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- Por que vale a pena assistir de novo à “Paixão” de Mel Gibson
A grandeza do filme “A Paixão de Cristo”, de 2004, dificilmente será superada, não só porque é uma produção católica, mas porque se trata de uma verdadeira obra de arte. A festa da Páscoa ocupa o centro da identidade e da missão da Igreja e tem reflexos não só no interior de seus átrios, mas na própria sociedade que a circunda. Vários dos símbolos integrantes da cultura ocidental, como o crucifixo, possuem um profundo significado místico. Feriados de que hoje as pessoas se servem simplesmente para descansar e festejar, como o Carnaval e o próprio Corpus Christi, mudam de data todos os anos por uma razão religiosa: de meados de março até o começo de abril, os cristãos — e, no Brasil, especialmente os católicos — se preparam para lembrar o evento mais importante de suas vidas: a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, no período que é conhecido como Semana Santa. Mesmo contando com uma data específica no calendário civil e religioso, os discípulos de Cristo são chamados a “fazer memória” da Paixão de seu Mestre sempre, e a razão disso se depreende do próprio significado desse evento: foi por esse fato histórico, ocorrido em Jerusalém, no ano 33 d.C., que a humanidade inteira foi salva de seus pecados e introduzida na própria vida divina. Com a “passagem” de Cristo da morte à ressurreição, todos os homens também são chamados a morrer para o pecado e para uma vida velha, e nascer, ressurgir, para uma vida nova de graça e santidade. Jesus de Nazaré não morreu por uma causa, não se entregou simplesmente por uma “mensagem bonita” em que acreditava. Ele morreu para salvar todos os homens e cada um deles em particular. É essa a mensagem universal, contida nos Evangelhos, que é retratada pelo filme de 2004, The Passion of the Christ (“A Paixão de Cristo”), de Mel Gibson, ao qual vale a pena assistir novamente nesta Semana Santa. O filme começa, de fato, com a conhecida descrição de Isaías sobre o Servo Sofredor: “Ele foi ferido por causa de nossas transgressões, esmagado por causa de nossas iniquidades; por suas feridas somos curados” (Is 53, 5). Cristo não morreu por uma causa, não Se entregou simplesmente por uma “mensagem bonita” em que acreditava. Também os que morrem por razões humanas são capazes disso. Jesus de Nazaré morreu para salvar todos os homens e cada um deles em particular. Por esse motivo, a mensagem de “A Paixão de Cristo” toca a todas as pessoas, independentemente do clã a que pertençam. Alguém pode perguntar o porquê da menção específica à “Paixão” de Mel Gibson, quando tantas outras obras artísticas retratam a vida de Jesus — desde as várias pinturas que hoje temos a um clique na Internet, passando pelos oratórios de Johann Sebastian Bach, até os filmes mais recentes ligados ao mesmo tema, como o lançamento Risen (“Ressurreição”, no Brasil), com um foco nos episódios posteriores à Ressurreição. O que traz de novo, afinal, “A Paixão de Cristo”? Por que recomendar esse filme em especial — mesmo doze anos após o seu lançamento? As respostas para essa pergunta são várias porque a produção de Mel Gibson é extraordinária em muitos sentidos: o realismo com que se representa o sofrimento de Cristo, o cuidado na escolha das personagens e na sua caracterização, o uso do aramaico e do latim para reproduzir os diálogos originais… Há muito sobre o que falar, tanto em relação aos bastidores quanto à exibição em si. Uma característica, no entanto, merece especial atenção: a “catolicidade” do filme, manifesta principalmente na alusão ao sacramento da Eucaristia e no destaque que é dado à figura de Nossa Senhora. Cumpre falar, antes de qualquer coisa, da experiência pessoal com a fé católica que compartilham os principais envolvidos na produção cinematográfica. Mel Gibson, o diretor, já falou em várias entrevistas sobre a sua identidade católica — ainda que muitos escândalos tenham obscurecido a sua reputação nos últimos anos. Jim Caviezel, que interpretou Jesus Cristo, revelou que comungava todos os dias antes das gravações. “Nós somos ambos católicos romanos”, diz Caviezel, referindo-se a Mel. “Ele arrumou uma missa em latim para mim. Eu também recebia todo dia a comunhão eucarística antes de filmar”. As filmagens propriamente ditas constituíam uma verdadeira batalha espiritual, como confessa o protagonista (as perguntas vão em itálico e os negritos são nossos): Como era o processo de maquiagem? Nos períodos piores, demorava das 2h da manhã até as 10h. Precisava ficar curvado, e eles aplicavam a pele em mim. Era torturante, começou a me enfraquecer. Era difícil de engolir a comida, sentia frio o tempo todo, desloquei o ombro, lutei contra a hipotermia, sofri uma infecção no pulmão e uma pneumonia, tinha um corte de 35 centímetros nas minhas costas, esfolados e dores por causa das correntes, dores de cabeça severas e infecções na pele — e, um dia, fui atingido por um raio. Como aconteceu? Nós estávamos num penhasco, nos preparando para rodar o Sermão da Montanha e fui atingido por um raio. As pessoas começaram a gritar e me contaram que eu tinha fogo nos dois lados da cabeça e uma luz em volta de mim. Foi assustador. Quanto você esteve perto de não sobreviver? Muito perto. Usar a coroa parece desconfortável. Era muito difícil. Tinha dores de cabeça porque os espinhos eram presos por um fio na minha cabeça, já que o vento era demais. E tinha de focar com meu olho fechado, o que me levou a terríveis dores de cabeça também. Quais foram os efeitos em você? Foi muito cansativo. Tinha de duas a três horas de sono por noite. Você começa a ficar louco e a entrar em pânico. Não conseguia respirar, estremecia, não tinha paciência. E tive essas dores de cabeça, que me atormentavam. De quanta força física você precisava para ficar na cruz? Tinha de ir à academia depois da filmagem porque ia ficar na cruz o dia todo naquela posição estranha. Precisava de força. Finalmente, quando estava na cruz, foi tão ruim que, na hora em que digo, “Senhor, por que me abandonaste?”, eu realmente senti aquilo! No subtexto, estava falando: “Você obviamente não se importa se eu faço este filme ou não, quem sabe se você existe?”. Mas posso dizer que, passando por tudo isso, compreendi muito profundamente que Ele existe. Eu o amo mais agora do que nunca. Além da fé católica do diretor e do ator principal do filme, vale lembrar o milagre da “conversão de Judas”, que aconteceu no decorrer das filmagens. O italiano Luca Lionello, que interpretou Judas Iscariotes, se converteu à Igreja após o filme, atribuindo à Paixão a sua mudança de vida. Ele era ateu. É claro que nenhuma dessas características produz necessariamente um bom espetáculo — para tanto, demanda-se talento artístico, além da fé. Essas referências, todavia, põem à luz como que “a alma” do filme, que não consistiu apenas em reproduzir “a arte pela arte”, mas em externar o profundo senso religioso de seus realizadores. Além da óbvia alusão ao Novo Testamento, sabe-se, por exemplo, que Gibson lançou mão de algumas mensagens de Nosso Senhor a uma beata católica — a religiosa alemã Anna Catharina Emmerich —, as quais, embora não obriguem à fé, ajudam muito na meditação dos sofrimentos do Redentor. A “catolicidade” da trama é muito nítida, além disso, na íntima conexão que se dá entre a celebração da Última Ceia e a cena da crucificação. A associação desses dois episódios não vem da cabeça de Mel, mas da doutrina católica, que vê nos dois sacrifícios — o da Eucaristia e o da Cruz — essencialmente o mesmo sacrifício [1], pelo que, quando celebra a Santa Missa, o sacerdote renova a entrega única e definitiva de Cristo e dá a todos os que O comungam colher em suas vidas os frutos de Sua oblação. Por isso, quando comungamos, diz um santo da Igreja [2], é como se nos aproximássemos do próprio Cristo pendente na Cruz para beber do sangue que brota de Seu lado ferido pela lança. Igualmente notável é o tratamento especial dado à Mãe do Redentor ao longo de toda a história. Alguns críticos de matriz protestante questionaram essa “obsessão” com Maria — as suas aparições seriam “exageradas” e incompatíveis com a narrativa evangélica. Para nós, católicos, no entanto, não havia surpresa nenhuma: a mesma piedade que fez Mel Gibson mostrar a Virgem das Dores permanentemente ao lado de seu Filho, seja na Sua vida oculta, seja na Sua agonia, não só faz ecoar os Evangelhos (cf. Lc 2, 51; Jo 19, 25-27), como constitui a mesma devoção que desde sempre inspirou os cristãos a cantarem louvores à Mãe de Deus — como no famoso hino medieval Stabat Mater —, a retratarem o seu luto nas inúmeras obras a que se deu o nome de Pietà, e a meditar durante a Quaresma o belíssimo e emocionante encontro entre o Filho e a Sua Mãe na Via Crucis. Os cristãos sempre veneraram Nossa Senhora com honras e títulos especialíssimos — vide o Concílio de Éfeso e os louvores que o próprio Lutero, fundador do protestantismo, teceu à Mãe de Deus. São os protestantes modernos que tentam “inventar a roda” e talhar um cristianismo à sua própria medida, sem nenhuma referência à Mãe de Jesus ou aos Seus amigos mais íntimos, que são os santos. Nesse sentido, a “Paixão” de Mel Gibson não é um filme mariano porque é exagerado, mas simplesmente porque é verossímil. Dita verossimilhança salta aos olhos, por exemplo, quando se assiste ao recém-lançado Risen (“Ressurreição”), do diretor Kevin Reynolds — aparentemente, uma tentativa de dar sequência à produção de Mel Gibson, mais restrita à narrativa da Paixão. No filme deste ano, de tendência assumidamente protestante, Nossa Senhora aparece tão somente na cena da crucificação, gritando histericamente no meio de uma multidão amorfa de pessoas. O retrato pode até não configurar propriamente um insulto, mas é de um reducionismo absurdo e revoltante. Tudo bem que o foco do filme tenha sido outro período da vida de Jesus — e, quanto a isso, talvez valha a pena escrever uma resenha especial sobre o filme inteiro —, mas nada justifica um tratamento tão frio e indiferente à Mãe de Deus, quando os próprios Evangelhos ressaltam a sua presença especial aos pés da Cruz, chegando mesmo a sustentar um diálogo com seu Filho (cf. Jo 19, 25-27). Aparentemente, para ignorar a Mãe de Deus, até mutilar indevidamente as Escrituras está valendo. De qualquer modo, não é necessário servir-se de muitas comparações para concluir que a grandeza da “Paixão” de Mel Gibson dificilmente será superada. Não porque é uma produção católica, mas porque é uma verdadeira obra de arte — e, como toda arte autêntica, põe os seus admiradores em contato com o belo. Quando o tema da obra é o Verbo encarnado, então, ela vai elevada à enésima potência — ao infinito, melhor dizendo, de onde saiu o Cristo que padece por nós no Calvário. Nesta Semana Santa, vale a pena assistir uma vez mais a The Passion of the Christ e redescobrir o grande mistério da nossa salvação. “De tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Creia firmemente nisso e deixe que essa verdade transforme a sua vida. Por Equipe Christo Nihil Praeponere | padrepauloricardo.org
- Por que vale a pena assistir de novo à “Paixão” de Mel Gibson
A grandeza do filme “A Paixão de Cristo”, de 2004, dificilmente será superada, não só porque é uma produção católica, mas porque se trata de uma verdadeira obra de arte. A festa da Páscoa ocupa o centro da identidade e da missão da Igreja e tem reflexos não só no interior de seus átrios, mas na própria sociedade que a circunda. Vários dos símbolos integrantes da cultura ocidental, como o crucifixo, possuem um profundo significado místico. Feriados de que hoje as pessoas se servem simplesmente para descansar e festejar, como o Carnaval e o próprio Corpus Christi, mudam de data todos os anos por uma razão religiosa: de meados de março até o começo de abril, os cristãos — e, no Brasil, especialmente os católicos — se preparam para lembrar o evento mais importante de suas vidas: a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, no período que é conhecido como Semana Santa. Mesmo contando com uma data específica no calendário civil e religioso, os discípulos de Cristo são chamados a “fazer memória” da Paixão de seu Mestre sempre, e a razão disso se depreende do próprio significado desse evento: foi por esse fato histórico, ocorrido em Jerusalém, no ano 33 d.C., que a humanidade inteira foi salva de seus pecados e introduzida na própria vida divina. Com a “passagem” de Cristo da morte à ressurreição, todos os homens também são chamados a morrer para o pecado e para uma vida velha, e nascer, ressurgir, para uma vida nova de graça e santidade. Jesus de Nazaré não morreu por uma causa, não se entregou simplesmente por uma “mensagem bonita” em que acreditava. Ele morreu para salvar todos os homens e cada um deles em particular. É essa a mensagem universal, contida nos Evangelhos, que é retratada pelo filme de 2004, The Passion of the Christ (“A Paixão de Cristo”), de Mel Gibson, ao qual vale a pena assistir novamente nesta Semana Santa. O filme começa, de fato, com a conhecida descrição de Isaías sobre o Servo Sofredor: “Ele foi ferido por causa de nossas transgressões, esmagado por causa de nossas iniquidades; por suas feridas somos curados” (Is 53, 5). Cristo não morreu por uma causa, não Se entregou simplesmente por uma “mensagem bonita” em que acreditava. Também os que morrem por razões humanas são capazes disso. Jesus de Nazaré morreu para salvar todos os homens e cada um deles em particular. Por esse motivo, a mensagem de “A Paixão de Cristo” toca a todas as pessoas, independentemente do clã a que pertençam. Alguém pode perguntar o porquê da menção específica à “Paixão” de Mel Gibson, quando tantas outras obras artísticas retratam a vida de Jesus — desde as várias pinturas que hoje temos a um clique na Internet, passando pelos oratórios de Johann Sebastian Bach, até os filmes mais recentes ligados ao mesmo tema, como o lançamento Risen (“Ressurreição”, no Brasil), com um foco nos episódios posteriores à Ressurreição. O que traz de novo, afinal, “A Paixão de Cristo”? Por que recomendar esse filme em especial — mesmo doze anos após o seu lançamento? As respostas para essa pergunta são várias porque a produção de Mel Gibson é extraordinária em muitos sentidos: o realismo com que se representa o sofrimento de Cristo, o cuidado na escolha das personagens e na sua caracterização, o uso do aramaico e do latim para reproduzir os diálogos originais… Há muito sobre o que falar, tanto em relação aos bastidores quanto à exibição em si. Uma característica, no entanto, merece especial atenção: a “catolicidade” do filme, manifesta principalmente na alusão ao sacramento da Eucaristia e no destaque que é dado à figura de Nossa Senhora. Cumpre falar, antes de qualquer coisa, da experiência pessoal com a fé católica que compartilham os principais envolvidos na produção cinematográfica. Mel Gibson, o diretor, já falou em várias entrevistas sobre a sua identidade católica — ainda que muitos escândalos tenham obscurecido a sua reputação nos últimos anos. Jim Caviezel, que interpretou Jesus Cristo, revelou que comungava todos os dias antes das gravações. “Nós somos ambos católicos romanos”, diz Caviezel, referindo-se a Mel. “Ele arrumou uma missa em latim para mim. Eu também recebia todo dia a comunhão eucarística antes de filmar”. Clique aqui para assistir o filme As filmagens propriamente ditas constituíam uma verdadeira batalha espiritual, como confessa o protagonista (as perguntas vão em itálico e os negritos são nossos): Como era o processo de maquiagem? Nos períodos piores, demorava das 2h da manhã até as 10h. Precisava ficar curvado, e eles aplicavam a pele em mim. Era torturante, começou a me enfraquecer. Era difícil de engolir a comida, sentia frio o tempo todo, desloquei o ombro, lutei contra a hipotermia, sofri uma infecção no pulmão e uma pneumonia, tinha um corte de 35 centímetros nas minhas costas, esfolados e dores por causa das correntes, dores de cabeça severas e infecções na pele — e, um dia, fui atingido por um raio. Como aconteceu? Nós estávamos num penhasco, nos preparando para rodar o Sermão da Montanha e fui atingido por um raio. As pessoas começaram a gritar e me contaram que eu tinha fogo nos dois lados da cabeça e uma luz em volta de mim. Foi assustador. Quanto você esteve perto de não sobreviver? Muito perto. Usar a coroa parece desconfortável. Era muito difícil. Tinha dores de cabeça porque os espinhos eram presos por um fio na minha cabeça, já que o vento era demais. E tinha de focar com meu olho fechado, o que me levou a terríveis dores de cabeça também. Quais foram os efeitos em você? Foi muito cansativo. Tinha de duas a três horas de sono por noite. Você começa a ficar louco e a entrar em pânico. Não conseguia respirar, estremecia, não tinha paciência. E tive essas dores de cabeça, que me atormentavam. De quanta força física você precisava para ficar na cruz? Tinha de ir à academia depois da filmagem porque ia ficar na cruz o dia todo naquela posição estranha. Precisava de força. Finalmente, quando estava na cruz, foi tão ruim que, na hora em que digo, “Senhor, por que me abandonaste?”, eu realmente senti aquilo! No subtexto, estava falando: “Você obviamente não se importa se eu faço este filme ou não, quem sabe se você existe?”. Mas posso dizer que, passando por tudo isso, compreendi muito profundamente que Ele existe. Eu o amo mais agora do que nunca. Além da fé católica do diretor e do ator principal do filme, vale lembrar o milagre da “conversão de Judas”, que aconteceu no decorrer das filmagens. O italiano Luca Lionello, que interpretou Judas Iscariotes, se converteu à Igreja após o filme, atribuindo à Paixão a sua mudança de vida. Ele era ateu. É claro que nenhuma dessas características produz necessariamente um bom espetáculo — para tanto, demanda-se talento artístico, além da fé. Essas referências, todavia, põem à luz como que “a alma” do filme, que não consistiu apenas em reproduzir “a arte pela arte”, mas em externar o profundo senso religioso de seus realizadores. Além da óbvia alusão ao Novo Testamento, sabe-se, por exemplo, que Gibson lançou mão de algumas mensagens de Nosso Senhor a uma beata católica — a religiosa alemã Anna Catharina Emmerich —, as quais, embora não obriguem à fé, ajudam muito na meditação dos sofrimentos do Redentor. A “catolicidade” da trama é muito nítida, além disso, na íntima conexão que se dá entre a celebração da Última Ceia e a cena da crucificação. A associação desses dois episódios não vem da cabeça de Mel, mas da doutrina católica, que vê nos dois sacrifícios — o da Eucaristia e o da Cruz — essencialmente o mesmo sacrifício [1], pelo que, quando celebra a Santa Missa, o sacerdote renova a entrega única e definitiva de Cristo e dá a todos os que O comungam colher em suas vidas os frutos de Sua oblação. Por isso, quando comungamos, diz um santo da Igreja [2], é como se nos aproximássemos do próprio Cristo pendente na Cruz para beber do sangue que brota de Seu lado ferido pela lança. Igualmente notável é o tratamento especial dado à Mãe do Redentor ao longo de toda a história. Alguns críticos de matriz protestante questionaram essa “obsessão” com Maria — as suas aparições seriam “exageradas” e incompatíveis com a narrativa evangélica. Para nós, católicos, no entanto, não havia surpresa nenhuma: a mesma piedade que fez Mel Gibson mostrar a Virgem das Dores permanentemente ao lado de seu Filho, seja na Sua vida oculta, seja na Sua agonia, não só faz ecoar os Evangelhos (cf. Lc 2, 51; Jo 19, 25-27), como constitui a mesma devoção que desde sempre inspirou os cristãos a cantarem louvores à Mãe de Deus — como no famoso hino medieval Stabat Mater —, a retratarem o seu luto nas inúmeras obras a que se deu o nome de Pietà, e a meditar durante a Quaresma o belíssimo e emocionante encontro entre o Filho e a Sua Mãe na Via Crucis. Os cristãos sempre veneraram Nossa Senhora com honras e títulos especialíssimos — vide o Concílio de Éfeso e os louvores que o próprio Lutero, fundador do protestantismo, teceu à Mãe de Deus. São os protestantes modernos que tentam “inventar a roda” e talhar um cristianismo à sua própria medida, sem nenhuma referência à Mãe de Jesus ou aos Seus amigos mais íntimos, que são os santos. Nesse sentido, a “Paixão” de Mel Gibson não é um filme mariano porque é exagerado, mas simplesmente porque é verossímil. Dita verossimilhança salta aos olhos, por exemplo, quando se assiste ao recém-lançado Risen (“Ressurreição”), do diretor Kevin Reynolds — aparentemente, uma tentativa de dar sequência à produção de Mel Gibson, mais restrita à narrativa da Paixão. No filme deste ano, de tendência assumidamente protestante, Nossa Senhora aparece tão somente na cena da crucificação, gritando histericamente no meio de uma multidão amorfa de pessoas. O retrato pode até não configurar propriamente um insulto, mas é de um reducionismo absurdo e revoltante. Tudo bem que o foco do filme tenha sido outro período da vida de Jesus — e, quanto a isso, talvez valha a pena escrever uma resenha especial sobre o filme inteiro —, mas nada justifica um tratamento tão frio e indiferente à Mãe de Deus, quando os próprios Evangelhos ressaltam a sua presença especial aos pés da Cruz, chegando mesmo a sustentar um diálogo com seu Filho (cf. Jo 19, 25-27). Aparentemente, para ignorar a Mãe de Deus, até mutilar indevidamente as Escrituras está valendo. De qualquer modo, não é necessário servir-se de muitas comparações para concluir que a grandeza da “Paixão” de Mel Gibson dificilmente será superada. Não porque é uma produção católica, mas porque é uma verdadeira obra de arte — e, como toda arte autêntica, põe os seus admiradores em contato com o belo. Quando o tema da obra é o Verbo encarnado, então, ela vai elevada à enésima potência — ao infinito, melhor dizendo, de onde saiu o Cristo que padece por nós no Calvário. Nesta Semana Santa, vale a pena assistir uma vez mais a The Passion of the Christ e redescobrir o grande mistério da nossa salvação. “De tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Creia firmemente nisso e deixe que essa verdade transforme a sua vida. Clique aqui para assistir o filme Por Equipe Christo Nihil Praeponere | padrepauloricardo.org
- São João Batista de La Salle, padroeiro dos educadores – 07 de Abril
SANTO DO DIA – 07 DE ABRIL – SÃO JOÃO BATISTA DE LA SALLE Fundador da Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs (1651-1719) Os princípios educativos novos, originais e revolucionários para sua época, sobre os quais se baseia a escola pretendida por este pioneiro, colocam são João Batista de La Salle entre os homens mais beneméritos no campo da educação e da própria cultura. Também no mundo ocidental a cultura elementar constituía um privilégio para poucos afortunados, enquanto nas classes mais pobres reinava incontestado o analfabetismo. João Batista, nascido em Reims, na França, da família rica e nobre dos La Salle, teve o privilégio de uma sólida cultura, adquirida da Sorbona, em Paris. Ordenado padre em 1678 (anteriormente tinha sido 11 anos cônego do cabido da catedral, outro privilégio de poucos), compreendeu que era preciso dar um remédio à injustiça secular que mantinha os pobres longe da escola. Com a ajuda de outros 12 bem intencionados jovens, fundou em 1684 a Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs. Partindo do direito à gratuidade e à universalidade da educação, instituiu as primeiras ‘escolas populares’ e iniciou um ensino de caráter elementar e profissional. Nada de latim como língua principal, mas logo a língua materna, com objetivos mínimos no começo, acessível a todos, compreendendo a leitura, a escrita, a ortografia, a aritmética (as assim chamadas habilidades de base) e, como premissa, uma boa meia hora de catecismo. A meia hora de religião diária ainda é a premissa de rigor em todas as escolas da congregação, difundidas agora nos cinco continentes e universalmente apreciadas e desejadas em virtude da seriedade dos estudos e da preparação dos professores. São João morreu no retiro de Saint-Yon e foi canonizado em 1900. #SantodoDia
- São João Batista de La Salle, padroeiro dos educadores – 07 de Abril
SANTO DO DIA – 07 DE ABRIL – SÃO JOÃO BATISTA DE LA SALLE Fundador da Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs (1651-1719) Os princípios educativos novos, originais e revolucionários para sua época, sobre os quais se baseia a escola pretendida por este pioneiro, colocam são João Batista de La Salle entre os homens mais beneméritos no campo da educação e da própria cultura. Também no mundo ocidental a cultura elementar constituía um privilégio para poucos afortunados, enquanto nas classes mais pobres reinava incontestado o analfabetismo. João Batista, nascido em Reims, na França, da família rica e nobre dos La Salle, teve o privilégio de uma sólida cultura, adquirida da Sorbona, em Paris. Ordenado padre em 1678 (anteriormente tinha sido 11 anos cônego do cabido da catedral, outro privilégio de poucos), compreendeu que era preciso dar um remédio à injustiça secular que mantinha os pobres longe da escola. Com a ajuda de outros 12 bem intencionados jovens, fundou em 1684 a Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs. Partindo do direito à gratuidade e à universalidade da educação, instituiu as primeiras ‘escolas populares’ e iniciou um ensino de caráter elementar e profissional. Nada de latim como língua principal, mas logo a língua materna, com objetivos mínimos no começo, acessível a todos, compreendendo a leitura, a escrita, a ortografia, a aritmética (as assim chamadas habilidades de base) e, como premissa, uma boa meia hora de catecismo. A meia hora de religião diária ainda é a premissa de rigor em todas as escolas da congregação, difundidas agora nos cinco continentes e universalmente apreciadas e desejadas em virtude da seriedade dos estudos e da preparação dos professores. São João morreu no retiro de Saint-Yon e foi canonizado em 1900. #SantodoDia
- São Pedro de Verona, mártir dominicano que combateu heresias – 06 de Abril
São Pedro de Verona foi um mártir, pregador e o segundo santo na história da Ordem dos Pregadores (Dominicanos). Dedicou-se a combater as heresias dos cátaros, propagadores do maniqueísmo no centro e no norte da Itália. Nasceu em Verona de Lombardia (Itália), em 1205. Segundo o Martirológio Romano, seus pais pertenceram à heresia dos cátaros, entretanto, desde criança abraçou a fé católica e em sua adolescência recebeu o hábito do próprio São Domingos de Gusmão. O hagiógrafo e beato Tiago de Vorágine dizia que são Pedro era um grande pregador e conhecedor das Sagradas Escrituras, que viveu a pureza, a austeridade e uma firme defesa da fé, o que finalmente o levaria à morte. Além disso, assinala que Pedro de Verona nasceu em uma família “obscurecida pelo erro”, entretanto, o jovem sempre soube “conservar-se imune a seus perniciosos erros”. São Pedro de Verona deixou sua família na adolescência e ingressou na ordem dominicana quando seu fundador, são Domingos de Gusmão, ainda era vivo. Continuou seus estudos na Universidade de Bologna, onde se preparou intelectualmente e, além disso, viveu em oração, austeridade e penitência. Terminada sua formação eclesiástica, foi ordenado sacerdote e nomeado Pregador do Evangelho de Jesus. Dedicou-se à pregação e à refutação de doutrinas heréticas em Vercelli, Roma, Florença e diversas cidades do norte da Itália. Também instituiu as “Associações da fé” e a “Confraria para o louvor da Virgem Maria” em Milão, Florença e Perugia. Em 1248 foi designado prior do convento de Asti e, transcorrido um ano, de Piacenza. Em 1251, Inocêncio IV o nomeou como inquisidor da Lombardia e o declarou prior de Como, entretanto, os hereges começaram a planejar um complô para assassiná-lo. São Pedro de Verona foi assassinado em 6 de abril de 1252, quando regressava de Milão para o convento de Como, perto de Barlassina. Seu carrasco, Carino Bálsamo, o acertou com dois golpes de machado na cabeça. Apesar disso, Pedro de Verona conseguiu se levantar e, com as poucas forças que restavam, escreveu no chão com seu dedo banhado de sangue: “Creio em Deus”. Em 9 de março de 1253, Inocêncio IV o canonizou. Seu corpo foi transladado a Milão e hoje descansa na Igreja de Santo Eustórgio. Sua festa é celebrada no dia 6 de abril. O que um facão está fazendo na cabeça deste santo? Breve biografia de Pedro de Verona, um santo medieval que ficou conhecido por sua eloquência, por sua pureza e, principalmente, por suportar inabalável o martírio em defesa da fé. Pedro significa “conhecedor” ou “descalço”, ou também pode vir de petros, “firme”. Assim podemos compreender os três privilégios que possuiu o bem-aventurado Pedro. Em primeiro lugar, foi um pregador notável, “conhecedor” perfeito das Escrituras e do que convinha utilizar delas em cada pregação. Em segundo lugar, foi virgem puríssimo, daí “descalço”, já que seus pés nus indicavam estar livre de toda afeição e amor mortais, sendo portanto virgem não apenas de corpo, mas também de mente. Em terceiro lugar, foi mártir glorioso do Senhor, daí “firme”, já que suportou inabalável o martírio pela defesa da fé. Aos sete anos de idade, quando certo dia voltava da escola, um tio herege perguntou-lhe o que aprendera na aula. Ele respondeu: “Creio em Deus Pai, todo-poderoso, criador do céu e da terra […]”. O tio objetou: “Não diga ‘criador do céu e da terra’, pois Ele não foi criador das coisas visíveis, foi o diabo que criou todas essas coisas que vemos”. Mas o menino afirmou que preferia dizer como lera e acreditar no que estava escrito. O bem-aventurado Pedro ainda na adolescência abandonou o mundo para evitar seus perigos e entrou na Ordem dos Frades Pregadores. Ao longo dos quase trinta anos que nela passou, alcançou todas as virtudes: era dirigido pela fé, fortalecido pela esperança, acompanhado pela caridade. Como a ociosidade é insidiosa, é armadilha do inimigo, procurava manter-se sempre ocupado com coisas lícitas, para não ter tempo para as ilícitas, meditando assiduamente sobre os decretos do Senhor. De noite, depois de curto descanso, ocupava as horas silenciosas com estudo, leitura e vigília. De dia, dedicava-se ao serviço das almas, ou à pregação, ou a ouvir confissão, ou a refutar por meio de argumentos racionais os dogmas envenenados da heresia. Em tudo isso ele se destacava por possuir um particular dom da graça. No Domingo de Ramos, Pedro pregava em Milão diante de enorme multidão de pessoas dos dois sexos, quando disse publicamente, em voz alta: “Sei com certeza que os hereges tramam minha morte e que até dinheiro já foi dado para isso, mas façam o que façam, eu os perseguirei mais estando morto do que vivo”. Os fatos mostraram que isso foi verdade. Ao sair da cidade de Como, onde era prior da sua Ordem, para ir até Milão a fim de exercer contra os heréticos as funções de inquisidor que lhe haviam sido confiadas pela Sé apostólica, Pedro foi atacado — conforme ele mesma predissera publicamente em uma prédica — por um herege induzido e pago por seus companheiros. Aquele homem insulta o ministro de Cristo, bate nele, vibra golpes atrozes na sua sagrada cabeça e provoca-lhe terríveis ferimentos. A espada fica molhada do sangue daquele homem venerável, que não procura evitar o inimigo, mas, ao contrário, oferece-se como vítima que pacientemente suporta os redobrados golpes do furor sacrílego de seu carrasco. Durante todo esse tormento não se queixa, não murmura, suporta tudo com paciência e, encomendando-se, diz: “Senhor, em vossas mãos entrego o meu espírito”. Antes que o cruel carrasco cravasse o punhal em seu peito, o mártir do Senhor escreveu no chão, com o próprio sangue, a profissão da fé, consumando o ato derradeiro de sua vida: “Credo!”. Curiosamente, seu assassino se arrependeu e empenhou inúmeras penitências pelo resto da vida. Mas essa é uma outra história… #SantodoDia
- São Pedro de Verona, mártir dominicano que combateu heresias – 06 de Abril
São Pedro de Verona foi um mártir, pregador e o segundo santo na história da Ordem dos Pregadores (Dominicanos). Dedicou-se a combater as heresias dos cátaros, propagadores do maniqueísmo no centro e no norte da Itália. Nasceu em Verona de Lombardia (Itália), em 1205. Segundo o Martirológio Romano, seus pais pertenceram à heresia dos cátaros, entretanto, desde criança abraçou a fé católica e em sua adolescência recebeu o hábito do próprio São Domingos de Gusmão. O hagiógrafo e beato Tiago de Vorágine dizia que são Pedro era um grande pregador e conhecedor das Sagradas Escrituras, que viveu a pureza, a austeridade e uma firme defesa da fé, o que finalmente o levaria à morte. Além disso, assinala que Pedro de Verona nasceu em uma família “obscurecida pelo erro”, entretanto, o jovem sempre soube “conservar-se imune a seus perniciosos erros”. São Pedro de Verona deixou sua família na adolescência e ingressou na ordem dominicana quando seu fundador, são Domingos de Gusmão, ainda era vivo. Continuou seus estudos na Universidade de Bologna, onde se preparou intelectualmente e, além disso, viveu em oração, austeridade e penitência. Terminada sua formação eclesiástica, foi ordenado sacerdote e nomeado Pregador do Evangelho de Jesus. Dedicou-se à pregação e à refutação de doutrinas heréticas em Vercelli, Roma, Florença e diversas cidades do norte da Itália. Também instituiu as “Associações da fé” e a “Confraria para o louvor da Virgem Maria” em Milão, Florença e Perugia. Em 1248 foi designado prior do convento de Asti e, transcorrido um ano, de Piacenza. Em 1251, Inocêncio IV o nomeou como inquisidor da Lombardia e o declarou prior de Como, entretanto, os hereges começaram a planejar um complô para assassiná-lo. São Pedro de Verona foi assassinado em 6 de abril de 1252, quando regressava de Milão para o convento de Como, perto de Barlassina. Seu carrasco, Carino Bálsamo, o acertou com dois golpes de machado na cabeça. Apesar disso, Pedro de Verona conseguiu se levantar e, com as poucas forças que restavam, escreveu no chão com seu dedo banhado de sangue: “Creio em Deus”. Em 9 de março de 1253, Inocêncio IV o canonizou. Seu corpo foi transladado a Milão e hoje descansa na Igreja de Santo Eustórgio. Sua festa é celebrada no dia 6 de abril. O que um facão está fazendo na cabeça deste santo? Breve biografia de Pedro de Verona, um santo medieval que ficou conhecido por sua eloquência, por sua pureza e, principalmente, por suportar inabalável o martírio em defesa da fé. Pedro significa “conhecedor” ou “descalço”, ou também pode vir de petros, “firme”. Assim podemos compreender os três privilégios que possuiu o bem-aventurado Pedro. Em primeiro lugar, foi um pregador notável, “conhecedor” perfeito das Escrituras e do que convinha utilizar delas em cada pregação. Em segundo lugar, foi virgem puríssimo, daí “descalço”, já que seus pés nus indicavam estar livre de toda afeição e amor mortais, sendo portanto virgem não apenas de corpo, mas também de mente. Em terceiro lugar, foi mártir glorioso do Senhor, daí “firme”, já que suportou inabalável o martírio pela defesa da fé. Aos sete anos de idade, quando certo dia voltava da escola, um tio herege perguntou-lhe o que aprendera na aula. Ele respondeu: “Creio em Deus Pai, todo-poderoso, criador do céu e da terra […]”. O tio objetou: “Não diga ‘criador do céu e da terra’, pois Ele não foi criador das coisas visíveis, foi o diabo que criou todas essas coisas que vemos”. Mas o menino afirmou que preferia dizer como lera e acreditar no que estava escrito. O bem-aventurado Pedro ainda na adolescência abandonou o mundo para evitar seus perigos e entrou na Ordem dos Frades Pregadores. Ao longo dos quase trinta anos que nela passou, alcançou todas as virtudes: era dirigido pela fé, fortalecido pela esperança, acompanhado pela caridade. Como a ociosidade é insidiosa, é armadilha do inimigo, procurava manter-se sempre ocupado com coisas lícitas, para não ter tempo para as ilícitas, meditando assiduamente sobre os decretos do Senhor. De noite, depois de curto descanso, ocupava as horas silenciosas com estudo, leitura e vigília. De dia, dedicava-se ao serviço das almas, ou à pregação, ou a ouvir confissão, ou a refutar por meio de argumentos racionais os dogmas envenenados da heresia. Em tudo isso ele se destacava por possuir um particular dom da graça. No Domingo de Ramos, Pedro pregava em Milão diante de enorme multidão de pessoas dos dois sexos, quando disse publicamente, em voz alta: “Sei com certeza que os hereges tramam minha morte e que até dinheiro já foi dado para isso, mas façam o que façam, eu os perseguirei mais estando morto do que vivo”. Os fatos mostraram que isso foi verdade. Ao sair da cidade de Como, onde era prior da sua Ordem, para ir até Milão a fim de exercer contra os heréticos as funções de inquisidor que lhe haviam sido confiadas pela Sé apostólica, Pedro foi atacado — conforme ele mesma predissera publicamente em uma prédica — por um herege induzido e pago por seus companheiros. Aquele homem insulta o ministro de Cristo, bate nele, vibra golpes atrozes na sua sagrada cabeça e provoca-lhe terríveis ferimentos. A espada fica molhada do sangue daquele homem venerável, que não procura evitar o inimigo, mas, ao contrário, oferece-se como vítima que pacientemente suporta os redobrados golpes do furor sacrílego de seu carrasco. Durante todo esse tormento não se queixa, não murmura, suporta tudo com paciência e, encomendando-se, diz: “Senhor, em vossas mãos entrego o meu espírito”. Antes que o cruel carrasco cravasse o punhal em seu peito, o mártir do Senhor escreveu no chão, com o próprio sangue, a profissão da fé, consumando o ato derradeiro de sua vida: “Credo!”. Curiosamente, seu assassino se arrependeu e empenhou inúmeras penitências pelo resto da vida. Mas essa é uma outra história… #SantodoDia
- O que é o Ofício de Trevas e como rezá-lo?
O Ofício de Trevas (matutina tenebrarum) é uma liturgia cristã relacionada à Paixão de Cristo, que existe desde o século XIII. É o ofício das matinas e laudes de quarta, quinta e sexta-feira da semana santa. O nome da cerimônia é Ofício “de Trevas” e não “das Trevas”! O Ofício de Trevas é um conjunto de leituras, lamentações, salmos e preces penitenciais, onde o templo fica às escuras, iluminado apenas por velas que se apagam aos poucos durante a cerimônia. Esta forma de celebrar é responsável pelo nome dado ao ritual, que representa o luto e a escuridão à qual ficou sujeita a Terra diante da morte de Jesus. O Ofício de Trevas é um forte momento de oração e reflexão da vida e missão de Cristo, que conduz os fiéis à oração mediante a meditação da Palavra de Deus. Canta-se este ofício geralmente após a meia-noite, madrugada (matinas) ou ainda logo ao amanhecer (laudes)… e por isso o auxílio das luzes de velas torna-se indispensável. O nome deriva-se de três situações de trevas: 1 – As trevas naturais de meia-noite ao amanhecer, ou seja, as horas destinadas à recitação do ofício, lembrando as palavras de Cristo preso nas trevas da noite: “Haec est hora vestra et potestas tenebrarum” (“Esta é a vossa hora e do poder das trevas.” Lc 22, 53). 2 – As trevas litúrgicas, quando durante as cerimonias da paixão apagam-se todas as luzes na igreja, exceto uma, a luz de Cristo! 3 – As trevas simbólicas da paixão. A ação desta liturgia exige silêncio e orações para mergulhar no mistério da paixão de Jesus. Ele junta lições e salmos em um belíssimo texto retirado do breviário e rezado junto com a comunidade. Durante os séculos houve muitas formas musicadas, inclusive não apenas na forma gregoriana, mas também na forma de música clássica. No coro da Igreja é colocado um candelabro de formato triangular, conhecido como “tenebrarum”, com 15 velas alinhadas. Uma delas é de cor branca e todas as outras são feitas de cera amarela e comum, como sinal de luto e pesar. No final de cada um dos Salmos que vão sendo cantados, o cerimoniário apaga uma das velas. Ao mesmo tempo, as luzes da igreja vão sendo apagadas também. As velas são apagadas sucessivamente, até restar apenas uma, a branca. Esta vela não é apagada. Continua acesa e é levada para atrás do altar. As velas que vão se apagando representam os discípulos, que pouco a pouco abandonaram Nosso Senhor Jesus Cristo durante a Paixão. A vela branca escondida atrás do altar e, mais tarde, outra vez visível, significa Nosso Senhor que, por breve tempo, se retira do meio dos homens e baixa ao túmulo, para reaparecer, pouco depois, fulgurante de luz e de glória. No fim, apagam-se as luzes para simbolizar o luto da Igreja e a escuridão que baixou sobre a terra quando Nosso Senhor morreu. O ruído de matracas no fim do ofício de trevas significa o terremoto e a perturbação dos inimigos, e recordam a desordem que sucedeu na natureza com a morte de Nosso Senhor. Este rito remonta, portanto, ao tempo em que ainda não havia ofícios metodicamente organizados ou quando havia, conforme a estação do ano, mudança no número de salmos. O Ofício de Trevas mostra, de forma bastante clara, a figura do Servo sofredor e, junto d’Ele, nos colocamos rezando e meditando sobre os sofrimentos de Sua Paixão e Morte na Cruz. Uma circular da Congregação para o Culto Divino, no ano de 1988, equipara a recitação conjunta do Ofício de Leituras e Laudes na quinta, sexta e sábado santos, conforme o rito romano moderno, com o Ofício de Trevas do rito romano tradicional. De fato, o Ofício de Trevas nada mais é do que essas duas horas canônicas conjuntas (no rito tradicional, o Ofício de Leituras era Matinas) nos dias assinalados acima, recitadas com uma série de cerimônias tradicionais, como o apagar das velas, o streptus etc. A única dificuldade seria como conciliar a cerimônia do apagar das quinze velas com o rito moderno, uma vez que são agora apenas seis salmos. O Mons. Peter Elliott, em seu “Ceremonies of the liturgical year”, da Ignatius Press, no capítulo sobre o Tenebrae, sugere a seguinte combinação: apagar duas velas após cada um dos três salmos do Ofício das Leituras, uma vela após cada um dos dois responsórios do Ofícios das Leituras, e, finalmente, duas velas após cada um dos três salmos das Laudes, permanecendo só a última, a ser apagada no fim do Ofício conjunto. Também as rubricas da Liturgia das Horas no rito moderno permitem acrescentar os textos antigos, dado que, por razões pastorais, o Ofício de Leituras sempre pode ser expandido. Aprenda a rezar o Ofício das Trevas PREPARAÇÃO (Na sacristia o celebrante, e auxiliares revestem-se, logo desde o início do Ofício, com os paramentos de cor roxa ou vermelha, alva, cíngulo, estola e capa. Mantem-se a Igreja no escuro. Ao pé do altar encontra-se aceso um candelabro, com quinze velas acesas. De mãos postas o celebrante e os auxiliares entram enquanto se canta a antífona:) Ant. Cristo, Filho de Deus, resgatou-nos com o seu Sangue: Vinde, adoremos. 2ª parte PRIMEIRA PARTE INVITATÓRIO (O sacerdote, de pé, voltado para o povo, diz:) Cel: † Abri meus lábios, ó Senhor Todos: E a minha boca anunciará Vosso louvor. (Canta-se a antífona:) Antífona: Cel: Cristo por nós foi tentado, sofreu e na Cruz morreu. Todos: Vinde todos e adoremos. (Inicia-se o salmo 94, intercalando os dois lados da assembleia, rezado.) Salmo 94(95) Convite ao louvor de Deus Animai-vos uns aos outros, dia após dia, enquanto ainda se disser ‘hoje’ (Hb 3,13). –1Vinde, exultemos de alegria no Senhor, * aclamemos o Rochedo que nos salva! –2 Ao seu encontro caminhemos com louvores, * e com cantos de alegria o celebremos! –3 Na verdade, o Senhor é o grande Deus, * o grande Rei, muito maior que os deuses todos. –4 Tem nas mãos as profundezas dos abismos, * e as alturas das montanhas lhe pertencem; –5 o mar é dele, pois foi ele quem o fez, * e a terra firme suas mãos a modelaram. –6 Vinde adoremos e prostremo-nos por terra, * e ajoelhemos ante o Deus que nos criou! =7 Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor, † e nós somos o seu povo e seu rebanho, * as ovelhas que conduz com sua mão. =8 Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: † “Não fecheis os corações como em Meriba, * 9 como em Massa, no deserto, aquele dia, – em que outrora vossos pais me provocaram, * apesar de terem visto as minhas obras”. =10Quarenta anos desgostou-me aquela raça † e eu disse: “Eis um povo transviado, * 11seu coração não conheceu os meus caminhos!” – E por isso lhes jurei na minha ira: * “Não entrarão no meu repouso prometido!” (R.) – Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. * Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Antífona: Cel: Cristo por nós foi tentado, sofreu e na Cruz morreu. Todos: Vinde todos e adoremos. 3ª parte SEGUNDA PARTE OFÍCIO DAS LEITURAS (Após o invitatório dá-se início ao ofício de leituras. O Celebrante de pé, junto com toda a comunidade dá início ao hino, que poderá ser cantado:) HINO Cantem meus lábios a luta que sobre a cruz se travou; cantem o nobre triunfo que no madeiro alcançou o Redentor do Universo quando por nós se imolou. O Criador teve pena do primitivo casal, que foi ferido de morte, comendo o fruto fatal, e marcou logo outra árvore, para curar-nos do mal. Tal ordem foi exigida na obra da salvação: cai o inimigo no laço de sua própria invenção. Do próprio lenho da morte Deus fez nascer redenção. Na plenitude dos tempos, a hora santa chegou e, pelo Pai enviado, nasceu do mundo o autor; e duma Virgem no seio a nossa carne tomou. Seis lustros tendo passado, cumpriu a sua missão. Só para ela nascido, livre se entrega à Paixão. Na cruz se eleva o Cordeiro, como perfeita oblação. Glória e poder à Trindade. Ao Pai e ao Filho, louvor. Honra ao Espírito Santo. Eterna glória ao Senhor, que nos salvou pela graça e nos remiu pelo amor. (Sentados, dá-se início a recitação dos salmos. Pode ser cantado:) Salmodia Ant. Os reis de toda a terra se reúnem e conspiram os governos todos juntos contra o Deus onipotente e o seu Ungido. Salmo 2 – 1Por que os povos agitados se revoltam? * por que tramam as nações projetos vãos? =2Por que os reis de toda a terra se reúnem, † e conspiram os governos todos juntos * contra o Deus onipotente e o seu Ungido? – 3“Vamos quebrar suas correntes”, dizem eles, * “e lançar longe de nós o seu domínio!” – 4Ri-se deles o que mora lá nos céus; * zomba deles o Senhor onipotente. – 5Ele, então, em sua ira os ameaça, * e em seu furor os faz tremer, quando lhes diz: – 6“Fui eu mesmo que escolhi este meu Rei, * e em Sião, meu monte santo, o consagrei!” =7O decreto do Senhor promulgarei, † foi assim que me falou o Senhor Deus: * “Tu és meu Filho, e eu hoje te gerei! =8Podes pedir-me, e em resposta eu te darei † por tua herança os povos todos e as nações, * e há de ser a terra inteira o teu domínio. – 9Com cetro férreo haverás de dominá-los, * e quebrá-los como um vaso de argila!” – 10E agora, poderosos, entendei; * soberanos, aprendei esta lição: – 11Com temor servi a Deus, rendei-lhe glória * e prestai-lhe homenagem com respeito! – 12Se o irritais, perecereis pelo caminho, * pois depressa se acende a sua ira! – Felizes hão de ser todos aqueles * que põem sua esperança no Senhor! – Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. * Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Ant. Os reis de toda a terra se reúnem e conspiram os governos todos juntos contra o Deus onipotente e o seu Ungido. (Apaga-se as duas primeiras velas da extremidade do candelabro, enquanto se canta o refrão:) Todos: Deus Santo, Deus forte, Deus Imortal, tende piedade de nós! Ant. Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica. Salmo 21(22),2-23 [24-32] – 2Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? * E ficais longe de meu grito e minha prece? – 3Ó meu Deus, clamo de dia e não me ouvis, * clamo de noite e para mim não há resposta! – 4Vós, no entanto, sois o santo em vosso Templo, * que habitais entre os louvores de Israel. – 5Foi em vós que esperaram nossos pais; * esperaram e vós mesmo os libertastes. – 6Seu clamor subiu a vós e foram salvos; * em vós confiaram e não foram enganados. – 7Quanto a mim, eu sou um verme e não um homem; * sou o opróbrio e o desprezo das nações. – 8Riem de mim todos aqueles que me vêem, * torcem os lábios e sacodem a cabeça: – 9“Ao Senhor se confiou, ele o liberte * e agora o salve, se é verdade que ele o ama!” – 10Desde a minha concepção me conduzistes, * e no seio maternal me agasalhastes. – 11Desde quando vim à luz vos fui entregue; * desde o ventre de minha mãe sois o meu Deus! – 12Não fiqueis longe de mim, porque padeço; * ficai perto, pois não há quem me socorra! – 13Por touros numerosos fui cercado, * e as feras de Basã me rodearam; – 14escancararam contra mim as suas bocas, * como leões devoradores a rugir. – 15Eu me sinto como a água derramada, * e meus ossos estão todos deslocados; – como a cera se tornou meu coração, * e dentro do meu peito se derrete. =16Minha garganta está igual ao barro seco, † minha língua está colada ao céu da boca, * e por vós fui conduzido ao pó da morte! – 17Cães numerosos me rodeiam furiosos, * e por um bando de malvados fui cercado. – Transpassaram minhas mãos e os meus pés * 18e eu poso contar todos os meus ossos. = Eis que me olham e, ao ver-me, se deleitam! † 19Eles repartem entre si as minhas vestes * e sorteiam entre si a minha túnica. – 20Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, * ó minha força, vinde logo em meu socorro! – 21Da espada libertai a minha alma, * e das garras desses cães, a minha vida! – 22Arancai-me da goela do leão, * e a mim tão pobre, desses touros que me atacam! – 23Anunciarei o vosso nome a meus irmãos * e no meio da assembleia hei de louvar-vos! Ant. Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica. (Apaga-se as duas velas da extremidade do candelabro, enquanto se canta o refrão:) Todos: Deus Santo, Deus forte, Deus Imortal, tende piedade de nós! Ant. 3 Os que buscam matar, me perseguem e procuram tirar minha vida. Salmo 37(38) – 2Repreendei-me, Senhor, mas sem ira; * corrigi-me, mas não com furor! – 3Vossas flechas em mim penetraram; * vossa mão se abateu sobre mim. – 4Nada resta de são no meu corpo, * pois com muito rigor me tratastes! – Não há parte sadia em meus ossos, * pois pequei contra vós, ó Senhor! – 5Meus pecados me afogam e esmagam, * como um fardo pesado me oprimem. – 6Cheiram mal e supuram minhas chagas * por motivo de minhas loucuras. – 7Ando triste, abatido, encurvado, * todo o dia afogado em tristeza. – 8As entranhas me ardem de febre, * já não há parte sã no meu corpo. – 9Meu coração grita e geme de dor, * esmagado e humilhado demais. – 10Conheceis meu desejo, Senhor, * meus gemidos vos são manifestos; =11bate rápido o meu coração, † minhas forças estão me deixando, * e sem luz os meus olhos se apagam. =12Companheiros e amigos se afastam, † fogem longe das minhas feridas; * meus parentes mantêm-se à distância. – 13Armam laços os meus inimigos, * que procuram tirar minha vida; – os que buscam matar-me ameaçam * e maquinam traições todo o dia. – 14Eu me faço de surdo e não ouço, * eu me faço de mudo e não falo; – 15semelhante a alguém que não ouve * e não tem a resposta em sua boca. – 16Mas, em vós, ó Senhor, eu confio, * e ouvireis meu lamento, ó meu Deus! – 17Pois rezei: “Que não zombem de mim, * nem se riam, se os pés me vacilam!” – 18Ó Senhor, estou quase caindo, * minha dor não me larga um momento! – 19Sim, confesso, Senhor, minha culpa: * meu pecado me aflige e atormenta. =20São bem fortes os meus adversários † que me vêm atacar sem razão; * quantos há que sem causa me odeiam! – 21Eles pagam o bem com o mal, * porque busco o bem, me perseguem. – 22Não deixeis vosso servo sozinho, * ó meu Deus, ficai perto de mim! – 23Vinde logo trazer-me socorro, * porque sois para mim salvação! Ant. Os que buscam matar, me perseguem e procuram tirar minha vida. (Apaga-se mais duas velas da extremidade do candelabro, enquanto se canta o refrão:) Todos: Deus Santo, Deus forte, Deus Imortal, tende piedade de nós! Cel.: As falsas testemunhas se ergueram. Todos: E vomitam violência contra mim. (Neste momento dá-se início as leituras do Ofício. Os leitores fazem reverência ao altar e sobem ao ambão para fazer as leituras.) Primeira leitura Da Carta aos Hebreus 9,11-28 Cristo, sumo sacerdote, com o seu próprio sangue, entrou no Santuário uma vez por todas Irmãos: 11Cristo veio como sumo-sacerdote dos bens futuros. Através de uma tenda maior e mais perfeita, que não é obra de mãos humanas, isto é, que não faz parte desta criação, 12e não com o sangue de bodes e bezerros, mas com o seu próprio sangue, ele entrou no Santuário uma vez por todas, obtendo uma redenção eterna. 13De fato, se o sangue de bodes e touros, e a cinza de novilhas espalhada sobre os seres impuros os santifica e realiza a pureza ritual dos corpos, 14quanto mais o Sangue de Cristo, purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo, pois, em virtude do espírito eterno, Cristo se ofereceu a si mesmo a Deus como vítima sem mancha. 15Por isso, ele é mediador de uma nova aliança. Pela sua morte, ele reparou as transgressões cometidas no decorrer da primeira aliança. E, assim, aqueles que são chamados recebem a promessa da herança eterna. 16Onde existe testamento, é preciso que seja constatada a morte de quem fez o testamento. 17Pois um testamento só tem valor depois da morte, e não tem efeito nenhum enquanto ainda vive aquele que fez o testamento. 18Por isso, nem mesmo a primeira aliança foi inaugurada sem sangue. 19Quando anunciou a todo o povo cada um dos mandamentos da Lei, Moisés tomou sangue de novilhos e bodes, junto com água, lã vermelha e um hissopo. Em seguida, aspergiu primeiro o próprio livro e todo o povo, 20e disse: “Este é o sangue da aliança que Deus faz convosco”. 21Do mesmo modo, aspergiu com sangue também a Tenda e todos os objetos que serviam para o culto. 22E assim, segundo a Lei, quase todas as coisas são purificadas com sangue, e sem derramamento de sangue não existe perdão. 23Portanto, as cópias das realidades celestes tinham que ser purificadas dessa maneira; mas as próprias realidades celestes devem ser purificadas com sacrifícios melhores. 24De fato, Cristo não entrou num santuário feito por mão humana, imagem do verdadeiro, mas no próprio céu, a fim de comparecer, agora, na presença de Deus, em nosso favor. 25E não foi para se oferecer a si muitas vezes, como o sumo-sacerdote que, cada ano, entra no Santuário com sangue alheio. 26Porque, se assim fosse, deveria ter sofrido muitas vezes, desde a fundação do mundo. Mas foi agora, na plenitude dos tempos, que, uma vez por todas, ele se manifestou para destruir o pecado pelo sacrifício de si mesmo. 27O destino de todo homem é morrer uma só vez, e depois vem o julgamento. 28Do mesmo modo, também Cristo, oferecido uma vez por todas, para tirar os pecados da multidão, aparecerá uma segunda vez, fora do pecado, para salvar aqueles que o esperam. (Após a leitura apagam-se as velas do altar.) Responsório Cf. Is 53,7.12 R. Foi levado como ovelha ao matadouro; e, maltratado, não abriu a sua boca; Foi condenado para a vida de seu povo. V. Ele próprio entregou a sua vida e deixou-se colocar entre os facínoras. * Foi condenado. (Apaga-se uma vela do lado direito do candelabro, enquanto se canta:) Todos: Deus Santo, Deus forte, Deus Imortal, tende piedade de nós! Segunda leitura Das Catequeses de São João Crisóstomo, bispo (Cat. 3,13-19: SCh 50,174-177) (Séc.IV) O poder do sangue de Cristo Queres conhecer o poder do sangue de Cristo? Voltemos às figuras que o profetizaram e recordemos a narrativa do Antigo Testamento: Imolai, disse Moisés, um cordeiro de um ano e marcai as portas com o seu sangue (cf. Ex 12,6-7). Que dizes, Moisés? O sangue de um cordeiro tem poder para libertar o homem dotado de razão? É claro que não, responde ele, não porque é sangue, mas por ser figura do sangue do Senhor. Se agora o inimigo, ao invés do sangue simbólico aspergido nas portas, vir brilhar nos lábios dos fiéis, portas do templo dedicado a Cristo, o sangue verdadeiro, fugirá ainda mais para longe. Queres compreender mais profundamente o poder deste sangue? Repara de onde começou a correr e de que fonte brotou. Começou a brotar da própria cruz, e a sua origem foi o lado do Senhor. Estando Jesus já morto e ainda pregado na cruz, diz o evangelista, um soldado aproximou-se, feriu- lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu água e sangue: a água, como símbolo do batismo; o sangue, como símbolo da eucaristia. O soldado, traspassando-lhe o lado, abriu uma brecha na parede do templo santo, e eu, encontrando um enorme tesouro, alegro-me por ter achado riquezas extraordinárias. Assim aconteceu com este cordeiro. Os judeus mataram um cordeiro e eu recebi o fruto do sacrifício. De seu lado saiu sangue e água (Jo 19,34). Não quero, querido ouvinte, que trates com superficialidade o segredo de tão grande mistério. Falta-me ainda explicar-te outro significado místico e profundo. Disse que esta água e este sangue são símbolos do batismo e da eucaristia. Foi destes sacramentos que nasceu a santa Igreja, pelo banho da regeneração e pela renovação no Espírito Santo, isto é, pelo batismo e pela eucaristia que brotaram do lado de Cristo. Pois Cristo formou a Igreja de seu lado traspassado, assim como do lado de Adão foi formada Eva, sua esposa. Por esta razão, a Sagrada Escritura, falando do primeiro homem, usa a expressão osso dos meus ossos e carne da minha carne (Gn 2,23), que São Paulo refere, aludindo ao lado de Cristo. Pois assim como Deus formou a mulher do lado do homem, também Cristo, de seu lado, nos deu a água e o sangue para que surgisse a Igreja. E assim como Deus abriu o lado de Adão enquanto ele dormia, também Cristo nos deu a água e o sangue durante o sono de sua morte. Vede como Cristo se uniu à sua esposa, vede com que alimento nos sacia. Do mesmo alimento nos faz nascer e nos nutre. Assim como a mulher, impulsionada pelo amor natural, alimenta com o próprio leite e o próprio sangue o filho que deu à luz, também Cristo alimenta sempre com o seu sangue aqueles a quem deu o novo nascimento. Responsório Cf. 1Pd 1,18-19; Ef 2,18; 1Jo 1,7 R. Não foi nem com ouro nem prata que fostes remidos, irmãos; mas sim pelo sangue precioso de Cristo, o Cordeiro sem mancha. Por ele nós temos acesso num único Espírito ao Pai. V. O sangue do Filho de Deus nos lava de todo pecado. * Por ele. (Apaga-se uma vela do lado esquerdo do candelabro, enquanto se canta:) Todos: Deus Santo, Deus forte, Deus Imortal, tende piedade de nós! Ant. Deus não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós. Salmo 50(51) Tende piedade, ó meu Deus! Renovai o vosso espírito e a vossa mentalidade. Revesti o homem novo (Ef 4,23-24). –3 Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! * Na imensidão de vosso amor, purificai-me! –4 Lavai-me todo inteiro do pecado, * e apagai completamente a minha culpa! –5 Eu reconheço toda a minha iniquidade, * o meu pecado está sempre à minha frente. –6 Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei, * e pratiquei o que é mau aos vossos olhos! – – Mostrais assim quanto sois justo na sentença, * e quanto é reto o julgamento que fazeis. –7 Vede, Senhor, que eu nasci na iniquidade * e pecador já minha mãe me concebeu. –8 Mas vós amais os corações que são sinceros, * na intimidade me ensinais sabedoria. –9 Aspergi-me e serei puro do pecado, * e mais branco do que a neve ficarei. –10 Fazei-me ouvir cantos de festa e de alegria, * e exultarão estes meus ossos que esmagastes. –11 Desviai o vosso olhar dos meus pecados * e apagai todas as minhas transgressões! –12 Criai em mim um coração que seja puro, * dai-me de novo um espírito decidido. –13 Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, * nem retireis de mim o vosso Santo Espírito! –14 Dai-me de novo a alegria de ser salvo * e confirmai-me com espírito generoso! –15 Ensinarei vosso caminho aos pecadores, * e para vós se voltarão os transviados. –16 Da morte como pena, libertai-me, * e minha língua exaltará vossa justiça! –17 Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, * e minha boca anunciará vosso louvor! –18 Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, * e, se oferto um holocausto, o rejeitais. –19 Meu sacrifício é minha alma penitente, * não desprezeis um coração arrependido! –20 Sede benigno com Sião, por vossa graça, * reconstruí Jerusalém e os seus muros! –21 E aceitareis o verdadeiro sacrifício, * os holocaustos e oblações em vosso altar! – Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. * Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Ant. Deus não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós. (Apaga-se mais duas velas da extremidade do candelabro, enquanto se canta o refrão:) Todos: Deus Santo, Deus forte, Deus Imortal, tende piedade de nós! Ant. Jesus Cristo nos amou até o fim e lavou nossos pecados com seu sangue. Cântico Hab 3,2-4.13a.15-19 Deus há de vir para julgar Erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima (Lc 21,28). –2 Eu ouvi vossa mensagem, ó Senhor, * e enchi-me de temor. – Manifestai a vossa obra pelos tempos * e tornai-a conhecida. – Ó Senhor, mesmo na cólera, lembrai-vos * de ter misericórdia! –3 Deus virá lá das montanhas de Temã, * e o Santo, de Farã. – O céu se enche com a sua majestade, * e a terra, com sua glória. –4 Seu esplendor é fulgurante como o sol, * saem raios de suas mãos. – Nelas se oculta o seu poder como num véu, * seu poder vitorioso. –13 Para salvar o vosso povo vós saístes, * para salvar o vosso Ungido. –15 E lançastes pelo mar vossos cavalos * no turbilhão das grandes águas. –16 Ao ouvi-lo estremeceram-me as entranhas * e tremeram os meus lábios. – A cárie penetrou-me até os ossos, * e meus passos vacilaram. – Confiante espero o dia da aflição, * que virá contra o opressor. –17 Ainda que a figueira não floresça * nem a vinha dê seus frutos, – a oliveira não dê mais o seu azeite, * nem os campos, a comida; – mesmo que faltem as ovelhas nos apriscos * e o gado nos curais: –18 mesmo assim eu me alegro no Senhor, * exulto em Deus, meu Salvador! –19 O meu Deus e meu Senhor é minha força * e me faz ágil como a corça; – para as alturas me conduz com segurança * ao cântico de salmos. – Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. * Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Ant. Jesus Cristo nos amou até o fim e lavou nossos pecados com seu sangue. (Apaga-se mais duas velas da extremidade do candelabro, enquanto se canta o refrão:) Todos: Deus Santo, Deus forte, Deus Imortal, tende piedade de nós! Ant. 3 Adoramos, Senhor, vosso madeiro, vossa ressurreição nós celebramos. A alegria chegou ao mundo inteiro, pela cruz que nós hoje veneramos. † Salmo 147(147 B) Restauração de Jerusalém Vem! Vou mostrar-te a noiva, a esposa do Cordeiro! (Ap 21,9). –12 Glorifica o Senhor, Jerusalém! * Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! –13 † Pois reforçou com segurança as tuas portas, * e os teus filhos em teu seio abençoou; –14 a paz em teus limites garantiu * e te dá como alimento a flor do trigo. –15 Ele envia suas ordens para a terra, * e a palavra que ele diz core veloz; –16 ele faz cair a neve como lã * e espalha a geada como cinza. –17 Como de pão lança as migalhas do granizo, * a seu frio as águas ficam congeladas. –18 Ele envia sua palavra e as derrete, * sopra o vento e de novo as águas corem. –19 Anuncia a Jacó sua palavra, * seus preceitos e suas leis a Israel. –20 Nenhum povo recebeu tanto carinho, * a nenhum outro revelou os seus preceitos. – Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. * Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Ant. Glorifica Adoramos, Senhor, vosso madeiro, vossa ressurreição nós celebramos. A alegria chegou ao mundo inteiro, pela cruz que nós hoje veneramos. (Apaga-se mais duas velas da extremidade do candelabro, enquanto se canta o refrão:) Todos: Deus Santo, Deus forte, Deus Imortal, tende piedade de nós! (Dá-se início a leitura breve, o leitor faz reverência ao altar e sobre ao ambão.) Leitura breve Is 52,13-15 Ei-lo, o meu Servo será bem sucedido; sua ascensão será ao mais alto grau. Assim como muitos ficaram pasmados ao vê-lo – tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano – do mesmo modo ele espalhará sua fama entre os povos. Diante dele os reis se manterão em silêncio, vendo algo que nunca lhes foi narrado e conhecendo coisas que jamais ouviram. (Após a leitura, o leitor se retira e dá-se início a uma breve homilia do sacerdote. A homilia pode ser feita da cátedra ou do altar.) (Após a homilia, ainda de pé, o sacerdote reza o responsório.) Responsório breve R. Lembra-te de Cristo, ressuscitado dentre os mortos! Ele é nossa salvação e nossa glória para sempre. R. Lembra-te. V. Se com ele nós morremos, também com ele viveremos. Ele é. Glória ao Pai. R. Lembra-te. 4ª parte TERCEIRA PARTE (Após o responsório dá-se início o hino do Benedictus. Após a antífona, o acólito apresenta o turíbulo ao sacerdote, que coloca o incenso e o abençoa. O sacerdote incensa o altar e a última vela do candelabro. Enquanto a vela é incensada, toca-se lentamente por três vezes o sino. Após, o acólito incensa o sacerdote, o povo e se retira. O povo permanece de pé.) Antífona Cel.: Ardentemente desejei comer essa páscoa convosco Todos: Antes de ir sofrer a morte CÂNTICO EVANGÉLICO (BENEDICTUS) Lc 1,68-79 O Messias e seu Precursor –68 Bendito seja o Senhor Deus de Israel, * que a seu povo visitou e libertou; –69 e fez surgir um poderoso Salvador * na casa de Davi, seu servidor, –70 como falara pela boca de seus santos, * os profetas desde os tempos mais antigos, –71 para salvar-nos do poder dos inimigos * e da mão de todos quantos nos odeiam. –72 Assim mostrou misericórdia a nossos pais, * recordando a sua santa Aliança –73 e o juramento a Abraão, o nosso pai, * de conceder-nos 74 que, libertos do inimigo, = a ele nós sirvamos sem temor † 75 em santidade e em justiça diante dele, * enquanto perdurarem nossos dias. =76 Serás profeta do Altíssimo, ó menino, † pois irás andando à frente do Senhor * para aplainar e preparar os seus caminhos, –77 anunciando ao seu povo a salvação, * que está na remissão de seus pecados; –78 pelo amor do coração de nosso Deus, * Sol nascente que nos veio visitar –79 lá do alto como luz resplandecente * a iluminar a quantos jazem entre as trevas = e na sombra da morte estão sentados † e para dirigir os nossos passos, * guiando-nos no caminho da paz. – Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. * Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Antífona Cel.: Ardentemente desejei comer essa páscoa convosco Todos: Antes de ir sofrer a morte (Após o Benedictus segue-se as preces. O sacerdote de mãos erguidas convida o povo a oração:) Cel.: Adoremos com sincera piedade a Cristo, nosso Redentor, que por nós sofreu a Paixão e foi sepultado para ressuscitar ao terceiro dia; e peçamos humildemente: R. Senhor, tende piedade de nós! Cristo, nosso Mestre e Senhor, obediente até à morte por nosso amor, – ensinai-nos a obedecer sempre à vontade do Pai. R. Cristo, nossa vida, que morrendo na cruz, destruístes o poder da morte e do inferno, – ensinai-nos a morrer convosco, para merecermos também ressuscitar convosco na glória. R. Cristo, nosso Rei, que fostes desprezado como um verme e humilhado como a vergonha do gênero humano, – ensinai-nos a imitar a vossa humildade salvadora. R. Cristo, nossa salvação, que destes a vida por amor dos seres humanos, vossos irmãos e irmãs, – fazei que nos amemos uns aos outros com a mesma caridade. R. Cristo, nosso Salvador, que de braços abertos na cruz quisestes atrair para vós a humanidade inteira, – reuni em vosso reino os filhos e as filhas de Deus dispersos pelo mundo. R. (O sacerdote convida o povo a oração do Pai-Nosso.) Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Vosso nome. Venha a nós o Vosso Reino. Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos daí hoje. Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixei cair em tentação, mas livrai-nos do mal. (O sacerdote de braços erguidos reza a oração conclusiva:) Oremos: Senhor nosso Deus, amar-vos acima de tudo é ser perfeito; multiplicai em nós a vossa graça e concedei, aos que firmamos nossa esperança na morte de Vosso Filho, alcançarmos por sua ressurreição aqueles bens que na fé buscamos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Todos: Amém (Após a oração, toca-se por três vezes o sino, enquanto o sacerdote apaga a última vela. Depois que o padre apagar a vela todos cantam a antífona:) Todos: Deus Santo, Deus forte, Deus Imortal, tende piedade de nós! (Segue-se a bênção final:) Cel.: O Senhor esteja convosco! Todos: Ele está no meio de nós! Cel: Abençoe-vos Deus Todo Poderoso, Pai, ✠ Filho e Espírito Santo Todos: Amém. (Havendo diácono ele despede o povo:) Ide em Paz e o Senhor vos acompanhe! Todos: Graças a Deus! O celebrante se retira em silêncio.
- O que é o Ofício de Trevas e como rezá-lo?
O Ofício de Trevas (matutina tenebrarum) é uma liturgia cristã relacionada à Paixão de Cristo, que existe desde o século XIII. É o ofício das matinas e laudes de quarta, quinta e sexta-feira da semana santa. O nome da cerimônia é Ofício “de Trevas” e não “das Trevas”! O Ofício de Trevas é um conjunto de leituras, lamentações, salmos e preces penitenciais, onde o templo fica às escuras, iluminado apenas por velas que se apagam aos poucos durante a cerimônia. Esta forma de celebrar é responsável pelo nome dado ao ritual, que representa o luto e a escuridão à qual ficou sujeita a Terra diante da morte de Jesus. O Ofício de Trevas é um forte momento de oração e reflexão da vida e missão de Cristo, que conduz os fiéis à oração mediante a meditação da Palavra de Deus. Canta-se este ofício geralmente após a meia-noite, madrugada (matinas) ou ainda logo ao amanhecer (laudes)… e por isso o auxílio das luzes de velas torna-se indispensável. O nome deriva-se de três situações de trevas: 1 – As trevas naturais de meia-noite ao amanhecer, ou seja, as horas destinadas à recitação do ofício, lembrando as palavras de Cristo preso nas trevas da noite: “Haec est hora vestra et potestas tenebrarum” (“Esta é a vossa hora e do poder das trevas.” Lc 22, 53). 2 – As trevas litúrgicas, quando durante as cerimonias da paixão apagam-se todas as luzes na igreja, exceto uma, a luz de Cristo! 3 – As trevas simbólicas da paixão. A ação desta liturgia exige silêncio e orações para mergulhar no mistério da paixão de Jesus. Ele junta lições e salmos em um belíssimo texto retirado do breviário e rezado junto com a comunidade. Durante os séculos houve muitas formas musicadas, inclusive não apenas na forma gregoriana, mas também na forma de música clássica. No coro da Igreja é colocado um candelabro de formato triangular, conhecido como “tenebrarum”, com 15 velas alinhadas. Uma delas é de cor branca e todas as outras são feitas de cera amarela e comum, como sinal de luto e pesar. No final de cada um dos Salmos que vão sendo cantados, o cerimoniário apaga uma das velas. Ao mesmo tempo, as luzes da igreja vão sendo apagadas também. As velas são apagadas sucessivamente, até restar apenas uma, a branca. Esta vela não é apagada. Continua acesa e é levada para atrás do altar. As velas que vão se apagando representam os discípulos, que pouco a pouco abandonaram Nosso Senhor Jesus Cristo durante a Paixão. A vela branca escondida atrás do altar e, mais tarde, outra vez visível, significa Nosso Senhor que, por breve tempo, se retira do meio dos homens e baixa ao túmulo, para reaparecer, pouco depois, fulgurante de luz e de glória. No fim, apagam-se as luzes para simbolizar o luto da Igreja e a escuridão que baixou sobre a terra quando Nosso Senhor morreu. O ruído de matracas no fim do ofício de trevas significa o terremoto e a perturbação dos inimigos, e recordam a desordem que sucedeu na natureza com a morte de Nosso Senhor. Este rito remonta, portanto, ao tempo em que ainda não havia ofícios metodicamente organizados ou quando havia, conforme a estação do ano, mudança no número de salmos. O Ofício de Trevas mostra, de forma bastante clara, a figura do Servo sofredor e, junto d’Ele, nos colocamos rezando e meditando sobre os sofrimentos de Sua Paixão e Morte na Cruz. Uma circular da Congregação para o Culto Divino, no ano de 1988, equipara a recitação conjunta do Ofício de Leituras e Laudes na quinta, sexta e sábado santos, conforme o rito romano moderno, com o Ofício de Trevas do rito romano tradicional. De fato, o Ofício de Trevas nada mais é do que essas duas horas canônicas conjuntas (no rito tradicional, o Ofício de Leituras era Matinas) nos dias assinalados acima, recitadas com uma série de cerimônias tradicionais, como o apagar das velas, o streptus etc. A única dificuldade seria como conciliar a cerimônia do apagar das quinze velas com o rito moderno, uma vez que são agora apenas seis salmos. O Mons. Peter Elliott, em seu “Ceremonies of the liturgical year”, da Ignatius Press, no capítulo sobre o Tenebrae, sugere a seguinte combinação: apagar duas velas após cada um dos três salmos do Ofício das Leituras, uma vela após cada um dos dois responsórios do Ofícios das Leituras, e, finalmente, duas velas após cada um dos três salmos das Laudes, permanecendo só a última, a ser apagada no fim do Ofício conjunto. Também as rubricas da Liturgia das Horas no rito moderno permitem acrescentar os textos antigos, dado que, por razões pastorais, o Ofício de Leituras sempre pode ser expandido. Aprenda a rezar o Ofício das Trevas PREPARAÇÃO (Na sacristia o celebrante, e auxiliares revestem-se, logo desde o início do Ofício, com os paramentos de cor roxa ou vermelha, alva, cíngulo, estola e capa. Mantem-se a Igreja no escuro. Ao pé do altar encontra-se aceso um candelabro, com quinze velas acesas. De mãos postas o celebrante e os auxiliares entram enquanto se canta a antífona:) Ant. Cristo, Filho de Deus, resgatou-nos com o seu Sangue: Vinde, adoremos. 2ª parte PRIMEIRA PARTE INVITATÓRIO (O sacerdote, de pé, voltado para o povo, diz:) Cel: † Abri meus lábios, ó Senhor Todos: E a minha boca anunciará Vosso louvor. (Canta-se a antífona:) Antífona: Cel: Cristo por nós foi tentado, sofreu e na Cruz morreu. Todos: Vinde todos e adoremos. (Inicia-se o salmo 94, intercalando os dois lados da assembleia, rezado.) Salmo 94(95) Convite ao louvor de Deus Animai-vos uns aos outros, dia após dia, enquanto ainda se disser ‘hoje’ (Hb 3,13). –1Vinde, exultemos de alegria no Senhor, * aclamemos o Rochedo que nos salva! –2 Ao seu encontro caminhemos com louvores, * e com cantos de alegria o celebremos! –3 Na verdade, o Senhor é o grande Deus, * o grande Rei, muito maior que os deuses todos. –4 Tem nas mãos as profundezas dos abismos, * e as alturas das montanhas lhe pertencem; –5 o mar é dele, pois foi ele quem o fez, * e a terra firme suas mãos a modelaram. –6 Vinde adoremos e prostremo-nos por terra, * e ajoelhemos ante o Deus que nos criou! =7 Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor, † e nós somos o seu povo e seu rebanho, * as ovelhas que conduz com sua mão. =8 Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: † “Não fecheis os corações como em Meriba, * 9 como em Massa, no deserto, aquele dia, – em que outrora vossos pais me provocaram, * apesar de terem visto as minhas obras”. =10Quarenta anos desgostou-me aquela raça † e eu disse: “Eis um povo transviado, * 11seu coração não conheceu os meus caminhos!” – E por isso lhes jurei na minha ira: * “Não entrarão no meu repouso prometido!” (R.) – Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. * Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Antífona: Cel: Cristo por nós foi tentado, sofreu e na Cruz morreu. Todos: Vinde todos e adoremos. 3ª parte SEGUNDA PARTE OFÍCIO DAS LEITURAS (Após o invitatório dá-se início ao ofício de leituras. O Celebrante de pé, junto com toda a comunidade dá início ao hino, que poderá ser cantado:) HINO Cantem meus lábios a luta que sobre a cruz se travou; cantem o nobre triunfo que no madeiro alcançou o Redentor do Universo quando por nós se imolou. O Criador teve pena do primitivo casal, que foi ferido de morte, comendo o fruto fatal, e marcou logo outra árvore, para curar-nos do mal. Tal ordem foi exigida na obra da salvação: cai o inimigo no laço de sua própria invenção. Do próprio lenho da morte Deus fez nascer redenção. Na plenitude dos tempos, a hora santa chegou e, pelo Pai enviado, nasceu do mundo o autor; e duma Virgem no seio a nossa carne tomou. Seis lustros tendo passado, cumpriu a sua missão. Só para ela nascido, livre se entrega à Paixão. Na cruz se eleva o Cordeiro, como perfeita oblação. Glória e poder à Trindade. Ao Pai e ao Filho, louvor. Honra ao Espírito Santo. Eterna glória ao Senhor, que nos salvou pela graça e nos remiu pelo amor. (Sentados, dá-se início a recitação dos salmos. Pode ser cantado:) Salmodia Ant. Os reis de toda a terra se reúnem e conspiram os governos todos juntos contra o Deus onipotente e o seu Ungido. Salmo 2 – 1Por que os povos agitados se revoltam? * por que tramam as nações projetos vãos? =2Por que os reis de toda a terra se reúnem, † e conspiram os governos todos juntos * contra o Deus onipotente e o seu Ungido? – 3“Vamos quebrar suas correntes”, dizem eles, * “e lançar longe de nós o seu domínio!” – 4Ri-se deles o que mora lá nos céus; * zomba deles o Senhor onipotente. – 5Ele, então, em sua ira os ameaça, * e em seu furor os faz tremer, quando lhes diz: – 6“Fui eu mesmo que escolhi este meu Rei, * e em Sião, meu monte santo, o consagrei!” =7O decreto do Senhor promulgarei, † foi assim que me falou o Senhor Deus: * “Tu és meu Filho, e eu hoje te gerei! =8Podes pedir-me, e em resposta eu te darei † por tua herança os povos todos e as nações, * e há de ser a terra inteira o teu domínio. – 9Com cetro férreo haverás de dominá-los, * e quebrá-los como um vaso de argila!” – 10E agora, poderosos, entendei; * soberanos, aprendei esta lição: – 11Com temor servi a Deus, rendei-lhe glória * e prestai-lhe homenagem com respeito! – 12Se o irritais, perecereis pelo caminho, * pois depressa se acende a sua ira! – Felizes hão de ser todos aqueles * que põem sua esperança no Senhor! – Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. * Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Ant. Os reis de toda a terra se reúnem e conspiram os governos todos juntos contra o Deus onipotente e o seu Ungido. (Apaga-se as duas primeiras velas da extremidade do candelabro, enquanto se canta o refrão:) Todos: Deus Santo, Deus forte, Deus Imortal, tende piedade de nós! Ant. Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica. Salmo 21(22),2-23 [24-32] – 2Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? * E ficais longe de meu grito e minha prece? – 3Ó meu Deus, clamo de dia e não me ouvis, * clamo de noite e para mim não há resposta! – 4Vós, no entanto, sois o santo em vosso Templo, * que habitais entre os louvores de Israel. – 5Foi em vós que esperaram nossos pais; * esperaram e vós mesmo os libertastes. – 6Seu clamor subiu a vós e foram salvos; * em vós confiaram e não foram enganados. – 7Quanto a mim, eu sou um verme e não um homem; * sou o opróbrio e o desprezo das nações. – 8Riem de mim todos aqueles que me vêem, * torcem os lábios e sacodem a cabeça: – 9“Ao Senhor se confiou, ele o liberte * e agora o salve, se é verdade que ele o ama!” – 10Desde a minha concepção me conduzistes, * e no seio maternal me agasalhastes. – 11Desde quando vim à luz vos fui entregue; * desde o ventre de minha mãe sois o meu Deus! – 12Não fiqueis longe de mim, porque padeço; * ficai perto, pois não há quem me socorra! – 13Por touros numerosos fui cercado, * e as feras de Basã me rodearam; – 14escancararam contra mim as suas bocas, * como leões devoradores a rugir. – 15Eu me sinto como a água derramada, * e meus ossos estão todos deslocados; – como a cera se tornou meu coração, * e dentro do meu peito se derrete. =16Minha garganta está igual ao barro seco, † minha língua está colada ao céu da boca, * e por vós fui conduzido ao pó da morte! – 17Cães numerosos me rodeiam furiosos, * e por um bando de malvados fui cercado. – Transpassaram minhas mãos e os meus pés * 18e eu poso contar todos os meus ossos. = Eis que me olham e, ao ver-me, se deleitam! † 19Eles repartem entre si as minhas vestes * e sorteiam entre si a minha túnica. – 20Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, * ó minha força, vinde logo em meu socorro! – 21Da espada libertai a minha alma, * e das garras desses cães, a minha vida! – 22Arancai-me da goela do leão, * e a mim tão pobre, desses touros que me atacam! – 23Anunciarei o vosso nome a meus irmãos * e no meio da assembleia hei de louvar-vos! Ant. Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica. (Apaga-se as duas velas da extremidade do candelabro, enquanto se canta o refrão:) Todos: Deus Santo, Deus forte, Deus Imortal, tende piedade de nós! Ant. 3 Os que buscam matar, me perseguem e procuram tirar minha vida. Salmo 37(38) – 2Repreendei-me, Senhor, mas sem ira; * corrigi-me, mas não com furor! – 3Vossas flechas em mim penetraram; * vossa mão se abateu sobre mim. – 4Nada resta de são no meu corpo, * pois com muito rigor me tratastes! – Não há parte sadia em meus ossos, * pois pequei contra vós, ó Senhor! – 5Meus pecados me afogam e esmagam, * como um fardo pesado me oprimem. – 6Cheiram mal e supuram minhas chagas * por motivo de minhas loucuras. – 7Ando triste, abatido, encurvado, * todo o dia afogado em tristeza. – 8As entranhas me ardem de febre, * já não há parte sã no meu corpo. – 9Meu coração grita e geme de dor, * esmagado e humilhado demais. – 10Conheceis meu desejo, Senhor, * meus gemidos vos são manifestos; =11bate rápido o meu coração, † minhas forças estão me deixando, * e sem luz os meus olhos se apagam. =12Companheiros e amigos se afastam, † fogem longe das minhas feridas; * meus parentes mantêm-se à distância. – 13Armam laços os meus inimigos, * que procuram tirar minha vida; – os que buscam matar-me ameaçam * e maquinam traições todo o dia. – 14Eu me faço de surdo e não ouço, * eu me faço de mudo e não falo; – 15semelhante a alguém que não ouve * e não tem a resposta em sua boca. – 16Mas, em vós, ó Senhor, eu confio, * e ouvireis meu lamento, ó meu Deus! – 17Pois rezei: “Que não zombem de mim, * nem se riam, se os pés me vacilam!” – 18Ó Senhor, estou quase caindo, * minha dor não me larga um momento! – 19Sim, confesso, Senhor, minha culpa: * meu pecado me aflige e atormenta. =20São bem fortes os meus adversários † que me vêm atacar sem razão; * quantos há que sem causa me odeiam! – 21Eles pagam o bem com o mal, * porque busco o bem, me perseguem. – 22Não deixeis vosso servo sozinho, * ó meu Deus, ficai perto de mim! – 23Vinde logo trazer-me socorro, * porque sois para mim salvação! Ant. Os que buscam matar, me perseguem e procuram tirar minha vida. (Apaga-se mais duas velas da extremidade do candelabro, enquanto se canta o refrão:) Todos: Deus Santo, Deus forte, Deus Imortal, tende piedade de nós! Cel.: As falsas testemunhas se ergueram. Todos: E vomitam violência contra mim. (Neste momento dá-se início as leituras do Ofício. Os leitores fazem reverência ao altar e sobem ao ambão para fazer as leituras.) Primeira leitura Da Carta aos Hebreus 9,11-28 Cristo, sumo sacerdote, com o seu próprio sangue, entrou no Santuário uma vez por todas Irmãos: 11Cristo veio como sumo-sacerdote dos bens futuros. Através de uma tenda maior e mais perfeita, que não é obra de mãos humanas, isto é, que não faz parte desta criação, 12e não com o sangue de bodes e bezerros, mas com o seu próprio sangue, ele entrou no Santuário uma vez por todas, obtendo uma redenção eterna. 13De fato, se o sangue de bodes e touros, e a cinza de novilhas espalhada sobre os seres impuros os santifica e realiza a pureza ritual dos corpos, 14quanto mais o Sangue de Cristo, purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo, pois, em virtude do espírito eterno, Cristo se ofereceu a si mesmo a Deus como vítima sem mancha. 15Por isso, ele é mediador de uma nova aliança. Pela sua morte, ele reparou as transgressões cometidas no decorrer da primeira aliança. E, assim, aqueles que são chamados recebem a promessa da herança eterna. 16Onde existe testamento, é preciso que seja constatada a morte de quem fez o testamento. 17Pois um testamento só tem valor depois da morte, e não tem efeito nenhum enquanto ainda vive aquele que fez o testamento. 18Por isso, nem mesmo a primeira aliança foi inaugurada sem sangue. 19Quando anunciou a todo o povo cada um dos mandamentos da Lei, Moisés tomou sangue de novilhos e bodes, junto com água, lã vermelha e um hissopo. Em seguida, aspergiu primeiro o próprio livro e todo o povo, 20e disse: “Este é o sangue da aliança que Deus faz convosco”. 21Do mesmo modo, aspergiu com sangue também a Tenda e todos os objetos que serviam para o culto. 22E assim, segundo a Lei, quase todas as coisas são purificadas com sangue, e sem derramamento de sangue não existe perdão. 23Portanto, as cópias das realidades celestes tinham que ser purificadas dessa maneira; mas as próprias realidades celestes devem ser purificadas com sacrifícios melhores. 24De fato, Cristo não entrou num santuário feito por mão humana, imagem do verdadeiro, mas no próprio céu, a fim de comparecer, agora, na presença de Deus, em nosso favor. 25E não foi para se oferecer a si muitas vezes, como o sumo-sacerdote que, cada ano, entra no Santuário com sangue alheio. 26Porque, se assim fosse, deveria ter sofrido muitas vezes, desde a fundação do mundo. Mas foi agora, na plenitude dos tempos, que, uma vez por todas, ele se manifestou para destruir o pecado pelo sacrifício de si mesmo. 27O destino de todo homem é morrer uma só vez, e depois vem o julgamento. 28Do mesmo modo, também Cristo, oferecido uma vez por todas, para tirar os pecados da multidão, aparecerá uma segunda vez, fora do pecado, para salvar aqueles que o esperam. (Após a leitura apagam-se as velas do altar.) Responsório Cf. Is 53,7.12 R. Foi levado como ovelha ao matadouro; e, maltratado, não abriu a sua boca; Foi condenado para a vida de seu povo. V. Ele próprio entregou a sua vida e deixou-se colocar entre os facínoras. * Foi condenado. (Apaga-se uma vela do lado direito do candelabro, enquanto se canta:) Todos: Deus Santo, Deus forte, Deus Imortal, tende piedade de nós! Segunda leitura Das Catequeses de São João Crisóstomo, bispo (Cat. 3,13-19: SCh 50,174-177) (Séc.IV) O poder do sangue de Cristo Queres conhecer o poder do sangue de Cristo? Voltemos às figuras que o profetizaram e recordemos a narrativa do Antigo Testamento: Imolai, disse Moisés, um cordeiro de um ano e marcai as portas com o seu sangue (cf. Ex 12,6-7). Que dizes, Moisés? O sangue de um cordeiro tem poder para libertar o homem dotado de razão? É claro que não, responde ele, não porque é sangue, mas por ser figura do sangue do Senhor. Se agora o inimigo, ao invés do sangue simbólico aspergido nas portas, vir brilhar nos lábios dos fiéis, portas do templo dedicado a Cristo, o sangue verdadeiro, fugirá ainda mais para longe. Queres compreender mais profundamente o poder deste sangue? Repara de onde começou a correr e de que fonte brotou. Começou a brotar da própria cruz, e a sua origem foi o lado do Senhor. Estando Jesus já morto e ainda pregado na cruz, diz o evangelista, um soldado aproximou-se, feriu- lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu água e sangue: a água, como símbolo do batismo; o sangue, como símbolo da eucaristia. O soldado, traspassando-lhe o lado, abriu uma brecha na parede do templo santo, e eu, encontrando um enorme tesouro, alegro-me por ter achado riquezas extraordinárias. Assim aconteceu com este cordeiro. Os judeus mataram um cordeiro e eu recebi o fruto do sacrifício. De seu lado saiu sangue e água (Jo 19,34). Não quero, querido ouvinte, que trates com superficialidade o segredo de tão grande mistério. Falta-me ainda explicar-te outro significado místico e profundo. Disse que esta água e este sangue são símbolos do batismo e da eucaristia. Foi destes sacramentos que nasceu a santa Igreja, pelo banho da regeneração e pela renovação no Espírito Santo, isto é, pelo batismo e pela eucaristia que brotaram do lado de Cristo. Pois Cristo formou a Igreja de seu lado traspassado, assim como do lado de Adão foi formada Eva, sua esposa. Por esta razão, a Sagrada Escritura, falando do primeiro homem, usa a expressão osso dos meus ossos e carne da minha carne (Gn 2,23), que São Paulo refere, aludindo ao lado de Cristo. Pois assim como Deus formou a mulher do lado do homem, também Cristo, de seu lado, nos deu a água e o sangue para que surgisse a Igreja. E assim como Deus abriu o lado de Adão enquanto ele dormia, também Cristo nos deu a água e o sangue durante o sono de sua morte. Vede como Cristo se uniu à sua esposa, vede com que alimento nos sacia. Do mesmo alimento nos faz nascer e nos nutre. Assim como a mulher, impulsionada pelo amor natural, alimenta com o próprio leite e o próprio sangue o filho que deu à luz, também Cristo alimenta sempre com o seu sangue aqueles a quem deu o novo nascimento. Responsório Cf. 1Pd 1,18-19; Ef 2,18; 1Jo 1,7 R. Não foi nem com ouro nem prata que fostes remidos, irmãos; mas sim pelo sangue precioso de Cristo, o Cordeiro sem mancha. Por ele nós temos acesso num único Espírito ao Pai. V. O sangue do Filho de Deus nos lava de todo pecado. * Por ele. (Apaga-se uma vela do lado esquerdo do candelabro, enquanto se canta:) Todos: Deus Santo, Deus forte, Deus Imortal, tende piedade de nós! Ant. Deus não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós. Salmo 50(51) Tende piedade, ó meu Deus! Renovai o vosso espírito e a vossa mentalidade. Revesti o homem novo (Ef 4,23-24). –3 Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! * Na imensidão de vosso amor, purificai-me! –4 Lavai-me todo inteiro do pecado, * e apagai completamente a minha culpa! –5 Eu reconheço toda a minha iniquidade, * o meu pecado está sempre à minha frente. –6 Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei, * e pratiquei o que é mau aos vossos olhos! – – Mostrais assim quanto sois justo na sentença, * e quanto é reto o julgamento que fazeis. –7 Vede, Senhor, que eu nasci na iniquidade * e pecador já minha mãe me concebeu. –8 Mas vós amais os corações que são sinceros, * na intimidade me ensinais sabedoria. –9 Aspergi-me e serei puro do pecado, * e mais branco do que a neve ficarei. –10 Fazei-me ouvir cantos de festa e de alegria, * e exultarão estes meus ossos que esmagastes. –11 Desviai o vosso olhar dos meus pecados * e apagai todas as minhas transgressões! –12 Criai em mim um coração que seja puro, * dai-me de novo um espírito decidido. –13 Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, * nem retireis de mim o vosso Santo Espírito! –14 Dai-me de novo a alegria de ser salvo * e confirmai-me com espírito generoso! –15 Ensinarei vosso caminho aos pecadores, * e para vós se voltarão os transviados. –16 Da morte como pena, libertai-me, * e minha língua exaltará vossa justiça! –17 Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, * e minha boca anunciará vosso louvor! –18 Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, * e, se oferto um holocausto, o rejeitais. –19 Meu sacrifício é minha alma penitente, * não desprezeis um coração arrependido! –20 Sede benigno com Sião, por vossa graça, * reconstruí Jerusalém e os seus muros! –21 E aceitareis o verdadeiro sacrifício, * os holocaustos e oblações em vosso altar! – Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. * Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Ant. Deus não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós. (Apaga-se mais duas velas da extremidade do candelabro, enquanto se canta o refrão:) Todos: Deus Santo, Deus forte, Deus Imortal, tende piedade de nós! Ant. Jesus Cristo nos amou até o fim e lavou nossos pecados com seu sangue. Cântico Hab 3,2-4.13a.15-19 Deus há de vir para julgar Erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima (Lc 21,28). –2 Eu ouvi vossa mensagem, ó Senhor, * e enchi-me de temor. – Manifestai a vossa obra pelos tempos * e tornai-a conhecida. – Ó Senhor, mesmo na cólera, lembrai-vos * de ter misericórdia! –3 Deus virá lá das montanhas de Temã, * e o Santo, de Farã. – O céu se enche com a sua majestade, * e a terra, com sua glória. –4 Seu esplendor é fulgurante como o sol, * saem raios de suas mãos. – Nelas se oculta o seu poder como num véu, * seu poder vitorioso. –13 Para salvar o vosso povo vós saístes, * para salvar o vosso Ungido. –15 E lançastes pelo mar vossos cavalos * no turbilhão das grandes águas. –16 Ao ouvi-lo estremeceram-me as entranhas * e tremeram os meus lábios. – A cárie penetrou-me até os ossos, * e meus passos vacilaram. – Confiante espero o dia da aflição, * que virá contra o opressor. –17 Ainda que a figueira não floresça * nem a vinha dê seus frutos, – a oliveira não dê mais o seu azeite, * nem os campos, a comida; – mesmo que faltem as ovelhas nos apriscos * e o gado nos curais: –18 mesmo assim eu me alegro no Senhor, * exulto em Deus, meu Salvador! –19 O meu Deus e meu Senhor é minha força * e me faz ágil como a corça; – para as alturas me conduz com segurança * ao cântico de salmos. – Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. * Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Ant. Jesus Cristo nos amou até o fim e lavou nossos pecados com seu sangue. (Apaga-se mais duas velas da extremidade do candelabro, enquanto se canta o refrão:) Todos: Deus Santo, Deus forte, Deus Imortal, tende piedade de nós! Ant. 3 Adoramos, Senhor, vosso madeiro, vossa ressurreição nós celebramos. A alegria chegou ao mundo inteiro, pela cruz que nós hoje veneramos. † Salmo 147(147 B) Restauração de Jerusalém Vem! Vou mostrar-te a noiva, a esposa do Cordeiro! (Ap 21,9). –12 Glorifica o Senhor, Jerusalém! * Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! –13 † Pois reforçou com segurança as tuas portas, * e os teus filhos em teu seio abençoou; –14 a paz em teus limites garantiu * e te dá como alimento a flor do trigo. –15 Ele envia suas ordens para a terra, * e a palavra que ele diz core veloz; –16 ele faz cair a neve como lã * e espalha a geada como cinza. –17 Como de pão lança as migalhas do granizo, * a seu frio as águas ficam congeladas. –18 Ele envia sua palavra e as derrete, * sopra o vento e de novo as águas corem. –19 Anuncia a Jacó sua palavra, * seus preceitos e suas leis a Israel. –20 Nenhum povo recebeu tanto carinho, * a nenhum outro revelou os seus preceitos. – Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. * Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Ant. Glorifica Adoramos, Senhor, vosso madeiro, vossa ressurreição nós celebramos. A alegria chegou ao mundo inteiro, pela cruz que nós hoje veneramos. (Apaga-se mais duas velas da extremidade do candelabro, enquanto se canta o refrão:) Todos: Deus Santo, Deus forte, Deus Imortal, tende piedade de nós! (Dá-se início a leitura breve, o leitor faz reverência ao altar e sobre ao ambão.) Leitura breve Is 52,13-15 Ei-lo, o meu Servo será bem sucedido; sua ascensão será ao mais alto grau. Assim como muitos ficaram pasmados ao vê-lo – tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano – do mesmo modo ele espalhará sua fama entre os povos. Diante dele os reis se manterão em silêncio, vendo algo que nunca lhes foi narrado e conhecendo coisas que jamais ouviram. (Após a leitura, o leitor se retira e dá-se início a uma breve homilia do sacerdote. A homilia pode ser feita da cátedra ou do altar.) (Após a homilia, ainda de pé, o sacerdote reza o responsório.) Responsório breve R. Lembra-te de Cristo, ressuscitado dentre os mortos! Ele é nossa salvação e nossa glória para sempre. R. Lembra-te. V. Se com ele nós morremos, também com ele viveremos. Ele é. Glória ao Pai. R. Lembra-te. 4ª parte TERCEIRA PARTE (Após o responsório dá-se início o hino do Benedictus. Após a antífona, o acólito apresenta o turíbulo ao sacerdote, que coloca o incenso e o abençoa. O sacerdote incensa o altar e a última vela do candelabro. Enquanto a vela é incensada, toca-se lentamente por três vezes o sino. Após, o acólito incensa o sacerdote, o povo e se retira. O povo permanece de pé.) Antífona Cel.: Ardentemente desejei comer essa páscoa convosco Todos: Antes de ir sofrer a morte CÂNTICO EVANGÉLICO (BENEDICTUS) Lc 1,68-79 O Messias e seu Precursor –68 Bendito seja o Senhor Deus de Israel, * que a seu povo visitou e libertou; –69 e fez surgir um poderoso Salvador * na casa de Davi, seu servidor, –70 como falara pela boca de seus santos, * os profetas desde os tempos mais antigos, –71 para salvar-nos do poder dos inimigos * e da mão de todos quantos nos odeiam. –72 Assim mostrou misericórdia a nossos pais, * recordando a sua santa Aliança –73 e o juramento a Abraão, o nosso pai, * de conceder-nos 74 que, libertos do inimigo, = a ele nós sirvamos sem temor † 75 em santidade e em justiça diante dele, * enquanto perdurarem nossos dias. =76 Serás profeta do Altíssimo, ó menino, † pois irás andando à frente do Senhor * para aplainar e preparar os seus caminhos, –77 anunciando ao seu povo a salvação, * que está na remissão de seus pecados; –78 pelo amor do coração de nosso Deus, * Sol nascente que nos veio visitar –79 lá do alto como luz resplandecente * a iluminar a quantos jazem entre as trevas = e na sombra da morte estão sentados † e para dirigir os nossos passos, * guiando-nos no caminho da paz. – Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. * Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Antífona Cel.: Ardentemente desejei comer essa páscoa convosco Todos: Antes de ir sofrer a morte (Após o Benedictus segue-se as preces. O sacerdote de mãos erguidas convida o povo a oração:) Cel.: Adoremos com sincera piedade a Cristo, nosso Redentor, que por nós sofreu a Paixão e foi sepultado para ressuscitar ao terceiro dia; e peçamos humildemente: R. Senhor, tende piedade de nós! Cristo, nosso Mestre e Senhor, obediente até à morte por nosso amor, – ensinai-nos a obedecer sempre à vontade do Pai. R. Cristo, nossa vida, que morrendo na cruz, destruístes o poder da morte e do inferno, – ensinai-nos a morrer convosco, para merecermos também ressuscitar convosco na glória. R. Cristo, nosso Rei, que fostes desprezado como um verme e humilhado como a vergonha do gênero humano, – ensinai-nos a imitar a vossa humildade salvadora. R. Cristo, nossa salvação, que destes a vida por amor dos seres humanos, vossos irmãos e irmãs, – fazei que nos amemos uns aos outros com a mesma caridade. R. Cristo, nosso Salvador, que de braços abertos na cruz quisestes atrair para vós a humanidade inteira, – reuni em vosso reino os filhos e as filhas de Deus dispersos pelo mundo. R. (O sacerdote convida o povo a oração do Pai-Nosso.) Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Vosso nome. Venha a nós o Vosso Reino. Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos daí hoje. Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixei cair em tentação, mas livrai-nos do mal. (O sacerdote de braços erguidos reza a oração conclusiva:) Oremos: Senhor nosso Deus, amar-vos acima de tudo é ser perfeito; multiplicai em nós a vossa graça e concedei, aos que firmamos nossa esperança na morte de Vosso Filho, alcançarmos por sua ressurreição aqueles bens que na fé buscamos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Todos: Amém (Após a oração, toca-se por três vezes o sino, enquanto o sacerdote apaga a última vela. Depois que o padre apagar a vela todos cantam a antífona:) Todos: Deus Santo, Deus forte, Deus Imortal, tende piedade de nós! (Segue-se a bênção final:) Cel.: O Senhor esteja convosco! Todos: Ele está no meio de nós! Cel: Abençoe-vos Deus Todo Poderoso, Pai, ✠ Filho e Espírito Santo Todos: Amém. (Havendo diácono ele despede o povo:) Ide em Paz e o Senhor vos acompanhe! Todos: Graças a Deus! O celebrante se retira em silêncio.
- São Vicente Ferrer, grande apóstolo e profeta – 05 de Abril
SANTO DO DIA – 05 DE ABRIL – SÃO VICENTE FERRER Religioso dominicano (1350-1419) Vicente nasceu em Valência, na Espanha, em 1350. Passou a infância e a juventude junto aos padres dominicanos, que tinham um convento próximo de sua casa. Percebendo sua vocação, pediu ingresso na Ordem dos Pregadores (dominicanos) aos dezessete anos. Vicente estudou em Lérida, Barcelona e Tolosa, doutorando-se em filosofia e teologia, e ordenando-se sacerdote em 1378. Pregador nato, nesse mesmo ano começou sua peregrinação por toda a Europa, durante um período negro da história, quando ocorreu a Guerra dos Cem Anos, quando forças políticas, alheias à Igreja, tinham tanta influência que atuavam até na eleição dos papas. Assim, quando um italiano foi eleito papa, Urbano VI, as correntes políticas francesas não o aceitaram e elegeram outro, um francês, Clemente VII, que foi residir em Avinhão, na França. A Igreja dividiu-se em duas, ocorrendo o chamado cisma da Igreja ocidental, porque ela ficou sob dois comandos, o que durou trinta e nove anos. Vicente Ferrer, pregador, já era muito conhecido. Como prior do convento de Valência, teve contato com o cardeal Pedro de Luna, que o convenceu da legitimidade do papa de Avinhão, e Vicente aderiu à causa. Em 1384, o referido cardeal foi eleito papa Bento XIII e habilmente fez do dominicano Vicente seu confessor, sendo defendido por ele até 1416, como fazia Catarina de Sena, sua contemporânea, pelo italiano Urbano VI. O coração desse dominicano era dotado de uma fé fervorosa, mas passando por uma divisão dessas, e juntando-se o panorama geral da Europa na época: por toda parte batalhas sangrentas, calamidades públicas, fome, miséria, misticismo, ignorância, além da peste negra, que dizimou um terço da população. Tudo isso fez que a pregação de Vicente Ferrer ganhasse a nuance do fatalismo. Ele andou pela Espanha, França, Itália, Suíça, Bélgica, Inglaterra e Irlanda e muitas outras regiões, defendendo sempre a unidade da Igreja, o fim das guerras, o arrependimento e a penitência, como forma de esperar a iminente volta de Cristo. Tornou-se a mais alta voz da Europa. Pregava para multidões e as catedrais tornavam-se pequenas para os que queriam ouvi-lo. Por isso fazia seus sermões nas grandes praças públicas. Milhares de pessoas o seguiam em procissões de penitência. Dizem os registros da Igreja, e mesmo os que não concordavam com ele, que Deus estava do seu lado. A cada procissão os prodígios e graças sucediam-se e podiam ser comprovados às centenas entre os fiéis. O cisma da Igreja só terminou quando os dois papas renunciaram ao mesmo tempo, para o bem da unidade do cristianismo. Vicente retirou seu apoio ao papa Bento XIII e, com sua atuação, ajudou a eleger o novo papa, Martinho V, trazendo de novo a união da Igreja ocidental. As nuvens negras dissiparam-se, mas as conversões e as graças por obra de Vicente Ferrer ficarão por toda a eternidade. Ele morreu no dia 5 de abril de 1419, na cidade de Vannes, Bretanha, na França. Foi canonizado pelo papa Calisto III, seu compatriota, em 1458, que o declarou padroeiro de Valência e Vannes. São Vicente Ferrer foi um dos maiores pregadores da Igreja do segundo milênio e o maior pregador do século XIV. Conheça mais sobre São Vicente Ferrer Imagine um pregador cujas homilias durassem de duas a três horas e que na Sexta-feira Santa elas chegassem a durar até seis horas… Será que haveria gente para ouvi-lo? Um grande pregador! Se o pregador fosse São Vicente Ferrer haveria. … E muitos! Pois, as igrejas onde ele costumava fazer suas homilias tornavam-se pequenas para conter a multidão que ele atraia. Em Tolosa, na Espanha, um de seus sermões prolongou-se por seis horas seguidas! Seus ouvintes dessa cidade costumavam dizer: “Este homem veio a esta cidade para nossa salvação ou para nossa perdição. Para que nos salvemos, se fizermos o que ele nos diz; para que nos condenemos, se nos descuidarmos de obedecer-lhe.” E afirmavam ainda: “Até aqui podíamos dizer que não tínhamos quem nos ensinasse bem o que somos obrigados a fazer. Agora já não podemos dizer isso”. Foi tão grande a devoção que habitantes de Tolosa tiveram por ele que, depois de sua partida, transformaram em relíquias tudo que dele puderam guardar. O palanque que ele usou para fazer suas pregações era tocado e beijado como se fosse algo sagrado. Em certas localidades, enquanto São Vicente Ferrer fazia sua pregação, tudo parava. As lojas fechavam e até as audiências nos tribunais eram suspensas. Todos queriam ouvi-lo. Nos dias em que São Vicente Ferrer pregou em Tolosa, por exemplo, não houve pregador que quisesse fazer sermão, porque todo mundo ia atrás do Santo. Quando sabiam que ele se aproximava de uma cidade, era comum o povo ir ao seu encontro. Havia então, verdadeiras disputas para que se conseguir um lugar que ficasse o mais próximo possível do Santo. Então para ele não ser esmagado pela veneração e entusiasmo popular, era necessário que quatro homens jovens e fortes conduzissem umas pranchas de madeira que formavam um quadrilátero no interior do qual São Vicente Ferrer podia caminhar com segurança. De onde lhe vinha a atração e o sucesso Com uma oratória brilhante e cheia de fogo, São Vicente Ferrer mantinha a lógica das argumentações escolásticas. Seus ouvintes percebiam nele a presença do sobrenatural e suas palavras eram carregadas de amor de Deus. Era isso que atraia seus ávidos ouvintes. A graça divina estava nele. Seus inflamados sermões não só atraíam multidões mas, obtinham incontáveis conversões, inclusive de judeus e maometanos que ainda dominavam a península Ibérica. Sem dúvida, o sucesso e as graças obtidas nesse apostolado eram frutos de sua obediência amorosa a Nosso Senhor Jesus Cristo que, em uma visão tida pelo Santo, ordenou que ele pregasse a verdadeira Fé católica pelo mundo todo. Sempre esteve próximo à Ordem dos Pregadores A casa de seus pais ficava nas imediações do Real Convento da Ordem dos Pregadores, os dominicanos. Isto ajudou a que, ainda jovem, Vicente decidisse tornar-se religioso, vestindo o hábito dos frades dominicanos. Fez sua profissão religiosa em 1368 e foi ordenado sacerdote em 1374. Alternou o estudo e o ensino da filosofia com a aprendizagem da teologia passando pelas cidades de Lérida, Barcelona e Tolosa, todas na Espanha. Aprofundou-se no estudo e conhecimento perfeito da exegese bíblica e da língua hebraica. Quando regressou a Valência, sua cidade natal, ensinou teologia, escreveu, pregou e foi um exímio conselheiro. Alguns anos mais tarde, passou a viver na França, exercendo suas funções na cidade de Avignon, onde caiu gravemente enfermo sofrendo uma doença que o levou à beira da morte. Por ocasião dessa enfermidade, ainda em Avignon, Vicente teve uma visão de Deus. Ele viu Nosso Senhor Jesus Cristo acompanhado por São Domingos, fundador de sua Ordem Religiosa e por São Francisco de Assis. Nessa visão, Nosso Senhor conferiu a ele a missão de pregar o evangelho pelo mundo. Após ter aceito essa difícil e nobre incumbência, repentinamente, ele recuperou a saúde. A 22 de novembro de 1399, deixou a França e saiu pregando a palavra de Deus no Ocidente. Sua ação foi um contínuo espalhar de tesouros de sabedoria. Uma época conturbada, dentro e fora da Igreja São Vicente Ferrer veio ao mundo no ano de 1350, em Valência, numa Espanha que ainda lutava contra os árabes maometanos invasores da península ibérica. O Ocidente passava por uma grande crise espiritual que atingia direta ou indiretamente todas as nações. Nenhuma escapava! A França encontrava-se assolada pela Guerra dos cem anos; na Itália, havia conflitos entre “guelfos” e “gibelinos”. As regiões espanholas de Castela e Aragão viviam um momento de anarquia. Fora das fronteiras da cristandade o perigo maometano era uma constante. Para piorar o ambiente de confusão dessa fase histórica, houve uma crise religiosa. Foi durante esse período que eclodiu no seio da Igreja o Cisma do Ocidente. Cardeais declararam inválida a eleição de Urbano VI como Papa, surgiram outros Papas. Um deles foi Clemente VII. Um Papa ficava em Roma, o outro em Avignon. Os dois se excomungavam mutuamente. Nações e reinos tomaram partidos de acordo com suas conveniências: a Cristandade dividiu-se. São Vicente Ferrer chegou escrever um tratado sobre este cisma. Esforçou-se e colocou todo peso de seu prestígio em toda a Cristandade para que o Cisma do Ocidente tivesse um desfecho favorável aos interesses da própria Igreja. Foi dentro dessas circunstancias históricas que envolviam o Ocidente Cristão que São Vicente Ferrer deveria desenvolver seu apostolado. O perfil moral e religioso de Vicente Foi, antes de tudo, um religioso dominicano fiel ao carisma de São Domingos. Vicente pregava sobre a segunda vinda de Jesus no Juízo Final. E isso de um modo tão compenetrado que provocava a conversão nas pessoas. Era um homem de penitência, da verdade, da esperança, que semeava a unidade e a expectativa do Senhor que voltará. A Providência abençoava seu apostolado: sua pregação era confirmada com sinais, milagres e conversões. Sua vida foi uma confirmação de que a Palavra de Deus precisa ser anunciada com o espírito e com uma vida a serviço da verdade e da Igreja. Diariamente, dez mil pessoas osculam suas mãos Em seus sermões, a voz de Deus falava por sua boca: as inimizades públicas cessavam, os pecadores eram movidos ao arrependimento, almas desejosas de perfeição o seguiam. Pregava sempre para multidões que, às vezes chegavam a mais de 15.000 pessoas colocadas ao ar livre. Pessoas contemporâneas do Santo afirmavam que, embora falando na sua própria língua, era entendido por quem não a conheciam. Em Tolosa foi tão grande a quantidade de pessoas, que o próprio Arcebispo pediu para que o sermão fosse na praça de Santo Estêvão que fica ao lado da Igreja e onde podia caber um público maior. Vicente pregou e celebrou Missa solene na praça quase todos os dias. Os fiéis tinham tanto desejo de conseguir um lugar nas cerimônias que se levantavam à meia noite e se dirigiam para a praça com lanternas e archotes e cada um trazia seu próprio assento. Todos afirmavam que podiam ouvi-lo estando perto ou longe dele. Mesmo assim, todos queriam estar juntos dele. Queriam vê-lo bem, observar como oficiava as cerimônias religiosas, como curava os doentes que vinham ao palanque onde ele se encontrava. Todos queriam estar o mais próximo dele para mais facilmente poder beijar-lhe as mãos e, assim que o sermão terminasse, poderem voltar para casa tendo recebido dele a bênção. De certa feita, num vilarejo, as dez mil pessoas que ouviam seu sermão beijaram respeitosamente suas mãos. E este gesto foi repetindo nos onze dias seguintes em que ele ali pregou. Converteu mouros, ressuscitou uma desafiante judia São Vicente trabalhou com afinco também pela conversão dos judeus e dos maometanos. Os historiadores afirmam que foram 25.000 judeus e 8.000 maometanos que ele converteu com seu exemplo e palavras. No Domingo de Ramos de 1407, ele pregava numa igreja de Ecija, na Espanha. Uma senhora judia, rica e poderosa, seguia seus sermões por mera curiosidade. Fazia sarcasmos a meia voz e, em forma de desafio, levantou-se de improviso e atravessou a multidão para sair. Ela não conseguia esconder sua fúria. O povo, explicavelmente, ficou indignado com sua atitude. “Deixai-a sair, disse o Santo, porém afastai-vos do pórtico”… E foi justamente esse pórtico da entrada da Igreja que despencou sobre ela e a matou. São Vicente disse, então, em alto e bom som: “Mulher, em nome de Cristo, volte à vida!” A mulher ressuscitou! Depois disso, a senhora converteu-se à verdadeira Religião… Na cidade, anualmente, uma procissão passou a comemorar a morte, ressurreição e conversão da senhora judia. Ele profetizou sua canonização e quem o canonizaria Com o correr dos anos, a idade chegou e com ela o cansaço e os males físicos. Muitas vezes, era obrigado a caminhar amparado. Quando começava a pregar, porém, tudo desaparecia. Seu rosto como que se transfigurava, a pele parecia retomar o frescor da juventude. Seus olhos brilhavam e sua voz era clara e sonora. Sua convicção era firme e transparecia em suas palavras, deixando todos admirados. Os frutos dos sermões continuavam abundantes e de tal modo que eram sempre necessários muitos sacerdotes para ouvir as confissões que eles geravam. Sua missão apostólica continuou até 1419. Ele estava na Bretanha, quando percebeu que sua vida estava chegando ao fim. Porque ele amava muito sua terra natal, ele foi colocado em um navio para ser transportado até ela e lá morresse. O navio navegou toda a noite. Mas, pela manhã, inexplicavelmente, encontrava-se no porto. Era um sinal de que Deus queria que morresse na Bretanha. Aos 69 anos, assistido por amigos, por seus irmãos dominicanos e por damas da corte da Duquesa da Bretanha, entregou sua combativa alma a Deus. Era o dia 5 de abril de 1419. O processo de canonização começou no dia seguinte. A Igreja reconheceu como autênticos 873 milagres. Em 1455 foi canonizado Papa Calisto III que, muitos anos antes de ser Papa, foi favorecido por uma profecia de São Vicente. Durante uma das pregações do Santo em Valência, entre a multidão dos que se aproximavam dele para se encomendar às suas orações, São Vicente pos sua atenção em um sacerdote, que lhe pedia também a caridade de rezar por ele. O Santo disse-lhe: “Eu te felicito, meu filho. Tendes presente que és chamado a ser um dia a glória de tua pátria e de tua família, pois serás revestido da mais alta dignidade a que pode chegar um homem mortal. E eu mesmo serei, após minha morte, objeto de tua particular veneração”. São Vicente Ferrer ao cumprimentar um jovem franciscano dizendo-lhe: “Oh! Vós estareis nos altares antes do que eu”. O jovem era o futuro São Bernardino de Siena, canonizado em 1450. São Vicente Ferrer, Rogai por nós. (JS) SÃO VICENTE FERRER Quem não conhece São Vicente Férrer, sobretudo na Bretanha, onde terminou a vida?Nos séculos quatorze e quinze renovou as pregações e os milagres dos apóstolos. Converteu milhares de infiéis, de heréticos, cismáticos, pecadores, na Espanha, em França e na Inglaterra, bem como na Alemanha e na Itália. Isto porque evangelizou todos esses países, falando, como os espanhóis, diversas línguas. Mas, detenhamo-nos no que podemos imitar. Estudemos, por exemplo, como ele estudou. “Quereis estudar, dizia, de uma maneira que vos seja útil? Que a devoção vos acompanhe em todos os vossos estudos e que vosso fito seja alcançar a santificação e não a simples habilidade. Consultai mais a Deus que aos livros, e pedi-lhe com humildade a graça de compreender o que lerdes. O estudo fatiga o espírito e seca o coração. Ide, de quando em quando, reanimar tanto um como outro aos pés de Jesus Cristo. Alguns vos dão vigor renovado e novas luzes. Interrompei vosso trabalho com jaculatórias. Que a oração, enfim, preceda e termine vosso estudo. A ciência é um dom do Pai das luzes; não a olheis, pois, como obra de vosso espírito e de vossos talentos.” Natural de Valência, Espanha, nascido em 1357, entrou para a Ordem de São Domingos, em 1374. Morreu em Vannes, na Bretanha, em 1419, esgotado pelas austeridades e pelo trabalho. Renovou a fé e a piedade em grande parte da terra, com os milagres e as pregações. Contribuiu poderosamente para a extinção de um cisma, que há quarenta anos dividia a Igreja. Foi honorificado por reis e pelos povos. Que pensaria de si mesmo? Escutemo-lo: “Toda a minha vida, disse, não é mais do que mau cheiro; meu corpo e minha alma estão infectos. Tudo em mim exala odor de corrupção, causada por abominações dos meus pecados e injustiças. E, o que é ainda pior, eu mesmo sinto essa exalação crescer dentro de mim, todos os dias, e tornar-se cada vez mais insuportável”. Se os santos pensam dessa forma a respeito de si mesmos, que deveremos pensar de nós mesmos? Vejamos como decorreram os dois últimos anos de sua vida. De Nantes, o apóstolo se dirigiu a Vannes, em 1417, para lá saudar o duque da Bretanha, João V, que residia ordinariamente nessa cidade. Quando correu a notícia de sua chegada, o bispo Amauri de La Motte, o capítulo, o clero, o povo, e principalmente o duque, a duquesa, todos os príncipes e os senhores da corte lhe foram ao encontro, na capela de São Lourenço, situada a um quarto de légua da cidade. Primeiro Vicente foi a Catedral. Depois, recusando modestamente o alojamento no castelo que o duque lhe cedera, preferiu a casa de um simples particular chamado Robin. No dia seguinte, que era o quarto domingo da quaresma, cantou a missa, como fazia ordinariamente, e pregou na praça de Lices, sobre um estrado, já que a catedral era pequena demais para conter a multidão que queria vê-lo e ouvi-lo. Continou a celebrar a missa solene e a pregar todos os dias, no mesmo lugar, até quarta-feira da Páscoa, quanto, então, se despediu do duque, do bispo, do capítulo, do povo, para se dirigir para o resto da Bretanha, onde iria pregar. Diversas pessoas de alta linhagem se uniram ao santo homem, quando partiu de Vannes e não o abandonaram durante toda a viagem. Percorreu ele toda a província com zelo que não deixava oportunidade para sentir as doenças de que sofria. Quando subia ao púlpito, parecua tão fraco e tão debilitado, que não se podia crer que pudesse falar; apenas começava o sermão, animava-se e pregava com tanto ardor, com tanta ciência, e com tanta clareza, como no tempo em que possuía todas as forças. Foi assim que evangelizou Guérande, Aurai, Redom, Guemené, Rostrenen, Pontivi, Crosic, Hennebon, Carhais, Guemperlé, onde se hospedou na casa dos religiosos da sua ordem, Concarneau, Pont-l’Abbé, Quimper, Saint-Paul de Léon e Morlaix, onde foi recebido na casa dos dominicanos, seus confrades. Durante quinze anos permaneceu nessa cidade e ia pregar no alto da rua das Fontes, lugar elevado, acima da cidade, onde mais tarde foi erguida uma capela em sua honra. De Morlaix, o santo missionário foi a Lannion, Tréguier, La Roche-Derien, Guingamp, Chatelaudren, Saint-Brieuc, Lamballe, Quintin, Jugon, Saint-Malo, de o onde partiu para Dinan. Aqui ficou dez dias entre os dominicanos. Encontrou nessa cidade uma praça adequada para pregação, uma das maiores do reino. De lá anunciou a palavra de Deus a numerosa multidão que de todas as partes acorreu. Da mesma forma, evangelizou Dol, Antrain, Bazouges, Fougéres e Vitré. Depois dirigiu-se a Rennes, onde foi recebido pelo bispo, pelo clero, pela nobreza, pelos magistrados e pela burguesia, com todo o respeito. O bispo mandara preparar-lhe um quarto no palácio episcopal. Mas o humilde Vicente não quis outro alojamento que o do convento dos confrades, os religiosos de Bonne Nouvelle. Durante o tempo em que esteve em Rennes, pregou em uma praça bastante espaçosa, chamada cemitério Sant’Ana. De Rennes, retomou o caminho de Vannes, por Montfort, Josselin, La Chéze e Ploermel. Além dos trabalhos maravilhosos de missionário apostólico, exerceu até as mais insignificantes funções dos catequistas, não julgando pequeno tudo quanto pudesse servir para a glória de Deus e para a salvação das almas. Em determinadas horas, reunia ao seu redor as crianças e lhes ensinava a fazer o sinal da cruz, a Oração dominical, a Saudação angélica e o Símbolo dos apóstolos. Ensinava-as a amar a Deus, a respeitar os pais e o próximo. Dando-se todo a todos, a exemplo do Apóstolo, acolhia os pobres com tanta consideração como aos ricos, e os homens mais obscuros como os mais nobres. Mostrava-se agradável a todos. As viúvas e os órfãos encontravam nele um defensor cheio de zelo. Não se recusava a nenhum dos serviços que podia prestar aos irmãos. A virtude dos milagres e o dom de se fazer entender mesmo pelos que não lhe conheciam a língua, o acompanharam à Bretanha como a todos os demais lugares que tiveram a felicidade de vê-lo. Mas, o corpo acabou sucumbindo sob os rigores da penitência e sob os trabalhos do apostolado. Seus companheiros, vendo aproximar-se o fim de sua vida, procuraram convencê-lo de terminar os dias na Espanha. O grande interesse que tinham nisso impediu-o de resistir aos pedidos. Todavia, não partiu imediatamente, lembrando-se das palavras que Nosso Senhor lhe disse em Avinhão, e da ordem que lhe dera de ir às regiões do Oeste, pregar o Evangelho. Por fim, deixou-se vencer e, após ter-se despedido dos habitantes de Vannes, montou sobre o burro e se pôs a caminho, à meia-noite. Mas depois de algumas léguas com os companheiros, encontrou-se ao despontar do dia, às portas da cidade. Vontando-se para or irmãos lhes disse: “Reentremos nessa cidade, irmãos, pois o que nos aconteceu demonstra suficientemente que Deus deseja se verifique o fim de minha carreira.” Sua volta causou alegria geral aos habitantes. Em grande massa, acorreram homens, mulheres, crianças, para beijar-lhe as mãos e demonstrar-lhe a satisfação pelo retorno. Por toda parte se ouviam os sinos como nos dias das maiores solenidades. Só se ouvia: Bendito seja o que vem em nome do Senhor! Chegado à residência, disse aos habitantes da cidade: “Meus filhos, aprouve a Deus que voltasse para cá; não para pregar, mas para morrer entre vós. Ide, e que Deus vos recompense pela homenagem que quisestes prestar-me, por amor a Ele.” Disse ainda outras coisas, que arrancaram lágrimas aos presentes e que mudaram em sensível aflição a alegria sentida por vê-lo de volta. No dia seguinte, foi atacado de violenta febre, acompanhada de dores agudas em todos os membros, e de um esgotamento geral. Mas, com o espírito esclarecido, como nos melhores dias de saúde, chamou os irmãos e lhes anunciou o dia da morte. Fez vir o sacerdote ao qual tinha o hábito de confiar os segredos de consciência. Confessou-se, pediu-lhe que lhe concedesse a absolvição geral, de acordo com o poder que lhe fora outorgado pelo Papa Martinho V. Recebeu em seguida, todos os sacramentos com redobrada devoção e passou três dias inteiros exortando à prática da virtude e à perseverança no bem de todos quantos tinham a felicidade de se aproximar dele. Quando se espalhou na cidade a notícia de que havia recebido os últimos sacramentos, o bispo, a nobreza, os magistrados vieram vê-lo. Vicente lhes disse: “- Senhores da Bretanha, se quiserdes lembrar-vos de tudo quanto vos preguei durante dois anos, concluíres que nada melhor para vossa saúde do que conformar-vos à verdade. Não ignorais a que vícios vossa província estava sujeita, e que, de minha parte, nada poupei para vos reconduzir ao bom caminho. Daí graças a Deus comigo, pelo fato de, além de me ter concedido o talento da palavra, haver tornado vossos corações capazes de serem tocados e levados para o bem. Não vos resta outra coisa senão perseverar na prática das virtudes e não esquecer o que vos ensinei. No que me diz respeito, desde que apraz a Deus que encontre aqui o fim de minha vida e dos meus trabalhos, serei chamado ao tribunal de Deus, não cessarei de implorar-lhe a misericórdia por vós e vos prometo fazê-lo, contanto que não vos afasteis daquilo que vos ensinei. Adeus! Irei para junto do Senhor dentro de dez dias.” Em seguida, para dedicar mais calmamente o resto da vida à contemplação, pediu que evitassem a aglomeração do povo. As dores foram aumentando. Entretanto a paciência mais ainda que as dores. Nas operações cirúrgicas mais duras, não se ouviu outra palavra que o nome de Jesus e o nome de Maria. Como não houvesse ainda casa religiosa da sua ordem em Vannes, as principais autoridades da cidade, querendo prevenir as disputas que pudessem sobrevir com respeito à sepultura, vieram perguntar-lhe onde desejaria ser enterrado. A resposta foi: “Sou um pobre religioso que não se orgulha de outra coisa que da qualidade de servidor de Deus. Assim, encaro a salvação da minha alma como o único cuidado do qual devo ocupar-me. De resto, preocupo-me muito pouco com o que se relaciona com a sepultura para meu corpo. Todavia, para que permaneçais em paz após minha morte, como tratei de vo-la oferecer enquanto aqui vivi, peço-vos permitais seja o prior do convento da minha ordem, que é mais perto daqui, quem decida a respeito de minha sepultura.” Nove dias depois, pediu que lhe fosse lida a paixão de Nosso Senhor, segundo os quatro evangelistas. Em seguida ouviu os sete salmos da penitência, aos quais repetiu com os demais salmos, até que as forças lhe faltaram por completo e a língua se tornou imóvel. Juntou as mãos, ergueu os olhos para o céu e entregou a alma a Deus, numa quarta-feira, dia 5 de Abril de 1419, aos 63 anos de idade. A duquesa da Bretanha, filha de França, quis lavar-lhe o corpo pessoalmente. A água que empregou nesse mister, serviu de remédio para a cura de inúmeros doentes. O duque João, o quinto com esse nome, preparou homenagens magníficas a São Vicente. Eram tantos os que queriam ver o corpo do santo, que foi necessário guardá-lo durante três dias, para que se pudesse satisfazer a devoção do povo que desejava vê-lo e tocá-lo. Foi mesmo necessário, por fim, cercá-lo com guardas armados, para que não o reduzissem a pedaços. Foi enterrado na igreja-catedral, ao lado do altar-mor. E Deus continuou a fazer, após a morte de São Vicente, tantos e mais milagres por sua intercessão, quantos havia operado, por sua intercessão, durante a vida do santo. Imediatamente após ter morrido, a maioria dos príncipes e prelados, das cidades e universidades que tinham tido a felicidade de conhecê-lo e de possuí-lo, se dirigiram ao Papa Martinho V, para lhe obterem a canonização. João V, da Bretanha, foi um dos mais ardorosos solicitadores dessa declaração, que terminou apenas em 1455, com o Papa Calisto III. A bula da canonização foi publicada três anos após, pelo Papa Pio II. Em 1456, desenterraram-no. Os espanhóis tinham pedido inutilmente que fosse transportado para Valência. Resolveram, então, em 1599, roubá-lo secretamente, como tesouro que lhes pertencia. Para prevenirem alguma coisa, esconderam a urna que lhe encerrava o corpo. Mas em 1637, descobriram-na, o que ocasionou uma segunda transladação, que se efetuou em 6 de Setembro. Após o que, colocou-se essa urna em cima do altar de uma capela que acabara de ser construída na catedral. E lá ainda se encontra, exposta à veneração dos fiéis. #SantodoDia
- São Vicente Ferrer, grande apóstolo e profeta – 05 de Abril
SANTO DO DIA – 05 DE ABRIL – SÃO VICENTE FERRER Religioso dominicano (1350-1419) Vicente nasceu em Valência, na Espanha, em 1350. Passou a infância e a juventude junto aos padres dominicanos, que tinham um convento próximo de sua casa. Percebendo sua vocação, pediu ingresso na Ordem dos Pregadores (dominicanos) aos dezessete anos. Vicente estudou em Lérida, Barcelona e Tolosa, doutorando-se em filosofia e teologia, e ordenando-se sacerdote em 1378. Pregador nato, nesse mesmo ano começou sua peregrinação por toda a Europa, durante um período negro da história, quando ocorreu a Guerra dos Cem Anos, quando forças políticas, alheias à Igreja, tinham tanta influência que atuavam até na eleição dos papas. Assim, quando um italiano foi eleito papa, Urbano VI, as correntes políticas francesas não o aceitaram e elegeram outro, um francês, Clemente VII, que foi residir em Avinhão, na França. A Igreja dividiu-se em duas, ocorrendo o chamado cisma da Igreja ocidental, porque ela ficou sob dois comandos, o que durou trinta e nove anos. Vicente Ferrer, pregador, já era muito conhecido. Como prior do convento de Valência, teve contato com o cardeal Pedro de Luna, que o convenceu da legitimidade do papa de Avinhão, e Vicente aderiu à causa. Em 1384, o referido cardeal foi eleito papa Bento XIII e habilmente fez do dominicano Vicente seu confessor, sendo defendido por ele até 1416, como fazia Catarina de Sena, sua contemporânea, pelo italiano Urbano VI. O coração desse dominicano era dotado de uma fé fervorosa, mas passando por uma divisão dessas, e juntando-se o panorama geral da Europa na época: por toda parte batalhas sangrentas, calamidades públicas, fome, miséria, misticismo, ignorância, além da peste negra, que dizimou um terço da população. Tudo isso fez que a pregação de Vicente Ferrer ganhasse a nuance do fatalismo. Ele andou pela Espanha, França, Itália, Suíça, Bélgica, Inglaterra e Irlanda e muitas outras regiões, defendendo sempre a unidade da Igreja, o fim das guerras, o arrependimento e a penitência, como forma de esperar a iminente volta de Cristo. Tornou-se a mais alta voz da Europa. Pregava para multidões e as catedrais tornavam-se pequenas para os que queriam ouvi-lo. Por isso fazia seus sermões nas grandes praças públicas. Milhares de pessoas o seguiam em procissões de penitência. Dizem os registros da Igreja, e mesmo os que não concordavam com ele, que Deus estava do seu lado. A cada procissão os prodígios e graças sucediam-se e podiam ser comprovados às centenas entre os fiéis. O cisma da Igreja só terminou quando os dois papas renunciaram ao mesmo tempo, para o bem da unidade do cristianismo. Vicente retirou seu apoio ao papa Bento XIII e, com sua atuação, ajudou a eleger o novo papa, Martinho V, trazendo de novo a união da Igreja ocidental. As nuvens negras dissiparam-se, mas as conversões e as graças por obra de Vicente Ferrer ficarão por toda a eternidade. Ele morreu no dia 5 de abril de 1419, na cidade de Vannes, Bretanha, na França. Foi canonizado pelo papa Calisto III, seu compatriota, em 1458, que o declarou padroeiro de Valência e Vannes. São Vicente Ferrer foi um dos maiores pregadores da Igreja do segundo milênio e o maior pregador do século XIV. Conheça mais sobre São Vicente Ferrer Imagine um pregador cujas homilias durassem de duas a três horas e que na Sexta-feira Santa elas chegassem a durar até seis horas… Será que haveria gente para ouvi-lo? Um grande pregador! Se o pregador fosse São Vicente Ferrer haveria. … E muitos! Pois, as igrejas onde ele costumava fazer suas homilias tornavam-se pequenas para conter a multidão que ele atraia. Em Tolosa, na Espanha, um de seus sermões prolongou-se por seis horas seguidas! Seus ouvintes dessa cidade costumavam dizer: “Este homem veio a esta cidade para nossa salvação ou para nossa perdição. Para que nos salvemos, se fizermos o que ele nos diz; para que nos condenemos, se nos descuidarmos de obedecer-lhe.” E afirmavam ainda: “Até aqui podíamos dizer que não tínhamos quem nos ensinasse bem o que somos obrigados a fazer. Agora já não podemos dizer isso”. Foi tão grande a devoção que habitantes de Tolosa tiveram por ele que, depois de sua partida, transformaram em relíquias tudo que dele puderam guardar. O palanque que ele usou para fazer suas pregações era tocado e beijado como se fosse algo sagrado. Em certas localidades, enquanto São Vicente Ferrer fazia sua pregação, tudo parava. As lojas fechavam e até as audiências nos tribunais eram suspensas. Todos queriam ouvi-lo. Nos dias em que São Vicente Ferrer pregou em Tolosa, por exemplo, não houve pregador que quisesse fazer sermão, porque todo mundo ia atrás do Santo. Quando sabiam que ele se aproximava de uma cidade, era comum o povo ir ao seu encontro. Havia então, verdadeiras disputas para que se conseguir um lugar que ficasse o mais próximo possível do Santo. Então para ele não ser esmagado pela veneração e entusiasmo popular, era necessário que quatro homens jovens e fortes conduzissem umas pranchas de madeira que formavam um quadrilátero no interior do qual São Vicente Ferrer podia caminhar com segurança. De onde lhe vinha a atração e o sucesso Com uma oratória brilhante e cheia de fogo, São Vicente Ferrer mantinha a lógica das argumentações escolásticas. Seus ouvintes percebiam nele a presença do sobrenatural e suas palavras eram carregadas de amor de Deus. Era isso que atraia seus ávidos ouvintes. A graça divina estava nele. Seus inflamados sermões não só atraíam multidões mas, obtinham incontáveis conversões, inclusive de judeus e maometanos que ainda dominavam a península Ibérica. Sem dúvida, o sucesso e as graças obtidas nesse apostolado eram frutos de sua obediência amorosa a Nosso Senhor Jesus Cristo que, em uma visão tida pelo Santo, ordenou que ele pregasse a verdadeira Fé católica pelo mundo todo. Sempre esteve próximo à Ordem dos Pregadores A casa de seus pais ficava nas imediações do Real Convento da Ordem dos Pregadores, os dominicanos. Isto ajudou a que, ainda jovem, Vicente decidisse tornar-se religioso, vestindo o hábito dos frades dominicanos. Fez sua profissão religiosa em 1368 e foi ordenado sacerdote em 1374. Alternou o estudo e o ensino da filosofia com a aprendizagem da teologia passando pelas cidades de Lérida, Barcelona e Tolosa, todas na Espanha. Aprofundou-se no estudo e conhecimento perfeito da exegese bíblica e da língua hebraica. Quando regressou a Valência, sua cidade natal, ensinou teologia, escreveu, pregou e foi um exímio conselheiro. Alguns anos mais tarde, passou a viver na França, exercendo suas funções na cidade de Avignon, onde caiu gravemente enfermo sofrendo uma doença que o levou à beira da morte. Por ocasião dessa enfermidade, ainda em Avignon, Vicente teve uma visão de Deus. Ele viu Nosso Senhor Jesus Cristo acompanhado por São Domingos, fundador de sua Ordem Religiosa e por São Francisco de Assis. Nessa visão, Nosso Senhor conferiu a ele a missão de pregar o evangelho pelo mundo. Após ter aceito essa difícil e nobre incumbência, repentinamente, ele recuperou a saúde. A 22 de novembro de 1399, deixou a França e saiu pregando a palavra de Deus no Ocidente. Sua ação foi um contínuo espalhar de tesouros de sabedoria. Uma época conturbada, dentro e fora da Igreja São Vicente Ferrer veio ao mundo no ano de 1350, em Valência, numa Espanha que ainda lutava contra os árabes maometanos invasores da península ibérica. O Ocidente passava por uma grande crise espiritual que atingia direta ou indiretamente todas as nações. Nenhuma escapava! A França encontrava-se assolada pela Guerra dos cem anos; na Itália, havia conflitos entre “guelfos” e “gibelinos”. As regiões espanholas de Castela e Aragão viviam um momento de anarquia. Fora das fronteiras da cristandade o perigo maometano era uma constante. Para piorar o ambiente de confusão dessa fase histórica, houve uma crise religiosa. Foi durante esse período que eclodiu no seio da Igreja o Cisma do Ocidente. Cardeais declararam inválida a eleição de Urbano VI como Papa, surgiram outros Papas. Um deles foi Clemente VII. Um Papa ficava em Roma, o outro em Avignon. Os dois se excomungavam mutuamente. Nações e reinos tomaram partidos de acordo com suas conveniências: a Cristandade dividiu-se. São Vicente Ferrer chegou escrever um tratado sobre este cisma. Esforçou-se e colocou todo peso de seu prestígio em toda a Cristandade para que o Cisma do Ocidente tivesse um desfecho favorável aos interesses da própria Igreja. Foi dentro dessas circunstancias históricas que envolviam o Ocidente Cristão que São Vicente Ferrer deveria desenvolver seu apostolado. O perfil moral e religioso de Vicente Foi, antes de tudo, um religioso dominicano fiel ao carisma de São Domingos. Vicente pregava sobre a segunda vinda de Jesus no Juízo Final. E isso de um modo tão compenetrado que provocava a conversão nas pessoas. Era um homem de penitência, da verdade, da esperança, que semeava a unidade e a expectativa do Senhor que voltará. A Providência abençoava seu apostolado: sua pregação era confirmada com sinais, milagres e conversões. Sua vida foi uma confirmação de que a Palavra de Deus precisa ser anunciada com o espírito e com uma vida a serviço da verdade e da Igreja. Diariamente, dez mil pessoas osculam suas mãos Em seus sermões, a voz de Deus falava por sua boca: as inimizades públicas cessavam, os pecadores eram movidos ao arrependimento, almas desejosas de perfeição o seguiam. Pregava sempre para multidões que, às vezes chegavam a mais de 15.000 pessoas colocadas ao ar livre. Pessoas contemporâneas do Santo afirmavam que, embora falando na sua própria língua, era entendido por quem não a conheciam. Em Tolosa foi tão grande a quantidade de pessoas, que o próprio Arcebispo pediu para que o sermão fosse na praça de Santo Estêvão que fica ao lado da Igreja e onde podia caber um público maior. Vicente pregou e celebrou Missa solene na praça quase todos os dias. Os fiéis tinham tanto desejo de conseguir um lugar nas cerimônias que se levantavam à meia noite e se dirigiam para a praça com lanternas e archotes e cada um trazia seu próprio assento. Todos afirmavam que podiam ouvi-lo estando perto ou longe dele. Mesmo assim, todos queriam estar juntos dele. Queriam vê-lo bem, observar como oficiava as cerimônias religiosas, como curava os doentes que vinham ao palanque onde ele se encontrava. Todos queriam estar o mais próximo dele para mais facilmente poder beijar-lhe as mãos e, assim que o sermão terminasse, poderem voltar para casa tendo recebido dele a bênção. De certa feita, num vilarejo, as dez mil pessoas que ouviam seu sermão beijaram respeitosamente suas mãos. E este gesto foi repetindo nos onze dias seguintes em que ele ali pregou. Converteu mouros, ressuscitou uma desafiante judia São Vicente trabalhou com afinco também pela conversão dos judeus e dos maometanos. Os historiadores afirmam que foram 25.000 judeus e 8.000 maometanos que ele converteu com seu exemplo e palavras. No Domingo de Ramos de 1407, ele pregava numa igreja de Ecija, na Espanha. Uma senhora judia, rica e poderosa, seguia seus sermões por mera curiosidade. Fazia sarcasmos a meia voz e, em forma de desafio, levantou-se de improviso e atravessou a multidão para sair. Ela não conseguia esconder sua fúria. O povo, explicavelmente, ficou indignado com sua atitude. “Deixai-a sair, disse o Santo, porém afastai-vos do pórtico”… E foi justamente esse pórtico da entrada da Igreja que despencou sobre ela e a matou. São Vicente disse, então, em alto e bom som: “Mulher, em nome de Cristo, volte à vida!” A mulher ressuscitou! Depois disso, a senhora converteu-se à verdadeira Religião… Na cidade, anualmente, uma procissão passou a comemorar a morte, ressurreição e conversão da senhora judia. Ele profetizou sua canonização e quem o canonizaria Com o correr dos anos, a idade chegou e com ela o cansaço e os males físicos. Muitas vezes, era obrigado a caminhar amparado. Quando começava a pregar, porém, tudo desaparecia. Seu rosto como que se transfigurava, a pele parecia retomar o frescor da juventude. Seus olhos brilhavam e sua voz era clara e sonora. Sua convicção era firme e transparecia em suas palavras, deixando todos admirados. Os frutos dos sermões continuavam abundantes e de tal modo que eram sempre necessários muitos sacerdotes para ouvir as confissões que eles geravam. Sua missão apostólica continuou até 1419. Ele estava na Bretanha, quando percebeu que sua vida estava chegando ao fim. Porque ele amava muito sua terra natal, ele foi colocado em um navio para ser transportado até ela e lá morresse. O navio navegou toda a noite. Mas, pela manhã, inexplicavelmente, encontrava-se no porto. Era um sinal de que Deus queria que morresse na Bretanha. Aos 69 anos, assistido por amigos, por seus irmãos dominicanos e por damas da corte da Duquesa da Bretanha, entregou sua combativa alma a Deus. Era o dia 5 de abril de 1419. O processo de canonização começou no dia seguinte. A Igreja reconheceu como autênticos 873 milagres. Em 1455 foi canonizado Papa Calisto III que, muitos anos antes de ser Papa, foi favorecido por uma profecia de São Vicente. Durante uma das pregações do Santo em Valência, entre a multidão dos que se aproximavam dele para se encomendar às suas orações, São Vicente pos sua atenção em um sacerdote, que lhe pedia também a caridade de rezar por ele. O Santo disse-lhe: “Eu te felicito, meu filho. Tendes presente que és chamado a ser um dia a glória de tua pátria e de tua família, pois serás revestido da mais alta dignidade a que pode chegar um homem mortal. E eu mesmo serei, após minha morte, objeto de tua particular veneração”. São Vicente Ferrer ao cumprimentar um jovem franciscano dizendo-lhe: “Oh! Vós estareis nos altares antes do que eu”. O jovem era o futuro São Bernardino de Siena, canonizado em 1450. São Vicente Ferrer, Rogai por nós. (JS) SÃO VICENTE FERRER Quem não conhece São Vicente Férrer, sobretudo na Bretanha, onde terminou a vida?Nos séculos quatorze e quinze renovou as pregações e os milagres dos apóstolos. Converteu milhares de infiéis, de heréticos, cismáticos, pecadores, na Espanha, em França e na Inglaterra, bem como na Alemanha e na Itália. Isto porque evangelizou todos esses países, falando, como os espanhóis, diversas línguas. Mas, detenhamo-nos no que podemos imitar. Estudemos, por exemplo, como ele estudou. “Quereis estudar, dizia, de uma maneira que vos seja útil? Que a devoção vos acompanhe em todos os vossos estudos e que vosso fito seja alcançar a santificação e não a simples habilidade. Consultai mais a Deus que aos livros, e pedi-lhe com humildade a graça de compreender o que lerdes. O estudo fatiga o espírito e seca o coração. Ide, de quando em quando, reanimar tanto um como outro aos pés de Jesus Cristo. Alguns vos dão vigor renovado e novas luzes. Interrompei vosso trabalho com jaculatórias. Que a oração, enfim, preceda e termine vosso estudo. A ciência é um dom do Pai das luzes; não a olheis, pois, como obra de vosso espírito e de vossos talentos.” Natural de Valência, Espanha, nascido em 1357, entrou para a Ordem de São Domingos, em 1374. Morreu em Vannes, na Bretanha, em 1419, esgotado pelas austeridades e pelo trabalho. Renovou a fé e a piedade em grande parte da terra, com os milagres e as pregações. Contribuiu poderosamente para a extinção de um cisma, que há quarenta anos dividia a Igreja. Foi honorificado por reis e pelos povos. Que pensaria de si mesmo? Escutemo-lo: “Toda a minha vida, disse, não é mais do que mau cheiro; meu corpo e minha alma estão infectos. Tudo em mim exala odor de corrupção, causada por abominações dos meus pecados e injustiças. E, o que é ainda pior, eu mesmo sinto essa exalação crescer dentro de mim, todos os dias, e tornar-se cada vez mais insuportável”. Se os santos pensam dessa forma a respeito de si mesmos, que deveremos pensar de nós mesmos? Vejamos como decorreram os dois últimos anos de sua vida. De Nantes, o apóstolo se dirigiu a Vannes, em 1417, para lá saudar o duque da Bretanha, João V, que residia ordinariamente nessa cidade. Quando correu a notícia de sua chegada, o bispo Amauri de La Motte, o capítulo, o clero, o povo, e principalmente o duque, a duquesa, todos os príncipes e os senhores da corte lhe foram ao encontro, na capela de São Lourenço, situada a um quarto de légua da cidade. Primeiro Vicente foi a Catedral. Depois, recusando modestamente o alojamento no castelo que o duque lhe cedera, preferiu a casa de um simples particular chamado Robin. No dia seguinte, que era o quarto domingo da quaresma, cantou a missa, como fazia ordinariamente, e pregou na praça de Lices, sobre um estrado, já que a catedral era pequena demais para conter a multidão que queria vê-lo e ouvi-lo. Continou a celebrar a missa solene e a pregar todos os dias, no mesmo lugar, até quarta-feira da Páscoa, quanto, então, se despediu do duque, do bispo, do capítulo, do povo, para se dirigir para o resto da Bretanha, onde iria pregar. Diversas pessoas de alta linhagem se uniram ao santo homem, quando partiu de Vannes e não o abandonaram durante toda a viagem. Percorreu ele toda a província com zelo que não deixava oportunidade para sentir as doenças de que sofria. Quando subia ao púlpito, parecua tão fraco e tão debilitado, que não se podia crer que pudesse falar; apenas começava o sermão, animava-se e pregava com tanto ardor, com tanta ciência, e com tanta clareza, como no tempo em que possuía todas as forças. Foi assim que evangelizou Guérande, Aurai, Redom, Guemené, Rostrenen, Pontivi, Crosic, Hennebon, Carhais, Guemperlé, onde se hospedou na casa dos religiosos da sua ordem, Concarneau, Pont-l’Abbé, Quimper, Saint-Paul de Léon e Morlaix, onde foi recebido na casa dos dominicanos, seus confrades. Durante quinze anos permaneceu nessa cidade e ia pregar no alto da rua das Fontes, lugar elevado, acima da cidade, onde mais tarde foi erguida uma capela em sua honra. De Morlaix, o santo missionário foi a Lannion, Tréguier, La Roche-Derien, Guingamp, Chatelaudren, Saint-Brieuc, Lamballe, Quintin, Jugon, Saint-Malo, de o onde partiu para Dinan. Aqui ficou dez dias entre os dominicanos. Encontrou nessa cidade uma praça adequada para pregação, uma das maiores do reino. De lá anunciou a palavra de Deus a numerosa multidão que de todas as partes acorreu. Da mesma forma, evangelizou Dol, Antrain, Bazouges, Fougéres e Vitré. Depois dirigiu-se a Rennes, onde foi recebido pelo bispo, pelo clero, pela nobreza, pelos magistrados e pela burguesia, com todo o respeito. O bispo mandara preparar-lhe um quarto no palácio episcopal. Mas o humilde Vicente não quis outro alojamento que o do convento dos confrades, os religiosos de Bonne Nouvelle. Durante o tempo em que esteve em Rennes, pregou em uma praça bastante espaçosa, chamada cemitério Sant’Ana. De Rennes, retomou o caminho de Vannes, por Montfort, Josselin, La Chéze e Ploermel. Além dos trabalhos maravilhosos de missionário apostólico, exerceu até as mais insignificantes funções dos catequistas, não julgando pequeno tudo quanto pudesse servir para a glória de Deus e para a salvação das almas. Em determinadas horas, reunia ao seu redor as crianças e lhes ensinava a fazer o sinal da cruz, a Oração dominical, a Saudação angélica e o Símbolo dos apóstolos. Ensinava-as a amar a Deus, a respeitar os pais e o próximo. Dando-se todo a todos, a exemplo do Apóstolo, acolhia os pobres com tanta consideração como aos ricos, e os homens mais obscuros como os mais nobres. Mostrava-se agradável a todos. As viúvas e os órfãos encontravam nele um defensor cheio de zelo. Não se recusava a nenhum dos serviços que podia prestar aos irmãos. A virtude dos milagres e o dom de se fazer entender mesmo pelos que não lhe conheciam a língua, o acompanharam à Bretanha como a todos os demais lugares que tiveram a felicidade de vê-lo. Mas, o corpo acabou sucumbindo sob os rigores da penitência e sob os trabalhos do apostolado. Seus companheiros, vendo aproximar-se o fim de sua vida, procuraram convencê-lo de terminar os dias na Espanha. O grande interesse que tinham nisso impediu-o de resistir aos pedidos. Todavia, não partiu imediatamente, lembrando-se das palavras que Nosso Senhor lhe disse em Avinhão, e da ordem que lhe dera de ir às regiões do Oeste, pregar o Evangelho. Por fim, deixou-se vencer e, após ter-se despedido dos habitantes de Vannes, montou sobre o burro e se pôs a caminho, à meia-noite. Mas depois de algumas léguas com os companheiros, encontrou-se ao despontar do dia, às portas da cidade. Vontando-se para or irmãos lhes disse: “Reentremos nessa cidade, irmãos, pois o que nos aconteceu demonstra suficientemente que Deus deseja se verifique o fim de minha carreira.” Sua volta causou alegria geral aos habitantes. Em grande massa, acorreram homens, mulheres, crianças, para beijar-lhe as mãos e demonstrar-lhe a satisfação pelo retorno. Por toda parte se ouviam os sinos como nos dias das maiores solenidades. Só se ouvia: Bendito seja o que vem em nome do Senhor! Chegado à residência, disse aos habitantes da cidade: “Meus filhos, aprouve a Deus que voltasse para cá; não para pregar, mas para morrer entre vós. Ide, e que Deus vos recompense pela homenagem que quisestes prestar-me, por amor a Ele.” Disse ainda outras coisas, que arrancaram lágrimas aos presentes e que mudaram em sensível aflição a alegria sentida por vê-lo de volta. No dia seguinte, foi atacado de violenta febre, acompanhada de dores agudas em todos os membros, e de um esgotamento geral. Mas, com o espírito esclarecido, como nos melhores dias de saúde, chamou os irmãos e lhes anunciou o dia da morte. Fez vir o sacerdote ao qual tinha o hábito de confiar os segredos de consciência. Confessou-se, pediu-lhe que lhe concedesse a absolvição geral, de acordo com o poder que lhe fora outorgado pelo Papa Martinho V. Recebeu em seguida, todos os sacramentos com redobrada devoção e passou três dias inteiros exortando à prática da virtude e à perseverança no bem de todos quantos tinham a felicidade de se aproximar dele. Quando se espalhou na cidade a notícia de que havia recebido os últimos sacramentos, o bispo, a nobreza, os magistrados vieram vê-lo. Vicente lhes disse: “- Senhores da Bretanha, se quiserdes lembrar-vos de tudo quanto vos preguei durante dois anos, concluíres que nada melhor para vossa saúde do que conformar-vos à verdade. Não ignorais a que vícios vossa província estava sujeita, e que, de minha parte, nada poupei para vos reconduzir ao bom caminho. Daí graças a Deus comigo, pelo fato de, além de me ter concedido o talento da palavra, haver tornado vossos corações capazes de serem tocados e levados para o bem. Não vos resta outra coisa senão perseverar na prática das virtudes e não esquecer o que vos ensinei. No que me diz respeito, desde que apraz a Deus que encontre aqui o fim de minha vida e dos meus trabalhos, serei chamado ao tribunal de Deus, não cessarei de implorar-lhe a misericórdia por vós e vos prometo fazê-lo, contanto que não vos afasteis daquilo que vos ensinei. Adeus! Irei para junto do Senhor dentro de dez dias.” Em seguida, para dedicar mais calmamente o resto da vida à contemplação, pediu que evitassem a aglomeração do povo. As dores foram aumentando. Entretanto a paciência mais ainda que as dores. Nas operações cirúrgicas mais duras, não se ouviu outra palavra que o nome de Jesus e o nome de Maria. Como não houvesse ainda casa religiosa da sua ordem em Vannes, as principais autoridades da cidade, querendo prevenir as disputas que pudessem sobrevir com respeito à sepultura, vieram perguntar-lhe onde desejaria ser enterrado. A resposta foi: “Sou um pobre religioso que não se orgulha de outra coisa que da qualidade de servidor de Deus. Assim, encaro a salvação da minha alma como o único cuidado do qual devo ocupar-me. De resto, preocupo-me muito pouco com o que se relaciona com a sepultura para meu corpo. Todavia, para que permaneçais em paz após minha morte, como tratei de vo-la oferecer enquanto aqui vivi, peço-vos permitais seja o prior do convento da minha ordem, que é mais perto daqui, quem decida a respeito de minha sepultura.” Nove dias depois, pediu que lhe fosse lida a paixão de Nosso Senhor, segundo os quatro evangelistas. Em seguida ouviu os sete salmos da penitência, aos quais repetiu com os demais salmos, até que as forças lhe faltaram por completo e a língua se tornou imóvel. Juntou as mãos, ergueu os olhos para o céu e entregou a alma a Deus, numa quarta-feira, dia 5 de Abril de 1419, aos 63 anos de idade. A duquesa da Bretanha, filha de França, quis lavar-lhe o corpo pessoalmente. A água que empregou nesse mister, serviu de remédio para a cura de inúmeros doentes. O duque João, o quinto com esse nome, preparou homenagens magníficas a São Vicente. Eram tantos os que queriam ver o corpo do santo, que foi necessário guardá-lo durante três dias, para que se pudesse satisfazer a devoção do povo que desejava vê-lo e tocá-lo. Foi mesmo necessário, por fim, cercá-lo com guardas armados, para que não o reduzissem a pedaços. Foi enterrado na igreja-catedral, ao lado do altar-mor. E Deus continuou a fazer, após a morte de São Vicente, tantos e mais milagres por sua intercessão, quantos havia operado, por sua intercessão, durante a vida do santo. Imediatamente após ter morrido, a maioria dos príncipes e prelados, das cidades e universidades que tinham tido a felicidade de conhecê-lo e de possuí-lo, se dirigiram ao Papa Martinho V, para lhe obterem a canonização. João V, da Bretanha, foi um dos mais ardorosos solicitadores dessa declaração, que terminou apenas em 1455, com o Papa Calisto III. A bula da canonização foi publicada três anos após, pelo Papa Pio II. Em 1456, desenterraram-no. Os espanhóis tinham pedido inutilmente que fosse transportado para Valência. Resolveram, então, em 1599, roubá-lo secretamente, como tesouro que lhes pertencia. Para prevenirem alguma coisa, esconderam a urna que lhe encerrava o corpo. Mas em 1637, descobriram-na, o que ocasionou uma segunda transladação, que se efetuou em 6 de Setembro. Após o que, colocou-se essa urna em cima do altar de uma capela que acabara de ser construída na catedral. E lá ainda se encontra, exposta à veneração dos fiéis. #SantodoDia
- Streaming católico lança primeira produção internacional e terá meditações sobre Via Sacra gravadas
Filme original será lançado na Quarta-feira Santa e poderá ser assistido até por quem não assina a plataforma de streaming Um documentário original, gravado na Terra Santa e que mostra de forma inédita o caminho que Jesus Cristo percorreu na Via Sacra. A Lumine — maior plataforma católica de streaming da América Latina — esteve em Jerusalém para gravar sua primeira produção internacional. O longa-metragem será exibido gratuitamente ao público, às 20h da quarta-feira da Semana Santa (5 de abril), em seu canal de YouTube, além de na própria plataforma. “A Via Sacra”, que já conta com um trailer disponível, propõe aos fiéis percorrerem juntos cada passo de Jesus nos lugares onde Ele sofreu, a partir de um olhar contemplativo sobre o mistério salvífico. Com aproximadamente 80 minutos de duração, o filme é conduzido pelo Padre Lucas Mendes, que é reitor da Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores, de Porto Alegre. O sacerdote percorre as 14 estações da Via Crúcis, andando pelas ruas da capital de Israel e propondo meditações com base nos textos de São Josemaria Escrivá. A equipe da Lumine — que reuniu Gustavo Leite na direção, Bruno Dall’Alba na assistência de fotografia e Janaína Martins na produção — teve acesso a locais restritos e muito raros de serem registrados. É o caso da capela da terceira e da quarta estações, a que os peregrinos e o próprio guia que acompanhou os profissionais não costumam ter autorização para visitar. Com isso, foi possível obter imagens únicas. “Essa produção original nos faz refletir sobre como esse lugar, durante todos esses séculos, possui o mesmo clima da época de Jesus. Imaginamos as pessoas nas ruas, com seus comércio, e o próprio Cristo caminhando por ali e carregando sua cruz no meio deles. É um olhar para a realidade, tanto física como espiritual. O espectador não vai só assistir a um filme: ele vai rezar e meditar a Via Sacra”, avalia Leite. Uma ideia que veio dos próprios assinantes De acordo com Matheus Bazzo, fundador da Lumine, a ideia de fazer um especial de Páscoa sobre a Via Sacra partiu do próprio público. Uma pesquisa foi realizada pelo serviço de vídeo sob demanda, e o resultado apontou uma carência de conteúdos relacionados ao tema que tivessem tanto profundidade como qualidade audiovisual. Ele acrescenta que, mais do que falar sobre o futuro da Lumine, “Via Sacra” traduz a essência da marca. “Nossa missão é trazer a beleza, os valores católicos e os dramas humanos através do cinema. E isso tudo poderá ser visto em profundidade nesse filme. Ao mesmo tempo, tocamos em uma temática central dos valores católicos, que é a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Nosso Senhor. E, permeando tudo isso, apresentamos aspectos muito concretos dos dramas dessa região, tanto pelas questões históricas como pela realidade dos nossos dias na Terra Santa”, diz. Bazzo salienta que a plataforma católica de streaming já nasceu com uma vocação internacional, ao compreender que seu conteúdo não se restringe à população brasileira. “Nós queremos falar ao espírito humano e mostrar a beleza do catolicismo em toda a sua abrangência. Então, é absolutamente necessário e natural que a gente vá a outros países e mostre a presença da religião. Começamos pela Terra Santa, mas teremos mais produções no exterior pela frente”, afirma, antecipando que outras ocorrerão ainda em 2023. Quaresma: eis o tempo de conversão A Quaresma é o período mais importante do ano para católicos de todo o mundo. Pensando em proporcionar uma vivência mais intensa para os fiéis ao longo desses 40 dias, a Lumine preparou uma programação especial. Além de “A Via Sacra”, ela inclui o lançamento de outra produção original e a chegada de um sucesso nas bilheterias à plataforma de streaming, além de uma animação voltada ao público infantil. Aberta a todo o público, inclusive não-assinantes, “Quaresma: onde a graça toca o tempo” está disponível no YouTube. Trata-se de uma meditação conduzida pelo padre Felipe Konzen, em que ele explica de forma catequética e poética o que representa essa tradição para os cristãos, abordando também sua simbologia e história. Na produção original da Lumine, o sacerdote reflete sobre as práticas quaresmais e traz à tona aspectos da Via Sacra. Outro destaque da programação especial de Quaresma do serviço de streaming criado no Brasil é o filme “Purgatório”. O longa-metragem polonês é dirigido por Michał Kondrat, conhecido pela criação de “Duas Coroas” — que também faz parte do acervo da Lumine. “Purgatório” traz o assunto a partir de relatos de santos como Padre Pio de Pietrelcina e Santa Faustina Kowalska. O docudrama esteve poucos dias em exibição nos cinemas do país, ficando em quarto lugar em bilheteria, e foi diretamente para a plataforma, onde já é novamente fenômeno de audiência. Dos adultos aos pequenos: seleção especial para chegada à Páscoa Criado especificamente para as crianças, o “Burrinho do Rei” é uma produção original que integra o catálogo da Lumine Kids. Na animação, a Paixão de Cristo é retratada aos pequenos pelo animal que carregou Jesus em suas costas no Domingo de Ramos, tendo sua vida transformada. A história é contada de uma maneira lúdica e, ao mesmo tempo, profunda, reforçando valores e estimulando a reflexão. Além dessas novidades, o serviço de vídeo sob demanda fez uma seleção especial para seus assinantes — reunindo todos os conteúdos que se relacionam com a Quaresma ou podem evocar sentimentos e provocações necessárias para viver bem o período. Nessa playlist, há títulos como “O Evangelho Segundo São Mateus”, “Domínio de Bárbaros”, “Renascer: as vidas transformadas por Padre Pio”, “O Grande Silêncio”, ao longo de outros filmes. Completam o acervo indicado pela Lumine: “A Vida Vale a Pena”, que traz uma série de vídeos do venerável Fulton Sheen, e a produção original “A Vida Interior”. Evoluir na fé a partir do consumo de um bom conteúdo Fundador da Lumine, Matheus Bazzo ressalta que a Quaresma propõe a penitência como um sentido de vida. “Não é apenas um período para se fazer jejum, mas para se meditar a respeito de tudo que estamos ingerindo. Não só o alimento, mas tudo que consumimos”, reflete. Bazzo pontua que, hoje em dia, vivemos um comportamento vicioso nas redes sociais e nas plataformas de mídia. “Somos forçados a consumir, a ver, a interagir o tempo todo. A Quaresma é um convite para um afastamento, onde colocamos tudo isso em perspectiva”, defende. Nesse sentido, segundo ele, ao ver filmes e séries com valores universais, qualquer pessoa é capaz de sentar para assistir a um dos conteúdos da Lumine e sair diferente. “Os bons filmes são capazes de despertar sentimentos de contrição, empatia, tristeza e alegria. E, em uma camada mais profunda, ativar propósitos de mudança de vida, proporcionar uma nova forma de ver o mundo e até mesmo transformar nossa postura diante das dificuldades”, conclui. #FilmesCatólicos
- Streaming católico lança primeira produção internacional e terá meditações sobre Via Sacra gravadas
Filme original será lançado na Quarta-feira Santa e poderá ser assistido até por quem não assina a plataforma de streaming Um documentário original, gravado na Terra Santa e que mostra de forma inédita o caminho que Jesus Cristo percorreu na Via Sacra. A Lumine — maior plataforma católica de streaming da América Latina — esteve em Jerusalém para gravar sua primeira produção internacional. O longa-metragem será exibido gratuitamente ao público, às 20h da quarta-feira da Semana Santa (5 de abril), em seu canal de YouTube, além de na própria plataforma. “A Via Sacra”, que já conta com um trailer disponível, propõe aos fiéis percorrerem juntos cada passo de Jesus nos lugares onde Ele sofreu, a partir de um olhar contemplativo sobre o mistério salvífico. Com aproximadamente 80 minutos de duração, o filme é conduzido pelo Padre Lucas Mendes, que é reitor da Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores, de Porto Alegre. O sacerdote percorre as 14 estações da Via Crúcis, andando pelas ruas da capital de Israel e propondo meditações com base nos textos de São Josemaria Escrivá. A equipe da Lumine — que reuniu Gustavo Leite na direção, Bruno Dall’Alba na assistência de fotografia e Janaína Martins na produção — teve acesso a locais restritos e muito raros de serem registrados. É o caso da capela da terceira e da quarta estações, a que os peregrinos e o próprio guia que acompanhou os profissionais não costumam ter autorização para visitar. Com isso, foi possível obter imagens únicas. “Essa produção original nos faz refletir sobre como esse lugar, durante todos esses séculos, possui o mesmo clima da época de Jesus. Imaginamos as pessoas nas ruas, com seus comércio, e o próprio Cristo caminhando por ali e carregando sua cruz no meio deles. É um olhar para a realidade, tanto física como espiritual. O espectador não vai só assistir a um filme: ele vai rezar e meditar a Via Sacra”, avalia Leite. Uma ideia que veio dos próprios assinantes De acordo com Matheus Bazzo, fundador da Lumine, a ideia de fazer um especial de Páscoa sobre a Via Sacra partiu do próprio público. Uma pesquisa foi realizada pelo serviço de vídeo sob demanda, e o resultado apontou uma carência de conteúdos relacionados ao tema que tivessem tanto profundidade como qualidade audiovisual. Ele acrescenta que, mais do que falar sobre o futuro da Lumine, “Via Sacra” traduz a essência da marca. “Nossa missão é trazer a beleza, os valores católicos e os dramas humanos através do cinema. E isso tudo poderá ser visto em profundidade nesse filme. Ao mesmo tempo, tocamos em uma temática central dos valores católicos, que é a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Nosso Senhor. E, permeando tudo isso, apresentamos aspectos muito concretos dos dramas dessa região, tanto pelas questões históricas como pela realidade dos nossos dias na Terra Santa”, diz. Bazzo salienta que a plataforma católica de streaming já nasceu com uma vocação internacional, ao compreender que seu conteúdo não se restringe à população brasileira. “Nós queremos falar ao espírito humano e mostrar a beleza do catolicismo em toda a sua abrangência. Então, é absolutamente necessário e natural que a gente vá a outros países e mostre a presença da religião. Começamos pela Terra Santa, mas teremos mais produções no exterior pela frente”, afirma, antecipando que outras ocorrerão ainda em 2023. Quaresma: eis o tempo de conversão A Quaresma é o período mais importante do ano para católicos de todo o mundo. Pensando em proporcionar uma vivência mais intensa para os fiéis ao longo desses 40 dias, a Lumine preparou uma programação especial. Além de “A Via Sacra”, ela inclui o lançamento de outra produção original e a chegada de um sucesso nas bilheterias à plataforma de streaming, além de uma animação voltada ao público infantil. Aberta a todo o público, inclusive não-assinantes, “Quaresma: onde a graça toca o tempo” está disponível no YouTube. Trata-se de uma meditação conduzida pelo padre Felipe Konzen, em que ele explica de forma catequética e poética o que representa essa tradição para os cristãos, abordando também sua simbologia e história. Na produção original da Lumine, o sacerdote reflete sobre as práticas quaresmais e traz à tona aspectos da Via Sacra. Outro destaque da programação especial de Quaresma do serviço de streaming criado no Brasil é o filme “Purgatório”. O longa-metragem polonês é dirigido por Michał Kondrat, conhecido pela criação de “Duas Coroas” — que também faz parte do acervo da Lumine. “Purgatório” traz o assunto a partir de relatos de santos como Padre Pio de Pietrelcina e Santa Faustina Kowalska. O docudrama esteve poucos dias em exibição nos cinemas do país, ficando em quarto lugar em bilheteria, e foi diretamente para a plataforma, onde já é novamente fenômeno de audiência. Dos adultos aos pequenos: seleção especial para chegada à Páscoa Criado especificamente para as crianças, o “Burrinho do Rei” é uma produção original que integra o catálogo da Lumine Kids. Na animação, a Paixão de Cristo é retratada aos pequenos pelo animal que carregou Jesus em suas costas no Domingo de Ramos, tendo sua vida transformada. A história é contada de uma maneira lúdica e, ao mesmo tempo, profunda, reforçando valores e estimulando a reflexão. Além dessas novidades, o serviço de vídeo sob demanda fez uma seleção especial para seus assinantes — reunindo todos os conteúdos que se relacionam com a Quaresma ou podem evocar sentimentos e provocações necessárias para viver bem o período. Nessa playlist, há títulos como “O Evangelho Segundo São Mateus”, “Domínio de Bárbaros”, “Renascer: as vidas transformadas por Padre Pio”, “O Grande Silêncio”, ao longo de outros filmes. Completam o acervo indicado pela Lumine: “A Vida Vale a Pena”, que traz uma série de vídeos do venerável Fulton Sheen, e a produção original “A Vida Interior”. Evoluir na fé a partir do consumo de um bom conteúdo Fundador da Lumine, Matheus Bazzo ressalta que a Quaresma propõe a penitência como um sentido de vida. “Não é apenas um período para se fazer jejum, mas para se meditar a respeito de tudo que estamos ingerindo. Não só o alimento, mas tudo que consumimos”, reflete. Bazzo pontua que, hoje em dia, vivemos um comportamento vicioso nas redes sociais e nas plataformas de mídia. “Somos forçados a consumir, a ver, a interagir o tempo todo. A Quaresma é um convite para um afastamento, onde colocamos tudo isso em perspectiva”, defende. Nesse sentido, segundo ele, ao ver filmes e séries com valores universais, qualquer pessoa é capaz de sentar para assistir a um dos conteúdos da Lumine e sair diferente. “Os bons filmes são capazes de despertar sentimentos de contrição, empatia, tristeza e alegria. E, em uma camada mais profunda, ativar propósitos de mudança de vida, proporcionar uma nova forma de ver o mundo e até mesmo transformar nossa postura diante das dificuldades”, conclui. #FilmesCatólicos
- Santo Isidoro de Sevilha, o último Padre da Igreja Ocidental – 04 de Abril
SANTO DO DIA – 04 DE ABRIL – SANTO ISIDORO, ARCEBISPO DE SEVILHA Bispo e doutor da Igreja (560-636) Isidoro, o mais novo de quatro irmãos, nasceu em 560, em Sevilha, capital da Andaluzia, numa família hispano-romana muito cristã. Seu pai, Severiano, era prefeito de Cartagena e comandava sua cidade dentro dos mais disciplinados preceitos católicos. A mãe, Teodora, educou todos os filhos igualmente nas regras do cristianismo. Como fruto, colheu a alegria de ter quatro deles: Isidoro, Fulgêncio, Leandro e Florentina, elevados à veneração dos altares da Igreja. Isidoro começou a estudar a religião desde muito pequeno, tendo na figura do irmão mais velho, Leandro, o pai que falecera cedo. Diz a tradição que logo que ingressou na escola o menino tinha muitas dificuldades de aprendizagem, chegando a preocupar a família e os professores, mas rapidamente superou tudo com a ajuda da Providência Divina. Formou-se em Sevilha, onde, além do latim, ainda aprendeu grego e hebraico, e ordenou-se sacerdote. Tudo isso contribuiu muito para que trabalhasse na conversão dos visigodos arianos, a começar pelo próprio rei. Isidoro também foi o responsável pela conversão dos judeus espanhóis. Tornou-se arcebispo e sucedeu a seu irmão Leandro, em Sevilha, durante quase quatro décadas. Logo no início do seu bispado, Isidoro organizou núcleos escolares nas casas religiosas, que são considerados os embriões dos atuais seminários. Sua influência cultural foi muito grande, era possuidor de uma das maiores e mais bem abastecidas bibliotecas e seu exemplo levou muitas pessoas a dedicarem seus tempos livres ao estudo e às boas leituras. Depois, retirou-se para um convento, onde poderia praticar suas obrigações religiosas e também se dedicar intensamente aos estudos. Por seus profundos conhecimentos, presidiu o II Concílio de Sevilha, em 619, e o IV Concílio de Toledo, em 633, do qual saíram leis muito importantes para a Igreja, de modo que a religiosidade se enraizou no país. Por isso foi chamado de ‘Pai dos Concílios’ e ‘mestre da Igreja’ da Idade Média. Isidoro era tão dedicado à caridade que sua casa vivia cheia de mendigos e necessitados, isso todos os dias. No dia 4 de abril de 636, sentindo que a morte estava se aproximando, dividiu seus bens com os pobres, publicamente pediu perdão para os seus pecados, recebeu pela última vez a Eucaristia e, orando aos pés do altar, ali morreu. Ele nos deixou uma obra escrita sobre cultura, filosofia e teologia considerada a mais valorosa do século VII. Nada menos que uma enciclopédia, com vinte e um volumes, chamada Etimologias, considerada o primeiro dicionário escrito, um livro com a biografia dos principais homens e mulheres da Bíblia, regras para mosteiros e conventos, além de muitos comentários acerca de cada um dos livros da Bíblia, estudo que mais lhe agradava. Dante Alighieri cita Isidoro de Sevilha em seu livro ‘A divina comédia’, no capítulo do Paraíso, onde vê ‘brilhar o espírito ardente’ nesse teólogo. Em 1722, o papa Bento XIV proclamou santo Isidoro de Sevilha doutor da Igreja, e seu culto litúrgico confirmado para o dia de sua morte. Conheça mais sobre Santo Isidoro de Sevilha Pausados, graves e solenes, os sinos da Igreja de Santa Cruz de Jerusalém, a principal de Sevilha, anunciavam a partida deste mundo de seu Arcebispo Isidoro, admirável por sua ciência, por seus escritos e, sobretudo, por sua integridade de vida.Era o dia 4 de abril de 636. Revestido das insígnias episcopais e tendo sobre o peito o livro dos Santos Evangelhos, o corpo repousava no presbitério e o povo, em prantos, comprimia-se para prestar-lhe suas filiais homenagens. Por fim foi conduzido à Igreja de São Vicente e sepultado entre Leandro e Florentina, seus irmãos na carne e na santidade. Quem era este Isidoro, de família tão abençoada e cuja morte tanto se lamentava? Hordas bárbaras irrompem no Império Desde o início do século IV, e com mais intensidade no transcurso do século V, o outrora tão poderoso Império Romano tornava-se cada vez menos capaz de conter o avanço das hordas bárbaras que irrompiam por todos os lados em seu território, saqueando, queimando e destruindo por onde passavam. E como julgavam ser a cultura a causa da decadência daquele povo antes tão aguerrido, os bárbaros demonstravam especial empenho em fazer desaparecer os livros que encontravam. Entretanto, pior que a destruição material eram os empecilhos causados pelos invasores – pagãos ou arianos – ao desenvolvimento da Igreja Católica, que mal acabara de conseguir a liberdade de ação, concedida pelo Edito de Milão, em 313, pelo imperador Constantino. Com muita frequência os povos bárbaros guerreavam entre si, pela conquista ou pela manutenção de algum território. Foi o que aconteceu na Península Ibérica, disputada por alanos, suevos, vândalos e visigodos. Estes últimos, aliados a Roma, acabaram por dominar a situação e manter a região sob seu domínio. Fundamentos da formação de um sábio Nesse conturbado período, próximo do ano 556 nasceu Isidoro, numa família da nobreza goda. Seu pai, Severiano, era católico e, devido à invasão bizantina, migrara com os seus de Cartagena para Sevilha, onde veio à luz nosso Santo. De sua mãe, registram os anais históricos que em Cartagena seguira a seita ariana e, ao chegar a Sevilha, abraçara a Fé Católica. O casal tinha então três filhos: Leandro, já moço, que recebera a formação dada aos nobres godos cristãos naquela época; Fulgêncio, ainda menino; e Florentina, em seus primeiros anos de vida. Todos foram elevados à honra dos altares e são conhecidos como os Quatro Santos de Cartagena. Isidoro contava cerca de seis anos de idade quando eles ficaram órfãos. Seu irmão Leandro, tomando a morte dos pais como um chamado a desprezar os bens passageiros deste mundo e dedicar-se exclusivamente a Deus, empregou a herança paterna na fundação de dois mosteiros: um feminino, no qual se consagraria sua irmã Florentina, e um masculino, do qual se tornou abade. Como consequência imediata das invasões bárbaras, ficou quase extinta no território da atual Europa a base cultural da civilização greco-romana. Restavam os mosteiros como fiéis depositários das obras literárias produzidas ao longo dos séculos, bem como das maravilhas da Revelação. Exemplo disto foi o mosteiro no qual o abade Leandro abriu uma escola para ensinar aos jovens não só matérias elementares como aritmética e gramática, mas também geometria, música, retórica, dialética e até mesmo astronomia. Nela começou seus estudos o jovem Isidoro, que ficara sob a tutela do irmão, erguendo os fundamentos sobre os quais desenvolveu sua privilegiada inteligência para, no futuro, muito servir à Igreja. De aluno a mestre de almas Quando contava por volta de 20 anos, Leandro foi aclamado Arcebispo de Sevilha e, um pouco mais tarde, nomeado conselheiro do rei visigodo Recaredo, convertido ao Cristianismo. Inspirado pela decisão do irmão, Isidoro tomara o hábito religioso e, em 589, era sacerdote recém-ordenado. Sua pouca idade não constituiu obstáculo para suceder a Leandro como abade do mosteiro: a santidade lhe conferia a prudência e a maturidade necessárias para a direção das almas. Infelizmente, contudo, o quadro do monacato espanhol não era dos mais alentadores: além das explicáveis sequelas de barbárie, muitos cristãos abraçavam a vida religiosa, não movidos por amor a Deus e pelo desejo de santificar-se, mas pelo prestígio daí decorrente; numerosos outros, sem disposição para sacrificar-se pelos demais no convívio diário, seguiam uma vida à margem da comunidade. A obra mais conhecida de Santo Isidoro são as “Etimologias”, – um compêndio de todos os ramos da ciência da épocaPáginas do Codex Toletanus (séc. IX) contendo as Etimologias Biblioteca Nacional de Espanha, Madri Longe de desanimar ou pactuar com tal decadência, Santo Isidoro empenhou-se em escrever a Regula monachorum e, com não menor ardor, empreendeu a reforma de seu mosteiro, procurando mantê-lo como ponto de referência para a vida religiosa na Península Ibérica. Neste empreendimento, teve bem presente o ensinamento do Divino Mestre – “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-Me” (Mt 16, 24) -, pois instituiu como ponto central do caminho à perfeição a “renúncia a si mesmo para revestir-se de Cristo, a prática da abnegação, a pobreza, a humildade, o trabalho e a oração”. Oração e trabalho intelectual Por um lado, pôs a vida interior acima do jejum e da mortificação corporal, tendo em vista que o sacrifício da própria vontade agrada mais a Deus do que qualquer outra penitência. Por outro, não se descuidou deste tão importante ponto da vida diária de um monge, que é o trabalho. Ora et labora era o lema de São Bento, pai do monaquismo ocidental. A regra de Santo Isidoro unia trabalho manual e intelectual, frisando que o estudo faz parte dos deveres do religioso. Desta forma, incentivava seus monges a darem importância à leitura, em especial das Sagradas Escrituras, recomendando que a esta se seguisse a meditação. Depois, escreveria em seu Terceiro Livro das Sentenças: “Todo proveito nos vem da leitura e da meditação, pois com a leitura aprendemos as coisas que ignoramos e com a meditação conservamos as que aprendemos”. Determinou ainda que os monges copiassem as obras clássicas para difundi-las entre os demais mosteiros. Durante horas a fio, uns ditavam e outros escreviam. Prescreveu, ademais, normas relativas à prática da caridade entre os irmãos. Por exemplo, toda noite, terminada a última oração em conjunto, todos se perdoavam mutuamente e recebiam em seguida a absolvição do abade. E se algum irmão visse outro incorrendo em falta, deveria fazer-lhe uma fraternal advertência. A regra isidoriana é uma das primeiras a não prescrever castigos corporais, sem descurar, por isso, a necessidade de salutares corretivos: os monges faltosos eram punidos com a privação do convívio da comunidade, a qual se prolongava por alguns dias, vários meses ou até um ano, de acordo com a gravidade da culpa. Enquanto bom pai espiritual, Santo Isidoro não se esqueceu de estabelecer normas acerca dos aspectos da vida cotidiana, como o descanso dos monges: todos deviam dormir, se possível, num único cômodo, estando no centro a cama do abade. Sua presença e o testemunho de sua vida santa entre eles eram uma “reverência à disciplina”.3 Prescrevia também que o hábito religioso deve ser pobre e modesto, mas não miserável, “para não produzir tristeza no coração, nem ser motivo de soberba”. Vasta cultura a serviço da santidade O santo abade não teria alcançado êxito em sua reforma se não tivesse sido ele mesmo a imagem viva daquilo que pregava. Com efeito, sempre preocupado mais com o próximo do que consigo, era modelo de abnegação. Quanto ao trabalho intelectual, dedicou-se com afinco a escrever várias obras que se conservam até hoje. A principal delas, Etimologias, é um compêndio de todos os ramos da ciência da época, que exigiu vinte anos de trabalho para ser finalizada. Nela, como em outras de suas obras, o Santo revela grande capacidade para compilar e ordenar conhecimentos e doutrinas já existentes. Por volta do ano 600 faleceu São Leandro, após uma vida conturbada e heroicaO rei Recaredo com São Leandro e outros Bispos, Códice Vigilano Biblioteca do Mosteiro do Escorial (Espanha) Homem de vasta cultura, Santo Isidoro dominava o latim, o grego e o hebraico, e era conhecedor dos autores clássicos. Sem nunca descurar os encargos de abade e a faina de escritor, destacou-se enquanto professor. A Escola de Sevilha, por ele dirigida, tornou-se célebre em toda a Península Ibérica. Ali foram formados eclesiásticos ilustres, como São Bráulio, Bispo de Zaragoza, e Santo Ildefonso, Bispo de Toledo, bem como jovens da mais alta nobreza, entre os quais cabe destacar os reis Sisenando e Sisebuto. Este último o ajudará a consolidar o Cristianismo na Espanha nascente. Santo Isidoro manteve um excelente relacionamento com seus antigos alunos, dedicando-lhes alguns de seus livros: o das Etimologias, a São Bráulio, e o De natura rerum, ao rei Sisebuto. “Isidoro a seu senhor e filho Sisebuto”,5 escreve, sintetizando a amizade que os unia. Arcebispo de Sevilha Os esforços de Santo Isidoro frutificavam, e tanto no mosteiro quanto na escola reinava uma nova ordem espiritual e intelectual. Deus, porém, exigiria de seu servo mais do que uma sossegada vida claustral. Por volta do ano 600 faleceu seu irmão São Leandro, após uma vida conturbada e heroica, na qual tivera o mérito de converter ao Catolicismo a Espanha visigoda. Incentivado pelas autoridades, o povo aclamou Arcebispo o abade Isidoro, então com 43 anos de idade. Seu fervor, sabedoria e até um porte alto e majestoso marcavam suas pregações, que logo atraíram multidões de fiéis, muitos deles provenientes de lugares longínquos. Sem embargo, o novo Arcebispo não se ocupava só do povo: deitava especial atenção na formação dos sacerdotes, incentivando-os a progredir nas vias da santidade. Velava, sobretudo, pelos seminaristas, aos quais procurava inculcar a dignidade no modo de ser e a seriedade nos atos. Não com o objetivo de vangloriar-se perante os demais, senão porque a boa conduta deve ser um reflexo da alma virtuosa. Por tal razão, o santo Arcebispo, além da perfeição espiritual, exigia de seus clérigos a perfeição no procedimento exterior: “Demonstra o que professas em teu porte e em teus trajes. Haja simplicidade em tuas maneiras, pureza em teus movimentos, gravidade em teus gestos e honestidade em teus passos. Pois no aspecto do corpo se mostra a alma; a postura do corpo é uma imagem da mente, por ela a alma se manifesta e as inclinações se desvendam. Portanto, em teu procedimento nada haja de leviandade; não ofendas com ele o olhar dos outros”. Com empenho ainda maior, Santo Isidoro zelava pelo máximo esplendor da Liturgia. Introduziu nos atos litúrgicos a música sacra, assumindo ele próprio a tarefa de compor vários hinos. E aconselhava seus clérigos a rezarem, como os monges, o Ofício Divino. Tendo ascendido Sisebuto ao trono, em 612, a influência de nosso Santo alcançou o auge e ele aproveitou as circunstâncias para solidificar os direitos da Igreja no reino. Apesar dos laços de amizade que o uniam ao rei, Isidoro não deixava de recriminá-lo com firmeza quando este se imiscuía em assuntos eclesiásticos. Em certa ocasião, Sisebuto recebeu esta severa repreensão de seu antigo mestre: “Um preceito apostólico proíbe que os varões seculares sejam admitidos no governo da Igreja”. Combateu o bom combate, recebeu a coroa da justiça Os serviços por ele prestados à Igreja neste período são inumeráveis. A grande capacidade organizadora de Santo Isidoro levou-o a unificar as rubricas litúrgicas em todo o reino e a criar a Collectio Canonum Ecclesiæ Hispanæ, completa compilação de decretais e cânones conciliares que regeu a Igreja espanhola até a reforma gregoriana. Com seu irmão São Leandro, Santo Isidoro foi incluído no rol dos Padres da Igreja, encerrando a lista dos latinosSão Leandro e Santo Isidoro, por Ignacio de Ries Catedral de Sevilha (Espanha) Sendo já quase octogenário, coube-lhe presidir o IV Concílio de Toledo, no qual se formularam importantes normas nas relações entre a Igreja e o Estado. Encerrada a assembleia, o Arcebispo Isidoro sentia que havia chegado para ele o momento de proclamar, como São Paulo: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé” (II Tim 4, 7). Restava-lhe apenas receber do justo Juiz “a coroa da justiça” (II Tim 4, 8). No dia 31 de março de 636, acompanhado de seus dois Bispos sufragâneos, dirigiu-se à Basílica de São Vicente, para cumprir o rito preparatório para a morte, segundo o costume do tempo. Prostrado ante o altar, vestido de saco e movido por profunda humildade, fez pública penitência de seus pecados, pediu perdão aos fiéis por seus possíveis maus exemplos e deu seus derradeiros conselhos à multidão, que via pela última vez seu Pastor. Passados quatro dias, sua santa alma subiu ao Céu. Com seu irmão São Leandro, foi Santo Isidoro incluído no rol dos Padres da Igreja, encerrando a lista dos latinos. Poucos anos depois de sua morte, o VIII Concílio de Toledo o louvava com estas imortais palavras: “Doutor excelente, glória da Igreja Católica, o mais sábio homem que apareceu para esclarecer os últimos séculos e cujo nome deve ser pronunciado com muito respeito”. (Revista Arautos do Evangelho, Abril/2016, n. 172, pp. 32 a 35). #SantodoDia
- Santo Isidoro de Sevilha, o último Padre da Igreja Ocidental – 04 de Abril
SANTO DO DIA – 04 DE ABRIL – SANTO ISIDORO, ARCEBISPO DE SEVILHA Bispo e doutor da Igreja (560-636) Isidoro, o mais novo de quatro irmãos, nasceu em 560, em Sevilha, capital da Andaluzia, numa família hispano-romana muito cristã. Seu pai, Severiano, era prefeito de Cartagena e comandava sua cidade dentro dos mais disciplinados preceitos católicos. A mãe, Teodora, educou todos os filhos igualmente nas regras do cristianismo. Como fruto, colheu a alegria de ter quatro deles: Isidoro, Fulgêncio, Leandro e Florentina, elevados à veneração dos altares da Igreja. Isidoro começou a estudar a religião desde muito pequeno, tendo na figura do irmão mais velho, Leandro, o pai que falecera cedo. Diz a tradição que logo que ingressou na escola o menino tinha muitas dificuldades de aprendizagem, chegando a preocupar a família e os professores, mas rapidamente superou tudo com a ajuda da Providência Divina. Formou-se em Sevilha, onde, além do latim, ainda aprendeu grego e hebraico, e ordenou-se sacerdote. Tudo isso contribuiu muito para que trabalhasse na conversão dos visigodos arianos, a começar pelo próprio rei. Isidoro também foi o responsável pela conversão dos judeus espanhóis. Tornou-se arcebispo e sucedeu a seu irmão Leandro, em Sevilha, durante quase quatro décadas. Logo no início do seu bispado, Isidoro organizou núcleos escolares nas casas religiosas, que são considerados os embriões dos atuais seminários. Sua influência cultural foi muito grande, era possuidor de uma das maiores e mais bem abastecidas bibliotecas e seu exemplo levou muitas pessoas a dedicarem seus tempos livres ao estudo e às boas leituras. Depois, retirou-se para um convento, onde poderia praticar suas obrigações religiosas e também se dedicar intensamente aos estudos. Por seus profundos conhecimentos, presidiu o II Concílio de Sevilha, em 619, e o IV Concílio de Toledo, em 633, do qual saíram leis muito importantes para a Igreja, de modo que a religiosidade se enraizou no país. Por isso foi chamado de ‘Pai dos Concílios’ e ‘mestre da Igreja’ da Idade Média. Isidoro era tão dedicado à caridade que sua casa vivia cheia de mendigos e necessitados, isso todos os dias. No dia 4 de abril de 636, sentindo que a morte estava se aproximando, dividiu seus bens com os pobres, publicamente pediu perdão para os seus pecados, recebeu pela última vez a Eucaristia e, orando aos pés do altar, ali morreu. Ele nos deixou uma obra escrita sobre cultura, filosofia e teologia considerada a mais valorosa do século VII. Nada menos que uma enciclopédia, com vinte e um volumes, chamada Etimologias, considerada o primeiro dicionário escrito, um livro com a biografia dos principais homens e mulheres da Bíblia, regras para mosteiros e conventos, além de muitos comentários acerca de cada um dos livros da Bíblia, estudo que mais lhe agradava. Dante Alighieri cita Isidoro de Sevilha em seu livro ‘A divina comédia’, no capítulo do Paraíso, onde vê ‘brilhar o espírito ardente’ nesse teólogo. Em 1722, o papa Bento XIV proclamou santo Isidoro de Sevilha doutor da Igreja, e seu culto litúrgico confirmado para o dia de sua morte. Conheça mais sobre Santo Isidoro de Sevilha Pausados, graves e solenes, os sinos da Igreja de Santa Cruz de Jerusalém, a principal de Sevilha, anunciavam a partida deste mundo de seu Arcebispo Isidoro, admirável por sua ciência, por seus escritos e, sobretudo, por sua integridade de vida.Era o dia 4 de abril de 636. Revestido das insígnias episcopais e tendo sobre o peito o livro dos Santos Evangelhos, o corpo repousava no presbitério e o povo, em prantos, comprimia-se para prestar-lhe suas filiais homenagens. Por fim foi conduzido à Igreja de São Vicente e sepultado entre Leandro e Florentina, seus irmãos na carne e na santidade. Quem era este Isidoro, de família tão abençoada e cuja morte tanto se lamentava? Hordas bárbaras irrompem no Império Desde o início do século IV, e com mais intensidade no transcurso do século V, o outrora tão poderoso Império Romano tornava-se cada vez menos capaz de conter o avanço das hordas bárbaras que irrompiam por todos os lados em seu território, saqueando, queimando e destruindo por onde passavam. E como julgavam ser a cultura a causa da decadência daquele povo antes tão aguerrido, os bárbaros demonstravam especial empenho em fazer desaparecer os livros que encontravam. Entretanto, pior que a destruição material eram os empecilhos causados pelos invasores – pagãos ou arianos – ao desenvolvimento da Igreja Católica, que mal acabara de conseguir a liberdade de ação, concedida pelo Edito de Milão, em 313, pelo imperador Constantino. Com muita frequência os povos bárbaros guerreavam entre si, pela conquista ou pela manutenção de algum território. Foi o que aconteceu na Península Ibérica, disputada por alanos, suevos, vândalos e visigodos. Estes últimos, aliados a Roma, acabaram por dominar a situação e manter a região sob seu domínio. Fundamentos da formação de um sábio Nesse conturbado período, próximo do ano 556 nasceu Isidoro, numa família da nobreza goda. Seu pai, Severiano, era católico e, devido à invasão bizantina, migrara com os seus de Cartagena para Sevilha, onde veio à luz nosso Santo. De sua mãe, registram os anais históricos que em Cartagena seguira a seita ariana e, ao chegar a Sevilha, abraçara a Fé Católica. O casal tinha então três filhos: Leandro, já moço, que recebera a formação dada aos nobres godos cristãos naquela época; Fulgêncio, ainda menino; e Florentina, em seus primeiros anos de vida. Todos foram elevados à honra dos altares e são conhecidos como os Quatro Santos de Cartagena. Isidoro contava cerca de seis anos de idade quando eles ficaram órfãos. Seu irmão Leandro, tomando a morte dos pais como um chamado a desprezar os bens passageiros deste mundo e dedicar-se exclusivamente a Deus, empregou a herança paterna na fundação de dois mosteiros: um feminino, no qual se consagraria sua irmã Florentina, e um masculino, do qual se tornou abade. Como consequência imediata das invasões bárbaras, ficou quase extinta no território da atual Europa a base cultural da civilização greco-romana. Restavam os mosteiros como fiéis depositários das obras literárias produzidas ao longo dos séculos, bem como das maravilhas da Revelação. Exemplo disto foi o mosteiro no qual o abade Leandro abriu uma escola para ensinar aos jovens não só matérias elementares como aritmética e gramática, mas também geometria, música, retórica, dialética e até mesmo astronomia. Nela começou seus estudos o jovem Isidoro, que ficara sob a tutela do irmão, erguendo os fundamentos sobre os quais desenvolveu sua privilegiada inteligência para, no futuro, muito servir à Igreja. De aluno a mestre de almas Quando contava por volta de 20 anos, Leandro foi aclamado Arcebispo de Sevilha e, um pouco mais tarde, nomeado conselheiro do rei visigodo Recaredo, convertido ao Cristianismo. Inspirado pela decisão do irmão, Isidoro tomara o hábito religioso e, em 589, era sacerdote recém-ordenado. Sua pouca idade não constituiu obstáculo para suceder a Leandro como abade do mosteiro: a santidade lhe conferia a prudência e a maturidade necessárias para a direção das almas. Infelizmente, contudo, o quadro do monacato espanhol não era dos mais alentadores: além das explicáveis sequelas de barbárie, muitos cristãos abraçavam a vida religiosa, não movidos por amor a Deus e pelo desejo de santificar-se, mas pelo prestígio daí decorrente; numerosos outros, sem disposição para sacrificar-se pelos demais no convívio diário, seguiam uma vida à margem da comunidade. A obra mais conhecida de Santo Isidoro são as “Etimologias”, – um compêndio de todos os ramos da ciência da épocaPáginas do Codex Toletanus (séc. IX) contendo as Etimologias Biblioteca Nacional de Espanha, Madri Longe de desanimar ou pactuar com tal decadência, Santo Isidoro empenhou-se em escrever a Regula monachorum e, com não menor ardor, empreendeu a reforma de seu mosteiro, procurando mantê-lo como ponto de referência para a vida religiosa na Península Ibérica. Neste empreendimento, teve bem presente o ensinamento do Divino Mestre – “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-Me” (Mt 16, 24) -, pois instituiu como ponto central do caminho à perfeição a “renúncia a si mesmo para revestir-se de Cristo, a prática da abnegação, a pobreza, a humildade, o trabalho e a oração”. Oração e trabalho intelectual Por um lado, pôs a vida interior acima do jejum e da mortificação corporal, tendo em vista que o sacrifício da própria vontade agrada mais a Deus do que qualquer outra penitência. Por outro, não se descuidou deste tão importante ponto da vida diária de um monge, que é o trabalho. Ora et labora era o lema de São Bento, pai do monaquismo ocidental. A regra de Santo Isidoro unia trabalho manual e intelectual, frisando que o estudo faz parte dos deveres do religioso. Desta forma, incentivava seus monges a darem importância à leitura, em especial das Sagradas Escrituras, recomendando que a esta se seguisse a meditação. Depois, escreveria em seu Terceiro Livro das Sentenças: “Todo proveito nos vem da leitura e da meditação, pois com a leitura aprendemos as coisas que ignoramos e com a meditação conservamos as que aprendemos”. Determinou ainda que os monges copiassem as obras clássicas para difundi-las entre os demais mosteiros. Durante horas a fio, uns ditavam e outros escreviam. Prescreveu, ademais, normas relativas à prática da caridade entre os irmãos. Por exemplo, toda noite, terminada a última oração em conjunto, todos se perdoavam mutuamente e recebiam em seguida a absolvição do abade. E se algum irmão visse outro incorrendo em falta, deveria fazer-lhe uma fraternal advertência. A regra isidoriana é uma das primeiras a não prescrever castigos corporais, sem descurar, por isso, a necessidade de salutares corretivos: os monges faltosos eram punidos com a privação do convívio da comunidade, a qual se prolongava por alguns dias, vários meses ou até um ano, de acordo com a gravidade da culpa. Enquanto bom pai espiritual, Santo Isidoro não se esqueceu de estabelecer normas acerca dos aspectos da vida cotidiana, como o descanso dos monges: todos deviam dormir, se possível, num único cômodo, estando no centro a cama do abade. Sua presença e o testemunho de sua vida santa entre eles eram uma “reverência à disciplina”.3 Prescrevia também que o hábito religioso deve ser pobre e modesto, mas não miserável, “para não produzir tristeza no coração, nem ser motivo de soberba”. Vasta cultura a serviço da santidade O santo abade não teria alcançado êxito em sua reforma se não tivesse sido ele mesmo a imagem viva daquilo que pregava. Com efeito, sempre preocupado mais com o próximo do que consigo, era modelo de abnegação. Quanto ao trabalho intelectual, dedicou-se com afinco a escrever várias obras que se conservam até hoje. A principal delas, Etimologias, é um compêndio de todos os ramos da ciência da época, que exigiu vinte anos de trabalho para ser finalizada. Nela, como em outras de suas obras, o Santo revela grande capacidade para compilar e ordenar conhecimentos e doutrinas já existentes. Por volta do ano 600 faleceu São Leandro, após uma vida conturbada e heroicaO rei Recaredo com São Leandro e outros Bispos, Códice Vigilano Biblioteca do Mosteiro do Escorial (Espanha) Homem de vasta cultura, Santo Isidoro dominava o latim, o grego e o hebraico, e era conhecedor dos autores clássicos. Sem nunca descurar os encargos de abade e a faina de escritor, destacou-se enquanto professor. A Escola de Sevilha, por ele dirigida, tornou-se célebre em toda a Península Ibérica. Ali foram formados eclesiásticos ilustres, como São Bráulio, Bispo de Zaragoza, e Santo Ildefonso, Bispo de Toledo, bem como jovens da mais alta nobreza, entre os quais cabe destacar os reis Sisenando e Sisebuto. Este último o ajudará a consolidar o Cristianismo na Espanha nascente. Santo Isidoro manteve um excelente relacionamento com seus antigos alunos, dedicando-lhes alguns de seus livros: o das Etimologias, a São Bráulio, e o De natura rerum, ao rei Sisebuto. “Isidoro a seu senhor e filho Sisebuto”,5 escreve, sintetizando a amizade que os unia. Arcebispo de Sevilha Os esforços de Santo Isidoro frutificavam, e tanto no mosteiro quanto na escola reinava uma nova ordem espiritual e intelectual. Deus, porém, exigiria de seu servo mais do que uma sossegada vida claustral. Por volta do ano 600 faleceu seu irmão São Leandro, após uma vida conturbada e heroica, na qual tivera o mérito de converter ao Catolicismo a Espanha visigoda. Incentivado pelas autoridades, o povo aclamou Arcebispo o abade Isidoro, então com 43 anos de idade. Seu fervor, sabedoria e até um porte alto e majestoso marcavam suas pregações, que logo atraíram multidões de fiéis, muitos deles provenientes de lugares longínquos. Sem embargo, o novo Arcebispo não se ocupava só do povo: deitava especial atenção na formação dos sacerdotes, incentivando-os a progredir nas vias da santidade. Velava, sobretudo, pelos seminaristas, aos quais procurava inculcar a dignidade no modo de ser e a seriedade nos atos. Não com o objetivo de vangloriar-se perante os demais, senão porque a boa conduta deve ser um reflexo da alma virtuosa. Por tal razão, o santo Arcebispo, além da perfeição espiritual, exigia de seus clérigos a perfeição no procedimento exterior: “Demonstra o que professas em teu porte e em teus trajes. Haja simplicidade em tuas maneiras, pureza em teus movimentos, gravidade em teus gestos e honestidade em teus passos. Pois no aspecto do corpo se mostra a alma; a postura do corpo é uma imagem da mente, por ela a alma se manifesta e as inclinações se desvendam. Portanto, em teu procedimento nada haja de leviandade; não ofendas com ele o olhar dos outros”. Com empenho ainda maior, Santo Isidoro zelava pelo máximo esplendor da Liturgia. Introduziu nos atos litúrgicos a música sacra, assumindo ele próprio a tarefa de compor vários hinos. E aconselhava seus clérigos a rezarem, como os monges, o Ofício Divino. Tendo ascendido Sisebuto ao trono, em 612, a influência de nosso Santo alcançou o auge e ele aproveitou as circunstâncias para solidificar os direitos da Igreja no reino. Apesar dos laços de amizade que o uniam ao rei, Isidoro não deixava de recriminá-lo com firmeza quando este se imiscuía em assuntos eclesiásticos. Em certa ocasião, Sisebuto recebeu esta severa repreensão de seu antigo mestre: “Um preceito apostólico proíbe que os varões seculares sejam admitidos no governo da Igreja”. Combateu o bom combate, recebeu a coroa da justiça Os serviços por ele prestados à Igreja neste período são inumeráveis. A grande capacidade organizadora de Santo Isidoro levou-o a unificar as rubricas litúrgicas em todo o reino e a criar a Collectio Canonum Ecclesiæ Hispanæ, completa compilação de decretais e cânones conciliares que regeu a Igreja espanhola até a reforma gregoriana. Com seu irmão São Leandro, Santo Isidoro foi incluído no rol dos Padres da Igreja, encerrando a lista dos latinosSão Leandro e Santo Isidoro, por Ignacio de Ries Catedral de Sevilha (Espanha) Sendo já quase octogenário, coube-lhe presidir o IV Concílio de Toledo, no qual se formularam importantes normas nas relações entre a Igreja e o Estado. Encerrada a assembleia, o Arcebispo Isidoro sentia que havia chegado para ele o momento de proclamar, como São Paulo: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé” (II Tim 4, 7). Restava-lhe apenas receber do justo Juiz “a coroa da justiça” (II Tim 4, 8). No dia 31 de março de 636, acompanhado de seus dois Bispos sufragâneos, dirigiu-se à Basílica de São Vicente, para cumprir o rito preparatório para a morte, segundo o costume do tempo. Prostrado ante o altar, vestido de saco e movido por profunda humildade, fez pública penitência de seus pecados, pediu perdão aos fiéis por seus possíveis maus exemplos e deu seus derradeiros conselhos à multidão, que via pela última vez seu Pastor. Passados quatro dias, sua santa alma subiu ao Céu. Com seu irmão São Leandro, foi Santo Isidoro incluído no rol dos Padres da Igreja, encerrando a lista dos latinos. Poucos anos depois de sua morte, o VIII Concílio de Toledo o louvava com estas imortais palavras: “Doutor excelente, glória da Igreja Católica, o mais sábio homem que apareceu para esclarecer os últimos séculos e cujo nome deve ser pronunciado com muito respeito”. (Revista Arautos do Evangelho, Abril/2016, n. 172, pp. 32 a 35). #SantodoDia
- Vaticano intervém no Caminho Sinodal Alemão
Rezemos pela Santa Igreja! 🙏 O prefeito do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, cardeal Arthur Roche, manifestou-se contra duas resoluções litúrgicas tomadas pelo Caminho Sinodal Alemão que buscam permitir que os leigos possam batizar regularmente e pregar homilias na Missa em igrejas de todo o país. Em uma carta ao presidente da Conferência Episcopal Alemã (CEA), Mons. Georg Bätzing, datada de 29 de março, o cardeal Roche esclarece que nenhuma resolução é possível, apesar do fato de que pelo menos uma diocese alemã já havia anunciado ambas as práticas. A intervenção escrita da autoridade vaticana – cujo conteúdo foi corroborado pela CNA Deutsch, a agência de língua alemã do Grupo ICA – tem sete páginas e também lembra aos bispos alemães que as traduções litúrgicas devem ser confirmadas e aprovadas pela Santa Sé. Catequese em vez de homilias Em sua carta, o Cardeal Roche ressalta que não se trata de alcançar “uma melhor preparação teológica ou melhores habilidades de comunicação por parte dos leigos (homens ou mulheres)” e depois permitir que eles preguem. “Também não se trata de criar desigualdades entre os batizados, mas de reconhecer que há distinções feitas pelo Espírito, que produz carismas diferentes, distintos e complementares”, acrescenta. O cardeal afirma que leigos bem formados devem contribuir, por exemplo, como catequistas ou conduzindo conversas sobre a Sagrada Escritura. No entanto, recorda, os leigos não podem pregar a homilia na Missa, uma vez que apenas alguém ordenado “sacramentalmente representa Cristo em virtude da sacra potestas (poder sagrado) que lhe foi conferido na ordenação”. Explicando que a questão da pregação na Missa é uma questão sacramental e não educacional, o Cardeal Roche também adverte sobre “mal-entendidos” sobre “a figura e a identidade do sacerdote, que é o único que pode agir in persona Christi capitis (na pessoa de Cristo, cabeça da Igreja) em virtude do sacramento”. Os leigos só batizam em casos de emergência O prefeito do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos também rejeita a intenção de os leigos administrarem regularmente os batismos, uma prática já realizada em algumas dioceses alemãs. O cardeal indica que justificar isso argumentando, por exemplo, a falta de sacerdotes não é possível sob o direito canônico. O Cardeal Roche também explica que os leigos só podem administrar validamente os batismos em circunstâncias excepcionais, como em perigo de morte ou “em situações dolorosas de perseguição”, ou “em áreas de missão e em outros casos de necessidade especial”. Chamado Papal para a Unidade Em sua carta, o Cardeal Roche lembra aos bispos alemães a carta de 2019 do Papa Francisco com a seguinte citação: “A Igreja universal vive nas e das Igrejas particulares, assim como as Igrejas particulares vivem e florescem na e da Igreja universal, e se estão separadas de todo o corpo eclesial, elas são enfraquecidas. murcham e morrem”. Em uma primeira reação, um porta-voz da Conferência Episcopal Alemã disse na quinta-feira que os bispos continuariam a buscar o diálogo com Roma sobre essas questões. No início deste mês, um grupo de bispos alemães anunciou planos para implementar várias resoluções aprovadas pelo Caminho Sinodal. Dom Franz-Josef Bode, de Osnabrück, então vice-presidente do Episcopado, afirmou que os leigos podiam batizar crianças e pregar “regularmente” homilias em sua diocese. Cerca de uma semana depois, em 25 de março, a Santa Sé anunciou que o Papa Francisco havia aceitado a renúncia de Mons. Bode. Traduzido e adaptado pela equipe da ACI Press. Publicado originalmente na CNA. Proposta do Caminho Sinodal Alemão provoca escândalo e confusão O cardeal Marc Ouellet, prefeito do Dicastério dos Bispos do Vaticano, advertiu que a proposta do Caminho Sinodal da Igreja na Alemanha prejudica a Igreja, causa escândalo e semeia dúvidas e confusão. Com uma apresentação intitulada “Voltando ao espírito dos Atos dos Apóstolos”, o Cardeal dirigiu-se aos bispos da Alemanha em 18 de novembro, como parte de sua visita ad limina ao Vaticano. No texto publicado em 24 de novembro no jornal do Vaticano, o cardeal Ouellet disse que as propostas para o controverso Caminho Sinodal “levantam sérias dificuldades do ponto de vista antropológico, pastoral e eclesiológico”. Depois de notar que mais de um alertou para um “cisma latente” no Caminho do Sínodo, o cardeal advertiu que estes parecem surgir “da pressão cultural e midiática muito forte”. O Caminho Sinodal é um controverso processo plurianual que começou em dezembro de 2019. Bispos e leigos participam dela para abordar questões como o exercício do “poder”, a moral sexual, o sacerdócio e o papel das mulheres na Igreja, questões sobre as quais eles expressaram, publicamente e várias vezes, posições contrárias à doutrina católica. Essas posições levantaram várias acusações de heresia e temores de cisma. O cardeal disse aos bispos da Alemanha que “é surpreendente que a agenda de um grupo limitado de teólogos de algumas décadas atrás seja agora a proposta majoritária do episcopado alemão”. Este grupo, lamentou o cardeal, promove a “abolição do celibato, a ordenação de viri probati (N.d.R: homens recém-casados), o acesso das mulheres ao ministério ordenado, a revalorização moral da homossexualidade, a limitação estrutural e funcional do poder hierárquico, a consideração da sexualidade inspirada na teoria de gênero, mudanças importantes propostas no Catecismo da Igreja Católica, etc.”. O Cardeal Ouellet disse que “ao avaliar o conjunto das propostas, temos a impressão de nos encontrarmos não apenas com uma interpretação mais ampla da disciplina ou moralidade católica, mas com uma mudança fundamental que levanta sérias preocupações”. Dúvida, confusão e escândalo O cardeal também disse que as propostas do Caminho do Sínodo, que também incluem a bênção de casais gays, apesar da proibição explícita do Vaticano, “ferem a comunhão eclesial porque semeia dúvida e confusão no povo de Deus”. “Recebemos todos os dias testemunhos espontâneos que lamentam o escândalo causado aos pequenos por esta proposta inesperada em ruptura com a tradição católica”, lamentou o prefeito do Dicastério dos Bispos. Depois de recordar que cada bispo deve ser et sub Petro, isto é, com o Papa e sob sua autoridade, o cardeal lamentou que os bispos alemães não tenham aceitado a carta de 2019 do Papa Francisco como um “guia para o método sinodal”, mas apenas como uma “referência espiritual”, de modo que “agora as consequências são vistas”. Em 29 de junho de 2019, o Papa Francisco enviou uma carta à Igreja Católica na Alemanha, na qual garante que compartilha sua preocupação com o futuro, adverte sobre a “decadência da fé” e encoraja a não assumir a situação atual com “passividade ou resignação”, e também exorta a intensificar a “oração, penitência e adoração”. Em sua apresentação, o cardeal também disse aos bispos alemães que “a atitude tomada em relação à decisão definitiva de São João Paulo II sobre a impossibilidade de a Igreja Católica prosseguir com a ordenação sacerdotal de mulheres”, estabelecida em 1994 na carta apostólica Ordinatio Sacerdotalis é surpreendente. Nesse texto, o Santo Papa declarou que ” a Igreja não tem de modo algum a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta decisão deve ser considerada definitiva por todos os fiéis da Igreja”. Moratória da Trilha Sinodal O cardeal disse aos bispos alemães no Vaticano que, devido às tensões e circunstâncias atuais, “achamos necessária uma moratória sobre as propostas apresentadas e uma revisão substancial a partir de então, à luz dos resultados do Sínodo Romano” sobre a sinodalidade, cuja fase final será realizada em 2023 e 2024 em Roma. “A razão fundamental para esta moratória é a preocupação pela unidade da Igreja, sustentada pela unidade dos bispos em comunhão com Pedro”, disse o prefeito do Dicastério dos Bispos. “Apoiar esta proposta controversa de um episcopado em dificuldade geraria mais dúvida e confusão entre o povo de Deus”, disse ele.
- Vaticano intervém no Caminho Sinodal Alemão
Rezemos pela Santa Igreja! 🙏 O prefeito do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, cardeal Arthur Roche, manifestou-se contra duas resoluções litúrgicas tomadas pelo Caminho Sinodal Alemão que buscam permitir que os leigos possam batizar regularmente e pregar homilias na Missa em igrejas de todo o país. Em uma carta ao presidente da Conferência Episcopal Alemã (CEA), Mons. Georg Bätzing, datada de 29 de março, o cardeal Roche esclarece que nenhuma resolução é possível, apesar do fato de que pelo menos uma diocese alemã já havia anunciado ambas as práticas. A intervenção escrita da autoridade vaticana – cujo conteúdo foi corroborado pela CNA Deutsch, a agência de língua alemã do Grupo ICA – tem sete páginas e também lembra aos bispos alemães que as traduções litúrgicas devem ser confirmadas e aprovadas pela Santa Sé. Catequese em vez de homilias Em sua carta, o Cardeal Roche ressalta que não se trata de alcançar “uma melhor preparação teológica ou melhores habilidades de comunicação por parte dos leigos (homens ou mulheres)” e depois permitir que eles preguem. “Também não se trata de criar desigualdades entre os batizados, mas de reconhecer que há distinções feitas pelo Espírito, que produz carismas diferentes, distintos e complementares”, acrescenta. O cardeal afirma que leigos bem formados devem contribuir, por exemplo, como catequistas ou conduzindo conversas sobre a Sagrada Escritura. No entanto, recorda, os leigos não podem pregar a homilia na Missa, uma vez que apenas alguém ordenado “sacramentalmente representa Cristo em virtude da sacra potestas (poder sagrado) que lhe foi conferido na ordenação”. Explicando que a questão da pregação na Missa é uma questão sacramental e não educacional, o Cardeal Roche também adverte sobre “mal-entendidos” sobre “a figura e a identidade do sacerdote, que é o único que pode agir in persona Christi capitis (na pessoa de Cristo, cabeça da Igreja) em virtude do sacramento”. Os leigos só batizam em casos de emergência O prefeito do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos também rejeita a intenção de os leigos administrarem regularmente os batismos, uma prática já realizada em algumas dioceses alemãs. O cardeal indica que justificar isso argumentando, por exemplo, a falta de sacerdotes não é possível sob o direito canônico. O Cardeal Roche também explica que os leigos só podem administrar validamente os batismos em circunstâncias excepcionais, como em perigo de morte ou “em situações dolorosas de perseguição”, ou “em áreas de missão e em outros casos de necessidade especial”. Chamado Papal para a Unidade Em sua carta, o Cardeal Roche lembra aos bispos alemães a carta de 2019 do Papa Francisco com a seguinte citação: “A Igreja universal vive nas e das Igrejas particulares, assim como as Igrejas particulares vivem e florescem na e da Igreja universal, e se estão separadas de todo o corpo eclesial, elas são enfraquecidas. murcham e morrem”. Em uma primeira reação, um porta-voz da Conferência Episcopal Alemã disse na quinta-feira que os bispos continuariam a buscar o diálogo com Roma sobre essas questões. No início deste mês, um grupo de bispos alemães anunciou planos para implementar várias resoluções aprovadas pelo Caminho Sinodal. Dom Franz-Josef Bode, de Osnabrück, então vice-presidente do Episcopado, afirmou que os leigos podiam batizar crianças e pregar “regularmente” homilias em sua diocese. Cerca de uma semana depois, em 25 de março, a Santa Sé anunciou que o Papa Francisco havia aceitado a renúncia de Mons. Bode. Traduzido e adaptado pela equipe da ACI Press. Publicado originalmente na CNA. Proposta do Caminho Sinodal Alemão provoca escândalo e confusão O cardeal Marc Ouellet, prefeito do Dicastério dos Bispos do Vaticano, advertiu que a proposta do Caminho Sinodal da Igreja na Alemanha prejudica a Igreja, causa escândalo e semeia dúvidas e confusão. Com uma apresentação intitulada “Voltando ao espírito dos Atos dos Apóstolos”, o Cardeal dirigiu-se aos bispos da Alemanha em 18 de novembro, como parte de sua visita ad limina ao Vaticano. No texto publicado em 24 de novembro no jornal do Vaticano, o cardeal Ouellet disse que as propostas para o controverso Caminho Sinodal “levantam sérias dificuldades do ponto de vista antropológico, pastoral e eclesiológico”. Depois de notar que mais de um alertou para um “cisma latente” no Caminho do Sínodo, o cardeal advertiu que estes parecem surgir “da pressão cultural e midiática muito forte”. O Caminho Sinodal é um controverso processo plurianual que começou em dezembro de 2019. Bispos e leigos participam dela para abordar questões como o exercício do “poder”, a moral sexual, o sacerdócio e o papel das mulheres na Igreja, questões sobre as quais eles expressaram, publicamente e várias vezes, posições contrárias à doutrina católica. Essas posições levantaram várias acusações de heresia e temores de cisma. O cardeal disse aos bispos da Alemanha que “é surpreendente que a agenda de um grupo limitado de teólogos de algumas décadas atrás seja agora a proposta majoritária do episcopado alemão”. Este grupo, lamentou o cardeal, promove a “abolição do celibato, a ordenação de viri probati (N.d.R: homens recém-casados), o acesso das mulheres ao ministério ordenado, a revalorização moral da homossexualidade, a limitação estrutural e funcional do poder hierárquico, a consideração da sexualidade inspirada na teoria de gênero, mudanças importantes propostas no Catecismo da Igreja Católica, etc.”. O Cardeal Ouellet disse que “ao avaliar o conjunto das propostas, temos a impressão de nos encontrarmos não apenas com uma interpretação mais ampla da disciplina ou moralidade católica, mas com uma mudança fundamental que levanta sérias preocupações”. Dúvida, confusão e escândalo O cardeal também disse que as propostas do Caminho do Sínodo, que também incluem a bênção de casais gays, apesar da proibição explícita do Vaticano, “ferem a comunhão eclesial porque semeia dúvida e confusão no povo de Deus”. “Recebemos todos os dias testemunhos espontâneos que lamentam o escândalo causado aos pequenos por esta proposta inesperada em ruptura com a tradição católica”, lamentou o prefeito do Dicastério dos Bispos. Depois de recordar que cada bispo deve ser et sub Petro, isto é, com o Papa e sob sua autoridade, o cardeal lamentou que os bispos alemães não tenham aceitado a carta de 2019 do Papa Francisco como um “guia para o método sinodal”, mas apenas como uma “referência espiritual”, de modo que “agora as consequências são vistas”. Em 29 de junho de 2019, o Papa Francisco enviou uma carta à Igreja Católica na Alemanha, na qual garante que compartilha sua preocupação com o futuro, adverte sobre a “decadência da fé” e encoraja a não assumir a situação atual com “passividade ou resignação”, e também exorta a intensificar a “oração, penitência e adoração”. Em sua apresentação, o cardeal também disse aos bispos alemães que “a atitude tomada em relação à decisão definitiva de São João Paulo II sobre a impossibilidade de a Igreja Católica prosseguir com a ordenação sacerdotal de mulheres”, estabelecida em 1994 na carta apostólica Ordinatio Sacerdotalis é surpreendente. Nesse texto, o Santo Papa declarou que ” a Igreja não tem de modo algum a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta decisão deve ser considerada definitiva por todos os fiéis da Igreja”. Moratória da Trilha Sinodal O cardeal disse aos bispos alemães no Vaticano que, devido às tensões e circunstâncias atuais, “achamos necessária uma moratória sobre as propostas apresentadas e uma revisão substancial a partir de então, à luz dos resultados do Sínodo Romano” sobre a sinodalidade, cuja fase final será realizada em 2023 e 2024 em Roma. “A razão fundamental para esta moratória é a preocupação pela unidade da Igreja, sustentada pela unidade dos bispos em comunhão com Pedro”, disse o prefeito do Dicastério dos Bispos. “Apoiar esta proposta controversa de um episcopado em dificuldade geraria mais dúvida e confusão entre o povo de Deus”, disse ele.
- Papa Francisco é levado ao hospital por problemas respiratórios
O pontífice, Francisco, encontrava-se em sua residência em Santa Marta, quando relatou ter sentido “fadiga respiratória”. Imediatamente, sua equipe interveio e providenciou sua transferência para a Policlínica Gemelli por ambulância. Segundo a imprensa italiana, a previsão de fontes da alta hierarquia da Igreja, é que, após alguns dias de hospitalização e repouso, o Papa se recupere plenamente. “O papa Francisco se queixou de alguma dificuldade respiratória nos útimos dias e, esta tarde, foi internado no policlínico A. Gemelli para efetuar alguns exames médicos”, informou a sala de Imprensa da Santa Sé hoje (29) à tarde. A nota oficial diz que o resultado dos exames mostrou uma infecção respiratória que não é covid-19 “que demandará alguns dias de terapia hospitalar adequada”. O resultado da tomografia computadorizada torácica, que foi realizada pelo Papa no hospital, foi negativo, um elemento que foi avaliado com alívio geral pelos médicos. O exame descartou problemas mais graves. O Papa também foi submetido a outros exames, como a saturação do sangue, que apresentou bons resultados. O papa “está tocado pelas muitas mensagens recebidas e exprime sua gratidão pela proximidade e oração”, diz a Sala de Imprensa. Rezemos por Sua Santidade. Ave Maria…
- Papa Francisco é levado ao hospital por problemas respiratórios
O pontífice, Francisco, encontrava-se em sua residência em Santa Marta, quando relatou ter sentido “fadiga respiratória”. Imediatamente, sua equipe interveio e providenciou sua transferência para a Policlínica Gemelli por ambulância. Segundo a imprensa italiana, a previsão de fontes da alta hierarquia da Igreja, é que, após alguns dias de hospitalização e repouso, o Papa se recupere plenamente. “O papa Francisco se queixou de alguma dificuldade respiratória nos útimos dias e, esta tarde, foi internado no policlínico A. Gemelli para efetuar alguns exames médicos”, informou a sala de Imprensa da Santa Sé hoje (29) à tarde. A nota oficial diz que o resultado dos exames mostrou uma infecção respiratória que não é covid-19 “que demandará alguns dias de terapia hospitalar adequada”. O resultado da tomografia computadorizada torácica, que foi realizada pelo Papa no hospital, foi negativo, um elemento que foi avaliado com alívio geral pelos médicos. O exame descartou problemas mais graves. O Papa também foi submetido a outros exames, como a saturação do sangue, que apresentou bons resultados. O papa “está tocado pelas muitas mensagens recebidas e exprime sua gratidão pela proximidade e oração”, diz a Sala de Imprensa. Rezemos por Sua Santidade. Ave Maria…
- São Turíbio de Mogrovejo, padroeiro do Episcopado latino-americano – 23 de Março
SANTO DO DIA – 23 DE MARÇO – SÃO TURÍBIO DE MOGROVEJO Bispo (1538-1606) Turíbio Alfonso de Mongrovejo nasceu na cidade de Majorca de Campos, Leon, na Espanha, em 1538, no seio de uma família nobre e rica. Estudou em Valadolid, Salamanca e Santiago de Compostela, licenciado em direito e foi membro da Inquisição. Sua vida era pautada pela honestidade e lisura, mas, jamais poderia suspeitar que Deus o chamaria para um grande ministério. Quando então foi nomeado Arcebispo para a América espanhola, pelo Papa Gregório XIII, atendendo um pedido do rei Felipe II, da Espanha, que tinha muita estima por Turíbio. O mais curioso é que ele teve de receber uma a uma todas as ordens de uma só vez até finalizar com a do sacerdócio, para em 1580, ser consagrado Arcebispo da Cidade dos Reis, chamada depois Lima, atual capital do Peru, aos quarenta anos de idade. Isso ocorreu porque apesar de ser tonsurado, isto é, ter o cabelo cortado como os padres, ainda não pertencia ao clero. E, foi assim que surgiu um dos maiores apóstolos da Igreja, muitas vezes comparado a Santo Ambrósio. Chegando à América espanhola em 1581, ficou espantado com a miséria espiritual e material em que viviam os índios. Aprendeu sua língua e passou a defendê-los contra os colonizadores, que os exploravam e maltratavam. Era venerado pelos fiéis e considerado um defensor enérgico da justiça, diante dos opressores. Apoiado pela população, organizou as comunidades de sua diocese e depois reuniu assembleias e sínodos, convocando todos os habitantes para a evangelização. Sob sua direção, foram realizados dez concílios diocesanos e os três provinciais que formaram a estrutura legal da Igreja da América espanhola até o século XX. Inclusive, o Sínodo Provincial de Lima, em 1582, foi comparado ao célebre Concílio de Trento. Conta-se que neste sínodo, com fina ironia, Turíbio desafiou os espanhóis, que se consideravam tão inteligentes, a aprenderem uma nova língua, a dos índios. Quando enviou um relatório ao rei Felipe II, em 1594, dava conta de que havia percorrido quinze mil quilômetros e administrado o sacramento da crisma a sessenta mil fiéis. Aliás, teve o privilégio e a graça de crismar três peruanos, que depois se tornaram santos da Igreja: Rosa de Lima, Francisco Solano e Martinho de Porres. Turíbio fundou o primeiro seminário das Américas e pouco antes de morrer doou suas roupas, inclusive as do próprio corpo, aos pobres e aos que o serviram, gesto que revelou o conteúdo de toda sua vida. Faleceu no dia 23 de março de 1606, na pequena cidade de Sanã, Peru. Foi canonizado em 1726, pelo Papa Bento XIII, que declarou São Turíbio de Mongrovejo ‘apóstolo e padroeiro do Peru’, para ser celebrado no dia do seu trânsito. Conheça mais sobre São Turíbio de Mogrovejo São Toríbio, ou Turíbio, segundo filho do senhor de Mogrebeyo, diocese de Leon, Espanha, nasceu em 16 de Novembro de 1538. Desde a infância revelou gosto acentuado pela virtude e extremado horror ao pecado. Encontrando um dia uma pobre mulher, acesa de cólera, justamente na ocasião em que havia sofrido uma perda, falou-lhe da maneira mais comovente sobre a falta que estava cometendo e deu-lhe, para acalmá-la, o valor da coisa que havia perdido. Tinha terna devoção à Santa Virgem. Rezava diariamente o ofício e o rosário e jejuava todos os sábados que lhe eram dedicados. Durante o tempo em que freqüentou as escolas públicas, reservava sempre uma porção do seu dinheiro, embora pequena, para ajudar os pobres. Levava tão longe as austeridades da mortificação que houve necessidade de moderar-lhe o zelo. Iniciou os estudos superiores em Valladolid, e terminou-os em Salamanca. O rei Felipe II, que o conheceu bem cedo, dedicava-lhe muita consideração. Recompensou-lhe os méritos com cargos destacados, fê-lo presidente ou primeiro magistrado de Granada. O santo desempenhou essas funções durante cinco anos com integridade, prudência e virtude que lhe mereceram estima geral. Era assim que Deus preparava os caminhos para sua elevação na Igreja. O Peru tinha sido conquistado por aventureiros espanhóis e por outros que já se tinham estabelecido. Daí advirem muitos males, aos quais a religião devia dar solução. O arcebispado de Lima estava vacante. São Turíbio para lá foi enviado na qualidade de arcebispo, nomeado pelo rei. Jamais, talvez, se tenha visto escolha mais universalmente aprovada do que esta. Turíbio era tido como o único homem capaz de sanar os males da igreja daquele país. O santo sentiu-se consternado ao saber da notícia de sua nomeação. Atirou-se aos pés do crucifixo e desfeito em lágrimas rogou a Deus não permitisse que lhe impusessem um fardo que não poderia deixar de esmagá-lo. Escreveu a conselho do rei cartas em que expunha sua incapacidade em cores carregadas. Passou em seguida aos cânones da Igreja que proibia fossem elevados ao episcopado. Mas não deram atenção às cartas e necessário foi que ele desse seu consentimento. Sua humildade todavia não ficou sem recompensa. Foi para ele a fonte dessas graças abundantes cujo efeito se manifestou depois no exercício do ministério. Turíbio quis receber as quatro ordens menores em quatro domingos diferentes a fim de ter tempo de desempenhar as funções delas. Depois recebeu as outras ordens e finalmente foi sagrado bispo. Embarcou sem demora para o Peru e desembarcou perto de Lima em 1581. Estava nessa época com 43 anos de idade. A diocese de Lima tinha cento e trinta léguas de extensão ao longo da costa e compreendia além de várias cidades, número incontável de vilas e lugarejos dispersos pela dupla cadeia dos Andes que figura entre as maiores do universo. O santo arcebispo não desesperou, absolutamente, à vista dessa imensa região, que se tornava mãos difícil pelas urzes e espinheiros. Uma prudência consumada aliada ao zelo ativo e vigoroso, simplificaram-lhe as dificuldades. Pouco a pouco conseguiu extirpar os escândalos públicos e estabelecer o reino da piedade sobre as ruínas do vício. Imediatamente após sua chegada, empreendeu a visita da vasta diocese. Não é possível fazer-se idéia justa das fadigas e perigos que tenha suportado, Viam-no subir as montanhas escarpadas, cobertas de gelo ou de neve, a fim de levar palavras de consolo e de vida às pobres cabanas dos índios. Quase sempre viajava a pé e como os trabalhos apostólicos não frutificam senão quando Deus os auxilia, orava e jejuava sem cessar, para atrais a misericórdia divina sobre as almas confiadas aos seus cuidados. Por toda a parte colocava pastores sábios e zelosos e procurava obter o socorro da instrução e dos sacramentos para aqueles que habitavam nos rochedos mais inacessíveis. Persuadido de que a mantença da disciplina influi muito sobre os costumes, fez disso um dos objetivos mais importantes da sua solicitude. De acordo com o concílio de Trento e um breve de Gregório XIII, estabeleceu que para o futuro, de dois em dois anos, haveria um sínodo diocesano; e, de sete em sete nos, concílios provinciais. Com relação aos escândalos do clero era flexível, sobretudo quando se tratava da avareza. Desde que os direitos de Deus e do próximo estivessem sendo lesados, tomava a defesa deles, sem olhar para a condição das pessoas. Mostrava-se ao mesmo tempo, o flagelo dos pecadores públicos e o protetor dos oprimidos. A firmeza do seu zelo suscitou perseguições dos governadores do Peru, que, antes da chegada do virtuoso vice-rei Francisco de Toledo, não se envergonhavam de tudo sacrificar às suas paixões e aos seus interesses particulares. Não lhes opôs senão a paciência e a doçura, sem todavia nada relaxar da santidade das regras. E como alguns maus cristãos dessem à lei de Deus uma interpretação que favorecia as inclinações desregradas da natureza, lembrou-lhes que Jesus se intitulava a verdade e não o costume, e que no tribunal dele nossas ações seriam pesadas, não na falsa balança do mundo, mas na balança do santuário. Com tal comportamento, o santo arcebispo não podia deixar de extirpar os abusos mais inveterados. Assim, viu-os desaparecerem um a um, até quase todos. As máximas do Evangelho ganharam consideração e foram praticadas com fervor digno dos primeiros séculos do cristianismo. Turíbio para estender e para perpetuar a obra de seu zelo, conformou-se em tudo às regras do concílio de Trento, fundou seminários, igrejas, hospitais, sem querer que seu nome fosse inserto nas atas da fundação. Quando estava em Lima, visitava todos os dias os pobres doentes dos hospitais, Consolava-os com bondade paternal e lhes administrava ele mesmo, os sacramentos. Quando a peste atacou boa parte de sua diocese, privou-se do necessário, a fim de prover as necessidades dos infelizes, recomendou-lhes a penitência como o único meio de apaziguar o céu irritado. Assistiu às procissões com lágrimas nos olhos. E, de olhar fixo no crucifixo ofereceu a Deus a vida pelo seu rebanho. A esses atos de religião, juntou orações, vigílias, jejuns extraordinários, que continuou durante o tempo em que a peste fez sentir seus malefícios. Afrontava os maiores perigos, quando se tratava de obter para uma alma a menor vantagem espiritual. Quis dar sua própria vida pelo rebanho. Estava disposto a tudo sofrer por amor daquele que resgatara os homens por ter derramado seu sangue. Quando sabia que os pobres índios erravam pelas montanhas e nos desertos, experimentava os sentimentos do bom pastor e ia procurar as ovelhas desgarradas. A esperança de trazê-los de volta para o aprisco, sustinha-o no meio de fadigas e perigos que era obrigado a enfrentar. Viam-no percorrer sem medo medonhas solidões, habitadas por leões e tigres. Por três vezes visitou sua diocese. A primeira visita durou sete anos, a segunda cinco e a terceira pouco menos. A conversão de grande multidão de infiéis foi o resultado delas. O santo, quando a caminho, se ocupava com orar ou coisas espirituais. Seu primeiro cuidado, chegando a qualquer lugar, era ir à igreja expandir o coração aos pés do altar. A instrução dos pobres o retinha algumas vezes dois ou três dias no mesmo lugar, embora lá faltassem as coisas mais necessárias à vida. Os lugares mais inacessíveis eram honrados com sua presença. Em vão lhe descreviam os perigos aos quais expunha a vida. Respondia que Jesus Cristo tinha descido do céu para salvação dos homens e que um pastor devia estar disposto a todos os sofrimentos para a glória de Cristo. Pregava e catequizava com zelo infatigável. E foi para melhor desempenhar essa função, que aprendeu, já em idade bem avançada, as diferentes línguas que falavam os selvagens do Peru. Rezava todos os dias a missa com piedade angelical, meditando longamente antes e depois dela. Confessava-se ordinariamente todas as manhãs, para se purificar perfeitamente das menores impurezas. A glória de Deus era o fim de toas as suas palavras e de todas as suas ações, o que fazia sua oração contínua. Não obstante tinha ainda horas marcadas, para rezar, quando, então, se retirava e conversava com Deus das necessidades suas, bem como da dos rebanho. Nesses momentos, brilhava-lhe no rosto certo êxtase. A humildade nele não era inferior às demais virtudes. Por isso, escondia as mortificações e outras obras. A caridade para com os pobres era imensa. Sua liberalidade abraçava-os indistintamente. Interessava-se, entretanto, de maneira particular pelas necessidades dos pobres envergonhados. São Turíbio foi atacado por uma doença em Santa, cidade que dista de Lima cento e dez léguas. Estava então ocupado com a visita à diocese. Predisse a própria morte e prometeu uma recompensa a quem lhe afiançasse que os médicos já não tinham esperanças com relação a sua vida. Deu aos criados tudo quanto lhes servia para uso. Seus bens restantes foram distribuídos entre os pobres. Por vontade sua, levaram-no à igreja, onde recebeu o viático. Mas foi obrigado a receber a extrema-unção, acamado. Repetia continuamente as palavras de São Paulo: “Desejo ser libertado das cadeias do corpo, para unir-me a Jesus Cristo”. Nos derradeiros momentos de vida, fez com que os que se encontravam ao redor do leito cantassem: “Alegrai-me com o que me foi dito: Iremos para a morada do Senhor”. Morreu em 23 de Março de 1606, dizendo com o Profeta: “Senhor, em vossas mãos coloco minha alma”. No ano seguinte transportaram-lhe o corpo para Lima, Encontraram-no, então, intacto. O biógrafo que relata sua vida, e os atos da canonização, diz que, enquanto vivo, ressuscitou um morto e curou vários enfermos. Após a morte, operou inúmeros milagres, por sua intercessão. Turíbio foi beatificado em 1679 por Inocêncio XI e canonizado em 1726 por Bento XIII. #SantodoDia
- São Turíbio de Mogrovejo, padroeiro do Episcopado latino-americano – 23 de Março
SANTO DO DIA – 23 DE MARÇO – SÃO TURÍBIO DE MOGROVEJO Bispo (1538-1606) Turíbio Alfonso de Mongrovejo nasceu na cidade de Majorca de Campos, Leon, na Espanha, em 1538, no seio de uma família nobre e rica. Estudou em Valadolid, Salamanca e Santiago de Compostela, licenciado em direito e foi membro da Inquisição. Sua vida era pautada pela honestidade e lisura, mas, jamais poderia suspeitar que Deus o chamaria para um grande ministério. Quando então foi nomeado Arcebispo para a América espanhola, pelo Papa Gregório XIII, atendendo um pedido do rei Felipe II, da Espanha, que tinha muita estima por Turíbio. O mais curioso é que ele teve de receber uma a uma todas as ordens de uma só vez até finalizar com a do sacerdócio, para em 1580, ser consagrado Arcebispo da Cidade dos Reis, chamada depois Lima, atual capital do Peru, aos quarenta anos de idade. Isso ocorreu porque apesar de ser tonsurado, isto é, ter o cabelo cortado como os padres, ainda não pertencia ao clero. E, foi assim que surgiu um dos maiores apóstolos da Igreja, muitas vezes comparado a Santo Ambrósio. Chegando à América espanhola em 1581, ficou espantado com a miséria espiritual e material em que viviam os índios. Aprendeu sua língua e passou a defendê-los contra os colonizadores, que os exploravam e maltratavam. Era venerado pelos fiéis e considerado um defensor enérgico da justiça, diante dos opressores. Apoiado pela população, organizou as comunidades de sua diocese e depois reuniu assembleias e sínodos, convocando todos os habitantes para a evangelização. Sob sua direção, foram realizados dez concílios diocesanos e os três provinciais que formaram a estrutura legal da Igreja da América espanhola até o século XX. Inclusive, o Sínodo Provincial de Lima, em 1582, foi comparado ao célebre Concílio de Trento. Conta-se que neste sínodo, com fina ironia, Turíbio desafiou os espanhóis, que se consideravam tão inteligentes, a aprenderem uma nova língua, a dos índios. Quando enviou um relatório ao rei Felipe II, em 1594, dava conta de que havia percorrido quinze mil quilômetros e administrado o sacramento da crisma a sessenta mil fiéis. Aliás, teve o privilégio e a graça de crismar três peruanos, que depois se tornaram santos da Igreja: Rosa de Lima, Francisco Solano e Martinho de Porres. Turíbio fundou o primeiro seminário das Américas e pouco antes de morrer doou suas roupas, inclusive as do próprio corpo, aos pobres e aos que o serviram, gesto que revelou o conteúdo de toda sua vida. Faleceu no dia 23 de março de 1606, na pequena cidade de Sanã, Peru. Foi canonizado em 1726, pelo Papa Bento XIII, que declarou São Turíbio de Mongrovejo ‘apóstolo e padroeiro do Peru’, para ser celebrado no dia do seu trânsito. Conheça mais sobre São Turíbio de Mogrovejo São Toríbio, ou Turíbio, segundo filho do senhor de Mogrebeyo, diocese de Leon, Espanha, nasceu em 16 de Novembro de 1538. Desde a infância revelou gosto acentuado pela virtude e extremado horror ao pecado. Encontrando um dia uma pobre mulher, acesa de cólera, justamente na ocasião em que havia sofrido uma perda, falou-lhe da maneira mais comovente sobre a falta que estava cometendo e deu-lhe, para acalmá-la, o valor da coisa que havia perdido. Tinha terna devoção à Santa Virgem. Rezava diariamente o ofício e o rosário e jejuava todos os sábados que lhe eram dedicados. Durante o tempo em que freqüentou as escolas públicas, reservava sempre uma porção do seu dinheiro, embora pequena, para ajudar os pobres. Levava tão longe as austeridades da mortificação que houve necessidade de moderar-lhe o zelo. Iniciou os estudos superiores em Valladolid, e terminou-os em Salamanca. O rei Felipe II, que o conheceu bem cedo, dedicava-lhe muita consideração. Recompensou-lhe os méritos com cargos destacados, fê-lo presidente ou primeiro magistrado de Granada. O santo desempenhou essas funções durante cinco anos com integridade, prudência e virtude que lhe mereceram estima geral. Era assim que Deus preparava os caminhos para sua elevação na Igreja. O Peru tinha sido conquistado por aventureiros espanhóis e por outros que já se tinham estabelecido. Daí advirem muitos males, aos quais a religião devia dar solução. O arcebispado de Lima estava vacante. São Turíbio para lá foi enviado na qualidade de arcebispo, nomeado pelo rei. Jamais, talvez, se tenha visto escolha mais universalmente aprovada do que esta. Turíbio era tido como o único homem capaz de sanar os males da igreja daquele país. O santo sentiu-se consternado ao saber da notícia de sua nomeação. Atirou-se aos pés do crucifixo e desfeito em lágrimas rogou a Deus não permitisse que lhe impusessem um fardo que não poderia deixar de esmagá-lo. Escreveu a conselho do rei cartas em que expunha sua incapacidade em cores carregadas. Passou em seguida aos cânones da Igreja que proibia fossem elevados ao episcopado. Mas não deram atenção às cartas e necessário foi que ele desse seu consentimento. Sua humildade todavia não ficou sem recompensa. Foi para ele a fonte dessas graças abundantes cujo efeito se manifestou depois no exercício do ministério. Turíbio quis receber as quatro ordens menores em quatro domingos diferentes a fim de ter tempo de desempenhar as funções delas. Depois recebeu as outras ordens e finalmente foi sagrado bispo. Embarcou sem demora para o Peru e desembarcou perto de Lima em 1581. Estava nessa época com 43 anos de idade. A diocese de Lima tinha cento e trinta léguas de extensão ao longo da costa e compreendia além de várias cidades, número incontável de vilas e lugarejos dispersos pela dupla cadeia dos Andes que figura entre as maiores do universo. O santo arcebispo não desesperou, absolutamente, à vista dessa imensa região, que se tornava mãos difícil pelas urzes e espinheiros. Uma prudência consumada aliada ao zelo ativo e vigoroso, simplificaram-lhe as dificuldades. Pouco a pouco conseguiu extirpar os escândalos públicos e estabelecer o reino da piedade sobre as ruínas do vício. Imediatamente após sua chegada, empreendeu a visita da vasta diocese. Não é possível fazer-se idéia justa das fadigas e perigos que tenha suportado, Viam-no subir as montanhas escarpadas, cobertas de gelo ou de neve, a fim de levar palavras de consolo e de vida às pobres cabanas dos índios. Quase sempre viajava a pé e como os trabalhos apostólicos não frutificam senão quando Deus os auxilia, orava e jejuava sem cessar, para atrais a misericórdia divina sobre as almas confiadas aos seus cuidados. Por toda a parte colocava pastores sábios e zelosos e procurava obter o socorro da instrução e dos sacramentos para aqueles que habitavam nos rochedos mais inacessíveis. Persuadido de que a mantença da disciplina influi muito sobre os costumes, fez disso um dos objetivos mais importantes da sua solicitude. De acordo com o concílio de Trento e um breve de Gregório XIII, estabeleceu que para o futuro, de dois em dois anos, haveria um sínodo diocesano; e, de sete em sete nos, concílios provinciais. Com relação aos escândalos do clero era flexível, sobretudo quando se tratava da avareza. Desde que os direitos de Deus e do próximo estivessem sendo lesados, tomava a defesa deles, sem olhar para a condição das pessoas. Mostrava-se ao mesmo tempo, o flagelo dos pecadores públicos e o protetor dos oprimidos. A firmeza do seu zelo suscitou perseguições dos governadores do Peru, que, antes da chegada do virtuoso vice-rei Francisco de Toledo, não se envergonhavam de tudo sacrificar às suas paixões e aos seus interesses particulares. Não lhes opôs senão a paciência e a doçura, sem todavia nada relaxar da santidade das regras. E como alguns maus cristãos dessem à lei de Deus uma interpretação que favorecia as inclinações desregradas da natureza, lembrou-lhes que Jesus se intitulava a verdade e não o costume, e que no tribunal dele nossas ações seriam pesadas, não na falsa balança do mundo, mas na balança do santuário. Com tal comportamento, o santo arcebispo não podia deixar de extirpar os abusos mais inveterados. Assim, viu-os desaparecerem um a um, até quase todos. As máximas do Evangelho ganharam consideração e foram praticadas com fervor digno dos primeiros séculos do cristianismo. Turíbio para estender e para perpetuar a obra de seu zelo, conformou-se em tudo às regras do concílio de Trento, fundou seminários, igrejas, hospitais, sem querer que seu nome fosse inserto nas atas da fundação. Quando estava em Lima, visitava todos os dias os pobres doentes dos hospitais, Consolava-os com bondade paternal e lhes administrava ele mesmo, os sacramentos. Quando a peste atacou boa parte de sua diocese, privou-se do necessário, a fim de prover as necessidades dos infelizes, recomendou-lhes a penitência como o único meio de apaziguar o céu irritado. Assistiu às procissões com lágrimas nos olhos. E, de olhar fixo no crucifixo ofereceu a Deus a vida pelo seu rebanho. A esses atos de religião, juntou orações, vigílias, jejuns extraordinários, que continuou durante o tempo em que a peste fez sentir seus malefícios. Afrontava os maiores perigos, quando se tratava de obter para uma alma a menor vantagem espiritual. Quis dar sua própria vida pelo rebanho. Estava disposto a tudo sofrer por amor daquele que resgatara os homens por ter derramado seu sangue. Quando sabia que os pobres índios erravam pelas montanhas e nos desertos, experimentava os sentimentos do bom pastor e ia procurar as ovelhas desgarradas. A esperança de trazê-los de volta para o aprisco, sustinha-o no meio de fadigas e perigos que era obrigado a enfrentar. Viam-no percorrer sem medo medonhas solidões, habitadas por leões e tigres. Por três vezes visitou sua diocese. A primeira visita durou sete anos, a segunda cinco e a terceira pouco menos. A conversão de grande multidão de infiéis foi o resultado delas. O santo, quando a caminho, se ocupava com orar ou coisas espirituais. Seu primeiro cuidado, chegando a qualquer lugar, era ir à igreja expandir o coração aos pés do altar. A instrução dos pobres o retinha algumas vezes dois ou três dias no mesmo lugar, embora lá faltassem as coisas mais necessárias à vida. Os lugares mais inacessíveis eram honrados com sua presença. Em vão lhe descreviam os perigos aos quais expunha a vida. Respondia que Jesus Cristo tinha descido do céu para salvação dos homens e que um pastor devia estar disposto a todos os sofrimentos para a glória de Cristo. Pregava e catequizava com zelo infatigável. E foi para melhor desempenhar essa função, que aprendeu, já em idade bem avançada, as diferentes línguas que falavam os selvagens do Peru. Rezava todos os dias a missa com piedade angelical, meditando longamente antes e depois dela. Confessava-se ordinariamente todas as manhãs, para se purificar perfeitamente das menores impurezas. A glória de Deus era o fim de toas as suas palavras e de todas as suas ações, o que fazia sua oração contínua. Não obstante tinha ainda horas marcadas, para rezar, quando, então, se retirava e conversava com Deus das necessidades suas, bem como da dos rebanho. Nesses momentos, brilhava-lhe no rosto certo êxtase. A humildade nele não era inferior às demais virtudes. Por isso, escondia as mortificações e outras obras. A caridade para com os pobres era imensa. Sua liberalidade abraçava-os indistintamente. Interessava-se, entretanto, de maneira particular pelas necessidades dos pobres envergonhados. São Turíbio foi atacado por uma doença em Santa, cidade que dista de Lima cento e dez léguas. Estava então ocupado com a visita à diocese. Predisse a própria morte e prometeu uma recompensa a quem lhe afiançasse que os médicos já não tinham esperanças com relação a sua vida. Deu aos criados tudo quanto lhes servia para uso. Seus bens restantes foram distribuídos entre os pobres. Por vontade sua, levaram-no à igreja, onde recebeu o viático. Mas foi obrigado a receber a extrema-unção, acamado. Repetia continuamente as palavras de São Paulo: “Desejo ser libertado das cadeias do corpo, para unir-me a Jesus Cristo”. Nos derradeiros momentos de vida, fez com que os que se encontravam ao redor do leito cantassem: “Alegrai-me com o que me foi dito: Iremos para a morada do Senhor”. Morreu em 23 de Março de 1606, dizendo com o Profeta: “Senhor, em vossas mãos coloco minha alma”. No ano seguinte transportaram-lhe o corpo para Lima, Encontraram-no, então, intacto. O biógrafo que relata sua vida, e os atos da canonização, diz que, enquanto vivo, ressuscitou um morto e curou vários enfermos. Após a morte, operou inúmeros milagres, por sua intercessão. Turíbio foi beatificado em 1679 por Inocêncio XI e canonizado em 1726 por Bento XIII. #SantodoDia
- Cardeais Muller e Burke pedem sanções para bispos alemães que não aceitam a fé católica
Após a aprovação de medidas contrárias à fé da Igreja pelo sínodo alemão, o cardeal Gerhard Müller e o cardeal Raymond Burke repreenderam os bispos alemães e pediram que eles fossem sancionados em uma entrevista no programa “The World Over with Raymond Arroyo” da EWTN, que foi ao ar na última quinta-feira. Por CNA/InfoCatólica – “Deve haver um julgamento e eles devem ser condenados e devem ser removidos do cargo se não se converterem e não aceitarem a doutrina católica”, disse Müller durante a entrevista. “É muito triste que a maioria dos bispos tenha votado explicitamente contra a doutrina revelada e a fé revelada da Igreja Católica e de todo o nosso pensamento cristão, contra a Bíblia, a Palavra de Deus na Sagrada Escritura e na tradição apostólica e na doutrina definida da Igreja Católica”, acrescentou o cardeal. Müller disse que os leigos e bispos que apoiaram essas resoluções sobre o Caminho Sinodal Alemão são “influenciados por essa ideologia LGBT e desperta, que é materialista e niilista”. «É absolutamente blasfemo fazer uma bênção sobre os modos de vida que são, de acordo com a doutrina bíblica e eclesial, um pecado, porque toda forma de sexualidade fora de um casamento válido é pecado e não pode ser abençoada “, disse ele. Leia também “Sacrilégio e Diabólico” esclarece sacerdote sobre bênçãos a uniões do mesmo sexo “Se você olhar para a Bíblia, o casamento só pode ocorrer absolutamente entre o homem e a mulher, que estão unidos no amor no corpo e na alma”, disse o cardeal, “e têm a possibilidade de se tornarem pais e mães e fundarem uma família”. Burke instou o Vaticano a sancionar os bispos que votaram para abençoar as uniões homossexuais. “Quer se trate de um distanciamento, ensino herético e negação de uma das doutrinas da fé, ou apostasia no sentido de simplesmente se afastar de Cristo e seu ensinamento na Igreja para abraçar alguma outra forma de religião, estes são crimes“, disse Burke. “Quero dizer que eles são pecados contra o próprio Cristo e, portanto, obviamente, da natureza mais grave. E o Código de Direito Canônico estabelece as sanções apropriadas“. O cardeal alertou que a Igreja está sendo “usada” para impulsionar uma agenda ideológica. «Estas são invenções humanas, ideologias humanas que estão sendo empurradas e a Igreja está sendo usada“, acrescentou Burke. “E o que ela faz é transformar a Igreja em uma espécie de agência humana, quase como uma agência governamental que está sendo manipulada para promover certos programas e certas agendas. Então, temos que acordar para o que está acontecendo.” Leia também Vaticano: A Igreja Católica não pode dar bênçãos às uniões homossexuais “Você vai perceber que em muitas dessas conversas, você nunca ouve o nome de Nosso Senhor”, disse Burke. “Nunca ouvimos sobre o que Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensina, o que Ele nos pede. Então é uma situação muito séria.” O cardeal também respondeu à sugestão de Arroyo de que “aqueles que se opõem a essas reformas são frequentemente ridicularizados como indo contra o papa”. “Somos nós que amamos o Papa e tentamos ajudá-lo a cumprir sua missão, enquanto essas pessoas que simplesmente ignoram o que Roma lhes diz, o que a Sé de Pedro lhes diz, mostram que não têm respeito por ele, sejam eles quais forem, são, de fato, os inimigos do Papa. Acho que está claro que qualquer pessoa razoável pode ver isso”, disse ele. Burke disse que o Papa Francisco “às vezes diz coisas que são muito claras e consistentes com o ensinamento da Igreja sobre esses assuntos”. “O que os agentes da revolução fazem é simplesmente ignorar essas declarações e tomar outras em que ele parece ser favorável”, disse ele. Leia também Urgente: Caminho Sinodal Alemão aprova bênçãos para uniões homossexuais e divorciados recasados Recomendamos também a leitura: PODE UMA PESSOA COM TENDÊNCIAS HOMOSSEXUAIS SER UM BOM CATÓLICO?
- Cardeais Muller e Burke pedem sanções para bispos alemães que não aceitam a fé católica
Após a aprovação de medidas contrárias à fé da Igreja pelo sínodo alemão, o cardeal Gerhard Müller e o cardeal Raymond Burke repreenderam os bispos alemães e pediram que eles fossem sancionados em uma entrevista no programa “The World Over with Raymond Arroyo” da EWTN, que foi ao ar na última quinta-feira. Por CNA/InfoCatólica – “Deve haver um julgamento e eles devem ser condenados e devem ser removidos do cargo se não se converterem e não aceitarem a doutrina católica”, disse Müller durante a entrevista. “É muito triste que a maioria dos bispos tenha votado explicitamente contra a doutrina revelada e a fé revelada da Igreja Católica e de todo o nosso pensamento cristão, contra a Bíblia, a Palavra de Deus na Sagrada Escritura e na tradição apostólica e na doutrina definida da Igreja Católica”, acrescentou o cardeal. Müller disse que os leigos e bispos que apoiaram essas resoluções sobre o Caminho Sinodal Alemão são “influenciados por essa ideologia LGBT e desperta, que é materialista e niilista”. «É absolutamente blasfemo fazer uma bênção sobre os modos de vida que são, de acordo com a doutrina bíblica e eclesial, um pecado, porque toda forma de sexualidade fora de um casamento válido é pecado e não pode ser abençoada “, disse ele. Leia também “Sacrilégio e Diabólico” esclarece sacerdote sobre bênçãos a uniões do mesmo sexo “Se você olhar para a Bíblia, o casamento só pode ocorrer absolutamente entre o homem e a mulher, que estão unidos no amor no corpo e na alma”, disse o cardeal, “e têm a possibilidade de se tornarem pais e mães e fundarem uma família”. Burke instou o Vaticano a sancionar os bispos que votaram para abençoar as uniões homossexuais. “Quer se trate de um distanciamento, ensino herético e negação de uma das doutrinas da fé, ou apostasia no sentido de simplesmente se afastar de Cristo e seu ensinamento na Igreja para abraçar alguma outra forma de religião, estes são crimes“, disse Burke. “Quero dizer que eles são pecados contra o próprio Cristo e, portanto, obviamente, da natureza mais grave. E o Código de Direito Canônico estabelece as sanções apropriadas“. O cardeal alertou que a Igreja está sendo “usada” para impulsionar uma agenda ideológica. «Estas são invenções humanas, ideologias humanas que estão sendo empurradas e a Igreja está sendo usada“, acrescentou Burke. “E o que ela faz é transformar a Igreja em uma espécie de agência humana, quase como uma agência governamental que está sendo manipulada para promover certos programas e certas agendas. Então, temos que acordar para o que está acontecendo.” Leia também Vaticano: A Igreja Católica não pode dar bênçãos às uniões homossexuais “Você vai perceber que em muitas dessas conversas, você nunca ouve o nome de Nosso Senhor”, disse Burke. “Nunca ouvimos sobre o que Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensina, o que Ele nos pede. Então é uma situação muito séria.” O cardeal também respondeu à sugestão de Arroyo de que “aqueles que se opõem a essas reformas são frequentemente ridicularizados como indo contra o papa”. “Somos nós que amamos o Papa e tentamos ajudá-lo a cumprir sua missão, enquanto essas pessoas que simplesmente ignoram o que Roma lhes diz, o que a Sé de Pedro lhes diz, mostram que não têm respeito por ele, sejam eles quais forem, são, de fato, os inimigos do Papa. Acho que está claro que qualquer pessoa razoável pode ver isso”, disse ele. Burke disse que o Papa Francisco “às vezes diz coisas que são muito claras e consistentes com o ensinamento da Igreja sobre esses assuntos”. “O que os agentes da revolução fazem é simplesmente ignorar essas declarações e tomar outras em que ele parece ser favorável”, disse ele. Leia também Urgente: Caminho Sinodal Alemão aprova bênçãos para uniões homossexuais e divorciados recasados Recomendamos também a leitura: PODE UMA PESSOA COM TENDÊNCIAS HOMOSSEXUAIS SER UM BOM CATÓLICO?
- São Basílio de Ancira, que combateu os pagãos e o arianismo – 22 de Março
SANTO DO DIA – 22 DE MARÇO – SÃO BASÍLIO DE ANCIRA Mártir que lutou contra os pagãos e o arianismo (336 – 362) Em meados do século IV, quando arianos e semiarianos propagavam suas heresias, Basílio era então sacerdote em Ancira. Era um santo homem que recebeu sua formação na verdadeira doutrina da Igreja pelo bispo Marcelo. Depois que o bispo Marcelo foi desterrado pelo imperador Constâncio, e que um semiariano também chamado Basílio ocupou a sede de Ancira, o sacerdote Basílio não cessou de exortar seu povo a permanecer fiel à sua fé. Em 360, os arianos radicais dominaram a região e depuseram o bispo semiariano, proibindo Basílio de, sequer, assistir aos ofícios religiosos. Contudo, desobedecendo estas imposições e apoiado por seus fiéis, Basílio conseguiu recuperar muitos dos que haviam sido enganados e defendeu a fé, desafiando as ordens do imperador Constâncio. Quando Juliano, o Apóstata chegou ao trono, a perseguição explicita cessou temporariamente, pois o imperador quis empregar métodos mais sutis para combater os cristãos e minar sua fé. Contudo, em alguns casos perdeu a paciência e autorizou alguns castigos aos cristãos. Basílio, que continuava seus esforços contra a política imperial de Ancira, foi preso e acusado de incitar o povo contra os deuses pagãos, e de falar abertamente contra o imperador e a sua religião. Corajosamente, ele foi até o imperador, que estava visitando Ancira, e professou abertamente sua fé e pregou contra os sacrificios e oferendas ao imperador romano. Ao refutar abertamente um sacrifício em andamento com uma oração, foi preso imediatamente. Ele foi torturado – tiras de pele foram retiradas de suas costas – e executado em 26 de junho de 362 dC por uma surra com ferros quentes. Hoje também celebramos Santa Léia, conheça um pouco sobre ela: Conheça mais sobre São Basílio de Ancira Basílio era padre na Igreja de Ancira, quando do bispo Marcelo. Ensinando as verdades cristãs, combatendo erros e mentiras, tudo fazia para levar a Deus as almas todas. Um dia, reuniram-se em Constantinopla (360) os bispos arianos que acordaram em proibi-lo de pregar coisas que lhes não agradavam. Ora, na Palestina, duzentos e trinta bispos, num concílio, ao contrário, resolveram encorajá-lo a levar avante a obra a que se dera de corpo e alma. A Igreja, naqueles idos, passava por uma grande agitação, e Basílio, intimado a comparecer diante do imperador, foi por este interrogado. O futuro mártir soube, maravilhosamente, defender-se, mas, com o advento de Julião, o Apóstata, não teve igual sorte. Foi Constantino quem mais incentivo prestou à convocação de Nicéia facilitando-a (325). No primeiro concílio ecumênico, definiu-se o credo cristão contra as primeiras heresias, das quais a mais famosa dói o arianismo, de Arius, presbítero, a qual negava a igualdade de Deus Filho com Deus Pai. Meio século depois do imperador Constantino lançar o edito, o imperador Julião, seu sobrinho, repudiou a fé cristã, procurando restabelecer o paganismo. Diante do procôncul Saturnino, Basílio foi acusado de provocar tumultos, falando desrespeitosamente do imperador, dizendo que, impunemente, violava as leis. Foi, pois, estirado ao cavalete, e atormentado. Dizia, então, o Santo, dirigindo-se a Deus: – Senhor, Deus de todos os séculos, eu te rendo graças por me achares digno de caminhar pela sendo do sofrimento,. Perseverando, estarei perto da vida, e me encontrarei na companhia daqueles que tu fizeste herdeiros de tuas promessas, e que delas já estão a gozar. Saturnino, violentamente, procurava induzir Basílio a sacrificar aos ídolos, mas o que ouvia, em resposta, era só negativas e negativas. Julião, informado daquela resistência, exasperou-se. Na expedição contra os persas, passava por Ancira, e ordenou que lhe trouxessem o renitente. Basílio, aberta e corajosamente, disse-lhe que era cristão, e que nada o demoveria, levando-o a sacrificar. E acrescentou: – Fica sabendo que, como quiseste perder a lembrança dos benefícios que recebeste de Deus, Ele também há de se esquecer da bondade, quando chegar a hora da tua punição. Tu não tens qualquer respeito pelos altares, profanando-os, atirando-os por terra. A ti também te atirará, arrancando-te do trono. Tu tens prazer em violar a lei do Senhor. Pois teu corpo ficará sem sepultura, e será calcado por pés sem conta, depois que tua alma já tenha partido sobre o efeito das mais violentas dores. Disse o apóstata: – Meu desejo era salvar-te, mas já que desrespeitaste minha posição, falando-me com insolência, devo vingar a majestade do império horrivelmente ultrajada em minha pessoa. Quero que todos os dias te arranquem do corpo sete SAO BASILIO DE ANCIRA_1.jpgtiras de carne. A execução ficou a cargo do conde Fromentino e Basílio, com infinitos de paciência, suportou a tortura. Disse o santo, um dia, ao carrasco: – Quero falar ao imperador. Com alegria o conde ouviu aquelas palavras: Basílio, pensava, ia ceder, sacrificar aos deuses para livrar-se do tormento. Quem não o faria? Fromentino abalou a falar com o imperador. Disse-lhe: – Basílio cedeu. Deseja falar a Vossa Majestade. Julião deixou o palácio a prelibar a vitória, dirigindo-se ao templo dedicado a Esculápio, onde o heróico supliciado jazia. Diante do apóstata, Basílio perguntou: – Onde estão teus sacrificadores e teus adivinhos? Disseram-te eles que eu te pedi audiência? – Eu pensei, respondeu Julião, que estavas prestes a reconhecer os deuses e pronto para unires a mim no sacrifício que lhes ofereço… – Nada estã tão distante de mim, tornou Basílio. E, tomando o santo uma longa tira de carne que lhe pendia do corpo, arrancou-a, atirando-a ao rosto do imperador, exclamando: – Toma, Julião, e come este pedaço, já que o amas tanto! E acrescentou: – Declaro-te que, para mim, a morte é um ganho: é por Jesus Cristo que eu sofro, Ele, meu refúgio, meu amparo e minha vida. Fromentino empalidecera, temendo pela própria vida. Gulião esse, estava branco de ódio. E, gritando para que a Basílio torturassem redobradamente, fazendo-lhe incisões mais profundas, que lhe chegassem até as entranhas ouviu-o no suplício orar: – Deus infinitamente bom, todo misericordioso, que sofres comigo, que sofres por nós, abaixa teus olhos para teu servidor. Concede-me a graça de acabar felizmente a vida, de perseverar na fé que meus pais me transmitiram, de merecer o teu reino. Julião, no dia seguinte, deixava Ancira, demandava Antioquia. E Basílio, à noite, na prisão, miraculosamente curado por Deus, encolerizando Fromentino, foi condenado a ter o corpo perfurado por ferros incandescentes. E à medida que executavam tão bárbara sentença, Basílio ia pronunciando devotamente: – Jesus, minha luz, Jesus minha esperança eu te rendo graças, deus de meus pais, que me retiras a alma desta morada de morte. Não permitas que eu profane o sagrado nome que levo: é o vosso, Senhor, conserva-o em mim, puro e sem mancha. Recebe o espírito de teu servidor, que morre confessando que és o único e verdadeiro Deus. Assim, dizendo, Basílio expirou. Era a 28 de Junho de 362 e o santo mártir recebia a gloriosa palma do martírio diante dos carrascos estupefatos. #SantodoDia
- São Basílio de Ancira, que combateu os pagãos e o arianismo – 22 de Março
SANTO DO DIA – 22 DE MARÇO – SÃO BASÍLIO DE ANCIRA Mártir que lutou contra os pagãos e o arianismo (336 – 362) Em meados do século IV, quando arianos e semiarianos propagavam suas heresias, Basílio era então sacerdote em Ancira. Era um santo homem que recebeu sua formação na verdadeira doutrina da Igreja pelo bispo Marcelo. Depois que o bispo Marcelo foi desterrado pelo imperador Constâncio, e que um semiariano também chamado Basílio ocupou a sede de Ancira, o sacerdote Basílio não cessou de exortar seu povo a permanecer fiel à sua fé. Em 360, os arianos radicais dominaram a região e depuseram o bispo semiariano, proibindo Basílio de, sequer, assistir aos ofícios religiosos. Contudo, desobedecendo estas imposições e apoiado por seus fiéis, Basílio conseguiu recuperar muitos dos que haviam sido enganados e defendeu a fé, desafiando as ordens do imperador Constâncio. Quando Juliano, o Apóstata chegou ao trono, a perseguição explicita cessou temporariamente, pois o imperador quis empregar métodos mais sutis para combater os cristãos e minar sua fé. Contudo, em alguns casos perdeu a paciência e autorizou alguns castigos aos cristãos. Basílio, que continuava seus esforços contra a política imperial de Ancira, foi preso e acusado de incitar o povo contra os deuses pagãos, e de falar abertamente contra o imperador e a sua religião. Corajosamente, ele foi até o imperador, que estava visitando Ancira, e professou abertamente sua fé e pregou contra os sacrificios e oferendas ao imperador romano. Ao refutar abertamente um sacrifício em andamento com uma oração, foi preso imediatamente. Ele foi torturado – tiras de pele foram retiradas de suas costas – e executado em 26 de junho de 362 dC por uma surra com ferros quentes. Hoje também celebramos Santa Léia, conheça um pouco sobre ela: Conheça mais sobre São Basílio de Ancira Basílio era padre na Igreja de Ancira, quando do bispo Marcelo. Ensinando as verdades cristãs, combatendo erros e mentiras, tudo fazia para levar a Deus as almas todas. Um dia, reuniram-se em Constantinopla (360) os bispos arianos que acordaram em proibi-lo de pregar coisas que lhes não agradavam. Ora, na Palestina, duzentos e trinta bispos, num concílio, ao contrário, resolveram encorajá-lo a levar avante a obra a que se dera de corpo e alma. A Igreja, naqueles idos, passava por uma grande agitação, e Basílio, intimado a comparecer diante do imperador, foi por este interrogado. O futuro mártir soube, maravilhosamente, defender-se, mas, com o advento de Julião, o Apóstata, não teve igual sorte. Foi Constantino quem mais incentivo prestou à convocação de Nicéia facilitando-a (325). No primeiro concílio ecumênico, definiu-se o credo cristão contra as primeiras heresias, das quais a mais famosa dói o arianismo, de Arius, presbítero, a qual negava a igualdade de Deus Filho com Deus Pai. Meio século depois do imperador Constantino lançar o edito, o imperador Julião, seu sobrinho, repudiou a fé cristã, procurando restabelecer o paganismo. Diante do procôncul Saturnino, Basílio foi acusado de provocar tumultos, falando desrespeitosamente do imperador, dizendo que, impunemente, violava as leis. Foi, pois, estirado ao cavalete, e atormentado. Dizia, então, o Santo, dirigindo-se a Deus: – Senhor, Deus de todos os séculos, eu te rendo graças por me achares digno de caminhar pela sendo do sofrimento,. Perseverando, estarei perto da vida, e me encontrarei na companhia daqueles que tu fizeste herdeiros de tuas promessas, e que delas já estão a gozar. Saturnino, violentamente, procurava induzir Basílio a sacrificar aos ídolos, mas o que ouvia, em resposta, era só negativas e negativas. Julião, informado daquela resistência, exasperou-se. Na expedição contra os persas, passava por Ancira, e ordenou que lhe trouxessem o renitente. Basílio, aberta e corajosamente, disse-lhe que era cristão, e que nada o demoveria, levando-o a sacrificar. E acrescentou: – Fica sabendo que, como quiseste perder a lembrança dos benefícios que recebeste de Deus, Ele também há de se esquecer da bondade, quando chegar a hora da tua punição. Tu não tens qualquer respeito pelos altares, profanando-os, atirando-os por terra. A ti também te atirará, arrancando-te do trono. Tu tens prazer em violar a lei do Senhor. Pois teu corpo ficará sem sepultura, e será calcado por pés sem conta, depois que tua alma já tenha partido sobre o efeito das mais violentas dores. Disse o apóstata: – Meu desejo era salvar-te, mas já que desrespeitaste minha posição, falando-me com insolência, devo vingar a majestade do império horrivelmente ultrajada em minha pessoa. Quero que todos os dias te arranquem do corpo sete SAO BASILIO DE ANCIRA_1.jpgtiras de carne. A execução ficou a cargo do conde Fromentino e Basílio, com infinitos de paciência, suportou a tortura. Disse o santo, um dia, ao carrasco: – Quero falar ao imperador. Com alegria o conde ouviu aquelas palavras: Basílio, pensava, ia ceder, sacrificar aos deuses para livrar-se do tormento. Quem não o faria? Fromentino abalou a falar com o imperador. Disse-lhe: – Basílio cedeu. Deseja falar a Vossa Majestade. Julião deixou o palácio a prelibar a vitória, dirigindo-se ao templo dedicado a Esculápio, onde o heróico supliciado jazia. Diante do apóstata, Basílio perguntou: – Onde estão teus sacrificadores e teus adivinhos? Disseram-te eles que eu te pedi audiência? – Eu pensei, respondeu Julião, que estavas prestes a reconhecer os deuses e pronto para unires a mim no sacrifício que lhes ofereço… – Nada estã tão distante de mim, tornou Basílio. E, tomando o santo uma longa tira de carne que lhe pendia do corpo, arrancou-a, atirando-a ao rosto do imperador, exclamando: – Toma, Julião, e come este pedaço, já que o amas tanto! E acrescentou: – Declaro-te que, para mim, a morte é um ganho: é por Jesus Cristo que eu sofro, Ele, meu refúgio, meu amparo e minha vida. Fromentino empalidecera, temendo pela própria vida. Gulião esse, estava branco de ódio. E, gritando para que a Basílio torturassem redobradamente, fazendo-lhe incisões mais profundas, que lhe chegassem até as entranhas ouviu-o no suplício orar: – Deus infinitamente bom, todo misericordioso, que sofres comigo, que sofres por nós, abaixa teus olhos para teu servidor. Concede-me a graça de acabar felizmente a vida, de perseverar na fé que meus pais me transmitiram, de merecer o teu reino. Julião, no dia seguinte, deixava Ancira, demandava Antioquia. E Basílio, à noite, na prisão, miraculosamente curado por Deus, encolerizando Fromentino, foi condenado a ter o corpo perfurado por ferros incandescentes. E à medida que executavam tão bárbara sentença, Basílio ia pronunciando devotamente: – Jesus, minha luz, Jesus minha esperança eu te rendo graças, deus de meus pais, que me retiras a alma desta morada de morte. Não permitas que eu profane o sagrado nome que levo: é o vosso, Senhor, conserva-o em mim, puro e sem mancha. Recebe o espírito de teu servidor, que morre confessando que és o único e verdadeiro Deus. Assim, dizendo, Basílio expirou. Era a 28 de Junho de 362 e o santo mártir recebia a gloriosa palma do martírio diante dos carrascos estupefatos. #SantodoDia
- Padre é condenado a pagar indenização a médico que faz abortos
A condenação por danos morais obriga o sacerdote a pagar R$ 10 mil por chamar de assassino um médico que pratica o “abortos legais”. Por ACI Digital – O padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, presidente do movimento Pró-Vida de Anápolis (GO), foi condenado a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais ao médico obstetra de Pernambuco que faz abortos previstos na legislação, Olímpio Moraes Filho, na sexta-feira, 17 de março. Segundo o obstetra, padre Lodi o chamou de “assassino” e fez “graves acusações caluniosas” contra ele por meio de textos no site do movimento Pró-Vida de Anápolis, depois que ele se dispôs a realizar um aborto em uma menina de dez anos em São Mateus (ES). A menina, vítima de estupro do tio, estava grávida de 22 semanas do tio. É importante lembrar quo aborto é crime no Brasil – não existe na lei brasileira o chamado “aborto legal” -, mas não há punição para quem o pratica em três situações. Uma delas é anencefalia do feto; as demais são gravidez decorrente de estupro e risco de morte da mãe. A defesa do padre Lodi alegou a “liberdade de expressão” em suas publicações. Para o juiz Adriano Mariano de Oliveira, responsável pelo processo, “apesar da liberdade de expressão, não se pode imputar a uma outra pessoa comentários ofensivos que abalem sua imagem pessoal e profissional baseados em temas polêmicos que inclusive dividem opiniões. Portanto, a liberdade de expressão e de pensamento não é direito absoluto e deve ser exercida em respeito à dignidade alheia para que não resulte em prejuízo à honra, à imagem e ao direito de intimidade da pessoa”. O caso que gerou a controvérsia aconteceu em agosto de 2020, quando Olímpio era diretor do Cisam (Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros), em Recife (PE). Ele decidiu receber a menina na unidade de saúde para fazer o aborto. O obstetra relatou no processo que, depois disso, grupos religiosos e parlamentares da bancada evangélica foram para a frente do Cisam protestar contra o aborto, causando tumulto, gritando ofensas contra a equipe médica do hospital e a menina. Moraes é médico no Cisam desde 1996 e atende mulheres vítimas de estupro ou com gestação de risco que decidem abortar. Ele foi excomungado pela Igreja Católica, por fazer um aborto em uma menina de nove anos grávida de gêmeos em Alagoinha (PE), também ela, vítima de estupro. Ao aceitar fazer o aborto na menina de dez anos do Espírito Santo, o médico incorreu novamente na pena. Padre Lodi também foi condenado em 2016, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a pagar R$ 60 mil a um casal por ter impedido um aborto a um feto com a síndrome de Body Stalk, doença caracterizada pelo cordão umbilical curto e não fechamento da parede abdominal. O episódio ocorreu em outubro de 2005, quando o padre impetrou habeas corpus para impedir que a gestante fizesse o aborto autorizado pela Justiça.
- Padre é condenado a pagar indenização a médico que faz abortos
A condenação por danos morais obriga o sacerdote a pagar R$ 10 mil por chamar de assassino um médico que pratica o “abortos legais”. Por ACI Digital – O padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, presidente do movimento Pró-Vida de Anápolis (GO), foi condenado a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais ao médico obstetra de Pernambuco que faz abortos previstos na legislação, Olímpio Moraes Filho, na sexta-feira, 17 de março. Segundo o obstetra, padre Lodi o chamou de “assassino” e fez “graves acusações caluniosas” contra ele por meio de textos no site do movimento Pró-Vida de Anápolis, depois que ele se dispôs a realizar um aborto em uma menina de dez anos em São Mateus (ES). A menina, vítima de estupro do tio, estava grávida de 22 semanas do tio. É importante lembrar quo aborto é crime no Brasil – não existe na lei brasileira o chamado “aborto legal” -, mas não há punição para quem o pratica em três situações. Uma delas é anencefalia do feto; as demais são gravidez decorrente de estupro e risco de morte da mãe. A defesa do padre Lodi alegou a “liberdade de expressão” em suas publicações. Para o juiz Adriano Mariano de Oliveira, responsável pelo processo, “apesar da liberdade de expressão, não se pode imputar a uma outra pessoa comentários ofensivos que abalem sua imagem pessoal e profissional baseados em temas polêmicos que inclusive dividem opiniões. Portanto, a liberdade de expressão e de pensamento não é direito absoluto e deve ser exercida em respeito à dignidade alheia para que não resulte em prejuízo à honra, à imagem e ao direito de intimidade da pessoa”. O caso que gerou a controvérsia aconteceu em agosto de 2020, quando Olímpio era diretor do Cisam (Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros), em Recife (PE). Ele decidiu receber a menina na unidade de saúde para fazer o aborto. O obstetra relatou no processo que, depois disso, grupos religiosos e parlamentares da bancada evangélica foram para a frente do Cisam protestar contra o aborto, causando tumulto, gritando ofensas contra a equipe médica do hospital e a menina. Moraes é médico no Cisam desde 1996 e atende mulheres vítimas de estupro ou com gestação de risco que decidem abortar. Ele foi excomungado pela Igreja Católica, por fazer um aborto em uma menina de nove anos grávida de gêmeos em Alagoinha (PE), também ela, vítima de estupro. Ao aceitar fazer o aborto na menina de dez anos do Espírito Santo, o médico incorreu novamente na pena. Padre Lodi também foi condenado em 2016, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a pagar R$ 60 mil a um casal por ter impedido um aborto a um feto com a síndrome de Body Stalk, doença caracterizada pelo cordão umbilical curto e não fechamento da parede abdominal. O episódio ocorreu em outubro de 2005, quando o padre impetrou habeas corpus para impedir que a gestante fizesse o aborto autorizado pela Justiça.
- Exorcista explica por que são José é o terror dos demônios
O padre Francisco Torres Ruiz, exorcista e especialista em liturgia da diocese de Plasencia, Espanha, explica por que São José é invocado como o “terror dos demônios” em entrevista à EWTN News. O padre indicou que uma das partes do exorcismo é a recitação das ladainhas dos santos e, ao mencionar seus nomes, o demônio pode ou não reagir. “Às vezes, quando o demônio já foi subjugado e alguma verdade se consegue extrair dele, porque Deus o obriga a isso, significa que aqueles santos a quem ele reagiu mais violentamente estão presentes no exorcismo” em um espiritual caminho, disse o padre Torres. Durante o exorcismo os santos “protegem os fiéis, rezam conosco, rezam com o exorcista e com as pessoas que estão a rezar nesse momento na sala ou na capela, imploram a Deus, intercedem por nós”, disse o padre. “Há momentos em que os próprios santos até exortam e ordenam ao diabo que deixe a pessoa em paz”. O papel de São José nos exorcismos “Com são José tive uma experiência preciosa, porque São José, na luta contra o mal, está intimamente ligado à batalha que também a Bem-aventurada Virgem Maria trava”, disse o sacerdote. Segundo o padre Torres Ruiz, “deve-se levar em conta que São José é um homem justo, como a Bíblia o define, que são José é um homem casto e, portanto, nunca teve nenhuma tentação de se aproveitar da Virgem ou de viver maritalmente com o ato conjugal. com a Virgem Maria”. O padre Torres disse que são José quis repudiar secretamente a Virgem Maria quando soube que ela estava grávida, porque “o amor que ele tinha pela Santíssima Virgem era mais do que sua justiça como homem”. Por tudo isso, disse o exorcista, “o demônio tem um ódio especial por São José”. O sacerdote observou que, na luta contra o mal, “são José é invocado como ‘terror dos demônios’, sempre unido à Virgem Maria, que pisou na cabeça da serpente”. “E como diz por vezes o imaginário popular, São José, como bom carpinteiro, com o machado com que cortava a madeira, corta o rabo da cobra.” O exorcista destacou que é muito importante “que as pessoas influenciadas pelo mal, assediadas ou mesmo possuídas, se consagrem ao casto coração de São José”. Padre Torres reiterou a importância de que o endemoninhado faça ou renove a consagração ao Sagrado Coração de Jesus, ao Imaculado Coração de Maria e ao castíssimo coração de São José, “que sempre esteve na devoção popular dos católicos da Santa Igreja”. «Aí se pode ver a eficácia da intercessão do Santo Patriarca José, esposo da Virgem, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, na luta contra o mal, contra o demônio», frisou. Como ir a São José na vida cotidiana Na entrevista à EWTN News, o padre Torres recomendou o aumento da devoção a são José na vida quotidiana, com as orações que cada um conhece, e com duas orações “que se encontram para São José no Missal de 1570 ou no Missal conhecido como extraordinário rito ou vetus ordo”. Também se pode “ir às famosas litanias de São José, onde precisamente está aquela invocação de ‘terror de demônios'”. A pessoa pode “rezar a ladainha de São José diariamente ou frequentemente, especialmente neste mês de março, que é o mês dele, agora na novena a São José, ou nos sete domingos que nos precederam, que eles são chamados os sete domingos de São José”. Outra forma de se aproximar do Santo Custódio é “meditar as alegrias, as dores de São José. Creio que todas essas coisas são altamente recomendadas neste momento para recorrer à sua proteção, na luta contra o mal, e à sua poderosa e eficaz intercessão, diante de Jesus Cristo Nosso Senhor”. #SãoJosé
- Exorcista explica por que são José é o terror dos demônios
O padre Francisco Torres Ruiz, exorcista e especialista em liturgia da diocese de Plasencia, Espanha, explica por que São José é invocado como o “terror dos demônios” em entrevista à EWTN News. O padre indicou que uma das partes do exorcismo é a recitação das ladainhas dos santos e, ao mencionar seus nomes, o demônio pode ou não reagir. “Às vezes, quando o demônio já foi subjugado e alguma verdade se consegue extrair dele, porque Deus o obriga a isso, significa que aqueles santos a quem ele reagiu mais violentamente estão presentes no exorcismo” em um espiritual caminho, disse o padre Torres. Durante o exorcismo os santos “protegem os fiéis, rezam conosco, rezam com o exorcista e com as pessoas que estão a rezar nesse momento na sala ou na capela, imploram a Deus, intercedem por nós”, disse o padre. “Há momentos em que os próprios santos até exortam e ordenam ao diabo que deixe a pessoa em paz”. O papel de São José nos exorcismos “Com são José tive uma experiência preciosa, porque São José, na luta contra o mal, está intimamente ligado à batalha que também a Bem-aventurada Virgem Maria trava”, disse o sacerdote. Segundo o padre Torres Ruiz, “deve-se levar em conta que São José é um homem justo, como a Bíblia o define, que são José é um homem casto e, portanto, nunca teve nenhuma tentação de se aproveitar da Virgem ou de viver maritalmente com o ato conjugal. com a Virgem Maria”. O padre Torres disse que são José quis repudiar secretamente a Virgem Maria quando soube que ela estava grávida, porque “o amor que ele tinha pela Santíssima Virgem era mais do que sua justiça como homem”. Por tudo isso, disse o exorcista, “o demônio tem um ódio especial por São José”. O sacerdote observou que, na luta contra o mal, “são José é invocado como ‘terror dos demônios’, sempre unido à Virgem Maria, que pisou na cabeça da serpente”. “E como diz por vezes o imaginário popular, São José, como bom carpinteiro, com o machado com que cortava a madeira, corta o rabo da cobra.” O exorcista destacou que é muito importante “que as pessoas influenciadas pelo mal, assediadas ou mesmo possuídas, se consagrem ao casto coração de São José”. Padre Torres reiterou a importância de que o endemoninhado faça ou renove a consagração ao Sagrado Coração de Jesus, ao Imaculado Coração de Maria e ao castíssimo coração de São José, “que sempre esteve na devoção popular dos católicos da Santa Igreja”. «Aí se pode ver a eficácia da intercessão do Santo Patriarca José, esposo da Virgem, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, na luta contra o mal, contra o demônio», frisou. Como ir a São José na vida cotidiana Na entrevista à EWTN News, o padre Torres recomendou o aumento da devoção a são José na vida quotidiana, com as orações que cada um conhece, e com duas orações “que se encontram para São José no Missal de 1570 ou no Missal conhecido como extraordinário rito ou vetus ordo”. Também se pode “ir às famosas litanias de São José, onde precisamente está aquela invocação de ‘terror de demônios'”. A pessoa pode “rezar a ladainha de São José diariamente ou frequentemente, especialmente neste mês de março, que é o mês dele, agora na novena a São José, ou nos sete domingos que nos precederam, que eles são chamados os sete domingos de São José”. Outra forma de se aproximar do Santo Custódio é “meditar as alegrias, as dores de São José. Creio que todas essas coisas são altamente recomendadas neste momento para recorrer à sua proteção, na luta contra o mal, e à sua poderosa e eficaz intercessão, diante de Jesus Cristo Nosso Senhor”. #SãoJosé
- Fiéis do Candomblé recebem comunhão em missa com bispo
Um bispo paulista distribuiu comunhão na mão em duas espécies para os leigos, permitiu a comunhão de não católicos e gerou escândalo entre os católicos do país. Assista ao vídeo com a denúncia: Leia também “Missa Afro”, a síntese de todos os abusos litúrgicos
- Fiéis do Candomblé recebem comunhão em missa com bispo
Um bispo paulista distribuiu comunhão na mão em duas espécies para os leigos, permitiu a comunhão de não católicos e gerou escândalo entre os católicos do país. Assista ao vídeo com a denúncia: Leia também “Missa Afro”, a síntese de todos os abusos litúrgicos
- Bispos franceses pedem mudança na doutrina sobre a homossexualidade
Alguns bispos franceses estão reescrevendo “discretamente” a doutrina da Igreja Católica sobre a homossexualidade, segundo reportagem do jornal católico francês La Croix. A ideia é tornar a mensagem da Igreja mais palatável ao mundo moderno. Por ACI Digital – O artigo publicado em 3 de março afirma que a iniciativa dos bispos decorre da visita ad limina dos bispos franceses a Roma em setembro de 2021. Durante a visita, alguns dos bispos disseram ao presidente do então Dicastério para a Doutrina da Fé, cardeal Luis Ladaria, e ao próprio papa Francisco, que grupos de defesa dos homossexuais na Igreja consideram ofensivos parágrafos do Catecismo da Igreja Católica. Quem falou ao jornal foi o arcebispo de Sens-Auxerre, dom Hervé Giraud, depois de uma reunião em 28 de fevereiro com membros da Reconnaissance, associação de pais católicos de homossexuais. Em março de 2021, poucos meses antes da visita ad limina, os integrantes do Reconnaissance apelaram em uma carta aos bispos da França para que os questionassem sobre a “consideração da dignidade de seus filhos” pela doutrina da Igreja Católica. Eles se opuseram particularmente ao parágrafo do catecismo que descreve atos homossexuais como “intrinsecamente desordenados” (CIC 2.357). A doutrina da Igreja sobre hommossexualidade está reunida em três artigos: “2.357 A homossexualidade designa as relações entre homens ou mulheres, que experimentam uma atração sexual exclusiva ou predominante para pessoas do mesmo sexo. Tem-se revestido de formas muito variadas, através dos séculos e das culturas. A sua gênese psíquica continua em grande parte por explicar. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves a Tradição sempre declarou que «os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados». São contrários à lei natural, fecham o ato sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afetiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados. 2.358. Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objetivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação, Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição. 2.359. As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã”. Para a Reconaissance, o catecismo, “publicado há quase 30 anos”, trata desse assunto “em poucas linhas concisas e confusas, que são de grande violência para as pessoas que as leem para si ou para seus entes queridos”. As referências ao livro do Levítico, do Antigo Testamento, ou a são Paulo, no novo testamento, são “inadequadas” para a organização de defesa da homossexualidade. A alegação é de que a Escritura apenas registra o desconhecimento das épocas em que foi escrita sobre a homossexualidade, que somente foi definida “como uma orientação sexual que se impõe à pessoa” no século XIX, pelo psiquiatra forense alemão Richard von Krafft-Ebing, que, no livro Psychopathia Sexualis criou a palavra “homossexual” e suas derivadas. “É por isso que um pedido de reescrita do parágrafo que trata desta questão, dirigido às autoridades competentes, nos parece necessário e urgente, particularmente em vista das inúmeras e inéditas contribuições das ciências humanas [nas últimas três décadas]”, escreveram os integrantes da Reconaissance. “No plano doutrinal, precisamos de uma linguagem adequada à realidade que nós e nossos filhos estamos vivendo… que abra caminhos de vida em vez de fechá-los levando os jovens ao desespero e os pais à rejeição do que são seus filhos”, continua a carta. Na página inicial de seu site, os membros da associação afirmam que sua carta foi recebida com simpatia por vários bispos, que responderam por escrito. “Atualização” do site dos bispos franceses Isso explicaria o pedido posterior feito ao papa em 2021, que, segundo o La Croix , sugere que os bispos proponham uma nova formulação dos parágrafos do Catecismo da Igreja Católica que tratam da homossexualidade (2357-2359). Nesse meio tempo, a Conferência Episcopal da França, através de seu Conselho da Família e da Sociedade , determinou que os teólogos atualizassem as seções em seu site que tratam dessas questões, a fim de torná-las consistentes com as “questões de hoje”. Esses teólogos estão sendo auxiliados em seus escritos por homossexuais e grupos de defesa, incluindo o Reconnaissance. Os membros da associação observaram em seu site que “agora foi estabelecido um diálogo genuíno e a sinodalidade está sendo gradualmente estabelecida”. “Combate à homofobia” O arcebispo Giraud, por sua vez publicou uma coluna de opinião antes de se reunir com a associação em fevereiro, pedindo uma mudança de perspectiva sobre a homossexualidade. Referindo-se aos vários escritos do papa Francisco, o prelado convidou a “abandonar toda tentação de julgar, para substituí-la por uma atitude de escuta das pessoas como elas são, sem reduzi-las ao que fazem”. O termo “homofobia” também é mencionado quatro vezes no artigo. Cunhado pelo psicólogo americano George Weinberg na década de 1960 para descrever a aversão psicológica à homossexualidade, esse conceito foi expandido e popularizado por ativistas gays e lésbicas nas décadas de 1970 e 1980. “Em um momento em que alguns países estão endurecendo sua legislação [sobre a homossexualidade] … antes de qualquer outra consideração, é necessário lutar contra a homofobia. Como todas as formas de ódio, destrói e semeia o mal. É urgente falar sobre isso de forma simples… como [o papa] Francisco”, escreveu Giraud. Em 2021, o arcebispo Giraud disse ao jornal Le Monde que havia recebido um grande número de e-mails virulentos de católicos por não fazer sanções a um famoso padre de sua diocese de Sens-Auxerre, Matthieu Jasseron, que afirmou em um vídeo em seu canal no TikTok (que ultrapassou rapidamente 1 milhão de visualizações) que atos homossexuais não eram pecaminosos. “Não está marcado em nenhum lugar, nem na Bíblia nem no Catecismo da Igreja Católica, ou seja, em toda a tradição, que ser homossexual ou praticar a homossexualidade é pecado”, declarou enganosamente o padre Jasseron. Em uma declaração em resposta ao clamor causado por essas declarações, que estão em aberta ruptura com a doutrina da Igreja Católica, dom Giraud limitou-se a lembrar que o padre Jasseron se expressou no TikTok “a título pessoal” e “sem ter recebido essa missão particular”. Ao discutir a polêmica no talk show francês Quelle Époque! em setembro de 2022, o padre Jasseron afirmou não ter recebido nenhum pedido de correção de seus superiores após seu vídeo.
- Bispos franceses pedem mudança na doutrina sobre a homossexualidade
Alguns bispos franceses estão reescrevendo “discretamente” a doutrina da Igreja Católica sobre a homossexualidade, segundo reportagem do jornal católico francês La Croix. A ideia é tornar a mensagem da Igreja mais palatável ao mundo moderno. Por ACI Digital – O artigo publicado em 3 de março afirma que a iniciativa dos bispos decorre da visita ad limina dos bispos franceses a Roma em setembro de 2021. Durante a visita, alguns dos bispos disseram ao presidente do então Dicastério para a Doutrina da Fé, cardeal Luis Ladaria, e ao próprio papa Francisco, que grupos de defesa dos homossexuais na Igreja consideram ofensivos parágrafos do Catecismo da Igreja Católica. Quem falou ao jornal foi o arcebispo de Sens-Auxerre, dom Hervé Giraud, depois de uma reunião em 28 de fevereiro com membros da Reconnaissance, associação de pais católicos de homossexuais. Em março de 2021, poucos meses antes da visita ad limina, os integrantes do Reconnaissance apelaram em uma carta aos bispos da França para que os questionassem sobre a “consideração da dignidade de seus filhos” pela doutrina da Igreja Católica. Eles se opuseram particularmente ao parágrafo do catecismo que descreve atos homossexuais como “intrinsecamente desordenados” (CIC 2.357). A doutrina da Igreja sobre hommossexualidade está reunida em três artigos: “2.357 A homossexualidade designa as relações entre homens ou mulheres, que experimentam uma atração sexual exclusiva ou predominante para pessoas do mesmo sexo. Tem-se revestido de formas muito variadas, através dos séculos e das culturas. A sua gênese psíquica continua em grande parte por explicar. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves a Tradição sempre declarou que «os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados». São contrários à lei natural, fecham o ato sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afetiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados. 2.358. Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objetivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação, Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição. 2.359. As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã”. Para a Reconaissance, o catecismo, “publicado há quase 30 anos”, trata desse assunto “em poucas linhas concisas e confusas, que são de grande violência para as pessoas que as leem para si ou para seus entes queridos”. As referências ao livro do Levítico, do Antigo Testamento, ou a são Paulo, no novo testamento, são “inadequadas” para a organização de defesa da homossexualidade. A alegação é de que a Escritura apenas registra o desconhecimento das épocas em que foi escrita sobre a homossexualidade, que somente foi definida “como uma orientação sexual que se impõe à pessoa” no século XIX, pelo psiquiatra forense alemão Richard von Krafft-Ebing, que, no livro Psychopathia Sexualis criou a palavra “homossexual” e suas derivadas. “É por isso que um pedido de reescrita do parágrafo que trata desta questão, dirigido às autoridades competentes, nos parece necessário e urgente, particularmente em vista das inúmeras e inéditas contribuições das ciências humanas [nas últimas três décadas]”, escreveram os integrantes da Reconaissance. “No plano doutrinal, precisamos de uma linguagem adequada à realidade que nós e nossos filhos estamos vivendo… que abra caminhos de vida em vez de fechá-los levando os jovens ao desespero e os pais à rejeição do que são seus filhos”, continua a carta. Na página inicial de seu site, os membros da associação afirmam que sua carta foi recebida com simpatia por vários bispos, que responderam por escrito. “Atualização” do site dos bispos franceses Isso explicaria o pedido posterior feito ao papa em 2021, que, segundo o La Croix , sugere que os bispos proponham uma nova formulação dos parágrafos do Catecismo da Igreja Católica que tratam da homossexualidade (2357-2359). Nesse meio tempo, a Conferência Episcopal da França, através de seu Conselho da Família e da Sociedade , determinou que os teólogos atualizassem as seções em seu site que tratam dessas questões, a fim de torná-las consistentes com as “questões de hoje”. Esses teólogos estão sendo auxiliados em seus escritos por homossexuais e grupos de defesa, incluindo o Reconnaissance. Os membros da associação observaram em seu site que “agora foi estabelecido um diálogo genuíno e a sinodalidade está sendo gradualmente estabelecida”. “Combate à homofobia” O arcebispo Giraud, por sua vez publicou uma coluna de opinião antes de se reunir com a associação em fevereiro, pedindo uma mudança de perspectiva sobre a homossexualidade. Referindo-se aos vários escritos do papa Francisco, o prelado convidou a “abandonar toda tentação de julgar, para substituí-la por uma atitude de escuta das pessoas como elas são, sem reduzi-las ao que fazem”. O termo “homofobia” também é mencionado quatro vezes no artigo. Cunhado pelo psicólogo americano George Weinberg na década de 1960 para descrever a aversão psicológica à homossexualidade, esse conceito foi expandido e popularizado por ativistas gays e lésbicas nas décadas de 1970 e 1980. “Em um momento em que alguns países estão endurecendo sua legislação [sobre a homossexualidade] … antes de qualquer outra consideração, é necessário lutar contra a homofobia. Como todas as formas de ódio, destrói e semeia o mal. É urgente falar sobre isso de forma simples… como [o papa] Francisco”, escreveu Giraud. Em 2021, o arcebispo Giraud disse ao jornal Le Monde que havia recebido um grande número de e-mails virulentos de católicos por não fazer sanções a um famoso padre de sua diocese de Sens-Auxerre, Matthieu Jasseron, que afirmou em um vídeo em seu canal no TikTok (que ultrapassou rapidamente 1 milhão de visualizações) que atos homossexuais não eram pecaminosos. “Não está marcado em nenhum lugar, nem na Bíblia nem no Catecismo da Igreja Católica, ou seja, em toda a tradição, que ser homossexual ou praticar a homossexualidade é pecado”, declarou enganosamente o padre Jasseron. Em uma declaração em resposta ao clamor causado por essas declarações, que estão em aberta ruptura com a doutrina da Igreja Católica, dom Giraud limitou-se a lembrar que o padre Jasseron se expressou no TikTok “a título pessoal” e “sem ter recebido essa missão particular”. Ao discutir a polêmica no talk show francês Quelle Époque! em setembro de 2022, o padre Jasseron afirmou não ter recebido nenhum pedido de correção de seus superiores após seu vídeo.
- Urgente: Caminho Sinodal Alemão aprova bênçãos para uniões homossexuais e divorciados recasados
“Na verdade, bênçãos assim já ocorreram em todas as dioceses alemãs sem nenhuma consequência.” É uma situação muito grave! Rezemos pela Santa Igreja. Por ACI Digital – O Caminho Sinodal Alemão decidiu introduzir oficialmente as bênçãos de uniões homossexuais e pessoas divorciadas e casadas novamente pela lei civil. Com apenas nove bispos votando contra, a assembleia sinodal da tarde de sexta-feira (10) ignorou o documento de 2021 da Congregação para a Doutrina da Fé que diz que a Igreja não tem autoridade para abençoar uniões homossexuais. Houve 11 abstenções entre os 58 bispos. Se esses 11 tivessem votado contra, haveria mais de um terço dos bispos contra a novidade e ela não teria sido aprovada. O Caminho Sinodal Alemão é um processo de discussões que reúne bispos e leigos para discutir reformas na Igreja, O texto “Celebrações de Bênçãos para Pares que se Amam” diz que a Igreja se propõe a em relação aos “que estão unidos no amor, vivendo com total respeito e dignidade sua sexualidade com atenção para si mesmos, um para com o outro e com responsabilidade social de forma contínua, pronta para viver, aceitar reconhecimento e oferecer-lhes companhia”. Leia também: Mais de 100 cardeais e bispos alertam para o risco de cisma na Alemanha Assim, recomenda-se à Conferência Episcopal Alemã e ao Comitê Central dos Católicos Alemães “desenvolver e introduzir celebrações litúrgicas apropriadas em tempo hábil”. Isso deve incluir “sugestões de formulários para celebrações de bênção para diferentes situações conjugais (recasados, casais do mesmo sexo)”, e “também uma introdução pastoral-teológica e informações pastorais-práticas”. O Comitê Central dos Católicos Alemães, que controla a participação dos leigos no Caminho Sinodal Alemão, é, como toda a Igreja na Alemanha, pelos impostos recolhidos dos cidadãos que se declaram católicos ao governo. Pela decisão tomada no Caminho Sinodal Alemão, ninguém é “obrigado a celebrar tais” bênçãos, mas nenhum bispo pode impor sanções disciplinares a um padre que as faça. Na verdade, bênçãos assim já ocorreram em todas as dioceses alemãs sem nenhuma consequência. As celebrações da bênção devem ser introduzidas oficialmente em março de 2026. O mesmo texto aprovado agora não passou em setembro de 2022 graças a uma minoria de bispos suficiente para bloqueá-lo. Desde então, as votações têm sido feitas nominalmente e não mais de modo secreto. Leia também Mais um passo rumo ao cisma: protestantes comungam e mulheres fazem homilia na Alemanha O Bispo de Eichstätt, dom Gregor Maria Hanke OSB, disse: “As celebrações de bênçãos para pares do mesmo sexo serão análogas aos casamentos sacramentais. Pelo menos os afetados vão interpretar dessa forma se já tiverem ido ao cartório.” “Não posso seguir este caminho e também espero que este passo, caso ocorra, não nos coloque no conflito em que a Igreja Anglicana se encontra atualmente”, alertou. Para o bispo de Regensburg, dom Rudolf Voderholzer, “é previsível que, após a aprovação da bênção, surja muito rapidamente a questão de saber se a bênção também não é discriminatória, caso o (sacramento do) casamento seja recusado.” Segundo Voderholzer, em uma sessão de discussão do Caminho Sinodal Alemão foi dito que “não havia razões válidas para negar o casamento sacramental a pessoas do mesmo sexo”. “Minha referência à possibilidade de procriação, que é ao menos um dos propósitos do casamento, foi respondida com a referência à paternidade e maternidade espirituais”, disse o bispo. “O próximo passo é a barriga de aluguel. Respondi que isso contradizia minha compreensão da totalidade holística, corpo-mente, corpo-espírito do ser humano e que considero isso gnose”. Voderholzer votou contra o projeto. Leia também Cardeal Brandmüller: “Na Alemanha não há apenas um problema de cisma, mas de heresia” O bispo auxiliar de Bamberg Herwig Gössl justificou sua abstenção. Ele foi contra o texto no fórum sinodal de discussão. Ao mesmo tempo, disse não querer que “estas celebrações continuem a decorrer em segredo. Por isso gostaria de pelo menos uma abstenção hoje para abrir caminho para que um texto seja aprovado aqui.” Embora não seja membro oficial da assembleia sinodal, o bispo de Antuérpia, Johan Bonny, falou longamente sobre a bênção das uniões homossexuais na Bélgica, onde tais celebrações já foram introduzidas. Em suas observações no final do debate, Bonny disse que o primeiro passo na Bélgica foi se referir à exortação apostólica pós-sinodal do papa Francisco Amoris laetitia e, com base nisso, finalmente introduzir as bênçãos para as uniões homossexuais. Isso foi dito ao papa Francisco na visita ad limina dos bispos belgas ao Vaticano no final de 2022. Segundo Bonny, o papa disse: “A decisão é de vocês. Eu posso entender isso”. Para o papa, segundo o bispo belga, o importante era “prosseguir com sabedoria” e “ficar juntos”. Francisco “não disse sim, nem não”, mas: “Isso é responsabilidade de vocês”, disse Bonny. Leia também: “Sacrilégio e Diabólico” esclarece sacerdote sobre bênçãos a uniões do mesmo sexo #SínododaAlemanha
- Urgente: Caminho Sinodal Alemão aprova bênçãos para uniões homossexuais e divorciados recasados
“Na verdade, bênçãos assim já ocorreram em todas as dioceses alemãs sem nenhuma consequência.” É uma situação muito grave! Rezemos pela Santa Igreja. Por ACI Digital – O Caminho Sinodal Alemão decidiu introduzir oficialmente as bênçãos de uniões homossexuais e pessoas divorciadas e casadas novamente pela lei civil. Com apenas nove bispos votando contra, a assembleia sinodal da tarde de sexta-feira (10) ignorou o documento de 2021 da Congregação para a Doutrina da Fé que diz que a Igreja não tem autoridade para abençoar uniões homossexuais. Houve 11 abstenções entre os 58 bispos. Se esses 11 tivessem votado contra, haveria mais de um terço dos bispos contra a novidade e ela não teria sido aprovada. O Caminho Sinodal Alemão é um processo de discussões que reúne bispos e leigos para discutir reformas na Igreja, O texto “Celebrações de Bênçãos para Pares que se Amam” diz que a Igreja se propõe a em relação aos “que estão unidos no amor, vivendo com total respeito e dignidade sua sexualidade com atenção para si mesmos, um para com o outro e com responsabilidade social de forma contínua, pronta para viver, aceitar reconhecimento e oferecer-lhes companhia”. Leia também: Mais de 100 cardeais e bispos alertam para o risco de cisma na Alemanha Assim, recomenda-se à Conferência Episcopal Alemã e ao Comitê Central dos Católicos Alemães “desenvolver e introduzir celebrações litúrgicas apropriadas em tempo hábil”. Isso deve incluir “sugestões de formulários para celebrações de bênção para diferentes situações conjugais (recasados, casais do mesmo sexo)”, e “também uma introdução pastoral-teológica e informações pastorais-práticas”. O Comitê Central dos Católicos Alemães, que controla a participação dos leigos no Caminho Sinodal Alemão, é, como toda a Igreja na Alemanha, pelos impostos recolhidos dos cidadãos que se declaram católicos ao governo. Pela decisão tomada no Caminho Sinodal Alemão, ninguém é “obrigado a celebrar tais” bênçãos, mas nenhum bispo pode impor sanções disciplinares a um padre que as faça. Na verdade, bênçãos assim já ocorreram em todas as dioceses alemãs sem nenhuma consequência. As celebrações da bênção devem ser introduzidas oficialmente em março de 2026. O mesmo texto aprovado agora não passou em setembro de 2022 graças a uma minoria de bispos suficiente para bloqueá-lo. Desde então, as votações têm sido feitas nominalmente e não mais de modo secreto. Leia também Mais um passo rumo ao cisma: protestantes comungam e mulheres fazem homilia na Alemanha O Bispo de Eichstätt, dom Gregor Maria Hanke OSB, disse: “As celebrações de bênçãos para pares do mesmo sexo serão análogas aos casamentos sacramentais. Pelo menos os afetados vão interpretar dessa forma se já tiverem ido ao cartório.” “Não posso seguir este caminho e também espero que este passo, caso ocorra, não nos coloque no conflito em que a Igreja Anglicana se encontra atualmente”, alertou. Para o bispo de Regensburg, dom Rudolf Voderholzer, “é previsível que, após a aprovação da bênção, surja muito rapidamente a questão de saber se a bênção também não é discriminatória, caso o (sacramento do) casamento seja recusado.” Segundo Voderholzer, em uma sessão de discussão do Caminho Sinodal Alemão foi dito que “não havia razões válidas para negar o casamento sacramental a pessoas do mesmo sexo”. “Minha referência à possibilidade de procriação, que é ao menos um dos propósitos do casamento, foi respondida com a referência à paternidade e maternidade espirituais”, disse o bispo. “O próximo passo é a barriga de aluguel. Respondi que isso contradizia minha compreensão da totalidade holística, corpo-mente, corpo-espírito do ser humano e que considero isso gnose”. Voderholzer votou contra o projeto. Leia também Cardeal Brandmüller: “Na Alemanha não há apenas um problema de cisma, mas de heresia” O bispo auxiliar de Bamberg Herwig Gössl justificou sua abstenção. Ele foi contra o texto no fórum sinodal de discussão. Ao mesmo tempo, disse não querer que “estas celebrações continuem a decorrer em segredo. Por isso gostaria de pelo menos uma abstenção hoje para abrir caminho para que um texto seja aprovado aqui.” Embora não seja membro oficial da assembleia sinodal, o bispo de Antuérpia, Johan Bonny, falou longamente sobre a bênção das uniões homossexuais na Bélgica, onde tais celebrações já foram introduzidas. Em suas observações no final do debate, Bonny disse que o primeiro passo na Bélgica foi se referir à exortação apostólica pós-sinodal do papa Francisco Amoris laetitia e, com base nisso, finalmente introduzir as bênçãos para as uniões homossexuais. Isso foi dito ao papa Francisco na visita ad limina dos bispos belgas ao Vaticano no final de 2022. Segundo Bonny, o papa disse: “A decisão é de vocês. Eu posso entender isso”. Para o papa, segundo o bispo belga, o importante era “prosseguir com sabedoria” e “ficar juntos”. Francisco “não disse sim, nem não”, mas: “Isso é responsabilidade de vocês”, disse Bonny. Leia também: “Sacrilégio e Diabólico” esclarece sacerdote sobre bênçãos a uniões do mesmo sexo #SínododaAlemanha
- Padre que estava desaparecido é encontrado morto em MG
Pe. Douglas Ferreira da Silva desapareceu a caminho de uma paróquia para atender confissões. Ele foi achado sem vida em outro município. Em último almoço antes de sumir, pediu dinheiro a outro padre para fazer o pagamento de uma dívida a alguém. Rezemos por sua alma 🙏 Um padre da Paróquia de Santa Bárbara de Fervedouro, da cidade de Caratinga (MG), foi encontrado morto, nesta quinta-feira (9), dois dias após ter sido dado como desaparecido por fiéis e colegas de igreja. O corpo do Pe. Douglas Ferreira Leite, de 35 anos, foi achado pela Polícia Civil no distrito de Bicuíba, no município de Miradouro. Pouco antes, o carro dele, um Fusca, havia sido achado em local próximo. A morte, cercada de mistério, tem chocado moradores e frequentadores do templo religioso. O crime pode ter sido motivado por extorsão. Mais especificamente, cerca de R$ 4 mil. Pelo menos é o que acreditam alguns dos demais colegas sacerdotes que conviviam com o padre Douglas. O GLOBO conversou com o padre Agrimaldo José Teixeira, da Paróquia São Francisco de Assis. Ele disse que, da última vez em que foi visto, ele havia pedido dinheiro emprestado a um outro padre amigo, e estaria preocupado em pagar uma terceira pessoa que estaria cobrando esta quantia dele. — O padre Fernando esteve com ele na terça-feira pela manhã e almoçou com ele. Foi depois desse almoço que ele sumiu. Ele comentou comigo que notou que ele estava um pouco estranho, preocupado, e disse que depois explicaria tudo — conta o padre Agrimaldo. — Como eles eram muito amigos, eram da mesma cidade (Conceição de Ipanema-MG), foram ordenados na mesma paróquia, o padre Douglas tinha proximidade e amizade com ele, e pediu dinheiro emprestado. Mas não explicou para que seria esse dinheiro. Parece que alguém estava cobrando ele por algum motivo. Em nota, a Polícia Civil de MG afirmou que o corpo do padre, cujo desaparecimento foi registrado nessa quarta, em Fervedouro, foi localizado nesta quinta-feira, em Miradouro. A perícia oficial da PCMG compareceu ao local e o corpo foi encaminhado para o Posto Médico-Legal de Muriaé, onde serão realizados os exames periciais para confirmar a causa da morte. As apurações prosseguem e nenhuma linha de investigação é descartada. Em vídeo, o delegado Glaydson Ferreira, responsável pelo caso, narrou o que se sabe até agora. Segundo ele, nenhuma linha de investigação está descartada por enquanto. – Na quarta-feira, por volta de 19h30, nós fomos informados do desaparecimento do padre Douglas e imediatamente comparecemos ao local. Iniciamos as investigações, onde verificamos que o padre, na terça-feira, por volta de 10h30, saiu da cidade de Fervedouro, juntamente com seu amigo, também padre, em direção a São Francisco do Glória. A princípio, teriam almoçado no local e ele, por volta de 11h45, teria retornado de carro, sentido a Fervedouro, não sendo mais visto – conta o delegado. – Iniciamos investigações com a finalidade de localizar o corpo e, durante diligências, verificamos que estava justamente em um lugar próximo de onde o veículo que o padre utilizava foi abandonado, na cidade de Miradouro, próximo a um restaurante. O investigador confirma que uma das possibilidades é de que o padre tenha sido vítima de extorsão antes de seu assassinato. – O que poderia ter gerado a motivação nós ainda estamos investigando, mas tomamos conhecimento de que o padre, dias antes de seu sumiço, teria pegado quantias em dinheiro emprestadas, o que poderia levar a crer que ele estaria sendo extorquido ou outro delito – concluiu. A diocese publicou uma nota: Nota de Falecimento “Eu te tomei pela mão direita: Não tenha medo, eu mesmo o ajudarei” (Is 41,13) A Diocese de Caratinga (MG) comunica, com grande pesar, o falecimento do Pe. Douglas Ferreira Leite, até então Vigário Paroquial da Paróquia de Santa Bárbara de Fervedouro. O Pe. Douglas estava desaparecido desde o final da manhã do último dia 7 de março, quando havia sido visto pela última vez. Na tarde de hoje, 9 de março de 2023, foi encontrado sem vida no município de Miradouro – MG. Na firme esperança da ressurreição, bendizemos a Deus por seu frutuoso ministério sacerdotal, vivido com zelo e ardor, ao longo deste um ano e seis meses, desde sua ordenação presbiteral, no dia 15 de agosto de 2021. Solidários aos familiares do Pe. Douglas, amigos e paroquianos, rezemos por seu descanso eterno ao lado do Cristo Bom Pastor, a quem serviu com tanto amor e doação. Pe. Douglas Ferreira Leite. Dom Emanuel Messias de Oliveira Bispo Diocesano Com informações de G1
- Padre que estava desaparecido é encontrado morto em MG
Pe. Douglas Ferreira da Silva desapareceu a caminho de uma paróquia para atender confissões. Ele foi achado sem vida em outro município. Em último almoço antes de sumir, pediu dinheiro a outro padre para fazer o pagamento de uma dívida a alguém. Rezemos por sua alma 🙏 Um padre da Paróquia de Santa Bárbara de Fervedouro, da cidade de Caratinga (MG), foi encontrado morto, nesta quinta-feira (9), dois dias após ter sido dado como desaparecido por fiéis e colegas de igreja. O corpo do Pe. Douglas Ferreira Leite, de 35 anos, foi achado pela Polícia Civil no distrito de Bicuíba, no município de Miradouro. Pouco antes, o carro dele, um Fusca, havia sido achado em local próximo. A morte, cercada de mistério, tem chocado moradores e frequentadores do templo religioso. O crime pode ter sido motivado por extorsão. Mais especificamente, cerca de R$ 4 mil. Pelo menos é o que acreditam alguns dos demais colegas sacerdotes que conviviam com o padre Douglas. O GLOBO conversou com o padre Agrimaldo José Teixeira, da Paróquia São Francisco de Assis. Ele disse que, da última vez em que foi visto, ele havia pedido dinheiro emprestado a um outro padre amigo, e estaria preocupado em pagar uma terceira pessoa que estaria cobrando esta quantia dele. — O padre Fernando esteve com ele na terça-feira pela manhã e almoçou com ele. Foi depois desse almoço que ele sumiu. Ele comentou comigo que notou que ele estava um pouco estranho, preocupado, e disse que depois explicaria tudo — conta o padre Agrimaldo. — Como eles eram muito amigos, eram da mesma cidade (Conceição de Ipanema-MG), foram ordenados na mesma paróquia, o padre Douglas tinha proximidade e amizade com ele, e pediu dinheiro emprestado. Mas não explicou para que seria esse dinheiro. Parece que alguém estava cobrando ele por algum motivo. Em nota, a Polícia Civil de MG afirmou que o corpo do padre, cujo desaparecimento foi registrado nessa quarta, em Fervedouro, foi localizado nesta quinta-feira, em Miradouro. A perícia oficial da PCMG compareceu ao local e o corpo foi encaminhado para o Posto Médico-Legal de Muriaé, onde serão realizados os exames periciais para confirmar a causa da morte. As apurações prosseguem e nenhuma linha de investigação é descartada. Em vídeo, o delegado Glaydson Ferreira, responsável pelo caso, narrou o que se sabe até agora. Segundo ele, nenhuma linha de investigação está descartada por enquanto. – Na quarta-feira, por volta de 19h30, nós fomos informados do desaparecimento do padre Douglas e imediatamente comparecemos ao local. Iniciamos as investigações, onde verificamos que o padre, na terça-feira, por volta de 10h30, saiu da cidade de Fervedouro, juntamente com seu amigo, também padre, em direção a São Francisco do Glória. A princípio, teriam almoçado no local e ele, por volta de 11h45, teria retornado de carro, sentido a Fervedouro, não sendo mais visto – conta o delegado. – Iniciamos investigações com a finalidade de localizar o corpo e, durante diligências, verificamos que estava justamente em um lugar próximo de onde o veículo que o padre utilizava foi abandonado, na cidade de Miradouro, próximo a um restaurante. O investigador confirma que uma das possibilidades é de que o padre tenha sido vítima de extorsão antes de seu assassinato. – O que poderia ter gerado a motivação nós ainda estamos investigando, mas tomamos conhecimento de que o padre, dias antes de seu sumiço, teria pegado quantias em dinheiro emprestadas, o que poderia levar a crer que ele estaria sendo extorquido ou outro delito – concluiu. A diocese publicou uma nota: Nota de Falecimento “Eu te tomei pela mão direita: Não tenha medo, eu mesmo o ajudarei” (Is 41,13) A Diocese de Caratinga (MG) comunica, com grande pesar, o falecimento do Pe. Douglas Ferreira Leite, até então Vigário Paroquial da Paróquia de Santa Bárbara de Fervedouro. O Pe. Douglas estava desaparecido desde o final da manhã do último dia 7 de março, quando havia sido visto pela última vez. Na tarde de hoje, 9 de março de 2023, foi encontrado sem vida no município de Miradouro – MG. Na firme esperança da ressurreição, bendizemos a Deus por seu frutuoso ministério sacerdotal, vivido com zelo e ardor, ao longo deste um ano e seis meses, desde sua ordenação presbiteral, no dia 15 de agosto de 2021. Solidários aos familiares do Pe. Douglas, amigos e paroquianos, rezemos por seu descanso eterno ao lado do Cristo Bom Pastor, a quem serviu com tanto amor e doação. Pe. Douglas Ferreira Leite. Dom Emanuel Messias de Oliveira Bispo Diocesano Com informações de G1
- Produção inédita sobre São José estreia nos cinemas esta semana
Produzido pela espanhola Goya Producciónes, Coração de Pai estará em cartaz, com exibições exclusivas, em mais de 100 salas do país, nos dias 4, 6 e 7 de março. Ingressos à venda. Assista também o trailer e o clipe musical abaixo… Chegamos à semana de estreia do documentário “Coração de Pai – São José”, que entra em cartaz nos cinemas do Brasil, com sessões exclusivas nos dias 4, 6 e 7 de março . O filme será exibido em mais de 100 salas, localizadas em aproximadamente 70 cidades do país. A distribuição é da Kolbe Arte que já trouxe aos brasileiros outras produções, como Duas Coroas – A história de São Maximiliano Kolbe, Coração Ardente e Purgatório. Na última segunda-feira (28), foi realizada em São Paulo uma exibição especial de “Coração de Pai” para convidados. Cerca de cem pessoas, entre leigos e religiosos, tiveram a chance de assistir ao documentário antecipadamente e saíram do cinema inspiradas pelo Patrono da Igreja. Para a Madre Maria Virgem da Esperança, do Instituto Servidoras do Senhor, a experiência a fez pensar “quão especial era São José, porque custodiou os maiores tesouros de Deus, a Virgem Maria e o Verbo Encarnado”. Ela também disse que foi uma oportunidade para “se aprofundar no conhecimento, no amor e na devoção a São José”. Quem também participou da sessão foi o reitor do Seminário de Teologia da Diocese de Santo Amaro, Padre Antônio Henrique. Ele afirmou ter sido “impactado pelo filme” e não tem dúvidas de que seu “sacerdócio sai transformado e amadurecido a partir dessa experiência”. No início desta semana, o ator Juliano Cazarré gravou um vídeo para as redes sociais, após assistir “Coração de Pai” . Cazarré declarou ser muito devoto de São José, “um pai amoroso, um pai justo, um pai sábio, um pai forte, um pai temperante, um pai puro. Eu não sou um pai perfeito, mas eu tenho na minha frente sempre São José como meu modelo”. Produzido pela Goya Producciones e filmado em diversos países, “ Coração de Pai” traz testemunhos de pessoas que foram agraciadas com a intercessão do santo, recebendo milagres que passam por curas impossíveis, recomposição de matrimônios desfeitos e conversões radicais. É o terceiro de uma trilogia que inclui “Coração Ardente” e “Fátima – o último mistério”. Assista o trailer: Os ingressos já podem ser adquiridos nas redes de cinema do Brasil. No site https://kolbearteproducoes.com/catalogo/coracaodepai é possível conferir todo o circuito e saber onde e em quais cinemas o filme estará em cartaz. Sinopse O documentário “Coração de Pai” é uma viagem em busca dos vestígios de São José. Em aproximadamente um ano de pesquisa, foram selecionados depoimentos atuais e extraordinário de pessoas simples, marcadas pela ação do santo em suas vidas. O percurso levou a lugares pouco conhecidos, como Cotignac na França ou Tuscania na Itália, onde São José apareceu no passado. Na Espanha comprovou-se a presença especial de São José em Toledo, em Ávila e em Barcelona, onde as filmagens aconteceram tanto no templo da Sagrada Família, como no Santuário de São José da Montanha. O documentário destaca a especial ‘ação’ de São José em nossos dias, justificada pela atual crise da figura paterna e pela necessidade de reconstruir a unidade familiar. A figura do Patriarca tem sido fortalecida pelos últimos Papas, desde Pio IX, que o nomeou Patrono da Igreja, até Francisco, que declarou 2021 como o Ano Jubilar de São José. Francisco revelou que coloca aos pés de sua imagem pedacinhos de papel com as intenções que lhe são confiadas. Assista o clipe especial: Sobre a Kolbe Arte Produções A Kolbe Arte Produções surgiu em 2010, a partir da percepção de que o meio cristão necessitava desenvolver estratégias para melhor se comunicar com seus fiéis e transmitir sua mensagem de forma eficaz e condizente com seus valores. Desde 2019, também atua na promoção e distribuição de filmes com temática religiosa, especialmente de produções de interesse do público católico brasileiro. Veja os próximos lançamentos: Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Kolbe Arte Produções (@kolbearteproducoes) #Filmes #FilmesCatólicos #SãoJosé
- Produção inédita sobre São José estreia nos cinemas esta semana
Produzido pela espanhola Goya Producciónes, Coração de Pai estará em cartaz, com exibições exclusivas, em mais de 100 salas do país, nos dias 4, 6 e 7 de março. Ingressos à venda. Assista também o trailer e o clipe musical abaixo… Chegamos à semana de estreia do documentário “Coração de Pai – São José”, que entra em cartaz nos cinemas do Brasil, com sessões exclusivas nos dias 4, 6 e 7 de março . O filme será exibido em mais de 100 salas, localizadas em aproximadamente 70 cidades do país. A distribuição é da Kolbe Arte que já trouxe aos brasileiros outras produções, como Duas Coroas – A história de São Maximiliano Kolbe, Coração Ardente e Purgatório. Na última segunda-feira (28), foi realizada em São Paulo uma exibição especial de “Coração de Pai” para convidados. Cerca de cem pessoas, entre leigos e religiosos, tiveram a chance de assistir ao documentário antecipadamente e saíram do cinema inspiradas pelo Patrono da Igreja. Para a Madre Maria Virgem da Esperança, do Instituto Servidoras do Senhor, a experiência a fez pensar “quão especial era São José, porque custodiou os maiores tesouros de Deus, a Virgem Maria e o Verbo Encarnado”. Ela também disse que foi uma oportunidade para “se aprofundar no conhecimento, no amor e na devoção a São José”. Quem também participou da sessão foi o reitor do Seminário de Teologia da Diocese de Santo Amaro, Padre Antônio Henrique. Ele afirmou ter sido “impactado pelo filme” e não tem dúvidas de que seu “sacerdócio sai transformado e amadurecido a partir dessa experiência”. No início desta semana, o ator Juliano Cazarré gravou um vídeo para as redes sociais, após assistir “Coração de Pai” . Cazarré declarou ser muito devoto de São José, “um pai amoroso, um pai justo, um pai sábio, um pai forte, um pai temperante, um pai puro. Eu não sou um pai perfeito, mas eu tenho na minha frente sempre São José como meu modelo”. Produzido pela Goya Producciones e filmado em diversos países, “ Coração de Pai” traz testemunhos de pessoas que foram agraciadas com a intercessão do santo, recebendo milagres que passam por curas impossíveis, recomposição de matrimônios desfeitos e conversões radicais. É o terceiro de uma trilogia que inclui “Coração Ardente” e “Fátima – o último mistério”. Assista o trailer: Os ingressos já podem ser adquiridos nas redes de cinema do Brasil. No site https://kolbearteproducoes.com/catalogo/coracaodepai é possível conferir todo o circuito e saber onde e em quais cinemas o filme estará em cartaz. Sinopse O documentário “Coração de Pai” é uma viagem em busca dos vestígios de São José. Em aproximadamente um ano de pesquisa, foram selecionados depoimentos atuais e extraordinário de pessoas simples, marcadas pela ação do santo em suas vidas. O percurso levou a lugares pouco conhecidos, como Cotignac na França ou Tuscania na Itália, onde São José apareceu no passado. Na Espanha comprovou-se a presença especial de São José em Toledo, em Ávila e em Barcelona, onde as filmagens aconteceram tanto no templo da Sagrada Família, como no Santuário de São José da Montanha. O documentário destaca a especial ‘ação’ de São José em nossos dias, justificada pela atual crise da figura paterna e pela necessidade de reconstruir a unidade familiar. A figura do Patriarca tem sido fortalecida pelos últimos Papas, desde Pio IX, que o nomeou Patrono da Igreja, até Francisco, que declarou 2021 como o Ano Jubilar de São José. Francisco revelou que coloca aos pés de sua imagem pedacinhos de papel com as intenções que lhe são confiadas. Assista o clipe especial: Sobre a Kolbe Arte Produções A Kolbe Arte Produções surgiu em 2010, a partir da percepção de que o meio cristão necessitava desenvolver estratégias para melhor se comunicar com seus fiéis e transmitir sua mensagem de forma eficaz e condizente com seus valores. Desde 2019, também atua na promoção e distribuição de filmes com temática religiosa, especialmente de produções de interesse do público católico brasileiro. Veja os próximos lançamentos: Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Kolbe Arte Produções (@kolbearteproducoes) #Filmes #FilmesCatólicos #SãoJosé
- Dilema litúrgico para os bispos diocesanos
Ao forçar a mão dos bispos locais, o Papa Francisco até minou seus próprios apelos repetidos por uma administração colegial e sinodal. Por Padre Raymond J. de Souza Uma disputa sobre dispensações se transformou em uma diktat (que significa imposição) do dicastério que colocou as dioceses em um dilema difícil. A disciplina litúrgica é delicada. O pedido ao Papa Francisco, do Dicastério para o Culto Divino (DCD), para apertar os parafusos na implementação da Traditionis Custodes – concedido pelo Santo Padre em 20 de fevereiro – significa que Roma decidiu que é uma prioridade tirar a “forma extraordinária” ou Missa Tridentina das igrejas paroquiais. Daí o dilema para os bispos diocesanos. Na maioria das dioceses, o número de pessoas que frequentam a forma mais antiga da Missa é muito pequeno, até mesmo minúsculo. Na Diocese de Arlington, Virgínia, que tem uma das maiores presenças tradicionais da Missa, o bispo Michael Burbidge estimou que 2,5% dos frequentadores da missa compareceram ao usus antiquior, ou forma mais antiga, da Missa. Em quase todas as outras dioceses americanas, seria uma pequena fração desses 2,5%, provavelmente menos da metade de 1%. Tais católicos raramente são, portanto, de tamanho suficiente para criar problemas na diocese, mesmo que quisessem fazê-lo, o que geralmente não fazem. Pelo contrário, embora pequenas, tais congregações oferecem muitas vezes um testemunho inspirador de jovens famílias que se esforçam por viver uma vida sacramental vibrante, edificando a cultura católica. Se a congregação estiver estável ou crescendo por algum tempo, eles desfrutariam do apoio de vários sacerdotes. Se o bispo deseja ser obediente a Roma, ele agora tem que expulsar essa congregação de uma igreja paroquial, talvez para instalações escolares próximas, como foi feito em alguns lugares em Arlington, ou simplesmente eliminar completamente o usus antiquior, como também foi feito em Arlington. Alguns paroquianos, sem surpresa, descobriram isso “cruel e injusto”, embora o bispo Burbidge não tivesse nenhum desejo de fazer nada disso antes de Roma ordenar a repressão. Considere outra diocese, onde o bispo está fechando paróquias por falta de pessoas. Se, ao mesmo tempo, ele fechar as portas de uma igreja em uma congregação viável, ele corre o risco de não apenas parecer cruel, mas tolo. Assim, a grande maioria dos bispos deu à Traditionis Custodes um passe discreto, permitindo que as congregações locais continuassem como estavam. Isso não é surpreendente. Por várias gerações, a maioria das diretrizes litúrgicas de Roma, sobre qualquer assunto e sob qualquer papa, são observadas apenas em parte, se é que são observadas. Agora, Roma forçou a questão, exigindo a aprovação da DCD para permitir que tais congregações continuassem serenamente. Assim, um bispo, se quiser proceder como procedeu, pode ser tentado a desrespeitar a lei, nunca uma situação feliz. Por outro lado, se ele reforçar com zelo os desejos da DCD, ele enfrenta outra dificuldade. O que ele está fazendo em relação a outros abusos litúrgicos? O zelo é proporcional? “Estou triste com os abusos na celebração da liturgia por todos os lados”, escreveu o Papa Francisco em uma carta aos bispos que acompanhou a Traditionis Custodes. “Em comum com Bento XVI, deploro o fato de que ‘em muitos lugares as prescrições do novo Missal não são observadas em celebração, mas de fato passam a ser interpretadas como uma autorização ou mesmo uma exigência de criatividade, o que leva a distorções quase insuportáveis'”. Se um bispo coloca congregações tradicionais na rua enquanto tolera serenamente abusos litúrgicos de um tipo grave, até mesmo sacrílego, então parece que ele está muito feliz em suportar o que o Santo Padre considera “insuportável”. Haveria obediência a Roma na letra da lei – expulsar o usus antiquior – ignorando o contexto mais amplo de “abusos de todos os lados”. Tal abordagem seletiva mina a credibilidade do bispo com seus próprios padres e paroquianos. Mais uma vez, não é um resultado feliz. Considere o dilema do bispo Edward Scharfenberger em Albany, Nova York. Poucos dias após o documento da DCD, a diocese cancelou as missas tradicionais em todas as suas paróquias que as ofereciam. Eram dois. Suas poucas missas tradicionais eram oferecidas principalmente durante a semana. Como isso se parece com os católicos em Albany? Albany, em crise perpétua há anos, agora está se afogando em acordos de abuso sexual. Atualmente, está sofrendo o espanto de seu ordinário de longa data, o bispo Howard Hubbard, aposentado em 2014, pedindo para ser laicizado na grande velhice de 84 anos. Alguns especulam que ele quer sair à frente das investigações por abuso sexual, já tendo admitido que lidou mal com os casos ao longo de muitos anos. Outros especulam que ele deseja se casar. É um espetáculo estarrecedor. Será que aumenta a reverência pelo atual bispo de Albany escolher, em meio à catarata dos horrores que o cercam, como uma prioridade premente se a paróquia em Little Falls tem uma missa tradicional na manhã de quarta-feira? Ele se distinguirá pela obediência rápida em Roma; Os paroquianos mais próximos de casa provavelmente estão menos entusiasmados. Daí o dilema do bispo diocesano. Considere Chicago. O cardeal Blase Cupich implementou as restrições da Traditionis Custodes em 2021, assinando seu decreto no dia de Natal! No entanto, não foi até o Advento de 2022 que ele levantou a dispensa da pandemia da obrigação da missa dominical. O cardeal Cupich ganha elogios em Roma, mas é possível que os padres e fiéis de Chicago possam se perguntar sobre as prioridades pastorais que consideram mais importante impedir que os católicos vão a uma missa dominical tradicional, do que fazer com que outros católicos vão à missa? Mais uma vez, não é uma situação feliz. Ao forçar a mão dos bispos locais, o Papa Francisco até minou seus próprios apelos repetidos por administração colegial e sinodal, incluindo o que ele escreveu no Artigo 2 da Traditionis Custodes: “Compete ao bispo diocesano, como moderador, promotor e guardião de toda a vida litúrgica da Igreja particular que lhe foi confiada, regular as celebrações litúrgicas da sua diocese. Portanto, é de sua competência exclusiva autorizar o uso do Missal Romano de 1962 em sua diocese, de acordo com as diretrizes da Sé Apostólica. Na grande maioria das dioceses em todo o mundo, o usus antiquior é uma completa não-questão, enquanto outros abusos litúrgicos estão presentes. Se a ação romana é tomada sobre o primeiro, afetando uma porção minúscula do rebanho do Senhor, e Roma permanece inativa no segundo, isso prejudica a credibilidade do DCD. Em Desiderio Desideravi, sua carta apostólica para o primeiro aniversário da Traditionis Custodes, o Papa Francisco denunciou “um personalismo elevado do estilo de celebração que às vezes expressa uma mania mal disfarçada de ser o centro das atenções … [estes] não são os comportamentos mais difundidos, mas, ainda assim, não raro, as assembleias sofrem por serem assim abusadas” (# 54). “Não raro” é vastas ordens de magnitude mais comuns do que a oferta do usus antiquior. O que o bispo local está fazendo para evitar que seus paroquianos sofram os abusos que o Santo Padre lamenta? A questão premente não é o que o bispo local está fazendo sobre os menos de um décimo de 1% das missas locais no usus antiquior. É sobre o resto deles, e é por isso que o decreto romano cria um dilema local. Traduzido de National Catholic Register #TraditionisCustodes
- Dilema litúrgico para os bispos diocesanos
Ao forçar a mão dos bispos locais, o Papa Francisco até minou seus próprios apelos repetidos por uma administração colegial e sinodal. Por Padre Raymond J. de Souza Uma disputa sobre dispensações se transformou em uma diktat (que significa imposição) do dicastério que colocou as dioceses em um dilema difícil. A disciplina litúrgica é delicada. O pedido ao Papa Francisco, do Dicastério para o Culto Divino (DCD), para apertar os parafusos na implementação da Traditionis Custodes – concedido pelo Santo Padre em 20 de fevereiro – significa que Roma decidiu que é uma prioridade tirar a “forma extraordinária” ou Missa Tridentina das igrejas paroquiais. Daí o dilema para os bispos diocesanos. Na maioria das dioceses, o número de pessoas que frequentam a forma mais antiga da Missa é muito pequeno, até mesmo minúsculo. Na Diocese de Arlington, Virgínia, que tem uma das maiores presenças tradicionais da Missa, o bispo Michael Burbidge estimou que 2,5% dos frequentadores da missa compareceram ao usus antiquior, ou forma mais antiga, da Missa. Em quase todas as outras dioceses americanas, seria uma pequena fração desses 2,5%, provavelmente menos da metade de 1%. Tais católicos raramente são, portanto, de tamanho suficiente para criar problemas na diocese, mesmo que quisessem fazê-lo, o que geralmente não fazem. Pelo contrário, embora pequenas, tais congregações oferecem muitas vezes um testemunho inspirador de jovens famílias que se esforçam por viver uma vida sacramental vibrante, edificando a cultura católica. Se a congregação estiver estável ou crescendo por algum tempo, eles desfrutariam do apoio de vários sacerdotes. Se o bispo deseja ser obediente a Roma, ele agora tem que expulsar essa congregação de uma igreja paroquial, talvez para instalações escolares próximas, como foi feito em alguns lugares em Arlington, ou simplesmente eliminar completamente o usus antiquior, como também foi feito em Arlington. Alguns paroquianos, sem surpresa, descobriram isso “cruel e injusto”, embora o bispo Burbidge não tivesse nenhum desejo de fazer nada disso antes de Roma ordenar a repressão. Considere outra diocese, onde o bispo está fechando paróquias por falta de pessoas. Se, ao mesmo tempo, ele fechar as portas de uma igreja em uma congregação viável, ele corre o risco de não apenas parecer cruel, mas tolo. Assim, a grande maioria dos bispos deu à Traditionis Custodes um passe discreto, permitindo que as congregações locais continuassem como estavam. Isso não é surpreendente. Por várias gerações, a maioria das diretrizes litúrgicas de Roma, sobre qualquer assunto e sob qualquer papa, são observadas apenas em parte, se é que são observadas. Agora, Roma forçou a questão, exigindo a aprovação da DCD para permitir que tais congregações continuassem serenamente. Assim, um bispo, se quiser proceder como procedeu, pode ser tentado a desrespeitar a lei, nunca uma situação feliz. Por outro lado, se ele reforçar com zelo os desejos da DCD, ele enfrenta outra dificuldade. O que ele está fazendo em relação a outros abusos litúrgicos? O zelo é proporcional? “Estou triste com os abusos na celebração da liturgia por todos os lados”, escreveu o Papa Francisco em uma carta aos bispos que acompanhou a Traditionis Custodes. “Em comum com Bento XVI, deploro o fato de que ‘em muitos lugares as prescrições do novo Missal não são observadas em celebração, mas de fato passam a ser interpretadas como uma autorização ou mesmo uma exigência de criatividade, o que leva a distorções quase insuportáveis'”. Se um bispo coloca congregações tradicionais na rua enquanto tolera serenamente abusos litúrgicos de um tipo grave, até mesmo sacrílego, então parece que ele está muito feliz em suportar o que o Santo Padre considera “insuportável”. Haveria obediência a Roma na letra da lei – expulsar o usus antiquior – ignorando o contexto mais amplo de “abusos de todos os lados”. Tal abordagem seletiva mina a credibilidade do bispo com seus próprios padres e paroquianos. Mais uma vez, não é um resultado feliz. Considere o dilema do bispo Edward Scharfenberger em Albany, Nova York. Poucos dias após o documento da DCD, a diocese cancelou as missas tradicionais em todas as suas paróquias que as ofereciam. Eram dois. Suas poucas missas tradicionais eram oferecidas principalmente durante a semana. Como isso se parece com os católicos em Albany? Albany, em crise perpétua há anos, agora está se afogando em acordos de abuso sexual. Atualmente, está sofrendo o espanto de seu ordinário de longa data, o bispo Howard Hubbard, aposentado em 2014, pedindo para ser laicizado na grande velhice de 84 anos. Alguns especulam que ele quer sair à frente das investigações por abuso sexual, já tendo admitido que lidou mal com os casos ao longo de muitos anos. Outros especulam que ele deseja se casar. É um espetáculo estarrecedor. Será que aumenta a reverência pelo atual bispo de Albany escolher, em meio à catarata dos horrores que o cercam, como uma prioridade premente se a paróquia em Little Falls tem uma missa tradicional na manhã de quarta-feira? Ele se distinguirá pela obediência rápida em Roma; Os paroquianos mais próximos de casa provavelmente estão menos entusiasmados. Daí o dilema do bispo diocesano. Considere Chicago. O cardeal Blase Cupich implementou as restrições da Traditionis Custodes em 2021, assinando seu decreto no dia de Natal! No entanto, não foi até o Advento de 2022 que ele levantou a dispensa da pandemia da obrigação da missa dominical. O cardeal Cupich ganha elogios em Roma, mas é possível que os padres e fiéis de Chicago possam se perguntar sobre as prioridades pastorais que consideram mais importante impedir que os católicos vão a uma missa dominical tradicional, do que fazer com que outros católicos vão à missa? Mais uma vez, não é uma situação feliz. Ao forçar a mão dos bispos locais, o Papa Francisco até minou seus próprios apelos repetidos por administração colegial e sinodal, incluindo o que ele escreveu no Artigo 2 da Traditionis Custodes: “Compete ao bispo diocesano, como moderador, promotor e guardião de toda a vida litúrgica da Igreja particular que lhe foi confiada, regular as celebrações litúrgicas da sua diocese. Portanto, é de sua competência exclusiva autorizar o uso do Missal Romano de 1962 em sua diocese, de acordo com as diretrizes da Sé Apostólica. Na grande maioria das dioceses em todo o mundo, o usus antiquior é uma completa não-questão, enquanto outros abusos litúrgicos estão presentes. Se a ação romana é tomada sobre o primeiro, afetando uma porção minúscula do rebanho do Senhor, e Roma permanece inativa no segundo, isso prejudica a credibilidade do DCD. Em Desiderio Desideravi, sua carta apostólica para o primeiro aniversário da Traditionis Custodes, o Papa Francisco denunciou “um personalismo elevado do estilo de celebração que às vezes expressa uma mania mal disfarçada de ser o centro das atenções … [estes] não são os comportamentos mais difundidos, mas, ainda assim, não raro, as assembleias sofrem por serem assim abusadas” (# 54). “Não raro” é vastas ordens de magnitude mais comuns do que a oferta do usus antiquior. O que o bispo local está fazendo para evitar que seus paroquianos sofram os abusos que o Santo Padre lamenta? A questão premente não é o que o bispo local está fazendo sobre os menos de um décimo de 1% das missas locais no usus antiquior. É sobre o resto deles, e é por isso que o decreto romano cria um dilema local. Traduzido de National Catholic Register #TraditionisCustodes
- Negar a minha fé católica em Hollywood seria um pecado maior, diz Mark Wahlberg
O ator e produtor Mark Wahlberg deu uma entrevista na Quarta-feira de Cinzas e revelou que não tenta esconder a sua fé católica, embora na indústria de Hollywood a religião não seja algo “popular”. Por ACI Digital – O artista, famoso pelos dois filmes Transformers, disse que procura sempre “um equilíbrio” quando se trata de ser um ator profissional e evangelizar ao mesmo tempo. “Não quero impor isso a ninguém, mas não nego a minha fé. Isso seria um pecado ainda maior. Sabe, não é popular na minha indústria (…), mas é importante para mim partilhá-la com as pessoas”, disse Wahlberg numa entrevista com o Today da NBC ontem (23). Segundo o ator americano, ele tem “amigos de todos os estilos de vida e de diferentes tipos de crenças e religiões”, e considera “importante respeitá-los e honrá-los”. Wahlberg, que é casado e pai de quatro filhos, cresceu como católico e mostra sempre a sua fé através das redes sociais. Na entrevista da Quarta-feira de Cinzas, Wahlberg apareceu com o sinal da cruz de cinzas na sua testa. Quando o entrevistador perguntou sobre o significado da fé para ele, Wahlberg disse “é tudo, deu-me muitas coisas”. “Deus não veio para salvar os santos. Ele veio para salvar os pecadores. Queremos ser versões melhores de nós próprios, e focar na minha fé permitiu-me fazer isso. Ser capaz de me separar e de me concentrar em bons hábitos em vez de maus hábitos”, disse. Wahlberg exortou os católicos a serem melhores através da “disciplina”, seja com oração e jejum, seja em outras áreas da vida. “A disciplina me ajudou muito. Quero partilhar isso com as pessoas. Portanto, é importante, seja com jejum, fazendo mais exercícios, desapegando-se das coisas e simplesmente passando mais tempo com Deus em oração ou em uma meditação reflexiva”, continuou. Wahlberg disse que “o mundo nos oferece muito conforto”, mas que “não fomos feitos para o conforto”. “Fomos feitos para a grandeza. Temos de estar na luta para obter as recompensas”, disse. Embora Wahlberg seja ator em Hollywood desde os anos 90, hoje é conhecido mundialmente por coestrelar no filme de sucesso de bilheteira “Uncharted: Fora do Mapa” (2022) e também estrelou em “Padre Stu”, um filme sobre a vida de um padre católico. Tem também uma nomeação ao Oscar pelo seu papel no filme “Os infiltrados” (2006) e participou em vários blockbusters, mas também em filmes controversos como “Ted” e “Boogie Nights – Prazer sem limites”.
- Negar a minha fé católica em Hollywood seria um pecado maior, diz Mark Wahlberg
O ator e produtor Mark Wahlberg deu uma entrevista na Quarta-feira de Cinzas e revelou que não tenta esconder a sua fé católica, embora na indústria de Hollywood a religião não seja algo “popular”. Por ACI Digital – O artista, famoso pelos dois filmes Transformers, disse que procura sempre “um equilíbrio” quando se trata de ser um ator profissional e evangelizar ao mesmo tempo. “Não quero impor isso a ninguém, mas não nego a minha fé. Isso seria um pecado ainda maior. Sabe, não é popular na minha indústria (…), mas é importante para mim partilhá-la com as pessoas”, disse Wahlberg numa entrevista com o Today da NBC ontem (23). Segundo o ator americano, ele tem “amigos de todos os estilos de vida e de diferentes tipos de crenças e religiões”, e considera “importante respeitá-los e honrá-los”. Wahlberg, que é casado e pai de quatro filhos, cresceu como católico e mostra sempre a sua fé através das redes sociais. Na entrevista da Quarta-feira de Cinzas, Wahlberg apareceu com o sinal da cruz de cinzas na sua testa. Quando o entrevistador perguntou sobre o significado da fé para ele, Wahlberg disse “é tudo, deu-me muitas coisas”. “Deus não veio para salvar os santos. Ele veio para salvar os pecadores. Queremos ser versões melhores de nós próprios, e focar na minha fé permitiu-me fazer isso. Ser capaz de me separar e de me concentrar em bons hábitos em vez de maus hábitos”, disse. Wahlberg exortou os católicos a serem melhores através da “disciplina”, seja com oração e jejum, seja em outras áreas da vida. “A disciplina me ajudou muito. Quero partilhar isso com as pessoas. Portanto, é importante, seja com jejum, fazendo mais exercícios, desapegando-se das coisas e simplesmente passando mais tempo com Deus em oração ou em uma meditação reflexiva”, continuou. Wahlberg disse que “o mundo nos oferece muito conforto”, mas que “não fomos feitos para o conforto”. “Fomos feitos para a grandeza. Temos de estar na luta para obter as recompensas”, disse. Embora Wahlberg seja ator em Hollywood desde os anos 90, hoje é conhecido mundialmente por coestrelar no filme de sucesso de bilheteira “Uncharted: Fora do Mapa” (2022) e também estrelou em “Padre Stu”, um filme sobre a vida de um padre católico. Tem também uma nomeação ao Oscar pelo seu papel no filme “Os infiltrados” (2006) e participou em vários blockbusters, mas também em filmes controversos como “Ted” e “Boogie Nights – Prazer sem limites”.
- Dom Schneider alerta sobre riscos do atual ecumenismo e “conversão ecológica”
Em entrevista, o bispo Dom Schneider alertou sobre os esforços ecumênicos modernos como a proposta de argumentos que atacam a verdade da Igreja Católica como a “única Igreja de Deus” O bispo Athanasius Schneider advertiu que as tendências atuais na Igreja Católica sobre ecumenismo e “conversão ecológica” representam uma ameaça ao ensino católico e “minam a verdade de que há apenas uma Igreja de Deus, e esta é a Igreja Católica”. O bispo auxiliar de Astana, Cazaquistão, fez os comentários durante uma recente entrevista que deu ao LifeSiteNews em Roma, sobre a qual um segundo artigo será publicado nestas páginas. O bispo advertiu contra a tendência atual de eventos inter-religiosos, bem como contra a retórica da “conversão ecológica”. No entanto, ele também ofereceu encorajamento aos católicos que querem preservar a plenitude da fé católica: “Estude a fé católica”. O ecumenismo moderno na Igreja Católica “enfraquece” o ensinamento divino Sob o Papa Francisco, o Vaticano tem visto uma enxurrada de eventos ecumênicos e inter-religiosos nos últimos anos. Seu infame documento de Abu Dhabi de 2019 denota claramente o futuro inter-religioso que Francisco deseja para a Igreja Católica. O documento afirma: “O pluralismo e a diversidade de religiões, cor, sexo, raça e língua são desejados por Deus em Sua sabedoria, através da qual Ele criou os seres humanos”. O bispo Schneider advertiu que tais eventos inter-religiosos estão promovendo um conceito de que o catolicismo é apenas uma religião entre iguais. Tais esforços ecumênicos modernos estão propondo que “cada um pode continuar à sua maneira, mas isso é muito perigoso – não há verdade estável e imutável”, advertiu. O ecumenismo moderno “mina a verdade de que há apenas uma Igreja de Deus e esta é a Igreja Católica, a Igreja de Pedro, unida à Santa Sé, a cátedra de Pedro – os Papas”. Além disso, seus proponentes estão “transmitindo uma mensagem de que a multiplicidade de religiões é uma boa situação”, disse ele. Não está tudo bem! Não é a vontade de Deus. Porque essas comunidades não-católicas contêm erros objetivos que Deus condena, que Deus não aceita. Schneider acrescentou que “as comunidades não-católicas contêm erros, sejam doutrinários ou morais”, e tais erros são “contrários à revelação e à vontade de Deus. O que é contrário à vontade de Deus não pode trazer bênçãos.” Enquanto o Vaticano promove fortemente ações inter-religiosas, Schneider afirmou que “tais gestos, ou reuniões inter-religiosas, estão minando essas verdades e, portanto, essas ações têm que mudar”. Traduzido de LifeSiteNews Assista a entrevista na íntegra
- Dom Schneider alerta sobre riscos do atual ecumenismo e “conversão ecológica”
Em entrevista, o bispo Dom Schneider alertou sobre os esforços ecumênicos modernos como a proposta de argumentos que atacam a verdade da Igreja Católica como a “única Igreja de Deus” O bispo Athanasius Schneider advertiu que as tendências atuais na Igreja Católica sobre ecumenismo e “conversão ecológica” representam uma ameaça ao ensino católico e “minam a verdade de que há apenas uma Igreja de Deus, e esta é a Igreja Católica”. O bispo auxiliar de Astana, Cazaquistão, fez os comentários durante uma recente entrevista que deu ao LifeSiteNews em Roma, sobre a qual um segundo artigo será publicado nestas páginas. O bispo advertiu contra a tendência atual de eventos inter-religiosos, bem como contra a retórica da “conversão ecológica”. No entanto, ele também ofereceu encorajamento aos católicos que querem preservar a plenitude da fé católica: “Estude a fé católica”. O ecumenismo moderno na Igreja Católica “enfraquece” o ensinamento divino Sob o Papa Francisco, o Vaticano tem visto uma enxurrada de eventos ecumênicos e inter-religiosos nos últimos anos. Seu infame documento de Abu Dhabi de 2019 denota claramente o futuro inter-religioso que Francisco deseja para a Igreja Católica. O documento afirma: “O pluralismo e a diversidade de religiões, cor, sexo, raça e língua são desejados por Deus em Sua sabedoria, através da qual Ele criou os seres humanos”. O bispo Schneider advertiu que tais eventos inter-religiosos estão promovendo um conceito de que o catolicismo é apenas uma religião entre iguais. Tais esforços ecumênicos modernos estão propondo que “cada um pode continuar à sua maneira, mas isso é muito perigoso – não há verdade estável e imutável”, advertiu. O ecumenismo moderno “mina a verdade de que há apenas uma Igreja de Deus e esta é a Igreja Católica, a Igreja de Pedro, unida à Santa Sé, a cátedra de Pedro – os Papas”. Além disso, seus proponentes estão “transmitindo uma mensagem de que a multiplicidade de religiões é uma boa situação”, disse ele. Não está tudo bem! Não é a vontade de Deus. Porque essas comunidades não-católicas contêm erros objetivos que Deus condena, que Deus não aceita. Schneider acrescentou que “as comunidades não-católicas contêm erros, sejam doutrinários ou morais”, e tais erros são “contrários à revelação e à vontade de Deus. O que é contrário à vontade de Deus não pode trazer bênçãos.” Enquanto o Vaticano promove fortemente ações inter-religiosas, Schneider afirmou que “tais gestos, ou reuniões inter-religiosas, estão minando essas verdades e, portanto, essas ações têm que mudar”. Traduzido de LifeSiteNews Assista a entrevista na íntegra
- Padre Pio e o Sacramento da Confissão
Você lembra quando se confessou DE VERDADE pela última vez? O Padre Pio levava muito a sério sua missão de perdoar os pecados. Tão a sério que muitas vezes tinha de recusar a absolvição a algumas pessoas que não se mostravam devidamente dispostas ou arrependidas de seus pecados… Neste breve vídeo, extraído de uma aula do Padre Paulo Ricardo, você confere alguns relatos sobre esse importante ministério de reconciliação que exercia o santo de Pietrelcina. Os pecados mortais não têm esse nome à toa: um só deles, cometido com plena consciência e deliberação, é o suficiente para “matar” a graça, sepultar a vida sobrenatural em nós. Por isso, não é possível receber a absolvição validamente, no sacramento da Confissão, quem não tem o firme propósito de abandonar TODOS os pecados mortais, de uma só vez e para sempre. É por isso que um pai de família italiano, certa vez, foi chamado de “mentiroso” pelo Padre Pio e saiu da igreja “com o rabo entre as pernas”… Nós já vimos: o Padre Pio levava muito a sério sua missão de perdoar os pecados. Uma vez, ele disse a um sacerdote amigo: “Se soubesse como é tremendo estar sentado no tribunal da confissão. Nós administramos o sangue de Cristo. Cuidado, para não o derramarmos de forma fácil e leviana”. Questionado outra vez por um confrade, ele respondeu: “Se soubesse como sofro por ter de recusar a absolvição… Mas é melhor ser censurado por um homem, aqui na terra, do que por Deus, na outra vida”. E dizia com frequência: “Não vou dar um doce a quem precisa de purgante”. Deste e de muitos outros modos o santo de Pietrelcina nos indicava a Cruz de Jesus, como fundamento sobre o qual construir a nossa vida e a nossa vocação. O exame de consciência, ainda que não seja da essência do sacramento da Confissão, é não obstante um meio utilíssimo, às vezes necessário, para que o fiel se confesse direito. Vasculhar a memória, pôr-se contra a luz dos Mandamentos de Deus e da Igreja, reconhecer como e por que se ofendeu a Deus é, quase sempre, um pré-requisito importantíssimo para chegar bem disposto ao confessionário, sobretudo para quem não se confessa há muitos anos. Assista ao segundo episódio de nossa série sobre Confissão e descubra por que e como se preparar, examinado a própria consciência, para voltar à amizade com Deus! Uma das principais causas de invalidade do sacramento da Penitência, depois da falta de arrependimento e propósito, é a falta de integridade. Muita gente vai ao confessionário querendo falar de problemas, e não se acusar de suas faltas, ou, quando se acusa, o faz em termos tão vagos que é impossível saber do que exatamente o fiel é culpado. Não tem jeito: para fazer uma boa Confissão é preciso saber… confessar-se direito. “Completo, na minha carne, o que falta aos sofrimentos de Cristo” (Cl 1, 24). Isso, que São Paulo escrevia há dois mil anos, tornou-se particularmente notável na vida e no sacerdócio de um grande místico do século XX: São Pio de Pietrelcina. Queremos meditar sobre a paixão e o sacrifício do “frade dos estigmas”. Por que o Padre Pio sofreu tanto? O que a sua via crucis tem a ensinar aos homens de hoje? A essas e outras perguntas, Padre Paulo Ricardo irá responder nesta importante aula. Como explicar as agressões físicas causadas pelo demônio sobre Padre Pio? Uma vez que o demônio é um ser espiritual como é possível que ele atue no mundo material? Acompanhe a aula ao vivo do Padre Paulo Ricardo sobre a vida e santidade de São Padre Pio de Pietrelcina. #confissão #PadrePio #SacramentodaConfissão
- Padre Pio e o Sacramento da Confissão
Você lembra quando se confessou DE VERDADE pela última vez? O Padre Pio levava muito a sério sua missão de perdoar os pecados. Tão a sério que muitas vezes tinha de recusar a absolvição a algumas pessoas que não se mostravam devidamente dispostas ou arrependidas de seus pecados… Neste breve vídeo, extraído de uma aula do Padre Paulo Ricardo, você confere alguns relatos sobre esse importante ministério de reconciliação que exercia o santo de Pietrelcina. Os pecados mortais não têm esse nome à toa: um só deles, cometido com plena consciência e deliberação, é o suficiente para “matar” a graça, sepultar a vida sobrenatural em nós. Por isso, não é possível receber a absolvição validamente, no sacramento da Confissão, quem não tem o firme propósito de abandonar TODOS os pecados mortais, de uma só vez e para sempre. É por isso que um pai de família italiano, certa vez, foi chamado de “mentiroso” pelo Padre Pio e saiu da igreja “com o rabo entre as pernas”… Nós já vimos: o Padre Pio levava muito a sério sua missão de perdoar os pecados. Uma vez, ele disse a um sacerdote amigo: “Se soubesse como é tremendo estar sentado no tribunal da confissão. Nós administramos o sangue de Cristo. Cuidado, para não o derramarmos de forma fácil e leviana”. Questionado outra vez por um confrade, ele respondeu: “Se soubesse como sofro por ter de recusar a absolvição… Mas é melhor ser censurado por um homem, aqui na terra, do que por Deus, na outra vida”. E dizia com frequência: “Não vou dar um doce a quem precisa de purgante”. Deste e de muitos outros modos o santo de Pietrelcina nos indicava a Cruz de Jesus, como fundamento sobre o qual construir a nossa vida e a nossa vocação. O exame de consciência, ainda que não seja da essência do sacramento da Confissão, é não obstante um meio utilíssimo, às vezes necessário, para que o fiel se confesse direito. Vasculhar a memória, pôr-se contra a luz dos Mandamentos de Deus e da Igreja, reconhecer como e por que se ofendeu a Deus é, quase sempre, um pré-requisito importantíssimo para chegar bem disposto ao confessionário, sobretudo para quem não se confessa há muitos anos. Assista ao segundo episódio de nossa série sobre Confissão e descubra por que e como se preparar, examinado a própria consciência, para voltar à amizade com Deus! Uma das principais causas de invalidade do sacramento da Penitência, depois da falta de arrependimento e propósito, é a falta de integridade. Muita gente vai ao confessionário querendo falar de problemas, e não se acusar de suas faltas, ou, quando se acusa, o faz em termos tão vagos que é impossível saber do que exatamente o fiel é culpado. Não tem jeito: para fazer uma boa Confissão é preciso saber… confessar-se direito. “Completo, na minha carne, o que falta aos sofrimentos de Cristo” (Cl 1, 24). Isso, que São Paulo escrevia há dois mil anos, tornou-se particularmente notável na vida e no sacerdócio de um grande místico do século XX: São Pio de Pietrelcina. Queremos meditar sobre a paixão e o sacrifício do “frade dos estigmas”. Por que o Padre Pio sofreu tanto? O que a sua via crucis tem a ensinar aos homens de hoje? A essas e outras perguntas, Padre Paulo Ricardo irá responder nesta importante aula. Como explicar as agressões físicas causadas pelo demônio sobre Padre Pio? Uma vez que o demônio é um ser espiritual como é possível que ele atue no mundo material? Acompanhe a aula ao vivo do Padre Paulo Ricardo sobre a vida e santidade de São Padre Pio de Pietrelcina. #confissão #PadrePio #SacramentodaConfissão
- A QUARESMA BRASILEIRA É UMA PENITÊNCIA EM SI
Por Ana Paula Barros Eu sei, a Quaresma mal começou e você já está cansado. Principalmente se você criou uma aversão à Campanha do Desgosto, quer dizer da Fraternidade. Mas ao menos podemos pensar que é uma obra de misericórdia (claro, enviesada politicamente para alicerçar algumas falas dos últimos anos…tá parei), mas não deixa de ser uma obra de misericórdia. Aliás, quem também precisa de misericórdia é o fiel católico… está puxado ser católico, de verdade, na terra tupiniquim (mas ao menos não estamos sendo perseguidos abertamente…). Provavelmente, nós poderíamos competir com uma escola de samba no quesito barulho. Em pensar que os antigos diziam que todo mundo silenciava na quarta de cinzas… mas agora a Igreja faz é barulho o ano todo. Viciados em barulho, obcecados pelo novo. Eu, particularmente, estou cansada de tanto barulho, tanta cafonice, tanta obsessão pelo novo, novo, novo. Todos estão cansados, mas nenhum padre (ou bispo) se pergunta se isso cansa e vem nos socorrer. O diálogo só existe no texto, não na realidade. E se existe só alguns são contemplados. E, provavelmente, alguns padres acharão que minha fala é contra a obediência, porque o certo é todo mundo engolir barulho, cafonice, frases vazias sem reclamar. Eu tenho pra mim que uma Igreja da Congregação é mais silenciosa que a nossa e (pasmem) eles usam o órgão (é um instrumento do rito católico, veja bem, o instrumento por excelência) todo domingo. Enquanto nós ficamos nas guitarras, baterias e todo o tipo de percussão, até na Quaresma. Uma escola de samba deslocada. E depois ninguém sabe o que estamos fazendo de errado, mas ninguém pode falar isso… é quase um tabu, assim como outros temas. Portanto, estamos a pedir demais que uma igreja católica, com padre católico, seja católica. Me parece que é um pedido muito difícil. E todo tipo de desacordo é solenemente ignorado, afinal nós temos que nos adaptar. Eu, pessoalmente, não quero me adaptar. Eu não vou me adaptar a essa joça cafona, barulhenta e cansativa. Considerando que existe um número grande de pessoas que não querem se adaptar (e não são escutadas), a Quaresma no Brasil se tornou o tempo litúrgico em que a relação “pais e filhos eclesiásticos” se revela desordenada e atritiva. Simplesmente porque os padres (e bispos) resolveram escutar mais uns filhos do que outros, sendo que deviam escutar a Tradição Católica. Assim está formado o momento em que ir a missa já é uma penitência. E estou eu aqui a escrever coisas que muitos católicos queriam gritar na Santa Missa (inclusive eu) para ver se o padre, os ministros e os músicos, principalmente os músicos, se comportem segundo o tempo litúrgico. A Quaresma Católica no Brasil se tornou um tempo de revolta, porque os padres não escutam os filhos, ou escutam alguns filhos, aqueles que rejeitam solenemente a Tradição (interessantemente). Praticamente não existe silêncio, não existe reflexão, não existe valorização da piedade. Tudo se foi na realidade paroquial. Simplesmente, não existe. E ninguém sabe o que estamos fazendo de errado. Passamos um período falando do combate a fome enquanto morremos de inanição, com fome de silêncio, de reverência, de piedade, de reflexão tranquila, de beleza penitencial. Fome da Tradição Católica. E ninguém sabe o que estamos fazendo de errado. Fonte: Salus in Caritate | Texto de Ana Paula Barros
- A QUARESMA BRASILEIRA É UMA PENITÊNCIA EM SI
Por Ana Paula Barros Eu sei, a Quaresma mal começou e você já está cansado. Principalmente se você criou uma aversão à Campanha do Desgosto, quer dizer da Fraternidade. Mas ao menos podemos pensar que é uma obra de misericórdia (claro, enviesada politicamente para alicerçar algumas falas dos últimos anos…tá parei), mas não deixa de ser uma obra de misericórdia. Aliás, quem também precisa de misericórdia é o fiel católico… está puxado ser católico, de verdade, na terra tupiniquim (mas ao menos não estamos sendo perseguidos abertamente…). Provavelmente, nós poderíamos competir com uma escola de samba no quesito barulho. Em pensar que os antigos diziam que todo mundo silenciava na quarta de cinzas… mas agora a Igreja faz é barulho o ano todo. Viciados em barulho, obcecados pelo novo. Eu, particularmente, estou cansada de tanto barulho, tanta cafonice, tanta obsessão pelo novo, novo, novo. Todos estão cansados, mas nenhum padre (ou bispo) se pergunta se isso cansa e vem nos socorrer. O diálogo só existe no texto, não na realidade. E se existe só alguns são contemplados. E, provavelmente, alguns padres acharão que minha fala é contra a obediência, porque o certo é todo mundo engolir barulho, cafonice, frases vazias sem reclamar. Eu tenho pra mim que uma Igreja da Congregação é mais silenciosa que a nossa e (pasmem) eles usam o órgão (é um instrumento do rito católico, veja bem, o instrumento por excelência) todo domingo. Enquanto nós ficamos nas guitarras, baterias e todo o tipo de percussão, até na Quaresma. Uma escola de samba deslocada. E depois ninguém sabe o que estamos fazendo de errado, mas ninguém pode falar isso… é quase um tabu, assim como outros temas. Portanto, estamos a pedir demais que uma igreja católica, com padre católico, seja católica. Me parece que é um pedido muito difícil. E todo tipo de desacordo é solenemente ignorado, afinal nós temos que nos adaptar. Eu, pessoalmente, não quero me adaptar. Eu não vou me adaptar a essa joça cafona, barulhenta e cansativa. Considerando que existe um número grande de pessoas que não querem se adaptar (e não são escutadas), a Quaresma no Brasil se tornou o tempo litúrgico em que a relação “pais e filhos eclesiásticos” se revela desordenada e atritiva. Simplesmente porque os padres (e bispos) resolveram escutar mais uns filhos do que outros, sendo que deviam escutar a Tradição Católica. Assim está formado o momento em que ir a missa já é uma penitência. E estou eu aqui a escrever coisas que muitos católicos queriam gritar na Santa Missa (inclusive eu) para ver se o padre, os ministros e os músicos, principalmente os músicos, se comportem segundo o tempo litúrgico. A Quaresma Católica no Brasil se tornou um tempo de revolta, porque os padres não escutam os filhos, ou escutam alguns filhos, aqueles que rejeitam solenemente a Tradição (interessantemente). Praticamente não existe silêncio, não existe reflexão, não existe valorização da piedade. Tudo se foi na realidade paroquial. Simplesmente, não existe. E ninguém sabe o que estamos fazendo de errado. Passamos um período falando do combate a fome enquanto morremos de inanição, com fome de silêncio, de reverência, de piedade, de reflexão tranquila, de beleza penitencial. Fome da Tradição Católica. E ninguém sabe o que estamos fazendo de errado. Fonte: Salus in Caritate | Texto de Ana Paula Barros
- O que os santos diziam sobre o Carnaval?
Ao contrário do que muitos imaginam, o carnaval não é uma invenção recente. As festividades que enaltecem a alegria e os prazeres remontam séculos antes de Cristo. Não é atoa que durante a história muitos santos advertiram os cristão dessas festividades que os afastam de Deus. Veja alguns desses comentários. ⚠️ É importante advertir que quando os santos tiveram essas visões, e fizeram exortações duras a respeito do Carnaval, eram tempos nos quais o Carnaval ainda era “inocente”, se comparado com o dos tempos atuais. ✝ SÃO VICENTE FERRER: “O carnaval é um tempo infelicíssimo, no qual os cristãos cometem pecados sobre pecados, e correm à rédea solta para a perdição.” ✝ SANTO AGOSTINHO: “…os dias de Carnaval são sacramentais de satanás, sinais visíveis daquilo que o demônio faz com os filhos da Luz.” ✝ SANTA CATARINA DE SENA : Referindo-se ao carnaval, exclamava entre soluços: “Oh! Que tempo diabólico!” ✝ O SERVO DE DEUS, JOÃO DE FOLIGNO Dava ao carnaval o nome de: “Colheita do diabo.” ✝ SÃO FRANCISCO DE SALES: “O carnaval: tempo de minhas dores e aflições” . Naqueles dias, esse santo fazia o retiro espiritual para reparar as graves desordens e o procedimento licencioso de tantos cristãos. O santo, não contente com a vida mais recolhida que então levava, pregava ainda na igreja diante de um auditório numerosíssimo. Tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas, que se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as com brandura e exortava-as à comunhão frequente. ✝ SANTA TERESA DOS ANDES: “Nestes três dias de carnaval tivemos o Santíssimo exposto desde a uma, mais ou menos, até pouco antes das 6 h. São dias de festa e ao mesmo tempo de tristeza. Podemos fazer tão pouco para reparar tanto pecado…” (Carta 162). ✝ SÃO PEDRO CLAVER: Um oficial espanhol viu um dia São Pedro Claver com um grande saco às costas. — Padre, aonde vai com esse saco? — Vou fazer Carnaval; pois não é tempo de folgança? O oficial quer ver o que acontece: acompanha-o. O Santo entra num hospital. Os doentes alvoroçam-se e fazem-lhe festa; muitos o rodeiam, porque o Santo, passando com eles uma hora alegre, lhes reparte presentes e regalos até esvaziar completamente o saco. — E agora? – pergunta o oficial. — Agora venha comigo; vamos à igreja rezar por esses infelizes que, lá fora, julgam que têm o direito de ofender a Deus livremente por ser tempo de Carnaval. ✝ CARLOS BORROMEU: Ele jamais podia compreender como os cristãos podiam conservar este perniciosíssimo costume do paganismo. Nos dias de Carnaval, o santo castigava o seu corpo com disciplinas e penitências extraordinárias. ✝ SANTA MARIA MADALENA DE PAZZI: No tempo do carnaval, essa carmelita e grande mística, passava as noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores. ✝ SANTA FAUSTINA numa visão: “Nestes dois últimos dias de carnaval, conheci um grande acúmulo de castigos e pecados. O Senhor deu-me a conhecer num instante os pecados do mundo inteiro cometidos nestes dias. Desfaleci de terror e, apesar de conhecer toda a profundeza da misericórdia divina, admirei-me que Deus permita que a humanidade exista.” (Diário, 926) ✝ SÃO PEDRO CLAVER: “Agora venha comigo, vamos à igreja rezar por esses infelizes que, lá fora, julgam que têm o direito de ofender a Deus livremente por ser tempo de carnaval.” ✝ SANTA MARGARIDA MARIA ALACOQUE: “Numa outra vez, no tempo de carnaval, apresentou-se-me, após a santa comunhão, sob a forma de Ecce Homo, carregando a cruz, todo coberto de chagas e ferimentos. O Sangue adorável corria de toda parte, dizendo com voz dolorosamente triste: Não haverá ninguém que tenha piedade de mim e queira compadecer-se e tomar parte na minha dor no lastimoso estado em que me põem os pecadores, sobretudo agora?” ✝ BEATO HENRIQUE SUSO: Durante o carnaval esse santo guardava um jejum rigoroso a fim de expiar as intemperanças cometidas. ✝ SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO : Escreve: … porquanto os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho. Nestes tristes dias os cristãos, e quiçá entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e o entregarão nas mãos do demônio. Eles o trairão, já não às ocultas, senão nas praças e vias públicas, fazendo ostentação de sua traição! Eles os trairão, não por trinta dinheiros, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer, por um divertimento momentâneo… Quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos não Vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica?… Sim, pois se, segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucifixão do Filho de Deus. Ah! Nestes dias Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes. Se os santos diziam isso na época em que o carnaval ainda era mais “inocentes”, imaginem o que diriam esses mesmos santos e santas diante das imoralidades, escândalos, nudez, bebedeiras, desordens, vícios e crimes cometidos no Carnaval do século XXI? Tenho até medo do que seriam capazes de dizer… Leia também: O CARNAVAL E A COLHEITA MALDITA O que há de errado com o Carnaval? Antes de toda Quaresma há um Carnaval. Já tivemos a oportunidade de tratar esse assunto aqui, juntamente com uma famosa citação de Santa Faustina Kowalska sobre a festa, e um vídeo da famosa religiosa norte-americana, Madre Angélica, sobre os foliões que se embebedam e dão escândalo aos mais jovens. Na ocasião, comentamos que “a grande tragédia de nossa época” é o homem moderno ter transformado “a sua vida em uma festa de Carnaval prolongada” . No fundo, as pessoas não se entregam ao pecado só numa época do ano para se comportarem bem nas outras. Para muitos, o Carnaval tornou-se praticamente um “estilo de vida”. E essas pessoas não conseguem sequer conceber um outro modo de viver, senão este de brigas, bebedeiras e sexo desregrado. Nem todas as pessoas que “pulam carnaval” se divertem dessa forma pecaminosa, é verdade. Há carnavais e carnavais , alguém poderia dizer. É possível se divertir honestamente, no fim das contas, evitando o pecado e as ocasiões de cair nele, e o próprio Santo Tomás de Aquino chega a associar o bom divertimento a uma virtude específica em sua Suma Teológica . Neste vídeo, Pe. Paulo Ricardo fala de forma bem equilibrada a respeito do Carnaval, indicando as diferenças que existem entre: a alegria pecaminosa em que muitos passam esses dias, a alegria sadia de quem sabe gozar honestamente das coisas deste mundo e, por fim, a alegria realmente sobrenatural de quem tem os olhos fixos, não nos bens passageiros desta existência, mas na vida eterna com Cristo. Leia também Bispo Católico alerta: Carnaval não combina com Jesus Cristo O recado de uma monja católica aos foliões de Carnaval Aos cristãos que aproveitam a festa do Carnaval para cair na farra e na bebedeira, Madre Angélica tem um recado importante para passar. São conhecidas as sentenças dos santos da Igreja sobre o tempo do Carnaval. Elas estão espalhadas na Internet e deveriam formar todos aqueles que se dizem católicos. Para citar um só exemplo, vindo da terra do santo Papa João Paulo II, vejamos o que diz Santa Faustina Kowalska sobre esses dias de festa e aparente alegria: “Nestes dois últimos dias de carnaval, conheci um grande acúmulo de castigos e pecados. O Senhor deu-me a conhecer num instante os pecados do mundo inteiro cometidos nestes dias. Desfaleci de terror e, apesar de conhecer toda a profundeza da misericórdia divina, admirei-me que Deus permita que a humanidade exista .” (Diário, 926) Essa apóstola da Divina Misericórdia escrevia tais palavras ainda na primeira metade do século XX. Hoje, passados já mais de 100 anos, não há dúvidas de que os festejos carnavalescos pioraram muito. Se a revelação recebida por Faustina fê-la “desfalecer de terror”, com que tristeza não deveríamos reagir ao quadro que, agora, infelizmente, todos podemos ter diante dos olhos, graças ao alarde dos meios de comunicação! Se, com um só Carnaval do século passado, uma santa se admirava por Deus permitir que a humanidade existisse, o que dizer dos festivais que se repetem, ano após ano, aumentando mais e mais a sua malícia — a ponto de a ala de uma escola de samba anunciar, este ano, “que terá 40 casais simulando sexo na Avenida”? O homem moderno transformou a sua vida em uma festa de Carnaval prolongada. Mas nós, infelizes que somos, perdemos a noção do que seja o pecado . A ofensa cometida a Deus tornou-se para os nossos contemporâneos uma trivialidade, algo banal. Os homens e mulheres de nosso tempo não estão minimamente preocupados com mandamento algum: embebedam-se fim de semana sim e outro também; têm sexo quando, como e com quem bem entendem; e, pior do que tudo isso, criam os filhos que têm, frutos do acaso, para viverem as mesmas coisas que eles vivem. Em resumo, e é esta a grande tragédia de nossa época, o homem moderno transformou a sua vida em uma festa de Carnaval prolongada . Que as pessoas vivam 4 dias de festas indecentes uma vez por ano, é escandaloso; mas que passem as 4 idades de sua vida na mesma situação, é uma tragédia muito pior. O quadro é horrendo, mas a pergunta que devemos fazer nós, que estamos no mundo sem sermos do mundo , é como acordar essas pessoas, que convivem conosco no dia a dia e até que fazem parte de nossa família. Qual a melhor forma de convertê-las e tirá-las do abismo em que se acham? Onde estão, na Quarta-feira de Cinzas, os sorrisos e as gargalhadas que desfilaram na Sapucaí? Para onde foram tantas energias gastas pelo prazer, pela roupa mais exuberante, por mais um gole de bebida? Uma sugestão que muitas vezes o Padre Paulo Ricardo lança em suas pregações é mostrar para os pecadores como eles são infelizes na vida que levam . Para aqueles que estão cegos e apaixonados pelas coisas do mundo, será muitas vezes inútil repetirmos o velho sermão dos santos — embora não o devamos subestimar, absolutamente. Com muita frequência, no entanto, as palavras deles só costumam funcionar para “os de dentro”, que já têm o mínimo de temor de Deus. Para quem “está fora”, muito mais eficaz é apontar para a tristeza que mora nos corações afastados do Senhor: onde estão, na Quarta-feira de Cinzas, os sorrisos e as gargalhadas que desfilaram na Sapucaí? Para onde foram tantas energias gastas pelo prazer, pela roupa mais exuberante, por mais um gole de bebida? É mais ou menos esse o quadro que pinta, no vídeo acima, a grande comunicadora católica Madre Angélica, falecida ano passado (2016), nos Estados Unidos. No excerto em questão, a religiosa bem-humorada mistura com a estratégia do “olha para ti mesmo” a tradicional pregação cristã sobre o pecado, o escândalo, a penitência e o inferno, à semelhança do pai de família do Evangelho “que tira do seu baú coisas novas e velhas” ( Mt 13, 52). Que as suas palavras possam cair, de alguma forma, nos corações afastados de Cristo e da sua Igreja. Para os que entendem inglês, vale a pena assistir ao episódio completo de onde foi extraído esse vídeo: o programa foi ao ar no dia 2 de março de 1999, e fala sobre as “observâncias quaresmais” . Assista a formação: O CARNAVAL E A COLHEITA MALDITA “Qual a origem do Carnaval e qual a atitude da Igreja diante dele?” I. Origem: antes do mais, diga-se algo sobre a etimologia de “Carnaval”. Comumente os autores explicam este nome a partir dos termos do latim tardio “carne vale”, isto é, “adeus carne” ou “despedida da carne”; esta derivação indicaria que no Carnaval o consumo de carne era considerado lícito pela última vez antes dos dias de jejum quaresmal. – Outros estudiosos recorrem à expressão “carnem levare”, suspender ou retirar a carne: o Papa São Gregório Magno teria dado ao último domingo antes da Quaresma, ou seja, ao domingo da Qüinquagésima, o título de “dominica ad carnes levandas”; a expressão haveria sido sucessivamente, carneval ou carnaval”. – Um terceiro grupo de etimologistas apela para as origens pagãs do Carnaval: entre os gregos e romanos costumava-se exibir um préstito em forma de nave dedicada ao deus Dionísio ou Baco, préstito ao qual em latim se dava o nome de currus navalis: donde a forma Carnavale. Como se vê, não é muito clara a procedência do nome. Quanto à realidade por este designada deve-se dizer o seguinte: As mais antigas notícias de pompas semelhantes às que hoje chamamos “Carnaval” datam, como se crê, do séc. VI antes de Cristo, na Grécia: as pinturas de certos vasos gregos apresentam figuras mascaradas a desfilar em procissão ao som de música as pompas do culto do deus Dionísio, com suas fantasias e alegorias, são certamente anteriores à era cristã. Entre os gregos, análogas festividades eram ocasionadas pela entrada de novo ano civil (mês de janeiro) ou pela aproximação da primavera e a conseqüente despedida do inverno. Elementos da religiosidade pagã e da mitologia costumavam inspirar essas celebrações; em geral os povos não-cristãos intencionavam, com seus ritos exuberantes, expiar as faltas cometidas no inverno ou no ano anterior e pedir aos seres superiores a fecundidade da terra e a prosperidade para a primavera e o novo ano. Disto dão testemunho os costumes vigentes ocasião de tais solenidades: para exprimir a expiação e o cancelamento das culpas passadas, por exemplo, encenava-se a morte de um fantoche ou boneco que, depois de “haver feito seu testamento” e após uma paródia de transporte fúnebre, era queimado ou lançado à água ou de qualquer modo destruído (rito celebrado geralmente no dia 1º de janeiro). Em algumas regiões procedia-se à confissão pública dos vícios: matava-se um peru, o qual, antes de morrer, proclamava pela boca de um dos cidadãos os malefícios da gente do país. A denúncia das culpas tomava não raro um caráter pilhérico e teatral: era, por exemplo, o cômico Arlequim que, antes de ser entregue à morte confessava os seus pecados e os alheios. Apesar das intenções sérias que inspiraram inicialmente tais manifestações públicas, compreende-se que elas tenham mais e mais dado lugar à licenciosidade e a deploráveis abusos, fomentados elo uso de máscaras, trajes alegóricos, pela exibição de préstitos, peças de teatro, etc. Em tese, as danças e o tripudiar característico dessas festas deviam servir de exortação ao povo para que cheio de alegria iniciasse a nova estação do ano. As religiões ditas “de mistérios” provenientes do Oriente e muito difusas no Império Romano, concorreram não pouco, pelo fato de seguirem rituais exuberantes, para o incremento das festividades carnavalescas. Estas, em conseqüência, tomaram o nome de “pompas bacanais” ou “saturnais” ou “lupercais”. As demonstrações de alegria porém, tornando-se subversivas da ordem pública, o Senado Romano, no séc. II a.C. resolveu combater os bacanais; os adeptos destes passaram a ser acusado de graves ofensas contra a moralidade e contra o Estado. Dado o motivo de tais festividades populares, entende-se que a data de sua celebração tenha sido vária: podia ser o dia 25 de dezembro (dia em que os pagãos celebravam Mitra ou o Sol Invicto) ou o dia 1º de janeiro (começo do novo ano), ou 6 ou 17 de janeiro ou 2 de fevereiro (datas religiosas pagãs) ou algum termo pouco posterior. II. Atitude da Igreja: quando o Cristianismo se difundiu, já encontrou tais orgias no uso dos povos. Por princípio, o Evangelho não é contrário às demonstrações de júbilo, contanto que não degenerem em celebrações libertinas e pecaminosas. Por isto, os missionários não se opuseram formalmente à realização do Carnaval, mas procuraram dar-lhe caráter novo, depurando-o de práticas que tinham sabor nitidamente supersticioso ou mitológico e enquadrando-o dentro da ideologia cristã; assim, como motivo de alegria pública, os pastores de almas indicavam por vezes algum mistério ou alguma solenidade do Cristianismo (o Natal, por exemplo, ou a Epifania do Senhor ou a Purificação de Maria, dita “festa da Candelária”, em vez dos mitos pagãos celebrados a 25 de dezembro 6 de janeiro u 2 de fevereiro). Por fim, as autoridades eclesiásticas conseguiram restringir a celebração oficial do Carnaval aos três dias que precedem a quarta-feira de cinzas (em nossos tempos alguns párocos bem intencionados promovem, dentro das normas cristãs, folguedos públicos nesse tríduo, a fim de evitar sejam os fiéis seduzidos por divertimento pouco dignos). Como se vê, a Igreja não instituiu o Carnaval; teve, porém, de o reconhecer como fenômeno vigente no mundo em que ela se implantou. Sendo em si suscetível de interpretação cristã, ela o procurou subordinar aos princípios do Evangelho; era inevitável, porém, que os povos não sempre observassem o limite entre o que o Carnaval pode ter de cristão e o que tem de pagão. Está claro que são contrários às intenções da Igreja os desmandos assim verificados Em reparação dos mesmos, foram instituídas a adoração das Quarenta Horas e as práticas de Retiros Espirituais nos dias anteriores à quarta-feira de cinzas. Da Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”D. Estevão Bettencourt, osb.Nº 5, Ano 1958, Página 213. Assista a formação: O CARNAVAL E A COLHEITA MALDITA #FormaçõesCatólicas #VidadosSantos
- O que os santos diziam sobre o Carnaval?
Ao contrário do que muitos imaginam, o carnaval não é uma invenção recente. As festividades que enaltecem a alegria e os prazeres remontam séculos antes de Cristo. Não é atoa que durante a história muitos santos advertiram os cristão dessas festividades que os afastam de Deus. Veja alguns desses comentários. ⚠️ É importante advertir que quando os santos tiveram essas visões, e fizeram exortações duras a respeito do Carnaval, eram tempos nos quais o Carnaval ainda era “inocente”, se comparado com o dos tempos atuais. ✝ SÃO VICENTE FERRER: “O carnaval é um tempo infelicíssimo, no qual os cristãos cometem pecados sobre pecados, e correm à rédea solta para a perdição.” ✝ SANTO AGOSTINHO: “…os dias de Carnaval são sacramentais de satanás, sinais visíveis daquilo que o demônio faz com os filhos da Luz.” ✝ SANTA CATARINA DE SENA : Referindo-se ao carnaval, exclamava entre soluços: “Oh! Que tempo diabólico!” ✝ O SERVO DE DEUS, JOÃO DE FOLIGNO Dava ao carnaval o nome de: “Colheita do diabo.” ✝ SÃO FRANCISCO DE SALES: “O carnaval: tempo de minhas dores e aflições” . Naqueles dias, esse santo fazia o retiro espiritual para reparar as graves desordens e o procedimento licencioso de tantos cristãos. O santo, não contente com a vida mais recolhida que então levava, pregava ainda na igreja diante de um auditório numerosíssimo. Tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas, que se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as com brandura e exortava-as à comunhão frequente. ✝ SANTA TERESA DOS ANDES: “Nestes três dias de carnaval tivemos o Santíssimo exposto desde a uma, mais ou menos, até pouco antes das 6 h. São dias de festa e ao mesmo tempo de tristeza. Podemos fazer tão pouco para reparar tanto pecado…” (Carta 162). ✝ SÃO PEDRO CLAVER: Um oficial espanhol viu um dia São Pedro Claver com um grande saco às costas. — Padre, aonde vai com esse saco? — Vou fazer Carnaval; pois não é tempo de folgança? O oficial quer ver o que acontece: acompanha-o. O Santo entra num hospital. Os doentes alvoroçam-se e fazem-lhe festa; muitos o rodeiam, porque o Santo, passando com eles uma hora alegre, lhes reparte presentes e regalos até esvaziar completamente o saco. — E agora? – pergunta o oficial. — Agora venha comigo; vamos à igreja rezar por esses infelizes que, lá fora, julgam que têm o direito de ofender a Deus livremente por ser tempo de Carnaval. ✝ CARLOS BORROMEU: Ele jamais podia compreender como os cristãos podiam conservar este perniciosíssimo costume do paganismo. Nos dias de Carnaval, o santo castigava o seu corpo com disciplinas e penitências extraordinárias. ✝ SANTA MARIA MADALENA DE PAZZI: No tempo do carnaval, essa carmelita e grande mística, passava as noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores. ✝ SANTA FAUSTINA numa visão: “Nestes dois últimos dias de carnaval, conheci um grande acúmulo de castigos e pecados. O Senhor deu-me a conhecer num instante os pecados do mundo inteiro cometidos nestes dias. Desfaleci de terror e, apesar de conhecer toda a profundeza da misericórdia divina, admirei-me que Deus permita que a humanidade exista.” (Diário, 926) ✝ SÃO PEDRO CLAVER: “Agora venha comigo, vamos à igreja rezar por esses infelizes que, lá fora, julgam que têm o direito de ofender a Deus livremente por ser tempo de carnaval.” ✝ SANTA MARGARIDA MARIA ALACOQUE: “Numa outra vez, no tempo de carnaval, apresentou-se-me, após a santa comunhão, sob a forma de Ecce Homo, carregando a cruz, todo coberto de chagas e ferimentos. O Sangue adorável corria de toda parte, dizendo com voz dolorosamente triste: Não haverá ninguém que tenha piedade de mim e queira compadecer-se e tomar parte na minha dor no lastimoso estado em que me põem os pecadores, sobretudo agora?” ✝ BEATO HENRIQUE SUSO: Durante o carnaval esse santo guardava um jejum rigoroso a fim de expiar as intemperanças cometidas. ✝ SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO : Escreve: … porquanto os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho. Nestes tristes dias os cristãos, e quiçá entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e o entregarão nas mãos do demônio. Eles o trairão, já não às ocultas, senão nas praças e vias públicas, fazendo ostentação de sua traição! Eles os trairão, não por trinta dinheiros, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer, por um divertimento momentâneo… Quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos não Vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica?… Sim, pois se, segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucifixão do Filho de Deus. Ah! Nestes dias Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes. Se os santos diziam isso na época em que o carnaval ainda era mais “inocentes”, imaginem o que diriam esses mesmos santos e santas diante das imoralidades, escândalos, nudez, bebedeiras, desordens, vícios e crimes cometidos no Carnaval do século XXI? Tenho até medo do que seriam capazes de dizer… Leia também: O CARNAVAL E A COLHEITA MALDITA O que há de errado com o Carnaval? Antes de toda Quaresma há um Carnaval. Já tivemos a oportunidade de tratar esse assunto aqui, juntamente com uma famosa citação de Santa Faustina Kowalska sobre a festa, e um vídeo da famosa religiosa norte-americana, Madre Angélica, sobre os foliões que se embebedam e dão escândalo aos mais jovens. Na ocasião, comentamos que “a grande tragédia de nossa época” é o homem moderno ter transformado “a sua vida em uma festa de Carnaval prolongada” . No fundo, as pessoas não se entregam ao pecado só numa época do ano para se comportarem bem nas outras. Para muitos, o Carnaval tornou-se praticamente um “estilo de vida”. E essas pessoas não conseguem sequer conceber um outro modo de viver, senão este de brigas, bebedeiras e sexo desregrado. Nem todas as pessoas que “pulam carnaval” se divertem dessa forma pecaminosa, é verdade. Há carnavais e carnavais , alguém poderia dizer. É possível se divertir honestamente, no fim das contas, evitando o pecado e as ocasiões de cair nele, e o próprio Santo Tomás de Aquino chega a associar o bom divertimento a uma virtude específica em sua Suma Teológica . Neste vídeo, Pe. Paulo Ricardo fala de forma bem equilibrada a respeito do Carnaval, indicando as diferenças que existem entre: a alegria pecaminosa em que muitos passam esses dias, a alegria sadia de quem sabe gozar honestamente das coisas deste mundo e, por fim, a alegria realmente sobrenatural de quem tem os olhos fixos, não nos bens passageiros desta existência, mas na vida eterna com Cristo. Leia também Bispo Católico alerta: Carnaval não combina com Jesus Cristo O recado de uma monja católica aos foliões de Carnaval Aos cristãos que aproveitam a festa do Carnaval para cair na farra e na bebedeira, Madre Angélica tem um recado importante para passar. São conhecidas as sentenças dos santos da Igreja sobre o tempo do Carnaval. Elas estão espalhadas na Internet e deveriam formar todos aqueles que se dizem católicos. Para citar um só exemplo, vindo da terra do santo Papa João Paulo II, vejamos o que diz Santa Faustina Kowalska sobre esses dias de festa e aparente alegria: “Nestes dois últimos dias de carnaval, conheci um grande acúmulo de castigos e pecados. O Senhor deu-me a conhecer num instante os pecados do mundo inteiro cometidos nestes dias. Desfaleci de terror e, apesar de conhecer toda a profundeza da misericórdia divina, admirei-me que Deus permita que a humanidade exista .” (Diário, 926) Essa apóstola da Divina Misericórdia escrevia tais palavras ainda na primeira metade do século XX. Hoje, passados já mais de 100 anos, não há dúvidas de que os festejos carnavalescos pioraram muito. Se a revelação recebida por Faustina fê-la “desfalecer de terror”, com que tristeza não deveríamos reagir ao quadro que, agora, infelizmente, todos podemos ter diante dos olhos, graças ao alarde dos meios de comunicação! Se, com um só Carnaval do século passado, uma santa se admirava por Deus permitir que a humanidade existisse, o que dizer dos festivais que se repetem, ano após ano, aumentando mais e mais a sua malícia — a ponto de a ala de uma escola de samba anunciar, este ano, “que terá 40 casais simulando sexo na Avenida”? O homem moderno transformou a sua vida em uma festa de Carnaval prolongada. Mas nós, infelizes que somos, perdemos a noção do que seja o pecado . A ofensa cometida a Deus tornou-se para os nossos contemporâneos uma trivialidade, algo banal. Os homens e mulheres de nosso tempo não estão minimamente preocupados com mandamento algum: embebedam-se fim de semana sim e outro também; têm sexo quando, como e com quem bem entendem; e, pior do que tudo isso, criam os filhos que têm, frutos do acaso, para viverem as mesmas coisas que eles vivem. Em resumo, e é esta a grande tragédia de nossa época, o homem moderno transformou a sua vida em uma festa de Carnaval prolongada . Que as pessoas vivam 4 dias de festas indecentes uma vez por ano, é escandaloso; mas que passem as 4 idades de sua vida na mesma situação, é uma tragédia muito pior. O quadro é horrendo, mas a pergunta que devemos fazer nós, que estamos no mundo sem sermos do mundo , é como acordar essas pessoas, que convivem conosco no dia a dia e até que fazem parte de nossa família. Qual a melhor forma de convertê-las e tirá-las do abismo em que se acham? Onde estão, na Quarta-feira de Cinzas, os sorrisos e as gargalhadas que desfilaram na Sapucaí? Para onde foram tantas energias gastas pelo prazer, pela roupa mais exuberante, por mais um gole de bebida? Uma sugestão que muitas vezes o Padre Paulo Ricardo lança em suas pregações é mostrar para os pecadores como eles são infelizes na vida que levam . Para aqueles que estão cegos e apaixonados pelas coisas do mundo, será muitas vezes inútil repetirmos o velho sermão dos santos — embora não o devamos subestimar, absolutamente. Com muita frequência, no entanto, as palavras deles só costumam funcionar para “os de dentro”, que já têm o mínimo de temor de Deus. Para quem “está fora”, muito mais eficaz é apontar para a tristeza que mora nos corações afastados do Senhor: onde estão, na Quarta-feira de Cinzas, os sorrisos e as gargalhadas que desfilaram na Sapucaí? Para onde foram tantas energias gastas pelo prazer, pela roupa mais exuberante, por mais um gole de bebida? É mais ou menos esse o quadro que pinta, no vídeo acima, a grande comunicadora católica Madre Angélica, falecida ano passado (2016), nos Estados Unidos. No excerto em questão, a religiosa bem-humorada mistura com a estratégia do “olha para ti mesmo” a tradicional pregação cristã sobre o pecado, o escândalo, a penitência e o inferno, à semelhança do pai de família do Evangelho “que tira do seu baú coisas novas e velhas” ( Mt 13, 52). Que as suas palavras possam cair, de alguma forma, nos corações afastados de Cristo e da sua Igreja. Para os que entendem inglês, vale a pena assistir ao episódio completo de onde foi extraído esse vídeo: o programa foi ao ar no dia 2 de março de 1999, e fala sobre as “observâncias quaresmais” . Assista a formação: O CARNAVAL E A COLHEITA MALDITA “Qual a origem do Carnaval e qual a atitude da Igreja diante dele?” I. Origem: antes do mais, diga-se algo sobre a etimologia de “Carnaval”. Comumente os autores explicam este nome a partir dos termos do latim tardio “carne vale”, isto é, “adeus carne” ou “despedida da carne”; esta derivação indicaria que no Carnaval o consumo de carne era considerado lícito pela última vez antes dos dias de jejum quaresmal. – Outros estudiosos recorrem à expressão “carnem levare”, suspender ou retirar a carne: o Papa São Gregório Magno teria dado ao último domingo antes da Quaresma, ou seja, ao domingo da Qüinquagésima, o título de “dominica ad carnes levandas”; a expressão haveria sido sucessivamente, carneval ou carnaval”. – Um terceiro grupo de etimologistas apela para as origens pagãs do Carnaval: entre os gregos e romanos costumava-se exibir um préstito em forma de nave dedicada ao deus Dionísio ou Baco, préstito ao qual em latim se dava o nome de currus navalis: donde a forma Carnavale. Como se vê, não é muito clara a procedência do nome. Quanto à realidade por este designada deve-se dizer o seguinte: As mais antigas notícias de pompas semelhantes às que hoje chamamos “Carnaval” datam, como se crê, do séc. VI antes de Cristo, na Grécia: as pinturas de certos vasos gregos apresentam figuras mascaradas a desfilar em procissão ao som de música as pompas do culto do deus Dionísio, com suas fantasias e alegorias, são certamente anteriores à era cristã. Entre os gregos, análogas festividades eram ocasionadas pela entrada de novo ano civil (mês de janeiro) ou pela aproximação da primavera e a conseqüente despedida do inverno. Elementos da religiosidade pagã e da mitologia costumavam inspirar essas celebrações; em geral os povos não-cristãos intencionavam, com seus ritos exuberantes, expiar as faltas cometidas no inverno ou no ano anterior e pedir aos seres superiores a fecundidade da terra e a prosperidade para a primavera e o novo ano. Disto dão testemunho os costumes vigentes ocasião de tais solenidades: para exprimir a expiação e o cancelamento das culpas passadas, por exemplo, encenava-se a morte de um fantoche ou boneco que, depois de “haver feito seu testamento” e após uma paródia de transporte fúnebre, era queimado ou lançado à água ou de qualquer modo destruído (rito celebrado geralmente no dia 1º de janeiro). Em algumas regiões procedia-se à confissão pública dos vícios: matava-se um peru, o qual, antes de morrer, proclamava pela boca de um dos cidadãos os malefícios da gente do país. A denúncia das culpas tomava não raro um caráter pilhérico e teatral: era, por exemplo, o cômico Arlequim que, antes de ser entregue à morte confessava os seus pecados e os alheios. Apesar das intenções sérias que inspiraram inicialmente tais manifestações públicas, compreende-se que elas tenham mais e mais dado lugar à licenciosidade e a deploráveis abusos, fomentados elo uso de máscaras, trajes alegóricos, pela exibição de préstitos, peças de teatro, etc. Em tese, as danças e o tripudiar característico dessas festas deviam servir de exortação ao povo para que cheio de alegria iniciasse a nova estação do ano. As religiões ditas “de mistérios” provenientes do Oriente e muito difusas no Império Romano, concorreram não pouco, pelo fato de seguirem rituais exuberantes, para o incremento das festividades carnavalescas. Estas, em conseqüência, tomaram o nome de “pompas bacanais” ou “saturnais” ou “lupercais”. As demonstrações de alegria porém, tornando-se subversivas da ordem pública, o Senado Romano, no séc. II a.C. resolveu combater os bacanais; os adeptos destes passaram a ser acusado de graves ofensas contra a moralidade e contra o Estado. Dado o motivo de tais festividades populares, entende-se que a data de sua celebração tenha sido vária: podia ser o dia 25 de dezembro (dia em que os pagãos celebravam Mitra ou o Sol Invicto) ou o dia 1º de janeiro (começo do novo ano), ou 6 ou 17 de janeiro ou 2 de fevereiro (datas religiosas pagãs) ou algum termo pouco posterior. II. Atitude da Igreja: quando o Cristianismo se difundiu, já encontrou tais orgias no uso dos povos. Por princípio, o Evangelho não é contrário às demonstrações de júbilo, contanto que não degenerem em celebrações libertinas e pecaminosas. Por isto, os missionários não se opuseram formalmente à realização do Carnaval, mas procuraram dar-lhe caráter novo, depurando-o de práticas que tinham sabor nitidamente supersticioso ou mitológico e enquadrando-o dentro da ideologia cristã; assim, como motivo de alegria pública, os pastores de almas indicavam por vezes algum mistério ou alguma solenidade do Cristianismo (o Natal, por exemplo, ou a Epifania do Senhor ou a Purificação de Maria, dita “festa da Candelária”, em vez dos mitos pagãos celebrados a 25 de dezembro 6 de janeiro u 2 de fevereiro). Por fim, as autoridades eclesiásticas conseguiram restringir a celebração oficial do Carnaval aos três dias que precedem a quarta-feira de cinzas (em nossos tempos alguns párocos bem intencionados promovem, dentro das normas cristãs, folguedos públicos nesse tríduo, a fim de evitar sejam os fiéis seduzidos por divertimento pouco dignos). Como se vê, a Igreja não instituiu o Carnaval; teve, porém, de o reconhecer como fenômeno vigente no mundo em que ela se implantou. Sendo em si suscetível de interpretação cristã, ela o procurou subordinar aos princípios do Evangelho; era inevitável, porém, que os povos não sempre observassem o limite entre o que o Carnaval pode ter de cristão e o que tem de pagão. Está claro que são contrários às intenções da Igreja os desmandos assim verificados Em reparação dos mesmos, foram instituídas a adoração das Quarenta Horas e as práticas de Retiros Espirituais nos dias anteriores à quarta-feira de cinzas. Da Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”D. Estevão Bettencourt, osb.Nº 5, Ano 1958, Página 213. Assista a formação: O CARNAVAL E A COLHEITA MALDITA #FormaçõesCatólicas #VidadosSantos














































