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- Santo Antônio e o milagre da mula que se prostrou diante do Santíssimo Sacramento
Foram muitos os prodígios que Santo Antônio realizou ao longo da sua vida. Um dos milagres mais famosos foi o “milagre eucarístico de Rimini”, ou o chamado “milagre da mula”. Santo Antônio de Pádua (1195 – 1231) pregou enfrentando grandes contrariedades e lutas. A Igreja era fortemente contestada por movimentos heréticos que não aceitavam a presença real de Nosso Senhor na Eucaristia. Durante a sua intensa atividade de evangelização, Santo Antônio andou na zona de Rimini (noroeste de Itália) por volta do ano 1223, e foi justamente neste período que o milagre se encontra narrado em vários livros históricos – entre os quais a Begninitas, uma das primeiras fontes sobre a vida do santo – que narram episódios análogos acontecidos também em Toulose e em Burges. O episódio está relacionado com a luta entre cristãos e hereges. Nesses tempos a hierarquia da Igreja era fortemente contestada por movimentos heterodoxos, incluindo os cátaros, patários e valdenses. Estes atacavam especialmente uma das verdades basilares da Fé católica: a Presença Real de Nosso Senhor na Eucaristia. O milagre eucarístico aconteceu quando Santo Antônio foi desafiado por um certo Bonovillo para provar que a doutrina sobre a Presença Real do Corpo de Cristo na comunhão era verdadeira. Outra biografia antiga de Santo Antônio (A Assídua) traz as palavras ditas por Bonovillo no ‘desafio’: “Irmão! Digo-te diante de todos: acreditarei na Eucaristia se a minha mula, que deixarei sem comer durante três dias, escolher a Hóstia em vez do feno que lhe darei.” Se o animal tivesse, portanto, deixado de lado a comida e ido adorar o Deus pregado por Santo António, o herege converter-se-ia. O encontro foi marcado na Praça Grande (hoje em dia Praça dos Três Mártires), atraindo uma multidão enorme de curiosos. No dia combinado, portanto, Bonovillo apareceu com a mula e com a cesta de feno. Chegou Santo Antônio que, depois de ter celebrado a Missa, trouxe em procissão a Hóstia consagrada dentro do ostensório até a praça. Diante da mula, o Santo disse: “Em virtude e em nome do Criador, que eu, por mais indigno que seja, tenho realmente nas mãos, te digo, ó animal, e te ordeno que te aproximes rapidamente com humildade e O adores com a devida veneração.” O animal, apesar faminto, deixou de lado o feno e aproximou-se para adorar a Hóstia consagrada, de tal modo que inclinou os joelhos e a cabeça, provocando a admiração e o entusiasmo dos presentes. Santo Antônio não se enganou ao julgar a lealdade do seu oponente, que, ao ver o milagre, se lançou aos seus pés e abjurou publicamente os seus erros, tornando-se a partir daquele dia um dos mais fervorosos cooperadores do Santo taumaturgo. Em memória desse episódio foi construída na Praça Três Mártires uma igrejinha dedicada a Santo Antônio com uma capela que a precede, obra de Bramante (1518). A capela, no entanto, foi arrasada durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje, ao lado do Santuário de São Francisco de Paula, pode-se visitar uma nova igreja denominada templete, consagrada no dia 13 de abril de 1963 em substituição à originária. Um tabernáculo de prata dourada reproduz o pequeno templo exterior, e um painel do altar em bronze mostra o milagre da mula. A igrejinha é sede da Adoração Eucarística perpétua. O milagre da mula aparece representado na iconografia de Santo Antônio desde o século XIII. O milagre também impulsionou o movimento eucarístico que deu na instituição da festa solene do Corpus Christi pelo Papa Urbano IV em 1264. #FormaçõesCatólicas #Milagre #MilagreEucarístico #SantoAntônio
- Santo Antônio e o milagre da mula que se prostrou diante do Santíssimo Sacramento
Foram muitos os prodígios que Santo Antônio realizou ao longo da sua vida. Um dos milagres mais famosos foi o “milagre eucarístico de Rimini”, ou o chamado “milagre da mula”. Santo Antônio de Pádua (1195 – 1231) pregou enfrentando grandes contrariedades e lutas. A Igreja era fortemente contestada por movimentos heréticos que não aceitavam a presença real de Nosso Senhor na Eucaristia. Durante a sua intensa atividade de evangelização, Santo Antônio andou na zona de Rimini (noroeste de Itália) por volta do ano 1223, e foi justamente neste período que o milagre se encontra narrado em vários livros históricos – entre os quais a Begninitas, uma das primeiras fontes sobre a vida do santo – que narram episódios análogos acontecidos também em Toulose e em Burges. O episódio está relacionado com a luta entre cristãos e hereges. Nesses tempos a hierarquia da Igreja era fortemente contestada por movimentos heterodoxos, incluindo os cátaros, patários e valdenses. Estes atacavam especialmente uma das verdades basilares da Fé católica: a Presença Real de Nosso Senhor na Eucaristia. O milagre eucarístico aconteceu quando Santo Antônio foi desafiado por um certo Bonovillo para provar que a doutrina sobre a Presença Real do Corpo de Cristo na comunhão era verdadeira. Outra biografia antiga de Santo Antônio (A Assídua) traz as palavras ditas por Bonovillo no ‘desafio’: “Irmão! Digo-te diante de todos: acreditarei na Eucaristia se a minha mula, que deixarei sem comer durante três dias, escolher a Hóstia em vez do feno que lhe darei.” Se o animal tivesse, portanto, deixado de lado a comida e ido adorar o Deus pregado por Santo António, o herege converter-se-ia. O encontro foi marcado na Praça Grande (hoje em dia Praça dos Três Mártires), atraindo uma multidão enorme de curiosos. No dia combinado, portanto, Bonovillo apareceu com a mula e com a cesta de feno. Chegou Santo Antônio que, depois de ter celebrado a Missa, trouxe em procissão a Hóstia consagrada dentro do ostensório até a praça. Diante da mula, o Santo disse: “Em virtude e em nome do Criador, que eu, por mais indigno que seja, tenho realmente nas mãos, te digo, ó animal, e te ordeno que te aproximes rapidamente com humildade e O adores com a devida veneração.” O animal, apesar faminto, deixou de lado o feno e aproximou-se para adorar a Hóstia consagrada, de tal modo que inclinou os joelhos e a cabeça, provocando a admiração e o entusiasmo dos presentes. Santo Antônio não se enganou ao julgar a lealdade do seu oponente, que, ao ver o milagre, se lançou aos seus pés e abjurou publicamente os seus erros, tornando-se a partir daquele dia um dos mais fervorosos cooperadores do Santo taumaturgo. Em memória desse episódio foi construída na Praça Três Mártires uma igrejinha dedicada a Santo Antônio com uma capela que a precede, obra de Bramante (1518). A capela, no entanto, foi arrasada durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje, ao lado do Santuário de São Francisco de Paula, pode-se visitar uma nova igreja denominada templete, consagrada no dia 13 de abril de 1963 em substituição à originária. Um tabernáculo de prata dourada reproduz o pequeno templo exterior, e um painel do altar em bronze mostra o milagre da mula. A igrejinha é sede da Adoração Eucarística perpétua. O milagre da mula aparece representado na iconografia de Santo Antônio desde o século XIII. O milagre também impulsionou o movimento eucarístico que deu na instituição da festa solene do Corpus Christi pelo Papa Urbano IV em 1264. #FormaçõesCatólicas #Milagre #MilagreEucarístico #SantoAntônio
- Santo Antônio de Pádua, o martelo dos hereges – 13 de junho
SANTO DO DIA – 13 DE JUNHO – SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA Sacerdote e Doutor da Igreja (1195-1231) Santo Antônio de Pádua é tão conhecido por seu nome de ordenação que chamá-lo pelo nome que recebeu no batismo parece estranho: Fernando de Bulhões e Taveira de Azevedo. Além disso, ele era português: nasceu em 1195, em Lisboa. De família muito rica e da nobreza, ingressou muito jovem na Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho. Fez seus estudos filosóficos e teológicos em Coimbra e foi lá também que se ordenou sacerdote. Nesse tempo, ainda estava vivo Francisco de Assis, e os primeiros frades dirigidos por ele chegavam a Portugal, instalando ali um mosteiro. Os franciscanos eram conhecidos por percorrer caminhos e estradas, de povoado em povoado, de cidade em cidade, vestidos com seus hábitos simples e vivendo em total pobreza. Esse trabalho já produzia mártires. No Marrocos, por exemplo, vários deles perderam a vida por causa da fé e seus corpos foram levados para Portugal, fato que impressionou muito o jovem Fernando. Empolgado com o estilo de vida e de trabalho dos franciscanos, que, diversamente dos outros frades, não viviam como eremitas, mas saiam pelo mundo pregando e evangelizando, resolveu também ir pregar no Marrocos. Entrou para a Ordem, vestiu o hábito dos franciscanos e tomou o nome de Antônio. Entretanto seu destino não parecia ser o Marrocos. Mal chegou ao país, contraiu uma doença que o obrigou a voltar para Portugal. Aconteceu, porém, que o navio em que viajava foi envolvido por um tremendo vendaval, que empurrou a nave em direção à Itália. Antônio desembarcou na ilha da Sicília e de lá rumou para Assis, a fim de encontrar-se com seu inspirador e fundador da Ordem, Francisco. Com pouco tempo de convivência, transmitiu tanta segurança a ele que foi designado para lecionar teologia aos frades de Bolonha. Assista o vídeo antes de continuar a leitura: Com apenas vinte e seis anos de idade, foi eleito provincial dos franciscanos do norte da Itália. Antônio aceitou o cargo, mas não ficou nele por muito tempo. Seu desejo era pregar, e rumou pelos caminhos da Itália setentrional, praticando a caridade, catequizando o povo simples, dando assistência espiritual aos enfermos e excluídos e até mesmo organizando socialmente essas comunidades. Pregava contra as novas formas de corrupção nascidas do luxo e da avareza dos ricos e poderosos das cidades, onde se disseminaram filosofias heréticas. Ele viajou por muitas regiões da Itália e, por três anos, andou pelo Sul da França, principal foco dessas heresias. Continuou vivendo para a pregação da palavra de Cristo até morrer, em 13 de junho de 1231, nas cercanias de Pádua, na Itália, com apenas trinta e seis anos de idade. Ali, foi sepultado numa magnífica basílica romana. Sua popularidade era tamanha que imediatamente seu sepulcro tornou-se meta de peregrinações que duram até nossos dias. São milhares os relatos de milagres e graças alcançadas rogando seu nome. Ele foi canonizado no ano seguinte ao de sua morte pelo papa Gregório IX. Na Itália e no Brasil, por exemplo, ele é venerado por ajudar a arranjar casamentos e encontrar coisas perdidas. Há também uma forma de caridade denominada ‘Pão de Santo Antonio’, que copia as atitudes do santo em favor dos pobres e famintos. No Brasil, ele é comemorado numa das festas mais alegres e populares, estando entre as três maiores das chamadas festas juninas. No ano de 1946, foi proclamado doutor da Igreja pelo papa Pio XII. Conheça mais sobre Santo Antônio de Pádua Jamais conseguiremos compreender a espiritualidade de Santo Antônio de Pádua sem analisarmos nele esse aspecto essencial e onipresente da nossa existência neste vale de lágrimas: a luta, o combate, o sofrimento. Corria o ano de 1221. No austero convento franciscano de Forli, Itália, encontravam- se reunidos alguns filhos de São Francisco e de São Domingos para uma celebração litúrgica, durante a qual vários religiosos receberam o Sacramento da Ordem. No final da mesma, o Provincial dos Frades Menores pediu que um dos Irmãos Pregadores pronunciasse as palavras de encerramento. Todos, porém, esquivaram-se da honra, pois ninguém tinha preparado aquele discurso e o improviso nem sempre é aconselhável em ocasiões solenes… Vencida a timidez inicial, as palavras daquele irmão, fundadas nas Escrituras, foram adquirindo cada vez maior brilho, fogo e clareza. E, ao terminar, ninguém mais se lembrava do fato de ser ele um apagado cozinheiro, transmudado diante de todos, agora, num insigne predicador. Para remediar a situação, o Provincial dos franciscanos decidiu incumbir do encargo a qualquer um dos seus subalternos, confiando na inspiração da graça. E designou para isto um frade português que desempenhava a função de ajudante de cozinha no Eremitério de São Paulo. Com a simplicidade das almas acostumadas à obediência, o humilde religioso, até então em silêncio, se dispôs a cumprir a ordem. E o fez, diante da surpresa geral, fazendo perfeito uso da língua latina. Assim se iniciou a vida pública de Santo Antônio de Pádua. A batalha contra si mesmo e contra o mal, conduzida até aquele momento na solidão e austeridade do claustro, tomava ali uma proporção missionária. Deus o chamava a evangelizar as multidões, auxiliando-as, através do ministério da palavra, na perpétua e ferrenha luta do homem contra o pecado. Luta? Talvez alguém estranhe ouvir falar dela na vida de um santo cujas imagens sorridentes nos levam a imaginá-lo sempre cheio de alegria, doçura e consolo. Entretanto, o combate contra os próprios defeitos e contra o mal é inseparável companheiro do homo viator, em consequência do pecado original. E jamais conseguiremos compreender a espiritualidade de um bem-aventurado sem analisarmos nele esse aspecto essencial e onipresente em nossa existência neste vale de lágrimas: a luta, o combate, o sofrimento. Nas pegadas de Santo Agostinho Não havia passado meio século desde que a capital lusa fora reconquistada por Dom Afonso Henriques, quando aí nasceu, por volta de 1193, Fernando Martins, o futuro Santo Antônio de Pádua… Ou de Lisboa, como costumam chamá-lo os portugueses que se ufanam, com toda razão, de tão ilustre compatriota. Aos quinze anos, tendo ouvido com nitidez o chamado de Deus para a vida religiosa, incorporou- -se à Ordem dos Cônegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de São Vicente de Fora, erigido em agradecimento pela conquista da cidade. Abraçava esta decisão não para fugir das obrigações militares próprias de um fidalgo, mas sim para aprimorar-se na luta contra o demônio, o mundo e a carne, pois, como afirmou Montalembert, “longe de serem os conventos refúgio dos fracos, foram, pelo contrário, uma verdadeira arena para os fortes”.1 Dois anos e meio depois, seus superiores autorizaram-no a transladar-se ao Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, a fim de separar-se ainda mais do próprio mundo, assaz inimigo da virtude, e para desapegar-se dos seus. Na nova moradia, situada no centro intelectual do jovem país, muito se abeberou Fernando das doutrinas e ensinamentos do autor da Regra, Santo Agostinho, e de outros Padres da Igreja. Adquiriu, ademais, um singular conhecimento das Sagradas Escrituras, base das suas futuras pregações. Foi também nessa cidade elevado à dignidade sacerdotal. Vocação franciscana O zelo comunicado pelo Seráfico de Assis à Ordem dos Frades Menores foi tal que, apenas onze anos após a fundação, cinco de seus filhos morriam mártires no norte da África. A arrojada empresa missionária desses religiosos, irredutíveis na pregação da Fé de Cristo,acabou por suscitar a cólera do miramolim de Marrocos, que mandou executá-los. Um novo impulso do Espírito Santo surgia no seio da Igreja, naquele tempo. Opondo-se ao luxo desregrado e ao apego aos bens materiais que começavam a desviar o espírito de Fé característico do homem medieval, levantaram-se varões como Domingos de Gusmão e Francisco de Assis, os quais increpavam os erros da época pela palavra e pelo exemplo, convidando os cristãos a retomarem o caminho do fervor através da prática da pobreza. Com grande pompa chegaram a Coimbra, em meados de 1220, os restos mortais desses heróis da Fé, sendo expostos à veneração dos fiéis na capela do Mosteiro de Santa Cruz. O fato soou para o Cônego Fernando como uma aprovação do Céu ao seu desejo de unir-se aos filhos de São Francisco no Convento de Santo Antônio de Olivares, aos quais muito admirava. Obtida a licença dos superiores, o Cônego Fernando recebeu o hábito dos Frades Menores algum tempo depois, tomando o nome de Frei Antônio. Sob aquela pobre vestimenta, o brilhante sacerdote lisboeta sacrificava sem pesar o prestígio, as comodidades e a vasta cultura que possuía. Renúncia à própria vontade Decorridos apenas cinco meses de noviciado, conseguiu ser enviado para a terra que dera os primeiros mártires à Ordem Franciscana. Pensava ter chegado ao auge de sua peleja terrestre e já antegozava a palma do martírio. No entanto, a Providência queria dele uma luta mais longa e difícil, cujo primeiro passo consistia na inteira renúncia à própria vontade. Pouco depois de desembarcar em solo africano, fortes febres o acometeram, tornando-o incapaz de qualquer atividade, e o superior enviou-o de volta à Europa. Na viagem de retorno, o navio foi arrastado por uma tempestade para as costas da Sicília. Após passar alguns meses no convento de Messina, Frei Antônio dirigiu-se a Assis, onde se realizaria um Capítulo Geral da Ordem, nas vésperas de Pentecostes de 1221, presidido pelo próprio São Francisco. Encerrada a Assembleia, sendo ainda desconhecido no meio daquela multidão de frades, pediu ao Provincial de Romandiola que o acolhesse como subalterno, e passou a viver no Eremitério de São Paulo. Ignorando sua linhagem e formação, deram-lhe a função de ajudante de cozinha, a qual assumiu sem titubear. Deste modo, passou longos meses no mais completo anonimato, tendo por cela uma gruta e tudo aceitando sem a menor reclamação. Quem ousaria afirmar ser esta vitória sobre si mesmo inferior à alcançada pelos mártires do Marrocos? Foi durante esse período de humilhação e apagamento que se deu o episódio da cerimônia de ordenação em Forli, narrado no início. Pregador destemido “Não devemos ficar calados diante do mal”.2 Bem poderíamos resumir com estas palavras do Papa Bento XVI as pregações do nosso santo. Dotado de devoção, eloquência e rara memória – conhecia de cor as Escrituras -, Frei Antônio atraía multidões às suas pregações. Destemido, não tinha receio de reprovar os erros de seus ouvintes, ainda que se tratasse de autoridades civis ou eclesiásticas. Certa vez interpelou publicamente um Bispo que se adornava de forma vaidosa: “Tenho algo a dizer a ti que usas a mitra!”.3 E censurou-lhe suas faltas. O culpado derramou abundantes lágrimas e mudou de conduta. Também não hesitou em enfrentar o cruel governador Ezzelino, indo à procura dele em Verona. Percebendo a profundidade teológica dos sermões de Frei Antônio e a santidade de sua conduta, os demais frades pediram autorização a São Francisco para que aquele irmão lhes ensinasse a sacra doutrina. Até então, o santo fundador havia se mostrado contrário a que os franciscanos se dedicassem aos estudos, com receio de se desviarem do carisma da Ordem e arrefecerem na vida espiritual. Todavia, conhecedor das virtudes desse seu filho espiritual, acedeu ao pedido dos frades, escrevendo ao santo: “Julgo conveniente que ensines a nossos irmãos a Sagrada Teologia; desde que eles não negligenciem, por este estudo, o espírito da santa oração, de acordo com a regra que professamos”.4 Missão na França influenciada pela heresia Em Toulouse, por exemplo, um cátaro que persistia em negar a presença real de Cristo na Eucaristia propôs-lhe um desafio: durantetrês dias deixaria uma mula sem qualquer alimento, e a levaria depois para a praça pública, onde Frei Antônio lhe apresentaria a custódia com o Santíssimo Sacramento, enquanto o herege lhe ofereceria um monte de feno. Assim se fez e o animal, ainda que faminto, não provou o alimento sem antes fazer uma profunda reverência a Jesus Eucarístico. Muitos se converteram à vista de tamanho milagre. Pouco durou o magistério junto aos seus irmãos, pois, em 1224, o santo religioso foi enviado a pregar no sul da França, onde se alastrava a heresia cátara ou albigense. Durante três anos percorreu as cidades de Montpellier, Toulouse, Le Puy e Limoges, levando-lhes aluz da verdadeira Fé. De muitos dos seus ouvintes recebeu manifestações de sincero arrependimento; de outros, desprezo e zombaria, apesar de serem acompanhadas suas pregações por numerosos milagres. Fidelidade ao carisma Em 1227, Frei Antônio deixou definitivamente a França. Tendo sido convocado para um novo Capítulo Geral da Ordem, o primeiro a realizar-se após a morte do seráfico fundador, foi eleito Superior Provincial da Emilia-Romagna, região na qual o santo passaria os quatro últimos anos de sua vida. A cidade de Pádua, sede do Provincialato, recebeu em abundância o calor de suas palavras e as manifestações de sua bondade para com todos. Com incansável solicitude visitou também Ferrara, Bolonha, Florença, Cremona, Bérgamo, Bréscia e Trento, levantando novos conventos, impondo hábitos aos noviços e, sobretudo, dando a todos o exemplo da santa pobreza. Deus havia retirado do mundo o Poverello, mas deixara a um “segundo Francisco” a tarefa de lutar para conservar a chama de sua obra. Os benefícios de sua santidade não se circunscreviam ao âmbito dos frades menores, pois se estendiam a toda a população. Não havia igreja capaz de comportar as multidões – às vezes 20 mil fiéis – que acorriam para ouvi-lo. E o próprio Papa Gregório IX, após ouvir uma de suas pregações de Quaresma, chamou-o de “Arca do Testamento” e de “Escrínio das Sagradas Escrituras”.5 Tantas atividades, contudo, eram entremeadas por períodos de recolhimento, nos quais restaurava, na contemplação, as forças para a ação. Encantava-lhe para isso o abençoado Monte Alverne, onde seu santo fundador recebera os sagrados estigmas, lugar grandioso epropício para o contato com o sobrenatural. Ali passou o inverno de 1228. “Combati o bom combate” As pregações da Quaresma de 1231 foram especialmente concorridas, pois há muito se espalhara não só a fama da eloquência, como também da santidade de Frei Antônio. Tal prestígio em nada perturbava sua humildade, já bem solidificada na alma. Costumava passar do púlpito para o confessionário, onde, com zelo extremo, colhia os frutos da pregação. O fogo do Espírito Santo O excerto de um dos sermões de Santo Antônio de Pádua traz até nós o ardor e a profundidade teológica das pregações do “Doctor Evangelicus”. O que o fogo material faz com o ferro, faz o fogo do Espírito com o coração malvado, frio e endurecido. Pela infusão desse fogo, a alma aparta de si toda imundície, insensibilidade e dureza, e se transforma à semelhança d’Aquele que a inflamou. Para isso é dado ao homem, para isso lhe é infundido: que, quanto lhe seja possível, a ele se configure. Graças ao abrasamento do fogo divino, o homem torna-se totalmente incandescente, arde por inteiro e se dissolve no amor de Deus, como diz o Apóstolo: “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5, 5). Considera que o fogo, ao queimar as coisas altas, as diminui; aglutina o que está dividido, como o ferro com o ferro; clarifica as coisas obscuras; penetra nas duras; está sempre em movimento; dirige para cima todos os seus movimentos ou ímpetos, fugindo da terra; e envolve em sua própria ação (de queimar) todas as coisas por ele atacadas. Estas sete propriedades do fogo podem ser aplicadas aos sete dons do Espírito Santo: pelo dom do temor, Ele abaixa as coisas altas, ou seja, humilha os soberbos; pelo dom da piedade, une as coisas divididas, isto é, os corações discordantes; pelo dom da ciência, esclarece as coisas obscuras; pelo dom da fortaleza, penetra nos corações endurecidos; pelo dom do conselho, está sempre em movimento, porque aquele que recebeu a inspiração não enlanguesce na ociosidade, mas se move com fervor para procurar a sua salvação e a de seu próximo, pois a graça do Espírito Santo não conhece esforços lentos e tardios; pelo dom do entendimento, influi em todos os sentimentos, porque com sua inspiração dá ao homem a capacidade de entender – isto é, de ler dentro, ler no coração – para buscar as coisas celestes e fugir das terrenas; pelo dom de sabedoria, transforma a mente, na qual se infunde, segundo sua própria operação, tornando-a capaz de saborear as coisas do espírito. Diz o Eclesiástico: “Perfumei minha habitação” (24, 21). (Excertos do Sermão 76 – Na festa de Pentecostes)-(Revista Arautos do Evangelho, Jun/2012, n. 126, p. 32 à 35)
- Santo Antônio de Pádua, o martelo dos hereges – 13 de junho
SANTO DO DIA – 13 DE JUNHO – SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA Sacerdote e Doutor da Igreja (1195-1231) Santo Antônio de Pádua é tão conhecido por seu nome de ordenação que chamá-lo pelo nome que recebeu no batismo parece estranho: Fernando de Bulhões e Taveira de Azevedo. Além disso, ele era português: nasceu em 1195, em Lisboa. De família muito rica e da nobreza, ingressou muito jovem na Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho. Fez seus estudos filosóficos e teológicos em Coimbra e foi lá também que se ordenou sacerdote. Nesse tempo, ainda estava vivo Francisco de Assis, e os primeiros frades dirigidos por ele chegavam a Portugal, instalando ali um mosteiro. Os franciscanos eram conhecidos por percorrer caminhos e estradas, de povoado em povoado, de cidade em cidade, vestidos com seus hábitos simples e vivendo em total pobreza. Esse trabalho já produzia mártires. No Marrocos, por exemplo, vários deles perderam a vida por causa da fé e seus corpos foram levados para Portugal, fato que impressionou muito o jovem Fernando. Empolgado com o estilo de vida e de trabalho dos franciscanos, que, diversamente dos outros frades, não viviam como eremitas, mas saiam pelo mundo pregando e evangelizando, resolveu também ir pregar no Marrocos. Entrou para a Ordem, vestiu o hábito dos franciscanos e tomou o nome de Antônio. Entretanto seu destino não parecia ser o Marrocos. Mal chegou ao país, contraiu uma doença que o obrigou a voltar para Portugal. Aconteceu, porém, que o navio em que viajava foi envolvido por um tremendo vendaval, que empurrou a nave em direção à Itália. Antônio desembarcou na ilha da Sicília e de lá rumou para Assis, a fim de encontrar-se com seu inspirador e fundador da Ordem, Francisco. Com pouco tempo de convivência, transmitiu tanta segurança a ele que foi designado para lecionar teologia aos frades de Bolonha. Assista o vídeo antes de continuar a leitura: Com apenas vinte e seis anos de idade, foi eleito provincial dos franciscanos do norte da Itália. Antônio aceitou o cargo, mas não ficou nele por muito tempo. Seu desejo era pregar, e rumou pelos caminhos da Itália setentrional, praticando a caridade, catequizando o povo simples, dando assistência espiritual aos enfermos e excluídos e até mesmo organizando socialmente essas comunidades. Pregava contra as novas formas de corrupção nascidas do luxo e da avareza dos ricos e poderosos das cidades, onde se disseminaram filosofias heréticas. Ele viajou por muitas regiões da Itália e, por três anos, andou pelo Sul da França, principal foco dessas heresias. Continuou vivendo para a pregação da palavra de Cristo até morrer, em 13 de junho de 1231, nas cercanias de Pádua, na Itália, com apenas trinta e seis anos de idade. Ali, foi sepultado numa magnífica basílica romana. Sua popularidade era tamanha que imediatamente seu sepulcro tornou-se meta de peregrinações que duram até nossos dias. São milhares os relatos de milagres e graças alcançadas rogando seu nome. Ele foi canonizado no ano seguinte ao de sua morte pelo papa Gregório IX. Na Itália e no Brasil, por exemplo, ele é venerado por ajudar a arranjar casamentos e encontrar coisas perdidas. Há também uma forma de caridade denominada ‘Pão de Santo Antonio’, que copia as atitudes do santo em favor dos pobres e famintos. No Brasil, ele é comemorado numa das festas mais alegres e populares, estando entre as três maiores das chamadas festas juninas. No ano de 1946, foi proclamado doutor da Igreja pelo papa Pio XII. Conheça mais sobre Santo Antônio de Pádua Jamais conseguiremos compreender a espiritualidade de Santo Antônio de Pádua sem analisarmos nele esse aspecto essencial e onipresente da nossa existência neste vale de lágrimas: a luta, o combate, o sofrimento. Corria o ano de 1221. No austero convento franciscano de Forli, Itália, encontravam- se reunidos alguns filhos de São Francisco e de São Domingos para uma celebração litúrgica, durante a qual vários religiosos receberam o Sacramento da Ordem. No final da mesma, o Provincial dos Frades Menores pediu que um dos Irmãos Pregadores pronunciasse as palavras de encerramento. Todos, porém, esquivaram-se da honra, pois ninguém tinha preparado aquele discurso e o improviso nem sempre é aconselhável em ocasiões solenes… Vencida a timidez inicial, as palavras daquele irmão, fundadas nas Escrituras, foram adquirindo cada vez maior brilho, fogo e clareza. E, ao terminar, ninguém mais se lembrava do fato de ser ele um apagado cozinheiro, transmudado diante de todos, agora, num insigne predicador. Para remediar a situação, o Provincial dos franciscanos decidiu incumbir do encargo a qualquer um dos seus subalternos, confiando na inspiração da graça. E designou para isto um frade português que desempenhava a função de ajudante de cozinha no Eremitério de São Paulo. Com a simplicidade das almas acostumadas à obediência, o humilde religioso, até então em silêncio, se dispôs a cumprir a ordem. E o fez, diante da surpresa geral, fazendo perfeito uso da língua latina. Assim se iniciou a vida pública de Santo Antônio de Pádua. A batalha contra si mesmo e contra o mal, conduzida até aquele momento na solidão e austeridade do claustro, tomava ali uma proporção missionária. Deus o chamava a evangelizar as multidões, auxiliando-as, através do ministério da palavra, na perpétua e ferrenha luta do homem contra o pecado. Luta? Talvez alguém estranhe ouvir falar dela na vida de um santo cujas imagens sorridentes nos levam a imaginá-lo sempre cheio de alegria, doçura e consolo. Entretanto, o combate contra os próprios defeitos e contra o mal é inseparável companheiro do homo viator, em consequência do pecado original. E jamais conseguiremos compreender a espiritualidade de um bem-aventurado sem analisarmos nele esse aspecto essencial e onipresente em nossa existência neste vale de lágrimas: a luta, o combate, o sofrimento. Nas pegadas de Santo Agostinho Não havia passado meio século desde que a capital lusa fora reconquistada por Dom Afonso Henriques, quando aí nasceu, por volta de 1193, Fernando Martins, o futuro Santo Antônio de Pádua… Ou de Lisboa, como costumam chamá-lo os portugueses que se ufanam, com toda razão, de tão ilustre compatriota. Aos quinze anos, tendo ouvido com nitidez o chamado de Deus para a vida religiosa, incorporou- -se à Ordem dos Cônegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de São Vicente de Fora, erigido em agradecimento pela conquista da cidade. Abraçava esta decisão não para fugir das obrigações militares próprias de um fidalgo, mas sim para aprimorar-se na luta contra o demônio, o mundo e a carne, pois, como afirmou Montalembert, “longe de serem os conventos refúgio dos fracos, foram, pelo contrário, uma verdadeira arena para os fortes”.1 Dois anos e meio depois, seus superiores autorizaram-no a transladar-se ao Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, a fim de separar-se ainda mais do próprio mundo, assaz inimigo da virtude, e para desapegar-se dos seus. Na nova moradia, situada no centro intelectual do jovem país, muito se abeberou Fernando das doutrinas e ensinamentos do autor da Regra, Santo Agostinho, e de outros Padres da Igreja. Adquiriu, ademais, um singular conhecimento das Sagradas Escrituras, base das suas futuras pregações. Foi também nessa cidade elevado à dignidade sacerdotal. Vocação franciscana O zelo comunicado pelo Seráfico de Assis à Ordem dos Frades Menores foi tal que, apenas onze anos após a fundação, cinco de seus filhos morriam mártires no norte da África. A arrojada empresa missionária desses religiosos, irredutíveis na pregação da Fé de Cristo,acabou por suscitar a cólera do miramolim de Marrocos, que mandou executá-los. Um novo impulso do Espírito Santo surgia no seio da Igreja, naquele tempo. Opondo-se ao luxo desregrado e ao apego aos bens materiais que começavam a desviar o espírito de Fé característico do homem medieval, levantaram-se varões como Domingos de Gusmão e Francisco de Assis, os quais increpavam os erros da época pela palavra e pelo exemplo, convidando os cristãos a retomarem o caminho do fervor através da prática da pobreza. Com grande pompa chegaram a Coimbra, em meados de 1220, os restos mortais desses heróis da Fé, sendo expostos à veneração dos fiéis na capela do Mosteiro de Santa Cruz. O fato soou para o Cônego Fernando como uma aprovação do Céu ao seu desejo de unir-se aos filhos de São Francisco no Convento de Santo Antônio de Olivares, aos quais muito admirava. Obtida a licença dos superiores, o Cônego Fernando recebeu o hábito dos Frades Menores algum tempo depois, tomando o nome de Frei Antônio. Sob aquela pobre vestimenta, o brilhante sacerdote lisboeta sacrificava sem pesar o prestígio, as comodidades e a vasta cultura que possuía. Renúncia à própria vontade Decorridos apenas cinco meses de noviciado, conseguiu ser enviado para a terra que dera os primeiros mártires à Ordem Franciscana. Pensava ter chegado ao auge de sua peleja terrestre e já antegozava a palma do martírio. No entanto, a Providência queria dele uma luta mais longa e difícil, cujo primeiro passo consistia na inteira renúncia à própria vontade. Pouco depois de desembarcar em solo africano, fortes febres o acometeram, tornando-o incapaz de qualquer atividade, e o superior enviou-o de volta à Europa. Na viagem de retorno, o navio foi arrastado por uma tempestade para as costas da Sicília. Após passar alguns meses no convento de Messina, Frei Antônio dirigiu-se a Assis, onde se realizaria um Capítulo Geral da Ordem, nas vésperas de Pentecostes de 1221, presidido pelo próprio São Francisco. Encerrada a Assembleia, sendo ainda desconhecido no meio daquela multidão de frades, pediu ao Provincial de Romandiola que o acolhesse como subalterno, e passou a viver no Eremitério de São Paulo. Ignorando sua linhagem e formação, deram-lhe a função de ajudante de cozinha, a qual assumiu sem titubear. Deste modo, passou longos meses no mais completo anonimato, tendo por cela uma gruta e tudo aceitando sem a menor reclamação. Quem ousaria afirmar ser esta vitória sobre si mesmo inferior à alcançada pelos mártires do Marrocos? Foi durante esse período de humilhação e apagamento que se deu o episódio da cerimônia de ordenação em Forli, narrado no início. Pregador destemido “Não devemos ficar calados diante do mal”.2 Bem poderíamos resumir com estas palavras do Papa Bento XVI as pregações do nosso santo. Dotado de devoção, eloquência e rara memória – conhecia de cor as Escrituras -, Frei Antônio atraía multidões às suas pregações. Destemido, não tinha receio de reprovar os erros de seus ouvintes, ainda que se tratasse de autoridades civis ou eclesiásticas. Certa vez interpelou publicamente um Bispo que se adornava de forma vaidosa: “Tenho algo a dizer a ti que usas a mitra!”.3 E censurou-lhe suas faltas. O culpado derramou abundantes lágrimas e mudou de conduta. Também não hesitou em enfrentar o cruel governador Ezzelino, indo à procura dele em Verona. Percebendo a profundidade teológica dos sermões de Frei Antônio e a santidade de sua conduta, os demais frades pediram autorização a São Francisco para que aquele irmão lhes ensinasse a sacra doutrina. Até então, o santo fundador havia se mostrado contrário a que os franciscanos se dedicassem aos estudos, com receio de se desviarem do carisma da Ordem e arrefecerem na vida espiritual. Todavia, conhecedor das virtudes desse seu filho espiritual, acedeu ao pedido dos frades, escrevendo ao santo: “Julgo conveniente que ensines a nossos irmãos a Sagrada Teologia; desde que eles não negligenciem, por este estudo, o espírito da santa oração, de acordo com a regra que professamos”.4 Missão na França influenciada pela heresia Em Toulouse, por exemplo, um cátaro que persistia em negar a presença real de Cristo na Eucaristia propôs-lhe um desafio: durantetrês dias deixaria uma mula sem qualquer alimento, e a levaria depois para a praça pública, onde Frei Antônio lhe apresentaria a custódia com o Santíssimo Sacramento, enquanto o herege lhe ofereceria um monte de feno. Assim se fez e o animal, ainda que faminto, não provou o alimento sem antes fazer uma profunda reverência a Jesus Eucarístico. Muitos se converteram à vista de tamanho milagre. Pouco durou o magistério junto aos seus irmãos, pois, em 1224, o santo religioso foi enviado a pregar no sul da França, onde se alastrava a heresia cátara ou albigense. Durante três anos percorreu as cidades de Montpellier, Toulouse, Le Puy e Limoges, levando-lhes aluz da verdadeira Fé. De muitos dos seus ouvintes recebeu manifestações de sincero arrependimento; de outros, desprezo e zombaria, apesar de serem acompanhadas suas pregações por numerosos milagres. Fidelidade ao carisma Em 1227, Frei Antônio deixou definitivamente a França. Tendo sido convocado para um novo Capítulo Geral da Ordem, o primeiro a realizar-se após a morte do seráfico fundador, foi eleito Superior Provincial da Emilia-Romagna, região na qual o santo passaria os quatro últimos anos de sua vida. A cidade de Pádua, sede do Provincialato, recebeu em abundância o calor de suas palavras e as manifestações de sua bondade para com todos. Com incansável solicitude visitou também Ferrara, Bolonha, Florença, Cremona, Bérgamo, Bréscia e Trento, levantando novos conventos, impondo hábitos aos noviços e, sobretudo, dando a todos o exemplo da santa pobreza. Deus havia retirado do mundo o Poverello, mas deixara a um “segundo Francisco” a tarefa de lutar para conservar a chama de sua obra. Os benefícios de sua santidade não se circunscreviam ao âmbito dos frades menores, pois se estendiam a toda a população. Não havia igreja capaz de comportar as multidões – às vezes 20 mil fiéis – que acorriam para ouvi-lo. E o próprio Papa Gregório IX, após ouvir uma de suas pregações de Quaresma, chamou-o de “Arca do Testamento” e de “Escrínio das Sagradas Escrituras”.5 Tantas atividades, contudo, eram entremeadas por períodos de recolhimento, nos quais restaurava, na contemplação, as forças para a ação. Encantava-lhe para isso o abençoado Monte Alverne, onde seu santo fundador recebera os sagrados estigmas, lugar grandioso epropício para o contato com o sobrenatural. Ali passou o inverno de 1228. “Combati o bom combate” As pregações da Quaresma de 1231 foram especialmente concorridas, pois há muito se espalhara não só a fama da eloquência, como também da santidade de Frei Antônio. Tal prestígio em nada perturbava sua humildade, já bem solidificada na alma. Costumava passar do púlpito para o confessionário, onde, com zelo extremo, colhia os frutos da pregação. O fogo do Espírito Santo O excerto de um dos sermões de Santo Antônio de Pádua traz até nós o ardor e a profundidade teológica das pregações do “Doctor Evangelicus”. O que o fogo material faz com o ferro, faz o fogo do Espírito com o coração malvado, frio e endurecido. Pela infusão desse fogo, a alma aparta de si toda imundície, insensibilidade e dureza, e se transforma à semelhança d’Aquele que a inflamou. Para isso é dado ao homem, para isso lhe é infundido: que, quanto lhe seja possível, a ele se configure. Graças ao abrasamento do fogo divino, o homem torna-se totalmente incandescente, arde por inteiro e se dissolve no amor de Deus, como diz o Apóstolo: “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5, 5). Considera que o fogo, ao queimar as coisas altas, as diminui; aglutina o que está dividido, como o ferro com o ferro; clarifica as coisas obscuras; penetra nas duras; está sempre em movimento; dirige para cima todos os seus movimentos ou ímpetos, fugindo da terra; e envolve em sua própria ação (de queimar) todas as coisas por ele atacadas. Estas sete propriedades do fogo podem ser aplicadas aos sete dons do Espírito Santo: pelo dom do temor, Ele abaixa as coisas altas, ou seja, humilha os soberbos; pelo dom da piedade, une as coisas divididas, isto é, os corações discordantes; pelo dom da ciência, esclarece as coisas obscuras; pelo dom da fortaleza, penetra nos corações endurecidos; pelo dom do conselho, está sempre em movimento, porque aquele que recebeu a inspiração não enlanguesce na ociosidade, mas se move com fervor para procurar a sua salvação e a de seu próximo, pois a graça do Espírito Santo não conhece esforços lentos e tardios; pelo dom do entendimento, influi em todos os sentimentos, porque com sua inspiração dá ao homem a capacidade de entender – isto é, de ler dentro, ler no coração – para buscar as coisas celestes e fugir das terrenas; pelo dom de sabedoria, transforma a mente, na qual se infunde, segundo sua própria operação, tornando-a capaz de saborear as coisas do espírito. Diz o Eclesiástico: “Perfumei minha habitação” (24, 21). (Excertos do Sermão 76 – Na festa de Pentecostes)-(Revista Arautos do Evangelho, Jun/2012, n. 126, p. 32 à 35)
- Santo do Dia – 12 de Junho – Santo Onofre
SANTO DO DIA – 12 DE JUNHO – SANTO ONOFRE Eremita (Séculos IV e V) Onofre foi um eremita que viveu no Egito no final do século IV e início do século V. Ele foi encontrado por um abade chamado Pafúncio. Acostumado a fazer visitas a alguns eremitas na região de Tebaida, esse abade empreendeu sua peregrinação a fim de descobrir se também seria chamado a vivê-la. Pafúncio perambulou no deserto durante vinte e um dias, quando, totalmente exausto e sem forças, caiu ao chão. Nesse instante, viu aparecer uma figura que o fez estremecer: era um homem idoso, de cabelos e barbas que desciam até o chão, recoberto de pêlos tal qual um animal, usando uma tanga de folhas. Era comum os eremitas serem encontrados com tal aspecto, pois viviam sozinhos no isolamento do deserto. No final, ficavam despidos porque qualquer vestimenta era difícil de ser encontrada e reposta. No primeiro instante, Pafúncio pôs-se a correr, assustado, com aquela figura. Porém, minutos depois, essa figura o chamou dizendo que nada temesse, pois também era um ser humano e servo de Deus. O abade retornou ao local e os dois passaram a conversar. Onofre disse a Pafúncio o seu nome e explicou-lhe a sua verdadeira história. Era monge em um mosteiro, mas sentira-se chamado à vida solitária. Resolveu seguir para o deserto e levar a vida de eremita, a exemplo de são João Batista e do profeta Elias, vivendo apenas de ervas e do pouco alimento que encontrasse. Onofre falou sobre a fome e a sede que sentira e também sobre o conforto que Deus lhe dera alimentando-o com os frutos de uma tamareira que ficava próxima da gruta que era sua moradia. Em seguida, conduziu Pafúncio à tal gruta, onde conversaram sobre as coisas celestes até o pôr-do-sol, quando apareceu, repentinamente, diante dos dois, um pouco de pão e água que os revigorou. Pafúncio falou a ele sobre seu desejo de tornar-se um eremita. Mas Onofre disse que não era essa a vontade de Deus, que o tinha enviado para assistir-lhe a morte. Depois, deveria retornar e contar a todos sua vida e o que presenciara. Pafúncio ficou, e assistiu quando um anjo deu a Eucaristia a Onofre antes da morte, no dia 12 de junho. Retornando à cidade, escreveu a história de santo Onofre e a divulgou por toda a Ásia. A devoção a este santo era muito grande no Oriente e passou para o Ocidente no tempo das cruzadas. O dia 12 de junho foi mantido pela Igreja, tendo em vista a época em que Pafúncio viveu e escreveu o livro da vida de santo Onofre, que buscou de todas as maneiras os ensinamentos de Deus. Conheça mais sobre Santo Onofre Um abade chamado Pafnuco, que costumava visitar ermitães na Tebaida, é a fonte que nos fornece dados sobre o santo ermitão. Em fins do século IV, ou princípios do V, Pafnuco, piedosamente, palmilhava os desertos do Egito. Eis então quando, abruptamente, deparou com um ser de longuíssima cabeleira, de vastíssimas barbas, ambas, cabeleira e barbas, a jorrar-se pelo chão, um saiote de folhas apertado aos rins. Velho, enrugado, queimado do sol, castigado pelas chuvas, pela fome e pela sede, aquele homem, a princípio, pôs Pafnuco em fuga, atemorizando-o sobremodo. Chamou, porém, ao abade a feia visão docemente, convidando-o achegar-se. Pafnuco, sossegado pelo clamo chamamento, tornou, aproximou-se e conversou com Santo Onofre, que era ele o gasto velho feio. Onofre fora monge, vivera num mosteiro com outros cento e tantos irmãos. Um dia, sentiu que o deserto o chamava, e chamava com insistência. Deixou a comunidade, foi viver na soledade. Sofreu fome, sede, calor, frio, o incômodo das chuvas, a desesperação das longas secas – sem contar as tentações infindas. Deus, no entanto, consolou-o. Consolou-o e nutriu. Ao lado da gruta em que se alapara, crescera uma tamareira de cujo fruto se alimentava. Na falta dos frutos, na gruta, miraculosamente, todas as tardinhas, de repente, surgiam-lhe pão e água. Restaurado, dando graças a Deus, Onofre em Deus se abismava, mergulhado longamente em coisas celestes. Inteirado Pafnuco da história do santo ermitão piedoso, vendo o velho trêmulo, de lábios descorados, como um moribundo, inquietou-se. Estaria às portas da morte? Santo Onofre olhou-o fixamente, adivinhando-lhe o pensamento. – Não temas, irmão Pafnuco, disse. O Senhor, em sua infinita misericórdia, aqui te enviou para que me sepultes. Ditas estas palavras, Santo Onofre abençoou o visitante, pediu que rogasse por ele e se deitou para morrer. E morreu. Morreu e foi enterrado pelo bom abade Pafnuco. No mesmo instante, desmoronou-se a velha gruta, e a tamareira amiga, estremecendo, como em dores, murchou, pendeu tristonhamente a verde cabeleira, e também morreu. Era, provavelmente, pelo ano 400. Oração Ó Santo Onofre, que pela fé, penitência e força de vontade vencestes o vício do álcool, concedei-me a força e a graça de resistir à tentação da bebida. Livrai do vício, que é uma verdadeira doença, também os meus familiares e os meus amigos. Abençoai os “Alcoólicos Anônimosâ€? para que conservem firme o seu propósito de viver afastados da bebida e de ajudar os seus semelhantes a fazer o mesmo. — Virgem Maria, mãe compassiva dos pecadores, socorrei-nos! — Santo Onofre, rogai por nós. Amém. #SantodoDia
- Santo do Dia – 12 de Junho – Santo Onofre
SANTO DO DIA – 12 DE JUNHO – SANTO ONOFRE Eremita (Séculos IV e V) Onofre foi um eremita que viveu no Egito no final do século IV e início do século V. Ele foi encontrado por um abade chamado Pafúncio. Acostumado a fazer visitas a alguns eremitas na região de Tebaida, esse abade empreendeu sua peregrinação a fim de descobrir se também seria chamado a vivê-la. Pafúncio perambulou no deserto durante vinte e um dias, quando, totalmente exausto e sem forças, caiu ao chão. Nesse instante, viu aparecer uma figura que o fez estremecer: era um homem idoso, de cabelos e barbas que desciam até o chão, recoberto de pêlos tal qual um animal, usando uma tanga de folhas. Era comum os eremitas serem encontrados com tal aspecto, pois viviam sozinhos no isolamento do deserto. No final, ficavam despidos porque qualquer vestimenta era difícil de ser encontrada e reposta. No primeiro instante, Pafúncio pôs-se a correr, assustado, com aquela figura. Porém, minutos depois, essa figura o chamou dizendo que nada temesse, pois também era um ser humano e servo de Deus. O abade retornou ao local e os dois passaram a conversar. Onofre disse a Pafúncio o seu nome e explicou-lhe a sua verdadeira história. Era monge em um mosteiro, mas sentira-se chamado à vida solitária. Resolveu seguir para o deserto e levar a vida de eremita, a exemplo de são João Batista e do profeta Elias, vivendo apenas de ervas e do pouco alimento que encontrasse. Onofre falou sobre a fome e a sede que sentira e também sobre o conforto que Deus lhe dera alimentando-o com os frutos de uma tamareira que ficava próxima da gruta que era sua moradia. Em seguida, conduziu Pafúncio à tal gruta, onde conversaram sobre as coisas celestes até o pôr-do-sol, quando apareceu, repentinamente, diante dos dois, um pouco de pão e água que os revigorou. Pafúncio falou a ele sobre seu desejo de tornar-se um eremita. Mas Onofre disse que não era essa a vontade de Deus, que o tinha enviado para assistir-lhe a morte. Depois, deveria retornar e contar a todos sua vida e o que presenciara. Pafúncio ficou, e assistiu quando um anjo deu a Eucaristia a Onofre antes da morte, no dia 12 de junho. Retornando à cidade, escreveu a história de santo Onofre e a divulgou por toda a Ásia. A devoção a este santo era muito grande no Oriente e passou para o Ocidente no tempo das cruzadas. O dia 12 de junho foi mantido pela Igreja, tendo em vista a época em que Pafúncio viveu e escreveu o livro da vida de santo Onofre, que buscou de todas as maneiras os ensinamentos de Deus. Conheça mais sobre Santo Onofre Um abade chamado Pafnuco, que costumava visitar ermitães na Tebaida, é a fonte que nos fornece dados sobre o santo ermitão. Em fins do século IV, ou princípios do V, Pafnuco, piedosamente, palmilhava os desertos do Egito. Eis então quando, abruptamente, deparou com um ser de longuíssima cabeleira, de vastíssimas barbas, ambas, cabeleira e barbas, a jorrar-se pelo chão, um saiote de folhas apertado aos rins. Velho, enrugado, queimado do sol, castigado pelas chuvas, pela fome e pela sede, aquele homem, a princípio, pôs Pafnuco em fuga, atemorizando-o sobremodo. Chamou, porém, ao abade a feia visão docemente, convidando-o achegar-se. Pafnuco, sossegado pelo clamo chamamento, tornou, aproximou-se e conversou com Santo Onofre, que era ele o gasto velho feio. Onofre fora monge, vivera num mosteiro com outros cento e tantos irmãos. Um dia, sentiu que o deserto o chamava, e chamava com insistência. Deixou a comunidade, foi viver na soledade. Sofreu fome, sede, calor, frio, o incômodo das chuvas, a desesperação das longas secas – sem contar as tentações infindas. Deus, no entanto, consolou-o. Consolou-o e nutriu. Ao lado da gruta em que se alapara, crescera uma tamareira de cujo fruto se alimentava. Na falta dos frutos, na gruta, miraculosamente, todas as tardinhas, de repente, surgiam-lhe pão e água. Restaurado, dando graças a Deus, Onofre em Deus se abismava, mergulhado longamente em coisas celestes. Inteirado Pafnuco da história do santo ermitão piedoso, vendo o velho trêmulo, de lábios descorados, como um moribundo, inquietou-se. Estaria às portas da morte? Santo Onofre olhou-o fixamente, adivinhando-lhe o pensamento. – Não temas, irmão Pafnuco, disse. O Senhor, em sua infinita misericórdia, aqui te enviou para que me sepultes. Ditas estas palavras, Santo Onofre abençoou o visitante, pediu que rogasse por ele e se deitou para morrer. E morreu. Morreu e foi enterrado pelo bom abade Pafnuco. No mesmo instante, desmoronou-se a velha gruta, e a tamareira amiga, estremecendo, como em dores, murchou, pendeu tristonhamente a verde cabeleira, e também morreu. Era, provavelmente, pelo ano 400. Oração Ó Santo Onofre, que pela fé, penitência e força de vontade vencestes o vício do álcool, concedei-me a força e a graça de resistir à tentação da bebida. Livrai do vício, que é uma verdadeira doença, também os meus familiares e os meus amigos. Abençoai os “Alcoólicos Anônimosâ€? para que conservem firme o seu propósito de viver afastados da bebida e de ajudar os seus semelhantes a fazer o mesmo. — Virgem Maria, mãe compassiva dos pecadores, socorrei-nos! — Santo Onofre, rogai por nós. Amém. #SantodoDia
- Não se case na Igreja… sem antes ler este texto
Um texto sobre casamento que se tornou viral na internet, gerou tensão entre os católicos ao apresentar diversos pontos da doutrina católica que seriam um impedimento para contrair o sacramento do matrimônio. São pontos tão sensíveis do aspecto doutrinário que podem ser motivo para nulidade do matrimônio, ou mesmo uma falta grave daqueles que cometem o ato. Alertamos que este texto não tem intenção de desmotivar os católicos a contraírem o sacramento do matrimônio, mas de alertar a orientação da igreja acerca de pontos importantes da Doutrina que todo católico deve seguir. Veja abaixo uma lista com mais de 20 objeções para não contrair o Sacramento do Matrimônio: Não se case na Igreja Católica: Se você prefere ter um animal de estimação no lugar dos filhos. (pecado grave) Não se case na Igreja Católica: Se você não quer ter filhos ou pretende limitar sua prole. (pecado grave) Não se case na Igreja Católica: Se você não quer estar sempre aberto à vida na hora do relacionamento conjugal. (pecado grave) Não se case na Igreja Católica: Se você está pensando em operar (Fazer laqueadura/Vasectomia). (pecado grave) Não se case na Igreja Católica: Se você ainda pretende fazer uso de pílulas anticoncepcionais. (pecado grave) Não se case na Igreja Católica: Se você ainda quer pretende fazer uso de camisinhas ou tomar injeções para não engravidar. (pecado grave) Não se case na Igreja Católica: Se você não está disposto a dar testemunho para que seu filho viva a Fé Católica. (pecado grave) Não se case na Igreja Católica: Se você não estiver pronto para se unir em um só corpo com seu cônjuge. Não se case na Igreja Católica: Se você pretende continuar vivendo como se estivesse solteiro. Não se case na Igreja Católica: Se você prefere dar prioridade à sua vida profissional do que sua família. Não se case na Igreja Católica: Se você não quer ser fiel e casto dentro do seu estado de vida. (pecado grave) Não se case na Igreja Católica: Se você pretende fazer Fertilização In Vitro. (pecado grave) Não se case na Igreja Católica: Se você pensa apenas em fugir do rabo da saia da mãe. Não se case na Igreja Católica: Se você não quer casar por amor, e sim status. Não se case na Igreja Católica: Apenas para ter uma festa de casamento. Não se case na Igreja Católica: Se para você casamento significa apenas sexo. Não se case na Igreja Católica: Se mesmo antes do casamento você já vê o divórcio como uma opção. Não se case na Igreja Católica: Se estiver sendo pressionado a se casar por algum motivo. Não se case na Igreja Católica: Se o motivo do casamento for porque engravidou sem querer. Não se case na Igreja Católica: Se ainda quer viver no individualismo. Não se case na Igreja Católica: Se você é pró aborto. (pecado grave) Enfim, não se case na Igreja Católica se não pretende viver como Católico. (Texto adaptado do original encontrado na internet) PARA SE CASAR É PRECISO TER VOCAÇÃO Existem muitos tipos de vocações, porém existe uma vocação universal para que todos somos chamados: A Santidade. A santidade consistem em CONHECER, AMAR E SERVIR A DEUS. Deus nos chama a servi-Lo de muitos modos… Através da vocação de especial consagração: Sacerdócio, Vida Religiosa, Vida Missionária Através da formação de uma família: Matrimônio. Ou mesmo como solteiros: Celibatários. Para todas as vocações é preciso estar aberto para fazer a vontade de Deus. Todas as vocações exigem sacrifícios… Para os que consagram a virgindade, como os celibatários ou os consagrados, um dos principais sacrifícios é abster-se do ato sexual. Já os casados podem desfrutar do ato sexual, contudo esse ato sexual têm consequências, que são os filhos. A principal missão dos casados é conduzir os filhos rumo à Santidade! #Família #FormaçõesCatólicas
- Não se case na Igreja… sem antes ler este texto
Um texto sobre casamento que se tornou viral na internet, gerou tensão entre os católicos ao apresentar diversos pontos da doutrina católica que seriam um impedimento para contrair o sacramento do matrimônio. São pontos tão sensíveis do aspecto doutrinário que podem ser motivo para nulidade do matrimônio, ou mesmo uma falta grave daqueles que cometem o ato. Alertamos que este texto não tem intenção de desmotivar os católicos a contraírem o sacramento do matrimônio, mas de alertar a orientação da igreja acerca de pontos importantes da Doutrina que todo católico deve seguir. Veja abaixo uma lista com mais de 20 objeções para não contrair o Sacramento do Matrimônio: Não se case na Igreja Católica: Se você prefere ter um animal de estimação no lugar dos filhos. (pecado grave) Não se case na Igreja Católica: Se você não quer ter filhos ou pretende limitar sua prole. (pecado grave) Não se case na Igreja Católica: Se você não quer estar sempre aberto à vida na hora do relacionamento conjugal. (pecado grave) Não se case na Igreja Católica: Se você está pensando em operar (Fazer laqueadura/Vasectomia). (pecado grave) Não se case na Igreja Católica: Se você ainda pretende fazer uso de pílulas anticoncepcionais. (pecado grave) Não se case na Igreja Católica: Se você ainda quer pretende fazer uso de camisinhas ou tomar injeções para não engravidar. (pecado grave) Não se case na Igreja Católica: Se você não está disposto a dar testemunho para que seu filho viva a Fé Católica. (pecado grave) Não se case na Igreja Católica: Se você não estiver pronto para se unir em um só corpo com seu cônjuge. Não se case na Igreja Católica: Se você pretende continuar vivendo como se estivesse solteiro. Não se case na Igreja Católica: Se você prefere dar prioridade à sua vida profissional do que sua família. Não se case na Igreja Católica: Se você não quer ser fiel e casto dentro do seu estado de vida. (pecado grave) Não se case na Igreja Católica: Se você pretende fazer Fertilização In Vitro. (pecado grave) Não se case na Igreja Católica: Se você pensa apenas em fugir do rabo da saia da mãe. Não se case na Igreja Católica: Se você não quer casar por amor, e sim status. Não se case na Igreja Católica: Apenas para ter uma festa de casamento. Não se case na Igreja Católica: Se para você casamento significa apenas sexo. Não se case na Igreja Católica: Se mesmo antes do casamento você já vê o divórcio como uma opção. Não se case na Igreja Católica: Se estiver sendo pressionado a se casar por algum motivo. Não se case na Igreja Católica: Se o motivo do casamento for porque engravidou sem querer. Não se case na Igreja Católica: Se ainda quer viver no individualismo. Não se case na Igreja Católica: Se você é pró aborto. (pecado grave) Enfim, não se case na Igreja Católica se não pretende viver como Católico. (Texto adaptado do original encontrado na internet) PARA SE CASAR É PRECISO TER VOCAÇÃO Existem muitos tipos de vocações, porém existe uma vocação universal para que todos somos chamados: A Santidade. A santidade consistem em CONHECER, AMAR E SERVIR A DEUS. Deus nos chama a servi-Lo de muitos modos… Através da vocação de especial consagração: Sacerdócio, Vida Religiosa, Vida Missionária Através da formação de uma família: Matrimônio. Ou mesmo como solteiros: Celibatários. Para todas as vocações é preciso estar aberto para fazer a vontade de Deus. Todas as vocações exigem sacrifícios… Para os que consagram a virgindade, como os celibatários ou os consagrados, um dos principais sacrifícios é abster-se do ato sexual. Já os casados podem desfrutar do ato sexual, contudo esse ato sexual têm consequências, que são os filhos. A principal missão dos casados é conduzir os filhos rumo à Santidade! #Família #FormaçõesCatólicas
- Como deve ser um Namoro Cristão?
O amor está no ar na formação ao vivo de hoje, especial para o Dia dos Namorados. Este é um tema constantemente ignorado e muitas vezes mal trabalhado pelos jovens, pelas famílias e pelas paróquias. Uma etapa tão importante na formação das famílias, merece muito mais atenção que apenas um encontro de noivos preparatório para o sacramento do matrimônio. Assista agora mesmo a formação e compartilhe com os jovens casais e também com os pais de jovens e crianças que você conhece: Pequeno Catecismo do Namoro O que é “namoro”? R: Namoro é o período em que o rapaz e a moça procuram conhecer-se em preparação para o matrimônio. Em que consiste o matrimônio? R: No matrimônio homem e mulher doam seus corpos, constituem uma só carne e tornam-se instrumentos de Deus na geração de novas vidas humanas. Então, em que deve consistir a preparação ao matrimônio? R: Antes de dar os corpos é preciso doar as almas. No namoro os jovens procuram conhecer não o corpo do outro, mas sua alma. Que conclusão podemos tirar daí? R: Os namorados não podem ter relações sexuais (fornicação), nem atitudes contrarias à castidade. Por que? R: Pois o corpo do outro ainda não lhes pertence, pelo sacramento do matrimônio religioso. Unir-se ao corpo alheio, antes do casamento na Igreja é um pecado contra a castidade e contra a justiça, e como nosso corpo é o templo do Espírito Santo (1 Cor. 6, 19), a profanação de nosso corpo é algo semelhante a um sacrilégio. São permitidos os abraços e beijos? R:Porém não é apenas a fornicação que é pecado, mas também tudo o que provoca o desejo da fornicação, como abraços e beijos. Não podem ser considerados como simples expressões de afeto? R: Não, já que muitíssimo mais do que constituírem expressões de afeto, despertam, alimentam e exacerbam o desejo físico. Aliás, é possível profanar o templo do nosso corpo até por um pensamento: “Todo aquele que olha para uma mulher com mau desejo já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mat. 5, 28). Que conseqüências práticas tiramos disso? R: Durante o namoro deve evitar o contato físico, como abraços e beijos, que já constitui uma entrega física que, se acidentalmente pode não se consumar, no entanto prepara ou apressa. Vale aqui lembrar a advertência de Cristo: “Vigiai e orai para não cairdes em tentação. O espírito é pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26, 41). Que outra conseqüência tirais disso? R:O prazer da excitação dos sentidos torna-os incapazes de perceber a beleza da alma do outro. O namoro assim deixa de ser uma ocasião de amar para ser uma ocasião de egoísmo a dois, cada uno desejando sugar do outro o máximo prazer. Como, então, deve-se namorar? R: Sendo o namoro o encontro de dois templos sagrados que desejam conhecer-se e amar-se interiormente, os namorados deveriam agir a semelhança de um rito litúrgico: 1- Rezar antes e depois do namoro; 2- Namorar apenas em lugar visível, para evitar ocasiões de pecar. Nada há para esconder. 3- Durante o namoro evitar ir além de conversar e dar as mãos. 4- Ter sempre em mente: “Eu estou diante de um templo sagrado. Ai de mim se eu profanar este templo até por um pensamento!” 5- Depois do namoro convém fazer um exame de consciência: “Estou agora amando a Deus mais do que antes?” E se o outro não aceitar namorar cristãmente? R: É preciso renunciar ao namorado (à namorada): “Aquele que ama pai ou mãe mais do que a mim não é digno de mim” (Mt 10, 37). O que poderíamos acrescentar: “Aquele que ama o namorado ou a namorada mais do que a mim não é digno de mim”. Para conservar a graça que Jesus Cristo nos conquistou a preço do seu Sangue, devemos renunciar à própria vida, e com maior razão ao namorado (à namorada). Não é isso muito duro? R: Sim é duro, mas tem um consolo. Se o outro não aceita namorar senão a través de beijos e abraços escandalosos, na verdade ele não ama você, mas deseja gozar do prazer que você pode oferecer. O verdadeiro amor sabe esperar. A reta intenção incluí a prudência, autodomínio, fundamento da castidade conjugal. Mas, é realmente preciso ser diferente de todo o mundo? R: Sim, o cristão deve ser o sal da Terra (Mt 5, 13, luz do Mundo (Mt. 5, 14), fermento na massa (Mt. 13, 33). “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito” (Rm. 12, 2). Mas não é levar uma vida muito triste? R: Aquele que procura o prazer, encontra o prazer. Mas depois vem o vazio, o remorso de consciência e a tristeza de ter pecado. Aquele que se abstém do prazer ilegítimo, por obediência a Jesus Cristo, encontra a alegria e a felicidade: “Bem aventurados os puros porque verão a Face de Deus” (Mt. 5, 8 ). Que significa isso? R: Isso significa que a alegria da pureza está acima do prazer da impureza assim como o Céu está acima da Terra. Ao olharmos para os olhos de uma pessoa pura, vemos algo de divino em sua alma, algum reflexo deste Deus que contempla com maior facilidade e perfeição. Oração para antes do namoro Senhor, estou diante de um templo onde Vós habitais. Amo-Vos presente neste templo e prefiro morrer a profanar este santuário mesmo por pensamento. Fazei que com este namoro eu aprenda a amar a Vós presente no outro, e assim descubra se foi este (esta) quem escolhestes para estar a meu lado por toda a vida. São Rafael Arcanjo, que conduzistes Tobias e Sara e lhes ensinastes a pureza do coração, fazei que na obediência aos mandamentos, possamos glorificar a Deus para sempre. Amém. #Castidade #Formaçõesaovivo #FormaçõesCatólicas #NamoroSanto
- Como deve ser um Namoro Cristão?
O amor está no ar na formação ao vivo de hoje, especial para o Dia dos Namorados. Este é um tema constantemente ignorado e muitas vezes mal trabalhado pelos jovens, pelas famílias e pelas paróquias. Uma etapa tão importante na formação das famílias, merece muito mais atenção que apenas um encontro de noivos preparatório para o sacramento do matrimônio. Assista agora mesmo a formação e compartilhe com os jovens casais e também com os pais de jovens e crianças que você conhece: Pequeno Catecismo do Namoro O que é “namoro”? R: Namoro é o período em que o rapaz e a moça procuram conhecer-se em preparação para o matrimônio. Em que consiste o matrimônio? R: No matrimônio homem e mulher doam seus corpos, constituem uma só carne e tornam-se instrumentos de Deus na geração de novas vidas humanas. Então, em que deve consistir a preparação ao matrimônio? R: Antes de dar os corpos é preciso doar as almas. No namoro os jovens procuram conhecer não o corpo do outro, mas sua alma. Que conclusão podemos tirar daí? R: Os namorados não podem ter relações sexuais (fornicação), nem atitudes contrarias à castidade. Por que? R: Pois o corpo do outro ainda não lhes pertence, pelo sacramento do matrimônio religioso. Unir-se ao corpo alheio, antes do casamento na Igreja é um pecado contra a castidade e contra a justiça, e como nosso corpo é o templo do Espírito Santo (1 Cor. 6, 19), a profanação de nosso corpo é algo semelhante a um sacrilégio. São permitidos os abraços e beijos? R:Porém não é apenas a fornicação que é pecado, mas também tudo o que provoca o desejo da fornicação, como abraços e beijos. Não podem ser considerados como simples expressões de afeto? R: Não, já que muitíssimo mais do que constituírem expressões de afeto, despertam, alimentam e exacerbam o desejo físico. Aliás, é possível profanar o templo do nosso corpo até por um pensamento: “Todo aquele que olha para uma mulher com mau desejo já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mat. 5, 28). Que conseqüências práticas tiramos disso? R: Durante o namoro deve evitar o contato físico, como abraços e beijos, que já constitui uma entrega física que, se acidentalmente pode não se consumar, no entanto prepara ou apressa. Vale aqui lembrar a advertência de Cristo: “Vigiai e orai para não cairdes em tentação. O espírito é pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26, 41). Que outra conseqüência tirais disso? R:O prazer da excitação dos sentidos torna-os incapazes de perceber a beleza da alma do outro. O namoro assim deixa de ser uma ocasião de amar para ser uma ocasião de egoísmo a dois, cada uno desejando sugar do outro o máximo prazer. Como, então, deve-se namorar? R: Sendo o namoro o encontro de dois templos sagrados que desejam conhecer-se e amar-se interiormente, os namorados deveriam agir a semelhança de um rito litúrgico: 1- Rezar antes e depois do namoro; 2- Namorar apenas em lugar visível, para evitar ocasiões de pecar. Nada há para esconder. 3- Durante o namoro evitar ir além de conversar e dar as mãos. 4- Ter sempre em mente: “Eu estou diante de um templo sagrado. Ai de mim se eu profanar este templo até por um pensamento!” 5- Depois do namoro convém fazer um exame de consciência: “Estou agora amando a Deus mais do que antes?” E se o outro não aceitar namorar cristãmente? R: É preciso renunciar ao namorado (à namorada): “Aquele que ama pai ou mãe mais do que a mim não é digno de mim” (Mt 10, 37). O que poderíamos acrescentar: “Aquele que ama o namorado ou a namorada mais do que a mim não é digno de mim”. Para conservar a graça que Jesus Cristo nos conquistou a preço do seu Sangue, devemos renunciar à própria vida, e com maior razão ao namorado (à namorada). Não é isso muito duro? R: Sim é duro, mas tem um consolo. Se o outro não aceita namorar senão a través de beijos e abraços escandalosos, na verdade ele não ama você, mas deseja gozar do prazer que você pode oferecer. O verdadeiro amor sabe esperar. A reta intenção incluí a prudência, autodomínio, fundamento da castidade conjugal. Mas, é realmente preciso ser diferente de todo o mundo? R: Sim, o cristão deve ser o sal da Terra (Mt 5, 13, luz do Mundo (Mt. 5, 14), fermento na massa (Mt. 13, 33). “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito” (Rm. 12, 2). Mas não é levar uma vida muito triste? R: Aquele que procura o prazer, encontra o prazer. Mas depois vem o vazio, o remorso de consciência e a tristeza de ter pecado. Aquele que se abstém do prazer ilegítimo, por obediência a Jesus Cristo, encontra a alegria e a felicidade: “Bem aventurados os puros porque verão a Face de Deus” (Mt. 5, 8 ). Que significa isso? R: Isso significa que a alegria da pureza está acima do prazer da impureza assim como o Céu está acima da Terra. Ao olharmos para os olhos de uma pessoa pura, vemos algo de divino em sua alma, algum reflexo deste Deus que contempla com maior facilidade e perfeição. Oração para antes do namoro Senhor, estou diante de um templo onde Vós habitais. Amo-Vos presente neste templo e prefiro morrer a profanar este santuário mesmo por pensamento. Fazei que com este namoro eu aprenda a amar a Vós presente no outro, e assim descubra se foi este (esta) quem escolhestes para estar a meu lado por toda a vida. São Rafael Arcanjo, que conduzistes Tobias e Sara e lhes ensinastes a pureza do coração, fazei que na obediência aos mandamentos, possamos glorificar a Deus para sempre. Amém. #Castidade #Formaçõesaovivo #FormaçõesCatólicas #NamoroSanto
- Santa Paula Frassinetti, fundadora – 11 de Junho
SANTO DO DIA – 11 DE JUNHO – PAULA FRASSINETTI Fundadora da Congregação de Santa Dorotéia (1808-1882) Paula Ângela Maria Frassinetti nasceu em 3 de março de 1808, na cidade de Gênova, Itália. Com a morte da sua mãe, seu pai e seus quatro irmãos assumem sua educação. Seu pai incutiu nos filhos um forte sentido cristão e todos seguiram a vida sacerdotal. O mais velho foi o fundador da Congregação dos Filhos de Maria Imaculada. Paula tinha uma inteligência aguçada e uma preferência para o estudo da filosofia e da teologia. Em 1827, ela foi residir com seu irmão José, que era o pároco da aldeia de Quinto, perto de Gênova. Junto com ele, Paula apressou-se em fundar uma escola paroquial, iniciando uma ação fecunda de apostolado com um pequeno grupo de fiéis seguidoras. Depois, em 1834, com elas Paula fundou uma congregação religiosa, com o nome de Filhas da Santa Fé, com o propósito de ‘estar plenamente disponíveis nas mãos de Deus para evangelizar por meio da educação, com preferência pelos jovens e pelos mais pobres’. Em visita a Gênova, o sacerdote Luca de Passi, que criava na Itália comunidades apostólicas de Santa Dorotéia, convidou a congregação recém-fundada para executar os trabalhos de sua instituição. Paula aceitou e o antigo Instituto das Filhas da Santa Fé passou a ser chamado de Irmãs de Santa Dorotéia. Sucessivamente, foram abertos novos colégios pelas religiosas. Primeiro em Gênova, depois em Roma, sendo que o de Santo Onofre, instituído em 1844, em Roma, foi mais tarde escolhido para ser a Casa-mãe da instituição. Inspirada nas regras de santo Inácio, fundador da Companhia de Jesus, dos célebres padres jesuítas, Paula elaborou os estatutos das Irmãs de Santa Dorotéia à semelhança das religiosas francesas do Sagrado Coração. Estabelecida em Roma com seu instituto, madre Paula foi recebida pela primeira vez pelo papa Gregório XVI, por quem foi abençoada, recebendo novo estímulo para sua obra. Muito cedo a força de sua ação evangelizadora foi reconhecida e difundiu-se com a criação de novas casas por toda a Itália. Em 1866, chegou ao Brasil e logo depois a Portugal. Daí por diante se propagou por todos os continentes, com suas missionárias animadas por suas palavras, que ainda ecoam entre elas: ‘O Senhor as encha do seu Espírito e as converta em outras tantas chamas ardentes que, onde tocarem, acendam o fogo do amor de Deus’. No dia 11 de junho de 1882, aos setenta e três anos de idade, madre Paula morreu em Roma, sendo enterrada no cemitério de São Lourenço. Em 1903, quando da exumação do seu corpo, este foi encontrado intacto. Três anos depois, foi transferido para a capela da Casa-mãe do Instituto de Santo Onofre, em Roma. Muitas foram as graças e milagres atribuídos à intercessão de madre Paula, e sua veneração tornou-se vigorosa entre os fiéis. Em 1930, foi beatificada pelo papa Pio XI. Depois, em 1984, Paula Frassinetti foi declarada santa pelo papa João Paulo II, durante uma comovente cerimônia solene em Roma.
- Santa Paula Frassinetti, fundadora – 11 de Junho
SANTO DO DIA – 11 DE JUNHO – PAULA FRASSINETTI Fundadora da Congregação de Santa Dorotéia (1808-1882) Paula Ângela Maria Frassinetti nasceu em 3 de março de 1808, na cidade de Gênova, Itália. Com a morte da sua mãe, seu pai e seus quatro irmãos assumem sua educação. Seu pai incutiu nos filhos um forte sentido cristão e todos seguiram a vida sacerdotal. O mais velho foi o fundador da Congregação dos Filhos de Maria Imaculada. Paula tinha uma inteligência aguçada e uma preferência para o estudo da filosofia e da teologia. Em 1827, ela foi residir com seu irmão José, que era o pároco da aldeia de Quinto, perto de Gênova. Junto com ele, Paula apressou-se em fundar uma escola paroquial, iniciando uma ação fecunda de apostolado com um pequeno grupo de fiéis seguidoras. Depois, em 1834, com elas Paula fundou uma congregação religiosa, com o nome de Filhas da Santa Fé, com o propósito de ‘estar plenamente disponíveis nas mãos de Deus para evangelizar por meio da educação, com preferência pelos jovens e pelos mais pobres’. Em visita a Gênova, o sacerdote Luca de Passi, que criava na Itália comunidades apostólicas de Santa Dorotéia, convidou a congregação recém-fundada para executar os trabalhos de sua instituição. Paula aceitou e o antigo Instituto das Filhas da Santa Fé passou a ser chamado de Irmãs de Santa Dorotéia. Sucessivamente, foram abertos novos colégios pelas religiosas. Primeiro em Gênova, depois em Roma, sendo que o de Santo Onofre, instituído em 1844, em Roma, foi mais tarde escolhido para ser a Casa-mãe da instituição. Inspirada nas regras de santo Inácio, fundador da Companhia de Jesus, dos célebres padres jesuítas, Paula elaborou os estatutos das Irmãs de Santa Dorotéia à semelhança das religiosas francesas do Sagrado Coração. Estabelecida em Roma com seu instituto, madre Paula foi recebida pela primeira vez pelo papa Gregório XVI, por quem foi abençoada, recebendo novo estímulo para sua obra. Muito cedo a força de sua ação evangelizadora foi reconhecida e difundiu-se com a criação de novas casas por toda a Itália. Em 1866, chegou ao Brasil e logo depois a Portugal. Daí por diante se propagou por todos os continentes, com suas missionárias animadas por suas palavras, que ainda ecoam entre elas: ‘O Senhor as encha do seu Espírito e as converta em outras tantas chamas ardentes que, onde tocarem, acendam o fogo do amor de Deus’. No dia 11 de junho de 1882, aos setenta e três anos de idade, madre Paula morreu em Roma, sendo enterrada no cemitério de São Lourenço. Em 1903, quando da exumação do seu corpo, este foi encontrado intacto. Três anos depois, foi transferido para a capela da Casa-mãe do Instituto de Santo Onofre, em Roma. Muitas foram as graças e milagres atribuídos à intercessão de madre Paula, e sua veneração tornou-se vigorosa entre os fiéis. Em 1930, foi beatificada pelo papa Pio XI. Depois, em 1984, Paula Frassinetti foi declarada santa pelo papa João Paulo II, durante uma comovente cerimônia solene em Roma.
- Novena ao Sagrado Coração de Jesus
“Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou, até se esgotar e se consumir para lhes testemunhar seu amor”, disse o Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque em junho de 1675. Nessa revelação, o Senhor encomendou à santa uma missão: “Eis que te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa especial para honrar o Meu Coração, comungando, neste dia, e dando-lhe a devida reparação por meio de um ato de desagravo para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares”. “Prometo-te que o Meu Coração se dilatará para derramar com abundância as influências de Seu divino Amor sobre os que tributem esta divina honra e que procurem que ela lhe seja prestada”, acrescentou Jesus. Em preparação a esta grande festa ao Sagrado Coração de Jesus, que este ano será celebrada no dia 24 de junho, pode-se rezar esta novena em família, comunidade, grupo e de modo pessoal. Escolha o dia: 1º dia 2º dia 3º dia 4º dia 5º dia 6º dia 7º dia 8º dia 9º dia Depois de rezar, leia também – Conheça mais sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus – Santa Margarida Maria Alacoque e as aparições do Sagrado Coração de Jesus Primeiro Dia Oração Preparatória: Oh! Coração amável de Jesus, Coração puríssimo e santíssimo, todo cheio de amor, Coração que reinam todas as perfeições e virtudes, vos mereceis o amor de todos os corações. Destruí no meu coração todas as afeições que impedem de ser todo vosso. Eu vos amo, oh! Meu Jesus, e não quero amar senão a vós. Meditação: O Coração de Jesus, templo da Santíssima Trindade. Um só ato de adoração e de amor, ou de outra qualquer virtude, que saísse do Coração de Cristo, pela sua missão a pessoa do Verbo Divino, era para Deus infinitamente mais valioso do que os atos de todas as pessoas deste mundo, ainda as mais santas. Nós também devemos ser templos vivos de Deus pela graça: peçamos ao Sagrado Coração que faça o nosso coração semelhante ao dele. Recitatório: Sagrado Coração de meu Jesus, fazei que vos ame cada vez mais. Oração Final: Oh! Deus, que no Coração de vosso Filho, ferido por nossos pecados, vos dignais prodigalizar-nos os infinitos tesouros do amor, nós vos rogamos que, rendendo-lhe o preito de nossa devoção e piedade, também cumpramos dignamente para com ele o dever de reparação. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém! Segundo Dia Oração Preparatória: Oh! Coração de Jesus, Coração inflamado de amor para com os homens, por que é que eles correspondem tão mal e só com desprezo vos tratam? E eu também fui do número desses ingratos que não vos sabem amar. Não permitais que, para o futuro, viva ainda esquecido do vosso amor. Meditação: O Coração de Jesus, artífice da Eucaristia. A Eucaristia é o maior presente do Coração de Cristo. Fonte e coroa de toda a vida da Igreja, a Eucaristia-Sacrifício da Missa renova no altar a Obra da Redenção, a Eucaristia-Sacramento é vida, Eucaristia-presença real é o amor vivo de Cristo na nossa caminhada para o Pai. Recitatório: Sagrado Coração de meu Jesus, fazei que vos ame cada vez mais. Oração Final: Oh! Deus, que no Coração de vosso Filho, ferido por nossos pecados, vos dignais prodigalizar-nos os infinitos tesouros do amor, nós vos rogamos que, rendendo-lhe o preito de nossa devoção e piedade, também cumpramos dignamente para com ele o dever de reparação. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém. Terceiro Dia Oração Preparatória: Oh! Coração de Jesus, desejoso de ser amado, Coração que achais vossas delícias em ser amado pelos os homens, eu merecia, pelos meus pecados, viver privado da vossa graça, mas vejo que ainda continuais a pedir-me o meu amor. Fazei que muito vos ame um pecador que muito vos tem ofendido. Meditação: O Coração de Cristo, sarça de penetrantes espinhos. Toda a vida de Cristo até a sua gloriosa Ressurreição, foi Cruz e martírio, porque desde o primeiro instante Cristo aceitou o preço da Redenção marcado pelo Pai, marcado no seu plano salvífico. A visão dos seus sofrimentos redentores foi tão viva que, no Jardim das Oliveiras, lhe fez suar sangue. Saibamos transformar os nossos sofrimentos em prova de amor. Recitatório: Sagrado Coração de meu Jesus, fazei que vos ame cada vez mais. Oração Final: Oh! Deus, que no Coração de vosso Filho, ferido por nossos pecados, vos dignais prodigalizar-nos os infinitos tesouros do amor, nós vos rogamos que, rendendo-lhe o preito de nossa devoção e piedade, também cumpramos dignamente para com ele o dever de reparação. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém. Quarto Dia Oração Preparatória: Oh! Coração aflito de Jesus, detesto o que vos desagrada. Dai-me tal horror ao pecado, que eu tenha medo até das mais leves faltas, unicamente porque desgostam a vós que sois digno de amor infinito. Concedei-me a graça, meu amável Salvador, de sempre me dirigir a vós com esta súplica: Oh! meu Jesus, dai-me o vosso amor. Meditação: O Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade. Assim O invocamos na Ladainha do Sagrado Coração. Só Deus pode medir o amor de Cristo para com o Pai e para com os homens. Ele o demonstrou cumprindo fidelissimamente a vontade do Pai e entregando-se inteiramente pela Salvação dos homens. Como procuramos nós imitar esse amor e corresponder-lhe na nossa vida diária? Recitatório: Sagrado Coração de meu Jesus, fazei que vos ame cada vez mais. Oração Final: Oh! Deus, que no Coração de vosso Filho, ferido por nossos pecados, vos dignais prodigalizar-nos os infinitos tesouros do amor, nós vos rogamos que, rendendo-lhe o preito de nossa devoção e piedade, também cumpramos dignamente para com Ele o dever de reparação. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém. Quinto Dia Oração Preparatória: Oh! Coração Misericordioso de Jesus, quando me achava na desgraça, vossa bondade me iluminou e me ofereceu o perdão, concedei-me a graça de chorar os meus pecados e de desejar o vosso o amor. Não deixeis, oh, meu Jesus, de ter piedade de mim. A misericórdia que vos peço é me comuniqueis luz e força para que nunca mais vos seja ingrato. Meditação: O Coração de Jesus, paraíso de delícias celestes. O Coração de Cristo é um oceano para onde fluem todos os rios da caridade do Pai, e donde saem todos os rios de graças que santificam as almas, porque nele se encerram todas as riquezas do amor divino. Esses tesouros infinitos de amor e de vida estão sempre a nossa disposição. Recitatório: Sagrado Coração de meu Jesus, fazei que vos ame cada vez mais. Oração Final: Oh! Deus, que no Coração de vosso Filho, ferido por nossos pecados, vos dignais prodigalizar-nos os infinitos tesouros do amor, nós vos rogamos que, rendendo-lhe o preito de nossa devoção e piedade, também cumpramos dignamente para com ele o dever de reparação. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém. Sexto Dia Oração Preparatória: Oh! Coração generoso de Jesus, está no vosso poder tornar o meu coração inteiramente vosso. De mim mesmo nada tenho e nada posso, mas vós me destes um coração que pode e deseja amar-vos. Fazei pois, oh, meu Jesus, que de hoje em diante a vossa santa vontade seja a única orientação de todos os meus pensamentos, desejos e ações. Meditação: O Coração de Jesus, riquíssimo de virtudes. O Coração de Cristo é um coração adornado de todas as virtudes, inocência, humildade, fortaleza, mansidão, sabedoria… Basta ler o Evangelho para descobrir as virtudes e as graças do seu Coração divino. Procuremos ter na nossa vida, todos os dias os mesmos sentimentos que animam e que enriquecem esse Coração divino. Recitatório: Sagrado Coração de meu Jesus, fazei que vos ame cada vez mais. Oração Final: Oh! Deus, que no Coração de vosso Filho, ferido por nossos pecados, vos dignais prodigalizar-nos os infinitos tesouros do amor, nós vos rogamos que, rendendo-lhe o preito de nossa devoção e piedade, também cumpramos dignamente para com ele o dever de reparação. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém. Sétimo Dia Oração Preparatória: Oh! Coração reconhecido de Jesus, tenho-me mostrado sempre reconhecido as criaturas, ao passo que só convosco tenho sido um ingrato. Amável Jesus, quero agora amar-vos sobre todas as coisas e mais que a mim mesmo, o resto da minha vida, quero empregá-lo unicamente em vos amar, oh, bem supremo da minha alma. Fazei que conheça a vossa santa vontade e pronto estou para tudo, com o socorro de vossa graça. Meditação: O Coração de Jesus, abismo de misericórdia. Basta lembrar como Cristo acolhia e tratava os pecadores: os publicanos, o paralítico, a Madalena, a adúltera, o bom ladrão e tantos outros. Ele mesmo afirmou: “Eu vim a este mundo para salvar os pecadores”. Essa atitude de Cristo nos inspira confiança e nos ensina de maneira devemos tratar os pecadores. Recitatório: Sagrado Coração de meu Jesus, fazei que vos ame cada vez mais. Oração Final: Oh! Deus, que no Coração de vosso Filho, ferido por nossos pecados, vos dignais prodigalizar-nos os infinitos tesouros do amor, nós vos rogamos que, rendendo-lhe o preito de nossa devoção e piedade, também cumpramos dignamente para com ele o dever de reparação. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém. Oitavo Dia Oração Preparatória: Oh! Coração Desprezado de Jesus, abismo de misericórdia e de amor, não permitais que para mim as dores sejam como que perdidas. Lembrai-vos, oh, meu Jesus, das lágrimas e do sangue que derramaste por meu amor e perdoai-me. Fazei que eu morra para mim mesmo, a fim de viver unicamente para vós uma vida fervorosa no vosso santo Amor. Meditação: O Coração de Jesus, atrativo dos nossos corações. Do lado aberto de Cristo, no Calvário, jorraram sangue e água. Sangue e água que simbolizam a Igreja e os Sacramentos. A Igreja é o caminho normal pra Cristo, os sacramentos são canais que nos comunicam as graças da Redenção. Cristo nos atrai continuamente a si pela Igreja e pelos Sacramentos. Apreciamos suficiente o tesouro espiritual que temos na Igreja e nos Sacramentos? Recitatório: Sagrado Coração de meu Jesus, fazei que vos ame cada vez mais. Oração Final: Oh! Deus, que no Coração de vosso Filho, ferido por nossos pecados, vos dignais prodigalizar-nos os infinitos tesouros do amor, nós vos rogamos que, rendendo-lhe o preito de nossa devoção e piedade, também cumpramos dignamente para com ele o dever de reparação. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém. Nono Dia Oração Preparatória: Oh! Coração de Jesus, fiel para com aqueles que chamais ao vosso amor, quantas vezes, depois de ter prometido ser todo vosso, vos neguei o meu amor. Reconheço a minha ingratidão e penitencio-me sinceramente. Inflamai meu pobre coração no fogo daquele amor em que o vosso está abrasado por mim. Oh! Maria, mãe do belo amor, ajudai-me a amar vosso Filho Jesus. Meditação: O Coração de Jesus, penhor da vida eterna. Assim como o coração humano é o motor da nossa vida física, assim também a caridade é motor da nossa vida sobrenatural e eterna. Quem vive no Amor não pode condenar-se, porque o Amor é a vida de todos os que são realmente filhos de Deus, em Cristo e no Espírito Santo. Somos herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo. Amém. Aleluia. Recitatório: Sagrado Coração de meu Jesus, fazei que vos ame cada vez mais. Oração Final: Oh! Deus, que no Coração de vosso Filho, ferido por nossos pecados, vos dignais prodigalizar-nos os infinitos tesouros do amor, nós vos rogamos que, rendendo-lhe o preito de nossa devoção e piedade, também cumpramos dignamente para com ele o dever de reparação. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém. Fonte: ACI Digital #Novena #SagradoCoraçãodeJesus
- Novena ao Sagrado Coração de Jesus
“Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou, até se esgotar e se consumir para lhes testemunhar seu amor”, disse o Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque em junho de 1675. Nessa revelação, o Senhor encomendou à santa uma missão: “Eis que te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa especial para honrar o Meu Coração, comungando, neste dia, e dando-lhe a devida reparação por meio de um ato de desagravo para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares”. “Prometo-te que o Meu Coração se dilatará para derramar com abundância as influências de Seu divino Amor sobre os que tributem esta divina honra e que procurem que ela lhe seja prestada”, acrescentou Jesus. Em preparação a esta grande festa ao Sagrado Coração de Jesus, que este ano será celebrada no dia 24 de junho, pode-se rezar esta novena em família, comunidade, grupo e de modo pessoal. Escolha o dia: 1º dia 2º dia 3º dia 4º dia 5º dia 6º dia 7º dia 8º dia 9º dia Depois de rezar, leia também – Conheça mais sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus – Santa Margarida Maria Alacoque e as aparições do Sagrado Coração de Jesus Primeiro Dia Oração Preparatória: Oh! Coração amável de Jesus, Coração puríssimo e santíssimo, todo cheio de amor, Coração que reinam todas as perfeições e virtudes, vos mereceis o amor de todos os corações. Destruí no meu coração todas as afeições que impedem de ser todo vosso. Eu vos amo, oh! Meu Jesus, e não quero amar senão a vós. Meditação: O Coração de Jesus, templo da Santíssima Trindade. Um só ato de adoração e de amor, ou de outra qualquer virtude, que saísse do Coração de Cristo, pela sua missão a pessoa do Verbo Divino, era para Deus infinitamente mais valioso do que os atos de todas as pessoas deste mundo, ainda as mais santas. Nós também devemos ser templos vivos de Deus pela graça: peçamos ao Sagrado Coração que faça o nosso coração semelhante ao dele. Recitatório: Sagrado Coração de meu Jesus, fazei que vos ame cada vez mais. Oração Final: Oh! Deus, que no Coração de vosso Filho, ferido por nossos pecados, vos dignais prodigalizar-nos os infinitos tesouros do amor, nós vos rogamos que, rendendo-lhe o preito de nossa devoção e piedade, também cumpramos dignamente para com ele o dever de reparação. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém! Segundo Dia Oração Preparatória: Oh! Coração de Jesus, Coração inflamado de amor para com os homens, por que é que eles correspondem tão mal e só com desprezo vos tratam? E eu também fui do número desses ingratos que não vos sabem amar. Não permitais que, para o futuro, viva ainda esquecido do vosso amor. Meditação: O Coração de Jesus, artífice da Eucaristia. A Eucaristia é o maior presente do Coração de Cristo. Fonte e coroa de toda a vida da Igreja, a Eucaristia-Sacrifício da Missa renova no altar a Obra da Redenção, a Eucaristia-Sacramento é vida, Eucaristia-presença real é o amor vivo de Cristo na nossa caminhada para o Pai. Recitatório: Sagrado Coração de meu Jesus, fazei que vos ame cada vez mais. Oração Final: Oh! Deus, que no Coração de vosso Filho, ferido por nossos pecados, vos dignais prodigalizar-nos os infinitos tesouros do amor, nós vos rogamos que, rendendo-lhe o preito de nossa devoção e piedade, também cumpramos dignamente para com ele o dever de reparação. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém. Terceiro Dia Oração Preparatória: Oh! Coração de Jesus, desejoso de ser amado, Coração que achais vossas delícias em ser amado pelos os homens, eu merecia, pelos meus pecados, viver privado da vossa graça, mas vejo que ainda continuais a pedir-me o meu amor. Fazei que muito vos ame um pecador que muito vos tem ofendido. Meditação: O Coração de Cristo, sarça de penetrantes espinhos. Toda a vida de Cristo até a sua gloriosa Ressurreição, foi Cruz e martírio, porque desde o primeiro instante Cristo aceitou o preço da Redenção marcado pelo Pai, marcado no seu plano salvífico. A visão dos seus sofrimentos redentores foi tão viva que, no Jardim das Oliveiras, lhe fez suar sangue. Saibamos transformar os nossos sofrimentos em prova de amor. Recitatório: Sagrado Coração de meu Jesus, fazei que vos ame cada vez mais. Oração Final: Oh! Deus, que no Coração de vosso Filho, ferido por nossos pecados, vos dignais prodigalizar-nos os infinitos tesouros do amor, nós vos rogamos que, rendendo-lhe o preito de nossa devoção e piedade, também cumpramos dignamente para com ele o dever de reparação. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém. Quarto Dia Oração Preparatória: Oh! Coração aflito de Jesus, detesto o que vos desagrada. Dai-me tal horror ao pecado, que eu tenha medo até das mais leves faltas, unicamente porque desgostam a vós que sois digno de amor infinito. Concedei-me a graça, meu amável Salvador, de sempre me dirigir a vós com esta súplica: Oh! meu Jesus, dai-me o vosso amor. Meditação: O Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade. Assim O invocamos na Ladainha do Sagrado Coração. Só Deus pode medir o amor de Cristo para com o Pai e para com os homens. Ele o demonstrou cumprindo fidelissimamente a vontade do Pai e entregando-se inteiramente pela Salvação dos homens. Como procuramos nós imitar esse amor e corresponder-lhe na nossa vida diária? Recitatório: Sagrado Coração de meu Jesus, fazei que vos ame cada vez mais. Oração Final: Oh! Deus, que no Coração de vosso Filho, ferido por nossos pecados, vos dignais prodigalizar-nos os infinitos tesouros do amor, nós vos rogamos que, rendendo-lhe o preito de nossa devoção e piedade, também cumpramos dignamente para com Ele o dever de reparação. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém. Quinto Dia Oração Preparatória: Oh! Coração Misericordioso de Jesus, quando me achava na desgraça, vossa bondade me iluminou e me ofereceu o perdão, concedei-me a graça de chorar os meus pecados e de desejar o vosso o amor. Não deixeis, oh, meu Jesus, de ter piedade de mim. A misericórdia que vos peço é me comuniqueis luz e força para que nunca mais vos seja ingrato. Meditação: O Coração de Jesus, paraíso de delícias celestes. O Coração de Cristo é um oceano para onde fluem todos os rios da caridade do Pai, e donde saem todos os rios de graças que santificam as almas, porque nele se encerram todas as riquezas do amor divino. Esses tesouros infinitos de amor e de vida estão sempre a nossa disposição. Recitatório: Sagrado Coração de meu Jesus, fazei que vos ame cada vez mais. Oração Final: Oh! Deus, que no Coração de vosso Filho, ferido por nossos pecados, vos dignais prodigalizar-nos os infinitos tesouros do amor, nós vos rogamos que, rendendo-lhe o preito de nossa devoção e piedade, também cumpramos dignamente para com ele o dever de reparação. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém. Sexto Dia Oração Preparatória: Oh! Coração generoso de Jesus, está no vosso poder tornar o meu coração inteiramente vosso. De mim mesmo nada tenho e nada posso, mas vós me destes um coração que pode e deseja amar-vos. Fazei pois, oh, meu Jesus, que de hoje em diante a vossa santa vontade seja a única orientação de todos os meus pensamentos, desejos e ações. Meditação: O Coração de Jesus, riquíssimo de virtudes. O Coração de Cristo é um coração adornado de todas as virtudes, inocência, humildade, fortaleza, mansidão, sabedoria… Basta ler o Evangelho para descobrir as virtudes e as graças do seu Coração divino. Procuremos ter na nossa vida, todos os dias os mesmos sentimentos que animam e que enriquecem esse Coração divino. Recitatório: Sagrado Coração de meu Jesus, fazei que vos ame cada vez mais. Oração Final: Oh! Deus, que no Coração de vosso Filho, ferido por nossos pecados, vos dignais prodigalizar-nos os infinitos tesouros do amor, nós vos rogamos que, rendendo-lhe o preito de nossa devoção e piedade, também cumpramos dignamente para com ele o dever de reparação. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém. Sétimo Dia Oração Preparatória: Oh! Coração reconhecido de Jesus, tenho-me mostrado sempre reconhecido as criaturas, ao passo que só convosco tenho sido um ingrato. Amável Jesus, quero agora amar-vos sobre todas as coisas e mais que a mim mesmo, o resto da minha vida, quero empregá-lo unicamente em vos amar, oh, bem supremo da minha alma. Fazei que conheça a vossa santa vontade e pronto estou para tudo, com o socorro de vossa graça. Meditação: O Coração de Jesus, abismo de misericórdia. Basta lembrar como Cristo acolhia e tratava os pecadores: os publicanos, o paralítico, a Madalena, a adúltera, o bom ladrão e tantos outros. Ele mesmo afirmou: “Eu vim a este mundo para salvar os pecadores”. Essa atitude de Cristo nos inspira confiança e nos ensina de maneira devemos tratar os pecadores. Recitatório: Sagrado Coração de meu Jesus, fazei que vos ame cada vez mais. Oração Final: Oh! Deus, que no Coração de vosso Filho, ferido por nossos pecados, vos dignais prodigalizar-nos os infinitos tesouros do amor, nós vos rogamos que, rendendo-lhe o preito de nossa devoção e piedade, também cumpramos dignamente para com ele o dever de reparação. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém. Oitavo Dia Oração Preparatória: Oh! Coração Desprezado de Jesus, abismo de misericórdia e de amor, não permitais que para mim as dores sejam como que perdidas. Lembrai-vos, oh, meu Jesus, das lágrimas e do sangue que derramaste por meu amor e perdoai-me. Fazei que eu morra para mim mesmo, a fim de viver unicamente para vós uma vida fervorosa no vosso santo Amor. Meditação: O Coração de Jesus, atrativo dos nossos corações. Do lado aberto de Cristo, no Calvário, jorraram sangue e água. Sangue e água que simbolizam a Igreja e os Sacramentos. A Igreja é o caminho normal pra Cristo, os sacramentos são canais que nos comunicam as graças da Redenção. Cristo nos atrai continuamente a si pela Igreja e pelos Sacramentos. Apreciamos suficiente o tesouro espiritual que temos na Igreja e nos Sacramentos? Recitatório: Sagrado Coração de meu Jesus, fazei que vos ame cada vez mais. Oração Final: Oh! Deus, que no Coração de vosso Filho, ferido por nossos pecados, vos dignais prodigalizar-nos os infinitos tesouros do amor, nós vos rogamos que, rendendo-lhe o preito de nossa devoção e piedade, também cumpramos dignamente para com ele o dever de reparação. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém. Nono Dia Oração Preparatória: Oh! Coração de Jesus, fiel para com aqueles que chamais ao vosso amor, quantas vezes, depois de ter prometido ser todo vosso, vos neguei o meu amor. Reconheço a minha ingratidão e penitencio-me sinceramente. Inflamai meu pobre coração no fogo daquele amor em que o vosso está abrasado por mim. Oh! Maria, mãe do belo amor, ajudai-me a amar vosso Filho Jesus. Meditação: O Coração de Jesus, penhor da vida eterna. Assim como o coração humano é o motor da nossa vida física, assim também a caridade é motor da nossa vida sobrenatural e eterna. Quem vive no Amor não pode condenar-se, porque o Amor é a vida de todos os que são realmente filhos de Deus, em Cristo e no Espírito Santo. Somos herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo. Amém. Aleluia. Recitatório: Sagrado Coração de meu Jesus, fazei que vos ame cada vez mais. Oração Final: Oh! Deus, que no Coração de vosso Filho, ferido por nossos pecados, vos dignais prodigalizar-nos os infinitos tesouros do amor, nós vos rogamos que, rendendo-lhe o preito de nossa devoção e piedade, também cumpramos dignamente para com ele o dever de reparação. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém. Fonte: ACI Digital #Novena #SagradoCoraçãodeJesus
- Bem-aventurado João Dominici – 10 de Junho
SANTO DO DIA – 10 DE JUNHO – BEM-AVENTURADO JOÃO DOMINICI Religioso dominicano (1355-1419) João Dominici nasceu no ano 1355, em Florença, na Itália. De origem muito humilde, ele teve sérias dificuldades para estudar, além disso gaguejava. Com forte vocação religiosa, tentou ingressar no convento dos dominicanos, mas foi recusado pela falta de qualificação intelectual e o fato de ser gago também pesou. Apesar dessas desvantagens, João não desistiu: na segunda tentativa, aos dezessete anos, ingressou na Ordem Dominicana, no Convento de Santa Maria Novella. Surpreendeu a todos pelo caráter afável e generoso, pela inteligência e dedicação nos estudos, pelo destacado zelo às regras, às orações e pela austeridade de vida e duras penitências. A única coisa que o entristecia era a dificuldade encontrada na pregação dos vigorosos sermões que escrevia, mas que, ao serem pronunciados, pareciam ridículos. Em 1381, sua cura aconteceu, quando, prostrado e chorando, orou a santa Catarina de Siena, para que intercedesse por ele. E a santa de sua devoção o atendeu. Foi completar os estudos em Pisa e Paris, tornando-se um excelente teólogo e um eloquente pregador. Ao destacado ministério da Palavra uniu sua talentosa eficácia de escritor, cujas obras alcançaram um alto valor catequético e pedagógico. Tornou-se estreito colaborador de Raimundo da Cápua, agora bem-aventurado, provincial daquela região, que à época se dedicava a restaurar as regras da estrita observância, tanto assim que foi considerado um segundo fundador da Ordem Dominicana. Esse provincial enviou João a Veneza, em 1394, para promover a reforma em todos os conventos e mosteiros. Lá foi eleito prior do Convento de Santa Maria Novella e em seguida começou a obra da restauração da estrita observância, pelo Convento de São Domingos de Veneza. Depois, foi de convento em convento preparando o grande reflorescimento da santidade e do apostolado, como o fundador da Ordem dos Pregadores, são Domingos, havia projetado. Fundou um convento feminino, chamado de Corpus Christi, e o Convento masculino de São Domingos de Fiesole, que foi celeiro de santos e de apóstolos, entre os quais se destacaram Antonino e Frà Angélico, ambos discípulos de João Dominici. Em 1406, ele foi nomeado, pelo papa Gregório XII, seu embaixador em Florença, que, dois anos depois, animado pelas virtudes de João, o consagrou arcebispo de Ragusa e cardeal do título de São Xisto. Participou, entre 1414 e 1418, do Concílio de Constança, conseguindo, com sua influência e autoridade de confessor particular e conselheiro pessoal do papa Gregório XII, que este renunciasse, colocando um fim no cisma que iniciara na Igreja do Ocidente. O novo papa, Martinho V, em 1418, nomeou-o delegado do seu governo para a Boêmia, Polônia e Hungria, onde novas heresias começavam a proliferar. Porém seu zeloso trabalho apostólico foi interrompido quando uma febre fulminante tolheu-lhe a vida, em 10 de junho de 1419, na cidade de Budapeste, na Hungria. O papa Gregório XVI beatificou João Dominici em 1832, confirmando para o dia de sua morte o culto litúrgico.
- Bem-aventurado João Dominici – 10 de Junho
SANTO DO DIA – 10 DE JUNHO – BEM-AVENTURADO JOÃO DOMINICI Religioso dominicano (1355-1419) João Dominici nasceu no ano 1355, em Florença, na Itália. De origem muito humilde, ele teve sérias dificuldades para estudar, além disso gaguejava. Com forte vocação religiosa, tentou ingressar no convento dos dominicanos, mas foi recusado pela falta de qualificação intelectual e o fato de ser gago também pesou. Apesar dessas desvantagens, João não desistiu: na segunda tentativa, aos dezessete anos, ingressou na Ordem Dominicana, no Convento de Santa Maria Novella. Surpreendeu a todos pelo caráter afável e generoso, pela inteligência e dedicação nos estudos, pelo destacado zelo às regras, às orações e pela austeridade de vida e duras penitências. A única coisa que o entristecia era a dificuldade encontrada na pregação dos vigorosos sermões que escrevia, mas que, ao serem pronunciados, pareciam ridículos. Em 1381, sua cura aconteceu, quando, prostrado e chorando, orou a santa Catarina de Siena, para que intercedesse por ele. E a santa de sua devoção o atendeu. Foi completar os estudos em Pisa e Paris, tornando-se um excelente teólogo e um eloquente pregador. Ao destacado ministério da Palavra uniu sua talentosa eficácia de escritor, cujas obras alcançaram um alto valor catequético e pedagógico. Tornou-se estreito colaborador de Raimundo da Cápua, agora bem-aventurado, provincial daquela região, que à época se dedicava a restaurar as regras da estrita observância, tanto assim que foi considerado um segundo fundador da Ordem Dominicana. Esse provincial enviou João a Veneza, em 1394, para promover a reforma em todos os conventos e mosteiros. Lá foi eleito prior do Convento de Santa Maria Novella e em seguida começou a obra da restauração da estrita observância, pelo Convento de São Domingos de Veneza. Depois, foi de convento em convento preparando o grande reflorescimento da santidade e do apostolado, como o fundador da Ordem dos Pregadores, são Domingos, havia projetado. Fundou um convento feminino, chamado de Corpus Christi, e o Convento masculino de São Domingos de Fiesole, que foi celeiro de santos e de apóstolos, entre os quais se destacaram Antonino e Frà Angélico, ambos discípulos de João Dominici. Em 1406, ele foi nomeado, pelo papa Gregório XII, seu embaixador em Florença, que, dois anos depois, animado pelas virtudes de João, o consagrou arcebispo de Ragusa e cardeal do título de São Xisto. Participou, entre 1414 e 1418, do Concílio de Constança, conseguindo, com sua influência e autoridade de confessor particular e conselheiro pessoal do papa Gregório XII, que este renunciasse, colocando um fim no cisma que iniciara na Igreja do Ocidente. O novo papa, Martinho V, em 1418, nomeou-o delegado do seu governo para a Boêmia, Polônia e Hungria, onde novas heresias começavam a proliferar. Porém seu zeloso trabalho apostólico foi interrompido quando uma febre fulminante tolheu-lhe a vida, em 10 de junho de 1419, na cidade de Budapeste, na Hungria. O papa Gregório XVI beatificou João Dominici em 1832, confirmando para o dia de sua morte o culto litúrgico.
- São José de Anchieta, o Apóstolo do Brasil – 9 de junho
SANTO DO DIA – 09 DE JUNHO – SÃO JOSÉ DE ANCHIETA Religioso Jesuíta (1534-1597) José de Anchieta nasceu no dia 19 de março de 1534, na cidade de São Cristóvão da Laguna, na ilha de Tenerife, do arquipélago das Canárias, Espanha. Foi educado na ilha até os quatorze anos de idade. Depois, seus pais, descendentes de nobres, decidiram que ele continuaria sua formação na Universidade de Coimbra, em Portugal. Era um jovem inteligente, alegre, estimado e querido por todos. Exímio escritor, sempre se confessou influenciado pelos escritos de são Francisco Xavier. Amava a poesia e mais ainda, gostava de declamar. Por causa da voz doce e melodiosa, era chamado pelos companheiros de “canarinho”. Mas também tinha forte inclinação para a solidão. Tinha o hábito de recolher-se na sua cela ou de retirar-se para um local ermo a fim de dedicar-se à oração e à contemplação. Certa vez, isolou-se na catedral de Coimbra e, quando rezava no altar de Nossa Senhora, compreendeu a missão que o aguardava. Naquele mesmo instante, sentiu o chamado para dedicar sua vida ao serviço de Deus. Tinha dezessete anos e fez o voto de consagrar-se à Virgem Maria. Ingressou na Companhia de Jesus e, quando se tornou jesuíta, seguiu para o Brasil, em 1553, como missionário. Chegou na Bahia junto com mais seis jesuítas, todos doentes, inclusive ele, que nunca mais se recuperou. Em 1554, chegou à capitania de São Vicente, onde, junto com o provincial do Brasil, padre Manoel da Nóbrega, fundou, no planalto de Piratininga, aquela que seria a cidade de São Paulo, a maior da América do Sul. No local foi instalado um colégio e seu trabalho missionário começou. José de Anchieta não apenas catequizava os índios. Dava condições para que se adaptassem à chegada dos colonizadores, fortalecendo, assim, a resistência cultural. Foi o primeiro a escrever uma “gramática tupi-guarani”, mas, ao mesmo tempo, ensinava aos silvícolas noções de higiene, medicina, música e literatura. Por outro lado, fazia questão de aprender com eles, desenvolvendo diversos estudos da fauna, da flora e do idioma. Anchieta era também um poeta, além de escritor. É célebre o dia em que, estando sem papel e lápis à mão, escreveu nas areias da praia o “Poema à Virgem”, que decorou antes que o mar apagasse seus versos. A profundidade do seu trabalho missionário, de toda a sua vida dedicada ao bem do próximo aqui no Brasil, foi exclusivamente em favor do futuro e da sobrevivência dos índios, bem como para preservar sua influência na cultura geral de um novo povo. Com a morte do padre Manoel da Nóbrega em 1567, o cargo de provincial do Brasil passou a ser ocupado pelo padre José de Anchieta. Neste posto mais alto da Companhia de Jesus, viajou por todo o país orientando os trabalhos missionários. José de Anchieta morreu no dia 9 de junho de 1597, na pequena vila de Reritiba, atual cidade de Anchieta, no Espírito Santo, sendo reconhecido como o “Apóstolo do Brasil”. Foi beatificado pelo papa João Paulo II em 1980, e canonizado pelo Papa Francisco em 03 de abril de 2014. A festa litúrgica foi instituída no dia de sua morte. Conheça mais sobre São José de Anchieta, o apóstolo do Brasil Sua caravela chegou ao porto da Bahia em 1553. Local tido como um “paraíso terrestre”. O jovem José encantou-se com a Terra de Santa Cruz. Fez da conversão da gente da terra a sua meta. Viveu como missionário, agiu como herói, morreu como santo. Com 19 anos, Missionário na Terra de Santa Cruz O moço de 19 anos que chegava à Terra de Santa Cruz vinha com as melhores disposições espirituais possíveis para exercer sua missão. Embora tão jovem e não tendo ainda sido ordenado sacerdote, Irmão José era dos primeiros missionários jesuítas que se estabeleciam na nova terra. Sua meta era conquistar almas para Cristo. Ele fazia parte da comitiva do segundo Governador Geral do Brasil Dom Duarte da Costa e chegou a Salvador, na Bahia de Todos os Santos, no dia 13 de julho do ano de 1553. Da Terra de dimensões continentais em que aportou nunca mais saiu. Amou a Terra, amou seu povo. Evangelizou as “gentes brasílicas”, deu rumo a sua formação. Identificou-se com suas aspirações, sem perder sua própria identidade. Origens de Anchieta Aquele jovem noviço tinha nascido em São Cristóvão, Tenerife, uma das ilhas do Arquipélago das Canárias, a 19 de março de 1534, dia da festa litúrgica de São José, fato determinante para que ele também recebesse esse nome no batismo: José de Anchieta. José de Anchieta pertencia a uma próspera família. Seu pai, Juan Lopes de Anchieta, era da província de Guipuscoa, no País Basco. Por precaução, Juan havia mudado para as Canárias. E ele tinha lá suas razões para isso: ele tomou parte na Revolta dos Comuneiros, feita contra o imperador espanhol Carlos V e havia sido condenado à morte. Juan Lopes acabou sendo salvo da pena capital por intercessão de um ilustre parente militar, o capitão Inácio de Loyola, que, mais tarde, veio a ser o fundador dos jesuítas, os religiosos da Companhia de Jesus. Sua mãe foi Dona Mência Dias de Clavijo y Llarena. Ela era natural das próprias Ilhas Canárias. Seu avô havia sido um dos conquistadores espanhóis. Formado num tempo de turbulência Quando ainda criança, Anchieta teve oportunidade de estudar com religiosos. Ao completar 14 anos, juntamente com um irmão de maior idade, ele já estava iniciando seus estudos na célebre Universidade de Coimbra. Cursou ali o renomado Colégio de Artes. Recebeu nessa ocasião uma educação própria de seu tempo, com uma formação principalmente filológica e literária para que aperfeiçoasse a língua latina e já visando um aperfeiçoamento futuro. Maiores ciências ele as adquiriu nas escolas dos padres da Companhia de Jesus. Cresceu nelas de tal maneira que em breve tempo estava bem formado em todo gênero de humanidades. Foi com 17 anos de idade que José de Anchieta ingressou na Companhia de Jesus, a Ordem Religiosa fundada por Santo Inácio em 1539 e que foi aprovada pelo Papa Paulo III com a publicação da bula “Regimini Militantis Eclesiae”, de 1540. Também foi por essa ocasião que José de Anchieta –ainda estudante de 17 anos– fez seu voto particular de castidade diante do Altar de Nossa Senhora, na Catedral de Coimbra. Na época do estudante José de Anchieta o mundo ocidental estava vivendo uma crise: passava por uma autêntica e profunda revolução cultural e religiosa. O Renascimento, aproveitando-se de tendências latentes no homem decadente do fim da Idade Média, manejava as idéias, influenciando e marcando profundamente os acontecimentos nas artes e mentalidades. No campo religioso, a reforma protestante, codificada por um frade apóstata e seguindo a esteira da renascença, produzia devastações no seio da unidade do cristianismo. Foi num mundo assim conturbado que no ano de 1553, no final de seu noviciado, José de Anchieta fez seus primeiros votos como jesuíta. Com esses votos, seus receios de não poder permanecer na Ordem de Santo Inácio foram dissipados. Doença e Santa Obediência o trazem ao Brasil Logo após seu ingresso na Companhia de Jesus, ele foi acometido por uma doença ósteo-articular. Se essa enfermidade continuasse a agredi-lo, suas esperanças de ser jesuíta cairiam por terra: ele não poderia continuar na Ordem. Os votos lhe garantiam que estava são e que poderia continuar entre os filhos de Santo Inácio. Os médicos da época acreditavam que os ares do Novo Mundo seriam benéficos para sua total recuperação e aconselharam sua transferência para o outro lado do Oceano Atlântico. Então, seus superiores o enviaram para exercer uma missão em terras do domínio português, na América. Ele era um bom religioso. Entusiasmado, obedeceu prontamente seus superiores: atravessou o oceano, chegou ao Brasil para evangelizar seu povo e daqui nunca mais saiu. Na travessia do oceano o mais jovem dos jesuítas na esquadra do Governador Duarte da Costa dava mostras de que sua saúde estava sendo recuperada a cada instante. Quando aportou em Salvador, ele estava praticamente curado. O tempo na nova terra completaria a cura total. Ação preternatural ou fato providencial? As caravelas do novo Governador Geral Duarte da Costa traziam cerca de 250 pessoas. Além do noviço José de Anchieta, fazia parte da esquadra o também jesuíta Padre Manuel da Nóbrega que era seu superior e seria acompanhado por Anchieta no início de sua missão. Os dois jesuítas já tinham destino certo. Eles apenas passariam por Salvador e logo deveriam dirigir-se para a Capitania de São Vicente. Ali exerceriam a missão de catequizar colonos e nativos. A viagem até a “terra de missão” era difícil. Não havia outro meio de realizá-la a não ser por mar. Duas naus saíram de Salvador com destino a São Vicente levando Anchieta, Nóbrega e outros padres jesuítas. Ainda no Sul da Bahia uma tempestade gigantesca surpreendeu as duas embarcações. Uma delas foi arremessada contra os rochedos e espatifou-se. Por milagre, ninguém morreu. A nave em que estava Anchieta, acabou ficando encalhada nos recifes, ainda inteira. Foi uma noite de terror para os viajantes. Gigantescas ondas ameaçavam destruir a nau que ainda havia restado. No dia seguinte, o mar amanheceu calmo e os viajantes conseguiram chegar à terra. Parece até que uma fúria de origem preternatural, diabólica, antevendo os sucessos que teriam os missionários, tentava impedir que eles chegassem a seu destino. Pior para o demônio: Ali mesmo Anchieta começou sua missão… com sucesso. Ao procurar comida em terra firme, encontrou-se com índios do lugar. Ao chegar na aldeia deles, viu uma indiazinha muito doente, já à beira da morte. Anchieta a instruiu e batizou dando-lhe o nome de Cecília. Logo depois, a primeira indiazinha brasileira batizada por Anchieta morreu. Enquanto o barco era consertado, Anchieta ainda esteve outras vezes na aldeia para ensinar o evangelho aos índios. Chegando a hora da partida, com a consciência tranquila, Anchieta pensava: “O acidente com o barco foi uma obra permitida pela Providência Divina para salvar a inocente Cecília, que estava predestinada.” E ele tinha razão. Sua vida está cheia de fatos semelhantes que indicam os desígnios de Deus Nosso Senhor de tê-lo como instrumento de salvação para muitas almas. Aquele jovem franzino, doente, tinha a alma maior que o corpo. Sua fé exuberante, acalentava uma esperança que, por amor a Deus, seria capaz de evangelizar um país, formar um povo, salvar um país inteiro. Um Apóstolo na Capitania de São Vicente O missionário José de Anchieta chegou a Salvador em junho de 1553 e logo dirigiu-se a São Vicente. Em pouco tempo ele já estava colocado no centro das atividades da missão. Com seus dotes inatos de comunicador, e com sua sede de almas, conseguiu com os índios um amplo entendimento. Tornou-se logo amigo de indígenas e colonizadores e por ambos era respeitado. Não limitou seu trabalho às redondezas da pequena São Vicente. Subiu a Serra que costeava a Capitania e chegou ao planalto que estava depois dela. O Planalto de Piratininga era povoado por milhares de índios que viviam em aldeias distintas. Para Anchieta elas eram almas redimidas pelo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e sua missão consistiria em conquistá-las para Cristo, conduzi-las para a Igreja para serem instruídas, formadas, civilizadas. Sua ação era ligeira, meticulosa, apostólica, eficiente. Tinha metas audaciosas, plantava bases para o futuro. Assim foi que em 1554, no dia 25 de janeiro, festa da Conversão de São Paulo Apóstolo, Anchieta participou da fundação do colégio da vila de São Paulo de Piratininga, onde também foi professor. Junto ao colégio foi edificada uma capela provisória na qual foi celebrada a primeira missa em 25 de agosto. Estava nascendo o núcleo de uma cidade que se tornaria uma das maiores metrópoles do mundo: São Paulo. Anchieta construiu ainda um seminário perto do Colégio de Piratininga e nele também dava aulas. Tanta ação, tanto fruto já colhido e não havia passado seis meses desde que ele chegara à Capitania. Ela falava o português, o castelhano, o latim e a língua brasílica. Decifrar o tupi foi uma das tarefas que Nóbrega deu a Anchieta. Em apenas seis meses, ele conseguiu entender e falar a língua dos índios. Em um ano ele a dominava com perfeição a ponto de criar uma gramática. Além da gramática indígena, Anchieta dedicava seus dias a ensinar o latim e o português a curumins e índios adultos. Aos irmãos jesuítas, ensinava a língua tupi. Depois de cumprir suas obrigações religiosas e de exercer todo o trabalho que tocava a ele executar, ainda estava longe a hora do repouso para ele. Era à noite, quando todos já dormiam, que ele escrevia manuais para os alunos, cartas sobre o trabalho dos jesuítas e obras diversas, entre elas um dicionário de tupi e um tratado sobre a flora, a fauna e o clima da Capitania de São Vicente. Lutou contra invasores, unificou pela Fé No ano de 1555, o Brasil enfrentou graves problemas com a tentativa de franceses calvinistas de estabelecer uma colônia na região do Rio de Janeiro. Os invasores contavam com o apoio de índios da região. Anchieta participou ativamente da luta pela expulsão dos franceses. A confiança que os índios tinham nele foi decisiva. Nas batalhas finais, no Rio de Janeiro, ele estava animando os combatentes brasileiros. Era amigo de Estácio de Sá e esteve junto dele nas últimas batalhas. Ele agia em todos os setores do tecido social e religioso da nascente nação. No campo religioso, ele exerceu o cargo de provincial da Companhia de Jesus entre os anos de 1577 a 1587. O trabalho de Anchieta foi decisivo para a implantação do catolicismo no Brasil. Com seu conhecimento, fé e vontade de evangelizar, percorreu a pé, a cavalo, em embarcações, boa parte do território brasileiro. Assim contribuiu para manter unificado o país naquela época e nos séculos seguintes. Ele foi quem lançou os fundamentos da catequese e educação dos jesuítas no Brasil. Foi ele também quem começou a reverter o quadro iniciado desde o descobrimento, em que os nativos eram vistos apenas como propriedade da Coroa e, como tal, passíveis de serem escravizados. Agindo como apóstolo, plantou cultura Anchieta deixou sua marca também no campo cultural. Sua obra de conteúdo eminentemente religioso constituiu-se na primeira manifestação literária na Terra de Santa Cruz contribuindo fortemente para a formação da nascente cultura brasileira. Além de suas cartas, sermões e poesias, ele escreveu uma Gramática da língua tupi, idioma que ele dominava perfeitamente. Escreveu “De Gestis Mendi de Saa”, um livro que tratava dos feitos do Governador Geral Mem de Sá. É famoso seu “Poema da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus”, que foi escrito originariamente nas areias da praia de Iperoig, no litoral da costa da Capitania. Nele se manifesta não só a erudição e estro do poeta, mas, refulgem no texto as melhores doutrinas sobre a Virgem Maria e a expressão de uma devoção e de um amor extraordinário à Santa Mãe de Deus.São também de autoria de Anchieta peças de teatro de cunho religioso e formativo. Entre elas está o “Auto da Pregação Universal” e ainda o “Na Festa de São Lourenço”, também chamada de “Mistério de Jesus”. A Língua tupi, a evangelização e o descanso Era destro em quatro línguas: portuguesa, castelhana, latina e brasílica. Decifrar o tupi foi uma das tarefas que Nóbrega confiou a Anchieta. Em seis meses, ele completou o aprendizado da língua e, em um ano, a dominava com perfeição. Dois anos depois de ter chegado ao Brasil, escreveu a sua “Arte de Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil”. Além da gramática, Anchieta ensinava o latim e o português para os curumins (meninos) e para os índios adultos. Aos irmãos jesuítas, ensinava a língua tupi. O repouso não vinha para ele logo que a noite chegava. Era nessa hora que escrevia manuais para os alunos, cartas sobre o trabalho dos jesuítas e obras diversas, entre elas um dicionário de tupi e um tratado sobre a flora, a fauna e o clima da Capitania de São Vicente. Era tarde, quando ia dormir. Viveu com missionário, agiu como herói, morreu como santo A vida de José de Anchieta é como um sopro encorajador: é exemplo. Entusiasma e arrasta os que têm Fé. Convida os católicos a viver na caridade e no ardor missionário que evangeliza e santifica. Para os índios, ele foi médico, professor, foi amigo e defensor. Tornou-se o elo de ligação dos índios e colonos com os padres jesuítas, com a Igreja e a nação que estava sendo forjada. Mas, José de Anchieta foi sobretudo sacerdote. Cuidava das doenças e feridas das almas, da espiritualidade de todo o povo. Por isso mesmo é que lhe foram dados vários títulos que o homenageavam, sendo que o que melhor lhe cai é o de “Apóstolo do Novo Mundo”, que para nós pode ser “traduzido” como “Apóstolo do Brasil”. Com 63 anos, Anchieta faleceu no povoado que ele mesmo havia ajudado a edificar em 1569: Iritiba (a atual Anchieta), na Capitania do Espírito Santo. Era o dia 9 de junho de 1597 quando José de Anchieta entregou sua alma a Deus. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II, em 1980, quando então foi nomeado “Apóstolo do Brasil”. (JSG) Oração a Anchieta Bem-aventurado José de Anchieta, missionário incansável e Apóstolo do Brasil, abençoai a nossa Pátria e a cada um de nós. Inflamado pelo zelo da glória de Deus, consumistes a vida na promoção dos indígenas, catequizando, instruindo, fazendo o bem. Que o legado de vosso exemplo frutifique novos apóstolos e missionários em nossa terra. Professor e mestre, abençoai nossos jovens, crianças e educadores. Consolador dos doentes e aflitos, protetor dos pobres e abandonados, velai por todos aqueles que mais necessitam e sofrem em nossa sociedade, nem sempre justa, fraterna e cristã. Santificai as famílias e comunidades, orientando os que regem os destinos do Brasil e do Mundo. Através de Maria Santíssima, que tanto venerastes na terra, iluminai os nossos caminhos, hoje e sempre. Amém. #SantodoDia
- São José de Anchieta, o Apóstolo do Brasil – 9 de junho
SANTO DO DIA – 09 DE JUNHO – SÃO JOSÉ DE ANCHIETA Religioso Jesuíta (1534-1597) José de Anchieta nasceu no dia 19 de março de 1534, na cidade de São Cristóvão da Laguna, na ilha de Tenerife, do arquipélago das Canárias, Espanha. Foi educado na ilha até os quatorze anos de idade. Depois, seus pais, descendentes de nobres, decidiram que ele continuaria sua formação na Universidade de Coimbra, em Portugal. Era um jovem inteligente, alegre, estimado e querido por todos. Exímio escritor, sempre se confessou influenciado pelos escritos de são Francisco Xavier. Amava a poesia e mais ainda, gostava de declamar. Por causa da voz doce e melodiosa, era chamado pelos companheiros de “canarinho”. Mas também tinha forte inclinação para a solidão. Tinha o hábito de recolher-se na sua cela ou de retirar-se para um local ermo a fim de dedicar-se à oração e à contemplação. Certa vez, isolou-se na catedral de Coimbra e, quando rezava no altar de Nossa Senhora, compreendeu a missão que o aguardava. Naquele mesmo instante, sentiu o chamado para dedicar sua vida ao serviço de Deus. Tinha dezessete anos e fez o voto de consagrar-se à Virgem Maria. Ingressou na Companhia de Jesus e, quando se tornou jesuíta, seguiu para o Brasil, em 1553, como missionário. Chegou na Bahia junto com mais seis jesuítas, todos doentes, inclusive ele, que nunca mais se recuperou. Em 1554, chegou à capitania de São Vicente, onde, junto com o provincial do Brasil, padre Manoel da Nóbrega, fundou, no planalto de Piratininga, aquela que seria a cidade de São Paulo, a maior da América do Sul. No local foi instalado um colégio e seu trabalho missionário começou. José de Anchieta não apenas catequizava os índios. Dava condições para que se adaptassem à chegada dos colonizadores, fortalecendo, assim, a resistência cultural. Foi o primeiro a escrever uma “gramática tupi-guarani”, mas, ao mesmo tempo, ensinava aos silvícolas noções de higiene, medicina, música e literatura. Por outro lado, fazia questão de aprender com eles, desenvolvendo diversos estudos da fauna, da flora e do idioma. Anchieta era também um poeta, além de escritor. É célebre o dia em que, estando sem papel e lápis à mão, escreveu nas areias da praia o “Poema à Virgem”, que decorou antes que o mar apagasse seus versos. A profundidade do seu trabalho missionário, de toda a sua vida dedicada ao bem do próximo aqui no Brasil, foi exclusivamente em favor do futuro e da sobrevivência dos índios, bem como para preservar sua influência na cultura geral de um novo povo. Com a morte do padre Manoel da Nóbrega em 1567, o cargo de provincial do Brasil passou a ser ocupado pelo padre José de Anchieta. Neste posto mais alto da Companhia de Jesus, viajou por todo o país orientando os trabalhos missionários. José de Anchieta morreu no dia 9 de junho de 1597, na pequena vila de Reritiba, atual cidade de Anchieta, no Espírito Santo, sendo reconhecido como o “Apóstolo do Brasil”. Foi beatificado pelo papa João Paulo II em 1980, e canonizado pelo Papa Francisco em 03 de abril de 2014. A festa litúrgica foi instituída no dia de sua morte. Conheça mais sobre São José de Anchieta, o apóstolo do Brasil Sua caravela chegou ao porto da Bahia em 1553. Local tido como um “paraíso terrestre”. O jovem José encantou-se com a Terra de Santa Cruz. Fez da conversão da gente da terra a sua meta. Viveu como missionário, agiu como herói, morreu como santo. Com 19 anos, Missionário na Terra de Santa Cruz O moço de 19 anos que chegava à Terra de Santa Cruz vinha com as melhores disposições espirituais possíveis para exercer sua missão. Embora tão jovem e não tendo ainda sido ordenado sacerdote, Irmão José era dos primeiros missionários jesuítas que se estabeleciam na nova terra. Sua meta era conquistar almas para Cristo. Ele fazia parte da comitiva do segundo Governador Geral do Brasil Dom Duarte da Costa e chegou a Salvador, na Bahia de Todos os Santos, no dia 13 de julho do ano de 1553. Da Terra de dimensões continentais em que aportou nunca mais saiu. Amou a Terra, amou seu povo. Evangelizou as “gentes brasílicas”, deu rumo a sua formação. Identificou-se com suas aspirações, sem perder sua própria identidade. Origens de Anchieta Aquele jovem noviço tinha nascido em São Cristóvão, Tenerife, uma das ilhas do Arquipélago das Canárias, a 19 de março de 1534, dia da festa litúrgica de São José, fato determinante para que ele também recebesse esse nome no batismo: José de Anchieta. José de Anchieta pertencia a uma próspera família. Seu pai, Juan Lopes de Anchieta, era da província de Guipuscoa, no País Basco. Por precaução, Juan havia mudado para as Canárias. E ele tinha lá suas razões para isso: ele tomou parte na Revolta dos Comuneiros, feita contra o imperador espanhol Carlos V e havia sido condenado à morte. Juan Lopes acabou sendo salvo da pena capital por intercessão de um ilustre parente militar, o capitão Inácio de Loyola, que, mais tarde, veio a ser o fundador dos jesuítas, os religiosos da Companhia de Jesus. Sua mãe foi Dona Mência Dias de Clavijo y Llarena. Ela era natural das próprias Ilhas Canárias. Seu avô havia sido um dos conquistadores espanhóis. Formado num tempo de turbulência Quando ainda criança, Anchieta teve oportunidade de estudar com religiosos. Ao completar 14 anos, juntamente com um irmão de maior idade, ele já estava iniciando seus estudos na célebre Universidade de Coimbra. Cursou ali o renomado Colégio de Artes. Recebeu nessa ocasião uma educação própria de seu tempo, com uma formação principalmente filológica e literária para que aperfeiçoasse a língua latina e já visando um aperfeiçoamento futuro. Maiores ciências ele as adquiriu nas escolas dos padres da Companhia de Jesus. Cresceu nelas de tal maneira que em breve tempo estava bem formado em todo gênero de humanidades. Foi com 17 anos de idade que José de Anchieta ingressou na Companhia de Jesus, a Ordem Religiosa fundada por Santo Inácio em 1539 e que foi aprovada pelo Papa Paulo III com a publicação da bula “Regimini Militantis Eclesiae”, de 1540. Também foi por essa ocasião que José de Anchieta –ainda estudante de 17 anos– fez seu voto particular de castidade diante do Altar de Nossa Senhora, na Catedral de Coimbra. Na época do estudante José de Anchieta o mundo ocidental estava vivendo uma crise: passava por uma autêntica e profunda revolução cultural e religiosa. O Renascimento, aproveitando-se de tendências latentes no homem decadente do fim da Idade Média, manejava as idéias, influenciando e marcando profundamente os acontecimentos nas artes e mentalidades. No campo religioso, a reforma protestante, codificada por um frade apóstata e seguindo a esteira da renascença, produzia devastações no seio da unidade do cristianismo. Foi num mundo assim conturbado que no ano de 1553, no final de seu noviciado, José de Anchieta fez seus primeiros votos como jesuíta. Com esses votos, seus receios de não poder permanecer na Ordem de Santo Inácio foram dissipados. Doença e Santa Obediência o trazem ao Brasil Logo após seu ingresso na Companhia de Jesus, ele foi acometido por uma doença ósteo-articular. Se essa enfermidade continuasse a agredi-lo, suas esperanças de ser jesuíta cairiam por terra: ele não poderia continuar na Ordem. Os votos lhe garantiam que estava são e que poderia continuar entre os filhos de Santo Inácio. Os médicos da época acreditavam que os ares do Novo Mundo seriam benéficos para sua total recuperação e aconselharam sua transferência para o outro lado do Oceano Atlântico. Então, seus superiores o enviaram para exercer uma missão em terras do domínio português, na América. Ele era um bom religioso. Entusiasmado, obedeceu prontamente seus superiores: atravessou o oceano, chegou ao Brasil para evangelizar seu povo e daqui nunca mais saiu. Na travessia do oceano o mais jovem dos jesuítas na esquadra do Governador Duarte da Costa dava mostras de que sua saúde estava sendo recuperada a cada instante. Quando aportou em Salvador, ele estava praticamente curado. O tempo na nova terra completaria a cura total. Ação preternatural ou fato providencial? As caravelas do novo Governador Geral Duarte da Costa traziam cerca de 250 pessoas. Além do noviço José de Anchieta, fazia parte da esquadra o também jesuíta Padre Manuel da Nóbrega que era seu superior e seria acompanhado por Anchieta no início de sua missão. Os dois jesuítas já tinham destino certo. Eles apenas passariam por Salvador e logo deveriam dirigir-se para a Capitania de São Vicente. Ali exerceriam a missão de catequizar colonos e nativos. A viagem até a “terra de missão” era difícil. Não havia outro meio de realizá-la a não ser por mar. Duas naus saíram de Salvador com destino a São Vicente levando Anchieta, Nóbrega e outros padres jesuítas. Ainda no Sul da Bahia uma tempestade gigantesca surpreendeu as duas embarcações. Uma delas foi arremessada contra os rochedos e espatifou-se. Por milagre, ninguém morreu. A nave em que estava Anchieta, acabou ficando encalhada nos recifes, ainda inteira. Foi uma noite de terror para os viajantes. Gigantescas ondas ameaçavam destruir a nau que ainda havia restado. No dia seguinte, o mar amanheceu calmo e os viajantes conseguiram chegar à terra. Parece até que uma fúria de origem preternatural, diabólica, antevendo os sucessos que teriam os missionários, tentava impedir que eles chegassem a seu destino. Pior para o demônio: Ali mesmo Anchieta começou sua missão… com sucesso. Ao procurar comida em terra firme, encontrou-se com índios do lugar. Ao chegar na aldeia deles, viu uma indiazinha muito doente, já à beira da morte. Anchieta a instruiu e batizou dando-lhe o nome de Cecília. Logo depois, a primeira indiazinha brasileira batizada por Anchieta morreu. Enquanto o barco era consertado, Anchieta ainda esteve outras vezes na aldeia para ensinar o evangelho aos índios. Chegando a hora da partida, com a consciência tranquila, Anchieta pensava: “O acidente com o barco foi uma obra permitida pela Providência Divina para salvar a inocente Cecília, que estava predestinada.” E ele tinha razão. Sua vida está cheia de fatos semelhantes que indicam os desígnios de Deus Nosso Senhor de tê-lo como instrumento de salvação para muitas almas. Aquele jovem franzino, doente, tinha a alma maior que o corpo. Sua fé exuberante, acalentava uma esperança que, por amor a Deus, seria capaz de evangelizar um país, formar um povo, salvar um país inteiro. Um Apóstolo na Capitania de São Vicente O missionário José de Anchieta chegou a Salvador em junho de 1553 e logo dirigiu-se a São Vicente. Em pouco tempo ele já estava colocado no centro das atividades da missão. Com seus dotes inatos de comunicador, e com sua sede de almas, conseguiu com os índios um amplo entendimento. Tornou-se logo amigo de indígenas e colonizadores e por ambos era respeitado. Não limitou seu trabalho às redondezas da pequena São Vicente. Subiu a Serra que costeava a Capitania e chegou ao planalto que estava depois dela. O Planalto de Piratininga era povoado por milhares de índios que viviam em aldeias distintas. Para Anchieta elas eram almas redimidas pelo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e sua missão consistiria em conquistá-las para Cristo, conduzi-las para a Igreja para serem instruídas, formadas, civilizadas. Sua ação era ligeira, meticulosa, apostólica, eficiente. Tinha metas audaciosas, plantava bases para o futuro. Assim foi que em 1554, no dia 25 de janeiro, festa da Conversão de São Paulo Apóstolo, Anchieta participou da fundação do colégio da vila de São Paulo de Piratininga, onde também foi professor. Junto ao colégio foi edificada uma capela provisória na qual foi celebrada a primeira missa em 25 de agosto. Estava nascendo o núcleo de uma cidade que se tornaria uma das maiores metrópoles do mundo: São Paulo. Anchieta construiu ainda um seminário perto do Colégio de Piratininga e nele também dava aulas. Tanta ação, tanto fruto já colhido e não havia passado seis meses desde que ele chegara à Capitania. Ela falava o português, o castelhano, o latim e a língua brasílica. Decifrar o tupi foi uma das tarefas que Nóbrega deu a Anchieta. Em apenas seis meses, ele conseguiu entender e falar a língua dos índios. Em um ano ele a dominava com perfeição a ponto de criar uma gramática. Além da gramática indígena, Anchieta dedicava seus dias a ensinar o latim e o português a curumins e índios adultos. Aos irmãos jesuítas, ensinava a língua tupi. Depois de cumprir suas obrigações religiosas e de exercer todo o trabalho que tocava a ele executar, ainda estava longe a hora do repouso para ele. Era à noite, quando todos já dormiam, que ele escrevia manuais para os alunos, cartas sobre o trabalho dos jesuítas e obras diversas, entre elas um dicionário de tupi e um tratado sobre a flora, a fauna e o clima da Capitania de São Vicente. Lutou contra invasores, unificou pela Fé No ano de 1555, o Brasil enfrentou graves problemas com a tentativa de franceses calvinistas de estabelecer uma colônia na região do Rio de Janeiro. Os invasores contavam com o apoio de índios da região. Anchieta participou ativamente da luta pela expulsão dos franceses. A confiança que os índios tinham nele foi decisiva. Nas batalhas finais, no Rio de Janeiro, ele estava animando os combatentes brasileiros. Era amigo de Estácio de Sá e esteve junto dele nas últimas batalhas. Ele agia em todos os setores do tecido social e religioso da nascente nação. No campo religioso, ele exerceu o cargo de provincial da Companhia de Jesus entre os anos de 1577 a 1587. O trabalho de Anchieta foi decisivo para a implantação do catolicismo no Brasil. Com seu conhecimento, fé e vontade de evangelizar, percorreu a pé, a cavalo, em embarcações, boa parte do território brasileiro. Assim contribuiu para manter unificado o país naquela época e nos séculos seguintes. Ele foi quem lançou os fundamentos da catequese e educação dos jesuítas no Brasil. Foi ele também quem começou a reverter o quadro iniciado desde o descobrimento, em que os nativos eram vistos apenas como propriedade da Coroa e, como tal, passíveis de serem escravizados. Agindo como apóstolo, plantou cultura Anchieta deixou sua marca também no campo cultural. Sua obra de conteúdo eminentemente religioso constituiu-se na primeira manifestação literária na Terra de Santa Cruz contribuindo fortemente para a formação da nascente cultura brasileira. Além de suas cartas, sermões e poesias, ele escreveu uma Gramática da língua tupi, idioma que ele dominava perfeitamente. Escreveu “De Gestis Mendi de Saa”, um livro que tratava dos feitos do Governador Geral Mem de Sá. É famoso seu “Poema da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus”, que foi escrito originariamente nas areias da praia de Iperoig, no litoral da costa da Capitania. Nele se manifesta não só a erudição e estro do poeta, mas, refulgem no texto as melhores doutrinas sobre a Virgem Maria e a expressão de uma devoção e de um amor extraordinário à Santa Mãe de Deus.São também de autoria de Anchieta peças de teatro de cunho religioso e formativo. Entre elas está o “Auto da Pregação Universal” e ainda o “Na Festa de São Lourenço”, também chamada de “Mistério de Jesus”. A Língua tupi, a evangelização e o descanso Era destro em quatro línguas: portuguesa, castelhana, latina e brasílica. Decifrar o tupi foi uma das tarefas que Nóbrega confiou a Anchieta. Em seis meses, ele completou o aprendizado da língua e, em um ano, a dominava com perfeição. Dois anos depois de ter chegado ao Brasil, escreveu a sua “Arte de Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil”. Além da gramática, Anchieta ensinava o latim e o português para os curumins (meninos) e para os índios adultos. Aos irmãos jesuítas, ensinava a língua tupi. O repouso não vinha para ele logo que a noite chegava. Era nessa hora que escrevia manuais para os alunos, cartas sobre o trabalho dos jesuítas e obras diversas, entre elas um dicionário de tupi e um tratado sobre a flora, a fauna e o clima da Capitania de São Vicente. Era tarde, quando ia dormir. Viveu com missionário, agiu como herói, morreu como santo A vida de José de Anchieta é como um sopro encorajador: é exemplo. Entusiasma e arrasta os que têm Fé. Convida os católicos a viver na caridade e no ardor missionário que evangeliza e santifica. Para os índios, ele foi médico, professor, foi amigo e defensor. Tornou-se o elo de ligação dos índios e colonos com os padres jesuítas, com a Igreja e a nação que estava sendo forjada. Mas, José de Anchieta foi sobretudo sacerdote. Cuidava das doenças e feridas das almas, da espiritualidade de todo o povo. Por isso mesmo é que lhe foram dados vários títulos que o homenageavam, sendo que o que melhor lhe cai é o de “Apóstolo do Novo Mundo”, que para nós pode ser “traduzido” como “Apóstolo do Brasil”. Com 63 anos, Anchieta faleceu no povoado que ele mesmo havia ajudado a edificar em 1569: Iritiba (a atual Anchieta), na Capitania do Espírito Santo. Era o dia 9 de junho de 1597 quando José de Anchieta entregou sua alma a Deus. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II, em 1980, quando então foi nomeado “Apóstolo do Brasil”. (JSG) Oração a Anchieta Bem-aventurado José de Anchieta, missionário incansável e Apóstolo do Brasil, abençoai a nossa Pátria e a cada um de nós. Inflamado pelo zelo da glória de Deus, consumistes a vida na promoção dos indígenas, catequizando, instruindo, fazendo o bem. Que o legado de vosso exemplo frutifique novos apóstolos e missionários em nossa terra. Professor e mestre, abençoai nossos jovens, crianças e educadores. Consolador dos doentes e aflitos, protetor dos pobres e abandonados, velai por todos aqueles que mais necessitam e sofrem em nossa sociedade, nem sempre justa, fraterna e cristã. Santificai as famílias e comunidades, orientando os que regem os destinos do Brasil e do Mundo. Através de Maria Santíssima, que tanto venerastes na terra, iluminai os nossos caminhos, hoje e sempre. Amém. #SantodoDia
- O Milagre de Lanciano, a missa que não acabou!
O Milagre Eucarístico de Lanciano ainda hoje desafia a ciência e chama a atenção dos fiéis católicos no mundo inteiro. Era uma manhã de domingo comum, na cidade italiana de Lanciano, no mosteiro de São Legoziano, onde viviam os Monges de São Basílio. O mais incrédulo deles proferia as palavras da Oração Eucarística, quando, de repente, ocorreu o inesperado. Os olhos assustados do religioso denunciavam o evento. Deus havia condecorado a sua suspeita quanto à transubstanciação com o mais prodigioso dos milagres eucarísticos de que se ouviu falar. A hóstia convertera-se em Carne viva e o vinho em Sangue Vivo. O pequeno monge que outrora duvidara da presença real de Cristo na Eucaristia agora era obrigado a reconhecer sua tolice, pedindo perdão a Deus – e à comunidade presente – por sua falta de fé: “Ó bem-aventuradas testemunhas diante de quem, para confundir a minha incredulidade, o Santo Deus quis desvendar-se neste Santíssimo Sacramento e tornar-se visível aos vossos olhos. Vinde, irmãos, e admirai o nosso Deus que se aproximou de nós. Eis aqui a Carne e o Sangue do nosso Cristo muito amado!” Comoção geral. A pequena assembleia reunida se lançou sobre o altar, chorando e clamando a misericórdia de Deus. Havia nascido um novo São Tomé. O monge ganhara a fama do cético apóstolo de Jesus e Lanciano, as multidões que se dirigiram à cidade, ano após ano, em longas peregrinações. A princípio, os fiéis guardaram as relíquias num tabernáculo de marfim, mas, em 1713, foram transferidas para uma custódia de prata e um cálice de cristal, onde se encontram até hoje, na Igreja de São Francisco. Enquanto o Sangue se dividia em cinco fragmentos, coagulados em diferentes dimensões, a Hóstia-Carne aparentava um tecido fibroso, de coloração escura, e rósea quando iluminado pelo lado oposto. A Igreja reconheceu o milagre de Lanciano em 1574. Mas foi somente em novembro de 1970 que os Frades Menores Conventuais, os responsáveis pela guarda das relíquias, tiveram a autorização para submetê-las ao exame de dois médicos. Concluída a pesquisa, em Arezzo, os renomados doutores Linoli e Bertelli publicaram um relatório, dizendo: “A Carne é verdadeira carne, o Sangue é verdadeiro sangue. A Carne é do tecido muscular do coração (miocárdio, endocárdio e nervo vago). A Carne e o Sangue são do mesmo tipo sangüíneo (AB) e pertencem à espécie humana. No sangue foram encontrados, além das proteínas normais, os seguintes materiais: cloretos, fósforos, magnésio, potássio, sódio e cálcio. A conservação da Carne e do Sangue, deixados em estado natural por 12 séculos e expostos à ação de agentes atmosféricos e biológicos, permanece um fenômeno extraordinário.” Os resultados foram tão impactantes que antes mesmo do fim da análise, os médicos enviaram um telegrama aos Frades, confessando-lhes o espanto: “E o Verbo se fez Carne!”. É assim que o Milagre de Lanciano, desafiando a ação do tempo e toda a lógica da ciência humana, se apresenta aos nossos olhos como a prova mais viva e palpável de que “Comei e bebei todos vós, isto é o meu Corpo que é dado por vós.” Em 1975, durante o Ano Santo, o Cardeal Karol Wotyla, futuro João Paulo II, fez uma peregrinação privada ao Santuário do Milagre Eucarístico em Lanciano. Recordando a ocasião numa visita Ad Limina dos bispos italianos dessa região, o Santo Padre insistiu para que a Eucaristia não fosse adorada “só na igreja do milagre, mas em todas as igrejas da vossa bonita terra.” [2] #Eucaristia #Milagre #MilagreEucarístico
- O Milagre de Lanciano, a missa que não acabou!
O Milagre Eucarístico de Lanciano ainda hoje desafia a ciência e chama a atenção dos fiéis católicos no mundo inteiro. Era uma manhã de domingo comum, na cidade italiana de Lanciano, no mosteiro de São Legoziano, onde viviam os Monges de São Basílio. O mais incrédulo deles proferia as palavras da Oração Eucarística, quando, de repente, ocorreu o inesperado. Os olhos assustados do religioso denunciavam o evento. Deus havia condecorado a sua suspeita quanto à transubstanciação com o mais prodigioso dos milagres eucarísticos de que se ouviu falar. A hóstia convertera-se em Carne viva e o vinho em Sangue Vivo. O pequeno monge que outrora duvidara da presença real de Cristo na Eucaristia agora era obrigado a reconhecer sua tolice, pedindo perdão a Deus – e à comunidade presente – por sua falta de fé: “Ó bem-aventuradas testemunhas diante de quem, para confundir a minha incredulidade, o Santo Deus quis desvendar-se neste Santíssimo Sacramento e tornar-se visível aos vossos olhos. Vinde, irmãos, e admirai o nosso Deus que se aproximou de nós. Eis aqui a Carne e o Sangue do nosso Cristo muito amado!” Comoção geral. A pequena assembleia reunida se lançou sobre o altar, chorando e clamando a misericórdia de Deus. Havia nascido um novo São Tomé. O monge ganhara a fama do cético apóstolo de Jesus e Lanciano, as multidões que se dirigiram à cidade, ano após ano, em longas peregrinações. A princípio, os fiéis guardaram as relíquias num tabernáculo de marfim, mas, em 1713, foram transferidas para uma custódia de prata e um cálice de cristal, onde se encontram até hoje, na Igreja de São Francisco. Enquanto o Sangue se dividia em cinco fragmentos, coagulados em diferentes dimensões, a Hóstia-Carne aparentava um tecido fibroso, de coloração escura, e rósea quando iluminado pelo lado oposto. A Igreja reconheceu o milagre de Lanciano em 1574. Mas foi somente em novembro de 1970 que os Frades Menores Conventuais, os responsáveis pela guarda das relíquias, tiveram a autorização para submetê-las ao exame de dois médicos. Concluída a pesquisa, em Arezzo, os renomados doutores Linoli e Bertelli publicaram um relatório, dizendo: “A Carne é verdadeira carne, o Sangue é verdadeiro sangue. A Carne é do tecido muscular do coração (miocárdio, endocárdio e nervo vago). A Carne e o Sangue são do mesmo tipo sangüíneo (AB) e pertencem à espécie humana. No sangue foram encontrados, além das proteínas normais, os seguintes materiais: cloretos, fósforos, magnésio, potássio, sódio e cálcio. A conservação da Carne e do Sangue, deixados em estado natural por 12 séculos e expostos à ação de agentes atmosféricos e biológicos, permanece um fenômeno extraordinário.” Os resultados foram tão impactantes que antes mesmo do fim da análise, os médicos enviaram um telegrama aos Frades, confessando-lhes o espanto: “E o Verbo se fez Carne!”. É assim que o Milagre de Lanciano, desafiando a ação do tempo e toda a lógica da ciência humana, se apresenta aos nossos olhos como a prova mais viva e palpável de que “Comei e bebei todos vós, isto é o meu Corpo que é dado por vós.” Em 1975, durante o Ano Santo, o Cardeal Karol Wotyla, futuro João Paulo II, fez uma peregrinação privada ao Santuário do Milagre Eucarístico em Lanciano. Recordando a ocasião numa visita Ad Limina dos bispos italianos dessa região, o Santo Padre insistiu para que a Eucaristia não fosse adorada “só na igreja do milagre, mas em todas as igrejas da vossa bonita terra.” [2] #Eucaristia #Milagre #MilagreEucarístico
- Santo Efrém, grande devoto da Virgem e Doutor da Igreja – 8 de junho
SANTO DO DIA – 08 DE JUNHO – SANTO EFRÉM Diácono e Doutor da Igreja (306-373) Efrém nasceu no ano 306, bem no início do século IV, na cidade de Nisibi, atual Turquia. Cresceu em meio a graves conflitos de ordem religiosa, além das heresias que surgiam tentando abalar a unidade da Igreja. Mas todos eles só serviram de fermento para que sua fé em Cristo e sua ardente devoção à Virgem Maria vigorassem e se firmassem. O pai de Efrém era sacerdote pagão, embora sua mãe, cristã, defendesse a liberdade religiosa educando o filho dentro dos preceitos da palavra de Cristo. Ele foi educado na infância entre a dualidade do paganismo do pai e do cristianismo da mãe, pois o Edito de Milão, autorizando a liberdade de culto, só entrou em vigor quando ele já tinha sete anos de idade. Mas o patriarca da família jamais aceitou a fé professada pelo filho. Como não o venceu nem com a força, nem com argumentos, expulsou-o de casa. Efrém foi batizado aos dezoito anos e viveu do seu próprio sustento, trabalhando num balneário local. No ano 338, Nisibi foi invadida pelos persas. Efrém, então diácono, deslocou-se para a cidade de Edessa, também atual Turquia. Os poucos registros sobre sua vida contam-nos que era muito austero. Ele dirigiu e lecionou uma escola que pregava e defendia os princípios cristãos, escrevendo várias obras sobre o tema. Como não sabia grego, sua obra ficou isenta da influência dos teólogos seus contemporâneos, inclinados à controvérsia da Trindade. Efrém foi um ardente defensor da genuína doutrina cristã antiga. Com veia poética, seus sermões atraiam multidões e sua escola era muito concorrida pelo conteúdo didático simples e exortativo, atingindo diretamente o povo mais humilde. Na sua época estava-se organizando o canto religioso alternado nas igrejas. Esse movimento foi iniciado pelos bispos Ambrósio de Milão e Diodoro da Antioquia. A colaboração do diácono Efrém de Nisibi foram poesias na língua nativa próprias para o canto coletivo, o que permitiu uma rápida divulgação. Por sua linguagem poética recebeu o apelido carinhoso de “Harpa do Espírito Santo”. Somente a Nossa Senhora dedicou mais de vinte poemas, transformados em hinos. Suas poesias eram tão populares e empolgantes que da Síria espalharam-se e chegaram até o Oriente mediterrâneo, graças a uma cuidadosa e fiel tradução em grego. Efrém morreu no dia 9 de junho de 373, em Edessa, sem ter sido ordenado sacerdote. Desde então, é venerado neste dia por sua santidade, tanto pelos católicos do Oriente como do Ocidente. O papa Bento XV declarou-o doutor da Igreja em 1920. Conheça mais sobre Santo Efrém O Paráclito não só falava pela boca dele, mas cantava com sons harmoniosos através de sua laringe, fazendo vibrar a graça nas almas que escutavam seus hinos. Século IV: o Cristianismo emerge das catacumbas, Santos ilustres marcam a História; contudo, também irrompem heresias com força e dinamismo no Oriente, na vã tentativa de cobrir a Santa Igreja com sua tenebrosa sombra. Foi nessa quadra histórica que nasceu em Nísibe, nas combativas fronteiras do Império Romano, uma luz destinada a brilhar com especial fulgor no firmamento da Igreja: Efrém, o Sírio, diácono e Doutor da Igreja. Discípulo de um Bispo e Santo Efrém acorreu então ao Bispo, São Tiago, que o acolheu como a um filho: deu-lhe profunda formação catequética e ministrou-lhe o santo Batismo. Notando, com alegria, quanto o rapaz se sobressaía por sua inteligência e sabedoria, concedeu-lhe, aos 18 anos, a ordenação diaconal.Poucos dados seguros temos acerca de sua infância. De acordo com alguns dos seus biógrafos, sua mãe era cristã, mas o pai, sacerdote pagão, proibiu-lhe educar o filho segundo as Leis do Evangelho. Não conseguindo ele, porém, evitar que florescesse na alma do menino uma profunda inclinação para o Cristianismo, expulsou-o de casa. Pouco depois, entre maio e junho de 325, teve lugar o I Concílio de Niceia, marco histórico na luta contra as insidiosas doutrinas de Ário. Sabe-se que São Tiago participou dele e se crê que o jovem diácono também compareceu como secretário do santo Bispo. Encerrada a assembleia, Efrém passou a dar aulas na escola teológica aberta em Nísibe, como meio de combater as heresias que proliferavam por aquelas ruas e praças. Dedicou-se então de alma e corpo a esta tarefa e, em pouco tempo, conseguiu elevar a um alto grau o nível de formação de seus alunos. Com grande perspicácia e sabedoria, travou uma batalha sem tréguas na defesa da verdadeira Fé, cujo resultado não se fez esperar: muitas almas retornaram ao caminho da salvação. Os três assédios de Nísibe Enquanto crescia a fama de santidade de Efrém, bem como a admiração dos seus concidadãos, Sapor II, rei persa e inimigo da Cruz de Cristo, ansiava por conquistar a cidade das mãos dos romanos. Por três vezes tentou assediá-la e nas três vezes foi repelido pelos cristãos. Foi por esta época que Efrém compôs as conhecidas Carmina Nisibena – Canções de Nísibe -, nas quais “canta em termos e figuras bíblicas as gestas e peripécias ocorridas na cidade de Nísibe para defender sua Fé Católica e não cair sob o domínio dos pagãos da Pérsia”. Conta-se que, durante um desses assédios, a população viu o diácono Efrém subir nas muralhas da cidade e traçar com determinação um grande sinal da Cruz, com o qual amaldiçoava as tropas do rei invasor. Em seguida, como que guiadas por uma mão invisível, nuvens de moscas e outros insetos se abateram sobre o exército inimigo. Entraram eles nas trombas dos elefantes, nas orelhas e narinas dos cavalos de guerra e bestas de carga, e provocaram um alvoroço tal que determinou a retirada das tropas. Entretanto, o que os arrogantes esforços militares dos persas não conseguiram obter, foi-lhes entregue sem esforço, alguns anos mais tarde, pelo imperador Joviano, como parte do preço de um tratado de paz… Forçados a escolher entre o exílio, a escravidão ou a morte nas mãos dos pagãos, os cristãos viram-se obrigados a retirar-se de sua terra. Teologia e poesia se encontram Efrém partiu em direção a Edessa e ali se instalou em uma gruta aberta num alcantilado dos arredores, decidido a dedicar-se por inteiro à contemplação e ascese. Neste privilegiado local escreveu a maior parte de suas obras, todas elas revestidas de grande riqueza teológica e adornadas por uma peculiaridade: a poesia. A especificidade da obra de Santo Efrém, sublinha Bento XVI em audiência geral, “é que nele teologia e poesia se encontram. Querendo aproximar-nos da doutrina, devemos insistir desde o início sobre este aspecto: isto é, o fato de que ele faz teologia de forma poética. A poesia permite-lhe aprofundar a reflexão teológica através de paradoxos e imagens”. Não tardaram os eclesiásticos de Edessa a notar a sabedoria e santidade incomuns daquele ermitão e logo o convidaram a estruturar a incipiente escola teológica da cidade. Vendo a devastação causada em seus habitantes, pelas seitas heréticas que nela abundavam, o santo asceta aceitou. Citarista do Espírito Santo e bardo de Maria Iniciou-se assim uma nova etapa de seu apostolado. Em pouco tempo reuniu em torno de si numerosos discípulos, aos quais se empenhava em dar sólida formação. Numa carta dirigida a um deles, aconselhava: “Meu filho, fixa-te na humildade e farás com que as virtudes de Deus te acompanhem. […] É incomensurável a beleza do homem humilde. Não há paixão, qualquer que seja, capaz de dominar este homem, e não há medida para a sua beleza”. Não foi fácil a luta do santo diácono contra as heresias, e poucos foram os resultados iniciais. Prosseguiu ele, todavia, sem perder o ânimo e, inspirado pelo Espírito Santo, encontrou um meio eficaz para propagar a boa doutrina na disputa contra os hereges: através da liturgia. Não foi sem razão, pois, conforme ensina o Papa Pio XI, “para instruir o povo nas coisas da Fé e atraí-lo por meio delas às íntimas alegrias do espírito, as comemorações anuais dos sagrados mistérios são mais eficazes que quaisquer ensinamentos, por mais autorizados que sejam, do Magistério eclesiástico”. Tais comemorações nasceram e se desenvolveram “no transcurso dos séculos, conforme a necessidade e a utilidade do povo cristão iam pedindo, isto é, quando era preciso robustecê-lo contra um perigo comum ou defendê-lo contra os insidiosos erros da heresia, ou com frequência para animá-lo e incentivá-lo, a fim de que conhecesse e venerasse com maior devoção algum mistério da Fé ou algum benefício da divina bondade”. Cheio de eloquência, sabedoria e santidade, compôs ele poesias e canções, pervadidas de beleza, de riqueza doutrinária e de unção sobrenatural, para serem cantadas nas assembleias. Reuniu para isso um grupo de virgens cristãs, favorecidas com especiais dotes musicais, e ensinou-lhes a declamar os poemas e cantar os hinos por ele compostos. Em breve tempo, estas poesias e canções ressoavam melodiosamente por toda a cidade. Devido à genialidade das composições, as pessoas as memorizavam com facilidade. Deste modo, difundiu-se por todos os rincões de Edessa o perfume dos ensinamentos evangélicos. Seus versos – apesar de simples e acessíveis ao povo, feitos para serem cantados no meio de todo mundo – tinham tanto encanto, formosura e densidade de doutrina, que Santo Efrém passou para a História da Igreja como a cítara do Espírito Santo. Dir-se-ia, comenta Plinio Corrêa de Oliveira, “que o Espírito Santo não só falava pela boca dele, mas cantava pelos sons harmoniosos de sua laringe e fazia vibrar a graça nas almas, ao diapasão da cítara com que ele cantava”. Estes magníficos dons poéticos e musicais se direcionavam muitas vezes para uma luminosa Estrela que brilhava com especial fulgor na mente e no coração de Efrém: Maria Santíssima. Nutria por Ela uma devoção profunda e terna, que o acompanhou a cada passo. Em louvor à Virgem Mãe compôs um incontável número de orações e de melodias, as quais proclamavam, já naqueles remotos tempos, glórias e privilégios de Maria que o Magistério infalível da Igreja haveria de definir mais tarde. O encontro de dois grandes Santos A par de Santo Efrém, brilhavam por este tempo três outros grandes astros da História da Igreja, denominados Padres Capadócios: São Basílio Magno, São Gregório de Nissa e São Gregório Nazianzeno. Três Bispos que, tal como o diácono de Edessa, dedicaram a vida para defender dos erros das heresias o rebanho posto sob sua guarda. Santo Efrém tirou muito proveito espiritual desta permanência junto a São Basílio e retornou a Edessa com muita gratidão para com a Divina Providência, por ter-lhe concedido tamanha graça. Por várias vezes quis Basílio conferir ao diácono a ordenação sacerdotal, inclusive elevá-lo à dignidade episcopal, mas sem êxito algum, pois este se considerava indigno de tão alto ministério.Ecos da fama de santidade de um deles, São Basílio, chegaram a Efrém, o qual empreendeu uma longa viagem a Cesareia da Capadócia para conhecê-lo pessoalmente. E o santo Bispo, por sua vez, ficou tomado de entusiasmo ao ver a fulgurante santidade de seu visitante. Deste encontro surgiu uma estreita amizade que uniu para sempre os dois varões de Deus. Um esplendor que se irradiou pelo mundo Por volta do ano 378, enviou Deus a Efrém uma derradeira prova, destinada a coroar de modo magnífico sua existência de incansável luta em favor da Santa Igreja. Edessa foi assolada por uma terrível peste, que levou à eternidade muitos de seus habitantes e deixou numerosos outros prostrados no leito de dor. Tais circunstâncias abriram para o santo diácono um novo campo de batalha, no qual se consagraria de maneira generosa a Cristo: a assistência aos enfermos. Ele, que até então muito fizera pelas almas, passou a ocupar-se também dos corpos. Entregou-se com admirável empenho à rude labuta de socorrer aqueles infelizes. Atendia-os nas necessidades, animava-os nos sofrimentos, confortava-os nas angústias. Infatigável em tão caritativo labor, sentiu em si, certa manhã, os sintomas da peste. Era, em seu interior, a voz de Nosso Senhor Jesus Cristo chamando-o para receber no Céu o “prêmio demasiadamente grande” (Gn 15, 1). Transidos de dor, seus discípulos o assistiram durante a enfermidade. Já nos umbrais da morte, o santo mestre dá-lhes ainda uma última lição. Pede ele que, em vez de honras funerárias, seja-lhe oferecido algo muito mais valioso: as santas orações, o suave aroma do incenso espiritual que se eleva a Deus em favor de sua alma, o maior bem que se pode fazer a quem se apresenta ante o juízo divino. Assim coroou Efrém uma vida marcada pela entrega completa em favor da verdadeira doutrina, da salvação das almas, enfim, da glorificação da Santa Igreja Católica. Ele foi, nas palavras de São João Crisóstomo, “o açoite do preguiçoso, consolo dos aflitos, formador e estímulo da juventude, modelo dos monges, guia dos penitentes, espada e tormento para os hereges, escrínio de virtudes, templo e lugar de repouso do Espírito Santo”. Por isso, o esplendor de sua santidade irradiou-se em breve por todo o mundo. De fato, afirma São Gregório de Nissa, “ele é conhecido em quase todos os lugares onde brilha o Sol”. ² Hino de Santo Efrém à Virgem Maria Deu-nos um fruto cheio de doçura Convida-me a Virgem a cantar o mistério que contemplo com admiração. Dai-me, ó Filho de Deus, vosso admirável dom, pelo qual eu afine minha lira e consiga pintar a imagem toda bela da vossa bem-amada Mãe. Permanecendo virgem, a Virgem Maria dá ao mundo seu Filho, amamenta Aquele que alimenta as nações, carrega em seu casto seio o sustentador do universo. Ela é Virgem e Mãe, que Lhe falta ser? Rejubile-se em Maria toda a estirpe das virgens, pois uma dentre elas deu à luz Aquele que sustenta toda a criação, Aquele que libertou da servidão o gênero humano.Santa de corpo e toda formosa de alma, pura de espírito, reta de inteligência, perfeita de sentimentos, casta, fiel, pura de coração, comprovada, Ela é cheia de todas as virtudes. Em Maria encha-se de júbilo o velho Adão, ferido pela serpente. Dá-lhe Maria uma descendência que lhe permite esmagar a serpente maldita e o cura de sua mortal ferida. Regozijem-se os sacerdotes na Virgem bendita. Ela deu ao mundo o Sacerdote eterno, que é ao mesmo tempo Vítima. Ele pôs fim ao antigo sacrifício, oferecendo-Se como a Vítima que aplaca o Pai. Alegrem-se em Maria todos os profetas. N’Ela se cumpriram suas visões, realizaram-se suas profecias, confirmaram-se seus oráculos. Exultem em Maria todos os patriarcas. Assim como recebeu a bênção que lhes fora prometida, da mesma maneira Ela os tornou perfeitos em seu Filho. Por Ele, com efeito, os profetas, os justos e os sacerdotes foram purificados. Em lugar do amargo fruto colhido por Eva da árvore fatal, deu Maria aos homens um fruto cheio de doçura. E eis que o mundo inteiro se deleita com o fruto de Maria. A Árvore da Vida, oculta no meio do Paraíso, cresceu em Maria e estendeu sua sombra sobre o universo, difundiu seus frutos tanto sobre os povos mais longínquos quanto sobre os mais próximos. Maria teceu uma vestimenta de glória e a deu a nosso primeiro pai. Entre as árvores escondera ele sua nudez, e ei-lo agora ornado de pudor, de virtude e de beleza. Aquele cuja esposa havia derrubado, sua Filha o eleva; por Ela sustentado, ele se ergue como um herói. Eva e a serpente armaram uma cilada e Adão nela caíra; Maria e seu régio Filho Se inclinaram e o tiraram do abismo. A virginal videira produziu um cacho cujo saboroso vinho restitui aos aflitos a alegria. Em sua angústia, Eva e Adão provaram o vinho da vida e nele encontraram completo reconforto. #SantodoDia
- Santo Efrém, grande devoto da Virgem e Doutor da Igreja – 8 de junho
SANTO DO DIA – 08 DE JUNHO – SANTO EFRÉM Diácono e Doutor da Igreja (306-373) Efrém nasceu no ano 306, bem no início do século IV, na cidade de Nisibi, atual Turquia. Cresceu em meio a graves conflitos de ordem religiosa, além das heresias que surgiam tentando abalar a unidade da Igreja. Mas todos eles só serviram de fermento para que sua fé em Cristo e sua ardente devoção à Virgem Maria vigorassem e se firmassem. O pai de Efrém era sacerdote pagão, embora sua mãe, cristã, defendesse a liberdade religiosa educando o filho dentro dos preceitos da palavra de Cristo. Ele foi educado na infância entre a dualidade do paganismo do pai e do cristianismo da mãe, pois o Edito de Milão, autorizando a liberdade de culto, só entrou em vigor quando ele já tinha sete anos de idade. Mas o patriarca da família jamais aceitou a fé professada pelo filho. Como não o venceu nem com a força, nem com argumentos, expulsou-o de casa. Efrém foi batizado aos dezoito anos e viveu do seu próprio sustento, trabalhando num balneário local. No ano 338, Nisibi foi invadida pelos persas. Efrém, então diácono, deslocou-se para a cidade de Edessa, também atual Turquia. Os poucos registros sobre sua vida contam-nos que era muito austero. Ele dirigiu e lecionou uma escola que pregava e defendia os princípios cristãos, escrevendo várias obras sobre o tema. Como não sabia grego, sua obra ficou isenta da influência dos teólogos seus contemporâneos, inclinados à controvérsia da Trindade. Efrém foi um ardente defensor da genuína doutrina cristã antiga. Com veia poética, seus sermões atraiam multidões e sua escola era muito concorrida pelo conteúdo didático simples e exortativo, atingindo diretamente o povo mais humilde. Na sua época estava-se organizando o canto religioso alternado nas igrejas. Esse movimento foi iniciado pelos bispos Ambrósio de Milão e Diodoro da Antioquia. A colaboração do diácono Efrém de Nisibi foram poesias na língua nativa próprias para o canto coletivo, o que permitiu uma rápida divulgação. Por sua linguagem poética recebeu o apelido carinhoso de “Harpa do Espírito Santo”. Somente a Nossa Senhora dedicou mais de vinte poemas, transformados em hinos. Suas poesias eram tão populares e empolgantes que da Síria espalharam-se e chegaram até o Oriente mediterrâneo, graças a uma cuidadosa e fiel tradução em grego. Efrém morreu no dia 9 de junho de 373, em Edessa, sem ter sido ordenado sacerdote. Desde então, é venerado neste dia por sua santidade, tanto pelos católicos do Oriente como do Ocidente. O papa Bento XV declarou-o doutor da Igreja em 1920. Conheça mais sobre Santo Efrém O Paráclito não só falava pela boca dele, mas cantava com sons harmoniosos através de sua laringe, fazendo vibrar a graça nas almas que escutavam seus hinos. Século IV: o Cristianismo emerge das catacumbas, Santos ilustres marcam a História; contudo, também irrompem heresias com força e dinamismo no Oriente, na vã tentativa de cobrir a Santa Igreja com sua tenebrosa sombra. Foi nessa quadra histórica que nasceu em Nísibe, nas combativas fronteiras do Império Romano, uma luz destinada a brilhar com especial fulgor no firmamento da Igreja: Efrém, o Sírio, diácono e Doutor da Igreja. Discípulo de um Bispo e Santo Efrém acorreu então ao Bispo, São Tiago, que o acolheu como a um filho: deu-lhe profunda formação catequética e ministrou-lhe o santo Batismo. Notando, com alegria, quanto o rapaz se sobressaía por sua inteligência e sabedoria, concedeu-lhe, aos 18 anos, a ordenação diaconal.Poucos dados seguros temos acerca de sua infância. De acordo com alguns dos seus biógrafos, sua mãe era cristã, mas o pai, sacerdote pagão, proibiu-lhe educar o filho segundo as Leis do Evangelho. Não conseguindo ele, porém, evitar que florescesse na alma do menino uma profunda inclinação para o Cristianismo, expulsou-o de casa. Pouco depois, entre maio e junho de 325, teve lugar o I Concílio de Niceia, marco histórico na luta contra as insidiosas doutrinas de Ário. Sabe-se que São Tiago participou dele e se crê que o jovem diácono também compareceu como secretário do santo Bispo. Encerrada a assembleia, Efrém passou a dar aulas na escola teológica aberta em Nísibe, como meio de combater as heresias que proliferavam por aquelas ruas e praças. Dedicou-se então de alma e corpo a esta tarefa e, em pouco tempo, conseguiu elevar a um alto grau o nível de formação de seus alunos. Com grande perspicácia e sabedoria, travou uma batalha sem tréguas na defesa da verdadeira Fé, cujo resultado não se fez esperar: muitas almas retornaram ao caminho da salvação. Os três assédios de Nísibe Enquanto crescia a fama de santidade de Efrém, bem como a admiração dos seus concidadãos, Sapor II, rei persa e inimigo da Cruz de Cristo, ansiava por conquistar a cidade das mãos dos romanos. Por três vezes tentou assediá-la e nas três vezes foi repelido pelos cristãos. Foi por esta época que Efrém compôs as conhecidas Carmina Nisibena – Canções de Nísibe -, nas quais “canta em termos e figuras bíblicas as gestas e peripécias ocorridas na cidade de Nísibe para defender sua Fé Católica e não cair sob o domínio dos pagãos da Pérsia”. Conta-se que, durante um desses assédios, a população viu o diácono Efrém subir nas muralhas da cidade e traçar com determinação um grande sinal da Cruz, com o qual amaldiçoava as tropas do rei invasor. Em seguida, como que guiadas por uma mão invisível, nuvens de moscas e outros insetos se abateram sobre o exército inimigo. Entraram eles nas trombas dos elefantes, nas orelhas e narinas dos cavalos de guerra e bestas de carga, e provocaram um alvoroço tal que determinou a retirada das tropas. Entretanto, o que os arrogantes esforços militares dos persas não conseguiram obter, foi-lhes entregue sem esforço, alguns anos mais tarde, pelo imperador Joviano, como parte do preço de um tratado de paz… Forçados a escolher entre o exílio, a escravidão ou a morte nas mãos dos pagãos, os cristãos viram-se obrigados a retirar-se de sua terra. Teologia e poesia se encontram Efrém partiu em direção a Edessa e ali se instalou em uma gruta aberta num alcantilado dos arredores, decidido a dedicar-se por inteiro à contemplação e ascese. Neste privilegiado local escreveu a maior parte de suas obras, todas elas revestidas de grande riqueza teológica e adornadas por uma peculiaridade: a poesia. A especificidade da obra de Santo Efrém, sublinha Bento XVI em audiência geral, “é que nele teologia e poesia se encontram. Querendo aproximar-nos da doutrina, devemos insistir desde o início sobre este aspecto: isto é, o fato de que ele faz teologia de forma poética. A poesia permite-lhe aprofundar a reflexão teológica através de paradoxos e imagens”. Não tardaram os eclesiásticos de Edessa a notar a sabedoria e santidade incomuns daquele ermitão e logo o convidaram a estruturar a incipiente escola teológica da cidade. Vendo a devastação causada em seus habitantes, pelas seitas heréticas que nela abundavam, o santo asceta aceitou. Citarista do Espírito Santo e bardo de Maria Iniciou-se assim uma nova etapa de seu apostolado. Em pouco tempo reuniu em torno de si numerosos discípulos, aos quais se empenhava em dar sólida formação. Numa carta dirigida a um deles, aconselhava: “Meu filho, fixa-te na humildade e farás com que as virtudes de Deus te acompanhem. […] É incomensurável a beleza do homem humilde. Não há paixão, qualquer que seja, capaz de dominar este homem, e não há medida para a sua beleza”. Não foi fácil a luta do santo diácono contra as heresias, e poucos foram os resultados iniciais. Prosseguiu ele, todavia, sem perder o ânimo e, inspirado pelo Espírito Santo, encontrou um meio eficaz para propagar a boa doutrina na disputa contra os hereges: através da liturgia. Não foi sem razão, pois, conforme ensina o Papa Pio XI, “para instruir o povo nas coisas da Fé e atraí-lo por meio delas às íntimas alegrias do espírito, as comemorações anuais dos sagrados mistérios são mais eficazes que quaisquer ensinamentos, por mais autorizados que sejam, do Magistério eclesiástico”. Tais comemorações nasceram e se desenvolveram “no transcurso dos séculos, conforme a necessidade e a utilidade do povo cristão iam pedindo, isto é, quando era preciso robustecê-lo contra um perigo comum ou defendê-lo contra os insidiosos erros da heresia, ou com frequência para animá-lo e incentivá-lo, a fim de que conhecesse e venerasse com maior devoção algum mistério da Fé ou algum benefício da divina bondade”. Cheio de eloquência, sabedoria e santidade, compôs ele poesias e canções, pervadidas de beleza, de riqueza doutrinária e de unção sobrenatural, para serem cantadas nas assembleias. Reuniu para isso um grupo de virgens cristãs, favorecidas com especiais dotes musicais, e ensinou-lhes a declamar os poemas e cantar os hinos por ele compostos. Em breve tempo, estas poesias e canções ressoavam melodiosamente por toda a cidade. Devido à genialidade das composições, as pessoas as memorizavam com facilidade. Deste modo, difundiu-se por todos os rincões de Edessa o perfume dos ensinamentos evangélicos. Seus versos – apesar de simples e acessíveis ao povo, feitos para serem cantados no meio de todo mundo – tinham tanto encanto, formosura e densidade de doutrina, que Santo Efrém passou para a História da Igreja como a cítara do Espírito Santo. Dir-se-ia, comenta Plinio Corrêa de Oliveira, “que o Espírito Santo não só falava pela boca dele, mas cantava pelos sons harmoniosos de sua laringe e fazia vibrar a graça nas almas, ao diapasão da cítara com que ele cantava”. Estes magníficos dons poéticos e musicais se direcionavam muitas vezes para uma luminosa Estrela que brilhava com especial fulgor na mente e no coração de Efrém: Maria Santíssima. Nutria por Ela uma devoção profunda e terna, que o acompanhou a cada passo. Em louvor à Virgem Mãe compôs um incontável número de orações e de melodias, as quais proclamavam, já naqueles remotos tempos, glórias e privilégios de Maria que o Magistério infalível da Igreja haveria de definir mais tarde. O encontro de dois grandes Santos A par de Santo Efrém, brilhavam por este tempo três outros grandes astros da História da Igreja, denominados Padres Capadócios: São Basílio Magno, São Gregório de Nissa e São Gregório Nazianzeno. Três Bispos que, tal como o diácono de Edessa, dedicaram a vida para defender dos erros das heresias o rebanho posto sob sua guarda. Santo Efrém tirou muito proveito espiritual desta permanência junto a São Basílio e retornou a Edessa com muita gratidão para com a Divina Providência, por ter-lhe concedido tamanha graça. Por várias vezes quis Basílio conferir ao diácono a ordenação sacerdotal, inclusive elevá-lo à dignidade episcopal, mas sem êxito algum, pois este se considerava indigno de tão alto ministério.Ecos da fama de santidade de um deles, São Basílio, chegaram a Efrém, o qual empreendeu uma longa viagem a Cesareia da Capadócia para conhecê-lo pessoalmente. E o santo Bispo, por sua vez, ficou tomado de entusiasmo ao ver a fulgurante santidade de seu visitante. Deste encontro surgiu uma estreita amizade que uniu para sempre os dois varões de Deus. Um esplendor que se irradiou pelo mundo Por volta do ano 378, enviou Deus a Efrém uma derradeira prova, destinada a coroar de modo magnífico sua existência de incansável luta em favor da Santa Igreja. Edessa foi assolada por uma terrível peste, que levou à eternidade muitos de seus habitantes e deixou numerosos outros prostrados no leito de dor. Tais circunstâncias abriram para o santo diácono um novo campo de batalha, no qual se consagraria de maneira generosa a Cristo: a assistência aos enfermos. Ele, que até então muito fizera pelas almas, passou a ocupar-se também dos corpos. Entregou-se com admirável empenho à rude labuta de socorrer aqueles infelizes. Atendia-os nas necessidades, animava-os nos sofrimentos, confortava-os nas angústias. Infatigável em tão caritativo labor, sentiu em si, certa manhã, os sintomas da peste. Era, em seu interior, a voz de Nosso Senhor Jesus Cristo chamando-o para receber no Céu o “prêmio demasiadamente grande” (Gn 15, 1). Transidos de dor, seus discípulos o assistiram durante a enfermidade. Já nos umbrais da morte, o santo mestre dá-lhes ainda uma última lição. Pede ele que, em vez de honras funerárias, seja-lhe oferecido algo muito mais valioso: as santas orações, o suave aroma do incenso espiritual que se eleva a Deus em favor de sua alma, o maior bem que se pode fazer a quem se apresenta ante o juízo divino. Assim coroou Efrém uma vida marcada pela entrega completa em favor da verdadeira doutrina, da salvação das almas, enfim, da glorificação da Santa Igreja Católica. Ele foi, nas palavras de São João Crisóstomo, “o açoite do preguiçoso, consolo dos aflitos, formador e estímulo da juventude, modelo dos monges, guia dos penitentes, espada e tormento para os hereges, escrínio de virtudes, templo e lugar de repouso do Espírito Santo”. Por isso, o esplendor de sua santidade irradiou-se em breve por todo o mundo. De fato, afirma São Gregório de Nissa, “ele é conhecido em quase todos os lugares onde brilha o Sol”. ² Hino de Santo Efrém à Virgem Maria Deu-nos um fruto cheio de doçura Convida-me a Virgem a cantar o mistério que contemplo com admiração. Dai-me, ó Filho de Deus, vosso admirável dom, pelo qual eu afine minha lira e consiga pintar a imagem toda bela da vossa bem-amada Mãe. Permanecendo virgem, a Virgem Maria dá ao mundo seu Filho, amamenta Aquele que alimenta as nações, carrega em seu casto seio o sustentador do universo. Ela é Virgem e Mãe, que Lhe falta ser? Rejubile-se em Maria toda a estirpe das virgens, pois uma dentre elas deu à luz Aquele que sustenta toda a criação, Aquele que libertou da servidão o gênero humano.Santa de corpo e toda formosa de alma, pura de espírito, reta de inteligência, perfeita de sentimentos, casta, fiel, pura de coração, comprovada, Ela é cheia de todas as virtudes. Em Maria encha-se de júbilo o velho Adão, ferido pela serpente. Dá-lhe Maria uma descendência que lhe permite esmagar a serpente maldita e o cura de sua mortal ferida. Regozijem-se os sacerdotes na Virgem bendita. Ela deu ao mundo o Sacerdote eterno, que é ao mesmo tempo Vítima. Ele pôs fim ao antigo sacrifício, oferecendo-Se como a Vítima que aplaca o Pai. Alegrem-se em Maria todos os profetas. N’Ela se cumpriram suas visões, realizaram-se suas profecias, confirmaram-se seus oráculos. Exultem em Maria todos os patriarcas. Assim como recebeu a bênção que lhes fora prometida, da mesma maneira Ela os tornou perfeitos em seu Filho. Por Ele, com efeito, os profetas, os justos e os sacerdotes foram purificados. Em lugar do amargo fruto colhido por Eva da árvore fatal, deu Maria aos homens um fruto cheio de doçura. E eis que o mundo inteiro se deleita com o fruto de Maria. A Árvore da Vida, oculta no meio do Paraíso, cresceu em Maria e estendeu sua sombra sobre o universo, difundiu seus frutos tanto sobre os povos mais longínquos quanto sobre os mais próximos. Maria teceu uma vestimenta de glória e a deu a nosso primeiro pai. Entre as árvores escondera ele sua nudez, e ei-lo agora ornado de pudor, de virtude e de beleza. Aquele cuja esposa havia derrubado, sua Filha o eleva; por Ela sustentado, ele se ergue como um herói. Eva e a serpente armaram uma cilada e Adão nela caíra; Maria e seu régio Filho Se inclinaram e o tiraram do abismo. A virginal videira produziu um cacho cujo saboroso vinho restitui aos aflitos a alegria. Em sua angústia, Eva e Adão provaram o vinho da vida e nele encontraram completo reconforto. #SantodoDia
- Conheça o milagre eucarístico que deu origem à Solenidade de Corpus Christi
Foi o próprio Jesus Cristo quem pediu à Igreja, quase um milênio atrás, que fosse instituída uma festa litúrgica em honra de seu Santíssimo Corpo e de seu Preciosíssimo Sangue. A solenidade de Corpus Christi, que os católicos celebramos todos os anos na primeira quinta-feira após a Oitava de Pentecostes, não existiu na Igreja desde sempre. O marco de sua instituição é a bula Transiturus de hoc mundo, do Papa Urbano IV, publicada a 11 de agosto de 1264, e que pode ser lida com grande interesse no site do Vaticano. Antes de continuar a leitura assista esta maravilhosa aula contendo minuciosos detalhes sobre a história da instituição da festa de corpus Christi: Mais notável que esse decreto do Papa, no entanto, são seus antecedentes espirituais. A literatura normalmente aponta dois eventos principais que culminaram com a instituição da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo: uma visão de Santa Juliana de Liège, religiosa agostiniana belga, e um milagre eucarístico ocorrido na cidade de Bolsena, na Itália. As ligações não são fruto de especulação histórica. O Papa que instituiu Corpus Christi conheceu pessoalmente ambos os acontecimentos. Daí a importância de os repassarmos, para entendermos qual o sentido da festa que ora celebramos e, ao mesmo tempo, colhermos disso abundantes frutos espirituais. Primeiramente, Santa Juliana. O que viu essa mística para ensejar a instituição de uma festa litúrgica para a Igreja universal? O Papa Bento XVI, em uma catequese sobre essa santa, explica: Com a idade de 16 anos [n.d.t.: por volta de 1209, portanto, ela] teve uma primeira visão, que depois se repetiu várias vezes nas suas adorações eucarísticas. A visão apresentava a lua no seu mais completo esplendor, com uma faixa escura que a atravessava diametralmente. O Senhor levou-a a compreender o significado daquilo que lhe tinha aparecido. A lua simbolizava a vida da Igreja na terra, a linha opaca representava, ao contrário, a ausência de uma festa litúrgica, para cuja instituição se pedia a Juliana que trabalhasse de maneira eficaz: ou seja, uma festa em que os fiéis pudessem adorar a Eucaristia para aumentar a fé, prosperar na prática das virtudes e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento. […] Pela boa causa da festa do Corpus Christi foi conquistado […] Tiago Pantaleão de Troyes, que conhecera a santa durante o seu ministério de arquidiácono em Liège. Foi precisamente ele que, tendo-se tornado Papa com o nome de Urbano IV, em 1264, instituiu a solenidade do Corpus Christi como festa de preceito para a Igreja universal […]. [1] O chamado “Milagre de Bolsena-Orvieto”, por sua vez, foi realizado por Deus com um sentido bem particular: firmar a fé vacilante de um sacerdote. Detalhe de “A Missa em Bolsena”, por Rafael. Em 1263 — um ano antes, portanto, da instituição de Corpus Christi —, um padre alemão, chamado Pedro de Praga, parou na cidade de Bolsena depois de uma peregrinação à Cidade Eterna. A crônica geralmente o descreve como um padre piedoso, mas que tinha dificuldades para acreditar que Cristo estivesse realmente presente na Hóstia consagrada. Eis então o que lhe aconteceu: Enquanto celebrava a Santa Missa sobre o túmulo de Santa Cristina, mal havia ele pronunciado as palavras da consagração, quando sangue começou a escorrer da Hóstia consagrada, gotejando em suas mãos e descendo sobre o altar e o corporal. O padre ficou imediatamente perplexo. A princípio, ele tentou esconder o sangue, mas então interrompeu a Missa e pediu para ser levado à cidade vizinha de Orvieto, onde o Papa Urbano IV então residia. O Papa ouviu o relato do padre e o absolveu. Mandou então emissários para uma investigação imediata. Quando todos os fatos foram confirmados, ele ordenou ao bispo da diocese que trouxesse a Orvieto a Hóstia e o pano de linho contendo as manchas de sangue. Juntamente com arcebispos, cardeais e outros dignatários da Igreja, o Papa realizou uma procissão e, com grande pompa, introduziu as relíquias na catedral. O corporal de linho contendo as marcas de sangue ainda está reverentemente conservado e exposto na Catedral de Orvieto. [2] Como se sabe, depois disso, o Papa pediu a ninguém menos que Santo Tomás de Aquino para compor os textos litúrgicos referentes a Corpus Christi, de cuja pena nasceram os mais belos hinos já escritos ao Santíssimo Sacramento, e que todos cantamos ainda hoje. Mas o que tudo isso tem a ver conosco? Em primeiro lugar, lembremo-nos dos três fins com que Jesus pediu essa festa a Santa Juliana: “aumentar a fé, prosperar na prática das virtudes e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento”. Todos atualíssimos. Pois a fé católica no sacramento da Eucaristia parece perder-se cada vez mais. Como consequência disso, multiplicam-se as profanações e os sacrilégios. O que deveria ser, então, alimento para fortalecer as almas, transforma-se em causa de sua própria condenação, para usar as palavras de São Paulo (cf. 1Cor 11, 29); e as pessoas, ao invés de melhorar, de crescer nas virtudes, só vão de mal a pior. Por tudo isso, Corpus Christi é um dia de reparação. Reparação pela falta de fé generalizada em que se encontram nossos católicos, participando da Missa de qualquer modo e recebendo a Comunhão como se fosse um pedacinho qualquer de pão. Reparação porque, apesar de tantos milagres eucarísticos, como o de Bolsena, em que Deus parece gritar aos nossos ouvidos a verdade de sua presença real na Eucaristia, nós, ingratos, teimamos em não crer, não adorar, não esperar e não O amar. Reparação porque, a um Deus que deseja ardentemente se unir a nós, a nossa resposta tantas vezes é a frouxidão, a frieza, a indiferença. “Corpus Christi” é uma festa “para aumentar a fé, prosperar na prática das virtudes e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento”. Reparemos, portanto, o Coração Eucarístico de Nosso Senhor, mas com um coração alegre e agradecido de nossa parte, porque é Ele mesmo quem nos torna possível essa graça. Foi o próprio Jesus Cristo quem pediu à Igreja, quase um milênio atrás, que fosse instituída a solenidade que hoje comemoramos, a festa litúrgica que faltava à “vida da Igreja na terra”. E não nos espantemos que tenha demorado tanto tempo — 1200 anos! — para que os fiéis católicos começássemos a celebrá-la. A cada nova geração de cristãos, Deus suscita coisas novas em sua Igreja. Do mesmo modo, a cada Santa Missa de que participamos, Ele quer fazer coisas novas em nossa alma. Estejamos sempre atentos! Via Equipe Christo Nihil Praeponere #CorpusChristi
- Conheça o milagre eucarístico que deu origem à Solenidade de Corpus Christi
Foi o próprio Jesus Cristo quem pediu à Igreja, quase um milênio atrás, que fosse instituída uma festa litúrgica em honra de seu Santíssimo Corpo e de seu Preciosíssimo Sangue. A solenidade de Corpus Christi, que os católicos celebramos todos os anos na primeira quinta-feira após a Oitava de Pentecostes, não existiu na Igreja desde sempre. O marco de sua instituição é a bula Transiturus de hoc mundo, do Papa Urbano IV, publicada a 11 de agosto de 1264, e que pode ser lida com grande interesse no site do Vaticano. Antes de continuar a leitura assista esta maravilhosa aula contendo minuciosos detalhes sobre a história da instituição da festa de corpus Christi: Mais notável que esse decreto do Papa, no entanto, são seus antecedentes espirituais. A literatura normalmente aponta dois eventos principais que culminaram com a instituição da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo: uma visão de Santa Juliana de Liège, religiosa agostiniana belga, e um milagre eucarístico ocorrido na cidade de Bolsena, na Itália. As ligações não são fruto de especulação histórica. O Papa que instituiu Corpus Christi conheceu pessoalmente ambos os acontecimentos. Daí a importância de os repassarmos, para entendermos qual o sentido da festa que ora celebramos e, ao mesmo tempo, colhermos disso abundantes frutos espirituais. Primeiramente, Santa Juliana. O que viu essa mística para ensejar a instituição de uma festa litúrgica para a Igreja universal? O Papa Bento XVI, em uma catequese sobre essa santa, explica: Com a idade de 16 anos [n.d.t.: por volta de 1209, portanto, ela] teve uma primeira visão, que depois se repetiu várias vezes nas suas adorações eucarísticas. A visão apresentava a lua no seu mais completo esplendor, com uma faixa escura que a atravessava diametralmente. O Senhor levou-a a compreender o significado daquilo que lhe tinha aparecido. A lua simbolizava a vida da Igreja na terra, a linha opaca representava, ao contrário, a ausência de uma festa litúrgica, para cuja instituição se pedia a Juliana que trabalhasse de maneira eficaz: ou seja, uma festa em que os fiéis pudessem adorar a Eucaristia para aumentar a fé, prosperar na prática das virtudes e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento. […] Pela boa causa da festa do Corpus Christi foi conquistado […] Tiago Pantaleão de Troyes, que conhecera a santa durante o seu ministério de arquidiácono em Liège. Foi precisamente ele que, tendo-se tornado Papa com o nome de Urbano IV, em 1264, instituiu a solenidade do Corpus Christi como festa de preceito para a Igreja universal […]. [1] O chamado “Milagre de Bolsena-Orvieto”, por sua vez, foi realizado por Deus com um sentido bem particular: firmar a fé vacilante de um sacerdote. Detalhe de “A Missa em Bolsena”, por Rafael. Em 1263 — um ano antes, portanto, da instituição de Corpus Christi —, um padre alemão, chamado Pedro de Praga, parou na cidade de Bolsena depois de uma peregrinação à Cidade Eterna. A crônica geralmente o descreve como um padre piedoso, mas que tinha dificuldades para acreditar que Cristo estivesse realmente presente na Hóstia consagrada. Eis então o que lhe aconteceu: Enquanto celebrava a Santa Missa sobre o túmulo de Santa Cristina, mal havia ele pronunciado as palavras da consagração, quando sangue começou a escorrer da Hóstia consagrada, gotejando em suas mãos e descendo sobre o altar e o corporal. O padre ficou imediatamente perplexo. A princípio, ele tentou esconder o sangue, mas então interrompeu a Missa e pediu para ser levado à cidade vizinha de Orvieto, onde o Papa Urbano IV então residia. O Papa ouviu o relato do padre e o absolveu. Mandou então emissários para uma investigação imediata. Quando todos os fatos foram confirmados, ele ordenou ao bispo da diocese que trouxesse a Orvieto a Hóstia e o pano de linho contendo as manchas de sangue. Juntamente com arcebispos, cardeais e outros dignatários da Igreja, o Papa realizou uma procissão e, com grande pompa, introduziu as relíquias na catedral. O corporal de linho contendo as marcas de sangue ainda está reverentemente conservado e exposto na Catedral de Orvieto. [2] Como se sabe, depois disso, o Papa pediu a ninguém menos que Santo Tomás de Aquino para compor os textos litúrgicos referentes a Corpus Christi, de cuja pena nasceram os mais belos hinos já escritos ao Santíssimo Sacramento, e que todos cantamos ainda hoje. Mas o que tudo isso tem a ver conosco? Em primeiro lugar, lembremo-nos dos três fins com que Jesus pediu essa festa a Santa Juliana: “aumentar a fé, prosperar na prática das virtudes e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento”. Todos atualíssimos. Pois a fé católica no sacramento da Eucaristia parece perder-se cada vez mais. Como consequência disso, multiplicam-se as profanações e os sacrilégios. O que deveria ser, então, alimento para fortalecer as almas, transforma-se em causa de sua própria condenação, para usar as palavras de São Paulo (cf. 1Cor 11, 29); e as pessoas, ao invés de melhorar, de crescer nas virtudes, só vão de mal a pior. Por tudo isso, Corpus Christi é um dia de reparação. Reparação pela falta de fé generalizada em que se encontram nossos católicos, participando da Missa de qualquer modo e recebendo a Comunhão como se fosse um pedacinho qualquer de pão. Reparação porque, apesar de tantos milagres eucarísticos, como o de Bolsena, em que Deus parece gritar aos nossos ouvidos a verdade de sua presença real na Eucaristia, nós, ingratos, teimamos em não crer, não adorar, não esperar e não O amar. Reparação porque, a um Deus que deseja ardentemente se unir a nós, a nossa resposta tantas vezes é a frouxidão, a frieza, a indiferença. “Corpus Christi” é uma festa “para aumentar a fé, prosperar na prática das virtudes e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento”. Reparemos, portanto, o Coração Eucarístico de Nosso Senhor, mas com um coração alegre e agradecido de nossa parte, porque é Ele mesmo quem nos torna possível essa graça. Foi o próprio Jesus Cristo quem pediu à Igreja, quase um milênio atrás, que fosse instituída a solenidade que hoje comemoramos, a festa litúrgica que faltava à “vida da Igreja na terra”. E não nos espantemos que tenha demorado tanto tempo — 1200 anos! — para que os fiéis católicos começássemos a celebrá-la. A cada nova geração de cristãos, Deus suscita coisas novas em sua Igreja. Do mesmo modo, a cada Santa Missa de que participamos, Ele quer fazer coisas novas em nossa alma. Estejamos sempre atentos! Via Equipe Christo Nihil Praeponere #CorpusChristi
- Corpus Christi, a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor
Mais do que a Encarnação ou a morte na Cruz, o amor de Deus para com os homens manifestado na Eucaristia ultrapassa nossa capacidade de compreensão. Corria o ano de 1264. O Papa Urbano IV mandara convocar uma seleta assembleia que reunia os mais famosos mestres de Teologia daquele tempo. Entre eles encontravam-se dois varões conhecidos não só pelo brilho da inteligência e pureza da doutrina, mas, sobretudo, pela heroicidade de suas virtudes: São Tomás de Aquino e São Boaventura. Célebre tornou-se o episódio ocorrido durante a sessão. O primeiro a expor foi Frei Tomás. Serena e calmamente, desenrolou um pergaminho e os circunstantes ouviram a declamação pausada da Sequência por ele composta: A razão da convocatória relacionava- se com uma recente bula Pontifícia instituindo uma festa anual em honra do Santíssimo Corpo de Cristo. Para o máximo esplendor desta comemoração, desejava Urbano IV que fosse composto um Ofício, bem como o próprio da Missa a ser cantada naquela solenidade. Assim, solicitou de cada um daqueles doutos personagens uma composição a ser-lhe apresentada dentro de alguns dias, a fim de ser escolhida a melhor. Lauda Sion Salvatorem, lauda ducem et pastorem in hymnis et canticis (Louva, Sião, o Salvador, o teu guia, o teu pastor com hinos e cânticos) … Maravilhamento geral. Frei Tomás concluiu: … tuos ibi commensales, cohæredes et sodales, fac sanctorum civium (admiti-nos no Céu, à Vossa mesa, e fazei-nos coherdeiros na companhia dos que habitam a Cidade Santa). Antes de continuar a leitura assista esta maravilhosa aula contendo minuciosos detalhes sobre a história da instituição da festa de corpus Christi: Frei Boaventura, digno filho do Poverello, rasgou sem vacilações sua composição, e os demais o imitaram, rendendo tributo ao gênio e à piedade do Aquinate. A posteridade não conheceu as demais obras, sem dúvida sublimes também, mas imortalizou o gesto de seus autores, verdadeiro monumento de humildade e despretensão. Origem da festa de “Corpus Christi” Vários motivos haviam conduzido a Sé Apostólica a dar esse novo impulso à piedade eucarística, estendendo a toda a Igreja uma devoção que já se praticava em certas regiões da Bélgica, Alemanha e Polônia. O primeiro deles remonta à época em que Urbano IV, então membro do clero de Liège, na Bélgica, analisou de perto o conteúdo das revelações com as quais o Senhor Se dignara favorecer uma jovem religiosa do mosteiro agostiniano de Mont Cornillon, próximo a essa cidade. Em 1208, quando contava apenas 16 anos, Juliana fora objeto de uma singular visão: um refulgente disco branco, semelhante à lua cheia, tendo um dos seus lados obscurecido por uma mancha. Após alguns anos de intensa oração, fora-lhe revelado o significado daquela luminosa “lua incompleta”: ela simbolizava a Liturgia da Igreja, à qual faltava uma solenidade em louvor ao Santíssimo Sacramento. Santa Juliana de Mont Cornillon fora por Deus escolhida para comunicar ao mundo esse desejo celeste. Mais de vinte anos se passaram até que a piedosa monja, dominando a repugnância proveniente de sua profunda humildade, se decidisse a cumprir sua missão, relatando a mensagem que recebera. A pedido seu, foram consultados vários teólogos, entre o quais o padre Jacques Pantaléon – futuro Bispo de Verdun e Patriarca de Jerusalém -, e este mostrou- se entusiasta das revelações de Juliana. Transcorridas algumas décadas, e já após a morte da santa vidente, quis a Divina Providência que ele fosse elevado ao Sólio Pontifício, em 1261, tomando o nome de Urbano IV. Encontrava-se esse Papa em Orvieto, no verão de 1264, quando chegou a notícia de que, a pouca distância dali, na cidade de Bolsena, durante uma Missa na Igreja de Santa Cristina, o celebrante – que passava por provações quanto à presença real de Cristo na Eucaristia – vira transformar- se em suas próprias mãos a Sagrada Hóstia em um pedaço de carne, que derramava abundante sangue sobre os corporais. Pouco depois, em 11 de agosto do mesmo ano, Urbano IV emitia a bula Transiturus de hoc mundo , pela qual determinava a solene celebração da festa de Corpus Christi em toda a Igreja. Uma afirmação contida no texto do documento deixava entrever ainda um terceiro motivo que contribuíra para a promulgação da mencionada festa no calendário litúrgico: “Ainda que renovemos todos os dias na Missa a memória da instituição desse Sacramento, estimamos todavia, conveniente que seja celebrada mais solenemente pelo menos uma vez ao ano para confundir particularmente os hereges; pois, na Quinta-Feira Santa a Igreja ocupa-se com a reconciliação dos penitentes, a consagração do santo crisma, o lava-pés e muitas outras funções que lhe impedem de voltar-se plenamente à veneração desse mistério”. A notícia do milagre espalhou-se rapidamente pela região. Informado de todos os detalhes, o Papa mandou trazer as relíquias para Orvieto, com a reverência e a solenidade devidas. E ele mesmo, acompanhado de numerosos Cardeais e Bispos, saiu ao encontro da procissão formada para conduzi-las à catedral. Assim, a solenidade do Santíssimo Corpo de Cristo nascia também para contrarrestar a perniciosa influência de certas ideias heréticas que se alastravam entre o povo, em detrimento da verdadeira Fé. Já no século XI, Berengário de Tours se opusera abertamente ao Mistério do Altar, negando a transubstanciação e a presença real de Jesus Cristo em Corpo, Sangue, Alma e Divindade nas sagradas espécies. Segundo ele, a Eucaristia não passava de um pão bento, dotado de um simbolismo especial. E em inícios do século XII, o heresiarca Tanquelmo espalhara seus erros em Flandres, principalmente na cidade de Antuérpia, afirmando que os Sacramentos, e sobretudo, a Santíssima Eucaristia, não possuíam valor algum. Embora todas essas falsas doutrinas já estivessem condenadas pela Igreja, algo de seus ecos nefandos ainda se faziam sentir pela Europa cristã. Assim, Urbano IV não julgou supérfluo censurá-las publicamente, de modo a tirar-lhes todo prestígio e penetração. A Eucaristia passa a ser o centro da vida cristã A partir desse momento, a devoção eucarística desabrochou com maior vigor entre os fiéis: os hinos e antífonas compostos por São Tomás de Aquino para a ocasião – entre os quais o Lauda Sion, verdadeiro compêndio da teologia do Santíssimo Sacramento, chamado por alguns o credo da Eucaristia – passaram a ocupar lugar de destaque dentro do tesouro litúrgico da Igreja. No transcurso dos séculos, sob o sopro do Espírito Santo, a piedade popular e a sabedoria do Magistério infalível aliaram-se na constituição dos costumes, usos, privilégios e honras que hoje acompanham o Serviço do Altar, formando uma rica tradição eucarística. Ainda no século XIII, surgiram as grandes procissões conduzindo o Santíssimo Sacramento pelas ruas, primeiro dentro de uma âmbula coberta, e mais tarde exposto no ostensório. Também neste ponto o fervor e o senso artístico das várias nações esmeraram-se na elaboração de custódias que rivalizavam em beleza e esplendor, na confecção de ornamentos apropriados e na colocação de imensos tapetes florais ao longo do caminho a ser percorrido pelo cortejo. Os Papas Martinho V (1417-1431) e Eugênio IV (1431-1447) concederam generosas indulgências a quem participasse das procissões. Mais tarde, o Concílio de Trento – no seu Decreto sobre a Eucaristia, de 1551 – sublinharia o valor dessas demonstrações de Fé: “ O santo Sínodo declara que é piedoso e religioso o costume, introduzido na Igreja de Deus, de celebrar todos os anos com singular veneração e solenidade, em dia festivo e peculiar, este excelso e venerável Sacramento, levando-O em procissões por vias e locais públicos com reverência e honra”.1 O amor eucarístico do povo fiel não se restringiu, porém, a manifestações externas; pelo contrário, elas eram a expressão de um sentimento profundo posto pelo Espírito Santo nas almas, no sentido de valorizar o precioso dom da presença sacramental de Jesus entre os homens, conforme Suas próprias palavras: “ Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 20). O mistério de amor de um Deus que não só Se fez semelhante a nós para resgatar-nos da morte do pecado, mas quis, num extremo de ternura, permanecer entre os Seus, ouvindo seus pedidos e fortalecendo- os em suas tribulações, passou a ser o centro da vida cristã, o alimento dos fortes, a paixão dos santos. São Pedro Julião Eymard, ardoroso devoto e apóstolo da Eucaristia, exprimiu em termos cheios de unção esta celestial “loucura” do Salvador ao permanecer como Sacramento de vida para nós: “Compreende-se que o Filho de Deus, levado por Seu amor ao homem, tenha-Se feito homem como ele, pois era natural que o Criador tivesse interesse na reparação da obra saída de Suas mãos. Que, por um excesso de amor, o Homem-Deus morresse sobre a Cruz, compreende-se também. Mas o que já não se compreende, aquilo que espanta os débeis na Fé e escandaliza os incrédulos, é que Jesus Cristo glorioso e triunfante, depois de ter terminado Sua missão na terra, queira ainda permanecer conosco, num estado mais humilhante e aniquilado do que em Belém e no Calvário”.2 “Desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa” A Eucaristia é o maior e o mais sublime de todos os Sacramentos. Embora o Batismo, sob certo ponto de vista, mereça o primeiro lugar por nos introduzir na vida divina, tornando- nos filhos de Deus e participantes de Sua natureza, a Eucaristia supera- o quanto à substância, pois tratase do verdadeiro Corpo, Sangue Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. O próprio momento e as circunstâncias solenes em que foi instituído indicam sua importância e a veneração que Cristo queria infundir nas almas de seus discípulos por este admirável Sacramento. Para isto reservou Ele as últimas horas que Lhe restavam de convívio com os Apóstolos antes de caminhar para a morte, pois “as últimas ações e palavras que fazem e dizem os amigos no momento de se separar, gravam- se mais profundamente na memória e imprimem-se mais fortemente na alma”.3 Naqueles instantes – poder-se-ia afirmar – Seu adorável Coração pulsava com santa pressa de realizar, no tempo, aquilo que desde toda a eternidade contemplara em Sua ciência divina. Suas palavras “ desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer” (Lc 22, 15), deixam transparecer claramente os inefáveis anseios de amor do Deus Encarnado por todos os homens, a “multidão de irmãos” (Rm 8, 29), pelos quais iria oferecer-Se naquela mesma noite. O desejo do Divino Mestre era de que o mistério de Seu Corpo e Sangue se perpetuasse pelos séculos futuros: “Fazei isto em memória de Mim” (Lc 22, 19). Entretanto, devemos considerar que já bem antes da Encarnação havia a Divina Providência multiplicado os símbolos e as figuras que permitiriam aos homens melhor compreender e amar este Sacramento. A este respeito, diz São Tomás de Aquino: “Este Sacramento é especialmente um memorial da Paixão de Cristo; e convinha que a Paixão de Cristo, pela qual Ele nos redimiu, fosse préfigurada para que a Fé dos antigos se encaminhasse ao Redentor”.4 Melquisedec: símbolo e prenúncio do Supremo Sacerdote Um dos sinais mais remotos da Eucaristia aparece no capítulo 14 do Gênesis, naquele personagem fascinante e misterioso que saiu ao encontro de Abraão quando este voltava de sua vitória contra os reis, e o abençoou, oferecendo pão e vinho. Melquisedec, “ rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo ” (Gn 14, 18), reunia em si as glórias da realeza, a santidade sacerdotal e o carisma profético. Ele é bem o símbolo dAquele que mais tarde proclamaria diante de Pilatos: “ Eu sou Rei ” (Jo 18, 37) e a propósito do qual todos comentavam: “ um grande profeta surgiu entre nós ” (Lc 7, 16). Mas naquilo em que Melquisedec mostrou-se mais plenamente imagem de Cristo, foi na posse de um sacerdócio superior ao de Aarão, como está escrito na Carta aos Hebreus: “ Se a perfeição tivesse sido realizada pelo sacerdócio levítico, […] que necessidade havia ainda de que surgisse outro sacerdote segundo a ordem de Melquisedec, e não segundo a ordem de Aarão? Isto se torna ainda mais evidente se se tem em conta que este outro sacerdote, que surge à semelhança de Melquisedec, foi constituído não por prescrição de uma lei humana, mas pela sua imortalidade. Porque está escrito: ‘Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedec’” (Hb 7, 11. 15-17). Jesus Cristo, porém, ao descer à terra, não mais oferece pão e vinho, como outrora Melquisedec, mas sim a oblação pura de Seu Corpo e Sangue: “ Não Vos comprazeis em nenhum sacrifício, em nenhuma oferenda, mas formastes-Me um corpo: não desejais holocausto nem vítima de expiação. Então Eu disse: ‘Eis que venho’” (Sl 39, 7-8). Assim Ele levou à plenitude aquilo que Melquisedec apenas prenunciara. O Cordeiro entregue à morte pelos pecados do povo No Livro do Êxodo abundam as figuras que nos aproximam da Eucaristia. Encontramo-las, sobretudo, na ceia pascal, prescrita em suas minúcias pelo próprio Deus a Moisés, na qual deveriam os israelitas imolar um cordeiro sem defeito e comê-lo com pães ázimos ao cair da tarde. A este respeito, ensina o Doutor Angélico: “ Neste Sacramento podemos considerar três aspectos: o que é o sinal sacramental, ou seja, o pão e o vinho; o que é realidade e sinal sacramental, ou seja, o verdadeiro Corpo de Cristo; e o que é só realidade, a saber, o efeito deste Sacramento. […] O cordeiro pascal prefigurava este Sacramento sob os três aspectos. Quanto ao primeiro, porque era comido com pães ázimos, conforme a prescrição: ‘Comerão a carne com pães sem fermento’. Quanto ao segundo, porque era imolado no décimo quarto dia do mês por toda a multidão dos filhos de Israel: nisto era figura da Paixão de Cristo que por Sua inocência é chamado de cordeiro. Quanto ao efeito, porque pelo sangue do cordeiro pascal os filhos de Israel foram protegidos do anjo devastador e libertos da escravidão do Egito “.5 O pão sem fermento, com o qual deviam os judeus comer a carne do cordeiro, representava também a integridade do Corpo de Cristo, concebido no seio puríssimo de Maria, sem mancha alguma de pecado, e que, após a morte, não experimentou a corrupção do sepulcro, como anunciara Davi: “ Não permitireis que Vosso Santo conheça a corrupção” (Sl 15, 10). Por isso o Salvador escolheu a noite da Páscoa, principal das festas judaicas, para deixar à humanidade Seu legado de amor, dando a entender que Ele mesmo é o Cordeiro imaculado, entregue à morte para tirar os pecados do mundo, por cujo sangue seria afastada a sentença de condenação que sobre nós pesava desde a queda de Adão e Eva. Aquela oferenda que os israelitas, reunidos em Jerusalém, imolavam sob as sombras de uma figura profética, o Senhor, rodeado de um punhado de discípulos, levava à perfeição, no exíguo ambiente do Cenáculo. Entretanto, aquilo que as circunstâncias obrigavam Jesus a realizar na escuridão, os Apóstolos deveriam, no momento propício, dizer às claras e publicar de cima dos telhados (cf. Mt 10, 27), de maneira que o Sacrifício da Nova Aliança substituísse definitivamente os antigos sacrifícios e fosse celebrado diariamente sobre todos os altares da terra. Cumprir-se-ia assim a palavra do Espírito Santo pronunciada pela boca de Malaquias: “ Do nascente ao poente, Meu nome é grande entre as nações e em todo lugar se oferecem ao Meu nome o incenso, sacrifícios e oblações puras ” (Ml 1, 11). A respeito desta passagem profética, assim comenta Alastruey: “ Estes, são, pois, os caracteres do novo culto vaticinados por Malaquias: universalidade absoluta de tempos e lugares; pureza objetiva da vítima em si, incapaz de ser manchada por indignidade alguma do ofertante; excelência insigne, da qual resultará uma grande glorificação de Deus entre os povos”.6 Alimento que reparava as forças e dava vigor Outra imagem de grande eloquência é a do maná, ao qual o próprio Jesus faz alusão no sermão sobre o Pão da Vida, referido no capítulo sexto de São João. Este alimento branco e miúdo como a geada (cf. Ex 16, 14), contendo em si todos os sabores (cf. Sb 16, 20), que nutriu o povo eleito durante a longa viagem pelo deserto, é símbolo também do Pão do Céu, penhor da ressurreição futura, que alimenta todo cristão, dando-lhe as graças e a fortaleza necessárias para atravessar o deserto desta vida e chegar à Terra Prometida, ou seja, à Pátria Celeste. “O maná – comenta ainda São Pedro Julião Eymard – que Deus fazia cair cada manhã sobre o acampamento dos israelitas, continha todos os gostos e propriedades; reparava as forças decaídas, dava vigor ao corpo e era um pão muito suave. Também a Eucaristia, prefigurada no maná, contém todo gênero de virtudes; é remédio contra nossas enfermidades, força contra nossas fraquezas cotidianas, fonte de paz, de gozo e felicidade “.7 A mesa revestida de ouro Encontramos por fim, ainda no Êxodo, mais uma prefigura desse divino Sacramento, na ordem dada por Deus a Moisés para fazer uma mesa de madeira revestida de ouro puro, onde seriam colocados permanentemente diante do Senhor os pães sagrados ou pães da proposição. Aqueles pães, “ porção santíssima ” (Lv 24, 9) que só aos sacerdotes era permitido comer, exigiam a pureza ritual dos corpos (cf. I Sm 21, 4-5) e deviam ser consumidos “ em lugar santo ” (Lv 24, 9). De nós, se queremos nos aproximar da mesa da Eucaristia, exige-se uma purificação muito superior àquela prescrita pela Lei mosaica: nossa alma – animada por uma reta intenção e com o firme propósito de enveredar pelas vias da perfeição – deve estar livre de pecado mortal. De outro modo, esse inefável Sacramento será para nós causa de condenação: “ Todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação” (I Cor 11, 27-29). Por outro lado, se os pães da proposição estavam reservados exclusivamente a Aarão e seus descendentes, Nosso Senhor Jesus Cristo, o verdadeiro Pão da proposição, oferece- Se em alimento a todos os fiéis, sem exceção, dando aos homens um privilégio do qual aos Anjos, por sua natureza, não é dado gozar. “ Coisa admirável! Os pobres, os servos e os humildes comem o seu próprio Senhor” – canta-se no hino Sacris Solemnis, também composto por São Tomás de Aquino para a festa do Corpus. A mesa de ouro sobre a qual se achavam os pães encerra outro simbolismo muito elevado: ela prefigura a Mãe de Deus, em cujo seio foi formado o Corpo de Jesus. Assim comenta o padre Jourdain: “ Maria é a mesa mística magnificamente ornada e feita de madeira incorruptível, que Deus preparou para os que se comprazem na meditação das coisas divinas. Ela é a mesa santa e sagrada, portando o Pão da Vida, Jesus Cristo Nosso Senhor, o sustentáculo do mundo “.8 Muitos outros indícios do Sacramento da Eucaristia no Antigo Testamento poderiam ser mencionados: Abraão oferecendo seu filho Isaac em sacrifício (cf. Gn 22, 1-13); o pão cozido sob cinza, pelo qual Elias recobrou as forças para andar quarenta dias e quarenta noites até chegar ao Horeb, Monte de Deus (cf. I Rs 19, 5-8); a multiplicação dos pães operada pelo profeta Eliseu para alimentar cem pessoas (cf. II Rs 4, 42-44); etc. Preparação próxima para a revelação da Eucaristia Já no Novo Testamento encontramos três sinais insignes pelos quais o Salvador preparou as almas para o grande mistério cuja manifestação reservara para a véspera de Sua Paixão. Primeiro, a transmutação da água em vinho, nas bodas de Caná da Galileia, cujo efeito nos é relatado por São João: “manifestou a Sua glória, e os Seus discípulos creram nEle” (Jo 2, 11). Mais tarde, a multiplicação dos pães, pela qual Jesus saciou mais de cinco mil pessoas que O haviam seguido até o deserto (cf. Mt 14, 15- 21). A este segundo milagre sucedeuse outro, poucas horas depois: estando os discípulos na barca, em meio ao mar agitado, viram Jesus aproximar-Se deles caminhando sobre as águas (cf. Mt 14, 24-33). Através desses prodígios, o Divino Mestre quis demonstrar o poder absoluto que possuía sobre o vinho e o pão, bem como sobre o Seu próprio Corpo. Tão belos exemplos nos mostram como o Criador, enquanto divino Pedagogo, foi passo a passo preparando as mentalidades para a revelação do Sacramento da Eucaristia, eterno testemunho de Seu amor e de Seu desejo de permanecer entre nós. Ajoelhemo-nos diante do Tabernáculo! Quais devem ser nossa atitude e nossos sentimentos de alma ao considerarmos o extremo de bondade de Deus feito Homem que, tendo-Se encarnado, não abandonou a criatura resgatada por Seu Sangue, mas mantém- Se presente, assistindo e amparando todos os que dEle queiram se aproximar? Ajoelhemo-nos diante do Tabernáculo ou, melhor ainda, diante do Ostensório, entreguemos a Jesus Sacramentado todo o nosso ser – nosso corpo com todos os seus membros e órgãos, nossa alma, com suas potências, suas qualidades e até as próprias misérias – e ofereçamos a Deus Pai o divino Sangue de Seu Filho, derramado na Cruz em reparação de nossas faltas. De modo análogo aos raios do sol que, incidindo sobre o rosto, deixamno corado e moreno, assim também, diante do Santíssimo Sacramento nossa alma recebe uma renovada infusão de graças, convidando-nos ao abandono total nas mãos de Jesus, por meio de Maria. Assim, nossas almas irão se transformando rumo à santidade para a qual Deus nos chama. E se em algum momento, as dificuldades da vida nos fizerem sentir desânimo ou aridez, lembremonos destas tocantes palavras do padre Faber: “Muitas vezes, quando o homem é tomado de desespero e assaltado por questões, dúvidas, desânimos e incertezas, em considerar a sua vida, e se sente cercado de inimigos, que lhe uivam ao redor, como feras furiosas, então um impulso, que é uma graça, o leva a ajoelhar-se ante o Santíssimo Sacramento e, sem que faça qualquer esforço, eis que todos aqueles clamores se afundam no silêncio. O Senhor está com ele: as vagas se aquietaram, a tempestade abateu-se e diretamente, sem embaraço, a viagem vai terminar no ponto procurado. Não foi necessário mais que olhar para a face de Jesus, e as nuvens se dissiparam e a luz se fez. O esplendor do Tabernáculo reaparece como o sol “.9 ² O “Lauda Sion” A sequência da Missa de Corpus Christi é constituída por um belíssimo hino gregoriano, intitulado Lauda Sion. Belíssimo por sua variada e suave melodia, e muito mais pela letra, ele canta a excelsitude do dom de Deus para conosco e a presença real de Jesus, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, no pão e no vinho consagrado. A própria origem desse cântico é envolta no maravilhoso tipicamente medieval. Urbano IV encontrava-se em Orvieto, quando decidiu estabelecer a comemoração de Corpus Christi. Estavam coincidentemente naquela cidade dois dos mais renomados teólogos de todos os tempos, São Boaventura e São Tomás de Aquino. O Papa os convocou, assim como a outros teólogos, encomendando-lhes um hino para a sequência da Missa dessa festa. Conta-se que, terminada tarefa, apresentaram-se todos diante do Papa e cada um devia ter sua composição. O primeiro a fazê-lo foi São Tomás de Aquino, que apresentou então os versos do Lauda Sion. São Boaventura, ato contínuo àquela leitura, queimou seu próprio pergaminho, não sem causar espanto em São Tomás que perguntou “por que”? O santo franciscano, com toda a humildade, explicou-lhe que sua consciência não o deixaria em paz se ele causasse qualquer empecilho, por mínimo que fosse, à rápida difusão de tão magnífica Sequência escrita pelo dominicano. Síntese teológica, em forma de poesia Aquilo que São Tomás ensinou em seus tratados de Teologia a respeito da Sagrada Eucaristia, ele o expôs magistralmente em forma de poesia no Lauda Sion. Trata-se de verdadeira pela de literatura, que brilha pela profundidade do conteúdo e pela beleza da forma, elevação da doutrina, acurada precisão teológica e intensidade do sentimento. O ritmo flui de modo suave, até mesmo nas estrofes mais didáticas. A melodia – cujo autor é desconhecido – combina belamente com o texto. A unção é inesgotável. São Tomás se revela como filósofo e místico, como teólogo da mente e do coração, realizando sua própria exortação: “Seja o louvor pleno, retumbante, alegre e cheio do brilhante júbilo da alma “. Repassemos alguns trechos desse célebre cântico. LAUDA SION 1. Louva Sião, o Salvador, louva o guia e pastor com hinos e cânticos. 2. Tanto quanto possas, ouses tu louvá-lo, porque está acima de todo o louvor e nunca o louvarás condignamente. 3. É-nos hoje proposto um tema especial de louvor: o pão vivo que dá a vida. 4. É Ele que na mesa da sagrada ceia foi distribuído aos doze, como na verdade o cremos. 5 . Seja o louvor pleno, retumbante, que ele seja alegre e cheio de brilhante júbilo da alma. 6. Porque celebramos o dia solene que nos recorda a instituição deste banquete. 7 . Na mesa do novo Rei, a páscoa da nova lei põe fim à páscoa antiga. 8. O rito novo rejeita o velho, a realidade dissipa as sombras como o dia dissipa a noite. 9. O que o Senhor fez na Ceia, nos mandou fazê-lo em memória sua. 10. E nós, instruídos por suas ordens sagradas, consagramos o pão e o vinho em hóstia de salvação. 11. É dogma de fé para os cristãos que o pão se converte na carne e o vinho no sangue do Salvador. 12. O que não compreende nem vês, uma Fé vigorosa te assegura, elevando-te acima da ordem natural. 13. Debaixo de espécies diferentes, aparências e não realidades, ocultam-se realidades sublimes. 14. A carne é alimento e o sangue é bebida; todavia debaixo de cada uma das espécies Cristo está totalmente. 15 . E quem o recebe não o parte nem divide, mas recebe-o todo inteiro. 16. Quer o recebam mil, quer um só, todos recebem o mesmo, nem recebendo-o podem consumi-lo. 17 . Recebem-no os bons e os maus igualmente, todos recebem o mesmo, porém com efeitos diversos: os bons para a vida e os maus para a morte. 18. Morte para os maus e vida para os bons: vede como são diferentes os efeitos que produz o mesmo alimento. 19 . Quando a hóstia é dividida não vaciles, mas recorda que o Senhor encontra-se todo debaixo do fragmento, quanto na hóstia inteira. 20. Nenhuma divisão pode violar as substâncias: apenas os sinais do pão, que vês com os olhos da carne, foram divididos! Nem o estado, nem as dimensões do Corpo de Cristo são alteradas. 21. Eis o pão dos Anjos que se torna alimento dos peregrinos: verdadeiramente é o pão dos filhos de Deus que não deve ser lançado aos cães. 22. As figuras o simbolizam: é Isaac que se imola, o cordeiro que se destina à Páscoa, o maná dado a nossos pais. 23. Bom Pastor, pão verdadeiro, de nós tende piedade. Sustentai-nos, defendei-nos, fazei-nos na terra dos vivos contemplar o Bem supremo. 24. Ó Vós que tudo o sabeis e tudo o podeis, que nos alimentais nesta vida mortal, admiti-nos no Céu, à vossa mesa e fazei-nos co-herdeiros na companhia dos que habitam a cidade santa. Amém. Aleluia. Louva Sião, o Salvador, louva o Guia e Pastor com hinos e cânticos As palavras do subtítulo acima constituem o primeiro verso do Lauda Sion. É a expansão do coração de um santo, tomado pela graça mística de encanto pelo Santíssimo Sacramento, que pede a Sião, quer dizer, ao povo eleito do Novo Testamento, que passe a louvar o Salvador. Ele, o maior teólogo da história da Igreja – “o mais sábio dos santos, e o mais santo dos sábios” – era, tão fervoroso devoto de Jesus Eucarístico que, nas horas em que sentia dificuldade nos seus estudos, colocava a cabeça dentro de um sacrário à procura de ser iluminado pelo próprio Deus, e não a retirava enquanto não encontrasse a solução. Desse primeiro verso até o final da quinta estrofe, São Tomás condensa todo o infinito louvor ao Santíssimo Sacramento do Altar. Ele continua a conclamar os fiéis a “louvar o guia e pastor com hinos e cânticos”. Mas, como louvar adequadamente esse santo sacramento? Como louvar de modo suficiente o próprio Deus? É o sacramento mais elevado e substancioso de todos, pois nele está presente o próprio Homem-Deus, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Não há palavras, não há gestos, não há nada a ser oferecido que esteja à altura d’Ele. E explica ser essa a tarefa que recebeu do Papa: “ É-nos hoje proposto um tema especial de louvor, o pão vivo que dá a vida”. “É Ele que na mesa da sagrada ceia foi distribuído aos doze, como na verdade o cremos. Seja o louvor pleno, retumbante, que ele seja alegre e cheio de brilhante júbilo da alma”. Por isso São Tomás quase geme ao dizer: “ Tanto quanto possas, ouses tu louvá-Lo, porque está acima de todo o louvor e nunca O louvarás condignamente”. O santo se preocupa em incentivar em nossa alma um louvor, o mais perfeito de que sejamos capazes, para assim nos aproximarmos do Santíssimo Sacramento e adorar a Jesus, que ali se encontra por detrás do “véu” do pão e do vinho. Porque celebramos o dia solene que nos recorda a instituição deste banquete A partir deste verso, até a décima estrofe, São Tomás passa a apontar a instituição da Eucaristia na festa litúrgica estabelecida pelo Papa. “Na mesa do novo Rei, a páscoa da nova lei põe fim à páscoa antiga”. O rito da Igreja Católica Apostólica Romana encerrara o da Antiga Lei, que era uma prefigura dele. Por isso completa São Tomás: “O rito novo rejeita o velho, a realidade dissipa as sombras como o dia dissipa a noite”. Sim, uma vez tendo vindo ao mundo o simbolizado, não faz sentido celebrar o símbolo. O culto da Sinagoga no antigo Testamento era todo voltado para a espera do Salvador, e seus ritos simbolizavam-No. No novo rito, na celebração Eucarística, Nosso Senhor Jesus Cristo se imola Ele próprio. Ora, estando presente o simbolizado, para que o símbolo? Qual o sentido de imolar um cordeiro?O rito novo rejeita o velho … “O que o Senhor fez na Ceia, nos mandou fazê-lo em memória sua”. Aqui São Tomás recorda as palavras de Jesus na Ceia da Quinta-feira Santa: “Fazei isto em memória de mim”. “ E nós, instruídos por suas ordens sagradas, consagramos o pão e o vinho em hóstia de salvação”. São Tomás, sacerdote, podia dizer com toda a propriedade: “instruídos por suas ordens sagradas”. É uma referência ao Sacramento da Ordem, que da àquele que o recebe a grande glória de poder emprestar sua laringe e suas mãos ao Divino Mestre. Para que, sobre o altar, se opere um dos maiores milagres – e o mais freqüente deles – da História da humanidade: a transubstanciação. Quer dizer, a substância vinho cedem lugar à substância Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. É dogma de Fé para os cristãos que o pão se converte na carne e o vinho no sangue do Salvador A partir deste ponto, em dez estrofes, o autor dá em detalhe, numa maravilhosa síntese, a doutrina católica sobre o Sacramento do Altar. Ele continua: “ O que não compreendes nem vês, uma Fé vigorosa te assegura, elevando-te acima da ordem natural”. De fato, pela nossa inteligência, jamais chegaríamos a penetrar neste mistério tão sagrado. Nem sequer os demônios, que, embora decaídos, são de natureza angélica, e portanto superior à nossa, conseguem discernir nas aparências do pão e do vinho o Homem-Deus. Só mesmo a Fé nos faz penetrar neste mistério sagrado. “Debaixo de espécies diferentes, aparência e não realidades, ocultam-se realidades sublimes”. – São Tomás volta a insistir na idéia de que os “véus” do vinho e do pão ocultam realidades divinas. “A carne é alimento e o sangue é bebida; todavia debaixo de cada uma das espécies Cristo está totalmente”. Esta é uma verdade de Fé, que a Teologia nos explica. Olhando para o vinho e para a hóstia consagrados, poderíamos ser levados a imaginar que a carne está só na eucaristia pão, e o sangue só na eucaristia vinho. Entretanto, a doutrina nos diz e a nossa Fé assimila que o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo encontram-se plenamente tanto na hóstia como no vinho consagrados. “E quem o recebe não o parte nem divide, mas recebe-o todo inteiro.” Outra das impressões equivocadas que podem transpassar uma alma é esta: ao ver o ministro dividindo uma hóstia, pensar que Nosso Senhor já não se encontra inteiro em cada uma das partículas. Não é verdade; Por um mistério sagrado, Nosso Senhor Jesus Cristo se encontra de modo integral em todas as frações que sejam visíveis. “ Quer o recebam mil, quer um só, todos recebem o mesmo, nem recebendo-O podem consumi-Lo” Outra verdade de Fé: se um milhão de pessoas comungarem ao mesmo tempo, como já aconteceu em algumas Missas presididas pelo Santo Padre em suas viagens pelo mundo, todos estarão recebendo um só e o mesmo Jesus, sem qualquer fracionamento de seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Todos O recebem no seu todo. E eis mais um mistério: ao receber Nosso Senhor Jesus Cristo, não podemos consumi-Lo, pois, quando se desfazem as espécies sagradas em nosso organismo, Ele deixa o nosso corpo sem tocá-lo, santificando nossa alma e dando-nos vigor até na saúde. “Recebem-No os bons e os maus igualmente, todos recebem o mesmo, porém com efeitos diversos: os bons para a vida e os maus para a morte. Morte para os maus e vida para os bons: vede como são diferentes os efeitos que produz o mesmo alimento” Quem comunga em estado de graça, recebe um influxo de vida e de força espiritual e até corporal. Entretanto, ai daqueles que se aproximam desse Sacramento em estado de pecado mortal” O odor da morte se assenhoreia ainda mais da alma, e do próprio organismo. Quanto cuidado devemos tomar para não nos aproximarmos da Eucaristia sem estarmos inteiramente preparados. Procuremos antes o confessionário, que se encontra à nossa disposição, e saibamos ajoelhar-nos com humildade e pedir perdão de nossas faltas. “ Quando a hóstia é dividida, não vaciles, mas recorda que o Senhor encontra-se todo debaixo do fragmento, quando no hóstia inteira. Nenhuma divisão pode violar a substância: apenas os sinais do pão, que vês com os olhos da carne, foram divididos! Nem o estado, nem as dimensões do Corpo de Cristo são alterados”. São Tomás retorna aqui o que já ensinara mais acima, para solidificar nas almas a doutrina católica a respeito da Eucaristia. “Eis o pão dos Anjos que se torna alimento dos peregrinos” O santo recorda nestas frases que o Sacramento do Altar é a realização de antigos signos: “ Verdadeiramente é o pão dos filhos de Deus que não deve ser lançado aos cães. As figuras o simbolizam, é Isaac que se imola, o cordeiro que se destina à Páscoa, o maná dado a nossos pais”. As últimas estrofes louvam o Bom Pastor que nos alimenta e guarda e nos faz futuramente participantes do Banquete Celestial. Nesse trecho final, letra e melodia se unem numa suprema beleza, de irresistível doçura: “Bom Pastor, pão verdadeiro, Jesus,, de nós tende piedade. Sustentai-nos, defendei-nos, fazei-nos na terra dos vivos contemplar o Bem supremo. “Ó Vós que tudo sabeis e tudo podeis, que nos alimentais nesta vida mortal, admiti-nos no Céu, à vossa mesa e fazei-nos co-herdeiros na companhia dos que habitam a cidade santa. Amém. Aleluia”. (Revista Arautos do Evangelho, Junho/2002, n. 06, p. 6 à 10 e Junho/2009, n. 90, p. 24 à 31) #CorpusChristi #Solenidade
- Corpus Christi, a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor
Mais do que a Encarnação ou a morte na Cruz, o amor de Deus para com os homens manifestado na Eucaristia ultrapassa nossa capacidade de compreensão. Corria o ano de 1264. O Papa Urbano IV mandara convocar uma seleta assembleia que reunia os mais famosos mestres de Teologia daquele tempo. Entre eles encontravam-se dois varões conhecidos não só pelo brilho da inteligência e pureza da doutrina, mas, sobretudo, pela heroicidade de suas virtudes: São Tomás de Aquino e São Boaventura. Célebre tornou-se o episódio ocorrido durante a sessão. O primeiro a expor foi Frei Tomás. Serena e calmamente, desenrolou um pergaminho e os circunstantes ouviram a declamação pausada da Sequência por ele composta: A razão da convocatória relacionava- se com uma recente bula Pontifícia instituindo uma festa anual em honra do Santíssimo Corpo de Cristo. Para o máximo esplendor desta comemoração, desejava Urbano IV que fosse composto um Ofício, bem como o próprio da Missa a ser cantada naquela solenidade. Assim, solicitou de cada um daqueles doutos personagens uma composição a ser-lhe apresentada dentro de alguns dias, a fim de ser escolhida a melhor. Lauda Sion Salvatorem, lauda ducem et pastorem in hymnis et canticis (Louva, Sião, o Salvador, o teu guia, o teu pastor com hinos e cânticos) … Maravilhamento geral. Frei Tomás concluiu: … tuos ibi commensales, cohæredes et sodales, fac sanctorum civium (admiti-nos no Céu, à Vossa mesa, e fazei-nos coherdeiros na companhia dos que habitam a Cidade Santa). Antes de continuar a leitura assista esta maravilhosa aula contendo minuciosos detalhes sobre a história da instituição da festa de corpus Christi: Frei Boaventura, digno filho do Poverello, rasgou sem vacilações sua composição, e os demais o imitaram, rendendo tributo ao gênio e à piedade do Aquinate. A posteridade não conheceu as demais obras, sem dúvida sublimes também, mas imortalizou o gesto de seus autores, verdadeiro monumento de humildade e despretensão. Origem da festa de “Corpus Christi” Vários motivos haviam conduzido a Sé Apostólica a dar esse novo impulso à piedade eucarística, estendendo a toda a Igreja uma devoção que já se praticava em certas regiões da Bélgica, Alemanha e Polônia. O primeiro deles remonta à época em que Urbano IV, então membro do clero de Liège, na Bélgica, analisou de perto o conteúdo das revelações com as quais o Senhor Se dignara favorecer uma jovem religiosa do mosteiro agostiniano de Mont Cornillon, próximo a essa cidade. Em 1208, quando contava apenas 16 anos, Juliana fora objeto de uma singular visão: um refulgente disco branco, semelhante à lua cheia, tendo um dos seus lados obscurecido por uma mancha. Após alguns anos de intensa oração, fora-lhe revelado o significado daquela luminosa “lua incompleta”: ela simbolizava a Liturgia da Igreja, à qual faltava uma solenidade em louvor ao Santíssimo Sacramento. Santa Juliana de Mont Cornillon fora por Deus escolhida para comunicar ao mundo esse desejo celeste. Mais de vinte anos se passaram até que a piedosa monja, dominando a repugnância proveniente de sua profunda humildade, se decidisse a cumprir sua missão, relatando a mensagem que recebera. A pedido seu, foram consultados vários teólogos, entre o quais o padre Jacques Pantaléon – futuro Bispo de Verdun e Patriarca de Jerusalém -, e este mostrou- se entusiasta das revelações de Juliana. Transcorridas algumas décadas, e já após a morte da santa vidente, quis a Divina Providência que ele fosse elevado ao Sólio Pontifício, em 1261, tomando o nome de Urbano IV. Encontrava-se esse Papa em Orvieto, no verão de 1264, quando chegou a notícia de que, a pouca distância dali, na cidade de Bolsena, durante uma Missa na Igreja de Santa Cristina, o celebrante – que passava por provações quanto à presença real de Cristo na Eucaristia – vira transformar- se em suas próprias mãos a Sagrada Hóstia em um pedaço de carne, que derramava abundante sangue sobre os corporais. Pouco depois, em 11 de agosto do mesmo ano, Urbano IV emitia a bula Transiturus de hoc mundo , pela qual determinava a solene celebração da festa de Corpus Christi em toda a Igreja. Uma afirmação contida no texto do documento deixava entrever ainda um terceiro motivo que contribuíra para a promulgação da mencionada festa no calendário litúrgico: “Ainda que renovemos todos os dias na Missa a memória da instituição desse Sacramento, estimamos todavia, conveniente que seja celebrada mais solenemente pelo menos uma vez ao ano para confundir particularmente os hereges; pois, na Quinta-Feira Santa a Igreja ocupa-se com a reconciliação dos penitentes, a consagração do santo crisma, o lava-pés e muitas outras funções que lhe impedem de voltar-se plenamente à veneração desse mistério”. A notícia do milagre espalhou-se rapidamente pela região. Informado de todos os detalhes, o Papa mandou trazer as relíquias para Orvieto, com a reverência e a solenidade devidas. E ele mesmo, acompanhado de numerosos Cardeais e Bispos, saiu ao encontro da procissão formada para conduzi-las à catedral. Assim, a solenidade do Santíssimo Corpo de Cristo nascia também para contrarrestar a perniciosa influência de certas ideias heréticas que se alastravam entre o povo, em detrimento da verdadeira Fé. Já no século XI, Berengário de Tours se opusera abertamente ao Mistério do Altar, negando a transubstanciação e a presença real de Jesus Cristo em Corpo, Sangue, Alma e Divindade nas sagradas espécies. Segundo ele, a Eucaristia não passava de um pão bento, dotado de um simbolismo especial. E em inícios do século XII, o heresiarca Tanquelmo espalhara seus erros em Flandres, principalmente na cidade de Antuérpia, afirmando que os Sacramentos, e sobretudo, a Santíssima Eucaristia, não possuíam valor algum. Embora todas essas falsas doutrinas já estivessem condenadas pela Igreja, algo de seus ecos nefandos ainda se faziam sentir pela Europa cristã. Assim, Urbano IV não julgou supérfluo censurá-las publicamente, de modo a tirar-lhes todo prestígio e penetração. A Eucaristia passa a ser o centro da vida cristã A partir desse momento, a devoção eucarística desabrochou com maior vigor entre os fiéis: os hinos e antífonas compostos por São Tomás de Aquino para a ocasião – entre os quais o Lauda Sion, verdadeiro compêndio da teologia do Santíssimo Sacramento, chamado por alguns o credo da Eucaristia – passaram a ocupar lugar de destaque dentro do tesouro litúrgico da Igreja. No transcurso dos séculos, sob o sopro do Espírito Santo, a piedade popular e a sabedoria do Magistério infalível aliaram-se na constituição dos costumes, usos, privilégios e honras que hoje acompanham o Serviço do Altar, formando uma rica tradição eucarística. Ainda no século XIII, surgiram as grandes procissões conduzindo o Santíssimo Sacramento pelas ruas, primeiro dentro de uma âmbula coberta, e mais tarde exposto no ostensório. Também neste ponto o fervor e o senso artístico das várias nações esmeraram-se na elaboração de custódias que rivalizavam em beleza e esplendor, na confecção de ornamentos apropriados e na colocação de imensos tapetes florais ao longo do caminho a ser percorrido pelo cortejo. Os Papas Martinho V (1417-1431) e Eugênio IV (1431-1447) concederam generosas indulgências a quem participasse das procissões. Mais tarde, o Concílio de Trento – no seu Decreto sobre a Eucaristia, de 1551 – sublinharia o valor dessas demonstrações de Fé: “ O santo Sínodo declara que é piedoso e religioso o costume, introduzido na Igreja de Deus, de celebrar todos os anos com singular veneração e solenidade, em dia festivo e peculiar, este excelso e venerável Sacramento, levando-O em procissões por vias e locais públicos com reverência e honra”.1 O amor eucarístico do povo fiel não se restringiu, porém, a manifestações externas; pelo contrário, elas eram a expressão de um sentimento profundo posto pelo Espírito Santo nas almas, no sentido de valorizar o precioso dom da presença sacramental de Jesus entre os homens, conforme Suas próprias palavras: “ Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 20). O mistério de amor de um Deus que não só Se fez semelhante a nós para resgatar-nos da morte do pecado, mas quis, num extremo de ternura, permanecer entre os Seus, ouvindo seus pedidos e fortalecendo- os em suas tribulações, passou a ser o centro da vida cristã, o alimento dos fortes, a paixão dos santos. São Pedro Julião Eymard, ardoroso devoto e apóstolo da Eucaristia, exprimiu em termos cheios de unção esta celestial “loucura” do Salvador ao permanecer como Sacramento de vida para nós: “Compreende-se que o Filho de Deus, levado por Seu amor ao homem, tenha-Se feito homem como ele, pois era natural que o Criador tivesse interesse na reparação da obra saída de Suas mãos. Que, por um excesso de amor, o Homem-Deus morresse sobre a Cruz, compreende-se também. Mas o que já não se compreende, aquilo que espanta os débeis na Fé e escandaliza os incrédulos, é que Jesus Cristo glorioso e triunfante, depois de ter terminado Sua missão na terra, queira ainda permanecer conosco, num estado mais humilhante e aniquilado do que em Belém e no Calvário”.2 “Desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa” A Eucaristia é o maior e o mais sublime de todos os Sacramentos. Embora o Batismo, sob certo ponto de vista, mereça o primeiro lugar por nos introduzir na vida divina, tornando- nos filhos de Deus e participantes de Sua natureza, a Eucaristia supera- o quanto à substância, pois tratase do verdadeiro Corpo, Sangue Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. O próprio momento e as circunstâncias solenes em que foi instituído indicam sua importância e a veneração que Cristo queria infundir nas almas de seus discípulos por este admirável Sacramento. Para isto reservou Ele as últimas horas que Lhe restavam de convívio com os Apóstolos antes de caminhar para a morte, pois “as últimas ações e palavras que fazem e dizem os amigos no momento de se separar, gravam- se mais profundamente na memória e imprimem-se mais fortemente na alma”.3 Naqueles instantes – poder-se-ia afirmar – Seu adorável Coração pulsava com santa pressa de realizar, no tempo, aquilo que desde toda a eternidade contemplara em Sua ciência divina. Suas palavras “ desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer” (Lc 22, 15), deixam transparecer claramente os inefáveis anseios de amor do Deus Encarnado por todos os homens, a “multidão de irmãos” (Rm 8, 29), pelos quais iria oferecer-Se naquela mesma noite. O desejo do Divino Mestre era de que o mistério de Seu Corpo e Sangue se perpetuasse pelos séculos futuros: “Fazei isto em memória de Mim” (Lc 22, 19). Entretanto, devemos considerar que já bem antes da Encarnação havia a Divina Providência multiplicado os símbolos e as figuras que permitiriam aos homens melhor compreender e amar este Sacramento. A este respeito, diz São Tomás de Aquino: “Este Sacramento é especialmente um memorial da Paixão de Cristo; e convinha que a Paixão de Cristo, pela qual Ele nos redimiu, fosse préfigurada para que a Fé dos antigos se encaminhasse ao Redentor”.4 Melquisedec: símbolo e prenúncio do Supremo Sacerdote Um dos sinais mais remotos da Eucaristia aparece no capítulo 14 do Gênesis, naquele personagem fascinante e misterioso que saiu ao encontro de Abraão quando este voltava de sua vitória contra os reis, e o abençoou, oferecendo pão e vinho. Melquisedec, “ rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo ” (Gn 14, 18), reunia em si as glórias da realeza, a santidade sacerdotal e o carisma profético. Ele é bem o símbolo dAquele que mais tarde proclamaria diante de Pilatos: “ Eu sou Rei ” (Jo 18, 37) e a propósito do qual todos comentavam: “ um grande profeta surgiu entre nós ” (Lc 7, 16). Mas naquilo em que Melquisedec mostrou-se mais plenamente imagem de Cristo, foi na posse de um sacerdócio superior ao de Aarão, como está escrito na Carta aos Hebreus: “ Se a perfeição tivesse sido realizada pelo sacerdócio levítico, […] que necessidade havia ainda de que surgisse outro sacerdote segundo a ordem de Melquisedec, e não segundo a ordem de Aarão? Isto se torna ainda mais evidente se se tem em conta que este outro sacerdote, que surge à semelhança de Melquisedec, foi constituído não por prescrição de uma lei humana, mas pela sua imortalidade. Porque está escrito: ‘Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedec’” (Hb 7, 11. 15-17). Jesus Cristo, porém, ao descer à terra, não mais oferece pão e vinho, como outrora Melquisedec, mas sim a oblação pura de Seu Corpo e Sangue: “ Não Vos comprazeis em nenhum sacrifício, em nenhuma oferenda, mas formastes-Me um corpo: não desejais holocausto nem vítima de expiação. Então Eu disse: ‘Eis que venho’” (Sl 39, 7-8). Assim Ele levou à plenitude aquilo que Melquisedec apenas prenunciara. O Cordeiro entregue à morte pelos pecados do povo No Livro do Êxodo abundam as figuras que nos aproximam da Eucaristia. Encontramo-las, sobretudo, na ceia pascal, prescrita em suas minúcias pelo próprio Deus a Moisés, na qual deveriam os israelitas imolar um cordeiro sem defeito e comê-lo com pães ázimos ao cair da tarde. A este respeito, ensina o Doutor Angélico: “ Neste Sacramento podemos considerar três aspectos: o que é o sinal sacramental, ou seja, o pão e o vinho; o que é realidade e sinal sacramental, ou seja, o verdadeiro Corpo de Cristo; e o que é só realidade, a saber, o efeito deste Sacramento. […] O cordeiro pascal prefigurava este Sacramento sob os três aspectos. Quanto ao primeiro, porque era comido com pães ázimos, conforme a prescrição: ‘Comerão a carne com pães sem fermento’. Quanto ao segundo, porque era imolado no décimo quarto dia do mês por toda a multidão dos filhos de Israel: nisto era figura da Paixão de Cristo que por Sua inocência é chamado de cordeiro. Quanto ao efeito, porque pelo sangue do cordeiro pascal os filhos de Israel foram protegidos do anjo devastador e libertos da escravidão do Egito “.5 O pão sem fermento, com o qual deviam os judeus comer a carne do cordeiro, representava também a integridade do Corpo de Cristo, concebido no seio puríssimo de Maria, sem mancha alguma de pecado, e que, após a morte, não experimentou a corrupção do sepulcro, como anunciara Davi: “ Não permitireis que Vosso Santo conheça a corrupção” (Sl 15, 10). Por isso o Salvador escolheu a noite da Páscoa, principal das festas judaicas, para deixar à humanidade Seu legado de amor, dando a entender que Ele mesmo é o Cordeiro imaculado, entregue à morte para tirar os pecados do mundo, por cujo sangue seria afastada a sentença de condenação que sobre nós pesava desde a queda de Adão e Eva. Aquela oferenda que os israelitas, reunidos em Jerusalém, imolavam sob as sombras de uma figura profética, o Senhor, rodeado de um punhado de discípulos, levava à perfeição, no exíguo ambiente do Cenáculo. Entretanto, aquilo que as circunstâncias obrigavam Jesus a realizar na escuridão, os Apóstolos deveriam, no momento propício, dizer às claras e publicar de cima dos telhados (cf. Mt 10, 27), de maneira que o Sacrifício da Nova Aliança substituísse definitivamente os antigos sacrifícios e fosse celebrado diariamente sobre todos os altares da terra. Cumprir-se-ia assim a palavra do Espírito Santo pronunciada pela boca de Malaquias: “ Do nascente ao poente, Meu nome é grande entre as nações e em todo lugar se oferecem ao Meu nome o incenso, sacrifícios e oblações puras ” (Ml 1, 11). A respeito desta passagem profética, assim comenta Alastruey: “ Estes, são, pois, os caracteres do novo culto vaticinados por Malaquias: universalidade absoluta de tempos e lugares; pureza objetiva da vítima em si, incapaz de ser manchada por indignidade alguma do ofertante; excelência insigne, da qual resultará uma grande glorificação de Deus entre os povos”.6 Alimento que reparava as forças e dava vigor Outra imagem de grande eloquência é a do maná, ao qual o próprio Jesus faz alusão no sermão sobre o Pão da Vida, referido no capítulo sexto de São João. Este alimento branco e miúdo como a geada (cf. Ex 16, 14), contendo em si todos os sabores (cf. Sb 16, 20), que nutriu o povo eleito durante a longa viagem pelo deserto, é símbolo também do Pão do Céu, penhor da ressurreição futura, que alimenta todo cristão, dando-lhe as graças e a fortaleza necessárias para atravessar o deserto desta vida e chegar à Terra Prometida, ou seja, à Pátria Celeste. “O maná – comenta ainda São Pedro Julião Eymard – que Deus fazia cair cada manhã sobre o acampamento dos israelitas, continha todos os gostos e propriedades; reparava as forças decaídas, dava vigor ao corpo e era um pão muito suave. Também a Eucaristia, prefigurada no maná, contém todo gênero de virtudes; é remédio contra nossas enfermidades, força contra nossas fraquezas cotidianas, fonte de paz, de gozo e felicidade “.7 A mesa revestida de ouro Encontramos por fim, ainda no Êxodo, mais uma prefigura desse divino Sacramento, na ordem dada por Deus a Moisés para fazer uma mesa de madeira revestida de ouro puro, onde seriam colocados permanentemente diante do Senhor os pães sagrados ou pães da proposição. Aqueles pães, “ porção santíssima ” (Lv 24, 9) que só aos sacerdotes era permitido comer, exigiam a pureza ritual dos corpos (cf. I Sm 21, 4-5) e deviam ser consumidos “ em lugar santo ” (Lv 24, 9). De nós, se queremos nos aproximar da mesa da Eucaristia, exige-se uma purificação muito superior àquela prescrita pela Lei mosaica: nossa alma – animada por uma reta intenção e com o firme propósito de enveredar pelas vias da perfeição – deve estar livre de pecado mortal. De outro modo, esse inefável Sacramento será para nós causa de condenação: “ Todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação” (I Cor 11, 27-29). Por outro lado, se os pães da proposição estavam reservados exclusivamente a Aarão e seus descendentes, Nosso Senhor Jesus Cristo, o verdadeiro Pão da proposição, oferece- Se em alimento a todos os fiéis, sem exceção, dando aos homens um privilégio do qual aos Anjos, por sua natureza, não é dado gozar. “ Coisa admirável! Os pobres, os servos e os humildes comem o seu próprio Senhor” – canta-se no hino Sacris Solemnis, também composto por São Tomás de Aquino para a festa do Corpus. A mesa de ouro sobre a qual se achavam os pães encerra outro simbolismo muito elevado: ela prefigura a Mãe de Deus, em cujo seio foi formado o Corpo de Jesus. Assim comenta o padre Jourdain: “ Maria é a mesa mística magnificamente ornada e feita de madeira incorruptível, que Deus preparou para os que se comprazem na meditação das coisas divinas. Ela é a mesa santa e sagrada, portando o Pão da Vida, Jesus Cristo Nosso Senhor, o sustentáculo do mundo “.8 Muitos outros indícios do Sacramento da Eucaristia no Antigo Testamento poderiam ser mencionados: Abraão oferecendo seu filho Isaac em sacrifício (cf. Gn 22, 1-13); o pão cozido sob cinza, pelo qual Elias recobrou as forças para andar quarenta dias e quarenta noites até chegar ao Horeb, Monte de Deus (cf. I Rs 19, 5-8); a multiplicação dos pães operada pelo profeta Eliseu para alimentar cem pessoas (cf. II Rs 4, 42-44); etc. Preparação próxima para a revelação da Eucaristia Já no Novo Testamento encontramos três sinais insignes pelos quais o Salvador preparou as almas para o grande mistério cuja manifestação reservara para a véspera de Sua Paixão. Primeiro, a transmutação da água em vinho, nas bodas de Caná da Galileia, cujo efeito nos é relatado por São João: “manifestou a Sua glória, e os Seus discípulos creram nEle” (Jo 2, 11). Mais tarde, a multiplicação dos pães, pela qual Jesus saciou mais de cinco mil pessoas que O haviam seguido até o deserto (cf. Mt 14, 15- 21). A este segundo milagre sucedeuse outro, poucas horas depois: estando os discípulos na barca, em meio ao mar agitado, viram Jesus aproximar-Se deles caminhando sobre as águas (cf. Mt 14, 24-33). Através desses prodígios, o Divino Mestre quis demonstrar o poder absoluto que possuía sobre o vinho e o pão, bem como sobre o Seu próprio Corpo. Tão belos exemplos nos mostram como o Criador, enquanto divino Pedagogo, foi passo a passo preparando as mentalidades para a revelação do Sacramento da Eucaristia, eterno testemunho de Seu amor e de Seu desejo de permanecer entre nós. Ajoelhemo-nos diante do Tabernáculo! Quais devem ser nossa atitude e nossos sentimentos de alma ao considerarmos o extremo de bondade de Deus feito Homem que, tendo-Se encarnado, não abandonou a criatura resgatada por Seu Sangue, mas mantém- Se presente, assistindo e amparando todos os que dEle queiram se aproximar? Ajoelhemo-nos diante do Tabernáculo ou, melhor ainda, diante do Ostensório, entreguemos a Jesus Sacramentado todo o nosso ser – nosso corpo com todos os seus membros e órgãos, nossa alma, com suas potências, suas qualidades e até as próprias misérias – e ofereçamos a Deus Pai o divino Sangue de Seu Filho, derramado na Cruz em reparação de nossas faltas. De modo análogo aos raios do sol que, incidindo sobre o rosto, deixamno corado e moreno, assim também, diante do Santíssimo Sacramento nossa alma recebe uma renovada infusão de graças, convidando-nos ao abandono total nas mãos de Jesus, por meio de Maria. Assim, nossas almas irão se transformando rumo à santidade para a qual Deus nos chama. E se em algum momento, as dificuldades da vida nos fizerem sentir desânimo ou aridez, lembremonos destas tocantes palavras do padre Faber: “Muitas vezes, quando o homem é tomado de desespero e assaltado por questões, dúvidas, desânimos e incertezas, em considerar a sua vida, e se sente cercado de inimigos, que lhe uivam ao redor, como feras furiosas, então um impulso, que é uma graça, o leva a ajoelhar-se ante o Santíssimo Sacramento e, sem que faça qualquer esforço, eis que todos aqueles clamores se afundam no silêncio. O Senhor está com ele: as vagas se aquietaram, a tempestade abateu-se e diretamente, sem embaraço, a viagem vai terminar no ponto procurado. Não foi necessário mais que olhar para a face de Jesus, e as nuvens se dissiparam e a luz se fez. O esplendor do Tabernáculo reaparece como o sol “.9 ² O “Lauda Sion” A sequência da Missa de Corpus Christi é constituída por um belíssimo hino gregoriano, intitulado Lauda Sion. Belíssimo por sua variada e suave melodia, e muito mais pela letra, ele canta a excelsitude do dom de Deus para conosco e a presença real de Jesus, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, no pão e no vinho consagrado. A própria origem desse cântico é envolta no maravilhoso tipicamente medieval. Urbano IV encontrava-se em Orvieto, quando decidiu estabelecer a comemoração de Corpus Christi. Estavam coincidentemente naquela cidade dois dos mais renomados teólogos de todos os tempos, São Boaventura e São Tomás de Aquino. O Papa os convocou, assim como a outros teólogos, encomendando-lhes um hino para a sequência da Missa dessa festa. Conta-se que, terminada tarefa, apresentaram-se todos diante do Papa e cada um devia ter sua composição. O primeiro a fazê-lo foi São Tomás de Aquino, que apresentou então os versos do Lauda Sion. São Boaventura, ato contínuo àquela leitura, queimou seu próprio pergaminho, não sem causar espanto em São Tomás que perguntou “por que”? O santo franciscano, com toda a humildade, explicou-lhe que sua consciência não o deixaria em paz se ele causasse qualquer empecilho, por mínimo que fosse, à rápida difusão de tão magnífica Sequência escrita pelo dominicano. Síntese teológica, em forma de poesia Aquilo que São Tomás ensinou em seus tratados de Teologia a respeito da Sagrada Eucaristia, ele o expôs magistralmente em forma de poesia no Lauda Sion. Trata-se de verdadeira pela de literatura, que brilha pela profundidade do conteúdo e pela beleza da forma, elevação da doutrina, acurada precisão teológica e intensidade do sentimento. O ritmo flui de modo suave, até mesmo nas estrofes mais didáticas. A melodia – cujo autor é desconhecido – combina belamente com o texto. A unção é inesgotável. São Tomás se revela como filósofo e místico, como teólogo da mente e do coração, realizando sua própria exortação: “Seja o louvor pleno, retumbante, alegre e cheio do brilhante júbilo da alma “. Repassemos alguns trechos desse célebre cântico. LAUDA SION 1. Louva Sião, o Salvador, louva o guia e pastor com hinos e cânticos. 2. Tanto quanto possas, ouses tu louvá-lo, porque está acima de todo o louvor e nunca o louvarás condignamente. 3. É-nos hoje proposto um tema especial de louvor: o pão vivo que dá a vida. 4. É Ele que na mesa da sagrada ceia foi distribuído aos doze, como na verdade o cremos. 5 . Seja o louvor pleno, retumbante, que ele seja alegre e cheio de brilhante júbilo da alma. 6. Porque celebramos o dia solene que nos recorda a instituição deste banquete. 7 . Na mesa do novo Rei, a páscoa da nova lei põe fim à páscoa antiga. 8. O rito novo rejeita o velho, a realidade dissipa as sombras como o dia dissipa a noite. 9. O que o Senhor fez na Ceia, nos mandou fazê-lo em memória sua. 10. E nós, instruídos por suas ordens sagradas, consagramos o pão e o vinho em hóstia de salvação. 11. É dogma de fé para os cristãos que o pão se converte na carne e o vinho no sangue do Salvador. 12. O que não compreende nem vês, uma Fé vigorosa te assegura, elevando-te acima da ordem natural. 13. Debaixo de espécies diferentes, aparências e não realidades, ocultam-se realidades sublimes. 14. A carne é alimento e o sangue é bebida; todavia debaixo de cada uma das espécies Cristo está totalmente. 15 . E quem o recebe não o parte nem divide, mas recebe-o todo inteiro. 16. Quer o recebam mil, quer um só, todos recebem o mesmo, nem recebendo-o podem consumi-lo. 17 . Recebem-no os bons e os maus igualmente, todos recebem o mesmo, porém com efeitos diversos: os bons para a vida e os maus para a morte. 18. Morte para os maus e vida para os bons: vede como são diferentes os efeitos que produz o mesmo alimento. 19 . Quando a hóstia é dividida não vaciles, mas recorda que o Senhor encontra-se todo debaixo do fragmento, quanto na hóstia inteira. 20. Nenhuma divisão pode violar as substâncias: apenas os sinais do pão, que vês com os olhos da carne, foram divididos! Nem o estado, nem as dimensões do Corpo de Cristo são alteradas. 21. Eis o pão dos Anjos que se torna alimento dos peregrinos: verdadeiramente é o pão dos filhos de Deus que não deve ser lançado aos cães. 22. As figuras o simbolizam: é Isaac que se imola, o cordeiro que se destina à Páscoa, o maná dado a nossos pais. 23. Bom Pastor, pão verdadeiro, de nós tende piedade. Sustentai-nos, defendei-nos, fazei-nos na terra dos vivos contemplar o Bem supremo. 24. Ó Vós que tudo o sabeis e tudo o podeis, que nos alimentais nesta vida mortal, admiti-nos no Céu, à vossa mesa e fazei-nos co-herdeiros na companhia dos que habitam a cidade santa. Amém. Aleluia. Louva Sião, o Salvador, louva o Guia e Pastor com hinos e cânticos As palavras do subtítulo acima constituem o primeiro verso do Lauda Sion. É a expansão do coração de um santo, tomado pela graça mística de encanto pelo Santíssimo Sacramento, que pede a Sião, quer dizer, ao povo eleito do Novo Testamento, que passe a louvar o Salvador. Ele, o maior teólogo da história da Igreja – “o mais sábio dos santos, e o mais santo dos sábios” – era, tão fervoroso devoto de Jesus Eucarístico que, nas horas em que sentia dificuldade nos seus estudos, colocava a cabeça dentro de um sacrário à procura de ser iluminado pelo próprio Deus, e não a retirava enquanto não encontrasse a solução. Desse primeiro verso até o final da quinta estrofe, São Tomás condensa todo o infinito louvor ao Santíssimo Sacramento do Altar. Ele continua a conclamar os fiéis a “louvar o guia e pastor com hinos e cânticos”. Mas, como louvar adequadamente esse santo sacramento? Como louvar de modo suficiente o próprio Deus? É o sacramento mais elevado e substancioso de todos, pois nele está presente o próprio Homem-Deus, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Não há palavras, não há gestos, não há nada a ser oferecido que esteja à altura d’Ele. E explica ser essa a tarefa que recebeu do Papa: “ É-nos hoje proposto um tema especial de louvor, o pão vivo que dá a vida”. “É Ele que na mesa da sagrada ceia foi distribuído aos doze, como na verdade o cremos. Seja o louvor pleno, retumbante, que ele seja alegre e cheio de brilhante júbilo da alma”. Por isso São Tomás quase geme ao dizer: “ Tanto quanto possas, ouses tu louvá-Lo, porque está acima de todo o louvor e nunca O louvarás condignamente”. O santo se preocupa em incentivar em nossa alma um louvor, o mais perfeito de que sejamos capazes, para assim nos aproximarmos do Santíssimo Sacramento e adorar a Jesus, que ali se encontra por detrás do “véu” do pão e do vinho. Porque celebramos o dia solene que nos recorda a instituição deste banquete A partir deste verso, até a décima estrofe, São Tomás passa a apontar a instituição da Eucaristia na festa litúrgica estabelecida pelo Papa. “Na mesa do novo Rei, a páscoa da nova lei põe fim à páscoa antiga”. O rito da Igreja Católica Apostólica Romana encerrara o da Antiga Lei, que era uma prefigura dele. Por isso completa São Tomás: “O rito novo rejeita o velho, a realidade dissipa as sombras como o dia dissipa a noite”. Sim, uma vez tendo vindo ao mundo o simbolizado, não faz sentido celebrar o símbolo. O culto da Sinagoga no antigo Testamento era todo voltado para a espera do Salvador, e seus ritos simbolizavam-No. No novo rito, na celebração Eucarística, Nosso Senhor Jesus Cristo se imola Ele próprio. Ora, estando presente o simbolizado, para que o símbolo? Qual o sentido de imolar um cordeiro?O rito novo rejeita o velho … “O que o Senhor fez na Ceia, nos mandou fazê-lo em memória sua”. Aqui São Tomás recorda as palavras de Jesus na Ceia da Quinta-feira Santa: “Fazei isto em memória de mim”. “ E nós, instruídos por suas ordens sagradas, consagramos o pão e o vinho em hóstia de salvação”. São Tomás, sacerdote, podia dizer com toda a propriedade: “instruídos por suas ordens sagradas”. É uma referência ao Sacramento da Ordem, que da àquele que o recebe a grande glória de poder emprestar sua laringe e suas mãos ao Divino Mestre. Para que, sobre o altar, se opere um dos maiores milagres – e o mais freqüente deles – da História da humanidade: a transubstanciação. Quer dizer, a substância vinho cedem lugar à substância Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. É dogma de Fé para os cristãos que o pão se converte na carne e o vinho no sangue do Salvador A partir deste ponto, em dez estrofes, o autor dá em detalhe, numa maravilhosa síntese, a doutrina católica sobre o Sacramento do Altar. Ele continua: “ O que não compreendes nem vês, uma Fé vigorosa te assegura, elevando-te acima da ordem natural”. De fato, pela nossa inteligência, jamais chegaríamos a penetrar neste mistério tão sagrado. Nem sequer os demônios, que, embora decaídos, são de natureza angélica, e portanto superior à nossa, conseguem discernir nas aparências do pão e do vinho o Homem-Deus. Só mesmo a Fé nos faz penetrar neste mistério sagrado. “Debaixo de espécies diferentes, aparência e não realidades, ocultam-se realidades sublimes”. – São Tomás volta a insistir na idéia de que os “véus” do vinho e do pão ocultam realidades divinas. “A carne é alimento e o sangue é bebida; todavia debaixo de cada uma das espécies Cristo está totalmente”. Esta é uma verdade de Fé, que a Teologia nos explica. Olhando para o vinho e para a hóstia consagrados, poderíamos ser levados a imaginar que a carne está só na eucaristia pão, e o sangue só na eucaristia vinho. Entretanto, a doutrina nos diz e a nossa Fé assimila que o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo encontram-se plenamente tanto na hóstia como no vinho consagrados. “E quem o recebe não o parte nem divide, mas recebe-o todo inteiro.” Outra das impressões equivocadas que podem transpassar uma alma é esta: ao ver o ministro dividindo uma hóstia, pensar que Nosso Senhor já não se encontra inteiro em cada uma das partículas. Não é verdade; Por um mistério sagrado, Nosso Senhor Jesus Cristo se encontra de modo integral em todas as frações que sejam visíveis. “ Quer o recebam mil, quer um só, todos recebem o mesmo, nem recebendo-O podem consumi-Lo” Outra verdade de Fé: se um milhão de pessoas comungarem ao mesmo tempo, como já aconteceu em algumas Missas presididas pelo Santo Padre em suas viagens pelo mundo, todos estarão recebendo um só e o mesmo Jesus, sem qualquer fracionamento de seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Todos O recebem no seu todo. E eis mais um mistério: ao receber Nosso Senhor Jesus Cristo, não podemos consumi-Lo, pois, quando se desfazem as espécies sagradas em nosso organismo, Ele deixa o nosso corpo sem tocá-lo, santificando nossa alma e dando-nos vigor até na saúde. “Recebem-No os bons e os maus igualmente, todos recebem o mesmo, porém com efeitos diversos: os bons para a vida e os maus para a morte. Morte para os maus e vida para os bons: vede como são diferentes os efeitos que produz o mesmo alimento” Quem comunga em estado de graça, recebe um influxo de vida e de força espiritual e até corporal. Entretanto, ai daqueles que se aproximam desse Sacramento em estado de pecado mortal” O odor da morte se assenhoreia ainda mais da alma, e do próprio organismo. Quanto cuidado devemos tomar para não nos aproximarmos da Eucaristia sem estarmos inteiramente preparados. Procuremos antes o confessionário, que se encontra à nossa disposição, e saibamos ajoelhar-nos com humildade e pedir perdão de nossas faltas. “ Quando a hóstia é dividida, não vaciles, mas recorda que o Senhor encontra-se todo debaixo do fragmento, quando no hóstia inteira. Nenhuma divisão pode violar a substância: apenas os sinais do pão, que vês com os olhos da carne, foram divididos! Nem o estado, nem as dimensões do Corpo de Cristo são alterados”. São Tomás retorna aqui o que já ensinara mais acima, para solidificar nas almas a doutrina católica a respeito da Eucaristia. “Eis o pão dos Anjos que se torna alimento dos peregrinos” O santo recorda nestas frases que o Sacramento do Altar é a realização de antigos signos: “ Verdadeiramente é o pão dos filhos de Deus que não deve ser lançado aos cães. As figuras o simbolizam, é Isaac que se imola, o cordeiro que se destina à Páscoa, o maná dado a nossos pais”. As últimas estrofes louvam o Bom Pastor que nos alimenta e guarda e nos faz futuramente participantes do Banquete Celestial. Nesse trecho final, letra e melodia se unem numa suprema beleza, de irresistível doçura: “Bom Pastor, pão verdadeiro, Jesus,, de nós tende piedade. Sustentai-nos, defendei-nos, fazei-nos na terra dos vivos contemplar o Bem supremo. “Ó Vós que tudo sabeis e tudo podeis, que nos alimentais nesta vida mortal, admiti-nos no Céu, à vossa mesa e fazei-nos co-herdeiros na companhia dos que habitam a cidade santa. Amém. Aleluia”. (Revista Arautos do Evangelho, Junho/2002, n. 06, p. 6 à 10 e Junho/2009, n. 90, p. 24 à 31) #CorpusChristi #Solenidade
- Beata Ana de São Bartolomeu, virgem – 7 de Junho
SANTO DO DIA – 07 DE JUNHO – BEATA ANA DE SÃO BARTOLOMEU (Virgem 1549-1626) Ana de São Bartolomeu foi companheira inseparável e confidente de Santa Teresa de Ávila, que morreu em seus braços. Nascida a 1 de Outubro de 1549, em Almendral, aldeia pertencente à diocese de Ávila, na Velha Castela, era filha de ricos lavradores, modelos de vida cristã, caridosos para com a pobreza e altamente piedosos. Órfã aos dez anos, para ganhar a vida fez-se pastora, o que a impediu de estudar. Embora os irmãos se opusessem, Ana, aos 2 de Novembro de 1570, procurou o convento das carmelitas descalças, que Santa Teresa fundara em Ávila. Prmeira postulante conversa, Ana foi humilde, profundamente humilde, obedientíssima e serviçal. E a afeição que se estabeleceu entre Ana de São Bartolomeu e Santa Teresa foi rápida e profunda, afeição que havia de durar até a morte, sem que jamais sofresse o mínimo declínio. Ana principiou a profissão a 15 de Agosto de 1570. Pouco depois, teve uma visão, na qual Nosso Senhor lhe mostrou as devastações que o calvinismo fazia na França. Sequiosa de salvar almas, impressionada, entrou a praticar severas mortificações. No Natal de 1577, Deus concedeu-lhe uma grande delicadeza: Santa Teresa quebrara o braço, e Ana, desolada por ver a Mãe impossibilitada de responder a imensa correspondência, trabalho estafante que era, obteve, miraculosamente, a graça de saber escrever; desde aquela época, tronou-se secretária oficial da santa fundadora. E, de 1579 a 1582, ano em que Santa Teresa desapareceu, foi companheira inseparável nas viagens que a venerável Santa teve que empreender, no curso dos trabalhos que exigia o estabelecimento da reforma do Carmelo. “As vezes, escreveu a bem-aventura Ana de São Bartolomeu, ela viajava dias inteiros sob a chuva e a neve, não encontrando aldeia alguma por muitas e muitas léguas, não fazendo outra coisa senão tremer até os ossos. À noite, nas hospedarias, não havia fogo, nem meios de o entreter, nem coisa alguma para comer. Os alojamentos eram tais que, das camas, podia-se perceber o céu, e a chuva caía cômodo a dentro, Muitas vezes, o hábito da Santa Mãe encontrava-se gelado” … Acabada por duros trabalhos, pelos adversários, pelas próprias filhas, faleceu Santa Teresa no mosteiro de Alba, a 15 de Outubro de 1582, nos braços da filha bem-amada, que jamais lhe negou amais terna afeição. Considerada a herdeira espiritual da santa fundadora, Ana exerceu no Carmelo uma profunda influência. O Carmelo reformado, foi Ana enviada a Madri, depois à fundação de Ocaña, na região de Toledo. Ali, Nosso Senhor revelou-lhe, pela primeira vez, o desejo de que fosse para a França, então assolada pelo protestantismo. Na França, quando se dirigiu às religiosas, falou-lhes na língua natal, porque só conhecia a língua materna, mas todas a entenderam perfeitamente, como se tivesse expressado no melhor francês: era o milagre do Pentecostes que se renovava. E Ana de São Bartolomeu exprimia-se tão apropriadamente que ninguém duvidava de que o Espírito Santo estivesse falando por sua boca. Fundadora do mosteiro de Tours, depois de ter sido priora de Paris, sofreu toda sorte de opressão. Invencível, porém sempre confiando em Deus, continuou a combater para manter a reforma francesa no espírito de Santa Teresa. Vencida, que a luta fora desigual, tomou o caminho da Bélgica, refugiando-se no mosteiro de Mons. Escolhida, pouco mais tarde, para governar o mosteiro de Anvers, fundado pelo arquiduque Alberto e a arquiduquesa Isabel, ali encontrou verdadeiro paraíso na terra. “Deus, escreveria depois, ali, concedeu-me uma paz e uma consolação inefáveis. Minha oração era mais intensa e mais eficaz. Era mais ardorosa pelo ofício divino que na minha juventude”. Humilde, mais do que fora, no convento exercia os ofícios mais pequenos. E as mais altas personalidades do tempo, contritas, procuravam-na para aconselhar-se. Henrique IV venerava-a, e Maria de Médicis e a infanta Isabel amavam-na sobremodo. Quando o arquiduque Carlos partiu para a expedição de Breda, foi vê-la, com a bem-aventurada palestrando durante muitas horas. Suportando com imensa paciência as enfermidades todas que a acometeram no fim da vida, cruéis, faleceu santamente no dia 7 de Junho de 1626, na festa da Santa Trindade, com setenta e seis anos, sendo enterrada no Carmelo de Anvers. Bento XV beatificou-a no dia 6 de Maio de 1917. Favorecida com inúmeras graças místicas desde a infância, se abeberou do espírito teresiano na própria fonte, sendo enfermeira, secretária e companheira de viagens da grande reformadora do Carmelo. Conheça mais sobre Beata Ana de São Bartolomeu Entregando sua pequena filha Ana aos cuidados das duas jovens que costuravam na sacada de sua residência, a mãe recomendou: – Fiquem atentas à sua irmãzinha, porque, se ela cair desta altura pode morrer. Como boas espanholas, as duas jovens conversavam animadamente durante o trabalho e não perderam a oportunidade para uma breve discussão, assim que a mãe se retirou: — Ana seria feliz se morresse hoje. Estando batizada e sendo inocente iria direto para o Céu – disse uma delas, contemplando a pequenina que as fitava com placidez. — Não concordo! – atalhou a outra – Agora tem apenas três anos; no entanto, se ela continuar viva, pode se tornar uma grande Santa. — Mas quem garante que isto acontecerá? Agora ela é incapaz de pecar e sua salvação está garantida. Quando completar sete anos de idade e alcançar o uso da razão, porém, quem pode assegurar que não ofenderá a Deus e se perderá? – retrucou a primeira. Não é de surpreender que este abandono ao sobrenatural, logo na aurora da vida, tenha levado Ana à santidade, como presumira uma de suas irmãs. O que desperta nossa admiração é o modo pelo qual quis Deus fazê-la experimentar, nesta terra, aquilo que constitui uma das maiores alegrias eternas: o convívio com os Santos! A ela coube a ventura de acompanhar muito de perto a Embora ainda não soubesse falar nem compreendesse todo o alcance daquelas palavras, a menina acompanhou com vivo interesse o diálogo das irmãs e, na sua candura infantil, encheu-se de receio de chegar aos sete anos de idade, julgando ser este o marco fatídico a partir do qual se veria no risco de pecar. Por isso, tratou de tomar providências para evitar tal desgraça. Dando mostras de já conhecer os mistérios que o Pai revela aos pequeninos, colocou-se interiormente sob o amparo de Nossa Senhora e de outros protetores celestes, como São Miguel, São Gabriel e São José, o qual pensava ser também um Anjo. grande Teresa de Jesus, da qual foi enfermeira, secretária e confidente, e, mais tarde, propagadora de seu espírito e continuadora de sua missão. Familiaridade com o sobrenatural desde cedo Ana García Manzanas nasceu no primeiro dia do mês de outubro Ir. Isabel Cristina Lins Brandão Veas, EP Reprodução Junho 2017 · Arautos do Evangelho 33 de 1549, numa família de prósperos agricultores do povoado de El Almendral, próximo a Ávila. Era a sexta de sete irmãos e teve a felicidade de ser instruída na Fé desde os primeiros passos, não só ao ouvir os piedosos ensinamentos dos pais, como também ao vê-los proceder em tudo como excelentes católicos. A tal ponto levavam a sério suas obrigações para com Deus que faziam questão de assistir à Missa a cada manhã, juntamente com todos os filhos, por mais graves e urgentes que fossem os assuntos a serem resolvidos no dia. Habituada a dar o verdadeiro valor às realidades sobrenaturais, Ana sempre sentiu forte atração pelo Céu e profunda aversão ao pecado. Donde se compreende sua reação aos três anos de idade no fato acima narrado, o que, aliás, não terminou por aí… Naquela mesma ocasião ela foi objeto do primeiro fenômeno místico de sua vida, o qual a encheu de forças e consolação: enquanto pensava no que as irmãs acabavam de dizer, levantou os olhos e viu o Céu aberto e Nosso Senhor Jesus Cristo, cercado de glória, que a fitava, infundindo em seu coração ardentes desejos de amá-Lo e servi-Lo. Daí por diante, a existência de Ana seria permeada de extraordinárias manifestações deste gênero, como, por exemplo, aparições frequentes do Menino Jesus, o qual Se apresentava sempre com idade equivalente à da menina. Quando Ana tinha dez anos, faleceram seus pais e os irmãos deram- -lhe a incumbência de cuidar dos rebanhos da família. Com isso muito lucrou ela, pois na tranquila solidão dos campos Jesus Menino passou a fazer-Se presente de forma visível todos os dias, proporcionando- -lhe tanta alegria espiritual que, certa vez, ela pediu: “Senhor, já que me fazeis companhia, não vamos mais aonde haja gente, senão que dirijamo- nos sozinhos às montanhas, pois em vossa companhia nada me faltará”. 1 A tão amorosa súplica, o Divino Infante sorriu, sem nada dizer, e fez-lhe compreender, no fundo da alma, não serem estes os desígnios da Providência a seu respeito… Provas na entrega à vocação Assim descreve ela sua entrada no Carmelo, ao qual chegou acompanhada por alguns membros da família: “Eles iam chorando ao longo do caminho e quase não me falavam. Eu ia muito alegre, mas, por outro lado, tão atormentada por más tentações, que parecia que todo o inferno se havia reunido para fazer- -me guerra. Eu não ousava soltar uma palavra sobre isso, pois, se o fizesse, com razão diriam que eu era louca de entrar no mosteiro daquela maneira”.2 Com o correr do tempo, tornou- se claro para a jovem Ana que Deus a chamava à vida religiosa, e o próprio Nosso Senhor lhe indicou, em sonho, o mosteiro no qual deveria ingressar: o convento das carmelitas descalças de Ávila, fundado havia pouco pela já então famosa Madre Teresa de Jesus. Ana, contudo, só conseguiria seguir a vocação após duros combates, tanto contra os familiares, que se opuseram fortemente à sua decisão, como contra o demônio, cuja sanha em perdê-la foi terrível. Jesus, entretanto, que é a força e a vitória dos justos, logo premiou sua perseverança e fidelidade, como ela própria relata: “Na porta de entrada, aquela tempestade desapareceu como se me tirassem um chapéu da cabeça; fiquei como num céu de contentamento, parecendo-me que havia passado toda a minha vida entre aquelas santas”.3 No Convento de São José, de Ávila, Ana foi admitida como irmã leiga e agregou ao seu nome o de São Bartolomeu. Encarregada das necessidades materiais da casa, sabia unir uma intensa vida interior à atividade incessante no cuidado das irmãs de hábito, tomando para si, com alegria, os trabalhos mais penosos. Todavia, a provação que tantas vezes visita os que Deus quer mais especialmente aperfeiçoar, despontou inexorável bem no início do noviciado: cessou por completo a presença sensível de Nosso Senhor, que sentira desde menina. No serviço pessoal da grande reformadora do Carmelo O primeiro encontro com aquela que seria o luzeiro de seus passos deu-se quando Ana ainda era noviça, em julho de 1571. Ao vê-la, a grande Santa Teresa deixou transparecer tanto contentamento, que parecia estar à espera de alma tão consonante com a sua. Depois de analisá-la por alguns instantes, deu- -lhe um forte abraço e ordenou que a colocassem no seu serviço pessoal. Durante os três anos em que a Santa permaneceu naquele convento, Ana pôde receber inúmeras aulas de perfeição num convívio de intimidade, contemplando com enlevo e veneração as facetas de sua superiora, cuja grandeza se manifestava ora nos lances audazes, ora nas decisões cheias de discernimento, ora nos momentos de recolhimento e até mesmo nos pequenos gestos e atitudes do dia a dia. Esse período foi o início do longo caminho que as duas Santas percorreriam juntas. Tendo Santa Teresa partido para Sevilha em 1574, sua auxiliar não pôde segui-la, devido a uma violenta enfermidade que a deixou sem energias para os afazeres habituais. Generosa como era, a sensação de inutilidade causada por esta situação só fez crescer seu desejo de dar-se por inteiro a Deus. Por isso, pediu a Ele que a curasse ou então a levasse desta vida, e recebeu esta resposta: “Agora isto não te convém; hás de padecer muitos trabalhos na companhia de minha amiga Teresa”.4 Apesar de tão consoladora promessa, a saúde de Ana não melhorou em nada… Como sói acontecer às almas muito eleitas, Jesus queria dela um novo ato de confiança e abandono. Para servir Santa Teresa, nada era obstáculo Graças a este favor concedido por Deus, pôde ela socorrer inúmeras vezes sua santa madre nos problemas de saúde que a acometeram, sobretudo nos últimos anos de vida, quando, tendo fraturado o braço esquerdo, necessitava todo o tempo de alguém que a auxiliasse. Tais circunstâncias marcaram a alma de Ana de maneira singular, como deixou atestado em suas memórias: “Verdadeiramente era um Céu servi- la, mas era o maior dos sofrimentos vê-la padecer”.5 Quando Santa Teresa retornou a Ávila, Ana seguia doente. Não obstante, deu-lhe a ordem, à primeira vista bastante arbitrária, de assumir o posto de enfermeira. Embora mal pudesse manter-se de pé, ela obedeceu prontamente, pedindo a Nosso Senhor que a auxiliasse. Demonstrando seu agrado com este ato de submissão, Jesus apareceu e não só lhe deu forças para tratar das irmãs enfermas, como também Se dispôs, Ele próprio, a cuidar de uma delas. Ao cabo de alguns dias, todas haviam se restabelecido e comentavam, impressionadas, a dedicação e habilidade da nova enfermeira, que parecia conhecer todos os segredos da função como se a exercesse há anos. Além das viagens, que constituíam ocasião especialíssima de convívio, ela tornou-se mais próxima de Santa Teresa quando passou a ser sua secretária. Este encargo, de natureza muito diversa a tudo quanto a boa irmã estava habituada a fazer, também foi desempenhado com prodigiosa eficiência, fruto de sua disposição filial de servir. Ainda que não soubesse ler nem escrever, bastou a grande mestra externar o desejo de tê- la como assistente no despacho da correspondência, que Ana se prontificou em ajudá- la, confiando que Deus a proveria das condições necessárias. Com simplicidade, pediu à Santa alguns escritos seus, a fim de imitar-lhe a caligrafia e, no mesmo dia, conseguiu redigir uma carta, anotando o que a madre lhe ditava. Hoje a coletânea dos escritos da Beata Ana de São Bartolomeu constitui um grosso volume que proclama por si este milagre nela operado por Deus. E, sem dúvida, ao considerarmos esta fidelíssima filha de Santa Teresa, sua operosidade abnegada e cheia de entusiasmo desperta nossa admiração. Diante dela, as insuficiências humanas deixavam de ser obstáculo, para se transformar na base sobre a qual Deus realizava seus milagres. “Similis simili gaudet” Tão puro, abnegado e restituidor era o amor da Beata Ana por sua mestra, que bastou esta visão para fortificá-la e enchê-la de alegria, a ponto de não derramar uma lágrima sequer por sua morte. Ao contrário, sentia-se radiante de felicidade, pois, afinal, sua venerável madre receberia o prêmio pelos árduos combates enfrentados, a glória pelos inenarráveis sofrimentos padecidos e a coroa por tantas vitórias alcançadas! Em 4 de outubro de 1582, Santa Teresa se encontrava no seu leito de dor. Sentindo aproximar- -se a hora derradeira, confessou- -se, recebeu o Viático e expirou repousando a cabeça nos braços da fiel Ana, que a assistia dia e noite. O próprio Nosso Senhor veio então consolar a fiel discípula, aparecendo a ela cheio de esplendor e mostrando-lhe a estupenda comemoração que os Anjos e Santos preparavam no Céu para receber a quem Ele chamava “minha amiga”. Após a partida de Santa Teresa para a eternidade, Ana tornou-se um ponto de referência para os que, pertencentes ou não à Ordem do Carmo, queriam melhor conhecer a gesta e a alma teresiana. E logo ficou patente o quanto aquela testemunha fidedigna havia se deixado moldar por sua superiora e assimilado seu espírito. Por obediência, recebeu o véu negro, o que significava não ser mais uma simples irmã leiga, e foi enviada à França, juntamente com outras religiosas, para ali introduzir a Ordem das Carmelitas Descalças. Passou os últimos anos de sua vida na Bélgica, onde fundou o Carmelo de Antuérpia. Nessa época os belgas estavam em guerra contra os holandeses. Espalhara- se de tal forma sua fama de santidade, que muitos militares, antes de partir para o front de combate, vinham-lhe pedir algum objeto seu, para usá-lo como relíquia e garantia da proteção de Deus. A um deles, que trazia ao peito um papel escrito pela santa madre, Deus salvou da morte: uma bala atravessou o grosso tecido do uniforme, mas foi detida pela fina folha de papel! Ademais, em duas ocasiões, nos anos de 1622 e 1624, quando a cidade estava prestes a ser tomada pelas tropas inimigas, foram as orações de Madre Ana que miraculosamente a salvaram, dando razão ao que dissera algum tempo antes a infanta Isabel Clara Eugênia, filha de Felipe II, à época governadora dos Países Baixos: “Nada receio a respeito do Castelo de Antuérpia nem desta cidade, porque estou mais segura com a defesa feita pelas orações da Madre Ana de São Bartolomeu do que com quantos exércitos possa ter ali”.6 Em 7 de junho de 1626 esta valorosa alma encerrou sua carreira neste mundo para entrar nas alegrias do Céu, onde, certamente ao lado de sua querida Madre Teresa de Jesus, continua a amparar aqueles que zelam pela glória de Deus e de sua Igreja. #SantodoDia
- Beata Ana de São Bartolomeu, virgem – 7 de Junho
SANTO DO DIA – 07 DE JUNHO – BEATA ANA DE SÃO BARTOLOMEU (Virgem 1549-1626) Ana de São Bartolomeu foi companheira inseparável e confidente de Santa Teresa de Ávila, que morreu em seus braços. Nascida a 1 de Outubro de 1549, em Almendral, aldeia pertencente à diocese de Ávila, na Velha Castela, era filha de ricos lavradores, modelos de vida cristã, caridosos para com a pobreza e altamente piedosos. Órfã aos dez anos, para ganhar a vida fez-se pastora, o que a impediu de estudar. Embora os irmãos se opusessem, Ana, aos 2 de Novembro de 1570, procurou o convento das carmelitas descalças, que Santa Teresa fundara em Ávila. Prmeira postulante conversa, Ana foi humilde, profundamente humilde, obedientíssima e serviçal. E a afeição que se estabeleceu entre Ana de São Bartolomeu e Santa Teresa foi rápida e profunda, afeição que havia de durar até a morte, sem que jamais sofresse o mínimo declínio. Ana principiou a profissão a 15 de Agosto de 1570. Pouco depois, teve uma visão, na qual Nosso Senhor lhe mostrou as devastações que o calvinismo fazia na França. Sequiosa de salvar almas, impressionada, entrou a praticar severas mortificações. No Natal de 1577, Deus concedeu-lhe uma grande delicadeza: Santa Teresa quebrara o braço, e Ana, desolada por ver a Mãe impossibilitada de responder a imensa correspondência, trabalho estafante que era, obteve, miraculosamente, a graça de saber escrever; desde aquela época, tronou-se secretária oficial da santa fundadora. E, de 1579 a 1582, ano em que Santa Teresa desapareceu, foi companheira inseparável nas viagens que a venerável Santa teve que empreender, no curso dos trabalhos que exigia o estabelecimento da reforma do Carmelo. “As vezes, escreveu a bem-aventura Ana de São Bartolomeu, ela viajava dias inteiros sob a chuva e a neve, não encontrando aldeia alguma por muitas e muitas léguas, não fazendo outra coisa senão tremer até os ossos. À noite, nas hospedarias, não havia fogo, nem meios de o entreter, nem coisa alguma para comer. Os alojamentos eram tais que, das camas, podia-se perceber o céu, e a chuva caía cômodo a dentro, Muitas vezes, o hábito da Santa Mãe encontrava-se gelado” … Acabada por duros trabalhos, pelos adversários, pelas próprias filhas, faleceu Santa Teresa no mosteiro de Alba, a 15 de Outubro de 1582, nos braços da filha bem-amada, que jamais lhe negou amais terna afeição. Considerada a herdeira espiritual da santa fundadora, Ana exerceu no Carmelo uma profunda influência. O Carmelo reformado, foi Ana enviada a Madri, depois à fundação de Ocaña, na região de Toledo. Ali, Nosso Senhor revelou-lhe, pela primeira vez, o desejo de que fosse para a França, então assolada pelo protestantismo. Na França, quando se dirigiu às religiosas, falou-lhes na língua natal, porque só conhecia a língua materna, mas todas a entenderam perfeitamente, como se tivesse expressado no melhor francês: era o milagre do Pentecostes que se renovava. E Ana de São Bartolomeu exprimia-se tão apropriadamente que ninguém duvidava de que o Espírito Santo estivesse falando por sua boca. Fundadora do mosteiro de Tours, depois de ter sido priora de Paris, sofreu toda sorte de opressão. Invencível, porém sempre confiando em Deus, continuou a combater para manter a reforma francesa no espírito de Santa Teresa. Vencida, que a luta fora desigual, tomou o caminho da Bélgica, refugiando-se no mosteiro de Mons. Escolhida, pouco mais tarde, para governar o mosteiro de Anvers, fundado pelo arquiduque Alberto e a arquiduquesa Isabel, ali encontrou verdadeiro paraíso na terra. “Deus, escreveria depois, ali, concedeu-me uma paz e uma consolação inefáveis. Minha oração era mais intensa e mais eficaz. Era mais ardorosa pelo ofício divino que na minha juventude”. Humilde, mais do que fora, no convento exercia os ofícios mais pequenos. E as mais altas personalidades do tempo, contritas, procuravam-na para aconselhar-se. Henrique IV venerava-a, e Maria de Médicis e a infanta Isabel amavam-na sobremodo. Quando o arquiduque Carlos partiu para a expedição de Breda, foi vê-la, com a bem-aventurada palestrando durante muitas horas. Suportando com imensa paciência as enfermidades todas que a acometeram no fim da vida, cruéis, faleceu santamente no dia 7 de Junho de 1626, na festa da Santa Trindade, com setenta e seis anos, sendo enterrada no Carmelo de Anvers. Bento XV beatificou-a no dia 6 de Maio de 1917. Favorecida com inúmeras graças místicas desde a infância, se abeberou do espírito teresiano na própria fonte, sendo enfermeira, secretária e companheira de viagens da grande reformadora do Carmelo. Conheça mais sobre Beata Ana de São Bartolomeu Entregando sua pequena filha Ana aos cuidados das duas jovens que costuravam na sacada de sua residência, a mãe recomendou: – Fiquem atentas à sua irmãzinha, porque, se ela cair desta altura pode morrer. Como boas espanholas, as duas jovens conversavam animadamente durante o trabalho e não perderam a oportunidade para uma breve discussão, assim que a mãe se retirou: — Ana seria feliz se morresse hoje. Estando batizada e sendo inocente iria direto para o Céu – disse uma delas, contemplando a pequenina que as fitava com placidez. — Não concordo! – atalhou a outra – Agora tem apenas três anos; no entanto, se ela continuar viva, pode se tornar uma grande Santa. — Mas quem garante que isto acontecerá? Agora ela é incapaz de pecar e sua salvação está garantida. Quando completar sete anos de idade e alcançar o uso da razão, porém, quem pode assegurar que não ofenderá a Deus e se perderá? – retrucou a primeira. Não é de surpreender que este abandono ao sobrenatural, logo na aurora da vida, tenha levado Ana à santidade, como presumira uma de suas irmãs. O que desperta nossa admiração é o modo pelo qual quis Deus fazê-la experimentar, nesta terra, aquilo que constitui uma das maiores alegrias eternas: o convívio com os Santos! A ela coube a ventura de acompanhar muito de perto a Embora ainda não soubesse falar nem compreendesse todo o alcance daquelas palavras, a menina acompanhou com vivo interesse o diálogo das irmãs e, na sua candura infantil, encheu-se de receio de chegar aos sete anos de idade, julgando ser este o marco fatídico a partir do qual se veria no risco de pecar. Por isso, tratou de tomar providências para evitar tal desgraça. Dando mostras de já conhecer os mistérios que o Pai revela aos pequeninos, colocou-se interiormente sob o amparo de Nossa Senhora e de outros protetores celestes, como São Miguel, São Gabriel e São José, o qual pensava ser também um Anjo. grande Teresa de Jesus, da qual foi enfermeira, secretária e confidente, e, mais tarde, propagadora de seu espírito e continuadora de sua missão. Familiaridade com o sobrenatural desde cedo Ana García Manzanas nasceu no primeiro dia do mês de outubro Ir. Isabel Cristina Lins Brandão Veas, EP Reprodução Junho 2017 · Arautos do Evangelho 33 de 1549, numa família de prósperos agricultores do povoado de El Almendral, próximo a Ávila. Era a sexta de sete irmãos e teve a felicidade de ser instruída na Fé desde os primeiros passos, não só ao ouvir os piedosos ensinamentos dos pais, como também ao vê-los proceder em tudo como excelentes católicos. A tal ponto levavam a sério suas obrigações para com Deus que faziam questão de assistir à Missa a cada manhã, juntamente com todos os filhos, por mais graves e urgentes que fossem os assuntos a serem resolvidos no dia. Habituada a dar o verdadeiro valor às realidades sobrenaturais, Ana sempre sentiu forte atração pelo Céu e profunda aversão ao pecado. Donde se compreende sua reação aos três anos de idade no fato acima narrado, o que, aliás, não terminou por aí… Naquela mesma ocasião ela foi objeto do primeiro fenômeno místico de sua vida, o qual a encheu de forças e consolação: enquanto pensava no que as irmãs acabavam de dizer, levantou os olhos e viu o Céu aberto e Nosso Senhor Jesus Cristo, cercado de glória, que a fitava, infundindo em seu coração ardentes desejos de amá-Lo e servi-Lo. Daí por diante, a existência de Ana seria permeada de extraordinárias manifestações deste gênero, como, por exemplo, aparições frequentes do Menino Jesus, o qual Se apresentava sempre com idade equivalente à da menina. Quando Ana tinha dez anos, faleceram seus pais e os irmãos deram- -lhe a incumbência de cuidar dos rebanhos da família. Com isso muito lucrou ela, pois na tranquila solidão dos campos Jesus Menino passou a fazer-Se presente de forma visível todos os dias, proporcionando- -lhe tanta alegria espiritual que, certa vez, ela pediu: “Senhor, já que me fazeis companhia, não vamos mais aonde haja gente, senão que dirijamo- nos sozinhos às montanhas, pois em vossa companhia nada me faltará”. 1 A tão amorosa súplica, o Divino Infante sorriu, sem nada dizer, e fez-lhe compreender, no fundo da alma, não serem estes os desígnios da Providência a seu respeito… Provas na entrega à vocação Assim descreve ela sua entrada no Carmelo, ao qual chegou acompanhada por alguns membros da família: “Eles iam chorando ao longo do caminho e quase não me falavam. Eu ia muito alegre, mas, por outro lado, tão atormentada por más tentações, que parecia que todo o inferno se havia reunido para fazer- -me guerra. Eu não ousava soltar uma palavra sobre isso, pois, se o fizesse, com razão diriam que eu era louca de entrar no mosteiro daquela maneira”.2 Com o correr do tempo, tornou- se claro para a jovem Ana que Deus a chamava à vida religiosa, e o próprio Nosso Senhor lhe indicou, em sonho, o mosteiro no qual deveria ingressar: o convento das carmelitas descalças de Ávila, fundado havia pouco pela já então famosa Madre Teresa de Jesus. Ana, contudo, só conseguiria seguir a vocação após duros combates, tanto contra os familiares, que se opuseram fortemente à sua decisão, como contra o demônio, cuja sanha em perdê-la foi terrível. Jesus, entretanto, que é a força e a vitória dos justos, logo premiou sua perseverança e fidelidade, como ela própria relata: “Na porta de entrada, aquela tempestade desapareceu como se me tirassem um chapéu da cabeça; fiquei como num céu de contentamento, parecendo-me que havia passado toda a minha vida entre aquelas santas”.3 No Convento de São José, de Ávila, Ana foi admitida como irmã leiga e agregou ao seu nome o de São Bartolomeu. Encarregada das necessidades materiais da casa, sabia unir uma intensa vida interior à atividade incessante no cuidado das irmãs de hábito, tomando para si, com alegria, os trabalhos mais penosos. Todavia, a provação que tantas vezes visita os que Deus quer mais especialmente aperfeiçoar, despontou inexorável bem no início do noviciado: cessou por completo a presença sensível de Nosso Senhor, que sentira desde menina. No serviço pessoal da grande reformadora do Carmelo O primeiro encontro com aquela que seria o luzeiro de seus passos deu-se quando Ana ainda era noviça, em julho de 1571. Ao vê-la, a grande Santa Teresa deixou transparecer tanto contentamento, que parecia estar à espera de alma tão consonante com a sua. Depois de analisá-la por alguns instantes, deu- -lhe um forte abraço e ordenou que a colocassem no seu serviço pessoal. Durante os três anos em que a Santa permaneceu naquele convento, Ana pôde receber inúmeras aulas de perfeição num convívio de intimidade, contemplando com enlevo e veneração as facetas de sua superiora, cuja grandeza se manifestava ora nos lances audazes, ora nas decisões cheias de discernimento, ora nos momentos de recolhimento e até mesmo nos pequenos gestos e atitudes do dia a dia. Esse período foi o início do longo caminho que as duas Santas percorreriam juntas. Tendo Santa Teresa partido para Sevilha em 1574, sua auxiliar não pôde segui-la, devido a uma violenta enfermidade que a deixou sem energias para os afazeres habituais. Generosa como era, a sensação de inutilidade causada por esta situação só fez crescer seu desejo de dar-se por inteiro a Deus. Por isso, pediu a Ele que a curasse ou então a levasse desta vida, e recebeu esta resposta: “Agora isto não te convém; hás de padecer muitos trabalhos na companhia de minha amiga Teresa”.4 Apesar de tão consoladora promessa, a saúde de Ana não melhorou em nada… Como sói acontecer às almas muito eleitas, Jesus queria dela um novo ato de confiança e abandono. Para servir Santa Teresa, nada era obstáculo Graças a este favor concedido por Deus, pôde ela socorrer inúmeras vezes sua santa madre nos problemas de saúde que a acometeram, sobretudo nos últimos anos de vida, quando, tendo fraturado o braço esquerdo, necessitava todo o tempo de alguém que a auxiliasse. Tais circunstâncias marcaram a alma de Ana de maneira singular, como deixou atestado em suas memórias: “Verdadeiramente era um Céu servi- la, mas era o maior dos sofrimentos vê-la padecer”.5 Quando Santa Teresa retornou a Ávila, Ana seguia doente. Não obstante, deu-lhe a ordem, à primeira vista bastante arbitrária, de assumir o posto de enfermeira. Embora mal pudesse manter-se de pé, ela obedeceu prontamente, pedindo a Nosso Senhor que a auxiliasse. Demonstrando seu agrado com este ato de submissão, Jesus apareceu e não só lhe deu forças para tratar das irmãs enfermas, como também Se dispôs, Ele próprio, a cuidar de uma delas. Ao cabo de alguns dias, todas haviam se restabelecido e comentavam, impressionadas, a dedicação e habilidade da nova enfermeira, que parecia conhecer todos os segredos da função como se a exercesse há anos. Além das viagens, que constituíam ocasião especialíssima de convívio, ela tornou-se mais próxima de Santa Teresa quando passou a ser sua secretária. Este encargo, de natureza muito diversa a tudo quanto a boa irmã estava habituada a fazer, também foi desempenhado com prodigiosa eficiência, fruto de sua disposição filial de servir. Ainda que não soubesse ler nem escrever, bastou a grande mestra externar o desejo de tê- la como assistente no despacho da correspondência, que Ana se prontificou em ajudá- la, confiando que Deus a proveria das condições necessárias. Com simplicidade, pediu à Santa alguns escritos seus, a fim de imitar-lhe a caligrafia e, no mesmo dia, conseguiu redigir uma carta, anotando o que a madre lhe ditava. Hoje a coletânea dos escritos da Beata Ana de São Bartolomeu constitui um grosso volume que proclama por si este milagre nela operado por Deus. E, sem dúvida, ao considerarmos esta fidelíssima filha de Santa Teresa, sua operosidade abnegada e cheia de entusiasmo desperta nossa admiração. Diante dela, as insuficiências humanas deixavam de ser obstáculo, para se transformar na base sobre a qual Deus realizava seus milagres. “Similis simili gaudet” Tão puro, abnegado e restituidor era o amor da Beata Ana por sua mestra, que bastou esta visão para fortificá-la e enchê-la de alegria, a ponto de não derramar uma lágrima sequer por sua morte. Ao contrário, sentia-se radiante de felicidade, pois, afinal, sua venerável madre receberia o prêmio pelos árduos combates enfrentados, a glória pelos inenarráveis sofrimentos padecidos e a coroa por tantas vitórias alcançadas! Em 4 de outubro de 1582, Santa Teresa se encontrava no seu leito de dor. Sentindo aproximar- -se a hora derradeira, confessou- -se, recebeu o Viático e expirou repousando a cabeça nos braços da fiel Ana, que a assistia dia e noite. O próprio Nosso Senhor veio então consolar a fiel discípula, aparecendo a ela cheio de esplendor e mostrando-lhe a estupenda comemoração que os Anjos e Santos preparavam no Céu para receber a quem Ele chamava “minha amiga”. Após a partida de Santa Teresa para a eternidade, Ana tornou-se um ponto de referência para os que, pertencentes ou não à Ordem do Carmo, queriam melhor conhecer a gesta e a alma teresiana. E logo ficou patente o quanto aquela testemunha fidedigna havia se deixado moldar por sua superiora e assimilado seu espírito. Por obediência, recebeu o véu negro, o que significava não ser mais uma simples irmã leiga, e foi enviada à França, juntamente com outras religiosas, para ali introduzir a Ordem das Carmelitas Descalças. Passou os últimos anos de sua vida na Bélgica, onde fundou o Carmelo de Antuérpia. Nessa época os belgas estavam em guerra contra os holandeses. Espalhara- se de tal forma sua fama de santidade, que muitos militares, antes de partir para o front de combate, vinham-lhe pedir algum objeto seu, para usá-lo como relíquia e garantia da proteção de Deus. A um deles, que trazia ao peito um papel escrito pela santa madre, Deus salvou da morte: uma bala atravessou o grosso tecido do uniforme, mas foi detida pela fina folha de papel! Ademais, em duas ocasiões, nos anos de 1622 e 1624, quando a cidade estava prestes a ser tomada pelas tropas inimigas, foram as orações de Madre Ana que miraculosamente a salvaram, dando razão ao que dissera algum tempo antes a infanta Isabel Clara Eugênia, filha de Felipe II, à época governadora dos Países Baixos: “Nada receio a respeito do Castelo de Antuérpia nem desta cidade, porque estou mais segura com a defesa feita pelas orações da Madre Ana de São Bartolomeu do que com quantos exércitos possa ter ali”.6 Em 7 de junho de 1626 esta valorosa alma encerrou sua carreira neste mundo para entrar nas alegrias do Céu, onde, certamente ao lado de sua querida Madre Teresa de Jesus, continua a amparar aqueles que zelam pela glória de Deus e de sua Igreja. #SantodoDia
- São Norberto, fundador dos Monges Brancos – 6 de junho
SANTO DO DIA – 06 DE JUNHO – SÃO NORBERTO Fundador dos Cônegos Regulares Premonstratenses (1080-1134) Norberto nasceu por volta de 1080, em Xauten, na Alemanha. Filho mais novo de uma família da nobreza, podia escolher entre a carreira militar e a religiosa. Norberto escolheu a segunda, mas buscou apenas prazeres e luxos, como faziam muitos nobres da Europa. Circulava em altas rodas, vestindo riquíssimas roupas da moda, dedicando-se a caçadas e à vida da corte, até que um dia foi atingido por um raio, quando cavalgava no bosque. Seu cavalo morreu e, quando o jovem nobre despertou do desmaio, ouviu uma voz que lhe dizia para abandonar a vida mundana e praticar a virtude para salvar sua alma. Entendeu o acontecido como um presságio para uma conversa com Deus. A partir daquele instante, abandonou a família, amigos, posses e a vida dos prazeres. Passou a percorrer, na solidão, com os pés descalços e roupa de penitente, os caminhos da Alemanha, Bélgica e França. Para aprimorar o dom da pregação, completou os estudos teológicos no mosteiro de Siegburgo e recebeu a ordenação sacerdotal. Talvez envergonhado pelo passado, empreendeu a luta por reformas na Igreja, visando acabar com os privilégios dos nobres no interior do cristianismo. Foi muito contestado, principalmente pelo próprio clero, mas conseguiu o apoio do papa e seu trabalho prosperou. Quando as reformas estavam já implantadas e em andamento, retirou-se para a solidão e fundou a Ordem dos Cônegos Regulares Premonstratenses, também conhecida como “dos Monges Brancos”, uma referência ao hábito, que é dessa cor. A principal regra da nova Ordem era fazer com que os sacerdotes vivessem sua vida apostólica com a disciplina e a dedicação dos monges, uma concepção de vida religiosa revolucionária para a época. Mas não encerrou aí seu apostolado, pois desejava continuar como pregador fora do mosteiro. Reiniciou sua obra de evangelização itinerante como um simples sacerdote mendicante. Em 1126, foi nomeado arcebispo de Magdeburgo, lutando contra o cisma que ameaçava dividir a Igreja naquele tempo. Respeitado pelo rei Lotário III, da Alemanha, foi por ele escolhido para seu conselheiro espiritual e chanceler junto ao papa. Norberto morreu no dia 6 de junho de 1134, na sua sede episcopal, onde foi sepultado. Ele foi canonizado, em 1582, pelo papa Gregório XIII. Devido à Reforma Protestante, suas relíquias foram trasladadas para a abadia de Strahov, na cidade de Praga, capital da República Tcheca, em 1627, onde estão guardadas até hoje. Ao lado de são Bernardo, são Norberto é considerado um dos maiores reformadores eclesiásticos do século XII. Atualmente, existem milhares de monges da Ordem de São Norberto, em vários mosteiros encontrados em muitos países de todos os continentes, inclusive no Brasil. Conheça mais sobre São Norberto de Magdeburgo: o conde que se tornou pregador A velha catedral de Colônia acolhia naquela ocasião grande número de fiéis que se acotovelavam ao longo da ampla nave, disputando espaço para assistir ao ato que em breve iria começar. Corria o ano de 1115, provavelmente no mês de dezembro, e naquele dia, o arcebispo Frederico ia conferir a vários jovens a ordem do presbiterato. A cerimônia iniciou-se com esplendor, em meio à luz de incontáveis círios. Bem à frente dos assistentes, chamava a atenção de todos o conde de Gennep, luxuosamente ataviado, com as insígnias de sua alta posição. Muitos ali conheciam sua vida leviana e vaidosa, e estranhavam vê-lo agora em atitude tão recolhida. Um murmúrio de admiração percorreu a assembléia quando, tendo sido chamados os ordinandos, também ele se levantou e foi colocar-se ao lado destes. Mas o jovem aristocrata, imperturbável, fez sinal a um dos seus servidores e este lhe apresentou uma rude túnica de peles. O conde, desfazendo-se de suas ricas roupagens, vestiu aquele hábito de penitência. Era a reparação pública pela vida mundana que até então levara. Depois, subindo ao presbitério, recebeu sucessivamente o diaconato e o presbiterato. O brilhante fidalgo transformava-se em humilde servo de Jesus Cristo; interiormente revestido da sublime dignidade sacerdotal e, no exterior, à imitação de João Batista, da pobreza daquela veste singular. A vaidade abafa uma vocação Norberto, filho primogênito de Heriberto, conde de Gennep, nasceu em 1080, na cidade de Xanten, Alemanha. Seus pais almejavam para ele a carreira eclesiástica, pois fora revelado à piedosa condessa Hedwiges que seu filho seria um grande prelado e prestaria relevantes serviços a Deus. Mas, desde cedo, o menino começou a manifestar tendências mundanas e ambiciosas que contrariavam os piedosos desejos paternos. A aguda inteligência de Norberto e sua facilidade em assimilar tudo quanto lhe era ensinado talvez tenham contribuído para acentuar nele uma inata inclinação para a vaidade. Com efeito, uma rara eloqüência e notáveis qualidades literárias conferiam grande atração à sua pessoa, e isso não poderia deixar de ensoberbecer um jovem principiante como ele. Ambição e prestígio na corte Terminados os estudos, Norberto recebeu a ordem do subdiaconato. Depois disso, sua ascensão foi rápida. Junto ao príncipe-arcebispo de Colônia, iniciou-se nas questões diplomáticas. Pouco tempo depois, transferiu-se para a corte do rei da Alemanha, Henrique V. A personalidade irradiante e os modos graciosos do jovem conde chamaram a atenção do soberano, que o nomeou conselheiro de Estado. Norberto movia-se com desembaraço nos luxuosos cenários das intrigas palatinas, deixando todos admirados com seu talento e superioridade de espírito. O prestígio de que gozava permitia-lhe acariciar sonhos para o futuro, dando vazão a um orgulho que só tendia a crescer e a dominar sua alma. Pouco a pouco, a influência do ambiente mundano ia amolecendo sua natural seriedade e tornando levianos seus costumes. Entretanto, aquele despreocupado clérigo, tão esquecido de seus deveres religiosos, conservava ainda sentimentos de piedade que lhe aguilhoavam a consciência, provocando em sua alma a insatisfação própria daqueles a quem Deus reserva um chamado ad maiora . Um sacrilégio choca a alma de Norberto Em 1110, Henrique V viajou para Roma, a fim de ser coroado imperador pelo Papa. Norberto o acompanhou, junto com outros dignitários e um numeroso exército. Já na Cidade Eterna, o imperador se desentendeu com o Papa e deu ordem a seus soldados de arrancar-lhe os paramentos e as insígnias e levá-lo prisioneiro. Norberto sofreu um choque ao presenciar aquela cena sacrílega. Na mesma noite, foi prostrar-se aos pés do Pontífice preso, implorando perdão. Era o primeiro passo do filho pródigo na estrada que o traria de volta à casa paterna. A luta interior A partir daquele momento, a voz da graça passou a falar com maior veemência no seu interior e ele começou a dar-lhe ouvidos. De volta à Alemanha, após a libertação do Papa, Norberto permaneceu na corte por mais alguns anos, até que, em 1115, Henrique V acabou sendo excomungado. Por fidelidade à Santa Sé, Norberto abandonou Henrique V e se retirou para suas terras de Xanten. No isolamento da pequena cidade, suas ambições sentiam-se coarctadas. Mas, acostumado aos elogios e ao incenso, o conde ainda desejava vivamente satisfazer seu orgulho. Convertido por um raio e uma voz Com esses anseios na alma, partira Norberto para Wreden, distante uns 50 quilômetros de Xanten, numa luminosa manhã de primavera. A certa altura da viagem, o céu começou a cobrir-se de espessas nuvens negras. De repente ressoou um trovão. Norberto esporeou o cavalo, na esperança de alcançar refúgio, mas foi inútil. Um violentíssimo raio caiu aos pés de sua cavalgadura e o animal, assustado, derrubou-o da sela. O conde permaneceu uma hora desmaiado no lodo, sob chuva torrencial, ante o olhar estarrecido de seu escudeiro. Tendo recuperado os sentidos, ouviu uma voz interior que lhe dizia: “Deixa o mal e faze o bem, procura a paz e segue-a” 1. Norberto levantou-se contrito e radicalmente determinado a abraçar para sempre as vias da virtude. A partir desse dia, passou a levar uma vida de recolhimento e oração, submetendo seu corpo a rigorosas penitências. Instruído por Conon, abade do mosteiro beneditino de Siegburg, começou a sentir novamente o chamado para o sacerdócio e apresentou-se ao bispo de Colônia pedindo ser ordenado. Assim foi que, poucos meses após sua conversão, foram-lhe conferidas no mesmo dia, por um especial favor, as ordens do diaconato e do presbiterato. Lutas na vida sacerdotal Após um retiro de 40 dias na abadia de Siegburg, Norberto celebrou em Xanten sua primeira missa e começou a pregar. Falava principalmente sobre o transitório dos bens deste mundo e as obrigações do homem perante Deus. Seu fervor não agradou a certos clérigos que, usando como argumento a conduta pouco recomendável do pregador no passado, organizaram uma oposição contra ele. O ódio chegou até o extremo de pagarem a um homem para insultá-lo e cuspir-lhe no rosto. Descalço, trajando sua túnica de penitência, Norberto partiu de Xanten e começou a percorrer cidades e povoados. As multidões lhe seguiam, atraídas pela eloqüência com a qual anunciava “a palavra de Deus cheia de fogo, que queimava os vícios, estimulava as virtudes e enriquecia as almas bem dispostas com a sua sabedoria” 2. Sua pregação via-se confirmada pelos milagres, pelo dom de línguas e, sobretudo, por um singular carisma de apaziguar, com sua simples presença, as dissensões e inimizades. O povo corria ao encontro desse sacerdote que já se tornara conhecido pelo afetuoso apelido de “Anjo da Paz”. Um coração inovador Apesar dos brilhantes resultados de sua ação missionária, os detratores de Norberto persistiam em difamá-lo e criar obstáculos a seu apostolado. Por isso, em outubro de 1119, foi ele ajoelhar-se aos pés do Papa Calisto II, durante um concílio em Reims, para lhe expor sua situação e seus anseios de se entregar à vida religiosa. Se o feitio daquele humilde peregrino impressionou favoravelmente o Pontífice, também não passou despercebido aos olhos do bispo de Laon, Dom Bartolomeu de Viry. Este soube discernir em Norberto as características de um chamado excepcional e propôs-se ajudá-lo em tudo quanto pudesse. Não se enganava o arguto bispo: pulsava em Norberto um coração de inovador, dócil às inspirações do Espírito Santo. Seu projeto era formar uma congregação de clérigos postos em vida comunitária, que buscassem na oração, na penitência, no silêncio e na vida interior; o fundamento do seu apostolado. Ao harmonizar por primeira vez as doçuras da contemplação com a ação evangelizadora, Norberto tornar-se-ia fundador da chamada “vida mista”. Assim, sob os auspícios do Santo Padre e de Dom Bartolomeu, iniciou ele sua grande obra. Na pantanosa e sombria floresta de Coucy, próxima a Laon, existia um vale conhecido pelo nome de Premontré (prado mostrado). Ali, sobre as ruínas de uma capela abandonada, começou a erguer seu primeiro mosteiro. No Natal de 1121, Norberto e seus numerosos discípulos pronunciaram seus votos de religião, abraçando a regra agostiniana. Estava fundada a Ordem dos Cônegos Regulares de Premontré, hoje conhecidos como Premonstratenses. Crescimento do instituto e fundação feminina Pouco a pouco afluíram as vocações, e naquele bosque escuro e desabitado logo foi elevada a igreja de Santa Maria de Premontré. Em torno dela foram construídas as moradias dos clérigos. A Europa contemplou admirada aqueles homens vestidos de branco, saídos do silencioso vale de Premontré, percorrendo desde as grandes cidades até as menores aldeias, como incansáveis anjos da Boa Nova, inculcando nos corações o amor à Eucaristia e a devoção terna à Virgem Santíssima, que haviam haurido no convívio com Norberto. Dado o crescimento prodigioso de sua obra, teve ele de empreender contínuas viagens para estabelecer novas fundações na Alemanha, na Bélgica, na França e em outras regiões. Junto aos mosteiros dos cônegos, surgiram depois os das Irmãs da Segunda Ordem, conhecidas como Norbertinas, onde se observava o mesmo rigor de vida, em inteira consonância com o fundador. Elevação ao episcopado A Providência, entretanto, reservava a Norberto outra missão. Em 1126, em circunstâncias inesperadas e totalmente contra a sua vontade, foi eleito Arcebispo de Magdeburgo. Poucos dias depois, fez sua entrada nessa cidade, recebendo as homenagens do clero, dos nobres e do povo. O aspecto do novo Arcebispo não se diferenciava muito ao do pobre penitente que anos atrás percorrera as aldeias, arrastando a todos com a eficácia de sua palavra. Terminadas as cerimônias, dirigiu-se ao palácio episcopal onde doravante deveria residir. Mas o porteiro, ao vê-lo, tomou-o por um indigente, e disse-lhe: — Chegaste tarde, já foi repartida a comida aos necessitados. Quando lhe avisaram que aquele era seu novo senhor, logo sua rudeza se mudou em confusão. Norberto, porém, sorrindo com afabilidade, respondeu: — Tu me conheces melhor e viste mais claro do que aqueles que me conduziram a este palácio 3. Oito anos durou seu ministério pastoral em Magdeburgo. Com sua característica retidão, logo notou os relaxamentos existentes na diocese e tomou enérgicas medidas em prol da ordem. Isso suscitou rancores, e alguns descontentes planejaram matá-lo. Como, porém, esse plano falhou, eles recorreram à arma da calúnia e amotinaram a turba contra o Arcebispo. Também isso foi em vão, pois a bondade e a coragem do santo em pouco tempo fizeram serenar os ânimos e restabelecer a paz. Grande na humildade, humilde na grandeza Em inícios de 1130 faleceu o Papa Honório II, e o mundo católico recebeu a desconcertante notícia da eleição de dois sucessores para o sólio pontifício: Inocêncio II e Anacleto II. O perigo de um cisma era iminente. Movido pelo Espírito Santo, São Bernardo de Claraval logo se levantou, na França, a favor de Inocêncio, conclamando todos a defender o verdadeiro Papa, que chegava a esse reino fugindo do usurpador. Na Alemanha, o rei Lotário demorava em tomar posição. Só o Arcebispo de Magdeburgo, no qual depositava sua confiança, poderia pesar favoravelmente em sua determinação. Norberto não poupou esforços: apresentando provas e documentos, e valendo-se de sua eloqüência, mostrou-lhe a legitimidade de Inocêncio enquanto sucessor de Pedro. Sua voz foi aceita como um verdadeiro oráculo pelo soberano, e toda a Alemanha colocou-se resolutamente do lado do Papa legítimo. Assim, Norberto salvou sua pátria do risco de um fatal rompimento com a Igreja. Este foi o último e, talvez, o mais belo lance de sua vida. De volta a Magdeburgo, seu já abalado estado de saúde agravou-se de modo alarmante. Mesmo assim, durante alguns meses de dolorosa enfermidade, realizou milagres assombrosos, como a ressurreição de três mortos num mesmo dia. Por fim, a 6 de junho de 1134, na oitava de Pentecostes, sentindo a morte iminente, quis ser colocado, conforme o costume daquela época, sobre uma cruz de cinzas traçada no solo. Nessa posição, à imitação do Redentor, expirou da mesma forma como havia vivido: grande na humildade e humilde na grandeza. Uma vida definida por uma única palavra: integridade A partir do instante de sua conversão, a peregrinação de São Norberto neste mundo poderia ser definida por uma única palavra: integridade. Foi por excelência o varão da despretensão, da entrega generosa e desinteressada de si, pela glória da Igreja. Uma vez posta a mão no arado, seus olhos jamais se voltaram para contemplar as brilhantes promessas que o mundo lhe oferecia. Pelo contrário, ele se apresentou ante o olhar surpreso dos seus coetâneos, como o fundador e arquétipo de um novo estilo de vida, austero e abnegado. É necessário notar, porém, que a rutilância de suas virtudes, acentuada por uma personalidade rica em dotes naturais, dividia as opiniões e separava nitidamente os bons dos maus. São Norberto foi, a exemplo do Divino Mestre, pedra de escândalo e varão de contradição. Sua própria bondade, que cativava as almas santas e impelia os pecadores a abraçarem o bom caminho, era causa de contínuas perseguições. Ciente de que o verdadeiro sentido da existência se cifra unicamente em agradar a Deus, São Norberto era em vão acossado pelos seus adversários. Seu superior poder desarmava o ódio, fazia procurar a virtude e transformava a ira em amor. ² #SantodoDia
- São Norberto, fundador dos Monges Brancos – 6 de junho
SANTO DO DIA – 06 DE JUNHO – SÃO NORBERTO Fundador dos Cônegos Regulares Premonstratenses (1080-1134) Norberto nasceu por volta de 1080, em Xauten, na Alemanha. Filho mais novo de uma família da nobreza, podia escolher entre a carreira militar e a religiosa. Norberto escolheu a segunda, mas buscou apenas prazeres e luxos, como faziam muitos nobres da Europa. Circulava em altas rodas, vestindo riquíssimas roupas da moda, dedicando-se a caçadas e à vida da corte, até que um dia foi atingido por um raio, quando cavalgava no bosque. Seu cavalo morreu e, quando o jovem nobre despertou do desmaio, ouviu uma voz que lhe dizia para abandonar a vida mundana e praticar a virtude para salvar sua alma. Entendeu o acontecido como um presságio para uma conversa com Deus. A partir daquele instante, abandonou a família, amigos, posses e a vida dos prazeres. Passou a percorrer, na solidão, com os pés descalços e roupa de penitente, os caminhos da Alemanha, Bélgica e França. Para aprimorar o dom da pregação, completou os estudos teológicos no mosteiro de Siegburgo e recebeu a ordenação sacerdotal. Talvez envergonhado pelo passado, empreendeu a luta por reformas na Igreja, visando acabar com os privilégios dos nobres no interior do cristianismo. Foi muito contestado, principalmente pelo próprio clero, mas conseguiu o apoio do papa e seu trabalho prosperou. Quando as reformas estavam já implantadas e em andamento, retirou-se para a solidão e fundou a Ordem dos Cônegos Regulares Premonstratenses, também conhecida como “dos Monges Brancos”, uma referência ao hábito, que é dessa cor. A principal regra da nova Ordem era fazer com que os sacerdotes vivessem sua vida apostólica com a disciplina e a dedicação dos monges, uma concepção de vida religiosa revolucionária para a época. Mas não encerrou aí seu apostolado, pois desejava continuar como pregador fora do mosteiro. Reiniciou sua obra de evangelização itinerante como um simples sacerdote mendicante. Em 1126, foi nomeado arcebispo de Magdeburgo, lutando contra o cisma que ameaçava dividir a Igreja naquele tempo. Respeitado pelo rei Lotário III, da Alemanha, foi por ele escolhido para seu conselheiro espiritual e chanceler junto ao papa. Norberto morreu no dia 6 de junho de 1134, na sua sede episcopal, onde foi sepultado. Ele foi canonizado, em 1582, pelo papa Gregório XIII. Devido à Reforma Protestante, suas relíquias foram trasladadas para a abadia de Strahov, na cidade de Praga, capital da República Tcheca, em 1627, onde estão guardadas até hoje. Ao lado de são Bernardo, são Norberto é considerado um dos maiores reformadores eclesiásticos do século XII. Atualmente, existem milhares de monges da Ordem de São Norberto, em vários mosteiros encontrados em muitos países de todos os continentes, inclusive no Brasil. Conheça mais sobre São Norberto de Magdeburgo: o conde que se tornou pregador A velha catedral de Colônia acolhia naquela ocasião grande número de fiéis que se acotovelavam ao longo da ampla nave, disputando espaço para assistir ao ato que em breve iria começar. Corria o ano de 1115, provavelmente no mês de dezembro, e naquele dia, o arcebispo Frederico ia conferir a vários jovens a ordem do presbiterato. A cerimônia iniciou-se com esplendor, em meio à luz de incontáveis círios. Bem à frente dos assistentes, chamava a atenção de todos o conde de Gennep, luxuosamente ataviado, com as insígnias de sua alta posição. Muitos ali conheciam sua vida leviana e vaidosa, e estranhavam vê-lo agora em atitude tão recolhida. Um murmúrio de admiração percorreu a assembléia quando, tendo sido chamados os ordinandos, também ele se levantou e foi colocar-se ao lado destes. Mas o jovem aristocrata, imperturbável, fez sinal a um dos seus servidores e este lhe apresentou uma rude túnica de peles. O conde, desfazendo-se de suas ricas roupagens, vestiu aquele hábito de penitência. Era a reparação pública pela vida mundana que até então levara. Depois, subindo ao presbitério, recebeu sucessivamente o diaconato e o presbiterato. O brilhante fidalgo transformava-se em humilde servo de Jesus Cristo; interiormente revestido da sublime dignidade sacerdotal e, no exterior, à imitação de João Batista, da pobreza daquela veste singular. A vaidade abafa uma vocação Norberto, filho primogênito de Heriberto, conde de Gennep, nasceu em 1080, na cidade de Xanten, Alemanha. Seus pais almejavam para ele a carreira eclesiástica, pois fora revelado à piedosa condessa Hedwiges que seu filho seria um grande prelado e prestaria relevantes serviços a Deus. Mas, desde cedo, o menino começou a manifestar tendências mundanas e ambiciosas que contrariavam os piedosos desejos paternos. A aguda inteligência de Norberto e sua facilidade em assimilar tudo quanto lhe era ensinado talvez tenham contribuído para acentuar nele uma inata inclinação para a vaidade. Com efeito, uma rara eloqüência e notáveis qualidades literárias conferiam grande atração à sua pessoa, e isso não poderia deixar de ensoberbecer um jovem principiante como ele. Ambição e prestígio na corte Terminados os estudos, Norberto recebeu a ordem do subdiaconato. Depois disso, sua ascensão foi rápida. Junto ao príncipe-arcebispo de Colônia, iniciou-se nas questões diplomáticas. Pouco tempo depois, transferiu-se para a corte do rei da Alemanha, Henrique V. A personalidade irradiante e os modos graciosos do jovem conde chamaram a atenção do soberano, que o nomeou conselheiro de Estado. Norberto movia-se com desembaraço nos luxuosos cenários das intrigas palatinas, deixando todos admirados com seu talento e superioridade de espírito. O prestígio de que gozava permitia-lhe acariciar sonhos para o futuro, dando vazão a um orgulho que só tendia a crescer e a dominar sua alma. Pouco a pouco, a influência do ambiente mundano ia amolecendo sua natural seriedade e tornando levianos seus costumes. Entretanto, aquele despreocupado clérigo, tão esquecido de seus deveres religiosos, conservava ainda sentimentos de piedade que lhe aguilhoavam a consciência, provocando em sua alma a insatisfação própria daqueles a quem Deus reserva um chamado ad maiora . Um sacrilégio choca a alma de Norberto Em 1110, Henrique V viajou para Roma, a fim de ser coroado imperador pelo Papa. Norberto o acompanhou, junto com outros dignitários e um numeroso exército. Já na Cidade Eterna, o imperador se desentendeu com o Papa e deu ordem a seus soldados de arrancar-lhe os paramentos e as insígnias e levá-lo prisioneiro. Norberto sofreu um choque ao presenciar aquela cena sacrílega. Na mesma noite, foi prostrar-se aos pés do Pontífice preso, implorando perdão. Era o primeiro passo do filho pródigo na estrada que o traria de volta à casa paterna. A luta interior A partir daquele momento, a voz da graça passou a falar com maior veemência no seu interior e ele começou a dar-lhe ouvidos. De volta à Alemanha, após a libertação do Papa, Norberto permaneceu na corte por mais alguns anos, até que, em 1115, Henrique V acabou sendo excomungado. Por fidelidade à Santa Sé, Norberto abandonou Henrique V e se retirou para suas terras de Xanten. No isolamento da pequena cidade, suas ambições sentiam-se coarctadas. Mas, acostumado aos elogios e ao incenso, o conde ainda desejava vivamente satisfazer seu orgulho. Convertido por um raio e uma voz Com esses anseios na alma, partira Norberto para Wreden, distante uns 50 quilômetros de Xanten, numa luminosa manhã de primavera. A certa altura da viagem, o céu começou a cobrir-se de espessas nuvens negras. De repente ressoou um trovão. Norberto esporeou o cavalo, na esperança de alcançar refúgio, mas foi inútil. Um violentíssimo raio caiu aos pés de sua cavalgadura e o animal, assustado, derrubou-o da sela. O conde permaneceu uma hora desmaiado no lodo, sob chuva torrencial, ante o olhar estarrecido de seu escudeiro. Tendo recuperado os sentidos, ouviu uma voz interior que lhe dizia: “Deixa o mal e faze o bem, procura a paz e segue-a” 1. Norberto levantou-se contrito e radicalmente determinado a abraçar para sempre as vias da virtude. A partir desse dia, passou a levar uma vida de recolhimento e oração, submetendo seu corpo a rigorosas penitências. Instruído por Conon, abade do mosteiro beneditino de Siegburg, começou a sentir novamente o chamado para o sacerdócio e apresentou-se ao bispo de Colônia pedindo ser ordenado. Assim foi que, poucos meses após sua conversão, foram-lhe conferidas no mesmo dia, por um especial favor, as ordens do diaconato e do presbiterato. Lutas na vida sacerdotal Após um retiro de 40 dias na abadia de Siegburg, Norberto celebrou em Xanten sua primeira missa e começou a pregar. Falava principalmente sobre o transitório dos bens deste mundo e as obrigações do homem perante Deus. Seu fervor não agradou a certos clérigos que, usando como argumento a conduta pouco recomendável do pregador no passado, organizaram uma oposição contra ele. O ódio chegou até o extremo de pagarem a um homem para insultá-lo e cuspir-lhe no rosto. Descalço, trajando sua túnica de penitência, Norberto partiu de Xanten e começou a percorrer cidades e povoados. As multidões lhe seguiam, atraídas pela eloqüência com a qual anunciava “a palavra de Deus cheia de fogo, que queimava os vícios, estimulava as virtudes e enriquecia as almas bem dispostas com a sua sabedoria” 2. Sua pregação via-se confirmada pelos milagres, pelo dom de línguas e, sobretudo, por um singular carisma de apaziguar, com sua simples presença, as dissensões e inimizades. O povo corria ao encontro desse sacerdote que já se tornara conhecido pelo afetuoso apelido de “Anjo da Paz”. Um coração inovador Apesar dos brilhantes resultados de sua ação missionária, os detratores de Norberto persistiam em difamá-lo e criar obstáculos a seu apostolado. Por isso, em outubro de 1119, foi ele ajoelhar-se aos pés do Papa Calisto II, durante um concílio em Reims, para lhe expor sua situação e seus anseios de se entregar à vida religiosa. Se o feitio daquele humilde peregrino impressionou favoravelmente o Pontífice, também não passou despercebido aos olhos do bispo de Laon, Dom Bartolomeu de Viry. Este soube discernir em Norberto as características de um chamado excepcional e propôs-se ajudá-lo em tudo quanto pudesse. Não se enganava o arguto bispo: pulsava em Norberto um coração de inovador, dócil às inspirações do Espírito Santo. Seu projeto era formar uma congregação de clérigos postos em vida comunitária, que buscassem na oração, na penitência, no silêncio e na vida interior; o fundamento do seu apostolado. Ao harmonizar por primeira vez as doçuras da contemplação com a ação evangelizadora, Norberto tornar-se-ia fundador da chamada “vida mista”. Assim, sob os auspícios do Santo Padre e de Dom Bartolomeu, iniciou ele sua grande obra. Na pantanosa e sombria floresta de Coucy, próxima a Laon, existia um vale conhecido pelo nome de Premontré (prado mostrado). Ali, sobre as ruínas de uma capela abandonada, começou a erguer seu primeiro mosteiro. No Natal de 1121, Norberto e seus numerosos discípulos pronunciaram seus votos de religião, abraçando a regra agostiniana. Estava fundada a Ordem dos Cônegos Regulares de Premontré, hoje conhecidos como Premonstratenses. Crescimento do instituto e fundação feminina Pouco a pouco afluíram as vocações, e naquele bosque escuro e desabitado logo foi elevada a igreja de Santa Maria de Premontré. Em torno dela foram construídas as moradias dos clérigos. A Europa contemplou admirada aqueles homens vestidos de branco, saídos do silencioso vale de Premontré, percorrendo desde as grandes cidades até as menores aldeias, como incansáveis anjos da Boa Nova, inculcando nos corações o amor à Eucaristia e a devoção terna à Virgem Santíssima, que haviam haurido no convívio com Norberto. Dado o crescimento prodigioso de sua obra, teve ele de empreender contínuas viagens para estabelecer novas fundações na Alemanha, na Bélgica, na França e em outras regiões. Junto aos mosteiros dos cônegos, surgiram depois os das Irmãs da Segunda Ordem, conhecidas como Norbertinas, onde se observava o mesmo rigor de vida, em inteira consonância com o fundador. Elevação ao episcopado A Providência, entretanto, reservava a Norberto outra missão. Em 1126, em circunstâncias inesperadas e totalmente contra a sua vontade, foi eleito Arcebispo de Magdeburgo. Poucos dias depois, fez sua entrada nessa cidade, recebendo as homenagens do clero, dos nobres e do povo. O aspecto do novo Arcebispo não se diferenciava muito ao do pobre penitente que anos atrás percorrera as aldeias, arrastando a todos com a eficácia de sua palavra. Terminadas as cerimônias, dirigiu-se ao palácio episcopal onde doravante deveria residir. Mas o porteiro, ao vê-lo, tomou-o por um indigente, e disse-lhe: — Chegaste tarde, já foi repartida a comida aos necessitados. Quando lhe avisaram que aquele era seu novo senhor, logo sua rudeza se mudou em confusão. Norberto, porém, sorrindo com afabilidade, respondeu: — Tu me conheces melhor e viste mais claro do que aqueles que me conduziram a este palácio 3. Oito anos durou seu ministério pastoral em Magdeburgo. Com sua característica retidão, logo notou os relaxamentos existentes na diocese e tomou enérgicas medidas em prol da ordem. Isso suscitou rancores, e alguns descontentes planejaram matá-lo. Como, porém, esse plano falhou, eles recorreram à arma da calúnia e amotinaram a turba contra o Arcebispo. Também isso foi em vão, pois a bondade e a coragem do santo em pouco tempo fizeram serenar os ânimos e restabelecer a paz. Grande na humildade, humilde na grandeza Em inícios de 1130 faleceu o Papa Honório II, e o mundo católico recebeu a desconcertante notícia da eleição de dois sucessores para o sólio pontifício: Inocêncio II e Anacleto II. O perigo de um cisma era iminente. Movido pelo Espírito Santo, São Bernardo de Claraval logo se levantou, na França, a favor de Inocêncio, conclamando todos a defender o verdadeiro Papa, que chegava a esse reino fugindo do usurpador. Na Alemanha, o rei Lotário demorava em tomar posição. Só o Arcebispo de Magdeburgo, no qual depositava sua confiança, poderia pesar favoravelmente em sua determinação. Norberto não poupou esforços: apresentando provas e documentos, e valendo-se de sua eloqüência, mostrou-lhe a legitimidade de Inocêncio enquanto sucessor de Pedro. Sua voz foi aceita como um verdadeiro oráculo pelo soberano, e toda a Alemanha colocou-se resolutamente do lado do Papa legítimo. Assim, Norberto salvou sua pátria do risco de um fatal rompimento com a Igreja. Este foi o último e, talvez, o mais belo lance de sua vida. De volta a Magdeburgo, seu já abalado estado de saúde agravou-se de modo alarmante. Mesmo assim, durante alguns meses de dolorosa enfermidade, realizou milagres assombrosos, como a ressurreição de três mortos num mesmo dia. Por fim, a 6 de junho de 1134, na oitava de Pentecostes, sentindo a morte iminente, quis ser colocado, conforme o costume daquela época, sobre uma cruz de cinzas traçada no solo. Nessa posição, à imitação do Redentor, expirou da mesma forma como havia vivido: grande na humildade e humilde na grandeza. Uma vida definida por uma única palavra: integridade A partir do instante de sua conversão, a peregrinação de São Norberto neste mundo poderia ser definida por uma única palavra: integridade. Foi por excelência o varão da despretensão, da entrega generosa e desinteressada de si, pela glória da Igreja. Uma vez posta a mão no arado, seus olhos jamais se voltaram para contemplar as brilhantes promessas que o mundo lhe oferecia. Pelo contrário, ele se apresentou ante o olhar surpreso dos seus coetâneos, como o fundador e arquétipo de um novo estilo de vida, austero e abnegado. É necessário notar, porém, que a rutilância de suas virtudes, acentuada por uma personalidade rica em dotes naturais, dividia as opiniões e separava nitidamente os bons dos maus. São Norberto foi, a exemplo do Divino Mestre, pedra de escândalo e varão de contradição. Sua própria bondade, que cativava as almas santas e impelia os pecadores a abraçarem o bom caminho, era causa de contínuas perseguições. Ciente de que o verdadeiro sentido da existência se cifra unicamente em agradar a Deus, São Norberto era em vão acossado pelos seus adversários. Seu superior poder desarmava o ódio, fazia procurar a virtude e transformava a ira em amor. ² #SantodoDia
- São Bonifácio, o apóstolo da Alemanha – 5 de junho
SANTO DO DIA – 05 DE JUNHO – SÃO BONIFÁCIO Bispo e Mártir (673-755), apóstolo da Alemanha A esse infatigável missionário inglês atribui-se o mérito de haver tornado possível, com a evangelização dos povos germânicos de além Reno, a organização política e social europeia, concretizada pouco depois por Carlos Magno. Vinfrido, que receberá o nome do mártir Bonifácio em 719, quando o papa Gregório II lhe confiar a missão entre as populações germânicas, nasceu em Crediton, no Devon. Aos cinco anos ingressou no mosteiro beneditino de Exter. Ordenado sacerdote em Winchester, seguindo o exemplo dos monges ingleses e irlandeses, dirigiu-se ao continente impelido pelo desejo de levar o Evangelho às populações pagãs da Europa central. As circunstâncias não lhe foram favoráveis. Voltou dois anos depois, munido desta vez da aprovação e do mandato do papa, que lhe entregou uma carta de recomendação endereçada ao poderoso Carlos Martel, rei dos francos. Bonifácio trabalhou por um par de anos ao lado de Vilibrordo, outro célebre missionário, visitando a Baviera, a Turíngia e a Frísia, e batizando milhares de pagãos. O papa Gregório II apreciou a obra do dinâmico missionário e o convocou a Roma, nomeando-o em 722 bispo de toda a Germânia transrenana. De 724 a 731, Bonifácio dedicou-se à evangelização da Saxônia, cujas populações eram inteiramente pagãs. Nessa difusão foi coadjuvado por missionários ingleses e irlandeses que ele deixava depois para continuar a obra nas várias missões. Os sacerdotes adaptavam-se a fazer de tudo um pouco: professores, carpinteiros, enfermeiros. Alguns foram postos à frente de mosteiros fundados pelo santo bispo, agora arcebispo de Mogúncia, depois que o novo papa Gregório III lhe enviou de Roma o pálio com autoridade de ordenar outros bispos nos territórios evangelizados. Em 753 elegeu seu fiel discípulo Lul para coadjutor na sede de Mogúncia, e partiu para a última missão na Frísia. Desceu com algumas embarcações ao longo do Reno e se dirigiu a Dokkum, onde se haviam reunido numerosos neófitos para a crisma no dia de Pentecostes. Durante a celebração de 5 de junho, uma turba de frisões, armados de espada, irrompeu no acampamento. Bonifácio tomou como escudo o evangeliário, mas um golpe de espada talhou em dois o livro e fendeu a cabeça do infatigável ancião. O bispo Lul transportou seu corpo para o mosteiro fundado pelo santo em Fulda, centro propulsor da espiritualidade e da cultura religiosa da Germânia. Conheça mais sobre São Bonifácio Nasceu pelo ano de 680 no Wessex, em Kirton, condado de Devonshire. Já com a idade de cinco anos tinha o prazer em ouvir falar de Deus e das coisas celestes. Alguns monges, que pregavam missões no país, chegaram à casa de seu pai, e o jovem sentiu-se tocado com sua conduta edificante e sua instrução, a ponto de conceber um desejo ardente de abraçar a vida monástica. O pai acreditou, primeiramente, que o desejo desaparecesse com a idade; mas viu-o aumentar, dia-a-dia. Empregou inutilmente toda a autoridade para constranger Winfrido a mudar de idéias e de sentimentos. Atacado por uma doença perigosa, reconheceu a vontade de Deus e não mais se opôs `vocação do filho que, com a idade de sete anos, entrou para o mosteiro de Excester, cuja cidade mais tarde lhe tomou o nome. Ali santificou o estudo da gramática com uma grande assiduidade à prece e à meditação. Tendo sido enviado, em seguida, ao mosteiro de Nutcell, granjeou reputação tanto pelo saber como pela regularidade de disciplina, fazendo progressos extraordinários na poesia, na retórica, na história e no conhecimento das Escrituras. O abade encarregou-se de ensinar aos outros as mesmas ciências, e fê-lo ordenar sacerdote com a idade de trinta anos. A partir dessa data, aplicou-se principalmente ao ministério da palavra e à santificação das almas. Um caso inesperado havia obrigado os bispos a se reunirem em concílio, sem mesmo esperar as ordens de São Britwald, arcebispo de Cantuária, e enviaram, com a permissão do rei Ina, o Padre Winfrido para dele prestar contas; desde esse tempo, os bispos frequentemente o chamavam aos seus conselhos. Longe de sentir-se lisonjeado com a estima que havia adquirido, resolveu deixar o país para trabalhar na conversão dos infiéis. Obtido o consentimento, não sem dificuldade, do abade e da comunidade, partiu, acompanhado de dois outros monges, e dirigiu-se à Frisa pelo ano de 716. Mas lá se viu acesa a guerra entre Carlos Martelo, príncipe dos francos, e o rei Radbod, que havia restabelecido a idolatria na Frisa, anteriormente sujeira aos francos, e perseguia os cristãos. Winfrido foi a Utrecht falar-lhe; mas notando que nada havia a fazer pela religião nesse país, voltou à Inglaterra com os companheiros e regressou ao mosteiro de Nutcell. Pouco tempo depois, o abade do mosteiro morreu e a comunidade quis colocar Winfrido em seu lugar; mas ele recusou e dirigiu-se a Roma com cartas de recomendação do bispo: tratava de Daniel, bispo de Winchester, célebre pela virtude e doutrina. Chegando a Roma, Winfrido apresentou-se ao santo Papa Gregório II, e explicou-lhe o desejo que tinha de trabalhar pela conversão dos infiéis. O Papa olhou-o com rosto sereno e perguntou-lhe se tinha cartas do bispo. Winfrido tirou de baixo do manto uma carta fechada para o Papa, e outra, aberta, que era uma recomendação geral a todos os cristãos, segundo o costume. O Papa fez-lhe sinal para que se retirasse; e lidas as cartas di Bispo Daniel, manteve várias conferências com Winfrido, esperando a estação adequada para a viagem, isso é, o começo do verão. Então deu-lhe as relíquias que pedia, e, ademais, uma ampla e honrosa missão de pregar o Evangelho a todas as nações infiéis.(…) (…) Após terem trabalhado durante algum tempo Winfrido enviou à Roma um dos seus com uma carta em que prestava contas ao Papa do resultado da missão e o consultava a respeito de algumas dificuldades. O Papa, em resposta, mandou que viesse pessoalmente; ele obedeceu. Chegou a Roma, pela segunda vez, acompanhado de diversos discípulos. Tendo-o ouvido, o Papa andou que fosse recebido na casa dos estrangeiros. Depois, fazendo-o vir a São Pedro, interrogou-o sobre a fé da Igreja. Winfrido pediu tempo para escrever a sua confissão de fé, e levou-lha. O Papa restituiu-a alguns dias após, e mandando que se sentasse, exortou-o a conservar a doutrina e ensiná-la aos outros. Passou quase todo o dia em conferência com ele, fazendo-lhe diversas perguntas a respeito de assuntos da religião e da conversão dos infiéis. Enfim, declarou-lhe que pretendia sagrá-lo Bispo desses povos que não tinham pastores. O santo sacerdote submeteu-se, e o Papa ordenou-o bispo em 30 de Novembro de 723, mudando-lhe o nome de Winfrido para o de Bonifácio, sob o qual é mais conhecido, Na cerimônia da ordenação, ou imediatamente após, prestou ao Papa o seguinte juramente, o qual assinou de próprio punho, e que colocou em seguida sobre o corpo de São Pedro: “Em nome do Senhor, nosso deus, e Salvador Jesus Cristo. Ano seis do reinado do imperador Leão, quatro de seu filho Constantino, indicção sexta. Eu Bonifácio, bispo pela graça de Deus, prometo a vós, bem-aventurado Pedro, príncipe dos apóstolos, e a vosso vigário, o bem-aventurado Papa Gregório, bem como a seus sucessores, pela indivisível trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e por vosso sagrado corpo aqui presente, que conservarei sempre a pureza da fé católica na unidade da mesma crença, na qual, fora de dúvidas, está a salvação de todos os cristãos; que não atentarei jamais contra a unidade da Igreja universal, mas terei sempre uma fidelidade integral, um empenho sincero por vós e pelos interesses da vossa igreja, a quem o Senhor deu o poder de ligar e desligar, bem como ao vosso vigário e seus sucessores; que não terei jamais comunhão alguma com os bispos que vir se afastarem dos caminhos traçados pelos Santos Padres; que se puder, impedirei a sua ação; caso contrário, denunciá-lo-ei ao Papa, meu Senhor (…) Tal é o juramente solene que o apóstolo da Alemanha prestou ao Papa Gregório II. É sobre essa base apostólica que estão fundadas o episcopado e a Igreja da Alemanha. Possam os bispos e os povos da Alemanha não esquecê-lo jamais! (…) (…) Bonifácio embarcou para além do Reno a fim de dirigir-se a Frisa, com Eobano, bispo de Utrecht, e um numeroso grupo de sacerdotes e diáconos, que se consagraram a tais missões. O zelo do santo arcebispo parecia restitui-lhe as forças que a idade e as fadigar lhe haviam arrebatado. A seara crescia-lhe sob os pés, e como tinha pouco tempo para recolhê-la, Deus derramava abundantes bênçãos sobre os seus últimos trabalhos. O Santo apóstolo teve, em pouco tempo, a consolação de batizar vários milhares de idólatras, e, a fim de fortificá-los na fé, marcou-lhes um dia e um lugar, e acampou, com seu grupo de missionários, nas margens de um pequeno riacho, chamado Bordne. No dia aprazado, começava a aurora apenas a despontar quando viram chegar, em lugar dos neófitos que se esperavam, um grupo de pagãos armados, que se lançavam impetuosamente contra o pequeno acampamento dos missionários. Seus servos tomaram das armas, prontos para cumprir o dever de defender os senhores contra o furor dos bárbaros; mas São Bonifácio, aparecendo com os seus clérigos, tendo na mão o livro dos Evangelhos e as relíquias que costumava levar consigo, disse aos seus: – Cessai de combatê-los, meus filhos, e não retribuais o mal com o mal, mas o bem pelo mal, como a Sagrada Escritura vos ordena fazer. O dia almejado chegou finalmente. Colocai vossa força e esperança em Deus, e aceitai com reconhecimento o que ele permitir pela vossa salvação. Depois, voltando-se, meus irmãos, disse-lhes, não vos deixeis intimidar por aqueles que podem matar o corpo, mas não a alma. Sofrei com constância a morte de um instante para reinar eternamente com Jesus Cristo. Mas o seu exemplo fortificou-os mais do que as suas palavras. Pronunciadas estas palavras, Bonifácio viu os bárbaros arremeter contra ele com espadas desembainhadas. Não tentou nem fugir nem defender-se. Colocou a cabeça sobre o livro dos Evangelhos, não para fazer ver que morria pelas verdades neles contidas. Foi, no mesmo instante, massacrado por esses furiosos com todo o grupo dos missionários que o acompanhavam e que foram degolados com o seu pastor, como um rebanho de ovelhas à mercê de lobos vorazes. Perfazem o número de cinqüenta e dois os companheiros de martírio de São Bonifácio, os quais tiveram a honra de verter o sangue, com ele, pela fé. Os mais conhecidos são Santo Eobano, bispo de Utrecht, e o sacerdote Adelário. Após a sangrenta obra, os idólatras, mais ávidos dos despojos do que do sangue dos santos mártires correram a pilhar as tendas e barcos que traziam provisões. Beberam primeiramente todo o vinho que encontraram e levaram com alegria as caixas que julgavam cheios de ouro e prata; mas, como estavam embriagados, antes de abri-las, brigaram na partilha delas, voltando as armas uns contra os outros, armas que ainda estavam rubras com o sangue dos santos mártires. Muitos bárbaros ficaram estendidos no lugar. Os outros, havendo enfim aberto os cofres, ficaram sumamente decepcionados não encontrando senão relíquias e livros, que dispersaram, por desrespeito, pelos campos e nos brejos. Foi assim que São Bonifácio terminou, por uma morte gloriosa, uma vida que foi um contínuo martírio, uma vez que foi um apostolado contínuo. Seus trabalhos imensos e os frutos que a Igreja recolheu lhe constituem o elogio. Santo religioso, grande arcebispo, missionário infatigável, digno legado da santa Sé, foi sempre igualmente zeloso pela glória e pelo crescimento da Igreja, pelo restabelecimento da disciplina no clero e no estado monástico, pela extirpação do vício e da idolatria. A França e a Alemanha choraram-no como seu apóstolo. Respeitado pelos príncipes da terra, amado e honrado pelos povos, para cúmulo da glória, foi objeto de ódio dos hereges, que o caluniaram, e dos idólatras que o imolaram. Seu martírio ocorreu no dia 5 de Junho de 755, após trinta e um anos e seis meses de episcopado. #SantodoDia
- São Bonifácio, o apóstolo da Alemanha – 5 de junho
SANTO DO DIA – 05 DE JUNHO – SÃO BONIFÁCIO Bispo e Mártir (673-755), apóstolo da Alemanha A esse infatigável missionário inglês atribui-se o mérito de haver tornado possível, com a evangelização dos povos germânicos de além Reno, a organização política e social europeia, concretizada pouco depois por Carlos Magno. Vinfrido, que receberá o nome do mártir Bonifácio em 719, quando o papa Gregório II lhe confiar a missão entre as populações germânicas, nasceu em Crediton, no Devon. Aos cinco anos ingressou no mosteiro beneditino de Exter. Ordenado sacerdote em Winchester, seguindo o exemplo dos monges ingleses e irlandeses, dirigiu-se ao continente impelido pelo desejo de levar o Evangelho às populações pagãs da Europa central. As circunstâncias não lhe foram favoráveis. Voltou dois anos depois, munido desta vez da aprovação e do mandato do papa, que lhe entregou uma carta de recomendação endereçada ao poderoso Carlos Martel, rei dos francos. Bonifácio trabalhou por um par de anos ao lado de Vilibrordo, outro célebre missionário, visitando a Baviera, a Turíngia e a Frísia, e batizando milhares de pagãos. O papa Gregório II apreciou a obra do dinâmico missionário e o convocou a Roma, nomeando-o em 722 bispo de toda a Germânia transrenana. De 724 a 731, Bonifácio dedicou-se à evangelização da Saxônia, cujas populações eram inteiramente pagãs. Nessa difusão foi coadjuvado por missionários ingleses e irlandeses que ele deixava depois para continuar a obra nas várias missões. Os sacerdotes adaptavam-se a fazer de tudo um pouco: professores, carpinteiros, enfermeiros. Alguns foram postos à frente de mosteiros fundados pelo santo bispo, agora arcebispo de Mogúncia, depois que o novo papa Gregório III lhe enviou de Roma o pálio com autoridade de ordenar outros bispos nos territórios evangelizados. Em 753 elegeu seu fiel discípulo Lul para coadjutor na sede de Mogúncia, e partiu para a última missão na Frísia. Desceu com algumas embarcações ao longo do Reno e se dirigiu a Dokkum, onde se haviam reunido numerosos neófitos para a crisma no dia de Pentecostes. Durante a celebração de 5 de junho, uma turba de frisões, armados de espada, irrompeu no acampamento. Bonifácio tomou como escudo o evangeliário, mas um golpe de espada talhou em dois o livro e fendeu a cabeça do infatigável ancião. O bispo Lul transportou seu corpo para o mosteiro fundado pelo santo em Fulda, centro propulsor da espiritualidade e da cultura religiosa da Germânia. Conheça mais sobre São Bonifácio Nasceu pelo ano de 680 no Wessex, em Kirton, condado de Devonshire. Já com a idade de cinco anos tinha o prazer em ouvir falar de Deus e das coisas celestes. Alguns monges, que pregavam missões no país, chegaram à casa de seu pai, e o jovem sentiu-se tocado com sua conduta edificante e sua instrução, a ponto de conceber um desejo ardente de abraçar a vida monástica. O pai acreditou, primeiramente, que o desejo desaparecesse com a idade; mas viu-o aumentar, dia-a-dia. Empregou inutilmente toda a autoridade para constranger Winfrido a mudar de idéias e de sentimentos. Atacado por uma doença perigosa, reconheceu a vontade de Deus e não mais se opôs `vocação do filho que, com a idade de sete anos, entrou para o mosteiro de Excester, cuja cidade mais tarde lhe tomou o nome. Ali santificou o estudo da gramática com uma grande assiduidade à prece e à meditação. Tendo sido enviado, em seguida, ao mosteiro de Nutcell, granjeou reputação tanto pelo saber como pela regularidade de disciplina, fazendo progressos extraordinários na poesia, na retórica, na história e no conhecimento das Escrituras. O abade encarregou-se de ensinar aos outros as mesmas ciências, e fê-lo ordenar sacerdote com a idade de trinta anos. A partir dessa data, aplicou-se principalmente ao ministério da palavra e à santificação das almas. Um caso inesperado havia obrigado os bispos a se reunirem em concílio, sem mesmo esperar as ordens de São Britwald, arcebispo de Cantuária, e enviaram, com a permissão do rei Ina, o Padre Winfrido para dele prestar contas; desde esse tempo, os bispos frequentemente o chamavam aos seus conselhos. Longe de sentir-se lisonjeado com a estima que havia adquirido, resolveu deixar o país para trabalhar na conversão dos infiéis. Obtido o consentimento, não sem dificuldade, do abade e da comunidade, partiu, acompanhado de dois outros monges, e dirigiu-se à Frisa pelo ano de 716. Mas lá se viu acesa a guerra entre Carlos Martelo, príncipe dos francos, e o rei Radbod, que havia restabelecido a idolatria na Frisa, anteriormente sujeira aos francos, e perseguia os cristãos. Winfrido foi a Utrecht falar-lhe; mas notando que nada havia a fazer pela religião nesse país, voltou à Inglaterra com os companheiros e regressou ao mosteiro de Nutcell. Pouco tempo depois, o abade do mosteiro morreu e a comunidade quis colocar Winfrido em seu lugar; mas ele recusou e dirigiu-se a Roma com cartas de recomendação do bispo: tratava de Daniel, bispo de Winchester, célebre pela virtude e doutrina. Chegando a Roma, Winfrido apresentou-se ao santo Papa Gregório II, e explicou-lhe o desejo que tinha de trabalhar pela conversão dos infiéis. O Papa olhou-o com rosto sereno e perguntou-lhe se tinha cartas do bispo. Winfrido tirou de baixo do manto uma carta fechada para o Papa, e outra, aberta, que era uma recomendação geral a todos os cristãos, segundo o costume. O Papa fez-lhe sinal para que se retirasse; e lidas as cartas di Bispo Daniel, manteve várias conferências com Winfrido, esperando a estação adequada para a viagem, isso é, o começo do verão. Então deu-lhe as relíquias que pedia, e, ademais, uma ampla e honrosa missão de pregar o Evangelho a todas as nações infiéis.(…) (…) Após terem trabalhado durante algum tempo Winfrido enviou à Roma um dos seus com uma carta em que prestava contas ao Papa do resultado da missão e o consultava a respeito de algumas dificuldades. O Papa, em resposta, mandou que viesse pessoalmente; ele obedeceu. Chegou a Roma, pela segunda vez, acompanhado de diversos discípulos. Tendo-o ouvido, o Papa andou que fosse recebido na casa dos estrangeiros. Depois, fazendo-o vir a São Pedro, interrogou-o sobre a fé da Igreja. Winfrido pediu tempo para escrever a sua confissão de fé, e levou-lha. O Papa restituiu-a alguns dias após, e mandando que se sentasse, exortou-o a conservar a doutrina e ensiná-la aos outros. Passou quase todo o dia em conferência com ele, fazendo-lhe diversas perguntas a respeito de assuntos da religião e da conversão dos infiéis. Enfim, declarou-lhe que pretendia sagrá-lo Bispo desses povos que não tinham pastores. O santo sacerdote submeteu-se, e o Papa ordenou-o bispo em 30 de Novembro de 723, mudando-lhe o nome de Winfrido para o de Bonifácio, sob o qual é mais conhecido, Na cerimônia da ordenação, ou imediatamente após, prestou ao Papa o seguinte juramente, o qual assinou de próprio punho, e que colocou em seguida sobre o corpo de São Pedro: “Em nome do Senhor, nosso deus, e Salvador Jesus Cristo. Ano seis do reinado do imperador Leão, quatro de seu filho Constantino, indicção sexta. Eu Bonifácio, bispo pela graça de Deus, prometo a vós, bem-aventurado Pedro, príncipe dos apóstolos, e a vosso vigário, o bem-aventurado Papa Gregório, bem como a seus sucessores, pela indivisível trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e por vosso sagrado corpo aqui presente, que conservarei sempre a pureza da fé católica na unidade da mesma crença, na qual, fora de dúvidas, está a salvação de todos os cristãos; que não atentarei jamais contra a unidade da Igreja universal, mas terei sempre uma fidelidade integral, um empenho sincero por vós e pelos interesses da vossa igreja, a quem o Senhor deu o poder de ligar e desligar, bem como ao vosso vigário e seus sucessores; que não terei jamais comunhão alguma com os bispos que vir se afastarem dos caminhos traçados pelos Santos Padres; que se puder, impedirei a sua ação; caso contrário, denunciá-lo-ei ao Papa, meu Senhor (…) Tal é o juramente solene que o apóstolo da Alemanha prestou ao Papa Gregório II. É sobre essa base apostólica que estão fundadas o episcopado e a Igreja da Alemanha. Possam os bispos e os povos da Alemanha não esquecê-lo jamais! (…) (…) Bonifácio embarcou para além do Reno a fim de dirigir-se a Frisa, com Eobano, bispo de Utrecht, e um numeroso grupo de sacerdotes e diáconos, que se consagraram a tais missões. O zelo do santo arcebispo parecia restitui-lhe as forças que a idade e as fadigar lhe haviam arrebatado. A seara crescia-lhe sob os pés, e como tinha pouco tempo para recolhê-la, Deus derramava abundantes bênçãos sobre os seus últimos trabalhos. O Santo apóstolo teve, em pouco tempo, a consolação de batizar vários milhares de idólatras, e, a fim de fortificá-los na fé, marcou-lhes um dia e um lugar, e acampou, com seu grupo de missionários, nas margens de um pequeno riacho, chamado Bordne. No dia aprazado, começava a aurora apenas a despontar quando viram chegar, em lugar dos neófitos que se esperavam, um grupo de pagãos armados, que se lançavam impetuosamente contra o pequeno acampamento dos missionários. Seus servos tomaram das armas, prontos para cumprir o dever de defender os senhores contra o furor dos bárbaros; mas São Bonifácio, aparecendo com os seus clérigos, tendo na mão o livro dos Evangelhos e as relíquias que costumava levar consigo, disse aos seus: – Cessai de combatê-los, meus filhos, e não retribuais o mal com o mal, mas o bem pelo mal, como a Sagrada Escritura vos ordena fazer. O dia almejado chegou finalmente. Colocai vossa força e esperança em Deus, e aceitai com reconhecimento o que ele permitir pela vossa salvação. Depois, voltando-se, meus irmãos, disse-lhes, não vos deixeis intimidar por aqueles que podem matar o corpo, mas não a alma. Sofrei com constância a morte de um instante para reinar eternamente com Jesus Cristo. Mas o seu exemplo fortificou-os mais do que as suas palavras. Pronunciadas estas palavras, Bonifácio viu os bárbaros arremeter contra ele com espadas desembainhadas. Não tentou nem fugir nem defender-se. Colocou a cabeça sobre o livro dos Evangelhos, não para fazer ver que morria pelas verdades neles contidas. Foi, no mesmo instante, massacrado por esses furiosos com todo o grupo dos missionários que o acompanhavam e que foram degolados com o seu pastor, como um rebanho de ovelhas à mercê de lobos vorazes. Perfazem o número de cinqüenta e dois os companheiros de martírio de São Bonifácio, os quais tiveram a honra de verter o sangue, com ele, pela fé. Os mais conhecidos são Santo Eobano, bispo de Utrecht, e o sacerdote Adelário. Após a sangrenta obra, os idólatras, mais ávidos dos despojos do que do sangue dos santos mártires correram a pilhar as tendas e barcos que traziam provisões. Beberam primeiramente todo o vinho que encontraram e levaram com alegria as caixas que julgavam cheios de ouro e prata; mas, como estavam embriagados, antes de abri-las, brigaram na partilha delas, voltando as armas uns contra os outros, armas que ainda estavam rubras com o sangue dos santos mártires. Muitos bárbaros ficaram estendidos no lugar. Os outros, havendo enfim aberto os cofres, ficaram sumamente decepcionados não encontrando senão relíquias e livros, que dispersaram, por desrespeito, pelos campos e nos brejos. Foi assim que São Bonifácio terminou, por uma morte gloriosa, uma vida que foi um contínuo martírio, uma vez que foi um apostolado contínuo. Seus trabalhos imensos e os frutos que a Igreja recolheu lhe constituem o elogio. Santo religioso, grande arcebispo, missionário infatigável, digno legado da santa Sé, foi sempre igualmente zeloso pela glória e pelo crescimento da Igreja, pelo restabelecimento da disciplina no clero e no estado monástico, pela extirpação do vício e da idolatria. A França e a Alemanha choraram-no como seu apóstolo. Respeitado pelos príncipes da terra, amado e honrado pelos povos, para cúmulo da glória, foi objeto de ódio dos hereges, que o caluniaram, e dos idólatras que o imolaram. Seu martírio ocorreu no dia 5 de Junho de 755, após trinta e um anos e seis meses de episcopado. #SantodoDia
- A REVOLUÇÃO LEVANDO ALMAS PARA O INFERNO: QUAL O ANTÍDOTO PARA O MAL?
Como a ação revolucionária vai sequestrando as mentes e afastando o coração das pessoas de Deus. Sem o conhecimento da verdade, sem uma vida sacramental e de oração, as pessoas se tornam presas fáceis para o diabo, que se vale da omissão e da covardia daqueles que deveriam ensinar a Palavra de Deus e defender o rebanho contra os perigos que ameaçam sua salvação eterna. A busca da verdade na Palavra de Deus e no Magistério da Igreja em conjunto com o esforço para viver na graça, recorrendo à guia da Santíssima Virgem, nos ajudarão a atravessar esse Vale de Lágrimas sem perdermos o foco no que realmente interessa que é o amor verdadeiro a Deus Nosso Senhor, nosso Sumo Bem. Para assistir, acesse: ⚠️ Você é nosso convidado especial! A formação acontecerá hoje, domingo, 04/06 às 21h horário de Brasília.Templário de Maria | templariodemaria.com
- A REVOLUÇÃO LEVANDO ALMAS PARA O INFERNO: QUAL O ANTÍDOTO PARA O MAL?
Como a ação revolucionária vai sequestrando as mentes e afastando o coração das pessoas de Deus. Sem o conhecimento da verdade, sem uma vida sacramental e de oração, as pessoas se tornam presas fáceis para o diabo, que se vale da omissão e da covardia daqueles que deveriam ensinar a Palavra de Deus e defender o rebanho contra os perigos que ameaçam sua salvação eterna. A busca da verdade na Palavra de Deus e no Magistério da Igreja em conjunto com o esforço para viver na graça, recorrendo à guia da Santíssima Virgem, nos ajudarão a atravessar esse Vale de Lágrimas sem perdermos o foco no que realmente interessa que é o amor verdadeiro a Deus Nosso Senhor, nosso Sumo Bem. Para assistir, acesse: ⚠️ Você é nosso convidado especial! A formação acontecerá hoje, domingo, 04/06 às 21h horário de Brasília.Templário de Maria | templariodemaria.com
- ORAÇÃO À NOSSA SENHORA PARA ANTES DA COMUNHÃO.
Aprenda uma importante oração à Nossa Senhora para se rezar antes da comunhão. A Comunhão é o que existe de mais sagrado na vida do cristão. É o próprio Deus que recebemos em nós e para isso precisamos estar preparados. Em jejum eucarístico, com fé na Eucaristia e principalmente em estado de graça, ou seja, com a confissão em dia. Você sabia que além de carregar Jesus em seu ventre, educar e conviver com Ele durante 33 anos, Nossa Senhora também participou de santas missas e recebeu Jesus na Eucaristia por vários anos? Quão perfeitas não foram suas comunhões? Aprenda essa importante oração para suplicar à Nossa Senhora a graça de preparar nosso coração para bem receber Jesus: ORAÇÃO À NOSSA SENHORA PARA ANTES DA COMUNHÃO. Ó Maria, minha terna Mãe, ofereço-Vos este dia, abençoai-me, velai sobre mim. Eu Vos amo de todo o meu coração, sois minha esperança; nas vossas mãos encomendo o que tenho de mais caro: a salvação de minha pobre alma, minha família, meus superiores.Renovo as promessas que fiz tantas vezes, de Vos amar e de pôr em Vós toda a minha esperança. Em troca, minha Mãe querida, encarregai-Vos de minha salvação eterna, escolho-Vos para Protetora de minhas comunhões, ofereço-Vos meu coração, para que Vós mesma o prepareis, todas as vezes que tiver de receber a Jesus.Tende, sobretudo, particular cuidado da última comunhão de minha vida; fazei que ela seja um ato do mais puro amor. E agora que vou receber a Jesus, emprestai-me o vosso Coração Imaculado, adornado de todas as virtudes. Preparai meu coração com vossas mãos maternais; é de vossas mãos puríssimas que desejo receber a Jesus; dizei-lhe que sou fraca, mas não Vos esqueçais de acrescentar que sou vossa filha, pois sei que esse título há de movê-Lo a fitar-me com olhos de amor e misericórdia. Oh! minha terna Mãe, quero amar-Vos sempre e por toda a eternidade. Assim seja! Leia também Clique aqui e aprenda orações importantes para rezar após a Comunhão
- ORAÇÃO À NOSSA SENHORA PARA ANTES DA COMUNHÃO.
Aprenda uma importante oração à Nossa Senhora para se rezar antes da comunhão. A Comunhão é o que existe de mais sagrado na vida do cristão. É o próprio Deus que recebemos em nós e para isso precisamos estar preparados. Em jejum eucarístico, com fé na Eucaristia e principalmente em estado de graça, ou seja, com a confissão em dia. Você sabia que além de carregar Jesus em seu ventre, educar e conviver com Ele durante 33 anos, Nossa Senhora também participou de santas missas e recebeu Jesus na Eucaristia por vários anos? Quão perfeitas não foram suas comunhões? Aprenda essa importante oração para suplicar à Nossa Senhora a graça de preparar nosso coração para bem receber Jesus: ORAÇÃO À NOSSA SENHORA PARA ANTES DA COMUNHÃO. Ó Maria, minha terna Mãe, ofereço-Vos este dia, abençoai-me, velai sobre mim. Eu Vos amo de todo o meu coração, sois minha esperança; nas vossas mãos encomendo o que tenho de mais caro: a salvação de minha pobre alma, minha família, meus superiores.Renovo as promessas que fiz tantas vezes, de Vos amar e de pôr em Vós toda a minha esperança. Em troca, minha Mãe querida, encarregai-Vos de minha salvação eterna, escolho-Vos para Protetora de minhas comunhões, ofereço-Vos meu coração, para que Vós mesma o prepareis, todas as vezes que tiver de receber a Jesus.Tende, sobretudo, particular cuidado da última comunhão de minha vida; fazei que ela seja um ato do mais puro amor. E agora que vou receber a Jesus, emprestai-me o vosso Coração Imaculado, adornado de todas as virtudes. Preparai meu coração com vossas mãos maternais; é de vossas mãos puríssimas que desejo receber a Jesus; dizei-lhe que sou fraca, mas não Vos esqueçais de acrescentar que sou vossa filha, pois sei que esse título há de movê-Lo a fitar-me com olhos de amor e misericórdia. Oh! minha terna Mãe, quero amar-Vos sempre e por toda a eternidade. Assim seja! Leia também Clique aqui e aprenda orações importantes para rezar após a Comunhão
- Novena a Santo Antônio de Pádua – de 4 a 12 de junho
Novena a Santo Antônio de Pádua – de 4 a 12 de junho A poucos dias da festa de Santo Antônio de Pádua, que é celebrada em 13 de junho, apresentamos a seguir uma novena disponibilizada pelo portal ‘Canção Nova’, em honra a este grande doutor da Igreja, padroeiro das mulheres estéreis, e a quem, por tradição, se invoca para pedir um bom esposo ou esposa. Santo Antônio nasceu em Portugal, em 1195, e é conhecido como “de Pádua” porque foi nessa cidade italiana onde morreu (1231) e são veneradas suas relíquias. Diz-se que, certo dia, enquanto rezava, o menino Jesus apareceu a ele. São Boaventura dizia: “Recorre com confiança a Antônio, que faz milagres, e ele te conseguirá o que buscas”. Leão XIII o chamou “o santo de todo mundo”, porque sua imagem e devoção se encontram por todas as partes. Oração inicial para todos os dias Amadíssimo protetor, Santo Antônio! Eis-me aqui, a teus pés, plenamente confiando em vossa poderosa intercessão. Olhai-me com aquele espírito de doce e terna compaixão com que olhavas aos pobres. Pobre sou seu, Santo meu! Vejo-me cheio de misérias. A vida para mim é contínua luta. Pão de felicidade, de alegria, de saúde e de paz, de virtude… quanto me faz falta a tua amorosa proteção! Ouvi-me, vos peço humildemente, para que vosso nome de Taumaturgo seja novamente glorificado. Creio em vosso poder, em vossa bondade; amo vosso coração de pai e bendigo a nosso Senhor, que te fez grande na terra e no céu. Amém. Oh! Astro de Espanha, pérola de pobreza, luz da Itália, Doutor da verdade, Sol de Pádua, resplandecente em sinais de claridade. Amém. V. Rogai por nós, Antônio beatíssimo. R. Para que por tua intercessão alcancemos as alegrias da vida eterna. Responsório de Santo Antônio Se milagres desejais, recorrei a Santo Antônio; vereis fugir o demônio e as tentações infernais. Recupera-se o perdido, rompe-se a dura prisão e no auge do furacão cede o mar embravecido. Todos os males humanos se moderam, se retiram, digam-no aqueles que o viram, e digam-no os paduanos. Recupera-se o perdido… pela sua intercessão foge a peste, o erro, a morte, o fraco torna-se forte e torna-se o enfermo são. Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo… V. Rogai por nós, bem-aventurado Antônio, R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Oremos Ó Deus, nós vos suplicamos, que alegre à vossa Igreja a solenidade votiva do bem-aventurado Antônio, vosso Confessor e Doutor, para que, fortalecida sempre com os espirituais auxílios, mereça gozar os prazeres eternos. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém. Oração final da novena Alegre, Senhor, a vossa Igreja devota a humilde oração do glorioso Santo Antônio, vosso servo, para que sejamos sempre socorridos nesta vida com os auxílios da graça e mereçamos conseguir depois as alegrias eternas da glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, que convosco e o Espírito Santo, vive e reina por todos os séculos dos séculos. Amém. PRIMEIRO DIA – A admirável fé de Santo Antônio. A vida do Santo Taumaturgo é uma contínua pregação da fé cristã. Por ela, muito jovem, ansiava derramar seu sangue a vista dos mártires franciscanos de Marrocos. Por ela se entrega completamente a Deus em vida santa e perfeitíssima de evangelização, que foi pasma do mundo, rica em talentos e maravilhas… Que vida de fé é a minha? 3 Glórias à Santíssima Trindade; recitar o responsório e a oração final SEGUNDO DIA – A esperança de Santo Antônio. Amou vivamente p Santo essa virtude. Uma vida de sacrifícios, em luta constante contra o inferno, o mundo e as paixões, seria impossível sem uma grande esperança; tinha uma grande confiança na bondade divina, na paternal Providência de Deus e na ajuda constante de sua graça… Por isso o santo jamais desvaneceu em sua vida de incessante e penoso esforço. Contava com Deus! Humilhemo-nos e contemos não com nossas forças, mas sim com as forças divinas, esperando em Deus. 3 Glórias à Santíssima Trindade; recitar o responsório e a oração final TERCEIRO DIA – Caridade divina de Santo Antônio Dedicou Santo Antônio ao Serafim de Assis, São Francisco, um particular amor. Não ignorava, sem dúvida, que, como bom filho seu era outro Serafim de caridade. Quem poderá adivinhar a ternura de seu amor a Jesus? Aquela cena em que o Menino Deus se recreava nos braços do Santo pode servir para nos fazer adivinhar seus êxtases, suas ternuras seráficas… Que exemplo para mim, fio miserável e pobre pecador. 3 Glórias à Santíssima Trindade; recitar o responsório e a oração final QUARTO DIA – Caridade fraternal de Santo Antônio Eis me aqui, um Santo, cuja vida foi um holocausto de amor aos homens. Pode-se dizer que toda ela não foi senão uma carícia aos pobres pecadores, aos tristes enfermos, aos atormentados pelas negruras da miséria… e tanto prazer deveria encontrar o Santo neste amor fraterno a seus semelhantes, que nem a morte o interrompeu! Hoje, como em vida, segue prodigiando-nos com as mesmas carícias… Que seu exemplo me mova à compaixão dos desgraçados! 3 Glórias à Santíssima Trindade; recitar o responsório e a oração final QUINTO DIA – Pureza de Santo Antônio Não é em vão que leva o Santo em suas mãos um lírio… Foi ele uma açucena da Igreja. O demônio quis manchar seu corpo e sua alma com sua baba imunda, mas o Santo guardou sua pureza como um tesouro; a defendeu com um cinto austero e impenetrável de silícios, vigílias, disciplinas, orações, trabalhos… Que fazemos nós para guardar a pureza de nosso corpo e da alma? 3 Glórias à Santíssima Trindade; recitar o responsório e a oração final SEXTO DIA – Humildade de Santo Antônio Também neste Santo, e por maneira singular e maravilhosa, se cumpriu o dito de jesus Cristo: “O que se humilha será exaltado.” Ocultou-se como uma violeta; buscou o retiro, o silêncio e, dotado de altíssima sabedoria, a teve oculta e somente a obediência pode abrir com sua chave de outro aqueles talentos poderosos que fizeram de Santo Antônio a Arca do Testamento… De quantos bens nos priva nossa soberba! 3 Glórias à Santíssima Trindade; recitar o responsório e a oração final SÉTIMO DIA – Pobreza de Santo Antônio Nascido em dourada cama, ante os sorrisos e riquezas do mundo, Santo Antônio abraça a pobre Ordem Franciscana… Se torna filho daquele desposado com a dama Pobreza, São Francisco, e, como ele, a segue por abrolhos e espinhos, privações e sofrimentos, contente com suas dolorosas e doces carícias… Seu desapego do mundo o fez rico em bens celestiais. Trocou o ouro da terra pelo ouro inestimável do amor divino. Desapeguemo-nos dos bens terrenos, se verdadeiramente queremos nos salvar! 3 Glórias à Santíssima Trindade; recitar o responsório e a oração final OITAVO DIA – Obediência de Santo Antônio A obediência é a morte da própria vontade, e quando o homem matá-la, tem matado o seu maior inimigo. A vontade divina, manifestada pelos legítimos Superiores, faz então maravilhas nas almas. Santo Antônio foi obedientíssimo. Foi tanto obediente que a um ato seu de obediência passava por um ignorante, mas devemos saber que era este um novo Doutor das gentes… Obedece, humilha vosso amor-próprio e Deus te exaltará! 3 Glórias à Santíssima Trindade; recitar o responsório e a oração final NONO DIA – Santo Antônio, protetor dos que sofrem Todo sofrimento, em qualquer de suas manifestações, a dor do pecado, a perda da saúde e a escassez de recursos, as injustas perseguições, a ausência de paz, as grandes preocupações, as grandes tristezas… quanto podem atormentar a alma! Tudo foi motivo de compaixão para o santo, foi matéria de milagres seus, foi motivo de sua misericórdia… O que se ocultou ou oculta do seu coração compassivo? Acudamos, pois, a ele com vivíssima confiança. 3 Glórias à Santíssima Trindade; recitar o responsório e a oração final #SantoAntônio
- Novena a Santo Antônio de Pádua – de 4 a 12 de junho
Novena a Santo Antônio de Pádua – de 4 a 12 de junho A poucos dias da festa de Santo Antônio de Pádua, que é celebrada em 13 de junho, apresentamos a seguir uma novena disponibilizada pelo portal ‘Canção Nova’, em honra a este grande doutor da Igreja, padroeiro das mulheres estéreis, e a quem, por tradição, se invoca para pedir um bom esposo ou esposa. Santo Antônio nasceu em Portugal, em 1195, e é conhecido como “de Pádua” porque foi nessa cidade italiana onde morreu (1231) e são veneradas suas relíquias. Diz-se que, certo dia, enquanto rezava, o menino Jesus apareceu a ele. São Boaventura dizia: “Recorre com confiança a Antônio, que faz milagres, e ele te conseguirá o que buscas”. Leão XIII o chamou “o santo de todo mundo”, porque sua imagem e devoção se encontram por todas as partes. Oração inicial para todos os dias Amadíssimo protetor, Santo Antônio! Eis-me aqui, a teus pés, plenamente confiando em vossa poderosa intercessão. Olhai-me com aquele espírito de doce e terna compaixão com que olhavas aos pobres. Pobre sou seu, Santo meu! Vejo-me cheio de misérias. A vida para mim é contínua luta. Pão de felicidade, de alegria, de saúde e de paz, de virtude… quanto me faz falta a tua amorosa proteção! Ouvi-me, vos peço humildemente, para que vosso nome de Taumaturgo seja novamente glorificado. Creio em vosso poder, em vossa bondade; amo vosso coração de pai e bendigo a nosso Senhor, que te fez grande na terra e no céu. Amém. Oh! Astro de Espanha, pérola de pobreza, luz da Itália, Doutor da verdade, Sol de Pádua, resplandecente em sinais de claridade. Amém. V. Rogai por nós, Antônio beatíssimo. R. Para que por tua intercessão alcancemos as alegrias da vida eterna. Responsório de Santo Antônio Se milagres desejais, recorrei a Santo Antônio; vereis fugir o demônio e as tentações infernais. Recupera-se o perdido, rompe-se a dura prisão e no auge do furacão cede o mar embravecido. Todos os males humanos se moderam, se retiram, digam-no aqueles que o viram, e digam-no os paduanos. Recupera-se o perdido… pela sua intercessão foge a peste, o erro, a morte, o fraco torna-se forte e torna-se o enfermo são. Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo… V. Rogai por nós, bem-aventurado Antônio, R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Oremos Ó Deus, nós vos suplicamos, que alegre à vossa Igreja a solenidade votiva do bem-aventurado Antônio, vosso Confessor e Doutor, para que, fortalecida sempre com os espirituais auxílios, mereça gozar os prazeres eternos. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém. Oração final da novena Alegre, Senhor, a vossa Igreja devota a humilde oração do glorioso Santo Antônio, vosso servo, para que sejamos sempre socorridos nesta vida com os auxílios da graça e mereçamos conseguir depois as alegrias eternas da glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, que convosco e o Espírito Santo, vive e reina por todos os séculos dos séculos. Amém. PRIMEIRO DIA – A admirável fé de Santo Antônio. A vida do Santo Taumaturgo é uma contínua pregação da fé cristã. Por ela, muito jovem, ansiava derramar seu sangue a vista dos mártires franciscanos de Marrocos. Por ela se entrega completamente a Deus em vida santa e perfeitíssima de evangelização, que foi pasma do mundo, rica em talentos e maravilhas… Que vida de fé é a minha? 3 Glórias à Santíssima Trindade; recitar o responsório e a oração final SEGUNDO DIA – A esperança de Santo Antônio. Amou vivamente p Santo essa virtude. Uma vida de sacrifícios, em luta constante contra o inferno, o mundo e as paixões, seria impossível sem uma grande esperança; tinha uma grande confiança na bondade divina, na paternal Providência de Deus e na ajuda constante de sua graça… Por isso o santo jamais desvaneceu em sua vida de incessante e penoso esforço. Contava com Deus! Humilhemo-nos e contemos não com nossas forças, mas sim com as forças divinas, esperando em Deus. 3 Glórias à Santíssima Trindade; recitar o responsório e a oração final TERCEIRO DIA – Caridade divina de Santo Antônio Dedicou Santo Antônio ao Serafim de Assis, São Francisco, um particular amor. Não ignorava, sem dúvida, que, como bom filho seu era outro Serafim de caridade. Quem poderá adivinhar a ternura de seu amor a Jesus? Aquela cena em que o Menino Deus se recreava nos braços do Santo pode servir para nos fazer adivinhar seus êxtases, suas ternuras seráficas… Que exemplo para mim, fio miserável e pobre pecador. 3 Glórias à Santíssima Trindade; recitar o responsório e a oração final QUARTO DIA – Caridade fraternal de Santo Antônio Eis me aqui, um Santo, cuja vida foi um holocausto de amor aos homens. Pode-se dizer que toda ela não foi senão uma carícia aos pobres pecadores, aos tristes enfermos, aos atormentados pelas negruras da miséria… e tanto prazer deveria encontrar o Santo neste amor fraterno a seus semelhantes, que nem a morte o interrompeu! Hoje, como em vida, segue prodigiando-nos com as mesmas carícias… Que seu exemplo me mova à compaixão dos desgraçados! 3 Glórias à Santíssima Trindade; recitar o responsório e a oração final QUINTO DIA – Pureza de Santo Antônio Não é em vão que leva o Santo em suas mãos um lírio… Foi ele uma açucena da Igreja. O demônio quis manchar seu corpo e sua alma com sua baba imunda, mas o Santo guardou sua pureza como um tesouro; a defendeu com um cinto austero e impenetrável de silícios, vigílias, disciplinas, orações, trabalhos… Que fazemos nós para guardar a pureza de nosso corpo e da alma? 3 Glórias à Santíssima Trindade; recitar o responsório e a oração final SEXTO DIA – Humildade de Santo Antônio Também neste Santo, e por maneira singular e maravilhosa, se cumpriu o dito de jesus Cristo: “O que se humilha será exaltado.” Ocultou-se como uma violeta; buscou o retiro, o silêncio e, dotado de altíssima sabedoria, a teve oculta e somente a obediência pode abrir com sua chave de outro aqueles talentos poderosos que fizeram de Santo Antônio a Arca do Testamento… De quantos bens nos priva nossa soberba! 3 Glórias à Santíssima Trindade; recitar o responsório e a oração final SÉTIMO DIA – Pobreza de Santo Antônio Nascido em dourada cama, ante os sorrisos e riquezas do mundo, Santo Antônio abraça a pobre Ordem Franciscana… Se torna filho daquele desposado com a dama Pobreza, São Francisco, e, como ele, a segue por abrolhos e espinhos, privações e sofrimentos, contente com suas dolorosas e doces carícias… Seu desapego do mundo o fez rico em bens celestiais. Trocou o ouro da terra pelo ouro inestimável do amor divino. Desapeguemo-nos dos bens terrenos, se verdadeiramente queremos nos salvar! 3 Glórias à Santíssima Trindade; recitar o responsório e a oração final OITAVO DIA – Obediência de Santo Antônio A obediência é a morte da própria vontade, e quando o homem matá-la, tem matado o seu maior inimigo. A vontade divina, manifestada pelos legítimos Superiores, faz então maravilhas nas almas. Santo Antônio foi obedientíssimo. Foi tanto obediente que a um ato seu de obediência passava por um ignorante, mas devemos saber que era este um novo Doutor das gentes… Obedece, humilha vosso amor-próprio e Deus te exaltará! 3 Glórias à Santíssima Trindade; recitar o responsório e a oração final NONO DIA – Santo Antônio, protetor dos que sofrem Todo sofrimento, em qualquer de suas manifestações, a dor do pecado, a perda da saúde e a escassez de recursos, as injustas perseguições, a ausência de paz, as grandes preocupações, as grandes tristezas… quanto podem atormentar a alma! Tudo foi motivo de compaixão para o santo, foi matéria de milagres seus, foi motivo de sua misericórdia… O que se ocultou ou oculta do seu coração compassivo? Acudamos, pois, a ele com vivíssima confiança. 3 Glórias à Santíssima Trindade; recitar o responsório e a oração final #SantoAntônio
- São Francisco Caracciolo, o santo da Eucaristia – 04 de Junho
“Sangue precioso do meu Jesus, vós sois meu! Convosco e por meio de vós espero salvar-me. Meus sacerdotes, esforcem-se de celebrar a Missa, todos os dias, e inebriar-se com este Sangue!”. Não foi por acaso que Francisco Caracciolo era chamado o “Santo da Eucaristia”: seu amor por Jesus, Pão da vida, brotou muito cedo, como também sua vocação, quando ainda vivia com sua família nobre e rica em Vila Santa Maria, perto de Chieti. O amor que ele sentia por Nossa Senhora não era menos importante, tanto que, em sua honra, costumava usar o hábito do Carmo, quando criança, além de rezar o terço e jejuar todos os sábados. Uma doença “iluminadora” Aos 22 anos, Ascânio foi acometido por uma forma maligna de elefantíase, que desfigurou todo o seu corpo. Por isso, prometeu renunciar, para sempre, às riquezas terrenas em troca da sua cura. E foi atendido. Dois anos depois, foi ordenado sacerdote. Ficou conhecido por algumas supostas curas, entre os doentes dos hospitais, onde exercia seu ministério, bem como nas prisões. Vivia sempre entre os últimos, a ponto de pedir para fazer parte da Companhia dos Brancos, que, em Nápoles, prestava serviço aos condenados à morte e prisioneiros junto ao hospital dos Incuráveis. Transcorria o ano de 1588. Fundador … por engano Certo dia, Ascânio recebeu uma missiva de um nobre genovês, Agostino Adorno, e do abade de Santa Maria Maior, em Nápoles, Fabrício Caracciolo. Na verdade, a missiva era endereçada a um religioso, da sua Congregação, que tinha seu mesmo nome. Por engano, a carta foi entregue a ele, que a recebeu como sinal da Providência. Graças a este descuido, Ascânio se reuniu, com os dois personagens acima mencionados, no mosteiro dos Camáldulos, onde elaborou as Constituições de um novo Instituto, do qual foi cofundador. Ele foi o autor da proposta de acrescentar aos três votos de pobreza, castidade e obediência, um quarto voto, com o qual se comprometia a rejeitar todo e qualquer cargo eclesiástico. Quando o novo Instituto foi aprovado, Ascânio recebeu o nome de Francesco. A difícil relação com a Espanha Em 1589, Francisco Caracciolo partiu para a Espanha, junto com Adorno, para expandir seu novo Instituto. Mas, sua viagem foi uma falência. Após um ano, voltaram para casa: Francisco ficou doente e Adorno faleceu. Em 1591, Francisco foi eleito Prepósito geral perpétuo, cargo que teve que aceitar para cumprir o voto de obediência. Porém, não mudou seu modo de viver a penitência, o jejum e nem seu costume de fazer os trabalhos mais humildes. Três anos depois, Francisco voltou à Espanha, mas, em Madri, o rei Filipe II ameaçou de fechar o hospital italiano, onde prestava assistência aos enfermos. Somente em 1601, sendo eleito Mestre de noviços, conseguiu abrir uma Casa, em Valladolid. Ali, demonstrou uma grande capacidade de discernimento entre os jovens, prevendo, para alguns, a vocação para a vida religiosa e, para outros, até a apostasia. Em 1607, finalmente, foi dispensado de todos os cargos, dedicando-se apenas à oração. “Caçador de almas”, “pai dos pobres”, mas também “homem de bronze” Estes eram os três apelidos com os quais Francisco era conhecido, que refletem, perfeitamente, os três votos do seu ministério. No entanto, jamais deixou de visitar os enfermos e assistir aos moribundos. No hospital, dedicou-se, com muito zelo, aos trabalhos mais humildes, como arrumar as camas, limpar os quartos, remendar as roupas dos pacientes. Além do mais, estava sempre disposto a fazer coleta de esmolas, para providenciar a educação das meninas; levava tudo o que tinha aos pobres, até mesmo tirando o pão da sua boca para dar aos necessitados; jejuava sempre e dava as roupas usadas dos confrades aos que precisavam. Enfim, foi um incansável confessor, ensinava o catecismo às crianças, organizava as obras de caridade e pregava as verdades eternas aos fiéis. Amor a Jesus Eucarístico Francisco queria o melhor para os outros, mas nada para si: escolhia sempre os quartos apertados, dormia e comia muito pouco; além disso, fazia obras de penitência, a ponto de se cingir com o cilício nas festas e em suas longas viagens a pé. Mas, sobretudo, promovia o culto da Eucaristia, estabelecendo que os estudantes da Ordem se revezassem para a Adoração ao Santíssimo Sacramento. A propósito, nunca se cansava de exortar os sacerdotes à prática de expor o Santíssimo Sacramento, todo primeiro domingo do mês. Durante a sua peregrinação à Santa Casa de Loreto, foi para o céu, em 4 de junho de 1608, depois de invocar os Santos Miguel, José e Francisco de Assis. São Francisco Caracciolo foi canonizado por Pio VII, em 1807. Fonte: Vatican News SANTO DO DIA – 04 DE JUNHO – SÃO FRANCISCO CARACCIOLO Sacerdote (1563-1608) – Co-padroeiro da Cidade de Nápolis – Protetor contra as doenças de pele e pela conversão dos presidiários Com um sobrenome brasonado como o seu, acredita-se que havia passado a juventude em Nápoles, num fastuoso palácio de frente para o golfo. Viveu, ao contrário, junto à Congregação dos Brancos da Justiça, empenhado na assistência aos condenados à morte. Não era sequer de Nápoles; nasceu na Vila de Santa Maria de Chieti, onde viveu até os 22 anos. Foi para Nápoles a fim de completar os estudos na universidade onde ensinou são Tomás de Aquino. Atingido por uma doença de pele que o fazia parecer um leproso, sarou e pôde ser ordenado padre. Ficou em Nápoles para continuar a assistir os encarcerados e, então, lhe chegou o convite do genovês Agostinho Adorno e de Fabrício Caracciolo, abade de Santa Maria Maggiore de Nápoles. Pediam-lhe que colaborasse na Fundação dos Clérigos Regulares Menores. Ascânio aceitou; os três se dirigiram para um longo retiro na abadia de Camaldoli, a fim de meditar e escrever a Regra, que seria aprovada por Sisto V em 1º de julho de 1588. Continha um insólito quarto voto — além dos tradicionais votos de castidade, pobreza e obediência —, que proibia aceder a qualquer dignidade eclesiástica. Mas exatamente a Ascânio Caracciolo, que na profissão religiosa tomou o nome de Francisco, coube o cargo de prior-geral da jovem congregação, nascida pobre, numa velha casa nos arredores da igreja da Misericórdia. Findo seu mandato, Francisco Caracciolo dirigiu-se à Espanha para fundar uma casa religiosa e um colégio. Concluiu sua breve existência em Agnone, junto aos padres do Oratório, e foi sepultado na igreja de Santa Maria Maggiore. O primeiro milagre verificou-se durante os funerais, com a cura de um aleijado, e isso abriu caminho para a devoção dos napolitanos àquele santo nativo, que em 1840 o elegeram como co-padroeiro da cidade. Foi canonizado por Pio VII, em 24 de maio de 1807. Conheça mais sobre São Francisco Caracciolo São Francisco Caracciolo nasceu em 12 de Outubro de 1563, em Santa Maria, nos Abruzos e recebeu no batismo o nome de Ascanho, que mudou em seguida para o de Francisco, quando abraçou a vida religiosa. Seus pais, tão distintos pela piedade como pela nobreza de sangue, empenharam-se para que tivesse uma educação esmerada. O jovem Francisco correspondeu ao zelo de seus mestres com brilhantes êxitos nas ciências; mas aplicou-se ao mesmo tempo com ardor extremo à prática da piedade, e passou com inocência exemplar a fase crítica da vida. Comungava frequentemente, a fim de haurir no adorável sacramento dos nossos altares forças sempre crescentes contra os inimigos da salvação. Sua devoção para com a Santa Virgem era viva e sincera. Dirigia-lhe preces diárias e todos os sábados jejuava em sua honra. Desde a idade mais tenra nutria pelos pobres um profundo sentimento de compaixão. Solicitava por eles socorros junto de seu pai; reservava-lhes a melhor parte de sua própria alimentação e lhes distribuía com bondade tocante. Seus costumes eram de uma pureza admirável; dir-se-ia que era antes um anjo do que um homem. Tinha vinte e dois anos, quando contraiu uma enfermidade perigosa que o levou às portas da tumba, mas que também lhe trouxe sérias reflexões sobre a vaidade das coisas da terra e o fez decidir-se a consagrar-se inteiramente a Deus, se recuperasse a saúde. Com efeito, obteve de seus pais a permissão de tomar o estado eclesiástico, e recebeu as ordens sacras em Nápoles, após ter concluído os estudos de teologia. Logo em seguida, quis fazer parte de uma confraria de pessoas piedosas que se ocupavam particularmente em preparar os criminosos para a morte, e proporcionar socorros da religião aos prisioneiros aos condenados aos trabalhos forçados. Durante toda a vida continuou a ocupar-se com essa obra importante. Em 1588, associou-se a João Agostinho Adorno, de ilustre família genovesa, e Fabri Caracciolo, seu parente, para formar um novo instituto de sacerdotes que deviam reunir trabalhos da vida ativa e os exercícios da vida contemplativa. Unidos numa ermida dos frades camáldulos de Nápolis, ali passaram quarenta dias em jejum e oração, a fim de conseguirem a graça de Deus para o objetivo. Redigiram um projeto da regra que queriam dar à comunidade e se dirigiram a Roma para solicitar a aprovação do soberano Pontífice Sixto V. Este os acolheu com bondade em e, após maduro exame, confirmou o novo instituto sob o título de Clérigos regulares menores. Em 9 de Abril de 1589, os três fizeram a profissão solene, e o nosso santo mudou o nome Ascanho para Franscisco, sob o qual foi canonizado. Aos três votos de pobreza, castidade e obediência, os clérigos regulares menores acrescentaram um quarto: não procurar qualquer dignidade, dentro da ordem ou dentro da Igreja. Fazem o exame de consciência duas vezes por dia, abstêm-se de carne quatro vezes por semana e praticam outras austeridades. Orar, confessar e pregar missões constituem a ocupação de todos. Alguns se dedicam especialmente aos hospitais, outros às prisões. Mantém casas para instruir a juventude, e ermidas destinadas aos que desejam levar uma vida inteiramente isolada. Uma prática particular foi ainda prescrita pelo santo fundador, a adoração perpétua do santo sacramento. Cada dia toda a comunidade reunida passava uma hora nesse exercício, e todos os membros a faziam, em seguida, em particular, cada qual em hora determinada. Essas disposições provam suficientemente o espírito de fé e de caridade de que Francisco Caracciolo estava possuído. O zelo mais puro pela glória de Deus e a salvação do próximo presidia todas as suas ações, e sem cessar se esquecia de si mesmo, por ocupar-se inteiramente desses dois grandes interesses, os únicos, com efeito, que devem tocar os corações verdadeiramente cristãos. Além da pregação e do catecismo que fazia com freqüência, ia regularmente, desde as primeiras horas do dia, ao confessionário atender os operários e os pobres. Eis a razão por que se sentia penetrado de uma ternura particular, e colocava sua felicidade em evangelizar os pobres. Antes de fazer profissão, havia distribuído todos os bens aos infelizes. Mais tarde, viram-no frequentemente pedir esmolas pelas ruas. Durante o inverno, no tempo dos grandes frios, dava-lhes muitas vezes as próprias vestes; tinha o costume de abster-se, três vezes por semana, de toda a alimentação, a fim de lhes distribuir a parte que recebia na comunidade. Enfim, uma humildade profunda dava maior realce a todas as suas outras virtudes, e, conquanto superior geral da congregação, não se pejava de exercer as mais baixas funções, varrendo os quartos, fazendo as camas e limpando os utensílios da cozinha. Grandes favores espirituais recompensaram tantos méritos: Francisco operou muitos milagres e predisse mais de uma vez o futuro. Jesus Cristo fê-lo conhecer seu fim próximo, durante uma peregrinação a Nossa Senhora de Loretta, e ele morreu pouco depois em Agnonne, cidade dos Abruzos, onde havia uma casa de sua congregação, em 4 de Junho de 1608.
- São Francisco Caracciolo, o santo da Eucaristia – 04 de Junho
“Sangue precioso do meu Jesus, vós sois meu! Convosco e por meio de vós espero salvar-me. Meus sacerdotes, esforcem-se de celebrar a Missa, todos os dias, e inebriar-se com este Sangue!”. Não foi por acaso que Francisco Caracciolo era chamado o “Santo da Eucaristia”: seu amor por Jesus, Pão da vida, brotou muito cedo, como também sua vocação, quando ainda vivia com sua família nobre e rica em Vila Santa Maria, perto de Chieti. O amor que ele sentia por Nossa Senhora não era menos importante, tanto que, em sua honra, costumava usar o hábito do Carmo, quando criança, além de rezar o terço e jejuar todos os sábados. Uma doença “iluminadora” Aos 22 anos, Ascânio foi acometido por uma forma maligna de elefantíase, que desfigurou todo o seu corpo. Por isso, prometeu renunciar, para sempre, às riquezas terrenas em troca da sua cura. E foi atendido. Dois anos depois, foi ordenado sacerdote. Ficou conhecido por algumas supostas curas, entre os doentes dos hospitais, onde exercia seu ministério, bem como nas prisões. Vivia sempre entre os últimos, a ponto de pedir para fazer parte da Companhia dos Brancos, que, em Nápoles, prestava serviço aos condenados à morte e prisioneiros junto ao hospital dos Incuráveis. Transcorria o ano de 1588. Fundador … por engano Certo dia, Ascânio recebeu uma missiva de um nobre genovês, Agostino Adorno, e do abade de Santa Maria Maior, em Nápoles, Fabrício Caracciolo. Na verdade, a missiva era endereçada a um religioso, da sua Congregação, que tinha seu mesmo nome. Por engano, a carta foi entregue a ele, que a recebeu como sinal da Providência. Graças a este descuido, Ascânio se reuniu, com os dois personagens acima mencionados, no mosteiro dos Camáldulos, onde elaborou as Constituições de um novo Instituto, do qual foi cofundador. Ele foi o autor da proposta de acrescentar aos três votos de pobreza, castidade e obediência, um quarto voto, com o qual se comprometia a rejeitar todo e qualquer cargo eclesiástico. Quando o novo Instituto foi aprovado, Ascânio recebeu o nome de Francesco. A difícil relação com a Espanha Em 1589, Francisco Caracciolo partiu para a Espanha, junto com Adorno, para expandir seu novo Instituto. Mas, sua viagem foi uma falência. Após um ano, voltaram para casa: Francisco ficou doente e Adorno faleceu. Em 1591, Francisco foi eleito Prepósito geral perpétuo, cargo que teve que aceitar para cumprir o voto de obediência. Porém, não mudou seu modo de viver a penitência, o jejum e nem seu costume de fazer os trabalhos mais humildes. Três anos depois, Francisco voltou à Espanha, mas, em Madri, o rei Filipe II ameaçou de fechar o hospital italiano, onde prestava assistência aos enfermos. Somente em 1601, sendo eleito Mestre de noviços, conseguiu abrir uma Casa, em Valladolid. Ali, demonstrou uma grande capacidade de discernimento entre os jovens, prevendo, para alguns, a vocação para a vida religiosa e, para outros, até a apostasia. Em 1607, finalmente, foi dispensado de todos os cargos, dedicando-se apenas à oração. “Caçador de almas”, “pai dos pobres”, mas também “homem de bronze” Estes eram os três apelidos com os quais Francisco era conhecido, que refletem, perfeitamente, os três votos do seu ministério. No entanto, jamais deixou de visitar os enfermos e assistir aos moribundos. No hospital, dedicou-se, com muito zelo, aos trabalhos mais humildes, como arrumar as camas, limpar os quartos, remendar as roupas dos pacientes. Além do mais, estava sempre disposto a fazer coleta de esmolas, para providenciar a educação das meninas; levava tudo o que tinha aos pobres, até mesmo tirando o pão da sua boca para dar aos necessitados; jejuava sempre e dava as roupas usadas dos confrades aos que precisavam. Enfim, foi um incansável confessor, ensinava o catecismo às crianças, organizava as obras de caridade e pregava as verdades eternas aos fiéis. Amor a Jesus Eucarístico Francisco queria o melhor para os outros, mas nada para si: escolhia sempre os quartos apertados, dormia e comia muito pouco; além disso, fazia obras de penitência, a ponto de se cingir com o cilício nas festas e em suas longas viagens a pé. Mas, sobretudo, promovia o culto da Eucaristia, estabelecendo que os estudantes da Ordem se revezassem para a Adoração ao Santíssimo Sacramento. A propósito, nunca se cansava de exortar os sacerdotes à prática de expor o Santíssimo Sacramento, todo primeiro domingo do mês. Durante a sua peregrinação à Santa Casa de Loreto, foi para o céu, em 4 de junho de 1608, depois de invocar os Santos Miguel, José e Francisco de Assis. São Francisco Caracciolo foi canonizado por Pio VII, em 1807. Fonte: Vatican News SANTO DO DIA – 04 DE JUNHO – SÃO FRANCISCO CARACCIOLO Sacerdote (1563-1608) – Co-padroeiro da Cidade de Nápolis – Protetor contra as doenças de pele e pela conversão dos presidiários Com um sobrenome brasonado como o seu, acredita-se que havia passado a juventude em Nápoles, num fastuoso palácio de frente para o golfo. Viveu, ao contrário, junto à Congregação dos Brancos da Justiça, empenhado na assistência aos condenados à morte. Não era sequer de Nápoles; nasceu na Vila de Santa Maria de Chieti, onde viveu até os 22 anos. Foi para Nápoles a fim de completar os estudos na universidade onde ensinou são Tomás de Aquino. Atingido por uma doença de pele que o fazia parecer um leproso, sarou e pôde ser ordenado padre. Ficou em Nápoles para continuar a assistir os encarcerados e, então, lhe chegou o convite do genovês Agostinho Adorno e de Fabrício Caracciolo, abade de Santa Maria Maggiore de Nápoles. Pediam-lhe que colaborasse na Fundação dos Clérigos Regulares Menores. Ascânio aceitou; os três se dirigiram para um longo retiro na abadia de Camaldoli, a fim de meditar e escrever a Regra, que seria aprovada por Sisto V em 1º de julho de 1588. Continha um insólito quarto voto — além dos tradicionais votos de castidade, pobreza e obediência —, que proibia aceder a qualquer dignidade eclesiástica. Mas exatamente a Ascânio Caracciolo, que na profissão religiosa tomou o nome de Francisco, coube o cargo de prior-geral da jovem congregação, nascida pobre, numa velha casa nos arredores da igreja da Misericórdia. Findo seu mandato, Francisco Caracciolo dirigiu-se à Espanha para fundar uma casa religiosa e um colégio. Concluiu sua breve existência em Agnone, junto aos padres do Oratório, e foi sepultado na igreja de Santa Maria Maggiore. O primeiro milagre verificou-se durante os funerais, com a cura de um aleijado, e isso abriu caminho para a devoção dos napolitanos àquele santo nativo, que em 1840 o elegeram como co-padroeiro da cidade. Foi canonizado por Pio VII, em 24 de maio de 1807. Conheça mais sobre São Francisco Caracciolo São Francisco Caracciolo nasceu em 12 de Outubro de 1563, em Santa Maria, nos Abruzos e recebeu no batismo o nome de Ascanho, que mudou em seguida para o de Francisco, quando abraçou a vida religiosa. Seus pais, tão distintos pela piedade como pela nobreza de sangue, empenharam-se para que tivesse uma educação esmerada. O jovem Francisco correspondeu ao zelo de seus mestres com brilhantes êxitos nas ciências; mas aplicou-se ao mesmo tempo com ardor extremo à prática da piedade, e passou com inocência exemplar a fase crítica da vida. Comungava frequentemente, a fim de haurir no adorável sacramento dos nossos altares forças sempre crescentes contra os inimigos da salvação. Sua devoção para com a Santa Virgem era viva e sincera. Dirigia-lhe preces diárias e todos os sábados jejuava em sua honra. Desde a idade mais tenra nutria pelos pobres um profundo sentimento de compaixão. Solicitava por eles socorros junto de seu pai; reservava-lhes a melhor parte de sua própria alimentação e lhes distribuía com bondade tocante. Seus costumes eram de uma pureza admirável; dir-se-ia que era antes um anjo do que um homem. Tinha vinte e dois anos, quando contraiu uma enfermidade perigosa que o levou às portas da tumba, mas que também lhe trouxe sérias reflexões sobre a vaidade das coisas da terra e o fez decidir-se a consagrar-se inteiramente a Deus, se recuperasse a saúde. Com efeito, obteve de seus pais a permissão de tomar o estado eclesiástico, e recebeu as ordens sacras em Nápoles, após ter concluído os estudos de teologia. Logo em seguida, quis fazer parte de uma confraria de pessoas piedosas que se ocupavam particularmente em preparar os criminosos para a morte, e proporcionar socorros da religião aos prisioneiros aos condenados aos trabalhos forçados. Durante toda a vida continuou a ocupar-se com essa obra importante. Em 1588, associou-se a João Agostinho Adorno, de ilustre família genovesa, e Fabri Caracciolo, seu parente, para formar um novo instituto de sacerdotes que deviam reunir trabalhos da vida ativa e os exercícios da vida contemplativa. Unidos numa ermida dos frades camáldulos de Nápolis, ali passaram quarenta dias em jejum e oração, a fim de conseguirem a graça de Deus para o objetivo. Redigiram um projeto da regra que queriam dar à comunidade e se dirigiram a Roma para solicitar a aprovação do soberano Pontífice Sixto V. Este os acolheu com bondade em e, após maduro exame, confirmou o novo instituto sob o título de Clérigos regulares menores. Em 9 de Abril de 1589, os três fizeram a profissão solene, e o nosso santo mudou o nome Ascanho para Franscisco, sob o qual foi canonizado. Aos três votos de pobreza, castidade e obediência, os clérigos regulares menores acrescentaram um quarto: não procurar qualquer dignidade, dentro da ordem ou dentro da Igreja. Fazem o exame de consciência duas vezes por dia, abstêm-se de carne quatro vezes por semana e praticam outras austeridades. Orar, confessar e pregar missões constituem a ocupação de todos. Alguns se dedicam especialmente aos hospitais, outros às prisões. Mantém casas para instruir a juventude, e ermidas destinadas aos que desejam levar uma vida inteiramente isolada. Uma prática particular foi ainda prescrita pelo santo fundador, a adoração perpétua do santo sacramento. Cada dia toda a comunidade reunida passava uma hora nesse exercício, e todos os membros a faziam, em seguida, em particular, cada qual em hora determinada. Essas disposições provam suficientemente o espírito de fé e de caridade de que Francisco Caracciolo estava possuído. O zelo mais puro pela glória de Deus e a salvação do próximo presidia todas as suas ações, e sem cessar se esquecia de si mesmo, por ocupar-se inteiramente desses dois grandes interesses, os únicos, com efeito, que devem tocar os corações verdadeiramente cristãos. Além da pregação e do catecismo que fazia com freqüência, ia regularmente, desde as primeiras horas do dia, ao confessionário atender os operários e os pobres. Eis a razão por que se sentia penetrado de uma ternura particular, e colocava sua felicidade em evangelizar os pobres. Antes de fazer profissão, havia distribuído todos os bens aos infelizes. Mais tarde, viram-no frequentemente pedir esmolas pelas ruas. Durante o inverno, no tempo dos grandes frios, dava-lhes muitas vezes as próprias vestes; tinha o costume de abster-se, três vezes por semana, de toda a alimentação, a fim de lhes distribuir a parte que recebia na comunidade. Enfim, uma humildade profunda dava maior realce a todas as suas outras virtudes, e, conquanto superior geral da congregação, não se pejava de exercer as mais baixas funções, varrendo os quartos, fazendo as camas e limpando os utensílios da cozinha. Grandes favores espirituais recompensaram tantos méritos: Francisco operou muitos milagres e predisse mais de uma vez o futuro. Jesus Cristo fê-lo conhecer seu fim próximo, durante uma peregrinação a Nossa Senhora de Loretta, e ele morreu pouco depois em Agnonne, cidade dos Abruzos, onde havia uma casa de sua congregação, em 4 de Junho de 1608.
- Santa Clotilde de Borgonha, a rainha flor de lis – 03 de Junho
No meio de terríveis sofrimentos Santa Clotilde não esmoreceu, mas redobrou sua fortaleza de alma. Ela contribuiu possantemente para a conversão de Clóvis, o primeiro rei católico da França. Proveniente de uma família real de bárbaros que habitavam às margens do Mar Báltico, nasceu Clotilde provavelmente em Genebra, no ano 474. Sendo adolescente, seus pais, que a educaram na Religião Católica, foram assassinados por seu tio. Aos dezenove de idade, ela se casou com o rei dos francos, Clóvis, que era pagão. Não só através de explicações sobre a Doutrina da Igreja, mas sobretudo pelo exemplo de sua vida ela procurou converter seu esposo; entretanto, este se mantinha aferrado ao paganismo. Sua conversão efetiva operou-se quando, recorrendo ao “Deus de Clotilde”, ele venceu os alamanos na Batalha de Tolbiac. No Natal de 496, Clóvis foi batizado por São Remígio, na Catedral de Reims. Conta-se que nesse dia um Anjo entregou a Santa Clotilde um estandarte, no qual estavam pintadas três flores de lis, e disse-lhe que estas deveriam substituir os desenhos de três sapos, que figuravam na bandeira dos francos. O Rei Clóvis obedeceu filialmente a essa ordem, e a flor de lis tornou-se o símbolo oficial da França durante séculos. Com efeito, o estandarte que Santa Joana d’Arc levava em suas virginais mãos, nas lutas pela libertação da “filha primogênita da Igreja” contra os ingleses invasores, era semeado de flores de lis. Mas a ímpia Revolução Francesa rejeitou esse belíssimo símbolo e adotou a bandeira com três faixas nas cores azul, branco e vermelho. São Cloud, neto de Santa Clotilde Devido às más tendências herdadas do paganismo, os bárbaros cometiam tremendas violências. Os próprios filhos de Santa Clotilde, após a morte de Clóvis, guerrearam entre si e praticaram homicídios. Após uma vitória que alcançou contra os visigodos, em 507, Clóvis estabeleceu a capital de seu reino em Paris, onde ele e sua esposa passaram a residir. A pedido de Santa Clotilde, fez construir uma igreja em honra de São Pedro e São Paulo, nas margens do Rio Sena. A Santa, que renunciara ao mundo e residia em Paris, onde levava uma vida religiosa, conservou consigo três netos ainda crianças a fim de protegê-los. Entretanto dois deles foram assassinados, e o mais novo chamado Cloud salvou-se. Posteriormente ele se tornou sacerdote e santificou-se. A memória de São Cloud, ou Clodoaldo, é celebrada em 7 de setembro. Mantendo-se sempre confiante e combativa, Santa Clotilde mandou construir diversos conventos e igrejas. No ano 524, passou a residir junto à Abadia de São Martinho, na cidade de Tours, onde faleceu em 545, aos 71 anos de idade. Foi sepultada na Igreja de Santa Genoveva, em Paris. Mas para evitar as profanações perpetradas pela Revolução Francesa, seus restos foram transportados para Reims, onde se encontram atualmente na Basílica de Santa Clotilde [2] . Às vezes, uma lenda diz mais do que um fato histórico A respeito de Santa Clotilde, Dr. Plinio Corrêa de Oliveira teceu comentários que sintetizamos a seguir. “As armas do Rei pagão eram três sapos, mas, ao receber ele o Batismo, tornaram-se flores de lis. É a ação da Igreja, tocando o que é natural e decaído e transformando-o. […] “A Bíblia fala de transformação das pedras em filhos de Abraão, que é uma coisa linda, mas esta é muito poética e bonita. “Pode-se imaginar um sapo — com aquela pele rugosa, aquele aspecto horrível dos pântanos, aquela suficiência cafajeste, aquela falta de respiração dando ideia de sua avidez — que se transforma e se torna um lírio maravilhoso. Esta é a transformação que as almas, por ocasião do Reino de Maria, devem sofrer. “Aí está o valor das lendas e do maravilhoso: às vezes, dizem muito mais do que um acontecimento autenticamente histórico. Toda a história de Santa Clotilde pode basear-se nisto: transformação de sapos em flores de lis. […] Teve filhos criminosos “Santa Clotilde teve filhos criminosos que se jogaram uns contra os outros, a par de um neto santo, que foi o famoso Saint Cloud. Ela foi de uma raça de sapos transformada numa pura flor de lis. Teve junto de si algumas outras flores de lis, mas o resto era sapo em via de transformação. “E aí vemos a tragédia de sua vida. Era tão grande o peso do paganismo, dos maus costumes antigos, que se tornava necessária uma virtude heroica para não cair nos pecados do paganismo, ainda que se tivesse sido batizado como católico. “Houve um fato curioso de uma índia muito piedosa, que [São José de] Anchieta encontrou em São Paulo, quando esta não era mais do que o Pátio do Colégio. A índia estava bastante triste e ele perguntou-lhe o que sentia. – Estou, padre, com saudade de comer o braço de uma criança tapuia…” Ela era batizada, comungava e não comeria o braço da criança, mas tinha vontade de fazê-lo… “O pessoal que rodeava Santa Clotilde não era antropófago, mas pouco faltava para que o fosse. Eram batizados, mas tinham saudades das coisas bárbaras. “Ela, no meio de tudo isto, era uma flor de lis das mais perfeitas e admiráveis, ensinando a virtude, a mansidão e dando também admiráveis exemplos de senso de sua própria dignidade. […] Grande retorno da humanidade para a verdadeira Igreja “É muito oportuno que lhe peçamos nos consiga a graça de vermos a hora da outra transformação de sapos em flores de lis. E, quando houver o Grand Retour – Grande Retorno – e se começar a trabalhar para a construção do mundo futuro, sejamos o que ela foi no mundo dela: os precursores de um admirável progresso. Esse, então, verdadeiro, porque progresso em Nosso Senhor e em Nossa Senhora.” Dr. Plinio empregava a expressão francesa grand retour a fim de designar o grande retorno da humanidade para a verdadeira Igreja. Isso se conseguirá por meio de uma torrente avassaladora de graças que, através da Virgem Santíssima, Deus concederá ao mundo para a implantação do Reino de Maria. Que Santa Clotilde – cuja memória se celebra em 3 de junho – reze por nós para sermos batalhadores indômitos contra os inimigos da Igreja e em defesa do bem, da verdade e da beleza, e que logo seja proclamado o triunfo do Imaculado Coração de Maria. Por Paulo Francisco Martos SANTO DO DIA – 03 DE JUNHO – SANTA CLOTILDE Viúva (475-545) Clotilde nasceu em Lion, França, no ano 475, filha do rei ariano Childerico de Borgonha. Mais tarde, o rei, junto com a esposa e três dos seus cinco filhos, foi assassinado pelo próprio irmão, que lhe tomou o trono. Duas princesas foram poupadas, uma era Clotilde. A menina foi entregue a uma tia, que a educou na religião católica. Cresceu muito bonita, delicada, gentil, dotada de grande inteligência e sabedoria. Clodoveu, rei dos francos, encantou-se por ela. Foi aconselhado pelos bispos católicos do seu reino a pedir a mão de Clotilde. Ela aceitou e tornou-se a rainha dos francos. Ao lado do marido, pagão, irascível, ambicioso e guerreiro, Clotilde representava a gentileza, a bondade e a piedade cristã. Imbuída da vontade de fazer o rei tornar-se cristão, para que ele fosse mais justo com seus súditos oprimidos e parasse com as conquistas sangrentas, ela iniciou sua obra de paciência, de persuasão e de bom exemplo católico. Clodoveu, de fato, amava muito a esposa. Com ela teve três herdeiros, que, infelizmente, herdaram o seu espírito belicoso. Não se importava que Clotilde rezasse para seu Deus, em vez de ir ao templo pagão levar oferendas aos deuses pagãos, quando partia e voltava vitorioso dos combates. Por outro lado, apreciava os conselhos do bispo de Reims, Remígio, agora santo, que se tornara confessor e amigo pessoal da rainha. Com certeza, a graça já atuava no coração do rei. Foi durante a batalha contra os alemães, em 496, que ele foi tocado pela fé. O seu exercito estava quase aniquilado quando se lembrou do “Deus de Clotilde”. Ele se ajoelhou e rezou para Jesus Cristo, prometendo converter-se, bem como todo o seu exército e reino, se conseguisse a vitória. E isso aconteceu. Clodoveu, ao vencer os alemães, unificou o reino dos francos, formando o da França, do qual foi consagrado o único rei. Pediu o batismo ao bispo Remígio, assistido por todos os súditos. Em seguida, todos os soldados do exército foram batizados, seguidos por toda a corte e súditos. Ele tornou a França um Estado católico, o primeiro do Ocidente, em meio a tantos reinos pagãos ou arianos. Clotilde e Clodoveu construíram a igreja dos Apóstolos, hoje chamada de igreja de Santa Genoveva, em Paris. Mas logo depois Clodoveu morreu. Pela lei dos francos, quando o rei morria o reino era dividido entre os filhos homens, que eram três. Foi então que começou o longo período de sofrimento da rainha Clotilde, assistido por todos os seus súditos que a amavam e a chamavam de “rainha santa”. Os filhos envolveram-se em lutas sangrentas disputando o reino entre si, gerando muitas mortes na família. Então, Clotilde retirou-se para a cidade de Tours, perto do sepulcro de são Martinho, para rezar, construir igrejas, mosteiros e hospitais para os pobres e abandonados. Depois de trinta e quatro anos, a rainha faleceu, no dia 3 de junho de 545, na presença de seus filhos. Imediatamente, a fama de sua santidade propagou-se. O culto a santa Clotilde foi autorizado pela Igreja. A sua memória tornou-se uma bênção para o povo francês e para todo o mundo católico, sendo venerada no dia de sua morte. Conheça mais sobre Santa Clotilde O apóstolo São João havia, anunciado que o império romano, o império de ferro, acabaria fraccionando-se em umas dezenas de reinos. Os francos formaram um. Vieram do lado de lá do Reno para as Gálias, pelo fim do século quinto, e ali se estabeleceram no começo do século sexto. Mesclando-se com os gauleses, antigos habitantes do país, e formando um só povo com a mesma língua, chamaram-se franceses e o país se designou com o nome de França. O mais ilustre de seus primeiros rei foi Clóvis. Era ainda idólatra, bem como o seu exército, mas tratava com bondade os cristãos, sobretudo os bispos; poupava as igrejas, testemunhando estima pelas pessoas recomendáveis por suas virtudes. Honrava principalmente São Remígio. Mandou restituir à igreja de Reims os vasos sagrados que um soldado havia furtado; e, como o soldado relutasse em obedecer-lhe, puniu-o, matando-o com suas próprias mãos. Em 493 desposou uma mulher católica, Santa Clotilde, da família real dos Burgundos. Após as exortações desta e uma vitória miraculosa que Deus lhe concedeu nas planícies de Tolbiac, em 496, converteu-se, e foi instruído em viagem por São Vaast, sacerdote de Toul, na Lorena, depois por São Remígio, das mãos do qual recebeu o batismo, na noite de Natal do mesmo ano, com três mil dos principais francos. Foi assim que Deus, na sua misericórdia, colocou o reino da França no seio da Igreja. Clóvis era, então, o único rei católico. O imperador romano havia tombado no Ocidente sob os golpes dos hérulos e dos lombardos. Os reis dos godos na Itália, na Espanha, bem como os dos vândalos na África, eram arianos. Os imperadores de Constantinopla estavam quase sempre contaminados com alguma heresia. A conversão de Clóvis espalhou a alegria em toda a Igreja. E essa alegria dura ainda. Jamais um príncipe herético subiu ao trono de França; jamais o reino da França se separou da Igreja Romana; pelo contrário, ofereceu mais de uma vez asilo aos sucessores de São Pedro perseguidos na Itália. Em nossos dias, a França, mesmo em revolução, defendeu Pio IX contra uma seita de ímpios revolucionários, e o reintronizou em Roma. Em recompensa, quantos favores deus lhe concedeu! Quantos santos nasceram no solo da França! Mais de uma vez, Ele a castigou, mas sempre em sua misericórdia, jamais a deixou cair na heresia e na infidelidade, como tantos outros países; hoje ainda ali ilumina o espírito da fé e da piedade. Abençoemos a Deus por suas graças. Após nossa pátria celestial e a Igreja Católica que ali nos conduz, o que devemos amar mais acendradamente é a pátria na terra. Jesus Cristo disso nos deu um exemplo eloqüente: chorou a sua. Choremos também, mas sobretudo oremos pela nossa, a fim de que a conserve para sempre e lhe prodigalize suas misericórdias de quinze, ou melhor, de dezoito séculos; que aqui faça florir para sempre a pureza da fé, a união com a Igreja Romana e o zelo pela conversão dos infiéis. #SantodoDia
- Santa Clotilde de Borgonha, a rainha flor de lis – 03 de Junho
No meio de terríveis sofrimentos Santa Clotilde não esmoreceu, mas redobrou sua fortaleza de alma. Ela contribuiu possantemente para a conversão de Clóvis, o primeiro rei católico da França. Proveniente de uma família real de bárbaros que habitavam às margens do Mar Báltico, nasceu Clotilde provavelmente em Genebra, no ano 474. Sendo adolescente, seus pais, que a educaram na Religião Católica, foram assassinados por seu tio. Aos dezenove de idade, ela se casou com o rei dos francos, Clóvis, que era pagão. Não só através de explicações sobre a Doutrina da Igreja, mas sobretudo pelo exemplo de sua vida ela procurou converter seu esposo; entretanto, este se mantinha aferrado ao paganismo. Sua conversão efetiva operou-se quando, recorrendo ao “Deus de Clotilde”, ele venceu os alamanos na Batalha de Tolbiac. No Natal de 496, Clóvis foi batizado por São Remígio, na Catedral de Reims. Conta-se que nesse dia um Anjo entregou a Santa Clotilde um estandarte, no qual estavam pintadas três flores de lis, e disse-lhe que estas deveriam substituir os desenhos de três sapos, que figuravam na bandeira dos francos. O Rei Clóvis obedeceu filialmente a essa ordem, e a flor de lis tornou-se o símbolo oficial da França durante séculos. Com efeito, o estandarte que Santa Joana d’Arc levava em suas virginais mãos, nas lutas pela libertação da “filha primogênita da Igreja” contra os ingleses invasores, era semeado de flores de lis. Mas a ímpia Revolução Francesa rejeitou esse belíssimo símbolo e adotou a bandeira com três faixas nas cores azul, branco e vermelho. São Cloud, neto de Santa Clotilde Devido às más tendências herdadas do paganismo, os bárbaros cometiam tremendas violências. Os próprios filhos de Santa Clotilde, após a morte de Clóvis, guerrearam entre si e praticaram homicídios. Após uma vitória que alcançou contra os visigodos, em 507, Clóvis estabeleceu a capital de seu reino em Paris, onde ele e sua esposa passaram a residir. A pedido de Santa Clotilde, fez construir uma igreja em honra de São Pedro e São Paulo, nas margens do Rio Sena. A Santa, que renunciara ao mundo e residia em Paris, onde levava uma vida religiosa, conservou consigo três netos ainda crianças a fim de protegê-los. Entretanto dois deles foram assassinados, e o mais novo chamado Cloud salvou-se. Posteriormente ele se tornou sacerdote e santificou-se. A memória de São Cloud, ou Clodoaldo, é celebrada em 7 de setembro. Mantendo-se sempre confiante e combativa, Santa Clotilde mandou construir diversos conventos e igrejas. No ano 524, passou a residir junto à Abadia de São Martinho, na cidade de Tours, onde faleceu em 545, aos 71 anos de idade. Foi sepultada na Igreja de Santa Genoveva, em Paris. Mas para evitar as profanações perpetradas pela Revolução Francesa, seus restos foram transportados para Reims, onde se encontram atualmente na Basílica de Santa Clotilde [2] . Às vezes, uma lenda diz mais do que um fato histórico A respeito de Santa Clotilde, Dr. Plinio Corrêa de Oliveira teceu comentários que sintetizamos a seguir. “As armas do Rei pagão eram três sapos, mas, ao receber ele o Batismo, tornaram-se flores de lis. É a ação da Igreja, tocando o que é natural e decaído e transformando-o. […] “A Bíblia fala de transformação das pedras em filhos de Abraão, que é uma coisa linda, mas esta é muito poética e bonita. “Pode-se imaginar um sapo — com aquela pele rugosa, aquele aspecto horrível dos pântanos, aquela suficiência cafajeste, aquela falta de respiração dando ideia de sua avidez — que se transforma e se torna um lírio maravilhoso. Esta é a transformação que as almas, por ocasião do Reino de Maria, devem sofrer. “Aí está o valor das lendas e do maravilhoso: às vezes, dizem muito mais do que um acontecimento autenticamente histórico. Toda a história de Santa Clotilde pode basear-se nisto: transformação de sapos em flores de lis. […] Teve filhos criminosos “Santa Clotilde teve filhos criminosos que se jogaram uns contra os outros, a par de um neto santo, que foi o famoso Saint Cloud. Ela foi de uma raça de sapos transformada numa pura flor de lis. Teve junto de si algumas outras flores de lis, mas o resto era sapo em via de transformação. “E aí vemos a tragédia de sua vida. Era tão grande o peso do paganismo, dos maus costumes antigos, que se tornava necessária uma virtude heroica para não cair nos pecados do paganismo, ainda que se tivesse sido batizado como católico. “Houve um fato curioso de uma índia muito piedosa, que [São José de] Anchieta encontrou em São Paulo, quando esta não era mais do que o Pátio do Colégio. A índia estava bastante triste e ele perguntou-lhe o que sentia. – Estou, padre, com saudade de comer o braço de uma criança tapuia…” Ela era batizada, comungava e não comeria o braço da criança, mas tinha vontade de fazê-lo… “O pessoal que rodeava Santa Clotilde não era antropófago, mas pouco faltava para que o fosse. Eram batizados, mas tinham saudades das coisas bárbaras. “Ela, no meio de tudo isto, era uma flor de lis das mais perfeitas e admiráveis, ensinando a virtude, a mansidão e dando também admiráveis exemplos de senso de sua própria dignidade. […] Grande retorno da humanidade para a verdadeira Igreja “É muito oportuno que lhe peçamos nos consiga a graça de vermos a hora da outra transformação de sapos em flores de lis. E, quando houver o Grand Retour – Grande Retorno – e se começar a trabalhar para a construção do mundo futuro, sejamos o que ela foi no mundo dela: os precursores de um admirável progresso. Esse, então, verdadeiro, porque progresso em Nosso Senhor e em Nossa Senhora.” Dr. Plinio empregava a expressão francesa grand retour a fim de designar o grande retorno da humanidade para a verdadeira Igreja. Isso se conseguirá por meio de uma torrente avassaladora de graças que, através da Virgem Santíssima, Deus concederá ao mundo para a implantação do Reino de Maria. Que Santa Clotilde – cuja memória se celebra em 3 de junho – reze por nós para sermos batalhadores indômitos contra os inimigos da Igreja e em defesa do bem, da verdade e da beleza, e que logo seja proclamado o triunfo do Imaculado Coração de Maria. Por Paulo Francisco Martos SANTO DO DIA – 03 DE JUNHO – SANTA CLOTILDE Viúva (475-545) Clotilde nasceu em Lion, França, no ano 475, filha do rei ariano Childerico de Borgonha. Mais tarde, o rei, junto com a esposa e três dos seus cinco filhos, foi assassinado pelo próprio irmão, que lhe tomou o trono. Duas princesas foram poupadas, uma era Clotilde. A menina foi entregue a uma tia, que a educou na religião católica. Cresceu muito bonita, delicada, gentil, dotada de grande inteligência e sabedoria. Clodoveu, rei dos francos, encantou-se por ela. Foi aconselhado pelos bispos católicos do seu reino a pedir a mão de Clotilde. Ela aceitou e tornou-se a rainha dos francos. Ao lado do marido, pagão, irascível, ambicioso e guerreiro, Clotilde representava a gentileza, a bondade e a piedade cristã. Imbuída da vontade de fazer o rei tornar-se cristão, para que ele fosse mais justo com seus súditos oprimidos e parasse com as conquistas sangrentas, ela iniciou sua obra de paciência, de persuasão e de bom exemplo católico. Clodoveu, de fato, amava muito a esposa. Com ela teve três herdeiros, que, infelizmente, herdaram o seu espírito belicoso. Não se importava que Clotilde rezasse para seu Deus, em vez de ir ao templo pagão levar oferendas aos deuses pagãos, quando partia e voltava vitorioso dos combates. Por outro lado, apreciava os conselhos do bispo de Reims, Remígio, agora santo, que se tornara confessor e amigo pessoal da rainha. Com certeza, a graça já atuava no coração do rei. Foi durante a batalha contra os alemães, em 496, que ele foi tocado pela fé. O seu exercito estava quase aniquilado quando se lembrou do “Deus de Clotilde”. Ele se ajoelhou e rezou para Jesus Cristo, prometendo converter-se, bem como todo o seu exército e reino, se conseguisse a vitória. E isso aconteceu. Clodoveu, ao vencer os alemães, unificou o reino dos francos, formando o da França, do qual foi consagrado o único rei. Pediu o batismo ao bispo Remígio, assistido por todos os súditos. Em seguida, todos os soldados do exército foram batizados, seguidos por toda a corte e súditos. Ele tornou a França um Estado católico, o primeiro do Ocidente, em meio a tantos reinos pagãos ou arianos. Clotilde e Clodoveu construíram a igreja dos Apóstolos, hoje chamada de igreja de Santa Genoveva, em Paris. Mas logo depois Clodoveu morreu. Pela lei dos francos, quando o rei morria o reino era dividido entre os filhos homens, que eram três. Foi então que começou o longo período de sofrimento da rainha Clotilde, assistido por todos os seus súditos que a amavam e a chamavam de “rainha santa”. Os filhos envolveram-se em lutas sangrentas disputando o reino entre si, gerando muitas mortes na família. Então, Clotilde retirou-se para a cidade de Tours, perto do sepulcro de são Martinho, para rezar, construir igrejas, mosteiros e hospitais para os pobres e abandonados. Depois de trinta e quatro anos, a rainha faleceu, no dia 3 de junho de 545, na presença de seus filhos. Imediatamente, a fama de sua santidade propagou-se. O culto a santa Clotilde foi autorizado pela Igreja. A sua memória tornou-se uma bênção para o povo francês e para todo o mundo católico, sendo venerada no dia de sua morte. Conheça mais sobre Santa Clotilde O apóstolo São João havia, anunciado que o império romano, o império de ferro, acabaria fraccionando-se em umas dezenas de reinos. Os francos formaram um. Vieram do lado de lá do Reno para as Gálias, pelo fim do século quinto, e ali se estabeleceram no começo do século sexto. Mesclando-se com os gauleses, antigos habitantes do país, e formando um só povo com a mesma língua, chamaram-se franceses e o país se designou com o nome de França. O mais ilustre de seus primeiros rei foi Clóvis. Era ainda idólatra, bem como o seu exército, mas tratava com bondade os cristãos, sobretudo os bispos; poupava as igrejas, testemunhando estima pelas pessoas recomendáveis por suas virtudes. Honrava principalmente São Remígio. Mandou restituir à igreja de Reims os vasos sagrados que um soldado havia furtado; e, como o soldado relutasse em obedecer-lhe, puniu-o, matando-o com suas próprias mãos. Em 493 desposou uma mulher católica, Santa Clotilde, da família real dos Burgundos. Após as exortações desta e uma vitória miraculosa que Deus lhe concedeu nas planícies de Tolbiac, em 496, converteu-se, e foi instruído em viagem por São Vaast, sacerdote de Toul, na Lorena, depois por São Remígio, das mãos do qual recebeu o batismo, na noite de Natal do mesmo ano, com três mil dos principais francos. Foi assim que Deus, na sua misericórdia, colocou o reino da França no seio da Igreja. Clóvis era, então, o único rei católico. O imperador romano havia tombado no Ocidente sob os golpes dos hérulos e dos lombardos. Os reis dos godos na Itália, na Espanha, bem como os dos vândalos na África, eram arianos. Os imperadores de Constantinopla estavam quase sempre contaminados com alguma heresia. A conversão de Clóvis espalhou a alegria em toda a Igreja. E essa alegria dura ainda. Jamais um príncipe herético subiu ao trono de França; jamais o reino da França se separou da Igreja Romana; pelo contrário, ofereceu mais de uma vez asilo aos sucessores de São Pedro perseguidos na Itália. Em nossos dias, a França, mesmo em revolução, defendeu Pio IX contra uma seita de ímpios revolucionários, e o reintronizou em Roma. Em recompensa, quantos favores deus lhe concedeu! Quantos santos nasceram no solo da França! Mais de uma vez, Ele a castigou, mas sempre em sua misericórdia, jamais a deixou cair na heresia e na infidelidade, como tantos outros países; hoje ainda ali ilumina o espírito da fé e da piedade. Abençoemos a Deus por suas graças. Após nossa pátria celestial e a Igreja Católica que ali nos conduz, o que devemos amar mais acendradamente é a pátria na terra. Jesus Cristo disso nos deu um exemplo eloqüente: chorou a sua. Choremos também, mas sobretudo oremos pela nossa, a fim de que a conserve para sempre e lhe prodigalize suas misericórdias de quinze, ou melhor, de dezoito séculos; que aqui faça florir para sempre a pureza da fé, a união com a Igreja Romana e o zelo pela conversão dos infiéis. #SantodoDia
- Santos Marcelino e Pedro, sacerdotes mártires – 02 de Junho
SANTO DO DIA – 02 DE JUNHO – SANTOS MARCELINO E PEDRO Mártires (+304) Esta página da história da Igreja foi-nos confirmada pelo próprio papa Dâmaso, que na época era um adolescente e testemunhou os acontecimentos. Foi assim que tudo passou. Na Roma dos tempos terríveis e sangrentos do imperador Diocleciano, padre Marcelino era um dos sacerdotes mais respeitados entre o clero romano. Por meio dele e de Pedro, outro sacerdote, exorcista, muitas conversões ocorreram na capital do império. Como os dois se tornaram conhecidos por todos daquela comunidade, inclusive pelos pagãos, não demorou a serem denunciados como cristãos. Isso porque os mais visados eram os líderes da nova religião e os que se destacavam como exemplo entre a população. Intimados, Marcelino e Pedro foram presos para julgamento. No cárcere, conheceram Artêmio, o diretor da prisão. Alguns dias depois notaram que Artêmio andava triste. Conversaram com ele e o miliciano contou que sua filha Paulinha estava à beira da morte, atacada por convulsões e contorções espantosas, motivadas por um mal misterioso que os médicos não descobriam a causa. Para os dois, aquilo indicava uma possessão demoníaca. Falaram sobre o cristianismo, Deus e o demônio e sobre a libertação dos males pela fé em Jesus Cristo. Mas Artêmino não lhes deu crédito. Até que naquela noite presenciou um milagre que mudou seu destino. Segundo consta, um anjo libertou Pedro das correntes e ferros e o conduziu à casa de Artêmio. O miliciano, perplexo, apresentou-o à sua esposa, Cândida. Pedro, então, disse ao casal que a cura da filha Paulinha dependeria de suas sinceras conversões. Começou a pregar a Palavra de Cristo e pouco depois os dois se converteram. Paulinha se curou e se converteu também. Dias depois, Artêmio libertou Marcelino e Pedro, provocando a ira de seus superiores. Os dois foram recapturados e condenados à decapitação. Entrementes, Artêmio, Cândida e Paulinha foram escondidos pelos cristãos, mas eles passaram a evangelizar publicamente, conseguindo muitas conversões. Assim, logo foram localizados e imediatamente executados. Artêmio morreu decapitado, enquanto Cândida e Paulinha foram colocadas vivas dentro de uma vala que foi sendo coberta por pedras até morrerem sufocadas. Quanto aos santos, o prefeito de Roma ordenou que fossem também decapitados, porém fora da cidade, para que não houvesse comoção popular. Foram levados para um bosque isolado onde lhes cortaram as cabeças. Era o dia 2 de junho de 304. Os seus corpos ficaram escondidos numa gruta límpida por muito tempo. Depois foram encontrados por uma rica e pia senhora, de nome Lucila, que desejava dar uma digna e cristã sepultura aos santos de sua devoção. O culto dedicado a eles se espalhou no mundo católico até que o imperador Constantino mandou construir sobre essas sepulturas uma igreja. Outros séculos se passaram e, em 1751, no lugar da igreja foi erguida a belíssima basílica de São Marcelino e São Pedro, para conservar a memória dos dois santos mártires, a qual existe até hoje.
- Santos Marcelino e Pedro, sacerdotes mártires – 02 de Junho
SANTO DO DIA – 02 DE JUNHO – SANTOS MARCELINO E PEDRO Mártires (+304) Esta página da história da Igreja foi-nos confirmada pelo próprio papa Dâmaso, que na época era um adolescente e testemunhou os acontecimentos. Foi assim que tudo passou. Na Roma dos tempos terríveis e sangrentos do imperador Diocleciano, padre Marcelino era um dos sacerdotes mais respeitados entre o clero romano. Por meio dele e de Pedro, outro sacerdote, exorcista, muitas conversões ocorreram na capital do império. Como os dois se tornaram conhecidos por todos daquela comunidade, inclusive pelos pagãos, não demorou a serem denunciados como cristãos. Isso porque os mais visados eram os líderes da nova religião e os que se destacavam como exemplo entre a população. Intimados, Marcelino e Pedro foram presos para julgamento. No cárcere, conheceram Artêmio, o diretor da prisão. Alguns dias depois notaram que Artêmio andava triste. Conversaram com ele e o miliciano contou que sua filha Paulinha estava à beira da morte, atacada por convulsões e contorções espantosas, motivadas por um mal misterioso que os médicos não descobriam a causa. Para os dois, aquilo indicava uma possessão demoníaca. Falaram sobre o cristianismo, Deus e o demônio e sobre a libertação dos males pela fé em Jesus Cristo. Mas Artêmino não lhes deu crédito. Até que naquela noite presenciou um milagre que mudou seu destino. Segundo consta, um anjo libertou Pedro das correntes e ferros e o conduziu à casa de Artêmio. O miliciano, perplexo, apresentou-o à sua esposa, Cândida. Pedro, então, disse ao casal que a cura da filha Paulinha dependeria de suas sinceras conversões. Começou a pregar a Palavra de Cristo e pouco depois os dois se converteram. Paulinha se curou e se converteu também. Dias depois, Artêmio libertou Marcelino e Pedro, provocando a ira de seus superiores. Os dois foram recapturados e condenados à decapitação. Entrementes, Artêmio, Cândida e Paulinha foram escondidos pelos cristãos, mas eles passaram a evangelizar publicamente, conseguindo muitas conversões. Assim, logo foram localizados e imediatamente executados. Artêmio morreu decapitado, enquanto Cândida e Paulinha foram colocadas vivas dentro de uma vala que foi sendo coberta por pedras até morrerem sufocadas. Quanto aos santos, o prefeito de Roma ordenou que fossem também decapitados, porém fora da cidade, para que não houvesse comoção popular. Foram levados para um bosque isolado onde lhes cortaram as cabeças. Era o dia 2 de junho de 304. Os seus corpos ficaram escondidos numa gruta límpida por muito tempo. Depois foram encontrados por uma rica e pia senhora, de nome Lucila, que desejava dar uma digna e cristã sepultura aos santos de sua devoção. O culto dedicado a eles se espalhou no mundo católico até que o imperador Constantino mandou construir sobre essas sepulturas uma igreja. Outros séculos se passaram e, em 1751, no lugar da igreja foi erguida a belíssima basílica de São Marcelino e São Pedro, para conservar a memória dos dois santos mártires, a qual existe até hoje.
- São Justino, filósofo e mártir – 01 de Junho
SANTO DO DIA 01 DE JUNHO – SÃO JUSTINO Mártir (103-164) Justino nasceu na cidade de Flávia Neápolis, na Samaria, Palestina, no ano 103, início do século II, quando o cristianismo ainda se estruturava como religião católica. Tinha origem latina e seu pai se chamava Prisco. Ele foi educado e se formou nas melhores escolas do seu tempo, cursando filosofia e especializando-se nas teorias de Platão. Tinha alma de eremita e abandonou a civilização para viver na solidão. Diz a tradição que foi nessa fase de isolamento que recebeu a visita de um misterioso ancião, que lhe falou sobre o Evangelho, as profecias e seu cumprimento com a Paixão de Jesus, abalando suas convicções e depois desaparecendo misteriosamente. Anos mais tarde, acompanhou uma sangrenta perseguição aos cristãos, conversou com outros deles e acabou convertendo-se, mesmo tendo conhecimento das penas e execuções impostas aos seguidores da religião cristã. Foi batizado no ano 130 na cidade de Éfeso, instante em que substituiu a filosofia de Platão pela verdade de Cristo, tornando-se, historicamente, o primeiro dos Padres da Igreja que sucederam os Padres apostólicos dos primeiros tempos. Antes de continuar a leitura, ouça essa excelente homilia do Padre Paulo Ricardo em que ele faz um alerta à apostasia generalizada que presenciamos e a falta que faz um São Justino em nossos tempos : No ano seguinte estava em Roma, onde passou a travar discussões filosóficas, encaminhando-as para a visão do Evangelho. Muito culto, era assim que evangelizava entre os letrados, pois esse era o mundo onde melhor transitava. Era um missionário filósofo, que, além de falar, escrevia. Deixou muitos livros importantes, cujos ensinamentos influenciaram e ainda estão presentes na catequese e na doutrina dogmática da Igreja. Embora tenham alcançado nossos tempos apenas três de suas apologias, a mais célebre delas é o Diálogo com Trifão. Seus registros abriram caminhos à polêmica antijudaica na literatura cristã, além de fornecerem-nos importantes informações sobre ritos e administração dos sacramentos na Igreja primitiva. Bem-sucedido em todas as discussões filosóficas, conseguiu converter muitas pessoas influentes, ganhando com isso muitos inimigos também. Principalmente a ira dos filósofos pagãos Trifão e Crescêncio. Este último, após ter sido humilhado pelos argumentos de Justino, prometeu vingança e o denunciou como cristão ao imperador Marco Aurélio. Justino foi levado a julgamento e, como não se dobrou às ameaças, acabou flagelado e decapitado com outros companheiros, que como ele testemunharam sua fé em Cristo no ano 164, em Roma, Itália. São Justino na linguagem moderna Ele conheceu estóicos, aristotélicos, platônicos e ficou com Cristo! Traduzido de Religion en Libertad O católico comum conhece Jesus dos Evangelhos, e os apóstolos e suas viagens e pregação da tradição. A maioria dos católicos sabe, por exemplo, que Pedro e Paulo morreram mártires em Roma: não é algo que se lê na Bíblia, mas os cristãos se lembraram e até viram em filmes romanos, como “Quo Vadis”. Mas e quanto à próxima geração de cristãos? O segundo século, quando o Cristianismo foi verdadeiramente consolidado em todo o Império Romano, aproveitando uma época de paz, comércio e transporte eficientes e frequentes debates intelectuais, é pouco conhecido do cristão comum. Para se aproximar dessa época, a editora Ciudad Nueva publica a série informativa “Conhecendo o segundo século”, com quatro livros focados em quatro cristãos-chave e seu contexto: Santo Inácio em Antioquia, São Justino em Roma, Santo Irineu em Lyon e São Clemente em Alexandria. Um estilo de “luta”: o que gostava na época Justino usa o estilo chamado “agônico”, de ‘agon’, luta, que hoje parece briguento e não muito conciliador, não muito fraterno, mas então era aquele apreciado pela sociedade e o esperado de quem, como Justino, usava o manto do filósofo e eles saíram para debater nas fontes termais com os amigos do debate intelectual. Justino, um pagão convertido ao cristianismo, que já havia explorado as doutrinas dos estóicos, aristotélicos e platônicos, que admiravam Sócrates e que foi atraído ao cristianismo pela alegria e coragem dos mártires, não muito diferente daquela de Sócrates, começou sua carreira como filósofo cristão por volta de 150 DC (quando não havia quase nenhum, ele abriu o caminho) escrevendo “desculpas” que respondiam às acusações de intelectuais pagãos e autoridades civis contra os cristãos. O que os pagãos criticavam os cristãos As acusações dos pagãos eram basicamente de quatro tipos: Que o Cristianismo foi uma compilação do pior do Judaísmo, já uma religião polêmica Que o Cristianismo era novo (isto é, sem “pedigree” ou tradição), era superstição (faz os homens viverem com medo do sobrenatural), era maligno (com bruxaria e adivinhações, com orgias e canibalismo) e que era excessivo em suas exigências morais e religiosas. Que ele tem crenças irracionais e também, com orgulho, é mostrado como a única verdade Isso subverte a ordem social, ao negar os deuses pagãos e ao limitar a autoridade política dos pais e maridos Justino sabia como responder com bastante sucesso e elegância a essas acusações: a maioria delas eram embustes; a outra parte, a das exigências morais, não estava muito longe do desejo de virtude das várias escolas filosóficas aceitas. À acusação de ser algo “novo”, ele respondeu que Moisés e sua lei são mais antigos do que Platão e seus ensinamentos. Ele também afirmou que Cristo é o Logos de que falam os filósofos, e que os homens foram criados de acordo com esse Logos, uma ideia que ainda é válida e evocativa hoje. Em outras ocasiões, Justino preferia revidar, acusando cultos pagãos ou alguns costumes antigos de “enganar os homens com demônios”. Debatendo com o mundo judaico Mais tarde, Justino se viu debatendo com o mundo judaico. Para este debate não estava tão bem preparado. Ele não conhecia a Bíblia em hebraico, apenas a Bíblia grega chamada “dos Setenta” (o número de sábios que, segundo a lenda, a traduziram do hebraico para o grego coincidindo milagrosamente), embora tenha feito um esforço para conhecê-la melhor e procure algum ponto mínimo em comum. Em seus debates como o mundo judaico (que historiadores e teólogos judeus modernos analisaram e analisaram), nota-se que ele improvisou algumas respostas e não dominou o tipo de argumentação bíblica que os judeus teriam apreciado mais. Quando ele não teve proficiência bíblica, ele voltou para suas técnicas de retórica greco-romana e algumas frases fáceis e gratuitas. Contra hereges, mão forte Sua terceira atmosfera de debate foi contra os hereges ou falsos cristãos. Contra esses ele usou a linguagem mais dura, acusou-os repetidamente de serem manipulados por demônios, ou de servi-los com prazer, e não se esforçou tanto para apresentar argumentos. A palavra “herege”, que até então significava algo mais neutro, como “facção” ou “corrente”, já que Justino tem um significado totalmente negativo. Rivas Rebaque destaca, como detalhe, que Justino acusa os hereges de seguirem como um deus Simão, o Mago, personagem dos Atos dos Apóstolos, e de lhe ter dedicado uma estátua em Roma, mas que esta estátua foi encontrada em 1575, efetivamente com a inscrição “Semoni Sanc [t] o Deo”, mas se refere ao deus latino dos juramentos, Semo, não Simão, o Mago. Um intelectual orgânico, mas não de aluguel Rivas Rebaque explica que Justino foi um verdadeiro intelectual, e bastante aberto no debate com os filósofos, mas no fundo foi “um intelectual orgânico ao serviço da comunidade cristã, onde encontrou a sua pátria autêntica, que defendeu”. Ele o fez com sincera convicção em uma época de intelectuais pagos nos salões dos ricos. Ele também foi muito corajoso em defender, como filósofo, que Deus era um ser pessoal e providente, e não uma mera força impessoal como promulgava o consenso culto da época. Por outro lado, era curioso que às vezes ele insistisse na liberdade e na responsabilidade do ser humano, mas depois recorresse frequentemente a dizer que os homens ou povos eram manipulados e controlados por demônios. Finalmente, deve-se levar em conta que a cruz continuou a ser aplicada, aterrorizada e escandalizada no século II. Será Deus alguém que morre na cruz, sinal de criminalidade e derrota total? Muitos foram tentados (como mais tarde no Islã) a dizer que Cristo não morreu realmente, ou que ele não era realmente o Cristo, ou que aquele que morreu na cruz não era realmente o Filho de Deus, ou que isso aconteceu apenas no Nível gnóstico. / Espiritual / simbólico / aparente, etc … Mas Justino sempre defendeu a realidade física e material de Cristo e sua cruz, e finalmente o fez morrendo mártir com seus discípulos. A combinação de um filósofo, apologista, orador e escritor convertido, polemista e mártir, faz de Justino uma figura única. A sua presença com argumentos e convicções num ambiente pagão hostil, perante uma elite intelectual e política que ele contesta, torna-o muito atual no nosso tempo, não menos pagão. #SantodoDia
- São Justino, filósofo e mártir – 01 de Junho
SANTO DO DIA 01 DE JUNHO – SÃO JUSTINO Mártir (103-164) Justino nasceu na cidade de Flávia Neápolis, na Samaria, Palestina, no ano 103, início do século II, quando o cristianismo ainda se estruturava como religião católica. Tinha origem latina e seu pai se chamava Prisco. Ele foi educado e se formou nas melhores escolas do seu tempo, cursando filosofia e especializando-se nas teorias de Platão. Tinha alma de eremita e abandonou a civilização para viver na solidão. Diz a tradição que foi nessa fase de isolamento que recebeu a visita de um misterioso ancião, que lhe falou sobre o Evangelho, as profecias e seu cumprimento com a Paixão de Jesus, abalando suas convicções e depois desaparecendo misteriosamente. Anos mais tarde, acompanhou uma sangrenta perseguição aos cristãos, conversou com outros deles e acabou convertendo-se, mesmo tendo conhecimento das penas e execuções impostas aos seguidores da religião cristã. Foi batizado no ano 130 na cidade de Éfeso, instante em que substituiu a filosofia de Platão pela verdade de Cristo, tornando-se, historicamente, o primeiro dos Padres da Igreja que sucederam os Padres apostólicos dos primeiros tempos. Antes de continuar a leitura, ouça essa excelente homilia do Padre Paulo Ricardo em que ele faz um alerta à apostasia generalizada que presenciamos e a falta que faz um São Justino em nossos tempos : No ano seguinte estava em Roma, onde passou a travar discussões filosóficas, encaminhando-as para a visão do Evangelho. Muito culto, era assim que evangelizava entre os letrados, pois esse era o mundo onde melhor transitava. Era um missionário filósofo, que, além de falar, escrevia. Deixou muitos livros importantes, cujos ensinamentos influenciaram e ainda estão presentes na catequese e na doutrina dogmática da Igreja. Embora tenham alcançado nossos tempos apenas três de suas apologias, a mais célebre delas é o Diálogo com Trifão. Seus registros abriram caminhos à polêmica antijudaica na literatura cristã, além de fornecerem-nos importantes informações sobre ritos e administração dos sacramentos na Igreja primitiva. Bem-sucedido em todas as discussões filosóficas, conseguiu converter muitas pessoas influentes, ganhando com isso muitos inimigos também. Principalmente a ira dos filósofos pagãos Trifão e Crescêncio. Este último, após ter sido humilhado pelos argumentos de Justino, prometeu vingança e o denunciou como cristão ao imperador Marco Aurélio. Justino foi levado a julgamento e, como não se dobrou às ameaças, acabou flagelado e decapitado com outros companheiros, que como ele testemunharam sua fé em Cristo no ano 164, em Roma, Itália. São Justino na linguagem moderna Ele conheceu estóicos, aristotélicos, platônicos e ficou com Cristo! Traduzido de Religion en Libertad O católico comum conhece Jesus dos Evangelhos, e os apóstolos e suas viagens e pregação da tradição. A maioria dos católicos sabe, por exemplo, que Pedro e Paulo morreram mártires em Roma: não é algo que se lê na Bíblia, mas os cristãos se lembraram e até viram em filmes romanos, como “Quo Vadis”. Mas e quanto à próxima geração de cristãos? O segundo século, quando o Cristianismo foi verdadeiramente consolidado em todo o Império Romano, aproveitando uma época de paz, comércio e transporte eficientes e frequentes debates intelectuais, é pouco conhecido do cristão comum. Para se aproximar dessa época, a editora Ciudad Nueva publica a série informativa “Conhecendo o segundo século”, com quatro livros focados em quatro cristãos-chave e seu contexto: Santo Inácio em Antioquia, São Justino em Roma, Santo Irineu em Lyon e São Clemente em Alexandria. Um estilo de “luta”: o que gostava na época Justino usa o estilo chamado “agônico”, de ‘agon’, luta, que hoje parece briguento e não muito conciliador, não muito fraterno, mas então era aquele apreciado pela sociedade e o esperado de quem, como Justino, usava o manto do filósofo e eles saíram para debater nas fontes termais com os amigos do debate intelectual. Justino, um pagão convertido ao cristianismo, que já havia explorado as doutrinas dos estóicos, aristotélicos e platônicos, que admiravam Sócrates e que foi atraído ao cristianismo pela alegria e coragem dos mártires, não muito diferente daquela de Sócrates, começou sua carreira como filósofo cristão por volta de 150 DC (quando não havia quase nenhum, ele abriu o caminho) escrevendo “desculpas” que respondiam às acusações de intelectuais pagãos e autoridades civis contra os cristãos. O que os pagãos criticavam os cristãos As acusações dos pagãos eram basicamente de quatro tipos: Que o Cristianismo foi uma compilação do pior do Judaísmo, já uma religião polêmica Que o Cristianismo era novo (isto é, sem “pedigree” ou tradição), era superstição (faz os homens viverem com medo do sobrenatural), era maligno (com bruxaria e adivinhações, com orgias e canibalismo) e que era excessivo em suas exigências morais e religiosas. Que ele tem crenças irracionais e também, com orgulho, é mostrado como a única verdade Isso subverte a ordem social, ao negar os deuses pagãos e ao limitar a autoridade política dos pais e maridos Justino sabia como responder com bastante sucesso e elegância a essas acusações: a maioria delas eram embustes; a outra parte, a das exigências morais, não estava muito longe do desejo de virtude das várias escolas filosóficas aceitas. À acusação de ser algo “novo”, ele respondeu que Moisés e sua lei são mais antigos do que Platão e seus ensinamentos. Ele também afirmou que Cristo é o Logos de que falam os filósofos, e que os homens foram criados de acordo com esse Logos, uma ideia que ainda é válida e evocativa hoje. Em outras ocasiões, Justino preferia revidar, acusando cultos pagãos ou alguns costumes antigos de “enganar os homens com demônios”. Debatendo com o mundo judaico Mais tarde, Justino se viu debatendo com o mundo judaico. Para este debate não estava tão bem preparado. Ele não conhecia a Bíblia em hebraico, apenas a Bíblia grega chamada “dos Setenta” (o número de sábios que, segundo a lenda, a traduziram do hebraico para o grego coincidindo milagrosamente), embora tenha feito um esforço para conhecê-la melhor e procure algum ponto mínimo em comum. Em seus debates como o mundo judaico (que historiadores e teólogos judeus modernos analisaram e analisaram), nota-se que ele improvisou algumas respostas e não dominou o tipo de argumentação bíblica que os judeus teriam apreciado mais. Quando ele não teve proficiência bíblica, ele voltou para suas técnicas de retórica greco-romana e algumas frases fáceis e gratuitas. Contra hereges, mão forte Sua terceira atmosfera de debate foi contra os hereges ou falsos cristãos. Contra esses ele usou a linguagem mais dura, acusou-os repetidamente de serem manipulados por demônios, ou de servi-los com prazer, e não se esforçou tanto para apresentar argumentos. A palavra “herege”, que até então significava algo mais neutro, como “facção” ou “corrente”, já que Justino tem um significado totalmente negativo. Rivas Rebaque destaca, como detalhe, que Justino acusa os hereges de seguirem como um deus Simão, o Mago, personagem dos Atos dos Apóstolos, e de lhe ter dedicado uma estátua em Roma, mas que esta estátua foi encontrada em 1575, efetivamente com a inscrição “Semoni Sanc [t] o Deo”, mas se refere ao deus latino dos juramentos, Semo, não Simão, o Mago. Um intelectual orgânico, mas não de aluguel Rivas Rebaque explica que Justino foi um verdadeiro intelectual, e bastante aberto no debate com os filósofos, mas no fundo foi “um intelectual orgânico ao serviço da comunidade cristã, onde encontrou a sua pátria autêntica, que defendeu”. Ele o fez com sincera convicção em uma época de intelectuais pagos nos salões dos ricos. Ele também foi muito corajoso em defender, como filósofo, que Deus era um ser pessoal e providente, e não uma mera força impessoal como promulgava o consenso culto da época. Por outro lado, era curioso que às vezes ele insistisse na liberdade e na responsabilidade do ser humano, mas depois recorresse frequentemente a dizer que os homens ou povos eram manipulados e controlados por demônios. Finalmente, deve-se levar em conta que a cruz continuou a ser aplicada, aterrorizada e escandalizada no século II. Será Deus alguém que morre na cruz, sinal de criminalidade e derrota total? Muitos foram tentados (como mais tarde no Islã) a dizer que Cristo não morreu realmente, ou que ele não era realmente o Cristo, ou que aquele que morreu na cruz não era realmente o Filho de Deus, ou que isso aconteceu apenas no Nível gnóstico. / Espiritual / simbólico / aparente, etc … Mas Justino sempre defendeu a realidade física e material de Cristo e sua cruz, e finalmente o fez morrendo mártir com seus discípulos. A combinação de um filósofo, apologista, orador e escritor convertido, polemista e mártir, faz de Justino uma figura única. A sua presença com argumentos e convicções num ambiente pagão hostil, perante uma elite intelectual e política que ele contesta, torna-o muito atual no nosso tempo, não menos pagão. #SantodoDia
- Junho, o mês do Sagrado Coração de Jesus
A devoção ao Sagrado Coração se origina na Bíblia e é reforçada pelo próprio Jesus em aparição a Santa Margarida Maria de Alacoque Começa o mês do Sagrado Coração de Jesus, tradicionalmente associado a junho na Igreja Católica. Seu objetivo é incentivar os fiéis a adorarem ainda mais consciente e intensamente o amor de Jesus Cristo, representado fisicamente em Seu Coração que, por sua vez, nos recorda que Deus Se encarnou e veio habitar entre nós. De fato, o objeto desta rica devoção é o próprio Coração do Verbo Encarnado, seja no Seu aspecto físico, seja como símbolo do Amor divino. Vale recordar, no entanto, que o termo final dessa devoção é a Pessoa inteira de Jesus Cristo como nosso Divino Redentor. Quando apareceu a Santa Margarida Maria de Alacoque, em 1673, Nosso Senhor mostrou Seu Coração Divino envolto em chamas, rodeado por uma coroa de espinhos e encimado por uma cruz. Segundo Santa Margarida, o fim principal desta devoção é converter as almas ao Amor de Jesus. Nessa aparição, a santa ouviu do Senhor estas palavras: “Eis o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até esgotar-Se e consumir-Se, para manifestar-lhes o Seu amor. E como reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões, desprezos, irreverências, sacrilégios, friezas que têm para comigo neste Sacramento de amor”. A devoção ao Sagrado Coração, no entanto, é muito anterior a essa aparição: sua origem está na própria Escritura Sagrada, já que o coração é um dos muitos modos de se falar do amor infinito de Deus, que chega ao ápice com a vinda de Jesus para entregar-Se por nós. Dois acontecimentos fortes do Evangelho são particularmente inspiradores: O gesto de São João Evangelista, o discípulo amado, que recosta a cabeça em Jesus durante a última ceia (cf. Jo 13,23); No Calvário, o momento em que o soldado abre o lado de Jesus com a lança (cf. Jo 19,34). Num episódio, vemos o sereno consolo oferecido por Jesus; no outro, vemos o sofrimento que nós Lhe causamos com os nossos pecados, dos quais, mesmo assim, Ele próprio quis nos redimir. Leia também Conheça mais sobre o Sagrado Coração de Jesus Mês do Sagrado Coração de Jesus É por isso que, neste mês especial, somos convidados a demonstrar a Jesus, através das obras e não só das palavras, o quanto O amamos e correspondemos ao Seu Amor infinito. O Papa Bento XVI afirmou a respeito da devoção ao Sagrado Coração de Jesus: “A contemplação do lado transpassado pela lança, na qual resplandece a vontade infinita de salvação por parte de Deus, não pode ser considerada como uma forma passageira de culto ou devoção: a adoração do amor de Deus, que encontrou no símbolo do coração transpassado a sua expressão histórico-devocional, continua sendo imprescindível para uma relação viva com Deus”. Fonte: Aleteia Assista esta formação: #Junho #SagradoCoraçãodeJesus
- Junho, o mês do Sagrado Coração de Jesus
A devoção ao Sagrado Coração se origina na Bíblia e é reforçada pelo próprio Jesus em aparição a Santa Margarida Maria de Alacoque Começa o mês do Sagrado Coração de Jesus, tradicionalmente associado a junho na Igreja Católica. Seu objetivo é incentivar os fiéis a adorarem ainda mais consciente e intensamente o amor de Jesus Cristo, representado fisicamente em Seu Coração que, por sua vez, nos recorda que Deus Se encarnou e veio habitar entre nós. De fato, o objeto desta rica devoção é o próprio Coração do Verbo Encarnado, seja no Seu aspecto físico, seja como símbolo do Amor divino. Vale recordar, no entanto, que o termo final dessa devoção é a Pessoa inteira de Jesus Cristo como nosso Divino Redentor. Quando apareceu a Santa Margarida Maria de Alacoque, em 1673, Nosso Senhor mostrou Seu Coração Divino envolto em chamas, rodeado por uma coroa de espinhos e encimado por uma cruz. Segundo Santa Margarida, o fim principal desta devoção é converter as almas ao Amor de Jesus. Nessa aparição, a santa ouviu do Senhor estas palavras: “Eis o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até esgotar-Se e consumir-Se, para manifestar-lhes o Seu amor. E como reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões, desprezos, irreverências, sacrilégios, friezas que têm para comigo neste Sacramento de amor”. A devoção ao Sagrado Coração, no entanto, é muito anterior a essa aparição: sua origem está na própria Escritura Sagrada, já que o coração é um dos muitos modos de se falar do amor infinito de Deus, que chega ao ápice com a vinda de Jesus para entregar-Se por nós. Dois acontecimentos fortes do Evangelho são particularmente inspiradores: O gesto de São João Evangelista, o discípulo amado, que recosta a cabeça em Jesus durante a última ceia (cf. Jo 13,23); No Calvário, o momento em que o soldado abre o lado de Jesus com a lança (cf. Jo 19,34). Num episódio, vemos o sereno consolo oferecido por Jesus; no outro, vemos o sofrimento que nós Lhe causamos com os nossos pecados, dos quais, mesmo assim, Ele próprio quis nos redimir. Leia também Conheça mais sobre o Sagrado Coração de Jesus Mês do Sagrado Coração de Jesus É por isso que, neste mês especial, somos convidados a demonstrar a Jesus, através das obras e não só das palavras, o quanto O amamos e correspondemos ao Seu Amor infinito. O Papa Bento XVI afirmou a respeito da devoção ao Sagrado Coração de Jesus: “A contemplação do lado transpassado pela lança, na qual resplandece a vontade infinita de salvação por parte de Deus, não pode ser considerada como uma forma passageira de culto ou devoção: a adoração do amor de Deus, que encontrou no símbolo do coração transpassado a sua expressão histórico-devocional, continua sendo imprescindível para uma relação viva com Deus”. Fonte: Aleteia Assista esta formação: #Junho #SagradoCoraçãodeJesus
- Um mês com Maria | 31° dia – O Rosário
O SANTO ROSÁRIO Em Lourdes e em Fátima, Nossa Senhora apareceu para nos recomendar particularmente o Santo Rosário. Em Lourdes, Ela mesma desfiava a esplêndida coroa enquanto Santa Bernadette recitava as Ave-Marias. Em Fátima, a cada aparição, Maria recomendava a recitação do Santo Rosário. Ainda mais na última aparição, em que Ela se apresentou como Nossa Senhora do Rosário. É verdadeiramente grande a importância que Nossa Senhora deu ao Rosário. Quando em Fátima falou da salvação dos pecadores, da ruína de muitas almas ao Inferno, das guerras e do destino da nossa época, Maria indicou, recomendou como oração salvífica o Rosário. Lúcia dirá uma síntese que “desde que a Virgem Santíssima deu grande eficácia ao Santo Rosário, não existe problema material, espiritual, nacional ou internacional que não se possa resolver com o Santo Rosário e com os nossos sacrifícios.” Salva e santifica Um episódio de graça. S. José Cafasso, numa manhã, passando pelas ruas de Torino, encontrou uma pobre velha que caminhava toda curva, recitando devagarinho o Rosário. Indagou-a porque rezava tão cedo. Ela disse que estava limpando as ruas. Confuso, pediu que lhe explicasse o que queria dizer. Ela respondeu que naquela noite, nas ruas daquela vila, havia sido noite de carnaval, havendo muitos pecados. Rezando o Rosário, ela perfumava o local manchado pelo pecado. Veja: o Rosário purifica nossa alma das culpas e as perfuma com a Graça. O Rosário salva as almas. S. Maximiliano escrevia na sua agendinha: “Quantas coroas, quantas almas salvas!” Pensamos nisso? Todos poderíamos salvar almas recitando coroas do Rosário. Que caridade de inestimável valor seria esta. O que dizer das conversões dos pecadores obtidos com o Santo Rosário? Deveriam falar S. Domingos, S. Luis Maria Grignon de Montfort, S. Cura d’Ars, S. Pe. Pio de Pieltrecina… O Santo Rosário faz bem a todos: aos pecadores, aos bons, aos santos… Quando a S. Felipe Néri perguntava qual oração escolher, sem hesitar, respondia: “O Rosário! Recitai-o amiúde!” Também a Pe Pio lhe perguntou um filho espiritual qual oração preferir para toda a vida. Pe Pio respondeu logo: “O Rosário!” Sobretudo os santos demonstraram a eficácia da graça do Rosário. Estes foram verdadeiros apóstolos do Rosário: S. Pedro Canísio, S. Carlos Borromeu, S. Camilo Lélis, S. Antônio Maria Gianelli, S. João Bosco… Entre os maiores, talvez, sobressaia-se S. Pe Pio. No seu exemplo existe um prestigioso grau de sobre humano, pois ele chegou a recitar mais de cem rosários, todos os dias, por muitos anos. Um modelo gigante que garantiu a fecundidade do Rosário para a sua santificação e para a salvação das almas. Quantos milhões de almas não foram misteriosamente atraídas por aquele frade que por horas e horas, dia e noite, desfiava a coroa aos pés de Nossa Senhora entre as mãos sanguinolentas de chagas? Ele demonstrou verdadeiramente que “o Rosário é corrente de salvação pendurada nas mãos do Salvador e da sua Ditosa Mãe e que indica de onde descem a nós as graças e por onde deverá subir de nós cada esperança” (Papa Paulo VI). Todos os dias a coroa Toda a oração, toda a ciência e todo o amor de S. Bernadette parecia consistir no Rosário. Sua irmã Tonieta dizia: “Bernadette não faz nada além de rezar. Só sabe desfiar o Rosário”. O Rosário é uma oração Evangélica, Cristológica, Contemplativa em Companhia de Maria (Marialis Cultus, n.44-47) . Louvor e impetração cobrem as Ave-Marias fazendo escorregar a mente para o mistério presente na meditação. Que isto seja aos pés do altar ou pela rua, não é um obstáculo para o Rosário. Quando a mente se recolhe dirigindo-se a Maria, pouco importa se estamos na Igreja ou no trem, caminhando ou voando de avião. Esta facilidade que o Rosário oferece a quem quiser recitá-lo aumenta a nossa responsabilidade. É impossível não achar um quarto de hora para oferecer uma coroa a Maria. Em qualquer lugar, a qualquer hora, com qualquer pessoa, sem livros nem cerimônias, em bom tom ou murmurando… Pensemos nos Rosários recitados nos quartos de hospital por S. Camilo de Lelis e por Santa Bertila Boscardin, pelas ruas de Roma por S. Vicente Pallotti; nos trens e nos navios por S. Francisca Xavier Cabrini, no deserto do Sahara por Frei Carlos Foucolad, nos palácios reais pela Venerável Maria Cristina de Savóia, nos campos de concentração e no bunker da morte por S. Maximiliano Maria Kolbe, sobretudo na família da Beata Ana Maria Taigi; pelos pais de S. Teresa, pela mãe de S. Maria Goretti… Não percamos tempo em coisas vãs e nocivas, quando temos um tesouro para valorizar como o Santo Rosário. Digamos e prometamos a Maria a conclusão do mês mariano: cada dia uma coroa do Rosário para Ti, ó Maria. No Coração Imaculado Em Fátima, o Rosário foi o dom do Coração Imaculado de Maria. E nós queremos concluir o mês mariano depondo nosso Rosário no Coração da Imaculada com empenho de recitá-lo cada dia. O Rosário e o Coração Imaculado de Maria assinalarão o triunfo final do Reino de Deus para esta época. A devoção ao Rosário e a devoção ao Coração de Maria dizem que as almas devotas do Rosário e do seu Coração Imaculado “Serão prediletas por Deus e como flores serão colocadas por mim junto ao seu Trono”. Queira Ela mesma acender e conservar aceso em nós o amor ao Rosário e ao Seu Coraçao Imaculado. Votos Recitar um Rosário em agradecimento; Oferecer uma Santa Missa e uma comunhão em agradecimento; Consagrar-se ao Coração Imaculado de Maria. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- Um mês com Maria | 31° dia – O Rosário
O SANTO ROSÁRIO Em Lourdes e em Fátima, Nossa Senhora apareceu para nos recomendar particularmente o Santo Rosário. Em Lourdes, Ela mesma desfiava a esplêndida coroa enquanto Santa Bernadette recitava as Ave-Marias. Em Fátima, a cada aparição, Maria recomendava a recitação do Santo Rosário. Ainda mais na última aparição, em que Ela se apresentou como Nossa Senhora do Rosário. É verdadeiramente grande a importância que Nossa Senhora deu ao Rosário. Quando em Fátima falou da salvação dos pecadores, da ruína de muitas almas ao Inferno, das guerras e do destino da nossa época, Maria indicou, recomendou como oração salvífica o Rosário. Lúcia dirá uma síntese que “desde que a Virgem Santíssima deu grande eficácia ao Santo Rosário, não existe problema material, espiritual, nacional ou internacional que não se possa resolver com o Santo Rosário e com os nossos sacrifícios.” Salva e santifica Um episódio de graça. S. José Cafasso, numa manhã, passando pelas ruas de Torino, encontrou uma pobre velha que caminhava toda curva, recitando devagarinho o Rosário. Indagou-a porque rezava tão cedo. Ela disse que estava limpando as ruas. Confuso, pediu que lhe explicasse o que queria dizer. Ela respondeu que naquela noite, nas ruas daquela vila, havia sido noite de carnaval, havendo muitos pecados. Rezando o Rosário, ela perfumava o local manchado pelo pecado. Veja: o Rosário purifica nossa alma das culpas e as perfuma com a Graça. O Rosário salva as almas. S. Maximiliano escrevia na sua agendinha: “Quantas coroas, quantas almas salvas!” Pensamos nisso? Todos poderíamos salvar almas recitando coroas do Rosário. Que caridade de inestimável valor seria esta. O que dizer das conversões dos pecadores obtidos com o Santo Rosário? Deveriam falar S. Domingos, S. Luis Maria Grignon de Montfort, S. Cura d’Ars, S. Pe. Pio de Pieltrecina… O Santo Rosário faz bem a todos: aos pecadores, aos bons, aos santos… Quando a S. Felipe Néri perguntava qual oração escolher, sem hesitar, respondia: “O Rosário! Recitai-o amiúde!” Também a Pe Pio lhe perguntou um filho espiritual qual oração preferir para toda a vida. Pe Pio respondeu logo: “O Rosário!” Sobretudo os santos demonstraram a eficácia da graça do Rosário. Estes foram verdadeiros apóstolos do Rosário: S. Pedro Canísio, S. Carlos Borromeu, S. Camilo Lélis, S. Antônio Maria Gianelli, S. João Bosco… Entre os maiores, talvez, sobressaia-se S. Pe Pio. No seu exemplo existe um prestigioso grau de sobre humano, pois ele chegou a recitar mais de cem rosários, todos os dias, por muitos anos. Um modelo gigante que garantiu a fecundidade do Rosário para a sua santificação e para a salvação das almas. Quantos milhões de almas não foram misteriosamente atraídas por aquele frade que por horas e horas, dia e noite, desfiava a coroa aos pés de Nossa Senhora entre as mãos sanguinolentas de chagas? Ele demonstrou verdadeiramente que “o Rosário é corrente de salvação pendurada nas mãos do Salvador e da sua Ditosa Mãe e que indica de onde descem a nós as graças e por onde deverá subir de nós cada esperança” (Papa Paulo VI). Todos os dias a coroa Toda a oração, toda a ciência e todo o amor de S. Bernadette parecia consistir no Rosário. Sua irmã Tonieta dizia: “Bernadette não faz nada além de rezar. Só sabe desfiar o Rosário”. O Rosário é uma oração Evangélica, Cristológica, Contemplativa em Companhia de Maria (Marialis Cultus, n.44-47) . Louvor e impetração cobrem as Ave-Marias fazendo escorregar a mente para o mistério presente na meditação. Que isto seja aos pés do altar ou pela rua, não é um obstáculo para o Rosário. Quando a mente se recolhe dirigindo-se a Maria, pouco importa se estamos na Igreja ou no trem, caminhando ou voando de avião. Esta facilidade que o Rosário oferece a quem quiser recitá-lo aumenta a nossa responsabilidade. É impossível não achar um quarto de hora para oferecer uma coroa a Maria. Em qualquer lugar, a qualquer hora, com qualquer pessoa, sem livros nem cerimônias, em bom tom ou murmurando… Pensemos nos Rosários recitados nos quartos de hospital por S. Camilo de Lelis e por Santa Bertila Boscardin, pelas ruas de Roma por S. Vicente Pallotti; nos trens e nos navios por S. Francisca Xavier Cabrini, no deserto do Sahara por Frei Carlos Foucolad, nos palácios reais pela Venerável Maria Cristina de Savóia, nos campos de concentração e no bunker da morte por S. Maximiliano Maria Kolbe, sobretudo na família da Beata Ana Maria Taigi; pelos pais de S. Teresa, pela mãe de S. Maria Goretti… Não percamos tempo em coisas vãs e nocivas, quando temos um tesouro para valorizar como o Santo Rosário. Digamos e prometamos a Maria a conclusão do mês mariano: cada dia uma coroa do Rosário para Ti, ó Maria. No Coração Imaculado Em Fátima, o Rosário foi o dom do Coração Imaculado de Maria. E nós queremos concluir o mês mariano depondo nosso Rosário no Coração da Imaculada com empenho de recitá-lo cada dia. O Rosário e o Coração Imaculado de Maria assinalarão o triunfo final do Reino de Deus para esta época. A devoção ao Rosário e a devoção ao Coração de Maria dizem que as almas devotas do Rosário e do seu Coração Imaculado “Serão prediletas por Deus e como flores serão colocadas por mim junto ao seu Trono”. Queira Ela mesma acender e conservar aceso em nós o amor ao Rosário e ao Seu Coraçao Imaculado. Votos Recitar um Rosário em agradecimento; Oferecer uma Santa Missa e uma comunhão em agradecimento; Consagrar-se ao Coração Imaculado de Maria. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria


















































