo de Panzo, também das beneditinas. A cólera de Favorino, quando soube que dezesseis dias depois da fuga de Clara também Inês lhe fugia, para ir ao encontro da irmã, chegou ao auge, Noiva já, com dia do casamento marcado, eis que, louca, deixara os pais, deixara os seus, a bela casa e as belas relações, para viver como a irmã vivia, longe de tudo e de todos. Fremente, o pai rogou a Monaldo, tio de seus filhos, que arranjasse muitos homens armados e, a todo custo, trouxesse Inês de volta. Monaldo, e os homens que reunira, chegou às portas do convento, fingindo que vinha em paz. Queria somente que as freiras lhe entregasse a jovem que fugira da casa paterna e nada mais. Contudo, conforme a resposta, usariam a força. As freiras de Santo Angelo ficaram, diante daqueles homens armados, tomadas do mais vivo pavor, e prometeram entregar-lhes a moça Inês sem tardança. A filha de Favorino, porém, resistiu: ali estava, viera para ficar e não se iria, de forma alguma. Então inopinadamente, um dos homens, com um salto, apoderou-se dela, furioso ante as negativas da moça, e pôs-se a esbordá-la, a despedir-lhe rudes pontapés, entrando a puxá-la pelos cabelos, Não ia de bom aviso? Iria por mal! Inês, arrastada pelo caminho, prorrompia em brados chamando a irmã em socorro. Pobre Clara, delicada! Que poderia fazer? Que força opor à bruta força daqueles homens? Somente Deus, que tudo pode, socorreria a boa Inês. E Clara, na sua singela celazinha, toda no ardor da fé, enquanto a irmã, arrastada, de vestes rasgadas, toda esfolada, ia sendo conduzida para Assis, rogou a Deus que viesse, benigno, em auxílio de duas pobres e frágeis mulheres. Eis senão quando, os robustos homens vitoriosos sentiram que uma força estranha não mais lhes permitia arrastar a levíssima filha de Favorino. Pesada, como se fora de chumbo, não conseguiram, por mais força que empregassem, puxá-la um centímetro sequer. Debalde, os brutos sacudiram-na, malharam-na, tentaram erguê-la, fazer, enfim, qualquer coisa. O tio Monaldo, encolerizadíssimo, aproximou-se da sobrinha. Mirou-a, os olhos fuzilando, e, tomado por uma fúria sem par, levantou o braço, o punho enluvado de ferro, para golpeá-la. Quando foi descê-lo com toda a força, no rosto da sobrinha, não o conseguiu. Petrificara-se todo, o tio Monaldo, De braço alevantado, de punho ameaçador erguido, era bem, todo ele, uma estátua do furor mesclado à surpresa. Que lhe sucedia? Depois da ardente oração, Clara deixou a cela e desceu. Aproximou-se dos homens, tomou Inês para si, protetoralmente, e o tio, com os seus, abismados e surpresos, deixaram-nas em paz, indo-se para Assis. Desde aquele dia, Favorino e a família não mais se intrometeram na vida das duas moças, permitindo-lhes que vivessem a vida que tanto desejavam viver, mas sabiam os Scifi e os Fiume que, mais tarde, Beatriz havia de reunir-se às duas irmãs consagradas a Deus, bem como Ortolana. Joergensen conta-nos assim o fim da santa fundadora das pobres clarissas: Ao contrário de Francisco, por mais rígida que fosse a sua vida, Clara chegou à velhice; morreu aos sessenta anos, depois de quarenta e um de vida monacal. Este longo período foi enchido por acontecimento inolvidável: a morte de São Francisco em 1226. Quando, percebendo estar perto de morrer, Francisco fez-se levar lá para baixo, para a Porciúncula, e estendeu-se na caminha na sua pobre celinha, Clara mandou dizer-lhe que folgaria de poder tornar a vê-lo ainda uma vez. Mas, como resposta, o Santo disse a um dos frades: – Vai dizer a irmã Clara que ponha de lado toda tristeza. Neste momento é impossível que ela venha ver-me. Mas dize-lhe que pode estar certa, tanto ela, como as outras freiras de que tornarão a ver-me antes de sua morte, e se acharão com isso grandemente confortadas. Decorridos poucos dias, Francisco morreu. Mas, no dia seguinte à sua mrote, os habitantes de Assis vieram buscar-lhe os despojos corporais e, juntamente com os frades, transportaram-nos para Assis, no meio de hinos e cantos de louvor, e de sons de trombetas, levando todos os componentes do cortejo uma tocha acesa e um ramo de oliveira. E, quando, ao raiar daquela manhã de outubro, enquandto as névoas de prata ainda vagavam pelo vale e lhe davam o aspecto de um mar imenso, o fúnebre cortejo atingiu as colinas de São Damião, já iluminadas pelo sol, parou e o corpo foi levado para a igreja e depositado tão perto da grade das freiras, que estas puderam ver, pela última vez, seu pai espiritual, como este lhes prometera. E os frades que carregavam o corpo tiraram fora a grade, através da qual as servas do Senhor costumavam receber a Santíssima Eucaristia e escutar a palavra de Deus, e soergueram do ataúde aquele corpo venerável, e mantiveram-no sobre os braços, diante da janela, tão longo tempo quanto, para conforto seu, podiam desejá-lo irmã Clara e as outras monjas – como nos conta o Speculum Perfectionis (Cap. CVIII, Cf. a Vita Prima de Celano, c. X: Esta cena piedosíssima, passava-se no atual coro dos frades em São Damião, no fundo do qual ainda é visível abrindo=se uma portinha do respaldo – a janelinha pela qual as pobres mulheres de São Damião puderam beijar as chagas santíssimas do seu pranteado Mestre. (Cavanna, ap. cit., p. 107) Depois, a igrejinha ressoou de tristes lamentos e de ternos adeuses, de prantos e de soluços, porque, como diz São Tomás de Celano, “quem não ficaria comovido até as lágrimas, se até mesmo os anjos da paz choravam amargamente? Os anos passaram, e Clara vivia sempre. Francisco se fora, mas os seus amigos íntimos, Leão, Angelo, Frei Junípero, iam frequentemente a São Damião, e Clara entretinha-se de bom grado a falar com eles, do tempo em que vivia o seu amado mestre. Também Frei Egídio, que, aliás, segundo a expressão de Berbardo de Quintaval, “deixava-se ficar continuamente recluso na sua cela como uma virgenzinha na sua câmara”, ainda ia de vez em vez visitar Clara. Ora, numa destas visitas sucedeu uma cena que merece ser narrada, porque saturada de verdadeiro espírito franciscano. Um franciscano inglês, doutor em teologia pregava em São Damião, e os seus discursos eruditos eram mui diferentes dos discursos ali outrora pronunciados por Francisco. Todos notavam a diferença, quando, de repente, do fundo da igreja, Frei Egídio levantou a voz e clamou: – Cessa de falar, mestre, porque quero pregar eu! Logo o doutor inglês se calou, e Egídio falou, todo inflamado do espírito de Deus, diz-nos a antiga legenda. Quando acabou, tornou a dar a palavra ao pregador estrangeiro, que pode terminar o seu sermão. Mas Clara confessou, depois que isso que sucedera a alegrara mais do que se ela tivesse visto ressuscitar um morto: Porque era desejo de nosso pai Francisco que um doutro em teologia se humilhasse tanto a ponto de consentir imediatamente em se calar, quando um frade leigo manifestasse a vontade de pregar em lugar dele. (Acta SS. Abril, III, p. 239; Vita de F. Egídio, c. XII e LVIII). Chegou finalmente, o momento em que também irmã Clara ouviu o convite de irmã Morte. Desde que havia vinte e oito anos, ela, por assim dizer, nunca cessara de ser atormentado pelo mal. E, no outono de 1252, pareceu estar bem compenetrada do seu fim. Contudo, a grande missão de sua vida ainda não estava totalmente cumprida. Clara ainda não obtivera a confirmação explícita e absoluta do seu Privilégio de Pobreza. Por aquela época, de Lião, para onde tivera de fugir, expulso para ali pela soldadesca de Frederico II, Inocêncio IV retornou à Itália. Em 1250, esse imperador, excomungado, morreu em Fiorenzola; e, em setembro de 1252, pode o Papa estabelecer-se livremente em Perúsia. Ora, havendo-se a corte pontifícia estabelecido pacificamente na cidade umbra, o cardeal Rinaldo, o futuro Papa Alexandre IV, que então era o sustentáculo e o defensor das clarissas, foi a São Damião. De própria mão deu a comunhão à irmã Clara; e ela, aproveitando aquela visita, conjurou o cardeal a conseguir do Papa a confirmação do seu privilégio. No verão de 1253, o próprio Papa, com a corte, foi a Assis, para ali visitar Clara, enferma. Quando esta lhe pediu a sua benção, a indulgência plenária e a remissão total dos seus pecados, Inocêncio suspirou: – Oxalá, filha não tivesse eu, mais do que tu, necessidade da divina misericórdia! Depois da partida do Papa, Clara disse as freias que lhe acorreram ao redor do leito: – Minhas filhas, precisamos agradecer a Deus mais do que nunca! Porque, esta manhã, eu o recebi sob as espécies eucarísticas, e agora fui reputada digna de ser visitada pelo seu Vigário na terra! Desde esse momento, as freiras não mãos deixaram o leito de Clara. Inês, que, devendo dirigir o convento de Monticelli, perto de Florença, havia trinta anos que vivia separada da irmã, veio também, e ajoelhou-se, para rezar, próximo ao leito dela. Os dias passavam e a moribunda estava sempre no mesmo estado: havia mais de duas semanas que não comia absolutamente nada, e, contudo, sentia-se ainda bastante forte. Como o seu confessor a exortasse à paciência, ela respondeu: – Desde que o nosso saudoso pai São Francisco me descobriu as infinitas perfeições e os atrativos de Cristo, nenhuma doença me pareceu pesada, nenhuma pena demasiada cruel, nenhuma penitência excessivamente dura! Depois disse aos seus amigos da Porciúncula, Leão, Angelo e Junípero, que se aproximassem e lhe lessem a história da Paixão de Nosso Senhor. Os três aproximaram-se. Frei Junípero, comunicou-lhe o seu tesouro das “novas de Deus”, enquanto Leão, ajoelhado ao pé do leito, banhava de lágrimas o leito da moribunda, e frei Angelo procurava consolar as freiras chorosas. Após alguns momentos de silêncio solene, clara murmurou em voz baixa: – Vai, ó minha alma, vai em paz, pois tens um guia seguro que te mostra o caminho. Aquele que te criou, também te santificou e te amou, e não cessou de vigiar sobre ti com toda a ternura de uma mãe pelo filho único do seu amor. E vós, Senhor, sede bendito por me haverdes criado! Depois calou-se de novo e ficou imóvel, com os olhos abertos, como se escutasse uma resposta. – A quem falais? Perguntou-lhe uma freira. – À minha alma! – respondeu solenemente Clara. E, pouco depois, acrescentou: – Vês, minha filha, o Rei da Glória que eu estou contemplando? Os olhos de todos velados de lágrimas, olhavam para a moribunda, Mas Clara já não os vê. Sem se cansar, mantém o olhar fixo na porta da celinha. E eis que a porta se abriu e ela viu uma fila de virgens que se adiantavam, vestidas de branco, com uma coroa de ouro na cabeça. E uma dessas virgens vencia em esplendor e dominava todas as outras. O seu diadema, ornado de pedras preciosas, era o mais fúlgido, e toda a sua pessoas irradiava uma luz doce e viva que encheu a cela. A bela dama luminosa atravessou as linhas das suas companheiras para chegar até o leito de Clara, e ali, curvou-se sobre ela e recobriu-a toda de um véu esplendíssimo. E foi assim, sustentada nos braços de Maria, e sob o escudo do manto imaculado da Rainha do Céu, que a alma de clara subiu à mansão da eterna bem-aventurança. O corpo da morta ficou na caminha, e entre os dedos enrijados ela segurava a bula do Papa, escrita dois dias antes, com a confirmação solene e definitiva do direito, para Clara e suas monjas, de viverem conformemente ao ideal franciscano O convento de São Damião subsiste ainda, e é-nos mostrado quase como o conhecera Clara e suas monjas. Ali revemos o minúsculo coro, onde as primeiras clarissas rezavam o breviário. Ao longo das paredes vêem-se sempre os assentos todos gastos, grosseiramente trabalhados, e, no centro, uma estante lixada, a antiga estante com os grandes antifonários, abertos na página da festa do dia. Além disto, énos mostrada a sineta de que Clara se servia para reunir as freiras para a oração, o copo de estanho onde ela bebia após receber o Santíssimo Sacramento, o breviário que frei Leão escrevera para ela, e cujas páginas cada dia, a sua mão folheava e, depois ainda, um relicário todo de cobre, a ela dado pelo Papa Inocêncio IV. Há ali o refeitório, onde Gregório IX foi hospedado por irmã Clara, e onde, por odem do Papa ela benzeu os pães, sobre cada um dos quais, à medida que ela os benzia, desenhava-se miraculosamente uma cruz. E, depois de visitarmos a cela, estreita e baixa, de Clara, podemos ver ainda o seu chamado jardim, um pequeniníssimo talude, com umas poucas, entre dois muros. Mas, do minúsculo terraço que encerra esse jardim, descortinamos, por entre aqueles muros, o magnífico panorama de toda a região umbra: vemos Rivo Torto, a Porciúncula, as estradas brancas, as campinas semeadas de olivedos, e a pequena cidade de Betona, lá ao longe, entre as montanhas azuis. No jardim, depois, há um murinho cheio de terra, onde ainda desabrocham aquelas flores que eram as únicas amadas e cultivadas pela Santa: o lírio, símbolo da pureza, a violeta, símbolo da humildade, e a rosa, símbolo no nosso amor a Deus e aos homens. Santa Clara morreu no dia 11 de Agosto de 1253. À imitação de São Francisco, fez o testamento, onde contou a sua conversão e recomendou às irmãs, sobre todas as coisas, o amor à pobreza, seguindo o espírito do seráfico pai. Logo que se soube da morte da seráfica filha do Poverello, toda a cidade de Assis correu, aflita, incontida, a São Damião, e o prefeito foi obrigado a colocar guardas para que não lhe arrebatassem o corpo. Os frades menores começaram o ofício dos mortos e o Papa quis que se cantasse o das virgens, como para canonizar a Santa antecipadamente, mas o cardeal de Óstia fez ver que não se devia “andar tão depressa”. Assim, foi recitado o ofício e a missa dos mortos e o mesmo cardeal fez um sermão sobre o desprezo das vaidades do mundo. Como não se julgou conveniente deixar o corpo de Santa Clara em São Damião, fora da cidade, levaram-no a São Jorge, onde o Pobrezinho de Assis, tinha sido enterrado antes, e aquele cortejo, honrado com a presença do Papa e dos cardeais, fez-se ao som das trombetas, com toda a solenidade possível. Canonizada por Alexandre IV, em 1255, cinco anos depois o corpo foi solenemente transferido para São Damião, para o novo mosteiro que se tinha construído na cidade, a mandado do Papa. Em 1265, alevantou-se uma igreja que tem o nome da santa virgem fundadora das clarissas. O Papa Clemente V consagrou-lhe o altar-mor, sob a invocação da Santa, e as relíquias da filha de Favorino e de Ortolana ainda hoje ali se conservam (Acta SS.. 11 Aug.). Fotos: santiebeati.it (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIV, p. 346 à 352 – 369 à 377) Conheça também a história de outros santos: Santo do Dia – 10 de Agosto – Santa Filomena, padroeira dos Filhos de Maria Santo do Dia – 10 de Agosto – São Lourenço, Diácono e Mártir Santo do Dia – 12 de Agosto – Santa Joana Francisca de Chantal #SantodoDia

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