Buscar neste site
12408 resultados encontrados com uma busca vazia
- O Grande Inimigo – Um mês com Maria | 11° dia
O GRANDE INIMIGO O Demônio é o grande inimigo do homem.”É o inimigo número um”, dizia Papa Paulo VI. Satanás parece nos inícios do gênero humano, apresenta-se desde o início um homicida, mentiroso e pai da mentira “Consegue fazer cair os nossos antepassados Adão e Eva e se torna o príncipe deste mundo (2 Cor 4,4), acusador dos nossos irmãos (Ap 12,10). Com o pecado original, todo o mundo jaz sob o malígno (I Jo 5,19) e os demônios são dominadores deste mundo tenebroso (Ef 6,12). Como aparecem tenebrosos os primeiros acontecimentos à Humanidade Nova por causa deste infernal assassino que possui o império das trevas (Lc 22,53). Pe. Pio escreveu em uma carta ao seu Diretor espiritual contando que ele viu a figura monstruosa de Satanás em seus sonhos. Era um ser horrível e gigante, alto como uma negra montanha. S. Pedro nô-lo apresenta como a imagem de um leão que ruge sempre pronto a devorar-nos (I Pd 5, 8-9). Como o tortura a inveja, porque nós podemos nos salvar. Ele nos quer todos no Inferno. A aurora que surge Uma cena estupenda nos aparece no início da humanidade dominada por Satanás e oprimida pelo pecado. Uma mulher sublime, com o seu Filho, “amassa a cabeça da serpente” (Gn 3,15). A Imaculada, vencedora de Satanás, brilhante nas trevas do pecado, com o seu Divino Filho, é a desafeta de Santanás. Em Gênesis, Deus apresenta a Imaculada semelhante a aurora que se eleva maravilhosa sobre a noite da humanidade pecadora. Em Cântico dos cânticos, o autor inspirado exclama: “Quem é aquela que avança como aurora, bela como a lua, eleita como o sol, tremenda como exército formado?” (6,9). É a Imaculada, Guerreira invencível, Senhora das vitórias, Terror dos demônios. Santa Bernadette nos narra em Lourdes que viu ao lado da gruta uma turma de demônios que berravam gritos infernais. Assustada, a santa olhou a Imaculada; bastou um olhar severo de Maria para eles e fugiram. Assim o demônio, em frente à Imaculada, demonstra o que significa seu nome (Belzebu): deus das moscas. Tentadores em luvas amarelas A tática do diabo é alegrar os sentidos e a imaginação do homem para perder o seu espírito. Se apresenta como um conselheiro e um servidor em luvas amarelas, com ofertas de bens e prazeres sedutores a ganhar. Fez isso com Eva (Gn 3, 1-7) com Jesus (Mt 4, 1-11) e com os santos de todos os tempos: S. Bento, S. Francisco de Assis, S. Teresa D’Ávila, S. Cura d’Ars, S. João Dom Bosco, S. Pe Pio… Hábil e na defensiva, o demônio sabe servir-se de tudo para nos arruinar: a imodéstia de Davi (2 Sm 11, 2-26), a gula de Esaú ( Gn 25, 29-34) o apego às riquezas de Ananias e Safira (At 5, 1-10). Ele tenta até propor coisas aparentemente úteis para as almas. Sabe-se que Cura d’Ars pregava de maneira simples, fecunda de graças para as almas. Cheio de premuras, o diabo foi a ele exortando-o a pregar de modo difícil, assegurando-lhe a fama de grande pregador. O santo adviu o engano, recusou-se e continuou com seus sermões simples e eficazes. Pagou com muitos despeitos furiosos que o demônio lhe fez dia e noite. Quatro estúpidos Satanás tem uma obra-prima: convencer os homens que ele não existe. Conquistando isso, trata os homens como bonecos. Pe. Pio escutou um sermão onde o orador nada fazia mais que perguntar-se sobre a existência do diabo. No final o orador concluiu que ele existe. Passado o sermão, Pe. Pio advertiou-o dizendo-lhe que ao se falar do demônio, deve ser preciso em afirmar sua existência e sua ação nefasta no mundo. Ao final, acrescenta-se a existência dos “Quatro estúpidos” que ousam negar a existência do diabo. Hoje são mais que quatro, e há até na Igreja, infelizmente. Tanto é verdade que Paulo VI teve que intervir expressamente em um discurso (15/11/1972) para confirmar a verdade da fé sobre a existência de Santanás como pessoa e constatou amargamente como a “fumaça do diabo” está fumegando na Igreja. A uma de suas filhas espirituais, Pe Pio disse:”Se se pudesse ver a olhos nus quantos demônios invadiram a Terra, não mais veríamos o Sol”.Contra estes apóstatas, qual não deve ser nossa defesa? Vigiai e rezai Jesus nos preveniu contra as insídias do diabo. Ele nos ensinou no Pai-Nosso :”Não nos deixeis cair em tentação” (Mc 14,38). A guarda e a oração são as duas maiores forças do homem contra o demônio. Façamos nossa a recomendação de Pe. Pio: “Filho, o inimigo não dorme! Esteja alerta com a guarda e a oração. Com a 1ª avistaremos; com a 2ª teremos arma para nos defender”. A guarda nos faz avistar as ocasiões perigosas (uma leitura, um espetáculo, uma pessoa, um lugar, uma vontade…). A oração nos dá força de evitar os perigos, de fugir às ocasiões como recomendava S. Felipe Néri. S. Agostinho ensina que o demônio é só um cão amarrado, e só pode morder quem dele se aproxima. Ao largo, então! Se o demônio se faz insolente, escutemos a palavra de S. João Bosco que dizia aos seus jovens: “Quebrai os cornos do demônio com a Confissão e a Comunhão”. Amassa-lhe a cabeça S. Maximiliano escreveu que “a serpente levanta a cabeça em todo o mundo, mas a Imaculada lhe pisa em vitórias grandiosas”. Para abater o demônio de modo mais humilhante, precisamos recorrer à Imaculada. O demônio tem pavor d’Ela que sozinha é terrível como um exército formado (Ct 6,9). Quando S. Verônica Giuliani era atacada fisicamente pelo demônio, ao conseguir invocar Nsa. Sra., o demônio fugia precipitadamente, gritando: “Não invoque minha inimiga!” A oração Mariana mais forte contra o demônio é o Rosário. Uma vez lhe perguntaram durante um exorcismo, qual oração ele mais temia. Respondeu: “O Rosário é o meu flagelo”. Se os cristãos levassem consigo e usassem amiúde este flagelo dos demônios, quantas ruínas, desventuras e pecados a menos sobre a Terra… Votos Levar consigo o Rosário e recitá-lo na tentação; Oferecer hoje uma mortificação contra a gula; Ler e meditar a página do Evangelho sobre as tentações de Jesus no deserto. (Mt 4,1-11) Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- O Grande Inimigo – Um mês com Maria | 11° dia
O GRANDE INIMIGO O Demônio é o grande inimigo do homem.”É o inimigo número um”, dizia Papa Paulo VI. Satanás parece nos inícios do gênero humano, apresenta-se desde o início um homicida, mentiroso e pai da mentira “Consegue fazer cair os nossos antepassados Adão e Eva e se torna o príncipe deste mundo (2 Cor 4,4), acusador dos nossos irmãos (Ap 12,10). Com o pecado original, todo o mundo jaz sob o malígno (I Jo 5,19) e os demônios são dominadores deste mundo tenebroso (Ef 6,12). Como aparecem tenebrosos os primeiros acontecimentos à Humanidade Nova por causa deste infernal assassino que possui o império das trevas (Lc 22,53). Pe. Pio escreveu em uma carta ao seu Diretor espiritual contando que ele viu a figura monstruosa de Satanás em seus sonhos. Era um ser horrível e gigante, alto como uma negra montanha. S. Pedro nô-lo apresenta como a imagem de um leão que ruge sempre pronto a devorar-nos (I Pd 5, 8-9). Como o tortura a inveja, porque nós podemos nos salvar. Ele nos quer todos no Inferno. A aurora que surge Uma cena estupenda nos aparece no início da humanidade dominada por Satanás e oprimida pelo pecado. Uma mulher sublime, com o seu Filho, “amassa a cabeça da serpente” (Gn 3,15). A Imaculada, vencedora de Satanás, brilhante nas trevas do pecado, com o seu Divino Filho, é a desafeta de Santanás. Em Gênesis, Deus apresenta a Imaculada semelhante a aurora que se eleva maravilhosa sobre a noite da humanidade pecadora. Em Cântico dos cânticos, o autor inspirado exclama: “Quem é aquela que avança como aurora, bela como a lua, eleita como o sol, tremenda como exército formado?” (6,9). É a Imaculada, Guerreira invencível, Senhora das vitórias, Terror dos demônios. Santa Bernadette nos narra em Lourdes que viu ao lado da gruta uma turma de demônios que berravam gritos infernais. Assustada, a santa olhou a Imaculada; bastou um olhar severo de Maria para eles e fugiram. Assim o demônio, em frente à Imaculada, demonstra o que significa seu nome (Belzebu): deus das moscas. Tentadores em luvas amarelas A tática do diabo é alegrar os sentidos e a imaginação do homem para perder o seu espírito. Se apresenta como um conselheiro e um servidor em luvas amarelas, com ofertas de bens e prazeres sedutores a ganhar. Fez isso com Eva (Gn 3, 1-7) com Jesus (Mt 4, 1-11) e com os santos de todos os tempos: S. Bento, S. Francisco de Assis, S. Teresa D’Ávila, S. Cura d’Ars, S. João Dom Bosco, S. Pe Pio… Hábil e na defensiva, o demônio sabe servir-se de tudo para nos arruinar: a imodéstia de Davi (2 Sm 11, 2-26), a gula de Esaú ( Gn 25, 29-34) o apego às riquezas de Ananias e Safira (At 5, 1-10). Ele tenta até propor coisas aparentemente úteis para as almas. Sabe-se que Cura d’Ars pregava de maneira simples, fecunda de graças para as almas. Cheio de premuras, o diabo foi a ele exortando-o a pregar de modo difícil, assegurando-lhe a fama de grande pregador. O santo adviu o engano, recusou-se e continuou com seus sermões simples e eficazes. Pagou com muitos despeitos furiosos que o demônio lhe fez dia e noite. Quatro estúpidos Satanás tem uma obra-prima: convencer os homens que ele não existe. Conquistando isso, trata os homens como bonecos. Pe. Pio escutou um sermão onde o orador nada fazia mais que perguntar-se sobre a existência do diabo. No final o orador concluiu que ele existe. Passado o sermão, Pe. Pio advertiou-o dizendo-lhe que ao se falar do demônio, deve ser preciso em afirmar sua existência e sua ação nefasta no mundo. Ao final, acrescenta-se a existência dos “Quatro estúpidos” que ousam negar a existência do diabo. Hoje são mais que quatro, e há até na Igreja, infelizmente. Tanto é verdade que Paulo VI teve que intervir expressamente em um discurso (15/11/1972) para confirmar a verdade da fé sobre a existência de Santanás como pessoa e constatou amargamente como a “fumaça do diabo” está fumegando na Igreja. A uma de suas filhas espirituais, Pe Pio disse:”Se se pudesse ver a olhos nus quantos demônios invadiram a Terra, não mais veríamos o Sol”.Contra estes apóstatas, qual não deve ser nossa defesa? Vigiai e rezai Jesus nos preveniu contra as insídias do diabo. Ele nos ensinou no Pai-Nosso :”Não nos deixeis cair em tentação” (Mc 14,38). A guarda e a oração são as duas maiores forças do homem contra o demônio. Façamos nossa a recomendação de Pe. Pio: “Filho, o inimigo não dorme! Esteja alerta com a guarda e a oração. Com a 1ª avistaremos; com a 2ª teremos arma para nos defender”. A guarda nos faz avistar as ocasiões perigosas (uma leitura, um espetáculo, uma pessoa, um lugar, uma vontade…). A oração nos dá força de evitar os perigos, de fugir às ocasiões como recomendava S. Felipe Néri. S. Agostinho ensina que o demônio é só um cão amarrado, e só pode morder quem dele se aproxima. Ao largo, então! Se o demônio se faz insolente, escutemos a palavra de S. João Bosco que dizia aos seus jovens: “Quebrai os cornos do demônio com a Confissão e a Comunhão”. Amassa-lhe a cabeça S. Maximiliano escreveu que “a serpente levanta a cabeça em todo o mundo, mas a Imaculada lhe pisa em vitórias grandiosas”. Para abater o demônio de modo mais humilhante, precisamos recorrer à Imaculada. O demônio tem pavor d’Ela que sozinha é terrível como um exército formado (Ct 6,9). Quando S. Verônica Giuliani era atacada fisicamente pelo demônio, ao conseguir invocar Nsa. Sra., o demônio fugia precipitadamente, gritando: “Não invoque minha inimiga!” A oração Mariana mais forte contra o demônio é o Rosário. Uma vez lhe perguntaram durante um exorcismo, qual oração ele mais temia. Respondeu: “O Rosário é o meu flagelo”. Se os cristãos levassem consigo e usassem amiúde este flagelo dos demônios, quantas ruínas, desventuras e pecados a menos sobre a Terra… Votos Levar consigo o Rosário e recitá-lo na tentação; Oferecer hoje uma mortificação contra a gula; Ler e meditar a página do Evangelho sobre as tentações de Jesus no deserto. (Mt 4,1-11) Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- Santo do Dia – 11 de Maio – Santo Inácio de Laconi
ANTO DO DIA – 11 DE MAIO – SANTO INÁCIO DE LACONI Religioso Franciscano (1701-1781) Francisco Inácio Vincenzo Peis, o segundo de nove irmãos, nasceu na cidade de Laconi, Itália, no dia 17 de novembro de 1701. Seus pais eram muito pobres, mas ricos de virtudes humanas e cristãs, educando os filhos no fiel seguimento de Jesus Cristo. Inácio, desde a infância, sentiu um forte chamado para a vida religiosa. Possuía dons especiais da profecia, da cura e um forte carisma. Costumava praticar severas penitências, mantendo seu espírito sereno e alegre, em estreita comunhão com Cristo. Antes de completar os vinte anos de idade, ele adoeceu gravemente e por duas vezes quase morreu. Nessa ocasião, decidiu que seguiria os passos de são Francisco de Assis e se dedicaria aos pobres e doentes, se ficasse curado. E assim o fez. Foi para a cidade de Cagliari para viver entre os frades capuchinhos do Convento do Bom Caminho. Mas não pôde ser aceito, devido à sua frágil saúde. Depois de totalmente recuperado, em 1721, vestiu o hábito dos franciscanos. Frei Inácio de Láconi, como era chamado, foi enviado para vários conventos e, após quinze anos, retornou ao Convento do Bom Caminho em Cagliari, onde permaneceu em definitivo. Ali, ficou encarregado da portaria, função que desempenhou até a morte. Tinha o verdadeiro espírito franciscano: exemplo vivo da pobreza, entretanto de absoluta disponibilidade aos pobres, aos desamparados, aos doentes físicos e aos doentes espirituais, ou seja, aos pecadores, muitos dos quais conseguiu recolocar no caminho cristão. Durante seus últimos cinco anos de vida, Inácio ficou completamente cego. Mesmo assim continuou cumprindo com rigor a vida comum com todos os regulamentos do convento. Morreu no dia 11 de maio de 1781. Depois da morte, a fama de sua santidade se fortaleceu com a relação dos milagres alcançados pela sua intercessão. Frei Inácio de Laconi foi beatificado pelo papa Pio XII em 1940 e depois canonizado por este mesmo santo padre em 1951. O dia designado para sua celebração litúrgica foi o de sua morte: 11 de maio.
- Santo do Dia – 11 de Maio – Santo Inácio de Laconi
ANTO DO DIA – 11 DE MAIO – SANTO INÁCIO DE LACONI Religioso Franciscano (1701-1781) Francisco Inácio Vincenzo Peis, o segundo de nove irmãos, nasceu na cidade de Laconi, Itália, no dia 17 de novembro de 1701. Seus pais eram muito pobres, mas ricos de virtudes humanas e cristãs, educando os filhos no fiel seguimento de Jesus Cristo. Inácio, desde a infância, sentiu um forte chamado para a vida religiosa. Possuía dons especiais da profecia, da cura e um forte carisma. Costumava praticar severas penitências, mantendo seu espírito sereno e alegre, em estreita comunhão com Cristo. Antes de completar os vinte anos de idade, ele adoeceu gravemente e por duas vezes quase morreu. Nessa ocasião, decidiu que seguiria os passos de são Francisco de Assis e se dedicaria aos pobres e doentes, se ficasse curado. E assim o fez. Foi para a cidade de Cagliari para viver entre os frades capuchinhos do Convento do Bom Caminho. Mas não pôde ser aceito, devido à sua frágil saúde. Depois de totalmente recuperado, em 1721, vestiu o hábito dos franciscanos. Frei Inácio de Láconi, como era chamado, foi enviado para vários conventos e, após quinze anos, retornou ao Convento do Bom Caminho em Cagliari, onde permaneceu em definitivo. Ali, ficou encarregado da portaria, função que desempenhou até a morte. Tinha o verdadeiro espírito franciscano: exemplo vivo da pobreza, entretanto de absoluta disponibilidade aos pobres, aos desamparados, aos doentes físicos e aos doentes espirituais, ou seja, aos pecadores, muitos dos quais conseguiu recolocar no caminho cristão. Durante seus últimos cinco anos de vida, Inácio ficou completamente cego. Mesmo assim continuou cumprindo com rigor a vida comum com todos os regulamentos do convento. Morreu no dia 11 de maio de 1781. Depois da morte, a fama de sua santidade se fortaleceu com a relação dos milagres alcançados pela sua intercessão. Frei Inácio de Laconi foi beatificado pelo papa Pio XII em 1940 e depois canonizado por este mesmo santo padre em 1951. O dia designado para sua celebração litúrgica foi o de sua morte: 11 de maio.
- O Pecado – Um mês com Maria | 10° dia
O PECADO O que é o pecado? É uma ofensa a Deus. Se desobedece aos santos desejos de Deus, e se obedece às vontades da Carne, do demônio, do mundo. O pecado nos faz calcar os Mandamentos de Deus e nos faz amar as vontades dos nossos instintos e das nossas paixões. O pecado traz desordem, desequilíbrio, ruína, no homem e nas coisas, embora o pecador se iluda em achar que o pecado é um bem. Basta pensar no primeiro pecado, aquele de Adão e Eva. Atrás da sedução de se tornar “como Deus” o pecado trouxe a ruína a toda a humanidade e a toda a criação (Gn 3). Por que o dilúvio na terra? Por causa do pecado (Gn 6 e 7). Por que Sodoma e Gomorra foram incineradas? Pelo pecado (Gn 1, 1-29). Por que Tiro, Sidon, Corozain, Carfanaum e Jerusalém foram destruídas? Pelo pecado. Por que as guerras e as devastações entre os povos? Por que tantas famílias “são” um inferno? Por que tem tantos homens que vão para o inferno? Pelo pecado. Tinham razão alguns Santos em tremer só de ouvir pronunciar a palavra pecado. O pecado mortal O pecado é mortal, se a ofensa a Deus é grave; é venial, se a ofensa a Deus é leve. A maior desgraça que pode acontecer aos homens é aquela de cometer um pecado mortal. São Pio de Pietrelcina usava exclamar “desgraçado”, a quem se acusava de uma culpa mortal. Nenhuma desgraça é comparável ao pecado mortal. Antes, seria preferível qualquer outra desgraça. Escreveu São Cipriano: “observa os danos que causa a saraiva às sementeiras, a pestilência aos armentos e aos homens, o vento aos navios… Eles não são mais que uma lânguida figura dos danos que o pecado traz à nossa alma: ele destrói todos os frutos das boas obras, corrompe todas as nossas faculdades e guia o homem à morte certa”. Por isso, fazia muito bem o pequeno e corajoso São Domingos Sávio, a sustentar a sua linda máxima: “A morte, mas não o pecado”. A morte, de fato, é só uma coisa física que reduz o corpo do homem em cadáver. O pecado, ao contrário, é um fato espiritual que reduz a alma do homem a um cadáver, enquanto este não recuperar a graça do Sacramento da Confissão. Um cristão com a alma de cadáver: eis a monstruosidade do pecado mortal. É assustador… Para melhor compreender a monstruosidade do pecado mortal, é necessário olhar o calvário. O pecado do mundo fez de Jesus “o homem das dores” (Is 53,3), custou a morte de Jesus (1 Pd 1,19; Ap 5,9), “transpassou a alma” de Nossa Senhora (Lc 2,35). E quem comete novamente pecado mortal “crucifica de novo o filho de Deus no próprio coração” (Hb 6,6). Por isso, o pecado mortal faz perder a alma, a vida sobrenatural, ou seja, a graça divina, lhe faz perder os méritos e as virtudes infusas, deixando-lhe só a fé e a esperança; enfim, lhe rouba a semelhança com Jesus lhe imprime a imagem do demônio. É horrível! Tinha razão Santa Tereza de Ávila em dizer lhe que a visão de uma alma em pecado mortal a assustou ao ponto de suplicar a Deus e de intorrompê-la. Mas quantos são os cristãos em pecado mortal, que se dão conta de possuir uma alma cadáver e de se parecer com o demônio? E como podem crer de amar a Deus, de amar Maria, se com o pecado se demonstram “odiadores de Deus” (Rm 1,30) e “transpassam a alma” de Nossa Senhora? (Lc 2,35). Leia também Pecado Mortal, o maior obstáculo para nossa salvação O pecado venial Não se pode deixar-se enganar. O pecado venial ofende a Deus e arruína o homem, embora não provoque os efeitos desastrosos do pecado mortal. São Tomás de Aquino nos avisa: “preferível, acima de tudo, antes morrer que cometer um só pecado venial ”. Os santos advertem a brutalidade do pecado venial segundo a medida do amor ardente de Deus. Por isso, dizia São João Crisóstomo, estamos prontos a temer mais uma ofensa leve a Deus, que o próprio inferno. De fato, Santa Catarina de Sena dizia de si: “queria estar antes no inferno sem pecado, que achar-me no céu manchada de coisa levíssima que magoe o Senhor”… Como faremos nós se nos manchamos todos os dias de culpas veniais com tanta superficialidade? Sabemos tomar cuidado para evitar qualquer mal estar físico (até um resfriado) e, no entanto não nos curamos das doenças espirituais (impaciências, mentiras, negligências) que ofende a Deus e deformam a alma. Um dia, Santa Francisca de Chantal quis colocar com as suas mãos o cadáver de um leproso no caixão. Alguém tentou impedí-la, com medo do contágio da lepra. Mas a santa disse com decisão: “não temo outra lepra que o pecado!” Aprendamos. A pequena Jacinta A menor dos três pastorzinhos de Fátima, Jacinta, foi a mais ardente vítima pelos pecadores. Ficou sendo para ela uma paixão: salvar os pecadores do inferno, oferecendo sacrifício de toda espécie. E andava atenta a sacrificar-se com empenho sempre novo. Encontrava pelas ruas os pobres e lhes dava a sua merenda, ficando de jejum até a noite; tinha uma sede ardente no mês de Agosto, e renunciava em beber a todos os custos; o irmão Francisco recolhia bolotas mais doces de uma árvore e lhe pedia as mais amargas para oferecer um sacrifício; tinha dor de cabeça e o barulho das rãs a incomodava, mais ela impedia ao irmão de afugentá-las, para oferecer mais um sacrifício. Devemos aprender desta menina a escutar os pedidos de Nossa Senhora sobre a necessidade de salvar os pecadores do inferno, colaborando na conversão deles, com a oração e a penitência. Leia também Curso de aprofundamento sobre os 10 mandamentos (gratuito) Votos Beijar o chão pela conversão dos pecadores; Repetir com frequência a máxima de São Domingos: “antes morrer que pecar”; Todas as noites dizer um ato de dor pelo perdão dos pecados. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #pecadomortal #UmmêscomMaria
- O Pecado – Um mês com Maria | 10° dia
O PECADO O que é o pecado? É uma ofensa a Deus. Se desobedece aos santos desejos de Deus, e se obedece às vontades da Carne, do demônio, do mundo. O pecado nos faz calcar os Mandamentos de Deus e nos faz amar as vontades dos nossos instintos e das nossas paixões. O pecado traz desordem, desequilíbrio, ruína, no homem e nas coisas, embora o pecador se iluda em achar que o pecado é um bem. Basta pensar no primeiro pecado, aquele de Adão e Eva. Atrás da sedução de se tornar “como Deus” o pecado trouxe a ruína a toda a humanidade e a toda a criação (Gn 3). Por que o dilúvio na terra? Por causa do pecado (Gn 6 e 7). Por que Sodoma e Gomorra foram incineradas? Pelo pecado (Gn 1, 1-29). Por que Tiro, Sidon, Corozain, Carfanaum e Jerusalém foram destruídas? Pelo pecado. Por que as guerras e as devastações entre os povos? Por que tantas famílias “são” um inferno? Por que tem tantos homens que vão para o inferno? Pelo pecado. Tinham razão alguns Santos em tremer só de ouvir pronunciar a palavra pecado. O pecado mortal O pecado é mortal, se a ofensa a Deus é grave; é venial, se a ofensa a Deus é leve. A maior desgraça que pode acontecer aos homens é aquela de cometer um pecado mortal. São Pio de Pietrelcina usava exclamar “desgraçado”, a quem se acusava de uma culpa mortal. Nenhuma desgraça é comparável ao pecado mortal. Antes, seria preferível qualquer outra desgraça. Escreveu São Cipriano: “observa os danos que causa a saraiva às sementeiras, a pestilência aos armentos e aos homens, o vento aos navios… Eles não são mais que uma lânguida figura dos danos que o pecado traz à nossa alma: ele destrói todos os frutos das boas obras, corrompe todas as nossas faculdades e guia o homem à morte certa”. Por isso, fazia muito bem o pequeno e corajoso São Domingos Sávio, a sustentar a sua linda máxima: “A morte, mas não o pecado”. A morte, de fato, é só uma coisa física que reduz o corpo do homem em cadáver. O pecado, ao contrário, é um fato espiritual que reduz a alma do homem a um cadáver, enquanto este não recuperar a graça do Sacramento da Confissão. Um cristão com a alma de cadáver: eis a monstruosidade do pecado mortal. É assustador… Para melhor compreender a monstruosidade do pecado mortal, é necessário olhar o calvário. O pecado do mundo fez de Jesus “o homem das dores” (Is 53,3), custou a morte de Jesus (1 Pd 1,19; Ap 5,9), “transpassou a alma” de Nossa Senhora (Lc 2,35). E quem comete novamente pecado mortal “crucifica de novo o filho de Deus no próprio coração” (Hb 6,6). Por isso, o pecado mortal faz perder a alma, a vida sobrenatural, ou seja, a graça divina, lhe faz perder os méritos e as virtudes infusas, deixando-lhe só a fé e a esperança; enfim, lhe rouba a semelhança com Jesus lhe imprime a imagem do demônio. É horrível! Tinha razão Santa Tereza de Ávila em dizer lhe que a visão de uma alma em pecado mortal a assustou ao ponto de suplicar a Deus e de intorrompê-la. Mas quantos são os cristãos em pecado mortal, que se dão conta de possuir uma alma cadáver e de se parecer com o demônio? E como podem crer de amar a Deus, de amar Maria, se com o pecado se demonstram “odiadores de Deus” (Rm 1,30) e “transpassam a alma” de Nossa Senhora? (Lc 2,35). Leia também Pecado Mortal, o maior obstáculo para nossa salvação O pecado venial Não se pode deixar-se enganar. O pecado venial ofende a Deus e arruína o homem, embora não provoque os efeitos desastrosos do pecado mortal. São Tomás de Aquino nos avisa: “preferível, acima de tudo, antes morrer que cometer um só pecado venial ”. Os santos advertem a brutalidade do pecado venial segundo a medida do amor ardente de Deus. Por isso, dizia São João Crisóstomo, estamos prontos a temer mais uma ofensa leve a Deus, que o próprio inferno. De fato, Santa Catarina de Sena dizia de si: “queria estar antes no inferno sem pecado, que achar-me no céu manchada de coisa levíssima que magoe o Senhor”… Como faremos nós se nos manchamos todos os dias de culpas veniais com tanta superficialidade? Sabemos tomar cuidado para evitar qualquer mal estar físico (até um resfriado) e, no entanto não nos curamos das doenças espirituais (impaciências, mentiras, negligências) que ofende a Deus e deformam a alma. Um dia, Santa Francisca de Chantal quis colocar com as suas mãos o cadáver de um leproso no caixão. Alguém tentou impedí-la, com medo do contágio da lepra. Mas a santa disse com decisão: “não temo outra lepra que o pecado!” Aprendamos. A pequena Jacinta A menor dos três pastorzinhos de Fátima, Jacinta, foi a mais ardente vítima pelos pecadores. Ficou sendo para ela uma paixão: salvar os pecadores do inferno, oferecendo sacrifício de toda espécie. E andava atenta a sacrificar-se com empenho sempre novo. Encontrava pelas ruas os pobres e lhes dava a sua merenda, ficando de jejum até a noite; tinha uma sede ardente no mês de Agosto, e renunciava em beber a todos os custos; o irmão Francisco recolhia bolotas mais doces de uma árvore e lhe pedia as mais amargas para oferecer um sacrifício; tinha dor de cabeça e o barulho das rãs a incomodava, mais ela impedia ao irmão de afugentá-las, para oferecer mais um sacrifício. Devemos aprender desta menina a escutar os pedidos de Nossa Senhora sobre a necessidade de salvar os pecadores do inferno, colaborando na conversão deles, com a oração e a penitência. Leia também Curso de aprofundamento sobre os 10 mandamentos (gratuito) Votos Beijar o chão pela conversão dos pecadores; Repetir com frequência a máxima de São Domingos: “antes morrer que pecar”; Todas as noites dizer um ato de dor pelo perdão dos pecados. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #pecadomortal #UmmêscomMaria
- São Damião de Molokai, o apóstolo dos leprosos – 10 de Maio
SANTO DO DIA – 10 DE MAIO – SÃO DAMIÃO DE MOLOKAI Religioso do Sagrado Coração (1840-1889) Josef de Veuster-Wouters nasceu no dia 3 de janeiro de 1840, numa pequena cidade ao norte de Bruxelas, na Bélgica. Aos dezenove anos de idade, entra para a Ordem dos Padres do Sagrado Coração e toma o nome de Damião. Em seguida, é enviado para terminar seus estudos num colégio teológico em Paris. A vida de Damião começou a mudar quando completou vinte e um anos de idade. Um bispo do Havaí, arquipélago do Pacífico, estava em Paris, onde ministrava algumas palestras e pretendia conseguir missionários para o local. Ele expunha os problemas daquela região e, especialmente, dos doentes de lepra, que eram exilados e abandonados numa ilha chamada Molokai, por determinação do governo. Damião logo se interessou e se colocou à disposição para ir como missionário à ilha. Alguns fatos antecederam a sua ida. Uma epidemia de febre tifóide atingiu o colégio e seu irmão caiu doente. Damião ainda não era sacerdote, mas estava disposto a insistir que o aceitassem na missão rumo a Molokai. Escreveu uma carta ao superior da Ordem do Sagrado Coração, que, inspirado por Deus, permitiu a sua partida. Assim, em 1863 Damião embarcava para o Havaí, após ser ordenado sacerdote. Chegando ao arquipélago, Damião logo se colocou a par da situação. A região recebera imigrantes chineses e com eles a lepra. Em 1865, temendo a disseminação da doença, o governo local decidiu isolar os doentes na ilha de Molokai. Nessa ilha existia uma península cujo acesso era impossível, exceto pelo mar. Assim, aquela península, chamada Kalauapa, tornou-se a prisão dos leprosos. Para lá se dirigiu Damião, junto de três missionários que iriam revezar os cuidados com os leprosos. Os leprosos não tinham como trabalhar, roubavam-se entre si e matavam-se por um punhado de arroz. Damião sabia que ficaria ali para sempre, pois grande era o seu coração. Naquele local abandonado, o padre começou a trabalhar. O primeiro passo foi recuperar o cemitério e enterrar os mortos. Com frequência ia à capital, comprar faixas, remédios, lençóis e roupas para todos. Nesse meio tempo, escrevia para o jornal local, contando os terrores da ilha de Molokai. Essas notícias se espalharam e abalaram o mundo, todo tipo de ajuda humanitária começou a surgir. Um médico que contraíra a lepra ao cuidar dos doentes ouviu falar de Damião e viajou para a ilha a fim de ajudar. No tempo que passou na ilha, Damião construiu uma igrejinha de alvenaria, onde passou a celebrar as missas. Também construiu um pequeno hospital, onde, ele e o médico, cuidavam dos doentes mais graves. Dois aquedutos completavam a estrutura sanitária tão necessária à vida daquele povoado. Porém, a obra de Damião abrangeu algo mais do que a melhoria física do local, ele trouxe nova esperança e alívio para os doentes. Já era chamado apóstolo dos leprosos. Numa noite de 1885, Damião colocou o pé esquerdo numa bacia com água muito quente. Percebeu que tinha contraído a lepra, pois não sentiu dor alguma. Havia passado cerca de dez anos desde que ele chegou à ilha e, milagrosamente, não havia contraído a doença até então. Com o passar do tempo, a doença o tomou por inteiro. O doutor já havia morrido, assim como muitos dos amigos, quando, em 15 de abril de 1889, padre Damião de Veuster morreu. Em 1936, seu corpo foi transladado para a Bélgica, onde recebeu os solenes funerais de Estado. Em 1995, padre Damião de Molokai foi beatificado pelo papa João Paulo II e sua festa, designada para o dia 10 de maio. O Papa Bento XVI o canonizou em 11 de outubro de 2009. Conheça mais sobre São Damião de Molokai Com a presença do Rei Alberto II da Bélgica e de sua esposa, a rainha Paola Ruffo de Calábria, o Santo Padre Bento XVI canonizou o Pe. Damião de Molokai, Apóstolo dos Leprosos. Nascido em Flandres, na Bélgica, o Pe. Damião abraçou a vida religiosa, tendo se radicado no Havaí onde, cumprindo a missão que lhe foi designada por seus superiores, exerceu frutífero ministério em uma colônia de leprosos, tornando-se também um deles. Outros quatro bem-aventurados também foram canonizados na mesma ocasião, tendo o Papa feito um convite aos que se dirigiram a Roma para a cerimônia: “ Queridos irmãos e irmãs, vamos dar graças ao Senhor pelo dom da santidade que hoje resplandece na Igreja com singular beleza. Enquanto com afeto saúdo cada um de vós, cardeais, bispos, autoridades civis e militares, sacerdotes, religiosos e religiosas, fiéis leigos de várias nacionalidades que participam desta solene Celebração Eucarística, gostaria de dirigir a todos o convite a deixar-se atrair pelos exemplos luminosos desses santos, a deixar-se guiar pelos ensinamentos deles, para que toda a nossa existência se torne um canto de louvor ao amor de Deus “. “ Adeus, mamãe; até o céu “: tais foram as palavras de despedida do jovem religioso Damião de Veuster, ao aproveitar um transporte que inesperadamente surgiu no caminho que trilhava a pé após fazer uma peregrinação ao santuário mariano de Montaigu acompanhado de sua mãe e de uma cunhada. Era o início de sua viagem sem retorno para o longínquo Reino do Havaí. Na verdade, quem deveria ir para o Havaí em missão religiosa era seu irmão mais velho Panfílio, que o precedeu ingressando na Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria e da Adoração ao Santíssimo Sacramento do Altar . A viagem de Panfílio fora cancelada por motivo de doença e assim Damião, que almejava ser missionário, aproveitou-se disso e pediu ao superior que o permitisse partir como substituto. Nascimento, infância e adolescência Seu nome de nascença era Jozef (carinhosamente reduzido para Jef , na intimidade), tendo vindo ao mundo em 3 de janeiro de 1840, em Tremelo, na região flamenga da Bélgica. Batizado no mesmo dia em que nasceu, era o penúltimo de uma série de oito filhos do casal Jan Frans e Catherine, que trabalhavam na área rural. A feliz família – da qual alguns membros demonstraram vocação religiosa – guardava respeitosamente os domingos e dias santos, nos quais nem mesmo a costura era permitida: missa pela manhã, vésperas à tarde, e também descanso e recolhimento. Às refeições a oração era conduzida pela zelosa mãe, em latim. A vocação religiosa pouco a pouco desabrochava no pequeno Jef. Certa vez ele e seus irmãos Paulina e Augusto resolveram passar um dia inteiro em oração e penitência na solidão de um bosque, como anacoretas (nem mesmo lançaram mão do lanche que haviam levado). Mas foi na adolescência que o chamado tornou-se cada vez mais forte, apesar da vontade contrária de seus pais, a quem chegou a dizer: “ deixem-me entrar no convento, ou Deus os castigará “. Recebe o hábito da Congregação dos Sagrados Corações Aos dezoito anos a vocação religiosa já estava profundamente enraizada na sua alma. Em janeiro de 1859, acompanhando o pai em uma visita a seu irmão Augusto (que já ingressara na Congregação dos Sagrados Corações), em Louvain, foi deixado por algumas horas no convento enquanto o Sr. Franz tratava de outros assuntos na cidade, mas quando este passou pela casa religiosa para buscá-lo, Jozef pediu para ficar, pois isso evitaria a dor das despedidas no lar: a permissão foi então dada pelo pai, que já pressentia que isso iria acontecer. Em menos de dois meses recebeu o hábito religioso, passando a chamar-se Damião, iniciando assim o noviciado (que na ocasião se estendia por 18 meses). Logo demonstrou grande habilidade no aprendizado do latim (a se ressaltar: ele já houvera sido recusado em um seminário ao qual se dirigiu por sua própria iniciativa, sob alegação de ser rude e de desconhecer outros idiomas além do flamengo, sua língua natal). Vivendo em ambiente religioso, surgiu em Damião a vocação para missionário, e passou ele a rezar diariamente nessa intenção junto à figura de São Francisco Xavier, apóstolo da Índia, pintada em uma janela. Posteriormente, quando ordenado presbítero, passou a usar as palavras “sacerdote missionário” após sua assinatura, hábito que manteve por toda a vida, assim definindo-se. Protagonista de um simbólico funeral Findo o noviciado, era o momento dos solenes votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência. A cerimônia deu-se em 7 de outubro de 1860, na Casa principal da Congregação na Rua de Picpus, em Paris (endereço do qual os religiosos herdaram uma de suas designações populares: “ padres de Picpus “). Após ouvir as palavras dirigidas pelo superior, Damião renunciou a qualquer propriedade pessoal, à constituição de família carnal, e aos seus destinos, com as seguintes palavras: “ eu, Damião, seguindo as constituições, estatutos e regras aprovados e confirmados pela Santa Sé Apostólica, faço para sempre, entre vossas mãos, meu reverendíssimo Pai, voto de pobreza, de castidade e de obediência como irmão da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, ao serviço dos quais quero viver e morrer. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém “. Teve então estendido sobre si um tecido mortuário sustentado por quatro religiosos professos, enquanto outros quatro portavam velas acesas caracterizando aquele momento como um enterro: era cantado o hino fúnebre Miserere , feita a aspersão do “defunto” com água benta, enquanto em voz baixa era recitado o Pai Nosso e algumas outras preces, ao fim das quais aquela “morte” era selada com a oração: “ Deus eterno e todo poderoso, que ordenais que, mortos para o mundo, vivamos em Cristo, conduzi vossos servidores pelo caminho da salvação eterna; que suas vidas sejam escondidas em Cristo para que, recebendo-O de Vós, desejem o que Vos agrade e o cumpram com todas as suas forças “, o que se seguia do alegre cântico do Te Deum , solene hino de ação de graças. Mudança de rumo: sacerdote missionário no longínquo oriente Ao contrário do irmão mais velho Panfílio, Damião não tinha inicialmente esperança de se tornar sacerdote: seus estudos secundários se reduziam a poucos meses, e só lhe sobravam duas opções: irmão converso e irmão de coro . Os irmãos conversos podiam partir em missões, sendo geralmente destinados a construções de capelas ou residências para os missionários, e os irmãos de coro atuavam como encarregados da capela e da sacristia do convento, e por vezes ajudavam em algumas atividades nas escolas da congregação. Mas os superiores perceberam ser Damião intelectualmente dotado, e assim o permitiram preparar-se para o sacerdócio, tendo cursado um ano de filosofia em Paris, quando também estudou latim e grego além de aprimorar o idioma francês; depois foi enviado de volta a Louvain, na Bélgica, para estudar teologia, o que fez por dois anos. A dor pela doença que acometeu seu irmão Panfílio, destinado inicialmente a ser missionário no Havaí, logo se transformou para Damião em alegria, pois teve resposta afirmativa ao pedido de permissão para substituí-lo na feliz viagem que não conheceria retorno: após cinco meses singrando os mares, desembarcou o jovem religioso em Honolulu, capital do que então era um reino. O grupo era formado por um sacerdote, três clérigos, dois irmãos conversos, e dez irmãs. As irmãs ocupavam um compartimento ao lado do que foi destinado aos religiosos do sexo masculino, mas nenhuma comunicação era feita entre eles a não ser por intermédio do superior que os acompanhava, o Pe. Chrétien, detalhe que Damião fez questão de inserir em carta remetida aos pais durante a viagem. Dormindo em beliches, os religiosos viajavam em um verdadeiro convento flutuante: havia momentos destinados às orações, aos estudos e às distrações, sob as ordens de um zeloso padre superior, e, quando o vento e o mar se acalmavam, era celebrada a Santa Missa a bordo. Em nenhum momento as perturbações orgânicas próprias às viagens marítimas foram motivo de queixas nas missivas que Damião remetia aos familiares, mas – ao contrário – suas palavras eram como essas: “ em parte se deve a vossas fervorosas orações, queridíssimos pais, que tenhamos feito uma feliz travessia, pois vos asseguro que a Divina Providência nos protegeu visivelmente durante toda a nossa viagem; várias vezes, sobretudo nos lugares perigosos, sentimos o socorro de nosso divino Salvador, que prometeu permanecer sempre com seus apóstolos e seus missionários até o fim dos tempos “. E a viagem marítima encerrou-se no dia da festividade de São José (19 de março de 1864), no porto de Honolulu: recebidos pelo superior da missão, Pe. Modesto Favens, os viajantes foram levados à catedral para a celebração de uma Missa, seguida de um Te Deum . No Havaí, após breve passagem pelo subdiaconato e diaconato, Damião foi ordenado presbítero em 21 de maio do mesmo ano, na Catedral de Nossa Senhora da Paz. “ Como eu tremia ao subir pela primeira vez ao altar – escreveu ao superior geral da Congregação – como estava emocionado meu coração ao dizer pela primeira vez ao Verbo que descesse às minhas mãos; que afetos então sobrenaturais e diferentes para mim ali se formavam ao distribuir, em minha primeira missa, o Pão da Vida a 150 ou 200 pessoas, das quais muitas provavelmente se haviam inclinado freqüentemente ante seus antigos ídolos e que agora, totalmente vestidas de branco, se aproximavam com tanta modéstia e respeito à Santa Mesa “. Ministério sacerdotal no Havaí Iniciou-se então a vida de sacerdote missionário para Damião, sob as ordens de seu superior religioso e do vigário apostólico (Pe. Modesto Favens e Mons. Louis-Desiré Maigret, respectivamente, ambos pertencentes à mesma família religiosa: Sagrados Corações). Poucos dias após ser ordenado o Pe. Damião foi enviado à Ilha Grande do arquipélago, onde passou a exercer o ministério. As distâncias que tinha de percorrer eram muito grandes, o que o levou a enfrentar dificuldades para a confissão freqüente (chegou a apelar a um artigo da regra que proibia formalmente que um missionário estivesse só, em carta ao superior geral). Incansavelmente, ano após ano, construía capelas, além de distribuir os sacramentos, ensinar nas escolas, cuidar de doentes, pregar ao povo, e assim anunciar o Evangelho. Em 4 de maio de 1873, em meio a outros irmãos, o vigário apostólico (Mons. Maigret, bispo) pediu voluntários para se revezarem dando assistência aos leprosos na ilha de Molokai: alguns se apresentaram, sendo o Pe. Damião escolhido para ser o primeiro de uma alternância que não ocorreu, pois o encargo tornou-se definitivo. Alguns meses depois dirá, em carta a um irmão: “ tendo já passado sob o pano mortuário no dia de meus votos, acreditei ser meu dever oferecer-me a Sua Grandeza [o bispo], que não teve a crueldade, como ele dizia, de ordenar tal sacrifício “. O próprio bispo (vigário apostólico), Mons. Maigret, acompanhou o novo pastor a Molokai, para apresentá-lo às ovelhas que que a ele eram confiadas. Leprosário insular A lepra (hanseníase) surgira no Reino do Havaí em 1840, como conseqüência da imigração, sendo naquela época incurável, e considerada muito contagiosa. O isolamento era a única solução encontrada pelas autoridades para a terrível enfermidade que continuava a desafiar a medicina. Os leprosos – várias centenas – eram confinados na ilha de Molokai, a quinta em extensão territorial do arquipélago, mais precisamente em uma península envolvida pelo oceano e isolada do restante do território por uma barreira montanhosa íngreme. Os enfermos que ali moravam podiam ser acompanhados por parentes, mas isso era uma exceção, pois em sua maior parte eram abandonados e rejeitados. Havia medidas governamentais para apoio aos que ali estavam confinados, como a construção de um pequeno hospital, alimentos e algumas roupas, e a visita eventual de um médico, mas tudo era rudimentar e muito aquém das necessidades. Os óbitos eram freqüentes – um a duoi por dia – e o próprio Pe. Damião deu o exemplo, sepultando os cadáveres que por vezes não tinham o privilégio de gozar dessa atitude de respeito aos mortos. Os habitantes dividam-se em dois povoados: Kalawao e Kalaupapa. As moradias eram em geral muito precárias, por vezes feitas com pedras ou vegetais (até mesmo de cana-de-açúcar), com cobertura de folhas. A promiscuidade entre os pobres leprosos imperava, sem distinção de idade ou sexo. Não se podia falar propriamente em higiene, pois a água era obtida de fontes longínquas, conduzida em toscos recipientes transportados nas mãos. Os maus odores exalados das feridas e dos dejetos eram especialmente nauseantem, sendo mesmo insuportáveis para um recém-chegado: o Pe. Damião chegou a deslocar-se rapidamente para fora de certos ambientes e assim evitar ocorrências mais desagradáveis que não poderia controlar, como se pode perceber nesse registro: “ mais de uma vez, cumprindo junto a eles meus deveres sacerdotais, me vi forçado não somente a tampar as narinas mas inclusive correr para fora a fim de respirar ar puro “. Escreveria ele, posteriormente, que o cachimbo que passou a usar atenuava em seu organismo os efeitos de tais emanações, pois o odor do tabaco, ao impregnar suas roupas, atuava como uma fragância dissimulando as impregnações infectas. Ao superior geral da congregação, o Pe. Damião escreveu em agosto de 1873: “ eis-me aqui, reverendíssimo padre, em meio a meus queridos leprosos. São muito hediondos de ver, porém têm uma alma resgatada pelo preço do sangue adorável de nosso divino Salvador. Ele também, em Seu divino amor, consolou os leprosos. Se eu não os posso curar como Ele, ao menos os posso consolar, e pelo santo ministério que Sua bondade me confiou espero que muitos entre eles, purificados da lepra da alma, apresentem-se ao Seu tribunal em estado de entrar na sociedade dos bem-aventurados “. Diz também que “ acabo de fazer um pedido a Sua Grandeza [o bispo] para ampliar a capela. O odor infecto que emana de seus corpos e de suas feridas exigiria uma igreja grande para tornar o culto menos penoso. Algumas vezes me era difícil resistir durante a santa missa e no sermão. É como o ‘já cheira mal’ de São Lázaro. Enfim: Nosso Senhor suportou isso, e eu também o posso. Oxalá pudesse conseguir, por esse sacrifício, a ressurreição espiritual dos que, entre eles, ainda não saíram da tumba do pecado para viver a vida de graça que o bom Deus a eles oferece todos os dias “. Mãos à obra Várias capelas foram construídas por iniciativa do Pe. Damião, tendo ele constituído um coro e uma banda de música, que passaram a atuar convenientemente nas missas, nas procissões e nos funerais, e até mesmo nas recepções aos visitantes mais ilustres. Procurava demonstrar benquerença para com todos, participando de suas refeições, compartilhando seu cachimbo com outros homens, e até brincando com as crianças. Além disso, todos eram bem-vindos em sua casa. Mesmo antes de contrair a doença ali imperante, o Pe. Damião se inseriu entre eles, pois ao dirigir a palavra aos que ouviam suas homilias dizia: “ nós, leprosos “, mesmo sem saber que um dia tal expressão se tornaria real. Em poucos anos o Pe. Damião fez florescer uma autêntica comunidade, bem oposta ao que encontrou quando chegou àquele “cemitério vivo”: os moradores constituíam, quando ele ali aportou, uma verdadeira selva humana. Eis suas palavras extraídas de um relatório escrito em 1886: “ à chegada dos novos leprosos, os antigos se apressavam a incutir neles a falsa máxima de que ‘neste lugar já não há lei’ . Durante muito tempo me vi obrigado a combatê-la, vendo que se aplicava o mesmo às leis humanas e às divinas. Em conseqüência dessa teoria ímpia, a maioria dos solteiros, e dos casados que estavam separados de seus cônjuges pela lepra, viviam amontoados sem distinção de sexo. Muitas mulheres eram obrigadas a prostituir-se para conseguir amigos que as ajudassem durante sua doença. As crianças, quando fortes, eram empregadas como serventes. E quando a lepra havia progredido, tais mulheres e crianças eram expulsas da casa para buscar um abrigo em qualquer lugar. Não era raro encontrá-las atrás de uma cerca esperando que a chegada da morte viesse pôr fim a seus sofrimentos, ou que uma mão compassiva ou contratada os transportasse ao hospital “. Acrescenta o Pe. Damião, no mesmo documento: “ como muitos leprosos morriam, meu dever sacerdotal me oferecia amiúde a ocasião de visitá-los em suas cabanas e, ainda que minhas exortações se dirigissem principalmente aos moribundos, balançavam freqüentemente as orelhas dos pecadores públicos, os quais pouco a pouco tomaram conhecimento das conseqüências de suas más condutas e começavam a se arrepender. A esperança do perdão de um Salvador misericordioso começava a reforma de sua má vida (…). Um meio dos mais eficazes para destruir a imoralidade tem sido a permissão para casar-se, dada aos leprosos não impedidos por um matrimonio anterior (…). Uma grande bondade para com todos, um terno amor para com os necessitados, uma doce compaixão para com os doentes e moribundos, juntamente com uma sólida pregação a meus ouvintes, esse tem sido o procedimento constante do qual me tenho servido para introduzir os bons costumes entre os leprosos “. Sofrimentos Um sofrimento que particularmente atormentou o Pe. Damião foi a dificuldade para fazer a confissão freqüente. Nos cinco primeiros anos o isolamento da colônia de leprosos era total, por ordem do governo. Por ocasião de uma visita do superior provincial – o Pe. Modesto Favens – este foi impedido de desembarcar, limitando-se a se inclinar sobre a amurada do navio para ouvir as acusações do rigoroso penitente que se aproximara em uma canoa, feitas em voz alta por estar proibido de subir a bordo a fim de evitar contágio. Os anos se passaram em meio a frutífero apostolado, mas o sacrifício foi aceito: a hanseníase tomou pouco a pouco o robusto organismo do Pe. Damião. Manchas foram surgindo na pele, tumorações foram se desenvolvendo em várias partes do corpo, a sensibilidade começou a desaparecer, mas naquela época o diagnóstico médico não era tão fácil e rápido como nos dias atuais. A certeza surgiu em janeiro de 1885 quando, após uma fatigante caminhada para o exercício do ministério, pôs o pé em uma vasilha contendo água escaldante pensando ser morna, e não sentiu incômodo algum: perdera a sensibilidade térmica, o que indicava estar leproso. Aos familiares, diz que “ trato de levar minha cruz com alegria, como Nosso Senhor Jesus Cristo “. Ao Pe. Léonor Fuesnel, então seu superior provincial, o Pe. Damião faz um pedido: “ pois bem, meu reverendo padre, já não tenho dúvidas, sou leproso; que o bom Deus seja bendito! Não tenha muita pena de mim, pois estou perfeitamente resignado com minha sorte. Não peço mais que uma graça: suplicai a nosso Muito Reverendo Padre que envie algum [sacerdote] que possa uma vez ao mês descer até nossa tumba para confessar-me e, no restante do tempo, ocupar-se das capelas do outro lado da ilha, onde não há doentes “. Em uma carta dirigida a um escritor que visitara aquela colônia de leprosos, o Pe. Damião escreveu em outubro de 1885: “ Desde o mês de março passado meu correligionário, o Pe. Alberto, deixou Molokai e o arquipélago para regressar a Tahiti. Desde então sou o único sacerdote em Molokai e tenho a fama de estar atacado eu próprio pela terrível doença. Os micróbios da lepra se instalaram finalmente na minha perna esquerda e na orelha. Minhas pálpebras começam a cair. Me é impossível viajar a Honolulu, pois a lepra se faz visível. Logo minha figura ficará deteriorada, suponho. Estando certo de que a doença é real, permaneço tranqüilo e resignado, e até sou mais feliz entre as pessoas aqui. O bom Deus sabe o que é melhor para minha santificação, e nesta convicção digo todos os dias um bom ‘fiat voluntuas tua’ [seja feita a tua vontade]. Tenha a bondade de rezar por este seu amigo provado e recomendar-me, assim como aos meus desventurados leprosos, a todos os servidores de Deus “. Tendo a notícia de sua doença se espalhado por todo o arquipélago, o Pe. Damião teve de enfrentar uma prova que lhe foi um sofrimento atroz: seus superiores se opuseram categoricamente a que viajasse à capital, Honolulu, por qualquer motivo que fosse, inclusive para a confissão sacramental. Sua chegada seria suficiente para espantar os fiéis das capelas da missão, pensavam. O aflito sacerdote missionário deixou extravasar um pouco de sua tristeza em uma carta ao Pe. Léonor Fouesnel (superior provincial que tratava o Pe. Damião com incompreensão e hostilidade): “ a negativa absoluta expressa em um tom de autoridade policial, mais que em tom de superior religioso, e feita em nome do bispo e do ministro como se a missão estivesse posta em quarentena, me causou – asseguro-o sinceramente – mais dor do que tudo o que tive de sofrer desde a infância. Respondi com um ato de submissão absoluta em virtude de meu voto de obediência. Continuo estando em paz (…). Sempre resignado à santa vontade do bom Deus em nossos sofrimentos cada vez mais lancinantes, sejamos, Monsenhor, mortui in Christo… vitae nostrae sint absconditae in Deo – mortos em Cristo e que nossas vidas estejam escondidas em Deus “. A Eucaristia, seu alimento O Pe. Damião era um entusiasta da sagrada Eucaristia. Afinal, a Adoração Eucarística fazia parte do espírito da congregação em que ingressara, e nas viagens pelas regiões entregues a seus cuidados ele lamentava não ter, por vezes, o Santíssimo Sacramento para junto a Ele apresentar suas preces, suas confidências, seus anseios. Em carta ao Pe. Alberto Montiton, seu grande amigo que se transferira de Molokai para Thaiti, se lê: “ Vossa carta de 14 de março veio cicatrizar um pouco a profunda ferida no coração que vossa partida me havia causado. As lágrimas que eu então vertia eram perfeita expressão de minha dor pela perda e meu pressentimento da penosa e excepcional situação na qual ia passar o resto de meus dias. De fato, meu querido padre, desde que perdi em vós um bom companheiro neste triste leprosário, não tenho tido mais que a visita momentânea de um irmão cada dois ou três meses. Ademais, a terrível doença, cujo começo conheceis, faz progressos espantosos e ameaça impedir-me, talvez logo, de celebrar a Santa Missa e, não tendo outro sacerdote, eu me veria privado da santa comunhão e do santo sacramento. Tal privação é a que mais me custará e que tornará insuportável minha situação. Não é a doença e os sofrimentos o que me desencoraja; longe disso. Até aqui me sinto feliz e contente e, se me fosse dada a oportunidade de sair daqui em boa saúde, diria sem titubear: fico com meus leprosos ” (maio de 1886). Distinguido pelas autoridades Apesar dos vários meses em que permanecera em uma verdadeira prisão – pois esteve preso pela sagrada obediência, cárcere sem grades ou cadeias porém mais encarcerante do que os que as têm – pôde o Pe. Damião experimentar algum consolo: foi-lhe permitida a viagem a Honolulu sem cometer desobediência ou incorrer em censuras. Pelo contrário: recebeu a visita do próprio Rei do Havaí, Kalakaua I, de seu primeiro ministro Walter M. Gibson, e do bispo Mons. Bernard Hermann Koeckemann. Em setembro de 1881 a princesa havaiana Lydia Liliuokalani havia visitado os leprosos em Molokai, e ficou tão comovida com a miserável situação em que se encontravam imersos associada à extrema dedicação do sacerdote missionário que não conseguiu pronunciar o discurso que havia preparado, cujo texto tinha às mãos. Retornando a Honolulu solicitou que o esforçado padre fosse investido como Comandante Cavaleiro da Real Ordem de de Kalakaua, honraria que a ele foi então concedida pelo soberano reinante em reconhecimento aos seus “ esforços no alívio dos sofrimentos e na mitigação das dores dos infelizes “, sendo humildemente aceita e considerada como uma atenção dada a seus leprosos. A insígnia era uma medalha com a Cruz da Real Ordem de Kalakaua. Anos depois, em meio aos sofrimentos finais de sua enfermidade, o Pe. Damião salientou: “ o Senhor me condecorou com sua cruz particular: a lepra “. Trabalhando até ser abatido pela doença Apesar da progressão da doença, o Pe. Damião a ela não se entregou: ao contrário, continuou a ministrar os sacramentos, a visitar os enfermos, a consolar os que estavam tristes, a pregar o Evangelho. Em 19 de março de 1889 completou 25 anos de ordenação presbiteral, porém no dia 28 do mesmo mês prostrou-se em seu leito para não mais o deixar, pois seu estado de saúde se agravou. Fez uma confissão geral ao Pe. Wendelin Moellers, que o assistio, o qual em seguida confessou-se ao santo homem que ali jazia, e em seguida ambos renovaram os votos religiosos. Esse sacerdote foi encarregado pelo Pe. Damião de dizer ao superior geral que seu “ mais doce consolo nesses momentos era morrer membro da Congregação dos Sagrados Corações “. Em 15 de abril de 1889, após quase 16 anos entre os leprosos de Molokai e tendo-se tornado um deles, o Pe. Damião partiu para a eternidade. Contava apenas 49 anos, mas a aparência lhe atribuia idade muito superior. Foi sepultado no cemitério da comunidade em que vivia, mas em 1936 seus restos mortais retornaram à Bélgica, sendo postos em um jazigo na igreja dos Sagrados Corações, em Louvain. Por ocasião da beatificação (feita por João Paulo II em 1995) os ossos de sua mão direita – que tanto batizou, ungiu, consagrou, abençoou – retornaram ao Havaí. Honrado, distinguido e venerado não só pelos católicos A veneração e o respeito ao Pe. Damião de Molokai não se restringem à Igreja Católica: diversas confissões não católicas viram nele altíssimas qualidades, e ainda em vida ele foi distinguido com a admiração e o apoio (inclusive financeiro) advindos de agremiações não alinhadas com as convicções pelas quais o sacerdote missionário viveu e morreu. Uma detalhada carta aberta foi dirigida pelo escritor Robert Louis Stevenson a um ministro da religião por ele seguida, em firme e fundamentada defesa da memória do recém falecido Pe. Damião, vítima de críticas destrutivas que visavam a Santa Igreja através de seu dedicado servo. O sacerdote missionário em 11 de outubro de 2009 passou a ser chamado São Damião de Molokai, canonizado pelo Papa Bento XVI em presença do rei e da rainha da Bélgica em meio à imensa alegria dos irmãos e irmãs da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria e da Adoração Perpétua ao Santíssimo Sacramento do Altar espalhados pelo mundo.Disse Mahatma Ghandi: “ Se a assistência aos leprosos é tão cara ao coração dos missionários católicos, isso se deve ao fato de que nenhuma obra exige, como ela, um espírito de sacrifício. Ela exige o mais elevado ideal, a mais perfeita abnegação. O mundo político e jornalístico não tem heróis os quais possa glorificar e que sejam comparáveis ao Pe. Damião de Molokai. A Igreja tem entre os seus milhares de pessoas que, como ele, sacrificaram sua vida em serviço dos leprosos. Valeria a pena pesquisar em qual fonte um tal heroísmo se alimenta “. #SantodoDia
- São Damião de Molokai, o apóstolo dos leprosos – 10 de Maio
SANTO DO DIA – 10 DE MAIO – SÃO DAMIÃO DE MOLOKAI Religioso do Sagrado Coração (1840-1889) Josef de Veuster-Wouters nasceu no dia 3 de janeiro de 1840, numa pequena cidade ao norte de Bruxelas, na Bélgica. Aos dezenove anos de idade, entra para a Ordem dos Padres do Sagrado Coração e toma o nome de Damião. Em seguida, é enviado para terminar seus estudos num colégio teológico em Paris. A vida de Damião começou a mudar quando completou vinte e um anos de idade. Um bispo do Havaí, arquipélago do Pacífico, estava em Paris, onde ministrava algumas palestras e pretendia conseguir missionários para o local. Ele expunha os problemas daquela região e, especialmente, dos doentes de lepra, que eram exilados e abandonados numa ilha chamada Molokai, por determinação do governo. Damião logo se interessou e se colocou à disposição para ir como missionário à ilha. Alguns fatos antecederam a sua ida. Uma epidemia de febre tifóide atingiu o colégio e seu irmão caiu doente. Damião ainda não era sacerdote, mas estava disposto a insistir que o aceitassem na missão rumo a Molokai. Escreveu uma carta ao superior da Ordem do Sagrado Coração, que, inspirado por Deus, permitiu a sua partida. Assim, em 1863 Damião embarcava para o Havaí, após ser ordenado sacerdote. Chegando ao arquipélago, Damião logo se colocou a par da situação. A região recebera imigrantes chineses e com eles a lepra. Em 1865, temendo a disseminação da doença, o governo local decidiu isolar os doentes na ilha de Molokai. Nessa ilha existia uma península cujo acesso era impossível, exceto pelo mar. Assim, aquela península, chamada Kalauapa, tornou-se a prisão dos leprosos. Para lá se dirigiu Damião, junto de três missionários que iriam revezar os cuidados com os leprosos. Os leprosos não tinham como trabalhar, roubavam-se entre si e matavam-se por um punhado de arroz. Damião sabia que ficaria ali para sempre, pois grande era o seu coração. Naquele local abandonado, o padre começou a trabalhar. O primeiro passo foi recuperar o cemitério e enterrar os mortos. Com frequência ia à capital, comprar faixas, remédios, lençóis e roupas para todos. Nesse meio tempo, escrevia para o jornal local, contando os terrores da ilha de Molokai. Essas notícias se espalharam e abalaram o mundo, todo tipo de ajuda humanitária começou a surgir. Um médico que contraíra a lepra ao cuidar dos doentes ouviu falar de Damião e viajou para a ilha a fim de ajudar. No tempo que passou na ilha, Damião construiu uma igrejinha de alvenaria, onde passou a celebrar as missas. Também construiu um pequeno hospital, onde, ele e o médico, cuidavam dos doentes mais graves. Dois aquedutos completavam a estrutura sanitária tão necessária à vida daquele povoado. Porém, a obra de Damião abrangeu algo mais do que a melhoria física do local, ele trouxe nova esperança e alívio para os doentes. Já era chamado apóstolo dos leprosos. Numa noite de 1885, Damião colocou o pé esquerdo numa bacia com água muito quente. Percebeu que tinha contraído a lepra, pois não sentiu dor alguma. Havia passado cerca de dez anos desde que ele chegou à ilha e, milagrosamente, não havia contraído a doença até então. Com o passar do tempo, a doença o tomou por inteiro. O doutor já havia morrido, assim como muitos dos amigos, quando, em 15 de abril de 1889, padre Damião de Veuster morreu. Em 1936, seu corpo foi transladado para a Bélgica, onde recebeu os solenes funerais de Estado. Em 1995, padre Damião de Molokai foi beatificado pelo papa João Paulo II e sua festa, designada para o dia 10 de maio. O Papa Bento XVI o canonizou em 11 de outubro de 2009. Conheça mais sobre São Damião de Molokai Com a presença do Rei Alberto II da Bélgica e de sua esposa, a rainha Paola Ruffo de Calábria, o Santo Padre Bento XVI canonizou o Pe. Damião de Molokai, Apóstolo dos Leprosos. Nascido em Flandres, na Bélgica, o Pe. Damião abraçou a vida religiosa, tendo se radicado no Havaí onde, cumprindo a missão que lhe foi designada por seus superiores, exerceu frutífero ministério em uma colônia de leprosos, tornando-se também um deles. Outros quatro bem-aventurados também foram canonizados na mesma ocasião, tendo o Papa feito um convite aos que se dirigiram a Roma para a cerimônia: “ Queridos irmãos e irmãs, vamos dar graças ao Senhor pelo dom da santidade que hoje resplandece na Igreja com singular beleza. Enquanto com afeto saúdo cada um de vós, cardeais, bispos, autoridades civis e militares, sacerdotes, religiosos e religiosas, fiéis leigos de várias nacionalidades que participam desta solene Celebração Eucarística, gostaria de dirigir a todos o convite a deixar-se atrair pelos exemplos luminosos desses santos, a deixar-se guiar pelos ensinamentos deles, para que toda a nossa existência se torne um canto de louvor ao amor de Deus “. “ Adeus, mamãe; até o céu “: tais foram as palavras de despedida do jovem religioso Damião de Veuster, ao aproveitar um transporte que inesperadamente surgiu no caminho que trilhava a pé após fazer uma peregrinação ao santuário mariano de Montaigu acompanhado de sua mãe e de uma cunhada. Era o início de sua viagem sem retorno para o longínquo Reino do Havaí. Na verdade, quem deveria ir para o Havaí em missão religiosa era seu irmão mais velho Panfílio, que o precedeu ingressando na Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria e da Adoração ao Santíssimo Sacramento do Altar . A viagem de Panfílio fora cancelada por motivo de doença e assim Damião, que almejava ser missionário, aproveitou-se disso e pediu ao superior que o permitisse partir como substituto. Nascimento, infância e adolescência Seu nome de nascença era Jozef (carinhosamente reduzido para Jef , na intimidade), tendo vindo ao mundo em 3 de janeiro de 1840, em Tremelo, na região flamenga da Bélgica. Batizado no mesmo dia em que nasceu, era o penúltimo de uma série de oito filhos do casal Jan Frans e Catherine, que trabalhavam na área rural. A feliz família – da qual alguns membros demonstraram vocação religiosa – guardava respeitosamente os domingos e dias santos, nos quais nem mesmo a costura era permitida: missa pela manhã, vésperas à tarde, e também descanso e recolhimento. Às refeições a oração era conduzida pela zelosa mãe, em latim. A vocação religiosa pouco a pouco desabrochava no pequeno Jef. Certa vez ele e seus irmãos Paulina e Augusto resolveram passar um dia inteiro em oração e penitência na solidão de um bosque, como anacoretas (nem mesmo lançaram mão do lanche que haviam levado). Mas foi na adolescência que o chamado tornou-se cada vez mais forte, apesar da vontade contrária de seus pais, a quem chegou a dizer: “ deixem-me entrar no convento, ou Deus os castigará “. Recebe o hábito da Congregação dos Sagrados Corações Aos dezoito anos a vocação religiosa já estava profundamente enraizada na sua alma. Em janeiro de 1859, acompanhando o pai em uma visita a seu irmão Augusto (que já ingressara na Congregação dos Sagrados Corações), em Louvain, foi deixado por algumas horas no convento enquanto o Sr. Franz tratava de outros assuntos na cidade, mas quando este passou pela casa religiosa para buscá-lo, Jozef pediu para ficar, pois isso evitaria a dor das despedidas no lar: a permissão foi então dada pelo pai, que já pressentia que isso iria acontecer. Em menos de dois meses recebeu o hábito religioso, passando a chamar-se Damião, iniciando assim o noviciado (que na ocasião se estendia por 18 meses). Logo demonstrou grande habilidade no aprendizado do latim (a se ressaltar: ele já houvera sido recusado em um seminário ao qual se dirigiu por sua própria iniciativa, sob alegação de ser rude e de desconhecer outros idiomas além do flamengo, sua língua natal). Vivendo em ambiente religioso, surgiu em Damião a vocação para missionário, e passou ele a rezar diariamente nessa intenção junto à figura de São Francisco Xavier, apóstolo da Índia, pintada em uma janela. Posteriormente, quando ordenado presbítero, passou a usar as palavras “sacerdote missionário” após sua assinatura, hábito que manteve por toda a vida, assim definindo-se. Protagonista de um simbólico funeral Findo o noviciado, era o momento dos solenes votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência. A cerimônia deu-se em 7 de outubro de 1860, na Casa principal da Congregação na Rua de Picpus, em Paris (endereço do qual os religiosos herdaram uma de suas designações populares: “ padres de Picpus “). Após ouvir as palavras dirigidas pelo superior, Damião renunciou a qualquer propriedade pessoal, à constituição de família carnal, e aos seus destinos, com as seguintes palavras: “ eu, Damião, seguindo as constituições, estatutos e regras aprovados e confirmados pela Santa Sé Apostólica, faço para sempre, entre vossas mãos, meu reverendíssimo Pai, voto de pobreza, de castidade e de obediência como irmão da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, ao serviço dos quais quero viver e morrer. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém “. Teve então estendido sobre si um tecido mortuário sustentado por quatro religiosos professos, enquanto outros quatro portavam velas acesas caracterizando aquele momento como um enterro: era cantado o hino fúnebre Miserere , feita a aspersão do “defunto” com água benta, enquanto em voz baixa era recitado o Pai Nosso e algumas outras preces, ao fim das quais aquela “morte” era selada com a oração: “ Deus eterno e todo poderoso, que ordenais que, mortos para o mundo, vivamos em Cristo, conduzi vossos servidores pelo caminho da salvação eterna; que suas vidas sejam escondidas em Cristo para que, recebendo-O de Vós, desejem o que Vos agrade e o cumpram com todas as suas forças “, o que se seguia do alegre cântico do Te Deum , solene hino de ação de graças. Mudança de rumo: sacerdote missionário no longínquo oriente Ao contrário do irmão mais velho Panfílio, Damião não tinha inicialmente esperança de se tornar sacerdote: seus estudos secundários se reduziam a poucos meses, e só lhe sobravam duas opções: irmão converso e irmão de coro . Os irmãos conversos podiam partir em missões, sendo geralmente destinados a construções de capelas ou residências para os missionários, e os irmãos de coro atuavam como encarregados da capela e da sacristia do convento, e por vezes ajudavam em algumas atividades nas escolas da congregação. Mas os superiores perceberam ser Damião intelectualmente dotado, e assim o permitiram preparar-se para o sacerdócio, tendo cursado um ano de filosofia em Paris, quando também estudou latim e grego além de aprimorar o idioma francês; depois foi enviado de volta a Louvain, na Bélgica, para estudar teologia, o que fez por dois anos. A dor pela doença que acometeu seu irmão Panfílio, destinado inicialmente a ser missionário no Havaí, logo se transformou para Damião em alegria, pois teve resposta afirmativa ao pedido de permissão para substituí-lo na feliz viagem que não conheceria retorno: após cinco meses singrando os mares, desembarcou o jovem religioso em Honolulu, capital do que então era um reino. O grupo era formado por um sacerdote, três clérigos, dois irmãos conversos, e dez irmãs. As irmãs ocupavam um compartimento ao lado do que foi destinado aos religiosos do sexo masculino, mas nenhuma comunicação era feita entre eles a não ser por intermédio do superior que os acompanhava, o Pe. Chrétien, detalhe que Damião fez questão de inserir em carta remetida aos pais durante a viagem. Dormindo em beliches, os religiosos viajavam em um verdadeiro convento flutuante: havia momentos destinados às orações, aos estudos e às distrações, sob as ordens de um zeloso padre superior, e, quando o vento e o mar se acalmavam, era celebrada a Santa Missa a bordo. Em nenhum momento as perturbações orgânicas próprias às viagens marítimas foram motivo de queixas nas missivas que Damião remetia aos familiares, mas – ao contrário – suas palavras eram como essas: “ em parte se deve a vossas fervorosas orações, queridíssimos pais, que tenhamos feito uma feliz travessia, pois vos asseguro que a Divina Providência nos protegeu visivelmente durante toda a nossa viagem; várias vezes, sobretudo nos lugares perigosos, sentimos o socorro de nosso divino Salvador, que prometeu permanecer sempre com seus apóstolos e seus missionários até o fim dos tempos “. E a viagem marítima encerrou-se no dia da festividade de São José (19 de março de 1864), no porto de Honolulu: recebidos pelo superior da missão, Pe. Modesto Favens, os viajantes foram levados à catedral para a celebração de uma Missa, seguida de um Te Deum . No Havaí, após breve passagem pelo subdiaconato e diaconato, Damião foi ordenado presbítero em 21 de maio do mesmo ano, na Catedral de Nossa Senhora da Paz. “ Como eu tremia ao subir pela primeira vez ao altar – escreveu ao superior geral da Congregação – como estava emocionado meu coração ao dizer pela primeira vez ao Verbo que descesse às minhas mãos; que afetos então sobrenaturais e diferentes para mim ali se formavam ao distribuir, em minha primeira missa, o Pão da Vida a 150 ou 200 pessoas, das quais muitas provavelmente se haviam inclinado freqüentemente ante seus antigos ídolos e que agora, totalmente vestidas de branco, se aproximavam com tanta modéstia e respeito à Santa Mesa “. Ministério sacerdotal no Havaí Iniciou-se então a vida de sacerdote missionário para Damião, sob as ordens de seu superior religioso e do vigário apostólico (Pe. Modesto Favens e Mons. Louis-Desiré Maigret, respectivamente, ambos pertencentes à mesma família religiosa: Sagrados Corações). Poucos dias após ser ordenado o Pe. Damião foi enviado à Ilha Grande do arquipélago, onde passou a exercer o ministério. As distâncias que tinha de percorrer eram muito grandes, o que o levou a enfrentar dificuldades para a confissão freqüente (chegou a apelar a um artigo da regra que proibia formalmente que um missionário estivesse só, em carta ao superior geral). Incansavelmente, ano após ano, construía capelas, além de distribuir os sacramentos, ensinar nas escolas, cuidar de doentes, pregar ao povo, e assim anunciar o Evangelho. Em 4 de maio de 1873, em meio a outros irmãos, o vigário apostólico (Mons. Maigret, bispo) pediu voluntários para se revezarem dando assistência aos leprosos na ilha de Molokai: alguns se apresentaram, sendo o Pe. Damião escolhido para ser o primeiro de uma alternância que não ocorreu, pois o encargo tornou-se definitivo. Alguns meses depois dirá, em carta a um irmão: “ tendo já passado sob o pano mortuário no dia de meus votos, acreditei ser meu dever oferecer-me a Sua Grandeza [o bispo], que não teve a crueldade, como ele dizia, de ordenar tal sacrifício “. O próprio bispo (vigário apostólico), Mons. Maigret, acompanhou o novo pastor a Molokai, para apresentá-lo às ovelhas que que a ele eram confiadas. Leprosário insular A lepra (hanseníase) surgira no Reino do Havaí em 1840, como conseqüência da imigração, sendo naquela época incurável, e considerada muito contagiosa. O isolamento era a única solução encontrada pelas autoridades para a terrível enfermidade que continuava a desafiar a medicina. Os leprosos – várias centenas – eram confinados na ilha de Molokai, a quinta em extensão territorial do arquipélago, mais precisamente em uma península envolvida pelo oceano e isolada do restante do território por uma barreira montanhosa íngreme. Os enfermos que ali moravam podiam ser acompanhados por parentes, mas isso era uma exceção, pois em sua maior parte eram abandonados e rejeitados. Havia medidas governamentais para apoio aos que ali estavam confinados, como a construção de um pequeno hospital, alimentos e algumas roupas, e a visita eventual de um médico, mas tudo era rudimentar e muito aquém das necessidades. Os óbitos eram freqüentes – um a duoi por dia – e o próprio Pe. Damião deu o exemplo, sepultando os cadáveres que por vezes não tinham o privilégio de gozar dessa atitude de respeito aos mortos. Os habitantes dividam-se em dois povoados: Kalawao e Kalaupapa. As moradias eram em geral muito precárias, por vezes feitas com pedras ou vegetais (até mesmo de cana-de-açúcar), com cobertura de folhas. A promiscuidade entre os pobres leprosos imperava, sem distinção de idade ou sexo. Não se podia falar propriamente em higiene, pois a água era obtida de fontes longínquas, conduzida em toscos recipientes transportados nas mãos. Os maus odores exalados das feridas e dos dejetos eram especialmente nauseantem, sendo mesmo insuportáveis para um recém-chegado: o Pe. Damião chegou a deslocar-se rapidamente para fora de certos ambientes e assim evitar ocorrências mais desagradáveis que não poderia controlar, como se pode perceber nesse registro: “ mais de uma vez, cumprindo junto a eles meus deveres sacerdotais, me vi forçado não somente a tampar as narinas mas inclusive correr para fora a fim de respirar ar puro “. Escreveria ele, posteriormente, que o cachimbo que passou a usar atenuava em seu organismo os efeitos de tais emanações, pois o odor do tabaco, ao impregnar suas roupas, atuava como uma fragância dissimulando as impregnações infectas. Ao superior geral da congregação, o Pe. Damião escreveu em agosto de 1873: “ eis-me aqui, reverendíssimo padre, em meio a meus queridos leprosos. São muito hediondos de ver, porém têm uma alma resgatada pelo preço do sangue adorável de nosso divino Salvador. Ele também, em Seu divino amor, consolou os leprosos. Se eu não os posso curar como Ele, ao menos os posso consolar, e pelo santo ministério que Sua bondade me confiou espero que muitos entre eles, purificados da lepra da alma, apresentem-se ao Seu tribunal em estado de entrar na sociedade dos bem-aventurados “. Diz também que “ acabo de fazer um pedido a Sua Grandeza [o bispo] para ampliar a capela. O odor infecto que emana de seus corpos e de suas feridas exigiria uma igreja grande para tornar o culto menos penoso. Algumas vezes me era difícil resistir durante a santa missa e no sermão. É como o ‘já cheira mal’ de São Lázaro. Enfim: Nosso Senhor suportou isso, e eu também o posso. Oxalá pudesse conseguir, por esse sacrifício, a ressurreição espiritual dos que, entre eles, ainda não saíram da tumba do pecado para viver a vida de graça que o bom Deus a eles oferece todos os dias “. Mãos à obra Várias capelas foram construídas por iniciativa do Pe. Damião, tendo ele constituído um coro e uma banda de música, que passaram a atuar convenientemente nas missas, nas procissões e nos funerais, e até mesmo nas recepções aos visitantes mais ilustres. Procurava demonstrar benquerença para com todos, participando de suas refeições, compartilhando seu cachimbo com outros homens, e até brincando com as crianças. Além disso, todos eram bem-vindos em sua casa. Mesmo antes de contrair a doença ali imperante, o Pe. Damião se inseriu entre eles, pois ao dirigir a palavra aos que ouviam suas homilias dizia: “ nós, leprosos “, mesmo sem saber que um dia tal expressão se tornaria real. Em poucos anos o Pe. Damião fez florescer uma autêntica comunidade, bem oposta ao que encontrou quando chegou àquele “cemitério vivo”: os moradores constituíam, quando ele ali aportou, uma verdadeira selva humana. Eis suas palavras extraídas de um relatório escrito em 1886: “ à chegada dos novos leprosos, os antigos se apressavam a incutir neles a falsa máxima de que ‘neste lugar já não há lei’ . Durante muito tempo me vi obrigado a combatê-la, vendo que se aplicava o mesmo às leis humanas e às divinas. Em conseqüência dessa teoria ímpia, a maioria dos solteiros, e dos casados que estavam separados de seus cônjuges pela lepra, viviam amontoados sem distinção de sexo. Muitas mulheres eram obrigadas a prostituir-se para conseguir amigos que as ajudassem durante sua doença. As crianças, quando fortes, eram empregadas como serventes. E quando a lepra havia progredido, tais mulheres e crianças eram expulsas da casa para buscar um abrigo em qualquer lugar. Não era raro encontrá-las atrás de uma cerca esperando que a chegada da morte viesse pôr fim a seus sofrimentos, ou que uma mão compassiva ou contratada os transportasse ao hospital “. Acrescenta o Pe. Damião, no mesmo documento: “ como muitos leprosos morriam, meu dever sacerdotal me oferecia amiúde a ocasião de visitá-los em suas cabanas e, ainda que minhas exortações se dirigissem principalmente aos moribundos, balançavam freqüentemente as orelhas dos pecadores públicos, os quais pouco a pouco tomaram conhecimento das conseqüências de suas más condutas e começavam a se arrepender. A esperança do perdão de um Salvador misericordioso começava a reforma de sua má vida (…). Um meio dos mais eficazes para destruir a imoralidade tem sido a permissão para casar-se, dada aos leprosos não impedidos por um matrimonio anterior (…). Uma grande bondade para com todos, um terno amor para com os necessitados, uma doce compaixão para com os doentes e moribundos, juntamente com uma sólida pregação a meus ouvintes, esse tem sido o procedimento constante do qual me tenho servido para introduzir os bons costumes entre os leprosos “. Sofrimentos Um sofrimento que particularmente atormentou o Pe. Damião foi a dificuldade para fazer a confissão freqüente. Nos cinco primeiros anos o isolamento da colônia de leprosos era total, por ordem do governo. Por ocasião de uma visita do superior provincial – o Pe. Modesto Favens – este foi impedido de desembarcar, limitando-se a se inclinar sobre a amurada do navio para ouvir as acusações do rigoroso penitente que se aproximara em uma canoa, feitas em voz alta por estar proibido de subir a bordo a fim de evitar contágio. Os anos se passaram em meio a frutífero apostolado, mas o sacrifício foi aceito: a hanseníase tomou pouco a pouco o robusto organismo do Pe. Damião. Manchas foram surgindo na pele, tumorações foram se desenvolvendo em várias partes do corpo, a sensibilidade começou a desaparecer, mas naquela época o diagnóstico médico não era tão fácil e rápido como nos dias atuais. A certeza surgiu em janeiro de 1885 quando, após uma fatigante caminhada para o exercício do ministério, pôs o pé em uma vasilha contendo água escaldante pensando ser morna, e não sentiu incômodo algum: perdera a sensibilidade térmica, o que indicava estar leproso. Aos familiares, diz que “ trato de levar minha cruz com alegria, como Nosso Senhor Jesus Cristo “. Ao Pe. Léonor Fuesnel, então seu superior provincial, o Pe. Damião faz um pedido: “ pois bem, meu reverendo padre, já não tenho dúvidas, sou leproso; que o bom Deus seja bendito! Não tenha muita pena de mim, pois estou perfeitamente resignado com minha sorte. Não peço mais que uma graça: suplicai a nosso Muito Reverendo Padre que envie algum [sacerdote] que possa uma vez ao mês descer até nossa tumba para confessar-me e, no restante do tempo, ocupar-se das capelas do outro lado da ilha, onde não há doentes “. Em uma carta dirigida a um escritor que visitara aquela colônia de leprosos, o Pe. Damião escreveu em outubro de 1885: “ Desde o mês de março passado meu correligionário, o Pe. Alberto, deixou Molokai e o arquipélago para regressar a Tahiti. Desde então sou o único sacerdote em Molokai e tenho a fama de estar atacado eu próprio pela terrível doença. Os micróbios da lepra se instalaram finalmente na minha perna esquerda e na orelha. Minhas pálpebras começam a cair. Me é impossível viajar a Honolulu, pois a lepra se faz visível. Logo minha figura ficará deteriorada, suponho. Estando certo de que a doença é real, permaneço tranqüilo e resignado, e até sou mais feliz entre as pessoas aqui. O bom Deus sabe o que é melhor para minha santificação, e nesta convicção digo todos os dias um bom ‘fiat voluntuas tua’ [seja feita a tua vontade]. Tenha a bondade de rezar por este seu amigo provado e recomendar-me, assim como aos meus desventurados leprosos, a todos os servidores de Deus “. Tendo a notícia de sua doença se espalhado por todo o arquipélago, o Pe. Damião teve de enfrentar uma prova que lhe foi um sofrimento atroz: seus superiores se opuseram categoricamente a que viajasse à capital, Honolulu, por qualquer motivo que fosse, inclusive para a confissão sacramental. Sua chegada seria suficiente para espantar os fiéis das capelas da missão, pensavam. O aflito sacerdote missionário deixou extravasar um pouco de sua tristeza em uma carta ao Pe. Léonor Fouesnel (superior provincial que tratava o Pe. Damião com incompreensão e hostilidade): “ a negativa absoluta expressa em um tom de autoridade policial, mais que em tom de superior religioso, e feita em nome do bispo e do ministro como se a missão estivesse posta em quarentena, me causou – asseguro-o sinceramente – mais dor do que tudo o que tive de sofrer desde a infância. Respondi com um ato de submissão absoluta em virtude de meu voto de obediência. Continuo estando em paz (…). Sempre resignado à santa vontade do bom Deus em nossos sofrimentos cada vez mais lancinantes, sejamos, Monsenhor, mortui in Christo… vitae nostrae sint absconditae in Deo – mortos em Cristo e que nossas vidas estejam escondidas em Deus “. A Eucaristia, seu alimento O Pe. Damião era um entusiasta da sagrada Eucaristia. Afinal, a Adoração Eucarística fazia parte do espírito da congregação em que ingressara, e nas viagens pelas regiões entregues a seus cuidados ele lamentava não ter, por vezes, o Santíssimo Sacramento para junto a Ele apresentar suas preces, suas confidências, seus anseios. Em carta ao Pe. Alberto Montiton, seu grande amigo que se transferira de Molokai para Thaiti, se lê: “ Vossa carta de 14 de março veio cicatrizar um pouco a profunda ferida no coração que vossa partida me havia causado. As lágrimas que eu então vertia eram perfeita expressão de minha dor pela perda e meu pressentimento da penosa e excepcional situação na qual ia passar o resto de meus dias. De fato, meu querido padre, desde que perdi em vós um bom companheiro neste triste leprosário, não tenho tido mais que a visita momentânea de um irmão cada dois ou três meses. Ademais, a terrível doença, cujo começo conheceis, faz progressos espantosos e ameaça impedir-me, talvez logo, de celebrar a Santa Missa e, não tendo outro sacerdote, eu me veria privado da santa comunhão e do santo sacramento. Tal privação é a que mais me custará e que tornará insuportável minha situação. Não é a doença e os sofrimentos o que me desencoraja; longe disso. Até aqui me sinto feliz e contente e, se me fosse dada a oportunidade de sair daqui em boa saúde, diria sem titubear: fico com meus leprosos ” (maio de 1886). Distinguido pelas autoridades Apesar dos vários meses em que permanecera em uma verdadeira prisão – pois esteve preso pela sagrada obediência, cárcere sem grades ou cadeias porém mais encarcerante do que os que as têm – pôde o Pe. Damião experimentar algum consolo: foi-lhe permitida a viagem a Honolulu sem cometer desobediência ou incorrer em censuras. Pelo contrário: recebeu a visita do próprio Rei do Havaí, Kalakaua I, de seu primeiro ministro Walter M. Gibson, e do bispo Mons. Bernard Hermann Koeckemann. Em setembro de 1881 a princesa havaiana Lydia Liliuokalani havia visitado os leprosos em Molokai, e ficou tão comovida com a miserável situação em que se encontravam imersos associada à extrema dedicação do sacerdote missionário que não conseguiu pronunciar o discurso que havia preparado, cujo texto tinha às mãos. Retornando a Honolulu solicitou que o esforçado padre fosse investido como Comandante Cavaleiro da Real Ordem de de Kalakaua, honraria que a ele foi então concedida pelo soberano reinante em reconhecimento aos seus “ esforços no alívio dos sofrimentos e na mitigação das dores dos infelizes “, sendo humildemente aceita e considerada como uma atenção dada a seus leprosos. A insígnia era uma medalha com a Cruz da Real Ordem de Kalakaua. Anos depois, em meio aos sofrimentos finais de sua enfermidade, o Pe. Damião salientou: “ o Senhor me condecorou com sua cruz particular: a lepra “. Trabalhando até ser abatido pela doença Apesar da progressão da doença, o Pe. Damião a ela não se entregou: ao contrário, continuou a ministrar os sacramentos, a visitar os enfermos, a consolar os que estavam tristes, a pregar o Evangelho. Em 19 de março de 1889 completou 25 anos de ordenação presbiteral, porém no dia 28 do mesmo mês prostrou-se em seu leito para não mais o deixar, pois seu estado de saúde se agravou. Fez uma confissão geral ao Pe. Wendelin Moellers, que o assistio, o qual em seguida confessou-se ao santo homem que ali jazia, e em seguida ambos renovaram os votos religiosos. Esse sacerdote foi encarregado pelo Pe. Damião de dizer ao superior geral que seu “ mais doce consolo nesses momentos era morrer membro da Congregação dos Sagrados Corações “. Em 15 de abril de 1889, após quase 16 anos entre os leprosos de Molokai e tendo-se tornado um deles, o Pe. Damião partiu para a eternidade. Contava apenas 49 anos, mas a aparência lhe atribuia idade muito superior. Foi sepultado no cemitério da comunidade em que vivia, mas em 1936 seus restos mortais retornaram à Bélgica, sendo postos em um jazigo na igreja dos Sagrados Corações, em Louvain. Por ocasião da beatificação (feita por João Paulo II em 1995) os ossos de sua mão direita – que tanto batizou, ungiu, consagrou, abençoou – retornaram ao Havaí. Honrado, distinguido e venerado não só pelos católicos A veneração e o respeito ao Pe. Damião de Molokai não se restringem à Igreja Católica: diversas confissões não católicas viram nele altíssimas qualidades, e ainda em vida ele foi distinguido com a admiração e o apoio (inclusive financeiro) advindos de agremiações não alinhadas com as convicções pelas quais o sacerdote missionário viveu e morreu. Uma detalhada carta aberta foi dirigida pelo escritor Robert Louis Stevenson a um ministro da religião por ele seguida, em firme e fundamentada defesa da memória do recém falecido Pe. Damião, vítima de críticas destrutivas que visavam a Santa Igreja através de seu dedicado servo. O sacerdote missionário em 11 de outubro de 2009 passou a ser chamado São Damião de Molokai, canonizado pelo Papa Bento XVI em presença do rei e da rainha da Bélgica em meio à imensa alegria dos irmãos e irmãs da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria e da Adoração Perpétua ao Santíssimo Sacramento do Altar espalhados pelo mundo.Disse Mahatma Ghandi: “ Se a assistência aos leprosos é tão cara ao coração dos missionários católicos, isso se deve ao fato de que nenhuma obra exige, como ela, um espírito de sacrifício. Ela exige o mais elevado ideal, a mais perfeita abnegação. O mundo político e jornalístico não tem heróis os quais possa glorificar e que sejam comparáveis ao Pe. Damião de Molokai. A Igreja tem entre os seus milhares de pessoas que, como ele, sacrificaram sua vida em serviço dos leprosos. Valeria a pena pesquisar em qual fonte um tal heroísmo se alimenta “. #SantodoDia
- São Pacômio, fundador do primeiro mosteiro – 09 de Maio
SANTO DO DIA – 09 DE MAIO – SÃO PACÔMIO Bispo e Confessor Pacômio nasceu na Alta Tebaida, em 292, filho de pais idólatras. Desde a meninice, mostrou-se doce e modesto, e sempre deixou entrever a aversão que sentia pelas celebrações profanas dos infiéis no culto dos ídolos. Aos vinte anos, partiu para Tebas ou Dióspolis, com as tropas de Maximino, que enfrentava Licinius e Constantino, e, entretanto com inúmeros cristãos, converteu-se. A derrota de Maximino dispersou as tropas. Pacômio, então, ao invés de voltar para os seus, foi fixar-se numa cidade da Tebaida, onde havia uma igreja cristã. Inscrito entre os catecúmenos, com sofreguidão preparou-se ara receber o batismo. Desde que se convertera, tendo Jesus Cristo como o Filho único de Deus, ansioso por fazer o bem aos homens, vinha recitando com calor: – Ó Deus, criador do céu e da terra, lança sobre mim um olhar de compaixão, livra-se das misérias, ensina-se o meio de te ser agradável. Isto será toda a minha ocupação e a maior aplicação de minha vida – servir-Te e cumprir a Tua vontade. Recebido o batismo, o jovem Pacômio começou a examinar-se meticulosamente, a procurar o meio de cumprir fielmente as obrigações que sentia e devia cumprir. Teve, então, conhecimento de que, no deserto, servindo a Deus com grande perfeição, vivia um venerável ancião, chamado Palimão. Foi procurá-lo. Encontrando-o, com insistência pediu ao bom velho que o admitisse em sua companhia. Desejava viver sob sua proteção e nada havia de desviá-lo daquele intento. Palimão considerou o moço longamente, e principiou a falar das dificuldades e das austeridades daquela maneira de viver, dos que, com o mesmo ardor e a mesma disposição de ânimo, desejavam viver ao seu lado – e acabaram, depois num determinado tempo, por renunciar o caminho tão ardentemente palmilhado de início. E aconselhou: – Experimenta tuas forças, este teu ardor, nalgum mosteiro. Considera, ademais, meu filho, que meu alimento não passa dum pouco de pão e de sal, que não bebo vinho, não faço uso de gorduras, velo para mais da metade da noite, que passo todo este tempo a entoar salmos, a meditar as santas Escrituras e que, às vezes, varo toda uma noite sem dormir. Pacômio ouviu-o um tanto surpreso, mas não deu mostras de desencorajado. Sabia que, com a ajuda de Deus, conseguiria vencer todas as dificuldades e havia de ser agradável ao Senhor, conforme prometera a si mesmo, catecúmeno ainda. E, dizendo a Palimão que observaria tudo aquilo que lhe fosse dado observar, o santo velho admitiu-o em sua modestíssima cela, dando-lhe o hábito monástico. Levado pelo exemplo do solitário Palimão, Pacômio, com toda a disposição, começou a suportar a vida isolada. De quando em quando, juntos, recitavam o saltério, davam-se aos trabalhos manuais, os quais sempre eram acompanhados pela oração mental. Pacômio, muito contrito, pedia a deus, principalmente, a pureza de coração. Queria, livre de todo apego às criaturas, desembaraçado de todas as coisas do mundo, servir a Deus de corpo e alma, com todas as forças de que pudesse dispor. Assim, para arrancar, pela raiz, as paixões desordenadas, a primeira coisa que fez, foi aplicar-se na obtenção mais profunda humildade, da paciência e da doçura. Rezando com os braços estendidos, todo ele uma cruz, fazia a admiração do mestre, que nele via um discípulo verdadeiramente promissor. E lhe dizia, encorajando-o ternamente: – Trabalhe e vela, meu caro Pacômio, para que o inimigo não deite por terra todos os teus esforços. Arruinando-te. Um dia de Páscoa, o velho solitário ordenou ao discípulo que preparasse o jantar de modo que se comemorasse condignamente a grande solenidade. Pacômio tratou de cumprir a ordem do mestre: tomou uma certa quantidade de óleo e juntou-lhe um pouco de sal, depois do que, com ele regou um punhado de ervas selvagens que esperava num rude prato. Quando se sentaram à mesa, Palimão tomou do pão que lhe cabia. Pacômio, então, viu-o chorar e dar pancadas na cabeça, desesperado. Admirado mas respeitoso, nada perguntou, à espera, pacientemente duma explicação. E o velho, sempre a chorar, olhando o discípulo, exclamou: – Ai! Meu Salvador foi pregado na cruz e eu me vou dar a satisfação de comer com azeite? E nada o levou a tomar daquilo que Pacômio havia preparado. O santo, depois dum certo tempo, habituou-se com o retiro que, de zem em vez, fazia num vasto deserto desabitado, às margens do Nilo, o deserto de Tebena, adstrito à diocese de Tentira. Um dia, ali, todo consumido na oração, ouviu uma voz que lhe dizia, muito claramente: – Tu erguerás aqui um mosteiro para abrigar aqueles que Deus te enviará para o servir. Imediatamente, apareceu-lhe um anjo, que se lhe aproximou e principiou a dar algumas instruções que diziam respeito à vida monástica. Depois que deixou a solidão de Tebena, Pacômio buscou Palimão e lhe contou o sucedido. E os dois, indo ao deserto, no local em que o anjo aparecera ao santo, construíram uma cela. Era no ano de 325, e Palimão, que ao discípulo prometera visitar todos os anos, pouco depois falecia. O primeiro discípulo de São Pacômio foi o irmão mais velho, João, que logo faleceu. Jovens acorriam ao deserto de Tebena de toda a parte, atraídos pela santidade do santo abade. O edifício, que se construiu inicialmente, foi pequeno para acolher os sequiosos, de modo que, sem tardança, houve que ampliá-lo. Pouco tempo havia passado e a nova casa já contava uma centena de almas. São Pacômio, que aos religiosos dera hábitos de grosseira lã, vivia apenas coberto com o cilício que lhe aderia, apertado, ao corpo castigado pelas austeridades, seco pelos jejuns constantes. Por quinze anos, viveu o santo sem se abrigar. Repouso, tomava-o ele assentado numa pedra, onde cochilava, porque não dormia, que o tempo gasto no sono era tempo roubado ao exercício do divino amor. Pacômio desde que se convertera, jamais tomara refeição completa. Ali, na casa do deserto, todos comiam juntos, em silêncio, num vasto refeitório, com o capuz caído sobre o rosto, de sorte que o vizinho não visse o companheiro. Todos os monges se ocupavam com trabalhos manuais, e Pacômio era quem se dava aos doentes, pensando-os, cuidando deles com grande e paternal solicitude. O silêncio era estritamente observado no mosteiro: mais se exprimia por sinais do que com palavras. Quando um monge era obrigado a ir a um determinado lugar, afastado da comunidade, devia fazê-lo a meditar, pelo caminho, sobre alguma passagem da santa Escritura. O trabalho, esse, era acompanhado, sempre, do canto de salmos. À morte dum membro do mosteiro, celebravam-se missas para o descanso da alma. São Pacômio recebia sempre e sempre discípulos que vinham de todas as regiões. Cumpria-se, assim, o prometido naquele dia em que orava, sozinho e em que o anjo lhe aparecera, dando-lhe instruções. Deus, em verdade, enviava-lhe servidores sobre servidores. Houve, pois, necessidade de novas casas – e São Pacômio levantou seis mosteiros na Tebaida. Fixando-se no de Pabau, perto de Tebas, este mosteiro tornou-se famosíssimo, mais do que o primeiro, o da fundação do deserto de Tebena. Sugerido pelo bispo de Tentira, Serapião, o santo, erigiu uma igreja na aldeia, para que dela se servissem os pastores que abundavam na região, igreja em que ele fazia de leitor e pregou com admirável fervor a palavra de Deus. Numerosas foram as conversões feitas pelo doce abade, discípulo de Palimão. Com grande coragem, opôs-se sistematicamente aos arianos. A reputação do santo crescia, e, um dia, era em 333, Atanásio honrou-o com uma visita. Quando, duma feita, apareceu em Pabau uma das irmãs, pedindo para vê-lo, Pacômio enviou alguém para lhe dizer que não poderia fazê-lo, que mulher alguma havia de quebrar a clausura: que se contentasse por saber que ainda vivia. Ora, a irmã desejava levar vida religiosa. Sabedor daquilo, Pacômio alegrou-se muito, e providenciou a construção dum mosteiro para mulheres, do outro lado do Nilo – mas a irmã, não o viu. São Pacômio operou vários milagres. Deus cumulou-o de bondades sem par. Conta-se dele que, não sabendo o latim nem o grego, exprimiu-se nestas duas línguas com grande perfeição. A muitos doentes, curou-os, a vários possessos, libertou-os do demônio, com a aplicação de óleo bento. Teodoro, que foi o seu mais querido discípulo, e aquele que, morto o Santo, sucedeu-o no governo dos mosteiros todos, sofria constantemente, de terríveis dores de cabeça. Aos irmãos, que ao abade pediam que o curasse. Pacômio respondia: – A abstinência e a oração são seguramente uma fonte de grandes méritos, mas a doença, suportada com paciência, é seguramente de maior mérito ainda. No mosteiro havia monges que se dedicavam à feitura de esteiras. Um dia, um dos religiosos, aplicando-se com afinco naquele mister, conseguiu fabricar duas belas peças. E, todo orgulhoso, agiu de modo que o santo abade se inteirasse daquilo que julgava um grande feito. Pacômio considerou o monge, as duas esteiras, depois disse, calmamente, aos demais: – Este irmão se afanou da manhã à tarde a trabalhar para o demônio. E, para curá-lo da vaidade, deu-lhe, como penitência, cinco meses de cela, passando a pão, sal e água. Certa vez, um moço chamado Silvano, que fora ator de teatro, apareceu no mosteiro, procurando o abade, porque ali desejava fazer penitência. Admitido, Silvano levou por alguns tempos, vida de grande indisciplina. Transgredia as regras, quebrando o profundo silêncio que sempre reinou na casa, fazendo graçolas, rindo das próprias facécias. Pacômio, por caridade, conservou-o no mosteiro assim mesmo, procurando guiá-lo, apontando-lhe o perigo a que se expunha. Tudo era em vão. Por aquela pobre alma, chorou, orou, mortificou-se, deu-se a grandes jejuns – debalde. Então, chamando-o, um dia, à parte, fez com que o jovem visse que com Deus não se brincava impunemente. Silvano, profundamente impressionado, transformou-se por completo. E desde aquele dia, não mais deixou a comunidade, para a qual foi objeto de imensa edificação. Logo, tais foram as austeridades que começou a praticar, Pacômio ofereceu-o como modelo a todos os irmãos. Agora, em vão, procurava levá-lo à moderação, temendo-lhe pela saúde. Quando, tempos mais tarde, faleceu o ex-ator de teatro, São Pacômio recebeu do céu a certeza de que aquela boa alma fora apresentada como vítima muitíssimo agradável a Nosso Senhor Jesus Cristo. Morto em 348, no dia 9 de Maio, São Pacômio viu, em vida, nos diferentes mosteiros que fundara, o elevado número de sete mil monges a viver sob sua direção. Exortando os religiosos para que sempre se dessem com maior fervor ao serviço de Deus, faleceu doce e santamente. Fonte: Paulinas Internet SÃO GREGÓRIO NAZIANZENO, Bispo, Confessor e Doutor “Estejam cingidos os vossos rins, e acesas as vossas lâmpadas” (Lucas, 12, 35). São Gregório de Nazianzeno, indo a Atenas para estudar filosofia, foi surpreendido no mar por uma tempestade tão violenta que prometeu a Deus deixar o mundo se escapasse do naufrágio. Seu voto foi ouvido e Gregório, na companhia de São Basílio, seu colega em Atenas, retirou-se para a solidão. Dormia no chão nu, usando cilício, mortificado seu corpo com jejuns contínuos e vigílias. Ele foi arrancado de seu retiro quando foi nomeado Patriarca de Constantinopla. Ele morreu por volta do ano 390, em uma idade muito avançada. MEDITAÇÃO SOBRE O BOM EXEMPLO I. Dê bom exemplo para os outros, leva a mão na lâmpada dá luz a teu vizinho e com as tuas boas obras, abrasa teu coração com o amor de Deus. Esta é uma obrigação imposta a ti pela caridade. Se tu faltas a ela, se te tornas para o próximo ocasião de escândalo, tu serás duplamente punido. Como ousa escandalizar teu irmão, por quem Jesus Cristo deu sua vida? São Francisco de Assis pregou com sua modéstia; os apóstolos conquistaram mais almas para Jesus Cristo com sua paciência que com sua pregação, e suas palavras ardiam no fogo do Espírito Santo. II. Quando tu vês as falhas de teu próximo, volte-se sobre si mesmo e examina se não incorres em pecados iguais. Se tua consciência não te reprova nada, graças a Deus, e considera fealdade daqueles pecados para que lhes tenha aversão; reconhecerás melhor seu tamanho em outro que não em ti mesmo. Foge das ocasiões em que aquele desventurado naufragou, porque quem ama o perigo perecerá. Feliz aquele que não se deteve no caminho dos pecadores (Salmo 1). III. Veja o exemplo que tantas almas sagradas te dão. Quantas vezes tu vês todos as pessoas que vivem na austeridade e humildade, trabalhando com zelo pela salvação das almas! Quantos e quantos jovens que tendem ao céu com esforço contínuo! Santo Agostinho exclama: Erguem-se os ignorantes e ganham o céu, e nós, com todo o nosso conhecimento, mentimos em carne e osso! Fuja das más companhias. Ore pela conversão dos pecadores. ORAÇÃO: Ó Deus, que deu o bem-aventurado Gregório a vosso povo para a instrução sobre os caminhos da salvação eterna, fazei, nós vos rogamos, que depois de ter contado na terra como um médico e guia, mereçamos tê-lo como intercessor no céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém. #SantodoDia
- São Pacômio, fundador do primeiro mosteiro – 09 de Maio
SANTO DO DIA – 09 DE MAIO – SÃO PACÔMIO Bispo e Confessor Pacômio nasceu na Alta Tebaida, em 292, filho de pais idólatras. Desde a meninice, mostrou-se doce e modesto, e sempre deixou entrever a aversão que sentia pelas celebrações profanas dos infiéis no culto dos ídolos. Aos vinte anos, partiu para Tebas ou Dióspolis, com as tropas de Maximino, que enfrentava Licinius e Constantino, e, entretanto com inúmeros cristãos, converteu-se. A derrota de Maximino dispersou as tropas. Pacômio, então, ao invés de voltar para os seus, foi fixar-se numa cidade da Tebaida, onde havia uma igreja cristã. Inscrito entre os catecúmenos, com sofreguidão preparou-se ara receber o batismo. Desde que se convertera, tendo Jesus Cristo como o Filho único de Deus, ansioso por fazer o bem aos homens, vinha recitando com calor: – Ó Deus, criador do céu e da terra, lança sobre mim um olhar de compaixão, livra-se das misérias, ensina-se o meio de te ser agradável. Isto será toda a minha ocupação e a maior aplicação de minha vida – servir-Te e cumprir a Tua vontade. Recebido o batismo, o jovem Pacômio começou a examinar-se meticulosamente, a procurar o meio de cumprir fielmente as obrigações que sentia e devia cumprir. Teve, então, conhecimento de que, no deserto, servindo a Deus com grande perfeição, vivia um venerável ancião, chamado Palimão. Foi procurá-lo. Encontrando-o, com insistência pediu ao bom velho que o admitisse em sua companhia. Desejava viver sob sua proteção e nada havia de desviá-lo daquele intento. Palimão considerou o moço longamente, e principiou a falar das dificuldades e das austeridades daquela maneira de viver, dos que, com o mesmo ardor e a mesma disposição de ânimo, desejavam viver ao seu lado – e acabaram, depois num determinado tempo, por renunciar o caminho tão ardentemente palmilhado de início. E aconselhou: – Experimenta tuas forças, este teu ardor, nalgum mosteiro. Considera, ademais, meu filho, que meu alimento não passa dum pouco de pão e de sal, que não bebo vinho, não faço uso de gorduras, velo para mais da metade da noite, que passo todo este tempo a entoar salmos, a meditar as santas Escrituras e que, às vezes, varo toda uma noite sem dormir. Pacômio ouviu-o um tanto surpreso, mas não deu mostras de desencorajado. Sabia que, com a ajuda de Deus, conseguiria vencer todas as dificuldades e havia de ser agradável ao Senhor, conforme prometera a si mesmo, catecúmeno ainda. E, dizendo a Palimão que observaria tudo aquilo que lhe fosse dado observar, o santo velho admitiu-o em sua modestíssima cela, dando-lhe o hábito monástico. Levado pelo exemplo do solitário Palimão, Pacômio, com toda a disposição, começou a suportar a vida isolada. De quando em quando, juntos, recitavam o saltério, davam-se aos trabalhos manuais, os quais sempre eram acompanhados pela oração mental. Pacômio, muito contrito, pedia a deus, principalmente, a pureza de coração. Queria, livre de todo apego às criaturas, desembaraçado de todas as coisas do mundo, servir a Deus de corpo e alma, com todas as forças de que pudesse dispor. Assim, para arrancar, pela raiz, as paixões desordenadas, a primeira coisa que fez, foi aplicar-se na obtenção mais profunda humildade, da paciência e da doçura. Rezando com os braços estendidos, todo ele uma cruz, fazia a admiração do mestre, que nele via um discípulo verdadeiramente promissor. E lhe dizia, encorajando-o ternamente: – Trabalhe e vela, meu caro Pacômio, para que o inimigo não deite por terra todos os teus esforços. Arruinando-te. Um dia de Páscoa, o velho solitário ordenou ao discípulo que preparasse o jantar de modo que se comemorasse condignamente a grande solenidade. Pacômio tratou de cumprir a ordem do mestre: tomou uma certa quantidade de óleo e juntou-lhe um pouco de sal, depois do que, com ele regou um punhado de ervas selvagens que esperava num rude prato. Quando se sentaram à mesa, Palimão tomou do pão que lhe cabia. Pacômio, então, viu-o chorar e dar pancadas na cabeça, desesperado. Admirado mas respeitoso, nada perguntou, à espera, pacientemente duma explicação. E o velho, sempre a chorar, olhando o discípulo, exclamou: – Ai! Meu Salvador foi pregado na cruz e eu me vou dar a satisfação de comer com azeite? E nada o levou a tomar daquilo que Pacômio havia preparado. O santo, depois dum certo tempo, habituou-se com o retiro que, de zem em vez, fazia num vasto deserto desabitado, às margens do Nilo, o deserto de Tebena, adstrito à diocese de Tentira. Um dia, ali, todo consumido na oração, ouviu uma voz que lhe dizia, muito claramente: – Tu erguerás aqui um mosteiro para abrigar aqueles que Deus te enviará para o servir. Imediatamente, apareceu-lhe um anjo, que se lhe aproximou e principiou a dar algumas instruções que diziam respeito à vida monástica. Depois que deixou a solidão de Tebena, Pacômio buscou Palimão e lhe contou o sucedido. E os dois, indo ao deserto, no local em que o anjo aparecera ao santo, construíram uma cela. Era no ano de 325, e Palimão, que ao discípulo prometera visitar todos os anos, pouco depois falecia. O primeiro discípulo de São Pacômio foi o irmão mais velho, João, que logo faleceu. Jovens acorriam ao deserto de Tebena de toda a parte, atraídos pela santidade do santo abade. O edifício, que se construiu inicialmente, foi pequeno para acolher os sequiosos, de modo que, sem tardança, houve que ampliá-lo. Pouco tempo havia passado e a nova casa já contava uma centena de almas. São Pacômio, que aos religiosos dera hábitos de grosseira lã, vivia apenas coberto com o cilício que lhe aderia, apertado, ao corpo castigado pelas austeridades, seco pelos jejuns constantes. Por quinze anos, viveu o santo sem se abrigar. Repouso, tomava-o ele assentado numa pedra, onde cochilava, porque não dormia, que o tempo gasto no sono era tempo roubado ao exercício do divino amor. Pacômio desde que se convertera, jamais tomara refeição completa. Ali, na casa do deserto, todos comiam juntos, em silêncio, num vasto refeitório, com o capuz caído sobre o rosto, de sorte que o vizinho não visse o companheiro. Todos os monges se ocupavam com trabalhos manuais, e Pacômio era quem se dava aos doentes, pensando-os, cuidando deles com grande e paternal solicitude. O silêncio era estritamente observado no mosteiro: mais se exprimia por sinais do que com palavras. Quando um monge era obrigado a ir a um determinado lugar, afastado da comunidade, devia fazê-lo a meditar, pelo caminho, sobre alguma passagem da santa Escritura. O trabalho, esse, era acompanhado, sempre, do canto de salmos. À morte dum membro do mosteiro, celebravam-se missas para o descanso da alma. São Pacômio recebia sempre e sempre discípulos que vinham de todas as regiões. Cumpria-se, assim, o prometido naquele dia em que orava, sozinho e em que o anjo lhe aparecera, dando-lhe instruções. Deus, em verdade, enviava-lhe servidores sobre servidores. Houve, pois, necessidade de novas casas – e São Pacômio levantou seis mosteiros na Tebaida. Fixando-se no de Pabau, perto de Tebas, este mosteiro tornou-se famosíssimo, mais do que o primeiro, o da fundação do deserto de Tebena. Sugerido pelo bispo de Tentira, Serapião, o santo, erigiu uma igreja na aldeia, para que dela se servissem os pastores que abundavam na região, igreja em que ele fazia de leitor e pregou com admirável fervor a palavra de Deus. Numerosas foram as conversões feitas pelo doce abade, discípulo de Palimão. Com grande coragem, opôs-se sistematicamente aos arianos. A reputação do santo crescia, e, um dia, era em 333, Atanásio honrou-o com uma visita. Quando, duma feita, apareceu em Pabau uma das irmãs, pedindo para vê-lo, Pacômio enviou alguém para lhe dizer que não poderia fazê-lo, que mulher alguma havia de quebrar a clausura: que se contentasse por saber que ainda vivia. Ora, a irmã desejava levar vida religiosa. Sabedor daquilo, Pacômio alegrou-se muito, e providenciou a construção dum mosteiro para mulheres, do outro lado do Nilo – mas a irmã, não o viu. São Pacômio operou vários milagres. Deus cumulou-o de bondades sem par. Conta-se dele que, não sabendo o latim nem o grego, exprimiu-se nestas duas línguas com grande perfeição. A muitos doentes, curou-os, a vários possessos, libertou-os do demônio, com a aplicação de óleo bento. Teodoro, que foi o seu mais querido discípulo, e aquele que, morto o Santo, sucedeu-o no governo dos mosteiros todos, sofria constantemente, de terríveis dores de cabeça. Aos irmãos, que ao abade pediam que o curasse. Pacômio respondia: – A abstinência e a oração são seguramente uma fonte de grandes méritos, mas a doença, suportada com paciência, é seguramente de maior mérito ainda. No mosteiro havia monges que se dedicavam à feitura de esteiras. Um dia, um dos religiosos, aplicando-se com afinco naquele mister, conseguiu fabricar duas belas peças. E, todo orgulhoso, agiu de modo que o santo abade se inteirasse daquilo que julgava um grande feito. Pacômio considerou o monge, as duas esteiras, depois disse, calmamente, aos demais: – Este irmão se afanou da manhã à tarde a trabalhar para o demônio. E, para curá-lo da vaidade, deu-lhe, como penitência, cinco meses de cela, passando a pão, sal e água. Certa vez, um moço chamado Silvano, que fora ator de teatro, apareceu no mosteiro, procurando o abade, porque ali desejava fazer penitência. Admitido, Silvano levou por alguns tempos, vida de grande indisciplina. Transgredia as regras, quebrando o profundo silêncio que sempre reinou na casa, fazendo graçolas, rindo das próprias facécias. Pacômio, por caridade, conservou-o no mosteiro assim mesmo, procurando guiá-lo, apontando-lhe o perigo a que se expunha. Tudo era em vão. Por aquela pobre alma, chorou, orou, mortificou-se, deu-se a grandes jejuns – debalde. Então, chamando-o, um dia, à parte, fez com que o jovem visse que com Deus não se brincava impunemente. Silvano, profundamente impressionado, transformou-se por completo. E desde aquele dia, não mais deixou a comunidade, para a qual foi objeto de imensa edificação. Logo, tais foram as austeridades que começou a praticar, Pacômio ofereceu-o como modelo a todos os irmãos. Agora, em vão, procurava levá-lo à moderação, temendo-lhe pela saúde. Quando, tempos mais tarde, faleceu o ex-ator de teatro, São Pacômio recebeu do céu a certeza de que aquela boa alma fora apresentada como vítima muitíssimo agradável a Nosso Senhor Jesus Cristo. Morto em 348, no dia 9 de Maio, São Pacômio viu, em vida, nos diferentes mosteiros que fundara, o elevado número de sete mil monges a viver sob sua direção. Exortando os religiosos para que sempre se dessem com maior fervor ao serviço de Deus, faleceu doce e santamente. Fonte: Paulinas Internet SÃO GREGÓRIO NAZIANZENO, Bispo, Confessor e Doutor “Estejam cingidos os vossos rins, e acesas as vossas lâmpadas” (Lucas, 12, 35). São Gregório de Nazianzeno, indo a Atenas para estudar filosofia, foi surpreendido no mar por uma tempestade tão violenta que prometeu a Deus deixar o mundo se escapasse do naufrágio. Seu voto foi ouvido e Gregório, na companhia de São Basílio, seu colega em Atenas, retirou-se para a solidão. Dormia no chão nu, usando cilício, mortificado seu corpo com jejuns contínuos e vigílias. Ele foi arrancado de seu retiro quando foi nomeado Patriarca de Constantinopla. Ele morreu por volta do ano 390, em uma idade muito avançada. MEDITAÇÃO SOBRE O BOM EXEMPLO I. Dê bom exemplo para os outros, leva a mão na lâmpada dá luz a teu vizinho e com as tuas boas obras, abrasa teu coração com o amor de Deus. Esta é uma obrigação imposta a ti pela caridade. Se tu faltas a ela, se te tornas para o próximo ocasião de escândalo, tu serás duplamente punido. Como ousa escandalizar teu irmão, por quem Jesus Cristo deu sua vida? São Francisco de Assis pregou com sua modéstia; os apóstolos conquistaram mais almas para Jesus Cristo com sua paciência que com sua pregação, e suas palavras ardiam no fogo do Espírito Santo. II. Quando tu vês as falhas de teu próximo, volte-se sobre si mesmo e examina se não incorres em pecados iguais. Se tua consciência não te reprova nada, graças a Deus, e considera fealdade daqueles pecados para que lhes tenha aversão; reconhecerás melhor seu tamanho em outro que não em ti mesmo. Foge das ocasiões em que aquele desventurado naufragou, porque quem ama o perigo perecerá. Feliz aquele que não se deteve no caminho dos pecadores (Salmo 1). III. Veja o exemplo que tantas almas sagradas te dão. Quantas vezes tu vês todos as pessoas que vivem na austeridade e humildade, trabalhando com zelo pela salvação das almas! Quantos e quantos jovens que tendem ao céu com esforço contínuo! Santo Agostinho exclama: Erguem-se os ignorantes e ganham o céu, e nós, com todo o nosso conhecimento, mentimos em carne e osso! Fuja das más companhias. Ore pela conversão dos pecadores. ORAÇÃO: Ó Deus, que deu o bem-aventurado Gregório a vosso povo para a instrução sobre os caminhos da salvação eterna, fazei, nós vos rogamos, que depois de ter contado na terra como um médico e guia, mereçamos tê-lo como intercessor no céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém. #SantodoDia
- A Vida na Graça – Um mês com Maria | 9° dia
A VIDA NA GRAÇA Nossa Senhora foi chamada pelo Anjo Gabriel “plena de graça” (Lc 1,28). E nós sabemos que “plena de graça” quer dizer plena de Deus. Também dizemos de nós mesmos: estou em graça de Deus ou estou sem a graça de Deus. Ou seja: tenho Deus na alma ou tenho Satanás: “Quem não está comigo, está contra mim” (Mt 12,30). O que é a graça, então? É a vida divina da alma. Quando uma alma está em graça de Deus “participa da natureza divina” (2 Pd 1,4). Não se torna Deus, mas é unida, é cheia, é imensa em Deus: como uma esponja imersa na água e fica cheia de água. Já estes poucos pensamentos podem chegar a nos fazer entender a preciosidade sem fim que possui a alma do cristão em graças de Deus. Tinha certamente razão o Papa São Leão Magno de exclamar: “Reconhece, ó cristão, a tua dignidade; e, participando da natureza divina, livre-te de destruir, com atos indignos, a tua grandeza” A alma… e o cão Um dia o Santo Cura d’Ars passava, como sempre, entre duas filas de gente, para ir à Igreja. Improvisadamente, parou perto de um caçador que tinha a espingarda pendurada no pescoço, e ao lado o seu lindo cão de caça. O santo se inclinou a acariciar o cão, dizendo: “Que magnífico cão!”. Depois fixou por alguns instantes o caçador dizendo: “Senhor, seria desejável que a sua alma fosse bela como o seu cão!”. Mas como se perde a graça de Deus? Se perde com o pecado mortal. A alma na graça de Deus é semelhante a uma lâmpada elétrica acesa. Com o pecado mortal a alma se torna semelhante a uma lâmpada queimada. Não dá mais luz, não serve para mais nada. Mas a graça de Deus se pode recuperar, enquanto se é vivo, com o arrependimento e com a Confissão sacramental. E é nosso interesse não demorar a recuperá-la; porque cada momento vivido em pecado mortal é um momento de ser “filhos das trevas” (1 Ts 5,5) ao invés de ser “filhos da luz” (Ef 5,8) Compreendem tudo isso os cristãos? Ou talvez muitos nem se preocupam quase nada de encontrar-se em desgraça de Deus, e continuam a viver entre um pecado mortal e outro? Humanidade sem graça Infelizmente, nos basta somente dar um olhar sobre a humanidade, para saber se a maior parte vive na graça de Deus, devemos realisticamente admitir que o “rei das trevas” (Lc 22,53), o príncipe deste mundo (Jo 12,31) acaba com a vida de graça dos homens. Hoje o pecado mortal não é somente um fato singular, mas é um fenômeno de massa, de costume dos povos. Hoje é costume, em escala mundial, ler imprensa pornográfica, ver filmes bestiais, frequentar praias e lugares escandalosos, seguir as modas indecentes, usar a pílula e os métodos anticoncepcionais, ter ralações extraconjugais, e pré-matrimoniais, divorciar, abortar, renegar a fé, professar o ateísmo, falar blasfêmias…, sem falar das subversões, violências e furtos sempre mais colossais. Pobre mundo! Talvez nunca com tanta evidência se tenha achado “tão sob o maligno” (1 Jo 5,19). E “Jesus Cristo sacrificou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos arrancar deste mundo perverso…” (Gl 1,2). A Mãe da Graça Nós cristãos devemos ficar santamente orgulhosos de ser filhos de Deus e de Maria, irmãos de Jesus Cristo, templos do Espírito Santo, herdeiros do Paraíso. É verdade que Jesus veio para que os homens “tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10). E todas estas divinas riquezas nos são dadas com o Santo Batismo (que por isso, é bom administrar o mais cedo possível ao recém nascido). Santo Inácio Mártir, se chamava a si mesmo, com orgulho Teóforo, ou seja, portador de Deus. E todos os Santos “glorificaram e levaram Deus no próprio corpo” (1 Cor 6,20) cultivando a vida da graça com imenso cuidado. Mas quem é a Mãe da Divina Graça? O sabemos: é Nossa Senhora. É Ela que nos gera à vida divina. São Leão afirma que cada fonte batismal é o seio virginal de Maria! Dela vem até nós a graça da regeneração, que é indispensável a quem pecou mortamente e que transformou tantos pecadores em Santos. Lembremos, por exemplo, São João de Deus, jovem solteiro, que passava de um trabalho a outro, sem nunca tomar juízo. Nossa Senhora o livrou milagrosamente de um grave perigo, aparecendo-lhe e chamando-o a conversão: “um dia tu me amavas – lhe disse – torna a me amar e a me ter devoção. Converte-te a Deus”. O jovem fez isso seriamente e se santificou. Vamos nós também fazer isso seriamente? Para fazê-lo seriamente, rompamos energicamente com os nossos pecados. Como é possível que nos deixemos seduzir por um mundo em que tudo é concupiscência? (1 Jo 2, 15-17). A experiência de todos os convertidos confirma plenamente esta triste realidade do mundo sem a graça, todo engano e pecado. Sobretudo, os grandes convertidos nos asseguram que a vida não tem sentido, se não é vivida para Deus e para a eternidade. Lembremos a experiência de uma grande artista, Maria Fenoglio (cujo nome artístico era Eva Lavalliere), que decidiu se suicidar justamente quando tinha chegado ao ápice da glória e da fama mundana. Foi salva a tempo, por misericórdia de Deus, e foi iluminada pela graça. Então, compreendeu, finalmente, quais são os verdadeiros valores da vida. Renegou a sua vida mundana, abandonou o teatro, e iniciou uma vida de sacrifício sempre mais rica de graças e de virtudes. Escrevia no seu diário: “O meu ideal?”… Jesus. A minha ocupação preferida? … A oração. O meu esporte preferido?… estar ajoelhada. O meu perfume mais caro?… o incenso. A minha jóia mais preciosa?… O Rosário. Votos Fazer um ato de grande arrependimento por todas as vezes que perdemos a graça de Deus; Repetir amiúde a invocação: “Mãe da Divina graça, rogai por nós”; Empenhar-se em evitar toda ocasião perigosa que possa fazer-lhe perder a Graça de Deus. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- A Vida na Graça – Um mês com Maria | 9° dia
A VIDA NA GRAÇA Nossa Senhora foi chamada pelo Anjo Gabriel “plena de graça” (Lc 1,28). E nós sabemos que “plena de graça” quer dizer plena de Deus. Também dizemos de nós mesmos: estou em graça de Deus ou estou sem a graça de Deus. Ou seja: tenho Deus na alma ou tenho Satanás: “Quem não está comigo, está contra mim” (Mt 12,30). O que é a graça, então? É a vida divina da alma. Quando uma alma está em graça de Deus “participa da natureza divina” (2 Pd 1,4). Não se torna Deus, mas é unida, é cheia, é imensa em Deus: como uma esponja imersa na água e fica cheia de água. Já estes poucos pensamentos podem chegar a nos fazer entender a preciosidade sem fim que possui a alma do cristão em graças de Deus. Tinha certamente razão o Papa São Leão Magno de exclamar: “Reconhece, ó cristão, a tua dignidade; e, participando da natureza divina, livre-te de destruir, com atos indignos, a tua grandeza” A alma… e o cão Um dia o Santo Cura d’Ars passava, como sempre, entre duas filas de gente, para ir à Igreja. Improvisadamente, parou perto de um caçador que tinha a espingarda pendurada no pescoço, e ao lado o seu lindo cão de caça. O santo se inclinou a acariciar o cão, dizendo: “Que magnífico cão!”. Depois fixou por alguns instantes o caçador dizendo: “Senhor, seria desejável que a sua alma fosse bela como o seu cão!”. Mas como se perde a graça de Deus? Se perde com o pecado mortal. A alma na graça de Deus é semelhante a uma lâmpada elétrica acesa. Com o pecado mortal a alma se torna semelhante a uma lâmpada queimada. Não dá mais luz, não serve para mais nada. Mas a graça de Deus se pode recuperar, enquanto se é vivo, com o arrependimento e com a Confissão sacramental. E é nosso interesse não demorar a recuperá-la; porque cada momento vivido em pecado mortal é um momento de ser “filhos das trevas” (1 Ts 5,5) ao invés de ser “filhos da luz” (Ef 5,8) Compreendem tudo isso os cristãos? Ou talvez muitos nem se preocupam quase nada de encontrar-se em desgraça de Deus, e continuam a viver entre um pecado mortal e outro? Humanidade sem graça Infelizmente, nos basta somente dar um olhar sobre a humanidade, para saber se a maior parte vive na graça de Deus, devemos realisticamente admitir que o “rei das trevas” (Lc 22,53), o príncipe deste mundo (Jo 12,31) acaba com a vida de graça dos homens. Hoje o pecado mortal não é somente um fato singular, mas é um fenômeno de massa, de costume dos povos. Hoje é costume, em escala mundial, ler imprensa pornográfica, ver filmes bestiais, frequentar praias e lugares escandalosos, seguir as modas indecentes, usar a pílula e os métodos anticoncepcionais, ter ralações extraconjugais, e pré-matrimoniais, divorciar, abortar, renegar a fé, professar o ateísmo, falar blasfêmias…, sem falar das subversões, violências e furtos sempre mais colossais. Pobre mundo! Talvez nunca com tanta evidência se tenha achado “tão sob o maligno” (1 Jo 5,19). E “Jesus Cristo sacrificou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos arrancar deste mundo perverso…” (Gl 1,2). A Mãe da Graça Nós cristãos devemos ficar santamente orgulhosos de ser filhos de Deus e de Maria, irmãos de Jesus Cristo, templos do Espírito Santo, herdeiros do Paraíso. É verdade que Jesus veio para que os homens “tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10). E todas estas divinas riquezas nos são dadas com o Santo Batismo (que por isso, é bom administrar o mais cedo possível ao recém nascido). Santo Inácio Mártir, se chamava a si mesmo, com orgulho Teóforo, ou seja, portador de Deus. E todos os Santos “glorificaram e levaram Deus no próprio corpo” (1 Cor 6,20) cultivando a vida da graça com imenso cuidado. Mas quem é a Mãe da Divina Graça? O sabemos: é Nossa Senhora. É Ela que nos gera à vida divina. São Leão afirma que cada fonte batismal é o seio virginal de Maria! Dela vem até nós a graça da regeneração, que é indispensável a quem pecou mortamente e que transformou tantos pecadores em Santos. Lembremos, por exemplo, São João de Deus, jovem solteiro, que passava de um trabalho a outro, sem nunca tomar juízo. Nossa Senhora o livrou milagrosamente de um grave perigo, aparecendo-lhe e chamando-o a conversão: “um dia tu me amavas – lhe disse – torna a me amar e a me ter devoção. Converte-te a Deus”. O jovem fez isso seriamente e se santificou. Vamos nós também fazer isso seriamente? Para fazê-lo seriamente, rompamos energicamente com os nossos pecados. Como é possível que nos deixemos seduzir por um mundo em que tudo é concupiscência? (1 Jo 2, 15-17). A experiência de todos os convertidos confirma plenamente esta triste realidade do mundo sem a graça, todo engano e pecado. Sobretudo, os grandes convertidos nos asseguram que a vida não tem sentido, se não é vivida para Deus e para a eternidade. Lembremos a experiência de uma grande artista, Maria Fenoglio (cujo nome artístico era Eva Lavalliere), que decidiu se suicidar justamente quando tinha chegado ao ápice da glória e da fama mundana. Foi salva a tempo, por misericórdia de Deus, e foi iluminada pela graça. Então, compreendeu, finalmente, quais são os verdadeiros valores da vida. Renegou a sua vida mundana, abandonou o teatro, e iniciou uma vida de sacrifício sempre mais rica de graças e de virtudes. Escrevia no seu diário: “O meu ideal?”… Jesus. A minha ocupação preferida? … A oração. O meu esporte preferido?… estar ajoelhada. O meu perfume mais caro?… o incenso. A minha jóia mais preciosa?… O Rosário. Votos Fazer um ato de grande arrependimento por todas as vezes que perdemos a graça de Deus; Repetir amiúde a invocação: “Mãe da Divina graça, rogai por nós”; Empenhar-se em evitar toda ocasião perigosa que possa fazer-lhe perder a Graça de Deus. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- Aparição de São Miguel Arcanjo no Monte Gargano – 8 de maio
Comemora-se no dia 8 de maio a aparição de São Miguel Arcanjo sobre o Monte Gargano (em Apúlia, Itália). A história do mais antigo santuário do Ocidente dedicado a São Miguel está cheia de misterioso encanto. De lá se espalhou para toda a Igreja a devoção ao combativo Arcanjo. Será ela hoje apenas a pitoresca lembrança de um passado remoto? Situado a oitocentos metros de altura, sobre um imponente promontório que avança em direção ao Mar Adriático, o Santuário de São Miguel Arcanjo do Monte Gargano chama a atenção por sua singular arquitetura e posição geográfica. Um conjunto de pequenos edifícios pitorescamente sobrepostos na cresta da montanha o compõem, tendo por centro a pequena gruta onde o Custódio da Igreja apareceu no início da Idade Média. Ao tomarem conhecimento do ocorrido, os habitantes de Siponto pediram ao seu Bispo, São Lourenço Maiorano, que lhes interpretasse o misterioso fato Desde aquela remota época, o local tornou-se um centro de irradiação da devoção ao Santo Arcanjo para toda a Igreja. Ao longo dos tempos milhões de peregrinos, entre os quais muitos Papas, reis e Santos, visitaram o célebre santuário, cuja história, porém, se perde na bruma dos séculos. A flecha se volta contra o arqueiro Narram as antigas crônicas que, no ano 490, um nobre de Siponto, hoje parte da comuna italiana de Manfredônia, pôs-se a procurar nos arredores da cidade um de seus touros que havia se segregado dos demais. Passou várias horas buscando-o e só conseguiu encontrá-lo quando, vencido pelo cansaço, já decidira retornar para casa. O animal achava-se na entrada de uma gruta pedregosa de difícil acesso, situada na parte mais alta do monte que domina a cidade. Seu resgate tornava-se quase impossível. Tomado de impaciência, o nobre disparou-lhe uma flecha com a intenção de matá-lo, mas esta, para surpresa dos que presenciavam a cena, retornou ao ponto do qual fora lançada, ferindo o próprio arqueiro. Ao tomarem conhecimento do ocorrido, os sipontinos pediram ao seu Bispo, São Lourenço Maiorano, que lhes interpretasse o misterioso fato. Como resposta, o piedoso prelado decretou três dias de jejum, durante os quais todos deviam pedir a Deus que lhes revelasse seus sublimes desígnios em relação ao acontecido. O atendimento às preces e sacrifícios não se fez esperar. Na aurora do quarto dia, 8 de maio de 490, enquanto São Lourenço rezava na Igreja de Santa Maria Maggiore, antiga catedral de Siponto, apareceu-lhe o glorioso Príncipe da Milícia Celeste, dizendo: “Bem fizeste em procurar descobrir o mistério de Deus escondido aos homens, razão pela qual os golpeei com minha lança. Sabei, porém, que esta é a minha expressa vontade. Eu sou Miguel Arcanjo e estou sempre na presença de Deus. Venho habitar este lugar, guardá-lo e provar por meio de um sinal que serei seu vigia e custódio”.1 O espírito angélico ainda prometeu que concederia qualquer favor que ali lhe rogassem em oração e pediu que se dedicasse a gruta ao culto cristão. E, como prova do seu poder, fez com que o nobre atingido pela flecha ficasse prodigiosamente curado, a ponto de desaparecerem todos os vestígios do ferimento. São Miguel lhes obtém a vitória A notícia do acontecido espalhou-se pela Europa e pelo Mediterrâneo, até atingir a longínqua Constantinopla. Enquanto isso, em Siponto, os fiéis tomaram por costume subir o Monte Gargano a fim de pedir a intercessão do Santo Arcanjo, que lhes obtinha graças com grande munificência. Um dos maiores favores por ele concedidos deu-se dois anos depois da primeira aparição. Tendo sido a cidade cercada por um poderoso exército bárbaro, São Lourenço subiu à celeste gruta para implorar ao Arcanjo a vitória, e aconselhou ao povo pedir uma trégua de três dias, durante os quais deveriam fazer jejuns e preces em honra ao Deus dos exércitos. Os invasores aceitaram o armistício e, completado o tempo assinalado, São Miguel apareceu novamente ao prelado enquanto rezava na catedral de Siponto. Era a aurora de 29 de setembro de 492. Vinha anunciar-lhe a vitória e o advertia de não atacar os invasores senão depois da hora quarta daquele mesmo dia. O santo Bispo convocou o povo e transmitiu-lhe as instruções recebidas do Céu. Inundados de alegria, os defensores da cidade passaram as primeiras horas do dia em oração e, no momento determinado pelo Arcanjo, dirigiram-se ao encontro dos seus adversários. Os invasores, conta um cronista, confiavam no próprio orgulho, e os sipontinos, na promessa angélica.2 Cenas do retábulo de São Miguel Arcanjo – Capela Santa Inês, Museu Diocesano e Catedralício, Valladolid (Espanha) Iniciada a batalha, uma espessa nuvem cobriu o Gargano. A terra começou a tremer, o mar agitou-se rugindo com furor e desabou uma terrível tempestade, cujos raios atingiam os bárbaros e poupavam os sipontinos. Aterrorizado, o exército inimigo logo se pôs em fuga. Em agradecimento, o Bispo saiu com o povo em procissão até a gruta do Arcanjo, em frente à qual encontraram gravadas na rocha pegadas semelhantes às de um homem. Imediatamente as atribuíram a São Miguel e, não ousando entrar, puseram-se a venerar os vestígios deixados pelo espírito angélico como sinal inequívoco de sua presença e proteção. Leia também: A misteriosa linha reta que une 7 santuários dedicados a São Miguel Arcanjo “Eu mesmo consagrei este lugar” No oitavo dia do mês de maio de 493, o Bispo Lourenço subiu novamente à gruta para comemorar o terceiro aniversário da primeira aparição. Preocupava-lhe a ideia de transformar aquele solitário local em um verdadeiro santuário, onde Deus fosse louvado e a Santa Missa celebrada com frequência, mas não sabia qual seria o melhor modo de fazê-lo. Para resolver o dilema, decidiu levar o problema ao Papa São Gelásio, que acabava de assumir o Sólio Pontifício. Este acolheu com benevolência os mensageiros do Bispo, mas, em lugar de dar-lhe uma solução para a questão, convidou-o a descobrir a vontade do Arcanjo com estas palavras: “Se competisse a nós determinar o dia da dedicação da igreja escolhida por São Miguel, diríamos que se fizesse no dia da vitória contra os bárbaros; mas, cabendo ao Santo Príncipe defini-lo, esperamos o seu oráculo”.3 Nessa mesma missiva, o Pontífice pedia a São Lourenço que proclamasse em Siponto um jejum de três dias, no qual deveriam acompanhá-lo sete virtuosos prelados de dioceses vizinhas, que enumerava a seguir. O próprio Santo Padre prometia unir-se em Roma às orações assim proferidas. As preces de um Papa santo, unidas às de tão virtuosos prelados, não podiam deixar de ser atendidas. No dia 26 de setembro de 493, deu-se início ao tríduo solene preceituado por São Gelásio e, na noite do dia 29, São Lourenço recebia o terceiro oráculo do Arcanjo, que apareceu a ele dizendo: “Não compete a vós dedicar esta basílica que eu erigi, mas a mim, que coloquei seus fundamentos. À medida que suas paredes cresçam, os pecados dos homens que a visitem diminuirão, pois no seio desta casa tão especial as más ações desaparecem. Entrai nela, orai assiduamente no seu interior, assistidos por mim, seu padroeiro. E, quando sejam celebradas Missas, que o povo comungue conforme o costume. Eu mesmo me encarregarei de santificar este lugar”.4 Na aurora do dia seguinte, prelados e fiéis dirigiram-se à gruta e os sinais prometidos pelo Arcanjo começaram já no caminho, ao longo do qual o sol era muito forte. Em determinado momento, quatro enormes águias passaram a acompanhá-los: duas faziam sombra para os Bispos e o povo, e as outras duas produziam com suas asas uma agradável brisa. Ao chegar à gruta, depararam-se com a efígie de São Miguel impressa na parede e, ao penetrar no seu interior, encontraram um altar escavado na rocha e ornado com uma cruz de cristal, como símbolo da prometida consagração. Séculos de devoção a São Miguel Quando o Papa Gelásio soube por São Lourenço das maravilhas acontecidas nesse dia, estabeleceu para todo o sempre que o dia 29 de setembro fosse dedicado a São Miguel na Igreja universal. Mais tarde se comemorariam também nessa data São Gabriel e São Rafael, dando origem assim à atual memória litúrgica dos três Arcanjos. Nos séculos sucessivos, a história do santuário acompanha as vicissitudes da época, marcada pelas lutas entre bizantinos e lombardos. No século XI erige-se a antiga igreja, cujos vestígios ainda hoje contemplamos. Entre os Papas e Santos medievais que visitaram o santuário, cabe mencionar São Bernardo, São Guilherme de Vercelli, São Tomás de Aquino, Santa Catarina de Siena e São Francisco de Assis. Este último, não se sentindo digno de ingressar na gruta, recolheu-se em oração à entrada do recinto, osculou o chão e gravou numa das pedras o sinal do tau. Em 1656 haveria de dar-se ainda uma quarta aparição, motivada pela terrível peste que então se alastrava pela Itália, levando consigo inúmeras vítimas. Nessa ocasião Dom Giovanni Alfonso Puccinelli, Arcebispo de Manfredônia, determinou que fossem feitos jejuns e orações, a fim de implorar o auxílio do protetor celeste, e deixou nas mãos da imagem de São Miguel uma súplica por escrito. Enquanto rezava, o Arcanjo se manifestou a ele ordenando que abençoasse fragmentos de pedras da gruta, nos quais deveria esculpir o seu nome e o sinal da cruz. Todo aquele que os utilizasse seria curado da peste, e assim sucedeu. “Eu sou Miguel Arcanjo e estou sempre na presença de Deus. Venho habitar este lugar, guardá-lo e provar por meio de um sinal que serei seu vigia e custódio” Leia também A verdadeira história da oração a São Miguel Arcanjo do Papa Leão XIII Unidos a São Miguel, venceremos Em nossos dias, o Santuário do Monte Gargano continua sendo um concorrido centro de peregrinação, potenciado pela sua proximidade a San Giovanni Rotondo. Entretanto, a mentalidade moderna parece ter relegado sua venerável história e a devoção ao Arcanjo ali praticada à pitoresca lembrança de um passado remoto, sem maior utilidade para os tempos atuais. Nada de mais errôneo. Hoje a Igreja está envolvida numa terrível guerra espiritual, durante a qual o demônio tem levado consigo um número cada vez maior de almas. Nessa luta, São Miguel possui um importantíssimo papel. Sendo não apenas o escudo da Igreja, como também seu gládio, o Príncipe dos exércitos do Senhor é chamado não só a nos proteger contra as insídias do inimigo, mas a lhe infligir uma de suas mais amargas derrotas. Cabe-nos, portanto, crescer na devoção a este celeste Arcanjo, certos de que, unidos a tão invicto general, tornar-nos-emos invencíveis e fortes como a milícia celeste o foi, fazendo ecoar por todo o império de satanás o decisivo e triunfante brado: “Quis ut Deus!” Uma curiosa coincidência? O Santuário do Monte Gargano faz parte de um conjunto de sete construções relacionadas com o Custódio da Igreja que, embora separadas por grandes distâncias, encontram-se enfileiradas no mapa. Formam assim o que tem sido chamado de Linha Sacra de São Miguel Arcanjo. O extremo noroeste desta reta situa-se numa despovoada ilha da Irlanda, onde o Príncipe da Milícia Celeste apareceu a São Patrício. Ali foi levantado em fins do século VI o Mosteiro de Skellig Michael, um dos mais antigos e remotos do mundo cristão. Continuando em direção ao sul, deparamo-nos na Cornualha, Inglaterra, com a ilha de Saint Michael’s Mount na qual, segundo uma antiga tradição, o Arcanjo se manifestou no século V a um grupo de pescadores. Após atravessar o Canal da Mancha, chegamos à famosíssima Abadia do Mont Saint-Michel, local da aparição ao Bispo de Avranches, Santo Autberto. De lá avançamos até uma grande rocha que domina o Piemonte, do outro lado dos Alpes, sobre a qual se ergue a Sacra di San Michele, antiquíssimo mosteiro dedicado ao Custódio da Igreja. E ainda dentro do território italiano, mas já nas margens do Adriático, está o Santuário do Monte Gargano. Na ilha grega de Symi, próxima à costa da Turquia, encontramos o mosteiro ortodoxo de Panormitis, edificado sobre uma antiga igreja cristã de meados do século V dedicada a São Miguel. E, no extremo sudeste desta linha reta, ergue-se o Monte Carmelo, morada do profeta Elias e também de alguma forma relacionado com o Arcanjo. É digno de nota que as duas construções mais importantes deste conjunto – Mont Saint-Michel e Monte Gargano – estejam à beira-mar, exatamente à mesma distância da Sacra di San Michele, situada bem no coração da Europa. Cabe perguntar se esta linha de santuários constitui apenas uma curiosa coincidência. Ou corresponderá ela, como certos espíritos imaginativos afirmam, a um terrível golpe de espada dado pelo Arcanjo sobre Lúcifer no decurso do prælio magno ocorrido no Céu? Impossível é para nós conjeturar sobre tão misteriosos arcanos. Deus, porém, nada faz por acaso; grande ou pequeno, tudo para Ele tem seu significado. Algum dia o conheceremos. ( Revista Arautos do Evangelho , Setembro/2019, n. 213, p. 34-37) Leia também “A batalha no Céu”: A história de São Miguel Arcanjo Breviário Romano “Vede, não desprezeis um só destes pequeninos, pois vos declaro que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 18, 10). São Miguel é honrado como o protetor especial da Igreja contra os ataques do demônio. A festa de hoje foi instituída em memória de uma aparição do santo Arcanjo no Monte Gárgano, no reino de Nápoles. Nesse milagre o arcanjo disse ao bispo de Siponto a existência de uma caverna em forma de igreja, dizendo que este lugar deveria ser consagrado ao culto de Deus e seus anjos. Cercado por grande audiência o bispo celebrou a missa na gruta, que se tornou um centro de peregrinação, ilustre por muitos milagres. Este acontecimento ocorreu por volta do ano 490. MEDITAÇÃO SOBRE A IMITAÇÃO DOS ANJOS I. Os anjos estão sempre prontos para executar os mandamentos de Deus. Quer tenham sucesso ou não naquilo que fazem, são sempre felizes, porque em tudo são conformes com a vontade de Deus. Não ficarias feliz se em tudo tivesses essa sagrada vontade em vista? Não te inquietarias o resultado de teus negócios, porque não depende de ti a coroa de teu sucesso, mas de Deus que ordena tudo conforme seu agrado. II. Mantêm-se os anjos em uma pureza admirável em meio à corrupção do mundo. Esta pureza que possuem por natureza, tu poderias possuir por virtude se, por exemplo, pensar continuamente em presença de Deus, e se evitares ocasiões perigosas toda vez que não te obrigue a te expores a elas a glória de Deus e a salvação do próximo. Pede a teu Anjo custódio que te ensine este dois modos e conservar a pureza. III. Os anjos se preocupam tanto dos pecadores quanto dos justos, com os pobres como com os ricos. Vós apóstolos, vós cristãos, todos devem amar todos os homens igualmente; deveis velar pela salvação do teu próximo, seja ele quem for. Não odeies o pecador, ele é uma criatura à imagem de Deus; trabalhe em sua conversão sem nunca desanimar; Em uma palavra, te comporte com o teu próximo como o teu anjo faz contigo. Deus se tornou homem para que o homem se tornasse um anjo. (Santo Agostinho). Devoção aos Santos Anjos. Ore pela paz entre os cristãos. ORAÇÃO Ó Deus, que administrais os ministérios com ordem admirável dos anjos e dos homens, fazei, em vossa bondade, que nesta vida sejamos protegidos por aqueles no céu continuamente vos oferecem sem cessar a homenagem de seus serviços. Por J. C. N. S. Amém. #SãoMiguel
- Aparição de São Miguel Arcanjo no Monte Gargano – 8 de maio
Comemora-se no dia 8 de maio a aparição de São Miguel Arcanjo sobre o Monte Gargano (em Apúlia, Itália). A história do mais antigo santuário do Ocidente dedicado a São Miguel está cheia de misterioso encanto. De lá se espalhou para toda a Igreja a devoção ao combativo Arcanjo. Será ela hoje apenas a pitoresca lembrança de um passado remoto? Situado a oitocentos metros de altura, sobre um imponente promontório que avança em direção ao Mar Adriático, o Santuário de São Miguel Arcanjo do Monte Gargano chama a atenção por sua singular arquitetura e posição geográfica. Um conjunto de pequenos edifícios pitorescamente sobrepostos na cresta da montanha o compõem, tendo por centro a pequena gruta onde o Custódio da Igreja apareceu no início da Idade Média. Ao tomarem conhecimento do ocorrido, os habitantes de Siponto pediram ao seu Bispo, São Lourenço Maiorano, que lhes interpretasse o misterioso fato Desde aquela remota época, o local tornou-se um centro de irradiação da devoção ao Santo Arcanjo para toda a Igreja. Ao longo dos tempos milhões de peregrinos, entre os quais muitos Papas, reis e Santos, visitaram o célebre santuário, cuja história, porém, se perde na bruma dos séculos. A flecha se volta contra o arqueiro Narram as antigas crônicas que, no ano 490, um nobre de Siponto, hoje parte da comuna italiana de Manfredônia, pôs-se a procurar nos arredores da cidade um de seus touros que havia se segregado dos demais. Passou várias horas buscando-o e só conseguiu encontrá-lo quando, vencido pelo cansaço, já decidira retornar para casa. O animal achava-se na entrada de uma gruta pedregosa de difícil acesso, situada na parte mais alta do monte que domina a cidade. Seu resgate tornava-se quase impossível. Tomado de impaciência, o nobre disparou-lhe uma flecha com a intenção de matá-lo, mas esta, para surpresa dos que presenciavam a cena, retornou ao ponto do qual fora lançada, ferindo o próprio arqueiro. Ao tomarem conhecimento do ocorrido, os sipontinos pediram ao seu Bispo, São Lourenço Maiorano, que lhes interpretasse o misterioso fato. Como resposta, o piedoso prelado decretou três dias de jejum, durante os quais todos deviam pedir a Deus que lhes revelasse seus sublimes desígnios em relação ao acontecido. O atendimento às preces e sacrifícios não se fez esperar. Na aurora do quarto dia, 8 de maio de 490, enquanto São Lourenço rezava na Igreja de Santa Maria Maggiore, antiga catedral de Siponto, apareceu-lhe o glorioso Príncipe da Milícia Celeste, dizendo: “Bem fizeste em procurar descobrir o mistério de Deus escondido aos homens, razão pela qual os golpeei com minha lança. Sabei, porém, que esta é a minha expressa vontade. Eu sou Miguel Arcanjo e estou sempre na presença de Deus. Venho habitar este lugar, guardá-lo e provar por meio de um sinal que serei seu vigia e custódio”.1 O espírito angélico ainda prometeu que concederia qualquer favor que ali lhe rogassem em oração e pediu que se dedicasse a gruta ao culto cristão. E, como prova do seu poder, fez com que o nobre atingido pela flecha ficasse prodigiosamente curado, a ponto de desaparecerem todos os vestígios do ferimento. São Miguel lhes obtém a vitória A notícia do acontecido espalhou-se pela Europa e pelo Mediterrâneo, até atingir a longínqua Constantinopla. Enquanto isso, em Siponto, os fiéis tomaram por costume subir o Monte Gargano a fim de pedir a intercessão do Santo Arcanjo, que lhes obtinha graças com grande munificência. Um dos maiores favores por ele concedidos deu-se dois anos depois da primeira aparição. Tendo sido a cidade cercada por um poderoso exército bárbaro, São Lourenço subiu à celeste gruta para implorar ao Arcanjo a vitória, e aconselhou ao povo pedir uma trégua de três dias, durante os quais deveriam fazer jejuns e preces em honra ao Deus dos exércitos. Os invasores aceitaram o armistício e, completado o tempo assinalado, São Miguel apareceu novamente ao prelado enquanto rezava na catedral de Siponto. Era a aurora de 29 de setembro de 492. Vinha anunciar-lhe a vitória e o advertia de não atacar os invasores senão depois da hora quarta daquele mesmo dia. O santo Bispo convocou o povo e transmitiu-lhe as instruções recebidas do Céu. Inundados de alegria, os defensores da cidade passaram as primeiras horas do dia em oração e, no momento determinado pelo Arcanjo, dirigiram-se ao encontro dos seus adversários. Os invasores, conta um cronista, confiavam no próprio orgulho, e os sipontinos, na promessa angélica.2 Cenas do retábulo de São Miguel Arcanjo – Capela Santa Inês, Museu Diocesano e Catedralício, Valladolid (Espanha) Iniciada a batalha, uma espessa nuvem cobriu o Gargano. A terra começou a tremer, o mar agitou-se rugindo com furor e desabou uma terrível tempestade, cujos raios atingiam os bárbaros e poupavam os sipontinos. Aterrorizado, o exército inimigo logo se pôs em fuga. Em agradecimento, o Bispo saiu com o povo em procissão até a gruta do Arcanjo, em frente à qual encontraram gravadas na rocha pegadas semelhantes às de um homem. Imediatamente as atribuíram a São Miguel e, não ousando entrar, puseram-se a venerar os vestígios deixados pelo espírito angélico como sinal inequívoco de sua presença e proteção. Leia também: A misteriosa linha reta que une 7 santuários dedicados a São Miguel Arcanjo “Eu mesmo consagrei este lugar” No oitavo dia do mês de maio de 493, o Bispo Lourenço subiu novamente à gruta para comemorar o terceiro aniversário da primeira aparição. Preocupava-lhe a ideia de transformar aquele solitário local em um verdadeiro santuário, onde Deus fosse louvado e a Santa Missa celebrada com frequência, mas não sabia qual seria o melhor modo de fazê-lo. Para resolver o dilema, decidiu levar o problema ao Papa São Gelásio, que acabava de assumir o Sólio Pontifício. Este acolheu com benevolência os mensageiros do Bispo, mas, em lugar de dar-lhe uma solução para a questão, convidou-o a descobrir a vontade do Arcanjo com estas palavras: “Se competisse a nós determinar o dia da dedicação da igreja escolhida por São Miguel, diríamos que se fizesse no dia da vitória contra os bárbaros; mas, cabendo ao Santo Príncipe defini-lo, esperamos o seu oráculo”.3 Nessa mesma missiva, o Pontífice pedia a São Lourenço que proclamasse em Siponto um jejum de três dias, no qual deveriam acompanhá-lo sete virtuosos prelados de dioceses vizinhas, que enumerava a seguir. O próprio Santo Padre prometia unir-se em Roma às orações assim proferidas. As preces de um Papa santo, unidas às de tão virtuosos prelados, não podiam deixar de ser atendidas. No dia 26 de setembro de 493, deu-se início ao tríduo solene preceituado por São Gelásio e, na noite do dia 29, São Lourenço recebia o terceiro oráculo do Arcanjo, que apareceu a ele dizendo: “Não compete a vós dedicar esta basílica que eu erigi, mas a mim, que coloquei seus fundamentos. À medida que suas paredes cresçam, os pecados dos homens que a visitem diminuirão, pois no seio desta casa tão especial as más ações desaparecem. Entrai nela, orai assiduamente no seu interior, assistidos por mim, seu padroeiro. E, quando sejam celebradas Missas, que o povo comungue conforme o costume. Eu mesmo me encarregarei de santificar este lugar”.4 Na aurora do dia seguinte, prelados e fiéis dirigiram-se à gruta e os sinais prometidos pelo Arcanjo começaram já no caminho, ao longo do qual o sol era muito forte. Em determinado momento, quatro enormes águias passaram a acompanhá-los: duas faziam sombra para os Bispos e o povo, e as outras duas produziam com suas asas uma agradável brisa. Ao chegar à gruta, depararam-se com a efígie de São Miguel impressa na parede e, ao penetrar no seu interior, encontraram um altar escavado na rocha e ornado com uma cruz de cristal, como símbolo da prometida consagração. Séculos de devoção a São Miguel Quando o Papa Gelásio soube por São Lourenço das maravilhas acontecidas nesse dia, estabeleceu para todo o sempre que o dia 29 de setembro fosse dedicado a São Miguel na Igreja universal. Mais tarde se comemorariam também nessa data São Gabriel e São Rafael, dando origem assim à atual memória litúrgica dos três Arcanjos. Nos séculos sucessivos, a história do santuário acompanha as vicissitudes da época, marcada pelas lutas entre bizantinos e lombardos. No século XI erige-se a antiga igreja, cujos vestígios ainda hoje contemplamos. Entre os Papas e Santos medievais que visitaram o santuário, cabe mencionar São Bernardo, São Guilherme de Vercelli, São Tomás de Aquino, Santa Catarina de Siena e São Francisco de Assis. Este último, não se sentindo digno de ingressar na gruta, recolheu-se em oração à entrada do recinto, osculou o chão e gravou numa das pedras o sinal do tau. Em 1656 haveria de dar-se ainda uma quarta aparição, motivada pela terrível peste que então se alastrava pela Itália, levando consigo inúmeras vítimas. Nessa ocasião Dom Giovanni Alfonso Puccinelli, Arcebispo de Manfredônia, determinou que fossem feitos jejuns e orações, a fim de implorar o auxílio do protetor celeste, e deixou nas mãos da imagem de São Miguel uma súplica por escrito. Enquanto rezava, o Arcanjo se manifestou a ele ordenando que abençoasse fragmentos de pedras da gruta, nos quais deveria esculpir o seu nome e o sinal da cruz. Todo aquele que os utilizasse seria curado da peste, e assim sucedeu. “Eu sou Miguel Arcanjo e estou sempre na presença de Deus. Venho habitar este lugar, guardá-lo e provar por meio de um sinal que serei seu vigia e custódio” Leia também A verdadeira história da oração a São Miguel Arcanjo do Papa Leão XIII Unidos a São Miguel, venceremos Em nossos dias, o Santuário do Monte Gargano continua sendo um concorrido centro de peregrinação, potenciado pela sua proximidade a San Giovanni Rotondo. Entretanto, a mentalidade moderna parece ter relegado sua venerável história e a devoção ao Arcanjo ali praticada à pitoresca lembrança de um passado remoto, sem maior utilidade para os tempos atuais. Nada de mais errôneo. Hoje a Igreja está envolvida numa terrível guerra espiritual, durante a qual o demônio tem levado consigo um número cada vez maior de almas. Nessa luta, São Miguel possui um importantíssimo papel. Sendo não apenas o escudo da Igreja, como também seu gládio, o Príncipe dos exércitos do Senhor é chamado não só a nos proteger contra as insídias do inimigo, mas a lhe infligir uma de suas mais amargas derrotas. Cabe-nos, portanto, crescer na devoção a este celeste Arcanjo, certos de que, unidos a tão invicto general, tornar-nos-emos invencíveis e fortes como a milícia celeste o foi, fazendo ecoar por todo o império de satanás o decisivo e triunfante brado: “Quis ut Deus!” Uma curiosa coincidência? O Santuário do Monte Gargano faz parte de um conjunto de sete construções relacionadas com o Custódio da Igreja que, embora separadas por grandes distâncias, encontram-se enfileiradas no mapa. Formam assim o que tem sido chamado de Linha Sacra de São Miguel Arcanjo. O extremo noroeste desta reta situa-se numa despovoada ilha da Irlanda, onde o Príncipe da Milícia Celeste apareceu a São Patrício. Ali foi levantado em fins do século VI o Mosteiro de Skellig Michael, um dos mais antigos e remotos do mundo cristão. Continuando em direção ao sul, deparamo-nos na Cornualha, Inglaterra, com a ilha de Saint Michael’s Mount na qual, segundo uma antiga tradição, o Arcanjo se manifestou no século V a um grupo de pescadores. Após atravessar o Canal da Mancha, chegamos à famosíssima Abadia do Mont Saint-Michel, local da aparição ao Bispo de Avranches, Santo Autberto. De lá avançamos até uma grande rocha que domina o Piemonte, do outro lado dos Alpes, sobre a qual se ergue a Sacra di San Michele, antiquíssimo mosteiro dedicado ao Custódio da Igreja. E ainda dentro do território italiano, mas já nas margens do Adriático, está o Santuário do Monte Gargano. Na ilha grega de Symi, próxima à costa da Turquia, encontramos o mosteiro ortodoxo de Panormitis, edificado sobre uma antiga igreja cristã de meados do século V dedicada a São Miguel. E, no extremo sudeste desta linha reta, ergue-se o Monte Carmelo, morada do profeta Elias e também de alguma forma relacionado com o Arcanjo. É digno de nota que as duas construções mais importantes deste conjunto – Mont Saint-Michel e Monte Gargano – estejam à beira-mar, exatamente à mesma distância da Sacra di San Michele, situada bem no coração da Europa. Cabe perguntar se esta linha de santuários constitui apenas uma curiosa coincidência. Ou corresponderá ela, como certos espíritos imaginativos afirmam, a um terrível golpe de espada dado pelo Arcanjo sobre Lúcifer no decurso do prælio magno ocorrido no Céu? Impossível é para nós conjeturar sobre tão misteriosos arcanos. Deus, porém, nada faz por acaso; grande ou pequeno, tudo para Ele tem seu significado. Algum dia o conheceremos. ( Revista Arautos do Evangelho , Setembro/2019, n. 213, p. 34-37) Leia também “A batalha no Céu”: A história de São Miguel Arcanjo Breviário Romano “Vede, não desprezeis um só destes pequeninos, pois vos declaro que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 18, 10). São Miguel é honrado como o protetor especial da Igreja contra os ataques do demônio. A festa de hoje foi instituída em memória de uma aparição do santo Arcanjo no Monte Gárgano, no reino de Nápoles. Nesse milagre o arcanjo disse ao bispo de Siponto a existência de uma caverna em forma de igreja, dizendo que este lugar deveria ser consagrado ao culto de Deus e seus anjos. Cercado por grande audiência o bispo celebrou a missa na gruta, que se tornou um centro de peregrinação, ilustre por muitos milagres. Este acontecimento ocorreu por volta do ano 490. MEDITAÇÃO SOBRE A IMITAÇÃO DOS ANJOS I. Os anjos estão sempre prontos para executar os mandamentos de Deus. Quer tenham sucesso ou não naquilo que fazem, são sempre felizes, porque em tudo são conformes com a vontade de Deus. Não ficarias feliz se em tudo tivesses essa sagrada vontade em vista? Não te inquietarias o resultado de teus negócios, porque não depende de ti a coroa de teu sucesso, mas de Deus que ordena tudo conforme seu agrado. II. Mantêm-se os anjos em uma pureza admirável em meio à corrupção do mundo. Esta pureza que possuem por natureza, tu poderias possuir por virtude se, por exemplo, pensar continuamente em presença de Deus, e se evitares ocasiões perigosas toda vez que não te obrigue a te expores a elas a glória de Deus e a salvação do próximo. Pede a teu Anjo custódio que te ensine este dois modos e conservar a pureza. III. Os anjos se preocupam tanto dos pecadores quanto dos justos, com os pobres como com os ricos. Vós apóstolos, vós cristãos, todos devem amar todos os homens igualmente; deveis velar pela salvação do teu próximo, seja ele quem for. Não odeies o pecador, ele é uma criatura à imagem de Deus; trabalhe em sua conversão sem nunca desanimar; Em uma palavra, te comporte com o teu próximo como o teu anjo faz contigo. Deus se tornou homem para que o homem se tornasse um anjo. (Santo Agostinho). Devoção aos Santos Anjos. Ore pela paz entre os cristãos. ORAÇÃO Ó Deus, que administrais os ministérios com ordem admirável dos anjos e dos homens, fazei, em vossa bondade, que nesta vida sejamos protegidos por aqueles no céu continuamente vos oferecem sem cessar a homenagem de seus serviços. Por J. C. N. S. Amém. #SãoMiguel
- Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina – 08 de Maio
Em 08 de maio celebramos Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina. A quase 70 quilômetros da capital argentina, está a pitoresca cidade de Luján. Suas origens remontam ao ano 1536, quando, às margens do rio homônimo que atravessa a cidade, os índios executaram o capitão Pedro Luján. Quase um século depois, ela passou a se desenvolver em torno da igreja de Nossa Senhora de Luján, hoje Basílica e Santuário mariano que guarda a imagem da Padroeira da Argentina. Segundo a história e a tradição cristã, Farias era um rico fazendeiro português que vivia na região de Córdoba em 1630. Para a capela que construía na sua propriedade, encomendou a um amigo residente no Brasil uma imagem de Nossa Senhora. O patrício despachou duas caixas: uma com a imagem só da Virgem Maria e outra com a imagem de Nossa Senhora segurando o Menino Jesus nos braços. Quando a carroça que as transportava chegou a Luján, os tropeiros decidiram pernoitar na estância de Dom Rosendo. Na manhã seguinte, os bois não conseguiam puxar a carroça. Para aliviar o peso, seria preciso retirar algumas das encomendas, mas ficaram surpresos ao perceber que bastou descarregar uma das pequenas caixas vindas do Brasil para a carroça se mover. Intrigados, abriram para ver o que continha e encontraram uma pequena imagem de 38 centímetros, da Virgem Maria com as mãos unidas junto ao peito. Os tropeiros entenderam que era um aviso do Senhor e resolveram deixar a imagem para ser venerada naquele local. Avisado sobre o acontecimento milagroso, Dom Rosendo mandou erguer um pequeno oratório para guardar a imagem da Virgem e designou um escravo negro chamado Manuel, já convertido, para ser o zelador. Manuel, então, se consagrou à Virgem Maria e seguiu sempre cuidando da sagrada imagem. Em 1670, com a morte de Dom Rosendo, a propriedade ficou abandonada, mas o oratório não, pois o fiel devoto Manuel continuou zelando pela imagem de Nossa Senhora. No ano seguinte, a ilustre Dona Ana Matos, proprietária de uma estância às margens do rio Luján, pediu ao padre Oramas, administrador dos bens do falecido Dom Rosendo, para ficar com a imagem, pois queria erguer uma capela particular. Com sua aprovação, levou-a para casa, mas dispensou os serviços do velho Manuel, que ficou ali, no oratório solitário, rezando para a Santíssima Virgem diante do altar vazio. No dia seguinte, milagrosamente, a imagem apareceu no antigo lugar. Avisada, Dona Ana tornou a levar a imagem para sua casa, e o prodígio se repetiu. Assustada, ela comunicou tudo ao padre Oramas, que informou o acontecido ao bispo e ao governador de Buenos Aires. Estes foram ao local e verificaram a veracidade dos fatos. Por isso, decidiram transladar em solene procissão a sagrada imagem da Virgem, acompanhada do fiel devoto Manuel, que continuaria seu zelador na nova capela. E nesse local ela se mantém até hoje. A notícia dos milagres de Nossa Senhora de Luján correu depressa pelas populações vizinhas. Em 1685, foi erguida a primeira grande igreja que se tornou o centro da vila de Luján. A primeira pedra da Basílica atual foi colocada em 1887, na mesma solenidade da coroação canônica de Nossa Senhora de Luján, transcorrida sob as bênçãos do papa Leão XIII, que indicou o dia 8 de maio para sua festa anual. Mas a magnífica arquitetura da Basílica só foi totalmente concluída em 1935, sendo então declarada Monumento Histórico Nacional. O papa João Paulo II, em visita à Argentina, em 1982, orou aos pés da Virgem de Luján e abençoou esse Santuário. Texto: Jacinta Cericato/Paulinas Internet #FestasdeNossaSenhora #NossaSenhora
- Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina – 08 de Maio
Em 08 de maio celebramos Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina. A quase 70 quilômetros da capital argentina, está a pitoresca cidade de Luján. Suas origens remontam ao ano 1536, quando, às margens do rio homônimo que atravessa a cidade, os índios executaram o capitão Pedro Luján. Quase um século depois, ela passou a se desenvolver em torno da igreja de Nossa Senhora de Luján, hoje Basílica e Santuário mariano que guarda a imagem da Padroeira da Argentina. Segundo a história e a tradição cristã, Farias era um rico fazendeiro português que vivia na região de Córdoba em 1630. Para a capela que construía na sua propriedade, encomendou a um amigo residente no Brasil uma imagem de Nossa Senhora. O patrício despachou duas caixas: uma com a imagem só da Virgem Maria e outra com a imagem de Nossa Senhora segurando o Menino Jesus nos braços. Quando a carroça que as transportava chegou a Luján, os tropeiros decidiram pernoitar na estância de Dom Rosendo. Na manhã seguinte, os bois não conseguiam puxar a carroça. Para aliviar o peso, seria preciso retirar algumas das encomendas, mas ficaram surpresos ao perceber que bastou descarregar uma das pequenas caixas vindas do Brasil para a carroça se mover. Intrigados, abriram para ver o que continha e encontraram uma pequena imagem de 38 centímetros, da Virgem Maria com as mãos unidas junto ao peito. Os tropeiros entenderam que era um aviso do Senhor e resolveram deixar a imagem para ser venerada naquele local. Avisado sobre o acontecimento milagroso, Dom Rosendo mandou erguer um pequeno oratório para guardar a imagem da Virgem e designou um escravo negro chamado Manuel, já convertido, para ser o zelador. Manuel, então, se consagrou à Virgem Maria e seguiu sempre cuidando da sagrada imagem. Em 1670, com a morte de Dom Rosendo, a propriedade ficou abandonada, mas o oratório não, pois o fiel devoto Manuel continuou zelando pela imagem de Nossa Senhora. No ano seguinte, a ilustre Dona Ana Matos, proprietária de uma estância às margens do rio Luján, pediu ao padre Oramas, administrador dos bens do falecido Dom Rosendo, para ficar com a imagem, pois queria erguer uma capela particular. Com sua aprovação, levou-a para casa, mas dispensou os serviços do velho Manuel, que ficou ali, no oratório solitário, rezando para a Santíssima Virgem diante do altar vazio. No dia seguinte, milagrosamente, a imagem apareceu no antigo lugar. Avisada, Dona Ana tornou a levar a imagem para sua casa, e o prodígio se repetiu. Assustada, ela comunicou tudo ao padre Oramas, que informou o acontecido ao bispo e ao governador de Buenos Aires. Estes foram ao local e verificaram a veracidade dos fatos. Por isso, decidiram transladar em solene procissão a sagrada imagem da Virgem, acompanhada do fiel devoto Manuel, que continuaria seu zelador na nova capela. E nesse local ela se mantém até hoje. A notícia dos milagres de Nossa Senhora de Luján correu depressa pelas populações vizinhas. Em 1685, foi erguida a primeira grande igreja que se tornou o centro da vila de Luján. A primeira pedra da Basílica atual foi colocada em 1887, na mesma solenidade da coroação canônica de Nossa Senhora de Luján, transcorrida sob as bênçãos do papa Leão XIII, que indicou o dia 8 de maio para sua festa anual. Mas a magnífica arquitetura da Basílica só foi totalmente concluída em 1935, sendo então declarada Monumento Histórico Nacional. O papa João Paulo II, em visita à Argentina, em 1982, orou aos pés da Virgem de Luján e abençoou esse Santuário. Texto: Jacinta Cericato/Paulinas Internet #FestasdeNossaSenhora #NossaSenhora
- O Paraíso – Um mês com Maria | 8° dia
O PARAÍSO “Aquilo que o olho nunca viu, nem ouvido escutou, nem nunca coração do homem pôde saborear, isto Deus preparou aos que O amam”. (I Cor 2,9). O Paraíso é um realidade inimaginável; é a plenitude de todos os bens desejáveis; é o êxtase eterno na visão beatífica de Deus. Santa Catarina de Siena conta de ter sido uma vez raptada à glória dos Céus. Quando, acabado o êxtase, tentou falar; não conseguiu fazer mais nada além de chorar. A quem se maravilhava, a Santa dizia: “Não vos admireis por isso; admirai-vos que ainda estou sobre a Terra depois de ter gozado de tamanhas delícias.” Igualmente, São Roberto Belarmino, pensando na felicidade suprema do Paraíso, quando um dia admirava um quadro que retratava os jesuítas, exclamou: “Quero ir ter logo com ele! Embora desta vida! Desejo voar lá com estes.” Vinde, benditos! “Acreditem – dizia São Felipe Néri – o Paraíso não foi feito para os preguiçosos!” Para o Paraíso vão os heróis do amor a Deus e aos irmãos. “O Reino dos Céus exige violência e só os violentos o conquistam” (Mt 11,12). Só o cristão que é um herói de bondade, de fé, de humildade, de pureza, de obediência, de paciência, de mortificação, pode esperar de sentir-se dizer ao fim do exílio terreno: “Vem, servo bom e fiel: entra na alegria do Teu Senhor.” (Mt 25,21). Nos “Atos dos Mártires” está descrito o martírio de São Timóteo. O Santo Mártir, cheio de chagas e torturado na cal viva, ouviu os Anjos que o confortavam: “levanta a cabeça e pensa no Céu que te espera!” Infelizmente para nós é tão fácil nos deixar atrair e dominar pelos bens terrenos… Deixamo-nos seduzir pelas criaturas e pelos prazeres carnais. Por isso devemos lembrar com maior insistência a chamada de São Paulo: “Procurai as coisas lá de cima! Provai as coisas do alto! Não aquelas da terra.” (Cl 3,1). Se fizermos como nos diz São Paulo, experimentaremos também a verdade desta frase de Santo Inácio: “Oh, quanto me parece pequena e insignificante a Terra quando contemplo o Céu!” E nos preocuparemos de convencer também outros irmãos a elevar o olhar das criaturas para elevá-lo ao Criador. Seria uma loucura imperdoável perder os bens Celestes e eternos pelos pobres prazeres terrenos e momentâneos. Este mundo para nós é só uma Terra de exílio, de onde devemos conseguir chegar à nossa verdadeira pátria. Basta refletir um pouco sobre esta verdade para compreender melhor uma outra triste realidade desta Terra: o aborto. Com este enorme crime não somente é tirada a vida a uma criança, mas lhe é negada a entrada do Paraíso. Aquela criança irá ao limbo eterno, como nos ensina a Igreja, porque privada do Batismo, sem o qual não se pode entrar no Paraíso: “Quem for batizado, será salvo” (Mc 16,16). “Quem não renasce da água e do Espírito Santo, não pode entrar no Reino dos Céus” (Jo 3,5). Ao céu… ao céu com ela A canção popular “Irei vê-la um dia” nos leva a desejar o Paraíso para ver Maria e ficar para sempre com Ela! Santa Bernadete confidenciou que Maria é tão linda que fazia desejar a morte para revê-la. São Maximiliano recebeu os votos de uma rápida morte para logo ir ter com a Imaculada no Céu. E o Santo respondeu agradecendo sentidamente. São Leonardo de Porto Maurício, Apóstolo ardente, chegava a pregar pedindo aos fiéis orações para poder logo morrer e ir ter com a Imaculada. Ele dizia: “Eu desejo morrer para viver com Maria. Recitem 1 Ave-Maria para que eu obtenha a graça de morrer agora e ir ver Maria!” Quando se ama verdadeiramente Maria, o pensamento e a aspiração do Paraíso não dão trégua, porque é lá que Nossa Senhora nos espera propriamente como uma Mãe que espera a chegada dos filhos para tê-los ao redor, na alegria eterna. Paraíso e Penitência Não se chega ao Paraíso senão pela ‘porta estreita’ (Mt 7,14), ou seja, através da penitência. Quando se pedia a São Maximiliano de moderar um pouco seu heróico e cansativo apostolado pela Imaculada, ele respondia: “Não é necessário descansar. Descansarei no Céu!” Igualmente quando se exortava São José Calasanz a renunciar a alguma das suas penitências, ele respondia: “Oh, Paraíso! Que força e coragem comunicas a quem em ti quer entrar!” Quando pediam para aliviar-se um pouco, respondia: “Se pode ir ao Paraíso até sem os passeios. O nosso descanso será o Paraíso”. Descobriram que usava no corpo um cilício e pergutaram se lhe doía: “é lógico que dói um pouco, mas para ir ao Paraíso, precisa fazer Penitência”. Precisamos de Nossa Senhora Uma coisa, porém, nos deve consolar: se é verdade que no Paraíso não se vai sem penitência, é verdade também que para ir através de um caminho mais seguro e mais fácil, tende ir com Maria. Veja um episódio: Um Bispo foi ao Pe. Pio e lhe levou um amigo que não era um santinho. Apresentou-lhe, dizendo: “Padre, este amigo gostaria de assegurar-se com um bilhete de ingresso ao Céu. A coisa não é fácil. O que aconselharia, Padre?” Abaixou e abanou a cabeça, e respondeu docemente: “É… precisamos de Nossa Senhora!” Também a São Bernardo aconteceu uma vez que foi se confessar um grande pecador, já presa do desespero porque estava devastado por terríveis pecados. O santo lhe falou da divina misericórdia e lhe abriu o Evangelho que refere a Anunciação, no versículo 30: “Não temas, Maria, porque achaste Graça diante de Deus”. (Lc 1) e comentou que Maria achou graça para nós, pecadores. Aquele pobre pecador se reanimou, e logo apos a Confissão foi junto ao altar de Maria e lá achou a perfeita paz. Se amarmos muito Maria, Ela nos doará de dia em dia as graças necessárias para viver de modo digno do cristão, preparando-nos ao Paraíso na separação progressiva desta Terra, até fazer-nos exclamar com São José Cotolengo: “Feia terra, Belo Paraíso!” É necessário, porém, que amemos Maria, empenhando-nos em fazer bem os nossos deveres de cada dia. Santa Bernadete teve pela Imaculada a certeza do Paraíso, e mesmo assim comportava-se com a máxima perfeição, porque não queria ir ao Céu sem ter sido bem comportada. Lembraram-na, uma vez, da garantia de Nossa Senhora, mas ela respondeu: “Sim, mas sob a condição de que eu faça o necessário pra merecer!” Esforcemo-nos de viver com os olhos sempre fixos no Paraíso, com as mãos em ação para fazer sempre todos os nossos deveres, com o coração cheio de amor e confiança na nossa doce Mãe que nos quer a todos no Paraíso. Votos Fazer alguns sacrifícios pelo Paraíso; Recitar os mistérios gloriosos do Rosário; Fazer esmola a um pobre. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- O Paraíso – Um mês com Maria | 8° dia
O PARAÍSO “Aquilo que o olho nunca viu, nem ouvido escutou, nem nunca coração do homem pôde saborear, isto Deus preparou aos que O amam”. (I Cor 2,9). O Paraíso é um realidade inimaginável; é a plenitude de todos os bens desejáveis; é o êxtase eterno na visão beatífica de Deus. Santa Catarina de Siena conta de ter sido uma vez raptada à glória dos Céus. Quando, acabado o êxtase, tentou falar; não conseguiu fazer mais nada além de chorar. A quem se maravilhava, a Santa dizia: “Não vos admireis por isso; admirai-vos que ainda estou sobre a Terra depois de ter gozado de tamanhas delícias.” Igualmente, São Roberto Belarmino, pensando na felicidade suprema do Paraíso, quando um dia admirava um quadro que retratava os jesuítas, exclamou: “Quero ir ter logo com ele! Embora desta vida! Desejo voar lá com estes.” Vinde, benditos! “Acreditem – dizia São Felipe Néri – o Paraíso não foi feito para os preguiçosos!” Para o Paraíso vão os heróis do amor a Deus e aos irmãos. “O Reino dos Céus exige violência e só os violentos o conquistam” (Mt 11,12). Só o cristão que é um herói de bondade, de fé, de humildade, de pureza, de obediência, de paciência, de mortificação, pode esperar de sentir-se dizer ao fim do exílio terreno: “Vem, servo bom e fiel: entra na alegria do Teu Senhor.” (Mt 25,21). Nos “Atos dos Mártires” está descrito o martírio de São Timóteo. O Santo Mártir, cheio de chagas e torturado na cal viva, ouviu os Anjos que o confortavam: “levanta a cabeça e pensa no Céu que te espera!” Infelizmente para nós é tão fácil nos deixar atrair e dominar pelos bens terrenos… Deixamo-nos seduzir pelas criaturas e pelos prazeres carnais. Por isso devemos lembrar com maior insistência a chamada de São Paulo: “Procurai as coisas lá de cima! Provai as coisas do alto! Não aquelas da terra.” (Cl 3,1). Se fizermos como nos diz São Paulo, experimentaremos também a verdade desta frase de Santo Inácio: “Oh, quanto me parece pequena e insignificante a Terra quando contemplo o Céu!” E nos preocuparemos de convencer também outros irmãos a elevar o olhar das criaturas para elevá-lo ao Criador. Seria uma loucura imperdoável perder os bens Celestes e eternos pelos pobres prazeres terrenos e momentâneos. Este mundo para nós é só uma Terra de exílio, de onde devemos conseguir chegar à nossa verdadeira pátria. Basta refletir um pouco sobre esta verdade para compreender melhor uma outra triste realidade desta Terra: o aborto. Com este enorme crime não somente é tirada a vida a uma criança, mas lhe é negada a entrada do Paraíso. Aquela criança irá ao limbo eterno, como nos ensina a Igreja, porque privada do Batismo, sem o qual não se pode entrar no Paraíso: “Quem for batizado, será salvo” (Mc 16,16). “Quem não renasce da água e do Espírito Santo, não pode entrar no Reino dos Céus” (Jo 3,5). Ao céu… ao céu com ela A canção popular “Irei vê-la um dia” nos leva a desejar o Paraíso para ver Maria e ficar para sempre com Ela! Santa Bernadete confidenciou que Maria é tão linda que fazia desejar a morte para revê-la. São Maximiliano recebeu os votos de uma rápida morte para logo ir ter com a Imaculada no Céu. E o Santo respondeu agradecendo sentidamente. São Leonardo de Porto Maurício, Apóstolo ardente, chegava a pregar pedindo aos fiéis orações para poder logo morrer e ir ter com a Imaculada. Ele dizia: “Eu desejo morrer para viver com Maria. Recitem 1 Ave-Maria para que eu obtenha a graça de morrer agora e ir ver Maria!” Quando se ama verdadeiramente Maria, o pensamento e a aspiração do Paraíso não dão trégua, porque é lá que Nossa Senhora nos espera propriamente como uma Mãe que espera a chegada dos filhos para tê-los ao redor, na alegria eterna. Paraíso e Penitência Não se chega ao Paraíso senão pela ‘porta estreita’ (Mt 7,14), ou seja, através da penitência. Quando se pedia a São Maximiliano de moderar um pouco seu heróico e cansativo apostolado pela Imaculada, ele respondia: “Não é necessário descansar. Descansarei no Céu!” Igualmente quando se exortava São José Calasanz a renunciar a alguma das suas penitências, ele respondia: “Oh, Paraíso! Que força e coragem comunicas a quem em ti quer entrar!” Quando pediam para aliviar-se um pouco, respondia: “Se pode ir ao Paraíso até sem os passeios. O nosso descanso será o Paraíso”. Descobriram que usava no corpo um cilício e pergutaram se lhe doía: “é lógico que dói um pouco, mas para ir ao Paraíso, precisa fazer Penitência”. Precisamos de Nossa Senhora Uma coisa, porém, nos deve consolar: se é verdade que no Paraíso não se vai sem penitência, é verdade também que para ir através de um caminho mais seguro e mais fácil, tende ir com Maria. Veja um episódio: Um Bispo foi ao Pe. Pio e lhe levou um amigo que não era um santinho. Apresentou-lhe, dizendo: “Padre, este amigo gostaria de assegurar-se com um bilhete de ingresso ao Céu. A coisa não é fácil. O que aconselharia, Padre?” Abaixou e abanou a cabeça, e respondeu docemente: “É… precisamos de Nossa Senhora!” Também a São Bernardo aconteceu uma vez que foi se confessar um grande pecador, já presa do desespero porque estava devastado por terríveis pecados. O santo lhe falou da divina misericórdia e lhe abriu o Evangelho que refere a Anunciação, no versículo 30: “Não temas, Maria, porque achaste Graça diante de Deus”. (Lc 1) e comentou que Maria achou graça para nós, pecadores. Aquele pobre pecador se reanimou, e logo apos a Confissão foi junto ao altar de Maria e lá achou a perfeita paz. Se amarmos muito Maria, Ela nos doará de dia em dia as graças necessárias para viver de modo digno do cristão, preparando-nos ao Paraíso na separação progressiva desta Terra, até fazer-nos exclamar com São José Cotolengo: “Feia terra, Belo Paraíso!” É necessário, porém, que amemos Maria, empenhando-nos em fazer bem os nossos deveres de cada dia. Santa Bernadete teve pela Imaculada a certeza do Paraíso, e mesmo assim comportava-se com a máxima perfeição, porque não queria ir ao Céu sem ter sido bem comportada. Lembraram-na, uma vez, da garantia de Nossa Senhora, mas ela respondeu: “Sim, mas sob a condição de que eu faça o necessário pra merecer!” Esforcemo-nos de viver com os olhos sempre fixos no Paraíso, com as mãos em ação para fazer sempre todos os nossos deveres, com o coração cheio de amor e confiança na nossa doce Mãe que nos quer a todos no Paraíso. Votos Fazer alguns sacrifícios pelo Paraíso; Recitar os mistérios gloriosos do Rosário; Fazer esmola a um pobre. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- O Purgatório – Um mês com Maria | 7° dia
O PURGATÓRIO Se se morresse na Graça de Deus, mas se têm dívidas de expiação pelos pecados cometidos e defeitos ainda dos quais se livrar para entrar puros no Paraíso, se vai para o Purgatório a fim de livrar-se destas dívidas e defeitos. Por isso existe o Purgatório. É um reino temporal além tumba. Todos os que morrem na amizade com Deus, mas não são puros e dignos do Paraíso, vão àquele lugar de dolorosa purificação por todo o tempo necessário para purificar-se. Por isso se fazem as funções e se reza pelos defuntos que se acham no Purgatório a fim de que seja apressada a passagem deles daquele lugar de pena ao Reino do Eterno Paraíso. É verdade A Sagrada Escritura nos fala, desde as primeiras páginas, do uso dos hebreus de rezar pelos mortos. Este uso exprime necessariamente a existência das almas defuntas em um lugar que não seja o Inferno nem o Paraíso, porque nem os danados, nem os Bem-aventurados precisam das nossas orações. Mais expressamente ainda a Bíblia nos fala dos sacrifícios pelos defuntos que os hebreus celebravam no Templo. À Morte de Aarão, foram oferecidos sacrifícios por 30 dias seguidos (DT 34,8 / Nm 20,30). Judas Macabeus, depois das sanguinárias batalhas, recolhia somas de dinheiro para mandar a Jerusalém para oferecer sacrifícios pelas almas dos soldados caídos na guerra. “É coisa salutar rezar pelos mortos a fim de que lhes sejam perdoados os pecados” (Mac 12,46). Também o profeta Malaquias nos fala do Senhor que purifica com o fogo a amados filhos de Levi (Ml 3,3). No Novo Testamento, Jesus refere-se mais vezes ao Purgatório. A mais clara referência é sobre a necessidade de fechar cada conta com o nosso inimigo antes de cair nas mãos do Juiz que nos porá em uma prisão de onde não sairemos antes de ter saldado a dívida “até o último centavo”. (Mt 5, 25-26). Esta prisão não pode, é claro, ser o Inferno, de onde não se sai nunca, mas o Purgatório, como o interpretam os Santos Padres. São Paulo continua o ensinamento de Jesus dizendo que quem faz obras imperfeitas se salvará, mas passando pelo fogo. Depois de São Paulo, podemos citar os grandes Padres e Doutores da Igreja: Santo Agostinho, São João Crisóstomo, Santo Efrém, São Cipriano, Santo Tomás de Aquino… O magistério da Igreja apresentou a verdade do Purgatório como dogma de fé! Se sofre terrivelmente No Purgatório se sofre as penas da purificação segundo a necessidade de cada um. Tem quem tem mais dívidas e defeitos que outros. A intensidade e duração são sob medida. Mas a qualidade do sofrimento é terrível. Pena de sentido e pena de dano constituem um sofrimento tal que na Terra não se pode pensar igual. Santo Tomás ensina: “A menor pena do Purgatório supera as maiores penas da Terra, pois o mesmo fogo que atormenta os danados do Inferno, atormenta os justos do Purgatório”. Lá entenderemos qual coisa tremenda é a ofensa a Deus e qual reparação exige a Sua Justiça. Por isso os santos estavam tão atentos em descontar na Terra com a mínima falta, até nas palavras ociosas (Mt 12,36). Santa Mônica, no leito de morte, disse àqueles que circundavam seu leito: “Rogai por mim. Não tomais conta do meu corpo, somente da minha alma!” Não lágrimas, mas Santas Missas Os defuntos não precisam das nossas lágrimas, mas das nossas Santas Missas. Nem precisam de coroas de flores e procissões para o funeral. Quanta bobagem em certos cristãos! Preocupam-se e gastam sem economia para a solenidade externa do funeral e não se curam ou não querem gastar dinheiro para mandar celebrar uma Santa Missa! Se pudéssemos ver os sofrimentos das almas purgantes, com qual cuidado as ajudaríamos, fazendo antes de mais nada, celebrar as Santas Missas, fazendo a Comunhão, recitando Rosários, praticando penitências. Uma noite, São Nicolau de Tolentino viu a alma de um frade defunto, frade Pelegrino de Ósimo que lhe pediu para celebrar logo uma Santa Missa por ele e pelas almas purgantes. Mas o Santo respondeu que não podia porque tinha que celebrar a Santa Missa do turno. Então o defunto conduziu-o ao Purgatório. À vista das penas terríveis que sofrem aquelas almas, São Nicolau se assustou e foi logo ao Superior e o rogou de fazer-lhe celebrar Santas Missas pelo frade Pelegrino e pelas almas. Obtida a licença, a celebração das Santas Missas foi a função mais poderosa e salutar para aquelas queridas almas. Também ao Pe. Pio pediu um frade uma lembrança ao Pai defunto, durante a Missa. Pe. Pio quis aplicar a Santa Missa pela alma do pai daquele irmão e lhe disse: “Esta manhã teu pai entrou no Paraíso”! O irmão ficou admirado e feliz, mas não pôde deixar de exclamar: “Mas meu pai morreu há 30 anos!” “É, meu filho, na frente de Deus tudo se paga!” Respondeu em tom grave Pe. Pio. Maria livra do Purgatório São Bernardino chamou Nossa Senhora ‘Plenipotenciária’ do Purgatório, pois em suas mãos há poderes e graças para livrar quem quiser do Purgatório. Ser devoto de Maria e a Ela recorrer para obter o alívio e a libertação das almas purgantes: é isto o que devemos fazer com todo o coração se quisermos oferecer eficazes orações e Santas Missas. Maria mesma revelou ao Beato Alano: “Eu sou a Mãe das almas do Purgatório e a cada hora, pelas minhas orações, são aliviadas as penas dos meus devotos.” O Santo Rosário é de especial eficácia. Santo Afonso Maria de Ligório ensina que “se queremos ajudar as almas do purgatório recitamos por elas o Rosário que lhes arrecada grande alívio.” Um santo consolou muitas almas purgantes com o Santo Rosário. São Pompílio Pirrotti teve o dom de recitar o Rosário com as almas do Purgatório, que respondiam em voz alta as Ave-Marias, mostrando-se serenas e felizes durante a oração. Que também nas nossas mãos o Rosário seja uma coroa de caridade pelas queridas almas do Purgatório. Votos Oferecer o dia inteiro pelas almas do Purgatório; Santa Missa e comunhão pelas almas sofredoras; Um Rosário pelas almas purgantes mais pecadoras. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- O Purgatório – Um mês com Maria | 7° dia
O PURGATÓRIO Se se morresse na Graça de Deus, mas se têm dívidas de expiação pelos pecados cometidos e defeitos ainda dos quais se livrar para entrar puros no Paraíso, se vai para o Purgatório a fim de livrar-se destas dívidas e defeitos. Por isso existe o Purgatório. É um reino temporal além tumba. Todos os que morrem na amizade com Deus, mas não são puros e dignos do Paraíso, vão àquele lugar de dolorosa purificação por todo o tempo necessário para purificar-se. Por isso se fazem as funções e se reza pelos defuntos que se acham no Purgatório a fim de que seja apressada a passagem deles daquele lugar de pena ao Reino do Eterno Paraíso. É verdade A Sagrada Escritura nos fala, desde as primeiras páginas, do uso dos hebreus de rezar pelos mortos. Este uso exprime necessariamente a existência das almas defuntas em um lugar que não seja o Inferno nem o Paraíso, porque nem os danados, nem os Bem-aventurados precisam das nossas orações. Mais expressamente ainda a Bíblia nos fala dos sacrifícios pelos defuntos que os hebreus celebravam no Templo. À Morte de Aarão, foram oferecidos sacrifícios por 30 dias seguidos (DT 34,8 / Nm 20,30). Judas Macabeus, depois das sanguinárias batalhas, recolhia somas de dinheiro para mandar a Jerusalém para oferecer sacrifícios pelas almas dos soldados caídos na guerra. “É coisa salutar rezar pelos mortos a fim de que lhes sejam perdoados os pecados” (Mac 12,46). Também o profeta Malaquias nos fala do Senhor que purifica com o fogo a amados filhos de Levi (Ml 3,3). No Novo Testamento, Jesus refere-se mais vezes ao Purgatório. A mais clara referência é sobre a necessidade de fechar cada conta com o nosso inimigo antes de cair nas mãos do Juiz que nos porá em uma prisão de onde não sairemos antes de ter saldado a dívida “até o último centavo”. (Mt 5, 25-26). Esta prisão não pode, é claro, ser o Inferno, de onde não se sai nunca, mas o Purgatório, como o interpretam os Santos Padres. São Paulo continua o ensinamento de Jesus dizendo que quem faz obras imperfeitas se salvará, mas passando pelo fogo. Depois de São Paulo, podemos citar os grandes Padres e Doutores da Igreja: Santo Agostinho, São João Crisóstomo, Santo Efrém, São Cipriano, Santo Tomás de Aquino… O magistério da Igreja apresentou a verdade do Purgatório como dogma de fé! Se sofre terrivelmente No Purgatório se sofre as penas da purificação segundo a necessidade de cada um. Tem quem tem mais dívidas e defeitos que outros. A intensidade e duração são sob medida. Mas a qualidade do sofrimento é terrível. Pena de sentido e pena de dano constituem um sofrimento tal que na Terra não se pode pensar igual. Santo Tomás ensina: “A menor pena do Purgatório supera as maiores penas da Terra, pois o mesmo fogo que atormenta os danados do Inferno, atormenta os justos do Purgatório”. Lá entenderemos qual coisa tremenda é a ofensa a Deus e qual reparação exige a Sua Justiça. Por isso os santos estavam tão atentos em descontar na Terra com a mínima falta, até nas palavras ociosas (Mt 12,36). Santa Mônica, no leito de morte, disse àqueles que circundavam seu leito: “Rogai por mim. Não tomais conta do meu corpo, somente da minha alma!” Não lágrimas, mas Santas Missas Os defuntos não precisam das nossas lágrimas, mas das nossas Santas Missas. Nem precisam de coroas de flores e procissões para o funeral. Quanta bobagem em certos cristãos! Preocupam-se e gastam sem economia para a solenidade externa do funeral e não se curam ou não querem gastar dinheiro para mandar celebrar uma Santa Missa! Se pudéssemos ver os sofrimentos das almas purgantes, com qual cuidado as ajudaríamos, fazendo antes de mais nada, celebrar as Santas Missas, fazendo a Comunhão, recitando Rosários, praticando penitências. Uma noite, São Nicolau de Tolentino viu a alma de um frade defunto, frade Pelegrino de Ósimo que lhe pediu para celebrar logo uma Santa Missa por ele e pelas almas purgantes. Mas o Santo respondeu que não podia porque tinha que celebrar a Santa Missa do turno. Então o defunto conduziu-o ao Purgatório. À vista das penas terríveis que sofrem aquelas almas, São Nicolau se assustou e foi logo ao Superior e o rogou de fazer-lhe celebrar Santas Missas pelo frade Pelegrino e pelas almas. Obtida a licença, a celebração das Santas Missas foi a função mais poderosa e salutar para aquelas queridas almas. Também ao Pe. Pio pediu um frade uma lembrança ao Pai defunto, durante a Missa. Pe. Pio quis aplicar a Santa Missa pela alma do pai daquele irmão e lhe disse: “Esta manhã teu pai entrou no Paraíso”! O irmão ficou admirado e feliz, mas não pôde deixar de exclamar: “Mas meu pai morreu há 30 anos!” “É, meu filho, na frente de Deus tudo se paga!” Respondeu em tom grave Pe. Pio. Maria livra do Purgatório São Bernardino chamou Nossa Senhora ‘Plenipotenciária’ do Purgatório, pois em suas mãos há poderes e graças para livrar quem quiser do Purgatório. Ser devoto de Maria e a Ela recorrer para obter o alívio e a libertação das almas purgantes: é isto o que devemos fazer com todo o coração se quisermos oferecer eficazes orações e Santas Missas. Maria mesma revelou ao Beato Alano: “Eu sou a Mãe das almas do Purgatório e a cada hora, pelas minhas orações, são aliviadas as penas dos meus devotos.” O Santo Rosário é de especial eficácia. Santo Afonso Maria de Ligório ensina que “se queremos ajudar as almas do purgatório recitamos por elas o Rosário que lhes arrecada grande alívio.” Um santo consolou muitas almas purgantes com o Santo Rosário. São Pompílio Pirrotti teve o dom de recitar o Rosário com as almas do Purgatório, que respondiam em voz alta as Ave-Marias, mostrando-se serenas e felizes durante a oração. Que também nas nossas mãos o Rosário seja uma coroa de caridade pelas queridas almas do Purgatório. Votos Oferecer o dia inteiro pelas almas do Purgatório; Santa Missa e comunhão pelas almas sofredoras; Um Rosário pelas almas purgantes mais pecadoras. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- Santa Rosa Venerini, a fidelidade nas pequenas coisas – 07 de Maio
SANTO DO DIA – 07 DE MAIO – SANTA ROSA VENERINI Fundadora das Mestras Pias Venerini (1656-1728) Nascida em Viterbo, Itália, no dia 9 de fevereiro de 1656, dotada de inteligência e sensibilidade acima da média, Rosa tinha diante de si as escolhas possíveis à mulher do seu tempo: o matrimônio ou a clausura. Contudo, ela privilegiava as escolhas corajosas, para além dos modelos tradicionais, e na sua interioridade sentia a necessidade de uma alternativa que fosse vantajosa para a sociedade e para a Igreja, mas não conseguia identificá-la. Porém deus permitiu que ela vivesse um conflito bem humano. Um jovem apaixonado queria desposá-la, mas o seu desejo era consagrar-se a Deus. Sua vida muda radicalmente quando uma série de acontecimentos culmina com a morte do pretendente e, mais tarde, de seus pais. Rosa assume, então, a educação dos dois irmãos. Mesmo com essa responsabilidade ela não abandona seu desejo de consagrar-se a Deus. Passa a convidar as jovens da vizinhança para rezar o Rosário. Foi convivendo com essas pessoas que Rosa descobriu o grave estado de ignorância religiosa e intelectual que atingia a juventude da época. Decidiu, então, que seria seu dever combatê-la. Um padre jesuíta, Ventura Bandinelli, percebendo a sua vocação natural para a religiosidade e para o ensino, abre-lhe as portas da vida religiosa. Rosa não perdeu a oportunidade e deu o primeiro passo, indo viver em comunidade. Junto de mais duas amigas, cria a primeira escola primária para crianças em 1685. Estava iniciada a sua grande obra. Porém as oposições não tardaram a aparecer. Alguns padres acharam que a obra de Rosa agredia a sua autoridade no ensino religioso. Os nobres se posicionavam contra o ensino gratuito para os pobres. Rosa enfrentava uma batalha em nome de Deus e de um ideal. Felizmente, o bispo de Montefiascone intervém e a convida para fundar em sua diocese uma nova escola. Para lá Rosa Venerini se dirige, junto de uma colaboradora muito especial: a futura santa Lúcia Filippini. As escolas, então, se expandem e chegam a muitas cidades, inclusive a Roma. Mas os problemas apareceriam novamente. Rosa tem de enfrentar discussões dolorosas, ambições e divisões dentro de sua instituição, problemas provocados pela inveja e ganância das pessoas. Em 1716, uma visita do papa Clemente XI foi o reconhecimento do valor de sua obra. O apoio do papa foi um fator importante para o desenvolvimento de sua instituição, que não era uma congregação, e agora é chamada ‘Mestras Pias Venerini’. O fim de sua vida foi marcado por uma doença que a consumiu por quatro anos. Rosa veio a falecer no dia 7 de maio de 1728. Em 1909, é fundada a primeira Casa nos Estados Unidos. O reconhecimento canônico para essas professoras chegou apenas em 1941, quando, finalmente, se tornam uma congregação. O papa Pio XII proclama bem-aventurada Rosa Venerini em 1952, quando a congregação já operava em muitos países do mundo todo. Suas relíquias estão guardadas na capela da Casa mãe da congregação em Roma. Em 15 de outubro de 2006 o papa Bento XVI, na praça de São Pedro, proclama Rosa Venerini, santa. #SantodoDia
- Santa Rosa Venerini, a fidelidade nas pequenas coisas – 07 de Maio
SANTO DO DIA – 07 DE MAIO – SANTA ROSA VENERINI Fundadora das Mestras Pias Venerini (1656-1728) Nascida em Viterbo, Itália, no dia 9 de fevereiro de 1656, dotada de inteligência e sensibilidade acima da média, Rosa tinha diante de si as escolhas possíveis à mulher do seu tempo: o matrimônio ou a clausura. Contudo, ela privilegiava as escolhas corajosas, para além dos modelos tradicionais, e na sua interioridade sentia a necessidade de uma alternativa que fosse vantajosa para a sociedade e para a Igreja, mas não conseguia identificá-la. Porém deus permitiu que ela vivesse um conflito bem humano. Um jovem apaixonado queria desposá-la, mas o seu desejo era consagrar-se a Deus. Sua vida muda radicalmente quando uma série de acontecimentos culmina com a morte do pretendente e, mais tarde, de seus pais. Rosa assume, então, a educação dos dois irmãos. Mesmo com essa responsabilidade ela não abandona seu desejo de consagrar-se a Deus. Passa a convidar as jovens da vizinhança para rezar o Rosário. Foi convivendo com essas pessoas que Rosa descobriu o grave estado de ignorância religiosa e intelectual que atingia a juventude da época. Decidiu, então, que seria seu dever combatê-la. Um padre jesuíta, Ventura Bandinelli, percebendo a sua vocação natural para a religiosidade e para o ensino, abre-lhe as portas da vida religiosa. Rosa não perdeu a oportunidade e deu o primeiro passo, indo viver em comunidade. Junto de mais duas amigas, cria a primeira escola primária para crianças em 1685. Estava iniciada a sua grande obra. Porém as oposições não tardaram a aparecer. Alguns padres acharam que a obra de Rosa agredia a sua autoridade no ensino religioso. Os nobres se posicionavam contra o ensino gratuito para os pobres. Rosa enfrentava uma batalha em nome de Deus e de um ideal. Felizmente, o bispo de Montefiascone intervém e a convida para fundar em sua diocese uma nova escola. Para lá Rosa Venerini se dirige, junto de uma colaboradora muito especial: a futura santa Lúcia Filippini. As escolas, então, se expandem e chegam a muitas cidades, inclusive a Roma. Mas os problemas apareceriam novamente. Rosa tem de enfrentar discussões dolorosas, ambições e divisões dentro de sua instituição, problemas provocados pela inveja e ganância das pessoas. Em 1716, uma visita do papa Clemente XI foi o reconhecimento do valor de sua obra. O apoio do papa foi um fator importante para o desenvolvimento de sua instituição, que não era uma congregação, e agora é chamada ‘Mestras Pias Venerini’. O fim de sua vida foi marcado por uma doença que a consumiu por quatro anos. Rosa veio a falecer no dia 7 de maio de 1728. Em 1909, é fundada a primeira Casa nos Estados Unidos. O reconhecimento canônico para essas professoras chegou apenas em 1941, quando, finalmente, se tornam uma congregação. O papa Pio XII proclama bem-aventurada Rosa Venerini em 1952, quando a congregação já operava em muitos países do mundo todo. Suas relíquias estão guardadas na capela da Casa mãe da congregação em Roma. Em 15 de outubro de 2006 o papa Bento XVI, na praça de São Pedro, proclama Rosa Venerini, santa. #SantodoDia
- São Domingos Sávio, o pequeno gigante – 06 de Maio
SANTO DO DIA – 06 DE MAIO – SÃO DOMINGOS SÁVIO “Quero ser santo!”, costumava dizer São Domingo Sávio, cuja festa se celebra neste dia 6 de maio. É padroeiro dos meninos cantores e também das grávidas, por ter cumprido em sua vida uma missão da Virgem Maria, enquanto era guiado por São João Bosco. Domingos Sávio nasceu na Itália em 1842. Desde muito pequeno desejou ser sacerdote e ao conhecer Dom Bosco pediu para ingressar no Oratório de São Francisco de Sales, em Turim. Ali organizou a Companhia de Maria Imaculada e com seus companheiros frequentava os sacramentos, rezava o Rosário, ajudava nos afazeres e cuidava dos meninos difíceis. Além disso, tinha um espírito muito alegre, gostava de brincar e estudar. São João Bosco escreveu uma biografa do jovem santo e chorava cada vez que a leia. Nela contava que em várias ocasiões viu Domingos extasiado depois de receber a Comunhão, até que certo dia Dom Bosco o encontrou no coro do templo. “Fui ver – conta Dom Bosco – e encontrei Domingos que falava e depois calava, como à espera de uma resposta. Entre outras coisas ouvia claramente estas palavras: ‘Sim, meu Deus, já vos disse e vo-lo digo de novo: amo-vos e quero amar-vos até à morte. Se virdes que vos hei-de ofender, enviai-me a morte: sim, antes a morte que o pecado’”. Quando Dom Bosco lhe perguntou o que fazia nesses momentos, Domingos lhe respondeu: “Pobre de mim, vem-me uma distração, e naquele momento perco o fio das orações, e parece-me ver coisas tão belas que as horas fogem sem que eu dê por isso”. Durante o processo de investigação para levar Domingos Sávio aos altares, sua irmã Teresa narrou que certa vez o santo se apresentou diante de Dom Bosco e lhe pediu permissão para ir a sua casa. Seu formador lhe perguntou o motivo e o jovem respondeu: “Minha mãe está muito delicada e a Virgem quer curá-la”. Dom Bosco perguntou de quem tinha recebido notícias e Domingos respondeu que de ninguém, mas que ele sabia. O sacerdote, que já conhecia seus dons, deu-lhe dinheiro para a viagem. A mãe de Domingos estava grávida, mas sofrendo com fortes dores. Quando o jovem chegou para vê-la, abraçou-a fortemente, beijou-a e depois obedeceu sua mãe, que lhe tinha pedido que fosse com uns vizinhos. Quando o médico chegou, viu que a senhora estava com a saúde recuperada e, enquanto os vizinhos a atendiam, viram em seu pescoço uma fita verde que estava unida a uma seda dobrada e costurada como um escapulário. A surpreendente visita de Domingos a sua mãe se deu em 12 de setembro de 1856, data do nascimento de sua irmã Catarina. Tempo depois, Domingos disse à sua mãe que conservasse e emprestasse aquele escapulário às mulheres que necessitassem. Assim se fez e muitas afirmavam ter obtido graças de Deus com a ajuda do escapulário da Virgem. Domingos Sávio retornou ao oratório salesiano, mas não por muito tempo. Ficou doente e, por sugestão dos médicos, teve que despedir-se de Dom Bosco e de seus companheiros para voltar para sua casa. Antes de morrer, disse: “Que coisa tão formosa vejo!”. Partiu para a casa do Pai em 9 de março de 1857, aos 14 anos de idade. Conheça mais sobre São Domingos Sávio “Se Domingos, com tão pouca idade, pôde santificar-se, por que não poderei também eu?” – interroga São João Bosco ao escrever a vida do jovem santo. Os raios do sol matutino penetram, tímidos e amenos ainda, pelas janelas das salas de aula. O sino toca, anunciando a hora do recreio, os alunos saem ordenadamente para o pátio onde logo se forma uma sadia algazarra: centenas de meninos saltam, jogam e correm. Alguns sacerdotes e clérigos animam os divertimentos, vigiando ao mesmo tempo para evitar que atitudes inconvenientes se misturem com a sã alegria. Um deles, cercado de jovens, após esquivar-se de uma bola perdida no ar, exclama: “Gritem e brinquem quanto queiram, contanto que não pequem!” Trata-se de Dom Bosco, considerado santo por esses adolescentes que disputam entre si o privilégio de estar a seu lado, trocar com ele algumas palavras, oscular-lhe a mão sacerdotal. Se ele pôde ser santo, por que não poderei também eu? A cena acima descrita passa-se no primeiro colégio aberto por Dom Bosco, em Turim. Ali se encontram rapazes de humilde condição, aos quais é dada formação cristã e humana, além de uma preparação para a vida profissional. Alguns deles alcançarão altos postos na vida social ou eclesiástica. Muitos serão honestos artesãos, mestres de obra ou profissionais liberais. Alguns poucos, elevando-se acima dos demais, alcançarão a glória dos altares. É o caso do jovem Domingos Sávio. De sua curta existência sabemos que viveu quase três anos no Oratório, onde demonstrou entranhado afeto ao pai de sua alma, São João Bosco, e serviu de contínuo exemplo e estímulo para os demais adolescentes. Domingos granjeou a amizade de todos os seus colegas e constituiu, com um núcleo dos mais fervorosos entre eles, a Companhia de Maria Imaculada, que logo se tornou um primeiro viveiro de vocações sacerdotais para a Congregação Salesiana. Ao narrar-lhe a vida, “cujo teor foi notoriamente maravilhoso “, seu primeiro biógrafo, o próprio Dom Bosco, teve de tal forma a intenção de levar seus jovens leitores a imitá-lo, que lhes apresenta a seguinte questão: “Se Domingos, com tão pouca idade, pôde santificar-se, por que não poderei também eu?” Desejo ardente de receber Jesus Eucarístico Deliciemo-nos com alguns dados e fatos mais sobressalentes deste prodigioso jovem, que soube aliar virtudes harmonicamente contrárias. O pequeno povoado de Riva de Chieri (Itália) viu-o nascer em 2 de abril de 1842. Seus pais, Carlos Sávio e Brígida, eram pobres, honrados e bons católicos. Desde pequenino Domingos levou muito a sério a piedade que lhe fora inculcada por eles. Quando tinha apenas cinco anos, um viajante que fora convidado a compartilhar a pobre refeição da família Sávio pôsse à mesa sem ao menos se persignar. Vendo isso, Domingos retirou- se e depois explicou o motivo: “Este homem certamente não é bom cristão, pois nem faz o sinalda- cruz antes de comer. Portanto, não convém que nos sentemos ao lado dele”. Por razões de trabalho, a família viu-se obrigada a mudar para Murialdo, nos arredores de Castelnuovo, onde o futuro santo assistia ao catecismo da paróquia. Sua memória privilegiada – aprendeu de cor todo o catecismo breve -, seu perfeito discernimento da substância e da grandeza do Sacramento da Eucaristia e seu ardente desejo de receber Jesus sacramentado, levaram o pároco a autorizá-lo a fazer a Primeira Comunhão aos sete anos de idade, embora fosse costume nessa época esperar os meninos chegarem aos onze anos. Propósitos para toda a vida Mal soube Domingos que iria participar do banquete celestial, transbordou de alegria, a ponto de ser visto nesses dias rezando demoradamente. Na véspera do tão almejado dia fez algumas anotações que, mais tarde, chegaram às mãos de Dom Bosco: Propósitos feitos por mim, Domingos Sávio, no ano de 1849, na idade de sete anos: 1º. Confessar-me-ei com freqüência e receberei a Comunhão todas as vezes que o confessor me permitir. 2º. Santificarei os dias de preceito. 3º. Meus amigos serão Jesus e Maria. 4º. Antes morrer que pecar. Oxalá todos os jovens recebessem o Santíssimo Sacramento com as mesmas disposições deste seu celestial patrono! Segundo Dom Bosco, “ a Primeira Comunhão bem feita estabelece uma sólida base moral para toda a existência “. Assim foi com São Domingos Sávio. Durante sua curta vida, muitas vezes ele renovou esses propósitos, dando demonstrações evidentes de pô-los em prática com fervor e eficácia. O encontro com São João Bosco Movido pelo desejo de ser sacerdote, Domingos ia estudar na escola de um povoado próximo, percorrendo diariamente vinte quilômetros a pé. Durante o percurso, para domar a curiosidade, olhava apenas para a estreita faixa da estrada rural, a tal ponto que nunca soube descrever os vilarejos e paisagens encontradas em seu caminho. Impunha-se essa mortificação porque queria resguardar seus olhos de qualquer coisa feia, para com eles poder ver Jesus e Maria no Céu. A 2 de outubro de 1854, deu-se o encontro de sua vida. Não podendo continuar os estudos devido à precária situação financeira da família, foi recomendado por um sacerdote amigo a Dom Bosco, o qual recebia no Oratório jovens de recursos escassos. “Neste jovem encontrarás um São Luís de Gonzaga “, escreveu ele na carta de recomendação. A História conserva uma inolvidável lembrança desse primeiro encontro, graças à pena de São João Bosco que sempre o recordou com ternura e emoção. Na primeira segunda-feira de outubro – narra ele – muito cedo ainda, vi aproximar-se um menino que vinha falar-me, acompanhado por seu pai. Seu rosto sorridente e seu ar alegre, porém respeitoso, chamaram-me imediatamente a atenção . – Quem és? De onde vens? – perguntei- lhe. – Sou Domingos Sávio, de quem já deve lhe ter falado o Pe. Cugliero, meu mestre. Estamos vindo de Mondonio. Descobri naquele jovem uma alma segundo o espírito do Senhor e fiquei bastante maravilhado ao comprovar o trabalho realizado pela graça divina em tão tenra idade. Depois de um colóquio um tanto prolongado, disse-me ele textualmente estas palavras: – Então, o senhor me levará para Turim, para estudar? – Veremos! Parece-me que temos um bom pano. – E para que pode servir esse pano? – Para fazer um bonito traje e presenteá-lo ao Senhor. – Pois bem, eu sou o tecido e o senhor será o alfaiate. Leveme consigo e fará um formoso traje para o Senhor. – O que pensas fazer quando terminar teus estudos de latim? – Se Deus me conceder tão grande graça, desejo ardorosamente abraçar o estado eclesiástico. Bem convencido da qualidade do “tecido” que tinha diante de si, Dom Bosco decidiu leválo à “alfaiataria”, isto é, ao Oratório de Valdocco, em Turim. Peço-lhe que me faça santo! Ali Sávio logo se destacou por sua boa conduta e pelo sério cumprimento de todos os deveres. A saúde de seu corpo, porém, não acompanhava os ímpetos de sua zelosa alma. Em breve um preocupante esgotamento das forças físicas o obrigou a se afastar da escola, embora continuasse estudando no internato do Oratório. Certo dia um sermão de Dom Bosco o encheu de entusiasmo. “É vontade de Deus – dizia o sacerdote – que todos nos tornemos santos. É bastante fácil consegui-lo e há no Céu um prêmio preparado para quem chega a ser santo .” Essa frase foi como uma centelha que provocou em sua jovem alma um incêndio de amor de Deus. Sua meta já estava inteiramente clara: alcançar a santidade. Certo dia, Dom Bosco prometeu atender, dentro de suas possibilidades, qualquer pedido que lhe fosse feito pelos jovens do Oratório. Choveram pedidos de bombons e coisas do gênero. Diferente de todos, eis o de Domingos, escrito numa pequena folha de papel: “Peço-lhe que salve minha alma e me faça santo”. Na vida de Sávio, a luta pela conquista da santidade apresenta-se bem marcada pelo carisma salesiano, segundo os ensinamentos de Dom Bosco: em primeiro lugar, devia ser um santo alegre; além disso, aplicando a máxima “salvando outros, salva-te a ti mesmo”, devia fazer apostolado com seus companheiros. Assim, após conquistar as simpatias de um rapazinho que acabava de ser admitido no Oratório, Domingos lhe explicou: “Fique sabendo que nesta casa fazemos consistir a santidade em estar sempre muito alegres. Esforçamo- nos apenas para evitar o pecado – pois ele é um grande inimigo que nos rouba a graça de Deus e a paz do coração – e para cumprir bem nossos deveres”. Funda uma associação “secreta” É com o objetivo de “salvar os outros” que ele fundou, um pouco mais tarde, a já mencionada Companhia de Maria Imaculada. “Eu gostaria de fazer algo em honra de Maria, mas que fosse logo, porque temo que me falte tempo”, costumava dizer ele. Essa Companhia era uma associação “secreta” dirigida por Dom Bosco, e dela participavam alguns dos melhores alunos do Oratório, desejosos de fazer apostolado com seus companheiros. Um deles se chamava Miguel Rua, o santo que sucedeu a Dom Bosco na direção da Congregação Salesiana. Os “estatutos” da Companhia se resumiam em quatro itens: seus membros se comprometiam a obedecer às regras da casa, dar bom exemplo aos companheiros, ocupar bem o tempo e serem vigilantes para detectar e inutilizar a ação dos maus elementos que pervertem os demais. Como exemplo da atuação desses moços modelares no meio de seus colegas, podemos apreciar este fato, protagonizado pelo próprio Domingos e narrado por Dom Bosco: Um jovem que não pertencia ao Oratório trouxe consigo certo dia, levianamente, uma revista com figuras indecentes e irreligiosas. Uma turba de meninos pôs-se em torno dele para contemplar aquelas “maravilhas”. Domingos também acorreu, julgando estar sendo mostrada ali alguma imagem piedosa. Quando, porém, percebeu do que se tratava, tomou a publicação e rasgou- a em pedaços. Seus companheiros, surpresos, olhavam-se uns aos outros, sem saber o que fazer. Então Domingos lhes disse: – O Senhor nos deu olhos para contemplar a beleza das coisas que Ele criou e vocês se servem deles para olhar semelhantes imundícies? Esqueceram- se do que tantas vezes nos foi dito nas pregações? – Estávamos olhando apenas para rir… – respondeu um deles. – Sim, sim, para rir. Estão se preparando para ir ao inferno, rindo… Mas continuarão a rir se tiverem a desgraça de cair nele? Diante de tais palavras, todos se calaram, ninguém se atrevendo a arriscar qualquer nova observação. Prenúncios do fim da vida Infelizmente, a vida de Domingos, que tanto prometia para o futuro se ele chegasse a ser sacerdote, seria curta. Em seus longos tempos de oração, a graça divina ia preparando- o para a glória eterna. Durante os recreios, vez por outra, saía de repente da roda de amigos e se punha a passear sozinho, com o espírito absorto. Quando alguém lhe pedia explicações; respondia: “Assaltam- me as distrações de costume, e parece-me que o Paraíso se abre sobre minha cabeça, por isso tenho de afastar-me de meus companheiros para não dizer coisas que eles poderiam ridicularizar”. Numa ocasião, também no recreio, caiu como que desmaiado, amparado por um amigo. Ao retornar a si, afirmou: “No Céu, os inocentes estão mais perto de nosso Divino Salvador, e Lhe cantarão de modo especial hinos de glória eternamente”. Vaticinando seu fim próximo, escreveu a um grande amigo seu, o exemplar jovem Massaglia: “Diz-me que não sabes se voltarás ao Oratório para nos visitar. Também minha carcaça parece-me bastante deteriorada e tudo me leva a pressagiar que me aproximo a passos largos do fim de meus estudos e de minha vida”. “Ah, que belas coisas vejo!” Massaglia o precedeu na entrada no Paraíso, mas Domingos não tardou a segui-lo. No início de 1857, agravou- se notavelmente sua enfermidade. Uma tosse pertinaz dava margem a sério receio de contágio, tanto mais que grassava a cólera na região de Turim. Assim, Dom Bosco o aconselhou a voltar para a casa paterna. Com o coração partido e após fazer, juntamente com seus companheiros, o exercício de preparação para a morte, pediu a Dom Bosco: “Reze para que eu possa ter uma boa morte! Até a próxima vista, que será no Paraíso”. Partiu, pois, para a residência de seus pais, em Mondonio, onde chegou no primeiro dia de março de 1857. Ali suportou com admirável resignação, e até mesmo com alegria, os grandes padecimentos com os quais a Divina Providência aprouve enriquecer sua alma nos últimos dias de vida. A longa agonia transcorreu num ambiente de doçura e paz admiráveis que culminaram no instante supremo, quando exclamou, sorrindo e com fisionomia paradisíaca: “Ah, que belas coisas vejo!” Dito isto, expirou com as mãos cruzadas sobre o peito, sem fazer o menor movimento. Assim cruzou os umbrais da eternidade o primeiro santo salesiano, no dia 9 de março de 1857. A notícia de sua morte entristeceu Dom Bosco que, com ela, tinha perdido uma pérola preciosa… Perdeu mesmo? Do Paraíso, São Domingos atrairia pelas vias da inocência incontáveis outros jovens! Ao próprio Dom Bosco, ele apareceria mais tarde em sonho, mostrando-lhe as belezas do Céu, onde se encontrava. (Revista Arautos do Evangelho, Março/2006, n. 51, p. 16 à 19) #SantodoDia
- O Inferno – Um mês com Maria | 6° dia
O INFERNO Quando perguntaram a São Jerônimo porque se retirou para uma gruta de Belém e viver como um eremita penitente, ele respondeu: “Me condenei a esta prisão porque temo o inferno!” Um gigante de doutrina e santidade como ele temia o inferno. Nós, sem doutrina e santidade, nem nos preocupamos, nem queremos pensar no Inferno! E assim demonstramos o que somos: pobres inconscientes! São Paulo, raptado ao 3º Céu, carregado de méritos, temia de poder danar-se (cf I Cor 9,27). Nós, com uma superficiliadade que amedronta, cremos evitar o inferno sem méritos nem temores. Aliás, chegamos até a recomendar de não se falar nunca do Inferno, porque “impressiona”, não nos importando o fato que Jesus, no Evangelho, falou do Inferno não só uma vez, mas 18 vezes! Como sempre, covardes que somos, gostamos muito de discursos alegres e doces, de Cristianismo fácil, efeitos de falsos aleluias e hosanas. Fora daqui, malditos! Esta é a terrificante condenação dos que morrem em pecado mortal. “Estes irão ao eterno suplício” (Mt25,46). “Irão”, ou seja, só vai ao inferno quem quiser ir! Deus nos cria a todos para o Paraíso e nos dá os meios para lá chegar, mas nos deixa livres para aceitar ou não. O homem que recusa, então, sabe perder o Paraíso e escolher o Inferno. Ele quer isso livremente. Nem se pode não dar razão a Deus, porque respeita a liberdade do homem. Mas qual loucura renunciar a Deus, perder o Paraíso, cair naquele abismo de horrores que é a moradia dos demônios. A visão de Deus, a união a Jesus e a Nossa Senhora, a companhia dos Anjos e dos Santos… A perda destes bens infinitos constitui a pena de dano dos danados, ou seja, a pena mais horrível e pavorosa que possamos conceber. Pelo resto, se é verdade que com o pecado mortal crucificamos Jesus em seu próprio coração (Hb ,) de qual suplício “não será digno aquele que terá pisado o Filho de Deus”? (Hb 10,20). No fogo eterno No Inferno existe também a pena do sentido, ou seja, o fogo eterno (Mt 18,7) “que põe aos danados como vítimas dos tormentos… de um fogo ardente” (Lc 16, 23/24). A Geena é a figura mais expressiva que Jesus usou para figurar o inferno. A Geena é um profundo vale sobre um dos lados de Jerusalém. Nessa se jogavam toda as sujeiras da cidade e eram queimadas em um fogo perene. O Inferno é um depósito de lixo do Céu e da Terra: nesse se recolhem todos os anjos rebeldes e todos os homens imundos, perversos e corrompidos, mortos em pecado mortal. Todos queimarão com “fogo inextinguível” (Mc 9,44), odiosos a Deus pela eternidade. Na verdade, é “coisa tremenda cair nas mãos de Deus”. (Hb 10,31). Mas não se poderá talvez dizer que seja proporcional a pena eterna para as culpas do homem? Não, porque como a recompensa está ao mérito, assim a pena está à culpa (Santo Tomás de Aquino). Às boas ações corresponde o Paraíso eterno; às más ações (pecados mortais) correspondem o Inferno eterno. O rico homem que durante a vida tinha pensado somente nos “suntuosos banquetes”, nos quais pensava só em se divertir, e o pobre Lázaro, que tinha suportado em paz as próprias desventuras, deixando que até os cachorros lhe “lambêssem as feridas”, nos fazem compreender muito bem a diversa sorte eterna que tocará aos homens maus e bons (Lc 16,19-31). Muitos se perdem Em Fátima, a Imaculada mostrou o Inferno aos 3 pastores. E Lúcia descreveu aquela visão como melhor podia com estas palavras: “Vimos como em um mar de fogo, emergidos os demônios e as almas, quase como carvões transparentes e pretos, queimados em forma humana, flutuando no incêndio alçado de fumos e cadentes de cada lado, como faísca de grandes incêndios. Sem peso, nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que aterrorizavam e faziam desmaiar de medo…”. “Viram – disse Nossa Senhora – o Inferno onde vão as almas dos pobres pecadores? Para os salvar, o Senhor quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Coração Imaculado”. Reflitamos seriamente sobre estas palavras de Nossa Senhora e liguemo-nos fortemente ao seu Coração Imaculado e tenhamos bem radicados em nós o empenho de viver sempre na graça de Deus, prontos em tudo sofrer para não cometer pecado mortal: “Não temais os que matam o corpo, mas que não podem matar a alma. Temais, pois, aquele que pode fazer perder a alma e o corpo na Geena.” (Mt 10,28). Se os homens pensassem seriamente nestas palavras de Jesus, quem seria condenado? Como morre um danado? São Clemente Hofbauer, apóstolo de Viena, foi visitar um moribundo não crente e foi recebido com insultos: “Vai para o diabo, frade! Vais embora!”. “Antes quero ver como morre um danado!” disse o frade. Com estas palavras o moribundo pôs-se a pensar e ficou mudo. São Clemente invoca Maria com ardor. Logo depois o moribundo chora e exclama: “Padre, perdoai-me. Aproximai-vos!”. Confessa-se em lágrimas e morre invocando Maria, refúgio dos pecadores. “A misericórdia de Maria salva um grande número de infelizes que, segundo as leis da divina Justiça, iriam ser danados”. Cofiemos n’Ela, então, com toda a confiança. Votos – Repetir amiúde: “Minha mãe, confiança minha”; – Oferecer o dia pelos pecadores moribundos; – Ler e meditar a parábola do rico Epulão e do pobre Lázaro (Lc 16, 19-31). Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- São Domingos Sávio, o pequeno gigante – 06 de Maio
SANTO DO DIA – 06 DE MAIO – SÃO DOMINGOS SÁVIO “Quero ser santo!”, costumava dizer São Domingo Sávio, cuja festa se celebra neste dia 6 de maio. É padroeiro dos meninos cantores e também das grávidas, por ter cumprido em sua vida uma missão da Virgem Maria, enquanto era guiado por São João Bosco. Domingos Sávio nasceu na Itália em 1842. Desde muito pequeno desejou ser sacerdote e ao conhecer Dom Bosco pediu para ingressar no Oratório de São Francisco de Sales, em Turim. Ali organizou a Companhia de Maria Imaculada e com seus companheiros frequentava os sacramentos, rezava o Rosário, ajudava nos afazeres e cuidava dos meninos difíceis. Além disso, tinha um espírito muito alegre, gostava de brincar e estudar. São João Bosco escreveu uma biografa do jovem santo e chorava cada vez que a leia. Nela contava que em várias ocasiões viu Domingos extasiado depois de receber a Comunhão, até que certo dia Dom Bosco o encontrou no coro do templo. “Fui ver – conta Dom Bosco – e encontrei Domingos que falava e depois calava, como à espera de uma resposta. Entre outras coisas ouvia claramente estas palavras: ‘Sim, meu Deus, já vos disse e vo-lo digo de novo: amo-vos e quero amar-vos até à morte. Se virdes que vos hei-de ofender, enviai-me a morte: sim, antes a morte que o pecado’”. Quando Dom Bosco lhe perguntou o que fazia nesses momentos, Domingos lhe respondeu: “Pobre de mim, vem-me uma distração, e naquele momento perco o fio das orações, e parece-me ver coisas tão belas que as horas fogem sem que eu dê por isso”. Durante o processo de investigação para levar Domingos Sávio aos altares, sua irmã Teresa narrou que certa vez o santo se apresentou diante de Dom Bosco e lhe pediu permissão para ir a sua casa. Seu formador lhe perguntou o motivo e o jovem respondeu: “Minha mãe está muito delicada e a Virgem quer curá-la”. Dom Bosco perguntou de quem tinha recebido notícias e Domingos respondeu que de ninguém, mas que ele sabia. O sacerdote, que já conhecia seus dons, deu-lhe dinheiro para a viagem. A mãe de Domingos estava grávida, mas sofrendo com fortes dores. Quando o jovem chegou para vê-la, abraçou-a fortemente, beijou-a e depois obedeceu sua mãe, que lhe tinha pedido que fosse com uns vizinhos. Quando o médico chegou, viu que a senhora estava com a saúde recuperada e, enquanto os vizinhos a atendiam, viram em seu pescoço uma fita verde que estava unida a uma seda dobrada e costurada como um escapulário. A surpreendente visita de Domingos a sua mãe se deu em 12 de setembro de 1856, data do nascimento de sua irmã Catarina. Tempo depois, Domingos disse à sua mãe que conservasse e emprestasse aquele escapulário às mulheres que necessitassem. Assim se fez e muitas afirmavam ter obtido graças de Deus com a ajuda do escapulário da Virgem. Domingos Sávio retornou ao oratório salesiano, mas não por muito tempo. Ficou doente e, por sugestão dos médicos, teve que despedir-se de Dom Bosco e de seus companheiros para voltar para sua casa. Antes de morrer, disse: “Que coisa tão formosa vejo!”. Partiu para a casa do Pai em 9 de março de 1857, aos 14 anos de idade. Conheça mais sobre São Domingos Sávio “Se Domingos, com tão pouca idade, pôde santificar-se, por que não poderei também eu?” – interroga São João Bosco ao escrever a vida do jovem santo. Os raios do sol matutino penetram, tímidos e amenos ainda, pelas janelas das salas de aula. O sino toca, anunciando a hora do recreio, os alunos saem ordenadamente para o pátio onde logo se forma uma sadia algazarra: centenas de meninos saltam, jogam e correm. Alguns sacerdotes e clérigos animam os divertimentos, vigiando ao mesmo tempo para evitar que atitudes inconvenientes se misturem com a sã alegria. Um deles, cercado de jovens, após esquivar-se de uma bola perdida no ar, exclama: “Gritem e brinquem quanto queiram, contanto que não pequem!” Trata-se de Dom Bosco, considerado santo por esses adolescentes que disputam entre si o privilégio de estar a seu lado, trocar com ele algumas palavras, oscular-lhe a mão sacerdotal. Se ele pôde ser santo, por que não poderei também eu? A cena acima descrita passa-se no primeiro colégio aberto por Dom Bosco, em Turim. Ali se encontram rapazes de humilde condição, aos quais é dada formação cristã e humana, além de uma preparação para a vida profissional. Alguns deles alcançarão altos postos na vida social ou eclesiástica. Muitos serão honestos artesãos, mestres de obra ou profissionais liberais. Alguns poucos, elevando-se acima dos demais, alcançarão a glória dos altares. É o caso do jovem Domingos Sávio. De sua curta existência sabemos que viveu quase três anos no Oratório, onde demonstrou entranhado afeto ao pai de sua alma, São João Bosco, e serviu de contínuo exemplo e estímulo para os demais adolescentes. Domingos granjeou a amizade de todos os seus colegas e constituiu, com um núcleo dos mais fervorosos entre eles, a Companhia de Maria Imaculada, que logo se tornou um primeiro viveiro de vocações sacerdotais para a Congregação Salesiana. Ao narrar-lhe a vida, “cujo teor foi notoriamente maravilhoso “, seu primeiro biógrafo, o próprio Dom Bosco, teve de tal forma a intenção de levar seus jovens leitores a imitá-lo, que lhes apresenta a seguinte questão: “Se Domingos, com tão pouca idade, pôde santificar-se, por que não poderei também eu?” Desejo ardente de receber Jesus Eucarístico Deliciemo-nos com alguns dados e fatos mais sobressalentes deste prodigioso jovem, que soube aliar virtudes harmonicamente contrárias. O pequeno povoado de Riva de Chieri (Itália) viu-o nascer em 2 de abril de 1842. Seus pais, Carlos Sávio e Brígida, eram pobres, honrados e bons católicos. Desde pequenino Domingos levou muito a sério a piedade que lhe fora inculcada por eles. Quando tinha apenas cinco anos, um viajante que fora convidado a compartilhar a pobre refeição da família Sávio pôsse à mesa sem ao menos se persignar. Vendo isso, Domingos retirou- se e depois explicou o motivo: “Este homem certamente não é bom cristão, pois nem faz o sinalda- cruz antes de comer. Portanto, não convém que nos sentemos ao lado dele”. Por razões de trabalho, a família viu-se obrigada a mudar para Murialdo, nos arredores de Castelnuovo, onde o futuro santo assistia ao catecismo da paróquia. Sua memória privilegiada – aprendeu de cor todo o catecismo breve -, seu perfeito discernimento da substância e da grandeza do Sacramento da Eucaristia e seu ardente desejo de receber Jesus sacramentado, levaram o pároco a autorizá-lo a fazer a Primeira Comunhão aos sete anos de idade, embora fosse costume nessa época esperar os meninos chegarem aos onze anos. Propósitos para toda a vida Mal soube Domingos que iria participar do banquete celestial, transbordou de alegria, a ponto de ser visto nesses dias rezando demoradamente. Na véspera do tão almejado dia fez algumas anotações que, mais tarde, chegaram às mãos de Dom Bosco: Propósitos feitos por mim, Domingos Sávio, no ano de 1849, na idade de sete anos: 1º. Confessar-me-ei com freqüência e receberei a Comunhão todas as vezes que o confessor me permitir. 2º. Santificarei os dias de preceito. 3º. Meus amigos serão Jesus e Maria. 4º. Antes morrer que pecar. Oxalá todos os jovens recebessem o Santíssimo Sacramento com as mesmas disposições deste seu celestial patrono! Segundo Dom Bosco, “ a Primeira Comunhão bem feita estabelece uma sólida base moral para toda a existência “. Assim foi com São Domingos Sávio. Durante sua curta vida, muitas vezes ele renovou esses propósitos, dando demonstrações evidentes de pô-los em prática com fervor e eficácia. O encontro com São João Bosco Movido pelo desejo de ser sacerdote, Domingos ia estudar na escola de um povoado próximo, percorrendo diariamente vinte quilômetros a pé. Durante o percurso, para domar a curiosidade, olhava apenas para a estreita faixa da estrada rural, a tal ponto que nunca soube descrever os vilarejos e paisagens encontradas em seu caminho. Impunha-se essa mortificação porque queria resguardar seus olhos de qualquer coisa feia, para com eles poder ver Jesus e Maria no Céu. A 2 de outubro de 1854, deu-se o encontro de sua vida. Não podendo continuar os estudos devido à precária situação financeira da família, foi recomendado por um sacerdote amigo a Dom Bosco, o qual recebia no Oratório jovens de recursos escassos. “Neste jovem encontrarás um São Luís de Gonzaga “, escreveu ele na carta de recomendação. A História conserva uma inolvidável lembrança desse primeiro encontro, graças à pena de São João Bosco que sempre o recordou com ternura e emoção. Na primeira segunda-feira de outubro – narra ele – muito cedo ainda, vi aproximar-se um menino que vinha falar-me, acompanhado por seu pai. Seu rosto sorridente e seu ar alegre, porém respeitoso, chamaram-me imediatamente a atenção . – Quem és? De onde vens? – perguntei- lhe. – Sou Domingos Sávio, de quem já deve lhe ter falado o Pe. Cugliero, meu mestre. Estamos vindo de Mondonio. Descobri naquele jovem uma alma segundo o espírito do Senhor e fiquei bastante maravilhado ao comprovar o trabalho realizado pela graça divina em tão tenra idade. Depois de um colóquio um tanto prolongado, disse-me ele textualmente estas palavras: – Então, o senhor me levará para Turim, para estudar? – Veremos! Parece-me que temos um bom pano. – E para que pode servir esse pano? – Para fazer um bonito traje e presenteá-lo ao Senhor. – Pois bem, eu sou o tecido e o senhor será o alfaiate. Leveme consigo e fará um formoso traje para o Senhor. – O que pensas fazer quando terminar teus estudos de latim? – Se Deus me conceder tão grande graça, desejo ardorosamente abraçar o estado eclesiástico. Bem convencido da qualidade do “tecido” que tinha diante de si, Dom Bosco decidiu leválo à “alfaiataria”, isto é, ao Oratório de Valdocco, em Turim. Peço-lhe que me faça santo! Ali Sávio logo se destacou por sua boa conduta e pelo sério cumprimento de todos os deveres. A saúde de seu corpo, porém, não acompanhava os ímpetos de sua zelosa alma. Em breve um preocupante esgotamento das forças físicas o obrigou a se afastar da escola, embora continuasse estudando no internato do Oratório. Certo dia um sermão de Dom Bosco o encheu de entusiasmo. “É vontade de Deus – dizia o sacerdote – que todos nos tornemos santos. É bastante fácil consegui-lo e há no Céu um prêmio preparado para quem chega a ser santo .” Essa frase foi como uma centelha que provocou em sua jovem alma um incêndio de amor de Deus. Sua meta já estava inteiramente clara: alcançar a santidade. Certo dia, Dom Bosco prometeu atender, dentro de suas possibilidades, qualquer pedido que lhe fosse feito pelos jovens do Oratório. Choveram pedidos de bombons e coisas do gênero. Diferente de todos, eis o de Domingos, escrito numa pequena folha de papel: “Peço-lhe que salve minha alma e me faça santo”. Na vida de Sávio, a luta pela conquista da santidade apresenta-se bem marcada pelo carisma salesiano, segundo os ensinamentos de Dom Bosco: em primeiro lugar, devia ser um santo alegre; além disso, aplicando a máxima “salvando outros, salva-te a ti mesmo”, devia fazer apostolado com seus companheiros. Assim, após conquistar as simpatias de um rapazinho que acabava de ser admitido no Oratório, Domingos lhe explicou: “Fique sabendo que nesta casa fazemos consistir a santidade em estar sempre muito alegres. Esforçamo- nos apenas para evitar o pecado – pois ele é um grande inimigo que nos rouba a graça de Deus e a paz do coração – e para cumprir bem nossos deveres”. Funda uma associação “secreta” É com o objetivo de “salvar os outros” que ele fundou, um pouco mais tarde, a já mencionada Companhia de Maria Imaculada. “Eu gostaria de fazer algo em honra de Maria, mas que fosse logo, porque temo que me falte tempo”, costumava dizer ele. Essa Companhia era uma associação “secreta” dirigida por Dom Bosco, e dela participavam alguns dos melhores alunos do Oratório, desejosos de fazer apostolado com seus companheiros. Um deles se chamava Miguel Rua, o santo que sucedeu a Dom Bosco na direção da Congregação Salesiana. Os “estatutos” da Companhia se resumiam em quatro itens: seus membros se comprometiam a obedecer às regras da casa, dar bom exemplo aos companheiros, ocupar bem o tempo e serem vigilantes para detectar e inutilizar a ação dos maus elementos que pervertem os demais. Como exemplo da atuação desses moços modelares no meio de seus colegas, podemos apreciar este fato, protagonizado pelo próprio Domingos e narrado por Dom Bosco: Um jovem que não pertencia ao Oratório trouxe consigo certo dia, levianamente, uma revista com figuras indecentes e irreligiosas. Uma turba de meninos pôs-se em torno dele para contemplar aquelas “maravilhas”. Domingos também acorreu, julgando estar sendo mostrada ali alguma imagem piedosa. Quando, porém, percebeu do que se tratava, tomou a publicação e rasgou- a em pedaços. Seus companheiros, surpresos, olhavam-se uns aos outros, sem saber o que fazer. Então Domingos lhes disse: – O Senhor nos deu olhos para contemplar a beleza das coisas que Ele criou e vocês se servem deles para olhar semelhantes imundícies? Esqueceram- se do que tantas vezes nos foi dito nas pregações? – Estávamos olhando apenas para rir… – respondeu um deles. – Sim, sim, para rir. Estão se preparando para ir ao inferno, rindo… Mas continuarão a rir se tiverem a desgraça de cair nele? Diante de tais palavras, todos se calaram, ninguém se atrevendo a arriscar qualquer nova observação. Prenúncios do fim da vida Infelizmente, a vida de Domingos, que tanto prometia para o futuro se ele chegasse a ser sacerdote, seria curta. Em seus longos tempos de oração, a graça divina ia preparando- o para a glória eterna. Durante os recreios, vez por outra, saía de repente da roda de amigos e se punha a passear sozinho, com o espírito absorto. Quando alguém lhe pedia explicações; respondia: “Assaltam- me as distrações de costume, e parece-me que o Paraíso se abre sobre minha cabeça, por isso tenho de afastar-me de meus companheiros para não dizer coisas que eles poderiam ridicularizar”. Numa ocasião, também no recreio, caiu como que desmaiado, amparado por um amigo. Ao retornar a si, afirmou: “No Céu, os inocentes estão mais perto de nosso Divino Salvador, e Lhe cantarão de modo especial hinos de glória eternamente”. Vaticinando seu fim próximo, escreveu a um grande amigo seu, o exemplar jovem Massaglia: “Diz-me que não sabes se voltarás ao Oratório para nos visitar. Também minha carcaça parece-me bastante deteriorada e tudo me leva a pressagiar que me aproximo a passos largos do fim de meus estudos e de minha vida”. “Ah, que belas coisas vejo!” Massaglia o precedeu na entrada no Paraíso, mas Domingos não tardou a segui-lo. No início de 1857, agravou- se notavelmente sua enfermidade. Uma tosse pertinaz dava margem a sério receio de contágio, tanto mais que grassava a cólera na região de Turim. Assim, Dom Bosco o aconselhou a voltar para a casa paterna. Com o coração partido e após fazer, juntamente com seus companheiros, o exercício de preparação para a morte, pediu a Dom Bosco: “Reze para que eu possa ter uma boa morte! Até a próxima vista, que será no Paraíso”. Partiu, pois, para a residência de seus pais, em Mondonio, onde chegou no primeiro dia de março de 1857. Ali suportou com admirável resignação, e até mesmo com alegria, os grandes padecimentos com os quais a Divina Providência aprouve enriquecer sua alma nos últimos dias de vida. A longa agonia transcorreu num ambiente de doçura e paz admiráveis que culminaram no instante supremo, quando exclamou, sorrindo e com fisionomia paradisíaca: “Ah, que belas coisas vejo!” Dito isto, expirou com as mãos cruzadas sobre o peito, sem fazer o menor movimento. Assim cruzou os umbrais da eternidade o primeiro santo salesiano, no dia 9 de março de 1857. A notícia de sua morte entristeceu Dom Bosco que, com ela, tinha perdido uma pérola preciosa… Perdeu mesmo? Do Paraíso, São Domingos atrairia pelas vias da inocência incontáveis outros jovens! Ao próprio Dom Bosco, ele apareceria mais tarde em sonho, mostrando-lhe as belezas do Céu, onde se encontrava. (Revista Arautos do Evangelho, Março/2006, n. 51, p. 16 à 19) #SantodoDia
- O Inferno – Um mês com Maria | 6° dia
O INFERNO Quando perguntaram a São Jerônimo porque se retirou para uma gruta de Belém e viver como um eremita penitente, ele respondeu: “Me condenei a esta prisão porque temo o inferno!” Um gigante de doutrina e santidade como ele temia o inferno. Nós, sem doutrina e santidade, nem nos preocupamos, nem queremos pensar no Inferno! E assim demonstramos o que somos: pobres inconscientes! São Paulo, raptado ao 3º Céu, carregado de méritos, temia de poder danar-se (cf I Cor 9,27). Nós, com uma superficiliadade que amedronta, cremos evitar o inferno sem méritos nem temores. Aliás, chegamos até a recomendar de não se falar nunca do Inferno, porque “impressiona”, não nos importando o fato que Jesus, no Evangelho, falou do Inferno não só uma vez, mas 18 vezes! Como sempre, covardes que somos, gostamos muito de discursos alegres e doces, de Cristianismo fácil, efeitos de falsos aleluias e hosanas. Fora daqui, malditos! Esta é a terrificante condenação dos que morrem em pecado mortal. “Estes irão ao eterno suplício” (Mt25,46). “Irão”, ou seja, só vai ao inferno quem quiser ir! Deus nos cria a todos para o Paraíso e nos dá os meios para lá chegar, mas nos deixa livres para aceitar ou não. O homem que recusa, então, sabe perder o Paraíso e escolher o Inferno. Ele quer isso livremente. Nem se pode não dar razão a Deus, porque respeita a liberdade do homem. Mas qual loucura renunciar a Deus, perder o Paraíso, cair naquele abismo de horrores que é a moradia dos demônios. A visão de Deus, a união a Jesus e a Nossa Senhora, a companhia dos Anjos e dos Santos… A perda destes bens infinitos constitui a pena de dano dos danados, ou seja, a pena mais horrível e pavorosa que possamos conceber. Pelo resto, se é verdade que com o pecado mortal crucificamos Jesus em seu próprio coração (Hb ,) de qual suplício “não será digno aquele que terá pisado o Filho de Deus”? (Hb 10,20). No fogo eterno No Inferno existe também a pena do sentido, ou seja, o fogo eterno (Mt 18,7) “que põe aos danados como vítimas dos tormentos… de um fogo ardente” (Lc 16, 23/24). A Geena é a figura mais expressiva que Jesus usou para figurar o inferno. A Geena é um profundo vale sobre um dos lados de Jerusalém. Nessa se jogavam toda as sujeiras da cidade e eram queimadas em um fogo perene. O Inferno é um depósito de lixo do Céu e da Terra: nesse se recolhem todos os anjos rebeldes e todos os homens imundos, perversos e corrompidos, mortos em pecado mortal. Todos queimarão com “fogo inextinguível” (Mc 9,44), odiosos a Deus pela eternidade. Na verdade, é “coisa tremenda cair nas mãos de Deus”. (Hb 10,31). Mas não se poderá talvez dizer que seja proporcional a pena eterna para as culpas do homem? Não, porque como a recompensa está ao mérito, assim a pena está à culpa (Santo Tomás de Aquino). Às boas ações corresponde o Paraíso eterno; às más ações (pecados mortais) correspondem o Inferno eterno. O rico homem que durante a vida tinha pensado somente nos “suntuosos banquetes”, nos quais pensava só em se divertir, e o pobre Lázaro, que tinha suportado em paz as próprias desventuras, deixando que até os cachorros lhe “lambêssem as feridas”, nos fazem compreender muito bem a diversa sorte eterna que tocará aos homens maus e bons (Lc 16,19-31). Muitos se perdem Em Fátima, a Imaculada mostrou o Inferno aos 3 pastores. E Lúcia descreveu aquela visão como melhor podia com estas palavras: “Vimos como em um mar de fogo, emergidos os demônios e as almas, quase como carvões transparentes e pretos, queimados em forma humana, flutuando no incêndio alçado de fumos e cadentes de cada lado, como faísca de grandes incêndios. Sem peso, nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que aterrorizavam e faziam desmaiar de medo…”. “Viram – disse Nossa Senhora – o Inferno onde vão as almas dos pobres pecadores? Para os salvar, o Senhor quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Coração Imaculado”. Reflitamos seriamente sobre estas palavras de Nossa Senhora e liguemo-nos fortemente ao seu Coração Imaculado e tenhamos bem radicados em nós o empenho de viver sempre na graça de Deus, prontos em tudo sofrer para não cometer pecado mortal: “Não temais os que matam o corpo, mas que não podem matar a alma. Temais, pois, aquele que pode fazer perder a alma e o corpo na Geena.” (Mt 10,28). Se os homens pensassem seriamente nestas palavras de Jesus, quem seria condenado? Como morre um danado? São Clemente Hofbauer, apóstolo de Viena, foi visitar um moribundo não crente e foi recebido com insultos: “Vai para o diabo, frade! Vais embora!”. “Antes quero ver como morre um danado!” disse o frade. Com estas palavras o moribundo pôs-se a pensar e ficou mudo. São Clemente invoca Maria com ardor. Logo depois o moribundo chora e exclama: “Padre, perdoai-me. Aproximai-vos!”. Confessa-se em lágrimas e morre invocando Maria, refúgio dos pecadores. “A misericórdia de Maria salva um grande número de infelizes que, segundo as leis da divina Justiça, iriam ser danados”. Cofiemos n’Ela, então, com toda a confiança. Votos – Repetir amiúde: “Minha mãe, confiança minha”; – Oferecer o dia pelos pecadores moribundos; – Ler e meditar a parábola do rico Epulão e do pobre Lázaro (Lc 16, 19-31). Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- Santo Evódio, bispo e mártir – 6 de Maio
SANTO DO DIA – 06 DE MAIO – SANTO EVÓDIO Bispo e mártir (+67) Esse santo, de nós pouco conhecido, teve o privilégio de conhecer Jesus pessoalmente. Conforme a tradição, teria sido um dos 72 discípulos instruídos diretamente por nosso Senhor e enviado às várias localidades da Palestina para difundir a “Boa-Nova” do advento do Salvador. Realmente, Evódio granjeou o apreço do príncipe dos apóstolos, porquanto são Pedro – antes de se fixar definitivamente em Roma- designou-o para sucedê-lo na sede de Antioquia. De sua parte, Evódio, sucessor de são Pedro, é tido como sucessor de outro grande santo, o bispo Inácio. Este, pregando aos fiéis, assim os exortava: “Vós sois discípulos de Pedro e de Paulo: não percais o depósito que vos foi confiado. Recordai-vos também do beato Evódio, vosso pastor, que vos guiou logo depois dos apóstolos. Mostremo-nos dignos filhos de um tal pai, e não sejamos como filhos adulterinos”. Com tais credenciais, o santo deste dia tem todo o direito de ocupar um lugar de honra na primeira fileira dos pregoeiros do Evangelho que testemunharam com o próprio sangue sua fidelidade a Cristo. De fato, Evódio também é um dos primeiros mártires cristãos (na verdade, foi ele quem deu este nome aos seguidores de Cristo, como consta de uma antiga tradição), tendo colhido a palma do martírio no mesmo ano em que o foram Pedro e Paulo.
- Santo Evódio, bispo e mártir – 6 de Maio
SANTO DO DIA – 06 DE MAIO – SANTO EVÓDIO Bispo e mártir (+67) Esse santo, de nós pouco conhecido, teve o privilégio de conhecer Jesus pessoalmente. Conforme a tradição, teria sido um dos 72 discípulos instruídos diretamente por nosso Senhor e enviado às várias localidades da Palestina para difundir a “Boa-Nova” do advento do Salvador. Realmente, Evódio granjeou o apreço do príncipe dos apóstolos, porquanto são Pedro – antes de se fixar definitivamente em Roma- designou-o para sucedê-lo na sede de Antioquia. De sua parte, Evódio, sucessor de são Pedro, é tido como sucessor de outro grande santo, o bispo Inácio. Este, pregando aos fiéis, assim os exortava: “Vós sois discípulos de Pedro e de Paulo: não percais o depósito que vos foi confiado. Recordai-vos também do beato Evódio, vosso pastor, que vos guiou logo depois dos apóstolos. Mostremo-nos dignos filhos de um tal pai, e não sejamos como filhos adulterinos”. Com tais credenciais, o santo deste dia tem todo o direito de ocupar um lugar de honra na primeira fileira dos pregoeiros do Evangelho que testemunharam com o próprio sangue sua fidelidade a Cristo. De fato, Evódio também é um dos primeiros mártires cristãos (na verdade, foi ele quem deu este nome aos seguidores de Cristo, como consta de uma antiga tradição), tendo colhido a palma do martírio no mesmo ano em que o foram Pedro e Paulo.
- O Juízo de Deus – Um mês com Maria | 5° dia
O Juízo de Deus A meditação sobre o Juízo de Deus é tão saudável ao homem que Santo Agostinho dizia: “Se os cristãos não ouvissem outra pregação além daquela sobre o juízo de Deus, só esta bastaria para fazer observar o Evangelho e viver santamente na Graça!”. E na verdade não mudariam talvez tantos nossos comportamentos se muitas vezes tivéssemos a coragem de nos perguntar: Como gostaria de achar-me agora sob o Juízo de Deus? Tal recomendação nos vem feita também por São Tiago: “Falai e procedei como quem deve ser julgado!” (Tg 2,12). O Juízo de Deus será um verdadeiro juízo e glorificará sem fim a Justiça de Deus que “submeterá a juízo cada obra, por quanto escondida, boa ou má que seja”. (Tg 12,14). Ao juízo de Deus nós aparecemos o que fomos, sem máscaras nem fingimentos, com todas as nossas culpas mais secretas e vergonhosas. Nada poderá fugir aos olhos de Deus, nem uma fragilidade, nem uma palavra ociosa. (Mt 12,36). Que confusão… Se não morrermos santos, será grande a confusão que provaremos. S. Jerônimo escreveu que lhe tremia o corpo inteiro somente em pensar no Juízo de Deus e os seus castigos. “No fim do ano escolástico – escreveu o servo de Deus, Dolindo Ruotolo – cada aluno se apresenta aos examinadores para ser interrogado. O mesmo acontece com a alma: aquela pecadora e obstinada no mal é condenada ao fogo do inferno; a alma medíocre vai ao Purgatório para reparar e descontar as suas penas; a alma toda pura é acolhida na glória e na felicidade do Paraíso”. Lembremos sempre das palavras de Jesus: “Vigiai e orai em cada tempo a fim de que sejais dignos de fugir a futuros castigos e possais aparecer sem temor junto ao Filho do Homem”(Lc 21,36). Ao juízo de Deus veremos o verdeiro balanço (Lc 16,2) inapelável e justíssimo. E Santo Agostinho nos diz que o demônio será o pior acusador da nossa alma (cf Apc 12,10). “Senhor, dirá o demônio – esta alma não observou os mandamentos da Tua lei, mas da minha. Dá-a a mim porque me pertence”. Ousaremos apenas sussurrar: “Senhor, ao seguir o demônio parecia mais fácil; a Tua lei é muito dura…”. “Não é verdade! não é verdade! – dirá o acusador – Eu te fazia trabalhar até no Domingo, enquanto a Lei de Deus te precedia descanso. E tu trabalhavas para mim. Eu te fazia beber vinho até quando não tinhas mais sede e te fazia mal com a bebedeira. Coloquei- te sob as bestas. Te ordenava dançar e tu cansado de seis dias de trabalho te esgotavas em dançar para me fazer rir. E te sugeria um encontro equívoco e tu deixava os teus, embora fizesse frio, chovesse ou nevasse. Eu te dizia gastar nos vícios e o resultado de todos os teus suores da semana e tu que tinha medo de dar um tostão de esmola, consumias nos bares com os amigos todo o sustento da tua casa. Não era leve o meu fardo! Mas tu o preferistes àquele de Deus.” A quem recorreremos? O juízo de Deus somos nós mesmos a prepará-lo com a nossa vida. Qual será a nossa vida, tal será o juízo de Deus. “Cada um será réu segundo a própria obra”, diz-nos Jesus (Mt 16,17). Mas se a vossa obra não tiver sido conforme o Evangelho, ou seja, tudo por amor a Jesus e aos irmãos (Mt 25,31-46) a quem poderemos recorrer naquele átimo que será fulminante como um “piscar de olhos”? (I Cor 15,52). É antes, é agora que devemos providenciar em obter um juízo de salvação! (II Cor 6,2) é o tempo da misericórdia! Desde quando estamos em vida podemos obter a abundância de misericórdia recorrendo a Nossa Senhora. “Mãe de Misericórdia”, como a invocamos na Salve-Rainha. E será uma Graça especial se nos extremos tormentos de vida podermos a Ela recorrer, indo com confiança ao trono da Graça para obter misericórdia! (Hb 4,16). São Maximiliano Maria Kolbe dizia que até se tivéssemos já um pé no inferno, se invocamos Imaculada, Ela nos obterá a salvação eterna. São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, no leito de morte, na sua agonia, sofreu assaltos do demônio. Se via agitado. O confessor o abençoou, e pensou que quisesse mudar de posição. “Não – murmurou o Santo – procuro a imagem de Nossa Senhora! A Imagem estava sobre o leito, mas entre as pregas da colcha. Logo que a viu, ele ficou sereno, olhou-a com amor e disse: Mãzinha, mais depressa!” Também São Camilo Léllis no leito de morte foi assaltado pela lembrança de culpas cometidas na sua desordenada juventude. O Santo mandou trazer um quadro da Cruz com Nossa Senhora das Dores aos pés e com ardente paixão rogou à Virgem das Dores de clamar por ele. Morreu contemplando serenamente a Mãe das misericórdias. Que nos seja permitido apresentar-nos ao juízo de Deus, contemplando a Mãe Celeste. Votos Perguntar-nos sempre: “Como gostaria de achar-me diante do juízo de Deus?”; Rogar a Nossa Senhora que nos prepare ao Juízo de Deus; Meditar Mateus 25,31-46 e fazer atos de caridade. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- O Juízo de Deus – Um mês com Maria | 5° dia
O Juízo de Deus A meditação sobre o Juízo de Deus é tão saudável ao homem que Santo Agostinho dizia: “Se os cristãos não ouvissem outra pregação além daquela sobre o juízo de Deus, só esta bastaria para fazer observar o Evangelho e viver santamente na Graça!”. E na verdade não mudariam talvez tantos nossos comportamentos se muitas vezes tivéssemos a coragem de nos perguntar: Como gostaria de achar-me agora sob o Juízo de Deus? Tal recomendação nos vem feita também por São Tiago: “Falai e procedei como quem deve ser julgado!” (Tg 2,12). O Juízo de Deus será um verdadeiro juízo e glorificará sem fim a Justiça de Deus que “submeterá a juízo cada obra, por quanto escondida, boa ou má que seja”. (Tg 12,14). Ao juízo de Deus nós aparecemos o que fomos, sem máscaras nem fingimentos, com todas as nossas culpas mais secretas e vergonhosas. Nada poderá fugir aos olhos de Deus, nem uma fragilidade, nem uma palavra ociosa. (Mt 12,36). Que confusão… Se não morrermos santos, será grande a confusão que provaremos. S. Jerônimo escreveu que lhe tremia o corpo inteiro somente em pensar no Juízo de Deus e os seus castigos. “No fim do ano escolástico – escreveu o servo de Deus, Dolindo Ruotolo – cada aluno se apresenta aos examinadores para ser interrogado. O mesmo acontece com a alma: aquela pecadora e obstinada no mal é condenada ao fogo do inferno; a alma medíocre vai ao Purgatório para reparar e descontar as suas penas; a alma toda pura é acolhida na glória e na felicidade do Paraíso”. Lembremos sempre das palavras de Jesus: “Vigiai e orai em cada tempo a fim de que sejais dignos de fugir a futuros castigos e possais aparecer sem temor junto ao Filho do Homem”(Lc 21,36). Ao juízo de Deus veremos o verdeiro balanço (Lc 16,2) inapelável e justíssimo. E Santo Agostinho nos diz que o demônio será o pior acusador da nossa alma (cf Apc 12,10). “Senhor, dirá o demônio – esta alma não observou os mandamentos da Tua lei, mas da minha. Dá-a a mim porque me pertence”. Ousaremos apenas sussurrar: “Senhor, ao seguir o demônio parecia mais fácil; a Tua lei é muito dura…”. “Não é verdade! não é verdade! – dirá o acusador – Eu te fazia trabalhar até no Domingo, enquanto a Lei de Deus te precedia descanso. E tu trabalhavas para mim. Eu te fazia beber vinho até quando não tinhas mais sede e te fazia mal com a bebedeira. Coloquei- te sob as bestas. Te ordenava dançar e tu cansado de seis dias de trabalho te esgotavas em dançar para me fazer rir. E te sugeria um encontro equívoco e tu deixava os teus, embora fizesse frio, chovesse ou nevasse. Eu te dizia gastar nos vícios e o resultado de todos os teus suores da semana e tu que tinha medo de dar um tostão de esmola, consumias nos bares com os amigos todo o sustento da tua casa. Não era leve o meu fardo! Mas tu o preferistes àquele de Deus.” A quem recorreremos? O juízo de Deus somos nós mesmos a prepará-lo com a nossa vida. Qual será a nossa vida, tal será o juízo de Deus. “Cada um será réu segundo a própria obra”, diz-nos Jesus (Mt 16,17). Mas se a vossa obra não tiver sido conforme o Evangelho, ou seja, tudo por amor a Jesus e aos irmãos (Mt 25,31-46) a quem poderemos recorrer naquele átimo que será fulminante como um “piscar de olhos”? (I Cor 15,52). É antes, é agora que devemos providenciar em obter um juízo de salvação! (II Cor 6,2) é o tempo da misericórdia! Desde quando estamos em vida podemos obter a abundância de misericórdia recorrendo a Nossa Senhora. “Mãe de Misericórdia”, como a invocamos na Salve-Rainha. E será uma Graça especial se nos extremos tormentos de vida podermos a Ela recorrer, indo com confiança ao trono da Graça para obter misericórdia! (Hb 4,16). São Maximiliano Maria Kolbe dizia que até se tivéssemos já um pé no inferno, se invocamos Imaculada, Ela nos obterá a salvação eterna. São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, no leito de morte, na sua agonia, sofreu assaltos do demônio. Se via agitado. O confessor o abençoou, e pensou que quisesse mudar de posição. “Não – murmurou o Santo – procuro a imagem de Nossa Senhora! A Imagem estava sobre o leito, mas entre as pregas da colcha. Logo que a viu, ele ficou sereno, olhou-a com amor e disse: Mãzinha, mais depressa!” Também São Camilo Léllis no leito de morte foi assaltado pela lembrança de culpas cometidas na sua desordenada juventude. O Santo mandou trazer um quadro da Cruz com Nossa Senhora das Dores aos pés e com ardente paixão rogou à Virgem das Dores de clamar por ele. Morreu contemplando serenamente a Mãe das misericórdias. Que nos seja permitido apresentar-nos ao juízo de Deus, contemplando a Mãe Celeste. Votos Perguntar-nos sempre: “Como gostaria de achar-me diante do juízo de Deus?”; Rogar a Nossa Senhora que nos prepare ao Juízo de Deus; Meditar Mateus 25,31-46 e fazer atos de caridade. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- Santo Ângelo de Jerusalém, judeu convertido e mártir – 05 de Maio
SANTO DO DIA – 05 DE MAIO – SANTO ÂNGELO DE JERUSALÉM Judeu convertido e mártir (1185-1220) Uma tradição muito antiga nos trás a luz sobre a vida de Ângelo. Os registros indicam que ele nasceu em 1185, na cidade de Jerusalém, de pais judeus pela religião, chamados José e Maria, nomes muito comuns na região. E que eles se converteram após Nossa Senhora ter avisado Ângelo, durante as orações, que ele teria um irmão, o que lhes parecia impossível, porque seus pais eram idosos. Mas isso aconteceu. Emocionados, receberam o batismo junto com a criança, à qual deram o nome de João. Mais tarde, ele também vestiu o hábito carmelita. Ângelo viveu em muitos conventos da Palestina e da Ásia Menor. Recebeu muitas graças do Senhor, sobretudo o dom da profecia e dos milagres, depois de viver cinco anos no monte Carmelo, mesmo lugar onde viveu o profeta Elias. Entrou para a Ordem do Carmo quando tinha apenas dezoito anos e, em 1213, foi ordenado sacerdote. Ainda segundo a tradição, Ângelo saiu do monte Carmelo com os primeiros carmelitas que foram para Roma a fim de obter do papa Honório III a aprovação da Regra do Carmelo, e depois imigraram para a Sicília. Lá, ao visitar a basílica de São João, se encontrou com os sacerdotes, que se tornaram santos, Domingos de Gusmão e Francisco de Assis, instante em que previu e anunciou a sua morte como mártir de Jesus Cristo. Dentre seus grandes feitos, o que mais se destaca é o trabalho de evangelização que manteve entre os hereges cátaros daquela cidade. A história narra que ele conseguiu converter até uma mulher que, antes disso, mantinha uma vida de pecados, até mesmo uma relação incestuosa com um rico senhor do lugar. No dia 5 de maio de 1220, Ângelo fez sua última pregação na igreja de São Tiago de Licata, na Sicília. Nesse dia foi morto, vítima daquele rico homem, que não se conformou com o abandono e a conversão de sua amante, encomendando o assassinato. Venerado pela população, logo uma igreja foi erguida no lugar de seu martírio, onde foi sepultado o seu corpo. A Igreja canonizou o mártir santo Ângelo em 1498. Porém somente em 1662 as suas relíquias foram transladadas para a igreja dos carmelitas. O seu culto se difundiu amplamente no meio dos fiéis e na Ordem do Carmo. Santo Ângelo foi nomeado padroeiro de muitas localidades, inicialmente na Itália, depois em outras regiões da Europa. Sua veneração se mantém até os nossos dias, sendo invocado pelo povo e devotos nas situações de suas dificuldades. Os primeiros padres carmelitas da América difundiram a sua devoção, construindo igrejas, nomeando as aldeias que se formavam, e expandiram o seu culto, que também chegou ao Brasil. Ângelo, judeu de origem, nasceu em 1185 em Jerusalém, gêmeo de João, que, também como irmão, convertendo-se a mãe e sendo batizado, fez-se Carmelo. Ambos praticaram ásperas penitências. Ângelo, aos vinte e seis anos, em Jerusalém, recebeu o sacerdócio. Percorrendo vários lugares da Palestina, tornou-se célebre pelos milagres que foi operando. Famoso, mas desgostoso, procurou a solidão, esperando tornar-se esquecido de todos. Deus comunicou-lhe, pouco mais tarde, o desejo que tinha de vê-lo noutras bandas, indicando-lhe novo campo de ação – a Itália. Ali também obrou prodígios. Em Licate, quando na Sicília, no afã de converter um mau senhor, que levava vida libertina, foi por ele ameaçado de morte, caso não deixasse de lado o intento. Avisado, numa aparição, por São João Batista, que findaria pelo martírio, logo mais, a 5 de Maio, foi morto por sectários daquele senhor, com cinco estocadas de espada. Ângelo morreu pronunciando as palavras do Salmo: – Senhor, deponho meu espírito em vossas mãos. O Papa, então Honório III, colocou-o no número dos mártires quase que imediatamente depois do falecimento. #SantodoDia
- Santo Ângelo de Jerusalém, judeu convertido e mártir – 05 de Maio
SANTO DO DIA – 05 DE MAIO – SANTO ÂNGELO DE JERUSALÉM Judeu convertido e mártir (1185-1220) Uma tradição muito antiga nos trás a luz sobre a vida de Ângelo. Os registros indicam que ele nasceu em 1185, na cidade de Jerusalém, de pais judeus pela religião, chamados José e Maria, nomes muito comuns na região. E que eles se converteram após Nossa Senhora ter avisado Ângelo, durante as orações, que ele teria um irmão, o que lhes parecia impossível, porque seus pais eram idosos. Mas isso aconteceu. Emocionados, receberam o batismo junto com a criança, à qual deram o nome de João. Mais tarde, ele também vestiu o hábito carmelita. Ângelo viveu em muitos conventos da Palestina e da Ásia Menor. Recebeu muitas graças do Senhor, sobretudo o dom da profecia e dos milagres, depois de viver cinco anos no monte Carmelo, mesmo lugar onde viveu o profeta Elias. Entrou para a Ordem do Carmo quando tinha apenas dezoito anos e, em 1213, foi ordenado sacerdote. Ainda segundo a tradição, Ângelo saiu do monte Carmelo com os primeiros carmelitas que foram para Roma a fim de obter do papa Honório III a aprovação da Regra do Carmelo, e depois imigraram para a Sicília. Lá, ao visitar a basílica de São João, se encontrou com os sacerdotes, que se tornaram santos, Domingos de Gusmão e Francisco de Assis, instante em que previu e anunciou a sua morte como mártir de Jesus Cristo. Dentre seus grandes feitos, o que mais se destaca é o trabalho de evangelização que manteve entre os hereges cátaros daquela cidade. A história narra que ele conseguiu converter até uma mulher que, antes disso, mantinha uma vida de pecados, até mesmo uma relação incestuosa com um rico senhor do lugar. No dia 5 de maio de 1220, Ângelo fez sua última pregação na igreja de São Tiago de Licata, na Sicília. Nesse dia foi morto, vítima daquele rico homem, que não se conformou com o abandono e a conversão de sua amante, encomendando o assassinato. Venerado pela população, logo uma igreja foi erguida no lugar de seu martírio, onde foi sepultado o seu corpo. A Igreja canonizou o mártir santo Ângelo em 1498. Porém somente em 1662 as suas relíquias foram transladadas para a igreja dos carmelitas. O seu culto se difundiu amplamente no meio dos fiéis e na Ordem do Carmo. Santo Ângelo foi nomeado padroeiro de muitas localidades, inicialmente na Itália, depois em outras regiões da Europa. Sua veneração se mantém até os nossos dias, sendo invocado pelo povo e devotos nas situações de suas dificuldades. Os primeiros padres carmelitas da América difundiram a sua devoção, construindo igrejas, nomeando as aldeias que se formavam, e expandiram o seu culto, que também chegou ao Brasil. Ângelo, judeu de origem, nasceu em 1185 em Jerusalém, gêmeo de João, que, também como irmão, convertendo-se a mãe e sendo batizado, fez-se Carmelo. Ambos praticaram ásperas penitências. Ângelo, aos vinte e seis anos, em Jerusalém, recebeu o sacerdócio. Percorrendo vários lugares da Palestina, tornou-se célebre pelos milagres que foi operando. Famoso, mas desgostoso, procurou a solidão, esperando tornar-se esquecido de todos. Deus comunicou-lhe, pouco mais tarde, o desejo que tinha de vê-lo noutras bandas, indicando-lhe novo campo de ação – a Itália. Ali também obrou prodígios. Em Licate, quando na Sicília, no afã de converter um mau senhor, que levava vida libertina, foi por ele ameaçado de morte, caso não deixasse de lado o intento. Avisado, numa aparição, por São João Batista, que findaria pelo martírio, logo mais, a 5 de Maio, foi morto por sectários daquele senhor, com cinco estocadas de espada. Ângelo morreu pronunciando as palavras do Salmo: – Senhor, deponho meu espírito em vossas mãos. O Papa, então Honório III, colocou-o no número dos mártires quase que imediatamente depois do falecimento. #SantodoDia
- Padre acusado de homofobia durante missa publica nota de retratação
Um ator ficou ofendido durante uma missa na qual o sacerdote ensinou que a a união entre pessoas do mesmo sexo configura pecado e prestou queixa na delegacia. O padre e o bispo publicaram comunicados lamentando o fato. O bispo de Nova Friburgo (RJ), dom Luiz Antonio Lopes Ricci disse hoje (2), em nota que lamenta “profundamente o ocorrido com o ator Bernardo Dugin, durante a Santa Missa de 30 de abril, na capela do colégio Nossa Senhora das Dores, em Nova Friburgo”. “Pedimos perdão às pessoas que se sentiram ofendidas e reafirmamos aquilo que é recorrente nas orientações do bispo para os padres e leigos: misericórdia, respeito, diálogo, tolerância e reconciliação”, disse dom Luiz Antonio. Dugin disse em um vídeo que foi a 151ª DP de Nova Friburgo (RJ) e “fez um registro de ocorrência contra um crime”. O ator acusa o padre Antônio Carlos dos Santos de ter feito “um discurso de ódio, discurso homofóbico”. O caso aconteceu no domingo (30), na capela do colégio Nossa Senhora das Dores, em Nova Friburgo, durante uma missa de 7º dia de um familiar do ator Bernardo Dugin. Segundo o ator, o padre Antônio Carlos dos Santo havia dito várias “barbaridades” “na hora da homilia” e que “‘o demônio está entrando na casa das pessoas de diferentes formas para destruir as famílias na representação da união de pessoas do mesmo sexo, homem com homem, mulher com mulher.” “Agora o senhor vai ter que responder na Justiça pelo crime que cometeu”, declarou o ator sobre o padre. A doutrina católica sobre homossexualidade está resumida em três artigos do Catecismo da Igreja Católica: 2.357 A homossexualidade designa as relações entre homens ou mulheres, que experimentam uma atração sexual exclusiva ou predominante para pessoas do mesmo sexo. Tem-se revestido de formas muito variadas, através dos séculos e das culturas. A sua génese psíquica continua em grande parte por explicar. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves a Tradição sempre declarou que «os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados». São contrários à lei natural, fecham o ato sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afetiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados. 2.358. Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objetivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação, Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição. 2.359. As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã. Leia também PODE UMA PESSOA COM TENDÊNCIAS HOMOSSEXUAIS SER UM BOM CATÓLICO? Na legenda de seu vídeo ele também escreveu que “a igreja e a liberdade de expressão não podem servir como escudo para propagação de ódio e preconceito”. O colégio Nossa Senhora das Dores publicou comunicado sobre o caso e relatou que “a indicação de sacerdotes para as liturgias da capela do CNSD é de inteira responsabilidade da diocese de Nova Friburgo”. “Comungamos com a perspectiva do papa Francisco sobre o Evangelho verdadeiro de Jesus: amar e respeitar, sem distinção, todas as pessoas como irmãos. Isso supõe total respeito e acolhimento às diferenças e recusa obstinada a toda e qualquer forma de discriminação”, enfatizou o colégio da Congregação das Irmãs de Santa Doroteia. Leia também Castidade, um chamado para todos O padre Antônio Carlos dos Santos publicou uma nota de esclarecimento: NOTA DE ESCLARECIMENTO Em razão dos fatos ocorridos no último dia 30/05/2023 e que foram massivamente noticiados pela imprensa e redes sociais, venho publicamente me manifestar no senti. de que as palavras por mim proferidas durante a Missa da comunidade, realizada na Capela Nossa Senhora das Dores (Nova Friburgo/RJ), não tiveram o intuito de ofender nenhuma classe ou pessoa, ao qual de antemão já me desculpo por eventual interpretação que se tenha dado a essas falas. Quem me conhece sabe que minha missão como sacerdote católico é professar a verdade do evangelho e doutrina da Igreja. da forma literal como escrito na Blblia e no catecismo. Reitero meu compromisso com a sociedade, sem distinção de raça. etnia, cor ou orientação sexual, pois entendo que somos todos iguais aos olhos de Deus, sendo certo que meu papel é proclamar o mandamento da caridade. respeito, misericórdia e tolerância. Por fim, esclareço que em mais de 15 anos de sacerdócio, nunca tive a intenção de causar qualquer inconveniente aos irmãos, sendo assim, me coloco à disposição para uma abertura de diálogo amigável, pois entendo que o melhor caminho é sempre a reconciliação, mediação e conversa entre as partes. Padre António Carlos dos Santos Capelão do Colégio Nossa Senhora das Dotes Assista à formação: É possível ser católico e homossexual ao mesmo tempo?
- Padre acusado de homofobia durante missa publica nota de retratação
Um ator ficou ofendido durante uma missa na qual o sacerdote ensinou que a a união entre pessoas do mesmo sexo configura pecado e prestou queixa na delegacia. O padre e o bispo publicaram comunicados lamentando o fato. O bispo de Nova Friburgo (RJ), dom Luiz Antonio Lopes Ricci disse hoje (2), em nota que lamenta “profundamente o ocorrido com o ator Bernardo Dugin, durante a Santa Missa de 30 de abril, na capela do colégio Nossa Senhora das Dores, em Nova Friburgo”. “Pedimos perdão às pessoas que se sentiram ofendidas e reafirmamos aquilo que é recorrente nas orientações do bispo para os padres e leigos: misericórdia, respeito, diálogo, tolerância e reconciliação”, disse dom Luiz Antonio. Dugin disse em um vídeo que foi a 151ª DP de Nova Friburgo (RJ) e “fez um registro de ocorrência contra um crime”. O ator acusa o padre Antônio Carlos dos Santos de ter feito “um discurso de ódio, discurso homofóbico”. O caso aconteceu no domingo (30), na capela do colégio Nossa Senhora das Dores, em Nova Friburgo, durante uma missa de 7º dia de um familiar do ator Bernardo Dugin. Segundo o ator, o padre Antônio Carlos dos Santo havia dito várias “barbaridades” “na hora da homilia” e que “‘o demônio está entrando na casa das pessoas de diferentes formas para destruir as famílias na representação da união de pessoas do mesmo sexo, homem com homem, mulher com mulher.” “Agora o senhor vai ter que responder na Justiça pelo crime que cometeu”, declarou o ator sobre o padre. A doutrina católica sobre homossexualidade está resumida em três artigos do Catecismo da Igreja Católica: 2.357 A homossexualidade designa as relações entre homens ou mulheres, que experimentam uma atração sexual exclusiva ou predominante para pessoas do mesmo sexo. Tem-se revestido de formas muito variadas, através dos séculos e das culturas. A sua génese psíquica continua em grande parte por explicar. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves a Tradição sempre declarou que «os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados». São contrários à lei natural, fecham o ato sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afetiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados. 2.358. Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objetivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação, Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição. 2.359. As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã. Leia também PODE UMA PESSOA COM TENDÊNCIAS HOMOSSEXUAIS SER UM BOM CATÓLICO? Na legenda de seu vídeo ele também escreveu que “a igreja e a liberdade de expressão não podem servir como escudo para propagação de ódio e preconceito”. O colégio Nossa Senhora das Dores publicou comunicado sobre o caso e relatou que “a indicação de sacerdotes para as liturgias da capela do CNSD é de inteira responsabilidade da diocese de Nova Friburgo”. “Comungamos com a perspectiva do papa Francisco sobre o Evangelho verdadeiro de Jesus: amar e respeitar, sem distinção, todas as pessoas como irmãos. Isso supõe total respeito e acolhimento às diferenças e recusa obstinada a toda e qualquer forma de discriminação”, enfatizou o colégio da Congregação das Irmãs de Santa Doroteia. Leia também Castidade, um chamado para todos O padre Antônio Carlos dos Santos publicou uma nota de esclarecimento: NOTA DE ESCLARECIMENTO Em razão dos fatos ocorridos no último dia 30/05/2023 e que foram massivamente noticiados pela imprensa e redes sociais, venho publicamente me manifestar no senti. de que as palavras por mim proferidas durante a Missa da comunidade, realizada na Capela Nossa Senhora das Dores (Nova Friburgo/RJ), não tiveram o intuito de ofender nenhuma classe ou pessoa, ao qual de antemão já me desculpo por eventual interpretação que se tenha dado a essas falas. Quem me conhece sabe que minha missão como sacerdote católico é professar a verdade do evangelho e doutrina da Igreja. da forma literal como escrito na Blblia e no catecismo. Reitero meu compromisso com a sociedade, sem distinção de raça. etnia, cor ou orientação sexual, pois entendo que somos todos iguais aos olhos de Deus, sendo certo que meu papel é proclamar o mandamento da caridade. respeito, misericórdia e tolerância. Por fim, esclareço que em mais de 15 anos de sacerdócio, nunca tive a intenção de causar qualquer inconveniente aos irmãos, sendo assim, me coloco à disposição para uma abertura de diálogo amigável, pois entendo que o melhor caminho é sempre a reconciliação, mediação e conversa entre as partes. Padre António Carlos dos Santos Capelão do Colégio Nossa Senhora das Dotes Assista à formação: É possível ser católico e homossexual ao mesmo tempo?
- A Morte – Um mês com Maria | 4° dia
A MORTE A morte é a porta da vida eterna. Através dela se entra no além. É uma passagem obrigatória. “É destino do homem morrer” (Hb 9,27). Um destino que leva a marca da culpa original: “A morte é o salário do pecado” (1 Cor 15,21). Por isso é terrível morrer. E a morte nos demonstra cruamente quanto é verdadeira a palavra de Deus: “Lembra-te, homem, que és pó, e ao pó voltaras” (Gn 3,19). Com a redenção operada por Jesus, porém, a morte na graça de Deus é o sinal da salvação eterna; para os Santos, a morte é a entrada no Paraíso. São Paulo parece gritar de alegria quando escreve: “Para mim a morte é um lucro” (Fl. 1,21). Por isto São Tomas Morus, condenado à morte pelos heréticos, no dia do suplicio quis vestir sua roupa mais linda e preciosa. E São Carlos Borromeu se fez pintar um quadro sobre a morte, que figurava um moribundo cheio de serenidade; perto dele estava um anjo lindo com uma chave de ouro na mão, pronto para abrir a porta do Paraíso. Que graça é morrer Santo! “Preciosa para Deus é amorte dos seus Santos” (Sl 115,15). Quando? Como? Onde? A morte é a coisa mais certa, mas ignoramos quando virá, como virá, onde virá. Se pode morrer no seio materno, ou com cem anos de idade; se pode morrer na própria cama ou no meio da rua. Ao deitar-nos, não sabemos se veremos o sol; ao nos levantar, não sabemos se chegaremos a noite. Estamos certos só disso: “Não sabemos nem o dia nem a hora” (MT 25,13); a morte “chegará como um ladrão noturno” (1 Ts 5,2), ou seja, escondida e de surpresa. Por isso Jesus nos avisa com energia: “Estejais prontos! Porque na hora que não creis o filho do homem chegará” (Lc 12,40). Quão grande deve ser a nossa loucura, senão queremos pensar na morte, porque, seguindo o que se diz, nos entristece a vida! E não refletimos que em tal modo nos parecemos como avestruzes, que põem a cabeça dentro da areia para não ver o perigo que as destrói. Que tragédia será uma má morte; só entenderemos na eternidade. O demônio bem sabe quanto é saudável o pensamento da morte. Por isso, o faz parecer uma coisa horrível, tendo- nos despreocupados e felizes entre vícios e pecados. Ao Papa Pio XI, um dia se apresentou uma senhora pedindo uma lembrança pessoal. O Papa estava na rua; observou a senhora vestida de luxo mundano; se inclinou ao chão, recolheu um pouco de pó e fez na testa da senhora uma cruz, dizendo: “lembra-te que és pó e ao pó voltarás”. Não lhe poderia dar uma lembrança mais pessoal! Está sempre prontos Somos capazes de preencher os nossos dias de trabalho, de divertimentos, de sexo, de política, de esportes, de fumo, de televisão e de internet. Vivemos amarrados e desorientados pelas tensões do lucro, do prazer, do sucesso. E nem nós preocupamos que no entanto estamos indo “lá onde todos são encaminhados” para a eternidade. E as realidades terrenas, os afazeres temporais, a saúde do corpo, as coisas materiais nos escravizam, nos adormecem em uma letargia espiritual que pode ser fatal. Jesus nos recomendou muitas vezes no evangelho de nos fazermos achar acordados espiritualmente e operosos para o reino dos céus: “bem aventurados aqueles servos que o patrão, em sua chegada, encontra acordados!” (Lc 12,37). Estar “acordados”, estar “prontos”, significa sobretudo viver sempre na graça de Deus, evitando o pecado mortal ou pedindo imediatamente perdão e confessando-se o mais cedo possível, se houver a desgraça de cair. São João Bosco dizia aos seus jovens que acordassem até mesmo às duas da madrugada para se confessarem, se tivessem caído em pecado mortal. Deve ser esta a primeira e absoluta preocupação de todo o cristão: em qualquer momento a morte com a sua imperdoável “foice” (Ap 14,14), me deve achar na graça de Deus. A graça de Deus é como o óleo das lâmpadas na parábola evangélica das dez virgens. As cinco virgens prudentes que tinham o óleo nas lâmpadas, entraram com o esposo às bodas; as cinco virgens distraídas, foram excluídas das bodas porque tinham as lâmpadas sem óleo. “Não vos conheço” foi a terrível palavra que o Senhor lhe disse (MT 25, 1,13). Pensemos, ao contrário, na morte de São Bento. Quando sentiu o momento da passagem à outra vida, o santo patriarca quis ser amparado em pé por dois monges, estava assim, com os braços levantados, no ato de “de ir ao encontro do esposo” (MT 25,6). Na hora da nossa morte De Nossa Senhora obteremos a graça de uma boa morte. Esta graça é tão importante que a Igreja nos ensina a pedí-la a cada Ave Maria: “rogai por nós, agora e na hora da nossa morte”. Feliz a morte de quem amou Maria, de quem invocou Maria! Santa Maria Madalena Sofia Barat dizia que “a morte de um verdadeiro devoto de Maria é um pulo de um menino entre os braços da mãe”. E São Boaventura escreveu que morrer “com a pura invocação da Virgem, é sinal de salvação”. Quando São João Bosco teve a aparição de São Domingos Sávio poucos dias depois que este havia morrido, quis fazer-lhe esta pergunta: Diga-me Domingos, qual foi a coisa mais consoladora para ti, na hora da morte? Dom Bosco, advinhe? Talvez o pensamento de ter bem guardado o lírio da pureza? Não. Talvez o pensamento das penitências feitas durante a vida? Nem isso. Então terá sido a consciência tranqüila… livre de todo o pecado? Este pensamento me fez bem; mas a coisa mais consoladora pra mim na hora da morte foi pensar que tinha sido devoto de Nossa Senhora! Diga-o aos seus jovens e recomende com insistência a devoção a Nossa Senhora. Votos Oferecer o dia pelos moribundos; Viver como se fosse o seu ultimo dia de vida; Ler e meditar a parábola das 10 virgens (MT 25,113) Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- A Morte – Um mês com Maria | 4° dia
A MORTE A morte é a porta da vida eterna. Através dela se entra no além. É uma passagem obrigatória. “É destino do homem morrer” (Hb 9,27). Um destino que leva a marca da culpa original: “A morte é o salário do pecado” (1 Cor 15,21). Por isso é terrível morrer. E a morte nos demonstra cruamente quanto é verdadeira a palavra de Deus: “Lembra-te, homem, que és pó, e ao pó voltaras” (Gn 3,19). Com a redenção operada por Jesus, porém, a morte na graça de Deus é o sinal da salvação eterna; para os Santos, a morte é a entrada no Paraíso. São Paulo parece gritar de alegria quando escreve: “Para mim a morte é um lucro” (Fl. 1,21). Por isto São Tomas Morus, condenado à morte pelos heréticos, no dia do suplicio quis vestir sua roupa mais linda e preciosa. E São Carlos Borromeu se fez pintar um quadro sobre a morte, que figurava um moribundo cheio de serenidade; perto dele estava um anjo lindo com uma chave de ouro na mão, pronto para abrir a porta do Paraíso. Que graça é morrer Santo! “Preciosa para Deus é amorte dos seus Santos” (Sl 115,15). Quando? Como? Onde? A morte é a coisa mais certa, mas ignoramos quando virá, como virá, onde virá. Se pode morrer no seio materno, ou com cem anos de idade; se pode morrer na própria cama ou no meio da rua. Ao deitar-nos, não sabemos se veremos o sol; ao nos levantar, não sabemos se chegaremos a noite. Estamos certos só disso: “Não sabemos nem o dia nem a hora” (MT 25,13); a morte “chegará como um ladrão noturno” (1 Ts 5,2), ou seja, escondida e de surpresa. Por isso Jesus nos avisa com energia: “Estejais prontos! Porque na hora que não creis o filho do homem chegará” (Lc 12,40). Quão grande deve ser a nossa loucura, senão queremos pensar na morte, porque, seguindo o que se diz, nos entristece a vida! E não refletimos que em tal modo nos parecemos como avestruzes, que põem a cabeça dentro da areia para não ver o perigo que as destrói. Que tragédia será uma má morte; só entenderemos na eternidade. O demônio bem sabe quanto é saudável o pensamento da morte. Por isso, o faz parecer uma coisa horrível, tendo- nos despreocupados e felizes entre vícios e pecados. Ao Papa Pio XI, um dia se apresentou uma senhora pedindo uma lembrança pessoal. O Papa estava na rua; observou a senhora vestida de luxo mundano; se inclinou ao chão, recolheu um pouco de pó e fez na testa da senhora uma cruz, dizendo: “lembra-te que és pó e ao pó voltarás”. Não lhe poderia dar uma lembrança mais pessoal! Está sempre prontos Somos capazes de preencher os nossos dias de trabalho, de divertimentos, de sexo, de política, de esportes, de fumo, de televisão e de internet. Vivemos amarrados e desorientados pelas tensões do lucro, do prazer, do sucesso. E nem nós preocupamos que no entanto estamos indo “lá onde todos são encaminhados” para a eternidade. E as realidades terrenas, os afazeres temporais, a saúde do corpo, as coisas materiais nos escravizam, nos adormecem em uma letargia espiritual que pode ser fatal. Jesus nos recomendou muitas vezes no evangelho de nos fazermos achar acordados espiritualmente e operosos para o reino dos céus: “bem aventurados aqueles servos que o patrão, em sua chegada, encontra acordados!” (Lc 12,37). Estar “acordados”, estar “prontos”, significa sobretudo viver sempre na graça de Deus, evitando o pecado mortal ou pedindo imediatamente perdão e confessando-se o mais cedo possível, se houver a desgraça de cair. São João Bosco dizia aos seus jovens que acordassem até mesmo às duas da madrugada para se confessarem, se tivessem caído em pecado mortal. Deve ser esta a primeira e absoluta preocupação de todo o cristão: em qualquer momento a morte com a sua imperdoável “foice” (Ap 14,14), me deve achar na graça de Deus. A graça de Deus é como o óleo das lâmpadas na parábola evangélica das dez virgens. As cinco virgens prudentes que tinham o óleo nas lâmpadas, entraram com o esposo às bodas; as cinco virgens distraídas, foram excluídas das bodas porque tinham as lâmpadas sem óleo. “Não vos conheço” foi a terrível palavra que o Senhor lhe disse (MT 25, 1,13). Pensemos, ao contrário, na morte de São Bento. Quando sentiu o momento da passagem à outra vida, o santo patriarca quis ser amparado em pé por dois monges, estava assim, com os braços levantados, no ato de “de ir ao encontro do esposo” (MT 25,6). Na hora da nossa morte De Nossa Senhora obteremos a graça de uma boa morte. Esta graça é tão importante que a Igreja nos ensina a pedí-la a cada Ave Maria: “rogai por nós, agora e na hora da nossa morte”. Feliz a morte de quem amou Maria, de quem invocou Maria! Santa Maria Madalena Sofia Barat dizia que “a morte de um verdadeiro devoto de Maria é um pulo de um menino entre os braços da mãe”. E São Boaventura escreveu que morrer “com a pura invocação da Virgem, é sinal de salvação”. Quando São João Bosco teve a aparição de São Domingos Sávio poucos dias depois que este havia morrido, quis fazer-lhe esta pergunta: Diga-me Domingos, qual foi a coisa mais consoladora para ti, na hora da morte? Dom Bosco, advinhe? Talvez o pensamento de ter bem guardado o lírio da pureza? Não. Talvez o pensamento das penitências feitas durante a vida? Nem isso. Então terá sido a consciência tranqüila… livre de todo o pecado? Este pensamento me fez bem; mas a coisa mais consoladora pra mim na hora da morte foi pensar que tinha sido devoto de Nossa Senhora! Diga-o aos seus jovens e recomende com insistência a devoção a Nossa Senhora. Votos Oferecer o dia pelos moribundos; Viver como se fosse o seu ultimo dia de vida; Ler e meditar a parábola das 10 virgens (MT 25,113) Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- São Floriano, mártir e padroeiro dos Bombeiros – 04 de Maio
SANTO DO DIA – 04 DE MAIO – SÃO FLORIANO Mártir (+304) O mais antigo registro sobre Floriano foi encontrado num documento de doação datado do século VIII, através do qual o presbítero Reginolfo oferecia para a Igreja algumas propriedades de terras, dentre as quais, ‘as do lugar aonde foi enterrado o precioso mártir Floriano’. Floriano viveu na cidade de Mantem, próxima de Kems, Alemanha. Na época, Diocleciano era o imperador e Aquilino, o comandante do exército romano na região do Danúbio, atual Áustria, onde existiam numerosas colônias do Império e vários batalhões de soldados que faziam sua defesa. Floriano era militar em um desses batalhões. Os legionários romanos cristãos foram muito importantes, porque levaram a fé de Cristo às regiões mais remotas do Império Romano, pagando por essa difusão com a própria vida. Famosos e numerosos foram os mártires que pertenceram a essas legiões, mortos sob a perseguição do imperador Diocleciano no início do século IV. Entre eles encontramos Floriano e seus companheiros. Diocleciano foi imperador de grande energia, estadista de rara habilidade e inteligência, mas se tornou um fanático inimigo da Igreja. Desencadeou a mais longa e duradoura perseguição contra ela, na intenção de varrer todos os vestígios do cristianismo. Contava, para isso, com a ajuda de seu genro Galério, colega nas armas e no domínio do Império. Foi dele o decreto que proibia qualquer tipo de culto cristão. Exigia que todos os livros religiosos, começando pela Bíblia Sagrada, fossem queimados e ampliou a perseguição para dentro do seu próprio exército. Os soldados eram obrigados a prestar juramento de fidelidade ao imperador e levar oferendas aos ídolos, sob pena de morte. Muitos militares recusaram obedecer à ordem do imperador e foram executados. Um deles foi Floriano, acompanhado por mais quarenta companheiros. Eles se apresentaram ao comandante Aquilino, do acampamento de Lorch, Áustria, para comunicar que eram cristãos e que não poderiam servir ao exército do imperador. Por esse motivo foram presos. Durante o processo de julgamento, nenhum deles renunciou à fé em Cristo. Foram condenados a serem jogados no rio Ens, com uma pedra amarrada no pescoço. A sentença foi executada no dia 4 de maio de 304. O corpo de Floriano foi recolhido por uma senhora cristã, que o sepultou. No século VIII, sua veneração foi oficialmente introduzida na Igreja pelo Martirológio Romano, que manteve esta data para a festa litúrgica. No local da sua sepultura construíram um convento beneditino. Mais tarde, passou para os agostinianos, que difundiram a sua memória e a de seus companheiros. O seu culto se popularizou rapidamente na Áustria e na Alemanha, onde os fiéis recorrem a ele pedindo proteção contra as inundações. Por essa sua tradição com a água, ao longo do tempo são Floriano se tornou o protetor contra os incêndios e padroeiro dos bombeiros. Conheça mais sobre São Floriano Floriano nasceu no povoado de Zeiselmur, na Alta-Áustria. Da sua vida pouco conhecemos. Servia no Exército Imperial, das Legiões Romanas no II D.C. Era Oficial de administração quando se sentiu empolgado pelas verdades da nova fé cristã. Batizou-se. Continuou a servir o exército quando foi publicado o “édito de perseguição”. De fato não era romano de nascimento pois nasceu numa região onde hoje é o território da Áustria. Durante a perseguição aos cristãos no reinado de Diocleciano, não negou sua fé e sabendo que o governador Aquilino martirizava quarenta cristãos em Lorch, onde era sede do governo , seguiu para lá cheio de coragem. No caminho, encontrou soldados que estavam à procura de cristãos e disse serenamente: – “Aqui tendes um cristão, prendei-me e deixai os outros em paz”. Levado à presença de Aquilino, confirmou a sua fé cristã e continuando em silêncio foi condenado. “Foi-lhe arrancada carne das espáduas e recebeu pauladas” e a sua condenação consistiu em ser lançado com uma pedra de moinho no rio Ens, que passa perto de Lorch. Martírio de São Floriano Na ponte, os soldados deram ainda tempo para que Floriano encomendasse sua alma ao Senhor. Foi atirado de cabeça para baixo no rio. Uma piedosa mulher enterrou o corpo de São Floriano num terreno de sua propriedade, onde mais tarde erigiu-se sobre o seu túmulo uma igreja e após, no local, um convento de Beneditinos, destruído pelos bárbaros. O Bispo Angelerto de Passau ergueu no local uma nova igreja e deu-a aos cônegos de Santo Agostinho. Esta bela abadia está situada na baixa Áustria próximo de Lintz. Foi canonizado por volta do ano de 1100. Suas relíquias foram transportadas para Roma. Sendo devolvidas à Polônia pelos prussianos no século XI, o rei Casimiro e Gedeão, Bispo da Cracóvia, pediu ao Papa Lúcio III algumas relíquias de mártires, entre outros, estavam as de São Floriano. Desde esta ocasião é o Padroeiro da Polônia e de outros países da Europa Central. Seu culto foi muito divulgado durante a Idade Média principalmente entre os soldados. É invocado sobretudo contra os incêndios: funda-se esta devoção no fato de um carvoeiro, tendo caído numa mina de carvão em meio às chamas, ter sido salvo por intermédio do santo que invocara. Este fato e outros de sua vida estão representados numa série de quinze quadros que se encontram em uma igreja com seu nome, localizada entre as cidades de Lutz e Stira. O seu culto espalhou-se por toda a Europa e hoje é o Padroeiro dos Corpos de Bombeiros não só da Europa como nos Estados Unidos. A sua imagem é representada abraçando uma espécie de cântaro que deixa cair água sobre as habitações incendiadas. Arte em homenagem a São Floriano, padroeiro dos Bombeiros #SantodoDia
- São Floriano, mártir e padroeiro dos Bombeiros – 04 de Maio
SANTO DO DIA – 04 DE MAIO – SÃO FLORIANO Mártir (+304) O mais antigo registro sobre Floriano foi encontrado num documento de doação datado do século VIII, através do qual o presbítero Reginolfo oferecia para a Igreja algumas propriedades de terras, dentre as quais, ‘as do lugar aonde foi enterrado o precioso mártir Floriano’. Floriano viveu na cidade de Mantem, próxima de Kems, Alemanha. Na época, Diocleciano era o imperador e Aquilino, o comandante do exército romano na região do Danúbio, atual Áustria, onde existiam numerosas colônias do Império e vários batalhões de soldados que faziam sua defesa. Floriano era militar em um desses batalhões. Os legionários romanos cristãos foram muito importantes, porque levaram a fé de Cristo às regiões mais remotas do Império Romano, pagando por essa difusão com a própria vida. Famosos e numerosos foram os mártires que pertenceram a essas legiões, mortos sob a perseguição do imperador Diocleciano no início do século IV. Entre eles encontramos Floriano e seus companheiros. Diocleciano foi imperador de grande energia, estadista de rara habilidade e inteligência, mas se tornou um fanático inimigo da Igreja. Desencadeou a mais longa e duradoura perseguição contra ela, na intenção de varrer todos os vestígios do cristianismo. Contava, para isso, com a ajuda de seu genro Galério, colega nas armas e no domínio do Império. Foi dele o decreto que proibia qualquer tipo de culto cristão. Exigia que todos os livros religiosos, começando pela Bíblia Sagrada, fossem queimados e ampliou a perseguição para dentro do seu próprio exército. Os soldados eram obrigados a prestar juramento de fidelidade ao imperador e levar oferendas aos ídolos, sob pena de morte. Muitos militares recusaram obedecer à ordem do imperador e foram executados. Um deles foi Floriano, acompanhado por mais quarenta companheiros. Eles se apresentaram ao comandante Aquilino, do acampamento de Lorch, Áustria, para comunicar que eram cristãos e que não poderiam servir ao exército do imperador. Por esse motivo foram presos. Durante o processo de julgamento, nenhum deles renunciou à fé em Cristo. Foram condenados a serem jogados no rio Ens, com uma pedra amarrada no pescoço. A sentença foi executada no dia 4 de maio de 304. O corpo de Floriano foi recolhido por uma senhora cristã, que o sepultou. No século VIII, sua veneração foi oficialmente introduzida na Igreja pelo Martirológio Romano, que manteve esta data para a festa litúrgica. No local da sua sepultura construíram um convento beneditino. Mais tarde, passou para os agostinianos, que difundiram a sua memória e a de seus companheiros. O seu culto se popularizou rapidamente na Áustria e na Alemanha, onde os fiéis recorrem a ele pedindo proteção contra as inundações. Por essa sua tradição com a água, ao longo do tempo são Floriano se tornou o protetor contra os incêndios e padroeiro dos bombeiros. Conheça mais sobre São Floriano Floriano nasceu no povoado de Zeiselmur, na Alta-Áustria. Da sua vida pouco conhecemos. Servia no Exército Imperial, das Legiões Romanas no II D.C. Era Oficial de administração quando se sentiu empolgado pelas verdades da nova fé cristã. Batizou-se. Continuou a servir o exército quando foi publicado o “édito de perseguição”. De fato não era romano de nascimento pois nasceu numa região onde hoje é o território da Áustria. Durante a perseguição aos cristãos no reinado de Diocleciano, não negou sua fé e sabendo que o governador Aquilino martirizava quarenta cristãos em Lorch, onde era sede do governo , seguiu para lá cheio de coragem. No caminho, encontrou soldados que estavam à procura de cristãos e disse serenamente: – “Aqui tendes um cristão, prendei-me e deixai os outros em paz”. Levado à presença de Aquilino, confirmou a sua fé cristã e continuando em silêncio foi condenado. “Foi-lhe arrancada carne das espáduas e recebeu pauladas” e a sua condenação consistiu em ser lançado com uma pedra de moinho no rio Ens, que passa perto de Lorch. Martírio de São Floriano Na ponte, os soldados deram ainda tempo para que Floriano encomendasse sua alma ao Senhor. Foi atirado de cabeça para baixo no rio. Uma piedosa mulher enterrou o corpo de São Floriano num terreno de sua propriedade, onde mais tarde erigiu-se sobre o seu túmulo uma igreja e após, no local, um convento de Beneditinos, destruído pelos bárbaros. O Bispo Angelerto de Passau ergueu no local uma nova igreja e deu-a aos cônegos de Santo Agostinho. Esta bela abadia está situada na baixa Áustria próximo de Lintz. Foi canonizado por volta do ano de 1100. Suas relíquias foram transportadas para Roma. Sendo devolvidas à Polônia pelos prussianos no século XI, o rei Casimiro e Gedeão, Bispo da Cracóvia, pediu ao Papa Lúcio III algumas relíquias de mártires, entre outros, estavam as de São Floriano. Desde esta ocasião é o Padroeiro da Polônia e de outros países da Europa Central. Seu culto foi muito divulgado durante a Idade Média principalmente entre os soldados. É invocado sobretudo contra os incêndios: funda-se esta devoção no fato de um carvoeiro, tendo caído numa mina de carvão em meio às chamas, ter sido salvo por intermédio do santo que invocara. Este fato e outros de sua vida estão representados numa série de quinze quadros que se encontram em uma igreja com seu nome, localizada entre as cidades de Lutz e Stira. O seu culto espalhou-se por toda a Europa e hoje é o Padroeiro dos Corpos de Bombeiros não só da Europa como nos Estados Unidos. A sua imagem é representada abraçando uma espécie de cântaro que deixa cair água sobre as habitações incendiadas. Arte em homenagem a São Floriano, padroeiro dos Bombeiros #SantodoDia
- O Tempo para Salvar-me – Um mês com Maria | 3° dia
O TEMPO PARA SALVAR-ME! Na Terra Deus me dá o tempo para me salvar e me santificar. “Ele nos quer todos salvos”. (I Tim 2,4), quer a nossa “Santificação” (I Ts 4,3) e nos dá a possibilidade através do arco de tempo estabelecido para a nossa vida terrena. O arco do tempo pode ser mais ou menos longo. São Domingos Sávio se santificou vivendo somente 15 anos. Santo Afonso Maria de Ligório, vivendo 91 anos. A medida do tempo está nas mãos de Deus, “patrão da vida e da morte” (Sb 16,13). Nós devemos só utilizar o nosso tempo segundo a finalidade para a qual Deus nos criou, ou seja: “para conhecê-Lo, amá-Lo e servi-Lo nesta vida e depois adorá-Lo no Paraíso”, segundo o catecismo de S. Pio X. Isto significa: “Operar o bem enquanto tivermos tempo”. Como recomendava S. Paulo (Gl 6,10). Tudo me deve servir pra conseguir o gozo eterno do Paraíso que consiste na visão beatífica de Deus. Se assim não for, se trabalha inutilmente, perdendo incalculáveis méritos e energias. A um velho eremita, um dia, perguntaram a idade. “Tenho 50 anos”, respondeu.”Não é possível! – respondeu o visitante – Tens, certamente, mais de 70.”. “É verdade – respondeu – A minha idade seria 75, mas os primeiros 25 eu não conto, pois passei longe de Deus”. A que me serve? São Bernardo dizia: “Todo o tempo que não usamos para Deus é perdido”. Por isso, São Luiz Gonzaga, como tantos outros santos, se propôs de perguntar-se antes de cada ação: “A que me serve para a eternidade?” E refletindo profundamente, compreendeu bem como valesse a pena renunciar a posse de um principado e a um futuro de glórias terrenas para se consagrar inteiramente a Jesus e a aquisição da Glória Eterna, consumindo-se de amor por Deus e pelo próximo. Santo Afonso Maria de Ligório obrigou-se com um voto especial: o de não perder um átimo de tempo! E o observava com um heroísmo que comovia. Quando escrevia por horas e horas aquelas páginas de doutrina e de piedade que iluminavam tantas almas, se às vezes lhe doía a cabeça, apertava com uma mão uma pedra sobre a testa e com a outra continuava a escrever. Se quiséssemos examinar o uso do nosso tempo e a finalidade das nossas ações, não é verdade que deveríamos pôr as mãos na cabeça? Quanto tempo perdido! Talvez estejamos prontos para dizer de não ter tempo nem para qualquer minuto de manhã e a noite, ou para dizer um Terço (15 minutos), ou para fazer uma boa obra… E depois não nos damos conta de perder a cada dia horas de tempo livre vendo televisão ou indo ao cinema, aos bares ou à rua, ou indo ao campo de futebol entre cigarros, canções e conversas fiadas. Este é o uso do tempo livre de muitos cristãos! Colho o que semeio O que dizer da finalidade sobrenatural que deveriam ter as nossas ações? Agimos somente com finalidade de lucro. Se faz tudo por interesse. Se trabalha só pelo dinheiro. E que prontidão súbita quando devemos nos queixar por inconvenientes incômodos ou perdas! É tudo calculado. Tudo me deve dar o máximo de rendimento e gozo com o mínimo esforço. Talvez no nosso comportamento não exista nem um sopro de Amor a Deus, um aceno de intenção sobrenatural, um odor de elevação à finalidade mais alta pela qual um cristão deveria agir. “Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo pela Glória de Deus”. (I Cor 10,31). Como faremos juntos de Deus? Se é verdade que um dia prestaremos conta até de cada palavra ociosa (Mt 12,36) tanto mais prestaremos conta de cada minuto perdido. Em um minuto de tempo se podem fazer diversos atos de Amor a Deus. Assim faziam Santa Bertila Boscardin que passava pelos quartos do Hospital recitando amorosamente o Rosário. Nós, ao invés, passamos de ação em ação, de lugar em lugar só atentos ao nosso interesse. Mas não nos iludamos: “aquilo que o homem semear, aquilo colherá!” (Gl 6,8). Se enchermos o nosso tempo de ações feitas para Deus, colheremos um dia a visão serena de Deus. Se ao contrário, colheremos os sofrimentos do Purgatório, ou, não queira Deus, do Inferno Eterno! Um belo exemplo Olhemos um modelo de Santo nosso contemporâneo: o Beato José Moscatti, grande médico napolitano. Não viveu muito, mas encheu seu tempo de coisas nobres e santas. Todos os dias ele começava sua jornada às 5 horas da manhã, com duas horas de oração recolhida e intensa. Fazia sua meditação, participava da Santa Missa, recebia a Santa Comunhão e fazia um longo agradecimento. Sem estas 2 horas e sobretudo sem a Santa Comunhão, ele dizia não ter coragem de entrar na sala médica para visitar os doentes. Logo depois das 2 horas de oração, entrava nos becos de qualquer bairro da velha Nápolis, descia a qualquer gueto ou subia em qualquer porão a visitar gratuitamente doentes em condições penosas e miseráveis. Continuava a sua manhã com a escolha e com as visitas médicas no Hospital. Antes de uma diagnose, nos momentos de dificuldade, punha a mão no bolso, apertava o Rosário por um momento, rezava a Nossa Senhora. Durante as visitas não era menos preocupado de recomendar aos enfermos a cura da alma, dando conselhos e avisos concretos, como aqueles de confessar-se e comungar. Ao meio dia, ao soar o sino do Ângelus, embora estando em sala médica, recitava sem falta a Oração, convidando os presentes a rezarem com ele. De tarde continuava as visitas médicas em casa até o pôr-do- sol. Fechava seu dia com a visita ao Santíssimo Sacramento, com a recitação do Santo Rosário e as orações noturnas. Morreu durante as suas visitas médicas, amando os corpos e as almas dos enfermos. Eis um verdadeiro cristão que “operava o bem enquanto tinha tempo”. (Gl ,10). Votos Começar e terminar o dia com as orações de manhã e a noite; Mortificar os olhos e a língua para não perder tempo em curiosidades e conversas; Rezar ao invés de falar futilidades e/ou inutilmente. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- O Tempo para Salvar-me – Um mês com Maria | 3° dia
O TEMPO PARA SALVAR-ME! Na Terra Deus me dá o tempo para me salvar e me santificar. “Ele nos quer todos salvos”. (I Tim 2,4), quer a nossa “Santificação” (I Ts 4,3) e nos dá a possibilidade através do arco de tempo estabelecido para a nossa vida terrena. O arco do tempo pode ser mais ou menos longo. São Domingos Sávio se santificou vivendo somente 15 anos. Santo Afonso Maria de Ligório, vivendo 91 anos. A medida do tempo está nas mãos de Deus, “patrão da vida e da morte” (Sb 16,13). Nós devemos só utilizar o nosso tempo segundo a finalidade para a qual Deus nos criou, ou seja: “para conhecê-Lo, amá-Lo e servi-Lo nesta vida e depois adorá-Lo no Paraíso”, segundo o catecismo de S. Pio X. Isto significa: “Operar o bem enquanto tivermos tempo”. Como recomendava S. Paulo (Gl 6,10). Tudo me deve servir pra conseguir o gozo eterno do Paraíso que consiste na visão beatífica de Deus. Se assim não for, se trabalha inutilmente, perdendo incalculáveis méritos e energias. A um velho eremita, um dia, perguntaram a idade. “Tenho 50 anos”, respondeu.”Não é possível! – respondeu o visitante – Tens, certamente, mais de 70.”. “É verdade – respondeu – A minha idade seria 75, mas os primeiros 25 eu não conto, pois passei longe de Deus”. A que me serve? São Bernardo dizia: “Todo o tempo que não usamos para Deus é perdido”. Por isso, São Luiz Gonzaga, como tantos outros santos, se propôs de perguntar-se antes de cada ação: “A que me serve para a eternidade?” E refletindo profundamente, compreendeu bem como valesse a pena renunciar a posse de um principado e a um futuro de glórias terrenas para se consagrar inteiramente a Jesus e a aquisição da Glória Eterna, consumindo-se de amor por Deus e pelo próximo. Santo Afonso Maria de Ligório obrigou-se com um voto especial: o de não perder um átimo de tempo! E o observava com um heroísmo que comovia. Quando escrevia por horas e horas aquelas páginas de doutrina e de piedade que iluminavam tantas almas, se às vezes lhe doía a cabeça, apertava com uma mão uma pedra sobre a testa e com a outra continuava a escrever. Se quiséssemos examinar o uso do nosso tempo e a finalidade das nossas ações, não é verdade que deveríamos pôr as mãos na cabeça? Quanto tempo perdido! Talvez estejamos prontos para dizer de não ter tempo nem para qualquer minuto de manhã e a noite, ou para dizer um Terço (15 minutos), ou para fazer uma boa obra… E depois não nos damos conta de perder a cada dia horas de tempo livre vendo televisão ou indo ao cinema, aos bares ou à rua, ou indo ao campo de futebol entre cigarros, canções e conversas fiadas. Este é o uso do tempo livre de muitos cristãos! Colho o que semeio O que dizer da finalidade sobrenatural que deveriam ter as nossas ações? Agimos somente com finalidade de lucro. Se faz tudo por interesse. Se trabalha só pelo dinheiro. E que prontidão súbita quando devemos nos queixar por inconvenientes incômodos ou perdas! É tudo calculado. Tudo me deve dar o máximo de rendimento e gozo com o mínimo esforço. Talvez no nosso comportamento não exista nem um sopro de Amor a Deus, um aceno de intenção sobrenatural, um odor de elevação à finalidade mais alta pela qual um cristão deveria agir. “Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo pela Glória de Deus”. (I Cor 10,31). Como faremos juntos de Deus? Se é verdade que um dia prestaremos conta até de cada palavra ociosa (Mt 12,36) tanto mais prestaremos conta de cada minuto perdido. Em um minuto de tempo se podem fazer diversos atos de Amor a Deus. Assim faziam Santa Bertila Boscardin que passava pelos quartos do Hospital recitando amorosamente o Rosário. Nós, ao invés, passamos de ação em ação, de lugar em lugar só atentos ao nosso interesse. Mas não nos iludamos: “aquilo que o homem semear, aquilo colherá!” (Gl 6,8). Se enchermos o nosso tempo de ações feitas para Deus, colheremos um dia a visão serena de Deus. Se ao contrário, colheremos os sofrimentos do Purgatório, ou, não queira Deus, do Inferno Eterno! Um belo exemplo Olhemos um modelo de Santo nosso contemporâneo: o Beato José Moscatti, grande médico napolitano. Não viveu muito, mas encheu seu tempo de coisas nobres e santas. Todos os dias ele começava sua jornada às 5 horas da manhã, com duas horas de oração recolhida e intensa. Fazia sua meditação, participava da Santa Missa, recebia a Santa Comunhão e fazia um longo agradecimento. Sem estas 2 horas e sobretudo sem a Santa Comunhão, ele dizia não ter coragem de entrar na sala médica para visitar os doentes. Logo depois das 2 horas de oração, entrava nos becos de qualquer bairro da velha Nápolis, descia a qualquer gueto ou subia em qualquer porão a visitar gratuitamente doentes em condições penosas e miseráveis. Continuava a sua manhã com a escolha e com as visitas médicas no Hospital. Antes de uma diagnose, nos momentos de dificuldade, punha a mão no bolso, apertava o Rosário por um momento, rezava a Nossa Senhora. Durante as visitas não era menos preocupado de recomendar aos enfermos a cura da alma, dando conselhos e avisos concretos, como aqueles de confessar-se e comungar. Ao meio dia, ao soar o sino do Ângelus, embora estando em sala médica, recitava sem falta a Oração, convidando os presentes a rezarem com ele. De tarde continuava as visitas médicas em casa até o pôr-do- sol. Fechava seu dia com a visita ao Santíssimo Sacramento, com a recitação do Santo Rosário e as orações noturnas. Morreu durante as suas visitas médicas, amando os corpos e as almas dos enfermos. Eis um verdadeiro cristão que “operava o bem enquanto tinha tempo”. (Gl ,10). Votos Começar e terminar o dia com as orações de manhã e a noite; Mortificar os olhos e a língua para não perder tempo em curiosidades e conversas; Rezar ao invés de falar futilidades e/ou inutilmente. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- São Felipe e São Tiago, Apóstolos de Jesus – 03 de Maio
SANTO DO DIA – 03 DE MAIO – SÃO FILIPE E SÃO TIAGO Apóstolos (século I) A comemoração conjunta dos dois apóstolos tem origem numa tradição: as relíquias dos dois mártires teriam sido levadas de Hierápolis e de Jerusalém a Roma, para repousar na igreja dos Santos Apóstolos. Filipe, nascido em Betsaida, aparece sempre em quinto lugar no elenco dos apóstolos. O evangelho de João, no qual é citado três vezes, oferece-nos um interessante perfil desse apóstolo, deduzido de duas respostas que ele dá a pergunta formulada por Jesus. Primeiramente, quando da miraculosa multiplicação dos pães, em face da bem conhecida pergunta: ‘Onde compraremos pão?…’. Após ter passado os olhos pela multidão, Filipe refletiu de modo prático: ‘nem duzentas moedas seriam suficientes…’. Durante a última ceia, quando Jesus menciona o mistério da Santíssima Trindade, Filipe intervém bruscamente: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta!…”. Diante do mistério, ele – como Tomé – deseja tocar com a mão ou, melhor dizendo, ver com os próprios olhos, ‘aquilo que o olho humano não é capaz de ver’ sem o lumen gloriae, de que nos falam os teólogos. Foi quando, pela última vez, o apóstolo se fez presente. Segundo a Tradição – que, em traços sumários, relata seu perfil -, depois de Pentecostes, Filipe se consagrara a pregar o Evangelho na Ásia Menor até que, chegando aos 87 anos (época do imperador Domiciano), foi crucificado como Cristo. São Tiago – denominado o ‘Menor’, para distingui-lo do homônimo, irmão de João – é primo de Jesus e autor de uma epistola dirigida a todas as comunidades cristãs. Emerge daí a figura de um homem austero e de poucas palavras. Com efeito, é ele quem nos admoesta sobre o comedimento no falar, pois devemos dar contas a Deus de cada palavra supérflua! Com o recuo dos séculos, suas palavras constituem um sinal: “… Ó ricos, clama contra vós os bens de que privastes os trabalhadores…’. Sobre o martírio desse apóstolo, que foi bispo de Jerusalém (após o martírio do outro Tiago), temos notícias de primeira mão transmitidas pelo historiador judeu Flávio Josefo. Segundo este, Tiago Menor, foi apedrejado em 62, após uma tentativa de precipitá-lo do pináculo do templo. A condenação foi decretada pelo sumo sacerdote Ananias II, que se aproveitou do vácuo de poder que se seguiu à morte do procurador romano Festo. #Apóstolos #SantodoDia
- São Felipe e São Tiago, Apóstolos de Jesus – 03 de Maio
SANTO DO DIA – 03 DE MAIO – SÃO FILIPE E SÃO TIAGO Apóstolos (século I) A comemoração conjunta dos dois apóstolos tem origem numa tradição: as relíquias dos dois mártires teriam sido levadas de Hierápolis e de Jerusalém a Roma, para repousar na igreja dos Santos Apóstolos. Filipe, nascido em Betsaida, aparece sempre em quinto lugar no elenco dos apóstolos. O evangelho de João, no qual é citado três vezes, oferece-nos um interessante perfil desse apóstolo, deduzido de duas respostas que ele dá a pergunta formulada por Jesus. Primeiramente, quando da miraculosa multiplicação dos pães, em face da bem conhecida pergunta: ‘Onde compraremos pão?…’. Após ter passado os olhos pela multidão, Filipe refletiu de modo prático: ‘nem duzentas moedas seriam suficientes…’. Durante a última ceia, quando Jesus menciona o mistério da Santíssima Trindade, Filipe intervém bruscamente: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta!…”. Diante do mistério, ele – como Tomé – deseja tocar com a mão ou, melhor dizendo, ver com os próprios olhos, ‘aquilo que o olho humano não é capaz de ver’ sem o lumen gloriae, de que nos falam os teólogos. Foi quando, pela última vez, o apóstolo se fez presente. Segundo a Tradição – que, em traços sumários, relata seu perfil -, depois de Pentecostes, Filipe se consagrara a pregar o Evangelho na Ásia Menor até que, chegando aos 87 anos (época do imperador Domiciano), foi crucificado como Cristo. São Tiago – denominado o ‘Menor’, para distingui-lo do homônimo, irmão de João – é primo de Jesus e autor de uma epistola dirigida a todas as comunidades cristãs. Emerge daí a figura de um homem austero e de poucas palavras. Com efeito, é ele quem nos admoesta sobre o comedimento no falar, pois devemos dar contas a Deus de cada palavra supérflua! Com o recuo dos séculos, suas palavras constituem um sinal: “… Ó ricos, clama contra vós os bens de que privastes os trabalhadores…’. Sobre o martírio desse apóstolo, que foi bispo de Jerusalém (após o martírio do outro Tiago), temos notícias de primeira mão transmitidas pelo historiador judeu Flávio Josefo. Segundo este, Tiago Menor, foi apedrejado em 62, após uma tentativa de precipitá-lo do pináculo do templo. A condenação foi decretada pelo sumo sacerdote Ananias II, que se aproveitou do vácuo de poder que se seguiu à morte do procurador romano Festo. #Apóstolos #SantodoDia
- Santo Atanásio, Doutor da Igreja – 02 de Maio
SANTO DO DIA – 02 DE MAIO – SANTO ATANÁSIO Bispo e doutor da Igreja (295-373) Atanásio é universalmente venerado como ‘pai da ortodoxia’ e ‘arauto da divindade de Cristo’, pela qual sofreu cinco vezes o exílio, em Tréveris, em Roma e no deserto egípcio. Poucos meses depois de retornar de Nicéia – onde estivera como acompanhante de seu santo bispo Alexandre, por ocasião do concílio ecumênico -, foi chamado a sucedê-lo na sede de Alexandria do Egito, onde se confrontavam as religiões pagã, judaica e cristã, representadas pelas seitas heréticas, gnósticas e maniqueístas. Aí floresceu o temperamento batalhador de Atanásio. Desde o início da adolescência, aprendera a conviver com a perseguição ao cristianismo, conduzida por Diocleciano. Quando simples diácono, e já dotado de sólida formação cultural, ergueu-se em liça contra Ário. Este propagava – precisamente em Alexandria do Egito – a doutrina antitrinitária, que fazia de Cristo uma simples criatura, ‘filho de Deus pela graça’. O Concílio de Nicéia restabelecera a ‘verdade da fé’, mas não a paz. Eleito bispo, coube-lhe dispender muitas energias para barrar a heresia, que Melécio difundia de modo camuflado. De fato, o ressurgir do arianismo coincide, na verdade, com sua elevação ao episcopado. Alguns bispos ‘melecianos’ dificultaram-lhe a vida, por meio de infamantes acusações – entre as quais, a de que teria abusado de uma mulher e assassinado Arsênio, bispo de Ipsale. Felizmente este reapareceu vivo e saudável. Mas os arianos conseguiram envolver nas contendas religiosas os próprios imperadores que sucederam a Constantino, os quais, considerando que Atanásio constituía um perigo para a paz religiosa, mandaram-no sucessivas vezes ao exílio. O pugnaz bispo serviu-se dessa pausa forçada para retemperar o espírito entre os monges do deserto. Tinha em grande veneração o abade santo Antão, patriarca dos monges do deserto. Acerca deste, Atanásio escreveu uma preciosa biografia, que inflamou de entusiasmo pela vida solitária tantos jovens (até no Ocidente). Com a ascensão do imperador Valente, tiveram fim suas precipitadas fugas e o exílio. Atanásio pode, então, consagrar-se em paz ao pastoreio de seu próprio rebanho, bem como aos escritos teológicos, que o fizeram ser venerado como um dos quatro doutores gregos. Santo Atanásio Algum tempo após o Concílio de Nicéia, celebrado em 325, os arianos, intrigantes e bajuladores, principiaram a envolver em artimanhas o imperador Constantino que, de resto, nem sequer batizado era, e a fazê-lo chamar o ímpio Ário do exílio para onde ele o havia condenado. Seu filho Constâncio, que lhe sucedeu, fez ainda pior; conturbou toda a Igreja, e perseguiu quase todos os bispos católicos, durante o seu reinado de vinte e cinco anos. Depois, devotado aos arianos, Juliano, o Apóstata, empenhou-se em restabelecer o paganismo. Após Juliano, morto seu sucessor Joviano depois de oito meses de reinado, Valente, imperador do Oriente, perseguiu novamente os católicos em favor do arianismo. Sempre a Igreja teve o que sofrer. Um dos seus mais firmes sustentáculos nesta época foi Santo Atanásio, patriarca de Alexandria. Exilado por Constantino, chamado de volta e exilado novamente por Constâncio, acossado pelos por Juliano e por Valente, caluniado, difamado pelos arianos, seu episcopado de quarenta e seis anos não foi senão uma série continuada de provações e de perseguições pela fé católica: já exilado nas Gálias, já errante nos desertos do Egito, já refugiado em Roma, já foragido na sepultura de seu pai, sempre sustentou a divindade de Jesus Cristo contra a impiedade dos arianos; jamais puderam promessas nem ameaças vergá-lo, nem reveses abatê-lo, nem artimanhas enganá-lo. Agradecemos a Deus o ter cumulado seu servidor de tantas graças e roguemos-lhe nos conceda uma parte delas. A vida privada de Santo Atanásio não foi menos admirável. Grande em suas obras, diz São Gregório Nazianzeno, foi humilde de coração: de uma verdade inatingível; era, não obstante, acessível a todos, doce, afável, sem cólera, compassivo, amável nas prédicas, mais amável ainda na conduta, repreendendo com doçura, louvando de molde a instruir, indulgente sem fraqueza, firme sem dureza. As pessoas de todas as condições encontravam nele algo que admirar, que imitar. Era fervoroso e assíduo nas orações, austero nos jejuns, infatigável nas vigílias e no canto dos salmos, cheio de caridade para com os pobres, condescendente para os humildes, intrépido contra os soberbos, dedicando-se, enfim, a todos para ganhá-los a Deus. Mas de que manancial hauriu tanta virtude? Na juventude passou um tempo considerável sob a orientação de Santo Antão, a quem servia como discípulo. Foi nesse noviciado que aprendeu a meditar e imitar a Jesus Cristo: a meditar nos mistérios da sua encarnação, de seus sofrimentos e de sua morte, para imprimir em si próprio os principais traços. Façamos como ele; na medida em que a regra e a caridade nos permitam, apliquemo-nos ao silêncio, ao recolhimento, à meditação e à imitação de Jesus Cristo, a fim de obter as graças necessárias para agir com prudência e piedade no meio dos homens. Em meio às perseguições que sofreu Santo Atanásio da parte dos imperadores e dos arianos, encontrou apoio sempre firme e constante em Roma, junto dos Papas São Júlio e São Damado. Os partidários dos arianos também recorreram ao Papa São Júlio, como chefe de toda a Igreja, tentando envolvê-lo com blandícias, com as quais já haviam embaido os imperadores. Foram infrutíferos os seus esforços contra a Sé de São Pedro. Na carta do Papa Júlio aos acusadores de Santo Atanásio ressalta sobretudo o que diz no tocante aos julgamentos eclesiásticos e à autoridade da Igreja Romana. “Não sabeis que é costume consagrado escrevermos nós em primeiro lugar, e que daque deve partir a decisão do que é justo? Era mister, por conseguinte, escrever à Igreja daqui”. O que os dois historiadores gregos, Sozomeno e Nicéforo, resumem nestes termos: “Havia uma lei sacerdotal ou eclesiástica que declarava mau tudo o que se fazia sem o consentimento do bispo de Roma.” Após estes testemunhos insuspeitos, vê-se que a força dos julgamentos eclesiásticos dependia desde então, como ainda hoje, do assentimento do Papa. O exílio de Santo Atanásio no Ocidente constituiu um manancial de bênçãos que ainda persiste. Primeiramente, aqui se fez conhecer a vida propriamente monástica. Até então os monges eram desconhecidos ou desprezados, sobretudo em Roma, cidade de luxo e de prazer. Mas quando Santo Atanásio se refugiou com o Papa Júlio, veio acompanhado de dois monges distintos: Amônio e Isidoro. O primeiro tão absorto estava nas coisas divinas, que não se dignou admirar qualquer dos soberbos monumentos de Roma; não visitou senão a Igreja de São Pedro e São Paulo. O segundo, por sua sabedoria e por uma amenidade toda celeste, produziu tão ampla impressão, que os próprios pagãos o amavam; muitos romanos lhe imitaram na vida. Dessarte, a vida monástica encontrou o caminho para Roma, e expandiu-se brevemente, sempre por Atanásio, nas Gálias. Mantinha com os monges deste país contato assíduo, e escreveu para eles a vida de Santo Antão, com o fito de lhes proporcionar um exemplo. Este exemplo, por sua vez, empenhou-se em imprimi-lo neles próprios. #SantodoDia
- Santo Atanásio, Doutor da Igreja – 02 de Maio
SANTO DO DIA – 02 DE MAIO – SANTO ATANÁSIO Bispo e doutor da Igreja (295-373) Atanásio é universalmente venerado como ‘pai da ortodoxia’ e ‘arauto da divindade de Cristo’, pela qual sofreu cinco vezes o exílio, em Tréveris, em Roma e no deserto egípcio. Poucos meses depois de retornar de Nicéia – onde estivera como acompanhante de seu santo bispo Alexandre, por ocasião do concílio ecumênico -, foi chamado a sucedê-lo na sede de Alexandria do Egito, onde se confrontavam as religiões pagã, judaica e cristã, representadas pelas seitas heréticas, gnósticas e maniqueístas. Aí floresceu o temperamento batalhador de Atanásio. Desde o início da adolescência, aprendera a conviver com a perseguição ao cristianismo, conduzida por Diocleciano. Quando simples diácono, e já dotado de sólida formação cultural, ergueu-se em liça contra Ário. Este propagava – precisamente em Alexandria do Egito – a doutrina antitrinitária, que fazia de Cristo uma simples criatura, ‘filho de Deus pela graça’. O Concílio de Nicéia restabelecera a ‘verdade da fé’, mas não a paz. Eleito bispo, coube-lhe dispender muitas energias para barrar a heresia, que Melécio difundia de modo camuflado. De fato, o ressurgir do arianismo coincide, na verdade, com sua elevação ao episcopado. Alguns bispos ‘melecianos’ dificultaram-lhe a vida, por meio de infamantes acusações – entre as quais, a de que teria abusado de uma mulher e assassinado Arsênio, bispo de Ipsale. Felizmente este reapareceu vivo e saudável. Mas os arianos conseguiram envolver nas contendas religiosas os próprios imperadores que sucederam a Constantino, os quais, considerando que Atanásio constituía um perigo para a paz religiosa, mandaram-no sucessivas vezes ao exílio. O pugnaz bispo serviu-se dessa pausa forçada para retemperar o espírito entre os monges do deserto. Tinha em grande veneração o abade santo Antão, patriarca dos monges do deserto. Acerca deste, Atanásio escreveu uma preciosa biografia, que inflamou de entusiasmo pela vida solitária tantos jovens (até no Ocidente). Com a ascensão do imperador Valente, tiveram fim suas precipitadas fugas e o exílio. Atanásio pode, então, consagrar-se em paz ao pastoreio de seu próprio rebanho, bem como aos escritos teológicos, que o fizeram ser venerado como um dos quatro doutores gregos. Santo Atanásio Algum tempo após o Concílio de Nicéia, celebrado em 325, os arianos, intrigantes e bajuladores, principiaram a envolver em artimanhas o imperador Constantino que, de resto, nem sequer batizado era, e a fazê-lo chamar o ímpio Ário do exílio para onde ele o havia condenado. Seu filho Constâncio, que lhe sucedeu, fez ainda pior; conturbou toda a Igreja, e perseguiu quase todos os bispos católicos, durante o seu reinado de vinte e cinco anos. Depois, devotado aos arianos, Juliano, o Apóstata, empenhou-se em restabelecer o paganismo. Após Juliano, morto seu sucessor Joviano depois de oito meses de reinado, Valente, imperador do Oriente, perseguiu novamente os católicos em favor do arianismo. Sempre a Igreja teve o que sofrer. Um dos seus mais firmes sustentáculos nesta época foi Santo Atanásio, patriarca de Alexandria. Exilado por Constantino, chamado de volta e exilado novamente por Constâncio, acossado pelos por Juliano e por Valente, caluniado, difamado pelos arianos, seu episcopado de quarenta e seis anos não foi senão uma série continuada de provações e de perseguições pela fé católica: já exilado nas Gálias, já errante nos desertos do Egito, já refugiado em Roma, já foragido na sepultura de seu pai, sempre sustentou a divindade de Jesus Cristo contra a impiedade dos arianos; jamais puderam promessas nem ameaças vergá-lo, nem reveses abatê-lo, nem artimanhas enganá-lo. Agradecemos a Deus o ter cumulado seu servidor de tantas graças e roguemos-lhe nos conceda uma parte delas. A vida privada de Santo Atanásio não foi menos admirável. Grande em suas obras, diz São Gregório Nazianzeno, foi humilde de coração: de uma verdade inatingível; era, não obstante, acessível a todos, doce, afável, sem cólera, compassivo, amável nas prédicas, mais amável ainda na conduta, repreendendo com doçura, louvando de molde a instruir, indulgente sem fraqueza, firme sem dureza. As pessoas de todas as condições encontravam nele algo que admirar, que imitar. Era fervoroso e assíduo nas orações, austero nos jejuns, infatigável nas vigílias e no canto dos salmos, cheio de caridade para com os pobres, condescendente para os humildes, intrépido contra os soberbos, dedicando-se, enfim, a todos para ganhá-los a Deus. Mas de que manancial hauriu tanta virtude? Na juventude passou um tempo considerável sob a orientação de Santo Antão, a quem servia como discípulo. Foi nesse noviciado que aprendeu a meditar e imitar a Jesus Cristo: a meditar nos mistérios da sua encarnação, de seus sofrimentos e de sua morte, para imprimir em si próprio os principais traços. Façamos como ele; na medida em que a regra e a caridade nos permitam, apliquemo-nos ao silêncio, ao recolhimento, à meditação e à imitação de Jesus Cristo, a fim de obter as graças necessárias para agir com prudência e piedade no meio dos homens. Em meio às perseguições que sofreu Santo Atanásio da parte dos imperadores e dos arianos, encontrou apoio sempre firme e constante em Roma, junto dos Papas São Júlio e São Damado. Os partidários dos arianos também recorreram ao Papa São Júlio, como chefe de toda a Igreja, tentando envolvê-lo com blandícias, com as quais já haviam embaido os imperadores. Foram infrutíferos os seus esforços contra a Sé de São Pedro. Na carta do Papa Júlio aos acusadores de Santo Atanásio ressalta sobretudo o que diz no tocante aos julgamentos eclesiásticos e à autoridade da Igreja Romana. “Não sabeis que é costume consagrado escrevermos nós em primeiro lugar, e que daque deve partir a decisão do que é justo? Era mister, por conseguinte, escrever à Igreja daqui”. O que os dois historiadores gregos, Sozomeno e Nicéforo, resumem nestes termos: “Havia uma lei sacerdotal ou eclesiástica que declarava mau tudo o que se fazia sem o consentimento do bispo de Roma.” Após estes testemunhos insuspeitos, vê-se que a força dos julgamentos eclesiásticos dependia desde então, como ainda hoje, do assentimento do Papa. O exílio de Santo Atanásio no Ocidente constituiu um manancial de bênçãos que ainda persiste. Primeiramente, aqui se fez conhecer a vida propriamente monástica. Até então os monges eram desconhecidos ou desprezados, sobretudo em Roma, cidade de luxo e de prazer. Mas quando Santo Atanásio se refugiou com o Papa Júlio, veio acompanhado de dois monges distintos: Amônio e Isidoro. O primeiro tão absorto estava nas coisas divinas, que não se dignou admirar qualquer dos soberbos monumentos de Roma; não visitou senão a Igreja de São Pedro e São Paulo. O segundo, por sua sabedoria e por uma amenidade toda celeste, produziu tão ampla impressão, que os próprios pagãos o amavam; muitos romanos lhe imitaram na vida. Dessarte, a vida monástica encontrou o caminho para Roma, e expandiu-se brevemente, sempre por Atanásio, nas Gálias. Mantinha com os monges deste país contato assíduo, e escreveu para eles a vida de Santo Antão, com o fito de lhes proporcionar um exemplo. Este exemplo, por sua vez, empenhou-se em imprimi-lo neles próprios. #SantodoDia
- A Salvação da Alma – Um mês com Maria | 2° dia
A SALVAÇÃO DA ALMA Maria apareceu em Fátima para nos lembrar, sobretudo, da necessidade da salvação da alma. Por isso ela recomendou com insistência aos 3 pastorinhos de rezar e fazer penitência pela conversão dos pecadores: “Muitas almas vão para o inferno porque não há quem reze e se sacrifique por elas!“. Antes de mais nada, Maria se preocupa em salvar as nossas almas. Na verdade, Ela se preocupa também com nossas necessidades temporais; mas a Graça que Ela quer nos conceder antes de todas as outras é certamente a salvação da alma. Essa é certamente a Graça das Graças, a Graça que vale a eternidade do Paraíso. O Apóstolo São Pedro escrevia aos cristãos: “Conseguindo a meta da Vossa Fé, isto é, a salvação das vossas almas”. (I Pd 1,9) Mas nós, que conta fazemos da salvação da nossa alma? Nos preocupamos mesmo? Como é triste, infelizmente, dever responder que muitas vezes fazemos como aqueles filhos doentes que, ao invés de pensar em fazer a devida cura e recobrar a saúde, são indiferentes à cura e só pensam em divertir-se! “Que serve ao homem…” É possível que não entendamos como seja de primária importância trabalhar principalmente para a salvação da alma? Lucro, estudo, trabalho, divertimento, comércio, família, carreira são coisas secundárias com respeito à salvação da alma. “De que serve ao homem ganhar o mundo inteiro se depois perde a sua alma?” (Mt 16, 16) E ainda em parábola: “As terras de um homem rico tinham tido uma boa colheita. E ele, consigo mesmo, assim pensava: como farei se não tenho mais lugar para guardar a minha colheita? Eis, disse, farei assim: demolirei os meus celeiros, construirei outros maiores, onde guardarei toda a minha colheita e os meus bens; depois direi à minha alma: ó Alma, tens uma grande reserva de bens por muitos anos; descansa, come, bebe e diverte-te! Mas Deus lhe disse: Louco! Esta mesma noite te será tirada a vida; e aquilo que preparaste pra quem será? Assim será também para quem acumula tesouros para si, mas não cuida de ter o que para Deus.” (cf. Lc 12, 16-21) Poderia falar Jesus mais claro no Seu Evangelho? Por que esquecemos disso ou não lembramos como deveríamos? Bom para nós que Nossa Senhora nos vem lembrar disso com amor materno e nô-lo recorda também neste lindo mês. “Ele está salvo!” Fazer o mês de maio/outubro pode valer a salvação eterna de nossa alma. Eis um exemplo muito instrutivo: Em Ars, um dia, chegou uma senhora abatida pela dor que a levava ao desespero. Poucos dias antes tinha perdido o marido tragicamente. Suicidara-se, jogando-se de cima de uma ponte, num rio. A mulher era atormentada pelo pensamento da danação do marido. Entretanto, na igreja de Ars, a pobre mulher logo se ajoelhou para rezar e chorar. Era a 1ª vez que ia a Ars. O santo Cura d’Ars, passando-lhe ao lado, sussurrou-lhe aos ouvidos: “Ele está salvo!”. “O que?” – exclamou a mulher. “Ele está salvo!” – repetiu o santo – “Está no purgatório e precisa rezar muito por ele. Entre o parapeito da ponte e o rio teve tempo de se arrepender. Foi Nossa Senhora quem lhe obteve a graça. Lembre-se do mês de maio que fazia no quarto. Às vezes seu marido, embora não religioso, se unia à sua oração e às vezes até punha uma flor junto à imagem de Maria. Isto lhe obteve o arrependimento e o extremo perdão!”. A coisa mais necessária Quem toma conta da salvação da alma se assemelha a Maria de Betânia que está aos pés de Jesus, atenta às Suas palavras de vida eterna. Marta, ao invés, se perde atrás de muitas coisas. É a imagem daqueles que se preocupam com as coisas terrenas e secundárias e não tem tempo para cuidar da alma. Mas a salvação da alma é sempre “a única coisa necessária!” (Lc 10, 42). Quanta bobagem em nossa vida se entre os perigos do mundo, não ligamos para esta única coisa necessária. Em uma carta escrita por São Gabriel de Nossa Senhora das Dores a um seu companheiro de Liceu está escrito: “Tens razão de dizer que o mundo é cheio de perigos e tropeços, e que é muito dificil salvar-se a nossa única alma; nem por isso deves perder a coragem. Amas a salvação? Foge aos maus companheiros; o teatro onde muito amiúde se entra em Graça de Deus e se sai depois de tê-la perdido ou posta em grande perigo. Amas a salvação? Foge às conversações muito livres, aos livros maus que podem fazer a todos um mal sem fim. Demos ouvidos aos Santos! Usemos os meios de guarda para salvar a nossa alma. “O que poderá dar o homem em troca de sua alma?” (Mt 16, 26) A escada branca Um dia padre Pio passava lentamente entre uma multidão de homens. Um jovem lhe gritou de longe: “Padre, me diga uma palavra decisiva. O que devo fazer?” Padre Pio olhou-o com profundidade e disse-lhe: “Salve a tua alma!” Eis o essencial, todo o resto passa! A salvação da alma dura eternamente. E Nossa Senhora quis nos assegurar a salvação com a nossa colaboração do uso dos meios da salvação: a oração, os sacramentos, a penitência, as boas obras e em especial, a devoção mariana. Também São Francisco de Assis na famosa visão de Frei Leão, em cima da escada branca e da escada vermelha, assegura-nos que a devoção a Nossa Senhora é garantia de salvação. De fato, todos os que subiam pela escada em cima da qual estava a Bem-Aventurada Virgem chegavam ao Paraíso; aqueles da escada vermelha, quanto esforço em vão! Votos Empenhar-te em examinar a cada dia a tua alma (exame de consciência); Perguntar-te sempre: “Faz bem a minha alma essa ação, esse pensamento?”; Fale com os outros a respeito da salvação da alma. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- A Salvação da Alma – Um mês com Maria | 2° dia
A SALVAÇÃO DA ALMA Maria apareceu em Fátima para nos lembrar, sobretudo, da necessidade da salvação da alma. Por isso ela recomendou com insistência aos 3 pastorinhos de rezar e fazer penitência pela conversão dos pecadores: “Muitas almas vão para o inferno porque não há quem reze e se sacrifique por elas!“. Antes de mais nada, Maria se preocupa em salvar as nossas almas. Na verdade, Ela se preocupa também com nossas necessidades temporais; mas a Graça que Ela quer nos conceder antes de todas as outras é certamente a salvação da alma. Essa é certamente a Graça das Graças, a Graça que vale a eternidade do Paraíso. O Apóstolo São Pedro escrevia aos cristãos: “Conseguindo a meta da Vossa Fé, isto é, a salvação das vossas almas”. (I Pd 1,9) Mas nós, que conta fazemos da salvação da nossa alma? Nos preocupamos mesmo? Como é triste, infelizmente, dever responder que muitas vezes fazemos como aqueles filhos doentes que, ao invés de pensar em fazer a devida cura e recobrar a saúde, são indiferentes à cura e só pensam em divertir-se! “Que serve ao homem…” É possível que não entendamos como seja de primária importância trabalhar principalmente para a salvação da alma? Lucro, estudo, trabalho, divertimento, comércio, família, carreira são coisas secundárias com respeito à salvação da alma. “De que serve ao homem ganhar o mundo inteiro se depois perde a sua alma?” (Mt 16, 16) E ainda em parábola: “As terras de um homem rico tinham tido uma boa colheita. E ele, consigo mesmo, assim pensava: como farei se não tenho mais lugar para guardar a minha colheita? Eis, disse, farei assim: demolirei os meus celeiros, construirei outros maiores, onde guardarei toda a minha colheita e os meus bens; depois direi à minha alma: ó Alma, tens uma grande reserva de bens por muitos anos; descansa, come, bebe e diverte-te! Mas Deus lhe disse: Louco! Esta mesma noite te será tirada a vida; e aquilo que preparaste pra quem será? Assim será também para quem acumula tesouros para si, mas não cuida de ter o que para Deus.” (cf. Lc 12, 16-21) Poderia falar Jesus mais claro no Seu Evangelho? Por que esquecemos disso ou não lembramos como deveríamos? Bom para nós que Nossa Senhora nos vem lembrar disso com amor materno e nô-lo recorda também neste lindo mês. “Ele está salvo!” Fazer o mês de maio/outubro pode valer a salvação eterna de nossa alma. Eis um exemplo muito instrutivo: Em Ars, um dia, chegou uma senhora abatida pela dor que a levava ao desespero. Poucos dias antes tinha perdido o marido tragicamente. Suicidara-se, jogando-se de cima de uma ponte, num rio. A mulher era atormentada pelo pensamento da danação do marido. Entretanto, na igreja de Ars, a pobre mulher logo se ajoelhou para rezar e chorar. Era a 1ª vez que ia a Ars. O santo Cura d’Ars, passando-lhe ao lado, sussurrou-lhe aos ouvidos: “Ele está salvo!”. “O que?” – exclamou a mulher. “Ele está salvo!” – repetiu o santo – “Está no purgatório e precisa rezar muito por ele. Entre o parapeito da ponte e o rio teve tempo de se arrepender. Foi Nossa Senhora quem lhe obteve a graça. Lembre-se do mês de maio que fazia no quarto. Às vezes seu marido, embora não religioso, se unia à sua oração e às vezes até punha uma flor junto à imagem de Maria. Isto lhe obteve o arrependimento e o extremo perdão!”. A coisa mais necessária Quem toma conta da salvação da alma se assemelha a Maria de Betânia que está aos pés de Jesus, atenta às Suas palavras de vida eterna. Marta, ao invés, se perde atrás de muitas coisas. É a imagem daqueles que se preocupam com as coisas terrenas e secundárias e não tem tempo para cuidar da alma. Mas a salvação da alma é sempre “a única coisa necessária!” (Lc 10, 42). Quanta bobagem em nossa vida se entre os perigos do mundo, não ligamos para esta única coisa necessária. Em uma carta escrita por São Gabriel de Nossa Senhora das Dores a um seu companheiro de Liceu está escrito: “Tens razão de dizer que o mundo é cheio de perigos e tropeços, e que é muito dificil salvar-se a nossa única alma; nem por isso deves perder a coragem. Amas a salvação? Foge aos maus companheiros; o teatro onde muito amiúde se entra em Graça de Deus e se sai depois de tê-la perdido ou posta em grande perigo. Amas a salvação? Foge às conversações muito livres, aos livros maus que podem fazer a todos um mal sem fim. Demos ouvidos aos Santos! Usemos os meios de guarda para salvar a nossa alma. “O que poderá dar o homem em troca de sua alma?” (Mt 16, 26) A escada branca Um dia padre Pio passava lentamente entre uma multidão de homens. Um jovem lhe gritou de longe: “Padre, me diga uma palavra decisiva. O que devo fazer?” Padre Pio olhou-o com profundidade e disse-lhe: “Salve a tua alma!” Eis o essencial, todo o resto passa! A salvação da alma dura eternamente. E Nossa Senhora quis nos assegurar a salvação com a nossa colaboração do uso dos meios da salvação: a oração, os sacramentos, a penitência, as boas obras e em especial, a devoção mariana. Também São Francisco de Assis na famosa visão de Frei Leão, em cima da escada branca e da escada vermelha, assegura-nos que a devoção a Nossa Senhora é garantia de salvação. De fato, todos os que subiam pela escada em cima da qual estava a Bem-Aventurada Virgem chegavam ao Paraíso; aqueles da escada vermelha, quanto esforço em vão! Votos Empenhar-te em examinar a cada dia a tua alma (exame de consciência); Perguntar-te sempre: “Faz bem a minha alma essa ação, esse pensamento?”; Fale com os outros a respeito da salvação da alma. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- O Mês de Maria | 1° dia
O MÊS DE MARIA “Eis que finalmente voltou o mês da linda Mãezinha!” Assim escreveu uma vez o padre Pio de Pietrelcina no começo do mês de Maio. É assim mesmo! Há séculos que o mês de maio é o mês de Maria por excelência, o mês da linda Mãezinha. É o mês mais lindo do ano pelo amor primaveril que o reveste; por isso é consagrado Àquela que a Igreja canta e louva como a “Toda Bela”. É o mês que desabrocha perfumadas rosas no calor da ridente natureza; por isso é consagrado Àquela que a Igreja exalta como “Rosa Mística”. “Mês de maio – assim dizia o Papa Paulo VI – nós nos recordamos da alegria infantil com a qual, indo à escola, levávamos flores para o altar de Nossa Senhora; velas, cantos, orações e promessas, davam alegre expressão à nossa devoção à Maria Santíssima, que então nos aparecia como Rainha da Primavera, primavera da natureza e primavera das almas”. O mês das graças Maio também é chamado o mês das graças e das glórias de Maria, porque nele se recebem abudantes graças celebrando as glórias da Mãe e Rainha universal. Sobretudo pelos frutos espirituais que produz, o mês de maio canta as mais altas glórias de Maria, medianeira de todas as graças. São graças de todos os tipos que Ela doa amorosamente a quem celebra esse mês. Graças de progresso espiritual, de renovação de vida, de conversão; graças temporais para a saúde, para o trabalho, para os estudos, para o crescimento, para a família. Quantas graças nesse mês abençoado! São Maximiliano Maria Kolbe, para ajudar o irmão em perigosas angústias espirituais e materiais, não achou remédio mais eficaz do que recomendar-lhe fazer o mês de maio; e lhe mandou livrinhos úteis para seguir o mês mariano dia após dia. Um mês de maio por engano Um jovem hebreu, Hermano Cohen, encontrando-se em Paris para estudar música, tinha-se dado ao jogo e á dissipação. Necessitando de dinheiro para satisfazer as suas brutas paixões, achou um emprego de tocador de órgão na Igreja de Santa Valéria, por todo o mês de maio. Nas primeiras vezes, ele tocava com total indiferença, como simples trabalhador. Mas, sem querer, estando ali, tinha de escutar os sermões que se faziam sobre Nossa Senhora. Dia a dia escutando, o seu espírito começou a perturbar-se e o seu coração a comover-se. No fim de maio, pensou seriamente em se preparar para o batismo e se tornar Católico. E não muito tempo depois se fez batizar naquela mesma Igreja. Junto recebeu o dom da vocação religiosa; transformou-se em um religioso carmelitano e morreu em conceito de santidade. Quantas graças não recebeu ele por aquele mês de maio feito por acaso! Pela Igreja Inteira Fazer o mês de maio é, então, acumular graças, é resolver problemas ou situações dolorosas, é obter o patrocínio da Mãe divina. Por isso a Igreja, os Pontífices, os santos, recomendam tanto de celebrar, com devoção, os meses marianos. O Papa Paulo VI, em 1965, publicou uma Encíclica sobre o mês de maio para reafirmar expressamente que a Igreja o considera mais fecundo de oração e de graças celestes para todas as necessidades para a Humanidade e para a Igreja: “Porque maio traz essa poderosa chamada a uma intensa e confiante oração e porque nele os nossos pedidos acham mais fácil acesso ao coração misericordioso da Virgem; foi feito uso pelos nossos predecessores escolher esse mês consagrado a Maria para convidar o povo cristão para orações públicas, cada vez que a Igreja o necessitasse ou que qualquer perigo ameaçasse o mundo!” Façamo-lo bem Não percamos essa grande ocasião de Graça! E procuremos fazer com que ninguém perca. Convidemos os nossos amigos e nos esforcemos a fazer nossos caros participar às funções do mês mariano. Maria não despedirá ninguém de mãos vazias. Lembremo-nos que Ela mesmo, aparecendo com as mãos que projetavam raios luminosos, disse a Santa Catarina Labouré: “Estes raios são o símbolo das graças que Eu estendo sobre as pessoas que mo pedem”. E Santa Catarina, com o exemplo de São Felipe Néri, São Camilo, Santo Afonso Maria de Ligório e de tantos outros santos, queria que sobretudo o mês de maio se intensificasse a oração mariana, o humilde recurso Àquela que se assenta no “trono das graças, para obter misericórdia e achar graças na necessidade” (cf. Hb 4, 16). Aos pés de Maria achamos a fonte de todas as graças e da santidade. Votos Se empenhar para levar alguém à Igreja durante o mês mariano; Recitar o Rosário para que muitos dediquem o mês de maio a Maria; Rezar a São José, para que nos ensine nesse mês de maio a amar Nossa Senhora. Os dias ficam mais leves de serem vividos quando entregamos tudo a Ela, pois Ela entrega tudo a Cristo, como São Luís Maria Grignon de Montfort escreveu em seu Tratado de Devoção: Maria, conhecendo Seu Filho, sabe como melhor entregar nossos pedidos e agradecimentos a Cristo. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- O Mês de Maria | 1° dia
O MÊS DE MARIA “Eis que finalmente voltou o mês da linda Mãezinha!” Assim escreveu uma vez o padre Pio de Pietrelcina no começo do mês de Maio. É assim mesmo! Há séculos que o mês de maio é o mês de Maria por excelência, o mês da linda Mãezinha. É o mês mais lindo do ano pelo amor primaveril que o reveste; por isso é consagrado Àquela que a Igreja canta e louva como a “Toda Bela”. É o mês que desabrocha perfumadas rosas no calor da ridente natureza; por isso é consagrado Àquela que a Igreja exalta como “Rosa Mística”. “Mês de maio – assim dizia o Papa Paulo VI – nós nos recordamos da alegria infantil com a qual, indo à escola, levávamos flores para o altar de Nossa Senhora; velas, cantos, orações e promessas, davam alegre expressão à nossa devoção à Maria Santíssima, que então nos aparecia como Rainha da Primavera, primavera da natureza e primavera das almas”. O mês das graças Maio também é chamado o mês das graças e das glórias de Maria, porque nele se recebem abudantes graças celebrando as glórias da Mãe e Rainha universal. Sobretudo pelos frutos espirituais que produz, o mês de maio canta as mais altas glórias de Maria, medianeira de todas as graças. São graças de todos os tipos que Ela doa amorosamente a quem celebra esse mês. Graças de progresso espiritual, de renovação de vida, de conversão; graças temporais para a saúde, para o trabalho, para os estudos, para o crescimento, para a família. Quantas graças nesse mês abençoado! São Maximiliano Maria Kolbe, para ajudar o irmão em perigosas angústias espirituais e materiais, não achou remédio mais eficaz do que recomendar-lhe fazer o mês de maio; e lhe mandou livrinhos úteis para seguir o mês mariano dia após dia. Um mês de maio por engano Um jovem hebreu, Hermano Cohen, encontrando-se em Paris para estudar música, tinha-se dado ao jogo e á dissipação. Necessitando de dinheiro para satisfazer as suas brutas paixões, achou um emprego de tocador de órgão na Igreja de Santa Valéria, por todo o mês de maio. Nas primeiras vezes, ele tocava com total indiferença, como simples trabalhador. Mas, sem querer, estando ali, tinha de escutar os sermões que se faziam sobre Nossa Senhora. Dia a dia escutando, o seu espírito começou a perturbar-se e o seu coração a comover-se. No fim de maio, pensou seriamente em se preparar para o batismo e se tornar Católico. E não muito tempo depois se fez batizar naquela mesma Igreja. Junto recebeu o dom da vocação religiosa; transformou-se em um religioso carmelitano e morreu em conceito de santidade. Quantas graças não recebeu ele por aquele mês de maio feito por acaso! Pela Igreja Inteira Fazer o mês de maio é, então, acumular graças, é resolver problemas ou situações dolorosas, é obter o patrocínio da Mãe divina. Por isso a Igreja, os Pontífices, os santos, recomendam tanto de celebrar, com devoção, os meses marianos. O Papa Paulo VI, em 1965, publicou uma Encíclica sobre o mês de maio para reafirmar expressamente que a Igreja o considera mais fecundo de oração e de graças celestes para todas as necessidades para a Humanidade e para a Igreja: “Porque maio traz essa poderosa chamada a uma intensa e confiante oração e porque nele os nossos pedidos acham mais fácil acesso ao coração misericordioso da Virgem; foi feito uso pelos nossos predecessores escolher esse mês consagrado a Maria para convidar o povo cristão para orações públicas, cada vez que a Igreja o necessitasse ou que qualquer perigo ameaçasse o mundo!” Façamo-lo bem Não percamos essa grande ocasião de Graça! E procuremos fazer com que ninguém perca. Convidemos os nossos amigos e nos esforcemos a fazer nossos caros participar às funções do mês mariano. Maria não despedirá ninguém de mãos vazias. Lembremo-nos que Ela mesmo, aparecendo com as mãos que projetavam raios luminosos, disse a Santa Catarina Labouré: “Estes raios são o símbolo das graças que Eu estendo sobre as pessoas que mo pedem”. E Santa Catarina, com o exemplo de São Felipe Néri, São Camilo, Santo Afonso Maria de Ligório e de tantos outros santos, queria que sobretudo o mês de maio se intensificasse a oração mariana, o humilde recurso Àquela que se assenta no “trono das graças, para obter misericórdia e achar graças na necessidade” (cf. Hb 4, 16). Aos pés de Maria achamos a fonte de todas as graças e da santidade. Votos Se empenhar para levar alguém à Igreja durante o mês mariano; Recitar o Rosário para que muitos dediquem o mês de maio a Maria; Rezar a São José, para que nos ensine nesse mês de maio a amar Nossa Senhora. Os dias ficam mais leves de serem vividos quando entregamos tudo a Ela, pois Ela entrega tudo a Cristo, como São Luís Maria Grignon de Montfort escreveu em seu Tratado de Devoção: Maria, conhecendo Seu Filho, sabe como melhor entregar nossos pedidos e agradecimentos a Cristo. Veja mais meditações em Um Mês com Maria #UmmêscomMaria
- São José Operário, padroeiro dos trabalhadores – 01 de Maio
SANTO DO DIA – 01 DE MAIO – SÃO JOSÉ OPERÁRIO Esposo da Virgem Maria (século I) Basta traçar um paralelo entre a vida cheia de sacrifícios de são José, que trabalhou a vida toda para ver Nosso Senhor Jesus Cristo dar a vida pela humanidade, e a luta dos trabalhadores do mundo todo, pleiteando respeito a seus direitos mínimos, para entender os motivos que levaram o papa Pio XII a instituir a festa de ‘São José Trabalhador’, em 1955, na mesma data em que se comemora o dia do trabalho em quase todo o planeta. Foi no dia 1º de maio de 1886, em Chicago, maior parque industrial dos Estados Unidos na época, que os operários de uma fábrica se revoltaram com a situação desumana a que eram submetidos e pelo total desrespeito à pessoa que os patrões demonstravam. Eram trezentos e quarenta em greve e a polícia, a serviço dos poderosos, massacrou-os sem piedade. Mais de cinquenta ficaram gravemente feridos e seis deles foram assassinados num confronto desigual. Em homenagem a eles é que se consagrou este dia. São José é o modelo ideal do operário. Sustentou sua família durante toda a vida com o trabalho de suas próprias mãos, cumpriu sempre seus deveres para com a comunidade, ensinou ao Filho de Deus a profissão de carpinteiro e, dessa maneira suada e laboriosa, permitiu que as profecias se cumprissem e seu povo fosse salvo, assim como toda a humanidade. Proclamando são José protetor dos trabalhadores, a Igreja quis demonstrar que está ao lado deles, os mais oprimidos, dando-lhes como patrono o mais exemplar dos seres humanos, aquele que aceitou ser o pai adotivo de Deus feito homem, mesmo sabendo o que poderia acontecer à sua família. José lutou pelos direitos da vida do ser humano e, agora, coloca-se ombro a ombro na luta pelos direitos humanos dos trabalhadores do mundo, por meio dos membros da Igreja que aumentam as fileiras dos que defendem os operários e seu direito a uma vida digna. Muito acertada mais esta celebração ao homem ‘justo’ do Evangelho, que tradicional e particularmente também é festejado no dia 19 de março, onde sua história pessoal é relatada. Santo do Dia – 01 de Maio – São José Operário Há certos homens, ao longo da História, cuja grandeza ultrapassa qualquer lenda e esgota mesmo a mais rica capacidade de imaginação. O varão a quem Deus chamou de pai Tais homens parecem ser objeto de uma especial predileção de Deus, o qual Se compraz em adornar cuidadosamente suas almas com o brilho das virtudes e de raríssimos dons. Predestinados desde o nascimento, sua vida se desenvolve em meio a aventuras extraordinárias e assombrosas que ora lhes favorecem o desempenho da missão, ora levantam-se como obstáculos intransponíveis, dando ocasião a lances de confiança e audácia que tornam suas pessoas ainda mais dignas de admiração. No Antigo Testamento encontramos narrativas dessas a cada passo. Extasiamo-nos diante do poder de um Moisés, que com o simples gesto de levantar seu cajado dividiu as águas do mar em duas gigantescas muralhas líquidas; ou perante a serena autoridade de Josué, que não duvidou em dar ordens ao próprio sol para deter o seu curso. Mais adiante, impressionam-nos a força de Sansão, ao carregar nos ombros as portas de Gaza, e o zelo ardoroso do profeta Elias, fazendo cessar a chuva durante três anos. A todos eles a Providência Divina concedeu o domínio sobre a natureza, essa fé que move montanhas e as faz saltar como cabritos… Tais prodígios sublinhavam o poder justiceiro do Criador e visavam, sobretudo, educar uma humanidade manchada pelo pecado original, sobre a qual ainda não se haviam derramado os benefícios da Redenção Uma nova economia da graça Chegada a plenitude dos tempos, as manifestações da onipotência divina, longe de diminuir, atingiram um auge de profundidade e esplendor. No Novo Testamento, porém, a grandeza se esconde muitas vezes sob os véus da comum existência humana, e isso é permitido por Deus para aumentar nossos méritos e acrisolar ainda mais nossa fé. O exemplo paradigmático dessa nova economia da graça, nós o vemos realizar-se num varão cuja vida transcorreu na humildade e no silêncio, mas que mereceu ouvir dos lábios do Homem-Deus o doce nome de pai! Sem dúvida, Moisés, ao abrir o mar em duas partes, ou Josué, ao parar o sol, marcaram de forma indelével as futuras gerações. Mas, o que é ter sujeitado os elementos, criaturas inanimadas, diante da honra suprema de ser obedecido por Aquele de quem canta o salmista: “Mais forte que o bramido das ondas caudalosas, mais poderoso que o rebentar das vagas, é o Senhor lá nas alturas” (Sl 92, 4), e que mais tarde foi visto por Malaquias quando disse: “Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o Sol da Justiça trazendo salvação em suas asas” (Ml 3, 20)? O que significa ter carregado às costas as portas de Gaza, em confronto com a glória de estreitar nos braços Aquele que afirmou de Si mesmo: “Eu sou a porta das ovelhas” (Jo 10, 7)? Caberá alguma comparação entre o profeta que fez parar a chuva e o patriarca cujas preces aceleraram a “chuva do Justo vindo das alturas” (cf. Is 45, 8)? Uma das mais altas vocações da História São José, o homem justo por excelência, o glorioso esposo de Maria e pai legal do Filho de Deus, é certamente um dos santos mais venerados pela piedade popular. No entanto, quase só ouvimos falar dele como “o artesão de Nazaré” ou “o padroeiro dos operários”. Esses títulos são muito legítimos, mas estão longe de nos dar idéia do píncaro de santidade ao qual Deus houve por bem elevá- lo. Ele nunca será devidamente conhecido e venerado por nós se – repetindo em nossa época a triste cegueira dos habitantes de Nazaré – o considerarmos apenas como o pobre carpinteiro da Galiléia. Para não nos tornarmos culpados de um erro que poderia ser qualificado de “calúnia hagiográfica”, procuremos analisar a verdade a respeito deste varão destinado a uma das mais altas vocações da História. Deus escolhe sempre o mais belo Deus Todo-Poderoso, para quem “nada é impossível” (Lc 1, 37) e que tudo governa com sabedoria infinita, possui algo que poderíamos chamar de sua “única limitação”: ao criar, Ele nada pode escolher de menos belo e perfeito, ou que não seja para sua glória. Desde toda a eternidade, ao determinar a Encarnação do Verbo, quis o Pai que – apesar das aparências de pobreza e humildade através das quais Se mostraria, e que contribuiriam para sua maior exaltação – a vinda de seu Filho ao mundo se revestisse da suprema pulcritude conveniente a Deus. Assim, dispôs que Ele fosse concebido por uma Virgem, concebida por sua vez sem pecado original, unindo em Si as alegrias da maternidade à flor da virgindade. Porém, para completar o quadro, tornava-se necessária a presença de alguém que projetasse na terra a própria “sombra do Pai”. Para tal missão Deus destinou José, ao qual poderíamos aplicar as palavras da Escritura, referindo- se a seu antepassado Davi: “O Senhor escolheu para Si um homem segundo o seu coração” (1 Sm 13, 14). Varão justo por Excelência Levando em conta o axioma latino: “nemo summus fit repente” e o acertado dito de Napoleão: “a educação de uma criança começa cem anos antes de ela nascer”, é provável que, em atenção à sua missão e ao seu papel de educador junto ao Menino-Deus, José tenha sido santificado já no seio materno, como o foi João Batista no ventre de Santa Isabel. Essa tese é defendida por diversos autores e pode sintetizar- se nas palavras de São Bernardino de Sena: “Sempre que a graça divina escolhe alguém para algum favor especial ou para algum estado elevado, concede-lhe todos os dons necessários à sua missão; dons que a ornam abundantemente”. O louvor de José, tal como o Evangelho no-lo traça, encerra-se numa única e breve frase: era justo. Tal elogio, à primeira vista de um laconismo desconcertante, nada tem de medíocre. Na linguagem bíblica, o adjetivo “justo” designa todas as virtudes reunidas. No Antigo Testamento, justo é aquele a quem a Igreja dá o nome de santo: justiça e santidade exprimem a mesma realidade. O próprio silêncio das Escrituras a seu respeito nos revela um aspecto primordial de sua perfeição: a contemplação. São José é o modelo da alma contemplativa, mais desejosa de pensar que de agir, embora seu ofício de carpinteiro o levasse a consagrar tanto tempo ao trabalho. Nele vemos realizar-se o ensinamento de São Tomás: a contemplação é superior à ação, porém, mais perfeita ainda é a junção de uma e de outra numa mesma pessoa. Ao serrar a madeira, fabricar um móvel ou um arado, José mantinha sempre seu espírito voltado para o sobrenatural, elevando-se para o aspecto mais sublime das coisas e considerando tudo sob o prisma de Deus. Suas atitudes refletiam a seriedade e a altíssima intenção com a qual sempre agia, e isso contribuía para o maior primor dos trabalhos por ele executados. Sua humilde condição de trabalhador manual em nada lhe diminuía a nobreza. Reunia em si, de forma admirável, as duas classes sociais: como legítimo herdeiro do trono de Davi, conservava em seu porte e semblante a distinção e a elegância próprias a um príncipe, aliando-as, porém, a uma alegre simplicidade de caráter. Para ele, mais importante do que a nobreza de sangue é aquela que se alcança pelo brilho da virtude; e esta, ele a possuía largamente. A Providência, entretanto, o destinava a alcançar a mais alta honra que se possa dar a uma criatura concebida no pecado original e o colocava em desproporção com todo o restante dos homens. Diz São Gregório Nazianzeno: “O Senhor conjugou em José, como num sol, tudo quanto os outros santos têm, em conjunto, de luz e de esplendor”. Todas as glórias acumulam-se neste varão incomparável, cuja existência terrena transcorre dentro de uma sublimidade ignorada por seus conhecidos e compatriotas, num silêncio e apagamento quase completos. Leia também O Milagre da Escada de São José Admirável consonância entre duas almas virgens No Antigo Testamento, a virgindade ainda não adquirira o prestígio do qual passou a gozar na Era Cristã. Muito pelo Cedendo, pois, às exigências sociais, resolveu pedir a mão de Maria, a qual ele provavelmente já conhecia, pois ambos pertenciam à mesma tribo e habitavam na mesma aldeia. Tudo indica que naquela época os pais de Maria haviam falecido e Ela vivia sob a tutela de algum parente. Sem levar em conta a opinião da jovem, seu tutor apenas Lhe comunicou ter aceito o pedido de um pretendente a ser seu marido.contrário, quem não constituísse família, ou se visse impossibilitado de gerar filhos, era considerado maldito por Deus. “A espera do Messias dominava a tal ponto os espíritos, que o desprezo do casamento equivalia a uma recusa desonrosa de contribuir para a vinda d’Aquele que havia de restaurar o reino de Israel” (1). De acordo com a opinião generalizada, José, movido por uma especial moção do Espírito Santo, decidira permanecer virgem por toda a vida. Porém, não querendo singularizar- se, contrariando os costumes de seu tempo, resignara-se a contrair matrimônio, convencido de que o Senhor, tendo lhe inspirado esse bom propósito, o ajudaria a levá-lo a cabo. É sabido que Maria, desde a infância, consagrara ao Senhor sua virgindade. Entretanto, acostumada a obedecer, inclinou-Se ante a decisão de seus parentes, acreditando ser essa a manifesta vontade da Providência. Se conservava algum receio, deve este ter-se dissipado quando soube que o escolhido era José, o nobre descendente da estirpe de Davi, em cuja alma Ela já vira, por seu aguçado dom de discernimento, as altíssimas qualidades postas por Deus. Antes dos esponsais, Maria precisava dar a conhecer ao seu noivo o voto de virgindade, sob pena de o matrimônio ser nulo. Fê-lo de forma séria e decidida, falando com toda a simplicidade de seu inocente coração. José pensou estar ouvindo uma voz do Céu e reconheceu, emocionado, a mão da Providência atendendo às suas preces. É impossível ter idéia do grau de concórdia dessas duas almas, ao se revelarem mutuamente seus mais íntimos mistérios. Desde esse instante, José passou a ser o modelo perfeito do devoto de Nossa Senhora. Podemos bem imaginar que, já nesse primeiro encontro, a graça o tocou de maneira especial, levando-o a consagrar-se como escravo de amor Àquela que, mais do que esposa, já considerava como Senhora e Rainha. Proporcionado a Jesus e Maria O contrato matrimonial deveria ser acertado entre as duas famílias. Um ponto ao qual se costumava dar escrupulosa importância, sobretudo entre pessoas de nobre origem, era a igualdade de condições. Tanto Maria quanto José eram da tribo de Judá e descendentes de Davi. Mais, porém, do que qualquer requisito social, sobre aquele matrimônio pairava, desde toda a eternidade, um desígnio divino. Para a realização da vontade do Altíssimo, deveria o esposo ser proporcionado à esposa, o pai ao filho, a fim de sustentar com toda dignidade a honra de ser pai adotivo de Deus. E houve só um homem criado e preparado para essa missão, inteiramente à altura de exercê-la: São José. Ele estava na proporção de Jesus Cristo e de Maria Santíssima. Para fazermos uma idéia exata da magnitude de sua personalidade, devemos imaginá-lo como sendo uma versão masculina de Nossa Senhora, o homem dotado de sabedoria, força e pureza bastantes para governar as duas criaturas mais excelsas saídas das mãos de Deus: a Humanidade santíssima de Nosso Senhor e a Rainha dos anjos e dos homens. Em Israel os esponsais equivaliam juridicamente ao casamento de hoje. A partir dessa cerimônia – na qual o noivo colocava um anel de ouro no dedo de sua prometida, dizendo: “Este é o anel pelo qual tu te unes a mim diante de Deus, segundo o rito de Moisés” – ambos passavam a pertencer de forma irrevogável um ao outro e a partir de então se consideravam esposos. Contudo, a coabitação era em geral adiada pelo prazo de um ano, para dar tempo à esposa de completar o enxoval e ao marido de preparar a casa. Maria e José, fiéis cumpridores da Lei, ativeram-se a todas essas formalidades. Mas um segredo Divino envolvia seu caso concreto, do qual certamente nenhuma das testemunhas do acontecimento – parentes e amigos – chegou a suspeitar. Ali estavam “duas almas virgens que se prometiam mútua fidelidade, uma fidelidade que consistiria em guardarem ambos a virgindade” (2). Quanto mais uma pessoa sofre, mais é digna de amor Nesse intervalo entre os esponsais e as bodas, Maria recebeu a embaixada do Arcanjo Gabriel. O Evangelho de Mateus deixa-o bem claro ao afirmar: “Antes de coabitarem, aconteceu que Ela concebeu por virtude do Espírito Santo” (Mt 1, 18). Supérfluo seria nos estendermos aqui sobre os detalhes da Anunciação e da Encarnação do Verbo, já tão conhecidos e tantas vezes comentados. Um ponto apenas é preciso deixar bem claro: poucos dias depois desse acontecimento, Maria dirigiu-se apressadamente para o pequeno povoado das montanhas da Judéia onde habitavam seus primos, Zacarias e Isabel. Boa parte dos comentaristas defende a idéia de que José acompanhou sua esposa na viagem de ida e, transcorridos três meses, foi buscá-La. Tal opinião parece bem fundada, pois a juventude de Maria e as dificuldades de um penoso percurso eram razões de sobra para mover a solicitude de um esposo fiel e zeloso, como era o seu. Depois do regresso a Nazaré, não tardou ele a perceber os primeiros sinais da gravidez de sua desposada. No começo, relutou em acreditar, julgando-se vítima de uma alucinação. Passados, porém, alguns dias, não pôde mais duvidar da realidade patente ante seus olhos: Maria trazia uma criança em seu seio. Nesse momento eclodiu, como violento turbilhão, o drama na vida de São José. Talvez a provação mais terrível que uma mera criatura humana – fazendo abstração da Santíssima Virgem ao longo da Paixão – jamais tenha enfrentado. Essa era, entretanto, a divina vontade do Menino que Se formava nas puríssimas entranhas de Maria. Desejava Ele que seu nascimento viesse com o selo indelével da dor santamente aceita, para dar-nos a lição de que quanto mais uma pessoa sofre, tanto mais é digna de amor. O pai adotivo que escolhera como imagem de seu Pai Celestial, Ele o submetia a uma dura prova, dando-lhe oportunidade de levar seu heroísmo a alturas inimagináveis. Ao mesmo tempo, aparecia com maior esplendor a virgindade de Nossa Senhora. O herói da fé A perplexidade de José não consistia, como pensaram alguns Padres antigos, em duvidar da fidelidade de sua esposa. Tal hipótese contunde a nossa piedade, pois desmerece a perfeição eminente alcançada pelo santo Patriarca e, ademais, Deus não permitiria que a honra virginal de Maria pudesse ser ferida por uma suspeita no espírito de José. O texto do Auctor imperfecti exprime com belíssimas palavras a postura dele diante do fato: “Ó inestimável louvor de Maria! São José acreditava mais na castidade de sua esposa do que naquilo que seus olhos viam, mais na graça do que na natureza. Via claramente que sua esposa era mãe e não podia acreditar que fosse adúltera; acreditou que era mais possível uma mulher conceber sem varão do que Maria poder pecar” (3). Sua angústia tornava-se tanto mais lancinante quanto mais via resplandecer a virtude no rosto angelical de Maria. Por um lado, a evidência saltava- lhe aos olhos, por outro, considerava fora de cogitação a possibilidade de aquela criatura tão inocente ter cometido um pecado. Ora, se a concepção de Maria era obra sobrenatural o que fazia ele ali? Não estaria ofendendo a Deus, intrometendo- se num mistério para ele incompreensível, o qual se lhe afigurava como absolutamente divino? Não seria ele um intruso, atrapalhando os planos do Altíssimo? José não julgou. Suspendeu o juízo da carne ante os inescrutáveis desígnios de Deus. Subjugou a razão humana à fé inabalável e procurou uma saída para o caso, pois, como resume São Tomás. Desde o princípio descartou a hipótese de denunciá-La, como o exigia o Deuteronômio, segundo o qual a mulher deveria sofrer a pena de lapidação. Estava convicto da inocência de Maria e estremecia diante dessa idéia. Existia também a opção do repúdio: a Lei de Moisés permitia ao homem despedir sua mulher, dando-lhe o libelo de divórcio. Mas essa possibilidade repugnava-lhe igualmente, porque atentaria contra a reputação da Santa Virgem. Numa pequena aldeia, onde todos os habitantes se conheciam, tal atitude daria margem a suspeitas sobre o comportamento de Maria: por qual motivo o marido A teria afastado de repente? No futuro, a Virgem traria sempre a marca de uma mulher rejeitada. A solução encontrada por José não se achava nos livros da Lei, mas partiu de seu coração: “Resolveu deixá- La secretamente” (Mt 1, 19). Agindo assim, salvaguardava a fama de sua esposa, pois Ela seria vista como uma pobre jovem abandonada pela crueldade de um homem sem palavra. A culpa recairia toda sobre ele. Nesse passo de sua vida, José revelou o brilho alcandorado de sua nobre alma, sua sabedoria e sua humildade levadas ao grau heróico. Com efeito, a ele poderíamos aplicar estas belas palavras de um autor francês: “O herói é um grande coração que se ignora, uma grande alma que se esquece de si mesma. (…) Todas as fraquezas de nossa pobre natureza humana estão concentradas em torno desse egoísmo que faz de cada um de nós o centro do Universo. O herói é aquele que rompeu esse círculo estreito onde todas as naturezas, até mesmo as mais dotadas, vegetam ou se estiolam. Esse “eu” que em alguns é rei, nele, durante toda sua vida, permanece escravo” (4). Esqueceu-se completamente de si, preferindo desacreditar-se diante da opinião pública, a ver o prestígio de Maria manchado. Além do mais, renunciava também à sua própria felicidade: tinha de abandonar Nossa Senhora, o maior tesouro da terra. Isso era um sofrimento imenso, pois para ele o convívio com Maria significava um verdadeiro Paraíso. D’Ela aprendera, nos seus gestos mais simples, lições excelsas de sabedoria e de bondade; ao contemplá-La, sentia-se mais próximo de Deus. E via-se agora obrigado a sacrificar aquilo que mais apreciava em sua vida! Passaria seus dias longe, venerando um mistério que não entendera. Durante alguns dias, José maturou sua resolução, decidido a pô-la em prática. Numa noite enevoada e sem lua encontrou ocasião propícia, preparou seus pobres pertences e deitou-se para refazer as forças antes da partida. Pouco a pouco, por uma ação angélica, seu coração aflito serenou e ele adormeceu profundamente. Como outrora com Abraão, o Senhor esperara até o último instante para deter o golpe fatal. No meio da noite apareceu-lhe um anjo, anunciando: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que n’Ela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo de seus pecados” (Mt 1, 20-21). “Os que semeiam entre lágrimas, recolherão com alegria” (Sl 125, 5) É impossível medir o gozo de José ao despertar do sonho. Logo ao alvorecer, correu a encontrar-se com sua esposa. Mas como se sentia agora mais tomado pela veneração e ternura que culminavam no ardoroso desejo de servi-La! Certamente nada disse a Maria, mas a alegre expressão do seu semblante era mais eloqüente do que as palavras. De joelhos, adorou a Deus no seio virginal de sua Mãe, primeiro tabernáculo no qual Se dignara habitar sobre a terra. Um Deus que também era seu filho, pois os dizeres do anjo manifestavam com clareza a autoridade a ele outorgada sobre o fruto de sua esposa: “um filho a quem porás o nome de Jesus”. Paternidade nova, única e especial A paternidade de São José em relação a Cristo tem sido um tema muito discutido pelos autores. Os títulos multiplicam-se: pai legal, pai putativo, pai nutrício, pai adotivo, pai virginal… Cada um deles define aspectos parciais e incompletos, sem chegar a exprimir por inteiro a paternidade deste varão excepcional. O Pe. Bonifácio Llamera OP parece ter chegado a uma conclusão satisfatória: “A paternidade de São José em relação a Jesus é certamente distinta de qualquer outra paternidade natural, seja física ou adotiva. É verdadeira paternidade, mas muito singular. É uma paternidade nova, única e especial, pois não procede da geração segundo a natureza, mas está fundada num vínculo moral inteiramente real. E tão real é esta paternidade singular como é verdadeiro o vínculo matrimonial entre Maria e José. (…) “Esta paternidade de São José, tão admirável como difícil de expressar numa palavra, é confirmada e esclarecida pelos Santos Padres e autores de obras sobre o santo Patriarca, os quais concentraram em três vínculos principais a subtil realidade que une São José a Jesus: o direito, que é conjugal; a virgindade e a autoridade que adornam o mistério de São José” (5). Na encíclica Quamquam pluries, o Papa Leão XIII afirmou: “É verdade que a dignidade da Mãe de Deus é tão alta que nada a pode ultrapassar. Porém, como existe entre a Virgem e São José um laço conjugal, não há a menor dúvida de que ele se aproximou mais do que ninguém dessa dignidade super eminente que coloca a Mãe de Deus muito acima de todas as criaturas.” Uma criatura dando conselhos ao Criador… Quantas vezes teve São José nos braços o Divino Infante? O dia inteiro no convívio com o Menino Jesus, observando-O rezar, falar, fazer todos os atos de sua vida comum… Nessa contemplação constante, para a qual ele tinha uma alma maravilhosamente apta, recebia graças extraordinárias e se deixava modelar. Por vezes, o Menino parava diante dele e dizia: “Peço-vos um conselho: como devo fazer tal coisa?” E São José se comovia, considerando que quem estava lhe pedindo um conselho era o próprio Filho de Deus! A esse homem a Providência concedeu lábios suficientemente puros e humildade bastante grande para fazer essa coisa formidável: responder a Deus. A criatura plasmada pelas mãos do Criador dava-Lhe conselhos! Ele foi o predestinado para exercer uma verdadeira autoridade sobre Nossa Senhora e o Menino Jesus, o privilegiado que alcançou uma altíssima intimidade com Jesus e Maria, o bem-aventurado a quem foi outorgada a graça de expirar entre os braços de Deus, seu Filho, e da Mãe de Deus, sua Esposa! “Ao vencedor concederei assentar-se comigo no meu trono” (Ap 3, 21) “Não separe o homem o que Deus uniu” (Mt 19, 6). Se, ao longo de sua existência terrena, José foi o inseparável companheiro da Virgem Maria, partilhando suas dores e alegrias, é inconcebível que na eternidade essa convivência não tenha atingido sua plenitude. Ora, para o convívio ser perfeito, é necessário estar juntos e olhar-se. Por esta razão, uma forte corrente de teólogos defende a tese de que “sem a assunção gloriosa de José em corpo e alma, a Sagrada Família reconstituída no Céu teria tido uma nota discordante na sua exaltação e glória” (6). A esse respeito, afirma São Francisco de Sales: “Se é verdade o que devemos acreditar, que, em virtude do Santíssimo Sacramento que recebemos, os nossos corpos hão de ressuscitar no dia do Juízo Final, como podemos duvidar de que Nosso Senhor tenha feito subir ao Céu, em corpo e alma, o glorioso São José, o qual teve a honra e a graça de trazê-Lo tantas vezes em seus braços benditos? Não resta dúvida, pois, de que São José está no Céu em corpo e alma”. #SantodoDia #SãoJosé
- São José Operário, padroeiro dos trabalhadores – 01 de Maio
SANTO DO DIA – 01 DE MAIO – SÃO JOSÉ OPERÁRIO Esposo da Virgem Maria (século I) Basta traçar um paralelo entre a vida cheia de sacrifícios de são José, que trabalhou a vida toda para ver Nosso Senhor Jesus Cristo dar a vida pela humanidade, e a luta dos trabalhadores do mundo todo, pleiteando respeito a seus direitos mínimos, para entender os motivos que levaram o papa Pio XII a instituir a festa de ‘São José Trabalhador’, em 1955, na mesma data em que se comemora o dia do trabalho em quase todo o planeta. Foi no dia 1º de maio de 1886, em Chicago, maior parque industrial dos Estados Unidos na época, que os operários de uma fábrica se revoltaram com a situação desumana a que eram submetidos e pelo total desrespeito à pessoa que os patrões demonstravam. Eram trezentos e quarenta em greve e a polícia, a serviço dos poderosos, massacrou-os sem piedade. Mais de cinquenta ficaram gravemente feridos e seis deles foram assassinados num confronto desigual. Em homenagem a eles é que se consagrou este dia. São José é o modelo ideal do operário. Sustentou sua família durante toda a vida com o trabalho de suas próprias mãos, cumpriu sempre seus deveres para com a comunidade, ensinou ao Filho de Deus a profissão de carpinteiro e, dessa maneira suada e laboriosa, permitiu que as profecias se cumprissem e seu povo fosse salvo, assim como toda a humanidade. Proclamando são José protetor dos trabalhadores, a Igreja quis demonstrar que está ao lado deles, os mais oprimidos, dando-lhes como patrono o mais exemplar dos seres humanos, aquele que aceitou ser o pai adotivo de Deus feito homem, mesmo sabendo o que poderia acontecer à sua família. José lutou pelos direitos da vida do ser humano e, agora, coloca-se ombro a ombro na luta pelos direitos humanos dos trabalhadores do mundo, por meio dos membros da Igreja que aumentam as fileiras dos que defendem os operários e seu direito a uma vida digna. Muito acertada mais esta celebração ao homem ‘justo’ do Evangelho, que tradicional e particularmente também é festejado no dia 19 de março, onde sua história pessoal é relatada. Santo do Dia – 01 de Maio – São José Operário Há certos homens, ao longo da História, cuja grandeza ultrapassa qualquer lenda e esgota mesmo a mais rica capacidade de imaginação. O varão a quem Deus chamou de pai Tais homens parecem ser objeto de uma especial predileção de Deus, o qual Se compraz em adornar cuidadosamente suas almas com o brilho das virtudes e de raríssimos dons. Predestinados desde o nascimento, sua vida se desenvolve em meio a aventuras extraordinárias e assombrosas que ora lhes favorecem o desempenho da missão, ora levantam-se como obstáculos intransponíveis, dando ocasião a lances de confiança e audácia que tornam suas pessoas ainda mais dignas de admiração. No Antigo Testamento encontramos narrativas dessas a cada passo. Extasiamo-nos diante do poder de um Moisés, que com o simples gesto de levantar seu cajado dividiu as águas do mar em duas gigantescas muralhas líquidas; ou perante a serena autoridade de Josué, que não duvidou em dar ordens ao próprio sol para deter o seu curso. Mais adiante, impressionam-nos a força de Sansão, ao carregar nos ombros as portas de Gaza, e o zelo ardoroso do profeta Elias, fazendo cessar a chuva durante três anos. A todos eles a Providência Divina concedeu o domínio sobre a natureza, essa fé que move montanhas e as faz saltar como cabritos… Tais prodígios sublinhavam o poder justiceiro do Criador e visavam, sobretudo, educar uma humanidade manchada pelo pecado original, sobre a qual ainda não se haviam derramado os benefícios da Redenção Uma nova economia da graça Chegada a plenitude dos tempos, as manifestações da onipotência divina, longe de diminuir, atingiram um auge de profundidade e esplendor. No Novo Testamento, porém, a grandeza se esconde muitas vezes sob os véus da comum existência humana, e isso é permitido por Deus para aumentar nossos méritos e acrisolar ainda mais nossa fé. O exemplo paradigmático dessa nova economia da graça, nós o vemos realizar-se num varão cuja vida transcorreu na humildade e no silêncio, mas que mereceu ouvir dos lábios do Homem-Deus o doce nome de pai! Sem dúvida, Moisés, ao abrir o mar em duas partes, ou Josué, ao parar o sol, marcaram de forma indelével as futuras gerações. Mas, o que é ter sujeitado os elementos, criaturas inanimadas, diante da honra suprema de ser obedecido por Aquele de quem canta o salmista: “Mais forte que o bramido das ondas caudalosas, mais poderoso que o rebentar das vagas, é o Senhor lá nas alturas” (Sl 92, 4), e que mais tarde foi visto por Malaquias quando disse: “Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o Sol da Justiça trazendo salvação em suas asas” (Ml 3, 20)? O que significa ter carregado às costas as portas de Gaza, em confronto com a glória de estreitar nos braços Aquele que afirmou de Si mesmo: “Eu sou a porta das ovelhas” (Jo 10, 7)? Caberá alguma comparação entre o profeta que fez parar a chuva e o patriarca cujas preces aceleraram a “chuva do Justo vindo das alturas” (cf. Is 45, 8)? Uma das mais altas vocações da História São José, o homem justo por excelência, o glorioso esposo de Maria e pai legal do Filho de Deus, é certamente um dos santos mais venerados pela piedade popular. No entanto, quase só ouvimos falar dele como “o artesão de Nazaré” ou “o padroeiro dos operários”. Esses títulos são muito legítimos, mas estão longe de nos dar idéia do píncaro de santidade ao qual Deus houve por bem elevá- lo. Ele nunca será devidamente conhecido e venerado por nós se – repetindo em nossa época a triste cegueira dos habitantes de Nazaré – o considerarmos apenas como o pobre carpinteiro da Galiléia. Para não nos tornarmos culpados de um erro que poderia ser qualificado de “calúnia hagiográfica”, procuremos analisar a verdade a respeito deste varão destinado a uma das mais altas vocações da História. Deus escolhe sempre o mais belo Deus Todo-Poderoso, para quem “nada é impossível” (Lc 1, 37) e que tudo governa com sabedoria infinita, possui algo que poderíamos chamar de sua “única limitação”: ao criar, Ele nada pode escolher de menos belo e perfeito, ou que não seja para sua glória. Desde toda a eternidade, ao determinar a Encarnação do Verbo, quis o Pai que – apesar das aparências de pobreza e humildade através das quais Se mostraria, e que contribuiriam para sua maior exaltação – a vinda de seu Filho ao mundo se revestisse da suprema pulcritude conveniente a Deus. Assim, dispôs que Ele fosse concebido por uma Virgem, concebida por sua vez sem pecado original, unindo em Si as alegrias da maternidade à flor da virgindade. Porém, para completar o quadro, tornava-se necessária a presença de alguém que projetasse na terra a própria “sombra do Pai”. Para tal missão Deus destinou José, ao qual poderíamos aplicar as palavras da Escritura, referindo- se a seu antepassado Davi: “O Senhor escolheu para Si um homem segundo o seu coração” (1 Sm 13, 14). Varão justo por Excelência Levando em conta o axioma latino: “nemo summus fit repente” e o acertado dito de Napoleão: “a educação de uma criança começa cem anos antes de ela nascer”, é provável que, em atenção à sua missão e ao seu papel de educador junto ao Menino-Deus, José tenha sido santificado já no seio materno, como o foi João Batista no ventre de Santa Isabel. Essa tese é defendida por diversos autores e pode sintetizar- se nas palavras de São Bernardino de Sena: “Sempre que a graça divina escolhe alguém para algum favor especial ou para algum estado elevado, concede-lhe todos os dons necessários à sua missão; dons que a ornam abundantemente”. O louvor de José, tal como o Evangelho no-lo traça, encerra-se numa única e breve frase: era justo. Tal elogio, à primeira vista de um laconismo desconcertante, nada tem de medíocre. Na linguagem bíblica, o adjetivo “justo” designa todas as virtudes reunidas. No Antigo Testamento, justo é aquele a quem a Igreja dá o nome de santo: justiça e santidade exprimem a mesma realidade. O próprio silêncio das Escrituras a seu respeito nos revela um aspecto primordial de sua perfeição: a contemplação. São José é o modelo da alma contemplativa, mais desejosa de pensar que de agir, embora seu ofício de carpinteiro o levasse a consagrar tanto tempo ao trabalho. Nele vemos realizar-se o ensinamento de São Tomás: a contemplação é superior à ação, porém, mais perfeita ainda é a junção de uma e de outra numa mesma pessoa. Ao serrar a madeira, fabricar um móvel ou um arado, José mantinha sempre seu espírito voltado para o sobrenatural, elevando-se para o aspecto mais sublime das coisas e considerando tudo sob o prisma de Deus. Suas atitudes refletiam a seriedade e a altíssima intenção com a qual sempre agia, e isso contribuía para o maior primor dos trabalhos por ele executados. Sua humilde condição de trabalhador manual em nada lhe diminuía a nobreza. Reunia em si, de forma admirável, as duas classes sociais: como legítimo herdeiro do trono de Davi, conservava em seu porte e semblante a distinção e a elegância próprias a um príncipe, aliando-as, porém, a uma alegre simplicidade de caráter. Para ele, mais importante do que a nobreza de sangue é aquela que se alcança pelo brilho da virtude; e esta, ele a possuía largamente. A Providência, entretanto, o destinava a alcançar a mais alta honra que se possa dar a uma criatura concebida no pecado original e o colocava em desproporção com todo o restante dos homens. Diz São Gregório Nazianzeno: “O Senhor conjugou em José, como num sol, tudo quanto os outros santos têm, em conjunto, de luz e de esplendor”. Todas as glórias acumulam-se neste varão incomparável, cuja existência terrena transcorre dentro de uma sublimidade ignorada por seus conhecidos e compatriotas, num silêncio e apagamento quase completos. Leia também O Milagre da Escada de São José Admirável consonância entre duas almas virgens No Antigo Testamento, a virgindade ainda não adquirira o prestígio do qual passou a gozar na Era Cristã. Muito pelo Cedendo, pois, às exigências sociais, resolveu pedir a mão de Maria, a qual ele provavelmente já conhecia, pois ambos pertenciam à mesma tribo e habitavam na mesma aldeia. Tudo indica que naquela época os pais de Maria haviam falecido e Ela vivia sob a tutela de algum parente. Sem levar em conta a opinião da jovem, seu tutor apenas Lhe comunicou ter aceito o pedido de um pretendente a ser seu marido.contrário, quem não constituísse família, ou se visse impossibilitado de gerar filhos, era considerado maldito por Deus. “A espera do Messias dominava a tal ponto os espíritos, que o desprezo do casamento equivalia a uma recusa desonrosa de contribuir para a vinda d’Aquele que havia de restaurar o reino de Israel” (1). De acordo com a opinião generalizada, José, movido por uma especial moção do Espírito Santo, decidira permanecer virgem por toda a vida. Porém, não querendo singularizar- se, contrariando os costumes de seu tempo, resignara-se a contrair matrimônio, convencido de que o Senhor, tendo lhe inspirado esse bom propósito, o ajudaria a levá-lo a cabo. É sabido que Maria, desde a infância, consagrara ao Senhor sua virgindade. Entretanto, acostumada a obedecer, inclinou-Se ante a decisão de seus parentes, acreditando ser essa a manifesta vontade da Providência. Se conservava algum receio, deve este ter-se dissipado quando soube que o escolhido era José, o nobre descendente da estirpe de Davi, em cuja alma Ela já vira, por seu aguçado dom de discernimento, as altíssimas qualidades postas por Deus. Antes dos esponsais, Maria precisava dar a conhecer ao seu noivo o voto de virgindade, sob pena de o matrimônio ser nulo. Fê-lo de forma séria e decidida, falando com toda a simplicidade de seu inocente coração. José pensou estar ouvindo uma voz do Céu e reconheceu, emocionado, a mão da Providência atendendo às suas preces. É impossível ter idéia do grau de concórdia dessas duas almas, ao se revelarem mutuamente seus mais íntimos mistérios. Desde esse instante, José passou a ser o modelo perfeito do devoto de Nossa Senhora. Podemos bem imaginar que, já nesse primeiro encontro, a graça o tocou de maneira especial, levando-o a consagrar-se como escravo de amor Àquela que, mais do que esposa, já considerava como Senhora e Rainha. Proporcionado a Jesus e Maria O contrato matrimonial deveria ser acertado entre as duas famílias. Um ponto ao qual se costumava dar escrupulosa importância, sobretudo entre pessoas de nobre origem, era a igualdade de condições. Tanto Maria quanto José eram da tribo de Judá e descendentes de Davi. Mais, porém, do que qualquer requisito social, sobre aquele matrimônio pairava, desde toda a eternidade, um desígnio divino. Para a realização da vontade do Altíssimo, deveria o esposo ser proporcionado à esposa, o pai ao filho, a fim de sustentar com toda dignidade a honra de ser pai adotivo de Deus. E houve só um homem criado e preparado para essa missão, inteiramente à altura de exercê-la: São José. Ele estava na proporção de Jesus Cristo e de Maria Santíssima. Para fazermos uma idéia exata da magnitude de sua personalidade, devemos imaginá-lo como sendo uma versão masculina de Nossa Senhora, o homem dotado de sabedoria, força e pureza bastantes para governar as duas criaturas mais excelsas saídas das mãos de Deus: a Humanidade santíssima de Nosso Senhor e a Rainha dos anjos e dos homens. Em Israel os esponsais equivaliam juridicamente ao casamento de hoje. A partir dessa cerimônia – na qual o noivo colocava um anel de ouro no dedo de sua prometida, dizendo: “Este é o anel pelo qual tu te unes a mim diante de Deus, segundo o rito de Moisés” – ambos passavam a pertencer de forma irrevogável um ao outro e a partir de então se consideravam esposos. Contudo, a coabitação era em geral adiada pelo prazo de um ano, para dar tempo à esposa de completar o enxoval e ao marido de preparar a casa. Maria e José, fiéis cumpridores da Lei, ativeram-se a todas essas formalidades. Mas um segredo Divino envolvia seu caso concreto, do qual certamente nenhuma das testemunhas do acontecimento – parentes e amigos – chegou a suspeitar. Ali estavam “duas almas virgens que se prometiam mútua fidelidade, uma fidelidade que consistiria em guardarem ambos a virgindade” (2). Quanto mais uma pessoa sofre, mais é digna de amor Nesse intervalo entre os esponsais e as bodas, Maria recebeu a embaixada do Arcanjo Gabriel. O Evangelho de Mateus deixa-o bem claro ao afirmar: “Antes de coabitarem, aconteceu que Ela concebeu por virtude do Espírito Santo” (Mt 1, 18). Supérfluo seria nos estendermos aqui sobre os detalhes da Anunciação e da Encarnação do Verbo, já tão conhecidos e tantas vezes comentados. Um ponto apenas é preciso deixar bem claro: poucos dias depois desse acontecimento, Maria dirigiu-se apressadamente para o pequeno povoado das montanhas da Judéia onde habitavam seus primos, Zacarias e Isabel. Boa parte dos comentaristas defende a idéia de que José acompanhou sua esposa na viagem de ida e, transcorridos três meses, foi buscá-La. Tal opinião parece bem fundada, pois a juventude de Maria e as dificuldades de um penoso percurso eram razões de sobra para mover a solicitude de um esposo fiel e zeloso, como era o seu. Depois do regresso a Nazaré, não tardou ele a perceber os primeiros sinais da gravidez de sua desposada. No começo, relutou em acreditar, julgando-se vítima de uma alucinação. Passados, porém, alguns dias, não pôde mais duvidar da realidade patente ante seus olhos: Maria trazia uma criança em seu seio. Nesse momento eclodiu, como violento turbilhão, o drama na vida de São José. Talvez a provação mais terrível que uma mera criatura humana – fazendo abstração da Santíssima Virgem ao longo da Paixão – jamais tenha enfrentado. Essa era, entretanto, a divina vontade do Menino que Se formava nas puríssimas entranhas de Maria. Desejava Ele que seu nascimento viesse com o selo indelével da dor santamente aceita, para dar-nos a lição de que quanto mais uma pessoa sofre, tanto mais é digna de amor. O pai adotivo que escolhera como imagem de seu Pai Celestial, Ele o submetia a uma dura prova, dando-lhe oportunidade de levar seu heroísmo a alturas inimagináveis. Ao mesmo tempo, aparecia com maior esplendor a virgindade de Nossa Senhora. O herói da fé A perplexidade de José não consistia, como pensaram alguns Padres antigos, em duvidar da fidelidade de sua esposa. Tal hipótese contunde a nossa piedade, pois desmerece a perfeição eminente alcançada pelo santo Patriarca e, ademais, Deus não permitiria que a honra virginal de Maria pudesse ser ferida por uma suspeita no espírito de José. O texto do Auctor imperfecti exprime com belíssimas palavras a postura dele diante do fato: “Ó inestimável louvor de Maria! São José acreditava mais na castidade de sua esposa do que naquilo que seus olhos viam, mais na graça do que na natureza. Via claramente que sua esposa era mãe e não podia acreditar que fosse adúltera; acreditou que era mais possível uma mulher conceber sem varão do que Maria poder pecar” (3). Sua angústia tornava-se tanto mais lancinante quanto mais via resplandecer a virtude no rosto angelical de Maria. Por um lado, a evidência saltava- lhe aos olhos, por outro, considerava fora de cogitação a possibilidade de aquela criatura tão inocente ter cometido um pecado. Ora, se a concepção de Maria era obra sobrenatural o que fazia ele ali? Não estaria ofendendo a Deus, intrometendo- se num mistério para ele incompreensível, o qual se lhe afigurava como absolutamente divino? Não seria ele um intruso, atrapalhando os planos do Altíssimo? José não julgou. Suspendeu o juízo da carne ante os inescrutáveis desígnios de Deus. Subjugou a razão humana à fé inabalável e procurou uma saída para o caso, pois, como resume São Tomás. Desde o princípio descartou a hipótese de denunciá-La, como o exigia o Deuteronômio, segundo o qual a mulher deveria sofrer a pena de lapidação. Estava convicto da inocência de Maria e estremecia diante dessa idéia. Existia também a opção do repúdio: a Lei de Moisés permitia ao homem despedir sua mulher, dando-lhe o libelo de divórcio. Mas essa possibilidade repugnava-lhe igualmente, porque atentaria contra a reputação da Santa Virgem. Numa pequena aldeia, onde todos os habitantes se conheciam, tal atitude daria margem a suspeitas sobre o comportamento de Maria: por qual motivo o marido A teria afastado de repente? No futuro, a Virgem traria sempre a marca de uma mulher rejeitada. A solução encontrada por José não se achava nos livros da Lei, mas partiu de seu coração: “Resolveu deixá- La secretamente” (Mt 1, 19). Agindo assim, salvaguardava a fama de sua esposa, pois Ela seria vista como uma pobre jovem abandonada pela crueldade de um homem sem palavra. A culpa recairia toda sobre ele. Nesse passo de sua vida, José revelou o brilho alcandorado de sua nobre alma, sua sabedoria e sua humildade levadas ao grau heróico. Com efeito, a ele poderíamos aplicar estas belas palavras de um autor francês: “O herói é um grande coração que se ignora, uma grande alma que se esquece de si mesma. (…) Todas as fraquezas de nossa pobre natureza humana estão concentradas em torno desse egoísmo que faz de cada um de nós o centro do Universo. O herói é aquele que rompeu esse círculo estreito onde todas as naturezas, até mesmo as mais dotadas, vegetam ou se estiolam. Esse “eu” que em alguns é rei, nele, durante toda sua vida, permanece escravo” (4). Esqueceu-se completamente de si, preferindo desacreditar-se diante da opinião pública, a ver o prestígio de Maria manchado. Além do mais, renunciava também à sua própria felicidade: tinha de abandonar Nossa Senhora, o maior tesouro da terra. Isso era um sofrimento imenso, pois para ele o convívio com Maria significava um verdadeiro Paraíso. D’Ela aprendera, nos seus gestos mais simples, lições excelsas de sabedoria e de bondade; ao contemplá-La, sentia-se mais próximo de Deus. E via-se agora obrigado a sacrificar aquilo que mais apreciava em sua vida! Passaria seus dias longe, venerando um mistério que não entendera. Durante alguns dias, José maturou sua resolução, decidido a pô-la em prática. Numa noite enevoada e sem lua encontrou ocasião propícia, preparou seus pobres pertences e deitou-se para refazer as forças antes da partida. Pouco a pouco, por uma ação angélica, seu coração aflito serenou e ele adormeceu profundamente. Como outrora com Abraão, o Senhor esperara até o último instante para deter o golpe fatal. No meio da noite apareceu-lhe um anjo, anunciando: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que n’Ela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo de seus pecados” (Mt 1, 20-21). “Os que semeiam entre lágrimas, recolherão com alegria” (Sl 125, 5) É impossível medir o gozo de José ao despertar do sonho. Logo ao alvorecer, correu a encontrar-se com sua esposa. Mas como se sentia agora mais tomado pela veneração e ternura que culminavam no ardoroso desejo de servi-La! Certamente nada disse a Maria, mas a alegre expressão do seu semblante era mais eloqüente do que as palavras. De joelhos, adorou a Deus no seio virginal de sua Mãe, primeiro tabernáculo no qual Se dignara habitar sobre a terra. Um Deus que também era seu filho, pois os dizeres do anjo manifestavam com clareza a autoridade a ele outorgada sobre o fruto de sua esposa: “um filho a quem porás o nome de Jesus”. Paternidade nova, única e especial A paternidade de São José em relação a Cristo tem sido um tema muito discutido pelos autores. Os títulos multiplicam-se: pai legal, pai putativo, pai nutrício, pai adotivo, pai virginal… Cada um deles define aspectos parciais e incompletos, sem chegar a exprimir por inteiro a paternidade deste varão excepcional. O Pe. Bonifácio Llamera OP parece ter chegado a uma conclusão satisfatória: “A paternidade de São José em relação a Jesus é certamente distinta de qualquer outra paternidade natural, seja física ou adotiva. É verdadeira paternidade, mas muito singular. É uma paternidade nova, única e especial, pois não procede da geração segundo a natureza, mas está fundada num vínculo moral inteiramente real. E tão real é esta paternidade singular como é verdadeiro o vínculo matrimonial entre Maria e José. (…) “Esta paternidade de São José, tão admirável como difícil de expressar numa palavra, é confirmada e esclarecida pelos Santos Padres e autores de obras sobre o santo Patriarca, os quais concentraram em três vínculos principais a subtil realidade que une São José a Jesus: o direito, que é conjugal; a virgindade e a autoridade que adornam o mistério de São José” (5). Na encíclica Quamquam pluries, o Papa Leão XIII afirmou: “É verdade que a dignidade da Mãe de Deus é tão alta que nada a pode ultrapassar. Porém, como existe entre a Virgem e São José um laço conjugal, não há a menor dúvida de que ele se aproximou mais do que ninguém dessa dignidade super eminente que coloca a Mãe de Deus muito acima de todas as criaturas.” Uma criatura dando conselhos ao Criador… Quantas vezes teve São José nos braços o Divino Infante? O dia inteiro no convívio com o Menino Jesus, observando-O rezar, falar, fazer todos os atos de sua vida comum… Nessa contemplação constante, para a qual ele tinha uma alma maravilhosamente apta, recebia graças extraordinárias e se deixava modelar. Por vezes, o Menino parava diante dele e dizia: “Peço-vos um conselho: como devo fazer tal coisa?” E São José se comovia, considerando que quem estava lhe pedindo um conselho era o próprio Filho de Deus! A esse homem a Providência concedeu lábios suficientemente puros e humildade bastante grande para fazer essa coisa formidável: responder a Deus. A criatura plasmada pelas mãos do Criador dava-Lhe conselhos! Ele foi o predestinado para exercer uma verdadeira autoridade sobre Nossa Senhora e o Menino Jesus, o privilegiado que alcançou uma altíssima intimidade com Jesus e Maria, o bem-aventurado a quem foi outorgada a graça de expirar entre os braços de Deus, seu Filho, e da Mãe de Deus, sua Esposa! “Ao vencedor concederei assentar-se comigo no meu trono” (Ap 3, 21) “Não separe o homem o que Deus uniu” (Mt 19, 6). Se, ao longo de sua existência terrena, José foi o inseparável companheiro da Virgem Maria, partilhando suas dores e alegrias, é inconcebível que na eternidade essa convivência não tenha atingido sua plenitude. Ora, para o convívio ser perfeito, é necessário estar juntos e olhar-se. Por esta razão, uma forte corrente de teólogos defende a tese de que “sem a assunção gloriosa de José em corpo e alma, a Sagrada Família reconstituída no Céu teria tido uma nota discordante na sua exaltação e glória” (6). A esse respeito, afirma São Francisco de Sales: “Se é verdade o que devemos acreditar, que, em virtude do Santíssimo Sacramento que recebemos, os nossos corpos hão de ressuscitar no dia do Juízo Final, como podemos duvidar de que Nosso Senhor tenha feito subir ao Céu, em corpo e alma, o glorioso São José, o qual teve a honra e a graça de trazê-Lo tantas vezes em seus braços benditos? Não resta dúvida, pois, de que São José está no Céu em corpo e alma”. #SantodoDia #SãoJosé


















































