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- Santo do Dia – 21 de Maio – Santo Eugênio de Mazenod
SANTO DO DIA – 21 DE MAIO – SANTO EUGÊNIO DE MAZENOD Fundador dos Oblatos de Maria Imaculada (1782-1861) Carlos José Eugênio de Mazenod, esse era seu nome de batismo. Ele nasceu na bela cidade Aix-en-Provance, sul da França, em dia 1º de agosto de 1782. Seu pai era um nobre e presidia a Corte dos Condes da Provença. Sua mãe pertencia a uma família burguesa muito rica. Teve duas irmãs: Antonieta e Elisabete, que morreu aos cinco anos de idade. Sua infância foi tranquila até 1790, quando a família teve de fugir da Revolução Francesa, deixando todos os bens e indo para a Itália, onde permaneceram durante onze anos, vivendo de cidade em cidade. Nesse período, seus pais também se separaram. A mãe deixou Eugênio com o pai na Itália e foi para a França, tentar reaver os bens confiscados. Tudo isso influenciou a personalidade do menino, de maneira tanto positiva como negativa, cujo reflexo foi uma séria crise de identidade na adolescência. Embora Eugênio, antes do exílio, tivesse dado mostras de sua vocação religiosa, ela foi sufocada por esses problemas e pela lacuna existente na sua formação intelectual, devido à falta de uma moradia fixa. Mas seu caráter forte permaneceu por toda a vida, sendo sua marca pessoal. Foi por meio do padre Bartolo Zinelli, durante o período que morou em Veneza, entre 1794 e 1797, que Eugênio teve contato concreto com a vida de fé. E ao retornar para a França, em 1802, então com vinte anos de idade, amadureceu a ideia de ingressar na vida religiosa, seguindo sua vocação primeira. Em 1808, entrou no Seminário de São Sulpício, em Paris, recebendo a ordenação em Amiens três anos depois. Retornou para sua cidade natal, dedicando seu apostolado à pregação. Levou a Palavra de Cristo aos camponeses pobres, aos prisioneiros e aos doentes abandonados, a todos dando os sacramentos como único meio de recompor os valores cristãos, num momento novo para o país tão desgastado e sem rumo. Outros padres se juntaram a ele nessa missão, por isso decidiu, em 1816, fundar a Sociedade dos Missionários da Provença, que depois mudou o nome para Oblatos de Maria Imaculada, recebendo todas as aprovações da Igreja. Eugênio foi, então, nomeado vigário-geral da diocese de Marselha, da qual, depois, foi nomeado bispo, cargo que exerceu durante trinta e sete anos. Foram muitos os problemas com as autoridades que governaram Paris, com a elite social e até com alguns membros eclesiásticos que não concordavam com as regras de vida em comum estabelecidas por ele. Mas o povo pobre o queria, amava e respeitava. Assim, continuou governando a diocese e os oblatos, que se desenvolveram e foram pregar a Palavra de Cristo fora dos domínios da Europa, nos Estados Unidos, Canadá e México, depois também na África e na Ásia, levando o carisma missionário da congregação. Eugênio de Mazenod morreu no dia 21 de maio de 1861, na sua querida Marselha. Muitas foram as graças atribuídas à sua intercessão. O papa João Paulo II declarou-o santo em 1995. A solenidade contou com a presença de representantes dos sessenta e oito países onde os oblatos já estavam fixados. #SantodoDia
- Santo do Dia – 21 de Maio – Santo Eugênio de Mazenod
SANTO DO DIA – 21 DE MAIO – SANTO EUGÊNIO DE MAZENOD Fundador dos Oblatos de Maria Imaculada (1782-1861) Carlos José Eugênio de Mazenod, esse era seu nome de batismo. Ele nasceu na bela cidade Aix-en-Provance, sul da França, em dia 1º de agosto de 1782. Seu pai era um nobre e presidia a Corte dos Condes da Provença. Sua mãe pertencia a uma família burguesa muito rica. Teve duas irmãs: Antonieta e Elisabete, que morreu aos cinco anos de idade. Sua infância foi tranquila até 1790, quando a família teve de fugir da Revolução Francesa, deixando todos os bens e indo para a Itália, onde permaneceram durante onze anos, vivendo de cidade em cidade. Nesse período, seus pais também se separaram. A mãe deixou Eugênio com o pai na Itália e foi para a França, tentar reaver os bens confiscados. Tudo isso influenciou a personalidade do menino, de maneira tanto positiva como negativa, cujo reflexo foi uma séria crise de identidade na adolescência. Embora Eugênio, antes do exílio, tivesse dado mostras de sua vocação religiosa, ela foi sufocada por esses problemas e pela lacuna existente na sua formação intelectual, devido à falta de uma moradia fixa. Mas seu caráter forte permaneceu por toda a vida, sendo sua marca pessoal. Foi por meio do padre Bartolo Zinelli, durante o período que morou em Veneza, entre 1794 e 1797, que Eugênio teve contato concreto com a vida de fé. E ao retornar para a França, em 1802, então com vinte anos de idade, amadureceu a ideia de ingressar na vida religiosa, seguindo sua vocação primeira. Em 1808, entrou no Seminário de São Sulpício, em Paris, recebendo a ordenação em Amiens três anos depois. Retornou para sua cidade natal, dedicando seu apostolado à pregação. Levou a Palavra de Cristo aos camponeses pobres, aos prisioneiros e aos doentes abandonados, a todos dando os sacramentos como único meio de recompor os valores cristãos, num momento novo para o país tão desgastado e sem rumo. Outros padres se juntaram a ele nessa missão, por isso decidiu, em 1816, fundar a Sociedade dos Missionários da Provença, que depois mudou o nome para Oblatos de Maria Imaculada, recebendo todas as aprovações da Igreja. Eugênio foi, então, nomeado vigário-geral da diocese de Marselha, da qual, depois, foi nomeado bispo, cargo que exerceu durante trinta e sete anos. Foram muitos os problemas com as autoridades que governaram Paris, com a elite social e até com alguns membros eclesiásticos que não concordavam com as regras de vida em comum estabelecidas por ele. Mas o povo pobre o queria, amava e respeitava. Assim, continuou governando a diocese e os oblatos, que se desenvolveram e foram pregar a Palavra de Cristo fora dos domínios da Europa, nos Estados Unidos, Canadá e México, depois também na África e na Ásia, levando o carisma missionário da congregação. Eugênio de Mazenod morreu no dia 21 de maio de 1861, na sua querida Marselha. Muitas foram as graças atribuídas à sua intercessão. O papa João Paulo II declarou-o santo em 1995. A solenidade contou com a presença de representantes dos sessenta e oito países onde os oblatos já estavam fixados. #SantodoDia
- São Bernardino de Sena, voz para um mundo em declínio – 20 de maio
SANTO DO DIA – 20 DE MAIO – SÃO BERNARDINO DE SENA Religioso (1380-1444) Na Itália, Bernardino nasceu na nobre família senense dos Albizzeschi, em 8 de setembro de 1380, na pequena Massa Marítima, em Carrara. Ficou órfão da mãe quando tinha três anos e do pai aos sete, sendo criado na cidade de Sena por duas tias extremamente religiosas, que o levaram a descobrir a devoção a Nossa Senhora e a Jesus Cristo. Depois de estudar na Universidade de Sena, formando-se aos vinte e dois anos, abandonou a vida mundana e ingressou na Ordem de São Francisco, cujas regras abraçou de forma entusiasmada e fiel. Apoiando o movimento chamado ‘observância’, que se firmava entre os franciscanos, no rigor da prática da pobreza vivida por são Francisco de Assis, acabou sendo eleito vigário-geral de todos os conventos dos franciscanos da observância. Aos trinta e cinco anos de idade, começou o apostolado da pregação, exercido até a morte. E foi o mais brilhante de sua época. Viajou por toda a Itália ensinando o Evangelho, com seus discursos sendo taquigrafados por um discípulo com um método inventado por ele. O seu legado nos chegou integralmente e seu estilo rápido, bem acessível, leve e contundente, se manteve atual até os nossos dias. Os temas frequentes sobre a caridade, humildade, concórdia e justiça, traziam palavras duríssimas para os que ‘renegam a Deus por uma cabeça de alho’ e pelas ‘feras de garras compridas que roem os ossos dos pobres’. Naquela época, a Europa vivia grandes calamidades, como a peste e as divisões das facções políticas e religiosas, que provocavam morte e destruição. Por onde passava, Bernardino restituía a paz, com sua pregação insuperável, ardente, empolgante, até mesmo usando de recursos dramáticos, como as fogueiras onde queimava livros impróprios, em praça pública. Além disso, como era grande devoto de Jesus, ele trazia as iniciais JHS – Jesus Salvador dos Homens – entalhadas num quadro de madeira, que oferecia para ser beijado pelos fiéis após discursar. As pregações e penitências constantes, a fraca alimentação e pouco repouso enfraqueciam cada vez mais o seu físico já envelhecido, mas ele nunca parava. Aos sessenta e quatro anos de idade, Bernardino morreu no convento de Áquila, no dia 20 de maio de 1444. Só assim ele parou de pregar. Tamanha foi a impressão causada por essa vida fiel a Deus que, apenas seis anos depois, em 1450, foi canonizado. São Bernardino de Sena é o patrono dos publicitários italianos e de todo o mundo. Frases de São Bernardino de Sena 01 – “Quando uma alma começa a saborear Jesus, perde necessariamente o gosto do mundo”. 02 – “Ó homem que tanto confias no mundo, já refletiste nos enganos que nele existe?”. 03 – “Se queres ver os teus bens multiplicados, dá esmolas”. 04 – “Não emaranhes o teu falar. Quando falares, fala abertamente, chama pão ao pão, dize com a língua o que trazes no coração”. 05 – “O dar-se Jesus Cristo a nós como alimento foi o último grau de amor. Deus-se a Nós para unir-se totalmente conosco como se une o alimento diário com quem o toma”. 06 – “A primeira grande verdade, agora, está estabelecida, pois uma boa morte depende de uma boa vida”. 07 – “Deus outorgou à Santíssima Virgem tanta graça que mais é impossível conceder a uma criatura, exceto Jesus Cristo”. 08 – “Todo reino que tenha partes, seitas e divisões, fica enfraquecido e desolado, e tudo cairá, uma coisa depois da outra”. 09 – “Quando Deus escolhe alguém para uma missão muito elevada, confere-lhe todos os dons necessários para essa missão”. 10 – “São José, guarda fiel e providentes dos maiores tesouros do Pai eterno: o Filho de Deus e a Virgem Maria”. São Bernardino de Sena, voz para um mundo em declínio Quando parecia ter “acabado o vinho” da virtude e da graça, e a Cristandade, decaída, voltava-se ao paganismo, uma figura especialmente eleita se levantou, apontando para Aquele que tudo pode solucionar. Pelas ruas tortuosas de Siena, um rapaz caminha. A cidade, ocupada em seus trabalhos e intrigas, não o nota. De porte mediano e varonil, semblante agradável e olhar alegre, ele tem inúmeros amigos e todos o estimam; no entanto, está só. Ao menos pensa estar só… Um pouco atrás, escondida entre as casas, uma senhora segue seus passos. Sua fisionomia contrasta com a do jovem, pois anda apreensiva, como se estivesse prestes a se deparar com algo indesejável. Sim, Tobia estava preocupada. Amava aquele rapaz como a um filho. Embora fossem primos, uma grande diferença de idade os separava, e ela o vira crescer. Filho da nobre família dos Albizzeschi, Bernardino perdera a mãe antes dos três anos e, nem completara os seis, o pai também, ficando entregue aos cuidados de suas três tias — Diana, Pia e Bartolomea — e da prima Tobia, que dele cuidaram e o educaram com todo o esmero. Bernardino sempre fora muito recatado e suas tutoras haviam se empenhado para que o ambiente no qual transcorreu sua infância não lhe manchasse a inocência. O menino correspondeu a esse desvelo, e à piedade natural se acrescentou a virtude. Entretanto, o tempo tinha passado e Bernardino tornara-se moço. Suas tias e Tobia temiam por ele. Muito o alertaram sobre os perigos do pecado e as más tendências que, ao longo dos séculos, perverteram os jovens. Um dia, porém, respondendo às suas advertências, Bernardino surpreendera Tobia: — Estou, de fato, encantado por uma dama muito nobre. Daria minha vida para me alegrar com sua presença, e não dormiria à noite se passasse o dia sem tê-la visto. Alguns dias depois, Bernardino voltou ao assunto: — Vou agora ver a minha bela amiga. — Mas quem é ela? Onde mora? — perguntou-lhe Tobia. — Além da Porta Camollia. Nada mais podendo dele saber, a prima, intrigada, decidiu espioná-lo. E ali estava ela, esgueirando-se pelas esquinas da cidade de Siena, na tentativa de não ser vista. Chegando, por fim, à Porta Camollia, Bernardino parou e, diante de Nossa Senhora Assunta aos Céus, ali representada numa bela pintura, ajoelhou-se. O que ele Lhe disse, Tobia certamente nunca soube, mas o fervor e o enlevo transmitidos por seu semblante deixavam entrever que aquele convívio era mais do Céu que da terra. Depois, levantando-se, o rapaz retornou à casa. Tobia, sempre às escondidas, voltou a segui-lo durante vários dias, e saiu sempre edificada. Até que conseguiu fazer o primo declarar quem era a nobre dama da qual falava: — Minha mãe — respondeu ele —, já que vós mandais, direi o segredo de meu coração. Estou apaixonado pela Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus; sempre A amei, por Ela tenho abrasado o coração e a Ela é que desejo ver. N’Ela queria eu fixar para sempre o meu olhar com a veneração que Lhe é devida. “Nossa Senhora e o Menino com São Bernardino”, por Rutilio Manetti. A aurora de uma vida sob o auspício da Mãe de Deus Se grande era o afeto de Bernardino pela Santíssima Virgem, mais excelente era o d’Aquela que o havia amado primeiro. Sim, pois antes mesmo que o conhecimento desse menino se abrisse para as coisas do mundo, antes que seus olhos se encantassem com a criação, antes ainda que sua língua inexperiente balbuciasse as primeiras palavras, Maria o tinha escolhido para Si. Uma dúvida não tardou a despontar no seu coração juvenil: como dedicar-se a Ela? Em que estado de vida Ela o queria? E foi então que a peste, tão temida e indesejada, bateu às portas de Siena. Bernardino, com apenas dezessete anos, dedicou-se heroicamente no auxílio aos doentes. Depois de quatro meses, esgotado pelos seus trabalhos, caiu ele próprio vítima da peste e parecia estar próximo do fim. Porém, contra a expectativa de muitos, sua saúde se restabeleceu. O que fazer dessa vida que Maria lhe devolvia? — continuava se perguntando ele. A religião o atraía sobremaneira; seria essa a vontade de Deus? Cheio de fervor juvenil — tantas vezes avesso à prudência e ao “bom senso” — Bernardino tenta a vida de ermitão. Com o seu característico humor, narrará mais tarde essa insólita experiência: Quero contar-lhes o primeiro milagre que fiz. Isso aconteceu antes de me tornar frade […]. Tomei a resolução de querer viver como um Anjo e não como um homem. Pensei em instalar-me numa floresta e comecei a perguntar a mim mesmo: “Que farás na floresta? Que comerás?’” Respondia-me: “Farei como os Santos Padres; comerei erva quando tiver fome e beberei água quando tiver sede”. […] E, depois de invocar o nome bendito de Jesus, pus na boca uma porção de ervas amargas e comecei a mastigar. Mastigo e mastigo, mas não querem descer. Não podendo engolir, pensei: “Bebamos um pouco d’água”. Pois sim, a água descia e a erva continuava na boca. Bebi vários goles d’água com uma só porção de ervas e não consegui engolir [1]. Dissuadido da vida solitária, por haver compreendido não ser esta a via para a qual a Providência o destinava, seus olhos se voltam para os Frades Menores. Entusiasma-se pela sua regra, e o chamado divino se confirma num sonho. Despojando-se das honras de seu sangue e dos bens terrenos, Bernardino toma o hábito de São Francisco. Era o dia 8 de setembro de 1402, festa da Natividade de Nossa Senhora e data em que ele cumpria vinte e dois anos. Assim, foi sempre sob o manto protetor da Rainha dos Céus que ele deu os grandes passos de sua vida, como contava: Nasci no dia da Natividade da Bem-Aventurada Virgem, e no mesmo dia […] renasci, entrando para a Ordem do Seráfico Pai Francisco; neste dia professei os votos na Ordem, neste dia celebrei a primeira Missa e pronunciei o primeiro sermão ao povo sobre a Bem-Aventurada Virgem, de cujo amor e graça espero neste dia também partir desta vida [2]. Incansável dedicação e zelo pelas almas Em certa ocasião, o jovem franciscano foi assistir a uma pregação de São Vicente Ferrer, cujas palavras sacudiam as multidões, apontando a modorra e o paganismo em que a Cristandade se afundava. No dia anterior, Bernardino conversara pessoalmente com o dominicano, saindo cheio de gratidão e consolo. E São Vicente, discernindo o chamado de seu interlocutor, previu durante o sermão o futuro que o esperava: Ó meus filhos, está nesta reunião um religioso da Ordem dos Frades Menores, que, em breve, será um homem ilustre em toda a Itália; sua palavra e seus exemplos hão de produzir grandes frutos entre o povo cristão. Exorto-vos, pois, a render graças a Deus; roguemos-Lhe, todos juntos, que cumpra o que me revelou [3]. Algum tempo se passaria até a profecia realizar-se. Por muitos anos, Bernardino se escondeu nas brumas do anonimato. No silêncio do convento, ele subiu os degraus da virtude e do conhecimento, para depois, sobre o púlpito, transmitir não apenas a doutrina, mas irradiar a santidade. E era por ela movidas que as multidões concurrebant ad ecclesias instar formicarum, “acorriam às igrejas como formigas” [4]. Seu zelo incansável vai edificar e converter multidões na Itália, imersa então no neopaganismo renascentista. De 1419 a 1422, sua voz ecoa na Lombardia, acentuadamente em Bérgamo, Como, Mântua, Cremona, Placência e Bréscia. Em cada cidade, detém-se algumas semanas, para logo buscar, a pé, na cidade vizinha, almas a quem fazer o bem. Método vivo e original de mover os corações No púlpito, sua genialidade e virtude se unem para atrair os pecadores à amizade com Deus. Conta-se, por exemplo, que chegando à cidade de Perúgia, na Úmbria, encontrou um povo indiferente aos assuntos da Fé, afeito a contínuas e ferozes guerras intestinas. Embora muitos comparecessem às pregações, Frei Bernardino não se dava por satisfeito. Um dia, perante o público reunido, anunciou: — Caros habitantes de Perúgia, em pouco tempo eu lhes mostrarei o diabo. Com a curiosidade acesa, no dia seguinte o auditório se multiplicou. E, ao cabo de alguns dias, o pregador declarou: — Vou cumprir minha promessa e vou lhes mostrar não só um demônio, mas vários. Todos o fitavam, atentos, imaginando que profundeza haveria de se abrir para o pai das trevas tornar-se visível. — Olhai-vos uns aos outros — prosseguiu Frei Bernardino — e vereis demônios! E num tom de extrema gravidade, que não admitia gracejo, o Santo advertiu ao povo que praticava as obras de Satanás e, por isso, merecia ser chamado seu filho. Finalmente a graça, conduzida por Frei Bernardino, atingiu o coração daquela gente e a conversão foi completa. Com um homem de Deus não se brinca! Anos depois, porém, a discórdia e a violência reinavam novamente na cidade e o Santo franciscano lá retorna. — Deus viu vossas dissensões, que Ele detesta — disse, subindo ao púlpito — e me mandou a vós, como seu Anjo, para falar aos homens de boa vontade. Quatro sermões se seguem, e Bernardino luta para reconciliar aquelas almas. No último dia, conclui solenemente: — Que todos os homens de boa vontade, desejosos de paz, coloquem-se à minha direita. O povo, comovido, deslocou-se em massa para a direita do Santo. Todos, exceto um que, desafiante, conservou-se sozinho com sua família à esquerda. Então, o humilde franciscano mostra que o seu zelo também o transformava, na necessidade, em implacável juiz. — Eis-te sozinho — disse ao infeliz —, obstinado em teu erro. Eu te exorto, em nome de Deus, uma vez mais, a perdoar aos outros, de coração, o que possam ter feito contra ti e tua família. Se não me escutares, podes estar certo de que não voltarás vivo para casa. Ora, com um homem de Deus não se brinca… Aquele desgraçado não desistiu de sua má conduta e, apenas chegando à casa, morreu, sem receber os Sacramentos da Igreja. Ao nome de Jesus, todo joelho se dobrará… até na Renascença Muitos dos sermões de São Bernardino se conservaram para a posteridade. Em estilo fácil, atraentes, repletos de metáforas e exemplos, permitem reconstituir o ambiente que em torno dele se criava e, de certa forma, sentir a graça que sobre ele pairava. Sermões que foram palco de uma grande batalha, à qual o santo franciscano se dedicaria de corpo e alma. De fato, ao passarmos as páginas que compõem a história de São Bernardino, não podemos desconsiderar a difícil conjuntura na qual se encontrava o mundo, e como a humanidade tomava um rumo completamente oposto ao que a Igreja lhe indicara ao longo dos séculos. Dando as costas ao Sangue que os redimira e inebriando-se com as coisas da terra a ponto de esquecerem-se do Céu, os homens voltavam a embriagar-se com o “vinho velho” do paganismo. Era a brilhante, mas em tantos aspectos reprovável, Renascença que chegava. Expulsava-se Deus de seu trono, e em seu lugar o homem se sentava. Os frutos de tal inversão de valores não se fizeram esperar: discórdias e guerras, imoralidades e desvarios passaram a formar parte do cotidiano. Faltava alguém que, como Nossa Senhora nas Bodas de Caná, indicasse à humanidade: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2, 5), e a reconduzisse a Jesus. Foi este o papel verdadeiramente marial de São Bernardino. Por exemplo, reinava grande desavença política entre os habitantes de Veneza, como, aliás, em muitas outras cidades da Península Itálica. As casas eram identificadas por um azulejo com o nome ou as armas da família, o qual indicava também o partido dos moradores. Quando Frei Bernardino por lá passou, seu coração inflamado proclamou a todos o nome de Cristo, e os venezianos, comovidos, trocaram as marcas da discórdia por um azulejo com o Santíssimo Nome de Jesus. E assim, percorrendo as cidades, Frei Bernardino deixava atrás de si o nome de Jesus marcado nos lares e, sobretudo, gravado nos corações. “São Bernardino de Sena e São João de Capistrano”, por Alonso Cano. Acusado de heresia… Não podia ficar inativo o antigo inimigo enquanto o santo franciscano lhe arrancava das mãos tantas almas. E eis que, em Roma, Frei Bernardino é acusado de heresia. Heresia?! Sim, pois houve quem quisesse enxergar aspectos de idolatria na sua forma de venerar o nome de Jesus! O Papa Martinho V convoca o ilustre pregador para apresentar explicações na Cidade Eterna. O momento é de grande comoção, sobretudo para os católicos italianos, que tanto tinham recebido de Frei Bernardino. Todos parecem temer, menos ele. Muitos que antes o aplaudiam, agora o ultrajam. Um dia, ao verem com admiração como, após receber grandes insultos, ele se recolhia para estudar calmamente em sua cela, respondeu: “Cada vez que entro em minha cela, todas as injúrias ficam do lado de fora; nenhum ultraje se atreve a entrar comigo, de modo que não me causam nem empecilho, nem desgosto” [5]. Para defender a honra do mestre ofendido, um discípulo seu, também renomado pregador, comparece à Cidade Eterna, portando um ostensivo estandarte no qual se lê o Nome de Jesus: trata-se do audacioso capuchinho São João de Capistrano. Finalmente, ambos comparecem diante do Pontífice e procede-se a um debate entre eles e os opositores. A vitória de Bernardino, ou melhor, de Jesus, é completa; o Papa, em reparação, ordena uma procissão em honra de seu Santíssimo Nome, que a partir de então passa a figurar no alto das igrejas e no cimo dos telhados, também em Roma. Últimos esforços, dedicação inteira Mesmo sentindo-se já próximo de seu fim, Frei Bernardino não descansa. Pelo contrário, sedento de almas, vai à busca daquelas que sua caridade ainda não lograra alcançar, e aos que disso procuravam dissuadi-lo, responde: “Não ignoro que estou velho e pouco apto a suportar o cansaço; porém, o amor que me urge, obriga-me, enquanto puder mexer a língua, a nunca deixar de anunciar a Palavra de Deus, a exortar as populações e, para esta obra, empreender viagens, mesmo que fossem em longínquas terras” [6]. “O amor que me urge, obriga-me, enquanto puder mexer a língua, a nunca deixar de anunciar a Palavra de Deus.” O Reino de Nápoles é o seu próximo destino. Em 30 de abril de 1444, ele deixa Siena secretamente. No caminho, despede-se da velha cidade de Perúgia, de onde parte para visitar por última vez o Convento de Santa Maria dos Anjos, em Assis. Em Espoleto, suas forças começam a faltar. Quando atinge a Cittaducale, na fronteira com o reino napolitano, Bernardino sobe pela última vez a um púlpito. Em Áquila, é obrigado a repousar no mosteiro franciscano. E então, com sessenta e quatro anos de idade, dos quais quarenta e dois enquanto religioso e, no mínimo, vinte como pregador, Frei Bernardino entrega sua bela alma a Deus. Quisera ele morrer na festa da Natividade ou da Assunção, mas Jesus lhe pedira a renúncia a esse santo desejo. Era a véspera da Ascensão do Senhor. Decerto, no Céu Bernardino dizia a Deus as palavras que seus irmãos cantavam piedosamente na capela ao render-lhe as últimas homenagens: “Meu Pai, tornei teu nome conhecido aos homens que me deste, e agora rogo por eles, não pelo mundo, pois venho a Ti. Aleluia” [7]. Biografia de São Bernardino pelo Papa João Paulo II MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AO BISPO E AOS FIÉIS DE MASSA MARÍTIMA (ITÁLIA) POR OCASIÃO DO VI CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE SÃO BERNARDINO Venerado Irmão e caríssimos Filhos 1. Na minha recente peregrinação à terra de Abruzos tive a alegria de ajoelhar-me diante da urna que, em Aquila, conserva o corpo incorrupto de São Bernardino de Sena, o franciscano a quem a vossa Cidade se gloria de ter dado nascimento, precisamente há seis séculos, e recordei a figura e obra apostólica do vosso grande Concidadão. Na presente circunstância, gostaria de retomar convosco o assunto então começado, com o desejo de melhor desenvolver a reflexão sobre o testemunho de fidelidade ao Evangelho, que este . insigne Santo nos deixou. Em Bernardino, está-se diante de um modelo acabado de homem, de religioso e de apóstolo, para quem a nossa época pode ainda olhar a fim de colher a indicação das oportunas soluções para os numerosos problemas que a afligem. 2. Primeiro que tudo, o homem. De mente aberta à fascinação da verdade e do bem, vivamente sensível às sugestões da beleza, Bernardino deu prova de singular riqueza de qualidades humanas, fundidas entre si num equilíbrio tão perfeito que despertavam a concorde admiração dos contemporâneos. Essa harmoniosa personalidade, por outro lado, não constituiu apenas fruto de um. feliz concurso de circunstâncias casuais. Estava na base um esforço, ascético, fundamentado numa clara visão antropológica. O homem é imagem de Deus, proclama Bernardino seguindo a Bíblia. Como tal, deve-se conformar com Ele em todas as acções, mas sobretudo nas intenções profundas do coração (cf. S. Bernardini Senensis Opera Omnia, Quaracchi 1950-1959, vol. II, p. 300). “Deus criou todas as criaturas para o homem, e o homem para Si” repete o nosso Santo juntamente com Agostinho (cf. op. cit., p. 161). Todavia, sendo embora o mais nobre dos animais, é também o mais ingrato: “Grande é a ingratidão e a ignorância cega dos homens! Os outros animais são domesticados pelos benefícios; só os corações dos homens são endurecidos e cegados pelos benefícios de Deus” (Opera omnia, cit., vol. III, p. 347). O homem é, por isso, criatura que, mais que as outras, tem necessidade de disciplina: “Os homens são incomparavelmente mais nobres e mais preciosos que os outros animais, mas são também os mais inclinados ao mal e mais nocivos pelos maus hábitos, e mais perturbam a paz civil; portanto com maior disciplina devem ser guardados, curados e enfreados pela justiça” (Opera omnia, cit., vol. III, p. 300). Todo o esforço humano, todavia, resultaria inútil sem o contínuo socorro da graça de Deus, “porque sem a Sua ajuda não se pode oferecer nenhuma resistência à batalha do demónio, do mundo e da carne” (cf. Prediche volgari, ed. do P. Ciro Cannarozzi, O.F.M., Firenze 1940, vol. III, p. 224). Por sua felicidade o homem não está só nesta luta: ao lado dele está Deus, que não se cansa de oferecer-lhe o apoio da Sua mão salvadora: mão que, se às vezes fere, é todavia movida, sempre e só, pelo amor (cf. ibid., pp. 242-257). Esta, na substância, a mensagem que Bernardino propõe aos seus ouvintes, explicando o seu conteúdo segundo as exigências específicas das diversas categorias. Dirige-se aos casados, aos jovens, aos adolescentes e às crianças, aos negociantes, aos estudantes, aos governantes, aos súbditos, aos leigos e ao clero. Fala recorrendo à Sagrada Escritura, aos exemplos dos Santos, aos ditos dos poetas; teólogos e juristas, filósofos e artistas estão sempre nos seus lábios, como testemunho do longo tirocínio cultural por ele suportado em preparação para o ministério. da pregação. 3. De não menos interesse é o testemunho que Bernardino nos oferece como religioso. Aos 22 anos, depois de uma experiência de trabalho social e caritativo com poucos outros jovens senenses, durante a peste que ia despovoando a cidade, pediu para entrar entre os Frades Menores. Escolheu o grupo que estava então renovando a Ordem, no regresso à observância rígida e austera, reflorescida em Brogliano com frei Pauluccio Trinci, de Foligno, e depois com frei Giovanni de Stroncone. A sua experiência heróica de caridade entre os empestados e a natural propensão para o cargo de “agente de paz” e de exemplar guarda da castidade entre os jovens de Sena, no Estudo da cidade e na Companhia de Santa Maria da Escada, foram o melhor bilhete de apresentação para conseguir ser recebido entre os Franciscanos. Pelos biógrafos sabemos que principiou quase logo a dirigir os seus irmãos como Superior local e provincial, na Toscana e na Úmbria, até coroar o “serviço aos irmãos” como Vigário-Geral da Observância. Foram cerca de 300 os conventos por ele renovados ou aceitos entre os Observantes, aqui a acolá pela Itália. Assim como na qualidade de leigo estimulara os amigos às obras de caridade e de heróica assistência social, assim também como religioso soube infundir nos Irmãos o ardor do seu zelo em seguia as pisadas do “Poverello” no caminho do radicalismo evangélico. A fascinação da sua personalidade conquistava todos os que se aproximavam dele. Quanto mais clara era a apresentação que fazia das exigências austeras da Regra, tanto maior era o fervor com que eles corriam atrás do mestre, no desejo de lhe emular as virtudes (cf. Holzapfel H., Manuale historiae OFM, Friburgi Brisgoviae, 1909, pp. 81-85). Desta sorte, o movimento da Observância, iniciado com os irmãos leigos, toma-se com São Bernardino nova força, de espiritualidade e cultura, que estimula todo o franciscanismo a vencer as fraquezas humanas, os cansaços da rotina, e lhe favorece o reflorir com abundante número de jovens estudantes universitários, empenhados no estudo da teologia, da moral, do direito, e no apostolado popular em toda a Itália. Entre estes sobressaem os amigos íntimos de Bernardino: São João de Capestrano, São Tiago da Marca, o Beato Alberto de Sarteano e outros muitos, na Úmbria, na Toscana, nas Marcas, na Itália e fora da Itália. E “bernardinos” se chamarão os Observantes de algumas regiões da Europa, como por exemplo na minha pátria, a Polónia. 4. Bernardino, homem de êxito e religioso exemplar, fica na história da cristandade sobretudo como apóstolo. Pregador itinerante, como Cristo e como os Apóstolos, fez do púlpito a sua cátedra. Foi o maior pregador popular da época, tanto que o século XV foi definido “o século de Bernardino”. Em muitas partes da Itália central e setentrional surgem altares, oratórios e templos, erectos em memória das suas pregações e dos seus milagres. Admirado pelos simples como pelos doutos, pelos magistrados como pelos homens da Igreja, Bernardino foi pedido como Bispo em Sena, em Ferrara e em Urbino. Recusou sempre, para manter a liberdade de levar a sua palavra a toda a parte aonde fosse requerido, estando intimamente convencido de ter recebido de Deus a chamada a este ministério, e não a outro. Pelo seu exemplo e pela sua palavra dita ou escrita, foi renovada a pregação italiana. Disso restam documentos nos volumes das suas “Prediche volgari”, feitas em Florença e em Sena, nos esquemas de sermões latinos, que ele mesmo e os discípulos recolheram ` para serviço dos outros pregadores, nas obras de teologia moral ou ascética, redigidas para a escola e para a vida dos seus Irmãos. 5. Bernardino de Sena fica na história da pregação, da teologia e da ascética, sobretudo como apóstolo do Nome de Jesus. Impressionado pela advertência de Cristo: “E tudo quanto pedirdes em Meu nome, Eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho” (Jo 14, 13), não pára de fazer-se eco da mesma: pedir ao Padre em nome do Filho é reconhecer o plano de Deus, que desejou servir-se do Verbo encarnado para nos salvar. Nós podemos e devemos santificar-nos por meio da invocação do Filho, cuja mediação nos abre o caminho de acesso ao Pai. O nome de Cristo, portanto, significa misericórdia para com os pecadores, força para vencer na luta, saúde para os enfermos, alegria e exultação para quem o invoca com devoção nas várias circunstâncias da vida, glória e honra para quantos nele têm fé, conversão da tibieza em fervor da caridade, certeza de ser ouvido para quem o invoca, doçura para quem devotamente o medita, suavidade inebriante para quem na contemplação lhe penetra o mistério, fecundidade de méritos para quem é ainda peregrino, glorificação e beatitude para quem já chegou à meta, o Nome de Jesus foi a bandeira, impugnando a qual São Bernardino enfrentou as situações mais difíceis, conseguindo triunfar delas: foi nesse Nome que ele obteve a pacificação das facções rivais, o melhoramento dos costumes, o reavivamento da fé e o incremento da prática cristã. 6. Tema fundamental da pregação do nosso Santo foi também a devoção à Virgem Maria, considerada sobretudo como Mãe de Deus é Medianeira de perdão e de graça. São Bernardino medita, saboreando-as, as páginas do Evangelho que falam de Nossa Senhora, comemora-lhe as festas, comenta-lhe os títulos, ilustra-lhe os mistérios, a começar da sua Conceição imaculada até à sua gloriosa Assunção ao Céu. Os exemplos da sua vida oferecem-lhe o ponto de partida para sempre novas aplicações morais, que propõe às várias categorias de pessoas, mas em particular aos jovens e às jovens, com tal fervor de sentimento e vigor de palavras e de imagens, que suscita a adesão entusiasta do auditório. A todos pede com insistência que recorram confiadamente à maternal intercessão de Maria, cuja palavra tanto pode sobre o coração de Deus: “Portanto rogar-lhe-emos que peça ao seu doce Filho Jesus que, pelos seus méritos, nos dê graça neste mundo, para depois no outro nos dar a glória infinita” (Prediche volgari, cit., vol. II, p. 420). Com esta exortação apraz-me concluir a presente Mensagem, uma vez que na assídua invocação da Virgem Santa e na generosa imitação das suas virtudes reside o segredo daquela profunda renovação de mentalidade e vida, que foi o ideal seguido coro zelo infatigável pelo vosso santo Concidadão. Ao renovar a expressão dos sentimentos de paternal afecto que sinto por essa Comunidade, na qual se acendeu há seis séculos a estrela que devia brilhar imperecível no céu da Igreja, concedo de boa vontade, a cada um dos seus membros e ao seu venerado Pastor, a minha Bênção Apostólica, propiciadora de todos os desejados dons divinos. Do Vaticano, a 7 de Setembro do ano de 1980, segundo de Pontificado. JOÃO PAULO PP. II #SantodoDia
- São Bernardino de Sena, voz para um mundo em declínio – 20 de maio
SANTO DO DIA – 20 DE MAIO – SÃO BERNARDINO DE SENA Religioso (1380-1444) Na Itália, Bernardino nasceu na nobre família senense dos Albizzeschi, em 8 de setembro de 1380, na pequena Massa Marítima, em Carrara. Ficou órfão da mãe quando tinha três anos e do pai aos sete, sendo criado na cidade de Sena por duas tias extremamente religiosas, que o levaram a descobrir a devoção a Nossa Senhora e a Jesus Cristo. Depois de estudar na Universidade de Sena, formando-se aos vinte e dois anos, abandonou a vida mundana e ingressou na Ordem de São Francisco, cujas regras abraçou de forma entusiasmada e fiel. Apoiando o movimento chamado ‘observância’, que se firmava entre os franciscanos, no rigor da prática da pobreza vivida por são Francisco de Assis, acabou sendo eleito vigário-geral de todos os conventos dos franciscanos da observância. Aos trinta e cinco anos de idade, começou o apostolado da pregação, exercido até a morte. E foi o mais brilhante de sua época. Viajou por toda a Itália ensinando o Evangelho, com seus discursos sendo taquigrafados por um discípulo com um método inventado por ele. O seu legado nos chegou integralmente e seu estilo rápido, bem acessível, leve e contundente, se manteve atual até os nossos dias. Os temas frequentes sobre a caridade, humildade, concórdia e justiça, traziam palavras duríssimas para os que ‘renegam a Deus por uma cabeça de alho’ e pelas ‘feras de garras compridas que roem os ossos dos pobres’. Naquela época, a Europa vivia grandes calamidades, como a peste e as divisões das facções políticas e religiosas, que provocavam morte e destruição. Por onde passava, Bernardino restituía a paz, com sua pregação insuperável, ardente, empolgante, até mesmo usando de recursos dramáticos, como as fogueiras onde queimava livros impróprios, em praça pública. Além disso, como era grande devoto de Jesus, ele trazia as iniciais JHS – Jesus Salvador dos Homens – entalhadas num quadro de madeira, que oferecia para ser beijado pelos fiéis após discursar. As pregações e penitências constantes, a fraca alimentação e pouco repouso enfraqueciam cada vez mais o seu físico já envelhecido, mas ele nunca parava. Aos sessenta e quatro anos de idade, Bernardino morreu no convento de Áquila, no dia 20 de maio de 1444. Só assim ele parou de pregar. Tamanha foi a impressão causada por essa vida fiel a Deus que, apenas seis anos depois, em 1450, foi canonizado. São Bernardino de Sena é o patrono dos publicitários italianos e de todo o mundo. Frases de São Bernardino de Sena 01 – “Quando uma alma começa a saborear Jesus, perde necessariamente o gosto do mundo”. 02 – “Ó homem que tanto confias no mundo, já refletiste nos enganos que nele existe?”. 03 – “Se queres ver os teus bens multiplicados, dá esmolas”. 04 – “Não emaranhes o teu falar. Quando falares, fala abertamente, chama pão ao pão, dize com a língua o que trazes no coração”. 05 – “O dar-se Jesus Cristo a nós como alimento foi o último grau de amor. Deus-se a Nós para unir-se totalmente conosco como se une o alimento diário com quem o toma”. 06 – “A primeira grande verdade, agora, está estabelecida, pois uma boa morte depende de uma boa vida”. 07 – “Deus outorgou à Santíssima Virgem tanta graça que mais é impossível conceder a uma criatura, exceto Jesus Cristo”. 08 – “Todo reino que tenha partes, seitas e divisões, fica enfraquecido e desolado, e tudo cairá, uma coisa depois da outra”. 09 – “Quando Deus escolhe alguém para uma missão muito elevada, confere-lhe todos os dons necessários para essa missão”. 10 – “São José, guarda fiel e providentes dos maiores tesouros do Pai eterno: o Filho de Deus e a Virgem Maria”. São Bernardino de Sena, voz para um mundo em declínio Quando parecia ter “acabado o vinho” da virtude e da graça, e a Cristandade, decaída, voltava-se ao paganismo, uma figura especialmente eleita se levantou, apontando para Aquele que tudo pode solucionar. Pelas ruas tortuosas de Siena, um rapaz caminha. A cidade, ocupada em seus trabalhos e intrigas, não o nota. De porte mediano e varonil, semblante agradável e olhar alegre, ele tem inúmeros amigos e todos o estimam; no entanto, está só. Ao menos pensa estar só… Um pouco atrás, escondida entre as casas, uma senhora segue seus passos. Sua fisionomia contrasta com a do jovem, pois anda apreensiva, como se estivesse prestes a se deparar com algo indesejável. Sim, Tobia estava preocupada. Amava aquele rapaz como a um filho. Embora fossem primos, uma grande diferença de idade os separava, e ela o vira crescer. Filho da nobre família dos Albizzeschi, Bernardino perdera a mãe antes dos três anos e, nem completara os seis, o pai também, ficando entregue aos cuidados de suas três tias — Diana, Pia e Bartolomea — e da prima Tobia, que dele cuidaram e o educaram com todo o esmero. Bernardino sempre fora muito recatado e suas tutoras haviam se empenhado para que o ambiente no qual transcorreu sua infância não lhe manchasse a inocência. O menino correspondeu a esse desvelo, e à piedade natural se acrescentou a virtude. Entretanto, o tempo tinha passado e Bernardino tornara-se moço. Suas tias e Tobia temiam por ele. Muito o alertaram sobre os perigos do pecado e as más tendências que, ao longo dos séculos, perverteram os jovens. Um dia, porém, respondendo às suas advertências, Bernardino surpreendera Tobia: — Estou, de fato, encantado por uma dama muito nobre. Daria minha vida para me alegrar com sua presença, e não dormiria à noite se passasse o dia sem tê-la visto. Alguns dias depois, Bernardino voltou ao assunto: — Vou agora ver a minha bela amiga. — Mas quem é ela? Onde mora? — perguntou-lhe Tobia. — Além da Porta Camollia. Nada mais podendo dele saber, a prima, intrigada, decidiu espioná-lo. E ali estava ela, esgueirando-se pelas esquinas da cidade de Siena, na tentativa de não ser vista. Chegando, por fim, à Porta Camollia, Bernardino parou e, diante de Nossa Senhora Assunta aos Céus, ali representada numa bela pintura, ajoelhou-se. O que ele Lhe disse, Tobia certamente nunca soube, mas o fervor e o enlevo transmitidos por seu semblante deixavam entrever que aquele convívio era mais do Céu que da terra. Depois, levantando-se, o rapaz retornou à casa. Tobia, sempre às escondidas, voltou a segui-lo durante vários dias, e saiu sempre edificada. Até que conseguiu fazer o primo declarar quem era a nobre dama da qual falava: — Minha mãe — respondeu ele —, já que vós mandais, direi o segredo de meu coração. Estou apaixonado pela Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus; sempre A amei, por Ela tenho abrasado o coração e a Ela é que desejo ver. N’Ela queria eu fixar para sempre o meu olhar com a veneração que Lhe é devida. “Nossa Senhora e o Menino com São Bernardino”, por Rutilio Manetti. A aurora de uma vida sob o auspício da Mãe de Deus Se grande era o afeto de Bernardino pela Santíssima Virgem, mais excelente era o d’Aquela que o havia amado primeiro. Sim, pois antes mesmo que o conhecimento desse menino se abrisse para as coisas do mundo, antes que seus olhos se encantassem com a criação, antes ainda que sua língua inexperiente balbuciasse as primeiras palavras, Maria o tinha escolhido para Si. Uma dúvida não tardou a despontar no seu coração juvenil: como dedicar-se a Ela? Em que estado de vida Ela o queria? E foi então que a peste, tão temida e indesejada, bateu às portas de Siena. Bernardino, com apenas dezessete anos, dedicou-se heroicamente no auxílio aos doentes. Depois de quatro meses, esgotado pelos seus trabalhos, caiu ele próprio vítima da peste e parecia estar próximo do fim. Porém, contra a expectativa de muitos, sua saúde se restabeleceu. O que fazer dessa vida que Maria lhe devolvia? — continuava se perguntando ele. A religião o atraía sobremaneira; seria essa a vontade de Deus? Cheio de fervor juvenil — tantas vezes avesso à prudência e ao “bom senso” — Bernardino tenta a vida de ermitão. Com o seu característico humor, narrará mais tarde essa insólita experiência: Quero contar-lhes o primeiro milagre que fiz. Isso aconteceu antes de me tornar frade […]. Tomei a resolução de querer viver como um Anjo e não como um homem. Pensei em instalar-me numa floresta e comecei a perguntar a mim mesmo: “Que farás na floresta? Que comerás?’” Respondia-me: “Farei como os Santos Padres; comerei erva quando tiver fome e beberei água quando tiver sede”. […] E, depois de invocar o nome bendito de Jesus, pus na boca uma porção de ervas amargas e comecei a mastigar. Mastigo e mastigo, mas não querem descer. Não podendo engolir, pensei: “Bebamos um pouco d’água”. Pois sim, a água descia e a erva continuava na boca. Bebi vários goles d’água com uma só porção de ervas e não consegui engolir [1]. Dissuadido da vida solitária, por haver compreendido não ser esta a via para a qual a Providência o destinava, seus olhos se voltam para os Frades Menores. Entusiasma-se pela sua regra, e o chamado divino se confirma num sonho. Despojando-se das honras de seu sangue e dos bens terrenos, Bernardino toma o hábito de São Francisco. Era o dia 8 de setembro de 1402, festa da Natividade de Nossa Senhora e data em que ele cumpria vinte e dois anos. Assim, foi sempre sob o manto protetor da Rainha dos Céus que ele deu os grandes passos de sua vida, como contava: Nasci no dia da Natividade da Bem-Aventurada Virgem, e no mesmo dia […] renasci, entrando para a Ordem do Seráfico Pai Francisco; neste dia professei os votos na Ordem, neste dia celebrei a primeira Missa e pronunciei o primeiro sermão ao povo sobre a Bem-Aventurada Virgem, de cujo amor e graça espero neste dia também partir desta vida [2]. Incansável dedicação e zelo pelas almas Em certa ocasião, o jovem franciscano foi assistir a uma pregação de São Vicente Ferrer, cujas palavras sacudiam as multidões, apontando a modorra e o paganismo em que a Cristandade se afundava. No dia anterior, Bernardino conversara pessoalmente com o dominicano, saindo cheio de gratidão e consolo. E São Vicente, discernindo o chamado de seu interlocutor, previu durante o sermão o futuro que o esperava: Ó meus filhos, está nesta reunião um religioso da Ordem dos Frades Menores, que, em breve, será um homem ilustre em toda a Itália; sua palavra e seus exemplos hão de produzir grandes frutos entre o povo cristão. Exorto-vos, pois, a render graças a Deus; roguemos-Lhe, todos juntos, que cumpra o que me revelou [3]. Algum tempo se passaria até a profecia realizar-se. Por muitos anos, Bernardino se escondeu nas brumas do anonimato. No silêncio do convento, ele subiu os degraus da virtude e do conhecimento, para depois, sobre o púlpito, transmitir não apenas a doutrina, mas irradiar a santidade. E era por ela movidas que as multidões concurrebant ad ecclesias instar formicarum, “acorriam às igrejas como formigas” [4]. Seu zelo incansável vai edificar e converter multidões na Itália, imersa então no neopaganismo renascentista. De 1419 a 1422, sua voz ecoa na Lombardia, acentuadamente em Bérgamo, Como, Mântua, Cremona, Placência e Bréscia. Em cada cidade, detém-se algumas semanas, para logo buscar, a pé, na cidade vizinha, almas a quem fazer o bem. Método vivo e original de mover os corações No púlpito, sua genialidade e virtude se unem para atrair os pecadores à amizade com Deus. Conta-se, por exemplo, que chegando à cidade de Perúgia, na Úmbria, encontrou um povo indiferente aos assuntos da Fé, afeito a contínuas e ferozes guerras intestinas. Embora muitos comparecessem às pregações, Frei Bernardino não se dava por satisfeito. Um dia, perante o público reunido, anunciou: — Caros habitantes de Perúgia, em pouco tempo eu lhes mostrarei o diabo. Com a curiosidade acesa, no dia seguinte o auditório se multiplicou. E, ao cabo de alguns dias, o pregador declarou: — Vou cumprir minha promessa e vou lhes mostrar não só um demônio, mas vários. Todos o fitavam, atentos, imaginando que profundeza haveria de se abrir para o pai das trevas tornar-se visível. — Olhai-vos uns aos outros — prosseguiu Frei Bernardino — e vereis demônios! E num tom de extrema gravidade, que não admitia gracejo, o Santo advertiu ao povo que praticava as obras de Satanás e, por isso, merecia ser chamado seu filho. Finalmente a graça, conduzida por Frei Bernardino, atingiu o coração daquela gente e a conversão foi completa. Com um homem de Deus não se brinca! Anos depois, porém, a discórdia e a violência reinavam novamente na cidade e o Santo franciscano lá retorna. — Deus viu vossas dissensões, que Ele detesta — disse, subindo ao púlpito — e me mandou a vós, como seu Anjo, para falar aos homens de boa vontade. Quatro sermões se seguem, e Bernardino luta para reconciliar aquelas almas. No último dia, conclui solenemente: — Que todos os homens de boa vontade, desejosos de paz, coloquem-se à minha direita. O povo, comovido, deslocou-se em massa para a direita do Santo. Todos, exceto um que, desafiante, conservou-se sozinho com sua família à esquerda. Então, o humilde franciscano mostra que o seu zelo também o transformava, na necessidade, em implacável juiz. — Eis-te sozinho — disse ao infeliz —, obstinado em teu erro. Eu te exorto, em nome de Deus, uma vez mais, a perdoar aos outros, de coração, o que possam ter feito contra ti e tua família. Se não me escutares, podes estar certo de que não voltarás vivo para casa. Ora, com um homem de Deus não se brinca… Aquele desgraçado não desistiu de sua má conduta e, apenas chegando à casa, morreu, sem receber os Sacramentos da Igreja. Ao nome de Jesus, todo joelho se dobrará… até na Renascença Muitos dos sermões de São Bernardino se conservaram para a posteridade. Em estilo fácil, atraentes, repletos de metáforas e exemplos, permitem reconstituir o ambiente que em torno dele se criava e, de certa forma, sentir a graça que sobre ele pairava. Sermões que foram palco de uma grande batalha, à qual o santo franciscano se dedicaria de corpo e alma. De fato, ao passarmos as páginas que compõem a história de São Bernardino, não podemos desconsiderar a difícil conjuntura na qual se encontrava o mundo, e como a humanidade tomava um rumo completamente oposto ao que a Igreja lhe indicara ao longo dos séculos. Dando as costas ao Sangue que os redimira e inebriando-se com as coisas da terra a ponto de esquecerem-se do Céu, os homens voltavam a embriagar-se com o “vinho velho” do paganismo. Era a brilhante, mas em tantos aspectos reprovável, Renascença que chegava. Expulsava-se Deus de seu trono, e em seu lugar o homem se sentava. Os frutos de tal inversão de valores não se fizeram esperar: discórdias e guerras, imoralidades e desvarios passaram a formar parte do cotidiano. Faltava alguém que, como Nossa Senhora nas Bodas de Caná, indicasse à humanidade: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2, 5), e a reconduzisse a Jesus. Foi este o papel verdadeiramente marial de São Bernardino. Por exemplo, reinava grande desavença política entre os habitantes de Veneza, como, aliás, em muitas outras cidades da Península Itálica. As casas eram identificadas por um azulejo com o nome ou as armas da família, o qual indicava também o partido dos moradores. Quando Frei Bernardino por lá passou, seu coração inflamado proclamou a todos o nome de Cristo, e os venezianos, comovidos, trocaram as marcas da discórdia por um azulejo com o Santíssimo Nome de Jesus. E assim, percorrendo as cidades, Frei Bernardino deixava atrás de si o nome de Jesus marcado nos lares e, sobretudo, gravado nos corações. “São Bernardino de Sena e São João de Capistrano”, por Alonso Cano. Acusado de heresia… Não podia ficar inativo o antigo inimigo enquanto o santo franciscano lhe arrancava das mãos tantas almas. E eis que, em Roma, Frei Bernardino é acusado de heresia. Heresia?! Sim, pois houve quem quisesse enxergar aspectos de idolatria na sua forma de venerar o nome de Jesus! O Papa Martinho V convoca o ilustre pregador para apresentar explicações na Cidade Eterna. O momento é de grande comoção, sobretudo para os católicos italianos, que tanto tinham recebido de Frei Bernardino. Todos parecem temer, menos ele. Muitos que antes o aplaudiam, agora o ultrajam. Um dia, ao verem com admiração como, após receber grandes insultos, ele se recolhia para estudar calmamente em sua cela, respondeu: “Cada vez que entro em minha cela, todas as injúrias ficam do lado de fora; nenhum ultraje se atreve a entrar comigo, de modo que não me causam nem empecilho, nem desgosto” [5]. Para defender a honra do mestre ofendido, um discípulo seu, também renomado pregador, comparece à Cidade Eterna, portando um ostensivo estandarte no qual se lê o Nome de Jesus: trata-se do audacioso capuchinho São João de Capistrano. Finalmente, ambos comparecem diante do Pontífice e procede-se a um debate entre eles e os opositores. A vitória de Bernardino, ou melhor, de Jesus, é completa; o Papa, em reparação, ordena uma procissão em honra de seu Santíssimo Nome, que a partir de então passa a figurar no alto das igrejas e no cimo dos telhados, também em Roma. Últimos esforços, dedicação inteira Mesmo sentindo-se já próximo de seu fim, Frei Bernardino não descansa. Pelo contrário, sedento de almas, vai à busca daquelas que sua caridade ainda não lograra alcançar, e aos que disso procuravam dissuadi-lo, responde: “Não ignoro que estou velho e pouco apto a suportar o cansaço; porém, o amor que me urge, obriga-me, enquanto puder mexer a língua, a nunca deixar de anunciar a Palavra de Deus, a exortar as populações e, para esta obra, empreender viagens, mesmo que fossem em longínquas terras” [6]. “O amor que me urge, obriga-me, enquanto puder mexer a língua, a nunca deixar de anunciar a Palavra de Deus.” O Reino de Nápoles é o seu próximo destino. Em 30 de abril de 1444, ele deixa Siena secretamente. No caminho, despede-se da velha cidade de Perúgia, de onde parte para visitar por última vez o Convento de Santa Maria dos Anjos, em Assis. Em Espoleto, suas forças começam a faltar. Quando atinge a Cittaducale, na fronteira com o reino napolitano, Bernardino sobe pela última vez a um púlpito. Em Áquila, é obrigado a repousar no mosteiro franciscano. E então, com sessenta e quatro anos de idade, dos quais quarenta e dois enquanto religioso e, no mínimo, vinte como pregador, Frei Bernardino entrega sua bela alma a Deus. Quisera ele morrer na festa da Natividade ou da Assunção, mas Jesus lhe pedira a renúncia a esse santo desejo. Era a véspera da Ascensão do Senhor. Decerto, no Céu Bernardino dizia a Deus as palavras que seus irmãos cantavam piedosamente na capela ao render-lhe as últimas homenagens: “Meu Pai, tornei teu nome conhecido aos homens que me deste, e agora rogo por eles, não pelo mundo, pois venho a Ti. Aleluia” [7]. Biografia de São Bernardino pelo Papa João Paulo II MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AO BISPO E AOS FIÉIS DE MASSA MARÍTIMA (ITÁLIA) POR OCASIÃO DO VI CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE SÃO BERNARDINO Venerado Irmão e caríssimos Filhos 1. Na minha recente peregrinação à terra de Abruzos tive a alegria de ajoelhar-me diante da urna que, em Aquila, conserva o corpo incorrupto de São Bernardino de Sena, o franciscano a quem a vossa Cidade se gloria de ter dado nascimento, precisamente há seis séculos, e recordei a figura e obra apostólica do vosso grande Concidadão. Na presente circunstância, gostaria de retomar convosco o assunto então começado, com o desejo de melhor desenvolver a reflexão sobre o testemunho de fidelidade ao Evangelho, que este . insigne Santo nos deixou. Em Bernardino, está-se diante de um modelo acabado de homem, de religioso e de apóstolo, para quem a nossa época pode ainda olhar a fim de colher a indicação das oportunas soluções para os numerosos problemas que a afligem. 2. Primeiro que tudo, o homem. De mente aberta à fascinação da verdade e do bem, vivamente sensível às sugestões da beleza, Bernardino deu prova de singular riqueza de qualidades humanas, fundidas entre si num equilíbrio tão perfeito que despertavam a concorde admiração dos contemporâneos. Essa harmoniosa personalidade, por outro lado, não constituiu apenas fruto de um. feliz concurso de circunstâncias casuais. Estava na base um esforço, ascético, fundamentado numa clara visão antropológica. O homem é imagem de Deus, proclama Bernardino seguindo a Bíblia. Como tal, deve-se conformar com Ele em todas as acções, mas sobretudo nas intenções profundas do coração (cf. S. Bernardini Senensis Opera Omnia, Quaracchi 1950-1959, vol. II, p. 300). “Deus criou todas as criaturas para o homem, e o homem para Si” repete o nosso Santo juntamente com Agostinho (cf. op. cit., p. 161). Todavia, sendo embora o mais nobre dos animais, é também o mais ingrato: “Grande é a ingratidão e a ignorância cega dos homens! Os outros animais são domesticados pelos benefícios; só os corações dos homens são endurecidos e cegados pelos benefícios de Deus” (Opera omnia, cit., vol. III, p. 347). O homem é, por isso, criatura que, mais que as outras, tem necessidade de disciplina: “Os homens são incomparavelmente mais nobres e mais preciosos que os outros animais, mas são também os mais inclinados ao mal e mais nocivos pelos maus hábitos, e mais perturbam a paz civil; portanto com maior disciplina devem ser guardados, curados e enfreados pela justiça” (Opera omnia, cit., vol. III, p. 300). Todo o esforço humano, todavia, resultaria inútil sem o contínuo socorro da graça de Deus, “porque sem a Sua ajuda não se pode oferecer nenhuma resistência à batalha do demónio, do mundo e da carne” (cf. Prediche volgari, ed. do P. Ciro Cannarozzi, O.F.M., Firenze 1940, vol. III, p. 224). Por sua felicidade o homem não está só nesta luta: ao lado dele está Deus, que não se cansa de oferecer-lhe o apoio da Sua mão salvadora: mão que, se às vezes fere, é todavia movida, sempre e só, pelo amor (cf. ibid., pp. 242-257). Esta, na substância, a mensagem que Bernardino propõe aos seus ouvintes, explicando o seu conteúdo segundo as exigências específicas das diversas categorias. Dirige-se aos casados, aos jovens, aos adolescentes e às crianças, aos negociantes, aos estudantes, aos governantes, aos súbditos, aos leigos e ao clero. Fala recorrendo à Sagrada Escritura, aos exemplos dos Santos, aos ditos dos poetas; teólogos e juristas, filósofos e artistas estão sempre nos seus lábios, como testemunho do longo tirocínio cultural por ele suportado em preparação para o ministério. da pregação. 3. De não menos interesse é o testemunho que Bernardino nos oferece como religioso. Aos 22 anos, depois de uma experiência de trabalho social e caritativo com poucos outros jovens senenses, durante a peste que ia despovoando a cidade, pediu para entrar entre os Frades Menores. Escolheu o grupo que estava então renovando a Ordem, no regresso à observância rígida e austera, reflorescida em Brogliano com frei Pauluccio Trinci, de Foligno, e depois com frei Giovanni de Stroncone. A sua experiência heróica de caridade entre os empestados e a natural propensão para o cargo de “agente de paz” e de exemplar guarda da castidade entre os jovens de Sena, no Estudo da cidade e na Companhia de Santa Maria da Escada, foram o melhor bilhete de apresentação para conseguir ser recebido entre os Franciscanos. Pelos biógrafos sabemos que principiou quase logo a dirigir os seus irmãos como Superior local e provincial, na Toscana e na Úmbria, até coroar o “serviço aos irmãos” como Vigário-Geral da Observância. Foram cerca de 300 os conventos por ele renovados ou aceitos entre os Observantes, aqui a acolá pela Itália. Assim como na qualidade de leigo estimulara os amigos às obras de caridade e de heróica assistência social, assim também como religioso soube infundir nos Irmãos o ardor do seu zelo em seguia as pisadas do “Poverello” no caminho do radicalismo evangélico. A fascinação da sua personalidade conquistava todos os que se aproximavam dele. Quanto mais clara era a apresentação que fazia das exigências austeras da Regra, tanto maior era o fervor com que eles corriam atrás do mestre, no desejo de lhe emular as virtudes (cf. Holzapfel H., Manuale historiae OFM, Friburgi Brisgoviae, 1909, pp. 81-85). Desta sorte, o movimento da Observância, iniciado com os irmãos leigos, toma-se com São Bernardino nova força, de espiritualidade e cultura, que estimula todo o franciscanismo a vencer as fraquezas humanas, os cansaços da rotina, e lhe favorece o reflorir com abundante número de jovens estudantes universitários, empenhados no estudo da teologia, da moral, do direito, e no apostolado popular em toda a Itália. Entre estes sobressaem os amigos íntimos de Bernardino: São João de Capestrano, São Tiago da Marca, o Beato Alberto de Sarteano e outros muitos, na Úmbria, na Toscana, nas Marcas, na Itália e fora da Itália. E “bernardinos” se chamarão os Observantes de algumas regiões da Europa, como por exemplo na minha pátria, a Polónia. 4. Bernardino, homem de êxito e religioso exemplar, fica na história da cristandade sobretudo como apóstolo. Pregador itinerante, como Cristo e como os Apóstolos, fez do púlpito a sua cátedra. Foi o maior pregador popular da época, tanto que o século XV foi definido “o século de Bernardino”. Em muitas partes da Itália central e setentrional surgem altares, oratórios e templos, erectos em memória das suas pregações e dos seus milagres. Admirado pelos simples como pelos doutos, pelos magistrados como pelos homens da Igreja, Bernardino foi pedido como Bispo em Sena, em Ferrara e em Urbino. Recusou sempre, para manter a liberdade de levar a sua palavra a toda a parte aonde fosse requerido, estando intimamente convencido de ter recebido de Deus a chamada a este ministério, e não a outro. Pelo seu exemplo e pela sua palavra dita ou escrita, foi renovada a pregação italiana. Disso restam documentos nos volumes das suas “Prediche volgari”, feitas em Florença e em Sena, nos esquemas de sermões latinos, que ele mesmo e os discípulos recolheram ` para serviço dos outros pregadores, nas obras de teologia moral ou ascética, redigidas para a escola e para a vida dos seus Irmãos. 5. Bernardino de Sena fica na história da pregação, da teologia e da ascética, sobretudo como apóstolo do Nome de Jesus. Impressionado pela advertência de Cristo: “E tudo quanto pedirdes em Meu nome, Eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho” (Jo 14, 13), não pára de fazer-se eco da mesma: pedir ao Padre em nome do Filho é reconhecer o plano de Deus, que desejou servir-se do Verbo encarnado para nos salvar. Nós podemos e devemos santificar-nos por meio da invocação do Filho, cuja mediação nos abre o caminho de acesso ao Pai. O nome de Cristo, portanto, significa misericórdia para com os pecadores, força para vencer na luta, saúde para os enfermos, alegria e exultação para quem o invoca com devoção nas várias circunstâncias da vida, glória e honra para quantos nele têm fé, conversão da tibieza em fervor da caridade, certeza de ser ouvido para quem o invoca, doçura para quem devotamente o medita, suavidade inebriante para quem na contemplação lhe penetra o mistério, fecundidade de méritos para quem é ainda peregrino, glorificação e beatitude para quem já chegou à meta, o Nome de Jesus foi a bandeira, impugnando a qual São Bernardino enfrentou as situações mais difíceis, conseguindo triunfar delas: foi nesse Nome que ele obteve a pacificação das facções rivais, o melhoramento dos costumes, o reavivamento da fé e o incremento da prática cristã. 6. Tema fundamental da pregação do nosso Santo foi também a devoção à Virgem Maria, considerada sobretudo como Mãe de Deus é Medianeira de perdão e de graça. São Bernardino medita, saboreando-as, as páginas do Evangelho que falam de Nossa Senhora, comemora-lhe as festas, comenta-lhe os títulos, ilustra-lhe os mistérios, a começar da sua Conceição imaculada até à sua gloriosa Assunção ao Céu. Os exemplos da sua vida oferecem-lhe o ponto de partida para sempre novas aplicações morais, que propõe às várias categorias de pessoas, mas em particular aos jovens e às jovens, com tal fervor de sentimento e vigor de palavras e de imagens, que suscita a adesão entusiasta do auditório. A todos pede com insistência que recorram confiadamente à maternal intercessão de Maria, cuja palavra tanto pode sobre o coração de Deus: “Portanto rogar-lhe-emos que peça ao seu doce Filho Jesus que, pelos seus méritos, nos dê graça neste mundo, para depois no outro nos dar a glória infinita” (Prediche volgari, cit., vol. II, p. 420). Com esta exortação apraz-me concluir a presente Mensagem, uma vez que na assídua invocação da Virgem Santa e na generosa imitação das suas virtudes reside o segredo daquela profunda renovação de mentalidade e vida, que foi o ideal seguido coro zelo infatigável pelo vosso santo Concidadão. Ao renovar a expressão dos sentimentos de paternal afecto que sinto por essa Comunidade, na qual se acendeu há seis séculos a estrela que devia brilhar imperecível no céu da Igreja, concedo de boa vontade, a cada um dos seus membros e ao seu venerado Pastor, a minha Bênção Apostólica, propiciadora de todos os desejados dons divinos. Do Vaticano, a 7 de Setembro do ano de 1980, segundo de Pontificado. JOÃO PAULO PP. II #SantodoDia
- Santificar as Festas de Preceito e o Domingo – Um mês com Maria | 20° dia
SANTIFICAR AS FESTAS DE PRECEITO E DOMINGO Parece incrível que se deva fazer força para obter dos cristãos de não trabalhar nos domingos e em festas de guarda para dedicar-se ao Senhor e à própria alma. Não só, mas o cúmulo é que só se consegue obter o descanso festivo e a participação à Santa Missa só de uma pequena minoria de cristãos. Já chegamos a este ponto! Com quais consequências? Aquelas já previstas pelo Papa Leão XIII: “Não respeitar os domingos, este é o princípio de todos os males: é a festa apagada, a eternidade esquecida, é Deus excluído da vida do homem.” É o quadro mundial da sociedade de hoje: ateísmo, laicismo, materialismo, animalismo. Com o Concílio Vaticano II, o domingo ficou posto ainda mais em lugar de honra, como o dia do Senhor e o dia da alegria do homem. Todos os domingos” os fiéis devem reunir-se em assembleia para ouvir a Palavra de Deus e participar à Eucaristia. O domingo é a festa primordial que deve ser proposta à piedade dos fiéis, de modo que resulte também em um dia de alegria e de descanso” (SC, n.106). Todos os domingos, os cristãos hão de ganhar para a alma, com a nutrição espiritual que recebem da S. Missa para o corpo, com o descanso que restaura das fadigas da semana. Só temos a ganhar! O domingo recarrega de energias a alma e o corpo. É um dom de Deus. É dia de graça. “Este é o dia que o Senhor fez para nós” (Sl 117,24). Por isso, S. Tomás Moro, o Chanceler da Inglaterra, mesmo quando com a perseguição foi preso, festejava o Domingo, mandando trazer e vestindo os hábitos da festa para agradar o Senhor. Todos à Santa Missa As duas coisas mais importantes das festas são a participação à Santa Missa e o repouso do trabalho. A participação na Santa Missa não consiste em estar presente na Igreja durante a celebração, porque os bancos e as paredes também estão, mas em participar ativa e sentidamente: ativa no seguir ponto por ponto o desenrolar dela; sentida no unir-se vivamente a Jesus que se sacrifica no Altar entre as mãos do sacerdote. A participação é plena se se recebe também a Comunhão, depois de ter devidamente purificado a alma com o Sacramento da Confissão. É este o Domingo do cristão: Confissão, Santa Missa e Comunhão. São três tesouros de infinito valor que enriquecem maravilhosamente a vida da Graça. Em tal modo, o domingo é o “Dia do Senhor” e a “Festa da Alma”. Muitos cristãos se contentam só com a Santa Missa. Por quê? Porque estão provados dos dois Sacramentos da Confissão e Comunhão. E se pode chamar dia do Senhor um domingo sem a Comunhão? Os antigos cristãos chamavam o domingo também com duas palavras: Dies Panis: Dia do Pão, porque todos participavam à Santa Missa e recebiam Jesus Eucarístico, Pão do Céu (cf. Jo 6,41). Não devia ser assim também hoje para todos os cristãos? É pecado mortal O dever da Santa Missa festiva é grave. Quem não participa à Santa Missa festiva comete pecado mortal. Só o caso de grave necessidade ou de impossibilidade (doença) faz evitar o pecado. Nem vale escutar a Santa Missa pelos meios de comunicação. Este é um ato de devoção útil a quem está privado de ir a Igreja. A Santa Missa é o ato comunitário e social por excelência. Por isto é necessária a presença viva no seio da comunidade. Lembremo-nos sempre: pela sua importância, a Santa Missa deve ocupar o 1º lugar no domingo. Tudo lhe deve ser subordinado e condicionado. Quando o Pio Alberto I, Rei da Bélgica, encontrou-se nas Índias, organizaram-lhe uma esplêndida excursão para o dia de domingo. O programa foi apresentado ao Rei, que examinou e logo disse: “Esquecestes um ponto: A Santa Missa. Este antes de mais nada.” Que lição para tantos de nossos excursionistas, tão prontos em sacrificar a Santa Missa e em transformar o domingo de “Dia do Senhor” em “dia do demônio”. Ainda mais edificante é o exemplo que dão alguns simples fiéis, que enfrentam sacrifícios duros para não perderem a Santa Missa. Uma senhora deve percorrer a pé diversas horas do caminho; um operário que pode correr à Santa Missa só às primeiras horas do dia; uma mãe de muitos filhos que nunca perdeu uma Missa… O repouso festivo Para louvar o Senhor, para a Ele dedicar-se, cuidando da própria alma, é necessária a abstenção do trabalho. Ensina S. Gregório Magno: “No domingo se deve interromper o trabalho e dar-se à oração, para que as negligências dos dias precedentes sejam descontadas com a oração deste grande dia”. Se se pudessem escutar de novo os sermões que S. Cura d’Ars fez por 8 anos contra o trabalho festivo, ficaríamos tocados e comovidos. Dizia o Santo: “Se perguntamos a quem trabalha no domingo: O que estais fazendo? Deveria responder: Estou vendendo a alma ao demônio e colocando Jesus na Cruz de novo, condenando-me ao Inferno”. Próprio naqueles tempos Maria aparecia nos montes de La Salette e advertia: “O Senhor vos deu seis dias para trabalhar, reservando-se o 7º, e não o quereis dar. Eis o que faz ficar pesado o braço Divino”. É possível que temamos de perder, se servimos o Senhor, observando o seu Mandamento? “Gente de pouca fé! Procurais antes o Reino de Deus e a sua justiça, e o mais vos virá por acréscimo!” (Mt 6,33). O pai de S. Terezinha tinha uma ourivesaria. Aberta toda a semana e fechada os dias festivos. Uma pessoa aconselhou-o a abri-la nos dias que fechava, já que os camponeses iam nestes dias fazer compras. Até seu confessor o autorizou. Mas ele não quis. Preferia perder aquele lucro a afastar uma só bênção de Deus sobre a sua família. E o Senhor o fez enriquecer com os lucros da loja. É fundamental Observar o 3º mandamento é fundamental para a vida do cristão. Frequentar a Igreja, aproximar-se dos Sacramentos, participar à Santa Missa, ouvir a Palavra de Deus, são alimentos vitais da vida cristã. Privar-se significa condenar-se à ruína, ao sofrimento eterno. Um venerado Bispo Francês, ao preparar o seu túmulo, fez esculpir uma pedra com estas palavras: “Lembrai-vos de santificar as festas, porque só isso me basta. Se os fiéis me obedecerem, chegarão certamente à salvação. “Tinha razão. Quem santifica as festas se tem em relação com Deus e fica de domingo sob seu salutar influxo e chamada. Por isso Pe. Pio, na Confissão, era muito severo ao fazer respeitar este mandamento, e muitos penitentes tiveram por causa deste pecado recusada a absolvição, mandados embora bruscamente com um: “Vai embora, desgraçado!” Maria, Mãe de Jesus e nossa, quer ver ao menos todos os domingos reunidos em volta do Altar, em volta de Jesus, seus filhos. Ela nos quer todos os domingos para nos poder ter no Domingo Eterno, que é o Paraíso. Votos Oferecer o dia em reparação dos pecados contra o terceiro mandamento; Convencer em santificar a festa a algum dos parentes ou amigos que não santifica; Meditar atentamente sobre a Palavra de Deus no domingo. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- Santificar as Festas de Preceito e o Domingo – Um mês com Maria | 20° dia
SANTIFICAR AS FESTAS DE PRECEITO E DOMINGO Parece incrível que se deva fazer força para obter dos cristãos de não trabalhar nos domingos e em festas de guarda para dedicar-se ao Senhor e à própria alma. Não só, mas o cúmulo é que só se consegue obter o descanso festivo e a participação à Santa Missa só de uma pequena minoria de cristãos. Já chegamos a este ponto! Com quais consequências? Aquelas já previstas pelo Papa Leão XIII: “Não respeitar os domingos, este é o princípio de todos os males: é a festa apagada, a eternidade esquecida, é Deus excluído da vida do homem.” É o quadro mundial da sociedade de hoje: ateísmo, laicismo, materialismo, animalismo. Com o Concílio Vaticano II, o domingo ficou posto ainda mais em lugar de honra, como o dia do Senhor e o dia da alegria do homem. Todos os domingos” os fiéis devem reunir-se em assembleia para ouvir a Palavra de Deus e participar à Eucaristia. O domingo é a festa primordial que deve ser proposta à piedade dos fiéis, de modo que resulte também em um dia de alegria e de descanso” (SC, n.106). Todos os domingos, os cristãos hão de ganhar para a alma, com a nutrição espiritual que recebem da S. Missa para o corpo, com o descanso que restaura das fadigas da semana. Só temos a ganhar! O domingo recarrega de energias a alma e o corpo. É um dom de Deus. É dia de graça. “Este é o dia que o Senhor fez para nós” (Sl 117,24). Por isso, S. Tomás Moro, o Chanceler da Inglaterra, mesmo quando com a perseguição foi preso, festejava o Domingo, mandando trazer e vestindo os hábitos da festa para agradar o Senhor. Todos à Santa Missa As duas coisas mais importantes das festas são a participação à Santa Missa e o repouso do trabalho. A participação na Santa Missa não consiste em estar presente na Igreja durante a celebração, porque os bancos e as paredes também estão, mas em participar ativa e sentidamente: ativa no seguir ponto por ponto o desenrolar dela; sentida no unir-se vivamente a Jesus que se sacrifica no Altar entre as mãos do sacerdote. A participação é plena se se recebe também a Comunhão, depois de ter devidamente purificado a alma com o Sacramento da Confissão. É este o Domingo do cristão: Confissão, Santa Missa e Comunhão. São três tesouros de infinito valor que enriquecem maravilhosamente a vida da Graça. Em tal modo, o domingo é o “Dia do Senhor” e a “Festa da Alma”. Muitos cristãos se contentam só com a Santa Missa. Por quê? Porque estão provados dos dois Sacramentos da Confissão e Comunhão. E se pode chamar dia do Senhor um domingo sem a Comunhão? Os antigos cristãos chamavam o domingo também com duas palavras: Dies Panis: Dia do Pão, porque todos participavam à Santa Missa e recebiam Jesus Eucarístico, Pão do Céu (cf. Jo 6,41). Não devia ser assim também hoje para todos os cristãos? É pecado mortal O dever da Santa Missa festiva é grave. Quem não participa à Santa Missa festiva comete pecado mortal. Só o caso de grave necessidade ou de impossibilidade (doença) faz evitar o pecado. Nem vale escutar a Santa Missa pelos meios de comunicação. Este é um ato de devoção útil a quem está privado de ir a Igreja. A Santa Missa é o ato comunitário e social por excelência. Por isto é necessária a presença viva no seio da comunidade. Lembremo-nos sempre: pela sua importância, a Santa Missa deve ocupar o 1º lugar no domingo. Tudo lhe deve ser subordinado e condicionado. Quando o Pio Alberto I, Rei da Bélgica, encontrou-se nas Índias, organizaram-lhe uma esplêndida excursão para o dia de domingo. O programa foi apresentado ao Rei, que examinou e logo disse: “Esquecestes um ponto: A Santa Missa. Este antes de mais nada.” Que lição para tantos de nossos excursionistas, tão prontos em sacrificar a Santa Missa e em transformar o domingo de “Dia do Senhor” em “dia do demônio”. Ainda mais edificante é o exemplo que dão alguns simples fiéis, que enfrentam sacrifícios duros para não perderem a Santa Missa. Uma senhora deve percorrer a pé diversas horas do caminho; um operário que pode correr à Santa Missa só às primeiras horas do dia; uma mãe de muitos filhos que nunca perdeu uma Missa… O repouso festivo Para louvar o Senhor, para a Ele dedicar-se, cuidando da própria alma, é necessária a abstenção do trabalho. Ensina S. Gregório Magno: “No domingo se deve interromper o trabalho e dar-se à oração, para que as negligências dos dias precedentes sejam descontadas com a oração deste grande dia”. Se se pudessem escutar de novo os sermões que S. Cura d’Ars fez por 8 anos contra o trabalho festivo, ficaríamos tocados e comovidos. Dizia o Santo: “Se perguntamos a quem trabalha no domingo: O que estais fazendo? Deveria responder: Estou vendendo a alma ao demônio e colocando Jesus na Cruz de novo, condenando-me ao Inferno”. Próprio naqueles tempos Maria aparecia nos montes de La Salette e advertia: “O Senhor vos deu seis dias para trabalhar, reservando-se o 7º, e não o quereis dar. Eis o que faz ficar pesado o braço Divino”. É possível que temamos de perder, se servimos o Senhor, observando o seu Mandamento? “Gente de pouca fé! Procurais antes o Reino de Deus e a sua justiça, e o mais vos virá por acréscimo!” (Mt 6,33). O pai de S. Terezinha tinha uma ourivesaria. Aberta toda a semana e fechada os dias festivos. Uma pessoa aconselhou-o a abri-la nos dias que fechava, já que os camponeses iam nestes dias fazer compras. Até seu confessor o autorizou. Mas ele não quis. Preferia perder aquele lucro a afastar uma só bênção de Deus sobre a sua família. E o Senhor o fez enriquecer com os lucros da loja. É fundamental Observar o 3º mandamento é fundamental para a vida do cristão. Frequentar a Igreja, aproximar-se dos Sacramentos, participar à Santa Missa, ouvir a Palavra de Deus, são alimentos vitais da vida cristã. Privar-se significa condenar-se à ruína, ao sofrimento eterno. Um venerado Bispo Francês, ao preparar o seu túmulo, fez esculpir uma pedra com estas palavras: “Lembrai-vos de santificar as festas, porque só isso me basta. Se os fiéis me obedecerem, chegarão certamente à salvação. “Tinha razão. Quem santifica as festas se tem em relação com Deus e fica de domingo sob seu salutar influxo e chamada. Por isso Pe. Pio, na Confissão, era muito severo ao fazer respeitar este mandamento, e muitos penitentes tiveram por causa deste pecado recusada a absolvição, mandados embora bruscamente com um: “Vai embora, desgraçado!” Maria, Mãe de Jesus e nossa, quer ver ao menos todos os domingos reunidos em volta do Altar, em volta de Jesus, seus filhos. Ela nos quer todos os domingos para nos poder ter no Domingo Eterno, que é o Paraíso. Votos Oferecer o dia em reparação dos pecados contra o terceiro mandamento; Convencer em santificar a festa a algum dos parentes ou amigos que não santifica; Meditar atentamente sobre a Palavra de Deus no domingo. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- Santo do Dia – 19 de Maio – São Crispim de Viterbo
SANTO DO DIA – 19 DE MAIO – SÃO CRISPIM DE VITERBO Religioso capuchinho (1668-1750) Pedro nasceu em Viterbo, em 13 de novembro de 1668, na Itália. Era filho de Ubaldo Fioretti e Márcia, que, viúva, já tinha uma filha. Porém Ubaldo também faleceu logo depois, deixando Pedro órfão ainda muito pequeno. Assim, Márcia, novamente viúva, casou-se com o irmão de Ubaldo, o sapateiro Francisco, do qual as crianças eram muito afeiçoadas. Francisco, assumindo o lugar paterno, encaminhou o menino para estudar na escola dos padres jesuítas e o fez seu aprendiz na sapataria. Entretanto, Pedro demonstrava uma vocação religiosa muito forte, sendo fervoroso devoto de Jesus Cristo e de Maria. Em 1693, vestiu o hábito dos capuchinhos, tomando o nome de frei Crispim de Viterbo, em homenagem ao santo padroeiro dos sapateiros. Até 1710, serviu em vários mosteiros de Tolfa, Roma e Albano, quando foi, definitivamente, para Orvietto. Versátil, exerceu várias funções, como cozinheiro, enfermeiro, encarregado da horta e, além disso, passou a esmolar de porta em porta. Foram quarenta anos de vida de humildade, penitência e alegria, contagiando a todos que tiveram a felicidade de sua convivência e conselho. Era um homem amante da pobreza, contemplativo, gentil e caridoso, sabia encontrar as palavras e atitudes justas quando era preciso advertir quem quer que fosse, agindo como um sábio e mestre. Suas atenções eram para os pequeninos, pecadores, pobres, encarcerados, doentes, velhos e crianças abandonadas. Sua longa vida foi conduzida para o caminho do otimismo, alegria e amor a Deus e a Nossa Senhora, louvados e cantados de dia e de noite, em todas as circunstâncias, sempre. Era todo repleto do Espírito Santo. São tão vastos seus ditos, poemas e orações que se perpetuaram entre os devotos, como este que ensinava aos jovens: ‘Filhinhos, trabalhai quando ainda são jovens, e sofrei com boa vontade, porque, quando alguém é velho, não lhe resta senão a boa vontade’. E ainda o que exortava a todos : ‘Amai a Deus e não fracassareis, fazei por bem e deixai que falem’. Aos oitenta e dois anos de idade, muito doente, sofrendo de artrite nas mãos e pés, além de um grave mal que lhe atingiu o estômago, foi enviado para Roma, onde morreu em 19 de maio de 1750, pedindo perdão aos irmãos caso os tivesse ofendido. Uma de suas frases resume bem o seu carisma de vida: ‘Quem ama a Deus com pureza de coração, vive feliz e, depois, contente morre!’ Os milagres por sua intercessão foram muitos e a devoção popular se propagou por todo o mundo católico, onde as famílias franciscanas estão instaladas. Foi beatificado em 1806, pelo papa Pio VII, que marcou sua festa para o dia de sua morte. Depois, em 1982, são Crispim de Viterbo foi canonizado pelo papa João Paulo II, tornando-se o primeiro santo que esse papa alçou à veneração dos altares da Igreja. Crispim era afável, alegre, e muito devoto da Mãe de Deus, mas consigo mesmo era muito exigente, não admitindo meios termos ao servir a Deus. Conheça mais sobre São Crispim de Viterbo “Exultai no Senhor, ó justos” (Sl 32, 1); “Felizes aqueles cuja vida é pura, e seguem a Lei do Senhor” (Sl 118, 1). Estes e muitos outros ensinamentos dos Salmos poderiam ser citados, para mostrar o quanto a virtude e a verdadeira alegria andam sempre de mãos dadas. O íntimo relacionamento entre ambas aparece especialmente visível no Santo cuja vida contemplaremos aqui: São Crispim de Viterbo. Com propriedade realçou São João Paulo II em sua homilia, ao canonizar este irmão leigo capuchinho do século XVII: “O primeiro aspecto de santidade que desejo fazer notar em São Crispim é o da alegria”. Consagrado desde criança a sua “Mãe e Senhora” Ele veio ao mundo a 13 de novembro de 1668, em Viterbo, cidade então pertencente aos Estados Pontifícios, e dois dias depois foi batizado na Igreja de São João Batista, recebendo o nome do avô: Pedro. Seus pais, Ubaldo e Marzia Fioretti, eram de condição humilde, porém muito respeitados por sua conduta digna e piedosa. Sendo Pedro ainda muito criança, o pai veio falecer, mas não sem antes confiar ao seu irmão Francisco a formação do pequeno. Marzia, por seu lado, empenhava-se em dar-lhe esmerada educação religiosa e moral. Quando contava cinco anos de idade, ela o levou em peregrinação ao Santuário de Santa Maria della Quercia, a fim de consagrá-lo a Nossa Senhora. Lá chegando, ambos se ajoelharam diante da bela imagem e a mãe disse ao filho: “Estás vendo? Esta é a tua Mãe, e eu agora te entrego a Ela. Procura amá-La sempre de todo o coração e honrá-La como tua Senhora”.2 Tais palavras calaram tão fundo na alma do menino que, até o fim da vida, jamais deixou de dirigir-se à Virgem Santíssima sem chamá-la de “Mãe e Senhora”. Melhor um santo magro, que um pecador forte Desde a mais terna infância, comenta um de seus biógrafos, Pedro manifestou ter um temperamento extremamente dócil e agradável, acompanhado por uma alegria contagiante, qualidades estas que “demonstravam as mais vantajosas predisposições para avançar nas vias da virtude e pressagiavam sua futura santidade”. Com um pouco mais de idade, adquiriu o costume de fazer sacrifícios e penitências. Jejuava a pão e água nos sábados e nas vigílias das festas de Nossa Senhora – e assim continuou a fazer quando adulto -, mesmo se estava doente. Vendo a criança sempre franzina e com a saúde debilitada, o tio Francisco dizia com rude franqueza a Marzia que ela servia “para criar frangos, e não filhos, pois Pedro não crescia porque não comia”.4 A boa mãe, entretanto, nada contestava, pois conhecia bem as causas da fraqueza do menino… Preocupado, o tio passou a vigiar pessoalmente a alimentação de Pedro. E logo descobriu que o problema estava no espírito de sacrifício do jovenzinho, e não na falta de alimentos. Desculpou-se, então, junto à cunhada, dizendo-lhe: “Deixa-o fazer o que quer, afinal é melhor ter em casa um magro santo, que um pecador forte”. Aos dez anos, já ajudava como coroinha nas Santas Missas e demais tarefas de sacristão. Nessa época foi estudar gramática com os padres jesuítas e trabalhava como sapateiro junto com seu tio Francisco, ofício que exerceu até os 25 anos. Com o dinheiro obtido costumava comprar no mercado da cidade as melhores e mais belas flores para depositá-las aos pés de sua “Mãe e Senhora”. “Por que choras, minha mãe?” Em 1693 uma terrível seca assolou grande parte da Itália. Os habitantes de Viterbo fizeram uma procissão penitencial para implorar a Deus misericórdia e o jovem sapateiro fez questão dela participar. No trajeto, tomou contato com alguns frades de hábito marrom, que caminhavam e rezavam com modéstia e compenetração angélica. Eram filhos de São Francisco de Assis, e seu virtuoso aspecto despertou na alma do rapaz o desejo de seguir a vida religiosa. Seguro de haver encontrado sua vocação, pediu ao padre provincial para ser aceito numa das comunidades da ordem. Depois de examiná-lo bem, o superior entregou-lhe uma carta de admissão e encaminhou-o ao noviciado de Palanzana. Pedro a mostrava aos conhecidos e familiares, dizendo: “Adeus pátria, adeus parentes, adeus amigos, adeus a todos. Agora já sou filho do Seráfico Patriarca e meu lugar é entre os irmãos leigos capuchinhos”.6 Tal era sua alegria que ninguém ousava dissuadi-lo de ser religioso. Sem embargo, sugeriam-lhe, em vão, ingressar em outra ordem menos austera, na qual pudesse seguir a via sacerdotal. Vendo sua mãe chorar, angustiada por sua partida, disse-lhe com muito respeito: “Por que choras, minha mãe? Não me consagraste a Deus e à Santíssima Virgem quando eu tinha apenas cinco anos? Como agora queres reter contigo aquilo que doastes? A doação foi feita de livre e espontânea vontade, e com minha anuência. Portanto, é preciso cumpri-la e resignar-se”. Um jovem franzino na austera vida capuchinha Cheio de alegria juntou seus pertences e partiu para o noviciado, em companhia de outros quatro jovens aparentados com ele. No caminho, o demônio tentou atrapalhá-lo de diversos modos. Em determinado ponto do percurso, surgiu um feroz mastim avançando certeiro em sua direção. Sem vacilar, ele recorreu ao auxílio da Santíssima Virgem e o animal estancou como impedido por uma mão potente, e embrenhou-se numa vinha, desaparecendo dos seus olhares. No dia 4 de julho daquele ano de 1693, chegaram ao convento de Palanzana. O mestre de noviços, vendo a mirrada compleição física de Pedro, concluiu que não estava em condições de suportar as austeridades da regra capuchinha, e decidiu rejeitá-lo. Pedro lançou-se a seus pés e suplicou que o recebesse. Afinal, depois de passar por diversas provas, o jovem conseguiu ser admitido. Na festa de Santa Maria Madalena, 22 de julho, revestiu-se do hábito de São Francisco e, conforme o costume das ordens religiosas, adotou um novo nome: frei Crispim, em homenagem ao mártir São Crispim, padroeiro dos sapateiros. Sua primeira ocupação foi cuidar da horta do convento, junto com outros irmãos leigos. Aceitando a incumbência com prontidão, trabalhava durante quatro ou cinco horas debaixo do Sol, com maior empenho e força que os demais, apesar de sua frágil compleição física. Para todos era edificante vê-lo executar suas tarefas, por mais árduas que fossem, não só sem reclamar, senão até com alegria. “Frei Andorinha do Senhor” Vendo-o mais maduro na vocação, o mestre de noviços deu-lhe novo encargo: acompanhar o irmão esmoler. No exercício da função, frei Crispim deu mostras de virtudes incomuns e de notável espírito evangelizador. Em pouco tempo, o jovem religioso ficou conhecido pelas redondezas. Muitas pessoas acorriam a ele para entregar suas doações, pedindo em troca outra “esmola” ainda mais valiosa: a de suas palavras e orações. A cada um ele respondia com uma inocência ímpar; por vezes, dizia ao interessado para voltar daí a pouco, pois precisava antes conversar com sua “Mãe e Senhora”.Antes de sair do convento, cantava o hino Ave Maris Stella e partia de rosário em punho. No caminho, catequizava a quem encontrava, obtendo de muitas pessoas uma verdadeira mudança de vida. A confiança por ele despertada nos seus interlocutores era tal, que muitos saíam de sua presença com a certeza de já terem alcançado a graça almejada. Tanto que a piedade dos que eram beneficiados levava-os a cortarem pedaços de seu manto para guardá-los como relíquia. Certa vez um irmão professo, de grande bondade e simplicidade, notou num recanto do convento um ninho de andorinhas e observou, admirado, com quanta alegria o casal se esforçava para alimentar seus filhotes. Associando aquela imagem à alegria com a qual frei Crispim se fatigava para suprir as necessidades dos seus irmãos de hábito, apelidou-o de “frei Andorinha do Senhor”. Provações e trabalhos durante o noviciado Em meio às suas obrigações, nosso Santo não abandonava as penitências corporais e as mortificações, nas quais encontrava força sobrenatural para superar as insuficiências da humana natureza. Ora, como sói acontecer, o demônio aproveitou-se disso para tentá-lo a perder o ânimo. Instilou-lhe o inimigo infernal pensamentos de que ele se penitenciava por amor-próprio e para não ser expulso da ordem e, portanto, não era o amor a Deus que o movia, mas o egoísmo. Tão grandes foram as provas que, apesar de nunca cair em má tristeza, sua fisionomia mudou: refletia a preocupação por pensar estar desagradando a Nosso Senhor e sua Santíssima Mãe. Percebendo a trama diabólica, o mestre de noviços e seu confessor deram-lhe ordem formal, em nome da santa obediência, de recusar imediatamente tais escrúpulos provenientes do demônio. Frei Crispim obedeceu e logo recuperou a paz de alma, recobrando a serenidade de seu semblante. Todos os noviços o tinham como modelo de perfeição religiosa e de caridade fraterna. A tal ponto que o próprio mestre de noviços dizia a seus subalternos: “Fazei como frei Crispim”. Em uma ocasião, um frade foi acometido de tuberculose. Temendo o contágio dos demais irmãos, decidiram os superiores mantê-lo separado da comunidade. Necessário era designar-lhe um bom enfermeiro. Conhecedores da caridade e presteza de frei Crispim, confiaram-lhe tal responsabilidade. O jovem dedicou-se com tanto amor e cuidado ao irmão doente, que arrancou deste a seguinte exclamação: “Este frei Crispim não é um noviço, mas sim um Anjo!”. Desempenhando os mais humildes ofícios Tendo feito sua profissão perpétua, frei Crispim foi designado como cozinheiro do convento de Tolfa e para lá se dirigiu. Com sua chegada, mudou radicalmente o ambiente da cozinha. Erigiu ali um pequeno altar com uma imagem da Santíssima Virgem, à qual dirigia contínuas orações, e aplicou às coisas práticas a máxima de São Bernardo: a pobreza nunca deve excluir a limpeza. Todos os que entravam naquelas dependências ficavam edificados com a ordem e boa disposição que reinavam numa parte tão prosaica do convento. Vários foram os outros conventos pelos quais o Santo passou nos seus cinquenta anos de vida religiosa: Monterotondo, Roma, Albano e Orvieto. Em cada um desempenhou os ofícios mais simples, com humildade e despretensão singulares. Qualquer que fosse a função recebida, a alegria e o espírito sobrenatural nunca o abandonavam. E não poucos foram os milagres operados por ele ainda em vida, como a cura de diversos doentes durante uma epidemia que grassou pela Itália, apenas tocando-os ou traçando sobre eles o sinal da Cruz com sua medalha de Nossa Senhora. Prelados, nobres e sábios iam à sua procura para suplicar-lhe acura da peste ou tão só para sentir o bom odor da santidade exalado por sua pessoa. O Cardeal de Tremoglie, Ministro da França, foi curado de grave doença ao comer um funghi especial que o Santo lhe dera, depois de apresentá-lo a Maria Santíssima com este fim. Até o próprio Papa Clemente XI deleitava-se em conversar com ele e o ia buscar em Albano, quando ali residia. A paz e alegria da boa consciência Em 1750, mesmo estando com a saúde muito debilitada e já acamado, sua habitual alegria não o abandonou. Havia regressado ao convento de Roma e não querendo atrapalhar a celebração da memória de São Félix de Cantalice, um capuchinho de sua devoção canonizado havia poucas décadas, frei Crispim declarou ao enfermeiro que só morreria depois dos dois dias dedicados à sua memória na época: 17 e 18 de maio. E, efetivamente, assim aconteceu: o Senhor o levou no dia 19, aos 82 anos. Uma verdadeira multidão acorreu aos seus funerais. Todos imploravam graças ou procuravam obter alguma relíquia. Os milagres não tardaram em multiplicar-se. No coração de muitos de seus devotos, decerto, ressoava uma frase que ele repetia, quando lhe pediam para definir a santidade: “Quem ama a Deus com pureza de coração, vive feliz e morre contente”. Esta frase bem resume toda a sua vida! De fato, só aquele que cumpre a própria missão é capaz de ter genuína alegria, pois está em paz com Deus. Leva na alma, ensina Mons. João Scognamiglio Clá Dias, “a paz verdadeira, a da boa consciência de quem pratica a virtude e dá as costas ao pecado”. (Revista Arautos do Evangelho, Maio/2016, n. 173, pp. 30 a 33)
- Santo do Dia – 19 de Maio – São Crispim de Viterbo
SANTO DO DIA – 19 DE MAIO – SÃO CRISPIM DE VITERBO Religioso capuchinho (1668-1750) Pedro nasceu em Viterbo, em 13 de novembro de 1668, na Itália. Era filho de Ubaldo Fioretti e Márcia, que, viúva, já tinha uma filha. Porém Ubaldo também faleceu logo depois, deixando Pedro órfão ainda muito pequeno. Assim, Márcia, novamente viúva, casou-se com o irmão de Ubaldo, o sapateiro Francisco, do qual as crianças eram muito afeiçoadas. Francisco, assumindo o lugar paterno, encaminhou o menino para estudar na escola dos padres jesuítas e o fez seu aprendiz na sapataria. Entretanto, Pedro demonstrava uma vocação religiosa muito forte, sendo fervoroso devoto de Jesus Cristo e de Maria. Em 1693, vestiu o hábito dos capuchinhos, tomando o nome de frei Crispim de Viterbo, em homenagem ao santo padroeiro dos sapateiros. Até 1710, serviu em vários mosteiros de Tolfa, Roma e Albano, quando foi, definitivamente, para Orvietto. Versátil, exerceu várias funções, como cozinheiro, enfermeiro, encarregado da horta e, além disso, passou a esmolar de porta em porta. Foram quarenta anos de vida de humildade, penitência e alegria, contagiando a todos que tiveram a felicidade de sua convivência e conselho. Era um homem amante da pobreza, contemplativo, gentil e caridoso, sabia encontrar as palavras e atitudes justas quando era preciso advertir quem quer que fosse, agindo como um sábio e mestre. Suas atenções eram para os pequeninos, pecadores, pobres, encarcerados, doentes, velhos e crianças abandonadas. Sua longa vida foi conduzida para o caminho do otimismo, alegria e amor a Deus e a Nossa Senhora, louvados e cantados de dia e de noite, em todas as circunstâncias, sempre. Era todo repleto do Espírito Santo. São tão vastos seus ditos, poemas e orações que se perpetuaram entre os devotos, como este que ensinava aos jovens: ‘Filhinhos, trabalhai quando ainda são jovens, e sofrei com boa vontade, porque, quando alguém é velho, não lhe resta senão a boa vontade’. E ainda o que exortava a todos : ‘Amai a Deus e não fracassareis, fazei por bem e deixai que falem’. Aos oitenta e dois anos de idade, muito doente, sofrendo de artrite nas mãos e pés, além de um grave mal que lhe atingiu o estômago, foi enviado para Roma, onde morreu em 19 de maio de 1750, pedindo perdão aos irmãos caso os tivesse ofendido. Uma de suas frases resume bem o seu carisma de vida: ‘Quem ama a Deus com pureza de coração, vive feliz e, depois, contente morre!’ Os milagres por sua intercessão foram muitos e a devoção popular se propagou por todo o mundo católico, onde as famílias franciscanas estão instaladas. Foi beatificado em 1806, pelo papa Pio VII, que marcou sua festa para o dia de sua morte. Depois, em 1982, são Crispim de Viterbo foi canonizado pelo papa João Paulo II, tornando-se o primeiro santo que esse papa alçou à veneração dos altares da Igreja. Crispim era afável, alegre, e muito devoto da Mãe de Deus, mas consigo mesmo era muito exigente, não admitindo meios termos ao servir a Deus. Conheça mais sobre São Crispim de Viterbo “Exultai no Senhor, ó justos” (Sl 32, 1); “Felizes aqueles cuja vida é pura, e seguem a Lei do Senhor” (Sl 118, 1). Estes e muitos outros ensinamentos dos Salmos poderiam ser citados, para mostrar o quanto a virtude e a verdadeira alegria andam sempre de mãos dadas. O íntimo relacionamento entre ambas aparece especialmente visível no Santo cuja vida contemplaremos aqui: São Crispim de Viterbo. Com propriedade realçou São João Paulo II em sua homilia, ao canonizar este irmão leigo capuchinho do século XVII: “O primeiro aspecto de santidade que desejo fazer notar em São Crispim é o da alegria”. Consagrado desde criança a sua “Mãe e Senhora” Ele veio ao mundo a 13 de novembro de 1668, em Viterbo, cidade então pertencente aos Estados Pontifícios, e dois dias depois foi batizado na Igreja de São João Batista, recebendo o nome do avô: Pedro. Seus pais, Ubaldo e Marzia Fioretti, eram de condição humilde, porém muito respeitados por sua conduta digna e piedosa. Sendo Pedro ainda muito criança, o pai veio falecer, mas não sem antes confiar ao seu irmão Francisco a formação do pequeno. Marzia, por seu lado, empenhava-se em dar-lhe esmerada educação religiosa e moral. Quando contava cinco anos de idade, ela o levou em peregrinação ao Santuário de Santa Maria della Quercia, a fim de consagrá-lo a Nossa Senhora. Lá chegando, ambos se ajoelharam diante da bela imagem e a mãe disse ao filho: “Estás vendo? Esta é a tua Mãe, e eu agora te entrego a Ela. Procura amá-La sempre de todo o coração e honrá-La como tua Senhora”.2 Tais palavras calaram tão fundo na alma do menino que, até o fim da vida, jamais deixou de dirigir-se à Virgem Santíssima sem chamá-la de “Mãe e Senhora”. Melhor um santo magro, que um pecador forte Desde a mais terna infância, comenta um de seus biógrafos, Pedro manifestou ter um temperamento extremamente dócil e agradável, acompanhado por uma alegria contagiante, qualidades estas que “demonstravam as mais vantajosas predisposições para avançar nas vias da virtude e pressagiavam sua futura santidade”. Com um pouco mais de idade, adquiriu o costume de fazer sacrifícios e penitências. Jejuava a pão e água nos sábados e nas vigílias das festas de Nossa Senhora – e assim continuou a fazer quando adulto -, mesmo se estava doente. Vendo a criança sempre franzina e com a saúde debilitada, o tio Francisco dizia com rude franqueza a Marzia que ela servia “para criar frangos, e não filhos, pois Pedro não crescia porque não comia”.4 A boa mãe, entretanto, nada contestava, pois conhecia bem as causas da fraqueza do menino… Preocupado, o tio passou a vigiar pessoalmente a alimentação de Pedro. E logo descobriu que o problema estava no espírito de sacrifício do jovenzinho, e não na falta de alimentos. Desculpou-se, então, junto à cunhada, dizendo-lhe: “Deixa-o fazer o que quer, afinal é melhor ter em casa um magro santo, que um pecador forte”. Aos dez anos, já ajudava como coroinha nas Santas Missas e demais tarefas de sacristão. Nessa época foi estudar gramática com os padres jesuítas e trabalhava como sapateiro junto com seu tio Francisco, ofício que exerceu até os 25 anos. Com o dinheiro obtido costumava comprar no mercado da cidade as melhores e mais belas flores para depositá-las aos pés de sua “Mãe e Senhora”. “Por que choras, minha mãe?” Em 1693 uma terrível seca assolou grande parte da Itália. Os habitantes de Viterbo fizeram uma procissão penitencial para implorar a Deus misericórdia e o jovem sapateiro fez questão dela participar. No trajeto, tomou contato com alguns frades de hábito marrom, que caminhavam e rezavam com modéstia e compenetração angélica. Eram filhos de São Francisco de Assis, e seu virtuoso aspecto despertou na alma do rapaz o desejo de seguir a vida religiosa. Seguro de haver encontrado sua vocação, pediu ao padre provincial para ser aceito numa das comunidades da ordem. Depois de examiná-lo bem, o superior entregou-lhe uma carta de admissão e encaminhou-o ao noviciado de Palanzana. Pedro a mostrava aos conhecidos e familiares, dizendo: “Adeus pátria, adeus parentes, adeus amigos, adeus a todos. Agora já sou filho do Seráfico Patriarca e meu lugar é entre os irmãos leigos capuchinhos”.6 Tal era sua alegria que ninguém ousava dissuadi-lo de ser religioso. Sem embargo, sugeriam-lhe, em vão, ingressar em outra ordem menos austera, na qual pudesse seguir a via sacerdotal. Vendo sua mãe chorar, angustiada por sua partida, disse-lhe com muito respeito: “Por que choras, minha mãe? Não me consagraste a Deus e à Santíssima Virgem quando eu tinha apenas cinco anos? Como agora queres reter contigo aquilo que doastes? A doação foi feita de livre e espontânea vontade, e com minha anuência. Portanto, é preciso cumpri-la e resignar-se”. Um jovem franzino na austera vida capuchinha Cheio de alegria juntou seus pertences e partiu para o noviciado, em companhia de outros quatro jovens aparentados com ele. No caminho, o demônio tentou atrapalhá-lo de diversos modos. Em determinado ponto do percurso, surgiu um feroz mastim avançando certeiro em sua direção. Sem vacilar, ele recorreu ao auxílio da Santíssima Virgem e o animal estancou como impedido por uma mão potente, e embrenhou-se numa vinha, desaparecendo dos seus olhares. No dia 4 de julho daquele ano de 1693, chegaram ao convento de Palanzana. O mestre de noviços, vendo a mirrada compleição física de Pedro, concluiu que não estava em condições de suportar as austeridades da regra capuchinha, e decidiu rejeitá-lo. Pedro lançou-se a seus pés e suplicou que o recebesse. Afinal, depois de passar por diversas provas, o jovem conseguiu ser admitido. Na festa de Santa Maria Madalena, 22 de julho, revestiu-se do hábito de São Francisco e, conforme o costume das ordens religiosas, adotou um novo nome: frei Crispim, em homenagem ao mártir São Crispim, padroeiro dos sapateiros. Sua primeira ocupação foi cuidar da horta do convento, junto com outros irmãos leigos. Aceitando a incumbência com prontidão, trabalhava durante quatro ou cinco horas debaixo do Sol, com maior empenho e força que os demais, apesar de sua frágil compleição física. Para todos era edificante vê-lo executar suas tarefas, por mais árduas que fossem, não só sem reclamar, senão até com alegria. “Frei Andorinha do Senhor” Vendo-o mais maduro na vocação, o mestre de noviços deu-lhe novo encargo: acompanhar o irmão esmoler. No exercício da função, frei Crispim deu mostras de virtudes incomuns e de notável espírito evangelizador. Em pouco tempo, o jovem religioso ficou conhecido pelas redondezas. Muitas pessoas acorriam a ele para entregar suas doações, pedindo em troca outra “esmola” ainda mais valiosa: a de suas palavras e orações. A cada um ele respondia com uma inocência ímpar; por vezes, dizia ao interessado para voltar daí a pouco, pois precisava antes conversar com sua “Mãe e Senhora”.Antes de sair do convento, cantava o hino Ave Maris Stella e partia de rosário em punho. No caminho, catequizava a quem encontrava, obtendo de muitas pessoas uma verdadeira mudança de vida. A confiança por ele despertada nos seus interlocutores era tal, que muitos saíam de sua presença com a certeza de já terem alcançado a graça almejada. Tanto que a piedade dos que eram beneficiados levava-os a cortarem pedaços de seu manto para guardá-los como relíquia. Certa vez um irmão professo, de grande bondade e simplicidade, notou num recanto do convento um ninho de andorinhas e observou, admirado, com quanta alegria o casal se esforçava para alimentar seus filhotes. Associando aquela imagem à alegria com a qual frei Crispim se fatigava para suprir as necessidades dos seus irmãos de hábito, apelidou-o de “frei Andorinha do Senhor”. Provações e trabalhos durante o noviciado Em meio às suas obrigações, nosso Santo não abandonava as penitências corporais e as mortificações, nas quais encontrava força sobrenatural para superar as insuficiências da humana natureza. Ora, como sói acontecer, o demônio aproveitou-se disso para tentá-lo a perder o ânimo. Instilou-lhe o inimigo infernal pensamentos de que ele se penitenciava por amor-próprio e para não ser expulso da ordem e, portanto, não era o amor a Deus que o movia, mas o egoísmo. Tão grandes foram as provas que, apesar de nunca cair em má tristeza, sua fisionomia mudou: refletia a preocupação por pensar estar desagradando a Nosso Senhor e sua Santíssima Mãe. Percebendo a trama diabólica, o mestre de noviços e seu confessor deram-lhe ordem formal, em nome da santa obediência, de recusar imediatamente tais escrúpulos provenientes do demônio. Frei Crispim obedeceu e logo recuperou a paz de alma, recobrando a serenidade de seu semblante. Todos os noviços o tinham como modelo de perfeição religiosa e de caridade fraterna. A tal ponto que o próprio mestre de noviços dizia a seus subalternos: “Fazei como frei Crispim”. Em uma ocasião, um frade foi acometido de tuberculose. Temendo o contágio dos demais irmãos, decidiram os superiores mantê-lo separado da comunidade. Necessário era designar-lhe um bom enfermeiro. Conhecedores da caridade e presteza de frei Crispim, confiaram-lhe tal responsabilidade. O jovem dedicou-se com tanto amor e cuidado ao irmão doente, que arrancou deste a seguinte exclamação: “Este frei Crispim não é um noviço, mas sim um Anjo!”. Desempenhando os mais humildes ofícios Tendo feito sua profissão perpétua, frei Crispim foi designado como cozinheiro do convento de Tolfa e para lá se dirigiu. Com sua chegada, mudou radicalmente o ambiente da cozinha. Erigiu ali um pequeno altar com uma imagem da Santíssima Virgem, à qual dirigia contínuas orações, e aplicou às coisas práticas a máxima de São Bernardo: a pobreza nunca deve excluir a limpeza. Todos os que entravam naquelas dependências ficavam edificados com a ordem e boa disposição que reinavam numa parte tão prosaica do convento. Vários foram os outros conventos pelos quais o Santo passou nos seus cinquenta anos de vida religiosa: Monterotondo, Roma, Albano e Orvieto. Em cada um desempenhou os ofícios mais simples, com humildade e despretensão singulares. Qualquer que fosse a função recebida, a alegria e o espírito sobrenatural nunca o abandonavam. E não poucos foram os milagres operados por ele ainda em vida, como a cura de diversos doentes durante uma epidemia que grassou pela Itália, apenas tocando-os ou traçando sobre eles o sinal da Cruz com sua medalha de Nossa Senhora. Prelados, nobres e sábios iam à sua procura para suplicar-lhe acura da peste ou tão só para sentir o bom odor da santidade exalado por sua pessoa. O Cardeal de Tremoglie, Ministro da França, foi curado de grave doença ao comer um funghi especial que o Santo lhe dera, depois de apresentá-lo a Maria Santíssima com este fim. Até o próprio Papa Clemente XI deleitava-se em conversar com ele e o ia buscar em Albano, quando ali residia. A paz e alegria da boa consciência Em 1750, mesmo estando com a saúde muito debilitada e já acamado, sua habitual alegria não o abandonou. Havia regressado ao convento de Roma e não querendo atrapalhar a celebração da memória de São Félix de Cantalice, um capuchinho de sua devoção canonizado havia poucas décadas, frei Crispim declarou ao enfermeiro que só morreria depois dos dois dias dedicados à sua memória na época: 17 e 18 de maio. E, efetivamente, assim aconteceu: o Senhor o levou no dia 19, aos 82 anos. Uma verdadeira multidão acorreu aos seus funerais. Todos imploravam graças ou procuravam obter alguma relíquia. Os milagres não tardaram em multiplicar-se. No coração de muitos de seus devotos, decerto, ressoava uma frase que ele repetia, quando lhe pediam para definir a santidade: “Quem ama a Deus com pureza de coração, vive feliz e morre contente”. Esta frase bem resume toda a sua vida! De fato, só aquele que cumpre a própria missão é capaz de ter genuína alegria, pois está em paz com Deus. Leva na alma, ensina Mons. João Scognamiglio Clá Dias, “a paz verdadeira, a da boa consciência de quem pratica a virtude e dá as costas ao pecado”. (Revista Arautos do Evangelho, Maio/2016, n. 173, pp. 30 a 33)
- Santo Ivo, padroeiro dos Advogados e Juristas – 19 de Maio
SANTO DO DIA – 19 DE MAIO – SANTO IVO | Advogado, Juíz e Sacerdote (1253 – 1303) – Patrono dos Advogados Santo Ivo nasceu em 17 de outubro de 1253, em Tréguier, Bretanha, e faleceu a 19 de maio de 1303, na mesma localidade. Filho e neto de nobres, foi sagrado cavaleiro aos 14 anos. Desenvolveu seus estudos com os maiores mestres de Teologia e Direito Canônico. Foi aluno de Santo Tomás de Aquino e São Boaventura. Bacharelou-se também em Direito Civil. Depois de iniciar profundos estudos das Escrituras, velho e novo testamento, e começar uma batalha íntima que durou oito anos, tornou-se franciscano. Doou aos pobres seus objetos pessoais de valor e adotou inteira e totalmente a vida ascética e fraterna franciscana. Transformou o solar que recebera dos pais em hospital, asilo para velhos e crianças abandonadas. Lá estabeleceu também seu escritório para atender os pobres e desamparados. Não houve advogado de mais renome nem pessoa mais estimada em toda a Bretanha. Por sua caridade, ganhou o título de advogado e protetor dos pobres. Santo Ivo é considerado também patrono de todos os estudantes de Direito, defensores públicos, funcionários da Justiça, profissionais que se relacionam com a Justiça, procuradores, Ives, Ivos, Ivones e Ivans. As defesas Ficaram famosas as suas defesas, muitas pelo ineditismo, inteligência e habilidade. Um homem rico e poderoso teria acusado um vizinho pobre e humilde de beneficiar-se dos bons odores de sua quente, cheirosa e apetitosa cozinha. Segundo o acusador, seu vizinho, ficando à frente da janela e aspirando o “perfume” embriagador dos acepipes, o prejudicava. Durante o julgamento, dada a palavra ao Doutor Ivo, este tira da bolsa várias moedas de ouro e de prata, reúne-as na concha da mão, mostra-as a todos os presentes, especialmente ao queixoso e ao julgador, em seguida agita-as com força ao redor e por todo o ambiente, demorando-se mais junto aos ouvidos daquele e deste e diz: “Este homem aspirou o odor de seus alimentos! Pois paga com o tinido destas moedas! O som puro paga o bom odor!” Conheça mais sobre Santo Ivo : Infância Nasceu em 17 de outubro de 1253, perto de Treguier, na baixa Bretanha, França. Seu nome, Yves Hélory, (Helori ou Heloury) era filho do lorde Helory de Kermartin e Azo Du Kenquis. Era de família da pequena nobreza, com educação apurada e cristã. Quando termina os primeiros estudos é enviado em 1267 com 14 anos de idade à Universidade de París, onde estudou teologia, tendo a oportunidade de ser aluno do grande e famoso Santo Tomás de Aquino. Juventude e estudos Participou com São Boaventura de várias conferências aprendendo o espírito franciscano, depois foi para Orléans em 1277, onde se especializou em Direito Civil e Direito Canônico, voltando posteriormente para a Bretanha. A profissão de Advogado Foi conselheiro jurídico e juiz eclesiástico, trabalhando como juiz episcopal em 1280, na arquidiocese de Rennes, cidade capital de Ducado da Bretanha por quatro anos, depois volta para Tréguier. Julgava todo tipo de litígio, contratos, heranças, casos matrimoniais, menos os processos criminais. Sacerdote e advogado Em 1284, foi ordenado Sacerdote a convite de seu Bispo, continuando a trabalhar como advogado e juiz, multiplicando suas atividades, pois naquele tempo ainda era permitido varias atividades para o sacerdote, e muitas pessoas se recorriam a ele. Obteve o título de “Advogado dos Pobres” por sua intransigente defesa dos menos favorecidos, construindo até um hospital onde ajudava a cuidar dos doentes pessoalmente, pois era um Frade Franciscano. Vida de oração Gostava de passar a noite em vigília alimentando-se apenas de pão e água. Essas noites ele passava em estudo e orações, mas também saía à procura dos mais necessitados para pregar, orientar, ajudar com seu dinheiro os mais pobres. Com isso, Ivo conseguia o respeito e a admiração de todos. Falecimento Santo Ivo de Kemartin (como também era conhecido), morreu aos 50 anos de causas naturais em 19 de maio de 1303. Está sepultado na Catedral de Tréguier, onde é objeto de devoção dos fiéis até os dias de hoje. Canonização No ano de 1347 a pedido de Bispos e autoridades civis, após processo de investigação conduzido pelo Vaticano, o Papa Clemente VI, com a solene Bula de 19 de maio, assinada em Avignon, proclama Ivo inscrito no catálogo dos Santos e confessores, sendo venerado como Santo da Igreja Católica. Sua festa é , anualmente no dia 19 de maio. Representação A igreja de Sant’Ivo Allá Sapienza em Roma (Itália) é dedicada a Santo Ivo. Sua imagem é representada com uma bolsa na mão direita por todo o dinheiro que ofertou aos pobres, e um papel enrolado na outra, por causa de seu oficio de advogado e magistrado. Outra representação do Santo é entre um homem rico e um pobre. Legado para a humanidade A criação da Instituição dos Advogados dos Pobres, como a Defensoria Pública dos dias atuais, foi inspiração de Santo Ivo, que sempre defendeu as causas dos pobres, viúvas e menos favorecidos. Por isso, em vários países, na data de seu falecimento comemora-se o dia da Defensoria Pública. A Constituição brasileira em seu artigo 134 e parágrafo único foi uma das pioneiras a instituir no mundo a Defensoria Pública, realizando, de certa forma, o sonho de Santo Ivo. Devoção No Brasil existe uma relíquia de Santo Ivo, doada pelo Bispo de Saint-Brieuc em Tréguier, para o Bispo de Santa Maria no Rio Grande do Sul. Ela está na capela em honra ao Santo, na cripta do Santuário da Medianeira de todas as Graças, com o altar inaugurado em 19 de maio de 1986, local de peregrinação de muitos fiéis e de muitos advogados do Brasil. Ele é o Patrono dos advogados, dedicando toda a sua vida à defesa dos pobres e fracos contra os poderosos, conquistando o respeito de todos. Umas de suas grandes frases era: “Jura-me que sua causa é justa e eu a defenderei gratuitamente.” Oração a Santo Ivo: Glorioso Santo Ivo, lírio da pureza, apóstolo da caridade e defensor intrépido da justiça. Vós que, vendo nas leis humanas um reflexo da lei eterna, soubestes conjugar maravilhosamente os postulados da justiça e o imperativo do amor cristão, assisti, iluminai, fortalecei a classe jurídica, os nossos juízes e advogados, os cultores e intérpretes do direito, para que nos seus ensinamentos e decisões, jamais se afastem da equidade e da retidão. Amem eles a justiça, para que consolidem a paz; exerçam a caridade, para que reine a concórdia; defendam e amparem os fracos e desprotegidos, para que, posposto todo interesse subalterno e toda afeição de pessoas, façam triunfar a sabedoria da lei sobre as forças da injustiça e do mal. Olhai também para nós, glorioso Santo Ivo, que desejamos copiar os vossos exemplos e imitar as vossas virtudes. Exercei junto ao trono de Deus vossa missão de advogado e protetor nosso, a fim de que nossas preces sejam favoravelmente despachadas e sintamos os efeitos do vosso poderoso patrocínio. Amém. #SantodoDia
- Santo Ivo, padroeiro dos Advogados e Juristas – 19 de Maio
SANTO DO DIA – 19 DE MAIO – SANTO IVO | Advogado, Juíz e Sacerdote (1253 – 1303) – Patrono dos Advogados Santo Ivo nasceu em 17 de outubro de 1253, em Tréguier, Bretanha, e faleceu a 19 de maio de 1303, na mesma localidade. Filho e neto de nobres, foi sagrado cavaleiro aos 14 anos. Desenvolveu seus estudos com os maiores mestres de Teologia e Direito Canônico. Foi aluno de Santo Tomás de Aquino e São Boaventura. Bacharelou-se também em Direito Civil. Depois de iniciar profundos estudos das Escrituras, velho e novo testamento, e começar uma batalha íntima que durou oito anos, tornou-se franciscano. Doou aos pobres seus objetos pessoais de valor e adotou inteira e totalmente a vida ascética e fraterna franciscana. Transformou o solar que recebera dos pais em hospital, asilo para velhos e crianças abandonadas. Lá estabeleceu também seu escritório para atender os pobres e desamparados. Não houve advogado de mais renome nem pessoa mais estimada em toda a Bretanha. Por sua caridade, ganhou o título de advogado e protetor dos pobres. Santo Ivo é considerado também patrono de todos os estudantes de Direito, defensores públicos, funcionários da Justiça, profissionais que se relacionam com a Justiça, procuradores, Ives, Ivos, Ivones e Ivans. As defesas Ficaram famosas as suas defesas, muitas pelo ineditismo, inteligência e habilidade. Um homem rico e poderoso teria acusado um vizinho pobre e humilde de beneficiar-se dos bons odores de sua quente, cheirosa e apetitosa cozinha. Segundo o acusador, seu vizinho, ficando à frente da janela e aspirando o “perfume” embriagador dos acepipes, o prejudicava. Durante o julgamento, dada a palavra ao Doutor Ivo, este tira da bolsa várias moedas de ouro e de prata, reúne-as na concha da mão, mostra-as a todos os presentes, especialmente ao queixoso e ao julgador, em seguida agita-as com força ao redor e por todo o ambiente, demorando-se mais junto aos ouvidos daquele e deste e diz: “Este homem aspirou o odor de seus alimentos! Pois paga com o tinido destas moedas! O som puro paga o bom odor!” Conheça mais sobre Santo Ivo : Infância Nasceu em 17 de outubro de 1253, perto de Treguier, na baixa Bretanha, França. Seu nome, Yves Hélory, (Helori ou Heloury) era filho do lorde Helory de Kermartin e Azo Du Kenquis. Era de família da pequena nobreza, com educação apurada e cristã. Quando termina os primeiros estudos é enviado em 1267 com 14 anos de idade à Universidade de París, onde estudou teologia, tendo a oportunidade de ser aluno do grande e famoso Santo Tomás de Aquino. Juventude e estudos Participou com São Boaventura de várias conferências aprendendo o espírito franciscano, depois foi para Orléans em 1277, onde se especializou em Direito Civil e Direito Canônico, voltando posteriormente para a Bretanha. A profissão de Advogado Foi conselheiro jurídico e juiz eclesiástico, trabalhando como juiz episcopal em 1280, na arquidiocese de Rennes, cidade capital de Ducado da Bretanha por quatro anos, depois volta para Tréguier. Julgava todo tipo de litígio, contratos, heranças, casos matrimoniais, menos os processos criminais. Sacerdote e advogado Em 1284, foi ordenado Sacerdote a convite de seu Bispo, continuando a trabalhar como advogado e juiz, multiplicando suas atividades, pois naquele tempo ainda era permitido varias atividades para o sacerdote, e muitas pessoas se recorriam a ele. Obteve o título de “Advogado dos Pobres” por sua intransigente defesa dos menos favorecidos, construindo até um hospital onde ajudava a cuidar dos doentes pessoalmente, pois era um Frade Franciscano. Vida de oração Gostava de passar a noite em vigília alimentando-se apenas de pão e água. Essas noites ele passava em estudo e orações, mas também saía à procura dos mais necessitados para pregar, orientar, ajudar com seu dinheiro os mais pobres. Com isso, Ivo conseguia o respeito e a admiração de todos. Falecimento Santo Ivo de Kemartin (como também era conhecido), morreu aos 50 anos de causas naturais em 19 de maio de 1303. Está sepultado na Catedral de Tréguier, onde é objeto de devoção dos fiéis até os dias de hoje. Canonização No ano de 1347 a pedido de Bispos e autoridades civis, após processo de investigação conduzido pelo Vaticano, o Papa Clemente VI, com a solene Bula de 19 de maio, assinada em Avignon, proclama Ivo inscrito no catálogo dos Santos e confessores, sendo venerado como Santo da Igreja Católica. Sua festa é , anualmente no dia 19 de maio. Representação A igreja de Sant’Ivo Allá Sapienza em Roma (Itália) é dedicada a Santo Ivo. Sua imagem é representada com uma bolsa na mão direita por todo o dinheiro que ofertou aos pobres, e um papel enrolado na outra, por causa de seu oficio de advogado e magistrado. Outra representação do Santo é entre um homem rico e um pobre. Legado para a humanidade A criação da Instituição dos Advogados dos Pobres, como a Defensoria Pública dos dias atuais, foi inspiração de Santo Ivo, que sempre defendeu as causas dos pobres, viúvas e menos favorecidos. Por isso, em vários países, na data de seu falecimento comemora-se o dia da Defensoria Pública. A Constituição brasileira em seu artigo 134 e parágrafo único foi uma das pioneiras a instituir no mundo a Defensoria Pública, realizando, de certa forma, o sonho de Santo Ivo. Devoção No Brasil existe uma relíquia de Santo Ivo, doada pelo Bispo de Saint-Brieuc em Tréguier, para o Bispo de Santa Maria no Rio Grande do Sul. Ela está na capela em honra ao Santo, na cripta do Santuário da Medianeira de todas as Graças, com o altar inaugurado em 19 de maio de 1986, local de peregrinação de muitos fiéis e de muitos advogados do Brasil. Ele é o Patrono dos advogados, dedicando toda a sua vida à defesa dos pobres e fracos contra os poderosos, conquistando o respeito de todos. Umas de suas grandes frases era: “Jura-me que sua causa é justa e eu a defenderei gratuitamente.” Oração a Santo Ivo: Glorioso Santo Ivo, lírio da pureza, apóstolo da caridade e defensor intrépido da justiça. Vós que, vendo nas leis humanas um reflexo da lei eterna, soubestes conjugar maravilhosamente os postulados da justiça e o imperativo do amor cristão, assisti, iluminai, fortalecei a classe jurídica, os nossos juízes e advogados, os cultores e intérpretes do direito, para que nos seus ensinamentos e decisões, jamais se afastem da equidade e da retidão. Amem eles a justiça, para que consolidem a paz; exerçam a caridade, para que reine a concórdia; defendam e amparem os fracos e desprotegidos, para que, posposto todo interesse subalterno e toda afeição de pessoas, façam triunfar a sabedoria da lei sobre as forças da injustiça e do mal. Olhai também para nós, glorioso Santo Ivo, que desejamos copiar os vossos exemplos e imitar as vossas virtudes. Exercei junto ao trono de Deus vossa missão de advogado e protetor nosso, a fim de que nossas preces sejam favoravelmente despachadas e sintamos os efeitos do vosso poderoso patrocínio. Amém. #SantodoDia
- O Vigário de Cristo – Um mês com Maria | 19° dia
O VIGÁRIO DE CRISTO O primeiro filho de Maria, depois de Jesus, é o Papa. Ninguém pode tirar ao Vigário de Cristo este primeiro lugar no Coração de Maria. Se nós quisermos amar muito o Papa, devemos pedir esta Graça a Maria, porque quem o pode amar como Ela? Papa é nossa rocha, uma rocha evangélica, divina, criada pela palavra Viva de Jesus, Verbo Encarnado: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”, (cf. Mt 16,18). Justamente S. Francisco de Sales dizia que Jesus, a Igreja e o Papa são um só. É impossível dividi-los. Eles são a pedra angular (cf. Lc 20,17) da humanidade, do mundo, do universo a salvar. Por isso existe tanta superficialidade nas palavras de quem diz que aceita Jesus Cristo e a Igreja, mas não o Papa. Quando Napoleão prendeu o Papa Pio VII para decidir algumas questões sobre a Igreja, reuniu ele mesmo em Paris, muitos Bispos – o da França e da Itália – e queria que deliberassem sobre os pontos em questão. Mas os Bispos ficaram em absoluto silêncio. Napoleão insistiu e fez fortes pressões. Nada. Então começou a perder a paciência e a ameaçar. A esta altura, o mais ancião dos Bispos levantou-se e disse calmamente: “Senhor, esperamos pelo Papa. A Igreja sem o Papa não é Igreja”. Não se pode enganar O Papa é o único mestre sobre a Terra que nunca se pode enganar no ensinamento da fé e da moral. “A fé romana é inacessível ao erro”. (S. Jerônimo) E é por isso que S. Cipriano podia afirmar: “A Igreja de Roma é raiz e mãe de todas as Igrejas”. Somente quem está unido ao Papa está certo de estar na verdade infalível daquilo que se deve crer e fazer para se salvar. É o próprio Jesus que quer a infalibilidade de S. Pedro: “Rezei para que não te falte a fé” (Lc 22,32). É Jesus mesmo que o quer como nosso guia infalível: “Confirma os teus irmãos” (idem). Por isto o Papa é o único mestre universal e que nunca perderá a fé. Aliás, é o único que pode confirmar a fé dos cristãos, garantindo-a infalivelmente de todo erro doutrinal e moral. Neste sentido, sobre a Terra, o Papa é o Supremo Teólogo, Biblista, Moralista. Somente a sua palavra de mestre universal é garantida divinamente por Jesus, “Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14,6). Por isto S. Tomás de Aquino, chamado “mestre do mundo”, estava pronto em renunciar a qualquer pensamento dos Grandes Santos Padres em frente ao pensamento do Papa. O fracasso do Inferno Contra o Papado fracassaram não só todos os homens que quiserem lutar, mas todo o Inferno. É sempre Jesus a garanti-lo: “As portas do Inferno nunca prevalecerão” (Mt 16,18). E não só os inimigos não prevalecerão, mas se destruirão sobre esta pedra angular, rocha contra a qual bate pedra e ruína. “De fato, contra ela irão lutar aqueles que não quiserem acreditar no Evangelho” (I Pd 2,7-8). Contra ela foi bater Lutero, o impenitente heresiarca, que ofendia e maldizia o Papa: “Oh, Papa! eu serei a tua morte! Sim, eu, Papa Lutero I! Por mandamento de Nosso Senhor Jesus Cristo e do Altíssimo Pai, te mando ao Inferno!” Pobre e infeliz Lutero. Contra o Papa se atirou também o terrível Napoleão. O Papa lhe disse: “O Deus de outros tempos ainda vive. Ele sempre destruiu os perseguidores da Igreja”. Na Ilha de S. Helena, Napoleão lembrava estas palavras e dizia a um amigo: “Ah, Porque não posso gritar daqui àqueles que têm qualquer poder sobre a Terra: respeitai o representante de Jesus Cristo. Não tocai no Papa, senão sereis destruídos pela mão vingadora de Deus. Melhor, protegei a Cátedra de S. Pedro.” Os falsos mestres Escrevendo a Timóteo, S. Paulo ensinava esta importante verdade: “quando não mais se suportar a doutrina sã, procuramos uma multidão de mestres que consentem de secundar as próprias paixões e que falem de fantasias ao invés de verdades” (II Tm 4,3-4). Basta ler certos livros de teólogos considerados grandes e célebres para dar razão e S. Paulo de olhos fechados. E estes teólogos são “uma multidão” e preparam um mercado enorme de livros e revistas que são como comida podre, avariado ou suspeita. Pobres os incautos que os compram! Estes teólogos são os falsos mestres de quem falam os terríveis S. Pedro e S. Paulo (II Pd 2, 2-11, I Tm , 3-7; 4, 1-11,; 6, 3-; II Tm 3,1-7; 4,1-5). Estes falsos mestres são chamados pelo Papa Paulo VI “teólogos de quarto” ou “auto-teólogos” e deles diz ainda: “é necessário desconfiar, porque fazem naufrágio da fé” (cf I Tm 1,19). Rezar pelo Papa A pequena Jacinta, antes da morte, teve uma visão na qual se via o Papa em meio a gravíssimos sofrimentos. A pequena vidente recomendou com todas as suas forças, da parte de Maria, de rezar pelo Papa, de sofrer com ele e por ele, do dever de pastorear o rebanho universal (cf. Jo 21, 15-17). Sabe-se que sempre existiram almas generosas que ofereceram e dedicaram a vida pelo Papa. S. Vicente Strambi, confessor do Papa Leão XII, ofereceu-se como vítima para fazer viver longamente o Papa. E assim foi: O Papa viveu por outros cincos anos, e o Santo morreu cinco dias após sua oferta. Guido Negri, corajoso soldado, morreu acertado na fronte depois de ter oferecido sua vida pelo Papa. Nós todos podemos demonstrar ao Papa o nosso filial apego, como o demonstra S. Maximiliano Maria Kolbe, que considerava cada vez uma entusiasmante Graça pode ver o Papa, avizinhar-se, beijar- lhe a mão, como o demonstrava Pe. Pio, que queria ter sempre a foto do Papa ao lado daquela de Maria. E pouco antes de morrer, escreveu uma carta ao Papa para renovar-lhe a sua total dedicação. Votos Oferecer o dia pelo Papa; Dizer um Rosário pelo Papa; Fazer uma mortificação pelo Papa. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- O Vigário de Cristo – Um mês com Maria | 19° dia
O VIGÁRIO DE CRISTO O primeiro filho de Maria, depois de Jesus, é o Papa. Ninguém pode tirar ao Vigário de Cristo este primeiro lugar no Coração de Maria. Se nós quisermos amar muito o Papa, devemos pedir esta Graça a Maria, porque quem o pode amar como Ela? Papa é nossa rocha, uma rocha evangélica, divina, criada pela palavra Viva de Jesus, Verbo Encarnado: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”, (cf. Mt 16,18). Justamente S. Francisco de Sales dizia que Jesus, a Igreja e o Papa são um só. É impossível dividi-los. Eles são a pedra angular (cf. Lc 20,17) da humanidade, do mundo, do universo a salvar. Por isso existe tanta superficialidade nas palavras de quem diz que aceita Jesus Cristo e a Igreja, mas não o Papa. Quando Napoleão prendeu o Papa Pio VII para decidir algumas questões sobre a Igreja, reuniu ele mesmo em Paris, muitos Bispos – o da França e da Itália – e queria que deliberassem sobre os pontos em questão. Mas os Bispos ficaram em absoluto silêncio. Napoleão insistiu e fez fortes pressões. Nada. Então começou a perder a paciência e a ameaçar. A esta altura, o mais ancião dos Bispos levantou-se e disse calmamente: “Senhor, esperamos pelo Papa. A Igreja sem o Papa não é Igreja”. Não se pode enganar O Papa é o único mestre sobre a Terra que nunca se pode enganar no ensinamento da fé e da moral. “A fé romana é inacessível ao erro”. (S. Jerônimo) E é por isso que S. Cipriano podia afirmar: “A Igreja de Roma é raiz e mãe de todas as Igrejas”. Somente quem está unido ao Papa está certo de estar na verdade infalível daquilo que se deve crer e fazer para se salvar. É o próprio Jesus que quer a infalibilidade de S. Pedro: “Rezei para que não te falte a fé” (Lc 22,32). É Jesus mesmo que o quer como nosso guia infalível: “Confirma os teus irmãos” (idem). Por isto o Papa é o único mestre universal e que nunca perderá a fé. Aliás, é o único que pode confirmar a fé dos cristãos, garantindo-a infalivelmente de todo erro doutrinal e moral. Neste sentido, sobre a Terra, o Papa é o Supremo Teólogo, Biblista, Moralista. Somente a sua palavra de mestre universal é garantida divinamente por Jesus, “Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14,6). Por isto S. Tomás de Aquino, chamado “mestre do mundo”, estava pronto em renunciar a qualquer pensamento dos Grandes Santos Padres em frente ao pensamento do Papa. O fracasso do Inferno Contra o Papado fracassaram não só todos os homens que quiserem lutar, mas todo o Inferno. É sempre Jesus a garanti-lo: “As portas do Inferno nunca prevalecerão” (Mt 16,18). E não só os inimigos não prevalecerão, mas se destruirão sobre esta pedra angular, rocha contra a qual bate pedra e ruína. “De fato, contra ela irão lutar aqueles que não quiserem acreditar no Evangelho” (I Pd 2,7-8). Contra ela foi bater Lutero, o impenitente heresiarca, que ofendia e maldizia o Papa: “Oh, Papa! eu serei a tua morte! Sim, eu, Papa Lutero I! Por mandamento de Nosso Senhor Jesus Cristo e do Altíssimo Pai, te mando ao Inferno!” Pobre e infeliz Lutero. Contra o Papa se atirou também o terrível Napoleão. O Papa lhe disse: “O Deus de outros tempos ainda vive. Ele sempre destruiu os perseguidores da Igreja”. Na Ilha de S. Helena, Napoleão lembrava estas palavras e dizia a um amigo: “Ah, Porque não posso gritar daqui àqueles que têm qualquer poder sobre a Terra: respeitai o representante de Jesus Cristo. Não tocai no Papa, senão sereis destruídos pela mão vingadora de Deus. Melhor, protegei a Cátedra de S. Pedro.” Os falsos mestres Escrevendo a Timóteo, S. Paulo ensinava esta importante verdade: “quando não mais se suportar a doutrina sã, procuramos uma multidão de mestres que consentem de secundar as próprias paixões e que falem de fantasias ao invés de verdades” (II Tm 4,3-4). Basta ler certos livros de teólogos considerados grandes e célebres para dar razão e S. Paulo de olhos fechados. E estes teólogos são “uma multidão” e preparam um mercado enorme de livros e revistas que são como comida podre, avariado ou suspeita. Pobres os incautos que os compram! Estes teólogos são os falsos mestres de quem falam os terríveis S. Pedro e S. Paulo (II Pd 2, 2-11, I Tm , 3-7; 4, 1-11,; 6, 3-; II Tm 3,1-7; 4,1-5). Estes falsos mestres são chamados pelo Papa Paulo VI “teólogos de quarto” ou “auto-teólogos” e deles diz ainda: “é necessário desconfiar, porque fazem naufrágio da fé” (cf I Tm 1,19). Rezar pelo Papa A pequena Jacinta, antes da morte, teve uma visão na qual se via o Papa em meio a gravíssimos sofrimentos. A pequena vidente recomendou com todas as suas forças, da parte de Maria, de rezar pelo Papa, de sofrer com ele e por ele, do dever de pastorear o rebanho universal (cf. Jo 21, 15-17). Sabe-se que sempre existiram almas generosas que ofereceram e dedicaram a vida pelo Papa. S. Vicente Strambi, confessor do Papa Leão XII, ofereceu-se como vítima para fazer viver longamente o Papa. E assim foi: O Papa viveu por outros cincos anos, e o Santo morreu cinco dias após sua oferta. Guido Negri, corajoso soldado, morreu acertado na fronte depois de ter oferecido sua vida pelo Papa. Nós todos podemos demonstrar ao Papa o nosso filial apego, como o demonstra S. Maximiliano Maria Kolbe, que considerava cada vez uma entusiasmante Graça pode ver o Papa, avizinhar-se, beijar- lhe a mão, como o demonstrava Pe. Pio, que queria ter sempre a foto do Papa ao lado daquela de Maria. E pouco antes de morrer, escreveu uma carta ao Papa para renovar-lhe a sua total dedicação. Votos Oferecer o dia pelo Papa; Dizer um Rosário pelo Papa; Fazer uma mortificação pelo Papa. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- São Félix de Cantalício, que dedicou a vida aos mais pobres e à Igreja – 18 de maio
SANTO DO DIA – 18 DE MAIO – SÃO FÉLIX DE CANTALÍCIO Religioso capuchinho (1515-1587) Félix Porro nasceu na pequena província agrícola de Cantalício, Rieti, Itália, em 1515. Filho de uma família muito modesta de camponeses, teve de trabalhar desde a tenra idade, não podendo estudar. Na adolescência, transferiu-se para Cittaducale, para trabalhar como pastor e lavrador numa rica propriedade. Alimentava sua vocação à austeridade de vida, solidariedade ao próximo, lendo a vida dos Padres, o Evangelho e praticando a oração contemplativa, associada à penitência constante e à caridade cristã. Aos trinta anos de idade entrou para os capuchinhos. E, em 1545, depois de completar um ano de noviciado, emitiu a profissão dos votos religiosos no pequeno convento de Monte São João. Ele pertenceu à primeira geração dos capuchinhos. Os primeiros anos de vida religiosa passou entre os conventos de Monte São João, Tívoli e Palanzana de Viterbo, para depois, no final de 1547, se transferir, definitivamente, para o convento de São Boaventura, em Roma, sede principal da Ordem, onde viveu mais quarenta anos, sendo chamado de frei Félix de Cantalício. Nesse período, trajando um hábito velho e roto, trazendo sempre nas mãos um rosário e nas costas um grande saco, que fazia pender seu corpo cansado, ele saía, para esmolar ajuda para o convento, pelas ruas da cidade eterna. Todas as pessoas, adultos, velhos ou crianças, pobres ou ricos, o veneravam, tamanha era sua bondade e santidade. A todos e a tudo agradecia sempre com a mesma frase: ‘Deo Gracias’, ou seja, Graças a Deus. Mendigou antes o pão e depois, até à morte, vinho e óleo para os seus frades. Quando já bem velhinho foi abordado por um cardeal que lhe perguntou por que não pedia aos seus superiores um merecido descanso, frei Felix foi categórico na resposta: ‘O soldado morre com as armas na mão e o burro com o peso do fardo. Não permita Deus que eu dê repouso ao meu corpo, que outro fim não tem senão sofrer e trabalhar’. Em vida, foram muitos os prodígios, curas e profecias atribuídos a frei Félix, testemunhados quase só pela população: os frades não julgavam oportuno difundi-los. Mas quando ele morreu, ficaram atônitos com a imensa procissão de fiéis que desejavam se despedir do amado frei, ao qual, juntamente com o papa Xisto V, proclamavam os seus milagres e a sua santidade. Ele vivenciou o seguimento de Jesus descrito nas constituições da Ordem, na simplicidade do seu carisma. Conviveu com muitos frades e religiosos ilustres, sendo amigo pessoal de Felipe Néri, Carlo Borromeo, hoje também santos, e do papa Xisto V, ao qual predisse o seu papado. No dia 18 de maio de 1587, aos setenta e dois anos, depois de oito anos de sofrimentos causados por uma doença nos intestinos, e tendo uma visão da Santíssima Virgem, frei Félix deu seu último suspiro e partiu para os braços do Pai Eterno. O papa Clemente XI o canonizou em 1712. O corpo de são Félix de Cantalício repousa na igreja da Imaculada Conceição, em Roma. Conheça mais sobre São Félix de Cantalício Meu Deus, amo o pequeno Félix, tão piedoso desde a primeira infância, que de então lhe deram o nome de santo. Amo este pequeno pastor, talhando uma cruz na casca de uma árvore e orando em frente dela horas a fio. Recitava primeiramente com fervor a Oração Dominical, a Saudação do Anjo, o Símbolo dos Apóstolos, o Gloria Patri, e outras orações conhecidas. Mas, em breve, Deus lhe concedeu a graça da contemplação, e todos os seus pensamentos se tornavam preces. Moço trabalhador, meditava durante o trabalho: tudo o que via, tudo o que ouvia, despertava nele afeições piedosas. Mas nada o tocava mais ternamente do que a recordação dos sofrimentos de Jesus Cristo. A humildade profunda, ajuntava uma alegria inalterável, da doçura e de caridade para com os outros. Quando alguém o insultava, tinha o costume de responder: Deus queira fazer de vós um santo. Tal era o jovem Félix. Meu Deus, pudesse eu assemelhar-se a esse pequeno pastor! Entretanto, esse pequeno trabalhador acreditava não fazer bastante. Apresentou-se, pelo ano de 1540, a um convento dos capuchinhos, e pediu que o acolhessem na qualidade de irmão converso. O superior deu-lhe o hábito e mostrou-lhe um crucifixo; em seguida, explicou-lhe o que o Salvador sofrera, dizendo-lhe de que maneira um religioso devia imitar esse divino modelo, com uma vida de renúncia e humilhações. Félix comovido até as lágrimas, sentiu-se animado de um ardente desejo de imprimir em si os traços dos sofrimentos de Jesus Cristo, pela mortificação, o velho homem com todos os seus desejos. Durante o noviciado parecia já compenetrado do espírito de sua ordem, que era um espírito de pobreza, de penitência e humildade. Frequentemente, atirava-se aos pés do mestre dos noviços, para pedir-lhe que dobrasse as mortificações, e o tratasse com maior rigor do que aos outros, ao que parecia, mais dóceis do que ele e mais dedicados à virtude. Por esse profundo desprezo de si mesmo, chegou em breve a uma eminente perfeição. Félix estava tão intimamente unido a Deus, que mesmo no mundo, quando ia pedir esmola, nada conseguia distraí-lo. Perguntou-lhe, um dia, um irmão como fazia para permanecer em recolhimento tão perfeito, recebendo a seguinte resposta: Todas as criaturas servem para elevar-nos a Deus, quando as olhamos sob esse prisma. Retenhamos a palavra de um santo, e ponhamo-la santamente em prática. Se a vista das criaturas nos afasta de Deus, é porque ainda não as olhamos sob o prisma bom, com os olhos da fé, mas com os olhos da carne, Purifiquemos bem nossas intenções e afetos, e habituemo-nos, como os santos, a ver todas as coisas em Deus, e Deus em todas as coisas.
- São Félix de Cantalício, que dedicou a vida aos mais pobres e à Igreja – 18 de maio
SANTO DO DIA – 18 DE MAIO – SÃO FÉLIX DE CANTALÍCIO Religioso capuchinho (1515-1587) Félix Porro nasceu na pequena província agrícola de Cantalício, Rieti, Itália, em 1515. Filho de uma família muito modesta de camponeses, teve de trabalhar desde a tenra idade, não podendo estudar. Na adolescência, transferiu-se para Cittaducale, para trabalhar como pastor e lavrador numa rica propriedade. Alimentava sua vocação à austeridade de vida, solidariedade ao próximo, lendo a vida dos Padres, o Evangelho e praticando a oração contemplativa, associada à penitência constante e à caridade cristã. Aos trinta anos de idade entrou para os capuchinhos. E, em 1545, depois de completar um ano de noviciado, emitiu a profissão dos votos religiosos no pequeno convento de Monte São João. Ele pertenceu à primeira geração dos capuchinhos. Os primeiros anos de vida religiosa passou entre os conventos de Monte São João, Tívoli e Palanzana de Viterbo, para depois, no final de 1547, se transferir, definitivamente, para o convento de São Boaventura, em Roma, sede principal da Ordem, onde viveu mais quarenta anos, sendo chamado de frei Félix de Cantalício. Nesse período, trajando um hábito velho e roto, trazendo sempre nas mãos um rosário e nas costas um grande saco, que fazia pender seu corpo cansado, ele saía, para esmolar ajuda para o convento, pelas ruas da cidade eterna. Todas as pessoas, adultos, velhos ou crianças, pobres ou ricos, o veneravam, tamanha era sua bondade e santidade. A todos e a tudo agradecia sempre com a mesma frase: ‘Deo Gracias’, ou seja, Graças a Deus. Mendigou antes o pão e depois, até à morte, vinho e óleo para os seus frades. Quando já bem velhinho foi abordado por um cardeal que lhe perguntou por que não pedia aos seus superiores um merecido descanso, frei Felix foi categórico na resposta: ‘O soldado morre com as armas na mão e o burro com o peso do fardo. Não permita Deus que eu dê repouso ao meu corpo, que outro fim não tem senão sofrer e trabalhar’. Em vida, foram muitos os prodígios, curas e profecias atribuídos a frei Félix, testemunhados quase só pela população: os frades não julgavam oportuno difundi-los. Mas quando ele morreu, ficaram atônitos com a imensa procissão de fiéis que desejavam se despedir do amado frei, ao qual, juntamente com o papa Xisto V, proclamavam os seus milagres e a sua santidade. Ele vivenciou o seguimento de Jesus descrito nas constituições da Ordem, na simplicidade do seu carisma. Conviveu com muitos frades e religiosos ilustres, sendo amigo pessoal de Felipe Néri, Carlo Borromeo, hoje também santos, e do papa Xisto V, ao qual predisse o seu papado. No dia 18 de maio de 1587, aos setenta e dois anos, depois de oito anos de sofrimentos causados por uma doença nos intestinos, e tendo uma visão da Santíssima Virgem, frei Félix deu seu último suspiro e partiu para os braços do Pai Eterno. O papa Clemente XI o canonizou em 1712. O corpo de são Félix de Cantalício repousa na igreja da Imaculada Conceição, em Roma. Conheça mais sobre São Félix de Cantalício Meu Deus, amo o pequeno Félix, tão piedoso desde a primeira infância, que de então lhe deram o nome de santo. Amo este pequeno pastor, talhando uma cruz na casca de uma árvore e orando em frente dela horas a fio. Recitava primeiramente com fervor a Oração Dominical, a Saudação do Anjo, o Símbolo dos Apóstolos, o Gloria Patri, e outras orações conhecidas. Mas, em breve, Deus lhe concedeu a graça da contemplação, e todos os seus pensamentos se tornavam preces. Moço trabalhador, meditava durante o trabalho: tudo o que via, tudo o que ouvia, despertava nele afeições piedosas. Mas nada o tocava mais ternamente do que a recordação dos sofrimentos de Jesus Cristo. A humildade profunda, ajuntava uma alegria inalterável, da doçura e de caridade para com os outros. Quando alguém o insultava, tinha o costume de responder: Deus queira fazer de vós um santo. Tal era o jovem Félix. Meu Deus, pudesse eu assemelhar-se a esse pequeno pastor! Entretanto, esse pequeno trabalhador acreditava não fazer bastante. Apresentou-se, pelo ano de 1540, a um convento dos capuchinhos, e pediu que o acolhessem na qualidade de irmão converso. O superior deu-lhe o hábito e mostrou-lhe um crucifixo; em seguida, explicou-lhe o que o Salvador sofrera, dizendo-lhe de que maneira um religioso devia imitar esse divino modelo, com uma vida de renúncia e humilhações. Félix comovido até as lágrimas, sentiu-se animado de um ardente desejo de imprimir em si os traços dos sofrimentos de Jesus Cristo, pela mortificação, o velho homem com todos os seus desejos. Durante o noviciado parecia já compenetrado do espírito de sua ordem, que era um espírito de pobreza, de penitência e humildade. Frequentemente, atirava-se aos pés do mestre dos noviços, para pedir-lhe que dobrasse as mortificações, e o tratasse com maior rigor do que aos outros, ao que parecia, mais dóceis do que ele e mais dedicados à virtude. Por esse profundo desprezo de si mesmo, chegou em breve a uma eminente perfeição. Félix estava tão intimamente unido a Deus, que mesmo no mundo, quando ia pedir esmola, nada conseguia distraí-lo. Perguntou-lhe, um dia, um irmão como fazia para permanecer em recolhimento tão perfeito, recebendo a seguinte resposta: Todas as criaturas servem para elevar-nos a Deus, quando as olhamos sob esse prisma. Retenhamos a palavra de um santo, e ponhamo-la santamente em prática. Se a vista das criaturas nos afasta de Deus, é porque ainda não as olhamos sob o prisma bom, com os olhos da fé, mas com os olhos da carne, Purifiquemos bem nossas intenções e afetos, e habituemo-nos, como os santos, a ver todas as coisas em Deus, e Deus em todas as coisas.
- Erros e Desvios – Um mês com Maria | 18° dia
ERROS E DESVIOS A Igreja teve que combater sempre contra erros e desvios, pois não existiu período da sua história em que não tenha sido perturbada pelos assaltos de quem a queria arrastar na desordem doutrinal e moral. Satanás, o grande inimigo, é o hábil manobrador de uma rede de armadilhas que tende a difundir a verdade, trazendo confusão e trevas. Jesus disse expressamente ao seu vigário, S. Pedro: “Simão, Simão. Satanás pediu que lhe fosse entregue para vos peneirar como o milho” (Lc 22,31). E Satanás fez o seu pérfido ingresso de um ano na Igreja e no mundo, provocando erros e desvios, contradizendo para trazer bagunça e confusão. De fato, até hoje nos encontramos em um clima de ar quente pelos novos erros e desvios que estão dilacerando a humanidade e fazem gemer a Igreja. Nossa Senhora o predisse em Fátima quando exortou com insistência a acolher sua mensagem de Oração e Penitência, senão o comunismo teria “difundido os seus erros no mundo”. A humanidade é dilacerada pelo comunismo e pela maçonaria, que fazem avançar terrivelmente o materialismo ateu e o laicismo dessacralizador de todo o valor religioso. A Igreja geme sob o enfurecer de temporais devastadores, seja na doutrina, moral, formativo. Os “tufões das cristologias”, como disse Paulo VI, abateu-se junto àqueles das antropologias, dos pluralismos, dos ecumenismos, das propostas para uma nova moral, das diversas teologias variamente denominadas: de morte de Deus, da esperança, da libertação, neopositivista, anti-religiosa, escatológica, política… Que Babel tenebrosa! Na hora das trevas Consequências? Incertezas para as verdades atacadas ou negadas: A Santíssima Trindade, A Divindade de Jesus, a Encarnação do Verbo, a Concepção Virginal de Jesus e a Virgindade de Maria, a Ressurreição de Cristo, o sacrifício da Santa Missa, a presença real de Jesus na Eucaristia, a existência do Diabo e do Inferno, do Purgatório e do Limbo, a necessidade do Batismo, a imortalidade da alma, a infalibilidade Papal… Incertezas na moral: pecado mortal inexistente para os que não se resguardam de atos impuros, desejos carnais, leituras imundas relações pré-matrimoniais e extra-conjugais, pílulas anticoncepcionais, divórcios, homossexualidade, eutanásia e aborto. Blasfêmias: Confissão a eliminar, Comunhão em pecado mortal, nenhuma obrigação às Santas Missas festivas, liturgia a gosto pessoal, fim do Rosário. Incerteza na vida da Igreja: destruída a Ação Católica, fechados muitíssimos seminários, perdas enormes de vocações sacerdotais e religiosas, Padres, Freiras e Frades que renegam a Consagração a Deus, Ordens religiosas em declínio, rebelião aberta ao Papa, formação de grupos extremistas, quase total falta de conversões, profanação de Igrejas e Altares… Tinha razão Pe. Pio, que ao fim da sua vida, exortava a rezar esta jaculatória: “Ó, Jesus, salva os eleitos na hora das trevas”. Sempre com a Igreja “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre. Não vos deixai desviar por doutrinas diversas e estranhas.” (Hb 13,8) No meio das “tempestades” dos erros que circulam como veneno no sangue, fiquemos bem unidos à Igreja, “coluna e fundamento da Verdade” (I Tm 3,15); fiquemos bem unidos ao Vigário de Cristo, único “infalível na fé” (Lc 22,32); fiquemos bem amarrados aos Doutores e Santos da Igreja, que nos ensinam o “caminho certo pelo qual poderemos chegar à perfeita união com Cristo, isto é, a santidade” (Lumen Gentium, n.50) Esta, só esta é a Igreja, nossa Mãe. Só esta é a defesa certa dos erros e perigos. E a Igreja falou até hoje contra todos os erros da hora presente. O Papa ou as Congregações da Santa Sé rebateram os erros e defendeu as sacrossantas verdades da nossa fé evangélica. Nada mudou nem mudará, porque a verdade do Senhor dura para sempre. (cf. Sl 116,2) A heresia é sempre uma novidade, porque é a corrupção da verdade. S. Cipriano compara a heresia a um ramo cortado da planta: é condenado a morrer. Ou ainda é semelhante a um rio separado da fonte: secará em pouco tempo na terra árida. Nós queremos estar com a Igreja! O maior despropósito Pe. Pio encontrou alguns operários que trabalhavam no convento, e lhe informaram que eles eram comunistas, mas católicos. Respondeu, zangado: “Comunistas católicos! Pode-se dizer uma besteira dessas?” Infelizmente este enorme despropósito é a bandeira de muitos comunistas e muitos católicos. Creem de por juntas as duas coisas sem se darem conta que se excluem reciprocamente. O verdadeiro e sincero comunista é ateu, deve ser e não pode não sê-lo, pois o contrário seria desonestidade e traição ao comunismo. O Verdadeiro católico deve ser crente e não pode deixar de sê-lo, renegando o ateísmo e toda a doutrina que não seja a de Cristo. Evidentemente estes irmãos, que nem se dão conta de serem verdadeiros traidores, têm o espírito cego (cf. Mc 6,52). Quanto é triste isto, se se pensa às riquezas infinitas de verdades e de amor que o Evangelho nos oferece para todos os nossos problemas. Que necessidade poderá ter um Católico de recorrer a quem crê cegamente só em uma miserável coisa: a matéria? Vencedora das heresias De frente ao espetáculo desolador dos erros e desvios que estão dilacerando a humanidade, nós, católicos, não devemos perder a coragem, pois temos a Vencedora de Satanás e de todos os erros: a Imaculada, Aquela que pisa a cabeça da serpente infernal (cf. Gên 2). Uma velha antífona da Igreja cantava assim: “Tu só, Bendita Virgem, abateste todas as heresias do mundo inteiro”. Tudo está em que nós amamos Maria, rogamos a ela e a imitamos com generosidade. Ela nos protegerá e nos livrará dos perigos. Digamos com a filial confiança de S. Felipe Néri: “Maria Santa, põe-me a mão na cabeça, senão fico herético e comunista.” Entreguemo-nos ao Seu Coração Imaculado, porque ele triunfará! Defendamos Maria dos ataques inimigos que hoje lhe nega não só o devido culto, mas o devido reconhecimento das maravilhas que Deus nela operou (cf. Lc 1,49) com a Perpétua Virgindade da Alma e do Corpo, com o parto Virginal de Jesus que “não só não diminuiu, mas consagrou a integridade virginal da Sua Santíssima Mãe” (da Liturgia). Hoje é fácil sentir sombras sobre a Imaculada Conceição e Assunção. Esvazia-se de toda a consistência a verdade da Mediação Universal de Maria. Reduz-se de muito a sua realeza e presença de Graça. Atacam-se as formas de devoção mariana, até as mais veneradas, como o Santo Rosário e os meses a Ela dedicados. Precisamos reagir! É nosso dever defender com paixão de filhos a honra a beleza de nossa Celeste Mãe. Lembremos de S. Afonso Maria de Ligório, que quando empunhava a caneta para defender a Virgem dos ataques inimigos, chorava lágrimas quentes. Que grande coração de filho ele tinha. E nós? Votos Oferecer o dia pelas necessidades da Igreja; Recitar um Rosário por aqueles que traem a própria fé; Uma mortificação de presente ao Imaculado Coração. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- Erros e Desvios – Um mês com Maria | 18° dia
ERROS E DESVIOS A Igreja teve que combater sempre contra erros e desvios, pois não existiu período da sua história em que não tenha sido perturbada pelos assaltos de quem a queria arrastar na desordem doutrinal e moral. Satanás, o grande inimigo, é o hábil manobrador de uma rede de armadilhas que tende a difundir a verdade, trazendo confusão e trevas. Jesus disse expressamente ao seu vigário, S. Pedro: “Simão, Simão. Satanás pediu que lhe fosse entregue para vos peneirar como o milho” (Lc 22,31). E Satanás fez o seu pérfido ingresso de um ano na Igreja e no mundo, provocando erros e desvios, contradizendo para trazer bagunça e confusão. De fato, até hoje nos encontramos em um clima de ar quente pelos novos erros e desvios que estão dilacerando a humanidade e fazem gemer a Igreja. Nossa Senhora o predisse em Fátima quando exortou com insistência a acolher sua mensagem de Oração e Penitência, senão o comunismo teria “difundido os seus erros no mundo”. A humanidade é dilacerada pelo comunismo e pela maçonaria, que fazem avançar terrivelmente o materialismo ateu e o laicismo dessacralizador de todo o valor religioso. A Igreja geme sob o enfurecer de temporais devastadores, seja na doutrina, moral, formativo. Os “tufões das cristologias”, como disse Paulo VI, abateu-se junto àqueles das antropologias, dos pluralismos, dos ecumenismos, das propostas para uma nova moral, das diversas teologias variamente denominadas: de morte de Deus, da esperança, da libertação, neopositivista, anti-religiosa, escatológica, política… Que Babel tenebrosa! Na hora das trevas Consequências? Incertezas para as verdades atacadas ou negadas: A Santíssima Trindade, A Divindade de Jesus, a Encarnação do Verbo, a Concepção Virginal de Jesus e a Virgindade de Maria, a Ressurreição de Cristo, o sacrifício da Santa Missa, a presença real de Jesus na Eucaristia, a existência do Diabo e do Inferno, do Purgatório e do Limbo, a necessidade do Batismo, a imortalidade da alma, a infalibilidade Papal… Incertezas na moral: pecado mortal inexistente para os que não se resguardam de atos impuros, desejos carnais, leituras imundas relações pré-matrimoniais e extra-conjugais, pílulas anticoncepcionais, divórcios, homossexualidade, eutanásia e aborto. Blasfêmias: Confissão a eliminar, Comunhão em pecado mortal, nenhuma obrigação às Santas Missas festivas, liturgia a gosto pessoal, fim do Rosário. Incerteza na vida da Igreja: destruída a Ação Católica, fechados muitíssimos seminários, perdas enormes de vocações sacerdotais e religiosas, Padres, Freiras e Frades que renegam a Consagração a Deus, Ordens religiosas em declínio, rebelião aberta ao Papa, formação de grupos extremistas, quase total falta de conversões, profanação de Igrejas e Altares… Tinha razão Pe. Pio, que ao fim da sua vida, exortava a rezar esta jaculatória: “Ó, Jesus, salva os eleitos na hora das trevas”. Sempre com a Igreja “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre. Não vos deixai desviar por doutrinas diversas e estranhas.” (Hb 13,8) No meio das “tempestades” dos erros que circulam como veneno no sangue, fiquemos bem unidos à Igreja, “coluna e fundamento da Verdade” (I Tm 3,15); fiquemos bem unidos ao Vigário de Cristo, único “infalível na fé” (Lc 22,32); fiquemos bem amarrados aos Doutores e Santos da Igreja, que nos ensinam o “caminho certo pelo qual poderemos chegar à perfeita união com Cristo, isto é, a santidade” (Lumen Gentium, n.50) Esta, só esta é a Igreja, nossa Mãe. Só esta é a defesa certa dos erros e perigos. E a Igreja falou até hoje contra todos os erros da hora presente. O Papa ou as Congregações da Santa Sé rebateram os erros e defendeu as sacrossantas verdades da nossa fé evangélica. Nada mudou nem mudará, porque a verdade do Senhor dura para sempre. (cf. Sl 116,2) A heresia é sempre uma novidade, porque é a corrupção da verdade. S. Cipriano compara a heresia a um ramo cortado da planta: é condenado a morrer. Ou ainda é semelhante a um rio separado da fonte: secará em pouco tempo na terra árida. Nós queremos estar com a Igreja! O maior despropósito Pe. Pio encontrou alguns operários que trabalhavam no convento, e lhe informaram que eles eram comunistas, mas católicos. Respondeu, zangado: “Comunistas católicos! Pode-se dizer uma besteira dessas?” Infelizmente este enorme despropósito é a bandeira de muitos comunistas e muitos católicos. Creem de por juntas as duas coisas sem se darem conta que se excluem reciprocamente. O verdadeiro e sincero comunista é ateu, deve ser e não pode não sê-lo, pois o contrário seria desonestidade e traição ao comunismo. O Verdadeiro católico deve ser crente e não pode deixar de sê-lo, renegando o ateísmo e toda a doutrina que não seja a de Cristo. Evidentemente estes irmãos, que nem se dão conta de serem verdadeiros traidores, têm o espírito cego (cf. Mc 6,52). Quanto é triste isto, se se pensa às riquezas infinitas de verdades e de amor que o Evangelho nos oferece para todos os nossos problemas. Que necessidade poderá ter um Católico de recorrer a quem crê cegamente só em uma miserável coisa: a matéria? Vencedora das heresias De frente ao espetáculo desolador dos erros e desvios que estão dilacerando a humanidade, nós, católicos, não devemos perder a coragem, pois temos a Vencedora de Satanás e de todos os erros: a Imaculada, Aquela que pisa a cabeça da serpente infernal (cf. Gên 2). Uma velha antífona da Igreja cantava assim: “Tu só, Bendita Virgem, abateste todas as heresias do mundo inteiro”. Tudo está em que nós amamos Maria, rogamos a ela e a imitamos com generosidade. Ela nos protegerá e nos livrará dos perigos. Digamos com a filial confiança de S. Felipe Néri: “Maria Santa, põe-me a mão na cabeça, senão fico herético e comunista.” Entreguemo-nos ao Seu Coração Imaculado, porque ele triunfará! Defendamos Maria dos ataques inimigos que hoje lhe nega não só o devido culto, mas o devido reconhecimento das maravilhas que Deus nela operou (cf. Lc 1,49) com a Perpétua Virgindade da Alma e do Corpo, com o parto Virginal de Jesus que “não só não diminuiu, mas consagrou a integridade virginal da Sua Santíssima Mãe” (da Liturgia). Hoje é fácil sentir sombras sobre a Imaculada Conceição e Assunção. Esvazia-se de toda a consistência a verdade da Mediação Universal de Maria. Reduz-se de muito a sua realeza e presença de Graça. Atacam-se as formas de devoção mariana, até as mais veneradas, como o Santo Rosário e os meses a Ela dedicados. Precisamos reagir! É nosso dever defender com paixão de filhos a honra a beleza de nossa Celeste Mãe. Lembremos de S. Afonso Maria de Ligório, que quando empunhava a caneta para defender a Virgem dos ataques inimigos, chorava lágrimas quentes. Que grande coração de filho ele tinha. E nós? Votos Oferecer o dia pelas necessidades da Igreja; Recitar um Rosário por aqueles que traem a própria fé; Uma mortificação de presente ao Imaculado Coração. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- O Respeito Humano – Um mês com Maria | 17° dia
O RESPEITO HUMANO O respeito humano é uma praga na vida cristã. É, também, uma praga para muitos cristãos. Onde se vê Deus ofendido, Jesus ultrajado, Maria e os santos maltratados, precisaríamos ver os cristãos corajosos e coerentes que fariam muros de defesa e de honra à própria fé. Ao invés, quanta covardia de espírito! Até se esforçam em esconder-se entre os inimigos da Fé com medo de serem descobertos e apontados. É verdade que hoje, neste mundo corrupto, nesta sociedade escandalosa e debochada, dominada pelo ateísmo mais animalesco que se possa conceber, ocorre uma grande coragem para sermos coerentes. Mas não é talvez este um motivo a mais para que os cristãos, longe de se esconderem, apresentarem-se como testemunhas enérgicos da fé “que vence o mundo” (Jo 5,4)? Aqueles que se envergonham, que têm medo de aparecer como verdadeiros cristãos, têm mais roupas de verdadeiros traidores do que de discípulos de Cristo. Contra eles existe a palavra terrível de Jesus: “Quem se envergonhar de mim e das minhas palavras junto a esta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando chegar na Glória do seu Pai com os Anjos e Santos.” (Mc 8,38) Pescadores e Pescadoras Na luta contra o Protestantismo que arruinava a fé de tantos cristãos com as suas heresias doutrinais e morais, S. Carlos Borromeu quis instruir grandes escolas de Catecismo e de instrução religiosa para o povo. Precisou de cristãos e leigos corajosos. Achou-os homens e mulheres. Dividiu-os em grupos de ‘pescadores’ e ‘pescadoras’ e organizou os giros apostólicos pelas casas, pelas ruas, pelos campos. Era um espetáculo de verdadeira fé, ver estes cristãos corajosos à obra para testemunhar Jesus e anunciar o seu Evangelho puro, sem erros. Cada cristão deveria fazer seu, com orgulho, o grito de S. Paulo: “Não me envergonho do Evangelho” (Rm 1,16). Em qualquer lugar: em casa ou fora, nos escritórios e nas escolas. S. Gregório Magno dizia que os verdadeiros cristãos sabem morrer, mas não transigir. E deveria chegar à lembrança dos Mártires, sempre vivos na Igreja Celeste e Terrestre. A glória deles confirma luminosamente a Palavra de Jesus: “Quem quiser salvar a própria vida, a perderá; mas quem perder sua vida por minha causa e do Evangelho, a salvará”. (Mc 8,35). Se envergonham O que dizer de muitos cristãos, que por respeito humano, faltam até aos deveres fundamentais? Envergonham-se de fazer o sinal-da-cruz e de recitar qualquer oração de manhã e a noite, ou antes das refeições. Envergonham-se de entrar numa Igreja para rezar, tecer um Rosário, saudar uma imagem sagrada nas bancas de jornais. Envergonham-se de ir à Missa, de confessar-se, de receber a Eucaristia. Envergonham-se de reprovar quem blasfema ou profana coisas sagradas. Por fim, alguns chegam até a envergonhar-se de não blasfemar!!! Envergonham-se de defender a fé dos ataques e insultos dos inimigos e se envergonham de serem ainda considerados cristãos. Envergonham-se de não ler impressos para porcos, de não ver cinemas imundos, de não seguir as modas indecentes. Envergonham-se de chamar atenção de quem dá escândalo, que ofende a Moral Evangélica. Chegam a envergonhar-se de opor-se ao aborto, ao divórcio, à pílula contra a vida humana. Envergonham-se… parece que não sabem fazer mais nada além disso. Quem não se envergonha Ainda jovem, S. Bernardino de Siena foi convidado uma vez por um tio para ir à casa dele. Foi, mas encontrou lá outras pessoas que na conversa, com facilidade, não falavam corretamente. Pronto e resoluto, o Santo disse ao tio: “Ou estes senhores mudam o modo de falar, ou eu vou embora”. O tio advertiu os hóspedes e a linguagem não mais foi incorreta. Mas onde quer que se achasse S. Bernardino, incutia respeito a todos. Até os seus companheiros o sabiam bem, e se às vezes deixavam falarem qualquer discurso, não correto, só ao vê-lo chegar, diziam entre eles: “paremos, está chegando Bernardino”. O Beato José Moscati foi um cristão cheio de luz e exercitava uma fascinação indescritível com o testemunho de sua fé viva. Quem queria podia vê-lo cada manhã recolhido na igreja, por duas horas de oração. Na cátedra, antes de começar a lição, exortava aos estudantes de sempre elevar a mente ao “Senhor, Deus das ciências” (I Sm 2,3). Não apenas soava o Ângelus, interrompia cada discurso e até a visita médica, convidando os presentes a recitar com ele. Que força e transparência de fé vivia n’Ele, não os mesquinhos respeitos humanos da nossa fé de covardes complexados. Não envergonhar-se d’Ela “Faze-me digno de te louvar, ó Virgem Santa!” Contra todo respeito humano, contra todo medo ou covardia, devo e quero louvar Maria, que é minha Mãe. Não só não me envergonharei dela, mas quero defendê-la e glorificá-la, quero amá-la e fazê-la amar, onde quer que seja, com paixão filial sempre ardente. Posso olhar todos os santos, paladinos de amor vibrante pela Mãe celeste. Em particular, S. Maximiliano, apóstolo e vítima da Imaculada que dela nunca se envergonhou, mas consumou-se totalmente por Ela, até o ponto de ser considerado louco, aliás, ao ponto de chamar-se a si próprio: “o louco da Imaculada”. Votos Saudar as imagens de Maria nos quiosques das ruas; Falar de Maria em casa e no trabalho; Fazer o sinal-da-cruz antes das refeições, convidando a todos. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- O Respeito Humano – Um mês com Maria | 17° dia
O RESPEITO HUMANO O respeito humano é uma praga na vida cristã. É, também, uma praga para muitos cristãos. Onde se vê Deus ofendido, Jesus ultrajado, Maria e os santos maltratados, precisaríamos ver os cristãos corajosos e coerentes que fariam muros de defesa e de honra à própria fé. Ao invés, quanta covardia de espírito! Até se esforçam em esconder-se entre os inimigos da Fé com medo de serem descobertos e apontados. É verdade que hoje, neste mundo corrupto, nesta sociedade escandalosa e debochada, dominada pelo ateísmo mais animalesco que se possa conceber, ocorre uma grande coragem para sermos coerentes. Mas não é talvez este um motivo a mais para que os cristãos, longe de se esconderem, apresentarem-se como testemunhas enérgicos da fé “que vence o mundo” (Jo 5,4)? Aqueles que se envergonham, que têm medo de aparecer como verdadeiros cristãos, têm mais roupas de verdadeiros traidores do que de discípulos de Cristo. Contra eles existe a palavra terrível de Jesus: “Quem se envergonhar de mim e das minhas palavras junto a esta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando chegar na Glória do seu Pai com os Anjos e Santos.” (Mc 8,38) Pescadores e Pescadoras Na luta contra o Protestantismo que arruinava a fé de tantos cristãos com as suas heresias doutrinais e morais, S. Carlos Borromeu quis instruir grandes escolas de Catecismo e de instrução religiosa para o povo. Precisou de cristãos e leigos corajosos. Achou-os homens e mulheres. Dividiu-os em grupos de ‘pescadores’ e ‘pescadoras’ e organizou os giros apostólicos pelas casas, pelas ruas, pelos campos. Era um espetáculo de verdadeira fé, ver estes cristãos corajosos à obra para testemunhar Jesus e anunciar o seu Evangelho puro, sem erros. Cada cristão deveria fazer seu, com orgulho, o grito de S. Paulo: “Não me envergonho do Evangelho” (Rm 1,16). Em qualquer lugar: em casa ou fora, nos escritórios e nas escolas. S. Gregório Magno dizia que os verdadeiros cristãos sabem morrer, mas não transigir. E deveria chegar à lembrança dos Mártires, sempre vivos na Igreja Celeste e Terrestre. A glória deles confirma luminosamente a Palavra de Jesus: “Quem quiser salvar a própria vida, a perderá; mas quem perder sua vida por minha causa e do Evangelho, a salvará”. (Mc 8,35). Se envergonham O que dizer de muitos cristãos, que por respeito humano, faltam até aos deveres fundamentais? Envergonham-se de fazer o sinal-da-cruz e de recitar qualquer oração de manhã e a noite, ou antes das refeições. Envergonham-se de entrar numa Igreja para rezar, tecer um Rosário, saudar uma imagem sagrada nas bancas de jornais. Envergonham-se de ir à Missa, de confessar-se, de receber a Eucaristia. Envergonham-se de reprovar quem blasfema ou profana coisas sagradas. Por fim, alguns chegam até a envergonhar-se de não blasfemar!!! Envergonham-se de defender a fé dos ataques e insultos dos inimigos e se envergonham de serem ainda considerados cristãos. Envergonham-se de não ler impressos para porcos, de não ver cinemas imundos, de não seguir as modas indecentes. Envergonham-se de chamar atenção de quem dá escândalo, que ofende a Moral Evangélica. Chegam a envergonhar-se de opor-se ao aborto, ao divórcio, à pílula contra a vida humana. Envergonham-se… parece que não sabem fazer mais nada além disso. Quem não se envergonha Ainda jovem, S. Bernardino de Siena foi convidado uma vez por um tio para ir à casa dele. Foi, mas encontrou lá outras pessoas que na conversa, com facilidade, não falavam corretamente. Pronto e resoluto, o Santo disse ao tio: “Ou estes senhores mudam o modo de falar, ou eu vou embora”. O tio advertiu os hóspedes e a linguagem não mais foi incorreta. Mas onde quer que se achasse S. Bernardino, incutia respeito a todos. Até os seus companheiros o sabiam bem, e se às vezes deixavam falarem qualquer discurso, não correto, só ao vê-lo chegar, diziam entre eles: “paremos, está chegando Bernardino”. O Beato José Moscati foi um cristão cheio de luz e exercitava uma fascinação indescritível com o testemunho de sua fé viva. Quem queria podia vê-lo cada manhã recolhido na igreja, por duas horas de oração. Na cátedra, antes de começar a lição, exortava aos estudantes de sempre elevar a mente ao “Senhor, Deus das ciências” (I Sm 2,3). Não apenas soava o Ângelus, interrompia cada discurso e até a visita médica, convidando os presentes a recitar com ele. Que força e transparência de fé vivia n’Ele, não os mesquinhos respeitos humanos da nossa fé de covardes complexados. Não envergonhar-se d’Ela “Faze-me digno de te louvar, ó Virgem Santa!” Contra todo respeito humano, contra todo medo ou covardia, devo e quero louvar Maria, que é minha Mãe. Não só não me envergonharei dela, mas quero defendê-la e glorificá-la, quero amá-la e fazê-la amar, onde quer que seja, com paixão filial sempre ardente. Posso olhar todos os santos, paladinos de amor vibrante pela Mãe celeste. Em particular, S. Maximiliano, apóstolo e vítima da Imaculada que dela nunca se envergonhou, mas consumou-se totalmente por Ela, até o ponto de ser considerado louco, aliás, ao ponto de chamar-se a si próprio: “o louco da Imaculada”. Votos Saudar as imagens de Maria nos quiosques das ruas; Falar de Maria em casa e no trabalho; Fazer o sinal-da-cruz antes das refeições, convidando a todos. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- São Pascoal Baylon, O “Serafim da Eucaristia” – 17 de Maio
SANTO DO DIA – 17 DE MAIO – SÃO PASCOAL BAYLON Religioso franciscano – patrono das devoções eucarísticas (1540-1592) Pascoal Baylon nasceu na cidade de Torre Hermosa, na Espanha, em 16 de maio de 1540. Filho de uma família humilde, foi pastor de ovelhas desde muito jovem. Pascoal aprendeu a ler sozinho, como autodidata, através dos livros de oração. Aos 18 anos, tentou entrar para o convento dos Franciscanos Reformados de Santa Maria de Loreto – chamados Alcantarinos – por obra de São Pedro de Alcântara, mas foi rejeitado talvez por causa da sua jovem idade. Sua primeira tentativa foi frustrada, mas, em 1564, após recusar uma grande herança de um rico senhor que havia sido curado por ele e por causa dos seus dons carismáticos, ele pôde ingressar na Ordem. Pascoal, por humildade, permaneceu um simples irmão leigo, exercendo as funções de porteiro e ajudante dos serviços gerais. Bom, caridoso e obediente às regras da Ordem, fazia penitência constante, alimentando-se muito pouco e mantendo-se em constante oração. Por causa de sua origem pobre, não possuía nenhuma formação intelectual, porém era rico em dons transmitidos pelo Espírito Santo, possuindo uma sabedoria inata. Pascoal destacou-se logo no convento por sua inteligência brilhante, fé inabalável e dedicação incrível à oração e adoração ao Santíssimo Sacramento. No entanto, permaneceu Irmão leigo por toda a sua vida, contra o parecer dos seus superiores, porque se sentia indigno do ministério sacerdotal e tocar em Jesus Eucarístico com as suas mãos. Era tão carismático que a ele recorriam ilustres personalidades para aconselhamento, até mesmo o seu provincial, que lhe confiou a tarefa perigosa de levar documentos importantes para Paris. Essa viagem Pascoal fez a pé, descalço e com o hábito de franciscano, arriscando ser morto pelos calvinistas. Muitas vezes, foi espancado, zombado, insultado. Em Orléans, quase foi apedrejado por uma disputa acirrada sobre a Eucaristia com seus opositores. Defensor extremado de sua fé, travou grande luta contra os calvinistas franceses, que negavam a Eucaristia. Apesar da sua simplicidade, Pascoal era muito determinado quando se tratava de dissertar sobre sua espiritualidade e conhecimentos eucarísticos. A Eucaristia estava sempre ao centro da vida e da espiritualidade do frade Pascoal: quando voltou de Paris escreve uma Coleção de Máximas para provar a presença real de Jesus sob as espécies do Pão e do Vinho e o poder divino transmitido ao Papa. Este livreto foi parar mãos do Pontífice, em Roma, que lhe deu o apelido de “Serafim da Eucaristia”. Por isso foi considerado um dos primeiros e mais importantes teólogos da Eucaristia. De fato, a presença de Pascoal no mundo era angélica: seus confrades, muitas vezes, o viram em êxtase ou até em elevar-se durante as horas de adoração a Jesus Eucarístico, sobre a qual falava, continuamente, aos fiéis, aos frades e a todos, em cada momento e por toda a parte. Há uma coincidência curiosa na vida de Pascoal: o dia de seu nascimento, em 16 de maio de 1540, ocorreu no dia de Pentecostes e seu falecimento, – por fraqueza, provações, constantes jejuns e privações corporais, – em 17 de maio de 1592, também no dia de Pentecostes. Além do mais, seu nome, Pascoal, deve-se também a evento: a solenidade do Pentecostes, em espanhol, era chamada “Páscoa cor-de-rosa” ou “Páscoa do Pentecostes”. Na pobreza material, que o frade sempre buscava e que o acompanhou por toda a vida, Pascoal foi enriquecido pelos dons do Espírito Santo, sobretudo pela sabedoria. Apesar de mal saber ler e escrever, muitas personalidades o procuravam para pedir-lhe conselhos; entre os franciscanos, era ainda considerado um teólogo e, para os fiéis, um ponto de referência. No entanto, como foi dito, ele nunca foi sacerdote e nem teve a alegria de dar Jesus Eucarístico aos fiéis. Esta era uma das tantas privações, que havia decidido se infligir, porque não se considerava suficientemente digno. Após passar por tantas provações e mortificações do corpo, Pascoal faleceu, em 1592, depois de receber a Comunhão, no convento de Vila Real. Dizem que, durante seu enterro, o frade ainda abriu os olhos para adorar, mais uma vez, Jesus na Eucaristia. São Pascoal Baylon foi canonizado pelo Papa Alexandre VIII, há quase um século depois da sua morte, enquanto, em 1897, o Papa Leão XIII o proclamava Padroeiro das Obras e dos Congressos Eucarísticos. Os milagres do corpo incorrupto de São Pascoal Ele foi para o Céu, mas o seu corpo ficou e Deus realizou inúmeros milagres através de suas relíquias. Nascido em Torre Hermosa, no então Reino de Aragão, de uma humilde família de agricultores, Pascoal trabalhou como pastor de ovelhas dos 7 aos 24 anos. Conta-se que ele recebeu uma visão de São Francisco e de Santa Clara ordenando a ele que entrasse para a Ordem Franciscana. Em uma data futura, ele acabou sendo admitido ao mosteiro dos Franciscanos Alcantarinos de Monteforte. Como irmão religioso, ele serviu em várias funções nos mosteiros da Ordem, mas sua atividade predileta era cuidar dos pobres e doentes, pelos quais ele frequentemente derramava lágrimas de compaixão e realizava milagres de cura. A devoção à Santa Eucaristia era o tema dominante de sua vida. Seu primeiro biógrafo, Padre João Gimenez, que era amigo pessoal do santo, registra que Pascoal passava todo o seu tempo livre diante do tabernáculo, ajoelhado no próprio assoalho, com as mãos apertadas e firmes acima do rosto. Ele também conta que o santo se deleitava em servir a várias Missas sucessivas e que várias vezes passava a noite em oração diante do sacrário. Durante uma viagem à França em missão, ele foi chamado várias vezes para defender sua fé na Santa Eucaristia. Para um frade, usar o hábito durante aquele tempo de guerras religiosas era um convite ao desastre, e ele foi muitas vezes preso, interrogado e maltratado pelos calvinistas huguenotes. Em uma das cidades, ele chegou a ser apedrejado e sofreu um ferimento no ombro que o afligiu pelo resto da vida. Por uma coincidência, o exato “momento da partida desse santo homem para o Céu coincidiu com o de sua entrada no mundo. Ele tinha 52 anos naquele dia, Domingo de Pentecostes, ao amanhecer” de 15 de maio de 1592 [1]. A Visão de São Pascoal Bailão, por Giambattista Tiepolo. Devido à grande quantidade de pessoas que desejava ver os restos mortais, o seu corpo foi transportado da humilde cela em que ele morreu para uma das capelas na igreja de Nossa Senhora do Rosário. Os fiéis que passavam em fila pelo caixão ficavam impressionados com a irradiação celeste de seu semblante e com o líquido perfumado que se acumulava em sua testa desde o momento de sua morte. Durante os três dias de exposição, “o óleo milagroso que destilava dos membros do santo fluía copiosa e continuamente” [2]. Conta-se que foram necessários guardas armados para controlar as pessoas, muitas das quais foram autorizadas a coletar o dito líquido em pequenos tecidos, que depois curaram várias doenças até então sem esperança de cura. Também se conta que muitos dos que participaram do velório puderam testar a flexibilidade do corpo e abrir as pálpebras para ver os seus olhos, que eram de um brilho e de uma claridade incomuns. Dos grandes prodígios e milagres que aconteceram em todos os cantos, talvez o incidente mais extraordinário que ocorreu durante esse período solene foi a miraculosa abertura dos olhos do corpo, um milagre visto por muitas das pessoas que lotaram a igreja. Eleonora Jorda y Miedes, uma testemunha ocular desse fato, que até então sentia repulsa por cadáveres, relatou em seu testemunho: “Dirigi-me ao Irmão Pascoal como se ele estivesse vivo, beijei as suas mãos e seus pés e vi as milagrosas gotas de suor em sua fronte. No fim, estava me sentindo tão bem ao lado daquele santo homem que, a fim de permanecer o maior tempo possível com a sua bendita companhia, resolvi não deixar a capela antes do fim da Missa Solene. Devo confessar, para minha vergonha, que dava mais atenção ao que estava acontecendo ao redor do santo homem que à celebração do Santo Sacrifício. Quando o vi abrindo os olhos no momento da elevação da Hóstia, fiquei tão estarrecida que soltei um grito. ‘Mamãe, mamãe! — exclamei para minha mãe, que tinha vindo comigo — Veja, veja! Irmão Pascoal está com os olhos abertos!‘ Ela olhou e também viu os olhos do santo abertos. Todos os que fomos testemunhas desse milagre tínhamos em mente uma só coisa: que, com aquilo, Nosso Senhor queria recompensar a extraordinária devoção de Pascoal à Santa Eucaristia, dando a ele uma vida nova, a fim de que, mesmo do outro lado do túmulo, ele ainda tivesse a consolação de adorar Jesus no Santíssimo Sacramento do altar.” [3] Na noite do terceiro dia seguinte à sua morte, enquanto era preparado um lugar para o corpo sob o altar da Imaculada Conceição, Pascoal foi revestido de um novo hábito, já que o antigo havia sido despedaçado pelos fiéis. Antes do enterro, o vigilante cobriu o corpo com uma grossa camada de cal virgem para consumir rapidamente a carne e para produzir um material lustroso, que ele achou que poderia parecer bonito em um relicário. Ele também agiu pressupondo que a cal destruiria rapidamente a carne, impedindo assim que ela emitisse qualquer odor desagradável — um fato que chocaria as pessoas e “mancharia” a reputação adquirida pelo corpo depois de tantas maravilhas. O corpo permaneceu imperturbável nesse agente cáustico por oito meses, até que o provincial da Ordem, Padre João Gimenez, que ficara impossibilitado de assistir ao funeral devido a uma doença, visitou a urna do santo com o propósito de exumar secretamente o corpo. Quanto a esse incidente, ele relata que, em companhia de vários frades: “A tampa foi levantada e, quando nos aproximamos do relicário, atestamos a presença da crosta de cal que escondia o santo de nossa vista. Eu não permitiria que ninguém mais tivesse a honra de remover essa crosta. Por isso, fui retirando-a, pouco a pouco, começando com a porção que cobria o seu rosto. Ó alegria celestial! À medida que eu tirava a máscara, as feições de nosso bem-aventurado irmão eram reveladas, cheias de ânimo e de vivacidade. Era de fato ele mesmo, milagrosamente preservado na carne, intacto da cabeça aos pés, até na ponta do nariz, que é normalmente a primeira parte a dar sinais de decomposição. Quando levantei as pálpebras, parecia que os olhos se fixavam em nós e sorriam. Os membros estavam tão flexíveis que respondiam a cada movimento que fazíamos com eles. Nada lembrava morte, nem a presença de um cadáver: ao contrário, tudo respirava vida e trazia consolação e alegria para a alma. A linguagem humana é incapaz de retratar tal espetáculo. De joelhos diante do relicário nós derramamos as mais doces lágrimas de nossas vidas. Tomei a mão do santo sobre a minha e, trazendo-a para perto de meus lábios, beijei-a ternamente. Um líquido cristalino como bálsamo destilou de seu rosto e de suas mãos. Quando todos os religiosos tinham satisfeito sua devoção, uma camada fresca de cal se espalhou sobre o corpo e, então, eu me dirigi ao santo nos seguintes termos: ‘Aquele que por oito meses preservou-te tão milagrosamente sob esta cal, é poderoso o bastante para te preservar ainda, pelos muitos anos que hão de vir, e dar assim maior fulgor ao milagre, até chegar o tempo oportuno de transladar as tuas gloriosas relíquias a um sepulcro menos indigno de ti.’ Tendo restabelecido a urna em seu nicho, e reconstruído a pequena parede de tijolos, retiramo-nos em silêncio para preparar um registro desse primeiro reconhecimento do corpo.” [4] A segunda exumação foi realizada em 22 de julho de 1594. Os religiosos da comunidade encontraram apenas alguns pedaços de sua mortalha. O corpo, com exceção da extremidade das narinas e de alguns fragmentos de pele, continuava resistindo à corrupção, e descobriu-se que o pedaço de um ouvido e um dedo tinham sido anteriormente levados como relíquias. Também se descobriu que o corpo permaneceu sem apoio quando colocado em posição vertical. A data da terceira exumação privada não é conhecida, mas um incidente ocorrido nessa ocasião é digno de nota. Um dos religiosos, em segredo e sem autorização, amputou ambos os pés do santo e levou-os consigo. Ao descobrirem o sacrilégio, os superiores ordenaram que os pés fossem devolvidos, sob pena de excomunhão, e eles foram imediatamente recolocados no caixão algumas horas depois. A mutilação acabou sendo vantajosa, no entanto, pois de seus pés foram retiradas numerosas relíquias. Dezenove anos após a morte do santo, uma exumação oficial foi feita para o processo de beatificação. Na presença do bispo de Segorbe, do provincial, do postulante da causa, de alguns eminentes dignatários do país, de médicos, de cirurgiões e de um escrivão, os três cadeados do caixão foram abertos e as formalidades de costume foram observadas antes que o seu interior fosse revelado. “Assim que a tampa foi aberta, uma fragrância agradável, parecida com um aroma de flores, emergiu do sepulcro. Com uma tesoura, o bispo começou a abrir o hábito do santo até a cintura, a fim de dar aos médicos a oportunidade de fazer uma avaliação do corpo, que já estava por dezenove anos fechado dentro do caixão. Os médicos e cirurgiões empreenderam aquele delicado procedimento com o cuidado e a reverência que eram esperados de cristãos sinceros. A tampa foi recolocada assim que eles terminaram, satisfeitos, as suas investigações. No dia seguinte, a comissão se reuniu mais uma vez para ouvir a leitura do relatório médico. A conclusão a que chegaram, baseada nos princípios da ciência médica, confirmava o estado milagroso do corpo: ‘Nós, os médicos e cirurgiões abaixo assinados, afirmamos sob juramento diante de Deus e de acordo com a nossa consciência, que o corpo do irmão Pascoal Bailão é incorrupto, e que a forma de sua preservação é sobrenatural e milagrosa.’” [5] Aos prodígios e milagres mencionados acima deve ser acrescentado outro: o dos curiosos “golpes” que procediam de seu túmulo e de suas imagens. As batidas eram interpretadas instintivamente de acordo com a sua intensidade e frequência, e eram normalmente aceitas como um aviso amigável. É desnecessário dizer que os barulhos incomuns instilavam nos corações dos agraciados uma intensa alegria religiosa e uma grande consciência da presença do santo. Os estranhos barulhos foram escutados pela primeira vez quando um filho espiritual do santo, Antônio Pascal, começou a usar em seu pescoço um relicário contendo um pequeno fragmento de osso tirado de um dos seus pés. Primeiro, o menino sentia leves toques em seu peito, como se as relíquias estivessem vivas, e essas vibrações foram se tornando habituais. A quem quer que desconfiasse do milagre, era só o menino tirar o relicário e dizer devotamente: “Adorado seja o Santíssimo Sacramento do altar”, e as batidas imediatamente se faziam ouvir. A devoção ao Santíssimo Sacramento que Pascoal Bailão exibia tão devotamente durante a sua vida refletiu nos fenômenos e milagres realizados por ele depois de sua morte, os quais contribuíram em grande medida para um avivamento da fé e um aumento da devoção nos corações de muitos. Portanto, nada seria mais apropriado que Pascoal Bailão, canonizado em 1690, fosse declarado pelo Papa Leão XIII em 1897 padroeiro dos Congressos Eucarísticos e de todas as organizações dedicadas ao aumento do amor e da devoção à Santa Eucaristia. Conheça mais sobre São Pascoal Bailão São Pascoal Bailão, da ordem de São Francisco nasceu em 1540, em Torre Hermosa, pequeno burgo do reino de Aragão; seus pais, que ganhavam a vida cultivando a terra, eram extremamente virtuosos. Ele seguiu as primeiras pegadas, e parecia ter sugado o leite materno com máximas de piedade. A fortuna da família era muito limitada, para que o pudessem enviar à escola, e o piedoso menino supria a falta da seguinte maneira. Levava consigo um livro quando ia guardar o rebanho no campo, e pedia a todos que encontrava a caridade de fazê-lo conhecer as letras. O desejo que tinha de instruir-se foi tão vivo e sua intenção tão grande, que em breve soube perfeitamente ler e escrever. Não se servia dessa vantagem senão para aperfeiçoar o conhecimento da religião. Os livros de recreação pareciam-lhe insípidos; gostava dos que lhe relatavam as principais circunstâncias da vida de Jesus Cristo, e as ações dos que tinham imitado o seu exemplo. Apesar da extrema juventude, não encontrava prazer senão no que era sério e sólido. Quando saiu da primeira infância, mereceu elogios na qualidade de pastor. A vida tranqüila e inocente que lhe proporcionaria tal profissão, oferecia-lhe toda sorte de encantos. Cada objeto que se lhe apresentava aos olhos, servia para excitar-lhe a fé e devoção. Constantemente lia no grande livro da natureza, e por ele se elevava até Deus, a quem contemplava e bendizia em todas as suas obras. Valia-se, ainda, da leitura de livros próprios ao esclarecimento de seus deveres e a inspirar-lhe amor. Seu mestre, que tinha piedade, demonstrou-lhe a alegria que sentia ao vê-lo levar a vida tão edificante, propôs mesmo adotá-lo como filho e fazê-lo seu herdeiro. Mas Pascoal Bailão, que não suspirava senão pelos bens do céu, temeu que os da terra fossem um obstáculo preferindo permanecer na primeira situação. Acreditava mediante ela adquirir a conformidade com o Salvador, que tinha vindo ao mundo, não para ser servido, mas para servir. Viam-no frequentemente orar de joelhos, sob uma árvore qualquer, ao longe, enquanto o rebanho pastava nas montanhas. Foi um destes entretenimentos secretos com Deus, na prática da humildade e numa atenção extrema para purificar todas as ações de sua alma, que adquiriu a experiência consumada nas coisas espirituais, experiência que despertava admiração até nos mais perfeitos. Ninguém tinha mais razão do que ele para dizer com Davi: Felizes os que vós instruis pessoalmente, ó meu Deus! Quando falava de Deus e da virtude, fazia-o com essa unção, essa luz, esse fervor de sentimento que o Espírito Santo comunica às almas inteiramente afastadas das coisas terrestres e que se consomem no amor divino. Mais de uma vez aconteceu sobrevirem-lhe transportes durante a prece, e frequentemente não podia aos olhos dos homens a veemência do amor sagrado que o extasiava e fazia de certa forma a sua alma fundir-se pelos excessos das doçuras celestes. Experimentava em si próprio o que relatam muitos contemplativos, a saber: que a consolação comunicada às almas piedosas pelo Espírito Santo é infinitamente maior que todos os prazeres do mundo, mesmo que reunidos todos num só homem. Ela fazia, por assim dizer, dissolver o coração por um vivo sentimento de alegria, a ponto de não poder mais conter-se Era então que o servo de Deus cantava com o rei profeta: Minha alma se rejubila no Senhor, e ela triunfará de sua libertação. Todos os meus ossos exclamarão: Senhor, quem é semelhante a Vós? Conquanto a virtude não deva ter a recompensa senão no céu, ela não deixa de receber na terra um como que antegozo, que a sustém nos combates. Deus, neste vale de lágrimas, mudará seus desertos num lugar de delícias, e sua solidão num jardim do Senhor. Ali se verá em toda parte a alegria e o júbilo; ali se ouvirão as ações de graças e os cânticos de louvor à glória do Eterno. Julga-se acertadamente que não recebia tantas graças extraordinárias, senão como preço de sua paciência nas provas interiores, duma abnegação perene e de uma perfeita crucificação de sua carne. O rocio das consolações celestes não tomba jamais sobre uma alma não mortificada que procura as alegrias deste mundo. O santo não se acreditava dispensado de esmolas na sua pobreza; fazia-o na medida que lhe era possível, e tomava para socorrer os infelizes, do que lhe davam para a subsistência. Dava-lhes uma parte das pequenas provisões que lhes enviavam no campo. Por mais amor que tivesse pela profissão, não deixou de encontrar dificuldades que o desgostaram pouco a pouco. Não conseguia, apesar de toda a vigilância, impedir que as cabras que guardava fosse, vez por outra, em terreno alheio; isso foi causa de que abandonasse o cuidado delas. Tomou outro rebanho; m,as encontrou ao mesmo tempo outros motivos para sofrimentos. Alguns de seus companheiros tinham o costume de praguejar, brigar e bater-se. Ele havia-lhes chamado a atenção para a indignidade de tal conduta, mas eles não o escutavam, persistiam nas desordens. Concebeu então o plano de abandoná-los para não participar de seus crimes. Antes de escolher um estado de vida, redobrou as orações, os jejuns e outras austeridades: dispunha-se, assim, a conhecer a vontade de Deus. Algum tempo após, acreditou-se chamado à vida religiosa. As pessoas a quem se abriu, indicaram-lhe conventos ricamente ornados; mas não eram a classe de casas que desejava. Sou pobre, dizia, e estou resolvido a viver e morrer na pobreza e na penitência. Com a idade de vinte anos, deixou o mestre e pátria, e dirigiu-se para o reino de Valência, onde havia um convento dos franciscanos descalços, chamados “Tamanqueiros” em virtude de uma espécie de tamanco ou sandália que traziam. Esse convento situava-se num deserto, a regular distância da cidade de Monteforte. Dirigiu-se aos religiosos da casa para consultá-los sobre a verdadeira maneira de servir a Deus, e depois entrou para o serviço dos sitiantes da vizinhança, para guardar-lhes os rebanhos. Sua vida recolhida e penitente fê-lo conhecido em breve. Falavam dele como sendo o santo pastor. Afinal, resolveu romper todas as relações com o mundo. Apresentou-se ao convento dos franciscanos e pediu que o recebessem na qualidade de irmão converso, o que lhe foi concedido em 1564. Ofereceram-lhe inutilmente colocá-lo entre os religiosos do coro: a humildade fê-lo recusar a proposta. Seu fervor não terminou com o noviciado, como acontece frequentemente; manteve-se, e aumentou mesmo dia a dia. Seu amor pela mortificação o fazia acrescentar novas austeridades às de sua regra; mas ele assim agia com grande simplicidade de coração e não tinha apego à própria vontade. Se acontecia advertirem-no os superiores de que levava as coisas longe demais, aceitava-lhes as advertências e atinha-se à letra da regra. Procurava sempre as mais baixas ocupações da comunidade. Quando mudava de convento, conforme o costume da ordem que, pelas mudanças, queria prevenir os apegos secretos do coração, não o ouviam jamais queixar-se; nem dava mesmo a entender que achava alguma coisa de mais gracioso numa casa do que noutra, porque estava inteiramente morto para o mundo e procurava Deus em tudo. Jamais se permitiu um repouso entre os deveres da igreja e os do claustro; rezava sempre, mesmo durante o trabalho. Não tinha senão um hábito, velho e usado. Andava sem sandálias na neve e nos caminhos mais ásperos. Em qualquer lugar, em qualquer estação, era sempre o mesmo, alegre, doce, afável e respeitoso para com todos. Se lhe anteparava uma oportunidade para prestar a alguém serviços humilhantes e penosos, aproveita-a com empenho e tinha-se por muito honrado. O geral de sua ordem, Cristóvão de Cheffontaines, duma antiga família da Bretanha, estava em Paris, quando São Pascoal lhe foi enviado em deputação, para tratar de assuntos da província. Partiu para a França sem se deixar atemorizar à vista dos perigos sem conta que teria que enfrentar da parte dos huguenotes, senhores de quase todas as cidades por onde teria que passar. Fez a viagem descalço e com o hábito franciscano, o que o expunha ainda mais ao furor dos heréticos. Estes o perseguiram muitas vezes a golpes de pedra e bastão. Pascoal recebeu no ombro um ferimento do qual se ressentiu a vida inteira. Duas vezes o prenderam como espião; mas Deus soube livrá-lo de todos os perigos. Desincumbindo-se da missão com o seu geral, deixou a França para voltar à Espanha. No mesmo dia da chegada, retomou, apesar da fadiga adveniente da viagem, os trabalhos e funções habituais. Nunca o ouviram falar dos perigos arrostados. Contentava-se em responder em poucas palavras, às diversas perguntas que lhe faziam; ainda tinha o cuidado de suprimir o que teria sido capaz de atrair-lhe louvores. Tinha uma terna devoção pela divina Eucaristia, bem como pela paixão do Salvador. Nos últimos anos de vida, passava a maior parte da noite ao pé dos altares, por vezes de joelhos, prostrado por vezes. Honrava também especialmente a Mãe de Deus, e não cessava de pedir, por sua intercessão a pureza da alma. São Pascoal Bailão morreu em Villareal, perto de Valência, em 17 de Maio de 1592, na idade de cinqüenta e dois anos. Durante os três dias que seu corpo ficou exposto, operou um grande número de milagres. Foi beatificado no ano 1618 por Paulo V, e canonizado em 1690 por Alexandre VIII, (4) #SantodoDia
- São Pascoal Baylon, O “Serafim da Eucaristia” – 17 de Maio
SANTO DO DIA – 17 DE MAIO – SÃO PASCOAL BAYLON Religioso franciscano – patrono das devoções eucarísticas (1540-1592) Pascoal Baylon nasceu na cidade de Torre Hermosa, na Espanha, em 16 de maio de 1540. Filho de uma família humilde, foi pastor de ovelhas desde muito jovem. Pascoal aprendeu a ler sozinho, como autodidata, através dos livros de oração. Aos 18 anos, tentou entrar para o convento dos Franciscanos Reformados de Santa Maria de Loreto – chamados Alcantarinos – por obra de São Pedro de Alcântara, mas foi rejeitado talvez por causa da sua jovem idade. Sua primeira tentativa foi frustrada, mas, em 1564, após recusar uma grande herança de um rico senhor que havia sido curado por ele e por causa dos seus dons carismáticos, ele pôde ingressar na Ordem. Pascoal, por humildade, permaneceu um simples irmão leigo, exercendo as funções de porteiro e ajudante dos serviços gerais. Bom, caridoso e obediente às regras da Ordem, fazia penitência constante, alimentando-se muito pouco e mantendo-se em constante oração. Por causa de sua origem pobre, não possuía nenhuma formação intelectual, porém era rico em dons transmitidos pelo Espírito Santo, possuindo uma sabedoria inata. Pascoal destacou-se logo no convento por sua inteligência brilhante, fé inabalável e dedicação incrível à oração e adoração ao Santíssimo Sacramento. No entanto, permaneceu Irmão leigo por toda a sua vida, contra o parecer dos seus superiores, porque se sentia indigno do ministério sacerdotal e tocar em Jesus Eucarístico com as suas mãos. Era tão carismático que a ele recorriam ilustres personalidades para aconselhamento, até mesmo o seu provincial, que lhe confiou a tarefa perigosa de levar documentos importantes para Paris. Essa viagem Pascoal fez a pé, descalço e com o hábito de franciscano, arriscando ser morto pelos calvinistas. Muitas vezes, foi espancado, zombado, insultado. Em Orléans, quase foi apedrejado por uma disputa acirrada sobre a Eucaristia com seus opositores. Defensor extremado de sua fé, travou grande luta contra os calvinistas franceses, que negavam a Eucaristia. Apesar da sua simplicidade, Pascoal era muito determinado quando se tratava de dissertar sobre sua espiritualidade e conhecimentos eucarísticos. A Eucaristia estava sempre ao centro da vida e da espiritualidade do frade Pascoal: quando voltou de Paris escreve uma Coleção de Máximas para provar a presença real de Jesus sob as espécies do Pão e do Vinho e o poder divino transmitido ao Papa. Este livreto foi parar mãos do Pontífice, em Roma, que lhe deu o apelido de “Serafim da Eucaristia”. Por isso foi considerado um dos primeiros e mais importantes teólogos da Eucaristia. De fato, a presença de Pascoal no mundo era angélica: seus confrades, muitas vezes, o viram em êxtase ou até em elevar-se durante as horas de adoração a Jesus Eucarístico, sobre a qual falava, continuamente, aos fiéis, aos frades e a todos, em cada momento e por toda a parte. Há uma coincidência curiosa na vida de Pascoal: o dia de seu nascimento, em 16 de maio de 1540, ocorreu no dia de Pentecostes e seu falecimento, – por fraqueza, provações, constantes jejuns e privações corporais, – em 17 de maio de 1592, também no dia de Pentecostes. Além do mais, seu nome, Pascoal, deve-se também a evento: a solenidade do Pentecostes, em espanhol, era chamada “Páscoa cor-de-rosa” ou “Páscoa do Pentecostes”. Na pobreza material, que o frade sempre buscava e que o acompanhou por toda a vida, Pascoal foi enriquecido pelos dons do Espírito Santo, sobretudo pela sabedoria. Apesar de mal saber ler e escrever, muitas personalidades o procuravam para pedir-lhe conselhos; entre os franciscanos, era ainda considerado um teólogo e, para os fiéis, um ponto de referência. No entanto, como foi dito, ele nunca foi sacerdote e nem teve a alegria de dar Jesus Eucarístico aos fiéis. Esta era uma das tantas privações, que havia decidido se infligir, porque não se considerava suficientemente digno. Após passar por tantas provações e mortificações do corpo, Pascoal faleceu, em 1592, depois de receber a Comunhão, no convento de Vila Real. Dizem que, durante seu enterro, o frade ainda abriu os olhos para adorar, mais uma vez, Jesus na Eucaristia. São Pascoal Baylon foi canonizado pelo Papa Alexandre VIII, há quase um século depois da sua morte, enquanto, em 1897, o Papa Leão XIII o proclamava Padroeiro das Obras e dos Congressos Eucarísticos. Os milagres do corpo incorrupto de São Pascoal Ele foi para o Céu, mas o seu corpo ficou e Deus realizou inúmeros milagres através de suas relíquias. Nascido em Torre Hermosa, no então Reino de Aragão, de uma humilde família de agricultores, Pascoal trabalhou como pastor de ovelhas dos 7 aos 24 anos. Conta-se que ele recebeu uma visão de São Francisco e de Santa Clara ordenando a ele que entrasse para a Ordem Franciscana. Em uma data futura, ele acabou sendo admitido ao mosteiro dos Franciscanos Alcantarinos de Monteforte. Como irmão religioso, ele serviu em várias funções nos mosteiros da Ordem, mas sua atividade predileta era cuidar dos pobres e doentes, pelos quais ele frequentemente derramava lágrimas de compaixão e realizava milagres de cura. A devoção à Santa Eucaristia era o tema dominante de sua vida. Seu primeiro biógrafo, Padre João Gimenez, que era amigo pessoal do santo, registra que Pascoal passava todo o seu tempo livre diante do tabernáculo, ajoelhado no próprio assoalho, com as mãos apertadas e firmes acima do rosto. Ele também conta que o santo se deleitava em servir a várias Missas sucessivas e que várias vezes passava a noite em oração diante do sacrário. Durante uma viagem à França em missão, ele foi chamado várias vezes para defender sua fé na Santa Eucaristia. Para um frade, usar o hábito durante aquele tempo de guerras religiosas era um convite ao desastre, e ele foi muitas vezes preso, interrogado e maltratado pelos calvinistas huguenotes. Em uma das cidades, ele chegou a ser apedrejado e sofreu um ferimento no ombro que o afligiu pelo resto da vida. Por uma coincidência, o exato “momento da partida desse santo homem para o Céu coincidiu com o de sua entrada no mundo. Ele tinha 52 anos naquele dia, Domingo de Pentecostes, ao amanhecer” de 15 de maio de 1592 [1]. A Visão de São Pascoal Bailão, por Giambattista Tiepolo. Devido à grande quantidade de pessoas que desejava ver os restos mortais, o seu corpo foi transportado da humilde cela em que ele morreu para uma das capelas na igreja de Nossa Senhora do Rosário. Os fiéis que passavam em fila pelo caixão ficavam impressionados com a irradiação celeste de seu semblante e com o líquido perfumado que se acumulava em sua testa desde o momento de sua morte. Durante os três dias de exposição, “o óleo milagroso que destilava dos membros do santo fluía copiosa e continuamente” [2]. Conta-se que foram necessários guardas armados para controlar as pessoas, muitas das quais foram autorizadas a coletar o dito líquido em pequenos tecidos, que depois curaram várias doenças até então sem esperança de cura. Também se conta que muitos dos que participaram do velório puderam testar a flexibilidade do corpo e abrir as pálpebras para ver os seus olhos, que eram de um brilho e de uma claridade incomuns. Dos grandes prodígios e milagres que aconteceram em todos os cantos, talvez o incidente mais extraordinário que ocorreu durante esse período solene foi a miraculosa abertura dos olhos do corpo, um milagre visto por muitas das pessoas que lotaram a igreja. Eleonora Jorda y Miedes, uma testemunha ocular desse fato, que até então sentia repulsa por cadáveres, relatou em seu testemunho: “Dirigi-me ao Irmão Pascoal como se ele estivesse vivo, beijei as suas mãos e seus pés e vi as milagrosas gotas de suor em sua fronte. No fim, estava me sentindo tão bem ao lado daquele santo homem que, a fim de permanecer o maior tempo possível com a sua bendita companhia, resolvi não deixar a capela antes do fim da Missa Solene. Devo confessar, para minha vergonha, que dava mais atenção ao que estava acontecendo ao redor do santo homem que à celebração do Santo Sacrifício. Quando o vi abrindo os olhos no momento da elevação da Hóstia, fiquei tão estarrecida que soltei um grito. ‘Mamãe, mamãe! — exclamei para minha mãe, que tinha vindo comigo — Veja, veja! Irmão Pascoal está com os olhos abertos!‘ Ela olhou e também viu os olhos do santo abertos. Todos os que fomos testemunhas desse milagre tínhamos em mente uma só coisa: que, com aquilo, Nosso Senhor queria recompensar a extraordinária devoção de Pascoal à Santa Eucaristia, dando a ele uma vida nova, a fim de que, mesmo do outro lado do túmulo, ele ainda tivesse a consolação de adorar Jesus no Santíssimo Sacramento do altar.” [3] Na noite do terceiro dia seguinte à sua morte, enquanto era preparado um lugar para o corpo sob o altar da Imaculada Conceição, Pascoal foi revestido de um novo hábito, já que o antigo havia sido despedaçado pelos fiéis. Antes do enterro, o vigilante cobriu o corpo com uma grossa camada de cal virgem para consumir rapidamente a carne e para produzir um material lustroso, que ele achou que poderia parecer bonito em um relicário. Ele também agiu pressupondo que a cal destruiria rapidamente a carne, impedindo assim que ela emitisse qualquer odor desagradável — um fato que chocaria as pessoas e “mancharia” a reputação adquirida pelo corpo depois de tantas maravilhas. O corpo permaneceu imperturbável nesse agente cáustico por oito meses, até que o provincial da Ordem, Padre João Gimenez, que ficara impossibilitado de assistir ao funeral devido a uma doença, visitou a urna do santo com o propósito de exumar secretamente o corpo. Quanto a esse incidente, ele relata que, em companhia de vários frades: “A tampa foi levantada e, quando nos aproximamos do relicário, atestamos a presença da crosta de cal que escondia o santo de nossa vista. Eu não permitiria que ninguém mais tivesse a honra de remover essa crosta. Por isso, fui retirando-a, pouco a pouco, começando com a porção que cobria o seu rosto. Ó alegria celestial! À medida que eu tirava a máscara, as feições de nosso bem-aventurado irmão eram reveladas, cheias de ânimo e de vivacidade. Era de fato ele mesmo, milagrosamente preservado na carne, intacto da cabeça aos pés, até na ponta do nariz, que é normalmente a primeira parte a dar sinais de decomposição. Quando levantei as pálpebras, parecia que os olhos se fixavam em nós e sorriam. Os membros estavam tão flexíveis que respondiam a cada movimento que fazíamos com eles. Nada lembrava morte, nem a presença de um cadáver: ao contrário, tudo respirava vida e trazia consolação e alegria para a alma. A linguagem humana é incapaz de retratar tal espetáculo. De joelhos diante do relicário nós derramamos as mais doces lágrimas de nossas vidas. Tomei a mão do santo sobre a minha e, trazendo-a para perto de meus lábios, beijei-a ternamente. Um líquido cristalino como bálsamo destilou de seu rosto e de suas mãos. Quando todos os religiosos tinham satisfeito sua devoção, uma camada fresca de cal se espalhou sobre o corpo e, então, eu me dirigi ao santo nos seguintes termos: ‘Aquele que por oito meses preservou-te tão milagrosamente sob esta cal, é poderoso o bastante para te preservar ainda, pelos muitos anos que hão de vir, e dar assim maior fulgor ao milagre, até chegar o tempo oportuno de transladar as tuas gloriosas relíquias a um sepulcro menos indigno de ti.’ Tendo restabelecido a urna em seu nicho, e reconstruído a pequena parede de tijolos, retiramo-nos em silêncio para preparar um registro desse primeiro reconhecimento do corpo.” [4] A segunda exumação foi realizada em 22 de julho de 1594. Os religiosos da comunidade encontraram apenas alguns pedaços de sua mortalha. O corpo, com exceção da extremidade das narinas e de alguns fragmentos de pele, continuava resistindo à corrupção, e descobriu-se que o pedaço de um ouvido e um dedo tinham sido anteriormente levados como relíquias. Também se descobriu que o corpo permaneceu sem apoio quando colocado em posição vertical. A data da terceira exumação privada não é conhecida, mas um incidente ocorrido nessa ocasião é digno de nota. Um dos religiosos, em segredo e sem autorização, amputou ambos os pés do santo e levou-os consigo. Ao descobrirem o sacrilégio, os superiores ordenaram que os pés fossem devolvidos, sob pena de excomunhão, e eles foram imediatamente recolocados no caixão algumas horas depois. A mutilação acabou sendo vantajosa, no entanto, pois de seus pés foram retiradas numerosas relíquias. Dezenove anos após a morte do santo, uma exumação oficial foi feita para o processo de beatificação. Na presença do bispo de Segorbe, do provincial, do postulante da causa, de alguns eminentes dignatários do país, de médicos, de cirurgiões e de um escrivão, os três cadeados do caixão foram abertos e as formalidades de costume foram observadas antes que o seu interior fosse revelado. “Assim que a tampa foi aberta, uma fragrância agradável, parecida com um aroma de flores, emergiu do sepulcro. Com uma tesoura, o bispo começou a abrir o hábito do santo até a cintura, a fim de dar aos médicos a oportunidade de fazer uma avaliação do corpo, que já estava por dezenove anos fechado dentro do caixão. Os médicos e cirurgiões empreenderam aquele delicado procedimento com o cuidado e a reverência que eram esperados de cristãos sinceros. A tampa foi recolocada assim que eles terminaram, satisfeitos, as suas investigações. No dia seguinte, a comissão se reuniu mais uma vez para ouvir a leitura do relatório médico. A conclusão a que chegaram, baseada nos princípios da ciência médica, confirmava o estado milagroso do corpo: ‘Nós, os médicos e cirurgiões abaixo assinados, afirmamos sob juramento diante de Deus e de acordo com a nossa consciência, que o corpo do irmão Pascoal Bailão é incorrupto, e que a forma de sua preservação é sobrenatural e milagrosa.’” [5] Aos prodígios e milagres mencionados acima deve ser acrescentado outro: o dos curiosos “golpes” que procediam de seu túmulo e de suas imagens. As batidas eram interpretadas instintivamente de acordo com a sua intensidade e frequência, e eram normalmente aceitas como um aviso amigável. É desnecessário dizer que os barulhos incomuns instilavam nos corações dos agraciados uma intensa alegria religiosa e uma grande consciência da presença do santo. Os estranhos barulhos foram escutados pela primeira vez quando um filho espiritual do santo, Antônio Pascal, começou a usar em seu pescoço um relicário contendo um pequeno fragmento de osso tirado de um dos seus pés. Primeiro, o menino sentia leves toques em seu peito, como se as relíquias estivessem vivas, e essas vibrações foram se tornando habituais. A quem quer que desconfiasse do milagre, era só o menino tirar o relicário e dizer devotamente: “Adorado seja o Santíssimo Sacramento do altar”, e as batidas imediatamente se faziam ouvir. A devoção ao Santíssimo Sacramento que Pascoal Bailão exibia tão devotamente durante a sua vida refletiu nos fenômenos e milagres realizados por ele depois de sua morte, os quais contribuíram em grande medida para um avivamento da fé e um aumento da devoção nos corações de muitos. Portanto, nada seria mais apropriado que Pascoal Bailão, canonizado em 1690, fosse declarado pelo Papa Leão XIII em 1897 padroeiro dos Congressos Eucarísticos e de todas as organizações dedicadas ao aumento do amor e da devoção à Santa Eucaristia. Conheça mais sobre São Pascoal Bailão São Pascoal Bailão, da ordem de São Francisco nasceu em 1540, em Torre Hermosa, pequeno burgo do reino de Aragão; seus pais, que ganhavam a vida cultivando a terra, eram extremamente virtuosos. Ele seguiu as primeiras pegadas, e parecia ter sugado o leite materno com máximas de piedade. A fortuna da família era muito limitada, para que o pudessem enviar à escola, e o piedoso menino supria a falta da seguinte maneira. Levava consigo um livro quando ia guardar o rebanho no campo, e pedia a todos que encontrava a caridade de fazê-lo conhecer as letras. O desejo que tinha de instruir-se foi tão vivo e sua intenção tão grande, que em breve soube perfeitamente ler e escrever. Não se servia dessa vantagem senão para aperfeiçoar o conhecimento da religião. Os livros de recreação pareciam-lhe insípidos; gostava dos que lhe relatavam as principais circunstâncias da vida de Jesus Cristo, e as ações dos que tinham imitado o seu exemplo. Apesar da extrema juventude, não encontrava prazer senão no que era sério e sólido. Quando saiu da primeira infância, mereceu elogios na qualidade de pastor. A vida tranqüila e inocente que lhe proporcionaria tal profissão, oferecia-lhe toda sorte de encantos. Cada objeto que se lhe apresentava aos olhos, servia para excitar-lhe a fé e devoção. Constantemente lia no grande livro da natureza, e por ele se elevava até Deus, a quem contemplava e bendizia em todas as suas obras. Valia-se, ainda, da leitura de livros próprios ao esclarecimento de seus deveres e a inspirar-lhe amor. Seu mestre, que tinha piedade, demonstrou-lhe a alegria que sentia ao vê-lo levar a vida tão edificante, propôs mesmo adotá-lo como filho e fazê-lo seu herdeiro. Mas Pascoal Bailão, que não suspirava senão pelos bens do céu, temeu que os da terra fossem um obstáculo preferindo permanecer na primeira situação. Acreditava mediante ela adquirir a conformidade com o Salvador, que tinha vindo ao mundo, não para ser servido, mas para servir. Viam-no frequentemente orar de joelhos, sob uma árvore qualquer, ao longe, enquanto o rebanho pastava nas montanhas. Foi um destes entretenimentos secretos com Deus, na prática da humildade e numa atenção extrema para purificar todas as ações de sua alma, que adquiriu a experiência consumada nas coisas espirituais, experiência que despertava admiração até nos mais perfeitos. Ninguém tinha mais razão do que ele para dizer com Davi: Felizes os que vós instruis pessoalmente, ó meu Deus! Quando falava de Deus e da virtude, fazia-o com essa unção, essa luz, esse fervor de sentimento que o Espírito Santo comunica às almas inteiramente afastadas das coisas terrestres e que se consomem no amor divino. Mais de uma vez aconteceu sobrevirem-lhe transportes durante a prece, e frequentemente não podia aos olhos dos homens a veemência do amor sagrado que o extasiava e fazia de certa forma a sua alma fundir-se pelos excessos das doçuras celestes. Experimentava em si próprio o que relatam muitos contemplativos, a saber: que a consolação comunicada às almas piedosas pelo Espírito Santo é infinitamente maior que todos os prazeres do mundo, mesmo que reunidos todos num só homem. Ela fazia, por assim dizer, dissolver o coração por um vivo sentimento de alegria, a ponto de não poder mais conter-se Era então que o servo de Deus cantava com o rei profeta: Minha alma se rejubila no Senhor, e ela triunfará de sua libertação. Todos os meus ossos exclamarão: Senhor, quem é semelhante a Vós? Conquanto a virtude não deva ter a recompensa senão no céu, ela não deixa de receber na terra um como que antegozo, que a sustém nos combates. Deus, neste vale de lágrimas, mudará seus desertos num lugar de delícias, e sua solidão num jardim do Senhor. Ali se verá em toda parte a alegria e o júbilo; ali se ouvirão as ações de graças e os cânticos de louvor à glória do Eterno. Julga-se acertadamente que não recebia tantas graças extraordinárias, senão como preço de sua paciência nas provas interiores, duma abnegação perene e de uma perfeita crucificação de sua carne. O rocio das consolações celestes não tomba jamais sobre uma alma não mortificada que procura as alegrias deste mundo. O santo não se acreditava dispensado de esmolas na sua pobreza; fazia-o na medida que lhe era possível, e tomava para socorrer os infelizes, do que lhe davam para a subsistência. Dava-lhes uma parte das pequenas provisões que lhes enviavam no campo. Por mais amor que tivesse pela profissão, não deixou de encontrar dificuldades que o desgostaram pouco a pouco. Não conseguia, apesar de toda a vigilância, impedir que as cabras que guardava fosse, vez por outra, em terreno alheio; isso foi causa de que abandonasse o cuidado delas. Tomou outro rebanho; m,as encontrou ao mesmo tempo outros motivos para sofrimentos. Alguns de seus companheiros tinham o costume de praguejar, brigar e bater-se. Ele havia-lhes chamado a atenção para a indignidade de tal conduta, mas eles não o escutavam, persistiam nas desordens. Concebeu então o plano de abandoná-los para não participar de seus crimes. Antes de escolher um estado de vida, redobrou as orações, os jejuns e outras austeridades: dispunha-se, assim, a conhecer a vontade de Deus. Algum tempo após, acreditou-se chamado à vida religiosa. As pessoas a quem se abriu, indicaram-lhe conventos ricamente ornados; mas não eram a classe de casas que desejava. Sou pobre, dizia, e estou resolvido a viver e morrer na pobreza e na penitência. Com a idade de vinte anos, deixou o mestre e pátria, e dirigiu-se para o reino de Valência, onde havia um convento dos franciscanos descalços, chamados “Tamanqueiros” em virtude de uma espécie de tamanco ou sandália que traziam. Esse convento situava-se num deserto, a regular distância da cidade de Monteforte. Dirigiu-se aos religiosos da casa para consultá-los sobre a verdadeira maneira de servir a Deus, e depois entrou para o serviço dos sitiantes da vizinhança, para guardar-lhes os rebanhos. Sua vida recolhida e penitente fê-lo conhecido em breve. Falavam dele como sendo o santo pastor. Afinal, resolveu romper todas as relações com o mundo. Apresentou-se ao convento dos franciscanos e pediu que o recebessem na qualidade de irmão converso, o que lhe foi concedido em 1564. Ofereceram-lhe inutilmente colocá-lo entre os religiosos do coro: a humildade fê-lo recusar a proposta. Seu fervor não terminou com o noviciado, como acontece frequentemente; manteve-se, e aumentou mesmo dia a dia. Seu amor pela mortificação o fazia acrescentar novas austeridades às de sua regra; mas ele assim agia com grande simplicidade de coração e não tinha apego à própria vontade. Se acontecia advertirem-no os superiores de que levava as coisas longe demais, aceitava-lhes as advertências e atinha-se à letra da regra. Procurava sempre as mais baixas ocupações da comunidade. Quando mudava de convento, conforme o costume da ordem que, pelas mudanças, queria prevenir os apegos secretos do coração, não o ouviam jamais queixar-se; nem dava mesmo a entender que achava alguma coisa de mais gracioso numa casa do que noutra, porque estava inteiramente morto para o mundo e procurava Deus em tudo. Jamais se permitiu um repouso entre os deveres da igreja e os do claustro; rezava sempre, mesmo durante o trabalho. Não tinha senão um hábito, velho e usado. Andava sem sandálias na neve e nos caminhos mais ásperos. Em qualquer lugar, em qualquer estação, era sempre o mesmo, alegre, doce, afável e respeitoso para com todos. Se lhe anteparava uma oportunidade para prestar a alguém serviços humilhantes e penosos, aproveita-a com empenho e tinha-se por muito honrado. O geral de sua ordem, Cristóvão de Cheffontaines, duma antiga família da Bretanha, estava em Paris, quando São Pascoal lhe foi enviado em deputação, para tratar de assuntos da província. Partiu para a França sem se deixar atemorizar à vista dos perigos sem conta que teria que enfrentar da parte dos huguenotes, senhores de quase todas as cidades por onde teria que passar. Fez a viagem descalço e com o hábito franciscano, o que o expunha ainda mais ao furor dos heréticos. Estes o perseguiram muitas vezes a golpes de pedra e bastão. Pascoal recebeu no ombro um ferimento do qual se ressentiu a vida inteira. Duas vezes o prenderam como espião; mas Deus soube livrá-lo de todos os perigos. Desincumbindo-se da missão com o seu geral, deixou a França para voltar à Espanha. No mesmo dia da chegada, retomou, apesar da fadiga adveniente da viagem, os trabalhos e funções habituais. Nunca o ouviram falar dos perigos arrostados. Contentava-se em responder em poucas palavras, às diversas perguntas que lhe faziam; ainda tinha o cuidado de suprimir o que teria sido capaz de atrair-lhe louvores. Tinha uma terna devoção pela divina Eucaristia, bem como pela paixão do Salvador. Nos últimos anos de vida, passava a maior parte da noite ao pé dos altares, por vezes de joelhos, prostrado por vezes. Honrava também especialmente a Mãe de Deus, e não cessava de pedir, por sua intercessão a pureza da alma. São Pascoal Bailão morreu em Villareal, perto de Valência, em 17 de Maio de 1592, na idade de cinqüenta e dois anos. Durante os três dias que seu corpo ficou exposto, operou um grande número de milagres. Foi beatificado no ano 1618 por Paulo V, e canonizado em 1690 por Alexandre VIII, (4) #SantodoDia
- São Simão Stock, que recebeu o escapulário da Virgem do Carmo – 16 de Maio
SANTO DO DIA – 16 DE MAIO – SÃO SIMÃO STOCK Prior-geral da Ordem Carmelita (1165-1265) Hoje celebramos a memória de um dos mais importantes Santos Carmelitas: São Simão Stock. É venerado na ordem do Carmo pela sua grande santidade e pela sua admirável devoção à Virgem Maria, de quem recebeu o Escapulário, enquanto ele rezava a oração do «Flos Carmeli» na sua cela. Simão nasceu em 1165, no castelo da família em Kent, Inglaterra. O seu pai era governador local, e tinha parentesco com a casa real do seu país. A família, cristã e pia, proporcionou-lhe uma formação intelectual e religiosa aprimorada. Aluno aplicado e inteligente, frequentou o colégio de Oxford desde os sete anos de idade. Mesmo sendo conduzido para uma carreira que trouxesse glórias terrenas, o que Simão desejava era poder seguir a vida religiosa: para servir a Deus, para a glória de Deus. Aos doze anos, deixou o castelo paterno para viver como eremita. Retirou-se para o interior da floresta perto de Oxford, e nela viveu sua existência consagrada ao Senhor. A morada escolhida era o velho tronco oco de um carvalho. Logo essa notícia se empalhou e o estranho monge passou a ser chamado de Simão ‘Stock’. Assim ele viveu por vinte anos, empenhado na contemplação, na oração e penitência. Certa noite, sonhou com Nossa Senhora, que lhe dizia para juntar-se aos monges vindos do mosteiro de Monte Carmelo. A Ordem dos Carmelitas é uma das mais antigas e a primeira criada em homenagem a Maria naquele mosteiro na Palestina. Mesmo não entendendo direito o sonho, Simão obedeceu a Maria. Voltou para o castelo e aos estudos, formou-se em teologia e recebeu as sagradas ordens. Enquanto aguardava a chegada dos monges, percorria as aldeias visitando pobres e doentes, e evangelizando. Em 1213, os carmelitas chegaram à Inglaterra. Simão pôde, finalmente, receber o hábito da Ordem. Após dois anos, por seu mérito e virtudes, foi nomeado coadjutor na direção da Ordem. E finalmente, em 1216, ocupou o cargo de vigário-geral de todas as províncias europeias. Era o período dos mais delicados para esses monges, pois eram perseguidos por outras ordens, e a dos carmelitas quase foi extinta. Diante das circunstâncias, Simão Stock, então prior-geral, enviou delegados ao papa Honório III para informá-lo da situação crucial, e pedir sua proteção. Ao mesmo tempo, convidou todos os carmelitas a rezarem pedindo ajuda a Maria para a Ordem que lhe foi dedicada, até que viesse a resposta de Roma. Primeiro veio a resposta da Santíssima Virgem. Simão estava em profunda oração contemplativa quando viu aparecer a Mãe de Deus, cercada de anjos, que lhe mostrou o santo escapulário da Ordem, dizendo-lhe: ‘Este será o privilégio para ti e todos os carmelitas; quem morrer vestindo-o, se salvará’. Mandou distribuí-lo aos monges da Ordem para tranquilizá-los. Segundo a tradição, a aparição ocorreu no dia 16 de julho de 1251. Depois chegou a decisão do papa Inocêncio, por meio de uma mensagem datada de 13 de janeiro de 1252, entregue a ele pelos representantes que voltaram. Nela, o sumo pontífice informava que declarava a existência legal da Ordem dos Carmelitas e autorizava a continuar a criação dos seus mosteiros na Europa. Foi assim que Simão agiu, inclusive promovendo a mudança estrutural da Ordem, que passou da vida monástica eremítica oriental, para aquela seguida no Ocidente, dos mendicantes ou apostólicos. Você sabia que a última frase da Ave Maria foram as últimas palavras pronunciadas por São Simão Stock? A segunda parte da Ave Maria tem origem na ordem mais antiga da Igreja: a Ordem Carmelita. São Simão Stock, Prior da Ordem Carmelitana, na hora de sua morte rezou uma Ave Maria, completando: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte”. A Igreja então começou a adotar suas últimas palavras à saudação angélica que utilizamos até hoje. A devoção ao escapulário se difundiu rapidamente à cristandade toda, do Ocidente ao Oriente, como um sinal da proteção maternal de Maria e do próprio empenho de seguir Jesus como sua Santíssima Mãe. Simão morreu, com quase cem anos, em 16 de maio de 1265, no mosteiro de Bordeaux, na França, onde foi enterrado. A festa a são Simão Stock é celebrada, no dia 16 de maio, desde 1524, culto que a Igreja depois confirmou e incluiu no seu calendário litúrgico. Leia também: Conheça mais sobre o Escapulário: “Aqueles que morrerem com este Escapulário não padecerão o fogo do Inferno” ~ Nossa Senhora do Carmo #NossaSenhoradoCarmo #Santos
- São Simão Stock, que recebeu o escapulário da Virgem do Carmo – 16 de Maio
SANTO DO DIA – 16 DE MAIO – SÃO SIMÃO STOCK Prior-geral da Ordem Carmelita (1165-1265) Hoje celebramos a memória de um dos mais importantes Santos Carmelitas: São Simão Stock. É venerado na ordem do Carmo pela sua grande santidade e pela sua admirável devoção à Virgem Maria, de quem recebeu o Escapulário, enquanto ele rezava a oração do «Flos Carmeli» na sua cela. Simão nasceu em 1165, no castelo da família em Kent, Inglaterra. O seu pai era governador local, e tinha parentesco com a casa real do seu país. A família, cristã e pia, proporcionou-lhe uma formação intelectual e religiosa aprimorada. Aluno aplicado e inteligente, frequentou o colégio de Oxford desde os sete anos de idade. Mesmo sendo conduzido para uma carreira que trouxesse glórias terrenas, o que Simão desejava era poder seguir a vida religiosa: para servir a Deus, para a glória de Deus. Aos doze anos, deixou o castelo paterno para viver como eremita. Retirou-se para o interior da floresta perto de Oxford, e nela viveu sua existência consagrada ao Senhor. A morada escolhida era o velho tronco oco de um carvalho. Logo essa notícia se empalhou e o estranho monge passou a ser chamado de Simão ‘Stock’. Assim ele viveu por vinte anos, empenhado na contemplação, na oração e penitência. Certa noite, sonhou com Nossa Senhora, que lhe dizia para juntar-se aos monges vindos do mosteiro de Monte Carmelo. A Ordem dos Carmelitas é uma das mais antigas e a primeira criada em homenagem a Maria naquele mosteiro na Palestina. Mesmo não entendendo direito o sonho, Simão obedeceu a Maria. Voltou para o castelo e aos estudos, formou-se em teologia e recebeu as sagradas ordens. Enquanto aguardava a chegada dos monges, percorria as aldeias visitando pobres e doentes, e evangelizando. Em 1213, os carmelitas chegaram à Inglaterra. Simão pôde, finalmente, receber o hábito da Ordem. Após dois anos, por seu mérito e virtudes, foi nomeado coadjutor na direção da Ordem. E finalmente, em 1216, ocupou o cargo de vigário-geral de todas as províncias europeias. Era o período dos mais delicados para esses monges, pois eram perseguidos por outras ordens, e a dos carmelitas quase foi extinta. Diante das circunstâncias, Simão Stock, então prior-geral, enviou delegados ao papa Honório III para informá-lo da situação crucial, e pedir sua proteção. Ao mesmo tempo, convidou todos os carmelitas a rezarem pedindo ajuda a Maria para a Ordem que lhe foi dedicada, até que viesse a resposta de Roma. Primeiro veio a resposta da Santíssima Virgem. Simão estava em profunda oração contemplativa quando viu aparecer a Mãe de Deus, cercada de anjos, que lhe mostrou o santo escapulário da Ordem, dizendo-lhe: ‘Este será o privilégio para ti e todos os carmelitas; quem morrer vestindo-o, se salvará’. Mandou distribuí-lo aos monges da Ordem para tranquilizá-los. Segundo a tradição, a aparição ocorreu no dia 16 de julho de 1251. Depois chegou a decisão do papa Inocêncio, por meio de uma mensagem datada de 13 de janeiro de 1252, entregue a ele pelos representantes que voltaram. Nela, o sumo pontífice informava que declarava a existência legal da Ordem dos Carmelitas e autorizava a continuar a criação dos seus mosteiros na Europa. Foi assim que Simão agiu, inclusive promovendo a mudança estrutural da Ordem, que passou da vida monástica eremítica oriental, para aquela seguida no Ocidente, dos mendicantes ou apostólicos. Você sabia que a última frase da Ave Maria foram as últimas palavras pronunciadas por São Simão Stock? A segunda parte da Ave Maria tem origem na ordem mais antiga da Igreja: a Ordem Carmelita. São Simão Stock, Prior da Ordem Carmelitana, na hora de sua morte rezou uma Ave Maria, completando: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte”. A Igreja então começou a adotar suas últimas palavras à saudação angélica que utilizamos até hoje. A devoção ao escapulário se difundiu rapidamente à cristandade toda, do Ocidente ao Oriente, como um sinal da proteção maternal de Maria e do próprio empenho de seguir Jesus como sua Santíssima Mãe. Simão morreu, com quase cem anos, em 16 de maio de 1265, no mosteiro de Bordeaux, na França, onde foi enterrado. A festa a são Simão Stock é celebrada, no dia 16 de maio, desde 1524, culto que a Igreja depois confirmou e incluiu no seu calendário litúrgico. Leia também: Conheça mais sobre o Escapulário: “Aqueles que morrerem com este Escapulário não padecerão o fogo do Inferno” ~ Nossa Senhora do Carmo #NossaSenhoradoCarmo #Santos
- A Ganância – Um mês com Maria | 16° dia
A GANÂNCIA São Maximiliano Maria Kolbe queria fazer amada a Imaculada por todos os homens, pois isso era felicidade aos infelizes que procuram felicidade nas “alegrias” do mundo. A fonte infinita da verdadeira felicidade é Deus. Ele se doou a nós em Cristo. Jesus se doou a nós na Imaculada e através dela. Pela Imaculada começa o caminho de felicidade que leva à fonte infinita: ao amor Trinitário. “Amai a Imaculada e Ela vos fará felizes” era o anúncio de S. Maximiliano. Procurar a felicidade nas alegrias deste mundo é ilusório, porque as alegrias terrenas não trazem nem provocam amor, mas ganância que é o envenenamento do amor, como ensina S. Tomás de Aquino. Por isto o abade S. Antão distribuiu todos os seus bens aos pobres e foi procurar a felicidade no deserto. Já antes, S. Paulo tinha esculpido em uma frase terrível a realidade da ganância dos bens terrenos no homem: “A ganância é a raiz de todos os males” (I Tm 6,10) S. Bernardo afirma: “Não conheço uma doença espiritual mais dura de suportar quanto a febre dos bens terrenos.” O que pode curar esta febre é somente uma outra febre: a do amor Divino. Uma postulante pediu, certa vez, para entrar entre as filhas de S. Joana Francisca de Chantal, trazendo consigo coisas inúteis. A Santa aconselhou-se com S. Francisco de Sales que lhe orientou deixá-la entrar com aquilo que quiser. “Quando o amor de Deus entrar na sua alma, saberá mandar embora o resto.” À medida da nossa separação das coisas terrenas é a mesma do amor de Deus, porque como diz Santo Agostinho: “Mais uma alma se separa dos bens da Terra, mais adere a Deus”. Não amai o mundo Em uma carta escrita a um companheiro de escola, S. Gabriel de Nossa Senhora das Dores, depois de tê-lo posto em guarda contra os perigos fatais e sedutores das más companhias, dos espetáculos e divertimentos mundanos, concluiu assim: “Dize-me, Felipe: eu poderia receber mais divertimentos do que os que provei no século? Bem, o que sobra? Confesso: nada além da amargura!” Eis o que reserva ao homem a experiência dos bens e dos prazeres terrenos: nada mais que amargura. Por isto o apóstolo S. João nos adverte com força: “Não amai o mundo nem as coisas dele. Se uma pessoa ama o mundo, o amor do Pai não está com ela, porque tudo o que está no mundo, a concupiscência da carne, os olhos e a soberba da vida, não veem do Pai, mas do mundo. E o mundo passa com sua concupiscência, mas quem faz a vontade de Deus fica eterno”! (I JO 1,15-17). Quem se entrega ao mundo e às suas concupiscências, quem vive de frivolidades, o que poderá esperar de Deus? S. Tomás Moro, 1º Ministro da Inglaterra, entrou no quarto da filha e achou-a preparando-se para uma festa. Para modelar o busto, duas damas a apertavam com cordas. Ao ver aquele martírio suportado pela vaidade mundana, o pai olhou para o céu e num suspiro, disse à filha: “Filha, o Senhor teria razão se te mandasse para o inferno, já que te esforças tanto para lá ires te danar”. Inimigo de Deus Quantas vezes para satisfazer a própria ganância recorre-se a injustiças e abusos, não se chega a brigas e lutas? Por um pedaço de terra, por uma herança, um lucro, travam-se lutas amargas e violentas. S. Tiago grita: “De onde vieram as guerras e brigas que estão em vosso meio? Não chegam das paixões que combatem vossos membros? Desejais e não conseguis possuir, e matais; invejais e não conseguis obter; fazeis guerra! Não tendes porque não pedis; pedis e não obtendes porque pedis mal, para gastar com vossos prazeres. Gente infiel! Não sabeis que amar o mundo é odiar a Deus? Quem então quer ser amigo do mundo, torna-se inimigo de Deus”. (Tg 4,1-4) Duras palavras! Por isso os santos, como S. Paulo, consideram cada bem terreno como perda, lixo, pois ganhar é encontrar-se em Jesus (cf. Fl 3,8-9). Lembremos de S. Francisco de Assis, apenas convertido, deu-se conta e chamou loucura ir atrás das coisas vãs deste mundo. Em sua total pobreza, viu-se totalmente transfigurado em Jesus Crucificado. Uma vez, um filho espiritual de S. Felipe Néri comunicou-lhe, moribundo, que lhe deixava a herança, por testamento. S. Felipe não só não exultou esta oferta, mas mostrou-se aflito pela doação e lhe disse que teria muito rezado pela sua cura, oferecendo até a própria vida. Impôs-lhe as mãos e partiu. O enfermo se curou e o testamento foi queimado. Uma só ganância tinham os santos: Desejavam ardentemente morrer e estarem em Cristo (S. Paulo), Deus era-lhes Deus e Senhor, o tudo! (S. Francisco de Assis) e a idéia fica na Imaculada (S. Maximiliano Maria Kolbe). Votos Fazer esmola aos pobres de qualquer bem não necessário; Meditar: I Jo 2,15-17 e Tg 4, 1-4; Pedir a Nossa Senhora, com o Rosário, a separação do coração do mundo. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- A Ganância – Um mês com Maria | 16° dia
A GANÂNCIA São Maximiliano Maria Kolbe queria fazer amada a Imaculada por todos os homens, pois isso era felicidade aos infelizes que procuram felicidade nas “alegrias” do mundo. A fonte infinita da verdadeira felicidade é Deus. Ele se doou a nós em Cristo. Jesus se doou a nós na Imaculada e através dela. Pela Imaculada começa o caminho de felicidade que leva à fonte infinita: ao amor Trinitário. “Amai a Imaculada e Ela vos fará felizes” era o anúncio de S. Maximiliano. Procurar a felicidade nas alegrias deste mundo é ilusório, porque as alegrias terrenas não trazem nem provocam amor, mas ganância que é o envenenamento do amor, como ensina S. Tomás de Aquino. Por isto o abade S. Antão distribuiu todos os seus bens aos pobres e foi procurar a felicidade no deserto. Já antes, S. Paulo tinha esculpido em uma frase terrível a realidade da ganância dos bens terrenos no homem: “A ganância é a raiz de todos os males” (I Tm 6,10) S. Bernardo afirma: “Não conheço uma doença espiritual mais dura de suportar quanto a febre dos bens terrenos.” O que pode curar esta febre é somente uma outra febre: a do amor Divino. Uma postulante pediu, certa vez, para entrar entre as filhas de S. Joana Francisca de Chantal, trazendo consigo coisas inúteis. A Santa aconselhou-se com S. Francisco de Sales que lhe orientou deixá-la entrar com aquilo que quiser. “Quando o amor de Deus entrar na sua alma, saberá mandar embora o resto.” À medida da nossa separação das coisas terrenas é a mesma do amor de Deus, porque como diz Santo Agostinho: “Mais uma alma se separa dos bens da Terra, mais adere a Deus”. Não amai o mundo Em uma carta escrita a um companheiro de escola, S. Gabriel de Nossa Senhora das Dores, depois de tê-lo posto em guarda contra os perigos fatais e sedutores das más companhias, dos espetáculos e divertimentos mundanos, concluiu assim: “Dize-me, Felipe: eu poderia receber mais divertimentos do que os que provei no século? Bem, o que sobra? Confesso: nada além da amargura!” Eis o que reserva ao homem a experiência dos bens e dos prazeres terrenos: nada mais que amargura. Por isto o apóstolo S. João nos adverte com força: “Não amai o mundo nem as coisas dele. Se uma pessoa ama o mundo, o amor do Pai não está com ela, porque tudo o que está no mundo, a concupiscência da carne, os olhos e a soberba da vida, não veem do Pai, mas do mundo. E o mundo passa com sua concupiscência, mas quem faz a vontade de Deus fica eterno”! (I JO 1,15-17). Quem se entrega ao mundo e às suas concupiscências, quem vive de frivolidades, o que poderá esperar de Deus? S. Tomás Moro, 1º Ministro da Inglaterra, entrou no quarto da filha e achou-a preparando-se para uma festa. Para modelar o busto, duas damas a apertavam com cordas. Ao ver aquele martírio suportado pela vaidade mundana, o pai olhou para o céu e num suspiro, disse à filha: “Filha, o Senhor teria razão se te mandasse para o inferno, já que te esforças tanto para lá ires te danar”. Inimigo de Deus Quantas vezes para satisfazer a própria ganância recorre-se a injustiças e abusos, não se chega a brigas e lutas? Por um pedaço de terra, por uma herança, um lucro, travam-se lutas amargas e violentas. S. Tiago grita: “De onde vieram as guerras e brigas que estão em vosso meio? Não chegam das paixões que combatem vossos membros? Desejais e não conseguis possuir, e matais; invejais e não conseguis obter; fazeis guerra! Não tendes porque não pedis; pedis e não obtendes porque pedis mal, para gastar com vossos prazeres. Gente infiel! Não sabeis que amar o mundo é odiar a Deus? Quem então quer ser amigo do mundo, torna-se inimigo de Deus”. (Tg 4,1-4) Duras palavras! Por isso os santos, como S. Paulo, consideram cada bem terreno como perda, lixo, pois ganhar é encontrar-se em Jesus (cf. Fl 3,8-9). Lembremos de S. Francisco de Assis, apenas convertido, deu-se conta e chamou loucura ir atrás das coisas vãs deste mundo. Em sua total pobreza, viu-se totalmente transfigurado em Jesus Crucificado. Uma vez, um filho espiritual de S. Felipe Néri comunicou-lhe, moribundo, que lhe deixava a herança, por testamento. S. Felipe não só não exultou esta oferta, mas mostrou-se aflito pela doação e lhe disse que teria muito rezado pela sua cura, oferecendo até a própria vida. Impôs-lhe as mãos e partiu. O enfermo se curou e o testamento foi queimado. Uma só ganância tinham os santos: Desejavam ardentemente morrer e estarem em Cristo (S. Paulo), Deus era-lhes Deus e Senhor, o tudo! (S. Francisco de Assis) e a idéia fica na Imaculada (S. Maximiliano Maria Kolbe). Votos Fazer esmola aos pobres de qualquer bem não necessário; Meditar: I Jo 2,15-17 e Tg 4, 1-4; Pedir a Nossa Senhora, com o Rosário, a separação do coração do mundo. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- Novena a Nossa Senhora Auxiliadora
Reze esta poderosa novena e peça a intercessão de Nossa Senhora Auxílio dos Cristãos. A devoção a Nossa Senhora Auxiliadora começou num período em que várias nações cristãs estavam perecendo. O papa Pio V tomou a decisão de organizar uma esquadra para resgatar os cristãos que estavam sob o jugo da escravidão muçulmana. Para isso, ele invocou o auxílio da Virgem Maria. A vitória não demorou a chegar. No mesmo ano, os cristãos derrotaram os muçulmanos e afastaram a perseguição do povo. Em agradecimento a Nossa Senhora, o papa Pio V acrescentou a invocação, “auxiliadora dos cristãos” às ladainhas em honra a Maria, Mãe de Jesus. Contudo, quem instituiu a Festa de Nossa Senhora Auxiliadora foi o papa Pio VII, em 1816. Preparemo-nos para rezar, durante nove dias, a novena a Nossa Senhora Auxiliadora. Assim, caso seja possível receber, durante a novena, os Santos Sacramentos da Confissão e da Eucaristia. Fazer uma oferta, segundo as próprias possibilidades, para a educação cristã dos meninos pobres. Ter muita fé em Jesus, presente na Eucaristia, e em Maria Auxiliadora. Após rezar a novena, clique aqui e conheça mais sobre Nossa Senhora Auxiliadora. Dia da Novena (Escolha o dia da novena) 1º dia 2º dia 3º dia 4º dia 5º dia 6º dia 7º dia 8º dia 9º dia 1º Dia “Ave do mar Estrela, bendita Mãe de Deus, fecunda e sempre virgem, Portal feliz dos céu.” Oração inicial: Ó, Virgem Santíssima, poderoso auxílio dos cristãos, que recorrem confiados ao trono da vossa misericórdia, ouvi as preces desse pobre pecador, que implora o vosso socorro, para poder fugir sempre do pecado e das ocasiões de pecar. Eis a primeira graça que desejo receber nesta novena. Breve Leitura Bíblica e Pequena Promessa: “Um sinal grandioso apareceu no céu: uma Mulher vestida com o sol, tendo a lua sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap. 12,1). “Enfurecido por causa da Mulher, o Dragão foi então guerrear contra o resto dos seus descendentes, os que observam os mandamentos de Deus e mantém o Testemunho de Jesus” (Ap. 12,17) Duplo sinal distintivo fiéis autênticos: Jesus e Maria. Salvação dos que creem e auxílio dos cristãos. Até a morte, prometo permanecer fiel a minha religião: Santa, Católica, Apostólica e Romana. Clique aqui para rezar oração final 2º Dia “Ouvindo aquela Ave do Anjo Gabriel, mudando de Eva o nome, trazei-nos paz do céu” Oração inicial: Maria Santíssima, Mãe de bondade e misericórdia, que muitas vezes, com o vosso visível Patrocínio, livrastes o povo cristão dos assaltos e da barbárie dos muçulmanos, livrai, eu vô-lo peço, a minha alma dos assaltos do demônio, do mundo e da carne; e fazei que eu possa, em todo tempo, obter completa vitória sobre os inimigos da minha alma. Breve leitura bíblica e pequena promessa: “Disse então, Maria: ‘Eu sou a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra’”. (Lc 1,18) Em poucas palavras, Maria Santíssima nos oferece um exemplo da humildade, obediência e disponibilidade para fazer a vontade de Deus e colaborar na realização do seu plano de salvação. “Senhor, que queres que eu faça? Fazei-me instrumento da vossa paz“. Clique aqui para rezar oração final 3º Dia “Ao cego iluminai, ao réu livrai também, de todo mal guardai-nos e dai-nos todo o bem.” Oração inicial: Oh Maria, Rainha poderosíssima, que sozinha triunfaste das múltiplas heresias que procuravam arrancar tantos filhos do Grêmio da Santa Madre Igreja, ajudai-me, eu vô-lo peço, a manter e conservar firme a minha fé, e puro o meu coração no meio de tantas insídias e do veneno de tão perversas doutrinas. Breve Leitura Bíblica e Pequena Promessa: “Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Maria permaneceu com ela mais ou menos três meses, e voltou para sua casa” (Lc 1,39-40, 56). Com certeza, Maria permaneceu até o nascimento de São João Batista, porque soube que, neste período, precisam as mulheres grávidas de ajuda e auxílio especial. Aqui, temos um belo exemplo da caridade. Eu também prometo praticar sempre a caridade e as obras de misericórdia. Clique aqui para rezar oração final 4º Dia “Mostrai ser nossa Mãe, levando a nossa voz a quem, por nós nascido, dignou-se a vir de vós.” Oração inicial: Oh Maria, minha Mãe dulcíssima, vós que sóis a Rainha dos Mártires, por tantos atos heroicos de coragem e de fortaleza que tivestes na terra, dignai-vos infundir, no meu coração, a força necessária para conservar-me constante do vosso serviço, a fim de que, desprezando todo o respeito humano, possa praticar abertamente e sem envergonhar-me todos os meus deveres religiosos e mostrar-me sempre e em todas as ocasiões vosso devoto(a) filho(a) até a morte. Breve Leitura Bíblica e Pequena Promessa: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu, aflitos te procurávamos” (Lc 2,48). Com que admirável delicadeza Maria admoesta seu Filho perdido e achado no templo. Um belo exemplo para os pais de família. Os filhos crescem em sabedoria, estatura e em graça, diante de Deus e diante dos homens, quando recebem bom exemplo dos pais. Na educação dos filhos, prometo sempre praticar a paciência, a prudência e a seriedade. Clique aqui para rezar oração final 5º Dia “Suave mais que todas, Oh, Virgem sem igual, fazei-nos mansos, puros, guardai-nos contra o mal.” Oração inicial: Oh, Maria, Mãe querida, que, no triunfo do Papa Pio VII, mostrastes o vosso valioso patrocínio, estendei o vosso manto piedoso por sobre toda a Santa Igreja, especialmente sobre o seu Augusto Chefe, o Papa (João Paulo II), contra os assaltos de tantos inimigos, livrai-o dos sofrimentos temporais e assisti-o sempre, a fim de que possa conduzir seguramente ao porto a barca de São Pedro, e triunfar das ondas orgulhosas que tentam fazê-la sossobrar. Breve Leitura Bíblica e Pequena Promessa: “Naquele tempo, houve bodas em Caná da Galileia, e a mãe de Jesus estava presente. Jesus também fora convidado para as bodas assim como seus discípulos” (Jo 6,1-11). Vindo a faltar o vinho das bodas, Jesus fez milagre a pedido confiante de Sua Mãe. Ela também a nós convida a obedecer de modo especial Jesus, dizendo: “O que Ele disser, fazei-o”. “Felizes os que ouvem a Palavra de Deus e a praticam”. Clique aqui para rezar oração final 6º Dia “Oh, dai-nos vida pura, guiai-nos para a luz, e um dia, ao vosso lado, possamos ver Jesus.” Oração inicial: Oh, Maria, Rainha dos Apóstolos, tomai sob a vossa valiosa proteção os Sagrados Ministros e todos os fiéis da Igreja Católica, alcançai-lhes o espírito de união, de perfeita obediência ao Sumo Pontífice e de zelo fervoroso para a salvação das almas, e especialmente dignai-vos estender a vossa amorável assistência aos missionários, para que possam conduzir todos os povos da terra à fé verdadeira, a fim de que, assim, o mundo todo se torne um só aprisco debaixo do guia de um só Pastor, Jesus Cristo Nosso Senhor. Breve Leitura Bíblica e Pequena Promessa: “O Senhor é o teu louvor e o teu Deus, é ele quem operou para ti coisas grandiosas” (Dt 10,21a). Na verdade, Deus, olhando a humildade de sua serva fiel, Maria Santíssima, deu-nos por meio dela o Salvador de todos os homens, Jesus Cristo, Senhor Nosso. “Oh, Maria, dai-nos graça de imitar seu amor de Deus o do próximo”. Clique aqui para rezar oração final 7º Dia “Louvor a Deus, ao Pai e ao Filho, Sumo Bem, com seu Divino Espírito agora e sempre. Amém” Oração inicial: Ó Maria, Mãe de piedade e clemência, que tantas vezes, com a vossa eficaz intercessão, salvastes os cristãos da peste e de outros flagelos do corpo, socorrei-os e livrai-os agora da peste da impiedade e da irreligião, que de mil maneiras se insinua em suas almas, para afastá-los da Igreja e das práticas da piedade, especialmente por meio das seitas, da imprensa e das escolas perversas. Peço-vos, humildemente, amparai os bons, que possam perseverar; fortificai os fracos, chamai à penitência os transviados e os pecadores, para que triunfe, aqui na Terra, a Verdade e o Reino de Jesus Cristo, e assim cresça a vossa glória e o número dos eleitos no Céu. Breve Leitura Bíblica e Pequena Promessa: “Eles perseveravam na oração com Maria, mãe de Jesus”. (At 1,12;14) Oh! Maria, ensina-nos a rezar, a confiar e perseverar. Clique aqui para rezar oração final 8º Dia “Senhora gloriosa, bem mais que o sol brilhais. O Deus que vos criou ao seio amamentais.” Oração inicial: Oh, Maria, coluna espiritual da Igreja e Socorro dos Cristãos, rogo-vos me conserveis firme na Divina Fé e mantenhais em mim a liberdade e dignidade dos filhos de Deus. De minha parte, prometo-vos não manchar a minha alma com o pecado, nunca fazer parte de sociedade condenadas pela Santa Sé. Prometo-vos obedecer ao Sumo Pontífice e aos bispos que estão em comunhão com ele, pois quero viver e morrer no seio da religião católica, na qual somente posso esperar, com certeza, a minha eterna salvação. Breve Leitura Bíblica e Pequena Promessa: “Junto à cruz de Jesus estava, em pé, sua Mãe.” (Jo 19,25-27). Jamais podemos nos esquecer das palavras de Jesus agonizante: “Mãe, eis o teu filho. Filho, eis tua Mãe”. “Agonizante, ao discípulo por sua mãe destes Maria. Para os fiéis terem tal Mãe presente à última agonia”. Clique aqui para rezar oração final 9º Dia O que Eva destruiu, no Filho recriais, do céu abris a porta e os tristes abrigais” Oração inicial: Oh! Maria, minha Mãe piedosíssima, que em todos os tempos quisestes ser o Auxílio dos Cristãos, assisti-me com o vosso poderoso Patrocínio durante a vida toda, mas especialmente na hora da morte e fazei com que eu, depois de haver-vos amado e venerado na terra, possa ir cantar as vossas misericórdias no Céu. Assim seja. Oh, Deus, que constituístes a Mãe de vosso Filho querido, Mãe e Auxílio do Povo Cristão, concedei, nós vos rogamos, que vivamos sob a sua proteção e a Igreja se alegre em vossa Paz perpétua. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo. Amém. Breve Leitura Bíblica e Pequena Promessa: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19, 26-27) Maria Santíssima com ânimo materno, consentindo com amor na imolação da vítima por ela gerada, pelo próprio Jesus moribundo na cruz, foi dada como mãe ao discípulo e a todos nós. A Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade. Maria Auxiliadora, coopera na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. “Eis aí a tua Mãe”. Clique aqui para rezar oração final Ritos finais para todos os dias da novena Oração final para todos os dias: Três Pai-Nossos, Ave-Marias e Glórias ao Santíssimo Sacramento com a prece: “Graças e louvores se deem, a todo o momento, ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento”. Em seguida: Três Salve-Rainhas a Maria Santíssima Auxiliadora, com a invocação: “Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa. Salve! A vós bradamos os degredados filhos de Eva, a vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, Advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei. E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre. Oh, Clemente! Oh, Piedosa! Oh, doce sempre Virgem Maria”. Maria, Auxílio dos cristãos, rogai por nós. Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós! Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém! Leia também Após rezar a novena, clique aqui e conheça mais sobre Nossa Senhora Auxiliadora. Fonte: cancaonova.com #NossaSenhora #Novena
- Novena a Nossa Senhora Auxiliadora
Reze esta poderosa novena e peça a intercessão de Nossa Senhora Auxílio dos Cristãos. A devoção a Nossa Senhora Auxiliadora começou num período em que várias nações cristãs estavam perecendo. O papa Pio V tomou a decisão de organizar uma esquadra para resgatar os cristãos que estavam sob o jugo da escravidão muçulmana. Para isso, ele invocou o auxílio da Virgem Maria. A vitória não demorou a chegar. No mesmo ano, os cristãos derrotaram os muçulmanos e afastaram a perseguição do povo. Em agradecimento a Nossa Senhora, o papa Pio V acrescentou a invocação, “auxiliadora dos cristãos” às ladainhas em honra a Maria, Mãe de Jesus. Contudo, quem instituiu a Festa de Nossa Senhora Auxiliadora foi o papa Pio VII, em 1816. Preparemo-nos para rezar, durante nove dias, a novena a Nossa Senhora Auxiliadora. Assim, caso seja possível receber, durante a novena, os Santos Sacramentos da Confissão e da Eucaristia. Fazer uma oferta, segundo as próprias possibilidades, para a educação cristã dos meninos pobres. Ter muita fé em Jesus, presente na Eucaristia, e em Maria Auxiliadora. Após rezar a novena, clique aqui e conheça mais sobre Nossa Senhora Auxiliadora. Dia da Novena (Escolha o dia da novena) 1º dia 2º dia 3º dia 4º dia 5º dia 6º dia 7º dia 8º dia 9º dia 1º Dia “Ave do mar Estrela, bendita Mãe de Deus, fecunda e sempre virgem, Portal feliz dos céu.” Oração inicial: Ó, Virgem Santíssima, poderoso auxílio dos cristãos, que recorrem confiados ao trono da vossa misericórdia, ouvi as preces desse pobre pecador, que implora o vosso socorro, para poder fugir sempre do pecado e das ocasiões de pecar. Eis a primeira graça que desejo receber nesta novena. Breve Leitura Bíblica e Pequena Promessa: “Um sinal grandioso apareceu no céu: uma Mulher vestida com o sol, tendo a lua sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap. 12,1). “Enfurecido por causa da Mulher, o Dragão foi então guerrear contra o resto dos seus descendentes, os que observam os mandamentos de Deus e mantém o Testemunho de Jesus” (Ap. 12,17) Duplo sinal distintivo fiéis autênticos: Jesus e Maria. Salvação dos que creem e auxílio dos cristãos. Até a morte, prometo permanecer fiel a minha religião: Santa, Católica, Apostólica e Romana. Clique aqui para rezar oração final 2º Dia “Ouvindo aquela Ave do Anjo Gabriel, mudando de Eva o nome, trazei-nos paz do céu” Oração inicial: Maria Santíssima, Mãe de bondade e misericórdia, que muitas vezes, com o vosso visível Patrocínio, livrastes o povo cristão dos assaltos e da barbárie dos muçulmanos, livrai, eu vô-lo peço, a minha alma dos assaltos do demônio, do mundo e da carne; e fazei que eu possa, em todo tempo, obter completa vitória sobre os inimigos da minha alma. Breve leitura bíblica e pequena promessa: “Disse então, Maria: ‘Eu sou a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra’”. (Lc 1,18) Em poucas palavras, Maria Santíssima nos oferece um exemplo da humildade, obediência e disponibilidade para fazer a vontade de Deus e colaborar na realização do seu plano de salvação. “Senhor, que queres que eu faça? Fazei-me instrumento da vossa paz“. Clique aqui para rezar oração final 3º Dia “Ao cego iluminai, ao réu livrai também, de todo mal guardai-nos e dai-nos todo o bem.” Oração inicial: Oh Maria, Rainha poderosíssima, que sozinha triunfaste das múltiplas heresias que procuravam arrancar tantos filhos do Grêmio da Santa Madre Igreja, ajudai-me, eu vô-lo peço, a manter e conservar firme a minha fé, e puro o meu coração no meio de tantas insídias e do veneno de tão perversas doutrinas. Breve Leitura Bíblica e Pequena Promessa: “Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Maria permaneceu com ela mais ou menos três meses, e voltou para sua casa” (Lc 1,39-40, 56). Com certeza, Maria permaneceu até o nascimento de São João Batista, porque soube que, neste período, precisam as mulheres grávidas de ajuda e auxílio especial. Aqui, temos um belo exemplo da caridade. Eu também prometo praticar sempre a caridade e as obras de misericórdia. Clique aqui para rezar oração final 4º Dia “Mostrai ser nossa Mãe, levando a nossa voz a quem, por nós nascido, dignou-se a vir de vós.” Oração inicial: Oh Maria, minha Mãe dulcíssima, vós que sóis a Rainha dos Mártires, por tantos atos heroicos de coragem e de fortaleza que tivestes na terra, dignai-vos infundir, no meu coração, a força necessária para conservar-me constante do vosso serviço, a fim de que, desprezando todo o respeito humano, possa praticar abertamente e sem envergonhar-me todos os meus deveres religiosos e mostrar-me sempre e em todas as ocasiões vosso devoto(a) filho(a) até a morte. Breve Leitura Bíblica e Pequena Promessa: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu, aflitos te procurávamos” (Lc 2,48). Com que admirável delicadeza Maria admoesta seu Filho perdido e achado no templo. Um belo exemplo para os pais de família. Os filhos crescem em sabedoria, estatura e em graça, diante de Deus e diante dos homens, quando recebem bom exemplo dos pais. Na educação dos filhos, prometo sempre praticar a paciência, a prudência e a seriedade. Clique aqui para rezar oração final 5º Dia “Suave mais que todas, Oh, Virgem sem igual, fazei-nos mansos, puros, guardai-nos contra o mal.” Oração inicial: Oh, Maria, Mãe querida, que, no triunfo do Papa Pio VII, mostrastes o vosso valioso patrocínio, estendei o vosso manto piedoso por sobre toda a Santa Igreja, especialmente sobre o seu Augusto Chefe, o Papa (João Paulo II), contra os assaltos de tantos inimigos, livrai-o dos sofrimentos temporais e assisti-o sempre, a fim de que possa conduzir seguramente ao porto a barca de São Pedro, e triunfar das ondas orgulhosas que tentam fazê-la sossobrar. Breve Leitura Bíblica e Pequena Promessa: “Naquele tempo, houve bodas em Caná da Galileia, e a mãe de Jesus estava presente. Jesus também fora convidado para as bodas assim como seus discípulos” (Jo 6,1-11). Vindo a faltar o vinho das bodas, Jesus fez milagre a pedido confiante de Sua Mãe. Ela também a nós convida a obedecer de modo especial Jesus, dizendo: “O que Ele disser, fazei-o”. “Felizes os que ouvem a Palavra de Deus e a praticam”. Clique aqui para rezar oração final 6º Dia “Oh, dai-nos vida pura, guiai-nos para a luz, e um dia, ao vosso lado, possamos ver Jesus.” Oração inicial: Oh, Maria, Rainha dos Apóstolos, tomai sob a vossa valiosa proteção os Sagrados Ministros e todos os fiéis da Igreja Católica, alcançai-lhes o espírito de união, de perfeita obediência ao Sumo Pontífice e de zelo fervoroso para a salvação das almas, e especialmente dignai-vos estender a vossa amorável assistência aos missionários, para que possam conduzir todos os povos da terra à fé verdadeira, a fim de que, assim, o mundo todo se torne um só aprisco debaixo do guia de um só Pastor, Jesus Cristo Nosso Senhor. Breve Leitura Bíblica e Pequena Promessa: “O Senhor é o teu louvor e o teu Deus, é ele quem operou para ti coisas grandiosas” (Dt 10,21a). Na verdade, Deus, olhando a humildade de sua serva fiel, Maria Santíssima, deu-nos por meio dela o Salvador de todos os homens, Jesus Cristo, Senhor Nosso. “Oh, Maria, dai-nos graça de imitar seu amor de Deus o do próximo”. Clique aqui para rezar oração final 7º Dia “Louvor a Deus, ao Pai e ao Filho, Sumo Bem, com seu Divino Espírito agora e sempre. Amém” Oração inicial: Ó Maria, Mãe de piedade e clemência, que tantas vezes, com a vossa eficaz intercessão, salvastes os cristãos da peste e de outros flagelos do corpo, socorrei-os e livrai-os agora da peste da impiedade e da irreligião, que de mil maneiras se insinua em suas almas, para afastá-los da Igreja e das práticas da piedade, especialmente por meio das seitas, da imprensa e das escolas perversas. Peço-vos, humildemente, amparai os bons, que possam perseverar; fortificai os fracos, chamai à penitência os transviados e os pecadores, para que triunfe, aqui na Terra, a Verdade e o Reino de Jesus Cristo, e assim cresça a vossa glória e o número dos eleitos no Céu. Breve Leitura Bíblica e Pequena Promessa: “Eles perseveravam na oração com Maria, mãe de Jesus”. (At 1,12;14) Oh! Maria, ensina-nos a rezar, a confiar e perseverar. Clique aqui para rezar oração final 8º Dia “Senhora gloriosa, bem mais que o sol brilhais. O Deus que vos criou ao seio amamentais.” Oração inicial: Oh, Maria, coluna espiritual da Igreja e Socorro dos Cristãos, rogo-vos me conserveis firme na Divina Fé e mantenhais em mim a liberdade e dignidade dos filhos de Deus. De minha parte, prometo-vos não manchar a minha alma com o pecado, nunca fazer parte de sociedade condenadas pela Santa Sé. Prometo-vos obedecer ao Sumo Pontífice e aos bispos que estão em comunhão com ele, pois quero viver e morrer no seio da religião católica, na qual somente posso esperar, com certeza, a minha eterna salvação. Breve Leitura Bíblica e Pequena Promessa: “Junto à cruz de Jesus estava, em pé, sua Mãe.” (Jo 19,25-27). Jamais podemos nos esquecer das palavras de Jesus agonizante: “Mãe, eis o teu filho. Filho, eis tua Mãe”. “Agonizante, ao discípulo por sua mãe destes Maria. Para os fiéis terem tal Mãe presente à última agonia”. Clique aqui para rezar oração final 9º Dia O que Eva destruiu, no Filho recriais, do céu abris a porta e os tristes abrigais” Oração inicial: Oh! Maria, minha Mãe piedosíssima, que em todos os tempos quisestes ser o Auxílio dos Cristãos, assisti-me com o vosso poderoso Patrocínio durante a vida toda, mas especialmente na hora da morte e fazei com que eu, depois de haver-vos amado e venerado na terra, possa ir cantar as vossas misericórdias no Céu. Assim seja. Oh, Deus, que constituístes a Mãe de vosso Filho querido, Mãe e Auxílio do Povo Cristão, concedei, nós vos rogamos, que vivamos sob a sua proteção e a Igreja se alegre em vossa Paz perpétua. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo. Amém. Breve Leitura Bíblica e Pequena Promessa: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19, 26-27) Maria Santíssima com ânimo materno, consentindo com amor na imolação da vítima por ela gerada, pelo próprio Jesus moribundo na cruz, foi dada como mãe ao discípulo e a todos nós. A Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade. Maria Auxiliadora, coopera na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. “Eis aí a tua Mãe”. Clique aqui para rezar oração final Ritos finais para todos os dias da novena Oração final para todos os dias: Três Pai-Nossos, Ave-Marias e Glórias ao Santíssimo Sacramento com a prece: “Graças e louvores se deem, a todo o momento, ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento”. Em seguida: Três Salve-Rainhas a Maria Santíssima Auxiliadora, com a invocação: “Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa. Salve! A vós bradamos os degredados filhos de Eva, a vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, Advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei. E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre. Oh, Clemente! Oh, Piedosa! Oh, doce sempre Virgem Maria”. Maria, Auxílio dos cristãos, rogai por nós. Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós! Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém! Leia também Após rezar a novena, clique aqui e conheça mais sobre Nossa Senhora Auxiliadora. Fonte: cancaonova.com #NossaSenhora #Novena
- A Mentira – Um mês com Maria | 15° dia
A MENTIRA Quem não sabe que a mentira é um dos pecados mais comuns entre os homens? Com que facilidade se diz ou se faz entender ao outro uma coisa por outra! No comércio ou no escritório, em família ou na fábrica: quantas mentiras e subterfúgios! Quem poderá enumerá-las senão Deus? Somo superficiais em considerar a mentira um pequeno pecado. E então não nos preocupamos em mentir muito quando nos for cômodo. Se dirá que são mentiras de desculpa ou sem dano, ou úteis para evitar um mal. Mas Pe. Pio dizia que “as mentiras de desculpas são as jaculatórias do diabo”. A um penitente que lhe perguntou se mentiras de desculpas não se dizem, respondeu secamente: “NÃO”. “Mas, Padre – continuou – não trazem dano”. – Pe. Pio: “Não trazem danos aos outros, mas à tua alma sim, pois Deus é a verdade”. É filha do diabo “O diabo é mentiroso e pai da mentira”. (Jo 8,44). Eis quem é o verdadeiro pai das nossas mentiras. É ele que nos oferece todas as mentiras que nós distribuímos aqui e ali com tanta simplicidade. Pobre de nós! Se nos déssemos conta desta realidade, compreenderíamos a sensibilidade dos santos ao opôr-se com todas as forças a toda mentira a fim de não terem nada com o pai dela. O angélico Guido de Fontgalland, predileto de Maria, provava um sincero horror por cada mínima mentira. Sua mãe, uma vez, ordenou a empregada dizer: “A quem me chamar, diga que saí”. Ouvindo isso, Guido abraçou a mãe, dizendo: “Mãe, por que dizes duas mentiras: a tua e aquela da empregada? Eu ficaria mais contente em ter dor de dentes a dizer uma coisa não verdadeira”. Melhor sofrer pela verdade que gozar pela mentira. Melhor o sofrimento com Deus ao prazer com o diabo. Sim, sim! Não, não! Deus é luz de verdade. O diabo é treva de mentira. A alma sincera é luminosa. A alma mentirosa está nas trevas. Nós, cristãos, devemos ser filhos da luz (cf. Jo 12,36). Jesus nos disse que o nosso falar deve ser claro e leal: Sim, sim! Não, não! (Mt 5,37). Falar com engano, mascarando a verdade é arte da ruim serpente antiga (Ap 12,19) que enganou Adão e Eva no Éden (Gn 3,17). Nisto consiste a mentira: dizer o contrário do que se pensa com intenção de enganar. “Não levantar falso testemunho” (Lc 18,20) é o mandamento de Deus que nos coloca em luta contra o pai da mentira. Devemos ser enérgicos e falar sempre a verdade a qualquer custo. S. João Câncio, padre polonês, foi assaltado. Roubaram-lhe tudo o que tinha nos bolsos e lhe perguntaram: “Tens mais algum coisa?” “Não”, respondeu. Os ladrões foram embora. Mas S. João lembrou-se de ter costurado algumas moedas no hábito. Correu até os assaltantes e lhes ofereceu as moedas. Eles ficaram tão surpresos que não só a recusaram como devolveram tudo o que roubaram. Língua de impostura É verdade que muitas vezes a verdade nos custará incômodos ou dores graves. É verdade. Mas o que é isso frente às ofensas a Deus? De frente ao juízo e castigo de Deus? “A tua língua é como lâmina afiada. Artífice de enganos. Tu preferes o mal ao bem, a mentira ao falar sincero. Amas toda palavra de ruína, ó língua de impostura. Por isso Deus te demolirá para sempre.” (Sl 51,4-7). S. André Avelino era advogado. Ao defender uma causa, disse uma pequena mentira. Triste por esta fraqueza, aconteceu-lhe de ler este verso: “A boca que diz mentiras mata a alma!” (Sb 1,11) Não mais hesitou, mas preso por uma impetuosa Graça, retirou-se do mundo, fez- se religioso e foi Santo. Foi o prêmio de sua delicadeza de consciência. Façamos nossa esta máxima de S. Vicente de Paula: “A nossa língua deve exprimir as coisas como as temos dentro, senão é preciso calar-se.” Dizer a verdade ou calar-se. A Virgem que escuta Se todos lêssemos e meditássemos o cap. 3 do livro de Tiago sobre a língua, amaríamos o silêncio e estaríamos mais atentos ao usar a língua, que amiúde “é um fogo, é o mundo da iniquidade; um mal rebelde, cheio de veneno mortal” (3,6-8) Mentiras, falsidades, erros, calúnias, ofensas e blasfêmias; tudo passa pela língua. E quanto amiúde o nosso falar é infectado de tais males sem que o nem queiramos. Olhemos, ao invés, a Nossa Senhora. Quanto silêncio em sua vida! Silenciosa e iluminosa, ela aparece no Evangelho e está perto de Jesus, enquanto conservava todas as palavras, meditando-as em seu coração (cf. Lc 2, 19). Justamente o Papa Paulo VI a chamou “Virgem que escuta” (Marialis Cultus, n.17) apresentado-a qual modelo perfeito da Igreja na incessante relação com Deus, não turbado por palavras vãs (Ef 5,6) nem profanado por palavras falsas (Pr 30,8). Votos Ler e meditar o capítulo 3 de São Tiago (1-12); Beijar mais vezes o crucifixo, pedindo a Deus perdão pelos pecados da língua; Rezar a Maria para fazer-nos sempre dizer a verdade ou calar-se, nunca dizer mentiras. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- A Mentira – Um mês com Maria | 15° dia
A MENTIRA Quem não sabe que a mentira é um dos pecados mais comuns entre os homens? Com que facilidade se diz ou se faz entender ao outro uma coisa por outra! No comércio ou no escritório, em família ou na fábrica: quantas mentiras e subterfúgios! Quem poderá enumerá-las senão Deus? Somo superficiais em considerar a mentira um pequeno pecado. E então não nos preocupamos em mentir muito quando nos for cômodo. Se dirá que são mentiras de desculpa ou sem dano, ou úteis para evitar um mal. Mas Pe. Pio dizia que “as mentiras de desculpas são as jaculatórias do diabo”. A um penitente que lhe perguntou se mentiras de desculpas não se dizem, respondeu secamente: “NÃO”. “Mas, Padre – continuou – não trazem dano”. – Pe. Pio: “Não trazem danos aos outros, mas à tua alma sim, pois Deus é a verdade”. É filha do diabo “O diabo é mentiroso e pai da mentira”. (Jo 8,44). Eis quem é o verdadeiro pai das nossas mentiras. É ele que nos oferece todas as mentiras que nós distribuímos aqui e ali com tanta simplicidade. Pobre de nós! Se nos déssemos conta desta realidade, compreenderíamos a sensibilidade dos santos ao opôr-se com todas as forças a toda mentira a fim de não terem nada com o pai dela. O angélico Guido de Fontgalland, predileto de Maria, provava um sincero horror por cada mínima mentira. Sua mãe, uma vez, ordenou a empregada dizer: “A quem me chamar, diga que saí”. Ouvindo isso, Guido abraçou a mãe, dizendo: “Mãe, por que dizes duas mentiras: a tua e aquela da empregada? Eu ficaria mais contente em ter dor de dentes a dizer uma coisa não verdadeira”. Melhor sofrer pela verdade que gozar pela mentira. Melhor o sofrimento com Deus ao prazer com o diabo. Sim, sim! Não, não! Deus é luz de verdade. O diabo é treva de mentira. A alma sincera é luminosa. A alma mentirosa está nas trevas. Nós, cristãos, devemos ser filhos da luz (cf. Jo 12,36). Jesus nos disse que o nosso falar deve ser claro e leal: Sim, sim! Não, não! (Mt 5,37). Falar com engano, mascarando a verdade é arte da ruim serpente antiga (Ap 12,19) que enganou Adão e Eva no Éden (Gn 3,17). Nisto consiste a mentira: dizer o contrário do que se pensa com intenção de enganar. “Não levantar falso testemunho” (Lc 18,20) é o mandamento de Deus que nos coloca em luta contra o pai da mentira. Devemos ser enérgicos e falar sempre a verdade a qualquer custo. S. João Câncio, padre polonês, foi assaltado. Roubaram-lhe tudo o que tinha nos bolsos e lhe perguntaram: “Tens mais algum coisa?” “Não”, respondeu. Os ladrões foram embora. Mas S. João lembrou-se de ter costurado algumas moedas no hábito. Correu até os assaltantes e lhes ofereceu as moedas. Eles ficaram tão surpresos que não só a recusaram como devolveram tudo o que roubaram. Língua de impostura É verdade que muitas vezes a verdade nos custará incômodos ou dores graves. É verdade. Mas o que é isso frente às ofensas a Deus? De frente ao juízo e castigo de Deus? “A tua língua é como lâmina afiada. Artífice de enganos. Tu preferes o mal ao bem, a mentira ao falar sincero. Amas toda palavra de ruína, ó língua de impostura. Por isso Deus te demolirá para sempre.” (Sl 51,4-7). S. André Avelino era advogado. Ao defender uma causa, disse uma pequena mentira. Triste por esta fraqueza, aconteceu-lhe de ler este verso: “A boca que diz mentiras mata a alma!” (Sb 1,11) Não mais hesitou, mas preso por uma impetuosa Graça, retirou-se do mundo, fez- se religioso e foi Santo. Foi o prêmio de sua delicadeza de consciência. Façamos nossa esta máxima de S. Vicente de Paula: “A nossa língua deve exprimir as coisas como as temos dentro, senão é preciso calar-se.” Dizer a verdade ou calar-se. A Virgem que escuta Se todos lêssemos e meditássemos o cap. 3 do livro de Tiago sobre a língua, amaríamos o silêncio e estaríamos mais atentos ao usar a língua, que amiúde “é um fogo, é o mundo da iniquidade; um mal rebelde, cheio de veneno mortal” (3,6-8) Mentiras, falsidades, erros, calúnias, ofensas e blasfêmias; tudo passa pela língua. E quanto amiúde o nosso falar é infectado de tais males sem que o nem queiramos. Olhemos, ao invés, a Nossa Senhora. Quanto silêncio em sua vida! Silenciosa e iluminosa, ela aparece no Evangelho e está perto de Jesus, enquanto conservava todas as palavras, meditando-as em seu coração (cf. Lc 2, 19). Justamente o Papa Paulo VI a chamou “Virgem que escuta” (Marialis Cultus, n.17) apresentado-a qual modelo perfeito da Igreja na incessante relação com Deus, não turbado por palavras vãs (Ef 5,6) nem profanado por palavras falsas (Pr 30,8). Votos Ler e meditar o capítulo 3 de São Tiago (1-12); Beijar mais vezes o crucifixo, pedindo a Deus perdão pelos pecados da língua; Rezar a Maria para fazer-nos sempre dizer a verdade ou calar-se, nunca dizer mentiras. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- São Silvano, eremita – 15 de Maio
SANTO DO DIA – 15 DE MAIO – SÃO SILVANO Eremita (século IV) A história deste santo liga-se à de são Pacômio — duas vidas paralelas com um preâmbulo na vida civil. Pacômio fora alistado à força no exército imperial e acabou na prisão por indisciplina. Foi reconfortado às escondidas por alguns cristãos, e esse gesto de altruísmo levou-o a conhecer a religião destes. A sequência é conhecida. Silvano, um de seus contemporâneos, escapara ao alistamento forçado subindo ao palco dos teatros populares para alegrar as noites dos soldados. O encontro com os cristãos foi casual, mas determinou uma importante mudança de rumo em sua vida. Abandonou o teatro e dirigiu-se a Tabennesis, impelido (como tantos outros jovens) pela fama de santidade do abade Pacômio, um pai que não poupava rudes castigos a seus filhos. Após vinte anos transcorridos no fervor da vida de comunidade, Silvano caiu numa profunda crise e começou a transgredir as rigorosas regras impostas pelo abade. Visto ter-se revelado inútil a medicina suave, Pacômio lançou logo contra ele a excomunhão. A drástica medida disciplinar teve salutar efeito. Silvano curvou a cerviz: não se deixou exasperar pela exclusão, mas, refletindo consigo mesmo, nele se operou uma segunda conversão. E, desta feita, caminhou para a perfeição, recebendo como prêmio a coroa da santidade, graças à qual pôde confraternizar na glória com o severo abade. #SantodoDia
- São Silvano, eremita – 15 de Maio
SANTO DO DIA – 15 DE MAIO – SÃO SILVANO Eremita (século IV) A história deste santo liga-se à de são Pacômio — duas vidas paralelas com um preâmbulo na vida civil. Pacômio fora alistado à força no exército imperial e acabou na prisão por indisciplina. Foi reconfortado às escondidas por alguns cristãos, e esse gesto de altruísmo levou-o a conhecer a religião destes. A sequência é conhecida. Silvano, um de seus contemporâneos, escapara ao alistamento forçado subindo ao palco dos teatros populares para alegrar as noites dos soldados. O encontro com os cristãos foi casual, mas determinou uma importante mudança de rumo em sua vida. Abandonou o teatro e dirigiu-se a Tabennesis, impelido (como tantos outros jovens) pela fama de santidade do abade Pacômio, um pai que não poupava rudes castigos a seus filhos. Após vinte anos transcorridos no fervor da vida de comunidade, Silvano caiu numa profunda crise e começou a transgredir as rigorosas regras impostas pelo abade. Visto ter-se revelado inútil a medicina suave, Pacômio lançou logo contra ele a excomunhão. A drástica medida disciplinar teve salutar efeito. Silvano curvou a cerviz: não se deixou exasperar pela exclusão, mas, refletindo consigo mesmo, nele se operou uma segunda conversão. E, desta feita, caminhou para a perfeição, recebendo como prêmio a coroa da santidade, graças à qual pôde confraternizar na glória com o severo abade. #SantodoDia
- As mensagens de Nossa Senhora em Fátima
“O Meu Imaculado Coração Triunfará” De todos os eventos da história recente da Igreja, nenhum foi objeto de tantos debates e especulações quanto as aparições de Nossa Senhora em Fátima. Foi em 1917, quando a Mãe de Deus apareceu a três crianças portuguesas — Francisco, Jacinta e Lúcia — e lhes revelou uma série de impressionantes mistérios, segredos e profecias. Passados já 100 anos desse acontecimento sobrenatural, é hora de recordarmos a mensagem de Nossa Senhora em toda a sua profundidade. Será que nós realmente compreendemos o apelo de Fátima? Assista essa formação especial: #NossaSenhoradeFátima
- As mensagens de Nossa Senhora em Fátima
“O Meu Imaculado Coração Triunfará” De todos os eventos da história recente da Igreja, nenhum foi objeto de tantos debates e especulações quanto as aparições de Nossa Senhora em Fátima. Foi em 1917, quando a Mãe de Deus apareceu a três crianças portuguesas — Francisco, Jacinta e Lúcia — e lhes revelou uma série de impressionantes mistérios, segredos e profecias. Passados já 100 anos desse acontecimento sobrenatural, é hora de recordarmos a mensagem de Nossa Senhora em toda a sua profundidade. Será que nós realmente compreendemos o apelo de Fátima? Assista essa formação especial: #NossaSenhoradeFátima
- Santo do Dia – 14 de Maio – São Matias, Apóstolo
SANTO DO DIA – 14 DE MAIO – SÃO MATIAS (Apóstolo, substituto de Judas Iscariotes) Alguns teólogos se referem à ele como o décimo terceiro apóstolo, pois foi eleito para ocupar esse posto, conforme consta dos Atos dos Apóstolos, na Bíblia. A eleição dos onze apóstolos deu-se dias depois da Ascensão de Jesus e da vinda do Espírito Santo e assim foi descrita: “Depois da Ascensão de Jesus, Pedro disse aos demais discípulos: Irmãos, em Judas se cumpriu o que dele se havia anunciado na Sagrada Escritura: Com o preço de sua maldade se comprou um campo”. O salmo 109 ordena “Que outro receba seu cargo”. Convém, então, que elejamos um para o lugar de Judas. E o eleito deve ser dos que estiveram entre nós o tempo todo em que o Senhor conviveu entre nós, desde que foi batizado por João Batista até que ressuscitou e subiu aos céus”. (At 1, 21-26) As outras informações existentes sobre Matias fazem parte das tradições e dos escritos da época. Esses registros, entretanto, são apenas fragmentos com algumas citações e frases, que foram recuperadas e, segundo os teólogos, são de sua autoria. De fato, existe uma certa confusão entre os apóstolos Matias e Mateus em alguns escritos antigos. Segundo a tradição Matias evangelizou na Judéia, Capadócia e, depois, na Etiópia. Ele sofreu perseguições e o martírio, morreu apedrejado e decapitado em Colchis, Jerusalém, testemunhando sua fidelidade a Jesus. Há registros de que santa Helena, mãe do imperador Constantino, o Grande, mandou trasladar as relíquias de são Matias para Roma, onde uma parte está guardada na igreja de Santa Maria Maior. O restante delas se encontra na antiqüíssima igreja de São Matias, em Treves, na Alemanha, cidade que a tradição diz ter sido evangelizada por ele e que o tem como seu padroeiro. São Matias era comemorado no dia 24 de fevereiro, mas atualmente sua festa ocorre no dia 14 de maio. Origens São Matias é citado pela primeira vez no livro dos Atos dos Apóstolos, 1, 15-26. Matias se tornou um dos doze Apóstolos depois da morte e ressurreição de Jesus. Foi ele quem ocupou o lugar de Judas Iscariotres, que se suicidou depois de perceber o grave erro que cometera. O número 12 era muito importante para o grupo dos Apóstolos, pois simbolizava as 12 tribos de Israel que, por sua vez, simboliza todo o povo de Deus. Os 12 Apóstolos de Jesus simbolizam, assim, a restauração do povo de Deus. Por isso, era importante escolher o décimo segundo Apóstolo. Por ter sido escolhido depois, ele é chamado também de “Apóstolo Póstumo”. A escolha Vejamos como aconteceu a escolha deste grande Apóstolo: “Depois da Ascensão de Jesus, Pedro disse aos demais discípulos: Irmãos, em Judas se cumpriu o que dele se havia anunciado na Sagrada Escritura: Com o preço de sua maldade se comprou um campo”. O salmo 109 ordena ‘Que outro receba seu cargo’. Convém, então, que elejamos um para o lugar de Judas. E o eleito deve ser dos que estiveram entre nós o tempo todo em que o Senhor conviveu entre nós, desde que foi batizado por João Batista até que ressuscitou e subiu aos céus… E apresentaram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome o Justo, e Matias. E, orando, disseram: Tu, Senhor, conhecedor dos corações de todos, mostra qual destes dois tens escolhido, Para que tome parte neste ministério e apostolado, de que Judas se desviou, para ir para o seu próprio lugar. E, lançando-lhes sortes, caiu a sorte sobre Matias. E por voto comum foi contado com os onze apóstolos“. (At 1, 21-26) Discípulo fiel Através deste relato do Livro dos Atos, podemos deduzir que, embora não tenha sido contado entre os doze desde o início, Matias foi um discípulo de Jesus e acompanhou o ministério do Mestre desde o início: “E o eleito deve ser dos que estiveram entre nós o tempo todo em que o Senhor conviveu entre nós, desde que foi batizado por João Batista até que ressuscitou e subiu aos céus…” Portanto, ele conheceu Jesus pessoalmente. Certamente deve ter sido um dos setenta e dois discípulos que Jesus enviou a pregar pelas cidades conforme Lucas 10, 1-24. Matias era, portanto, um discípulo fiel de Jesus. Tanto que estava lá, presente entre os seguidores do Mestre, após a morte, ressurreição e Ascenção do Senhor. Evangelizador Segundo a Tradição, o Apóstolo São Matias, depois de receber a força do Espírito Santo em Pentecostes, saiu em missão para evangelizar a Judéia, a região da Capadócia e, depois, ainda esteve nas terras distantes da Etiópia. Sua missão foi eficaz e converteu a muitos em todos esses lugares. Por isso mesmo, ele sofreu duras perseguições até o martírio. Martírio São Matias sofreu duras perseguições durante toda a sua missão apostólica. Porém, não desanimou. Incansável, anunciou o Evangelho de Jesus Cristo até o fim de sua vida. E entregou sua vida por Cristo. A Tradição conta que São Matias morreu por apedrejamento e que, depois disso, foi decapitado na cidade de Jerusalém. Sabe-se que ele testemunhou até o fim sua fidelidade a Jesus, a despeito das injúrias, das torturas e da morte. Por causa de seu testemunho, muitos se converteram à fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Relíquias A Tradição conta que Santa Helena, mãe de Constantino, o imperador romano, ordenou a trasladação das relíquias do Apóstolo São Matias para a cidade de Roma. Uma parte delas permaneceu guardada na famosa igreja de Santa Maria Maior. O restante foi trasladado para a igreja de São Matias, que fica na cidade de Treves, Alemanha. Há uma tradição que diz que esta cidade foi evangelizada por São Matias. Por isso, ele foi instituído como seu padroeiro. Oração a São Matias “São Matias, és agora testemunha do Senhor, como apóstolo chamado em lugar do traidor. Do perdão de Deus descrendo, Judas veio a se enforcar; como o salmo anunciara, passe a outro o seu lugar. Por proposta de São Pedro, que preside a reunião, lançam sorte, e eis teu nome! Quão sublime vocação! E a tal ponto te consagras em levar ao mundo a luz, que proclamas com teu sangue o evangelho de Jesus. Dá que todos nesta vida percorramos com amor o caminho revelado pela graça do Senhor. Uno e Trino, Deus derrame sobre nós a sua luz; conquistemos a coroa, abraçando a nossa cruz!” #SantodoDia
- Santo do Dia – 14 de Maio – São Matias, Apóstolo
SANTO DO DIA – 14 DE MAIO – SÃO MATIAS (Apóstolo, substituto de Judas Iscariotes) Alguns teólogos se referem à ele como o décimo terceiro apóstolo, pois foi eleito para ocupar esse posto, conforme consta dos Atos dos Apóstolos, na Bíblia. A eleição dos onze apóstolos deu-se dias depois da Ascensão de Jesus e da vinda do Espírito Santo e assim foi descrita: “Depois da Ascensão de Jesus, Pedro disse aos demais discípulos: Irmãos, em Judas se cumpriu o que dele se havia anunciado na Sagrada Escritura: Com o preço de sua maldade se comprou um campo”. O salmo 109 ordena “Que outro receba seu cargo”. Convém, então, que elejamos um para o lugar de Judas. E o eleito deve ser dos que estiveram entre nós o tempo todo em que o Senhor conviveu entre nós, desde que foi batizado por João Batista até que ressuscitou e subiu aos céus”. (At 1, 21-26) As outras informações existentes sobre Matias fazem parte das tradições e dos escritos da época. Esses registros, entretanto, são apenas fragmentos com algumas citações e frases, que foram recuperadas e, segundo os teólogos, são de sua autoria. De fato, existe uma certa confusão entre os apóstolos Matias e Mateus em alguns escritos antigos. Segundo a tradição Matias evangelizou na Judéia, Capadócia e, depois, na Etiópia. Ele sofreu perseguições e o martírio, morreu apedrejado e decapitado em Colchis, Jerusalém, testemunhando sua fidelidade a Jesus. Há registros de que santa Helena, mãe do imperador Constantino, o Grande, mandou trasladar as relíquias de são Matias para Roma, onde uma parte está guardada na igreja de Santa Maria Maior. O restante delas se encontra na antiqüíssima igreja de São Matias, em Treves, na Alemanha, cidade que a tradição diz ter sido evangelizada por ele e que o tem como seu padroeiro. São Matias era comemorado no dia 24 de fevereiro, mas atualmente sua festa ocorre no dia 14 de maio. Origens São Matias é citado pela primeira vez no livro dos Atos dos Apóstolos, 1, 15-26. Matias se tornou um dos doze Apóstolos depois da morte e ressurreição de Jesus. Foi ele quem ocupou o lugar de Judas Iscariotres, que se suicidou depois de perceber o grave erro que cometera. O número 12 era muito importante para o grupo dos Apóstolos, pois simbolizava as 12 tribos de Israel que, por sua vez, simboliza todo o povo de Deus. Os 12 Apóstolos de Jesus simbolizam, assim, a restauração do povo de Deus. Por isso, era importante escolher o décimo segundo Apóstolo. Por ter sido escolhido depois, ele é chamado também de “Apóstolo Póstumo”. A escolha Vejamos como aconteceu a escolha deste grande Apóstolo: “Depois da Ascensão de Jesus, Pedro disse aos demais discípulos: Irmãos, em Judas se cumpriu o que dele se havia anunciado na Sagrada Escritura: Com o preço de sua maldade se comprou um campo”. O salmo 109 ordena ‘Que outro receba seu cargo’. Convém, então, que elejamos um para o lugar de Judas. E o eleito deve ser dos que estiveram entre nós o tempo todo em que o Senhor conviveu entre nós, desde que foi batizado por João Batista até que ressuscitou e subiu aos céus… E apresentaram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome o Justo, e Matias. E, orando, disseram: Tu, Senhor, conhecedor dos corações de todos, mostra qual destes dois tens escolhido, Para que tome parte neste ministério e apostolado, de que Judas se desviou, para ir para o seu próprio lugar. E, lançando-lhes sortes, caiu a sorte sobre Matias. E por voto comum foi contado com os onze apóstolos“. (At 1, 21-26) Discípulo fiel Através deste relato do Livro dos Atos, podemos deduzir que, embora não tenha sido contado entre os doze desde o início, Matias foi um discípulo de Jesus e acompanhou o ministério do Mestre desde o início: “E o eleito deve ser dos que estiveram entre nós o tempo todo em que o Senhor conviveu entre nós, desde que foi batizado por João Batista até que ressuscitou e subiu aos céus…” Portanto, ele conheceu Jesus pessoalmente. Certamente deve ter sido um dos setenta e dois discípulos que Jesus enviou a pregar pelas cidades conforme Lucas 10, 1-24. Matias era, portanto, um discípulo fiel de Jesus. Tanto que estava lá, presente entre os seguidores do Mestre, após a morte, ressurreição e Ascenção do Senhor. Evangelizador Segundo a Tradição, o Apóstolo São Matias, depois de receber a força do Espírito Santo em Pentecostes, saiu em missão para evangelizar a Judéia, a região da Capadócia e, depois, ainda esteve nas terras distantes da Etiópia. Sua missão foi eficaz e converteu a muitos em todos esses lugares. Por isso mesmo, ele sofreu duras perseguições até o martírio. Martírio São Matias sofreu duras perseguições durante toda a sua missão apostólica. Porém, não desanimou. Incansável, anunciou o Evangelho de Jesus Cristo até o fim de sua vida. E entregou sua vida por Cristo. A Tradição conta que São Matias morreu por apedrejamento e que, depois disso, foi decapitado na cidade de Jerusalém. Sabe-se que ele testemunhou até o fim sua fidelidade a Jesus, a despeito das injúrias, das torturas e da morte. Por causa de seu testemunho, muitos se converteram à fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Relíquias A Tradição conta que Santa Helena, mãe de Constantino, o imperador romano, ordenou a trasladação das relíquias do Apóstolo São Matias para a cidade de Roma. Uma parte delas permaneceu guardada na famosa igreja de Santa Maria Maior. O restante foi trasladado para a igreja de São Matias, que fica na cidade de Treves, Alemanha. Há uma tradição que diz que esta cidade foi evangelizada por São Matias. Por isso, ele foi instituído como seu padroeiro. Oração a São Matias “São Matias, és agora testemunha do Senhor, como apóstolo chamado em lugar do traidor. Do perdão de Deus descrendo, Judas veio a se enforcar; como o salmo anunciara, passe a outro o seu lugar. Por proposta de São Pedro, que preside a reunião, lançam sorte, e eis teu nome! Quão sublime vocação! E a tal ponto te consagras em levar ao mundo a luz, que proclamas com teu sangue o evangelho de Jesus. Dá que todos nesta vida percorramos com amor o caminho revelado pela graça do Senhor. Uno e Trino, Deus derrame sobre nós a sua luz; conquistemos a coroa, abraçando a nossa cruz!” #SantodoDia
- São Miguel Garicoits – 14 de Maio
SANTO DO DIA – 14 DE MAIO – SÃO MIGUEL GARICOITS Fundador dos Padres Auxiliares do Sagrado Coração ou Padres de Bétharram (1797-1863) Miguel Garicoits nasceu em 15 de abril de 1797, em Ibarre, França. Seus pais, apesar de humildes, socorriam padres fugitivos do terror da Revolução Francesa. O pároco da vizinhança se encarregou da educação de Miguel e depois o recomendou ao bispo de Baiona. Dedicado e inteligente, foi estudar no Seminário de Dax, ordenando-se sacerdote em 1823, e dois anos depois se tornou professor de Filosofia no Seminário Maior de Bétharram, nos Baixos Pirineus. Miguel se tornou formador de novos padres. Preocupava-se com o clero, que se mostrava despreparado e desorientado. Para mudar tal quadro, teve a ideia de fundar um instituto de sacerdotes que atuariam como colaboradores nas paróquias, nos colégios e nos seminários, dando suporte intelectual. O bispo não ficou muito animado com essa ideia, porém o autorizou a tentar. Assim, Miguel iniciou o seu projeto, procurando padres que estivessem dispostos à missão. Ele os educou e preparou, o que encorajou o novo bispo de Baiona a dar o seu apoio. Em 1841, o instituto, que passou a se chamar Padres do Sagrado Coração de Jesus, recebia a aprovação diocesana. Porém uma doença seria o novo desafio que Miguel teria de enfrentar. Em 1853, adquiriu uma paralisia que o prenderia à cama. Foram nove anos de sofrimento. Padre Miguel morreu em 14 de maio de 1863. Treze anos depois, teve inicio o seu processo de canonização, que terminou em 1947, quando foi proclamado santo pelo Papa Pio XII. Hoje, os Padres do Sagrado Coração de Jesus, ou Padres de Bétharram, como também eram chamados, estão presentes na Itália, Espanha, Inglaterra, Argentina, no Uruguai e Brasil. Conheça mais sobre São Miguel Garicoits O sonho de sua vida era dar à Igreja um esquadrão de sacerdotes bem preparados e dispostos a aceitar qualquer missão, sobretudo as mais difíceis, as que fossem recusadas pelos outros. Os anos da Revolução Francesa foram de acirrada perseguição à Igreja. Os padres “refratários” – aqueles que, por fidelidade ao Papa, se recusaram a aceitar a Constituição Civil do Clero – viram-se reduzidos à condição de criminosos, obrigados a fugir ou a exercer na clandestinidade seu ministério sacerdotal. Milhares deram a vida por Cristo, decapitados na guilhotina, mortos por afogamento ou vítimas da fome e das doenças, encarcerados em infectas prisões. Nessa situação, os sacerdotes fiéis contaram com o auxílio de católicos leigos que não hesitavam em expor a própria vida para acolher em seus lares os ministros de Deus que permaneceram na França para desempenhar sua missão de salvar almas, ou guiar pelas trilhas das montanhas aqueles que fugiam para algum país vizinho. Os pais de São Miguel Garicoïts – Arnaldo e Graciana – estavam entre esses anônimos heróis da Fé. Esse jovem casal de camponeses de Ibarre, vilarejo francês situado a poucos quilômetros da fronteira espanhola, não temia esconder em sua humilde granja os sacerdotes perseguidos e dar-lhes todo tipo de ajuda. E Deus recompensou sua generosidade, dando-lhe por filho um grande Santo. Semente de Santo ou… de bandido Nascido a 15 de abril de 1797, Miguel só pôde ser batizado seis meses depois, devido às dificuldades causadas pela perseguição religiosa. Seu temperamento fogoso fez-se sentir já nessa ocasião, pois quando o padre lhe derramou na cabeça a água batismal, agarrou com suas mãozinhas a folha do ritual e a rasgou! Alguns pequenos episódios bastam para revelar seu caráter determinado e impetuoso. Aos quatro anos, atirou uma pedra numa vizinha, em vingança porque ela ofendera sua mãe. Aos cinco, furtou as brilhantes agulhas de um mascate. Em certa ocasião, viu seu irmão menor comendo uma maçã e arrebatou- a de suas mãos; e quando o pequeno lhe perguntou se gostaria que alguém lhe fizesse o mesmo… encheu-se de remorso e jogou fora a fruta. Ação bem mais grave: aos onze anos, capitaneou uma revolta para vingar-se do mestre-escola, que castigava com excessivo rigor seus infantis alunos; mas, no momento decisivo, os demais revoltosos fugiram, deixando-o sozinho diante do “inimigo” que o interpelava, e ao qual respondeu com franqueza: – Sim, professor, nossa intenção era surrá-lo. Mas… peço-lhe perdão. Assim era ele: alegre, ardente, resoluto, franco, teimoso e disposto a assumir a responsabilidade por seus atos. Tinha estofo para tornar-se um grande Santo ou… um grande bandido. Mamãe Garicoïts percebia isso e, não querendo ter um filho criminoso, corrigia-o com firmeza. Mostravalhe às vezes o intenso fogo da lareira, perguntando: – Está vendo este fogo? Fique sabendo que o do inferno é muito mais terrível… e para lá vão os meninos que cometem pecado mortal! Para incutir-lhe o espírito de obediência e submissão à vontade de Deus, incitava-o a dizer sempre ao Senhor: “Huna ni!” (“Eis-me aqui”, no dialeto basco), a resposta dada pelo jovem Samuel, ao ser chamado por Deus (I Sm 3, 4). Reconhecerá ele mais tarde, cheio de gratidão: “Sem minha mãe, acho que teria me tornado um bandido. Depois de Deus, devo a ela o que sou”.1 Vou comungar e serei sacerdote! A graça suscitava na grande alma sacerdotal e eucarística de Miguel o desejo de receber o quanto antes a Sagrada Comunhão. Nas Missas dominicais, ele observava atentamente os gestos e atitudes do padre, e depois brincava de celebrar Missa. Certo dia, queimou a mesa de madeira de sua casa, ao deixar derreter até o fim os tocos de vela de parafina que usava como círios do seu improvisado altar… A família Garicoïts era pobre, e Miguel – o mais velho dos cinco filhos – precisava dar sua colaboração para o sustento da casa. Inicialmente, pastoreava o pequeno rebanho familiar. Depois seu pai arranjou-lhe um emprego de pastor na granja de uma família abastada de Oneix, cidade vizinha de Ibarre. Ali trabalhou dos onze aos quatorze anos e frequentava com muito proveito as aulas de gramática e de Catecismo, a ponto de ser cognominado de “Doutorzinho”. Apesar disso, o pároco não o admitia à Primeira Comunhão. Mas Deus decidiu abrir as portas fechadas pelos homens. Numa tarde, voltava ele do campo, com seu rebanho, e um só pensamento lhe ocupava a mente: receber a Hóstia Consagrada. De repente, como São Paulo no caminho de Damasco, viu-se cercado por uma luz intensa, e recebeu uma revelação que encheu sua alma de paz e alegria: vou comungar e serei sacerdote! Essa, ele a denominou de “êxtase de Oneix”. Sem demora, vai à procura do pároco e lhe conta em detalhes a graça que acabara de receber. Este reconhece no fato uma clara manifestação da vontade de Deus, e diz ao jovempastor. Miguel, vou inscrever já seu nome para a próxima Primeira Eucaristia! Prepare-se bem e tome todo cuidado para não ofender o Deus que você vai receber. Foi assim que, por fim, aos 14 anos, fez sua Primeira Comunhão, na festa da Santíssima Trindade. Rumo ao sacerdócio O primeiro obstáculo a enfrentar em sua trajetória rumo ao sacerdócio foi o seu pai, que o queria ocupando- se da pequena granja familiar e, ademais, não podia custear-lhe os estudos. Porém, sua avó materna, com determinação basca, soube convencer o genro e levou Miguel para Oneix, onde pediu ajuda a um padre que se escondera inúmeras vezes na casa dos Garicoïts, durante a perseguição revolucionária. Este deu-lhe moradia e arranjou-lhe uma vaga no colégio de Saint Palais. Começou a escalada dos estudos.O jovem camponês trabalhava de dia, para compensar a falta de recursos, e estudava à noite. Como sabia apenas o idioma basco, teve dura luta para aprender francês e latim. Em três anos, porém, já estava preparado para os estudos superiores. Assim, transferiu- se para Bayonne em 1814. Prestava serviços no Palácio Episcopal, onde se hospedava, e em pouco tempo conquistou a simpatia de todos, à força de mansidão, dignidade e dedicação. Aluno brilhante, estudou Filosofia no seminário de Aire-sur-Adour e Teologia no de Dax. O reitor deste logo notou o valor do jovem, entre centenas de estudantes, e comentou: “Se não me engano, ainda ouviremos falar muito deste rapaz”.2 O testemunho de seus companheiros deixa claro que já entreviam nele a santidade: “Miguel não é um santo para ser feito: é um santo feito e acabado”- dizia um. “Para todos nós, Miguel era nosso São Luís Gonzaga!” – exclamava outro.3 O Bispo de Bayonne, futuro Cardeal d’Astros, conferiu-lhe a tão ansiada ordenação presbiteral em 20 de dezembro de 1823. São Miguel Garicoïts iniciava aos 26 anos de idade sua providencial missão. Um homem providencial Um mês após sua ordenação, o Bispo o nomeou vigário cooperador de Cambo, cidade de certa importância, próxima a Bayonne. Era uma situação muito delicada, pois o pároco, já idoso e paralítico, perdera o contato com seus paroquianos, deixando-os entregues às ideias da época. Como homem providencial, padre Miguel levou adiante uma pastoral muito parecida com a do Santo Cura d’Ars, seu contemporâneo: leão no púlpito, manso e compreensivo no confessionário. Instituiu uma Cruzada Eucarística para contrabalançar a fria influência do jansenismo, deu um caráter solene aos atos litúrgicos, esmerava-se nas aulas de Catecismo, visitava os doentes, era incansável apóstolo da devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Os resultados não se fizeram esperar: em dezoito meses a paróquia estava totalmente transformada. O próprio prefeito da cidade, que se destacava por suas ideias voltairianas e atitudes anticlericais, converteu-se em bom cristão. Fruto mais precioso ainda, os jovens se entusiasmaram e começaram a surgir vocações sacerdotais e religiosas. No seminário de Bétharram A voz da obediência mudou os rumos da vida do jovem sacerdote: o Bispo o enviou para o seminário de Bétharram, como professor de Filosofia. Essa nomeação interrompia uma atividade evangelizadora que estava produzindo excelentes resultados… A perplexidade não impediu padre Miguel de responder com seu inalterável espírito de obediência: “Eis-me aqui!”. O próprio Bispo explicou-lhe depois o motivo dessa transferência inesperada. Ele havia observado, e apreciado, o zelo empreendedor aliado à delicadeza de alma com a qual o jovem vigário soube agir sem ferir em nada a autoridade do pároco ancião e inativo. Ora, ele o queria em Bétharram para uma missão idêntica. O reitor do seminário, sacerdote venerável e carregado de méritos, estava entretanto em idade muito avançada e não tinha mais condição alguma de dirigir essa fundamental instituição diocesana. – Padre Miguel – disse o Prelado -, o senhor reergueu a paróquia de Cambo sem arranhar o prestígio do respeitável pároco. Faça o mesmo em Bétharram. O velho Padre Superior continuará no cargo, mas de fato é ao senhor que confio o seminário, com a incumbência de pôr ordem na casa e formar santos presbíteros. Assim, em 1825 o Santo assumiu suas novas funções, certo de estar cumprindo a vontade de Deus. Um homem inatacável Até então, Bétharram era para ele apenas como uma terra abençoada, onde existia um santuário famoso, no qual a Santíssima Virgem distribuía suas graças e maternais favores. Nesse local, segundo narra uma antiga tradição, uma moça caiu no Rio Gave e estava se afogando. Recorreu então a Nossa Senhora e logo viu ao alcance de sua mão um galho ao qual se agarrou, salvando a vida. Como testemunho de sua gratidão, ela colocou nas mãos da imagem de sua Protetora um ramo de ouro, chamando-o de “bétharram” – “belo ramo”, no dialeto local. Ali, esperava-o um novo desafio. O seminário estava entregue a todo tipo de desordens e relaxamento. Sua fama era de ser refúgio para “qualquer batina”… Os seminaristas levavam a vida como queriam, e até abusavam do vinho que o empregado da casa lhes vendia. Foi necessário ao padre Miguel muito tato e firmeza para restaurar a disciplina e implantar um regime de vida adequado à formação dos futuros sacerdotes. Uma vez mais, sua “pastoral dos Sacramentos” produziu os frutos esperados: a Confissão e a Eucaristia reconduziram ao bom caminho quase todos os transviados. Os que não quiseram se emendar, deixaram o seminário. Mas não sem testemunhar que “o padre Garicoïts não era atacado, porque era inatacável”.4 Faleceu o velho reitor, e o padre Miguel foi nomeado para o cargo. Mas, algum tempo depois, o Bispo decidiu transferir o seminário para Bayonne, pois o perigo das perseguições já havia amainado. Nova perplexidade: uma vez mais, sua ação apostólica era interrompida quando estava produzindo bons frutos… Segundo ele próprio disse, ficou em Bétharram como “superior das quatro paredes de um vasto edifício”.5 Sua resposta, porém, foi a mesma de sempre: “Eis que venho, ó Deus, fazer a Vossa vontade” (Hb 10, 7). Aceitando sem entender, ele dava mais glória a Deus! Nasce uma nova Congregação E Ele tem os seus caminhos. Por essas vias, Ele o preparava para a sua grande missão. Em sua aparente inutilidade, o fogoso sacerdote meditou mais profundamente sobre a triste situação daquilo que sobrara do clero francês, após a onda devastadora da Revolução: reduzido em número e, pior ainda, desorientado e sem o devido preparo. Nasceu assim em seu coração o desejo de fundar uma instituição eclesiástica nova, que congregasse sacerdotes desapegados de tudo, com “uma dedicação de obediência absoluta, simplicidade perfeita, mansidão inalterável! Esses sacerdotes seriam uma verdadeira patrulhamóvel de soldados de elite, prontos a correr ao primeiro sinal dos chefes, para onde fossem chamados, até, e sobretudo, para os ministérios mais difíceis, recusados por outros”.6 E que sempre tivessem presente que é “maldito aquele que faz com negligência a obra do Senhor!” (Jr 48, 10). Com a certeza de ser essa a vontade de Deus, reuniu em torno de si de zessete sacerdotes que responderam a seu apelo missionário e comeles fundou, na pobreza absoluta, a Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus de Bétharram. Em 1835, todos fizeram em suas mãos os votos de pobreza e obediência, além de renovar o de castidade, e o escolheram para Superior do novo Instituto. São Miguel visava compor uns estatutos que dessem à sua Congregação – com o selo da aprovação romana – a solidez e estabilidade das regras canônicas, bem como a liberdade de movimentos indispensável às atividades apostólicas. Mas estes foram redigidos pelo novoBispo diocesano e não eram o que pretendia o santo fundador… Foi essa a maior prova de obediência de sua vida! Aceitando esta aparente contradição permitida pela Providência, não enfrentou a autoridade legítima, não recorreu a Roma e adotou as constituições de seu Bispo, completamente insuficientes para seu desejo de perfeição. Mas confiante que “a letra mata e o Espírito vivifica” (II Cor, 3, 6), soube incutir em seus filhos esse espírito de prontidão, fazendo- os religiosos de corpo inteiro, dispostos a qualquer desafio apostólico. Seus ansiados estatutos só foram aprovados depois de sua morte, numa vitória da obediência. Até o fim dizendo: “Eis-me aqui, Senhor!” Durante trinta anos, dirigiu com sabedoria a nova Congregação. Percorria vilas e aldeias, evangelizando a juventude, os operários e os trabalhadores agrícolas. Enquanto os Bétharramistas se espalhavam pelas dioceses francesas, formava-se em torno de seu Fundador um halo de santidade e de estima. Seu confessionário estava sempre assediado por pessoas vindas de todas as partes. A todos acolhia com bondade, paciência e firmeza, procurando incutir-lhes o amor à Cruz e à Santíssima Virgem. Bispos e outras personalidades importantes acorriam a Bétharram para consultá-lo. Por expressa solicitação do Bispo de Tarbes, ele teve dois encontros com Santa Bernadette Soubirous, a fim de verificar a autenticidade dos fatos ocorridos em Lourdes. Essas duas entrevistas com a jovem vidente reforçaram sua convicção pessoal de que indubitavelmente a Virgem Maria aparecera na Gruta de Massabielle. Nos últimos dez anos de sua existência, dolorosas enfermidades vieram aumentar os seus sofrimentos. E quando, por fim, sentiu que Deus o chamava para junto de Si, deu-Lhe a resposta que caracterizou toda a sua vida: “Eis-me aqui, Senhor”. Na madrugada da festa da Ascensão de 1863, dia 14 de maio, após receber todos os sacramentos, entregou sua alma a Deus, pronunciando o primeiro versículo do Salmo 50: “Miserere mei, Deus, secundum magnam misericordiam tuam” – Tende piedade de mim, ó Deus, segundo Vossa grande misericórdia. Os padres de Bétharram eram, nessa ocasião, cerca de cem, atuando nas dioceses francesas. Atualmente, exercem suas atividades evangelizaras, sobretudo no sul da América Latina: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Pio XII canonizou-o em 6 de julho de 1947. (Revista Arautos do Evangelho, Maio/2009, n. 89, p. 30 à 33) #SantodoDia
- São Miguel Garicoits – 14 de Maio
SANTO DO DIA – 14 DE MAIO – SÃO MIGUEL GARICOITS Fundador dos Padres Auxiliares do Sagrado Coração ou Padres de Bétharram (1797-1863) Miguel Garicoits nasceu em 15 de abril de 1797, em Ibarre, França. Seus pais, apesar de humildes, socorriam padres fugitivos do terror da Revolução Francesa. O pároco da vizinhança se encarregou da educação de Miguel e depois o recomendou ao bispo de Baiona. Dedicado e inteligente, foi estudar no Seminário de Dax, ordenando-se sacerdote em 1823, e dois anos depois se tornou professor de Filosofia no Seminário Maior de Bétharram, nos Baixos Pirineus. Miguel se tornou formador de novos padres. Preocupava-se com o clero, que se mostrava despreparado e desorientado. Para mudar tal quadro, teve a ideia de fundar um instituto de sacerdotes que atuariam como colaboradores nas paróquias, nos colégios e nos seminários, dando suporte intelectual. O bispo não ficou muito animado com essa ideia, porém o autorizou a tentar. Assim, Miguel iniciou o seu projeto, procurando padres que estivessem dispostos à missão. Ele os educou e preparou, o que encorajou o novo bispo de Baiona a dar o seu apoio. Em 1841, o instituto, que passou a se chamar Padres do Sagrado Coração de Jesus, recebia a aprovação diocesana. Porém uma doença seria o novo desafio que Miguel teria de enfrentar. Em 1853, adquiriu uma paralisia que o prenderia à cama. Foram nove anos de sofrimento. Padre Miguel morreu em 14 de maio de 1863. Treze anos depois, teve inicio o seu processo de canonização, que terminou em 1947, quando foi proclamado santo pelo Papa Pio XII. Hoje, os Padres do Sagrado Coração de Jesus, ou Padres de Bétharram, como também eram chamados, estão presentes na Itália, Espanha, Inglaterra, Argentina, no Uruguai e Brasil. Conheça mais sobre São Miguel Garicoits O sonho de sua vida era dar à Igreja um esquadrão de sacerdotes bem preparados e dispostos a aceitar qualquer missão, sobretudo as mais difíceis, as que fossem recusadas pelos outros. Os anos da Revolução Francesa foram de acirrada perseguição à Igreja. Os padres “refratários” – aqueles que, por fidelidade ao Papa, se recusaram a aceitar a Constituição Civil do Clero – viram-se reduzidos à condição de criminosos, obrigados a fugir ou a exercer na clandestinidade seu ministério sacerdotal. Milhares deram a vida por Cristo, decapitados na guilhotina, mortos por afogamento ou vítimas da fome e das doenças, encarcerados em infectas prisões. Nessa situação, os sacerdotes fiéis contaram com o auxílio de católicos leigos que não hesitavam em expor a própria vida para acolher em seus lares os ministros de Deus que permaneceram na França para desempenhar sua missão de salvar almas, ou guiar pelas trilhas das montanhas aqueles que fugiam para algum país vizinho. Os pais de São Miguel Garicoïts – Arnaldo e Graciana – estavam entre esses anônimos heróis da Fé. Esse jovem casal de camponeses de Ibarre, vilarejo francês situado a poucos quilômetros da fronteira espanhola, não temia esconder em sua humilde granja os sacerdotes perseguidos e dar-lhes todo tipo de ajuda. E Deus recompensou sua generosidade, dando-lhe por filho um grande Santo. Semente de Santo ou… de bandido Nascido a 15 de abril de 1797, Miguel só pôde ser batizado seis meses depois, devido às dificuldades causadas pela perseguição religiosa. Seu temperamento fogoso fez-se sentir já nessa ocasião, pois quando o padre lhe derramou na cabeça a água batismal, agarrou com suas mãozinhas a folha do ritual e a rasgou! Alguns pequenos episódios bastam para revelar seu caráter determinado e impetuoso. Aos quatro anos, atirou uma pedra numa vizinha, em vingança porque ela ofendera sua mãe. Aos cinco, furtou as brilhantes agulhas de um mascate. Em certa ocasião, viu seu irmão menor comendo uma maçã e arrebatou- a de suas mãos; e quando o pequeno lhe perguntou se gostaria que alguém lhe fizesse o mesmo… encheu-se de remorso e jogou fora a fruta. Ação bem mais grave: aos onze anos, capitaneou uma revolta para vingar-se do mestre-escola, que castigava com excessivo rigor seus infantis alunos; mas, no momento decisivo, os demais revoltosos fugiram, deixando-o sozinho diante do “inimigo” que o interpelava, e ao qual respondeu com franqueza: – Sim, professor, nossa intenção era surrá-lo. Mas… peço-lhe perdão. Assim era ele: alegre, ardente, resoluto, franco, teimoso e disposto a assumir a responsabilidade por seus atos. Tinha estofo para tornar-se um grande Santo ou… um grande bandido. Mamãe Garicoïts percebia isso e, não querendo ter um filho criminoso, corrigia-o com firmeza. Mostravalhe às vezes o intenso fogo da lareira, perguntando: – Está vendo este fogo? Fique sabendo que o do inferno é muito mais terrível… e para lá vão os meninos que cometem pecado mortal! Para incutir-lhe o espírito de obediência e submissão à vontade de Deus, incitava-o a dizer sempre ao Senhor: “Huna ni!” (“Eis-me aqui”, no dialeto basco), a resposta dada pelo jovem Samuel, ao ser chamado por Deus (I Sm 3, 4). Reconhecerá ele mais tarde, cheio de gratidão: “Sem minha mãe, acho que teria me tornado um bandido. Depois de Deus, devo a ela o que sou”.1 Vou comungar e serei sacerdote! A graça suscitava na grande alma sacerdotal e eucarística de Miguel o desejo de receber o quanto antes a Sagrada Comunhão. Nas Missas dominicais, ele observava atentamente os gestos e atitudes do padre, e depois brincava de celebrar Missa. Certo dia, queimou a mesa de madeira de sua casa, ao deixar derreter até o fim os tocos de vela de parafina que usava como círios do seu improvisado altar… A família Garicoïts era pobre, e Miguel – o mais velho dos cinco filhos – precisava dar sua colaboração para o sustento da casa. Inicialmente, pastoreava o pequeno rebanho familiar. Depois seu pai arranjou-lhe um emprego de pastor na granja de uma família abastada de Oneix, cidade vizinha de Ibarre. Ali trabalhou dos onze aos quatorze anos e frequentava com muito proveito as aulas de gramática e de Catecismo, a ponto de ser cognominado de “Doutorzinho”. Apesar disso, o pároco não o admitia à Primeira Comunhão. Mas Deus decidiu abrir as portas fechadas pelos homens. Numa tarde, voltava ele do campo, com seu rebanho, e um só pensamento lhe ocupava a mente: receber a Hóstia Consagrada. De repente, como São Paulo no caminho de Damasco, viu-se cercado por uma luz intensa, e recebeu uma revelação que encheu sua alma de paz e alegria: vou comungar e serei sacerdote! Essa, ele a denominou de “êxtase de Oneix”. Sem demora, vai à procura do pároco e lhe conta em detalhes a graça que acabara de receber. Este reconhece no fato uma clara manifestação da vontade de Deus, e diz ao jovempastor. Miguel, vou inscrever já seu nome para a próxima Primeira Eucaristia! Prepare-se bem e tome todo cuidado para não ofender o Deus que você vai receber. Foi assim que, por fim, aos 14 anos, fez sua Primeira Comunhão, na festa da Santíssima Trindade. Rumo ao sacerdócio O primeiro obstáculo a enfrentar em sua trajetória rumo ao sacerdócio foi o seu pai, que o queria ocupando- se da pequena granja familiar e, ademais, não podia custear-lhe os estudos. Porém, sua avó materna, com determinação basca, soube convencer o genro e levou Miguel para Oneix, onde pediu ajuda a um padre que se escondera inúmeras vezes na casa dos Garicoïts, durante a perseguição revolucionária. Este deu-lhe moradia e arranjou-lhe uma vaga no colégio de Saint Palais. Começou a escalada dos estudos.O jovem camponês trabalhava de dia, para compensar a falta de recursos, e estudava à noite. Como sabia apenas o idioma basco, teve dura luta para aprender francês e latim. Em três anos, porém, já estava preparado para os estudos superiores. Assim, transferiu- se para Bayonne em 1814. Prestava serviços no Palácio Episcopal, onde se hospedava, e em pouco tempo conquistou a simpatia de todos, à força de mansidão, dignidade e dedicação. Aluno brilhante, estudou Filosofia no seminário de Aire-sur-Adour e Teologia no de Dax. O reitor deste logo notou o valor do jovem, entre centenas de estudantes, e comentou: “Se não me engano, ainda ouviremos falar muito deste rapaz”.2 O testemunho de seus companheiros deixa claro que já entreviam nele a santidade: “Miguel não é um santo para ser feito: é um santo feito e acabado”- dizia um. “Para todos nós, Miguel era nosso São Luís Gonzaga!” – exclamava outro.3 O Bispo de Bayonne, futuro Cardeal d’Astros, conferiu-lhe a tão ansiada ordenação presbiteral em 20 de dezembro de 1823. São Miguel Garicoïts iniciava aos 26 anos de idade sua providencial missão. Um homem providencial Um mês após sua ordenação, o Bispo o nomeou vigário cooperador de Cambo, cidade de certa importância, próxima a Bayonne. Era uma situação muito delicada, pois o pároco, já idoso e paralítico, perdera o contato com seus paroquianos, deixando-os entregues às ideias da época. Como homem providencial, padre Miguel levou adiante uma pastoral muito parecida com a do Santo Cura d’Ars, seu contemporâneo: leão no púlpito, manso e compreensivo no confessionário. Instituiu uma Cruzada Eucarística para contrabalançar a fria influência do jansenismo, deu um caráter solene aos atos litúrgicos, esmerava-se nas aulas de Catecismo, visitava os doentes, era incansável apóstolo da devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Os resultados não se fizeram esperar: em dezoito meses a paróquia estava totalmente transformada. O próprio prefeito da cidade, que se destacava por suas ideias voltairianas e atitudes anticlericais, converteu-se em bom cristão. Fruto mais precioso ainda, os jovens se entusiasmaram e começaram a surgir vocações sacerdotais e religiosas. No seminário de Bétharram A voz da obediência mudou os rumos da vida do jovem sacerdote: o Bispo o enviou para o seminário de Bétharram, como professor de Filosofia. Essa nomeação interrompia uma atividade evangelizadora que estava produzindo excelentes resultados… A perplexidade não impediu padre Miguel de responder com seu inalterável espírito de obediência: “Eis-me aqui!”. O próprio Bispo explicou-lhe depois o motivo dessa transferência inesperada. Ele havia observado, e apreciado, o zelo empreendedor aliado à delicadeza de alma com a qual o jovem vigário soube agir sem ferir em nada a autoridade do pároco ancião e inativo. Ora, ele o queria em Bétharram para uma missão idêntica. O reitor do seminário, sacerdote venerável e carregado de méritos, estava entretanto em idade muito avançada e não tinha mais condição alguma de dirigir essa fundamental instituição diocesana. – Padre Miguel – disse o Prelado -, o senhor reergueu a paróquia de Cambo sem arranhar o prestígio do respeitável pároco. Faça o mesmo em Bétharram. O velho Padre Superior continuará no cargo, mas de fato é ao senhor que confio o seminário, com a incumbência de pôr ordem na casa e formar santos presbíteros. Assim, em 1825 o Santo assumiu suas novas funções, certo de estar cumprindo a vontade de Deus. Um homem inatacável Até então, Bétharram era para ele apenas como uma terra abençoada, onde existia um santuário famoso, no qual a Santíssima Virgem distribuía suas graças e maternais favores. Nesse local, segundo narra uma antiga tradição, uma moça caiu no Rio Gave e estava se afogando. Recorreu então a Nossa Senhora e logo viu ao alcance de sua mão um galho ao qual se agarrou, salvando a vida. Como testemunho de sua gratidão, ela colocou nas mãos da imagem de sua Protetora um ramo de ouro, chamando-o de “bétharram” – “belo ramo”, no dialeto local. Ali, esperava-o um novo desafio. O seminário estava entregue a todo tipo de desordens e relaxamento. Sua fama era de ser refúgio para “qualquer batina”… Os seminaristas levavam a vida como queriam, e até abusavam do vinho que o empregado da casa lhes vendia. Foi necessário ao padre Miguel muito tato e firmeza para restaurar a disciplina e implantar um regime de vida adequado à formação dos futuros sacerdotes. Uma vez mais, sua “pastoral dos Sacramentos” produziu os frutos esperados: a Confissão e a Eucaristia reconduziram ao bom caminho quase todos os transviados. Os que não quiseram se emendar, deixaram o seminário. Mas não sem testemunhar que “o padre Garicoïts não era atacado, porque era inatacável”.4 Faleceu o velho reitor, e o padre Miguel foi nomeado para o cargo. Mas, algum tempo depois, o Bispo decidiu transferir o seminário para Bayonne, pois o perigo das perseguições já havia amainado. Nova perplexidade: uma vez mais, sua ação apostólica era interrompida quando estava produzindo bons frutos… Segundo ele próprio disse, ficou em Bétharram como “superior das quatro paredes de um vasto edifício”.5 Sua resposta, porém, foi a mesma de sempre: “Eis que venho, ó Deus, fazer a Vossa vontade” (Hb 10, 7). Aceitando sem entender, ele dava mais glória a Deus! Nasce uma nova Congregação E Ele tem os seus caminhos. Por essas vias, Ele o preparava para a sua grande missão. Em sua aparente inutilidade, o fogoso sacerdote meditou mais profundamente sobre a triste situação daquilo que sobrara do clero francês, após a onda devastadora da Revolução: reduzido em número e, pior ainda, desorientado e sem o devido preparo. Nasceu assim em seu coração o desejo de fundar uma instituição eclesiástica nova, que congregasse sacerdotes desapegados de tudo, com “uma dedicação de obediência absoluta, simplicidade perfeita, mansidão inalterável! Esses sacerdotes seriam uma verdadeira patrulhamóvel de soldados de elite, prontos a correr ao primeiro sinal dos chefes, para onde fossem chamados, até, e sobretudo, para os ministérios mais difíceis, recusados por outros”.6 E que sempre tivessem presente que é “maldito aquele que faz com negligência a obra do Senhor!” (Jr 48, 10). Com a certeza de ser essa a vontade de Deus, reuniu em torno de si de zessete sacerdotes que responderam a seu apelo missionário e comeles fundou, na pobreza absoluta, a Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus de Bétharram. Em 1835, todos fizeram em suas mãos os votos de pobreza e obediência, além de renovar o de castidade, e o escolheram para Superior do novo Instituto. São Miguel visava compor uns estatutos que dessem à sua Congregação – com o selo da aprovação romana – a solidez e estabilidade das regras canônicas, bem como a liberdade de movimentos indispensável às atividades apostólicas. Mas estes foram redigidos pelo novoBispo diocesano e não eram o que pretendia o santo fundador… Foi essa a maior prova de obediência de sua vida! Aceitando esta aparente contradição permitida pela Providência, não enfrentou a autoridade legítima, não recorreu a Roma e adotou as constituições de seu Bispo, completamente insuficientes para seu desejo de perfeição. Mas confiante que “a letra mata e o Espírito vivifica” (II Cor, 3, 6), soube incutir em seus filhos esse espírito de prontidão, fazendo- os religiosos de corpo inteiro, dispostos a qualquer desafio apostólico. Seus ansiados estatutos só foram aprovados depois de sua morte, numa vitória da obediência. Até o fim dizendo: “Eis-me aqui, Senhor!” Durante trinta anos, dirigiu com sabedoria a nova Congregação. Percorria vilas e aldeias, evangelizando a juventude, os operários e os trabalhadores agrícolas. Enquanto os Bétharramistas se espalhavam pelas dioceses francesas, formava-se em torno de seu Fundador um halo de santidade e de estima. Seu confessionário estava sempre assediado por pessoas vindas de todas as partes. A todos acolhia com bondade, paciência e firmeza, procurando incutir-lhes o amor à Cruz e à Santíssima Virgem. Bispos e outras personalidades importantes acorriam a Bétharram para consultá-lo. Por expressa solicitação do Bispo de Tarbes, ele teve dois encontros com Santa Bernadette Soubirous, a fim de verificar a autenticidade dos fatos ocorridos em Lourdes. Essas duas entrevistas com a jovem vidente reforçaram sua convicção pessoal de que indubitavelmente a Virgem Maria aparecera na Gruta de Massabielle. Nos últimos dez anos de sua existência, dolorosas enfermidades vieram aumentar os seus sofrimentos. E quando, por fim, sentiu que Deus o chamava para junto de Si, deu-Lhe a resposta que caracterizou toda a sua vida: “Eis-me aqui, Senhor”. Na madrugada da festa da Ascensão de 1863, dia 14 de maio, após receber todos os sacramentos, entregou sua alma a Deus, pronunciando o primeiro versículo do Salmo 50: “Miserere mei, Deus, secundum magnam misericordiam tuam” – Tende piedade de mim, ó Deus, segundo Vossa grande misericórdia. Os padres de Bétharram eram, nessa ocasião, cerca de cem, atuando nas dioceses francesas. Atualmente, exercem suas atividades evangelizaras, sobretudo no sul da América Latina: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Pio XII canonizou-o em 6 de julho de 1947. (Revista Arautos do Evangelho, Maio/2009, n. 89, p. 30 à 33) #SantodoDia
- A Blasfêmia – Um mês com Maria | 14° dia
A BLASFÊMIA “A minha alma glorifica ao Senhor!” (Lc 1,46). Quando a alma de Maria se abriu, nos doou um hino de glória e de amor que revela como Ela era cheia de Deus e seu perfeitíssimo “louvor e glória” (Ef 1,12). Ao oposto está uma outra alma: aquela do blasfemo. Também aqui a blasfêmia vem de dentro e revela a ausência de Deus na alma e a ofensa ao dever de cultivar a glória de Deus. A blasfêmia é um terrível pecado mortal, gravíssima injúria a Deus, a Maria, aos santos e a tudo o que é sagrado. S. Jerônimo chega a dizer que todo pecado é leve se comparado a blasfêmia. Certo que com a blasfêmia se revolta contra Deus, dá-se o escândalo, provoca-se a ira de Deus e a desgraça da perda da graça Divina (cf. Cl 3,). Pe. Pio definia a blasfêmia como a língua do diabo, e se afligia tanto em ouví-la que assim escrevia ao seu diretor espiritual: “Quanto sofro ao ver que Jesus não é amado pelos homens, mas o que é pior, insultado e sobretudo, blasfemado horrendamente. Gostaria de morrer ou ao menos ficar surdo para não ouvir tantos insultos que os homens fazem a Deus!”Que delírio mental agarra os homens levando-os a blasfemar? A blasfêmia é uma heresia inspirada por Satanás e é uma coisa de loucos! Não se pode explicar diferentemente. Melhor o martírio Quantos mártires aceitaram o cruel martírio para não blasfemar? Que glória para a Fé Cristã! Quando S. Policarpo, nobre ancião, Bispo de Esmirna, foi levado ao suplício, ouviu o procônsul Romano dizer: “Maldiz teu Cristo e te livrarei!” Olhando para o Céu, respondeu: “São 80 anos que sirvo ao meu Senhor e em todo este tempo Ele não me faz mais que bem, e deveria eu agora blasfemar? Ele é o meu Deus, o meu Salvador, meu supremo Benfeitor.” Aceitou com coragem a morte que foi esplêndida e em frente de todos. Quase o mesmo aconteceu com a ardente Virgem S. Apolônia. Já lhe tinham arrancado os dentes, depois queriam que pronunciasse blasfêmias e heresias, se não a jogariam em uma fogueira já pronta. A estas condições, a Santa se jogou, mas não pronunciou blasfêmias. A obrigação de corrigir S. Agostinho diz que os blasfemadores de Cristo não são menos culpados daqueles que na outra vez o crucificaram na Terra. Daqui a obrigação de repreender e corrigir quem tenha este maldito vício. Devemos suportar com paciência as injúrias que nos fazem, mas quando na nossa frente uma boca sacrílega vomita blasfêmias contra Deus, longe de sermos pacientes, devemos resistir ao pecador e condenar a blasfêmia, sem esconder nossa indignação. Pe. Pio foi perguntado se precisava repreender quem blasfemava: “É santíssimo e justíssimo”, respondeu. Não se pode dispensar de um dever que todos devemos cultivar, porque a blasfêmia é um delito também social. S. João Crisóstomo escreve: “Pela blasfêmia vêm sobre a terra pestilências, carestias, terremotos, guerras”. Pe Pio: “A blasfêmia atrai os castigos de Deus, as doenças, as desgraças, desventuras. Nos rouba o pão, limpa a cinza da lareira, faz perder graças importantes que estavam para chegar.” Por isso ele era exigente e enérgico. Mandava embora os blasfemadores sem os absolver, investindo-os muitas vezes com palavras terríveis: “A blasfêmia é o diabo na tua língua! Atrai para ti o inferno!” A blasfêmia é um mistério de iniquidade. Blasfemastes tua mãe? S. Maximiliano passou por uma rua de Roma e ouviu um homem lançar uma terrível blasfêmia contra Nossa Senhora. Aproximou-se dele e lhe disse entre lágrimas: “Por que blasfemas Nossa Senhora? Blasfemarias contra tua mãe?” Àquelas lágrimas e palavras, o blasfemador arrependeu-se, pediu perdão e não mais o fez. Se amamos verdadeiramente Maria, façamos com que seja respeitada. É nossa Mãe. E quando não se pode ou não se consegue obter uma correção do blasfemador, precisamos ao menos fazer um pouco de reparação pelas blasfêmias. Alexandre Manzoni conta um pequeno episódio que lhe aconteceu em Milão. Uma noite de inverno, pelas ruas em neve, ouviu uma horrível blasfêmia da boca de um homem que limpava as ruas de neve. Muito triste, quis logo entrar em uma Igreja para reparar, rezando. E aqui viu outra cena inesperada e belíssima: Junto ao Sacrário, uma menina mandava beijos a Jesus com sua mãozinha. Olhando com ternura, Manzoni escondeu o rosto com as mãos para chorar. Na escola de S. Afonso aprendemos o dever da reparação, lembrando das Suas Visitas a Jesus Eucarístico e a Nossa Senhora, com aquelas lindas e significativas palavras: “Eu saúdo hoje o vosso Amantíssimo Coração para vos recompensar de todas as injúrias que recebestes.” Com os santos aprendemos a reparar logo toda blasfêmia que ouvimos ao menos com qualquer jaculatória dita com amor. Peçamos a Nossa Senhora que encha a nossa alma da Graça de Deus. Votos Recitar o Magnificat com amor; Oferecer o dia pelos blasfemadores; Reparar as blasfêmias corrigindo quem blasfema ou recitando muitas jaculatórias. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- A Blasfêmia – Um mês com Maria | 14° dia
A BLASFÊMIA “A minha alma glorifica ao Senhor!” (Lc 1,46). Quando a alma de Maria se abriu, nos doou um hino de glória e de amor que revela como Ela era cheia de Deus e seu perfeitíssimo “louvor e glória” (Ef 1,12). Ao oposto está uma outra alma: aquela do blasfemo. Também aqui a blasfêmia vem de dentro e revela a ausência de Deus na alma e a ofensa ao dever de cultivar a glória de Deus. A blasfêmia é um terrível pecado mortal, gravíssima injúria a Deus, a Maria, aos santos e a tudo o que é sagrado. S. Jerônimo chega a dizer que todo pecado é leve se comparado a blasfêmia. Certo que com a blasfêmia se revolta contra Deus, dá-se o escândalo, provoca-se a ira de Deus e a desgraça da perda da graça Divina (cf. Cl 3,). Pe. Pio definia a blasfêmia como a língua do diabo, e se afligia tanto em ouví-la que assim escrevia ao seu diretor espiritual: “Quanto sofro ao ver que Jesus não é amado pelos homens, mas o que é pior, insultado e sobretudo, blasfemado horrendamente. Gostaria de morrer ou ao menos ficar surdo para não ouvir tantos insultos que os homens fazem a Deus!”Que delírio mental agarra os homens levando-os a blasfemar? A blasfêmia é uma heresia inspirada por Satanás e é uma coisa de loucos! Não se pode explicar diferentemente. Melhor o martírio Quantos mártires aceitaram o cruel martírio para não blasfemar? Que glória para a Fé Cristã! Quando S. Policarpo, nobre ancião, Bispo de Esmirna, foi levado ao suplício, ouviu o procônsul Romano dizer: “Maldiz teu Cristo e te livrarei!” Olhando para o Céu, respondeu: “São 80 anos que sirvo ao meu Senhor e em todo este tempo Ele não me faz mais que bem, e deveria eu agora blasfemar? Ele é o meu Deus, o meu Salvador, meu supremo Benfeitor.” Aceitou com coragem a morte que foi esplêndida e em frente de todos. Quase o mesmo aconteceu com a ardente Virgem S. Apolônia. Já lhe tinham arrancado os dentes, depois queriam que pronunciasse blasfêmias e heresias, se não a jogariam em uma fogueira já pronta. A estas condições, a Santa se jogou, mas não pronunciou blasfêmias. A obrigação de corrigir S. Agostinho diz que os blasfemadores de Cristo não são menos culpados daqueles que na outra vez o crucificaram na Terra. Daqui a obrigação de repreender e corrigir quem tenha este maldito vício. Devemos suportar com paciência as injúrias que nos fazem, mas quando na nossa frente uma boca sacrílega vomita blasfêmias contra Deus, longe de sermos pacientes, devemos resistir ao pecador e condenar a blasfêmia, sem esconder nossa indignação. Pe. Pio foi perguntado se precisava repreender quem blasfemava: “É santíssimo e justíssimo”, respondeu. Não se pode dispensar de um dever que todos devemos cultivar, porque a blasfêmia é um delito também social. S. João Crisóstomo escreve: “Pela blasfêmia vêm sobre a terra pestilências, carestias, terremotos, guerras”. Pe Pio: “A blasfêmia atrai os castigos de Deus, as doenças, as desgraças, desventuras. Nos rouba o pão, limpa a cinza da lareira, faz perder graças importantes que estavam para chegar.” Por isso ele era exigente e enérgico. Mandava embora os blasfemadores sem os absolver, investindo-os muitas vezes com palavras terríveis: “A blasfêmia é o diabo na tua língua! Atrai para ti o inferno!” A blasfêmia é um mistério de iniquidade. Blasfemastes tua mãe? S. Maximiliano passou por uma rua de Roma e ouviu um homem lançar uma terrível blasfêmia contra Nossa Senhora. Aproximou-se dele e lhe disse entre lágrimas: “Por que blasfemas Nossa Senhora? Blasfemarias contra tua mãe?” Àquelas lágrimas e palavras, o blasfemador arrependeu-se, pediu perdão e não mais o fez. Se amamos verdadeiramente Maria, façamos com que seja respeitada. É nossa Mãe. E quando não se pode ou não se consegue obter uma correção do blasfemador, precisamos ao menos fazer um pouco de reparação pelas blasfêmias. Alexandre Manzoni conta um pequeno episódio que lhe aconteceu em Milão. Uma noite de inverno, pelas ruas em neve, ouviu uma horrível blasfêmia da boca de um homem que limpava as ruas de neve. Muito triste, quis logo entrar em uma Igreja para reparar, rezando. E aqui viu outra cena inesperada e belíssima: Junto ao Sacrário, uma menina mandava beijos a Jesus com sua mãozinha. Olhando com ternura, Manzoni escondeu o rosto com as mãos para chorar. Na escola de S. Afonso aprendemos o dever da reparação, lembrando das Suas Visitas a Jesus Eucarístico e a Nossa Senhora, com aquelas lindas e significativas palavras: “Eu saúdo hoje o vosso Amantíssimo Coração para vos recompensar de todas as injúrias que recebestes.” Com os santos aprendemos a reparar logo toda blasfêmia que ouvimos ao menos com qualquer jaculatória dita com amor. Peçamos a Nossa Senhora que encha a nossa alma da Graça de Deus. Votos Recitar o Magnificat com amor; Oferecer o dia pelos blasfemadores; Reparar as blasfêmias corrigindo quem blasfema ou recitando muitas jaculatórias. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- Nossa Senhora de Fátima, as aparições que mudaram a história – 13 de Maio
Era uma Senhora vestida de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente. Seu semblante era de uma inenarrável beleza, nem triste, nem alegre, mas sério, talvez com uma suave expressão de ligeira censura… As aparições de Fátima 13 de maio de 1917. Lúcia de Jesus, 10 anos, Francisco Marto, 9 anos e Jacinta Marto, 7 anos, após a Missa na igreja de Aljustrel, lugarejo de Fátima, foram pastorear o rebanho de ovelhas nas terras do pai de Lúcia, na Cova da Iria. Após um como que clarão de relâmpago, num céu luminoso e sereno, sobre uma carrasqueira de metro e pouco de altura apareceu-lhes a Mãe de Deus. Segundo as descrições da Irmã Lúcia, era “uma Senhora vestida toda de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente”. Seu semblante era de uma inenarrável beleza, nem triste, nem alegre, mas sério, talvez com uma suave expressão de ligeira censura. Como descrever em pormenores seus traços? De que cor os olhos, os cabelos dessa figura celestial? Lúcia nunca o soube dizer ao certo! O vestido, mais alvo que a própria neve, parecia tecido de luz. Tinha as mangas relativamente estreitas e era fechado no pescoço, descendo até os pés, os quais, envolvidos por uma tênue nuvem, mal eram vistos roçando as franças da azinheira. Um manto lhe cobria a cabeça, também branco e orlado de ouro, do mesmo comprimento que o vestido, envolvendo-lhe quase todo o corpo. “As mãos, trazia-as juntas em oração, apoiadas no peito, e da direita pendia um lindo rosário de contas brilhantes como pérolas, terminando por uma cruzinha de vivíssima luz prateada. [Como] único adereço, um fino colar de ouro-luz, pendente sobre o peito, e rematado, quase à cintura, por uma pequena esfera do mesmo metal” Nesta primeira aparição, Nossa Senhora pede aos 3 pastorinhos que venham seis meses seguidos, no dia 13, à mesma hora. E diz que ainda viria uma sétima vez. “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de suplica pela conversão dos pecadores? À resposta afirmativa das crianças, Ela acrescentou: “Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto”. Foi ao pronunciar estas últimas palavras (‘a graça de Deus…’, etc.), que abriu pela primeira vez as mãos, comunicando-nos uma luz tão intensa, como que reflexo que delas expedia, que nos penetrava no peito e no mais íntimo da alma, fazendo-nos ver a nós mesmos em Deus, que era essa luz, mais claramente do que nos vemos no melhor dos espelhos. Então, por um impulso ín¬timo, também comunicado, caímos de joelhos e repetíamos intimamente: ‘Ó Santíssima Trindade, eu Vos adoro. Meu Deus, meu Deus, eu Vos amo no Santíssimo Sacramento’. Passados os primeiros momentos, Nossa Senhora acrescentou: ‘Rezem o Terço todos os dias para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra’. E Nossa Senhora se elevou serenamente, subindo em direção ao nascente, até desaparecer no Céu. A celeste Mensageira havia produzido nas crianças uma deliciosa impressão de paz e de alegria radiante, de leveza e liberdade. Parecia-lhes que poderiam voar como os pássaros. De tempos em tempos, o silêncio em que tinham caído era cortado por esta jubilosa exclamação de Jacinta: – Ai! que Senhora tão bonita! Ai! que Senhora tão bonita! Nas aparições, a Virgem Santíssima falou apenas com Lúcia, Jacinta só ouvia o que Ela dizia e Francisco não A ouvia mas apenas via. A segunda aparição: 13 de junho Já com a presença de 50 pessoas na Cova da Iria, os 3 pastorinhos viram de novo o reflexo da luz (a que chamavam relâmpago) que se aproximou da carrasqueira. Nossa Senhora queria que voltassem no próximo dia 13, que rezassem o Terço todos os dias e aprendessem a ler. Lúcia pede para que Ela os leve para o Céu. “Sim, à Jacinta e ao Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação; e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o seu trono”. A Virgem anima Lúcia, dizendo que nunca a deixará. “O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.” De novo, abriu as mãos e lhes comunicou o reflexo de intensa luz, como que submergindo-os em Deus. E na palma da mão direita de Maria estava um Coração cercado de espinhos que pareciam estar nele cravados. Era o Imaculado Coração de Maria ultrajado pelos pecados da humanidade, querendo reparação! Aos poucos essa visão se esvaeceu diante das vistas enlevadas dos três pastorinhos. E Nossa Senhora, resplandescente de luz, subiu suavemente para o leste, até desaparecer. Terceira aparição: 13 de julho Lúcia, até a tarde do dia anterior, estava resolvida a não comparecer à Cova da Iria. Mas, ao se aproximar a hora, numa sexta-feira, sentiu-se impelida por uma força estranha, à qual não lhe era fácil resistir. Foi ter com os primos, aos quais encontrou no quarto, de joelhos, chorando e rezando pois não queriam ir sem Lúcia. As três crianças, então, se puseram a caminho. Chegando ao local da aparições, surpreenderam-se com mais de 2 mil pessoas aguardando o extraordinário acontecimento. O pai de Francisco e Jacinta, Sr. Marto, narrou ter visto uma nuvenzinha acinzentada pairar sobre a azinheira, enquanto o sol se turvava e fresca aragem soprava… “Quero que venham aqui no dia 13 do mês que vem; que continuem a rezar o Terço todos os dias em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer”. E Lúcia revela que Nossa Senhora pediu para eles se sacrificarem pelos pecadores e dizerem muitas vezes, em especial sempre que fizerem algum sacrifício: “Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores, e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria”. Maria Santíssima revela, então, aos 3 pastorinhos a primeira parte do segredo de Fátima: a visão do inferno; a segunda parte do segredo: o anúncio do Castigo e dos meios para evitá-lo. A terceira parte do segredo permaneceu desconhecida até 26 de junho de 2000. Nesta data, foi ela divulgada por determinação de S.S. o Papa João Paulo II. Nossa Senhora, então, elevou-se em direção ao nascente, até desaparecer no firmamento. O final da aparição, segundo Sr. Marto, foi indicado por uma espécie de trovão. Quarta aparição: 15 de agosto Às vésperas da data, os 3 pastorinhos foram seqüestrados e mantidos por 3 dias sob vigilância pelo Administrador de Ourém, que lhes desejava arrancar os segredos a eles confiados. Assim, não puderam comparecer à Cova da Iria, no dia 13 de agosto. Alguns dos presentes, no local, testemunharam ter ocorrido o trovão, o relâmpago e o surgimento da pequena nuvem, leve, branca e bonita, pairando sobre a azinheira. E que, depois, subiu e desapareceu no céu. Libertos e estando, em 15 de agosto, a pastorear em Valinhos, Lúcia e Jacinto sentiram algo sobrenatural que os envolvia… E mandaram que João, irmão de Jacinta, fosse chamá-la. Lúcia e Francisco viram o reflexo da luz como um relâmpago e, chegada a Jacinta, logo, Nossa Senhora apareceu sobre a carrasqueira. Ela queria que viessem no próximo dia 13 e que rezassem o Terço todos os dias. “No último mês farei o milagre para que todos acreditem.” prometeu a Virgem. Mandou que fossem feitos dois andores para a festa de Nossa Senhora do Rosário com o dinheiro deixado pelo povo na Cova da Iria. O restante seria usado para ajudar na capela que mandariam fazer. E, tomando um aspecto mais triste, acrescentou: “Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o Inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas”. – E Nossa Senhora se retira em direção ao nascente, como das outras vezes. Durante longos minutos os pastorinhos permaneceram em estado de êxtase. Sentiam-se invadidos por uma alegria inigualável, após tantos sofrimentos e temores. Quinta aparição: 13 de setembro Nesse dia, 15 a 20 mil pessoas, e talvez mais, acorreram à Cova da Iria. Todos queriam ver, falar e fazer pedidos às crianças para que apresentassem à Virgem. Junto à carrasqueira, começaram a rezar o Terço com o povo, até que num reflexo de luz Nossa Senhora apareceu sobre a azinheira. “Continuem a rezar o Terço para alcançarem o fim da guerra. Em outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, São José com o Menino Jesus, para abençoarem o mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda [cilício], trazei-a só durante o dia”. Segundo o testemunho de alguns espectadores, por ocasião dessa visita de Nossa Senhora, como das outras vezes, ocorreram diversos fenômenos atmosféricos. Observaram “à distância aparente de um metro do sol, um globo luminoso, que em breve começou a descer em direção ao poente e, da linha do horizonte, voltou a subir de novo em direção ao sol”. Além disso, a atmosfera tomou uma cor amarelada, verificando-se uma diminuição da luz solar, tão grande que permitia ver a lua e as estrelas; uma nuvenzinha branca, visível até o extremo da Cova, envolvia a azinheira e com ela os videntes. Do céu choviam como que pétalas de rosas ou flocos de neve, que se desfaziam pouco acima das cabeças dos peregrinos, sem deixar-se tocar ou colher por ninguém”. Ainda que breve, a aparição de Nossa Senhora deixou os pequenos videntes felicíssimos, consolados e fortalecidos em sua fé. Francisco, de modo especial, sentia-se transportado de alegria com a perspectiva de ver, dali a um mês, Nosso Senhor Jesus Cristo, conforme lhes prometera a Rainha do Céu e da Terra. Sexta e última aparição: 13 de outubro de 1917 Já era o outono. Uma chuva persistente e forte transformara a Cova da Iria num lamaçal e encharcava a multidão de 50 a 70 mil peregrinos, vindos de todos os cantos de Portugal. Assim que chegaram os videntes, Lúcia pediu que fechassem os guarda-chuvas para rezarem o Terço. E, pouco depois, houve o reflexo de luz e Nossa Senhora apareceu sobre a carrasqueira. “Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o Terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas.” Ao pedido de cura para uns doentes e conversão para alguns pecadores, Nossa Senhora respondeu: “Uns sim, outros não. É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados”. E tomando um aspecto triste, Ela acrescentou: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido”. E, abrindo as mãos, fê-las refletir no sol, e enquanto Se elevava, continuava o reflexo da sua própria luz a projetar-se no sol. Visões de cenas simbolizando os Mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos do Rosário Chovera durante toda a aparição. Lúcia, no término de seu colóquio com Nossa Senhora, gritara para o povo: “Olhem para o sol!” Rasgam-se as nuvens, e o sol aparece como um imenso disco de prata. Apesar de seu intenso brilho, pode ser olhado diretamente sem ferir a vista. As pessoas o contemplam absortas quando, de súbito, o astro se põe a “bailar”. Gira rapidamente como uma gigantesca roda de fogo. Pára de repente, para dentro em pouco recomeçar o giro sobre si mesmo numa espantosa velocidade. Finalmente, num turbilhão vertiginoso, seus bordos adquirem uma cor escarlate, espargindo chamas vermelhas em todas as direções. Esses fachos refletem-se no solo, nas árvores, nos arbustos, nas faces voltadas para o céu, reluzindo com todas as cores do arco-íris. O disco de fogo rodopia loucamente três vezes, com cores cada vez mais intensas, treme espantosamente e, descrevendo um ziguezague descomunal, precipita-se em direção à multidão aterrorizada. Um único e imenso grito escapa de todas as bocas. Todos caem de joelhos na lama e pensam que vão ser consumidos pelo fogo. Muitos rezam em voz alta o ato de contrição. Pouco a pouco, o sol começa a se elevar traçando o mesmo ziguezague, até o ponto do horizonte de onde havia descido. Torna-se então impossível fitá-lo. É novamente o sol normal de todos os dias. O ciclo das visões de Fátima estava encerrado. Os prodígios haviam durado cerca de 10 minutos. Todos se entreolhavam perturbados.Depois, a alegria explodiu: “O milagre! As crianças tinham razão!” Os gritos de entusiasmo ecoavam pelas colinas adjacentes, e muitos notavam que sua roupa, encharcada alguns minutos antes, estava completamente seca. O milagre do sol pôde ser observado a uma distância de até 40 quilômetros do local das aparições. A promessa da sétima vinda de Nossa Senhora Em sua primeira aparição, a Santíssima Virgem pediu aos 3 pastorinhos que viessem à Cova da Iria seis meses seguidos. E acrescentou: “Depois voltarei ainda aqui uma sétima vez”. Seguiram-se as seis aparições, segundo o relato da Irmã Lúcia, pairando o mistério sobre a sétima aparição… Estará, esta, ligada à promessa do triunfo de Seu Imaculado Coração? Esse triunfo, sem dúvida, configura uma suprema e altíssima esperança para os dias de hoje! Fátima, queiramos ou não, tornou-se com a promessa “Por fim meu Imaculado Coração triunfará” o ponto de referência essencial, indispensável, para nossa vida e para o mundo contemporâneo. Fátima, inegavelmente, é a aurora do terceiro milênio! “Maria não foi ainda suficientemente louvada e exaltada, honrada, amada e servida. Ela merece muito maior louvor, respeito, amor e serviço”. De Maria nunquam satis De Maria nunquam satis… Repetida por São Bernardo de Claraval e outros Santos, este categórico louvor à Mãe de Deus é habitualmente traduzido como: “A respeito de Maria jamais se dirá o bastante”. Mas tal afirmação faz recordar também que a nenhum fiel é lícito não ter devoção a Nossa Senhora, pois “a Mãe de Deus é o modelo e a figura da Igreja, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo”. 1 Quão poucas vezes nos detemos, infelizmente, para pensar na extraordinária grandeza que se oculta por trás de um doce e humilde rosto de Mãe! Cientes dessa nossa falha, paremos um pouco, caro leitor, para refletir sobre Ela, tendo bem presente a bela imagem que ilustra nossa capa neste mês dedicado a Maria. O Corpo de Cristo foi-Lhe dado por Maria São Luís Maria Grignion de Montfort une sua voz à de outros Santos — entre eles Santo Agostinho, São Cirilo de Jerusalém, São Bernardo, São Bernardino, São Tomás e São Boaventura — para afirmar sem rodeios que, por vontade de Deus, a devoção a Maria é necessária à salvação. Em razão disto, acrescenta, “não se deve confundir a devoção à Santíssima Virgem com a devoção aos outros Santos, como se Ela não fosse muito mais necessária, e fosse apenas de super-rogação, isto é, um acréscimo”. 2 Maria Santíssima é verdadeira Mãe de Deus e nossa. Por Maria, somos irmãos em Cristo, no Espírito Santo. Ela é o elo sagrado entre a criatura e o Criador. Maria está tão ligada a Deus no Mistério da Salvação, que jamais Jesus poderia ter dito, na instituição da Eucaristia: “Isto é o meu Corpo […] Este cálice é a Nova Aliança no meu Sangue” (I Cor 11, 24-25), nem soprado sobre os discípulos, conferindo-lhes o poder de perdoar pecados (cf. Jo 20, 22-23), se não tivesse assumido um corpo humano no seio da Virgem Maria. Com efeito, Cristo, ao entrar no mundo disse: “Formaste-Me um corpo” (Hb 10, 5). Esse corpo foi-Lhe dado pela humilde Virgem de Nazaré. Medianeira de todas as graças Ensina-nos a Igreja que Maria, apesar da dignidade de ser a mais sublime criatura saída das mãos do Criador, está infinitamente abaixo de Deus. Contudo, o mesmo Deus, sem necessitar de nada ou de ninguém, quis servir-Se d’Ela. E, sendo esta a vontade divina, ninguém pode duvidar de que é imutável e a mais perfeita. São Luís Grignion afirma: “Foi por meio da Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por meio d’Ela que Ele há de reinar no mundo”. 3 Aquele que disse ser “o Caminho” (Jo 14, 6) escolheu vir ao mundo por meio de Maria. Poderiam os homens escolher outra via para ir a Ele? A Virgem Mãe é a Medianeira de todas as graças, com uma distinção importante: Jesus é o Mediador de Redenção, “porque há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, Homem” (I Tm 2, 5). Maria é a Medianeira de intercessão. Ela está entre Deus, de quem é Mãe, e os homens, aos quais assumiu como filhos, quando Jesus Lhe entregou João, o discípulo amado, dizendo: “Eis aí o teu filho” (Jo 19, 26). Os mil títulos de Maria Santíssima Por ser Maria, assim, Mãe de todos os verdadeiros filhos de Deus, estes não economizam títulos para fazer sentir quanto Ela está ao alcance de mãos que se juntam e de joelhos que se dobram confiantes. Ela é conhecida pelo nome dos lugares nos quais apareceu: Senhora de Fátima, de Lourdes, ou de La Salette. Torna-Se, por assim dizer, uma habitante daquele lugar. Ao seu nome se acrescentam as virtudes das quais é modelo, e que devemos praticar. Por isso A invocamos como Mãe Castíssima, Mãe Puríssima, Virgem Prudentíssima, Virgem Fiel… Ao seu santo nome acrescentamos as nossas necessidades, denominando-A Consoladora dos Aflitos, Senhora das Mercês ou Senhora do Amparo… e nada se compara ao auxílio de Nossa Senhora. Tão próxima dos homens e mulheres, que ousamos juntar a esse santíssimo nome até a feiura de nossas misérias: Refúgio dos Pecadores, Porto Seguro dos Náufragos, Saúde dos Enfermos, Senhora do Bom Remédio, remédio de nossas feridas… Mãe bondosa que roga por filhos pecadores Entre os mil títulos da única e mesma Maria, aquele que se encontra nos lábios de todos os cristãos, e com mais frequência é recordado, é sem dúvida o de “mãe”. Todos os dias, sem nos darmos conta, ao rezarmos a Ave-Maria, lembramos esta verdade doce e consoladora. No Pai-nosso, chamamos a Deus de Pai e pedimos o Reino, o pão e o perdão. Na Ave-Maria, nada pedimos, a não ser: “rogai por nós pecadores”, sem indicar nenhum outro desejo. É a oração de quem pede sem pedir, pois, sendo Ela Mãe, conhece as nossas necessidades e sabe, melhor do que nós mesmos, aquilo que nos convém. Por quê? Simplesmente por ser Mãe! A certeza da bondade de Nossa Senhora para com os homens e do seu poder de intercessão junto ao seu Divino Filho, nós a haurimos nos próprios Evangelhos. Nas Bodas de Caná, foi a Virgem quem percebeu que o vinho veio a faltar e, sem ninguém Lhe pedir, tomou a iniciativa de recorrer a Ele. “Minha hora ainda não chegou” (Jo 2, 4), argumentou Jesus. Mas as mães não costumam marcar hora para socorrer os filhos, por isso Ela disse aos serventes: “Façam tudo quanto Ele vos disser” (Jo 2, 5). Ao mesmo tempo em que apressava o milagre, a Mãe de Deus e nossa nos dava um precioso conselho, como quem diz: “simplesmente faça”, sem indicar quando nem como. Com efeito, precisamos confiar em Jesus quando nos manda fazer algo, em qualquer tempo ou lugar, pois Ele tem poder para mudar água em vinho, doença em saúde ou, se for de sua vontade, fraqueza em força para enfrentar o sofrimento. A respeito do poder de intercessão de Maria junto ao seu Filho, o então Cardeal Ratzinger cita um comovedor comentário, no qual coloca o próprio Deus como um “devedor” da Virgem Mãe. Esta tudo pode, pois seu Filho “não deixa de satisfazer nenhum de seus desejos, porque nunca Lhe restituiu o que d’Ela tomou emprestado”. 4 Isso nos faz sentir à vontade e confiantes junto à Mãe de Deus, pois Ela é tão misericordiosa quanto poderosa. Maria tem pressa em nos ajudar Ademais, Maria Santíssima tem pressa em socorrer seus filhos necessitados, mesmo se estes nada Lhe pedem: não subiu Ela apressada a montanha para ir ajudar sua prima Isabel, logo depois de receber o anúncio do Anjo? (cf. Lc 1, 39). Não podemos, pois, duvidar! Também no Céu Maria tem pressa, pressa de nos ajudar. Conforme nos ensina São Luís Grignion, a conduta das três Pessoas da Santíssima Trindade é imutável e, portanto, Deus quer servir-Se de Maria na santificação das almas até a consumação dos séculos. 5 Por isso, sempre será verdadeiro que “de Maria nunquam satis”. Isto é, “Maria não foi ainda suficientemente louvada e exaltada, honrada, amada e servida. Ela merece muito maior louvor, respeito, amor e serviço”. 6 Verdades de Fé proclamadas pelo Magistério em sua missão de custodiar e expor a Revelação, os dogmas marianos constituem um autêntico sinal da divina vitalidade da Igreja. Os dogmas marianos: luz para a Igreja Após a Ascensão do Senhor aos Céus, coube aos Apóstolos, já transformados pelas graças de Pentecostes, a missão de instruir os homens na Boa Nova. Assim o fez Filipe, por exemplo, quando, impelido pelo Espírito, se aproximou do estrangeiro que lia um trecho de Isaías e lhe perguntou: “Tu compreendes o que estás lendo” ? Ao que este respondeu: “Como posso se não há quem mo explique?” (At 8, 31). Então Filipe, “principiando por essa passagem da Escritura, anunciou-lhe Jesus” (At 8, 35). Com efeito, sendo a Palavra de Deus expressa com as limitações próprias à linguagem humana, e estando as nossas mentes sempre sujeitas a enganos, era inevitável surgirem dúvidas e dificuldades na compreensão do sagrado depósito da Fé, dando origem às mais variadas interpretações. Inclusive porque na Sagrada Escritura, conforme escreve São Pedro a propósito das cartas paulinas, “há algumas partes difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para sua própria ruína” (II Pd 3, 16). Jesus, portanto, quis instituir um Magistério vivo, confiado ao Papa e aos bispos, sucessores dos Apóstolos, a fim de que “permanecesse íntegro e fosse transmitido a todas as gerações tudo quanto tinha revelado para salvação de todos os povos” 1b, possibilitando-lhe praticar a Fé autêntica sem erro. 2b A este Magistério vivo, e somente a ele, cabe “o encargo de interpretar autenticamente a palavra de Deus escrita ou contida na Tradição”; 3b e seu caráter infalível se verifica ao definir, por singular assistência do Espírito Santo, doutrinas em matéria de Fé e moral, seja através do Papa, pronunciando-se ex cathedra, ou do Colégio Episcopal “quando este exerce o supremo Magistério em união com o sucessor de Pedro”. 4b É nesse contexto que se inserem as definições dogmáticas nas quais “o Magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo” 5b e propõe ao povo cristão uma verdade a ser aceita com adesão irrevogável de Fé. Longe de serem imposições arbitrárias, “os dogmas são luzes no caminho de nossa Fé que o iluminam e tornam seguro”. 6b Magistério e fervor popular Os sucessores dos Apóstolos não são apenas mestres, mas também pastores; seus ensinamentos visam, pois, intervir na ordem concreta dos fatos. Por isso, “insistem mais num ponto ou noutro, desenvolvem mais uma matéria, enriquecem de preferência outra, com novos ensinamentos e novas leis, tudo ao influxo do que lhe vai pedindo a solicitude pastoral à vista das diversas vicissitudes pelas quais vai passando o gênero humano ao longo da História”. 7b Nesse sentido, ensina Santo Agostinho: “Referentes à Fé católica, há muitos pontos que, ao serem postos no tapete da discussão pela astuta inquietude dos hereges, para podermos fazer-lhes frente, devem ser considerados com mais cuidado, entendidos com mais clareza e pregados com mais insistência. E, assim, a questão suscitada pelo adversário oferece oportunidade para aprender”. 8b Há, entretanto, um motor ainda mais dinâmico do que as heresias no desenvolvimento da Fé: é o amor do povo fiel que, inspirado pelo Espírito Santo, impulsiona os seus Pastores a tornarem explícitos certos aspectos da Revelação. Assim, as novas definições dogmáticas não nascem de frias considerações doutrinais, mas provêm das legítimas necessidades e apetências do povo de Deus. As proclamações dos dogmas marianos são belos testemunhos dessa imbricação entre o Magistério vivo e o fervor dos fiéis, desde os primeiros séculos do Cristianismo. O surgimento das primeiras heresias e o surto de amor à verdade que se insurgiu contra elas vai dar uma oportunidade única ao desenvolvimento da Doutrina Cristã, fomentando a reflexão teológica e propiciando as intervenções do Magistério da Igreja, vigilante salvaguarda da Fé. A história da definição da maternidade divina e da virgindade perpétua de Maria Santíssima como verdades de Fé são dois magníficos exemplos desta realidade. Maternidade divina Entre as inúmeras lições outorgadas aos homens pela História, há uma de capital importância: a forma mais eficaz de combater uma verdade nem sempre consiste em propagar o erro oposto, mas em exagerar algum de seus aspectos. Constata-se isso ao analisar o movimento pendular das heresias dos primeiros séculos, as quais, sob as aparências de zelo e pia defesa da ortodoxia, sucederam-se nos mais heterodoxos extremismos, igualmente distantes do equilíbrio da Fé. Foi o sucedido, por exemplo, com a heresia que ocasionou a definição do primeiro dogma mariano. Grassava no século IV um terrível erro cristológico difundido por Apolinário, Bispo antiariano de Laodiceia, o qual, alegando a necessidade de salvaguardar a unidade de Cristo com Deus, terminou por amputar-Lhe a natureza de homem, negando a existência da alma humana no Verbo Encarnado. Contra os apolinaristas — como ficaram conhecidos os seguidores do heresiarca —, levantou-se Nestório, Patriarca de Constantinopla, defendendo a integridade tanto da natureza humana como da divina, mas afirmando um erro oposto: ambas eram tão completas que formavam duas hipóstases independentes, duas pessoas unidas de maneira extrínseca e acidental. Assim, Cristo seria Deus e homem, não no sentido católico da união hipostática do Verbo com a humanidade, mas formando um composto de duas pessoas distintas, havendo entre elas apenas uma união moral. 9b Essa doutrina comportava um importante corolário: Maria não era Mãe da pessoa divina, mas apenas da natureza humana de Cristo. Portanto, deveria ser chamada Khristotókos (Mãe de Cristo), e não Theotókos (Mãe de Deus). Tal afirmação contundia tanto o ensinamento dos Padres, quanto a piedade dos fiéis, cuja indignação diante das proposições de Nestório não foi pequena. Com efeito, claros precedentes da doutrina estabelecida pelo dogma aparecem desde os primeiros tempos da literatura cristã. Já nos escritos de Santo Inácio de Antioquia, que foi discípulo do Apóstolo João, encontramos expressões como estas: “De fato, o Nosso Deus Jesus Cristo, segundo a economia de Deus, foi levado no seio de Maria, da descendência de Davi e do Espírito Santo” 10b; “Constatei que sois perfeitos na Fé imutável. […] Estais plenamente convencidos de que Nosso Senhor é verdadeiramente da descendência de Davi segundo a carne, Filho de Deus segundo a vontade e o poder de Deus, nascido verdadeiramente da Virgem”. 11b Em sentido análogo se pronuncia Santo Irineu, no segundo século, quando atribui à mesma Pessoa a geração eterna e a temporal, acentuando a unidade pessoal de Cristo, Verbo de Deus e Filho de Maria: “É, portanto, o Filho de Deus nosso Senhor, Verbo do Pai e, ao mesmo tempo, Filho do homem, que de Maria, nascida de criaturas humanas e Ela própria criatura humana, teve nascimento humano, tornando-Se Filho do homem”. 12b A devoção dos fiéis pela “Sancta Dei Genitrix (Santa Mãe de Deus)” vem demonstrada, pelo menos desde o século III, pela prece Sub tuum præsidium, a mais antiga oração dirigida a Maria da qual se tem conhecimento, no qual Ela é assim invocada. 13b Segundo afirma Gabriel Roschini, “no século IV, mesmo antes do Concílio de Éfeso, a expressão Mãe de Deus se tornara tão comum entre os fiéis que dava nos nervos do Imperador Juliano, o Apóstata”. 14b Empolgantes são as páginas deste capítulo da História da Igreja em que, tendo à frente o grande São Cirilo de Alexandria, o Concílio de Éfeso definiu no ano 431 a verdade destinada a brilhar para sempre no firmamento da teologia: “Se alguém não confessar que o Emanuel é Deus no sentido verdadeiro e que, portanto, a santa Virgem é deípara (pois gerou segundo a carne o Verbo que é Deus e veio a ser carne), seja anátema”. 15b É digno de nota o entrelaçamento havido entre a fé popular e a reação doutrinária contra a heresia, como fator decisivo para a proclamação deste primeiro dogma mariano. A par das questões teológicas, faz-se presente em quase todas as obras que tratam sobre o Concílio de Éfeso, a constituição de uma como que “torcida” dos fiéis pela proclamação do dogma, manifestada, sobretudo, na narrativa do júbilo popular após o encerramento da sessão que consagrou a Theotókos: provida de tochas acesas, a multidão devota acompanhou os Padres conciliares até suas moradas, aclamando-os pelas ruas da cidade. Estavam abertas, assim, as portas para as definições formais da Santa Igreja sobre as realidades teológicas que dizem respeito à Santíssima Virgem. A segunda delas, sobre a sua virgindade perpétua, viria duzentos anos mais tarde, novamente em defesa da verdade na luta contra a falsa doutrina. Virgindade perpétua A virgindade perpétua da Mãe de Deus é sintetizada nesta fórmula: Maria foi virgem antes do parto, no parto e depois do parto. Estes três elementos do dogma afirmam a concepção virginal de Jesus, pois Maria foi mãe por virtude divina, sem concurso humano; o nascimento milagroso de Jesus, “o qual não só não lesou a integridade de sua Mãe, mas também a consagrou” 16b; e a integridade de Maria Santíssima depois do nascimento de seu Divino Filho. Já os livros do Antigo Testamento trazem imagens e profecias sobre a virgindade de Maria como comenta São Bernardo: “Que prefigurava em seu dia aquela sarça ardendo sem consumir-se? A Maria dando a luz sem dor alguma. E a vara de Aarão, que floresce misteriosamente, sem havê-la plantado? À Virgem, que concebeu sem concurso de varão. E será Isaías quem melhor nos formule o maior mistério deste prodigioso milagre. ‘Germinará uma vara do tronco de Jessé, e de sua raiz brotará uma flor’, assim deixa representada a Virgem na vara, e seu parto na flor”. 17b E prototípica é a profecia de Isaías, recolhida por São Mateus: “Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: ‘Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho que se chamará Emanuel’ (Is 7, 14), que significa: ‘Deus conosco’” (Mt 1, 22-23). No Novo Testamento, a concepção virginal é atestada por São Lucas e São Mateus, ao afirmarem que Jesus foi gerado pelo Espírito Santo: “O Espírito Santo descerá sobre Ti, e a força do Altíssimo Te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de Ti será chamado Filho de Deus” (Lc 1, 35); “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que n’Ela foi concebido vem do Espírito Santo” (Mt 1, 20). Apesar desses indícios escriturísticos, a maternidade virginal de Maria foi alvo dos ataques de várias heresias nos primeiros séculos, como a corrente dos ebionitas, a qual negava a divindade de Jesus. Contudo, a concepção virginal era já considerada pela Igreja como indiscutível patrimônio doutrinário 18b, e foi posta a serviço da defesa da divindade do Redentor. É neste período que, com São Justino, a expressão “a Virgem” começa a se tornar característica para designar Maria Santíssima. 19b No século IV, houve uma ampla explicitação deste dogma, como reação aos erros então propagados. Defenderam a virgindade perpétua de Maria grandes escritores como Santo Epifânio, São Jerônimo, Santo Ambrósio e Santo Agostinho. Belas são as páginas dedicadas pelo Bispo de Hipona ao louvor deste privilégio mariano, como nos mostra o seguinte trecho: “Maria permanece virgem ao conceber seu Filho, virgem como gestante, virgem ao dá-Lo à luz, virgem ao alimentá-Lo em seu seio, sempre virgem. Por que te admiras disso, ó homem? Uma vez que Deus Se dignou fazer-Se homem, convinha que nascesse desse modo”. 20b Não tardou que ao aprofundamento teológico se acrescentasse o reconhecimento do Magistério. Coube ao Sínodo de Latrão de 649, convocado pelo Papa São Martinho I, a proclamação do dogma. Após as grandes controvérsias cristológicas de seus primórdios, a Igreja esperaria doze séculos para uma nova definição dogmática solene sobre os atributos da Mãe de Deus. Desta vez, não será ela impelida pela necessidade de combater heresias, mas por outro possante fator de desenvolvimento dogmático: o sensus fidei. O dogma da Imaculada Conceição: triunfo da piedade cristã A definição do dogma da Imaculada Conceição é um exemplo paradigmático da Fé eclesial que, por especial assistência do Espírito Santo, cresce e se aprofunda na compreensão das verdades reveladas. Neste caso, o povo cristão, “que não sabe teologia, mas tem o ‘instinto da fé’, que provém do mesmo Espírito Santo e lhe faz pressentir a verdade, ainda que não saiba demonstrá-la” 21b, antecipou-se aos doutos e sábios crendo na Imaculada Conceição de Maria. Estimulados pela fé instintiva dos fiéis, os teólogos buscaram fundamentá-la com argumentos plausíveis e harmonizá-la com o conjunto da Revelação. E foi neste ponto que a tese da Imaculada Conceição se viu incompreendida até por grandes e piedosos doutores, como São Bernardo, Santo Anselmo, São Boaventura, Santo Alberto Magno e São Tomás de Aquino, os quais não ousavam defender a proclamação deste dogma por não conseguirem conciliá-lo com a doutrina acerca da transmissão do pecado original e da redenção universal operada por Cristo. Uma reação à altura em favor do dogma apareceria anos mais tarde, com o Beato João Duns Escoto, o qual “depois de bem fixar os verdadeiros termos da questão, estabeleceu com admirável clareza os sólidos fundamentos para desvanecer as dificuldades que os contrários opunham à singular prerrogativa mariana”. 22b Tais fundamentos consistiram, sobretudo, na elaboração do conceito de redenção preventiva, argumento decisivo da doutrina sobre a Imaculada. Argumentam os teólogos que há duas formas de libertar um cativo: pagando o preço de seu resgate para tirá-lo do cativeiro em que já está (situação análoga à redenção liberativa, na qual, pelos méritos de Cristo, somos limpos da culpa original herdada de nossos primeiros pais); ou pagando antecipadamente, impedindo a pessoa de cair em cativeiro (redenção preventiva). Esta última é uma verdadeira e própria redenção, mais autêntica e profunda que a primeira, e é a que se aplicou à Santíssima Virgem, preservada imune de qualquer mancha de pecado, desde o primeiro instante de sua concepção. 23b O entusiasmo do bom povo de Deus do mundo inteiro — e especialmente da Espanha — fazia-se sentir até no Vaticano. Entretanto foi preciso esperar até 8 de dezembro de 1854 para a declaração do dogma. Então, como afirma Pio IX, “teria chegado o tempo oportuno para definir a Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus, que a Sagrada Escritura, a veneranda tradição, a constante percepção da Igreja, o singular consenso dos Bispos católicos e dos fiéis, os atos memoráveis e as constituições dos nossos predecessores ilustram e explicam admiravelmente”. 24b A solene definição teve lugar na Basílica Vaticana com a presença de numerosas autoridades eclesiásticas e de uma multidão de devotos. Observou uma testemunha ocular desse memorável dia: “É hoje em Roma, como outrora em Éfeso: as celebrações de Maria são, em toda a parte, populares. Os romanos se aprestam a receber a definição da Imaculada Conceição, como os efésios acolheram a da Maternidade Divina de Maria: com cânticos de júbilo e manifestações do mais vivo entusiasmo”. 25b Estava consagrada para sempre a fórmula encontrada pelos fiéis espanhóis, que tão grande papel tiveram na difusão desta verdade, para expressar seu amor pela Imaculada: “Ave Maria Puríssima, sem pecado concebida!”. Maria assunta ao Céu A proclamação dogma da Assunção, definido por Pio XII quase um século depois, é outro belo exemplo de maturação da Fé eclesial. A devoção popular pela Assunção de Maria em corpo e alma aos Céus encontrou suas primeiras manifestações numa antiquíssima celebração litúrgica no Oriente. Prévias a essa celebração são as primeiras referências da Tradição sobre o destino final da Santíssima Virgem, que aparecem entre os séculos IV e V, destacando-se as asserções de Santo Efrém e Santo Epifânio. Os testemunhos dos Padres tornaram-se mais numerosos a partir do século seguinte, e de grande importância são as homilias de Santo André de Creta e, sobretudo, de São João Damasceno que “entre todos se distingue como pregoeiro desta tradição”. 26b Seguindo os Padres da Igreja, os teólogos escolásticos expuseram com grande clareza o significado da Assunção e sua profunda conexão com as demais verdades reveladas, muito contribuindo na progressiva divulgação deste privilégio da Mãe de Deus. Pode-se dizer que, em linhas gerais, a partir do século XV os teólogos já eram unânimes em afirmá-lo. A esses testemunhos litúrgicos, patrísticos e teológicos cabe acrescentar numerosas expressões da piedade popular, entre elas a dedicação de um dos mistérios do Rosário a essa verdade. Tal consenso eclesial é apontado por Pio XII como argumento fundamental para a proclamação dogmática da Assunção, pois mostra “a doutrina concorde do Magistério ordinário da Igreja, e a Fé igualmente concorde do povo cristão — que aquele Magistério sustenta e dirige — e, por isso mesmo, manifesta, de modo certo e imune de erro, que tal privilégio é verdade revelada por Deus e contida no depósito divino que Jesus Cristo confiou a sua esposa para o guardar fielmente e infalivelmente o declarar”. 27b Apoiada nesses pressupostos, a definição solene realizou-se em 1950. O ambiente que emoldurou a declaração dogmática da Assunção foi, sem dúvida, impressionante, como puderam registrar as câmeras fotográficas da época. Numerosos Cardeais, Bispos, sacerdotes e religiosos, além da grande multidão de fiéis, acorreram à Praça de São Pedro, sem contar todos os que, espalhados pelo mundo, acompanharam a transmissão por rádio e televisão. Era o orbe católico unido em “um só coração e uma só alma” (At 4, 32), assistindo à solene proclamação da Fé que em uníssono professava. Assim rezam as palavras definitórias: “Para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta Mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos São Pedro e São Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. 28b Sinal de crescimento e fortalecimento Nas poucas narrações da infância de Jesus registradas nos Evangelhos, figura uma admirável — mas, hélas, quão sucinta! — síntese dos primeiros anos do Verbo de Deus feito carne: “O Menino ia crescendo e Se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava n’Ele” (Lc 2, 40). Tais palavras relativas a Cristo bem podem ser aplicadas a seu Corpo Místico, o qual cresce e se fortalece continuamente, animado pelo Espírito Santo que o vivifica. Ora, ao término desta reflexão, é reconfortante observar o quanto as definições dogmáticas constituem uma das mais belas manifestações desse crescimento. Pois, como ensina o padre Garrigou-Lagrange, a solene declaração das verdades de Fé e sua penetração cada vez mais profunda no povo cristão apresentam como principal corolário o conduzir à compreensão — tanto quanto seja possível nesta Terra — d’Aquele que “nos ama além do que podemos conceber e desejar, até querer associar-nos à sua vida íntima, levar-nos pouco a pouco a vê-Lo como Ele Se vê, e amá-Lo como Ele Se ama”. 29b Portanto, se a solene declaração de uma verdade de Fé tem por principal finalidade conduzir ao conhecimento de Deus e das realidades a Ele concernentes, a mais relevante implicação teológica dos dogmas marianos não poderia ser outra senão a de proporcionar, a partir da explicitação do conteúdo da Revelação, uma maior ciência acerca d’Aquela que Deus escolheu por Mãe e uniu a Si e a toda Igreja de forma singularíssima. Assim o entendeu a Igreja que, a partir da exegese das Escrituras, da ausculta da Tradição, do labor teológico e da fidelidade à ação do Espírito Paráclito nas almas, descortinou amplos panoramas na compreensão da Santíssima Virgem e de seu Divino Filho. Nos primeiros séculos, a tenra Igreja recém-nascida vê-se convulsionada por diversas heresias. Grande perigo? Sem dúvida. Mas também excelente oportunidade para a consolidação doutrinária, esforço que talvez não se tivesse efetuado se não fosse a necessidade apologética. Bem o demonstram a solene declaração da Maternidade Divina e a virgindade perpétua, dogmas que alargaram os horizontes da Doutrina Católica, conferindo a Nossa Senhora um destaque único. Estavam lançados os fundamentos da Mariologia, abertas as portas para o florescimento das festividades em honra à Mãe de Deus e estabelecidas sólidas bases para a devoção mariana dos fiéis. Passam-se os séculos, e a robustez doutrinária já alcançada permite que se verifique outra forma de desenvolvimento da piedade, desta vez a partir do senso sobrenatural da Fé. As verdades reveladas já definidas, seus corolários doutrinários e suas manifestações litúrgicas são base para a profícua ação do Espírito Santo, que inspira nos fiéis novos aprofundamentos. Estes serão colhidos pelo Magistério da Igreja e, quais novos rebentos inseridos no rol das verdades de Fé, são proclamados os dogmas da Imaculada Conceição e da Assunção de Maria. Organismo vivo e — ao contrário das leis naturais — em contínuo rejuvenescimento, a Igreja pode ainda ver florescer em seu regaço novos dogmas marianos, como, por exemplo, o da mediação universal e o da corredenção da Santíssima Virgem, se a isto a conduzir o cumprimento de sua missão. Sem jamais constituir entraves coercitivos e obsoletos, farão ressoar novamente o grande conselho cristocêntrico de Maria: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2, 5), convidando-nos a uma adesão amorosa ao Magistério da Igreja, “coluna e sustentáculo da verdade” (I Tm 3, 15). Fonte: Arautos do Evangelho 1 CONCÍLIO VATICANO II. Lumen gentium, n.63. 2 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n.39. 3 Idem, n.1. 4 RATZINGER, Joseph. O Caminho Pascal. Lisboa: Lucerna, 2006, p.75-76. 5 Cf. SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT, op. cit., n.22. 6 Idem, n.10. 1b CONCÍLIO VATICANO II. Dei Verbum, n.7. 2b CIC, 890. 3b CONCÍLIO VATICANO II. Dei Verbum, n.10. 4b CONCÍLIO VATICANO II. Lumen gentium, n.25. 5b CIC 88. 6b Idem, 89. 7b CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. A Igreja e a História. In: Dr. Plinio. São Paulo. Ano V. N.46 (Jan., 2002); p.20. 8b SANTO AGOSTINHO. A Cidade de Deus, l.XVI, c.2, 1. 9b Cf. ALASTRUEY, Gregorio. Tratado de la Virgen Santísima. Madrid: BAC, 1956, p.76-77. 10b SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA. Carta aos efésios, 18,2. 11b Idem, Carta aos esmirniotas, 1,1. 12b SANTO IRINEU DE LIÃO. Contra as heresias, l.3, c.19, 3. 13b ROSCHINI, Gabriel. Instruções marianas. São Paulo: Paulinas, 1960, p.44. 14b Idem, ibidem. 15b Dz 252. 16b CONCÍLIO VATICANO II. Lumen gentium, n.57. 17b SÃO BERNARDO DE CLARAVAL. Laudibus Virginis Matris, II, 5. 18b Em sua Apologia, São Justino apresenta a concepção virginal de Maria como uma verdade fundamental da religião cristã (I, 33); de igual modo, Santo Irineu (Adv. Haer. 3,19ss) afirma que esta verdade é uma das contidas na “regra de Fé” que todos devem crer. 19b Cf. ALDAMA, José Antonio de. María en la patrística de los siglos I y II. Madrid: BAC, 1970, p.83. 20b SANTO AGOSTINHO. Sermão 186,1. 21b ROYO MARÍN, OP, Antonio. La Virgen María: teología y espiritualidad marianas. 2.ed. Madrid: BAC, 1997, p.75. 22b CLÁ DIAS, EP, João Scognamiglio. Pequeno ofício da Imaculada Conceição comentado. São Paulo: Artpress, 1997, p.496. 23b Cf. ROYO MARÍN, op. cit., p.75. 24b PIO IX. Ineffabilis Deus, n.22. 25b CHANTREL, Joseph. Histoire populaire des papes, apud CLÁ DIAS, op. cit., p.501. 26b PIO XII. Munificentissimus Deus, n.21. 27b Idem, n.12. 28b Idem, n.44. 29b GARRIGOU-LAGRANGE, OP, Réginald. El sentido común: la filosofía del ser y las fórmulas dogmáticas. Buenos Aires: Desclée de Brouwer, 1945, p.240. #FestasdeNossaSenhora #NossaSenhoradeFátima
- Nossa Senhora de Fátima, as aparições que mudaram a história – 13 de Maio
Era uma Senhora vestida de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente. Seu semblante era de uma inenarrável beleza, nem triste, nem alegre, mas sério, talvez com uma suave expressão de ligeira censura… As aparições de Fátima 13 de maio de 1917. Lúcia de Jesus, 10 anos, Francisco Marto, 9 anos e Jacinta Marto, 7 anos, após a Missa na igreja de Aljustrel, lugarejo de Fátima, foram pastorear o rebanho de ovelhas nas terras do pai de Lúcia, na Cova da Iria. Após um como que clarão de relâmpago, num céu luminoso e sereno, sobre uma carrasqueira de metro e pouco de altura apareceu-lhes a Mãe de Deus. Segundo as descrições da Irmã Lúcia, era “uma Senhora vestida toda de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente”. Seu semblante era de uma inenarrável beleza, nem triste, nem alegre, mas sério, talvez com uma suave expressão de ligeira censura. Como descrever em pormenores seus traços? De que cor os olhos, os cabelos dessa figura celestial? Lúcia nunca o soube dizer ao certo! O vestido, mais alvo que a própria neve, parecia tecido de luz. Tinha as mangas relativamente estreitas e era fechado no pescoço, descendo até os pés, os quais, envolvidos por uma tênue nuvem, mal eram vistos roçando as franças da azinheira. Um manto lhe cobria a cabeça, também branco e orlado de ouro, do mesmo comprimento que o vestido, envolvendo-lhe quase todo o corpo. “As mãos, trazia-as juntas em oração, apoiadas no peito, e da direita pendia um lindo rosário de contas brilhantes como pérolas, terminando por uma cruzinha de vivíssima luz prateada. [Como] único adereço, um fino colar de ouro-luz, pendente sobre o peito, e rematado, quase à cintura, por uma pequena esfera do mesmo metal” Nesta primeira aparição, Nossa Senhora pede aos 3 pastorinhos que venham seis meses seguidos, no dia 13, à mesma hora. E diz que ainda viria uma sétima vez. “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de suplica pela conversão dos pecadores? À resposta afirmativa das crianças, Ela acrescentou: “Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto”. Foi ao pronunciar estas últimas palavras (‘a graça de Deus…’, etc.), que abriu pela primeira vez as mãos, comunicando-nos uma luz tão intensa, como que reflexo que delas expedia, que nos penetrava no peito e no mais íntimo da alma, fazendo-nos ver a nós mesmos em Deus, que era essa luz, mais claramente do que nos vemos no melhor dos espelhos. Então, por um impulso ín¬timo, também comunicado, caímos de joelhos e repetíamos intimamente: ‘Ó Santíssima Trindade, eu Vos adoro. Meu Deus, meu Deus, eu Vos amo no Santíssimo Sacramento’. Passados os primeiros momentos, Nossa Senhora acrescentou: ‘Rezem o Terço todos os dias para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra’. E Nossa Senhora se elevou serenamente, subindo em direção ao nascente, até desaparecer no Céu. A celeste Mensageira havia produzido nas crianças uma deliciosa impressão de paz e de alegria radiante, de leveza e liberdade. Parecia-lhes que poderiam voar como os pássaros. De tempos em tempos, o silêncio em que tinham caído era cortado por esta jubilosa exclamação de Jacinta: – Ai! que Senhora tão bonita! Ai! que Senhora tão bonita! Nas aparições, a Virgem Santíssima falou apenas com Lúcia, Jacinta só ouvia o que Ela dizia e Francisco não A ouvia mas apenas via. A segunda aparição: 13 de junho Já com a presença de 50 pessoas na Cova da Iria, os 3 pastorinhos viram de novo o reflexo da luz (a que chamavam relâmpago) que se aproximou da carrasqueira. Nossa Senhora queria que voltassem no próximo dia 13, que rezassem o Terço todos os dias e aprendessem a ler. Lúcia pede para que Ela os leve para o Céu. “Sim, à Jacinta e ao Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação; e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o seu trono”. A Virgem anima Lúcia, dizendo que nunca a deixará. “O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.” De novo, abriu as mãos e lhes comunicou o reflexo de intensa luz, como que submergindo-os em Deus. E na palma da mão direita de Maria estava um Coração cercado de espinhos que pareciam estar nele cravados. Era o Imaculado Coração de Maria ultrajado pelos pecados da humanidade, querendo reparação! Aos poucos essa visão se esvaeceu diante das vistas enlevadas dos três pastorinhos. E Nossa Senhora, resplandescente de luz, subiu suavemente para o leste, até desaparecer. Terceira aparição: 13 de julho Lúcia, até a tarde do dia anterior, estava resolvida a não comparecer à Cova da Iria. Mas, ao se aproximar a hora, numa sexta-feira, sentiu-se impelida por uma força estranha, à qual não lhe era fácil resistir. Foi ter com os primos, aos quais encontrou no quarto, de joelhos, chorando e rezando pois não queriam ir sem Lúcia. As três crianças, então, se puseram a caminho. Chegando ao local da aparições, surpreenderam-se com mais de 2 mil pessoas aguardando o extraordinário acontecimento. O pai de Francisco e Jacinta, Sr. Marto, narrou ter visto uma nuvenzinha acinzentada pairar sobre a azinheira, enquanto o sol se turvava e fresca aragem soprava… “Quero que venham aqui no dia 13 do mês que vem; que continuem a rezar o Terço todos os dias em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer”. E Lúcia revela que Nossa Senhora pediu para eles se sacrificarem pelos pecadores e dizerem muitas vezes, em especial sempre que fizerem algum sacrifício: “Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores, e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria”. Maria Santíssima revela, então, aos 3 pastorinhos a primeira parte do segredo de Fátima: a visão do inferno; a segunda parte do segredo: o anúncio do Castigo e dos meios para evitá-lo. A terceira parte do segredo permaneceu desconhecida até 26 de junho de 2000. Nesta data, foi ela divulgada por determinação de S.S. o Papa João Paulo II. Nossa Senhora, então, elevou-se em direção ao nascente, até desaparecer no firmamento. O final da aparição, segundo Sr. Marto, foi indicado por uma espécie de trovão. Quarta aparição: 15 de agosto Às vésperas da data, os 3 pastorinhos foram seqüestrados e mantidos por 3 dias sob vigilância pelo Administrador de Ourém, que lhes desejava arrancar os segredos a eles confiados. Assim, não puderam comparecer à Cova da Iria, no dia 13 de agosto. Alguns dos presentes, no local, testemunharam ter ocorrido o trovão, o relâmpago e o surgimento da pequena nuvem, leve, branca e bonita, pairando sobre a azinheira. E que, depois, subiu e desapareceu no céu. Libertos e estando, em 15 de agosto, a pastorear em Valinhos, Lúcia e Jacinto sentiram algo sobrenatural que os envolvia… E mandaram que João, irmão de Jacinta, fosse chamá-la. Lúcia e Francisco viram o reflexo da luz como um relâmpago e, chegada a Jacinta, logo, Nossa Senhora apareceu sobre a carrasqueira. Ela queria que viessem no próximo dia 13 e que rezassem o Terço todos os dias. “No último mês farei o milagre para que todos acreditem.” prometeu a Virgem. Mandou que fossem feitos dois andores para a festa de Nossa Senhora do Rosário com o dinheiro deixado pelo povo na Cova da Iria. O restante seria usado para ajudar na capela que mandariam fazer. E, tomando um aspecto mais triste, acrescentou: “Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o Inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas”. – E Nossa Senhora se retira em direção ao nascente, como das outras vezes. Durante longos minutos os pastorinhos permaneceram em estado de êxtase. Sentiam-se invadidos por uma alegria inigualável, após tantos sofrimentos e temores. Quinta aparição: 13 de setembro Nesse dia, 15 a 20 mil pessoas, e talvez mais, acorreram à Cova da Iria. Todos queriam ver, falar e fazer pedidos às crianças para que apresentassem à Virgem. Junto à carrasqueira, começaram a rezar o Terço com o povo, até que num reflexo de luz Nossa Senhora apareceu sobre a azinheira. “Continuem a rezar o Terço para alcançarem o fim da guerra. Em outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, São José com o Menino Jesus, para abençoarem o mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda [cilício], trazei-a só durante o dia”. Segundo o testemunho de alguns espectadores, por ocasião dessa visita de Nossa Senhora, como das outras vezes, ocorreram diversos fenômenos atmosféricos. Observaram “à distância aparente de um metro do sol, um globo luminoso, que em breve começou a descer em direção ao poente e, da linha do horizonte, voltou a subir de novo em direção ao sol”. Além disso, a atmosfera tomou uma cor amarelada, verificando-se uma diminuição da luz solar, tão grande que permitia ver a lua e as estrelas; uma nuvenzinha branca, visível até o extremo da Cova, envolvia a azinheira e com ela os videntes. Do céu choviam como que pétalas de rosas ou flocos de neve, que se desfaziam pouco acima das cabeças dos peregrinos, sem deixar-se tocar ou colher por ninguém”. Ainda que breve, a aparição de Nossa Senhora deixou os pequenos videntes felicíssimos, consolados e fortalecidos em sua fé. Francisco, de modo especial, sentia-se transportado de alegria com a perspectiva de ver, dali a um mês, Nosso Senhor Jesus Cristo, conforme lhes prometera a Rainha do Céu e da Terra. Sexta e última aparição: 13 de outubro de 1917 Já era o outono. Uma chuva persistente e forte transformara a Cova da Iria num lamaçal e encharcava a multidão de 50 a 70 mil peregrinos, vindos de todos os cantos de Portugal. Assim que chegaram os videntes, Lúcia pediu que fechassem os guarda-chuvas para rezarem o Terço. E, pouco depois, houve o reflexo de luz e Nossa Senhora apareceu sobre a carrasqueira. “Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o Terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas.” Ao pedido de cura para uns doentes e conversão para alguns pecadores, Nossa Senhora respondeu: “Uns sim, outros não. É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados”. E tomando um aspecto triste, Ela acrescentou: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido”. E, abrindo as mãos, fê-las refletir no sol, e enquanto Se elevava, continuava o reflexo da sua própria luz a projetar-se no sol. Visões de cenas simbolizando os Mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos do Rosário Chovera durante toda a aparição. Lúcia, no término de seu colóquio com Nossa Senhora, gritara para o povo: “Olhem para o sol!” Rasgam-se as nuvens, e o sol aparece como um imenso disco de prata. Apesar de seu intenso brilho, pode ser olhado diretamente sem ferir a vista. As pessoas o contemplam absortas quando, de súbito, o astro se põe a “bailar”. Gira rapidamente como uma gigantesca roda de fogo. Pára de repente, para dentro em pouco recomeçar o giro sobre si mesmo numa espantosa velocidade. Finalmente, num turbilhão vertiginoso, seus bordos adquirem uma cor escarlate, espargindo chamas vermelhas em todas as direções. Esses fachos refletem-se no solo, nas árvores, nos arbustos, nas faces voltadas para o céu, reluzindo com todas as cores do arco-íris. O disco de fogo rodopia loucamente três vezes, com cores cada vez mais intensas, treme espantosamente e, descrevendo um ziguezague descomunal, precipita-se em direção à multidão aterrorizada. Um único e imenso grito escapa de todas as bocas. Todos caem de joelhos na lama e pensam que vão ser consumidos pelo fogo. Muitos rezam em voz alta o ato de contrição. Pouco a pouco, o sol começa a se elevar traçando o mesmo ziguezague, até o ponto do horizonte de onde havia descido. Torna-se então impossível fitá-lo. É novamente o sol normal de todos os dias. O ciclo das visões de Fátima estava encerrado. Os prodígios haviam durado cerca de 10 minutos. Todos se entreolhavam perturbados.Depois, a alegria explodiu: “O milagre! As crianças tinham razão!” Os gritos de entusiasmo ecoavam pelas colinas adjacentes, e muitos notavam que sua roupa, encharcada alguns minutos antes, estava completamente seca. O milagre do sol pôde ser observado a uma distância de até 40 quilômetros do local das aparições. A promessa da sétima vinda de Nossa Senhora Em sua primeira aparição, a Santíssima Virgem pediu aos 3 pastorinhos que viessem à Cova da Iria seis meses seguidos. E acrescentou: “Depois voltarei ainda aqui uma sétima vez”. Seguiram-se as seis aparições, segundo o relato da Irmã Lúcia, pairando o mistério sobre a sétima aparição… Estará, esta, ligada à promessa do triunfo de Seu Imaculado Coração? Esse triunfo, sem dúvida, configura uma suprema e altíssima esperança para os dias de hoje! Fátima, queiramos ou não, tornou-se com a promessa “Por fim meu Imaculado Coração triunfará” o ponto de referência essencial, indispensável, para nossa vida e para o mundo contemporâneo. Fátima, inegavelmente, é a aurora do terceiro milênio! “Maria não foi ainda suficientemente louvada e exaltada, honrada, amada e servida. Ela merece muito maior louvor, respeito, amor e serviço”. De Maria nunquam satis De Maria nunquam satis… Repetida por São Bernardo de Claraval e outros Santos, este categórico louvor à Mãe de Deus é habitualmente traduzido como: “A respeito de Maria jamais se dirá o bastante”. Mas tal afirmação faz recordar também que a nenhum fiel é lícito não ter devoção a Nossa Senhora, pois “a Mãe de Deus é o modelo e a figura da Igreja, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo”. 1 Quão poucas vezes nos detemos, infelizmente, para pensar na extraordinária grandeza que se oculta por trás de um doce e humilde rosto de Mãe! Cientes dessa nossa falha, paremos um pouco, caro leitor, para refletir sobre Ela, tendo bem presente a bela imagem que ilustra nossa capa neste mês dedicado a Maria. O Corpo de Cristo foi-Lhe dado por Maria São Luís Maria Grignion de Montfort une sua voz à de outros Santos — entre eles Santo Agostinho, São Cirilo de Jerusalém, São Bernardo, São Bernardino, São Tomás e São Boaventura — para afirmar sem rodeios que, por vontade de Deus, a devoção a Maria é necessária à salvação. Em razão disto, acrescenta, “não se deve confundir a devoção à Santíssima Virgem com a devoção aos outros Santos, como se Ela não fosse muito mais necessária, e fosse apenas de super-rogação, isto é, um acréscimo”. 2 Maria Santíssima é verdadeira Mãe de Deus e nossa. Por Maria, somos irmãos em Cristo, no Espírito Santo. Ela é o elo sagrado entre a criatura e o Criador. Maria está tão ligada a Deus no Mistério da Salvação, que jamais Jesus poderia ter dito, na instituição da Eucaristia: “Isto é o meu Corpo […] Este cálice é a Nova Aliança no meu Sangue” (I Cor 11, 24-25), nem soprado sobre os discípulos, conferindo-lhes o poder de perdoar pecados (cf. Jo 20, 22-23), se não tivesse assumido um corpo humano no seio da Virgem Maria. Com efeito, Cristo, ao entrar no mundo disse: “Formaste-Me um corpo” (Hb 10, 5). Esse corpo foi-Lhe dado pela humilde Virgem de Nazaré. Medianeira de todas as graças Ensina-nos a Igreja que Maria, apesar da dignidade de ser a mais sublime criatura saída das mãos do Criador, está infinitamente abaixo de Deus. Contudo, o mesmo Deus, sem necessitar de nada ou de ninguém, quis servir-Se d’Ela. E, sendo esta a vontade divina, ninguém pode duvidar de que é imutável e a mais perfeita. São Luís Grignion afirma: “Foi por meio da Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por meio d’Ela que Ele há de reinar no mundo”. 3 Aquele que disse ser “o Caminho” (Jo 14, 6) escolheu vir ao mundo por meio de Maria. Poderiam os homens escolher outra via para ir a Ele? A Virgem Mãe é a Medianeira de todas as graças, com uma distinção importante: Jesus é o Mediador de Redenção, “porque há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, Homem” (I Tm 2, 5). Maria é a Medianeira de intercessão. Ela está entre Deus, de quem é Mãe, e os homens, aos quais assumiu como filhos, quando Jesus Lhe entregou João, o discípulo amado, dizendo: “Eis aí o teu filho” (Jo 19, 26). Os mil títulos de Maria Santíssima Por ser Maria, assim, Mãe de todos os verdadeiros filhos de Deus, estes não economizam títulos para fazer sentir quanto Ela está ao alcance de mãos que se juntam e de joelhos que se dobram confiantes. Ela é conhecida pelo nome dos lugares nos quais apareceu: Senhora de Fátima, de Lourdes, ou de La Salette. Torna-Se, por assim dizer, uma habitante daquele lugar. Ao seu nome se acrescentam as virtudes das quais é modelo, e que devemos praticar. Por isso A invocamos como Mãe Castíssima, Mãe Puríssima, Virgem Prudentíssima, Virgem Fiel… Ao seu santo nome acrescentamos as nossas necessidades, denominando-A Consoladora dos Aflitos, Senhora das Mercês ou Senhora do Amparo… e nada se compara ao auxílio de Nossa Senhora. Tão próxima dos homens e mulheres, que ousamos juntar a esse santíssimo nome até a feiura de nossas misérias: Refúgio dos Pecadores, Porto Seguro dos Náufragos, Saúde dos Enfermos, Senhora do Bom Remédio, remédio de nossas feridas… Mãe bondosa que roga por filhos pecadores Entre os mil títulos da única e mesma Maria, aquele que se encontra nos lábios de todos os cristãos, e com mais frequência é recordado, é sem dúvida o de “mãe”. Todos os dias, sem nos darmos conta, ao rezarmos a Ave-Maria, lembramos esta verdade doce e consoladora. No Pai-nosso, chamamos a Deus de Pai e pedimos o Reino, o pão e o perdão. Na Ave-Maria, nada pedimos, a não ser: “rogai por nós pecadores”, sem indicar nenhum outro desejo. É a oração de quem pede sem pedir, pois, sendo Ela Mãe, conhece as nossas necessidades e sabe, melhor do que nós mesmos, aquilo que nos convém. Por quê? Simplesmente por ser Mãe! A certeza da bondade de Nossa Senhora para com os homens e do seu poder de intercessão junto ao seu Divino Filho, nós a haurimos nos próprios Evangelhos. Nas Bodas de Caná, foi a Virgem quem percebeu que o vinho veio a faltar e, sem ninguém Lhe pedir, tomou a iniciativa de recorrer a Ele. “Minha hora ainda não chegou” (Jo 2, 4), argumentou Jesus. Mas as mães não costumam marcar hora para socorrer os filhos, por isso Ela disse aos serventes: “Façam tudo quanto Ele vos disser” (Jo 2, 5). Ao mesmo tempo em que apressava o milagre, a Mãe de Deus e nossa nos dava um precioso conselho, como quem diz: “simplesmente faça”, sem indicar quando nem como. Com efeito, precisamos confiar em Jesus quando nos manda fazer algo, em qualquer tempo ou lugar, pois Ele tem poder para mudar água em vinho, doença em saúde ou, se for de sua vontade, fraqueza em força para enfrentar o sofrimento. A respeito do poder de intercessão de Maria junto ao seu Filho, o então Cardeal Ratzinger cita um comovedor comentário, no qual coloca o próprio Deus como um “devedor” da Virgem Mãe. Esta tudo pode, pois seu Filho “não deixa de satisfazer nenhum de seus desejos, porque nunca Lhe restituiu o que d’Ela tomou emprestado”. 4 Isso nos faz sentir à vontade e confiantes junto à Mãe de Deus, pois Ela é tão misericordiosa quanto poderosa. Maria tem pressa em nos ajudar Ademais, Maria Santíssima tem pressa em socorrer seus filhos necessitados, mesmo se estes nada Lhe pedem: não subiu Ela apressada a montanha para ir ajudar sua prima Isabel, logo depois de receber o anúncio do Anjo? (cf. Lc 1, 39). Não podemos, pois, duvidar! Também no Céu Maria tem pressa, pressa de nos ajudar. Conforme nos ensina São Luís Grignion, a conduta das três Pessoas da Santíssima Trindade é imutável e, portanto, Deus quer servir-Se de Maria na santificação das almas até a consumação dos séculos. 5 Por isso, sempre será verdadeiro que “de Maria nunquam satis”. Isto é, “Maria não foi ainda suficientemente louvada e exaltada, honrada, amada e servida. Ela merece muito maior louvor, respeito, amor e serviço”. 6 Verdades de Fé proclamadas pelo Magistério em sua missão de custodiar e expor a Revelação, os dogmas marianos constituem um autêntico sinal da divina vitalidade da Igreja. Os dogmas marianos: luz para a Igreja Após a Ascensão do Senhor aos Céus, coube aos Apóstolos, já transformados pelas graças de Pentecostes, a missão de instruir os homens na Boa Nova. Assim o fez Filipe, por exemplo, quando, impelido pelo Espírito, se aproximou do estrangeiro que lia um trecho de Isaías e lhe perguntou: “Tu compreendes o que estás lendo” ? Ao que este respondeu: “Como posso se não há quem mo explique?” (At 8, 31). Então Filipe, “principiando por essa passagem da Escritura, anunciou-lhe Jesus” (At 8, 35). Com efeito, sendo a Palavra de Deus expressa com as limitações próprias à linguagem humana, e estando as nossas mentes sempre sujeitas a enganos, era inevitável surgirem dúvidas e dificuldades na compreensão do sagrado depósito da Fé, dando origem às mais variadas interpretações. Inclusive porque na Sagrada Escritura, conforme escreve São Pedro a propósito das cartas paulinas, “há algumas partes difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para sua própria ruína” (II Pd 3, 16). Jesus, portanto, quis instituir um Magistério vivo, confiado ao Papa e aos bispos, sucessores dos Apóstolos, a fim de que “permanecesse íntegro e fosse transmitido a todas as gerações tudo quanto tinha revelado para salvação de todos os povos” 1b, possibilitando-lhe praticar a Fé autêntica sem erro. 2b A este Magistério vivo, e somente a ele, cabe “o encargo de interpretar autenticamente a palavra de Deus escrita ou contida na Tradição”; 3b e seu caráter infalível se verifica ao definir, por singular assistência do Espírito Santo, doutrinas em matéria de Fé e moral, seja através do Papa, pronunciando-se ex cathedra, ou do Colégio Episcopal “quando este exerce o supremo Magistério em união com o sucessor de Pedro”. 4b É nesse contexto que se inserem as definições dogmáticas nas quais “o Magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo” 5b e propõe ao povo cristão uma verdade a ser aceita com adesão irrevogável de Fé. Longe de serem imposições arbitrárias, “os dogmas são luzes no caminho de nossa Fé que o iluminam e tornam seguro”. 6b Magistério e fervor popular Os sucessores dos Apóstolos não são apenas mestres, mas também pastores; seus ensinamentos visam, pois, intervir na ordem concreta dos fatos. Por isso, “insistem mais num ponto ou noutro, desenvolvem mais uma matéria, enriquecem de preferência outra, com novos ensinamentos e novas leis, tudo ao influxo do que lhe vai pedindo a solicitude pastoral à vista das diversas vicissitudes pelas quais vai passando o gênero humano ao longo da História”. 7b Nesse sentido, ensina Santo Agostinho: “Referentes à Fé católica, há muitos pontos que, ao serem postos no tapete da discussão pela astuta inquietude dos hereges, para podermos fazer-lhes frente, devem ser considerados com mais cuidado, entendidos com mais clareza e pregados com mais insistência. E, assim, a questão suscitada pelo adversário oferece oportunidade para aprender”. 8b Há, entretanto, um motor ainda mais dinâmico do que as heresias no desenvolvimento da Fé: é o amor do povo fiel que, inspirado pelo Espírito Santo, impulsiona os seus Pastores a tornarem explícitos certos aspectos da Revelação. Assim, as novas definições dogmáticas não nascem de frias considerações doutrinais, mas provêm das legítimas necessidades e apetências do povo de Deus. As proclamações dos dogmas marianos são belos testemunhos dessa imbricação entre o Magistério vivo e o fervor dos fiéis, desde os primeiros séculos do Cristianismo. O surgimento das primeiras heresias e o surto de amor à verdade que se insurgiu contra elas vai dar uma oportunidade única ao desenvolvimento da Doutrina Cristã, fomentando a reflexão teológica e propiciando as intervenções do Magistério da Igreja, vigilante salvaguarda da Fé. A história da definição da maternidade divina e da virgindade perpétua de Maria Santíssima como verdades de Fé são dois magníficos exemplos desta realidade. Maternidade divina Entre as inúmeras lições outorgadas aos homens pela História, há uma de capital importância: a forma mais eficaz de combater uma verdade nem sempre consiste em propagar o erro oposto, mas em exagerar algum de seus aspectos. Constata-se isso ao analisar o movimento pendular das heresias dos primeiros séculos, as quais, sob as aparências de zelo e pia defesa da ortodoxia, sucederam-se nos mais heterodoxos extremismos, igualmente distantes do equilíbrio da Fé. Foi o sucedido, por exemplo, com a heresia que ocasionou a definição do primeiro dogma mariano. Grassava no século IV um terrível erro cristológico difundido por Apolinário, Bispo antiariano de Laodiceia, o qual, alegando a necessidade de salvaguardar a unidade de Cristo com Deus, terminou por amputar-Lhe a natureza de homem, negando a existência da alma humana no Verbo Encarnado. Contra os apolinaristas — como ficaram conhecidos os seguidores do heresiarca —, levantou-se Nestório, Patriarca de Constantinopla, defendendo a integridade tanto da natureza humana como da divina, mas afirmando um erro oposto: ambas eram tão completas que formavam duas hipóstases independentes, duas pessoas unidas de maneira extrínseca e acidental. Assim, Cristo seria Deus e homem, não no sentido católico da união hipostática do Verbo com a humanidade, mas formando um composto de duas pessoas distintas, havendo entre elas apenas uma união moral. 9b Essa doutrina comportava um importante corolário: Maria não era Mãe da pessoa divina, mas apenas da natureza humana de Cristo. Portanto, deveria ser chamada Khristotókos (Mãe de Cristo), e não Theotókos (Mãe de Deus). Tal afirmação contundia tanto o ensinamento dos Padres, quanto a piedade dos fiéis, cuja indignação diante das proposições de Nestório não foi pequena. Com efeito, claros precedentes da doutrina estabelecida pelo dogma aparecem desde os primeiros tempos da literatura cristã. Já nos escritos de Santo Inácio de Antioquia, que foi discípulo do Apóstolo João, encontramos expressões como estas: “De fato, o Nosso Deus Jesus Cristo, segundo a economia de Deus, foi levado no seio de Maria, da descendência de Davi e do Espírito Santo” 10b; “Constatei que sois perfeitos na Fé imutável. […] Estais plenamente convencidos de que Nosso Senhor é verdadeiramente da descendência de Davi segundo a carne, Filho de Deus segundo a vontade e o poder de Deus, nascido verdadeiramente da Virgem”. 11b Em sentido análogo se pronuncia Santo Irineu, no segundo século, quando atribui à mesma Pessoa a geração eterna e a temporal, acentuando a unidade pessoal de Cristo, Verbo de Deus e Filho de Maria: “É, portanto, o Filho de Deus nosso Senhor, Verbo do Pai e, ao mesmo tempo, Filho do homem, que de Maria, nascida de criaturas humanas e Ela própria criatura humana, teve nascimento humano, tornando-Se Filho do homem”. 12b A devoção dos fiéis pela “Sancta Dei Genitrix (Santa Mãe de Deus)” vem demonstrada, pelo menos desde o século III, pela prece Sub tuum præsidium, a mais antiga oração dirigida a Maria da qual se tem conhecimento, no qual Ela é assim invocada. 13b Segundo afirma Gabriel Roschini, “no século IV, mesmo antes do Concílio de Éfeso, a expressão Mãe de Deus se tornara tão comum entre os fiéis que dava nos nervos do Imperador Juliano, o Apóstata”. 14b Empolgantes são as páginas deste capítulo da História da Igreja em que, tendo à frente o grande São Cirilo de Alexandria, o Concílio de Éfeso definiu no ano 431 a verdade destinada a brilhar para sempre no firmamento da teologia: “Se alguém não confessar que o Emanuel é Deus no sentido verdadeiro e que, portanto, a santa Virgem é deípara (pois gerou segundo a carne o Verbo que é Deus e veio a ser carne), seja anátema”. 15b É digno de nota o entrelaçamento havido entre a fé popular e a reação doutrinária contra a heresia, como fator decisivo para a proclamação deste primeiro dogma mariano. A par das questões teológicas, faz-se presente em quase todas as obras que tratam sobre o Concílio de Éfeso, a constituição de uma como que “torcida” dos fiéis pela proclamação do dogma, manifestada, sobretudo, na narrativa do júbilo popular após o encerramento da sessão que consagrou a Theotókos: provida de tochas acesas, a multidão devota acompanhou os Padres conciliares até suas moradas, aclamando-os pelas ruas da cidade. Estavam abertas, assim, as portas para as definições formais da Santa Igreja sobre as realidades teológicas que dizem respeito à Santíssima Virgem. A segunda delas, sobre a sua virgindade perpétua, viria duzentos anos mais tarde, novamente em defesa da verdade na luta contra a falsa doutrina. Virgindade perpétua A virgindade perpétua da Mãe de Deus é sintetizada nesta fórmula: Maria foi virgem antes do parto, no parto e depois do parto. Estes três elementos do dogma afirmam a concepção virginal de Jesus, pois Maria foi mãe por virtude divina, sem concurso humano; o nascimento milagroso de Jesus, “o qual não só não lesou a integridade de sua Mãe, mas também a consagrou” 16b; e a integridade de Maria Santíssima depois do nascimento de seu Divino Filho. Já os livros do Antigo Testamento trazem imagens e profecias sobre a virgindade de Maria como comenta São Bernardo: “Que prefigurava em seu dia aquela sarça ardendo sem consumir-se? A Maria dando a luz sem dor alguma. E a vara de Aarão, que floresce misteriosamente, sem havê-la plantado? À Virgem, que concebeu sem concurso de varão. E será Isaías quem melhor nos formule o maior mistério deste prodigioso milagre. ‘Germinará uma vara do tronco de Jessé, e de sua raiz brotará uma flor’, assim deixa representada a Virgem na vara, e seu parto na flor”. 17b E prototípica é a profecia de Isaías, recolhida por São Mateus: “Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: ‘Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho que se chamará Emanuel’ (Is 7, 14), que significa: ‘Deus conosco’” (Mt 1, 22-23). No Novo Testamento, a concepção virginal é atestada por São Lucas e São Mateus, ao afirmarem que Jesus foi gerado pelo Espírito Santo: “O Espírito Santo descerá sobre Ti, e a força do Altíssimo Te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de Ti será chamado Filho de Deus” (Lc 1, 35); “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que n’Ela foi concebido vem do Espírito Santo” (Mt 1, 20). Apesar desses indícios escriturísticos, a maternidade virginal de Maria foi alvo dos ataques de várias heresias nos primeiros séculos, como a corrente dos ebionitas, a qual negava a divindade de Jesus. Contudo, a concepção virginal era já considerada pela Igreja como indiscutível patrimônio doutrinário 18b, e foi posta a serviço da defesa da divindade do Redentor. É neste período que, com São Justino, a expressão “a Virgem” começa a se tornar característica para designar Maria Santíssima. 19b No século IV, houve uma ampla explicitação deste dogma, como reação aos erros então propagados. Defenderam a virgindade perpétua de Maria grandes escritores como Santo Epifânio, São Jerônimo, Santo Ambrósio e Santo Agostinho. Belas são as páginas dedicadas pelo Bispo de Hipona ao louvor deste privilégio mariano, como nos mostra o seguinte trecho: “Maria permanece virgem ao conceber seu Filho, virgem como gestante, virgem ao dá-Lo à luz, virgem ao alimentá-Lo em seu seio, sempre virgem. Por que te admiras disso, ó homem? Uma vez que Deus Se dignou fazer-Se homem, convinha que nascesse desse modo”. 20b Não tardou que ao aprofundamento teológico se acrescentasse o reconhecimento do Magistério. Coube ao Sínodo de Latrão de 649, convocado pelo Papa São Martinho I, a proclamação do dogma. Após as grandes controvérsias cristológicas de seus primórdios, a Igreja esperaria doze séculos para uma nova definição dogmática solene sobre os atributos da Mãe de Deus. Desta vez, não será ela impelida pela necessidade de combater heresias, mas por outro possante fator de desenvolvimento dogmático: o sensus fidei. O dogma da Imaculada Conceição: triunfo da piedade cristã A definição do dogma da Imaculada Conceição é um exemplo paradigmático da Fé eclesial que, por especial assistência do Espírito Santo, cresce e se aprofunda na compreensão das verdades reveladas. Neste caso, o povo cristão, “que não sabe teologia, mas tem o ‘instinto da fé’, que provém do mesmo Espírito Santo e lhe faz pressentir a verdade, ainda que não saiba demonstrá-la” 21b, antecipou-se aos doutos e sábios crendo na Imaculada Conceição de Maria. Estimulados pela fé instintiva dos fiéis, os teólogos buscaram fundamentá-la com argumentos plausíveis e harmonizá-la com o conjunto da Revelação. E foi neste ponto que a tese da Imaculada Conceição se viu incompreendida até por grandes e piedosos doutores, como São Bernardo, Santo Anselmo, São Boaventura, Santo Alberto Magno e São Tomás de Aquino, os quais não ousavam defender a proclamação deste dogma por não conseguirem conciliá-lo com a doutrina acerca da transmissão do pecado original e da redenção universal operada por Cristo. Uma reação à altura em favor do dogma apareceria anos mais tarde, com o Beato João Duns Escoto, o qual “depois de bem fixar os verdadeiros termos da questão, estabeleceu com admirável clareza os sólidos fundamentos para desvanecer as dificuldades que os contrários opunham à singular prerrogativa mariana”. 22b Tais fundamentos consistiram, sobretudo, na elaboração do conceito de redenção preventiva, argumento decisivo da doutrina sobre a Imaculada. Argumentam os teólogos que há duas formas de libertar um cativo: pagando o preço de seu resgate para tirá-lo do cativeiro em que já está (situação análoga à redenção liberativa, na qual, pelos méritos de Cristo, somos limpos da culpa original herdada de nossos primeiros pais); ou pagando antecipadamente, impedindo a pessoa de cair em cativeiro (redenção preventiva). Esta última é uma verdadeira e própria redenção, mais autêntica e profunda que a primeira, e é a que se aplicou à Santíssima Virgem, preservada imune de qualquer mancha de pecado, desde o primeiro instante de sua concepção. 23b O entusiasmo do bom povo de Deus do mundo inteiro — e especialmente da Espanha — fazia-se sentir até no Vaticano. Entretanto foi preciso esperar até 8 de dezembro de 1854 para a declaração do dogma. Então, como afirma Pio IX, “teria chegado o tempo oportuno para definir a Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus, que a Sagrada Escritura, a veneranda tradição, a constante percepção da Igreja, o singular consenso dos Bispos católicos e dos fiéis, os atos memoráveis e as constituições dos nossos predecessores ilustram e explicam admiravelmente”. 24b A solene definição teve lugar na Basílica Vaticana com a presença de numerosas autoridades eclesiásticas e de uma multidão de devotos. Observou uma testemunha ocular desse memorável dia: “É hoje em Roma, como outrora em Éfeso: as celebrações de Maria são, em toda a parte, populares. Os romanos se aprestam a receber a definição da Imaculada Conceição, como os efésios acolheram a da Maternidade Divina de Maria: com cânticos de júbilo e manifestações do mais vivo entusiasmo”. 25b Estava consagrada para sempre a fórmula encontrada pelos fiéis espanhóis, que tão grande papel tiveram na difusão desta verdade, para expressar seu amor pela Imaculada: “Ave Maria Puríssima, sem pecado concebida!”. Maria assunta ao Céu A proclamação dogma da Assunção, definido por Pio XII quase um século depois, é outro belo exemplo de maturação da Fé eclesial. A devoção popular pela Assunção de Maria em corpo e alma aos Céus encontrou suas primeiras manifestações numa antiquíssima celebração litúrgica no Oriente. Prévias a essa celebração são as primeiras referências da Tradição sobre o destino final da Santíssima Virgem, que aparecem entre os séculos IV e V, destacando-se as asserções de Santo Efrém e Santo Epifânio. Os testemunhos dos Padres tornaram-se mais numerosos a partir do século seguinte, e de grande importância são as homilias de Santo André de Creta e, sobretudo, de São João Damasceno que “entre todos se distingue como pregoeiro desta tradição”. 26b Seguindo os Padres da Igreja, os teólogos escolásticos expuseram com grande clareza o significado da Assunção e sua profunda conexão com as demais verdades reveladas, muito contribuindo na progressiva divulgação deste privilégio da Mãe de Deus. Pode-se dizer que, em linhas gerais, a partir do século XV os teólogos já eram unânimes em afirmá-lo. A esses testemunhos litúrgicos, patrísticos e teológicos cabe acrescentar numerosas expressões da piedade popular, entre elas a dedicação de um dos mistérios do Rosário a essa verdade. Tal consenso eclesial é apontado por Pio XII como argumento fundamental para a proclamação dogmática da Assunção, pois mostra “a doutrina concorde do Magistério ordinário da Igreja, e a Fé igualmente concorde do povo cristão — que aquele Magistério sustenta e dirige — e, por isso mesmo, manifesta, de modo certo e imune de erro, que tal privilégio é verdade revelada por Deus e contida no depósito divino que Jesus Cristo confiou a sua esposa para o guardar fielmente e infalivelmente o declarar”. 27b Apoiada nesses pressupostos, a definição solene realizou-se em 1950. O ambiente que emoldurou a declaração dogmática da Assunção foi, sem dúvida, impressionante, como puderam registrar as câmeras fotográficas da época. Numerosos Cardeais, Bispos, sacerdotes e religiosos, além da grande multidão de fiéis, acorreram à Praça de São Pedro, sem contar todos os que, espalhados pelo mundo, acompanharam a transmissão por rádio e televisão. Era o orbe católico unido em “um só coração e uma só alma” (At 4, 32), assistindo à solene proclamação da Fé que em uníssono professava. Assim rezam as palavras definitórias: “Para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta Mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos São Pedro e São Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. 28b Sinal de crescimento e fortalecimento Nas poucas narrações da infância de Jesus registradas nos Evangelhos, figura uma admirável — mas, hélas, quão sucinta! — síntese dos primeiros anos do Verbo de Deus feito carne: “O Menino ia crescendo e Se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava n’Ele” (Lc 2, 40). Tais palavras relativas a Cristo bem podem ser aplicadas a seu Corpo Místico, o qual cresce e se fortalece continuamente, animado pelo Espírito Santo que o vivifica. Ora, ao término desta reflexão, é reconfortante observar o quanto as definições dogmáticas constituem uma das mais belas manifestações desse crescimento. Pois, como ensina o padre Garrigou-Lagrange, a solene declaração das verdades de Fé e sua penetração cada vez mais profunda no povo cristão apresentam como principal corolário o conduzir à compreensão — tanto quanto seja possível nesta Terra — d’Aquele que “nos ama além do que podemos conceber e desejar, até querer associar-nos à sua vida íntima, levar-nos pouco a pouco a vê-Lo como Ele Se vê, e amá-Lo como Ele Se ama”. 29b Portanto, se a solene declaração de uma verdade de Fé tem por principal finalidade conduzir ao conhecimento de Deus e das realidades a Ele concernentes, a mais relevante implicação teológica dos dogmas marianos não poderia ser outra senão a de proporcionar, a partir da explicitação do conteúdo da Revelação, uma maior ciência acerca d’Aquela que Deus escolheu por Mãe e uniu a Si e a toda Igreja de forma singularíssima. Assim o entendeu a Igreja que, a partir da exegese das Escrituras, da ausculta da Tradição, do labor teológico e da fidelidade à ação do Espírito Paráclito nas almas, descortinou amplos panoramas na compreensão da Santíssima Virgem e de seu Divino Filho. Nos primeiros séculos, a tenra Igreja recém-nascida vê-se convulsionada por diversas heresias. Grande perigo? Sem dúvida. Mas também excelente oportunidade para a consolidação doutrinária, esforço que talvez não se tivesse efetuado se não fosse a necessidade apologética. Bem o demonstram a solene declaração da Maternidade Divina e a virgindade perpétua, dogmas que alargaram os horizontes da Doutrina Católica, conferindo a Nossa Senhora um destaque único. Estavam lançados os fundamentos da Mariologia, abertas as portas para o florescimento das festividades em honra à Mãe de Deus e estabelecidas sólidas bases para a devoção mariana dos fiéis. Passam-se os séculos, e a robustez doutrinária já alcançada permite que se verifique outra forma de desenvolvimento da piedade, desta vez a partir do senso sobrenatural da Fé. As verdades reveladas já definidas, seus corolários doutrinários e suas manifestações litúrgicas são base para a profícua ação do Espírito Santo, que inspira nos fiéis novos aprofundamentos. Estes serão colhidos pelo Magistério da Igreja e, quais novos rebentos inseridos no rol das verdades de Fé, são proclamados os dogmas da Imaculada Conceição e da Assunção de Maria. Organismo vivo e — ao contrário das leis naturais — em contínuo rejuvenescimento, a Igreja pode ainda ver florescer em seu regaço novos dogmas marianos, como, por exemplo, o da mediação universal e o da corredenção da Santíssima Virgem, se a isto a conduzir o cumprimento de sua missão. Sem jamais constituir entraves coercitivos e obsoletos, farão ressoar novamente o grande conselho cristocêntrico de Maria: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2, 5), convidando-nos a uma adesão amorosa ao Magistério da Igreja, “coluna e sustentáculo da verdade” (I Tm 3, 15). Fonte: Arautos do Evangelho 1 CONCÍLIO VATICANO II. Lumen gentium, n.63. 2 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n.39. 3 Idem, n.1. 4 RATZINGER, Joseph. O Caminho Pascal. Lisboa: Lucerna, 2006, p.75-76. 5 Cf. SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT, op. cit., n.22. 6 Idem, n.10. 1b CONCÍLIO VATICANO II. Dei Verbum, n.7. 2b CIC, 890. 3b CONCÍLIO VATICANO II. Dei Verbum, n.10. 4b CONCÍLIO VATICANO II. Lumen gentium, n.25. 5b CIC 88. 6b Idem, 89. 7b CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. A Igreja e a História. In: Dr. Plinio. São Paulo. Ano V. N.46 (Jan., 2002); p.20. 8b SANTO AGOSTINHO. A Cidade de Deus, l.XVI, c.2, 1. 9b Cf. ALASTRUEY, Gregorio. Tratado de la Virgen Santísima. Madrid: BAC, 1956, p.76-77. 10b SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA. Carta aos efésios, 18,2. 11b Idem, Carta aos esmirniotas, 1,1. 12b SANTO IRINEU DE LIÃO. Contra as heresias, l.3, c.19, 3. 13b ROSCHINI, Gabriel. Instruções marianas. São Paulo: Paulinas, 1960, p.44. 14b Idem, ibidem. 15b Dz 252. 16b CONCÍLIO VATICANO II. Lumen gentium, n.57. 17b SÃO BERNARDO DE CLARAVAL. Laudibus Virginis Matris, II, 5. 18b Em sua Apologia, São Justino apresenta a concepção virginal de Maria como uma verdade fundamental da religião cristã (I, 33); de igual modo, Santo Irineu (Adv. Haer. 3,19ss) afirma que esta verdade é uma das contidas na “regra de Fé” que todos devem crer. 19b Cf. ALDAMA, José Antonio de. María en la patrística de los siglos I y II. Madrid: BAC, 1970, p.83. 20b SANTO AGOSTINHO. Sermão 186,1. 21b ROYO MARÍN, OP, Antonio. La Virgen María: teología y espiritualidad marianas. 2.ed. Madrid: BAC, 1997, p.75. 22b CLÁ DIAS, EP, João Scognamiglio. Pequeno ofício da Imaculada Conceição comentado. São Paulo: Artpress, 1997, p.496. 23b Cf. ROYO MARÍN, op. cit., p.75. 24b PIO IX. Ineffabilis Deus, n.22. 25b CHANTREL, Joseph. Histoire populaire des papes, apud CLÁ DIAS, op. cit., p.501. 26b PIO XII. Munificentissimus Deus, n.21. 27b Idem, n.12. 28b Idem, n.44. 29b GARRIGOU-LAGRANGE, OP, Réginald. El sentido común: la filosofía del ser y las fórmulas dogmáticas. Buenos Aires: Desclée de Brouwer, 1945, p.240. #FestasdeNossaSenhora #NossaSenhoradeFátima
- O Escândalo – Um mês com Maria | 13° dia
O ESCÂNDALO Contra o escândalo Jesus disse palavras terríveis que podia pronunciar: “Quem tiver escandalizado um destes pequenos que crêem em Mim, seria melhor para ele que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho e fosse submerso no fundo do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos! É necessário que os escândalos venham, mas pobres daqueles por culpa do qual o escândalo acontece!”(Mt 18,6-7) Por que esta linguagem de Jesus é tão terrível? A resposta é simples: porque o escândalo é pior que o homicídio. De fato, com o escândalo não se atinge o corpo, mas a alma do homem, matando-a. É um verdadeiro homicídio espiritual; é o “assassino das almas” segundo S. João Crisóstomo, “aquele a quem mais se deve temer!” O elemento mais característico do escândalo é a ruína dos inocentes, dos simples e dos que desconhecem o mal. O escândalo é a escola da corrupção, do pecado, provocação do mal. É o pecado de um só que arrasta muitos outros. É semelhante a uma pedra que rola de cima do monte arrastando consigo tudo o que encontra. É como levedura de corrupção que fermenta a massa. Em cada campo: espiritual, moral, educativo; e em cada ambiente: família, escola, fábricas, escritórios; em cada nível: individual, social, político, cultural, econômico. Ai do mundo O mundo é fonte dos escândalos! “Tudo que está no mundo é concupiscência da carne e dos olhos, soberba da vida:”, (I Jo 2,16). De fato, basta ir um pouco pelo mundo e se encontram escândalos em qualquer lugar e de qualquer tipo. Nas ruas há os cartazes de publicidades indecentes; nos cinemas há os espetáculos degradantes e imundos; nos jornais há títulos com ilustrações vergonhosas, vômitos, conversas fiadas, falsidade e ironias negras e nefastas; a televisão com sua pornografia, canções triviais, vulgaridade e brigas frequentes; nas escolas e livrarias há os ensinamentos falsos, teorias aberrantes, erros e porcarias escandalosas; nos estabelecimentos comerciais, nos meios de transporte, nos lugares de recreação, palavrões e blasfêmias. Mulheres peladas pela rua, Igreja; publicidade pela moda escandalosa, vestidas provocantemente. Fora os escândalos clamorosos na administração da finança pública, da Justiça e luta contra criminalidade. Pe. Pio dizia que os filmes escandalosos pagarão tudo diante do Juízo de Deus: desde o diretor aos atores, àqueles que colam cartazes. Sobre quem manda à frente da moda indecente, da pornografia, dos erros contra a fé e a moral, dizia o mesmo. Assim será p/ quem quer que coopere em qualquer escândalo. Jesus fez entender que a justiça de Deus será “flamejante de ira” (Sl 69,25) contra os escândalos. Ai de quem escandaliza Um pecador escandaloso vivia tranquilo operando um grande mal entre os fiéis, sem que ninguém ousasse chamar-lhe atenção. Sabendo disso, S. Afonso de Ligorio mandou chamá- lo, preparando-lhe um truque. Ao entrar no quarto de S. Afonso, o pecador achou no chão um grande crucifixo que lhe impedia a passagem. O homem, perplexo, ouviu do Santo: “Passai sobre o corpo de Cristo! Não é a 1ª vez que o pisais! Já fizestes isso várias vezes com teus escândalos”. Vivamente tocado, o homem chorou e em silêncio recolhido, mudou de vida. Quem escandaliza pisa os membros de Cristo. Ele é um perigo público! Precisamos salvá-lo ou dele fugir. S. Paulo advertia o Bispo Timóteo: “Chama publicamente a atenção daqueles que cometem culpas em público”. (I Tm 5,20) Não precisamos temer, é só uma obra boa que se cumpre. E se se usa a energia unida à discrição, nada será perdido junto a Deus, do esforço do bem tentado. S. Roberto Belarmino, durante uma visita a um príncipe romano, viu na sala de espera alguns quadros com figuras de pessoas nuas. Durante o colóquio com o príncipe, nada disse. Ao saudá-lo, disse amabilmente: “Gostaria ainda de recomendar a Vossa Alteza alguns pobrezinhos que não tem vestidos para cobrir a nudez”. O Príncipe mostrou-se disposto a ajudar; o Santo mostrou os quadros na parede, dizendo: “Eis os pobrezinhos desnudos, sofrendo de frio”. Compreendendo a mensagem, mandou tirar os quadros. Defesa contra os escândalos Devemos defender-nos dos escândalos: “Saibas que caminhas em meio aos perigos” (Eclo 9,20) adverte o Espírito Santo. Precisamos usar de toda cautela para não tropeçar! Dito em Fátima por Nossa Senhora, a Oração e a Mortificação são os meios eficazes, pois a oração nos obtém as graças necessárias para evitar os perigos, além de nos elevar e unir a Deus, nossa força, e à Ela, nosso refúgio. A mortificação faz dominar os sentidos, frear os apetites da nossa concupiscência que o mundo procura continuamente atiçar com os seus escândalos. Devemos ser generosos com a mortificação. Jesus não é terno neste respeito: “Se teu olho direito te dá ocasião de escândalo, arranca-o e joga-o fora, pois é melhor pra ti que um dos teus membros morra do que teu corpo seja jogado na Geena. E se a tua mão direita te é ocasião de escândalo, corta-a e joga-a fora, porque é melhor pra Ti que um dos teus membros morra a entrares na Geena com todo o teu corpo” (Mt 5,28-28). Ajamos como os santos. S. Francisco de Assis caminhava pela rua com os olhos baixos, evitando os perigos e pregando sobre ele, além de dar bons exemplos. S. José Cafasso recomendava aos seus filhos espirituais caminhar pela estrada com grande modéstia, porque “a estrada mundo é traçada sob um longo precipício”. O que dizer, então, das estradas de hoje? Contra a tentação de olhar os escândalos dos outdoors, dos romances, da televisão, lembramos de outro exemplo: S. Domingos Sávio, passando por uma praça onde tinha um parque de diversões, caminhava modesto e recolhido Um companheiro lhe disse: “Por que não olhas para os brinquedos do circo e do parque?” Respondeu o Santo: “Porque quero conservar meus olhos puros para melhor contemplar Nsa Sra no Paraíso!” Que resposta! Votos Oferece o dia pelos escândalos; Examina bem se tem alguma coisa a eliminar entre as tuas coisas; Caminha com modéstia para evitar perigos. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- O Escândalo – Um mês com Maria | 13° dia
O ESCÂNDALO Contra o escândalo Jesus disse palavras terríveis que podia pronunciar: “Quem tiver escandalizado um destes pequenos que crêem em Mim, seria melhor para ele que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho e fosse submerso no fundo do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos! É necessário que os escândalos venham, mas pobres daqueles por culpa do qual o escândalo acontece!”(Mt 18,6-7) Por que esta linguagem de Jesus é tão terrível? A resposta é simples: porque o escândalo é pior que o homicídio. De fato, com o escândalo não se atinge o corpo, mas a alma do homem, matando-a. É um verdadeiro homicídio espiritual; é o “assassino das almas” segundo S. João Crisóstomo, “aquele a quem mais se deve temer!” O elemento mais característico do escândalo é a ruína dos inocentes, dos simples e dos que desconhecem o mal. O escândalo é a escola da corrupção, do pecado, provocação do mal. É o pecado de um só que arrasta muitos outros. É semelhante a uma pedra que rola de cima do monte arrastando consigo tudo o que encontra. É como levedura de corrupção que fermenta a massa. Em cada campo: espiritual, moral, educativo; e em cada ambiente: família, escola, fábricas, escritórios; em cada nível: individual, social, político, cultural, econômico. Ai do mundo O mundo é fonte dos escândalos! “Tudo que está no mundo é concupiscência da carne e dos olhos, soberba da vida:”, (I Jo 2,16). De fato, basta ir um pouco pelo mundo e se encontram escândalos em qualquer lugar e de qualquer tipo. Nas ruas há os cartazes de publicidades indecentes; nos cinemas há os espetáculos degradantes e imundos; nos jornais há títulos com ilustrações vergonhosas, vômitos, conversas fiadas, falsidade e ironias negras e nefastas; a televisão com sua pornografia, canções triviais, vulgaridade e brigas frequentes; nas escolas e livrarias há os ensinamentos falsos, teorias aberrantes, erros e porcarias escandalosas; nos estabelecimentos comerciais, nos meios de transporte, nos lugares de recreação, palavrões e blasfêmias. Mulheres peladas pela rua, Igreja; publicidade pela moda escandalosa, vestidas provocantemente. Fora os escândalos clamorosos na administração da finança pública, da Justiça e luta contra criminalidade. Pe. Pio dizia que os filmes escandalosos pagarão tudo diante do Juízo de Deus: desde o diretor aos atores, àqueles que colam cartazes. Sobre quem manda à frente da moda indecente, da pornografia, dos erros contra a fé e a moral, dizia o mesmo. Assim será p/ quem quer que coopere em qualquer escândalo. Jesus fez entender que a justiça de Deus será “flamejante de ira” (Sl 69,25) contra os escândalos. Ai de quem escandaliza Um pecador escandaloso vivia tranquilo operando um grande mal entre os fiéis, sem que ninguém ousasse chamar-lhe atenção. Sabendo disso, S. Afonso de Ligorio mandou chamá- lo, preparando-lhe um truque. Ao entrar no quarto de S. Afonso, o pecador achou no chão um grande crucifixo que lhe impedia a passagem. O homem, perplexo, ouviu do Santo: “Passai sobre o corpo de Cristo! Não é a 1ª vez que o pisais! Já fizestes isso várias vezes com teus escândalos”. Vivamente tocado, o homem chorou e em silêncio recolhido, mudou de vida. Quem escandaliza pisa os membros de Cristo. Ele é um perigo público! Precisamos salvá-lo ou dele fugir. S. Paulo advertia o Bispo Timóteo: “Chama publicamente a atenção daqueles que cometem culpas em público”. (I Tm 5,20) Não precisamos temer, é só uma obra boa que se cumpre. E se se usa a energia unida à discrição, nada será perdido junto a Deus, do esforço do bem tentado. S. Roberto Belarmino, durante uma visita a um príncipe romano, viu na sala de espera alguns quadros com figuras de pessoas nuas. Durante o colóquio com o príncipe, nada disse. Ao saudá-lo, disse amabilmente: “Gostaria ainda de recomendar a Vossa Alteza alguns pobrezinhos que não tem vestidos para cobrir a nudez”. O Príncipe mostrou-se disposto a ajudar; o Santo mostrou os quadros na parede, dizendo: “Eis os pobrezinhos desnudos, sofrendo de frio”. Compreendendo a mensagem, mandou tirar os quadros. Defesa contra os escândalos Devemos defender-nos dos escândalos: “Saibas que caminhas em meio aos perigos” (Eclo 9,20) adverte o Espírito Santo. Precisamos usar de toda cautela para não tropeçar! Dito em Fátima por Nossa Senhora, a Oração e a Mortificação são os meios eficazes, pois a oração nos obtém as graças necessárias para evitar os perigos, além de nos elevar e unir a Deus, nossa força, e à Ela, nosso refúgio. A mortificação faz dominar os sentidos, frear os apetites da nossa concupiscência que o mundo procura continuamente atiçar com os seus escândalos. Devemos ser generosos com a mortificação. Jesus não é terno neste respeito: “Se teu olho direito te dá ocasião de escândalo, arranca-o e joga-o fora, pois é melhor pra ti que um dos teus membros morra do que teu corpo seja jogado na Geena. E se a tua mão direita te é ocasião de escândalo, corta-a e joga-a fora, porque é melhor pra Ti que um dos teus membros morra a entrares na Geena com todo o teu corpo” (Mt 5,28-28). Ajamos como os santos. S. Francisco de Assis caminhava pela rua com os olhos baixos, evitando os perigos e pregando sobre ele, além de dar bons exemplos. S. José Cafasso recomendava aos seus filhos espirituais caminhar pela estrada com grande modéstia, porque “a estrada mundo é traçada sob um longo precipício”. O que dizer, então, das estradas de hoje? Contra a tentação de olhar os escândalos dos outdoors, dos romances, da televisão, lembramos de outro exemplo: S. Domingos Sávio, passando por uma praça onde tinha um parque de diversões, caminhava modesto e recolhido Um companheiro lhe disse: “Por que não olhas para os brinquedos do circo e do parque?” Respondeu o Santo: “Porque quero conservar meus olhos puros para melhor contemplar Nsa Sra no Paraíso!” Que resposta! Votos Oferece o dia pelos escândalos; Examina bem se tem alguma coisa a eliminar entre as tuas coisas; Caminha com modéstia para evitar perigos. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- Em 13 de Maio comemoramos dia da Abolição da Escravatura no Brasil pela Princesa Isabel
Nesta mesma data, há 133 anos, a Princesa Isabel assinava a Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil ao fim do Segundo Reinado.. Com a assinatura dessa lei, aproximadamente 700 mil escravos foram libertos de sua condição. Adepta da Doutrina Social da Igreja e bastante próxima do Papa Leão XIII, a Princesa Isabel, ao assinar um documento que lhe custaria a Coroa Imperial, mostrou ao mundo que um cristão, quando estão em jogo o amor a Deus e ao próximo, deve sacrificar seus próprios interesses para salvar sua alma. Ao ouvir do Barão de Cotegipe as seguintes palavras : “Vossa Alteza libertou uma raça mas perdeu um trono” a querida Princesa regente Dona Isabel respondeu: “Se Mil tronos eu tivesse, mil tronos eu daria para acabar com a escravidão no Brasil” No dia 13 de maio o povo brasileiro celebra uma das decisões mais importantes de sua história: a assinatura da Lei Áurea, pela Princesa Isabel. A figura desta monarca se traduz para todos os brasileiros com simpatia e gratidão. Foi ela a primeira mulher a exercer o poder de governo em nosso País, marcando nossa história com fatos e decisões de enorme significação humanitária e política. A Princesa Isabel esteve no comando geral da nação brasileira por três vezes, sempre pelo motivo de viagens de seu pai, o Imperador Pedro II. Ao menos em duas, ela pôde por em prática seu caráter decisório e seu espírito cristão em favor da libertação dos escravos. A primeira foi em 1871, quando promulgou a Lei do Ventre Livre, no dia 28 de setembro do referido ano, decretando que todos os filhos de escravas daquela data em diante, seriam livres e não poderiam mais ser tratados como cativos. A segunda foi justamente a 13 de maio de 1888, ocasião em que assinou a famosa Lei Áurea, que com único artigo, elimina para sempre o a escravidão legal no Brasil. Em carta que hoje se encontra no acervo do Museu Imperial em Petrópolis, mostra o projeto de indenização para ex-escravos, para que pudessem trabalhar em sua agricultura e pecuária e um maior espaço para as mulheres. A princesa Isabel é vista ainda por muitos como uma personagem da história meramente representativa e que assinou a lei áurea porque seu pai não estava no país no dia em questão, porém a carta revela muito mais, revela um aproximação fiel ao movimento abolicionista e aos principais abolicionistas da época, que na carta os chama de amigos. Ela demonstra também a preocupação com escravocratas e republicanos como um empecilho para que seus planos se concretizassem. Em trecho da Carta endereçada ao Visconde de Santa Victória, a Princesa diz: “Fui informada por papai que me colocou a par da intenção e do envio dos fundos de seu Banco em forma de doação como indenização aos ex-escravos libertos em 13 de Maio do ano passado, e o sigilo que o Senhor pediu ao presidente do gabinete para não provocar maior reação violenta dos escravocratas. Com os fundos doados pelo Senhor teremos oportunidade de colocar estes ex-escravos, agora livres, em terras suas próprias trabalhando na agricultura e na pecuária e delas tirando seus próprios proventos..” É preciso recordar que o ideal de libertação da escravatura era um ideal de seu pai, Pedro II, que se destaca na história por uma personalidade nobre, culta e de profundo senso humanitário. Pode-se afirmar que a Casa Imperial brasileira se preocupou, desde o princípio, com a situação escravocrata, pois, já em 23 de novembro de 1826, nos primeiros anos da independência do Brasil, realizava-se a convenção que decidia pela proibição do tráfico de escravos, ainda que por pressão do Reino Inglês. Tal decisão teve efeito prático a partir de 1850, quando a tráfico negreiro foi definitivamente proibido. Porém, nem sempre os poderes estabelecidos sejam em regimes monárquicos, republicanos ou quaisquer outros são livres para executarem seus propósitos, por causa da pressão social. No caso, na sociedade eminentemente agrícola do Brasil novecentista, não interessava aos fazendeiros qualquer modificação neste sistema produtivo. Neste sentido, a partir destas aspirações do Império, é que surgiu o movimento republicano, inicialmente adepto do sistema escravagista. Quando, a 28 de setembro de 1885, foi promulgada a Lei do Sexagenário, os ânimos opositores ao Império, e em particular contra Pedro II e a Princesa Isabel se acirraram até o momento da proclamação da República, a 15 de novembro de 1899, que para os monarquistas, considerada um golpe militar. Somente a partir da Lei Áurea os republicamos aderiram à ideia da abolição. A Princesa Isabel nasceu a 29 de julho de 1846, filha de Dom Pedro II, que à época contava apenas com 21 anos de idade, e a Imperatriz Dona Teresa Cristina de Bourbon, italiana das Duas Sicilias, dada em casamento ao príncipe brasileiro. Viveu no Brasil até seus 45 anos de idade, casada com o Conde D’Eu, e depois que a família imperial foi extraditada, passou seus restantes 31 anos na França, vindo a falecer a 14 de novembro de 1921. Seus restos mortais hoje se encontram na Catedral de Petrópolis, ao lado dos túmulos de seus pais, Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina, e ainda de seu esposo, o Conde D’Eu. A Princesa Isabel goza de fama de santidade, por causa de sua alma totalmente caridosa, sobretudo com os negros, pobres e desvalidos, além de sua vida de piedade de muita oração e busca das virtudes. Tinha a prática sacramental exemplar, com confissões e comunhões frequentes, cuidava de não praticar a vaidade nem mesmo no vestir, pois costumava usar roupas simples para uma princesa, apenas utilizando certos vestidos solenes para ocasiões oficiais. Manteve respeitosa e bonita correspondência com os Papas Leão XIII e Pio X, entre as quais encontram-se cartas em que sugere aos Sucessores de Pedro a promulgação do Dogma da Assunção de Maria, só declarado em 1950, pelo Papa Pio XII. Tendo encontrado problemas para engravidar-se, fez pedidos insistentes a Deus por intercessão de Santa Isabel da Hungria, e fez construir em Caxambu-MG uma Igreja dedicada a esta devoção. Depois de onze anos de casada teve seu primeiro filho e depois Deus lhe deu ainda mais quatro. Em 1904, ofereceu a Nossa Senhora Aparecida a primeira coroa feita com suas jóias pessoais. Ouçam abaixo um trecho de uma ótima formação contendo detalhes sobre a magnífica história da Imagem de Nossa Senhora Aparecida. Um grupo de fieis, conhecedores de sua vida reta e virtuosa, pediu à Igreja a abertura do processo de sua beatificação o que foi aceito pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. O Brasil deve a esta sua importante personalidade histórica destaque e honra, pois trata-se de um exemplo de mulher e de ilibada atuação política. #Brasil
- Em 13 de Maio comemoramos dia da Abolição da Escravatura no Brasil pela Princesa Isabel
Nesta mesma data, há 133 anos, a Princesa Isabel assinava a Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil ao fim do Segundo Reinado.. Com a assinatura dessa lei, aproximadamente 700 mil escravos foram libertos de sua condição. Adepta da Doutrina Social da Igreja e bastante próxima do Papa Leão XIII, a Princesa Isabel, ao assinar um documento que lhe custaria a Coroa Imperial, mostrou ao mundo que um cristão, quando estão em jogo o amor a Deus e ao próximo, deve sacrificar seus próprios interesses para salvar sua alma. Ao ouvir do Barão de Cotegipe as seguintes palavras : “Vossa Alteza libertou uma raça mas perdeu um trono” a querida Princesa regente Dona Isabel respondeu: “Se Mil tronos eu tivesse, mil tronos eu daria para acabar com a escravidão no Brasil” No dia 13 de maio o povo brasileiro celebra uma das decisões mais importantes de sua história: a assinatura da Lei Áurea, pela Princesa Isabel. A figura desta monarca se traduz para todos os brasileiros com simpatia e gratidão. Foi ela a primeira mulher a exercer o poder de governo em nosso País, marcando nossa história com fatos e decisões de enorme significação humanitária e política. A Princesa Isabel esteve no comando geral da nação brasileira por três vezes, sempre pelo motivo de viagens de seu pai, o Imperador Pedro II. Ao menos em duas, ela pôde por em prática seu caráter decisório e seu espírito cristão em favor da libertação dos escravos. A primeira foi em 1871, quando promulgou a Lei do Ventre Livre, no dia 28 de setembro do referido ano, decretando que todos os filhos de escravas daquela data em diante, seriam livres e não poderiam mais ser tratados como cativos. A segunda foi justamente a 13 de maio de 1888, ocasião em que assinou a famosa Lei Áurea, que com único artigo, elimina para sempre o a escravidão legal no Brasil. Em carta que hoje se encontra no acervo do Museu Imperial em Petrópolis, mostra o projeto de indenização para ex-escravos, para que pudessem trabalhar em sua agricultura e pecuária e um maior espaço para as mulheres. A princesa Isabel é vista ainda por muitos como uma personagem da história meramente representativa e que assinou a lei áurea porque seu pai não estava no país no dia em questão, porém a carta revela muito mais, revela um aproximação fiel ao movimento abolicionista e aos principais abolicionistas da época, que na carta os chama de amigos. Ela demonstra também a preocupação com escravocratas e republicanos como um empecilho para que seus planos se concretizassem. Em trecho da Carta endereçada ao Visconde de Santa Victória, a Princesa diz: “Fui informada por papai que me colocou a par da intenção e do envio dos fundos de seu Banco em forma de doação como indenização aos ex-escravos libertos em 13 de Maio do ano passado, e o sigilo que o Senhor pediu ao presidente do gabinete para não provocar maior reação violenta dos escravocratas. Com os fundos doados pelo Senhor teremos oportunidade de colocar estes ex-escravos, agora livres, em terras suas próprias trabalhando na agricultura e na pecuária e delas tirando seus próprios proventos..” É preciso recordar que o ideal de libertação da escravatura era um ideal de seu pai, Pedro II, que se destaca na história por uma personalidade nobre, culta e de profundo senso humanitário. Pode-se afirmar que a Casa Imperial brasileira se preocupou, desde o princípio, com a situação escravocrata, pois, já em 23 de novembro de 1826, nos primeiros anos da independência do Brasil, realizava-se a convenção que decidia pela proibição do tráfico de escravos, ainda que por pressão do Reino Inglês. Tal decisão teve efeito prático a partir de 1850, quando a tráfico negreiro foi definitivamente proibido. Porém, nem sempre os poderes estabelecidos sejam em regimes monárquicos, republicanos ou quaisquer outros são livres para executarem seus propósitos, por causa da pressão social. No caso, na sociedade eminentemente agrícola do Brasil novecentista, não interessava aos fazendeiros qualquer modificação neste sistema produtivo. Neste sentido, a partir destas aspirações do Império, é que surgiu o movimento republicano, inicialmente adepto do sistema escravagista. Quando, a 28 de setembro de 1885, foi promulgada a Lei do Sexagenário, os ânimos opositores ao Império, e em particular contra Pedro II e a Princesa Isabel se acirraram até o momento da proclamação da República, a 15 de novembro de 1899, que para os monarquistas, considerada um golpe militar. Somente a partir da Lei Áurea os republicamos aderiram à ideia da abolição. A Princesa Isabel nasceu a 29 de julho de 1846, filha de Dom Pedro II, que à época contava apenas com 21 anos de idade, e a Imperatriz Dona Teresa Cristina de Bourbon, italiana das Duas Sicilias, dada em casamento ao príncipe brasileiro. Viveu no Brasil até seus 45 anos de idade, casada com o Conde D’Eu, e depois que a família imperial foi extraditada, passou seus restantes 31 anos na França, vindo a falecer a 14 de novembro de 1921. Seus restos mortais hoje se encontram na Catedral de Petrópolis, ao lado dos túmulos de seus pais, Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina, e ainda de seu esposo, o Conde D’Eu. A Princesa Isabel goza de fama de santidade, por causa de sua alma totalmente caridosa, sobretudo com os negros, pobres e desvalidos, além de sua vida de piedade de muita oração e busca das virtudes. Tinha a prática sacramental exemplar, com confissões e comunhões frequentes, cuidava de não praticar a vaidade nem mesmo no vestir, pois costumava usar roupas simples para uma princesa, apenas utilizando certos vestidos solenes para ocasiões oficiais. Manteve respeitosa e bonita correspondência com os Papas Leão XIII e Pio X, entre as quais encontram-se cartas em que sugere aos Sucessores de Pedro a promulgação do Dogma da Assunção de Maria, só declarado em 1950, pelo Papa Pio XII. Tendo encontrado problemas para engravidar-se, fez pedidos insistentes a Deus por intercessão de Santa Isabel da Hungria, e fez construir em Caxambu-MG uma Igreja dedicada a esta devoção. Depois de onze anos de casada teve seu primeiro filho e depois Deus lhe deu ainda mais quatro. Em 1904, ofereceu a Nossa Senhora Aparecida a primeira coroa feita com suas jóias pessoais. Ouçam abaixo um trecho de uma ótima formação contendo detalhes sobre a magnífica história da Imagem de Nossa Senhora Aparecida. Um grupo de fieis, conhecedores de sua vida reta e virtuosa, pediu à Igreja a abertura do processo de sua beatificação o que foi aceito pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. O Brasil deve a esta sua importante personalidade histórica destaque e honra, pois trata-se de um exemplo de mulher e de ilibada atuação política. #Brasil
- Santa Joana de Portugal – 12 de Maio
SANTO DO DIA – 12 DE MAIO – SANTA JOANA DE PORTUGAL Dominicana secular (1452-1490) Joana nasceu em Lisboa no dia 6 de fevereiro de 1452. Era filha do rei de Portugal, Afonso V, o Africano, e da rainha Isabel, que, por ser devota de são João Evangelista, deu o seu nome à princesa. Ela foi uma criança muito aguardada, pois daria estabilidade ao reino, na condição de sucessora natural ao trono. Depois de três anos, para alegria da corte e tristeza do rei e de Joana, a rainha deu à luz a um menino, que em seguida morreu. A menina, muito querida pelo pai, foi acompanhada na formação cristã e acadêmica pela tia Filipa, uma fidalga muito devota, que a preparou para ser rainha. Joana cresceu graciosa e muito bonita, mas demonstrando forte inclinação religiosa, e um temperamento dócil e perseverante. Aos quinze anos, a jovem princesa entregava-se cada vez mais aos retiros espirituais, às orações, leitura religiosa e contemplação. Também fazia duras penitências, jejuava muitas vezes a pão e água, especialmente às sextas-feiras, e não deixava de praticar a caridade, ajudando pessoalmente os pobres que recorriam ao seu palácio. Queria entregar sua vida a Deus, ansiando por um mosteiro de clausura, para desgosto do rei, seu pai, e desespero da corte, preocupada, politicamente, com a sucessão do trono. Isso porque, se o rei Afonso V morresse, o sucessor seria o filho homem; todavia, se algo acontecesse com esse herdeiro homem, a sucessora legal seria Joana. Julgando que um casamento poderia fazer a princesa mudar de ideia, dada a sua pouca idade, a corte passou a agir. Ela se tornara uma jovem princesa muito interessante e cativante, pelas qualidades intelectuais, morais e, principalmente, por sua rara beleza. Logo vieram os pedidos de casamento dos príncipes estrangeiros, como: o delfim da França, Maximiliano da Áustria e o rei Carlos III da Inglaterra; porém ela rejeitou todos, estava decidida a ser esposa só de Jesus Cristo. Aos dezenove anos de idade, Joana habilmente convenceu seu pai a oferecer a Deus sua única filha em agradecimento às muitas e recentes vitórias que ele tinha conquistado em Arzila e Tânger e pelos mouros terem abandonado a cidade. O comovente pedido da filha fez Afonso V perceber que o seu chamado à vida religiosa era verdadeiro e consentiu que a princesa entrasse no Mosteiro de Odivelas. Todavia ela desejava estar num de disciplina mais austera, por isso ingressou no Mosteiro de Jesus, em Aveiro, onde vestiu o hábito dominicano de noviça em 1472. Mas a saúde de Joana não permitiu que professasse os votos definitivos, por isso permaneceu como dominicana secular naquele mosteiro, obedecendo a todas as regras com louvável rigor e se dedicando aos serviços mais humildes. A princesa Joana continuou a fazer caridade junto aos pobres e abandonados, enquanto a fama de sua santidade se espalhava para outros reinos. Contava com trinta e oito anos de idade quando morreu, no dia 12 de maio de 1490. Foi sepultada no coro de baixo da capela do Mosteiro de Jesus, onde suas relíquias são guardadas até hoje. Em vida amada pelo povo por sua santidade, após sua morte a princesa Joana passou a ser venerada e cultuada pelos milagres que ocorriam por sua intercessão. Foi beatificada pelo papa Inocêncio XII, em 1693. Beata Joana de Portugal, mas chamada pelos devotos de princesa santa Joana, foi declarada padroeira de Aveiro em 1965. Santa Joana, princesa de Portugal Joana era filha de Afonso V, décimo-segundo rei de Portugal, apelidado o Africano, filho de Dom Duarte. Tendo vivido na corte, praticou as mais altas virtudes cristãs. Apenas se lembrava dos sofrimentos de Nosso Senhor, lágrimas sem conta banhavam-se as faces e soluços infindos sacudiam-lhe o corpo. Debaixo das ricas vestimentas que era obrigada a envergar, ninguém podia adivinhar os instrumentos austeros que trazia apertadamente aderidos à carne. Doce e compassiva, humilde e amorosa, vivia interessada por toda a sorte de misérias, procurando-as no próximo e tudo fazendo para suavizá-las. Muitos príncipes pediram-lhe a mão, insistentemente, mas a todos, fiel ao Cristo, negou-a com firme determinação. Encerrando-se no mosteiro de Aveiro, da Ordem de São Domingos, pela humildade e pronta obediência ninguém havia de dizer que ali se encontrava uma filha de reis. Santa Joana trabalhou com grande afinco na conversão das almas, toda temerosa que vivia com a sorte dos pecadores. A redenção dos cativos da África, porém, foi sua obra predileta. Santa Joana de Portugal – Mosteiro de Santo Domingo de Escala Coeli, Córdoba (Espanha) – Foto: Francisco Lecaros Acometida por longa e dolorosa doença, a qual suportou com infinitos de paciência com indizível resignação, Santa Joana de Portugal faleceu a 12 de Maio de 1490, tornando-se, em breve, padroeira de Aveiro. Inocêncio XII, permitiu às Igrejas de Portugal e aos irmãos pregadores que lhe celebrassem a festa nos dias 12 de Maio de cada ano.
- Santa Joana de Portugal – 12 de Maio
SANTO DO DIA – 12 DE MAIO – SANTA JOANA DE PORTUGAL Dominicana secular (1452-1490) Joana nasceu em Lisboa no dia 6 de fevereiro de 1452. Era filha do rei de Portugal, Afonso V, o Africano, e da rainha Isabel, que, por ser devota de são João Evangelista, deu o seu nome à princesa. Ela foi uma criança muito aguardada, pois daria estabilidade ao reino, na condição de sucessora natural ao trono. Depois de três anos, para alegria da corte e tristeza do rei e de Joana, a rainha deu à luz a um menino, que em seguida morreu. A menina, muito querida pelo pai, foi acompanhada na formação cristã e acadêmica pela tia Filipa, uma fidalga muito devota, que a preparou para ser rainha. Joana cresceu graciosa e muito bonita, mas demonstrando forte inclinação religiosa, e um temperamento dócil e perseverante. Aos quinze anos, a jovem princesa entregava-se cada vez mais aos retiros espirituais, às orações, leitura religiosa e contemplação. Também fazia duras penitências, jejuava muitas vezes a pão e água, especialmente às sextas-feiras, e não deixava de praticar a caridade, ajudando pessoalmente os pobres que recorriam ao seu palácio. Queria entregar sua vida a Deus, ansiando por um mosteiro de clausura, para desgosto do rei, seu pai, e desespero da corte, preocupada, politicamente, com a sucessão do trono. Isso porque, se o rei Afonso V morresse, o sucessor seria o filho homem; todavia, se algo acontecesse com esse herdeiro homem, a sucessora legal seria Joana. Julgando que um casamento poderia fazer a princesa mudar de ideia, dada a sua pouca idade, a corte passou a agir. Ela se tornara uma jovem princesa muito interessante e cativante, pelas qualidades intelectuais, morais e, principalmente, por sua rara beleza. Logo vieram os pedidos de casamento dos príncipes estrangeiros, como: o delfim da França, Maximiliano da Áustria e o rei Carlos III da Inglaterra; porém ela rejeitou todos, estava decidida a ser esposa só de Jesus Cristo. Aos dezenove anos de idade, Joana habilmente convenceu seu pai a oferecer a Deus sua única filha em agradecimento às muitas e recentes vitórias que ele tinha conquistado em Arzila e Tânger e pelos mouros terem abandonado a cidade. O comovente pedido da filha fez Afonso V perceber que o seu chamado à vida religiosa era verdadeiro e consentiu que a princesa entrasse no Mosteiro de Odivelas. Todavia ela desejava estar num de disciplina mais austera, por isso ingressou no Mosteiro de Jesus, em Aveiro, onde vestiu o hábito dominicano de noviça em 1472. Mas a saúde de Joana não permitiu que professasse os votos definitivos, por isso permaneceu como dominicana secular naquele mosteiro, obedecendo a todas as regras com louvável rigor e se dedicando aos serviços mais humildes. A princesa Joana continuou a fazer caridade junto aos pobres e abandonados, enquanto a fama de sua santidade se espalhava para outros reinos. Contava com trinta e oito anos de idade quando morreu, no dia 12 de maio de 1490. Foi sepultada no coro de baixo da capela do Mosteiro de Jesus, onde suas relíquias são guardadas até hoje. Em vida amada pelo povo por sua santidade, após sua morte a princesa Joana passou a ser venerada e cultuada pelos milagres que ocorriam por sua intercessão. Foi beatificada pelo papa Inocêncio XII, em 1693. Beata Joana de Portugal, mas chamada pelos devotos de princesa santa Joana, foi declarada padroeira de Aveiro em 1965. Santa Joana, princesa de Portugal Joana era filha de Afonso V, décimo-segundo rei de Portugal, apelidado o Africano, filho de Dom Duarte. Tendo vivido na corte, praticou as mais altas virtudes cristãs. Apenas se lembrava dos sofrimentos de Nosso Senhor, lágrimas sem conta banhavam-se as faces e soluços infindos sacudiam-lhe o corpo. Debaixo das ricas vestimentas que era obrigada a envergar, ninguém podia adivinhar os instrumentos austeros que trazia apertadamente aderidos à carne. Doce e compassiva, humilde e amorosa, vivia interessada por toda a sorte de misérias, procurando-as no próximo e tudo fazendo para suavizá-las. Muitos príncipes pediram-lhe a mão, insistentemente, mas a todos, fiel ao Cristo, negou-a com firme determinação. Encerrando-se no mosteiro de Aveiro, da Ordem de São Domingos, pela humildade e pronta obediência ninguém havia de dizer que ali se encontrava uma filha de reis. Santa Joana trabalhou com grande afinco na conversão das almas, toda temerosa que vivia com a sorte dos pecadores. A redenção dos cativos da África, porém, foi sua obra predileta. Santa Joana de Portugal – Mosteiro de Santo Domingo de Escala Coeli, Córdoba (Espanha) – Foto: Francisco Lecaros Acometida por longa e dolorosa doença, a qual suportou com infinitos de paciência com indizível resignação, Santa Joana de Portugal faleceu a 12 de Maio de 1490, tornando-se, em breve, padroeira de Aveiro. Inocêncio XII, permitiu às Igrejas de Portugal e aos irmãos pregadores que lhe celebrassem a festa nos dias 12 de Maio de cada ano.
- O Ódio – Um mês com Maria | 12° dia
O ÓDIO S. Inácio de Loyola recebeu um bilhete com tal mensagem: “Eu vos odeio tanto que gostaria de vos queimar!” Prontamente respondeu: “Eu também gostaria de vos queimar, só que do Amor Divino”. Eis o ódio e o amor. Se opõe diretamente. O ódio é contrário ao amor. Odiar é querer mal. Quem odeia uma pessoa quer-lhe mal. Pode-se odiar a Deus e ao próximo. Existem dois tipos de ódio: Inimizade e Repelimento: Inimizade é quando se odeia um inimigo ou quem nos faz mal ou pode fazer mal. Repelimento é quando se odeia o mal (a desonestidade, crueldade) que se vê em uma pessoa. Este ódio é um ato bom. O ódio assassino O ódio da inimizade, na sua raiz, é homicida. Realmente é verdade. Muitos cristãos têm horror só em ouvir o 5º mandamento: não matar! O confessor que lhes perguntasse se mataram alguém, ouviria responder-se um não brusco e repetido. Mas quase todos os cristãos pensam que se possa matar um homem apenas enfiando um punhal nas costas ou atirando-lhe uma bala no coração. Não pensam que o 1º é aquele que se comete no coração com ódio, pois ele tende à destruição do outro, podendo chegar à violência externa. Jesus disse expressamente em Mateus 15,19: “É do coração que vem os homicídios”. O ódio por uma pessoa é um homicídio, assim como um desejo imundo de um cônjuge já consiste em um adultério consumado no coração (cf. Mt 5,28). O que dizer dos homicídios legalizados com lei do aborto? As crianças menores e indefesas são atingidas de traição no seio materno, sem Batismo, privados do Paraíso, destinados ao Limbo eterno. Que corrente de desgraças opera a mão homicida. Nem o menor ódio contra a vida e contra Deus (cf. Mc 12,27) há no coração de quem recorre aos anticoncepcionais que cometem os homicidios antecipados. Quem pode medir todo ódio assassino espalhado e operante no mundo com os abortos e anticoncepcionais? Se Raquel chorava sobre o seu povo pelos filhos que não mais o eram (cf. Gn 31,15) qual não será a dor de Maria de frente ao ódio homicida que reina em toda a Terra? Amar somente Se o amor é a perfeição do homem, o ódio é a perversão! Portanto os cristãos não podem odiar nenhum homem, porque “quem diz amar a Deus e odiar seu irmão é mentiroso!” (I Jo 4,20) E quando “estás apresentando a Deus a tua oferta ao Altar e lá te lembrares que um irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá tua oferta e vai reconciliar-te com teu irmão pra depois apresentá-la ao Senhor” (Mt 5,23-24). Os cristãos não podem nem odiar seus inimigos. Devem amá-los, sofrendo: “Amais os vossos inimigos e fazei o bem àqueles que vos maldizem; rezai pelos vossos caluniadores e àquele que te bater a face, oferece a outra!”. (Lc 6,27-29). Inútil dizer que este amor aos inimigos é a coisa maior, como dizia S. Agostinho, um heroísmo sem par. Certamente ele não corresponde às nossas tendências naturais. Os antigos diziam: olho por olho, dente por dente (cf. Ex 21,24). Era a lei do talião, férrea e inexorável. Mas Jesus interveio e limpou tudo. “Vós sabeis o que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás teu inimigo. Mas Eu vou digo: Amas teu próximo e teu inimigo!” (Mt 5, 43-48). O perdão Cristão Infelizmente nós somos fáceis em recitar com os lábios o Pai-Nosso: “perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos os nossos devedores” (Mt ,12). Mas com o coração não perdoamos muitas vezes. Não falamos mais, não queremos mais relações com aquela pessoa… Coisas frequentes entre nós, cristãos. S. José Cafasso queria convencer um encarcerado a depor todo ódio contra os inimigos. Convenceu-o a rezar o Pai-Nosso pelo ofensor. Quando chegou no momento de pedir e dar perdão (que a oração fala), o Santo interrompia e lhe perguntava se as tinha dito verdadeiramente. Se a resposta era afirmativa, alegrava-se com o encarcerado pela generosidade de perdoar. Sendo negativa, o Santo afirmava que precisava muita coragem para pedir a Deus de ser duro com ele como ele agia com os outros. Assim nos serve! Inútil apelar, pois seremos perdoados à medida que perdoarmos (cf. Lc 6,37-38). Depende somente de nós para obtermos de Deus perdão total. Pretextos e desculpas Parece incrível o fato de acharmos desculpas para não perdoar, embora sabendo que Deus está sempre pronto a nos estender seu perdão e que Maria nos ama constantemente, apesar de nossa maldade inesgotável. Um bom pregador, S. Jerônimo, recolheu as desculpas vãs que mais facilmente se acham em não perdoar. Ei-las: Eu não consigo vencer a repugnância que provo ao perdoar tal pessoa. Mentira! Deus não nos pede impossíveis! Mas me fez tanto mal… Não podemos perdoar só aos que nos fazem bem? Arruinou-me, tentou destruir a minha fortuna… Que seja. Mas credes que alimentando no coração tanto ódio, ganhareis alguma coisa? Para vos consolar dos males recebidos, juntais outro gravíssimo, já que Jesus claramente disse que quem não perdoa não será perdoado. Mas o que dirá a gente? Dirá que sois cristão! Mas e a minha honra? A honra maior para um cristão é de comportar-se como filho de Deus, infinitamente misericordioso. Mas aquela pessoa não merece meu perdão. Pode ser. Mas o vosso perdão o mereceu Jesus Cristo! Sim, mas ele aproveitará do meu perdão pra ficar pior. Que seja! Vós ficarás melhor! Bem por mal Não só precisamos perdoar, mas precisamos pagar o mal com o bem. “Não te deixes vencer pelo mal, mas vences o mal com o bem” (Rm 12,21) Assim faz Deus, que continua a doar a vida a quem O ofende. Assim faz Maria que continua a amar quem A faz chorar. Os santos nos deixaram exemplos admiráveis de vitória do amor sobre o ódio. Quando o assassino de Maria Goretti se apresentou à mãe da Santa para lhe pedir perdão, ouviu-a responder: “Como não lhe perdoaria se minha Marieta já o fez?” A heróica Virgem e mártir, antes de morrer, perdoou de coração seu assassino, e aparecendo-lhe depois da morte, disse-lhe que o queria consigo no Paraíso. Esta é a “vingança” dos santos. S. Joana Francisca de Chantal perdeu o esposo durante uma caçada. Sofreu terrivelmente, mas perdoou de tal modo que quis ser madrinha do filho do assassino. Que lição para nós que somos capazes de não olharmos mais no rosto de quem nos ofendeu com uma bobagem apenas. S. Maximiliano Maria Kolbe, o louco da Imaculada, no campo do ódio de Auschwitz, exortava os irmãos de martírio a vencer o ódio com o amor, porque, dizia,”Só o amor é criativo”. Ele recebia este amor da Imaculada, a “Mãe do belo Amor” (cf. Eclo 24,24). Votos Lê e medita a parábola sobre o servo ruim (Mt 18,21-35); Oferece o dia por todos aqueles que provocam abortos ou usam anticoncepcionais; Recita um Rosário por teu inimigo. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- O Ódio – Um mês com Maria | 12° dia
O ÓDIO S. Inácio de Loyola recebeu um bilhete com tal mensagem: “Eu vos odeio tanto que gostaria de vos queimar!” Prontamente respondeu: “Eu também gostaria de vos queimar, só que do Amor Divino”. Eis o ódio e o amor. Se opõe diretamente. O ódio é contrário ao amor. Odiar é querer mal. Quem odeia uma pessoa quer-lhe mal. Pode-se odiar a Deus e ao próximo. Existem dois tipos de ódio: Inimizade e Repelimento: Inimizade é quando se odeia um inimigo ou quem nos faz mal ou pode fazer mal. Repelimento é quando se odeia o mal (a desonestidade, crueldade) que se vê em uma pessoa. Este ódio é um ato bom. O ódio assassino O ódio da inimizade, na sua raiz, é homicida. Realmente é verdade. Muitos cristãos têm horror só em ouvir o 5º mandamento: não matar! O confessor que lhes perguntasse se mataram alguém, ouviria responder-se um não brusco e repetido. Mas quase todos os cristãos pensam que se possa matar um homem apenas enfiando um punhal nas costas ou atirando-lhe uma bala no coração. Não pensam que o 1º é aquele que se comete no coração com ódio, pois ele tende à destruição do outro, podendo chegar à violência externa. Jesus disse expressamente em Mateus 15,19: “É do coração que vem os homicídios”. O ódio por uma pessoa é um homicídio, assim como um desejo imundo de um cônjuge já consiste em um adultério consumado no coração (cf. Mt 5,28). O que dizer dos homicídios legalizados com lei do aborto? As crianças menores e indefesas são atingidas de traição no seio materno, sem Batismo, privados do Paraíso, destinados ao Limbo eterno. Que corrente de desgraças opera a mão homicida. Nem o menor ódio contra a vida e contra Deus (cf. Mc 12,27) há no coração de quem recorre aos anticoncepcionais que cometem os homicidios antecipados. Quem pode medir todo ódio assassino espalhado e operante no mundo com os abortos e anticoncepcionais? Se Raquel chorava sobre o seu povo pelos filhos que não mais o eram (cf. Gn 31,15) qual não será a dor de Maria de frente ao ódio homicida que reina em toda a Terra? Amar somente Se o amor é a perfeição do homem, o ódio é a perversão! Portanto os cristãos não podem odiar nenhum homem, porque “quem diz amar a Deus e odiar seu irmão é mentiroso!” (I Jo 4,20) E quando “estás apresentando a Deus a tua oferta ao Altar e lá te lembrares que um irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá tua oferta e vai reconciliar-te com teu irmão pra depois apresentá-la ao Senhor” (Mt 5,23-24). Os cristãos não podem nem odiar seus inimigos. Devem amá-los, sofrendo: “Amais os vossos inimigos e fazei o bem àqueles que vos maldizem; rezai pelos vossos caluniadores e àquele que te bater a face, oferece a outra!”. (Lc 6,27-29). Inútil dizer que este amor aos inimigos é a coisa maior, como dizia S. Agostinho, um heroísmo sem par. Certamente ele não corresponde às nossas tendências naturais. Os antigos diziam: olho por olho, dente por dente (cf. Ex 21,24). Era a lei do talião, férrea e inexorável. Mas Jesus interveio e limpou tudo. “Vós sabeis o que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás teu inimigo. Mas Eu vou digo: Amas teu próximo e teu inimigo!” (Mt 5, 43-48). O perdão Cristão Infelizmente nós somos fáceis em recitar com os lábios o Pai-Nosso: “perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos os nossos devedores” (Mt ,12). Mas com o coração não perdoamos muitas vezes. Não falamos mais, não queremos mais relações com aquela pessoa… Coisas frequentes entre nós, cristãos. S. José Cafasso queria convencer um encarcerado a depor todo ódio contra os inimigos. Convenceu-o a rezar o Pai-Nosso pelo ofensor. Quando chegou no momento de pedir e dar perdão (que a oração fala), o Santo interrompia e lhe perguntava se as tinha dito verdadeiramente. Se a resposta era afirmativa, alegrava-se com o encarcerado pela generosidade de perdoar. Sendo negativa, o Santo afirmava que precisava muita coragem para pedir a Deus de ser duro com ele como ele agia com os outros. Assim nos serve! Inútil apelar, pois seremos perdoados à medida que perdoarmos (cf. Lc 6,37-38). Depende somente de nós para obtermos de Deus perdão total. Pretextos e desculpas Parece incrível o fato de acharmos desculpas para não perdoar, embora sabendo que Deus está sempre pronto a nos estender seu perdão e que Maria nos ama constantemente, apesar de nossa maldade inesgotável. Um bom pregador, S. Jerônimo, recolheu as desculpas vãs que mais facilmente se acham em não perdoar. Ei-las: Eu não consigo vencer a repugnância que provo ao perdoar tal pessoa. Mentira! Deus não nos pede impossíveis! Mas me fez tanto mal… Não podemos perdoar só aos que nos fazem bem? Arruinou-me, tentou destruir a minha fortuna… Que seja. Mas credes que alimentando no coração tanto ódio, ganhareis alguma coisa? Para vos consolar dos males recebidos, juntais outro gravíssimo, já que Jesus claramente disse que quem não perdoa não será perdoado. Mas o que dirá a gente? Dirá que sois cristão! Mas e a minha honra? A honra maior para um cristão é de comportar-se como filho de Deus, infinitamente misericordioso. Mas aquela pessoa não merece meu perdão. Pode ser. Mas o vosso perdão o mereceu Jesus Cristo! Sim, mas ele aproveitará do meu perdão pra ficar pior. Que seja! Vós ficarás melhor! Bem por mal Não só precisamos perdoar, mas precisamos pagar o mal com o bem. “Não te deixes vencer pelo mal, mas vences o mal com o bem” (Rm 12,21) Assim faz Deus, que continua a doar a vida a quem O ofende. Assim faz Maria que continua a amar quem A faz chorar. Os santos nos deixaram exemplos admiráveis de vitória do amor sobre o ódio. Quando o assassino de Maria Goretti se apresentou à mãe da Santa para lhe pedir perdão, ouviu-a responder: “Como não lhe perdoaria se minha Marieta já o fez?” A heróica Virgem e mártir, antes de morrer, perdoou de coração seu assassino, e aparecendo-lhe depois da morte, disse-lhe que o queria consigo no Paraíso. Esta é a “vingança” dos santos. S. Joana Francisca de Chantal perdeu o esposo durante uma caçada. Sofreu terrivelmente, mas perdoou de tal modo que quis ser madrinha do filho do assassino. Que lição para nós que somos capazes de não olharmos mais no rosto de quem nos ofendeu com uma bobagem apenas. S. Maximiliano Maria Kolbe, o louco da Imaculada, no campo do ódio de Auschwitz, exortava os irmãos de martírio a vencer o ódio com o amor, porque, dizia,”Só o amor é criativo”. Ele recebia este amor da Imaculada, a “Mãe do belo Amor” (cf. Eclo 24,24). Votos Lê e medita a parábola sobre o servo ruim (Mt 18,21-35); Oferece o dia por todos aqueles que provocam abortos ou usam anticoncepcionais; Recita um Rosário por teu inimigo. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- Papa diz que missa tradicional vinha sendo usada “contra o moderno”
O papa Francisco disse estar preocupado com “uma reação contra o moderno”, ou o que chama de “indietrismo”, palavra que inventou a partir do italiano, que pode ser traduzido como “paratrasismo” em português. Por ACI Digital – É por isso que restringiu, com o motu próprio Traditionis custodes, de 2021, a celebração da missa tradicional anterior à reforma do Concílio Vaticano II, disse ele aos jesuítas com que se reuniu em 29 de abril durante sua viagem à Hungria. Francisco sempre mantém um encontro privado com jesuítas em todos os países que visita. Depois, a revista jesuíta La Civiltà Cattolica publica uma edição da conversa. O texto da reunião foi publicado na terça (9) pela revista. Os comentários de Francisco sobre a celebração da missa em latim foram motivados por uma questão sobre a reconciliação entre a Igreja e o mundo moderno, conforme discutido no Concílio Vaticano II. “Eu não saberia responder isso teoricamente, mas certamente sei que o concílio ainda está sendo aplicado. Dizem que demora um século para um concílio ser assimilado”, disse o papa. “E eu sei que a resistência aos seus decretos é terrível. Há um apoio incrível para o restauracionismo, o que eu chamo de ‘paratrasismo’. Como diz a Carta aos Hebreus (10,39): ‘Mas nós não pertencemos aos que retrocedem’ ”. “O fluxo da história e da graça vai das raízes para cima como a seiva de uma árvore que dá frutos. Mas sem esse fluxo você continua uma múmia. Andar para trás não preserva a vida, nunca”, disse. “É preciso mudar, como escreveu São Vicente de Lérins em seu Comonitório ao observar que também o dogma da religião cristã progride, consolidando-se ao longo dos anos, desenvolvendo-se com o tempo, aprofundando-se com a idade”, disse Francisco. Para o papa, as permissões concedidas por são João Paulo II e Bento XVI estavam “sendo usadas de modo ideológico”. O “paratrasismo” é “uma doença nostálgica”, disse o papa. Para combatê-la, ele ordenou que padres ordenados após 16 de julho de 2021, data de publicação da Traditionis custodes, precisem da autorização de seus bispos e da Santa Sé para celebrar a missa segundo os livros litúrgicos publicados antes de 1962. “Após todas as consultas necessárias, tomei essa decisão porque vi que as boas medidas pastorais adotadas por João Paulo II e Bento XVI estavam sendo usadas de forma ideológica, para voltar para trás. Era necessário deter esse ‘paratrasismo’, que não estava na visão pastoral de meus antecessores”, disse o papa a um grupo de 32 jesuítas na Hungria. Bento XVI, com a carta apostólica Summorum Pontificum em 2007, dava direito a todos os sacerdotes de rezar a missa usando o missal romano de 1962. Fonte ACI Digital Leia também Os fiéis que frequentam a Missa Tradicional são inimigos da Igreja? #MissaTridentina
- Papa diz que missa tradicional vinha sendo usada “contra o moderno”
O papa Francisco disse estar preocupado com “uma reação contra o moderno”, ou o que chama de “indietrismo”, palavra que inventou a partir do italiano, que pode ser traduzido como “paratrasismo” em português. Por ACI Digital – É por isso que restringiu, com o motu próprio Traditionis custodes, de 2021, a celebração da missa tradicional anterior à reforma do Concílio Vaticano II, disse ele aos jesuítas com que se reuniu em 29 de abril durante sua viagem à Hungria. Francisco sempre mantém um encontro privado com jesuítas em todos os países que visita. Depois, a revista jesuíta La Civiltà Cattolica publica uma edição da conversa. O texto da reunião foi publicado na terça (9) pela revista. Os comentários de Francisco sobre a celebração da missa em latim foram motivados por uma questão sobre a reconciliação entre a Igreja e o mundo moderno, conforme discutido no Concílio Vaticano II. “Eu não saberia responder isso teoricamente, mas certamente sei que o concílio ainda está sendo aplicado. Dizem que demora um século para um concílio ser assimilado”, disse o papa. “E eu sei que a resistência aos seus decretos é terrível. Há um apoio incrível para o restauracionismo, o que eu chamo de ‘paratrasismo’. Como diz a Carta aos Hebreus (10,39): ‘Mas nós não pertencemos aos que retrocedem’ ”. “O fluxo da história e da graça vai das raízes para cima como a seiva de uma árvore que dá frutos. Mas sem esse fluxo você continua uma múmia. Andar para trás não preserva a vida, nunca”, disse. “É preciso mudar, como escreveu São Vicente de Lérins em seu Comonitório ao observar que também o dogma da religião cristã progride, consolidando-se ao longo dos anos, desenvolvendo-se com o tempo, aprofundando-se com a idade”, disse Francisco. Para o papa, as permissões concedidas por são João Paulo II e Bento XVI estavam “sendo usadas de modo ideológico”. O “paratrasismo” é “uma doença nostálgica”, disse o papa. Para combatê-la, ele ordenou que padres ordenados após 16 de julho de 2021, data de publicação da Traditionis custodes, precisem da autorização de seus bispos e da Santa Sé para celebrar a missa segundo os livros litúrgicos publicados antes de 1962. “Após todas as consultas necessárias, tomei essa decisão porque vi que as boas medidas pastorais adotadas por João Paulo II e Bento XVI estavam sendo usadas de forma ideológica, para voltar para trás. Era necessário deter esse ‘paratrasismo’, que não estava na visão pastoral de meus antecessores”, disse o papa a um grupo de 32 jesuítas na Hungria. Bento XVI, com a carta apostólica Summorum Pontificum em 2007, dava direito a todos os sacerdotes de rezar a missa usando o missal romano de 1962. Fonte ACI Digital Leia também Os fiéis que frequentam a Missa Tradicional são inimigos da Igreja? #MissaTridentina
















































