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  • Santa Brígida da Suécia, padroeira da Europa – 23 de julho

    SANTO DO DIA – 23 DE JULHO – SANTA BRÍGIDA DA SUÉCIA Viúva, religiosa e fundadora (1303-1373) Brígida, ou Brigite, nasceu princesa, em 1303, no castelo de Finstad, na Suécia. Descendia de uma casa real muito pia, que forneceu à Igreja muitos santos e que se dedicava a construir mosteiros, igrejas e hospitais com a própria fortuna. Além de manter muitas obras de caridade para a população pobre, Brígida, desde a infância, tinha o dom das revelações divinas, todas anotadas por ela no seu idioma sueco. Depois, as descrições foram traduzidas para o latim e somaram oito grandes volumes, que ainda hoje são fonte de consulta para historiadores, teólogos e fiéis cristãos. Aos dezoito anos, ela se casou com o nobre Ulf Gudmarsson, um homem cristão e muito piedoso. O casal teve oito filhos, dentre os quais a filha venerada como Santa Catarina da Suécia. Era com rigor que eles cuidavam da educação religiosa e acadêmica dos filhos, sempre no caminho para a santificação em Cristo. Durante um longo período, Brígida foi dama de companhia da rainha Bianca, de Namur, por isso frequentava sempre as cortes luxuosas. Mas não se corrompeu neste ambiente de riquezas frívolas, ao contrário, manteve-se fiel aos ensinamentos cristãos, perseverando seu espírito na dignidade e na caridade da fé. Após a morte de um dos seus filhos, o casal resolveu fazer uma peregrinação ao santuário de Santiago de Compostela, na Espanha. No retorno, Ulf caiu gravemente enfermo. Brígida, em sonho, teve uma revelação de são Dionísio, que lhe disse que o marido não morreria. De fato ele ficou curado, mas logo em seguida ingressou no mosteiro de Alvastra, onde vivia um dos seus filhos, e lá morreu, em 1344. Viúva, Brígida decidiu retirar-se definitivamente para a vida monástica, para realizar um velho projeto, a fundação de um mosteiro duplo, de homens e mulheres, que deu origem à Ordem do Santo Salvador, sob as regras de santo Agostinho, passando, então, a viver nele. Quando obteve aprovação canônica, a fundadora transferiu-se para Roma. Ali viveu por 24 anos, trabalhando pela reforma dos costumes e a volta do papa de Avignon. Com o apoio do rei da Suécia, construiu e instaurou setenta e oito mosteiros por toda a Europa. Ela morreu em 23 de julho de 1373, durante uma romaria à Terra Santa. A Ordem fundada por ela passou a ser dirigida por sua filha, Catarina da Suécia, alcançando notoriedade pelos anos futuros. Canonizada em 1391, apenas dezoito anos após sua morte, Santa Brígida já tinha um culto muito vigoroso em todo o mundo cristão da Europa, sendo celebrada no dia de sua morte. O local onde residia em Roma foi transformado em um belíssima igreja dedicada a ela, na Praça Farnese. Conheça mais sobre Santa Brígida O que o Salvador disse a Nicodemos: O espírito sopra onde quer, o mundo cristão o viu, pelos fins do século XIV em Santa Brígida, da Suécia e Santa Catarina de Siena. Aquela nasceu nos confins extremos da Suécia, na província de Upland, no domínio de Finstad, não longe de Upsala, então capital de todo o reino. Nasceu no começo do século XIV, no ano de 1302. Seu nome é propriamente Birgida, transforma em Brígida pelo uso comum. Sua família era mas mais ilustres; tinha parentesco próximo com a família real e descendia dos antigos reis do país. Nela a piedade era hereditária, como a nobreza. O avô, o bisavô e o trisavô do pai de Brígida, por devoção aos mistérios da Paixão do Salvador, fizeram uma peregrinação a Jerusalém e aos outros santos lugares, que Jesus Cristo ilustrou com sua presença. O príncipe Birger, seu pai, juiz ou governador da província de Upland, era homem cheio de piedade e de virtude. Fundou grande número de igrejas e de mosteiros; fez peregrinações a Roma, a Jerusalém e a outros santos lugares, a exemplo de Pedro, seu pai e de seus antepassados. Jejuava, confessava-se e comungava todas as sextas-feiras, a fim de conseguir a graça de sofrer pacientemente as cruzes que Deus lhe mandava até a sexta-feira seguinte. A princesa, sua esposa, chamada Indeburga, filha de Ligride, não tinha menos piedade. O túmulo dos dois esposos existe ainda na catedral de Upsala. Quanto à Santa Brígida, da qual temos uma vida contemporânea escrita por Birger, arcebispo de Upsala, seu nascimento foi ilustrado por diversos prodígios. Sua mãe, a princesa Ingenurga, escondia terna piedade, sob hábitos, convenientes à alta linhagem. Uma religiosa, vendo-a assim vestida, tachou-a de orgulhosa, em seu coração. Na noite seguinte, durante o sono, um personagem venerável apareceu-lhe, dizendo: Por que pensaste mal de minha serva, tratando-a de orgulhosa, o que, entretanto, não é verdade? Dela farei nascer uma filha, com a qual farei aliança, conferindo-lhe uma graça tão grande, que todas as nações não serão suficientes para a admirar. A essa circunstância maravilhosa, o arcebispo de Upsala, bem como os outros biógrafos acrescentam uma segunda. A princesa Ingeburga, estando grávida de Brígida, naufragou nas costas da Suécia e foi salva do perigo pelo irmão do rei. Na noite seguinte, um personagem vestido, com uma roupa brilhante apareceu a Ingeburga, e lhe disse: Foi em consideração à criança que trazeis, que fostes salva da morte; tende cuidado em criar no amor de Deus o que Deus vos deu especialmente. Enfim, no nascimento de Brígida, o vigário da paróquia, homem venerável por sua idade e virtude, passava as noites em oração numa igreja vizinha, quando viu uma nuvem luminosa e no meio da nuvem a Santa Virgem sentada, tendo na mão um livro e dizendo-lhe: Nasceu em Birger uma menina cuja voz admirável será ouvida por todo o mundo. Eis o que refere o arcebispo de Upsala, bem como os outros biógrafos contemporâneos de Santa Brígida. Entretanto, a maravilhosa criança ficou muda durante os três primeiros anos. No fim desse tempo, começou, não a balbuciar, como as crianças, mas a falar perfeitamente como as pessoas já adultas. Viu-se aí um efeito da sabedoria divina que abre a boca dos mudos e torna eloqüentes as línguas das crianças, a fim de tirar da boca das crianças, e daqueles que ainda mama, um louvor perfeito. Esperando, sua piedosa mãe, cheia de boas obras e esmolas, como outro Tabit, caiu gravemente doente. Soube e predisse a morte vários dias antes. Vendo a aflição do esposo e dos outros, disse-lhes com muita coragem: Por que afligir-vos. É muito ter vivivo e ter vivido bastante; ao contrário, devemos alegrar-nos de que sou chamada a um Senhor mais poderosos, Tendo-se, então, despedido de todos, adormeceu no Senhor. A jovem Brígida dói confiada pelo pai e uma tia materna tão prudente quão piedosa. Na idade de sete anos, a criança viu diante do leito um altar, e sobre ele uma senhora assentada com vestes resplandecentes, tendo na mão uma coroa e que lhe disse: Vem, Brígida. A menina levantou-se logo e correu para o altar. A senhora perguntou-lhe: Queres esta coroa? A criança disse que sim e a senhora colocou-a sobre a cabeça e Brígida sentiu-a como um círculo. Voltando ao leito, a visão desapareceu. Ela jamais, porém, a esqueceu. O que não é de admirar, observa o arcebispo de Upsala, pois era sinal de que seria um altar de holocausto, onde o fogo da caridade divina arderia sempre e Jesus Cristo, seu esposo lhe conservaria uma coroa imortal e sem mancha nos céus. Na idade de dez anos, era como um lírio muito puro que se erguia da terra ao céu. Ostentava o modelo de todas as virtudes, a sobriedade, com a modéstia, a simplicidade com a ponderação, a humildade com a obediência, com a beleza na consciência, a hilaridade na paciência com uma caridade infatigável. Aparecia como esposa de Deus, como uma pérola brilhante, cheia de graça a todos os olhos e amada por todos. Devia, porém, subir ainda mais alto. Um dia, ouviu um sermão sobre a Paixão de Jesus Cristo; ficou tão emocionada, que escreveu aquela Paixão nas tábuas do coração. Na noite seguinte, viu Jesus Cristo, sendo crucificado, o qual lhe disse: Eis como fui tratado. Ela, pensando que era coisa recente, respondeu-lhe: Senhor, quem vos fez isso? – Aqueles que me desprezam e são insensíveis a meu amor, respondeu Jesus Cristo. Desde esse momento, refletindo, ela sentia-se tão sensível à paixão do Salvador, que não podia lembrá-la sem derramar torrentes de lágrimas. Uma noite, quando as jovens companheiras dormiam, saiu do leito e prostrou-se em adoração e em lágrimas diante do crucifixo do quarto. Naquele mesmo momento lá entrou secretamente a tia, que, muito admirada de a ver naquela posição, julgou ser uma brincadeira da sobrinha e mandou buscar umas varas para a corrigir e tornar mais discreta. Mas, com sua grande surpresa, as varas quebraram-se-lhe na mão. Disse então: Que fizestes, Brígida? Alguma mulher vos ensinou essas orações enganadoras? A jovem virgem respondeu chorando: Não, senhora, mas eu me levantei do leito para louvar àquele que sempre me assiste. – E quem é Ele? – É o Crucificado, que vi ultimamente. – Desde aquele dia, a tia começou a ter por ela mais afeto e veneração, compreendendo que semelhantes disposições não vem dos homens, mas de Deus. Outra vez, quando a jovem virgem brincava com as companheiras, o diabo apareceu-lhe sob forma horrível, tendo cem mãos e cem pés. De espanto, ela correu ao quarto, e recomendou-se humildemente ao Crucificado. O diabo lá apareceu, mas disse: Nada posso fazer, se o Crucificado não o permitir. A tia soube mais tarde o que havia acontecido e recomendou-lhe que guardasse silêncio, sobre o que tinha visto e pusesse a confiança em deus, amando a Jesus Cristo acima de todas as coisas, sabendo que a vida de nossa peregrinação não pode ser sem tentação, a fim de que cada qual aprenda a ser conhecer; aliás não se pode ser coroado, se não se tiver vencido, nem vencer sem combate, nem combater sem experimentar as tentações do inimigo. Brígida desejara ter permanecido sempre virgem, mas na idade de treze anos, seu pai fê-la desposar Ulphon, príncipe ou governador de Nerícia, que tinha dezoito, A exemplo dos jovens Tobias e Sara, sua esposa, guardaram a continência, perto de dois anos, para obter de Deus a graça de usar santamente do matrimônio e ter filhos fiéis em o servir. Tiveram oito, quatro meninos e quatro meninas. A mãe, depois de ter vivido santamente na virgindade não viveu menos santamente no casamento. Regulou tão bem toda a vida, que jamais deixou motivo a alguma suspeita sinistra, nem a maledicência alguma. Para isso, não admitia nem criadas nem companheiras cuja reputação não fosse sem mancha, para que sua familiaridade não lhe atraísse alguma má fama. Sabendo que a ociosidade é mãe de todos os vícios, dedicava-se com suas domésticas a trabalhos para as igrejas e para os pobres, lia as vidas dos santos e a Bíblia, que tinha feito traduzir em língua gótica; ora, ia à igreja e ouvia com prazer o ofício divino. Com seu esposo, o príncipe Ulphon, confessava-se todas as sextas-feiras e comungava todos os domingos e festas. Como Judite tinha um oratório secreto, onde, de vez em quando, se recolhia na presença de Deus, examinava a consciência, chorava as faltas; onde, quando o marido estava ausente, passava as noites inteiras em oração, vigílias, jejuns e outras mortificações; sempre se abstinha de iguarias, as mais delicadas, mas secretamente, para não ser notada pelo marido ou por outros. Tinha a mais terna devoção pela Santa Virgem que, nos partos laboriosos, lhe concedia um fácil resultado, quando todos pensavam que ia perder a vida. Suas esmolas eram muito grandes. Tinha uma casa muito ampla para os pobres. Todos os dias, alimentava doze deles em casa; na quinta-feira, lavava-lhes e beijava-lhes humildemente os pés, em memória do que Nosso Senhor tinha feito a seus apóstolos. Restaurou grande número de hospitais no país natal e em suas terras; lá ia visitar os pobres e os enfermos, acompanhada pelas filhas, especialmente Santa Catarina. Lá a piedosa mãe medicava com as próprias mãos as chagas e as úlceras dos enfermos, dando-lhes esmolas e dirigindo-lhes palavras de consolo, mostrando aos filhos, com o exemplo, como deviam um dia servir também aos pobres e aos enfermos por amor de Deus. Depois do nascimento do oitavo filho, Ulphon e Brígida guardaram continência. No ano de 1335, o rei Magno, da Suécia, desposou Branca, filha do conde Namur; queria que Brígida, sua parente, fosse governantes da jovem rainha, Brígida interessou-se vivamente pela salvação e pela prosperidade de uma e de outro, tanto mais que ambos eram jovens. Rogava por eles, dava-lhes bons conselhos, às vezes mesmo advertências, resultado de revelações sobrenaturais. A princípio muito eles aproveitaram. Mas ambos eram de caráter inconstante, e por outro lado, outros conselhos lhe foram sugeridos. Com o tempo, o mal venceu o bem; Brígida, anunciou calamidades: o rei ria-se e perguntava a Birger, filho da santa: Que foi que nossa prima, vossa mãe, sonhou esta noite a nosso respeito? Mas as predições de Brígida se realizaram. O reino de Magno, com o resultado do mau governo, encheu-se de perturbações e de revoluções; os estados insurgiram-se contra sua tirania; ele foi excomungado pelo papa por ter confiscado as rendas da Igreja; a rainha Branca pereceu miseravelmente em 1363; o rei, depois de ter perdido a coroa da Suécia, morreu acidentalmente, afogado, no ano de 1374. Brígida deixou a corte muito cedo e Ulphon seguiu o exemplo da esposa. Pensavam somente em se santificar, bem como a família. Fizeram muitas peregrinações à Noruega, França, Espanha, Itália, Alemanha: na Noruega, visitaram, em Nidrósia ou Drontheim, capital do reino, o túmulo do rei e mártir Santo Olaus; na Espanha, São Tiago de Compostela. Embora tivessem numerosa equipagem, Brígida fazia uma parte do caminho a pé por espírito de piedade e de mortificação. Depois de ter visitado muitos santuários, voltavam à pátria, quando o príncipe Ulphon caiu doente na cidade de Arras; mal tornou-se tão grave, que ele recebeu os últimos sacramentos das mãos do bispo, deixando Brígida em viva ansiedade. Ela invocou São Dionísio, apóstolo da França. O santo apareceu-lhe, predisse-lhe que Deus queria por meio dela tornar-se conhecido do mundo e que ela estava entregue à sua especial proteção e como prova disse, seu esposo não morreria daquela doença. Alguns dias depois, ela teve uma revelação de como ele passaria a Roma e à santa cidade de Jerusalém, e enfim, sairia deste mundo. Deus realizou misericordiosamente tudo aquilo, diz o arcebispo de Upsala. O príncipe reconquistou a saúde, depois de uma doença muito longa; voltaram ambos com saúde à pátria. Renovaram o voto de conservar a continência e resolveram entrar cada qual num convento. Tendo então regulado os negócios e disposto os bens, o príncipe Ulphon entrou no mosteiro de Alvastre, ordem dos cistercienses, fundado em 1150 por Suercher, rei da Suécia. Aí viveu alguns anos na prática de todas as virtudes, e morreu em 1344. O príncipe Ulphon de Nerícia é nomeado no menológio de Cister, a 12 de fevereiro. Poucos dias depois da morte do esposo, Brígida dividiu os bens entre os filhos e os pobres, Renunciou à condição de princesa para se consagrar inteiramente à penitência. Usava apenas uma túnica de linho com exceção do véu, com que cobria a cabeça; usava um hábito grosseiro, que prendia com uma corda cheia de nós. As austeridades que praticava são incríveis; duplicava-as ainda, às sextas-feiras, e nesses dias passava somente a pão e água. Tendo feito construir o mosteiro de Watstein, na diocese de Lincopen na Suécia, lá colocou sessenta religiosas; instalou, num edifício separado do mosteiro, treze sacerdotes em honra os doze apóstolos e de São Paulo, quatro diáconos para representar os quatro doutores da Igreja e oito irmãos conversos; deu a todos as regras de Santo Agostinho, as quais acrescentou constituições particulares. Lemos, em alguns autores que o Salvador mesmo ditou essas regras, mas com ordem de as submeter ao exame do soberano Pontífice, visto que o Salvador veio a este mundo não para destruir a lei, mas para a aperfeiçoar. Santa Brígida ficou assim dois anos na Suécia, perto do mosteiro de Alvastre, onde estava enterrado o esposo, como no novo mosteiro de Watstein. Sua vida pobre e penitente, depois de um estado de princesa, atraiu-lhe as zombarias do mundo, respondeu: Não foi por causa de vós que comecei; não será por causa de vós que terminarei. Resolvi, em meu coração, suportar as palavras. Rezai para que eu persevere. Com suas vestes de pobre, não deixou de se apresentar ao rei da Suécia, para lhe anunciar que ele e seu reino seriam castigados, com grandes calamidades, se não se corrigissem de certos defeitos e desordens. Alguns dos grandes murmuravam e ter-lhe-iam mesmo provocado confusão, se não soubessem que ela era parente do rei. Pelo menos zombaram dela entre si mesmos, tratando-a de feiticeira, a tal ponto que os filhos queriam vingar-se disso; mas ela rogou-lhe que nada fizessem, dizendo: Deus é testemunha de que prefiro, por amor de Jesus Cristo, sofrer esses desprezos e essas zombarias a ter a coroa do rei sobre a minha cabeça. Se a santa viúva teve de sofrer da parte dos homens, Deus a consolou superabundantemente com revelações e comunicações sobrenaturais. Essas revelações foram examinadas por doutores católicos e aprovadas pela Santa Sé, neste sentido, que nada contém de contrário a fé, e que nelas se pode crer piamente. Os principais objetos dessas revelações e contemplações de Santa Brígida são: a Paixão do Salvador e a Santa Virgem. Quanto à Paixão do Salvador, nada se vê aí, mais do que no Evangelho, a não ser certas circunstâncias de particulares muito naturais. Com relação à Virgem, diz-se expressamente que ela foi concebida sem pecado, e que subiu aos céus, em corpo e alma. Uma das particularidades mais tocantes é a Virgem mesma, narrando a Santa Brígida seu progresso no conhecimento de Deus e de sua lei. Desde a mais tenra idade, quando compreendi o que Deus era, sempre fui cuidadosa e temerosa de minha salvação e de meu procedimento. Mas, quando compreendi mais plenamente que o mesmo Deus era meu criador e juiz de todas as minhas ações amei-o intimamente, temi ofendê-lo mais que nunca, quer por obrar, quer por palavras. Depois, quando soube que tinha dado sua lei e seus mandamentos ao povo, e tinha feito com ele tantas maravilhas, resolvi firmemente em minha alma só amar a ele e nada mais do que ele, e as coisas mundanas eram-me grandemente amargas. Enfim, tendo sabido que o mesmo Deus resgataria o mundo e ele nasceria de uma virgem, fui tomada de tão grande amor para com ele, que só pensava em Deus, que só queria a deus. Afastei-me, quanto possível, das conversas familiares e da presença de parentes e amigos. Dava aos pobres tudo o que podia e reservava-me apenas o simples vestuário e o pouco de que precisava para viver. Nada me agradava, fora de Deus. Sempre eu desejava em meu coração viver até o tempo de seu nascimento, na esperança de que eu mereceria talvez tornar-me indigna serva da mãe de Deus. Fiz também voto, em meu coração, de guardar a virgindade, se Deus o tivesse por agradável, e nada possuir no mundo. Encontramos revelações muito semelhantes na vida de Santa Isabel da Turíngia. Além das revelações que se referem à fé, há em Santa Brígida como nas profecias da antiga lei, muitas exortações, advertências, às vezes muito severas a Papas, a reis, a povos, a classes de homens, padres e cavaleiros. Mais de uma vez essas exortações encerraram ameaças proféticas que tiveram sua realização. No ano de 1371, a ilustre viúva sueca, como outrora a ilustre viúva romana, Santa Paula, da família dos Gracos e dos Cipiões, empreendeu, em idade avançada, ante uma revelação particular, a peregrinação a Jerusalém. Chegando a Roma já enferma, ficou mais doente ainda. Sentindo-se perto do fim, deu avisos muito comoventes ao filho, o príncipe Birger e à filha, Santa Catarina de Suécia, que estava com ela; depois quis ser estendida sobre um cilício para receber os últimos sacramentos. Morreu, a 23 de Julho de 1373, na idade de setenta e um anos. Enterraram-na na igreja de São Lourenço, in Panis-Perna que pertencia às pobres Clarissas. No ano seguinte, o príncipe Birger, seu filho, e Santa Catarina sua filha, fizeram levar-lhe o corpo para o mosteiro de Watstein, na Suécia. Foi canonizada pelo Papa Bonifácio IX, a 7 de Outubro de 1391. Fotos: santiebeati.it (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIII, p. 273 à 284)

  • Santa Brígida da Suécia, padroeira da Europa – 23 de julho

    SANTO DO DIA – 23 DE JULHO – SANTA BRÍGIDA DA SUÉCIA Viúva, religiosa e fundadora (1303-1373) Brígida, ou Brigite, nasceu princesa, em 1303, no castelo de Finstad, na Suécia. Descendia de uma casa real muito pia, que forneceu à Igreja muitos santos e que se dedicava a construir mosteiros, igrejas e hospitais com a própria fortuna. Além de manter muitas obras de caridade para a população pobre, Brígida, desde a infância, tinha o dom das revelações divinas, todas anotadas por ela no seu idioma sueco. Depois, as descrições foram traduzidas para o latim e somaram oito grandes volumes, que ainda hoje são fonte de consulta para historiadores, teólogos e fiéis cristãos. Aos dezoito anos, ela se casou com o nobre Ulf Gudmarsson, um homem cristão e muito piedoso. O casal teve oito filhos, dentre os quais a filha venerada como Santa Catarina da Suécia. Era com rigor que eles cuidavam da educação religiosa e acadêmica dos filhos, sempre no caminho para a santificação em Cristo. Durante um longo período, Brígida foi dama de companhia da rainha Bianca, de Namur, por isso frequentava sempre as cortes luxuosas. Mas não se corrompeu neste ambiente de riquezas frívolas, ao contrário, manteve-se fiel aos ensinamentos cristãos, perseverando seu espírito na dignidade e na caridade da fé. Após a morte de um dos seus filhos, o casal resolveu fazer uma peregrinação ao santuário de Santiago de Compostela, na Espanha. No retorno, Ulf caiu gravemente enfermo. Brígida, em sonho, teve uma revelação de são Dionísio, que lhe disse que o marido não morreria. De fato ele ficou curado, mas logo em seguida ingressou no mosteiro de Alvastra, onde vivia um dos seus filhos, e lá morreu, em 1344. Viúva, Brígida decidiu retirar-se definitivamente para a vida monástica, para realizar um velho projeto, a fundação de um mosteiro duplo, de homens e mulheres, que deu origem à Ordem do Santo Salvador, sob as regras de santo Agostinho, passando, então, a viver nele. Quando obteve aprovação canônica, a fundadora transferiu-se para Roma. Ali viveu por 24 anos, trabalhando pela reforma dos costumes e a volta do papa de Avignon. Com o apoio do rei da Suécia, construiu e instaurou setenta e oito mosteiros por toda a Europa. Ela morreu em 23 de julho de 1373, durante uma romaria à Terra Santa. A Ordem fundada por ela passou a ser dirigida por sua filha, Catarina da Suécia, alcançando notoriedade pelos anos futuros. Canonizada em 1391, apenas dezoito anos após sua morte, Santa Brígida já tinha um culto muito vigoroso em todo o mundo cristão da Europa, sendo celebrada no dia de sua morte. O local onde residia em Roma foi transformado em um belíssima igreja dedicada a ela, na Praça Farnese. Conheça mais sobre Santa Brígida O que o Salvador disse a Nicodemos: O espírito sopra onde quer, o mundo cristão o viu, pelos fins do século XIV em Santa Brígida, da Suécia e Santa Catarina de Siena. Aquela nasceu nos confins extremos da Suécia, na província de Upland, no domínio de Finstad, não longe de Upsala, então capital de todo o reino. Nasceu no começo do século XIV, no ano de 1302. Seu nome é propriamente Birgida, transforma em Brígida pelo uso comum. Sua família era mas mais ilustres; tinha parentesco próximo com a família real e descendia dos antigos reis do país. Nela a piedade era hereditária, como a nobreza. O avô, o bisavô e o trisavô do pai de Brígida, por devoção aos mistérios da Paixão do Salvador, fizeram uma peregrinação a Jerusalém e aos outros santos lugares, que Jesus Cristo ilustrou com sua presença. O príncipe Birger, seu pai, juiz ou governador da província de Upland, era homem cheio de piedade e de virtude. Fundou grande número de igrejas e de mosteiros; fez peregrinações a Roma, a Jerusalém e a outros santos lugares, a exemplo de Pedro, seu pai e de seus antepassados. Jejuava, confessava-se e comungava todas as sextas-feiras, a fim de conseguir a graça de sofrer pacientemente as cruzes que Deus lhe mandava até a sexta-feira seguinte. A princesa, sua esposa, chamada Indeburga, filha de Ligride, não tinha menos piedade. O túmulo dos dois esposos existe ainda na catedral de Upsala. Quanto à Santa Brígida, da qual temos uma vida contemporânea escrita por Birger, arcebispo de Upsala, seu nascimento foi ilustrado por diversos prodígios. Sua mãe, a princesa Ingenurga, escondia terna piedade, sob hábitos, convenientes à alta linhagem. Uma religiosa, vendo-a assim vestida, tachou-a de orgulhosa, em seu coração. Na noite seguinte, durante o sono, um personagem venerável apareceu-lhe, dizendo: Por que pensaste mal de minha serva, tratando-a de orgulhosa, o que, entretanto, não é verdade? Dela farei nascer uma filha, com a qual farei aliança, conferindo-lhe uma graça tão grande, que todas as nações não serão suficientes para a admirar. A essa circunstância maravilhosa, o arcebispo de Upsala, bem como os outros biógrafos acrescentam uma segunda. A princesa Ingeburga, estando grávida de Brígida, naufragou nas costas da Suécia e foi salva do perigo pelo irmão do rei. Na noite seguinte, um personagem vestido, com uma roupa brilhante apareceu a Ingeburga, e lhe disse: Foi em consideração à criança que trazeis, que fostes salva da morte; tende cuidado em criar no amor de Deus o que Deus vos deu especialmente. Enfim, no nascimento de Brígida, o vigário da paróquia, homem venerável por sua idade e virtude, passava as noites em oração numa igreja vizinha, quando viu uma nuvem luminosa e no meio da nuvem a Santa Virgem sentada, tendo na mão um livro e dizendo-lhe: Nasceu em Birger uma menina cuja voz admirável será ouvida por todo o mundo. Eis o que refere o arcebispo de Upsala, bem como os outros biógrafos contemporâneos de Santa Brígida. Entretanto, a maravilhosa criança ficou muda durante os três primeiros anos. No fim desse tempo, começou, não a balbuciar, como as crianças, mas a falar perfeitamente como as pessoas já adultas. Viu-se aí um efeito da sabedoria divina que abre a boca dos mudos e torna eloqüentes as línguas das crianças, a fim de tirar da boca das crianças, e daqueles que ainda mama, um louvor perfeito. Esperando, sua piedosa mãe, cheia de boas obras e esmolas, como outro Tabit, caiu gravemente doente. Soube e predisse a morte vários dias antes. Vendo a aflição do esposo e dos outros, disse-lhes com muita coragem: Por que afligir-vos. É muito ter vivivo e ter vivido bastante; ao contrário, devemos alegrar-nos de que sou chamada a um Senhor mais poderosos, Tendo-se, então, despedido de todos, adormeceu no Senhor. A jovem Brígida dói confiada pelo pai e uma tia materna tão prudente quão piedosa. Na idade de sete anos, a criança viu diante do leito um altar, e sobre ele uma senhora assentada com vestes resplandecentes, tendo na mão uma coroa e que lhe disse: Vem, Brígida. A menina levantou-se logo e correu para o altar. A senhora perguntou-lhe: Queres esta coroa? A criança disse que sim e a senhora colocou-a sobre a cabeça e Brígida sentiu-a como um círculo. Voltando ao leito, a visão desapareceu. Ela jamais, porém, a esqueceu. O que não é de admirar, observa o arcebispo de Upsala, pois era sinal de que seria um altar de holocausto, onde o fogo da caridade divina arderia sempre e Jesus Cristo, seu esposo lhe conservaria uma coroa imortal e sem mancha nos céus. Na idade de dez anos, era como um lírio muito puro que se erguia da terra ao céu. Ostentava o modelo de todas as virtudes, a sobriedade, com a modéstia, a simplicidade com a ponderação, a humildade com a obediência, com a beleza na consciência, a hilaridade na paciência com uma caridade infatigável. Aparecia como esposa de Deus, como uma pérola brilhante, cheia de graça a todos os olhos e amada por todos. Devia, porém, subir ainda mais alto. Um dia, ouviu um sermão sobre a Paixão de Jesus Cristo; ficou tão emocionada, que escreveu aquela Paixão nas tábuas do coração. Na noite seguinte, viu Jesus Cristo, sendo crucificado, o qual lhe disse: Eis como fui tratado. Ela, pensando que era coisa recente, respondeu-lhe: Senhor, quem vos fez isso? – Aqueles que me desprezam e são insensíveis a meu amor, respondeu Jesus Cristo. Desde esse momento, refletindo, ela sentia-se tão sensível à paixão do Salvador, que não podia lembrá-la sem derramar torrentes de lágrimas. Uma noite, quando as jovens companheiras dormiam, saiu do leito e prostrou-se em adoração e em lágrimas diante do crucifixo do quarto. Naquele mesmo momento lá entrou secretamente a tia, que, muito admirada de a ver naquela posição, julgou ser uma brincadeira da sobrinha e mandou buscar umas varas para a corrigir e tornar mais discreta. Mas, com sua grande surpresa, as varas quebraram-se-lhe na mão. Disse então: Que fizestes, Brígida? Alguma mulher vos ensinou essas orações enganadoras? A jovem virgem respondeu chorando: Não, senhora, mas eu me levantei do leito para louvar àquele que sempre me assiste. – E quem é Ele? – É o Crucificado, que vi ultimamente. – Desde aquele dia, a tia começou a ter por ela mais afeto e veneração, compreendendo que semelhantes disposições não vem dos homens, mas de Deus. Outra vez, quando a jovem virgem brincava com as companheiras, o diabo apareceu-lhe sob forma horrível, tendo cem mãos e cem pés. De espanto, ela correu ao quarto, e recomendou-se humildemente ao Crucificado. O diabo lá apareceu, mas disse: Nada posso fazer, se o Crucificado não o permitir. A tia soube mais tarde o que havia acontecido e recomendou-lhe que guardasse silêncio, sobre o que tinha visto e pusesse a confiança em deus, amando a Jesus Cristo acima de todas as coisas, sabendo que a vida de nossa peregrinação não pode ser sem tentação, a fim de que cada qual aprenda a ser conhecer; aliás não se pode ser coroado, se não se tiver vencido, nem vencer sem combate, nem combater sem experimentar as tentações do inimigo. Brígida desejara ter permanecido sempre virgem, mas na idade de treze anos, seu pai fê-la desposar Ulphon, príncipe ou governador de Nerícia, que tinha dezoito, A exemplo dos jovens Tobias e Sara, sua esposa, guardaram a continência, perto de dois anos, para obter de Deus a graça de usar santamente do matrimônio e ter filhos fiéis em o servir. Tiveram oito, quatro meninos e quatro meninas. A mãe, depois de ter vivido santamente na virgindade não viveu menos santamente no casamento. Regulou tão bem toda a vida, que jamais deixou motivo a alguma suspeita sinistra, nem a maledicência alguma. Para isso, não admitia nem criadas nem companheiras cuja reputação não fosse sem mancha, para que sua familiaridade não lhe atraísse alguma má fama. Sabendo que a ociosidade é mãe de todos os vícios, dedicava-se com suas domésticas a trabalhos para as igrejas e para os pobres, lia as vidas dos santos e a Bíblia, que tinha feito traduzir em língua gótica; ora, ia à igreja e ouvia com prazer o ofício divino. Com seu esposo, o príncipe Ulphon, confessava-se todas as sextas-feiras e comungava todos os domingos e festas. Como Judite tinha um oratório secreto, onde, de vez em quando, se recolhia na presença de Deus, examinava a consciência, chorava as faltas; onde, quando o marido estava ausente, passava as noites inteiras em oração, vigílias, jejuns e outras mortificações; sempre se abstinha de iguarias, as mais delicadas, mas secretamente, para não ser notada pelo marido ou por outros. Tinha a mais terna devoção pela Santa Virgem que, nos partos laboriosos, lhe concedia um fácil resultado, quando todos pensavam que ia perder a vida. Suas esmolas eram muito grandes. Tinha uma casa muito ampla para os pobres. Todos os dias, alimentava doze deles em casa; na quinta-feira, lavava-lhes e beijava-lhes humildemente os pés, em memória do que Nosso Senhor tinha feito a seus apóstolos. Restaurou grande número de hospitais no país natal e em suas terras; lá ia visitar os pobres e os enfermos, acompanhada pelas filhas, especialmente Santa Catarina. Lá a piedosa mãe medicava com as próprias mãos as chagas e as úlceras dos enfermos, dando-lhes esmolas e dirigindo-lhes palavras de consolo, mostrando aos filhos, com o exemplo, como deviam um dia servir também aos pobres e aos enfermos por amor de Deus. Depois do nascimento do oitavo filho, Ulphon e Brígida guardaram continência. No ano de 1335, o rei Magno, da Suécia, desposou Branca, filha do conde Namur; queria que Brígida, sua parente, fosse governantes da jovem rainha, Brígida interessou-se vivamente pela salvação e pela prosperidade de uma e de outro, tanto mais que ambos eram jovens. Rogava por eles, dava-lhes bons conselhos, às vezes mesmo advertências, resultado de revelações sobrenaturais. A princípio muito eles aproveitaram. Mas ambos eram de caráter inconstante, e por outro lado, outros conselhos lhe foram sugeridos. Com o tempo, o mal venceu o bem; Brígida, anunciou calamidades: o rei ria-se e perguntava a Birger, filho da santa: Que foi que nossa prima, vossa mãe, sonhou esta noite a nosso respeito? Mas as predições de Brígida se realizaram. O reino de Magno, com o resultado do mau governo, encheu-se de perturbações e de revoluções; os estados insurgiram-se contra sua tirania; ele foi excomungado pelo papa por ter confiscado as rendas da Igreja; a rainha Branca pereceu miseravelmente em 1363; o rei, depois de ter perdido a coroa da Suécia, morreu acidentalmente, afogado, no ano de 1374. Brígida deixou a corte muito cedo e Ulphon seguiu o exemplo da esposa. Pensavam somente em se santificar, bem como a família. Fizeram muitas peregrinações à Noruega, França, Espanha, Itália, Alemanha: na Noruega, visitaram, em Nidrósia ou Drontheim, capital do reino, o túmulo do rei e mártir Santo Olaus; na Espanha, São Tiago de Compostela. Embora tivessem numerosa equipagem, Brígida fazia uma parte do caminho a pé por espírito de piedade e de mortificação. Depois de ter visitado muitos santuários, voltavam à pátria, quando o príncipe Ulphon caiu doente na cidade de Arras; mal tornou-se tão grave, que ele recebeu os últimos sacramentos das mãos do bispo, deixando Brígida em viva ansiedade. Ela invocou São Dionísio, apóstolo da França. O santo apareceu-lhe, predisse-lhe que Deus queria por meio dela tornar-se conhecido do mundo e que ela estava entregue à sua especial proteção e como prova disse, seu esposo não morreria daquela doença. Alguns dias depois, ela teve uma revelação de como ele passaria a Roma e à santa cidade de Jerusalém, e enfim, sairia deste mundo. Deus realizou misericordiosamente tudo aquilo, diz o arcebispo de Upsala. O príncipe reconquistou a saúde, depois de uma doença muito longa; voltaram ambos com saúde à pátria. Renovaram o voto de conservar a continência e resolveram entrar cada qual num convento. Tendo então regulado os negócios e disposto os bens, o príncipe Ulphon entrou no mosteiro de Alvastre, ordem dos cistercienses, fundado em 1150 por Suercher, rei da Suécia. Aí viveu alguns anos na prática de todas as virtudes, e morreu em 1344. O príncipe Ulphon de Nerícia é nomeado no menológio de Cister, a 12 de fevereiro. Poucos dias depois da morte do esposo, Brígida dividiu os bens entre os filhos e os pobres, Renunciou à condição de princesa para se consagrar inteiramente à penitência. Usava apenas uma túnica de linho com exceção do véu, com que cobria a cabeça; usava um hábito grosseiro, que prendia com uma corda cheia de nós. As austeridades que praticava são incríveis; duplicava-as ainda, às sextas-feiras, e nesses dias passava somente a pão e água. Tendo feito construir o mosteiro de Watstein, na diocese de Lincopen na Suécia, lá colocou sessenta religiosas; instalou, num edifício separado do mosteiro, treze sacerdotes em honra os doze apóstolos e de São Paulo, quatro diáconos para representar os quatro doutores da Igreja e oito irmãos conversos; deu a todos as regras de Santo Agostinho, as quais acrescentou constituições particulares. Lemos, em alguns autores que o Salvador mesmo ditou essas regras, mas com ordem de as submeter ao exame do soberano Pontífice, visto que o Salvador veio a este mundo não para destruir a lei, mas para a aperfeiçoar. Santa Brígida ficou assim dois anos na Suécia, perto do mosteiro de Alvastre, onde estava enterrado o esposo, como no novo mosteiro de Watstein. Sua vida pobre e penitente, depois de um estado de princesa, atraiu-lhe as zombarias do mundo, respondeu: Não foi por causa de vós que comecei; não será por causa de vós que terminarei. Resolvi, em meu coração, suportar as palavras. Rezai para que eu persevere. Com suas vestes de pobre, não deixou de se apresentar ao rei da Suécia, para lhe anunciar que ele e seu reino seriam castigados, com grandes calamidades, se não se corrigissem de certos defeitos e desordens. Alguns dos grandes murmuravam e ter-lhe-iam mesmo provocado confusão, se não soubessem que ela era parente do rei. Pelo menos zombaram dela entre si mesmos, tratando-a de feiticeira, a tal ponto que os filhos queriam vingar-se disso; mas ela rogou-lhe que nada fizessem, dizendo: Deus é testemunha de que prefiro, por amor de Jesus Cristo, sofrer esses desprezos e essas zombarias a ter a coroa do rei sobre a minha cabeça. Se a santa viúva teve de sofrer da parte dos homens, Deus a consolou superabundantemente com revelações e comunicações sobrenaturais. Essas revelações foram examinadas por doutores católicos e aprovadas pela Santa Sé, neste sentido, que nada contém de contrário a fé, e que nelas se pode crer piamente. Os principais objetos dessas revelações e contemplações de Santa Brígida são: a Paixão do Salvador e a Santa Virgem. Quanto à Paixão do Salvador, nada se vê aí, mais do que no Evangelho, a não ser certas circunstâncias de particulares muito naturais. Com relação à Virgem, diz-se expressamente que ela foi concebida sem pecado, e que subiu aos céus, em corpo e alma. Uma das particularidades mais tocantes é a Virgem mesma, narrando a Santa Brígida seu progresso no conhecimento de Deus e de sua lei. Desde a mais tenra idade, quando compreendi o que Deus era, sempre fui cuidadosa e temerosa de minha salvação e de meu procedimento. Mas, quando compreendi mais plenamente que o mesmo Deus era meu criador e juiz de todas as minhas ações amei-o intimamente, temi ofendê-lo mais que nunca, quer por obrar, quer por palavras. Depois, quando soube que tinha dado sua lei e seus mandamentos ao povo, e tinha feito com ele tantas maravilhas, resolvi firmemente em minha alma só amar a ele e nada mais do que ele, e as coisas mundanas eram-me grandemente amargas. Enfim, tendo sabido que o mesmo Deus resgataria o mundo e ele nasceria de uma virgem, fui tomada de tão grande amor para com ele, que só pensava em Deus, que só queria a deus. Afastei-me, quanto possível, das conversas familiares e da presença de parentes e amigos. Dava aos pobres tudo o que podia e reservava-me apenas o simples vestuário e o pouco de que precisava para viver. Nada me agradava, fora de Deus. Sempre eu desejava em meu coração viver até o tempo de seu nascimento, na esperança de que eu mereceria talvez tornar-me indigna serva da mãe de Deus. Fiz também voto, em meu coração, de guardar a virgindade, se Deus o tivesse por agradável, e nada possuir no mundo. Encontramos revelações muito semelhantes na vida de Santa Isabel da Turíngia. Além das revelações que se referem à fé, há em Santa Brígida como nas profecias da antiga lei, muitas exortações, advertências, às vezes muito severas a Papas, a reis, a povos, a classes de homens, padres e cavaleiros. Mais de uma vez essas exortações encerraram ameaças proféticas que tiveram sua realização. No ano de 1371, a ilustre viúva sueca, como outrora a ilustre viúva romana, Santa Paula, da família dos Gracos e dos Cipiões, empreendeu, em idade avançada, ante uma revelação particular, a peregrinação a Jerusalém. Chegando a Roma já enferma, ficou mais doente ainda. Sentindo-se perto do fim, deu avisos muito comoventes ao filho, o príncipe Birger e à filha, Santa Catarina de Suécia, que estava com ela; depois quis ser estendida sobre um cilício para receber os últimos sacramentos. Morreu, a 23 de Julho de 1373, na idade de setenta e um anos. Enterraram-na na igreja de São Lourenço, in Panis-Perna que pertencia às pobres Clarissas. No ano seguinte, o príncipe Birger, seu filho, e Santa Catarina sua filha, fizeram levar-lhe o corpo para o mosteiro de Watstein, na Suécia. Foi canonizada pelo Papa Bonifácio IX, a 7 de Outubro de 1391. Fotos: santiebeati.it (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIII, p. 273 à 284)

  • AVISO AOS PAIS: BARBIE NÃO É UM FILME PARA CRIANÇAS

    É um filme destinado ao público adulto e, embora tenha boas atuações, é um dos filmes mais sequestrados pela turma da lacração da atualidade. Perdeu a chance de se tornar um bom filme de comédia, memorável para todas as idades… mas a lacração falou mais alto… Evitem de levar crianças ao cinema para assistir filmes que vocês não conhecem o conteúdo, o mesmo vale deixar o controle da TV ou celular com internet nas mãos dos pequenos. Infelizmente existem muitos conteúdos que destroem a inocência e o imaginário das crianças, expondo a realidades que não são adequadas nem para adultos, quanto mais crianças. Infelizmente precisamos ter cuidado até mesmo com desenhos infantis. Por isso é importante sempre assistir antes dos filhos ou pelo menos assistir junto para não ter surpresas desagradáveis. “De todas as artes, o cinema é a mais importante.” ~ Vladmir Lenin Em nossos tempos a Ideologia é mais importante que a arte – principalmente para as premiações de cinema (oscar, globo de ouro, etc). A Ideologia vem, há muito tempo, superando a arte, superando o entretenimento, superando o esforço individual, superando as virtudes, superando o bem. Para o empobrecimento intelectual de uma geração, hoje encontramos principalmente dois tipos de filmes… aqueles que são os Lacradores e os de Super-heróis. O Filme da Barbie é um exemplo claro de Lacração e crítica a tudo aquilo que a Igreja sempre ensinou em questão de sociedade e família. Para saber mais sobre o filme, assista a análise: A maior parte dos pais de hoje cresceu sem um celular, sem internet, sem uma biblioteca de filmes à disposição, e isso não fez falta alguma. Portanto tomem cuidado ao expor seus filhos a conteúdos sem qualidade ou até mesmo nocivos somente para ter algumas horas de “sossego”. Vale muito mais a pena gastar algumas horas oferecendo atividades criativas, passeios ou simplesmente sua presença aos seus filhos hoje, do que ter que passar anos indo a psicólogos tentando corrigir algo que possa ser causado por nós mesmos. Cuidemos de nossas crianças. Leia também Quando é que os pais compreenderão sua missão em relação aos próprios filhos?

  • AVISO AOS PAIS: BARBIE NÃO É UM FILME PARA CRIANÇAS

    É um filme destinado ao público adulto e, embora tenha boas atuações, é um dos filmes mais sequestrados pela turma da lacração da atualidade. Perdeu a chance de se tornar um bom filme de comédia, memorável para todas as idades… mas a lacração falou mais alto… Evitem de levar crianças ao cinema para assistir filmes que vocês não conhecem o conteúdo, o mesmo vale deixar o controle da TV ou celular com internet nas mãos dos pequenos. Infelizmente existem muitos conteúdos que destroem a inocência e o imaginário das crianças, expondo a realidades que não são adequadas nem para adultos, quanto mais crianças. Infelizmente precisamos ter cuidado até mesmo com desenhos infantis. Por isso é importante sempre assistir antes dos filhos ou pelo menos assistir junto para não ter surpresas desagradáveis. “De todas as artes, o cinema é a mais importante.” ~ Vladmir Lenin Em nossos tempos a Ideologia é mais importante que a arte – principalmente para as premiações de cinema (oscar, globo de ouro, etc). A Ideologia vem, há muito tempo, superando a arte, superando o entretenimento, superando o esforço individual, superando as virtudes, superando o bem. Para o empobrecimento intelectual de uma geração, hoje encontramos principalmente dois tipos de filmes… aqueles que são os Lacradores e os de Super-heróis. O Filme da Barbie é um exemplo claro de Lacração e crítica a tudo aquilo que a Igreja sempre ensinou em questão de sociedade e família. Para saber mais sobre o filme, assista a análise: A maior parte dos pais de hoje cresceu sem um celular, sem internet, sem uma biblioteca de filmes à disposição, e isso não fez falta alguma. Portanto tomem cuidado ao expor seus filhos a conteúdos sem qualidade ou até mesmo nocivos somente para ter algumas horas de “sossego”. Vale muito mais a pena gastar algumas horas oferecendo atividades criativas, passeios ou simplesmente sua presença aos seus filhos hoje, do que ter que passar anos indo a psicólogos tentando corrigir algo que possa ser causado por nós mesmos. Cuidemos de nossas crianças. Leia também Quando é que os pais compreenderão sua missão em relação aos próprios filhos?

  • Santa Maria Madalena, discípula de Jesus – 22 de julho

    SANTO DO DIA – 22 DE JULHO – SANTA MARIA MADALENA Discípula de Jesus (século I) Magdala — aldeia situada na margem ocidental do lago de Genesaré, na Galileia — é a terra natal de Maria, denominada propriamente de Madalena. Maria Madalena é a fiel discípula que segue o mestre da Galileia à Judeia junto com muitas outras mulheres, que entregavam seus haveres a Jesus e aos apóstolos. É ainda ela quem está ao lado de Maria, a Mãe de Jesus, junto à cruz, compartilhando as dores da crucificação e a morte do Filho. É também quem permanece em vigília amorosa na madrugada do primeiro dia e é a primeira a correr ao sepulcro. Aquela que, em seu ardente amor, foi premiada pelo Ressuscitado, que se fez conhecer pronunciando-lhe apenas o nome, com se faz com quem é familiar: ‘Maria!’. É a ela que o Salvador confia o grande anúncio da ressurreição: ‘Vai a meus irmãos e dize-lhes que Subo a meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus’. Esta é a Madalena que a Igreja hoje comemora, com presença obrigatória no calendário geral. Anteriormente, a liturgia ocidental — influenciada pelos escritos de são Gregório Magno e pela identidade de nome — confundira numa só pessoa Maria de Betânia e Maria de Magdala. Tal identificação fora sempre recusada pela tradição da igreja oriental e pelos escritos dos padres gregos. Com ambos está concorde agora o novo Calendário romano. Constitui pura lenda a viagem e a estada de Madalena na Gália. Segundo uma antiga tradição grega, Maria Madalena teria ido viver em Éfeso junto à mãe de Jesus e ao apóstolo João. Conheca mais sobre Santa Maria Madalena Para o amor de Deus, nada é impossível. E, no entardecer da vida, seremos julgados segundo o amor. Os Evangelhos nos contam a história de Madalena. Uma pecadora que tanto admirou e amou Nosso Senhor Jesus Cristo que não só foi perdoada mas que dela disse o Senhor: “em toda parte será contado em sua memória o que ela fez”. (Mat. 26, 13) Quem ouve o nome “Maria Madalena”, na maioria das vezes, lembra-se da mulher pecadora e de má vida do Evangelho. Poucos se recordam que dela foram tirados sete demônios (Luc. 8,2) e que ela foi perdoada de seus numerosos pecados (Luc. 7,47- Mar. 16,9). Muitos ignoram que ela arrependeu-se do mal que praticou. Esquecem que ela viveu uma vida de penitente, que foi uma grande Santa. E que santificou-se por amar intensamente a Deus. Ninguém comenta que foi a propósito dela que Nosso Senhor disse: “Em verdade vos digo: em toda parte onde for pregado este Evangelho pelo mundo inteiro, será contado em sua memória o que ela fez”. (Mat. 26,13) E… quem tem nela um exemplo de virgindade e pureza? Vejamos um pouco da história de Santa Maria Madalena. As trê Marias e Santa Maria Madalena O Papa São Gregório Magno, foi um zeloso reformador da Igreja, foi quem estabeleceu regras para o canto e cerimônias litúrgicas na Igreja e tornou-se mais conhecido como o criador do Calendário Gregoriano. Além disso ele foi também um grande estudioso da vida dos santos e das Escrituras Sagradas. São Gregório Magno afirma que Maria Madalena, Maria de Betania e Maria pecadora, citadas no evangelho, são a mesma pessoa. Por isso mesmo é que Santa Maria Madalena é, entre as mulheres, a que mais tem seu nome citado nos Santos Evangelhos. Ela nasceu em Magdala e viveu no século I. Conheceu Nosso Senhor, foi contemporânea de Nossa Senhora, dos Apóstolos, dos primeiros cristãos.”E Lázaro (…) era seu irmão.”(Jo. 11, 1-2). Ela era irmã de Santa Marta e de Lázaro, a quem o Mestre Divino ressuscitou. “Lázaro havia caído doente em Bethania onde estavam Maria e sua irmã Marta. Maria era quem ungira o Senhor com óleos perfumados e Lhe enxugara os pés com seus cabelos” durante um banquete do qual Jesus participava. Ela escolheu a melhor parte… “Jesus andava pelas cidades e aldeias anunciando a boa nova do Reino de Deus. Os doze estavam com Ele, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios.” (Luc. 8,2) Madalena foi a mulher a quem Jesus exorcizou.(Mar.16, 9). Depois disso, ela acompanhava Jesus, agradecida, contemplando sua divindade, amando a Deus, santificando-se. Santa Maria Madalena tinha uma alma admirativa e, por isso mesmo, era uma pessoa capaz de contemplar. Nas principais citações que o Evangelho traz dela sua admiração por Nosso Senhor fica destacada. E contemplar a Deus na Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo foi um dos pontos altos de sua vida. Sem dúvida, ela exercia tarefas que estavam destinadas às Santas Mulheres, contudo, em suas atividades ela procurava dar mais importancia ao “Deus das obras que às obras de Deus”: ela havia escolhido a melhor parte… Esta afirmação está contida nos Evangelhos, são palavras do próprio Nosso Senhor: “Jesus estava em viagem, e entrou em uma aldeia e uma mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. Marta tinha uma irmã chamada Maria que se assentou aos pés do Senhor para ouvi-lo falar. Marta toda preocupada com a lida da casa, veio a Jesus e disse: Senhor não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude. Repondeu-lhe o Senhor: “Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada.” (Luc 10, 38-42) Muito embora ainda fosse uma pecadora, ela já havia dado mostras de sua escolha pela admiração contemplativa. Isso ficou evidente naquele banquete onde outras pessoas estavam com Jesus e não viam nele o Filho de Deus, mas um homem inteligente, esperto, talvez predestinado e, no máximo, um profeta: “Um fariseu convidou Jesus a ir comer com ele. Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa. Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume; e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lagrimas banhavam os pés do Senhor, e ela os enxugava com os cabelos, beijando-os e os ungia com perfume.(Luc. 7, 36-38) Na Via Dolorosa, no Calvário, … de pé, com a Virgem Maria! Esta mulher contemplativa esteve no Calvário. “Havia ali algumas mulheres (…) que tinham seguido Jesus desde a Galileia para o servir. Entre elas Maria Madalena.” (Mat. 27, 55-56) É certo que durante a peregrinação na via dolorosa Santa Maria Madalena esteve ao lado da Virgem Mãe de Deus, Nossa Senhora, a quem ela admirava e venerava afetuosamente e que naquela ocasião era quem mais sofria espiritualmente as dores pelas quais seu Divino Filho passava para a salvação dos homens. E essa, sem dúvida, foi uma ocasião oportuna que, aquela que muito havia pecado, encontrou para consolar quem nunca havia pecado. No Calvário, quando todos fugiram, “junto à cruz de Jesus estavam de pé sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e… Maria Madalena.”(Jo. 19,25). Frutos do Amor a Deus O amor contemplativo de Maria Madalena rendeu-lhe os melhores frutos. E estes frutos não foram só o perdão de seus pecados e a graça de seu insigne e exemplar arrependimento. Outras graças espirituais ainda lhe foram concedidas por causa de sua admiração e amorosa contemplação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnada na Humanidade Santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo. Talvez a maior das graças recebidas por ela tenha sido dada por ocasião da Ressurreição do Divino Salvador: “Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria de Magdalena, de quem tinha expulsado sete demônios.(Mar. 16-9) Seu amor a Nosso Senhor já tinha feito com que ela, após a morte do Salvador estivesse junto dEle também em Seu sepultamento. E, depois que a pedra foi rolada, “Maria Madalena e a outra Maria ficaram lá, sentadas diante do túmulo”(Mat. 27,61). No que pensava ela ali sentada? Não se sabe. A certeza que se tem é que ela não pensava em si, pois, Seu Senhor era sempre o centro de suas cogitações. “‘Maria!’ Ela voltou-se e exclamou: ‘Rabôni!’ (Jo 20,16) Passou-se a sexta feira, passou-se o sábado. “Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena, e a outra Maria foram ver o túmulo” (Mat. 28,1). Ela descobriu o túmulo vazio e ouviu dois seres angélicos anunciarem a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela seria a primeira testemunha da Ressurreição do Senhor e a primeira a ver Cristo mais tarde no mesmo dia quando o Mestre deu a ela a mensagem para entregar aos demais discípulos (João 20:1-18). Depois disso, que sentido teria continuar vivendo nessa Terra? Após ter sido curada e os demônios terem sido expulsos por Jesus, Maria Madalena coloca-se a serviço do Reino de Deus, fazendo um caminho de discipulado, seguindo Nosso Senhor no amor e no serviço. A partir deste encontro com Jesus Ressuscitado, Maria Madalena, a discipula fiel, continuou vivendo entre os apóstolos e discípulos, sendo um exemplo vivo das graças que o Senhor dispensou a ela, levando uma vida de testemunho e de luta por uma santidade maior. A História de uma Virgem A tradição nos conta que juntamente com a Virgem Maria e o Apóstolo João, ela foi evangelizar em Éfeso. Outra história, que desde muito corre no Ocidente, diz que ela viajou para Provença, França, com seus irmãos Marta e Lázaro com mais outros discípulos para evangelizar Gaul. Neste local ela passou 30 anos de sua vida na caverna de La Saint-Baume, nos Alpes Marítimos. Foi milagrosamente transportada, pouco antes de sua morte, para a Capela de Saint-Maximin, onde recebeu os últimos sacramentos da Santa Igreja. Ela foi enterrada em Aix. Em Vazelay, na França, todos afirmam que suas relíquias ali estão desde o século XI. No Ocidente, o culto à Santa Maria Madalena propagou-se a partir do Século XII. Na arte litúrgica da Igreja ela é representada com longos cabelos, segurando uma jarra própria para guardar óleos perfumados. Sua festa é celebrada no dia 22 de julho.Quando rezamos a Ladainha de Todos os Santos encontramos o nome de Santa Maria Madalena como a primeira das invocações das Santas Virgens. Isso não causa espanto a quem sabe que a Deus nada é impossível. É a beleza da contrição e do perdão. Aquele que é capaz de “transformar as pedras brutas em Filhos de Abraão”, pode perfeitamente devolver a integridade a uma pecadora. E isso, sobretudo se ela arrependeu-se muito, se admirou muito, se amou muito. Como foi o caso dela. (Fonte: Bíblia Sagrada – Editora Ave Maria – São Paulo – 2008) #SantodoDia

  • Santa Maria Madalena, discípula de Jesus – 22 de julho

    SANTO DO DIA – 22 DE JULHO – SANTA MARIA MADALENA Discípula de Jesus (século I) Magdala — aldeia situada na margem ocidental do lago de Genesaré, na Galileia — é a terra natal de Maria, denominada propriamente de Madalena. Maria Madalena é a fiel discípula que segue o mestre da Galileia à Judeia junto com muitas outras mulheres, que entregavam seus haveres a Jesus e aos apóstolos. É ainda ela quem está ao lado de Maria, a Mãe de Jesus, junto à cruz, compartilhando as dores da crucificação e a morte do Filho. É também quem permanece em vigília amorosa na madrugada do primeiro dia e é a primeira a correr ao sepulcro. Aquela que, em seu ardente amor, foi premiada pelo Ressuscitado, que se fez conhecer pronunciando-lhe apenas o nome, com se faz com quem é familiar: ‘Maria!’. É a ela que o Salvador confia o grande anúncio da ressurreição: ‘Vai a meus irmãos e dize-lhes que Subo a meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus’. Esta é a Madalena que a Igreja hoje comemora, com presença obrigatória no calendário geral. Anteriormente, a liturgia ocidental — influenciada pelos escritos de são Gregório Magno e pela identidade de nome — confundira numa só pessoa Maria de Betânia e Maria de Magdala. Tal identificação fora sempre recusada pela tradição da igreja oriental e pelos escritos dos padres gregos. Com ambos está concorde agora o novo Calendário romano. Constitui pura lenda a viagem e a estada de Madalena na Gália. Segundo uma antiga tradição grega, Maria Madalena teria ido viver em Éfeso junto à mãe de Jesus e ao apóstolo João. Conheca mais sobre Santa Maria Madalena Para o amor de Deus, nada é impossível. E, no entardecer da vida, seremos julgados segundo o amor. Os Evangelhos nos contam a história de Madalena. Uma pecadora que tanto admirou e amou Nosso Senhor Jesus Cristo que não só foi perdoada mas que dela disse o Senhor: “em toda parte será contado em sua memória o que ela fez”. (Mat. 26, 13) Quem ouve o nome “Maria Madalena”, na maioria das vezes, lembra-se da mulher pecadora e de má vida do Evangelho. Poucos se recordam que dela foram tirados sete demônios (Luc. 8,2) e que ela foi perdoada de seus numerosos pecados (Luc. 7,47- Mar. 16,9). Muitos ignoram que ela arrependeu-se do mal que praticou. Esquecem que ela viveu uma vida de penitente, que foi uma grande Santa. E que santificou-se por amar intensamente a Deus. Ninguém comenta que foi a propósito dela que Nosso Senhor disse: “Em verdade vos digo: em toda parte onde for pregado este Evangelho pelo mundo inteiro, será contado em sua memória o que ela fez”. (Mat. 26,13) E… quem tem nela um exemplo de virgindade e pureza? Vejamos um pouco da história de Santa Maria Madalena. As trê Marias e Santa Maria Madalena O Papa São Gregório Magno, foi um zeloso reformador da Igreja, foi quem estabeleceu regras para o canto e cerimônias litúrgicas na Igreja e tornou-se mais conhecido como o criador do Calendário Gregoriano. Além disso ele foi também um grande estudioso da vida dos santos e das Escrituras Sagradas. São Gregório Magno afirma que Maria Madalena, Maria de Betania e Maria pecadora, citadas no evangelho, são a mesma pessoa. Por isso mesmo é que Santa Maria Madalena é, entre as mulheres, a que mais tem seu nome citado nos Santos Evangelhos. Ela nasceu em Magdala e viveu no século I. Conheceu Nosso Senhor, foi contemporânea de Nossa Senhora, dos Apóstolos, dos primeiros cristãos.”E Lázaro (…) era seu irmão.”(Jo. 11, 1-2). Ela era irmã de Santa Marta e de Lázaro, a quem o Mestre Divino ressuscitou. “Lázaro havia caído doente em Bethania onde estavam Maria e sua irmã Marta. Maria era quem ungira o Senhor com óleos perfumados e Lhe enxugara os pés com seus cabelos” durante um banquete do qual Jesus participava. Ela escolheu a melhor parte… “Jesus andava pelas cidades e aldeias anunciando a boa nova do Reino de Deus. Os doze estavam com Ele, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios.” (Luc. 8,2) Madalena foi a mulher a quem Jesus exorcizou.(Mar.16, 9). Depois disso, ela acompanhava Jesus, agradecida, contemplando sua divindade, amando a Deus, santificando-se. Santa Maria Madalena tinha uma alma admirativa e, por isso mesmo, era uma pessoa capaz de contemplar. Nas principais citações que o Evangelho traz dela sua admiração por Nosso Senhor fica destacada. E contemplar a Deus na Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo foi um dos pontos altos de sua vida. Sem dúvida, ela exercia tarefas que estavam destinadas às Santas Mulheres, contudo, em suas atividades ela procurava dar mais importancia ao “Deus das obras que às obras de Deus”: ela havia escolhido a melhor parte… Esta afirmação está contida nos Evangelhos, são palavras do próprio Nosso Senhor: “Jesus estava em viagem, e entrou em uma aldeia e uma mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. Marta tinha uma irmã chamada Maria que se assentou aos pés do Senhor para ouvi-lo falar. Marta toda preocupada com a lida da casa, veio a Jesus e disse: Senhor não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude. Repondeu-lhe o Senhor: “Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada.” (Luc 10, 38-42) Muito embora ainda fosse uma pecadora, ela já havia dado mostras de sua escolha pela admiração contemplativa. Isso ficou evidente naquele banquete onde outras pessoas estavam com Jesus e não viam nele o Filho de Deus, mas um homem inteligente, esperto, talvez predestinado e, no máximo, um profeta: “Um fariseu convidou Jesus a ir comer com ele. Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa. Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume; e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lagrimas banhavam os pés do Senhor, e ela os enxugava com os cabelos, beijando-os e os ungia com perfume.(Luc. 7, 36-38) Na Via Dolorosa, no Calvário, … de pé, com a Virgem Maria! Esta mulher contemplativa esteve no Calvário. “Havia ali algumas mulheres (…) que tinham seguido Jesus desde a Galileia para o servir. Entre elas Maria Madalena.” (Mat. 27, 55-56) É certo que durante a peregrinação na via dolorosa Santa Maria Madalena esteve ao lado da Virgem Mãe de Deus, Nossa Senhora, a quem ela admirava e venerava afetuosamente e que naquela ocasião era quem mais sofria espiritualmente as dores pelas quais seu Divino Filho passava para a salvação dos homens. E essa, sem dúvida, foi uma ocasião oportuna que, aquela que muito havia pecado, encontrou para consolar quem nunca havia pecado. No Calvário, quando todos fugiram, “junto à cruz de Jesus estavam de pé sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e… Maria Madalena.”(Jo. 19,25). Frutos do Amor a Deus O amor contemplativo de Maria Madalena rendeu-lhe os melhores frutos. E estes frutos não foram só o perdão de seus pecados e a graça de seu insigne e exemplar arrependimento. Outras graças espirituais ainda lhe foram concedidas por causa de sua admiração e amorosa contemplação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnada na Humanidade Santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo. Talvez a maior das graças recebidas por ela tenha sido dada por ocasião da Ressurreição do Divino Salvador: “Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria de Magdalena, de quem tinha expulsado sete demônios.(Mar. 16-9) Seu amor a Nosso Senhor já tinha feito com que ela, após a morte do Salvador estivesse junto dEle também em Seu sepultamento. E, depois que a pedra foi rolada, “Maria Madalena e a outra Maria ficaram lá, sentadas diante do túmulo”(Mat. 27,61). No que pensava ela ali sentada? Não se sabe. A certeza que se tem é que ela não pensava em si, pois, Seu Senhor era sempre o centro de suas cogitações. “‘Maria!’ Ela voltou-se e exclamou: ‘Rabôni!’ (Jo 20,16) Passou-se a sexta feira, passou-se o sábado. “Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena, e a outra Maria foram ver o túmulo” (Mat. 28,1). Ela descobriu o túmulo vazio e ouviu dois seres angélicos anunciarem a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela seria a primeira testemunha da Ressurreição do Senhor e a primeira a ver Cristo mais tarde no mesmo dia quando o Mestre deu a ela a mensagem para entregar aos demais discípulos (João 20:1-18). Depois disso, que sentido teria continuar vivendo nessa Terra? Após ter sido curada e os demônios terem sido expulsos por Jesus, Maria Madalena coloca-se a serviço do Reino de Deus, fazendo um caminho de discipulado, seguindo Nosso Senhor no amor e no serviço. A partir deste encontro com Jesus Ressuscitado, Maria Madalena, a discipula fiel, continuou vivendo entre os apóstolos e discípulos, sendo um exemplo vivo das graças que o Senhor dispensou a ela, levando uma vida de testemunho e de luta por uma santidade maior. A História de uma Virgem A tradição nos conta que juntamente com a Virgem Maria e o Apóstolo João, ela foi evangelizar em Éfeso. Outra história, que desde muito corre no Ocidente, diz que ela viajou para Provença, França, com seus irmãos Marta e Lázaro com mais outros discípulos para evangelizar Gaul. Neste local ela passou 30 anos de sua vida na caverna de La Saint-Baume, nos Alpes Marítimos. Foi milagrosamente transportada, pouco antes de sua morte, para a Capela de Saint-Maximin, onde recebeu os últimos sacramentos da Santa Igreja. Ela foi enterrada em Aix. Em Vazelay, na França, todos afirmam que suas relíquias ali estão desde o século XI. No Ocidente, o culto à Santa Maria Madalena propagou-se a partir do Século XII. Na arte litúrgica da Igreja ela é representada com longos cabelos, segurando uma jarra própria para guardar óleos perfumados. Sua festa é celebrada no dia 22 de julho.Quando rezamos a Ladainha de Todos os Santos encontramos o nome de Santa Maria Madalena como a primeira das invocações das Santas Virgens. Isso não causa espanto a quem sabe que a Deus nada é impossível. É a beleza da contrição e do perdão. Aquele que é capaz de “transformar as pedras brutas em Filhos de Abraão”, pode perfeitamente devolver a integridade a uma pecadora. E isso, sobretudo se ela arrependeu-se muito, se admirou muito, se amou muito. Como foi o caso dela. (Fonte: Bíblia Sagrada – Editora Ave Maria – São Paulo – 2008) #SantodoDia

  • São Lourenço de Brindisi, doutor da igreja – 21 de Julho

    SANTO DO DIA – 21 DE JULHO – SÃO LOURENÇO DE BRINDISI Sacerdote e doutor da Igreja (1559-1619) Geralmente, as chamadas ‘crianças superdotadas’, aquelas que demonstram um dom excepcional para alguma especialidade, quando crescem, parecem ‘perder os poderes’ e nivelam-se com as demais pessoas. São poucas as exceções que merecem ser recordadas. Mas, com certeza, uma delas foi Júlio César Russo, que nasceu no dia 22 de julho de 1559, em Brindisi, na Itália. Seu nome de batismo mostrava, claramente, a ambição dos pais, que esperavam para ele um futuro brilhante, como o do grande general romano. Realmente, anos depois, lá estava ele à frente das forças cristãs lutando contra a invasão dos turcos muçulmanos, que ameaçava chegar ao coração da Europa depois de terem dominado a Hungria. Só que não empunhava uma espada, mas sim uma cruz de madeira. Nessa ocasião, já vestia o hábito franciscano, respondia pelo nome de Lourenço e era o capelão da tropa, além de conselheiro do chefe do exército romano, Filipe Emanuel de Lorena. Vejamos como tudo aconteceu. Aos seis anos de idade, o então menino Júlio César encantava a todos com o extraordinário dom de memorizar as páginas de livros, em poucos minutos, para depois declamá-las em público. E cresceu assim, brilhante nos estudos. Quando ficou órfão, aos 14 anos, foi acolhido por um tio que residia em Veneza. Nesta megalópole, pôde desenvolver muito mais seus talentos para os estudos. Mas a religião o atraia de forma irresistível. Dois anos após chegar a Veneza, ele atendeu ao chamado e ingressou na Ordem dos Frades Menores de São Francisco de Assis. Em seguida, juntou-se aos capuchinhos de Verona, onde recebeu a ordenação e assumiu o novo nome, em 1582. Após completar sua formação na Universidade de Pádua, voltou para Veneza em 1586 como professor dos noviços da Ordem, sempre evidenciando os mesmos dotes da infância. Tornou-se especialista em línguas, e sua erudição levou-o a ocupar altos postos em sua Ordem e também a serviço do sumo pontífice. Foi provincial em Toscana, Veneza, Gênova e Suíça e comissário no Tirol e na Baviera, pregando firmemente a ortodoxia católica contra a Reforma Protestante, além de animar as autoridades e o povo na luta contra a dominação dos turcos muçulmanos. Lourenço foi, mesmo, o superior-geral da sua própria Ordem e embaixador do papa Paulo V, com a missão de intermediar príncipes e reis em conflito. Lourenço de Brindisi morreu no dia do seu aniversário, em 1619, durante sua segunda viagem à Península Ibérica, na cidade de Lisboa, em Portugal. Foi canonizado em 1881 e recebeu o título de ‘Doutor da Igreja’ em 1959, outorgado pelo papa João XXIII. A sua festa é celebrada um dia antes do aniversário de sua morte, dia 21 de julho. Conheça mais sobre São Lourenço de Brindisi Dentro dos sábios equilíbrios da Civilização Cristã, o capuchinho representava a tônica oposta de tanto luxo e tanto bom gosto. Antes de comentar a vida de São Lourenço de Bríndisi, vale a pena termos uma noção do que era um capuchinho no século XVI, para melhor avaliarmos a projecção da figura desse santo no mundo daquele tempo. Conhecemos o traje clássico dos capuchinhos. É aquele hábito marrom- claro, na cintura um rosário, sendo que asfileiras de contas são unidas pela figura de uma caveira. Calçam sandálias sem meias, usam a barba grande e cabelo aparado quase rente. O capuchinho entrava, desse modo, num contraste violento com o modo de se trajar e de se apresentar dos homens da época. A Renascença estava no fim, e se ia passando para o Barroco e o Rococó, as modas masculinas iam atingindoum auge de rebuscamento, de elegância, de finura e, às vezes, de efeminamento, como poucas vezes aconteceu na História. Os homens se trajavam de seda, de damasco, trazendo na roupa botões e outros ornamentos de pedras preciosas. Usavam anéis, meias de seda, sapatos de verniz (com salto vermelho, quando eram nobres) com fivelas de ouro ou de prata e pedras preciosas. Perfumavam-se. Quando usavam barba, era aparada no formato chamado de “pêra”, muito bem cuidada, e os bigodes finos e sedosos – não era o bigode à “kaiser”, com a ponta voltada para cima. Por cima do cabelo natural, ou da cabeça rapada, punham cabeleiras, superpreparadas em estabelecimentos especiais. Não falemos da apresentação da dama, porque, se assim era a do homem, mais requintada era a feminina. Dentro dos sábios equilíbrios da Civilização Cristã, o capuchinho representava a tônica oposta de tanto luxo e tanto bom gosto. Harmonia baseada nos contrastes Não seria eu quem haveria de censurar que a Civilização Cristã engendrasse os mais magníficos trajes. Eu teria, certamente, alguma restrição a alguns aspectos desses trajes no século XVI. Mas, na linha geral, a ideia de acentuar a dignidade do homem por meio de trajes magníficos me parece muito boa e própria a realçar a sabedoria do plano de Deus, o qual, a serviço do rei da Criação, que é o homem, dispôs de materiais capazes de afirmar adequadamente essa realeza. Sobretudo quanto esse rei é, ao mesmo tempo, membro do Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo, e tem, portanto, uma dignidade maior do que a própria dignidade humana. Mas é próprio do gênio, do talento da Igreja Católica estabelecer a harmonia baseada nos contrastes. Uma coisa é a contradição; outra coisa são os contrastes harmônicos. Estes últimos são sempre contrastes entre duas perfeições – não entre um defeito e uma perfeição e, menos ainda, entre dois defeitos – as quais, sendo muito diversas entre si e por serem muito diversas entre si, como que se equilibram. Um tal esplendor nos trajes, uma tal magnificência na vida de Corte, exigia que se lembrasse ao homem, ao mesmo tempo, os valores opostos da austeridade, da sobriedade, da sobranceria em relação às coisas terrenas, do único valor profundo das coisas sobrenaturais, etc. Só por essa forma a humanidade poderia chegar impunemente a tais requintes de luxo. Como, em sentido contrário, a afirmação magnífica – eu quase diria brutal – da morte, da pobreza, de tudo aquilo que leva o homem a sofrer na vida, a renunciar, a lutar, só poderia ser um valor geral para a sociedade, frequente, presente em todos os aspectos da vida social, se, em sentido contrário, o esplendor da vida terrena aparecesse também. Um exemplo de contrários harmônicos São esses contrários harmónicos que são os fatores de equilíbrio da alma humana. É muito belo ver, em quadros do tempo, cenas de vida de Corte. Uma sala com um rei e uma rainha com coroas na cabeça. A Corte inteira de pé: dignitários, cardeais vestidos de púrpura, guerreiros, ministros, etc., formando um grande semicírculo à espera de um ato que se devia realizar. A pequena distância do rei ou da rainha, a figura de um capuchinho. Espadaúdo, enorme, forte, com uma barba colossal, e com sua roupa terrível. Natural no meio daquilo, na sua pobreza entre os mais importantes e mais ricos, e cercado de respeito e de delicadeza. Era esse o papel simbólico dos capuchinhos na civilização daquele tempo. Representavam tudo quanto há de austero na vida, e constituíam a contrapartida harmônica de tudo quanto havia de magnífico na vida, que a civilização daquele tempo estava elaborando. Um protesto vivo Temos, pois, um santo, São Lourenço de Bríndisi, que é chamado a desempenhar essa missão, simbolizar esse valor na sociedade daquele tempo. O mundo era então marcado pela presença de dois adversários terríveis, que quase liquidaram a Europa. Um deles era a Primeira Revolução, o protestantismo, contra o qual São Lourenço de Bríndisi lutou com êxito. A Primeira Revolução, como mostra Plinio Correa de Oliveira em seu livro “Revolução e Contra-Revolução”, foi marcada por uma explosão de orgulho e de sensualidade. De orgulho, afirmado pela negação da hierarquia eclesiástica e pela inconformidade, na esfera eclesiástica, de todos os súditos com a autoridade. O Bispo não querendo tolerar Papas, os sacerdotes não querendo tolerar Bispos, os leigos não querendo tolerar sacerdotes. Uma verdadeira revolução comunista dentro da estrutura eclesiástica daquele tempo. De outro lado, a sensualidade, afirmada pela ruptura com o princípio da indissolubilidade do vínculo conjugal, quer dizer, pelo estabelecimento do divórcio em todas as seitas protestantes e, de outro lado, pela abolição do celibato eclesiástico e do estado religioso com celibato. Nesse mundo marcado pela perpétua insatisfação de todos, o capuchinho representava um protesto vivo. Ele era pobre o mais das vezes voluntário, um homem que possuíra bens na terra, maiores ou menores, e optara por ser pobre; que renunciara a toda carreira terrena, não ocupava altos cargos nem altas situações, vivia na humildade do voto de obediência pelo qual renunciara à própria vontade para viver sob o império da vontade de um outro; e mantinha a castidade perfeita. Ele representava, então, um contraste vivo com todo o desregramento do tempo, e passeava naquela sociedade revolucionária como um tanque evolui no meio de batalhões adversos de infantaria. Com serenidade, sobranceria e ação de presença, ia aniquilando. Desde a infância preparando a alma para grandes batalhas Vamos agora estudar a vida desse Santo sob esse aspecto. Passemos à leitura de trechos da biografia dele. Nasceu em Bríndisi, em 1559. Foram seus pais das mais nobres famílias daquela cidade. Tinha apenas quatro anos quando pediu aos pais para entrar no convento dos Frades Menores. Os pais acederam. Lourenço era aplicado. Gostava muito de ouvir sermões, retinha-os facilmente e os repetia com exatidão. Às vezes faziam-no pregar no Capítulo, para que todos ouvissem. Que encanto um capuchinhozinho com voz de criança, mas já com catadura de atleta de Cristo, fazendo sermões que ele ouvia e repetia! Isso ia formando o menino para as grandes batalhas que ele ia travar, para o desembaraço que constitui uma das formas da grandeza capuchinha. O Arcebispo, a quem a notícia chegou, quis também ouvi-lo, e o obrigou a ir pregar na catedral diante de numeroso público, que muito proveito tirou. Levemos em consideração que, naqueles lugares pequenos da Itália – sem rádio, televisão, cinema – qualquer singularidade despertava curiosidade. Assim a Catedral se enchia para ouvir o sermão de um meninozinho extraordinário. O povo, como era naquele tempo, falante, exuberante, fazendo comentários antes de chegar o menino. De repente, este sobe, começa a fazer ouvir sua voz, o silêncio se estabelece aos poucos. Terminado, o órgão toca, alguém canta uma Ave-Maria, e o público vai lentamente se escoando depois de ter recebido a bênção do Bispo. O menino entra no convento e não ouve nenhuma das repercussões. Vai dormir e, na manhã seguinte, está limpando o chão. Ao receber pressões da mãe, São Lourenço foge Tendo morrido seu pai, quis a mãe que o filho voltasse para casa, a fim de lhe fazer companhia. Mas o jovem procurou esquivar-se às solicitações dela e fugiu para Veneza, onde estava um tio seu, sacerdote, reitor do Colégio de São Marcos. Veneza de manhãzinha, com seus palácios, seu panorama aquático magnífico, mil jogos de luz maravilhosos. O fradinho que fugiu e viajou a noite inteira entra tranquilamente na cidade, toma uma gôndola e, de pé, olhando os palácios e pensando em como o Reino dos Céus é maior do que o da Terra, chega à casa do tio para estudar. O tio era aliado de Deus e o acolhe, e a mãe desiste de exercer seu poder. Concluindo ele os estudos de filosofia, seu tio o destinou à Faculdade de Direito Canônico. Chegado aos 17 anos, pediu o hábito capuchinho, e o Provincial lhe concedeu com gosto. Em 24 de março de 1576, ele fez a solene profissão. Maravilhosas conversões Aos 36 anos, foi nomeado Ministro Geral para toda a Ordem. Quando Clemente VIII mandou os capuchinhos para a Alemanha, o Santo foi um dos encarregados. O Imperador [do Sacro Império] teve grande satisfação nessa escolha e concedeu-lhe ampla autorização para fundar mosteiros. Fundou-os na Boêmia, Áustria, Morávia e Silésia. Fundar mosteiros é encontrar vocações para eles, encontrar dinheiro para construí-los e superiores para dirigi-los. É difícil encontrar quem queira levar a vida austera de um capuchinho. Mas ele formou mosteiros em todas essas regiões. Os Sumos Pontífices confiaram-lhe as mais delicadas missões. Várias vezes foi enviado como embaixador a cortes de diversos príncipes. Estes o honravam também com o caráter de seu embaixador. Assim compareceu às cortes dos príncipes da Alemanha e até à Dieta do Império. Seu zelo reteve naquele país e heresia luterana. Podemos imaginar cenas de Cortes: o arauto anuncia que vai entrar no salão o Embaixador do Santo Padre, tido como o decano dos diplomatas em todos os países católicos, e entra o frade capuchinho na singeleza de seus trajes. Grande reverência ao rei, e prossegue, no meio dos tapetes de luxo, do esplendor, sereno e indiferente, sem revolta e sem admiração, com os olhos postos no Céu e pregando a verdade, às vezes terrível. Imprudente no nível humano, prudente no sobrenatural O Imperador desejou que alguns capuchinhos fossem como capelães do exército à Hungria. São Lourenço foi à frente da missão. Era general o Arquiduque Matias, irmão do Imperador, o qual, estimulado pelas promessas que lhe fazia Lourenço da parte de Deus, de alcançar vitória sobre os inimigos, determinou atacá-los perto de Alba Real. O Arquiduque, excelente general, considerava imprudente atacar os maometanos, que estavam chegando pelos Bálcãs para atacar a Hungria e depois a Áustria, por assim dizer, pelas costas, enquanto os Habsburgos tinham de enfrentar o ataque dos protestantes da Alemanha e a oposição política francesa. Situação crítica para a Casa d’Áustria. O Arquiduque Matias, parente do Imperador, generalíssimo das tropas do Império Romano-Alemão, diante dos turcos duvida se ataca ou não. Podemos imaginá-lo numa tenda magnífica, reunido com seus homens de guerra, olhando mapas sobre uma mesa de emergência, discutindo se avança ou não, com dados obtidos pelos espiões. Segundo as regras da técnica militar, a batalha é imprudente. Entra então a sentinela e diz: “Frei Lourenço quer falar”. O Arquiduque Matias aquiesce e o capuchinho entra, avisando a revelação de Deus: “Podem dar o ataque, porque vencerão”. Há um momento de sensação, quando, ouvido o religioso, que não dá razões técnicas, mas só as ouvidas do Céu, os generais vêem o Arquiduque hesitar. Alguém um tanto incrédulo diz: “Alteza, não permita essa luta. Será o fim dos exércitos e o fim da Arquifamília” (chamavam desse modo pitoresco a família dos Arquiduques). – Não – repete Frei Lourenço. – A glória da Arquifamília está na batalha. Seus caminhos passam pe- los caminhos de Deus. Para a frente! Ordena o ataque. Naquele tempo ainda havia Fé. Os homens criam. O Arquiduque decide dar a batalha, porque Frei Lourenço lhe prometeu vitória. Batalha imprudente no terreno humano, mas prudente no terreno sobrenatural, que ia ser abençoada por Deus. Os cristãos, embora inferiores em número, acometeram com tal ímpeto que galgaram de espada em punho as trincheiras, conseguindo uma vitória completa e a conquista de Alba Real. Os turcos recuaram. Esse sucesso, que custou apenas 30 homens aos cristãos, julgaram todos que foi devido às orações de Lourenço, o qual, durante todo o combate, montado em um cavalo, animava os soldados a combaterem pela fé. Que cena magnífica! O capuchinho montado a cavalo, segurando as rédeas com uma mão e a cruz com outra. E o tempo inteiro percorrendo as fileiras e estimulando à luta, prometendo o Céu para quem morresse. E aqueles homenzarrões, com parte do armamento ainda de metal, tendo de enfrentar tiros de canhão ainda incipiente, projéteis com pedras, e a carga contrária dos maometanos, o ouvem tão inflamados que vão com ímpeto, fazendo os maometanos flectirem e fugirem. Podemos imaginar como foi o declínio da tarde sobre Alba Real conquistada pelos católicos. A alegria das tropas católicas diante do milagre evidente. O Arquiduque talvez na casa do governador maometano de Alba Real; todos descansando nos vários lugares da batalha. Repicam os sinos. Frei Lourenço está chamando para a prece. A igreja está cheia. Entram, ele está junto ao altar e canta um magnífico Te Deum. Isso é viver! (Os Santos Comentados, por Monsenhor João Clá Dias, EP) #SantodoDia

  • São Lourenço de Brindisi, doutor da igreja – 21 de Julho

    SANTO DO DIA – 21 DE JULHO – SÃO LOURENÇO DE BRINDISI Sacerdote e doutor da Igreja (1559-1619) Geralmente, as chamadas ‘crianças superdotadas’, aquelas que demonstram um dom excepcional para alguma especialidade, quando crescem, parecem ‘perder os poderes’ e nivelam-se com as demais pessoas. São poucas as exceções que merecem ser recordadas. Mas, com certeza, uma delas foi Júlio César Russo, que nasceu no dia 22 de julho de 1559, em Brindisi, na Itália. Seu nome de batismo mostrava, claramente, a ambição dos pais, que esperavam para ele um futuro brilhante, como o do grande general romano. Realmente, anos depois, lá estava ele à frente das forças cristãs lutando contra a invasão dos turcos muçulmanos, que ameaçava chegar ao coração da Europa depois de terem dominado a Hungria. Só que não empunhava uma espada, mas sim uma cruz de madeira. Nessa ocasião, já vestia o hábito franciscano, respondia pelo nome de Lourenço e era o capelão da tropa, além de conselheiro do chefe do exército romano, Filipe Emanuel de Lorena. Vejamos como tudo aconteceu. Aos seis anos de idade, o então menino Júlio César encantava a todos com o extraordinário dom de memorizar as páginas de livros, em poucos minutos, para depois declamá-las em público. E cresceu assim, brilhante nos estudos. Quando ficou órfão, aos 14 anos, foi acolhido por um tio que residia em Veneza. Nesta megalópole, pôde desenvolver muito mais seus talentos para os estudos. Mas a religião o atraia de forma irresistível. Dois anos após chegar a Veneza, ele atendeu ao chamado e ingressou na Ordem dos Frades Menores de São Francisco de Assis. Em seguida, juntou-se aos capuchinhos de Verona, onde recebeu a ordenação e assumiu o novo nome, em 1582. Após completar sua formação na Universidade de Pádua, voltou para Veneza em 1586 como professor dos noviços da Ordem, sempre evidenciando os mesmos dotes da infância. Tornou-se especialista em línguas, e sua erudição levou-o a ocupar altos postos em sua Ordem e também a serviço do sumo pontífice. Foi provincial em Toscana, Veneza, Gênova e Suíça e comissário no Tirol e na Baviera, pregando firmemente a ortodoxia católica contra a Reforma Protestante, além de animar as autoridades e o povo na luta contra a dominação dos turcos muçulmanos. Lourenço foi, mesmo, o superior-geral da sua própria Ordem e embaixador do papa Paulo V, com a missão de intermediar príncipes e reis em conflito. Lourenço de Brindisi morreu no dia do seu aniversário, em 1619, durante sua segunda viagem à Península Ibérica, na cidade de Lisboa, em Portugal. Foi canonizado em 1881 e recebeu o título de ‘Doutor da Igreja’ em 1959, outorgado pelo papa João XXIII. A sua festa é celebrada um dia antes do aniversário de sua morte, dia 21 de julho. Conheça mais sobre São Lourenço de Brindisi Dentro dos sábios equilíbrios da Civilização Cristã, o capuchinho representava a tônica oposta de tanto luxo e tanto bom gosto. Antes de comentar a vida de São Lourenço de Bríndisi, vale a pena termos uma noção do que era um capuchinho no século XVI, para melhor avaliarmos a projecção da figura desse santo no mundo daquele tempo. Conhecemos o traje clássico dos capuchinhos. É aquele hábito marrom- claro, na cintura um rosário, sendo que asfileiras de contas são unidas pela figura de uma caveira. Calçam sandálias sem meias, usam a barba grande e cabelo aparado quase rente. O capuchinho entrava, desse modo, num contraste violento com o modo de se trajar e de se apresentar dos homens da época. A Renascença estava no fim, e se ia passando para o Barroco e o Rococó, as modas masculinas iam atingindoum auge de rebuscamento, de elegância, de finura e, às vezes, de efeminamento, como poucas vezes aconteceu na História. Os homens se trajavam de seda, de damasco, trazendo na roupa botões e outros ornamentos de pedras preciosas. Usavam anéis, meias de seda, sapatos de verniz (com salto vermelho, quando eram nobres) com fivelas de ouro ou de prata e pedras preciosas. Perfumavam-se. Quando usavam barba, era aparada no formato chamado de “pêra”, muito bem cuidada, e os bigodes finos e sedosos – não era o bigode à “kaiser”, com a ponta voltada para cima. Por cima do cabelo natural, ou da cabeça rapada, punham cabeleiras, superpreparadas em estabelecimentos especiais. Não falemos da apresentação da dama, porque, se assim era a do homem, mais requintada era a feminina. Dentro dos sábios equilíbrios da Civilização Cristã, o capuchinho representava a tônica oposta de tanto luxo e tanto bom gosto. Harmonia baseada nos contrastes Não seria eu quem haveria de censurar que a Civilização Cristã engendrasse os mais magníficos trajes. Eu teria, certamente, alguma restrição a alguns aspectos desses trajes no século XVI. Mas, na linha geral, a ideia de acentuar a dignidade do homem por meio de trajes magníficos me parece muito boa e própria a realçar a sabedoria do plano de Deus, o qual, a serviço do rei da Criação, que é o homem, dispôs de materiais capazes de afirmar adequadamente essa realeza. Sobretudo quanto esse rei é, ao mesmo tempo, membro do Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo, e tem, portanto, uma dignidade maior do que a própria dignidade humana. Mas é próprio do gênio, do talento da Igreja Católica estabelecer a harmonia baseada nos contrastes. Uma coisa é a contradição; outra coisa são os contrastes harmônicos. Estes últimos são sempre contrastes entre duas perfeições – não entre um defeito e uma perfeição e, menos ainda, entre dois defeitos – as quais, sendo muito diversas entre si e por serem muito diversas entre si, como que se equilibram. Um tal esplendor nos trajes, uma tal magnificência na vida de Corte, exigia que se lembrasse ao homem, ao mesmo tempo, os valores opostos da austeridade, da sobriedade, da sobranceria em relação às coisas terrenas, do único valor profundo das coisas sobrenaturais, etc. Só por essa forma a humanidade poderia chegar impunemente a tais requintes de luxo. Como, em sentido contrário, a afirmação magnífica – eu quase diria brutal – da morte, da pobreza, de tudo aquilo que leva o homem a sofrer na vida, a renunciar, a lutar, só poderia ser um valor geral para a sociedade, frequente, presente em todos os aspectos da vida social, se, em sentido contrário, o esplendor da vida terrena aparecesse também. Um exemplo de contrários harmônicos São esses contrários harmónicos que são os fatores de equilíbrio da alma humana. É muito belo ver, em quadros do tempo, cenas de vida de Corte. Uma sala com um rei e uma rainha com coroas na cabeça. A Corte inteira de pé: dignitários, cardeais vestidos de púrpura, guerreiros, ministros, etc., formando um grande semicírculo à espera de um ato que se devia realizar. A pequena distância do rei ou da rainha, a figura de um capuchinho. Espadaúdo, enorme, forte, com uma barba colossal, e com sua roupa terrível. Natural no meio daquilo, na sua pobreza entre os mais importantes e mais ricos, e cercado de respeito e de delicadeza. Era esse o papel simbólico dos capuchinhos na civilização daquele tempo. Representavam tudo quanto há de austero na vida, e constituíam a contrapartida harmônica de tudo quanto havia de magnífico na vida, que a civilização daquele tempo estava elaborando. Um protesto vivo Temos, pois, um santo, São Lourenço de Bríndisi, que é chamado a desempenhar essa missão, simbolizar esse valor na sociedade daquele tempo. O mundo era então marcado pela presença de dois adversários terríveis, que quase liquidaram a Europa. Um deles era a Primeira Revolução, o protestantismo, contra o qual São Lourenço de Bríndisi lutou com êxito. A Primeira Revolução, como mostra Plinio Correa de Oliveira em seu livro “Revolução e Contra-Revolução”, foi marcada por uma explosão de orgulho e de sensualidade. De orgulho, afirmado pela negação da hierarquia eclesiástica e pela inconformidade, na esfera eclesiástica, de todos os súditos com a autoridade. O Bispo não querendo tolerar Papas, os sacerdotes não querendo tolerar Bispos, os leigos não querendo tolerar sacerdotes. Uma verdadeira revolução comunista dentro da estrutura eclesiástica daquele tempo. De outro lado, a sensualidade, afirmada pela ruptura com o princípio da indissolubilidade do vínculo conjugal, quer dizer, pelo estabelecimento do divórcio em todas as seitas protestantes e, de outro lado, pela abolição do celibato eclesiástico e do estado religioso com celibato. Nesse mundo marcado pela perpétua insatisfação de todos, o capuchinho representava um protesto vivo. Ele era pobre o mais das vezes voluntário, um homem que possuíra bens na terra, maiores ou menores, e optara por ser pobre; que renunciara a toda carreira terrena, não ocupava altos cargos nem altas situações, vivia na humildade do voto de obediência pelo qual renunciara à própria vontade para viver sob o império da vontade de um outro; e mantinha a castidade perfeita. Ele representava, então, um contraste vivo com todo o desregramento do tempo, e passeava naquela sociedade revolucionária como um tanque evolui no meio de batalhões adversos de infantaria. Com serenidade, sobranceria e ação de presença, ia aniquilando. Desde a infância preparando a alma para grandes batalhas Vamos agora estudar a vida desse Santo sob esse aspecto. Passemos à leitura de trechos da biografia dele. Nasceu em Bríndisi, em 1559. Foram seus pais das mais nobres famílias daquela cidade. Tinha apenas quatro anos quando pediu aos pais para entrar no convento dos Frades Menores. Os pais acederam. Lourenço era aplicado. Gostava muito de ouvir sermões, retinha-os facilmente e os repetia com exatidão. Às vezes faziam-no pregar no Capítulo, para que todos ouvissem. Que encanto um capuchinhozinho com voz de criança, mas já com catadura de atleta de Cristo, fazendo sermões que ele ouvia e repetia! Isso ia formando o menino para as grandes batalhas que ele ia travar, para o desembaraço que constitui uma das formas da grandeza capuchinha. O Arcebispo, a quem a notícia chegou, quis também ouvi-lo, e o obrigou a ir pregar na catedral diante de numeroso público, que muito proveito tirou. Levemos em consideração que, naqueles lugares pequenos da Itália – sem rádio, televisão, cinema – qualquer singularidade despertava curiosidade. Assim a Catedral se enchia para ouvir o sermão de um meninozinho extraordinário. O povo, como era naquele tempo, falante, exuberante, fazendo comentários antes de chegar o menino. De repente, este sobe, começa a fazer ouvir sua voz, o silêncio se estabelece aos poucos. Terminado, o órgão toca, alguém canta uma Ave-Maria, e o público vai lentamente se escoando depois de ter recebido a bênção do Bispo. O menino entra no convento e não ouve nenhuma das repercussões. Vai dormir e, na manhã seguinte, está limpando o chão. Ao receber pressões da mãe, São Lourenço foge Tendo morrido seu pai, quis a mãe que o filho voltasse para casa, a fim de lhe fazer companhia. Mas o jovem procurou esquivar-se às solicitações dela e fugiu para Veneza, onde estava um tio seu, sacerdote, reitor do Colégio de São Marcos. Veneza de manhãzinha, com seus palácios, seu panorama aquático magnífico, mil jogos de luz maravilhosos. O fradinho que fugiu e viajou a noite inteira entra tranquilamente na cidade, toma uma gôndola e, de pé, olhando os palácios e pensando em como o Reino dos Céus é maior do que o da Terra, chega à casa do tio para estudar. O tio era aliado de Deus e o acolhe, e a mãe desiste de exercer seu poder. Concluindo ele os estudos de filosofia, seu tio o destinou à Faculdade de Direito Canônico. Chegado aos 17 anos, pediu o hábito capuchinho, e o Provincial lhe concedeu com gosto. Em 24 de março de 1576, ele fez a solene profissão. Maravilhosas conversões Aos 36 anos, foi nomeado Ministro Geral para toda a Ordem. Quando Clemente VIII mandou os capuchinhos para a Alemanha, o Santo foi um dos encarregados. O Imperador [do Sacro Império] teve grande satisfação nessa escolha e concedeu-lhe ampla autorização para fundar mosteiros. Fundou-os na Boêmia, Áustria, Morávia e Silésia. Fundar mosteiros é encontrar vocações para eles, encontrar dinheiro para construí-los e superiores para dirigi-los. É difícil encontrar quem queira levar a vida austera de um capuchinho. Mas ele formou mosteiros em todas essas regiões. Os Sumos Pontífices confiaram-lhe as mais delicadas missões. Várias vezes foi enviado como embaixador a cortes de diversos príncipes. Estes o honravam também com o caráter de seu embaixador. Assim compareceu às cortes dos príncipes da Alemanha e até à Dieta do Império. Seu zelo reteve naquele país e heresia luterana. Podemos imaginar cenas de Cortes: o arauto anuncia que vai entrar no salão o Embaixador do Santo Padre, tido como o decano dos diplomatas em todos os países católicos, e entra o frade capuchinho na singeleza de seus trajes. Grande reverência ao rei, e prossegue, no meio dos tapetes de luxo, do esplendor, sereno e indiferente, sem revolta e sem admiração, com os olhos postos no Céu e pregando a verdade, às vezes terrível. Imprudente no nível humano, prudente no sobrenatural O Imperador desejou que alguns capuchinhos fossem como capelães do exército à Hungria. São Lourenço foi à frente da missão. Era general o Arquiduque Matias, irmão do Imperador, o qual, estimulado pelas promessas que lhe fazia Lourenço da parte de Deus, de alcançar vitória sobre os inimigos, determinou atacá-los perto de Alba Real. O Arquiduque, excelente general, considerava imprudente atacar os maometanos, que estavam chegando pelos Bálcãs para atacar a Hungria e depois a Áustria, por assim dizer, pelas costas, enquanto os Habsburgos tinham de enfrentar o ataque dos protestantes da Alemanha e a oposição política francesa. Situação crítica para a Casa d’Áustria. O Arquiduque Matias, parente do Imperador, generalíssimo das tropas do Império Romano-Alemão, diante dos turcos duvida se ataca ou não. Podemos imaginá-lo numa tenda magnífica, reunido com seus homens de guerra, olhando mapas sobre uma mesa de emergência, discutindo se avança ou não, com dados obtidos pelos espiões. Segundo as regras da técnica militar, a batalha é imprudente. Entra então a sentinela e diz: “Frei Lourenço quer falar”. O Arquiduque Matias aquiesce e o capuchinho entra, avisando a revelação de Deus: “Podem dar o ataque, porque vencerão”. Há um momento de sensação, quando, ouvido o religioso, que não dá razões técnicas, mas só as ouvidas do Céu, os generais vêem o Arquiduque hesitar. Alguém um tanto incrédulo diz: “Alteza, não permita essa luta. Será o fim dos exércitos e o fim da Arquifamília” (chamavam desse modo pitoresco a família dos Arquiduques). – Não – repete Frei Lourenço. – A glória da Arquifamília está na batalha. Seus caminhos passam pe- los caminhos de Deus. Para a frente! Ordena o ataque. Naquele tempo ainda havia Fé. Os homens criam. O Arquiduque decide dar a batalha, porque Frei Lourenço lhe prometeu vitória. Batalha imprudente no terreno humano, mas prudente no terreno sobrenatural, que ia ser abençoada por Deus. Os cristãos, embora inferiores em número, acometeram com tal ímpeto que galgaram de espada em punho as trincheiras, conseguindo uma vitória completa e a conquista de Alba Real. Os turcos recuaram. Esse sucesso, que custou apenas 30 homens aos cristãos, julgaram todos que foi devido às orações de Lourenço, o qual, durante todo o combate, montado em um cavalo, animava os soldados a combaterem pela fé. Que cena magnífica! O capuchinho montado a cavalo, segurando as rédeas com uma mão e a cruz com outra. E o tempo inteiro percorrendo as fileiras e estimulando à luta, prometendo o Céu para quem morresse. E aqueles homenzarrões, com parte do armamento ainda de metal, tendo de enfrentar tiros de canhão ainda incipiente, projéteis com pedras, e a carga contrária dos maometanos, o ouvem tão inflamados que vão com ímpeto, fazendo os maometanos flectirem e fugirem. Podemos imaginar como foi o declínio da tarde sobre Alba Real conquistada pelos católicos. A alegria das tropas católicas diante do milagre evidente. O Arquiduque talvez na casa do governador maometano de Alba Real; todos descansando nos vários lugares da batalha. Repicam os sinos. Frei Lourenço está chamando para a prece. A igreja está cheia. Entram, ele está junto ao altar e canta um magnífico Te Deum. Isso é viver! (Os Santos Comentados, por Monsenhor João Clá Dias, EP) #SantodoDia

  • Santo Elias, profeta do antigo testamento – 20 de Julho

    SANTO DO DIA – 20 DE JULHO – SANTO ELIAS Profeta (século IX a.C.) Elias – o maior entre os profetas de ação, juntamente com Eliseu e Samuel – teve a missão de reconduzir o povo ao único Deus. É propriamente o sentido do nome Elias, que significa “meu Deus é Iahweh”. Ao se destacar do reino de Judá, Israel atravessava um período de abandono também no plano religioso, durante o reino do débil Acab (873-854) – dócil instrumento da intrigante esposa Jezabel, fenícia que lá introduzira o culto do deus Baal. Para fazer cessar a idolatria, Deus enviou seu profeta ao rei Acab e lhe anunciou o castigo: três anos de seca. Durante o flagelo, Elias procurou abrigo junto à torrente de Carit; quando também esta se estancou, encontrou abrigo na casa de uma viúva de Sarepta, local próximo a Sidônia. Aí fez o milagre da multiplicação da farinha e do óleo e retribuiu com superabundância a generosa acolhida, ressuscitando-lhe o filho. Ao terceiro ano, Elias se apresentou novamente diante do rei e conseguiu que o povo fosse convocado ao mote Carmelo, onde se deu o desafio entre ele os 400 sacerdotes de Baal. Cada qual poria a vítima sobre o respectivo altar e imploraria que caísse fogo do céu. Assim foi feito. Mas somente no altar erguido por Elias – que o profeta encharcara de água, a fim de tornar mais evidente o milagre – irrompeu a labareda. Era o triunfo de Iahweh, e o povo fez justiça sumária com os sacerdotes do falso deus. Mas Elias precisou fugir uma vez mais para escapar da ira de Jezabel. Ao atravessar o deserto, vencido pela fome e pelo cansaço, Elias foi tomado pelo desânimo. Um anjo o encorajou, dando-lhe um pão e um cântaro de água, e esse conforto teve eficácia duradoura. Foi graças a isso que ele pôde caminhar durante muitos dias e chegar por fim ao monte Horeb, onde se deu o misterioso encontro com Deus. Por meio do ligeiro sopro de vento restaurador, Elias compreendeu que o triunfo do bem não se dá com gestos espetaculares. É necessário saber esperar a hora da verdade sem impaciência, porque Deus é eterno; domina o tempo e procede, não como um vento impetuoso que abate, mas como uma brisa que vivifica. O relato de sua movimentada vida está contido nos dois livros dos Reis. Presente na Transfiguração de Jesus Cristo, reatador da aliança de Deus com o povo hebreu, adversário e destruidor do culto pagão de Baal, primeiro devoto de Nossa Senhora, o profeta Elias foi arrebatado vivo num carro de fogo. Onde se encontra? Voltará? Quando? Eis questões candentes a respeito de um dos mais extraordinários personagens da História. Quando Elias Voltará? Volta anunciada por Nosso Senhor “E ele, respondendo, disse-lhes: Elias certamente há de vir [antes de minha segunda vinda], e restabelecerá todas as coisas” (Mt 17, 11). São palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo a Pedro, João e Tiago, logo após o episódio da Transfiguração. Se aos profetas no Antigo Testamento coube a honra e a glória de anunciar a vinda do Salvador, Santo Elias teve o privilégio de ser anunciado pelo próprio Messias. Quando desciam o monte Tabor, o Mestre proibiu aos três Apóstolos contar os fatos ocorridos lá no cimo, até sua ressurreição. Pelo caminho, vinham os discípulos conversando entre si a respeito do sentido da grandiosa cena à qual haviam assistido. Como todo judeu piedoso, acreditavam na necessidade de Elias preceder o Messias. E agora ele aparecera na Transfiguração de Jesus! Seria o começo? Um deles não se conteve e perguntou ao Mestre: “Por que dizem os escribas que Elias ainda há de vir?” E Jesus retorquiu com as palavras reproduzidas no início do presente tópico, confirmando a profecia sobre o retorno de Elias para restabelecer a ordem. Quando? Antes de examinar tal questão, vejamos quem foi esse varão tão grandioso. Gládio e fogo Seu nome, que significa “o Senhor é meu Deus”, aparece de forma abrupta na História do Reino de Israel, e já com um brilho prodigioso: “Suas palavras queimavam como uma rocha ardente. Elias, o profeta, levantou- se logo como um fogo” (Ecle 48, 1-10). Sabe-se que ele nasceu em torno do ano 900 a.C. em Tesba de Galaad, junto à fronteira do país dos amonitas (atual Jordânia). “Quando Elias estava para nascer, seu pai Sabacha viu-o saudado por alvos anjos, envolvido por faixas de fogo e alimentado com chamas. Tendo ido a Jerusalém, relatou [no templo] a visão, e o oráculo lhe disse que não temesse, pois aquele que ia nascer habitaria na luz, suas palavras seriam sentença segura e julgaria Israel com gládio e fogo” (Doroteu, Sto. Epifânio e Metafrates, apud Cornelio a Lápide, Comentários ao Livro 1º dos Reis, cap. 17) Sua vida foi repleta de aspectos extraordinários. Numerosos autores lhe atribuem a virgindade perpétua, embora essa virtude fosse rara em seu tempo. O famoso exegeta Cornélio a Lápide lhe confere, logo no início de seus comentários, a santidade, austeridade e inocência de vida. Mostra, depois, como o profeta se tornou fundador da vida monástica e eremítica, ao retirar-se para o Monte Carmelo, onde se dedicou à contemplação, reunindo Eliseu e vários discípulos. Irrompendo no meio da apostasia Naquele tempo, os israelitas haviam mesclado, ao culto do verdadeiro Deus, o culto pagão de Baal, deus da fertilidade, e quase já não conseguiam distinguir um do outro. Os 450 sacerdotes dessa religião sangüinária e imoral eram protegidos pela rainha, Jezabel, uma fenícia, sendo abrigados e alimentados no próprio palácio real. O rei Acab apoiava as ações de sua esposa, a ponto de edificar, dentro de sua residência, um templo para Baal. Nesse ambiente irrompe como um raio o homem de Deus: “Elias, o tesbita, um habitante de Galaad, veio dizer a Acab: ‘Pela vida do Senhor, Deus de Israel, a quem sirvo, não haverá nestes anos orvalho nem chuva, senão quando eu o disser’.” (1Reis 17, 1). Esse ardor nas palavras e essa impressionante certeza de que o Senhor o ouvia são característicos desse santo profeta. E ele entra pela primeira vez na História já confrontando-se com o rei e os adoradores de Baal. São João Crisóstomo se entusiasma com essa tempestuosa atitude de Elias, e comenta: “Quando ele, profeta santíssimo, pôs os olhos no povo prevaricador, quando viu claramente Baal e os ídolos serem sacrilegamente adorados, com desprezo do Senhor, quando todo o povo, abandonando o Criador, se entregava ao culto das estátuas de barro dos bosques, movido pelo zelo de Deus, decretou contra a Judéia a sentença da seca e do fim das chuvas. Então, subitamente, a terra lançou vapores, o céu se fechou, os rios secaram, as fontes se extinguiram, o bronze ferveu, a temperatura torturou, a tranqüilidade ficou penosa, as noites se tornaram secas, os dias áridos, as searas se torraram, os arbustos feneceram, osprados desapareceram, os bosques enlanguesceram, os campos jejuaram, a terra tornou-se inculta, suas ervas morreram, e a ira de Deus se manifestou sobre todas as criaturas” (apud Cornelio a Lápide, idem). A primeira fuga Por ordem do Senhor, Elias retirou-se para a banda do Oriente, junto à torrente do Carit. Nesse local foi alimentado com pão e carne levados por corvos. Porém, a água secou, e ele teve de mudar de residência. Deus lhe preparara hospedagem em casa de uma viúva, em Sarepta, na Fenícia. Seria ocasião de ele realizar mais milagres, em primeiro lugar ao multiplicar diariamente a farinhae o azeite da pobre mulher, ao longo de três anos, e ainda ao ressuscitar o filho único dela: “Depois de ter aprendido a misericórdia em seu retiro à margem da torrente do Carit, ensina à viúva de Sarepta a fé na palavra de Deus, fé que ele confirma por sua oração insistente: Deus devolve à vida o filho da viúva”, diz o Catecismo da Igreja Católica (nº 2583), reiterando a confiança do santo profeta no atendimento de suas súplicas. Extermínio do culto de Baal Mas a fome tornava-se extrema em Israel. Acab, aflito por não encontrar Elias, saiu pelos áridos campos à procura de fontes e ervas. Enquanto o rei percorria em vão o país, vieram avisá-lo da aproximação de Elias. Acab foi ao seu encontro, e tão logo viu o homem de Deus, disse-lhe: “Eis-te aqui, o perturbador de Israel”. – “Não sou eu o perturbador de Israel,” respondeu Elias, “mas tu, sim, e a casa de teu pai, porque abandonastes os preceitos do Senhor, e tu seguiste aos Baals. Convoca, pois, à montanha do Carmelo, junto de mim, todo o Israel com os 450 profetas de Baal e os 400 profetas de Asserá, que comem à mesa de Jezabel” (1Reis 18, 17-19). Quando os convocados se reuniram no monte Carmelo, Elias, aproximando-se do povo, dirigiu-se a todos, dizendo: “Até quando claudicareis dos dois pés? Se o Senhor é Deus, segui-O, mas se é Baal, segui a Baal!” (1Reis, 18, 21). A bela imagem expressa o comportamento dos israelitas, de dobrar um joelho diante de Deus, e outro diante de Baal. Deus sabe escolher o cenário para conferir valor e premiar o zelo dos varões de sua destra, pois o monte Carmelo era o lugar ideal para o grandioso episódio tão maravilhosamente narrado pela Escritura. Ergue- se alto, bem junto ao mar, na fronteira entre a Samaria e a Galiléia, a 32 quilômetros de Nazaré. Hoje em dia, pelas suas encostas, avança a cidade de Haifa. E Elias tornou a dizer ao povo: “Eu sou o único dos profetas do Senhor que fiquei; mas os profetas de Baal chegam a 450 homens. Dê-se-nos, portanto, um par de novilhos; eles escolherão um, fá-lo-ão em pedaços, e o colocarão sobre a lenha, mas sem meter fogo por baixo; eu tomarei o outro novilho e o porei sobre a lenha, sem meter fogo por baixo. Depois disso, invocareis o nome de vosso deus, e eu invocarei o nome do Senhor. Aquele que responder pelo fogo, esse será reconhecido como o (verdadeiro) Deus”. Todo o povo respondeu: “É uma boa proposta” (1Reis 18, 22-24). O homem de Deus, varão da confiança total no Senhor, estava preparando os elementos para desmascarar, de modo espetacular, diante de todo o povo, a fraudulenta religião pagã. Com sua maneira de ser categórica e ao mesmo tempo diplomática, convidou os “profetas” do falso deus a começarem invocando Baal, “porque sois em maior número”. Eles despedaçaram o novilho, colocaram-no sobre o altar, e deram início às suas cerimônias impetratórias: “Puseram-se a invocar o nome de Baal, desde a manhã até o meio-dia, gritando: ‘Baal, responde-nos!’ Mas não houve voz, nem resposta. E dançavam ao redor do altar que tinham levantado. Sendo já meio-dia, Elias escarnecia- os, dizendo: ‘Gritai com mais força, pois (seguramente) ele é deus; mas estará entretido com alguma conversa ou ocupado, ou em viagem, ou estará dormindo… e isso o acordará’. Eles gritavam, com efeito, em alta voz, e retalhavam- se segundo o seu costume, com canivetes e lancetas, até se cobrirem de sangue” (1Reis 18, 26-28). Deus atende aos rogos de Elias Esgotou-se o prazo para os 450 “profetas” de Baal; era hora de Elias clamar com confiança a ação do Deus de Israel: “Elias disse ao povo: ‘Aproximai-vos de mim’, e todos se aproximaram”. Reinava, decerto, um silêncio pleno de expectativa, com todos os olhos cravados na figura daquele homem de fogo: “Elias reparou o altar demolido do Senhor. Tomou doze pedras, segundo o número das tribos dos filhos de Jacó, a quem o Senhor dissera: Tu te chamarás Israel. E erigiu com essas pedras um altar ao Senhor. Fez em volta do altar uma valeta, com a capacidade de duas medidas de semente. Dispôs a lenha, e colocou sobre ela o boi feito em pedaços. E disse: ‘Enchei quatro talhas de água e derramai- a em cima do holocausto e da lenha’. Depois disse: ‘Fazei isto pela segunda vez’. Tendo-o eles feito, disse: ‘Ainda uma terceira vez’. Eles obedeceram. A água correu em volta do altar e a valeta ficou cheia. Chegou a hora da oblação. O profeta Elias adiantou-se e disse: ‘Senhor, Deus de Abraão, de Isaac e de Israel, saibam todos hoje que sois o Deus de Israel, que eu sou vosso servo, e que por vossa ordem fiz todas estas coisas. Ouvi-me, Senhor, ouvi-me, para que este povo reconheça que Vós, Senhor, sois Deus, e que Vós sois que converteis os corações’”. E Deus atende com abundância a oração confiante do servo fiel: “Então, subitamente, o fogo do Senhor baixou do céu e consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, a poeira e até mesmo a água da valeta. Vendo isso, o povo prostrou-se com o rosto por terra, e exclamou: ‘O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!’ Elias disse-lhes: ‘Tomai agora os profetas de Baal; não deixeis escapar um só deles!’ Tendo- os o povo agarrado, Elias levou-os ao vale de Cison e ali os matou” (1Reis 18, 30-40). A nuvenzinha e a Mãe de Deus Entre Elias, sua missão e os lugares onde viveu existe uma bela harmonia, muito bem ressaltada pelo autor do Livro dos Reis. E um dos méritos do escritor inspirado é o de fazer sentir esse acordo profundo. Carit evoca o espírito eremítico de Elias; o Horeb, sua intimidade com Deus; Sarepta, seu espírito de obediência ao Senhor e sua prudência. O Carmelo, a montanha da renovação da Aliança de Deus com seu povo, recorda seu zelo pela glória do Altíssimo e sua fé inquebrantável. Carmelo é um nome derivado do hebraico Karem, que significa jardim ou pomar e vinha do Senhor. Era o local apropriado para Elias rogar fervorosamente a Deus pela chuva. Logo após o confronto com os 450 “profetas” de Baal, Elias subiu ao cimo desse monte e orou a Deus. Por sete vezes mandou seu servo olhar para as bandas do mar, para verificar se havia sinal de chuva. “Na sétima vez o servo respondeu: ‘Eis que sobe do mar uma pequena nuvem, do tamanho da palma da mão’ (…) Num instante, o céu se cobriu de nuvens negras, soprou o vento e a chuva caiu torrencialmente” (1Reis 18, 42-45). Deus ouvira novamente o santo profeta: “A oração fervorosa do justo tem grande poder” (Catecismo da Igreja Católica, nº 2582). Segundo uma longa tradição na Igreja, aquela “nuvenzinha”, prenunciadora da chuva, prefigurava a Santíssima Virgem. No Novo Testamento, Ela faria “chover sobre a humanidade” o Redentor, e, depois, as graças obtidas por sua intercessão. O profeta Elias é considerado seu primeiro devoto. Encontro com Deus e renovação da Aliança Apesar do comprovado milagre, Jezabel ficou devorada de ódio contra Elias, e mandou-lhe um mensageiro, avisando sua determinação de matá-lo no dia seguinte, tal qual ele fizera com os “profetas” de Baal. Tomado de temor, o profeta caminhou sem parar em direção ao sul. No limiar do deserto, dispensou seu criado, e se embrenhou sozinho por aquelas paragens inóspitas, andando durante um dia inteiro até cair meio desfalecido. Mas Deus enviou um Anjo para o revigorar, oferecendo-lhe pão e água, e assim alimentado, Elias caminhou quarenta dias e quarenta noites até o monte Horeb, “a montanha de Deus” (1Reis, 19, 1-8). Nesse simbólico lugar, onde séculos antes Moisés falara com Deus, Elias teve um encontro análogo com o Senhor. Somente ele e Moisés apareceram na transfiguração de Jesus; também os dois foram os únicos a presenciar a glória do Senhor no Horeb. Deus passou diante dele, e duas vezes lhe dirigiu a palavra, perguntando: “Que fazes aqui, Elias?” E o profeta respondeu: “Eu me consumo de zelo pelo Senhor Deus dos exércitos. Porque os israelitas abandonaram a vossa aliança, derrubaram vossos altares e passaram os vossos profetas ao fio da espada. Só eu fiquei, e querem tirar-me a vida” (1 Reis 19, 9-10). Glorioso por seus prodígios Deus o encarregou de várias missões, consistindo as principais em sagrar um novo rei de Israel e em ungir Eliseu, como profeta continuador de sua missão. Esses encargos deram ocasião a outros episódios portentosos narrados no livro dos Reis. O Espírito Santo canta o brilho de seus feitos com essas palavras: “Quão glorioso te tornaste, Elias, por teus prodígios!.Bem-aventurados os que te conheceram, e foram honrados com a tua amizade!” (Eclo 48, 4 e 11). O ponto auge de sua história se verifica ao despedir- se de Eliseu, conforme no-lo relata o Segundo Livro dos Reis: “Continuando o seu caminho, entretidos a conversar (Elias e Eliseu), eis que de repente um carro de fogo com cavalos de fogo os separou um do outro, e Elias subiu ao céu num turbilhão” (2Reis 2, 11). Ora, o céu propriamente dito ainda não havia sido aberto pelo Redentor. Assim, perguntamo-nos novamente: Onde está Elias e quando voltará? Sua missão ainda não terminou Arrebatado em corpo e alma num carro de fogo, Elias ainda não morreu, segundo uma consagrada tradição na Igreja Católica. Onde se encontra agora? Não se sabe. A Sagrada Escritura, na versão dos Setenta, diz ter sido ele arrebatado “quasi in coelum” (“quase aocéu”). E esta é, comumente, a opinião dos Santos Padres e Doutores. Para alguns deles, Elias foi levado ao Paraíso Terrestre, o lugar de onde haviam sido expulsos Adão e Eva, após cometerem o Pecado Original. Para outros, foi conduzido para uma região ignorada da terra. Entre os da primeira opinião estão Santo Irineu, Tertuliano, Santo Isidoro e São Tomás de Aquino, e entre defensores da segunda, São Gregório Magno. Teodoreto manifesta indecisão, por achar insuficientes os dados da Escritura, como pensam também São João Crisóstomo e Santo Agostinho. Voltará Elias, e quando? A tradição judaica, no Antigo Testamento, bem como a cristã, acreditam em seu retorno. E esta crença é corroborada por várias passagens da Bíblia. O já citado livro do Eclesiástico é taxativo a esse respeito. Referindo-se ao profeta, exclama: “Tu, que foste arrebatado num turbilhão de fogo, num carro puxado por cavalos ardentes. Tu, que foste escolhido pelos decretos dos tempos para amenizar a cólera do Senhor, para reconciliar o coração dos pais com os filhos, e para restabelecer as tribos de Jacó” (Eclo 48, 9-10). E através do profeta Malaquias, Deus repete essa predição: “Vou mandar-vos o profeta Elias, antes que venha o grande e temível dia do Senhor, e ele converterá o coração dos pais para os filhos, e o coração dos filhos para os pais, de sorte que não mais ferirei de interdito a terra” (Ml 3, 23-24). De tal modo a idéia da volta de Elias estava fixa na mente dos judeus, que tomaram Jesus por ele (Mt 16, 14; Lc 9, 8), e pensaram o mesmo de São João Batista (Jo 1, 21). Este último negou que o fosse, embora tivesse vindo “no espírito e no poder de Elias, reconduzir os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto” (Lc 1, 17). Acima de tudo, são decisivas as já citadas palavras de nosso divino Salvador: “E ele, respondendo, disse-lhes: Elias certamente há de vir (antes de minha segunda vinda), e restabelecerá todas as coisas” (Mt 17, 11). Assim, antes da primeira vinda do Messias ao mundo, São João Batista foi enviado como precursor. Antes da segunda vinda, próxima do grande e terrível julgamento final, Elias deverá retornar. Ele, o príncipe dos profetas e prefigura de Nosso Senhor Jesus Cristo, ainda não terminou sua missão: há quase três milênios aguarda a chegada do fim dos tempos. (Revista Arautos do Evangelho, Jul/2002, n. 7, p. 7 à 10)

  • Santo Elias, profeta do antigo testamento – 20 de Julho

    SANTO DO DIA – 20 DE JULHO – SANTO ELIAS Profeta (século IX a.C.) Elias – o maior entre os profetas de ação, juntamente com Eliseu e Samuel – teve a missão de reconduzir o povo ao único Deus. É propriamente o sentido do nome Elias, que significa “meu Deus é Iahweh”. Ao se destacar do reino de Judá, Israel atravessava um período de abandono também no plano religioso, durante o reino do débil Acab (873-854) – dócil instrumento da intrigante esposa Jezabel, fenícia que lá introduzira o culto do deus Baal. Para fazer cessar a idolatria, Deus enviou seu profeta ao rei Acab e lhe anunciou o castigo: três anos de seca. Durante o flagelo, Elias procurou abrigo junto à torrente de Carit; quando também esta se estancou, encontrou abrigo na casa de uma viúva de Sarepta, local próximo a Sidônia. Aí fez o milagre da multiplicação da farinha e do óleo e retribuiu com superabundância a generosa acolhida, ressuscitando-lhe o filho. Ao terceiro ano, Elias se apresentou novamente diante do rei e conseguiu que o povo fosse convocado ao mote Carmelo, onde se deu o desafio entre ele os 400 sacerdotes de Baal. Cada qual poria a vítima sobre o respectivo altar e imploraria que caísse fogo do céu. Assim foi feito. Mas somente no altar erguido por Elias – que o profeta encharcara de água, a fim de tornar mais evidente o milagre – irrompeu a labareda. Era o triunfo de Iahweh, e o povo fez justiça sumária com os sacerdotes do falso deus. Mas Elias precisou fugir uma vez mais para escapar da ira de Jezabel. Ao atravessar o deserto, vencido pela fome e pelo cansaço, Elias foi tomado pelo desânimo. Um anjo o encorajou, dando-lhe um pão e um cântaro de água, e esse conforto teve eficácia duradoura. Foi graças a isso que ele pôde caminhar durante muitos dias e chegar por fim ao monte Horeb, onde se deu o misterioso encontro com Deus. Por meio do ligeiro sopro de vento restaurador, Elias compreendeu que o triunfo do bem não se dá com gestos espetaculares. É necessário saber esperar a hora da verdade sem impaciência, porque Deus é eterno; domina o tempo e procede, não como um vento impetuoso que abate, mas como uma brisa que vivifica. O relato de sua movimentada vida está contido nos dois livros dos Reis. Presente na Transfiguração de Jesus Cristo, reatador da aliança de Deus com o povo hebreu, adversário e destruidor do culto pagão de Baal, primeiro devoto de Nossa Senhora, o profeta Elias foi arrebatado vivo num carro de fogo. Onde se encontra? Voltará? Quando? Eis questões candentes a respeito de um dos mais extraordinários personagens da História. Quando Elias Voltará? Volta anunciada por Nosso Senhor “E ele, respondendo, disse-lhes: Elias certamente há de vir [antes de minha segunda vinda], e restabelecerá todas as coisas” (Mt 17, 11). São palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo a Pedro, João e Tiago, logo após o episódio da Transfiguração. Se aos profetas no Antigo Testamento coube a honra e a glória de anunciar a vinda do Salvador, Santo Elias teve o privilégio de ser anunciado pelo próprio Messias. Quando desciam o monte Tabor, o Mestre proibiu aos três Apóstolos contar os fatos ocorridos lá no cimo, até sua ressurreição. Pelo caminho, vinham os discípulos conversando entre si a respeito do sentido da grandiosa cena à qual haviam assistido. Como todo judeu piedoso, acreditavam na necessidade de Elias preceder o Messias. E agora ele aparecera na Transfiguração de Jesus! Seria o começo? Um deles não se conteve e perguntou ao Mestre: “Por que dizem os escribas que Elias ainda há de vir?” E Jesus retorquiu com as palavras reproduzidas no início do presente tópico, confirmando a profecia sobre o retorno de Elias para restabelecer a ordem. Quando? Antes de examinar tal questão, vejamos quem foi esse varão tão grandioso. Gládio e fogo Seu nome, que significa “o Senhor é meu Deus”, aparece de forma abrupta na História do Reino de Israel, e já com um brilho prodigioso: “Suas palavras queimavam como uma rocha ardente. Elias, o profeta, levantou- se logo como um fogo” (Ecle 48, 1-10). Sabe-se que ele nasceu em torno do ano 900 a.C. em Tesba de Galaad, junto à fronteira do país dos amonitas (atual Jordânia). “Quando Elias estava para nascer, seu pai Sabacha viu-o saudado por alvos anjos, envolvido por faixas de fogo e alimentado com chamas. Tendo ido a Jerusalém, relatou [no templo] a visão, e o oráculo lhe disse que não temesse, pois aquele que ia nascer habitaria na luz, suas palavras seriam sentença segura e julgaria Israel com gládio e fogo” (Doroteu, Sto. Epifânio e Metafrates, apud Cornelio a Lápide, Comentários ao Livro 1º dos Reis, cap. 17) Sua vida foi repleta de aspectos extraordinários. Numerosos autores lhe atribuem a virgindade perpétua, embora essa virtude fosse rara em seu tempo. O famoso exegeta Cornélio a Lápide lhe confere, logo no início de seus comentários, a santidade, austeridade e inocência de vida. Mostra, depois, como o profeta se tornou fundador da vida monástica e eremítica, ao retirar-se para o Monte Carmelo, onde se dedicou à contemplação, reunindo Eliseu e vários discípulos. Irrompendo no meio da apostasia Naquele tempo, os israelitas haviam mesclado, ao culto do verdadeiro Deus, o culto pagão de Baal, deus da fertilidade, e quase já não conseguiam distinguir um do outro. Os 450 sacerdotes dessa religião sangüinária e imoral eram protegidos pela rainha, Jezabel, uma fenícia, sendo abrigados e alimentados no próprio palácio real. O rei Acab apoiava as ações de sua esposa, a ponto de edificar, dentro de sua residência, um templo para Baal. Nesse ambiente irrompe como um raio o homem de Deus: “Elias, o tesbita, um habitante de Galaad, veio dizer a Acab: ‘Pela vida do Senhor, Deus de Israel, a quem sirvo, não haverá nestes anos orvalho nem chuva, senão quando eu o disser’.” (1Reis 17, 1). Esse ardor nas palavras e essa impressionante certeza de que o Senhor o ouvia são característicos desse santo profeta. E ele entra pela primeira vez na História já confrontando-se com o rei e os adoradores de Baal. São João Crisóstomo se entusiasma com essa tempestuosa atitude de Elias, e comenta: “Quando ele, profeta santíssimo, pôs os olhos no povo prevaricador, quando viu claramente Baal e os ídolos serem sacrilegamente adorados, com desprezo do Senhor, quando todo o povo, abandonando o Criador, se entregava ao culto das estátuas de barro dos bosques, movido pelo zelo de Deus, decretou contra a Judéia a sentença da seca e do fim das chuvas. Então, subitamente, a terra lançou vapores, o céu se fechou, os rios secaram, as fontes se extinguiram, o bronze ferveu, a temperatura torturou, a tranqüilidade ficou penosa, as noites se tornaram secas, os dias áridos, as searas se torraram, os arbustos feneceram, osprados desapareceram, os bosques enlanguesceram, os campos jejuaram, a terra tornou-se inculta, suas ervas morreram, e a ira de Deus se manifestou sobre todas as criaturas” (apud Cornelio a Lápide, idem). A primeira fuga Por ordem do Senhor, Elias retirou-se para a banda do Oriente, junto à torrente do Carit. Nesse local foi alimentado com pão e carne levados por corvos. Porém, a água secou, e ele teve de mudar de residência. Deus lhe preparara hospedagem em casa de uma viúva, em Sarepta, na Fenícia. Seria ocasião de ele realizar mais milagres, em primeiro lugar ao multiplicar diariamente a farinhae o azeite da pobre mulher, ao longo de três anos, e ainda ao ressuscitar o filho único dela: “Depois de ter aprendido a misericórdia em seu retiro à margem da torrente do Carit, ensina à viúva de Sarepta a fé na palavra de Deus, fé que ele confirma por sua oração insistente: Deus devolve à vida o filho da viúva”, diz o Catecismo da Igreja Católica (nº 2583), reiterando a confiança do santo profeta no atendimento de suas súplicas. Extermínio do culto de Baal Mas a fome tornava-se extrema em Israel. Acab, aflito por não encontrar Elias, saiu pelos áridos campos à procura de fontes e ervas. Enquanto o rei percorria em vão o país, vieram avisá-lo da aproximação de Elias. Acab foi ao seu encontro, e tão logo viu o homem de Deus, disse-lhe: “Eis-te aqui, o perturbador de Israel”. – “Não sou eu o perturbador de Israel,” respondeu Elias, “mas tu, sim, e a casa de teu pai, porque abandonastes os preceitos do Senhor, e tu seguiste aos Baals. Convoca, pois, à montanha do Carmelo, junto de mim, todo o Israel com os 450 profetas de Baal e os 400 profetas de Asserá, que comem à mesa de Jezabel” (1Reis 18, 17-19). Quando os convocados se reuniram no monte Carmelo, Elias, aproximando-se do povo, dirigiu-se a todos, dizendo: “Até quando claudicareis dos dois pés? Se o Senhor é Deus, segui-O, mas se é Baal, segui a Baal!” (1Reis, 18, 21). A bela imagem expressa o comportamento dos israelitas, de dobrar um joelho diante de Deus, e outro diante de Baal. Deus sabe escolher o cenário para conferir valor e premiar o zelo dos varões de sua destra, pois o monte Carmelo era o lugar ideal para o grandioso episódio tão maravilhosamente narrado pela Escritura. Ergue- se alto, bem junto ao mar, na fronteira entre a Samaria e a Galiléia, a 32 quilômetros de Nazaré. Hoje em dia, pelas suas encostas, avança a cidade de Haifa. E Elias tornou a dizer ao povo: “Eu sou o único dos profetas do Senhor que fiquei; mas os profetas de Baal chegam a 450 homens. Dê-se-nos, portanto, um par de novilhos; eles escolherão um, fá-lo-ão em pedaços, e o colocarão sobre a lenha, mas sem meter fogo por baixo; eu tomarei o outro novilho e o porei sobre a lenha, sem meter fogo por baixo. Depois disso, invocareis o nome de vosso deus, e eu invocarei o nome do Senhor. Aquele que responder pelo fogo, esse será reconhecido como o (verdadeiro) Deus”. Todo o povo respondeu: “É uma boa proposta” (1Reis 18, 22-24). O homem de Deus, varão da confiança total no Senhor, estava preparando os elementos para desmascarar, de modo espetacular, diante de todo o povo, a fraudulenta religião pagã. Com sua maneira de ser categórica e ao mesmo tempo diplomática, convidou os “profetas” do falso deus a começarem invocando Baal, “porque sois em maior número”. Eles despedaçaram o novilho, colocaram-no sobre o altar, e deram início às suas cerimônias impetratórias: “Puseram-se a invocar o nome de Baal, desde a manhã até o meio-dia, gritando: ‘Baal, responde-nos!’ Mas não houve voz, nem resposta. E dançavam ao redor do altar que tinham levantado. Sendo já meio-dia, Elias escarnecia- os, dizendo: ‘Gritai com mais força, pois (seguramente) ele é deus; mas estará entretido com alguma conversa ou ocupado, ou em viagem, ou estará dormindo… e isso o acordará’. Eles gritavam, com efeito, em alta voz, e retalhavam- se segundo o seu costume, com canivetes e lancetas, até se cobrirem de sangue” (1Reis 18, 26-28). Deus atende aos rogos de Elias Esgotou-se o prazo para os 450 “profetas” de Baal; era hora de Elias clamar com confiança a ação do Deus de Israel: “Elias disse ao povo: ‘Aproximai-vos de mim’, e todos se aproximaram”. Reinava, decerto, um silêncio pleno de expectativa, com todos os olhos cravados na figura daquele homem de fogo: “Elias reparou o altar demolido do Senhor. Tomou doze pedras, segundo o número das tribos dos filhos de Jacó, a quem o Senhor dissera: Tu te chamarás Israel. E erigiu com essas pedras um altar ao Senhor. Fez em volta do altar uma valeta, com a capacidade de duas medidas de semente. Dispôs a lenha, e colocou sobre ela o boi feito em pedaços. E disse: ‘Enchei quatro talhas de água e derramai- a em cima do holocausto e da lenha’. Depois disse: ‘Fazei isto pela segunda vez’. Tendo-o eles feito, disse: ‘Ainda uma terceira vez’. Eles obedeceram. A água correu em volta do altar e a valeta ficou cheia. Chegou a hora da oblação. O profeta Elias adiantou-se e disse: ‘Senhor, Deus de Abraão, de Isaac e de Israel, saibam todos hoje que sois o Deus de Israel, que eu sou vosso servo, e que por vossa ordem fiz todas estas coisas. Ouvi-me, Senhor, ouvi-me, para que este povo reconheça que Vós, Senhor, sois Deus, e que Vós sois que converteis os corações’”. E Deus atende com abundância a oração confiante do servo fiel: “Então, subitamente, o fogo do Senhor baixou do céu e consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, a poeira e até mesmo a água da valeta. Vendo isso, o povo prostrou-se com o rosto por terra, e exclamou: ‘O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!’ Elias disse-lhes: ‘Tomai agora os profetas de Baal; não deixeis escapar um só deles!’ Tendo- os o povo agarrado, Elias levou-os ao vale de Cison e ali os matou” (1Reis 18, 30-40). A nuvenzinha e a Mãe de Deus Entre Elias, sua missão e os lugares onde viveu existe uma bela harmonia, muito bem ressaltada pelo autor do Livro dos Reis. E um dos méritos do escritor inspirado é o de fazer sentir esse acordo profundo. Carit evoca o espírito eremítico de Elias; o Horeb, sua intimidade com Deus; Sarepta, seu espírito de obediência ao Senhor e sua prudência. O Carmelo, a montanha da renovação da Aliança de Deus com seu povo, recorda seu zelo pela glória do Altíssimo e sua fé inquebrantável. Carmelo é um nome derivado do hebraico Karem, que significa jardim ou pomar e vinha do Senhor. Era o local apropriado para Elias rogar fervorosamente a Deus pela chuva. Logo após o confronto com os 450 “profetas” de Baal, Elias subiu ao cimo desse monte e orou a Deus. Por sete vezes mandou seu servo olhar para as bandas do mar, para verificar se havia sinal de chuva. “Na sétima vez o servo respondeu: ‘Eis que sobe do mar uma pequena nuvem, do tamanho da palma da mão’ (…) Num instante, o céu se cobriu de nuvens negras, soprou o vento e a chuva caiu torrencialmente” (1Reis 18, 42-45). Deus ouvira novamente o santo profeta: “A oração fervorosa do justo tem grande poder” (Catecismo da Igreja Católica, nº 2582). Segundo uma longa tradição na Igreja, aquela “nuvenzinha”, prenunciadora da chuva, prefigurava a Santíssima Virgem. No Novo Testamento, Ela faria “chover sobre a humanidade” o Redentor, e, depois, as graças obtidas por sua intercessão. O profeta Elias é considerado seu primeiro devoto. Encontro com Deus e renovação da Aliança Apesar do comprovado milagre, Jezabel ficou devorada de ódio contra Elias, e mandou-lhe um mensageiro, avisando sua determinação de matá-lo no dia seguinte, tal qual ele fizera com os “profetas” de Baal. Tomado de temor, o profeta caminhou sem parar em direção ao sul. No limiar do deserto, dispensou seu criado, e se embrenhou sozinho por aquelas paragens inóspitas, andando durante um dia inteiro até cair meio desfalecido. Mas Deus enviou um Anjo para o revigorar, oferecendo-lhe pão e água, e assim alimentado, Elias caminhou quarenta dias e quarenta noites até o monte Horeb, “a montanha de Deus” (1Reis, 19, 1-8). Nesse simbólico lugar, onde séculos antes Moisés falara com Deus, Elias teve um encontro análogo com o Senhor. Somente ele e Moisés apareceram na transfiguração de Jesus; também os dois foram os únicos a presenciar a glória do Senhor no Horeb. Deus passou diante dele, e duas vezes lhe dirigiu a palavra, perguntando: “Que fazes aqui, Elias?” E o profeta respondeu: “Eu me consumo de zelo pelo Senhor Deus dos exércitos. Porque os israelitas abandonaram a vossa aliança, derrubaram vossos altares e passaram os vossos profetas ao fio da espada. Só eu fiquei, e querem tirar-me a vida” (1 Reis 19, 9-10). Glorioso por seus prodígios Deus o encarregou de várias missões, consistindo as principais em sagrar um novo rei de Israel e em ungir Eliseu, como profeta continuador de sua missão. Esses encargos deram ocasião a outros episódios portentosos narrados no livro dos Reis. O Espírito Santo canta o brilho de seus feitos com essas palavras: “Quão glorioso te tornaste, Elias, por teus prodígios!.Bem-aventurados os que te conheceram, e foram honrados com a tua amizade!” (Eclo 48, 4 e 11). O ponto auge de sua história se verifica ao despedir- se de Eliseu, conforme no-lo relata o Segundo Livro dos Reis: “Continuando o seu caminho, entretidos a conversar (Elias e Eliseu), eis que de repente um carro de fogo com cavalos de fogo os separou um do outro, e Elias subiu ao céu num turbilhão” (2Reis 2, 11). Ora, o céu propriamente dito ainda não havia sido aberto pelo Redentor. Assim, perguntamo-nos novamente: Onde está Elias e quando voltará? Sua missão ainda não terminou Arrebatado em corpo e alma num carro de fogo, Elias ainda não morreu, segundo uma consagrada tradição na Igreja Católica. Onde se encontra agora? Não se sabe. A Sagrada Escritura, na versão dos Setenta, diz ter sido ele arrebatado “quasi in coelum” (“quase aocéu”). E esta é, comumente, a opinião dos Santos Padres e Doutores. Para alguns deles, Elias foi levado ao Paraíso Terrestre, o lugar de onde haviam sido expulsos Adão e Eva, após cometerem o Pecado Original. Para outros, foi conduzido para uma região ignorada da terra. Entre os da primeira opinião estão Santo Irineu, Tertuliano, Santo Isidoro e São Tomás de Aquino, e entre defensores da segunda, São Gregório Magno. Teodoreto manifesta indecisão, por achar insuficientes os dados da Escritura, como pensam também São João Crisóstomo e Santo Agostinho. Voltará Elias, e quando? A tradição judaica, no Antigo Testamento, bem como a cristã, acreditam em seu retorno. E esta crença é corroborada por várias passagens da Bíblia. O já citado livro do Eclesiástico é taxativo a esse respeito. Referindo-se ao profeta, exclama: “Tu, que foste arrebatado num turbilhão de fogo, num carro puxado por cavalos ardentes. Tu, que foste escolhido pelos decretos dos tempos para amenizar a cólera do Senhor, para reconciliar o coração dos pais com os filhos, e para restabelecer as tribos de Jacó” (Eclo 48, 9-10). E através do profeta Malaquias, Deus repete essa predição: “Vou mandar-vos o profeta Elias, antes que venha o grande e temível dia do Senhor, e ele converterá o coração dos pais para os filhos, e o coração dos filhos para os pais, de sorte que não mais ferirei de interdito a terra” (Ml 3, 23-24). De tal modo a idéia da volta de Elias estava fixa na mente dos judeus, que tomaram Jesus por ele (Mt 16, 14; Lc 9, 8), e pensaram o mesmo de São João Batista (Jo 1, 21). Este último negou que o fosse, embora tivesse vindo “no espírito e no poder de Elias, reconduzir os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto” (Lc 1, 17). Acima de tudo, são decisivas as já citadas palavras de nosso divino Salvador: “E ele, respondendo, disse-lhes: Elias certamente há de vir (antes de minha segunda vinda), e restabelecerá todas as coisas” (Mt 17, 11). Assim, antes da primeira vinda do Messias ao mundo, São João Batista foi enviado como precursor. Antes da segunda vinda, próxima do grande e terrível julgamento final, Elias deverá retornar. Ele, o príncipe dos profetas e prefigura de Nosso Senhor Jesus Cristo, ainda não terminou sua missão: há quase três milênios aguarda a chegada do fim dos tempos. (Revista Arautos do Evangelho, Jul/2002, n. 7, p. 7 à 10)

  • São Serafim de Sarov, Monge – 19 de Julho

    SANTO DO DIA – 19 DE JULHO – SÃO SERAFIM DE SAROV Monge (1759-1835) “Quando um homem nasce, o mundo inteiro se alegra, e só ele chora. Mas ele deve viver para que, quando ele morrer, o mundo inteiro chore, e só ele se regozije.” Prothor Moshnim nasceu em 1759, na cidade de Kursk, na Rússia, onde seus pais eram comerciantes. Aos dez anos, ficou muito doente. Nossa Senhora apareceu-lhe em sonho prometendo que seria curado por ela. Alguns dias depois ele se recuperou, após tocar no quadro de Nossa Senhora durante uma procissão. Desde menino, gostava de ler o Evangelho, ir à igreja e isolar-se para rezar. Confirmou sua vocação aos 18 anos, quando ingressou no Mosteiro de Sarov. Lá, fez seus votos de abstinência, vigília e castidade. Costumava isolar-se em uma choupana numa floresta próxima, dedicado às orações e penitências. Mas durante três anos teve de ficar numa cama, após adoecer gravemente. Novamente, a Virgem Maria apareceu-lhe, dessa vez acompanhada por alguns santos, e curou-o após tocá-lo. Aos 27 anos, recebeu o hábito de monge e tomou o nome de Serafim, que em hebraico significa ardente. Tinha o dom de ver os anjos, santos, Nossa Senhora e também Jesus Cristo. Numa liturgia, viu o próprio Jesus entrando na igreja junto com os anjos e santos e abençoando o povo que ali estava. Serafim ficou tão atônito que por muito tempo perdeu a voz. Sete anos depois, ele se isolou no interior da floresta, onde alcançou uma grande perfeição espiritual, mas foi atacado por ladrões e seriamente ferido. Mesmo tendo uma constituição física muito forte, e na mão um machado, ele não ofereceu nenhuma resistência. Como não tinha dinheiro, foi espancado e quase morreu. Em seguida, os ladrões foram detidos e, no julgamento, o monge intercedeu por eles. Desde então, Serafim ficou curvado para o resto da vida. Depois desse episódio, iniciou um período de penitência. Ficou durante 1000 dias e 1000 noites isolado na floresta. De dia ficava ajoelhado numa pedra com as mãos erguidas para o céu e à noite desaparecia dentro da floresta. Após outra aparição de Nossa Senhora, quase no final de sua vida, Serafim adquiriu o dom da transfiguração do Espírito Santo e tornou-se um guia espiritual dentro do mosteiro. Milhares e milhares de pessoas, de todas as classes sociais, foram enriquecidas com os seus ensinamentos. Para todos, apresentava-se radiante, humilde e caridoso. Dizia: ‘Alegria não é pecado. Ela afugenta o cansaço, que pode se transformar em desânimo; e não há nada na vida pior do que o desânimo’. Serafim morreu deixando claro o ensinamento que seguiu a vida toda: ‘É preciso que o Espírito Santo entre no coração. Tudo aquilo que nós fazemos de bom por causa de Cristo dá-nos a presença do Espírito Santo, mas a oração, que está sempre ao nosso alcance, no-lo dá muito mais’. A igreja do Mosteiro de Sarov, na cidade de Krusk, abriga os seus restos mortais. Conheça mais sobre São Serafim de Sarov Também recebeu o nome da cidade de Sarov, localizada no sul da região de Nizhny Novgorod, 515 quilômetros a leste de Moscou. O Venerável Padre Serafim nasceu na cidade de Kursk e está no batismo recebeu o nome de Prohor. Seu pai se mudou para o mundo celestial quando ele tinha três anos. Aos sete anos, ele caiu do campanário de uma igreja inacabada, dedicada a São Sérgio de Radonej. Ele permaneceu ileso, graças à graça de Deus. E o homem de Deus, que possuía o dom da previsão, disse à mãe “que o menino se tornará um grande benfeitor de Deus, porque o Senhor protege aqueles que são escolhidos para serem Seus na Terra”. Aos dez anos, ele ficou gravemente doente e estava morrendo. Em sonho, a Santíssima Mãe de Deus apareceu para ele e profetizou sua cura, o que ele fez. Quando menino, ele adorava ler livros sagrados que o alimentavam de espiritualidade. Aos dezessete anos, após receber uma bênção de sua mãe, ele saiu de casa e de sua família para dedicar sua vida a obras que agradassem a Deus. Sua mãe lhe deu uma cruz de cobre, que ele usou por toda a vida e com a qual morreu. Elder Dositej, o Prisioneiro, do deserto da China (perto de Kiev), disse a ele: “Vá, filho de Deus, para a família Sarov e fique lá. Aquele lugar será sua salvação. Com a ajuda de Deus, você vai acabar com suas andanças terrenas lá. Em Sarov, o Espírito Santo, o tesouro de todos os bens, dirigirá sua alma como Luzes.” Em 1778, Prohor, de dezenove anos, chegou ao então deserto, onde se juntou aos monges que construíram o Mosteiro de Sarov, dedicando-se imediatamente às façanhas monásticas e ao estudo dos livros espirituais. Ele foi um novato por quase oito anos. Ele estava sofrendo de “doença da água” na época. e ficou imóvel por muito tempo. E então ele foi curado pela providência de Deus. Aos 28 anos, foi tonsurado monge, recebendo o nome de Serafim (Chamas). Serafins são poderes celestiais, anjos de primeira ordem que irradiam luz (chama) ao redor do trono do Senhor. Está escrito na crônica do mosteiro que o Venerável, ainda diácono, “foi enviado para recolher os restos de trigo de um celeiro quase vazio”. Com a oração, que nunca saiu de seus lábios, ele “viu (que) o celeiro estava cheio de trigo novamente” šen trigo era regularmente retirado do celeiro, mas os monges sempre tinham o suficiente para suas necessidades “. Ele disse uma vez: “Durante a liturgia, na Quinta-feira Santa”, a Luz na qual vi o Senhor nosso Deus Jesus Cristo me iluminou, em glória, resplandecente de luz indizível, mais brilhante que o Sol, cercada de anjos, arcanjos, querubins e serafins. Da porta da igreja, Ele caminhou pelo ar, parou em frente ao púlpito (pódio elevado nos templos ortodoxos em frente à iconóstase – MG) e, erguendo as mãos, abençoou quem serve e quem reza. Então ele entrou um ícone localizado próximo às portas da igreja. Desde então, meu coração se alegrou, puro e iluminado, na doçura do amor pelo Senhor”. Aos 35 anos, ele deixou a família do mosteiro e se estabeleceu em uma modesta cela de madeira, em uma densa floresta às margens do rio Sarovka, a cerca de 5 quilômetros do mosteiro. Nenhum dos irmãos monásticos que vinham de vez em quando podia suportar seu ascetismo, então São Serafim ficou sozinho com Deus. Enquanto, gravemente ferido no roubo, estava deitado no mosteiro, em seu sono a Santíssima Mãe de Deus apareceu-lhe novamente, com os santos apóstolos João, o Teólogo e Pedro, e disse: “Este é da minha família!” e recusou tratamento adicional como desnecessário. Ele perdoou os ladrões e não permitiu que fossem punidos, mas pouco depois o fogo queimou suas casas. Com grande força de espírito e a sublimidade da calma espiritual, ele fez a fera obediente. Eles o viram alimentando o urso como se estivesse sendo treinado. Certa vez, quando perguntado qual é o objetivo de nossa vida terrena, ele respondeu: “Voltar aos braços do Pai Celestial”. Em 1807, o Venerável Padre Serafim rendeu-se ao feito da oração (silêncio e silêncio orante). Ele passou quase três anos em completo silêncio, sem falar com ninguém palavra. Ele disse: “Por causa do silêncio, ninguém nunca se arrependeu.” Por mil dias e mil noites ele parou em duas pedras, descendo apenas para pegar comida. Um estava em sua cela e o outro em um pinheiro grosso florestas. De manhã à noite, ele ficava na pedra ao lado da cela. E quando o sol se punha, ele cruzava até a pedra na floresta e ficava de pé sobre ela a noite toda até o amanhecer, com as mãos levantadas para o céu. Então ele suportou geadas de inverno, chuvas de outono e calor de verão. Seu corpo, e especialmente suas pernas, levaram à exaustão completa. É por isso que ele teve que dizer adeus à vida no deserto para sempre e retornar ao mosteiro em 1810. No mosteiro, o Venerável foi trancado em uma cela e não saiu a lugar nenhum por anos. Em sua cela havia apenas um ícone na frente do qual uma lâmpada piscava, um punhado de lenha ao lado de um fogão que nunca queimava e um toco que servia de cadeira. Ele passou seu tempo em oração e lendo os livros do Evangelho. “Depois de dez anos de prisão, sábio pela experiência da vida no deserto, ofuscado pelos dons da graça, o asceta, da razão esclarecida, reabriu a boca.” Naquele momento, a Mãe de Deus apareceu-lhe novamente, acompanhada pelos veneráveis ​​habitantes do deserto, e ordenou-lhe que recebesse aqueles que esperavam por sua ajuda e lhes ensinasse seus conselhos. Desde então, recebe visitantes diariamente, do amanhecer ao anoitecer, abençoando-os e dando-lhes conselho e instrução. O Venerável Padre Serafim dirigiu-se a todos com “Minha Alegria”. Começou, já velho – um monge, a servir a salvação de muitas almas que lhe pediam uma palavra viva, graciosa e curativa. Um velho, no mundo ortodoxo russo, não é apenas um velho ou um ancião, mas também “um velho monge que recebeu obediência para servir as pessoas e instruir. suas almas para a salvação, para lhes dar conforto e conselho espiritual”. Naquela época, o padre Serafim era respeitado por toda a Rússia. A palavra sobre ele e as bênçãos de seu Deus se espalharam por toda parte. Ele curou os doentes, salvou da morte, anunciou eventos futuros para evitar o sofrimento individual e coletivo… Um monge perguntou ao Padre Serafim: – Por que você ensina as pessoas? O santo respondeu: -Sigo os ensinamentos da Igreja que canta: “Não esconda as palavras de Deus, mas anuncie seus milagres” De acordo com numerosos testemunhos, “embora o corpo do Venerável estivesse completamente exausto, e suas pernas fossem de madeira e purulentas das feridas, revividas pelo poder do Espírito, ele sempre parecia inteiro e feliz”. Ele disse que “a alegria não é pecado, porque agrada ao Senhor que todo homem tenha alegria no coração”. De acordo com o testemunho da freira do mosteiro de Divjejevski, que foi construído pelo padre Serafim, na véspera de sua transferência para o Reino dos Céus, “de repente houve um barulho como o do vento, uma luz brilhante apareceu, o canto foi ouvido. A cela do velho parecia se expandir, a luz era mais forte que o sol… Deslocou-se ao Reino dos Céus com o canto do cântico pascal “Viu a Ressurreição de Cristo”…, ajoelhando-se, em posição de oração, diante do ícone da Mãe de Deus “Misericórdia”. O Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa, em 1903, proclamou um novo livro de orações diante do Senhor, o Venerável São Serafim de Sarov, o Operador de Milagres. A Igreja Ortodoxa Sérvia celebra em 15 de janeiro de acordo com o novo calendário. Suas relíquias estão localizadas no mosteiro de Divjejevo nas proximidades Sarova. Diálogo de São Serafim com Motovilov Explicação inicial Muitos anos atrás, em 1832, em uma floresta da Rússia central, nas proximidades do mosteiro de Sarov, travou-se um notável diálogo entre um sacerdote e um leigo, preservado até os dias de hoje. O sacerdote, que era também monge, chamava-se Serafim; hoje padre Serafim está no céu, e é um dos santos mais conhecidos da Igreja Russa. Muito antes de ser sacerdote, Serafim se preocupou, como nos ensina o Evangelho, em buscar em primeiro lugar ao Reino de Deus; e foi para poder dedicar-se mais completamente a Deus que ingressou aos dezenove anos no mosteiro de Sarov, onde se tornou monge, depois diácono e sacerdote, entregando-se profundamente à vida de oração. Padre Serafim morreu aos 74 anos, em 1883, mas dois anos antes de seu falecimento encontrou um leigo, na época um homem casado, chamado Nicolas Motovilov, o qual em sua juventude também havia sido tocado pela graça divina. Deus lhe havia concedido perceber, durante algum tempo, que parecia haver algo de muito profundo atrás da aparente simplicidade das palavras do Evangelho. Nicolas Motovilov começou então a perguntar às autoridades da Igreja qual era a essência e a finalidade do ideal de vida ensinado por Jesus, mas não recebeu por parte destas pessoas nenhuma resposta mais precisa. Alguns chegaram a aconselhar ao jovem que parasse de se preocupar com estas questões e se limitasse a freqüentar a Igreja como todas as demais pessoas. Porém mais tarde as preocupações da vida engolfaram Motovilov e ele acabou se esquecendo da busca de Deus. Viveu como se vive na sociedade. Pecou e sofreu. Os anos foram se passando. Motovilov foi então atingido por uma doença na época incurável. Lembrou-se por causa disso de procurar conforto e auxílio junto a um certo sacerdote de que tinha ouvido falar, o qual vivia num local muito distante, nas proximidades de um mosteiro perdido em meio à floresta russa. Por causa de sua doença Motovilov já não podia andar e nem mesmo ficar de pé. Teve que ser carregado, em sua penosa viagem, por cinco empregados, mas ficou inteiramente curado depois de uma conversa com o monge Serafim. No ano seguinte, um ano antes do falecimento do Padre Serafim, ambos mantiveram um diálogo de cujo registro transcrevemos algumas partes. Este diálogo nos fala do Espírito Santo que foi prometido por Cristo aos que cressem em seu nome, e com a sua leitura nos vamos ocupar por algum tempo. Após a leitura deste diálogo, examinaremos uma pequena passagem da Summa Theologiae de Santo Tomás de Aquino, muito menor do que o texto do diálogo entre Serafim e Motovilov, em que Santo Tomás nos fala do mesmo assunto. Condensado do Diálogo Era uma quinta feira. O céu estava cinza. A terra estava coberta de neve e espessos flocos continuavam a turbilhonar, quando o padre Serafim começou a nossa conversa na clareira perto de sua «Pequena Ermida», em frente ao rio Sarovka que deslizava ao pé da colina. Fez-me sentar no tronco de uma árvore que acabava de derrubar e ele se acocorou em minha frente. — «O Senhor me revelou», disse o grande staretz, «que desde a vossa infância desejáveis saber qual a finalidade da vida cristã e que tínheis muitas vezes interrogado a este respeito mesmo a altas personagens na hierarquia da Igreja». Devo dizer que desde a idade de doze anos essa idéia me perseguia e que, efetivamente, havia proposto a questão a várias personalidades eclesiásticas, sem nunca receber resposta satisfatória. O staretz ignorava-o. — «Mas ninguém», continuou o padre Serafim, «vos disse nada de preciso; vos aconselhavam a ir à igreja, a rezar, a viver segundo os mandamentos de Deus, a fazer o bem, e tal, diziam, era o objetivo da vida cristã. Alguns até desaprovavam a vossa curiosidade, julgando-a descabida e ímpia. Mas estavam errados. Quanto a mim, miserável Serafim, vos explicarei agora em que consiste realmente esse objetivo». A verdadeira meta da vida cristã — «A oração, o jejum, as vigílias e outras atividades cristãs, tão boas quanto possam parecer em si, não constituem a finalidade da vida cristã, ainda que ajudem a chegar a ela. O verdadeiro objetivo da vida cristã consiste na aquisição do Espírito Santo de Deus. Quanto à oração, ao jejum, às vigílias, à esmola, e qualquer outra boa ação feita em nome de Cristo, são apenas meios para a aquisição do Espírito Santo. A aquisição do Espírito Santo — «É pois na aquisição desse Espírito de Deus que consiste a verdadeira finalidade da vida cristã, enquanto a oração, as vigílias, o jejum, a esmola e as outras ações virtuosas, feitas em nome de Cristo, são apenas meios para adquiri-lo». – «Como a aquisição?», perguntei ao padre Serafim. «Não compreendo muito bem». — «A aquisição é a mesma coisa que a obtenção. Sabeis o que é adquirir dinheiro? Em relação ao Espírito Santo é semelhante. Para as pessoas comuns, o objetivo da vida consiste na aquisição do dinheiro, o ganho. Os nobres desejam, além disso, obter honras, sinais de distinção e outras recompensas concedidas por serviços prestados ao Estado. A aquisição do Espírito Santo é também um capital, mas um capital eterno, dispensador de graças; muito parecido aos capitais temporais e que se obtém pelos mesmos processos. Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus homem, compara a nossa vida a um mercado e a nossa atividade na terra a um comércio. Recomenda-nos a todos nós: `Negociai até que eu volte, remindo o tempo, porque os tempos são maus’; (Lc 19, 12-13; Ef 5, 15-16) o que quer dizer: ‘Apressai-vos em obter bens celestes, negociando com mercadorias terrenas´. Essas mercadorias terrestres não são senão as ações virtuosas feitas em nome de Cristo e que nos trazem a graça do Espírito Santo. Ver a Deus – «Padre», disse-lhe eu, «falais sempre da aquisição da graça do Espírito Santo como a finalidade da vida cristã. Mas, como posso reconhecê-la? As boas ações são visíveis. Mas o Espírito Santo pode ser visto? Como posso saber se Ele está ou não em mim?» — «Na época em que vivemos», respondeu o staretz ,«chegou-se a uma tal tibieza na fé, a uma tal insensibilidade para com a comunicação com Deus, que as pessoas se afastaram totalmente da verdadeira vida cristã. Há passagens da Escritura que nos parecem estranhas hoje, como, por exemplo, quando o Espírito Santo pela boca de Moisés diz: ‘Adão via Deus passeando no Paraíso’ (Gn 3) ou quando lemos no apóstolo Paulo que foi impedido pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia, mas que o Espírito o acompanhou quando ele se dirigia para a Macedônia (At 16, 6-9). Em muitas outras passagens da Sagrada Escritura ele é, por várias vezes, assunto da aparição de Deus aos homens. Então alguns dizem: ‘Estas passagens são incompreensíveis. Pode- se admitir que homens possam ver a Deus de maneira tão concreta?’ Esta incompreensão vem do fato de que sob o pretexto da instrução, da ciência, mergulhamos numa tal obscuridade de ignorância, que tudo achamos incompreensível, tudo de quanto os antigos tinham uma noção bastante clara para poderem falar entre eles das manifestações de Deus aos homens como de coisas conhecidas e, de forma alguma, estranhas. Assim Jó, quando os seus amigos o reprovavam por não blasfemar contra Deus, respondia: `Enquanto em mim houver um sopro de vida e o alento de Deus nas narinas, meus lábios não dirão falsidades’. (Jó 27, 3) Em outras palavras, como posso blasfemar contra Deus, quando o Espírito Santo está em mim? Se blasfemasse contra Deus, o Espírito Santo me deixaria, mas sinto sua respiração em minhas narinas. Abraão e Jacó conversaram com Deus. Jacó lutou mesmo com Ele. Moisés viu Deus e todo o povo com ele, quando recebeu as tábuas da Lei, no Sinai. Uma coluna de nuvens de fogo, a graça visível do Espírito Santo, servia de guia ao povo hebreu no deserto. Os homens viam a Deus e seu Espírito não em sonho ou êxtase, fruto de uma imaginação doentia, mas na realidade. Desatentos, como nos tornamos, compreendemos as palavras da Escritura contrariamente ao que se deveria. E tudo isso porque, em lugar de buscar a graça, nós a impedimos, por orgulho intelectual, de vir habitar em nossas almas e de nos esclarecer como são esclarecidos aqueles que de todo coração buscam a verdade». A Criação — «Muitos, por exemplo, interpretam as palavras da Bíblia: `Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida’, (Gn 2, 7) como querendo dizer que até então não havia em Adão nem alma, nem espírito humano, mas somente uma carne criada do barro do solo. Esta interpretação não é correta, pois o Senhor Deus criou Adão do barro do solo no estado do qual fala o apóstolo Paulo quando afirma: ‘Que vosso espírito, vossa alma e vosso corpo sejam guardados de modo irrepreensível para o dia da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo’. (1 Tes 5, 23) Todas estas três partes do nosso ser foram criadas do barro do solo. Adão não foi criado morto, mas criatura animal atuante, semelhante às outras criaturas que vivem na terra e são animadas por Deus. Mas eis o importante. Se Deus não tivesse insuflado na face de Adão este alento de vida, isto é, a graça do Espírito Santo que procede do Pai e repousa no Filho e, por causa deste não o tivesse enviado ao mundo, por mais perfeito e superior às outras criaturas que Adão fosse, teria permanecido privado do Espírito deificante e seria semelhante a todas as outras criaturas que possuíssem carne, alma e espírito segundo a sua espécie, mas privados, no interior, do Espírito que estabelece parentesco com Deus. A partir do momento em que Deus lhe deu o sopro de vida, Adão tornou-se, segundo Moisés: ‘uma alma vivente’, o que quer dizer, em tudo semelhante a Deus, eternamente imortal. Adão havia sido criado invulnerável. Nenhum elemento tinha poder sobre ele. A água não podia afogá-lo, o fogo não podia queimá-lo, a terra não o podia engolir e o ar não lhe podia ser nocivo. Tudo lhe era submisso, como ao proferido de Deus, como ao proprietário e rei das criaturas. Ele era a própria perfeição, a coroa das obras de Deus e admirado como tal. O alento de vida que Adão recebeu do Criador, o encheu de sabedoria a tal ponto que jamais houve sobre a terra, e provavelmente jamais haverá, um homem tão repleto de conhecimento e de saber quanto ele. Quando Deus lhe ordenou que desse nomes a todas as criaturas, ele as denominou de acordo com as qualidades, as forças, e as propriedades de cada uma, conferidas por Deus. Este dom da graça divina supranatural, que veio do alento de vida que havia recebido, permitia a Adão ver a Deus passeando no paraíso e compreender as suas palavras bem como a conversa dos santos anjos e a linguagem de todas as criaturas, dos pássaros, dos répteis que vivem sobre a terra, de tudo o que nos é dissimulado, a nós, pecadores, desde a queda, mas que antes era perfeitamente claro para Adão. A graça do Espírito Santo é luz —«Ainda é preciso que vos diga, a fim de que compreendais o que é preciso entender por graça divina, como ela se manifesta nos homens que ilumina: a graça do Espírito Santo é Luz. Toda a Sagrada Escritura fala disso. Davi, o antepassado do Deus homem, disse: ‘Tua palavra é lâmpada para os meus pés, e luz para o meu caminho’. (Sl 118, 105) Em outros termos, a graça do Espírito Santo, que a lei revela na forma dos mandamentos divinos, é minha luminária e minha luz e, se não fosse essa graça do Espírito Santo, ‘que com tanto trabalho me esforço por adquirir, me interrogando sete vezes ao dia de sua verdade’, (Sl 118, 164) como, entre as numerosas preocupações inerentes à minha condição real, poderia encontrar em mim uma só chispa de luz para me iluminar acerca do caminho da vida enegrecida pelo ódio de meus inimigos? De fato, o Senhor muitas vezes mostrou, na presença de numerosas testemunhas, a ação da graça do Espírito Santo sobre os homens que ele havia iluminado e ensinado através de grandiosas manifestações. Lembrai-vos de Moisés, depois de sua conversa com Deus sobre o Monte Sinai (Ex. 34, 30-35). Os homens não podiam olhá-lo de tal modo seu rosto brilhava com uma luz extraordinária. Era mesmo obrigado a se mostrar ao povo com a face recoberta com um véu. Lembrai-vos da transfiguração do Senhor no Tabor. `E ali foi transfigurado diante deles. O seu rosto resplandeceu como o Sol, e suas vestes se tornaram brancas como a luz […] Os discípulos ouvindo a voz, muito assustados, caíram com o rosto no chão’. Quando Moisés e Elias apareceram revestidos da mesma luz `uma nuvem os encobriu para que não ficassem cegos’. (Mt. 17, 1-8; Mc 9, 2-8; Lc 9, 28-37) É assim que a graça do Espírito Santo de Deus aparece numa luz inefável àqueles a quem Deus manifesta a sua ação. Presença do Espírito Santo –«Como poderei então», perguntei ao padre Serafim, «reconhecer em mim a presença do Espírito Santo?» — «É muito simples», respondeu ele. Deus disse: ‘O saber é fácil para o inteligente’. (Prov 14, 6) Nossa desgraça é que nós não procuramos essa sabedoria divina que, não sendo deste mundo, não é presunçosa. Cheia de amor por Deus e pelo próximo, ela molda o homem para sua salvação. Foi falando dessa sabedoria que o Senhor disse: `Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade’. (1 Tim. 2, 4) A seus apóstolos, que não tinham esta sabedoria, ele disse: `Ó insensatos e lentos de coração para crer tudo o que os profetas anunciaram!’ (Lc 24, 25-27) E o Evangelho diz que ele `lhes abriu a inteligência a fim de que pudessem compreender as Escrituras’. Tendo adquirido essa sabedoria, os apóstolos sabiam sempre se o Espírito de Deus estava ou não com eles e, cheios desse Espírito, afirmavam que sua obra era santa e agradável a Deus. Por isso em suas epístolas podiam escrever: `Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós…’, (At 15, 28) e somente persuadidos como estavam de sua presença sensível, enviavam suas mensagens. Então, amigo de Deus, vede como é simples. – Respondi: «Apesar de tudo, não compreendo como posso estar absolutamente certo de me encontrar no Espírito Santo. Como posso eu mesmo descrever em mim a sua manifestação?» O padre Serafim respondeu: — «Já vos disse que é muito simples e vos expliquei com detalhes como os homens se encontravam no Espírito Santo e como se deve compreender a sua manifestação em nós… Que vos falta ainda? – «Eu preciso», respondi, «compreendê-lo verdadeiramente bem…» A Luz Incriada Então o padre Serafim me tomou pelos ombros e, apertando-os fortemente, disse: — «Estamos ambos, vós e eu, na plenitude do Espírito Santo. Por que não me olhais? – «não posso, padre, olhar-vos. Brotam raios de vossos olhos. O vosso rosto tornou-se mais luminoso do que o Sol. Os olhos me doem…» O padre Serafim disse: — « Não tenhais medo, amigo de Deus. Também vos tornastes tão luminoso quanto eu. Vós também estais agora na plenitude do Espírito Santo, de outro modo não teríeis podido me ver. Inclinando a sua cabeça para mim, disse-me ao ouvido: — «Agradecei ao Senhor por vos ter concedido esta graça indizível. Vistes, nem mesmo fiz o sinal da cruz, no meu coração, em pensamento somente, rezei: `Senhor, tornai-me digno de ver claramente, com os olhos da carne, a descida do Espírito Santo como a teus servidores eleitos quando te dignaste aparecer-lhes na magnificência de tua glória!’ E imediatamente Deus atendeu a humilde oração do miserável Serafim. Como não agradecer-lhe por esse dom extraordinário que a nós dois ele concede? Não é também sempre aos grandes eremitas que Deus manifesta assim a sua graça. Como mãe amorosa, essa graça se dignou consolar o vosso coração desolado, a pedido da própria Mãe de Deus. Mas, por que não me olhais nos olhos? Ousai olhar-me sem temor, Deus está conosco. – Depois destas palavras, levantei os olhos para o rosto e um medo maior ainda tomou posse de mim. Imaginai-vos no meio do Sol, na claridade mais forte de seus raios de meio dia, o rosto de um homem que vos fala. Vedes o movimento de seus lábios, a expressão cambiante de seus olhos, vós ouvis o som de sua voz, sentis a pressão de suas mãos, mas, ao mesmo tempo, não percebeis nem as suas mãos, nem o seu corpo, nem o vosso, nada senão uma esplendorosa luz se propagando ao redor, a uma distância de muitos metros, iluminando a neve que recobria a campina e caía sobre o grande staretz e sobre mim. Pode-se representar a situação na qual me encontrava então? — «Que sentis agora?», perguntou o staretz. – «Sinto-me extraordinariamente bem». — «Como ‘bem’? Que quereis dizer por ‘bem’?» – «Minha alma está cheia de um silêncio e de uma paz inexplicável». — «Aí está, amigo de Deus, esta paz da qual o Senhor falava quando ele dizia a seus discípulos: “Deixo-vos a minha paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas porque não sois do mundo e minha escolha vos separou do mundo, o mundo por isso vos odeia. Eu vos disse tais coisas para terdes paz em mim. Tende coragem, eu venci o mundo”. (Jo 14,27; 15,19; 16,33) É a esses homens eleitos por Deus, mas odiados pelo mundo, que Deus dá a paz que sentis agora, ‘a paz de Deus’, diz o apóstolo, ‘que excede toda a compreensão’. (Fil 4, 7) O apóstolo denomina-a assim porque nenhuma palavra pode exprimir o bem estar espiritual que ela faz nascer nos corações dos homens em que o Senhor a implanta. Ele mesmo a chama sua paz (Jo. 14, 27). Fruto da generosidade de Cristo e não deste mundo, nenhuma felicidade terrena a pode dar. Enviada do alto pelo próprio Deus, ela é a paz de Deus… Que sentis agora?» – «Uma delícia extraordinária». — «É a delícia de que fala a Escritura: ‘Eles ficam saciados com a gordura de tua casa, tu os embriagas com um rio de delícias’. (Sl 35, 9) Ela transborda do nosso coração, derrama-se em nossas veias, traz-nos uma sensação de delícia inexprimível… Que sentis ainda? – «Uma extraordinária alegria em todo o meu coração». — «Quando o Espírito Santo desce sobre o homem com a plenitude de seus dons, a alma humana fica cheia de uma alegria indescritível. É dessa alegria que o Senhor fala no Evangelho quando diz: `Quando uma mulher está para dar à luz, entristece-se porque a sua hora chegou; quando, porém, nasce a criança, ela já não se lembra dos sofrimentos, pela alegria de ter vindo ao mundo um homem. Também vós, agora, estais tristes; mas eu vos verei de novo e vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria’. (Jo 16, 21-22) Por grande e consoladora que ela seja, a alegria que sentis neste momento nada é, em comparação com aquela da qual o Senhor disse através de seu apóstolo: `O que os olhos não viram, o que os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam’. (1Cor 2, 9) O que nos é concedido presentemente é apenas uma antecipação dessa alegria suprema. E, se desde agora, nós sentimos deleite, júbilo e bem estar, que dizer desta outra alegria que nos está reservada no céu, depois de ter, aqui na terra, chorado? Já haveis chorado bastante em vossa vida e vede que consolação na alegria o Senhor vos dá aqui na terra. Cabe a nós, agora, amigo de Deus, trabalhar com todas as nossas forças para subirmos de glória em glória `até que alcancemos todos nós a unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, o estado do homem perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo’. (Ef 4, 13) `Os que põe sua esperança em Javé renovam as suas forças, formam asas como as águias, correm e não se fatigam, caminham e não se cansam’. (Is 40, 31) `Eles caminham de terraço em terraço e Deus lhes aparece em Sião’. (Sl 83, 8 É então que a nossa alegria atual, pequena e breve, se manifestará em toda a sua plenitude e ninguém nos poderá arrebatá-la, repletos como estaremos de indizíveis gozos celestes. Que sentis, ainda, amigo de Deus? – «Um calor extraordinário» — «como, um calor? Não estamos na floresta, em plena neve? A neve está sob os nossos pés, estamos cobertos dela e ela continua caindo… De que calor se trata?» – «Um calor semelhante ao de um banho de vapor». — «E o cheiro é como no banho?» – «Oh, não! Nada sobre a terra se pode comparar a esse perfume. No tempo em que a minha mãe vivia, ainda gostava de dançar e quando eu ia a um baile, ela me aspergia perfumes que comprava nas melhores lojas de Kasan e pagava muito caro. O seu odor não é comparável a estes aromas». O padre Serafim sorriu. — «Eu sei, meu amigo, tanto quanto vós, e é de propósito que vos interrogo. É bem verdade, nenhum perfume terreno pode ser comparado ao bom odor que respiramos neste momento, o bom odor do Espírito Santo. O que pode, sobre a terra, ser-lhe comparado? Dissestes, ainda há pouco, que fazia calor, como no banho. Mas olhai, a neve que nos cobre, a vós e a mim, não se derrete, assim como a que está aos nossos pés. O calor não está no ar, mas no nosso interior. É este calor que o Espírito Santo nos faz pedir na oração: `Que teu Espírito Santo nos aqueça’. Este calor permitia aos eremitas, homens e mulheres, não temerem o frio do inverno, envolvidos, como estavam, como que num manto de peles, numa veste tecida pelo Espírito Santo. É assim que, na realidade, deveria ser, habitando a graça divina no mais profundo de nós, em nosso coração. O Senhor disse: `O Reino de Deus está dentro de vós’. (Lc 17, 21) Por Reino de Deus ele entende a graça do Espírito Santo. Este Reino de Deus está em nós, agora. O Espírito Santo nos ilumina e nos aquece. Enche o ar de perfumes variados, alegra os nossos sentidos, sacia o nosso coração com alegria indizível. O nosso estado atual é semelhante àquele do qual fala o apóstolo: `Porquanto o Reino de Deus não consiste em comida e bebida, mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo’. (Rom 14, 17) A nossa fé não se baseia em palavras de sabedoria terrena, mas na manifestação do poderio do Espírito. Trata-se do estado em que estamos atualmente e que o Senhor tinha em vista quando dizia: `Em verdade vos digo que estão aqui presentes alguns que não provarão a morte até que vejam o Reino de Deus chegando com poder’. (Mc 9, 1) Eis aí, amigo de Deus, a alegria incomparável que o Senhor se dignou conceder-nos. Eis o que é estar `na plenitude do Espírito Santo’. É isto o que entende São Macário, o Egípcio, quando escreve: `Eu mesmo estive na plenitude do Espírito Santo’. Humildes quanto somos, o Senhor nos encheu da plenitude de seu Espírito. Parece-me que, a partir deste momento, não tereis de me interrogar mais sobre a maneira como se manifesta, no homem, a presença da graça do Espírito Santo. Esta manifestação permanecerá para sempre em vossa memória. – «Não sei, padre, se Deus me tornará digno de me lembrar dela sempre com tanta nitidez como agora» Difusão da mensagem — «E eu», respondeu o staretz, «ulgo que, pelo contrário, Deus vos ajudará a guardar todas estas coisas para sempre, em vossa memória. De outro modo ele não teria sido tão rapidamente tocado pela humilde oração do miserável Serafim e não teria atendido tão depressa o seu desejo. Além do mais, não é somente a vós que é dado ver a manifestação desta graça mas, por vosso intermédio, ao mundo inteiro. Vós mesmo assegurai-vos, sereis útil a outros. Monge e leigo — «Quanto a nossos estados diferentes, de monge e leigo, não vos preocupeis. Deus procura acima de tudo um coração cheio de fé nele e em seu Filho único, em resposta à qual envia do alto a graça do Espírito Santo. O Senhor procura um coração repleto de amor por Ele e pelo próximo; aí está um trono sobre o qual Ele gosta de sentar-se e onde ele aparece na plenitude de sua glória. `Meu filho, dá-me o teu coração, e o resto eu te darei por acréscimo’. (Pr 23, 26) O coração do homem é capaz de conter o Reino dos Céus. `Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça’, diz o Senhor a seus discípulos, `e todas estas coisas vos serão acrescentadas, pois Deus, vosso Pai, sabe do que precisais’. (Mt 6, 33) Legitimidade dos bens terrenos — «O Senhor não nos proíbe o gozo dos bens terrenos, e diz ele próprio que, dada a nossa situação aqui na terra, deles precisamos para dar tranqüilidade às nossas existências e tornar mais cômodo e fácil o caminho para a nossa pátria celeste. E o apóstolo Pedro acha que nada há melhor no mundo do que a piedade unida ao contentamento. A Santa Igreja pede que isso seja dado. Apesar das penas, as desgraças, e as necessidades serem inseparáveis da nossa vida na terra, o Senhor jamais quis que os cuidados e as misérias constituíssem toda a trama dela. E, por isso, pela boca do apóstolo nos manda carregar os fardos uns dos outros, a fim de obedecer a Cristo que pessoalmente nos deu o preceito de nos amarmos mutuamente. Reconfortados por esse amor, a caminhada dolorosa pela via estreita que leva à nossa pátria celeste nos será facilitada. Não desceu o Senhor do céu não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida pela redenção de muitos? (M. 20, 28; Mc 10, 45). Atuai do mesmo modo, amigo de Deus, e, consciente da graça da qual fostes visivelmente objeto, comunicai-a a todo homem desejoso da sua salvação. Atividade missionária — «’A colheita é grande’, diz o Senhor, `mas poucos os operários’. (Mt 9, 37-38; Lc 10, 2) Tendo recebido os dons da graça, somos chamados a trabalhar colhendo as espigas da salvação do nosso próximo, para os recolhermos no celeiro, em grande número, no Reino de Deus, a fim de que produzam seus frutos, uns trinta, outros sessenta, e outros cem. Estejamos atentos para não sermos condenados com o servo preguiçoso que enterrou o dinheiro a ele confiado, mas tratemos de imitar os servos fiéis que devolveram ao Mestre um, em vez de dois talentos, quatro, e o outro, em vez de cinco talentos, dez. Quanto à misericórdia divina, não se pode duvidar dela: vede vós mesmo como as palavras de Deus, ditas por um profeta, se realizaram por nós. `Sou, por acaso, Deus apenas de perto’. (Jr 23, 23) Conversa com Motovilov «Tendes muito pouca fé» «O Senhor está perto dos que o invocam. Não faz acepção de pessoas. O Pai ama o Filho e entregou tudo nas suas mãos” (Sl 145,18; Rm 2,11; Jo 3,35). Desde que amemos verdadeiramente o nosso Pai celeste como filhos, o Senhor escuta de igual modo um monge e um homem do mundo, um simples cristão. Desde que ambos tenham a verdadeira fé, amem a Deus do fundo do coração e possuam uma fé “grande como um grão de mostarda”, “ambos deslocarão montanhas”. O próprio Senhor diz: “Tudo é possivel àquele que crê” (Mt 9,23). E o santo apóstolo Paulo exclama: “Posso tudo em Cristo que me dá forças” (Fl 4,13). Mais maravilhosas ainda são as palavras do Senhor a propósito dos que crêem nele: “Aquele que acredita em mim fará também as obras que eu faço e fará ainda maiores, porque eu vou para o Pai. Tudo o que pedirdes em meu nome, eu o farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu a farei” (Jo 14,12-14). E é mesmo assim, ó amigo de Deus. Tudo o que pedirdes a Deus, obtê-lo-eis, desde que o vosso pedido seja para glória de Deus ou para o bem do vosso próximo. Porque Deus não separa o bem do próximo da sua glória: “Tudo o que fizerdes ao mais pequeno de entre vós, a mim o fareis” (cf. Mt 25,45). Um pagão entra na herança de Israel O espírito de Deus manifesta-se, embora com uma força menor, nos pagãos que não conhecem o verdadeiro Deus, mas entre os quais se encontram também simpatizantes. As virgens profetas, por exemplo, as sibilas, guardavam a virgindade para um deus desconhecido – mas um Deus de qualquer modo – que supunham ser o Criador do universo, o Todo-Poderoso que governava o mundo. Os filósofos pagãos, errando nas trevas da ignorância de deus, mas procurando a verdade, podiam, devido a esta busca agradável ao Criador, receber o Espírito Santo em certa medida. S. Paulo escreve: “quando os gentios, que não têm lei, cumprem pela luz natural, aquilo que a lei ordena, sem terem a lei, são lei para si mesmos” (Rom 2,14). A verdade é a tal ponto agradável a Deus que ele próprio o proclama pelo seu espírito: “Da terra germina a fidelidade e a justiça olha do céu” (Sl 84,12). Assim se conservou o conhecimento de Deus no povo escolhido, amado por Deus, assim entre os pagãos ignorando Deus, depois da queda de Adão e até à incarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sem este conhecimento, sempre claramente conservado no género humano, como teriam os homens podido saber se tinha vindo aquele que, segundo a promessa feita a Adão e Eva, devia nascer de uma Virgem destinada a esmagar a cabeça da serpente? (Gn 3,15). «Procurai primerio o seu Reino e a sua justiça e tudo o mais vos será dado por acréscimo». [S. Serafim e Molovilov encontram-se mergulhados numa grande luz e numa grande suavidade. Serafim diz-lhe:] Meu amigo, os homens foram criados para que a graça divina habite no mais profundo de nós, no nosso coração. O Senhor disse: “O Reino dos céus está dentro de vós” (Lc 17,21). Por Reino dos céus, Ele entende a graça do Espírito Santo; esse Reino de Deus está em nós dois neste momento. O Espírito Santo ilumina-nos e aquece-nos; enche o ar com os seus perfumes, alegra os nossos sentidos e inunda os nossos corações com uma alegria inefável. Experimentamos o que diz o apóstolo Paulo: “O Reino de Deus não é o comer e o beber, mas a justiça, a paz e a alegria, pelo Espírito Santo” (Rm 14,17)… Vê, amigo de Deus, que alegria incomparável se dignou conceder-nos o Senhor. Vê o que é estar “na plenitude do Espírito Santo”… Humildes como somos, o Senhor encheu-nos com a plenitude do Seu Espírito. Parece-me que, a partir de agora, já não me interrogarás mais acerca da forma como se manifesta no homem a presença da graça do Espírito Santo… Quanto aos nossos estados diferentes, de monge e de leigo, não te preocupes. Deus procura antes de tudo um coração cheio de fé n’Ele e no seu Filho único, em resposta à qual Ele envia do alto a graça do Espírito Santo. O Senhor procura um coração cheio de amor para com Ele e para com o próximo – esse é o trono em que Ele gosta de se sentar e onde aparece na plenitude da sua glória. “Filho, dá-me o teu coração, e o resto dar-te-ei por acréscimo” (Pr 23,26). O coração do homem é capaz de conter o Reino dos Céus. “Procurai primeiro o Reino dos Céus e a sua verdade, diz o Senhor aos seus discípulos, e o resto ser-vos-á dado por acréscimo, porque Deus vosso Pai sabe que disso tendes necessidade”. «Confiou-lhes os seus bens» O Senhor não nos censura por usufruirmos dos bens terrenos e é Ele próprio quem diz que, tendo em conta a nossa situação neste mundo, precisamos deles para dar tranqüilidade à nossa existência e tornar mais cómodo e mais fácil o caminho em direcção à pátria celeste. A Santa Igreja reza para que isso nos seja dado. Apesar de as dores, as tristezas e as necessidades serem inseparáveis da nossa vida na terra, o Senhor nunca quis que as preocupações e as misérias constituíssem toda a sua trama. É por isso que nos recomenda, pela boca do apóstolo Paulo, que levemos os fardos uns dos outros (Ga 6, 2), a fim de obedecermos a Cristo, que nos deu pessoalmente o preceito de nos amarmos uns aos outros. Não é verdade que o Senhor desceu do céu “não para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por todos” (Mc 10, 45)? Age da mesma forma, amigo de Deus, e, consciente da graça de que foste visivelmente objecto, comunica-a a todo o homem que desejar ser salvo. “A messe é g rande”, diz o Senhor, “mas os trabalhadores são poucos” (Mt 9, 37). Tendo recebido os dons da graça, somos chamados a trabalhar, ceifando as espigas da salvação do nosso próximo, a fim de os recolhermos em grande número no celeiro do Reino de Deus, para que dêem fruto, uns a trinta, outros a sessenta, outros a cem por um (Mc 4, 8). Estejamos atentos, a fim de não sermos condenados como o servo preguiçoso, que enterrou o talento que o seu senhor lhe confiou; procuremos antes imitar os servos fiéis, que devolveram ao seu senhor, um quatro talentos em vez dos dois, outro dez talentos em vez dos cinco. Nem podemos duvidar da misericórdia divina; vós próprios vedes como se realizaram em vós as palavras de Deus, ditas por um profeta: “Não sou um Deus que vê de longe” (Jr 23, 23).

  • São Serafim de Sarov, Monge – 19 de Julho

    SANTO DO DIA – 19 DE JULHO – SÃO SERAFIM DE SAROV Monge (1759-1835) “Quando um homem nasce, o mundo inteiro se alegra, e só ele chora. Mas ele deve viver para que, quando ele morrer, o mundo inteiro chore, e só ele se regozije.” Prothor Moshnim nasceu em 1759, na cidade de Kursk, na Rússia, onde seus pais eram comerciantes. Aos dez anos, ficou muito doente. Nossa Senhora apareceu-lhe em sonho prometendo que seria curado por ela. Alguns dias depois ele se recuperou, após tocar no quadro de Nossa Senhora durante uma procissão. Desde menino, gostava de ler o Evangelho, ir à igreja e isolar-se para rezar. Confirmou sua vocação aos 18 anos, quando ingressou no Mosteiro de Sarov. Lá, fez seus votos de abstinência, vigília e castidade. Costumava isolar-se em uma choupana numa floresta próxima, dedicado às orações e penitências. Mas durante três anos teve de ficar numa cama, após adoecer gravemente. Novamente, a Virgem Maria apareceu-lhe, dessa vez acompanhada por alguns santos, e curou-o após tocá-lo. Aos 27 anos, recebeu o hábito de monge e tomou o nome de Serafim, que em hebraico significa ardente. Tinha o dom de ver os anjos, santos, Nossa Senhora e também Jesus Cristo. Numa liturgia, viu o próprio Jesus entrando na igreja junto com os anjos e santos e abençoando o povo que ali estava. Serafim ficou tão atônito que por muito tempo perdeu a voz. Sete anos depois, ele se isolou no interior da floresta, onde alcançou uma grande perfeição espiritual, mas foi atacado por ladrões e seriamente ferido. Mesmo tendo uma constituição física muito forte, e na mão um machado, ele não ofereceu nenhuma resistência. Como não tinha dinheiro, foi espancado e quase morreu. Em seguida, os ladrões foram detidos e, no julgamento, o monge intercedeu por eles. Desde então, Serafim ficou curvado para o resto da vida. Depois desse episódio, iniciou um período de penitência. Ficou durante 1000 dias e 1000 noites isolado na floresta. De dia ficava ajoelhado numa pedra com as mãos erguidas para o céu e à noite desaparecia dentro da floresta. Após outra aparição de Nossa Senhora, quase no final de sua vida, Serafim adquiriu o dom da transfiguração do Espírito Santo e tornou-se um guia espiritual dentro do mosteiro. Milhares e milhares de pessoas, de todas as classes sociais, foram enriquecidas com os seus ensinamentos. Para todos, apresentava-se radiante, humilde e caridoso. Dizia: ‘Alegria não é pecado. Ela afugenta o cansaço, que pode se transformar em desânimo; e não há nada na vida pior do que o desânimo’. Serafim morreu deixando claro o ensinamento que seguiu a vida toda: ‘É preciso que o Espírito Santo entre no coração. Tudo aquilo que nós fazemos de bom por causa de Cristo dá-nos a presença do Espírito Santo, mas a oração, que está sempre ao nosso alcance, no-lo dá muito mais’. A igreja do Mosteiro de Sarov, na cidade de Krusk, abriga os seus restos mortais. Conheça mais sobre São Serafim de Sarov Também recebeu o nome da cidade de Sarov, localizada no sul da região de Nizhny Novgorod, 515 quilômetros a leste de Moscou. O Venerável Padre Serafim nasceu na cidade de Kursk e está no batismo recebeu o nome de Prohor. Seu pai se mudou para o mundo celestial quando ele tinha três anos. Aos sete anos, ele caiu do campanário de uma igreja inacabada, dedicada a São Sérgio de Radonej. Ele permaneceu ileso, graças à graça de Deus. E o homem de Deus, que possuía o dom da previsão, disse à mãe “que o menino se tornará um grande benfeitor de Deus, porque o Senhor protege aqueles que são escolhidos para serem Seus na Terra”. Aos dez anos, ele ficou gravemente doente e estava morrendo. Em sonho, a Santíssima Mãe de Deus apareceu para ele e profetizou sua cura, o que ele fez. Quando menino, ele adorava ler livros sagrados que o alimentavam de espiritualidade. Aos dezessete anos, após receber uma bênção de sua mãe, ele saiu de casa e de sua família para dedicar sua vida a obras que agradassem a Deus. Sua mãe lhe deu uma cruz de cobre, que ele usou por toda a vida e com a qual morreu. Elder Dositej, o Prisioneiro, do deserto da China (perto de Kiev), disse a ele: “Vá, filho de Deus, para a família Sarov e fique lá. Aquele lugar será sua salvação. Com a ajuda de Deus, você vai acabar com suas andanças terrenas lá. Em Sarov, o Espírito Santo, o tesouro de todos os bens, dirigirá sua alma como Luzes.” Em 1778, Prohor, de dezenove anos, chegou ao então deserto, onde se juntou aos monges que construíram o Mosteiro de Sarov, dedicando-se imediatamente às façanhas monásticas e ao estudo dos livros espirituais. Ele foi um novato por quase oito anos. Ele estava sofrendo de “doença da água” na época. e ficou imóvel por muito tempo. E então ele foi curado pela providência de Deus. Aos 28 anos, foi tonsurado monge, recebendo o nome de Serafim (Chamas). Serafins são poderes celestiais, anjos de primeira ordem que irradiam luz (chama) ao redor do trono do Senhor. Está escrito na crônica do mosteiro que o Venerável, ainda diácono, “foi enviado para recolher os restos de trigo de um celeiro quase vazio”. Com a oração, que nunca saiu de seus lábios, ele “viu (que) o celeiro estava cheio de trigo novamente” šen trigo era regularmente retirado do celeiro, mas os monges sempre tinham o suficiente para suas necessidades “. Ele disse uma vez: “Durante a liturgia, na Quinta-feira Santa”, a Luz na qual vi o Senhor nosso Deus Jesus Cristo me iluminou, em glória, resplandecente de luz indizível, mais brilhante que o Sol, cercada de anjos, arcanjos, querubins e serafins. Da porta da igreja, Ele caminhou pelo ar, parou em frente ao púlpito (pódio elevado nos templos ortodoxos em frente à iconóstase – MG) e, erguendo as mãos, abençoou quem serve e quem reza. Então ele entrou um ícone localizado próximo às portas da igreja. Desde então, meu coração se alegrou, puro e iluminado, na doçura do amor pelo Senhor”. Aos 35 anos, ele deixou a família do mosteiro e se estabeleceu em uma modesta cela de madeira, em uma densa floresta às margens do rio Sarovka, a cerca de 5 quilômetros do mosteiro. Nenhum dos irmãos monásticos que vinham de vez em quando podia suportar seu ascetismo, então São Serafim ficou sozinho com Deus. Enquanto, gravemente ferido no roubo, estava deitado no mosteiro, em seu sono a Santíssima Mãe de Deus apareceu-lhe novamente, com os santos apóstolos João, o Teólogo e Pedro, e disse: “Este é da minha família!” e recusou tratamento adicional como desnecessário. Ele perdoou os ladrões e não permitiu que fossem punidos, mas pouco depois o fogo queimou suas casas. Com grande força de espírito e a sublimidade da calma espiritual, ele fez a fera obediente. Eles o viram alimentando o urso como se estivesse sendo treinado. Certa vez, quando perguntado qual é o objetivo de nossa vida terrena, ele respondeu: “Voltar aos braços do Pai Celestial”. Em 1807, o Venerável Padre Serafim rendeu-se ao feito da oração (silêncio e silêncio orante). Ele passou quase três anos em completo silêncio, sem falar com ninguém palavra. Ele disse: “Por causa do silêncio, ninguém nunca se arrependeu.” Por mil dias e mil noites ele parou em duas pedras, descendo apenas para pegar comida. Um estava em sua cela e o outro em um pinheiro grosso florestas. De manhã à noite, ele ficava na pedra ao lado da cela. E quando o sol se punha, ele cruzava até a pedra na floresta e ficava de pé sobre ela a noite toda até o amanhecer, com as mãos levantadas para o céu. Então ele suportou geadas de inverno, chuvas de outono e calor de verão. Seu corpo, e especialmente suas pernas, levaram à exaustão completa. É por isso que ele teve que dizer adeus à vida no deserto para sempre e retornar ao mosteiro em 1810. No mosteiro, o Venerável foi trancado em uma cela e não saiu a lugar nenhum por anos. Em sua cela havia apenas um ícone na frente do qual uma lâmpada piscava, um punhado de lenha ao lado de um fogão que nunca queimava e um toco que servia de cadeira. Ele passou seu tempo em oração e lendo os livros do Evangelho. “Depois de dez anos de prisão, sábio pela experiência da vida no deserto, ofuscado pelos dons da graça, o asceta, da razão esclarecida, reabriu a boca.” Naquele momento, a Mãe de Deus apareceu-lhe novamente, acompanhada pelos veneráveis ​​habitantes do deserto, e ordenou-lhe que recebesse aqueles que esperavam por sua ajuda e lhes ensinasse seus conselhos. Desde então, recebe visitantes diariamente, do amanhecer ao anoitecer, abençoando-os e dando-lhes conselho e instrução. O Venerável Padre Serafim dirigiu-se a todos com “Minha Alegria”. Começou, já velho – um monge, a servir a salvação de muitas almas que lhe pediam uma palavra viva, graciosa e curativa. Um velho, no mundo ortodoxo russo, não é apenas um velho ou um ancião, mas também “um velho monge que recebeu obediência para servir as pessoas e instruir. suas almas para a salvação, para lhes dar conforto e conselho espiritual”. Naquela época, o padre Serafim era respeitado por toda a Rússia. A palavra sobre ele e as bênçãos de seu Deus se espalharam por toda parte. Ele curou os doentes, salvou da morte, anunciou eventos futuros para evitar o sofrimento individual e coletivo… Um monge perguntou ao Padre Serafim: – Por que você ensina as pessoas? O santo respondeu: -Sigo os ensinamentos da Igreja que canta: “Não esconda as palavras de Deus, mas anuncie seus milagres” De acordo com numerosos testemunhos, “embora o corpo do Venerável estivesse completamente exausto, e suas pernas fossem de madeira e purulentas das feridas, revividas pelo poder do Espírito, ele sempre parecia inteiro e feliz”. Ele disse que “a alegria não é pecado, porque agrada ao Senhor que todo homem tenha alegria no coração”. De acordo com o testemunho da freira do mosteiro de Divjejevski, que foi construído pelo padre Serafim, na véspera de sua transferência para o Reino dos Céus, “de repente houve um barulho como o do vento, uma luz brilhante apareceu, o canto foi ouvido. A cela do velho parecia se expandir, a luz era mais forte que o sol… Deslocou-se ao Reino dos Céus com o canto do cântico pascal “Viu a Ressurreição de Cristo”…, ajoelhando-se, em posição de oração, diante do ícone da Mãe de Deus “Misericórdia”. O Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa, em 1903, proclamou um novo livro de orações diante do Senhor, o Venerável São Serafim de Sarov, o Operador de Milagres. A Igreja Ortodoxa Sérvia celebra em 15 de janeiro de acordo com o novo calendário. Suas relíquias estão localizadas no mosteiro de Divjejevo nas proximidades Sarova. Diálogo de São Serafim com Motovilov Explicação inicial Muitos anos atrás, em 1832, em uma floresta da Rússia central, nas proximidades do mosteiro de Sarov, travou-se um notável diálogo entre um sacerdote e um leigo, preservado até os dias de hoje. O sacerdote, que era também monge, chamava-se Serafim; hoje padre Serafim está no céu, e é um dos santos mais conhecidos da Igreja Russa. Muito antes de ser sacerdote, Serafim se preocupou, como nos ensina o Evangelho, em buscar em primeiro lugar ao Reino de Deus; e foi para poder dedicar-se mais completamente a Deus que ingressou aos dezenove anos no mosteiro de Sarov, onde se tornou monge, depois diácono e sacerdote, entregando-se profundamente à vida de oração. Padre Serafim morreu aos 74 anos, em 1883, mas dois anos antes de seu falecimento encontrou um leigo, na época um homem casado, chamado Nicolas Motovilov, o qual em sua juventude também havia sido tocado pela graça divina. Deus lhe havia concedido perceber, durante algum tempo, que parecia haver algo de muito profundo atrás da aparente simplicidade das palavras do Evangelho. Nicolas Motovilov começou então a perguntar às autoridades da Igreja qual era a essência e a finalidade do ideal de vida ensinado por Jesus, mas não recebeu por parte destas pessoas nenhuma resposta mais precisa. Alguns chegaram a aconselhar ao jovem que parasse de se preocupar com estas questões e se limitasse a freqüentar a Igreja como todas as demais pessoas. Porém mais tarde as preocupações da vida engolfaram Motovilov e ele acabou se esquecendo da busca de Deus. Viveu como se vive na sociedade. Pecou e sofreu. Os anos foram se passando. Motovilov foi então atingido por uma doença na época incurável. Lembrou-se por causa disso de procurar conforto e auxílio junto a um certo sacerdote de que tinha ouvido falar, o qual vivia num local muito distante, nas proximidades de um mosteiro perdido em meio à floresta russa. Por causa de sua doença Motovilov já não podia andar e nem mesmo ficar de pé. Teve que ser carregado, em sua penosa viagem, por cinco empregados, mas ficou inteiramente curado depois de uma conversa com o monge Serafim. No ano seguinte, um ano antes do falecimento do Padre Serafim, ambos mantiveram um diálogo de cujo registro transcrevemos algumas partes. Este diálogo nos fala do Espírito Santo que foi prometido por Cristo aos que cressem em seu nome, e com a sua leitura nos vamos ocupar por algum tempo. Após a leitura deste diálogo, examinaremos uma pequena passagem da Summa Theologiae de Santo Tomás de Aquino, muito menor do que o texto do diálogo entre Serafim e Motovilov, em que Santo Tomás nos fala do mesmo assunto. Condensado do Diálogo Era uma quinta feira. O céu estava cinza. A terra estava coberta de neve e espessos flocos continuavam a turbilhonar, quando o padre Serafim começou a nossa conversa na clareira perto de sua «Pequena Ermida», em frente ao rio Sarovka que deslizava ao pé da colina. Fez-me sentar no tronco de uma árvore que acabava de derrubar e ele se acocorou em minha frente. — «O Senhor me revelou», disse o grande staretz, «que desde a vossa infância desejáveis saber qual a finalidade da vida cristã e que tínheis muitas vezes interrogado a este respeito mesmo a altas personagens na hierarquia da Igreja». Devo dizer que desde a idade de doze anos essa idéia me perseguia e que, efetivamente, havia proposto a questão a várias personalidades eclesiásticas, sem nunca receber resposta satisfatória. O staretz ignorava-o. — «Mas ninguém», continuou o padre Serafim, «vos disse nada de preciso; vos aconselhavam a ir à igreja, a rezar, a viver segundo os mandamentos de Deus, a fazer o bem, e tal, diziam, era o objetivo da vida cristã. Alguns até desaprovavam a vossa curiosidade, julgando-a descabida e ímpia. Mas estavam errados. Quanto a mim, miserável Serafim, vos explicarei agora em que consiste realmente esse objetivo». A verdadeira meta da vida cristã — «A oração, o jejum, as vigílias e outras atividades cristãs, tão boas quanto possam parecer em si, não constituem a finalidade da vida cristã, ainda que ajudem a chegar a ela. O verdadeiro objetivo da vida cristã consiste na aquisição do Espírito Santo de Deus. Quanto à oração, ao jejum, às vigílias, à esmola, e qualquer outra boa ação feita em nome de Cristo, são apenas meios para a aquisição do Espírito Santo. A aquisição do Espírito Santo — «É pois na aquisição desse Espírito de Deus que consiste a verdadeira finalidade da vida cristã, enquanto a oração, as vigílias, o jejum, a esmola e as outras ações virtuosas, feitas em nome de Cristo, são apenas meios para adquiri-lo». – «Como a aquisição?», perguntei ao padre Serafim. «Não compreendo muito bem». — «A aquisição é a mesma coisa que a obtenção. Sabeis o que é adquirir dinheiro? Em relação ao Espírito Santo é semelhante. Para as pessoas comuns, o objetivo da vida consiste na aquisição do dinheiro, o ganho. Os nobres desejam, além disso, obter honras, sinais de distinção e outras recompensas concedidas por serviços prestados ao Estado. A aquisição do Espírito Santo é também um capital, mas um capital eterno, dispensador de graças; muito parecido aos capitais temporais e que se obtém pelos mesmos processos. Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus homem, compara a nossa vida a um mercado e a nossa atividade na terra a um comércio. Recomenda-nos a todos nós: `Negociai até que eu volte, remindo o tempo, porque os tempos são maus’; (Lc 19, 12-13; Ef 5, 15-16) o que quer dizer: ‘Apressai-vos em obter bens celestes, negociando com mercadorias terrenas´. Essas mercadorias terrestres não são senão as ações virtuosas feitas em nome de Cristo e que nos trazem a graça do Espírito Santo. Ver a Deus – «Padre», disse-lhe eu, «falais sempre da aquisição da graça do Espírito Santo como a finalidade da vida cristã. Mas, como posso reconhecê-la? As boas ações são visíveis. Mas o Espírito Santo pode ser visto? Como posso saber se Ele está ou não em mim?» — «Na época em que vivemos», respondeu o staretz ,«chegou-se a uma tal tibieza na fé, a uma tal insensibilidade para com a comunicação com Deus, que as pessoas se afastaram totalmente da verdadeira vida cristã. Há passagens da Escritura que nos parecem estranhas hoje, como, por exemplo, quando o Espírito Santo pela boca de Moisés diz: ‘Adão via Deus passeando no Paraíso’ (Gn 3) ou quando lemos no apóstolo Paulo que foi impedido pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia, mas que o Espírito o acompanhou quando ele se dirigia para a Macedônia (At 16, 6-9). Em muitas outras passagens da Sagrada Escritura ele é, por várias vezes, assunto da aparição de Deus aos homens. Então alguns dizem: ‘Estas passagens são incompreensíveis. Pode- se admitir que homens possam ver a Deus de maneira tão concreta?’ Esta incompreensão vem do fato de que sob o pretexto da instrução, da ciência, mergulhamos numa tal obscuridade de ignorância, que tudo achamos incompreensível, tudo de quanto os antigos tinham uma noção bastante clara para poderem falar entre eles das manifestações de Deus aos homens como de coisas conhecidas e, de forma alguma, estranhas. Assim Jó, quando os seus amigos o reprovavam por não blasfemar contra Deus, respondia: `Enquanto em mim houver um sopro de vida e o alento de Deus nas narinas, meus lábios não dirão falsidades’. (Jó 27, 3) Em outras palavras, como posso blasfemar contra Deus, quando o Espírito Santo está em mim? Se blasfemasse contra Deus, o Espírito Santo me deixaria, mas sinto sua respiração em minhas narinas. Abraão e Jacó conversaram com Deus. Jacó lutou mesmo com Ele. Moisés viu Deus e todo o povo com ele, quando recebeu as tábuas da Lei, no Sinai. Uma coluna de nuvens de fogo, a graça visível do Espírito Santo, servia de guia ao povo hebreu no deserto. Os homens viam a Deus e seu Espírito não em sonho ou êxtase, fruto de uma imaginação doentia, mas na realidade. Desatentos, como nos tornamos, compreendemos as palavras da Escritura contrariamente ao que se deveria. E tudo isso porque, em lugar de buscar a graça, nós a impedimos, por orgulho intelectual, de vir habitar em nossas almas e de nos esclarecer como são esclarecidos aqueles que de todo coração buscam a verdade». A Criação — «Muitos, por exemplo, interpretam as palavras da Bíblia: `Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida’, (Gn 2, 7) como querendo dizer que até então não havia em Adão nem alma, nem espírito humano, mas somente uma carne criada do barro do solo. Esta interpretação não é correta, pois o Senhor Deus criou Adão do barro do solo no estado do qual fala o apóstolo Paulo quando afirma: ‘Que vosso espírito, vossa alma e vosso corpo sejam guardados de modo irrepreensível para o dia da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo’. (1 Tes 5, 23) Todas estas três partes do nosso ser foram criadas do barro do solo. Adão não foi criado morto, mas criatura animal atuante, semelhante às outras criaturas que vivem na terra e são animadas por Deus. Mas eis o importante. Se Deus não tivesse insuflado na face de Adão este alento de vida, isto é, a graça do Espírito Santo que procede do Pai e repousa no Filho e, por causa deste não o tivesse enviado ao mundo, por mais perfeito e superior às outras criaturas que Adão fosse, teria permanecido privado do Espírito deificante e seria semelhante a todas as outras criaturas que possuíssem carne, alma e espírito segundo a sua espécie, mas privados, no interior, do Espírito que estabelece parentesco com Deus. A partir do momento em que Deus lhe deu o sopro de vida, Adão tornou-se, segundo Moisés: ‘uma alma vivente’, o que quer dizer, em tudo semelhante a Deus, eternamente imortal. Adão havia sido criado invulnerável. Nenhum elemento tinha poder sobre ele. A água não podia afogá-lo, o fogo não podia queimá-lo, a terra não o podia engolir e o ar não lhe podia ser nocivo. Tudo lhe era submisso, como ao proferido de Deus, como ao proprietário e rei das criaturas. Ele era a própria perfeição, a coroa das obras de Deus e admirado como tal. O alento de vida que Adão recebeu do Criador, o encheu de sabedoria a tal ponto que jamais houve sobre a terra, e provavelmente jamais haverá, um homem tão repleto de conhecimento e de saber quanto ele. Quando Deus lhe ordenou que desse nomes a todas as criaturas, ele as denominou de acordo com as qualidades, as forças, e as propriedades de cada uma, conferidas por Deus. Este dom da graça divina supranatural, que veio do alento de vida que havia recebido, permitia a Adão ver a Deus passeando no paraíso e compreender as suas palavras bem como a conversa dos santos anjos e a linguagem de todas as criaturas, dos pássaros, dos répteis que vivem sobre a terra, de tudo o que nos é dissimulado, a nós, pecadores, desde a queda, mas que antes era perfeitamente claro para Adão. A graça do Espírito Santo é luz —«Ainda é preciso que vos diga, a fim de que compreendais o que é preciso entender por graça divina, como ela se manifesta nos homens que ilumina: a graça do Espírito Santo é Luz. Toda a Sagrada Escritura fala disso. Davi, o antepassado do Deus homem, disse: ‘Tua palavra é lâmpada para os meus pés, e luz para o meu caminho’. (Sl 118, 105) Em outros termos, a graça do Espírito Santo, que a lei revela na forma dos mandamentos divinos, é minha luminária e minha luz e, se não fosse essa graça do Espírito Santo, ‘que com tanto trabalho me esforço por adquirir, me interrogando sete vezes ao dia de sua verdade’, (Sl 118, 164) como, entre as numerosas preocupações inerentes à minha condição real, poderia encontrar em mim uma só chispa de luz para me iluminar acerca do caminho da vida enegrecida pelo ódio de meus inimigos? De fato, o Senhor muitas vezes mostrou, na presença de numerosas testemunhas, a ação da graça do Espírito Santo sobre os homens que ele havia iluminado e ensinado através de grandiosas manifestações. Lembrai-vos de Moisés, depois de sua conversa com Deus sobre o Monte Sinai (Ex. 34, 30-35). Os homens não podiam olhá-lo de tal modo seu rosto brilhava com uma luz extraordinária. Era mesmo obrigado a se mostrar ao povo com a face recoberta com um véu. Lembrai-vos da transfiguração do Senhor no Tabor. `E ali foi transfigurado diante deles. O seu rosto resplandeceu como o Sol, e suas vestes se tornaram brancas como a luz […] Os discípulos ouvindo a voz, muito assustados, caíram com o rosto no chão’. Quando Moisés e Elias apareceram revestidos da mesma luz `uma nuvem os encobriu para que não ficassem cegos’. (Mt. 17, 1-8; Mc 9, 2-8; Lc 9, 28-37) É assim que a graça do Espírito Santo de Deus aparece numa luz inefável àqueles a quem Deus manifesta a sua ação. Presença do Espírito Santo –«Como poderei então», perguntei ao padre Serafim, «reconhecer em mim a presença do Espírito Santo?» — «É muito simples», respondeu ele. Deus disse: ‘O saber é fácil para o inteligente’. (Prov 14, 6) Nossa desgraça é que nós não procuramos essa sabedoria divina que, não sendo deste mundo, não é presunçosa. Cheia de amor por Deus e pelo próximo, ela molda o homem para sua salvação. Foi falando dessa sabedoria que o Senhor disse: `Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade’. (1 Tim. 2, 4) A seus apóstolos, que não tinham esta sabedoria, ele disse: `Ó insensatos e lentos de coração para crer tudo o que os profetas anunciaram!’ (Lc 24, 25-27) E o Evangelho diz que ele `lhes abriu a inteligência a fim de que pudessem compreender as Escrituras’. Tendo adquirido essa sabedoria, os apóstolos sabiam sempre se o Espírito de Deus estava ou não com eles e, cheios desse Espírito, afirmavam que sua obra era santa e agradável a Deus. Por isso em suas epístolas podiam escrever: `Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós…’, (At 15, 28) e somente persuadidos como estavam de sua presença sensível, enviavam suas mensagens. Então, amigo de Deus, vede como é simples. – Respondi: «Apesar de tudo, não compreendo como posso estar absolutamente certo de me encontrar no Espírito Santo. Como posso eu mesmo descrever em mim a sua manifestação?» O padre Serafim respondeu: — «Já vos disse que é muito simples e vos expliquei com detalhes como os homens se encontravam no Espírito Santo e como se deve compreender a sua manifestação em nós… Que vos falta ainda? – «Eu preciso», respondi, «compreendê-lo verdadeiramente bem…» A Luz Incriada Então o padre Serafim me tomou pelos ombros e, apertando-os fortemente, disse: — «Estamos ambos, vós e eu, na plenitude do Espírito Santo. Por que não me olhais? – «não posso, padre, olhar-vos. Brotam raios de vossos olhos. O vosso rosto tornou-se mais luminoso do que o Sol. Os olhos me doem…» O padre Serafim disse: — « Não tenhais medo, amigo de Deus. Também vos tornastes tão luminoso quanto eu. Vós também estais agora na plenitude do Espírito Santo, de outro modo não teríeis podido me ver. Inclinando a sua cabeça para mim, disse-me ao ouvido: — «Agradecei ao Senhor por vos ter concedido esta graça indizível. Vistes, nem mesmo fiz o sinal da cruz, no meu coração, em pensamento somente, rezei: `Senhor, tornai-me digno de ver claramente, com os olhos da carne, a descida do Espírito Santo como a teus servidores eleitos quando te dignaste aparecer-lhes na magnificência de tua glória!’ E imediatamente Deus atendeu a humilde oração do miserável Serafim. Como não agradecer-lhe por esse dom extraordinário que a nós dois ele concede? Não é também sempre aos grandes eremitas que Deus manifesta assim a sua graça. Como mãe amorosa, essa graça se dignou consolar o vosso coração desolado, a pedido da própria Mãe de Deus. Mas, por que não me olhais nos olhos? Ousai olhar-me sem temor, Deus está conosco. – Depois destas palavras, levantei os olhos para o rosto e um medo maior ainda tomou posse de mim. Imaginai-vos no meio do Sol, na claridade mais forte de seus raios de meio dia, o rosto de um homem que vos fala. Vedes o movimento de seus lábios, a expressão cambiante de seus olhos, vós ouvis o som de sua voz, sentis a pressão de suas mãos, mas, ao mesmo tempo, não percebeis nem as suas mãos, nem o seu corpo, nem o vosso, nada senão uma esplendorosa luz se propagando ao redor, a uma distância de muitos metros, iluminando a neve que recobria a campina e caía sobre o grande staretz e sobre mim. Pode-se representar a situação na qual me encontrava então? — «Que sentis agora?», perguntou o staretz. – «Sinto-me extraordinariamente bem». — «Como ‘bem’? Que quereis dizer por ‘bem’?» – «Minha alma está cheia de um silêncio e de uma paz inexplicável». — «Aí está, amigo de Deus, esta paz da qual o Senhor falava quando ele dizia a seus discípulos: “Deixo-vos a minha paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas porque não sois do mundo e minha escolha vos separou do mundo, o mundo por isso vos odeia. Eu vos disse tais coisas para terdes paz em mim. Tende coragem, eu venci o mundo”. (Jo 14,27; 15,19; 16,33) É a esses homens eleitos por Deus, mas odiados pelo mundo, que Deus dá a paz que sentis agora, ‘a paz de Deus’, diz o apóstolo, ‘que excede toda a compreensão’. (Fil 4, 7) O apóstolo denomina-a assim porque nenhuma palavra pode exprimir o bem estar espiritual que ela faz nascer nos corações dos homens em que o Senhor a implanta. Ele mesmo a chama sua paz (Jo. 14, 27). Fruto da generosidade de Cristo e não deste mundo, nenhuma felicidade terrena a pode dar. Enviada do alto pelo próprio Deus, ela é a paz de Deus… Que sentis agora?» – «Uma delícia extraordinária». — «É a delícia de que fala a Escritura: ‘Eles ficam saciados com a gordura de tua casa, tu os embriagas com um rio de delícias’. (Sl 35, 9) Ela transborda do nosso coração, derrama-se em nossas veias, traz-nos uma sensação de delícia inexprimível… Que sentis ainda? – «Uma extraordinária alegria em todo o meu coração». — «Quando o Espírito Santo desce sobre o homem com a plenitude de seus dons, a alma humana fica cheia de uma alegria indescritível. É dessa alegria que o Senhor fala no Evangelho quando diz: `Quando uma mulher está para dar à luz, entristece-se porque a sua hora chegou; quando, porém, nasce a criança, ela já não se lembra dos sofrimentos, pela alegria de ter vindo ao mundo um homem. Também vós, agora, estais tristes; mas eu vos verei de novo e vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria’. (Jo 16, 21-22) Por grande e consoladora que ela seja, a alegria que sentis neste momento nada é, em comparação com aquela da qual o Senhor disse através de seu apóstolo: `O que os olhos não viram, o que os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam’. (1Cor 2, 9) O que nos é concedido presentemente é apenas uma antecipação dessa alegria suprema. E, se desde agora, nós sentimos deleite, júbilo e bem estar, que dizer desta outra alegria que nos está reservada no céu, depois de ter, aqui na terra, chorado? Já haveis chorado bastante em vossa vida e vede que consolação na alegria o Senhor vos dá aqui na terra. Cabe a nós, agora, amigo de Deus, trabalhar com todas as nossas forças para subirmos de glória em glória `até que alcancemos todos nós a unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, o estado do homem perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo’. (Ef 4, 13) `Os que põe sua esperança em Javé renovam as suas forças, formam asas como as águias, correm e não se fatigam, caminham e não se cansam’. (Is 40, 31) `Eles caminham de terraço em terraço e Deus lhes aparece em Sião’. (Sl 83, 8 É então que a nossa alegria atual, pequena e breve, se manifestará em toda a sua plenitude e ninguém nos poderá arrebatá-la, repletos como estaremos de indizíveis gozos celestes. Que sentis, ainda, amigo de Deus? – «Um calor extraordinário» — «como, um calor? Não estamos na floresta, em plena neve? A neve está sob os nossos pés, estamos cobertos dela e ela continua caindo… De que calor se trata?» – «Um calor semelhante ao de um banho de vapor». — «E o cheiro é como no banho?» – «Oh, não! Nada sobre a terra se pode comparar a esse perfume. No tempo em que a minha mãe vivia, ainda gostava de dançar e quando eu ia a um baile, ela me aspergia perfumes que comprava nas melhores lojas de Kasan e pagava muito caro. O seu odor não é comparável a estes aromas». O padre Serafim sorriu. — «Eu sei, meu amigo, tanto quanto vós, e é de propósito que vos interrogo. É bem verdade, nenhum perfume terreno pode ser comparado ao bom odor que respiramos neste momento, o bom odor do Espírito Santo. O que pode, sobre a terra, ser-lhe comparado? Dissestes, ainda há pouco, que fazia calor, como no banho. Mas olhai, a neve que nos cobre, a vós e a mim, não se derrete, assim como a que está aos nossos pés. O calor não está no ar, mas no nosso interior. É este calor que o Espírito Santo nos faz pedir na oração: `Que teu Espírito Santo nos aqueça’. Este calor permitia aos eremitas, homens e mulheres, não temerem o frio do inverno, envolvidos, como estavam, como que num manto de peles, numa veste tecida pelo Espírito Santo. É assim que, na realidade, deveria ser, habitando a graça divina no mais profundo de nós, em nosso coração. O Senhor disse: `O Reino de Deus está dentro de vós’. (Lc 17, 21) Por Reino de Deus ele entende a graça do Espírito Santo. Este Reino de Deus está em nós, agora. O Espírito Santo nos ilumina e nos aquece. Enche o ar de perfumes variados, alegra os nossos sentidos, sacia o nosso coração com alegria indizível. O nosso estado atual é semelhante àquele do qual fala o apóstolo: `Porquanto o Reino de Deus não consiste em comida e bebida, mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo’. (Rom 14, 17) A nossa fé não se baseia em palavras de sabedoria terrena, mas na manifestação do poderio do Espírito. Trata-se do estado em que estamos atualmente e que o Senhor tinha em vista quando dizia: `Em verdade vos digo que estão aqui presentes alguns que não provarão a morte até que vejam o Reino de Deus chegando com poder’. (Mc 9, 1) Eis aí, amigo de Deus, a alegria incomparável que o Senhor se dignou conceder-nos. Eis o que é estar `na plenitude do Espírito Santo’. É isto o que entende São Macário, o Egípcio, quando escreve: `Eu mesmo estive na plenitude do Espírito Santo’. Humildes quanto somos, o Senhor nos encheu da plenitude de seu Espírito. Parece-me que, a partir deste momento, não tereis de me interrogar mais sobre a maneira como se manifesta, no homem, a presença da graça do Espírito Santo. Esta manifestação permanecerá para sempre em vossa memória. – «Não sei, padre, se Deus me tornará digno de me lembrar dela sempre com tanta nitidez como agora» Difusão da mensagem — «E eu», respondeu o staretz, «ulgo que, pelo contrário, Deus vos ajudará a guardar todas estas coisas para sempre, em vossa memória. De outro modo ele não teria sido tão rapidamente tocado pela humilde oração do miserável Serafim e não teria atendido tão depressa o seu desejo. Além do mais, não é somente a vós que é dado ver a manifestação desta graça mas, por vosso intermédio, ao mundo inteiro. Vós mesmo assegurai-vos, sereis útil a outros. Monge e leigo — «Quanto a nossos estados diferentes, de monge e leigo, não vos preocupeis. Deus procura acima de tudo um coração cheio de fé nele e em seu Filho único, em resposta à qual envia do alto a graça do Espírito Santo. O Senhor procura um coração repleto de amor por Ele e pelo próximo; aí está um trono sobre o qual Ele gosta de sentar-se e onde ele aparece na plenitude de sua glória. `Meu filho, dá-me o teu coração, e o resto eu te darei por acréscimo’. (Pr 23, 26) O coração do homem é capaz de conter o Reino dos Céus. `Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça’, diz o Senhor a seus discípulos, `e todas estas coisas vos serão acrescentadas, pois Deus, vosso Pai, sabe do que precisais’. (Mt 6, 33) Legitimidade dos bens terrenos — «O Senhor não nos proíbe o gozo dos bens terrenos, e diz ele próprio que, dada a nossa situação aqui na terra, deles precisamos para dar tranqüilidade às nossas existências e tornar mais cômodo e fácil o caminho para a nossa pátria celeste. E o apóstolo Pedro acha que nada há melhor no mundo do que a piedade unida ao contentamento. A Santa Igreja pede que isso seja dado. Apesar das penas, as desgraças, e as necessidades serem inseparáveis da nossa vida na terra, o Senhor jamais quis que os cuidados e as misérias constituíssem toda a trama dela. E, por isso, pela boca do apóstolo nos manda carregar os fardos uns dos outros, a fim de obedecer a Cristo que pessoalmente nos deu o preceito de nos amarmos mutuamente. Reconfortados por esse amor, a caminhada dolorosa pela via estreita que leva à nossa pátria celeste nos será facilitada. Não desceu o Senhor do céu não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida pela redenção de muitos? (M. 20, 28; Mc 10, 45). Atuai do mesmo modo, amigo de Deus, e, consciente da graça da qual fostes visivelmente objeto, comunicai-a a todo homem desejoso da sua salvação. Atividade missionária — «’A colheita é grande’, diz o Senhor, `mas poucos os operários’. (Mt 9, 37-38; Lc 10, 2) Tendo recebido os dons da graça, somos chamados a trabalhar colhendo as espigas da salvação do nosso próximo, para os recolhermos no celeiro, em grande número, no Reino de Deus, a fim de que produzam seus frutos, uns trinta, outros sessenta, e outros cem. Estejamos atentos para não sermos condenados com o servo preguiçoso que enterrou o dinheiro a ele confiado, mas tratemos de imitar os servos fiéis que devolveram ao Mestre um, em vez de dois talentos, quatro, e o outro, em vez de cinco talentos, dez. Quanto à misericórdia divina, não se pode duvidar dela: vede vós mesmo como as palavras de Deus, ditas por um profeta, se realizaram por nós. `Sou, por acaso, Deus apenas de perto’. (Jr 23, 23) Conversa com Motovilov «Tendes muito pouca fé» «O Senhor está perto dos que o invocam. Não faz acepção de pessoas. O Pai ama o Filho e entregou tudo nas suas mãos” (Sl 145,18; Rm 2,11; Jo 3,35). Desde que amemos verdadeiramente o nosso Pai celeste como filhos, o Senhor escuta de igual modo um monge e um homem do mundo, um simples cristão. Desde que ambos tenham a verdadeira fé, amem a Deus do fundo do coração e possuam uma fé “grande como um grão de mostarda”, “ambos deslocarão montanhas”. O próprio Senhor diz: “Tudo é possivel àquele que crê” (Mt 9,23). E o santo apóstolo Paulo exclama: “Posso tudo em Cristo que me dá forças” (Fl 4,13). Mais maravilhosas ainda são as palavras do Senhor a propósito dos que crêem nele: “Aquele que acredita em mim fará também as obras que eu faço e fará ainda maiores, porque eu vou para o Pai. Tudo o que pedirdes em meu nome, eu o farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu a farei” (Jo 14,12-14). E é mesmo assim, ó amigo de Deus. Tudo o que pedirdes a Deus, obtê-lo-eis, desde que o vosso pedido seja para glória de Deus ou para o bem do vosso próximo. Porque Deus não separa o bem do próximo da sua glória: “Tudo o que fizerdes ao mais pequeno de entre vós, a mim o fareis” (cf. Mt 25,45). Um pagão entra na herança de Israel O espírito de Deus manifesta-se, embora com uma força menor, nos pagãos que não conhecem o verdadeiro Deus, mas entre os quais se encontram também simpatizantes. As virgens profetas, por exemplo, as sibilas, guardavam a virgindade para um deus desconhecido – mas um Deus de qualquer modo – que supunham ser o Criador do universo, o Todo-Poderoso que governava o mundo. Os filósofos pagãos, errando nas trevas da ignorância de deus, mas procurando a verdade, podiam, devido a esta busca agradável ao Criador, receber o Espírito Santo em certa medida. S. Paulo escreve: “quando os gentios, que não têm lei, cumprem pela luz natural, aquilo que a lei ordena, sem terem a lei, são lei para si mesmos” (Rom 2,14). A verdade é a tal ponto agradável a Deus que ele próprio o proclama pelo seu espírito: “Da terra germina a fidelidade e a justiça olha do céu” (Sl 84,12). Assim se conservou o conhecimento de Deus no povo escolhido, amado por Deus, assim entre os pagãos ignorando Deus, depois da queda de Adão e até à incarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sem este conhecimento, sempre claramente conservado no género humano, como teriam os homens podido saber se tinha vindo aquele que, segundo a promessa feita a Adão e Eva, devia nascer de uma Virgem destinada a esmagar a cabeça da serpente? (Gn 3,15). «Procurai primerio o seu Reino e a sua justiça e tudo o mais vos será dado por acréscimo». [S. Serafim e Molovilov encontram-se mergulhados numa grande luz e numa grande suavidade. Serafim diz-lhe:] Meu amigo, os homens foram criados para que a graça divina habite no mais profundo de nós, no nosso coração. O Senhor disse: “O Reino dos céus está dentro de vós” (Lc 17,21). Por Reino dos céus, Ele entende a graça do Espírito Santo; esse Reino de Deus está em nós dois neste momento. O Espírito Santo ilumina-nos e aquece-nos; enche o ar com os seus perfumes, alegra os nossos sentidos e inunda os nossos corações com uma alegria inefável. Experimentamos o que diz o apóstolo Paulo: “O Reino de Deus não é o comer e o beber, mas a justiça, a paz e a alegria, pelo Espírito Santo” (Rm 14,17)… Vê, amigo de Deus, que alegria incomparável se dignou conceder-nos o Senhor. Vê o que é estar “na plenitude do Espírito Santo”… Humildes como somos, o Senhor encheu-nos com a plenitude do Seu Espírito. Parece-me que, a partir de agora, já não me interrogarás mais acerca da forma como se manifesta no homem a presença da graça do Espírito Santo… Quanto aos nossos estados diferentes, de monge e de leigo, não te preocupes. Deus procura antes de tudo um coração cheio de fé n’Ele e no seu Filho único, em resposta à qual Ele envia do alto a graça do Espírito Santo. O Senhor procura um coração cheio de amor para com Ele e para com o próximo – esse é o trono em que Ele gosta de se sentar e onde aparece na plenitude da sua glória. “Filho, dá-me o teu coração, e o resto dar-te-ei por acréscimo” (Pr 23,26). O coração do homem é capaz de conter o Reino dos Céus. “Procurai primeiro o Reino dos Céus e a sua verdade, diz o Senhor aos seus discípulos, e o resto ser-vos-á dado por acréscimo, porque Deus vosso Pai sabe que disso tendes necessidade”. «Confiou-lhes os seus bens» O Senhor não nos censura por usufruirmos dos bens terrenos e é Ele próprio quem diz que, tendo em conta a nossa situação neste mundo, precisamos deles para dar tranqüilidade à nossa existência e tornar mais cómodo e mais fácil o caminho em direcção à pátria celeste. A Santa Igreja reza para que isso nos seja dado. Apesar de as dores, as tristezas e as necessidades serem inseparáveis da nossa vida na terra, o Senhor nunca quis que as preocupações e as misérias constituíssem toda a sua trama. É por isso que nos recomenda, pela boca do apóstolo Paulo, que levemos os fardos uns dos outros (Ga 6, 2), a fim de obedecermos a Cristo, que nos deu pessoalmente o preceito de nos amarmos uns aos outros. Não é verdade que o Senhor desceu do céu “não para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por todos” (Mc 10, 45)? Age da mesma forma, amigo de Deus, e, consciente da graça de que foste visivelmente objecto, comunica-a a todo o homem que desejar ser salvo. “A messe é g rande”, diz o Senhor, “mas os trabalhadores são poucos” (Mt 9, 37). Tendo recebido os dons da graça, somos chamados a trabalhar, ceifando as espigas da salvação do nosso próximo, a fim de os recolhermos em grande número no celeiro do Reino de Deus, para que dêem fruto, uns a trinta, outros a sessenta, outros a cem por um (Mc 4, 8). Estejamos atentos, a fim de não sermos condenados como o servo preguiçoso, que enterrou o talento que o seu senhor lhe confiou; procuremos antes imitar os servos fiéis, que devolveram ao seu senhor, um quatro talentos em vez dos dois, outro dez talentos em vez dos cinco. Nem podemos duvidar da misericórdia divina; vós próprios vedes como se realizaram em vós as palavras de Deus, ditas por um profeta: “Não sou um Deus que vê de longe” (Jr 23, 23).

  • São Simão de Lipnica, confessor – 18 de Julho

    SANTO DO DIA – 18 DE JULHO – SÃO SIMÃO DE LIPNICA Confessor (1438 – 1482) Simão nasceu em Lipnica, Murowana, na Polônia meridional, entre os anos de 1435-1440. Seus pais, Gregório e Ana, souberam dar a ele uma boa educação, inspirada nos valores da fé cristã e, apesar de sua modesta condição, preocuparam-se em assegurar uma adequada formação cultural. Simão cresceu com um caráter piedoso e responsável, uma natural predisposição à oração e um terno amor à Mãe de Deus. Em 1454, viajou a Cracóvia para assistir à famosa Academia Jagellonica. Nesse tempo São João de Capistrano entusiasmava a cidade com a santidade de sua vida e o fervor de sua pregação, atraindo à vocação franciscana um numeroso grupo de jovens. Em 8 de setembro de 1453, o santo italiano havia também fundado, na Cracóvia, o primeiro convento da Observância, com o nome de São Bernardino de Sena. Por esse motivo, os frades menores daquele convento foram chamados pelo povo de “bernardinos”. Em 1457, também o jovem Simão, fascinado pelo ideal franciscano, preferiu seguir o Evangelho, interrompendo uma carreira de sucessos. Para tanto, pediu para ser aceito, com outros dez companheiros de estudos, no convento de Stradom. Sob a orientação do Mestre de noviços, P. Cristóforo de Varese, religioso eminente por sua doutrina e santidade de vida, Simão recorreu com generosidade à vida humilde e pobre dos frades menores, alcançando o sacerdócio em 1460. Exerceu seu primeiro ministério no convento de Tarnów, onde foi guardião da fraternidade. Em seguida, se estabaleceu em Stradom (Cracóvia), dedicando-se incansavelmente à pregação evangélica, com palavra limpa, plena de ardor, de fé e sabedoria, que deixava entrever sua profunda união com Deus e o prolongado estudo da Sagrada Escritura. Como São Bernardino de Sena e São João de Capistrano, Fr. Simão estende a devoção ao Nome de Jesus, obtendo a conversão de inúmeros pecadores. Em 1463, primeiro entre os Frades Menores, ocupou o ofício de pregador na catedral de Wawel. Por sua entrega à pregação evangélica das fontes antigas, ganhou o título de “Pregador Fervorosíssimo”. Desejoso em render homenagem a São Bernardino de Sena, inspirador de sua pregação, em 17 de maio de 1472, junto a outros frades poloneses, chegou a Aquitania para participar da solene transladação do santo para o novo templo erguido em sua honra. Novamente foi à Itália, em 1478, por ocasião do Capítulo Geral em Pávia. Nessa ocasião pode satisfazer um desejo profundo de visitar as tumbas dos Apóstolos, em Roma, e prosseguir depois sua peregrinação à Terra Santa. Viveu a feliz experiência em espírito de penitência, de verdadeiro amante da Paixão de Cristo, com a oculta aspiração de derramar o próprio sangue pela salvação das almas, agradando assim a Deus. Imitador de São Francisco em seu amor pelos lugares santos, na eventualidade de ser capturado pelos infiéis, antes de viajar memorizou todo o texto da Regra da Ordem “para tê-la sempre diante dos olhos e da mente”. O amor de Simão pelos irmãos se manifestou de maneira extraordinária no último ano de sua vida, quando uma epidemia da peste devastou Cracóvia. De julho de 1482 a 6 de junho de 1483, a cidade esteve sob o flagelo da enfermidade. Na desolação geral, os franciscanos do convento de São Bernardino se doaram incansavelmente no cuidado aos enfermos, como verdadeiros anjos de consolo. São Simão tomou aquele como um “tempo propício” para exercitar a caridade e para levar a cabo a oferenda da própria vida. Por todas as partes passou confortando, prestando ajuda, administrando os sacramentos e anunciando a consoladora Palavra de Deus aos moribundos. E acabou também contagiado. Suportou com extraordinária paciência os sofrimentos da enfermidade e, próximo da morte, expressou o desejo de ser sepultado no umbral da igreja, para que todos pudessem pisoteá-lo. No sexto dia da enfermidade, a 18 de julho de 1482, sem temer a morte e com os olhos fixos sobre a Cruz, entregou sua alma a Deus. A causa de sua canonização, retomada pelo Papa Pio 12, em 25 de junho de 1948, chegou a bom termo com o reconhecimento de um milagre na cidade de Cracóvia em 1943 e decretada pelo Papa Bento XVI, em dezembro de 2006. São Simão de Lipnica soube harmonizar admiravelmente o compromisso da evangelização e o testemunho da caridade, que brota de seu grande amor à Palavra de Deus e aos irmãos mais pobres e que mais sofrem. (Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, edizioni Porziuncola) Não conhecemos a data exata do nascimento deste Santo; sabemos apenas que foi entre 1438 e 1440. Ele nasceu na vila de Lipnica (agora chamada Lipnica Murowana, um lugar ao leste de Cracóvia, na Polônia) e é por isso que o chamamos Simão de Lipnica. Altruísta Solitário Desde os seus primeiros anos, ele manifestou um culto especial à Maria, a Mãe de Deus. Seus pais, Ana e Gregório, eram profundos crentes e um casal decente. Ambos lidavam com fornada, e os pães que eles assavam eram vendidos pelo seu filho no mercado. Compreensivo à pobreza humana, às vezes ele dava pães de graça àqueles que estavam famintos. O jovem Simão frequentou uma escola próxima à sua paróquia e o padre, vendo sua dedicação e curiosidade, sugeriu a seus pais que o enviassem à Cracóvia para estudos adicionais. Longe de Casa Primeiro, Simão estudou perto da Igreja de Santa Maria (veja o mapa) e depois na Academia de Cracóvia (veja o mapa). Foi registrado nas crônicas universitárias que ele apresentou 1 grosz no lugar da taxa de inscrição obrigatória de 6 groszy. Isso significou que ele vinha de uma família pobre. Simão continuou seus estudos na Academia e ele era realmente um estudante meticuloso. Espírito Franciscano em Cracóvia Após três anos de estudos, nos quais ele estava aprendendo artes liberais (geometria, aritmética, música, astronomia), ele graduou-se na Academia de Cracóvia com um título de bacharel. Para tal estudante qualificado, uma direção natural seria seguir uma carreira na ciência. Simão, no entanto, tomou outro caminho e decidiu juntar-se à recém fundada Ordem dos Frades Franciscanos Observantes, conhecidos como “Bernardinos” na Polônia. O nome veio do fato de que o povo local costumava chamá-los “os irmãos da igreja franciscana de São Bernardo de Siena”. Devido à influência da pregação fervorosa de São João Capistrano, que viera da Itália e proclamava a Palavra de Deus em Cracóvia há um ano, cerca de cem noviços ingressaram na Ordem de São Francisco. Entre eles, estava Simão, que foi para o Monastério de Stradom (veja o mapa). Após oito anos, aos 30 anos de idade, Simão foi ordenado ao sacerdócio. Logo depois, ele foi nomeado como prior de um monastério em Tarnów. Um Orador por Vocação Ele era um mal organizador, então após dois anos ele regressou à Cracóvia. Lá, ele começou a reescrever antigos manuscritos e a pregar. Logo depois, seu talento e mestria de pregação começou a ser apreciado. Foi dada a ele uma distinção reservada somente para pregadores proeminentes entre o clero: ele tornou-se um pregador real na Catedral de Wawel. Naquele tempo, essa função era destinada aos membros da Ordem de São Domingos. A sua fómula para a pregação das homilias era: ora, labora, despera (reza, trabalha e lamenta). A última palavra estava relacionada à humildade, a qual tinha que acompanhar os frutos da homilia entregue – que apesar da boa preparação ao fazer seu trabalho, você precisa lembrar-se da Providência de Deus até o fim e confiar somente Nela. Com a influência dos discursos de Simão, muitos foram convertidos e voltaram para a Igreja; muitos também começaram a vida religiosa para aprofundar a sua vida espiritual, resgatados graças às palavras do Franciscano Observante. O Irmão Simão era famoso por frequentemente dizer “Jesus” durante sua pregação: ele repetia este nome três vezes “Jesus! Jesus! Jesus!” e depois o povo repetia em coro. Fazendo isso, ele imitava os sermões de São Bernardo de Siena e São João Capistrano. Ele foi severamente repreendido por isso e acusado de pecar contra o Segundo Mandamento. Naqueles anos, por muitas vezes Simão deixava o monastério e partia em peregrinação: ele foi à Roma (1472 e 1474) e à Terra Santa (1478 – 1479). Peste em Cracóvia Naquele período (século 15), Cracóvia foi afligida diversas vezes por pragas mortais. Simão de Lipnica tratou tais “aflições” como um tempo especial de graça dada por Deus às pessoas. Ele chamou-o “jubileu” e queria que sua morte fosse em tal período. Graças à sua boa vontade e atitude, ele não temia servir os doentes, que infectavam outros com a doença. Ele foi de casa em casa procurar pelos doentes e mortos, tratou deles ao trocar seus curativos, alimentou-os e ministrou os sacramentos da Penitência e da Eucaristia. Ele enterrou os corpos abandonados pelas famílias dos mortos, e trouxe a eles a sua justa dignidade. Durante esse tempo, ele também servia como pregador. O primeiro “jubileu” aconteceu em 1473, após uma grande seca, mas o “jubileu” que o coração de Simão tanto esperava veio de verdade quase dez anos depois, em 1482. A epidemia da peste negra atingiu Cracóvia. Muitos moradores, incluindo o rei da Polônia – Kazimierz Jagiellonczyk, fugiram da cidade. Após pregar o sermão durante a oitava de celebração da Visitação, ele percebeu os primeiros sintomas da doença em seu corpo. Era certo que ele estava infectado e estava prestes a morrer. Após seis dias de enfermidade, cercado pelo cuidado generoso dos frades Observantes, ele partiu em torno de 15h, no dia 18 de julho de 1482. Seu funeral foi no mesmo dia. Seu desejo era ser enterrado embaixo da porta de uma igreja (de forma que as pessoas pisassem no chão acima dele). No entanto, o frade que ouviu o desejo dele esqueceu-se disso e o corpo de Simão foi – como dito pela tradição do monastério – colocado sob o altar. Milagres imediatos As notícias de sua morte espalharam-se rapidamente. As pessoas experienciaram total recuperação através de sua intercessão. Uma das enfermeiras rezou para que ele intercedesse por alguns clérigos infectados com a peste e eles recuperaram-se completamente. Após este evento, eles foram para o monastério em Stradom para agradecer por esta graça. Até o fim de 1482, foram registradas 151 curas de doenças críticas e mortais com a intercessão do Franciscano Observante. Longa Estrada para a Sua Santidade Simão de Lipnica foi beatificado em 16 de fevereiro de 1685. A cerimônia culminou com uma procissão solene de suas relíquias: da Catedral de Wawel até a Praça do Mercado, depois para a Igreja de Santa Maria, e de lá, pela Rua Grodza, para a Igreja dos Franciscanos Observantes em Stradom (as relíquias estão colocadas lá até hoje, na capela lateral de São Simão). Os esforços para canonizá-lo começaram no fim do século 18, no entanto, devido à muitas dificuldades políticas e mudanças históricas na Polônia, este processo foi finalizado somente no início do século 21. São Simão de Lipnica foi canonizado pelo Papa Bento XVI em 3 de junho de 2007. A sua festa é celebrada em 18 de julho. Ele é padroeiro da cidade de Cracóvia e também dos pregadores e dos estudantes. Fonte: Krakow 2016

  • São Simão de Lipnica, confessor – 18 de Julho

    SANTO DO DIA – 18 DE JULHO – SÃO SIMÃO DE LIPNICA Confessor (1438 – 1482) Simão nasceu em Lipnica, Murowana, na Polônia meridional, entre os anos de 1435-1440. Seus pais, Gregório e Ana, souberam dar a ele uma boa educação, inspirada nos valores da fé cristã e, apesar de sua modesta condição, preocuparam-se em assegurar uma adequada formação cultural. Simão cresceu com um caráter piedoso e responsável, uma natural predisposição à oração e um terno amor à Mãe de Deus. Em 1454, viajou a Cracóvia para assistir à famosa Academia Jagellonica. Nesse tempo São João de Capistrano entusiasmava a cidade com a santidade de sua vida e o fervor de sua pregação, atraindo à vocação franciscana um numeroso grupo de jovens. Em 8 de setembro de 1453, o santo italiano havia também fundado, na Cracóvia, o primeiro convento da Observância, com o nome de São Bernardino de Sena. Por esse motivo, os frades menores daquele convento foram chamados pelo povo de “bernardinos”. Em 1457, também o jovem Simão, fascinado pelo ideal franciscano, preferiu seguir o Evangelho, interrompendo uma carreira de sucessos. Para tanto, pediu para ser aceito, com outros dez companheiros de estudos, no convento de Stradom. Sob a orientação do Mestre de noviços, P. Cristóforo de Varese, religioso eminente por sua doutrina e santidade de vida, Simão recorreu com generosidade à vida humilde e pobre dos frades menores, alcançando o sacerdócio em 1460. Exerceu seu primeiro ministério no convento de Tarnów, onde foi guardião da fraternidade. Em seguida, se estabaleceu em Stradom (Cracóvia), dedicando-se incansavelmente à pregação evangélica, com palavra limpa, plena de ardor, de fé e sabedoria, que deixava entrever sua profunda união com Deus e o prolongado estudo da Sagrada Escritura. Como São Bernardino de Sena e São João de Capistrano, Fr. Simão estende a devoção ao Nome de Jesus, obtendo a conversão de inúmeros pecadores. Em 1463, primeiro entre os Frades Menores, ocupou o ofício de pregador na catedral de Wawel. Por sua entrega à pregação evangélica das fontes antigas, ganhou o título de “Pregador Fervorosíssimo”. Desejoso em render homenagem a São Bernardino de Sena, inspirador de sua pregação, em 17 de maio de 1472, junto a outros frades poloneses, chegou a Aquitania para participar da solene transladação do santo para o novo templo erguido em sua honra. Novamente foi à Itália, em 1478, por ocasião do Capítulo Geral em Pávia. Nessa ocasião pode satisfazer um desejo profundo de visitar as tumbas dos Apóstolos, em Roma, e prosseguir depois sua peregrinação à Terra Santa. Viveu a feliz experiência em espírito de penitência, de verdadeiro amante da Paixão de Cristo, com a oculta aspiração de derramar o próprio sangue pela salvação das almas, agradando assim a Deus. Imitador de São Francisco em seu amor pelos lugares santos, na eventualidade de ser capturado pelos infiéis, antes de viajar memorizou todo o texto da Regra da Ordem “para tê-la sempre diante dos olhos e da mente”. O amor de Simão pelos irmãos se manifestou de maneira extraordinária no último ano de sua vida, quando uma epidemia da peste devastou Cracóvia. De julho de 1482 a 6 de junho de 1483, a cidade esteve sob o flagelo da enfermidade. Na desolação geral, os franciscanos do convento de São Bernardino se doaram incansavelmente no cuidado aos enfermos, como verdadeiros anjos de consolo. São Simão tomou aquele como um “tempo propício” para exercitar a caridade e para levar a cabo a oferenda da própria vida. Por todas as partes passou confortando, prestando ajuda, administrando os sacramentos e anunciando a consoladora Palavra de Deus aos moribundos. E acabou também contagiado. Suportou com extraordinária paciência os sofrimentos da enfermidade e, próximo da morte, expressou o desejo de ser sepultado no umbral da igreja, para que todos pudessem pisoteá-lo. No sexto dia da enfermidade, a 18 de julho de 1482, sem temer a morte e com os olhos fixos sobre a Cruz, entregou sua alma a Deus. A causa de sua canonização, retomada pelo Papa Pio 12, em 25 de junho de 1948, chegou a bom termo com o reconhecimento de um milagre na cidade de Cracóvia em 1943 e decretada pelo Papa Bento XVI, em dezembro de 2006. São Simão de Lipnica soube harmonizar admiravelmente o compromisso da evangelização e o testemunho da caridade, que brota de seu grande amor à Palavra de Deus e aos irmãos mais pobres e que mais sofrem. (Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, edizioni Porziuncola) Não conhecemos a data exata do nascimento deste Santo; sabemos apenas que foi entre 1438 e 1440. Ele nasceu na vila de Lipnica (agora chamada Lipnica Murowana, um lugar ao leste de Cracóvia, na Polônia) e é por isso que o chamamos Simão de Lipnica. Altruísta Solitário Desde os seus primeiros anos, ele manifestou um culto especial à Maria, a Mãe de Deus. Seus pais, Ana e Gregório, eram profundos crentes e um casal decente. Ambos lidavam com fornada, e os pães que eles assavam eram vendidos pelo seu filho no mercado. Compreensivo à pobreza humana, às vezes ele dava pães de graça àqueles que estavam famintos. O jovem Simão frequentou uma escola próxima à sua paróquia e o padre, vendo sua dedicação e curiosidade, sugeriu a seus pais que o enviassem à Cracóvia para estudos adicionais. Longe de Casa Primeiro, Simão estudou perto da Igreja de Santa Maria (veja o mapa) e depois na Academia de Cracóvia (veja o mapa). Foi registrado nas crônicas universitárias que ele apresentou 1 grosz no lugar da taxa de inscrição obrigatória de 6 groszy. Isso significou que ele vinha de uma família pobre. Simão continuou seus estudos na Academia e ele era realmente um estudante meticuloso. Espírito Franciscano em Cracóvia Após três anos de estudos, nos quais ele estava aprendendo artes liberais (geometria, aritmética, música, astronomia), ele graduou-se na Academia de Cracóvia com um título de bacharel. Para tal estudante qualificado, uma direção natural seria seguir uma carreira na ciência. Simão, no entanto, tomou outro caminho e decidiu juntar-se à recém fundada Ordem dos Frades Franciscanos Observantes, conhecidos como “Bernardinos” na Polônia. O nome veio do fato de que o povo local costumava chamá-los “os irmãos da igreja franciscana de São Bernardo de Siena”. Devido à influência da pregação fervorosa de São João Capistrano, que viera da Itália e proclamava a Palavra de Deus em Cracóvia há um ano, cerca de cem noviços ingressaram na Ordem de São Francisco. Entre eles, estava Simão, que foi para o Monastério de Stradom (veja o mapa). Após oito anos, aos 30 anos de idade, Simão foi ordenado ao sacerdócio. Logo depois, ele foi nomeado como prior de um monastério em Tarnów. Um Orador por Vocação Ele era um mal organizador, então após dois anos ele regressou à Cracóvia. Lá, ele começou a reescrever antigos manuscritos e a pregar. Logo depois, seu talento e mestria de pregação começou a ser apreciado. Foi dada a ele uma distinção reservada somente para pregadores proeminentes entre o clero: ele tornou-se um pregador real na Catedral de Wawel. Naquele tempo, essa função era destinada aos membros da Ordem de São Domingos. A sua fómula para a pregação das homilias era: ora, labora, despera (reza, trabalha e lamenta). A última palavra estava relacionada à humildade, a qual tinha que acompanhar os frutos da homilia entregue – que apesar da boa preparação ao fazer seu trabalho, você precisa lembrar-se da Providência de Deus até o fim e confiar somente Nela. Com a influência dos discursos de Simão, muitos foram convertidos e voltaram para a Igreja; muitos também começaram a vida religiosa para aprofundar a sua vida espiritual, resgatados graças às palavras do Franciscano Observante. O Irmão Simão era famoso por frequentemente dizer “Jesus” durante sua pregação: ele repetia este nome três vezes “Jesus! Jesus! Jesus!” e depois o povo repetia em coro. Fazendo isso, ele imitava os sermões de São Bernardo de Siena e São João Capistrano. Ele foi severamente repreendido por isso e acusado de pecar contra o Segundo Mandamento. Naqueles anos, por muitas vezes Simão deixava o monastério e partia em peregrinação: ele foi à Roma (1472 e 1474) e à Terra Santa (1478 – 1479). Peste em Cracóvia Naquele período (século 15), Cracóvia foi afligida diversas vezes por pragas mortais. Simão de Lipnica tratou tais “aflições” como um tempo especial de graça dada por Deus às pessoas. Ele chamou-o “jubileu” e queria que sua morte fosse em tal período. Graças à sua boa vontade e atitude, ele não temia servir os doentes, que infectavam outros com a doença. Ele foi de casa em casa procurar pelos doentes e mortos, tratou deles ao trocar seus curativos, alimentou-os e ministrou os sacramentos da Penitência e da Eucaristia. Ele enterrou os corpos abandonados pelas famílias dos mortos, e trouxe a eles a sua justa dignidade. Durante esse tempo, ele também servia como pregador. O primeiro “jubileu” aconteceu em 1473, após uma grande seca, mas o “jubileu” que o coração de Simão tanto esperava veio de verdade quase dez anos depois, em 1482. A epidemia da peste negra atingiu Cracóvia. Muitos moradores, incluindo o rei da Polônia – Kazimierz Jagiellonczyk, fugiram da cidade. Após pregar o sermão durante a oitava de celebração da Visitação, ele percebeu os primeiros sintomas da doença em seu corpo. Era certo que ele estava infectado e estava prestes a morrer. Após seis dias de enfermidade, cercado pelo cuidado generoso dos frades Observantes, ele partiu em torno de 15h, no dia 18 de julho de 1482. Seu funeral foi no mesmo dia. Seu desejo era ser enterrado embaixo da porta de uma igreja (de forma que as pessoas pisassem no chão acima dele). No entanto, o frade que ouviu o desejo dele esqueceu-se disso e o corpo de Simão foi – como dito pela tradição do monastério – colocado sob o altar. Milagres imediatos As notícias de sua morte espalharam-se rapidamente. As pessoas experienciaram total recuperação através de sua intercessão. Uma das enfermeiras rezou para que ele intercedesse por alguns clérigos infectados com a peste e eles recuperaram-se completamente. Após este evento, eles foram para o monastério em Stradom para agradecer por esta graça. Até o fim de 1482, foram registradas 151 curas de doenças críticas e mortais com a intercessão do Franciscano Observante. Longa Estrada para a Sua Santidade Simão de Lipnica foi beatificado em 16 de fevereiro de 1685. A cerimônia culminou com uma procissão solene de suas relíquias: da Catedral de Wawel até a Praça do Mercado, depois para a Igreja de Santa Maria, e de lá, pela Rua Grodza, para a Igreja dos Franciscanos Observantes em Stradom (as relíquias estão colocadas lá até hoje, na capela lateral de São Simão). Os esforços para canonizá-lo começaram no fim do século 18, no entanto, devido à muitas dificuldades políticas e mudanças históricas na Polônia, este processo foi finalizado somente no início do século 21. São Simão de Lipnica foi canonizado pelo Papa Bento XVI em 3 de junho de 2007. A sua festa é celebrada em 18 de julho. Ele é padroeiro da cidade de Cracóvia e também dos pregadores e dos estudantes. Fonte: Krakow 2016

  • Bem-aventuradas carmelitas mártires de Compiégne – 17 de julho

    SANTO DO DIA – 17 DE JULHO – BEM-AVENTURADAS CARMELITAS DE COMPIÉGNE Mártires (1794) A Revolução Francesa forneceu numerosos novos mártires para a Igreja; entre estes, neste dia se recordam as 17 carmelitas de Compiégne. Um decreto de 1790 suprimiu todas as ordens contemplativas existentes na França e o machado se abateu primeiramente sobre as freiras de clausura. Impuseram às 21 carmelitas de Compiégne que deixassem o mosteiro. Dezesseis responderam que queriam viver e morrer na casa de Deus, e se ofereceram, por meio de um ato solene, em holocausto a fim de que “a paz que Jesus veio trazer à terra fosse restituída à Igreja e à nação”. Na noite de 17 julho foram conduzidas ao centro de Paris, onde havia sido instalada a guilhotina; subiram ao patíbulo entoando a salve-rainha. Juntamente com as religiosas, foram guilhotinadas as irmãs Caterina e Teresa Soiron, que executavam o serviço de portaria do mosteiro. Também estas, como as religiosas, foram beatificadas em 1906. Aos 22 de Junho de 1794, catorze dias depois da Convenção reconhecer a existência de um Ente Supremo, levada por Robespierre, desprezando leis, a tramar, assim o queriam os revolucionários, “pour Le rétablissement de La royauté et l’anéantissement de La Republique”, várias religiosas, que viviam em comunidade, foram presas e encerradas no mosteiro da Visitação, o qual fora transformado em prisão. Levadas a prestar o juramento de Liberté-Egalité, preferiram mil vezes morrer do que “rester coupables d’um serment”. A recusa significava a guilhotina e, assim, dezesseis carmelitas receberam a palma do martírio, na triste tarde do dia 17 de Julho daquele mesmo ano de 1794. Clique aqui para assistir o filme completo, o Diálogo das Carmelitas (Também é possível assistir em alta resolução nas plataformas Brasil Paralelo e Lumine) Eram elas: – Reverenda Madre Teresa de Santo Agostinho (Maria Madalena Claudina Lidoire, priora, nascida em Paris no dia 22 de setembro de 1752. – Irmã São Luís (Maria Ana Francisca Brideau) sub-priora, nascida em Belford aos 7 de Dezembro de 1752. – Irmã de Jesus Crucificado (Maria Ana Piedcourt), de Paris, onde veio ao mundo aos 9 de Dezembro de 1715. – Irmã Carlota da Ressurreição (Ana Maria Madalena Thouret), nascida em Mouy-Oise – a 16 de Setembro de 1715. – Irmã Eufrásia da Imaculada Conceição (Maria Cláudia Cipriana Brard), de Bourth, onde nasceu aos 12 de Maio de 1736. – Madre Henriqueta de Jesus (Maria Gabriela de Croissy), nascida em Paris no dia 18 de Junho de 1745. – Irmã Teresa do Coração de Maria (Maria Ana Hanisset), de Reims, de 18 de Janeiro de 1742. – Irmã Teresa de Santo Inácio (Maria Gabriela Trézelle), nascida em Compiégne aos 4 de Abril de 1743. – Irmã Júlia Luísa de Jesus (Rosa Cristão de Neufville), nascida em Evreux aos 30 de Dezembro de 1741) – Irmã Maria Henriqueta da Providência (Annette Pelras), nascida aos 16 de Junho de 1760 em Cajard. – Irmã Constância (Maria Genoveva Meunier), de São Dionísio, onde nasceu aos 28 de Maio de 1765. – Irmã Maria do Santo Espírito (Angélica Roussel), nascida em Fresnes no dia 3 de Agosto de 1742. – Irmã Santa Marta (Maria Dufour), nascida em Bannes, Sarthe, aos 2 de Outubro de 1741. – Irmã São Francisco (Isabel Júlia Vérolot), de Ligniéres, Aube, nascida aos 13 de Janeiro de 1764. – Catarina Soiron, irmã rodeira, nascida em Compiégne aos 2 de Fevereiro de 1742. – Teresa Soiron, irmã rodeira, nascida em Compiégne aos 23 de Janeiro de 1748. Antes de morrer, serenes, indiferentes, cantavam o Miserere, o Salve Regina. Aos pés do cadafalso, entoaram o Te Deum, depois o Veni Creator. Mortas, tiveram os restos mutilados transportados para o cemitério de Picpus. E, como homenagem, no muro que rodeia a tuba comum, onde foram depositadas, lê-se, numa placa de mármore: Beati qui in Domino moriuntur Somente uma carmelita escapou do massacre: Francisca Genoveva Filipe, no século – Irmã Josefina Maria da Encarnação, na vida religiosa. O processo de beatificação, aberto por iniciativa do cardeal Ricardo, arcebispo de Paris, a 23 de Fevereiro de 1896, teve tramitação rápida. No dia 6 de Dezembro de 1902, o Papa Leão XIII, declarava as carmelitas veneráveis, e, a 10 de Dezembro de 1905, Pio X, beatificava-as. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIII, p. 118 à 120) A escritora Gertrud von le Fort mostrou em seu livro A ÚLTIMA AO CADAFALSO (Ed. Quadrante, SP), o quão perversa e sanguinária foi a Revolução Francesa (1789) que nada teve de “Igualdade, liberdade e fraternidade”, como se propaga, mas foi a encarnação diabólica do mal na França, especialmente contra a Igreja Católica. O texto abaixo mostra o assassinato covarde e revoltante de 16 irmãs carmelitas de Compiègne, na guilhotina, acusadas maldosamente de serem “subversivas” e inimigas da Revolução. Como, se eram enclausuradas? Foi o ódio de Satanás contra aquelas que ofereciam a Deus a sua vida para aplacar a cólera de Deus na França. Leia este relato e depois o livro todo, para não ser enganado. “São cerca de oito horas da tarde. É verão e o céu ainda está claro. A multidão comprime-se em volta da guilhotina, erguida no centro da antiga Place du Thrône, atual Barriére de Vincennes. Junto dos degraus que conduzem ao cadafalso, o carrasco, Charles-Henri Sanson, espera respeitosamente de pé, flanqueado por dois ajudantes. O calor é opressivo, e em toda a praça reina um odor mefítico de sangue. Vindos da cidade, despontam os carroções. Hoje são dois, e vêm bastante cheios: ao todo, serão quarenta vítimas. Recebem-nas as exclamações e ameaças habituais, mas o barulho logo se abafa em murmúrios de espanto. Acontece que, entre os condenados, se veem diversas mulheres de capa branca: são as dezesseis carmelitas do convento de Compiègne, Ao contrário dos seus companheiros de infortúnio, não deixam pender a cabeça nem choram ou gritam; trazem o rosto erguido, e a linha firme do corpo é sublinhada pelas mãos amarradas às costas. E cantam: aos ouvidos de todos, ressoam as notas quase esquecidas da Salve Rainha em latim e do Te Deum. Até para o mais empedernido dos basbaques presentes, é um espetáculo inaudito. Quando os carroções param ao pé do cadafalso, o burburinho faz-se silêncio absoluto. Até essas mulheres histéricas, as chamadas “fúrias da guilhotina”, que sempre estão na primeira fila dos espectadores, emudecem. As primeiras a descer são as carmelitas. Uma delas, a priora, Madre Teresa de Santo Agostinho, aproxima-se do carrasco e pede-lhe que lhes conceda uns minutos para poderem renovar os seus votos e que a deixe ser a última a sofrer a execução, para que possa animar cada uma das suas filhas até o fim. Sanson, o carrasco, alma delicada, concorda de bom grado. Todas juntas, cantam o Veni Creator Spiritus. A seguir, renovam os seus votos religiosos. Enquanto rezam, uma voz de mulher sussurra na multidão: “Essas boas almas, vejam se não parecem anjos! Pela minha fé, se essas mulheres não forem diretas ao paraíso, é porque o paraíso não existe!… “. A priora recua até a base da escada. Tem nas mãos uma estatueta de cerâmica da Virgem Maria com o Menino Jesus ao colo. A primeira a ser chamada, a mais jovem de todas, é a noviça Constança. Ajoelha-se diante da Madre e pede-lhe a bênção. Segundo uma testemunha, ter-se-ia também acusado nesse momento de não haver terminado o ofício do dia. Com um sorriso, a Madre diz-lhe: “Vai, minha filha, confiança! Acabarás de rezá-Io no Céu”…, e dá-lhe a beijar a imagem. Constança sobe rapidamente os degraus, entoando o salmo Laudate Dominum omnes gentes, “Louvai o Senhor, todos os povos”. “Ia alegre, como se se dirigisse para uma festa”. O carrasco e seus ajudantes, com gesto profissional, dispõem-na debaixo da guilhotina. Ouve-se o golpe surdo do contrapeso, o ruído seco da lâmina que cai, o baque da cabeça recolhida num saco de couro. Sem solução de continuidade, o corpo é lançado ao carroção funerário. Uma por uma, as freiras ajoelham-se diante da priora e pedem-lhe a bênção e permissão para morrer. Cantam o hino iniciado por Constança. Quando chega a vez da Irmã de Jesus Crucificado, que tem 78 anos, os jovens ajudantes do carrasco têm de descer para ajudá-la a vencer os degraus. Ela diz-lhes afavelmente: “Meus amigos, eu vos perdoo de todo o coração, tal como desejo que Deus me perdoe”. (*) Essa imagem foi devolvida mais tarde à Ordem e encontra-se hoje no Carmelo de Compiègne, novamente fundado em 1867. Os corpos foram levados às pressas para o antigo convento dos agostinianos do Faubourg de Picpus. Lá foram lançados na fossa comum e cobertos de cal viva. Hoje há ali um gramado cercado de ciprestes, com uma simples cruz de ferro. É um lugar de silêncio e oração. Na capelinha anexa a esse cemitério, há uma lápide que traz o nome das dezesseis mártires beatificadas em 27 de maio de 1906 por São Pio X. Prof. Felipe Aquino #SantodoDia

  • Bem-aventuradas carmelitas mártires de Compiégne – 17 de julho

    SANTO DO DIA – 17 DE JULHO – BEM-AVENTURADAS CARMELITAS DE COMPIÉGNE Mártires (1794) A Revolução Francesa forneceu numerosos novos mártires para a Igreja; entre estes, neste dia se recordam as 17 carmelitas de Compiégne. Um decreto de 1790 suprimiu todas as ordens contemplativas existentes na França e o machado se abateu primeiramente sobre as freiras de clausura. Impuseram às 21 carmelitas de Compiégne que deixassem o mosteiro. Dezesseis responderam que queriam viver e morrer na casa de Deus, e se ofereceram, por meio de um ato solene, em holocausto a fim de que “a paz que Jesus veio trazer à terra fosse restituída à Igreja e à nação”. Na noite de 17 julho foram conduzidas ao centro de Paris, onde havia sido instalada a guilhotina; subiram ao patíbulo entoando a salve-rainha. Juntamente com as religiosas, foram guilhotinadas as irmãs Caterina e Teresa Soiron, que executavam o serviço de portaria do mosteiro. Também estas, como as religiosas, foram beatificadas em 1906. Aos 22 de Junho de 1794, catorze dias depois da Convenção reconhecer a existência de um Ente Supremo, levada por Robespierre, desprezando leis, a tramar, assim o queriam os revolucionários, “pour Le rétablissement de La royauté et l’anéantissement de La Republique”, várias religiosas, que viviam em comunidade, foram presas e encerradas no mosteiro da Visitação, o qual fora transformado em prisão. Levadas a prestar o juramento de Liberté-Egalité, preferiram mil vezes morrer do que “rester coupables d’um serment”. A recusa significava a guilhotina e, assim, dezesseis carmelitas receberam a palma do martírio, na triste tarde do dia 17 de Julho daquele mesmo ano de 1794. Clique aqui para assistir o filme completo, o Diálogo das Carmelitas (Também é possível assistir em alta resolução nas plataformas Brasil Paralelo e Lumine) Eram elas: – Reverenda Madre Teresa de Santo Agostinho (Maria Madalena Claudina Lidoire, priora, nascida em Paris no dia 22 de setembro de 1752. – Irmã São Luís (Maria Ana Francisca Brideau) sub-priora, nascida em Belford aos 7 de Dezembro de 1752. – Irmã de Jesus Crucificado (Maria Ana Piedcourt), de Paris, onde veio ao mundo aos 9 de Dezembro de 1715. – Irmã Carlota da Ressurreição (Ana Maria Madalena Thouret), nascida em Mouy-Oise – a 16 de Setembro de 1715. – Irmã Eufrásia da Imaculada Conceição (Maria Cláudia Cipriana Brard), de Bourth, onde nasceu aos 12 de Maio de 1736. – Madre Henriqueta de Jesus (Maria Gabriela de Croissy), nascida em Paris no dia 18 de Junho de 1745. – Irmã Teresa do Coração de Maria (Maria Ana Hanisset), de Reims, de 18 de Janeiro de 1742. – Irmã Teresa de Santo Inácio (Maria Gabriela Trézelle), nascida em Compiégne aos 4 de Abril de 1743. – Irmã Júlia Luísa de Jesus (Rosa Cristão de Neufville), nascida em Evreux aos 30 de Dezembro de 1741) – Irmã Maria Henriqueta da Providência (Annette Pelras), nascida aos 16 de Junho de 1760 em Cajard. – Irmã Constância (Maria Genoveva Meunier), de São Dionísio, onde nasceu aos 28 de Maio de 1765. – Irmã Maria do Santo Espírito (Angélica Roussel), nascida em Fresnes no dia 3 de Agosto de 1742. – Irmã Santa Marta (Maria Dufour), nascida em Bannes, Sarthe, aos 2 de Outubro de 1741. – Irmã São Francisco (Isabel Júlia Vérolot), de Ligniéres, Aube, nascida aos 13 de Janeiro de 1764. – Catarina Soiron, irmã rodeira, nascida em Compiégne aos 2 de Fevereiro de 1742. – Teresa Soiron, irmã rodeira, nascida em Compiégne aos 23 de Janeiro de 1748. Antes de morrer, serenes, indiferentes, cantavam o Miserere, o Salve Regina. Aos pés do cadafalso, entoaram o Te Deum, depois o Veni Creator. Mortas, tiveram os restos mutilados transportados para o cemitério de Picpus. E, como homenagem, no muro que rodeia a tuba comum, onde foram depositadas, lê-se, numa placa de mármore: Beati qui in Domino moriuntur Somente uma carmelita escapou do massacre: Francisca Genoveva Filipe, no século – Irmã Josefina Maria da Encarnação, na vida religiosa. O processo de beatificação, aberto por iniciativa do cardeal Ricardo, arcebispo de Paris, a 23 de Fevereiro de 1896, teve tramitação rápida. No dia 6 de Dezembro de 1902, o Papa Leão XIII, declarava as carmelitas veneráveis, e, a 10 de Dezembro de 1905, Pio X, beatificava-as. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIII, p. 118 à 120) A escritora Gertrud von le Fort mostrou em seu livro A ÚLTIMA AO CADAFALSO (Ed. Quadrante, SP), o quão perversa e sanguinária foi a Revolução Francesa (1789) que nada teve de “Igualdade, liberdade e fraternidade”, como se propaga, mas foi a encarnação diabólica do mal na França, especialmente contra a Igreja Católica. O texto abaixo mostra o assassinato covarde e revoltante de 16 irmãs carmelitas de Compiègne, na guilhotina, acusadas maldosamente de serem “subversivas” e inimigas da Revolução. Como, se eram enclausuradas? Foi o ódio de Satanás contra aquelas que ofereciam a Deus a sua vida para aplacar a cólera de Deus na França. Leia este relato e depois o livro todo, para não ser enganado. “São cerca de oito horas da tarde. É verão e o céu ainda está claro. A multidão comprime-se em volta da guilhotina, erguida no centro da antiga Place du Thrône, atual Barriére de Vincennes. Junto dos degraus que conduzem ao cadafalso, o carrasco, Charles-Henri Sanson, espera respeitosamente de pé, flanqueado por dois ajudantes. O calor é opressivo, e em toda a praça reina um odor mefítico de sangue. Vindos da cidade, despontam os carroções. Hoje são dois, e vêm bastante cheios: ao todo, serão quarenta vítimas. Recebem-nas as exclamações e ameaças habituais, mas o barulho logo se abafa em murmúrios de espanto. Acontece que, entre os condenados, se veem diversas mulheres de capa branca: são as dezesseis carmelitas do convento de Compiègne, Ao contrário dos seus companheiros de infortúnio, não deixam pender a cabeça nem choram ou gritam; trazem o rosto erguido, e a linha firme do corpo é sublinhada pelas mãos amarradas às costas. E cantam: aos ouvidos de todos, ressoam as notas quase esquecidas da Salve Rainha em latim e do Te Deum. Até para o mais empedernido dos basbaques presentes, é um espetáculo inaudito. Quando os carroções param ao pé do cadafalso, o burburinho faz-se silêncio absoluto. Até essas mulheres histéricas, as chamadas “fúrias da guilhotina”, que sempre estão na primeira fila dos espectadores, emudecem. As primeiras a descer são as carmelitas. Uma delas, a priora, Madre Teresa de Santo Agostinho, aproxima-se do carrasco e pede-lhe que lhes conceda uns minutos para poderem renovar os seus votos e que a deixe ser a última a sofrer a execução, para que possa animar cada uma das suas filhas até o fim. Sanson, o carrasco, alma delicada, concorda de bom grado. Todas juntas, cantam o Veni Creator Spiritus. A seguir, renovam os seus votos religiosos. Enquanto rezam, uma voz de mulher sussurra na multidão: “Essas boas almas, vejam se não parecem anjos! Pela minha fé, se essas mulheres não forem diretas ao paraíso, é porque o paraíso não existe!… “. A priora recua até a base da escada. Tem nas mãos uma estatueta de cerâmica da Virgem Maria com o Menino Jesus ao colo. A primeira a ser chamada, a mais jovem de todas, é a noviça Constança. Ajoelha-se diante da Madre e pede-lhe a bênção. Segundo uma testemunha, ter-se-ia também acusado nesse momento de não haver terminado o ofício do dia. Com um sorriso, a Madre diz-lhe: “Vai, minha filha, confiança! Acabarás de rezá-Io no Céu”…, e dá-lhe a beijar a imagem. Constança sobe rapidamente os degraus, entoando o salmo Laudate Dominum omnes gentes, “Louvai o Senhor, todos os povos”. “Ia alegre, como se se dirigisse para uma festa”. O carrasco e seus ajudantes, com gesto profissional, dispõem-na debaixo da guilhotina. Ouve-se o golpe surdo do contrapeso, o ruído seco da lâmina que cai, o baque da cabeça recolhida num saco de couro. Sem solução de continuidade, o corpo é lançado ao carroção funerário. Uma por uma, as freiras ajoelham-se diante da priora e pedem-lhe a bênção e permissão para morrer. Cantam o hino iniciado por Constança. Quando chega a vez da Irmã de Jesus Crucificado, que tem 78 anos, os jovens ajudantes do carrasco têm de descer para ajudá-la a vencer os degraus. Ela diz-lhes afavelmente: “Meus amigos, eu vos perdoo de todo o coração, tal como desejo que Deus me perdoe”. (*) Essa imagem foi devolvida mais tarde à Ordem e encontra-se hoje no Carmelo de Compiègne, novamente fundado em 1867. Os corpos foram levados às pressas para o antigo convento dos agostinianos do Faubourg de Picpus. Lá foram lançados na fossa comum e cobertos de cal viva. Hoje há ali um gramado cercado de ciprestes, com uma simples cruz de ferro. É um lugar de silêncio e oração. Na capelinha anexa a esse cemitério, há uma lápide que traz o nome das dezesseis mártires beatificadas em 27 de maio de 1906 por São Pio X. Prof. Felipe Aquino #SantodoDia

  • A negação da Divindade de Cristo e o desprezo à Autoridade de Deus

    Como em nossos dias o neoarianismo relativista tem buscado de todos os modos transformar Cristo em um “deus” entre muitas outras divindades e sua Palavra Eterna e Imutável em uma mera opinião entre muitas outras. Na Prática, o falso ecumenismo, assim como o relativismo doutrinário, moral e litúrgico têm sua sustentação na negação da autoridade da Palavra de Cristo que é Deus Verdadeira e Eterno. Para assistir, acesse no horário marcado:

  • A negação da Divindade de Cristo e o desprezo à Autoridade de Deus

    Como em nossos dias o neoarianismo relativista tem buscado de todos os modos transformar Cristo em um “deus” entre muitas outras divindades e sua Palavra Eterna e Imutável em uma mera opinião entre muitas outras. Na Prática, o falso ecumenismo, assim como o relativismo doutrinário, moral e litúrgico têm sua sustentação na negação da autoridade da Palavra de Cristo que é Deus Verdadeira e Eterno. Para assistir, acesse no horário marcado:

  • História da aparição de Nossa Senhora do Carmo – 16 de julho

    SANTO DO DIA – 16 DE JULHO – NOSSA SENHORA DO CARMO A ordem dos carmelitas – a mais antiga da história da Igreja, cuja origem não é datada -, embora considere o profeta Elias como seu modelo, não o tem como fundador. É provável que essa lacuna tenha favorecido a devoção a Maria, que deu seu nome à ordem, constituindo-se no eixo de sua piedade. Eis o que se lê no Livro das instituições, dos primeiros monges do Carmelo: “Em lembrança da visão que mostrou ao profeta a vinda desta Virgem sobre a figura de uma pequena nuvem que saía da terra e se dirigia para o Carmelo, os monges, no ano de 93 da encarnação do Filho de Deus, destruíram sua antiga casa e construíram uma capela sobre o monte Carmelo, perto da fonte de Elias, em honra dessa pequena virgem voltada a Deus”. Em 1187, os primeiros eremitas carmelitas latinos marcaram sua presença numa capela dedicada à Virgem. Expulsos pelos sarracenos no século XIII, alguns monges disseminaram-se em várias regiões e fundaram vários Carmelos (em Chipre, na Sicília, na França e na Inglaterra), embora encontrando obstáculos e resistências da hierarquia eclesiástica. A Virgem aconselhara o papa Honório III a acolher favoravelmente esses monges: “Que não se ponham obstáculos a meu desejo”. Para vencer as últimas dificuldades, intervém novamente a Virgem: “Os irmãos imploraram-lhe insistentemente que os livrasse das insídias infernais, a ela que os conduzira a esse local. Enquanto Simão Stock assim rezava, a Mãe de Deus lhe apareceu acompanhada por uma multidão de anjos, segurando numa das mãos o escapulário da Ordem, e lhe disse: ‘Eis o privilégio que dou a ti e a todos os filhos do Carmelo: toda pessoa que for revestida desse hábito será salva’”. O pior carmelitano Balduíno Lessius menciona uma visão de João XXII acerca da bula – por muitos não considerada autêntica -, que fala do “privilégio sabatino”, o qual consiste em ficar livre do purgatório no primeiro sábado depois da morte. E Pio XII, que se ufanava de estar inscrito na confraria do Carmelo, frisava, por meio da bula de 11 fevereiro de 1959, que “em primeiro lugar, entre todas as devoções marianas, deve-se pôr o escapulário, que está ao alcance de todos”. Conheça mais sobre Nossa Senhora do Carmo Assim como vestiu seu Filho Jesus com uma túnica de valor inapreciável, Maria Santíssima quer nos revestir, a nós, seus filhos adotivos, com a mais eficaz das vestimentas Antecipando o monacato católico, uns tantos discípulos de Elias escolheram o alto do Monte Carmelo para, ali, abraçar a contemplação. Assim permaneceram na sucessão das gerações, até a vinda do Senhor. Vários deles se converteram depois de Pentecostes e foram os primeiros a erigir um oratório em louvor a Nossa Senhora. Tácito relata-nos que o Imperador Vespasiano subia ao Monte Carmelo para consultar um oráculo, e lá ouvia as orientações de um sacerdote chamado Basilido que, a certa altura, prognosticou-lhe um grande sucesso (1). Outro historiador, Suetônio, reforça o relato feito por este, acrescentando que Vespasiano ia ao Carmelo à procura de uma confirmação de seu destino e de suas cogitações, e de lá retornava cheio de ânimo (2). Autores de peso discutem entre si, se o oratório lá existente seria de origem pagã ou se, de fato, já se tratava de um santuário dedicado à Santíssima Virgem. Entretanto, inteiramente certa é a enorme antiguidade da Ordem do Carmo. Depois de Elias, seu discípulo Eliseu continuou a habitar aquela montanha, rodeado de “filhos dos profetas” (cf. 2Rs 2,25; 4, 25; 4,38, etc.). Conhece-se ali uma “gruta de Elias” e uma caverna chamada de “Escola dos Profetas”. Mas o primeiro documento da História que chegou até nós, mencionando um grupo de eremitas no Monte Carmelo, é da metade do séc. XII. Viviam eles sob a direção de um exmilitar de nome Bertoldo. Em 1154 ou 1155, um parente deste, Aymeric, Patriarca de Antioquia, o orientara no estabelecimento do eremitério. A um monge grego, João Focas, que o visitou em 1185, São Bertoldo contou ter-se retirado com dez discípulos para o Carmelo em virtude de uma aparição de Santo Elias. Essa comunidade recebeu pouco depois, do Patriarca de Jerusalém, Santo Alberto, uma regra, que foi emendada e definitivamente aprovada pelo Papa Inocêncio IV, em 1247. Estava, assim, constituída a Ordem do Carmo. A primeira vestimenta foi confeccionada por Deus A primeira veste de que se tenha notícia na História remonta ao Paraíso Terrestre. Conta-nos o Gênesis (3, 21) que, após a queda de nossos primeiros pais, Adão e Eva, o próprio Deus lhes confeccionou túnicas de pele e com elas os revestiu. Bem mais tarde, Jacó fez uma túnica de variadas cores para o uso de José, seu filho bem-amado (Gn 37, 3). E assim, as vestimentas vão sendo citadas nestas ou naquelas circunstâncias, ao longo das Escrituras (Gn 27, 15; 1 Sm 2, 19; etc.). Uma túnica porém, ocupa lugar “princeps” entre todas as vestimentas: aquela sobre a qual os soldados deitaram sorte, por se tratar de uma peça de altíssimo valor, pelo fato de não possuir costura. Uma piedosa tradição atribui às puríssimas mãos de Maria a arte empregada em sua confecção. Ao se darem conta, os esbirros, da elevada qualidade daquela peça, tomaram a resolução de não rasgá-la. Assim vestia Maria a seu Filho Jesus, desde o seu nascimento, como esmerada e devotada Mãe. E da mesma forma quer revestir também a nós, seus filhos adotivos, Aquela que “como névoa cobre a terra inteira”. Pois a Ela fomos entregues na mesma ocasião em que os soldados, pela sorte, decidiam sobre a propriedade da túnica de Jesus: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19,26). E que roupa nos oferece Ela? Papas enaltecem o uso do Escapulário Em 1951, por ocasião da celebração do 700º aniversário da entrega do Escapulário, o Papa Pio XII disse em carta aos Superiores Gerais das duas Ordens carmelitas: “Porque o Santo Escapulário, que pode ser chamado de Hábito ou Traje de Maria, é um sinal e penhor de proteção da Mãe de Deus”. Exatamente 50 anos depois, o Papa João Paulo II afirmou: “O Escapulário é essencialmente um ‘hábito’. Quem o recebe é agregado ou associado num grau mais ou menos íntimo à Ordem do Carmo, dedicada ao serviço da Virgem para o bem de toda a Igreja. (…) Duas são as verdades evocadas pelo signo do Escapulário: de um lado, a constante proteção da Santíssima Virgem, não só ao longo do caminho da vida, mas também no momento da passagem para a plenitude da glória eterna; de outro, a consciência de que a devoção para com Ela não pode limitar-se a orações e tributos em sua honra em algumas ocasiões, mas deve tornar-se um ‘hábito’.” Esses dois Pontífices confirmam, assim, manifestações de apreço ao Escapulário feitas por vários de seus antecessores, tais como Bento XIII, Clemente VII, Bento XIV, Leão XIII, São Pio X e Bento XV. Bento XIII estendeu a toda a Igreja a celebração da festa de Nossa Senhora do Carmo, a 16 de julho. Eis algumas das razões que unem os Arautos à Ordem do Carmo e por isso são revestidos do Escapulário além de terem num bispo carmelita, Dom Lucio Angelo Renna, um pai e protetor. ² Dentre todos os “negócios” de que nos ocupamos nesta vida, há um de tão grande importância que deve ser tratado com absoluta prioridade, sob pena de fracassarmos em todos os outros: nossa salvação eterna! Certo dia, um repórter meu amigo resolveu fazer em várias cidades uma pesquisa sobre este assunto. Percorrendo as ruas, perguntava aos transeuntes: “Você quer ir para o Céu ou para o Inferno?” Impactadas, as pessoas respondiam, quase sem refletir: “Claro que quero ir para o Céu!” E tocavam em frente… Alguns, nosso repórter conseguia reter por mais um instante e fazer a segunda pergunta: “Quais os meios que você emprega para alcançar tão grande felicidade?” Resultado da pesquisa: 100% querem ir para o Céu. Porém, menos de 1% se preocupa sobre como fazer para lá chegar! São abundantes esses meios. Vamos aqui indicar um dos mais eficazes, que a Mãe de Misericórdia põe à disposição de todos, sem qualquer exceção. Quem se julgar indigno, por ser grande pecador, lembre-se do que disse Jesus: “Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores” (Lc 5, 32). Trata-se do uso do Escapulário do Carmo, recomendado por vários Papas e Santos. Um destes, São Cláudio de La Colombière, afirma: “Não basta dizer que o Escapulário é um sinal de salvação. Eu sustento que não há outro que faça tão certa nossa predestinação”. Os grandes privilégios do Escapulário No dia 16 de julho de 1251, São Simão Stock suplicava a Nossa Senhora ajuda para resolver um problema da Ordem Carmelitana, da qual era o Prior Geral. Enquanto ele rezava, a Virgem apareceu- lhe, trazendo o Escapulário nas mãos, e disse essas confortadoras palavras: “Filho diletíssimo, recebe o Escapulário da tua Ordem, sinal especial de minha amizade fraterna, privilégio para ti e todos os carmelitas. Aqueles que morrerem com este Escapulário não padecerão o fogo do Inferno. É sinal de salvação, amparo e proteção nos perigos, e aliança de paz para sempre”. A Igreja assumiu o Escapulário e fez dele uma das devoções mais difundidas entre o povo de Deus. Em nossa época de superstições, não é supérfluo esclarecer que o Escapulário está longe de ser um sinal “mágico” de salvação. Não é uma espécie de amuleto cujo uso nos dispensa das exigências da vida cristã. Não basta, portanto, carregá-lo ao pescoço e dizer: “Estou salvo!” É verdade que Nossa Senhora não pôs condição alguma ao fazer sua promessa. Simplesmente afirma: “Quem morrer com o Escapulário não padecerá o fogo do inferno”. Não obstante, para beneficiar-se deste privilégio, é preciso usar o Escapulário com reta intenção. Neste caso, se na hora da morte a pessoa estiver em estado de pecado, Nossa Senhora providenciará, de alguma forma, que ela se arrependa e receba os sacramentos. E nisto a misericórdia da Mãe de Deus se mostra verdadeiramente insondável! Alguns exemplos atestam de modo eloquente esta verdade. Viajando de automóvel em companhia de um bispo, o autor deste artigo viu uma mulher entrar distraída na rodovia e ser esmagada por uma enorme carreta cujo motorista não teve tempo de frear. O bispo mandou parar o automóvel, desceu apressadamente, deu a absolvição sacramental e ministrou a unção dos enfermos à mulher agonizante. Depois comentou comovido: “Ela estava com o Escapulário do Carmo. Certamente foi Nossa Senhora quem providenciou que um bispo estivesse passando por aqui, justo neste momento!” Um caso diferente – narrado por Dom Marcos Barbosa na obra “O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo” – se passou na Inglaterra. Na hora da morte, um cavaleiro conhecido por sua grande impiedade, em vez de pedir a Deus perdão de seus pecados, blasfemava dizendo: “Quero o inferno e o diabo!” Os presentes, horrorizados, chamaram São Simão Stock, o qual tomou o Escapulário e estendeu- o sobre o blasfemador. Imediatamente este se arrependeu e pediu os sacramentos. Segundo antiga e piedosa tradição, a Santíssima Virgem, aparecendo ao Papa João XXII, prometeu livrar do Purgatório, no primeiro sábado após a morte, todos os que portarem devotamente o Escapulário. Este é o chamado “privilégio sabatino”. Para se beneficiar dele é preciso manter a castidade segundo o próprio estado, recitar o Pequeno Ofício da Imaculada ou rezar um terço todos os dias. E mais: cada vez que o devoto beijar o Escapulário com piedade, fazendo um pedido à Santíssima Virgem, recebe uma indulgência parcial, isto é, a remissão de uma parte das penas que devia cumprir no Purgatório. Quem usa o Escapulário pode beneficiar-se também de indulgência plenária (remissão de todas as penas do Purgatório) no dia em que o recebe, na festa de Nossa Senhora do Carmo, 16 de julho; de Santo Elias, 20 de julho; Santa Terezinha, 1º de outubro; dos santos carmelitas, 14 de novembro; São João da Cruz, 14 de dezembro; São Simão Stock, 16 de maio. Proteção nos perigos da vida quotidiana Nossa Senhora, a melhor de todas as mães, quer para seus devotos filhos não somente os benefícios espirituais, mas também os temporais. Assim, quem porta seu Escapulário recebe d’Ela uma proteção especial nos perigos da vida quotidiana. São inumeráveis os exemplos desse desvelo da Virgem Mãe por seus filhos. Dom Marcos Barbosa, na obra mencionada acima, narra dois bem interessantes. Em Santo André (SP), uma menina de 5 anos caiu dentro de um poço de 20 metros de profundidade. Uma hora depois, foi encontrada boiando sobre a água, com o Escapulário no pescoço. A família, naturalmente, atribuiu o fato à proteção da Mãe do Carmelo. Em São Paulo, um jovem de 15 anos, ao atravessar de bicicleta uma via férrea, foi apanhado pelo trem. Passado todo o comboio, ele se levantou ileso e, beijando comovido seu Escapulário, exclamava: “Só tive tempo de gritar: ‘Nossa Senhora do Carmo!’ Foi o bentinho d’Ela que me salvou!” Sinal de aliança com Nossa Senhora O Escapulário é um sinal de aliança com Nossa Senhora, e exprime nossa consagração a Ela. Seu uso é um poderoso meio de afervorar os que vivem em estado de graça e de converter os pecadores. Deus não deixa sem recompensa nenhum benefício feito a uma pessoa necessitada, mesmo um simples pedaço de pão dado a um indigente. Imagine, pois, como Ele recompensará quem ajudar na salvação de uma alma! Seja, portanto, você também, um ardoroso propagador do santo Escapulário! Nossa Senhora lhe retribuirá com toda espécie de graças e favores já nesta terra; e mais ainda no Céu. Como receber e usar o Escapulário 1 – Qualquer padre tem poder para benzer e impor na pessoa o Escapulário. 2 – Essa bênção e imposição valem para toda a vida, portanto, basta recebê-lo uma vez. 3 – Quando o Escapulário se desgastar, basta substituí-lo por um novo. 4 – Mesmo quando alguém tiver a infelicidade de deixar de usá-lo durante algum tempo, pode simplesmente retomar o seu uso, não é necessária outra bênção. 5 – Uma vez recebido, ele deve ser usado sempre, de preferência no pescoço, em todas as ocasiões, mesmo enquanto a pessoa dorme. 6 – Em casos de necessidade extrema, como doentes em hospitais, se o Escapulário lhe for retirado, o fiel não perde os benefícios da promessa de Nossa Senhora. 7 – Em casos de perigo de morte, mesmo um leigo pode impor o Escapulário. Basta recitar uma oração a Nossa Senhora e colocar na pessoa um escapulário já bento por algum sacerdote. 8 – O Papa São Pio X autorizou substituir o Escapulário por uma medalha que tenha de um lado o Sagrado Coração de Jesus e do outro uma imagem de Nossa Senhora. Mas a recepção deve ser feita com o escapulário de tecido. Oração a Nossa Senhora do Carmo Ó Virgem do Carmo e mãe amorosa de todos os fiéis, mas especialmente dos que vestem vosso sagrado Escapulário, em cujo número tenho a dita de ser incluído, intercedei por mim ante o trono do Altíssimo. Obtende-me que, depois de uma vida verdadeiramente cristã, expire revestido deste santo hábito e, livrando-me do fogo do inferno, conforme prometestes, mereça sair quanto antes, por vossa intercessão poderosa, das chamas do Purgatório. Ó Virgem dulcíssima, dissestes que o Escapulário é a defesa nos perigos, sinal do vosso entranhado amor e laço de aliança sempiterna entre Vós e os vossos filhos. Fazei, pois, Mãe amorosíssima, que ele me una perpetuamente a Vós e livre para sempre minha alma do pecado. Em prova do meu reconhecimento e fidelidade, ofereço-me todo a Vós consagrando-Vos neste dia os meus olhos, meus ouvidos, minha boca, meu coração e todo o meu ser. E porque Vos pertenço inteiramente, guardai-me e defendei-me como filho e servidor vosso. Amém. #FestasdeNossaSenhora #SantodoDia

  • História da aparição de Nossa Senhora do Carmo – 16 de julho

    SANTO DO DIA – 16 DE JULHO – NOSSA SENHORA DO CARMO A ordem dos carmelitas – a mais antiga da história da Igreja, cuja origem não é datada -, embora considere o profeta Elias como seu modelo, não o tem como fundador. É provável que essa lacuna tenha favorecido a devoção a Maria, que deu seu nome à ordem, constituindo-se no eixo de sua piedade. Eis o que se lê no Livro das instituições, dos primeiros monges do Carmelo: “Em lembrança da visão que mostrou ao profeta a vinda desta Virgem sobre a figura de uma pequena nuvem que saía da terra e se dirigia para o Carmelo, os monges, no ano de 93 da encarnação do Filho de Deus, destruíram sua antiga casa e construíram uma capela sobre o monte Carmelo, perto da fonte de Elias, em honra dessa pequena virgem voltada a Deus”. Em 1187, os primeiros eremitas carmelitas latinos marcaram sua presença numa capela dedicada à Virgem. Expulsos pelos sarracenos no século XIII, alguns monges disseminaram-se em várias regiões e fundaram vários Carmelos (em Chipre, na Sicília, na França e na Inglaterra), embora encontrando obstáculos e resistências da hierarquia eclesiástica. A Virgem aconselhara o papa Honório III a acolher favoravelmente esses monges: “Que não se ponham obstáculos a meu desejo”. Para vencer as últimas dificuldades, intervém novamente a Virgem: “Os irmãos imploraram-lhe insistentemente que os livrasse das insídias infernais, a ela que os conduzira a esse local. Enquanto Simão Stock assim rezava, a Mãe de Deus lhe apareceu acompanhada por uma multidão de anjos, segurando numa das mãos o escapulário da Ordem, e lhe disse: ‘Eis o privilégio que dou a ti e a todos os filhos do Carmelo: toda pessoa que for revestida desse hábito será salva’”. O pior carmelitano Balduíno Lessius menciona uma visão de João XXII acerca da bula – por muitos não considerada autêntica -, que fala do “privilégio sabatino”, o qual consiste em ficar livre do purgatório no primeiro sábado depois da morte. E Pio XII, que se ufanava de estar inscrito na confraria do Carmelo, frisava, por meio da bula de 11 fevereiro de 1959, que “em primeiro lugar, entre todas as devoções marianas, deve-se pôr o escapulário, que está ao alcance de todos”. Conheça mais sobre Nossa Senhora do Carmo Assim como vestiu seu Filho Jesus com uma túnica de valor inapreciável, Maria Santíssima quer nos revestir, a nós, seus filhos adotivos, com a mais eficaz das vestimentas Antecipando o monacato católico, uns tantos discípulos de Elias escolheram o alto do Monte Carmelo para, ali, abraçar a contemplação. Assim permaneceram na sucessão das gerações, até a vinda do Senhor. Vários deles se converteram depois de Pentecostes e foram os primeiros a erigir um oratório em louvor a Nossa Senhora. Tácito relata-nos que o Imperador Vespasiano subia ao Monte Carmelo para consultar um oráculo, e lá ouvia as orientações de um sacerdote chamado Basilido que, a certa altura, prognosticou-lhe um grande sucesso (1). Outro historiador, Suetônio, reforça o relato feito por este, acrescentando que Vespasiano ia ao Carmelo à procura de uma confirmação de seu destino e de suas cogitações, e de lá retornava cheio de ânimo (2). Autores de peso discutem entre si, se o oratório lá existente seria de origem pagã ou se, de fato, já se tratava de um santuário dedicado à Santíssima Virgem. Entretanto, inteiramente certa é a enorme antiguidade da Ordem do Carmo. Depois de Elias, seu discípulo Eliseu continuou a habitar aquela montanha, rodeado de “filhos dos profetas” (cf. 2Rs 2,25; 4, 25; 4,38, etc.). Conhece-se ali uma “gruta de Elias” e uma caverna chamada de “Escola dos Profetas”. Mas o primeiro documento da História que chegou até nós, mencionando um grupo de eremitas no Monte Carmelo, é da metade do séc. XII. Viviam eles sob a direção de um exmilitar de nome Bertoldo. Em 1154 ou 1155, um parente deste, Aymeric, Patriarca de Antioquia, o orientara no estabelecimento do eremitério. A um monge grego, João Focas, que o visitou em 1185, São Bertoldo contou ter-se retirado com dez discípulos para o Carmelo em virtude de uma aparição de Santo Elias. Essa comunidade recebeu pouco depois, do Patriarca de Jerusalém, Santo Alberto, uma regra, que foi emendada e definitivamente aprovada pelo Papa Inocêncio IV, em 1247. Estava, assim, constituída a Ordem do Carmo. A primeira vestimenta foi confeccionada por Deus A primeira veste de que se tenha notícia na História remonta ao Paraíso Terrestre. Conta-nos o Gênesis (3, 21) que, após a queda de nossos primeiros pais, Adão e Eva, o próprio Deus lhes confeccionou túnicas de pele e com elas os revestiu. Bem mais tarde, Jacó fez uma túnica de variadas cores para o uso de José, seu filho bem-amado (Gn 37, 3). E assim, as vestimentas vão sendo citadas nestas ou naquelas circunstâncias, ao longo das Escrituras (Gn 27, 15; 1 Sm 2, 19; etc.). Uma túnica porém, ocupa lugar “princeps” entre todas as vestimentas: aquela sobre a qual os soldados deitaram sorte, por se tratar de uma peça de altíssimo valor, pelo fato de não possuir costura. Uma piedosa tradição atribui às puríssimas mãos de Maria a arte empregada em sua confecção. Ao se darem conta, os esbirros, da elevada qualidade daquela peça, tomaram a resolução de não rasgá-la. Assim vestia Maria a seu Filho Jesus, desde o seu nascimento, como esmerada e devotada Mãe. E da mesma forma quer revestir também a nós, seus filhos adotivos, Aquela que “como névoa cobre a terra inteira”. Pois a Ela fomos entregues na mesma ocasião em que os soldados, pela sorte, decidiam sobre a propriedade da túnica de Jesus: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19,26). E que roupa nos oferece Ela? Papas enaltecem o uso do Escapulário Em 1951, por ocasião da celebração do 700º aniversário da entrega do Escapulário, o Papa Pio XII disse em carta aos Superiores Gerais das duas Ordens carmelitas: “Porque o Santo Escapulário, que pode ser chamado de Hábito ou Traje de Maria, é um sinal e penhor de proteção da Mãe de Deus”. Exatamente 50 anos depois, o Papa João Paulo II afirmou: “O Escapulário é essencialmente um ‘hábito’. Quem o recebe é agregado ou associado num grau mais ou menos íntimo à Ordem do Carmo, dedicada ao serviço da Virgem para o bem de toda a Igreja. (…) Duas são as verdades evocadas pelo signo do Escapulário: de um lado, a constante proteção da Santíssima Virgem, não só ao longo do caminho da vida, mas também no momento da passagem para a plenitude da glória eterna; de outro, a consciência de que a devoção para com Ela não pode limitar-se a orações e tributos em sua honra em algumas ocasiões, mas deve tornar-se um ‘hábito’.” Esses dois Pontífices confirmam, assim, manifestações de apreço ao Escapulário feitas por vários de seus antecessores, tais como Bento XIII, Clemente VII, Bento XIV, Leão XIII, São Pio X e Bento XV. Bento XIII estendeu a toda a Igreja a celebração da festa de Nossa Senhora do Carmo, a 16 de julho. Eis algumas das razões que unem os Arautos à Ordem do Carmo e por isso são revestidos do Escapulário além de terem num bispo carmelita, Dom Lucio Angelo Renna, um pai e protetor. ² Dentre todos os “negócios” de que nos ocupamos nesta vida, há um de tão grande importância que deve ser tratado com absoluta prioridade, sob pena de fracassarmos em todos os outros: nossa salvação eterna! Certo dia, um repórter meu amigo resolveu fazer em várias cidades uma pesquisa sobre este assunto. Percorrendo as ruas, perguntava aos transeuntes: “Você quer ir para o Céu ou para o Inferno?” Impactadas, as pessoas respondiam, quase sem refletir: “Claro que quero ir para o Céu!” E tocavam em frente… Alguns, nosso repórter conseguia reter por mais um instante e fazer a segunda pergunta: “Quais os meios que você emprega para alcançar tão grande felicidade?” Resultado da pesquisa: 100% querem ir para o Céu. Porém, menos de 1% se preocupa sobre como fazer para lá chegar! São abundantes esses meios. Vamos aqui indicar um dos mais eficazes, que a Mãe de Misericórdia põe à disposição de todos, sem qualquer exceção. Quem se julgar indigno, por ser grande pecador, lembre-se do que disse Jesus: “Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores” (Lc 5, 32). Trata-se do uso do Escapulário do Carmo, recomendado por vários Papas e Santos. Um destes, São Cláudio de La Colombière, afirma: “Não basta dizer que o Escapulário é um sinal de salvação. Eu sustento que não há outro que faça tão certa nossa predestinação”. Os grandes privilégios do Escapulário No dia 16 de julho de 1251, São Simão Stock suplicava a Nossa Senhora ajuda para resolver um problema da Ordem Carmelitana, da qual era o Prior Geral. Enquanto ele rezava, a Virgem apareceu- lhe, trazendo o Escapulário nas mãos, e disse essas confortadoras palavras: “Filho diletíssimo, recebe o Escapulário da tua Ordem, sinal especial de minha amizade fraterna, privilégio para ti e todos os carmelitas. Aqueles que morrerem com este Escapulário não padecerão o fogo do Inferno. É sinal de salvação, amparo e proteção nos perigos, e aliança de paz para sempre”. A Igreja assumiu o Escapulário e fez dele uma das devoções mais difundidas entre o povo de Deus. Em nossa época de superstições, não é supérfluo esclarecer que o Escapulário está longe de ser um sinal “mágico” de salvação. Não é uma espécie de amuleto cujo uso nos dispensa das exigências da vida cristã. Não basta, portanto, carregá-lo ao pescoço e dizer: “Estou salvo!” É verdade que Nossa Senhora não pôs condição alguma ao fazer sua promessa. Simplesmente afirma: “Quem morrer com o Escapulário não padecerá o fogo do inferno”. Não obstante, para beneficiar-se deste privilégio, é preciso usar o Escapulário com reta intenção. Neste caso, se na hora da morte a pessoa estiver em estado de pecado, Nossa Senhora providenciará, de alguma forma, que ela se arrependa e receba os sacramentos. E nisto a misericórdia da Mãe de Deus se mostra verdadeiramente insondável! Alguns exemplos atestam de modo eloquente esta verdade. Viajando de automóvel em companhia de um bispo, o autor deste artigo viu uma mulher entrar distraída na rodovia e ser esmagada por uma enorme carreta cujo motorista não teve tempo de frear. O bispo mandou parar o automóvel, desceu apressadamente, deu a absolvição sacramental e ministrou a unção dos enfermos à mulher agonizante. Depois comentou comovido: “Ela estava com o Escapulário do Carmo. Certamente foi Nossa Senhora quem providenciou que um bispo estivesse passando por aqui, justo neste momento!” Um caso diferente – narrado por Dom Marcos Barbosa na obra “O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo” – se passou na Inglaterra. Na hora da morte, um cavaleiro conhecido por sua grande impiedade, em vez de pedir a Deus perdão de seus pecados, blasfemava dizendo: “Quero o inferno e o diabo!” Os presentes, horrorizados, chamaram São Simão Stock, o qual tomou o Escapulário e estendeu- o sobre o blasfemador. Imediatamente este se arrependeu e pediu os sacramentos. Segundo antiga e piedosa tradição, a Santíssima Virgem, aparecendo ao Papa João XXII, prometeu livrar do Purgatório, no primeiro sábado após a morte, todos os que portarem devotamente o Escapulário. Este é o chamado “privilégio sabatino”. Para se beneficiar dele é preciso manter a castidade segundo o próprio estado, recitar o Pequeno Ofício da Imaculada ou rezar um terço todos os dias. E mais: cada vez que o devoto beijar o Escapulário com piedade, fazendo um pedido à Santíssima Virgem, recebe uma indulgência parcial, isto é, a remissão de uma parte das penas que devia cumprir no Purgatório. Quem usa o Escapulário pode beneficiar-se também de indulgência plenária (remissão de todas as penas do Purgatório) no dia em que o recebe, na festa de Nossa Senhora do Carmo, 16 de julho; de Santo Elias, 20 de julho; Santa Terezinha, 1º de outubro; dos santos carmelitas, 14 de novembro; São João da Cruz, 14 de dezembro; São Simão Stock, 16 de maio. Proteção nos perigos da vida quotidiana Nossa Senhora, a melhor de todas as mães, quer para seus devotos filhos não somente os benefícios espirituais, mas também os temporais. Assim, quem porta seu Escapulário recebe d’Ela uma proteção especial nos perigos da vida quotidiana. São inumeráveis os exemplos desse desvelo da Virgem Mãe por seus filhos. Dom Marcos Barbosa, na obra mencionada acima, narra dois bem interessantes. Em Santo André (SP), uma menina de 5 anos caiu dentro de um poço de 20 metros de profundidade. Uma hora depois, foi encontrada boiando sobre a água, com o Escapulário no pescoço. A família, naturalmente, atribuiu o fato à proteção da Mãe do Carmelo. Em São Paulo, um jovem de 15 anos, ao atravessar de bicicleta uma via férrea, foi apanhado pelo trem. Passado todo o comboio, ele se levantou ileso e, beijando comovido seu Escapulário, exclamava: “Só tive tempo de gritar: ‘Nossa Senhora do Carmo!’ Foi o bentinho d’Ela que me salvou!” Sinal de aliança com Nossa Senhora O Escapulário é um sinal de aliança com Nossa Senhora, e exprime nossa consagração a Ela. Seu uso é um poderoso meio de afervorar os que vivem em estado de graça e de converter os pecadores. Deus não deixa sem recompensa nenhum benefício feito a uma pessoa necessitada, mesmo um simples pedaço de pão dado a um indigente. Imagine, pois, como Ele recompensará quem ajudar na salvação de uma alma! Seja, portanto, você também, um ardoroso propagador do santo Escapulário! Nossa Senhora lhe retribuirá com toda espécie de graças e favores já nesta terra; e mais ainda no Céu. Como receber e usar o Escapulário 1 – Qualquer padre tem poder para benzer e impor na pessoa o Escapulário. 2 – Essa bênção e imposição valem para toda a vida, portanto, basta recebê-lo uma vez. 3 – Quando o Escapulário se desgastar, basta substituí-lo por um novo. 4 – Mesmo quando alguém tiver a infelicidade de deixar de usá-lo durante algum tempo, pode simplesmente retomar o seu uso, não é necessária outra bênção. 5 – Uma vez recebido, ele deve ser usado sempre, de preferência no pescoço, em todas as ocasiões, mesmo enquanto a pessoa dorme. 6 – Em casos de necessidade extrema, como doentes em hospitais, se o Escapulário lhe for retirado, o fiel não perde os benefícios da promessa de Nossa Senhora. 7 – Em casos de perigo de morte, mesmo um leigo pode impor o Escapulário. Basta recitar uma oração a Nossa Senhora e colocar na pessoa um escapulário já bento por algum sacerdote. 8 – O Papa São Pio X autorizou substituir o Escapulário por uma medalha que tenha de um lado o Sagrado Coração de Jesus e do outro uma imagem de Nossa Senhora. Mas a recepção deve ser feita com o escapulário de tecido. Oração a Nossa Senhora do Carmo Ó Virgem do Carmo e mãe amorosa de todos os fiéis, mas especialmente dos que vestem vosso sagrado Escapulário, em cujo número tenho a dita de ser incluído, intercedei por mim ante o trono do Altíssimo. Obtende-me que, depois de uma vida verdadeiramente cristã, expire revestido deste santo hábito e, livrando-me do fogo do inferno, conforme prometestes, mereça sair quanto antes, por vossa intercessão poderosa, das chamas do Purgatório. Ó Virgem dulcíssima, dissestes que o Escapulário é a defesa nos perigos, sinal do vosso entranhado amor e laço de aliança sempiterna entre Vós e os vossos filhos. Fazei, pois, Mãe amorosíssima, que ele me una perpetuamente a Vós e livre para sempre minha alma do pecado. Em prova do meu reconhecimento e fidelidade, ofereço-me todo a Vós consagrando-Vos neste dia os meus olhos, meus ouvidos, minha boca, meu coração e todo o meu ser. E porque Vos pertenço inteiramente, guardai-me e defendei-me como filho e servidor vosso. Amém. #FestasdeNossaSenhora #SantodoDia

  • São Boaventura, Bispo e Doutor da Igreja – 15 de julho

    SANTO DO DIA – 15 DE JULHO – SÃO BOAVENTURA Bispo e doutor da Igreja (1218-1274) Frei Boaventura era italiano, nasceu no ano de 1218, na cidade de Bagnoregio, em Viterbo, e foi batizado com o nome de João de Fidanza. O pai era um médico conceituado, mas, como narrava o próprio Boaventura, foi curado de uma grave enfermidade ainda na infância por intercessão de são Francisco. Aos vinte anos de idade, ingressou no convento franciscano, onde vestiu o hábito e tomou o nome de Boaventura dois anos depois. Estudou filosofia e teologia na Universidade de Paris, na qual, em 1253, foi designado para ser o catedrático da matéria. Também foi contemporâneo de Tomás de Aquino, outro santo e doutor da Igreja, de quem era amigo e companheiro. Boaventura buscou a Ordem Franciscana porque, com seu intelecto privilegiado, enxergou nela uma miniatura da própria Igreja. Ambas nasceram contando somente com homens simples, pescadores e camponeses. Somente depois é que se agregaram a elas os homens de ciências e os de origem nobre. Quando frei Boaventura entrou para a Irmandade de São Francisco de Assis, ela já estava estabelecida em Paris, Oxford, Cambridge, Estrasburgo e muitas outras famosas universidades européias. Essa nova situação vivenciada pela Ordem fez com que Boaventura interviesse nas controvérsias que surgiam com as ordens seculares. Opôs-se a todos os que atacavam as ordens mendicantes, especialmente a dos franciscanos. Foi nesta defesa, como teólogo e orador, que teve sua fama projetada em todo o meio eclesiástico. Em 1257, pela cultura, ciência e sabedoria que possuía, aliadas às virtudes cristãs, foi eleito superior-geral da Ordem pelo papa Alexandre IV. Nesse cargo, permaneceu por dezoito anos. Sua direção foi tão exemplar que acabou sendo chamado de segundo fundador e pai dos franciscanos. Ele conseguiu manter em equilíbrio a nova geração dos frades, convivendo com os de visão mais antiga, renovando as Regras, sem alterar o espírito cunhado pelo fundador. Para tanto dosou tudo com a palavra: para uns, a tranquilizadora; para outros, a motivadora. Alicerçado nas teses de santo Agostinho e na filosofia de Platão, escreveu onze volumes teológicos, procurando dar o fundamento racional às verdades regidas pela fé. Além disso, ele teve outros cargos e incumbências de grande dignidade. Boaventura foi nomeado cardeal pelo papa Gregório X, que, para tê-lo por perto em Roma, o fez também bispo-cardeal de Albano Laziale. Como tarefa, foi encarregado de organizar o Concílio de Lyon, em 1273. Nesse evento, aberto em maio de 1274, seu papel foi fundamental para a reconciliação entre o clero secular e as ordens mendicantes. Mas, em seguida, frei Boaventura morreu, em 15 de julho de 1274, ali mesmo em Lyon, na França, assistido, pessoalmente, pelo papa que o queria muito bem. Foi canonizado em 1482 e recebeu o honroso título de doutor da Igreja. A sua festa litúrgica ocorre no dia de sua passagem para a vida eterna. Conheça mais sobre São Boaventura Ao entardecer do dia, enquanto o Sol deitava seus últimos raios no horizonte, um frade franciscano escrevia no recolhimento de sua cela. Habituado tanto a travar disputas na Universidade quanto a apresentar-se voluntariamente para lavar pratos e panelas, ou a partir cheio de zelo para pregar, naquele momento encontrava-se ele escrevendo a vida de seu Fundador, a pedido de seus irmãos de vocação. Vindo de longe, ali chegou um dominicano – cognominado o Doutor Angélico – que resolvera visitar seu amigo. Entretanto, deteve-se junto à porta, sem coragem de interrompê-lo. Com uma admiração própria às almas virtuosas, sussurrou ao ouvido de quem o acompanhava: “Retiremo-nos e deixemos um Santo escrever a vida de outro Santo”.1 Tal foi um dos memoráveis encontros entre estas duas grandes figuras do século XIII, que brilharam não só por sua ciência teológica, mas, sobretudo, pela grandeza de alma: São Tomás de Aquino e São Boaventura, de cujas virtudes heroicas, forjadas na escola de São Francisco de Assis, contemplaremos alguns traços a seguir. Entre o Céu e a Terra Por volta do ano de 1221, o casal João da Fidanza e Maria Ritelli foi obsequiado pela Providência com um filho. Introduziram-no logo no seio da Igreja Católica, pelas águas regeneradoras do Batismo, e deram-lhe o mesmo nome do pai. Vivia em Bagnoregio, antiga cidade dos Estados Pontifícios, localizada no alto de uma colina. Aos quatro anos de idade, o menino foi acometido por uma grave doença. O pai, médico experiente, tentou de todas as maneiras salvar-lhe a vida. Tudo em vão. Então a mãe, confiando no poder infalível da oração, recorreu a São Francisco de Assis e rogou-lhe, entre lágrimas, que restituísse a saúde ao filho. E qual não foi sua alegria ao ver que a criança – pouco antes entre a vida e a morte – ficou totalmente curada! Diante de acontecimento tão venturoso, os pais resolveram trocar-lhe o nome para Boaventura. O Poverello de Assis, recém-canonizado pelo Papa Gregório IX, parecia sorrir-lhes da eternidade. O sofrimento que batera às portas daquela casa deu início a um entranhado relacionamento entre o Fundador, já no Céu, e o futuro discípulo. De fato, aquele menino haveria de ser um dos mais eminentes membros da Ordem dos Frades Menores. Encontro com a vocação Dotado de prodigiosa inteligência, o jovem Boaventura despertava admiração tanto por seus progressos nos estudos, quanto por suas virtudes. Bagnoregio, todavia, era uma cidade por demais pequena para preencher os anseios de sua alma e desenvolver os dons incomuns recebidos da Divina Providência. Resolveu, então, partir para a França, a fim de aprofundar-se nas ciências. Sem saber, caminhava rumo à sua vocação. Na já então famosa Universidade de Paris, conheceu alguns eminentes teólogos, entre os quais o franciscano Alexandre de Hales, que exercia grande influência sobre seu aluno. E como costuma acontecer no convívio entre certos discípulos fora do comum e o respectivo mestre, é difícil dizer qual dos dois se beneficiou mais com a virtude e saber do outro. Costumava o catedrático comentar a respeito deste jovem estudante, que “nele Adão não tinha pecado”,2 tal era sua pureza e retidão de alma. A vida religiosa se tornara o centro das cogitações do jovem de Bagnoregio que, concluídos seus estudos, tendo muito viva na alma a lembrança do mestre franciscano, decidiu ingressar na sua Ordem. O motivo dessa resolução, ele o explicou numa carta escrita alguns anos mais tarde: “Confesso, diante de Deus, que a razão que me fez amar mais a vida do Beato Francisco é que ela se assemelha aos inícios e ao crescimento da Igreja. A Igreja começou com simples pescadores e, em seguida, enriqueceu-se de doutores muito ilustres e sábios; a religião do Beato Francisco não foi estabelecida pela prudência de homens, mas de Cristo”.3 A graça primaveril da admiração pelo Fundador foi o motor de toda a sua existência. Ele o amou com aquela “forma de enlevo pela qual a pessoa quer dar-se inteiramente e não conservar nada para si. E faz disso o ideal de sua vida, de tal maneira que coloca sua felicidade no ter oferecido tudo a Deus”.4 No mundo acadêmico Após seu ingresso na Ordem franciscana, o superior decidiu que continuasse os estudos na mesma Universidade onde havia obtido a licenciatura e, ao mesmo tempo, ministrasse aulas na escola franciscana. Flexível à santa obediência, o noviço matriculou-se na faculdade de Teologia e, terminados os novos estudos, obteve seu título de bacharel bíblico, seguido do de bacharel sentenciário, passando a lecionar Sagrada Escritura nessa ilustre Universidade. Por volta de 1253, ao receber junto com São Tomás de Aquino, o barrete de doutor, deu-se um fato que ressalta o brilho da virtude da espretensão na alma deste frade. Na solene cerimônia da imposição do grau, para espanto de todos quantos presenciavam a cena, travou-se uma disputa entre os dois doutorandos: cada um queria ceder ao outro o primeiro lugar. Embora a nenhum deles faltassem argumentos, o filho de São Francisco insistiu tanto com o discípulo de São Domingos, que este não teve como recusar a primazia. Assim, diz um dos seus biógrafos, São Boaventura “triunfou ao mesmo tempo de si mesmo e do amigo”.5 Visão grandiosa do sacerdócio Chegado o momento de sua ordenação presbiteral, frei Boaventura preparou-se com jejuns e orações, além de incrementar suas habituais obras de caridade. Achava-se indigno de tamanho privilégio que, jamais teria ousado receber por vontade própria, e desejava muito servir a Deus e aos homens da forma mais perfeita nesse ministério, cuja excelência tinha bem presente. Consciente do poder concedido ao sacerdote de renovar o Santo Sacrifício do Calvário, trazendo a presença real de Cristo na Sagrada Eucaristia, manifesta ele, em uma de suas obras, a grandeza deste rito sagrado e o esplendor com o qual deve ser celebrado: “prescreve-se que este Sacramento seja honrado com especial solenidade, tanto no relativo ao lugar e ao tempo, quanto no referente às palavras, orações e ornamentos na celebração da Santa Missa, para que, com isso, não só os sacerdotes que conferem o Sacramento, como também os fiéis que o recebem, possam de fato perceber o dom da graça que os purifique, ilumine, aperfeiçoe, repare, vivifique e, por um amor apaixonado, os transforme ardentissimamente no próprio Cristo”.6 Sabedoria e ciência hauridas na Cruz Na mesma época de São Boaventura, outros membros dos Frades Menores e da Ordem dos Pregadores começaram a lecionar nas cátedras das instituições mais prestigiosas da época. Ora, era costume que esta função fosse desempenhada por membros do clero secular, alguns dos quais começaram a hostilizar os professores das ordens mendicantes, considerando-os intrusos. Essa antipatia estendeu-se ao campo teológico e ascético. “Contestava-se o seu direito de ensinar na Universidade e chegava-se até a pôr em dúvida a autenticidade da sua vida consagrada. Certamente, as mudanças introduzidas pelas Ordens Mendicantes no modo de entender a vida religiosa […] eram tão inovativas que nem todos conseguiam compreendê-las”.7 São Boaventura manteve-se firme nessa contenda. Com magistral sabedoria, soube refutar os adversários, não só por sua oratória, mas também por seus escritos. Dentre estes, destacam-se De perfectione evangelica e Apologia pauperum, nos quais defende a pobreza praticada pelos religiosos, tendo como modelo o próprio Nosso Senhor. A Santa Igreja se enriqueceu com essa explicitação doutrinária, fruto da fidelidade do Santo ao carisma do Fundador e de seu amor à verdadeira doutrina. Perguntou-lhe, certa vez, São Tomás: “De qual livro haures tua maravilhosa ciência?”. O santo Doutor respondeu-lhe com simplicidade, apontando para um crucifixo: “Aqui está toda a minha biblioteca”. 8 Seguindo a via de seu Pai Francisco, este amor a Cristo crucificado foi o centro de sua vida e de sua sabedoria. Séculos mais tarde, outro leitor assíduo de suas obras – São Francisco de Sales – comentaria: “Ó meu Santo e Seráfico Doutor Boaventura, em quem não vejo ter outro papel senão a Cruz, outra pluma a não ser a lança, outra tinta que o Sangue de meu Salvador, quando escrevestes vossos divinos opúsculos! Ó palavra inflamada a vossa, quando exclamais: Quão agradável e boa é a companhia do Crucifixo!”.9 Ação e contemplação Em meados de 1257, celebrou-se em Roma o Capítulo Geral da Ordem dos Frades Menores, no transcurso do qual devia ser designado o novo Ministro Geral. A escolha dos frades capitulares recaiu por unanimidade sobre São Boaventura, que não contava nessa ocasião mais de 36 anos de idade. Começou por consagrar a Maria Santíssima o governo da Ordem. Após enviar a todos os franciscanos uma carta na qual deixava claro o pleno conhecimento que tinha da gravidade desse dever, partiu para a Cidade Eterna, com a finalidade de apresentar ao Papa Alexandre IV os assuntos de seu Instituto. Qual pastor zeloso, aproveitou o ensejo para visitar os conventos franciscanos da região, dando-se a conhecer aos seus subordinados e pondo-se paternalmente à sua disposição. Esta nomeação em nada lhe mudou os costumes monásticos. Apesar da multiplicidade de trabalhos apostólicos, nunca deixou de exercer humildes ofícios na vida comunitária nem interrompeu seus estudos. Sempre encontrava tempo para os exercícios de piedade e, nas mais diversas atividades, procurava manter-se num estado de recolhimento interior. Ficaram consagradas estas suas palavras, que bem ilustram seu modo de proceder: “não se pense que basta a leitura sem a unção, a especulação sem a devoção, a investigação sem a admiração, a circunspecção sem a exultação, a habilidade sem a piedade, a ciência sem a caridade, a inteligência sem a humildade, o estudo sem a graça divina, o modelo sem a sabedoria divinamente inspirada”.10 O Capítulo de Narbona Durante a primavera de 1260, os Frades Menores reuniram-se na cidade de Narbona, para outro Capítulo Geral, quiçá um dos mais célebres da história da Ordem. Sob a direção do novo superior, ela se expandira de maneira prodigiosa e contava com mais de 30.000 franciscanos espalhados pelo mundo. Tornava-se urgente garantir a unidade de ação e de espírito dos religiosos todos, na inteira fidelidade ao carisma do Fundador. À vista disso, São Boaventura promulgou, nessa assembleia, uma unificação da regra, que além de outros bons resultados teve o de estabelecer um ponto de equilíbrio entre as duas alas em disputa na Ordem: uma propensa a um rigorismo exagerado, outra a um reprovável relaxamento. Eliminou, com isso, o risco de uma grave ruptura interna. No entanto – conforme explicou o Papa Emérito, na já citada Audiência acerca do Doutor Seráfico -, “Boaventura intuía que as disposições legislativas, por mais que se inspirassem na sabedoria e na moderação, não eram suficientes para garantir a comunhão do espírito e dos corações. Era necessário compartilhar os mesmos ideais e motivações. Por isso, Boaventura quis apresentar o carisma genuíno de Francisco, a sua vida e o seu ensinamento”.11 Com este objetivo e instado por seus confrades no Capítulo, percorreu ele a Itália, a fim de interrogar as pessoas que haviam convivido com o Poverello. E pôde, com tal trabalho, deixar para a História uma fiel e bem documentada biografia de seu Seráfico Pai: a Legenda Maior, assumida pelo Capítulo Geral de Pisa, em 1263, como a biografia oficial do Poverello. “Qual é a imagem de São Francisco que sobressai do coração e da pena do seu filho devoto e sucessor, São Boaventura?”, pergunta-se Bento XVI. E, logo a seguir, acrescenta: “O ponto essencial: Francisco é um alter Christus, um homem que procurou Cristo apaixonadamente. No amor que impele à imitação, conformou-se de modo total com Ele. Boaventura indicava este ideal vivo a todos os seguidores de Francisco”.12 Na mesma ocasião, em Pisa, pediu ao Papa Alexandre IV para conceder à Ordem um Cardeal protetor. O Pontífice respondeu que isso não era necessário, pois ele mesmo assumia esse encargo. Privilégio não pequeno para os franciscanos! E dada sua ardente devoção à Santíssima Virgem, instituiu, nessa reunião, a celebração da festa da Imaculada Conceição em toda a Ordem. Segundo uma piedosa tradição, foi depois desse Capítulo que se iniciou o belo costume de rezar diariamente o Ângelus ao meio-dia e às seis horas da tarde. Consagrado Bispo e nomeado Cardeal O Papa Gregório X chamou-o para junto de si e contou com seu valioso auxílio na solução de relevantes problemas da Santa Igreja. Seu mais importante encargo, contudo, foi a preparação, em 1272, de um grande acontecimento eclesial, o II Concílio Ecumênico de Lyon, com o objetivo de restabelecer a comunhão entre a Igreja latina e a grega. O Sumo Pontífice o indicou para presidente e, em 1273, o consagrou Bispo e nomeou-o Cardeal. Não obstante, após participar das quatro primeiras sessões do Concílio, São Boaventura ficou gravemente enfermo. O Santo Padre apressou-se em ministrar-lhe os últimos Sacramentos. Partiu para a eternidade no dia 15 de julho de 1274. Queria a Providência que sua assistência ao Concílio se desse desde o Céu. A pedido do Sumo Pontífice, os sacerdotes do mundo inteiro celebraram uma Missa por sua alma. Exímia fidelidade ao carisma de São Francisco “O segredo da realização de cada Instituto religioso” – explica o Beato João Paulo II – “foi a sua fidelidade ao carisma inicial que Deus encontrou no Fundador ou na Fundadora, para enriquecer a Igreja. Por este motivo repito as palavras de Paulo VI: ‘Sede fiéis ao espírito dos vossos Fundadores, às suas intenções evangélicas, ao exemplo da sua santidade… É precisamente aqui que tem origem o dinamismo próprio de cada família religiosa’ (Evangelica Testificatio, de 29/6/1971, n.11-12)”.13 São Boaventura nunca tirou os olhos do seu pai espiritual: São Francisco de Assis. Pelo contrário, seu zelo em seguir as pegadas do Poverello e a fidelidade a seu carisma fizeram com que a Ordem dos Frades Menores se mantivesse íntegra e unida. E, assim, ele passou para a História como seu segundo Fundador. (Revista Arautos do Evangelho, Irmã Luciana Niday Kawahira, EP; Julho/2013, n. 139, p. 32 à 35) #SantodoDia

  • São Boaventura, Bispo e Doutor da Igreja – 15 de julho

    SANTO DO DIA – 15 DE JULHO – SÃO BOAVENTURA Bispo e doutor da Igreja (1218-1274) Frei Boaventura era italiano, nasceu no ano de 1218, na cidade de Bagnoregio, em Viterbo, e foi batizado com o nome de João de Fidanza. O pai era um médico conceituado, mas, como narrava o próprio Boaventura, foi curado de uma grave enfermidade ainda na infância por intercessão de são Francisco. Aos vinte anos de idade, ingressou no convento franciscano, onde vestiu o hábito e tomou o nome de Boaventura dois anos depois. Estudou filosofia e teologia na Universidade de Paris, na qual, em 1253, foi designado para ser o catedrático da matéria. Também foi contemporâneo de Tomás de Aquino, outro santo e doutor da Igreja, de quem era amigo e companheiro. Boaventura buscou a Ordem Franciscana porque, com seu intelecto privilegiado, enxergou nela uma miniatura da própria Igreja. Ambas nasceram contando somente com homens simples, pescadores e camponeses. Somente depois é que se agregaram a elas os homens de ciências e os de origem nobre. Quando frei Boaventura entrou para a Irmandade de São Francisco de Assis, ela já estava estabelecida em Paris, Oxford, Cambridge, Estrasburgo e muitas outras famosas universidades européias. Essa nova situação vivenciada pela Ordem fez com que Boaventura interviesse nas controvérsias que surgiam com as ordens seculares. Opôs-se a todos os que atacavam as ordens mendicantes, especialmente a dos franciscanos. Foi nesta defesa, como teólogo e orador, que teve sua fama projetada em todo o meio eclesiástico. Em 1257, pela cultura, ciência e sabedoria que possuía, aliadas às virtudes cristãs, foi eleito superior-geral da Ordem pelo papa Alexandre IV. Nesse cargo, permaneceu por dezoito anos. Sua direção foi tão exemplar que acabou sendo chamado de segundo fundador e pai dos franciscanos. Ele conseguiu manter em equilíbrio a nova geração dos frades, convivendo com os de visão mais antiga, renovando as Regras, sem alterar o espírito cunhado pelo fundador. Para tanto dosou tudo com a palavra: para uns, a tranquilizadora; para outros, a motivadora. Alicerçado nas teses de santo Agostinho e na filosofia de Platão, escreveu onze volumes teológicos, procurando dar o fundamento racional às verdades regidas pela fé. Além disso, ele teve outros cargos e incumbências de grande dignidade. Boaventura foi nomeado cardeal pelo papa Gregório X, que, para tê-lo por perto em Roma, o fez também bispo-cardeal de Albano Laziale. Como tarefa, foi encarregado de organizar o Concílio de Lyon, em 1273. Nesse evento, aberto em maio de 1274, seu papel foi fundamental para a reconciliação entre o clero secular e as ordens mendicantes. Mas, em seguida, frei Boaventura morreu, em 15 de julho de 1274, ali mesmo em Lyon, na França, assistido, pessoalmente, pelo papa que o queria muito bem. Foi canonizado em 1482 e recebeu o honroso título de doutor da Igreja. A sua festa litúrgica ocorre no dia de sua passagem para a vida eterna. Conheça mais sobre São Boaventura Ao entardecer do dia, enquanto o Sol deitava seus últimos raios no horizonte, um frade franciscano escrevia no recolhimento de sua cela. Habituado tanto a travar disputas na Universidade quanto a apresentar-se voluntariamente para lavar pratos e panelas, ou a partir cheio de zelo para pregar, naquele momento encontrava-se ele escrevendo a vida de seu Fundador, a pedido de seus irmãos de vocação. Vindo de longe, ali chegou um dominicano – cognominado o Doutor Angélico – que resolvera visitar seu amigo. Entretanto, deteve-se junto à porta, sem coragem de interrompê-lo. Com uma admiração própria às almas virtuosas, sussurrou ao ouvido de quem o acompanhava: “Retiremo-nos e deixemos um Santo escrever a vida de outro Santo”.1 Tal foi um dos memoráveis encontros entre estas duas grandes figuras do século XIII, que brilharam não só por sua ciência teológica, mas, sobretudo, pela grandeza de alma: São Tomás de Aquino e São Boaventura, de cujas virtudes heroicas, forjadas na escola de São Francisco de Assis, contemplaremos alguns traços a seguir. Entre o Céu e a Terra Por volta do ano de 1221, o casal João da Fidanza e Maria Ritelli foi obsequiado pela Providência com um filho. Introduziram-no logo no seio da Igreja Católica, pelas águas regeneradoras do Batismo, e deram-lhe o mesmo nome do pai. Vivia em Bagnoregio, antiga cidade dos Estados Pontifícios, localizada no alto de uma colina. Aos quatro anos de idade, o menino foi acometido por uma grave doença. O pai, médico experiente, tentou de todas as maneiras salvar-lhe a vida. Tudo em vão. Então a mãe, confiando no poder infalível da oração, recorreu a São Francisco de Assis e rogou-lhe, entre lágrimas, que restituísse a saúde ao filho. E qual não foi sua alegria ao ver que a criança – pouco antes entre a vida e a morte – ficou totalmente curada! Diante de acontecimento tão venturoso, os pais resolveram trocar-lhe o nome para Boaventura. O Poverello de Assis, recém-canonizado pelo Papa Gregório IX, parecia sorrir-lhes da eternidade. O sofrimento que batera às portas daquela casa deu início a um entranhado relacionamento entre o Fundador, já no Céu, e o futuro discípulo. De fato, aquele menino haveria de ser um dos mais eminentes membros da Ordem dos Frades Menores. Encontro com a vocação Dotado de prodigiosa inteligência, o jovem Boaventura despertava admiração tanto por seus progressos nos estudos, quanto por suas virtudes. Bagnoregio, todavia, era uma cidade por demais pequena para preencher os anseios de sua alma e desenvolver os dons incomuns recebidos da Divina Providência. Resolveu, então, partir para a França, a fim de aprofundar-se nas ciências. Sem saber, caminhava rumo à sua vocação. Na já então famosa Universidade de Paris, conheceu alguns eminentes teólogos, entre os quais o franciscano Alexandre de Hales, que exercia grande influência sobre seu aluno. E como costuma acontecer no convívio entre certos discípulos fora do comum e o respectivo mestre, é difícil dizer qual dos dois se beneficiou mais com a virtude e saber do outro. Costumava o catedrático comentar a respeito deste jovem estudante, que “nele Adão não tinha pecado”,2 tal era sua pureza e retidão de alma. A vida religiosa se tornara o centro das cogitações do jovem de Bagnoregio que, concluídos seus estudos, tendo muito viva na alma a lembrança do mestre franciscano, decidiu ingressar na sua Ordem. O motivo dessa resolução, ele o explicou numa carta escrita alguns anos mais tarde: “Confesso, diante de Deus, que a razão que me fez amar mais a vida do Beato Francisco é que ela se assemelha aos inícios e ao crescimento da Igreja. A Igreja começou com simples pescadores e, em seguida, enriqueceu-se de doutores muito ilustres e sábios; a religião do Beato Francisco não foi estabelecida pela prudência de homens, mas de Cristo”.3 A graça primaveril da admiração pelo Fundador foi o motor de toda a sua existência. Ele o amou com aquela “forma de enlevo pela qual a pessoa quer dar-se inteiramente e não conservar nada para si. E faz disso o ideal de sua vida, de tal maneira que coloca sua felicidade no ter oferecido tudo a Deus”.4 No mundo acadêmico Após seu ingresso na Ordem franciscana, o superior decidiu que continuasse os estudos na mesma Universidade onde havia obtido a licenciatura e, ao mesmo tempo, ministrasse aulas na escola franciscana. Flexível à santa obediência, o noviço matriculou-se na faculdade de Teologia e, terminados os novos estudos, obteve seu título de bacharel bíblico, seguido do de bacharel sentenciário, passando a lecionar Sagrada Escritura nessa ilustre Universidade. Por volta de 1253, ao receber junto com São Tomás de Aquino, o barrete de doutor, deu-se um fato que ressalta o brilho da virtude da espretensão na alma deste frade. Na solene cerimônia da imposição do grau, para espanto de todos quantos presenciavam a cena, travou-se uma disputa entre os dois doutorandos: cada um queria ceder ao outro o primeiro lugar. Embora a nenhum deles faltassem argumentos, o filho de São Francisco insistiu tanto com o discípulo de São Domingos, que este não teve como recusar a primazia. Assim, diz um dos seus biógrafos, São Boaventura “triunfou ao mesmo tempo de si mesmo e do amigo”.5 Visão grandiosa do sacerdócio Chegado o momento de sua ordenação presbiteral, frei Boaventura preparou-se com jejuns e orações, além de incrementar suas habituais obras de caridade. Achava-se indigno de tamanho privilégio que, jamais teria ousado receber por vontade própria, e desejava muito servir a Deus e aos homens da forma mais perfeita nesse ministério, cuja excelência tinha bem presente. Consciente do poder concedido ao sacerdote de renovar o Santo Sacrifício do Calvário, trazendo a presença real de Cristo na Sagrada Eucaristia, manifesta ele, em uma de suas obras, a grandeza deste rito sagrado e o esplendor com o qual deve ser celebrado: “prescreve-se que este Sacramento seja honrado com especial solenidade, tanto no relativo ao lugar e ao tempo, quanto no referente às palavras, orações e ornamentos na celebração da Santa Missa, para que, com isso, não só os sacerdotes que conferem o Sacramento, como também os fiéis que o recebem, possam de fato perceber o dom da graça que os purifique, ilumine, aperfeiçoe, repare, vivifique e, por um amor apaixonado, os transforme ardentissimamente no próprio Cristo”.6 Sabedoria e ciência hauridas na Cruz Na mesma época de São Boaventura, outros membros dos Frades Menores e da Ordem dos Pregadores começaram a lecionar nas cátedras das instituições mais prestigiosas da época. Ora, era costume que esta função fosse desempenhada por membros do clero secular, alguns dos quais começaram a hostilizar os professores das ordens mendicantes, considerando-os intrusos. Essa antipatia estendeu-se ao campo teológico e ascético. “Contestava-se o seu direito de ensinar na Universidade e chegava-se até a pôr em dúvida a autenticidade da sua vida consagrada. Certamente, as mudanças introduzidas pelas Ordens Mendicantes no modo de entender a vida religiosa […] eram tão inovativas que nem todos conseguiam compreendê-las”.7 São Boaventura manteve-se firme nessa contenda. Com magistral sabedoria, soube refutar os adversários, não só por sua oratória, mas também por seus escritos. Dentre estes, destacam-se De perfectione evangelica e Apologia pauperum, nos quais defende a pobreza praticada pelos religiosos, tendo como modelo o próprio Nosso Senhor. A Santa Igreja se enriqueceu com essa explicitação doutrinária, fruto da fidelidade do Santo ao carisma do Fundador e de seu amor à verdadeira doutrina. Perguntou-lhe, certa vez, São Tomás: “De qual livro haures tua maravilhosa ciência?”. O santo Doutor respondeu-lhe com simplicidade, apontando para um crucifixo: “Aqui está toda a minha biblioteca”. 8 Seguindo a via de seu Pai Francisco, este amor a Cristo crucificado foi o centro de sua vida e de sua sabedoria. Séculos mais tarde, outro leitor assíduo de suas obras – São Francisco de Sales – comentaria: “Ó meu Santo e Seráfico Doutor Boaventura, em quem não vejo ter outro papel senão a Cruz, outra pluma a não ser a lança, outra tinta que o Sangue de meu Salvador, quando escrevestes vossos divinos opúsculos! Ó palavra inflamada a vossa, quando exclamais: Quão agradável e boa é a companhia do Crucifixo!”.9 Ação e contemplação Em meados de 1257, celebrou-se em Roma o Capítulo Geral da Ordem dos Frades Menores, no transcurso do qual devia ser designado o novo Ministro Geral. A escolha dos frades capitulares recaiu por unanimidade sobre São Boaventura, que não contava nessa ocasião mais de 36 anos de idade. Começou por consagrar a Maria Santíssima o governo da Ordem. Após enviar a todos os franciscanos uma carta na qual deixava claro o pleno conhecimento que tinha da gravidade desse dever, partiu para a Cidade Eterna, com a finalidade de apresentar ao Papa Alexandre IV os assuntos de seu Instituto. Qual pastor zeloso, aproveitou o ensejo para visitar os conventos franciscanos da região, dando-se a conhecer aos seus subordinados e pondo-se paternalmente à sua disposição. Esta nomeação em nada lhe mudou os costumes monásticos. Apesar da multiplicidade de trabalhos apostólicos, nunca deixou de exercer humildes ofícios na vida comunitária nem interrompeu seus estudos. Sempre encontrava tempo para os exercícios de piedade e, nas mais diversas atividades, procurava manter-se num estado de recolhimento interior. Ficaram consagradas estas suas palavras, que bem ilustram seu modo de proceder: “não se pense que basta a leitura sem a unção, a especulação sem a devoção, a investigação sem a admiração, a circunspecção sem a exultação, a habilidade sem a piedade, a ciência sem a caridade, a inteligência sem a humildade, o estudo sem a graça divina, o modelo sem a sabedoria divinamente inspirada”.10 O Capítulo de Narbona Durante a primavera de 1260, os Frades Menores reuniram-se na cidade de Narbona, para outro Capítulo Geral, quiçá um dos mais célebres da história da Ordem. Sob a direção do novo superior, ela se expandira de maneira prodigiosa e contava com mais de 30.000 franciscanos espalhados pelo mundo. Tornava-se urgente garantir a unidade de ação e de espírito dos religiosos todos, na inteira fidelidade ao carisma do Fundador. À vista disso, São Boaventura promulgou, nessa assembleia, uma unificação da regra, que além de outros bons resultados teve o de estabelecer um ponto de equilíbrio entre as duas alas em disputa na Ordem: uma propensa a um rigorismo exagerado, outra a um reprovável relaxamento. Eliminou, com isso, o risco de uma grave ruptura interna. No entanto – conforme explicou o Papa Emérito, na já citada Audiência acerca do Doutor Seráfico -, “Boaventura intuía que as disposições legislativas, por mais que se inspirassem na sabedoria e na moderação, não eram suficientes para garantir a comunhão do espírito e dos corações. Era necessário compartilhar os mesmos ideais e motivações. Por isso, Boaventura quis apresentar o carisma genuíno de Francisco, a sua vida e o seu ensinamento”.11 Com este objetivo e instado por seus confrades no Capítulo, percorreu ele a Itália, a fim de interrogar as pessoas que haviam convivido com o Poverello. E pôde, com tal trabalho, deixar para a História uma fiel e bem documentada biografia de seu Seráfico Pai: a Legenda Maior, assumida pelo Capítulo Geral de Pisa, em 1263, como a biografia oficial do Poverello. “Qual é a imagem de São Francisco que sobressai do coração e da pena do seu filho devoto e sucessor, São Boaventura?”, pergunta-se Bento XVI. E, logo a seguir, acrescenta: “O ponto essencial: Francisco é um alter Christus, um homem que procurou Cristo apaixonadamente. No amor que impele à imitação, conformou-se de modo total com Ele. Boaventura indicava este ideal vivo a todos os seguidores de Francisco”.12 Na mesma ocasião, em Pisa, pediu ao Papa Alexandre IV para conceder à Ordem um Cardeal protetor. O Pontífice respondeu que isso não era necessário, pois ele mesmo assumia esse encargo. Privilégio não pequeno para os franciscanos! E dada sua ardente devoção à Santíssima Virgem, instituiu, nessa reunião, a celebração da festa da Imaculada Conceição em toda a Ordem. Segundo uma piedosa tradição, foi depois desse Capítulo que se iniciou o belo costume de rezar diariamente o Ângelus ao meio-dia e às seis horas da tarde. Consagrado Bispo e nomeado Cardeal O Papa Gregório X chamou-o para junto de si e contou com seu valioso auxílio na solução de relevantes problemas da Santa Igreja. Seu mais importante encargo, contudo, foi a preparação, em 1272, de um grande acontecimento eclesial, o II Concílio Ecumênico de Lyon, com o objetivo de restabelecer a comunhão entre a Igreja latina e a grega. O Sumo Pontífice o indicou para presidente e, em 1273, o consagrou Bispo e nomeou-o Cardeal. Não obstante, após participar das quatro primeiras sessões do Concílio, São Boaventura ficou gravemente enfermo. O Santo Padre apressou-se em ministrar-lhe os últimos Sacramentos. Partiu para a eternidade no dia 15 de julho de 1274. Queria a Providência que sua assistência ao Concílio se desse desde o Céu. A pedido do Sumo Pontífice, os sacerdotes do mundo inteiro celebraram uma Missa por sua alma. Exímia fidelidade ao carisma de São Francisco “O segredo da realização de cada Instituto religioso” – explica o Beato João Paulo II – “foi a sua fidelidade ao carisma inicial que Deus encontrou no Fundador ou na Fundadora, para enriquecer a Igreja. Por este motivo repito as palavras de Paulo VI: ‘Sede fiéis ao espírito dos vossos Fundadores, às suas intenções evangélicas, ao exemplo da sua santidade… É precisamente aqui que tem origem o dinamismo próprio de cada família religiosa’ (Evangelica Testificatio, de 29/6/1971, n.11-12)”.13 São Boaventura nunca tirou os olhos do seu pai espiritual: São Francisco de Assis. Pelo contrário, seu zelo em seguir as pegadas do Poverello e a fidelidade a seu carisma fizeram com que a Ordem dos Frades Menores se mantivesse íntegra e unida. E, assim, ele passou para a História como seu segundo Fundador. (Revista Arautos do Evangelho, Irmã Luciana Niday Kawahira, EP; Julho/2013, n. 139, p. 32 à 35) #SantodoDia

  • São Camilo de Léllis, padroeiro dos enfermos e precursor da Cruz Vermelha – 14 de julho

    SANTO DO DIA – 14 DE JULHO – SÃO CAMILO DE LÉLLIS Fundador da Congregação dos Ministros Camilianos (1550-1614) Camila Compelli e João de Lellis eram já idosos quando o filho foi anunciado. Ele, um militar de carreira, ficou feliz, embora passasse pouco tempo em casa. Ela também, mas um pouco constrangida, por causa dos quase sessenta anos de idade. Do parto difícil, nasceu Camilo, uma criança grande e saudável, apenas de tamanho acima da média. Ele nasceu no dia 25 de maio de 1550, na pequena Bucchianico, em Chieti, no sul da Itália. Cresceu e viveu ao lado da mãe, uma boa cristã, que o educou dentro da religião e dos bons costumes. Ela morreu quando ele tinha treze anos de idade. Camilo não gostava de estudar e era rebelde. Foi então residir com o pai, que vivia de quartel em quartel, porque, viciado em jogo, ganhava e perdia tudo o que possuía. Apesar do péssimo exemplo, era um bom cristão e amava o filho. Percebendo que Camilo, aos quatorze anos, não sabia nem ler direito, colocou-o para trabalhar como soldado. O jovem, devido à sua grande estatura e físico atlético, era requisitado para os trabalhos braçais e nunca passou de soldado, por falta de instrução. Assista antes de continuar a leitura: Tinha dezenove anos de idade quando o pai morreu e deixou-lhe como herança apenas o punhal e a espada. Na ocasião, Camilo já ganhara sua própria fama, de jogador fanático, briguento e violento, era um rapaz bizarro. Em 1570, após uma conversa com um frade franciscano, sentiu-se atraído a ingressar na Ordem, mas foi recusado, porque apresentava uma úlcera no pé. Ele então foi enviado para o hospital de São Tiago, em Roma, que diagnosticou o tumor incurável. Sem dinheiro para o tratamento, conseguiu ser internado em troca do trabalho como servente. Mesmo assim, afundou-se no jogo e foi posto na rua. Sabendo que o mosteiro dos capuchinhos estava sendo construído, ofereceu-se como ajudante de pedreiro e foi aceito. O contato com os franciscanos foi fundamental para sua conversão. Um dia, a caminho do trabalho, teve uma visão celestial, nunca revelada a ninguém. Estava com vinte e cinco anos de idade, largou o jogo e pediu para ingressar na Ordem dos Franciscanos. Não conseguiu, por causa de sua ferida no pé. Mas os franciscanos o ajudaram a ser novamente internado no hospital de São Tiago, que, passados quatro anos, estava sob a sua direção. Camilo, já tocado pela graça, dessa vez, além de tratar a eterna ferida passou a cuidar dos outros enfermos, como voluntário. Mas preferia assistir aos doentes mais repugnantes e terminais, pois percebeu que os funcionários, apesar de bem remunerados, abandonavam-nos à própria sorte, deixando-os passar privações e vexames. Neles, Camilo viu o próprio Cristo e por eles passou a viver. Em 1584, sob orientação do amigo e contemporâneo, também fundador e santo, padre Filipe Néri, constituiu uma irmandade de voluntários para cuidar dos doentes pobres e miseráveis, depois intitulada Congregação dos Ministros Camilianos. Ainda com a ajuda de Filipe Néri, estudou e vestiu o hábito negro com a cruz vermelha de sua própria Ordem, pois sua congregação, em 1591, recebeu a aprovação do Vaticano, sendo elevada à categoria de ordem religiosa. Eleito para superior, dirigiu por vinte anos sua Ordem dos padres enfermeiros, dizem que com ‘mão de ferro’ e a determinação militar recebida na infância e juventude. Depois, os últimos sete anos de vida preferiu ficar ensinado como os doentes deviam ser tratados e conviver entre eles. Mesmo sofrendo terríveis dores nos pés, Camilo ia visitar os doentes em casa e, quando necessário, chegava a carregá-los nas costas para o hospital. Nessa hora, agradecia a Deus a estatura física que lhe dera. Recebeu o dom da cura pelas palavras e orações, logo a sua fama de padre milagreiro correu entre os fiéis, que, ricos e pobres, procuravam sua ajuda. Era um homem muito querido em toda a Itália, quando morreu em 14 de julho de 1614. Foi canonizado em 1746. São Camilo de Lellis, em 1886, foi declarado Padroeiro dos Enfermos, dos Doentes e dos Hospitais. Conheça mais sobre São Camilo de Léllis Impulsivo e aventureiro, este militar se rendeu ao amor infinito de Jesus Crucificado e formou uma companhia de heróis da caridade, que se dedicam a servir os enfermos como uma terna mãe. As vezes somos tentados a pensar que só é verdadeiramente Santo quem nunca cometeu a menor falta nem possui qualquer defeito, conservando alva e intacta sua veste batismal no decurso da vida. Mas como ignorar, entre numerosos Bem-aventurados, a santidade indiscutível de São Paulo Apóstolo, de Santo Agostinho ou daquela que é invocada como a primeira entre as virgens na Ladainha de Todos os Santos, Santa Maria Madalena? São três fulgurantes casos de almas que se converteram na idade adulta, após terem cometido graves pecados. Deus — que é Misericórdia e Bondade — os resgatou por meio de graças superabundantes e os chamou para admiráveis missões a serviço da Santa Igreja. Pela fidelidade a estas graças, eles alcançaram a honra dos altares e deixaram, com o exemplo de sua vida, um rastro luminoso no firmamento dos Santos. Tal é a vida de São Camilo de Lellis. Naquele dia, Camilo soube “que era, afinal, um soldado verdadeiramente valente” Um soldado dissoluto Nascido em Bucchianico, Itália, no domingo de Pentecostes de 1550, teve a infância marcada pela piedosa formação de sua mãe, Camila Compellis. Acostumada ao governo da casa, devido às longas ausências do marido, Giovanni de Lellis, grande militar mercenário, ela sabia harmonizar a disciplina e a bondade na educação do filho. Dotado de um caráter impulsivo e forte, o menino sentiu-se atraído desde pequeno pelo estilo aventureiro da vida do pai, capitão famoso por haver servido a vários reinos da Europa. Aos 17 anos, Camilo dirigiu-se a Veneza a fim de alistar-se na luta contra os corsários turcos. Não muito tempo depois, encontrava o pai em Ancona, pois este também decidira lutar em Veneza. Mas, já idoso, Giovanni de Lellis foi tomado por uma grave doença e faleceu nos braços do filho, a meio caminho, antes que o pudesse levar de volta a Bucchianico. Sentindo-se só — a mãe falecera alguns anos antes —, Camilo deixou- se arrastar pelos vícios do jogo e da bebida, tão comuns nos rudes ambientes soldadescos daquele então. Tornou-se um vagabundo e passou a viver do dinheiro que ganhava nas tabernas. Confessou, mais tarde, ter chegado a apostar sua própria camisa por nada mais possuir, sem, entretanto, jamais haver cedido à tentação do roubo. E afirmava, com gratidão, que Deus o preservara de cair no pecado da impureza. Começou, nessa época, a sentir uma profunda dor na perna, na qual surgira uma chaga misteriosa que o acompanhou durante toda a vida e tornou-se um fator decisivo para sua conversão. Dela foi se tratar no conhecido hospital São Tiago dos Incuráveis, em Roma. Sem recursos para pagar as despesas, ofereceu seus préstimos como criado e ali teve o primeiro contato com o mundo dos enfermos. Contudo, acabou sendo expulso alguns meses mais tarde, devido a seu difícil temperamento. Parcialmente curado, voltou a alistar-se como soldado e participou ainda de combates na Tunísia. No regresso para terras italianas, uma violenta tempestade surpreendeu sua embarcação perto de Nápoles. Ante o iminente risco de morte, fez o voto de vestir o hábito de São Francisco de Assis caso escapasse com vida. Passado o perigo, esqueceu-se da promessa, recaiu em seus inveterados vícios e seguiu perambulando pela Itália. Rendido ao amor infinito de Jesus Esbanjou no jogo todos os seus bens e ficou reduzido a pedir esmolas às portas da catedral da Manfredonia. Vendo aquele jovem espadaúdo e robusto em tão miserável situação, um caridoso ancião, chamado Antônio di Nicastro, compadeceu-se dele e ofereceu-lhe o trabalho de operário no convento dos capuchinhos, onde se realizavam algumas obras. O ambiente de recolhimento e o trato bondoso ali recebido foram abrandando suas impetuosas paixões, tornando-lhe possível ordenar um pouco sua vida. Contava 25 anos quando o enviaram a um convento vizinho para buscar certa quantidade de provisões recebidas de esmola. Era o dia de Nossa Senhora da Candelária, 2 de fevereiro de 1575. Caminhava ele ao lado da mula de carga do convento e esta empacou de repente. Após esgotar, debalde, todos os recursos para fazê-la recomeçar a marcha, pôs-se a gritar com a pobre besta, dizendo-lhe grandes desaforos, como se ela pudesse entender algo. Tudo em vão… Aprouve a Deus conceder-lhe, neste momento, a graça de ver-se retratado no comportamento daquele animal irracional. Percebeu que da mesma forma tinha procedido ao longo de sua vida: de nada lhe adiantaram os ensinamentos religiosos recebidos de sua extremosa mãe, a sacudida na consciência em meio à tempestade ou a bondade do frei guardião, seus reiterados esforços para fazê-lo entender que nossa alma é um campo de batalha, onde só vence quem tem a autêntica valentia de render-se nas mãos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim como a mula se obstinava em permanecer imóvel, ele teimava em não se emendar! Caiu de joelhos no meio da estrada poeirenta e, com mão trêmula, tirou do bolso um Crucifixo que lhe dera um tio há tanto tempo… Levantando- o à altura do rosto, contemplou a “figura de seu Deus crucificado, suspenso e cravado na Cruz por amor a ele, para pagar o horrendo e terrível castigo merecido por seus inumeráveis pecados”.1 Com lágrimas de arrependimento e cheio de esperança, rendeu-se ao amor infinito de Jesus e, como o guerreiro que avança para a batalha, decidiu mudar de vida. “Camilo de Lellis soube inesperadamente e sem dúvida que era, afinal, um soldado verdadeiramente valente”! “Por que te afliges, ó pusilânime? Continua a empresa, que Eu te ajudarei” Havia encontrado sua vocação! De volta ao convento, transformado, pediu admissão na Ordem e tornou-se noviço capuchinho com o nome de frei Cristóvão. Seus irmãos de hábito o chamavam de “frei Humilde”,3 por seu empenho em disputar o último lugar, ser o servo de todos e ocupar- se dos serviços mais penosos e repugnantes. No entanto, a chaga de sua perna se agravava com o roçar do rústico tecido do hábito, e viu-se ele forçado a regressar ao hospital. Aparentemente recuperado, regressou ao convento capuchinho e retomou a vida comunitária, mas a úlcera reapareceu com mais ímpeto, obrigando-o a desligar-se da Ordem. Pela terceira vez internou-se no hospital São Tiago, em fins de 1579. Agora era outro homem, desejoso de entregar-se por inteiro ao serviço dos doentes. E, desde então, até o dia de sua morte — 35 anos depois —, “toda a sua existência transcorrerá nos hospitais sem outro afã e outro desejo que o de exercitar sua ardente caridade com os pobres enfermos”.4 Os administradores, edificados por sua dedicação e considerando sua notável habilidade, o nomearam Mestre da Casa, cargo equivalente ao de superintendente executivo. Um prodígio veio confirmar o acerto desta escolha. São Camilo passara longas horas animando um pobre homem, a quem seria amputada uma perna no dia seguinte. Quando o deixou, ele estava tão bem disposto que adormeceu tranquilo. Na hora marcada para a amputação, os cirurgiões constataram que a perna inexplicavelmente “estava curada de forma inesperada”.5 Foi quando despontou em sua alma o ardente desejo de congregar homens dispostos a dar assistência corporal e espiritual aos doentes, por puro amor a Deus, conscientes de que servi-los não era senão servir ao Divino Salvador: estive “enfermo e Me visitastes” (Mt 25, 36). Havia encontrado sua vocação! Uma companhia de heróis da caridade Camilo começou por tentar recrutar alguns elementos entre os funcionários do hospital, mas estes se mostraram muito chocados com a ideia de uma vida de tanta abnegação, sem lucro ou pagamento. Graças à força de seu bom exemplo e à crescente fama de suas virtudes, porém, conseguiu dar início a uma pia associação com o objetivo de prestar assistência aos doentes. Religiosos e noviços de várias ordens religiosas, sobretudo da Companhia de Jesus, vinham amiúde exercitar-se com ele nestas obras de caridade. Os padres jesuítas encaminhavam-lhe jovens nos quais discerniam vocação para este serviço. O Santo os acolhia de braços abertos e os estimulava: “Irmãos, considerai que os enfermos são a pupila e o coração de Deus e o que fazeis para estes pobrezinhos é feito para o próprio Deus”. Sem embargo, Camilo aspirava a muito mais: formar uma companhia de heróis da caridade, que se dedicassem a servir os enfermos como uma terna mãe. Passava noites inteiras em oração e se mortificava, implorando aos Céus ajuda para tal obra. Conseguiu reunir cinco varões de escol, os quais prometeram segui-lo “na vida e na morte, na prosperidade e nas dificuldades”.7 Improvisaram num quarto do hospital um oratório, onde se reuniam para manter acesa a chama do ideal. O santo Fundador “parecia um Serafim pelas ardentes exortações que lhes fazia”. “Esta obra é minha, e não tua!” Não obstante, aos homens chamados para as obras de Deus não lhes faltam tribulações. Certo dia, dando acolhida a calúnias invejosas, a administração do hospital proibiu aquelas reuniões e mandou desmontar o oratório. Nesta mesma noite, cheio de aflição, Camilo passou longo tempo rezando diante do seu Crucifixo. Pedia uma inspiração, uma luz… Imerso nestas cogitações, adormeceu e viu a imagem do Divino Crucificado movendo docemente a cabeça, a dizer-lhe: “Não temas, ó pusilânime. Segue adiante, que Eu te ajudarei e estarei contigo!”. Acordou com a alma inundada de alegria! Relatou a visão aos companheiros e decidiram continuar a se reunir, em segredo, na capela do hospital. Surgiram, todavia, novas e maiores dificuldades. Assaltou-o a dúvida sobre a realidade daquela visão noturna e, em consequência, da divina aprovação ao instituto nascente. Cheio de dor, prostrou-se de novo diante do venerando Crucifixo. E eis que o Salvador desprende os braços da Cruz, os estende em sua direção e repete com inefável doçura: “Por que te afliges, ó pusilânime? Continua a empresa, que Eu te ajudarei, pois esta obra é minha e não tua!”.10 Fortalecido por estas palavras, Camilo — que desejava ser sacerdote para exercer com maior eficácia seu apostolado — ingressou no Colégio Romano, sendo ordenado algum tempo depois, aos 34 anos. Congregou, então, seu pequeno grupo e constituíram uma comunidade. Seu modo de vida foi aprovado por Sisto V, em 1586, que deu à nova instituição o nome de Congregação dos Ministros dos Enfermos, a qual tomou como hábito uma capa negra ornada com uma cruz vermelha, portada sobre a batina clerical. Cinco anos mais tarde, Gregório XIV a elevou à categoria de ordem religiosa, com o nome de Ordem de Clérigos Regulares Ministros dos Enfermos. Mas não demorou muito a ficar conhecida como Ordem dos Camilianos, em referência a seu fundador e primeiro superior geral. Entrega sem limite aos enfermos Com inesgotável zelo, São Camilo e seus religiosos exerciam suas atividades sobretudo no Hospital do Espírito Santo, próximo ao Vaticano. Os estabelecimentos de saúde da época deixavam muito a desejar em matéria de higiene, instalações e profissionais qualificados. Pode-se imaginar o sofrimento dos doentes entregues aos cuidados de empregados mal remunerados e, com frequência, grosseiros. Além disso, eram muitas vezes alojados em quartos onde a deficiente ventilação favorecia a proliferação dos vírus e o mau odor impregnava os ares. Era neste ambiente repugnante à natureza humana, do qual todos procuravam fugir, que os camilianos passavam o dia inteiro, socorrendo com amor e alegria aqueles infelizes. O Santo Fundador também estendeu sua benéfica atuação junto aos encarcerados e aos moribundos. Por mais fatigado que estivesse, seu ardor nunca diminuía e sua constância era o maior incentivo para os outros darem mais de si. A valentia destes heróis da caridade brilhou mais ainda por ocasião das pestes e epidemias que assolavam aquelas regiões. “Sem vacilar um momento, vendo a morte dizimar suas fileiras, dedicavam-se em esgotantes jornadas a cuidar dos atacados pela peste”. Sem se preocupar com a úlcera da perna sempre aberta nem com outras doenças que lhe causavam verdadeiro suplício, “passava longas horas no hospital, cuidando dos enfermos, quase sem dormir, com um regime alimentar suficiente apenas para, literalmente, não morrer de fome”. Sem se preocupar com a úlcera da perna nem com outras doenças “passava longas horas no hospital, cuidando dos enfermos” Uma obra que hoje atua em 35 países A promissora expansão dos camilianos por toda a Península Itálica abriu para o fundador outro front de combate: uma dura luta para consolidar e manter intacto o carisma da instituição. Com humildade e inabalável firmeza, fez valer seu carisma de fundador não só contra objetantes externos, mas também perante religiosos rebeldes da própria Ordem. Obtida a vitória nesta batalha, estava cumprida sua missão neste mundo e podia partir para receber a recompensa demasiadamente grande (cf. Gn 15, 1). E Deus não tardou a chamá-lo. Em meados de 1614, aos 64 anos de idade, viu-se obrigado a guardar o leito para recompor um pouco sua saúde minada por décadas de intensas atividades. Entretanto, tomado de saudades de seus queridos doentes do hospital do Espírito Santo, e pressentindo que morreria em breve, almejava vê-los ainda uma vez. Quando o médico permitiu-lhe sair do quarto para respirar ar fresco, mandou seus filhos espirituais levarem- no ao hospital, onde, emocionado, percorreu as inúmeras fileiras de macas e leitos, despedindo-se de cada um. Todos choravam ao sentir seu carinho e paternalidade. A Divina Providência ainda lhe pediu que sofresse uma longa e dolorosa agonia. Na noite de 14 de julho, quando o sacerdote rezava: “Mitis, atque festivus, Christi Iesu tibi aspectus appareat — Que o suave e alegre rosto de Jesus Cristo te apareça”, 13 sorriu e exalou o último suspiro. Espalhou-se pela Cidade Eterna a notícia de seu falecimento e formou-se diante do convento uma multidão, desejosa de prestar-lhe uma última homenagem, de pedir uma graça, uma cura, uma conversão. Tal foi o alvoroço que a autoridade pública precisou intervir para organizar as filas e manter a ordem. Este soldado de Cristo enriqueceu a Santa Igreja com uma magnífica obra que hoje, 400 anos depois, atua em 35 países dos cinco continentes, fazendo brilhar junto aos doentes e necessitados a luz de sua heroica e valente caridade. Bento XIV o canonizou em 1746, e Leão XIII, em 1886, o declarou Padroeiro dos Enfermos e dos Hospitais, junto com São João de Deus. (Irmã Mary Teresa MacIsaac, EP; Revista Arautos do Evangelho, Julho/2014, n. 151, p. 32 à 35) #SantodoDia

  • São Camilo de Léllis, padroeiro dos enfermos e precursor da Cruz Vermelha – 14 de julho

    SANTO DO DIA – 14 DE JULHO – SÃO CAMILO DE LÉLLIS Fundador da Congregação dos Ministros Camilianos (1550-1614) Camila Compelli e João de Lellis eram já idosos quando o filho foi anunciado. Ele, um militar de carreira, ficou feliz, embora passasse pouco tempo em casa. Ela também, mas um pouco constrangida, por causa dos quase sessenta anos de idade. Do parto difícil, nasceu Camilo, uma criança grande e saudável, apenas de tamanho acima da média. Ele nasceu no dia 25 de maio de 1550, na pequena Bucchianico, em Chieti, no sul da Itália. Cresceu e viveu ao lado da mãe, uma boa cristã, que o educou dentro da religião e dos bons costumes. Ela morreu quando ele tinha treze anos de idade. Camilo não gostava de estudar e era rebelde. Foi então residir com o pai, que vivia de quartel em quartel, porque, viciado em jogo, ganhava e perdia tudo o que possuía. Apesar do péssimo exemplo, era um bom cristão e amava o filho. Percebendo que Camilo, aos quatorze anos, não sabia nem ler direito, colocou-o para trabalhar como soldado. O jovem, devido à sua grande estatura e físico atlético, era requisitado para os trabalhos braçais e nunca passou de soldado, por falta de instrução. Assista antes de continuar a leitura: Tinha dezenove anos de idade quando o pai morreu e deixou-lhe como herança apenas o punhal e a espada. Na ocasião, Camilo já ganhara sua própria fama, de jogador fanático, briguento e violento, era um rapaz bizarro. Em 1570, após uma conversa com um frade franciscano, sentiu-se atraído a ingressar na Ordem, mas foi recusado, porque apresentava uma úlcera no pé. Ele então foi enviado para o hospital de São Tiago, em Roma, que diagnosticou o tumor incurável. Sem dinheiro para o tratamento, conseguiu ser internado em troca do trabalho como servente. Mesmo assim, afundou-se no jogo e foi posto na rua. Sabendo que o mosteiro dos capuchinhos estava sendo construído, ofereceu-se como ajudante de pedreiro e foi aceito. O contato com os franciscanos foi fundamental para sua conversão. Um dia, a caminho do trabalho, teve uma visão celestial, nunca revelada a ninguém. Estava com vinte e cinco anos de idade, largou o jogo e pediu para ingressar na Ordem dos Franciscanos. Não conseguiu, por causa de sua ferida no pé. Mas os franciscanos o ajudaram a ser novamente internado no hospital de São Tiago, que, passados quatro anos, estava sob a sua direção. Camilo, já tocado pela graça, dessa vez, além de tratar a eterna ferida passou a cuidar dos outros enfermos, como voluntário. Mas preferia assistir aos doentes mais repugnantes e terminais, pois percebeu que os funcionários, apesar de bem remunerados, abandonavam-nos à própria sorte, deixando-os passar privações e vexames. Neles, Camilo viu o próprio Cristo e por eles passou a viver. Em 1584, sob orientação do amigo e contemporâneo, também fundador e santo, padre Filipe Néri, constituiu uma irmandade de voluntários para cuidar dos doentes pobres e miseráveis, depois intitulada Congregação dos Ministros Camilianos. Ainda com a ajuda de Filipe Néri, estudou e vestiu o hábito negro com a cruz vermelha de sua própria Ordem, pois sua congregação, em 1591, recebeu a aprovação do Vaticano, sendo elevada à categoria de ordem religiosa. Eleito para superior, dirigiu por vinte anos sua Ordem dos padres enfermeiros, dizem que com ‘mão de ferro’ e a determinação militar recebida na infância e juventude. Depois, os últimos sete anos de vida preferiu ficar ensinado como os doentes deviam ser tratados e conviver entre eles. Mesmo sofrendo terríveis dores nos pés, Camilo ia visitar os doentes em casa e, quando necessário, chegava a carregá-los nas costas para o hospital. Nessa hora, agradecia a Deus a estatura física que lhe dera. Recebeu o dom da cura pelas palavras e orações, logo a sua fama de padre milagreiro correu entre os fiéis, que, ricos e pobres, procuravam sua ajuda. Era um homem muito querido em toda a Itália, quando morreu em 14 de julho de 1614. Foi canonizado em 1746. São Camilo de Lellis, em 1886, foi declarado Padroeiro dos Enfermos, dos Doentes e dos Hospitais. Conheça mais sobre São Camilo de Léllis Impulsivo e aventureiro, este militar se rendeu ao amor infinito de Jesus Crucificado e formou uma companhia de heróis da caridade, que se dedicam a servir os enfermos como uma terna mãe. As vezes somos tentados a pensar que só é verdadeiramente Santo quem nunca cometeu a menor falta nem possui qualquer defeito, conservando alva e intacta sua veste batismal no decurso da vida. Mas como ignorar, entre numerosos Bem-aventurados, a santidade indiscutível de São Paulo Apóstolo, de Santo Agostinho ou daquela que é invocada como a primeira entre as virgens na Ladainha de Todos os Santos, Santa Maria Madalena? São três fulgurantes casos de almas que se converteram na idade adulta, após terem cometido graves pecados. Deus — que é Misericórdia e Bondade — os resgatou por meio de graças superabundantes e os chamou para admiráveis missões a serviço da Santa Igreja. Pela fidelidade a estas graças, eles alcançaram a honra dos altares e deixaram, com o exemplo de sua vida, um rastro luminoso no firmamento dos Santos. Tal é a vida de São Camilo de Lellis. Naquele dia, Camilo soube “que era, afinal, um soldado verdadeiramente valente” Um soldado dissoluto Nascido em Bucchianico, Itália, no domingo de Pentecostes de 1550, teve a infância marcada pela piedosa formação de sua mãe, Camila Compellis. Acostumada ao governo da casa, devido às longas ausências do marido, Giovanni de Lellis, grande militar mercenário, ela sabia harmonizar a disciplina e a bondade na educação do filho. Dotado de um caráter impulsivo e forte, o menino sentiu-se atraído desde pequeno pelo estilo aventureiro da vida do pai, capitão famoso por haver servido a vários reinos da Europa. Aos 17 anos, Camilo dirigiu-se a Veneza a fim de alistar-se na luta contra os corsários turcos. Não muito tempo depois, encontrava o pai em Ancona, pois este também decidira lutar em Veneza. Mas, já idoso, Giovanni de Lellis foi tomado por uma grave doença e faleceu nos braços do filho, a meio caminho, antes que o pudesse levar de volta a Bucchianico. Sentindo-se só — a mãe falecera alguns anos antes —, Camilo deixou- se arrastar pelos vícios do jogo e da bebida, tão comuns nos rudes ambientes soldadescos daquele então. Tornou-se um vagabundo e passou a viver do dinheiro que ganhava nas tabernas. Confessou, mais tarde, ter chegado a apostar sua própria camisa por nada mais possuir, sem, entretanto, jamais haver cedido à tentação do roubo. E afirmava, com gratidão, que Deus o preservara de cair no pecado da impureza. Começou, nessa época, a sentir uma profunda dor na perna, na qual surgira uma chaga misteriosa que o acompanhou durante toda a vida e tornou-se um fator decisivo para sua conversão. Dela foi se tratar no conhecido hospital São Tiago dos Incuráveis, em Roma. Sem recursos para pagar as despesas, ofereceu seus préstimos como criado e ali teve o primeiro contato com o mundo dos enfermos. Contudo, acabou sendo expulso alguns meses mais tarde, devido a seu difícil temperamento. Parcialmente curado, voltou a alistar-se como soldado e participou ainda de combates na Tunísia. No regresso para terras italianas, uma violenta tempestade surpreendeu sua embarcação perto de Nápoles. Ante o iminente risco de morte, fez o voto de vestir o hábito de São Francisco de Assis caso escapasse com vida. Passado o perigo, esqueceu-se da promessa, recaiu em seus inveterados vícios e seguiu perambulando pela Itália. Rendido ao amor infinito de Jesus Esbanjou no jogo todos os seus bens e ficou reduzido a pedir esmolas às portas da catedral da Manfredonia. Vendo aquele jovem espadaúdo e robusto em tão miserável situação, um caridoso ancião, chamado Antônio di Nicastro, compadeceu-se dele e ofereceu-lhe o trabalho de operário no convento dos capuchinhos, onde se realizavam algumas obras. O ambiente de recolhimento e o trato bondoso ali recebido foram abrandando suas impetuosas paixões, tornando-lhe possível ordenar um pouco sua vida. Contava 25 anos quando o enviaram a um convento vizinho para buscar certa quantidade de provisões recebidas de esmola. Era o dia de Nossa Senhora da Candelária, 2 de fevereiro de 1575. Caminhava ele ao lado da mula de carga do convento e esta empacou de repente. Após esgotar, debalde, todos os recursos para fazê-la recomeçar a marcha, pôs-se a gritar com a pobre besta, dizendo-lhe grandes desaforos, como se ela pudesse entender algo. Tudo em vão… Aprouve a Deus conceder-lhe, neste momento, a graça de ver-se retratado no comportamento daquele animal irracional. Percebeu que da mesma forma tinha procedido ao longo de sua vida: de nada lhe adiantaram os ensinamentos religiosos recebidos de sua extremosa mãe, a sacudida na consciência em meio à tempestade ou a bondade do frei guardião, seus reiterados esforços para fazê-lo entender que nossa alma é um campo de batalha, onde só vence quem tem a autêntica valentia de render-se nas mãos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim como a mula se obstinava em permanecer imóvel, ele teimava em não se emendar! Caiu de joelhos no meio da estrada poeirenta e, com mão trêmula, tirou do bolso um Crucifixo que lhe dera um tio há tanto tempo… Levantando- o à altura do rosto, contemplou a “figura de seu Deus crucificado, suspenso e cravado na Cruz por amor a ele, para pagar o horrendo e terrível castigo merecido por seus inumeráveis pecados”.1 Com lágrimas de arrependimento e cheio de esperança, rendeu-se ao amor infinito de Jesus e, como o guerreiro que avança para a batalha, decidiu mudar de vida. “Camilo de Lellis soube inesperadamente e sem dúvida que era, afinal, um soldado verdadeiramente valente”! “Por que te afliges, ó pusilânime? Continua a empresa, que Eu te ajudarei” Havia encontrado sua vocação! De volta ao convento, transformado, pediu admissão na Ordem e tornou-se noviço capuchinho com o nome de frei Cristóvão. Seus irmãos de hábito o chamavam de “frei Humilde”,3 por seu empenho em disputar o último lugar, ser o servo de todos e ocupar- se dos serviços mais penosos e repugnantes. No entanto, a chaga de sua perna se agravava com o roçar do rústico tecido do hábito, e viu-se ele forçado a regressar ao hospital. Aparentemente recuperado, regressou ao convento capuchinho e retomou a vida comunitária, mas a úlcera reapareceu com mais ímpeto, obrigando-o a desligar-se da Ordem. Pela terceira vez internou-se no hospital São Tiago, em fins de 1579. Agora era outro homem, desejoso de entregar-se por inteiro ao serviço dos doentes. E, desde então, até o dia de sua morte — 35 anos depois —, “toda a sua existência transcorrerá nos hospitais sem outro afã e outro desejo que o de exercitar sua ardente caridade com os pobres enfermos”.4 Os administradores, edificados por sua dedicação e considerando sua notável habilidade, o nomearam Mestre da Casa, cargo equivalente ao de superintendente executivo. Um prodígio veio confirmar o acerto desta escolha. São Camilo passara longas horas animando um pobre homem, a quem seria amputada uma perna no dia seguinte. Quando o deixou, ele estava tão bem disposto que adormeceu tranquilo. Na hora marcada para a amputação, os cirurgiões constataram que a perna inexplicavelmente “estava curada de forma inesperada”.5 Foi quando despontou em sua alma o ardente desejo de congregar homens dispostos a dar assistência corporal e espiritual aos doentes, por puro amor a Deus, conscientes de que servi-los não era senão servir ao Divino Salvador: estive “enfermo e Me visitastes” (Mt 25, 36). Havia encontrado sua vocação! Uma companhia de heróis da caridade Camilo começou por tentar recrutar alguns elementos entre os funcionários do hospital, mas estes se mostraram muito chocados com a ideia de uma vida de tanta abnegação, sem lucro ou pagamento. Graças à força de seu bom exemplo e à crescente fama de suas virtudes, porém, conseguiu dar início a uma pia associação com o objetivo de prestar assistência aos doentes. Religiosos e noviços de várias ordens religiosas, sobretudo da Companhia de Jesus, vinham amiúde exercitar-se com ele nestas obras de caridade. Os padres jesuítas encaminhavam-lhe jovens nos quais discerniam vocação para este serviço. O Santo os acolhia de braços abertos e os estimulava: “Irmãos, considerai que os enfermos são a pupila e o coração de Deus e o que fazeis para estes pobrezinhos é feito para o próprio Deus”. Sem embargo, Camilo aspirava a muito mais: formar uma companhia de heróis da caridade, que se dedicassem a servir os enfermos como uma terna mãe. Passava noites inteiras em oração e se mortificava, implorando aos Céus ajuda para tal obra. Conseguiu reunir cinco varões de escol, os quais prometeram segui-lo “na vida e na morte, na prosperidade e nas dificuldades”.7 Improvisaram num quarto do hospital um oratório, onde se reuniam para manter acesa a chama do ideal. O santo Fundador “parecia um Serafim pelas ardentes exortações que lhes fazia”. “Esta obra é minha, e não tua!” Não obstante, aos homens chamados para as obras de Deus não lhes faltam tribulações. Certo dia, dando acolhida a calúnias invejosas, a administração do hospital proibiu aquelas reuniões e mandou desmontar o oratório. Nesta mesma noite, cheio de aflição, Camilo passou longo tempo rezando diante do seu Crucifixo. Pedia uma inspiração, uma luz… Imerso nestas cogitações, adormeceu e viu a imagem do Divino Crucificado movendo docemente a cabeça, a dizer-lhe: “Não temas, ó pusilânime. Segue adiante, que Eu te ajudarei e estarei contigo!”. Acordou com a alma inundada de alegria! Relatou a visão aos companheiros e decidiram continuar a se reunir, em segredo, na capela do hospital. Surgiram, todavia, novas e maiores dificuldades. Assaltou-o a dúvida sobre a realidade daquela visão noturna e, em consequência, da divina aprovação ao instituto nascente. Cheio de dor, prostrou-se de novo diante do venerando Crucifixo. E eis que o Salvador desprende os braços da Cruz, os estende em sua direção e repete com inefável doçura: “Por que te afliges, ó pusilânime? Continua a empresa, que Eu te ajudarei, pois esta obra é minha e não tua!”.10 Fortalecido por estas palavras, Camilo — que desejava ser sacerdote para exercer com maior eficácia seu apostolado — ingressou no Colégio Romano, sendo ordenado algum tempo depois, aos 34 anos. Congregou, então, seu pequeno grupo e constituíram uma comunidade. Seu modo de vida foi aprovado por Sisto V, em 1586, que deu à nova instituição o nome de Congregação dos Ministros dos Enfermos, a qual tomou como hábito uma capa negra ornada com uma cruz vermelha, portada sobre a batina clerical. Cinco anos mais tarde, Gregório XIV a elevou à categoria de ordem religiosa, com o nome de Ordem de Clérigos Regulares Ministros dos Enfermos. Mas não demorou muito a ficar conhecida como Ordem dos Camilianos, em referência a seu fundador e primeiro superior geral. Entrega sem limite aos enfermos Com inesgotável zelo, São Camilo e seus religiosos exerciam suas atividades sobretudo no Hospital do Espírito Santo, próximo ao Vaticano. Os estabelecimentos de saúde da época deixavam muito a desejar em matéria de higiene, instalações e profissionais qualificados. Pode-se imaginar o sofrimento dos doentes entregues aos cuidados de empregados mal remunerados e, com frequência, grosseiros. Além disso, eram muitas vezes alojados em quartos onde a deficiente ventilação favorecia a proliferação dos vírus e o mau odor impregnava os ares. Era neste ambiente repugnante à natureza humana, do qual todos procuravam fugir, que os camilianos passavam o dia inteiro, socorrendo com amor e alegria aqueles infelizes. O Santo Fundador também estendeu sua benéfica atuação junto aos encarcerados e aos moribundos. Por mais fatigado que estivesse, seu ardor nunca diminuía e sua constância era o maior incentivo para os outros darem mais de si. A valentia destes heróis da caridade brilhou mais ainda por ocasião das pestes e epidemias que assolavam aquelas regiões. “Sem vacilar um momento, vendo a morte dizimar suas fileiras, dedicavam-se em esgotantes jornadas a cuidar dos atacados pela peste”. Sem se preocupar com a úlcera da perna sempre aberta nem com outras doenças que lhe causavam verdadeiro suplício, “passava longas horas no hospital, cuidando dos enfermos, quase sem dormir, com um regime alimentar suficiente apenas para, literalmente, não morrer de fome”. Sem se preocupar com a úlcera da perna nem com outras doenças “passava longas horas no hospital, cuidando dos enfermos” Uma obra que hoje atua em 35 países A promissora expansão dos camilianos por toda a Península Itálica abriu para o fundador outro front de combate: uma dura luta para consolidar e manter intacto o carisma da instituição. Com humildade e inabalável firmeza, fez valer seu carisma de fundador não só contra objetantes externos, mas também perante religiosos rebeldes da própria Ordem. Obtida a vitória nesta batalha, estava cumprida sua missão neste mundo e podia partir para receber a recompensa demasiadamente grande (cf. Gn 15, 1). E Deus não tardou a chamá-lo. Em meados de 1614, aos 64 anos de idade, viu-se obrigado a guardar o leito para recompor um pouco sua saúde minada por décadas de intensas atividades. Entretanto, tomado de saudades de seus queridos doentes do hospital do Espírito Santo, e pressentindo que morreria em breve, almejava vê-los ainda uma vez. Quando o médico permitiu-lhe sair do quarto para respirar ar fresco, mandou seus filhos espirituais levarem- no ao hospital, onde, emocionado, percorreu as inúmeras fileiras de macas e leitos, despedindo-se de cada um. Todos choravam ao sentir seu carinho e paternalidade. A Divina Providência ainda lhe pediu que sofresse uma longa e dolorosa agonia. Na noite de 14 de julho, quando o sacerdote rezava: “Mitis, atque festivus, Christi Iesu tibi aspectus appareat — Que o suave e alegre rosto de Jesus Cristo te apareça”, 13 sorriu e exalou o último suspiro. Espalhou-se pela Cidade Eterna a notícia de seu falecimento e formou-se diante do convento uma multidão, desejosa de prestar-lhe uma última homenagem, de pedir uma graça, uma cura, uma conversão. Tal foi o alvoroço que a autoridade pública precisou intervir para organizar as filas e manter a ordem. Este soldado de Cristo enriqueceu a Santa Igreja com uma magnífica obra que hoje, 400 anos depois, atua em 35 países dos cinco continentes, fazendo brilhar junto aos doentes e necessitados a luz de sua heroica e valente caridade. Bento XIV o canonizou em 1746, e Leão XIII, em 1886, o declarou Padroeiro dos Enfermos e dos Hospitais, junto com São João de Deus. (Irmã Mary Teresa MacIsaac, EP; Revista Arautos do Evangelho, Julho/2014, n. 151, p. 32 à 35) #SantodoDia

  • Conheça as aparições de Nossa Senhora Rosa Mística – 13 de julho

    Em 13 de julho de 1947, iniciou-se, conforme relata a enfermeira Pierina Gilli, uma série de aparições em que Nossa Senhora, sob o título de Rosa Mística, pediu oração, penitência e sacrifício em reparação dos pecados cometidos por sacerdotes e religiosos consagrados. Embora ainda estejam sob análise das autoridades eclesiásticas, as aparições de Nossa Senhora Rosa Mística, que se iniciaram em 13 de julho de 1947, reiteram o pedido — já feito nas aparições do Sagrado Coração de Jesus e de Nossa Senhora de Fátima — para que reparemos os pecados da humanidade, sobretudo os cometidos por sacerdotes e religiosos consagrados. Antes de continuar a leitura, assista esta formação: Em 1947, em Montechiari, situada a alguns quilômetros de Bréscia, norte da Itália, uma enfermeira chamada Pierina Gilli, nascida no dia 3 de agosto de 1911, encontrava-se num quarto do hospital onde trabalhava, quando teve uma visão de uma belíssima Senhora vestida com uma túnica púrpura e com um véu branco cobrindo-lhe a cabeça. Em seu peito estavam encravadas três espadas e seu celestial rosto tinha feições muito tristes. A Virgem chorava e disse em sua primeira aparição disse: “Oração, Penitência e Expiação”. Na segunda aparição a Virgem apresenta-se de branco e em lugar das três espadas traz no peito três rosas: uma branca, uma cor-de-rosa e outra dourada. A Virgem disse a Pierina que o Senhor a enviara especialmente para ajudar aos sacerdotes e às ordens religiosas. Suas palavras foram mais ou menos assim: “Sou a Mãe de Jesus e Mãe de todos vocês”. “Nosso Senhor me envia para implantar uma nova devoção Mariana em todos os institutos tanto masculinos como femininos, nas comunidades religiosas e em todos os sacerdotes. Eu prometo-lhes que se venerarem desta maneira especial, gozarão particularmente de minha proteção e haverá um florescimento de vocações religiosas. Desejo também que o dia 31 de cada mês seja consagrado como dia Mariano e os doze dias precedentes sirvam de preparação com orações especiais, e o dia 13 de julho de cada ano seja dedicado à “Rosa Mística”. A Virgem explicou também o significado das espadas e das três rosas: A primeira espada: representa a escassez das vocações. A segunda espada: representava os pecados mortais dos sacerdotes, monges e monjas. A terceira espada: era por causa dos sacerdotes e monges que cometem a mesma traição de Judas. A Rosa branca: o espírito de oração. A Rosa Vermelha: o espírito de expiação e sacrifício. A Rosa dourada: o espírito de penitência. A terceira aparição ocorreu na capela do hospital de Montechiari, durante a celebração eucarística. Maria Rosa Mística disse: “Meu Divino Filho, cansado das incessantes ofensas, quer dar curso à sua justiça e quer colocar-me como intermediária entre os homens e em particular entre as almas dos religiosos e Ele”. A vidente agradece em nome de todos os presentes e ela responde: “Vivei de amor”. Na quarta aparição a Virgem suplica oração e penitência , pedido que se repete na quinta aparição. Na sexta aparição, Maria expressa o desejo de que em Montechiari seja venerada sob a invocação de “Rosa Mística” , unida à veneração de seu Coração Imaculado, especialmente nos conventos e Institutos Religiosos. Na sétima aparição, a Virgem disse sorrindo: “Eu sou a Imaculada Conceição, sou a Mãe da Graça, Mãe de meu Divino Filho, Jesus Cristo, quero que ao meio-dia de cada 8 de dezembro seja celebrada a “ hora da graça” por todo o mundo e prometo que mediante esta devoção serão alcançadas graças para a alma e para o corpo”. Depois destes acontecimentos, Pierina passou vários anos em Bréscia como ajudante em um convento de religiosas. Em 1966 começa a segunda etapa das aparições. Em fevereiro desse ano Pierina volta a ver a Virgem e lhe anuncia que aparecerá no dia 17 de abril em Fontanelle, um bairro de Montechiari. Nesse lugar havia uma fonte numa gruta onde ocorreram várias curas físicas e espirituais. A Virgem apareceu no dia anunciado e assim se manifestou: “ Meu divino Filho Jesus é todo amor e me enviou para dar um poder milagroso de cura a este fonte… Que os enfermos e todos os meus filhos peçam perdão a meu Divino Filho, beijem com muito amor a Cruz, tirem água da fonte e bebam-na… Desejo que os enfermos e todos meus filhos venham à fonte da graça”. Nossa Senhora manifestou mais vezes. Em Fontanelle, disse, no dia 6 de agosto: “Meu divino Filho Jesus me envia novamente aqui para pedir a formação da Liga Mundial da Comunidade Reparadora, que deve ter início no próximo 13 de outubro e estender-se por todo o mundo todo a cada ano”. Essas aparições aconteceram em Montichiari e em Fontanelle, subúrbio de Montichiari, na Itália. Os bispos de Bréscia, desde 1966 até os dias de hoje, proibiram a devoção pública a Rosa Mística. No ano de 2001, o bispo atual, Mons. Giulio Sanguineti, determinou a organização da dispensa dos sacramentos e do culto Mariano em Fontanelle, estabelecendo um sacerdote responsável pelo atendimento daquela comunidade. Além disso, uma nova associação de fiéis – Rosa Mística Fontanelle – foi constituída, para a promoção e divulgação da devoção a Nossa Senhora, na localidade de Fontanelle, sob orientação do Bispo de Bréscia. A Rosa Mística de Montichiari se tornou conhecida pelo mundo todo, de tal maneira que fora da Itália existem 4 santuários associados a essa devoção: no Brasil, na Venezuela, no Líbano e na China. #ApariçõesdeNossaSenhora #FormaçõesCatólicas #NossaSenhora #NossaSenhoraRosaMística

  • Conheça as aparições de Nossa Senhora Rosa Mística – 13 de julho

    Em 13 de julho de 1947, iniciou-se, conforme relata a enfermeira Pierina Gilli, uma série de aparições em que Nossa Senhora, sob o título de Rosa Mística, pediu oração, penitência e sacrifício em reparação dos pecados cometidos por sacerdotes e religiosos consagrados. Embora ainda estejam sob análise das autoridades eclesiásticas, as aparições de Nossa Senhora Rosa Mística, que se iniciaram em 13 de julho de 1947, reiteram o pedido — já feito nas aparições do Sagrado Coração de Jesus e de Nossa Senhora de Fátima — para que reparemos os pecados da humanidade, sobretudo os cometidos por sacerdotes e religiosos consagrados. Antes de continuar a leitura, assista esta formação: Em 1947, em Montechiari, situada a alguns quilômetros de Bréscia, norte da Itália, uma enfermeira chamada Pierina Gilli, nascida no dia 3 de agosto de 1911, encontrava-se num quarto do hospital onde trabalhava, quando teve uma visão de uma belíssima Senhora vestida com uma túnica púrpura e com um véu branco cobrindo-lhe a cabeça. Em seu peito estavam encravadas três espadas e seu celestial rosto tinha feições muito tristes. A Virgem chorava e disse em sua primeira aparição disse: “Oração, Penitência e Expiação”. Na segunda aparição a Virgem apresenta-se de branco e em lugar das três espadas traz no peito três rosas: uma branca, uma cor-de-rosa e outra dourada. A Virgem disse a Pierina que o Senhor a enviara especialmente para ajudar aos sacerdotes e às ordens religiosas. Suas palavras foram mais ou menos assim: “Sou a Mãe de Jesus e Mãe de todos vocês”. “Nosso Senhor me envia para implantar uma nova devoção Mariana em todos os institutos tanto masculinos como femininos, nas comunidades religiosas e em todos os sacerdotes. Eu prometo-lhes que se venerarem desta maneira especial, gozarão particularmente de minha proteção e haverá um florescimento de vocações religiosas. Desejo também que o dia 31 de cada mês seja consagrado como dia Mariano e os doze dias precedentes sirvam de preparação com orações especiais, e o dia 13 de julho de cada ano seja dedicado à “Rosa Mística”. A Virgem explicou também o significado das espadas e das três rosas: A primeira espada: representa a escassez das vocações. A segunda espada: representava os pecados mortais dos sacerdotes, monges e monjas. A terceira espada: era por causa dos sacerdotes e monges que cometem a mesma traição de Judas. A Rosa branca: o espírito de oração. A Rosa Vermelha: o espírito de expiação e sacrifício. A Rosa dourada: o espírito de penitência. A terceira aparição ocorreu na capela do hospital de Montechiari, durante a celebração eucarística. Maria Rosa Mística disse: “Meu Divino Filho, cansado das incessantes ofensas, quer dar curso à sua justiça e quer colocar-me como intermediária entre os homens e em particular entre as almas dos religiosos e Ele”. A vidente agradece em nome de todos os presentes e ela responde: “Vivei de amor”. Na quarta aparição a Virgem suplica oração e penitência , pedido que se repete na quinta aparição. Na sexta aparição, Maria expressa o desejo de que em Montechiari seja venerada sob a invocação de “Rosa Mística” , unida à veneração de seu Coração Imaculado, especialmente nos conventos e Institutos Religiosos. Na sétima aparição, a Virgem disse sorrindo: “Eu sou a Imaculada Conceição, sou a Mãe da Graça, Mãe de meu Divino Filho, Jesus Cristo, quero que ao meio-dia de cada 8 de dezembro seja celebrada a “ hora da graça” por todo o mundo e prometo que mediante esta devoção serão alcançadas graças para a alma e para o corpo”. Depois destes acontecimentos, Pierina passou vários anos em Bréscia como ajudante em um convento de religiosas. Em 1966 começa a segunda etapa das aparições. Em fevereiro desse ano Pierina volta a ver a Virgem e lhe anuncia que aparecerá no dia 17 de abril em Fontanelle, um bairro de Montechiari. Nesse lugar havia uma fonte numa gruta onde ocorreram várias curas físicas e espirituais. A Virgem apareceu no dia anunciado e assim se manifestou: “ Meu divino Filho Jesus é todo amor e me enviou para dar um poder milagroso de cura a este fonte… Que os enfermos e todos os meus filhos peçam perdão a meu Divino Filho, beijem com muito amor a Cruz, tirem água da fonte e bebam-na… Desejo que os enfermos e todos meus filhos venham à fonte da graça”. Nossa Senhora manifestou mais vezes. Em Fontanelle, disse, no dia 6 de agosto: “Meu divino Filho Jesus me envia novamente aqui para pedir a formação da Liga Mundial da Comunidade Reparadora, que deve ter início no próximo 13 de outubro e estender-se por todo o mundo todo a cada ano”. Essas aparições aconteceram em Montichiari e em Fontanelle, subúrbio de Montichiari, na Itália. Os bispos de Bréscia, desde 1966 até os dias de hoje, proibiram a devoção pública a Rosa Mística. No ano de 2001, o bispo atual, Mons. Giulio Sanguineti, determinou a organização da dispensa dos sacramentos e do culto Mariano em Fontanelle, estabelecendo um sacerdote responsável pelo atendimento daquela comunidade. Além disso, uma nova associação de fiéis – Rosa Mística Fontanelle – foi constituída, para a promoção e divulgação da devoção a Nossa Senhora, na localidade de Fontanelle, sob orientação do Bispo de Bréscia. A Rosa Mística de Montichiari se tornou conhecida pelo mundo todo, de tal maneira que fora da Itália existem 4 santuários associados a essa devoção: no Brasil, na Venezuela, no Líbano e na China. #ApariçõesdeNossaSenhora #FormaçõesCatólicas #NossaSenhora #NossaSenhoraRosaMística

  • Santa Teresa dos Andes, padroeira dos jovens da América Latina – 13 de julho

    SANTO DO DIA – 13 DE JULHO – SANTA TERESA DE JESUS DOS ANDES Virgem e Carmelita (1900-1920) – Padroeira dos jovens da América Latina Joana Fernandez Solar nasceu no dia 13 de julho de 1900, no berço de uma família profundamente cristã, na cidade de Santiago do Chile, capital do país. Seus pais chamavam-se Miguel e Lúcia. A partir dos seis anos de idade, assistia com a mãe, quase diariamente, à santa missa e ansiava poder receber a primeira comunhão, o que aconteceu em setembro de 1910. Desde então, procurava comungar diariamente e passar longos momentos mantendo um diálogo íntimo com Jesus. Teve a infância marcada por uma intensa vida mariana, que foi um dos sólidos alicerces da sua vida cristã. Joana estudou durante onze anos no Colégio do Sagrado Coração, até 1918. Foi muito dedicada à família e julgava-se incapaz de viver separada dos seus. No entanto, assumiu com resignação o distanciamento nos últimos três anos dos estudos em regime de internato. Assista: Sua vocação religiosa confirmou-se aos quatorze anos. Na época, ela se correspondia com a superiora das carmelitas dos Andes, e lia muito sobre a trajetória da vida dos santos. Assim, Joana foi se preparando de tal modo que, desde os dezessete anos, já externava o ideal de ser carmelita, e com ardor defendia a sua vivência contemplativa, que todos julgavam ‘inútil’. A separação definitiva da família e do mundo deu-se em maio de 1919, aos dezenove anos de idade. Entrou para as carmelitas dos Andes e tomou o nome de Teresa de Jesus. Lá viveu apenas onze meses, pois contraiu a febre tifóide e logo morreu, no dia 12 de abril de 1920, na sua cidade natal. Teresa de Jesus tinha tamanha liberdade para expressar-se com o Senhor que costumava dizer: ‘Cristo, esse louco de amor, me fez louca também’. A sua aspiração e constante empenho centraram-se em se assemelhar a ele, em comungar com Cristo. Foi beatificada pelo papa João Paulo II quando este visitou o Chile em 1987. Depois, foi canonizada pelo mesmo sumo pontífice em 1993, em Roma. Na ocasião, ele a chamou de santa Teresa de Jesus ‘dos Andes’, e declarou que era a primeira chilena e a primeira carmelita latino-americana a ser elevada à honra dos altares da Igreja, para ser festejada no dia 13 de julho. O santuário de Santa Teresa dos Andes, como ficou popularmente conhecida, tornou-se um centro espiritual no Chile, visitado por milhares de peregrinos anualmente. Sua fama de intercessora pelas graças e milagres concedidos correu logo, principalmente entre os jovens católicos. Santa Teresa dos Andes continua, assim, cumprindo a missão reconhecida como sua: despertar fome e sede de Deus nos jovens deste nosso mundo moderno tão materializado. Conheça mais sobre Santa Tereza dos Andes Quais eram os anseios mais profundos de Juanita Fernandez del Solar, essa moça carinhosa e bela, que nos deleita com seu trato afetuoso e alegre? Sua alma, excessivamente pura para ficar no mundo, ansiava se converter em esposa mística de Cristo. Observe, leitor, a fotografia abaixo de Juanita Fernández del Solar. É uma jovem de 18 anos, nas vésperas de entrar para um austero convento carmelita no qual tomou o nome de Irmã Teresa de Jesus. Viveu santamente nesse convento durante nove meses apenas. Morreu aos 19 anos, como vítima expiatória pelos sacerdotes, por sua família, pela sociedade em que brilhara. E hoje é conhecida e venerada em todo o mundo como Santa Teresa de los Andes. Numa primeira vista, sua fisionomia agrada. Ela é bela e acolhedora. Em seu rosto, ainda muito jovem, destacam-se luminosamente seus lindos olhos azuis. Embora aristocráticos e altivos, cientes de seu próprio valor, eles não rejeitam quem está diante de si. Pelo contrário, parecem nos acolher, nos introduzir na presença desta jovem, não de uma forma protocolar como quem diz: “Prazer em conhecê-lo”, mas envolvendo-nos com um afeto suave e discreto de tal forma que, após alguns segundos contemplando-a, nos sentimos como se ela já fizesse parte de nossa vida. A fotografia denota uma pureza alcandorada, uma inocência reluzente. Juanita até dá a impressão de que a Providência a tenha limpado do pecado original já nos primeiros instantes de sua vida. Como todas as impressões, estas têm algo de pessoal, mas por certo o efeito que esta fotografia produz em nós tem muito a ver com a jovem por ela representada. Alma contemplativa Primeira santa carmelita latino-americana, Santa Teresa de los Andes nasceu em Santiago do Chile, em 13 de julho de 1900, numa família católica e aristocrática. “Jesus não quis que eu nascesse como Ele, pobre. E nasci no meio das riquezas, mimada por todos” – escreve em seu diário. Seus biógrafos coincidem em ressaltar que ela era sempre o centro das atenções onde estivesse, pela sua amabilidade, graça e simpatia. Era alegre e comunicativa, mas também séria e de um temperamento enérgico. Suas brincadeiras eram animadas e entusiasmadas. À sua casa acorriam muitos parentes e amigos. Uma tarde anunciou a todos os seus irmãozinhos e primos que presenciariam algo nunca visto por olhos humanos. Eles teriam o privilégio de assistir à Assunção da Santíssima Virgem. Os meninos se puseram diante de uma mesa sobre a qual estava uma imagem de porcelana da Virgem Maria, com uma coroa de metal. Juanita escondeu-se atrás de um biombo e “magicamente” a imagem começou a subir, ante a admiração dos pequenos, até desaparecer por trás de um cortinado. O “milagre” tinha sido operado por Juanita por meio de um delgado fio amarrado na coroa da imagem. Quando se tratava de brincar, era a primeira de todas, a mais animada, a mais alegre, a mais ativa. Na fazenda Chacabuco, de seus pais, andava a cavalo montada de lado como uma grande dama. Era difícil ultrapassá-la nos passeios a galope com seus irmãos e primos. Nas férias, no balneário de Algarrobo, perto de Valparaíso – num ambiente de pudor e compostura hoje difícil de imaginar – era ela uma ousada nadadora. Jogava tênis. Fazia caminhada com as amigas. Mas sobretudo contemplava. Em carta a uma amiga, escrevia: “Não podes imaginar paisagens mais bonitas que as que víamos… colinas cobertas de árvores e no fundo uma abertura onde se via o mar, sobre o qual se refletiam nuvens de diversas cores. E, por trás, o sol ocultando-se. Não podes imaginar coisa mais bela, que faz pensar em Deus, que criou a terra tão formosa. Que será o Céu? – pergunto-me muitas vezes.” E à Madre Priora do Carmelo que a iria acolher, contava: “O mar, em sua imensidade, me faz pensar em Deus, na sua infinita grandeza. Sinto então uma sede do infinito.” Estando já no Carmelo, e sabendo que sua mãe passaria férias de novo na mesma praia, lhe escrevia: “Cada vez que a senhora olhar o mar, ame a Deus por mim, mãezinha querida.” Festejada por todos Suas companheiras de aula a descrevem como sendo uma moça alegre e amável, suave no trato, de maneiras muito finas, firme e constante na ação. Entretida e divertida por seu caráter alegre e sem complicações. Muito bonita, com belos olhos azuis, nariz bem cortado, tez branca, bastante alta. Todas a festejavam. Tinha uma bela voz de contralto e sempre lhe pediam que cantasse. Durante as férias na fazenda, muito cedo se dirigia à capela para saudar o Senhor Sacramentado e tocar o harmônio como forma de oração. Durante as tardes, após o rosário em família, pediam-lhe para tocar também o harmônio, o que ela fazia com encanto de todos, mas sobretudo de Deus. Escrevia muito bem, e no colégio obtinha as melhores notas em literatura, história, religião e filosofia. Suas colegas sempre procuravam sua companhia e a chamavam carinhosamente de Mater admirabilis. O afeto e o carinho familiar que uma sociedade perdeu Na vida hostil, impura e materialista de nossos dias, é difícil entender o que era o afeto existente nas famílias católicas, há poucas décadas. Vejamos, a título de amostra, alguns trechos de uma carta que Juanita escreveu a seu pai, o qual ficara no campo trabalhando, enquanto a família passava férias de verão no balneário de Algarrobo. Depois de narrar-lhe belos passeios e exercícios de natação, Juanita manifesta a seu pai seu filial carinho: “Como o senhor vê, paizinho, não falta mais que o senhor para sermos felizes. Enquanto nós nos divertimos aqui, o senhor está trabalhando, de sol a sol, para nos proporcionar comodidade. Não temos, paizinho, meio de lhe pagar, pois é grande demais seu sacrifício. Mas nós, seus filhos, compreendemo-lo e o enchemos de carinho e cuidados, pois achamos que esta é a melhor maneira de agradecer a um pai. Por que não vem aqui pelo menos por uns dias? Não sabe a tristeza que me dá quando vejo as outras meninas felizes com seus papais. Por favor, venha, pois nós o temos tão pouco durante o ano!” Em outra carta, assim se despede do pai: “Receba, paizinho, abraços e beijos de mamãe e de meus irmãos, mais mil beijos e carinhos desta sua filha que mais lhe quer e que se lembra a cada momento de seu paizinho querido.” O Pai, por sua vez, mostra a reciprocidade do afeto, numa carta escrita depois de a ter autorizado a entrar no Carmelo: “Minha filhinha querida, “Recebi as duas cartas pelo que muito te agradeço, embora me façam tanto sofrer, ao pensar que quem me escreve e que me toca desta forma a alma vai se separar de mim para sempre. Mas o sacrifício está feito e eu o ofereci a Deus para que me perdoe por aquilo em que eu O tenha ofendido na minha vida. E como o sacrifício é tão grande, Ele o vê e o terá em conta. “Minha querida filhinha, não sabes o bem tão grande que tuas cartas me fazem, não só agora, mas antes mesmo de tua resolução, porque via nelas tanto carinho e ternura. Elas me deram nova vida e desejo de trabalhar por teus irmãos (…) “Feliz, tu, mil vezes, minha filhinha, que te consideras feliz e sentes essa paz de alma que tão poucos podem sentir e que há tanto tempo foge de mim. Só desfruto algo dela depois das férias que passamos juntos na intimidade (…) “Não creias em nenhum momento, minha querida filhinha, que me tenha arrependido de haver-te dado meu consentimento. Muito pelo contrário. Pois creio que as preces de uma alma tão pura como a tua serão ouvidas por Deus, e elas me acompanharão o resto de minha vida e serão meu melhor refúgio para me preservar dos muitos perigos. E não te esqueças jamais que meu pensamento te acompanhará noite e dia (…) Que Deus me mande todas as provas e sofrimentos e os afaste de ti. “Não te canses, minha filhinha, de continuar pedindo por teu pobre papai… Para ti, um milhão (de beijos e abraços) de teu pai que não te esquece um instante.” As graças místicas iluminaram toda a sua vida Aos dez anos a pequena Juanita fez sua Primeira Comunhão. Desde então, como ela revelou a seu confessor, o Pe. Antonio Falgueras, SJ, “Nosso Senhor me falava depois de comungar; dizia-me coisas das quais eu não suspeitava. E quando eu Lhe perguntava, me revelava coisas que iam suceder e que de fato aconteciam. Mas eu achava que ocorria o mesmo com todas as pessoas que comungavam.” Em carta a seu pai, pedindo permissão para ser carmelita, narra: “Desde pequena amei muito a Santíssima Virgem, a quem confiava todos os meus assuntos. Só com Ela me desafogava. Ela correspondeu a esse carinho; protegia-me, e escutava sempre o que eu lhe pedia. E Ela me ensinou a amar Nosso Senhor (…) Um dia (…) ouvi a voz do Sagrado Coração que me pedia que eu fosse toda d’Ele. Não creio que isso tenha sido uma ilusão, porque nesse mesmo instante me vi transformada: aquela que procurava o amor das criaturas, não desejou senão o de Deus.” Já no Carmelo de Los Andes, escreve ao Padre Colom, SJ: “Também Nosso Senhor se apresenta a mim, às vezes, interiormente e me fala. Durante aproximadamente uma semana, vi-O na agonia, mas de uma maneira tal como jamais teria sonhado. Sofri muito, porque essa imagem me aparecia constantemente e me pedia que O consolasse. Depois foi o Sagrado Coração, no tabernáculo, com o rosto muito triste. E, por último, no dia do Sagrado Coração, apresentou-Se a mim com uma ternura e beleza tal que minha alma se abrasava em seu amor.” Escrava de Maria, grandes provações A jovem Juanita ingressou no convento de Los Andes no dia 7 de maio de 1919, tomando o nome de Irmã Teresa de Jesus. Fez votos de pobreza, obediência e castidade em 27 de junho e recebeu o hábito de noviça em 14 de outubro do mesmo ano. No dia 8 de dezembro, consagrou-se como escrava de Maria, segundo o método ensinado por São Luís Grignion de Montfort. Doravante, seus atos e sacrifícios seriam todos para Nossa Senhora. “Combinei com a Santíssima Virgem que Ela passasse a ser meu sacerdote, que me oferecesse a cada momento pelos pecadores e pelos sacerdotes, mas banhada com o sangue do Coração de Jesus” – escreveu. No curto tempo passado por Juanita no convento, sua superiora, com um extraordinário senso das almas, determinou que continuasse seu apostolado por meio de cartas à sua família e às suas amigas. Os resultados não se fizeram esperar. Sua mãe se fez terciária carmelita. Sua irmã menor, Rebeca, ingressou no mesmo convento, meses após a morte da Irmã Teresa. Várias de suas amigas, moças da melhor sociedade, tinham por ela tal estima e admiração que decidiram também consagrar suas vidas a Jesus, no Carmelo ou em outros institutos religiosos. Atravessando crises e ambientes adversos, perduram até hoje os efeitos de seu bom exemplo, atraindo muitas jovens para a vida contemplativa e para as atividades de apostolado leigo na sociedade. No dia 1º de abril de 1920, a Irmã Teresa adoeceu gravemente. Ante a iminência de sua morte, e dada a santidade de sua vida, a Superiora permitiu que fizesse os votos de carmelita professa e Esposa de Cristo, in articulo mortis, no dia 7 desse mês. Mas estavam por vir as grandes provações espirituais que uma vítima expiatória costuma receber. Quis Deus que ela, como outros santos, sofresse a terrível sensação de ter sido não só abandonada mas condenada por Ele. Assim, ardendo em febre, fazia esforços para retirar seu escapulário e afastar os objetos de piedade que a rodeavam. Num tom de voz acabrunhador, exclamou: “Nunca pensei que a Santíssima Virgem fosse me abandonar!”. Depois de certo tempo de luta terrí­vel, foi-se acalmando aos poucos, até que num momento disse sorrindo, como se tivesse uma visão: “Meu esposo!” … Morreu suavemente três dias depois, em 12 de abril de 1920. De forma inesperada, o povo da cidade de Los Andes acorreu em grande número ao velório dessa até então desconhecida freira, que vivera apenas nove meses no Carmelo. Todos pediam para tocar seus objetos de piedade no corpo da “santa”, todos recebiam graças de paz, de benquerença, de afervoramento e de piedade. Em 3 de abril de 1987, S.S. João Paulo II beatificou a Irmã Teresa. Sua fama de santidade cresceu de forma impressionante no Chile e em todo o mundo, sem que ninguém se preocupasse em difundi-la. Por fim, o mesmo Papa a canonizou, no dia 21 de março de 1993. Um imponente santuário foi construído em sua honra, tendo como fundo de quadro uma grandiosa vista da Cordilheira dos Andes. (Revista Arautos do Evangelho, Fev/2003, n. 14 e Março/2003, n. 15) Assista o filme que conta a vida de Santa Teresa dos Andes: #SantodoDia

  • Santa Teresa dos Andes, padroeira dos jovens da América Latina – 13 de julho

    SANTO DO DIA – 13 DE JULHO – SANTA TERESA DE JESUS DOS ANDES Virgem e Carmelita (1900-1920) – Padroeira dos jovens da América Latina Joana Fernandez Solar nasceu no dia 13 de julho de 1900, no berço de uma família profundamente cristã, na cidade de Santiago do Chile, capital do país. Seus pais chamavam-se Miguel e Lúcia. A partir dos seis anos de idade, assistia com a mãe, quase diariamente, à santa missa e ansiava poder receber a primeira comunhão, o que aconteceu em setembro de 1910. Desde então, procurava comungar diariamente e passar longos momentos mantendo um diálogo íntimo com Jesus. Teve a infância marcada por uma intensa vida mariana, que foi um dos sólidos alicerces da sua vida cristã. Joana estudou durante onze anos no Colégio do Sagrado Coração, até 1918. Foi muito dedicada à família e julgava-se incapaz de viver separada dos seus. No entanto, assumiu com resignação o distanciamento nos últimos três anos dos estudos em regime de internato. Assista: Sua vocação religiosa confirmou-se aos quatorze anos. Na época, ela se correspondia com a superiora das carmelitas dos Andes, e lia muito sobre a trajetória da vida dos santos. Assim, Joana foi se preparando de tal modo que, desde os dezessete anos, já externava o ideal de ser carmelita, e com ardor defendia a sua vivência contemplativa, que todos julgavam ‘inútil’. A separação definitiva da família e do mundo deu-se em maio de 1919, aos dezenove anos de idade. Entrou para as carmelitas dos Andes e tomou o nome de Teresa de Jesus. Lá viveu apenas onze meses, pois contraiu a febre tifóide e logo morreu, no dia 12 de abril de 1920, na sua cidade natal. Teresa de Jesus tinha tamanha liberdade para expressar-se com o Senhor que costumava dizer: ‘Cristo, esse louco de amor, me fez louca também’. A sua aspiração e constante empenho centraram-se em se assemelhar a ele, em comungar com Cristo. Foi beatificada pelo papa João Paulo II quando este visitou o Chile em 1987. Depois, foi canonizada pelo mesmo sumo pontífice em 1993, em Roma. Na ocasião, ele a chamou de santa Teresa de Jesus ‘dos Andes’, e declarou que era a primeira chilena e a primeira carmelita latino-americana a ser elevada à honra dos altares da Igreja, para ser festejada no dia 13 de julho. O santuário de Santa Teresa dos Andes, como ficou popularmente conhecida, tornou-se um centro espiritual no Chile, visitado por milhares de peregrinos anualmente. Sua fama de intercessora pelas graças e milagres concedidos correu logo, principalmente entre os jovens católicos. Santa Teresa dos Andes continua, assim, cumprindo a missão reconhecida como sua: despertar fome e sede de Deus nos jovens deste nosso mundo moderno tão materializado. Conheça mais sobre Santa Tereza dos Andes Quais eram os anseios mais profundos de Juanita Fernandez del Solar, essa moça carinhosa e bela, que nos deleita com seu trato afetuoso e alegre? Sua alma, excessivamente pura para ficar no mundo, ansiava se converter em esposa mística de Cristo. Observe, leitor, a fotografia abaixo de Juanita Fernández del Solar. É uma jovem de 18 anos, nas vésperas de entrar para um austero convento carmelita no qual tomou o nome de Irmã Teresa de Jesus. Viveu santamente nesse convento durante nove meses apenas. Morreu aos 19 anos, como vítima expiatória pelos sacerdotes, por sua família, pela sociedade em que brilhara. E hoje é conhecida e venerada em todo o mundo como Santa Teresa de los Andes. Numa primeira vista, sua fisionomia agrada. Ela é bela e acolhedora. Em seu rosto, ainda muito jovem, destacam-se luminosamente seus lindos olhos azuis. Embora aristocráticos e altivos, cientes de seu próprio valor, eles não rejeitam quem está diante de si. Pelo contrário, parecem nos acolher, nos introduzir na presença desta jovem, não de uma forma protocolar como quem diz: “Prazer em conhecê-lo”, mas envolvendo-nos com um afeto suave e discreto de tal forma que, após alguns segundos contemplando-a, nos sentimos como se ela já fizesse parte de nossa vida. A fotografia denota uma pureza alcandorada, uma inocência reluzente. Juanita até dá a impressão de que a Providência a tenha limpado do pecado original já nos primeiros instantes de sua vida. Como todas as impressões, estas têm algo de pessoal, mas por certo o efeito que esta fotografia produz em nós tem muito a ver com a jovem por ela representada. Alma contemplativa Primeira santa carmelita latino-americana, Santa Teresa de los Andes nasceu em Santiago do Chile, em 13 de julho de 1900, numa família católica e aristocrática. “Jesus não quis que eu nascesse como Ele, pobre. E nasci no meio das riquezas, mimada por todos” – escreve em seu diário. Seus biógrafos coincidem em ressaltar que ela era sempre o centro das atenções onde estivesse, pela sua amabilidade, graça e simpatia. Era alegre e comunicativa, mas também séria e de um temperamento enérgico. Suas brincadeiras eram animadas e entusiasmadas. À sua casa acorriam muitos parentes e amigos. Uma tarde anunciou a todos os seus irmãozinhos e primos que presenciariam algo nunca visto por olhos humanos. Eles teriam o privilégio de assistir à Assunção da Santíssima Virgem. Os meninos se puseram diante de uma mesa sobre a qual estava uma imagem de porcelana da Virgem Maria, com uma coroa de metal. Juanita escondeu-se atrás de um biombo e “magicamente” a imagem começou a subir, ante a admiração dos pequenos, até desaparecer por trás de um cortinado. O “milagre” tinha sido operado por Juanita por meio de um delgado fio amarrado na coroa da imagem. Quando se tratava de brincar, era a primeira de todas, a mais animada, a mais alegre, a mais ativa. Na fazenda Chacabuco, de seus pais, andava a cavalo montada de lado como uma grande dama. Era difícil ultrapassá-la nos passeios a galope com seus irmãos e primos. Nas férias, no balneário de Algarrobo, perto de Valparaíso – num ambiente de pudor e compostura hoje difícil de imaginar – era ela uma ousada nadadora. Jogava tênis. Fazia caminhada com as amigas. Mas sobretudo contemplava. Em carta a uma amiga, escrevia: “Não podes imaginar paisagens mais bonitas que as que víamos… colinas cobertas de árvores e no fundo uma abertura onde se via o mar, sobre o qual se refletiam nuvens de diversas cores. E, por trás, o sol ocultando-se. Não podes imaginar coisa mais bela, que faz pensar em Deus, que criou a terra tão formosa. Que será o Céu? – pergunto-me muitas vezes.” E à Madre Priora do Carmelo que a iria acolher, contava: “O mar, em sua imensidade, me faz pensar em Deus, na sua infinita grandeza. Sinto então uma sede do infinito.” Estando já no Carmelo, e sabendo que sua mãe passaria férias de novo na mesma praia, lhe escrevia: “Cada vez que a senhora olhar o mar, ame a Deus por mim, mãezinha querida.” Festejada por todos Suas companheiras de aula a descrevem como sendo uma moça alegre e amável, suave no trato, de maneiras muito finas, firme e constante na ação. Entretida e divertida por seu caráter alegre e sem complicações. Muito bonita, com belos olhos azuis, nariz bem cortado, tez branca, bastante alta. Todas a festejavam. Tinha uma bela voz de contralto e sempre lhe pediam que cantasse. Durante as férias na fazenda, muito cedo se dirigia à capela para saudar o Senhor Sacramentado e tocar o harmônio como forma de oração. Durante as tardes, após o rosário em família, pediam-lhe para tocar também o harmônio, o que ela fazia com encanto de todos, mas sobretudo de Deus. Escrevia muito bem, e no colégio obtinha as melhores notas em literatura, história, religião e filosofia. Suas colegas sempre procuravam sua companhia e a chamavam carinhosamente de Mater admirabilis. O afeto e o carinho familiar que uma sociedade perdeu Na vida hostil, impura e materialista de nossos dias, é difícil entender o que era o afeto existente nas famílias católicas, há poucas décadas. Vejamos, a título de amostra, alguns trechos de uma carta que Juanita escreveu a seu pai, o qual ficara no campo trabalhando, enquanto a família passava férias de verão no balneário de Algarrobo. Depois de narrar-lhe belos passeios e exercícios de natação, Juanita manifesta a seu pai seu filial carinho: “Como o senhor vê, paizinho, não falta mais que o senhor para sermos felizes. Enquanto nós nos divertimos aqui, o senhor está trabalhando, de sol a sol, para nos proporcionar comodidade. Não temos, paizinho, meio de lhe pagar, pois é grande demais seu sacrifício. Mas nós, seus filhos, compreendemo-lo e o enchemos de carinho e cuidados, pois achamos que esta é a melhor maneira de agradecer a um pai. Por que não vem aqui pelo menos por uns dias? Não sabe a tristeza que me dá quando vejo as outras meninas felizes com seus papais. Por favor, venha, pois nós o temos tão pouco durante o ano!” Em outra carta, assim se despede do pai: “Receba, paizinho, abraços e beijos de mamãe e de meus irmãos, mais mil beijos e carinhos desta sua filha que mais lhe quer e que se lembra a cada momento de seu paizinho querido.” O Pai, por sua vez, mostra a reciprocidade do afeto, numa carta escrita depois de a ter autorizado a entrar no Carmelo: “Minha filhinha querida, “Recebi as duas cartas pelo que muito te agradeço, embora me façam tanto sofrer, ao pensar que quem me escreve e que me toca desta forma a alma vai se separar de mim para sempre. Mas o sacrifício está feito e eu o ofereci a Deus para que me perdoe por aquilo em que eu O tenha ofendido na minha vida. E como o sacrifício é tão grande, Ele o vê e o terá em conta. “Minha querida filhinha, não sabes o bem tão grande que tuas cartas me fazem, não só agora, mas antes mesmo de tua resolução, porque via nelas tanto carinho e ternura. Elas me deram nova vida e desejo de trabalhar por teus irmãos (…) “Feliz, tu, mil vezes, minha filhinha, que te consideras feliz e sentes essa paz de alma que tão poucos podem sentir e que há tanto tempo foge de mim. Só desfruto algo dela depois das férias que passamos juntos na intimidade (…) “Não creias em nenhum momento, minha querida filhinha, que me tenha arrependido de haver-te dado meu consentimento. Muito pelo contrário. Pois creio que as preces de uma alma tão pura como a tua serão ouvidas por Deus, e elas me acompanharão o resto de minha vida e serão meu melhor refúgio para me preservar dos muitos perigos. E não te esqueças jamais que meu pensamento te acompanhará noite e dia (…) Que Deus me mande todas as provas e sofrimentos e os afaste de ti. “Não te canses, minha filhinha, de continuar pedindo por teu pobre papai… Para ti, um milhão (de beijos e abraços) de teu pai que não te esquece um instante.” As graças místicas iluminaram toda a sua vida Aos dez anos a pequena Juanita fez sua Primeira Comunhão. Desde então, como ela revelou a seu confessor, o Pe. Antonio Falgueras, SJ, “Nosso Senhor me falava depois de comungar; dizia-me coisas das quais eu não suspeitava. E quando eu Lhe perguntava, me revelava coisas que iam suceder e que de fato aconteciam. Mas eu achava que ocorria o mesmo com todas as pessoas que comungavam.” Em carta a seu pai, pedindo permissão para ser carmelita, narra: “Desde pequena amei muito a Santíssima Virgem, a quem confiava todos os meus assuntos. Só com Ela me desafogava. Ela correspondeu a esse carinho; protegia-me, e escutava sempre o que eu lhe pedia. E Ela me ensinou a amar Nosso Senhor (…) Um dia (…) ouvi a voz do Sagrado Coração que me pedia que eu fosse toda d’Ele. Não creio que isso tenha sido uma ilusão, porque nesse mesmo instante me vi transformada: aquela que procurava o amor das criaturas, não desejou senão o de Deus.” Já no Carmelo de Los Andes, escreve ao Padre Colom, SJ: “Também Nosso Senhor se apresenta a mim, às vezes, interiormente e me fala. Durante aproximadamente uma semana, vi-O na agonia, mas de uma maneira tal como jamais teria sonhado. Sofri muito, porque essa imagem me aparecia constantemente e me pedia que O consolasse. Depois foi o Sagrado Coração, no tabernáculo, com o rosto muito triste. E, por último, no dia do Sagrado Coração, apresentou-Se a mim com uma ternura e beleza tal que minha alma se abrasava em seu amor.” Escrava de Maria, grandes provações A jovem Juanita ingressou no convento de Los Andes no dia 7 de maio de 1919, tomando o nome de Irmã Teresa de Jesus. Fez votos de pobreza, obediência e castidade em 27 de junho e recebeu o hábito de noviça em 14 de outubro do mesmo ano. No dia 8 de dezembro, consagrou-se como escrava de Maria, segundo o método ensinado por São Luís Grignion de Montfort. Doravante, seus atos e sacrifícios seriam todos para Nossa Senhora. “Combinei com a Santíssima Virgem que Ela passasse a ser meu sacerdote, que me oferecesse a cada momento pelos pecadores e pelos sacerdotes, mas banhada com o sangue do Coração de Jesus” – escreveu. No curto tempo passado por Juanita no convento, sua superiora, com um extraordinário senso das almas, determinou que continuasse seu apostolado por meio de cartas à sua família e às suas amigas. Os resultados não se fizeram esperar. Sua mãe se fez terciária carmelita. Sua irmã menor, Rebeca, ingressou no mesmo convento, meses após a morte da Irmã Teresa. Várias de suas amigas, moças da melhor sociedade, tinham por ela tal estima e admiração que decidiram também consagrar suas vidas a Jesus, no Carmelo ou em outros institutos religiosos. Atravessando crises e ambientes adversos, perduram até hoje os efeitos de seu bom exemplo, atraindo muitas jovens para a vida contemplativa e para as atividades de apostolado leigo na sociedade. No dia 1º de abril de 1920, a Irmã Teresa adoeceu gravemente. Ante a iminência de sua morte, e dada a santidade de sua vida, a Superiora permitiu que fizesse os votos de carmelita professa e Esposa de Cristo, in articulo mortis, no dia 7 desse mês. Mas estavam por vir as grandes provações espirituais que uma vítima expiatória costuma receber. Quis Deus que ela, como outros santos, sofresse a terrível sensação de ter sido não só abandonada mas condenada por Ele. Assim, ardendo em febre, fazia esforços para retirar seu escapulário e afastar os objetos de piedade que a rodeavam. Num tom de voz acabrunhador, exclamou: “Nunca pensei que a Santíssima Virgem fosse me abandonar!”. Depois de certo tempo de luta terrí­vel, foi-se acalmando aos poucos, até que num momento disse sorrindo, como se tivesse uma visão: “Meu esposo!” … Morreu suavemente três dias depois, em 12 de abril de 1920. De forma inesperada, o povo da cidade de Los Andes acorreu em grande número ao velório dessa até então desconhecida freira, que vivera apenas nove meses no Carmelo. Todos pediam para tocar seus objetos de piedade no corpo da “santa”, todos recebiam graças de paz, de benquerença, de afervoramento e de piedade. Em 3 de abril de 1987, S.S. João Paulo II beatificou a Irmã Teresa. Sua fama de santidade cresceu de forma impressionante no Chile e em todo o mundo, sem que ninguém se preocupasse em difundi-la. Por fim, o mesmo Papa a canonizou, no dia 21 de março de 1993. Um imponente santuário foi construído em sua honra, tendo como fundo de quadro uma grandiosa vista da Cordilheira dos Andes. (Revista Arautos do Evangelho, Fev/2003, n. 14 e Março/2003, n. 15) Assista o filme que conta a vida de Santa Teresa dos Andes: #SantodoDia

  • Santos Luís e Zélia Martin, Pais de Santa Teresinha – 12 de julho

    SANTO DO DIA – 12 DE JULHO – SANTOS LUÍS E ZÉLIA MARTIN “Ele era relojoeiro; ela rendeira: de origem burguesa, santos por eleição. São eles: Luís Martin (1823-1894) e Zélia Guérin (1831-1877) os pais de Teresa do Menino Jesus. É o segundo casal de esposos depois de Luís e Maria Beltrame Quattrocchi, beatificados em 2001 por João Paulo II que é elevado às honras dos altares. Ambos eram filhos de militares e foram educados num ambiente disciplinado, severo, muito rigoroso e marcado por um certo jansenismo ainda rastejante na França da época. Os dois receberam uma educação de cunho religioso: nos Irmãos das escolas cristãs, Luís; nas Irmãs da adoração perpétua, Zélia. Ao terminar os estudos, no momento de escolher o próprio futuro, Luís orientou-se para a aprendizagem do ofício de relojoeiro, não obstante o exemplo do pai, conhecido oficial do exército napoleónico. Zélia, inicialmente, ajudava a mãe na administração da loja de família. Depois, especializou-se no “ponto de Alençon” na escola que ensina a tecer rendas. Em poucos anos os seus esforços foram premiados: abriu uma modesta fábrica para a produção de rendas e obteve um discreto sucesso. Ambos nutrem desde a adolescência o desejo de entrar numa comunidade religiosa. Ele experimentou pedir para ser admitido entre os cónegos regulares de Santo Agostinho do hospício do Grande São Bernardo nos Alpes suíços, mas não foi aceite porque não conhecia o latim. Também ela tenta entrar nas Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, mas compreende que não é a sua estrada. Durante três anos Luís vive em Paris, hóspede de parentes, para aperfeiçoar a sua formação de relojoeiro. Naquele período foi submetido a muitas solicitações por parte do ambiente parisiense impregnado de impulsos revolucionários. Aproximou-se até de uma associação secreta, mas afastou-se imediatamente. Insatisfeito com o clima que se respirava na capital, transferiu-se para Alençon, onde iniciou a sua actividade, conduzindo até à idade de 32 anos um estilo de vida quase ascético. Entretanto, Zélia, com a receita da sua empresa, manteve toda a família, vendendo rendas para a alta sociedade parisiense. O encontro entre os dois acontece em 1858 na ponte de São Leonardo em Alençon. Ao ver Luís, Zélia percebeu distintamente que ele seria o homem da sua vida. Após poucos meses de noivado, casam. Conduzem uma vida conjugal no seguimento do Evangelho, ritmada pela missa quotidiana, pela oração pessoal e comunitária, pela confissão frequente, pela participação na vida paroquial. Da sua união nascem nove filhos, quatro dos quais morrem prematuramente. Entre as cinco filhas que sobreviveram, está Teresa, a futura santa, que nasceu em 1873. As recordações da carmelita sobre os seus pais são uma fonte preciosa para compreender a sua santidade. A família Martin educou as suas filhas a tornar-se não só boas cristãs mas também honestas cidadãs. Aos 45 anos Zélia recebe a terrível notícia de que tinha um tumor no seio. Viveu a doença com firme esperança cristã até à morte ocorrida em Agosto de 1877. Com 54 anos, Luís teve que se ocupar sozinho da família. A primogénita tem 17 anos e a última, Teresa, tem 4 e meio. Então, transferiu-se para Lisieux, onde morava o irmão de Zélia. Deste modo, as filhas receberam os cuidados da tia Celina. Entre os anos de 1882 e 1887 Luís acompanhou as três filhas ao carmelo. O sacrifício maior para ele foi afastar-se de Teresa que entra para as carmelitas com apenas 15 anos. Luís foi atingido por uma enfermidade que o tornou inválido e que o levou à perda das faculdades mentais. Foi internado no sanatório de Caen. Morreu em Julho de 1894″ Conheça mais sobre São Luís e Santa Zélia São Luís Martin e Santa Zélia Guérin, pais de Santa Teresa de Lisieux, foram o primeiro casal a ser canonizado em uma mesma cerimônia na história da Igreja. “Os santos esposos (…) viveram o serviço cristão na família, construindo dia após dia um ambiente cheio de fé e amor; e, neste clima, germinaram as vocações das filhas, nomeadamente a de Santa Teresinha do Menino Jesus”, disse o Papa Francisco em 18 de outubro de 2015, durante a Missa canonização. A família, depois de dezenove anos de matrimônio, ante à crise econômica que afligia a França, querendo garantir o bem-estar e o futuro a seus filhos, encontrou a força para deixar a cidade francesa de Alençon e se mudar para Lisieux. Luís Martin trabalhou como relojoeiro e joalheiro, e Zélia Guérin como pequena empresária de uma oficina de bordado. Junto com suas cinco filhas, deram seu tempo e seu dinheiro a fim de ajudar os mais necessitados. Luís Martin nasceu em Bordeaux (França) em 1823 e faleceu em Arnières-sur-Iton (França) em 1894. Enquanto Maria Zélia Guérin nasceu em San Saint-Denis-Sarthon (França) em 1831 e faleceu em Alençon (França), em 1877. Ambos foram pessoas devotas desde muito jovens. Durante sua juventude e antes de se conhecerem, Maria Zélia queria levar uma vida religiosa no mosteiro das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, enquanto Luís Martin sentia o mesmo desejo de dedicar sua vida a Deus e foi para o mosteiro do Grande São Bernardo. Nenhum dos dois foi aceito, uma vez que Deus tinha outro plano para eles. Os jovens se conheceram e o entendimento foi tão rápido que se casaram em 13 de julho de 1858, apenas três meses após seu primeiro encontro. Levaram uma vida matrimonial exemplar: missa diária, oração pessoal e comunitária, confissão frequente, participação na vida paroquial. De sua união, nasceram nove filhos, quatro dos quais morreram prematuramente. Entre as cinco filhas que sobreviveram estava Santa Teresinha, a futura santa padroeira das missões, que é uma fonte preciosa para a compreensão da santidade de seus pais: educavam suas filhas para serem boas cristãs e cidadãs honestas. Quando sua esposa Zélia morreu em 1877, Luís se viu sozinho para seguir adiante com sua família e suas filhas pequenas. Mudou-se para Lisieux, onde morava o irmão de Zélia; deste modo, a tia Celina pôde cuidar das filhas. Entre 1882 e 1887, Luís acompanhou três de suas filhas para o Carmelo. O maior sacrifício foi se separar de Teresa, que entrou no Carmelo aos 15 anos e iniciaria seu caminho para a santidade. No convívio de um lar verdadeiramente cristão, como o da família Martin, a caridade ensinada pelos Evangelhos exala um suave e inigualável perfume. Cada língua conta em seu acervo cultural uma plêiade de poetas, dos quais pelo menos um dedicou sua inspiração para cantar a beleza e a candura da inocência infantil, dos primeiros e dourados anos de existência, que a todos nós apraz evocar. No idioma português, por exemplo, Casimiro de Abreu explicitou essa nostalgia no seu famoso poema “Meus oito anos”: Oh! Que saudades que tenho / Da aurora da minha vida, / Da minha infância querida / Que os anos não trazem mais! / (…) / Como são belos os dias / Do despontar da existência! / Respira a alma inocência / Como perfumes a flor. Na verdade, porém, uma boa parte das doces lembranças da infância deve-se ao fato de ser ela a fase de nossa vida na qual, pequenos e indefesos, entretanto nos sentíamos seguros, pois estávamos bem protegidos pela guarda de um homem que nos parecia um herói, nosso pai, e sob as asas de alguém que tinha algo de anjo e de fada, nossa mãe… Não são essas, afinal, as primeiras recordações do que é uma família? Para saber o que significa a ausência desta, basta mencionar a palavra “órfão”, com tudo quanto evoca de melancólico a imagem de uma criança que perdeu, ou nunca sentiu, a ternura de um pai ou de uma mãe. Além disso, para nós católicos, o conceito de família transpõe os limites do mero e natural amor humano. Elevada ao patamar sobrenatural pelo sacramento do Matrimônio, ela é o primeiro “catecismo” onde as almas batizadas sorvem os influxos fundamentais da vida espiritual, e no convívio de um lar verdadeiramente cristão a caridade ensinada pelos Evangelhos exala um suave e inigualável perfume. Pais santos, que pedem a Deus filhos santos Mas, por que comentar este assunto só em teoria, quando podemos nos deleitar com a história de uma família real, e próxima aos nossos dias? Vamos percorrer as encantadoras ruas de uma cidadezinha francesa, em fins do século XIX. Detendo-nos diante de uma bela casa algo parecida com um pequeno palácio e cometendo a indiscrição de olhar pela janela, veremos uma delicada jovenzinha a escrever. Seu nome é Paulina Martin e sua carta será publicada em diversos livros. Vejamos o comentário que ela faz a respeito de seus próprios pais: “Eu sempre os considerei como santos. Estávamos penetradas de respeito e admiração por eles. Por vezes perguntava-me a mim mesma se poderia haver outros semelhantes a eles sobre a terra”. E qual era o pensamento desses pais a respeito de suas cinco filhas? Quais eram seus planos em relação a elas? Vejamos o eloqüente e terno testemunho da mãe, numa carta por ela escrita à sua filha Paulina, mencionada acima: “Este ano hei de ir (no dia 8 de dezembro), bem cedinho, ter com a Santíssima Virgem. Quero ser a primeira a chegar. Não Lhe pedirei mais filhinhas; rogar-Lhe-ei somente que faça santas as que me deu, e que eu não lhes fique muito atrás; mas é necessário que elas sejam bem melhores do que eu”. Esses dois curtos trechos de cartas já nos permitem entrever o suave e virtuoso relacionamento reinante nessa boa família. Prodigioso zelo para proteger a inocência das filhas Ajudado pelas imagens que ilustram estas páginas, o leitor já terá facilmente identificado o ambiente familiar ao qual nos estamos referindo: aquele em que nasceu, cresceu e se formou Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das missões e doutora da Igreja. Com efeito, do casamento de Luís Martin e Zélia Guérin – 13 de julho de 1858 – floresceram nove lírios de alva inocência. Quatro deles, o Senhor os colheu na tenra infância, os outros cinco haveriam de ser transplantados ao silencioso e recolhido ambiente religioso para ali destilar os mais intensos perfumes de virtude. Entre esses, a jovem santa, consagrada a Deus aos 15 anos, como carmelita descalça. “Abri as Escrituras e ali vereis que, quando os pais foram santos, também o foram os filhos”. Bem se aplica à Família Martin esta sábia sentença do Santo Cura D´Ars. Assim sucedeu com esse virtuoso casal, cujas heróicas virtudes a Igreja já reconheceu oficialmente, e que caminha para a glória dos altares: adornaram o firmamento da Igreja com luminosas e cândidas estrelas. Com um prodigioso zelo, Luís e Zélia custodiavam a inocência de suas cinco filhas – Maria Luísa, Paulina, Leônia, Celina e Teresinha – mantendo sempre no lar um ambiente intensamente cristão. O exemplo dos pais é insubstituível na educação dos filhos Sirva de exemplo um trecho das memórias de Paulina (mais tarde Madre Inês de Jesus, religiosa carmelita como Teresa). Conta-nos ela, enternecida, a respeito de sua querida mãe: “Quando pequenina, mamãe punha- me sobre seus joelhos e contava-me histórias da vida dos Santos. Certa vez, disse-me que no Céu somente as virgens seguiriam por toda parte Jesus, sob a forma de Cordeiro sem mancha; seriam coroadas de rosas brancas e cantariam um cântico que outros não poderiam cantar. Eu lhe disse, então, que haveria de ser virgem, com uma bela coroa branca, e perguntei-lhe de qual cor seria a sua, pois ela me fizera notar que as pessoas casadas não teriam co roa branca. Respondeu-me que seria, sem dúvida, uma coroa de rosas vermelhas.” A respeito do Sr. Luís Martin, podemos recolher abundantes testemunhos de sua “rainhazinha”, como ele chamava a encantadora Teresa, a quem amava com especial ternura por ser a mais nova, órfã de mãe já nos primeiros anos de infância. Na verdade, Teresinha aprendeu a amar a Igreja sentada no colo de seu “rei”. Conta-nos ela em suas memórias, a “História de uma Alma”, seus encantos com seu amado pai: Aos domingos, na Missa, “quando o pregador falava de Santa Teresa, papai inclinava-se para mim, dizendo baixinh o: ‘Escuta, minha rainhazinha, ele fala de tua santa padroeira´. Eu escutava, com efeito, mas olhava mais vezes para papai que para o pregador. Sua bela fisionomia dizia-me tantas coisas! Por vezes, seus olhos se enchiam de lágrimas, as quais ele em vão se esforçava por reter; não parecia mais ser da terra, de tal modo sua alma gostava de mergulhar nas verdades eternas.” Bem sabia o Sr. Martin que o exemplo vivo dos pais é insubstituível na educação dos filhos nas vias da santificação. Estimular o amor a Deus, a freqüência aos Sacramentos, a proximidade espiritual com a Igreja, é um meio pelo qual os progenitores exercem sobre a prole seu sacerdócio real, recebido no Batismo. Desta sorte, deitam fundo no coração dos filhos a vivência da espiritualidade cristã, gravando em suas almas uma marca que nem o tempo nem as circunstâncias da vida poderão apagar. Uma verdadeira obra de ourivesaria Santa Teresinha recorda, comovida, a nobre alma de seu pai e o carinho com que ele a envolveu, depois da partida de sua mãe para o Céu: “Após a morte de mamãe, meu bom caráter mudou completamente, tornei-me sensível ao excesso. Um olhar bastava para desfazer-me em lágrimas. Entretanto, o coração terno de Papai unia ao amor que ele já possuía um amor verdadeiramente maternal! (…) Aos domingos, como me era doce sentar- me com Celina sobre os joelhos de Papai! Ele cantava com sua bela voz cânticos que enchiam a alma de pensamentos profundos, ou então, embalando- nos docemente, recitava poesias impregnadas das verdades eternas. Em seguida, subíamos para fazer a oração em comum e a Rainhazinha ficava só junto com seu Rei; bastava olhá-lo para saber como rezam os santos.” Neste ambiente de sublime candura, a pequena Teresa foi sendo preparada para a elevada missão para a qual havia sido escolhida pela Providência. Ela e suas quatro irmãs, todas consagradas a Deus, foram pedras preciosas cuidadosamente buriladas no atelier familiar dos Martin. Descobrir os pequenos defeitos dos filhos e os ir corrigindo, estimular suas boas aspirações de alma, em suma, ensinar com empenho, delicadeza e tato o caminho da perfeição – é esta a verdadeira obra de ourivesaria digna de pais cristãos. Nos “Manuscritos Autobiográficos”, Santa Teresinha dá testemunho de como sua querida mãe e seu “Rei” tiveram essa especial dedicação por sua alma: “ Com uma natureza como a minha, se tivesse sido educada por pais sem virtudes, ter-me-ia tornado bem má, talvez me perdendo. Mas Jesus velava por mim, Ele queria que tudo revertesse em meu bem, mesmo os meus defeitos, os quais, cedo reprimidos, me serviriam para adiantar-me na perfeição”. Estas palavras repassadas de gratidão e humildade, e escritas por uma santa tão singular, não deixam dúvida de quanto seus pais foram exemplares e exímios na tarefa de brunir o precioso brilhante que era a alma de sua filha. E que belo fruto alcançaram! Um estímulo a todas as famílias do mundo Edificados por um tão claro exemplo como o da família Martin, esperamos que todos os lares aos quais chegue esta pequena resenha possam deleitar-se com sua leitura e deixar-se envolver por este suave aroma do amor familiar cristão. Seguir o caminho trilhado por Luís e Zélia Martin, longe de ser algo impossível, está ao alcance de todos os casais que queiram abrirse à luz da Igreja e à mensagem de Nosso Senhor Jesus Cristo. Que o exemplo do casal Martin e suas filhas sirva de estímulo às famílias do mundo, para que abram seus ouvidos ao palpitar da Igreja, em especial às palavras do Vigário de Cristo na terra, ponham mãos à obra e saibam dar o testemunho da grande alegria e felicidade de viver em família com Cristo e Maria. ² (Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2006, n. 56, p. 36 à 38) Conheca mais sobre São Luís Martin: Conheça mais sobre Santa Zélia Martin #SantodoDia

  • Santos Luís e Zélia Martin, Pais de Santa Teresinha – 12 de julho

    SANTO DO DIA – 12 DE JULHO – SANTOS LUÍS E ZÉLIA MARTIN “Ele era relojoeiro; ela rendeira: de origem burguesa, santos por eleição. São eles: Luís Martin (1823-1894) e Zélia Guérin (1831-1877) os pais de Teresa do Menino Jesus. É o segundo casal de esposos depois de Luís e Maria Beltrame Quattrocchi, beatificados em 2001 por João Paulo II que é elevado às honras dos altares. Ambos eram filhos de militares e foram educados num ambiente disciplinado, severo, muito rigoroso e marcado por um certo jansenismo ainda rastejante na França da época. Os dois receberam uma educação de cunho religioso: nos Irmãos das escolas cristãs, Luís; nas Irmãs da adoração perpétua, Zélia. Ao terminar os estudos, no momento de escolher o próprio futuro, Luís orientou-se para a aprendizagem do ofício de relojoeiro, não obstante o exemplo do pai, conhecido oficial do exército napoleónico. Zélia, inicialmente, ajudava a mãe na administração da loja de família. Depois, especializou-se no “ponto de Alençon” na escola que ensina a tecer rendas. Em poucos anos os seus esforços foram premiados: abriu uma modesta fábrica para a produção de rendas e obteve um discreto sucesso. Ambos nutrem desde a adolescência o desejo de entrar numa comunidade religiosa. Ele experimentou pedir para ser admitido entre os cónegos regulares de Santo Agostinho do hospício do Grande São Bernardo nos Alpes suíços, mas não foi aceite porque não conhecia o latim. Também ela tenta entrar nas Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, mas compreende que não é a sua estrada. Durante três anos Luís vive em Paris, hóspede de parentes, para aperfeiçoar a sua formação de relojoeiro. Naquele período foi submetido a muitas solicitações por parte do ambiente parisiense impregnado de impulsos revolucionários. Aproximou-se até de uma associação secreta, mas afastou-se imediatamente. Insatisfeito com o clima que se respirava na capital, transferiu-se para Alençon, onde iniciou a sua actividade, conduzindo até à idade de 32 anos um estilo de vida quase ascético. Entretanto, Zélia, com a receita da sua empresa, manteve toda a família, vendendo rendas para a alta sociedade parisiense. O encontro entre os dois acontece em 1858 na ponte de São Leonardo em Alençon. Ao ver Luís, Zélia percebeu distintamente que ele seria o homem da sua vida. Após poucos meses de noivado, casam. Conduzem uma vida conjugal no seguimento do Evangelho, ritmada pela missa quotidiana, pela oração pessoal e comunitária, pela confissão frequente, pela participação na vida paroquial. Da sua união nascem nove filhos, quatro dos quais morrem prematuramente. Entre as cinco filhas que sobreviveram, está Teresa, a futura santa, que nasceu em 1873. As recordações da carmelita sobre os seus pais são uma fonte preciosa para compreender a sua santidade. A família Martin educou as suas filhas a tornar-se não só boas cristãs mas também honestas cidadãs. Aos 45 anos Zélia recebe a terrível notícia de que tinha um tumor no seio. Viveu a doença com firme esperança cristã até à morte ocorrida em Agosto de 1877. Com 54 anos, Luís teve que se ocupar sozinho da família. A primogénita tem 17 anos e a última, Teresa, tem 4 e meio. Então, transferiu-se para Lisieux, onde morava o irmão de Zélia. Deste modo, as filhas receberam os cuidados da tia Celina. Entre os anos de 1882 e 1887 Luís acompanhou as três filhas ao carmelo. O sacrifício maior para ele foi afastar-se de Teresa que entra para as carmelitas com apenas 15 anos. Luís foi atingido por uma enfermidade que o tornou inválido e que o levou à perda das faculdades mentais. Foi internado no sanatório de Caen. Morreu em Julho de 1894″ Conheça mais sobre São Luís e Santa Zélia São Luís Martin e Santa Zélia Guérin, pais de Santa Teresa de Lisieux, foram o primeiro casal a ser canonizado em uma mesma cerimônia na história da Igreja. “Os santos esposos (…) viveram o serviço cristão na família, construindo dia após dia um ambiente cheio de fé e amor; e, neste clima, germinaram as vocações das filhas, nomeadamente a de Santa Teresinha do Menino Jesus”, disse o Papa Francisco em 18 de outubro de 2015, durante a Missa canonização. A família, depois de dezenove anos de matrimônio, ante à crise econômica que afligia a França, querendo garantir o bem-estar e o futuro a seus filhos, encontrou a força para deixar a cidade francesa de Alençon e se mudar para Lisieux. Luís Martin trabalhou como relojoeiro e joalheiro, e Zélia Guérin como pequena empresária de uma oficina de bordado. Junto com suas cinco filhas, deram seu tempo e seu dinheiro a fim de ajudar os mais necessitados. Luís Martin nasceu em Bordeaux (França) em 1823 e faleceu em Arnières-sur-Iton (França) em 1894. Enquanto Maria Zélia Guérin nasceu em San Saint-Denis-Sarthon (França) em 1831 e faleceu em Alençon (França), em 1877. Ambos foram pessoas devotas desde muito jovens. Durante sua juventude e antes de se conhecerem, Maria Zélia queria levar uma vida religiosa no mosteiro das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, enquanto Luís Martin sentia o mesmo desejo de dedicar sua vida a Deus e foi para o mosteiro do Grande São Bernardo. Nenhum dos dois foi aceito, uma vez que Deus tinha outro plano para eles. Os jovens se conheceram e o entendimento foi tão rápido que se casaram em 13 de julho de 1858, apenas três meses após seu primeiro encontro. Levaram uma vida matrimonial exemplar: missa diária, oração pessoal e comunitária, confissão frequente, participação na vida paroquial. De sua união, nasceram nove filhos, quatro dos quais morreram prematuramente. Entre as cinco filhas que sobreviveram estava Santa Teresinha, a futura santa padroeira das missões, que é uma fonte preciosa para a compreensão da santidade de seus pais: educavam suas filhas para serem boas cristãs e cidadãs honestas. Quando sua esposa Zélia morreu em 1877, Luís se viu sozinho para seguir adiante com sua família e suas filhas pequenas. Mudou-se para Lisieux, onde morava o irmão de Zélia; deste modo, a tia Celina pôde cuidar das filhas. Entre 1882 e 1887, Luís acompanhou três de suas filhas para o Carmelo. O maior sacrifício foi se separar de Teresa, que entrou no Carmelo aos 15 anos e iniciaria seu caminho para a santidade. No convívio de um lar verdadeiramente cristão, como o da família Martin, a caridade ensinada pelos Evangelhos exala um suave e inigualável perfume. Cada língua conta em seu acervo cultural uma plêiade de poetas, dos quais pelo menos um dedicou sua inspiração para cantar a beleza e a candura da inocência infantil, dos primeiros e dourados anos de existência, que a todos nós apraz evocar. No idioma português, por exemplo, Casimiro de Abreu explicitou essa nostalgia no seu famoso poema “Meus oito anos”: Oh! Que saudades que tenho / Da aurora da minha vida, / Da minha infância querida / Que os anos não trazem mais! / (…) / Como são belos os dias / Do despontar da existência! / Respira a alma inocência / Como perfumes a flor. Na verdade, porém, uma boa parte das doces lembranças da infância deve-se ao fato de ser ela a fase de nossa vida na qual, pequenos e indefesos, entretanto nos sentíamos seguros, pois estávamos bem protegidos pela guarda de um homem que nos parecia um herói, nosso pai, e sob as asas de alguém que tinha algo de anjo e de fada, nossa mãe… Não são essas, afinal, as primeiras recordações do que é uma família? Para saber o que significa a ausência desta, basta mencionar a palavra “órfão”, com tudo quanto evoca de melancólico a imagem de uma criança que perdeu, ou nunca sentiu, a ternura de um pai ou de uma mãe. Além disso, para nós católicos, o conceito de família transpõe os limites do mero e natural amor humano. Elevada ao patamar sobrenatural pelo sacramento do Matrimônio, ela é o primeiro “catecismo” onde as almas batizadas sorvem os influxos fundamentais da vida espiritual, e no convívio de um lar verdadeiramente cristão a caridade ensinada pelos Evangelhos exala um suave e inigualável perfume. Pais santos, que pedem a Deus filhos santos Mas, por que comentar este assunto só em teoria, quando podemos nos deleitar com a história de uma família real, e próxima aos nossos dias? Vamos percorrer as encantadoras ruas de uma cidadezinha francesa, em fins do século XIX. Detendo-nos diante de uma bela casa algo parecida com um pequeno palácio e cometendo a indiscrição de olhar pela janela, veremos uma delicada jovenzinha a escrever. Seu nome é Paulina Martin e sua carta será publicada em diversos livros. Vejamos o comentário que ela faz a respeito de seus próprios pais: “Eu sempre os considerei como santos. Estávamos penetradas de respeito e admiração por eles. Por vezes perguntava-me a mim mesma se poderia haver outros semelhantes a eles sobre a terra”. E qual era o pensamento desses pais a respeito de suas cinco filhas? Quais eram seus planos em relação a elas? Vejamos o eloqüente e terno testemunho da mãe, numa carta por ela escrita à sua filha Paulina, mencionada acima: “Este ano hei de ir (no dia 8 de dezembro), bem cedinho, ter com a Santíssima Virgem. Quero ser a primeira a chegar. Não Lhe pedirei mais filhinhas; rogar-Lhe-ei somente que faça santas as que me deu, e que eu não lhes fique muito atrás; mas é necessário que elas sejam bem melhores do que eu”. Esses dois curtos trechos de cartas já nos permitem entrever o suave e virtuoso relacionamento reinante nessa boa família. Prodigioso zelo para proteger a inocência das filhas Ajudado pelas imagens que ilustram estas páginas, o leitor já terá facilmente identificado o ambiente familiar ao qual nos estamos referindo: aquele em que nasceu, cresceu e se formou Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das missões e doutora da Igreja. Com efeito, do casamento de Luís Martin e Zélia Guérin – 13 de julho de 1858 – floresceram nove lírios de alva inocência. Quatro deles, o Senhor os colheu na tenra infância, os outros cinco haveriam de ser transplantados ao silencioso e recolhido ambiente religioso para ali destilar os mais intensos perfumes de virtude. Entre esses, a jovem santa, consagrada a Deus aos 15 anos, como carmelita descalça. “Abri as Escrituras e ali vereis que, quando os pais foram santos, também o foram os filhos”. Bem se aplica à Família Martin esta sábia sentença do Santo Cura D´Ars. Assim sucedeu com esse virtuoso casal, cujas heróicas virtudes a Igreja já reconheceu oficialmente, e que caminha para a glória dos altares: adornaram o firmamento da Igreja com luminosas e cândidas estrelas. Com um prodigioso zelo, Luís e Zélia custodiavam a inocência de suas cinco filhas – Maria Luísa, Paulina, Leônia, Celina e Teresinha – mantendo sempre no lar um ambiente intensamente cristão. O exemplo dos pais é insubstituível na educação dos filhos Sirva de exemplo um trecho das memórias de Paulina (mais tarde Madre Inês de Jesus, religiosa carmelita como Teresa). Conta-nos ela, enternecida, a respeito de sua querida mãe: “Quando pequenina, mamãe punha- me sobre seus joelhos e contava-me histórias da vida dos Santos. Certa vez, disse-me que no Céu somente as virgens seguiriam por toda parte Jesus, sob a forma de Cordeiro sem mancha; seriam coroadas de rosas brancas e cantariam um cântico que outros não poderiam cantar. Eu lhe disse, então, que haveria de ser virgem, com uma bela coroa branca, e perguntei-lhe de qual cor seria a sua, pois ela me fizera notar que as pessoas casadas não teriam co roa branca. Respondeu-me que seria, sem dúvida, uma coroa de rosas vermelhas.” A respeito do Sr. Luís Martin, podemos recolher abundantes testemunhos de sua “rainhazinha”, como ele chamava a encantadora Teresa, a quem amava com especial ternura por ser a mais nova, órfã de mãe já nos primeiros anos de infância. Na verdade, Teresinha aprendeu a amar a Igreja sentada no colo de seu “rei”. Conta-nos ela em suas memórias, a “História de uma Alma”, seus encantos com seu amado pai: Aos domingos, na Missa, “quando o pregador falava de Santa Teresa, papai inclinava-se para mim, dizendo baixinh o: ‘Escuta, minha rainhazinha, ele fala de tua santa padroeira´. Eu escutava, com efeito, mas olhava mais vezes para papai que para o pregador. Sua bela fisionomia dizia-me tantas coisas! Por vezes, seus olhos se enchiam de lágrimas, as quais ele em vão se esforçava por reter; não parecia mais ser da terra, de tal modo sua alma gostava de mergulhar nas verdades eternas.” Bem sabia o Sr. Martin que o exemplo vivo dos pais é insubstituível na educação dos filhos nas vias da santificação. Estimular o amor a Deus, a freqüência aos Sacramentos, a proximidade espiritual com a Igreja, é um meio pelo qual os progenitores exercem sobre a prole seu sacerdócio real, recebido no Batismo. Desta sorte, deitam fundo no coração dos filhos a vivência da espiritualidade cristã, gravando em suas almas uma marca que nem o tempo nem as circunstâncias da vida poderão apagar. Uma verdadeira obra de ourivesaria Santa Teresinha recorda, comovida, a nobre alma de seu pai e o carinho com que ele a envolveu, depois da partida de sua mãe para o Céu: “Após a morte de mamãe, meu bom caráter mudou completamente, tornei-me sensível ao excesso. Um olhar bastava para desfazer-me em lágrimas. Entretanto, o coração terno de Papai unia ao amor que ele já possuía um amor verdadeiramente maternal! (…) Aos domingos, como me era doce sentar- me com Celina sobre os joelhos de Papai! Ele cantava com sua bela voz cânticos que enchiam a alma de pensamentos profundos, ou então, embalando- nos docemente, recitava poesias impregnadas das verdades eternas. Em seguida, subíamos para fazer a oração em comum e a Rainhazinha ficava só junto com seu Rei; bastava olhá-lo para saber como rezam os santos.” Neste ambiente de sublime candura, a pequena Teresa foi sendo preparada para a elevada missão para a qual havia sido escolhida pela Providência. Ela e suas quatro irmãs, todas consagradas a Deus, foram pedras preciosas cuidadosamente buriladas no atelier familiar dos Martin. Descobrir os pequenos defeitos dos filhos e os ir corrigindo, estimular suas boas aspirações de alma, em suma, ensinar com empenho, delicadeza e tato o caminho da perfeição – é esta a verdadeira obra de ourivesaria digna de pais cristãos. Nos “Manuscritos Autobiográficos”, Santa Teresinha dá testemunho de como sua querida mãe e seu “Rei” tiveram essa especial dedicação por sua alma: “ Com uma natureza como a minha, se tivesse sido educada por pais sem virtudes, ter-me-ia tornado bem má, talvez me perdendo. Mas Jesus velava por mim, Ele queria que tudo revertesse em meu bem, mesmo os meus defeitos, os quais, cedo reprimidos, me serviriam para adiantar-me na perfeição”. Estas palavras repassadas de gratidão e humildade, e escritas por uma santa tão singular, não deixam dúvida de quanto seus pais foram exemplares e exímios na tarefa de brunir o precioso brilhante que era a alma de sua filha. E que belo fruto alcançaram! Um estímulo a todas as famílias do mundo Edificados por um tão claro exemplo como o da família Martin, esperamos que todos os lares aos quais chegue esta pequena resenha possam deleitar-se com sua leitura e deixar-se envolver por este suave aroma do amor familiar cristão. Seguir o caminho trilhado por Luís e Zélia Martin, longe de ser algo impossível, está ao alcance de todos os casais que queiram abrirse à luz da Igreja e à mensagem de Nosso Senhor Jesus Cristo. Que o exemplo do casal Martin e suas filhas sirva de estímulo às famílias do mundo, para que abram seus ouvidos ao palpitar da Igreja, em especial às palavras do Vigário de Cristo na terra, ponham mãos à obra e saibam dar o testemunho da grande alegria e felicidade de viver em família com Cristo e Maria. ² (Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2006, n. 56, p. 36 à 38) Conheca mais sobre São Luís Martin: Conheça mais sobre Santa Zélia Martin #SantodoDia

  • Bispo excomunga ladrões que pisotearam a Eucaristia

    O bispo de Salto, México, dom Hilario González García, expressou sua “tristeza e indignação” e declarou a excomunhão dos ladrões que roubaram vários objetos de uma igreja católica em Ciudad Frontera, no estado de Coahuila, jogaram no chão e pisaram na Eucaristia. Em um comunicado divulgado na sexta-feira (7), o bispo mexicano disse que o roubo aconteceu na “madrugada” daquele dia, quando desconhecidos “entraram à força na igreja de Nossa Senhora das Dores”. É uma capela que está sob jurisdição da paróquia do Verbo Encarnado. Dom González García disse que os ladrões “roubaram a oferta financeira que estava em um cofrinho e uma parte do equipamento de som”. “Mas o mais grave, e ao mesmo tempo doloroso, é que se cometeu um ato sacrílego, uma vez que a Sagrada Eucaristia foi indevidamente retirada do sacrário, sendo atirada ao chão e pisada”. O bispo declarou que é “um insulto ao lugar sagrado [o templo]; e um sacrilégio contra as Sagradas Espécies Eucarísticas”. Por isso, “quem o perpetrou, se for católico, cometeu um crime contra os sacramentos, e o mereceu, segundo a lei (cân. 1382 §1 – ​​CIC 2021/ cânon 1367 – CIC 1983), da excomunhão latae sententiae”, ou seja, automática. “Como cabe, vou comunicá-lo ao dicastério para a Doutrina da Fé”, disse. Dom González García recordou que, segundo o cânon 1.211 do Código de Direito Canônico, o direito da Igreja Católica, “nos lugares sagrados que foram molestados, o culto não pode ser exercido até que a lesão seja reparada por um rito penitencial ao teor do livros litúrgicos”. O bispo nomeou o padre Néstor Daniel Martínez Sánchez como delegado para realizar o ato de reparação. “Pela gravíssima ofensa cometida contra Nosso Senhor, convido todos os fiéis a se unirem em oração, realizando atos de reparação e promovendo o amor a Jesus Cristo na Eucaristia”, pediu o bispo. “Da mesma forma, convido os fiéis e particularmente os párocos a cuidar com atenção da segurança dos lugares sagrados”, concluiu. Este sacrilégio aconteceu apenas nove dias após o ocorrido na paróquia do santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, em Monclova, a poucos quilômetros de Ciudad Frontera, também no estado de Coahuila, onde desconhecidos roubaram o Santíssimo Sacramento. Na ocasião, o bispo González também declarou a excomunhão dos ladrões. Leia também Um padre pode negar a comunhão? O que é excomunhão? Segundo Enciclopédia Católica, a excomunhão é a pena “mais severa”, que “priva o cristão culpado de toda participação nas bênçãos comuns” da Igreja. Aquele que a recebe “não pode participar do culto público, nem receber o Corpo de Cristo ou qualquer dos sacramentos”. Esta sanção é aplicada a “um delito gravíssimo”, diz a enciclopédia, embora enfatize que se trata de “uma pena medicinal em vez de vingativa, pois não se destina tanto a castigar o culpado, mas a corrigi-lo e trazê-lo de volta ao caminho da retidão”. Leia também Católico que professa comunismo está excomungado, lembra padre

  • Bispo excomunga ladrões que pisotearam a Eucaristia

    O bispo de Salto, México, dom Hilario González García, expressou sua “tristeza e indignação” e declarou a excomunhão dos ladrões que roubaram vários objetos de uma igreja católica em Ciudad Frontera, no estado de Coahuila, jogaram no chão e pisaram na Eucaristia. Em um comunicado divulgado na sexta-feira (7), o bispo mexicano disse que o roubo aconteceu na “madrugada” daquele dia, quando desconhecidos “entraram à força na igreja de Nossa Senhora das Dores”. É uma capela que está sob jurisdição da paróquia do Verbo Encarnado. Dom González García disse que os ladrões “roubaram a oferta financeira que estava em um cofrinho e uma parte do equipamento de som”. “Mas o mais grave, e ao mesmo tempo doloroso, é que se cometeu um ato sacrílego, uma vez que a Sagrada Eucaristia foi indevidamente retirada do sacrário, sendo atirada ao chão e pisada”. O bispo declarou que é “um insulto ao lugar sagrado [o templo]; e um sacrilégio contra as Sagradas Espécies Eucarísticas”. Por isso, “quem o perpetrou, se for católico, cometeu um crime contra os sacramentos, e o mereceu, segundo a lei (cân. 1382 §1 – ​​CIC 2021/ cânon 1367 – CIC 1983), da excomunhão latae sententiae”, ou seja, automática. “Como cabe, vou comunicá-lo ao dicastério para a Doutrina da Fé”, disse. Dom González García recordou que, segundo o cânon 1.211 do Código de Direito Canônico, o direito da Igreja Católica, “nos lugares sagrados que foram molestados, o culto não pode ser exercido até que a lesão seja reparada por um rito penitencial ao teor do livros litúrgicos”. O bispo nomeou o padre Néstor Daniel Martínez Sánchez como delegado para realizar o ato de reparação. “Pela gravíssima ofensa cometida contra Nosso Senhor, convido todos os fiéis a se unirem em oração, realizando atos de reparação e promovendo o amor a Jesus Cristo na Eucaristia”, pediu o bispo. “Da mesma forma, convido os fiéis e particularmente os párocos a cuidar com atenção da segurança dos lugares sagrados”, concluiu. Este sacrilégio aconteceu apenas nove dias após o ocorrido na paróquia do santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, em Monclova, a poucos quilômetros de Ciudad Frontera, também no estado de Coahuila, onde desconhecidos roubaram o Santíssimo Sacramento. Na ocasião, o bispo González também declarou a excomunhão dos ladrões. Leia também Um padre pode negar a comunhão? O que é excomunhão? Segundo Enciclopédia Católica, a excomunhão é a pena “mais severa”, que “priva o cristão culpado de toda participação nas bênçãos comuns” da Igreja. Aquele que a recebe “não pode participar do culto público, nem receber o Corpo de Cristo ou qualquer dos sacramentos”. Esta sanção é aplicada a “um delito gravíssimo”, diz a enciclopédia, embora enfatize que se trata de “uma pena medicinal em vez de vingativa, pois não se destina tanto a castigar o culpado, mas a corrigi-lo e trazê-lo de volta ao caminho da retidão”. Leia também Católico que professa comunismo está excomungado, lembra padre

  • São Bento, padroeiro da Europa – 11 de Julho

    SANTO DO DIA – 11 DE JULHO – SÃO BENTO Abade, padroeiro da Europa (480-547) As informações sobre a vida de Bento nos foram transmitidas pelo seu biógrafo e contemporâneo, papa são Gregório Magno. No livro que enaltece o seu exemplo de santidade de vida, ele não registrou as datas de nascimento e morte. Assim, apenas recebemos da tradição cristã o relato de que Bento viveu entre os anos de 480 e 547. Bento nasceu na cidade de Nórcia, província de Perugia, na Itália. Pertencia à influente e nobre família Anícia e tinha uma irmã gêmea chamada Escolástica, também fundadora e santa da Igreja. Era ainda muito jovem quando foi enviado a Roma para aprender retórica e filosofia. No entanto, decepcionado com a vida mundana e superficial da cidade eterna, retirou-se para Enfide, hoje chamada de Affile. Levando uma vida ascética e reclusa, passou a se dedicar ao estudo da Bíblia e do cristianismo. Ainda não satisfeito, aos vinte anos isolou-se numa gruta do monte Subiaco, sob orientação espiritual de um velho monge da região chamado Romano. Assim viveu por três anos, na oração e na penitência, estudando muito. Depois, agregou-se aos monges de Vicovaro, que logo o elegeram seu prior. Mas a disciplina exigida por Bento era tão rígida, que esses monges indolentes tentaram envenená-lo. Segundo seu biógrafo, ele teria escapado porque, ao benzer o cálice que lhe fora oferecido, o mesmo se partiu em pedaços. Bento abandonou, então, o convento e, na companhia de mais alguns jovens, entre eles Plácido e Mauro, emigrou para Nápoles. Lá, no sopé do monte Cassino, onde antes fora um templo pagão, construiu o seu primeiro mosteiro. Era fechado dos quatro lados como uma fortaleza e aberto no alto como uma grande vasilha que recebia a luz do céu. O símbolo e emblema que escolheu foram a cruz e o arado, que passaram a ser o exemplo da vida católica dali em diante. As regras rígidas não poderiam ser mais simples: ‘Ora e trabalha’. Acrescentando-se a esse lema ‘leia’, pois, para Bento, a leitura devia ter um espaço especial na vida do monge, principalmente a das Sagradas Escrituras. Desse modo, estabelecia-se o ritmo da vida monástica: o justo equilíbrio, do corpo, da alma e do espírito, para manter o ser humano em comunhão com Deus. Ainda, registrou que o monge deve ser ‘não soberbo, não violento, não comilão, não dorminhoco, não preguiçoso, não detrator, não murmurador’. A oração e o trabalho seriam o caminho para edificar espiritual e materialmente a nova sociedade sobre as ruínas do Império Romano que acabara definitivamente. Nesse período, tão crítico para o continente europeu, este monge tão simples, e por isto tão inspirado, propôs um novo modelo de homem: aquele que vive em completa união com Deus, através do seu próprio trabalho, fabricando os próprios instrumentos para lavrar a terra. A partir de Bento, criou-se uma rede monástica, que possibilitou o renascimento da Europa. Celebrado pela Igreja no dia 11 de julho, ele teria profetizado a morte de sua irmã e a própria. São Bento não foi o fundador do monaquismo cristão, que já existia havia três séculos no Oriente. Mas merece o título de ‘Pai do Monaquismo Ocidental’, que ali só se estabeleceu graças às regras que ele elaborou para os seus monges, hoje chamados ‘beneditinos’. Além disto, são Bento foi declarado patrono principal de toda a Europa pelo papa Paulo VI, em 1964, também com justa razão. As representações de São Bento geralmente mostram, junto com o santo, o livro da Regra, um cálice quebrado e um corvo com um pão na boca, em memória ao pão envenenado que recebeu de um sacerdote invejoso. São Gregório conta que, por sua ordem, o corvo levou o pão até onde ninguém o encontrasse. As relíquias de São Bento estão conservadas na crípta da Abadia de Saint-Benoît-sur-Loire (Fleury), próximo a Orleáns e Germigny-des-Prés, no centro da França. Conheça mais sobre São Banto Deus o chamou para ser o “grande patriarca do monaquismo ocidental”. A ordem por ele fundada fez nascer das ruínas do Império Romano a cultura e a civilização européias. O orgulhoso e outrora invicto Império Romano dissolvia-se devastado pelas hordas avassaladoras dos invasores bárbaros. Tudo cedia diante deles: exércitos, muralhas, instituições e costumes eram varridos pela maré montante dos novos dominadores. “O navio afunda!” – exclamava São Jerônimo, que escreveu com tristeza ao receber a notícia da queda de Roma: “A minha voz se extingue; os soluços embargam-me as palavras. Está tomada a ilustre Capital do Império!” A civilização parecia se desfazer num dramático ocaso sem esperança. Entretanto, uma estrela luzia nessa escuridão desconcertante, indicando o verdadeiro rumo dos acontecimentos: na cidade de Hipona cercada pelos vândalos, Santo Agostinho escrevia “A Cidade de Deus”, proclamando que o mundo nascido do paganismo soçobrava irremediavelmente, e a Cidade de Deus – a Santa Igreja Católica – não apenas jamais seria destruída, mas sempre triunfaria sobre qualquer adversidade. Que meios, porém, e que homens utilizaria Deus para desse caos fazer emergir a ordem e o esplendor? Vocação do varão providencial Nos tempos evangélicos, o Divino Mestre chamara obscuros pescadores para serem as colunas de sua Igreja. Agora o Espírito Santo escolhia um jovem para renovar essa sociedade convulsionada e instaurar uma nova civilização. No entanto – oh, paradoxo! – esse rapaz, cujo nome era Bento, nascido de nobre família da Núrsia, em 480, sentiu em si o apelo do Senhor para O seguir no silêncio e na solidão. Seus pais o enviaram a Roma para estudar. Mas logo percebeu ele que, para corresponder ao sobrenatural desejo que ardia em seu coração, não podia permanecer naquele mare magnum, misto de barbárie e cultura romana decadente. Assim, na flor da juventude e sem nunca ter manchado sua inocência batismal, abandonou casa, haveres e estudos, e partiu à procura dum lugar ermo onde pudesse adquirir o conhecimento e o amor de Deus. “Desejava mais os desprezos que os louvores do mundo” A cidade de Enfide (atual Affile), a cerca de 50 quilômetros de Roma, foi o local escolhido para o seu recolhimento. Ali se instalou com sua antiga governanta, que lhe prestava os serviços domésticos. Um pequeno incidente caseiro foi ocasião para o seu primeiro milagre. Encontrou certo dia a governanta chorando porque, por descuido, deixara quebrar um crivo de argila que havia pedido emprestado a uma vizinha para limpar trigo. Compadecendo-se dela, Bento tomou os pedaços do crivo, pôs-se em oração e ele se reconstituiu de forma tão perfeita que nem se notava sinal algum de fratura. Logo se espalhou a notícia desse milagre, trazendo-lhe muita fama. Ele que, segundo relata o Papa São Gregório Magno, “desejava mais os desprezos que os louvores deste mundo”, fugiu da casa de Enfide, indo procurar refúgio num lugar solitário chamado Subiaco, onde se alojou numa minúscula gruta. Uma grande tentação, uma vitória definitiva A caminho de Subiaco, ele encontrou- se com Romano, monge que vivia num mosteiro próximo dali. Em determinados dias, Romano fazia descer por uma corda um pedaço de pão até a gruta de Bento. Durante certo tempo, foi esta a única fonte de alimentação do jovem ermitão. Em breve, porém, tornou-se ele conhecido na região, e muitas pessoas, vindo procurar nutrimento para suas almas, traziam-lhe alimento para seu corpo. Nesse período, sofreu o jovem as mais duras tentações diabólicas. Fortemente provado em certa ocasião contra a virtude da pureza, viu-se a ponto de ceder e até mesmo abandonar sua solidão. Ajudado, porém, pela graça divina, reagindo, despojou-se de sua vestimenta e se atirou numa moita de espinhos e urtigas, na qual se revolveu durante longo tempo. Saiu com o corpo todo ferido, mas com a alma livre da tentação. Tentativa de envenenamento Nos três anos em que passou nesse lugar em completo isolamento, espalhou- se a fama de sua santidade. Tendo falecido o abade de um mosteiro existente por perto, os monges vieram pedir-lhe para assumir esse cargo. De início, Bento recusou, porém, ante a grande insistência dos religiosos, acabou por aceitar. Em pouco tempo, contudo, esses tíbios monges – arrependidos de terem escolhido por superior um homem que lhes exigia o caminho da perfeição – decidiram matál-o, pondo veneno no seu vinho. O Santo traçou um grande sinal-da-cruz sobre a jarra de cristal que lhe foi apresentada e esta se despedaçou. Compreendendo bem o que isso significava, Bento abandonou no mesmo dia o mosteiro de monges relaxados e regressou à estimada solidão de sua gruta. Nasce a Ordem Beneditina Atraídos pelo brilho de suas virtudes e a fama de seus milagres, muitos varões sedentos de sobrenatural foram para junto da gruta para viverem sob sua direção. Formaram-se, assim, sucessivas comunidades. Ao todo, São Bento erigiu ali doze mosteiros, escolhendo um abade para cada casa. Estava fundada a Ordem Beneditina. Nessa época, Subiaco começou a ser visitada por pessoas importantes de Roma que traziam os filhos para serem educados segundo o espírito beneditino. Dentre estes, o Santo abade recrutou dois de seus melhores discípulos: São Mauro e São Plácido. Grande taumaturgo Deus concedeu com largueza a seu servo o dom dos milagres. O abastecimento de água de três dos mosteiros construídos sobrealta montanha acarretava grandes trabalhos aos monges. Estes foram pedir- lhe para se mudarem. Nessa noite, Bento rezou nesse local durante bom tempo e, antes de descer, marcou um ponto com três pedras. No dia seguinte disse àqueles monges: – Ide e cavai no rochedo onde encontrardes três pedras superpostas. Feito isso, de lá brotou água que jorra em abundância até hoje. Bento havia aceitado como monge um homem godo “pobre de espírito”. Certo dia, deu-lhe por missão desbastar o mato à beira do lago para ali plantar uma horta. O homem cortava com vigor o matagal quando a foice desprendeu-se do cabo e caiu no lago, num lugar profundo. Aflito, foi ele confessar a São Mauro sua “falta”. Bento, posto a par do sucedido, foi ao local e enfiou na água a ponta do cabo. Nesse momento a foice subiu do fundo do lago e prendeu-se de novo no cabo. – Toma, trabalha e não te aflijas mais – disse o santo Abade ao monge. Muitos outros milagres operou Deus por intermédio de seu fiel servidor. Ele curou doentes, salvou pessoas de perigos, expulsou demônios, fez um monge andar sobre as águas, e até ressuscitou um menino morto. “Eu estava presente…” Outro dom singular que aprouve ao Senhor conceder-lhe é o de estar presente em espírito junto a seus filhos espirituais, onde fosse necessária sua vigilância de Pai e Fundador. Dois episódios ilustram bem esse prodigioso privilégio. Prescrevia a regra que os monges nada comessem nem bebessem quando saíssem do mosteiro para cumprir alguma incumbência. Um dia dois monges, tendo ficado fora até muito tarde, aceitaram hospitalidade de uma piedosa mulher que lhes serviu alimento e bebida. Voltando ao mosteiro, foram pedir a bênção a São Bento, que os interpelou: – Onde comestes? – Em nenhum lugar – responderam eles. – Por que mentis? Acaso não entrastes na casa de tal mulher e ali comestes tal e tal coisa, e bebestes tantas vezes? Os dois culpados prostraram-se a seus pés e lhe pediram perdão. Havia perto de Subiaco uma comunidade de virtuosas mulheres consagradas ao serviço do Senhor, às quais o Santo enviava com freqüência um monge para lhes dar assistência espiritual. Certo dia, o monge encarregado dessa missão aceitou de presente delas alguns lenços e os escondeu sob o hábito, em seu peito. Regressando ao convento, foi severamente repreendido por São Bento e ficou estupefato pois, tendo já se esquecido da falta cometida, não atinava com o motivo da repreensão. Então o santo Abade lhe disse: “Acaso não estava eu presente quando recebeste das servas de Deus os lenços e os guardaste em teu peito?” Alvo de perseguições Em todos os tempos e lugares, é próprio dos Santos serem alvo da incompreensão e do ódio dos asseclas do demônio. O sacerdote de uma igreja próxima de Subiaco, tomado de inveja, começou a denegrir o gênero de vida de Bento, procurando afastar de sua santa influência todos que podia. Vendo frustrados seus esforços, enviou de presente a Bento um pão envenenado, com o fito dematá-lo. Fracassado também este intento, chegou ao cúmulo de introduzir no jardim do mosteiro sete mulheres de má vida, com esperança de corromper os jovens monges. Compreendendo que tudo isso era feito com intuito de persegui-lo pessoalmente, Bento nomeou prepostos seus em cada um dos doze mosteiros que havia fundado, e retirou-se de Subiaco. Monte Cassino, o caminho para a restauração Dirigiu-se então a Cassino, uma cidadezinha fortificada a meio caminho entre Roma e Nápoles. Havia lá um templo pagão no qual camponeses da região rendiam culto a Apolo. Ao redor do templo, mantinham eles cuidadosamente alguns bosques nos quais ofereciam sacrifícios ao demônio. Ali chegando, o homem de Deus destruiu o ídolo, abateu os bosques e transformou o edifício em igreja erguendo nela um oratório a São João Batista e outro a São Martinho de Tours. Em seguida, deu início à construção do famoso mosteiro de Monte Cassino, o qual teve por único arquiteto o santo Abade e como construtores os próprios monges. O mosteiro de Monte Cassino foi a resposta de Deus à decadência do mundo de sua época. Exemplo de governo patriarcal e de sociedade verdadeiramente cristã, em meio às nações bárbaras, exerceu enorme influência sobre os costumes privados e públicos, tanto na ordem espiritual quanto na temporal. Bispos, abades, príncipes e homens de todas as classes visitavam o Santo, seja para lhe pedir um conselho, seja pela amizade e estima que tinham por ele. Potentados da época, às vezes depois de conquistas e vitórias, iam com freqüência refugiar-se secretamente em Monte Cassino para se embeberem um pouco do espírito beneditino. Descobriu-se, assim, após o desmoronamento do Império Romano, o caminho para a renovação. A Regra dos Monges Enquanto erguia o edifício do novo mosteiro, São Bento erigia interiormente a Obra beneditina sobre uma base mais firme que a rocha, escrevendo sua inspirada e famosíssima Regra dos Monges. Tem ela por objetivo desprender o coração humano das trivialidades, facilitando à alma elevar-se a Deus sem obstáculos, com um proceder sempre sereno, tendo em vista a vida eterna. Com seu conhecido aforismo “Ora et labora” (Reza e trabalha), a Regra tem o mérito de harmonizar no monge a oração e a ação, a ascese e a mística. A Regra escrita por São Bento produziu benéficos frutos em toda a Cristandade. Este sábio conjunto de normas vigorou quase com exclusividade nos mosteiros de Ocidente durante oito séculos. A santidade e o espírito valem mais que a Regra Entretanto, mais que a Regra, foram a santidade e o espírito de seu Fundador que deram à Ordem Beneditina a estabilidade, a força de expansão e a eficácia da sua ação civilizadora. Inspirados pela busca da perfeição na obediência, no esplendor da liturgia, no primor do canto gregoriano e no amor à beleza posta a serviço de Deus, os filhos de São Bento exerceram um papel fundamental na cultura, nos costumes e nas instituições das nações que formaram a Cristandade medieval. A Ordem de São Bento teve um extraordinário surto de desenvolvimento a partir do século X, com a fundação da Abadia de Cluny. No seu apogeu, 17 mil mosteiros estavam subordinados a ela. Nações inteiras foram convertidas à Fé cristã pelos discípulos do santo Patriarca. Muitas famosas universidades – Paris, Cambridge, Bolonha, Oviedo, Salamanca, Salzburgo – nasceram como desdobramentos de colégios beneditinos. Inúmeros mártires deram valorosamente a vida pronunciando o nome de seu Fundador. Plêiades de cardeais, bispos e santos doutores tinham-no por mestre. Mais de 30 papas seguiram sua inspirada Regra. Finalmente, há 1500 anos, incontáveis almas se consagram a Deus sob a égide de sua santa Instituição. Pode-se, pois, com toda propriedade, comparar ao grão de mostarda da parábola do Divino Mestre a Obra do Pai do Monaquismo Ocidental: “É esta a menor de todas as sementes, mas, quando cresce, torna-se um arbusto maior que todas as hortaliças, de sorte que os pássaros vêm aninhar-se em seus ramos” (Mt 13,32). Morreu de pé, como valente guerreiro O santo Abade anunciou com meses de antecedência a data de sua morte. Seis dias antes, mandou preparar a sepultura. Logo foi atacado por violenta febre. Como a enfermidade se agravava cada vez mais, no dia anunciado fez-se conduzir ao oratório onde, fortalecido pela recepção da Santíssima Eucaristia e apoiado nos braços de seus discípulos, morreu de pé com as mãos levantadas aos Céus e os lábios pronunciando a última oração. Era o dia 21 de março de 547. Foi enterrado no local onde havia outrora edificado o oratório de São João Batista, em Monte Cassino. **** A última visita de Santa Escolástica Escolástica, fundadora do ramo feminino da Ordem Beneditina, era irmã gêmea de São Bento e estava desde a infância consagrada a Deus. Todo ano ela lhe fazia uma visita para conversarem sobre os assuntos relativos à vida eterna. O santo Abade a recebia numa casa pertencente ao Mosteiro de Monte Cassino, situada não longe dali. No ano da partida da Santa para o Céu (547), veio ela como de costume, e seu santo irmão foi encontrá-la na mencionada casa, acompanhado de alguns de seus discípulos. Passaram todo o dia em elevados colóquios, os quais se prolongaram até uma hora avançada da noite. Pressentindo que estava próximo o dia de sua morte, Escolástica disse a seu irmão: – Suplico-te que não vás agora, para podermos conversar até amanhã sobre as alegrias da vida celestial. – Que me dizes, irmã?! De modo algum posso passar a noite fora do mosteiro! Ante essa resposta, a Santa apoiou nas mãos a cabeça e rezou durante alguns instantes. Até então, o céu estava plácido e límpido. Quando, porém, ela levantou a cabeça, desabou uma chuva torrencial, com relâmpagos e trovões tão violentos que o Abade e seus discípulos não podiam sequer pensar em sair da casa. – Que Deus todo-poderoso te perdoe, irmã! O que fizeste? – Supliquei a ti e não quiseste atender-me. Roguei ao meu Senhor e Ele ouviu-me. Agora sai, se podes, e regressa ao mosteiro… São Bento compreendeu que deveria conceder por força aquilo que, por amor à Regra, ele não tinha querido dar voluntariamente. E assim passaram em vigília toda aquela noite, discorrendo sobre a vida espiritual. * * * Três dias depois, estando recolhido em sua cela, São Bento viu a alma de Santa Escolástica sair do corpo em forma de uma pomba e elevar-se ao Céu. Comunicou o fato aos monges e enviou alguns deles para buscar aquele santo cadáver, o qual foi depositado no sepulcro que ele havia preparado para si próprio. “Assim, nem sequer a sepultura pôde separar os corpos daqueles cujas almas haviam permanecido sempre unidas no Senhor”- conclui São Gregório Magno na sua obra “Vida de São Bento”. Regra de São Bento Escuta, filho, os preceitos do Mestre, e inclina o ouvido do teu coração; recebe de boa vontade e executa eficazmente o conselho de um bom pai, para que voltes, pelo labor da obediência, Àquele de quem te afastaste pela desídia da desobediência. A ti, pois, se dirige agora a minha palavra, quem quer que sejas que, renunciando às próprias vontades, empunhas as gloriosas e poderosíssimas armas da obediência para militar sob o Cristo Senhor, verdadeiro Rei. Antes de tudo, quando empreenderes algo de bom, pede-Lhe com oração muito insistente que seja por Ele plenamente realizado, a fim de que nunca venha a entristecer-Se, por causa das nossas más ações, Aquele que já Se dignou contar-nos no número de seus filhos; assim, pois, devemos obedecer-Lhe em todo tempo, usando de seus dons a nós concedidos para que não só não venha jamais, como Pai irado, a deserdar seus filhos, nem tenha também, qual Senhor temível, irritado com nossas más ações, de entregar-nos à pena eterna como péssimos servos que não quiseram segui-Lo para a glória. (Prólogo da Regra de São Bento) Fontes: Revista Arautos do Evangelho, Julho/2005, n.43, p. 23 à 25 Site:http://www.starnews2001.com.br/benedictus.html #SantodoDia

  • São Bento, padroeiro da Europa – 11 de Julho

    SANTO DO DIA – 11 DE JULHO – SÃO BENTO Abade, padroeiro da Europa (480-547) As informações sobre a vida de Bento nos foram transmitidas pelo seu biógrafo e contemporâneo, papa são Gregório Magno. No livro que enaltece o seu exemplo de santidade de vida, ele não registrou as datas de nascimento e morte. Assim, apenas recebemos da tradição cristã o relato de que Bento viveu entre os anos de 480 e 547. Bento nasceu na cidade de Nórcia, província de Perugia, na Itália. Pertencia à influente e nobre família Anícia e tinha uma irmã gêmea chamada Escolástica, também fundadora e santa da Igreja. Era ainda muito jovem quando foi enviado a Roma para aprender retórica e filosofia. No entanto, decepcionado com a vida mundana e superficial da cidade eterna, retirou-se para Enfide, hoje chamada de Affile. Levando uma vida ascética e reclusa, passou a se dedicar ao estudo da Bíblia e do cristianismo. Ainda não satisfeito, aos vinte anos isolou-se numa gruta do monte Subiaco, sob orientação espiritual de um velho monge da região chamado Romano. Assim viveu por três anos, na oração e na penitência, estudando muito. Depois, agregou-se aos monges de Vicovaro, que logo o elegeram seu prior. Mas a disciplina exigida por Bento era tão rígida, que esses monges indolentes tentaram envenená-lo. Segundo seu biógrafo, ele teria escapado porque, ao benzer o cálice que lhe fora oferecido, o mesmo se partiu em pedaços. Bento abandonou, então, o convento e, na companhia de mais alguns jovens, entre eles Plácido e Mauro, emigrou para Nápoles. Lá, no sopé do monte Cassino, onde antes fora um templo pagão, construiu o seu primeiro mosteiro. Era fechado dos quatro lados como uma fortaleza e aberto no alto como uma grande vasilha que recebia a luz do céu. O símbolo e emblema que escolheu foram a cruz e o arado, que passaram a ser o exemplo da vida católica dali em diante. As regras rígidas não poderiam ser mais simples: ‘Ora e trabalha’. Acrescentando-se a esse lema ‘leia’, pois, para Bento, a leitura devia ter um espaço especial na vida do monge, principalmente a das Sagradas Escrituras. Desse modo, estabelecia-se o ritmo da vida monástica: o justo equilíbrio, do corpo, da alma e do espírito, para manter o ser humano em comunhão com Deus. Ainda, registrou que o monge deve ser ‘não soberbo, não violento, não comilão, não dorminhoco, não preguiçoso, não detrator, não murmurador’. A oração e o trabalho seriam o caminho para edificar espiritual e materialmente a nova sociedade sobre as ruínas do Império Romano que acabara definitivamente. Nesse período, tão crítico para o continente europeu, este monge tão simples, e por isto tão inspirado, propôs um novo modelo de homem: aquele que vive em completa união com Deus, através do seu próprio trabalho, fabricando os próprios instrumentos para lavrar a terra. A partir de Bento, criou-se uma rede monástica, que possibilitou o renascimento da Europa. Celebrado pela Igreja no dia 11 de julho, ele teria profetizado a morte de sua irmã e a própria. São Bento não foi o fundador do monaquismo cristão, que já existia havia três séculos no Oriente. Mas merece o título de ‘Pai do Monaquismo Ocidental’, que ali só se estabeleceu graças às regras que ele elaborou para os seus monges, hoje chamados ‘beneditinos’. Além disto, são Bento foi declarado patrono principal de toda a Europa pelo papa Paulo VI, em 1964, também com justa razão. As representações de São Bento geralmente mostram, junto com o santo, o livro da Regra, um cálice quebrado e um corvo com um pão na boca, em memória ao pão envenenado que recebeu de um sacerdote invejoso. São Gregório conta que, por sua ordem, o corvo levou o pão até onde ninguém o encontrasse. As relíquias de São Bento estão conservadas na crípta da Abadia de Saint-Benoît-sur-Loire (Fleury), próximo a Orleáns e Germigny-des-Prés, no centro da França. Conheça mais sobre São Banto Deus o chamou para ser o “grande patriarca do monaquismo ocidental”. A ordem por ele fundada fez nascer das ruínas do Império Romano a cultura e a civilização européias. O orgulhoso e outrora invicto Império Romano dissolvia-se devastado pelas hordas avassaladoras dos invasores bárbaros. Tudo cedia diante deles: exércitos, muralhas, instituições e costumes eram varridos pela maré montante dos novos dominadores. “O navio afunda!” – exclamava São Jerônimo, que escreveu com tristeza ao receber a notícia da queda de Roma: “A minha voz se extingue; os soluços embargam-me as palavras. Está tomada a ilustre Capital do Império!” A civilização parecia se desfazer num dramático ocaso sem esperança. Entretanto, uma estrela luzia nessa escuridão desconcertante, indicando o verdadeiro rumo dos acontecimentos: na cidade de Hipona cercada pelos vândalos, Santo Agostinho escrevia “A Cidade de Deus”, proclamando que o mundo nascido do paganismo soçobrava irremediavelmente, e a Cidade de Deus – a Santa Igreja Católica – não apenas jamais seria destruída, mas sempre triunfaria sobre qualquer adversidade. Que meios, porém, e que homens utilizaria Deus para desse caos fazer emergir a ordem e o esplendor? Vocação do varão providencial Nos tempos evangélicos, o Divino Mestre chamara obscuros pescadores para serem as colunas de sua Igreja. Agora o Espírito Santo escolhia um jovem para renovar essa sociedade convulsionada e instaurar uma nova civilização. No entanto – oh, paradoxo! – esse rapaz, cujo nome era Bento, nascido de nobre família da Núrsia, em 480, sentiu em si o apelo do Senhor para O seguir no silêncio e na solidão. Seus pais o enviaram a Roma para estudar. Mas logo percebeu ele que, para corresponder ao sobrenatural desejo que ardia em seu coração, não podia permanecer naquele mare magnum, misto de barbárie e cultura romana decadente. Assim, na flor da juventude e sem nunca ter manchado sua inocência batismal, abandonou casa, haveres e estudos, e partiu à procura dum lugar ermo onde pudesse adquirir o conhecimento e o amor de Deus. “Desejava mais os desprezos que os louvores do mundo” A cidade de Enfide (atual Affile), a cerca de 50 quilômetros de Roma, foi o local escolhido para o seu recolhimento. Ali se instalou com sua antiga governanta, que lhe prestava os serviços domésticos. Um pequeno incidente caseiro foi ocasião para o seu primeiro milagre. Encontrou certo dia a governanta chorando porque, por descuido, deixara quebrar um crivo de argila que havia pedido emprestado a uma vizinha para limpar trigo. Compadecendo-se dela, Bento tomou os pedaços do crivo, pôs-se em oração e ele se reconstituiu de forma tão perfeita que nem se notava sinal algum de fratura. Logo se espalhou a notícia desse milagre, trazendo-lhe muita fama. Ele que, segundo relata o Papa São Gregório Magno, “desejava mais os desprezos que os louvores deste mundo”, fugiu da casa de Enfide, indo procurar refúgio num lugar solitário chamado Subiaco, onde se alojou numa minúscula gruta. Uma grande tentação, uma vitória definitiva A caminho de Subiaco, ele encontrou- se com Romano, monge que vivia num mosteiro próximo dali. Em determinados dias, Romano fazia descer por uma corda um pedaço de pão até a gruta de Bento. Durante certo tempo, foi esta a única fonte de alimentação do jovem ermitão. Em breve, porém, tornou-se ele conhecido na região, e muitas pessoas, vindo procurar nutrimento para suas almas, traziam-lhe alimento para seu corpo. Nesse período, sofreu o jovem as mais duras tentações diabólicas. Fortemente provado em certa ocasião contra a virtude da pureza, viu-se a ponto de ceder e até mesmo abandonar sua solidão. Ajudado, porém, pela graça divina, reagindo, despojou-se de sua vestimenta e se atirou numa moita de espinhos e urtigas, na qual se revolveu durante longo tempo. Saiu com o corpo todo ferido, mas com a alma livre da tentação. Tentativa de envenenamento Nos três anos em que passou nesse lugar em completo isolamento, espalhou- se a fama de sua santidade. Tendo falecido o abade de um mosteiro existente por perto, os monges vieram pedir-lhe para assumir esse cargo. De início, Bento recusou, porém, ante a grande insistência dos religiosos, acabou por aceitar. Em pouco tempo, contudo, esses tíbios monges – arrependidos de terem escolhido por superior um homem que lhes exigia o caminho da perfeição – decidiram matál-o, pondo veneno no seu vinho. O Santo traçou um grande sinal-da-cruz sobre a jarra de cristal que lhe foi apresentada e esta se despedaçou. Compreendendo bem o que isso significava, Bento abandonou no mesmo dia o mosteiro de monges relaxados e regressou à estimada solidão de sua gruta. Nasce a Ordem Beneditina Atraídos pelo brilho de suas virtudes e a fama de seus milagres, muitos varões sedentos de sobrenatural foram para junto da gruta para viverem sob sua direção. Formaram-se, assim, sucessivas comunidades. Ao todo, São Bento erigiu ali doze mosteiros, escolhendo um abade para cada casa. Estava fundada a Ordem Beneditina. Nessa época, Subiaco começou a ser visitada por pessoas importantes de Roma que traziam os filhos para serem educados segundo o espírito beneditino. Dentre estes, o Santo abade recrutou dois de seus melhores discípulos: São Mauro e São Plácido. Grande taumaturgo Deus concedeu com largueza a seu servo o dom dos milagres. O abastecimento de água de três dos mosteiros construídos sobrealta montanha acarretava grandes trabalhos aos monges. Estes foram pedir- lhe para se mudarem. Nessa noite, Bento rezou nesse local durante bom tempo e, antes de descer, marcou um ponto com três pedras. No dia seguinte disse àqueles monges: – Ide e cavai no rochedo onde encontrardes três pedras superpostas. Feito isso, de lá brotou água que jorra em abundância até hoje. Bento havia aceitado como monge um homem godo “pobre de espírito”. Certo dia, deu-lhe por missão desbastar o mato à beira do lago para ali plantar uma horta. O homem cortava com vigor o matagal quando a foice desprendeu-se do cabo e caiu no lago, num lugar profundo. Aflito, foi ele confessar a São Mauro sua “falta”. Bento, posto a par do sucedido, foi ao local e enfiou na água a ponta do cabo. Nesse momento a foice subiu do fundo do lago e prendeu-se de novo no cabo. – Toma, trabalha e não te aflijas mais – disse o santo Abade ao monge. Muitos outros milagres operou Deus por intermédio de seu fiel servidor. Ele curou doentes, salvou pessoas de perigos, expulsou demônios, fez um monge andar sobre as águas, e até ressuscitou um menino morto. “Eu estava presente…” Outro dom singular que aprouve ao Senhor conceder-lhe é o de estar presente em espírito junto a seus filhos espirituais, onde fosse necessária sua vigilância de Pai e Fundador. Dois episódios ilustram bem esse prodigioso privilégio. Prescrevia a regra que os monges nada comessem nem bebessem quando saíssem do mosteiro para cumprir alguma incumbência. Um dia dois monges, tendo ficado fora até muito tarde, aceitaram hospitalidade de uma piedosa mulher que lhes serviu alimento e bebida. Voltando ao mosteiro, foram pedir a bênção a São Bento, que os interpelou: – Onde comestes? – Em nenhum lugar – responderam eles. – Por que mentis? Acaso não entrastes na casa de tal mulher e ali comestes tal e tal coisa, e bebestes tantas vezes? Os dois culpados prostraram-se a seus pés e lhe pediram perdão. Havia perto de Subiaco uma comunidade de virtuosas mulheres consagradas ao serviço do Senhor, às quais o Santo enviava com freqüência um monge para lhes dar assistência espiritual. Certo dia, o monge encarregado dessa missão aceitou de presente delas alguns lenços e os escondeu sob o hábito, em seu peito. Regressando ao convento, foi severamente repreendido por São Bento e ficou estupefato pois, tendo já se esquecido da falta cometida, não atinava com o motivo da repreensão. Então o santo Abade lhe disse: “Acaso não estava eu presente quando recebeste das servas de Deus os lenços e os guardaste em teu peito?” Alvo de perseguições Em todos os tempos e lugares, é próprio dos Santos serem alvo da incompreensão e do ódio dos asseclas do demônio. O sacerdote de uma igreja próxima de Subiaco, tomado de inveja, começou a denegrir o gênero de vida de Bento, procurando afastar de sua santa influência todos que podia. Vendo frustrados seus esforços, enviou de presente a Bento um pão envenenado, com o fito dematá-lo. Fracassado também este intento, chegou ao cúmulo de introduzir no jardim do mosteiro sete mulheres de má vida, com esperança de corromper os jovens monges. Compreendendo que tudo isso era feito com intuito de persegui-lo pessoalmente, Bento nomeou prepostos seus em cada um dos doze mosteiros que havia fundado, e retirou-se de Subiaco. Monte Cassino, o caminho para a restauração Dirigiu-se então a Cassino, uma cidadezinha fortificada a meio caminho entre Roma e Nápoles. Havia lá um templo pagão no qual camponeses da região rendiam culto a Apolo. Ao redor do templo, mantinham eles cuidadosamente alguns bosques nos quais ofereciam sacrifícios ao demônio. Ali chegando, o homem de Deus destruiu o ídolo, abateu os bosques e transformou o edifício em igreja erguendo nela um oratório a São João Batista e outro a São Martinho de Tours. Em seguida, deu início à construção do famoso mosteiro de Monte Cassino, o qual teve por único arquiteto o santo Abade e como construtores os próprios monges. O mosteiro de Monte Cassino foi a resposta de Deus à decadência do mundo de sua época. Exemplo de governo patriarcal e de sociedade verdadeiramente cristã, em meio às nações bárbaras, exerceu enorme influência sobre os costumes privados e públicos, tanto na ordem espiritual quanto na temporal. Bispos, abades, príncipes e homens de todas as classes visitavam o Santo, seja para lhe pedir um conselho, seja pela amizade e estima que tinham por ele. Potentados da época, às vezes depois de conquistas e vitórias, iam com freqüência refugiar-se secretamente em Monte Cassino para se embeberem um pouco do espírito beneditino. Descobriu-se, assim, após o desmoronamento do Império Romano, o caminho para a renovação. A Regra dos Monges Enquanto erguia o edifício do novo mosteiro, São Bento erigia interiormente a Obra beneditina sobre uma base mais firme que a rocha, escrevendo sua inspirada e famosíssima Regra dos Monges. Tem ela por objetivo desprender o coração humano das trivialidades, facilitando à alma elevar-se a Deus sem obstáculos, com um proceder sempre sereno, tendo em vista a vida eterna. Com seu conhecido aforismo “Ora et labora” (Reza e trabalha), a Regra tem o mérito de harmonizar no monge a oração e a ação, a ascese e a mística. A Regra escrita por São Bento produziu benéficos frutos em toda a Cristandade. Este sábio conjunto de normas vigorou quase com exclusividade nos mosteiros de Ocidente durante oito séculos. A santidade e o espírito valem mais que a Regra Entretanto, mais que a Regra, foram a santidade e o espírito de seu Fundador que deram à Ordem Beneditina a estabilidade, a força de expansão e a eficácia da sua ação civilizadora. Inspirados pela busca da perfeição na obediência, no esplendor da liturgia, no primor do canto gregoriano e no amor à beleza posta a serviço de Deus, os filhos de São Bento exerceram um papel fundamental na cultura, nos costumes e nas instituições das nações que formaram a Cristandade medieval. A Ordem de São Bento teve um extraordinário surto de desenvolvimento a partir do século X, com a fundação da Abadia de Cluny. No seu apogeu, 17 mil mosteiros estavam subordinados a ela. Nações inteiras foram convertidas à Fé cristã pelos discípulos do santo Patriarca. Muitas famosas universidades – Paris, Cambridge, Bolonha, Oviedo, Salamanca, Salzburgo – nasceram como desdobramentos de colégios beneditinos. Inúmeros mártires deram valorosamente a vida pronunciando o nome de seu Fundador. Plêiades de cardeais, bispos e santos doutores tinham-no por mestre. Mais de 30 papas seguiram sua inspirada Regra. Finalmente, há 1500 anos, incontáveis almas se consagram a Deus sob a égide de sua santa Instituição. Pode-se, pois, com toda propriedade, comparar ao grão de mostarda da parábola do Divino Mestre a Obra do Pai do Monaquismo Ocidental: “É esta a menor de todas as sementes, mas, quando cresce, torna-se um arbusto maior que todas as hortaliças, de sorte que os pássaros vêm aninhar-se em seus ramos” (Mt 13,32). Morreu de pé, como valente guerreiro O santo Abade anunciou com meses de antecedência a data de sua morte. Seis dias antes, mandou preparar a sepultura. Logo foi atacado por violenta febre. Como a enfermidade se agravava cada vez mais, no dia anunciado fez-se conduzir ao oratório onde, fortalecido pela recepção da Santíssima Eucaristia e apoiado nos braços de seus discípulos, morreu de pé com as mãos levantadas aos Céus e os lábios pronunciando a última oração. Era o dia 21 de março de 547. Foi enterrado no local onde havia outrora edificado o oratório de São João Batista, em Monte Cassino. **** A última visita de Santa Escolástica Escolástica, fundadora do ramo feminino da Ordem Beneditina, era irmã gêmea de São Bento e estava desde a infância consagrada a Deus. Todo ano ela lhe fazia uma visita para conversarem sobre os assuntos relativos à vida eterna. O santo Abade a recebia numa casa pertencente ao Mosteiro de Monte Cassino, situada não longe dali. No ano da partida da Santa para o Céu (547), veio ela como de costume, e seu santo irmão foi encontrá-la na mencionada casa, acompanhado de alguns de seus discípulos. Passaram todo o dia em elevados colóquios, os quais se prolongaram até uma hora avançada da noite. Pressentindo que estava próximo o dia de sua morte, Escolástica disse a seu irmão: – Suplico-te que não vás agora, para podermos conversar até amanhã sobre as alegrias da vida celestial. – Que me dizes, irmã?! De modo algum posso passar a noite fora do mosteiro! Ante essa resposta, a Santa apoiou nas mãos a cabeça e rezou durante alguns instantes. Até então, o céu estava plácido e límpido. Quando, porém, ela levantou a cabeça, desabou uma chuva torrencial, com relâmpagos e trovões tão violentos que o Abade e seus discípulos não podiam sequer pensar em sair da casa. – Que Deus todo-poderoso te perdoe, irmã! O que fizeste? – Supliquei a ti e não quiseste atender-me. Roguei ao meu Senhor e Ele ouviu-me. Agora sai, se podes, e regressa ao mosteiro… São Bento compreendeu que deveria conceder por força aquilo que, por amor à Regra, ele não tinha querido dar voluntariamente. E assim passaram em vigília toda aquela noite, discorrendo sobre a vida espiritual. * * * Três dias depois, estando recolhido em sua cela, São Bento viu a alma de Santa Escolástica sair do corpo em forma de uma pomba e elevar-se ao Céu. Comunicou o fato aos monges e enviou alguns deles para buscar aquele santo cadáver, o qual foi depositado no sepulcro que ele havia preparado para si próprio. “Assim, nem sequer a sepultura pôde separar os corpos daqueles cujas almas haviam permanecido sempre unidas no Senhor”- conclui São Gregório Magno na sua obra “Vida de São Bento”. Regra de São Bento Escuta, filho, os preceitos do Mestre, e inclina o ouvido do teu coração; recebe de boa vontade e executa eficazmente o conselho de um bom pai, para que voltes, pelo labor da obediência, Àquele de quem te afastaste pela desídia da desobediência. A ti, pois, se dirige agora a minha palavra, quem quer que sejas que, renunciando às próprias vontades, empunhas as gloriosas e poderosíssimas armas da obediência para militar sob o Cristo Senhor, verdadeiro Rei. Antes de tudo, quando empreenderes algo de bom, pede-Lhe com oração muito insistente que seja por Ele plenamente realizado, a fim de que nunca venha a entristecer-Se, por causa das nossas más ações, Aquele que já Se dignou contar-nos no número de seus filhos; assim, pois, devemos obedecer-Lhe em todo tempo, usando de seus dons a nós concedidos para que não só não venha jamais, como Pai irado, a deserdar seus filhos, nem tenha também, qual Senhor temível, irritado com nossas más ações, de entregar-nos à pena eterna como péssimos servos que não quiseram segui-Lo para a glória. (Prólogo da Regra de São Bento) Fontes: Revista Arautos do Evangelho, Julho/2005, n.43, p. 23 à 25 Site:http://www.starnews2001.com.br/benedictus.html #SantodoDia

  • Santa Verônica Giuliani, mestra espiritual de Padre Pio – 10 de Julho

    Uma mística que experimentou os estígmas da Paixão de Cristo. Mesmo separados por dois séculos, o Padre Pio e esta santa receberam o mesmo hábito franciscano, a mesma vocação às perseguições e o mesmo dom dos estigmas de Nosso Senhor. Conheça a vida de Santa Verônica Giuliani. No dia 10 de julho, a Igreja celebra a memória de Santa Verônica Giuliani, uma religiosa capuchinha que recebeu os estigmas de Nosso Senhor e cujo testemunho serviu de inspiração para São Pio de Pietrelcina buscar a santidade. Seu legado é tamanho que possivelmente um dia ela será proclamada “Doutora da Igreja”, sobretudo “Doutora do mistério da expiação”, uma vez que sua vida não foi outra coisa senão um modelo de como devemos nos unir à Paixão de Cristo [1]. Nas mais de 22 mil páginas de seu diário espiritual, escrito a pedido de Deus e da Virgem Santíssima, ela ensina como Jesus, tendo morrido na Cruz para nos salvar, quer que participemos dessa salvação por meio de nossos sofrimentos. Sabendo da grandiosidade desse texto, o próprio diabo vinha atormentá-la, a fim de que ela vacilasse e deixasse o assunto de lado. Não deixa de ser curioso, portanto, o fato de que, mesmo possuindo um grande legado espiritual, Verônica ainda seja uma ilustre desconhecida para a maior parte das pessoas. Porém, os santos têm missões na Igreja que não necessariamente se iniciam em sua época. Então, apesar de ter nascido em 1660 e falecido em 1727, Santa Verônica certamente é uma grande mestra para os nossos tempos, pois ela nos ensina como o sofrimento pode ser transformado em amor. Uma eleita de Deus Santa Verônica nasceu no pequeno município de Mercatello, na Itália, em 27 de dezembro de 1660. Seu nome de batismo era Úrsula Giuliani. Desde muito pequena, já lhe aconteciam fenômenos extraordinários como manifestações da sua eleição, embora ainda não possuísse virtudes humanas elogiáveis e muito menos virtudes teologais que indicassem sua santidade. Nesse sentido, é interessante observar que, a partir de 14 de agosto de 1720, enquanto ela escrevia o próprio diário, Nossa Senhora apareceu-lhe e começou a ditar coisas de sua infância das quais ela não se recordava. Santa Verônica anotava tudo exatamente como Nossa Senhora ditava, de modo que essas partes estão narradas na segunda pessoa do singular e, inclusive, aparecem por extenso as orientações de pontuação feitas pela Virgem. Entre os diversos fatos de sua infância, a Virgem Santíssima recordou-lhe que, com um ano e meio de vida, a pequena Úrsula foi ao mercado com sua mãe e viu um comerciante trapaceando na venda de azeite e, então, com autoridade divina, ela lhe disse: “Não trapaceie na venda, pois Deus vê tudo”. Posteriormente, com três anos, ao ouvir sua mãe e suas irmãs falarem sobre a vida dos mártires, ela passou a desejar o martírio também. Algo semelhante ocorreu quando Santa Verônica soube da vida de Santa Rosa de Lima, que se flagelava em segredo. Para imitar Santa Rosa, ela então fez pequenos nós em seu avental com a intenção de se flagelar, mas sua mãe acabou descobrindo e frustrou seus planos. Por outro lado, há acontecimentos da infância de Santa Verônica que mostram um uso da razão muito imperfeito, como, por exemplo, quando sua família preparou vários bolos para servir às visitas, e a pequena Úrsula julgou que aquelas pessoas ricas não precisavam daquelas guloseimas, mas sim os pobres; ela, então, amassou todos os bolos, para que não fossem servidos, mas sim doados aos pobres. Ela também fazia atos de piedade e tinha o costume de fazer pequenos altares para Nossa Senhora, e quando suas irmãs não queriam ajudá-la, fazia coisas absurdas como empurrá-las da escada, mostrando assim sua natureza colérica. Apesar dessas peripécias, a pequena Úrsula também tinha experiências sobrenaturais. Numa ocasião em que ela colhia flores no jardim para preparar o altar de Nossa Senhora, o menino Jesus apareceu a ela, disse-lhe: “Eu sou a tua flor” e saiu correndo. Ela correu atrás dele e quando chegou no quadro de Nossa Senhora — diante do qual ela fazia os altares — encontrou o menino Jesus, nos braços da Virgem, e começou a exigir de Maria que lhe desse o menino. De tanto insistir, Nossa Senhora desceu o menino e o colocou nos seus braços. Outro fato sobrenatural é que, quando seus familiares voltavam da Missa, ela sentia um odor divino que exalava daqueles que comungavam. A pequena Úrsula imaginava que aquilo era algo normal, que todos eram capazes de sentir. Além disso, quando ela ia à Missa, enxergava o menino Jesus dentro da hóstia consagrada. E, quando recebeu a primeira Eucaristia, com dez anos de idade, sentiu um fogo abrasador em seu coração. Achando que aquilo era experimentado por todos, perguntou ingenuamente aos seus familiares: “Quanto tempo dura esse fogo depois que comungamos?” Uma santa configurada ao Cristo Crucificado Podemos dizer que Santa Verônica começou a despontar para a santidade e ser provada nas virtudes a partir da adolescência, quando se iniciaram as distrações mundanas que o pai lhe sugeria, com a intenção de dissuadi-la do sonho de ser religiosa. Em seu diário, ela conta que o pai a levava para pequenas recreações e isso lhe diminuía o fervor. Seu pai fez de tudo para ela não ser religiosa, de modo que ela adoeceu fortemente e só melhorava quando alguém lhe falava sobre a vida religiosa. Por causa disso, seu pai não teve outra alternativa, senão ceder ao desejo da filha, permitindo que ela seguisse a própria vocação. Com 16 anos, Santa Verônica foi visitar suas irmãs que eram religiosas no mosteiro das Clarissas em Mercatello. Por essa ocasião, uma de suas irmãs tentou convencê-la a não ser religiosa, o que provocou uma resposta contundente de Verônica: “Muito me admira a Senhora, que é religiosa, não seguir o exemplo de Santa Clara de incentivar as vocações e ainda me dizer para buscar distrações mundanas”. Devido a esse episódio, ela resolveu buscar um convento em que houvesse uma regra mais penitente. Assim, com 17 anos, ingressou no convento das monjas Capuchinhas de Città di Castello, onde foi recebida com o nome de Verônica. No início da vida religiosa, ela sentiu grande angústia por estar no convento, apesar de ter certeza de sua vocação. Sua alma estava em paz e convicta, mas seu corpo estava inquieto e se sentia oprimido pelas paredes do mosteiro. Com isso, ela começou a perceber o antagonismo que muitas vezes existe entre as aspirações da alma e as paixões do corpo. Além disso, o demônio também começou a tentá-la e apareceu na sua cela, como se fosse a mestra de noviças, dizendo que não era para se confessar mais com seu diretor espiritual, pois já havia boatos de que eles tinham um caso e aquilo seria um grande escândalo para a congregação. Tempos depois, ela descobriu que aquelas não eram ordens da mestra, mas tentações do demônio. Uma das grandes marcas da vida de Santa Verônica foi sua configuração a Cristo, na sua Paixão, sofrendo com Ele pela conversão dos pecadores. Tanto que no leito de morte, ela chamou suas irmãs de mosteiro e lhes disse: “O amor se fez encontrar, digam isso a todas as religiosas. Esta é a causa do meu sofrimento” . Esses sofrimentos a que ela se referia não eram apenas dores naturais resultantes de algum problema de saúde, mas fenômenos sobrenaturais e extraordinários que lhe proporcionaram a dolorosa oportunidade de se unir a Cristo. Entre esses acontecimentos, está o fato de que, com 21 anos, ela recebeu em sua cabeça uma coroa de espinhos, experimentando imensurável dor, que permaneceu até sua morte. Além das mortificações que fazia para se oferecer em sacrifício pela conversão dos pecadores, Nosso Senhor concedeu-lhe a experiência extraordinária da transverberação do coração, bem como a realidade dos estigmas. Por fim, seus últimos 33 dias de vida foram marcados por intenso sofrimento no leito de morte. Vemos, portanto, que Santa Verônica Giuliani foi tão agraciada com fenômenos extraordinários que, embora isso não seja algo imitável, porque se trata de pura obra da graça de Deus, deve, contudo, ser conhecido, a fim de que busquemos o principal do ensinamento dela, que é a união por amor aos sofrimentos de Jesus. Aqueles que têm dificuldade de entender esses sofrimentos de Santa Verônica possuem, na verdade, uma dificuldade de compreender o Cristo Crucificado. O próprio São Paulo, na Carta aos Colossenses, já destacava a necessidade de nos unirmos a Nosso Senhor em sua Paixão: “Completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo” (1, 24). Todo o sofrimento na vida de Verônica estava vinculado à realidade da esposa que se configura ao Divino Esposo, Jesus Cristo. Nesse sentido, ela assume o papel da Igreja enquanto esposa. Uma das realidades sobrenaturais que mais lhe trouxe sofrimentos — em todos os âmbitos — foram os estigmas, que ela recebeu em 5 de abril de 1697, aos 37 anos. Depois de passar por um intenso momento de contrição e purgação, Verônica teve a visão de Jesus Crucificado, com Nossa Senhora das Dores aos pés da Cruz. Nessa visão, a Virgem Maria pediu ao seu filho que ela fosse agraciada com os estigmas. Jesus lhos concedeu por meio de cinco raios de luz que saíram da Cruz, quatro em forma de cravos e um de lança. A partir de então, ela passou a ter os estigmas não só de forma invisível, como queria, mas também de forma visível, pois Nosso Senhor desejava o testemunho público de configuração a Ele. Tal graça, no entanto, trouxe também o sofrimento eclesial, uma vez que as próprias religiosas Clarissas denunciaram-na ao Santo Ofício. Ela, que era mestra de noviças, teve de renunciar ao cargo, e o Santo Ofício ordenou que o bispo investigasse o ocorrido. Durante esse período, ela ficou trancafiada numa cela escura e sem janelas por muitos dias, sem poder receber a Eucaristia nem rezar no coro da igreja. Não obstante, ela vivenciou esses sofrimentos com muita tranquilidade, visto que, numa visão anterior, Jesus já lhe tinha revelado que ela haveria de sofrer, e pediu que renovasse seus votos religiosos aos pés dele. Assim, mesmo sendo investigada pelo Santo Ofício, ela viveu em firme obediência [3]. Depois de muitas investigações, interrogatórios e análise de médicos — que buscaram curar, sem sucesso, suas feridas —, o Santo Ofício reconheceu a veracidade de seus estigmas e ela foi reabilitada no cargo de mestra de noviças. Durante esse período, ocorreu-lhe também o fenômeno da união de corações, de tal forma que o coração dela e o de Maria tornaram-se um só. Então, ela notou logo que, na verdade, o coração de Maria era o coração de Jesus, pois Maria se configurou em tudo ao seu Filho. Deste modo, os corações de Jesus, de Maria e de Verônica eram três num só. Nos últimos 10 anos de sua vida, ela desempenhou o cargo de abadessa do mosteiro. Mesmo sendo uma mística, ela tinha um senso prático muito aguçado e desenvolveu um trabalho extraordinário, expandindo os prédios do mosteiro e instalando neles água encanada. O próprio bispo aconselhava-se com a abadessa Verônica acerca do governo da diocese e reconhecia que ela seria capaz de governar um império. Santa Verônica Giuliani como mestra espiritual Considerando que sempre orientamos nossos alunos a não dar muita importância a fenômenos extraordinários — por não serem parâmetro para uma vida de santidade —, pode parecer que estejamos nos contradizendo ao fazer esta aula ao vivo sobre uma santa cuja vida foi marcada por tantos acontecimentos dessa ordem. No entanto, precisamos compreender a relevância espiritual de Santa Verônica Giuliani, contextualizando o sentido dos milagres e feitos extraordinários em sua vida. Basicamente, existem dois tipos de milagres: i) aqueles que visam fortalecer a fé das pessoas; ii) e aqueles que mostram que o sobrenatural de Deus é verdadeiro e que Ele quer transformar as almas. É nesse segundo grupo que se enquadram as manifestações sobrenaturais na vida de Santa Verônica Giuliani, ou seja, elas tinham o propósito de mostrar, desde cedo, o quanto Deus queria transformar a alma daquela pequena menina. Vendo essas manifestações fantásticas e sobrenaturais do quanto Deus quis e fez para transformar a alma de Santa Verônica, podemos compreender que isso — que nela foi visível e palpável — acontece também nos outros santos, embora, muitas vezes, seja de forma invisível. A união do coração de Santa Verônica aos Corações de Jesus e Maria é uma verdade espiritual para nós também: precisamos colaborar com a graça de Deus para transformar o nosso coração miserável, unindo nossos sofrimentos ao sofrimento de Cristo na Cruz. E a forma mais eficaz de unirmo-nos a Cristo é através da Virgem Santíssima, consagrando-nos a Cristo por meio de Maria. Nesse sentido, Santa Verônica é um exemplo luminoso de consagração a Nossa Senhora, pois tudo ela entregava a Maria, e por isso viveu um grande amor a Jesus, pelas mãos de Maria. Que Santa Verônica Giuliani, mestra espiritual do Padre Pio, seja também nossa mestra, ensinando-nos a amar a Cristo em todas as circunstâncias. Não procuremos, pois, os fenômenos extraordinários, mas busquemos viver o amor extraordinário, de tal modo que, unidos ao Amado, aconteçam, invisivelmente, prodígios portentosos em nossos corações. #PadrePio #SantodoDia

  • Santa Verônica Giuliani, mestra espiritual de Padre Pio – 10 de Julho

    Uma mística que experimentou os estígmas da Paixão de Cristo. Mesmo separados por dois séculos, o Padre Pio e esta santa receberam o mesmo hábito franciscano, a mesma vocação às perseguições e o mesmo dom dos estigmas de Nosso Senhor. Conheça a vida de Santa Verônica Giuliani. No dia 10 de julho, a Igreja celebra a memória de Santa Verônica Giuliani, uma religiosa capuchinha que recebeu os estigmas de Nosso Senhor e cujo testemunho serviu de inspiração para São Pio de Pietrelcina buscar a santidade. Seu legado é tamanho que possivelmente um dia ela será proclamada “Doutora da Igreja”, sobretudo “Doutora do mistério da expiação”, uma vez que sua vida não foi outra coisa senão um modelo de como devemos nos unir à Paixão de Cristo [1]. Nas mais de 22 mil páginas de seu diário espiritual, escrito a pedido de Deus e da Virgem Santíssima, ela ensina como Jesus, tendo morrido na Cruz para nos salvar, quer que participemos dessa salvação por meio de nossos sofrimentos. Sabendo da grandiosidade desse texto, o próprio diabo vinha atormentá-la, a fim de que ela vacilasse e deixasse o assunto de lado. Não deixa de ser curioso, portanto, o fato de que, mesmo possuindo um grande legado espiritual, Verônica ainda seja uma ilustre desconhecida para a maior parte das pessoas. Porém, os santos têm missões na Igreja que não necessariamente se iniciam em sua época. Então, apesar de ter nascido em 1660 e falecido em 1727, Santa Verônica certamente é uma grande mestra para os nossos tempos, pois ela nos ensina como o sofrimento pode ser transformado em amor. Uma eleita de Deus Santa Verônica nasceu no pequeno município de Mercatello, na Itália, em 27 de dezembro de 1660. Seu nome de batismo era Úrsula Giuliani. Desde muito pequena, já lhe aconteciam fenômenos extraordinários como manifestações da sua eleição, embora ainda não possuísse virtudes humanas elogiáveis e muito menos virtudes teologais que indicassem sua santidade. Nesse sentido, é interessante observar que, a partir de 14 de agosto de 1720, enquanto ela escrevia o próprio diário, Nossa Senhora apareceu-lhe e começou a ditar coisas de sua infância das quais ela não se recordava. Santa Verônica anotava tudo exatamente como Nossa Senhora ditava, de modo que essas partes estão narradas na segunda pessoa do singular e, inclusive, aparecem por extenso as orientações de pontuação feitas pela Virgem. Entre os diversos fatos de sua infância, a Virgem Santíssima recordou-lhe que, com um ano e meio de vida, a pequena Úrsula foi ao mercado com sua mãe e viu um comerciante trapaceando na venda de azeite e, então, com autoridade divina, ela lhe disse: “Não trapaceie na venda, pois Deus vê tudo”. Posteriormente, com três anos, ao ouvir sua mãe e suas irmãs falarem sobre a vida dos mártires, ela passou a desejar o martírio também. Algo semelhante ocorreu quando Santa Verônica soube da vida de Santa Rosa de Lima, que se flagelava em segredo. Para imitar Santa Rosa, ela então fez pequenos nós em seu avental com a intenção de se flagelar, mas sua mãe acabou descobrindo e frustrou seus planos. Por outro lado, há acontecimentos da infância de Santa Verônica que mostram um uso da razão muito imperfeito, como, por exemplo, quando sua família preparou vários bolos para servir às visitas, e a pequena Úrsula julgou que aquelas pessoas ricas não precisavam daquelas guloseimas, mas sim os pobres; ela, então, amassou todos os bolos, para que não fossem servidos, mas sim doados aos pobres. Ela também fazia atos de piedade e tinha o costume de fazer pequenos altares para Nossa Senhora, e quando suas irmãs não queriam ajudá-la, fazia coisas absurdas como empurrá-las da escada, mostrando assim sua natureza colérica. Apesar dessas peripécias, a pequena Úrsula também tinha experiências sobrenaturais. Numa ocasião em que ela colhia flores no jardim para preparar o altar de Nossa Senhora, o menino Jesus apareceu a ela, disse-lhe: “Eu sou a tua flor” e saiu correndo. Ela correu atrás dele e quando chegou no quadro de Nossa Senhora — diante do qual ela fazia os altares — encontrou o menino Jesus, nos braços da Virgem, e começou a exigir de Maria que lhe desse o menino. De tanto insistir, Nossa Senhora desceu o menino e o colocou nos seus braços. Outro fato sobrenatural é que, quando seus familiares voltavam da Missa, ela sentia um odor divino que exalava daqueles que comungavam. A pequena Úrsula imaginava que aquilo era algo normal, que todos eram capazes de sentir. Além disso, quando ela ia à Missa, enxergava o menino Jesus dentro da hóstia consagrada. E, quando recebeu a primeira Eucaristia, com dez anos de idade, sentiu um fogo abrasador em seu coração. Achando que aquilo era experimentado por todos, perguntou ingenuamente aos seus familiares: “Quanto tempo dura esse fogo depois que comungamos?” Uma santa configurada ao Cristo Crucificado Podemos dizer que Santa Verônica começou a despontar para a santidade e ser provada nas virtudes a partir da adolescência, quando se iniciaram as distrações mundanas que o pai lhe sugeria, com a intenção de dissuadi-la do sonho de ser religiosa. Em seu diário, ela conta que o pai a levava para pequenas recreações e isso lhe diminuía o fervor. Seu pai fez de tudo para ela não ser religiosa, de modo que ela adoeceu fortemente e só melhorava quando alguém lhe falava sobre a vida religiosa. Por causa disso, seu pai não teve outra alternativa, senão ceder ao desejo da filha, permitindo que ela seguisse a própria vocação. Com 16 anos, Santa Verônica foi visitar suas irmãs que eram religiosas no mosteiro das Clarissas em Mercatello. Por essa ocasião, uma de suas irmãs tentou convencê-la a não ser religiosa, o que provocou uma resposta contundente de Verônica: “Muito me admira a Senhora, que é religiosa, não seguir o exemplo de Santa Clara de incentivar as vocações e ainda me dizer para buscar distrações mundanas”. Devido a esse episódio, ela resolveu buscar um convento em que houvesse uma regra mais penitente. Assim, com 17 anos, ingressou no convento das monjas Capuchinhas de Città di Castello, onde foi recebida com o nome de Verônica. No início da vida religiosa, ela sentiu grande angústia por estar no convento, apesar de ter certeza de sua vocação. Sua alma estava em paz e convicta, mas seu corpo estava inquieto e se sentia oprimido pelas paredes do mosteiro. Com isso, ela começou a perceber o antagonismo que muitas vezes existe entre as aspirações da alma e as paixões do corpo. Além disso, o demônio também começou a tentá-la e apareceu na sua cela, como se fosse a mestra de noviças, dizendo que não era para se confessar mais com seu diretor espiritual, pois já havia boatos de que eles tinham um caso e aquilo seria um grande escândalo para a congregação. Tempos depois, ela descobriu que aquelas não eram ordens da mestra, mas tentações do demônio. Uma das grandes marcas da vida de Santa Verônica foi sua configuração a Cristo, na sua Paixão, sofrendo com Ele pela conversão dos pecadores. Tanto que no leito de morte, ela chamou suas irmãs de mosteiro e lhes disse: “O amor se fez encontrar, digam isso a todas as religiosas. Esta é a causa do meu sofrimento” . Esses sofrimentos a que ela se referia não eram apenas dores naturais resultantes de algum problema de saúde, mas fenômenos sobrenaturais e extraordinários que lhe proporcionaram a dolorosa oportunidade de se unir a Cristo. Entre esses acontecimentos, está o fato de que, com 21 anos, ela recebeu em sua cabeça uma coroa de espinhos, experimentando imensurável dor, que permaneceu até sua morte. Além das mortificações que fazia para se oferecer em sacrifício pela conversão dos pecadores, Nosso Senhor concedeu-lhe a experiência extraordinária da transverberação do coração, bem como a realidade dos estigmas. Por fim, seus últimos 33 dias de vida foram marcados por intenso sofrimento no leito de morte. Vemos, portanto, que Santa Verônica Giuliani foi tão agraciada com fenômenos extraordinários que, embora isso não seja algo imitável, porque se trata de pura obra da graça de Deus, deve, contudo, ser conhecido, a fim de que busquemos o principal do ensinamento dela, que é a união por amor aos sofrimentos de Jesus. Aqueles que têm dificuldade de entender esses sofrimentos de Santa Verônica possuem, na verdade, uma dificuldade de compreender o Cristo Crucificado. O próprio São Paulo, na Carta aos Colossenses, já destacava a necessidade de nos unirmos a Nosso Senhor em sua Paixão: “Completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo” (1, 24). Todo o sofrimento na vida de Verônica estava vinculado à realidade da esposa que se configura ao Divino Esposo, Jesus Cristo. Nesse sentido, ela assume o papel da Igreja enquanto esposa. Uma das realidades sobrenaturais que mais lhe trouxe sofrimentos — em todos os âmbitos — foram os estigmas, que ela recebeu em 5 de abril de 1697, aos 37 anos. Depois de passar por um intenso momento de contrição e purgação, Verônica teve a visão de Jesus Crucificado, com Nossa Senhora das Dores aos pés da Cruz. Nessa visão, a Virgem Maria pediu ao seu filho que ela fosse agraciada com os estigmas. Jesus lhos concedeu por meio de cinco raios de luz que saíram da Cruz, quatro em forma de cravos e um de lança. A partir de então, ela passou a ter os estigmas não só de forma invisível, como queria, mas também de forma visível, pois Nosso Senhor desejava o testemunho público de configuração a Ele. Tal graça, no entanto, trouxe também o sofrimento eclesial, uma vez que as próprias religiosas Clarissas denunciaram-na ao Santo Ofício. Ela, que era mestra de noviças, teve de renunciar ao cargo, e o Santo Ofício ordenou que o bispo investigasse o ocorrido. Durante esse período, ela ficou trancafiada numa cela escura e sem janelas por muitos dias, sem poder receber a Eucaristia nem rezar no coro da igreja. Não obstante, ela vivenciou esses sofrimentos com muita tranquilidade, visto que, numa visão anterior, Jesus já lhe tinha revelado que ela haveria de sofrer, e pediu que renovasse seus votos religiosos aos pés dele. Assim, mesmo sendo investigada pelo Santo Ofício, ela viveu em firme obediência [3]. Depois de muitas investigações, interrogatórios e análise de médicos — que buscaram curar, sem sucesso, suas feridas —, o Santo Ofício reconheceu a veracidade de seus estigmas e ela foi reabilitada no cargo de mestra de noviças. Durante esse período, ocorreu-lhe também o fenômeno da união de corações, de tal forma que o coração dela e o de Maria tornaram-se um só. Então, ela notou logo que, na verdade, o coração de Maria era o coração de Jesus, pois Maria se configurou em tudo ao seu Filho. Deste modo, os corações de Jesus, de Maria e de Verônica eram três num só. Nos últimos 10 anos de sua vida, ela desempenhou o cargo de abadessa do mosteiro. Mesmo sendo uma mística, ela tinha um senso prático muito aguçado e desenvolveu um trabalho extraordinário, expandindo os prédios do mosteiro e instalando neles água encanada. O próprio bispo aconselhava-se com a abadessa Verônica acerca do governo da diocese e reconhecia que ela seria capaz de governar um império. Santa Verônica Giuliani como mestra espiritual Considerando que sempre orientamos nossos alunos a não dar muita importância a fenômenos extraordinários — por não serem parâmetro para uma vida de santidade —, pode parecer que estejamos nos contradizendo ao fazer esta aula ao vivo sobre uma santa cuja vida foi marcada por tantos acontecimentos dessa ordem. No entanto, precisamos compreender a relevância espiritual de Santa Verônica Giuliani, contextualizando o sentido dos milagres e feitos extraordinários em sua vida. Basicamente, existem dois tipos de milagres: i) aqueles que visam fortalecer a fé das pessoas; ii) e aqueles que mostram que o sobrenatural de Deus é verdadeiro e que Ele quer transformar as almas. É nesse segundo grupo que se enquadram as manifestações sobrenaturais na vida de Santa Verônica Giuliani, ou seja, elas tinham o propósito de mostrar, desde cedo, o quanto Deus queria transformar a alma daquela pequena menina. Vendo essas manifestações fantásticas e sobrenaturais do quanto Deus quis e fez para transformar a alma de Santa Verônica, podemos compreender que isso — que nela foi visível e palpável — acontece também nos outros santos, embora, muitas vezes, seja de forma invisível. A união do coração de Santa Verônica aos Corações de Jesus e Maria é uma verdade espiritual para nós também: precisamos colaborar com a graça de Deus para transformar o nosso coração miserável, unindo nossos sofrimentos ao sofrimento de Cristo na Cruz. E a forma mais eficaz de unirmo-nos a Cristo é através da Virgem Santíssima, consagrando-nos a Cristo por meio de Maria. Nesse sentido, Santa Verônica é um exemplo luminoso de consagração a Nossa Senhora, pois tudo ela entregava a Maria, e por isso viveu um grande amor a Jesus, pelas mãos de Maria. Que Santa Verônica Giuliani, mestra espiritual do Padre Pio, seja também nossa mestra, ensinando-nos a amar a Cristo em todas as circunstâncias. Não procuremos, pois, os fenômenos extraordinários, mas busquemos viver o amor extraordinário, de tal modo que, unidos ao Amado, aconteçam, invisivelmente, prodígios portentosos em nossos corações. #PadrePio #SantodoDia

  • Santo Antônio Percierskij, monge – 10 de Julho

    SANTO DO DIA – 10 DE JULHO – SANTO ANTÔNIO PERCIERSKIJ Monge (983-1073) Antônio, que antes se chamava Antipas, nasceu na Ucrânia no ano de 983. Percierskij, na realidade, não é o seu sobrenome, mas sim um apelido e tem um significado: ‘da gruta’. Trata-se de uma referência à cela, escavada por ele mesmo, no vale de Dnjepr, próximo a Kiev, que deu origem à vida monástica russa. Antônio ‘da gruta’, desde a adolescência, sempre buscou a solidão das cavernas, típicas de sua região, para suas orações contemplativas. Depois viveu, até os quarenta e cinco anos de idade, peregrinando solitário pelos inúmeros mosteiros do monte Athos, na Grécia. Os registros indicam que ele permaneceu alguns anos no mosteiro de Esphigmenon, quando decidiu continuar a vida de penitência e oração na sua pátria. Foi assim que escavou a primeira gruta em Kiev. Logo surgiram muitos seguidores, e curiosos, que se sentiam atraídos pelos ensinamentos e pela fama de santidade daquele homem de oração e penitência. Todos queriam aprender com o monge sábio e justo, que nunca se mostrava irritado. Era um homem manso e silencioso, pleno de misericórdia com todos. Essa sua personalidade foi muito bem retratada pelo fiel discípulo Nestor, ao escrever ‘Histórias dos tempos passados’. Contudo Antônio insistia em viver solitário, enquanto os seus seguidores formavam uma comunidade. Com sua permissão, foram construindo várias celas pela região e, depois, uma primeira igreja. Assim, em 1051, surgiu o ‘Mosteiro das Grutas’, cuja arquitetura foi projetada integrando as grutas escavadas por esses monges primitivos. Esse mosteiro se tornou um dos centros religiosos mais importantes de toda a Rússia. A sua comunidade se tornou famosa pela caridade, instrução, prestígio cultural e pelo esplendor da liturgia ortodoxa cristã. Além das belas igrejas que iam surgindo, consideradas verdadeiras obras de arte da arquitetura eslava. Antônio não desejava dirigir todo esse movimento, mas tinha noção exata do que ocorria. Por isso manteve-se como o exemplo da comunidade e a direção ele confiou ao seu discípulo Teodósio, que sedimentou e estabeleceu as regras da vida monástica. Por perseguição política, Antônio foi obrigado a abandonar Kiev em 1055. Foi refugiar-se próximo a Cernigov, onde criou um outro mosteiro, conservando a regras de vida do anterior, imprimindo a sua marca pelo exemplo na oração, penitência e caridade. Mas no mosteiro de Kiev, haviam permanecido alguns religiosos, guiados pelo discípulo Teodósio, que é considerado cofundador do mosteiro. Por isso Antônio conseguiu retornar clandestinamente e lá permaneceu recluso até a sua morte, no dia 10 de julho de 1073. Do Mosteiro da Gruta de Kiev original restou uma parte não muito grande, pois nos anos de 1299 e 1316 foi quase destruído pelas invasões dos tártaros. Em 1926, foi fechado pelo regime comunista. Só em 1988 ele foi reaberto definitivamente. Hoje, ele faz parte do patrimônio da humanidade, como um monumento tombado e conservado pela Unesco.

  • Santo Antônio Percierskij, monge – 10 de Julho

    SANTO DO DIA – 10 DE JULHO – SANTO ANTÔNIO PERCIERSKIJ Monge (983-1073) Antônio, que antes se chamava Antipas, nasceu na Ucrânia no ano de 983. Percierskij, na realidade, não é o seu sobrenome, mas sim um apelido e tem um significado: ‘da gruta’. Trata-se de uma referência à cela, escavada por ele mesmo, no vale de Dnjepr, próximo a Kiev, que deu origem à vida monástica russa. Antônio ‘da gruta’, desde a adolescência, sempre buscou a solidão das cavernas, típicas de sua região, para suas orações contemplativas. Depois viveu, até os quarenta e cinco anos de idade, peregrinando solitário pelos inúmeros mosteiros do monte Athos, na Grécia. Os registros indicam que ele permaneceu alguns anos no mosteiro de Esphigmenon, quando decidiu continuar a vida de penitência e oração na sua pátria. Foi assim que escavou a primeira gruta em Kiev. Logo surgiram muitos seguidores, e curiosos, que se sentiam atraídos pelos ensinamentos e pela fama de santidade daquele homem de oração e penitência. Todos queriam aprender com o monge sábio e justo, que nunca se mostrava irritado. Era um homem manso e silencioso, pleno de misericórdia com todos. Essa sua personalidade foi muito bem retratada pelo fiel discípulo Nestor, ao escrever ‘Histórias dos tempos passados’. Contudo Antônio insistia em viver solitário, enquanto os seus seguidores formavam uma comunidade. Com sua permissão, foram construindo várias celas pela região e, depois, uma primeira igreja. Assim, em 1051, surgiu o ‘Mosteiro das Grutas’, cuja arquitetura foi projetada integrando as grutas escavadas por esses monges primitivos. Esse mosteiro se tornou um dos centros religiosos mais importantes de toda a Rússia. A sua comunidade se tornou famosa pela caridade, instrução, prestígio cultural e pelo esplendor da liturgia ortodoxa cristã. Além das belas igrejas que iam surgindo, consideradas verdadeiras obras de arte da arquitetura eslava. Antônio não desejava dirigir todo esse movimento, mas tinha noção exata do que ocorria. Por isso manteve-se como o exemplo da comunidade e a direção ele confiou ao seu discípulo Teodósio, que sedimentou e estabeleceu as regras da vida monástica. Por perseguição política, Antônio foi obrigado a abandonar Kiev em 1055. Foi refugiar-se próximo a Cernigov, onde criou um outro mosteiro, conservando a regras de vida do anterior, imprimindo a sua marca pelo exemplo na oração, penitência e caridade. Mas no mosteiro de Kiev, haviam permanecido alguns religiosos, guiados pelo discípulo Teodósio, que é considerado cofundador do mosteiro. Por isso Antônio conseguiu retornar clandestinamente e lá permaneceu recluso até a sua morte, no dia 10 de julho de 1073. Do Mosteiro da Gruta de Kiev original restou uma parte não muito grande, pois nos anos de 1299 e 1316 foi quase destruído pelas invasões dos tártaros. Em 1926, foi fechado pelo regime comunista. Só em 1988 ele foi reaberto definitivamente. Hoje, ele faz parte do patrimônio da humanidade, como um monumento tombado e conservado pela Unesco.

  • A DITADURA DO RELATIVISMO AVANÇA NA SANTA IGREJA

    Na formação ao vivo de hoje conversaremos sobre a polêmica nomeação de Cardeal considerado herético para presidir o dicastério da Doutrina da Fé; Também falaremos sobre o Bispo Português responsável pela Jornada Mundial da Juventude que NÃO QUER conversão de Jovens a Cristo na Jornada Mundial da Juventude; Pe. Manzotti Relativizando a Doutrina Católica; etc… Para assistir, acesse: #Formaçõesaovivo

  • A DITADURA DO RELATIVISMO AVANÇA NA SANTA IGREJA

    Na formação ao vivo de hoje conversaremos sobre a polêmica nomeação de Cardeal considerado herético para presidir o dicastério da Doutrina da Fé; Também falaremos sobre o Bispo Português responsável pela Jornada Mundial da Juventude que NÃO QUER conversão de Jovens a Cristo na Jornada Mundial da Juventude; Pe. Manzotti Relativizando a Doutrina Católica; etc… Para assistir, acesse: #Formaçõesaovivo

  • Santa Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus – 9 de Julho

    SANTO DO DIA – 09 DE JULHO – SANTA MADRE PAULINA DO CORAÇÃO AGONIZANTE DE JESUS Fundou a Congregação das Filhas da Imaculada Conceição (1865-1942) Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus ou Amábile Lúcia Visitainer nasceu em Vigolo Vattaro, na Itália, no dia 16 de dezembro de 1865. Sua família era muito pobre, mas profundamente cristã. Seus irmãos chamavam-se Ernesto Giovanni e Giuseppina. Em 1875, muito cedo quando ela tinha somente 10 anos de idade, seus pais migraram para o Brasil estabelecendo-se no estado de Santa Catarina, onde havia muita terra para ser colonizada. Depois de fazer a Primeira Eucaristia, aos 12 anos Amabile começou a frequentar a Igreja, presidida pelos sacerdotes jesuítas que haviam chegado na região em 1979. Ela percebeu que era impossível entregar-se totalmente a Deus como era o seu desejo, ficando com a família. Amábile e sua colega Virgínia Rosa Nicolodi se comoveram ao ver a situação da dona de casa Angela Lúcia Viviani que fora visitar parentes em Vígolo estando gravemente enferma e não podia mais ser transferida para nenhum hospital. Esta senhora foi a primeira doente tratada no casebre que deu origem à congregação das Filhas da Imaculada Conceição e a data da fundação ficou marcada para o dia 12 de Julho de 1890. A obra caritativa e educativa de Madre Paulina foi prosperando e assim em 1895, Amábile e duas companheiras, fizeram os primeiros votos religiosos, recebendo o nome de Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus. A congregação se estabelecera em Nova Trento, SC, tendo recebido anteriormente a aprovação da Congregação pelo bispo de Santa Catarina e de Curitiba. Em 1903 com o apoio do padre Luigi Maria Rossi, jesuíta, fundou uma casa em São Paulo. Nesta mesma oportunidade foi eleita madre geral da Congregação, porém, seis anos depois, foi deposta deste cargo pelo Arcebispo de São Paulo. Ela aceitou com humildade as decisões do prelado, conformando-se por ser vontade de Deus. Madre Paulina viveu sempre um grande espírito de humildade, numa profunda intimidade com Jesus. Madre Paulina ficou gravemente enferma 1938 quando também foi acometida pela cegueira, em consequência da diabetes. Cada dia mais frágil fisicamente, mas a sua santidade e vida em Deus, cresciam aos olhos de todos. Ela viveu doando-se a todos sem olhar quem necessitasse de sua ajuda preciosa. Madre Paulina viveu para Deus, amava os seus irmãos e de qualquer forma queria ajudá-los. Aceitava também com amor e resignação os sofrimentos que apareciam em consequência da sua saúde fragilizada. Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus faleceu no dia 9 de julho de 1942. Vígolo é a pequena vila de Nova Trento situada em Santa Catarina. Até hoje centenas de pessoas curadas sobem os degraus do novo Santuário de Santa Paulina para agradecer os benefícios alcançados. A cura de uma pessoa foi a prova necessária para que João Paulo II a beatificasse, no ano de 1991. O milagre exigido pela Igreja para sua canonização aconteceu no dia 19 de março de 2002, pelo mesmo papa João Paulo II. A festa litúrgica de Santa Paulina é celebrada pela Igreja no 9 de julho.

  • Santa Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus – 9 de Julho

    SANTO DO DIA – 09 DE JULHO – SANTA MADRE PAULINA DO CORAÇÃO AGONIZANTE DE JESUS Fundou a Congregação das Filhas da Imaculada Conceição (1865-1942) Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus ou Amábile Lúcia Visitainer nasceu em Vigolo Vattaro, na Itália, no dia 16 de dezembro de 1865. Sua família era muito pobre, mas profundamente cristã. Seus irmãos chamavam-se Ernesto Giovanni e Giuseppina. Em 1875, muito cedo quando ela tinha somente 10 anos de idade, seus pais migraram para o Brasil estabelecendo-se no estado de Santa Catarina, onde havia muita terra para ser colonizada. Depois de fazer a Primeira Eucaristia, aos 12 anos Amabile começou a frequentar a Igreja, presidida pelos sacerdotes jesuítas que haviam chegado na região em 1979. Ela percebeu que era impossível entregar-se totalmente a Deus como era o seu desejo, ficando com a família. Amábile e sua colega Virgínia Rosa Nicolodi se comoveram ao ver a situação da dona de casa Angela Lúcia Viviani que fora visitar parentes em Vígolo estando gravemente enferma e não podia mais ser transferida para nenhum hospital. Esta senhora foi a primeira doente tratada no casebre que deu origem à congregação das Filhas da Imaculada Conceição e a data da fundação ficou marcada para o dia 12 de Julho de 1890. A obra caritativa e educativa de Madre Paulina foi prosperando e assim em 1895, Amábile e duas companheiras, fizeram os primeiros votos religiosos, recebendo o nome de Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus. A congregação se estabelecera em Nova Trento, SC, tendo recebido anteriormente a aprovação da Congregação pelo bispo de Santa Catarina e de Curitiba. Em 1903 com o apoio do padre Luigi Maria Rossi, jesuíta, fundou uma casa em São Paulo. Nesta mesma oportunidade foi eleita madre geral da Congregação, porém, seis anos depois, foi deposta deste cargo pelo Arcebispo de São Paulo. Ela aceitou com humildade as decisões do prelado, conformando-se por ser vontade de Deus. Madre Paulina viveu sempre um grande espírito de humildade, numa profunda intimidade com Jesus. Madre Paulina ficou gravemente enferma 1938 quando também foi acometida pela cegueira, em consequência da diabetes. Cada dia mais frágil fisicamente, mas a sua santidade e vida em Deus, cresciam aos olhos de todos. Ela viveu doando-se a todos sem olhar quem necessitasse de sua ajuda preciosa. Madre Paulina viveu para Deus, amava os seus irmãos e de qualquer forma queria ajudá-los. Aceitava também com amor e resignação os sofrimentos que apareciam em consequência da sua saúde fragilizada. Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus faleceu no dia 9 de julho de 1942. Vígolo é a pequena vila de Nova Trento situada em Santa Catarina. Até hoje centenas de pessoas curadas sobem os degraus do novo Santuário de Santa Paulina para agradecer os benefícios alcançados. A cura de uma pessoa foi a prova necessária para que João Paulo II a beatificasse, no ano de 1991. O milagre exigido pela Igreja para sua canonização aconteceu no dia 19 de março de 2002, pelo mesmo papa João Paulo II. A festa litúrgica de Santa Paulina é celebrada pela Igreja no 9 de julho.

  • Beato Eugênio III, papa – 8 de Julho

    SANTO DO DIA – 08 DE JULHO – BEATO EUGÊNIO III Papa (+1153) O papa Eugênio III nasceu em Montemagno, numa família cristã, rica e da nobreza italiana. Foi batizado com o nome de Píer Bernardo Paganelli, estudou e recebeu a ordenação sacerdotal na diocese de Pisa, centro cultural próximo da sua cidade natal. Possuía um temperamento reservado, era inteligente, muito ponderado e calmo. Segundo os registros da época, em 1130 ele teve um encontro com o religioso Bernardo de Claraval, fundador da Ordem dos Monges Cistercienses e hoje um santo da Igreja. A afinidade entre ambos foi tão grande que, cinco anos depois, Píer Bernardo ingressou no mosteiro dirigido pelo amigo e vestiu o hábito cisterciense. Através da convivência com Bernardo de Claraval, ele se tornou conhecido, pois foi escolhido para abrir um outro mosteiro da Ordem em Farfa, diocese de Viterbo, sendo consagrado o abade pelo papa Inocêncio II. Quando esse papa morreu, o abade Píer Bernardo foi eleito sucessor. Isto ocorreu não por acaso, ele era o homem adequado para enfrentar a difícil e delicada situação que persistia na época. Roma estava agitada e às voltas com graves transtornos provocados, especialmente, pelo líder político Arnaldo de Bréscia e outros republicanos que exigiam que fosse eleito um papa que forçasse a entrega do poder político ao seu partido. Muitas casas de bispos e cardeais já tinham sido saqueadas. Por isso os cardeais resolveram escolher o abade Píer Bernardo, justamente porque ele estava fora do colégio cardinalício, portanto isento das pressões dos republicanos. Ele assumiu o pontificado com o nome de papa Eugênio III. Mas teve de fugir de Roma à noite, horas após sua eleição, para ser coroado no mosteiro de Farfa, em Viterbo. Era o dia 18 de fevereiro de 1145. Como a situação da cidade não era segura, o novo papa e seus cardeais decidiram mudar para Viterbo. Quando a população romana foi informada, correu para pedir sua volta. Foi assim, apoiado pelo povo, que o papa Eugênio III retornou para Roma e assumiu o controle da cidade, impondo a paz. Infelizmente, durou pouco. Em 1146, Arnaldo passou a exigir a destruição total de Trívoli. Novamente o papa Eugênio III teve de fugir. Como se recusou a comandar o massacre, ele corria risco de morte. Teve de atravessar os Alpes para ingressar na França, onde permaneceu exilado por três anos. Os conflitos não paravam, o povo estava sempre nas ruas, liderado por Arnaldo, e o papa teve de ser duro com os insubordinados da Igreja que se aproveitavam da situação. Nesse período, convocou quatro concílios para impor disciplina. Também depôs os arcebispos de York e Mainz; promoveu uma séria reforma na Igreja e na Cúria Romana em defesa da ortodoxia nos estudos eclesiásticos. Enviou o cardeal Breakspear, o futuro papa Adriano IV, para divulgá-la na Escandinávia, enquanto ele próprio ainda o fazia percorrendo o norte da Itália. Só retornou a Roma depois de receber ajuda do imperador alemão Frederico Barba-Roxa, contra os republicanos de Arnaldo. Ainda pôde defender a Igreja contra os invasores turcos e iniciar a construção do palácio pontifício. Morreu no dia 8 de julho de 1153, depois de governar a Igreja por oito anos e cinco meses, num período tão complicado e violento da história. O papa Eugênio III foi beatificado em 1872. #SantodoDia

  • Beato Eugênio III, papa – 8 de Julho

    SANTO DO DIA – 08 DE JULHO – BEATO EUGÊNIO III Papa (+1153) O papa Eugênio III nasceu em Montemagno, numa família cristã, rica e da nobreza italiana. Foi batizado com o nome de Píer Bernardo Paganelli, estudou e recebeu a ordenação sacerdotal na diocese de Pisa, centro cultural próximo da sua cidade natal. Possuía um temperamento reservado, era inteligente, muito ponderado e calmo. Segundo os registros da época, em 1130 ele teve um encontro com o religioso Bernardo de Claraval, fundador da Ordem dos Monges Cistercienses e hoje um santo da Igreja. A afinidade entre ambos foi tão grande que, cinco anos depois, Píer Bernardo ingressou no mosteiro dirigido pelo amigo e vestiu o hábito cisterciense. Através da convivência com Bernardo de Claraval, ele se tornou conhecido, pois foi escolhido para abrir um outro mosteiro da Ordem em Farfa, diocese de Viterbo, sendo consagrado o abade pelo papa Inocêncio II. Quando esse papa morreu, o abade Píer Bernardo foi eleito sucessor. Isto ocorreu não por acaso, ele era o homem adequado para enfrentar a difícil e delicada situação que persistia na época. Roma estava agitada e às voltas com graves transtornos provocados, especialmente, pelo líder político Arnaldo de Bréscia e outros republicanos que exigiam que fosse eleito um papa que forçasse a entrega do poder político ao seu partido. Muitas casas de bispos e cardeais já tinham sido saqueadas. Por isso os cardeais resolveram escolher o abade Píer Bernardo, justamente porque ele estava fora do colégio cardinalício, portanto isento das pressões dos republicanos. Ele assumiu o pontificado com o nome de papa Eugênio III. Mas teve de fugir de Roma à noite, horas após sua eleição, para ser coroado no mosteiro de Farfa, em Viterbo. Era o dia 18 de fevereiro de 1145. Como a situação da cidade não era segura, o novo papa e seus cardeais decidiram mudar para Viterbo. Quando a população romana foi informada, correu para pedir sua volta. Foi assim, apoiado pelo povo, que o papa Eugênio III retornou para Roma e assumiu o controle da cidade, impondo a paz. Infelizmente, durou pouco. Em 1146, Arnaldo passou a exigir a destruição total de Trívoli. Novamente o papa Eugênio III teve de fugir. Como se recusou a comandar o massacre, ele corria risco de morte. Teve de atravessar os Alpes para ingressar na França, onde permaneceu exilado por três anos. Os conflitos não paravam, o povo estava sempre nas ruas, liderado por Arnaldo, e o papa teve de ser duro com os insubordinados da Igreja que se aproveitavam da situação. Nesse período, convocou quatro concílios para impor disciplina. Também depôs os arcebispos de York e Mainz; promoveu uma séria reforma na Igreja e na Cúria Romana em defesa da ortodoxia nos estudos eclesiásticos. Enviou o cardeal Breakspear, o futuro papa Adriano IV, para divulgá-la na Escandinávia, enquanto ele próprio ainda o fazia percorrendo o norte da Itália. Só retornou a Roma depois de receber ajuda do imperador alemão Frederico Barba-Roxa, contra os republicanos de Arnaldo. Ainda pôde defender a Igreja contra os invasores turcos e iniciar a construção do palácio pontifício. Morreu no dia 8 de julho de 1153, depois de governar a Igreja por oito anos e cinco meses, num período tão complicado e violento da história. O papa Eugênio III foi beatificado em 1872. #SantodoDia

  • São Vilibaldo, bispo – 7 de Julho

    SANTO DO DIA – 07 DE JULHO – SÃO VILIBALDO Bispo (700-787) Vilibaldo nasceu em 22 de outubro de 700, na cidade de Wessel, na Inglaterra. Pertencia à casa real dos Kents, seu pai era o rei Ricardo I e os irmãos eram Vunibaldo e Valburga. Todos eles, mais tarde, inscritos no livro dos santos da Igreja. Ainda criança, ele foi confiado aos monges beneditinos da Abadia de Waltham, que cuidaram se sua formação intelectual e religiosa. Foi ali, entre eles, que decidiu ser também um monge. Mas, em 720, saiu do mosteiro e da Inglaterra, antes de fazer os votos definitivos, e nunca mais voltou para sua pátria. Na companhia de seu pai e seu irmão, seguiu para uma longa peregrinação, cuja meta final era Jerusalém. A viagem foi interrompida em 722, quando seu pai, o rei, morreu na Itália. Assim, ele e o irmão resolveram ficar em Roma. Dois anos depois, sem Vunibaldo, continuou a peregrinação percorrendo toda a Palestina, que estava sob o domínio árabe. Os peregrinos, em geral, eram bem acolhidos, entretanto, por causa das tensões políticas com o Império do Oriente, Vilibaldo e outros peregrinos quase foram presos, mas puderam prosseguir o caminho em paz. Cinco anos depois, em 729, retornou para Roma. Nesse mesmo ano, o papa Gregório II o enviou para o Mosteiro de Montecassino, que havia sido reerguido das ruínas e carecia de um novo quadro de monges. Vilibaldo deu, então, novo fôlego a esse celeiro de homens dedicados à santificação, restabelecendo as regras beneditinas, de acordo com o Livro do fundador, que permanecera a salvo em Roma. Assim, este ‘quase-monge’ inglês, que ainda continuava sem os votos definitivos, recebeu a relíquia do papa e com ela organizou e formou uma nova geração de monges, dentro da verdadeira tradição e do estilo de vida espiritual instituído pelo fundador. A essa obra dedicou outros dez anos de sua vida. Novamente foi a Roma, para encontrar-se com o papa sucessor, Gregório III, que lhe pediu ajuda para a evangelização da Germânia. Assim, Vilibaldo tornou a partir, viajando por todos os recantos da Europa. Até ser requisitado por seu tio, o arcebispo da Alemanha, que alicerçava uma estrutura diocesana na região e precisava do seu auxilio. Só em 740 Vilibaldo recebeu a ordem sacerdotal definitiva, para ser consagrado bispo de Eichestat, pelo próprio tio, Bonifácio, hoje santo e chamado ‘apóstolo da Alemanha’. O bispo Vilibaldo construiu sua catedral, fundou um mosteiro e, sobretudo, controlou rigorosamente todos os outros que ali existiam, por determinação de Bonifácio. A partir de então, iniciou uma experiência nova: a de evangelizador itinerante, colocando-se frente a frente com os fiéis que aos poucos iam se convertendo ao cristianismo. À obra dedicou-se até morrer, no dia 7 de julho de 787, no seu mosteiro de Eichestat, na Alemanha. Com fama de santidade ainda em vida, logo passou a ser venerado num culto espontâneo e vigoroso, muito antes do seu reconhecimento canônico, em 1256. #SantodoDia

  • São Vilibaldo, bispo – 7 de Julho

    SANTO DO DIA – 07 DE JULHO – SÃO VILIBALDO Bispo (700-787) Vilibaldo nasceu em 22 de outubro de 700, na cidade de Wessel, na Inglaterra. Pertencia à casa real dos Kents, seu pai era o rei Ricardo I e os irmãos eram Vunibaldo e Valburga. Todos eles, mais tarde, inscritos no livro dos santos da Igreja. Ainda criança, ele foi confiado aos monges beneditinos da Abadia de Waltham, que cuidaram se sua formação intelectual e religiosa. Foi ali, entre eles, que decidiu ser também um monge. Mas, em 720, saiu do mosteiro e da Inglaterra, antes de fazer os votos definitivos, e nunca mais voltou para sua pátria. Na companhia de seu pai e seu irmão, seguiu para uma longa peregrinação, cuja meta final era Jerusalém. A viagem foi interrompida em 722, quando seu pai, o rei, morreu na Itália. Assim, ele e o irmão resolveram ficar em Roma. Dois anos depois, sem Vunibaldo, continuou a peregrinação percorrendo toda a Palestina, que estava sob o domínio árabe. Os peregrinos, em geral, eram bem acolhidos, entretanto, por causa das tensões políticas com o Império do Oriente, Vilibaldo e outros peregrinos quase foram presos, mas puderam prosseguir o caminho em paz. Cinco anos depois, em 729, retornou para Roma. Nesse mesmo ano, o papa Gregório II o enviou para o Mosteiro de Montecassino, que havia sido reerguido das ruínas e carecia de um novo quadro de monges. Vilibaldo deu, então, novo fôlego a esse celeiro de homens dedicados à santificação, restabelecendo as regras beneditinas, de acordo com o Livro do fundador, que permanecera a salvo em Roma. Assim, este ‘quase-monge’ inglês, que ainda continuava sem os votos definitivos, recebeu a relíquia do papa e com ela organizou e formou uma nova geração de monges, dentro da verdadeira tradição e do estilo de vida espiritual instituído pelo fundador. A essa obra dedicou outros dez anos de sua vida. Novamente foi a Roma, para encontrar-se com o papa sucessor, Gregório III, que lhe pediu ajuda para a evangelização da Germânia. Assim, Vilibaldo tornou a partir, viajando por todos os recantos da Europa. Até ser requisitado por seu tio, o arcebispo da Alemanha, que alicerçava uma estrutura diocesana na região e precisava do seu auxilio. Só em 740 Vilibaldo recebeu a ordem sacerdotal definitiva, para ser consagrado bispo de Eichestat, pelo próprio tio, Bonifácio, hoje santo e chamado ‘apóstolo da Alemanha’. O bispo Vilibaldo construiu sua catedral, fundou um mosteiro e, sobretudo, controlou rigorosamente todos os outros que ali existiam, por determinação de Bonifácio. A partir de então, iniciou uma experiência nova: a de evangelizador itinerante, colocando-se frente a frente com os fiéis que aos poucos iam se convertendo ao cristianismo. À obra dedicou-se até morrer, no dia 7 de julho de 787, no seu mosteiro de Eichestat, na Alemanha. Com fama de santidade ainda em vida, logo passou a ser venerado num culto espontâneo e vigoroso, muito antes do seu reconhecimento canônico, em 1256. #SantodoDia

  • Cardeal Müller explica quais são as opiniões heréticas do bispo Víctor Manuel Fernández

    O cardeal Gerhard Müller, prefeito emérito da Congregação para a Doutrina da Fé, aborda as posições passadas do bispo Víctor Manuel Fernández, o novo prefeito do dicastério encarregado precisamente de garantir essa fé. Por InfoCatolica A seguir, uma entrevista que o Cardeal Gerhard Müller concedeu a Michael Haynes para LifeSiteNews por e-mail, respondendo às recentes notícias da nomeação do Arcebispo Víctor Fernández para se tornar o novo prefeito da Congregação (agora Dicastério) para a Doutrina da Fé (CDF). O Cardeal Müller serviu como Prefeito da CDF de 2012 a 2017, quando o Papa Francisco o substituiu pelo Cardeal Luis Ladaria Ferrer, SJ Vossa Eminência já afirmou anteriormente que algumas das afirmações do Arcebispo Fernández são “heréticas”. Que perigo ele representa agora como chefe da CDF, especialmente devido à sua redação e promoção de Amoris Laetitia como a abertura da Comunhão aos divorciados e ‘recasados’? A decisão de quem será o prefeito da principal congregação (ou dicastério) que assiste diretamente o Romano Pontífice em seu magistério universal, cabe exclusivamente ao Santo Padre. Ele também deve responder por isso em consciência diante de Cristo, Senhor e Cabeça de sua Igreja. Isso não exclui a preocupação de muitos bispos, sacerdotes e fiéis em todo o mundo. Eles têm o direito de expressar livremente suas preocupações (Lumen gentium 37). A opinião ( ed: de Mons. Víctor Manuel Fernández ), que na época critiquei, de que qualquer diocese poderia se tornar a sede do sucessor de Pedro, já foi descrita diretamente pelos Padres do Vaticano I como uma contradição herética contrária à a fé revelada no cânon 2 da Constituição «Pastor aeternus» (Denzinger-Hünermann, 3058). O conceito de que “o Romano Pontífice tem poder pleno, supremo e universal sobre a Igreja” (Lumen gentium 22), ou seja, a plenitudo potestatis, nada tem a ver com o comando ilimitado de potentados seculares que se referem a um poder superior. A Igreja do Deus Trino também não precisa de uma nova fundação ou modernização, como se tivesse se tornado uma casa em ruínas e como se homens fracos pudessem vencer o Divino Mestre Construtor. Ela já está estabelecida historicamente em Cristo de uma vez por todas e perfeitamente concebida em sua doutrina, constituição e liturgia no plano de salvação de Deus. No Espírito Santo, a Igreja serve continuamente os homens como sacramento da salvação do mundo. O seu ensinamento não é um programa a ser aperfeiçoado e atualizado pelos homens, mas o testemunho fiel e completo da revelação escatológica de Deus no seu Filho encarnado “cheio de graça e de verdade” (Jn 1,14). A tarefa do dicastério, a serviço do magistério pontifício, é mostrar como a doutrina da fé se fundamenta na Bíblia, como ela se desenvolveu na história do dogma e como seu conteúdo é expresso de maneira autorizada pelo magistério. A obediência religiosa devida por todos os católicos ao episcopado universal, e especialmente ao Papa, refere-se apenas às verdades sobrenaturais da doutrina da fé e da moral (incluindo as verdades naturais na ontologia, epistemologia e ética, que são os pressupostos da cognoscibilidade da Palavra de Deus em nossas mentes humanas). O Papa e os bispos não podem exigir obediência por suas opiniões particulares, e certamente não por ensinamentos e ações que contradizem a revelação e a lei moral natural. Isso foi declarado já em 1875 pelos bispos alemães contra a má interpretação dos ensinamentos do Vaticano I pelo chanceler alemão Bismarck. O Papa Pio IX concordou expressamente com isso (Denzinger-Hünermann, 3115; 3117). O Papa e os bispos estão vinculados à Sagrada Escritura e à Tradição Apostólica e não são fontes de revelação adicional ou revelação que supostamente deva ser ajustada para estar de acordo com o estado atual da ciência. «O Romano Pontífice e os Bispos, em razão do seu ofício e da importância do assunto, trabalham zelosamente com os meios oportunos para investigar adequadamente e propor oportunamente esta Revelação; e eles não aceitam nenhuma nova revelação pública como pertencente ao depósito divino da fé ( divinum depositum fidei ).” (Lumen Gentium 25). O arcebispo Fernández também argumentou que as relações sexuais entre casais coabitantes nem sempre são pecaminosas. Que perigo representa para ele manter tal posição na CDF? Invocando a vontade original do Criador, o próprio Jesus descreveu o divórcio e o “novo casamento” como adultério em suas discussões com os fariseus de coração duro, que usavam como argumento a realidade da vida de seus contemporâneos e a incapacidade de guardar os mandamentos de Deus. (Mt 19,9). Todo pecado grave nos exclui do reino de Deus enquanto não nos arrependermos dele e pedirmos perdão (1 Co 6,10). A misericórdia de Deus consiste em reconciliar consigo mesmo o pecador arrependido por meio de Jesus Cristo. De modo algum podemos justificar-nos com referência à nossa fragilidade, para persistir no pecado, isto é, em contradição fatal com a santa e santificadora vontade de Deus. Outra coisa muito diferente é o tratamento pastoralmente sensível de muitas pessoas cujos casamentos e famílias foram danificados ou desfeitos por culpa própria ou de outros. No entanto, a Igreja não tem autoridade para relativizar as verdades reveladas sobre a unidade do casamento (monogamia), sua indissolubilidade e sua fecundidade (aceitação dos filhos como dom de Deus). Uma boa pastoral se baseia numa boa dogmática, porque só uma boa árvore com raízes sadias também produz bons frutos. Monsenhor Fernández declarou que “em muitas questões sou muito mais progressista que o Papa”. Como ex-prefeito da CDF, que conselho você daria ao arcebispo Fernández para que ele possa proteger com segurança as doutrinas da fé? Na América Latina, a Igreja perdeu metade de seus fiéis. Na Alemanha sinodal, mais de 500.000 católicos renunciaram publicamente à comunhão com a Igreja somente em 2022. Em todos os lugares, os seminários estão vazios, os mosteiros estão fechando e o processo de descristianização das Américas e da Europa está avançando de forma constante. violento por “elites” anticlericais. Só um tolo pode falar de uma primavera na Igreja e de um novo Pentecostes. Os elogios da grande mídia aos reformadores progressistas ainda não foram refletidos em uma virada das pessoas para a fé em Jesus Cristo. Porque somente no Filho do Deus vivo eles podem colocar sua esperança de viver e morrer. Ainda pensar aqui nas velhas categorias teórico-culturais de “progressistas/liberais e conservadores”, ou classificar os crentes na escala política da “direita para a esquerda”, já é uma ingenuidade criminosa. O que importa não é onde nos posicionamos no espectro ideológico, mas se “rendemos ao Deus revelado em Cristo a ‘obediência da fé’ e voluntariamente concordamos com sua revelação”. Não nos orientamos para os homens e suas ideologias, mas para o Filho de Deus, o único que pode dizer de si mesmo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. (João 14:6). É duvidoso que meu conselho seja desejado pelos destinatários. Quanto à doutrina da Igreja sobre a fé verdadeira e salvífica, e o que o prefeito e seu dicastério estão obrigados a fazer à luz do magistério universal do Romano Pontífice, preferimos deixar que digam os Padres do Vaticano II: «Para professar esta fé, é necessária a graça de Deus, que vem e ajuda, para a ajuda interna do Espírito Santo, que move o coração e o converte a Deus, abre os olhos da mente e dá «toda a suavidade em aceitando e acreditando na verdade. E para que a inteligência da revelação seja mais profunda, o mesmo Espírito Santo aperfeiçoa constantemente a fé por meio de seus dons. (Dei verbum 5). Traduzido de InfoCatolica. Assista também: #VíctorManuelFernández

  • Cardeal Müller explica quais são as opiniões heréticas do bispo Víctor Manuel Fernández

    O cardeal Gerhard Müller, prefeito emérito da Congregação para a Doutrina da Fé, aborda as posições passadas do bispo Víctor Manuel Fernández, o novo prefeito do dicastério encarregado precisamente de garantir essa fé. Por InfoCatolica A seguir, uma entrevista que o Cardeal Gerhard Müller concedeu a Michael Haynes para LifeSiteNews por e-mail, respondendo às recentes notícias da nomeação do Arcebispo Víctor Fernández para se tornar o novo prefeito da Congregação (agora Dicastério) para a Doutrina da Fé (CDF). O Cardeal Müller serviu como Prefeito da CDF de 2012 a 2017, quando o Papa Francisco o substituiu pelo Cardeal Luis Ladaria Ferrer, SJ Vossa Eminência já afirmou anteriormente que algumas das afirmações do Arcebispo Fernández são “heréticas”. Que perigo ele representa agora como chefe da CDF, especialmente devido à sua redação e promoção de Amoris Laetitia como a abertura da Comunhão aos divorciados e ‘recasados’? A decisão de quem será o prefeito da principal congregação (ou dicastério) que assiste diretamente o Romano Pontífice em seu magistério universal, cabe exclusivamente ao Santo Padre. Ele também deve responder por isso em consciência diante de Cristo, Senhor e Cabeça de sua Igreja. Isso não exclui a preocupação de muitos bispos, sacerdotes e fiéis em todo o mundo. Eles têm o direito de expressar livremente suas preocupações (Lumen gentium 37). A opinião ( ed: de Mons. Víctor Manuel Fernández ), que na época critiquei, de que qualquer diocese poderia se tornar a sede do sucessor de Pedro, já foi descrita diretamente pelos Padres do Vaticano I como uma contradição herética contrária à a fé revelada no cânon 2 da Constituição «Pastor aeternus» (Denzinger-Hünermann, 3058). O conceito de que “o Romano Pontífice tem poder pleno, supremo e universal sobre a Igreja” (Lumen gentium 22), ou seja, a plenitudo potestatis, nada tem a ver com o comando ilimitado de potentados seculares que se referem a um poder superior. A Igreja do Deus Trino também não precisa de uma nova fundação ou modernização, como se tivesse se tornado uma casa em ruínas e como se homens fracos pudessem vencer o Divino Mestre Construtor. Ela já está estabelecida historicamente em Cristo de uma vez por todas e perfeitamente concebida em sua doutrina, constituição e liturgia no plano de salvação de Deus. No Espírito Santo, a Igreja serve continuamente os homens como sacramento da salvação do mundo. O seu ensinamento não é um programa a ser aperfeiçoado e atualizado pelos homens, mas o testemunho fiel e completo da revelação escatológica de Deus no seu Filho encarnado “cheio de graça e de verdade” (Jn 1,14). A tarefa do dicastério, a serviço do magistério pontifício, é mostrar como a doutrina da fé se fundamenta na Bíblia, como ela se desenvolveu na história do dogma e como seu conteúdo é expresso de maneira autorizada pelo magistério. A obediência religiosa devida por todos os católicos ao episcopado universal, e especialmente ao Papa, refere-se apenas às verdades sobrenaturais da doutrina da fé e da moral (incluindo as verdades naturais na ontologia, epistemologia e ética, que são os pressupostos da cognoscibilidade da Palavra de Deus em nossas mentes humanas). O Papa e os bispos não podem exigir obediência por suas opiniões particulares, e certamente não por ensinamentos e ações que contradizem a revelação e a lei moral natural. Isso foi declarado já em 1875 pelos bispos alemães contra a má interpretação dos ensinamentos do Vaticano I pelo chanceler alemão Bismarck. O Papa Pio IX concordou expressamente com isso (Denzinger-Hünermann, 3115; 3117). O Papa e os bispos estão vinculados à Sagrada Escritura e à Tradição Apostólica e não são fontes de revelação adicional ou revelação que supostamente deva ser ajustada para estar de acordo com o estado atual da ciência. «O Romano Pontífice e os Bispos, em razão do seu ofício e da importância do assunto, trabalham zelosamente com os meios oportunos para investigar adequadamente e propor oportunamente esta Revelação; e eles não aceitam nenhuma nova revelação pública como pertencente ao depósito divino da fé ( divinum depositum fidei ).” (Lumen Gentium 25). O arcebispo Fernández também argumentou que as relações sexuais entre casais coabitantes nem sempre são pecaminosas. Que perigo representa para ele manter tal posição na CDF? Invocando a vontade original do Criador, o próprio Jesus descreveu o divórcio e o “novo casamento” como adultério em suas discussões com os fariseus de coração duro, que usavam como argumento a realidade da vida de seus contemporâneos e a incapacidade de guardar os mandamentos de Deus. (Mt 19,9). Todo pecado grave nos exclui do reino de Deus enquanto não nos arrependermos dele e pedirmos perdão (1 Co 6,10). A misericórdia de Deus consiste em reconciliar consigo mesmo o pecador arrependido por meio de Jesus Cristo. De modo algum podemos justificar-nos com referência à nossa fragilidade, para persistir no pecado, isto é, em contradição fatal com a santa e santificadora vontade de Deus. Outra coisa muito diferente é o tratamento pastoralmente sensível de muitas pessoas cujos casamentos e famílias foram danificados ou desfeitos por culpa própria ou de outros. No entanto, a Igreja não tem autoridade para relativizar as verdades reveladas sobre a unidade do casamento (monogamia), sua indissolubilidade e sua fecundidade (aceitação dos filhos como dom de Deus). Uma boa pastoral se baseia numa boa dogmática, porque só uma boa árvore com raízes sadias também produz bons frutos. Monsenhor Fernández declarou que “em muitas questões sou muito mais progressista que o Papa”. Como ex-prefeito da CDF, que conselho você daria ao arcebispo Fernández para que ele possa proteger com segurança as doutrinas da fé? Na América Latina, a Igreja perdeu metade de seus fiéis. Na Alemanha sinodal, mais de 500.000 católicos renunciaram publicamente à comunhão com a Igreja somente em 2022. Em todos os lugares, os seminários estão vazios, os mosteiros estão fechando e o processo de descristianização das Américas e da Europa está avançando de forma constante. violento por “elites” anticlericais. Só um tolo pode falar de uma primavera na Igreja e de um novo Pentecostes. Os elogios da grande mídia aos reformadores progressistas ainda não foram refletidos em uma virada das pessoas para a fé em Jesus Cristo. Porque somente no Filho do Deus vivo eles podem colocar sua esperança de viver e morrer. Ainda pensar aqui nas velhas categorias teórico-culturais de “progressistas/liberais e conservadores”, ou classificar os crentes na escala política da “direita para a esquerda”, já é uma ingenuidade criminosa. O que importa não é onde nos posicionamos no espectro ideológico, mas se “rendemos ao Deus revelado em Cristo a ‘obediência da fé’ e voluntariamente concordamos com sua revelação”. Não nos orientamos para os homens e suas ideologias, mas para o Filho de Deus, o único que pode dizer de si mesmo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. (João 14:6). É duvidoso que meu conselho seja desejado pelos destinatários. Quanto à doutrina da Igreja sobre a fé verdadeira e salvífica, e o que o prefeito e seu dicastério estão obrigados a fazer à luz do magistério universal do Romano Pontífice, preferimos deixar que digam os Padres do Vaticano II: «Para professar esta fé, é necessária a graça de Deus, que vem e ajuda, para a ajuda interna do Espírito Santo, que move o coração e o converte a Deus, abre os olhos da mente e dá «toda a suavidade em aceitando e acreditando na verdade. E para que a inteligência da revelação seja mais profunda, o mesmo Espírito Santo aperfeiçoa constantemente a fé por meio de seus dons. (Dei verbum 5). Traduzido de InfoCatolica. Assista também: #VíctorManuelFernández

  • Santa Maria Goretti, a Mártir da Pureza – 6 de julho

    SANTO DO DIA – 06 DE JULHO – SANTA MARIA GORETTI Virgem e mártir (1890-1902) Maria Goretti, humilde camponesa, nasceu em 16 de outubro de 1890 na cidade de Corinaldo, província de Ancona, Itália. Seus pais, Luiz e Assunta, criavam os sete filhos em meio à penúria de uma vida de necessidades, mas dentro dos preceitos ditados por Jesus Cristo. A menina Maria, por ser a mais velha, cresceu cuidando dos irmãos pequenos em casa, enquanto os pais labutavam no campo. Uma de suas irmãs, mais tarde, tornou-se freira franciscana. As dificuldades financeiras eram tantas que a família migrou de povoado em povoado até fixar-se num povoado inóspito chamado Ferrieri. Nessa localidade, a família passou a residir na mesma propriedade de João Sereneli, ancião de sessenta anos de idade que tinha dois filhos, Gaspar e Alexandre, este com dezoito anos de idade. Assim, todos trabalhavam na lavoura enquanto a jovem Maria cuidava da casa e dos irmãos pequenos. Desse modo, Maria nunca pôde estudar, mas ao lado da família sempre frequentou a igreja. Ela só estudou o catecismo para fazer a primeira comunhão, aos doze anos de idade, um ano após a morte de seu pai. Quando isto ocorreu, o senhor João, compadecido, manteve tudo como estava, contando apenas com a viúva para o trabalho na lavoura. Porém o problema era seu filho Alexandre, que passara a assediar Maria. Apesar da pouca idade, ela era bonita e bem desenvolvida, já atraindo os olhares masculinos. Como recusasse todas as aproximações do rapaz, este se irritou ao extremo. Até que, no dia 5 de julho de 1902, ele perdeu a razão e a tragédia aconteceu. Naquele dia, Alexandre trabalhava ao lado de Assunta quando inventou um pretexto, deixou a lavoura. Foi para o lar dos Goretti portando uma barra de ferro com ponta afiada, sabia que Maria estaria sozinha e indefesa. Primeiro insinuou, depois exigiu, por fim ameaçou a jovem de morte se não satisfizesse seus desejos. Mesmo temendo o pior, Maria resistiu dizendo que aquilo era um pecado mortal. Alexandre, transtornado por não alcançar seu intento, passou a golpear violentamente o corpo da menina. Ela ainda foi levada com vida a um hospital, após ser vitimada com quatorze perfurações. E teve tempo de perdoar seu agressor, pedindo a sua mãe e seus irmãos que fizessem o mesmo, por amor a Jesus. Maria Goretti morreu no dia seguinte ao ataque, no dia 6 de julho de 1902. Quanto a Alexandre, foi preso, quase linchado e condenado a trabalhos forçados. Porém, depois de vinte e sete anos de prisão, foi solto por bom comportamento. Depois de ir a Corinaldo pedir perdão à mãe de Maria Goretti, ingressou num convento capuchinho, onde viveu sua sincera conversão até morrer. Muitos milagres passaram a acontecer por intercessão da pequena menina virgem. A fé na sua santidade cresceu e espalhou-se de tal forma no mundo cristão que, em 1950, ela foi canonizada. Na solenidade, estava presente a sua mãe Assunta, então com oitenta e quatro anos, ao lado de quatro de seus filhos e Alexandre Sereneli, o agressor sinceramente convertido. O papa Pio XII declarou santa Maria Goretti padroeira das virgens cristãs. Até hoje continuam as romarias ao Santuário de Nossa Senhora das Graças, em Nettuno, onde se encontra a sepultura da santa, há dez quilômetros do povoado onde tudo aconteceu. Assista a cena de seu martírio: Conheça mais sobre Santa Maria Goretti Nascida em 16 de outubro de 1890, na aldeia de Corinaldo, próxima do mar Adriático, a segunda filha de Luigi Goretti e Assunta Carlini foi batizada logo no dia seguinte, com o nome de Maria Teresa. A família era pobre, mas profundamente católica, e, seguindo o costume vigente naquele tempo, os pais fizeram com que Marietta – como passou a ser carinhosamente chamada – recebera o Sacramento da Crisma com apenas seis anos de idade. Marietta manifestava um caráter bondoso, dócil e humilde, e se revelou de uma maturidade precoce impressionante, diante da necessidade da mudança de vida que se lhe apresentou. Ajudou nos cuidados do pai enfermo como uma pessoa adulta e, após sua morte, assumiu os encargos do lar, para a mãe poder substituir o marido nos trabalhos do campo. Limpava a casa, buscava água na fonte, rachava lenha, cozinhava e cuidava dos quatro irmãos menores como uma pequena mãezinha. Quando lhes faltava o alimento, conseguia algo a custa de alguns trabalhos, como a venda de pombos e ovos no mercado da cidade próxima, Nettuno. Não se esquecia da educação dos irmãozinhos: repreendia-os pelas travessuras, ensinava-lhes as boas maneiras, as orações e os rudimentos do Catecismo. Apaixonada pelo Santo Rosário, rezava-o todas as noites em companhia da mãe e dos irmãos, com uma piedade edificante. E depois de todos se recolherem, recitava mais um terço em sufrágio da alma de seu falecido pai. Mais de uma vez viu a mãe sem um centavo na bolsa e sem uma fatia de pão no armário, chorando e lamentando- se pela falta do esposo. Nessas ocasiões, com o coração compungido, a menina a abraçava e beijava, esforçando- se para não chorar também, e dizia-lhe: “Coragem, mãezinha! Coragem! Dentro em pouco estamos crescidos, depressa nos faremos todos grandes… De que tem medo? Nós a sustentaremos!… Nós a manteremos!… Deus providenciará!…”. Estes são alguns lampejos de sua alma angelical. Sua mãe, depois de falecida a filha, não deixava de dar testemunho de sua virtude: “Sempre, sempre, sempre obediente a minha filhinha! Nunca me deu o mais pequenino desgosto. Mesmo quando recebia alguma repreensão imerecida, por faltazinhas involuntárias, nunca se mostrou rebelde, nunca se desculpou, mas mantinha-se calma, respeitosa, sem nunca ficar amuada. Na festa de Corpus Christi de 1902, quando, não tendo ainda completado 12 anos, Maria Goretti recebia Nosso Senhor em seu coração. Quais terão sido as impressões e os colóquios divinos, nesse primeiro encontro entre Jesus Eucarístico e aquela alma inocente, disposta a nunca ofendê-Lo pelo pecado, mesmo à custa da própria vida? Só se saberá na eternidade… Poucas semanas se passaram e a pequena não comungara mais que duas ou três vezes, sempre aos domingos. No sábado, 5 de julho, manifestou o desejo de ir, no dia seguinte, acompanhada de uma amiga, receber novamente a Sagrada Comunhão. Estava disposta a caminhar dez quilômetros até Nettuno ou Campomorto, sob o Sol inclemente e em jejum, para receber seu amado Jesus. Seus planos foram, porém, modificados pela sanha de Alessandro. Este já a havia assediado por duas vezes e fora energicamente repelido. Ameaçou então matá-la, e não só ela, mas também a Assunta, caso falasse a alguém sobre isso. Marietta nada dissera à mãe, para não afligi-la aindaNascida em 16 de outubro de 1890, na aldeia de Corinaldo, próxima do mar Adriático, a segunda filha de Luigi Goretti e Assunta Carlini foi batizada logo no dia seguinte, com o nome de Maria Teresa. A família era pobre, mas profundamente católica, e, seguindo o costume vigente naquele tempo, os pais fizeram com que Marietta – como passou a ser carinhosamente chamada – recebera o Sacramento da Crisma com apenas seis anos de idade. Naquela tarde, todavia, a jovem ficara cosendo na sacada exterior, tendo apenas junto a si a irmã mais nova, que dormia placidamente. Alessandro arranjara um jeito de escapar-se do trabalho e, retornando para a residência, arrastou Marietta à força para dentro. Percebendo suas infames intenções, ela exprobrava-lhe a ação pecaminosa: “Não, não! Deus não quer isso! Se o fazes, irás para o inferno!…” Tomado de fúria, o criminoso desferiu-lhe então 14 cruéis punhaladas. Em seguida, jogou fora a arma e foi trancar-se no seu quarto. A menina, porém, depois de um curto desmaio, conseguiu caminhar até o terraço e pedir socorro. A notícia do acontecido logo se espalhou pela vizinhança e o assassino foi preso. A morte de Maria Goretti foi chorada por todos os que a conheceram. Logo se espalhou a fama de sua santidade e, apenas dois anos depois, seus restos mortais foram depositados no grandioso monumento erigido em sua honra, no Santuário Pontifício de Nossa Senhora das Graças, em Nettuno. Um dos fatos prodigiosos que contribuíram para sua canonização foi a conversão de Alessandro. Em 1910, depois de haver passado por um período de frieza e rebeldia, tendo inclusive pensado em se suicidar, o infeliz assassino foi visitado por sua vítima no cárcere de Noto. Marietta lhe apareceu vestida de branco, oferecendo-lhe lírios que, ao serem tocados por ele, se transformavam em chamas cintilantes. Eram ao todo … o mesmo número das punhaladas recebidas! Assistido pelos padres passionistas, Alessandro se converteu. Cumpridos anos de prisão, foi libertado e dirigiu-se a Corinaldo, onde então morava a mãe de Marietta, para pedir- -lhe perdão. Imitando a atitude da filha, ela o perdoou e comungaram lado a lado, na Missa de Natal. Depois, o assassino arrependido fez-se terciário franciscano e terminou seus dias, já ancião, como servente e jardineiro num convento capuchinho. Santa Maria Goretti foi canonizada pelo Papa Pio XII, em 24 de junho de 1950. Nascida em 16 de outubro de 1890, na aldeia de Corinaldo, próxima do mar Adriático, a segunda filha de Luigi Goretti e Assunta Carlini foi batizada logo no dia seguinte, com o nome de Maria Teresa. A família era pobre, mas profundamente católica, e, seguindo o costume vigente naquele tempo, os pais fizeram com que Marietta – como passou a ser carinhosamente chamada – recebera o Sacramento da Crisma com apenas seis anos de idade. Marietta manifestava um caráter bondoso, dócil e humilde, e se revelou de uma maturidade precoce impressionante, diante da necessidade da mudança de vida que se lhe apresentou. Ajudou nos cuidados do pai enfermo como uma pessoa adulta e, após sua morte, assumiu os encargos do lar, para a mãe poder substituir o marido nos trabalhos do campo. Limpava a casa, buscava água na fonte, rachava lenha, cozinhava e cuidava dos quatro irmãos menores como uma pequena mãezinha. Quando lhes faltava o alimento, conseguia algo a custa de alguns trabalhos, como a venda de pombos e ovos no mercado da cidade próxima, Nettuno. Não se esquecia da educação dos irmãozinhos: repreendia-os pelas travessuras, ensinava-lhes as boas maneiras, as orações e os rudimentos do Catecismo. Apaixonada pelo Santo Rosário, rezava-o todas as noites em companhia da mãe e dos irmãos, com uma piedade edificante. E depois de todos se recolherem, recitava mais um terço em sufrágio da alma de seu falecido pai. Mais de uma vez viu a mãe sem um centavo na bolsa e sem uma fatia de pão no armário, chorando e lamentando- se pela falta do esposo. Nessas ocasiões, com o coração compungido, a menina a abraçava e beijava, esforçando- se para não chorar também, e dizia-lhe: “Coragem, mãezinha! Coragem! Dentro em pouco estamos crescidos, depressa nos faremos todos grandes… De que tem medo? Nós a sustentaremos!… Nós a manteremos!… Deus providenciará!…”. Estes são alguns lampejos de sua alma angelical. Sua mãe, depois de falecida a filha, não deixava de dar testemunho de sua virtude: “Sempre, sempre, sempre obediente a minha filhinha! Nunca me deu o mais pequenino desgosto. Mesmo quando recebia alguma repreensão imerecida, por faltazinhas involuntárias, nunca se mostrou rebelde, nunca se desculpou, mas mantinha-se calma, respeitosa, sem nunca ficar amuada. Na festa de Corpus Christi de 1902, quando, não tendo ainda completado 12 anos, Maria Goretti recebia Nosso Senhor em seu coração. Quais terão sido as impressões e os colóquios divinos, nesse primeiro encontro entre Jesus Eucarístico e aquela alma inocente, disposta a nunca ofendê-Lo pelo pecado, mesmo à custa da própria vida? Só se saberá na eternidade… Poucas semanas se passaram e a pequena não comungara mais que duas ou três vezes, sempre aos domingos. No sábado, 5 de julho, manifestou o desejo de ir, no dia seguinte, acompanhada de uma amiga, receber novamente a Sagrada Comunhão. Estava disposta a caminhar dez quilômetros até Nettuno ou Campomorto, sob o Sol inclemente e em jejum, para receber seu amado Jesus. Seus planos foram, porém, modificados pela sanha de Alessandro. Este já a havia assediado por duas vezes e fora energicamente repelido. Ameaçou então matá-la, e não só ela, mas também a Assunta, caso falasse a alguém sobre isso. Marietta nada dissera à mãe, para não afligi-la ainda mais, mas pedia-lhe para não deixá-la sozinha em casa e procurava estar sempre na companhia de algum dos irmãos. Naquela tarde, todavia, a jovem ficara cosendo na sacada exterior, tendo apenas junto a si a irmã mais nova, que dormia placidamente. Alessandro arranjara um jeito de escapar-se do trabalho e, retornando para a residência, arrastou Marietta à força para dentro. Percebendo suas infames intenções, ela exprobrava-lhe a ação pecaminosa: “Não, não! Deus não quer isso! Se o fazes, irás para o inferno!…” Tomado de fúria, o criminoso desferiu-lhe então 14 cruéis punhaladas. Em seguida, jogou fora a arma e foi trancar-se no seu quarto. A menina, porém, depois de um curto desmaio, conseguiu caminhar até o terraço e pedir socorro. A notícia do acontecido logo se espalhou pela vizinhança e o assassino foi preso. A morte de Maria Goretti foi chorada por todos os que a conheceram. Logo se espalhou a fama de sua santidade e, apenas dois anos depois, seus restos mortais foram depositados no grandioso monumento erigido em sua honra, no Santuário Pontifício de Nossa Senhora das Graças, em Nettuno. Um dos fatos prodigiosos que contribuíram para sua canonização foi a conversão de Alessandro. Em 1910, depois de haver passado por um período de frieza e rebeldia, tendo inclusive pensado em se suicidar, o infeliz assassino foi visitado por sua vítima no cárcere de Noto. Marietta lhe apareceu vestida de branco, oferecendo-lhe lírios que, ao serem tocados por ele, se transformavam em chamas cintilantes. Eram ao todo … o mesmo número das punhaladas recebidas! Assistido pelos padres passionistas, Alessandro se converteu. Cumpridos anos de prisão, foi libertado e dirigiu-se a Corinaldo, onde então morava a mãe de Marietta, para pedir- -lhe perdão. Imitando a atitude da filha, ela o perdoou e comungaram lado a lado, na Missa de Natal. Depois, o assassino arrependido fez-se terciário franciscano e terminou seus dias, já ancião, como servente e jardineiro num convento capuchinho. Santa Maria Goretti foi canonizada pelo Papa Pio XII, em 24 de junho de 1950. A verdadeira felicidade exige coragem e espírito de sacrifício, rejeição de todo compromisso com o mal e disposição para pagar com a própria vida a fidelidade a Deus e aos seus Mandamentos. “Nessa tarde, em Ferriere di Conca, um maniaco sexual, aproveitando a ausência de familiares, tentou violentar uma garota de 12 anos que morava na mesma casa que ele. A menina, que se chamava Maria, reagiu às tentativas do agressor e foi morta.” Fatos semelhantes a esse tornaram-se frequentes em nossos dias. Para muitos, este ato vil e ignóbil, já tem a aparência de corriqueiro… E, considerando apenas a frequência com que acontecem e são noticiados, até que seria fácil considerá-los banais, caso neles não estivessem envolvidos aspectos tão graves e elevados como a vida humana, os bons costumes, a moral e os mandamentos da Lei de Deus. A notícia que transcrevemos acima pode ser tida como mera repetição: não é! Um dos aspectos que a tornam sublime é o fato de a vítima ter se transformado em exemplo: por amor a Deus, ela enfrentou seu algoz para defender sua pureza; morreu virgem. No artigo que publicamos, você conhecerá o que leva essa notícia a não ser banal mas, sublime. Você saberá porque uma menina, há mais de cem anos, foi capaz de defender a virgindade até o martírio e tornar-se santa. Você saberá quem foi Santa Maria Goretti. O século XX se iniciou sob a égide do progresso nas comunicações. Com o aperfeiçoamento da fotografia e da imprensa, jornais, folhetos e revistas pululavam por toda parte, noticiando acontecimentos ocorridos nos mais distantes rincões da Terra. Foi este um fator preponderante para que, em 1902, o mundo cristão pudesse tomar conhecimento da trágica história de uma camponesa italiana de apenas onze anos de idade, brutalmente assassinada com 14 punhaladas, enquanto defendia até o martírio a virtude angélica. Seu nome – Maria Goretti – “se nos apresenta como um incitamento ao zelo da Igreja pela pureza, ao valor dessa virtude que ela sempre inculcou. De tal maneira que mais vale a pena à pessoa sacrificar sua vida do que perder a castidade”.1 Entretanto, a firmeza dessa pequena mártir não nasceu de um momento para outro, mas foi fruto de uma intensa vida espiritual, fortalecida pelo Pão Eucarístico nas suas últimas semanas de vida. Este fato, quiçá, tenha contribuído de modo decisivo para, oito anos depois, o Papa São Pio X facultar a Primeira Comunhão às crianças tão logo lhes desponte o uso da razão, pressentindo os maravilhosos efeitos que a presença de Cristo iria produzir nos corações infantis. “Haverá santos entre as crianças”2, afirmou ele. Muito se escreveu já a respeito do martírio dessa santa, tão bem cognominada como um “Anjo da Pureza”. Contudo, pouco se comenta de sua breve e piedosa vida, cujo desfecho não foi senão uma decorrência da fé e do amor a Jesus, levados às últimas consequências. É o que teremos oportunidade de contemplar nestas linhas. Lar pobre, profundamente cristão Nascida em 16 de outubro de 1890, na aldeia de Corinaldo, próxima do mar Adriático, a segunda filha de Luigi Goretti e Assunta Carlini foi batizada logo no dia seguinte, com o nome de Maria Teresa. A família era pobre, mas profundamente católica, e, seguindo o costume vigente naquele tempo, os pais fizeram com que Marietta – como passou a ser carinhosamente chamada – recebera o Sacramento da Crisma com apenas seis anos de idade. Mudança de casa e de vida Quando a menina tinha tão só sete anos, o pequeno campo de Luigi Goretti tornou-se insuficiente para manter a família, e ele decidiu emigrar para Colle Gianturco, nos arredores de Paliano, distante a uns 50 quilômetros de Roma, em busca de melhores oportunidades. Todavia, ali também não tiveram êxito: apesar da dura labuta sob o Sol abrasador, mal conseguiam o necessário para alimentar-se. Dois anos depois, nova mudança se fez necessária, desta vez para Ferrieri di Conca, triste e pantanosa localidade agrícola, onde Luigi faleceu um ano depois de haverem ali chegado, com apenas 41 anos de idade, vítima da malária que grassava naqueles úmidos campos. Marietta manifestava um caráter bondoso, dócil e humilde, e se revelou de uma maturidade precoce impressionante, diante da necessidade da mudança de vida que se lhe apresentou. Ajudou nos cuidados do pai enfermo como uma pessoa adulta e, após sua morte, assumiu os encargos do lar, para a mãe poder substituir o marido nos trabalhos do campo. Limpava a casa, buscava água na fonte, rachava lenha, cozinhava e cuidava dos quatro irmãos menores como uma pequena mãezinha. Quando lhes faltava o alimento, conseguia algo a custa de alguns trabalhos, como a venda de pombos e ovos no mercado da cidade próxima, Nettuno. Não se esquecia da educação dos irmãozinhos: repreendia-os pelas travessuras, ensinava-lhes as boas maneiras, as orações e os rudimentos do Catecismo. Apaixonada pelo Santo Rosário, rezava-o todas as noites em companhia da mãe e dos irmãos, com uma piedade edificante. E depois de todos se recolherem, recitava mais um terço em sufrágio da alma de seu falecido pai. Mais de uma vez viu a mãe sem um centavo na bolsa e sem uma fatia de pão no armário, chorando e lamentando- se pela falta do esposo. Nessas ocasiões, com o coração compungido, a menina a abraçava e beijava, esforçando- se para não chorar também, e dizia-lhe: “Coragem, mãezinha! Coragem! Dentro em pouco estamos crescidos, depressa nos faremos todos grandes… De que tem medo? Nós a sustentaremos!… Nós a manteremos!… Deus providenciará!…”.3 Estes são alguns lampejos de sua alma angelical. Sua mãe, depois de falecida a filha, não deixava de dar testemunho de sua virtude: “Sempre, sempre, sempre obediente a minha filhinha! Nunca me deu o mais pequenino desgosto. Mesmo quando recebia alguma repreensão imerecida, por faltazinhas involuntárias, nunca se mostrou rebelde, nunca se desculpou, mas mantinha-se calma, respeitosa, sem nunca ficar amuada”.4 Malfadada sociedade com os Serenelli Em Ferrieri, Luigi trabalhava numa propriedade do conde Lorenzo Mazzoleni, em sociedade com Giovanni Serenelli e seu filho Alessandro. Viúvo, muito dado ao vinho e sem discrição nas palavras, Giovanni não se preocupara com a educação do filho. Este, com 19 anos de idade, era um rapaz de caráter introvertido, sem qualquer formação religiosa. Nunca ia à Missa e apenas vez por outra acompanhava os Goretti na recitação do rosário, num canto da sala. Sendo o único daquela casa que sabia ler, seu pai lhe trazia jornais com artigos de cunho anticlerical, além de novelas inconvenientes, contendo ilustrações que despertavam sua imaginação e exacerbavam- -lhe os maus desejos. Ele as utilizava como decoração para as paredes de seu quarto. Entretanto, devido à malfadada sociedade de trabalho estabelecida entre Luigi e Giovanni, as duas famílias residiam no mesmo imóvel. E Alessandro, como ele próprio confessou mais tarde, mesmo reconhecendo a candura daquela menina que o tratava como a um irmão mais velho, passou a fitá-la com olhares mal-intencionados, alimentando uma paixão que pouco tempo depois culminaria na conhecida tragédia. Antes de morrer, Luigi – movido talvez por um mau pressentimento – havia aconselhado a esposa a voltar para Corinaldo. Ela, porém, presa pelo contrato e pelas dívidas, não tinha meios para sair da casa dividida com os Serenelli. Apesar de os quartos serem separados, a cozinha era comum e a pequena Marietta, embora com tão pouca idade, atendia às duas famílias nos afazeres domésticos. Primeira Comunhão Naquela época era necessário ter doze anos para receber a Sagrada Eucaristia, e Marietta sofria por não poder alimentar-se do “Pão dos Anjos” e do “Vinho que engendra virgens”. Seu desejo aumentava a cada domingo, quando ia à Missa com a mãe e a madrinha, enfrentando quatro horas de caminhada num caminho polvorento, até a igreja mais próxima. Às suas insistentes súplicas de poder preparar-se para fazer a Primeira Comunhão, sua pobre mãe lhe respondia que, não sabendo ler, ela não tinha como aprender a doutrina. Além disso, na situação de penúria em que se encontravam, onde conseguir dinheiro para o vestido e as outras prendas? Determinada, a menina não se deixava abater. Por fim, obteve autorização para ir certos dias à residência dos Mazzoleni, a fim de receber ensinamentos de sua piedosa governanta, e participar do Catecismo dos domingos, ministrado pelo senhor Alfredo Paliani para um grupo de jovenzinhos. Sem prejuízo de seus afazeres domésticos, estudou e rezou durante onze meses, dando belos exemplos de virtude. Para assegurar-se da boa preparação da filha, Assunta fê-la submeter-se a um exame com o Arcipreste de Nettuno, o qual garantiu estar ela apta para receber Jesus em seu coração. Após fazer os exercícios espirituais preparatórios, pregados por um sacerdote passionista, Marietta voltou para casa muito compenetrada e disse, em tom de voz sério: “Sabes, mamãe, o padre narrou-nos a Paixão de Jesus. E depois disse-nos que quando nós cometemos um pecado, renovamos a Paixão do Senhor”.5 Manifestava, com esta grave afirmação, o propósito de evitar a todo custo o pecado. No dia da Primeira Comunhão, antes de sair para a igreja, estando já pronta, com o vestidinho branco que sua mãe lhe obtivera com muito esforço e um singelo véu que recebera de presente, pediu perdão de suas faltas à mãe, aos irmãos, aos Serenelli e aos vizinhos. Era a festa de Corpus Christi de 1902, quando, não tendo ainda completado 12 anos, Maria Goretti recebia Nosso Senhor em seu coração. Quais terão sido as impressões e os colóquios divinos, nesse primeiro encontro entre Jesus Eucarístico e aquela alma inocente, disposta a nunca ofendê-Lo pelo pecado, mesmo à custa da própria vida? Só se saberá na eternidade… A alegria e disposição de alma consequentes com o grande passo dado na vida espiritual manifestaram-se logo que Marietta chegou a casa. Abraçando a mãe, prometeu- -lhe: “Mãezinha, ó minha mãezinha, serei sempre e cada vez melhor!”.6 É melhor morrer do que pecar Os frutos da Primeira Comunhão logo se fizeram sentir. Um dia, regressou ao lar contando haver visto uma companheira da catequese conversando maliciosamente com um jovem libertino. Imediatamente fugira do local e, ainda horrorizada, afirmou: “É melhor morrer, mamãe, do que dizer palavras feias”.7 Poucas semanas se passaram e a pequena não comungara mais que duas ou três vezes, sempre aos domingos. No sábado, 5 de julho, manifestou o desejo de ir, no dia seguinte, acompanhada de uma amiga, receber novamente a Sagrada Comunhão. Estava disposta a caminhar dez quilômetros até Nettuno ou Campomorto, sob o Sol inclemente e em jejum, para receber seu amado Jesus. Seus planos foram, porém, modificados pela sanha de Alessandro. Este já a havia assediado por duas vezes e fora energicamente repelido. Ameaçou então matá-la, e não só ela, mas também a Assunta, caso falasse a alguém sobre isso. Marietta nada dissera à mãe, para não afligi-la ainda mais, mas pedia-lhe para não deixá-la sozinha em casa e procurava estar sempre na companhia de algum dos irmãos. Naquela tarde, todavia, a jovem ficara cosendo na sacada exterior, tendo apenas junto a si a irmã mais nova, que dormia placidamente. Alessandro arranjara um jeito de escapar-se do trabalho e, retornando para a residência, arrastou Marietta à força para dentro. Percebendo suas infames intenções, ela exprobrava-lhe a ação pecaminosa: “Não, não! Deus não quer isso! Se o fazes, irás para o inferno!…”.8 Tomado de fúria, o criminoso desferiu-lhe então 14 cruéis punhaladas. Em seguida, jogou fora a arma e foi trancar-se no seu quarto. A menina, porém, depois de um curto desmaio, conseguiu caminhar até o terraço e pedir socorro. A notícia do acontecido logo se espalhou pela vizinhança e o assassino foi preso. Últimas horas no hospital Marietta foi conduzida de ambulância ao hospital de Nettuno, onde a submeteram a uma dolorosa laparotomia. Foram duas horas de operação, sem anestesia! Aliás, a tentativa de salvá-la era vã, pois tinha perfurados o pericárdio, o coração, o pulmão esquerdo, o diafragma e o intestino. Os médicos não compreendiam como ainda estava viva. Voltando da sala de cirurgias para junto de sua mãe, mostrava-se preocupada em tranquilizá-la; dizia-lhe que estava bem e perguntava pelos irmãos. A desidratação causada pela perda de sangue a fazia sofrer terrivelmente, mas a gravidade das feridas impedia-lhe de sorver uma gota d’água sequer. Nessa situação, recordar a sede padecida por Jesus no alto da Cruz trazia-lhe consolo. No dia seguinte teve a graça de receber a almejada Comunhão, mas em circunstâncias quão diversas das que ela imaginara! O Arcipreste de Nettuno, Dom Signori, levara-lhe o Santo Viático ao hospital, e quando lhe perguntou se sabia Quem iria receber, ela respondeu: “Sim, é aquele mesmo Jesus que dentro em pouco irei ver face a face”.9 O sacerdote recordou-lhe ter Nosso Senhor perdoado a todos no alto da Cruz e prometido ao bom ladrão que ainda naquele dia estaria com Ele no Paraíso. Perguntou-lhe, então, se perdoava seu assassino: “Sim, por amor a Jesus, perdoo-lhe. E também quero que esteja comigo no Paraíso!… Lá do Céu, rogarei pelo seu arrependimento!”.10 Com este estado de espírito recebeu os Sacramentos. Algumas horas depois, entrou no delírio da morte. Instintivamente osculavao crucifixo e a medalha de Nossa Senhora, insígnia da Associação das Filhas de Maria, na qual fora admitida já no leito de morte. Invocou muitas vezes a Virgem Maria, e por volta das três horas da tarde expirou. Catorze lírios cintilantes A morte de Maria Goretti foi chorada por todos os que a conheceram. Logo se espalhou a fama de sua santidade e, apenas dois anos depois, seus restos mortais foram depositados no grandioso monumento erigido em sua honra, no Santuário Pontifício de Nossa Senhora das Graças, em Nettuno. Um dos fatos prodigiosos que contribuíram para sua canonização foi a conversão de Alessandro. Em 1910, depois de haver passado por um período de frieza e rebeldia, tendo inclusive pensado em se suicidar, o infeliz assassino foi visitado por sua vítima no cárcere de Noto. Marietta lhe apareceu vestida de branco, oferecendo-lhe lírios que, ao serem tocados por ele, se transformavam em chamas cintilantes. Eram ao todo 14… o mesmo número das punhaladas recebidas! Assistido pelos padres passionistas, Alessandro se converteu. Cumpridos 27 anos de prisão, foi libertado e dirigiu-se a Corinaldo, onde então morava a mãe de Marietta, para pedir- -lhe perdão. Imitando a atitude da filha, ela o perdoou e comungaram lado a lado, na Missa de Natal. Depois, o assassino arrependido fez-se terciário franciscano e terminou seus dias, já ancião, como servente e jardineiro num convento capuchinho. Mensagem para a juventude do terceiro milênio Santa Maria Goretti foi canonizada pelo Papa Pio XII, em 24 de junho de 1950. A cerimônia, da qual participou sua mãe, junto com os filhos e netos, teve de ser realizada na Praça de São Pedro, por não haver espaço suficiente para a multidão no interior da Basílica. Em 6 de julho de 2003, concluindo as comemorações do centenário de sua morte, o Beato João Paulo II perguntava, em seu pronunciamento do Angelus: “O que diz aos jovens de hoje esta jovem frágil, mas cristãmente madura, com a sua vida e, sobretudo, com a sua morte heroica?”. E continuava: “Marietta, assim era chamada familiarmente, recorda à juventude do terceiro milênio que a verdadeira felicidade exige coragem e espírito de sacrifício, rejeição de todo compromisso com o mal e disposição para pagar com a própria vida, mesmo com a morte, a fidelidade a Deus e aos seus Mandamentos. “Como é atual esta mensagem! Hoje exaltam-se, muitas vezes, o prazer, o egoísmo ou até a imoralidade, em nome de falsos ideais de liberdade e de felicidade. É preciso reafirmar com clareza que a pureza do coração e do corpo deve ser defendida, porque a castidade ‘guarda’ o amor autêntico. “Santa Maria Goretti ajude todos os jovens a experimentar a beleza e a alegria da bem-aventurança evangélica: ‘Felizes os puros de coração, porque verão a Deus’ (Mt 5, 8). A pureza de coração, como qualquer virtude, exige um treino cotidiano da vontade e uma constante disciplina interior. Pede, acima de tudo, o recurso assíduo a Deus, na oração”.11. (Revista Arautos do Evangelho, Julho/2011, n. 115, p. 30 à 33) #SantaMariaGoretti #SantodoDia

  • Santa Maria Goretti, a Mártir da Pureza – 6 de julho

    SANTO DO DIA – 06 DE JULHO – SANTA MARIA GORETTI Virgem e mártir (1890-1902) Maria Goretti, humilde camponesa, nasceu em 16 de outubro de 1890 na cidade de Corinaldo, província de Ancona, Itália. Seus pais, Luiz e Assunta, criavam os sete filhos em meio à penúria de uma vida de necessidades, mas dentro dos preceitos ditados por Jesus Cristo. A menina Maria, por ser a mais velha, cresceu cuidando dos irmãos pequenos em casa, enquanto os pais labutavam no campo. Uma de suas irmãs, mais tarde, tornou-se freira franciscana. As dificuldades financeiras eram tantas que a família migrou de povoado em povoado até fixar-se num povoado inóspito chamado Ferrieri. Nessa localidade, a família passou a residir na mesma propriedade de João Sereneli, ancião de sessenta anos de idade que tinha dois filhos, Gaspar e Alexandre, este com dezoito anos de idade. Assim, todos trabalhavam na lavoura enquanto a jovem Maria cuidava da casa e dos irmãos pequenos. Desse modo, Maria nunca pôde estudar, mas ao lado da família sempre frequentou a igreja. Ela só estudou o catecismo para fazer a primeira comunhão, aos doze anos de idade, um ano após a morte de seu pai. Quando isto ocorreu, o senhor João, compadecido, manteve tudo como estava, contando apenas com a viúva para o trabalho na lavoura. Porém o problema era seu filho Alexandre, que passara a assediar Maria. Apesar da pouca idade, ela era bonita e bem desenvolvida, já atraindo os olhares masculinos. Como recusasse todas as aproximações do rapaz, este se irritou ao extremo. Até que, no dia 5 de julho de 1902, ele perdeu a razão e a tragédia aconteceu. Naquele dia, Alexandre trabalhava ao lado de Assunta quando inventou um pretexto, deixou a lavoura. Foi para o lar dos Goretti portando uma barra de ferro com ponta afiada, sabia que Maria estaria sozinha e indefesa. Primeiro insinuou, depois exigiu, por fim ameaçou a jovem de morte se não satisfizesse seus desejos. Mesmo temendo o pior, Maria resistiu dizendo que aquilo era um pecado mortal. Alexandre, transtornado por não alcançar seu intento, passou a golpear violentamente o corpo da menina. Ela ainda foi levada com vida a um hospital, após ser vitimada com quatorze perfurações. E teve tempo de perdoar seu agressor, pedindo a sua mãe e seus irmãos que fizessem o mesmo, por amor a Jesus. Maria Goretti morreu no dia seguinte ao ataque, no dia 6 de julho de 1902. Quanto a Alexandre, foi preso, quase linchado e condenado a trabalhos forçados. Porém, depois de vinte e sete anos de prisão, foi solto por bom comportamento. Depois de ir a Corinaldo pedir perdão à mãe de Maria Goretti, ingressou num convento capuchinho, onde viveu sua sincera conversão até morrer. Muitos milagres passaram a acontecer por intercessão da pequena menina virgem. A fé na sua santidade cresceu e espalhou-se de tal forma no mundo cristão que, em 1950, ela foi canonizada. Na solenidade, estava presente a sua mãe Assunta, então com oitenta e quatro anos, ao lado de quatro de seus filhos e Alexandre Sereneli, o agressor sinceramente convertido. O papa Pio XII declarou santa Maria Goretti padroeira das virgens cristãs. Até hoje continuam as romarias ao Santuário de Nossa Senhora das Graças, em Nettuno, onde se encontra a sepultura da santa, há dez quilômetros do povoado onde tudo aconteceu. Assista a cena de seu martírio: Conheça mais sobre Santa Maria Goretti Nascida em 16 de outubro de 1890, na aldeia de Corinaldo, próxima do mar Adriático, a segunda filha de Luigi Goretti e Assunta Carlini foi batizada logo no dia seguinte, com o nome de Maria Teresa. A família era pobre, mas profundamente católica, e, seguindo o costume vigente naquele tempo, os pais fizeram com que Marietta – como passou a ser carinhosamente chamada – recebera o Sacramento da Crisma com apenas seis anos de idade. Marietta manifestava um caráter bondoso, dócil e humilde, e se revelou de uma maturidade precoce impressionante, diante da necessidade da mudança de vida que se lhe apresentou. Ajudou nos cuidados do pai enfermo como uma pessoa adulta e, após sua morte, assumiu os encargos do lar, para a mãe poder substituir o marido nos trabalhos do campo. Limpava a casa, buscava água na fonte, rachava lenha, cozinhava e cuidava dos quatro irmãos menores como uma pequena mãezinha. Quando lhes faltava o alimento, conseguia algo a custa de alguns trabalhos, como a venda de pombos e ovos no mercado da cidade próxima, Nettuno. Não se esquecia da educação dos irmãozinhos: repreendia-os pelas travessuras, ensinava-lhes as boas maneiras, as orações e os rudimentos do Catecismo. Apaixonada pelo Santo Rosário, rezava-o todas as noites em companhia da mãe e dos irmãos, com uma piedade edificante. E depois de todos se recolherem, recitava mais um terço em sufrágio da alma de seu falecido pai. Mais de uma vez viu a mãe sem um centavo na bolsa e sem uma fatia de pão no armário, chorando e lamentando- se pela falta do esposo. Nessas ocasiões, com o coração compungido, a menina a abraçava e beijava, esforçando- se para não chorar também, e dizia-lhe: “Coragem, mãezinha! Coragem! Dentro em pouco estamos crescidos, depressa nos faremos todos grandes… De que tem medo? Nós a sustentaremos!… Nós a manteremos!… Deus providenciará!…”. Estes são alguns lampejos de sua alma angelical. Sua mãe, depois de falecida a filha, não deixava de dar testemunho de sua virtude: “Sempre, sempre, sempre obediente a minha filhinha! Nunca me deu o mais pequenino desgosto. Mesmo quando recebia alguma repreensão imerecida, por faltazinhas involuntárias, nunca se mostrou rebelde, nunca se desculpou, mas mantinha-se calma, respeitosa, sem nunca ficar amuada. Na festa de Corpus Christi de 1902, quando, não tendo ainda completado 12 anos, Maria Goretti recebia Nosso Senhor em seu coração. Quais terão sido as impressões e os colóquios divinos, nesse primeiro encontro entre Jesus Eucarístico e aquela alma inocente, disposta a nunca ofendê-Lo pelo pecado, mesmo à custa da própria vida? Só se saberá na eternidade… Poucas semanas se passaram e a pequena não comungara mais que duas ou três vezes, sempre aos domingos. No sábado, 5 de julho, manifestou o desejo de ir, no dia seguinte, acompanhada de uma amiga, receber novamente a Sagrada Comunhão. Estava disposta a caminhar dez quilômetros até Nettuno ou Campomorto, sob o Sol inclemente e em jejum, para receber seu amado Jesus. Seus planos foram, porém, modificados pela sanha de Alessandro. Este já a havia assediado por duas vezes e fora energicamente repelido. Ameaçou então matá-la, e não só ela, mas também a Assunta, caso falasse a alguém sobre isso. Marietta nada dissera à mãe, para não afligi-la aindaNascida em 16 de outubro de 1890, na aldeia de Corinaldo, próxima do mar Adriático, a segunda filha de Luigi Goretti e Assunta Carlini foi batizada logo no dia seguinte, com o nome de Maria Teresa. A família era pobre, mas profundamente católica, e, seguindo o costume vigente naquele tempo, os pais fizeram com que Marietta – como passou a ser carinhosamente chamada – recebera o Sacramento da Crisma com apenas seis anos de idade. Naquela tarde, todavia, a jovem ficara cosendo na sacada exterior, tendo apenas junto a si a irmã mais nova, que dormia placidamente. Alessandro arranjara um jeito de escapar-se do trabalho e, retornando para a residência, arrastou Marietta à força para dentro. Percebendo suas infames intenções, ela exprobrava-lhe a ação pecaminosa: “Não, não! Deus não quer isso! Se o fazes, irás para o inferno!…” Tomado de fúria, o criminoso desferiu-lhe então 14 cruéis punhaladas. Em seguida, jogou fora a arma e foi trancar-se no seu quarto. A menina, porém, depois de um curto desmaio, conseguiu caminhar até o terraço e pedir socorro. A notícia do acontecido logo se espalhou pela vizinhança e o assassino foi preso. A morte de Maria Goretti foi chorada por todos os que a conheceram. Logo se espalhou a fama de sua santidade e, apenas dois anos depois, seus restos mortais foram depositados no grandioso monumento erigido em sua honra, no Santuário Pontifício de Nossa Senhora das Graças, em Nettuno. Um dos fatos prodigiosos que contribuíram para sua canonização foi a conversão de Alessandro. Em 1910, depois de haver passado por um período de frieza e rebeldia, tendo inclusive pensado em se suicidar, o infeliz assassino foi visitado por sua vítima no cárcere de Noto. Marietta lhe apareceu vestida de branco, oferecendo-lhe lírios que, ao serem tocados por ele, se transformavam em chamas cintilantes. Eram ao todo … o mesmo número das punhaladas recebidas! Assistido pelos padres passionistas, Alessandro se converteu. Cumpridos anos de prisão, foi libertado e dirigiu-se a Corinaldo, onde então morava a mãe de Marietta, para pedir- -lhe perdão. Imitando a atitude da filha, ela o perdoou e comungaram lado a lado, na Missa de Natal. Depois, o assassino arrependido fez-se terciário franciscano e terminou seus dias, já ancião, como servente e jardineiro num convento capuchinho. Santa Maria Goretti foi canonizada pelo Papa Pio XII, em 24 de junho de 1950. Nascida em 16 de outubro de 1890, na aldeia de Corinaldo, próxima do mar Adriático, a segunda filha de Luigi Goretti e Assunta Carlini foi batizada logo no dia seguinte, com o nome de Maria Teresa. A família era pobre, mas profundamente católica, e, seguindo o costume vigente naquele tempo, os pais fizeram com que Marietta – como passou a ser carinhosamente chamada – recebera o Sacramento da Crisma com apenas seis anos de idade. Marietta manifestava um caráter bondoso, dócil e humilde, e se revelou de uma maturidade precoce impressionante, diante da necessidade da mudança de vida que se lhe apresentou. Ajudou nos cuidados do pai enfermo como uma pessoa adulta e, após sua morte, assumiu os encargos do lar, para a mãe poder substituir o marido nos trabalhos do campo. Limpava a casa, buscava água na fonte, rachava lenha, cozinhava e cuidava dos quatro irmãos menores como uma pequena mãezinha. Quando lhes faltava o alimento, conseguia algo a custa de alguns trabalhos, como a venda de pombos e ovos no mercado da cidade próxima, Nettuno. Não se esquecia da educação dos irmãozinhos: repreendia-os pelas travessuras, ensinava-lhes as boas maneiras, as orações e os rudimentos do Catecismo. Apaixonada pelo Santo Rosário, rezava-o todas as noites em companhia da mãe e dos irmãos, com uma piedade edificante. E depois de todos se recolherem, recitava mais um terço em sufrágio da alma de seu falecido pai. Mais de uma vez viu a mãe sem um centavo na bolsa e sem uma fatia de pão no armário, chorando e lamentando- se pela falta do esposo. Nessas ocasiões, com o coração compungido, a menina a abraçava e beijava, esforçando- se para não chorar também, e dizia-lhe: “Coragem, mãezinha! Coragem! Dentro em pouco estamos crescidos, depressa nos faremos todos grandes… De que tem medo? Nós a sustentaremos!… Nós a manteremos!… Deus providenciará!…”. Estes são alguns lampejos de sua alma angelical. Sua mãe, depois de falecida a filha, não deixava de dar testemunho de sua virtude: “Sempre, sempre, sempre obediente a minha filhinha! Nunca me deu o mais pequenino desgosto. Mesmo quando recebia alguma repreensão imerecida, por faltazinhas involuntárias, nunca se mostrou rebelde, nunca se desculpou, mas mantinha-se calma, respeitosa, sem nunca ficar amuada. Na festa de Corpus Christi de 1902, quando, não tendo ainda completado 12 anos, Maria Goretti recebia Nosso Senhor em seu coração. Quais terão sido as impressões e os colóquios divinos, nesse primeiro encontro entre Jesus Eucarístico e aquela alma inocente, disposta a nunca ofendê-Lo pelo pecado, mesmo à custa da própria vida? Só se saberá na eternidade… Poucas semanas se passaram e a pequena não comungara mais que duas ou três vezes, sempre aos domingos. No sábado, 5 de julho, manifestou o desejo de ir, no dia seguinte, acompanhada de uma amiga, receber novamente a Sagrada Comunhão. Estava disposta a caminhar dez quilômetros até Nettuno ou Campomorto, sob o Sol inclemente e em jejum, para receber seu amado Jesus. Seus planos foram, porém, modificados pela sanha de Alessandro. Este já a havia assediado por duas vezes e fora energicamente repelido. Ameaçou então matá-la, e não só ela, mas também a Assunta, caso falasse a alguém sobre isso. Marietta nada dissera à mãe, para não afligi-la ainda mais, mas pedia-lhe para não deixá-la sozinha em casa e procurava estar sempre na companhia de algum dos irmãos. Naquela tarde, todavia, a jovem ficara cosendo na sacada exterior, tendo apenas junto a si a irmã mais nova, que dormia placidamente. Alessandro arranjara um jeito de escapar-se do trabalho e, retornando para a residência, arrastou Marietta à força para dentro. Percebendo suas infames intenções, ela exprobrava-lhe a ação pecaminosa: “Não, não! Deus não quer isso! Se o fazes, irás para o inferno!…” Tomado de fúria, o criminoso desferiu-lhe então 14 cruéis punhaladas. Em seguida, jogou fora a arma e foi trancar-se no seu quarto. A menina, porém, depois de um curto desmaio, conseguiu caminhar até o terraço e pedir socorro. A notícia do acontecido logo se espalhou pela vizinhança e o assassino foi preso. A morte de Maria Goretti foi chorada por todos os que a conheceram. Logo se espalhou a fama de sua santidade e, apenas dois anos depois, seus restos mortais foram depositados no grandioso monumento erigido em sua honra, no Santuário Pontifício de Nossa Senhora das Graças, em Nettuno. Um dos fatos prodigiosos que contribuíram para sua canonização foi a conversão de Alessandro. Em 1910, depois de haver passado por um período de frieza e rebeldia, tendo inclusive pensado em se suicidar, o infeliz assassino foi visitado por sua vítima no cárcere de Noto. Marietta lhe apareceu vestida de branco, oferecendo-lhe lírios que, ao serem tocados por ele, se transformavam em chamas cintilantes. Eram ao todo … o mesmo número das punhaladas recebidas! Assistido pelos padres passionistas, Alessandro se converteu. Cumpridos anos de prisão, foi libertado e dirigiu-se a Corinaldo, onde então morava a mãe de Marietta, para pedir- -lhe perdão. Imitando a atitude da filha, ela o perdoou e comungaram lado a lado, na Missa de Natal. Depois, o assassino arrependido fez-se terciário franciscano e terminou seus dias, já ancião, como servente e jardineiro num convento capuchinho. Santa Maria Goretti foi canonizada pelo Papa Pio XII, em 24 de junho de 1950. A verdadeira felicidade exige coragem e espírito de sacrifício, rejeição de todo compromisso com o mal e disposição para pagar com a própria vida a fidelidade a Deus e aos seus Mandamentos. “Nessa tarde, em Ferriere di Conca, um maniaco sexual, aproveitando a ausência de familiares, tentou violentar uma garota de 12 anos que morava na mesma casa que ele. A menina, que se chamava Maria, reagiu às tentativas do agressor e foi morta.” Fatos semelhantes a esse tornaram-se frequentes em nossos dias. Para muitos, este ato vil e ignóbil, já tem a aparência de corriqueiro… E, considerando apenas a frequência com que acontecem e são noticiados, até que seria fácil considerá-los banais, caso neles não estivessem envolvidos aspectos tão graves e elevados como a vida humana, os bons costumes, a moral e os mandamentos da Lei de Deus. A notícia que transcrevemos acima pode ser tida como mera repetição: não é! Um dos aspectos que a tornam sublime é o fato de a vítima ter se transformado em exemplo: por amor a Deus, ela enfrentou seu algoz para defender sua pureza; morreu virgem. No artigo que publicamos, você conhecerá o que leva essa notícia a não ser banal mas, sublime. Você saberá porque uma menina, há mais de cem anos, foi capaz de defender a virgindade até o martírio e tornar-se santa. Você saberá quem foi Santa Maria Goretti. O século XX se iniciou sob a égide do progresso nas comunicações. Com o aperfeiçoamento da fotografia e da imprensa, jornais, folhetos e revistas pululavam por toda parte, noticiando acontecimentos ocorridos nos mais distantes rincões da Terra. Foi este um fator preponderante para que, em 1902, o mundo cristão pudesse tomar conhecimento da trágica história de uma camponesa italiana de apenas onze anos de idade, brutalmente assassinada com 14 punhaladas, enquanto defendia até o martírio a virtude angélica. Seu nome – Maria Goretti – “se nos apresenta como um incitamento ao zelo da Igreja pela pureza, ao valor dessa virtude que ela sempre inculcou. De tal maneira que mais vale a pena à pessoa sacrificar sua vida do que perder a castidade”.1 Entretanto, a firmeza dessa pequena mártir não nasceu de um momento para outro, mas foi fruto de uma intensa vida espiritual, fortalecida pelo Pão Eucarístico nas suas últimas semanas de vida. Este fato, quiçá, tenha contribuído de modo decisivo para, oito anos depois, o Papa São Pio X facultar a Primeira Comunhão às crianças tão logo lhes desponte o uso da razão, pressentindo os maravilhosos efeitos que a presença de Cristo iria produzir nos corações infantis. “Haverá santos entre as crianças”2, afirmou ele. Muito se escreveu já a respeito do martírio dessa santa, tão bem cognominada como um “Anjo da Pureza”. Contudo, pouco se comenta de sua breve e piedosa vida, cujo desfecho não foi senão uma decorrência da fé e do amor a Jesus, levados às últimas consequências. É o que teremos oportunidade de contemplar nestas linhas. Lar pobre, profundamente cristão Nascida em 16 de outubro de 1890, na aldeia de Corinaldo, próxima do mar Adriático, a segunda filha de Luigi Goretti e Assunta Carlini foi batizada logo no dia seguinte, com o nome de Maria Teresa. A família era pobre, mas profundamente católica, e, seguindo o costume vigente naquele tempo, os pais fizeram com que Marietta – como passou a ser carinhosamente chamada – recebera o Sacramento da Crisma com apenas seis anos de idade. Mudança de casa e de vida Quando a menina tinha tão só sete anos, o pequeno campo de Luigi Goretti tornou-se insuficiente para manter a família, e ele decidiu emigrar para Colle Gianturco, nos arredores de Paliano, distante a uns 50 quilômetros de Roma, em busca de melhores oportunidades. Todavia, ali também não tiveram êxito: apesar da dura labuta sob o Sol abrasador, mal conseguiam o necessário para alimentar-se. Dois anos depois, nova mudança se fez necessária, desta vez para Ferrieri di Conca, triste e pantanosa localidade agrícola, onde Luigi faleceu um ano depois de haverem ali chegado, com apenas 41 anos de idade, vítima da malária que grassava naqueles úmidos campos. Marietta manifestava um caráter bondoso, dócil e humilde, e se revelou de uma maturidade precoce impressionante, diante da necessidade da mudança de vida que se lhe apresentou. Ajudou nos cuidados do pai enfermo como uma pessoa adulta e, após sua morte, assumiu os encargos do lar, para a mãe poder substituir o marido nos trabalhos do campo. Limpava a casa, buscava água na fonte, rachava lenha, cozinhava e cuidava dos quatro irmãos menores como uma pequena mãezinha. Quando lhes faltava o alimento, conseguia algo a custa de alguns trabalhos, como a venda de pombos e ovos no mercado da cidade próxima, Nettuno. Não se esquecia da educação dos irmãozinhos: repreendia-os pelas travessuras, ensinava-lhes as boas maneiras, as orações e os rudimentos do Catecismo. Apaixonada pelo Santo Rosário, rezava-o todas as noites em companhia da mãe e dos irmãos, com uma piedade edificante. E depois de todos se recolherem, recitava mais um terço em sufrágio da alma de seu falecido pai. Mais de uma vez viu a mãe sem um centavo na bolsa e sem uma fatia de pão no armário, chorando e lamentando- se pela falta do esposo. Nessas ocasiões, com o coração compungido, a menina a abraçava e beijava, esforçando- se para não chorar também, e dizia-lhe: “Coragem, mãezinha! Coragem! Dentro em pouco estamos crescidos, depressa nos faremos todos grandes… De que tem medo? Nós a sustentaremos!… Nós a manteremos!… Deus providenciará!…”.3 Estes são alguns lampejos de sua alma angelical. Sua mãe, depois de falecida a filha, não deixava de dar testemunho de sua virtude: “Sempre, sempre, sempre obediente a minha filhinha! Nunca me deu o mais pequenino desgosto. Mesmo quando recebia alguma repreensão imerecida, por faltazinhas involuntárias, nunca se mostrou rebelde, nunca se desculpou, mas mantinha-se calma, respeitosa, sem nunca ficar amuada”.4 Malfadada sociedade com os Serenelli Em Ferrieri, Luigi trabalhava numa propriedade do conde Lorenzo Mazzoleni, em sociedade com Giovanni Serenelli e seu filho Alessandro. Viúvo, muito dado ao vinho e sem discrição nas palavras, Giovanni não se preocupara com a educação do filho. Este, com 19 anos de idade, era um rapaz de caráter introvertido, sem qualquer formação religiosa. Nunca ia à Missa e apenas vez por outra acompanhava os Goretti na recitação do rosário, num canto da sala. Sendo o único daquela casa que sabia ler, seu pai lhe trazia jornais com artigos de cunho anticlerical, além de novelas inconvenientes, contendo ilustrações que despertavam sua imaginação e exacerbavam- -lhe os maus desejos. Ele as utilizava como decoração para as paredes de seu quarto. Entretanto, devido à malfadada sociedade de trabalho estabelecida entre Luigi e Giovanni, as duas famílias residiam no mesmo imóvel. E Alessandro, como ele próprio confessou mais tarde, mesmo reconhecendo a candura daquela menina que o tratava como a um irmão mais velho, passou a fitá-la com olhares mal-intencionados, alimentando uma paixão que pouco tempo depois culminaria na conhecida tragédia. Antes de morrer, Luigi – movido talvez por um mau pressentimento – havia aconselhado a esposa a voltar para Corinaldo. Ela, porém, presa pelo contrato e pelas dívidas, não tinha meios para sair da casa dividida com os Serenelli. Apesar de os quartos serem separados, a cozinha era comum e a pequena Marietta, embora com tão pouca idade, atendia às duas famílias nos afazeres domésticos. Primeira Comunhão Naquela época era necessário ter doze anos para receber a Sagrada Eucaristia, e Marietta sofria por não poder alimentar-se do “Pão dos Anjos” e do “Vinho que engendra virgens”. Seu desejo aumentava a cada domingo, quando ia à Missa com a mãe e a madrinha, enfrentando quatro horas de caminhada num caminho polvorento, até a igreja mais próxima. Às suas insistentes súplicas de poder preparar-se para fazer a Primeira Comunhão, sua pobre mãe lhe respondia que, não sabendo ler, ela não tinha como aprender a doutrina. Além disso, na situação de penúria em que se encontravam, onde conseguir dinheiro para o vestido e as outras prendas? Determinada, a menina não se deixava abater. Por fim, obteve autorização para ir certos dias à residência dos Mazzoleni, a fim de receber ensinamentos de sua piedosa governanta, e participar do Catecismo dos domingos, ministrado pelo senhor Alfredo Paliani para um grupo de jovenzinhos. Sem prejuízo de seus afazeres domésticos, estudou e rezou durante onze meses, dando belos exemplos de virtude. Para assegurar-se da boa preparação da filha, Assunta fê-la submeter-se a um exame com o Arcipreste de Nettuno, o qual garantiu estar ela apta para receber Jesus em seu coração. Após fazer os exercícios espirituais preparatórios, pregados por um sacerdote passionista, Marietta voltou para casa muito compenetrada e disse, em tom de voz sério: “Sabes, mamãe, o padre narrou-nos a Paixão de Jesus. E depois disse-nos que quando nós cometemos um pecado, renovamos a Paixão do Senhor”.5 Manifestava, com esta grave afirmação, o propósito de evitar a todo custo o pecado. No dia da Primeira Comunhão, antes de sair para a igreja, estando já pronta, com o vestidinho branco que sua mãe lhe obtivera com muito esforço e um singelo véu que recebera de presente, pediu perdão de suas faltas à mãe, aos irmãos, aos Serenelli e aos vizinhos. Era a festa de Corpus Christi de 1902, quando, não tendo ainda completado 12 anos, Maria Goretti recebia Nosso Senhor em seu coração. Quais terão sido as impressões e os colóquios divinos, nesse primeiro encontro entre Jesus Eucarístico e aquela alma inocente, disposta a nunca ofendê-Lo pelo pecado, mesmo à custa da própria vida? Só se saberá na eternidade… A alegria e disposição de alma consequentes com o grande passo dado na vida espiritual manifestaram-se logo que Marietta chegou a casa. Abraçando a mãe, prometeu- -lhe: “Mãezinha, ó minha mãezinha, serei sempre e cada vez melhor!”.6 É melhor morrer do que pecar Os frutos da Primeira Comunhão logo se fizeram sentir. Um dia, regressou ao lar contando haver visto uma companheira da catequese conversando maliciosamente com um jovem libertino. Imediatamente fugira do local e, ainda horrorizada, afirmou: “É melhor morrer, mamãe, do que dizer palavras feias”.7 Poucas semanas se passaram e a pequena não comungara mais que duas ou três vezes, sempre aos domingos. No sábado, 5 de julho, manifestou o desejo de ir, no dia seguinte, acompanhada de uma amiga, receber novamente a Sagrada Comunhão. Estava disposta a caminhar dez quilômetros até Nettuno ou Campomorto, sob o Sol inclemente e em jejum, para receber seu amado Jesus. Seus planos foram, porém, modificados pela sanha de Alessandro. Este já a havia assediado por duas vezes e fora energicamente repelido. Ameaçou então matá-la, e não só ela, mas também a Assunta, caso falasse a alguém sobre isso. Marietta nada dissera à mãe, para não afligi-la ainda mais, mas pedia-lhe para não deixá-la sozinha em casa e procurava estar sempre na companhia de algum dos irmãos. Naquela tarde, todavia, a jovem ficara cosendo na sacada exterior, tendo apenas junto a si a irmã mais nova, que dormia placidamente. Alessandro arranjara um jeito de escapar-se do trabalho e, retornando para a residência, arrastou Marietta à força para dentro. Percebendo suas infames intenções, ela exprobrava-lhe a ação pecaminosa: “Não, não! Deus não quer isso! Se o fazes, irás para o inferno!…”.8 Tomado de fúria, o criminoso desferiu-lhe então 14 cruéis punhaladas. Em seguida, jogou fora a arma e foi trancar-se no seu quarto. A menina, porém, depois de um curto desmaio, conseguiu caminhar até o terraço e pedir socorro. A notícia do acontecido logo se espalhou pela vizinhança e o assassino foi preso. Últimas horas no hospital Marietta foi conduzida de ambulância ao hospital de Nettuno, onde a submeteram a uma dolorosa laparotomia. Foram duas horas de operação, sem anestesia! Aliás, a tentativa de salvá-la era vã, pois tinha perfurados o pericárdio, o coração, o pulmão esquerdo, o diafragma e o intestino. Os médicos não compreendiam como ainda estava viva. Voltando da sala de cirurgias para junto de sua mãe, mostrava-se preocupada em tranquilizá-la; dizia-lhe que estava bem e perguntava pelos irmãos. A desidratação causada pela perda de sangue a fazia sofrer terrivelmente, mas a gravidade das feridas impedia-lhe de sorver uma gota d’água sequer. Nessa situação, recordar a sede padecida por Jesus no alto da Cruz trazia-lhe consolo. No dia seguinte teve a graça de receber a almejada Comunhão, mas em circunstâncias quão diversas das que ela imaginara! O Arcipreste de Nettuno, Dom Signori, levara-lhe o Santo Viático ao hospital, e quando lhe perguntou se sabia Quem iria receber, ela respondeu: “Sim, é aquele mesmo Jesus que dentro em pouco irei ver face a face”.9 O sacerdote recordou-lhe ter Nosso Senhor perdoado a todos no alto da Cruz e prometido ao bom ladrão que ainda naquele dia estaria com Ele no Paraíso. Perguntou-lhe, então, se perdoava seu assassino: “Sim, por amor a Jesus, perdoo-lhe. E também quero que esteja comigo no Paraíso!… Lá do Céu, rogarei pelo seu arrependimento!”.10 Com este estado de espírito recebeu os Sacramentos. Algumas horas depois, entrou no delírio da morte. Instintivamente osculavao crucifixo e a medalha de Nossa Senhora, insígnia da Associação das Filhas de Maria, na qual fora admitida já no leito de morte. Invocou muitas vezes a Virgem Maria, e por volta das três horas da tarde expirou. Catorze lírios cintilantes A morte de Maria Goretti foi chorada por todos os que a conheceram. Logo se espalhou a fama de sua santidade e, apenas dois anos depois, seus restos mortais foram depositados no grandioso monumento erigido em sua honra, no Santuário Pontifício de Nossa Senhora das Graças, em Nettuno. Um dos fatos prodigiosos que contribuíram para sua canonização foi a conversão de Alessandro. Em 1910, depois de haver passado por um período de frieza e rebeldia, tendo inclusive pensado em se suicidar, o infeliz assassino foi visitado por sua vítima no cárcere de Noto. Marietta lhe apareceu vestida de branco, oferecendo-lhe lírios que, ao serem tocados por ele, se transformavam em chamas cintilantes. Eram ao todo 14… o mesmo número das punhaladas recebidas! Assistido pelos padres passionistas, Alessandro se converteu. Cumpridos 27 anos de prisão, foi libertado e dirigiu-se a Corinaldo, onde então morava a mãe de Marietta, para pedir- -lhe perdão. Imitando a atitude da filha, ela o perdoou e comungaram lado a lado, na Missa de Natal. Depois, o assassino arrependido fez-se terciário franciscano e terminou seus dias, já ancião, como servente e jardineiro num convento capuchinho. Mensagem para a juventude do terceiro milênio Santa Maria Goretti foi canonizada pelo Papa Pio XII, em 24 de junho de 1950. A cerimônia, da qual participou sua mãe, junto com os filhos e netos, teve de ser realizada na Praça de São Pedro, por não haver espaço suficiente para a multidão no interior da Basílica. Em 6 de julho de 2003, concluindo as comemorações do centenário de sua morte, o Beato João Paulo II perguntava, em seu pronunciamento do Angelus: “O que diz aos jovens de hoje esta jovem frágil, mas cristãmente madura, com a sua vida e, sobretudo, com a sua morte heroica?”. E continuava: “Marietta, assim era chamada familiarmente, recorda à juventude do terceiro milênio que a verdadeira felicidade exige coragem e espírito de sacrifício, rejeição de todo compromisso com o mal e disposição para pagar com a própria vida, mesmo com a morte, a fidelidade a Deus e aos seus Mandamentos. “Como é atual esta mensagem! Hoje exaltam-se, muitas vezes, o prazer, o egoísmo ou até a imoralidade, em nome de falsos ideais de liberdade e de felicidade. É preciso reafirmar com clareza que a pureza do coração e do corpo deve ser defendida, porque a castidade ‘guarda’ o amor autêntico. “Santa Maria Goretti ajude todos os jovens a experimentar a beleza e a alegria da bem-aventurança evangélica: ‘Felizes os puros de coração, porque verão a Deus’ (Mt 5, 8). A pureza de coração, como qualquer virtude, exige um treino cotidiano da vontade e uma constante disciplina interior. Pede, acima de tudo, o recurso assíduo a Deus, na oração”.11. (Revista Arautos do Evangelho, Julho/2011, n. 115, p. 30 à 33) #SantaMariaGoretti #SantodoDia

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