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- Santo do Dia – 02 de Janeiro – São Basílio Magno
Santo do Dia – 02 de Janeiro – São Basílio Magno Pai do monaquismo oriental, cognominado “o Grande” pelo exímio governo de sua diocese, São Basílio foi sobretudo chamado de “Magno” por sua defesa da Santíssima Trindade, perante a heresia ariana. Lucilia Lins Brandão Veas, EP O século IV da Era Cristã poderia ser descrito como um período de controvérsias teológicas. Não obstante, foi uma época áurea da Igreja, pois, justamente por isso, surgiram eminentes figuras na defesa da Fé, entre as quais se encontram três capadócios de truz, cujas vidas se entrelaçam nesta cadeia de ouro de fidelidade: São Gregório de Nazianzo, São Gregório de Nissa e seu irmão São Basílio Magno, a quem dedicamos este artigo. Uma família de Santos Nascido em Cesareia da Capadócia, por volta do ano 330, Basílio pertencia a uma rica e nobre família cristã. Poucos anos antes de seu nascimento, a Igreja recebera de Constantino a liberdade de culto, findando o período das grandes perseguições. Conta-se que seus avós paternos faziam parte dos cristãos que, sob o império de Diocleciano, tiveram de se refugiar durante muitos anos em alguns bosques da região, para sobreviver sem renegar a Fé. Seus pais eram exemplares na prática das virtudes e da caridade para com o próximo, chegando a consagrar parte de seus bens aos pobres, doentes e aos mais necessitados. Tiveram dez filhos, dentre eles, além de São Basílio, destacam-se Macrina, Gregório, Bispo de Nissa, e Pedro, Bispo de Sebaste, todos estes elevados à honra dos altares. Na infância recebeu de sua avó – também Santa e de nome Macrina – as primeiras instruções religiosas. Eis como ele mesmo descreve sua benéfica influência: “Que argumento seria mais convincente para provar a autenticidade de nossa fé, senão o fato de que fomos educados e guiados por aquela bem-aventurada senhora nascida entre vós? Refiro-me a Macrina, ilustre dama, de quem aprendemos as palavras do beatíssimo Gregório, o Taumaturgo, e tudo o que foi recebido de uma ininterrupta tradição oral, que ela fielmente guardava em seu coração. Forjava o nosso ânimo ainda tenro e o iniciava nas vias da piedade”. Desde criança Basílio revelava possuir uma alma de fogo e um temperamento vigoroso, mas unido à suavidade de trato, o que marcará sua trajetória terrena, em especial quando assumir a vida pastoral da Diocese de Cesareia. Contudo, sua forte têmpera não influenciava a saúde, sempre frágil, à qual teve de dedicar frequentes cuidados ao longo da vida. “Conosco as doenças sucedem às doenças”; “nossa má saúde, que data de mais longo tempo e que não nos deixou ainda…”,3 escrevia ele em cartas. Comunidade de jovens em Atenas Recebeu as primeiras letras em Cesareia, dirigindo-se depois para Constantinopla e Atenas, importantes centros acadêmicos de então. Estudou retórica e filosofia, sobressaindo-se entre os demais alunos, devido à sua rara capacidade intelectual e retidão moral. Em Atenas, Basílio encontrou um dos maiores tesouros de sua vida: Gregório de Nazianzo, de quem se fez amigo íntimo e fiel. Providencial foi este relacionamento, que os encorajou a viver íntegros em meio aos dissolutos costumes estudantis gregos, além de se manterem firmes na fé, porque não eram poucas as ocasiões em que hostilizavam a Religião, tanto os colegas quanto os professores. “Atenas é pestífera a quem deseja a salvação da alma”,4 comentaria São Gregório de Nazianzo ao relembrar aqueles anos. Ironias, sarcasmos, perguntas insidiosas eram os métodos usados para ridicularizar a verdadeira doutrina e, infelizmente, nem sempre os estudantes cristãos estavam à altura para refutar as inverdades e calúnias. Foi numa dessas disputas estudantis que Gregório conheceu Basílio. Incomodados com a presença deste último, alguns colegas, invejosos de seu talento e eloquência, aproximaram-se dele e o “atacaram com questões muito capciosas e sutis, com o intuito de derrubá-lo no primeiro assalto”,5 recorda-se São Gregório de Nazianzo. No entanto, admirável foi sua resposta. “Quando Quando me dei conta da prodigiosa eficácia da dialética de Basílio, me uni a ele… E, assim, entre nós se acendeu a chama da amizade, que não foi simplesmente uma faísca, mas farol alto e luminoso”. Unidos no mesmo ideal, traçaram ambos um plano de vida: abster-se dos banquetes, das festas e tantas outras coisas, ainda muito impregnadas de paganismo. Este exemplo não tardou a levar um significativo número de rapazes, que também aspiravam à perfeição, a juntar-se aos dois. “Em torno de nós se havia formado uma significativa comunidade de jovens, os quais tinham Basílio como orientador, o seguiam e eram partícipes de sua alegria”. Terminados os estudos em Atenas, resolveu voltar para a Capadócia. Levava consigo não só um importante cabedal de ciência, bem como um progresso na virtude. Seus horizontes haviam-se alargado, as disputas e os argumentos falaciosos que precisara refutar lhe fizeram conhecer melhor a mentalidade do mundo no qual vivia e que haveria de enfrentar em defesa da Fé. Nulidade do mundo que passa De volta a Cesareia, passou pela terrível tentação de levar uma vida mundana e tranquila. Sua fama se havia espalhado e seus concidadãos ofereceram-lhe uma cátedra de retórica, o que de bom grado aceitou. O pecado e a vida dissoluta longe estavam de atraí-lo, porém não era a uma vida fácil que a Providência o chamava. E o instrumento divino que lhe reavivou na alma os desejos de perfeição surgidos quando estava em Atenas foi sua irmã Macrina. Imbuída da firmeza das virgens, cujo véu recebera, não cessava de exortá-lo à vida consagrada, a almejar apenas o Reino dos Céus, a desapegar-se das efêmeras honras deste mundo e a ouvir a voz interior que o chamava a dedicar-se a Deus. “Macrina” – escreve seu irmão, São Gregório de Nissa – “o guiou com tal rapidez ao objeto da verdadeira filosofia, que ele, desviando-se daquela que o mundo adora, renunciou à glória da eloquência para consagrar-se inteiramente a uma vida de pobreza e trabalho”. Mais tarde, o próprio São Basílio escreverá que havia perdido quase toda a sua juventude no estudo da ciência mundana e parecia que as admoestações da irmã o haviam despertado de um sono profundo: “com os olhos bem abertos contemplava a luz admirável da verdade, que diante de mim emanava do Evangelho, como de um sol nascente. Reconheci a nulidade da sabedoria do mundo que passa e desaparece”. Após esta conversão, percorreu o Egito, a Palestina e a Síria, a fim de visitar e conhecer de perto os ascetas que ali viviam, desejando também ele levar uma vida retirada, para o que se dedicou mais à teologia e iniciou o estudo das Sagradas Escrituras. Nasce o monaquismo oriental De volta a Cesareia, pediu o Batismo – segundo o costume de então, de serem batizados adultos -, vendeu parte dos bens que possuía e iniciou uma vida de eremita nas proximidades do rio Íris, em Annesi, numa das propriedades da família. Logo o acompanhou Gregório de Nazianzo, seguido de muitos outros. Levavam não uma vida como a dos ascetas que visitara, pois o desejo de Basílio era de viver em comunidade, dividindo o dia em períodos de estudos, trabalho, oração e sacrifícios. Esta nova forma de vida comunitária religiosa deu origem à instituição dos monges basilianos, para os quais ele redigiu algumas prescrições ascéticas, hoje conhecidas como a Grande Regra e a Pequena Regra, base do monaquismo oriental, que, posteriormente, acabou tendo influência sobre os monges do Ocidente. Inspirado nos ensinamentos evangélicos, São Basílio fundamentou sua obra no amor a Deus e ao próximo. Em suas regras, depois de enumerar as obrigações da vida comum de todo cristão, exortava os que são chamados a um maior grau de perfeição: “Todo aquele que se apaixone pelo celeste ideal de uma vida angélica e deseje converter-se em companheiro de armas dos santos discípulos de Cristo, revista-se de forças para suportar as provas e entre com valentia na sociedade dos monges. Desde o início seja um homem que não se deixe levar pelos afetos dos parentes e tenha a coragem de trocar os bens terrenos pelos que não morrem”. Cinco anos passou São Basílio na vida contemplativa. Talvez pensasse que nela transcorreria toda a sua existência, porque o ideal monástico era o que mais almejava. Mas a Providência lhe tinha destinado outras vias, numa época conturbada pelas heresias. Bispo de Cesareia Chamado por Eusébio, Bispo de sua diocese natal, para auxiliá-lo, foi ordenado presbítero por ele, e com sua morte Basílio foi eleito Bispo de Cesareia para sucedê-lo. Era desde há muito conhecido por todos não só por sua probidade e obras caritativas, como por sua fidelidade à ortodoxia, algo especialmente valioso naquele contexto histórico, segundo período da crise ariana, a mais nefasta heresia do tempo. Amigos das fórmulas ambíguas, as quais poderiam ser interpretadas a seu bel-prazer, os discípulos de Ário seguiam arrastando com suas ideias grande parte dos fiéis. Divididos em três facções – hereges declarados, arianos moderados e semiarianos -, sua influência era tal que São Basílio escrevia a Santo Atanásio: “Toda a Igreja se dissolve, como numerosos navios em alto-mar vagando a esmo, batem-se uns contra os outros sob a violência das ondas. É um grande naufrágio cujo responsável é o mar em fúria e também a desordem dos navios, indo uns contra os outros, despedaçando-se mutuamente. Onde encontrar um piloto à altura da situação, que seja assaz digno de fé para despertar o Senhor, a fim de que Ele ordene aos ventos e ao mar?”. Vendo-os apoiados pelo imperador, que se julgava com o direito de intervir na esfera espiritual, muitos dos que eram fiéis à verdadeira doutrina da Igreja contemporizavam, por medo da perseguição e do exílio. O próprio São Basílio foi censurado pelas autoridades civis, mas não cedeu às suas solicitações, mantendo-se impávido na defesa da Fé. O imperador chegou a dividir a região de sua diocese, com o intuito de coarctar a ação do Santo. Este, entretanto, sagaz como era, aproveitou-se da situação para criar dois novos Bispados – Nissa e Sásima -, colocando à cabeça dos mesmos seu irmão Gregório e o amigo de mesmo nome. Uma só essência, em três Pessoas Divinas As controvérsias teológicas com os arianos giravam, sobretudo, em torno da divindade do Filho e do Espírito Santo. O Concílio de Niceia afirmava a divindade e a consubstancialidade da Segunda Pessoa da Trindade com o Pai, sustentava a verdadeira humanidade e divindade do Verbo Encarnado e proclamava a fé no Espírito Santo. Todavia, nada dizia a respeito da natureza e da substância da Terceira Pessoa, e não definia os termos substância, pessoa e natureza, usados para defender a divindade do Filho, termos estes que eram susceptíveis a diversas interpretações. Homem de um profundo espírito de piedade, contemplativo e varão de grande união com Deus, Basílio conseguiu definir a diferença entre os termos gregos usados, fazendo compreender que em Deus há uma só essência e três Pessoas. E que, portanto, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um só Deus. Em seu Tratado sobre o Espírito Santo, proclamou a divindade da Terceira Pessoa e sua igualdade consubstancial com o Pai e o Filho; e mostrou que as fórmulas com, em quem, para quem, por quem, usadas ao se mencionar o Espírito Santo, não supõem que Ele tenha uma origem ou uma essência diferente do Pai e do Filho. Seu maior mérito constituiu, portanto, em esclarecer a terminologia teológica trinitária, completando o terreno da ortodoxia católica de Niceia, não deixando margem a posteriores interpretações heréticas e contribuindo para a futura definição do Símbolo Niceno-Constantinopolitano, promulgado no Concílio de Constantinopla, alguns anos após sua morte. Cognominado “o Grande”, ainda em vida São Basílio passou nove anos à testa da Igreja de Cesareia e, além de suas pugnas doutrinárias, seu labor de pastor foi infatigável, exercendo inúmeras obras de caridade: acolheu os pobres, exortou os ricos na caridade fraterna, continuou a promover a vida monástica, fundou um hospital conhecido por Basilíades, em tempo de carestia juntou todos os esforços para mitigar a situação penosa pelas quais passava sua diocese, além de muitas outras que, junto com toda a sua atividade apologética, lhe valeram o cognome “o Grande”, ainda em vida. “Para o resto dos homens se faz o elogio à força de exageros; mas, no que toca aos justos, a simples verdade de seus atos basta para mostrar a abundância de seus méritos”.13 Esta frase, pronunciada por São Basílio a respeito de São Górdio, mártir, perfeitamente lhe pode ser aplicada. Ele entregou sua alma justa a Deus no primeiro dia de janeiro de 379 e, sem embargo, de certo modo podemos dizer que não morreu e permanece vivo no firmamento da Igreja, iluminando-a como um sol de fidelidade, num perpétuo e fiel exemplo de amor à verdade e a Deus. (Revista Arautos do Evangelho, Janeiro/2015, n. 157, p. 32 a 35) Fonte: Arautos do Evangelho
- O testamento espiritual de Bento XVI
A Santa Sé publicou o testamento elaborado pelo Papa emérito em 29 de agosto de 2006: Meu testamento espiritual Se nesta hora tardia de minha vida olho para trás, para os decênios que percorri, a primeira coisa que vejo é quantas razões tenho de agradecer. Agradeço antes de qualquer outro ao próprio Deus, o dispensador de todo dom bom, que me deu a vida e me guiou através de vários momentos de confusão, reerguendo-me sempre todas as vezes em que começava a escorregar e dando-me sempre de novo a luz de sua face. Retrospectivamente vejo e entendo que mesmo os trechos escuros e cansativos desse caminho foram para a minha salvação e que exatamente nesses Ele me guiou bem. Agradeço a meus pais que me deram a vida em tempos difíceis e que, ao custo de grandes sacrifícios, com seu amor, me prepararam uma moradia magnífica que, como luz clara, ilumina meus dias até hoje. A fé clarividente de meu pai ensinou a nós, os irmãos, a acreditar e serviu de guia em meio a todo o meu conhecimento científico; a devoção sincera e a grande bondade de minha mãe representam uma herança pela qual não posso agradecer o suficiente. Minha irmã tem me servido desinteressadamente e com preocupação por décadas; meu irmão, com a lucidez de seus juízos, sua vigorosa resolução e serenidade de coração, sempre aplainou o caminho para mim; sem aquela sua precedência e acompanhamento contínuos não poderia ter encontrado o caminho certo. De coração agradeço a Deus pelos tantos amigos, homens e mulheres, que Ele sempre pôs ao meu lado; pelos colaboradores em todas as etapas do meu caminho; pelos mestres e alunos que Ele me deu. Confio-os todos, agradecido, à Sua bondade. E quero agradecer o Senhor pela minha bela terra nos pré-alpes bávaros, na qual sempre vi transparecer o esplendor do próprio Criador. Agradeço ao povo da minha terra porque neles sempre pude experimentar de novo a beleza da fé. Rogo para que a nossa terra permaneça uma terra de fé e peço a vós, caros compatriotas: não vos deixeis desviar da fé. E finalmente agradeço a Deus por tudo de belo que pude experimentar em todas as etapas do meu caminho especialmente, porém, em Roma e na Itália que se tornou minha segunda pátria. A todos aqueles a quem de algum modo tenha feito mal, peço perdão de coração. Aquilo que antes disse aos meus compatriotas, digo agora a todos aqueles que na Igreja foram confiados a meu serviço: permanecei firmes na fé! Não vos deixeis confundir! Frequentemente parece que a ciência _as ciências naturais, por um lado e a pesquisa histórica (em particular a exegese da Sagrada Escritura) de outro_ são capazes de oferecer resultados incontestáveis em contraste com a fé católica. Vivi as transformações das ciências naturais de há longo tempo e pude constatar como, ao contrário, desapareceram as certezas contra a fé, demonstrando ser não ciência, mas interpretações filosóficas apenas aparentemente derivadas da ciência; assim como, por outro lado, é no diálogo com as ciências naturais que também a fé aprendeu a compreender melhor o limite do alcance de suas afirmações e, portanto, de sua especificidade. São já sessenta anos que acompanho o caminho da teologia em particular das ciências bíblicas, e com o suceder-se das diversas gerações vi ruir teses que pareciam indestrutíveis, demonstrando ser simples hipóteses: a geração liberal (Harnack, Jülicher etc), a geração existencialista (Bultmann etc.), a geração marxista. Vi e vejo como do emaranhado das hipóteses emergiu e emerge novamente a razoabilidade da fé. Jesus Cristo é verdadeiramente o caminho, a verdade e a vida _ e a Igreja, com todas as suas insuficiências, é verdadeiramente Seu corpo. Enfim, peço humildemente: rezai por mim, para que o Senhor, não obstante todos os meus pecados e insuficiências, me acolha na morada eterna. A todos aqueles que me estão confiados, dia a dia vai de coração minha oração. Benedictus PP XVI #BentoXVI #PapaBentoXVI
- O testamento espiritual de Bento XVI
A Santa Sé publicou o testamento elaborado pelo Papa emérito em 29 de agosto de 2006: Meu testamento espiritual Se nesta hora tardia de minha vida olho para trás, para os decênios que percorri, a primeira coisa que vejo é quantas razões tenho de agradecer. Agradeço antes de qualquer outro ao próprio Deus, o dispensador de todo dom bom, que me deu a vida e me guiou através de vários momentos de confusão, reerguendo-me sempre todas as vezes em que começava a escorregar e dando-me sempre de novo a luz de sua face. Retrospectivamente vejo e entendo que mesmo os trechos escuros e cansativos desse caminho foram para a minha salvação e que exatamente nesses Ele me guiou bem. Agradeço a meus pais que me deram a vida em tempos difíceis e que, ao custo de grandes sacrifícios, com seu amor, me prepararam uma moradia magnífica que, como luz clara, ilumina meus dias até hoje. A fé clarividente de meu pai ensinou a nós, os irmãos, a acreditar e serviu de guia em meio a todo o meu conhecimento científico; a devoção sincera e a grande bondade de minha mãe representam uma herança pela qual não posso agradecer o suficiente. Minha irmã tem me servido desinteressadamente e com preocupação por décadas; meu irmão, com a lucidez de seus juízos, sua vigorosa resolução e serenidade de coração, sempre aplainou o caminho para mim; sem aquela sua precedência e acompanhamento contínuos não poderia ter encontrado o caminho certo. De coração agradeço a Deus pelos tantos amigos, homens e mulheres, que Ele sempre pôs ao meu lado; pelos colaboradores em todas as etapas do meu caminho; pelos mestres e alunos que Ele me deu. Confio-os todos, agradecido, à Sua bondade. E quero agradecer o Senhor pela minha bela terra nos pré-alpes bávaros, na qual sempre vi transparecer o esplendor do próprio Criador. Agradeço ao povo da minha terra porque neles sempre pude experimentar de novo a beleza da fé. Rogo para que a nossa terra permaneça uma terra de fé e peço a vós, caros compatriotas: não vos deixeis desviar da fé. E finalmente agradeço a Deus por tudo de belo que pude experimentar em todas as etapas do meu caminho especialmente, porém, em Roma e na Itália que se tornou minha segunda pátria. A todos aqueles a quem de algum modo tenha feito mal, peço perdão de coração. Aquilo que antes disse aos meus compatriotas, digo agora a todos aqueles que na Igreja foram confiados a meu serviço: permanecei firmes na fé! Não vos deixeis confundir! Frequentemente parece que a ciência _as ciências naturais, por um lado e a pesquisa histórica (em particular a exegese da Sagrada Escritura) de outro_ são capazes de oferecer resultados incontestáveis em contraste com a fé católica. Vivi as transformações das ciências naturais de há longo tempo e pude constatar como, ao contrário, desapareceram as certezas contra a fé, demonstrando ser não ciência, mas interpretações filosóficas apenas aparentemente derivadas da ciência; assim como, por outro lado, é no diálogo com as ciências naturais que também a fé aprendeu a compreender melhor o limite do alcance de suas afirmações e, portanto, de sua especificidade. São já sessenta anos que acompanho o caminho da teologia em particular das ciências bíblicas, e com o suceder-se das diversas gerações vi ruir teses que pareciam indestrutíveis, demonstrando ser simples hipóteses: a geração liberal (Harnack, Jülicher etc), a geração existencialista (Bultmann etc.), a geração marxista. Vi e vejo como do emaranhado das hipóteses emergiu e emerge novamente a razoabilidade da fé. Jesus Cristo é verdadeiramente o caminho, a verdade e a vida _ e a Igreja, com todas as suas insuficiências, é verdadeiramente Seu corpo. Enfim, peço humildemente: rezai por mim, para que o Senhor, não obstante todos os meus pecados e insuficiências, me acolha na morada eterna. A todos aqueles que me estão confiados, dia a dia vai de coração minha oração. Benedictus PP XVI #BentoXVI #PapaBentoXVI
- Papa Francisco celebrará o funeral de Bento XVI em 5 de janeiro
O corpo será exibido na Basílica de São Pedro para que qualquer um possa dizer um último adeus a partir de segunda-feira. O papa emérito de 95 anos morreu no sábado, 31 de dezembro, às 9h34, no Mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano. À medida que a manhã avança, aprendemos novos detalhes sobre o funeral de Ratzinger. Em uma coletiva de imprensa realizada na Sala de Imprensa do Vaticano, o diretor disse a jornalistas das várias agências em vários idiomas, presentes ou conectados virtualmente, que na quinta-feira, 5 de janeiro, às 9h30, o funeral será realizado na Praça de São Pedro, presidida pelo Santo Padre. Mateo Bruni também relatou que Bento XVI recebeu a Unção dos Enfermos na quarta-feira passada, no final da Missa no Mosteiro e na presença dos Memores Domini, as quatro mulheres que o assistiram diariamente durante anos. Antes da sua morte, o Papa emérito pediu que tudo fosse marcado pela simplicidade, qualidade com que viveu. “De acordo com o desejo do papa emérito, o funeral será realizado sob o signo da simplicidade”. Bruni, diretor de imprensa do Vaticano. Além disso, Bruni confirmou que nesta segunda-feira, 2 de janeiro, o corpo será levado à Basílica de São Pedro para que os peregrinos possam lhe dar a última saudação. Ontem à tarde, respondendo aos jornalistas, sublinhou que Bento XVI descansou bem e que o seu estado de saúde é estável, e acrescentou que participou ontem à tarde na celebração da Santa Missa no seu quarto. Rezemos pela eternidade de nosso Grande Bento XVI. #BentoXVI #PapaBentoXVI
- Papa Francisco celebrará o funeral de Bento XVI em 5 de janeiro
O corpo será exibido na Basílica de São Pedro para que qualquer um possa dizer um último adeus a partir de segunda-feira. O papa emérito de 95 anos morreu no sábado, 31 de dezembro, às 9h34, no Mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano. À medida que a manhã avança, aprendemos novos detalhes sobre o funeral de Ratzinger. Em uma coletiva de imprensa realizada na Sala de Imprensa do Vaticano, o diretor disse a jornalistas das várias agências em vários idiomas, presentes ou conectados virtualmente, que na quinta-feira, 5 de janeiro, às 9h30, o funeral será realizado na Praça de São Pedro, presidida pelo Santo Padre. Mateo Bruni também relatou que Bento XVI recebeu a Unção dos Enfermos na quarta-feira passada, no final da Missa no Mosteiro e na presença dos Memores Domini, as quatro mulheres que o assistiram diariamente durante anos. Antes da sua morte, o Papa emérito pediu que tudo fosse marcado pela simplicidade, qualidade com que viveu. “De acordo com o desejo do papa emérito, o funeral será realizado sob o signo da simplicidade”. Bruni, diretor de imprensa do Vaticano. Além disso, Bruni confirmou que nesta segunda-feira, 2 de janeiro, o corpo será levado à Basílica de São Pedro para que os peregrinos possam lhe dar a última saudação. Ontem à tarde, respondendo aos jornalistas, sublinhou que Bento XVI descansou bem e que o seu estado de saúde é estável, e acrescentou que participou ontem à tarde na celebração da Santa Missa no seu quarto. Rezemos pela eternidade de nosso Grande Bento XVI. #BentoXVI #PapaBentoXVI
- Papa Emérito Bento XVI: Uma Vida em Imagens
Joseph Ratzinger foi cristão por 95 anos, sacerdote por 71 anos e papa por quase oito anos. Primeiros Anos (1927-1977) Joseph Aloisius Ratzinger nasceu em 16 de abril de 1927, na cidade bávara de Marktl am Inn. (Foto: Kerstin Joensson) ESQUERDA: Foto tirada em 1943 durante a Segunda Guerra Mundial mostra Joseph Ratzinger como um Luftwaffenhelfer (auxiliar da Luftwaffe). DIREITA: Foto tirada em 1952, perto de Ruhpolding, mostra o padre Joseph Ratzinger (c) durante uma missa ao ar livre, um ano após sua ordenação sacerdotal em 1951. (Foto: STF) O Papa São João XXIII chega à Basílica de São Pedro em 11 de outubro de 1962, para a missa de abertura da primeira sessão do Concílio Vaticano II, onde o Padre Joseph Ratzinger serviu como perito (especialista). Cardeal Joseph Ratzinger (1977-2005) Papa Paulo VI coloca o anel cardinalício no dedo do cardeal Joseph Ratzinger em 29 de junho de 1977, na Basílica de São Pedro (Foto: Pool)1977 AP O Papa São João Paulo II está ao lado do Cardeal Joseph Ratzinger, de Munique, depois de nomeá-lo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé em 1981. O Cardeal Joseph Ratzinger apresenta a encíclica “Fides et Ratio” do Papa São João Paulo II durante uma conferência de imprensa no Vaticano, em 15 de outubro de 1998. (Foto: Gerard Julien)2003 AFP Papa Bento XVI (2005-2013) O Papa Bento XVI aparece na varanda da Basílica de São Pedro após sua eleição como papa em 19 de abril de 2005. (Foto: Patrick Hertzog)2011 AFP O Papa Bento XVI celebra a Missa no Marienfeld em Kerpen, Alemanha, em 21 de agosto de 2005, como parte da Jornada Mundial da Juventude. (Foto: Piscina) O Papa Bento XVI assina sua segunda encíclica, “Spe Salvi” (Salvo pela esperança), em 30 de novembro de 2007, no Vaticano. (Foto: L’Osservatore Romano)2007 AFP O Papa Bento XVI saúda os peregrinos no final de sua audiência geral semanal na Praça de São Pedro em 4 de maio de 2011, logo após presidir a beatificação de seu predecessor, João Paulo II, em 1º de maio. (Foto: Vincenzo Pinto)2011 AFP Três ex-bispos anglicanos – a partir da esquerda, o reverendo John Broadhurst, o reverendo Andrew Burnham e o reverendo Keith Newton – são retratados na Catedral de Westminster em 15 de janeiro de 2011, em Londres. Sua ordenação marca a inauguração do Ordinariato Anglicano. (Foto: Carl de Souza)2011 AFP O Papa Bento XVI encontra-se com o ex-presidente cubano Fidel Castro na Embaixada da Santa Sé em 29 de março de 2012, em Havana, Cuba. (Foto: L’Osservatore Romano / Pool)2012 Getty Images Papa Emérito (2005-2022) O helicóptero do Papa Bento XVI sobrevoa a Basílica de São Pedro em 28 de fevereiro de 2013, no dia de sua renúncia. (Foto: Alberto Pizzoli)2013 AFP O Papa Francisco recebe Bento XVI de volta ao Vaticano em 2 de maio de 2013, na residência criada para a aposentadoria de Bento XVI. ANSA O Papa emérito Bento XVI celebra seu 90º aniversário (16 de abril) com delegados bávaros na Cidade do Vaticano em 17 de abril de 2017. Também estavam presentes o monsenhor Georg Ratzinger, irmão de Bento XVI, de 93 anos, e o arcebispo George Gänswein. O Papa Emérito Bento XVI está sentado em uma cadeira de rodas no aeroporto de Munique, na Alemanha, onde visitava seu irmão doente, antes de retornar a Roma em 22 de junho de 2020. (Foto: Sven Hoppe) “Desde a minha infância”, disse Bento XVI, “fiquei muito impressionado com a história de que um urso havia atacado e matado o cavalo no santo que estava atravessando os Alpes. Corbiniano repreendeu severamente o urso e ele o puniu carregando-o com toda a sua bagagem e fazendo-o carregá-la até Roma. Assim, o urso, carregando a bagagem do santo, teve que ir a Roma. E só lá foi permitido pelo santo que ele fosse livre.” (Foto: Tiziana Fabi) #BentoXVI #PapaBentoXVI
- Papa Emérito Bento XVI: Uma Vida em Imagens
Joseph Ratzinger foi cristão por 95 anos, sacerdote por 71 anos e papa por quase oito anos. Primeiros Anos (1927-1977) Joseph Aloisius Ratzinger nasceu em 16 de abril de 1927, na cidade bávara de Marktl am Inn. (Foto: Kerstin Joensson) ESQUERDA: Foto tirada em 1943 durante a Segunda Guerra Mundial mostra Joseph Ratzinger como um Luftwaffenhelfer (auxiliar da Luftwaffe). DIREITA: Foto tirada em 1952, perto de Ruhpolding, mostra o padre Joseph Ratzinger (c) durante uma missa ao ar livre, um ano após sua ordenação sacerdotal em 1951. (Foto: STF) O Papa São João XXIII chega à Basílica de São Pedro em 11 de outubro de 1962, para a missa de abertura da primeira sessão do Concílio Vaticano II, onde o Padre Joseph Ratzinger serviu como perito (especialista). Cardeal Joseph Ratzinger (1977-2005) Papa Paulo VI coloca o anel cardinalício no dedo do cardeal Joseph Ratzinger em 29 de junho de 1977, na Basílica de São Pedro (Foto: Pool)1977 AP O Papa São João Paulo II está ao lado do Cardeal Joseph Ratzinger, de Munique, depois de nomeá-lo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé em 1981. O Cardeal Joseph Ratzinger apresenta a encíclica “Fides et Ratio” do Papa São João Paulo II durante uma conferência de imprensa no Vaticano, em 15 de outubro de 1998. (Foto: Gerard Julien)2003 AFP Papa Bento XVI (2005-2013) O Papa Bento XVI aparece na varanda da Basílica de São Pedro após sua eleição como papa em 19 de abril de 2005. (Foto: Patrick Hertzog)2011 AFP O Papa Bento XVI celebra a Missa no Marienfeld em Kerpen, Alemanha, em 21 de agosto de 2005, como parte da Jornada Mundial da Juventude. (Foto: Piscina) O Papa Bento XVI assina sua segunda encíclica, “Spe Salvi” (Salvo pela esperança), em 30 de novembro de 2007, no Vaticano. (Foto: L’Osservatore Romano)2007 AFP O Papa Bento XVI saúda os peregrinos no final de sua audiência geral semanal na Praça de São Pedro em 4 de maio de 2011, logo após presidir a beatificação de seu predecessor, João Paulo II, em 1º de maio. (Foto: Vincenzo Pinto)2011 AFP Três ex-bispos anglicanos – a partir da esquerda, o reverendo John Broadhurst, o reverendo Andrew Burnham e o reverendo Keith Newton – são retratados na Catedral de Westminster em 15 de janeiro de 2011, em Londres. Sua ordenação marca a inauguração do Ordinariato Anglicano. (Foto: Carl de Souza)2011 AFP O Papa Bento XVI encontra-se com o ex-presidente cubano Fidel Castro na Embaixada da Santa Sé em 29 de março de 2012, em Havana, Cuba. (Foto: L’Osservatore Romano / Pool)2012 Getty Images Papa Emérito (2005-2022) O helicóptero do Papa Bento XVI sobrevoa a Basílica de São Pedro em 28 de fevereiro de 2013, no dia de sua renúncia. (Foto: Alberto Pizzoli)2013 AFP O Papa Francisco recebe Bento XVI de volta ao Vaticano em 2 de maio de 2013, na residência criada para a aposentadoria de Bento XVI. ANSA O Papa emérito Bento XVI celebra seu 90º aniversário (16 de abril) com delegados bávaros na Cidade do Vaticano em 17 de abril de 2017. Também estavam presentes o monsenhor Georg Ratzinger, irmão de Bento XVI, de 93 anos, e o arcebispo George Gänswein. O Papa Emérito Bento XVI está sentado em uma cadeira de rodas no aeroporto de Munique, na Alemanha, onde visitava seu irmão doente, antes de retornar a Roma em 22 de junho de 2020. (Foto: Sven Hoppe) “Desde a minha infância”, disse Bento XVI, “fiquei muito impressionado com a história de que um urso havia atacado e matado o cavalo no santo que estava atravessando os Alpes. Corbiniano repreendeu severamente o urso e ele o puniu carregando-o com toda a sua bagagem e fazendo-o carregá-la até Roma. Assim, o urso, carregando a bagagem do santo, teve que ir a Roma. E só lá foi permitido pelo santo que ele fosse livre.” (Foto: Tiziana Fabi) #BentoXVI #PapaBentoXVI
- Bento XVI morre aos 95 anos
Com a morte do Papa Emérito, a Igreja Católica perde uma das maiores mentes em seus 2.000 anos de história. Bento XVI deixa legado de textos teológicos que ainda serão estudados pelas gerações. O porta-voz da Santa Sé, Matteo Bruni, divulgou a seguinte declaração: “É com tristeza que informo que o Papa Emérito Bento XVI faleceu hoje às 9h34 no mosteiro Mater Ecclesiae no Vaticano. Mais informações serão fornecidas o mais breve possível.” Por Agências/InfoCatólica – Em 19 de abril de 2005, o cardeal Joseph Aloisius Ratzinger foi proclamado o 265º papa da história da Igreja Católica, escolhendo o nome de Bento XVI. Um pontificado que se concluiu com sua renúncia, que entrou em vigor em 28 de fevereiro de 2013, tornando-se papa emérito desde então. A sua eleição ocorreu no segundo dia do conclave, após a quarta votação, depois de ter conduzido o dia a dia durante a vaga de decano do colégio cardinalício. Em suas primeiras palavras na sacada da basílica vaticana, ele se apresentou como “um simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor”. “Me consola o fato de que o Senhor sabe trabalhar e agir mesmo com instrumentos insuficientes e, acima de tudo, confio em suas orações”, disse ele. “O Senhor nos ajudará e Maria Santíssima Mãe está do nosso lado”, exclamou ele diante de uma Praça de São Pedro lotada no dia de sua eleição. O Papa Bento XVI continuou no caminho do seu antecessor, visitando 24 países em quatro continentes em 100 dias, dos 2.800 durante o seu pontificado, sendo a Ásia o único continente que não visitou. Publicou as encíclicas Caritas in veritate, Spe salvi e Deus caritas est. Em uma decisão surpreendente e histórica, Bento XVI anunciou em 11 de fevereiro de 2013 sua renúncia ao pontificado. Na ocasião disse que devido à sua idade avançada (estava prestes a completar 86 anos) já não tinha forças para exercer adequadamente o ministério petrino. Além disso, especificou que, desde 28 de fevereiro de 2013 do mesmo ano, a partir das 8h00 (hora local), o cargo de Pedro estava vago. Precisamente no dia de sua renúncia, ocorreu um fato que muitos consideraram altamente significativo. O fotógrafo Alessandro Di Meo, da agência ANSA, registrou um raio que atingiu a cúpula da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Ele explicou o que aconteceu assim: “A câmera estava apoiada em uma cerca, não em um tripé. O tempo de exposição foi de 8 segundos, com diafragma 9 e sensibilidade de 50 ISO. A lente grande angular me permitiu encaixar toda a igreja no quadro.” A imagem foi compartilhada milhares de vezes nas redes sociais e publicada em jornais e televisões de todo o mundo. Leia também Papa Bento XVI nos ensina os 10 Erros da Teologia da Libertação Biografia até ser eleito Papa Joseph Ratzinger nasceu em 16 de abril de 1927 em Marktl (Baviera), diocese de Passau, em uma família de agricultores alemães com profundas convicções católicas. Seu pai, Joseph, também ocupou o cargo de comissário da gendarmaria e também serviu como professor de seu filho, o que certamente marcou o caráter tímido e retraído do futuro Papa. Na família, foi fundamental o papel da mãe, Maria Peintner, que realizava os afazeres domésticos e cuidava do bom andamento dos outros dois filhos, Georg e Maria. Estudou filosofia e teologia no Munich Athenaeum e na Freising High School, até ser ordenado sacerdote em junho de 1951. Os dois anos seguintes seriam ocupados na preparação de sua tese de doutorado, um ensaio sobre Santo Agostinho qualificado com cum laude. Em 1957 iniciou sua caminhada como professor de teologia dogmática no seminário de Freising, até que dois anos depois foi nomeado professor da Universidade de Bonn (1959-1963). Em 24 de março de 1977, Paulo VI o nomeou arcebispo de München und Freising. Em 28 de maio do mesmo ano recebeu a consagração episcopal. Ele foi o primeiro sacerdote diocesano depois de 80 anos a assumir o governo pastoral da grande diocese bávara. Criado cardeal pelo Papa Paulo VI em 1977, foi relator da V Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos (1980) sobre o tema: “Os deveres da família cristã no mundo contemporâneo” e presidente delegado da VI Assembleia do Sínodo (1983) sobre «Reconciliação e penitência na missão da Igreja». Em 25 de novembro de 1981, foi nomeado por São João Paulo II prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé; Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Pontifícia Comissão Teológica Internacional. Desde então, e até à sua eleição como Papa, foi o braço direito do Papa polaco em tudo o que tinha a ver com a doutrina católica. Leia também Papa Bento XVI diz que aborto e casamento gay são obra do anticristo Último aniversário de Ratzinger No último sábado santo, 16 de abril, o Papa Emérito completou 95 anos. Recentemente, o arcebispo Georg Gänswein, secretário particular de Bento XVI, afirmou que “o Papa emérito está de bom humor, é claro que fisicamente ele é relativamente fraco e frágil, mas bastante lúcido”. Em relação ao aniversário de Bento XVI, seu secretário disse que “95 anos é uma idade importante”. Não haverá festa, diz o arcebispo Gänswein, porque o Sábado Santo é “o dia que expressa o descanso sepulcral de Cristo”. Também para o Domingo de Páscoa, é claro, acrescenta, “haverá uma celebração litúrgica. Então, durante a Semana Santa, delegações menores e algumas pessoas virão para oferecer seus bons votos”. O arcebispo Gänswein recorda a visita do Papa Francisco ao Mosteiro Mater Ecclesiae, nos Jardins do Vaticano, para felicitações em 13 de abril, uma visita antecipada, já que o Sábado Santo é “um dia muito intenso para Francisco”. Em geral, a rotina diária no Mosteiro Mater Ecclesiae, explica o Arcebispo Gänswein, “não mudou desde que o Papa é emérito. Começa sempre com a parte mais importante do dia, logo pela manhã, nomeadamente a Santa Missa e as orações do Breviário. Depois disso, é hora de tomar café da manhã e fazer uma pausa. Bento XVI dedica-se depois à correspondência e às leituras matinais. De vez em quando há espaço para música, até à hora do almoço.” Mais uma vez, à tarde, um horário para uma pequena pausa e de vez em quando para receber as pessoas para visitar. Tudo depende, conclui Mons. Gänswein, de como o Papa Emérito se sente. À tarde, há “uma curta caminhada pelos Jardins do Vaticano com a recitação do Rosário, mas sentado”. O dia termina depois do jantar com as notícias em italiano e com a “oração da noite”. Agora, Bento XVI continuará a apoiar do Céu a Igreja, à qual deu a vida até ao último momento. A gratidão que todos os católicos devem a Ratzinger por sua doutrina clara e sua grande contribuição teológica é total. A Igreja tem agora outro grande intercessor a quem recorrer em busca de favores e intenções. Requiem aeternam dona eis Domine. Et lux perpetua luceat eis. Requiescant no ritmo. + Leia também Papa Emérito Bento XVI: Uma Vida em Imagens #BentoXVI #PapaBentoXVI
- Bento XVI morre aos 95 anos
Com a morte do Papa Emérito, a Igreja Católica perde uma das maiores mentes em seus 2.000 anos de história. Bento XVI deixa legado de textos teológicos que ainda serão estudados pelas gerações. O porta-voz da Santa Sé, Matteo Bruni, divulgou a seguinte declaração: “É com tristeza que informo que o Papa Emérito Bento XVI faleceu hoje às 9h34 no mosteiro Mater Ecclesiae no Vaticano. Mais informações serão fornecidas o mais breve possível.” Por Agências/InfoCatólica – Em 19 de abril de 2005, o cardeal Joseph Aloisius Ratzinger foi proclamado o 265º papa da história da Igreja Católica, escolhendo o nome de Bento XVI. Um pontificado que se concluiu com sua renúncia, que entrou em vigor em 28 de fevereiro de 2013, tornando-se papa emérito desde então. A sua eleição ocorreu no segundo dia do conclave, após a quarta votação, depois de ter conduzido o dia a dia durante a vaga de decano do colégio cardinalício. Em suas primeiras palavras na sacada da basílica vaticana, ele se apresentou como “um simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor”. “Me consola o fato de que o Senhor sabe trabalhar e agir mesmo com instrumentos insuficientes e, acima de tudo, confio em suas orações”, disse ele. “O Senhor nos ajudará e Maria Santíssima Mãe está do nosso lado”, exclamou ele diante de uma Praça de São Pedro lotada no dia de sua eleição. O Papa Bento XVI continuou no caminho do seu antecessor, visitando 24 países em quatro continentes em 100 dias, dos 2.800 durante o seu pontificado, sendo a Ásia o único continente que não visitou. Publicou as encíclicas Caritas in veritate, Spe salvi e Deus caritas est. Em uma decisão surpreendente e histórica, Bento XVI anunciou em 11 de fevereiro de 2013 sua renúncia ao pontificado. Na ocasião disse que devido à sua idade avançada (estava prestes a completar 86 anos) já não tinha forças para exercer adequadamente o ministério petrino. Além disso, especificou que, desde 28 de fevereiro de 2013 do mesmo ano, a partir das 8h00 (hora local), o cargo de Pedro estava vago. Precisamente no dia de sua renúncia, ocorreu um fato que muitos consideraram altamente significativo. O fotógrafo Alessandro Di Meo, da agência ANSA, registrou um raio que atingiu a cúpula da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Ele explicou o que aconteceu assim: “A câmera estava apoiada em uma cerca, não em um tripé. O tempo de exposição foi de 8 segundos, com diafragma 9 e sensibilidade de 50 ISO. A lente grande angular me permitiu encaixar toda a igreja no quadro.” A imagem foi compartilhada milhares de vezes nas redes sociais e publicada em jornais e televisões de todo o mundo. Leia também Papa Bento XVI nos ensina os 10 Erros da Teologia da Libertação Biografia até ser eleito Papa Joseph Ratzinger nasceu em 16 de abril de 1927 em Marktl (Baviera), diocese de Passau, em uma família de agricultores alemães com profundas convicções católicas. Seu pai, Joseph, também ocupou o cargo de comissário da gendarmaria e também serviu como professor de seu filho, o que certamente marcou o caráter tímido e retraído do futuro Papa. Na família, foi fundamental o papel da mãe, Maria Peintner, que realizava os afazeres domésticos e cuidava do bom andamento dos outros dois filhos, Georg e Maria. Estudou filosofia e teologia no Munich Athenaeum e na Freising High School, até ser ordenado sacerdote em junho de 1951. Os dois anos seguintes seriam ocupados na preparação de sua tese de doutorado, um ensaio sobre Santo Agostinho qualificado com cum laude. Em 1957 iniciou sua caminhada como professor de teologia dogmática no seminário de Freising, até que dois anos depois foi nomeado professor da Universidade de Bonn (1959-1963). Em 24 de março de 1977, Paulo VI o nomeou arcebispo de München und Freising. Em 28 de maio do mesmo ano recebeu a consagração episcopal. Ele foi o primeiro sacerdote diocesano depois de 80 anos a assumir o governo pastoral da grande diocese bávara. Criado cardeal pelo Papa Paulo VI em 1977, foi relator da V Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos (1980) sobre o tema: “Os deveres da família cristã no mundo contemporâneo” e presidente delegado da VI Assembleia do Sínodo (1983) sobre «Reconciliação e penitência na missão da Igreja». Em 25 de novembro de 1981, foi nomeado por São João Paulo II prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé; Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Pontifícia Comissão Teológica Internacional. Desde então, e até à sua eleição como Papa, foi o braço direito do Papa polaco em tudo o que tinha a ver com a doutrina católica. Leia também Papa Bento XVI diz que aborto e casamento gay são obra do anticristo Último aniversário de Ratzinger No último sábado santo, 16 de abril, o Papa Emérito completou 95 anos. Recentemente, o arcebispo Georg Gänswein, secretário particular de Bento XVI, afirmou que “o Papa emérito está de bom humor, é claro que fisicamente ele é relativamente fraco e frágil, mas bastante lúcido”. Em relação ao aniversário de Bento XVI, seu secretário disse que “95 anos é uma idade importante”. Não haverá festa, diz o arcebispo Gänswein, porque o Sábado Santo é “o dia que expressa o descanso sepulcral de Cristo”. Também para o Domingo de Páscoa, é claro, acrescenta, “haverá uma celebração litúrgica. Então, durante a Semana Santa, delegações menores e algumas pessoas virão para oferecer seus bons votos”. O arcebispo Gänswein recorda a visita do Papa Francisco ao Mosteiro Mater Ecclesiae, nos Jardins do Vaticano, para felicitações em 13 de abril, uma visita antecipada, já que o Sábado Santo é “um dia muito intenso para Francisco”. Em geral, a rotina diária no Mosteiro Mater Ecclesiae, explica o Arcebispo Gänswein, “não mudou desde que o Papa é emérito. Começa sempre com a parte mais importante do dia, logo pela manhã, nomeadamente a Santa Missa e as orações do Breviário. Depois disso, é hora de tomar café da manhã e fazer uma pausa. Bento XVI dedica-se depois à correspondência e às leituras matinais. De vez em quando há espaço para música, até à hora do almoço.” Mais uma vez, à tarde, um horário para uma pequena pausa e de vez em quando para receber as pessoas para visitar. Tudo depende, conclui Mons. Gänswein, de como o Papa Emérito se sente. À tarde, há “uma curta caminhada pelos Jardins do Vaticano com a recitação do Rosário, mas sentado”. O dia termina depois do jantar com as notícias em italiano e com a “oração da noite”. Agora, Bento XVI continuará a apoiar do Céu a Igreja, à qual deu a vida até ao último momento. A gratidão que todos os católicos devem a Ratzinger por sua doutrina clara e sua grande contribuição teológica é total. A Igreja tem agora outro grande intercessor a quem recorrer em busca de favores e intenções. Requiem aeternam dona eis Domine. Et lux perpetua luceat eis. Requiescant no ritmo. + Leia também Papa Emérito Bento XVI: Uma Vida em Imagens #BentoXVI #PapaBentoXVI
- Exorcista adverte: Superstições de fim de ano são ‘adultério espiritual’
Pular ondas no mar, vestir roupa branca, comer uvas ou lentilhas para dar sorte, buscar previsões de astrólogos, lendo mãos ou os búzios. Muita gente começa o ano assim. Longe de serem hábitos inocentes, supertisções como essas são “pecado contra a virtude da religião”, diz o padre Duarte Lara, exorcista da diocese de Lamego, em Portugal. “O pecado de superstição é uma espécie de adultério espiritual”, diz. “O mal é esperar a salvação de uma força que não vem de Deus”, ensina o padre. “O demônio aproveita a brecha”. Há maneiras católicas de se passar a virada do ano, lembra Duarte Lara. “A Igreja dá indulgência plenária a todo fiel que no último dia do ano reza o Te Deum”. “Isso é uma coisa muito boa que podemos fazer na passagem do ano, terminar o ano agradecendo a Deus”. “Na nossa cultura, a superstição tem uma conotação menos pesada do que ela é do ponto de vista teológico. Para muitos, superstição é até uma bobagem, algo que não tem muito sentido e que fazemos para dar sorte”, disse o padre em entrevista à ACI Digital. Mas, “do ponto de vista teológico”, disse, “superstição é um vício, portanto o oposto a uma virtude, e vai contra a virtude moral da religião”. Segundo Duarte Lara, a virtude moral da religião “é uma disposição da nossa vontade para dar a Deus o culto que lhe é devido”. “Há fundamentalmente dois grandes vícios que se opõem à virtude da religião”, a irreligião e a superstição, diz padre Duarte Lara. “A irreligião é não tratar como sagrado aquilo que é sagrado”, isto é, “não tratar com a devida veneração as coisas sagradas”, os lugares sagrados, os dias sagrados, a Bíblia. A superstição “é divinizar criaturas ou alguma coisa criada – fonte de conhecimento etc. –, que não são Deus. Tem a ver com prestar um culto que é devido a Deus a alguma coisa que não é Deus. Isso é pecado”, disse. Segundo o exorcista, “a superstição se divide em três grandes formas”: idolatria, adivinhação e magia. A idolatria é “quando divinizo alguma coisa que não é Deus. Hoje em dia, começa a crescer a tendência de idolatria com coisas humanas, do trabalho, da saúde, do sucesso, do dinheiro. Às vezes, há pessoas que fazem disso o seu deus”, lamentou. A adivinhação “é quando divinizo uma fonte de conhecimento que não vem de Deus”. Assim, em vez de pedir a Deus, rezar, estudar a Palavra de Deus “para ser iluminada”, a pessoa faz “outra coisa para ser iluminada por uma luz que não vem de Deus. Problema!” Segundo o sacerdote, “na nossa sociedade tem mil e uma formas de adivinhação”, como invocação dos mortos, observação dos astros, leitura da palma da mão e várias outras. Padre Duarte Lara disse que, quando se recorre à adivinhação, espera-se que “aquela pessoa, não qualquer pessoa, por alguma inspiração, consegue prever o futuro”. “Isso implica em pôr a minha confiança nesta fonte de iluminação, o que é uma coisa impossível, mesmo sendo o demônio. Ele não conhece o futuro. O demônio consegue prever algumas coisas sim, como nós conseguimos prever se amanhã vai chover. O demônio consegue isso um pouco melhor, ou seja, consegue conjugar as causas presentes e ver a sua dinâmica natural e, portanto, traz cenários prováveis. O demônio também consegue prever coisas que ele próprio consegue causar. Ou seja, olha na palma da mão e diz ‘você vai ter um problema de saúde na próxima quinta-feira’ e, às vezes, é o próprio que consegue causar esse problema de saúde. Aí, também não é um grande adivinho, é uma espécie de truque”, explica. Sobre a magia, padre Duarte Lara afirmou que “é a mesma lógica da adivinhação”, isto é, “recorrer a alguma força criada para obter determinado efeito”. “Estou recorrendo a uma força que não é Deus e pedindo ajuda, basicamente, para o bem ou para o mal, e nesse último caso é claramente mais pecado. A magia negra, além de ser pecado contra a virtude da religião, ainda é contrária à caridade e à justiça”, afirmou. O sacerdote, então, questionou o que leva uma pessoa a praticar uma superstição. Segundo ele, “há quem acredita mesmo”, pessoas que já fizeram em anos anteriores a acham que aquilo lhes deu sorte, são “os convictos”. Por outro lado, há pessoas que praticam como “certa brincadeira” e pensam que “se calhar, até dá sorte”. “As pessoas olham para o rito, o ato e parece bastante inócuo… isso não faz mal a nada. O que perco? Não perco nada, melhor arriscar”. Segundo padre Lara, “isso já é pecaminoso, é uma imprudência, significa que não tem claro em seu coração ‘dar a Deus o que é de Deus’”. Além disso, “há a questão do escândalo, porque estou incentivando os outros pelo meu comportamento”. O padre disse ainda que algumas pessoas “são até contra”, mas fazem determinada superstição de fim de ano “porque estão com os amigos e não querem ser os únicos a não fazer”. “Aí entra a virtude da fortaleza, é também um ato de covardia”, afirmou. Segundo, padre Duarte Lara a “superstição é uma espécie de vírus”. “Quem come as uvas, pula as ondas, também lê o horóscopo… é todo um pacote, ou seja, sua disposição moral é de uma abertura a essas forças que se manifestam de muitas maneiras, não só no final do ano. Isso mostra uma fé fraca e pouco conhecimento da Palavra de Deus”. O sacerdote alertou que, “quando deixo de pôr minha esperança de salvação em Deus e estou colocando em outra força sobrenatural, isso é perigoso e o demônio aproveita essa minha abertura”. Citou como exemplo o caso de uma jovem que se dizia católica, mas pouco praticante. Quando o pai dela morreu, ela procurou adivinhos para saber se ele estava bem. “Esse tipo de curiosidade abre a porta. Foi uma fase da vida dela em que foi se envolvendo cada vez mais com o oculto, primeiro com uma coisa que parecia boa. Foi se envolvendo e depois foi preciso o exorcismo”, contou. Padre Duarte Lara afirmou que, nesta época da virada de ano, “as pessoas normalmente desejam às outras aquilo que consideram necessário para a felicidade”, como saúde, paz, amor, presença da família, dos amigos. “Isso manifesta o que trazemos no coração, qual ideia temos de felicidade”, disse. Segundo ele, “são coisas muito boas”, mas não “o mais importante”. “Jesus ensinou que a coisa mais importante na nossa vida nessa terra é nossa comunhão com Deus, é viver na graça de Deus, é ser amigo de Deus”, disse. “Então, qual é a maneira católica de passar o ano? Querido irmão, um 2022 cheio da Palavra e do amor de Deus”, afirmou e acrescentou “um ano cheio de missas, boas comunhões, boas confissões… tudo o que alimenta a nossa comunhão com Deus”. #AnoNovo #FimdeAno #PadreDuarteLara #Superstição
- Exorcista adverte: Superstições de fim de ano são ‘adultério espiritual’
Pular ondas no mar, vestir roupa branca, comer uvas ou lentilhas para dar sorte, buscar previsões de astrólogos, lendo mãos ou os búzios. Muita gente começa o ano assim. Longe de serem hábitos inocentes, supertisções como essas são “pecado contra a virtude da religião”, diz o padre Duarte Lara, exorcista da diocese de Lamego, em Portugal. “O pecado de superstição é uma espécie de adultério espiritual”, diz. “O mal é esperar a salvação de uma força que não vem de Deus”, ensina o padre. “O demônio aproveita a brecha”. Há maneiras católicas de se passar a virada do ano, lembra Duarte Lara. “A Igreja dá indulgência plenária a todo fiel que no último dia do ano reza o Te Deum”. “Isso é uma coisa muito boa que podemos fazer na passagem do ano, terminar o ano agradecendo a Deus”. “Na nossa cultura, a superstição tem uma conotação menos pesada do que ela é do ponto de vista teológico. Para muitos, superstição é até uma bobagem, algo que não tem muito sentido e que fazemos para dar sorte”, disse o padre em entrevista à ACI Digital. Mas, “do ponto de vista teológico”, disse, “superstição é um vício, portanto o oposto a uma virtude, e vai contra a virtude moral da religião”. Segundo Duarte Lara, a virtude moral da religião “é uma disposição da nossa vontade para dar a Deus o culto que lhe é devido”. “Há fundamentalmente dois grandes vícios que se opõem à virtude da religião”, a irreligião e a superstição, diz padre Duarte Lara. “A irreligião é não tratar como sagrado aquilo que é sagrado”, isto é, “não tratar com a devida veneração as coisas sagradas”, os lugares sagrados, os dias sagrados, a Bíblia. A superstição “é divinizar criaturas ou alguma coisa criada – fonte de conhecimento etc. –, que não são Deus. Tem a ver com prestar um culto que é devido a Deus a alguma coisa que não é Deus. Isso é pecado”, disse. Segundo o exorcista, “a superstição se divide em três grandes formas”: idolatria, adivinhação e magia. A idolatria é “quando divinizo alguma coisa que não é Deus. Hoje em dia, começa a crescer a tendência de idolatria com coisas humanas, do trabalho, da saúde, do sucesso, do dinheiro. Às vezes, há pessoas que fazem disso o seu deus”, lamentou. A adivinhação “é quando divinizo uma fonte de conhecimento que não vem de Deus”. Assim, em vez de pedir a Deus, rezar, estudar a Palavra de Deus “para ser iluminada”, a pessoa faz “outra coisa para ser iluminada por uma luz que não vem de Deus. Problema!” Segundo o sacerdote, “na nossa sociedade tem mil e uma formas de adivinhação”, como invocação dos mortos, observação dos astros, leitura da palma da mão e várias outras. Padre Duarte Lara disse que, quando se recorre à adivinhação, espera-se que “aquela pessoa, não qualquer pessoa, por alguma inspiração, consegue prever o futuro”. “Isso implica em pôr a minha confiança nesta fonte de iluminação, o que é uma coisa impossível, mesmo sendo o demônio. Ele não conhece o futuro. O demônio consegue prever algumas coisas sim, como nós conseguimos prever se amanhã vai chover. O demônio consegue isso um pouco melhor, ou seja, consegue conjugar as causas presentes e ver a sua dinâmica natural e, portanto, traz cenários prováveis. O demônio também consegue prever coisas que ele próprio consegue causar. Ou seja, olha na palma da mão e diz ‘você vai ter um problema de saúde na próxima quinta-feira’ e, às vezes, é o próprio que consegue causar esse problema de saúde. Aí, também não é um grande adivinho, é uma espécie de truque”, explica. Sobre a magia, padre Duarte Lara afirmou que “é a mesma lógica da adivinhação”, isto é, “recorrer a alguma força criada para obter determinado efeito”. “Estou recorrendo a uma força que não é Deus e pedindo ajuda, basicamente, para o bem ou para o mal, e nesse último caso é claramente mais pecado. A magia negra, além de ser pecado contra a virtude da religião, ainda é contrária à caridade e à justiça”, afirmou. O sacerdote, então, questionou o que leva uma pessoa a praticar uma superstição. Segundo ele, “há quem acredita mesmo”, pessoas que já fizeram em anos anteriores a acham que aquilo lhes deu sorte, são “os convictos”. Por outro lado, há pessoas que praticam como “certa brincadeira” e pensam que “se calhar, até dá sorte”. “As pessoas olham para o rito, o ato e parece bastante inócuo… isso não faz mal a nada. O que perco? Não perco nada, melhor arriscar”. Segundo padre Lara, “isso já é pecaminoso, é uma imprudência, significa que não tem claro em seu coração ‘dar a Deus o que é de Deus’”. Além disso, “há a questão do escândalo, porque estou incentivando os outros pelo meu comportamento”. O padre disse ainda que algumas pessoas “são até contra”, mas fazem determinada superstição de fim de ano “porque estão com os amigos e não querem ser os únicos a não fazer”. “Aí entra a virtude da fortaleza, é também um ato de covardia”, afirmou. Segundo, padre Duarte Lara a “superstição é uma espécie de vírus”. “Quem come as uvas, pula as ondas, também lê o horóscopo… é todo um pacote, ou seja, sua disposição moral é de uma abertura a essas forças que se manifestam de muitas maneiras, não só no final do ano. Isso mostra uma fé fraca e pouco conhecimento da Palavra de Deus”. O sacerdote alertou que, “quando deixo de pôr minha esperança de salvação em Deus e estou colocando em outra força sobrenatural, isso é perigoso e o demônio aproveita essa minha abertura”. Citou como exemplo o caso de uma jovem que se dizia católica, mas pouco praticante. Quando o pai dela morreu, ela procurou adivinhos para saber se ele estava bem. “Esse tipo de curiosidade abre a porta. Foi uma fase da vida dela em que foi se envolvendo cada vez mais com o oculto, primeiro com uma coisa que parecia boa. Foi se envolvendo e depois foi preciso o exorcismo”, contou. Padre Duarte Lara afirmou que, nesta época da virada de ano, “as pessoas normalmente desejam às outras aquilo que consideram necessário para a felicidade”, como saúde, paz, amor, presença da família, dos amigos. “Isso manifesta o que trazemos no coração, qual ideia temos de felicidade”, disse. Segundo ele, “são coisas muito boas”, mas não “o mais importante”. “Jesus ensinou que a coisa mais importante na nossa vida nessa terra é nossa comunhão com Deus, é viver na graça de Deus, é ser amigo de Deus”, disse. “Então, qual é a maneira católica de passar o ano? Querido irmão, um 2022 cheio da Palavra e do amor de Deus”, afirmou e acrescentou “um ano cheio de missas, boas comunhões, boas confissões… tudo o que alimenta a nossa comunhão com Deus”. #AnoNovo #FimdeAno #PadreDuarteLara #Superstição
- São Tomás Becket, mártir e padroeiro do clero secular – 29 de Dezembro
SANTO DO DIA – 29 DE DEZEMBRO – SÃO TOMÁS BECKET Bispo e mártir (1118-1170) Tomás parecia predestinado desde jovem a uma brilhante carreira civil e eclesiástica. Nascido em Londres, de pais normandos, recebeu a primeira instrução na abadia de Merton. A seguir, mandado a Paris e à Bolonha por Teobaldo, arcebispo de Cantuária, foi por este nomeado, na sua volta, arcediago de Cantuária. Também o rei Henrique II se lembrou dos dotes especiais do diácono Tomás e o designou chanceler do reino. Uma escolha acertada. Tomás possuía ambição e audácia e, quando era o caso, não hesitava em colocar-se ao lado do amigo soberano nas frequentes batalhas e sobretudo nos movimentados jogos de sociedade. Homem do mundo, mais que homem da Igreja. Mas quando o rei o propôs ao papa como sucessor do arcebispo Teobaldo, convencido de ter nele um bom aliado, ocorreu em Tomás uma radical mudança. O arcediago ‘labioso’ transformou-se em um zeloso pastor de almas. Havia advertido o rei: ‘Senhor, se Deus permitir que eu me torne arcebispo da Cantuária, perderei a amizade de vossa majestade’. E assim sucedeu. Ordenado sacerdote em 3 de junho de 1162 e consagrado bispo no dia seguinte, Tomás não tardou em pôr-se em choque com o soberano, quando recusou reconhecer as constituições de Clarendon de 1164, que retomavam certos privilégios ilícitos do rei sobre a Igreja. Para subtrair-se à vingança do rei, Tomás embarcou para a França e durante seis anos levou vida ascética em um mosteiro cisterciense. O papa Alexandre III, com o qual Tomás se encontrou, aconselhou-o à moderação. Feita a paz com o soberano, o arcebispo pôde voltar a sua sede episcopal, acolhido em triunfo pelos fiéis. Mas Tomás não se iludia com a boa vontade do rei e o disse de forma clara a sua gente: ‘Voltei para morrer no meio de vós’. Foi realmente morto em sua catedral por sicários do rei. O arcebispo havia sido advertido do perigo iminente, mas ficou em seu posto: ‘O medo da morte não nos deve fazer perder de vista a justiça’. Tinha de fato deposto os bispos que haviam aceitado e subscrito as constituições de Clarendon. Acolheu os sicários do rei vestido dos paramentos sagrados e se deixou apunhalar, murmurando: ‘Aceito a morte em nome de Jesus e pela Igreja’. Toda a Inglaterra o proclamou mártir, e três anos depois Alexandre III confirmou o título canonizando-o. Do livro: ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. No dia de hoje, há 850 anos, era martirizado o grande arcebispo S. Tomás Becket. Becket fora um rapaz extraordinário, de grande virtude e inteligência. Desde a tenra infância foi educado como bom católico. Era, já em menino, de uma pureza extrema e de inteligência e talento extraordinários. O então arcebispo de Cantuária, Teobaldo, viu os potenciais do menino e o estimulou a dedicar-se aos estudos. Becket estudou filosofia, teologia, direito, e todo esse talento acabou chegando aos ouvidos do rei, Henrique II, que o nomeou chanceler (isto é, o braço direito do rei no governo da Inglaterra), embora Becket fosse apenas diácono com o título de arcediago. Becket, assim, começou a participar da vida da corte, mantendo-se contudo na prática das virtudes, que tantos obstáculos encontram em ambientes ligados a interesses de poder, rodeados de glórias, honrarias, faustos e externalidades. Acontece, porém, que veio a falecer o arcebispo da Cantuária, e o rei Henrique II, propôs o nome de Tomás para o cargo de arcebispo. Becket não hesitou e disse ao monarca: “Senhor rei, até agora, nos negócios de Estado, nós agimos em plena comunhão” — a ponto de o povo dizer que o rei e o seu chanceler eram um só coração e uma só mente —, “mas se vós me nomeardes arcebispo, vosso amor logo se transformará em ódio”. O santo estava alertando que, uma vez no cargo de arcebispo, seria responsável por defender os direitos da Igreja, direitos que eram muitas vezes pisados por Henrique II. O rei fez pouco caso, e Tomás Becket foi sagrado arcebispo de Cantuária, primaz da Inglaterra, sucessor do grande S. Anselmo, e assim começou uma vida de grande ascese. Externamente, ele usava todas as vestes episcopais suntuosas, como convém à dignidade do cargo; mas, interiormente, andava de cilício, levava uma vida austera e de penitência. Ele também começou a lutar pelos direitos da Igreja, a ajudar os pobres, a fazer a Igreja progredir no seu caminho de evangelização, o que foi acendendo a ira do rei. A perseguição do monarca, que até então fora amigo do novo arcebispo, tornou-se tão aguda que Becket teve de fugir para a França, onde ficou exilado por seis anos. Por isso, Henrique II entrou em conflito com o rei da França e até mesmo com o papa, insistindo em que deveriam destituir aquele arcebispo. Tomás Becket, no entanto, continuou em sua posição. Depois de longas tratativas, confusões e conversas, resolveu-se que Tomás Becket poderia enfim voltar para a Inglaterra a fim de cumprir sua missão de arcebispo. De volta porém à Inglaterra, encontrou o rei ainda indisposto, persistente em seu mal-querer, num clima que era tudo menos agradável. Certa feita, durante um banquete, o rei, talvez já meio embriagado, desabafou aos comensais, dizendo: “Como é possível que sejais meus cortesãos e não me livreis desse padre importuno?” Ora, quatro membros da corte viram nas palavras do rei um “pedido” e resolveram matar S. Tomás Becket. No dia 29 de dezembro, 850 anos atrás, entraram na catedral, e Becket foi gloriosamente martirizado, atestando sua fidelidade ao rei nos seguintes termos: “Sou arcebispo, não um traidor”, ao mesmo tempo que rezava por seus algozes e entregava a própria alma por amor a Jesus Cristo. O mártir foi logo aclamado pelo povo inglês e pela Igreja no mundo inteiro. Sim, trata-se de um mártir maravilhoso, cheio de amor a Cristo, fidelíssimo à Igreja, que começou a operar milagres, o primeiro dos quais foi a conversão do mesmo rei, Henrique II, que, vestido de penitente, se flagelou em público, pediu perdão por aquela morte, de algum modo causada por ele. Mais tarde, o santuário em que foram depostas as relíquias de S. Tomás Becket tornou-se objeto de peregrinação da Europa inteira. Milagres e grandes curas aconteceram, curas que vêm de um coração de verdadeiro arcebispo, que soube defender os direitos da Igreja contra os poderes mundanos que pretendiam escravizá-la. Conheã mais sobre São Thomas Becket – O Arcebispo mártir de Canterbury A verdade é invencível porque sua força provém do próprio Deus. Por mais que ela sofra aparentes derrotas, sempre acaba por triunfar. Non licet tibi” – “Não te é lícito” (Mc 6, 18). As graves palavras do Precursor ressoavam nos ouvidos de Herodes Antipas, lembrando- lhe quanto desagradava ao Céu sua incestuosa união com Herodíades, a esposa de seu irmão Filipe. E quando, a instâncias de Salomé, os lábios de São João Batista foram para sempre calados pela espada do verdugo, dir-se-ia que essas recriminações haveriam de cessar definitivamente. Entretanto, não foi assim: o rei criminoso viveria até o fim de seus dias atormentado pela lembrança do profeta que continuava a interpelá-lo: “Non licet tibi”! Há nesta passagem evangélica um exemplo paradigmático da luta entre o bem e o mal na face da Terra. De um lado está o rei adúltero, orgulhoso, sensual e egoísta, lutando por satisfazer seus vícios e interesses; de outro, uma alma de inquebrantável retidão, disposta a defender a Lei do Altíssimo, com o preço de seu sangue se preciso fosse. Na aparência, a vitória foi do primeiro; mas, na realidade, nem o cárcere nem o patíbulo conseguiram silenciar a força da verdade proclamada com destemor por quem era justo. Mais de um milênio após esse episódio, tendo a Igreja civilizado as nações e estabelecido sua influência espiritual sobre elas, uma voz serena e firme como a do Precursor fez-se ouvir na Inglaterra, recordando a um rei tirano os limites do poder real: a de São Thomas Becket. O início de uma contenda Era o dia 1º de outubro de 1163. Começava na abadia de Westminster o sínodo convocado pelo rei Henrique II para debater questões concernentes ao governo da Igreja na Inglaterra. O monarca não concordava com o privilegium fori do clero e, ademais, não admitia que súditos seus fossem excomungados sem o consentimento real. Queria, ademais, que fossem restauradas outras prerrogativas desfrutadas por seus antecessores normandos. Todos os Bispos eram unânimes quanto à impossibilidade de ceder a tais pretensões do soberano. Mas quem se levantaria para enfrentá–lo? Cabia ao Arcebispo de Canterbury, Primaz da Inglaterra, a difícil tarefa. Thomas Becket, que ainda havia pouco era Chanceler Real e grande amigo de Henrique II, assumiu o grave encargo. No momento oportuno, levantou-se e explicou ao rei a independência do poder espiritual em relação ao temporal, discorreu sobre o caráter sagrado do sacerdócio e, afinal, alegou os antigos direitos que possuíam os Bispos de julgar e punir os membros do clero. O monarca encolerizou-se. Interrompendo as palavras do prelado, exigiu que todos aceitassem sem condições as propostas por ele feitas. São Thomas Becket respondeu que obedeceriam salvo ordine suo, isto é, na medida em que as regras por ele ditadas fossem lícitas para um clérigo. Ao ouvir isto, o rei se retirou irado, sem dizer sequer uma palavra de despedida. Harmonia entre os dois poderes A contenda entre os Bispos ingleses e seu monarca não resultava excessivamente incomum naqueles conturbados séculos. Os limites da separação dos poderes temporal e espiritual, estabelecida pelo próprio Cristo – “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21) -, não estavam bem definidos ainda, trazendo, como consequência, frequentes e acirrados conflitos. Por ser a Igreja uma sociedade visível, constituída por homens, muitos soberanos da época arrogavam-se o direito de nomear Bispos, legislar sobre a organização interna da Esposa de Cristo, dispor de suas rendas ou governar livremente sobre os membros do clero, obviando a circunstância de serem pessoas sagradas. Ora, é justamente a independência do poder civil que permite à Igreja desempenhar seu labor em favor da sociedade, criando condições que tornam a Terra aprazível e habitável, bem como iluminando o poder temporal – rigorosamente soberano, na sua esfera – com uma luz celeste que o eleva, consolida e nobilita. A Igreja necessita da ação do Estado sobre a sociedade, mas este jamais conseguirá alcançar com plenitude seu objetivo se não estiver em perfeito acordo com aquela. Da harmonia entre os poderes espiritual e temporal resulta que Deus jamais é tão bem servido como quando César se porta como seu filho; e César jamais é tão grande como quando é filho de Deus. Essa era a grande verdade que respaldava a atitude do Arcebispo de Canterbury, e que o orgulhoso rei Henrique não queria admitir. Nove cláusulas inaceitáveis Tomando conhecimento do acontecido em Westminster, o Papa Alexandre III enviou mensageiros a São Thomas Becket, recomendando-lhe que, pela paz da Igreja, procurasse entrar em entendimento com o rei. Mas o monarca, ferido em seu amor-próprio, exigia uma retratação pública perante todos os Bispos e barões do reino. O Palácio de Clarendon, nas proximidades da atual Salisbury, foi o lugar escolhido para tal encontro, que se realizou no dia 13 de janeiro de 1164, em um ambiente de demonstrações de fúria do rei e ameaças dos barões. Desejando o soberano deixar ali bem assentadas as bases de seu domínio sobre a Igreja, mandou redigir uma lista completa das normas cuja imposição ele tinha em mira. Eram as tristemente conhecidas Constituições de Clarendon, compostas por dezesseis cláusulas. Grande choque teve o Arcebispo quando leu o texto. Algumas dessas cláusulas atribuíam ao poder real decisões até então de competência da autoridade eclesiástica, outras atentavam contra a liberdade da Igreja. Assim, por exemplo, os Bispos passavam a depender da aprovação do soberano para sair do reino. Precisavam também de uma autorização de Henrique II para excomungar qualquer alto funcionário ou oficial do rei. Não podiam, nas causas eclesiásticas, apelar ao Papa como última instância. Quando ficava vacante uma sé episcopal ou uma abadia, esta caía em poder do soberano. Ele auferia todos os seus rendimentos e benefícios até tomar posse o novo titular, cuja eleição seria feita na capela real e com o consentimento do rei, ao qual o novo Bispo ou abade devia jurar lealdade como vassalo. O Primaz da Inglaterra não podia de forma alguma aceitar essas constituições que de tal modo subjugavam o poder espiritual ao temporal. Apenas cinco das dezesseis cláusulas, concernentes de fato ao governo civil, eram, de fato aceitáveis, e foram posteriormente admitidas pelo Papa. O julgamento de Northampton O rei, porém, não pensava do mesmo modo. Estava decidido a submeter a Igreja a suas pretensões e, para isso, decretou a ruína de quem com tanta força se opunha a elas. Acusando- o de falsos delitos jurídicos e financeiros, ademais de perjuro por não aceitar as Constituições de Clarendon – que havia prometido aceitar sem conhecer seu conteúdo -, o eclesiástico foi intimado a comparecer diante da corte reunida em Northampton, no mês de outubro de 1164. Ante as inusitadas denúncias, o Arcebispo pediu a Henrique um tempo para aconselhar- se com seus irmãos no episcopado e preparar sua defesa. “Atua sem temor”, disse-lhe seu confessor Robert de Merton, “escolheste servir a Deus no lugar do rei. Continua assim e Deus não te decepcionará”.1 Thomas compreendera a fundo a luta na qual se engajara, e estava disposto a levá-la até o fim. Entretanto, a maioria dos Bispos, temendo perder as boas graças do soberano, insistiam com o Primaz para que cedesse perante o rei e renunciasse a seu cargo. O Arcebispo de Canterbury, entretanto, fazendo valer sua primazia, proibiu os Bispos de tomarem parte no julgamento, caso este chegasse a se realizar, e ordenou que excomungassem qualquer um que usasse de violência com ele. Dirigiu-se então ao castelo real de Northampton, onde, após o Primaz apresentar sua defesa, o rei reuniu o Conselho para decidir sua sorte. Sentado em outro aposento, Thomas Becket aguardava com calma e segurança a sentença. Segundo um conceituado biógrafo, o Arcebispo foi condenado provavelmente à prisão perpétua. “Porém a sentença nunca foi declarada, porque quando uma comissão se apresentou para dar-lhe conhecimento, cada um foi passando para outro a incumbência, ninguém a aceitou”.2 Seis anos de exílio e tratativas Vendo que havia sido decretada sua ruína, São Thomas Becket decidiu fugir do país. Numa noite chuvosa, depois de várias peripécias, cruzou o Canal da Mancha e foi refugiar- se na França, onde o rei Luís VII o acolheu solicitamente. Logo depois se dirigiu para Sens, onde se encontrava temporariamente o Papa Alexandre III. Este o recebeu com total benevolência, aprovou sua conduta e reafirmou a condenação das Constituições de Clarendon. Também lhe concedeu o hábito da Ordem de Cister, que muito almejava, passando o santo Arcebispo a residir na abadia de Pontigny, onde compartilhou a frugal vida dos monges cistercienses e retomou o estudo de teologia, principalmente das Sagradas Escrituras. Enquanto isso, transcorreram quase seis anos de intrincadas atividades diplomáticas e de tentativas de reconciliação, ora promovidas pelo Pontífice, ora pelo rei da França. Chegar a um acordo não era fácil, pois, como escrevia São Thomas ao Papa, se prevalecessem as exigências do monarca inglês, “a autoridade da Sé Apostólica na Inglaterra desapareceria completamente ou seria reduzida a quase nada”.3 Henrique II, por seu lado, reconhecia que, caso continuasse com sua política de oposição à Igreja, teria de sofrer penas canônicas. “Sei que lançarão um interdito sobre meu reino, mas não posso eu, que sou capaz de tomar uma fortaleza por dia, aprisionar um clérigo que ponha em interdito minha terra?”4, inquiriu a um legado papal. O temor a Deus não havia ainda se extinguido por inteiro na alma de Henrique e, finalmente, após inúmeras ameaças da parte do Sumo Pontífice, resolveu fazer um acordo com o Arcebispo. Autorizou-o a voltar para sua Diocese, sem consentir, porém, em dar-lhe o beijo de paz. De volta à Pátria Triunfal foi a acolhida do povo de Canterbury, no dia 2 de dezembro de 1170, a seu saudoso pastor. Ele, entretanto, estava convencido de que a paz não seria duradoura. Como ensina Santo Agostinho, “a paz é a tranquilidade da ordem”.5 Se não prevalecesse a ordem posta pelas leis de Deus e da Igreja, não existiria verdadeira paz. No dia seguinte, três mensageiros chegaram a Canterbury da parte dos Arcebispos Roger, de York, Gilbert, de Londres, e Jocelin, de Salisbury, os quais mandavam pedir a revogação da excomunhão lançada sobre eles, por terem procedido à cerimônia de coroação do filho do rei, contrariando proibição expressa do Arcebispo Primaz e do próprio Vigário de Cristo. Thomas mandou responder-lhes que uma pena imposta pelo Papa só por ele poderia ser abolida. A resposta fez reacender a cólera de Henrique II, já incomodado com a comovida recepção brindada pelo povo a seu legítimo Prelado. A cada dia, acentuava-se na corte o clima de inimizade contra o Arcebispo. Um biógrafo de Thomas Becket afirma que o rei, arrebatado de fúria, excitava seus cortesãos com frases como esta: “Que coleção de ociosos covardes tenho em meu reino, os quais permitem que um clérigo de baixa extração zombe vergonhosamente de mim!”.6 Alguns deles, decidiram ouvi-lo… Na tarde de 29 de dezembro, quatro cavaleiros se apresentaram em Canterbury como vindos “da parte do rei” e foram recebidos pelo Arcebispo num salão contíguo à catedral. Um deles interpelou o eclesiástico em termos agressivos, pela sua recusa em absolver os clérigos e monges excomungados. – A sentença não foi minha, mas do Papa. Que os interessados se dirijam a ele para pedir o perdão – respondeu Thomas. – Digo-te o que o rei disse: foste suficientemente louco para excomungar seus oficiais. A estas palavras, relativas aos anátemas lançados por São Thomas contra os barões que haviam se apropriado das terras da Diocese, o Arcebispo levantou-se, replicando: – Castigarei qualquer um que viole os direitos da Sé Romana ou da Igreja de Cristo. A vitória da verdade Os cavaleiros, furiosos, retiraram-se para pegar as armas, enquanto alguns monges e servidores do destemido Prelado, vendo o grande perigo que ele corria, conseguiram a custo levá-lo para a catedral. Era a hora do cântico das Vésperas e o templo estava cheio. Após o cortejo dos monges e do santo Arcebispo, penetraram furiosos ali os cavaleiros armados e, com as espadas desembainhadas, precipitaram–se sobre este último. – Absolve os Bispos! – gritou um deles. Investiram então, de espada em punho, contra o indefeso ministro de Deus. O primeiro golpe atingiu os ombros de Thomas, e os seguintes feriram-lhe a cabeça. Seu cruciferário, tentando desviar com o braço um dos golpes, recebeu uma forte lesão que lhe rompeu até os ossos. “Estou disposto a morrer por meu Senhor. Que meu sangue salve a liberdade da Igreja e a paz”7, exclamou o mártir, de joelhos. Um novo golpe o prostrou morto por terra, com os braços estendidos, como se estivesse rezando. Estava tudo acabado? Pelo contrário! A força da verdade, que levara João Batista a triunfar sobre Herodes Antipas, uma vez mais seria vitoriosa. O túmulo de Thomas Becket tornou-se centro de peregrinação, e entre os inumeráveis devotos que acorreram à sua sepultura encontrava-se o próprio Henrique II que, depois de ter pedido perdão ao Papa e renunciado às Constituições de Clarendon, se dirigira a Canterbury para pedir clemência ao santo mártir. Invencível é o poder da verdade. O erro e o mal encontram seu dinamismo na natureza humana decaída pelo pecado, aliada ao demônio. A força da verdade, porém, está em algo infinitamente superior: o próprio Deus. Ele jamais nega sua graça àqueles que lutam por seu nome. Assim, por mais que a verdade sofra aparentes derrotas, no fim é sempre vencedora, porque sua fonte é o Deus eterno e imortal. 1 KNOWLES, David. Thomas Becket. Madrid: Rialp, 1980, p.148 2 Idem, p.151. 3 Idem, p.180. 4 Idem, p.184. 5 SANTO AGOSTINHO. A cidade de Deus. L.XIX, c.13. 6 KNOWLES, op.cit., p.205. 7 AUBE, Pierre. Thomas Becket. Madrid: Palabra, 1994, p.334. (Revista Arautos do Evangelho, Dez/2010, n. 108, p. 36 à 39)
- São Tomás Becket, mártir e padroeiro do clero secular – 29 de Dezembro
SANTO DO DIA – 29 DE DEZEMBRO – SÃO TOMÁS BECKET Bispo e mártir (1118-1170) Tomás parecia predestinado desde jovem a uma brilhante carreira civil e eclesiástica. Nascido em Londres, de pais normandos, recebeu a primeira instrução na abadia de Merton. A seguir, mandado a Paris e à Bolonha por Teobaldo, arcebispo de Cantuária, foi por este nomeado, na sua volta, arcediago de Cantuária. Também o rei Henrique II se lembrou dos dotes especiais do diácono Tomás e o designou chanceler do reino. Uma escolha acertada. Tomás possuía ambição e audácia e, quando era o caso, não hesitava em colocar-se ao lado do amigo soberano nas frequentes batalhas e sobretudo nos movimentados jogos de sociedade. Homem do mundo, mais que homem da Igreja. Mas quando o rei o propôs ao papa como sucessor do arcebispo Teobaldo, convencido de ter nele um bom aliado, ocorreu em Tomás uma radical mudança. O arcediago ‘labioso’ transformou-se em um zeloso pastor de almas. Havia advertido o rei: ‘Senhor, se Deus permitir que eu me torne arcebispo da Cantuária, perderei a amizade de vossa majestade’. E assim sucedeu. Ordenado sacerdote em 3 de junho de 1162 e consagrado bispo no dia seguinte, Tomás não tardou em pôr-se em choque com o soberano, quando recusou reconhecer as constituições de Clarendon de 1164, que retomavam certos privilégios ilícitos do rei sobre a Igreja. Para subtrair-se à vingança do rei, Tomás embarcou para a França e durante seis anos levou vida ascética em um mosteiro cisterciense. O papa Alexandre III, com o qual Tomás se encontrou, aconselhou-o à moderação. Feita a paz com o soberano, o arcebispo pôde voltar a sua sede episcopal, acolhido em triunfo pelos fiéis. Mas Tomás não se iludia com a boa vontade do rei e o disse de forma clara a sua gente: ‘Voltei para morrer no meio de vós’. Foi realmente morto em sua catedral por sicários do rei. O arcebispo havia sido advertido do perigo iminente, mas ficou em seu posto: ‘O medo da morte não nos deve fazer perder de vista a justiça’. Tinha de fato deposto os bispos que haviam aceitado e subscrito as constituições de Clarendon. Acolheu os sicários do rei vestido dos paramentos sagrados e se deixou apunhalar, murmurando: ‘Aceito a morte em nome de Jesus e pela Igreja’. Toda a Inglaterra o proclamou mártir, e três anos depois Alexandre III confirmou o título canonizando-o. Do livro: ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. No dia de hoje, há 850 anos, era martirizado o grande arcebispo S. Tomás Becket. Becket fora um rapaz extraordinário, de grande virtude e inteligência. Desde a tenra infância foi educado como bom católico. Era, já em menino, de uma pureza extrema e de inteligência e talento extraordinários. O então arcebispo de Cantuária, Teobaldo, viu os potenciais do menino e o estimulou a dedicar-se aos estudos. Becket estudou filosofia, teologia, direito, e todo esse talento acabou chegando aos ouvidos do rei, Henrique II, que o nomeou chanceler (isto é, o braço direito do rei no governo da Inglaterra), embora Becket fosse apenas diácono com o título de arcediago. Becket, assim, começou a participar da vida da corte, mantendo-se contudo na prática das virtudes, que tantos obstáculos encontram em ambientes ligados a interesses de poder, rodeados de glórias, honrarias, faustos e externalidades. Acontece, porém, que veio a falecer o arcebispo da Cantuária, e o rei Henrique II, propôs o nome de Tomás para o cargo de arcebispo. Becket não hesitou e disse ao monarca: “Senhor rei, até agora, nos negócios de Estado, nós agimos em plena comunhão” — a ponto de o povo dizer que o rei e o seu chanceler eram um só coração e uma só mente —, “mas se vós me nomeardes arcebispo, vosso amor logo se transformará em ódio”. O santo estava alertando que, uma vez no cargo de arcebispo, seria responsável por defender os direitos da Igreja, direitos que eram muitas vezes pisados por Henrique II. O rei fez pouco caso, e Tomás Becket foi sagrado arcebispo de Cantuária, primaz da Inglaterra, sucessor do grande S. Anselmo, e assim começou uma vida de grande ascese. Externamente, ele usava todas as vestes episcopais suntuosas, como convém à dignidade do cargo; mas, interiormente, andava de cilício, levava uma vida austera e de penitência. Ele também começou a lutar pelos direitos da Igreja, a ajudar os pobres, a fazer a Igreja progredir no seu caminho de evangelização, o que foi acendendo a ira do rei. A perseguição do monarca, que até então fora amigo do novo arcebispo, tornou-se tão aguda que Becket teve de fugir para a França, onde ficou exilado por seis anos. Por isso, Henrique II entrou em conflito com o rei da França e até mesmo com o papa, insistindo em que deveriam destituir aquele arcebispo. Tomás Becket, no entanto, continuou em sua posição. Depois de longas tratativas, confusões e conversas, resolveu-se que Tomás Becket poderia enfim voltar para a Inglaterra a fim de cumprir sua missão de arcebispo. De volta porém à Inglaterra, encontrou o rei ainda indisposto, persistente em seu mal-querer, num clima que era tudo menos agradável. Certa feita, durante um banquete, o rei, talvez já meio embriagado, desabafou aos comensais, dizendo: “Como é possível que sejais meus cortesãos e não me livreis desse padre importuno?” Ora, quatro membros da corte viram nas palavras do rei um “pedido” e resolveram matar S. Tomás Becket. No dia 29 de dezembro, 850 anos atrás, entraram na catedral, e Becket foi gloriosamente martirizado, atestando sua fidelidade ao rei nos seguintes termos: “Sou arcebispo, não um traidor”, ao mesmo tempo que rezava por seus algozes e entregava a própria alma por amor a Jesus Cristo. O mártir foi logo aclamado pelo povo inglês e pela Igreja no mundo inteiro. Sim, trata-se de um mártir maravilhoso, cheio de amor a Cristo, fidelíssimo à Igreja, que começou a operar milagres, o primeiro dos quais foi a conversão do mesmo rei, Henrique II, que, vestido de penitente, se flagelou em público, pediu perdão por aquela morte, de algum modo causada por ele. Mais tarde, o santuário em que foram depostas as relíquias de S. Tomás Becket tornou-se objeto de peregrinação da Europa inteira. Milagres e grandes curas aconteceram, curas que vêm de um coração de verdadeiro arcebispo, que soube defender os direitos da Igreja contra os poderes mundanos que pretendiam escravizá-la. Conheã mais sobre São Thomas Becket – O Arcebispo mártir de Canterbury A verdade é invencível porque sua força provém do próprio Deus. Por mais que ela sofra aparentes derrotas, sempre acaba por triunfar. Non licet tibi” – “Não te é lícito” (Mc 6, 18). As graves palavras do Precursor ressoavam nos ouvidos de Herodes Antipas, lembrando- lhe quanto desagradava ao Céu sua incestuosa união com Herodíades, a esposa de seu irmão Filipe. E quando, a instâncias de Salomé, os lábios de São João Batista foram para sempre calados pela espada do verdugo, dir-se-ia que essas recriminações haveriam de cessar definitivamente. Entretanto, não foi assim: o rei criminoso viveria até o fim de seus dias atormentado pela lembrança do profeta que continuava a interpelá-lo: “Non licet tibi”! Há nesta passagem evangélica um exemplo paradigmático da luta entre o bem e o mal na face da Terra. De um lado está o rei adúltero, orgulhoso, sensual e egoísta, lutando por satisfazer seus vícios e interesses; de outro, uma alma de inquebrantável retidão, disposta a defender a Lei do Altíssimo, com o preço de seu sangue se preciso fosse. Na aparência, a vitória foi do primeiro; mas, na realidade, nem o cárcere nem o patíbulo conseguiram silenciar a força da verdade proclamada com destemor por quem era justo. Mais de um milênio após esse episódio, tendo a Igreja civilizado as nações e estabelecido sua influência espiritual sobre elas, uma voz serena e firme como a do Precursor fez-se ouvir na Inglaterra, recordando a um rei tirano os limites do poder real: a de São Thomas Becket. O início de uma contenda Era o dia 1º de outubro de 1163. Começava na abadia de Westminster o sínodo convocado pelo rei Henrique II para debater questões concernentes ao governo da Igreja na Inglaterra. O monarca não concordava com o privilegium fori do clero e, ademais, não admitia que súditos seus fossem excomungados sem o consentimento real. Queria, ademais, que fossem restauradas outras prerrogativas desfrutadas por seus antecessores normandos. Todos os Bispos eram unânimes quanto à impossibilidade de ceder a tais pretensões do soberano. Mas quem se levantaria para enfrentá–lo? Cabia ao Arcebispo de Canterbury, Primaz da Inglaterra, a difícil tarefa. Thomas Becket, que ainda havia pouco era Chanceler Real e grande amigo de Henrique II, assumiu o grave encargo. No momento oportuno, levantou-se e explicou ao rei a independência do poder espiritual em relação ao temporal, discorreu sobre o caráter sagrado do sacerdócio e, afinal, alegou os antigos direitos que possuíam os Bispos de julgar e punir os membros do clero. O monarca encolerizou-se. Interrompendo as palavras do prelado, exigiu que todos aceitassem sem condições as propostas por ele feitas. São Thomas Becket respondeu que obedeceriam salvo ordine suo, isto é, na medida em que as regras por ele ditadas fossem lícitas para um clérigo. Ao ouvir isto, o rei se retirou irado, sem dizer sequer uma palavra de despedida. Harmonia entre os dois poderes A contenda entre os Bispos ingleses e seu monarca não resultava excessivamente incomum naqueles conturbados séculos. Os limites da separação dos poderes temporal e espiritual, estabelecida pelo próprio Cristo – “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21) -, não estavam bem definidos ainda, trazendo, como consequência, frequentes e acirrados conflitos. Por ser a Igreja uma sociedade visível, constituída por homens, muitos soberanos da época arrogavam-se o direito de nomear Bispos, legislar sobre a organização interna da Esposa de Cristo, dispor de suas rendas ou governar livremente sobre os membros do clero, obviando a circunstância de serem pessoas sagradas. Ora, é justamente a independência do poder civil que permite à Igreja desempenhar seu labor em favor da sociedade, criando condições que tornam a Terra aprazível e habitável, bem como iluminando o poder temporal – rigorosamente soberano, na sua esfera – com uma luz celeste que o eleva, consolida e nobilita. A Igreja necessita da ação do Estado sobre a sociedade, mas este jamais conseguirá alcançar com plenitude seu objetivo se não estiver em perfeito acordo com aquela. Da harmonia entre os poderes espiritual e temporal resulta que Deus jamais é tão bem servido como quando César se porta como seu filho; e César jamais é tão grande como quando é filho de Deus. Essa era a grande verdade que respaldava a atitude do Arcebispo de Canterbury, e que o orgulhoso rei Henrique não queria admitir. Nove cláusulas inaceitáveis Tomando conhecimento do acontecido em Westminster, o Papa Alexandre III enviou mensageiros a São Thomas Becket, recomendando-lhe que, pela paz da Igreja, procurasse entrar em entendimento com o rei. Mas o monarca, ferido em seu amor-próprio, exigia uma retratação pública perante todos os Bispos e barões do reino. O Palácio de Clarendon, nas proximidades da atual Salisbury, foi o lugar escolhido para tal encontro, que se realizou no dia 13 de janeiro de 1164, em um ambiente de demonstrações de fúria do rei e ameaças dos barões. Desejando o soberano deixar ali bem assentadas as bases de seu domínio sobre a Igreja, mandou redigir uma lista completa das normas cuja imposição ele tinha em mira. Eram as tristemente conhecidas Constituições de Clarendon, compostas por dezesseis cláusulas. Grande choque teve o Arcebispo quando leu o texto. Algumas dessas cláusulas atribuíam ao poder real decisões até então de competência da autoridade eclesiástica, outras atentavam contra a liberdade da Igreja. Assim, por exemplo, os Bispos passavam a depender da aprovação do soberano para sair do reino. Precisavam também de uma autorização de Henrique II para excomungar qualquer alto funcionário ou oficial do rei. Não podiam, nas causas eclesiásticas, apelar ao Papa como última instância. Quando ficava vacante uma sé episcopal ou uma abadia, esta caía em poder do soberano. Ele auferia todos os seus rendimentos e benefícios até tomar posse o novo titular, cuja eleição seria feita na capela real e com o consentimento do rei, ao qual o novo Bispo ou abade devia jurar lealdade como vassalo. O Primaz da Inglaterra não podia de forma alguma aceitar essas constituições que de tal modo subjugavam o poder espiritual ao temporal. Apenas cinco das dezesseis cláusulas, concernentes de fato ao governo civil, eram, de fato aceitáveis, e foram posteriormente admitidas pelo Papa. O julgamento de Northampton O rei, porém, não pensava do mesmo modo. Estava decidido a submeter a Igreja a suas pretensões e, para isso, decretou a ruína de quem com tanta força se opunha a elas. Acusando- o de falsos delitos jurídicos e financeiros, ademais de perjuro por não aceitar as Constituições de Clarendon – que havia prometido aceitar sem conhecer seu conteúdo -, o eclesiástico foi intimado a comparecer diante da corte reunida em Northampton, no mês de outubro de 1164. Ante as inusitadas denúncias, o Arcebispo pediu a Henrique um tempo para aconselhar- se com seus irmãos no episcopado e preparar sua defesa. “Atua sem temor”, disse-lhe seu confessor Robert de Merton, “escolheste servir a Deus no lugar do rei. Continua assim e Deus não te decepcionará”.1 Thomas compreendera a fundo a luta na qual se engajara, e estava disposto a levá-la até o fim. Entretanto, a maioria dos Bispos, temendo perder as boas graças do soberano, insistiam com o Primaz para que cedesse perante o rei e renunciasse a seu cargo. O Arcebispo de Canterbury, entretanto, fazendo valer sua primazia, proibiu os Bispos de tomarem parte no julgamento, caso este chegasse a se realizar, e ordenou que excomungassem qualquer um que usasse de violência com ele. Dirigiu-se então ao castelo real de Northampton, onde, após o Primaz apresentar sua defesa, o rei reuniu o Conselho para decidir sua sorte. Sentado em outro aposento, Thomas Becket aguardava com calma e segurança a sentença. Segundo um conceituado biógrafo, o Arcebispo foi condenado provavelmente à prisão perpétua. “Porém a sentença nunca foi declarada, porque quando uma comissão se apresentou para dar-lhe conhecimento, cada um foi passando para outro a incumbência, ninguém a aceitou”.2 Seis anos de exílio e tratativas Vendo que havia sido decretada sua ruína, São Thomas Becket decidiu fugir do país. Numa noite chuvosa, depois de várias peripécias, cruzou o Canal da Mancha e foi refugiar- se na França, onde o rei Luís VII o acolheu solicitamente. Logo depois se dirigiu para Sens, onde se encontrava temporariamente o Papa Alexandre III. Este o recebeu com total benevolência, aprovou sua conduta e reafirmou a condenação das Constituições de Clarendon. Também lhe concedeu o hábito da Ordem de Cister, que muito almejava, passando o santo Arcebispo a residir na abadia de Pontigny, onde compartilhou a frugal vida dos monges cistercienses e retomou o estudo de teologia, principalmente das Sagradas Escrituras. Enquanto isso, transcorreram quase seis anos de intrincadas atividades diplomáticas e de tentativas de reconciliação, ora promovidas pelo Pontífice, ora pelo rei da França. Chegar a um acordo não era fácil, pois, como escrevia São Thomas ao Papa, se prevalecessem as exigências do monarca inglês, “a autoridade da Sé Apostólica na Inglaterra desapareceria completamente ou seria reduzida a quase nada”.3 Henrique II, por seu lado, reconhecia que, caso continuasse com sua política de oposição à Igreja, teria de sofrer penas canônicas. “Sei que lançarão um interdito sobre meu reino, mas não posso eu, que sou capaz de tomar uma fortaleza por dia, aprisionar um clérigo que ponha em interdito minha terra?”4, inquiriu a um legado papal. O temor a Deus não havia ainda se extinguido por inteiro na alma de Henrique e, finalmente, após inúmeras ameaças da parte do Sumo Pontífice, resolveu fazer um acordo com o Arcebispo. Autorizou-o a voltar para sua Diocese, sem consentir, porém, em dar-lhe o beijo de paz. De volta à Pátria Triunfal foi a acolhida do povo de Canterbury, no dia 2 de dezembro de 1170, a seu saudoso pastor. Ele, entretanto, estava convencido de que a paz não seria duradoura. Como ensina Santo Agostinho, “a paz é a tranquilidade da ordem”.5 Se não prevalecesse a ordem posta pelas leis de Deus e da Igreja, não existiria verdadeira paz. No dia seguinte, três mensageiros chegaram a Canterbury da parte dos Arcebispos Roger, de York, Gilbert, de Londres, e Jocelin, de Salisbury, os quais mandavam pedir a revogação da excomunhão lançada sobre eles, por terem procedido à cerimônia de coroação do filho do rei, contrariando proibição expressa do Arcebispo Primaz e do próprio Vigário de Cristo. Thomas mandou responder-lhes que uma pena imposta pelo Papa só por ele poderia ser abolida. A resposta fez reacender a cólera de Henrique II, já incomodado com a comovida recepção brindada pelo povo a seu legítimo Prelado. A cada dia, acentuava-se na corte o clima de inimizade contra o Arcebispo. Um biógrafo de Thomas Becket afirma que o rei, arrebatado de fúria, excitava seus cortesãos com frases como esta: “Que coleção de ociosos covardes tenho em meu reino, os quais permitem que um clérigo de baixa extração zombe vergonhosamente de mim!”.6 Alguns deles, decidiram ouvi-lo… Na tarde de 29 de dezembro, quatro cavaleiros se apresentaram em Canterbury como vindos “da parte do rei” e foram recebidos pelo Arcebispo num salão contíguo à catedral. Um deles interpelou o eclesiástico em termos agressivos, pela sua recusa em absolver os clérigos e monges excomungados. – A sentença não foi minha, mas do Papa. Que os interessados se dirijam a ele para pedir o perdão – respondeu Thomas. – Digo-te o que o rei disse: foste suficientemente louco para excomungar seus oficiais. A estas palavras, relativas aos anátemas lançados por São Thomas contra os barões que haviam se apropriado das terras da Diocese, o Arcebispo levantou-se, replicando: – Castigarei qualquer um que viole os direitos da Sé Romana ou da Igreja de Cristo. A vitória da verdade Os cavaleiros, furiosos, retiraram-se para pegar as armas, enquanto alguns monges e servidores do destemido Prelado, vendo o grande perigo que ele corria, conseguiram a custo levá-lo para a catedral. Era a hora do cântico das Vésperas e o templo estava cheio. Após o cortejo dos monges e do santo Arcebispo, penetraram furiosos ali os cavaleiros armados e, com as espadas desembainhadas, precipitaram–se sobre este último. – Absolve os Bispos! – gritou um deles. Investiram então, de espada em punho, contra o indefeso ministro de Deus. O primeiro golpe atingiu os ombros de Thomas, e os seguintes feriram-lhe a cabeça. Seu cruciferário, tentando desviar com o braço um dos golpes, recebeu uma forte lesão que lhe rompeu até os ossos. “Estou disposto a morrer por meu Senhor. Que meu sangue salve a liberdade da Igreja e a paz”7, exclamou o mártir, de joelhos. Um novo golpe o prostrou morto por terra, com os braços estendidos, como se estivesse rezando. Estava tudo acabado? Pelo contrário! A força da verdade, que levara João Batista a triunfar sobre Herodes Antipas, uma vez mais seria vitoriosa. O túmulo de Thomas Becket tornou-se centro de peregrinação, e entre os inumeráveis devotos que acorreram à sua sepultura encontrava-se o próprio Henrique II que, depois de ter pedido perdão ao Papa e renunciado às Constituições de Clarendon, se dirigira a Canterbury para pedir clemência ao santo mártir. Invencível é o poder da verdade. O erro e o mal encontram seu dinamismo na natureza humana decaída pelo pecado, aliada ao demônio. A força da verdade, porém, está em algo infinitamente superior: o próprio Deus. Ele jamais nega sua graça àqueles que lutam por seu nome. Assim, por mais que a verdade sofra aparentes derrotas, no fim é sempre vencedora, porque sua fonte é o Deus eterno e imortal. 1 KNOWLES, David. Thomas Becket. Madrid: Rialp, 1980, p.148 2 Idem, p.151. 3 Idem, p.180. 4 Idem, p.184. 5 SANTO AGOSTINHO. A cidade de Deus. L.XIX, c.13. 6 KNOWLES, op.cit., p.205. 7 AUBE, Pierre. Thomas Becket. Madrid: Palabra, 1994, p.334. (Revista Arautos do Evangelho, Dez/2010, n. 108, p. 36 à 39)
- Estado de saúde de Bento XVI é crítico, Papa Francisco pede orações
Papa Francisco encorajou-nos a pedir “que o Senhor vos console e vos sustente neste testemunho de amor à Igreja, até ao fim”. O Papa Francisco dedicou a audiência geral de quarta-feira, 28 de dezembro, ao significado do Natal no pensamento de São Francisco de Sales. O motivo foi o 400º aniversário da morte do padroeiro dos escritores, jornalistas e comunicadores. No final, ele fez um pedido que surpreendeu a todos os participantes: “Gostaria de pedir a todos vocês uma oração especial, pelo Papa Emérito Bento XVI, que está silenciosamente sustentando a Igreja. Recordai-o — ele está muito doente — pedindo ao Senhor que o console e o sustente neste testemunho de amor à Igreja, até ao fim. A Santa Sé disse que o estado de saúde do papa emérito Bento XVI piorou nas últimas horas, mas que “a situação no momento permanece sob controle, constantemente monitorada pelos médicos”. O papa Francisco visitou Bento XVI no mosteiro Mater Ecclesiae no final da Audiência Geral, informou hoje (28) o diretor da sala de imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni. “Quanto ao estado de saúde do papa emérito, para quem o papa Francisco pediu orações no final da Audiência Geral desta manhã, posso confirmar que nas últimas horas houve um agravamento devido à idade avançada. A situação no momento permanece sob controle, constantemente monitorada pelos médicos”, disse Bruni. Por sua vez, o papa Francisco pediu orações pelo papa emérito Bento XVI porque “ele está muito doente” e no “silêncio está sustentando a Igreja”. Diante de milhares de fiéis reunidos na aula Paulo VI do Vaticano para a tradicional Audiência Geral semanal, o papa Francisco pediu a “todos uma oração especial pelo papa emérito Bento XVI, que no silêncio está sustentando a Igreja” e exortou a pedir “que o Senhor o sustente neste testemunho de amor à Igreja até o fim”. Bento XVI tem 95 anos e reduziu ao mínimo a sua agenda pública, mas continua a receber visitas. Em 27 de agosto, o papa emérito se reuniu, como é seu costume, com os novos cardeais criados por Francisco no final do consistório. No entanto, seu estado de saúde não lhes permitia falar com eles. De acordo com seu ambiente, apesar das doenças naturais ligadas à sua idade avançada, ele preservou a lucidez intelectual completa. No entanto, nos últimos dois anos, seu estado de saúde piorou visivelmente. O diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, Matteo Bruni, confirmou uma piora das condições de saúde de Bento XVI, de 95 anos. “Nas últimas horas houve um agravamento devido à sua idade avançada. A situação no momento está sob controle, constantemente atendida por médicos”, disse Bruni no breve comunicado à imprensa. Santa Sé pede para rezar esta oração pela saúde de Bento XVI Vatican News, serviço de notícias oficial da Santa Sé, postou via Facebook a seguinte frase, originalmente em inglês: Oremos. Deus Todo-Poderoso e Eterno, Tu és a saúde eterna daqueles que acreditam em Ti. Escuta nossas orações por teu servo enfermo Bento, para quem imploramos a ajuda de tua terna misericórdia, Por Cristo nosso Senhor. Amém. #PapaBentoXVI
- Estado de saúde de Bento XVI é crítico, Papa Francisco pede orações
Papa Francisco encorajou-nos a pedir “que o Senhor vos console e vos sustente neste testemunho de amor à Igreja, até ao fim”. O Papa Francisco dedicou a audiência geral de quarta-feira, 28 de dezembro, ao significado do Natal no pensamento de São Francisco de Sales. O motivo foi o 400º aniversário da morte do padroeiro dos escritores, jornalistas e comunicadores. No final, ele fez um pedido que surpreendeu a todos os participantes: “Gostaria de pedir a todos vocês uma oração especial, pelo Papa Emérito Bento XVI, que está silenciosamente sustentando a Igreja. Recordai-o — ele está muito doente — pedindo ao Senhor que o console e o sustente neste testemunho de amor à Igreja, até ao fim. A Santa Sé disse que o estado de saúde do papa emérito Bento XVI piorou nas últimas horas, mas que “a situação no momento permanece sob controle, constantemente monitorada pelos médicos”. O papa Francisco visitou Bento XVI no mosteiro Mater Ecclesiae no final da Audiência Geral, informou hoje (28) o diretor da sala de imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni. “Quanto ao estado de saúde do papa emérito, para quem o papa Francisco pediu orações no final da Audiência Geral desta manhã, posso confirmar que nas últimas horas houve um agravamento devido à idade avançada. A situação no momento permanece sob controle, constantemente monitorada pelos médicos”, disse Bruni. Por sua vez, o papa Francisco pediu orações pelo papa emérito Bento XVI porque “ele está muito doente” e no “silêncio está sustentando a Igreja”. Diante de milhares de fiéis reunidos na aula Paulo VI do Vaticano para a tradicional Audiência Geral semanal, o papa Francisco pediu a “todos uma oração especial pelo papa emérito Bento XVI, que no silêncio está sustentando a Igreja” e exortou a pedir “que o Senhor o sustente neste testemunho de amor à Igreja até o fim”. Bento XVI tem 95 anos e reduziu ao mínimo a sua agenda pública, mas continua a receber visitas. Em 27 de agosto, o papa emérito se reuniu, como é seu costume, com os novos cardeais criados por Francisco no final do consistório. No entanto, seu estado de saúde não lhes permitia falar com eles. De acordo com seu ambiente, apesar das doenças naturais ligadas à sua idade avançada, ele preservou a lucidez intelectual completa. No entanto, nos últimos dois anos, seu estado de saúde piorou visivelmente. O diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, Matteo Bruni, confirmou uma piora das condições de saúde de Bento XVI, de 95 anos. “Nas últimas horas houve um agravamento devido à sua idade avançada. A situação no momento está sob controle, constantemente atendida por médicos”, disse Bruni no breve comunicado à imprensa. Santa Sé pede para rezar esta oração pela saúde de Bento XVI Vatican News, serviço de notícias oficial da Santa Sé, postou via Facebook a seguinte frase, originalmente em inglês: Oremos. Deus Todo-Poderoso e Eterno, Tu és a saúde eterna daqueles que acreditam em Ti. Escuta nossas orações por teu servo enfermo Bento, para quem imploramos a ajuda de tua terna misericórdia, Por Cristo nosso Senhor. Amém. #PapaBentoXVI
- São João Evangelista, o discípulo amado de Jesus – 27 de Dezembro
SANTO DO DIA – 27 DE DEZEMBRO – SÃO JOÃO Apóstolo e evangelista (+100) João – ‘o discípulo que Jesus amava’ e ao qual confiou sua mãe do alto da cruz – era galileu, filho de Zebedeu e irmão de são Tiago Maior. Pescador de profissão, oriundo de Betsaida, como os outros dos célebres pescadores, Pedro e André. É provável que, por sua qualificação de pescador, o Sinédrio – depois da Ascensão de nosso Senhor – o tenha considerado ‘homem iletrado e sem posição social’, mas quem lê o quarto evangelho dá-se conta da audácia do pensamento de João, que os cristãos chamavam ‘o Teólogo’ por autonomásia. Mais inclinado à contemplação que à ação, é o protótipo das almas consagradas. Está entre os íntimos de Jesus, mais próximo do Mestre nos momentos solenes, como na Última Ceia; está junto a Jesus moribundo na cruz e recolhe suas últimas palavras. À diferença dos outros apóstolos, João não era casado e manteve tal estado na sua longa existência consumida a serviço do Evangelho. Antes de continuar a leitura, assista o vídeo e conheça mais sobre São João: É o autor do quarto evangelho, centrado na divindade de Cristo desde a primeira linha, no qual, como a águia (símbolo de João), já no primeiro bater de asas eleva-se às vertiginosas alturas do mistério trinitário: ‘No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus’. É também autor de três cartas canônicas e do Apocalipse (o ‘livro da Revelação’ ou livro profético, que finaliza o cânon bíblico), no qual é preconizado o triunfo do Redentor e de sua Igreja, a infâmia das perseguições que lhe obstruem o caminho. A luta do poder das trevas contra ela durará sempre nesta terra, mas a Igreja sairá vencedora. O ‘Filho do Homem’ – assim o chamou o Mestre – era, portanto, de temperamento ardente, alheio aos compromissos como às exaltações. E talvez nesse ponto resida o segredo da inefável amizade que o ligava a Jesus. Depois de Pentecostes, passou grande parte de seus anos em Éfeso e na ilha de Patmos. Constitui lenda que ele tenha sido lançado numa caldeira com óleo fervente, em Roma, e saído ileso. João morreu em Éfeso, em idade avançada. Do livro: ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. São João Evangelista O nome deste evangelista significa: “Deus é misericordioso”: uma profecia que foi se cumprindo na vida do mais jovem dos apóstolos. Filho de Zebedeu e de Salomé, irmão de Tiago Maior, ele também era pescador, como Pedro e André; nasceu em Betsaida e ocupou um lugar de primeiro plano entre os apóstolos. O apóstolo São João foi quem, na Santa Ceia, estava deitado no ombro de Jesus e, foi também a João que Jesus disse: “Filho, eis aí a tua mãe” e, olhando para Maria disse: “Mulher, eis aí o teu filho”. (Jo 19, 26s). Quando Jesus se transfigurou, foi João, juntamente com Pedro e Tiago, que estava lá. João é sempre o homem da elevação espiritual, mas não era fantasioso e delicado, tanto que Jesus chamou a ele e a seu irmão Tiago de “filhos do trovão”. João exortava continuamente os fiéis ao amor fraterno, como resulta das suas três cartas, acolhidas entre os textos sagrados. Escritor do Livro do mais misterioso e rico em esperanças, o Livro do Apocalipse, São João teria morrido com 94 anos, segundo Santo Epifânio.
- São João Evangelista, o discípulo amado de Jesus – 27 de Dezembro
SANTO DO DIA – 27 DE DEZEMBRO – SÃO JOÃO Apóstolo e evangelista (+100) João – ‘o discípulo que Jesus amava’ e ao qual confiou sua mãe do alto da cruz – era galileu, filho de Zebedeu e irmão de são Tiago Maior. Pescador de profissão, oriundo de Betsaida, como os outros dos célebres pescadores, Pedro e André. É provável que, por sua qualificação de pescador, o Sinédrio – depois da Ascensão de nosso Senhor – o tenha considerado ‘homem iletrado e sem posição social’, mas quem lê o quarto evangelho dá-se conta da audácia do pensamento de João, que os cristãos chamavam ‘o Teólogo’ por autonomásia. Mais inclinado à contemplação que à ação, é o protótipo das almas consagradas. Está entre os íntimos de Jesus, mais próximo do Mestre nos momentos solenes, como na Última Ceia; está junto a Jesus moribundo na cruz e recolhe suas últimas palavras. À diferença dos outros apóstolos, João não era casado e manteve tal estado na sua longa existência consumida a serviço do Evangelho. Antes de continuar a leitura, assista o vídeo e conheça mais sobre São João: É o autor do quarto evangelho, centrado na divindade de Cristo desde a primeira linha, no qual, como a águia (símbolo de João), já no primeiro bater de asas eleva-se às vertiginosas alturas do mistério trinitário: ‘No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus’. É também autor de três cartas canônicas e do Apocalipse (o ‘livro da Revelação’ ou livro profético, que finaliza o cânon bíblico), no qual é preconizado o triunfo do Redentor e de sua Igreja, a infâmia das perseguições que lhe obstruem o caminho. A luta do poder das trevas contra ela durará sempre nesta terra, mas a Igreja sairá vencedora. O ‘Filho do Homem’ – assim o chamou o Mestre – era, portanto, de temperamento ardente, alheio aos compromissos como às exaltações. E talvez nesse ponto resida o segredo da inefável amizade que o ligava a Jesus. Depois de Pentecostes, passou grande parte de seus anos em Éfeso e na ilha de Patmos. Constitui lenda que ele tenha sido lançado numa caldeira com óleo fervente, em Roma, e saído ileso. João morreu em Éfeso, em idade avançada. Do livro: ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. São João Evangelista O nome deste evangelista significa: “Deus é misericordioso”: uma profecia que foi se cumprindo na vida do mais jovem dos apóstolos. Filho de Zebedeu e de Salomé, irmão de Tiago Maior, ele também era pescador, como Pedro e André; nasceu em Betsaida e ocupou um lugar de primeiro plano entre os apóstolos. O apóstolo São João foi quem, na Santa Ceia, estava deitado no ombro de Jesus e, foi também a João que Jesus disse: “Filho, eis aí a tua mãe” e, olhando para Maria disse: “Mulher, eis aí o teu filho”. (Jo 19, 26s). Quando Jesus se transfigurou, foi João, juntamente com Pedro e Tiago, que estava lá. João é sempre o homem da elevação espiritual, mas não era fantasioso e delicado, tanto que Jesus chamou a ele e a seu irmão Tiago de “filhos do trovão”. João exortava continuamente os fiéis ao amor fraterno, como resulta das suas três cartas, acolhidas entre os textos sagrados. Escritor do Livro do mais misterioso e rico em esperanças, o Livro do Apocalipse, São João teria morrido com 94 anos, segundo Santo Epifânio.
- Jesus nasceu em 25 de Dezembro ou foi uma data inventada pela igreja?
Padre José Eduardo ajuda a esclarecer essa dúvida de muitos católicos. JESUS NASCEU EM 25 DE DEZEMBRO? FOI UMA DATA ARBITRÁRIA, INVENTADA PELA IGREJA? Na verdade, esta data nada tem de arbitrária. Antes, possui profundas raízes bíblicas, e é ancorada na tradição da Igreja. Como fazemos para estabelecer o dia do nascimento de Jesus? A contagem dos dias começa pelo anúncio do nascimento de São João Batista. A Bíblia diz: “Nos tempos de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote por nome Zacarias, da classe de ABIAS; sua mulher, descendente de Aarão, chamava-se Isabel. Ora, exercendo Zacarias diante de Deus as funções de sacerdote, NA ORDEM DA SUA CLASSE, coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entrar no santuário do Senhor e aí oferecer o perfume” (Lc 1,5.8-9). Pois bem, mas quando era o turno da classe de Abias? No Primeiro Livro de Crônicas (1Cr 24,1-7.19), está estabelecida a ordem das 24 classes sacerdotais. Cada uma das classes deveria servir duas vezes ao ano, por uma semana, de sábado a sábado. A ordem sorteada e imutável foi a seguinte: 1a.) Joiarib, 2a.) Jedei, 3a.) Harim, 4a.) Seorim, 5a.) Melquia, 6a.) Maimã, 7a.) Acos, 8a.) ABIAS, 9a.) Jesua, 10o.) Sequenia, 11a.) Eliasib, 12a.) Jacim, 13a.) Hofa, 14a.) Isbaab, 15a.) Belga, 16a.) Emer, 17a.) Hezir, 18a.) Afses, 19a.) Fetéia, 20a.) Ezequiel, 21a.) Jaquim, 22a.) Gamul, 23a.) Dalaiau, 24a.) Maziau. Alguns irmãos se apegam a esta ordem, alegando que não corresponde a uma possibilidade de que o Natal fosse em dezembro, pois o ano religioso judaico, começando por volta de março, daria ao oitavo turno, provavelmente, o final do mês de junho, começo do mês de julho. Daí, fazendo os cálculos, Jesus teria nascido em finais de setembro, inícios de outubro, pela festa dos Tabernáculos. CONTUDO, ninguém se pergunta se a ordem dos turnos, nos tempos de Cristo, estava estabelecida exatamente assim. A pergunta é razoável, pois, desde os tempos da construção do Templo, o culto já havia sido interrompido diversas vezes, e um descompasso entre os turnos e o calendário poderia ter-se dado. E, POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, FOI ISTO MESMO QUE ACONTECEU. Uma especialista francesa, Annie Jaubert, escreveu um artigo intitulado Le calendrier des Jubilées et de la secte de Qumran. Ses origines bibliques, in Vetus Testamentum, Suppl. 3 (1953) pp. 250-264, em que estudou o calendário do Livro dos Jubileus, um apócrifo hebraico muito importante, do final do século II a.C. Como muitos fragmentos desse calendário foram encontrados entre os escritos de Qumram, vê-se que ele estava em uso nos tempos de Jesus. Este calendário, também, é solar, e não dava os nomes dos meses, mas apenas seu número de sucessão. E a mesma estudiosa publicou outros artigos importantes sobre isso. Veja-se o verbete Calendario di Qumran, in Enciclopedia della Bibbia 2 (1969) pp. 35- 38; e uma célebre monografia, La date de la Cène,Calendrier biblique et liturgie chrétienne, Études Bibliques, Paris 1957. Por outro lado, o especialista Shemarjahu Talmon, da Universidade Hebraica de Jerusalém, trabalhou sobre os escritos de Qumram e sobre o calendário do Livro dos Jubileus, e CONSEGUIU PRECISAR A ORDEM SEMANAL DOS 24 TURNOS. Os resultados desta pesquisa então no artigo The Calendar Reckoning of the Sect from the Judean Desert. Aspects of the Dead Sea Scrolls, in Scripta Hierosolymitana, vol. IV, Jerusalém 1958, pp. 162-199. Na lista que o Prof. Talmon reconstruiu, o turno de ABIAS (Ab-Jah), prescrita duas vezes por ano, acontecia assim: 1) a primeira vez, de 8 a 14 do terceiro mês do calendário, e 2) a segunda vez de 24 a 30 do oitavo mês do calendário. Ora, segundo o calendário solar (não o lunar, como o atual calendário judeu), esta segunda vez se data assim. (Sobre estes estudos, veja-se o artigo de Tommaso Federici, “25 dicembre, una data storica”, in “30 giorni” [11/2000]). O SEGUNDO TURNO DE ABIAS CORRESPONDIA AOS DIAS DE 24 A 30 DE SETEMBRO. Portanto, quando São Lucas recolhe esta indicação, sendo ele um atencioso narrador da história, nos dá a possibilidade de reconstruir a data histórica do nascimento de Jesus. AGORA, RESTA-NOS FAZER AS CONTAS. O anúncio do nascimento de São João Batista seria no dia 24 de setembro (no calendário ortodoxo, esta festa se celebra no dia 23 de setembro, mesmo dia de São Pio de Pietrelcina). NOTE-SE QUE ESTA FESTA É MUITO ANTIGA NA TRADIÇÃO DA IGREJA ORIENTAL. Portanto, seis meses depois, seria o anúncio a Nossa Senhora, no dia 25 de março (festa litúrgica da ANUNCIAÇÃO). Três meses depois, o nascimento de São João Batista (dia 24 de junho, festa litúrgica do seu natal). E seis meses depois, 25 de dezembro, o nascimento de Jesus (Solenidade do Natal do Senhor). Portanto, essas teorias de que o Natal surgiu para cristianizar a festa pagã do “SOL INVICTO”, do solstício de verão etc., não passam de banais conjecturas. #Natal
- Jesus nasceu em 25 de Dezembro ou foi uma data inventada pela igreja?
Padre José Eduardo ajuda a esclarecer essa dúvida de muitos católicos. JESUS NASCEU EM 25 DE DEZEMBRO? FOI UMA DATA ARBITRÁRIA, INVENTADA PELA IGREJA? Na verdade, esta data nada tem de arbitrária. Antes, possui profundas raízes bíblicas, e é ancorada na tradição da Igreja. Como fazemos para estabelecer o dia do nascimento de Jesus? A contagem dos dias começa pelo anúncio do nascimento de São João Batista. A Bíblia diz: “Nos tempos de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote por nome Zacarias, da classe de ABIAS; sua mulher, descendente de Aarão, chamava-se Isabel. Ora, exercendo Zacarias diante de Deus as funções de sacerdote, NA ORDEM DA SUA CLASSE, coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entrar no santuário do Senhor e aí oferecer o perfume” (Lc 1,5.8-9). Pois bem, mas quando era o turno da classe de Abias? No Primeiro Livro de Crônicas (1Cr 24,1-7.19), está estabelecida a ordem das 24 classes sacerdotais. Cada uma das classes deveria servir duas vezes ao ano, por uma semana, de sábado a sábado. A ordem sorteada e imutável foi a seguinte: 1a.) Joiarib, 2a.) Jedei, 3a.) Harim, 4a.) Seorim, 5a.) Melquia, 6a.) Maimã, 7a.) Acos, 8a.) ABIAS, 9a.) Jesua, 10o.) Sequenia, 11a.) Eliasib, 12a.) Jacim, 13a.) Hofa, 14a.) Isbaab, 15a.) Belga, 16a.) Emer, 17a.) Hezir, 18a.) Afses, 19a.) Fetéia, 20a.) Ezequiel, 21a.) Jaquim, 22a.) Gamul, 23a.) Dalaiau, 24a.) Maziau. Alguns irmãos se apegam a esta ordem, alegando que não corresponde a uma possibilidade de que o Natal fosse em dezembro, pois o ano religioso judaico, começando por volta de março, daria ao oitavo turno, provavelmente, o final do mês de junho, começo do mês de julho. Daí, fazendo os cálculos, Jesus teria nascido em finais de setembro, inícios de outubro, pela festa dos Tabernáculos. CONTUDO, ninguém se pergunta se a ordem dos turnos, nos tempos de Cristo, estava estabelecida exatamente assim. A pergunta é razoável, pois, desde os tempos da construção do Templo, o culto já havia sido interrompido diversas vezes, e um descompasso entre os turnos e o calendário poderia ter-se dado. E, POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, FOI ISTO MESMO QUE ACONTECEU. Uma especialista francesa, Annie Jaubert, escreveu um artigo intitulado Le calendrier des Jubilées et de la secte de Qumran. Ses origines bibliques, in Vetus Testamentum, Suppl. 3 (1953) pp. 250-264, em que estudou o calendário do Livro dos Jubileus, um apócrifo hebraico muito importante, do final do século II a.C. Como muitos fragmentos desse calendário foram encontrados entre os escritos de Qumram, vê-se que ele estava em uso nos tempos de Jesus. Este calendário, também, é solar, e não dava os nomes dos meses, mas apenas seu número de sucessão. E a mesma estudiosa publicou outros artigos importantes sobre isso. Veja-se o verbete Calendario di Qumran, in Enciclopedia della Bibbia 2 (1969) pp. 35- 38; e uma célebre monografia, La date de la Cène,Calendrier biblique et liturgie chrétienne, Études Bibliques, Paris 1957. Por outro lado, o especialista Shemarjahu Talmon, da Universidade Hebraica de Jerusalém, trabalhou sobre os escritos de Qumram e sobre o calendário do Livro dos Jubileus, e CONSEGUIU PRECISAR A ORDEM SEMANAL DOS 24 TURNOS. Os resultados desta pesquisa então no artigo The Calendar Reckoning of the Sect from the Judean Desert. Aspects of the Dead Sea Scrolls, in Scripta Hierosolymitana, vol. IV, Jerusalém 1958, pp. 162-199. Na lista que o Prof. Talmon reconstruiu, o turno de ABIAS (Ab-Jah), prescrita duas vezes por ano, acontecia assim: 1) a primeira vez, de 8 a 14 do terceiro mês do calendário, e 2) a segunda vez de 24 a 30 do oitavo mês do calendário. Ora, segundo o calendário solar (não o lunar, como o atual calendário judeu), esta segunda vez se data assim. (Sobre estes estudos, veja-se o artigo de Tommaso Federici, “25 dicembre, una data storica”, in “30 giorni” [11/2000]). O SEGUNDO TURNO DE ABIAS CORRESPONDIA AOS DIAS DE 24 A 30 DE SETEMBRO. Portanto, quando São Lucas recolhe esta indicação, sendo ele um atencioso narrador da história, nos dá a possibilidade de reconstruir a data histórica do nascimento de Jesus. AGORA, RESTA-NOS FAZER AS CONTAS. O anúncio do nascimento de São João Batista seria no dia 24 de setembro (no calendário ortodoxo, esta festa se celebra no dia 23 de setembro, mesmo dia de São Pio de Pietrelcina). NOTE-SE QUE ESTA FESTA É MUITO ANTIGA NA TRADIÇÃO DA IGREJA ORIENTAL. Portanto, seis meses depois, seria o anúncio a Nossa Senhora, no dia 25 de março (festa litúrgica da ANUNCIAÇÃO). Três meses depois, o nascimento de São João Batista (dia 24 de junho, festa litúrgica do seu natal). E seis meses depois, 25 de dezembro, o nascimento de Jesus (Solenidade do Natal do Senhor). Portanto, essas teorias de que o Natal surgiu para cristianizar a festa pagã do “SOL INVICTO”, do solstício de verão etc., não passam de banais conjecturas. #Natal
- Santo Estevão, primeiro mártir cristão – 26 de Dezembro
ANTO DO DIA – 26 DE DEZEMBRO – SANTO ESTEVÃO Protomártir (+35) O primeiro mártir cristão aparece nos Atos dos Apóstolos por ocasião de uma desavença, talvez a primeira, surgida na comunidade cristã de Jerusalém depois da Ascensão de Jesus: ‘[…] surgiram murmurações dos helenistas contra os hebreus. Isto porque, diziam aqueles, suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária’. A primeira comunidade cristã, para viver integralmente o preceito da caridade fraterna, pusera à disposição das pessoas todos os bens, distribuindo diariamente o suficiente para o sustento. Tal incumbência foi confiada a sete ministros da caridade, chamados diáconos, escolhidos entre homens dignos, ‘de boa reputação, repletos do Espírito e de sabedoria’. Entre estes sete destacava-se Estêvão, ‘homem cheio de fé e do Espírito Santo’, o qual não se limitava à caridade material, mas desempenhava um verdadeiro e próprio apostolado da palavra. E o fazia com tanto zelo e sucesso que os judeus ‘chegando de improviso, arrebataram-no e o levaram à presença do Sinédrio. Aí apresentaram testemunhas falsas que depuseram: Este homem não cessa de falar contra este lugar santo e contra a Lei. Pois ouvimo-lo dizer repetidamente que esse Jesus, o Nazareu, destruíra este Lugar e modificará os costumes que Moisés nos transmitiu’. Era a mesma acusação levantada contra Jesus dois anos antes. A pregação de Estêvão baseava-se em uma visão católica do cristianismo, ue desagradava aos próprios judeus ainda ligados ao nacionalismo hebraico. Diante do tribunal judaico, Estêvão, ‘cheio de graça e de poder’, procurou iluminar aquelas mentes fechadas à mensagem evangélica, demonstrando que Deus se revela também fora dos limites do templo santo. Todavia, quando se preparava para expor a doutrina universal do Messias, encarnado em Jesus, como definitiva manifestação de Deus, seus acusadores impediram-no de prosseguir e ‘dando grandes gritos, taparam os ouvidos e precipitaram-se sobre ele. E, arrastando-o para fora da cidade, começaram a apedrejá-lo’. Isso é o que dizem os Atos dos Apóstolos. Depois, no século V, um ‘Martyrium Stephani’ teceu em torno da heroica figura do primeiro mártir uma lenda rica em pormenores. O reencontro de suas relíquias, ocorrido em 415, por obra do padre Luciano de Kefar-Gamla, tornou ainda mais popular esse santo. Contam-se em Roma umas três dezenas de capelas e igrejas [a ele consagradas], das quais a mais famosa, Santo Estêvão Redondo, no Monte Célio, erigida pelo papa Simplício, no século V, foi lugar de peregrinações dos próprios pontífices. Do livro: ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. Santo Estêvão Protomártir: O menino para quem Jesus olhou… Por duas vezes, Nosso Senhor tomou um menino como exemplo para os discípulos, enaltecendo o valor da inocência. Estêvão, o primeiro mártir da Igreja, teve o incomensurável privilégio de ser um deles. Ao lermos as palpitantes páginas dos Evangelhos, sentimo-nos convidados a sair do corriqueiro da vida cotidiana para sermos transportados a páramos mais elevados de onde parece emergir, suave e majestosamente, a figura de Jesus. Podemos então imaginar aquela sagrada silhueta iluminada pelos últimos raios de um sol poente, andando pelas poeirentas estradas da Galiléia ou acariciando com sua sombra benfazeja as frescas margens do lago de Tiberíades. Em todas as suas atitudes, em seus nobres gestos e em suas palavras repassadas de seriedade, o Divino Mestre deixavatransparecer aquele insuperável amor pelas criaturas. Seu olhar doce e atraente procurava com divino afã almas dóceis a seus conselhos, que quisessem sujeitar-se ao suave domínio de seu jugo. Que alegria experimentava aquele Coração amoroso ao encontrar, em meio às ruidosas multidões que O seguiam, algum coração puro e inocente, inteiramente aberto e consoante com o seu! “Tomando um menino, colocou-o no meio deles; abraçou-o e disse-lhes: ‘Quem recebe um destes meninos em meu nome, a Mim é que recebe; e quem recebe a Mim, não Me recebe, mas Aquele que Me enviou’” (Mc 9, 36-37). Cena admirável: a Inocência incriada inclinasse com agrado sobre a inocência criada! Oh feliz criança cuja candura atraiu os olhares do Salvador! Quem era aquele menino? Conhece- se ao menos seu nome? Sabe-se qual foi seu destino? Pregação de Santo Estevão, mártire por Charles Joseph Natoire, sec XVIII.JPG “Homem cheio de fé e do Espírito Santo” Uma piedosa tradição multissecular conta-nos que se tratava de Estêvão. Desde cedo recebera esmerada educação na escola de Gamaliel, famoso doutor da lei. Em pouco tempo, graças à sua inteligência e aplicação, Estêvão tornou-se um entendido nas Sagradas Escrituras. Segundo Santo Agostinho, quando ouviu a pregação de Pedro um raio da graça penetrou seu coração e o jovem decidiu abraçar a fé cristã com grande entusiasmo. Logo de início, destacou-se por seu zelo e virtude de tal modo que nos Atos dos Apóstolos Lucas no-lo descreve como “homem cheio de fé e do Espírito Santo” (At 6, 5). A pregação incessante dos Apóstolos, após Pentecostes, fazia aumentar a cada dia a multidão dos fiéis que acreditavam no Senhor. Surgiu, porém, nesses dias um problema: os cristãos gregos queixavam-se de que suas viúvas estavam sendo negligenciadas na distribuição diária de auxílio. Necessitando dedicar-se exclusivamente à oração e ao ministério da palavra, decidiram os Doze encarregar desse ofício “sete homens de boa reputação” (At 6, 3), e Estêvão foi um dos escolhidos. Imediatamente entregou-se ele ao serviço dos irmãos. Rosto semelhante ao de um anjo Tudo parecia pouco para o ardoroso ímpeto daquele jovem que “cheio de graça e fortaleza, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo” (At 6, 8). Em meio aos árduos trabalhos, encontrava alento na rememoração daquele olhar meigo e sereno de Jesus que anos atrás havia acariciado seus cabelos de menino. E no mais profundo de seu ser acalentava o sonho de um dia poder misturar o seu próprio sangue ao Preciosíssimo Sangue derramado até a última gota no alto do Gólgota. Os inimigos de Cristo não podiam suportar por muito tempo a presença do intrépido jovem que lhes lembrava pública e continuamente a imagem do Crucificado. Desejosos de reduzir ao silêncio pregador tão importuno, “levantaram- se para disputar com ele, mas não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito que o inspirava” (At 6, 9-10). Enfurecidos ao verem-se impotentes, “agarraram-no e o levaram ao Grande Conselho” (At 6, 12). Mas ele não se acovardou: calmo e sereno, enfrentou o populacho amotinado e as falsas acusações de testemunhas subornadas que lhe imputavam o crime de ter blasfemado contra Moisés e contra Deus. A alegria de poder oferecer sua vida pelo Senhor pervadia-lhe a alma e refletia-se exteriormente, de modo que “todos os membros do Grande Conselho viram o seu rosto semelhante ao de um anjo” (At 6, 15). “Esbravejavam de raiva e rangiam os dentes contra ele” Interrogado pelo Sumo Sacerdote, Estêvão com longo e abrasado discurso, no qual manifestou filial respeito e veneração pelos antigos patriarcas, louvou a piedade de Abraão, a paciência de José e os grandiosos feitos de Moisés; e mostrou quão injustas e infundadas eram as acusações contra ele proferidas. Depois, inflamado de santa ousadia, exclamou: “Homens de dura cerviz, e de corações e ouvidos incircuncisos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo! Como procederam vossos pais, assim procedeis vós também! A qual dos profetas não perseguiram os vossos pais? Mataram os que prediziam a vinda do Justo, do qual vós agora tendes sido traidores e homicidas. Vós que recebestes a lei pelo ministério dos anjos e não a guardastes…” (At 7, 51-53). O corajoso diácono não pôde terminar seu inspirado testemunho. Aquelas palavras eram por demais verdadeiras para serem suportadas pelos inimigos da fé, os quais “esbravejavam de raiva e rangiam os dentes contra ele” (At 7, 54). Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, permanecia de pé, no meio daquela hostil assembléia. Os insultos para ele nada representavam. Pelo contrário, eram um estímulo para crer nos coros de anjos que, além das muralhas das aparentes realidades desta vida, o aguardavam com uma palma e uma coroa. Levantando os olhos para o céu, viu aparecer-lhe o próprio Jesus,refulgente de glória, sustentando-o com seu divino olhar naquele supremo instante. E exclamou cheio de gozo: “Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus” (At 7, 56). Ouvindo isso, os membros do Grande Conselho rasgaram as vestes e taparam os ouvidos enquanto, com grandes gritos, clamavam pela morte do “blasfemador”. Estêvão viu-se rodeado por uma multidão ululante e sedenta de vingança que o empurrava violentamente para fora da cidade. Lá chegando, começaram a apedrejá-lo. Em meio a horríveis sofrimentos, o atleta de Cristo orava: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At 7, 59). Nem mesmo uma tão sublime cena conseguiu comover algum desses corações endurecidos; cegos de ódio, continuavam a lançar enormes pedras sobre a inocente vítima. Posto de joelhos, Estêvão percorreu uma última vez com os olhos a horda criminosa dos perseguidores. Suas vistas, já turvadas pela iminência da morte, detiveram-se, por alguns momentos, sobre um jovem de Tarso que guardava os mantos dos apedrejadores. Saulo, o fanático adepto dos fariseus, o adversário irreconciliável de Jesus Cristo, sentiu-se perturbado ante a insistência daquele olhar que o fixava com expressão severa e compassiva. E o angelical diácono exclamou em alta voz: “Senhor, não lhes leves em conta este pecado… E a estas palavras expirou” (At 7, 60). Na aparente derrota, a vitória suprema Tudo estava consumado. O primeiro mártir acabava de regar com o seu próprio sangue aquela semente de santidade que, numa quente tarde de verão, o Homem-Deus havia lançado em seu infantil coração. O grão de trigo estava morto, jazendo por terra, caído sob os golpes de um ódio bestial e injusto. Os lábios do jovem pregador não mais se abririam para invectivar com palavras de fogo; as dedicadas mãos do diácono não mais se moveriam para batizar ou servir; sua nobre presença, insuportável para os maus e doce para os bons, não mais se faria sentir; tudo isso estava agora reduzido a um pobre corpo ensangüentado, sem vida. Entretanto, os inimigos não festejaram com manifestações de alegria sua vitória homicida. Ao contrário, diante da demonstração de fé e de nobreza que acabava de presenciar, a assistência retirou-se pesarosa e frustrada, procurando fugir daquele trágico espetáculo que lhe incomodava a consciência. Estêvão, o derrotado, havia vencido! Seu testemunho de fé seria alento para os cristãos até o fim dos tempos. E seu generoso holocausto não tardaria em frutificar na alma daquele infame jovem que aprovara a sua morte: de Saulo surgiria Paulo, o incansável Apóstolo dos gentios, graças ao sacrifício e às orações do primeiro mártir a quem outrora Jesus havia olhado! Revista Arautos do Evangelho, Dez/2005, n. 48, p. 19 à 21) #SantodoDia
- Santo Estevão, primeiro mártir cristão – 26 de Dezembro
ANTO DO DIA – 26 DE DEZEMBRO – SANTO ESTEVÃO Protomártir (+35) O primeiro mártir cristão aparece nos Atos dos Apóstolos por ocasião de uma desavença, talvez a primeira, surgida na comunidade cristã de Jerusalém depois da Ascensão de Jesus: ‘[…] surgiram murmurações dos helenistas contra os hebreus. Isto porque, diziam aqueles, suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária’. A primeira comunidade cristã, para viver integralmente o preceito da caridade fraterna, pusera à disposição das pessoas todos os bens, distribuindo diariamente o suficiente para o sustento. Tal incumbência foi confiada a sete ministros da caridade, chamados diáconos, escolhidos entre homens dignos, ‘de boa reputação, repletos do Espírito e de sabedoria’. Entre estes sete destacava-se Estêvão, ‘homem cheio de fé e do Espírito Santo’, o qual não se limitava à caridade material, mas desempenhava um verdadeiro e próprio apostolado da palavra. E o fazia com tanto zelo e sucesso que os judeus ‘chegando de improviso, arrebataram-no e o levaram à presença do Sinédrio. Aí apresentaram testemunhas falsas que depuseram: Este homem não cessa de falar contra este lugar santo e contra a Lei. Pois ouvimo-lo dizer repetidamente que esse Jesus, o Nazareu, destruíra este Lugar e modificará os costumes que Moisés nos transmitiu’. Era a mesma acusação levantada contra Jesus dois anos antes. A pregação de Estêvão baseava-se em uma visão católica do cristianismo, ue desagradava aos próprios judeus ainda ligados ao nacionalismo hebraico. Diante do tribunal judaico, Estêvão, ‘cheio de graça e de poder’, procurou iluminar aquelas mentes fechadas à mensagem evangélica, demonstrando que Deus se revela também fora dos limites do templo santo. Todavia, quando se preparava para expor a doutrina universal do Messias, encarnado em Jesus, como definitiva manifestação de Deus, seus acusadores impediram-no de prosseguir e ‘dando grandes gritos, taparam os ouvidos e precipitaram-se sobre ele. E, arrastando-o para fora da cidade, começaram a apedrejá-lo’. Isso é o que dizem os Atos dos Apóstolos. Depois, no século V, um ‘Martyrium Stephani’ teceu em torno da heroica figura do primeiro mártir uma lenda rica em pormenores. O reencontro de suas relíquias, ocorrido em 415, por obra do padre Luciano de Kefar-Gamla, tornou ainda mais popular esse santo. Contam-se em Roma umas três dezenas de capelas e igrejas [a ele consagradas], das quais a mais famosa, Santo Estêvão Redondo, no Monte Célio, erigida pelo papa Simplício, no século V, foi lugar de peregrinações dos próprios pontífices. Do livro: ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. Santo Estêvão Protomártir: O menino para quem Jesus olhou… Por duas vezes, Nosso Senhor tomou um menino como exemplo para os discípulos, enaltecendo o valor da inocência. Estêvão, o primeiro mártir da Igreja, teve o incomensurável privilégio de ser um deles. Ao lermos as palpitantes páginas dos Evangelhos, sentimo-nos convidados a sair do corriqueiro da vida cotidiana para sermos transportados a páramos mais elevados de onde parece emergir, suave e majestosamente, a figura de Jesus. Podemos então imaginar aquela sagrada silhueta iluminada pelos últimos raios de um sol poente, andando pelas poeirentas estradas da Galiléia ou acariciando com sua sombra benfazeja as frescas margens do lago de Tiberíades. Em todas as suas atitudes, em seus nobres gestos e em suas palavras repassadas de seriedade, o Divino Mestre deixavatransparecer aquele insuperável amor pelas criaturas. Seu olhar doce e atraente procurava com divino afã almas dóceis a seus conselhos, que quisessem sujeitar-se ao suave domínio de seu jugo. Que alegria experimentava aquele Coração amoroso ao encontrar, em meio às ruidosas multidões que O seguiam, algum coração puro e inocente, inteiramente aberto e consoante com o seu! “Tomando um menino, colocou-o no meio deles; abraçou-o e disse-lhes: ‘Quem recebe um destes meninos em meu nome, a Mim é que recebe; e quem recebe a Mim, não Me recebe, mas Aquele que Me enviou’” (Mc 9, 36-37). Cena admirável: a Inocência incriada inclinasse com agrado sobre a inocência criada! Oh feliz criança cuja candura atraiu os olhares do Salvador! Quem era aquele menino? Conhece- se ao menos seu nome? Sabe-se qual foi seu destino? Pregação de Santo Estevão, mártire por Charles Joseph Natoire, sec XVIII.JPG “Homem cheio de fé e do Espírito Santo” Uma piedosa tradição multissecular conta-nos que se tratava de Estêvão. Desde cedo recebera esmerada educação na escola de Gamaliel, famoso doutor da lei. Em pouco tempo, graças à sua inteligência e aplicação, Estêvão tornou-se um entendido nas Sagradas Escrituras. Segundo Santo Agostinho, quando ouviu a pregação de Pedro um raio da graça penetrou seu coração e o jovem decidiu abraçar a fé cristã com grande entusiasmo. Logo de início, destacou-se por seu zelo e virtude de tal modo que nos Atos dos Apóstolos Lucas no-lo descreve como “homem cheio de fé e do Espírito Santo” (At 6, 5). A pregação incessante dos Apóstolos, após Pentecostes, fazia aumentar a cada dia a multidão dos fiéis que acreditavam no Senhor. Surgiu, porém, nesses dias um problema: os cristãos gregos queixavam-se de que suas viúvas estavam sendo negligenciadas na distribuição diária de auxílio. Necessitando dedicar-se exclusivamente à oração e ao ministério da palavra, decidiram os Doze encarregar desse ofício “sete homens de boa reputação” (At 6, 3), e Estêvão foi um dos escolhidos. Imediatamente entregou-se ele ao serviço dos irmãos. Rosto semelhante ao de um anjo Tudo parecia pouco para o ardoroso ímpeto daquele jovem que “cheio de graça e fortaleza, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo” (At 6, 8). Em meio aos árduos trabalhos, encontrava alento na rememoração daquele olhar meigo e sereno de Jesus que anos atrás havia acariciado seus cabelos de menino. E no mais profundo de seu ser acalentava o sonho de um dia poder misturar o seu próprio sangue ao Preciosíssimo Sangue derramado até a última gota no alto do Gólgota. Os inimigos de Cristo não podiam suportar por muito tempo a presença do intrépido jovem que lhes lembrava pública e continuamente a imagem do Crucificado. Desejosos de reduzir ao silêncio pregador tão importuno, “levantaram- se para disputar com ele, mas não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito que o inspirava” (At 6, 9-10). Enfurecidos ao verem-se impotentes, “agarraram-no e o levaram ao Grande Conselho” (At 6, 12). Mas ele não se acovardou: calmo e sereno, enfrentou o populacho amotinado e as falsas acusações de testemunhas subornadas que lhe imputavam o crime de ter blasfemado contra Moisés e contra Deus. A alegria de poder oferecer sua vida pelo Senhor pervadia-lhe a alma e refletia-se exteriormente, de modo que “todos os membros do Grande Conselho viram o seu rosto semelhante ao de um anjo” (At 6, 15). “Esbravejavam de raiva e rangiam os dentes contra ele” Interrogado pelo Sumo Sacerdote, Estêvão com longo e abrasado discurso, no qual manifestou filial respeito e veneração pelos antigos patriarcas, louvou a piedade de Abraão, a paciência de José e os grandiosos feitos de Moisés; e mostrou quão injustas e infundadas eram as acusações contra ele proferidas. Depois, inflamado de santa ousadia, exclamou: “Homens de dura cerviz, e de corações e ouvidos incircuncisos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo! Como procederam vossos pais, assim procedeis vós também! A qual dos profetas não perseguiram os vossos pais? Mataram os que prediziam a vinda do Justo, do qual vós agora tendes sido traidores e homicidas. Vós que recebestes a lei pelo ministério dos anjos e não a guardastes…” (At 7, 51-53). O corajoso diácono não pôde terminar seu inspirado testemunho. Aquelas palavras eram por demais verdadeiras para serem suportadas pelos inimigos da fé, os quais “esbravejavam de raiva e rangiam os dentes contra ele” (At 7, 54). Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, permanecia de pé, no meio daquela hostil assembléia. Os insultos para ele nada representavam. Pelo contrário, eram um estímulo para crer nos coros de anjos que, além das muralhas das aparentes realidades desta vida, o aguardavam com uma palma e uma coroa. Levantando os olhos para o céu, viu aparecer-lhe o próprio Jesus,refulgente de glória, sustentando-o com seu divino olhar naquele supremo instante. E exclamou cheio de gozo: “Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus” (At 7, 56). Ouvindo isso, os membros do Grande Conselho rasgaram as vestes e taparam os ouvidos enquanto, com grandes gritos, clamavam pela morte do “blasfemador”. Estêvão viu-se rodeado por uma multidão ululante e sedenta de vingança que o empurrava violentamente para fora da cidade. Lá chegando, começaram a apedrejá-lo. Em meio a horríveis sofrimentos, o atleta de Cristo orava: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At 7, 59). Nem mesmo uma tão sublime cena conseguiu comover algum desses corações endurecidos; cegos de ódio, continuavam a lançar enormes pedras sobre a inocente vítima. Posto de joelhos, Estêvão percorreu uma última vez com os olhos a horda criminosa dos perseguidores. Suas vistas, já turvadas pela iminência da morte, detiveram-se, por alguns momentos, sobre um jovem de Tarso que guardava os mantos dos apedrejadores. Saulo, o fanático adepto dos fariseus, o adversário irreconciliável de Jesus Cristo, sentiu-se perturbado ante a insistência daquele olhar que o fixava com expressão severa e compassiva. E o angelical diácono exclamou em alta voz: “Senhor, não lhes leves em conta este pecado… E a estas palavras expirou” (At 7, 60). Na aparente derrota, a vitória suprema Tudo estava consumado. O primeiro mártir acabava de regar com o seu próprio sangue aquela semente de santidade que, numa quente tarde de verão, o Homem-Deus havia lançado em seu infantil coração. O grão de trigo estava morto, jazendo por terra, caído sob os golpes de um ódio bestial e injusto. Os lábios do jovem pregador não mais se abririam para invectivar com palavras de fogo; as dedicadas mãos do diácono não mais se moveriam para batizar ou servir; sua nobre presença, insuportável para os maus e doce para os bons, não mais se faria sentir; tudo isso estava agora reduzido a um pobre corpo ensangüentado, sem vida. Entretanto, os inimigos não festejaram com manifestações de alegria sua vitória homicida. Ao contrário, diante da demonstração de fé e de nobreza que acabava de presenciar, a assistência retirou-se pesarosa e frustrada, procurando fugir daquele trágico espetáculo que lhe incomodava a consciência. Estêvão, o derrotado, havia vencido! Seu testemunho de fé seria alento para os cristãos até o fim dos tempos. E seu generoso holocausto não tardaria em frutificar na alma daquele infame jovem que aprovara a sua morte: de Saulo surgiria Paulo, o incansável Apóstolo dos gentios, graças ao sacrifício e às orações do primeiro mártir a quem outrora Jesus havia olhado! Revista Arautos do Evangelho, Dez/2005, n. 48, p. 19 à 21) #SantodoDia
- Conheça 4 santos receberam como presente de Natal o próprio Menino Jesus
Alguns santos tiveram a alegria de ter o melhor presente de Natal de todos: puderam ver o Menino Jesus em pessoa. Sabe-se de ao menos quatro santos que tiveram a benção de uma experiência mística com o Menino de Belém e a descreveram em suas cartas ou diários: Santa Teresinha do Menino Jesus Como ela escreveu em seu diário, que mais tarde seria sua autobiografia intitulada “História de uma alma”, na véspera de Natal de 1886, ela teve um momento místico com Jesus: “Naquela noite abençoada, o doce Menino Jesus, com apenas uma hora de idade, encheu a escuridão da minha alma com raios de luz. Ao se tornar fraco e pouco por amor a mim, ele me fez forte e corajosa: ele colocou suas próprias armas em minhas mãos para que eu fosse de vitória em vitória, começando, se posso assim dizer, a correr como uma gigante”. Santa Gemma Galgani Em 1902, a santa presenciou uma aparição em plena Missa do Galo. Na hora do ofertório, o Menino Jesus se aproximou dela e a apresentou à Virgem desta maneira: “Vi Jesus, que me ofereceu como vítima ao Pai Eterno. Eu fiquei muito feliz. Ele me atraiu para ele; então ele me levou à nossa Mãe e me apresentou a ela dizendo: “Esta minha filha querida, tu deves considerá-la como filha da minha Paixão”. Ela escreveu toda a sua experiência mística ao seu diretor espiritual. No final, ela disse: “Padre, meu coração continua batendo forte”. Santa Faustina Kowalska No Diário de Santa Faustina, se pode ler como a santa descreveu sua visão da Noite Santa em 1937: ”Quando cheguei à missa da meia-noite, desde o início mergulhei em uma lembrança profunda, durante a qual vi o estábulo de Belém cheio de grande esplendor. A Santíssima Virgem, toda perdida no amor mais profundo, envolvia Jesus em panos, mas São José ainda dormia. Só depois que a Mãe de Deus colocou Jesus na manjedoura, a luz de Deus despertou José, que também orou. Mas depois de um tempo, fiquei sozinha com o Menino Jesus, que estendeu as pequenas mãos até mim e eu entendi que deveria segurá-lo em meus braços. Jesus pressionou sua cabeça contra o meu coração e me fez compreender, pelo seu olhar profundo, o quanto ele gostava de estar ao lado do meu coração.” São Francisco de Assis São Boaventura, redator da biografia de São Francisco de Assis, escreveu como o Menino Jesus apareceu na frente de uma multidão que observava o presépio feito por São Francisco: “O homem de Deus [São Francisco] estava diante da manjedoura, cheio de devoção e misericórdia, banhado em lágrimas e radiante de alegria; O Santo Evangelho foi encantado por Francisco, o levita de Cristo. Então ele pregou ao povo em torno da natividade do pobre rei; e incapaz de pronunciar seu nome por causa da ternura do seu amor, ele o chamou de “bebê de Belém”. Um corajoso soldado, John de Greccio, que, pelo amor de Deus, havia abandonado a guerra deste mundo e se tornado um amigo querido desse homem santo, disse que viu a criança maravilhosamente linda dormindo na manjedoura, a quem o abençoado pai Francisco abraçou com os dois braços, como se o despertasse do sono.” Fonte: Churchpop #Natal
- Conheça 4 santos receberam como presente de Natal o próprio Menino Jesus
Alguns santos tiveram a alegria de ter o melhor presente de Natal de todos: puderam ver o Menino Jesus em pessoa. Sabe-se de ao menos quatro santos que tiveram a benção de uma experiência mística com o Menino de Belém e a descreveram em suas cartas ou diários: Santa Teresinha do Menino Jesus Como ela escreveu em seu diário, que mais tarde seria sua autobiografia intitulada “História de uma alma”, na véspera de Natal de 1886, ela teve um momento místico com Jesus: “Naquela noite abençoada, o doce Menino Jesus, com apenas uma hora de idade, encheu a escuridão da minha alma com raios de luz. Ao se tornar fraco e pouco por amor a mim, ele me fez forte e corajosa: ele colocou suas próprias armas em minhas mãos para que eu fosse de vitória em vitória, começando, se posso assim dizer, a correr como uma gigante”. Santa Gemma Galgani Em 1902, a santa presenciou uma aparição em plena Missa do Galo. Na hora do ofertório, o Menino Jesus se aproximou dela e a apresentou à Virgem desta maneira: “Vi Jesus, que me ofereceu como vítima ao Pai Eterno. Eu fiquei muito feliz. Ele me atraiu para ele; então ele me levou à nossa Mãe e me apresentou a ela dizendo: “Esta minha filha querida, tu deves considerá-la como filha da minha Paixão”. Ela escreveu toda a sua experiência mística ao seu diretor espiritual. No final, ela disse: “Padre, meu coração continua batendo forte”. Santa Faustina Kowalska No Diário de Santa Faustina, se pode ler como a santa descreveu sua visão da Noite Santa em 1937: ”Quando cheguei à missa da meia-noite, desde o início mergulhei em uma lembrança profunda, durante a qual vi o estábulo de Belém cheio de grande esplendor. A Santíssima Virgem, toda perdida no amor mais profundo, envolvia Jesus em panos, mas São José ainda dormia. Só depois que a Mãe de Deus colocou Jesus na manjedoura, a luz de Deus despertou José, que também orou. Mas depois de um tempo, fiquei sozinha com o Menino Jesus, que estendeu as pequenas mãos até mim e eu entendi que deveria segurá-lo em meus braços. Jesus pressionou sua cabeça contra o meu coração e me fez compreender, pelo seu olhar profundo, o quanto ele gostava de estar ao lado do meu coração.” São Francisco de Assis São Boaventura, redator da biografia de São Francisco de Assis, escreveu como o Menino Jesus apareceu na frente de uma multidão que observava o presépio feito por São Francisco: “O homem de Deus [São Francisco] estava diante da manjedoura, cheio de devoção e misericórdia, banhado em lágrimas e radiante de alegria; O Santo Evangelho foi encantado por Francisco, o levita de Cristo. Então ele pregou ao povo em torno da natividade do pobre rei; e incapaz de pronunciar seu nome por causa da ternura do seu amor, ele o chamou de “bebê de Belém”. Um corajoso soldado, John de Greccio, que, pelo amor de Deus, havia abandonado a guerra deste mundo e se tornado um amigo querido desse homem santo, disse que viu a criança maravilhosamente linda dormindo na manjedoura, a quem o abençoado pai Francisco abraçou com os dois braços, como se o despertasse do sono.” Fonte: Churchpop #Natal
- Solenidade do Natal de Jesus – 25 de Dezembro
SANTO DO DIA – 25 DE DEZEMBRO – NATAL DE JESUS Solenidade E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória…” (Jo 1,14). A encarnação do Verbo de Deus assinala o início dos “últimos tempos”, isto é, a redenção da humanidade por parte de Deus. Cega e afastada de Deus, a humanidade viu nascer a luz que mudou o rumo da sua história. O nascimento de Jesus é um fato real que marca a participação direta do ser humano na vida divina. Esta comemoração é a demonstração maior do amor misericordioso de Deus sobre cada um de nós, pois concedeu-nos a alegria de compartilhar com ele a encarnação de seu Filho Jesus, que se tornou um entre nós. Ele veio mostrar o caminho, a verdade e a vida, e vida eterna. A simbologia da festa do Natal é o nascimento do Menino-Deus. No início, o nascimento de Jesus era festejado em 6 de janeiro, especialmente no Oriente, com o nome de Epifania, ou seja, manifestação. Os cristãos comemoravam o natalício de Jesus junto com a chegada dos reis magos, mas sabiam que nessa data o Cristo já havia nascido havia alguns dias. Isso porque a data exata é um dado que não existe no Evangelho, que indica com precisão apenas o lugar do acontecimento, a cidade de Belém, na Palestina. Assim, aquele dia da Epifania também era o mais provável em conformidade com os acontecimentos bíblicos e por razões tradicionais do povo cristão dos primeiros tempos. Entretanto, antes de Cristo, em Roma, a partir do imperador Júlio César, o 25 de dezembro era destinado aos pagãos para as comemorações do solstício de inverno, o “dia do sol invencível”, como atestam antigos documentos. Era uma festa tradicional para celebrar o nascimento do Sol após a noite mais longa do ano no hemisfério Norte. Para eles, o sol era o deus do tempo e o seu nascimento nesse dia significava ter vencido a deusa das trevas, que era a noite. Era, também, um dia de descanso para os escravos, quando os senhores se sentavam às mesas com eles e lhes davam presentes. Tudo para agradar o deus sol. No século IV da era cristã, com a conversão do imperador Constantino, a celebração da vitória do sol sobre as trevas não fazia sentido. O único acontecimento importante que merecia ser recordado como a maior festividade era o nascimento do Filho de Deus, cerne da nossa redenção. Mas os cristãos já vinham, ao longo dos anos, aproveitando o dia da festa do “sol invencível” para celebrar o nascimento do único e verdadeiro sol dos cristãos: Jesus Cristo. De tal modo que, em 354, o papa Libério decretou, por lei eclesiástica, a data de 25 de dezembro como o Natal de Jesus Cristo. A transferência da celebração motivou duas festas distintas para o povo cristão, a do nascimento de Jesus e a da Epifania. Com a mudança, veio, também, a tradição de presentear as crianças no Natal cristão, uma alusão às oferendas dos reis magos ao Menino Jesus na gruta de Belém. Aos poucos, o Oriente passou a comemorar o Natal também em 25 de dezembro. Passados mais de dois milênios, a Noite de Natal é mais que uma festa cristã, é um símbolo universal celebrado por todas as famílias do mundo, até as não-cristãs. A humanidade fica tomada pelo supremo sentimento de amor ao próximo e a Terra fica impregnada do espírito sereno da paz de Cristo, que só existe entre os seres humanos de boa vontade. Portanto, hoje é dia de alegria, nasceu o Menino-Deus, nasceu o Salvador. Texto: Paulinas Internet Uma Grande Alegria Assim como os pastores encontraram aquele adorável Menino reclinado sobre as palhas do presépio, nós também podemos reencontrá-Lo “reclinado” nos Tabernáculos de todo o mundo. Era noite. Os pastores que apascentavam seus rebanhos tinham acabado de ouvir o anúncio da Boa Nova que o Anjo lhes fizera, e disseram entre si: “Vamos até Belém e vejamos o que se realizou e o que o Senhor nos manifestou” (Lc 2, 15). Partiram então”com grande pressa” (Lc 2, 16) para a gruta, a fim de adorar o Verbo feito carne e servir de testemunhas do grande acontecimento para as épocas futuras. Docilidade à voz do Anjo Ao compreenderem o significado da notícia – a chegada do Messias – os pastores haviam sido tomados de um misto de temor reverencial e de consolação, mas não duvidaram sequer um segundo. Bastou a mensagem transmitida pelo celeste embaixador para robustecê-los na fé e confirmar suas esperanças. Sem dúvida, a luminosa aparição do Anjo veio acompanhada de uma graça especial que os fazia pressentir a grandeza do acontecimento anunciado. Flexíveis à voz do sobrenatural, não manifestaram reservas, não opuseram objeções; pelo contrário, deixaram tudo, abandonando com presteza até mesmo os rebanhos confiados à sua guarda e se dirigiram sem demora em busca do “Recém-nascido, envolto em faixas e posto numa manjedoura” (Lc 2, 12). Ali, como os Apóstolos que, anos mais tarde, seriam chamados de bem-aventurados pelo Divino Mestre, também eles poderiam ter ouvido dos lábios do Salvador: “Felizes os vossos olhos porque vêem! Ditosos os vossos ouvidos porque ouvem!” (Mt 13, 16). A humildade dos pastores atraiu o olhar de Deus Aqueles rudes camponeses foram objeto dessa predileção, por parte da Bondade Divina, muito mais por serem pobres de espírito do que por sua modesta condição social. A virtude da humildade, que os tornava aptos para compreender os mistérios de Deus, sem opor ceticismos arrogantes, atraiu sobre eles os olhares do Altíssimo, da mesma forma como Maria Santíssima, por Sua insuperável despretensão, foi escolhida para ser Mãe do Redentor. Já em Seu nascimento Jesus mostrava, assim, Seu amor pelos mais pequeninos, por aqueles que, reconhecendo seu nada ou até mesmo sua falência espiritual, põem toda a sua confiança no poder de Deus. Há quem possa ver nessa atitude de submissão diante de Deus, tão própria aos santos de todos os tempos, uma desprezível manifestação de ignorância ou insuficiência. Mas essa é a opinião daqueles que o próprio Jesus denominaria como os “sábios e entendidos” (Mt 11, 25) deste mundo e que, por conseguinte, acham-se privados do conhecimento das coisas divinas, por cegarem- se a si mesmos. A sabedoria verdadeira – esta sim, possuíam-na os pastores -, alcançaraa em altíssimo grau a virginal Senhora que Se inclinava em adoração ante a mísera manjedoura transformada em trono real. Movidos por essa “sabedoria da humildade”, os pastores haviam corrido até o estábulo e contemplavam a Sabedoria em Pessoa, que repousava placidamente sobre as palhas: “Ela apareceu sobre a terra, e habitou entre os homens” (Br 3, 38). O presépio de Belém e os altares da Igreja Hoje, de certo modo, se repete a cada dia o mistério de Belém. Dois milênios depois do nascimento de Cristo, as igrejas se encontram multiplicadas pelo mundo, e nos seus Tabernáculos repousa Jesus, verdadeiramente presente, embora oculto sob os véus do Pão Eucarístico, assim como repousou outrora sobre as palhas da manjedoura, envolto nos panos que Maria Santíssima Lhe preparara. A mesma presteza que admiramos nos pastores deve impelir-nos, também nós, a deixar tudo e correr para o altar, a fim de encontrar o Senhor que desce do Céu. Nos altares da Igreja, obediente à voz do sacerdote, nasce Nosso Senhor Jesus Cristo uma vez mais, fazendo-nos lembrar a maneira como Ele Se apresentou ante os olhares maravilhados da Virgem Mãe, de São José e dos pastores, naquela noite santa. O Natal não é uma mera recordação histórica A festa de Natal encerra um significado litúrgico extraordinário: embora o Santo Sacrifício seja oferecido todos os dias nos altares de tantas igrejas espalhadas pelo mundo, ele se reveste de uma unção e densidade simbólicas particulares na noite de 24 para 25 de dezembro. Não se trata apenas da recordação de fatos históricos envoltos nas brumas do passado, mas de uma realidade mais profunda do que aquela que captamos através dos sentidos. A Liturgia do Natal traz um conjunto de graças vinculadas a esse mistério, as quais se derramam sobre nossos corações quando o celebramos com fervor sincero. “O ano litúrgico – ensinava o Sumo Pontífice Pio XII – que a piedade da Igreja alimenta e acompanha, não é uma fria e inerte representação de fatos que pertencem ao passado, ou uma simples e nua evocação da realidade de outros tempos. É, antes, o próprio Cristo, que vive sempre na sua Igreja e que prossegue o caminho de imensa misericórdia por Ele iniciado, piedosamente, nesta vida mortal, quando passou fazendo o bem, com o fim de colocar as almas humanas em contato com os Seus mistérios e fazê-las viver por eles, mistérios que estão perenemente presentes e operantes, não de modo incerto e nebuloso, de que falam alguns escritores recentes, mas porque, como nos ensina a doutrina católica e segundo a sentença dos doutores da Igreja, são exemplos ilustres de perfeição cristã e fonte de graça divina pelos méritos e intercessão do Redentor”.1 A Fé em Nosso Senhor, deitado na manjedoura e presente na Eucaristia Hoje não vemos, como os pastores, o Divino Menino deitado sobre as palhas, mas contemplamo-Lo, com os olhos da Fé, na Hóstia imaculada que o sacerdote apresenta para a adoração dos fiéis; não ouvimos as vozes dos anjos fazendo ecoar o “Glória!” pelas vastidões dos céus, mas chega até nós o apelo da Igreja, convidando seus filhos: “Venite gentes et adorate!”. Se grande foi a Fé daqueles homens simples ao acreditarem que, naquele pequenino vindo à terra em tal despojamento, e aquecido tão-só pelo bafo dos animais, ocultava-Se o próprio Deus, a nossa Fé poderá alcançar grau mais elevado se considerarmos esse mesmo Deus escondido na Eucaristia. E poderemos, nós também, ser contados entre os homens que o Senhor chamou de bem-aventurados: “Felizes aqueles que crêem sem ter visto!” (Jo 20, 29). Jesus, a Beleza suprema, vela-Se em vão aos olhos de quem tem Fé: apesar da infância à qual O reduziu seu amor, seu poder se manifesta nesse dia, e só Ele – quer sob a figura de frágil criança, quer sob as espécies eucarísticas – derrota os infernos e resgata a humanidade da vil escravidão do pecado. Natal: uma “clareira” alegre e luminosa Quantas graças de alegria e consolação concedidas por ocasião do Natal! A cada ano, em todas as épocas da Era Cristã, esta festa máxima abre uma “clareira” alegre e luminosa no curso normal, por vezes tão cheio de sofrimentos e angústias, da vida de todos os dias. Dominados pelas preocupações concretas ou pela ilusão deste mundo passageiro, os homens esquecem-se facilmente da eternidade que os espera e olham para esta terra como para seu fim último. Todos se afanam em busca da felicidade; entretanto, só uma é a verdadeira, e o Divino Menino vem para apontar o único caminho que a ela conduz: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6). E nessa noite silenciosa, todos param diante da gruta de Belém, gozando, ainda que por alguns instantes, dessa alegria envolvente, trazida pelo Redentor. “Ali, os maus cessam seus furores, ali, repousam os exaustos de forças, ali, os prisioneiros estão tranqüilos, já não mais ouvem a voz do exator. Ali, juntos, os pequenos e os grandes se encontram, o escravo ali está livre do jugo do seu senhor” (Jó 3, 17-19). De onde vem a felicidade que sentimos no Natal? Prolonguemos esses momentos de alegria vividos aos pés da manjedoura ou em torno do altar. De onde nos vem, ao certo, essa felicidade? Onde a poderemos encontrar? Encarnando-Se, Deus quis fazer- Se um de nós, para tornar essa felicidade ainda mais acessível, mais atraente, mais encantadora. Ao entrar neste mundo, o Divino Infante abre seus braços num gesto que prenuncia Sua missão salvadora e parece exclamar: “Eis que venho. […] Com prazer faço a vossa vontade” (Sl 39, 8-9), manifestando neste ato Sua perfeita obediência ao Pai, selada no Getsêmani: “Faça-se a vossa vontade e não a minha” (Lc 22, 42). Assim, na esplendorosa noite de Natal inicia-se o grande mistério da Redenção, em sua dupla perspectiva: é o perdão concedido ao homem réu, manchado pela culpa de Adão e por suas más ações; e também a elevação desse mesmo homem à ordem sobrenatural, convidando-o a participar da Família Divina, pelo dom da graça. Nessa adorável Criança vemos nossa pobre natureza galgar alturas inimagináveis, às quais seria incapaz de subir por suas próprias forças, e entrar na intimidade do Deus inacessível e infinito. Celebramos a nossa própria deificação O santo Papa Leão Magno, em seu célebre sermão sobre o Natal, mostrou, com palavras inspiradas, essa alegria universal que nos traz o nascimento de Cristo: “Ninguém está excluído da participação nesta felicidade. A causa da alegria é comum a todos, porque Nosso Senhor, vencedor do pecado e da morte, não tendo encontrado ninguém isento de culpa, veio libertar a todos. Exulte o justo, porque se aproxima da vitória; rejubile o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; reanime-se o pagão, porque é chamado à vida”.2 No Redentor, reclinado no presépio, vemos nossa humanidade, reconhecemos nEle um Irmão, “em tudo semelhante a nós, exceto no pecado” (Hb 4, 15); nos pastores, e em todos aqueles que circundam a manjedoura ou o altar, admiramos uma luz, de fulgor até então desconhecido, que brilha, expulsando as trevas da maldição do pecado no qual estavam envoltos. “Oh admirável intercâmbio! O Criador do gênero humano, assumindo corpo e alma, quis nascer de uma Virgem; e, tornando-Se homem sem intervenção do homem, nos doou sua própria divindade!”.3 Celebramos, pois, no Natal, a nossa própria deificação. É preciso retribuir todo esse amor Quem não corresponderá com amor ao próprio Amor em Pessoa? Quem, remido, não se ajoelhará em adoração ante a fragilidade de um Redentor que Se faz pequeno para engrandecer os homens? Também nós, resta-nos retribuir esse mesmo amor ao Pequeno Rei que hoje Se nos entrega no mistério do altar. O amor torna o amante semelhante ao amado, afirma o grande místico São João da Cruz. Para consolidar essa união é necessário, entretanto, que Um desça até o outro pela ternura, ou que o segundo suba até o Primeiro pela veneração. Jesus já desceu até nós pela compaixão, pelo afeto, pela ternura… Subamos até Ele, ou melhor, peçamos, por intercessão de sua Mãe Santíssima, que Ele mesmo nos faça subir. Bem junto ao altar, entoando com os lábios o “Venite gentes et adorate” da Liturgia, cantemos com o coração nossa entrega sem reservas ao Menino Salvador. 1 Pio XII, Mediator Dei, n. 150. 2 Sermo 1 in Nativitate Domini. 3 Liturgia das Horas. Antífona da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, I Vésperas. (Revista Arautos do Evangelho, Dez/2008, n. 84, p. 20 a 23) O verdadeiro significado do Natal Difícil é, num mundo marcado pelo laicismo, ter bem presentes o autêntico significado do Santo Natal e o benefício incomensurável que representou para os homens a Encarnação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14). Desse modo singelo resumiu o Discípulo Amado o maior acontecimento da História. Suas despretensiosas palavras sintetizam o rico e insondável conteúdo do grandioso mistério comemorado a cada 25 de dezembro: na obscuridade das trevas do paganismo, raiou a aurora de nossa salvação. Fez-Se homem o Esperado das nações, Aquele que tinha sido anunciado pelos profetas. Cenário tomado pelo sobrenatural Na noite em que Jesus veio ao mundo, pairava sobre Belém uma atmosfera de paz e alegria. A natureza parecia estar em júbilo enquanto, dentro de uma gruta inóspita, um santo casal contemplava seu Filho recém-nascido. Ela é a Mãe das mães, concebida sem pecado original, criatura perfeita, na qual o Criador depositou toda a graça. Ao seu lado encontra-se São José, esposo castíssimo, varão justo cujo amor a Deus, integridade e sabedoria o tornam digno de tão augusta Esposa. E a Criança que ambos contemplam é o próprio Deus, que assume nossa natureza para dar a maior prova possível de seu amor à humanidade. Quão sublime atmosfera envolvia aquele cenário paupérrimo! O ambiente no qual nasceu o Menino Deus devia estar tão tomado pelo sobrenatural que, se alguém tivesse a dita de entrar naquela gruta, ficaria imediatamente arrebatado por toda sorte de graças. Foi o que ocorreu com os pastores. Após o aviso dos Anjos, correram em direção à gruta e lá encontraram o Rei do Universo deitado sobre palhas. Abismados pela grandeza dessa cena, que contemplavam também com os olhos da Fé, não tiveram outra atitude senão a da adoração. Que extraordinária dádiva receberam, sendo os primeiros a contemplar o Criador do Céu e da Terra feito homem, envolto em faixas, numa manjedoura! Deus quis apresentar-Se de forma exemplarmente humilde Considerando as imponentes manifestações da natureza que acompanhavam as intervenções de Deus no Antigo Testamento — o mar se abre, o monte fumega, o fogo cai do céu e reduz cidades a cinzas —, resulta surpreendente constatar a humildade e discrição com que Cristo veio ao mundo. Não teria sido mais condizente com a grandeza divina que, na noite de Natal, sinais magníficos marcassem o acontecimento no Céu e na Terra? Não poderia, ao menos, ter nascido Jesus num magnífico palácio e convocado os maiores potentados da Terra para prestar-Lhe homenagens? Bastar- Lhe-ia um simples ato de vontade para que isso acontecesse… Mas, não! O Verbo preferiu a gruta a um palácio; quis ser adorado por pobres pastores, ao invés de grandes senhores; aqueceu-Se com o bafo dos animais e a rudeza das palhas, em lugar de usar ricas vestes e dourados braseiros. Nem mesmo quis dar ordem ao frio para que não O atingisse. Num sublime paradoxo, desejava a Majestade infinita apresentar-Se de forma exemplarmente humilde. Pois, apesar das pobres aparências, Aquele Menino era a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. NEle dava-se a união hipostática da natureza divina com a humana, conforme explica o renomado padre Boulenger: “União é o estado de duas coisas que se acham juntas. Ela pode realizar- se ora nas naturezas, por exemplo, quando o corpo e a alma unemse para formar uma só natureza humana; e ora na pessoa, quando se unem duas naturezas na mesma pessoa. Esta última união chama-se hipostática, porque, em grego, os dois termos, hipóstase (suporte) e pessoa, têm igual significação teológica”.1 E, depois da união, essas duas naturezas permaneceram perfeitamente íntegras e inconfundíveis na Pessoa de Cristo, que não é humana, mas divina. Por esse motivo é Ele chamado Homem-Deus. Abismo intransponível Mas, por que quis a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnar- Se em uma tão inferior natureza? Os nossos primeiros pais foram criados no Paraíso Terrestre em estado de inocência original, portanto em justiça e santidade.2 Além disso, na sua infinita bondade, Deus conferiu a Adão dons de três qualidades: naturais, estando todas as propriedades do corpo e da alma perfeitamente ordenadas para alcançar o seu fim natural; sobrenaturais, a graça santificante, ou seja, a participação na própria vida de Deus, e a predestinação à visão de Deus na eterna bem-aventurança; e preternaturais, tais como a ciência infusa, o domínio das paixões e a imortalidade, que constituem o dom de integridade. Como contrapartida a esses imensos benefícios, foi apresentada ao homem uma prova. Devia ele cumprir de modo exímio a lei divina, guiando-se pelas exigências da lei natural gravada no seu coração, e respeitar uma única norma concreta que Deus lhe dera: a proibição de comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, plantada no centro do Jardim do Éden (cf. Gn 2, 9-17). Narra-nos a Sagrada Escritura como a serpente tentou Eva, como caíram nossos primeiros pais e como foram expulsos do Paraíso (cf. Gn 3, 1-23). Em consequência do pecado, boa parte desses privilégios lhes foram retirados. Mas Deus, em sua infinita misericórdia, manteve-lhes os privilégios naturais, como descreve o douto padre Tanquerey: “Contentou-Se de os despojar dos privilégios especiais que lhes tinha conferido, isto é, do dom de integridade e da graça habitual: conservam pois, a natureza e os seus privilégios naturais. É certo que a vontade ficou enfraquecida, se a compararmos ao que era com o dom de integridade; mas não está provado que seja mais fraca do que teria sido no estado de natureza”.3 O Pecado Original abriu entre Deus e os homens um abismo intransponível. As portas do Céu se fecharam e o homem contingente só podia oferecer a Deus uma reparação imperfeita da ofensa cometida. E o Filho ofereceu-Se ao Pai para, “fazendo- Se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2, 8), restituir ao homem a graça perdida com o pecado. O próprio Criador fazia-Se criatura para, com uma generosidade inefável, saldar nossa dívida. O caminho da glória passa pela Cruz Entretanto, por que quis Jesus sofrer o desprezo dos seus coetâneos e os tormentos da Paixão? Estando hipostaticamente unido à Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, qualquer gesto da Sua natureza humana poderia ter redimido a humanidade inteira. Um simples ato de vontade de Cristo teria bastado para obter de Deus o perdão de todos os nossos pecados. Mais uma vez, deparamo-nos com um sublime paradoxo. Com o exemplo de Sua Vida e Paixão, queria Jesus ensinar-nos que, neste vale de lágrimas, a verdadeira glória só vem da dor. E como o Pai desejava para Seu Filho o máximo grau de glória, permitiu que Ele passasse pelo extremo limite do sofrimento. “O Filho do homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate de muitos” (Mt 20, 28). Já na manjedoura em Belém, nosso Salvador estava ciente de ter vindo ao mundo para expiar nossos pecados. É esse o motivo pelo qual em muitos presépios o Menino Deus nos é apresentado com os braços abertos em cruz. Durante toda a sua vida, de Belém ao Gólgota, Jesus não fez outra coisa senão avançar ao encontro do Sacrifício Supremo que Lhe acarretaria o fastígio da glória. A Terra toda foi renovada Pode haver ser humano mais frágil do que uma criança, habitação mais simples do que uma gruta e berço mais precário do que uma manjedoura? Entretanto, a Criança que contemplamos deitada sobre palhas na gruta de Belém haveria de alterar completamente o rumo dos acontecimentos terrenos. Afirma o historiador austríaco João Batista Weiss: “Cristo é o centro dos acontecimentos da História. O mundo antigo O esperou; o mundo moderno e todo o porvir descansam sobre Ele. A Redenção da humanidade por Cristo é a maior façanha da História universal; sua Vida, a memória mais alta e bela que possui a humanidade; sua doutrina, a medida com que se há de apreciar todas as coisas” . 4 Difícil é, num mundo marcado pelo relativismo e pelo laicismo — quando não pelo ateísmo —, ter bem presentes o verdadeiro significado do Santo Natal e o benefício incomensurável que representou para os homens a Encarnação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Cristo era o varão prometido a Adão logo depois de sua queda, o Messias anunciado durante séculos pelos profetas. Mas a realidade transcendeu qualquer imaginação humana: quem poderia excogitar que Ele seria o próprio Deus encarnado? A vinda de Jesus ao mundo não só abriu-nos as portas do Céu e nos trouxe a Salvação, mas também renovou toda a Terra. Diz São Tomás que Nosso Senhor quis ser batizado, entre outras razões, para santificar as águas.5 E o mesmo aconteceu com todos os outros elementos: a terra foi santificada porque seus divinos pés a pisaram; o ar, porque Ele o respirou; o fogo ardeu com maior vigor e pureza. Podemos sem dúvida dizer que este nosso mundo nunca mais foi o mesmo depois de nele ter vivido, feito homem, o próprio Criador. Não é por acaso que se contam os anos a partir do nascimento de Cristo, pois Ele, realmente, divide a História em duas vertentes. Antes dEle a humanidade era uma, e depois passou a ser diametralmente outra. São duas histórias. Quase poderíamos afirmar serem dois universos! (Revista Arautos do Evangelho, Dez/2009, n. 96, p. 19 à 21) O mistério da estrela de Belém O que teria sido a misteriosa estrela que surgiu nos céus, guiando os Reis Magos até Belém? Emílio Portugal Coutinho Nas Sagradas Escrituras vemos Deus muitas vezes comunicar-se aos homens por meio de sinais na natureza: a brisa da tarde no Paraíso, o arco-íris após o dilúvio, a sarça ardente, a diáfana nuvem de Santo Elias etc. E em seu próprio nascimento, Ele quis usar de um sinal no céu: a Estrela de Belém. Esse fato nos é narrado apenas por um dos evangelistas: São Mateus. Na verdade, naquela época acreditava- se que o nascimento de pessoas importantes estava relacionado com certos movimentos dos astros celestes. Assim, dizia-se que Alexandre o Grande, Júlio César, Augusto e até filósofos como Platão tiveram a sua estrela, aparecida no céu quando eles vieram ao mundo. Muito se tem comentado a respeito da estrela surgida aos três Reis Magos , guiando-os até o local bendito em que o Salvador haveria de nascer. E não faltaram homens de ciência tentando encontrar uma explicação natural para esse evento sobrenatural, centro da história humana. Não temos a pretensão de fazer um compêndio científico a respeito, mas não deixa de ter certo interesse conhecer, ainda que de modo sumário, as principais tentativas de solucionar esse enigma. Uma das primeiras teorias levantadas era que esse astro teria sido o planeta Vênus. Pois a cada 19 meses, pouco antes do nascer do Sol, ele aparece dez vezes mais claro que a mais brilhante das estrelas: a Sírius. Mas esse já era, então, um fenômeno assaz conhecido pelos povos do oriente e, portanto, para os Reis Magos nada teria de extraordinário. Outra hipótese foi levantada por um astrônomo reconhecido nos meios científicos do século XVI: Johannes Kepler. Tentou ele demonstrar com seus longos estudos, que esse astro não era apenas um, mas a conjunção de dois planetas: Júpiter e Saturno. Quando eles se sobrepõem, somam-se os respectivos brilhos. Um fenômeno desses foi por ele observado em 1604 e podia produzir um efeito semelhante ao que nos conta a Bíblia. A partir daí, Kepler defendeu sua teoria. Mas existem três problemas ao fazer essa afirmação: primeiro, essa conjunção dura apenas algumas horas, e a estrela que apareceu para os Reis Magos foi visível por eles durante semanas; segundo, Júpiter e Saturno nunca se fundem completamente numa única estrela. Mesmo a olho nu, seriam sempre visíveis dois corpos; terceiro, ao menos que a data do nascimento do Menino Jesus esteja muito mal calculada, tal conjunção só poderia ter lugar três anos depois. Há quem diga que a estrela foi, na verdade, um meteoro especialmente brilhante. Mas um meteoro só pode durar alguns segundos e seria muito forçado crermos que esses poucos segundos de visibilidade bastariam para guiar os reis magos numa viagem através de quilômetros em um deserto inabitável, e que ao chegarem em Belém, apareceu um outro meteoro semelhante, indicando o local exato onde estava o Menino-Deus. Orígenes, Padre da Igreja nascido em Alexandria, Egito, chegou a acreditar ser a Estrela de Belém um cometa. Pois alguns cometas chegam a ser centenas de vezes maiores que a Terra, e sua luz pode dominar o firmamento durante semanas. Além disso, alguns sustentam que São Mateus teria ficado tão impressionado com o cometa Halley, visto nos céus em 66 d.C. ou pelo testemunho dos mais antigos cristãos que o tinham visto em 12 a.C., que o incluiu na história. Outros afirmam ter sido o próprio Halley, a Estrela de Belém. Mas devemos reconhecer que as duas datas citadas estão muito afastadas do nascimento de Jesus, para serem unidas a ele. E segundo os dados catalogados, não há menção de nenhum outro cometa que tenha sido visto a olho nu entre os anos 7 a.C e 1 d.C., período no qual se aceita ter nascido o Messias. Além disso, é corrente serem os cometas na Antigüidade anunciadores de desgraças e não de bênçãos. Uma última hipótese dita científica é a que tenha sido uma “Nova”. Existem certas estrelas que explodem de tal forma que sua luz aumenta centenas de vezes em poucas horas. São as chamadas “Novas”, ou “Supernovas”, dependendo da intensidade da explosão. Calcula-se que a cada mil anos, aproximadamente, uma estrela se transforme em “Supernova”, sendo este fenômeno visível durante vários meses, até mesmo durante o dia. Mas já não se crê nessa hipótese, pois tais explosões, devido à sua magnitude mesmo depois de séculos deixam traços inconfundíveis no espaço, como manchas estelares etc. Entretanto, até hoje não se descobriu nenhum indício de tal fenômeno ocorrido nesse período histórico. Embora várias tentativas de explicação científica não tenham dado respostas plenamente satisfatórias ao mistério da Estrela de Belém, isso em nada diminui o mérito dos esforçados estudiosos que com reta intenção buscam desvendar os enigmas da natureza. Mas deixando essas hipóteses de lado por um momento, voltemos nossos olhos à outro aspecto da questão: o campo teológico, onde se considera que essa estrela era a realização da profecia do Antigo Testamento: “Uma estrela avança de Jacó, um cetro se levanta de Israel” (Num 24,17). Alguns teólogos defendem que São Mateus fez uma interpretação das tradições da época, referindo-se ao astro não como uma estrela no sentido literal, mas como símbolo do nascimento de um personagem importante. Mas São Tomás, o Doutor Angélico, já havia pensado nisso em sua época e resolveu a questão na Suma Teológica (III, q. 36, a.7), usando cinco argumentos tirados de São João Crisóstomo: 1º. Esta estrela seguiu um caminho de norte ao sul, o que não é comum ao geral das estrelas. 2º. Ela aparecia não só de noite, mas também durante o dia. 3º. Algumas vezes ela aparecia e outras vezes se ocultava. 4º. Não tinha um movimento contínuo: andava quando era preciso que os magos caminhassem, e se detinha quando eles deviam se deter, como a coluna de nuvens no deserto. 5º. A estrela mostrou o parto da Virgem não só permanecendo no alto, mas também descendo, pois não podia indicar claramente a casa se não estivesse próxima da terra. Mas se esse astro não foi propriamente uma estrela do céu, o que era ela? Segundo o próprio São Tomás, ainda citando o Crisóstomo, poderia ser: 1º. O Espírito Santo, assim como ele apareceu em forma de pomba sobre Nosso Senhor em Seu batismo, também apareceu aos magos em forma de estrela. 2º. Um anjo, o mesmo que apareceu aos pastores, apareceu aos reis magos em forma de estrela. 3º. Uma espécie de estrela criada à parte das outras, não no céu mas na atmosfera próxima à terra, e que se movia segundo a vontade de Deus. Como solução ao mistério da Estrela de Belém, São Tomás acreditava ser mais provável e correta esta última alternativa. De qualquer forma, temos a certeza de que essa estrela continua a brilhar não só no alto das árvores de Natal, mas principalmente na alma de cada cristão ao comemorar a Luz nascida em Belém para iluminar os caminhos da humanidade. (Revista Arautos do Evangelho, Dez/2007, n. 72, p. 36-37) Procurou Maria, encontrou Jesus Um olhar da Virgem Santíssima inunda de alegria um pastorzinho inocente, na Gruta de Belém. A ambição das riquezas apaga nele a lembrança dessa inefável graça. A caminho do Calvário, 33 anos depois, a Mãe de Misericórdia fita-o novamente… Lamartine de Hollanda Cavalcanti Neto Nos arredores de Belém de Judá, morava um inocente menino hebreu, filho de pastores. Seus pais chamaram-no Sear Jasub em homenagem ao significado profético do nome de um dos filhos do profeta Isaías: “o resíduo que voltará”. Uma noite, Sear estava no campo com seu pai e outros pastores. Acordou sob efeito de uma encantadora luz. Saiu da tenda e viu todos contemplando maravilhados um coro de anjos luminosos que cantavam: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade”. Cessada a aparição, seguiu com os pastores para Belém. Não entendia o que se passava, mas sentia na alma uma imensa alegria. Chegando à cidade, encontraram uma gruta intensamente iluminada. Um menino de celestial beleza estava deitado numa manjedoura, envolto em panos. A se lado, uma senhora muito jovem, de rosto resplandecente. Ela olhou e sorriu para Sear, gravando-lhe na alma esta promessa: “Meu filho, tudo isto um dia retornará para você”. Impossível descrever a paz e o gáudio do inocente pastorzinho! Esqueceu o que nunca deveria esquecer! Sear Jasub cresceu. Foi trabalhar com um tio, dono de uma banca de câmbio nos átrios do Templo de Jerusalém. Ainda jovem e cheio de fé, freqüentava a escola de Gamaliel, entusiasmou-se com João Batista e foi um dos primeiros a receber seu batismo. Mas… passaram-se os anos e a preocupação dos negócios amorteceu em sua alma a recordação daquele olhar e daquele sorriso. Com ajuda de alguns fariseus, conseguiu estabelecer sua própria banca. Relacionou-se também com os saduceus, e casou-se com uma contra-parente de Caifás. Só uma coisa empanava esse horizonte promissor. Eram as notícias de que um novo e controvertido profeta começava a ameaçar a hegemonia dos fariseus e saduceus, seus amigos. Entre a admiração e o ódio Um dia apareceu no Templo um homem seguido por alguns rudes pescadores. Tomando uma corda, fez um açoite e pôs-se a expulsar vendilhões e animais. Quando Sear viu suas mesas derrubadas e suas preciosas moedas espalhadas pelo chão, precipitou-se encolerizado sobre o homem. Fitando, porém, seu rosto, tomou-se de pavor. Parecia-lhe ver de novo aquele menino da manjedoura, cercado de anjos. Fugiu desconcertado. Informando-se depois, descobriu que esse homem era o próprio Nazareno. Sentiu-se perturbado. Queria odiá-lo, mas era propenso a admirá- lo. Suas obras eram portentosas, embora os fariseus garantissem tratar-se de um possesso. A dúvida crescia no espírito de Sear Jasub. Decidiu abafar a voz da consciência, assumindo uma atitude de neutralidade. Cuidaria apenas de seus interesses pessoais. Se o Galileu fosse mesmo o Messias, tanto melhor, pois viria o Reino e isso só lhe traria vantagens. Se não fosse, tudo se desfaria, inclusive aquela sensação de remorso que lhe corroia a alma. O reencontro Passaram-se os meses. Numa sexta-feira pela manhã, recebeu uma convocação de Caifás. O “blasfemador” estava preso e seria julgado. Sear afligiu-se. Mandou dizer que estava de viagem. Como já era seu costume, recorreu ao vinho para acalmar-se e foi passear fora da cidade. Próximo ao campo do oleiro, viu passar um homem correndo alucinado em direção a umas figueiras próximas, com uma corda na mão. Era um antigo conhecido seu, chamado Judas. No caminho de volta à casa, ouviu uma gritaria. Numa curva pouco adiante, surgiram três condenados à morte, cercados pelo populacho que vociferava contra um deles. Estremeceu, adivinhando de quem se tratava. Era um homem coberto de sangue e ferimentos, com uma coroa de espinhos na cabeça e uma pesada cruz às costas. Sear desviou por um momento o rosto. Quando olhou novamente, notou que ao lado desse condenado seguia uma senhora resplendente de luz e, ao mesmo tempo, carregada de dores. Seria a mãe dele?! Passando por Sear, ela o fitou… Neste momento, ele lembrou- se! Cintilava nela aquele mesmo olhar materno da senhora que lhe havia sorrido trinta e três anos antes, na Gruta de Belém. À procura de Maria Tomado por um enlevo indescritível, Sear saiu vagando pelas ruas. No final da madrugada, em meio às brumas, esbarrou num transeunte. Reconheceu-o. Era Pedro, o chefe dos pescadores, que, em prantos, repetia sem cessar: “Preciso encontrar a Senhora!” Aquelas palavras penetraram-lhe fundo na alma. Sentiu, também ele, a mesma necessidade premente: encontrar a mãe do Messias! Claro! Quem, a não ser ela, poderia socorrê-lo? Precisava encontrá- la. Mas… como? E Sear fez algo de que há muito tempo se olvidara: rezou. Javeh não deixaria de atendê-lo, se pedisse por intercessão daquela senhora. Inocência restaurada Dito e feito. Passados alguns dias, viu na rua outro discípulo do Crucificado. Chamava-se Tomé e andava depressa. Seguiu-o pelas ruelas estreitas até chegar a uma grande habitação. Abordou-o, confiante, suplicando-lhe que o apresentasse à Senhora. Vendo-o tão movido pela graça, Tomé acedeu. Sear quase não podia acreditar no que aconteceu então. Sim, era aquela mesma régia Senhora que lhe havia sorrido quando criancinha, que agora lhe falava e o consolava! E restaurava sua inocência primaveril. Contudo, ele nem imaginava o que ainda estava por acontecer. Estando as portas fechadas, surgiu um homem chamejante de luz. Em seu flanco, em suas mãos e pés, fulguravam chagas rubras. Sear o reconheceu. Era o Crucificado. Ouviu sua voz, viu Tomé pôr a mão numa de suas chagas sagradas. E creu: o Senhor havia ressuscitado verdadeiramente. Procurando Maria, ele encontrou também Jesus. (Revista Arautos do Evangelho, Dez/2003, n. 24, p. 42-43) Leia também: Guardar domingos e festas de guarda – Lista dos dias santos de obrigação do catolicismo https://templariodemaria.com.br/guardar-domingos-e-festas-de-guarda-lista-dos-dias-santos-de-obrigacao-do-catolicismo/
- Solenidade do Natal de Jesus – 25 de Dezembro
SANTO DO DIA – 25 DE DEZEMBRO – NATAL DE JESUS Solenidade E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória…” (Jo 1,14). A encarnação do Verbo de Deus assinala o início dos “últimos tempos”, isto é, a redenção da humanidade por parte de Deus. Cega e afastada de Deus, a humanidade viu nascer a luz que mudou o rumo da sua história. O nascimento de Jesus é um fato real que marca a participação direta do ser humano na vida divina. Esta comemoração é a demonstração maior do amor misericordioso de Deus sobre cada um de nós, pois concedeu-nos a alegria de compartilhar com ele a encarnação de seu Filho Jesus, que se tornou um entre nós. Ele veio mostrar o caminho, a verdade e a vida, e vida eterna. A simbologia da festa do Natal é o nascimento do Menino-Deus. No início, o nascimento de Jesus era festejado em 6 de janeiro, especialmente no Oriente, com o nome de Epifania, ou seja, manifestação. Os cristãos comemoravam o natalício de Jesus junto com a chegada dos reis magos, mas sabiam que nessa data o Cristo já havia nascido havia alguns dias. Isso porque a data exata é um dado que não existe no Evangelho, que indica com precisão apenas o lugar do acontecimento, a cidade de Belém, na Palestina. Assim, aquele dia da Epifania também era o mais provável em conformidade com os acontecimentos bíblicos e por razões tradicionais do povo cristão dos primeiros tempos. Entretanto, antes de Cristo, em Roma, a partir do imperador Júlio César, o 25 de dezembro era destinado aos pagãos para as comemorações do solstício de inverno, o “dia do sol invencível”, como atestam antigos documentos. Era uma festa tradicional para celebrar o nascimento do Sol após a noite mais longa do ano no hemisfério Norte. Para eles, o sol era o deus do tempo e o seu nascimento nesse dia significava ter vencido a deusa das trevas, que era a noite. Era, também, um dia de descanso para os escravos, quando os senhores se sentavam às mesas com eles e lhes davam presentes. Tudo para agradar o deus sol. No século IV da era cristã, com a conversão do imperador Constantino, a celebração da vitória do sol sobre as trevas não fazia sentido. O único acontecimento importante que merecia ser recordado como a maior festividade era o nascimento do Filho de Deus, cerne da nossa redenção. Mas os cristãos já vinham, ao longo dos anos, aproveitando o dia da festa do “sol invencível” para celebrar o nascimento do único e verdadeiro sol dos cristãos: Jesus Cristo. De tal modo que, em 354, o papa Libério decretou, por lei eclesiástica, a data de 25 de dezembro como o Natal de Jesus Cristo. A transferência da celebração motivou duas festas distintas para o povo cristão, a do nascimento de Jesus e a da Epifania. Com a mudança, veio, também, a tradição de presentear as crianças no Natal cristão, uma alusão às oferendas dos reis magos ao Menino Jesus na gruta de Belém. Aos poucos, o Oriente passou a comemorar o Natal também em 25 de dezembro. Passados mais de dois milênios, a Noite de Natal é mais que uma festa cristã, é um símbolo universal celebrado por todas as famílias do mundo, até as não-cristãs. A humanidade fica tomada pelo supremo sentimento de amor ao próximo e a Terra fica impregnada do espírito sereno da paz de Cristo, que só existe entre os seres humanos de boa vontade. Portanto, hoje é dia de alegria, nasceu o Menino-Deus, nasceu o Salvador. Texto: Paulinas Internet Uma Grande Alegria Assim como os pastores encontraram aquele adorável Menino reclinado sobre as palhas do presépio, nós também podemos reencontrá-Lo “reclinado” nos Tabernáculos de todo o mundo. Era noite. Os pastores que apascentavam seus rebanhos tinham acabado de ouvir o anúncio da Boa Nova que o Anjo lhes fizera, e disseram entre si: “Vamos até Belém e vejamos o que se realizou e o que o Senhor nos manifestou” (Lc 2, 15). Partiram então”com grande pressa” (Lc 2, 16) para a gruta, a fim de adorar o Verbo feito carne e servir de testemunhas do grande acontecimento para as épocas futuras. Docilidade à voz do Anjo Ao compreenderem o significado da notícia – a chegada do Messias – os pastores haviam sido tomados de um misto de temor reverencial e de consolação, mas não duvidaram sequer um segundo. Bastou a mensagem transmitida pelo celeste embaixador para robustecê-los na fé e confirmar suas esperanças. Sem dúvida, a luminosa aparição do Anjo veio acompanhada de uma graça especial que os fazia pressentir a grandeza do acontecimento anunciado. Flexíveis à voz do sobrenatural, não manifestaram reservas, não opuseram objeções; pelo contrário, deixaram tudo, abandonando com presteza até mesmo os rebanhos confiados à sua guarda e se dirigiram sem demora em busca do “Recém-nascido, envolto em faixas e posto numa manjedoura” (Lc 2, 12). Ali, como os Apóstolos que, anos mais tarde, seriam chamados de bem-aventurados pelo Divino Mestre, também eles poderiam ter ouvido dos lábios do Salvador: “Felizes os vossos olhos porque vêem! Ditosos os vossos ouvidos porque ouvem!” (Mt 13, 16). A humildade dos pastores atraiu o olhar de Deus Aqueles rudes camponeses foram objeto dessa predileção, por parte da Bondade Divina, muito mais por serem pobres de espírito do que por sua modesta condição social. A virtude da humildade, que os tornava aptos para compreender os mistérios de Deus, sem opor ceticismos arrogantes, atraiu sobre eles os olhares do Altíssimo, da mesma forma como Maria Santíssima, por Sua insuperável despretensão, foi escolhida para ser Mãe do Redentor. Já em Seu nascimento Jesus mostrava, assim, Seu amor pelos mais pequeninos, por aqueles que, reconhecendo seu nada ou até mesmo sua falência espiritual, põem toda a sua confiança no poder de Deus. Há quem possa ver nessa atitude de submissão diante de Deus, tão própria aos santos de todos os tempos, uma desprezível manifestação de ignorância ou insuficiência. Mas essa é a opinião daqueles que o próprio Jesus denominaria como os “sábios e entendidos” (Mt 11, 25) deste mundo e que, por conseguinte, acham-se privados do conhecimento das coisas divinas, por cegarem- se a si mesmos. A sabedoria verdadeira – esta sim, possuíam-na os pastores -, alcançaraa em altíssimo grau a virginal Senhora que Se inclinava em adoração ante a mísera manjedoura transformada em trono real. Movidos por essa “sabedoria da humildade”, os pastores haviam corrido até o estábulo e contemplavam a Sabedoria em Pessoa, que repousava placidamente sobre as palhas: “Ela apareceu sobre a terra, e habitou entre os homens” (Br 3, 38). O presépio de Belém e os altares da Igreja Hoje, de certo modo, se repete a cada dia o mistério de Belém. Dois milênios depois do nascimento de Cristo, as igrejas se encontram multiplicadas pelo mundo, e nos seus Tabernáculos repousa Jesus, verdadeiramente presente, embora oculto sob os véus do Pão Eucarístico, assim como repousou outrora sobre as palhas da manjedoura, envolto nos panos que Maria Santíssima Lhe preparara. A mesma presteza que admiramos nos pastores deve impelir-nos, também nós, a deixar tudo e correr para o altar, a fim de encontrar o Senhor que desce do Céu. Nos altares da Igreja, obediente à voz do sacerdote, nasce Nosso Senhor Jesus Cristo uma vez mais, fazendo-nos lembrar a maneira como Ele Se apresentou ante os olhares maravilhados da Virgem Mãe, de São José e dos pastores, naquela noite santa. O Natal não é uma mera recordação histórica A festa de Natal encerra um significado litúrgico extraordinário: embora o Santo Sacrifício seja oferecido todos os dias nos altares de tantas igrejas espalhadas pelo mundo, ele se reveste de uma unção e densidade simbólicas particulares na noite de 24 para 25 de dezembro. Não se trata apenas da recordação de fatos históricos envoltos nas brumas do passado, mas de uma realidade mais profunda do que aquela que captamos através dos sentidos. A Liturgia do Natal traz um conjunto de graças vinculadas a esse mistério, as quais se derramam sobre nossos corações quando o celebramos com fervor sincero. “O ano litúrgico – ensinava o Sumo Pontífice Pio XII – que a piedade da Igreja alimenta e acompanha, não é uma fria e inerte representação de fatos que pertencem ao passado, ou uma simples e nua evocação da realidade de outros tempos. É, antes, o próprio Cristo, que vive sempre na sua Igreja e que prossegue o caminho de imensa misericórdia por Ele iniciado, piedosamente, nesta vida mortal, quando passou fazendo o bem, com o fim de colocar as almas humanas em contato com os Seus mistérios e fazê-las viver por eles, mistérios que estão perenemente presentes e operantes, não de modo incerto e nebuloso, de que falam alguns escritores recentes, mas porque, como nos ensina a doutrina católica e segundo a sentença dos doutores da Igreja, são exemplos ilustres de perfeição cristã e fonte de graça divina pelos méritos e intercessão do Redentor”.1 A Fé em Nosso Senhor, deitado na manjedoura e presente na Eucaristia Hoje não vemos, como os pastores, o Divino Menino deitado sobre as palhas, mas contemplamo-Lo, com os olhos da Fé, na Hóstia imaculada que o sacerdote apresenta para a adoração dos fiéis; não ouvimos as vozes dos anjos fazendo ecoar o “Glória!” pelas vastidões dos céus, mas chega até nós o apelo da Igreja, convidando seus filhos: “Venite gentes et adorate!”. Se grande foi a Fé daqueles homens simples ao acreditarem que, naquele pequenino vindo à terra em tal despojamento, e aquecido tão-só pelo bafo dos animais, ocultava-Se o próprio Deus, a nossa Fé poderá alcançar grau mais elevado se considerarmos esse mesmo Deus escondido na Eucaristia. E poderemos, nós também, ser contados entre os homens que o Senhor chamou de bem-aventurados: “Felizes aqueles que crêem sem ter visto!” (Jo 20, 29). Jesus, a Beleza suprema, vela-Se em vão aos olhos de quem tem Fé: apesar da infância à qual O reduziu seu amor, seu poder se manifesta nesse dia, e só Ele – quer sob a figura de frágil criança, quer sob as espécies eucarísticas – derrota os infernos e resgata a humanidade da vil escravidão do pecado. Natal: uma “clareira” alegre e luminosa Quantas graças de alegria e consolação concedidas por ocasião do Natal! A cada ano, em todas as épocas da Era Cristã, esta festa máxima abre uma “clareira” alegre e luminosa no curso normal, por vezes tão cheio de sofrimentos e angústias, da vida de todos os dias. Dominados pelas preocupações concretas ou pela ilusão deste mundo passageiro, os homens esquecem-se facilmente da eternidade que os espera e olham para esta terra como para seu fim último. Todos se afanam em busca da felicidade; entretanto, só uma é a verdadeira, e o Divino Menino vem para apontar o único caminho que a ela conduz: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6). E nessa noite silenciosa, todos param diante da gruta de Belém, gozando, ainda que por alguns instantes, dessa alegria envolvente, trazida pelo Redentor. “Ali, os maus cessam seus furores, ali, repousam os exaustos de forças, ali, os prisioneiros estão tranqüilos, já não mais ouvem a voz do exator. Ali, juntos, os pequenos e os grandes se encontram, o escravo ali está livre do jugo do seu senhor” (Jó 3, 17-19). De onde vem a felicidade que sentimos no Natal? Prolonguemos esses momentos de alegria vividos aos pés da manjedoura ou em torno do altar. De onde nos vem, ao certo, essa felicidade? Onde a poderemos encontrar? Encarnando-Se, Deus quis fazer- Se um de nós, para tornar essa felicidade ainda mais acessível, mais atraente, mais encantadora. Ao entrar neste mundo, o Divino Infante abre seus braços num gesto que prenuncia Sua missão salvadora e parece exclamar: “Eis que venho. […] Com prazer faço a vossa vontade” (Sl 39, 8-9), manifestando neste ato Sua perfeita obediência ao Pai, selada no Getsêmani: “Faça-se a vossa vontade e não a minha” (Lc 22, 42). Assim, na esplendorosa noite de Natal inicia-se o grande mistério da Redenção, em sua dupla perspectiva: é o perdão concedido ao homem réu, manchado pela culpa de Adão e por suas más ações; e também a elevação desse mesmo homem à ordem sobrenatural, convidando-o a participar da Família Divina, pelo dom da graça. Nessa adorável Criança vemos nossa pobre natureza galgar alturas inimagináveis, às quais seria incapaz de subir por suas próprias forças, e entrar na intimidade do Deus inacessível e infinito. Celebramos a nossa própria deificação O santo Papa Leão Magno, em seu célebre sermão sobre o Natal, mostrou, com palavras inspiradas, essa alegria universal que nos traz o nascimento de Cristo: “Ninguém está excluído da participação nesta felicidade. A causa da alegria é comum a todos, porque Nosso Senhor, vencedor do pecado e da morte, não tendo encontrado ninguém isento de culpa, veio libertar a todos. Exulte o justo, porque se aproxima da vitória; rejubile o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; reanime-se o pagão, porque é chamado à vida”.2 No Redentor, reclinado no presépio, vemos nossa humanidade, reconhecemos nEle um Irmão, “em tudo semelhante a nós, exceto no pecado” (Hb 4, 15); nos pastores, e em todos aqueles que circundam a manjedoura ou o altar, admiramos uma luz, de fulgor até então desconhecido, que brilha, expulsando as trevas da maldição do pecado no qual estavam envoltos. “Oh admirável intercâmbio! O Criador do gênero humano, assumindo corpo e alma, quis nascer de uma Virgem; e, tornando-Se homem sem intervenção do homem, nos doou sua própria divindade!”.3 Celebramos, pois, no Natal, a nossa própria deificação. É preciso retribuir todo esse amor Quem não corresponderá com amor ao próprio Amor em Pessoa? Quem, remido, não se ajoelhará em adoração ante a fragilidade de um Redentor que Se faz pequeno para engrandecer os homens? Também nós, resta-nos retribuir esse mesmo amor ao Pequeno Rei que hoje Se nos entrega no mistério do altar. O amor torna o amante semelhante ao amado, afirma o grande místico São João da Cruz. Para consolidar essa união é necessário, entretanto, que Um desça até o outro pela ternura, ou que o segundo suba até o Primeiro pela veneração. Jesus já desceu até nós pela compaixão, pelo afeto, pela ternura… Subamos até Ele, ou melhor, peçamos, por intercessão de sua Mãe Santíssima, que Ele mesmo nos faça subir. Bem junto ao altar, entoando com os lábios o “Venite gentes et adorate” da Liturgia, cantemos com o coração nossa entrega sem reservas ao Menino Salvador. 1 Pio XII, Mediator Dei, n. 150. 2 Sermo 1 in Nativitate Domini. 3 Liturgia das Horas. Antífona da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, I Vésperas. (Revista Arautos do Evangelho, Dez/2008, n. 84, p. 20 a 23) O verdadeiro significado do Natal Difícil é, num mundo marcado pelo laicismo, ter bem presentes o autêntico significado do Santo Natal e o benefício incomensurável que representou para os homens a Encarnação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14). Desse modo singelo resumiu o Discípulo Amado o maior acontecimento da História. Suas despretensiosas palavras sintetizam o rico e insondável conteúdo do grandioso mistério comemorado a cada 25 de dezembro: na obscuridade das trevas do paganismo, raiou a aurora de nossa salvação. Fez-Se homem o Esperado das nações, Aquele que tinha sido anunciado pelos profetas. Cenário tomado pelo sobrenatural Na noite em que Jesus veio ao mundo, pairava sobre Belém uma atmosfera de paz e alegria. A natureza parecia estar em júbilo enquanto, dentro de uma gruta inóspita, um santo casal contemplava seu Filho recém-nascido. Ela é a Mãe das mães, concebida sem pecado original, criatura perfeita, na qual o Criador depositou toda a graça. Ao seu lado encontra-se São José, esposo castíssimo, varão justo cujo amor a Deus, integridade e sabedoria o tornam digno de tão augusta Esposa. E a Criança que ambos contemplam é o próprio Deus, que assume nossa natureza para dar a maior prova possível de seu amor à humanidade. Quão sublime atmosfera envolvia aquele cenário paupérrimo! O ambiente no qual nasceu o Menino Deus devia estar tão tomado pelo sobrenatural que, se alguém tivesse a dita de entrar naquela gruta, ficaria imediatamente arrebatado por toda sorte de graças. Foi o que ocorreu com os pastores. Após o aviso dos Anjos, correram em direção à gruta e lá encontraram o Rei do Universo deitado sobre palhas. Abismados pela grandeza dessa cena, que contemplavam também com os olhos da Fé, não tiveram outra atitude senão a da adoração. Que extraordinária dádiva receberam, sendo os primeiros a contemplar o Criador do Céu e da Terra feito homem, envolto em faixas, numa manjedoura! Deus quis apresentar-Se de forma exemplarmente humilde Considerando as imponentes manifestações da natureza que acompanhavam as intervenções de Deus no Antigo Testamento — o mar se abre, o monte fumega, o fogo cai do céu e reduz cidades a cinzas —, resulta surpreendente constatar a humildade e discrição com que Cristo veio ao mundo. Não teria sido mais condizente com a grandeza divina que, na noite de Natal, sinais magníficos marcassem o acontecimento no Céu e na Terra? Não poderia, ao menos, ter nascido Jesus num magnífico palácio e convocado os maiores potentados da Terra para prestar-Lhe homenagens? Bastar- Lhe-ia um simples ato de vontade para que isso acontecesse… Mas, não! O Verbo preferiu a gruta a um palácio; quis ser adorado por pobres pastores, ao invés de grandes senhores; aqueceu-Se com o bafo dos animais e a rudeza das palhas, em lugar de usar ricas vestes e dourados braseiros. Nem mesmo quis dar ordem ao frio para que não O atingisse. Num sublime paradoxo, desejava a Majestade infinita apresentar-Se de forma exemplarmente humilde. Pois, apesar das pobres aparências, Aquele Menino era a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. NEle dava-se a união hipostática da natureza divina com a humana, conforme explica o renomado padre Boulenger: “União é o estado de duas coisas que se acham juntas. Ela pode realizar- se ora nas naturezas, por exemplo, quando o corpo e a alma unemse para formar uma só natureza humana; e ora na pessoa, quando se unem duas naturezas na mesma pessoa. Esta última união chama-se hipostática, porque, em grego, os dois termos, hipóstase (suporte) e pessoa, têm igual significação teológica”.1 E, depois da união, essas duas naturezas permaneceram perfeitamente íntegras e inconfundíveis na Pessoa de Cristo, que não é humana, mas divina. Por esse motivo é Ele chamado Homem-Deus. Abismo intransponível Mas, por que quis a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnar- Se em uma tão inferior natureza? Os nossos primeiros pais foram criados no Paraíso Terrestre em estado de inocência original, portanto em justiça e santidade.2 Além disso, na sua infinita bondade, Deus conferiu a Adão dons de três qualidades: naturais, estando todas as propriedades do corpo e da alma perfeitamente ordenadas para alcançar o seu fim natural; sobrenaturais, a graça santificante, ou seja, a participação na própria vida de Deus, e a predestinação à visão de Deus na eterna bem-aventurança; e preternaturais, tais como a ciência infusa, o domínio das paixões e a imortalidade, que constituem o dom de integridade. Como contrapartida a esses imensos benefícios, foi apresentada ao homem uma prova. Devia ele cumprir de modo exímio a lei divina, guiando-se pelas exigências da lei natural gravada no seu coração, e respeitar uma única norma concreta que Deus lhe dera: a proibição de comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, plantada no centro do Jardim do Éden (cf. Gn 2, 9-17). Narra-nos a Sagrada Escritura como a serpente tentou Eva, como caíram nossos primeiros pais e como foram expulsos do Paraíso (cf. Gn 3, 1-23). Em consequência do pecado, boa parte desses privilégios lhes foram retirados. Mas Deus, em sua infinita misericórdia, manteve-lhes os privilégios naturais, como descreve o douto padre Tanquerey: “Contentou-Se de os despojar dos privilégios especiais que lhes tinha conferido, isto é, do dom de integridade e da graça habitual: conservam pois, a natureza e os seus privilégios naturais. É certo que a vontade ficou enfraquecida, se a compararmos ao que era com o dom de integridade; mas não está provado que seja mais fraca do que teria sido no estado de natureza”.3 O Pecado Original abriu entre Deus e os homens um abismo intransponível. As portas do Céu se fecharam e o homem contingente só podia oferecer a Deus uma reparação imperfeita da ofensa cometida. E o Filho ofereceu-Se ao Pai para, “fazendo- Se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2, 8), restituir ao homem a graça perdida com o pecado. O próprio Criador fazia-Se criatura para, com uma generosidade inefável, saldar nossa dívida. O caminho da glória passa pela Cruz Entretanto, por que quis Jesus sofrer o desprezo dos seus coetâneos e os tormentos da Paixão? Estando hipostaticamente unido à Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, qualquer gesto da Sua natureza humana poderia ter redimido a humanidade inteira. Um simples ato de vontade de Cristo teria bastado para obter de Deus o perdão de todos os nossos pecados. Mais uma vez, deparamo-nos com um sublime paradoxo. Com o exemplo de Sua Vida e Paixão, queria Jesus ensinar-nos que, neste vale de lágrimas, a verdadeira glória só vem da dor. E como o Pai desejava para Seu Filho o máximo grau de glória, permitiu que Ele passasse pelo extremo limite do sofrimento. “O Filho do homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate de muitos” (Mt 20, 28). Já na manjedoura em Belém, nosso Salvador estava ciente de ter vindo ao mundo para expiar nossos pecados. É esse o motivo pelo qual em muitos presépios o Menino Deus nos é apresentado com os braços abertos em cruz. Durante toda a sua vida, de Belém ao Gólgota, Jesus não fez outra coisa senão avançar ao encontro do Sacrifício Supremo que Lhe acarretaria o fastígio da glória. A Terra toda foi renovada Pode haver ser humano mais frágil do que uma criança, habitação mais simples do que uma gruta e berço mais precário do que uma manjedoura? Entretanto, a Criança que contemplamos deitada sobre palhas na gruta de Belém haveria de alterar completamente o rumo dos acontecimentos terrenos. Afirma o historiador austríaco João Batista Weiss: “Cristo é o centro dos acontecimentos da História. O mundo antigo O esperou; o mundo moderno e todo o porvir descansam sobre Ele. A Redenção da humanidade por Cristo é a maior façanha da História universal; sua Vida, a memória mais alta e bela que possui a humanidade; sua doutrina, a medida com que se há de apreciar todas as coisas” . 4 Difícil é, num mundo marcado pelo relativismo e pelo laicismo — quando não pelo ateísmo —, ter bem presentes o verdadeiro significado do Santo Natal e o benefício incomensurável que representou para os homens a Encarnação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Cristo era o varão prometido a Adão logo depois de sua queda, o Messias anunciado durante séculos pelos profetas. Mas a realidade transcendeu qualquer imaginação humana: quem poderia excogitar que Ele seria o próprio Deus encarnado? A vinda de Jesus ao mundo não só abriu-nos as portas do Céu e nos trouxe a Salvação, mas também renovou toda a Terra. Diz São Tomás que Nosso Senhor quis ser batizado, entre outras razões, para santificar as águas.5 E o mesmo aconteceu com todos os outros elementos: a terra foi santificada porque seus divinos pés a pisaram; o ar, porque Ele o respirou; o fogo ardeu com maior vigor e pureza. Podemos sem dúvida dizer que este nosso mundo nunca mais foi o mesmo depois de nele ter vivido, feito homem, o próprio Criador. Não é por acaso que se contam os anos a partir do nascimento de Cristo, pois Ele, realmente, divide a História em duas vertentes. Antes dEle a humanidade era uma, e depois passou a ser diametralmente outra. São duas histórias. Quase poderíamos afirmar serem dois universos! (Revista Arautos do Evangelho, Dez/2009, n. 96, p. 19 à 21) O mistério da estrela de Belém O que teria sido a misteriosa estrela que surgiu nos céus, guiando os Reis Magos até Belém? Emílio Portugal Coutinho Nas Sagradas Escrituras vemos Deus muitas vezes comunicar-se aos homens por meio de sinais na natureza: a brisa da tarde no Paraíso, o arco-íris após o dilúvio, a sarça ardente, a diáfana nuvem de Santo Elias etc. E em seu próprio nascimento, Ele quis usar de um sinal no céu: a Estrela de Belém. Esse fato nos é narrado apenas por um dos evangelistas: São Mateus. Na verdade, naquela época acreditava- se que o nascimento de pessoas importantes estava relacionado com certos movimentos dos astros celestes. Assim, dizia-se que Alexandre o Grande, Júlio César, Augusto e até filósofos como Platão tiveram a sua estrela, aparecida no céu quando eles vieram ao mundo. Muito se tem comentado a respeito da estrela surgida aos três Reis Magos , guiando-os até o local bendito em que o Salvador haveria de nascer. E não faltaram homens de ciência tentando encontrar uma explicação natural para esse evento sobrenatural, centro da história humana. Não temos a pretensão de fazer um compêndio científico a respeito, mas não deixa de ter certo interesse conhecer, ainda que de modo sumário, as principais tentativas de solucionar esse enigma. Uma das primeiras teorias levantadas era que esse astro teria sido o planeta Vênus. Pois a cada 19 meses, pouco antes do nascer do Sol, ele aparece dez vezes mais claro que a mais brilhante das estrelas: a Sírius. Mas esse já era, então, um fenômeno assaz conhecido pelos povos do oriente e, portanto, para os Reis Magos nada teria de extraordinário. Outra hipótese foi levantada por um astrônomo reconhecido nos meios científicos do século XVI: Johannes Kepler. Tentou ele demonstrar com seus longos estudos, que esse astro não era apenas um, mas a conjunção de dois planetas: Júpiter e Saturno. Quando eles se sobrepõem, somam-se os respectivos brilhos. Um fenômeno desses foi por ele observado em 1604 e podia produzir um efeito semelhante ao que nos conta a Bíblia. A partir daí, Kepler defendeu sua teoria. Mas existem três problemas ao fazer essa afirmação: primeiro, essa conjunção dura apenas algumas horas, e a estrela que apareceu para os Reis Magos foi visível por eles durante semanas; segundo, Júpiter e Saturno nunca se fundem completamente numa única estrela. Mesmo a olho nu, seriam sempre visíveis dois corpos; terceiro, ao menos que a data do nascimento do Menino Jesus esteja muito mal calculada, tal conjunção só poderia ter lugar três anos depois. Há quem diga que a estrela foi, na verdade, um meteoro especialmente brilhante. Mas um meteoro só pode durar alguns segundos e seria muito forçado crermos que esses poucos segundos de visibilidade bastariam para guiar os reis magos numa viagem através de quilômetros em um deserto inabitável, e que ao chegarem em Belém, apareceu um outro meteoro semelhante, indicando o local exato onde estava o Menino-Deus. Orígenes, Padre da Igreja nascido em Alexandria, Egito, chegou a acreditar ser a Estrela de Belém um cometa. Pois alguns cometas chegam a ser centenas de vezes maiores que a Terra, e sua luz pode dominar o firmamento durante semanas. Além disso, alguns sustentam que São Mateus teria ficado tão impressionado com o cometa Halley, visto nos céus em 66 d.C. ou pelo testemunho dos mais antigos cristãos que o tinham visto em 12 a.C., que o incluiu na história. Outros afirmam ter sido o próprio Halley, a Estrela de Belém. Mas devemos reconhecer que as duas datas citadas estão muito afastadas do nascimento de Jesus, para serem unidas a ele. E segundo os dados catalogados, não há menção de nenhum outro cometa que tenha sido visto a olho nu entre os anos 7 a.C e 1 d.C., período no qual se aceita ter nascido o Messias. Além disso, é corrente serem os cometas na Antigüidade anunciadores de desgraças e não de bênçãos. Uma última hipótese dita científica é a que tenha sido uma “Nova”. Existem certas estrelas que explodem de tal forma que sua luz aumenta centenas de vezes em poucas horas. São as chamadas “Novas”, ou “Supernovas”, dependendo da intensidade da explosão. Calcula-se que a cada mil anos, aproximadamente, uma estrela se transforme em “Supernova”, sendo este fenômeno visível durante vários meses, até mesmo durante o dia. Mas já não se crê nessa hipótese, pois tais explosões, devido à sua magnitude mesmo depois de séculos deixam traços inconfundíveis no espaço, como manchas estelares etc. Entretanto, até hoje não se descobriu nenhum indício de tal fenômeno ocorrido nesse período histórico. Embora várias tentativas de explicação científica não tenham dado respostas plenamente satisfatórias ao mistério da Estrela de Belém, isso em nada diminui o mérito dos esforçados estudiosos que com reta intenção buscam desvendar os enigmas da natureza. Mas deixando essas hipóteses de lado por um momento, voltemos nossos olhos à outro aspecto da questão: o campo teológico, onde se considera que essa estrela era a realização da profecia do Antigo Testamento: “Uma estrela avança de Jacó, um cetro se levanta de Israel” (Num 24,17). Alguns teólogos defendem que São Mateus fez uma interpretação das tradições da época, referindo-se ao astro não como uma estrela no sentido literal, mas como símbolo do nascimento de um personagem importante. Mas São Tomás, o Doutor Angélico, já havia pensado nisso em sua época e resolveu a questão na Suma Teológica (III, q. 36, a.7), usando cinco argumentos tirados de São João Crisóstomo: 1º. Esta estrela seguiu um caminho de norte ao sul, o que não é comum ao geral das estrelas. 2º. Ela aparecia não só de noite, mas também durante o dia. 3º. Algumas vezes ela aparecia e outras vezes se ocultava. 4º. Não tinha um movimento contínuo: andava quando era preciso que os magos caminhassem, e se detinha quando eles deviam se deter, como a coluna de nuvens no deserto. 5º. A estrela mostrou o parto da Virgem não só permanecendo no alto, mas também descendo, pois não podia indicar claramente a casa se não estivesse próxima da terra. Mas se esse astro não foi propriamente uma estrela do céu, o que era ela? Segundo o próprio São Tomás, ainda citando o Crisóstomo, poderia ser: 1º. O Espírito Santo, assim como ele apareceu em forma de pomba sobre Nosso Senhor em Seu batismo, também apareceu aos magos em forma de estrela. 2º. Um anjo, o mesmo que apareceu aos pastores, apareceu aos reis magos em forma de estrela. 3º. Uma espécie de estrela criada à parte das outras, não no céu mas na atmosfera próxima à terra, e que se movia segundo a vontade de Deus. Como solução ao mistério da Estrela de Belém, São Tomás acreditava ser mais provável e correta esta última alternativa. De qualquer forma, temos a certeza de que essa estrela continua a brilhar não só no alto das árvores de Natal, mas principalmente na alma de cada cristão ao comemorar a Luz nascida em Belém para iluminar os caminhos da humanidade. (Revista Arautos do Evangelho, Dez/2007, n. 72, p. 36-37) Procurou Maria, encontrou Jesus Um olhar da Virgem Santíssima inunda de alegria um pastorzinho inocente, na Gruta de Belém. A ambição das riquezas apaga nele a lembrança dessa inefável graça. A caminho do Calvário, 33 anos depois, a Mãe de Misericórdia fita-o novamente… Lamartine de Hollanda Cavalcanti Neto Nos arredores de Belém de Judá, morava um inocente menino hebreu, filho de pastores. Seus pais chamaram-no Sear Jasub em homenagem ao significado profético do nome de um dos filhos do profeta Isaías: “o resíduo que voltará”. Uma noite, Sear estava no campo com seu pai e outros pastores. Acordou sob efeito de uma encantadora luz. Saiu da tenda e viu todos contemplando maravilhados um coro de anjos luminosos que cantavam: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade”. Cessada a aparição, seguiu com os pastores para Belém. Não entendia o que se passava, mas sentia na alma uma imensa alegria. Chegando à cidade, encontraram uma gruta intensamente iluminada. Um menino de celestial beleza estava deitado numa manjedoura, envolto em panos. A se lado, uma senhora muito jovem, de rosto resplandecente. Ela olhou e sorriu para Sear, gravando-lhe na alma esta promessa: “Meu filho, tudo isto um dia retornará para você”. Impossível descrever a paz e o gáudio do inocente pastorzinho! Esqueceu o que nunca deveria esquecer! Sear Jasub cresceu. Foi trabalhar com um tio, dono de uma banca de câmbio nos átrios do Templo de Jerusalém. Ainda jovem e cheio de fé, freqüentava a escola de Gamaliel, entusiasmou-se com João Batista e foi um dos primeiros a receber seu batismo. Mas… passaram-se os anos e a preocupação dos negócios amorteceu em sua alma a recordação daquele olhar e daquele sorriso. Com ajuda de alguns fariseus, conseguiu estabelecer sua própria banca. Relacionou-se também com os saduceus, e casou-se com uma contra-parente de Caifás. Só uma coisa empanava esse horizonte promissor. Eram as notícias de que um novo e controvertido profeta começava a ameaçar a hegemonia dos fariseus e saduceus, seus amigos. Entre a admiração e o ódio Um dia apareceu no Templo um homem seguido por alguns rudes pescadores. Tomando uma corda, fez um açoite e pôs-se a expulsar vendilhões e animais. Quando Sear viu suas mesas derrubadas e suas preciosas moedas espalhadas pelo chão, precipitou-se encolerizado sobre o homem. Fitando, porém, seu rosto, tomou-se de pavor. Parecia-lhe ver de novo aquele menino da manjedoura, cercado de anjos. Fugiu desconcertado. Informando-se depois, descobriu que esse homem era o próprio Nazareno. Sentiu-se perturbado. Queria odiá-lo, mas era propenso a admirá- lo. Suas obras eram portentosas, embora os fariseus garantissem tratar-se de um possesso. A dúvida crescia no espírito de Sear Jasub. Decidiu abafar a voz da consciência, assumindo uma atitude de neutralidade. Cuidaria apenas de seus interesses pessoais. Se o Galileu fosse mesmo o Messias, tanto melhor, pois viria o Reino e isso só lhe traria vantagens. Se não fosse, tudo se desfaria, inclusive aquela sensação de remorso que lhe corroia a alma. O reencontro Passaram-se os meses. Numa sexta-feira pela manhã, recebeu uma convocação de Caifás. O “blasfemador” estava preso e seria julgado. Sear afligiu-se. Mandou dizer que estava de viagem. Como já era seu costume, recorreu ao vinho para acalmar-se e foi passear fora da cidade. Próximo ao campo do oleiro, viu passar um homem correndo alucinado em direção a umas figueiras próximas, com uma corda na mão. Era um antigo conhecido seu, chamado Judas. No caminho de volta à casa, ouviu uma gritaria. Numa curva pouco adiante, surgiram três condenados à morte, cercados pelo populacho que vociferava contra um deles. Estremeceu, adivinhando de quem se tratava. Era um homem coberto de sangue e ferimentos, com uma coroa de espinhos na cabeça e uma pesada cruz às costas. Sear desviou por um momento o rosto. Quando olhou novamente, notou que ao lado desse condenado seguia uma senhora resplendente de luz e, ao mesmo tempo, carregada de dores. Seria a mãe dele?! Passando por Sear, ela o fitou… Neste momento, ele lembrou- se! Cintilava nela aquele mesmo olhar materno da senhora que lhe havia sorrido trinta e três anos antes, na Gruta de Belém. À procura de Maria Tomado por um enlevo indescritível, Sear saiu vagando pelas ruas. No final da madrugada, em meio às brumas, esbarrou num transeunte. Reconheceu-o. Era Pedro, o chefe dos pescadores, que, em prantos, repetia sem cessar: “Preciso encontrar a Senhora!” Aquelas palavras penetraram-lhe fundo na alma. Sentiu, também ele, a mesma necessidade premente: encontrar a mãe do Messias! Claro! Quem, a não ser ela, poderia socorrê-lo? Precisava encontrá- la. Mas… como? E Sear fez algo de que há muito tempo se olvidara: rezou. Javeh não deixaria de atendê-lo, se pedisse por intercessão daquela senhora. Inocência restaurada Dito e feito. Passados alguns dias, viu na rua outro discípulo do Crucificado. Chamava-se Tomé e andava depressa. Seguiu-o pelas ruelas estreitas até chegar a uma grande habitação. Abordou-o, confiante, suplicando-lhe que o apresentasse à Senhora. Vendo-o tão movido pela graça, Tomé acedeu. Sear quase não podia acreditar no que aconteceu então. Sim, era aquela mesma régia Senhora que lhe havia sorrido quando criancinha, que agora lhe falava e o consolava! E restaurava sua inocência primaveril. Contudo, ele nem imaginava o que ainda estava por acontecer. Estando as portas fechadas, surgiu um homem chamejante de luz. Em seu flanco, em suas mãos e pés, fulguravam chagas rubras. Sear o reconheceu. Era o Crucificado. Ouviu sua voz, viu Tomé pôr a mão numa de suas chagas sagradas. E creu: o Senhor havia ressuscitado verdadeiramente. Procurando Maria, ele encontrou também Jesus. (Revista Arautos do Evangelho, Dez/2003, n. 24, p. 42-43) Leia também: Guardar domingos e festas de guarda – Lista dos dias santos de obrigação do catolicismo https://templariodemaria.com.br/guardar-domingos-e-festas-de-guarda-lista-dos-dias-santos-de-obrigacao-do-catolicismo/
- O Natal e a noite de tréguas na Primeira Guerra Mundial
Conheça o relato de quando o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo conquistou uma noite de tréguas em meio à Primeira Guerra Mundial. Um pouco por todo no mundo, crianças, jovens e graúdos comemoram o Natal. É interessante perceber que estes se deixam contagiar por esperança de amor e fraternidade. Contactam-se os amigos, que durante o ano foram esquecidos pelo tempo, reúne-se a família para com pompa festejar, e trocam-se presentes. Ainda que nem todos vivam o Natal pela sua verdadeira razão de ser – o nascimento de Deus menino – quase todos partilham dos bons sentimentos do Natal cristão. A esperança que é dada à Humanidade pelo nascimento de Jesus, o amor familiar que Ele nos pede para dar, a humildade e partilha que durante a Sua vida exemplificou, são as razões para esse preenchimento de alma que a todos cativa. É pena que não se consigam perpetuar estes sentimentos de paz e união ao longo de todo o ano. Certa noite, em plena guerra, separados por apenas algumas dezenas de metros, encontravam-se guardas britânicos e guardas alemães. Protegidos pelas suas respectivas trincheiras, os militares mantinham-se bem protegidos, e ao mínimo sinal, disparavam para matar a quem do lado inimigo se expusesse. A lua cheia dessa noite clareava a cor escura do céu e deixava visível o campo que existia entre eles, destruído pelas explosões de até então e onde se encontravam os corpos dos soldados abatidos de ambos os lados. O silêncio imperava. Não se ouviam tiros nem nenhum soldado gritava de dores. O frio do Inverno era rigoroso. Foi então que dentre o silêncio alguns militares alemães começaram a cantar a música “Stille Nacht, Heilige Nacht”. Os militares ingleses duplicaram a sua atenção e ficaram à escuta. A melodia não deixava dúvidas. Era da música “Silent Night”. Terminada a cantoria, o silêncio voltava a envolver o campo de batalha. Passados uns segundos, um soldado inglês entusiasmado grita na sua própria língua “Boa alemães!” obtendo do outro lado a resposta “Feliz Natal ingleses! Nós não disparamos e vocês não disparam”. Os ingleses, sem estarem certos da última parte da mensagem, voltaram a reforçar a atenção. Do outro lado, um militar alemão desarmado sai da sua trincheira e caminha em direcção às trincheiras inglesas. O lado inglês retribui enviando um soldado nas mesmas condições. Depois de algumas conversas, acordaram um período de tréguas. Estamos na noite 24 de Dezembro. Durante aquela noite, as forças alemãs e forças inglesas enterraram os seus compatriotas e confraternizam. Ajudaram-se mutuamente a escavar sepulturas e conversaram sobre as suas terras e famílias. Trocaram cigarros e alimentos, riram-se das piadas que iam dirigindo uns aos outros… A língua não era impedimento. O recurso gestual era permanentemente utilizado e todos se entendiam. No dia seguinte, dia de Natal, um sacerdote inglês celebrou a Missa ajudado por um ex seminarista alemão, que traduzia as orações. Todos rezaram o salmo 23 com que o sacerdote começou a missa: “O Senhor é o meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados e conduz-me às águas refrescantes. Reconforta a minha alma e guia-me por caminhos rectos, por amor do seu nome. Ainda que atravesse vales tenebrosos, de nenhum mal terei medo porque Tu estás comigo.” Dedicaram a missa aos seus colegas defuntos. Depois, juntos, cozinharam o almoço e fizeram, dentro das possibilidades de um local de guerra, um banquete. Trocaram brasões da unidade e botões de uniforme como lembranças. As forças inglesas, habituadas a ouvir e a ler nos jornais que os alemães eram bárbaros e sem escrúpulos, descobriram que estes eram em tudo idênticos a eles, com sentimentos e anseios, com famílias e amores, com esperanças e desejos de paz. Após o almoço, surgiram duas equipas de futebol e, improvisando uma bola com trapos, defrontou-se um jogo. Os alemães venceram por três bolas a duas. Paralelamente decorreu uma luta de boxe entre lutadores das duas nacionalidades. Bastante acesa, a disputa foi terminada com a separação dos lutadores, para que nenhum se aleijasse mais que o suposto. Seguido disto e de comum acordo geral, manteve-se o cessar-fogo por mais alguns dias. Fizeram-se amizades e partilharam-se experiências. É hora de regressar. De despedidas feitas, cada nação regressou às suas trincheiras. Foram disparados vários tiros, de um lado e de outro, para o ar, como forma de aviso de que tudo estava de volta. A guerra era retomada. A Alemanha queria vencer e conquistar o espaço Inglês e a Inglaterra queria defendê-lo. Muitas daquelas amizades, feitas uns minutos, umas horas, uns dias antes, terminaram com a morte. Morreram uns milhares de soldados. A guerra só terminou 4 anos depois, com a Alemanha derrotada. Este foi o Natal, não oficializado, daqueles homens, em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial, que ficou conhecida como a Trégua de Natal e que ocorreu numa linha de 43 km que ligava Ypres até ao Canal de La Bassée. Tiago Rodrigues | Via Senza Pangare #Natal
- O Natal e a noite de tréguas na Primeira Guerra Mundial
Conheça o relato de quando o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo conquistou uma noite de tréguas em meio à Primeira Guerra Mundial. Um pouco por todo no mundo, crianças, jovens e graúdos comemoram o Natal. É interessante perceber que estes se deixam contagiar por esperança de amor e fraternidade. Contactam-se os amigos, que durante o ano foram esquecidos pelo tempo, reúne-se a família para com pompa festejar, e trocam-se presentes. Ainda que nem todos vivam o Natal pela sua verdadeira razão de ser – o nascimento de Deus menino – quase todos partilham dos bons sentimentos do Natal cristão. A esperança que é dada à Humanidade pelo nascimento de Jesus, o amor familiar que Ele nos pede para dar, a humildade e partilha que durante a Sua vida exemplificou, são as razões para esse preenchimento de alma que a todos cativa. É pena que não se consigam perpetuar estes sentimentos de paz e união ao longo de todo o ano. Certa noite, em plena guerra, separados por apenas algumas dezenas de metros, encontravam-se guardas britânicos e guardas alemães. Protegidos pelas suas respectivas trincheiras, os militares mantinham-se bem protegidos, e ao mínimo sinal, disparavam para matar a quem do lado inimigo se expusesse. A lua cheia dessa noite clareava a cor escura do céu e deixava visível o campo que existia entre eles, destruído pelas explosões de até então e onde se encontravam os corpos dos soldados abatidos de ambos os lados. O silêncio imperava. Não se ouviam tiros nem nenhum soldado gritava de dores. O frio do Inverno era rigoroso. Foi então que dentre o silêncio alguns militares alemães começaram a cantar a música “Stille Nacht, Heilige Nacht”. Os militares ingleses duplicaram a sua atenção e ficaram à escuta. A melodia não deixava dúvidas. Era da música “Silent Night”. Terminada a cantoria, o silêncio voltava a envolver o campo de batalha. Passados uns segundos, um soldado inglês entusiasmado grita na sua própria língua “Boa alemães!” obtendo do outro lado a resposta “Feliz Natal ingleses! Nós não disparamos e vocês não disparam”. Os ingleses, sem estarem certos da última parte da mensagem, voltaram a reforçar a atenção. Do outro lado, um militar alemão desarmado sai da sua trincheira e caminha em direcção às trincheiras inglesas. O lado inglês retribui enviando um soldado nas mesmas condições. Depois de algumas conversas, acordaram um período de tréguas. Estamos na noite 24 de Dezembro. Durante aquela noite, as forças alemãs e forças inglesas enterraram os seus compatriotas e confraternizam. Ajudaram-se mutuamente a escavar sepulturas e conversaram sobre as suas terras e famílias. Trocaram cigarros e alimentos, riram-se das piadas que iam dirigindo uns aos outros… A língua não era impedimento. O recurso gestual era permanentemente utilizado e todos se entendiam. No dia seguinte, dia de Natal, um sacerdote inglês celebrou a Missa ajudado por um ex seminarista alemão, que traduzia as orações. Todos rezaram o salmo 23 com que o sacerdote começou a missa: “O Senhor é o meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados e conduz-me às águas refrescantes. Reconforta a minha alma e guia-me por caminhos rectos, por amor do seu nome. Ainda que atravesse vales tenebrosos, de nenhum mal terei medo porque Tu estás comigo.” Dedicaram a missa aos seus colegas defuntos. Depois, juntos, cozinharam o almoço e fizeram, dentro das possibilidades de um local de guerra, um banquete. Trocaram brasões da unidade e botões de uniforme como lembranças. As forças inglesas, habituadas a ouvir e a ler nos jornais que os alemães eram bárbaros e sem escrúpulos, descobriram que estes eram em tudo idênticos a eles, com sentimentos e anseios, com famílias e amores, com esperanças e desejos de paz. Após o almoço, surgiram duas equipas de futebol e, improvisando uma bola com trapos, defrontou-se um jogo. Os alemães venceram por três bolas a duas. Paralelamente decorreu uma luta de boxe entre lutadores das duas nacionalidades. Bastante acesa, a disputa foi terminada com a separação dos lutadores, para que nenhum se aleijasse mais que o suposto. Seguido disto e de comum acordo geral, manteve-se o cessar-fogo por mais alguns dias. Fizeram-se amizades e partilharam-se experiências. É hora de regressar. De despedidas feitas, cada nação regressou às suas trincheiras. Foram disparados vários tiros, de um lado e de outro, para o ar, como forma de aviso de que tudo estava de volta. A guerra era retomada. A Alemanha queria vencer e conquistar o espaço Inglês e a Inglaterra queria defendê-lo. Muitas daquelas amizades, feitas uns minutos, umas horas, uns dias antes, terminaram com a morte. Morreram uns milhares de soldados. A guerra só terminou 4 anos depois, com a Alemanha derrotada. Este foi o Natal, não oficializado, daqueles homens, em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial, que ficou conhecida como a Trégua de Natal e que ocorreu numa linha de 43 km que ligava Ypres até ao Canal de La Bassée. Tiago Rodrigues | Via Senza Pangare #Natal
- O Santo Natal segundo o Catecismo Maior de São Pio X
O que é o Natal e o que a Santa Igreja espera de nós, segundo o Catecismo Maior de São Pio X. 4. O que é a festa do santo Natal? O santo Natal é a festa criada para celebrar a memória do tempo do nascimento de Jesus Cristo. 5. Entre outras particularidades o que é mais especial no santo Natal? No Santo Natal, entre todas as outras particularidades, há duas coisas especiais:1º que os ofícios divinos são celebrados na noite prece-dente, segundo antigo costume da Igreja nas vigílias :2º que todos os sacerdotes celebram três Missas. 6. Por que a Igreja quis conservar o costume de celebrar de noite os ofícios de Natal? A Igreja quis manter o uso de celebrar de noite os ofícios de Natal para renovar, com profunda gratidão, a memória daquela noite em que o Divino Salvador deu início, com seu nascimento, à obra de nossa redenção. 7. Que propõe a Igreja à nossa consideração no Evangelho da primeira Missa de Natal? No evangelho da primeira Missa de Natal, a Igreja propõe-nos considerar que a Santíssima Virgem, em companhia de S. José, foi de Nazaré até Belém para o recenseamento, segundo as ordens do imperador, e não encontrando outro albergue, ela deu a luz a Jesus em um estábulo e colocou-o num presépio, ou seja, em uma manjedoura para animais. 8. E no evangelho da segunda Missa? No evangelho da segunda Missa propõe à nossa consideração a visita feita a Jesus Cristo por alguns pobres pastores, a quem um anjo anunciara o nascimento do Salvador.9. E o Evangelho da terceira Missa? No evangelho da terceira Missa a Igreja nos leva a considerar como este menino, que nasceu da Virgem Maria no tempo, é desde toda a eternidade o Filho de Deus. 10. O que pretende a Igreja ao propor à nossa consideração os mistérios das três Missas de Natal? Ao propor à nossa consideração os mistérios das três Missas de Natal, a Igreja quer que agradeçamos ao Divino Redentor por ter-se feito homem para nossa salvação, reconhecendo-lhe — com os pastores — e O adoremos como verdadeiro Filho de Deus, atendendo aos ensinamentos que tacitamente Ele nos dá com as circunstâncias de seu nascimento. 11. Que nos ensina Jesus Cristo com as circunstâncias de seu nascimento? Com as circunstâncias de seu nascimento, Jesus Cristo nos ensina a renunciar às vaidades do mundo e estimar a pobreza e o sofrimento. 12. Temos a obrigação de ouvir três missas na festa de Natal? Na festa de Natal, somos obrigados a ouvir uma só missa, no entanto, é bom ouvir todas as três para conformar-nos melhor com as intenções da Igreja. 13. O que devemos fazer no santo Natal para conformar-nos plenamente com as intenções da Igreja? No santo Natal devemos fazer essas quatro coisas: 1º prepararmo-nos na véspera com um recolhimento maior do que de costume; 2º procurar grande pureza por meio de uma boa confissão e um vivo desejo de receber o Senhor; 3º assistir, se nos é possível, os ofícios divinos da noite anterior e as três Missas, meditando o mistério que se celebra; 4º empregarmos esse dia, tanto quanto nos seja possível, em obras de piedade cristã. Leia também O incrível relato do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo pela beata e mística Anna Catarina Emmerich Via Senza Pagare #Natal
- O Santo Natal segundo o Catecismo Maior de São Pio X
O que é o Natal e o que a Santa Igreja espera de nós, segundo o Catecismo Maior de São Pio X. 4. O que é a festa do santo Natal? O santo Natal é a festa criada para celebrar a memória do tempo do nascimento de Jesus Cristo. 5. Entre outras particularidades o que é mais especial no santo Natal? No Santo Natal, entre todas as outras particularidades, há duas coisas especiais:1º que os ofícios divinos são celebrados na noite prece-dente, segundo antigo costume da Igreja nas vigílias :2º que todos os sacerdotes celebram três Missas. 6. Por que a Igreja quis conservar o costume de celebrar de noite os ofícios de Natal? A Igreja quis manter o uso de celebrar de noite os ofícios de Natal para renovar, com profunda gratidão, a memória daquela noite em que o Divino Salvador deu início, com seu nascimento, à obra de nossa redenção. 7. Que propõe a Igreja à nossa consideração no Evangelho da primeira Missa de Natal? No evangelho da primeira Missa de Natal, a Igreja propõe-nos considerar que a Santíssima Virgem, em companhia de S. José, foi de Nazaré até Belém para o recenseamento, segundo as ordens do imperador, e não encontrando outro albergue, ela deu a luz a Jesus em um estábulo e colocou-o num presépio, ou seja, em uma manjedoura para animais. 8. E no evangelho da segunda Missa? No evangelho da segunda Missa propõe à nossa consideração a visita feita a Jesus Cristo por alguns pobres pastores, a quem um anjo anunciara o nascimento do Salvador.9. E o Evangelho da terceira Missa? No evangelho da terceira Missa a Igreja nos leva a considerar como este menino, que nasceu da Virgem Maria no tempo, é desde toda a eternidade o Filho de Deus. 10. O que pretende a Igreja ao propor à nossa consideração os mistérios das três Missas de Natal? Ao propor à nossa consideração os mistérios das três Missas de Natal, a Igreja quer que agradeçamos ao Divino Redentor por ter-se feito homem para nossa salvação, reconhecendo-lhe — com os pastores — e O adoremos como verdadeiro Filho de Deus, atendendo aos ensinamentos que tacitamente Ele nos dá com as circunstâncias de seu nascimento. 11. Que nos ensina Jesus Cristo com as circunstâncias de seu nascimento? Com as circunstâncias de seu nascimento, Jesus Cristo nos ensina a renunciar às vaidades do mundo e estimar a pobreza e o sofrimento. 12. Temos a obrigação de ouvir três missas na festa de Natal? Na festa de Natal, somos obrigados a ouvir uma só missa, no entanto, é bom ouvir todas as três para conformar-nos melhor com as intenções da Igreja. 13. O que devemos fazer no santo Natal para conformar-nos plenamente com as intenções da Igreja? No santo Natal devemos fazer essas quatro coisas: 1º prepararmo-nos na véspera com um recolhimento maior do que de costume; 2º procurar grande pureza por meio de uma boa confissão e um vivo desejo de receber o Senhor; 3º assistir, se nos é possível, os ofícios divinos da noite anterior e as três Missas, meditando o mistério que se celebra; 4º empregarmos esse dia, tanto quanto nos seja possível, em obras de piedade cristã. Leia também O incrível relato do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo pela beata e mística Anna Catarina Emmerich Via Senza Pagare #Natal
- São João Câncio, sacerdote – 23 de Dezembro
SANTO DO DIA – 23 DE DEZEMBRO – SÃO JOÃO CÂNCIO Sacerdote (1390-1473) Considerado um dos santos mais representativos e queridos da heróica Polônia, são João Câncio é chamado, pelo povo, de a ‘glória da nação polonesa’ e o ‘pai da pátria’. Isso num país que sempre teve orgulho de sua fé no cristianismo e da fidelidade à cátedra de Pedro. João Câncio nasceu em 23 de junho de 1390, no povoado de Kenty, e viveu sempre em sua cidade, Cracóvia. Lá, conquistou todos os graus acadêmicos e lecionou em sua principal universidade até morrer. A grande preocupação de seu magistério era transmitir aos alunos os conhecimentos ‘não à luz de uma ciência fria e anônima, mas como irradiação da ciência suprema que tem sua fonte em Deus’. Mesmo depois de ordenar-se sacerdote, continuou a cultivar a ciência, ao mesmo tempo que fazia seu trabalho pastoral como vigário da paróquia de Olkusz. Homem de profunda vida interior, jejuava e penitenciava-se semanalmente, ao mesmo tempo que espalhava o amor pelo próximo entre os estudantes e os pobres da cidade. Há um exemplo claro de sua personalidade em sua biografia, que remonta às inúmeras peregrinações e romarias aos túmulos dos mártires em Roma, bem como aos lugares santos da Palestina. Numa dessas incontáveis viagens, foi assaltado. Os bandidos exigiram que João Câncio lhes desse tudo que tinha, depois perguntaram ainda se não estava escondendo mais nada. Ele afirmou que não. Depois que os ladrões partiram, ele se lembrou de que ainda tinha algumas moedas no forro do manto. Achou-as, correu atrás dos bandidos, deu-lhes as moedas e ainda pediu desculpa pelo esquecimento. Anos depois, ao perceber a proximidade da morte, distribuiu os poucos bens que possuía aos pobres, falecendo às vésperas do Natal de 1473. Foi canonizado por Clemente II em 1767. São João Câncio era celebrado no dia 20 de outubro, mas agora sua festa acontece um dia antes daquele que marca sua morte. Para homenagear o ‘professor santo’, que foi modelo para gerações inteiras de religiosos, o papa João Paulo II foi à Polônia em 1979. Na ocasião, consagrou uma capela em memória do padroeiro da Polônia, são João Câncio, na igreja de São Floriano. Nela, na metade do século XX, o mesmo papa, então um jovem sacerdote, iniciava o seu serviço de vigário paroquial. Texto: Paulinas Internet Conheça mais sobre São João Câncio Vladislau III Jagelon, lituano, chefe de uma grande dinastia converteu-se ao cristianismo por amor ao trono da Polônia, antes que por amor a princesa Edniges, herdeira da coroa. Entre as boas coisas realizadas enumera-se a criação em 1400 da célebre Universidade de Cracóvia. Nela, poucos anos depois, ocupou a cátedra de filosofia e teologia João Câncio, como ele próprio se chamava, pelo costume de traduzir para o latim os nomes nórdicos. João nasceu em Kety, pequena localidade da Polônia, em 1390. Em Cracóvia fez os seus estudos, laureou-se e foi ordenado sacerdote. Obteve a cátedra universitária no momento em que a controvérsia hussita se tornava mais acesa. João discutiu com vários opositores, recebendo nesta disputas mais insultos que argumentações objetivas. Quando a sua humildade e a sua paciência eram postas a prova, sem perder a costumeira serenidade de espírito, se limitava a responder: “Graças a Deus!” Na qualidade de preceptor dos príncipes da Casa real polonesa, as vezes não podia se subtrair a participação de alguma festa mundana. Um dia se apresentou a um banquete com roupas humildes e um doméstico o colocou porta afora. João foi se trocar e voltou ao lugar onde se dava a recepção. Desta vez pode entrar, mas durante o almoço um servente desastrado esvaziou um copo nas suas vestes. João sorriu afirmando: “Está certo que também a minha roupa tenha a sua parte, foi graças a ela que pude entrar aqui.” Tanto nas pequenas como nas grandes adversidades, João teve sempre em mira algo de bem superior ao prestígio, a carreira e ao bem-estar materiais: “Mais para o alto!”, repetia frequentemente querendo exprimir com este lema o seu programa de vida ascética. Ele se distinguiu sobretudo pela caridade evangélica, com uma marca claramente franciscana. Durante uma de suas peregrinações a Roma, a diligência em que viajava foi assaltada e depredada por um grupo de bandidos, que infestavam os arredores de Roma. Também João foi roubado mas percebendo que no fundo de um bolso tinha ficado uma moeda de prata, correu atrás dos bandidos, dizendo: “Vocês esqueceram esta.” O biógrafo, que conta o episódio, afirma que os bandidos, comovidos, restituíram todo o dinheiro do assalto. Morreu em Cracóvia, com a idade de oitenta e três anos, na noite de Natal de 1473 e foi canonizado em 1767. A memória do santo, celebrada a 20 de outubro, foi agora trazida para mais perto da data de sua morte. Fonte: Cleofas #SantodoDia
- São João Câncio, sacerdote – 23 de Dezembro
SANTO DO DIA – 23 DE DEZEMBRO – SÃO JOÃO CÂNCIO Sacerdote (1390-1473) Considerado um dos santos mais representativos e queridos da heróica Polônia, são João Câncio é chamado, pelo povo, de a ‘glória da nação polonesa’ e o ‘pai da pátria’. Isso num país que sempre teve orgulho de sua fé no cristianismo e da fidelidade à cátedra de Pedro. João Câncio nasceu em 23 de junho de 1390, no povoado de Kenty, e viveu sempre em sua cidade, Cracóvia. Lá, conquistou todos os graus acadêmicos e lecionou em sua principal universidade até morrer. A grande preocupação de seu magistério era transmitir aos alunos os conhecimentos ‘não à luz de uma ciência fria e anônima, mas como irradiação da ciência suprema que tem sua fonte em Deus’. Mesmo depois de ordenar-se sacerdote, continuou a cultivar a ciência, ao mesmo tempo que fazia seu trabalho pastoral como vigário da paróquia de Olkusz. Homem de profunda vida interior, jejuava e penitenciava-se semanalmente, ao mesmo tempo que espalhava o amor pelo próximo entre os estudantes e os pobres da cidade. Há um exemplo claro de sua personalidade em sua biografia, que remonta às inúmeras peregrinações e romarias aos túmulos dos mártires em Roma, bem como aos lugares santos da Palestina. Numa dessas incontáveis viagens, foi assaltado. Os bandidos exigiram que João Câncio lhes desse tudo que tinha, depois perguntaram ainda se não estava escondendo mais nada. Ele afirmou que não. Depois que os ladrões partiram, ele se lembrou de que ainda tinha algumas moedas no forro do manto. Achou-as, correu atrás dos bandidos, deu-lhes as moedas e ainda pediu desculpa pelo esquecimento. Anos depois, ao perceber a proximidade da morte, distribuiu os poucos bens que possuía aos pobres, falecendo às vésperas do Natal de 1473. Foi canonizado por Clemente II em 1767. São João Câncio era celebrado no dia 20 de outubro, mas agora sua festa acontece um dia antes daquele que marca sua morte. Para homenagear o ‘professor santo’, que foi modelo para gerações inteiras de religiosos, o papa João Paulo II foi à Polônia em 1979. Na ocasião, consagrou uma capela em memória do padroeiro da Polônia, são João Câncio, na igreja de São Floriano. Nela, na metade do século XX, o mesmo papa, então um jovem sacerdote, iniciava o seu serviço de vigário paroquial. Texto: Paulinas Internet Conheça mais sobre São João Câncio Vladislau III Jagelon, lituano, chefe de uma grande dinastia converteu-se ao cristianismo por amor ao trono da Polônia, antes que por amor a princesa Edniges, herdeira da coroa. Entre as boas coisas realizadas enumera-se a criação em 1400 da célebre Universidade de Cracóvia. Nela, poucos anos depois, ocupou a cátedra de filosofia e teologia João Câncio, como ele próprio se chamava, pelo costume de traduzir para o latim os nomes nórdicos. João nasceu em Kety, pequena localidade da Polônia, em 1390. Em Cracóvia fez os seus estudos, laureou-se e foi ordenado sacerdote. Obteve a cátedra universitária no momento em que a controvérsia hussita se tornava mais acesa. João discutiu com vários opositores, recebendo nesta disputas mais insultos que argumentações objetivas. Quando a sua humildade e a sua paciência eram postas a prova, sem perder a costumeira serenidade de espírito, se limitava a responder: “Graças a Deus!” Na qualidade de preceptor dos príncipes da Casa real polonesa, as vezes não podia se subtrair a participação de alguma festa mundana. Um dia se apresentou a um banquete com roupas humildes e um doméstico o colocou porta afora. João foi se trocar e voltou ao lugar onde se dava a recepção. Desta vez pode entrar, mas durante o almoço um servente desastrado esvaziou um copo nas suas vestes. João sorriu afirmando: “Está certo que também a minha roupa tenha a sua parte, foi graças a ela que pude entrar aqui.” Tanto nas pequenas como nas grandes adversidades, João teve sempre em mira algo de bem superior ao prestígio, a carreira e ao bem-estar materiais: “Mais para o alto!”, repetia frequentemente querendo exprimir com este lema o seu programa de vida ascética. Ele se distinguiu sobretudo pela caridade evangélica, com uma marca claramente franciscana. Durante uma de suas peregrinações a Roma, a diligência em que viajava foi assaltada e depredada por um grupo de bandidos, que infestavam os arredores de Roma. Também João foi roubado mas percebendo que no fundo de um bolso tinha ficado uma moeda de prata, correu atrás dos bandidos, dizendo: “Vocês esqueceram esta.” O biógrafo, que conta o episódio, afirma que os bandidos, comovidos, restituíram todo o dinheiro do assalto. Morreu em Cracóvia, com a idade de oitenta e três anos, na noite de Natal de 1473 e foi canonizado em 1767. A memória do santo, celebrada a 20 de outubro, foi agora trazida para mais perto da data de sua morte. Fonte: Cleofas #SantodoDia
- Thor, São Bonifácio e a origem da árvore de Natal
Quando pensamos em um santo, talvez em um primeiro momento não consideramos que essa pessoa seja ousada, empunhe um machado, um martelo ou que derrube árvores como os carvalhos. Entretanto, existe um santo assim, conhecido como São Bonifácio. Por ACI Digital – Este santo nasceu na Inglaterra por volta do ano 680. Bonifácio ingressou em um monastério beneditino antes de ser enviado pelo Papa para evangelizar os territórios que pertencem a atual a Alemanha. Primeiro foi como um sacerdote e depois eventualmente como bispo. Sob a proteção do grande Charles Martel (conhecido como Carlos Magno), Bonifácio viajou por toda a Alemanha fortalecendo as regiões que já tinham abraçado o cristianismo e levou a luz de Cristo àqueles que ainda não o conheciam. A respeito deste santo, o Papa Bento XVI disse no ano 2009 que “seu incansável trabalho, seu dom para a organização e seu caráter flexível, amigável e forte” foram fundamentais para o sucesso das suas viagens. O escritor Henry Van Dyke o descreveu assim, em 1897, em seu livro The First Christmas Tree, (A primeira árvore de natal): “Que pessoa tão boa! Que boa pessoa! Era branco e magro, mas reto como uma lança e forte como um cajado de carvalho. Seu rosto ainda era jovem; sua pele suave estava bronzeada pelo sol e pelo o vento. Seus olhos cinzas, limpos e amáveis, brilhavam como o fogo quando falava das suas aventuras e das más ações dos falsos sacerdotes aos quais enfrentou”. Aproximadamente no ano 723, Bonifácio viajou com um pequeno grupo de pessoas na região da Baixa Saxônia. Ele conhecia uma comunidade de pagãos perto de Geismar que, no meio do inverno, realizavam um sacrifício humano (onde a vítima normalmente era uma criança) a Thor, o deus do trovão, na base de um carvalho o qual consideravam sagrado e que era conhecido como “O Carvalho do Trovão”. Bonifácio, acatando o conselho de um irmão bispo, quis destruir o Carvalho do Trovão não somente a fim de salvar a vítima, mas também para mostrar àqueles pagãos que ele não seria derrubado por um raio lançado por Thor. O Santo e seus companheiros chegaram à aldeia na véspera de Natal, bem a tempo para interromper o sacrifício. Com seu báculo de bispo na mão, Bonifácio se aproximou dos pagãos que estavam reunidos na base do Carvalho do Trovão e lhes disse: “Aqui está o Carvalho do Trovão e aqui a cruz de Cristo que romperá o martelo do Thor, o deus falso”. O verdugo levantou um martelo para matar o pequeno menino que tinha sido entregue para o sacrifício. Mas, o Bispo estendeu seu báculo para impedir o golpe e milagrosamente quebrou o grande martelo de pedra e salvou a vida deste menino. Logo, dizem que Bonifácio disse ao povo: “Escutai filhos do bosque! O sangue não fluirá esta noite, a não ser que piedade se derrame do peito de uma mãe. Porque esta é a noite em que nasceu Cristo, o Filho do Altíssimo, o Salvador da humanidade. Ele é mais justo que Baldur, maior que Odim, o Sábio, mais gentil do que Freya, o Bom. Desde sua vinda, o sacrifício terminou. A escuridão, Thor, a quem chamaram em vão, é a morte. No profundo das sombras de Niffelheim ele se perdeu para sempre. Desta forma, a partir de agora vocês começarão a viver. Esta árvore sangrenta nunca mais escurecerá sua terra. Em nome de Deus, vou destruí-la”. Então, Bonifácio pegou um machado que estava perto dele e, segundo a tradição, quando o brandiu poderosamente ao carvalho, uma grande rajada de vento atingiu o bosque e derrubou a árvore, inclusive as suas raízes. A árvore caiu no chão, quebrou-se em quatro pedaços. Depois deste acontecimento, o Santo construiu uma capela com a madeira do carvalho, mas esta história foi muito além das destruições da poderosa árvore. O “Apóstolo da Alemanha” continuou pregando ao povo alemão que estava assombrado e não podia acreditar que o assassino do Carvalho de Thor não tivesse sido ferido por seu deus. Bonifácio olhou mais à frente onde jazia o carvalho e assinalou um pequeno abeto e disse: “Esta pequena árvore, este pequeno filho do bosque, será sua árvore santa esta noite. Esta é a madeira da paz…É o sinal de uma vida sem fim, porque suas folhas são sempre verdes. Olhem como as pontas estão dirigidas para o céu. Terá que chamá-lo a árvore do Menino Jesus; reúnam-se em torno dela, não no bosque selvagem, mas em seus lares; ali haverá refúgio e não haverá ações sangrentas, mas presentes amorosos e gestos de bondade”. Desta forma, os alemães começaram uma nova tradição nessa noite, a qual foi estendida até os nossos dias. Ao trazer um abeto a seus lares, decorando-o com velas e ornamentos e ao celebrar o nascimento do Salvador, o Apóstolo da Alemanha e seu rebanho nos mostraram o que hoje conhecemos como a árvore de Natal. Veja também:
- Thor, São Bonifácio e a origem da árvore de Natal
Quando pensamos em um santo, talvez em um primeiro momento não consideramos que essa pessoa seja ousada, empunhe um machado, um martelo ou que derrube árvores como os carvalhos. Entretanto, existe um santo assim, conhecido como São Bonifácio. Por ACI Digital – Este santo nasceu na Inglaterra por volta do ano 680. Bonifácio ingressou em um monastério beneditino antes de ser enviado pelo Papa para evangelizar os territórios que pertencem a atual a Alemanha. Primeiro foi como um sacerdote e depois eventualmente como bispo. Sob a proteção do grande Charles Martel (conhecido como Carlos Magno), Bonifácio viajou por toda a Alemanha fortalecendo as regiões que já tinham abraçado o cristianismo e levou a luz de Cristo àqueles que ainda não o conheciam. A respeito deste santo, o Papa Bento XVI disse no ano 2009 que “seu incansável trabalho, seu dom para a organização e seu caráter flexível, amigável e forte” foram fundamentais para o sucesso das suas viagens. O escritor Henry Van Dyke o descreveu assim, em 1897, em seu livro The First Christmas Tree, (A primeira árvore de natal): “Que pessoa tão boa! Que boa pessoa! Era branco e magro, mas reto como uma lança e forte como um cajado de carvalho. Seu rosto ainda era jovem; sua pele suave estava bronzeada pelo sol e pelo o vento. Seus olhos cinzas, limpos e amáveis, brilhavam como o fogo quando falava das suas aventuras e das más ações dos falsos sacerdotes aos quais enfrentou”. Aproximadamente no ano 723, Bonifácio viajou com um pequeno grupo de pessoas na região da Baixa Saxônia. Ele conhecia uma comunidade de pagãos perto de Geismar que, no meio do inverno, realizavam um sacrifício humano (onde a vítima normalmente era uma criança) a Thor, o deus do trovão, na base de um carvalho o qual consideravam sagrado e que era conhecido como “O Carvalho do Trovão”. Bonifácio, acatando o conselho de um irmão bispo, quis destruir o Carvalho do Trovão não somente a fim de salvar a vítima, mas também para mostrar àqueles pagãos que ele não seria derrubado por um raio lançado por Thor. O Santo e seus companheiros chegaram à aldeia na véspera de Natal, bem a tempo para interromper o sacrifício. Com seu báculo de bispo na mão, Bonifácio se aproximou dos pagãos que estavam reunidos na base do Carvalho do Trovão e lhes disse: “Aqui está o Carvalho do Trovão e aqui a cruz de Cristo que romperá o martelo do Thor, o deus falso”. O verdugo levantou um martelo para matar o pequeno menino que tinha sido entregue para o sacrifício. Mas, o Bispo estendeu seu báculo para impedir o golpe e milagrosamente quebrou o grande martelo de pedra e salvou a vida deste menino. Logo, dizem que Bonifácio disse ao povo: “Escutai filhos do bosque! O sangue não fluirá esta noite, a não ser que piedade se derrame do peito de uma mãe. Porque esta é a noite em que nasceu Cristo, o Filho do Altíssimo, o Salvador da humanidade. Ele é mais justo que Baldur, maior que Odim, o Sábio, mais gentil do que Freya, o Bom. Desde sua vinda, o sacrifício terminou. A escuridão, Thor, a quem chamaram em vão, é a morte. No profundo das sombras de Niffelheim ele se perdeu para sempre. Desta forma, a partir de agora vocês começarão a viver. Esta árvore sangrenta nunca mais escurecerá sua terra. Em nome de Deus, vou destruí-la”. Então, Bonifácio pegou um machado que estava perto dele e, segundo a tradição, quando o brandiu poderosamente ao carvalho, uma grande rajada de vento atingiu o bosque e derrubou a árvore, inclusive as suas raízes. A árvore caiu no chão, quebrou-se em quatro pedaços. Depois deste acontecimento, o Santo construiu uma capela com a madeira do carvalho, mas esta história foi muito além das destruições da poderosa árvore. O “Apóstolo da Alemanha” continuou pregando ao povo alemão que estava assombrado e não podia acreditar que o assassino do Carvalho de Thor não tivesse sido ferido por seu deus. Bonifácio olhou mais à frente onde jazia o carvalho e assinalou um pequeno abeto e disse: “Esta pequena árvore, este pequeno filho do bosque, será sua árvore santa esta noite. Esta é a madeira da paz…É o sinal de uma vida sem fim, porque suas folhas são sempre verdes. Olhem como as pontas estão dirigidas para o céu. Terá que chamá-lo a árvore do Menino Jesus; reúnam-se em torno dela, não no bosque selvagem, mas em seus lares; ali haverá refúgio e não haverá ações sangrentas, mas presentes amorosos e gestos de bondade”. Desta forma, os alemães começaram uma nova tradição nessa noite, a qual foi estendida até os nossos dias. Ao trazer um abeto a seus lares, decorando-o com velas e ornamentos e ao celebrar o nascimento do Salvador, o Apóstolo da Alemanha e seu rebanho nos mostraram o que hoje conhecemos como a árvore de Natal. Veja também:
- Santa Francisca Xavier Cabrini – 22 de Dezembro
SANTO DO DIA – 22 DE DEZEMBRO – SANTA FRANCISCA XAVIER CABRINI Fundadora do Instituto das Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus (1850-1917) Filha de família pobre, cresceu em meio à miséria que pairava, em meados do século XIX, no norte da Itália. Franzina, de saúde fraca, não conseguiu ser aceita nos conventos. Apesar disso, era dona de uma alma grandiosa, digna de figurar entre os santos. Assim pode ser definida santa Francisca Cabrini, com sua vida voltada somente para a caridade e o bem do próximo. Francisca Cabrini foi a penúltima de quinze filhos de Antônio e Estela, camponeses muito pobres na pequena Santo Ângelo Lodigiano, região da Lombardia. Nascida em 15 de julho de 1850, desde pequena se entusiasmava ao ler a vida dos santos. A preferida era a de são Francisco Xavier, a quem venerou tanto que assumiu seu sobrenome, se auto-intitulando Xavier. Sua infância e adolescência foram tristes e simples, cheia de sacrifícios e pesares. Francisca, porém, gostava tanto de ler e se aplicava de tal forma nos estudos que seus pais fizeram o possível para que ela pudesse tornar-se professora. Mal se viu formada, porém, encontrou-se órfã. No prazo de um ano perdeu o pai e a mãe. Enquanto lecionava e atuava em obras de caridade em sua cidade, acalentava o sonho de entregar-se de vez à vida religiosa. Aos poucos, foi criando coragem e, por fim, pediu admissão em dois conventos, mas não foi aceita em nenhum. A causa era a sua fragilidade física. Mas também influiu a displicência e o egoísmo do padre da paróquia, que a queria trabalhando junto dele nas obras de caridade da comunidade. Francisca, embora decepcionada, nunca desistiu do sonho. Passado o tempo, quando já tinha trinta anos de idade, desabafou com um bispo o quanto desejava abraçar uma obra missionária e esse a aconselhou: ‘Quer ser missionária? Pois se não existe ainda um instituto feminino para esse fim, funde um’. Foi, exatamente, o que ela fez. Com o auxílio do vigário, em 1877 fundou o Instituto das Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus, que colocou sob a proteção de são Francisco Xavier. Ainda: obteve o apoio do papa Leão XIII, que apontou o alvo para as missões de Francisca: ‘O Ocidente, não o Oriente, como fez são Francisco’. Era o período das grandes migrações rumo às Américas por causa das guerras que assolavam a Itália. As pessoas chegavam aos cais do Novo Mundo desorientadas, necessitadas de apoio, solidariedade e, sobretudo, orientação espiritual. Francisca preparou missionárias dispostas e plenas de fé, como ela, para acompanhar os imigrantes em sua nova jornada. Tinham o objetivo de fundar, nas terras aonde chegavam, hospitais, asilos e escolas que lhes possibilitassem calor humano, amparo e conforto. Em trinta anos de intensa atividade, Francisca Cabrini fundou sessenta e sete Casas na Itália, França e nas Américas, no Brasil inclusive. Mais de trinta vezes cruzou os oceanos aquela ‘pequena e fraca professora lombarda’, que enfrentava, destemida, as autoridades políticas em defesa dos direitos de seus imigrantes nos novos lares. Madre Cabrini, como era popularmente chamada, morreu em Chicago, Estados Unidos, em 22 de dezembro de 1917. Solenemente, seu corpo foi transportado para New York, onde o sepultaram na capela anexa à Escola Madre Cabrini, para ficar mais próxima dos imigrantes. Canonizada em 1946, santa Francisca Xavier Cabrini é festejada no mundo todo, no dia de sua morte, como padroeira dos imigrante. Texto: Paulinas Internet Santa Francisca Xavier Cabrini Francisca nasceu na Itália em 1850, última de uma família de 13 filhos. Ela recebe o título de “Mãe dos Imigrantes”, pois olhou para a emigração com os olhos humaníssimos de mulher, de cristã. Nessa época, milhões de italianos emigravam para outros países, e Francisca recebeu a missão de Deus de cuidar dos interesses espirituais e materiais dessas famílias católicas que estavam no desamparo, em terras estranhas, de línguas e até religiões diferentes. Órfã de pai e mãe queria entrar logo no convento, mas não permitiram por causa de sua idade, e sua saúde precária. Ela aceitou então o encargo de atender a um orfanato, que lhe confiou o pároco de Codogno. Fundou a Congregação das Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus, colocadas sob a proteção de São Francisco Xavier, de quem ela mesma pronunciando os votos, assumiu o sobrenome. Estendeu sua obra a numerosos países e cruzou o Oceano Atlântico por 30 vezes. Faleceu aos 67 anos, em uma das viagens que fazia, em 1917. Seu corpo foi levado para Nova Iorque, para ficar perto dos emigrantes. Deixou fundadas 67 casas de sua congregação.
- Santa Francisca Xavier Cabrini – 22 de Dezembro
SANTO DO DIA – 22 DE DEZEMBRO – SANTA FRANCISCA XAVIER CABRINI Fundadora do Instituto das Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus (1850-1917) Filha de família pobre, cresceu em meio à miséria que pairava, em meados do século XIX, no norte da Itália. Franzina, de saúde fraca, não conseguiu ser aceita nos conventos. Apesar disso, era dona de uma alma grandiosa, digna de figurar entre os santos. Assim pode ser definida santa Francisca Cabrini, com sua vida voltada somente para a caridade e o bem do próximo. Francisca Cabrini foi a penúltima de quinze filhos de Antônio e Estela, camponeses muito pobres na pequena Santo Ângelo Lodigiano, região da Lombardia. Nascida em 15 de julho de 1850, desde pequena se entusiasmava ao ler a vida dos santos. A preferida era a de são Francisco Xavier, a quem venerou tanto que assumiu seu sobrenome, se auto-intitulando Xavier. Sua infância e adolescência foram tristes e simples, cheia de sacrifícios e pesares. Francisca, porém, gostava tanto de ler e se aplicava de tal forma nos estudos que seus pais fizeram o possível para que ela pudesse tornar-se professora. Mal se viu formada, porém, encontrou-se órfã. No prazo de um ano perdeu o pai e a mãe. Enquanto lecionava e atuava em obras de caridade em sua cidade, acalentava o sonho de entregar-se de vez à vida religiosa. Aos poucos, foi criando coragem e, por fim, pediu admissão em dois conventos, mas não foi aceita em nenhum. A causa era a sua fragilidade física. Mas também influiu a displicência e o egoísmo do padre da paróquia, que a queria trabalhando junto dele nas obras de caridade da comunidade. Francisca, embora decepcionada, nunca desistiu do sonho. Passado o tempo, quando já tinha trinta anos de idade, desabafou com um bispo o quanto desejava abraçar uma obra missionária e esse a aconselhou: ‘Quer ser missionária? Pois se não existe ainda um instituto feminino para esse fim, funde um’. Foi, exatamente, o que ela fez. Com o auxílio do vigário, em 1877 fundou o Instituto das Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus, que colocou sob a proteção de são Francisco Xavier. Ainda: obteve o apoio do papa Leão XIII, que apontou o alvo para as missões de Francisca: ‘O Ocidente, não o Oriente, como fez são Francisco’. Era o período das grandes migrações rumo às Américas por causa das guerras que assolavam a Itália. As pessoas chegavam aos cais do Novo Mundo desorientadas, necessitadas de apoio, solidariedade e, sobretudo, orientação espiritual. Francisca preparou missionárias dispostas e plenas de fé, como ela, para acompanhar os imigrantes em sua nova jornada. Tinham o objetivo de fundar, nas terras aonde chegavam, hospitais, asilos e escolas que lhes possibilitassem calor humano, amparo e conforto. Em trinta anos de intensa atividade, Francisca Cabrini fundou sessenta e sete Casas na Itália, França e nas Américas, no Brasil inclusive. Mais de trinta vezes cruzou os oceanos aquela ‘pequena e fraca professora lombarda’, que enfrentava, destemida, as autoridades políticas em defesa dos direitos de seus imigrantes nos novos lares. Madre Cabrini, como era popularmente chamada, morreu em Chicago, Estados Unidos, em 22 de dezembro de 1917. Solenemente, seu corpo foi transportado para New York, onde o sepultaram na capela anexa à Escola Madre Cabrini, para ficar mais próxima dos imigrantes. Canonizada em 1946, santa Francisca Xavier Cabrini é festejada no mundo todo, no dia de sua morte, como padroeira dos imigrante. Texto: Paulinas Internet Santa Francisca Xavier Cabrini Francisca nasceu na Itália em 1850, última de uma família de 13 filhos. Ela recebe o título de “Mãe dos Imigrantes”, pois olhou para a emigração com os olhos humaníssimos de mulher, de cristã. Nessa época, milhões de italianos emigravam para outros países, e Francisca recebeu a missão de Deus de cuidar dos interesses espirituais e materiais dessas famílias católicas que estavam no desamparo, em terras estranhas, de línguas e até religiões diferentes. Órfã de pai e mãe queria entrar logo no convento, mas não permitiram por causa de sua idade, e sua saúde precária. Ela aceitou então o encargo de atender a um orfanato, que lhe confiou o pároco de Codogno. Fundou a Congregação das Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus, colocadas sob a proteção de São Francisco Xavier, de quem ela mesma pronunciando os votos, assumiu o sobrenome. Estendeu sua obra a numerosos países e cruzou o Oceano Atlântico por 30 vezes. Faleceu aos 67 anos, em uma das viagens que fazia, em 1917. Seu corpo foi levado para Nova Iorque, para ficar perto dos emigrantes. Deixou fundadas 67 casas de sua congregação.
- Ministério Público quer proibir o Pai Nosso em escola de SP
MP deu 15 dias para escola cessar todas as atividades que consistam em prática religiosa. Por ACI Digital – O Ministério Público de São Paulo, pediu a proibição de rezar o Pai Nosso nas escolas municipais de Rifaina (SP). O MP agiu por causa da reclamação de uma professora da escola municipal de educação básica João Etchebehere. A Promotoria de Justiça de Pedregulho (SP), recomendou que fossem interrompidas “todas as atividades que consistam em prática religiosa ou propagação de elementos de religião específica, junto aos alunos da rede municipal de ensino”. Segundo os autos que a ACI Digital obteve junto ao MP-SP, a requerente relatou por meio de um vídeo que “na escola há prática da oração do Pai Nosso (Universal Cristã) todos os dias antes dos alunos entrarem para as suas devidas salas de aula”, e que “tal prática ocorre com braços em devoção como numa igreja”. “Presenciei dois alunos serem expostos perante aos demais por seus docentes justamente por expressarem que não compartilham da mesma fé”, disse a professora nos autos. A requerente também disse na solicitação que “antes de chegar ao pedido dessa interferência junto ao Ministério Público”, buscou “conversar com a gestão escolar”, mas “todas as tentativas foram hostilizadas e ignoradas”. “Mesmo relutante não vi outra opção, a partir da premissa de que a escola é uma das instituições sociais mais importantes de formação e que por essa razão deveria primar pelos conhecimentos técnicos-científicos, assegurando a igualdade, a livre manifestação dos cultos religiosos como bem assegura a Constituição de 88, pois a dinâmica da escola leva a crer que na escola não há prática da laicidade e segue com as manifestações da fé cristã, onde tal predominação faz com que tentem subordinar seu credo a outros credos provocando intolerância religiosa, principalmente às religiões de matriz africana”, enfatizou a professora. Segundo o promotor Alex Facciolo Pires, “a EMEB João Etchebehere confirmou que, antes do início das aulas, é feita com os alunos a oração Pai Nosso”. “Alega-se que a prática é facultativa. Mas os alunos não têm plena capacidade de discernimento e escolha, porquanto se encontram na faixa etária entre 5 e 10 anos”, disse Pires. “O fato de nenhum pai ou mãe de aluno ter reclamado do posicionamento da escola é irrelevante”. O promotor deu prazo de 15 dias para “a cessação de todas as atividades que consistam em prática religiosa ou propagação de elementos de religião específica, junto aos alunos da rede municipal de ensino”. “Saliente-se que, em caso de descumprimento, será ajuizada ação civil pública contra o Município de Rifaina”, disse o promotor. O jurista Miguel Vidigal, da Associação Paulista de Juristas Católicos disse a ACI Digital, que “por mais que se queira defender um estado Laico – termo que aliás sequer aparece na nossa Constituição – não se pode, no Brasil, apartar totalmente Deus, pois é justamente sob a sua proteção que temos uma lei magna”. “ A Constituição Brasileira foi promulgada no ano de 1988 “sob a proteção de Deus”. Esse é o texto do preâmbulo da nossa Carta Magna. Isso quer dizer que tudo aquilo que foi escrito no texto legal maior da nação existe porque está sob a proteção de Deus”, informou o jurista. “Deste modo, entendo que, assim como é necessário que todo brasileiro cante o Hino Nacional com regularidade em ocasiões públicas, bem como preste homenagens à bandeira nacional, também é preciso que façamos, publicamente, referências ao nosso passado, calcado na Fé Cristã que moveu nossos antepassados”, enfatizou Vidigal.
- Ministério Público quer proibir o Pai Nosso em escola de SP
MP deu 15 dias para escola cessar todas as atividades que consistam em prática religiosa. Por ACI Digital – O Ministério Público de São Paulo, pediu a proibição de rezar o Pai Nosso nas escolas municipais de Rifaina (SP). O MP agiu por causa da reclamação de uma professora da escola municipal de educação básica João Etchebehere. A Promotoria de Justiça de Pedregulho (SP), recomendou que fossem interrompidas “todas as atividades que consistam em prática religiosa ou propagação de elementos de religião específica, junto aos alunos da rede municipal de ensino”. Segundo os autos que a ACI Digital obteve junto ao MP-SP, a requerente relatou por meio de um vídeo que “na escola há prática da oração do Pai Nosso (Universal Cristã) todos os dias antes dos alunos entrarem para as suas devidas salas de aula”, e que “tal prática ocorre com braços em devoção como numa igreja”. “Presenciei dois alunos serem expostos perante aos demais por seus docentes justamente por expressarem que não compartilham da mesma fé”, disse a professora nos autos. A requerente também disse na solicitação que “antes de chegar ao pedido dessa interferência junto ao Ministério Público”, buscou “conversar com a gestão escolar”, mas “todas as tentativas foram hostilizadas e ignoradas”. “Mesmo relutante não vi outra opção, a partir da premissa de que a escola é uma das instituições sociais mais importantes de formação e que por essa razão deveria primar pelos conhecimentos técnicos-científicos, assegurando a igualdade, a livre manifestação dos cultos religiosos como bem assegura a Constituição de 88, pois a dinâmica da escola leva a crer que na escola não há prática da laicidade e segue com as manifestações da fé cristã, onde tal predominação faz com que tentem subordinar seu credo a outros credos provocando intolerância religiosa, principalmente às religiões de matriz africana”, enfatizou a professora. Segundo o promotor Alex Facciolo Pires, “a EMEB João Etchebehere confirmou que, antes do início das aulas, é feita com os alunos a oração Pai Nosso”. “Alega-se que a prática é facultativa. Mas os alunos não têm plena capacidade de discernimento e escolha, porquanto se encontram na faixa etária entre 5 e 10 anos”, disse Pires. “O fato de nenhum pai ou mãe de aluno ter reclamado do posicionamento da escola é irrelevante”. O promotor deu prazo de 15 dias para “a cessação de todas as atividades que consistam em prática religiosa ou propagação de elementos de religião específica, junto aos alunos da rede municipal de ensino”. “Saliente-se que, em caso de descumprimento, será ajuizada ação civil pública contra o Município de Rifaina”, disse o promotor. O jurista Miguel Vidigal, da Associação Paulista de Juristas Católicos disse a ACI Digital, que “por mais que se queira defender um estado Laico – termo que aliás sequer aparece na nossa Constituição – não se pode, no Brasil, apartar totalmente Deus, pois é justamente sob a sua proteção que temos uma lei magna”. “ A Constituição Brasileira foi promulgada no ano de 1988 “sob a proteção de Deus”. Esse é o texto do preâmbulo da nossa Carta Magna. Isso quer dizer que tudo aquilo que foi escrito no texto legal maior da nação existe porque está sob a proteção de Deus”, informou o jurista. “Deste modo, entendo que, assim como é necessário que todo brasileiro cante o Hino Nacional com regularidade em ocasiões públicas, bem como preste homenagens à bandeira nacional, também é preciso que façamos, publicamente, referências ao nosso passado, calcado na Fé Cristã que moveu nossos antepassados”, enfatizou Vidigal.
- São Domingos de Silos, abade beneditino – 20 de Dezembro
SANTO DO DIA – 20 DE DEZEMBRO – SÃO DOMINGOS DE SILOS Abade beneditino (1000-1073) É historicamente reconhecida a influência das ordens religiosas na formação da sociedade europeia na Idade Média. Numa época onde a força era a suprema lei e o valor militar de um homem se sobrepunha a todos os outros, os monastérios eram verdadeiros oásis de paz e os monges, os guardiões da cultura, do direito e da liberdade. Talvez o maior defensor dos valores monásticos tenha sido o religioso Domingos de Silos, que valorizava nos mosteiros o ensino não só da agricultura como dos demais ofícios e artes. Domingos nasceu no ano 1000, em Navarra, Espanha, no seio de uma família pobre e cristã. Quando menino, foi pastor de ovelhas. Já desse período se conta que era bondoso ao extremo, oferecia leite de ovelha para alimentar os caminhantes pobres. Ao mesmo tempo, gostava muito de estudar, motivo que levou seus pais a entregá-lo ao padre da paróquia onde moravam. Ele criara uma escola ao lado da igreja. Saiu-se tão bem que o padre quis ordená-lo sacerdote. Antes disso, Domingos resolveu experimentar a vida de eremita para depois, enfim, entrar num convento beneditino, onde descobriu sua verdadeira vocação, pois logo se tornou exemplo para os demais monges. Quando completou trinta anos, foi encarregado de restaurar e reabrir o Mosteiro de Santa Maria, havia muito tempo fechado. Para isso tornou-se esmoleiro, trabalhou como operário, fez de tudo um pouco para conseguir recursos e poder receber os candidatos à vida monástica. A surpresa veio, quando viu que, entre eles, estava seu próprio pai, além de alguns parentes. Terminada essa obra, foi convidado a ser o abade do Mosteiro de São William de la Cogola. Foi perseguido, porém, pelo príncipe de Navarra, que tinha a intenção de apossar-se dos bens do convento. Assim, teve de refugiar-se em Castela. Lá, recebeu com prazer a missão de reavivar o Mosteiro de São Sebastião de Silos, em Burgos, quase desabitado e em decadência total. Domingos foi abade do mosteiro por mais de trinta anos, sendo considerado seu novo fundador. Imprimiu espírito novo, atividade intensa e fecunda, tornando-o um centro de cultura e cenáculo de evangelização. Ao final da vida, era chamado de ‘apóstolo de Castela’. Previu a data da própria morte, que ocorreu em 20 de dezembro de 1073. Festejado nesse dia pela Igreja como são Domingos de Silos, a sua popularidade é muito vasta. Depois de sua morte, o nome do abade foi impresso, na história da Espanha, ao lado de ‘el Cid Campeador’, o libertador do povo espanhol do jugo dos invasores infiéis. Texto: Paulinas Internet São Domingos de Silos Os Santos da Igreja de Cristo foram verdadeiros luzeiros para o mundo, pois levaram com sua vida, e palavras a Luz do Mundo que é Jesus Cristo. São Domingos nasceu em Canãs, reino de Navarra na Espanha, isto no ano 1000 dentro de uma pobre família cristã. Quando o pai do pastorinho de ovelhas Domingos enxergou a inclinação do filho para os estudos religiosos, tratou logo de encaminhar Domingos para a formação que o levou – por vocação- ao Sacerdócio. Com o passar do tempo entrou para a família beneditina, pois entrou no mosteiro, onde logo foi feito mestre dos noviços. Na Ordem de São Bento, São Domingos de Silos descobriu seu chamado a uma contemplação profunda e ações que salvassem almas, sendo assim recebeu de um anjo em sonho a promessa de 3 coroas que significavam: uma por ter abandonado o mundo mal e se ter encaminhado para a vida perfeita; outra por ter construído Santa Maria de Canãs e ter observado castidade perfeita; e a terceira pela restauração de Silos. De fato esta última coroa se realizou perfeitamente, pois durante os 30 anos de pai ( abade) no mosteiro de São Sebastião em Silos, este local tornou-se centro de cultura e cenáculo de evangelização para a Igreja e o Mundo. São Domingos amado pelo povo e respeitado por reis e rainhas, operou em vida e também depois da morte muitos milagres, os quais provaram com clareza o quanto se encontra no Céu tão íntimo, quanto buscava ser aqui na terra.
- São Domingos de Silos, abade beneditino – 20 de Dezembro
SANTO DO DIA – 20 DE DEZEMBRO – SÃO DOMINGOS DE SILOS Abade beneditino (1000-1073) É historicamente reconhecida a influência das ordens religiosas na formação da sociedade europeia na Idade Média. Numa época onde a força era a suprema lei e o valor militar de um homem se sobrepunha a todos os outros, os monastérios eram verdadeiros oásis de paz e os monges, os guardiões da cultura, do direito e da liberdade. Talvez o maior defensor dos valores monásticos tenha sido o religioso Domingos de Silos, que valorizava nos mosteiros o ensino não só da agricultura como dos demais ofícios e artes. Domingos nasceu no ano 1000, em Navarra, Espanha, no seio de uma família pobre e cristã. Quando menino, foi pastor de ovelhas. Já desse período se conta que era bondoso ao extremo, oferecia leite de ovelha para alimentar os caminhantes pobres. Ao mesmo tempo, gostava muito de estudar, motivo que levou seus pais a entregá-lo ao padre da paróquia onde moravam. Ele criara uma escola ao lado da igreja. Saiu-se tão bem que o padre quis ordená-lo sacerdote. Antes disso, Domingos resolveu experimentar a vida de eremita para depois, enfim, entrar num convento beneditino, onde descobriu sua verdadeira vocação, pois logo se tornou exemplo para os demais monges. Quando completou trinta anos, foi encarregado de restaurar e reabrir o Mosteiro de Santa Maria, havia muito tempo fechado. Para isso tornou-se esmoleiro, trabalhou como operário, fez de tudo um pouco para conseguir recursos e poder receber os candidatos à vida monástica. A surpresa veio, quando viu que, entre eles, estava seu próprio pai, além de alguns parentes. Terminada essa obra, foi convidado a ser o abade do Mosteiro de São William de la Cogola. Foi perseguido, porém, pelo príncipe de Navarra, que tinha a intenção de apossar-se dos bens do convento. Assim, teve de refugiar-se em Castela. Lá, recebeu com prazer a missão de reavivar o Mosteiro de São Sebastião de Silos, em Burgos, quase desabitado e em decadência total. Domingos foi abade do mosteiro por mais de trinta anos, sendo considerado seu novo fundador. Imprimiu espírito novo, atividade intensa e fecunda, tornando-o um centro de cultura e cenáculo de evangelização. Ao final da vida, era chamado de ‘apóstolo de Castela’. Previu a data da própria morte, que ocorreu em 20 de dezembro de 1073. Festejado nesse dia pela Igreja como são Domingos de Silos, a sua popularidade é muito vasta. Depois de sua morte, o nome do abade foi impresso, na história da Espanha, ao lado de ‘el Cid Campeador’, o libertador do povo espanhol do jugo dos invasores infiéis. Texto: Paulinas Internet São Domingos de Silos Os Santos da Igreja de Cristo foram verdadeiros luzeiros para o mundo, pois levaram com sua vida, e palavras a Luz do Mundo que é Jesus Cristo. São Domingos nasceu em Canãs, reino de Navarra na Espanha, isto no ano 1000 dentro de uma pobre família cristã. Quando o pai do pastorinho de ovelhas Domingos enxergou a inclinação do filho para os estudos religiosos, tratou logo de encaminhar Domingos para a formação que o levou – por vocação- ao Sacerdócio. Com o passar do tempo entrou para a família beneditina, pois entrou no mosteiro, onde logo foi feito mestre dos noviços. Na Ordem de São Bento, São Domingos de Silos descobriu seu chamado a uma contemplação profunda e ações que salvassem almas, sendo assim recebeu de um anjo em sonho a promessa de 3 coroas que significavam: uma por ter abandonado o mundo mal e se ter encaminhado para a vida perfeita; outra por ter construído Santa Maria de Canãs e ter observado castidade perfeita; e a terceira pela restauração de Silos. De fato esta última coroa se realizou perfeitamente, pois durante os 30 anos de pai ( abade) no mosteiro de São Sebastião em Silos, este local tornou-se centro de cultura e cenáculo de evangelização para a Igreja e o Mundo. São Domingos amado pelo povo e respeitado por reis e rainhas, operou em vida e também depois da morte muitos milagres, os quais provaram com clareza o quanto se encontra no Céu tão íntimo, quanto buscava ser aqui na terra.
- Oração para pedir a intercessão de Monsenhor Jonas Abib é divulgada
A oração tem aprovação eclesiástica, mas não deve ser rezada em público Por Aleteia – O bispo da diocese de Frederico Westphalen (RS), Dom Antônio Carlos Rossi Keller, publicou uma oração para a devoção privada, pedindo a intercessão do Monsenhor Jonas Abib. O fundador da Canção Nova e precursor da Renovação Carismática no Brasil morreu no dia 12 de dezembro de 2022. Mas por que uma oração para alguém que não foi declarado santo? Trata-se de uma tradição que acontece sempre que alguém morre com fama de santo. Com a oração, dá-se início a uma devoção, que deve acontecer apenas de forma privada. Assim, se as pessoas alcançarem graças através desta oração, essas graças podem ser levadas em conta em um futuro processo de canonização. Vale ressaltar que a oração tem aprovação eclesiástica. Oração privada pela intercessão do Pe. Jonas Abib “Santíssima Trindade, fonte de toda a santidade, nós vos louvamos e agradecemos pela vida de vosso servo, fundador da Canção Nova e nosso irmão, Pe. Jonas Abib, que assemelhando-se a Cristo, dedicou sua vida, com amor e zelo ao cuidado do vosso rebanho, promovendo na Igreja novas formas de evangelização. Concedei-me, ó trindade santa, pela intercessão do Pe. Jonas Abib, a graça que vos suplico [pedir a graça]. Por Cristo, Nosso Senhor Amém. [Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai] Com autorização eclesiástica. Dom Antonio Carlos Rossi Keller” Ao final da oração, Dom Antonio Carlos Rossi Keller pede que as graças alcançadas através da oração sejam comunicadas à Canção Nova. Ele também reforça: “Em conformidade com os decretos do Papa Urbano VIII, declaramos que em nada se pretende prevenir o juízo da Autoridade eclesiástica, e que esta oração não tem finalidade alguma de culto público.” Conheça sua vida e obra e emocione-se assistindo um documentário especial em série sobre a vida deste grande sacerdote, Monsenhor Jonas Abib. Clique aqui para assistir.
- Oração para pedir a intercessão de Monsenhor Jonas Abib é divulgada
A oração tem aprovação eclesiástica, mas não deve ser rezada em público Por Aleteia – O bispo da diocese de Frederico Westphalen (RS), Dom Antônio Carlos Rossi Keller, publicou uma oração para a devoção privada, pedindo a intercessão do Monsenhor Jonas Abib. O fundador da Canção Nova e precursor da Renovação Carismática no Brasil morreu no dia 12 de dezembro de 2022. Mas por que uma oração para alguém que não foi declarado santo? Trata-se de uma tradição que acontece sempre que alguém morre com fama de santo. Com a oração, dá-se início a uma devoção, que deve acontecer apenas de forma privada. Assim, se as pessoas alcançarem graças através desta oração, essas graças podem ser levadas em conta em um futuro processo de canonização. Vale ressaltar que a oração tem aprovação eclesiástica. Oração privada pela intercessão do Pe. Jonas Abib “Santíssima Trindade, fonte de toda a santidade, nós vos louvamos e agradecemos pela vida de vosso servo, fundador da Canção Nova e nosso irmão, Pe. Jonas Abib, que assemelhando-se a Cristo, dedicou sua vida, com amor e zelo ao cuidado do vosso rebanho, promovendo na Igreja novas formas de evangelização. Concedei-me, ó trindade santa, pela intercessão do Pe. Jonas Abib, a graça que vos suplico [pedir a graça]. Por Cristo, Nosso Senhor Amém. [Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai] Com autorização eclesiástica. Dom Antonio Carlos Rossi Keller” Ao final da oração, Dom Antonio Carlos Rossi Keller pede que as graças alcançadas através da oração sejam comunicadas à Canção Nova. Ele também reforça: “Em conformidade com os decretos do Papa Urbano VIII, declaramos que em nada se pretende prevenir o juízo da Autoridade eclesiástica, e que esta oração não tem finalidade alguma de culto público.” Conheça sua vida e obra e emocione-se assistindo um documentário especial em série sobre a vida deste grande sacerdote, Monsenhor Jonas Abib. Clique aqui para assistir.
- O resto de esperança: Tragédia anunciada e Luta pela Liberdade
Na década de 30, Nossa Senhora apareceu em uma pequena cidade do Pernambuco para alertar sobre castigos que poderiam afetar o Brasil se não fizessem penitência. Esses castigos viriam pelo comunismo. Estamos há algumas semanas alertando e orientando os fiéis diante do cenário caótico que se forma à nossa frente. Dando continuidade à série de formações sobre o momento único e decisivo que nosso país vive, falaremos hoje sobre esperança. Para assistir, acesse: #Formaçõesaovivo #PadreRodrigoMaria
- O resto de esperança: Tragédia anunciada e Luta pela Liberdade
Na década de 30, Nossa Senhora apareceu em uma pequena cidade do Pernambuco para alertar sobre castigos que poderiam afetar o Brasil se não fizessem penitência. Esses castigos viriam pelo comunismo. Estamos há algumas semanas alertando e orientando os fiéis diante do cenário caótico que se forma à nossa frente. Dando continuidade à série de formações sobre o momento único e decisivo que nosso país vive, falaremos hoje sobre esperança. Para assistir, acesse: #Formaçõesaovivo #PadreRodrigoMaria
- São Vunibaldo, abade – 18 de Dezembro
SANTO DO DIA – 18 DE DEZEMBRO – SÃO VUNIBALDO Abade (701-761) Vunibaldo dedicou sua vida à oração contemplativa e ao apostolado. Preferia ficar retirado na solidão, mas colocava-se sempre disponível para difundir o Evangelho. Era um príncipe da realeza dos Kents, nascido em 701. Antes dessa importância e riqueza material, porém, teve o privilégio de descender de uma família de santos, pois era filho de são Ricardo, rei da Inglaterra meridional, irmão de são Vilibaldo e de santa Valburga. Em 720, partiu com o pai e o irmão em peregrinação para a Terra Santa, passando, antes, por Roma. Mas seu pai adoeceu durante a viagem e morreu na cidade italiana de Luca. Os dois irmãos ficaram juntos em Roma, por dois anos. Depois se separaram, Vilibaldo partiu para a Palestina e ele ficou ali, estudando, por mais dezesseis anos. Seu tio Bonifácio era, então, o bispo da Alemanha, e estava empenhado na evangelização da região, para o que solicitou sua ajuda. Em 738, Vunibaldo foi ordenado sacerdote e foi auxiliar a missão do tio no interior das terras germânicas. Cinco anos depois, foi chamado para a Corte, por solicitação do duque Odilon. Por mais algum tempo, ficou acompanhando o tio na sua obra apostólica. Porém, cada vez mais, ansiava pela vida monástica e pela contemplação na solidão. Resolveu construir um mosteiro. Comprou o terreno em Heidenheim, para onde se retirou com alguns companheiros, para cultivarem, enquanto também construíam o mosteiro. Na época, seu irmão e futuro santo, Vilibaldo, era bispo de Eichestat, e o ajudou a estabelecer-se. Contudo o tempo para os estudos e a contemplação foi curto, porque logo foi nomeado abade. Nesse cargo, dedicava-se ao apostolado para reforçar a fé da população, que recaía, sempre, no paganismo. Os habitantes eram supersticiosos, e viviam nos prazeres mundanos. Vunibaldo combateu com muita firmeza tais vícios, comprometendo a integridade física dos monges e do próprio mosteiro, pois sofriam constantes ameaças de morte e de incêndio. Sonhando, ainda, com a paz do retiro, decidiu acabar os seus dias no Mosteiro de Monte Cassino. Escreveu ao abade e aos monges de lá pedindo para ser acolhido pela comunidade. A resposta veio através de um caloroso convite. Mas Vunibaldo estava muito doente e teve de desistir do projeto. Quando já não conseguia mais caminhar até a igreja, pediu para colocarem um pequeno altar em sua cela, ficando, na quietude da oração, a contemplar o Santíssimo Sacramento. Pouco tempo depois morreu, em 18 de dezembro de 761. A sua veneração só fez aumentar, pois já tinha fama de santidade em vida. Seu culto difundiu-se, principalmente, entre os povos germânicos, que o festejam neste dia. A biografia de são Vunibaldo foi escrita por sua irmã, santa Valburga, que relatou com detalhes os prodígios que aconteciam com sua simples presença, prodígios também confirmados por outros registros, e pela tradição oral, divulgada entre os cristãos através dos tempos. Texto: Paulinas Internet Conheça mais sobre o Santo Winebaldo ou Wunebaldo, Abade de Heidenhein – Alemanha Wunebaldo era irmão de Santo Willibaldo e de Santa Walburga. Era 720, com a idade de dezenove anos, deixou a Inglaterra, onde nascera para ir a Roma com o pai Ricardo, que fora rei, e o irmão Willibaldo. O pai morreu em caminho e foi enterrado em Luca, onde é honrado como santo. Os dois irmãos chegaram a Roma. Ali, Willibaldo deixou o irmão, dois anos depois, para, com dois jovens ingleses, ir visitar a Terra Santa. Wunebaldo recebeu em Roma a tonsura, e estudou a Escritura santa, ali permanecendo por sete anos, depois dos quais retornou à Inglaterra, todo no desejo de entregar a Deus as pessoas da família, o que conseguiu com muitas delas. Pouco mais tarde, voltou a Roma com um terceiro irmão, do qual se desconhece o nome. Foi na segunda viagem que São Bonifácio, sabendo que o Santo estava na cidade eterna, procurou-o, falou-lhe e convidou-o para tomar parte nos trabalhos em que, então, estava empenhado. Atraído por Bonifácio, Winebaldo, o irmão e mais alguns jovens, entre os quais São Sebaldo, honrado em Nuremberg como o apóstolo do país, a 19 de agosto, partiram para a Turíngia. Foi ali, ordenado padre e encarregado do governo de sete igrejas naquele país. O irmão, São Winebaldo, naquela época, bispo de Aischstaedt, atraiu-o para sua diocese. Winebaldo retirou-se para a floresta de Heidenhein. Ali, desmatou uma certa porção de terra, e construiu algumas celas. Logo depois, cresceu um mosteiro. Um segundo, para moças das vizinhanças, fundou mais tarde, dando-lhe o governo a Santa Waburga. O servo de Deus continuou trabalhando com zelo dos idólatras, os quais, por mais duma vez, atentaram contra a vida dele. Na comunidade, sustentava o espírito de oração, de humildade e de mortificação, proporcionando ao estado de cada irmão as instruções mais precisas. Enrorajava os fracos, animava os perfeitos, e era o primeiro a praticar as virtudes que aos outros recomendava. Deus provou-o por várias enfermidades. Quando a saúde não lhe permitia ir à Igreja, dizia a missa numa capela particular, contígua à cela. Duma feita, encontrava-se tão mal, que todos acreditavam que dentro em pouco deixaria o mundo. A saúde, contudo, voltou-lhe pela intercessão de São Bonifácio, ao qual tinha grande devoção. Sentindo afinal, a proximidade da última hora, exortou os discípulos à perseverança e ao fervor. São Winebaldo morreu a 18 de dezembro de 760 e foi enterrado no claustro do Mosteiro. A religiosa que lhe escreveu a vida, assegura que muitíssimas curas se deram à beira do túmulo onde repousava o corpo. (Vida de Santos, Padre Rohrbacher, Volume XXI, p. 332 à 334) #SantodoDia
- São Vunibaldo, abade – 18 de Dezembro
SANTO DO DIA – 18 DE DEZEMBRO – SÃO VUNIBALDO Abade (701-761) Vunibaldo dedicou sua vida à oração contemplativa e ao apostolado. Preferia ficar retirado na solidão, mas colocava-se sempre disponível para difundir o Evangelho. Era um príncipe da realeza dos Kents, nascido em 701. Antes dessa importância e riqueza material, porém, teve o privilégio de descender de uma família de santos, pois era filho de são Ricardo, rei da Inglaterra meridional, irmão de são Vilibaldo e de santa Valburga. Em 720, partiu com o pai e o irmão em peregrinação para a Terra Santa, passando, antes, por Roma. Mas seu pai adoeceu durante a viagem e morreu na cidade italiana de Luca. Os dois irmãos ficaram juntos em Roma, por dois anos. Depois se separaram, Vilibaldo partiu para a Palestina e ele ficou ali, estudando, por mais dezesseis anos. Seu tio Bonifácio era, então, o bispo da Alemanha, e estava empenhado na evangelização da região, para o que solicitou sua ajuda. Em 738, Vunibaldo foi ordenado sacerdote e foi auxiliar a missão do tio no interior das terras germânicas. Cinco anos depois, foi chamado para a Corte, por solicitação do duque Odilon. Por mais algum tempo, ficou acompanhando o tio na sua obra apostólica. Porém, cada vez mais, ansiava pela vida monástica e pela contemplação na solidão. Resolveu construir um mosteiro. Comprou o terreno em Heidenheim, para onde se retirou com alguns companheiros, para cultivarem, enquanto também construíam o mosteiro. Na época, seu irmão e futuro santo, Vilibaldo, era bispo de Eichestat, e o ajudou a estabelecer-se. Contudo o tempo para os estudos e a contemplação foi curto, porque logo foi nomeado abade. Nesse cargo, dedicava-se ao apostolado para reforçar a fé da população, que recaía, sempre, no paganismo. Os habitantes eram supersticiosos, e viviam nos prazeres mundanos. Vunibaldo combateu com muita firmeza tais vícios, comprometendo a integridade física dos monges e do próprio mosteiro, pois sofriam constantes ameaças de morte e de incêndio. Sonhando, ainda, com a paz do retiro, decidiu acabar os seus dias no Mosteiro de Monte Cassino. Escreveu ao abade e aos monges de lá pedindo para ser acolhido pela comunidade. A resposta veio através de um caloroso convite. Mas Vunibaldo estava muito doente e teve de desistir do projeto. Quando já não conseguia mais caminhar até a igreja, pediu para colocarem um pequeno altar em sua cela, ficando, na quietude da oração, a contemplar o Santíssimo Sacramento. Pouco tempo depois morreu, em 18 de dezembro de 761. A sua veneração só fez aumentar, pois já tinha fama de santidade em vida. Seu culto difundiu-se, principalmente, entre os povos germânicos, que o festejam neste dia. A biografia de são Vunibaldo foi escrita por sua irmã, santa Valburga, que relatou com detalhes os prodígios que aconteciam com sua simples presença, prodígios também confirmados por outros registros, e pela tradição oral, divulgada entre os cristãos através dos tempos. Texto: Paulinas Internet Conheça mais sobre o Santo Winebaldo ou Wunebaldo, Abade de Heidenhein – Alemanha Wunebaldo era irmão de Santo Willibaldo e de Santa Walburga. Era 720, com a idade de dezenove anos, deixou a Inglaterra, onde nascera para ir a Roma com o pai Ricardo, que fora rei, e o irmão Willibaldo. O pai morreu em caminho e foi enterrado em Luca, onde é honrado como santo. Os dois irmãos chegaram a Roma. Ali, Willibaldo deixou o irmão, dois anos depois, para, com dois jovens ingleses, ir visitar a Terra Santa. Wunebaldo recebeu em Roma a tonsura, e estudou a Escritura santa, ali permanecendo por sete anos, depois dos quais retornou à Inglaterra, todo no desejo de entregar a Deus as pessoas da família, o que conseguiu com muitas delas. Pouco mais tarde, voltou a Roma com um terceiro irmão, do qual se desconhece o nome. Foi na segunda viagem que São Bonifácio, sabendo que o Santo estava na cidade eterna, procurou-o, falou-lhe e convidou-o para tomar parte nos trabalhos em que, então, estava empenhado. Atraído por Bonifácio, Winebaldo, o irmão e mais alguns jovens, entre os quais São Sebaldo, honrado em Nuremberg como o apóstolo do país, a 19 de agosto, partiram para a Turíngia. Foi ali, ordenado padre e encarregado do governo de sete igrejas naquele país. O irmão, São Winebaldo, naquela época, bispo de Aischstaedt, atraiu-o para sua diocese. Winebaldo retirou-se para a floresta de Heidenhein. Ali, desmatou uma certa porção de terra, e construiu algumas celas. Logo depois, cresceu um mosteiro. Um segundo, para moças das vizinhanças, fundou mais tarde, dando-lhe o governo a Santa Waburga. O servo de Deus continuou trabalhando com zelo dos idólatras, os quais, por mais duma vez, atentaram contra a vida dele. Na comunidade, sustentava o espírito de oração, de humildade e de mortificação, proporcionando ao estado de cada irmão as instruções mais precisas. Enrorajava os fracos, animava os perfeitos, e era o primeiro a praticar as virtudes que aos outros recomendava. Deus provou-o por várias enfermidades. Quando a saúde não lhe permitia ir à Igreja, dizia a missa numa capela particular, contígua à cela. Duma feita, encontrava-se tão mal, que todos acreditavam que dentro em pouco deixaria o mundo. A saúde, contudo, voltou-lhe pela intercessão de São Bonifácio, ao qual tinha grande devoção. Sentindo afinal, a proximidade da última hora, exortou os discípulos à perseverança e ao fervor. São Winebaldo morreu a 18 de dezembro de 760 e foi enterrado no claustro do Mosteiro. A religiosa que lhe escreveu a vida, assegura que muitíssimas curas se deram à beira do túmulo onde repousava o corpo. (Vida de Santos, Padre Rohrbacher, Volume XXI, p. 332 à 334) #SantodoDia
- Nossa Senhora do Ó – 18 de Dezembro
Nossa Senhora do Ó, a expectativa pelo nascimento de Jesus | 18 de Dezembro Invocação que celebra a doce expectativa de Maria Santíssima nos dias que antecedem o Natal! Diz o Evangelho que “Maria guardava todas as coisas em seu coração” (Lc 2,19). E este mesmo coração guardou as aspirações santas da Mãe de Deus por ver o seu Filho nascido. É isto o que o Igreja celebra neste 18 de dezembro, com a festa da Expectação do parto de Nossa Senhora, popularmente chamada de Nossa Senhora do Ó. Esta devoção mariana surgida em Toledo, na Espanha, na época do X Concílio, presidido pelo Arcebispo Santo Eugênio, quando se estipulou que a festa da Anunciação fosse transferida para o dia 18 de dezembro. Santo Eugênio foi sucedido no cargo por seu sobrinho, Santo Ildefonso, que determinou que a festa fosse celebrada neste mesmo dia, mas com o título de Expectação do Parto da Beatíssima Virgem Maria. Esta festa ressalta não apenas os anseios da Virgem Maria por ter o Menino Jesus em seus braços, mas também as expectativas de milhares de gerações que suspiram pela vinda do Salvador do mundo, desde Adão e Eva. Todo esse ardoroso desejo da humanidade se recolhe e concentra no coração de Maria, como no mais puro e limpo dos espelhos. A denominação de Nossa Senhora do Ó se deu em razão das antífonas cantadas entre os dias 17 e 23 de dezembro antes e depois da recitação do Magnificat na oração das vésperas. Todas elas começam por uma invocação a Jesus, que, no entanto, nunca é chamado pelo nome, e todas incluem o apelo “Vinde”. Essas antífonas começam sempre pela interjeição exclamativa Ó, como expoente altíssimo do fervor e ardente desejo da Igreja, que suspira pela vinda pronta de Jesus. Isso inspirou o povo espanhol a este título de Nossa Senhora. Tais antífonas são inspiradas pelos textos do Antigo Testamento que anunciam o Messias. Desde a primeira à última, Jesus é invocado como Sabedoria, Senhor, Raiz, Chave, Estrela, Rei e Emanuel. Em latim, essas palavras são Sapientia, Adonai, Radix, Clavis, Oriens, Rex, Emmanuel. Ao ler apenas as suas iniciais da última para a primeira, forma-se o acróstico “Ero Cras”, que pode ser traduzido como “Virei amanhã”. É a proclamação do Senhor que vem. No Brasil, o culto e a devoção a Nossa senhora do Ó chegou por meio dos portugueses, tendo se popularizado com a freguesia de Nossa Senhora do Ó, em São Paulo (SP). A imagem de Nossa Senhor do Ó, geralmente, é representada com Maria tendo a mão esquerda espalmada sobre o ventre sagrado desenvolvido; a mão direita pode também aparecer em simetria à outra ou levantada. Para celebrar esta data, trazemos a seguir a oração de Nossa Senhora do Ó: Doce Virgem Maria, cujo coração foi por Deus preparado para morada do Verbo feito carne, pelas inefáveis alegrias da expectação de vosso santíssimo parto, ensinai-nos as disposições perfeitas de uma íntegra pureza no corpo e na alma, de uma humildade profunda no espírito e no coração, de um ardente e sincero desejo de união com Deus, para que o meigo fruto de vossas benditas entranhas, venha a nascer misericordiosamente em nossos corações, a eles trazendo a abundância dos dons divinos, para redenção dos nossos pecados, santificação de nossa vida e obtenção de nossa coroa no Paraíso, em vossa companhia. Assim seja. Amém. Via ACI Digital Conheça mais sobre a devoção à Nossa Senhora da Esperança Esta festa não consta do calendário litúrgico da Igreja, mas tem sabores propriamente espanhóis. Até o século VII, a igreja espanhola celebrava apenas uma festa mariana, mas abrangia todas as outras: a Divina Maternidade ou a “Festa de Santa Maria”, como era simplesmente chamada. É assim que o podemos ver nos antigos calendários moçárabes. No ano de 656 foi celebrado o célebre Concílio X de Toledo e ali os Padres trataram deste assunto com toda solenidade. Três grandes santos participam neste processo: Santo Eugênio, São Fructuoso de Braga e Santo Ildefonso. Este decreto fazia alusão ao facto de este dia já ser celebrado desta forma em muitas outras Igrejas, mas que em consonância com a Igreja Romana, que o celebra a 25 de março, continua também a celebrar esse dia. A partir desta data foi a festa mais solene que em homenagem à Virgem Maria se celebrou na Espanha e daqui passou para outras Igrejas. Tinha vários nomes: Expectativa da entrega de Nossa Senhora, Virgem Nossa Senhora da Esperança e Virgem dos 0, aludindo às Antífonas Maiores das Vésperas que começam com aquela exclamação. Maria vem preparar o caminho para a chegada de seu Filho ao mundo, a quem ela vem salvar. O título de Nossa Senhora do”Ó” refere-se às antífonas solenes do Cântico da Virgem, o Magnificat, que nas Vésperas dos sete dias anteriores ao Natal começam com essa carta. Em relação a essas invocações da Virgem, a arte costuma representar Maria em avançado estado de gravidez, com a barriga inchada e a mão sobre ela, indicando que ali está o Filho de Deus, que logo nascerá. Esperança, porque apresenta Maria em um estágio avançado da gravidez operada pelo Espírito Santo. Expectativa, pela ansiedade e intensidade com que ela esperava poder em breve segurar o que carregava nos braços. A festa da Encarnação do Verbo no seio de Maria – 25 de março – recai sempre entre os acentos tristes da Quaresma, e é difícil prestar a devida atenção a este grande mistério. A festa mais antiga dedicada a Maria foi sem dúvida o Natal. Juntos, o Filho e a Mãe são celebrados. Depois de algum tempo, quiseram também dar solenidade à festa sob o próprio aspecto mariano e por isso pensaram em instituir hoje esta festa. Todo o tempo do Advento é um tempo de “esperança” no Messias que virá para salvar a humanidade. Os Profetas e Padres do Velho Testamento sempre tentaram manter o fogo da esperança aceso na vinda do Messias. #FestasdeNossaSenhora #NossaSenhora
- Nossa Senhora do Ó – 18 de Dezembro
Nossa Senhora do Ó, a expectativa pelo nascimento de Jesus | 18 de Dezembro Invocação que celebra a doce expectativa de Maria Santíssima nos dias que antecedem o Natal! Diz o Evangelho que “Maria guardava todas as coisas em seu coração” (Lc 2,19). E este mesmo coração guardou as aspirações santas da Mãe de Deus por ver o seu Filho nascido. É isto o que o Igreja celebra neste 18 de dezembro, com a festa da Expectação do parto de Nossa Senhora, popularmente chamada de Nossa Senhora do Ó. Esta devoção mariana surgida em Toledo, na Espanha, na época do X Concílio, presidido pelo Arcebispo Santo Eugênio, quando se estipulou que a festa da Anunciação fosse transferida para o dia 18 de dezembro. Santo Eugênio foi sucedido no cargo por seu sobrinho, Santo Ildefonso, que determinou que a festa fosse celebrada neste mesmo dia, mas com o título de Expectação do Parto da Beatíssima Virgem Maria. Esta festa ressalta não apenas os anseios da Virgem Maria por ter o Menino Jesus em seus braços, mas também as expectativas de milhares de gerações que suspiram pela vinda do Salvador do mundo, desde Adão e Eva. Todo esse ardoroso desejo da humanidade se recolhe e concentra no coração de Maria, como no mais puro e limpo dos espelhos. A denominação de Nossa Senhora do Ó se deu em razão das antífonas cantadas entre os dias 17 e 23 de dezembro antes e depois da recitação do Magnificat na oração das vésperas. Todas elas começam por uma invocação a Jesus, que, no entanto, nunca é chamado pelo nome, e todas incluem o apelo “Vinde”. Essas antífonas começam sempre pela interjeição exclamativa Ó, como expoente altíssimo do fervor e ardente desejo da Igreja, que suspira pela vinda pronta de Jesus. Isso inspirou o povo espanhol a este título de Nossa Senhora. Tais antífonas são inspiradas pelos textos do Antigo Testamento que anunciam o Messias. Desde a primeira à última, Jesus é invocado como Sabedoria, Senhor, Raiz, Chave, Estrela, Rei e Emanuel. Em latim, essas palavras são Sapientia, Adonai, Radix, Clavis, Oriens, Rex, Emmanuel. Ao ler apenas as suas iniciais da última para a primeira, forma-se o acróstico “Ero Cras”, que pode ser traduzido como “Virei amanhã”. É a proclamação do Senhor que vem. No Brasil, o culto e a devoção a Nossa senhora do Ó chegou por meio dos portugueses, tendo se popularizado com a freguesia de Nossa Senhora do Ó, em São Paulo (SP). A imagem de Nossa Senhor do Ó, geralmente, é representada com Maria tendo a mão esquerda espalmada sobre o ventre sagrado desenvolvido; a mão direita pode também aparecer em simetria à outra ou levantada. Para celebrar esta data, trazemos a seguir a oração de Nossa Senhora do Ó: Doce Virgem Maria, cujo coração foi por Deus preparado para morada do Verbo feito carne, pelas inefáveis alegrias da expectação de vosso santíssimo parto, ensinai-nos as disposições perfeitas de uma íntegra pureza no corpo e na alma, de uma humildade profunda no espírito e no coração, de um ardente e sincero desejo de união com Deus, para que o meigo fruto de vossas benditas entranhas, venha a nascer misericordiosamente em nossos corações, a eles trazendo a abundância dos dons divinos, para redenção dos nossos pecados, santificação de nossa vida e obtenção de nossa coroa no Paraíso, em vossa companhia. Assim seja. Amém. Via ACI Digital Conheça mais sobre a devoção à Nossa Senhora da Esperança Esta festa não consta do calendário litúrgico da Igreja, mas tem sabores propriamente espanhóis. Até o século VII, a igreja espanhola celebrava apenas uma festa mariana, mas abrangia todas as outras: a Divina Maternidade ou a “Festa de Santa Maria”, como era simplesmente chamada. É assim que o podemos ver nos antigos calendários moçárabes. No ano de 656 foi celebrado o célebre Concílio X de Toledo e ali os Padres trataram deste assunto com toda solenidade. Três grandes santos participam neste processo: Santo Eugênio, São Fructuoso de Braga e Santo Ildefonso. Este decreto fazia alusão ao facto de este dia já ser celebrado desta forma em muitas outras Igrejas, mas que em consonância com a Igreja Romana, que o celebra a 25 de março, continua também a celebrar esse dia. A partir desta data foi a festa mais solene que em homenagem à Virgem Maria se celebrou na Espanha e daqui passou para outras Igrejas. Tinha vários nomes: Expectativa da entrega de Nossa Senhora, Virgem Nossa Senhora da Esperança e Virgem dos 0, aludindo às Antífonas Maiores das Vésperas que começam com aquela exclamação. Maria vem preparar o caminho para a chegada de seu Filho ao mundo, a quem ela vem salvar. O título de Nossa Senhora do”Ó” refere-se às antífonas solenes do Cântico da Virgem, o Magnificat, que nas Vésperas dos sete dias anteriores ao Natal começam com essa carta. Em relação a essas invocações da Virgem, a arte costuma representar Maria em avançado estado de gravidez, com a barriga inchada e a mão sobre ela, indicando que ali está o Filho de Deus, que logo nascerá. Esperança, porque apresenta Maria em um estágio avançado da gravidez operada pelo Espírito Santo. Expectativa, pela ansiedade e intensidade com que ela esperava poder em breve segurar o que carregava nos braços. A festa da Encarnação do Verbo no seio de Maria – 25 de março – recai sempre entre os acentos tristes da Quaresma, e é difícil prestar a devida atenção a este grande mistério. A festa mais antiga dedicada a Maria foi sem dúvida o Natal. Juntos, o Filho e a Mãe são celebrados. Depois de algum tempo, quiseram também dar solenidade à festa sob o próprio aspecto mariano e por isso pensaram em instituir hoje esta festa. Todo o tempo do Advento é um tempo de “esperança” no Messias que virá para salvar a humanidade. Os Profetas e Padres do Velho Testamento sempre tentaram manter o fogo da esperança aceso na vinda do Messias. #FestasdeNossaSenhora #NossaSenhora
- Sangue de São Januário se liquefaz em Nápoles pela terceira vez em 2022
O sangue de São Januário se liquefez em Nápoles nesta sexta-feira pela terceira vez este ano. O jornal Corriere della Sera informou em 16 de dezembro que o “milagre da liquefação” ocorreu às 10h56 na Capela do Tesouro de São Januário, na Catedral de Nápoles. Quando Monsenhor Vincenzo De Gregorio, o abade do tesouro da capela, abriu pela primeira vez o cofre contendo o relicário de São Januário, o sangue dentro parecia completamente sólido pela manhã, mas uma mudança de fase ocorreu duas horas depois. “Não transformemos o milagre de São Januário em fantasia. Estas ampolas conduzem-nos ao coração de Deus e tornam-se um sentimento de pertença que une a nossa cidade”. Em São Januário, Nápoles encontra a força para se levantar novamente e “superar os males que a dominam”. O abade da Capela do Tesouro de San Gennaro Monsenhor Vincenzo De Gregorio na capela (dentro da catedral de Nápoles), na terceira data em que a cidade aguarda a prodigiosa liquefação do sangue do padroeiro, pede aos napolitanos que “vão além das ampolas que foram o ponto de partida para uma história de fé e misericórdia”. O terceiro prodígio acontece todos os anos em 16 de dezembro em memória do perigo escapado da cidade da erupção do Vesúvio em 1631, quando, de acordo com os fiéis, a exposição em procissão do sangue e busto de San Gennaro na ponte Granili (no centro da cidade) parou o magma que ameaçava destruir Nápoles. O milagre desta sexta-feira aconteceu precisamente às 10h56. Após a celebração, fomos descobrindo a ampola contendo o sangue do santo, que inicialmente não se liquefez, mantendo apreensivos os muitos fiéis que chegaram ao local. O milagre foi saudado mais tarde com o acenar de um lenço branco pelo membro da deputação de São Januário, uma instituição secular nascida em 13 de janeiro de 1527 por um voto da cidade e presidida pelo prefeito de Nápoles. O milagre de renome é conhecido e aceito localmente, embora ainda não tenha recebido o reconhecimento oficial da Igreja. São Januário, conhecido como San Gennaro em italiano, é o santo padroeiro de Nápoles. Acredita-se que o bispo tenha sido martirizado durante a perseguição cristã ao imperador Diocleciano. Na tradição local, a falha do sangue em se liquefazer sinaliza guerra, fome, doença ou outro desastre. A liquefação tradicionalmente acontece pelo menos três vezes por ano: 19 de setembro, dia da festa do santo, o primeiro sábado de maio, e 16 de dezembro, o aniversário da erupção de 1631 do vizinho Monte Vesúvio. O sangue do bispo do século III, contido em um frasco circular selado, liquefeito em maio e setembro deste ano, mas não mudou seu estado em dezembro de 2020. Falando às pessoas que se reuniram na capela para o aniversário de dezembro, Monsenhor De Gregorio compartilhou uma história de uma cura milagrosa atribuída à intercessão de São Januário este ano. “Havia um pai muito jovem com uma menina de apenas alguns meses de idade em seus braços e sua esposa chorosa ao lado dele. Eles explicaram que essa garotinha havia sido diagnosticada com um tumor maligno, e pode-se imaginar a perplexidade e o desgosto”, disse ele, de acordo com Il Mattino. “Eles estavam aqui hoje, agradecendo a São Januário, porque pouco depois, enquanto rezavam ao santo padroeiro em 19 de setembro, veio a notícia de que o tumor era benigno e o bebê estava seguro”. #SãoJanuário
- Sangue de São Januário se liquefaz em Nápoles pela terceira vez em 2022
O sangue de São Januário se liquefez em Nápoles nesta sexta-feira pela terceira vez este ano. O jornal Corriere della Sera informou em 16 de dezembro que o “milagre da liquefação” ocorreu às 10h56 na Capela do Tesouro de São Januário, na Catedral de Nápoles. Quando Monsenhor Vincenzo De Gregorio, o abade do tesouro da capela, abriu pela primeira vez o cofre contendo o relicário de São Januário, o sangue dentro parecia completamente sólido pela manhã, mas uma mudança de fase ocorreu duas horas depois. “Não transformemos o milagre de São Januário em fantasia. Estas ampolas conduzem-nos ao coração de Deus e tornam-se um sentimento de pertença que une a nossa cidade”. Em São Januário, Nápoles encontra a força para se levantar novamente e “superar os males que a dominam”. O abade da Capela do Tesouro de San Gennaro Monsenhor Vincenzo De Gregorio na capela (dentro da catedral de Nápoles), na terceira data em que a cidade aguarda a prodigiosa liquefação do sangue do padroeiro, pede aos napolitanos que “vão além das ampolas que foram o ponto de partida para uma história de fé e misericórdia”. O terceiro prodígio acontece todos os anos em 16 de dezembro em memória do perigo escapado da cidade da erupção do Vesúvio em 1631, quando, de acordo com os fiéis, a exposição em procissão do sangue e busto de San Gennaro na ponte Granili (no centro da cidade) parou o magma que ameaçava destruir Nápoles. O milagre desta sexta-feira aconteceu precisamente às 10h56. Após a celebração, fomos descobrindo a ampola contendo o sangue do santo, que inicialmente não se liquefez, mantendo apreensivos os muitos fiéis que chegaram ao local. O milagre foi saudado mais tarde com o acenar de um lenço branco pelo membro da deputação de São Januário, uma instituição secular nascida em 13 de janeiro de 1527 por um voto da cidade e presidida pelo prefeito de Nápoles. O milagre de renome é conhecido e aceito localmente, embora ainda não tenha recebido o reconhecimento oficial da Igreja. São Januário, conhecido como San Gennaro em italiano, é o santo padroeiro de Nápoles. Acredita-se que o bispo tenha sido martirizado durante a perseguição cristã ao imperador Diocleciano. Na tradição local, a falha do sangue em se liquefazer sinaliza guerra, fome, doença ou outro desastre. A liquefação tradicionalmente acontece pelo menos três vezes por ano: 19 de setembro, dia da festa do santo, o primeiro sábado de maio, e 16 de dezembro, o aniversário da erupção de 1631 do vizinho Monte Vesúvio. O sangue do bispo do século III, contido em um frasco circular selado, liquefeito em maio e setembro deste ano, mas não mudou seu estado em dezembro de 2020. Falando às pessoas que se reuniram na capela para o aniversário de dezembro, Monsenhor De Gregorio compartilhou uma história de uma cura milagrosa atribuída à intercessão de São Januário este ano. “Havia um pai muito jovem com uma menina de apenas alguns meses de idade em seus braços e sua esposa chorosa ao lado dele. Eles explicaram que essa garotinha havia sido diagnosticada com um tumor maligno, e pode-se imaginar a perplexidade e o desgosto”, disse ele, de acordo com Il Mattino. “Eles estavam aqui hoje, agradecendo a São Januário, porque pouco depois, enquanto rezavam ao santo padroeiro em 19 de setembro, veio a notícia de que o tumor era benigno e o bebê estava seguro”. #SãoJanuário
- Santo do Dia – 16 de Dezembro – Santa Adelaide
SANTO DO DIA – 16 DE DEZEMBRO – SANTA ADELAIDE Imperatriz (931-999) Narrada por santo Odilo, abade de Cluny, que conviveu com ela, a vida de santa Adelaide emociona pelos sofrimentos que passou. De rainha tornou-se prisioneira, sofreu maus-tratos e passou por diversas privações para, depois, finalmente, assumir um império. Tudo isso dentro da honestidade, vivendo uma existência piedosa, de muita humildade e extrema caridade para com os pobres e doentes. Nascida em 931, Adelaide era uma princesa, filha do rei da Borgonha, atual França, casado com uma princesa da Suécia. Ficou órfã de pai aos seis anos. A Corte acertou seu matrimônio com o rei Lotário, da Itália, do qual enviuvou três anos depois. Ele morreu defendendo o trono, que acabou usurpado pelo inimigo vizinho, rei Berenjário. Então, a rainha Adelaide foi mandada para a prisão. Contudo, ajudada por amigos leais, conseguiu a liberdade. Viajou para a Alemanha para pedir o apoio do imperador Oto, que, além de devolver-lhe a Corte, casou-se com ela. Assim, tornou-se a imperatriz Adelaide, caridosa, piedosa e amada pelos súditos. Durante anos tudo era felicidade, mas o infortúnio atingiu-a novamente. O imperador morreu e Adelaide viu-se outra vez viúva. Assumiu seu filho Oto II, que aceitava seus conselhos, governando com ponderação. Os problemas reiniciaram quando ele se casou com a princesa grega Teofânia. Como não gostava da influência da sogra sobre o marido, conseguiu fazê-lo brigar com a mãe por causa dos gastos com suas obras de caridade e as doações que fazia aos conventos e igrejas. Por isso exigiu que Adelaide deixasse o reino. Escorraçada, procurou abrigo em Roma, junto ao papa. Depois, passou um período na França, na Corte de seu irmão, rei da Borgonha. Mas a dor da ingratidão filial a perseguia. Viu, também, que ele reinava com injustiça, dentro do luxo, da discórdia e da leviandade, devido à má influência de Teofânia. Nessa época, foi seu diretor espiritual o abade Odilo, de Cluny. Ao mesmo tempo, o abade passou a orientar Oto II. Após dois anos de separação, arrependido, convidou a mãe a visitá-lo e pediu seu perdão. Adelaide se reconciliou com filho e a paz voltou ao reino. Entretanto o imperador morreria logo depois. Como o neto de Adelaide, Oto III, não tinha idade para assumir o trono, a mãe o fez. E novamente a vida de Adelaide parecia encaminhar-se para o martírio. Teofânia, agora regente, pretendia matar a sogra, que só não morreu porque Teofânia foi assassinada antes, quatro semanas depois de assumir o governo. Adelaide se tornou a imperatriz regente da Alemanha, por direito e de fato. Administrou com justiça, solidariedade e piedade. Trouxe para a Corte as duas filhas de sua maior inimiga e as educou com carinho e proteção. O seu reinado foi de obrigações políticas e religiosas muito equilibradas, distribuindo felicidade e prosperidade para o povo e paz para toda a nação. Nos últimos anos de vida, Adelaide foi para o Convento beneditino de Selz, na Alsácia, que ela fundara, em Strasburg. Morreu ali com oitenta e seis anos de idade, no dia 16 de dezembro de 999. Texto: Paulinas Internet Conheça mais sobre Santa Adelaide, Imperatriz da Alemanha Santa Adelaide viveu no século X e era filha do rei de Borgonha, Rodolfo II. Quando contava 16 anos, uma década após a morte de seu pai, Santa Adelaide casou-se com o Rei da Itália, Lotário II, que morreu ainda bastante jovem. Quando isso aconteceu, o seu inimigo, Berengario III, apoderou-se de toda a Lombardia, fazendo Adelaide prisioneira num castelo do lago de Garda, onde a santa sofreu muitas injúrias. Quando Santa Adelaide se conseguiu libertar, enviou a Otto I, rei da Alemanha, um pedido de ajuda e justiça. Este aceitou seu pedido, além de se apaixonar pela donzela, com a qual se casou no ano de 951. Otto I reinou por trinta e seis anos e foi sucedido por Otto II, que era casado com uma mulher colérica e caprichosa, Teofânia. Após a morte de Otto II, Teofânia foi quem sucedeu o trono, mas por pouco tempo, pois morreria em 991. Adelaide viu-se então no dever de governar, tendo sido considerada por seu povo uma mulher bondosa e generosa. Santa Adelaide é conhecida por ter sido fundadora de diversas casas religiosas e ter convertido inúmeros infiéis. Morreu no dia 16 de Dezembro de 999, no convento de Seltz, perto de Estrasburgo.


















































