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  • Festa de Nossa Senhora das Neves – 5 de agosto

    Depois da proclamação do dogma da Maternidade divina de Maria no Concílio de Éfeso (ano 431), o Papa Sixto III consagrou em Roma uma Basílica em honra da Virgem, chamada posteriormente Santa Maria Maior. É a mais antiga igreja dedicada a Nossa Senhora. Santa Maria Maior é também invocada como Nossa Senhora das Neves, devido a uma antiga lenda segundo a qual um casal romano, que pedia à Virgem luzes para saber como empregar a sua fortuna, recebeu em sonhos a mensagem de que Santa Maria desejava que lhe fosse erigido um templo precisamente num lugar do Monte Esquilino (colina mais alta, onde foi fundada a cidade de Roma) que aparecesse coberto de neve. Isto aconteceu na noite de 4 para 5 de agosto, em pleno verão: no dia seguinte, o terreno onde hoje se ergue a Basílica amanheceu inteiramente nevado. A Basílica de Santa Maria Maior de Roma, a mais antiga igreja do Ocidente consagrada à Virgem Maria, onde se deram tantos acontecimentos relacionados com a história da Igreja; especialmente, relaciona-se com essa igreja a definição dogmática da Maternidade divina de Maria, proclamada pelo Concílio de Éfeso. O templo foi construído sob essa invocação no século IV, sobre outro já existente, pouco tempo depois de encerrado o Concílio. O povo da cidade de Éfeso celebrou com grande entusiasmo a declaração dogmática dessa verdade, na qual, aliás, acreditava desde sempre. Essa alegria estendeu-se por toda a Igreja, e foi então que se construiu em Roma a grandiosa Basílica. Esse júbilo chega-nos hoje através desta festa em que louvamos Maria como Mãe de Deus. Leia também: O que é a Santa Escravidão de Amor? Segundo uma piedosa lenda, certo patrício romano chamado João, de comum acordo com a sua esposa, resolveu dedicar os seus bens a honrar a Mãe de Deus, mas não sabia ao certo como fazê-lo. No meio da sua perplexidade, teve um sonho – como também o teve o Papa – pelo qual soube que a Virgem desejava que se construísse um templo em sua honra no monte Esquilino, que apareceu coberto de neve – coisa insólita – no dia 5 de agosto. Embora a lenda seja posterior à edificação da Basílica, deu lugar a que a festa de hoje seja conhecida em muitos lugares como de Nossa Senhora das Neves e a que os alpinistas a tenham por Padroeira. Em Roma, desde tempos imemoriais, o povo fiel honra a nossa Mãe nesse templo sob a invocação de Salus Populi Romani. Todos acorrem ali para pedir favores e graças, na certeza de estarem num lugar onde sempre são ouvidos. João Paulo II também visitou Nossa Senhora nesse templo romano, pouco depois de ter sido eleito Papa. “Maria – disse o Sumo Pontífice nessa ocasião – tem por missão levar todos os homens ao Redentor e dar testemunho dEle, mesmo sem palavras, apenas mediante o amor, com o qual manifesta a sua índole de mãe. É chamada a aproximar de Deus mesmo os que lhe opõem mais resistência, aqueles para quem é mais difícil crer no amor (…). É chamada a aproximar todos – quer dizer, cada um – do seu Filho”. E aos seus pés fez a dedicação de toda a sua vida e de todos os seus anseios à Mãe de Deus, com palavras que nós podemos repetir, imitando-o filialmente: “Totus tuus ego sum et omnia mea tua sunt. Accipio Te in me omnia; sou todo teu, e todas as minhas coisas são tuas. Sê o meu guia em tudo” (João Paulo II, Homilia em Santa Maria Maior, 8-XII-1978). Com a proteção da Virgem, caminhamos bem seguros. São Bernardo afirma que Santa Maria é para nós o aqueduto por onde nos chegam todas as graças de que necessitamos diariamente. Devemos procurar constantemente o seu auxílio, “porque esta é a vontade do Senhor, que quis que recebêssemos tudo por Maria”, especialmente quando nos sentimos mais fracos, nas dificuldades, nas tentações…, e tanto nas necessidades da alma como nas do corpo. No Calvário, junto do seu Filho, a maternidade espiritual de Maria atingiu o seu cume. Quando todos desertaram, a Virgem permaneceu junto à cruz de Jesus (Jo 19,25), em perfeita união com a vontade divina, sofrendo e padecendo com o seu Filho, corredimindo. “Deus não se serviu de Maria como de um instrumento meramente passivo. Ela cooperou para a salvação humana com livre fé e obediência” (Lumen gentium, 56). Esta maternidade da Virgem perdura sem cessar, e agora, no Céu, “não abandonou esta missão salvífica, mas pela sua múltipla intercessão continua a obter-nos os dons da salvação eterna” (Lumen gentium, 62). Temos de agradecer muito a Deus que tenha querido dar-nos uma Mãe a quem recorrer na Vida da graça; e que essa Mãe tenha sido a Sua própria Mãe. Maria é nossa Mãe não só porque nos ama como uma mãe ou porque faz as suas vezes; a sua maternidade espiritual é muito superior e mais efetiva que qualquer maternidade legal ou baseada no afeto. É Mãe porque realmente nos gerou na ordem sobrenatural. Se recebemos o poder de chegarmos a ser filhos de Deus, de participarmos da natureza divina (cfr. 2Pe 1,4), foi graças à ação redentora de Cristo, que nos tornou semelhantes a Ele. Mas esse influxo passa por Maria. E assim, do mesmo modo que Deus Pai tem um só Filho segundo a natureza, e inúmeros segundo a graça, por Maria, Mãe de Cristo, chegamos a ser filhos de Deus. Das mãos de Maria recebemos todo o alimento espiritual, a defesa contra os inimigos, o consolo no meio das aflições. Leia também: A TOTAL CONSAGRAÇÃO E A ESTRATÉGIA DE DEUS PARA SALVAR SEU POVO, REVELADA POR NOSSA SENHORA EM FÁTIMA Para a nossa Mãe do Céu, “jamais deixamos de ser pequenos, porque Ela nos abre o caminho para o Reino dos Céus, que será dado aos que se fazem crianças (cfr. Mt 19,14). De Nossa Senhora não devemos separar-nos nunca. Como a honraremos? Procurando a sua intimidade, falando-lhe, manifestando-lhe o nosso carinho, ponderando no coração as cenas da sua vida na terra, contando-lhe as nossas lutas, os nossos êxitos e os nossos fracassos. No Brasil, Nossa Senhora das Neves é padroeira da cidade de João Pessoa. A ermida da Ilha da Maré, no Recôncavo Baiano, fundada em 1584, é uma preciosidade da arquitetura colonial brasileira. A imagem da Padroeira, de madeira estofada, é em estilo maneirista. Nossa Senhora das Neves é também cultuada em Olinda e Igaraçu, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DAS NEVES Ó MARIA SANTÍSSIMA, MÃE DE DEUS e nossa Mãe, por aquela sublime lição que nos destes, conservando a Vossa Alma mais cândida que a mais pura neve, desde o feliz momento de Vossa Conceição Imaculada, querendo edificar em nosso coração um templo místico consagrado ao Vosso tão querido culto, Vos pedimos, ó grande VIRGEM MARIA, que nos conceda de DEUS, a graça sublime de bem cuidar de nossa perfeição interior e principalmente de conservar ilibada a santa virtude da pureza. Ó excelsa VIRGEM DAS NEVES, protegei o Brasil, que é Vosso desde o dia abençoado do descobrimento, durante a colonização, no império e na república, e vosso será em todos os tempos, porque assim desejam os vossos filhos que Vos ama com ternura e afeição, e desejam viver à sombra augusta da Cruz, sob a Vossa maternal e acolhedora proteção. Assim seja. Fonte: A12.com #FestasdeNossaSenhora #NossaSenhora #SantíssimaVirgem #SantodoDia

  • Festa de Nossa Senhora das Neves – 5 de agosto

    Depois da proclamação do dogma da Maternidade divina de Maria no Concílio de Éfeso (ano 431), o Papa Sixto III consagrou em Roma uma Basílica em honra da Virgem, chamada posteriormente Santa Maria Maior. É a mais antiga igreja dedicada a Nossa Senhora. Santa Maria Maior é também invocada como Nossa Senhora das Neves, devido a uma antiga lenda segundo a qual um casal romano, que pedia à Virgem luzes para saber como empregar a sua fortuna, recebeu em sonhos a mensagem de que Santa Maria desejava que lhe fosse erigido um templo precisamente num lugar do Monte Esquilino (colina mais alta, onde foi fundada a cidade de Roma) que aparecesse coberto de neve. Isto aconteceu na noite de 4 para 5 de agosto, em pleno verão: no dia seguinte, o terreno onde hoje se ergue a Basílica amanheceu inteiramente nevado. A Basílica de Santa Maria Maior de Roma, a mais antiga igreja do Ocidente consagrada à Virgem Maria, onde se deram tantos acontecimentos relacionados com a história da Igreja; especialmente, relaciona-se com essa igreja a definição dogmática da Maternidade divina de Maria, proclamada pelo Concílio de Éfeso. O templo foi construído sob essa invocação no século IV, sobre outro já existente, pouco tempo depois de encerrado o Concílio. O povo da cidade de Éfeso celebrou com grande entusiasmo a declaração dogmática dessa verdade, na qual, aliás, acreditava desde sempre. Essa alegria estendeu-se por toda a Igreja, e foi então que se construiu em Roma a grandiosa Basílica. Esse júbilo chega-nos hoje através desta festa em que louvamos Maria como Mãe de Deus. Leia também: O que é a Santa Escravidão de Amor? Segundo uma piedosa lenda, certo patrício romano chamado João, de comum acordo com a sua esposa, resolveu dedicar os seus bens a honrar a Mãe de Deus, mas não sabia ao certo como fazê-lo. No meio da sua perplexidade, teve um sonho – como também o teve o Papa – pelo qual soube que a Virgem desejava que se construísse um templo em sua honra no monte Esquilino, que apareceu coberto de neve – coisa insólita – no dia 5 de agosto. Embora a lenda seja posterior à edificação da Basílica, deu lugar a que a festa de hoje seja conhecida em muitos lugares como de Nossa Senhora das Neves e a que os alpinistas a tenham por Padroeira. Em Roma, desde tempos imemoriais, o povo fiel honra a nossa Mãe nesse templo sob a invocação de Salus Populi Romani. Todos acorrem ali para pedir favores e graças, na certeza de estarem num lugar onde sempre são ouvidos. João Paulo II também visitou Nossa Senhora nesse templo romano, pouco depois de ter sido eleito Papa. “Maria – disse o Sumo Pontífice nessa ocasião – tem por missão levar todos os homens ao Redentor e dar testemunho dEle, mesmo sem palavras, apenas mediante o amor, com o qual manifesta a sua índole de mãe. É chamada a aproximar de Deus mesmo os que lhe opõem mais resistência, aqueles para quem é mais difícil crer no amor (…). É chamada a aproximar todos – quer dizer, cada um – do seu Filho”. E aos seus pés fez a dedicação de toda a sua vida e de todos os seus anseios à Mãe de Deus, com palavras que nós podemos repetir, imitando-o filialmente: “Totus tuus ego sum et omnia mea tua sunt. Accipio Te in me omnia; sou todo teu, e todas as minhas coisas são tuas. Sê o meu guia em tudo” (João Paulo II, Homilia em Santa Maria Maior, 8-XII-1978). Com a proteção da Virgem, caminhamos bem seguros. São Bernardo afirma que Santa Maria é para nós o aqueduto por onde nos chegam todas as graças de que necessitamos diariamente. Devemos procurar constantemente o seu auxílio, “porque esta é a vontade do Senhor, que quis que recebêssemos tudo por Maria”, especialmente quando nos sentimos mais fracos, nas dificuldades, nas tentações…, e tanto nas necessidades da alma como nas do corpo. No Calvário, junto do seu Filho, a maternidade espiritual de Maria atingiu o seu cume. Quando todos desertaram, a Virgem permaneceu junto à cruz de Jesus (Jo 19,25), em perfeita união com a vontade divina, sofrendo e padecendo com o seu Filho, corredimindo. “Deus não se serviu de Maria como de um instrumento meramente passivo. Ela cooperou para a salvação humana com livre fé e obediência” (Lumen gentium, 56). Esta maternidade da Virgem perdura sem cessar, e agora, no Céu, “não abandonou esta missão salvífica, mas pela sua múltipla intercessão continua a obter-nos os dons da salvação eterna” (Lumen gentium, 62). Temos de agradecer muito a Deus que tenha querido dar-nos uma Mãe a quem recorrer na Vida da graça; e que essa Mãe tenha sido a Sua própria Mãe. Maria é nossa Mãe não só porque nos ama como uma mãe ou porque faz as suas vezes; a sua maternidade espiritual é muito superior e mais efetiva que qualquer maternidade legal ou baseada no afeto. É Mãe porque realmente nos gerou na ordem sobrenatural. Se recebemos o poder de chegarmos a ser filhos de Deus, de participarmos da natureza divina (cfr. 2Pe 1,4), foi graças à ação redentora de Cristo, que nos tornou semelhantes a Ele. Mas esse influxo passa por Maria. E assim, do mesmo modo que Deus Pai tem um só Filho segundo a natureza, e inúmeros segundo a graça, por Maria, Mãe de Cristo, chegamos a ser filhos de Deus. Das mãos de Maria recebemos todo o alimento espiritual, a defesa contra os inimigos, o consolo no meio das aflições. Leia também: A TOTAL CONSAGRAÇÃO E A ESTRATÉGIA DE DEUS PARA SALVAR SEU POVO, REVELADA POR NOSSA SENHORA EM FÁTIMA Para a nossa Mãe do Céu, “jamais deixamos de ser pequenos, porque Ela nos abre o caminho para o Reino dos Céus, que será dado aos que se fazem crianças (cfr. Mt 19,14). De Nossa Senhora não devemos separar-nos nunca. Como a honraremos? Procurando a sua intimidade, falando-lhe, manifestando-lhe o nosso carinho, ponderando no coração as cenas da sua vida na terra, contando-lhe as nossas lutas, os nossos êxitos e os nossos fracassos. No Brasil, Nossa Senhora das Neves é padroeira da cidade de João Pessoa. A ermida da Ilha da Maré, no Recôncavo Baiano, fundada em 1584, é uma preciosidade da arquitetura colonial brasileira. A imagem da Padroeira, de madeira estofada, é em estilo maneirista. Nossa Senhora das Neves é também cultuada em Olinda e Igaraçu, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DAS NEVES Ó MARIA SANTÍSSIMA, MÃE DE DEUS e nossa Mãe, por aquela sublime lição que nos destes, conservando a Vossa Alma mais cândida que a mais pura neve, desde o feliz momento de Vossa Conceição Imaculada, querendo edificar em nosso coração um templo místico consagrado ao Vosso tão querido culto, Vos pedimos, ó grande VIRGEM MARIA, que nos conceda de DEUS, a graça sublime de bem cuidar de nossa perfeição interior e principalmente de conservar ilibada a santa virtude da pureza. Ó excelsa VIRGEM DAS NEVES, protegei o Brasil, que é Vosso desde o dia abençoado do descobrimento, durante a colonização, no império e na república, e vosso será em todos os tempos, porque assim desejam os vossos filhos que Vos ama com ternura e afeição, e desejam viver à sombra augusta da Cruz, sob a Vossa maternal e acolhedora proteção. Assim seja. Fonte: A12.com #FestasdeNossaSenhora #NossaSenhora #SantíssimaVirgem #SantodoDia

  • Homilia Diária | São João Maria Vianney é uma resposta do Céu!

    Festejamos hoje a Memória de São João Maria Vianney, padroeiro dos párocos. Este modesto padre de aldeia, feito vítima de amor como outro Cristo, foi um raio de luz com que Deus iluminou as trevas em que submergiu a França depois da Revolução Francesa. O seu exemplo de penitência e total dedicação às almas é mais uma prova de que o cristão, para vencer o mundo, deve configurar-se ao Senhor pela caridade, pelo desprezo de si e pela cruz pacientemente suportada. Ouça a homilia para esta sexta-feira, dia 4 de agosto, e recorramos juntos à intercessão do Santo Cura d’Ars! Leia o santo evangelho de hoje logo abaixo. Evangelho (Mt 13,54-58) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — A palavra do Senhor permanece eternamente, e esta é a palavra que vos foi anunciada. (1Pd 1,25) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 54 dirigindo-se para a sua terra, Jesus ensinava na sinagoga, de modo que ficavam admirados. E diziam: “De onde lhe vem essa sabedoria e esses milagres? 55 Não é ele o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? 56 E suas irmãs não moram conosco? Então de onde lhe vem tudo isso?” 57 E ficaram escandalizados por causa dele. Jesus, porém, disse: “Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família!” 58 E Jesus não fez ali muitos milagres, porque eles não tinham fé. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Homilia Diária | São João Maria Vianney é uma resposta do Céu!

    Festejamos hoje a Memória de São João Maria Vianney, padroeiro dos párocos. Este modesto padre de aldeia, feito vítima de amor como outro Cristo, foi um raio de luz com que Deus iluminou as trevas em que submergiu a França depois da Revolução Francesa. O seu exemplo de penitência e total dedicação às almas é mais uma prova de que o cristão, para vencer o mundo, deve configurar-se ao Senhor pela caridade, pelo desprezo de si e pela cruz pacientemente suportada. Ouça a homilia para esta sexta-feira, dia 4 de agosto, e recorramos juntos à intercessão do Santo Cura d’Ars! Leia o santo evangelho de hoje logo abaixo. Evangelho (Mt 13,54-58) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — A palavra do Senhor permanece eternamente, e esta é a palavra que vos foi anunciada. (1Pd 1,25) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 54 dirigindo-se para a sua terra, Jesus ensinava na sinagoga, de modo que ficavam admirados. E diziam: “De onde lhe vem essa sabedoria e esses milagres? 55 Não é ele o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? 56 E suas irmãs não moram conosco? Então de onde lhe vem tudo isso?” 57 E ficaram escandalizados por causa dele. Jesus, porém, disse: “Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família!” 58 E Jesus não fez ali muitos milagres, porque eles não tinham fé. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • São João Maria Vianney, Padroeiro dos Sacerdotes – 4 de agosto

    SANTO DO DIA – 04 DE AGOSTO – SÃO JOÃO MARIA BATISTA VIANNEY Sacerdote, padroeiro do clero paroquial (1786-1859) João Maria Batista Vianney sem dúvida alguma tornou-se o melhor exemplo das palavras profetizadas pelo apóstolo Paulo: ‘Deus escolheu os insignificantes para confundir os grandes’. Nascido em 8 de maio de 1786, no povoado de Dardilly, ao norte de Lyon, França, é o quarto dos sete filhos de Mateus e Maria. Gostava de frequentar a igreja e, desde a infância, externava seu desejo de ser sacerdote. Vianney só foi para a escola na adolescência, quando abriram uma na sua aldeia, escola que frequentou por dois anos apenas, pois precisava trabalhar no campo. Foi quando se alfabetizou e aprendeu a ler e falar francês, pois em sua casa falava-se um dialeto regional. Para seguir a vida religiosa, enfrentou a oposição de seu pai. Mas com a ajuda do pároco, aos 20 anos de idade foi para o Seminário de Écully, onde os obstáculos se davam por sua falta de instrução. Foram poucos os que vislumbraram a sua capacidade de raciocínio. Para os professores e superiores, era considerado um rude camponês, sem inteligência suficiente para acompanhar os colegas nos estudos, especialmente de Filosofia e Teologia. Entretanto era um verdadeiro exemplo de obediência, caridade, piedade e perseverança na fé em Cristo. Em 1815, João Maria Batista Vianney foi ordenado sacerdote. Mas com um impedimento: não poderia ser confessor. Não era considerado capaz de guiar consciências. Para Deus, porém, ele era um homem extraordinário, e foi por meio desse apostolado que o dom do Espírito Santo manifestou-se sobre ele. Transformou-se num dos mais famosos e competentes confessores que a Igreja já teve. Durante o seu aprendizado em Écully, o abade Malley havia percebido que ele era um homem especial e dotado de carismas de santidade. Assim, três anos depois, conseguiu a liberação para que pudesse exercer o apostolado plenamente. Foi então designado vigário geral na cidade de Ars-sur-Formans, paróquia ao norte de Lyon evitada por outros sacerdotes, pois possuía apenas 230 habitantes, todos não-praticantes e afamados pela violência. A igreja ficava vazia e as tabernas, lotadas. Leia também: A virtude da Pureza – um sermão de São João Maria Vianney – o Santo Cura d’Ars Ele chegou em fevereiro de 1818, numa carroça, transportando alguns pertences e o que mais precisava, seus livros. Conta a tradição que, na estrada, ele se dirigiu a um menino pastor dizendo: ‘Tu me mostraste o caminho de Ars; eu te mostrarei o caminho do céu’. Hoje, um monumento na entrada da cidade lembra esse encontro. Treze anos depois, com seu exemplo e postura caridosa, embora severa, conseguiu mudar aquela triste realidade, invertendo a situação. O povo não ia mais para as tabernas, em vez disso lotava a igreja. Todos agora queriam confessar-se, para obter a reconciliação e os conselhos daquele homem que eles consideravam um santo. Na paróquia, fazia de tudo, inclusive os serviços da casa e suas refeições. Sempre em oração, comia muito pouco e dormia no máximo três horas por dia, fazendo tudo o que podia para os seus pobres. O dinheiro herdado com a morte do pai gastou com eles. A fama de seus dons e de sua santidade correu entre os fiéis de todas as partes da Europa. Muitos se dirigiam à paróquia de Ars com um só objetivo: ver o cura e, acima de tudo, confessar-se com ele, mesmo que, para isto, esperassem horas ou dias inteiros. Assim, o local tornou-se um centro de peregrinações. O Cura de Ars, como era chamado, nunca pôde parar para descansar. Morreu serenamente, consumido pela fadiga, na noite de 4 de agosto de 1859, aos 73 anos de idade. Muito antes de ser canonizado pelo papa Pio XI, em 1925, já era venerado como santo. O seu corpo, incorrupto, encontra-se na igreja da paróquia de Ars, que se tornou um grande santuário de peregrinação. São João Maria Batista Vianney foi proclamado pela Igreja Padroeiro dos Sacerdotes, e o dia de sua festa, 4 de agosto, escolhido para celebrar o Dia do Padre. Conheça mais sobre São João Maria Vianney Com sua fervorosa vida de oração e seu apaixonado amor a Jesus Crucificado, São João Maria Vianney alimentou a sua cotidiana doação sem reservas a Deus e à Igreja. O Cura d’Ars era humilíssimo, mas consciente de ser, enquanto padre, um dom imenso para o seu povo: “Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina”. Falava do sacerdócio como se não conseguisse alcançar plenamente a grandeza do dom e da tarefa confiados a uma criatura humana: “Oh como é grande o padre! […] Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. […] Deus obedece-lhe: ele pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce do Céu e encerra- Se numa pequena hóstia”. E, ao explicar aos seus fiéis a importância dos Sacramentos, dizia: “Sem o Sacramento da Ordem, não teríamos o Senhor. Quem O colocou ali naquele sacrário? O sacerdote. Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida? O sacerdote. Quem a alimenta para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação? O sacerdote. Quem há de prepará-la para comparecer diante de Deus, lavando- a pela última vez no Sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote. E se esta alma chega a morrer [pelo pecado], quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz? Ainda o sacerdote. […] Depois de Deus, o sacerdote é tudo! […] Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no Céu”. Estas afirmações, nascidas do coração sacerdotal daquele santo pároco, podem parecer excessivas. Nelas, porém, revela-se a sublime consideração em que ele tinha o sacramento do sacerdócio. Parecia subjugado por uma sensação de responsabilidade sem fim: “Se compreendêssemos bem o que um padre é sobre a terra, morreríamos: não de susto, mas de amor. […] Sem o padre, a Morte e a Paixão de Nosso Senhor não teria servido para nada. É o padre que continua a obra da Redenção sobre a terra […]. Que aproveitaria termos uma casa cheia de ouro, se não houvesse ninguém para nos abrir a porta? O padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecônomo do bom Deus; o administrador dos seus bens […]. Deixai uma paróquia durante vinte anos sem padre, e lá adorar-se-ão as bestas. […] O padre não é padre para si mesmo, é-o para vós “. Santidade objetiva do ministério e santidade subjetiva do ministro Tinha chegado a Ars, uma pequena aldeia com 230 habitantes, precavido pelo Bispo de que iria encontrar uma situação religiosamente precária: “Naquela paróquia, não há muito amor de Deus; infundi-lo-eis vós”. Por conseguinte, achava-se plenamente consciente de que devia ir para lá a fim de encarnar a presença de Cristo, testemunhando a Sua ternura salvífica: Meu Deus, “concedei-me a conversão da minha paróquia; aceito sofrer tudo aquilo que quiserdes por todo o tempo da minha vida!” : foi com esta oração que começou a sua missão. E, à conversão da sua paróquia, dedicou- se o Santo Cura com todas as suas energias, pondo no cume de cada uma das suas ideias a formação cristã do povo a ele confiado. Amados irmãos no sacerdócio, peçamos ao Senhor Jesus a graça de podermos também nós assimilar o todo pastoral de São João Maria Vianney. A primeira coisa que devemos aprender é a sua total identificação com o próprio ministério. Em Jesus, tendem a coincidir Pessoa e Missão: toda a Sua ação salvífica era e é expressão do Seu “Eu filial” que, desde toda a eternidade, está diante do Pai em atitude de amorosa submissão à Sua vontade. Com modesta, mas verdadeira analogia, também o sacerdote deve ansiar por esta identificação. Não se trata, certamente, de esquecer que a eficácia substancial do ministério permanece independentemente da santidade do ministro; mas também não se pode deixar de ter em conta a extraordinária frutificação gerada do encontro entre a santidade objetiva do ministério e a subjetiva do ministro. O Cura d’Ars principiou imediatamente este humilde e paciente trabalho de harmonização entre a sua vida de ministro e a santidade do ministério que lhe estava confiado, decidindo “habitar”, mesmo materialmente, na sua igreja paroquial: “Logo que chegou, escolheu a igreja por sua habitação. […] Entrava na igreja antes da aurora e não saía de lá senão à tardinha depois do Angelus. Quando precisavam dele, deviam procurá-lo lá” – lê-se na primeira biografia. […] “Todas as boas obras reunidas não igualam o valor da Missa” O Santo Cura ensinava os seus paroquianos, sobretudo, com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fiéis aprendiam a rezar, detendo-se de bom grado diante do sacrário para uma visita a Jesus-Eucaristia. “Para rezar bem – explicava-lhes o Cura -, não há necessidade de falar muito. Sabe-se que Jesus está ali, no Tabernáculo sagrado: abramos-Lhe o nosso coração, alegremo-nos pela Sua presença sagrada. Esta é a melhor oração “. E exortava: “Vinde à Comunhão, meus irmãos, vinde a Jesus. Vinde viver dEle para poderdes viver com Ele”. “É verdade que não sois dignos, mas tendes necessidade!”. Esta educação dos fiéis para a presença eucarística e para a Comunhão adquiria uma eficácia muito particular, quando o viam celebrar o Santo Sacrifício da Missa. Quem ao mesmo assistia, afirmava que “não era possível encontrar uma figura que exprimisse melhor a adoração. […] Contemplava a Hóstia amorosamente”. Dizia ele: “Todas as boas obras reunidas não igualam o valor do Sacrifício da Missa, porque aquelas são obras de homens, enquanto a Santa Missa é obra de Deus”. Estava convencido de que todo o fervor da vida de um padre dependia da Missa: “A causa do relaxamento do sacerdote é porque não presta atenção à Missa! Meu Deus, como é de lamentar um padre que celebra [a Missa] como se fizesse uma coisa ordinária!”. E, ao celebrar, tinha tomado o costume de oferecer sempre também o sacrifício da sua própria vida: “ Como faz bem um padre oferecer-se em sacrifício a Deus todas as manhãs!”. “Círculo virtuoso” entre o altar e o confessionário Esta sintonia pessoal com o Sacrifício da Cruz levava-o – por um único movimento interior – do altar ao confessionário. Os sacerdotes não deveriam jamais resignar-se a ver os seus confessionários desertos, nem limitar-se a constatar o menosprezo dos fiéis por este Sacramento. Na França, no tempo do Santo Cura d’Ars, a confissão não era mais fácil nem mais frequente do que nos nossos dias, pois a tormenta revolucionária tinha longamente sufocado a prática religiosa. Mas ele procurou de todos os modos, com a pregação e o conselho persuasivo, fazer os seus paroquianos redescobrirem o significado e a beleza da Penitência sacramental, apresentando-a como uma exigência íntima da Presença eucarística. Pôde assim dar início a um círculo virtuoso. Com as longas permanências na igreja junto do sacrário, fez com que os fiéis começassem a imitálo, indo até lá visitar Jesus, e ao mesmo tempo estivessem seguros de que lá encontrariam o seu pároco, disponível para os ouvir e perdoar. Em seguida, a multidão crescente dos penitentes, provenientes de toda a França, haveria de o reter no confessionário até 16 horas por dia. Dizia-se então que Ars se tinha tornado “o grande hospital das almas”. […] Assimilar em si o “novo estilo de vida” inaugurado por Jesus No mundo atual, não menos do que nos tempos difíceis do Cura d’Ars, é preciso que os presbíteros, na sua vida e ação, se distingam por um vigoroso testemunho evangélico. Observou, justamente, Paulo VI que “o homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres; ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas”. Para que não se forme um vazio existencial em nós e fique comprometida a eficácia do nosso ministério, é preciso não cessar de nos interrogarmos: “Somos verdadeiramente permeados pela Palavra de Deus? É verdade que esta é o alimento de que vivemos, mais do que o sejam o pão e as coisas deste mundo? Conhecemo-la verdadeiramente? Amamo-la? De tal modo nos ocupamos interiormente desta palavra, que a mesma dá realmente um timbre à nossa vida e forma o nosso pensamento?”. Assim como Jesus chamou os Doze para estarem com Ele (cf. Mc 3, 14) e só depois é que os enviou a pregar, assim também nos nossos dias os sacerdotes são chamados a assimilar aquele “novo estilo de vida” que foi inaugurado pelo Senhor Jesus e assumido pelos Apóstolos. Os três conselhos evangélicos, necessários também para os presbíteros Foi precisamente a adesão sem reservas a este “novo estilo de vida” que caracterizou o trabalho ministerial do Cura d’Ars. O Papa João XXIII, na carta encíclica Sacerdotii nostri primordia – publicada em 1959, centenário da morte de São João Maria Vianney -, apresentava a sua fisionomia ascética referindo-se de modo especial ao tema dos “três conselhos evangélicos”, considerados necessários também para os presbíteros: “Embora, para alcançar esta santidade de vida, não seja imposta ao sacerdote como própria do estado clerical a prática dos conselhos evangélicos, entretanto esta representa para ele, como para todos os discípulos do Senhor, o caminho regular da santificação cristã”. O Cura d’Ars soube viver os “conselhos evangélicos” segundo modalidades apropriadas à sua condição de presbítero. Com efeito, a sua pobreza não foi a mesma de um religioso ou de um monge, mas a requerida a um padre: embora manejasse muito dinheiro (dado que os peregrinos mais abonados não deixavam de se interessar pelas suas obras sócio-caritativas), sabia que tudo era dado para a sua igreja, os seus pobres, os seus órfãos, as meninas da sua Providence , as suas famílias mais indigentes. Por isso, ele “era rico para dar aos outros e era muito pobre para si mesmo”. Explicava: “ O meu segredo é simples: dar tudo e não guardar nada “. Quando se encontrava com as mãos vazias, dizia contente aos pobres que se lhe dirigiam: “ Hoje sou pobre como vós, sou um dos vossos “. Deste modo pôde, ao fim da vida, afirmar com absoluta serenidade: “ Não tenho mais nada. Agora o bom Deus pode chamarme quando quiser !”. Também a sua castidade era aquela que se requeria a um padre para o seu ministério. Pode-se dizer que era a castidade conveniente a quem deve habitualmente tocar a Eucaristia e que habitualmente a fixa com todo o entusiasmo do coração e com o mesmo entusiasmo a dá aos seus fiéis.Dele se dizia que “ a castidade brilhava no seu olhar “, e os fiéis apercebiam- se disso quando ele se voltava para o sacrário fixando-o com os olhos de um enamorado. Também a obediência de São João Maria Vianney foi toda encarnada na dolorosa adesão às exigências diárias do seu ministério. É sabido como o atormentava o pensamento da sua própria inaptidão para o ministério paroquial e o desejo que tinha de fugir “ para chorar a sua pobre vida, na solidão “. Somente a obediência e a paixão pelas almas conseguiam convencê-lo a continuar no seu lugar. A si próprio e aos seus fiéis explicava: “Não há duas maneiras boas de servir a Deus. Há apenas uma: servi-Lo como Ele quer ser servido” . A regra de ouro para levar uma vida obediente parecia-lhe ser esta: “Fazer só aquilo que pode ser oferecido ao bom Deus”. Saber acolher os Movimentos Eclesiais e novas Comunidades No contexto da espiritualidade alimentada pela prática dos conselhos evangélicos, aproveito para dirigir aos sacerdotes, neste Ano a eles dedicado, um convite particular para saberem acolher a nova primavera que, em nossos dias, o Espírito está a suscitar na Igreja, através nomeadamente dos Movimentos Eclesiais e das novas Comunidades. “O Espírito é multiforme nos seus dons. […] Ele sopra onde quer. E fá-lo de maneira inesperada, em lugares imprevistos e segundo formas precedentemente inimagináveis […]; mas demonstra-nos também que Ele age em vista do único Corpo e na unidade do único Corpo”. A propósito disto, vale a indicação do decreto Presbyterorum ordinis: “Sabendo discernir se os espíritos vêm de Deus, [os presbíteros] perscrutem com o sentido da fé, reconheçam com alegria e promovam com diligência os multiformes carismas dos leigos, tanto os mais modestos como os mais altos “. Estes dons, que impelem não poucos para uma vida espiritual mais elevada, podem ser de proveito não só para os fiéis leigos, mas também para os próprios ministros. Com efeito, da comunhão entre ministros ordenados e carismas pode brotar “ um válido impulso para um renovado compromisso da Igreja no anúncio e no testemunho do Evangelho da esperança e da caridade em todos os recantos do mundo”. “Forma comunitária” do ministério ordenado Queria ainda acrescentar, apoiado na exortação apostólica Pastores dabo vobis do Papa João Paulo II, que o ministério ordenado tem uma radical “forma comunitária” e pode ser cumprido apenas na comunhão dos presbíteros com o seu Bispo. É preciso que esta comunhão entre os sacerdotes e com o respectivo Bispo, baseada no Sacramento da Ordem e manifestada na concelebração eucarística, se traduza nas diversas formas concretas de uma fraternidade sacerdotal efetiva e afetiva. Só deste modo é que os sacerdotes poderão viver em plenitude o dom do celibato e serão capazes de fazer florir comunidades cristãs onde se renovem os prodígios da primeira pregação do Evangelho. […] “Eu venci o mundo” À Virgem Santíssima entrego este Ano Sacerdotal, pedindo-Lhe para suscitar no ânimo de cada presbítero um generoso relançamento daqueles ideais de total doação a Cristo e à Igreja que inspiraram o pensamento e a ação do Santo Cura d’Ars. Com a sua fervorosa vida de oração e o seu amor apaixonado a Jesus Crucificado, João Maria Vianney alimentou a sua cotidiana doação sem reservas a Deus e à Igreja. Possa o seu exemplo suscitar nos sacerdotes aquele testemunho de unidade com o Bispo, entre eles próprios e com os leigos, que é tão necessário hoje, como o foi sempre. Não obstante o mal que existe no mundo, ressoa sempre atual a palavra de Cristo aos Seus Apóstolos, no Cenáculo: “ No mundo sofrereis tribulações. Mas tende confiança: Eu venci o mundo ” (Jo 16, 33). A Fé no Divino Mestre dá-nos a força para olhar confiadamente o futuro. Amados sacerdotes, Cristo conta convosco. A exemplo do Santo Cura d’Ars, deixai-vos conquistar por Ele e sereis também vós, no mundo atual, mensageiros de esperança, de reconciliação, de paz.(Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2009, n. 92, p. 6 à 9) #SantodoDia

  • São João Maria Vianney, Padroeiro dos Sacerdotes – 4 de agosto

    SANTO DO DIA – 04 DE AGOSTO – SÃO JOÃO MARIA BATISTA VIANNEY Sacerdote, padroeiro do clero paroquial (1786-1859) João Maria Batista Vianney sem dúvida alguma tornou-se o melhor exemplo das palavras profetizadas pelo apóstolo Paulo: ‘Deus escolheu os insignificantes para confundir os grandes’. Nascido em 8 de maio de 1786, no povoado de Dardilly, ao norte de Lyon, França, é o quarto dos sete filhos de Mateus e Maria. Gostava de frequentar a igreja e, desde a infância, externava seu desejo de ser sacerdote. Vianney só foi para a escola na adolescência, quando abriram uma na sua aldeia, escola que frequentou por dois anos apenas, pois precisava trabalhar no campo. Foi quando se alfabetizou e aprendeu a ler e falar francês, pois em sua casa falava-se um dialeto regional. Para seguir a vida religiosa, enfrentou a oposição de seu pai. Mas com a ajuda do pároco, aos 20 anos de idade foi para o Seminário de Écully, onde os obstáculos se davam por sua falta de instrução. Foram poucos os que vislumbraram a sua capacidade de raciocínio. Para os professores e superiores, era considerado um rude camponês, sem inteligência suficiente para acompanhar os colegas nos estudos, especialmente de Filosofia e Teologia. Entretanto era um verdadeiro exemplo de obediência, caridade, piedade e perseverança na fé em Cristo. Em 1815, João Maria Batista Vianney foi ordenado sacerdote. Mas com um impedimento: não poderia ser confessor. Não era considerado capaz de guiar consciências. Para Deus, porém, ele era um homem extraordinário, e foi por meio desse apostolado que o dom do Espírito Santo manifestou-se sobre ele. Transformou-se num dos mais famosos e competentes confessores que a Igreja já teve. Durante o seu aprendizado em Écully, o abade Malley havia percebido que ele era um homem especial e dotado de carismas de santidade. Assim, três anos depois, conseguiu a liberação para que pudesse exercer o apostolado plenamente. Foi então designado vigário geral na cidade de Ars-sur-Formans, paróquia ao norte de Lyon evitada por outros sacerdotes, pois possuía apenas 230 habitantes, todos não-praticantes e afamados pela violência. A igreja ficava vazia e as tabernas, lotadas. Leia também: A virtude da Pureza – um sermão de São João Maria Vianney – o Santo Cura d’Ars Ele chegou em fevereiro de 1818, numa carroça, transportando alguns pertences e o que mais precisava, seus livros. Conta a tradição que, na estrada, ele se dirigiu a um menino pastor dizendo: ‘Tu me mostraste o caminho de Ars; eu te mostrarei o caminho do céu’. Hoje, um monumento na entrada da cidade lembra esse encontro. Treze anos depois, com seu exemplo e postura caridosa, embora severa, conseguiu mudar aquela triste realidade, invertendo a situação. O povo não ia mais para as tabernas, em vez disso lotava a igreja. Todos agora queriam confessar-se, para obter a reconciliação e os conselhos daquele homem que eles consideravam um santo. Na paróquia, fazia de tudo, inclusive os serviços da casa e suas refeições. Sempre em oração, comia muito pouco e dormia no máximo três horas por dia, fazendo tudo o que podia para os seus pobres. O dinheiro herdado com a morte do pai gastou com eles. A fama de seus dons e de sua santidade correu entre os fiéis de todas as partes da Europa. Muitos se dirigiam à paróquia de Ars com um só objetivo: ver o cura e, acima de tudo, confessar-se com ele, mesmo que, para isto, esperassem horas ou dias inteiros. Assim, o local tornou-se um centro de peregrinações. O Cura de Ars, como era chamado, nunca pôde parar para descansar. Morreu serenamente, consumido pela fadiga, na noite de 4 de agosto de 1859, aos 73 anos de idade. Muito antes de ser canonizado pelo papa Pio XI, em 1925, já era venerado como santo. O seu corpo, incorrupto, encontra-se na igreja da paróquia de Ars, que se tornou um grande santuário de peregrinação. São João Maria Batista Vianney foi proclamado pela Igreja Padroeiro dos Sacerdotes, e o dia de sua festa, 4 de agosto, escolhido para celebrar o Dia do Padre. Conheça mais sobre São João Maria Vianney Com sua fervorosa vida de oração e seu apaixonado amor a Jesus Crucificado, São João Maria Vianney alimentou a sua cotidiana doação sem reservas a Deus e à Igreja. O Cura d’Ars era humilíssimo, mas consciente de ser, enquanto padre, um dom imenso para o seu povo: “Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina”. Falava do sacerdócio como se não conseguisse alcançar plenamente a grandeza do dom e da tarefa confiados a uma criatura humana: “Oh como é grande o padre! […] Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. […] Deus obedece-lhe: ele pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce do Céu e encerra- Se numa pequena hóstia”. E, ao explicar aos seus fiéis a importância dos Sacramentos, dizia: “Sem o Sacramento da Ordem, não teríamos o Senhor. Quem O colocou ali naquele sacrário? O sacerdote. Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida? O sacerdote. Quem a alimenta para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação? O sacerdote. Quem há de prepará-la para comparecer diante de Deus, lavando- a pela última vez no Sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote. E se esta alma chega a morrer [pelo pecado], quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz? Ainda o sacerdote. […] Depois de Deus, o sacerdote é tudo! […] Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no Céu”. Estas afirmações, nascidas do coração sacerdotal daquele santo pároco, podem parecer excessivas. Nelas, porém, revela-se a sublime consideração em que ele tinha o sacramento do sacerdócio. Parecia subjugado por uma sensação de responsabilidade sem fim: “Se compreendêssemos bem o que um padre é sobre a terra, morreríamos: não de susto, mas de amor. […] Sem o padre, a Morte e a Paixão de Nosso Senhor não teria servido para nada. É o padre que continua a obra da Redenção sobre a terra […]. Que aproveitaria termos uma casa cheia de ouro, se não houvesse ninguém para nos abrir a porta? O padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecônomo do bom Deus; o administrador dos seus bens […]. Deixai uma paróquia durante vinte anos sem padre, e lá adorar-se-ão as bestas. […] O padre não é padre para si mesmo, é-o para vós “. Santidade objetiva do ministério e santidade subjetiva do ministro Tinha chegado a Ars, uma pequena aldeia com 230 habitantes, precavido pelo Bispo de que iria encontrar uma situação religiosamente precária: “Naquela paróquia, não há muito amor de Deus; infundi-lo-eis vós”. Por conseguinte, achava-se plenamente consciente de que devia ir para lá a fim de encarnar a presença de Cristo, testemunhando a Sua ternura salvífica: Meu Deus, “concedei-me a conversão da minha paróquia; aceito sofrer tudo aquilo que quiserdes por todo o tempo da minha vida!” : foi com esta oração que começou a sua missão. E, à conversão da sua paróquia, dedicou- se o Santo Cura com todas as suas energias, pondo no cume de cada uma das suas ideias a formação cristã do povo a ele confiado. Amados irmãos no sacerdócio, peçamos ao Senhor Jesus a graça de podermos também nós assimilar o todo pastoral de São João Maria Vianney. A primeira coisa que devemos aprender é a sua total identificação com o próprio ministério. Em Jesus, tendem a coincidir Pessoa e Missão: toda a Sua ação salvífica era e é expressão do Seu “Eu filial” que, desde toda a eternidade, está diante do Pai em atitude de amorosa submissão à Sua vontade. Com modesta, mas verdadeira analogia, também o sacerdote deve ansiar por esta identificação. Não se trata, certamente, de esquecer que a eficácia substancial do ministério permanece independentemente da santidade do ministro; mas também não se pode deixar de ter em conta a extraordinária frutificação gerada do encontro entre a santidade objetiva do ministério e a subjetiva do ministro. O Cura d’Ars principiou imediatamente este humilde e paciente trabalho de harmonização entre a sua vida de ministro e a santidade do ministério que lhe estava confiado, decidindo “habitar”, mesmo materialmente, na sua igreja paroquial: “Logo que chegou, escolheu a igreja por sua habitação. […] Entrava na igreja antes da aurora e não saía de lá senão à tardinha depois do Angelus. Quando precisavam dele, deviam procurá-lo lá” – lê-se na primeira biografia. […] “Todas as boas obras reunidas não igualam o valor da Missa” O Santo Cura ensinava os seus paroquianos, sobretudo, com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fiéis aprendiam a rezar, detendo-se de bom grado diante do sacrário para uma visita a Jesus-Eucaristia. “Para rezar bem – explicava-lhes o Cura -, não há necessidade de falar muito. Sabe-se que Jesus está ali, no Tabernáculo sagrado: abramos-Lhe o nosso coração, alegremo-nos pela Sua presença sagrada. Esta é a melhor oração “. E exortava: “Vinde à Comunhão, meus irmãos, vinde a Jesus. Vinde viver dEle para poderdes viver com Ele”. “É verdade que não sois dignos, mas tendes necessidade!”. Esta educação dos fiéis para a presença eucarística e para a Comunhão adquiria uma eficácia muito particular, quando o viam celebrar o Santo Sacrifício da Missa. Quem ao mesmo assistia, afirmava que “não era possível encontrar uma figura que exprimisse melhor a adoração. […] Contemplava a Hóstia amorosamente”. Dizia ele: “Todas as boas obras reunidas não igualam o valor do Sacrifício da Missa, porque aquelas são obras de homens, enquanto a Santa Missa é obra de Deus”. Estava convencido de que todo o fervor da vida de um padre dependia da Missa: “A causa do relaxamento do sacerdote é porque não presta atenção à Missa! Meu Deus, como é de lamentar um padre que celebra [a Missa] como se fizesse uma coisa ordinária!”. E, ao celebrar, tinha tomado o costume de oferecer sempre também o sacrifício da sua própria vida: “ Como faz bem um padre oferecer-se em sacrifício a Deus todas as manhãs!”. “Círculo virtuoso” entre o altar e o confessionário Esta sintonia pessoal com o Sacrifício da Cruz levava-o – por um único movimento interior – do altar ao confessionário. Os sacerdotes não deveriam jamais resignar-se a ver os seus confessionários desertos, nem limitar-se a constatar o menosprezo dos fiéis por este Sacramento. Na França, no tempo do Santo Cura d’Ars, a confissão não era mais fácil nem mais frequente do que nos nossos dias, pois a tormenta revolucionária tinha longamente sufocado a prática religiosa. Mas ele procurou de todos os modos, com a pregação e o conselho persuasivo, fazer os seus paroquianos redescobrirem o significado e a beleza da Penitência sacramental, apresentando-a como uma exigência íntima da Presença eucarística. Pôde assim dar início a um círculo virtuoso. Com as longas permanências na igreja junto do sacrário, fez com que os fiéis começassem a imitálo, indo até lá visitar Jesus, e ao mesmo tempo estivessem seguros de que lá encontrariam o seu pároco, disponível para os ouvir e perdoar. Em seguida, a multidão crescente dos penitentes, provenientes de toda a França, haveria de o reter no confessionário até 16 horas por dia. Dizia-se então que Ars se tinha tornado “o grande hospital das almas”. […] Assimilar em si o “novo estilo de vida” inaugurado por Jesus No mundo atual, não menos do que nos tempos difíceis do Cura d’Ars, é preciso que os presbíteros, na sua vida e ação, se distingam por um vigoroso testemunho evangélico. Observou, justamente, Paulo VI que “o homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres; ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas”. Para que não se forme um vazio existencial em nós e fique comprometida a eficácia do nosso ministério, é preciso não cessar de nos interrogarmos: “Somos verdadeiramente permeados pela Palavra de Deus? É verdade que esta é o alimento de que vivemos, mais do que o sejam o pão e as coisas deste mundo? Conhecemo-la verdadeiramente? Amamo-la? De tal modo nos ocupamos interiormente desta palavra, que a mesma dá realmente um timbre à nossa vida e forma o nosso pensamento?”. Assim como Jesus chamou os Doze para estarem com Ele (cf. Mc 3, 14) e só depois é que os enviou a pregar, assim também nos nossos dias os sacerdotes são chamados a assimilar aquele “novo estilo de vida” que foi inaugurado pelo Senhor Jesus e assumido pelos Apóstolos. Os três conselhos evangélicos, necessários também para os presbíteros Foi precisamente a adesão sem reservas a este “novo estilo de vida” que caracterizou o trabalho ministerial do Cura d’Ars. O Papa João XXIII, na carta encíclica Sacerdotii nostri primordia – publicada em 1959, centenário da morte de São João Maria Vianney -, apresentava a sua fisionomia ascética referindo-se de modo especial ao tema dos “três conselhos evangélicos”, considerados necessários também para os presbíteros: “Embora, para alcançar esta santidade de vida, não seja imposta ao sacerdote como própria do estado clerical a prática dos conselhos evangélicos, entretanto esta representa para ele, como para todos os discípulos do Senhor, o caminho regular da santificação cristã”. O Cura d’Ars soube viver os “conselhos evangélicos” segundo modalidades apropriadas à sua condição de presbítero. Com efeito, a sua pobreza não foi a mesma de um religioso ou de um monge, mas a requerida a um padre: embora manejasse muito dinheiro (dado que os peregrinos mais abonados não deixavam de se interessar pelas suas obras sócio-caritativas), sabia que tudo era dado para a sua igreja, os seus pobres, os seus órfãos, as meninas da sua Providence , as suas famílias mais indigentes. Por isso, ele “era rico para dar aos outros e era muito pobre para si mesmo”. Explicava: “ O meu segredo é simples: dar tudo e não guardar nada “. Quando se encontrava com as mãos vazias, dizia contente aos pobres que se lhe dirigiam: “ Hoje sou pobre como vós, sou um dos vossos “. Deste modo pôde, ao fim da vida, afirmar com absoluta serenidade: “ Não tenho mais nada. Agora o bom Deus pode chamarme quando quiser !”. Também a sua castidade era aquela que se requeria a um padre para o seu ministério. Pode-se dizer que era a castidade conveniente a quem deve habitualmente tocar a Eucaristia e que habitualmente a fixa com todo o entusiasmo do coração e com o mesmo entusiasmo a dá aos seus fiéis.Dele se dizia que “ a castidade brilhava no seu olhar “, e os fiéis apercebiam- se disso quando ele se voltava para o sacrário fixando-o com os olhos de um enamorado. Também a obediência de São João Maria Vianney foi toda encarnada na dolorosa adesão às exigências diárias do seu ministério. É sabido como o atormentava o pensamento da sua própria inaptidão para o ministério paroquial e o desejo que tinha de fugir “ para chorar a sua pobre vida, na solidão “. Somente a obediência e a paixão pelas almas conseguiam convencê-lo a continuar no seu lugar. A si próprio e aos seus fiéis explicava: “Não há duas maneiras boas de servir a Deus. Há apenas uma: servi-Lo como Ele quer ser servido” . A regra de ouro para levar uma vida obediente parecia-lhe ser esta: “Fazer só aquilo que pode ser oferecido ao bom Deus”. Saber acolher os Movimentos Eclesiais e novas Comunidades No contexto da espiritualidade alimentada pela prática dos conselhos evangélicos, aproveito para dirigir aos sacerdotes, neste Ano a eles dedicado, um convite particular para saberem acolher a nova primavera que, em nossos dias, o Espírito está a suscitar na Igreja, através nomeadamente dos Movimentos Eclesiais e das novas Comunidades. “O Espírito é multiforme nos seus dons. […] Ele sopra onde quer. E fá-lo de maneira inesperada, em lugares imprevistos e segundo formas precedentemente inimagináveis […]; mas demonstra-nos também que Ele age em vista do único Corpo e na unidade do único Corpo”. A propósito disto, vale a indicação do decreto Presbyterorum ordinis: “Sabendo discernir se os espíritos vêm de Deus, [os presbíteros] perscrutem com o sentido da fé, reconheçam com alegria e promovam com diligência os multiformes carismas dos leigos, tanto os mais modestos como os mais altos “. Estes dons, que impelem não poucos para uma vida espiritual mais elevada, podem ser de proveito não só para os fiéis leigos, mas também para os próprios ministros. Com efeito, da comunhão entre ministros ordenados e carismas pode brotar “ um válido impulso para um renovado compromisso da Igreja no anúncio e no testemunho do Evangelho da esperança e da caridade em todos os recantos do mundo”. “Forma comunitária” do ministério ordenado Queria ainda acrescentar, apoiado na exortação apostólica Pastores dabo vobis do Papa João Paulo II, que o ministério ordenado tem uma radical “forma comunitária” e pode ser cumprido apenas na comunhão dos presbíteros com o seu Bispo. É preciso que esta comunhão entre os sacerdotes e com o respectivo Bispo, baseada no Sacramento da Ordem e manifestada na concelebração eucarística, se traduza nas diversas formas concretas de uma fraternidade sacerdotal efetiva e afetiva. Só deste modo é que os sacerdotes poderão viver em plenitude o dom do celibato e serão capazes de fazer florir comunidades cristãs onde se renovem os prodígios da primeira pregação do Evangelho. […] “Eu venci o mundo” À Virgem Santíssima entrego este Ano Sacerdotal, pedindo-Lhe para suscitar no ânimo de cada presbítero um generoso relançamento daqueles ideais de total doação a Cristo e à Igreja que inspiraram o pensamento e a ação do Santo Cura d’Ars. Com a sua fervorosa vida de oração e o seu amor apaixonado a Jesus Crucificado, João Maria Vianney alimentou a sua cotidiana doação sem reservas a Deus e à Igreja. Possa o seu exemplo suscitar nos sacerdotes aquele testemunho de unidade com o Bispo, entre eles próprios e com os leigos, que é tão necessário hoje, como o foi sempre. Não obstante o mal que existe no mundo, ressoa sempre atual a palavra de Cristo aos Seus Apóstolos, no Cenáculo: “ No mundo sofrereis tribulações. Mas tende confiança: Eu venci o mundo ” (Jo 16, 33). A Fé no Divino Mestre dá-nos a força para olhar confiadamente o futuro. Amados sacerdotes, Cristo conta convosco. A exemplo do Santo Cura d’Ars, deixai-vos conquistar por Ele e sereis também vós, no mundo atual, mensageiros de esperança, de reconciliação, de paz.(Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2009, n. 92, p. 6 à 9) #SantodoDia

  • Bispo da TL viraliza com desrespeito ao Padre Paulo Ricardo!

    O bispo Dom Norberto de Ji-Paraná (Rondônia) acabou de afirmar que o Padre Paulo “é uma das piores coisas que têm”. Mas por que um ataque gratuito a um padre que só repete os ensinamentos da Santa Igreja e não prejudica ninguém? Por que o prelado não gosta do apostolado do Padre Paulo? Saiba quem é Dom Norberto de Rondônia no vídeo abaixo. Siga o Padre Paulo Ricardo em suas redes sociais: Site Oficial – padrepauloricardo.org Youtube – youtube.com/@padrepauloricardo Instagram – instagram.com/pepauloricardo Facebook – facebook.com/padrepaulo Twitter – twitter.com/padre_paulo

  • Bispo da TL viraliza com desrespeito ao Padre Paulo Ricardo!

    O bispo Dom Norberto de Ji-Paraná (Rondônia) acabou de afirmar que o Padre Paulo “é uma das piores coisas que têm”. Mas por que um ataque gratuito a um padre que só repete os ensinamentos da Santa Igreja e não prejudica ninguém? Por que o prelado não gosta do apostolado do Padre Paulo? Saiba quem é Dom Norberto de Rondônia no vídeo abaixo. Siga o Padre Paulo Ricardo em suas redes sociais: Site Oficial – padrepauloricardo.org Youtube – youtube.com/@padrepauloricardo Instagram – instagram.com/pepauloricardo Facebook – facebook.com/padrepaulo Twitter – twitter.com/padre_paulo

  • Homilia Diária | Por que Deus permite os peixes podres?

    Quinta-feira da 17.ª Semana do Tempo Comum A Igreja é como uma rede de pesca que, uma vez lançada ao mar, captura peixes de todo tipo: no dia do Juízo, os bons serão recolhidos em cestos, enquanto os maus e imprestáveis serão jogados fora. Esta conhecida parábola, bastante semelhante à do joio e do trigo, nos desperta para o fato de que não somente os infiéis, mas também os maus fiéis poderão ser condenados ao fogo eterno. Assista à homilia do Padre Paulo Ricardo par aesta quinta-feira, dia 3 de agosto, e faça conosco um sincero exame de consciência: Senhor Jesus, acasotenho sido mais um desses peixes que não prestam? Leia abaixo o evangelho de hoje. Evangelho (Mt 13,47-53) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Abre-nos, ó Senhor, o coração, para ouvirmos a palavra de Jesus! (cf. At 16,14b) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 47 “O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. 48 Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam. 49 Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, 50 e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí, haverá choro e ranger de dentes. 51 Compreendestes tudo isso?” Eles responderam: “Sim”. 52 Então Jesus acrescentou: “Assim, pois, todo mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”. 53 Quando Jesus terminou de contar essas parábolas, partiu dali. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • Homilia Diária | Por que Deus permite os peixes podres?

    Quinta-feira da 17.ª Semana do Tempo Comum A Igreja é como uma rede de pesca que, uma vez lançada ao mar, captura peixes de todo tipo: no dia do Juízo, os bons serão recolhidos em cestos, enquanto os maus e imprestáveis serão jogados fora. Esta conhecida parábola, bastante semelhante à do joio e do trigo, nos desperta para o fato de que não somente os infiéis, mas também os maus fiéis poderão ser condenados ao fogo eterno. Assista à homilia do Padre Paulo Ricardo par aesta quinta-feira, dia 3 de agosto, e faça conosco um sincero exame de consciência: Senhor Jesus, acasotenho sido mais um desses peixes que não prestam? Leia abaixo o evangelho de hoje. Evangelho (Mt 13,47-53) — Aleluia, Aleluia, Aleluia. — Abre-nos, ó Senhor, o coração, para ouvirmos a palavra de Jesus! (cf. At 16,14b) — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 47 “O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. 48 Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam. 49 Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, 50 e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí, haverá choro e ranger de dentes. 51 Compreendestes tudo isso?” Eles responderam: “Sim”. 52 Então Jesus acrescentou: “Assim, pois, todo mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”. 53 Quando Jesus terminou de contar essas parábolas, partiu dali. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #HomiliaDiária

  • São Pedro Julião Eymard, o Apóstolo da Eucaristia – 2 de agosto

    SANTO DO DIA – 02 DE AGOSTO – SÃO PEDRO JULIÃO EYMARD Fundou a Congregação dos Padres do Santíssimo Sacramento (1811-1868) Pedro Julião Eymard nasceu no norte da França, em Esère, no dia 4 de fevereiro de 1811. Primeiro filho de um casal de simples comerciantes profundamente religiosos, todos os dias, sua mãe o levava à igreja para receber a bênção eucarística. Assim, aos 5 anos, despontou sua vocação religiosa e sacerdotal. Mas encontrou a objeção do seu pai. Apesar de muito religioso, ele não concordou com a decisão do filho, porque precisava da sua ajuda para sustentar a casa. Além disso, não tinha condições de pagar as despesas dos estudos no seminário. Diante desses fatos, só lhe restava rezar muito enquanto trabalhava e, às escondidas, estudar o latim. Em 1834, conseguiu realizar o seu sonho, recebendo a ordenação sacerdotal na sua própria diocese de origem. Após alguns anos no ministério pastoral, em 1839, padre Eymard entrou na recém-fundada Congregação dos Padres Maristas, em Lyon. Nesta Ordem permaneceu durante 17 anos, chegando a ocupar altos cargos. Foi quando recebeu de Maria Santíssima a missão de fundar uma obra dedicada à adoração perpétua da Eucaristia. Aliás, padre Eymard já notava que havia um certo distanciamento do povo da Igreja. Algo precisava ser feito. Rezou muito, pediu conselhos aos superiores e para o próprio papa Pio IX. Entretanto, percebeu que, por meio do Instituto dos Maristas, não poderia executar o que era preciso. Deixou o Instituto e foi para Paris. Lá, em 1856, com a ajuda do arcebispo de Paris, fundou a Congregação dos Padres do Santíssimo Sacramento. Após 3 anos, a Congregação das Irmãs de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento. Mais tarde, também fundou uma Ordem Terceira, em que leigos comprometem-se na adoração do Santíssimo Sacramento. Padre Pedro Julião Eymard foi incansável, viajando por toda a França para levar sua mensagem eucarística. Como seu legado, além da nova Ordem, deixou inúmeros escritos sobre a espiritualidade eucarística. Muito doente, ele faleceu na sua cidade natal no dia 1º de agosto de 1868, com apenas 57 anos de idade. Beatificado pelo papa Pio XI em 1925, foi canonizado pelo papa João XXIII em 1962. Na ocasião, foi designado que a memória litúrgica de são Pedro Julião Eymard deve ser celebrada em 2 de agosto, um dia após o de sua morte. Conheça mais sobre São Pedro Julião Eymard “É preciso fazer Jesus Eucarístico sair de Seu retiro para pôr-Se de novo à testa da sociedade cristã que há de dirigir e salvar. É preciso construir-Lhe um palácio, um trono, rodeá-Lo de uma corte de fiéis servidores, de uma família de amigos, de um povo de adoradores”. Eis a grande missão de São Pedro Julião Eymard. Na igreja da pequena cidade francesa de La Mure d’Isère, próxima de Grenoble, estava um menino de cinco anos, sentado numa pequena escada atrás do altar, com o corpo inclinado e a fronte quase encostada no sacrário. Foi ali que o encontrou sua irmã, depois de tê-lo procurado aflita por todo o povoado. – O que faz você aqui? – perguntou ao vê-lo. – Ora – respondeu ele com candura -, apenas converso com Jesus. – Mas, por que desse modo tão singular?! – Porque assim O escuto melhor! Ainda não sabia este prematuro devoto do Santíssimo Sacramento a grande missão que a Providência lhe tinha reservado e quão cheia de lutas, mas também de glórias, seria a vida que o aguardava. Sua precoce atração por Cristo Hóstia não era senão uma incipiente preparação para ela.1 “Peço-Vos a graça de ser sacerdote” Filho de Julião Eymard e Maria Madalena Pelorse, Pedro veio ao mundo em 4 de fevereiro de 1811. Sua família estava reduzida aos pais e a uma meia-irmã, Mariana – filha das primeiras núpcias de seu pai -, doze anos mais velha; os outros filhos do casal haviam falecido em tenra idade e um pereceu nos exércitos de Napoleão. Na igreja paroquial da cidade havia o piedoso costume da bênção com o Santíssimo Sacramento, depois da Missa diária. Sua mãe não faltava a esta um dia sequer e oferecia devotamente o filho a Jesus nessa hora. Assim, a presença de Cristo no ostensório e no sacrário lhe foi familiar desde muito cedo. Seu pai se estabelecera em La Mure d’Isère com uma pequena indústria de azeite de nozes. O jovem Pedro o ajudava, entregando aos clientes o produto. Mas sentia-se tão atraído por Jesus no tabernáculo que, passando pela igreja, sempre ia fazer-Lhe uma visita. E quando a irmã voltava do Sagrado Banquete, procurava ficar bem junto dela, para sentir a presença eucarística em sua alma. Aos doze anos de idade, finalmente deu-se o momento tão esperado de sua Primeira Comunhão. Quantas graças recebeu naquele dia! Uma delas foi a de sentir na alma o chamado ao sacerdócio. Mas quando falou ao pai do seu firme desejo de seguir essa vocação, recebeu como resposta uma categórica negativa. A mãe, do seu lado, calava e rezava, sem perder as esperanças de ver o filho junto ao altar. Inteligente e de caráter resoluto, o jovem Pedro continuou a ajudar o pai nas lides da indústria caseira, mas pôs-se a estudar latim, às escondidas. Aos dezesseis anos, obteve dele licença para prosseguir esses estudos, primeiramente em La Mure e depois em Grenoble. Foi nessa cidade que recebeu a notícia do repentino falecimento da mãe. Entre lágrimas, pôs-se aos pés de uma imagem de Nossa Senhora, rogando-Lhe: “Por favor, a partir de agora sede minha única Mãe! Mas antes de tudo, peço-Vos a graça de chegar um dia a ser sacerdote”.2 Esse amor à Santíssima Virgem não fez senão aumentar até o fim de sua vida. Foi apenas depois de completar dezoito anos, não sem muitas dificuldades, mesmo contando com ajuda do padre José Guibert – nessa época jovem sacerdote dos Missionários Oblatos de Maria Imaculada e mais tarde Cardeal e Arcebispo de Paris -, que conseguiu convencer o pai de permitir seu ingresso no noviciado dessa Congregação, em Marselha. Pela primeira vez, dava passos firmes rumo ao cumprimento de sua vocação. Pároco e religioso Entretanto, quando tudo parecia conduzi-lo à realização da grande aspiração de sua vida, uma grave enfermidade o obrigou a voltar para casa, deixando-o à beira da morte. Ao ser-lhe levado o Viático, pediu a Jesus Sacramentado que lhe concedesse a graça de recuperar a saúde para poder ser sacerdote e celebrar pelo menos uma Missa. Sua prece foi atendida. Curou-se e ingressou no Seminário Maior de Grenoble, sendo apresentado ao reitor pelo próprio A devoção à Sagrada Eucaristia era o meio de solucionar os intrigados problemas nos quais imergia o mundo e renovar a vida cristã fundador dos Oblatos de Maria, Santo Eugênio de Mazenod, na época Bispo de Marselha. Em 20 de julho de 1834, festa de Santo Elias, recebia a ordenação sacerdotal, aos 23 anos de idade. Durante os primeiros cinco anos de ministério, foi coadjutor em Chatte e depois pároco em Monteynard. Como autêntico pastor, tinha por meta santificar-se e santificar “suas ovelhas”, seguindo os métodos de outro santo pároco, o Cura d’Ars, do qual era grande amigo: diariamente rezava o Ofício Divino na igreja e depois saía para o átrio a fim de conversar com os fiéis. Dotado de um forte carisma para atrair, instruía e animava a todos, obtendo notáveis conversões. Contudo, a vida de pároco não o satisfazia inteiramente: desejava ser religioso. Apesar dos protestos de sua grei e das lágrimas de sua irmã Mariana, obteve autorização do ordinário para deixar o cargo e entrou em 1839 no noviciado dos Padres Maristas, em Lyon.3 Os membros desse Instituto, fundado três anos antes pelo padre Jean Claude Colin, receberam por missão evangelizar os povos do Pacífico e, em consequência, padre Pedro Julião preparava-se para ser enviado como apóstolo à longínqua Oceania. Outros, porém, eram os desígnios para ele reservados: foi nomeado diretor espiritual do Colégio Marista de Belley, superior provincial, visitador apostólico e, mais tarde, diretor da Ordem Terceira de Maria, em Lyon. Nessa cidade, exerceu um intenso apostolado, sobretudo com encarcerados, enfermos e operários. Enfrentou com destemor os ventos do século XIX, impregnado de utilitarismo, bafejado por um anticlericalismo obstinado que procurava relegar ao segundo plano, ou mesmo ao desprezo, a Religião e os valores sobrenaturais. Aquele jovem sacerdote cheio de zelo pela causa de Deus notava o quanto a sociedade de sua época se afastava de Cristo e de Sua Igreja, e ardia em desejo de fazer algo para reverter essa situação. A grande missão de sua vida Com tudo isso, a Providência ia aos poucos preparando-o para a realização da grande missão de sua vida. Duas insignes graças o levaram definitivamente a entregar-se a ela. Portando a custódia com o Santíssimo Sacramento durante uma procissão em 1845, sentiu-se pervadido por uma grande força e pediu a Deus que lhe desse o zelo apostólico de São Paulo, para difundir como ele o nome de Jesus Cristo. Mais decisiva, porém, foi a graça recebida em 1851, quando rezava diante da imagem da Virgem Santíssima, no santuário mariano de Fourvière. Em certo momento, ouviu com clareza no fundo da alma a voz de Nossa Senhora, que lhe expunha a necessidade de haver uma congregação religiosa destinada a honrar de modo especial a Sagrada Eucaristia, e apontava esta devoção como meio de solucionar os intricados problemas nos quais imergia o mundo, renovar a vida cristã e promover a autêntica formação de sacerdotes e leigos. Assim, quem o impeliu nas sendas de sua missão eucarística foi Aquela que, mais tarde, ele passou a venerar sob o título de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, modelo dos adoradores. Padre Pedro Julião deixou registradas algumas das cogitações que nessa época enchiam sua alma de apóstolo: “Tenho refletido amiúde sobre os remédios para esta indiferença universal, que se apodera de tantos católicos de maneira assombrosa, e só encontro um: a Eucaristia, o amor a Jesus Eucarístico. A perda da fé provém da perda do amor”.4 Algum tempo depois, acrescentou: “É preciso pôr-se imediatamente à obra, salvar as almas com a Eucaristia, despertar a França e a Europa, submersas no sono da indiferença, porque não conhecem o dom de Deus, Jesus, o Emanuel da Eucaristia. É preciso espalhar esta centelha do amor nas almas tíbias que se julgam piedosas e não o são, porque não fixaram o centro de suas vidas em Jesus no tabernáculo”.5 “Nós não pregamos senão a Jesus Cristo, e Jesus Cristo Sacramentado”, dizia ele, parafraseando a célebre afirmação de São Paulo (cf. I Cor 1, 23). Nasce a Congregação dos Sacramentinos Disposto a “pôr-se imediatamente à obra”, expôs ao Superior Geral dos Padres Maristas seu desejo de fundar uma nova congregação. Este examinou com vagar o projeto e o dispensou dos seus votos de religioso, dando-lhe assim plena liberdade para agir. Logo depois, porém, julgou melhor submeter o caso ao Arcebispo de Paris, Dom Marie-Dominique-Auguste Sibour. Apresentou-se, pois, no Palácio Arquiepiscopal o padre Pedro Julião, acompanhado de seu primeiro discípulo, o Conde Raimundo de Cuers, excapitão de fragata, que receberia mais tarde a ordenação sacerdotal na nova Congregação. Explicou a Dom Sibour seu plano de fundar uma instituição religiosa contemplativa de adoradores do Santíssimo Sacramento e ao mesmo tempo de vida ativa, com uma frente de apostolado voltada, sobretudo, para a classe operária, ocupando-se em incrementar a devoção à Sagrada Eucaristia, preparar adultos para a Primeira Comunhão e outras atividades correlatas. O Arcebispo se entusiasmou com a ideia, declarando ser essa a obra que faltava na Arquidiocese de Paris. Nasceu assim a Congregação do Santíssimo Sacramento, em 13 de maio de 1856. Em seu primeiro encontro com o Beato Pio IX, a 20 de dezembro de 1858, este foi ainda mais caloroso e categórico que o Arcebispo de Paris: “Estou convencido de que sua obra vem de Deus e a Igreja dela necessita” 6 – afirmou. Cinco anos mais tarde, em 1863, o mesmo Pontífice enviou-lhe um Breve Laudatório, aprovando oficialmente o novo Instituto. Os sofrimentos consolidam a obra A comunidade inicial – formada por apenas três membros: padre Pedro Julião, padre Cuers e padre Champion – instalou-se numa casa posta à sua disposição pelo próprio Dom Sibour. Na festa dos Reis Magos de 1857, expôs-se pela primeira vez o Santíssimo Sacramento na Capela. Um ano depois, foi conseguida a segunda casa no subúrbio de Saint-Jacques, a qual ficou conhecida pelo nome de Capela dos Milagres, por causa de todas as graças ali derramadas ao longo de nove anos. A obra desenvolvia-se com lentidão,enfrentando dificuldades de toda ordem. O Santíssimo Sacramento devia permanecer exposto perpetuamente, mas os adoradores inscritos logo davam sinais de cansaço, sobretudo diante da dificuldade da Por meio de uma clara voz interior, Nossa Senhora lhe expôs a necessidade de haver uma congregação religiosa destinada a honrar de modo especial a Sagrada Eucaristia “Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento”, Igreja de Santi Andrea e Claudio dei Borgognoni, Roma vigília noturna, e houve algumas deserções. O próprio padre Cuers pediu a Roma a supressão dos votos para fundar outro instituto. Também não lhe faltaram as provações decorrentes das calúnias e incompreensões. Diante de tudo isso, dizia ele com grande espírito sobrenatural: “Tenho medo de que cessem as provações”. 7 Assim, não foi apenas a dor física – das penitências voluntárias e das enfermidades – que purificou sua alma e a sua fundação, mas também o sofrimento moral. Fecundidade da Adoração Apesar disso, as vocações continuavam chegando, graças, sobretudo, aos sermões cheios de entusiasmo eucarístico do fundador, que os preparava diante do tabernáculo. Não em vão, afirmava o padre Eymard, uma hora aos pés de Jesus Sacramentado vale mais do que uma manhã inteira de estudos em livros. Como São Paulo, era o amor de Cristo que o impelia a pregar. Ardia em seu coração o enorme desejo de incendiar o mundo com o fogo d’Aquele que está presente em cada sacrário. Era preciso tirá-Lo dali, expô-Lo, prestar-Lhe adoração, reconhecendo ser Ele o único capaz de sanar todos os problemas, tanto dos indivíduos quanto da sociedade. Em seu desejo de levar as almas à Sagrada Eucaristia, fundou também a Congregação das Servas do Santíssimo Sacramento, contemplativas dedicadas à Adoração Perpétua, e uma espécie de Ordem Terceira, à qual deu o nome de Agregação do Santíssimo Sacramento. Inspirador dos Congressos Eucarísticos “É preciso fazer Jesus Eucarístico sair de seu retiro para pôr-Se de novo à testa da sociedade cristã que há de dirigir e salvar. É preciso construir- Lhe um palácio, um trono, rodeá-Lo de uma corte de fiéis servidores, de uma família de amigos, de um povo de adoradores”.8 Eis a grande missão de São Pedro Julião. Os Congressos Eucarísticos surgiram como fruto deste poderoso anelo. Foram eles uma iniciativa pioneira da Srta. Emilia Tamisier, uma jovem que ingressara na Congregação das Servas do Santíssimo Sacramento e lá permanecera quatro anos, sob o nome de Irmã Emiliana. Depois, com a bênção do santo fundador, saiu do convento para ser no mundo uma missionária itinerante da Eucaristia. Assim, em 1881, inspirada por seu mestre e vencendo numerosos obstáculos, organizava ela o primeiro Congresso Eucarístico da História, que se realizou em Lille, sob o tema A Eucaristia salva o mundo e contou com especial bênção do Papa Leão XIII. Para sua efetivação, recebeu ajuda dos Padres Sacramentinos, de diversos Bispos e numerosas personalidades leigas. A partir daí, multiplicaram-se congressos semelhantes, não só regionais, mas também nacionais e internacionais. Uma instituição que tomou vulto e perdura até nossos dias. Ocaso de uma vida santa Extenuado por suas intensas atividades, emagrecido e com dificuldades de se alimentar, o padre Eymard recebeu estritas ordens médicas de repouso. Na segunda quinzena de julho de 1868, dirigiu-se a La Mure, onde podia contar com os cuidados da irmã. Em caminho, celebrou sua última Missa em Grenoble, na capela consagrada à Adoração Perpétua. Poucos dias depois, os médicos diagnosticaram uma hemorragia cerebral. Sua última confissão foi feita por sinais, pois já não conseguia falar. No dia 1º de agosto, recebeu a Unção dos Enfermos, e o padre Chanuet, sacramentino, celebrou a Missa no seu próprio quarto, ministrando-lhe a Sagrada Comunhão. Era a derradeira! – Morreu um santo! – exclamavam os habitantes da pequena cidade. Antes de completar-se um ano de seu falecimento, beneficiou com vários milagres os fiéis que rezavam ante sua sepultura. Quase cem anos depois, no dia seguinte do término da primeira sessão do Concílio Vaticano II, 9 de dezembro de 1962, João XXIII o elevou à honra dos altares em presença de 1.500 padres conciliares. Passados mais trinta e três anos, era inscrito no Calendário Romano e apresentado à Igreja Universal com o título de “Apóstolo da Eucaristia”. Notas: 1 Recordando este fato, mais tarde, João XXIII diria as seguintes palavras: “Aquele menino de cinco anos, que encontraram no altar com a fronte apoiada no sacrário, é o mesmo que, tempos depois, chegaria a fundar a Sociedade dos Sacerdotes do Santíssimo Sacramento, assim como a das Servas do Santíssimo Sacramento, irradiando em inumeráveis legiões de sacerdotes- adoradores seu amor e sua ternura para com Cristo vivo na Eucaristia” (Homilia de Canonização dos santos: Pedro Julião Eymard, Antonio Maria Pucci, Francisco Maria da Camporrosso, 9/12/1962). 2 BEAUCHEF, OSB, Antoine Marie. Carta espiritual – sobre São Pedro Julião Eymard. In: Abbaye Saint Joseph de Clairval à Flavigny: http:// www.clairval.com/index. 3 Instituto afim e inspirador dos Irmãos Maristas, fundados por São Marcelino Champagnat. 4 Carta de 22 de outubro de 1851, apud PEDRETTI, SSS, Antonio. El fundador. In: Página Europea de los Religiosos Sacramentinos: http://es.ssseu.net. 5 Carta de 11 de fevereiro de 1852, apud PEDRETTI, op. Cit. 6 BEAUCHEF, op. Cit. 7 BAIGORRI, SSS, Luis. San Pedro Julián Eymard. In: ECHEVERRÍA, L., LLORCA, B., BETES, J. (Org.). Año Cristiano. Madrid: BAC, 2005, v.VII, p.55. 8 EYMARD, SSS, São Pedro Julião. Obras Eucarísticas. Madrid: Ediciones Eucaristia, 1963, p.XX. (Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2010, n. 104, p. 36 à 39) #SantodoDia

  • São Pedro Julião Eymard, o Apóstolo da Eucaristia – 2 de agosto

    SANTO DO DIA – 02 DE AGOSTO – SÃO PEDRO JULIÃO EYMARD Fundou a Congregação dos Padres do Santíssimo Sacramento (1811-1868) Pedro Julião Eymard nasceu no norte da França, em Esère, no dia 4 de fevereiro de 1811. Primeiro filho de um casal de simples comerciantes profundamente religiosos, todos os dias, sua mãe o levava à igreja para receber a bênção eucarística. Assim, aos 5 anos, despontou sua vocação religiosa e sacerdotal. Mas encontrou a objeção do seu pai. Apesar de muito religioso, ele não concordou com a decisão do filho, porque precisava da sua ajuda para sustentar a casa. Além disso, não tinha condições de pagar as despesas dos estudos no seminário. Diante desses fatos, só lhe restava rezar muito enquanto trabalhava e, às escondidas, estudar o latim. Em 1834, conseguiu realizar o seu sonho, recebendo a ordenação sacerdotal na sua própria diocese de origem. Após alguns anos no ministério pastoral, em 1839, padre Eymard entrou na recém-fundada Congregação dos Padres Maristas, em Lyon. Nesta Ordem permaneceu durante 17 anos, chegando a ocupar altos cargos. Foi quando recebeu de Maria Santíssima a missão de fundar uma obra dedicada à adoração perpétua da Eucaristia. Aliás, padre Eymard já notava que havia um certo distanciamento do povo da Igreja. Algo precisava ser feito. Rezou muito, pediu conselhos aos superiores e para o próprio papa Pio IX. Entretanto, percebeu que, por meio do Instituto dos Maristas, não poderia executar o que era preciso. Deixou o Instituto e foi para Paris. Lá, em 1856, com a ajuda do arcebispo de Paris, fundou a Congregação dos Padres do Santíssimo Sacramento. Após 3 anos, a Congregação das Irmãs de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento. Mais tarde, também fundou uma Ordem Terceira, em que leigos comprometem-se na adoração do Santíssimo Sacramento. Padre Pedro Julião Eymard foi incansável, viajando por toda a França para levar sua mensagem eucarística. Como seu legado, além da nova Ordem, deixou inúmeros escritos sobre a espiritualidade eucarística. Muito doente, ele faleceu na sua cidade natal no dia 1º de agosto de 1868, com apenas 57 anos de idade. Beatificado pelo papa Pio XI em 1925, foi canonizado pelo papa João XXIII em 1962. Na ocasião, foi designado que a memória litúrgica de são Pedro Julião Eymard deve ser celebrada em 2 de agosto, um dia após o de sua morte. Conheça mais sobre São Pedro Julião Eymard “É preciso fazer Jesus Eucarístico sair de Seu retiro para pôr-Se de novo à testa da sociedade cristã que há de dirigir e salvar. É preciso construir-Lhe um palácio, um trono, rodeá-Lo de uma corte de fiéis servidores, de uma família de amigos, de um povo de adoradores”. Eis a grande missão de São Pedro Julião Eymard. Na igreja da pequena cidade francesa de La Mure d’Isère, próxima de Grenoble, estava um menino de cinco anos, sentado numa pequena escada atrás do altar, com o corpo inclinado e a fronte quase encostada no sacrário. Foi ali que o encontrou sua irmã, depois de tê-lo procurado aflita por todo o povoado. – O que faz você aqui? – perguntou ao vê-lo. – Ora – respondeu ele com candura -, apenas converso com Jesus. – Mas, por que desse modo tão singular?! – Porque assim O escuto melhor! Ainda não sabia este prematuro devoto do Santíssimo Sacramento a grande missão que a Providência lhe tinha reservado e quão cheia de lutas, mas também de glórias, seria a vida que o aguardava. Sua precoce atração por Cristo Hóstia não era senão uma incipiente preparação para ela.1 “Peço-Vos a graça de ser sacerdote” Filho de Julião Eymard e Maria Madalena Pelorse, Pedro veio ao mundo em 4 de fevereiro de 1811. Sua família estava reduzida aos pais e a uma meia-irmã, Mariana – filha das primeiras núpcias de seu pai -, doze anos mais velha; os outros filhos do casal haviam falecido em tenra idade e um pereceu nos exércitos de Napoleão. Na igreja paroquial da cidade havia o piedoso costume da bênção com o Santíssimo Sacramento, depois da Missa diária. Sua mãe não faltava a esta um dia sequer e oferecia devotamente o filho a Jesus nessa hora. Assim, a presença de Cristo no ostensório e no sacrário lhe foi familiar desde muito cedo. Seu pai se estabelecera em La Mure d’Isère com uma pequena indústria de azeite de nozes. O jovem Pedro o ajudava, entregando aos clientes o produto. Mas sentia-se tão atraído por Jesus no tabernáculo que, passando pela igreja, sempre ia fazer-Lhe uma visita. E quando a irmã voltava do Sagrado Banquete, procurava ficar bem junto dela, para sentir a presença eucarística em sua alma. Aos doze anos de idade, finalmente deu-se o momento tão esperado de sua Primeira Comunhão. Quantas graças recebeu naquele dia! Uma delas foi a de sentir na alma o chamado ao sacerdócio. Mas quando falou ao pai do seu firme desejo de seguir essa vocação, recebeu como resposta uma categórica negativa. A mãe, do seu lado, calava e rezava, sem perder as esperanças de ver o filho junto ao altar. Inteligente e de caráter resoluto, o jovem Pedro continuou a ajudar o pai nas lides da indústria caseira, mas pôs-se a estudar latim, às escondidas. Aos dezesseis anos, obteve dele licença para prosseguir esses estudos, primeiramente em La Mure e depois em Grenoble. Foi nessa cidade que recebeu a notícia do repentino falecimento da mãe. Entre lágrimas, pôs-se aos pés de uma imagem de Nossa Senhora, rogando-Lhe: “Por favor, a partir de agora sede minha única Mãe! Mas antes de tudo, peço-Vos a graça de chegar um dia a ser sacerdote”.2 Esse amor à Santíssima Virgem não fez senão aumentar até o fim de sua vida. Foi apenas depois de completar dezoito anos, não sem muitas dificuldades, mesmo contando com ajuda do padre José Guibert – nessa época jovem sacerdote dos Missionários Oblatos de Maria Imaculada e mais tarde Cardeal e Arcebispo de Paris -, que conseguiu convencer o pai de permitir seu ingresso no noviciado dessa Congregação, em Marselha. Pela primeira vez, dava passos firmes rumo ao cumprimento de sua vocação. Pároco e religioso Entretanto, quando tudo parecia conduzi-lo à realização da grande aspiração de sua vida, uma grave enfermidade o obrigou a voltar para casa, deixando-o à beira da morte. Ao ser-lhe levado o Viático, pediu a Jesus Sacramentado que lhe concedesse a graça de recuperar a saúde para poder ser sacerdote e celebrar pelo menos uma Missa. Sua prece foi atendida. Curou-se e ingressou no Seminário Maior de Grenoble, sendo apresentado ao reitor pelo próprio A devoção à Sagrada Eucaristia era o meio de solucionar os intrigados problemas nos quais imergia o mundo e renovar a vida cristã fundador dos Oblatos de Maria, Santo Eugênio de Mazenod, na época Bispo de Marselha. Em 20 de julho de 1834, festa de Santo Elias, recebia a ordenação sacerdotal, aos 23 anos de idade. Durante os primeiros cinco anos de ministério, foi coadjutor em Chatte e depois pároco em Monteynard. Como autêntico pastor, tinha por meta santificar-se e santificar “suas ovelhas”, seguindo os métodos de outro santo pároco, o Cura d’Ars, do qual era grande amigo: diariamente rezava o Ofício Divino na igreja e depois saía para o átrio a fim de conversar com os fiéis. Dotado de um forte carisma para atrair, instruía e animava a todos, obtendo notáveis conversões. Contudo, a vida de pároco não o satisfazia inteiramente: desejava ser religioso. Apesar dos protestos de sua grei e das lágrimas de sua irmã Mariana, obteve autorização do ordinário para deixar o cargo e entrou em 1839 no noviciado dos Padres Maristas, em Lyon.3 Os membros desse Instituto, fundado três anos antes pelo padre Jean Claude Colin, receberam por missão evangelizar os povos do Pacífico e, em consequência, padre Pedro Julião preparava-se para ser enviado como apóstolo à longínqua Oceania. Outros, porém, eram os desígnios para ele reservados: foi nomeado diretor espiritual do Colégio Marista de Belley, superior provincial, visitador apostólico e, mais tarde, diretor da Ordem Terceira de Maria, em Lyon. Nessa cidade, exerceu um intenso apostolado, sobretudo com encarcerados, enfermos e operários. Enfrentou com destemor os ventos do século XIX, impregnado de utilitarismo, bafejado por um anticlericalismo obstinado que procurava relegar ao segundo plano, ou mesmo ao desprezo, a Religião e os valores sobrenaturais. Aquele jovem sacerdote cheio de zelo pela causa de Deus notava o quanto a sociedade de sua época se afastava de Cristo e de Sua Igreja, e ardia em desejo de fazer algo para reverter essa situação. A grande missão de sua vida Com tudo isso, a Providência ia aos poucos preparando-o para a realização da grande missão de sua vida. Duas insignes graças o levaram definitivamente a entregar-se a ela. Portando a custódia com o Santíssimo Sacramento durante uma procissão em 1845, sentiu-se pervadido por uma grande força e pediu a Deus que lhe desse o zelo apostólico de São Paulo, para difundir como ele o nome de Jesus Cristo. Mais decisiva, porém, foi a graça recebida em 1851, quando rezava diante da imagem da Virgem Santíssima, no santuário mariano de Fourvière. Em certo momento, ouviu com clareza no fundo da alma a voz de Nossa Senhora, que lhe expunha a necessidade de haver uma congregação religiosa destinada a honrar de modo especial a Sagrada Eucaristia, e apontava esta devoção como meio de solucionar os intricados problemas nos quais imergia o mundo, renovar a vida cristã e promover a autêntica formação de sacerdotes e leigos. Assim, quem o impeliu nas sendas de sua missão eucarística foi Aquela que, mais tarde, ele passou a venerar sob o título de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, modelo dos adoradores. Padre Pedro Julião deixou registradas algumas das cogitações que nessa época enchiam sua alma de apóstolo: “Tenho refletido amiúde sobre os remédios para esta indiferença universal, que se apodera de tantos católicos de maneira assombrosa, e só encontro um: a Eucaristia, o amor a Jesus Eucarístico. A perda da fé provém da perda do amor”.4 Algum tempo depois, acrescentou: “É preciso pôr-se imediatamente à obra, salvar as almas com a Eucaristia, despertar a França e a Europa, submersas no sono da indiferença, porque não conhecem o dom de Deus, Jesus, o Emanuel da Eucaristia. É preciso espalhar esta centelha do amor nas almas tíbias que se julgam piedosas e não o são, porque não fixaram o centro de suas vidas em Jesus no tabernáculo”.5 “Nós não pregamos senão a Jesus Cristo, e Jesus Cristo Sacramentado”, dizia ele, parafraseando a célebre afirmação de São Paulo (cf. I Cor 1, 23). Nasce a Congregação dos Sacramentinos Disposto a “pôr-se imediatamente à obra”, expôs ao Superior Geral dos Padres Maristas seu desejo de fundar uma nova congregação. Este examinou com vagar o projeto e o dispensou dos seus votos de religioso, dando-lhe assim plena liberdade para agir. Logo depois, porém, julgou melhor submeter o caso ao Arcebispo de Paris, Dom Marie-Dominique-Auguste Sibour. Apresentou-se, pois, no Palácio Arquiepiscopal o padre Pedro Julião, acompanhado de seu primeiro discípulo, o Conde Raimundo de Cuers, excapitão de fragata, que receberia mais tarde a ordenação sacerdotal na nova Congregação. Explicou a Dom Sibour seu plano de fundar uma instituição religiosa contemplativa de adoradores do Santíssimo Sacramento e ao mesmo tempo de vida ativa, com uma frente de apostolado voltada, sobretudo, para a classe operária, ocupando-se em incrementar a devoção à Sagrada Eucaristia, preparar adultos para a Primeira Comunhão e outras atividades correlatas. O Arcebispo se entusiasmou com a ideia, declarando ser essa a obra que faltava na Arquidiocese de Paris. Nasceu assim a Congregação do Santíssimo Sacramento, em 13 de maio de 1856. Em seu primeiro encontro com o Beato Pio IX, a 20 de dezembro de 1858, este foi ainda mais caloroso e categórico que o Arcebispo de Paris: “Estou convencido de que sua obra vem de Deus e a Igreja dela necessita” 6 – afirmou. Cinco anos mais tarde, em 1863, o mesmo Pontífice enviou-lhe um Breve Laudatório, aprovando oficialmente o novo Instituto. Os sofrimentos consolidam a obra A comunidade inicial – formada por apenas três membros: padre Pedro Julião, padre Cuers e padre Champion – instalou-se numa casa posta à sua disposição pelo próprio Dom Sibour. Na festa dos Reis Magos de 1857, expôs-se pela primeira vez o Santíssimo Sacramento na Capela. Um ano depois, foi conseguida a segunda casa no subúrbio de Saint-Jacques, a qual ficou conhecida pelo nome de Capela dos Milagres, por causa de todas as graças ali derramadas ao longo de nove anos. A obra desenvolvia-se com lentidão,enfrentando dificuldades de toda ordem. O Santíssimo Sacramento devia permanecer exposto perpetuamente, mas os adoradores inscritos logo davam sinais de cansaço, sobretudo diante da dificuldade da Por meio de uma clara voz interior, Nossa Senhora lhe expôs a necessidade de haver uma congregação religiosa destinada a honrar de modo especial a Sagrada Eucaristia “Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento”, Igreja de Santi Andrea e Claudio dei Borgognoni, Roma vigília noturna, e houve algumas deserções. O próprio padre Cuers pediu a Roma a supressão dos votos para fundar outro instituto. Também não lhe faltaram as provações decorrentes das calúnias e incompreensões. Diante de tudo isso, dizia ele com grande espírito sobrenatural: “Tenho medo de que cessem as provações”. 7 Assim, não foi apenas a dor física – das penitências voluntárias e das enfermidades – que purificou sua alma e a sua fundação, mas também o sofrimento moral. Fecundidade da Adoração Apesar disso, as vocações continuavam chegando, graças, sobretudo, aos sermões cheios de entusiasmo eucarístico do fundador, que os preparava diante do tabernáculo. Não em vão, afirmava o padre Eymard, uma hora aos pés de Jesus Sacramentado vale mais do que uma manhã inteira de estudos em livros. Como São Paulo, era o amor de Cristo que o impelia a pregar. Ardia em seu coração o enorme desejo de incendiar o mundo com o fogo d’Aquele que está presente em cada sacrário. Era preciso tirá-Lo dali, expô-Lo, prestar-Lhe adoração, reconhecendo ser Ele o único capaz de sanar todos os problemas, tanto dos indivíduos quanto da sociedade. Em seu desejo de levar as almas à Sagrada Eucaristia, fundou também a Congregação das Servas do Santíssimo Sacramento, contemplativas dedicadas à Adoração Perpétua, e uma espécie de Ordem Terceira, à qual deu o nome de Agregação do Santíssimo Sacramento. Inspirador dos Congressos Eucarísticos “É preciso fazer Jesus Eucarístico sair de seu retiro para pôr-Se de novo à testa da sociedade cristã que há de dirigir e salvar. É preciso construir- Lhe um palácio, um trono, rodeá-Lo de uma corte de fiéis servidores, de uma família de amigos, de um povo de adoradores”.8 Eis a grande missão de São Pedro Julião. Os Congressos Eucarísticos surgiram como fruto deste poderoso anelo. Foram eles uma iniciativa pioneira da Srta. Emilia Tamisier, uma jovem que ingressara na Congregação das Servas do Santíssimo Sacramento e lá permanecera quatro anos, sob o nome de Irmã Emiliana. Depois, com a bênção do santo fundador, saiu do convento para ser no mundo uma missionária itinerante da Eucaristia. Assim, em 1881, inspirada por seu mestre e vencendo numerosos obstáculos, organizava ela o primeiro Congresso Eucarístico da História, que se realizou em Lille, sob o tema A Eucaristia salva o mundo e contou com especial bênção do Papa Leão XIII. Para sua efetivação, recebeu ajuda dos Padres Sacramentinos, de diversos Bispos e numerosas personalidades leigas. A partir daí, multiplicaram-se congressos semelhantes, não só regionais, mas também nacionais e internacionais. Uma instituição que tomou vulto e perdura até nossos dias. Ocaso de uma vida santa Extenuado por suas intensas atividades, emagrecido e com dificuldades de se alimentar, o padre Eymard recebeu estritas ordens médicas de repouso. Na segunda quinzena de julho de 1868, dirigiu-se a La Mure, onde podia contar com os cuidados da irmã. Em caminho, celebrou sua última Missa em Grenoble, na capela consagrada à Adoração Perpétua. Poucos dias depois, os médicos diagnosticaram uma hemorragia cerebral. Sua última confissão foi feita por sinais, pois já não conseguia falar. No dia 1º de agosto, recebeu a Unção dos Enfermos, e o padre Chanuet, sacramentino, celebrou a Missa no seu próprio quarto, ministrando-lhe a Sagrada Comunhão. Era a derradeira! – Morreu um santo! – exclamavam os habitantes da pequena cidade. Antes de completar-se um ano de seu falecimento, beneficiou com vários milagres os fiéis que rezavam ante sua sepultura. Quase cem anos depois, no dia seguinte do término da primeira sessão do Concílio Vaticano II, 9 de dezembro de 1962, João XXIII o elevou à honra dos altares em presença de 1.500 padres conciliares. Passados mais trinta e três anos, era inscrito no Calendário Romano e apresentado à Igreja Universal com o título de “Apóstolo da Eucaristia”. Notas: 1 Recordando este fato, mais tarde, João XXIII diria as seguintes palavras: “Aquele menino de cinco anos, que encontraram no altar com a fronte apoiada no sacrário, é o mesmo que, tempos depois, chegaria a fundar a Sociedade dos Sacerdotes do Santíssimo Sacramento, assim como a das Servas do Santíssimo Sacramento, irradiando em inumeráveis legiões de sacerdotes- adoradores seu amor e sua ternura para com Cristo vivo na Eucaristia” (Homilia de Canonização dos santos: Pedro Julião Eymard, Antonio Maria Pucci, Francisco Maria da Camporrosso, 9/12/1962). 2 BEAUCHEF, OSB, Antoine Marie. Carta espiritual – sobre São Pedro Julião Eymard. In: Abbaye Saint Joseph de Clairval à Flavigny: http:// www.clairval.com/index. 3 Instituto afim e inspirador dos Irmãos Maristas, fundados por São Marcelino Champagnat. 4 Carta de 22 de outubro de 1851, apud PEDRETTI, SSS, Antonio. El fundador. In: Página Europea de los Religiosos Sacramentinos: http://es.ssseu.net. 5 Carta de 11 de fevereiro de 1852, apud PEDRETTI, op. Cit. 6 BEAUCHEF, op. Cit. 7 BAIGORRI, SSS, Luis. San Pedro Julián Eymard. In: ECHEVERRÍA, L., LLORCA, B., BETES, J. (Org.). Año Cristiano. Madrid: BAC, 2005, v.VII, p.55. 8 EYMARD, SSS, São Pedro Julião. Obras Eucarísticas. Madrid: Ediciones Eucaristia, 1963, p.XX. (Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2010, n. 104, p. 36 à 39) #SantodoDia

  • Novena à Santa Filomena – de 1 a 9 de Agosto

    Apelidada de “Milagrosa” por causa das muitas curas e milagres atribuídos à sua intercessão, Santa Filomena foi venerada por muitos grandes santos e papas ao longo da história, incluindo Papa São Pio X, São Frances Xavier Cabrini, São João Vianney e São Pio de Pietrelcina.⁣⁣ Esta novena é composta por: 1- Oração a Santa Filomena, 2- Meditação diária (abaixo), 3- Saudação a Santa Filomena, e 4- Ladainha de Santa Filomena. Gostaria de conhecer mais sobre esta grande santa? Clique aqui para conhecer a história de Santa Filomena! Oração à Santa Filomena Oh! gloriosa Virgem e Mártir Santa Filomena, que do Céu onde reinais vos comprazeis em fazer cair sobre a Terra benefícios sem conta, eis-me aqui prostrado a vossos pés para implorar-vos socorro para minhas necessidades que tanto me afligem, vós que sois tão poderosa junto a Jesus, como provam os inumeráveis prodígios que se operam por toda parte onde sois invocada e honrada. Alegro-me ao ver-vos tão grande, tão pura, tão santa, tão gloriosamente recompensada no céu e na terra. Atraído por vossos exemplos à prática de sólidas virtudes e cheio de esperança à vista das recompensas concedidas aos vossos merecimentos, eu me proponho de vos imitar pela fuga do pecado e pelo perfeito cumprimento dos mandamentos do Senhor. Ajudai-me, pois, oh! Grande e poderosa Santinha, nesta hora tão angustiante em que me encontro, alcançando-me a graça… e sobretudo uma pureza inviolável, uma fortaleza capaz de resistir a todas as tentações, uma generosidade de que não recuse a Deus nenhum sacrifício e um amor forte como a morte pela fé em Jesus Cristo, uma grande devoção e amor a Maria Santíssima e ao Santo Padre, e ainda a graça de viver santamente a fé para um dia estar contigo no céu por toda a eternidade. (Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai e leia a meditação do dia, abaixo). Meditação para o Primeiro Dia 1- Considerai que Santa Filomena foi virgem.. Virgem em meio ao mundo… Virgem não obstante a perseguição… Virgem até a morte… Que modelo! Posso contemplá-la sem confusão?… Qual será o remédio?… 2- Humilhai-vos muitas vezes pelo que vos confundiu, considerando a sua pureza virginal. 3- Assisti à Santa Missa em sua honra e visitai uma imagem sua, se vos for fácil. Reze a Saudação e a Ladainha, disponíveis mais abaixo. Meditação para o Segundo Dia 1- Considerai que Santa Filomena foi e não deixou de ser virgem… Porque soube mortificar os corruptos desejos da carne…, conservar, no uso dos sentidos, a modéstia de Jesus Cristo… , conservar-se afastada de um mundo enganador e das ocasiões perigosas… Será que a imitastes em tudo isso? Quais as fontes das vossas tentações… das vossas fraquezas… das vossas inquietações… das vossas quedas… Procurai analisá-las. 2- Fugi do que vos causou dano, praticai o que tivestes a desgraça de negligenciar relativamente à castidade. Reze a Saudação e a Ladainha, disponíveis mais abaixo. Meditação para o Terceiro Dia 1- Considerai que Santa Filomena conservou e aumentou o amor pela Virgindade com a oração, fonte abundante da vida sobrenatural… com os Sacramentos, pelos quais a alma se leva no Sangue de Jesus Cristo e se alimenta com o Sagrado Corpo, germe divino da virgindade cristã… com a lembrança de que seus membros eram os membros do Corpo de Jesus Cristo e de que seu corpo era templo do Espírito Santo… Não tendes porventura os mesmos meios?… Que uso deles fazeis?… 2- Redobrai de fervor em todas as vossas orações… Dizei de quando em quando a vós mesmos: meus membros são os de Jesus Cristo… o templo do Espírito Santo. Reze a Saudação e a Ladainha, disponíveis mais abaixo. Meditação para o Quarto Dia 1- Considerai que Santa Filomena foi Mártir… que teve de sofrer… sofrer Muito… Sofrer até a morte, e que mostrou nesses tormentos uma insuperável Paciência… Estão em vós indissoluvelmente ligados o sofrimento e a paciência… Muitas vezes tendes que sofrer… que sofrer pouco… jamais que morrer em Conseqüência. Donde provém tanta debilidade?… Não quereis talvez dar-lhe remédio?… Que meios escolheis, portanto? 2- Sofrer com paciência as poucas dores, contrariedades e penas que aprouver ao Senhor enviar-nos neste dia. Para se obter uma graça difícil é necessário estar em estado de graça através de uma confissão bem feita ao sacerdote e, se for possível, comungar nove dias em honra de Santa Filomena. Outro Meio eficaz é a vigília. Reze a Saudação e a Ladainha, disponíveis mais abaixo. Meditação para o Quinto Dia 1- Considerai que Santa Filomena sofreu o martírio por Jesus Cristo… Queriam arrebatar-lhe a fé… queriam fazer com que violasse os votos de seu Batismo… induzi-la a seguir os exemplos dos idólatras ou dos apóstatas. E que desejam de vós, em tantas ocasiões, o demônio, o mundo, a carne e o Vosso próprio coração, senão semelhantes infidelidades?… Estas se reduzem à ofensa a Deus… Não são talvez os vãos temores que vos fazem faltar agora aos vossos deveres e trair a vossa fé?… Oh! Deus, que vergonhosa tibieza! Recuperai finalmente a coragem. 2- Vencei algum respeito humano… Dizei de quando em quando a vós mesmos: É melhor agradar a Deus que aos homens. Reze a Saudação e a Ladainha, disponíveis mais abaixo. Meditação para o Sexto Dia 1- Considerai que Santa Filomena, morrendo por Jesus Cristo, teve de pôr em prática esta máxima do Salvador: “Aquele que ama mais o Pai, a mãe, o Filho ou a filha e a própria vida que a Mim, não é digno de Mim” (Mt 10,38-39)… Ela não hesitou… Tudo sacrificou, conquanto o sangue e a natureza erguessem a sua voz; em ocasiões menos difíceis, mostrar-nos-íamos dignos de Cristo? Se nos aparecer alguma vez uma escolha entre Deus e as criaturas, entre a graça e a natureza, entre o amor de Deus e as afeições às criaturas, a quem daremos a preferência?… Oh!, não mais desçamos no futuro, da nossa dignidade de Filhos de Deus e de discípulos de Jesus Cristo. 2- Esforcemo-nos neste dia por não agradar senão a Deus ou às criaturas somente por Deus. Reze a Saudação e a Ladainha, disponíveis mais abaixo. Meditação para o Sétimo Dia 1- Considerai que Santa Filomena, morrendo por Jesus Cristo, teve de tolerar as zombarias, os sarcasmos, os ultrajes de seus perseguidores, de seus algozes e da maior parte dos espectadores de seu suplício… Ela não foi menos generosa, menos constante, menos alegre na confissão pública de sua fé… Se o mundo vos der a beber em semelhante cálice, tereis bastante coragem para tragar-lhe a amargura com iguais sentimentos? Oh!, que importam as suas burlas, os seus desprezos, as suas mais injustas e mais sanguinolentas perseguições?… Pode jamais ser desonrado aquele que por Deus é honrado? Não temais… Segui o vosso caminho… Ele terminará na posse da glória eterna. 2- Não deixeis que se perturbe o vosso coração se vos disserem alguma palavra desabrida, grosseira, mordaz, ofensiva, etc. Reze a Saudação e a Ladainha, disponíveis mais abaixo. Meditação para o Oitavo Dia 1- Considerai que Santa Filomena, morrendo por amor de Jesus Cristo a todas as coisas deste mundo abjeto, entrou no gozo da vida eterna. Sim, estou certa, dizia em seu coração, de que o Supremo Juiz me concederá, em troca dos bens passageiros que sacrifico por Seu amor, a coroa de justiça que me prometeu. Ela morre… e ei-la no tabernáculo de Deus, com os Santos a seguir o Cordeiro… São estes os pensamentos que procuro ter quando me acho diante de algum sacrifício?… Que impressão causam a minha alma os sacrifícios? Para que lado fazem cair a balança?… Ah! os Santos para tudo possuir, tudo diziam, perdiam tudo… e que direi eu? 2-Façamos neste dia algum sacrifício voluntário… Façamos prontamente e de boa vontade os que estão unidos aos nossos deveres, etc. Reze a Saudação e a Ladainha, disponíveis mais abaixo. Meditação para o Nono Dia 1- Considerai que Santa Filomena, depois de tudo haver sacrificado neste miserável mundo por amor a Jesus Cristo, d’Ele recebeu, mesmo neste mundo, mais do cêntuplo de quanto havia dado. Quanta reputação! Quanto poder! Quanta glória! Quanta grandeza humilhada a seus pés! Que numerosa afluência de peregrinos a seus diversos santuários! Quantas festas em sua honra! Que testemunhos de veneração lhe são tributados! Assim exatamente cumpre Deus as suas promessas. Oh!, se com igual fidelidade guardássemos as nossas para com Ele!… Mas privando-O de Sua glória, não viremos talvez a privar-nos também de tantos méritos e favores, seja neste mundo seja no outro?… Coragem, portanto. Sede fiéis, para que Deus o seja convosco. 2- Fazei hoje alguma obra de misericórdia em honra de Santa Filomena. Disponde-vos por uma boa confissão a receber dignamente Nosso Senhor Jesus Cristo. Reze a Saudação e a Ladainha, disponíveis mais abaixo. Saudação a Santa Filomena (Composta pela Serva de Deus Irmã Maria Luísa de Jesus, oração muito poderosa e querida a Santa Filomena.) Saúdo-vos, Filomena, Virgem e Mártir de Jesus Cristo, e peço-vos oreis a Deus pelos justos, para que se conservem em sua justiça e cresçam diariamente de virtude em virtude. Creio em Deus Pai… Saúdo-vos, Filomena, Virgem e Mártir de Jesus Cristo, e peço-vos oreis a Deus pelos pecadores, para que se convertam e vivam a vida da graça. Creio em Deus Pai… Saúdo-vos, Filomena, Virgem e Mártir de Jesus Cristo, e peço-vos oreis a Deus pelos heréticos e infiéis, para que venham à verdadeira Igreja e sirvam ao Senhor em espírito e verdade. Creio em Deus Pai… Glória ao Pai… (três vezes, à Santíssima Trindade, em ação de graças pelos favores concedidos a tão ilustre Virgem Mártir heroína do Evangelho). Uma Salve Rainha (à Virgem das Dores, para agradecer-lhe a suprema fortaleza que lhe alcançou nos seus múltiplos e cruéis martírios). Rezar o credo. Ladainha de Santa Filomena R. Senhor, tende piedade de nós. V. Jesus Cristo, tende piedade de nós. R. Jesus Cristo, tende piedade de nós. V. Senhor, tende piedade de nós. R. Senhor, tende piedade de nós. V. Jesus Cristo, ouvi-nos. R. Jesus Cristo, ouvi-nos. V. Jesus Cristo, atendei-nos. R. Jesus Cristo, atendei-nos. Pai dos Céus, que sois Deus, tende piedade de nós. Filho Redentor do mundo, que sois Deus, Espírito Santo, que sois Deus, Santíssima Trindade, que sois um só Deus, Santa Maria, Rainha das Virgens, rogai por nós. Santa Filomena, cheia de abundantes graças desde o berço, Santa Filomena, fiel imitadora de Maria, Santa Filomena, modelo das Virgens, Santa Filomena, templo da perfeita humildade, Santa Filomena, abrasada no zelo da glória de Deus, Santa Filomena, vítima do amor de Jesus, Santa Filomena, exemplo de força e de perseverança, Santa Filomena, espelho das mais heroicas virtudes, Santa Filomena, firme e intrépida em face dos tormentos, Santa Filomena, flagelada como o vosso Divino Esposo, Santa Filomena, que preferistes as humilhações da morte aos esplendores do trono, Santa Filomena, que convertestes as testemunhas do vosso martírio, Santa Filomena, que cansastes o furor dos algozes, Santa Filomena, protetora dos inocentes, Santa Filomena, padroeira da juventude, Santa Filomena, asilo dos desgraçados, Santa Filomena, saúde dos doentes e enfermos, Santa Filomena, nova luz da Igreja peregrinante, Santa Filomena, que confundia a impiedade do século, Santa Filomena, cujo nome é glorioso no Céu e formidável para o inferno, Santa Filomena, ilustre pelos mais esplêndidos milagres, Santa Filomena, poderosa junto de Deus, Santa Filomena, que reinais na glória, Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor. Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor. Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. V. Rogai por nós, Santa Filomena, R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Oremos. Nós Vos suplicamos, Senhor, que nos concedais o perdão dos nossos pecados pela intercessão de Santa Filomena, Virgem Mártir, que foi sempre agradável aos vossos olhos pela sua eminente castidade e exercício de todas as virtudes. Santa Filomena, rogai por nós. (3 vezes) R. Kyrie, eleison. V. Christe, eleison. R. Christe, eleison. V. Kyrie, eleison. R. Kyrie, eleison. V. Christe, áudi nos. R. Christe, áudi nos. V. Christe, exáudi nos. R. Christe, exáudi nos. Pater de caelis Deus, miserere nobis. Fili Redémptor mundi Deus, Spiritus Sancte Deus, Sancta Trínitas, Únus Deus, Sancta Maria, Regina Virginum, ora pro nobis. Sancta Philomena, gratiarum natu plena, Sancta Philomena, fidelis Mariae Virginis imitatrix, Sancta Philomena, exemplar Virginum, Sancta Philomena, Templum perfectae humilitatis, Sancta Philomena, amore ardens gloriae Dei, Sancta Philomena, amoris Iesu Victima, Sancta Philomena, fortitudinis et perseverantiae exemplum, Sancta Philomena, speculum praeclararum virtutum, Sancta Philomena, firmis et fortis in supliciis, Sancta Philomena, flagellis subiecta sicut teus Divinus Sponsus, Sancta Philomena, quae pretulit humilitatem mortis, gloriae regni, Sancta Philomena, quae testes martyrii ad conversionem induxit, Sancta Philomena, quae laxasti furorem persecutorum, Sancta Philomena, quae pauperes protegis, Sancta Philomena, quae iuventutem protegis, Sancta Philomena, refugium peccatórum, Sancta Philomena, salus infirmórum, Sancta Philomena, lux peregrinantis Ecclesiae, Sancta Philomena, quae impietatem saeculi confundis, Sancta Philomena, cuius nomen in caelis in infernum diabolos detrudet, Sancta Philomena, emérita miraculorum fama, Sancta Philomena, poderosa apud Deum, Sancta Philomena, quae gloriosa in caelis regnas, Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, parce nobis Domine. Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, exáudi nos Domine. Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, miserere nobis. V. Ora pro nobis, Sancta Philomena. R. Ut digni efficiamur promissionibus Christi. Oremus. Supplices deprecamur, ut a nostris peccátis libertemur, Virgine Philomena martyre tua intercedente, quae semper ad óculos Dei, sua castitate et exercitio omnium virtutum placuit. Ámen. Sancta Philomena, ora pro nobis. (3x) Oremos. Ó Deus, que entre os outros milagres do Vosso poder, também ao sexo frágil destes a vitória do martírio; concedei propício que nós, celebrando o natalício de Santa Filomena, Vossa Virgem e Mártir, pelos seus exemplos, cheguemos por ela a Vós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho, que conVosco vive e reina na Unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém. Oremus. Deus, qui inter cetera potentiae tuae miracula etiam in sexu fragili victoriam martyrii contulisti; concede propitius, ut qui beatae Philomenae Virginis et Martyris tuae natalitia colimus, per eius ad te exempla gradiamur. Per Dominum Nostrum Iesum Chirstum Filium Tuum, qui Tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancte Deus, per omnia saecula saeculorum. Ámen. #Novena

  • Novena à Santa Filomena – de 1 a 9 de Agosto

    Apelidada de “Milagrosa” por causa das muitas curas e milagres atribuídos à sua intercessão, Santa Filomena foi venerada por muitos grandes santos e papas ao longo da história, incluindo Papa São Pio X, São Frances Xavier Cabrini, São João Vianney e São Pio de Pietrelcina.⁣⁣ Esta novena é composta por: 1- Oração a Santa Filomena, 2- Meditação diária (abaixo), 3- Saudação a Santa Filomena, e 4- Ladainha de Santa Filomena. Gostaria de conhecer mais sobre esta grande santa? Clique aqui para conhecer a história de Santa Filomena! Oração à Santa Filomena Oh! gloriosa Virgem e Mártir Santa Filomena, que do Céu onde reinais vos comprazeis em fazer cair sobre a Terra benefícios sem conta, eis-me aqui prostrado a vossos pés para implorar-vos socorro para minhas necessidades que tanto me afligem, vós que sois tão poderosa junto a Jesus, como provam os inumeráveis prodígios que se operam por toda parte onde sois invocada e honrada. Alegro-me ao ver-vos tão grande, tão pura, tão santa, tão gloriosamente recompensada no céu e na terra. Atraído por vossos exemplos à prática de sólidas virtudes e cheio de esperança à vista das recompensas concedidas aos vossos merecimentos, eu me proponho de vos imitar pela fuga do pecado e pelo perfeito cumprimento dos mandamentos do Senhor. Ajudai-me, pois, oh! Grande e poderosa Santinha, nesta hora tão angustiante em que me encontro, alcançando-me a graça… e sobretudo uma pureza inviolável, uma fortaleza capaz de resistir a todas as tentações, uma generosidade de que não recuse a Deus nenhum sacrifício e um amor forte como a morte pela fé em Jesus Cristo, uma grande devoção e amor a Maria Santíssima e ao Santo Padre, e ainda a graça de viver santamente a fé para um dia estar contigo no céu por toda a eternidade. (Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai e leia a meditação do dia, abaixo). Meditação para o Primeiro Dia 1- Considerai que Santa Filomena foi virgem.. Virgem em meio ao mundo… Virgem não obstante a perseguição… Virgem até a morte… Que modelo! Posso contemplá-la sem confusão?… Qual será o remédio?… 2- Humilhai-vos muitas vezes pelo que vos confundiu, considerando a sua pureza virginal. 3- Assisti à Santa Missa em sua honra e visitai uma imagem sua, se vos for fácil. Reze a Saudação e a Ladainha, disponíveis mais abaixo. Meditação para o Segundo Dia 1- Considerai que Santa Filomena foi e não deixou de ser virgem… Porque soube mortificar os corruptos desejos da carne…, conservar, no uso dos sentidos, a modéstia de Jesus Cristo… , conservar-se afastada de um mundo enganador e das ocasiões perigosas… Será que a imitastes em tudo isso? Quais as fontes das vossas tentações… das vossas fraquezas… das vossas inquietações… das vossas quedas… Procurai analisá-las. 2- Fugi do que vos causou dano, praticai o que tivestes a desgraça de negligenciar relativamente à castidade. Reze a Saudação e a Ladainha, disponíveis mais abaixo. Meditação para o Terceiro Dia 1- Considerai que Santa Filomena conservou e aumentou o amor pela Virgindade com a oração, fonte abundante da vida sobrenatural… com os Sacramentos, pelos quais a alma se leva no Sangue de Jesus Cristo e se alimenta com o Sagrado Corpo, germe divino da virgindade cristã… com a lembrança de que seus membros eram os membros do Corpo de Jesus Cristo e de que seu corpo era templo do Espírito Santo… Não tendes porventura os mesmos meios?… Que uso deles fazeis?… 2- Redobrai de fervor em todas as vossas orações… Dizei de quando em quando a vós mesmos: meus membros são os de Jesus Cristo… o templo do Espírito Santo. Reze a Saudação e a Ladainha, disponíveis mais abaixo. Meditação para o Quarto Dia 1- Considerai que Santa Filomena foi Mártir… que teve de sofrer… sofrer Muito… Sofrer até a morte, e que mostrou nesses tormentos uma insuperável Paciência… Estão em vós indissoluvelmente ligados o sofrimento e a paciência… Muitas vezes tendes que sofrer… que sofrer pouco… jamais que morrer em Conseqüência. Donde provém tanta debilidade?… Não quereis talvez dar-lhe remédio?… Que meios escolheis, portanto? 2- Sofrer com paciência as poucas dores, contrariedades e penas que aprouver ao Senhor enviar-nos neste dia. Para se obter uma graça difícil é necessário estar em estado de graça através de uma confissão bem feita ao sacerdote e, se for possível, comungar nove dias em honra de Santa Filomena. Outro Meio eficaz é a vigília. Reze a Saudação e a Ladainha, disponíveis mais abaixo. Meditação para o Quinto Dia 1- Considerai que Santa Filomena sofreu o martírio por Jesus Cristo… Queriam arrebatar-lhe a fé… queriam fazer com que violasse os votos de seu Batismo… induzi-la a seguir os exemplos dos idólatras ou dos apóstatas. E que desejam de vós, em tantas ocasiões, o demônio, o mundo, a carne e o Vosso próprio coração, senão semelhantes infidelidades?… Estas se reduzem à ofensa a Deus… Não são talvez os vãos temores que vos fazem faltar agora aos vossos deveres e trair a vossa fé?… Oh! Deus, que vergonhosa tibieza! Recuperai finalmente a coragem. 2- Vencei algum respeito humano… Dizei de quando em quando a vós mesmos: É melhor agradar a Deus que aos homens. Reze a Saudação e a Ladainha, disponíveis mais abaixo. Meditação para o Sexto Dia 1- Considerai que Santa Filomena, morrendo por Jesus Cristo, teve de pôr em prática esta máxima do Salvador: “Aquele que ama mais o Pai, a mãe, o Filho ou a filha e a própria vida que a Mim, não é digno de Mim” (Mt 10,38-39)… Ela não hesitou… Tudo sacrificou, conquanto o sangue e a natureza erguessem a sua voz; em ocasiões menos difíceis, mostrar-nos-íamos dignos de Cristo? Se nos aparecer alguma vez uma escolha entre Deus e as criaturas, entre a graça e a natureza, entre o amor de Deus e as afeições às criaturas, a quem daremos a preferência?… Oh!, não mais desçamos no futuro, da nossa dignidade de Filhos de Deus e de discípulos de Jesus Cristo. 2- Esforcemo-nos neste dia por não agradar senão a Deus ou às criaturas somente por Deus. Reze a Saudação e a Ladainha, disponíveis mais abaixo. Meditação para o Sétimo Dia 1- Considerai que Santa Filomena, morrendo por Jesus Cristo, teve de tolerar as zombarias, os sarcasmos, os ultrajes de seus perseguidores, de seus algozes e da maior parte dos espectadores de seu suplício… Ela não foi menos generosa, menos constante, menos alegre na confissão pública de sua fé… Se o mundo vos der a beber em semelhante cálice, tereis bastante coragem para tragar-lhe a amargura com iguais sentimentos? Oh!, que importam as suas burlas, os seus desprezos, as suas mais injustas e mais sanguinolentas perseguições?… Pode jamais ser desonrado aquele que por Deus é honrado? Não temais… Segui o vosso caminho… Ele terminará na posse da glória eterna. 2- Não deixeis que se perturbe o vosso coração se vos disserem alguma palavra desabrida, grosseira, mordaz, ofensiva, etc. Reze a Saudação e a Ladainha, disponíveis mais abaixo. Meditação para o Oitavo Dia 1- Considerai que Santa Filomena, morrendo por amor de Jesus Cristo a todas as coisas deste mundo abjeto, entrou no gozo da vida eterna. Sim, estou certa, dizia em seu coração, de que o Supremo Juiz me concederá, em troca dos bens passageiros que sacrifico por Seu amor, a coroa de justiça que me prometeu. Ela morre… e ei-la no tabernáculo de Deus, com os Santos a seguir o Cordeiro… São estes os pensamentos que procuro ter quando me acho diante de algum sacrifício?… Que impressão causam a minha alma os sacrifícios? Para que lado fazem cair a balança?… Ah! os Santos para tudo possuir, tudo diziam, perdiam tudo… e que direi eu? 2-Façamos neste dia algum sacrifício voluntário… Façamos prontamente e de boa vontade os que estão unidos aos nossos deveres, etc. Reze a Saudação e a Ladainha, disponíveis mais abaixo. Meditação para o Nono Dia 1- Considerai que Santa Filomena, depois de tudo haver sacrificado neste miserável mundo por amor a Jesus Cristo, d’Ele recebeu, mesmo neste mundo, mais do cêntuplo de quanto havia dado. Quanta reputação! Quanto poder! Quanta glória! Quanta grandeza humilhada a seus pés! Que numerosa afluência de peregrinos a seus diversos santuários! Quantas festas em sua honra! Que testemunhos de veneração lhe são tributados! Assim exatamente cumpre Deus as suas promessas. Oh!, se com igual fidelidade guardássemos as nossas para com Ele!… Mas privando-O de Sua glória, não viremos talvez a privar-nos também de tantos méritos e favores, seja neste mundo seja no outro?… Coragem, portanto. Sede fiéis, para que Deus o seja convosco. 2- Fazei hoje alguma obra de misericórdia em honra de Santa Filomena. Disponde-vos por uma boa confissão a receber dignamente Nosso Senhor Jesus Cristo. Reze a Saudação e a Ladainha, disponíveis mais abaixo. Saudação a Santa Filomena (Composta pela Serva de Deus Irmã Maria Luísa de Jesus, oração muito poderosa e querida a Santa Filomena.) Saúdo-vos, Filomena, Virgem e Mártir de Jesus Cristo, e peço-vos oreis a Deus pelos justos, para que se conservem em sua justiça e cresçam diariamente de virtude em virtude. Creio em Deus Pai… Saúdo-vos, Filomena, Virgem e Mártir de Jesus Cristo, e peço-vos oreis a Deus pelos pecadores, para que se convertam e vivam a vida da graça. Creio em Deus Pai… Saúdo-vos, Filomena, Virgem e Mártir de Jesus Cristo, e peço-vos oreis a Deus pelos heréticos e infiéis, para que venham à verdadeira Igreja e sirvam ao Senhor em espírito e verdade. Creio em Deus Pai… Glória ao Pai… (três vezes, à Santíssima Trindade, em ação de graças pelos favores concedidos a tão ilustre Virgem Mártir heroína do Evangelho). Uma Salve Rainha (à Virgem das Dores, para agradecer-lhe a suprema fortaleza que lhe alcançou nos seus múltiplos e cruéis martírios). Rezar o credo. Ladainha de Santa Filomena R. Senhor, tende piedade de nós. V. Jesus Cristo, tende piedade de nós. R. Jesus Cristo, tende piedade de nós. V. Senhor, tende piedade de nós. R. Senhor, tende piedade de nós. V. Jesus Cristo, ouvi-nos. R. Jesus Cristo, ouvi-nos. V. Jesus Cristo, atendei-nos. R. Jesus Cristo, atendei-nos. Pai dos Céus, que sois Deus, tende piedade de nós. Filho Redentor do mundo, que sois Deus, Espírito Santo, que sois Deus, Santíssima Trindade, que sois um só Deus, Santa Maria, Rainha das Virgens, rogai por nós. Santa Filomena, cheia de abundantes graças desde o berço, Santa Filomena, fiel imitadora de Maria, Santa Filomena, modelo das Virgens, Santa Filomena, templo da perfeita humildade, Santa Filomena, abrasada no zelo da glória de Deus, Santa Filomena, vítima do amor de Jesus, Santa Filomena, exemplo de força e de perseverança, Santa Filomena, espelho das mais heroicas virtudes, Santa Filomena, firme e intrépida em face dos tormentos, Santa Filomena, flagelada como o vosso Divino Esposo, Santa Filomena, que preferistes as humilhações da morte aos esplendores do trono, Santa Filomena, que convertestes as testemunhas do vosso martírio, Santa Filomena, que cansastes o furor dos algozes, Santa Filomena, protetora dos inocentes, Santa Filomena, padroeira da juventude, Santa Filomena, asilo dos desgraçados, Santa Filomena, saúde dos doentes e enfermos, Santa Filomena, nova luz da Igreja peregrinante, Santa Filomena, que confundia a impiedade do século, Santa Filomena, cujo nome é glorioso no Céu e formidável para o inferno, Santa Filomena, ilustre pelos mais esplêndidos milagres, Santa Filomena, poderosa junto de Deus, Santa Filomena, que reinais na glória, Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor. Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor. Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. V. Rogai por nós, Santa Filomena, R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Oremos. Nós Vos suplicamos, Senhor, que nos concedais o perdão dos nossos pecados pela intercessão de Santa Filomena, Virgem Mártir, que foi sempre agradável aos vossos olhos pela sua eminente castidade e exercício de todas as virtudes. Santa Filomena, rogai por nós. (3 vezes) R. Kyrie, eleison. V. Christe, eleison. R. Christe, eleison. V. Kyrie, eleison. R. Kyrie, eleison. V. Christe, áudi nos. R. Christe, áudi nos. V. Christe, exáudi nos. R. Christe, exáudi nos. Pater de caelis Deus, miserere nobis. Fili Redémptor mundi Deus, Spiritus Sancte Deus, Sancta Trínitas, Únus Deus, Sancta Maria, Regina Virginum, ora pro nobis. Sancta Philomena, gratiarum natu plena, Sancta Philomena, fidelis Mariae Virginis imitatrix, Sancta Philomena, exemplar Virginum, Sancta Philomena, Templum perfectae humilitatis, Sancta Philomena, amore ardens gloriae Dei, Sancta Philomena, amoris Iesu Victima, Sancta Philomena, fortitudinis et perseverantiae exemplum, Sancta Philomena, speculum praeclararum virtutum, Sancta Philomena, firmis et fortis in supliciis, Sancta Philomena, flagellis subiecta sicut teus Divinus Sponsus, Sancta Philomena, quae pretulit humilitatem mortis, gloriae regni, Sancta Philomena, quae testes martyrii ad conversionem induxit, Sancta Philomena, quae laxasti furorem persecutorum, Sancta Philomena, quae pauperes protegis, Sancta Philomena, quae iuventutem protegis, Sancta Philomena, refugium peccatórum, Sancta Philomena, salus infirmórum, Sancta Philomena, lux peregrinantis Ecclesiae, Sancta Philomena, quae impietatem saeculi confundis, Sancta Philomena, cuius nomen in caelis in infernum diabolos detrudet, Sancta Philomena, emérita miraculorum fama, Sancta Philomena, poderosa apud Deum, Sancta Philomena, quae gloriosa in caelis regnas, Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, parce nobis Domine. Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, exáudi nos Domine. Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, miserere nobis. V. Ora pro nobis, Sancta Philomena. R. Ut digni efficiamur promissionibus Christi. Oremus. Supplices deprecamur, ut a nostris peccátis libertemur, Virgine Philomena martyre tua intercedente, quae semper ad óculos Dei, sua castitate et exercitio omnium virtutum placuit. Ámen. Sancta Philomena, ora pro nobis. (3x) Oremos. Ó Deus, que entre os outros milagres do Vosso poder, também ao sexo frágil destes a vitória do martírio; concedei propício que nós, celebrando o natalício de Santa Filomena, Vossa Virgem e Mártir, pelos seus exemplos, cheguemos por ela a Vós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho, que conVosco vive e reina na Unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém. Oremus. Deus, qui inter cetera potentiae tuae miracula etiam in sexu fragili victoriam martyrii contulisti; concede propitius, ut qui beatae Philomenae Virginis et Martyris tuae natalitia colimus, per eius ad te exempla gradiamur. Per Dominum Nostrum Iesum Chirstum Filium Tuum, qui Tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancte Deus, per omnia saecula saeculorum. Ámen. #Novena

  • Santo Afonso, fundador dos Redentoristas – 1 de Agosto

    SANTO DO DIA – 01 DE AGOSTO – SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO Bispo, doutor da Igreja (1696-1787) Afonso de Ligório nasceu no dia 27 de setembro de 1696, no povoado de Marianela, em Nápoles, na Itália. Seus pais, cristãos, ricos e nobres, ao se depararem com sua inteligência privilegiada, deram-lhe todas as condições e todo o suporte para tornar-se uma pessoa brilhante. Enquanto seu pai o preparava nos estudos acadêmicos e científicos, sua mãe preocupava-se em educá-lo nos caminhos da fé e do cristianismo. Ele cresceu um cristão fervoroso, músico, poeta, escritor e, com apenas 16 anos de idade, doutorou-se em Direito Civil e Eclesiástico. Passou a advogar e atender no fórum de Nápoles, porém jamais abandonou sua vida espiritual, que era muito intensa. Sempre foi muito prudente, nunca advogou para a Corte, atendia a todos, ricos ou pobres, com igual empenho. Porém atendia, em primeiro lugar, os pobres, que não tinham como pagar um advogado, não por uma questão moral, mas porque era cristão. Depois de dez anos, tornara-se um memorável e bem sucedido advogado, cuja fama chegara aos fóruns jurídicos de toda a Itália. Entretanto, por exclusiva interferência política, perdeu uma causa de grande repercussão social, ocasionando-lhe uma violenta desilusão moral. A experiência do mundo e a forte corrupção moral já eram objeto de suas reflexões, após esse acontecimento decidiu abandonar tudo e seguir a vida religiosa. O pai, a princípio, não concordou, mas, vendo o filho renunciar à herança e aos títulos de nobreza com alegria no coração, aceitou sua decisão. Afonso concluiu os estudos de Teologia, sendo ordenado sacerdote aos 30 anos, em 1726. Escolheu o nome de Maria para homenagear o Nosso Redentor por meio da Santíssima Mãe, aos quais dedicava toda a sua devoção, e agora também a vida. Desde então, colocou seus muitos talentos a serviço do Povo de Deus, evidenciando ainda mais os da bondade, da caridade, da fé em Cristo e do conforto espiritual que passava a seus semelhantes. Em suas pregações, Afonso Maria usava as qualidades da oratória e colocava sua ciência a serviço do Redentor. As suas palavras eram um bálsamo aos que procuravam reconciliação e orientação, por meio do confessionário, ministério ao qual se dedicou durante todo o seu apostolado. Aos que lhe perguntavam qual era o seu lema, dizia: ‘Deus me enviou para evangelizar os pobres’. Para viver plenamente o seu lema, em 1732, fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, ou dos Padres Redentoristas, destinada, exclusivamente, à pregação aos pobres e nas regiões de população abandonada, sob a forma de missões e retiros. Ele mesmo viajou por quase todo o sul da Itália pregando a Palavra de Deus e a devoção a Maria, entremeando sua atividade pastoral com a de escritor de livros ascéticos e teológicos. Com tudo isso, conseguiu a conversão de muitas pessoas. Em 1762, obedecendo à indicação do papa, aceitou ser o bispo da diocese de Santa Águeda dos Godos, onde permaneceu por 13 anos. Portador de artrite degenerativa deformante, já paralítico e quase cego, retirou-se ao seu convento, onde completou sua extensa e importantíssima obra literária, composta de 120 livros e tratados. Entre os mais célebres estão: ‘Teologia moral’, ‘Glórias de Maria’, ‘Visitas ao SS. Sacramento’ e ‘Tratado sobre a oração’. Após 12 anos de muito sofrimento físico, Afonso Maria de Ligório morreu, aos 91 anos, no dia 1º de agosto de 1787, em Nocera dei Pagani, Salerno, Itália. Canonizado em 1839, foi declarado doutor da Igreja em 1871. O papa Pio XII proclamou santo Afonso Maria de Ligório Padroeiro dos Confessores e dos Teólogos de Teologia Moral em 1950. Quando contemplamos um céu estrelado, extasiamo-nos com as miríades de astros a cintilarem nas etéreas vastidões. Entretanto, outra constelação há, ainda mais bela e reluzente que a fixada no firmamento: são os Santos da Igreja Católica, fulgurantes exemplos para todos os fiéis. Um desses grandes luminares do cristianismo é Santo Afonso Maria de Ligório. Conheça mais sobre Santo Afonso Maria de Ligório No dia 1º de agosto se comemora a festa de Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo, Confessor e Doutor da Igreja. Fundador da Congregação do Santíssimo Redentor, é o tratadista por excelência da moral católica, e se destacou por sua profunda devoção a Nossa Senhora, em louvor da qual escreveu uma de suas mais belas obras, as Glórias de Maria. Dele temos essa síntese biográfica, escrita por Dom Guéranger: Afonso Maria de Ligório nasceu de pais nobres, em Nápoles, a 27 de setembro de 1696. Sua juventude foi piedosa, estudiosa e caritativa. Aos 17 anos ele era doutor em direito civil e canônico. E começava pouco depois uma brilhante carreira de advogado. Mas nem seu sucesso, nem as instâncias de seu pai, que o queria casado, o impediram de deixar o mundo. Diante do altar de Nossa Senhora, fez o voto de se tornar sacerdote. Ordenado padre em 1726, consagrou-se à pregação. Em 1729, uma epidemia permitiu-lhe que se dedicasse aos doentes em Nápoles. Pouco depois retirou-se, com companheiros, a Santa Maria dos Montes, e com eles se preparou para a evangelização dos campos. Em 1732, estabeleceu a Congregação do Santíssimo Redentor, que lhe deveria acarretar numerosas dificuldades e perseguições. Mas enfim os postulantes afluíram e o instituto se expandiu rapidamente. Em 1762 foi nomeado Bispo de Santa Ágata dos Godos, perto de Nápoles. Empreendeu ato contínuo a visita à sua diocese, pregando em todas as paróquias e reformando o clero. Ele continuava a dirigir seu Instituto e o das religiosas que tinha fundado para servir de apoio, por sua oração contemplativa, a seus filhos missionários. Em 1765, demitiu-se do ministério episcopal e voltou a viver entre seus filhos. Dentro em pouco uma cisão se produziu no Instituto dos Redentoristas, e Santo Afonso se viu expulso de sua própria família religiosa. A provação foi muito grande, mas ele não perdeu a coragem e predisse mesmo que a unidade se restabeleceria depois de sua morte. Às suas doenças se acrescentaram sofrimentos morais que lhe causaram longas crises de escrúpulos e diversas tentações. Porém, seu amor a Deus não fez senão crescer. Enfim, no dia 1º de agosto de 1787, entregou sua alma ao Senhor, na hora em que os sinos tocavam o Ângelus. Gregório XVI o inscreveu no catálogo dos Santos em 1839, e Pio IX o declarou Doutor da Igreja. No meio de uma situação eminente, o túnel escuro Pela descrição acima, percebe-se que a trajetória terrena de Santo Afonso teve um determinado momento comparável a um túnel escuro, por onde ele foi obrigado a passar. Não se trata de uma provação ou sofrimento, mas de uma espécie de desengano pelo qual tudo quanto ele podia humanamente considerar como dando significado à sua vida, parecia ruir. Ele se tornava privado de qualquer dom, vantagem ou bem que não fosse a pura graça de Deus, atuando de um modo provavelmente insensível no interior de sua alma. Era um advogado brilhante, dotado de invulgar inteligência, nascido de família nobre, que abandonou uma situação humana auspiciosa e capaz de lhe favorecer a carreira e as ambições, para se dedicar apenas ao sacerdócio. Num passo seguinte, constitui uma congregação religiosa. Esse instituto floresce, e seu fundador se torna um homem bem visto pela Santa Sé. Escreve ótimos livros, difundidos por toda a Europa, e é aclamado como um mestre de grande peso na vida intelectual católica de seu tempo. Pouco depois é elevado ao episcopado. Sem dúvida, uma situação eminente, com todos os aspectos de uma vocação bem sucedida: como padre, se fez religioso; como religioso, fundador e superior geral; além disso, com a honra do episcopado, percebendo que o bom odor de sua doutrina perfumava a Europa inteira. Dir-se-ia, pois, que os anseios pelos quais se ordenara haviam se realizado, e a sua vida tinha atingido o objetivo desejado pela Providência. Nesse apogeu, ele poderia morrer e dizer a Deus, parafraseando São Paulo: “Combati o bom combate, dai-me agora o prêmio de vossa glória!” Ora, no momento em que tudo isso parecia alcançado, uma catástrofe. Bispo resignatário, doutor e moralista, superior geral da congregação religiosa que fundara, Santo Afonso é dela expulso por causa de intrigas, mal entendidos e informações erradas. Imagine-se o que representa para um fundador, ser despedido de sua instituição pela Santa Sé, vendo-se de um momento para outro sem recursos e sem meios de subsistência! Destino das almas amadas pela Providência Acrescente-se a esse revés outra provação: começam a lhe atormentar as doenças, que o acometeram até o fim da vida. Entre elas, uma febre reumática que o paralisou por certo tempo e lhe afetou a posição do pescoço, impedindo-o de permanecer ereto. Passou a viver com a cabeça inclinada, atitude esta refletida em alguns retratos que dele fizeram. Além das enfermidades, sobrevieram escrúpulos, tentações fortíssimas, inclusive contra a pureza e contra a Fé. Tudo se acumulando num homem alquebrado dessa forma. Porém, era este exatamente o prêmio máximo para coroar a sua existência. Era a crucifixão depois de um longo apostolado e uma incansável ação em benefício do próximo. Assim age, o mais das vezes, a Providência em relação às almas que Ela ama. São certas situações em que todos os infortúnios se congregam e há uma espécie de crepúsculo geral. Depois, a alma purificada, lavada pelo sofrimento, volta a gozar da graça de Deus. Então ela respira, sente-se outra, transformada. Naturalmente, essa foi a última nota da santificação, o derradeiro esforço que Nosso Senhor exigiu de Santo Afonso de Ligório. Lutas contra o jansenismo Cumpre dizer que grande parte das perseguições sofridas por Santo Afonso foram motivadas pelo jansenismo que grassava no seu tempo, e ao qual ele se opunha com zelo e vigor intensos. A corrente jansenista, a pretexto de severidade, acabava inculcando os preceitos morais tão erradamente que a pessoa desanimava de se salvar, pois afinal de contas não podia cumprir aquela moral de fariseus, como eles a apresentavam. O ponto mais desconcertante defendido pelo jansenismo dizia respeito à doutrina da predestinação. Segundo esta, o homem deveria cumprir aquela moral tremendamente severa, pairando sobre ele o olhar propenso à irritação e à vingança de um Deus, cuja santidade consistia apenas em estar à espera do pecado para infligir o castigo. De outro lado, entretanto, afirmavam os jansenistas que o Céu e o inferno não são dados aos homens em razão de suas boas ou más obras, porque Deus predestina para este ou aquele quem entende. De maneira que a pessoa pode passar a vida inteira pecando e ir para o Céu, ou praticando bons atos e cair no inferno, conforme o desejo divino. Ora, sendo assim, fácil é compreender como os homens perdiam completamente o alento para praticar a virtude e também o motivo para não cair no vício. Pois, em última análise, se eu acabo condenado embora passe a vida inteira realizando atos de virtude, em suma não sou livre de fazer ou não fazer algo, porque é Deus quem resolve e não eu. Então, para que me esforçar em levar uma vida santa? No fundo, era uma pregação da imoralidade. Por causa disso, segundo muitos vislumbres históricos, os jansenistas tinham suas falsidades ocultas. Por exemplo, jejuavam amiúde, mas eram grandes gastrônomos. E uma das omeletes reputadas por mais saborosas no tempo era chamada de La Janseniste, com a qual eles se regalavam escondidos durante seus “jejuns”. Não bastassem esses desvios, os jansenistas atacavam ainda as devoções mais elevadas e recomendáveis como, por exemplo, o culto ao Sagrado Coração de Jesus. Conta-se mesmo o caso de certo Bispo de Pistoia, Scipione de’ Ricci, que mandou pintar em sua residência um quadro representando uma devota lançando ao fogo a estampa do Sagrado Coração de Jesus, como se fosse objeto supersticioso, enquanto ele, Ricci, segura a cruz e o cálice com a Eucaristia, símbolos da autêntica piedade (como a entendiam). Essa recusa se explica pelo fato de a devoção ao Sagrado Coração de Jesus ser, de algum modo, o anti-jansenismo. Ela inculca a bondade, a misericórdia, a paciência do Salvador, e demonstra a verdade de que o homem, por meio de suas boas obras, pode agradar a Deus e alcançar a salvação. Manifesta, outrossim, que nosso Deus justo é repleto de amor, e não um tirano arbitrário, um implacável cobrador de impostos em relação à humanidade. Compreende-se, portanto, que em face dessa corrente jansenista Santo Afonso Maria de Ligório tenha tomado uma posição muito enérgica nas suas obras de moral. E que haja sofrido, em conseqüência, toda sorte de ataques e perseguições de seus oponentes, chegando ao auge dos reveses e infortúnios acima mencionados. Lição de vida para os católicos Devemos considerar nessa existência de Santo Afonso, laboriosa, semeada de provações mas coroada pelo triunfo da virtude, uma lição de confiança e de perseverança para todos nós. Nos piores momentos das tentações, nas dores e enfermidades, nas rudezas das perseguições, quando os seus mais próximos lhe infligiram cruéis dissabores, ele jamais desanimou, nunca flectiu no seu desejo de alcançar a santidade, crescendo em piedade e devoção à medida que avultavam os sofrimentos. Vem a propósito recordar aqui um pequeno episódio do fim da vida dele, quando já não podia transitar por si próprio, sendo conduzido em cadeira de rodas por um irmão leigo redentorista. Então passeavam pelo convento, percorrendo os jardins e os pátios internos, enquanto faziam suas orações. Mais de uma vez aconteceu de Santo Afonso perguntar ao seu companheiro: – Irmão, já rezamos tal Mistério do Rosário? O bom discípulo, igualmente alquebrado pela idade, não se recordava ao certo, e respondia: – Sr. Bispo, não me lembro muito bem, mas acredito que sim. Em todo o caso, já rezamos tantos terços, que Nossa Senhora não se importará se não tivermos contemplado tal ou tal outro Mistério… E Santo Afonso replicava: – Oh! Meu caro Irmão, isso não! Se eu passar um dia sem recitar o Rosário completo, posso perder a minha alma! Essa é a constância, a coragem, o ânimo perseverante de um Santo sobre o qual se abateram todas as tempestades. Ora, o que se deu com ele, pode suceder na vida de qualquer um de nós. Quantas vezes já não teremos passado por aflições e reveses semelhantes aos que atormentaram Santo Afonso?! E, não raro, trazendo consigo a impressão de um desabamento, de algo que ruiu por terra, de um caminho intransponível. Entretanto, após um período curto ou longo de agruras, surge mais luz, mais amparo, outras vitórias, outras alegrias. E assim, com sucessões de túneis e de estradas largas, Nossa Senhora vai nos conduzindo para realizarmos os desígnios d’Ela e de seu Divino Filho a nosso respeito. Imitemos, pois, Santo Afonso na sua perseverança, na sua confiança humilde e profunda, compreendendo que em nossa vida espiritual haveremos de nos deparar com túneis escuros, sem termos de nos aterrorizar com eles. Para além dessa escuridão, a Providência nos traça uma via ainda mais luminosa e mais bela que a anterior. Essas são algumas reflexões que nos sugerem a extraordinária e edificante existência de Santo Afonso de Ligório.

  • Santo Afonso, fundador dos Redentoristas – 1 de Agosto

    SANTO DO DIA – 01 DE AGOSTO – SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO Bispo, doutor da Igreja (1696-1787) Afonso de Ligório nasceu no dia 27 de setembro de 1696, no povoado de Marianela, em Nápoles, na Itália. Seus pais, cristãos, ricos e nobres, ao se depararem com sua inteligência privilegiada, deram-lhe todas as condições e todo o suporte para tornar-se uma pessoa brilhante. Enquanto seu pai o preparava nos estudos acadêmicos e científicos, sua mãe preocupava-se em educá-lo nos caminhos da fé e do cristianismo. Ele cresceu um cristão fervoroso, músico, poeta, escritor e, com apenas 16 anos de idade, doutorou-se em Direito Civil e Eclesiástico. Passou a advogar e atender no fórum de Nápoles, porém jamais abandonou sua vida espiritual, que era muito intensa. Sempre foi muito prudente, nunca advogou para a Corte, atendia a todos, ricos ou pobres, com igual empenho. Porém atendia, em primeiro lugar, os pobres, que não tinham como pagar um advogado, não por uma questão moral, mas porque era cristão. Depois de dez anos, tornara-se um memorável e bem sucedido advogado, cuja fama chegara aos fóruns jurídicos de toda a Itália. Entretanto, por exclusiva interferência política, perdeu uma causa de grande repercussão social, ocasionando-lhe uma violenta desilusão moral. A experiência do mundo e a forte corrupção moral já eram objeto de suas reflexões, após esse acontecimento decidiu abandonar tudo e seguir a vida religiosa. O pai, a princípio, não concordou, mas, vendo o filho renunciar à herança e aos títulos de nobreza com alegria no coração, aceitou sua decisão. Afonso concluiu os estudos de Teologia, sendo ordenado sacerdote aos 30 anos, em 1726. Escolheu o nome de Maria para homenagear o Nosso Redentor por meio da Santíssima Mãe, aos quais dedicava toda a sua devoção, e agora também a vida. Desde então, colocou seus muitos talentos a serviço do Povo de Deus, evidenciando ainda mais os da bondade, da caridade, da fé em Cristo e do conforto espiritual que passava a seus semelhantes. Em suas pregações, Afonso Maria usava as qualidades da oratória e colocava sua ciência a serviço do Redentor. As suas palavras eram um bálsamo aos que procuravam reconciliação e orientação, por meio do confessionário, ministério ao qual se dedicou durante todo o seu apostolado. Aos que lhe perguntavam qual era o seu lema, dizia: ‘Deus me enviou para evangelizar os pobres’. Para viver plenamente o seu lema, em 1732, fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, ou dos Padres Redentoristas, destinada, exclusivamente, à pregação aos pobres e nas regiões de população abandonada, sob a forma de missões e retiros. Ele mesmo viajou por quase todo o sul da Itália pregando a Palavra de Deus e a devoção a Maria, entremeando sua atividade pastoral com a de escritor de livros ascéticos e teológicos. Com tudo isso, conseguiu a conversão de muitas pessoas. Em 1762, obedecendo à indicação do papa, aceitou ser o bispo da diocese de Santa Águeda dos Godos, onde permaneceu por 13 anos. Portador de artrite degenerativa deformante, já paralítico e quase cego, retirou-se ao seu convento, onde completou sua extensa e importantíssima obra literária, composta de 120 livros e tratados. Entre os mais célebres estão: ‘Teologia moral’, ‘Glórias de Maria’, ‘Visitas ao SS. Sacramento’ e ‘Tratado sobre a oração’. Após 12 anos de muito sofrimento físico, Afonso Maria de Ligório morreu, aos 91 anos, no dia 1º de agosto de 1787, em Nocera dei Pagani, Salerno, Itália. Canonizado em 1839, foi declarado doutor da Igreja em 1871. O papa Pio XII proclamou santo Afonso Maria de Ligório Padroeiro dos Confessores e dos Teólogos de Teologia Moral em 1950. Quando contemplamos um céu estrelado, extasiamo-nos com as miríades de astros a cintilarem nas etéreas vastidões. Entretanto, outra constelação há, ainda mais bela e reluzente que a fixada no firmamento: são os Santos da Igreja Católica, fulgurantes exemplos para todos os fiéis. Um desses grandes luminares do cristianismo é Santo Afonso Maria de Ligório. Conheça mais sobre Santo Afonso Maria de Ligório No dia 1º de agosto se comemora a festa de Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo, Confessor e Doutor da Igreja. Fundador da Congregação do Santíssimo Redentor, é o tratadista por excelência da moral católica, e se destacou por sua profunda devoção a Nossa Senhora, em louvor da qual escreveu uma de suas mais belas obras, as Glórias de Maria. Dele temos essa síntese biográfica, escrita por Dom Guéranger: Afonso Maria de Ligório nasceu de pais nobres, em Nápoles, a 27 de setembro de 1696. Sua juventude foi piedosa, estudiosa e caritativa. Aos 17 anos ele era doutor em direito civil e canônico. E começava pouco depois uma brilhante carreira de advogado. Mas nem seu sucesso, nem as instâncias de seu pai, que o queria casado, o impediram de deixar o mundo. Diante do altar de Nossa Senhora, fez o voto de se tornar sacerdote. Ordenado padre em 1726, consagrou-se à pregação. Em 1729, uma epidemia permitiu-lhe que se dedicasse aos doentes em Nápoles. Pouco depois retirou-se, com companheiros, a Santa Maria dos Montes, e com eles se preparou para a evangelização dos campos. Em 1732, estabeleceu a Congregação do Santíssimo Redentor, que lhe deveria acarretar numerosas dificuldades e perseguições. Mas enfim os postulantes afluíram e o instituto se expandiu rapidamente. Em 1762 foi nomeado Bispo de Santa Ágata dos Godos, perto de Nápoles. Empreendeu ato contínuo a visita à sua diocese, pregando em todas as paróquias e reformando o clero. Ele continuava a dirigir seu Instituto e o das religiosas que tinha fundado para servir de apoio, por sua oração contemplativa, a seus filhos missionários. Em 1765, demitiu-se do ministério episcopal e voltou a viver entre seus filhos. Dentro em pouco uma cisão se produziu no Instituto dos Redentoristas, e Santo Afonso se viu expulso de sua própria família religiosa. A provação foi muito grande, mas ele não perdeu a coragem e predisse mesmo que a unidade se restabeleceria depois de sua morte. Às suas doenças se acrescentaram sofrimentos morais que lhe causaram longas crises de escrúpulos e diversas tentações. Porém, seu amor a Deus não fez senão crescer. Enfim, no dia 1º de agosto de 1787, entregou sua alma ao Senhor, na hora em que os sinos tocavam o Ângelus. Gregório XVI o inscreveu no catálogo dos Santos em 1839, e Pio IX o declarou Doutor da Igreja. No meio de uma situação eminente, o túnel escuro Pela descrição acima, percebe-se que a trajetória terrena de Santo Afonso teve um determinado momento comparável a um túnel escuro, por onde ele foi obrigado a passar. Não se trata de uma provação ou sofrimento, mas de uma espécie de desengano pelo qual tudo quanto ele podia humanamente considerar como dando significado à sua vida, parecia ruir. Ele se tornava privado de qualquer dom, vantagem ou bem que não fosse a pura graça de Deus, atuando de um modo provavelmente insensível no interior de sua alma. Era um advogado brilhante, dotado de invulgar inteligência, nascido de família nobre, que abandonou uma situação humana auspiciosa e capaz de lhe favorecer a carreira e as ambições, para se dedicar apenas ao sacerdócio. Num passo seguinte, constitui uma congregação religiosa. Esse instituto floresce, e seu fundador se torna um homem bem visto pela Santa Sé. Escreve ótimos livros, difundidos por toda a Europa, e é aclamado como um mestre de grande peso na vida intelectual católica de seu tempo. Pouco depois é elevado ao episcopado. Sem dúvida, uma situação eminente, com todos os aspectos de uma vocação bem sucedida: como padre, se fez religioso; como religioso, fundador e superior geral; além disso, com a honra do episcopado, percebendo que o bom odor de sua doutrina perfumava a Europa inteira. Dir-se-ia, pois, que os anseios pelos quais se ordenara haviam se realizado, e a sua vida tinha atingido o objetivo desejado pela Providência. Nesse apogeu, ele poderia morrer e dizer a Deus, parafraseando São Paulo: “Combati o bom combate, dai-me agora o prêmio de vossa glória!” Ora, no momento em que tudo isso parecia alcançado, uma catástrofe. Bispo resignatário, doutor e moralista, superior geral da congregação religiosa que fundara, Santo Afonso é dela expulso por causa de intrigas, mal entendidos e informações erradas. Imagine-se o que representa para um fundador, ser despedido de sua instituição pela Santa Sé, vendo-se de um momento para outro sem recursos e sem meios de subsistência! Destino das almas amadas pela Providência Acrescente-se a esse revés outra provação: começam a lhe atormentar as doenças, que o acometeram até o fim da vida. Entre elas, uma febre reumática que o paralisou por certo tempo e lhe afetou a posição do pescoço, impedindo-o de permanecer ereto. Passou a viver com a cabeça inclinada, atitude esta refletida em alguns retratos que dele fizeram. Além das enfermidades, sobrevieram escrúpulos, tentações fortíssimas, inclusive contra a pureza e contra a Fé. Tudo se acumulando num homem alquebrado dessa forma. Porém, era este exatamente o prêmio máximo para coroar a sua existência. Era a crucifixão depois de um longo apostolado e uma incansável ação em benefício do próximo. Assim age, o mais das vezes, a Providência em relação às almas que Ela ama. São certas situações em que todos os infortúnios se congregam e há uma espécie de crepúsculo geral. Depois, a alma purificada, lavada pelo sofrimento, volta a gozar da graça de Deus. Então ela respira, sente-se outra, transformada. Naturalmente, essa foi a última nota da santificação, o derradeiro esforço que Nosso Senhor exigiu de Santo Afonso de Ligório. Lutas contra o jansenismo Cumpre dizer que grande parte das perseguições sofridas por Santo Afonso foram motivadas pelo jansenismo que grassava no seu tempo, e ao qual ele se opunha com zelo e vigor intensos. A corrente jansenista, a pretexto de severidade, acabava inculcando os preceitos morais tão erradamente que a pessoa desanimava de se salvar, pois afinal de contas não podia cumprir aquela moral de fariseus, como eles a apresentavam. O ponto mais desconcertante defendido pelo jansenismo dizia respeito à doutrina da predestinação. Segundo esta, o homem deveria cumprir aquela moral tremendamente severa, pairando sobre ele o olhar propenso à irritação e à vingança de um Deus, cuja santidade consistia apenas em estar à espera do pecado para infligir o castigo. De outro lado, entretanto, afirmavam os jansenistas que o Céu e o inferno não são dados aos homens em razão de suas boas ou más obras, porque Deus predestina para este ou aquele quem entende. De maneira que a pessoa pode passar a vida inteira pecando e ir para o Céu, ou praticando bons atos e cair no inferno, conforme o desejo divino. Ora, sendo assim, fácil é compreender como os homens perdiam completamente o alento para praticar a virtude e também o motivo para não cair no vício. Pois, em última análise, se eu acabo condenado embora passe a vida inteira realizando atos de virtude, em suma não sou livre de fazer ou não fazer algo, porque é Deus quem resolve e não eu. Então, para que me esforçar em levar uma vida santa? No fundo, era uma pregação da imoralidade. Por causa disso, segundo muitos vislumbres históricos, os jansenistas tinham suas falsidades ocultas. Por exemplo, jejuavam amiúde, mas eram grandes gastrônomos. E uma das omeletes reputadas por mais saborosas no tempo era chamada de La Janseniste, com a qual eles se regalavam escondidos durante seus “jejuns”. Não bastassem esses desvios, os jansenistas atacavam ainda as devoções mais elevadas e recomendáveis como, por exemplo, o culto ao Sagrado Coração de Jesus. Conta-se mesmo o caso de certo Bispo de Pistoia, Scipione de’ Ricci, que mandou pintar em sua residência um quadro representando uma devota lançando ao fogo a estampa do Sagrado Coração de Jesus, como se fosse objeto supersticioso, enquanto ele, Ricci, segura a cruz e o cálice com a Eucaristia, símbolos da autêntica piedade (como a entendiam). Essa recusa se explica pelo fato de a devoção ao Sagrado Coração de Jesus ser, de algum modo, o anti-jansenismo. Ela inculca a bondade, a misericórdia, a paciência do Salvador, e demonstra a verdade de que o homem, por meio de suas boas obras, pode agradar a Deus e alcançar a salvação. Manifesta, outrossim, que nosso Deus justo é repleto de amor, e não um tirano arbitrário, um implacável cobrador de impostos em relação à humanidade. Compreende-se, portanto, que em face dessa corrente jansenista Santo Afonso Maria de Ligório tenha tomado uma posição muito enérgica nas suas obras de moral. E que haja sofrido, em conseqüência, toda sorte de ataques e perseguições de seus oponentes, chegando ao auge dos reveses e infortúnios acima mencionados. Lição de vida para os católicos Devemos considerar nessa existência de Santo Afonso, laboriosa, semeada de provações mas coroada pelo triunfo da virtude, uma lição de confiança e de perseverança para todos nós. Nos piores momentos das tentações, nas dores e enfermidades, nas rudezas das perseguições, quando os seus mais próximos lhe infligiram cruéis dissabores, ele jamais desanimou, nunca flectiu no seu desejo de alcançar a santidade, crescendo em piedade e devoção à medida que avultavam os sofrimentos. Vem a propósito recordar aqui um pequeno episódio do fim da vida dele, quando já não podia transitar por si próprio, sendo conduzido em cadeira de rodas por um irmão leigo redentorista. Então passeavam pelo convento, percorrendo os jardins e os pátios internos, enquanto faziam suas orações. Mais de uma vez aconteceu de Santo Afonso perguntar ao seu companheiro: – Irmão, já rezamos tal Mistério do Rosário? O bom discípulo, igualmente alquebrado pela idade, não se recordava ao certo, e respondia: – Sr. Bispo, não me lembro muito bem, mas acredito que sim. Em todo o caso, já rezamos tantos terços, que Nossa Senhora não se importará se não tivermos contemplado tal ou tal outro Mistério… E Santo Afonso replicava: – Oh! Meu caro Irmão, isso não! Se eu passar um dia sem recitar o Rosário completo, posso perder a minha alma! Essa é a constância, a coragem, o ânimo perseverante de um Santo sobre o qual se abateram todas as tempestades. Ora, o que se deu com ele, pode suceder na vida de qualquer um de nós. Quantas vezes já não teremos passado por aflições e reveses semelhantes aos que atormentaram Santo Afonso?! E, não raro, trazendo consigo a impressão de um desabamento, de algo que ruiu por terra, de um caminho intransponível. Entretanto, após um período curto ou longo de agruras, surge mais luz, mais amparo, outras vitórias, outras alegrias. E assim, com sucessões de túneis e de estradas largas, Nossa Senhora vai nos conduzindo para realizarmos os desígnios d’Ela e de seu Divino Filho a nosso respeito. Imitemos, pois, Santo Afonso na sua perseverança, na sua confiança humilde e profunda, compreendendo que em nossa vida espiritual haveremos de nos deparar com túneis escuros, sem termos de nos aterrorizar com eles. Para além dessa escuridão, a Providência nos traça uma via ainda mais luminosa e mais bela que a anterior. Essas são algumas reflexões que nos sugerem a extraordinária e edificante existência de Santo Afonso de Ligório.

  • O dia que Deus “quebrou as pernas” de Santo Inácio

    Pouco mais de 500 anos atrás, mais exatamente no dia 20 de maio de 1521, uma segunda-feira de Pentecostes, Santo Inácio de Loyola ganhou uma perna quebrada numa batalha em Pamplona. Desde então ele nunca mais foi o mesmo. Esta breve história aconteceu pouco mais de 500 anos atrás… Mais exatamente no dia 20 de maio de 1521 — na ocasião, uma segunda-feira de Pentecostes. A situação era grave. O território de Pamplona tinha sido integrado à Espanha havia pouco tempo, mas agora os franceses cercaram a cidade. Explicar todo o contexto histórico, político e social desse conflito nos levaria muito longe; por isso, limitemo-nos a dizer que estava presente neste dia, comandando as tropas castelhanas contra a invasão francesa, ninguém menos que Inácio de Loyola — até então um homem de armas, pessoa de confiança do reino, fidalgo ilustre com sonhos de heroísmo cavaleiresco. O exército francês inicia o ataque. Nas trincheiras, do outro lado, está Inácio. Com palavras e com o próprio exemplo, ele anima seus companheiros a lutar com valor. Os inimigos avançam. Inácio combate-os à medida que vão se apresentando. As armas de guerra francesas são potentes, mas Inácio não recua: faz cair um por um seus adversários, formando à frente de si uma cova de cadáveres. A artilharia inimiga, no entanto, aumenta suas investidas e, por um flanco aberto na muralha de homens, uma lasca de pedra fere Inácio na perna esquerda; depois, uma bala de canhão lhe atinge de ricochete a perna direita, que se quebra. É demais para Inácio, que cai no meio de seus soldados. “Inácio é ferido na Batalha de Pamplona”, por Albert Chevallier-Tayler. Vendo a queda do chefe, seus companheiros depõem as armas e se rendem. Inácio é feito prisioneiro, mas os franceses o respeitam pela valentia e coragem: mandam que um médico conserte sua perna e em pouco tempo o põem em liberdade. Ao chegar no castelo onde morava, no entanto, Inácio descobre que sua perna havia sido “mal curada”. Para que não ficasse defeituoso por toda a vida, era preciso que lhe fosse quebrada a perna de novo, numa operação longa e sem anestésicos. Inácio aceita. Alguns dias depois da operação, porém, a perna volta a dar maus sinais. Como consequência da recuperação, uma acaba ficando maior do que a outra. Inácio não se resigna. Não quer ficar coxo. Indo contra todas as recomendações médicas, pede que lhe serrem a perna e tentem mais uma vez resolver seu problema: “Custe o que custar, não quero ficar disforme nem enfermo”. Inácio conta trinta anos à época; está no auge da idade e das forças físicas; não pode simplesmente renunciar, sem mais, “à corte, à guerra, a tudo o que constitui o prazer e a glória da vida”. Sabe que o tratamento lhe significará alguns meses de cama, mas não quer saber. Às vezes, é preciso fazer algum “sacrifício à elegância”. É nesta circunstância, acamado e sem nada para fazer, que Inácio pede a um criado que lhe traga alguns livros, com os quais possa se entreter e passar o tempo. “Romances de cavalaria!”, era a sua ordem, taxativa. (Bastante apropriados, convenhamos, para o gênero de vida a que aspirava nosso cavaleiro.) Daí a pouco o pobre criado volta, trazendo consigo tudo o que conseguira encontrar: uma vida de Cristo e um livro contando a vida dos santos. Inácio esbraveja: “Como! Peço-te um romance e trazes-me livros de devoção? Estás doido!” Mas não há mesmo mais nada pela casa. O criado tinha vasculhado onde podia, e até mesmo tentara, em vão, um empréstimo. Inácio teria de se contentar com as “carolices” que tinha em mãos. — Se é a única forma de fugir ao tédio, então, que seja! “Inácio se recupera em Loyola”, por Albert Chevallier-Tayler. É nesse momento que a vida de Inácio sofre uma reviravolta. Ao entrar em contato com aquelas biografias extraordinárias, ele vê o quão estúpido estava sendo em fazer sacrifícios pelas coisas deste mundo e visar felicidades passageiras nesta vida — enquanto os santos, por se entregar a Deus, eram recompensados com uma felicidade infinita, no céu, que ninguém lhes poderia roubar. Inácio se tornou outro a partir daquele dia. Mas que dores atrozes não precisou enfrentar antes para ter o seu coração transformado por Deus! Que cruz ele não precisou carregar primeiro, até encontrar a sua ressurreição! Não precisamos chegar ao ponto de dizer que Deus “quebrou as pernas” deste grande santo da Igreja (por mais apropriada que nos pareça a metáfora); digamos simplesmente que Deus é o “divino Aproveitador” — como gosta de o chamar o Padre Paulo Ricardo —, pois se serve das mais variadas circunstâncias de nossa vida para nos atrair até Ele. Quanto a você, qual é a sua “perna quebrada”? É uma enfermidade física, como a que acometeu Inácio? É uma decepção profissional, como a que teve Santo Afonso de Ligório? É a morte de uma pessoa, como aconteceu com São Francisco de Borja? Seja qual for a sua resposta, o sofrimento ou a provação que estiver passando, saiba: assim como aconteceu com Santo Inácio de Loyola, Deus tem um plano para a sua vida e, talvez, esta circunstância que você vê como um grande “desgraça”, na verdade, é a ocasião que Ele escolheu, desde toda a eternidade, para visitar você e começar o caminho da sua santificação. Fonte: padrepauloricardo.org Leia também Conheça a vida de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus #SantoInáciodeLoyola

  • O dia que Deus “quebrou as pernas” de Santo Inácio

    Pouco mais de 500 anos atrás, mais exatamente no dia 20 de maio de 1521, uma segunda-feira de Pentecostes, Santo Inácio de Loyola ganhou uma perna quebrada numa batalha em Pamplona. Desde então ele nunca mais foi o mesmo. Esta breve história aconteceu pouco mais de 500 anos atrás… Mais exatamente no dia 20 de maio de 1521 — na ocasião, uma segunda-feira de Pentecostes. A situação era grave. O território de Pamplona tinha sido integrado à Espanha havia pouco tempo, mas agora os franceses cercaram a cidade. Explicar todo o contexto histórico, político e social desse conflito nos levaria muito longe; por isso, limitemo-nos a dizer que estava presente neste dia, comandando as tropas castelhanas contra a invasão francesa, ninguém menos que Inácio de Loyola — até então um homem de armas, pessoa de confiança do reino, fidalgo ilustre com sonhos de heroísmo cavaleiresco. O exército francês inicia o ataque. Nas trincheiras, do outro lado, está Inácio. Com palavras e com o próprio exemplo, ele anima seus companheiros a lutar com valor. Os inimigos avançam. Inácio combate-os à medida que vão se apresentando. As armas de guerra francesas são potentes, mas Inácio não recua: faz cair um por um seus adversários, formando à frente de si uma cova de cadáveres. A artilharia inimiga, no entanto, aumenta suas investidas e, por um flanco aberto na muralha de homens, uma lasca de pedra fere Inácio na perna esquerda; depois, uma bala de canhão lhe atinge de ricochete a perna direita, que se quebra. É demais para Inácio, que cai no meio de seus soldados. “Inácio é ferido na Batalha de Pamplona”, por Albert Chevallier-Tayler. Vendo a queda do chefe, seus companheiros depõem as armas e se rendem. Inácio é feito prisioneiro, mas os franceses o respeitam pela valentia e coragem: mandam que um médico conserte sua perna e em pouco tempo o põem em liberdade. Ao chegar no castelo onde morava, no entanto, Inácio descobre que sua perna havia sido “mal curada”. Para que não ficasse defeituoso por toda a vida, era preciso que lhe fosse quebrada a perna de novo, numa operação longa e sem anestésicos. Inácio aceita. Alguns dias depois da operação, porém, a perna volta a dar maus sinais. Como consequência da recuperação, uma acaba ficando maior do que a outra. Inácio não se resigna. Não quer ficar coxo. Indo contra todas as recomendações médicas, pede que lhe serrem a perna e tentem mais uma vez resolver seu problema: “Custe o que custar, não quero ficar disforme nem enfermo”. Inácio conta trinta anos à época; está no auge da idade e das forças físicas; não pode simplesmente renunciar, sem mais, “à corte, à guerra, a tudo o que constitui o prazer e a glória da vida”. Sabe que o tratamento lhe significará alguns meses de cama, mas não quer saber. Às vezes, é preciso fazer algum “sacrifício à elegância”. É nesta circunstância, acamado e sem nada para fazer, que Inácio pede a um criado que lhe traga alguns livros, com os quais possa se entreter e passar o tempo. “Romances de cavalaria!”, era a sua ordem, taxativa. (Bastante apropriados, convenhamos, para o gênero de vida a que aspirava nosso cavaleiro.) Daí a pouco o pobre criado volta, trazendo consigo tudo o que conseguira encontrar: uma vida de Cristo e um livro contando a vida dos santos. Inácio esbraveja: “Como! Peço-te um romance e trazes-me livros de devoção? Estás doido!” Mas não há mesmo mais nada pela casa. O criado tinha vasculhado onde podia, e até mesmo tentara, em vão, um empréstimo. Inácio teria de se contentar com as “carolices” que tinha em mãos. — Se é a única forma de fugir ao tédio, então, que seja! “Inácio se recupera em Loyola”, por Albert Chevallier-Tayler. É nesse momento que a vida de Inácio sofre uma reviravolta. Ao entrar em contato com aquelas biografias extraordinárias, ele vê o quão estúpido estava sendo em fazer sacrifícios pelas coisas deste mundo e visar felicidades passageiras nesta vida — enquanto os santos, por se entregar a Deus, eram recompensados com uma felicidade infinita, no céu, que ninguém lhes poderia roubar. Inácio se tornou outro a partir daquele dia. Mas que dores atrozes não precisou enfrentar antes para ter o seu coração transformado por Deus! Que cruz ele não precisou carregar primeiro, até encontrar a sua ressurreição! Não precisamos chegar ao ponto de dizer que Deus “quebrou as pernas” deste grande santo da Igreja (por mais apropriada que nos pareça a metáfora); digamos simplesmente que Deus é o “divino Aproveitador” — como gosta de o chamar o Padre Paulo Ricardo —, pois se serve das mais variadas circunstâncias de nossa vida para nos atrair até Ele. Quanto a você, qual é a sua “perna quebrada”? É uma enfermidade física, como a que acometeu Inácio? É uma decepção profissional, como a que teve Santo Afonso de Ligório? É a morte de uma pessoa, como aconteceu com São Francisco de Borja? Seja qual for a sua resposta, o sofrimento ou a provação que estiver passando, saiba: assim como aconteceu com Santo Inácio de Loyola, Deus tem um plano para a sua vida e, talvez, esta circunstância que você vê como um grande “desgraça”, na verdade, é a ocasião que Ele escolheu, desde toda a eternidade, para visitar você e começar o caminho da sua santificação. Fonte: padrepauloricardo.org Leia também Conheça a vida de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus #SantoInáciodeLoyola

  • DE ONDE VEM O “MITO DO PATRIARCADO”?

    Por Padre José Eduardo Uma das características da modernidade foi a utilização da razão como instrumento para compreender todos os fenômenos humanos. Ainda que limitada e, de certo modo, enclausurada em si mesma, a razão pôde atingir admiráveis progressos, especialmente tecnológicos. O período que estamos vivendo, denominado por muitos como pós-modernidade, caracteriza-se por uma desconfiança excessiva da razão, por um completo ceticismo em que haja uma realidade concreta e pela convicção de que tudo que existe é resultado de construtos político-discursivos. É nesse contexto que ganhou corpo uma ideologia que eu denominaria como “mito do patriarcado”, que postula a existência de uma entidade maléfica que dirige todos os fios da arte, da cultura e da linguagem, os comportamentos individuais e inclusive a identidade das pessoas com o único objetivo de oprimir e matar as mulheres e os grupos que se escondem por detrás da diversidade sexual. Segundo essa crença (porque se trata disso, de uma crença), todas as violências são “violências de gênero”, estruturais – com o que se tira muito da responsabilidade individual e se a transfere para a esfera do impessoal –, e o único modo de vencê-las é desconstruindo-nos a nós mesmos e, para isso, abrirmos mão do pensamento crítico e abraçarmos o credo no patriarcado. Troca-se a culpa individual pela coletiva. Vemos essa “profissão de fé” sendo ensinada piedosamente em todas as cátedras de humanas no mundo inteiro, impondo-se-a coercitivamente, com os meios mais violentos possíveis, através de legislações e do sistema judiciário. De fato, a humanidade está entrando numa espécie de neo-obscurantismo que criminaliza toda crítica e toda dúvida como discurso de ódio. Para vencer o “patriarcado” usa-se dos mecanismos mais autoritários e repressivos. O fanatismo das superstições de gênero nos leva a praticar rituais esotéricos absurdos, como falar de maneira estranha, cheia de escusas para que não nos chamem de “patriarcais”, enquanto vão sendo destruídas conquistas que foram adquiridas a grandes custas, como a liberdade de expressão, a igualdade perante a lei, a presunção de inocência, o ônus da prova, a liberdade de pensamento etc. Mas, de onde surgiu este mito? ANTECEDENTES HISTÓRICOS: Marx e Engels Toda a mitologia que reputa ao homem-macho a culpa de todos os crimes de todos os tempos tem a sua raiz no livro A origem da família, da propriedade privada e do Estado, publicado por Engels, o qual diz em seu prefácio: “os capítulos a seguir constituem, de certo modo, a execução de um testamento. Ninguém menos que Karl Marx havia reservado para si a tarefa de expor os resultados das pesquisas de Morgan em conexão com os resultados da sua – e, em certa medida, posso dizer nossa – investigação materialista da história e, desse modo, evidenciar toda a sua importância” (Engels, F, A origem da família, da propriedade privada e do Estado, Escala, São Paulo: s/d, p. 13). Marx se inspirou nos trabalhos do antropólogo americano Lewis Henry Morgan, que fez um trabalho de análise de tribos indígenas iorquinas e havaianas e deduziu terem existido estratificações familiares mais rudimentares que teriam sido essencialmente mais promíscuas, quanto mais se retrocedesse no tempo. Todo o trabalho de Marx foi ampliar o alcance das deduções de Morgan (não demonstradas) e aplicá-las à humanidade como um todo (pura excogitação). O próprio Marx-Engels o confessa, quando diz “aquele estado social primitivo, admitindo-se que tenha realmente existido, pertence a uma época tão remota que não podemos esperar encontrar provas diretas de sua existência, nem mesmo entre os fósseis sociais, nos selvagens mais atrasados” (Ibidem, p. 47). Segundo Marx-Engels, “a monogamia não aparece na história, portanto, absolutamente, como uma reconciliação entre o homem e a mulher e, menos ainda, como a forma mais elevada de matrimônio. Pelo contrário, ela surge sob a forma de escravização de um sexo pelo outro, como proclamação de um conflito entre os sexos, ignorado, até então, na pré-história. Num velho manuscrito inédito, redigido em 1846 por Marx e por mim, encontro a seguinte frase: ‘A primeira divisão do trabalho é a que se fez entre o homem e a mulher para a procriação dos filhos’. Hoje posso acrescentar: o primeiro antagonismo de classes que apareceu na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher, na monogamia; e a primeira opressão de classes, com a opressão do sexo feminino pelo masculino. A monogamia foi um grande progresso histórico, mas, ao mesmo tempo, iniciou, juntamente com a escravidão e as riquezas privadas, aquele período, que dura até nossos dias, no qual cada progresso é simultaneamente um retrocesso relativo, e o bem-estar e o desenvolvimento de uns se verificam às custas da dor e da repressão de outros. É a forma celular da sociedade civilizada, na qual já podemos estudar a natureza das contradições e dos antagonismos que atingem seu pleno desenvolvimento nessa sociedade” (Ibidem, pp. 84-85). Falando sobre o desaparecimento do matriarcado, que, segundo ele, seria mais antigo que o patriarcado, ele diz: “De oito tribos do Missouri, seis estão regidas pela linhagem e ordem de herança masculinas, duas pelas femininas. Entre os schawnees, os miamies e os delawares adotou-se o costume de dar aos filhos um nome pertencente à gens paterna, para fazê-los passar a esta, a fim de poderem herdar de seu pai. ‘Casuística inata nos homens a de mudar as coisas mudando-lhes os nomes e achar saídas para romper com a tradição sem sair dela, sempre que um interesse direto dá o impulso suficiente para isso’ (Marx). Resultou daí uma espantosa confusão, que só podia ser remediada – e parcialmente o foi – com a passagem ao patriarcado. ‘Esta parece ser a transição mais natural’ (Marx)” (Ibidem, p. 75). A TERCEIRA ONDA DO FEMINISMO: Millet e Firestone Enquanto o movimento político iniciado por Marx se dividia e se multiplicava, o tema do patriarcado desapareceu completamente do seu ideário. Foi apenas na década de 1970 que as feministas da terceira onda, impulsionadas também pelo existencialismo ateu, ressuscitaram as teses de Engels e as transformaram numa verdadeira ideologia política. Em seu livro principal, Política Sexual, Kate Millet escreve qu: “a primeira fase do feminismo, que durou até 1930, terminou em reforma em vez de revolução. Para que uma revolução sexual prosseguisse teria sido necessária uma transformação social verdadeiramente radical, a alteração do matrimônio e da família como foram conhecidos através de toda a história. Sem semelhantes mudanças radicais torna-se impossível erradicar os males que derivam destas instituições e que os reformadores julgavam particularmente ofensivos. Uma revolução sexual completa necessitaria o fim da ordem patriarcal através da abolição de sua ideologia que estabelece uma socialização diferenciada dos sexos. A ideologia patriarcal era de fato erodida e o patriarcado reformado, mas a ordem patriarcal social essencial permanecia. Como a maioria das pessoas não consegue conceber outra forma de organização social, a única alternativa para a sua perpetuação parecia ser o caos. O problema não é tanto que a ordem social requer a subordinação da mulher, mas que ela requer uma estrutura familiar que envolve a subordinação da mulher. Ademais, o patriarcado é necessário para o sistema familiar. A União Soviética realizou um esforço consciente para eliminar o patriarcado e reestruturar a sua instituição mais básica, a família. Depois da revolução foram instituídas todas as leis possíveis para libertar os indivíduos das exigências da família: matrimônio livre e divórcio, contracepção e aborto a pedido. Mais do que tudo, as mulheres e as crianças foram libertadas do poder econômico do marido. Debaixo do sistema coletivista, a família começou a desintegrar-se segundo as próprias linhas sob as quais havia sido construída. Todas as providências legais foram tomadas para promover a igualdade política e econômica. Mas, mesmo com tudo isso, a experiência soviética falhou e foi abandonada. Nos anos trinta e quarenta a sociedade soviética voltou a assemelhar-se às sociedades patriarcais reformadas dos países ocidentais. A causa mais profunda para isto reside no fato de que, além da declaração de que a família compulsória estava extinta, a teoria Marxista falhou ao não oferecer uma base ideológica suficiente para uma revolução sexual e foi notavelmente ingênua em relação à força histórica e psicológica do patriarcado. Engels havia escrito apenas sobre a história e a economia da família patriarcal, mas não investigou os hábitos mentais nela envolvidos, e até mesmo Lenin admitiu que a revolução sexual não era adequadamente compreendida. Ninguém entendia que, embora devessem ser empreendidos todos os esforços para promover uma revolução sexual, o verdadeiro teste consistiria em mudar as atitudes. Conforme Trotsky comentou friamente: ‘Não se pode abolir a família, é necessário substituí-la’” (Millet, K. Sexual politics, University Illinois Press, Illinois: 2000, pp. 155-168). Amiga de Millet, Shullamith Firestone parte da ideia de que “atingimos o estágio final do Patriarcado” (Firestone, Sh., A dialética do sexo, Labor do Brasil, Rio de Janeiro: 1976, p. 217) e chega a conclusões programáticas bastante interessantes, que cito aos saltos: “1. A nutrição das crianças poderia ser assumida pela tecnologia, pois a maior parte da educação das crianças tem a ver com a manutenção das relações de poder, a internalização forçada das tradições familiares e muitos outros interesses do ego que lutam contra a felicidade da criança. Sob o socialismo, o trabalho estaria nas mãos de todos e visaríamos eliminar a dependência das mulheres e das crianças do trabalho dos homens, cada pessoa poderia escolher o seu estilo de vida à vontade, mudando-o de modo a satisfazer seus gostos, já que cada pessoa seria independente. O conceito de infância deve ser abolido, tendo as crianças plenos direitos legais, sexuais e econômicos, e não sendo as suas atividades educacionais e de trabalho diferentes das dos adultos. Durante os poucos anos de sua infância, substituímos a “paternidade” genética, psicologicamente destrutiva, pela difusão da responsabilidade entre um número maior de pessoas. A criança continuará estabelecendo relações de amor íntimas, mas, em vez de fortalecer laços estreitos com uma “mãe” e um “pai” legais, ela poderá criar esses tipos de relações com pessoas de sua própria escolha, de qualquer idade e sexo. Como não haverá nada impedindo, se a criança escolhesse se relacionar sexualmente com os adultos, mesmo que isso se desse com a sua própria mãe genética, não haveria razões a priori para ela rejeitar os seus avanços sexuais, uma vez que o tabu do incesto teria perdido valor. Os adultos poderiam voltar à sua sexualidade natural, “polimorfamente pervertida”. As relações com as crianças incluiriam o grau de sexualidade genital que elas fossem capazes de ter, a ausência de orgasmo não seria um problema. Os tabus referentes à sexualidade entre adultos e crianças e à homossexualidade desapareceriam, tanto quanto as amizades não-sexuais. Todas as relações íntimas incluiriam o relacionamento físico” (Ibidem, pp. 271-274). 3.DEOLOGIA DE GÊNERO Valendo-se de todos os meios para o desmonte desse suposto patriarcado, as feministas radicais foram se fortalecendo intelectual e economicamente. De um lado, aproximaram-se do desconstrucionismo (Jacques Derridas) e do pós-estruturalismo (Michel Foucault), adotando uma estratégia discursiva; de outro lado, começaram a ser subsidiadas por grandes Fundações, que passaram a impulsionar o seu trabalho. Foi assim que Judith Butler tomou o conceito de gênero inventado por John Money em seu macabro experimento e o reconfigurou a partir das filosofias mencionadas (ela mesmo o confessa em seu Undoing Gender, Routledge, New York: 2004, pp. 57-74). Butler propõe, então, o gênero como uma “construção variável da identidade” (Problemas de gênero, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro: 2015, p. 25) e diz que “o gênero é sempre um feito, ainda que não seja obra de um sujeito tido como preexistente à obra. No desafio de repensar as categorias de gênero fora da metafísica da substância, é mister considerar a relevância da afirmação de Nietzsche, em Genealogia da moral, de que ‘não há ser por trás do fazer, do realizar e do tornar-se; o fazedor é uma mera ficção acrescentada à obra — a obra é o tudo’. Numa aplicação que o próprio Nietzsche não teria antecipado ou aprovado, nós afirmaríamos como corolário: não há identidade de gênero por trás das expressões do gênero; essa identidade é performativamente constituída pelas próprias ‘expressões’ tidas como seus resultados” (Ibidem, p. 56). Ou seja, para acabar com o patriarcado, Butler propõe diluir a própria ideia de pessoa e transformar a identidade num devir aleatório, sem qualquer estabilidade. No final das contas, a própria Butler reconhece que a noção de patriarcado, ao fim e ao cabo, não passa de uma invenção discursiva, ou seja, de um MITO: “Houve ocasiões em que a teoria feminista se sentiu atraída pelo pensamento de uma origem, de um tempo anterior ao que alguns chamariam de ‘patriarcado’, capaz de oferecer uma perspectiva imaginária a partir da qual estabelecer a contingência da história da opressão das mulheres. Surgiram debates para saber se existiram culturas pré-patriarcais; se eram matriarcais ou matrilineares em sua estrutura; e se o patriarcado teve um começo e está, consequentemente, sujeito a um fim. Compreensivelmente, o ímpeto crítico por trás desse tipo de pesquisa buscava mostrar que o argumento antifeminista da inevitabilidade do patriarcado constituía uma reificação e uma naturalização de um fenômeno histórico e contingente. Embora se pretendesse que o retorno ao estado cultural pré-patriarcal expusesse a autorreificação do patriarcado, esse esquema pré-patriarcal acabou mostrando ser outro tipo de reificação. Mais recentemente, contudo, algumas feministas desenvolveram uma crítica reflexiva de alguns construtos reificados no interior do próprio feminismo. A própria noção de ‘patriarcado’ andou ameaçando tornar-se um conceito universalizante, capaz de anular ou reduzir expressões diversas da assimetria do gênero em diferentes contextos culturais. Quando o feminismo buscou estabelecer uma relação integral com as lutas contra a opressão racial e colonialista, tornou-se cada vez mais importante resistir à estratégia epistemológica colonizadora que subordinava diferentes configurações de dominação à rubrica de uma noção transcultural de patriarcado. Enunciar a lei do patriarcado como uma estrutura repressiva e reguladora também exige uma reconsideração a partir dessa perspectiva crítica. O recurso feminista a um passado imaginário tem de ser cauteloso, pois, ao desmascarar as afirmações autorreificadoras do poder masculinista, deve evitar promover uma reificação politicamente problemática da experiência das mulheres” (Ibidem, pp. 71-72). INCURSÕES TEOLÓGICAS Como todo o movimento revolucionário embarcou de cabeça no dogmatismo de gênero e na crença fanática do patriarcado, não faltaram teólogos que propusessem uma hermenêutica despatriarcalizante das Escrituras, isto é, uma leitura que desmontasse a ideia de um “Deus Pai”. Em seu recente livro A saudade de Deus (Vozes, Petrópolis: 2020), Leonardo Boff dedica toda uma parte ao tema. Ele começa defendendo a ideia de que o feminino precede ao masculino na sexogênese (cf. Ibidem, pp. 93-98), diz que as sociedades primitivas eram matriarcais, que o ideal do homem era gerar a vida e que isso se mitificou nas divindades femininas de mil seios, atacadas pelo relato patriarcal do Gênesis, que hostilizou a mulher, a serpente (!!!), a árvore e o sexo (cf. Ibidem, pp. 99-103). Em seguida, começa a falar sobre a necessidade de se adotar uma linguagem inclusiva para falar de Deus: “Deu Pai e Mãe” ou “Pai maternal” (cf. Ibidem, pp. 109-113), para, por fim, falar sobre a sensibilidade feminina de Jesus, chegando a conjecturar uma relação carnal entre Jesus e Maria Madalena (cf. Ibidem, pp. 114-120). A assimilação de todo esse dogmatismo no interior da teologia é o cume de todo um processo de desmonte, que agora precisa valer-se da própria Igreja para se tornar efetivo na sociedade. REFLEXÃO CRÍTICA A leitura histórico-crítica da Escritura deu aos marxistas o material para reduzirem toda a Divina Revelação a um fenômeno da luta de classes. Como essa luta agora foi redimensionada nos cânones da revolução sexual de gênero, a Escritura, portanto, pode ser lida, pelos pós-modernos, a partir de uma hermenêutica despatriarcalizante. Ora, o absurdo dessa pretensão não é tanto a inversão cronológica (ler o passado imaginativamente a partir do presente, como descreve Butler em livro), mas a tentativa de ignorar a realidade concreta enquanto tal: ou seja, o patriarcado é um mito! É, em função desse mito, se quer recalcular toda a Escritura e a Dogmática. O Verbo, nesse caso, não se teria tornado propriamente homem, visto que as categorias hibridizantes do masculino e feminino, como releva Boff em seu texto, teriam sido assumidas por Cristo, interpretando-se a sua humanidade sob chave freudiana. O Verbo não se teria feito homem, mas apenas humano. Este é o poder de um mito: ressignificar a própria realidade para impor uma ideologia. Imaginar que as sociedades pré-tecnológicas pudessem ser matricarcais é tão somente um delírio, visto que a ascensão social feminina se deu propriamente como resultado do pregresso tecnológico. Isso é um fato simples e constatável! Quando lemos os escritos antigos, como, por exemplo, a Economia do pseudo-Aristóteles, percebemos que as relações entre homem e mulher, ao contrário do que supõe o imaginário do mito do patriarcado, eram de divisão de competências, em que a complementaridade se dava não apenas no âmbito físico-biológico-reprodutivo, mas também doméstico-executivo. A família antiga era uma estrutura forte, em que o paterfamilias e a materfamilias se comportavam com certa proporcionalidade. Como se pode ver claramente nos textos acima, a abolição do patriarcado equivale à simples extinção da família natural, no processo de secundarização da sociedade, em que a sua estrutura primária seria completamente superada por um tipo de organização coletivista. Se isso é péssimo para as famílias, é maravilhoso para os meta-poderes econômicos cujo interesse é diluir todas as estruturas para que os indivíduos se tornem átomos soltos, impessoais e despersonalizados, como uma mão de obra pura e simples no mercado. É a troca do nome pelo algoritmo, da pessoa pela função. As Escrituras narram um processo claramente oposto. São Paulo no-lo diz em Efésios 3,14-15, quando confessa: “dobro os meus joelhos diante do Pai, do qual procede toda paternidade no céu e na terra”. A palavra aqui traduzida por “paternidade” é a palavra grega πατριὰ, patrìa. Poder-se-ia traduzi-la também por “patriarcado”? O fato de que Deus não seja sexuado, mas lhe convenha a atribuição do masculino, nada tem a ver com a sexualização de Deus. Na arquetipia, Deus é ato e tudo o mais é potência, capacidade de receber o ser: ora, na gramática, não havendo sempre a possibilidade de adotar-se o gênero neutro (no português, aliás, quase não existe), adota-se aquele que a língua permite e que se adapte melhor à sua expressividade: como o masculino é a parte ativa na cópula e o feminino a parte passiva, simplesmente adota-se o masculino para Deus, sabendo que ele transcende essa realidade. A luta de classes marxista foi substituída por uma luta de tipo metafísico, que alista a militância num tipo de ideal religioso, fundamentalista e imaginário: a crença numa entidade não localizada, anônima e atemporal, o patriarcado. Enquanto isso, toda a sociedade ruma para a perda dos direitos mais fundamentais e para o surgimento de um Estado Onipotente, que controla tudo, até o nosso modo de falar. As classes pobres são as mais patriarcais. E isso é tão verdade que Marx mesmo os chamava de proletariado, palavra que vem de prole, filhos. Se “família” vem do latim famulus, servo, não é porque reduz todos os seus membros à servidão, mas porque, como menciona o pseudo-Aristóteles em sua Economia e Aristóteles em sua Política, essa unidade de produção fundamental é capaz de transformar até os servos em filhos, exatamente ao contrário do que faz o nosso sistema atual, que transforma os filhos em servos. Salvar a família é a prioridade das prioridades. E todos precisamos rejeitar essas crendices e nos aferrar à norma da razão e da fé, tal como defende a Tradição da Santa Igreja Católica. #Feminismo

  • DE ONDE VEM O “MITO DO PATRIARCADO”?

    Por Padre José Eduardo Uma das características da modernidade foi a utilização da razão como instrumento para compreender todos os fenômenos humanos. Ainda que limitada e, de certo modo, enclausurada em si mesma, a razão pôde atingir admiráveis progressos, especialmente tecnológicos. O período que estamos vivendo, denominado por muitos como pós-modernidade, caracteriza-se por uma desconfiança excessiva da razão, por um completo ceticismo em que haja uma realidade concreta e pela convicção de que tudo que existe é resultado de construtos político-discursivos. É nesse contexto que ganhou corpo uma ideologia que eu denominaria como “mito do patriarcado”, que postula a existência de uma entidade maléfica que dirige todos os fios da arte, da cultura e da linguagem, os comportamentos individuais e inclusive a identidade das pessoas com o único objetivo de oprimir e matar as mulheres e os grupos que se escondem por detrás da diversidade sexual. Segundo essa crença (porque se trata disso, de uma crença), todas as violências são “violências de gênero”, estruturais – com o que se tira muito da responsabilidade individual e se a transfere para a esfera do impessoal –, e o único modo de vencê-las é desconstruindo-nos a nós mesmos e, para isso, abrirmos mão do pensamento crítico e abraçarmos o credo no patriarcado. Troca-se a culpa individual pela coletiva. Vemos essa “profissão de fé” sendo ensinada piedosamente em todas as cátedras de humanas no mundo inteiro, impondo-se-a coercitivamente, com os meios mais violentos possíveis, através de legislações e do sistema judiciário. De fato, a humanidade está entrando numa espécie de neo-obscurantismo que criminaliza toda crítica e toda dúvida como discurso de ódio. Para vencer o “patriarcado” usa-se dos mecanismos mais autoritários e repressivos. O fanatismo das superstições de gênero nos leva a praticar rituais esotéricos absurdos, como falar de maneira estranha, cheia de escusas para que não nos chamem de “patriarcais”, enquanto vão sendo destruídas conquistas que foram adquiridas a grandes custas, como a liberdade de expressão, a igualdade perante a lei, a presunção de inocência, o ônus da prova, a liberdade de pensamento etc. Mas, de onde surgiu este mito? ANTECEDENTES HISTÓRICOS: Marx e Engels Toda a mitologia que reputa ao homem-macho a culpa de todos os crimes de todos os tempos tem a sua raiz no livro A origem da família, da propriedade privada e do Estado, publicado por Engels, o qual diz em seu prefácio: “os capítulos a seguir constituem, de certo modo, a execução de um testamento. Ninguém menos que Karl Marx havia reservado para si a tarefa de expor os resultados das pesquisas de Morgan em conexão com os resultados da sua – e, em certa medida, posso dizer nossa – investigação materialista da história e, desse modo, evidenciar toda a sua importância” (Engels, F, A origem da família, da propriedade privada e do Estado, Escala, São Paulo: s/d, p. 13). Marx se inspirou nos trabalhos do antropólogo americano Lewis Henry Morgan, que fez um trabalho de análise de tribos indígenas iorquinas e havaianas e deduziu terem existido estratificações familiares mais rudimentares que teriam sido essencialmente mais promíscuas, quanto mais se retrocedesse no tempo. Todo o trabalho de Marx foi ampliar o alcance das deduções de Morgan (não demonstradas) e aplicá-las à humanidade como um todo (pura excogitação). O próprio Marx-Engels o confessa, quando diz “aquele estado social primitivo, admitindo-se que tenha realmente existido, pertence a uma época tão remota que não podemos esperar encontrar provas diretas de sua existência, nem mesmo entre os fósseis sociais, nos selvagens mais atrasados” (Ibidem, p. 47). Segundo Marx-Engels, “a monogamia não aparece na história, portanto, absolutamente, como uma reconciliação entre o homem e a mulher e, menos ainda, como a forma mais elevada de matrimônio. Pelo contrário, ela surge sob a forma de escravização de um sexo pelo outro, como proclamação de um conflito entre os sexos, ignorado, até então, na pré-história. Num velho manuscrito inédito, redigido em 1846 por Marx e por mim, encontro a seguinte frase: ‘A primeira divisão do trabalho é a que se fez entre o homem e a mulher para a procriação dos filhos’. Hoje posso acrescentar: o primeiro antagonismo de classes que apareceu na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher, na monogamia; e a primeira opressão de classes, com a opressão do sexo feminino pelo masculino. A monogamia foi um grande progresso histórico, mas, ao mesmo tempo, iniciou, juntamente com a escravidão e as riquezas privadas, aquele período, que dura até nossos dias, no qual cada progresso é simultaneamente um retrocesso relativo, e o bem-estar e o desenvolvimento de uns se verificam às custas da dor e da repressão de outros. É a forma celular da sociedade civilizada, na qual já podemos estudar a natureza das contradições e dos antagonismos que atingem seu pleno desenvolvimento nessa sociedade” (Ibidem, pp. 84-85). Falando sobre o desaparecimento do matriarcado, que, segundo ele, seria mais antigo que o patriarcado, ele diz: “De oito tribos do Missouri, seis estão regidas pela linhagem e ordem de herança masculinas, duas pelas femininas. Entre os schawnees, os miamies e os delawares adotou-se o costume de dar aos filhos um nome pertencente à gens paterna, para fazê-los passar a esta, a fim de poderem herdar de seu pai. ‘Casuística inata nos homens a de mudar as coisas mudando-lhes os nomes e achar saídas para romper com a tradição sem sair dela, sempre que um interesse direto dá o impulso suficiente para isso’ (Marx). Resultou daí uma espantosa confusão, que só podia ser remediada – e parcialmente o foi – com a passagem ao patriarcado. ‘Esta parece ser a transição mais natural’ (Marx)” (Ibidem, p. 75). A TERCEIRA ONDA DO FEMINISMO: Millet e Firestone Enquanto o movimento político iniciado por Marx se dividia e se multiplicava, o tema do patriarcado desapareceu completamente do seu ideário. Foi apenas na década de 1970 que as feministas da terceira onda, impulsionadas também pelo existencialismo ateu, ressuscitaram as teses de Engels e as transformaram numa verdadeira ideologia política. Em seu livro principal, Política Sexual, Kate Millet escreve qu: “a primeira fase do feminismo, que durou até 1930, terminou em reforma em vez de revolução. Para que uma revolução sexual prosseguisse teria sido necessária uma transformação social verdadeiramente radical, a alteração do matrimônio e da família como foram conhecidos através de toda a história. Sem semelhantes mudanças radicais torna-se impossível erradicar os males que derivam destas instituições e que os reformadores julgavam particularmente ofensivos. Uma revolução sexual completa necessitaria o fim da ordem patriarcal através da abolição de sua ideologia que estabelece uma socialização diferenciada dos sexos. A ideologia patriarcal era de fato erodida e o patriarcado reformado, mas a ordem patriarcal social essencial permanecia. Como a maioria das pessoas não consegue conceber outra forma de organização social, a única alternativa para a sua perpetuação parecia ser o caos. O problema não é tanto que a ordem social requer a subordinação da mulher, mas que ela requer uma estrutura familiar que envolve a subordinação da mulher. Ademais, o patriarcado é necessário para o sistema familiar. A União Soviética realizou um esforço consciente para eliminar o patriarcado e reestruturar a sua instituição mais básica, a família. Depois da revolução foram instituídas todas as leis possíveis para libertar os indivíduos das exigências da família: matrimônio livre e divórcio, contracepção e aborto a pedido. Mais do que tudo, as mulheres e as crianças foram libertadas do poder econômico do marido. Debaixo do sistema coletivista, a família começou a desintegrar-se segundo as próprias linhas sob as quais havia sido construída. Todas as providências legais foram tomadas para promover a igualdade política e econômica. Mas, mesmo com tudo isso, a experiência soviética falhou e foi abandonada. Nos anos trinta e quarenta a sociedade soviética voltou a assemelhar-se às sociedades patriarcais reformadas dos países ocidentais. A causa mais profunda para isto reside no fato de que, além da declaração de que a família compulsória estava extinta, a teoria Marxista falhou ao não oferecer uma base ideológica suficiente para uma revolução sexual e foi notavelmente ingênua em relação à força histórica e psicológica do patriarcado. Engels havia escrito apenas sobre a história e a economia da família patriarcal, mas não investigou os hábitos mentais nela envolvidos, e até mesmo Lenin admitiu que a revolução sexual não era adequadamente compreendida. Ninguém entendia que, embora devessem ser empreendidos todos os esforços para promover uma revolução sexual, o verdadeiro teste consistiria em mudar as atitudes. Conforme Trotsky comentou friamente: ‘Não se pode abolir a família, é necessário substituí-la’” (Millet, K. Sexual politics, University Illinois Press, Illinois: 2000, pp. 155-168). Amiga de Millet, Shullamith Firestone parte da ideia de que “atingimos o estágio final do Patriarcado” (Firestone, Sh., A dialética do sexo, Labor do Brasil, Rio de Janeiro: 1976, p. 217) e chega a conclusões programáticas bastante interessantes, que cito aos saltos: “1. A nutrição das crianças poderia ser assumida pela tecnologia, pois a maior parte da educação das crianças tem a ver com a manutenção das relações de poder, a internalização forçada das tradições familiares e muitos outros interesses do ego que lutam contra a felicidade da criança. Sob o socialismo, o trabalho estaria nas mãos de todos e visaríamos eliminar a dependência das mulheres e das crianças do trabalho dos homens, cada pessoa poderia escolher o seu estilo de vida à vontade, mudando-o de modo a satisfazer seus gostos, já que cada pessoa seria independente. O conceito de infância deve ser abolido, tendo as crianças plenos direitos legais, sexuais e econômicos, e não sendo as suas atividades educacionais e de trabalho diferentes das dos adultos. Durante os poucos anos de sua infância, substituímos a “paternidade” genética, psicologicamente destrutiva, pela difusão da responsabilidade entre um número maior de pessoas. A criança continuará estabelecendo relações de amor íntimas, mas, em vez de fortalecer laços estreitos com uma “mãe” e um “pai” legais, ela poderá criar esses tipos de relações com pessoas de sua própria escolha, de qualquer idade e sexo. Como não haverá nada impedindo, se a criança escolhesse se relacionar sexualmente com os adultos, mesmo que isso se desse com a sua própria mãe genética, não haveria razões a priori para ela rejeitar os seus avanços sexuais, uma vez que o tabu do incesto teria perdido valor. Os adultos poderiam voltar à sua sexualidade natural, “polimorfamente pervertida”. As relações com as crianças incluiriam o grau de sexualidade genital que elas fossem capazes de ter, a ausência de orgasmo não seria um problema. Os tabus referentes à sexualidade entre adultos e crianças e à homossexualidade desapareceriam, tanto quanto as amizades não-sexuais. Todas as relações íntimas incluiriam o relacionamento físico” (Ibidem, pp. 271-274). 3.DEOLOGIA DE GÊNERO Valendo-se de todos os meios para o desmonte desse suposto patriarcado, as feministas radicais foram se fortalecendo intelectual e economicamente. De um lado, aproximaram-se do desconstrucionismo (Jacques Derridas) e do pós-estruturalismo (Michel Foucault), adotando uma estratégia discursiva; de outro lado, começaram a ser subsidiadas por grandes Fundações, que passaram a impulsionar o seu trabalho. Foi assim que Judith Butler tomou o conceito de gênero inventado por John Money em seu macabro experimento e o reconfigurou a partir das filosofias mencionadas (ela mesmo o confessa em seu Undoing Gender, Routledge, New York: 2004, pp. 57-74). Butler propõe, então, o gênero como uma “construção variável da identidade” (Problemas de gênero, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro: 2015, p. 25) e diz que “o gênero é sempre um feito, ainda que não seja obra de um sujeito tido como preexistente à obra. No desafio de repensar as categorias de gênero fora da metafísica da substância, é mister considerar a relevância da afirmação de Nietzsche, em Genealogia da moral, de que ‘não há ser por trás do fazer, do realizar e do tornar-se; o fazedor é uma mera ficção acrescentada à obra — a obra é o tudo’. Numa aplicação que o próprio Nietzsche não teria antecipado ou aprovado, nós afirmaríamos como corolário: não há identidade de gênero por trás das expressões do gênero; essa identidade é performativamente constituída pelas próprias ‘expressões’ tidas como seus resultados” (Ibidem, p. 56). Ou seja, para acabar com o patriarcado, Butler propõe diluir a própria ideia de pessoa e transformar a identidade num devir aleatório, sem qualquer estabilidade. No final das contas, a própria Butler reconhece que a noção de patriarcado, ao fim e ao cabo, não passa de uma invenção discursiva, ou seja, de um MITO: “Houve ocasiões em que a teoria feminista se sentiu atraída pelo pensamento de uma origem, de um tempo anterior ao que alguns chamariam de ‘patriarcado’, capaz de oferecer uma perspectiva imaginária a partir da qual estabelecer a contingência da história da opressão das mulheres. Surgiram debates para saber se existiram culturas pré-patriarcais; se eram matriarcais ou matrilineares em sua estrutura; e se o patriarcado teve um começo e está, consequentemente, sujeito a um fim. Compreensivelmente, o ímpeto crítico por trás desse tipo de pesquisa buscava mostrar que o argumento antifeminista da inevitabilidade do patriarcado constituía uma reificação e uma naturalização de um fenômeno histórico e contingente. Embora se pretendesse que o retorno ao estado cultural pré-patriarcal expusesse a autorreificação do patriarcado, esse esquema pré-patriarcal acabou mostrando ser outro tipo de reificação. Mais recentemente, contudo, algumas feministas desenvolveram uma crítica reflexiva de alguns construtos reificados no interior do próprio feminismo. A própria noção de ‘patriarcado’ andou ameaçando tornar-se um conceito universalizante, capaz de anular ou reduzir expressões diversas da assimetria do gênero em diferentes contextos culturais. Quando o feminismo buscou estabelecer uma relação integral com as lutas contra a opressão racial e colonialista, tornou-se cada vez mais importante resistir à estratégia epistemológica colonizadora que subordinava diferentes configurações de dominação à rubrica de uma noção transcultural de patriarcado. Enunciar a lei do patriarcado como uma estrutura repressiva e reguladora também exige uma reconsideração a partir dessa perspectiva crítica. O recurso feminista a um passado imaginário tem de ser cauteloso, pois, ao desmascarar as afirmações autorreificadoras do poder masculinista, deve evitar promover uma reificação politicamente problemática da experiência das mulheres” (Ibidem, pp. 71-72). INCURSÕES TEOLÓGICAS Como todo o movimento revolucionário embarcou de cabeça no dogmatismo de gênero e na crença fanática do patriarcado, não faltaram teólogos que propusessem uma hermenêutica despatriarcalizante das Escrituras, isto é, uma leitura que desmontasse a ideia de um “Deus Pai”. Em seu recente livro A saudade de Deus (Vozes, Petrópolis: 2020), Leonardo Boff dedica toda uma parte ao tema. Ele começa defendendo a ideia de que o feminino precede ao masculino na sexogênese (cf. Ibidem, pp. 93-98), diz que as sociedades primitivas eram matriarcais, que o ideal do homem era gerar a vida e que isso se mitificou nas divindades femininas de mil seios, atacadas pelo relato patriarcal do Gênesis, que hostilizou a mulher, a serpente (!!!), a árvore e o sexo (cf. Ibidem, pp. 99-103). Em seguida, começa a falar sobre a necessidade de se adotar uma linguagem inclusiva para falar de Deus: “Deu Pai e Mãe” ou “Pai maternal” (cf. Ibidem, pp. 109-113), para, por fim, falar sobre a sensibilidade feminina de Jesus, chegando a conjecturar uma relação carnal entre Jesus e Maria Madalena (cf. Ibidem, pp. 114-120). A assimilação de todo esse dogmatismo no interior da teologia é o cume de todo um processo de desmonte, que agora precisa valer-se da própria Igreja para se tornar efetivo na sociedade. REFLEXÃO CRÍTICA A leitura histórico-crítica da Escritura deu aos marxistas o material para reduzirem toda a Divina Revelação a um fenômeno da luta de classes. Como essa luta agora foi redimensionada nos cânones da revolução sexual de gênero, a Escritura, portanto, pode ser lida, pelos pós-modernos, a partir de uma hermenêutica despatriarcalizante. Ora, o absurdo dessa pretensão não é tanto a inversão cronológica (ler o passado imaginativamente a partir do presente, como descreve Butler em livro), mas a tentativa de ignorar a realidade concreta enquanto tal: ou seja, o patriarcado é um mito! É, em função desse mito, se quer recalcular toda a Escritura e a Dogmática. O Verbo, nesse caso, não se teria tornado propriamente homem, visto que as categorias hibridizantes do masculino e feminino, como releva Boff em seu texto, teriam sido assumidas por Cristo, interpretando-se a sua humanidade sob chave freudiana. O Verbo não se teria feito homem, mas apenas humano. Este é o poder de um mito: ressignificar a própria realidade para impor uma ideologia. Imaginar que as sociedades pré-tecnológicas pudessem ser matricarcais é tão somente um delírio, visto que a ascensão social feminina se deu propriamente como resultado do pregresso tecnológico. Isso é um fato simples e constatável! Quando lemos os escritos antigos, como, por exemplo, a Economia do pseudo-Aristóteles, percebemos que as relações entre homem e mulher, ao contrário do que supõe o imaginário do mito do patriarcado, eram de divisão de competências, em que a complementaridade se dava não apenas no âmbito físico-biológico-reprodutivo, mas também doméstico-executivo. A família antiga era uma estrutura forte, em que o paterfamilias e a materfamilias se comportavam com certa proporcionalidade. Como se pode ver claramente nos textos acima, a abolição do patriarcado equivale à simples extinção da família natural, no processo de secundarização da sociedade, em que a sua estrutura primária seria completamente superada por um tipo de organização coletivista. Se isso é péssimo para as famílias, é maravilhoso para os meta-poderes econômicos cujo interesse é diluir todas as estruturas para que os indivíduos se tornem átomos soltos, impessoais e despersonalizados, como uma mão de obra pura e simples no mercado. É a troca do nome pelo algoritmo, da pessoa pela função. As Escrituras narram um processo claramente oposto. São Paulo no-lo diz em Efésios 3,14-15, quando confessa: “dobro os meus joelhos diante do Pai, do qual procede toda paternidade no céu e na terra”. A palavra aqui traduzida por “paternidade” é a palavra grega πατριὰ, patrìa. Poder-se-ia traduzi-la também por “patriarcado”? O fato de que Deus não seja sexuado, mas lhe convenha a atribuição do masculino, nada tem a ver com a sexualização de Deus. Na arquetipia, Deus é ato e tudo o mais é potência, capacidade de receber o ser: ora, na gramática, não havendo sempre a possibilidade de adotar-se o gênero neutro (no português, aliás, quase não existe), adota-se aquele que a língua permite e que se adapte melhor à sua expressividade: como o masculino é a parte ativa na cópula e o feminino a parte passiva, simplesmente adota-se o masculino para Deus, sabendo que ele transcende essa realidade. A luta de classes marxista foi substituída por uma luta de tipo metafísico, que alista a militância num tipo de ideal religioso, fundamentalista e imaginário: a crença numa entidade não localizada, anônima e atemporal, o patriarcado. Enquanto isso, toda a sociedade ruma para a perda dos direitos mais fundamentais e para o surgimento de um Estado Onipotente, que controla tudo, até o nosso modo de falar. As classes pobres são as mais patriarcais. E isso é tão verdade que Marx mesmo os chamava de proletariado, palavra que vem de prole, filhos. Se “família” vem do latim famulus, servo, não é porque reduz todos os seus membros à servidão, mas porque, como menciona o pseudo-Aristóteles em sua Economia e Aristóteles em sua Política, essa unidade de produção fundamental é capaz de transformar até os servos em filhos, exatamente ao contrário do que faz o nosso sistema atual, que transforma os filhos em servos. Salvar a família é a prioridade das prioridades. E todos precisamos rejeitar essas crendices e nos aferrar à norma da razão e da fé, tal como defende a Tradição da Santa Igreja Católica. #Feminismo

  • Santo Inácio de Loyola, Fundador da Companhia de Jesus – 31 de Julho

    Santo Inácio de Loyola é reconhecido por ter a alma maior que o mundo. Sua única ambição era a aventura de salvar almas e seu amor a Jesus. Ele abandonou todas as suas riquezas e fundou a Companhia de Jesus! (assista o filme no final da página) SANTO DO DIA – 31 DE JULHO – SANTO INÁCIO DE LOYOLA Fundador da Companhia de Jesus (1491-1556) Iñigo Lopez de Loyola — este era o seu nome de batismo — nasceu numa família cristã, nobre e muito rica, na cidade de Azpeitia, da província basca de Guipuzcoa, Espanha, em 1491. Mais novo de 13 filhos, foi educado, com todos os cuidados para tornar-se um perfeito fidalgo. Cresceu apreciando os luxos da corte, praticando esportes, principalmente os equestres, seus preferidos. Em 1506, a família Lopez de Loyola estava a serviço de João Velásquez de Cuellar, tesoureiro do reino de Castela, do qual era aparentada. No ano seguinte, Iñigo tornou-se pagem e cortesão no castelo desse senhor. Lá, aprimorou sua cultura, fez-se um exímio cavaleiro e tomou gosto pelas aventuras militares. Era um homem que valorizava mais o orgulho do que a luxúria. Dez anos depois, em 1517, optou pela carreira militar. Por isso foi prestar serviços a um outro parente, não menos importante, o duque de Najera e vice-rei de Navarra, o qual defendeu em várias batalhas, militares e diplomáticas. Mas, em 20 de maio de 1521, uma bala de canhão mudou sua vida. Ferido por ela na tíbia da perna esquerda, durante a defesa da cidade de Pamplona, ficou um longo tempo em convalescença. Neste período, talvez por acaso, trocou a leitura dos romances de infantaria e guerra por livros sobre a vida dos santos e a Paixão de Cristo. E assim foi tocado pela graça. Incentivado por uma de suas irmãs, que dele cuidava, não voltou mais aos livros que antes adorava, passando a ler somente livros religiosos. Já curado, trocou a vida de militar pela dedicação a Deus. Foi, então, à capela do santuário de Nossa Senhora de Montserrat, pendurou sua espada no altar e deu as costas ao mundo da corte e das pompas. Durante um ano, entre 1522 e 1523, viveu retirado numa caverna em Manresa, como eremita e mendigo, o tempo todo em penitência, na solidão e passando as mais duras necessidades. Lá, durante esse período, preparou a base do seu livro mais importante: ‘Exercícios espirituais’. Sua vida mudou tanto que, do campo de batalhas, passou a transitar no campo das ideias, indo estudar Filosofia e Teologia em Paris e Veneza. Em Paris, em 15 de agosto de 1534, junto com mais seis companheiros, fundaram a Companhia de Jesus. Entre eles estava Francisco Xavier, que se tornou um dos maiores missionários da Ordem e também santo da Igreja. Mas todos só se ordenaram sacerdotes em 1537, quando concluíram os estudos, ocasião em que Iñigo tomou o nome de Inácio. Três anos depois, o papa Paulo III aprovou a nova Ordem, para a qual Inácio de Loyola foi escolhido superior-geral. Ele preparou e enviou os missionários jesuítas ao mundo todo, para espalhar o cristianismo, especialmente entre os nativos pagãos das terras do novo mundo. Entretanto, desde que esteve no cargo de geral da Ordem, Inácio nunca gozou de boa saúde. Muito debilitado, morreu no dia 31 de julho de 1556, em Roma, na Itália. A sua contribuição para a Igreja e para a humanidade foi a sua visão do catolicismo, que veio de sua incessante busca interior e que resultou em definições e obras cada vez mais atuais e presentes nos nossos dias. Foi canonizado pelo papa Gregório XV em 1622. Na data de sua morte, sua festa é celebrada nos quatro cantos do planeta onde os jesuítas atuam. Santo Inácio de Loyola foi declarado Padroeiro de Todos os Retiros Espirituais pelo papa Pio XI em 1922. Havia várias semanas que Inácio de Loyola, oficial espanhol, nascido em Biscaia, no ano de 1491, esperava sua perfeita cura da perna, que tinha sido quebrada em 1521, por uma bala de canhão, no cerco de Pamplona. Já fora curada, mas, mal; foi preciso quebrá-la de novo concertá-la uma segunda vez. Por fim, ficou curada; mas ele percebeu um osso que avançava demais, abaixo do joelho, e lhe causava uma deformidade notável. Como queria a todo custo conservar uma perna bonita, mandou cortar o osso. Teve então que ficar de cama ainda várias semanas, embora gozasse de boa saúde. Com isso, ficou enfadado. Pediu romances para se distrair. Mas não os encontraram. Deram-lhe uma Vida dos Santos. Ele a leu, primeiro, para passar o tempo; mas pouco a pouco, tomou gosto pela leitura e a ela se dedicou inteiramente, de tal sorte, que passava assim dias inteiros. Não se cansava de admirar nos santos o amor da solidão e da cruz. Dizia para si mesmo: Como! E se eu fizesse o que fez São Francisco? E então? Se eu fizesse como um São Domingos? Aspirava sempre a coisas difíceis e grandes e parecia-lhe que tinha forças para isso, por este único motivo: São Domingos o fez, então eu o farei também. Depois a esses pensamentos de Deus, sucediam pensamentos do século. Mas notou uma grande diferença entre uns e outros: os pensamentos do século alegravam apenas um momento, para depois o deixarem de novo triste e árido; ao passo que quando pensava na peregrinação a Jerusalém, em comer somente ervas, em praticar outras austeridades que tinha lido na Vida dos Santos, não somente tais pensamentos o alegravam no momento mas o deixavam ainda alegres. A única resolução que tomou, então, foi, após sua cura, ir a Jerusalém e praticar toda sorte de austeridades, para fazer penitência. Pensando no que faria ao seu regresso de Jerusalém, veio-lhe à mente entrar na ordem dos cartuxos de Sevilha sem se dar a conhecer, para ser menos estimado, e comer apenas ervas; mas lembrando-se das penitências que se propunha a fazer, temia não poder, entre os cartuxos, praticar o ódio que tinha concebido contra si mesmo. Um de seus criados, indo a Burgos, recomendou-lhe tomasse informações sobre a vida desses religiosos. A narração causou-lhe prazer, mas ele ficou lá, preocupado com sua próxima partida. Tendo-se despedido da família, sem dar a conhecer seus projetos, foi sozinho a Monte-Serrat. É um mosteiro de beneditinos, a um dia de Barcelona, construído sobre uma montanha toda coberta de rochedos e famosos pela devoção dos peregrinos, que, de todos os lugares do mundo, vem implorar socorro da Virgem e honrar-lhe a imagem milagrosa. Inácio aí fez uma confissão geral a um religioso do mosteiro. Foi o primeiro confessor ao qual manifestou seu plano de vida. Com seu conselho, deu a mula ao mosteiro, as vestes preciosas, a um pobre mendigo, vestiu o hábito dos peregrinos, pendurou a espada e o punhal a uma pilastra, perto do altar de Nossa Senhora, diante do qual passou em oração a noite que precedeu a Anunciação da Santa Virgem, em 1522. Ao despontar do dia, recebeu a Santa Comunhão e pôs-se a caminho para Manresa, pequena cidade, a três léguas, que só tinha de importante um mosteiro de São Domingos e um hospital para os peregrinos e enfermos. Inácio foi diretamente ao hospital. Lá teve grande alegria de ser posto no número dos pobres e em estado de fazer penitência sem ser conhecido. Começou a jejuar toda a semana a pão e água, exceto no domingo, quando comia um pouco de ervas cozidas ainda misturando-lhes um pouco de cinza. Cingiu a cintura sob as vestes de pano, de que se cobria. Castigava severamente o corpo três vezes por dia, dormia pouco e por terra. Maltratando-se assim, não teve outra vista no começo que imitar os santos penitentes e expirar suas desordens passadas. Concebeu, depois, um desejo ardente de procurar a glória de Deus, em suas ações; e o desejo tornou o motivo de sua penitência mais puro e nobre. Refletindo sobre seu proceder, julgou que as macerações da carne o fariam adiantar pouco nas estradas do céu se não procurasse sufocar em si os movimentos de orgulho e do amor próprio. Por isso, mendigava o pão de porta em porta, apresentando um exterior grosseiro e sujo. Também, quando apareceu em Manresa, as crianças o apontavam , atiravam-lhe pedras e o seguiam pelas ruas com forte assuada. Entretanto, corria o boato de que um gentil-homem, desconhecido tinha dado as vestes a um pobre, que esse pobre tinha sido preso como ladrão, até que o cavalheiro desconhecido tivesse declarado à polícia que lhe tinha dado aquelas vestes. A esta notícia, os habitantes de Manresa começaram a suspeitar de que o peregrino mendigo, de quem todos zombavam, poderia bem ser um homem ilustre que fazia penitência. Inácio percebendo que o olhavam com vistas diferentes, retirou-se a uma caverna quase inacessível, nos arredores, e deu-se a penitências extraordinárias; aí foi provado por tentações diversas, como Nosso Senhor no deserto. Algumas pessoas que descobriram o seu retiro, à força de o procurar, encontraram-no um dia desmaiado à entrada da caverna e o levaram, contra vontade, ao hospital de Manresa, onde logo se perdeu a esperança de que vivesse. Os religiosos dominicanos que lhe dirigiam a consciência, tiveram piedade dele e o levaram a um mosteiro por caridade. Os sofrimentos do corpo não eram os únicos nem os maiores. O espírito das trevas atormentava-lhe a alma com tentações horríveis de desânimo e de desesperação. Por fim, entretanto, Deus restituiu-lhe saúde do corpo e a tranqüilidade da alma; deixou-lhe mesmo entrever os mistérios do céu. Até aí, Inácio só tinha pensado em glorificar a Deus, por sua própria santificação. Compreendeu então, que Deus seria muito mais glorificado se trabalhasse também para a santificação de outros. Não é muito, dizia, que eu sirva o Senhor; é preciso que todos os corações o amem e que todas as línguas o bendigam. Saiu da solidão, moderou as austeridades, tomou um exterior menos repelente e pôs-se a falar aos homens das coisas do céu. Aquelas conversas produziram grande fruto de salvação; muitos pecadores se converteram. Inácio aproveitou a experiência para redigir a continuação e o conjunto dos seus exercícios espirituais, próprios para tirar o homem do pecado e guiá-lo para a perfeição. Como aquela obra de Inácio lhe granjeasse novos louvores e a admiração do povo, deixou Manresa, do mesmo modo como tinha deixado Monte-Serrar, e fez uma peregrinação a Jerusalém, como peregrino dos mais pobres, passando por Barcelona, Roma e Veneza. Seu desejo não era mais somente trabalhar pela salvação dos cismáticos e dos infiéis. Durante a viagem, teve tempo de fazer muitas reflexões. Pensou que, para trabalhar na conversão as almas, era preciso ter conhecimentos que lhe faltavam, e que jamais poderia fazer algo de sólido, sem o fundamento das letras humanas. Voltou, então, a Barcelona para estudar, a começar pela gramática latina. Tinha trinta e três anos quando se pôs a freqüentar todos os dias a classe como os meninos. Como fazia para a maior glória de Deus e pela salvação das almas, nenhuma dificuldade o detinha. Para se manter sempre no espírito de piedade, lia frequentemente a Imitação de Jesus Cristo que considerava, depois do Evangelho, o mais piedoso o Espírito de Deus. Depois de dois anos, foi estudar filosofia nas universidades de Alcalá e Salamanca. Continuava, ao mesmo tempo, a trabalhar pela salvação das almas, catequizando as crianças, exortando os enfermos. Como a heresia de Lutero e de Calvino mandava então por toda parte seus emissários, Inácio também foi suspeito de ser um deles; mas as autoridades eclesiásticas, examinando-o de perto, reconheceram que era fiel filho da Igreja. Tendo vindo de Salamanca para aperfeiçoar-se em Paris nos seus estudos, aí comunicou seu zelo a uma meia dúzia de companheiros com os quais se consagrou a Deus, no dia da Assunção de Santíssima Virgem, em 1534, na capela subterrânea da igreja de Montmartre. Foi essa origem da Companhia de Jesus, que tanto bem fez à Igreja de Deus, para a conversão dos infiéis, dos hereges, dos pecadores e para o progresso dos justos nas vias da perfeição. Entre os primeiros discípulos de Santo Inácio, admiramos sobretudo São Francisco Xavier, apóstolo da Índia. Oh! Quem poderia dizer os frutos incontáveis de salvação, que produziu aquela leitura casual da Vida dos Santos? (…) Fotos: santiebeati.it (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIII, p. 461 à 468) Conheça mais sobre Santo Inácio de Loyola Uma conversão assumida com extraordinário vigor de espírito, a santidade abraçada e levada às suas últimas consequências Na vida de Santo Inácio de Loyola a força de vontade e as atitudes extremas foram uma constante, e sua inflexível coerência constitui a nota mais bela da existência do grande Fundador da Companhia de Jesus. Santo Inácio de Loyola nasceu em 1491, na casa torre dos senhores de Loyola, em Azpeitia, norte da Espanha. Era o décimo terceiro filho do casal e entrou aos l9 anos como pajem na corte do Rei Fernando V. Dotado de temperamento ardente e belicoso, a carreira das armas o seduziu. No cerco de Pamplona foi gravemente ferido na perna. Durante longa convalescença, por falta de livros de cavalaria, que o apaixonavam, deram- lhe para ler a Vida de Jesus Cristo e dos santos. Tal leitura foi para ele uma revelação. Compreendeu que a Igreja também possuía sua milícia, a qual, sob ordens do representante de Cristo, luta para defender na Terra os interesses sagrados do Deus dos exércitos. Cavaleiro de Cristo e da Igreja militante Na célebre abadia de Montserrat, Inácio depõe a espada aos pés da Santíssima Virgem e sua alma generosa, outrora seduzida pela glória mundana, não mais aspira senão pela maior glória do grande Rei que doravante servirá. Na noite da Encarnação, a 25 de Março, depois da confissão de suas faltas, fez a vigília de armas e pela Mãe de Jesus é armado cavaleiro de Cristo e da Igreja militante, sua esposa. Será em breve general da admirável Companhia de Jesus, suscitada pela Providência para combater o protestantismo, o jansenismo e o paganismo renascente. A fim de conservar em seus filhos a intensa vida interior que supõe a atividade militante à qual os destina, Santo Inácio lhes dá uma forte hierarquia e lhes ensina, em magistral tratado aprovado pela Igreja, seus Exercícios Espirituais que têm santificado milhares de almas. Tudo para a maior glória de Deus O lema que santo Inácio escolheu para sua milícia foram: Ad Maiorem Dei Gloriam — Para a Maior Gloria de Deus. Eis toda a sua santidade. E o fim da Criação, o fim da elevação do homem ao mundo sobrenatural, o fim dos preceitos do Evangelho em que almas generosas renunciam às coisas lícitas para se ocuparem mais livremente dos interesses de Deus e para lhe darem essa totalidade de glória acidental, cujo uso pelos homens, de coisas ilícitas, O havia privado. A 13 de julho de 1556 morre Santo Inácio, pronunciando o nome de Jesus. Sua Companhia, espalhada pelo mundo inteiro, contava então dez províncias e cem colégios. Homem de decisões extremas Sobre a vida de Santo Inácio de Loyola, cujos aspectos constituem um conjunto sobremodo arquitetônico e rico, poder-se-ia tecer inúmeros comentários. Entretanto, gostaria de ressaltar um lado que me parece ser a nota mais bela de sua existência, o ponto pelo qual ele brilhou especialmente no firmamento da Igreja. Refiro-me à sua força de vontade e de decisão que o fazia tomar, em todas as suas atitudes, a posição mais extrema, mais aguda, aquela que chegava ao fim último, sem meios termos. Tomemos em consideração, por exemplo, o conhecido episódio de sua perna quebrada no cerco de Pamplona. Não se pode conceber algo de mais tremendo do que um homem, então mundano e voltado para as honras terrenas, ao se ver na contingência demancar para o resto da vida em virtude de um erro ortopédico, decidir mandar quebrar de novo o osso imperfeitamente consolidado para que a perna ficasse em ordem. E istoporque, pelos cânones da elegância naquele tempo, um fidalgo capenga seria malvisto na corte e teria sua carreira política e militar prejudicada. Ora, Inácio de Loyola encarou de frente o futuro que essa deficiência lhe traçava. Pesou tudo em sua crueza: “Quero viver na corte, desejo seguir a carreira militar. Se eu ficar coxo de uma perna, não brilharei entre meus pares,não dançarei, não terei valor algum como soldado. Ora, devo lutar, devo luzir na corte. Se não me livrar dessa carência física, minha vida está rateada. Então, vamos quebrar de novo esta perna!” Imaginemos agora um cirurgião munido dos instrumentos e métodos ortopédicos daquele tempo, desferindo pancadas sobre um osso mal jungido, rompendo-o e ligando-o de novo. O que isso significava de dolorido e dramático, só quem o sofreu pode saber! Em seguida, os longos dias e as horas intermináveis de inércia num leito, aguardando a consolidação do osso e a recuperação dos movimentos da perna, seriam horrivelmente enfadonhos para aquele homem superativo, afeito a batalhas e grandes realizações. Vê-se nessa atitude a decisão extrema do homem que mediu tudo e resolveu aceitar um sacrifício momentâneo em prol de seu futuro brilhante. Excluindo-se os motivos meramente mundanos que o levaram a essa situação, percebe-se naquele Inácio de Loyola o senso da preeminência do definitivo sobre o efêmero, uma fibra de alma para enfrentar tudo que fosse preciso e uma capacidade de olhar os problemas de frente que nos deixam admirados. Santidade levada às últimas consequências O mesmo vigor de espírito, a mesma força de decisão e de vontade ele empregará no momento de se converter e abraçar o chamado de Deus. Homem mundano e militar vaidoso, esquecido das coisas do Céu, sente-se tocado de modo irresistível pela graça e, como procedera em relação ao defeito físico, medita nas suas lacunas morais: “Tenho de encarar de frente as verdades eternas, o Céu, o inferno, a salvação ou a condenação. Recebi graças, compreendi como o ser autêntico católico significa dedicar-se ao serviço de Deus, a amá-Lo sobre todas as coisas nesta Terra e na eternidade. Não ser assim é procurar apenas a felicidade transitória do mundo, mas também o infortúnio e a injúria a Deus. Essa é a verdade, e tenho de encará-la. Devo tirar todas as consequências que daí pendem para mim, Inácio de Loyola, e estas consistem em seguir a voz da graça que me pede, à vista dessas considerações, uma completa mudança de vida, vivendo ao contrário do que até agora vivi, construindo para mim uma existência feita de abnegação, de humildade, mas, sobretudo, de coerência. Serei coerente até o fim na verdade que considerei e abracei por inteiro. E temos, assim, o programa de vida magnífico de Santo Inácio de Loyola. Ele não recuou diante de nada e empreendeu tudo quanto foi necessário para levar essa coerência até os últimos limites. Recordemos, por exemplo, o fato de ele se pôr como um mendigo, sujo e maltrapilho, pelas ruas de sua cidade, sendo reconhecido pelos seus antigos amigos fidalgos que o interpelavam com risos sarcásticos nos lábios: — Sois vós, Inácio? O que aconteceu? — Faço isto por amor a Deus e em reparação de meus pecados. Os outros riam mais alto e se afastavam. Se nos colocarmos, cada um de nós, na pele de Santo Inácio em semelhante situação, numa rua de nossa cidade natal, poderemos talvez aquilatar o que essa atitude representava de vitória sobre o amor-próprio e os apegos mundanos. Pouco depois, ele funda a Companhia de Jesus, obra minúscula, constituída de meia dúzia de discípulos, com a intenção de deter a avalanche da reforma protestante pela Europa do século XVI. Santo Inácio decide realizar essa coisa extraordinária: uma ordem militar, no sentido mais elevado da palavra, para opor barreiras ao inimigo da Igreja. Mais uma vez, é a eterna coerência levada às últimas consequências. Ele empreende a obra jesuítica, levanta diques à Revolução e, afinal de contas, consegue salvar e preservar vastos territórios do mundo católico. Tratado da coerência humana Esse espírito coerente levado até o fim, esse tratado da genuína coerência humana se acha expresso nos célebres Exercícios Espirituais escritos por Santo Inácio. Da primeira à derradeira linha, tudo neles não é senão o ver os problemas de frente, sem nenhuma mitigação covarde. Poder-se-ia distinguir, nos Exercícios Espirituais, duas gamas de coerência levadas ao último ponto: uma, que é o pólo de todas as outras coerências, exprime-se pelodireitosoberano de Deus, de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Santa Igreja Católica, de serem amados sobre todas as coisas pelos homens; a segunda se traduz pela desconfiança a nosso próprio respeito, pela consideração da maldade de toda criatura humana concebida no pecado original, pela falta de lealdade que cada um tem para consigo mesmo e nossa desonestidade em assumirmos os bons propósitos — o que, tudo, deve ser visto igualmente de frente e até o fim. Na junção dessas duas gamas de coerência temos uma obra característica da alma de Santo Inácio. Encontra-se ali uma super-coerência que só as almas autenticamente virginais possuem, e constitui para nós um indizível modelo de pureza de intenção, aliada à pureza do corpo. Pedir a graça de sermos coerentes na santidade Assim sendo, para concluir esses comentários, creio oportuno invocarmos a intercessão de Santo Inácio de Loyola, rogando a ele nos obtenha a graça de o imitarmos nessa sua extraordinária coerência. Que tenhamos, como ele, a coragem de vermos nossos defeitos de frente, por piores e desagradáveis que sejam, e, como ele, tenhamos a coerência sem meios termos para abraçar a verdade inteira, a virtude completa, o caminho da santidade levado até as últimas consequências. Claro está, sem a graça divina nada alcançamos. Sem a infalível proteção de Maria Santíssima, dificilmente vencemos nossa maldade e nossas fraquezas. Porém, rezando e confiando nesse patrocínio de nossa Mãe celeste, nossas defecções e debilidades serão sobrepujadas e obteremos de Deus os dons necessários para correspondermos à plenitude do que Ele deseja de nós. Pode mesmo parecer milagroso que alguém, considerando suas misérias, chegue ao grau de virtude de Santo Inácio de Loyola. Pois devemos pedir esse milagre da misericórdia divina, uma vez que a todos os homens são franqueadas as graças necessárias para alcançarem a perfeição. Seja essa a nossa ardente súplica ao grande Santo Inácio de Loyola. (Os Santos comentados/ Mons. João Clá Dias, EP) #SantodoDia

  • Santo Inácio de Loyola, Fundador da Companhia de Jesus – 31 de Julho

    Santo Inácio de Loyola é reconhecido por ter a alma maior que o mundo. Sua única ambição era a aventura de salvar almas e seu amor a Jesus. Ele abandonou todas as suas riquezas e fundou a Companhia de Jesus! (assista o filme no final da página) SANTO DO DIA – 31 DE JULHO – SANTO INÁCIO DE LOYOLA Fundador da Companhia de Jesus (1491-1556) Iñigo Lopez de Loyola — este era o seu nome de batismo — nasceu numa família cristã, nobre e muito rica, na cidade de Azpeitia, da província basca de Guipuzcoa, Espanha, em 1491. Mais novo de 13 filhos, foi educado, com todos os cuidados para tornar-se um perfeito fidalgo. Cresceu apreciando os luxos da corte, praticando esportes, principalmente os equestres, seus preferidos. Em 1506, a família Lopez de Loyola estava a serviço de João Velásquez de Cuellar, tesoureiro do reino de Castela, do qual era aparentada. No ano seguinte, Iñigo tornou-se pagem e cortesão no castelo desse senhor. Lá, aprimorou sua cultura, fez-se um exímio cavaleiro e tomou gosto pelas aventuras militares. Era um homem que valorizava mais o orgulho do que a luxúria. Dez anos depois, em 1517, optou pela carreira militar. Por isso foi prestar serviços a um outro parente, não menos importante, o duque de Najera e vice-rei de Navarra, o qual defendeu em várias batalhas, militares e diplomáticas. Mas, em 20 de maio de 1521, uma bala de canhão mudou sua vida. Ferido por ela na tíbia da perna esquerda, durante a defesa da cidade de Pamplona, ficou um longo tempo em convalescença. Neste período, talvez por acaso, trocou a leitura dos romances de infantaria e guerra por livros sobre a vida dos santos e a Paixão de Cristo. E assim foi tocado pela graça. Incentivado por uma de suas irmãs, que dele cuidava, não voltou mais aos livros que antes adorava, passando a ler somente livros religiosos. Já curado, trocou a vida de militar pela dedicação a Deus. Foi, então, à capela do santuário de Nossa Senhora de Montserrat, pendurou sua espada no altar e deu as costas ao mundo da corte e das pompas. Durante um ano, entre 1522 e 1523, viveu retirado numa caverna em Manresa, como eremita e mendigo, o tempo todo em penitência, na solidão e passando as mais duras necessidades. Lá, durante esse período, preparou a base do seu livro mais importante: ‘Exercícios espirituais’. Sua vida mudou tanto que, do campo de batalhas, passou a transitar no campo das ideias, indo estudar Filosofia e Teologia em Paris e Veneza. Em Paris, em 15 de agosto de 1534, junto com mais seis companheiros, fundaram a Companhia de Jesus. Entre eles estava Francisco Xavier, que se tornou um dos maiores missionários da Ordem e também santo da Igreja. Mas todos só se ordenaram sacerdotes em 1537, quando concluíram os estudos, ocasião em que Iñigo tomou o nome de Inácio. Três anos depois, o papa Paulo III aprovou a nova Ordem, para a qual Inácio de Loyola foi escolhido superior-geral. Ele preparou e enviou os missionários jesuítas ao mundo todo, para espalhar o cristianismo, especialmente entre os nativos pagãos das terras do novo mundo. Entretanto, desde que esteve no cargo de geral da Ordem, Inácio nunca gozou de boa saúde. Muito debilitado, morreu no dia 31 de julho de 1556, em Roma, na Itália. A sua contribuição para a Igreja e para a humanidade foi a sua visão do catolicismo, que veio de sua incessante busca interior e que resultou em definições e obras cada vez mais atuais e presentes nos nossos dias. Foi canonizado pelo papa Gregório XV em 1622. Na data de sua morte, sua festa é celebrada nos quatro cantos do planeta onde os jesuítas atuam. Santo Inácio de Loyola foi declarado Padroeiro de Todos os Retiros Espirituais pelo papa Pio XI em 1922. Havia várias semanas que Inácio de Loyola, oficial espanhol, nascido em Biscaia, no ano de 1491, esperava sua perfeita cura da perna, que tinha sido quebrada em 1521, por uma bala de canhão, no cerco de Pamplona. Já fora curada, mas, mal; foi preciso quebrá-la de novo concertá-la uma segunda vez. Por fim, ficou curada; mas ele percebeu um osso que avançava demais, abaixo do joelho, e lhe causava uma deformidade notável. Como queria a todo custo conservar uma perna bonita, mandou cortar o osso. Teve então que ficar de cama ainda várias semanas, embora gozasse de boa saúde. Com isso, ficou enfadado. Pediu romances para se distrair. Mas não os encontraram. Deram-lhe uma Vida dos Santos. Ele a leu, primeiro, para passar o tempo; mas pouco a pouco, tomou gosto pela leitura e a ela se dedicou inteiramente, de tal sorte, que passava assim dias inteiros. Não se cansava de admirar nos santos o amor da solidão e da cruz. Dizia para si mesmo: Como! E se eu fizesse o que fez São Francisco? E então? Se eu fizesse como um São Domingos? Aspirava sempre a coisas difíceis e grandes e parecia-lhe que tinha forças para isso, por este único motivo: São Domingos o fez, então eu o farei também. Depois a esses pensamentos de Deus, sucediam pensamentos do século. Mas notou uma grande diferença entre uns e outros: os pensamentos do século alegravam apenas um momento, para depois o deixarem de novo triste e árido; ao passo que quando pensava na peregrinação a Jerusalém, em comer somente ervas, em praticar outras austeridades que tinha lido na Vida dos Santos, não somente tais pensamentos o alegravam no momento mas o deixavam ainda alegres. A única resolução que tomou, então, foi, após sua cura, ir a Jerusalém e praticar toda sorte de austeridades, para fazer penitência. Pensando no que faria ao seu regresso de Jerusalém, veio-lhe à mente entrar na ordem dos cartuxos de Sevilha sem se dar a conhecer, para ser menos estimado, e comer apenas ervas; mas lembrando-se das penitências que se propunha a fazer, temia não poder, entre os cartuxos, praticar o ódio que tinha concebido contra si mesmo. Um de seus criados, indo a Burgos, recomendou-lhe tomasse informações sobre a vida desses religiosos. A narração causou-lhe prazer, mas ele ficou lá, preocupado com sua próxima partida. Tendo-se despedido da família, sem dar a conhecer seus projetos, foi sozinho a Monte-Serrat. É um mosteiro de beneditinos, a um dia de Barcelona, construído sobre uma montanha toda coberta de rochedos e famosos pela devoção dos peregrinos, que, de todos os lugares do mundo, vem implorar socorro da Virgem e honrar-lhe a imagem milagrosa. Inácio aí fez uma confissão geral a um religioso do mosteiro. Foi o primeiro confessor ao qual manifestou seu plano de vida. Com seu conselho, deu a mula ao mosteiro, as vestes preciosas, a um pobre mendigo, vestiu o hábito dos peregrinos, pendurou a espada e o punhal a uma pilastra, perto do altar de Nossa Senhora, diante do qual passou em oração a noite que precedeu a Anunciação da Santa Virgem, em 1522. Ao despontar do dia, recebeu a Santa Comunhão e pôs-se a caminho para Manresa, pequena cidade, a três léguas, que só tinha de importante um mosteiro de São Domingos e um hospital para os peregrinos e enfermos. Inácio foi diretamente ao hospital. Lá teve grande alegria de ser posto no número dos pobres e em estado de fazer penitência sem ser conhecido. Começou a jejuar toda a semana a pão e água, exceto no domingo, quando comia um pouco de ervas cozidas ainda misturando-lhes um pouco de cinza. Cingiu a cintura sob as vestes de pano, de que se cobria. Castigava severamente o corpo três vezes por dia, dormia pouco e por terra. Maltratando-se assim, não teve outra vista no começo que imitar os santos penitentes e expirar suas desordens passadas. Concebeu, depois, um desejo ardente de procurar a glória de Deus, em suas ações; e o desejo tornou o motivo de sua penitência mais puro e nobre. Refletindo sobre seu proceder, julgou que as macerações da carne o fariam adiantar pouco nas estradas do céu se não procurasse sufocar em si os movimentos de orgulho e do amor próprio. Por isso, mendigava o pão de porta em porta, apresentando um exterior grosseiro e sujo. Também, quando apareceu em Manresa, as crianças o apontavam , atiravam-lhe pedras e o seguiam pelas ruas com forte assuada. Entretanto, corria o boato de que um gentil-homem, desconhecido tinha dado as vestes a um pobre, que esse pobre tinha sido preso como ladrão, até que o cavalheiro desconhecido tivesse declarado à polícia que lhe tinha dado aquelas vestes. A esta notícia, os habitantes de Manresa começaram a suspeitar de que o peregrino mendigo, de quem todos zombavam, poderia bem ser um homem ilustre que fazia penitência. Inácio percebendo que o olhavam com vistas diferentes, retirou-se a uma caverna quase inacessível, nos arredores, e deu-se a penitências extraordinárias; aí foi provado por tentações diversas, como Nosso Senhor no deserto. Algumas pessoas que descobriram o seu retiro, à força de o procurar, encontraram-no um dia desmaiado à entrada da caverna e o levaram, contra vontade, ao hospital de Manresa, onde logo se perdeu a esperança de que vivesse. Os religiosos dominicanos que lhe dirigiam a consciência, tiveram piedade dele e o levaram a um mosteiro por caridade. Os sofrimentos do corpo não eram os únicos nem os maiores. O espírito das trevas atormentava-lhe a alma com tentações horríveis de desânimo e de desesperação. Por fim, entretanto, Deus restituiu-lhe saúde do corpo e a tranqüilidade da alma; deixou-lhe mesmo entrever os mistérios do céu. Até aí, Inácio só tinha pensado em glorificar a Deus, por sua própria santificação. Compreendeu então, que Deus seria muito mais glorificado se trabalhasse também para a santificação de outros. Não é muito, dizia, que eu sirva o Senhor; é preciso que todos os corações o amem e que todas as línguas o bendigam. Saiu da solidão, moderou as austeridades, tomou um exterior menos repelente e pôs-se a falar aos homens das coisas do céu. Aquelas conversas produziram grande fruto de salvação; muitos pecadores se converteram. Inácio aproveitou a experiência para redigir a continuação e o conjunto dos seus exercícios espirituais, próprios para tirar o homem do pecado e guiá-lo para a perfeição. Como aquela obra de Inácio lhe granjeasse novos louvores e a admiração do povo, deixou Manresa, do mesmo modo como tinha deixado Monte-Serrar, e fez uma peregrinação a Jerusalém, como peregrino dos mais pobres, passando por Barcelona, Roma e Veneza. Seu desejo não era mais somente trabalhar pela salvação dos cismáticos e dos infiéis. Durante a viagem, teve tempo de fazer muitas reflexões. Pensou que, para trabalhar na conversão as almas, era preciso ter conhecimentos que lhe faltavam, e que jamais poderia fazer algo de sólido, sem o fundamento das letras humanas. Voltou, então, a Barcelona para estudar, a começar pela gramática latina. Tinha trinta e três anos quando se pôs a freqüentar todos os dias a classe como os meninos. Como fazia para a maior glória de Deus e pela salvação das almas, nenhuma dificuldade o detinha. Para se manter sempre no espírito de piedade, lia frequentemente a Imitação de Jesus Cristo que considerava, depois do Evangelho, o mais piedoso o Espírito de Deus. Depois de dois anos, foi estudar filosofia nas universidades de Alcalá e Salamanca. Continuava, ao mesmo tempo, a trabalhar pela salvação das almas, catequizando as crianças, exortando os enfermos. Como a heresia de Lutero e de Calvino mandava então por toda parte seus emissários, Inácio também foi suspeito de ser um deles; mas as autoridades eclesiásticas, examinando-o de perto, reconheceram que era fiel filho da Igreja. Tendo vindo de Salamanca para aperfeiçoar-se em Paris nos seus estudos, aí comunicou seu zelo a uma meia dúzia de companheiros com os quais se consagrou a Deus, no dia da Assunção de Santíssima Virgem, em 1534, na capela subterrânea da igreja de Montmartre. Foi essa origem da Companhia de Jesus, que tanto bem fez à Igreja de Deus, para a conversão dos infiéis, dos hereges, dos pecadores e para o progresso dos justos nas vias da perfeição. Entre os primeiros discípulos de Santo Inácio, admiramos sobretudo São Francisco Xavier, apóstolo da Índia. Oh! Quem poderia dizer os frutos incontáveis de salvação, que produziu aquela leitura casual da Vida dos Santos? (…) Fotos: santiebeati.it (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIII, p. 461 à 468) Conheça mais sobre Santo Inácio de Loyola Uma conversão assumida com extraordinário vigor de espírito, a santidade abraçada e levada às suas últimas consequências Na vida de Santo Inácio de Loyola a força de vontade e as atitudes extremas foram uma constante, e sua inflexível coerência constitui a nota mais bela da existência do grande Fundador da Companhia de Jesus. Santo Inácio de Loyola nasceu em 1491, na casa torre dos senhores de Loyola, em Azpeitia, norte da Espanha. Era o décimo terceiro filho do casal e entrou aos l9 anos como pajem na corte do Rei Fernando V. Dotado de temperamento ardente e belicoso, a carreira das armas o seduziu. No cerco de Pamplona foi gravemente ferido na perna. Durante longa convalescença, por falta de livros de cavalaria, que o apaixonavam, deram- lhe para ler a Vida de Jesus Cristo e dos santos. Tal leitura foi para ele uma revelação. Compreendeu que a Igreja também possuía sua milícia, a qual, sob ordens do representante de Cristo, luta para defender na Terra os interesses sagrados do Deus dos exércitos. Cavaleiro de Cristo e da Igreja militante Na célebre abadia de Montserrat, Inácio depõe a espada aos pés da Santíssima Virgem e sua alma generosa, outrora seduzida pela glória mundana, não mais aspira senão pela maior glória do grande Rei que doravante servirá. Na noite da Encarnação, a 25 de Março, depois da confissão de suas faltas, fez a vigília de armas e pela Mãe de Jesus é armado cavaleiro de Cristo e da Igreja militante, sua esposa. Será em breve general da admirável Companhia de Jesus, suscitada pela Providência para combater o protestantismo, o jansenismo e o paganismo renascente. A fim de conservar em seus filhos a intensa vida interior que supõe a atividade militante à qual os destina, Santo Inácio lhes dá uma forte hierarquia e lhes ensina, em magistral tratado aprovado pela Igreja, seus Exercícios Espirituais que têm santificado milhares de almas. Tudo para a maior glória de Deus O lema que santo Inácio escolheu para sua milícia foram: Ad Maiorem Dei Gloriam — Para a Maior Gloria de Deus. Eis toda a sua santidade. E o fim da Criação, o fim da elevação do homem ao mundo sobrenatural, o fim dos preceitos do Evangelho em que almas generosas renunciam às coisas lícitas para se ocuparem mais livremente dos interesses de Deus e para lhe darem essa totalidade de glória acidental, cujo uso pelos homens, de coisas ilícitas, O havia privado. A 13 de julho de 1556 morre Santo Inácio, pronunciando o nome de Jesus. Sua Companhia, espalhada pelo mundo inteiro, contava então dez províncias e cem colégios. Homem de decisões extremas Sobre a vida de Santo Inácio de Loyola, cujos aspectos constituem um conjunto sobremodo arquitetônico e rico, poder-se-ia tecer inúmeros comentários. Entretanto, gostaria de ressaltar um lado que me parece ser a nota mais bela de sua existência, o ponto pelo qual ele brilhou especialmente no firmamento da Igreja. Refiro-me à sua força de vontade e de decisão que o fazia tomar, em todas as suas atitudes, a posição mais extrema, mais aguda, aquela que chegava ao fim último, sem meios termos. Tomemos em consideração, por exemplo, o conhecido episódio de sua perna quebrada no cerco de Pamplona. Não se pode conceber algo de mais tremendo do que um homem, então mundano e voltado para as honras terrenas, ao se ver na contingência demancar para o resto da vida em virtude de um erro ortopédico, decidir mandar quebrar de novo o osso imperfeitamente consolidado para que a perna ficasse em ordem. E istoporque, pelos cânones da elegância naquele tempo, um fidalgo capenga seria malvisto na corte e teria sua carreira política e militar prejudicada. Ora, Inácio de Loyola encarou de frente o futuro que essa deficiência lhe traçava. Pesou tudo em sua crueza: “Quero viver na corte, desejo seguir a carreira militar. Se eu ficar coxo de uma perna, não brilharei entre meus pares,não dançarei, não terei valor algum como soldado. Ora, devo lutar, devo luzir na corte. Se não me livrar dessa carência física, minha vida está rateada. Então, vamos quebrar de novo esta perna!” Imaginemos agora um cirurgião munido dos instrumentos e métodos ortopédicos daquele tempo, desferindo pancadas sobre um osso mal jungido, rompendo-o e ligando-o de novo. O que isso significava de dolorido e dramático, só quem o sofreu pode saber! Em seguida, os longos dias e as horas intermináveis de inércia num leito, aguardando a consolidação do osso e a recuperação dos movimentos da perna, seriam horrivelmente enfadonhos para aquele homem superativo, afeito a batalhas e grandes realizações. Vê-se nessa atitude a decisão extrema do homem que mediu tudo e resolveu aceitar um sacrifício momentâneo em prol de seu futuro brilhante. Excluindo-se os motivos meramente mundanos que o levaram a essa situação, percebe-se naquele Inácio de Loyola o senso da preeminência do definitivo sobre o efêmero, uma fibra de alma para enfrentar tudo que fosse preciso e uma capacidade de olhar os problemas de frente que nos deixam admirados. Santidade levada às últimas consequências O mesmo vigor de espírito, a mesma força de decisão e de vontade ele empregará no momento de se converter e abraçar o chamado de Deus. Homem mundano e militar vaidoso, esquecido das coisas do Céu, sente-se tocado de modo irresistível pela graça e, como procedera em relação ao defeito físico, medita nas suas lacunas morais: “Tenho de encarar de frente as verdades eternas, o Céu, o inferno, a salvação ou a condenação. Recebi graças, compreendi como o ser autêntico católico significa dedicar-se ao serviço de Deus, a amá-Lo sobre todas as coisas nesta Terra e na eternidade. Não ser assim é procurar apenas a felicidade transitória do mundo, mas também o infortúnio e a injúria a Deus. Essa é a verdade, e tenho de encará-la. Devo tirar todas as consequências que daí pendem para mim, Inácio de Loyola, e estas consistem em seguir a voz da graça que me pede, à vista dessas considerações, uma completa mudança de vida, vivendo ao contrário do que até agora vivi, construindo para mim uma existência feita de abnegação, de humildade, mas, sobretudo, de coerência. Serei coerente até o fim na verdade que considerei e abracei por inteiro. E temos, assim, o programa de vida magnífico de Santo Inácio de Loyola. Ele não recuou diante de nada e empreendeu tudo quanto foi necessário para levar essa coerência até os últimos limites. Recordemos, por exemplo, o fato de ele se pôr como um mendigo, sujo e maltrapilho, pelas ruas de sua cidade, sendo reconhecido pelos seus antigos amigos fidalgos que o interpelavam com risos sarcásticos nos lábios: — Sois vós, Inácio? O que aconteceu? — Faço isto por amor a Deus e em reparação de meus pecados. Os outros riam mais alto e se afastavam. Se nos colocarmos, cada um de nós, na pele de Santo Inácio em semelhante situação, numa rua de nossa cidade natal, poderemos talvez aquilatar o que essa atitude representava de vitória sobre o amor-próprio e os apegos mundanos. Pouco depois, ele funda a Companhia de Jesus, obra minúscula, constituída de meia dúzia de discípulos, com a intenção de deter a avalanche da reforma protestante pela Europa do século XVI. Santo Inácio decide realizar essa coisa extraordinária: uma ordem militar, no sentido mais elevado da palavra, para opor barreiras ao inimigo da Igreja. Mais uma vez, é a eterna coerência levada às últimas consequências. Ele empreende a obra jesuítica, levanta diques à Revolução e, afinal de contas, consegue salvar e preservar vastos territórios do mundo católico. Tratado da coerência humana Esse espírito coerente levado até o fim, esse tratado da genuína coerência humana se acha expresso nos célebres Exercícios Espirituais escritos por Santo Inácio. Da primeira à derradeira linha, tudo neles não é senão o ver os problemas de frente, sem nenhuma mitigação covarde. Poder-se-ia distinguir, nos Exercícios Espirituais, duas gamas de coerência levadas ao último ponto: uma, que é o pólo de todas as outras coerências, exprime-se pelodireitosoberano de Deus, de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Santa Igreja Católica, de serem amados sobre todas as coisas pelos homens; a segunda se traduz pela desconfiança a nosso próprio respeito, pela consideração da maldade de toda criatura humana concebida no pecado original, pela falta de lealdade que cada um tem para consigo mesmo e nossa desonestidade em assumirmos os bons propósitos — o que, tudo, deve ser visto igualmente de frente e até o fim. Na junção dessas duas gamas de coerência temos uma obra característica da alma de Santo Inácio. Encontra-se ali uma super-coerência que só as almas autenticamente virginais possuem, e constitui para nós um indizível modelo de pureza de intenção, aliada à pureza do corpo. Pedir a graça de sermos coerentes na santidade Assim sendo, para concluir esses comentários, creio oportuno invocarmos a intercessão de Santo Inácio de Loyola, rogando a ele nos obtenha a graça de o imitarmos nessa sua extraordinária coerência. Que tenhamos, como ele, a coragem de vermos nossos defeitos de frente, por piores e desagradáveis que sejam, e, como ele, tenhamos a coerência sem meios termos para abraçar a verdade inteira, a virtude completa, o caminho da santidade levado até as últimas consequências. Claro está, sem a graça divina nada alcançamos. Sem a infalível proteção de Maria Santíssima, dificilmente vencemos nossa maldade e nossas fraquezas. Porém, rezando e confiando nesse patrocínio de nossa Mãe celeste, nossas defecções e debilidades serão sobrepujadas e obteremos de Deus os dons necessários para correspondermos à plenitude do que Ele deseja de nós. Pode mesmo parecer milagroso que alguém, considerando suas misérias, chegue ao grau de virtude de Santo Inácio de Loyola. Pois devemos pedir esse milagre da misericórdia divina, uma vez que a todos os homens são franqueadas as graças necessárias para alcançarem a perfeição. Seja essa a nossa ardente súplica ao grande Santo Inácio de Loyola. (Os Santos comentados/ Mons. João Clá Dias, EP) #SantodoDia

  • A Síndrome de Barbie e a desconstrução da Autoridade Paterna

    Durante essa semana uma produção cinematográfica ganhou muito destaque por conseguir recordes de bilheteria mesmo sendo um conteúdo claramente ideológico. Na formação ao vivo de hoje continuaremos tratando sobre o tema família e como se esforçam para destruir este que é um dos pilares da civilização cristã. Isso fica ainda mais visível quando analisamos a “cultura pop”, ou seja, filmes, músicas, novelas, etc. e a grande influência na vida da nossa sociedade atual. Será que a Santa Igreja, com as dificuldades que enfrenta hoje, está pronta para combater essa doutrinação cultural? Qual nosso papel? Para assistir, acesse:

  • A Síndrome de Barbie e a desconstrução da Autoridade Paterna

    Durante essa semana uma produção cinematográfica ganhou muito destaque por conseguir recordes de bilheteria mesmo sendo um conteúdo claramente ideológico. Na formação ao vivo de hoje continuaremos tratando sobre o tema família e como se esforçam para destruir este que é um dos pilares da civilização cristã. Isso fica ainda mais visível quando analisamos a “cultura pop”, ou seja, filmes, músicas, novelas, etc. e a grande influência na vida da nossa sociedade atual. Será que a Santa Igreja, com as dificuldades que enfrenta hoje, está pronta para combater essa doutrinação cultural? Qual nosso papel? Para assistir, acesse:

  • São Pedro Crisólogo, o homem de palavras de ouro – 30 de Julho

    SANTO DO DIA – 30 DE JULHO (30/07) – SÃO PEDRO CRISÓLOGO Bispo e doutor da Igreja (406-450) Pedro Crisólogo, ou Pedro ‘das palavras de ouro’, nome dado sabiamente pelo povo, pelo qual tornou-se conhecido para sempre. Ele nasceu em Ímola, uma província de Ravena, não muito distante de Roma, no ano 380. E mereceu este título, assim como os outros que a Igreja lhe concedeu. Filho de pais cristãos, foi educado na fé e cedo ordenado diácono. Considerado um dos maiores pregadores da história da Igreja, era assistido, frequentemente, pela imperatriz romana Galla Plácida e seus filhos. Ela o fez seu conselheiro pessoal e, em 424, influenciou para que ele se tornasse o arcediácono de Ravena. Numa época em que a cidade era a capital do Império Romano no Ocidente e, também, a metrópole eclesiástica. Mais tarde, o próprio imperador romano, Valentiniano III, filho de Galla Plácida, indicou-o para ser o bispo de Ravena. Em 433, Pedro Crisólogo tornou-se o primeiro bispo ocidental a ocupar essa diocese, sendo consagrado pessoalmente pelo papa Xisto III. Pedro Crisólogo escreveu, no total, 166 homilias de cunho popular, pelas quais dogmas e liturgias foram explicados de forma simples, direta, objetiva e muito atrativa, proporcionando incontáveis conversões. Em 448, recebeu a importante visita de um ilustre bispo do seu tempo, Germano de Auxerre, que adoeceu e, assistido por ele, morreu em Ravena. Também defendeu a autoridade do papa, então Leão I, o Grande, sobre a questão monofisista, que pregava Cristo em uma só natureza. Essa heresia, vinda do Oriente, propagava-se perigosamente, mas foi resolvida nos concílios de Éfeso e Calcedônia. Pedro Crisólogo morreu na sua cidade natal, numa data incerta. Alguns historiadores dizem que foi em 31 de julho de 451, mas ele é venerado pela Igreja no dia 30 de julho de 450, data mais provável do seu falecimento. A autoria dos seus célebres sermões, ricos em doutrina, conferiu-lhe outro título, o de doutor da Igreja, concedido em 1729 pelo papa Bento XIII. São Pedro Crisólogo, ainda hoje, é considerado um modelo de contato com o povo e um exemplo de amor à pregação do Evangelho, o ideal de pastor para a Igreja. O nome hebreu de Maria se traduz por Domina em Latim; o Anjo lhe dá, portanto, o título de Senhora. (São Pedro Crisólogo) #SantodoDia

  • São Pedro Crisólogo, o homem de palavras de ouro – 30 de Julho

    SANTO DO DIA – 30 DE JULHO (30/07) – SÃO PEDRO CRISÓLOGO Bispo e doutor da Igreja (406-450) Pedro Crisólogo, ou Pedro ‘das palavras de ouro’, nome dado sabiamente pelo povo, pelo qual tornou-se conhecido para sempre. Ele nasceu em Ímola, uma província de Ravena, não muito distante de Roma, no ano 380. E mereceu este título, assim como os outros que a Igreja lhe concedeu. Filho de pais cristãos, foi educado na fé e cedo ordenado diácono. Considerado um dos maiores pregadores da história da Igreja, era assistido, frequentemente, pela imperatriz romana Galla Plácida e seus filhos. Ela o fez seu conselheiro pessoal e, em 424, influenciou para que ele se tornasse o arcediácono de Ravena. Numa época em que a cidade era a capital do Império Romano no Ocidente e, também, a metrópole eclesiástica. Mais tarde, o próprio imperador romano, Valentiniano III, filho de Galla Plácida, indicou-o para ser o bispo de Ravena. Em 433, Pedro Crisólogo tornou-se o primeiro bispo ocidental a ocupar essa diocese, sendo consagrado pessoalmente pelo papa Xisto III. Pedro Crisólogo escreveu, no total, 166 homilias de cunho popular, pelas quais dogmas e liturgias foram explicados de forma simples, direta, objetiva e muito atrativa, proporcionando incontáveis conversões. Em 448, recebeu a importante visita de um ilustre bispo do seu tempo, Germano de Auxerre, que adoeceu e, assistido por ele, morreu em Ravena. Também defendeu a autoridade do papa, então Leão I, o Grande, sobre a questão monofisista, que pregava Cristo em uma só natureza. Essa heresia, vinda do Oriente, propagava-se perigosamente, mas foi resolvida nos concílios de Éfeso e Calcedônia. Pedro Crisólogo morreu na sua cidade natal, numa data incerta. Alguns historiadores dizem que foi em 31 de julho de 451, mas ele é venerado pela Igreja no dia 30 de julho de 450, data mais provável do seu falecimento. A autoria dos seus célebres sermões, ricos em doutrina, conferiu-lhe outro título, o de doutor da Igreja, concedido em 1729 pelo papa Bento XIII. São Pedro Crisólogo, ainda hoje, é considerado um modelo de contato com o povo e um exemplo de amor à pregação do Evangelho, o ideal de pastor para a Igreja. O nome hebreu de Maria se traduz por Domina em Latim; o Anjo lhe dá, portanto, o título de Senhora. (São Pedro Crisólogo) #SantodoDia

  • Santa Marta, irmã de Lázaro – 29 de Julho

    As Escrituras contam que, em seus poucos momentos de descanso ou lazer, Jesus procurava a casa de amigos em Betânia, local muito agradável há apenas três quilômetros de Jerusalém. Lá moravam Marta, Lázaro e Maria, três irmãos provavelmente filhos de Simão, o leproso. Há poucas mas importantíssimas citações de Marta nas Sagradas Escrituras. É narrado, por exemplo, o primeiro momento em que Jesus pisou em sua casa. Por isso existe a dúvida de que Simão fosse mesmo o pai deles, pois a casa é citada como se fosse de Marta, a mais velha dos irmãos. Mas ali chegando, Jesus conversava com eles e Maria estava aos pés do Senhor, ouvindo sua pregação. Marta, trabalhadora e responsável, reclamou da posição da irmã, que nada fazia, apenas ouvindo o Mestre. Jesus aproveita, então, para ensinar que os valores espirituais são mais importantes do que os materiais, apoiando Maria em sua ocupação de ouvir e aprender. Fala-se dela também quando da ressurreição de Lázaro. É ela quem mais fala com Jesus nesse acontecimento. Marta disse a Jesus: ‘Senhor, se tivesses estado aqui, o meu irmão não teria morrido. Mas mesmo agora, eu sei que tudo o que pedires a Deus, Deus dará’. Trata-se de mais uma passagem importante da Bíblia, pois do evento tira-se um momento em que Jesus chora: ‘O pranto de Maria provoca o choro de Jesus’. E o milagre de reviver Lázaro, já morto e sepultado, solicitado com tamanha simplicidade por Marta, que exemplifica a plena fé na onipotência do Senhor. Outra passagem é a ceia de Betânia, com a presença de Lázaro ressuscitado, uma prévia da última ceia, pois ali Marta serve a mesa e Maria lava os pés de Jesus, gesto que ele imitaria em seu último encontro coletivo com os doze apóstolos. Os primeiros a dedicarem uma festa litúrgica a santa Marta foram os frades franciscanos, em 1262, e o dia escolhido foi 29 de julho. Ela se difundiu e o povo cristão passou a celebrar santa Marta como a padroeira dos anfitriões, dos hospedeiros, dos cozinheiros, dos nutricionistas e dietistas. Fonte: Paulinas #SantodoDia

  • Santa Marta, irmã de Lázaro – 29 de Julho

    As Escrituras contam que, em seus poucos momentos de descanso ou lazer, Jesus procurava a casa de amigos em Betânia, local muito agradável há apenas três quilômetros de Jerusalém. Lá moravam Marta, Lázaro e Maria, três irmãos provavelmente filhos de Simão, o leproso. Há poucas mas importantíssimas citações de Marta nas Sagradas Escrituras. É narrado, por exemplo, o primeiro momento em que Jesus pisou em sua casa. Por isso existe a dúvida de que Simão fosse mesmo o pai deles, pois a casa é citada como se fosse de Marta, a mais velha dos irmãos. Mas ali chegando, Jesus conversava com eles e Maria estava aos pés do Senhor, ouvindo sua pregação. Marta, trabalhadora e responsável, reclamou da posição da irmã, que nada fazia, apenas ouvindo o Mestre. Jesus aproveita, então, para ensinar que os valores espirituais são mais importantes do que os materiais, apoiando Maria em sua ocupação de ouvir e aprender. Fala-se dela também quando da ressurreição de Lázaro. É ela quem mais fala com Jesus nesse acontecimento. Marta disse a Jesus: ‘Senhor, se tivesses estado aqui, o meu irmão não teria morrido. Mas mesmo agora, eu sei que tudo o que pedires a Deus, Deus dará’. Trata-se de mais uma passagem importante da Bíblia, pois do evento tira-se um momento em que Jesus chora: ‘O pranto de Maria provoca o choro de Jesus’. E o milagre de reviver Lázaro, já morto e sepultado, solicitado com tamanha simplicidade por Marta, que exemplifica a plena fé na onipotência do Senhor. Outra passagem é a ceia de Betânia, com a presença de Lázaro ressuscitado, uma prévia da última ceia, pois ali Marta serve a mesa e Maria lava os pés de Jesus, gesto que ele imitaria em seu último encontro coletivo com os doze apóstolos. Os primeiros a dedicarem uma festa litúrgica a santa Marta foram os frades franciscanos, em 1262, e o dia escolhido foi 29 de julho. Ela se difundiu e o povo cristão passou a celebrar santa Marta como a padroeira dos anfitriões, dos hospedeiros, dos cozinheiros, dos nutricionistas e dietistas. Fonte: Paulinas #SantodoDia

  • Comer carne na sexta feira é pecado ou não? Padre Paulo Ricardo esclarece:

    Muitos haverão de estranhar a pergunta, pois, aparentemente, caiu em completo desuso a proibição de se comer carne na sexta-feira. No entanto, pela legislação atual da Igreja, essa determinação ainda é válida e está, portanto, em pleno vigor. Por que os católicos não comem carne às Sextas-feiras? A abstinência de carne na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa é um costume largamente conhecido, mesmo fora da Igreja Católica, entretanto o que muitos esquecem, inclusive os católicos, é que os católicos não devem comer carne todas as Sextas-feiras do ano, pois são dias penitenciais e em todas elas devemos unir-nos à Paixão de Cristo, fazendo algum sacrifício por amor a Deus. A pergunta que resta é: quem come carne às sextas-feiras, comete pecado mortal? Assista a formação: Leia também Quais carnes não devemos comer às sextas-feiras? Onde está escrito que devemos nos abster de carne todas as sextas-feiras do ano? Este é um mandamento da Igreja: “Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja” Além dos mandamentos da lei de Deus, há 5 mandamentos da igreja que devemos observar com mesmo rigor: 1 – Participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho. 2 – Confessar-se ao menos uma vez por ano. 3 – Receber o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa da ressurreição. 4 – Praticar abstinência de carne (ou penitência à escolha) todas as sextas-feiras do ano; jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja. 5 – Ajudar a Igreja em suas necessidades. Leia também Quais carnes não devemos comer às sextas-feiras? Praticar penitência a escolha e Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja Nós católicos precisamos escolher uma penitência para todas as Sextas-feiras do ano, tradicionalmente esta penitência é a abstinência de carne. A CNBB permite a comutação por outra penitência, contudo os bons sacerdotes orientam que esta comutação não deve ser feita de maneira casual. O ideal é que se a pessoa deseja substituir por outra penitência, é que seja feita a escolha de outra penitência para todas as sextas-feiras do ano. No Brasil o jejum e a abstinência de carne devem ser feitos na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. Este jejum consiste em um leve café da manhã, um almoço leve e um lanche também leve à tarde, sem mais nada no meio do dia, nem o cafezinho. Quem desejar, pode fazer um jejum mais rigoroso; o obrigatório é o mínimo. Os que já tem mais de sessenta anos estão dispensados da obrigatoriedade, mas podem fazê-lo se desejarem. Diz o Catecismo que o jejum “Determina os tempos de ascese e penitência que nos preparam para as festas litúrgicas; contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração (CDC, cân. 882)”. Além dos mandamentos da igreja, também encontramos no Código de Direito Canônico: Cân. 1249. Todos os fiéis, cada qual a seu modo, estão obrigados por lei divina a fazer penitência; mas, para que todos estejam unidos mediante certa observância comum da penitência, são prescritos dias penitenciais, em que os fiéis se dediquem de modo especial à oração, façam obras de piedade e caridade, renunciem a si mesmos, cumprindo ainda mais fielmente as próprias obrigações e observando principalmente o jejum e a abstinência, de acordo com os cânones seguintes. Cân. 1250. Os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas- feiras do ano e o tempo da quaresma. Cân. 1251. Observe-se a abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos, em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; observem-se a abstinência e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira da paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Cân. 1252. Estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiverem completado catorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade até os sessenta anos começados. Todavia, os pastores de almas e os pais cuidem que sejam formados para o genuíno sentido da penitência também os que não estão obrigados à lei do jejum e da abstinência, em razão da pouca idade. Leia também Quais carnes não devemos comer às sextas-feiras?

  • Comer carne na sexta feira é pecado ou não? Padre Paulo Ricardo esclarece:

    Muitos haverão de estranhar a pergunta, pois, aparentemente, caiu em completo desuso a proibição de se comer carne na sexta-feira. No entanto, pela legislação atual da Igreja, essa determinação ainda é válida e está, portanto, em pleno vigor. Por que os católicos não comem carne às Sextas-feiras? A abstinência de carne na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa é um costume largamente conhecido, mesmo fora da Igreja Católica, entretanto o que muitos esquecem, inclusive os católicos, é que os católicos não devem comer carne todas as Sextas-feiras do ano, pois são dias penitenciais e em todas elas devemos unir-nos à Paixão de Cristo, fazendo algum sacrifício por amor a Deus. A pergunta que resta é: quem come carne às sextas-feiras, comete pecado mortal? Assista a formação: Leia também Quais carnes não devemos comer às sextas-feiras? Onde está escrito que devemos nos abster de carne todas as sextas-feiras do ano? Este é um mandamento da Igreja: “Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja” Além dos mandamentos da lei de Deus, há 5 mandamentos da igreja que devemos observar com mesmo rigor: 1 – Participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho. 2 – Confessar-se ao menos uma vez por ano. 3 – Receber o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa da ressurreição. 4 – Praticar abstinência de carne (ou penitência à escolha) todas as sextas-feiras do ano; jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja. 5 – Ajudar a Igreja em suas necessidades. Leia também Quais carnes não devemos comer às sextas-feiras? Praticar penitência a escolha e Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja Nós católicos precisamos escolher uma penitência para todas as Sextas-feiras do ano, tradicionalmente esta penitência é a abstinência de carne. A CNBB permite a comutação por outra penitência, contudo os bons sacerdotes orientam que esta comutação não deve ser feita de maneira casual. O ideal é que se a pessoa deseja substituir por outra penitência, é que seja feita a escolha de outra penitência para todas as sextas-feiras do ano. No Brasil o jejum e a abstinência de carne devem ser feitos na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. Este jejum consiste em um leve café da manhã, um almoço leve e um lanche também leve à tarde, sem mais nada no meio do dia, nem o cafezinho. Quem desejar, pode fazer um jejum mais rigoroso; o obrigatório é o mínimo. Os que já tem mais de sessenta anos estão dispensados da obrigatoriedade, mas podem fazê-lo se desejarem. Diz o Catecismo que o jejum “Determina os tempos de ascese e penitência que nos preparam para as festas litúrgicas; contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração (CDC, cân. 882)”. Além dos mandamentos da igreja, também encontramos no Código de Direito Canônico: Cân. 1249. Todos os fiéis, cada qual a seu modo, estão obrigados por lei divina a fazer penitência; mas, para que todos estejam unidos mediante certa observância comum da penitência, são prescritos dias penitenciais, em que os fiéis se dediquem de modo especial à oração, façam obras de piedade e caridade, renunciem a si mesmos, cumprindo ainda mais fielmente as próprias obrigações e observando principalmente o jejum e a abstinência, de acordo com os cânones seguintes. Cân. 1250. Os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas- feiras do ano e o tempo da quaresma. Cân. 1251. Observe-se a abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos, em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; observem-se a abstinência e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira da paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Cân. 1252. Estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiverem completado catorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade até os sessenta anos começados. Todavia, os pastores de almas e os pais cuidem que sejam formados para o genuíno sentido da penitência também os que não estão obrigados à lei do jejum e da abstinência, em razão da pouca idade. Leia também Quais carnes não devemos comer às sextas-feiras?

  • São Nazário e São Celso, mártires – 28 de Julho

    SANTO DO DIA – 28 DE JULHO – SÃO NAZÁRIO E SÃO CELSO Mártires (século I) Nazário nasceu em Roma, ainda no primeiro século da era cristã. O pai era um pagão e chamava-se Africano. A mãe, de nome Perpétua, era uma católica fervorosa. Enquanto ele desejava tornar o filho um sacerdote a serviço de um dos muitos deuses pagãos, ela o queria temente a Deus, no seguimento de Cristo, por isso o educou dentro da religião católica. Assim, com apenas 9 anos de idade, o menino pediu para ser batizado, definindo a questão e sendo atendido pelo pai, que algum tempo depois também se converteu. Nazário foi batizado pelas mãos do próprio papa São Lino, o primeiro sucessor de são Pedro, que fez dele um dos seus auxiliares diretos. Ingressou no exército romano e, com ele, percorreu toda a Itália, onde também pregava o Evangelho. Mas, ao ser descoberto, foi levado à presença do imperador, que o mandou prender. Conseguindo fugir, abandonou Roma e tornou-se um pregador itinerante, até que, durante um sonho, Deus lhe disse para sair da Itália. Assim, foi para a Gália, atual França, sempre pregando a palavra de Cristo. Em Cimiez, próximo de Nice, depois de converter uma nobre e rica senhora e seu filho, um adolescente de nome Celso, ela confiou o jovem a Nazário, que o fez seu discípulo inseparável. Juntos, percorreram os caminhos da Gália, deixando para trás cidades inteiras convertidas, pois, durante as suas pregações, aconteciam muitos milagres na frente de todos os presentes. Depois, foram para Treves, atualmente Trier, na Alemanha, onde fundaram uma comunidade cristã que se tornou tão famosa que os dois acabaram sendo denunciados e presos. Condenados à morte, foram jogados na confluência dos rios Sarre e Mosel. E novo milagre ocorreu: em vez de afundar, os dois flutuaram e andaram sobre as águas. Assustados, os pagãos não tentaram mais matá-los, apenas os expulsaram do país. Nazário e Celso foram, então, para Milão, onde mais uma vez foram vítimas da perseguição pagã, imposta pelo imperador Nero. Presos e condenados, desta vez foram decapitados em praça pública. Passados mais de dois séculos, em 396, os corpos dos dois mártires foram encontrados pelo próprio bispo de Milão, Ambrósio, também venerado pela Igreja. Durante suas orações, teve uma visão, que lhe indicou o local da sepultura de Nazário. Mas, para surpresa geral, a cabeça do mártir estava intacta, com os cabelos e a barba preservados, e ainda dela escorria sangue, como se fora decapitado naquele instante. A revelação foi mais impressionante porque, durante as escavações, também encontraram o túmulo do jovem discípulo Celso, martirizado junto com ele. Também foi por inspiração de santo Ambrósio que esta tradição chegou até nós, pois ele a contou a são Paolino de Nola, seu discípulo e biógrafo. As relíquias de são Nazário e são Celso foram distribuídas às igrejas de várias cidades da Itália, França, Espanha, Alemanha, África e Constantinopla. Dessa maneira, a festa dos dois santos difundiu-se por todo o mundo católico, sendo celebrados no dia em que santo Ambrósio teve a revelação: 28 de julho. #SantodoDia

  • São Nazário e São Celso, mártires – 28 de Julho

    SANTO DO DIA – 28 DE JULHO – SÃO NAZÁRIO E SÃO CELSO Mártires (século I) Nazário nasceu em Roma, ainda no primeiro século da era cristã. O pai era um pagão e chamava-se Africano. A mãe, de nome Perpétua, era uma católica fervorosa. Enquanto ele desejava tornar o filho um sacerdote a serviço de um dos muitos deuses pagãos, ela o queria temente a Deus, no seguimento de Cristo, por isso o educou dentro da religião católica. Assim, com apenas 9 anos de idade, o menino pediu para ser batizado, definindo a questão e sendo atendido pelo pai, que algum tempo depois também se converteu. Nazário foi batizado pelas mãos do próprio papa São Lino, o primeiro sucessor de são Pedro, que fez dele um dos seus auxiliares diretos. Ingressou no exército romano e, com ele, percorreu toda a Itália, onde também pregava o Evangelho. Mas, ao ser descoberto, foi levado à presença do imperador, que o mandou prender. Conseguindo fugir, abandonou Roma e tornou-se um pregador itinerante, até que, durante um sonho, Deus lhe disse para sair da Itália. Assim, foi para a Gália, atual França, sempre pregando a palavra de Cristo. Em Cimiez, próximo de Nice, depois de converter uma nobre e rica senhora e seu filho, um adolescente de nome Celso, ela confiou o jovem a Nazário, que o fez seu discípulo inseparável. Juntos, percorreram os caminhos da Gália, deixando para trás cidades inteiras convertidas, pois, durante as suas pregações, aconteciam muitos milagres na frente de todos os presentes. Depois, foram para Treves, atualmente Trier, na Alemanha, onde fundaram uma comunidade cristã que se tornou tão famosa que os dois acabaram sendo denunciados e presos. Condenados à morte, foram jogados na confluência dos rios Sarre e Mosel. E novo milagre ocorreu: em vez de afundar, os dois flutuaram e andaram sobre as águas. Assustados, os pagãos não tentaram mais matá-los, apenas os expulsaram do país. Nazário e Celso foram, então, para Milão, onde mais uma vez foram vítimas da perseguição pagã, imposta pelo imperador Nero. Presos e condenados, desta vez foram decapitados em praça pública. Passados mais de dois séculos, em 396, os corpos dos dois mártires foram encontrados pelo próprio bispo de Milão, Ambrósio, também venerado pela Igreja. Durante suas orações, teve uma visão, que lhe indicou o local da sepultura de Nazário. Mas, para surpresa geral, a cabeça do mártir estava intacta, com os cabelos e a barba preservados, e ainda dela escorria sangue, como se fora decapitado naquele instante. A revelação foi mais impressionante porque, durante as escavações, também encontraram o túmulo do jovem discípulo Celso, martirizado junto com ele. Também foi por inspiração de santo Ambrósio que esta tradição chegou até nós, pois ele a contou a são Paolino de Nola, seu discípulo e biógrafo. As relíquias de são Nazário e são Celso foram distribuídas às igrejas de várias cidades da Itália, França, Espanha, Alemanha, África e Constantinopla. Dessa maneira, a festa dos dois santos difundiu-se por todo o mundo católico, sendo celebrados no dia em que santo Ambrósio teve a revelação: 28 de julho. #SantodoDia

  • São Clemente de Ochrida, bispo – 27 de Julho

    SANTO DO DIA – 27 DE JULHO – SÃO CLEMENTE DE OCHRIDA Bispo (+916) Clemente é chamado ‘de Ochrida’ pela sua forte ligação com aquela cidade. Mas é também conhecido como ‘o búlgaro’, e todos os títulos são apropriados, porque durante sua vida religiosa conviveu muito tempo com esse povo, deixando marcas profundas de sua presença na Bulgária. A sua origem, seu nascimento e juventude são desconhecidos. No século IX, o príncipe da Morávia solicitou ao imperador de Constantinopla que lhe enviasse evangelizadores de origem germânica. Tinha a intenção de ampliar a catequização da população, mas não queria os missionários ‘latinos’, que eram diferentes dos ‘germânicos’ nos rituais litúrgicos. Isso era possível porque a Igreja ainda não tinha um padrão para todos os rituais católicos. Seguiram para lá os irmãos Cirilo e Metódio, ambos germânicos, no futuro conhecidos como os ‘apóstolos do Oriente’. Os dois irmãos levaram alguns colaboradores, um deles era Clemente. Como era muito culto e aplicado, tornou-se o colaborador direto de Metódio na adaptação da liturgia do Oriente para as populações daquela região. Clemente fez inúmeras viagens com os dois apóstolos por todo o leste europeu, sendo um discípulo fiel na pregação do cristianismo. A evangelização do leste europeu era marcada pela rivalidade gerada com divisão entre evangelizadores ‘latinos’ e ‘germânicos’. Tanto assim que o próprio Clemente precisou afastar-se de uma cidade, porque um bispo não aceitava os ‘ritos germânicos’. Por isto, Clemente decidiu seguir para a Bulgária, onde, além de refúgio, encontrou um novo campo de ação. Lá, trabalhou na simplificação do novo alfabeto para facilitar os estudos. Também converteu à fé cristã o próprio rei, que deixou o trono e retirou-se para um mosteiro. Os outros dois reis sucessores encorajaram a obra missionária e Clemente foi nomeado ‘primeiro bispo de língua búlgara’ para comandar a principal diocese. Porém Clemente tinha sempre o pensamento voltado para a querida cidade de Ochrida, onde havia construído uma escola, que também era um mosteiro. Era lá que pretendia recolher-se na velhice. Mas não conseguiu, porque antes deveria pessoalmente escolher, instruir e formar o bispo substituto. No dia 27 de julho de 916 ele faleceu na cidade de Velika. Seu corpo foi sepultado no Mosteiro de Ochrida, onde seu túmulo passou a ser visitado e venerado pela população. Em alguns lugares, por tradição popular, costuma ser lembrado no dia 25 de novembro. A Igreja Católica proclamou-o santo e escolheu o dia de sua morte, 27 de julho, para as homenagens litúrgicas.agens litúrgicas. CONHEÇA MAIS SOBRE SÃO CLEMENTE DE OCHRIDA Mas é também conhecido como “o Búlgaro”, e todos os títulos são apropriados, porque durante sua vida religiosa conviveu muito tempo com esse povo, deixando marcas profundas de sua presença na Bulgária. A sua origem, seu nascimento e juventude são desconhecidos. No século IX, o príncipe da Moravia solicitou ao imperador de Constantinopla que lhe enviasse evangelizadores de origem germânica. Tinha a intenção de ampliar a catequização da população, mas não queria os missionários “latinos” que eram diferentes dos “germânicos” nos rituais litúrgicos. Isso era possível, porque a Igreja ainda não tinha um padrão para todos os rituais católicos. Seguiram para lá os irmãos Cirilo e Metódio, ambos germânicos, no futuro conhecidos como os “apóstolos do Oriente”. Os dois irmãos levaram alguns colaboradores, um deles era Clemente. Como era muito culto e aplicado se tornou o colaborador direto de Metódio, na adaptação da liturgia do Oriente para as populações daquela região. Clemente fez inúmeras viagens com os dois apóstolos por todo o leste europeu, sendo um discípulo fiel na pregação do Cristianismo. A evangelização do leste europeu era marcada pela rivalidade gerada com divisão entre evangelizadores “latinos” e “germânicos”. Tanto assim, que o próprio Clemente precisou se afastar de uma cidade, porque um Bispo não aceitava os “ritos germânicos”. Por isto, Clemente decidiu seguir para a Bulgária, onde além de refúgio encontrou um novo campo de ação. Lá, trabalhou na simplificação do novo alfabeto para facilitar os estudos. Também, converteu a fé cristã o próprio rei, que deixou o trono e se retirou em um mosteiro. Os outros dois reis sucessores encorajam a obra missionária, e Clemente foi nomeado “primeiro bispo de língua búlgara” para comandar a principal diocese. Porém, Clemente tinha sempre o pensamento voltado para a querida cidade de Ochrida, onde havia construído uma escola que também era um mosteiro. Era lá que pretendia se recolher na velhice. Mas não conseguiu, porque antes deveria pessoalmente escolher, instruir e formar o Bispo substituto. No dia 27 de julho de 916 ele faleceu na cidade de Velika. Seu corpo foi sepultado no mosteiro de Ochrida, onde seu túmulo passou a ser visitado e venerado pela população. Em alguns lugares, por tradição popular, costuma ser lembrado no dia 25 de novembro. A Igreja Católica o proclamou Santo e escolheu o dia de sua morte, 27 de julho, para as homenagens litúrgicas. #SantodoDia

  • São Clemente de Ochrida, bispo – 27 de Julho

    SANTO DO DIA – 27 DE JULHO – SÃO CLEMENTE DE OCHRIDA Bispo (+916) Clemente é chamado ‘de Ochrida’ pela sua forte ligação com aquela cidade. Mas é também conhecido como ‘o búlgaro’, e todos os títulos são apropriados, porque durante sua vida religiosa conviveu muito tempo com esse povo, deixando marcas profundas de sua presença na Bulgária. A sua origem, seu nascimento e juventude são desconhecidos. No século IX, o príncipe da Morávia solicitou ao imperador de Constantinopla que lhe enviasse evangelizadores de origem germânica. Tinha a intenção de ampliar a catequização da população, mas não queria os missionários ‘latinos’, que eram diferentes dos ‘germânicos’ nos rituais litúrgicos. Isso era possível porque a Igreja ainda não tinha um padrão para todos os rituais católicos. Seguiram para lá os irmãos Cirilo e Metódio, ambos germânicos, no futuro conhecidos como os ‘apóstolos do Oriente’. Os dois irmãos levaram alguns colaboradores, um deles era Clemente. Como era muito culto e aplicado, tornou-se o colaborador direto de Metódio na adaptação da liturgia do Oriente para as populações daquela região. Clemente fez inúmeras viagens com os dois apóstolos por todo o leste europeu, sendo um discípulo fiel na pregação do cristianismo. A evangelização do leste europeu era marcada pela rivalidade gerada com divisão entre evangelizadores ‘latinos’ e ‘germânicos’. Tanto assim que o próprio Clemente precisou afastar-se de uma cidade, porque um bispo não aceitava os ‘ritos germânicos’. Por isto, Clemente decidiu seguir para a Bulgária, onde, além de refúgio, encontrou um novo campo de ação. Lá, trabalhou na simplificação do novo alfabeto para facilitar os estudos. Também converteu à fé cristã o próprio rei, que deixou o trono e retirou-se para um mosteiro. Os outros dois reis sucessores encorajaram a obra missionária e Clemente foi nomeado ‘primeiro bispo de língua búlgara’ para comandar a principal diocese. Porém Clemente tinha sempre o pensamento voltado para a querida cidade de Ochrida, onde havia construído uma escola, que também era um mosteiro. Era lá que pretendia recolher-se na velhice. Mas não conseguiu, porque antes deveria pessoalmente escolher, instruir e formar o bispo substituto. No dia 27 de julho de 916 ele faleceu na cidade de Velika. Seu corpo foi sepultado no Mosteiro de Ochrida, onde seu túmulo passou a ser visitado e venerado pela população. Em alguns lugares, por tradição popular, costuma ser lembrado no dia 25 de novembro. A Igreja Católica proclamou-o santo e escolheu o dia de sua morte, 27 de julho, para as homenagens litúrgicas.agens litúrgicas. CONHEÇA MAIS SOBRE SÃO CLEMENTE DE OCHRIDA Mas é também conhecido como “o Búlgaro”, e todos os títulos são apropriados, porque durante sua vida religiosa conviveu muito tempo com esse povo, deixando marcas profundas de sua presença na Bulgária. A sua origem, seu nascimento e juventude são desconhecidos. No século IX, o príncipe da Moravia solicitou ao imperador de Constantinopla que lhe enviasse evangelizadores de origem germânica. Tinha a intenção de ampliar a catequização da população, mas não queria os missionários “latinos” que eram diferentes dos “germânicos” nos rituais litúrgicos. Isso era possível, porque a Igreja ainda não tinha um padrão para todos os rituais católicos. Seguiram para lá os irmãos Cirilo e Metódio, ambos germânicos, no futuro conhecidos como os “apóstolos do Oriente”. Os dois irmãos levaram alguns colaboradores, um deles era Clemente. Como era muito culto e aplicado se tornou o colaborador direto de Metódio, na adaptação da liturgia do Oriente para as populações daquela região. Clemente fez inúmeras viagens com os dois apóstolos por todo o leste europeu, sendo um discípulo fiel na pregação do Cristianismo. A evangelização do leste europeu era marcada pela rivalidade gerada com divisão entre evangelizadores “latinos” e “germânicos”. Tanto assim, que o próprio Clemente precisou se afastar de uma cidade, porque um Bispo não aceitava os “ritos germânicos”. Por isto, Clemente decidiu seguir para a Bulgária, onde além de refúgio encontrou um novo campo de ação. Lá, trabalhou na simplificação do novo alfabeto para facilitar os estudos. Também, converteu a fé cristã o próprio rei, que deixou o trono e se retirou em um mosteiro. Os outros dois reis sucessores encorajam a obra missionária, e Clemente foi nomeado “primeiro bispo de língua búlgara” para comandar a principal diocese. Porém, Clemente tinha sempre o pensamento voltado para a querida cidade de Ochrida, onde havia construído uma escola que também era um mosteiro. Era lá que pretendia se recolher na velhice. Mas não conseguiu, porque antes deveria pessoalmente escolher, instruir e formar o Bispo substituto. No dia 27 de julho de 916 ele faleceu na cidade de Velika. Seu corpo foi sepultado no mosteiro de Ochrida, onde seu túmulo passou a ser visitado e venerado pela população. Em alguns lugares, por tradição popular, costuma ser lembrado no dia 25 de novembro. A Igreja Católica o proclamou Santo e escolheu o dia de sua morte, 27 de julho, para as homenagens litúrgicas. #SantodoDia

  • São Joaquim e Sant’Ana, os avós de Jesus – 26 de julho

    SANTO DO DIA – 26 DE JULHO – SÃO JOAQUIM E SANTA ANA Pais da Virgem Maria (século I) Ana e seu marido Joaquim já estavam com idade avançada e ainda não tinham filhos. O que, para os judeus de sua época, era quase um desgosto e uma vergonha também. Os motivos são óbvios, pois os judeus esperavam a chegada do messias, como previam as sagradas profecias. Assim, toda esposa judia esperava que dela nascesse o Salvador e, para tanto, ela tinha de dispor das condições para servir de veículo aos desígnios de Deus, se assim ele o desejasse. Por isso a esterilidade causava sofrimento e vergonha, e é nessa situação constrangedora que vamos encontrar o casal. Mas Ana e Joaquim não desistiram. Rezaram por muito e muito tempo até que, quando já estavam quase perdendo a esperança, Ana engravidou. Não se sabe muito sobre a vida deles, pois passaram a ser citados a partir do século II, mas pelos escritos apócrifos, que não são citados na Bíblia, porque se entende que não foram inspirados por Deus. E eles apenas revelam o nome dos pais da Virgem Maria, que seria a Mãe do Messias. No Evangelho, Jesus disse: ‘Dos frutos conhecereis a planta’. Assim, não foram precisos outros elementos para descrever-lhes a santidade, senão pelo exemplo de santidade da filha Maria. Afinal, Deus não escolheria filhos sem princípios ou dignidade para fazer deles o instrumento de sua ação. Maria, ao nascer no dia 8 de setembro de um ano desconhecido, não só tirou dos ombros dos pais o peso de uma vida estéril, mas ainda recompensou-os pela fé, ao ser escolhida para, no futuro, ser a Mãe do Filho de Deus. A princípio, apenas santa Ana era comemorada e, mesmo assim, em dias diferentes no Ocidente e no Oriente. Em 25 de julho pelos gregos e no dia seguinte pelos latinos. A partir de 1584, também são Joaquim passou a ser cultuado, no dia 20 de março. Só em 1913 a Igreja determinou que os avós de Jesus Cristo deviam ser celebrados juntos, no dia 26 de julho. Conheça mais sobre São Joaquim e Sant’Ana Desde os primeiros séculos, a mãe da Santíssima Virgem Maria foi venerada na Igreja Oriental. Na liturgia romana a festa foi introduzida no século XII, propagada pelas cruzadas, e teve o apogeu nos séculos XIV e XV, em correlação com a devoção à Imaculada Conceição de Maria. Sobre os pais de Maria, não nos dizem nada os evangelhos canônicos. Sobre tal questão, diz muito sutilmente o Padre Luís Francisco de Argentan, capuchinho do século XVII: Se as grandezas de Maria tiveram o pai e a mãe como fontes, era necessário que aparecessem como primeiros, a fim de que espalhassem os raios da própria glória sobre ela, como o sol comunica a Luz aos astros que o rodeiam; todavia esta ordem é invertida, porque a Santa Virgem recebeu toda a glória de Jesus Cristo, seu Filho e, pois, São Joaquim e Santa Ana receberam muito maior glória da filha, pela qual levam esta incomparável vantagem sobre o resto dos santos, de ser os mais próximos parentes, segundo a carne, do Salvador do mundo, uma vez que são verdadeiramente pai e mãe da Virgem Maria. Se os quatro inspirados evangelistas não se referiram a Santa Ana e a São Joaquim, não ficaram os pais de Maria, entretanto, totalmente apagados: três evangelhos apócrifos falam dos dois bem-aventurados Santos: o Proto-Evangelho de Tiago, o Evangelho do pseudo-Mateus e o Evangelho da Infância. Segundo o primeiro deles, cuja composição é olhada como muitíssimo antiga, Joaquim e Ana eram de piedosos e ricos israelitas da tribo de Judá, possuidores de grandes rebanhos. Não tinham filhos, e isto, para os judeus era motivo de ignomínia. Um dia, Joaquim, que foi ao templo apresentar uma oferenda, viu-a, tristíssimo, ser recusada pelo sacerdote, justamente por causa da esterilidade da esposa. Arrasado pelo sucesso, o bom homem, ao invés de voltar para casa, com os rebanhos buscou a montanha, desesperado. Durante cinco meses,, ninguém, nem mesmo a esposa, ouviu falar de Joaquim. Desaparecera, e dele, notícia alguma chegava ao lugar em que vivia. A dor de Ana foi imensa. Dir-se-ia que enviuvara. Mas, um dia, quando, como de costume, fazia suas preces, um anjo apareceu-lhe, para enchê-la de alegria: Joaquim, muito breve, tornaria, e ambos, novamente juntos, haveriam de ter o que tanto desejavam – um filho. Joaquim na montanha, também recebeu aquele enviado de Deus, que lhe prometeu a mesma alegria e lhe ordenou que descesse e voltasse para a esposa. Quando o Santo se aproximava, tornou o anjo a visitar Ana, dizendo-lhe que o marido se avizinhava e, pois, fosse-lhe aoencontro, na Porta Dourada. Ana, deslumbrada, toda numa alegria sem par, deixou a casa correndo e se precipitou nos braços do esposo. Assim, exultando, voltaram para o lar, a bendizer a Deus incessantemente. Nove meses mais tarde, nasceu-lhes uma filha – a qual deram o nome de Maria. Nasceu-lhes aquela Maria sublime, pela qual “grande coisas dez Aquele que é poderoso”, aquela Maria sublime que “resplandeceu de tal abundância de dons celestes, de tal plenitude de graça e de tal inocência, que se tornou como que o milagre de Deus por excelência, ante a culminância de todos os seus milagres, e digna Mãe de Deus – de modo que, colocada tanto quanto é possível a uma criatura, como a mais próxima de Deus, ela se tornou superior a todos os louvores dos homens e dos Anjos”, a Maria sublime que, com o auxílio divino, quebrou, inutilizou a violência e o poder da serpente. Nasceu-lhes o Lírio entre os espinhos, a Terra absolutamente intacta, virginal, ilibada, imaculada, sempre abençoada e livre de todo contágio de pecado – “da qual foi formado o novo Adão”. Nasceu-lhes o Jardim “ordenadíssimo, esplêndido, ameníssimo, de inocência e de imortalidade, delicioso, plantado por Deus mesmo e defendido de todas as insídias da serpente venenosa”. Nasceu-lhes o Lenho imarcescível “que o verme do pecado jamais corroeu”. Nasceu-lhes a Fonte sempre límpida, o Templo diviníssimo, o Escrínio da imortalidade. Nasceu-lhes a Co-redentora dos homens, a Medianeira poderosíssima, o Caminho mais seguro e mais fácil para Jesus, a que sofre por nossa causa, a Mulher vestida do sol, que tinha a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça, de São João, a qual, estando grávida, clamava com dores de parto e sofria tormentos para dar à luz (Apoc. 12, 1-2) Que parto? “Por certo o nosso, pois que, retidos neste degredo, carecemos de nascer para o perfeito amor de Deus e felicidade eterna. As dores do parto que nos estão a demonstrar o amor ardente com que Maria zela e trabalha, lá no céu, por suas preces incessantes para levar o número dos eleitos à sua plenitude. (Pio X) **** Quando a menina completou dois anos, Joaquim disse a Ana: – Conduzamo-la ao Templo do Senhor, a fim de cumprir o voto que formulamos. Ana respondeu: – Esperemos até o terceiro ano, porque talvez a menina venha a procurar o pai e a mãe. Joaquim concordou, dizendo: – Esperemos. Quando Maria entrou nos três anos de vida, foi desmamada, e Joaquim disse? – Chamai as jovens virgens santas de Israel. Que casa qual tome uma lâmpada e a tenha acessa, para que a menina não volte atrás e seu coração não se apegue às coisas de fora do Templo do Senhor. E assim foi feito. A glória maior de Santa Ana reside no fato de ter sido mãe da Imaculada. Foi esposa modelo, humilde, casta, submissa a deus em tudo, e ao marido. Devotadíssima à filha, colaborou com a obra do Espírito Santo, para fazer frutificar os dons maravilhosos daquela alma. Avó de Jesus! Eis uma nova, imensa glória porque de Santa Ana veio o ser humano de Maria, e de Maria todo o ser humano de Jesus. E não foi no seio de Santa Ana que se cumpriu o mistério da imaculada conceição, que se deu o prelúdio da Encarnação e da Redenção? Maria, por uma aplicação antecipada do sacrifício de Jesus, não foi a primeira alma resgatada, e, assim, a primeira vitória de seu Filho? Tudo se cumpriu no seio de Santa Ana. E “tudo o que podia ficar profanado, maculado na herança carnal dos reis de Judá, escreveu Osbert de Clare, beneditino inglês, foi inteiramente purificado na carne santa da gloriosa e bem-aventurada Ana. **** A iconografia da Santa Mãe de Deus seguiu fielmente os progressos da ciência teológica. Até o século XIII, os artistas representaram-na naquela cena comovente que se efetuou na Porta Dourada. A partir daquele século, com o avanço da crença na imaculada Conceição, novos temas surgiram. No fim da Idade-Média, tendo aprendido dos místicos que Jesus conhecera a avó aqui na terra, os artistas entraram a representá-lo entre ela e Maria. Assim apareceram as mais belas obras em que figura Santa Ana. (…) Curiosas esculturas que representam Santa Ana levando ao colo a Maria, que, por sua vez, traz consigo, nos braços, o divino Filho. A mais comum das representações, todavia, é a da Santa tendo a Filha pela mãe, mostrando-lhe o livro da Lei, sempre sóbria, de rosto grave, mas sereno, doce e benfazejo rosto das avós. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIII, p. 361 à 368) No dia 26 de Julho a Igreja comemora os avós de Jesus; pais de Nossa Senhora. Deus abençoou o matrimônio, e São Joaquim e Santa Ana, já anciãos, concebem uma filha: a Imaculada Virgem Maria Conheça mais sobre São Joaquim e Santa Ana Ana e Joaquim, esposos judeus exemplares, viveram uma época crucial da história da Igreja da salvação, no momento em que estava para ser cumprida a promessa de Deus a Abraão, e a humanidade estava prestes a receber a resposta esperada pelos justos do Antigo Testamento, que aguardavam a consolação de Israel. Ouvimos as palavras do Salmo 131, sobre a fidelidade de Deus à sua promessa: “O Senhor jurou a David: verdade da qual nunca se afastará “o fruto do teu ventre hei-de colocar sobre o teu trono!” […] Realmente, o Senhor escolheu Sião, desejou-a para sua morada: “Este será para sempre o lugar do meu repouso, aqui habitarei, porque o escolhi”” (vv. 11.13). Sem dúvida, Ana e Joaquim pertenciam ao grupo daqueles judeus piedosos que esperavam a consolação de Israel, e precisamente a eles foi dada uma tarefa especial na história da salvação: foram escolhidos por Deus, para gerar a Imaculada que, por sua vez, é chamada a gerar o Filho de Deus. Conhecemos os nomes dos pais da Bem-Aventurada Virgem através de um texto não canônico, o Protoevangelho de Tiago. Eles são citados na página que precede o anúncio do Anjo a Maria. Esta sua filha não podia deixar de irradiar aquela graça totalmente especial da sua pureza, a plenitude da graça que a preparava para o desígnio da maternidade divina. Podemos imaginar quanto receberam dela estes pais, ao mesmo tempo que cumpriam o seu dever de educadores. (…) Mãe e filha estavam unidas não apenas por laços familiares, mas também pela comum expectativa do cumprimento das promessas, pela recitação multiforme dos Salmos e pela evocação de uma vida entregue a Deus. Teremos nós os olhos e os ouvidos abertos para reconhecer um mistério tão excelso? Peçamos a Santa Ana e a São Joaquim não só para ver e ouvir a mensagem de Deus, mas inclusive para participar com amor pelas pessoas com as quais nos encontrarmos, no seu amor, em particular transmitindo luz e esperança a todas as nossas famílias. Confiemos de maneira especial a Santa Ana as mães, sobretudo as que são impedidas na defesa da vida nascente ou que encontram dificuldades para criar e educar os seus filhos. (…) Existe mais um aspecto, que gostaria de ressaltar: Santa Ana e São Joaquim podem ser tomados como modelo também pela sua santidade vivida em idade avançada. Em conformidade com uma antiga tradição, eles já eram idosos quando lhes foi confiada a tarefa de dar ao mundo, conservar e educar a Santa Mãe de Deus. Na Sagrada Escritura, a velhice é circundada de veneração (cf. 2 Mac 6, 23). O justo não pede para ser privado da velhice e do seu peso; ao contrário, ele reza assim: “Vós sois a minha esperança, a minha confiança, Senhor, desde a minha juventude… Agora, na velhice e na decrepitude, não me abandoneis, ó Deus, para que eu narre às gerações a força do vosso braço, o vosso poder a todos os que hão-de vir” (Sl 71 [70], 5-18). Com a sua própria presença, a pessoa idosa recorda a todos, e de maneira especial aos jovens, que a vida na terra é uma “curva”, com um início e com um fim: para experimentar a sua plenitude, ela exige a referência a valores não efémeros nem superficiais, mas sólidos e profundos. Infelizmente, um elevado número de jovens do nosso tempo estão orientados para uma concepção da vida em que os valores éticos se tornam cada vez mais superficiais, dominados como são por um hedonismo imperante. O que mais preocupa é o facto de que as famílias se desagregam na medida em que os esposos atingem a idade madura, quando teriam maior necessidade de amor, de assistência e de compreensão recíproca. Os idosos que receberam uma educação moral sadia deveriam demonstrar, mediante a sua vida e o próprio comportamento no trabalho, a beleza de uma sólida vida moral. Deveriam manifestar aos jovens a profunda força da fé, que nos foi transmitida pelos nossos mártires, e a beleza da fidelidade às leis divinas da moral conjugal. Há tempos, dirigiu-se-me um grupo de católicos japoneses, desejosos de constituir uma Pia Associação, inspirada em Joaquim e Ana, que reúne casais da chamada “terceira idade”, dedicadas precisamente à promoção dos ideais de vida que acabei de expor. Para terminar, desejo propor a todos vós aqui presentes, a oração que eles recitam diariamente: Ó São Joaquim e Santa Ana protegei as nossas famílias desde o início promissor até à idade madura repleta dos sofrimentos da vida e amparai-as na fidelidade às promessas solenes. Acompanhai os idosos que se aproximam do encontro com Deus. Suavizai a passagem suplicando para aquela hora a presença materna da vossa Filha ditosa a Virgem Maria e do seu Filho divino, Jesus! Amém. Homilia do Cardeal Tarcisio Bertone na Festa Litúrgica dos Santos Pais de Nossa Senhora – Paróquia de Santa Ana no Vaticano – 26 de Julho de 2007 #SantodoDia

  • São Joaquim e Sant’Ana, os avós de Jesus – 26 de julho

    SANTO DO DIA – 26 DE JULHO – SÃO JOAQUIM E SANTA ANA Pais da Virgem Maria (século I) Ana e seu marido Joaquim já estavam com idade avançada e ainda não tinham filhos. O que, para os judeus de sua época, era quase um desgosto e uma vergonha também. Os motivos são óbvios, pois os judeus esperavam a chegada do messias, como previam as sagradas profecias. Assim, toda esposa judia esperava que dela nascesse o Salvador e, para tanto, ela tinha de dispor das condições para servir de veículo aos desígnios de Deus, se assim ele o desejasse. Por isso a esterilidade causava sofrimento e vergonha, e é nessa situação constrangedora que vamos encontrar o casal. Mas Ana e Joaquim não desistiram. Rezaram por muito e muito tempo até que, quando já estavam quase perdendo a esperança, Ana engravidou. Não se sabe muito sobre a vida deles, pois passaram a ser citados a partir do século II, mas pelos escritos apócrifos, que não são citados na Bíblia, porque se entende que não foram inspirados por Deus. E eles apenas revelam o nome dos pais da Virgem Maria, que seria a Mãe do Messias. No Evangelho, Jesus disse: ‘Dos frutos conhecereis a planta’. Assim, não foram precisos outros elementos para descrever-lhes a santidade, senão pelo exemplo de santidade da filha Maria. Afinal, Deus não escolheria filhos sem princípios ou dignidade para fazer deles o instrumento de sua ação. Maria, ao nascer no dia 8 de setembro de um ano desconhecido, não só tirou dos ombros dos pais o peso de uma vida estéril, mas ainda recompensou-os pela fé, ao ser escolhida para, no futuro, ser a Mãe do Filho de Deus. A princípio, apenas santa Ana era comemorada e, mesmo assim, em dias diferentes no Ocidente e no Oriente. Em 25 de julho pelos gregos e no dia seguinte pelos latinos. A partir de 1584, também são Joaquim passou a ser cultuado, no dia 20 de março. Só em 1913 a Igreja determinou que os avós de Jesus Cristo deviam ser celebrados juntos, no dia 26 de julho. Conheça mais sobre São Joaquim e Sant’Ana Desde os primeiros séculos, a mãe da Santíssima Virgem Maria foi venerada na Igreja Oriental. Na liturgia romana a festa foi introduzida no século XII, propagada pelas cruzadas, e teve o apogeu nos séculos XIV e XV, em correlação com a devoção à Imaculada Conceição de Maria. Sobre os pais de Maria, não nos dizem nada os evangelhos canônicos. Sobre tal questão, diz muito sutilmente o Padre Luís Francisco de Argentan, capuchinho do século XVII: Se as grandezas de Maria tiveram o pai e a mãe como fontes, era necessário que aparecessem como primeiros, a fim de que espalhassem os raios da própria glória sobre ela, como o sol comunica a Luz aos astros que o rodeiam; todavia esta ordem é invertida, porque a Santa Virgem recebeu toda a glória de Jesus Cristo, seu Filho e, pois, São Joaquim e Santa Ana receberam muito maior glória da filha, pela qual levam esta incomparável vantagem sobre o resto dos santos, de ser os mais próximos parentes, segundo a carne, do Salvador do mundo, uma vez que são verdadeiramente pai e mãe da Virgem Maria. Se os quatro inspirados evangelistas não se referiram a Santa Ana e a São Joaquim, não ficaram os pais de Maria, entretanto, totalmente apagados: três evangelhos apócrifos falam dos dois bem-aventurados Santos: o Proto-Evangelho de Tiago, o Evangelho do pseudo-Mateus e o Evangelho da Infância. Segundo o primeiro deles, cuja composição é olhada como muitíssimo antiga, Joaquim e Ana eram de piedosos e ricos israelitas da tribo de Judá, possuidores de grandes rebanhos. Não tinham filhos, e isto, para os judeus era motivo de ignomínia. Um dia, Joaquim, que foi ao templo apresentar uma oferenda, viu-a, tristíssimo, ser recusada pelo sacerdote, justamente por causa da esterilidade da esposa. Arrasado pelo sucesso, o bom homem, ao invés de voltar para casa, com os rebanhos buscou a montanha, desesperado. Durante cinco meses,, ninguém, nem mesmo a esposa, ouviu falar de Joaquim. Desaparecera, e dele, notícia alguma chegava ao lugar em que vivia. A dor de Ana foi imensa. Dir-se-ia que enviuvara. Mas, um dia, quando, como de costume, fazia suas preces, um anjo apareceu-lhe, para enchê-la de alegria: Joaquim, muito breve, tornaria, e ambos, novamente juntos, haveriam de ter o que tanto desejavam – um filho. Joaquim na montanha, também recebeu aquele enviado de Deus, que lhe prometeu a mesma alegria e lhe ordenou que descesse e voltasse para a esposa. Quando o Santo se aproximava, tornou o anjo a visitar Ana, dizendo-lhe que o marido se avizinhava e, pois, fosse-lhe aoencontro, na Porta Dourada. Ana, deslumbrada, toda numa alegria sem par, deixou a casa correndo e se precipitou nos braços do esposo. Assim, exultando, voltaram para o lar, a bendizer a Deus incessantemente. Nove meses mais tarde, nasceu-lhes uma filha – a qual deram o nome de Maria. Nasceu-lhes aquela Maria sublime, pela qual “grande coisas dez Aquele que é poderoso”, aquela Maria sublime que “resplandeceu de tal abundância de dons celestes, de tal plenitude de graça e de tal inocência, que se tornou como que o milagre de Deus por excelência, ante a culminância de todos os seus milagres, e digna Mãe de Deus – de modo que, colocada tanto quanto é possível a uma criatura, como a mais próxima de Deus, ela se tornou superior a todos os louvores dos homens e dos Anjos”, a Maria sublime que, com o auxílio divino, quebrou, inutilizou a violência e o poder da serpente. Nasceu-lhes o Lírio entre os espinhos, a Terra absolutamente intacta, virginal, ilibada, imaculada, sempre abençoada e livre de todo contágio de pecado – “da qual foi formado o novo Adão”. Nasceu-lhes o Jardim “ordenadíssimo, esplêndido, ameníssimo, de inocência e de imortalidade, delicioso, plantado por Deus mesmo e defendido de todas as insídias da serpente venenosa”. Nasceu-lhes o Lenho imarcescível “que o verme do pecado jamais corroeu”. Nasceu-lhes a Fonte sempre límpida, o Templo diviníssimo, o Escrínio da imortalidade. Nasceu-lhes a Co-redentora dos homens, a Medianeira poderosíssima, o Caminho mais seguro e mais fácil para Jesus, a que sofre por nossa causa, a Mulher vestida do sol, que tinha a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça, de São João, a qual, estando grávida, clamava com dores de parto e sofria tormentos para dar à luz (Apoc. 12, 1-2) Que parto? “Por certo o nosso, pois que, retidos neste degredo, carecemos de nascer para o perfeito amor de Deus e felicidade eterna. As dores do parto que nos estão a demonstrar o amor ardente com que Maria zela e trabalha, lá no céu, por suas preces incessantes para levar o número dos eleitos à sua plenitude. (Pio X) **** Quando a menina completou dois anos, Joaquim disse a Ana: – Conduzamo-la ao Templo do Senhor, a fim de cumprir o voto que formulamos. Ana respondeu: – Esperemos até o terceiro ano, porque talvez a menina venha a procurar o pai e a mãe. Joaquim concordou, dizendo: – Esperemos. Quando Maria entrou nos três anos de vida, foi desmamada, e Joaquim disse? – Chamai as jovens virgens santas de Israel. Que casa qual tome uma lâmpada e a tenha acessa, para que a menina não volte atrás e seu coração não se apegue às coisas de fora do Templo do Senhor. E assim foi feito. A glória maior de Santa Ana reside no fato de ter sido mãe da Imaculada. Foi esposa modelo, humilde, casta, submissa a deus em tudo, e ao marido. Devotadíssima à filha, colaborou com a obra do Espírito Santo, para fazer frutificar os dons maravilhosos daquela alma. Avó de Jesus! Eis uma nova, imensa glória porque de Santa Ana veio o ser humano de Maria, e de Maria todo o ser humano de Jesus. E não foi no seio de Santa Ana que se cumpriu o mistério da imaculada conceição, que se deu o prelúdio da Encarnação e da Redenção? Maria, por uma aplicação antecipada do sacrifício de Jesus, não foi a primeira alma resgatada, e, assim, a primeira vitória de seu Filho? Tudo se cumpriu no seio de Santa Ana. E “tudo o que podia ficar profanado, maculado na herança carnal dos reis de Judá, escreveu Osbert de Clare, beneditino inglês, foi inteiramente purificado na carne santa da gloriosa e bem-aventurada Ana. **** A iconografia da Santa Mãe de Deus seguiu fielmente os progressos da ciência teológica. Até o século XIII, os artistas representaram-na naquela cena comovente que se efetuou na Porta Dourada. A partir daquele século, com o avanço da crença na imaculada Conceição, novos temas surgiram. No fim da Idade-Média, tendo aprendido dos místicos que Jesus conhecera a avó aqui na terra, os artistas entraram a representá-lo entre ela e Maria. Assim apareceram as mais belas obras em que figura Santa Ana. (…) Curiosas esculturas que representam Santa Ana levando ao colo a Maria, que, por sua vez, traz consigo, nos braços, o divino Filho. A mais comum das representações, todavia, é a da Santa tendo a Filha pela mãe, mostrando-lhe o livro da Lei, sempre sóbria, de rosto grave, mas sereno, doce e benfazejo rosto das avós. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIII, p. 361 à 368) No dia 26 de Julho a Igreja comemora os avós de Jesus; pais de Nossa Senhora. Deus abençoou o matrimônio, e São Joaquim e Santa Ana, já anciãos, concebem uma filha: a Imaculada Virgem Maria Conheça mais sobre São Joaquim e Santa Ana Ana e Joaquim, esposos judeus exemplares, viveram uma época crucial da história da Igreja da salvação, no momento em que estava para ser cumprida a promessa de Deus a Abraão, e a humanidade estava prestes a receber a resposta esperada pelos justos do Antigo Testamento, que aguardavam a consolação de Israel. Ouvimos as palavras do Salmo 131, sobre a fidelidade de Deus à sua promessa: “O Senhor jurou a David: verdade da qual nunca se afastará “o fruto do teu ventre hei-de colocar sobre o teu trono!” […] Realmente, o Senhor escolheu Sião, desejou-a para sua morada: “Este será para sempre o lugar do meu repouso, aqui habitarei, porque o escolhi”” (vv. 11.13). Sem dúvida, Ana e Joaquim pertenciam ao grupo daqueles judeus piedosos que esperavam a consolação de Israel, e precisamente a eles foi dada uma tarefa especial na história da salvação: foram escolhidos por Deus, para gerar a Imaculada que, por sua vez, é chamada a gerar o Filho de Deus. Conhecemos os nomes dos pais da Bem-Aventurada Virgem através de um texto não canônico, o Protoevangelho de Tiago. Eles são citados na página que precede o anúncio do Anjo a Maria. Esta sua filha não podia deixar de irradiar aquela graça totalmente especial da sua pureza, a plenitude da graça que a preparava para o desígnio da maternidade divina. Podemos imaginar quanto receberam dela estes pais, ao mesmo tempo que cumpriam o seu dever de educadores. (…) Mãe e filha estavam unidas não apenas por laços familiares, mas também pela comum expectativa do cumprimento das promessas, pela recitação multiforme dos Salmos e pela evocação de uma vida entregue a Deus. Teremos nós os olhos e os ouvidos abertos para reconhecer um mistério tão excelso? Peçamos a Santa Ana e a São Joaquim não só para ver e ouvir a mensagem de Deus, mas inclusive para participar com amor pelas pessoas com as quais nos encontrarmos, no seu amor, em particular transmitindo luz e esperança a todas as nossas famílias. Confiemos de maneira especial a Santa Ana as mães, sobretudo as que são impedidas na defesa da vida nascente ou que encontram dificuldades para criar e educar os seus filhos. (…) Existe mais um aspecto, que gostaria de ressaltar: Santa Ana e São Joaquim podem ser tomados como modelo também pela sua santidade vivida em idade avançada. Em conformidade com uma antiga tradição, eles já eram idosos quando lhes foi confiada a tarefa de dar ao mundo, conservar e educar a Santa Mãe de Deus. Na Sagrada Escritura, a velhice é circundada de veneração (cf. 2 Mac 6, 23). O justo não pede para ser privado da velhice e do seu peso; ao contrário, ele reza assim: “Vós sois a minha esperança, a minha confiança, Senhor, desde a minha juventude… Agora, na velhice e na decrepitude, não me abandoneis, ó Deus, para que eu narre às gerações a força do vosso braço, o vosso poder a todos os que hão-de vir” (Sl 71 [70], 5-18). Com a sua própria presença, a pessoa idosa recorda a todos, e de maneira especial aos jovens, que a vida na terra é uma “curva”, com um início e com um fim: para experimentar a sua plenitude, ela exige a referência a valores não efémeros nem superficiais, mas sólidos e profundos. Infelizmente, um elevado número de jovens do nosso tempo estão orientados para uma concepção da vida em que os valores éticos se tornam cada vez mais superficiais, dominados como são por um hedonismo imperante. O que mais preocupa é o facto de que as famílias se desagregam na medida em que os esposos atingem a idade madura, quando teriam maior necessidade de amor, de assistência e de compreensão recíproca. Os idosos que receberam uma educação moral sadia deveriam demonstrar, mediante a sua vida e o próprio comportamento no trabalho, a beleza de uma sólida vida moral. Deveriam manifestar aos jovens a profunda força da fé, que nos foi transmitida pelos nossos mártires, e a beleza da fidelidade às leis divinas da moral conjugal. Há tempos, dirigiu-se-me um grupo de católicos japoneses, desejosos de constituir uma Pia Associação, inspirada em Joaquim e Ana, que reúne casais da chamada “terceira idade”, dedicadas precisamente à promoção dos ideais de vida que acabei de expor. Para terminar, desejo propor a todos vós aqui presentes, a oração que eles recitam diariamente: Ó São Joaquim e Santa Ana protegei as nossas famílias desde o início promissor até à idade madura repleta dos sofrimentos da vida e amparai-as na fidelidade às promessas solenes. Acompanhai os idosos que se aproximam do encontro com Deus. Suavizai a passagem suplicando para aquela hora a presença materna da vossa Filha ditosa a Virgem Maria e do seu Filho divino, Jesus! Amém. Homilia do Cardeal Tarcisio Bertone na Festa Litúrgica dos Santos Pais de Nossa Senhora – Paróquia de Santa Ana no Vaticano – 26 de Julho de 2007 #SantodoDia

  • Novena a São João Maria Vianney – de 26 de julho a 3 de agosto

    “Tudo sob os olhos de Deus, tudo com Deus, tudo para agradar a Deus”, dizia São João Maria Vianney, conhecido também como o Cura D’Ars devido ao nome do povoado da França onde serviu por muitos anos. “Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares.” Ef 6, 12 Nesta luta incessante, os sacerdotes são a linha de frete para impedir o avanço do mal no mundo. Por este motivo é imprescindível que dediquemos a intenção de nossas orações por eles, para que façam sempre a vontade de Deus. O Cura d’Ars era humilíssimo, mas consciente de ser, enquanto padre, um dom imenso para o seu povo: “Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina”. Com sua fervorosa vida de oração e seu apaixonado amor a Jesus Crucificado, São João Maria Vianney alimentou a sua cotidiana doação sem reservas a Deus e à Igreja.Foi um grande confessor, tinha o dom da profecia, recebia ataques físicos do demônio e viveu entregue à mortificação e à oração. Próximos de sua festa litúrgica, celebrada em 4 de agosto, apresentamos a novena em honra ao padroeiro dos párocos, para que possamos rezar pelos sacerdotes do Brasil e do Mundo para que sejam fiéis a sua vocação! Escolha o dia da novena: 1º dia 2º dia 3º dia 4º dia 5º dia 6º dia 7º dia 8º dia 9º dia Oração Final (para rezar todos os dias) Ó Santo Cura d’Ars, tenho confiança em vossa intercessão. Intercedei especialmente por mim durante esta novena. (pedir a graça desejada). Pai-Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai. São João Maria Vianney, rogai por nós! Leia também Conheça mais sobre a vida de São João Maria Vianney, o padroeiro dos Sacerdotes Primeiro dia: Fé ardente Ó São João Maria Vianney, vós nascestes de uma mãe profundamente cristã e dela recebestes, juntamente com a fé, o amor de Deus e da oração. Pequenino ainda, éreis surpreendido de joelhos diante da imagem de Nossa Senhora. Vossa alma era naturalmente atraída para as coisas do alto. No entanto, quanto vos custou quando tivestes que corresponder à vossa vocação! Quantos obstáculos e contradições da parte dos homens! E depois, quanto lutastes e sofrestes para chegardes a ser o Sacerdote perfeito que fostes! Mas, vosso espírito de fé tão profundo vos sustentou em todos vossos combates. Ó grande Santo, vós conheceis os desejos de minha alma: eu gostaria de melhor servir ao Deus do qual já recebi tantos favores. Para isso, obtende-me mais coragem e, sobretudo, mais espírito de fé. Muitos dos meus pensamentos, palavras e ações são inúteis para minha santificação e salvação, pois esse espírito sobrenatural ainda não anima minha vida. Fazei que isso mude de agora em diante. Oração Final Segundo dia: Esperança Ó São João Maria Vianney, que confiança tinham as multidões em vossas orações! Vós não podíeis sair de vossa casa paroquial ou de vossa pobre igreja sem estardes cercado de almas suplicantes que se dirigiam a vós, do mesmo modo como se dirigiriam ao próprio Jesus em Sua vida mortal. E vós, bom Santo, por vossas palavras cheias de eternidade, as excitáveis à esperança. Vós que sempre confiastes inteiramente no Coração de Deus, obtende-me uma confiança profunda e filial em Sua adorável Providência. Que a esperança nos bens celestes encha meu coração de coragem e me ajude a praticar sempre os divinos mandamentos. Oração Final Terceiro dia: Caridade Ó São João Maria Vianney, quão grande foi a caridade da qual fizestes prova a Deus e ao próximo. Não podíeis pregar sobre o amor de Deus sem derramar ardentes lágrimas e, em vossos últimos anos, parecia que não podíeis falar de outra coisa, nem viver para outra coisa. Quanto ao próximo, para o consolar, absolver e santificar, vós vos sacrificastes até o extremo limite de vossas forças. Herói da caridade, inspirai-me um maior amor de Deus, amor que se exprima mais por atos do que por palavras. Concedei-me amar a meu próximo generosa e cristãmente. Oração Final Quarto dia: Contrição dos pecados Ó São João Maria Vianney, que fostes sempre duro contra o pecado, mas sempre acolhedor e compassivo para com o pecador, eu venho a vós como se ainda vivêsseis, como se pudésseis me atender ajoelhado aos vossos pés. Inclinado a mim, vós escutais a confidência arrependida das minhas fraquezas e misérias. Sacerdote do Senhor, confessor infatigável, se isso não é nada mais que um sonho do meu coração, obtende-me pelo menos o horror ao pecado. Vós queríeis que em primeiro lugar se evitassem as ocasiões perigosas. Tomarei, sob vosso conselho, a resolução de romper com todos os hábitos repreensíveis e más ocasiões. Ajudai-me hoje a examinar minha consciência. Oração Final Quinto dia: Hábito da confissão frequente Ó São João Maria Vianney, vós sabeis que importância tem, na vida do cristão, uma confissão bem feita. Foi para buscar os felizes frutos da confissão para milhões de almas, que consentistes em ficar durante dezesseis horas por dia como que prisioneiro, sem ar e sem luz, entre as rudes madeiras de um confessionário. Ah! Eu percebo que, se tomo o excelente hábito da confissão frequente, se me preparo bem, se tenho sempre um arrependimento suficiente de minhas faltas, não somente minha perseverança final, mas a santificação da minha alma está assegurada. Pedi por mim esta graça. Oração Final Sexto dia: Devoção à Santa Missa e à Comunhão Ó São João Maria Vianney, cujo grande e, frequentemente, único conforto nesse mundo miserável foi a presença real de Jesus no sacrário, vossa grande alegria não era a de distribuir a Comunhão aos peregrinos que vos visitavam? Vós afastáveis da Santa Mesa as almas que recusavam a corrigir-se, mas às almas de boa vontade, abríeis de par em par as portas do festim eucarístico. Ó grande Santo, que cada dia na Santa Missa, comungastes com o ardor de um Serafim, concedei-me um pouco do vosso fervor. Com a graça de ter a alma limpa de qualquer pecado mortal, obtende-me o desejo sincero de aproveitar da comunhão, desta visita divina que embalsamava vosso coração. Oração Final Sétimo dia: Vida de oração Ó São João Maria Vianney, tornaram-se célebres os ataques infernais que tivestes de suportar. Para fazer-vos sucumbir ante a fadiga, de modo a abandonardes vossa missão sublime de convertedor, o demônio veio perturbar durante longos anos o curto repouso de vossas noites. Mas, vós o vencestes pela mortificação e oração. Ó poderoso Protetor, vós sabeis que o tentador deseja-me o mal e que ele odeia minha alma batizada e crente. Ele quer fazer-me cair no pecado para que eu perca o gosto pela virtude e pelos sacramentos. Mas, bom Santo de Ars, vós afastareis de mim as armadilhas do inimigo. Oração Final Oitavo dia: Prática da santa pureza Ó São João Maria Vianney, uma testemunha de vossa vida, edificado pela modéstia e delicada pureza que se irradiavam de toda a vossa pessoa, fez de vós este magnífico elogio: “Parecia um anjo em carne mortal”. Com que atratividade e entusiasmo pregastes aos fiéis estas belas virtudes, cujo perfume, dizíeis, “assemelha-se ao de uma vinha em flor”. Eu vos peço, uni vossa intercessão à de Maria Imaculada e à de vossa cara e pequena Santa Filomena a fim de que eu guarde sempre, como Deus pede de mim, a pureza do meu coração. Vós que dirigistes tantas almas ao cume das virtudes, defendei-me contra as tentações e obtende-me a graça de sempre vencê-las. Oração Final Nono dia: Perseverança na graça de Deus Ó São João Maria Vianney, vossos preciosos restos mortais repousam hoje em um magnífico relicário, presente dos padres da França. E essa glória terrena nada mais é do que uma pálida imagem da glória inefável que gozais junto de Deus. Durante vossa vida aqui na terra, nas horas de fadiga costumáveis dizer: “Descansaremos na outra vida!” É a realidade: vós estais agora na paz eterna, na eterna felicidade. Ah! Como eu desejo seguir-vos um dia. Desde o céu vos ouço dizer-me: “É necessário trabalhar e lutar enquanto se está neste mundo”. Ensinai-me, portanto, a trabalhar na salvação da minha alma, a dar o bom conselho e o bom exemplo, a fazer o bem em redor de mim, a fim de que tenha parte, como vós, na felicidade dos Eleitos. Oração Final Via ACI Digital Leia também Conheça 10 fatos da vida de São João Maria Vianney #Novena

  • Novena a São João Maria Vianney – de 26 de julho a 3 de agosto

    “Tudo sob os olhos de Deus, tudo com Deus, tudo para agradar a Deus”, dizia São João Maria Vianney, conhecido também como o Cura D’Ars devido ao nome do povoado da França onde serviu por muitos anos. “Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares.” Ef 6, 12 Nesta luta incessante, os sacerdotes são a linha de frete para impedir o avanço do mal no mundo. Por este motivo é imprescindível que dediquemos a intenção de nossas orações por eles, para que façam sempre a vontade de Deus. O Cura d’Ars era humilíssimo, mas consciente de ser, enquanto padre, um dom imenso para o seu povo: “Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina”. Com sua fervorosa vida de oração e seu apaixonado amor a Jesus Crucificado, São João Maria Vianney alimentou a sua cotidiana doação sem reservas a Deus e à Igreja.Foi um grande confessor, tinha o dom da profecia, recebia ataques físicos do demônio e viveu entregue à mortificação e à oração. Próximos de sua festa litúrgica, celebrada em 4 de agosto, apresentamos a novena em honra ao padroeiro dos párocos, para que possamos rezar pelos sacerdotes do Brasil e do Mundo para que sejam fiéis a sua vocação! Escolha o dia da novena: 1º dia 2º dia 3º dia 4º dia 5º dia 6º dia 7º dia 8º dia 9º dia Oração Final (para rezar todos os dias) Ó Santo Cura d’Ars, tenho confiança em vossa intercessão. Intercedei especialmente por mim durante esta novena. (pedir a graça desejada). Pai-Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai. São João Maria Vianney, rogai por nós! Leia também Conheça mais sobre a vida de São João Maria Vianney, o padroeiro dos Sacerdotes Primeiro dia: Fé ardente Ó São João Maria Vianney, vós nascestes de uma mãe profundamente cristã e dela recebestes, juntamente com a fé, o amor de Deus e da oração. Pequenino ainda, éreis surpreendido de joelhos diante da imagem de Nossa Senhora. Vossa alma era naturalmente atraída para as coisas do alto. No entanto, quanto vos custou quando tivestes que corresponder à vossa vocação! Quantos obstáculos e contradições da parte dos homens! E depois, quanto lutastes e sofrestes para chegardes a ser o Sacerdote perfeito que fostes! Mas, vosso espírito de fé tão profundo vos sustentou em todos vossos combates. Ó grande Santo, vós conheceis os desejos de minha alma: eu gostaria de melhor servir ao Deus do qual já recebi tantos favores. Para isso, obtende-me mais coragem e, sobretudo, mais espírito de fé. Muitos dos meus pensamentos, palavras e ações são inúteis para minha santificação e salvação, pois esse espírito sobrenatural ainda não anima minha vida. Fazei que isso mude de agora em diante. Oração Final Segundo dia: Esperança Ó São João Maria Vianney, que confiança tinham as multidões em vossas orações! Vós não podíeis sair de vossa casa paroquial ou de vossa pobre igreja sem estardes cercado de almas suplicantes que se dirigiam a vós, do mesmo modo como se dirigiriam ao próprio Jesus em Sua vida mortal. E vós, bom Santo, por vossas palavras cheias de eternidade, as excitáveis à esperança. Vós que sempre confiastes inteiramente no Coração de Deus, obtende-me uma confiança profunda e filial em Sua adorável Providência. Que a esperança nos bens celestes encha meu coração de coragem e me ajude a praticar sempre os divinos mandamentos. Oração Final Terceiro dia: Caridade Ó São João Maria Vianney, quão grande foi a caridade da qual fizestes prova a Deus e ao próximo. Não podíeis pregar sobre o amor de Deus sem derramar ardentes lágrimas e, em vossos últimos anos, parecia que não podíeis falar de outra coisa, nem viver para outra coisa. Quanto ao próximo, para o consolar, absolver e santificar, vós vos sacrificastes até o extremo limite de vossas forças. Herói da caridade, inspirai-me um maior amor de Deus, amor que se exprima mais por atos do que por palavras. Concedei-me amar a meu próximo generosa e cristãmente. Oração Final Quarto dia: Contrição dos pecados Ó São João Maria Vianney, que fostes sempre duro contra o pecado, mas sempre acolhedor e compassivo para com o pecador, eu venho a vós como se ainda vivêsseis, como se pudésseis me atender ajoelhado aos vossos pés. Inclinado a mim, vós escutais a confidência arrependida das minhas fraquezas e misérias. Sacerdote do Senhor, confessor infatigável, se isso não é nada mais que um sonho do meu coração, obtende-me pelo menos o horror ao pecado. Vós queríeis que em primeiro lugar se evitassem as ocasiões perigosas. Tomarei, sob vosso conselho, a resolução de romper com todos os hábitos repreensíveis e más ocasiões. Ajudai-me hoje a examinar minha consciência. Oração Final Quinto dia: Hábito da confissão frequente Ó São João Maria Vianney, vós sabeis que importância tem, na vida do cristão, uma confissão bem feita. Foi para buscar os felizes frutos da confissão para milhões de almas, que consentistes em ficar durante dezesseis horas por dia como que prisioneiro, sem ar e sem luz, entre as rudes madeiras de um confessionário. Ah! Eu percebo que, se tomo o excelente hábito da confissão frequente, se me preparo bem, se tenho sempre um arrependimento suficiente de minhas faltas, não somente minha perseverança final, mas a santificação da minha alma está assegurada. Pedi por mim esta graça. Oração Final Sexto dia: Devoção à Santa Missa e à Comunhão Ó São João Maria Vianney, cujo grande e, frequentemente, único conforto nesse mundo miserável foi a presença real de Jesus no sacrário, vossa grande alegria não era a de distribuir a Comunhão aos peregrinos que vos visitavam? Vós afastáveis da Santa Mesa as almas que recusavam a corrigir-se, mas às almas de boa vontade, abríeis de par em par as portas do festim eucarístico. Ó grande Santo, que cada dia na Santa Missa, comungastes com o ardor de um Serafim, concedei-me um pouco do vosso fervor. Com a graça de ter a alma limpa de qualquer pecado mortal, obtende-me o desejo sincero de aproveitar da comunhão, desta visita divina que embalsamava vosso coração. Oração Final Sétimo dia: Vida de oração Ó São João Maria Vianney, tornaram-se célebres os ataques infernais que tivestes de suportar. Para fazer-vos sucumbir ante a fadiga, de modo a abandonardes vossa missão sublime de convertedor, o demônio veio perturbar durante longos anos o curto repouso de vossas noites. Mas, vós o vencestes pela mortificação e oração. Ó poderoso Protetor, vós sabeis que o tentador deseja-me o mal e que ele odeia minha alma batizada e crente. Ele quer fazer-me cair no pecado para que eu perca o gosto pela virtude e pelos sacramentos. Mas, bom Santo de Ars, vós afastareis de mim as armadilhas do inimigo. Oração Final Oitavo dia: Prática da santa pureza Ó São João Maria Vianney, uma testemunha de vossa vida, edificado pela modéstia e delicada pureza que se irradiavam de toda a vossa pessoa, fez de vós este magnífico elogio: “Parecia um anjo em carne mortal”. Com que atratividade e entusiasmo pregastes aos fiéis estas belas virtudes, cujo perfume, dizíeis, “assemelha-se ao de uma vinha em flor”. Eu vos peço, uni vossa intercessão à de Maria Imaculada e à de vossa cara e pequena Santa Filomena a fim de que eu guarde sempre, como Deus pede de mim, a pureza do meu coração. Vós que dirigistes tantas almas ao cume das virtudes, defendei-me contra as tentações e obtende-me a graça de sempre vencê-las. Oração Final Nono dia: Perseverança na graça de Deus Ó São João Maria Vianney, vossos preciosos restos mortais repousam hoje em um magnífico relicário, presente dos padres da França. E essa glória terrena nada mais é do que uma pálida imagem da glória inefável que gozais junto de Deus. Durante vossa vida aqui na terra, nas horas de fadiga costumáveis dizer: “Descansaremos na outra vida!” É a realidade: vós estais agora na paz eterna, na eterna felicidade. Ah! Como eu desejo seguir-vos um dia. Desde o céu vos ouço dizer-me: “É necessário trabalhar e lutar enquanto se está neste mundo”. Ensinai-me, portanto, a trabalhar na salvação da minha alma, a dar o bom conselho e o bom exemplo, a fazer o bem em redor de mim, a fim de que tenha parte, como vós, na felicidade dos Eleitos. Oração Final Via ACI Digital Leia também Conheça 10 fatos da vida de São João Maria Vianney #Novena

  • Lumine lança documentário sobre morte dos adolescentes Karoline e Luan

    Em junho, uma tragédia comoveu o país: o assassinato inesperado do casal de adolescentes Luan e Karoline. “A Vida É Um Instante” é o novo original da Lumine que aborda um lado negligenciado dessa história através de entrevistas exclusivas com a família do casal. O documentário ilumina uma questão essencial e frequentemente ignorada por todos: como devemos encarar a vida e nos preparar para momentos inevitáveis? Mais que o relato de uma tragédia, esse é um documentário sobre a esperança e o olhar corajoso que devemos ter diante das situações e desafios que a vida impõe. Assista: Leia também Glória Polo: “Fui julgada e condenada, mas Deus me deu uma segunda chance!”

  • Lumine lança documentário sobre morte dos adolescentes Karoline e Luan

    Em junho, uma tragédia comoveu o país: o assassinato inesperado do casal de adolescentes Luan e Karoline. “A Vida É Um Instante” é o novo original da Lumine que aborda um lado negligenciado dessa história através de entrevistas exclusivas com a família do casal. O documentário ilumina uma questão essencial e frequentemente ignorada por todos: como devemos encarar a vida e nos preparar para momentos inevitáveis? Mais que o relato de uma tragédia, esse é um documentário sobre a esperança e o olhar corajoso que devemos ter diante das situações e desafios que a vida impõe. Assista: Leia também Glória Polo: “Fui julgada e condenada, mas Deus me deu uma segunda chance!”

  • Leiga da Toca de Assis morre pouco depois de se confessar

    Simone, uma devota leiga de 38 anos da Fraternidade Filhos da Pobreza do Santíssimo Sacramento, conhecida como Toca de Assis, partiu para a casa do Pai pouco depois de receber os sacramentos no Festival de Halleluya, em Fortaleza (CE). “Ela já estava pronta, por isso Ele a levou”, disse Radamés Guarienti sobre a morte da amiga Simone Perdigão Franklin, no sábado (22). Simone morreu depois de se confessar no dia de santa Madalena, sua santa de devoção, no Festival Halleluya, maior festival de música católica da América Latina promovido pela Comunidade Católica Shalom, no Condomínio Espiritual Uirapuru (CEU), em Fortaleza (CE). Simone Perdigão Franklin, tinha 38 anos, morava em São Paulo e era leiga de aliança da Fraternidade Filhos da Pobreza do Santíssimo Sacramento, mais conhecida como Toca de Assis, fraternidade fundada em 1994, em Campinas (SP), pelo padre Roberto Lettier. Guarienti, que é seminarista em Barra do Garças (MT), contou em vídeo em seu Instagram, que Simone estava no retiro de leigos, em Juazeiro (CE), e ele em um retiro de seminaristas, em Fortaleza, quando decidiram ir juntos ao Halleluya. Logo que chegou no evento Simone “já quis imediatamente confessar”, disse o seminarista. Depois da missa, Simone disse “que agora ela podia ir, que ela estava pronta”, disse Guarienti. Leia também Lumine lança documentário sobre morte dos adolescentes Karoline e Luan Eles assistiram a alguns shows. Guarienti foi acolitar no momento de adoração do evento e ela ficou em um show com os irmãos da Toca de Assis. Logo depois mandou uma mensagem a ele “que tinha passado mal”. Ela foi atendida no pronto atendimento duas vezes. Recebeu a extrema unção, ou unção dos enfermos, e morreu na ambulância a caminho de uma Unidade de Pronto Atendimento de uma terceira parada cardíaca. “Então foi assim, a Simone não viu o seu sofrimento, foi rápido e ao mesmo tempo a gente fica muito consolado pelos sacramentos que ela recebeu, pela providência, pelo Halleluya, que foi salvação para ela. Se não fosse para me encontrar no evento, ela não viria, então a gente não sabe onde ela estaria, ela estava morando em São Paulo, talvez estivesse sozinha em casa. Então, o Halleluya foi salvação pra Simone”, disse Guarenti. Leia também Lumine lança documentário sobre morte dos adolescentes Karoline e Luan Clique aqui para assistir:

  • Leiga da Toca de Assis morre pouco depois de se confessar

    Simone, uma devota leiga de 38 anos da Fraternidade Filhos da Pobreza do Santíssimo Sacramento, conhecida como Toca de Assis, partiu para a casa do Pai pouco depois de receber os sacramentos no Festival de Halleluya, em Fortaleza (CE). “Ela já estava pronta, por isso Ele a levou”, disse Radamés Guarienti sobre a morte da amiga Simone Perdigão Franklin, no sábado (22). Simone morreu depois de se confessar no dia de santa Madalena, sua santa de devoção, no Festival Halleluya, maior festival de música católica da América Latina promovido pela Comunidade Católica Shalom, no Condomínio Espiritual Uirapuru (CEU), em Fortaleza (CE). Simone Perdigão Franklin, tinha 38 anos, morava em São Paulo e era leiga de aliança da Fraternidade Filhos da Pobreza do Santíssimo Sacramento, mais conhecida como Toca de Assis, fraternidade fundada em 1994, em Campinas (SP), pelo padre Roberto Lettier. Guarienti, que é seminarista em Barra do Garças (MT), contou em vídeo em seu Instagram, que Simone estava no retiro de leigos, em Juazeiro (CE), e ele em um retiro de seminaristas, em Fortaleza, quando decidiram ir juntos ao Halleluya. Logo que chegou no evento Simone “já quis imediatamente confessar”, disse o seminarista. Depois da missa, Simone disse “que agora ela podia ir, que ela estava pronta”, disse Guarienti. Leia também Lumine lança documentário sobre morte dos adolescentes Karoline e Luan Eles assistiram a alguns shows. Guarienti foi acolitar no momento de adoração do evento e ela ficou em um show com os irmãos da Toca de Assis. Logo depois mandou uma mensagem a ele “que tinha passado mal”. Ela foi atendida no pronto atendimento duas vezes. Recebeu a extrema unção, ou unção dos enfermos, e morreu na ambulância a caminho de uma Unidade de Pronto Atendimento de uma terceira parada cardíaca. “Então foi assim, a Simone não viu o seu sofrimento, foi rápido e ao mesmo tempo a gente fica muito consolado pelos sacramentos que ela recebeu, pela providência, pelo Halleluya, que foi salvação para ela. Se não fosse para me encontrar no evento, ela não viria, então a gente não sabe onde ela estaria, ela estava morando em São Paulo, talvez estivesse sozinha em casa. Então, o Halleluya foi salvação pra Simone”, disse Guarenti. Leia também Lumine lança documentário sobre morte dos adolescentes Karoline e Luan Clique aqui para assistir:

  • São Tiago Maior, apóstolo e padroeiro da Espanha – 25 de julho

    Tiago nasceu doze anos antes de Cristo, viveu mais anos do que ele e passou para a eternidade junto a seu Mestre. Tiago, o Maior, nasceu na Galiléia e era filho de Zebedeu e Salomé, segundo as Sagradas Escrituras. Era, portanto, irmão de João Evangelista, os “Filhos do Trovão”, como os chamara Jesus. É sempre citado como um dos três primeiros apóstolos, além de figurar entre os prediletos de Jesus, juntamente com Pedro e André. É chamado de “maior” por causa do apóstolo homônimo, Tiago, filho de Alfeu, conhecido como “menor”. Nas várias passagens bíblicas, podemos perceber que Jesus possuía apóstolos escolhidos para testemunharem acontecimentos especiais na vida do Redentor. Um era Tiago, o Maior, que constatamos ao seu lado na cura da sogra de Pedro, na ressurreição da filha de Jairo, na transfiguração do Senhor e na sua agonia no horto das Oliveiras. Consta que, depois da ressurreição de Cristo, Tiago rumou para a Espanha, percorrendo-a de norte a sul, fazendo sua evangelização, sendo por isso declarado seu padroeiro. Mais tarde, voltou a Jerusalém, onde converteu centenas de pessoas, até mesmo dois mágicos que causavam confusão entre o povo com suas artes diabólicas. Até que um dia lhe prepararam uma cilada, fazendo explodir um motim como se fosse ele o culpado. Assim, foi preso e acusado de causar sublevação entre o povo. A pena para esse crime era a morte. O juiz foi o cruel rei Herodes Antipas, um terrível e incansável perseguidor dos cristãos. Ele lhe impôs logo a pena máxima, ordenando que fosse flagelado e depois decapitado. A sentença foi executada durante as festas pascais no ano 42. Assim, Tiago, o Maior, tornou-se o primeiro dos apóstolos a derramar seu sangue pela fé em Jesus Cristo. No século VIII, quando a Palestina caiu em poder dos muçulmanos, um grupo de espanhóis trouxe o esquife onde repousavam os restos de são Tiago, o Maior, à cidade espanhola de Iria. Segundo uma antiga tradição da cidade, no século IX o bispo de lá teria visto uma grande estrela iluminando um campo, onde foi encontrado o túmulo contendo o esquife do apóstolo padroeiro. E a Espanha, que nesta ocasião lutava contra a invasão dos bárbaros muçulmanos, conseguiu vencê-los e expulsá-los com a sua ajuda invisível. Mais tarde, naquele local, o rei Afonso II mandou construir uma igreja e um mosteiro, dedicados a são Tiago, o Maior, com isso a cidade de Iria passou a chamar-se Santiago de Compostela, ou seja, do campo da estrela. Desde aquele tempo até hoje, o santuário de Santiago de Compostela é um dos mais procurados pelos peregrinos do mundo inteiro, que fazem o trajeto a pé. Essa rota, conhecida como “caminho de Santiago de Compostela”, foi feita também pelo papa João Paulo II em 1989. Acompanhado por milhares de jovens do mundo inteiro, foi venerar as relíquias do apóstolo são Tiago, o Maior, depositadas na magnífica catedral das seis naves, concluída em 1122. Texto: Paulinas Internet #SantodoDia

  • São Tiago Maior, apóstolo e padroeiro da Espanha – 25 de julho

    Tiago nasceu doze anos antes de Cristo, viveu mais anos do que ele e passou para a eternidade junto a seu Mestre. Tiago, o Maior, nasceu na Galiléia e era filho de Zebedeu e Salomé, segundo as Sagradas Escrituras. Era, portanto, irmão de João Evangelista, os “Filhos do Trovão”, como os chamara Jesus. É sempre citado como um dos três primeiros apóstolos, além de figurar entre os prediletos de Jesus, juntamente com Pedro e André. É chamado de “maior” por causa do apóstolo homônimo, Tiago, filho de Alfeu, conhecido como “menor”. Nas várias passagens bíblicas, podemos perceber que Jesus possuía apóstolos escolhidos para testemunharem acontecimentos especiais na vida do Redentor. Um era Tiago, o Maior, que constatamos ao seu lado na cura da sogra de Pedro, na ressurreição da filha de Jairo, na transfiguração do Senhor e na sua agonia no horto das Oliveiras. Consta que, depois da ressurreição de Cristo, Tiago rumou para a Espanha, percorrendo-a de norte a sul, fazendo sua evangelização, sendo por isso declarado seu padroeiro. Mais tarde, voltou a Jerusalém, onde converteu centenas de pessoas, até mesmo dois mágicos que causavam confusão entre o povo com suas artes diabólicas. Até que um dia lhe prepararam uma cilada, fazendo explodir um motim como se fosse ele o culpado. Assim, foi preso e acusado de causar sublevação entre o povo. A pena para esse crime era a morte. O juiz foi o cruel rei Herodes Antipas, um terrível e incansável perseguidor dos cristãos. Ele lhe impôs logo a pena máxima, ordenando que fosse flagelado e depois decapitado. A sentença foi executada durante as festas pascais no ano 42. Assim, Tiago, o Maior, tornou-se o primeiro dos apóstolos a derramar seu sangue pela fé em Jesus Cristo. No século VIII, quando a Palestina caiu em poder dos muçulmanos, um grupo de espanhóis trouxe o esquife onde repousavam os restos de são Tiago, o Maior, à cidade espanhola de Iria. Segundo uma antiga tradição da cidade, no século IX o bispo de lá teria visto uma grande estrela iluminando um campo, onde foi encontrado o túmulo contendo o esquife do apóstolo padroeiro. E a Espanha, que nesta ocasião lutava contra a invasão dos bárbaros muçulmanos, conseguiu vencê-los e expulsá-los com a sua ajuda invisível. Mais tarde, naquele local, o rei Afonso II mandou construir uma igreja e um mosteiro, dedicados a são Tiago, o Maior, com isso a cidade de Iria passou a chamar-se Santiago de Compostela, ou seja, do campo da estrela. Desde aquele tempo até hoje, o santuário de Santiago de Compostela é um dos mais procurados pelos peregrinos do mundo inteiro, que fazem o trajeto a pé. Essa rota, conhecida como “caminho de Santiago de Compostela”, foi feita também pelo papa João Paulo II em 1989. Acompanhado por milhares de jovens do mundo inteiro, foi venerar as relíquias do apóstolo são Tiago, o Maior, depositadas na magnífica catedral das seis naves, concluída em 1122. Texto: Paulinas Internet #SantodoDia

  • São Cristóvão, mártir e padroeiro dos motoristas – 25 de julho

    SANTO DO DIA – 25 DE JULHO – SÃO CRISTÓVÃO Mártir (+250) A devoção a são Cristóvão é uma das mais antigas e populares da Igreja, tanto do Oriente como do Ocidente. São centenas de igrejas dedicadas a ele em todos os países do mundo. Também não faltam irmandades, patronatos, conventos e instituições que tomaram o seu nome, para homenageá-lo. Ele consta da relação dos ’14 santos auxiliadores’ invocados para interceder pelo povo nos momentos de aflições e dificuldades. Assim, o vigor desta veneração percorreu os tempos com igual intensidade e alcançou os nossos dias da mesma maneira. Entretanto são poucos os dados precisos sobre sua vida. Só se tem conhecimento comprovado de que Cristóvão era um homem alto e musculoso, extremamente forte. Alguns escritos antigos o descrevem como portador de ‘uma força hercúlea’. Pregou na Lícia e foi martirizado, a mando do imperador Décio, no ano 250. Depois disso, as informações fazem parte da tradição oral cristã, propagada pela fé dos devotos ao longo dos tempos, e que a Igreja respeita. Ela nos conta que seu nome era Réprobo e que nasceu na Palestina. Como um verdadeiro gigante Golias, não havia quem lhe fizesse frente em termos de força física. Assim, só podia ter a profissão que tinha: guerreiro. Aliás, era um guerreiro indomável e invencível. A sua simples presença era garantia de vitória para o exército do qual participasse. Conta-se que, estando cansado de servir aos caprichos de um e outro rei, apenas porque fora contratado para lutar em seu favor, foi procurar o maior e mais poderoso de todos, para servir somente a este. Então, ele se decidiu colocar a serviço de satanás, pois não havia quem não se curvasse de medo ao ouvir seu nome. Mas também se decepcionou. Notou que toda vez que seu chefe tinha de passar diante da cruz, mudava de caminho, evitando o encontro com o símbolo de Jesus. Abandonou o anjo do mal e passou, então, a procurar o Senhor. Um eremita o orientou a praticar a caridade para servir ao Todo Poderoso como desejava, então ele abandonou as armas imediatamente. Integrou-se a uma instituição de caridade e passou a ajudar os viajantes. De dia ou de noite, ficava às margens de um rio onde não havia pontes e onde várias pessoas se afogaram por causa da profundidade, transportando os viajantes de uma margem à outra. Certo dia, fez o mesmo com um menino. Mas conforme atravessava o rio, a criança ia ficando mais pesada e só com muito custo e sofrimento ele conseguiu depositar com segurança o menino na outra margem. Então perguntou: ‘Como pode ser isso? Parece que carreguei o mundo nas costas’. O menino respondeu: ‘Não carregou o mundo, mas sim seu Criador’. Assim Jesus se revelou a ele e o convidou a ser seu apóstolo. O gigante mudou seu nome para Cristóvão, que significa algo próximo de ‘carregador de Cristo’, e passou a peregrinar levando a palavra de Cristo. Foi à Síria, onde sua figura espetacular e nada normal chamava a atenção e atraía quem o ouvisse. Ele, então, falava do cristianismo e convertia mais e mais pessoas. Por esse seu apostolado foi denunciado ao imperador Décio, que o mandou prender. Mas não foi nada fácil, não por causa de sua força física, mas pelo poder de sua pregação. Os primeiros quarenta soldados que tentaram prendê-lo converteram-se e por isso foram todos martirizados. Depois, quando já estava no cárcere, mandaram duas mulheres, Nicete e Aquilina, à sua cela para testar suas virtudes. Elas também abandonaram o pecado e batizaram-se, sendo igualmente mortas. Foi quando o tirano, muito irado, mandou que ele fosse submetido a suplícios e, em seguida, o matassem. Cristóvão foi, então, flagelado, golpeado com flechas, jogado no fogo e por fim decapitado. São Cristóvão é popularmente conhecido como o protetor dos viajantes, assim como dos motoristas e dos condutores. Conheça um pouco mais sobre São Cristóvão São Cristóvão, que teve a sublime ventura de transportar Jesus às costas, o bom gigante inabalavelmente daria a vida, sem se importar com a crueldade dos algozes. São Cristóvão é o padroeiro dos motoristas e, por extensão, dos viajantes. Segundo a lenda grega, São Cristóvão era um bárbaro antropófago, da tribo dos cinocéfalos – homens com cabeça de cão – que se converteu, foi engajado nos exércitos imperiais e se recusou a apostatar, morrendo sob inomináveis torturas. A lenda ocidental, apresenta-o diferentemente: um gigante com mania de grandezas. Servindo um rei poderoso, que, supunha, fosse o maior da terra, deixou-o, quando soube que Satanás era maior e mais poderoso. Ouvindo qualquer coisa a respeito de Jesus, muitíssimo superior a Satanás, Cristóvão procurou informar-se. Buscou elucidações com um ermitão, e ficou sabendo que NossoSenhor era absolutamente o reverso do demônio, apreciando os homens pela bondade para com o próximo, não pela grandeza. Tendo-se fixado à beira de um rio caudaloso, para fazer bem aos semelhantes, propôs-se atravessar de uma margem a outra aqueles que disso necessitavam, valendo-se da força imensa de que era dotado. Uma noite, um belo menino solicitou os préstimos do gigante. Cristóvão tomou-o nos ombros e iniciou a travessia da corrente. À medida que avançava pelas águas, mais aquela tenra criaturinha lhe pesava assustadoramente. Que significava aquilo? Como pesava! Era de derrear! Dir-se-ia que levava aos ombros o peso do mundo! E o gigante, arfando e bufando, arrimado no bordão que arcava ao estranho peso, depois de lutar contra a fadiga, todo cansaço, conseguiu atingir a margem oposta, que levara um tempo infindo para ser alcançada. Limpando o suor do rosto afogueado, Cristóvão, de narinas dilatadas, sorvendo sofregamente o ar que lhe fugia dos pulmões, exclamou ao menino, já em terra firme: – O mundo não é mais pesado do que tu! E o menino, sorrindo-lhe muito docemente, retrucou: – Tu levaste sobre os ombros, mais do que o mundo todo – levaste o seu Criador! Eu sou o Jesus que tu serves! Mais tarde, por aquele Jesus que teve a sublime ventura de transportar às costas, o bom gigante inabalavelmente daria a vida, sem se importar com a crueldade dos algozes. São Cristóvão, logo, passou a ser invocado pelos condutores de veículos e pelos viajantes, E a fórmula Christophorum videas, postea tutus eas tornou-se comum através dos tempos. E aos que iam viajar, para que o fizessem com segurança e sem atrapalhações, aconselhava-se: – Olha São Cristóvão e vai tranqüilo! Diz o martirológio, numa síntese: Na Lícia, São Cristóvao, mártir, que, sob o imperador Décio, tendo sido ferido com varas de ferro e preservado da violência do fogo pelo poder de Jesus Cristo, foi, afinal, atravessado de flechas e recebeu o martírio, pela decapitação (III Século?) (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIII, p. 341 à 343)

  • São Cristóvão, mártir e padroeiro dos motoristas – 25 de julho

    SANTO DO DIA – 25 DE JULHO – SÃO CRISTÓVÃO Mártir (+250) A devoção a são Cristóvão é uma das mais antigas e populares da Igreja, tanto do Oriente como do Ocidente. São centenas de igrejas dedicadas a ele em todos os países do mundo. Também não faltam irmandades, patronatos, conventos e instituições que tomaram o seu nome, para homenageá-lo. Ele consta da relação dos ’14 santos auxiliadores’ invocados para interceder pelo povo nos momentos de aflições e dificuldades. Assim, o vigor desta veneração percorreu os tempos com igual intensidade e alcançou os nossos dias da mesma maneira. Entretanto são poucos os dados precisos sobre sua vida. Só se tem conhecimento comprovado de que Cristóvão era um homem alto e musculoso, extremamente forte. Alguns escritos antigos o descrevem como portador de ‘uma força hercúlea’. Pregou na Lícia e foi martirizado, a mando do imperador Décio, no ano 250. Depois disso, as informações fazem parte da tradição oral cristã, propagada pela fé dos devotos ao longo dos tempos, e que a Igreja respeita. Ela nos conta que seu nome era Réprobo e que nasceu na Palestina. Como um verdadeiro gigante Golias, não havia quem lhe fizesse frente em termos de força física. Assim, só podia ter a profissão que tinha: guerreiro. Aliás, era um guerreiro indomável e invencível. A sua simples presença era garantia de vitória para o exército do qual participasse. Conta-se que, estando cansado de servir aos caprichos de um e outro rei, apenas porque fora contratado para lutar em seu favor, foi procurar o maior e mais poderoso de todos, para servir somente a este. Então, ele se decidiu colocar a serviço de satanás, pois não havia quem não se curvasse de medo ao ouvir seu nome. Mas também se decepcionou. Notou que toda vez que seu chefe tinha de passar diante da cruz, mudava de caminho, evitando o encontro com o símbolo de Jesus. Abandonou o anjo do mal e passou, então, a procurar o Senhor. Um eremita o orientou a praticar a caridade para servir ao Todo Poderoso como desejava, então ele abandonou as armas imediatamente. Integrou-se a uma instituição de caridade e passou a ajudar os viajantes. De dia ou de noite, ficava às margens de um rio onde não havia pontes e onde várias pessoas se afogaram por causa da profundidade, transportando os viajantes de uma margem à outra. Certo dia, fez o mesmo com um menino. Mas conforme atravessava o rio, a criança ia ficando mais pesada e só com muito custo e sofrimento ele conseguiu depositar com segurança o menino na outra margem. Então perguntou: ‘Como pode ser isso? Parece que carreguei o mundo nas costas’. O menino respondeu: ‘Não carregou o mundo, mas sim seu Criador’. Assim Jesus se revelou a ele e o convidou a ser seu apóstolo. O gigante mudou seu nome para Cristóvão, que significa algo próximo de ‘carregador de Cristo’, e passou a peregrinar levando a palavra de Cristo. Foi à Síria, onde sua figura espetacular e nada normal chamava a atenção e atraía quem o ouvisse. Ele, então, falava do cristianismo e convertia mais e mais pessoas. Por esse seu apostolado foi denunciado ao imperador Décio, que o mandou prender. Mas não foi nada fácil, não por causa de sua força física, mas pelo poder de sua pregação. Os primeiros quarenta soldados que tentaram prendê-lo converteram-se e por isso foram todos martirizados. Depois, quando já estava no cárcere, mandaram duas mulheres, Nicete e Aquilina, à sua cela para testar suas virtudes. Elas também abandonaram o pecado e batizaram-se, sendo igualmente mortas. Foi quando o tirano, muito irado, mandou que ele fosse submetido a suplícios e, em seguida, o matassem. Cristóvão foi, então, flagelado, golpeado com flechas, jogado no fogo e por fim decapitado. São Cristóvão é popularmente conhecido como o protetor dos viajantes, assim como dos motoristas e dos condutores. Conheça um pouco mais sobre São Cristóvão São Cristóvão, que teve a sublime ventura de transportar Jesus às costas, o bom gigante inabalavelmente daria a vida, sem se importar com a crueldade dos algozes. São Cristóvão é o padroeiro dos motoristas e, por extensão, dos viajantes. Segundo a lenda grega, São Cristóvão era um bárbaro antropófago, da tribo dos cinocéfalos – homens com cabeça de cão – que se converteu, foi engajado nos exércitos imperiais e se recusou a apostatar, morrendo sob inomináveis torturas. A lenda ocidental, apresenta-o diferentemente: um gigante com mania de grandezas. Servindo um rei poderoso, que, supunha, fosse o maior da terra, deixou-o, quando soube que Satanás era maior e mais poderoso. Ouvindo qualquer coisa a respeito de Jesus, muitíssimo superior a Satanás, Cristóvão procurou informar-se. Buscou elucidações com um ermitão, e ficou sabendo que NossoSenhor era absolutamente o reverso do demônio, apreciando os homens pela bondade para com o próximo, não pela grandeza. Tendo-se fixado à beira de um rio caudaloso, para fazer bem aos semelhantes, propôs-se atravessar de uma margem a outra aqueles que disso necessitavam, valendo-se da força imensa de que era dotado. Uma noite, um belo menino solicitou os préstimos do gigante. Cristóvão tomou-o nos ombros e iniciou a travessia da corrente. À medida que avançava pelas águas, mais aquela tenra criaturinha lhe pesava assustadoramente. Que significava aquilo? Como pesava! Era de derrear! Dir-se-ia que levava aos ombros o peso do mundo! E o gigante, arfando e bufando, arrimado no bordão que arcava ao estranho peso, depois de lutar contra a fadiga, todo cansaço, conseguiu atingir a margem oposta, que levara um tempo infindo para ser alcançada. Limpando o suor do rosto afogueado, Cristóvão, de narinas dilatadas, sorvendo sofregamente o ar que lhe fugia dos pulmões, exclamou ao menino, já em terra firme: – O mundo não é mais pesado do que tu! E o menino, sorrindo-lhe muito docemente, retrucou: – Tu levaste sobre os ombros, mais do que o mundo todo – levaste o seu Criador! Eu sou o Jesus que tu serves! Mais tarde, por aquele Jesus que teve a sublime ventura de transportar às costas, o bom gigante inabalavelmente daria a vida, sem se importar com a crueldade dos algozes. São Cristóvão, logo, passou a ser invocado pelos condutores de veículos e pelos viajantes, E a fórmula Christophorum videas, postea tutus eas tornou-se comum através dos tempos. E aos que iam viajar, para que o fizessem com segurança e sem atrapalhações, aconselhava-se: – Olha São Cristóvão e vai tranqüilo! Diz o martirológio, numa síntese: Na Lícia, São Cristóvao, mártir, que, sob o imperador Décio, tendo sido ferido com varas de ferro e preservado da violência do fogo pelo poder de Jesus Cristo, foi, afinal, atravessado de flechas e recebeu o martírio, pela decapitação (III Século?) (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIII, p. 341 à 343)

  • São Charbel Makhlouf, símbolo de união entre Oriente e Ocidente – 24 de Julho

    SANTO DO DIA – 24 DE JULHO – SÃO CHARBEL MAKHLOUF No Líbano, cujos majestosos cedros e míticas montanhas foram tantas vezes louvados pela Sagrada Escritura, brilhou, em pleno século XIX, um dos maiores anacoretas da história da Igreja. Desde os primórdios do Cristianismo, reluziram no firmamento da Igreja homens e mulheres orantes que passavam a vida na contemplação e no silêncio, absortos somente em Deus. Despojados por completo das preocupações terrenas, tinham a alma fixada num único fim: vacare Deo – descansar em Deus, dar-se a Deus. Retrocedamos quase dois séculos e viajemos, em busca de uma dessas almas, a um país de escarpados montes cujas maravilhas foram inúmeras vezes proclamadas nos L ivros Sagrados: o Líbano. Foi ali onde, em 1828, na aldeia de Beqaa Kafra, nascera à sombra dos cedros centenários o pequeno Youssef Makhlouf. Antes de continiar a leitura, conheça mais sobre a vida extraordinária de São Charbel Makhluf: Deus começa a lhe falar ao coração Já nos tenros anos de sua infância, morreu seu pai, Antun Za’rur Makhlouf, submetido pelo exército otomano a um regime de trabalhos forçados. Sua mãe, Brígida, contraíra novas núpcias, deixando a casa e as pequenas propriedades de Antun para os filhos, que passaram a ser tutelados pelo tio paterno, Tannus. Inclinado à piedade e à devoção, coube ao pequeno Youssef, sendo embora o caçula de cinco irmãos, dar-lhes bom exemplo na piedade e no cumprimento dos deveres. Dotado de um espírito piedoso e altamente submisso, recitava diariamente as orações com a família, bem como desempenhava com grande esmero a tarefa de vigiar os animais no pasto. Suas virtudes logo se tornaram manifestas a todos os habitantes da aldeia. Gostava da solidão, era prudente e inteligente. Na igreja, mantinha-se recolhido, sem sequer olhar ao redor de si. De tal forma seu bom comportamento chamava a atenção, que os rapazes da região a ele se referiam como “o Santo”. A Providência foi preparando aos poucos a alma desse seu filho eleito até o ponto de que, vivendo ainda no mundo, dele se utilizava apenas para cumprir o que era a única aspiração de sua vida. “ Quando Deus quer se unir intimamente a um homem e lhe falar ao coração, Ele o conduz à solidão. Se se trata de um homem chamado à vida religiosa contemplativa, Deus, para realizar o seu desejo, começa por separá-lo do mundo”.1 Foi assim que, no ano de 1851, aos 23 anos de idade, Youssef deixou o lar materno e ingressou no Mosteiro de Nossa Senhora, em Maïfuq, onde adotou o nome de Charbel, em louvor ao mártir de Edessa, do segundo século. De Maifouk a São Maron de Annaya Porém, com esse desejo de isolar- se do mundo ardendo-lhe na alma, Maifouk certamente não era o ambiente mais propício para a realização de seu ideal. Embora ali levasse uma vida de oração e trabalho, como a santa Regra pedia, o contato com os camponeses vizinhos prejudicava-lhe muito o recolhimento. Certo dia em que os noviços se ocupavam de sua tarefa diária de tirar as folhas e cascas das amoreiras, para a criação do bicho-da-seda, uma mocinha que trabalhava ao lado, querendo pôr à prova o silêncio e a seriedade de Charbel, lançou-lhe ao rosto um casulo. Não obtendo resultado, lançou outro. O jovem noviço permaneceu impassível, mas naquela mesma noite saiu do mosteiro de Maifouk, sem dizer nada a ninguém, e foi recolher-se ao convento de São Maron de Annaya, situado a quatro horas de marcha. Ali reiniciou o noviciado, separado do mundo por uma severa clausura, observando a regra que o guiava nas vias da contemplação, do recolhimento, da oração e da obediência. Dois anos depois recebeu o hábito dos maronitas – túnica preta, capuz em forma de cone e cordão feito de pele de cabra – e pronunciou os votos de pobreza, castidade e obediência. Desde então, foi um monge submergido no anonimato e nos seus colóquios com Deus. Embora tudo fizesse para lançar sua pessoa ao olvido, sua santidade tornou-se notória para os outros religiosos. Por decisão do superior e do conselho da comunidade, foi admitido às ordens sacras e, após fazer os necessários estudos, recebeu a ordenação presbiteral em 1859. Charbel celebrava o Santo Sacrifício com a máxima dignidade e com uma fé tão viva, que, com frequência, durante a Consagração, as lágrimas corriam-lhe dos olhos escuros e profundos, os quais eram como duas janelas abertas para o Céu. E, na contemplação, ficava de tal modo absorto que não prestava atenção alguma a eventuais ruídos ou rumores. Modelo de obediência e pureza Desde o tempo de noviciado até seu último alento, destacou-se como monge exemplar na obediência e na observância da Regra. Ao ponto de que, quando o Superior ordenava a um monge fazer algo muito penoso, era frequente ouvir uma resposta do tipo: – Pensa o senhor, por acaso, que sou o padre Charbel? Certa ocasião, sendo ele ainda noviço, um sacerdote resolveu pôr à prova sua paciência. Na hora de transportar de um campo para outro os instrumentos agrícolas, começou a amontoar sobre seus ombros sacos de sementes, peças de arados, ferramentas e outros materiais… Quando terminou, via-se no meio da carga o rosto sorridente de Charbel que repetia a censura de Jesus aos doutores da Lei: “ Ai de vós, que carregais os homens com pesos que não podem levar…” (Lc 11, 46). Todos riram desse dito espirituoso e apressaram-se em livrá-lo do excesso de carga. Brilhou também de modo especial na luta para preservar a virtude da castidade, com atos de heroísmo extremos, sem jamais demonstrar aos outros as mortificações que fazia. A Regra da Ordem incita os monges a refrear com todo empenho os próprios sentidos. Entre outras atitudes de vigilância, exorta-os a evitar qualquer conversa com pessoas do sexo feminino, mesmo tratando- se de parentes. São Charbel foi mais longe: ele fez, e cumpriu, o propósito de jamais olhar para o rosto de uma mulher. O dom de fazer milagres Teve o dom de fazer milagres, e o exerceu com sua costumeira humildade. Certa vez, uma pobre mulher hemorroíssa, cuja enfermidade resistia a todos os tratamentos, encarregou um mensageiro de entregar ao padre Charbel determinada quantia e pedirlhe que este lhe enviasse uma correia benta. Há uma devoção mariana típica do Líbano: nas situações de emergência – calamidades públicas, epidemias, guerras, etc. -, os chefes de família levam à igreja um véu de seda ou algodão; esses véus são entrelaçados e ficam suspensos em volta da capela, até a Virgem fazer cessar a desgraça. O padre Charbel pegou, então, um desses véus, que estava na imagem de Nossa Senhora do Rosário, e o entregou ao mensageiro, dizendo: – Que a mulher se cinja com este véu, e ficará curada. Quanto à esmola, coloque-a sobre o altar, o padre provedor irá tirá-la. E a mulher ficou curada. Na ermida de São Pedro e São Paulo Visto que a solidão o atraía desde a infância, e que no mosteiro de Annaya vivia já praticamente como um anacoreta, foi ele transferido para a ermida de São Pedro e São Paulo, a pouca distância do mosteiro. Tinha então 47 anos, e ali permaneceu até o dia de sua morte, ocorrida 23 anos depois. Sua oração era apenas interrompida pelo cultivo da vinha e outros trabalhos na ermida. E a única refeição do dia, perto das três horas da tarde, acabava sendo um exercício de penitência, pela exiguidade e pobreza do alimento. Sua devoção a Maria era incomparável. Repetia continuamente Seu nome bendito, e cada vez que entrava ou saía de sua cela recitava, de joelhos, a saudação angélica diante de uma pequena imagem que ali ficava. Proverbial era também sua paz de alma. Num dia de tempestade, um raio derrubou parte da ala meridional da ermida, deitou por terra uma parede da vinha e queimou, na capela, as toalhas do altar, enquanto o santo monge ali se encontrava, em oração. Dois ermitães acorreram ao local, e o viram na mais apaziguante tranquilidade. – Padre Charbel, por que não se moveu para apagar o fogo? – Caro irmão, como poderia fazê- lo? Pois logo depois de atear-se, o fogo se extinguiu… De fato, como o incêndio fora rapidíssimo, ele julgara mais importante continuar sua oração, sem se perturbar. Nascimento para a vida eterna Quando celebrava a Missa no dia 16 de dezembro de 1898, no momento em que comungava o Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, um repentino ataque de apoplexia o deixou paralisado, sem poder concluir o Santo Sacrifício. Socorrido sem demora, foi levado para sua pobre cela, onde permaneceu oito dias entre a vida e a morte, com intervalos de lucidez durante os quais rezava curtas orações. Na vigília do Natal, enquanto a Igreja comemorava a vinda ao mundo do Menino Jesus, nasceu para a eternidade aquele santo monge maronita, o primeiro oriental a ser canonizado segundo a forma usada na Igreja Católica latina. Seus restos mortais foram sepultados em uma vala comum, junto aos dos demais monges falecidos, como pedia a santa Regra. E, desde aquele momento, o cemitério passou a ser iluminado à noite por uma suave e misteriosa luz. Este e outros prodígios, unidos à sua fama de santidade, levaram a transferilos para um novo túmulo, na parede da cripta da Igreja de São Maron. A vala onde São Charbel fora enterrado era tão úmida que, ao fazer a exumação, o corpo apareceu literalmente encharcado, mas milagrosamente íntegro e flexível, transpirando um líquido avermelhado de agradável odor. E quando o novo túmulo fora aberto, em 1950, 1952 e 1955, constatou-se que ainda continuava flexível e incorrupto. Sua modelar vida monástica e os numerosos milagres realizados pela sua intercessão levaram o Papa Paulo VI a beatificá-lo em 5 de dezembro de 1965, dias antes da clausura do Concílio Vaticano II, e a canonizálo em 10 de outubro de 1977. Exemplo também para nós O exemplo de São Charbel Makhlouf indica um caminho também nos dias de hoje, pois o silêncio e a oração constituem um valioso auxílio para solucionar as angústias e aflições do homem contemporâneo. Engana-se quem pensa que o recolhimento é privilégio exclusivo dos religiosos de clausura. Ele está ao alcance de todos nós, pois “ a fonte da verdadeira solidão e do silêncio não está nas condições ou na qualidade do trabalho, mas sim no contato íntimo com Deus […] O silêncio, assim entendido, pode encontrar-se na rua, no estrépito do trabalho da fábrica, nas atividades do campo, porque é levado dentro de nós”. 1 BRUNO, OCSO, Pe. M. Le silence monastique. 2.ed. Besançon: Imprimerie de L’est, 1954, p. 4. 2 ROYO MARÍN, Antonio, OP, La vida religiosa. 2.ed. Madrid: BAC, 1968, p. 437. (Revista Arautos do Evangelho, Julho/2009, n. 91, p. 34 à 36) Para o amor de Deus, nada é impossível. E, no entardecer da vida, seremos julgados segundo o amor. Os Evangelhos nos contam a história de Madalena. Uma pecadora que tanto admirou e amou Nosso Senhor Jesus Cristo que não só foi perdoada mas que dela disse o Senhor: “em toda parte será contado em sua memória o que ela fez”. (Mat. 26, Fotos: santiebeati.it (Revista Arautos do Evangelho, Julho/2009, n. 91, p. 34 à 36) #SantodoDia

  • São Charbel Makhlouf, símbolo de união entre Oriente e Ocidente – 24 de Julho

    SANTO DO DIA – 24 DE JULHO – SÃO CHARBEL MAKHLOUF No Líbano, cujos majestosos cedros e míticas montanhas foram tantas vezes louvados pela Sagrada Escritura, brilhou, em pleno século XIX, um dos maiores anacoretas da história da Igreja. Desde os primórdios do Cristianismo, reluziram no firmamento da Igreja homens e mulheres orantes que passavam a vida na contemplação e no silêncio, absortos somente em Deus. Despojados por completo das preocupações terrenas, tinham a alma fixada num único fim: vacare Deo – descansar em Deus, dar-se a Deus. Retrocedamos quase dois séculos e viajemos, em busca de uma dessas almas, a um país de escarpados montes cujas maravilhas foram inúmeras vezes proclamadas nos L ivros Sagrados: o Líbano. Foi ali onde, em 1828, na aldeia de Beqaa Kafra, nascera à sombra dos cedros centenários o pequeno Youssef Makhlouf. Antes de continiar a leitura, conheça mais sobre a vida extraordinária de São Charbel Makhluf: Deus começa a lhe falar ao coração Já nos tenros anos de sua infância, morreu seu pai, Antun Za’rur Makhlouf, submetido pelo exército otomano a um regime de trabalhos forçados. Sua mãe, Brígida, contraíra novas núpcias, deixando a casa e as pequenas propriedades de Antun para os filhos, que passaram a ser tutelados pelo tio paterno, Tannus. Inclinado à piedade e à devoção, coube ao pequeno Youssef, sendo embora o caçula de cinco irmãos, dar-lhes bom exemplo na piedade e no cumprimento dos deveres. Dotado de um espírito piedoso e altamente submisso, recitava diariamente as orações com a família, bem como desempenhava com grande esmero a tarefa de vigiar os animais no pasto. Suas virtudes logo se tornaram manifestas a todos os habitantes da aldeia. Gostava da solidão, era prudente e inteligente. Na igreja, mantinha-se recolhido, sem sequer olhar ao redor de si. De tal forma seu bom comportamento chamava a atenção, que os rapazes da região a ele se referiam como “o Santo”. A Providência foi preparando aos poucos a alma desse seu filho eleito até o ponto de que, vivendo ainda no mundo, dele se utilizava apenas para cumprir o que era a única aspiração de sua vida. “ Quando Deus quer se unir intimamente a um homem e lhe falar ao coração, Ele o conduz à solidão. Se se trata de um homem chamado à vida religiosa contemplativa, Deus, para realizar o seu desejo, começa por separá-lo do mundo”.1 Foi assim que, no ano de 1851, aos 23 anos de idade, Youssef deixou o lar materno e ingressou no Mosteiro de Nossa Senhora, em Maïfuq, onde adotou o nome de Charbel, em louvor ao mártir de Edessa, do segundo século. De Maifouk a São Maron de Annaya Porém, com esse desejo de isolar- se do mundo ardendo-lhe na alma, Maifouk certamente não era o ambiente mais propício para a realização de seu ideal. Embora ali levasse uma vida de oração e trabalho, como a santa Regra pedia, o contato com os camponeses vizinhos prejudicava-lhe muito o recolhimento. Certo dia em que os noviços se ocupavam de sua tarefa diária de tirar as folhas e cascas das amoreiras, para a criação do bicho-da-seda, uma mocinha que trabalhava ao lado, querendo pôr à prova o silêncio e a seriedade de Charbel, lançou-lhe ao rosto um casulo. Não obtendo resultado, lançou outro. O jovem noviço permaneceu impassível, mas naquela mesma noite saiu do mosteiro de Maifouk, sem dizer nada a ninguém, e foi recolher-se ao convento de São Maron de Annaya, situado a quatro horas de marcha. Ali reiniciou o noviciado, separado do mundo por uma severa clausura, observando a regra que o guiava nas vias da contemplação, do recolhimento, da oração e da obediência. Dois anos depois recebeu o hábito dos maronitas – túnica preta, capuz em forma de cone e cordão feito de pele de cabra – e pronunciou os votos de pobreza, castidade e obediência. Desde então, foi um monge submergido no anonimato e nos seus colóquios com Deus. Embora tudo fizesse para lançar sua pessoa ao olvido, sua santidade tornou-se notória para os outros religiosos. Por decisão do superior e do conselho da comunidade, foi admitido às ordens sacras e, após fazer os necessários estudos, recebeu a ordenação presbiteral em 1859. Charbel celebrava o Santo Sacrifício com a máxima dignidade e com uma fé tão viva, que, com frequência, durante a Consagração, as lágrimas corriam-lhe dos olhos escuros e profundos, os quais eram como duas janelas abertas para o Céu. E, na contemplação, ficava de tal modo absorto que não prestava atenção alguma a eventuais ruídos ou rumores. Modelo de obediência e pureza Desde o tempo de noviciado até seu último alento, destacou-se como monge exemplar na obediência e na observância da Regra. Ao ponto de que, quando o Superior ordenava a um monge fazer algo muito penoso, era frequente ouvir uma resposta do tipo: – Pensa o senhor, por acaso, que sou o padre Charbel? Certa ocasião, sendo ele ainda noviço, um sacerdote resolveu pôr à prova sua paciência. Na hora de transportar de um campo para outro os instrumentos agrícolas, começou a amontoar sobre seus ombros sacos de sementes, peças de arados, ferramentas e outros materiais… Quando terminou, via-se no meio da carga o rosto sorridente de Charbel que repetia a censura de Jesus aos doutores da Lei: “ Ai de vós, que carregais os homens com pesos que não podem levar…” (Lc 11, 46). Todos riram desse dito espirituoso e apressaram-se em livrá-lo do excesso de carga. Brilhou também de modo especial na luta para preservar a virtude da castidade, com atos de heroísmo extremos, sem jamais demonstrar aos outros as mortificações que fazia. A Regra da Ordem incita os monges a refrear com todo empenho os próprios sentidos. Entre outras atitudes de vigilância, exorta-os a evitar qualquer conversa com pessoas do sexo feminino, mesmo tratando- se de parentes. São Charbel foi mais longe: ele fez, e cumpriu, o propósito de jamais olhar para o rosto de uma mulher. O dom de fazer milagres Teve o dom de fazer milagres, e o exerceu com sua costumeira humildade. Certa vez, uma pobre mulher hemorroíssa, cuja enfermidade resistia a todos os tratamentos, encarregou um mensageiro de entregar ao padre Charbel determinada quantia e pedirlhe que este lhe enviasse uma correia benta. Há uma devoção mariana típica do Líbano: nas situações de emergência – calamidades públicas, epidemias, guerras, etc. -, os chefes de família levam à igreja um véu de seda ou algodão; esses véus são entrelaçados e ficam suspensos em volta da capela, até a Virgem fazer cessar a desgraça. O padre Charbel pegou, então, um desses véus, que estava na imagem de Nossa Senhora do Rosário, e o entregou ao mensageiro, dizendo: – Que a mulher se cinja com este véu, e ficará curada. Quanto à esmola, coloque-a sobre o altar, o padre provedor irá tirá-la. E a mulher ficou curada. Na ermida de São Pedro e São Paulo Visto que a solidão o atraía desde a infância, e que no mosteiro de Annaya vivia já praticamente como um anacoreta, foi ele transferido para a ermida de São Pedro e São Paulo, a pouca distância do mosteiro. Tinha então 47 anos, e ali permaneceu até o dia de sua morte, ocorrida 23 anos depois. Sua oração era apenas interrompida pelo cultivo da vinha e outros trabalhos na ermida. E a única refeição do dia, perto das três horas da tarde, acabava sendo um exercício de penitência, pela exiguidade e pobreza do alimento. Sua devoção a Maria era incomparável. Repetia continuamente Seu nome bendito, e cada vez que entrava ou saía de sua cela recitava, de joelhos, a saudação angélica diante de uma pequena imagem que ali ficava. Proverbial era também sua paz de alma. Num dia de tempestade, um raio derrubou parte da ala meridional da ermida, deitou por terra uma parede da vinha e queimou, na capela, as toalhas do altar, enquanto o santo monge ali se encontrava, em oração. Dois ermitães acorreram ao local, e o viram na mais apaziguante tranquilidade. – Padre Charbel, por que não se moveu para apagar o fogo? – Caro irmão, como poderia fazê- lo? Pois logo depois de atear-se, o fogo se extinguiu… De fato, como o incêndio fora rapidíssimo, ele julgara mais importante continuar sua oração, sem se perturbar. Nascimento para a vida eterna Quando celebrava a Missa no dia 16 de dezembro de 1898, no momento em que comungava o Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, um repentino ataque de apoplexia o deixou paralisado, sem poder concluir o Santo Sacrifício. Socorrido sem demora, foi levado para sua pobre cela, onde permaneceu oito dias entre a vida e a morte, com intervalos de lucidez durante os quais rezava curtas orações. Na vigília do Natal, enquanto a Igreja comemorava a vinda ao mundo do Menino Jesus, nasceu para a eternidade aquele santo monge maronita, o primeiro oriental a ser canonizado segundo a forma usada na Igreja Católica latina. Seus restos mortais foram sepultados em uma vala comum, junto aos dos demais monges falecidos, como pedia a santa Regra. E, desde aquele momento, o cemitério passou a ser iluminado à noite por uma suave e misteriosa luz. Este e outros prodígios, unidos à sua fama de santidade, levaram a transferilos para um novo túmulo, na parede da cripta da Igreja de São Maron. A vala onde São Charbel fora enterrado era tão úmida que, ao fazer a exumação, o corpo apareceu literalmente encharcado, mas milagrosamente íntegro e flexível, transpirando um líquido avermelhado de agradável odor. E quando o novo túmulo fora aberto, em 1950, 1952 e 1955, constatou-se que ainda continuava flexível e incorrupto. Sua modelar vida monástica e os numerosos milagres realizados pela sua intercessão levaram o Papa Paulo VI a beatificá-lo em 5 de dezembro de 1965, dias antes da clausura do Concílio Vaticano II, e a canonizálo em 10 de outubro de 1977. Exemplo também para nós O exemplo de São Charbel Makhlouf indica um caminho também nos dias de hoje, pois o silêncio e a oração constituem um valioso auxílio para solucionar as angústias e aflições do homem contemporâneo. Engana-se quem pensa que o recolhimento é privilégio exclusivo dos religiosos de clausura. Ele está ao alcance de todos nós, pois “ a fonte da verdadeira solidão e do silêncio não está nas condições ou na qualidade do trabalho, mas sim no contato íntimo com Deus […] O silêncio, assim entendido, pode encontrar-se na rua, no estrépito do trabalho da fábrica, nas atividades do campo, porque é levado dentro de nós”. 1 BRUNO, OCSO, Pe. M. Le silence monastique. 2.ed. Besançon: Imprimerie de L’est, 1954, p. 4. 2 ROYO MARÍN, Antonio, OP, La vida religiosa. 2.ed. Madrid: BAC, 1968, p. 437. (Revista Arautos do Evangelho, Julho/2009, n. 91, p. 34 à 36) Para o amor de Deus, nada é impossível. E, no entardecer da vida, seremos julgados segundo o amor. Os Evangelhos nos contam a história de Madalena. Uma pecadora que tanto admirou e amou Nosso Senhor Jesus Cristo que não só foi perdoada mas que dela disse o Senhor: “em toda parte será contado em sua memória o que ela fez”. (Mat. 26, Fotos: santiebeati.it (Revista Arautos do Evangelho, Julho/2009, n. 91, p. 34 à 36) #SantodoDia

  • Como o Inferno tem lutado para destruir a Família

    Nossa Senhora afirmou para Lúcia de Fátima que a derradeira batalha de Satanás será em torno da família. Na formação ao vivo de hoje entenderemos como as ações revolucionárias que visam a destruição da família contribuem para o reino do anti-cristo. Entenderemos, portanto o papel da Ideologia LGBT, do feminismo, do comunismo, da pornografia, etc, nessa agenda de destruição da família. Para assistir, acesse: ⚠️ Compartilhe com o maior número de católicos o convite para essa formação tão importante! #Família #IdeologiadeGênero #LGBT

  • Como o Inferno tem lutado para destruir a Família

    Nossa Senhora afirmou para Lúcia de Fátima que a derradeira batalha de Satanás será em torno da família. Na formação ao vivo de hoje entenderemos como as ações revolucionárias que visam a destruição da família contribuem para o reino do anti-cristo. Entenderemos, portanto o papel da Ideologia LGBT, do feminismo, do comunismo, da pornografia, etc, nessa agenda de destruição da família. Para assistir, acesse: ⚠️ Compartilhe com o maior número de católicos o convite para essa formação tão importante! #Família #IdeologiadeGênero #LGBT

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