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  • Santo do Dia – 16 de Dezembro – Santa Adelaide

    SANTO DO DIA – 16 DE DEZEMBRO – SANTA ADELAIDE Imperatriz (931-999) Narrada por santo Odilo, abade de Cluny, que conviveu com ela, a vida de santa Adelaide emociona pelos sofrimentos que passou. De rainha tornou-se prisioneira, sofreu maus-tratos e passou por diversas privações para, depois, finalmente, assumir um império. Tudo isso dentro da honestidade, vivendo uma existência piedosa, de muita humildade e extrema caridade para com os pobres e doentes. Nascida em 931, Adelaide era uma princesa, filha do rei da Borgonha, atual França, casado com uma princesa da Suécia. Ficou órfã de pai aos seis anos. A Corte acertou seu matrimônio com o rei Lotário, da Itália, do qual enviuvou três anos depois. Ele morreu defendendo o trono, que acabou usurpado pelo inimigo vizinho, rei Berenjário. Então, a rainha Adelaide foi mandada para a prisão. Contudo, ajudada por amigos leais, conseguiu a liberdade. Viajou para a Alemanha para pedir o apoio do imperador Oto, que, além de devolver-lhe a Corte, casou-se com ela. Assim, tornou-se a imperatriz Adelaide, caridosa, piedosa e amada pelos súditos. Durante anos tudo era felicidade, mas o infortúnio atingiu-a novamente. O imperador morreu e Adelaide viu-se outra vez viúva. Assumiu seu filho Oto II, que aceitava seus conselhos, governando com ponderação. Os problemas reiniciaram quando ele se casou com a princesa grega Teofânia. Como não gostava da influência da sogra sobre o marido, conseguiu fazê-lo brigar com a mãe por causa dos gastos com suas obras de caridade e as doações que fazia aos conventos e igrejas. Por isso exigiu que Adelaide deixasse o reino. Escorraçada, procurou abrigo em Roma, junto ao papa. Depois, passou um período na França, na Corte de seu irmão, rei da Borgonha. Mas a dor da ingratidão filial a perseguia. Viu, também, que ele reinava com injustiça, dentro do luxo, da discórdia e da leviandade, devido à má influência de Teofânia. Nessa época, foi seu diretor espiritual o abade Odilo, de Cluny. Ao mesmo tempo, o abade passou a orientar Oto II. Após dois anos de separação, arrependido, convidou a mãe a visitá-lo e pediu seu perdão. Adelaide se reconciliou com filho e a paz voltou ao reino. Entretanto o imperador morreria logo depois. Como o neto de Adelaide, Oto III, não tinha idade para assumir o trono, a mãe o fez. E novamente a vida de Adelaide parecia encaminhar-se para o martírio. Teofânia, agora regente, pretendia matar a sogra, que só não morreu porque Teofânia foi assassinada antes, quatro semanas depois de assumir o governo. Adelaide se tornou a imperatriz regente da Alemanha, por direito e de fato. Administrou com justiça, solidariedade e piedade. Trouxe para a Corte as duas filhas de sua maior inimiga e as educou com carinho e proteção. O seu reinado foi de obrigações políticas e religiosas muito equilibradas, distribuindo felicidade e prosperidade para o povo e paz para toda a nação. Nos últimos anos de vida, Adelaide foi para o Convento beneditino de Selz, na Alsácia, que ela fundara, em Strasburg. Morreu ali com oitenta e seis anos de idade, no dia 16 de dezembro de 999. Texto: Paulinas Internet Conheça mais sobre Santa Adelaide, Imperatriz da Alemanha Santa Adelaide viveu no século X e era filha do rei de Borgonha, Rodolfo II. Quando contava 16 anos, uma década após a morte de seu pai, Santa Adelaide casou-se com o Rei da Itália, Lotário II, que morreu ainda bastante jovem. Quando isso aconteceu, o seu inimigo, Berengario III, apoderou-se de toda a Lombardia, fazendo Adelaide prisioneira num castelo do lago de Garda, onde a santa sofreu muitas injúrias. Quando Santa Adelaide se conseguiu libertar, enviou a Otto I, rei da Alemanha, um pedido de ajuda e justiça. Este aceitou seu pedido, além de se apaixonar pela donzela, com a qual se casou no ano de 951. Otto I reinou por trinta e seis anos e foi sucedido por Otto II, que era casado com uma mulher colérica e caprichosa, Teofânia. Após a morte de Otto II, Teofânia foi quem sucedeu o trono, mas por pouco tempo, pois morreria em 991. Adelaide viu-se então no dever de governar, tendo sido considerada por seu povo uma mulher bondosa e generosa. Santa Adelaide é conhecida por ter sido fundadora de diversas casas religiosas e ter convertido inúmeros infiéis. Morreu no dia 16 de Dezembro de 999, no convento de Seltz, perto de Estrasburgo.

  • São João da Cruz, Doutor da Igreja – 14 de Dezembro

    SANTO DO DIA – 14 DE DEZEMBRO – SÃO JOÃO DA CRUZ Sacerdote e doutor da Igreja (1542-1591) Seu nome de batismo era Juan de Yepes. Nasceu em Fontivaros, na província de Ávila, Espanha, em 1542, talvez em 24 de junho. Ainda na infância, ficou órfão de pai, Gonzalo de Yepes, descendente de uma família rica e tradicional de Toledo. Mas, devido ao casamento, foi deserdado da herança. A jovem, Catarina Alvarez, sua mãe, era de família humilde, considerada de classe ‘inferior’. Assim, com a morte do marido, que a obrigou a trabalhar, mudou-se para Medina, com os filhos. Naquela cidade, João tentou várias profissões. Foi ajudante num hospital, enquanto estudava gramática à noite num colégio jesuíta. Então, sua espiritualidade aflorou, levando-o a entrar na Ordem Carmelita, aos vinte e um anos. Foi enviado para a Universidade de Salamanca a fim de completar seus estudos de filosofia e teologia. Mesmo dedicando-se totalmente aos estudos, encontrava tempo para visitar doentes em hospitais ou em suas casas, prestando serviço como enfermeiro. Ordenou-se sacerdote aos vinte e cinco anos, mudando o nome. Na época, pensou em procurar uma Ordem mais austera e rígida, por achar a Ordem Carmelita muito branda. Foi então que a futura santa Tereza de Ávila cruzou seu caminho. Com autorização para promover, na Espanha, a fundação de conventos reformados, ela também tinha carta branca dos superiores gerais para fazer o mesmo com conventos masculinos. Tamanho era seu entusiasmo que atraiu o sacerdote João da Cruz para esse trabalho. Ao invés de sair da Ordem, ele passou a trabalhar em sua reforma, recuperando os princípios e a disciplina. João da Cruz encarregou-se de formar os noviços, assumindo o cargo de reitor de uma casa de formação e estudos, reformando, assim, vários conventos. Reformar uma Ordem, porém, é muito mais difícil que fundá-la, e João enfrentou dificuldades e sofrimentos incríveis, para muitos, insuportáveis. Chegou a ser preso por nove meses num convento que se opunha à reforma. Os escritos sobre sua vida dão conta de que abraçou a cruz dos sofrimentos e contrariedades com prazer, o que é só compreensível aos santos. Aliás, esse foi o aspecto da personalidade de João da Cruz que mais se evidenciou no fim de sua vida. Conta-se que ele pedia, insistentemente, três coisas a Deus. Primeiro, dar-lhe forças para trabalhar e sofrer muito. Segundo, não deixá-lo sair desse mundo como superior de uma Ordem ou comunidade. Terceiro, e mais surpreendente, que o deixasse morrer desprezado e humilhado pelos seres humanos. Para ele, fazia parte de sua religiosidade mística enfrentar os sofrimentos da Paixão de Jesus, pois lhe proporcionava êxtases e visões. Seu misticismo era a inspiração para seus escritos, que foram muitos e o colocam ao lado de santa Tereza de Ávila, outra grande mística do seu tempo. Assim, foi atendido nos três pedidos. Pouco antes de sua morte, João da Cruz teve graves dissabores por causa das incompreensões e calúnias. Foi exonerado de todos os cargos da comunidade, passando os últimos meses na solidão e no abandono. Faleceu após uma penosa doença, em 14 de dezembro de 1591, com apenas quarenta e nove anos de idade, no Convento de Ubeda, Espanha. Deixou como legado sua volumosa obra escrita, de importante valor humanístico e teológico. E sua relevante e incansável participação como reformador da Ordem Carmelita Descalça. Foi canonizado em 1726 e teve sua festa marcada para o dia de sua morte. São João da Cruz foi proclamado doutor da Igreja em 1926, pelo papa Pio XI. Mais tarde, em 1952, foi declarado o padroeiro dos poetas espanhóis. Texto: Paulinas Internet Conheça mais sobre São João da Cruz: Mestre da reforma carmelitana Santa Teresa de Jesus o considerava “uma das almas mais puras e santas que Deus suscitou na sua Igreja”. Esse “meio frade” de compleição franzina foi grande na fé, baluarte do Carmelo Descalço e da Contrarreforma. Seus anseios de contemplação clamavam por um convívio com Deus muito mais próximo Nosso século pragmático parece crer que a fórmula eficaz para solucionar os problemas do mundo consiste principalmente em adotar medidas concretas no campo da ação, servindo-se de estratégias diplomáticas, recursos tecnológicos, tratados, leis ou medidas de educação. Com efeito, muitas questões podem ser resolvidas por esses meios. Mas bem diversa é a perspectiva da Fé, a qual ensina que a História está sob o olhar providente de Deus, e este a governa de acordo com desígnios eternos. Tudo está subordinado aos seus planos, sobretudo o que se relaciona com a salvação das almas. Na vanguarda da Contrarreforma A Santa Igreja Católica, ao longo dos seus dois mil anos de existência, comprovou por diversas vezes esta maravilha: homens de oração, levando uma vida de recolhimento, foram chamados a mudar o rumo dos acontecimentos. A exemplo de Nossa Senhora, cujos desejos trouxeram a Redenção para o gênero humano, os justos movem o coração de Deus. A santidade pode ser considerada, sem risco de incorrermos num exagero, a verdadeira força decisiva dos fatos. Como recorda um teólogo, “há almas heroicas que nada recusam ao Amor. Deus as eleva infinitamente acima de si mesmas, as diviniza, as configura à imagem de seu Filho único. […] Seus mais insignificantes atos cotidianos, assim como os da Mãe de Deus, adquirem um valor quase infinito. A Igreja inteira se beneficia deles e sua vida corredentora resplandece sobre as de todos os homens, dando frutos de salvação”.1 Quem analisa os fatos com base em critérios terrenos pode ser surpreendido em seu juízo, pois “a História do universo se reduz, em suma, aos avanços e recuos destas missões divinas [nas almas]. Todo o resto é secundário e perecerá”.2 Quando a pseudorreforma luterana se levantou contra as Leis de Deus e da Igreja, ergueu-se nas fileiras da Esposa Mística de Cristo um brado de fidelidade partido de seus melhores filhos. Entre estes, coube um papel de grande relevo a dois contemplativos espanhóis, cujos nomes ainda hoje são evocados pelos fiéis com especial veneração: Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz. Amparado e escolhido por Nossa Senhora João de Yepes nasceu em 1542, no pequeno vilarejo de Fontiveros, incrustado nas amplas planícies de Castela. Seu pai, Gonzalo de Yepes, era um membro da nobreza toledana que renunciou às prerrogativas de sua origem para contrair matrimônio com Catarina Álvarez, uma humilde tecelã. Desta união nasceram três filhos, sendo João o último deles. A cruz – que um dia esse menino escolherá com encanto para figurar em seu próprio nome – haveria de estar presente junto a ele desde seus primeiros anos. Os sucessivos fracassos nos negócios paternos levou o lar a uma situação de extrema pobreza, sanada apenas em parte pelos trabalhos de tecelagem do casal. Entretanto, o maior infortúnio verificou-se quando o Santo contava dois anos de idade, com o falecimento do pai, que foi acometido por umadolorosa moléstia. A viúva, sem outro recurso que a proteção da Providência, lançou-se numa luta sobre-humana pelo sustento da família. Indagada pelos inocentes olhares dos filhos acerca do futuro, partiu para outros povoados e, finalmente, para Medina del Campo, na tentativa de ser melhor remunerada por seus serviços. Destes anos marcados por provações restou uma preciosa recordação: o grande desvelo de Maria Santíssima por aqueles desamparados. Certo dia, brincando com os amiguinhos em volta de um lago lamacento, João perdeu o equilíbrio e caiu, afundando na água lodosa. Ele logo voltou à tona, mas em seguida submergiu novamente e, enquanto se debatia sem conseguir se soerguer, notou que uma Dama de celestial beleza lhe sorria e oferecia o braço para resgatá-lo. Vendo-se, porém, tão sujo, não quis macular a alvura daquela Senhora e se recusou a apoiar-se n’Ela. Afinal, um lavrador da região estendeu um galho, ao qual ele se agarrou e pôde ser puxado para a margem. Esse episódio inaugurou entre a Virgem e o menino um vínculo entranhado, que se prolongou por toda a vida e o levaria, anos mais tarde, a ingressar numa Ordem mariana, como penhor de gratidão. Despontar da vocação Numa instituição de caridade de Medina del Campo João aprendeu os rudimentos da doutrina católica, a acolitar a Missa e a cuidar da sacristia, entre outros ofícios. Sua maior felicidade era exercer essas funções, pois junto ao altar expandia a alma em colóquios com o Divino Crucificado, em cuja companhia esquecia todas as privações. Os benfeitores, dando-se conta da pureza ilibada daquela alma e, ao mesmo tempo, da sua aptidão para os estudos, favoreceram a entrada do jovem no colégio dos jesuítas. Ali permaneceu por vários anos aplicado em árduas matérias, enquanto meditava com seriedade acerca de sua vocação. Quando esta se tornou clara, não hesitou: bateu às portas do Convento do Carmo pedindo o hábito de Nossa Senhora. Uma página de sua célebre Noite Escura nos permite vislumbrar os propósitos com os quais ingressou na vida religiosa: “Ah, Deus e Senhor meu! Quão numerosos são os que em Vós procuram consolo e satisfação, Vos pedem mercês e dons! Muito poucos, porém, são os que pretendem agradar-Vos e dar-Vos algo à sua própria custa, postergando seu interesse particular. Pois, ó meu Deus, não está a falta em não quererdes Vós fazer-nos novas mercês, mas em não empregarmos nós só em vosso serviço as já recebidas, a fim de obrigar-Vos a nos favorecer sempre”. Um encontro providencial No Carmelo de Medina del Campo recebeu a tonsura, abraçando a regra da Ordem com o nome de Frei João de São Matias. Costumava passar longas horas diante do sacrário e ajudava a Missa com prazer e alegria, até ser encaminhado pelos superiores para o noviciado de Salamanca. A legendária universidade desta cidade vivia dias de glória, com mestres de grande erudição e cerca de sete mil alunos. Nos bancos estudantis o futuro Doutor da Igreja aprendia com esses sábios, mas lhes sobressaía em virtude, penitência e recolhimento. Nesse ambiente de efervescente interesse filosófico e teológico ele conheceu a doutrina de São Tomás de Aquino, que mais tarde colocaria a serviço da formação dos carmelitas descalços e utilizaria em seus escritos, conferindo-lhes especial solidez. Na velha catedral da cidade, Frei João de São Matias recebeu a unção sacerdotal aos 25 anos, com disposições verdadeiramente angélicas. Contudo, seus anseios de contemplação clamavam por um convívio com Deus muito mais próximo. Ao regressar a Medina del Campo cogitava em trocar o Carmelo pela Cartuxa, onde, supunha ele, a oblação de si mesmo seria maior. Nessas circunstâncias encontrou-se pela primeira com Santa Teresa de Ávila. A grande reformadora viera a Medina em 1567 fundar um convento de descalças e percebeu ser a ocasião de estender a reforma ao ramo masculino, uma vez que já havia sido autorizada pelo geral da Ordem a dar esse passo. Numa entrevista decisiva com Frei João, na qual também esteve presente Frei Antônio de Heredia, Madre Teresa o convidou a tomar parte na santa aventura, pois seu discernimento indicava ser ele “uma das almas mais puras e santas que Deus suscitou na sua Igreja”.4 Enquanto a fundadora se dispunha a conseguir uma casa para os primeiros descalços, Frei João, flexível ao sopro do Espírito Santo, prometeu considerar a proposta, mas pediu-lhe, com o empressement característico dos Santos, que não demorasse muito… Curiosamente, Frei Antônio era um homem de estatura imponente e contrastava com Frei João, de compleição franzina. O encontro deixou a madre entusiasmada, como manifestou às suas freiras: “Ajudem-me, filhas, a dar graças a Deus Nosso Senhor, pois já temos frade e meio para começar a reforma dos religiosos”. O ideal do Carmelo reformado A partir de então Teresa de Jesus contou com a inestimável colaboração de Frei João e “sob a ação conjunta dessas duas almas de fogo, o movimento da reforma difunde-se como uma mancha de óleo”.6 Nos conventos onde atuam são banidas as concessões ao espírito do mundo, a mitigação no cumprimento da regra e a clausura passa a ser vivida em todo o seu rigor. Vive-se com a intenção de reparar as infidelidades cometidas contra a Igreja na época, e este heroico propósito aglutina pujantes vocações: “A autoridade e o fervor dos descalços atraíam-lhes muitos homens de primeira plana; a austera grandeza da nova observância impressionava”. Frei João da Cruz – como passou a se chamar – foi protagonista das empolgantes páginas dos anos de fundação registradas nos anais do Carmelo Descalço, movendo-se entre mil fioretti miraculosos. Certa vez, conversando com Santa Teresa, foram ambos agraciados com o duplo dom do êxtase e da levitação, e uma das irmãs só conseguiu encontrá-los depois de passar várias vezes pelo locutório, ao olhar para cima. Contudo, Frei João não deixou de sofrer também a fúria dos infernos. Durante nove meses permaneceu encarcerado pelos calçados, e no final da vida foi destituído de todos os cargos e abandonado num convento onde o superior o maltratou com extrema dureza. Alguém menos experimentado no amor a Deus teria sucumbido ao peso de tais sofrimentos físicos e morais, mas ele tudo suportou com cordura, chegando a compor na prisão alguns dos poemas que mais tarde deram origem à sua obra literária. Eminente diretor espiritual Quem percorre as passagens da vida do Doutor Místico percebe que ele exerceu as mais variadas funções: foi mestre de noviços, prior, reitor universitário e membro do Capítulo com cargos diretivos. Mostrou-se sempre dócil instrumento nas mãos dos superiores, servindo em todos os fronts e lugares. Mas a sua sabedoria parece ter se revelado sobretudo na direção das almas. Por obra da graça, São João da Cruz foi conduzido aos cumes da via unitiva, sendo chamado a instruir seus filhos nos segredos da amizade com Deus. Aos penitentes, tanto religiosos como seculares, dedicava todo o tempo necessário; sua presença era discreta, de grande modéstia e mansidão, porém as penetrantes análises chegavam ao fundo das consciências, como se estas fossem um espelho límpido. Ouvindo as acusações ele logo divisava o foco dos males das almas e tinha para cada uma a palavra justa, inspirada pelo Espírito Santo. Todos os seus penitentes saíam do confessionário com ânimo redobrado para enfrentar a luta contra o pecado e progredir a passos largos nas vias da salvação, pois para São João da Cruz, no caminho da perfeição, “o não avançar é recuar; e o não ganhar é perder”. “Sob a ação conjunta dessas duas almas de fogo, o movimento da reforma difunde-se como uma mancha de óleo” Santa Teresa de Jesus visita São João da Cruz e Frei Antônio de Heredia em Duruelo – Convento de Santa Teresa, Ávila (Espanha) Um de seus conselhos mais veementes, repetido ao longo dos anos a todos quantos se colocavam sob sua orientação, era dar primazia à vida interior: “Advirtam aqui, pois, os que são muito ativos e pensam abraçar o mundo com suas prédicas e obras exteriores: muito maior proveito propiciariam à Igreja, e muito mais agradariam a Deus, além do bom exemplo que dariam, se gastassem ao menos a metade desse tempo com Deus, na oração […]. Decerto fariam então com uma obra mais do que com mil, e com menos trabalho, pelos méritos de sua oração e nela havendo obtido forças espirituais; pois, de outra maneira, tudo é martelar e fazer quase nada, às vezes nada, e até mesmo dano”.9 Doutor Místico O principal legado do reformador à família carmelitana e à Igreja é, sem dúvida, a sua vida mística. Deus, que não poupou a este filho os mais atrozes sofrimentos, deu-lhe já nesta Terra grande recompensa: conforme ia purificando sua alma, convidava o servo fiel a gozar de sua intimidade, como costuma fazer aos melhores amigos. Fruto da correspondência exímia de São João da Cruz aos favores recebidos é sua trajetória espiritual bastante rica e fecunda, que se revela uma escola segura onde são instruídas as almas, dentro e fora dos conventos. A ascensão ao cimo do Monte Carmelo, imagem do estado de perfeição atingido por meio de purificações e pela noite escura, tornou-se um dos símbolos de santidade mais conhecidos da piedade católica. Este tesouro está consignado na sua obra escrita, sobretudo nos principais tratados e poemas: Subida ao Monte Carmelo, seguido pela Noite Escura, Cântico Espiritual e Chama Viva de Amor. Os dois últimos, difíceis de serem compreendidos por principiantes, são versos comparáveis a um requintado licor, o qual exige do apreciador paladar apurado. É uma poesia “angélica, celestial e divina, que já não parece deste mundo, nem pode ser medida com critérios literários. […] Por ali passou o espírito de Deus, embelezando e santificando tudo”. Matinas diante de Deus! No ano de sua morte, São João da Cruz confidenciou a seu irmão Francisco de Yepes que havia pedido a Nosso Senhor a graça de sofrer mais por Ele e de ser desprezado. 11 Seu desejo foi atendido, pois a partir de então os poucos meses de vida que ainda lhe restavam foram marcados por terríveis provações. Um conselho lúcido dado pelo Santo no Capítulo da Ordem, em junho de 1591, provocou a indignação de Frei Nicolau Dória, o superior geral. Este o destituiu de todos os cargos e o mandou como simples frade para um convento distante, como teria feito a um filho perverso. Aos 49 anos, Frei João já não esperava mais nada deste mundo; queria apenas ser consumido qual chama de amor viva. Uma virulenta inflamação na perna direita assumiu proporções preocupantes em setembro desse ano, e em pouco mais de três meses o tomou por inteiro. Em Úbeda, na Andaluzia, ele edificou a comunidade com a aceitação de todas as dores e recebeu a revelação do momento de sua morte: a meia-noite de 14 de dezembro. Poucos minutos antes do instante indicado, exclamou ao frade enfermeiro: “A essa hora, estarei diante de Deus Nosso Senhor a rezar as Matinas”!12 E na virada do dia, expirou em inteira paz. O insigne Doutor da Igreja deixou aberto atrás de si um caminho privilegiado para se chegar ao Céu, seguido por legiões de almas amantes do holocausto como meio de expiação pelas faltas da humanidade pecadora. Seus anseios de restituição ao Criador haviam se cumprido, tal como ele desejara ao ingressar na venerável Ordem do Monte Carmelo: “Esta é a grande satisfação e contentamento da alma: ver que dá a Deus mais do que ela é e vale em si mesma, com aquela mesma luz e calor divino que d’Ele recebe”. (Revista Arautos do Evangelho, Dezembro/2014, n. 156, pp. 22 à 25) #SãoJoãodaCruz

  • São João da Cruz, Doutor da Igreja – 14 de Dezembro

    SANTO DO DIA – 14 DE DEZEMBRO – SÃO JOÃO DA CRUZ Sacerdote e doutor da Igreja (1542-1591) Seu nome de batismo era Juan de Yepes. Nasceu em Fontivaros, na província de Ávila, Espanha, em 1542, talvez em 24 de junho. Ainda na infância, ficou órfão de pai, Gonzalo de Yepes, descendente de uma família rica e tradicional de Toledo. Mas, devido ao casamento, foi deserdado da herança. A jovem, Catarina Alvarez, sua mãe, era de família humilde, considerada de classe ‘inferior’. Assim, com a morte do marido, que a obrigou a trabalhar, mudou-se para Medina, com os filhos. Naquela cidade, João tentou várias profissões. Foi ajudante num hospital, enquanto estudava gramática à noite num colégio jesuíta. Então, sua espiritualidade aflorou, levando-o a entrar na Ordem Carmelita, aos vinte e um anos. Foi enviado para a Universidade de Salamanca a fim de completar seus estudos de filosofia e teologia. Mesmo dedicando-se totalmente aos estudos, encontrava tempo para visitar doentes em hospitais ou em suas casas, prestando serviço como enfermeiro. Ordenou-se sacerdote aos vinte e cinco anos, mudando o nome. Na época, pensou em procurar uma Ordem mais austera e rígida, por achar a Ordem Carmelita muito branda. Foi então que a futura santa Tereza de Ávila cruzou seu caminho. Com autorização para promover, na Espanha, a fundação de conventos reformados, ela também tinha carta branca dos superiores gerais para fazer o mesmo com conventos masculinos. Tamanho era seu entusiasmo que atraiu o sacerdote João da Cruz para esse trabalho. Ao invés de sair da Ordem, ele passou a trabalhar em sua reforma, recuperando os princípios e a disciplina. João da Cruz encarregou-se de formar os noviços, assumindo o cargo de reitor de uma casa de formação e estudos, reformando, assim, vários conventos. Reformar uma Ordem, porém, é muito mais difícil que fundá-la, e João enfrentou dificuldades e sofrimentos incríveis, para muitos, insuportáveis. Chegou a ser preso por nove meses num convento que se opunha à reforma. Os escritos sobre sua vida dão conta de que abraçou a cruz dos sofrimentos e contrariedades com prazer, o que é só compreensível aos santos. Aliás, esse foi o aspecto da personalidade de João da Cruz que mais se evidenciou no fim de sua vida. Conta-se que ele pedia, insistentemente, três coisas a Deus. Primeiro, dar-lhe forças para trabalhar e sofrer muito. Segundo, não deixá-lo sair desse mundo como superior de uma Ordem ou comunidade. Terceiro, e mais surpreendente, que o deixasse morrer desprezado e humilhado pelos seres humanos. Para ele, fazia parte de sua religiosidade mística enfrentar os sofrimentos da Paixão de Jesus, pois lhe proporcionava êxtases e visões. Seu misticismo era a inspiração para seus escritos, que foram muitos e o colocam ao lado de santa Tereza de Ávila, outra grande mística do seu tempo. Assim, foi atendido nos três pedidos. Pouco antes de sua morte, João da Cruz teve graves dissabores por causa das incompreensões e calúnias. Foi exonerado de todos os cargos da comunidade, passando os últimos meses na solidão e no abandono. Faleceu após uma penosa doença, em 14 de dezembro de 1591, com apenas quarenta e nove anos de idade, no Convento de Ubeda, Espanha. Deixou como legado sua volumosa obra escrita, de importante valor humanístico e teológico. E sua relevante e incansável participação como reformador da Ordem Carmelita Descalça. Foi canonizado em 1726 e teve sua festa marcada para o dia de sua morte. São João da Cruz foi proclamado doutor da Igreja em 1926, pelo papa Pio XI. Mais tarde, em 1952, foi declarado o padroeiro dos poetas espanhóis. Texto: Paulinas Internet Conheça mais sobre São João da Cruz: Mestre da reforma carmelitana Santa Teresa de Jesus o considerava “uma das almas mais puras e santas que Deus suscitou na sua Igreja”. Esse “meio frade” de compleição franzina foi grande na fé, baluarte do Carmelo Descalço e da Contrarreforma. Seus anseios de contemplação clamavam por um convívio com Deus muito mais próximo Nosso século pragmático parece crer que a fórmula eficaz para solucionar os problemas do mundo consiste principalmente em adotar medidas concretas no campo da ação, servindo-se de estratégias diplomáticas, recursos tecnológicos, tratados, leis ou medidas de educação. Com efeito, muitas questões podem ser resolvidas por esses meios. Mas bem diversa é a perspectiva da Fé, a qual ensina que a História está sob o olhar providente de Deus, e este a governa de acordo com desígnios eternos. Tudo está subordinado aos seus planos, sobretudo o que se relaciona com a salvação das almas. Na vanguarda da Contrarreforma A Santa Igreja Católica, ao longo dos seus dois mil anos de existência, comprovou por diversas vezes esta maravilha: homens de oração, levando uma vida de recolhimento, foram chamados a mudar o rumo dos acontecimentos. A exemplo de Nossa Senhora, cujos desejos trouxeram a Redenção para o gênero humano, os justos movem o coração de Deus. A santidade pode ser considerada, sem risco de incorrermos num exagero, a verdadeira força decisiva dos fatos. Como recorda um teólogo, “há almas heroicas que nada recusam ao Amor. Deus as eleva infinitamente acima de si mesmas, as diviniza, as configura à imagem de seu Filho único. […] Seus mais insignificantes atos cotidianos, assim como os da Mãe de Deus, adquirem um valor quase infinito. A Igreja inteira se beneficia deles e sua vida corredentora resplandece sobre as de todos os homens, dando frutos de salvação”.1 Quem analisa os fatos com base em critérios terrenos pode ser surpreendido em seu juízo, pois “a História do universo se reduz, em suma, aos avanços e recuos destas missões divinas [nas almas]. Todo o resto é secundário e perecerá”.2 Quando a pseudorreforma luterana se levantou contra as Leis de Deus e da Igreja, ergueu-se nas fileiras da Esposa Mística de Cristo um brado de fidelidade partido de seus melhores filhos. Entre estes, coube um papel de grande relevo a dois contemplativos espanhóis, cujos nomes ainda hoje são evocados pelos fiéis com especial veneração: Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz. Amparado e escolhido por Nossa Senhora João de Yepes nasceu em 1542, no pequeno vilarejo de Fontiveros, incrustado nas amplas planícies de Castela. Seu pai, Gonzalo de Yepes, era um membro da nobreza toledana que renunciou às prerrogativas de sua origem para contrair matrimônio com Catarina Álvarez, uma humilde tecelã. Desta união nasceram três filhos, sendo João o último deles. A cruz – que um dia esse menino escolherá com encanto para figurar em seu próprio nome – haveria de estar presente junto a ele desde seus primeiros anos. Os sucessivos fracassos nos negócios paternos levou o lar a uma situação de extrema pobreza, sanada apenas em parte pelos trabalhos de tecelagem do casal. Entretanto, o maior infortúnio verificou-se quando o Santo contava dois anos de idade, com o falecimento do pai, que foi acometido por umadolorosa moléstia. A viúva, sem outro recurso que a proteção da Providência, lançou-se numa luta sobre-humana pelo sustento da família. Indagada pelos inocentes olhares dos filhos acerca do futuro, partiu para outros povoados e, finalmente, para Medina del Campo, na tentativa de ser melhor remunerada por seus serviços. Destes anos marcados por provações restou uma preciosa recordação: o grande desvelo de Maria Santíssima por aqueles desamparados. Certo dia, brincando com os amiguinhos em volta de um lago lamacento, João perdeu o equilíbrio e caiu, afundando na água lodosa. Ele logo voltou à tona, mas em seguida submergiu novamente e, enquanto se debatia sem conseguir se soerguer, notou que uma Dama de celestial beleza lhe sorria e oferecia o braço para resgatá-lo. Vendo-se, porém, tão sujo, não quis macular a alvura daquela Senhora e se recusou a apoiar-se n’Ela. Afinal, um lavrador da região estendeu um galho, ao qual ele se agarrou e pôde ser puxado para a margem. Esse episódio inaugurou entre a Virgem e o menino um vínculo entranhado, que se prolongou por toda a vida e o levaria, anos mais tarde, a ingressar numa Ordem mariana, como penhor de gratidão. Despontar da vocação Numa instituição de caridade de Medina del Campo João aprendeu os rudimentos da doutrina católica, a acolitar a Missa e a cuidar da sacristia, entre outros ofícios. Sua maior felicidade era exercer essas funções, pois junto ao altar expandia a alma em colóquios com o Divino Crucificado, em cuja companhia esquecia todas as privações. Os benfeitores, dando-se conta da pureza ilibada daquela alma e, ao mesmo tempo, da sua aptidão para os estudos, favoreceram a entrada do jovem no colégio dos jesuítas. Ali permaneceu por vários anos aplicado em árduas matérias, enquanto meditava com seriedade acerca de sua vocação. Quando esta se tornou clara, não hesitou: bateu às portas do Convento do Carmo pedindo o hábito de Nossa Senhora. Uma página de sua célebre Noite Escura nos permite vislumbrar os propósitos com os quais ingressou na vida religiosa: “Ah, Deus e Senhor meu! Quão numerosos são os que em Vós procuram consolo e satisfação, Vos pedem mercês e dons! Muito poucos, porém, são os que pretendem agradar-Vos e dar-Vos algo à sua própria custa, postergando seu interesse particular. Pois, ó meu Deus, não está a falta em não quererdes Vós fazer-nos novas mercês, mas em não empregarmos nós só em vosso serviço as já recebidas, a fim de obrigar-Vos a nos favorecer sempre”. Um encontro providencial No Carmelo de Medina del Campo recebeu a tonsura, abraçando a regra da Ordem com o nome de Frei João de São Matias. Costumava passar longas horas diante do sacrário e ajudava a Missa com prazer e alegria, até ser encaminhado pelos superiores para o noviciado de Salamanca. A legendária universidade desta cidade vivia dias de glória, com mestres de grande erudição e cerca de sete mil alunos. Nos bancos estudantis o futuro Doutor da Igreja aprendia com esses sábios, mas lhes sobressaía em virtude, penitência e recolhimento. Nesse ambiente de efervescente interesse filosófico e teológico ele conheceu a doutrina de São Tomás de Aquino, que mais tarde colocaria a serviço da formação dos carmelitas descalços e utilizaria em seus escritos, conferindo-lhes especial solidez. Na velha catedral da cidade, Frei João de São Matias recebeu a unção sacerdotal aos 25 anos, com disposições verdadeiramente angélicas. Contudo, seus anseios de contemplação clamavam por um convívio com Deus muito mais próximo. Ao regressar a Medina del Campo cogitava em trocar o Carmelo pela Cartuxa, onde, supunha ele, a oblação de si mesmo seria maior. Nessas circunstâncias encontrou-se pela primeira com Santa Teresa de Ávila. A grande reformadora viera a Medina em 1567 fundar um convento de descalças e percebeu ser a ocasião de estender a reforma ao ramo masculino, uma vez que já havia sido autorizada pelo geral da Ordem a dar esse passo. Numa entrevista decisiva com Frei João, na qual também esteve presente Frei Antônio de Heredia, Madre Teresa o convidou a tomar parte na santa aventura, pois seu discernimento indicava ser ele “uma das almas mais puras e santas que Deus suscitou na sua Igreja”.4 Enquanto a fundadora se dispunha a conseguir uma casa para os primeiros descalços, Frei João, flexível ao sopro do Espírito Santo, prometeu considerar a proposta, mas pediu-lhe, com o empressement característico dos Santos, que não demorasse muito… Curiosamente, Frei Antônio era um homem de estatura imponente e contrastava com Frei João, de compleição franzina. O encontro deixou a madre entusiasmada, como manifestou às suas freiras: “Ajudem-me, filhas, a dar graças a Deus Nosso Senhor, pois já temos frade e meio para começar a reforma dos religiosos”. O ideal do Carmelo reformado A partir de então Teresa de Jesus contou com a inestimável colaboração de Frei João e “sob a ação conjunta dessas duas almas de fogo, o movimento da reforma difunde-se como uma mancha de óleo”.6 Nos conventos onde atuam são banidas as concessões ao espírito do mundo, a mitigação no cumprimento da regra e a clausura passa a ser vivida em todo o seu rigor. Vive-se com a intenção de reparar as infidelidades cometidas contra a Igreja na época, e este heroico propósito aglutina pujantes vocações: “A autoridade e o fervor dos descalços atraíam-lhes muitos homens de primeira plana; a austera grandeza da nova observância impressionava”. Frei João da Cruz – como passou a se chamar – foi protagonista das empolgantes páginas dos anos de fundação registradas nos anais do Carmelo Descalço, movendo-se entre mil fioretti miraculosos. Certa vez, conversando com Santa Teresa, foram ambos agraciados com o duplo dom do êxtase e da levitação, e uma das irmãs só conseguiu encontrá-los depois de passar várias vezes pelo locutório, ao olhar para cima. Contudo, Frei João não deixou de sofrer também a fúria dos infernos. Durante nove meses permaneceu encarcerado pelos calçados, e no final da vida foi destituído de todos os cargos e abandonado num convento onde o superior o maltratou com extrema dureza. Alguém menos experimentado no amor a Deus teria sucumbido ao peso de tais sofrimentos físicos e morais, mas ele tudo suportou com cordura, chegando a compor na prisão alguns dos poemas que mais tarde deram origem à sua obra literária. Eminente diretor espiritual Quem percorre as passagens da vida do Doutor Místico percebe que ele exerceu as mais variadas funções: foi mestre de noviços, prior, reitor universitário e membro do Capítulo com cargos diretivos. Mostrou-se sempre dócil instrumento nas mãos dos superiores, servindo em todos os fronts e lugares. Mas a sua sabedoria parece ter se revelado sobretudo na direção das almas. Por obra da graça, São João da Cruz foi conduzido aos cumes da via unitiva, sendo chamado a instruir seus filhos nos segredos da amizade com Deus. Aos penitentes, tanto religiosos como seculares, dedicava todo o tempo necessário; sua presença era discreta, de grande modéstia e mansidão, porém as penetrantes análises chegavam ao fundo das consciências, como se estas fossem um espelho límpido. Ouvindo as acusações ele logo divisava o foco dos males das almas e tinha para cada uma a palavra justa, inspirada pelo Espírito Santo. Todos os seus penitentes saíam do confessionário com ânimo redobrado para enfrentar a luta contra o pecado e progredir a passos largos nas vias da salvação, pois para São João da Cruz, no caminho da perfeição, “o não avançar é recuar; e o não ganhar é perder”. “Sob a ação conjunta dessas duas almas de fogo, o movimento da reforma difunde-se como uma mancha de óleo” Santa Teresa de Jesus visita São João da Cruz e Frei Antônio de Heredia em Duruelo – Convento de Santa Teresa, Ávila (Espanha) Um de seus conselhos mais veementes, repetido ao longo dos anos a todos quantos se colocavam sob sua orientação, era dar primazia à vida interior: “Advirtam aqui, pois, os que são muito ativos e pensam abraçar o mundo com suas prédicas e obras exteriores: muito maior proveito propiciariam à Igreja, e muito mais agradariam a Deus, além do bom exemplo que dariam, se gastassem ao menos a metade desse tempo com Deus, na oração […]. Decerto fariam então com uma obra mais do que com mil, e com menos trabalho, pelos méritos de sua oração e nela havendo obtido forças espirituais; pois, de outra maneira, tudo é martelar e fazer quase nada, às vezes nada, e até mesmo dano”.9 Doutor Místico O principal legado do reformador à família carmelitana e à Igreja é, sem dúvida, a sua vida mística. Deus, que não poupou a este filho os mais atrozes sofrimentos, deu-lhe já nesta Terra grande recompensa: conforme ia purificando sua alma, convidava o servo fiel a gozar de sua intimidade, como costuma fazer aos melhores amigos. Fruto da correspondência exímia de São João da Cruz aos favores recebidos é sua trajetória espiritual bastante rica e fecunda, que se revela uma escola segura onde são instruídas as almas, dentro e fora dos conventos. A ascensão ao cimo do Monte Carmelo, imagem do estado de perfeição atingido por meio de purificações e pela noite escura, tornou-se um dos símbolos de santidade mais conhecidos da piedade católica. Este tesouro está consignado na sua obra escrita, sobretudo nos principais tratados e poemas: Subida ao Monte Carmelo, seguido pela Noite Escura, Cântico Espiritual e Chama Viva de Amor. Os dois últimos, difíceis de serem compreendidos por principiantes, são versos comparáveis a um requintado licor, o qual exige do apreciador paladar apurado. É uma poesia “angélica, celestial e divina, que já não parece deste mundo, nem pode ser medida com critérios literários. […] Por ali passou o espírito de Deus, embelezando e santificando tudo”. Matinas diante de Deus! No ano de sua morte, São João da Cruz confidenciou a seu irmão Francisco de Yepes que havia pedido a Nosso Senhor a graça de sofrer mais por Ele e de ser desprezado. 11 Seu desejo foi atendido, pois a partir de então os poucos meses de vida que ainda lhe restavam foram marcados por terríveis provações. Um conselho lúcido dado pelo Santo no Capítulo da Ordem, em junho de 1591, provocou a indignação de Frei Nicolau Dória, o superior geral. Este o destituiu de todos os cargos e o mandou como simples frade para um convento distante, como teria feito a um filho perverso. Aos 49 anos, Frei João já não esperava mais nada deste mundo; queria apenas ser consumido qual chama de amor viva. Uma virulenta inflamação na perna direita assumiu proporções preocupantes em setembro desse ano, e em pouco mais de três meses o tomou por inteiro. Em Úbeda, na Andaluzia, ele edificou a comunidade com a aceitação de todas as dores e recebeu a revelação do momento de sua morte: a meia-noite de 14 de dezembro. Poucos minutos antes do instante indicado, exclamou ao frade enfermeiro: “A essa hora, estarei diante de Deus Nosso Senhor a rezar as Matinas”!12 E na virada do dia, expirou em inteira paz. O insigne Doutor da Igreja deixou aberto atrás de si um caminho privilegiado para se chegar ao Céu, seguido por legiões de almas amantes do holocausto como meio de expiação pelas faltas da humanidade pecadora. Seus anseios de restituição ao Criador haviam se cumprido, tal como ele desejara ao ingressar na venerável Ordem do Monte Carmelo: “Esta é a grande satisfação e contentamento da alma: ver que dá a Deus mais do que ela é e vale em si mesma, com aquela mesma luz e calor divino que d’Ele recebe”. (Revista Arautos do Evangelho, Dezembro/2014, n. 156, pp. 22 à 25) #SãoJoãodaCruz

  • Presidente Bolsonaro decreta luto oficial pela morte do Monsenhor Jonas Abib

    Bolsonaro decretou luto oficial e lamentou a morte de Monsenhor Jonas Abib: “Foi um fiel servo de Deus”. O luto oficial será em todo o país por um dia a partir desta terça-feira (13). O Presidente da República, Jair Bolsonaro, decretou um dia de luto oficial pelo falecimento do fundador da Canção Nova, Monsenhor Jonas Abib. O decreto foi publicado nesta terça-feira (13) acompanhado da nota de pesar da Secretaria Especial de Comunicação (SECOM) do Governo Federal. Monsenhor Jonas Abib faleceu na noite da última segunda-feira (12), aos 85 anos de idade, em Cachoeira Paulista (SP), interior de São Paulo, em sua casa, na sede da Comunidade. “Modelo de Sacerdote, o Padre Jonas foi um fiel servo de Deus, totalmente devotado ao ideal de conduzir almas à salvação, mostrando-lhes o Cristo por meio de seu exemplo. Fundador de uma das maiores comunidades católicas do mundo, desempenhou papel fundamental no acolhimento das pessoas para a melhoria de suas vidas e, consequentemente, melhoria do nosso país”, diz trecho do comunicado. A causa da morte do líder religioso foi insuficiência respiratória por broncoaspiração e disfagia motora. Desde maio de 2021, Monsenhor Jonas estava em tratamento quimioterápico de um mieloma múltiplo. O velório acontece no Centro de Evangelização Dom João Hipólito de Moraes, na sede da Canção Nova, até quarta-feira (14). Na quinta-feira (15), está programado um cortejo do corpo até o Santuário do Pai das Misericórdias, também em Cachoeira Paulista, onde haverá a Santa Missa e, logo após, a Quinta-Feira de Adoração. Na Hora da Misericórdia, será celebrada a última missa de corpo presente e o sepultamento será na Sala das Graças, no Santuário do Pai das Misericórdias. .:: Leia a íntegra da nota da SECOM: Nota de Pesar – SECOM – 13/12/2022 O Governo Federal, por meio da Presidência da República, presta suas condolências aos familiares e amigos da Comunidade Canção Nova pelo falecimento do Monsenhor Jonas Abib. Modelo de Sacerdote, o Padre Jonas foi um fiel servo de Deus, totalmente devotado ao ideal de conduzir almas à salvação mostrando-lhes o Cristo por meio de seu exemplo. Fundador de uma das maiores comunidades católicas do mundo, desempenhou papel fundamental no acolhimento das pessoas para a melhoria de suas vidas e, consequentemente, melhoria do nosso país. O Presidente da República, Jair Bolsonaro, roga a Deus que o receba em Seus braços e dê força, fé e perseverança a toda a “família Canção Nova” para superar esse difícil momento e continuar cumprindo a missão abraçada pelo Monsenhor Jonas Abib. Secretaria Especial de Comunicação Social – SECOM Conheça sua vida e obra e emocione-se assistindo um documentário especial em série sobre a vida deste grande sacerdote, Monsenhor Jonas Abib… Clique aqui para assistir. #CançãoNova

  • Presidente Bolsonaro decreta luto oficial pela morte do Monsenhor Jonas Abib

    Bolsonaro decretou luto oficial e lamentou a morte de Monsenhor Jonas Abib: “Foi um fiel servo de Deus”. O luto oficial será em todo o país por um dia a partir desta terça-feira (13). O Presidente da República, Jair Bolsonaro, decretou um dia de luto oficial pelo falecimento do fundador da Canção Nova, Monsenhor Jonas Abib. O decreto foi publicado nesta terça-feira (13) acompanhado da nota de pesar da Secretaria Especial de Comunicação (SECOM) do Governo Federal. Monsenhor Jonas Abib faleceu na noite da última segunda-feira (12), aos 85 anos de idade, em Cachoeira Paulista (SP), interior de São Paulo, em sua casa, na sede da Comunidade. “Modelo de Sacerdote, o Padre Jonas foi um fiel servo de Deus, totalmente devotado ao ideal de conduzir almas à salvação, mostrando-lhes o Cristo por meio de seu exemplo. Fundador de uma das maiores comunidades católicas do mundo, desempenhou papel fundamental no acolhimento das pessoas para a melhoria de suas vidas e, consequentemente, melhoria do nosso país”, diz trecho do comunicado. A causa da morte do líder religioso foi insuficiência respiratória por broncoaspiração e disfagia motora. Desde maio de 2021, Monsenhor Jonas estava em tratamento quimioterápico de um mieloma múltiplo. O velório acontece no Centro de Evangelização Dom João Hipólito de Moraes, na sede da Canção Nova, até quarta-feira (14). Na quinta-feira (15), está programado um cortejo do corpo até o Santuário do Pai das Misericórdias, também em Cachoeira Paulista, onde haverá a Santa Missa e, logo após, a Quinta-Feira de Adoração. Na Hora da Misericórdia, será celebrada a última missa de corpo presente e o sepultamento será na Sala das Graças, no Santuário do Pai das Misericórdias. .:: Leia a íntegra da nota da SECOM: Nota de Pesar – SECOM – 13/12/2022 O Governo Federal, por meio da Presidência da República, presta suas condolências aos familiares e amigos da Comunidade Canção Nova pelo falecimento do Monsenhor Jonas Abib. Modelo de Sacerdote, o Padre Jonas foi um fiel servo de Deus, totalmente devotado ao ideal de conduzir almas à salvação mostrando-lhes o Cristo por meio de seu exemplo. Fundador de uma das maiores comunidades católicas do mundo, desempenhou papel fundamental no acolhimento das pessoas para a melhoria de suas vidas e, consequentemente, melhoria do nosso país. O Presidente da República, Jair Bolsonaro, roga a Deus que o receba em Seus braços e dê força, fé e perseverança a toda a “família Canção Nova” para superar esse difícil momento e continuar cumprindo a missão abraçada pelo Monsenhor Jonas Abib. Secretaria Especial de Comunicação Social – SECOM Conheça sua vida e obra e emocione-se assistindo um documentário especial em série sobre a vida deste grande sacerdote, Monsenhor Jonas Abib… Clique aqui para assistir. #CançãoNova

  • Velório de Monsenhor Jonas Abib durará 3 dias e será aberto ao público

    A Canção Nova convida a todos os filhos espirituais e admiradores do Monsenhor Jonas Abib para que venham a Cachoeira Paulista para o último adeus. A Comunidade Canção Nova nesta madrugada expôs as informações atualizadas do Velório do Monsenhor Jonas Abib em Cachoeira Paulista (SP) 📍 – Local: Terça-Feira (13/12) e quarta-feira (14/12) no Centro de Evangelização Dom João Hipólito de Moraes e na quinta-feira (15/12) no Santuário do Pai das Misericórdias. Início do velório: 04h15 desta terça-feira (13/12) no Centro de Evangelização Na Quinta-feira (15/12): • 06h: Cortejo do corpo até o Santuário do Pai das Misericórdias, onde haverá a Santa Missa e logo após, a Quinta-Feira de Adoração • 07h: Santa Missa e após permanecerá ao longo do dia o velório de corpo presente. • 15h: Última Missa de corpo presente e após, se realizará o sepultamento. Conheça sua vida e obra e emocione-se assistindo um documentário especial em série sobre a vida deste grande sacerdote, Monsenhor Jonas Abib… Clique aqui para assistir. #CançãoNova

  • Velório de Monsenhor Jonas Abib durará 3 dias e será aberto ao público

    A Canção Nova convida a todos os filhos espirituais e admiradores do Monsenhor Jonas Abib para que venham a Cachoeira Paulista para o último adeus. A Comunidade Canção Nova nesta madrugada expôs as informações atualizadas do Velório do Monsenhor Jonas Abib em Cachoeira Paulista (SP) 📍 – Local: Terça-Feira (13/12) e quarta-feira (14/12) no Centro de Evangelização Dom João Hipólito de Moraes e na quinta-feira (15/12) no Santuário do Pai das Misericórdias. Início do velório: 04h15 desta terça-feira (13/12) no Centro de Evangelização Na Quinta-feira (15/12): • 06h: Cortejo do corpo até o Santuário do Pai das Misericórdias, onde haverá a Santa Missa e logo após, a Quinta-Feira de Adoração • 07h: Santa Missa e após permanecerá ao longo do dia o velório de corpo presente. • 15h: Última Missa de corpo presente e após, se realizará o sepultamento. Conheça sua vida e obra e emocione-se assistindo um documentário especial em série sobre a vida deste grande sacerdote, Monsenhor Jonas Abib… Clique aqui para assistir. #CançãoNova

  • O Brasil ganha uma nova beata: Isabel Cristina Mrad, mártir da castidade

    A dor do seu martírio se transformou em alegria para todo o Brasil. Assim foi a beatificação de Isabel Cristina! Por ACI Digital – A mártir Isabel Cristina Mrad Campos, morta em 1982 aos vinte anos por um homem que tentava estuprá-la, foi beatificada hoje (10), em Barbacena (MG), sua cidade natal, em missa celebrada pelo representante do papa Francisco, o arcebispo emérito de Aparecida (SP), cardeal Raymundo Damasceno Assis. “Peçamos a Jesus a graça, por intercessão de Isabel Cristina, de aceitar as angústias e os desafios da vida cotidiana. Não tenhamos medo jamais”, disse o cardeal, ao destacar que nem todos são chamados ao martírio de sangue, mas todos devem viver no cotidiano o martírio do amor. A missa de beatificação aconteceu no Parque de Exposições Senador Bias Fortes e, segundo a arquidiocese de Mariana, contou com a presença de cerca de 10 mil pessoas de Barbacena e cidades da região. Estiveram presentes o arcebispo de Mariana, dom Airton José dos Santos, o arcebispo emérito de Mariana, dom Geraldo Lyrio Rocha, o arcebispo de Juiz de Fora (MG), cidade onde a beata morreu, dom Gil Antônio Moreira, além de outros bispos, padres, diáconos e religiosos. Após o ato penitencial, aconteceu o rito de beatificação. O postulador da causa, Paolo Villota leu a biografia da mártir e o cardeal Damasceno leu, em latim, a carta apostólica que declara Isabel Cristina beata. A mesma carta foi lida em português pelo coordenador geral da cerimônia de beatificação, monsenhor Danival Milagres Coelho, com o anúncio de que a beata será celebrada no dia 1º de setembro, data de seu martírio. Em seguida, foi revelada a imagem oficial da beata Isabel Cristina e houve a entrada da relíquia dela, levada por seu irmão, Paulo Roberto Mrad Campos. Isabel Cristina Mrad Campos nasceu em 29 de julho de 1962, em Barbacena, filha de José Mendes Campos e Helena Mrad Campos, que já morreram. Desde a adolescência, fez parte da Associação de Voluntariado das Conferências de São Vicente e seu pai foi presidente do Conselho Central de Barbacena. A beata participava frequentemente da missa e dos sacramentos. Em 1982, Isabel Cristina, que queria estudar medicina, mudou-se para Juiz de Fora a fim de fazer um curso pré-vestibular. Seu sonho era ser pediatra para ajudar crianças carentes. Naquele mesmo ano, ela preparava um pequeno apartamento para onde havia se mudado com seu irmão, Paulo Roberto Mrad Campos. No dia 1º de setembro, um homem que foi montar um guarda-roupa tentou violentá-la, mas Isabel resistiu. Diante da resistência dela, o homem lhe deu uma cadeirada na cabeça, amarrou a moça, amordaçou e rasgou suas roupas. Como ela não cedeu, o agressor lhe deu 15 facadas, matando-a. A família de Isabel Cristina esteve presente na cerimônia de beatificação. A tia da beata, Maria das Graças Mrad, disse à ACI Digital que, para os familiares, “foi um choque muito grande a morte dela”. Agora, afirmou, “é uma alegria muito grande para a família, para Barbacena, chegar a este momento da beatificação”. Maria das Graças contou que conviveu com Isabel Cristina “desde que ela nasceu”. “Era uma menina muito religiosa, na escola, nas convivências, nos passeios que fazia com os vicentinos”, disse. Segundo a tia da beata, “a vida de Isabel foi um exemplo. Ela sonhava em ser pediatra para ajudar os pobres, agra vai interceder do céu”. Para o tio de Isabel Cristina, Miguel Mrad, a beatificação é um momento de alegria e gratidão a Deus. “A família se sente feliz, mas ajoelhada e agradecendo a Deus por este momento”, disse em coletiva em imprensa após a celebração. “A família, neste momento, tem um compromisso maior. Somos, graças a Deus, família de fé católica, mas este é um momento que está nos revigorando para que a gente continue com esta fé, porque á fé move montanhas”, declarou. Para Miguel Mrad, a beata Isabel Cristina deixou “um exemplo não só para a juventude, por causa da idade dela, mas deu um exemplo para todos nós que professamos a fé católica”. “Façamos uma análise de nossa vida para ver quanto vale a nossa fé, porque só a fé que nos dá força a cada dia”, disse. “Ela pode ser esse exemplo para toda a sociedade barbacenense mineira, brasileira, mas é para o mundo”. A artesã Maraisa Andreza, de 18 anos, da cidade de Resende Costa (MG), considerou “gratificante” poder participar da beatificação de Isabel Cristina. Para ela, “é bonito ver a santidade nos jovens”. “Eu espero que minha vida faça diferença na vida de outras pessoas, que eu possa evangelizar. E entendo que a vida dela foi isso e está aí hoje como um exemplo para os jovens, para as meninas, para todos. Ela nos mostra que, na vida da gente, em primeiro lugar sempre deve estar Deus”, disse à ACI Digital. O professor Arthur Coimbra Santana, de 31 anos, da cidade de Barbacena, disse que é “uma alegria muito grande ter alguém próximo de nós no céu”. “Lembro de uma homilia que ouvi e o padre falava do martírio dela e isso é uma motivação a mais para seguir nesse caminho de santidade. Ver Isabel, o seu martírio, algo que parecia não ser desses tempos, é um estímulo. Que possamos pedir a Deus para seguir o exemplo dela”, declarou.

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    A dor do seu martírio se transformou em alegria para todo o Brasil. Assim foi a beatificação de Isabel Cristina! Por ACI Digital – A mártir Isabel Cristina Mrad Campos, morta em 1982 aos vinte anos por um homem que tentava estuprá-la, foi beatificada hoje (10), em Barbacena (MG), sua cidade natal, em missa celebrada pelo representante do papa Francisco, o arcebispo emérito de Aparecida (SP), cardeal Raymundo Damasceno Assis. “Peçamos a Jesus a graça, por intercessão de Isabel Cristina, de aceitar as angústias e os desafios da vida cotidiana. Não tenhamos medo jamais”, disse o cardeal, ao destacar que nem todos são chamados ao martírio de sangue, mas todos devem viver no cotidiano o martírio do amor. A missa de beatificação aconteceu no Parque de Exposições Senador Bias Fortes e, segundo a arquidiocese de Mariana, contou com a presença de cerca de 10 mil pessoas de Barbacena e cidades da região. Estiveram presentes o arcebispo de Mariana, dom Airton José dos Santos, o arcebispo emérito de Mariana, dom Geraldo Lyrio Rocha, o arcebispo de Juiz de Fora (MG), cidade onde a beata morreu, dom Gil Antônio Moreira, além de outros bispos, padres, diáconos e religiosos. Após o ato penitencial, aconteceu o rito de beatificação. O postulador da causa, Paolo Villota leu a biografia da mártir e o cardeal Damasceno leu, em latim, a carta apostólica que declara Isabel Cristina beata. A mesma carta foi lida em português pelo coordenador geral da cerimônia de beatificação, monsenhor Danival Milagres Coelho, com o anúncio de que a beata será celebrada no dia 1º de setembro, data de seu martírio. Em seguida, foi revelada a imagem oficial da beata Isabel Cristina e houve a entrada da relíquia dela, levada por seu irmão, Paulo Roberto Mrad Campos. Isabel Cristina Mrad Campos nasceu em 29 de julho de 1962, em Barbacena, filha de José Mendes Campos e Helena Mrad Campos, que já morreram. Desde a adolescência, fez parte da Associação de Voluntariado das Conferências de São Vicente e seu pai foi presidente do Conselho Central de Barbacena. A beata participava frequentemente da missa e dos sacramentos. Em 1982, Isabel Cristina, que queria estudar medicina, mudou-se para Juiz de Fora a fim de fazer um curso pré-vestibular. Seu sonho era ser pediatra para ajudar crianças carentes. Naquele mesmo ano, ela preparava um pequeno apartamento para onde havia se mudado com seu irmão, Paulo Roberto Mrad Campos. No dia 1º de setembro, um homem que foi montar um guarda-roupa tentou violentá-la, mas Isabel resistiu. Diante da resistência dela, o homem lhe deu uma cadeirada na cabeça, amarrou a moça, amordaçou e rasgou suas roupas. Como ela não cedeu, o agressor lhe deu 15 facadas, matando-a. A família de Isabel Cristina esteve presente na cerimônia de beatificação. A tia da beata, Maria das Graças Mrad, disse à ACI Digital que, para os familiares, “foi um choque muito grande a morte dela”. Agora, afirmou, “é uma alegria muito grande para a família, para Barbacena, chegar a este momento da beatificação”. Maria das Graças contou que conviveu com Isabel Cristina “desde que ela nasceu”. “Era uma menina muito religiosa, na escola, nas convivências, nos passeios que fazia com os vicentinos”, disse. Segundo a tia da beata, “a vida de Isabel foi um exemplo. Ela sonhava em ser pediatra para ajudar os pobres, agra vai interceder do céu”. Para o tio de Isabel Cristina, Miguel Mrad, a beatificação é um momento de alegria e gratidão a Deus. “A família se sente feliz, mas ajoelhada e agradecendo a Deus por este momento”, disse em coletiva em imprensa após a celebração. “A família, neste momento, tem um compromisso maior. Somos, graças a Deus, família de fé católica, mas este é um momento que está nos revigorando para que a gente continue com esta fé, porque á fé move montanhas”, declarou. Para Miguel Mrad, a beata Isabel Cristina deixou “um exemplo não só para a juventude, por causa da idade dela, mas deu um exemplo para todos nós que professamos a fé católica”. “Façamos uma análise de nossa vida para ver quanto vale a nossa fé, porque só a fé que nos dá força a cada dia”, disse. “Ela pode ser esse exemplo para toda a sociedade barbacenense mineira, brasileira, mas é para o mundo”. A artesã Maraisa Andreza, de 18 anos, da cidade de Resende Costa (MG), considerou “gratificante” poder participar da beatificação de Isabel Cristina. Para ela, “é bonito ver a santidade nos jovens”. “Eu espero que minha vida faça diferença na vida de outras pessoas, que eu possa evangelizar. E entendo que a vida dela foi isso e está aí hoje como um exemplo para os jovens, para as meninas, para todos. Ela nos mostra que, na vida da gente, em primeiro lugar sempre deve estar Deus”, disse à ACI Digital. O professor Arthur Coimbra Santana, de 31 anos, da cidade de Barbacena, disse que é “uma alegria muito grande ter alguém próximo de nós no céu”. “Lembro de uma homilia que ouvi e o padre falava do martírio dela e isso é uma motivação a mais para seguir nesse caminho de santidade. Ver Isabel, o seu martírio, algo que parecia não ser desses tempos, é um estímulo. Que possamos pedir a Deus para seguir o exemplo dela”, declarou.

  • Padre é afastado após participar de casamento comunitário com divorciados e homossexuais

    Uma benção dada a casais em um evento comunitário levou ao afastamento de Ivanildo de Assis Mendes Tavares, mais conhecido como padre Assis Tavares, de suas atividades públicas pela Igreja Católica. Como justificativa, a Arquidiocese de São Paulo apontou a presença de três casais homoafetivos entre os mais de 20 presentes na ocasião. Um casamento comunitário foi promovido pela prefeitura de Franco da Rocha (SP), na região metropolitana de São Paulo, no dia 22 de outubro. Além do padre, representantes de diferentes religiões estiveram presentes no evento. No ofício em que comunica seu afastamento, a Arquidiocese acusa o padre Assis de ter “incorrido no delito de simulação de Sacramento”. O documento ressalta que entre os participantes do evento havia casais com impedimentos dirimentes, referindo-se a cais divorciados e pares homossexuais. Como punição, o religioso fica proibido de exercer qualquer função sacerdotal. O texto é assinado pelo arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, e pelo chanceler do arcebispado, padre Everton Moraes. Em entrevista à jornalista Ana Helena Tavares, o padre Assis ressaltou que não realizou qualquer casamento no evento de Franco da Rocha, reforçando que apenas abençoou os presentes. “Dei uma benção como dou benção para cachorro, para gato, para carro, para casa”, argumentou. “Eu não poderia falar pros três casais homoafetivos ‘saiam agora porque agora vou dar a benção’”, justificou. Na quarta-feira (7 dez.), padre Assis Tavares escreveu uma carta a amigos e à comunidade da Vila Prudente, onde exercia suas funções. No texto, ele disse que, em mais de 20 anos de ordenação, conheceu “seminaristas, padres, bispos e cardeais homoafetivos que amam, que dedicam, que se doam totalmente em prol do Reino de Deus, porém, ontologicamente, são ‘mas não existem’.” Por meio de nota enviada à Diadorim, a Arquidiocese de São Paulo declarou que as pessoas presentes no evento “desejavam se casar e não apenas receber uma benção”, e que a Igreja Católica “não permite que sejam dadas ‘simples bênçãos’ que possam levar os casais a crerem ter contraído Matrimônio católico”. Afirmou ainda que a decisão é cautelar, “podendo ser mudada a depender da aceitação do sacerdote de observar as normas da Igreja”. Fonte: com informações de adiadorim.org

  • Padre é afastado após participar de casamento comunitário com divorciados e homossexuais

    Uma benção dada a casais em um evento comunitário levou ao afastamento de Ivanildo de Assis Mendes Tavares, mais conhecido como padre Assis Tavares, de suas atividades públicas pela Igreja Católica. Como justificativa, a Arquidiocese de São Paulo apontou a presença de três casais homoafetivos entre os mais de 20 presentes na ocasião. Um casamento comunitário foi promovido pela prefeitura de Franco da Rocha (SP), na região metropolitana de São Paulo, no dia 22 de outubro. Além do padre, representantes de diferentes religiões estiveram presentes no evento. No ofício em que comunica seu afastamento, a Arquidiocese acusa o padre Assis de ter “incorrido no delito de simulação de Sacramento”. O documento ressalta que entre os participantes do evento havia casais com impedimentos dirimentes, referindo-se a cais divorciados e pares homossexuais. Como punição, o religioso fica proibido de exercer qualquer função sacerdotal. O texto é assinado pelo arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, e pelo chanceler do arcebispado, padre Everton Moraes. Em entrevista à jornalista Ana Helena Tavares, o padre Assis ressaltou que não realizou qualquer casamento no evento de Franco da Rocha, reforçando que apenas abençoou os presentes. “Dei uma benção como dou benção para cachorro, para gato, para carro, para casa”, argumentou. “Eu não poderia falar pros três casais homoafetivos ‘saiam agora porque agora vou dar a benção’”, justificou. Na quarta-feira (7 dez.), padre Assis Tavares escreveu uma carta a amigos e à comunidade da Vila Prudente, onde exercia suas funções. No texto, ele disse que, em mais de 20 anos de ordenação, conheceu “seminaristas, padres, bispos e cardeais homoafetivos que amam, que dedicam, que se doam totalmente em prol do Reino de Deus, porém, ontologicamente, são ‘mas não existem’.” Por meio de nota enviada à Diadorim, a Arquidiocese de São Paulo declarou que as pessoas presentes no evento “desejavam se casar e não apenas receber uma benção”, e que a Igreja Católica “não permite que sejam dadas ‘simples bênçãos’ que possam levar os casais a crerem ter contraído Matrimônio católico”. Afirmou ainda que a decisão é cautelar, “podendo ser mudada a depender da aceitação do sacerdote de observar as normas da Igreja”. Fonte: com informações de adiadorim.org

  • Santo Ambrósio, Bispo e Doutor da Igreja – 7 de Dezembro

    SANTO DO DIA – 07 DE DEZEMBRO – SANTO AMBRÓSIO Bispo e doutor da Igreja (339-397) Conselheiro e pai espiritual de três imperadores romanos, Graciano, Valentiniano II e Teodósio I, Ambrósio é o símbolo da Igreja nascente, após os sofridos anos de perseguições e vida escondida. Foi graças à sua atuação que a Igreja de Roma conseguiu tratar com o poder público sem servilismo. Tanto que Ambrósio chegou a repreender asperamente o imperador Teodósio I, obrigando-o a fazer uma penitência pública por ter massacrado a população da Tessalônica para conter uma revolta. A sua figura representa o ideal de bispo pastor, que se deve impor como símbolo de liberdade e de pacificação para o Povo de Deus. Nasceu em Trèves, atual Alemanha, por volta do ano 339. Era de família cristã: seu pai era alto funcionário do Império Romano, governador de uma província do outro lado dos Alpes, no norte da Itália. Quando o pai morreu, a família foi para Roma, onde Ambrosio estudou direito, retórica e iniciou sua carreira jurídica. Certa vez, estava em Milão quando o bispo morreu. Bom jurista e funcionário imperial, procurou evitar um conflito nas novas eleições eclesiásticas com um discurso firme e muito sensato. Foi tão sereno e equilibrado que, ao final, a assembleia o aclamou o novo bispo de Milão. Muito surpreso, recusou, dizendo que essa não era a sua intenção, até porque era um pecador, e não era ainda batizado, ainda se preparava para esse sacramento. Mas não adiantou. Logo foi batizado e consagrado. Desde então, dedicou-se com afinco ao estudo das Sagradas Escrituras. Não era intelectual, mas suas obras litúrgicas, comentários sobre as Escrituras e tratados ascético-morais o fizeram especialista da doutrina cristã e da arte de administrar a comunidade cristã a ele confiada. A marca do seu apostolado foi impressa pela importância que deu aos valores da virgindade de Maria e dos mártires de Cristo. Considerado o pai da liturgia ambrosiana, recebeu com mérito o título de doutor da Igreja. Os livros de sua autoria que chegaram até nós são, quase todos, a reprodução de suas pregações e sermões. Agostinho, convertido por ele e um dos seus ouvintes frequentes, conta que o prestígio dos sermões do bispo Ambrósio de Milão era enorme, graças ao eficaz tom de voz e sua eloquência com a escolha das palavras. Por isso foi chamado de ‘o apóstolo da amizade’. Morreu em Milão, em 4 de abril de 397, uma Sexta-Feira Santa. Santo Ambrósio é venerado no dia 7 de dezembro, data em que, no ano 374, foi aclamado pela população bispo de Milão. Texto: Paulinas Internet Santo Ambrósio: Destemido defensor da Igreja Aclamado pelo povo, admirado por Santo Agostinho, este “insigne pregador e piedoso Prelado” não receou enfrentar sequer o próprio Imperador. Aclamado pelo povo, admirado por Santo Agostinho, este “insigne pregador e piedoso Prelado” não receou enfrentar sequer o próprio Imperador. Luiz Francisco Beccari De importante família romana, Ambrósio nasceu em 340, na Gália, da qual seu pai era governador. Ainda jovem, viu sua irmã, Santa Marcelina, beijar a mão de um Bispo e deu-lhe a sua a beijar, dizendo: “Também eu serei Bispo um dia”. Estudou direito e retórica em Roma, e fez brilhante carreira: Advogado Consular, Conselheiro do Imperador e Governador das províncias de Emília e Ligúria, com sede em Milão. Uma singular eleição No ano 374, morreu o Bispo dessa cidade. Para eleger seu sucessor, a população se dividiu em dois partidos. Os católicos queriam eleger um homem fiel ao Papa, os arianos propugnavam por um sequaz de Ario. A exaltação dos ânimos ameaçava degenerar em guerra civil. O Governador Ambrósio viu-se obrigado a intervir para manter a ordem. Dispôs suas tropas na praça e fez cessar o tumulto. Em seguida, acompanhado de uma escolta, entrou na Catedral para garantir o bom andamento da eleição. Graças à sua eficaz ação, logo se acalmaram os ânimos exaltados. Então ele postou-se em lugar bem visível a todos os presentes, com olhar vigilante sobre a assembléia. Nesse momento, ouviram-se uns brados partidos do fundo do grandioso templo: – Ambrosius episcopus! (Ambrósio seja o Bispo!) Como surgiu essa surpreendente aclamação? Um menino, tão novo que ainda não sabia falar, foi quem deu o primeiro brado. Altamente admirada de ver o filho pronunciar suas primeiras palavras – e que palavras! – a mãe fez coro com ele, e logo se lhes juntaram outras vozes. Em pouco tempo, todos na Catedral, inclusive os arianos, bradavam em uníssono: – Ambrosius episcopus! Ambrosius episcopus! – Sou um pecador! Sou um pecador! – replicava o Governador. – Não importa, não importa! Invocamos sobre nós os teus pecados! – gritava o povo, a uma só voz. Ante essa inesperada manifestação, aquela autoridade do maior império do mundo não encontrou outra saída senão o recurso dos indefesos: fugiu e foi esconder-se no sítio de um amigo. Os cristãos milaneses não desistiram. Enviaram uma delegação para relatar a Valentiniano I o que havia acontecido e rogar-lhe autorização para o Governador Ambrósio ser sagrado Bispo. O Imperador consentiu, reconhecendo no eleito um verdadeiro “enviado de Deus”. À vista disso, o amigo de Ambrósio indicou o lugar onde ele se encontrava. Reconduzido a Milão, o Santo acabou por reconhecer naqueles acontecimentos a vontade de Deus. De catecúmeno a Bispo, em oito dias O Bispo recém-eleito tinha 34 anos de idade e pertencia a uma família cristã, mas era apenas catecúmeno. Foi batizado, recebeu a ordenação sacerdotal logo em seguida e, oito dias depois, foi sagrado Bispo, a 7 de dezembro de 374. O clero e fiéis de todo o Império acolheram com indizível júbilo a notícia dessa prodigiosa intervenção divina. Não é difícil, sob impulso do Espírito Santo, ordenar um Bispo apenas oito dias após seu Batismo. Mas como, num curto tempo, transformar em pastor de almas um homem que, uma semana antes, era ainda catecúmeno? Pergunta interessante para se ver como a graça divina, quando bem correspondida, opera maravilhas. Ambrósio era rico, mas não apegado à riqueza deste mundo. Doou para a Igreja as terras que herdara. Quanto aos outros bens, distribuiu parte aos pobres, dando à Igreja o restante. Altos cargos no governo imperial, posição social brilhante, vida familiar – tudo isto ele sacrificou para se ocupar somente do serviço de Deus. Assim desembaraçado de qualquer preocupação terrena, o novo Bispo aplicou-se ao estudo das Sagradas Escrituras e dos autores eclesiásticos, sobretudo São Basílio. À medida que estudava, fazia pregações. Apenas três anos haviam decorrido, e já ele inaugurava – com a publicação dos livros “As Virgens” e “As viúvas” – a prodigiosa atividade de escritor que lhe valeu os títulos de Doutor e Padre da Igreja. Em breve tempo, ele brilhava no mundo cristão como o campeão da luta contra o arianismo, muito forte naquela época, e os restos do antigo paganismo. Triunfou sobre ambos, impondo silêncio à heresia e conquistando a Itália inteira para a Fé Católica. Tinha sempre presente sua alta responsabilidade na escolha dos candidatos ao sacerdócio. Por seu espírito de vigilância nesta matéria, adquiriu uma aguda capacidade de discernir quem estava apto ou não a ser admitido à recepção da sagrada Ordem. Por exemplo, pelo simples modo de andar, ele podia recusar um pretendente, pois dizia estar persuadido de que os movimentos desregrados do corpo são efeito do desregramento da alma. Confronto com o Imperador Teodósio I, o Grande, ascendeu ao trono imperial em 379. No ano seguinte, declarou o Cristianismo religião do Estado e proibiu os cultos pagãos. Entretanto, embora muito amigos, não deixou de haver certas divergências entre o Bispo e o Imperador, um propugnando pela inteira independência da Igreja, outro, pela do Estado. Durante uma rebelião no ano 390, foi assassinado em Tessalônica o comandante militar local. Por excitação de um camareiro intrigante, Teodósio decretou terrível vingança contra os habitantes dessa cidade. Sem distinguir inocentes de culpados, sem mesmo tomar em consideração idade e sexo, as tropas imperiais massacraram sete mil pessoas. Um clamor de indignação ressoou por todo o Império. Não podendo calar- se ante essa atrocidade criminosa, o Bispo – com solicitude de amigo e respeito de súdito, mas também com firmeza de representante de Deus – admoestou o Soberano de que nenhum sacerdote de sua Diocese lhe daria a absolvição. E, recordando-lhe o exemplo do Rei Davi, o exortou a fazer sincera penitência. Como para mostrar que ninguém tinha direito de vituperar-lhe o procedimento, o Imperador se dirigiu à igreja com grande aparato, segundo o costume. À porta do recinto sagrado, Ambrósio barrou-lhe a entrada: “Vejo que por desgraça, ó Imperador, não medes a gravidade do fato sanguinário ordenado por ti (…) Não acrescentes um novo crime ao que já te pesa. Retira-te e submete-te à penitência que Deus te impõe. Já que imitaste David no crime, imitao também na penitência!” Com lágrimas nos olhos, o Imperador retirou-se. Oito meses se passaram sem ele se apresentar na igreja, nem o Bispo no palácio. Por fim, porém, a Fé triunfou sobre o orgulho. Na manhã do dia de Natal, banhado em lágrimas, o Imperador disse a seu camareiro: “Não sentes minha desdita? A Igreja de Deus está aberta até para os escravos e mendigos; porém, para o Imperador está fechada e com ela a porta do Céu, pois Cristo disse: ‘O que atares na terra será atado no Céu'”. Decidido a obter o perdão de Deus, dirigiu-se à igreja, onde o esperava Santo Ambrósio, de pé no alto da escadaria. – Aqui estou, livra-me do meu pecado – rogou. – Onde está tua penitência? – perguntou o Santo. – Suplico-te que me livres desta pena, em consideração da clemência de nossa Mãe a Igreja. Não me feches a porta, dize-me o que hei de fazer. A decisão de Ambrósio mostra o incansável esforço da Santa Igreja para abrandar os costumes pagãos. Exigiu de Teodósio a promulgação de uma lei determinando que as sentenças de morte e de confisco não seriam executadas antes de 30 dias, e deveriam ser reapresentadas ao Imperador para sua confirmação. Teodósio fez escrever e assinou imediatamente o decreto. Ato contínuo, recebeu a absolvição. “Agradavam-lhe mais as repreensões que as adulações” Despojando-se dos ornamentos imperiais, Teodósio entrou na igreja e, prostrado no chão, recitou o salmo de Davi: “Minha alma está atada à terra; dai-me, Senhor, a vida, segundo a vossa palavra!” Assim orando, arrancava os cabelos, inundava de lágrimas o pavimento e implorava, cheio de dor: “Misericórdia, ó Senhor, misericórdia!” A cena não podia ser mais grandiosa. Diante de tanta humildade, o povo suplicava e chorava com o Imperador. Cinco anos depois, chegado o momento de comparecer perante o Tribunal de Deus, Teodósio clamou pela presença de seu amigo Ambrósio, de cujas mãos recebeu os últimos Sacramentos antes de falecer. Em sua célebre oração fúnebre, testemunhou o santo Bispo a respeito dele: “Eu amava este varão, porque lhe agradavam mais as repreensões que as adulações. Como Imperador, não se envergonhou da penitência pública, e depois chorou seu pecado todos os dias que lhe restaram”. A conversão de Santo Agostinho Era tal o poder de irradiação do Bispo Ambrósio, que a rainha dos marcomanos (povo antigo da Germânia), chamada Fretigila, apenas por ter ouvido um cristão falar a respeito de sua ciência e santidade, acreditou em Jesus Cristo e enviou embaixadores a Milão, rogando ao Santo que lhe informasse por escrito o que devia crer. Uma dama de alta estirpe insistiu com o Santo para ir celebrar Missa em sua casa. Uma mulher paralítica fez-se transportar até lá, tocou na veste episcopal e, instantaneamente curada, levantou-se e se pôs a andar, na presença de todos. Outros milagres operou nosso Santo, ainda em vida. Porém, a mais preciosa pedra de sua coroa de glória é a conversão de Santo Agostinho, um dos homens mais inteligentes e cultos de todos os tempos, coluna da Santa Igreja. Com cerca de 30 anos, o futuro Bispo de Hipona foi levado por Santa Mônica a relacionar-se com Santo Ambrósio. De início hostil à Fé Católica, por causa de más influências dos maniqueus, Agostinho era, entretanto, admirador da cultura e da suave eloqüência do Bispo de Milão. Gostava não somente de ouvir seus sermões, mas também de passar horas inteiras em seu gabinete, em silêncio, vendo esse homem de Deus trabalhar ou estudar. Não sem grande dose de sagacidade, Ambrósio desfez na mente de seu ouvinte os maléficos sofismas da seita maniqueísta. Quem lê as Confissões, é levado a conjeturar que o grande pregador adaptava suas palavras às dúvidas de Agostinho, quando notava sua presença na igreja. Este narra, inclusive, que ele “muitas vezes, vendo-me quando pregava, prorrompia em louvores a ela [Santa Mônica] e me chamava ditoso por ser filho de tal mãe”. Convertido, Santo Agostinho não esconde seu entusiasmo por Santo Ambrósio. “Insigne pregador e piedoso Prelado”, homem cujas palavras eram “fonte de água que corria para a vida eterna”, “santo Bispo” – são expressões usadas por ele ao referir-se àquele que o batizou na vigília da Páscoa de 387. Em resumo, ele considerava Santo Ambrósio o arquétipo do Bispo católico. Opinião confirmada pelo Missal Romano, onde se lê que ele “representa a figura ideal do Bispo”. Onde encontrar testemunho mais elogioso, mais credenciado e mais insuspeito? A recompensa Em 4 de abril de 397, o Divino Redentor chamou seu servo para receber no Céu a recompensa por sua vida de fidelidade e combates em defesa da Fé. No início desse ano, antes de ser atingido pela mortal doença, predisse que tinha pouco tempo de permanência neste mundo, pois viveria só até a Páscoa. Estando já prostrado no leito de morte, alguns diáconos conversavam no fundo do aposento, levantando hipóteses sobre quem seria seu sucessor. Um deles mencionou o nome de Simpliciano. Não se sabe como, o Santo ouviu e aprovou: “É muito velho, mas é ótimo!” Pouco depois disto, enquanto ele rezava em voz baixa, apareceu-lhe Jesus Cristo com o rosto belíssimo. Após cinco horas de oração com os braços em forma de cruz, Santo Honorato, Bispo de Arles, foi chamado para dar-lhe o viático. Logo que o recebeu, entregou sua alma a Deus. (Revista Arautos do Evangelho, Dez/2004, n. 36, p. 34 a 37)

  • Santo Ambrósio, Bispo e Doutor da Igreja – 7 de Dezembro

    SANTO DO DIA – 07 DE DEZEMBRO – SANTO AMBRÓSIO Bispo e doutor da Igreja (339-397) Conselheiro e pai espiritual de três imperadores romanos, Graciano, Valentiniano II e Teodósio I, Ambrósio é o símbolo da Igreja nascente, após os sofridos anos de perseguições e vida escondida. Foi graças à sua atuação que a Igreja de Roma conseguiu tratar com o poder público sem servilismo. Tanto que Ambrósio chegou a repreender asperamente o imperador Teodósio I, obrigando-o a fazer uma penitência pública por ter massacrado a população da Tessalônica para conter uma revolta. A sua figura representa o ideal de bispo pastor, que se deve impor como símbolo de liberdade e de pacificação para o Povo de Deus. Nasceu em Trèves, atual Alemanha, por volta do ano 339. Era de família cristã: seu pai era alto funcionário do Império Romano, governador de uma província do outro lado dos Alpes, no norte da Itália. Quando o pai morreu, a família foi para Roma, onde Ambrosio estudou direito, retórica e iniciou sua carreira jurídica. Certa vez, estava em Milão quando o bispo morreu. Bom jurista e funcionário imperial, procurou evitar um conflito nas novas eleições eclesiásticas com um discurso firme e muito sensato. Foi tão sereno e equilibrado que, ao final, a assembleia o aclamou o novo bispo de Milão. Muito surpreso, recusou, dizendo que essa não era a sua intenção, até porque era um pecador, e não era ainda batizado, ainda se preparava para esse sacramento. Mas não adiantou. Logo foi batizado e consagrado. Desde então, dedicou-se com afinco ao estudo das Sagradas Escrituras. Não era intelectual, mas suas obras litúrgicas, comentários sobre as Escrituras e tratados ascético-morais o fizeram especialista da doutrina cristã e da arte de administrar a comunidade cristã a ele confiada. A marca do seu apostolado foi impressa pela importância que deu aos valores da virgindade de Maria e dos mártires de Cristo. Considerado o pai da liturgia ambrosiana, recebeu com mérito o título de doutor da Igreja. Os livros de sua autoria que chegaram até nós são, quase todos, a reprodução de suas pregações e sermões. Agostinho, convertido por ele e um dos seus ouvintes frequentes, conta que o prestígio dos sermões do bispo Ambrósio de Milão era enorme, graças ao eficaz tom de voz e sua eloquência com a escolha das palavras. Por isso foi chamado de ‘o apóstolo da amizade’. Morreu em Milão, em 4 de abril de 397, uma Sexta-Feira Santa. Santo Ambrósio é venerado no dia 7 de dezembro, data em que, no ano 374, foi aclamado pela população bispo de Milão. Texto: Paulinas Internet Santo Ambrósio: Destemido defensor da Igreja Aclamado pelo povo, admirado por Santo Agostinho, este “insigne pregador e piedoso Prelado” não receou enfrentar sequer o próprio Imperador. Aclamado pelo povo, admirado por Santo Agostinho, este “insigne pregador e piedoso Prelado” não receou enfrentar sequer o próprio Imperador. Luiz Francisco Beccari De importante família romana, Ambrósio nasceu em 340, na Gália, da qual seu pai era governador. Ainda jovem, viu sua irmã, Santa Marcelina, beijar a mão de um Bispo e deu-lhe a sua a beijar, dizendo: “Também eu serei Bispo um dia”. Estudou direito e retórica em Roma, e fez brilhante carreira: Advogado Consular, Conselheiro do Imperador e Governador das províncias de Emília e Ligúria, com sede em Milão. Uma singular eleição No ano 374, morreu o Bispo dessa cidade. Para eleger seu sucessor, a população se dividiu em dois partidos. Os católicos queriam eleger um homem fiel ao Papa, os arianos propugnavam por um sequaz de Ario. A exaltação dos ânimos ameaçava degenerar em guerra civil. O Governador Ambrósio viu-se obrigado a intervir para manter a ordem. Dispôs suas tropas na praça e fez cessar o tumulto. Em seguida, acompanhado de uma escolta, entrou na Catedral para garantir o bom andamento da eleição. Graças à sua eficaz ação, logo se acalmaram os ânimos exaltados. Então ele postou-se em lugar bem visível a todos os presentes, com olhar vigilante sobre a assembléia. Nesse momento, ouviram-se uns brados partidos do fundo do grandioso templo: – Ambrosius episcopus! (Ambrósio seja o Bispo!) Como surgiu essa surpreendente aclamação? Um menino, tão novo que ainda não sabia falar, foi quem deu o primeiro brado. Altamente admirada de ver o filho pronunciar suas primeiras palavras – e que palavras! – a mãe fez coro com ele, e logo se lhes juntaram outras vozes. Em pouco tempo, todos na Catedral, inclusive os arianos, bradavam em uníssono: – Ambrosius episcopus! Ambrosius episcopus! – Sou um pecador! Sou um pecador! – replicava o Governador. – Não importa, não importa! Invocamos sobre nós os teus pecados! – gritava o povo, a uma só voz. Ante essa inesperada manifestação, aquela autoridade do maior império do mundo não encontrou outra saída senão o recurso dos indefesos: fugiu e foi esconder-se no sítio de um amigo. Os cristãos milaneses não desistiram. Enviaram uma delegação para relatar a Valentiniano I o que havia acontecido e rogar-lhe autorização para o Governador Ambrósio ser sagrado Bispo. O Imperador consentiu, reconhecendo no eleito um verdadeiro “enviado de Deus”. À vista disso, o amigo de Ambrósio indicou o lugar onde ele se encontrava. Reconduzido a Milão, o Santo acabou por reconhecer naqueles acontecimentos a vontade de Deus. De catecúmeno a Bispo, em oito dias O Bispo recém-eleito tinha 34 anos de idade e pertencia a uma família cristã, mas era apenas catecúmeno. Foi batizado, recebeu a ordenação sacerdotal logo em seguida e, oito dias depois, foi sagrado Bispo, a 7 de dezembro de 374. O clero e fiéis de todo o Império acolheram com indizível júbilo a notícia dessa prodigiosa intervenção divina. Não é difícil, sob impulso do Espírito Santo, ordenar um Bispo apenas oito dias após seu Batismo. Mas como, num curto tempo, transformar em pastor de almas um homem que, uma semana antes, era ainda catecúmeno? Pergunta interessante para se ver como a graça divina, quando bem correspondida, opera maravilhas. Ambrósio era rico, mas não apegado à riqueza deste mundo. Doou para a Igreja as terras que herdara. Quanto aos outros bens, distribuiu parte aos pobres, dando à Igreja o restante. Altos cargos no governo imperial, posição social brilhante, vida familiar – tudo isto ele sacrificou para se ocupar somente do serviço de Deus. Assim desembaraçado de qualquer preocupação terrena, o novo Bispo aplicou-se ao estudo das Sagradas Escrituras e dos autores eclesiásticos, sobretudo São Basílio. À medida que estudava, fazia pregações. Apenas três anos haviam decorrido, e já ele inaugurava – com a publicação dos livros “As Virgens” e “As viúvas” – a prodigiosa atividade de escritor que lhe valeu os títulos de Doutor e Padre da Igreja. Em breve tempo, ele brilhava no mundo cristão como o campeão da luta contra o arianismo, muito forte naquela época, e os restos do antigo paganismo. Triunfou sobre ambos, impondo silêncio à heresia e conquistando a Itália inteira para a Fé Católica. Tinha sempre presente sua alta responsabilidade na escolha dos candidatos ao sacerdócio. Por seu espírito de vigilância nesta matéria, adquiriu uma aguda capacidade de discernir quem estava apto ou não a ser admitido à recepção da sagrada Ordem. Por exemplo, pelo simples modo de andar, ele podia recusar um pretendente, pois dizia estar persuadido de que os movimentos desregrados do corpo são efeito do desregramento da alma. Confronto com o Imperador Teodósio I, o Grande, ascendeu ao trono imperial em 379. No ano seguinte, declarou o Cristianismo religião do Estado e proibiu os cultos pagãos. Entretanto, embora muito amigos, não deixou de haver certas divergências entre o Bispo e o Imperador, um propugnando pela inteira independência da Igreja, outro, pela do Estado. Durante uma rebelião no ano 390, foi assassinado em Tessalônica o comandante militar local. Por excitação de um camareiro intrigante, Teodósio decretou terrível vingança contra os habitantes dessa cidade. Sem distinguir inocentes de culpados, sem mesmo tomar em consideração idade e sexo, as tropas imperiais massacraram sete mil pessoas. Um clamor de indignação ressoou por todo o Império. Não podendo calar- se ante essa atrocidade criminosa, o Bispo – com solicitude de amigo e respeito de súdito, mas também com firmeza de representante de Deus – admoestou o Soberano de que nenhum sacerdote de sua Diocese lhe daria a absolvição. E, recordando-lhe o exemplo do Rei Davi, o exortou a fazer sincera penitência. Como para mostrar que ninguém tinha direito de vituperar-lhe o procedimento, o Imperador se dirigiu à igreja com grande aparato, segundo o costume. À porta do recinto sagrado, Ambrósio barrou-lhe a entrada: “Vejo que por desgraça, ó Imperador, não medes a gravidade do fato sanguinário ordenado por ti (…) Não acrescentes um novo crime ao que já te pesa. Retira-te e submete-te à penitência que Deus te impõe. Já que imitaste David no crime, imitao também na penitência!” Com lágrimas nos olhos, o Imperador retirou-se. Oito meses se passaram sem ele se apresentar na igreja, nem o Bispo no palácio. Por fim, porém, a Fé triunfou sobre o orgulho. Na manhã do dia de Natal, banhado em lágrimas, o Imperador disse a seu camareiro: “Não sentes minha desdita? A Igreja de Deus está aberta até para os escravos e mendigos; porém, para o Imperador está fechada e com ela a porta do Céu, pois Cristo disse: ‘O que atares na terra será atado no Céu'”. Decidido a obter o perdão de Deus, dirigiu-se à igreja, onde o esperava Santo Ambrósio, de pé no alto da escadaria. – Aqui estou, livra-me do meu pecado – rogou. – Onde está tua penitência? – perguntou o Santo. – Suplico-te que me livres desta pena, em consideração da clemência de nossa Mãe a Igreja. Não me feches a porta, dize-me o que hei de fazer. A decisão de Ambrósio mostra o incansável esforço da Santa Igreja para abrandar os costumes pagãos. Exigiu de Teodósio a promulgação de uma lei determinando que as sentenças de morte e de confisco não seriam executadas antes de 30 dias, e deveriam ser reapresentadas ao Imperador para sua confirmação. Teodósio fez escrever e assinou imediatamente o decreto. Ato contínuo, recebeu a absolvição. “Agradavam-lhe mais as repreensões que as adulações” Despojando-se dos ornamentos imperiais, Teodósio entrou na igreja e, prostrado no chão, recitou o salmo de Davi: “Minha alma está atada à terra; dai-me, Senhor, a vida, segundo a vossa palavra!” Assim orando, arrancava os cabelos, inundava de lágrimas o pavimento e implorava, cheio de dor: “Misericórdia, ó Senhor, misericórdia!” A cena não podia ser mais grandiosa. Diante de tanta humildade, o povo suplicava e chorava com o Imperador. Cinco anos depois, chegado o momento de comparecer perante o Tribunal de Deus, Teodósio clamou pela presença de seu amigo Ambrósio, de cujas mãos recebeu os últimos Sacramentos antes de falecer. Em sua célebre oração fúnebre, testemunhou o santo Bispo a respeito dele: “Eu amava este varão, porque lhe agradavam mais as repreensões que as adulações. Como Imperador, não se envergonhou da penitência pública, e depois chorou seu pecado todos os dias que lhe restaram”. A conversão de Santo Agostinho Era tal o poder de irradiação do Bispo Ambrósio, que a rainha dos marcomanos (povo antigo da Germânia), chamada Fretigila, apenas por ter ouvido um cristão falar a respeito de sua ciência e santidade, acreditou em Jesus Cristo e enviou embaixadores a Milão, rogando ao Santo que lhe informasse por escrito o que devia crer. Uma dama de alta estirpe insistiu com o Santo para ir celebrar Missa em sua casa. Uma mulher paralítica fez-se transportar até lá, tocou na veste episcopal e, instantaneamente curada, levantou-se e se pôs a andar, na presença de todos. Outros milagres operou nosso Santo, ainda em vida. Porém, a mais preciosa pedra de sua coroa de glória é a conversão de Santo Agostinho, um dos homens mais inteligentes e cultos de todos os tempos, coluna da Santa Igreja. Com cerca de 30 anos, o futuro Bispo de Hipona foi levado por Santa Mônica a relacionar-se com Santo Ambrósio. De início hostil à Fé Católica, por causa de más influências dos maniqueus, Agostinho era, entretanto, admirador da cultura e da suave eloqüência do Bispo de Milão. Gostava não somente de ouvir seus sermões, mas também de passar horas inteiras em seu gabinete, em silêncio, vendo esse homem de Deus trabalhar ou estudar. Não sem grande dose de sagacidade, Ambrósio desfez na mente de seu ouvinte os maléficos sofismas da seita maniqueísta. Quem lê as Confissões, é levado a conjeturar que o grande pregador adaptava suas palavras às dúvidas de Agostinho, quando notava sua presença na igreja. Este narra, inclusive, que ele “muitas vezes, vendo-me quando pregava, prorrompia em louvores a ela [Santa Mônica] e me chamava ditoso por ser filho de tal mãe”. Convertido, Santo Agostinho não esconde seu entusiasmo por Santo Ambrósio. “Insigne pregador e piedoso Prelado”, homem cujas palavras eram “fonte de água que corria para a vida eterna”, “santo Bispo” – são expressões usadas por ele ao referir-se àquele que o batizou na vigília da Páscoa de 387. Em resumo, ele considerava Santo Ambrósio o arquétipo do Bispo católico. Opinião confirmada pelo Missal Romano, onde se lê que ele “representa a figura ideal do Bispo”. Onde encontrar testemunho mais elogioso, mais credenciado e mais insuspeito? A recompensa Em 4 de abril de 397, o Divino Redentor chamou seu servo para receber no Céu a recompensa por sua vida de fidelidade e combates em defesa da Fé. No início desse ano, antes de ser atingido pela mortal doença, predisse que tinha pouco tempo de permanência neste mundo, pois viveria só até a Páscoa. Estando já prostrado no leito de morte, alguns diáconos conversavam no fundo do aposento, levantando hipóteses sobre quem seria seu sucessor. Um deles mencionou o nome de Simpliciano. Não se sabe como, o Santo ouviu e aprovou: “É muito velho, mas é ótimo!” Pouco depois disto, enquanto ele rezava em voz baixa, apareceu-lhe Jesus Cristo com o rosto belíssimo. Após cinco horas de oração com os braços em forma de cruz, Santo Honorato, Bispo de Arles, foi chamado para dar-lhe o viático. Logo que o recebeu, entregou sua alma a Deus. (Revista Arautos do Evangelho, Dez/2004, n. 36, p. 34 a 37)

  • São Nicolau, o bispo que “virou” o Papai Noel – 6 de Dezembro

    SANTO DO DIA – 06 DE DEZEMBRO – SÃO NICOLAU Bispo (250-350) Nicolau é também conhecido por São Nicolau de Mira e de Bari. Venerado, amado e muito querido por todos os cristãos do Ocidente e do Oriente. Sem dúvida alguma, é o santo mais popular da Igreja. Ele é padroeiro da Rússia, de Moscou, da Grécia, de Lorena, na França, de Mira, na Turquia, e de Bari, na Itália, das crianças, das moças solteiras, dos marinheiros, dos cativos e dos lojistas. Por tudo isso os dados de sua vida se misturam às tradições seculares do cristianismo. Filho de nobres, Nicolau nasceu na cidade de Patara, na Ásia Menor, na metade do século III, provavelmente no ano 250. Foi consagrado bispo de Mira, atual Turquia, quando ainda era muito jovem e desenvolveu seu apostolado também na Palestina e no Egito. Mais tarde, durante as perseguições do imperador Diocleciano, foi aprisionado até a época em que foi decretado o Edito de Constantino, sendo finalmente libertado. Segundo alguns historiadores, o bispo Nicolau esteve presente no primeiro Concílio, em Nicéia, no ano 325. Foi venerado como santo ainda em vida, tal era a fama de taumaturgo que gozava entre o povo cristão da Ásia. Morreu no dia 6 de dezembro de 326, em Mira. Imediatamente, o local da sepultura se tornou meta de intensa peregrinação. O seu culto se difundiu antes na Ásia, e o local do seu túmulo, fora da área central de Mira, se tornou meta de peregrinação. O documento mais antigo sobre ele foi escrito por Metódio, bispo de Constantinopla, que em 842 relatou todos os milagres atribuídos a são Nicolau de Mira. Depois, mais de sete séculos passados da sua morte, ‘Nicolau de Mira’ se tornou ‘Nicolau de Bari’. Em 1087, a cidade de Bari, em Puglia, na Itália, sofria a subjugação dos normandos. E Mira já estava sob domínio dos turcos muçulmanos. Setenta marinheiros italianos desembarcaram nessa cidade e se apoderaram das suas relíquias mortais, transferindo-as para Bari. O corpo de são Nicolau foi acolhido, triunfalmente, pela população de Bari, que o elegeu seu padroeiro celestial. E ele não decepcionou: por sua intercessão os prodígios e milagres ocorriam com grande frequência. Seu culto se propagou em toda a Europa. Então, a sua festa, no dia 6 de dezembro, foi confirmada pela Igreja. A tradição diz que os pais de Nicolau eram nobres, muito ricos e extremamente religiosos. Que era uma criança com inclinação à virtuosidade espiritual. Quando jovem, desprezava os divertimentos e vaidades, preferindo frequentar a igreja. Costumava fazer doações anônimas em moedas de ouro, roupas e comida às viúvas e aos pobres. Dizem que Nicolau colocava os presentes das crianças em sacos e os jogava dentro das chaminés à noite, para serem encontrados por elas pela manhã. Dessa tradição veio a sua fama de amigo das crianças. Mais tarde, ele foi incluído nos rituais natalinos no dia 25 de dezembro, ligando Nicolau ao nascimento do Menino Jesus. Mais tarde, quando já era bispo, um pai, não tendo o dinheiro para constituir o dote de suas três filhas e poder bem casá-las, havia decidido mandá-las à prostituição. Nicolau tomou conhecimento dessa intenção, encheu três saquinhos com moedas de ouro, o dote de cada uma das jovens, para salvar-lhes a pureza. Durante três noites seguidas, foi à porta da casa daquele pai, onde deixava o dote para uma delas. Existem muitas tradições e também lendas populares que se criaram em torno deste santo, tão singelo e singular. A sua figura bondosa e caridosa, símbolo da fraternidade cristã, mantém-se viva e impressa na memória de toda a cristandade. Agora, também na da humanidade toda, porque perpetuada através dos comerciantes nas vestes de Papai Noel nos países latinos, de Nikolaus na Alemanha e de Santa Claus nos países anglo-saxões. Mesmo sob falsas vestes, são Nicolau nos exemplifica e recorda o seu grande amor às crianças e aos pobres e a alegria em poder servi-los em nome de Deus. Texto: Paulinas Internet São Nicolau, Bispo Um dos biógrafos de São Nicolau, bispo de Mira, foi São João Damasceno. Nas nove odes em honra do santo, encontradas pelo Cardeal Mai, das quais as duas primeiras faltam, o poeta de Damasco resume a tradição comum dos gregos e dos latinos sobre o ilustre Pontífice de Mira. “Nem a areia que se encontra à beira-mar, diz ele, nem a multidão de vagas, nem as pérolas do orvalho e os flocos de neve, nem o coro dos astros, nem as gotas da chuva e as correntes dos rios, nem o murmúrio dos das fontes jamais se igualarão, ó Pai, ao número de teus milagres (1). Todo o universo tem em ti um pronto socorro nas aflições, um encorajamento nas tristezas, uma consolação nas calamidades, um defensor nas tentações, um remédio salutaríssimo nas enfermidades”.(2) O Padre Croiset, jesuíta, resume assim esta mesma vida no seu Ano Cristão: “São Nicolau, bispo de Mira, na Lícia, tão celebrado em todo o mundo pelo clarão das virtudes, pelo número de milagres e pela confiança do povo, pela qual intercedia sempre, nasceu em Patares, cidade da Lícia, na Ásia Menor. Os pais eram riquíssimos; mais ainda, piedosos. Quando já se encontravam desesperançados de ter um filho, nasceu-lhes Nicolau, que lhes foi um presente do céu. Tais presságios de futura santidade do jovem Nicolau animaram os virtuosos pais a redobrar de cuidados. E a educação que o menino teve foi toda ela cristã, esmeradamente cristã. Aplicando-se às ciências, em breve tornou-se sábio, mas, ao mesmo tempo, mais santo. A doçura, a mansidão, a modéstia eram nele coisas tão características que o impunham como modelo aos moços. Todos lhe admiravam a regularidade, a meiga devoção, a sabedoria, numa idade em que a vivacidade e o amor ao prazer dominam, onde as paixões são, ordinariamente, a grande impulsionadora das ações. Era São Nicolau bastante jovem quando perdeu os pais. Sentiu a perda grandemente, mas não foi obstáculo às virtudes. A morte do pai e da mãe, lhe legaram bens enormes, serviu para mais piedoso torná-lo, mas arredio e retirado, mais caridoso do que já era. Um dia, ao saber que um gentil-homem da cidade, pobre, muito pobre, estava a ponto de fazer prostituir as três filhas, porque não tinha nada de seu para casá-las, São Nicolau ficou tremendamente emocionado. Depois de pensar, esperou que a noite caísse, e, enchendo de moedas de ouro uma grande bolsa, saiu em demanda da casa do desolado pai. Então, quando percebeu que estava só, defronte à casa, diante duma janela providencialmente aberta, atirou a bolsa e deixou o local às carreiras, furtivamente, rente à parede das casas, para que a escuridão mais o ocultasse. No dia seguinte, quando o gentil-homem deu a bolsa, febrilmente pôs-se a contar o dinheiro, certificando-se de que continha uma grande quantia. Dando graças a Deus, pode dotar a filha mais velha, procurando casá-la imediatamente, certo, de que a Providência se ocuparia de outras duas. E assim foi, porque, logo na noite seguinte, sempre à socapada, o nosso bom santo arremessou pela janela outra bolsa, que continha a mesma soma da anterior. O pai, no auge da alegria, pressentiu que quem assim fazia faria ainda uma terceira vez. E um grande, insopitável desejo de conhecer o benfeitor o levou a emboscar-se, nem bem caíra a noite. São Nicolau, de fato, com uma terceira bolsa, protegido pela escuridão, rumou para a casa do gentil-homem. E, nem sequer saíra ainda a bolsa no cômodo costumeiro, já era efusivamente abraçado pelo pais das três jovens que saíra da sombra suma porta, onde se ocultara e tudo vira. São Nicolau, surpreso e, ao mesmo tempo, grandemente constrangido por ver-se descoberto, calou, sem saber o que dizer. Afinal, recuperando-se, ordenou, com veemência: – Isto deve ficar absolutamente em segredo – absolutamente! O gentil-homem prometeu-lhe que assim seria, categoricamente. Mas, no dia seguinte, já de manhã, toda a cidade sabia, encantada, daquela liberalidade, daquela caridade imensa. Virtude tão resplandecente e tão pura não era para o mundo. Com efeito, São Nicolau pensava em deixar o século. Deus escolhera-o para dele fazer um dos mais belos ornamentos da Igreja. E foi com a aprovação pública que o viram integrar o clero. O bispo de Mira, conhecendo-lhe a grande piedade e a não menor sabedoria, apressou-se em fazê-lo padre. Tal dignidade deu um novo lustre à santidade de Nicolau, e o sacerdócio, encontrando meios tão puros e alma tão cristã, comunicou-lhe um novo brilho à virtude, imprimindo novo rigor ao seu zelo. O tio, pronto para fazer uma viagem de devoção à terra santa, deixou a direção da diocese ao sobrinho. E Nicolau governou-a com tanta sabedoria e edificação geral, que todos passaram a desejá-lo para bispo. Falecendo o tio pouco depois do regresso, Nicolau, que nada temia mais do que o episcopado, aproveitou-se para deixar o país e demandou à Palestina. Após visitar os lugares santos, retirou-se ele a uma caverna onde se diz que o Menino Jesus, Nossa Senhora e São José, ao fugirem da Judéia, passaram uma noite, em demanda do Egito. Desejava ali ficar para o resto da vida, mas Deus deu-lhe a conhecer que devia retornar a Mira. E assim fez o Santo. Chegando a Mira, enfurnou-se num mosteiro aspirando à obscuridade, para dar-se aos exercícios da mais austera penitência. No entanto, o bispo João, que sucedera ao tio de Nicolau, vinha a falecer. Os bispos da província reuniram-se em Mira para dar à Igreja um novo bispo. A escolha ia difícil, não se chegava a um acordo, quando um dos mais veneráveis da assembléia por um movimento do Espírito Santo, disse que Deus desejava que se escolhesse para bispo de Mira o santo homem que primeiro entrasse na igreja para orar, no dia seguinte. São Nicolau foi o eleito de Deus, porque, sem nada saber do que se passava, certo dia, que era o que o velho bispo dissera, saiu do mosteiro, o que raramente fazia, para rezar na igreja. Todos ficaram agradavelmente surpresos quando viram que era Nicolau aquele que devia preencher a vaga deixada pelo bispo morto. Bem que o Santo quis fugir, mas não houve alternativa, e foi, em meio à ruidosa alegria do povo e do clero, sagrado bispo. Nem bem findara a cerimônia, e uma mulher, saindo do meio da multidão, carregando um menino nos braços, chegou até o novo bispo e se lhe atirou aos pés, a suplicar: – Daí vida ao meu filhinho! Meu filhinho caiu no fogo e não suportou as horríveis queimaduras! Morreu! Vêde, pobrezinho, todo queimado e morto! Tende pena de mim! Dai-lhe a vida! São Nicolau, emocionado, sentindo as dores daquela mãe alucinada, levantou-se, fez o sinal da cruz sobre o corpinho morto e ressuscitou-o na presença de toda a gente e dos prelados. Elevado ao episcopado, preparou-se para cumprir todos os deveres que se lhe impunham, e conquistar na perfeição todas as virtudes dum santo bispo. Passava quase toda a noite ao pé dos altares a pedir por si e pelo povo. Quando rezava a missa, um clarão lhe iluminava o rosto, tão repleto lhe estava o coração dum fogo sagrado. O fervor crescia-lhe dia a dia, e a solicitude pastoral estendia-se por todas as necessidades do povo. O que recebia, dava-o imediatamente aos pobres. Para encontrar o Santo, bastava procurá-lo em três lugares: na igreja, a orar, nas prisões, confortando os detentos, e nos hospitais, procurando saber dos doentes e das suas necessidades. Encarregado de distribuir o pão da palavra de Deus ao povo, fazia-o Nicolau com tanto fruto e sucesso, que muita gente passou a mudar de opinião sobre a religião. As austeridades cresciam com o trabalho. Jejuava duas vezes por semana, desde o princípio da vida. Ma juventude, aos dois juntou mais um. Quando bispo, então passou a jejuar todos os dias. O imperador Licínio, tendo renovado a perseguição a Diocleciano, enviou oficiais a Mira para restabelecer a idolatria. E Sào Nicolau mostrou que um santo jamais é maior que nos combates pela religião. O zelo para com o povo foi incansável, e o desejo que tinha do martírio levava-o a desprezar as ameaças dos oficiais pagãos. Foi, afinal enviado para o exílio, carregado de cadeias, pelo amor que votava a Jesus Cristo. E passou por toda a sorte de maus tratos. Todos os dias era chicoteado. Derrotado Licínio pelo grande Constantino, regressou a Mira, triunfante, o grande Nicolau. A viagem de volta foi toda ela dum sem-número de insignes conversões e de milagres sem conta. Se São Nicolau testemunhou tanto zelo contra os idólatras, não o testemunhou menos contra os arianos. Assistiu ao primeiro concílio de Nicéia, onde brilhou como um dos meias generosos confessores de Jesus Cristo, e como um dos maiores prelados da Igreja. O número de milagres, que Deus se dignou fazer por sua intercessão, é prodigioso: é com razão que é chamado o taumaturgo do seu século. Tantas maravilhas tornaram o nome de Nicolau célebre por todo o Universo. Quis o Senhor, então, recompensar todos os trabalhos do servidor fiel, e deu-lhe a conhecer o dia e a hora da morte. Ta revelação o encheu de alegria pouco conhecida dos homens. Depois de ter dito adeus ao povo, ao fim duma missa pontifical, retirou-se São Nicolau ao mosteiro de Sião. Ali, depois de curta enfermidade, administrados que lhe foram os últimos sacramentos, entregou a santa alma a Deus. Era a 6 de Dezembro de 327. Ignora-se-lhe a idade. Enterrado na igreja do mosteiro, do túmulo logo principiou a correr líquido miraculoso, que tinha a virtude de curar todas as doenças. Erigida em sua honra uma soberba igreja por Justiniano, reparou-a Basílio com magnificência, em 1087. Pilhando os turcos toda a Síria, o corpo foi transportado para Bari, na Apúlia, Itália, onde se conservou com grande veneração numa igreja magnífica em que o túmulo veio a ser dos mais célebres pelo número de milagres prodigiosos que se deram. (Livro Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XXI, pgs. 56 à 66) #SantodoDia

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    SANTO DO DIA – 06 DE DEZEMBRO – SÃO NICOLAU Bispo (250-350) Nicolau é também conhecido por São Nicolau de Mira e de Bari. Venerado, amado e muito querido por todos os cristãos do Ocidente e do Oriente. Sem dúvida alguma, é o santo mais popular da Igreja. Ele é padroeiro da Rússia, de Moscou, da Grécia, de Lorena, na França, de Mira, na Turquia, e de Bari, na Itália, das crianças, das moças solteiras, dos marinheiros, dos cativos e dos lojistas. Por tudo isso os dados de sua vida se misturam às tradições seculares do cristianismo. Filho de nobres, Nicolau nasceu na cidade de Patara, na Ásia Menor, na metade do século III, provavelmente no ano 250. Foi consagrado bispo de Mira, atual Turquia, quando ainda era muito jovem e desenvolveu seu apostolado também na Palestina e no Egito. Mais tarde, durante as perseguições do imperador Diocleciano, foi aprisionado até a época em que foi decretado o Edito de Constantino, sendo finalmente libertado. Segundo alguns historiadores, o bispo Nicolau esteve presente no primeiro Concílio, em Nicéia, no ano 325. Foi venerado como santo ainda em vida, tal era a fama de taumaturgo que gozava entre o povo cristão da Ásia. Morreu no dia 6 de dezembro de 326, em Mira. Imediatamente, o local da sepultura se tornou meta de intensa peregrinação. O seu culto se difundiu antes na Ásia, e o local do seu túmulo, fora da área central de Mira, se tornou meta de peregrinação. O documento mais antigo sobre ele foi escrito por Metódio, bispo de Constantinopla, que em 842 relatou todos os milagres atribuídos a são Nicolau de Mira. Depois, mais de sete séculos passados da sua morte, ‘Nicolau de Mira’ se tornou ‘Nicolau de Bari’. Em 1087, a cidade de Bari, em Puglia, na Itália, sofria a subjugação dos normandos. E Mira já estava sob domínio dos turcos muçulmanos. Setenta marinheiros italianos desembarcaram nessa cidade e se apoderaram das suas relíquias mortais, transferindo-as para Bari. O corpo de são Nicolau foi acolhido, triunfalmente, pela população de Bari, que o elegeu seu padroeiro celestial. E ele não decepcionou: por sua intercessão os prodígios e milagres ocorriam com grande frequência. Seu culto se propagou em toda a Europa. Então, a sua festa, no dia 6 de dezembro, foi confirmada pela Igreja. A tradição diz que os pais de Nicolau eram nobres, muito ricos e extremamente religiosos. Que era uma criança com inclinação à virtuosidade espiritual. Quando jovem, desprezava os divertimentos e vaidades, preferindo frequentar a igreja. Costumava fazer doações anônimas em moedas de ouro, roupas e comida às viúvas e aos pobres. Dizem que Nicolau colocava os presentes das crianças em sacos e os jogava dentro das chaminés à noite, para serem encontrados por elas pela manhã. Dessa tradição veio a sua fama de amigo das crianças. Mais tarde, ele foi incluído nos rituais natalinos no dia 25 de dezembro, ligando Nicolau ao nascimento do Menino Jesus. Mais tarde, quando já era bispo, um pai, não tendo o dinheiro para constituir o dote de suas três filhas e poder bem casá-las, havia decidido mandá-las à prostituição. Nicolau tomou conhecimento dessa intenção, encheu três saquinhos com moedas de ouro, o dote de cada uma das jovens, para salvar-lhes a pureza. Durante três noites seguidas, foi à porta da casa daquele pai, onde deixava o dote para uma delas. Existem muitas tradições e também lendas populares que se criaram em torno deste santo, tão singelo e singular. A sua figura bondosa e caridosa, símbolo da fraternidade cristã, mantém-se viva e impressa na memória de toda a cristandade. Agora, também na da humanidade toda, porque perpetuada através dos comerciantes nas vestes de Papai Noel nos países latinos, de Nikolaus na Alemanha e de Santa Claus nos países anglo-saxões. Mesmo sob falsas vestes, são Nicolau nos exemplifica e recorda o seu grande amor às crianças e aos pobres e a alegria em poder servi-los em nome de Deus. Texto: Paulinas Internet São Nicolau, Bispo Um dos biógrafos de São Nicolau, bispo de Mira, foi São João Damasceno. Nas nove odes em honra do santo, encontradas pelo Cardeal Mai, das quais as duas primeiras faltam, o poeta de Damasco resume a tradição comum dos gregos e dos latinos sobre o ilustre Pontífice de Mira. “Nem a areia que se encontra à beira-mar, diz ele, nem a multidão de vagas, nem as pérolas do orvalho e os flocos de neve, nem o coro dos astros, nem as gotas da chuva e as correntes dos rios, nem o murmúrio dos das fontes jamais se igualarão, ó Pai, ao número de teus milagres (1). Todo o universo tem em ti um pronto socorro nas aflições, um encorajamento nas tristezas, uma consolação nas calamidades, um defensor nas tentações, um remédio salutaríssimo nas enfermidades”.(2) O Padre Croiset, jesuíta, resume assim esta mesma vida no seu Ano Cristão: “São Nicolau, bispo de Mira, na Lícia, tão celebrado em todo o mundo pelo clarão das virtudes, pelo número de milagres e pela confiança do povo, pela qual intercedia sempre, nasceu em Patares, cidade da Lícia, na Ásia Menor. Os pais eram riquíssimos; mais ainda, piedosos. Quando já se encontravam desesperançados de ter um filho, nasceu-lhes Nicolau, que lhes foi um presente do céu. Tais presságios de futura santidade do jovem Nicolau animaram os virtuosos pais a redobrar de cuidados. E a educação que o menino teve foi toda ela cristã, esmeradamente cristã. Aplicando-se às ciências, em breve tornou-se sábio, mas, ao mesmo tempo, mais santo. A doçura, a mansidão, a modéstia eram nele coisas tão características que o impunham como modelo aos moços. Todos lhe admiravam a regularidade, a meiga devoção, a sabedoria, numa idade em que a vivacidade e o amor ao prazer dominam, onde as paixões são, ordinariamente, a grande impulsionadora das ações. Era São Nicolau bastante jovem quando perdeu os pais. Sentiu a perda grandemente, mas não foi obstáculo às virtudes. A morte do pai e da mãe, lhe legaram bens enormes, serviu para mais piedoso torná-lo, mas arredio e retirado, mais caridoso do que já era. Um dia, ao saber que um gentil-homem da cidade, pobre, muito pobre, estava a ponto de fazer prostituir as três filhas, porque não tinha nada de seu para casá-las, São Nicolau ficou tremendamente emocionado. Depois de pensar, esperou que a noite caísse, e, enchendo de moedas de ouro uma grande bolsa, saiu em demanda da casa do desolado pai. Então, quando percebeu que estava só, defronte à casa, diante duma janela providencialmente aberta, atirou a bolsa e deixou o local às carreiras, furtivamente, rente à parede das casas, para que a escuridão mais o ocultasse. No dia seguinte, quando o gentil-homem deu a bolsa, febrilmente pôs-se a contar o dinheiro, certificando-se de que continha uma grande quantia. Dando graças a Deus, pode dotar a filha mais velha, procurando casá-la imediatamente, certo, de que a Providência se ocuparia de outras duas. E assim foi, porque, logo na noite seguinte, sempre à socapada, o nosso bom santo arremessou pela janela outra bolsa, que continha a mesma soma da anterior. O pai, no auge da alegria, pressentiu que quem assim fazia faria ainda uma terceira vez. E um grande, insopitável desejo de conhecer o benfeitor o levou a emboscar-se, nem bem caíra a noite. São Nicolau, de fato, com uma terceira bolsa, protegido pela escuridão, rumou para a casa do gentil-homem. E, nem sequer saíra ainda a bolsa no cômodo costumeiro, já era efusivamente abraçado pelo pais das três jovens que saíra da sombra suma porta, onde se ocultara e tudo vira. São Nicolau, surpreso e, ao mesmo tempo, grandemente constrangido por ver-se descoberto, calou, sem saber o que dizer. Afinal, recuperando-se, ordenou, com veemência: – Isto deve ficar absolutamente em segredo – absolutamente! O gentil-homem prometeu-lhe que assim seria, categoricamente. Mas, no dia seguinte, já de manhã, toda a cidade sabia, encantada, daquela liberalidade, daquela caridade imensa. Virtude tão resplandecente e tão pura não era para o mundo. Com efeito, São Nicolau pensava em deixar o século. Deus escolhera-o para dele fazer um dos mais belos ornamentos da Igreja. E foi com a aprovação pública que o viram integrar o clero. O bispo de Mira, conhecendo-lhe a grande piedade e a não menor sabedoria, apressou-se em fazê-lo padre. Tal dignidade deu um novo lustre à santidade de Nicolau, e o sacerdócio, encontrando meios tão puros e alma tão cristã, comunicou-lhe um novo brilho à virtude, imprimindo novo rigor ao seu zelo. O tio, pronto para fazer uma viagem de devoção à terra santa, deixou a direção da diocese ao sobrinho. E Nicolau governou-a com tanta sabedoria e edificação geral, que todos passaram a desejá-lo para bispo. Falecendo o tio pouco depois do regresso, Nicolau, que nada temia mais do que o episcopado, aproveitou-se para deixar o país e demandou à Palestina. Após visitar os lugares santos, retirou-se ele a uma caverna onde se diz que o Menino Jesus, Nossa Senhora e São José, ao fugirem da Judéia, passaram uma noite, em demanda do Egito. Desejava ali ficar para o resto da vida, mas Deus deu-lhe a conhecer que devia retornar a Mira. E assim fez o Santo. Chegando a Mira, enfurnou-se num mosteiro aspirando à obscuridade, para dar-se aos exercícios da mais austera penitência. No entanto, o bispo João, que sucedera ao tio de Nicolau, vinha a falecer. Os bispos da província reuniram-se em Mira para dar à Igreja um novo bispo. A escolha ia difícil, não se chegava a um acordo, quando um dos mais veneráveis da assembléia por um movimento do Espírito Santo, disse que Deus desejava que se escolhesse para bispo de Mira o santo homem que primeiro entrasse na igreja para orar, no dia seguinte. São Nicolau foi o eleito de Deus, porque, sem nada saber do que se passava, certo dia, que era o que o velho bispo dissera, saiu do mosteiro, o que raramente fazia, para rezar na igreja. Todos ficaram agradavelmente surpresos quando viram que era Nicolau aquele que devia preencher a vaga deixada pelo bispo morto. Bem que o Santo quis fugir, mas não houve alternativa, e foi, em meio à ruidosa alegria do povo e do clero, sagrado bispo. Nem bem findara a cerimônia, e uma mulher, saindo do meio da multidão, carregando um menino nos braços, chegou até o novo bispo e se lhe atirou aos pés, a suplicar: – Daí vida ao meu filhinho! Meu filhinho caiu no fogo e não suportou as horríveis queimaduras! Morreu! Vêde, pobrezinho, todo queimado e morto! Tende pena de mim! Dai-lhe a vida! São Nicolau, emocionado, sentindo as dores daquela mãe alucinada, levantou-se, fez o sinal da cruz sobre o corpinho morto e ressuscitou-o na presença de toda a gente e dos prelados. Elevado ao episcopado, preparou-se para cumprir todos os deveres que se lhe impunham, e conquistar na perfeição todas as virtudes dum santo bispo. Passava quase toda a noite ao pé dos altares a pedir por si e pelo povo. Quando rezava a missa, um clarão lhe iluminava o rosto, tão repleto lhe estava o coração dum fogo sagrado. O fervor crescia-lhe dia a dia, e a solicitude pastoral estendia-se por todas as necessidades do povo. O que recebia, dava-o imediatamente aos pobres. Para encontrar o Santo, bastava procurá-lo em três lugares: na igreja, a orar, nas prisões, confortando os detentos, e nos hospitais, procurando saber dos doentes e das suas necessidades. Encarregado de distribuir o pão da palavra de Deus ao povo, fazia-o Nicolau com tanto fruto e sucesso, que muita gente passou a mudar de opinião sobre a religião. As austeridades cresciam com o trabalho. Jejuava duas vezes por semana, desde o princípio da vida. Ma juventude, aos dois juntou mais um. Quando bispo, então passou a jejuar todos os dias. O imperador Licínio, tendo renovado a perseguição a Diocleciano, enviou oficiais a Mira para restabelecer a idolatria. E Sào Nicolau mostrou que um santo jamais é maior que nos combates pela religião. O zelo para com o povo foi incansável, e o desejo que tinha do martírio levava-o a desprezar as ameaças dos oficiais pagãos. Foi, afinal enviado para o exílio, carregado de cadeias, pelo amor que votava a Jesus Cristo. E passou por toda a sorte de maus tratos. Todos os dias era chicoteado. Derrotado Licínio pelo grande Constantino, regressou a Mira, triunfante, o grande Nicolau. A viagem de volta foi toda ela dum sem-número de insignes conversões e de milagres sem conta. Se São Nicolau testemunhou tanto zelo contra os idólatras, não o testemunhou menos contra os arianos. Assistiu ao primeiro concílio de Nicéia, onde brilhou como um dos meias generosos confessores de Jesus Cristo, e como um dos maiores prelados da Igreja. O número de milagres, que Deus se dignou fazer por sua intercessão, é prodigioso: é com razão que é chamado o taumaturgo do seu século. Tantas maravilhas tornaram o nome de Nicolau célebre por todo o Universo. Quis o Senhor, então, recompensar todos os trabalhos do servidor fiel, e deu-lhe a conhecer o dia e a hora da morte. Ta revelação o encheu de alegria pouco conhecida dos homens. Depois de ter dito adeus ao povo, ao fim duma missa pontifical, retirou-se São Nicolau ao mosteiro de Sião. Ali, depois de curta enfermidade, administrados que lhe foram os últimos sacramentos, entregou a santa alma a Deus. Era a 6 de Dezembro de 327. Ignora-se-lhe a idade. Enterrado na igreja do mosteiro, do túmulo logo principiou a correr líquido miraculoso, que tinha a virtude de curar todas as doenças. Erigida em sua honra uma soberba igreja por Justiniano, reparou-a Basílio com magnificência, em 1087. Pilhando os turcos toda a Síria, o corpo foi transportado para Bari, na Apúlia, Itália, onde se conservou com grande veneração numa igreja magnífica em que o túmulo veio a ser dos mais célebres pelo número de milagres prodigiosos que se deram. (Livro Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XXI, pgs. 56 à 66) #SantodoDia

  • São Sabas, Abade – 5 de Dezembro

    SANTO DO DIA – 05 DE DEZEMBRO – SÃO SABAS Abade (439-532) Os bárbaros godos são conhecidos, na história, por suas guerras de conquista contra terras e nações cristãs. Pagãos, perseguiram e executaram milhares de católicos, mas não puderam impedir a conversão de várias famílias. Foi numa dessas que nasceu Sabas, no ano 439. Nascido na Capadócia, Sabas teve uma infância difícil. A disputa dos parentes por sua herança o levou a procurar ajuda num mosteiro, onde foi acolhido apesar de ser ainda uma criança. Apesar de pouca instrução, tornou-se um sábio na doutrina cristã. Desde então, transcorreu sua longa vida entre os mosteiros da Palestina. Experimentou a vida monástica cenobítica, ou seja, comunitária; depois passou para o mosteiro dos anacoretas, onde os monges se nutrem na solidão, preferindo esta última. Dividiu tudo o que herdou entre os cristãos pobres e doentes. Trabalhou na conversão de seus conterrâneos e ajudando os cristãos perseguidos em sua pátria. Era, antes de tudo, um caridoso e valente. Naquela época, havia o decreto de que cristãos, para serem poupados, deveriam comer a carne dos animais mortos aos deuses pagãos. Muitos se utilizavam da estratégia de enganar os guardas, dando de comer aos familiares carnes comuns, e não as desses sacrifícios, salvando os familiares do martírio. Mas Sabas se recusava a mentir, chegando a protestar em público contra tal prática. Quando as perseguições se acentuaram, Sabas já gozava de muito prestígio, pois tinha fundado uma grande comunidade de monges anacoretas no vale de Cedron, na Palestina, chamada de ‘grande Laura’. Ela começou naturalmente, com os eremitas ocupando as cavernas ao redor daquela em que vivia, isolado com os animais, e construíram um oratório. Foi assim que surgiu o que seria no futuro o Mosteiro de São Sabas. A fama dos prodígios que alcançava através das orações e também a grande sabedoria sobre a doutrina de Cristo, que tão bem defendia, fizeram essa comunidade crescer muito. A ele se atribui o fim de uma longa e calamitosa seca. Ocupava uma posição de liderança importante dentro da sociedade e do clero. A eloquência da sua pregação do Evangelho atraía cada vez mais os pagãos à conversão. Sabas, então, já incomodava o poder pagão como autoridade cristã. Interferiu junto ao imperador, em Constantinopla, a favor dos mais pobres, contra os impostos. Organizou e liderou um verdadeiro e próprio exercito de monges anacoretas para dar apoio ao papa contra a heresia monofisista que agitou a Igreja do Oriente. Morreu em 5 de dezembro de 532, na Palestina, aos noventa e três anos de idade. São Sabas está presente na relação dos grandes sacerdotes fundadores do monaquismo da Palestina. A festa em sua honra ocorre no dia de sua morte. Texto: Paulinas Internet Conheça mais sobre São Sabas, Abade São Sabas nasceu no ano de 439, no burgo de Mútala, no território da Cesaréia, Capadócia. Era filho de João e de Sofia, ambos considerados no país pela nobreza e pela virtude. O pai era oficial nos exércitos do imperador, e comandava uma companhia. Dados certos distúrbios excitados em Alexandria, João para lá foi enviado, e Sofia seguiu-o. A estadia que foram obrigados a fazer em Alexandria, obrigou-os a deixar o filho Sabas, então com apenas cinco anos de idade, sob a direção e os cuidados de Hérmias, tio materno. O jovem Sabas, por mais paciente que pudesse ter sido, não suportou os maus tratos que a tia, mulher mal-humorada e de péssimo gênio, lhe proporcionou. Fugiu, então, indo abrigar-te em casa doutro tio, o tio Gregório, irmão do pai, que vivia, naquela época, no burgo de Scandos. Esta fuga e esta preferência do pequeno Sabas deram motivos à rivalidade entre ambas as famílias, que o disputavam e à administração dos bens de João. Embora com oito anos incompletos, sentia-se o menino tão mal edificado, a viver entre o ciúme dos tios e as rusgas freqüentes, que resolveu escapar novamente, dessa vez para o mosteiro de São Flaviano, a pouco menos duma légua de Mútala. Os religiosos receberam-no com alegria, impressionados com a beleza de Sabas, e se encarregaram da educação do menino. E o bom gênio que tinha a grande inteligência, a tendência para a virtude, a aplicação nos estudos e a inocência, fizeram ver aos monges, pouco depois, que, a continuar assim, um dia havia ele de ser grande na vida cenobítica. Aquele retiro acabou por reconciliar os dois tios e, pois, o jovenzinho resolveu para que tudo continuasse em paz, não deixar o claustro. E a vocação para o estado religioso foi-se declarando, dia após dia, até que, firmando-se, o levou a decidir não mais abandonar a vida que ia levando. Conquanto fosse menino, não se via no mosteiro quem lhe ultrapassasse as austeridades, e, em disciplina e em fervor, outro não havia. Um dia, por ter colhido, no pomar do mosteiro, uma grande maçã, não somente não a comeu, como se afligiu imensamente com a gula que o impelira a colher o fruto com ligeireza. Desde aquele dia, tomou horror a todas as frutas, e delas jamais comeu qual fosse. Comia pouco e pouco dormia. Grande parte da noite, passava-a em oração. Aos dezoito anos, era objeto da admiração dos mais antigos do mosteiro. Certo dia, achegou-se do superior e pediu-lhe permissão para ir visitar os lugares santos, que grande lhe era a devoção pelas coisas sagradas da Palestina. O abade, que lhe conhecia a virtude, concedeu-lha, pesaroso, porque ia privar a comunidade dum grande modelo, qual era ele. Sabas, alegremente, emocionado, partiu para Jerusalém no ano de 457, e passou o inverno no mosteiro de São Passarion, onde a todos edificou pela sobriedade, santidade e vida humilde que levou. Dali, transferiu-se para o mosteiro de Santo Eutimo, onde o silêncio e a austeridade lhe eram mais do agrado. O superior, vendo-o tão jovem e delicado, resolveu enviá-lo a o outro mosteiro, uma vez que ali todos viviam separados em suas celas, solitários. Recomendado a São Teoctisto, que era o superior dum mosteiro que dependia do de Santo Eutimo, Sabas, logo depois, sentia-se satisfeito: na nova comunidade reinava a mais exata disciplina religiosa; não se ocupava senão de Deus, e tudo era dirigido para a mais alta santidade por um fervor sempre e sempre renovado. Em poucos dias, Sabas era um dos mais perfeitos modelos. O dia, consagrava-o ao trabalho, e a noite à oração. E tão recolhido vivia e tão continuamente unido a Deus, que o trabalho corporal era para ele uma oração, a ele que tudo fazia por espírito de penitência e de caridade. Que fazia Sabas no mosteiro? Fora incumbido de carrear água e lenha para as necessidades dos irmãos, auxiliar este e aquele nos diversos labores, e tratar dos doentes, o que fazia com infinitos de ternura e cuidado. Tais ocupações, entretanto, não o levaram a se descuidar das austeridades, e era dos primeiros, todos os dias, a comparecer ao ofício divino. A estima que por Sabas todos tinham, aumentou mais ainda em virtude da vitória que alcançou sobre uma tentação muito delicada que lhe submeteu a vocação a uma estranha proa. Dado por companheiro a um religioso que ia a Alexandria, encontrou os pais. E estes, impressionados com a mudança do filho, dado todo ele, durante vinte anos, aos exercícios contínuos, à mais austera penitência, principiaram a trabalhar-lhe o espírito para que deixasse aquela vida e reentrasse no mundo, tão maxilento e murcho estava. As lágrimas, as súplicas, as solicitações todas, porém, não lhe quebraram a vocação. Disse ao pai: – Tu que vives às voltas com tropas e soldados deves saber das leis de guerra, das que rigorosamente punem desertores. Que castigo mereceria um soldado de Cristo que desertasse, deixando-lhe o serviço? Resposta tão generosa encantou os pais. E, admirando no filho a constância e a virtude, contentaram-se com recomendar-se-lhe às orações. São Teoctisto falecera e Sabas obteve do santo abade Eutimo a permissão de retirar-se a uma mais austera solidão. Encerrou-se, então, numa pequena gruta, onde passava cinco dias da semana sem comer, unicamente ocupado com a oração e os trabalhos manuais: construía, regularmente, dez cestos por dia, e todos os sábados levava ao mosteiro cinqüenta deles, bem feitos e acabados. Passava, então, o domingo com os irmãos. À tardinha, levando leques e leques de palmeiras, para a feitura dos cestos, retirava-se para a gruta, para as orações e o trabalho. Santo Eutimo, que chamava nosso santo de o jovem velho, por causa da grande virtude e da sabedoria, levava-o, todos os anos, a 14 de janeiro, ao deserto de Ruban, onde se crê que o Salvador passou os quarenta dias depois do batismo. Ali, ficaram ambos até o domingo de Ramos, aplicando-se aos exercícios mais austeros, orando e jejuando. Aos poucos, o relaxamento das disciplinas foi-se introduzindo no mosteiro de São Teoctisto, de modo que o Santo se retirou da comunidade, adentrando o deserto da Jordânia, unindo-se ao São Gerásimo. Foi naquela solidão que os demônios, não suportando tão eminente santidade num jovem religioso de trinta e cinco anos, que tão longe levava as austeridades mais variadas, sem que jamais tivesse perdido a inocência, declararam-lhe guerra, uma acirrada guerra tremenda, empregando todos os artifícios para dobrá-lo, e dobrando-o, vencê-lo. Mil espetros horríveis lhe apareciam, procurando amedrontá-lo, a urrar e a insultar, escareteando tetricamente. E uma ventania morna, gemendo e assobiando, fazia macabro acompanhamento ao demoníaco coro de berros. São Sabas armado de poderosa arma, qual seja a da oração, enfrentava-os, e, bem longe, de ser desencorajado, depois de quatro longos anos de sofrimentos, procurou uma solidão ainda mais espantosa. Encontrou, nos rochedos duma alta montanha escarpadíssima, uma caverna, que fora morada de São Teodósio, o Cenobita. A caverna que escolhera como cela ficava a tão grande altura e o caminho que lá levava era tão rude, empinado e difícil, que, para levar a água de que se servia e que ia buscar a mais ou menos duas léguas longe, o obrigou a amarrar no topo uma longa corda, na qual se segurava para a escalada com o recipiente que lhe pesava. De comer, só raízes que se achavam ao pé do monte. Um dia, alguns camponeses avistaram a corda que de alto a baixo balouçava a brisa. Marinharam curiosos, monte acima, penetraram na caverna e ficaram admirados da penitência que o Santo fazia. Desde aquele dia, começaram vir a ele, de toda parte, camponeses aos magotes, que lhe solicitavam instruções. E muitos, tocados, resolveram ficar na caverna e com São Sabas passar o resto dos dias na solidão. Vendo que o número de discípulos crescia de dia para dia, consentiu que levantassem uma capelinha no sopé, onde padres das vizinhanças vinham rezar-lhes a santa missa regularmente. Logo um mosteiro surgiu. São Sabas tinha tão alta idéia do sacerdócio, que estava persuadido de não ser digno de tão formidável dignidade, nem ter qualquer dos discípulos virtude para o merecer. A religiosa rigidez do santo desagradava a muitos dos discípulos, daí irem ter com Salústio, o patriarca de Jerusalém, dizendo-lhe que não desejava São Sabas como superior, porque muito severo e deveras escrupuloso. – Daí-nos outro, pediram, menos exigentes. Salústio, informado do mérito de Sabas, fingiu escutar-lhes as lamentações, e acabou por dizer: – Que Sabas, com toda a comunidade, aqui esteja amanhã. Sabas, que ignorava o que sucedia, compareceu com todos os religiosos, à presença do patriarca. E a surpresa de todos foi enorme. Salústio conferiu ao Santo todas as ordens sacras e ordenou-o padre. Terminada a cerimônia, disse aos religiosos: – Eis vosso superior. Não é pela escolha dos homens, mas pela de Deus, que está confirmado no cargo. Nós nada mais fizemos do que emprestar as mãos ao Espírito Santo para lhes conferir o sacerdócio. Assim, deveis honrá-lo como vosso pai e obedecer-lhe como vosso superior. Vosso abade daqui vos levará, e todos assistireis à consagração da igreja que erigiu.(…) Quis o Senhor, afinal, recompensar o grande servidor, Sabas adoeceu. O patriarca foi visitá-lo, e vendo que tudo lhe faltava na cela, fez com que o transportassem a uma casa vizinha, que estava sob a dependência do patriarcado. Sabas consentiu, unicamente por espírito de obediência. E, vislumbrando próximo, bem próximo o fim da vida, deixou-se ficar a orar, a orar, até que, serena, muito serenamente, morreu nos braços dos filhos. Era o dia 5 de dezembro de 541, e o santo estava com noventa e dois anos de idade. Ao enterro, compareceram muitos bispos e uma multidão incontável de solitários. E, à beira do túmulo que o abrigou, um grande número de milagres se deu. As relíquias de São Sabas foram, mais tarde, transportadas para Veneza. (Vida dos Santos, Padre Rohrbachar, Volume XXI, p. 25 à 35) #SantodoDia

  • São Sabas, Abade – 5 de Dezembro

    SANTO DO DIA – 05 DE DEZEMBRO – SÃO SABAS Abade (439-532) Os bárbaros godos são conhecidos, na história, por suas guerras de conquista contra terras e nações cristãs. Pagãos, perseguiram e executaram milhares de católicos, mas não puderam impedir a conversão de várias famílias. Foi numa dessas que nasceu Sabas, no ano 439. Nascido na Capadócia, Sabas teve uma infância difícil. A disputa dos parentes por sua herança o levou a procurar ajuda num mosteiro, onde foi acolhido apesar de ser ainda uma criança. Apesar de pouca instrução, tornou-se um sábio na doutrina cristã. Desde então, transcorreu sua longa vida entre os mosteiros da Palestina. Experimentou a vida monástica cenobítica, ou seja, comunitária; depois passou para o mosteiro dos anacoretas, onde os monges se nutrem na solidão, preferindo esta última. Dividiu tudo o que herdou entre os cristãos pobres e doentes. Trabalhou na conversão de seus conterrâneos e ajudando os cristãos perseguidos em sua pátria. Era, antes de tudo, um caridoso e valente. Naquela época, havia o decreto de que cristãos, para serem poupados, deveriam comer a carne dos animais mortos aos deuses pagãos. Muitos se utilizavam da estratégia de enganar os guardas, dando de comer aos familiares carnes comuns, e não as desses sacrifícios, salvando os familiares do martírio. Mas Sabas se recusava a mentir, chegando a protestar em público contra tal prática. Quando as perseguições se acentuaram, Sabas já gozava de muito prestígio, pois tinha fundado uma grande comunidade de monges anacoretas no vale de Cedron, na Palestina, chamada de ‘grande Laura’. Ela começou naturalmente, com os eremitas ocupando as cavernas ao redor daquela em que vivia, isolado com os animais, e construíram um oratório. Foi assim que surgiu o que seria no futuro o Mosteiro de São Sabas. A fama dos prodígios que alcançava através das orações e também a grande sabedoria sobre a doutrina de Cristo, que tão bem defendia, fizeram essa comunidade crescer muito. A ele se atribui o fim de uma longa e calamitosa seca. Ocupava uma posição de liderança importante dentro da sociedade e do clero. A eloquência da sua pregação do Evangelho atraía cada vez mais os pagãos à conversão. Sabas, então, já incomodava o poder pagão como autoridade cristã. Interferiu junto ao imperador, em Constantinopla, a favor dos mais pobres, contra os impostos. Organizou e liderou um verdadeiro e próprio exercito de monges anacoretas para dar apoio ao papa contra a heresia monofisista que agitou a Igreja do Oriente. Morreu em 5 de dezembro de 532, na Palestina, aos noventa e três anos de idade. São Sabas está presente na relação dos grandes sacerdotes fundadores do monaquismo da Palestina. A festa em sua honra ocorre no dia de sua morte. Texto: Paulinas Internet Conheça mais sobre São Sabas, Abade São Sabas nasceu no ano de 439, no burgo de Mútala, no território da Cesaréia, Capadócia. Era filho de João e de Sofia, ambos considerados no país pela nobreza e pela virtude. O pai era oficial nos exércitos do imperador, e comandava uma companhia. Dados certos distúrbios excitados em Alexandria, João para lá foi enviado, e Sofia seguiu-o. A estadia que foram obrigados a fazer em Alexandria, obrigou-os a deixar o filho Sabas, então com apenas cinco anos de idade, sob a direção e os cuidados de Hérmias, tio materno. O jovem Sabas, por mais paciente que pudesse ter sido, não suportou os maus tratos que a tia, mulher mal-humorada e de péssimo gênio, lhe proporcionou. Fugiu, então, indo abrigar-te em casa doutro tio, o tio Gregório, irmão do pai, que vivia, naquela época, no burgo de Scandos. Esta fuga e esta preferência do pequeno Sabas deram motivos à rivalidade entre ambas as famílias, que o disputavam e à administração dos bens de João. Embora com oito anos incompletos, sentia-se o menino tão mal edificado, a viver entre o ciúme dos tios e as rusgas freqüentes, que resolveu escapar novamente, dessa vez para o mosteiro de São Flaviano, a pouco menos duma légua de Mútala. Os religiosos receberam-no com alegria, impressionados com a beleza de Sabas, e se encarregaram da educação do menino. E o bom gênio que tinha a grande inteligência, a tendência para a virtude, a aplicação nos estudos e a inocência, fizeram ver aos monges, pouco depois, que, a continuar assim, um dia havia ele de ser grande na vida cenobítica. Aquele retiro acabou por reconciliar os dois tios e, pois, o jovenzinho resolveu para que tudo continuasse em paz, não deixar o claustro. E a vocação para o estado religioso foi-se declarando, dia após dia, até que, firmando-se, o levou a decidir não mais abandonar a vida que ia levando. Conquanto fosse menino, não se via no mosteiro quem lhe ultrapassasse as austeridades, e, em disciplina e em fervor, outro não havia. Um dia, por ter colhido, no pomar do mosteiro, uma grande maçã, não somente não a comeu, como se afligiu imensamente com a gula que o impelira a colher o fruto com ligeireza. Desde aquele dia, tomou horror a todas as frutas, e delas jamais comeu qual fosse. Comia pouco e pouco dormia. Grande parte da noite, passava-a em oração. Aos dezoito anos, era objeto da admiração dos mais antigos do mosteiro. Certo dia, achegou-se do superior e pediu-lhe permissão para ir visitar os lugares santos, que grande lhe era a devoção pelas coisas sagradas da Palestina. O abade, que lhe conhecia a virtude, concedeu-lha, pesaroso, porque ia privar a comunidade dum grande modelo, qual era ele. Sabas, alegremente, emocionado, partiu para Jerusalém no ano de 457, e passou o inverno no mosteiro de São Passarion, onde a todos edificou pela sobriedade, santidade e vida humilde que levou. Dali, transferiu-se para o mosteiro de Santo Eutimo, onde o silêncio e a austeridade lhe eram mais do agrado. O superior, vendo-o tão jovem e delicado, resolveu enviá-lo a o outro mosteiro, uma vez que ali todos viviam separados em suas celas, solitários. Recomendado a São Teoctisto, que era o superior dum mosteiro que dependia do de Santo Eutimo, Sabas, logo depois, sentia-se satisfeito: na nova comunidade reinava a mais exata disciplina religiosa; não se ocupava senão de Deus, e tudo era dirigido para a mais alta santidade por um fervor sempre e sempre renovado. Em poucos dias, Sabas era um dos mais perfeitos modelos. O dia, consagrava-o ao trabalho, e a noite à oração. E tão recolhido vivia e tão continuamente unido a Deus, que o trabalho corporal era para ele uma oração, a ele que tudo fazia por espírito de penitência e de caridade. Que fazia Sabas no mosteiro? Fora incumbido de carrear água e lenha para as necessidades dos irmãos, auxiliar este e aquele nos diversos labores, e tratar dos doentes, o que fazia com infinitos de ternura e cuidado. Tais ocupações, entretanto, não o levaram a se descuidar das austeridades, e era dos primeiros, todos os dias, a comparecer ao ofício divino. A estima que por Sabas todos tinham, aumentou mais ainda em virtude da vitória que alcançou sobre uma tentação muito delicada que lhe submeteu a vocação a uma estranha proa. Dado por companheiro a um religioso que ia a Alexandria, encontrou os pais. E estes, impressionados com a mudança do filho, dado todo ele, durante vinte anos, aos exercícios contínuos, à mais austera penitência, principiaram a trabalhar-lhe o espírito para que deixasse aquela vida e reentrasse no mundo, tão maxilento e murcho estava. As lágrimas, as súplicas, as solicitações todas, porém, não lhe quebraram a vocação. Disse ao pai: – Tu que vives às voltas com tropas e soldados deves saber das leis de guerra, das que rigorosamente punem desertores. Que castigo mereceria um soldado de Cristo que desertasse, deixando-lhe o serviço? Resposta tão generosa encantou os pais. E, admirando no filho a constância e a virtude, contentaram-se com recomendar-se-lhe às orações. São Teoctisto falecera e Sabas obteve do santo abade Eutimo a permissão de retirar-se a uma mais austera solidão. Encerrou-se, então, numa pequena gruta, onde passava cinco dias da semana sem comer, unicamente ocupado com a oração e os trabalhos manuais: construía, regularmente, dez cestos por dia, e todos os sábados levava ao mosteiro cinqüenta deles, bem feitos e acabados. Passava, então, o domingo com os irmãos. À tardinha, levando leques e leques de palmeiras, para a feitura dos cestos, retirava-se para a gruta, para as orações e o trabalho. Santo Eutimo, que chamava nosso santo de o jovem velho, por causa da grande virtude e da sabedoria, levava-o, todos os anos, a 14 de janeiro, ao deserto de Ruban, onde se crê que o Salvador passou os quarenta dias depois do batismo. Ali, ficaram ambos até o domingo de Ramos, aplicando-se aos exercícios mais austeros, orando e jejuando. Aos poucos, o relaxamento das disciplinas foi-se introduzindo no mosteiro de São Teoctisto, de modo que o Santo se retirou da comunidade, adentrando o deserto da Jordânia, unindo-se ao São Gerásimo. Foi naquela solidão que os demônios, não suportando tão eminente santidade num jovem religioso de trinta e cinco anos, que tão longe levava as austeridades mais variadas, sem que jamais tivesse perdido a inocência, declararam-lhe guerra, uma acirrada guerra tremenda, empregando todos os artifícios para dobrá-lo, e dobrando-o, vencê-lo. Mil espetros horríveis lhe apareciam, procurando amedrontá-lo, a urrar e a insultar, escareteando tetricamente. E uma ventania morna, gemendo e assobiando, fazia macabro acompanhamento ao demoníaco coro de berros. São Sabas armado de poderosa arma, qual seja a da oração, enfrentava-os, e, bem longe, de ser desencorajado, depois de quatro longos anos de sofrimentos, procurou uma solidão ainda mais espantosa. Encontrou, nos rochedos duma alta montanha escarpadíssima, uma caverna, que fora morada de São Teodósio, o Cenobita. A caverna que escolhera como cela ficava a tão grande altura e o caminho que lá levava era tão rude, empinado e difícil, que, para levar a água de que se servia e que ia buscar a mais ou menos duas léguas longe, o obrigou a amarrar no topo uma longa corda, na qual se segurava para a escalada com o recipiente que lhe pesava. De comer, só raízes que se achavam ao pé do monte. Um dia, alguns camponeses avistaram a corda que de alto a baixo balouçava a brisa. Marinharam curiosos, monte acima, penetraram na caverna e ficaram admirados da penitência que o Santo fazia. Desde aquele dia, começaram vir a ele, de toda parte, camponeses aos magotes, que lhe solicitavam instruções. E muitos, tocados, resolveram ficar na caverna e com São Sabas passar o resto dos dias na solidão. Vendo que o número de discípulos crescia de dia para dia, consentiu que levantassem uma capelinha no sopé, onde padres das vizinhanças vinham rezar-lhes a santa missa regularmente. Logo um mosteiro surgiu. São Sabas tinha tão alta idéia do sacerdócio, que estava persuadido de não ser digno de tão formidável dignidade, nem ter qualquer dos discípulos virtude para o merecer. A religiosa rigidez do santo desagradava a muitos dos discípulos, daí irem ter com Salústio, o patriarca de Jerusalém, dizendo-lhe que não desejava São Sabas como superior, porque muito severo e deveras escrupuloso. – Daí-nos outro, pediram, menos exigentes. Salústio, informado do mérito de Sabas, fingiu escutar-lhes as lamentações, e acabou por dizer: – Que Sabas, com toda a comunidade, aqui esteja amanhã. Sabas, que ignorava o que sucedia, compareceu com todos os religiosos, à presença do patriarca. E a surpresa de todos foi enorme. Salústio conferiu ao Santo todas as ordens sacras e ordenou-o padre. Terminada a cerimônia, disse aos religiosos: – Eis vosso superior. Não é pela escolha dos homens, mas pela de Deus, que está confirmado no cargo. Nós nada mais fizemos do que emprestar as mãos ao Espírito Santo para lhes conferir o sacerdócio. Assim, deveis honrá-lo como vosso pai e obedecer-lhe como vosso superior. Vosso abade daqui vos levará, e todos assistireis à consagração da igreja que erigiu.(…) Quis o Senhor, afinal, recompensar o grande servidor, Sabas adoeceu. O patriarca foi visitá-lo, e vendo que tudo lhe faltava na cela, fez com que o transportassem a uma casa vizinha, que estava sob a dependência do patriarcado. Sabas consentiu, unicamente por espírito de obediência. E, vislumbrando próximo, bem próximo o fim da vida, deixou-se ficar a orar, a orar, até que, serena, muito serenamente, morreu nos braços dos filhos. Era o dia 5 de dezembro de 541, e o santo estava com noventa e dois anos de idade. Ao enterro, compareceram muitos bispos e uma multidão incontável de solitários. E, à beira do túmulo que o abrigou, um grande número de milagres se deu. As relíquias de São Sabas foram, mais tarde, transportadas para Veneza. (Vida dos Santos, Padre Rohrbachar, Volume XXI, p. 25 à 35) #SantodoDia

  • Dom Alberto Taveira é inocentado e processos por abuso sexual são encerrados

    Caso foi encerrado sem qualquer indício de culpa por parte do prelado. Por ACI Digital – O arcebispo de Belém (PA), dom Alberto Taveira, disse hoje (30) que os processos contra ele por acusação de assédio e abuso sexual foram encerrados por todas as autoridades competentes, sem ter “qualquer indício de culpabilidade”. Em 2020, o arcebispo tinha sido acusado por quatro ex-seminaristas de assédio e abuso sexual. O caso teve grande repercussão nacional, com reportagens nas principais emissoras de televisão do Brasil. “Estes últimos dois anos foram de muito sofrimento, profunda oração e perseverante confiança na Providência Divina e na justiça de Deus, como foi demonstrado na análise, conclusão e declaração da minha inocência ante as calúnias levantadas contra a minha honra”, afirmou dom Taveira em um pronunciamento publicado hoje pela arquidiocese de Belém. Em janeiro de 2021, reportagem do programa ‘Fantástico’, da TV Globo, apresentou relatos de quatro ex-seminaristas da arquidiocese de Belém que narraram em detalhe como teriam sido os supostos abusos cometidos pelo arcebispo. Segundo a reportagem, os casos de abuso e assédio moral e sexual teriam acontecido entre 2010 e 2014, quando os acusadores tinham entre 15 e 18 anos. Os ex-seminaristas já tinham procurado a Polícia Civil e o Ministério Público em agosto de 2020. As denúncias ganharam repercussão em vários veículos da mídia nacional. Na época, o advogado de dom Taveira, Roberto Lauria, disse que os acusadores eram “um grupo de pessoas que têm um profundo recalque, um profundo sentimento de vingança por dom Alberto”, por causa de sua “gestão austera”. Segundo ele, são pessoas que “foram afastadas do seminário por comportamento incompatível com a vida religiosa”. Dom Taveira do Pará foi inocentado e a justiça foi restabelecida. Porém, o caso do arcebispo do Pará não é único. Existem outros homens de Deus que estão sendo falsamente acusados. Revelamos tudo no documentario CANCELADOS. Disponível em: Em seu pronunciamento de hoje, dom Taveira contou que “há pouco mais de um ano” recebeu a “decisão de arquivamento de todos os procedimentos levados a efeito junto às autoridades públicas competentes, após uma longa e dolorosa investigação”. Segundo ele, durante esse processo civil, “foram ouvidas muitas pessoas, com a comprovação da falta de provas” contra ele. Entretanto, o processo canônico na Santa Sé ainda estava em andamento e, “no dia 28 de outubro de 2022, foi assinada a sentença definitiva por parte do Colégio Judicante constituído no Brasil pela Sé Apostólica”. Os juízes concluíram que não há “qualquer indício de culpabilidade” nos atos do arcebispo. Dom Taveira disse que, no dia 26 de novembro, recebeu “o documento, confirmando a sentença assinada aqui no Brasil e declarando encerrado definitivamente o referido processo”. “Quero agradecer-lhes, porque durante este período muitos estiveram rezando e acreditando fielmente na verdade inspirada por Deus. Foram milhares de mensagens que recebi de tantos lugares do Brasil e do mundo de carinho e muitas orações. Rezem comigo em ação de graças por este momento que Deus preparou de forma especial para nós”, afirmou o arcebispo. Além disso, pediu orações “pelas pessoas que utilizaram de tamanha maldade contra nossa Igreja”. “Deus lhes conceda o perdão e a paz, e a todos nós, a maturidade espiritual para sermos capazes de sempre preservar a Caridade e a Comunhão Fraterna”, acrescentou.

  • Dom Alberto Taveira é inocentado e processos por abuso sexual são encerrados

    Caso foi encerrado sem qualquer indício de culpa por parte do prelado. Por ACI Digital – O arcebispo de Belém (PA), dom Alberto Taveira, disse hoje (30) que os processos contra ele por acusação de assédio e abuso sexual foram encerrados por todas as autoridades competentes, sem ter “qualquer indício de culpabilidade”. Em 2020, o arcebispo tinha sido acusado por quatro ex-seminaristas de assédio e abuso sexual. O caso teve grande repercussão nacional, com reportagens nas principais emissoras de televisão do Brasil. “Estes últimos dois anos foram de muito sofrimento, profunda oração e perseverante confiança na Providência Divina e na justiça de Deus, como foi demonstrado na análise, conclusão e declaração da minha inocência ante as calúnias levantadas contra a minha honra”, afirmou dom Taveira em um pronunciamento publicado hoje pela arquidiocese de Belém. Em janeiro de 2021, reportagem do programa ‘Fantástico’, da TV Globo, apresentou relatos de quatro ex-seminaristas da arquidiocese de Belém que narraram em detalhe como teriam sido os supostos abusos cometidos pelo arcebispo. Segundo a reportagem, os casos de abuso e assédio moral e sexual teriam acontecido entre 2010 e 2014, quando os acusadores tinham entre 15 e 18 anos. Os ex-seminaristas já tinham procurado a Polícia Civil e o Ministério Público em agosto de 2020. As denúncias ganharam repercussão em vários veículos da mídia nacional. Na época, o advogado de dom Taveira, Roberto Lauria, disse que os acusadores eram “um grupo de pessoas que têm um profundo recalque, um profundo sentimento de vingança por dom Alberto”, por causa de sua “gestão austera”. Segundo ele, são pessoas que “foram afastadas do seminário por comportamento incompatível com a vida religiosa”. Dom Taveira do Pará foi inocentado e a justiça foi restabelecida. Porém, o caso do arcebispo do Pará não é único. Existem outros homens de Deus que estão sendo falsamente acusados. Revelamos tudo no documentario CANCELADOS. Disponível em: Em seu pronunciamento de hoje, dom Taveira contou que “há pouco mais de um ano” recebeu a “decisão de arquivamento de todos os procedimentos levados a efeito junto às autoridades públicas competentes, após uma longa e dolorosa investigação”. Segundo ele, durante esse processo civil, “foram ouvidas muitas pessoas, com a comprovação da falta de provas” contra ele. Entretanto, o processo canônico na Santa Sé ainda estava em andamento e, “no dia 28 de outubro de 2022, foi assinada a sentença definitiva por parte do Colégio Judicante constituído no Brasil pela Sé Apostólica”. Os juízes concluíram que não há “qualquer indício de culpabilidade” nos atos do arcebispo. Dom Taveira disse que, no dia 26 de novembro, recebeu “o documento, confirmando a sentença assinada aqui no Brasil e declarando encerrado definitivamente o referido processo”. “Quero agradecer-lhes, porque durante este período muitos estiveram rezando e acreditando fielmente na verdade inspirada por Deus. Foram milhares de mensagens que recebi de tantos lugares do Brasil e do mundo de carinho e muitas orações. Rezem comigo em ação de graças por este momento que Deus preparou de forma especial para nós”, afirmou o arcebispo. Além disso, pediu orações “pelas pessoas que utilizaram de tamanha maldade contra nossa Igreja”. “Deus lhes conceda o perdão e a paz, e a todos nós, a maturidade espiritual para sermos capazes de sempre preservar a Caridade e a Comunhão Fraterna”, acrescentou.

  • Novena à Nossa Senhora da Conceição

    Com esta antiga novena à Virgem Maria, somos chamados a meditar sobre o mistério de sua Imaculada Conceição, pedindo-lhe sobretudo que nos conserve na graça de Deus e nos faça crescer na vida de virtudes. O texto da novena a seguir, extraído de um manual antigo de orações em latim e italiano [1], foi vertido para a língua portuguesa por nossa equipe. Tem a vantagem de ser uma oração tradicional, com pedidos espirituais e formas bastante piedosas de se dirigir à Virgem Santíssima . (O que deveria ser uma regra para qualquer novena que a ela se faça, mas não é isto, infelizmente, o que se encontra em muitos lugares.) A devoção à Imaculada Conceição é particularmente forte nos países lusófonos e acompanha a história de Portugal desde as suas origens. Três fatos são suficientes para atestá-lo: No Cerco de Lisboa , em 1147, quando a cidade foi tomada dos muçulmanos por D. Afonso Henriques, o primeiro rei português, uma Missa pontifical de ação de graças foi celebrada em honra à Virgem da Conceição. Na crise dinástica do século XIV, que se resolveu com a Batalha de Aljubarrota , em 1385, D. Nuno Álvares Pereira (São Nuno de Santa Maria) mandou construir em Vila Viçosa um tempo a Nossa Senhora da Conceição. Após a Restauração da Independência de Portugal , em 1640, D. João IV jurou e proclamou solenemente Nossa Senhora da Conceição como Rainha e Padroeira de Portugal e de todos os seus territórios ultramarinos (o que incluía, na época, o Brasil). Na provisão régia — confirmada depois pelo próprio Papa —, o rei prometeu “confessar e defender sempre (até dar a vida sendo necessário) que a Virgem Maria Mãe de Deus foi concebida sem pecado original”. Depois, num ato profundamente simbólico, coroou a imagem da Virgem da Conceição, na mesma igreja de Vila Viçosa, e desde então os reis de Portugal nunca mais colocariam a coroa real em sua cabeça, como forma de reconhecer na Virgem Maria a única verdadeira soberana de todo o reino lusitano. Essa devoção também se tornou particularmente cara ao povo brasileiro, principalmente com a pesca milagrosa de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição no rio Paraíba, em 1717 — daí o culto à Virgem Aparecida . No século seguinte, o Brasil se tornaria independente de Portugal, mas a devoção à Imaculada continua a unir espiritualmente as duas nações . Em 1854, o Beato Papa Pio IX finalmente proclamou como dogma a Imaculada Conceição, tornando obrigatória a todos os católicos essa doutrina que os portugueses e brasileiros já confessavam espontaneamente. Por isso, sugerimos aos nossos leitores que façam esta novena não só dos dias 29 de novembro a 7 de dezembro (que precedem a solenidade da Imaculada Conceição), mas também de 3 a 11 de outubro (quando nos preparemos para a festa de Nossa Senhora Aparecida) — embora essas orações possam ser rezadas a qualquer tempo. Orações preparatórias Vinde, Espírito Santo, enchei o coração dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. ℣. Enviai o vosso Espírito, e tudo será criado. ℟. E renovareis a face da terra. Oremos. Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, concedei-nos amar, no mesmo Espírito, o que é reto e gozar sempre a sua consolação. Por Cristo, Senhor nosso. ℟. Amém. Ó Virgem puríssima concebida sem pecado, desde o primeiro instante toda bela e sem mancha. Ó gloriosa Maria, cheia de graça e Mãe de meu Deus, Rainha dos anjos e dos homens. Humildemente vos venero como Mãe do meu Salvador, que, sendo Deus, me ensinou com sua estima, respeito e submissão a vós a honra e a homenagem que vos devo prestar. Dignai-vos acolher-me a mim, que nesta novena a vós me consagro. Sendo vós refúgio seguro dos pecadores arrependidos, tenho razão para recorrer a vós; sendo Mãe de misericórdia, não podeis não vos compadecer de minha miséria; sendo, depois de Jesus Cristo, toda a minha esperança, não podeis não vos agradar da tenra confiança que em vós tenho. Fazei-me digno de chamar-me vosso filho, a fim de que possa dizer com confiança: Mostrais que sois Mãe . — Em seguida, reza-se uma Ave-Maria , um Glória Oração do dia 1º dia Ι 2º dia Ι 3º dia Ι 4º dia Ι 5º dia Ι 6º dia Ι 7º dia Ι 8º dia Ι 9º dia Oração Final — Em seguida, reza-se o hino abaixo (ou a ladainha de Nossa Senhora ): (Aqueles que desejarem além da oração final, também podem rezar/cantar também o Ofício da Imaculada Conceção disponível aqui .) ℣. Toda bela sois, Maria. ℟. Toda bela sois, Maria. ℣. E sem a mancha original. ℟. E sem a mancha original. ℣. Sois a glória de Jerusalém. ℟. Sois a alegria de Israel. ℣. Sois a honra do nosso povo. ℟. Sois a Advogada dos pecadores. ℣. Ó Maria. ℟. Ó Maria. ℣. Virgem prudentíssima. ℟. Mãe clementíssima. ℣. Rogai por nós. ℟. Intercedei por nós ao Senhor Jesus Cristo. Em seguida, reza-se: ℣. Em vossa Conceição, ó Virgem, fostes imaculada. ℟. Rogai por nós ao Pai cujo Filho destes à luz. Oremos. Ó Deus, que pela Imaculada Conceição da Virgem Maria preparastes uma digna morada para o vosso Filho e em atenção aos méritos futuros da morte de Cristo a preservastes de toda mancha, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de chegarmos purificados junto de Vós. Ó Deus, pastor e guia de todos os fiéis, olhai propício para o vosso servo N. , que constituístes pastor de vossa Igreja; dai-lhe, nós vos pedimos, servir por palavra e exemplo aqueles a quem governa, a fim de alcançar a vida eterna com o rebanho que lhe foi confiado. Ó Deus, nosso refúgio e fortaleza, ouvi as piedosas súplicas de vossa Igreja, Vós que sois o autor da piedade, e concedei-nos alcançar eficazmente o que com confiança vos pedimos. Por Cristo, Senhor nosso. ℟. Amém. Aqueles que desejarem além da oração final, também podem rezar/cantar também o Ofício da Imaculada Conceção disponível aqui . Primeiro dia Eis-me aqui aos vossos pés santíssimos, ó Virgem Imaculada. Alegro-me grandemente convosco, eleita desde a eternidade para ser Mãe do Verbo eterno e preservada da culpa original. Dou graças e bendigo à Santíssima Trindade, que vos enriqueceu com este privilégio em vossa Conceição, e suplico-vos humildemente que me alcanceis a graça de vencer as tristes sequelas que em mim deixou o pecado original. Fazei que eu as supere e não deixe mais de amar ao meu Deus. — Oração Final Segundo dia Ó Maria, lírio imaculado de pureza, alegro-me convosco, que desde o primeiro instante de vossa Conceição fostes cumulada de graça e recebestes o uso perfeito da razão [2]. Dou graças e adoro à Santíssima Trindade, que vos concedeu dons tão sublimes. Confundo-me todo diante de vós, vendo-me tão pobre de graça. Vós, que fostes plenamente cumulada de graça celeste, fazei-me participar e compartilhar dos tesouros de vossa Imaculada Conceição. — Oração Final Terceiro dia Ó Maria, rosa mística de pureza, alegro-me convosco, que em vossa Imaculada Conceição triunfastes gloriosamente da serpente infernal e fostes concebida sem a mancha do pecado original. Dou graças e louvo com todo o coração à Santíssima Trindade, que vos concedeu tal privilégio, e vos suplico que me alcanceis a força para superar todas as insídias do inimigo infernal e não manchar com o pecado a minha alma. Ajudai-me sempre e fazei-me, com vossa proteção, triunfar sempre do inimigo comum de nossa eterna salvação. — Oração Final Quarto dia Ó Imaculada Virgem Maria, espelho de pureza, encho-me de sumo gozo ao ver que vos foram infusos desde a vossa Conceição os dons mais sublimes e perfeitos de virtude e também todos os dons do Espírito Santo. Dou graças e louvo à Santíssima Trindade, que vos favoreceu com estes privilégios, e vos suplico, ó Mãe benigna, que me alcanceis a prática da virtude e a graça de tornar-me digno de receber os dons e a graça do Espírito Santo. — Oração Final Quinto dia Ó Maria, lua reluzente de pureza, alegro-me convosco, pois o mistério de vossa Imaculada Conceição foi o início da salvação de todo o gênero humano e a alegria do mundo inteiro. Dou graças e bendigo à Santíssima Trindade, que assim vos engrandeceu e glorificou, e vos suplico que me alcanceis a graça de saber aproveitar-me da paixão e morte do vosso Jesus. Que não seja para mim inútil o Sangue derramado na cruz, mas que eu viva santamente e me salve. — Oração Final Sexto dia Ó Maria Imaculada, estrela esplendorosa de pureza, alegro-me convosco, porque a vossa Imaculada Conceição foi motivo de grandíssima alegria para todos os anjos do paraíso. Dou graças e bendigo à Santíssima Trindade, que vos enriqueceu de tão belo privilégio. Fazei-me entrar um dia nesta alegria e poder, na companhia dos anjos, louvar-vos e bendizer-vos eternamente. — Oração Final Sétimo dia Ó Maria Imaculada, aurora nascente de pureza, alegro-me convosco, admirado de que no momento mesmo de vossa Conceição fostes confirmada em graça e tornada impecável. Dou graças e exalto à Santíssima Trindade, que vos distinguiu somente a vós com este particular privilégio. Impetrai-me, ó Virgem santa, um total e contínuo horror ao pecado, mais do que a qualquer outro mal, e que eu prefira antes morrer que voltar a pecar. — Oração Final Oitavo dia Ó Virgem Maria, sol sem mancha, alegro-me convosco, cheio de gozo por terdes recebido de Deus em vossa Conceição uma graça maior e mais copiosa que a alcançada por todos os anjos e santos no auge de seus méritos. Dou graças à Santíssima Trindade, admirado da suma beneficência com que vos dispensou este privilégio. Fazei-me corresponder à graça divina e a dela não mais abusar. Transformai-me o coração e fazei que eu me arrependa desde agora de minhas culpas. — Oração Final Nono dia Ó Maria, Virgem Imaculada, luz viva de santidade, exemplo de pureza e Mãe minha. Vós, apenas concebida, adorastes profundamente a Deus e lhe rendestes graças, já que por meio de vós, desfeita a antiga maldição, derramou-se a maior bênção sobre os filhos de Adão. Fazei que esta bênção acenda em meu coração um amor ardente a Deus. Inflamai-o vós, para que eu o ame constantemente e dele goze depois para sempre no paraíso, onde poderei dar-lhe graças mais ardentemente pelos singulares privilégios que vos concedeu e gozar de vós coroada de tanta glória. — Oração Final Notas Raccolta di orazioni e pie opere alle quali sono annesse le s. indulgenze . 11.ª ed. Roma: Dalla Tipografia Marini e Compagno, 1844, p. 203ss. É sentença piedosa, sustentada por vários teólogos importantes como, por exemplo, Santo Afonso M.ª de Ligório (cf. Glórias de Maria , p. II, d. 2, “Do nascimento de Maria”, p. 2), a de que Nossa Senhora, desde o primeiro instante de sua concepção no ventre de Sant’Ana, teria gozado do uso da razão e do livre-arbítrio, precondição necessária aos atos meritórios possibilitantes do crescimento em graça, o qual, para estes autores, se deu ao longo de toda a vida terrena de Maria. Uma segunda razão para reconhecer nela tal privilégio funda-se no que em mariologia se conhece como princípio de eminência , segundo o qual há que atribuir à Mãe de Deus, em sentido formal ou equivalente, todos os privilégios concedidos aos outros santos, desde que não sejam incompatíveis com a dignidade (por exemplo, o dom de lágrimas, que supõe o arrependimento dos pecados) nem com a missão dela neste mundo (por exemplo, o dom de línguas, ordenado à pregação pública do Evangelho entre os gentios). Ora, como a interpretação comum e tradicional dos Padres vê na pré-santificação de João Batista o uso extraordinário das faculdades intelectuais, dever-se-ia atribuí-lo também à Virgem Menina, tão-logo começou a existir. — Obviamente, nenhum católico está obrigado a aceitar essa opinião teológica . #ImaculadaConceição

  • Novena à Nossa Senhora da Conceição

    Com esta antiga novena à Virgem Maria, somos chamados a meditar sobre o mistério de sua Imaculada Conceição, pedindo-lhe sobretudo que nos conserve na graça de Deus e nos faça crescer na vida de virtudes. O texto da novena a seguir, extraído de um manual antigo de orações em latim e italiano [1], foi vertido para a língua portuguesa por nossa equipe. Tem a vantagem de ser uma oração tradicional, com pedidos espirituais e formas bastante piedosas de se dirigir à Virgem Santíssima . (O que deveria ser uma regra para qualquer novena que a ela se faça, mas não é isto, infelizmente, o que se encontra em muitos lugares.) A devoção à Imaculada Conceição é particularmente forte nos países lusófonos e acompanha a história de Portugal desde as suas origens. Três fatos são suficientes para atestá-lo: No Cerco de Lisboa , em 1147, quando a cidade foi tomada dos muçulmanos por D. Afonso Henriques, o primeiro rei português, uma Missa pontifical de ação de graças foi celebrada em honra à Virgem da Conceição. Na crise dinástica do século XIV, que se resolveu com a Batalha de Aljubarrota , em 1385, D. Nuno Álvares Pereira (São Nuno de Santa Maria) mandou construir em Vila Viçosa um tempo a Nossa Senhora da Conceição. Após a Restauração da Independência de Portugal , em 1640, D. João IV jurou e proclamou solenemente Nossa Senhora da Conceição como Rainha e Padroeira de Portugal e de todos os seus territórios ultramarinos (o que incluía, na época, o Brasil). Na provisão régia — confirmada depois pelo próprio Papa —, o rei prometeu “confessar e defender sempre (até dar a vida sendo necessário) que a Virgem Maria Mãe de Deus foi concebida sem pecado original”. Depois, num ato profundamente simbólico, coroou a imagem da Virgem da Conceição, na mesma igreja de Vila Viçosa, e desde então os reis de Portugal nunca mais colocariam a coroa real em sua cabeça, como forma de reconhecer na Virgem Maria a única verdadeira soberana de todo o reino lusitano. Essa devoção também se tornou particularmente cara ao povo brasileiro, principalmente com a pesca milagrosa de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição no rio Paraíba, em 1717 — daí o culto à Virgem Aparecida . No século seguinte, o Brasil se tornaria independente de Portugal, mas a devoção à Imaculada continua a unir espiritualmente as duas nações . Em 1854, o Beato Papa Pio IX finalmente proclamou como dogma a Imaculada Conceição, tornando obrigatória a todos os católicos essa doutrina que os portugueses e brasileiros já confessavam espontaneamente. Por isso, sugerimos aos nossos leitores que façam esta novena não só dos dias 29 de novembro a 7 de dezembro (que precedem a solenidade da Imaculada Conceição), mas também de 3 a 11 de outubro (quando nos preparemos para a festa de Nossa Senhora Aparecida) — embora essas orações possam ser rezadas a qualquer tempo. Orações preparatórias Vinde, Espírito Santo, enchei o coração dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. ℣. Enviai o vosso Espírito, e tudo será criado. ℟. E renovareis a face da terra. Oremos. Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, concedei-nos amar, no mesmo Espírito, o que é reto e gozar sempre a sua consolação. Por Cristo, Senhor nosso. ℟. Amém. Ó Virgem puríssima concebida sem pecado, desde o primeiro instante toda bela e sem mancha. Ó gloriosa Maria, cheia de graça e Mãe de meu Deus, Rainha dos anjos e dos homens. Humildemente vos venero como Mãe do meu Salvador, que, sendo Deus, me ensinou com sua estima, respeito e submissão a vós a honra e a homenagem que vos devo prestar. Dignai-vos acolher-me a mim, que nesta novena a vós me consagro. Sendo vós refúgio seguro dos pecadores arrependidos, tenho razão para recorrer a vós; sendo Mãe de misericórdia, não podeis não vos compadecer de minha miséria; sendo, depois de Jesus Cristo, toda a minha esperança, não podeis não vos agradar da tenra confiança que em vós tenho. Fazei-me digno de chamar-me vosso filho, a fim de que possa dizer com confiança: Mostrais que sois Mãe . — Em seguida, reza-se uma Ave-Maria , um Glória Oração do dia 1º dia Ι 2º dia Ι 3º dia Ι 4º dia Ι 5º dia Ι 6º dia Ι 7º dia Ι 8º dia Ι 9º dia Oração Final — Em seguida, reza-se o hino abaixo (ou a ladainha de Nossa Senhora ): (Aqueles que desejarem além da oração final, também podem rezar/cantar também o Ofício da Imaculada Conceção disponível aqui .) ℣. Toda bela sois, Maria. ℟. Toda bela sois, Maria. ℣. E sem a mancha original. ℟. E sem a mancha original. ℣. Sois a glória de Jerusalém. ℟. Sois a alegria de Israel. ℣. Sois a honra do nosso povo. ℟. Sois a Advogada dos pecadores. ℣. Ó Maria. ℟. Ó Maria. ℣. Virgem prudentíssima. ℟. Mãe clementíssima. ℣. Rogai por nós. ℟. Intercedei por nós ao Senhor Jesus Cristo. Em seguida, reza-se: ℣. Em vossa Conceição, ó Virgem, fostes imaculada. ℟. Rogai por nós ao Pai cujo Filho destes à luz. Oremos. Ó Deus, que pela Imaculada Conceição da Virgem Maria preparastes uma digna morada para o vosso Filho e em atenção aos méritos futuros da morte de Cristo a preservastes de toda mancha, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de chegarmos purificados junto de Vós. Ó Deus, pastor e guia de todos os fiéis, olhai propício para o vosso servo N. , que constituístes pastor de vossa Igreja; dai-lhe, nós vos pedimos, servir por palavra e exemplo aqueles a quem governa, a fim de alcançar a vida eterna com o rebanho que lhe foi confiado. Ó Deus, nosso refúgio e fortaleza, ouvi as piedosas súplicas de vossa Igreja, Vós que sois o autor da piedade, e concedei-nos alcançar eficazmente o que com confiança vos pedimos. Por Cristo, Senhor nosso. ℟. Amém. Aqueles que desejarem além da oração final, também podem rezar/cantar também o Ofício da Imaculada Conceção disponível aqui . Primeiro dia Eis-me aqui aos vossos pés santíssimos, ó Virgem Imaculada. Alegro-me grandemente convosco, eleita desde a eternidade para ser Mãe do Verbo eterno e preservada da culpa original. Dou graças e bendigo à Santíssima Trindade, que vos enriqueceu com este privilégio em vossa Conceição, e suplico-vos humildemente que me alcanceis a graça de vencer as tristes sequelas que em mim deixou o pecado original. Fazei que eu as supere e não deixe mais de amar ao meu Deus. — Oração Final Segundo dia Ó Maria, lírio imaculado de pureza, alegro-me convosco, que desde o primeiro instante de vossa Conceição fostes cumulada de graça e recebestes o uso perfeito da razão [2]. Dou graças e adoro à Santíssima Trindade, que vos concedeu dons tão sublimes. Confundo-me todo diante de vós, vendo-me tão pobre de graça. Vós, que fostes plenamente cumulada de graça celeste, fazei-me participar e compartilhar dos tesouros de vossa Imaculada Conceição. — Oração Final Terceiro dia Ó Maria, rosa mística de pureza, alegro-me convosco, que em vossa Imaculada Conceição triunfastes gloriosamente da serpente infernal e fostes concebida sem a mancha do pecado original. Dou graças e louvo com todo o coração à Santíssima Trindade, que vos concedeu tal privilégio, e vos suplico que me alcanceis a força para superar todas as insídias do inimigo infernal e não manchar com o pecado a minha alma. Ajudai-me sempre e fazei-me, com vossa proteção, triunfar sempre do inimigo comum de nossa eterna salvação. — Oração Final Quarto dia Ó Imaculada Virgem Maria, espelho de pureza, encho-me de sumo gozo ao ver que vos foram infusos desde a vossa Conceição os dons mais sublimes e perfeitos de virtude e também todos os dons do Espírito Santo. Dou graças e louvo à Santíssima Trindade, que vos favoreceu com estes privilégios, e vos suplico, ó Mãe benigna, que me alcanceis a prática da virtude e a graça de tornar-me digno de receber os dons e a graça do Espírito Santo. — Oração Final Quinto dia Ó Maria, lua reluzente de pureza, alegro-me convosco, pois o mistério de vossa Imaculada Conceição foi o início da salvação de todo o gênero humano e a alegria do mundo inteiro. Dou graças e bendigo à Santíssima Trindade, que assim vos engrandeceu e glorificou, e vos suplico que me alcanceis a graça de saber aproveitar-me da paixão e morte do vosso Jesus. Que não seja para mim inútil o Sangue derramado na cruz, mas que eu viva santamente e me salve. — Oração Final Sexto dia Ó Maria Imaculada, estrela esplendorosa de pureza, alegro-me convosco, porque a vossa Imaculada Conceição foi motivo de grandíssima alegria para todos os anjos do paraíso. Dou graças e bendigo à Santíssima Trindade, que vos enriqueceu de tão belo privilégio. Fazei-me entrar um dia nesta alegria e poder, na companhia dos anjos, louvar-vos e bendizer-vos eternamente. — Oração Final Sétimo dia Ó Maria Imaculada, aurora nascente de pureza, alegro-me convosco, admirado de que no momento mesmo de vossa Conceição fostes confirmada em graça e tornada impecável. Dou graças e exalto à Santíssima Trindade, que vos distinguiu somente a vós com este particular privilégio. Impetrai-me, ó Virgem santa, um total e contínuo horror ao pecado, mais do que a qualquer outro mal, e que eu prefira antes morrer que voltar a pecar. — Oração Final Oitavo dia Ó Virgem Maria, sol sem mancha, alegro-me convosco, cheio de gozo por terdes recebido de Deus em vossa Conceição uma graça maior e mais copiosa que a alcançada por todos os anjos e santos no auge de seus méritos. Dou graças à Santíssima Trindade, admirado da suma beneficência com que vos dispensou este privilégio. Fazei-me corresponder à graça divina e a dela não mais abusar. Transformai-me o coração e fazei que eu me arrependa desde agora de minhas culpas. — Oração Final Nono dia Ó Maria, Virgem Imaculada, luz viva de santidade, exemplo de pureza e Mãe minha. Vós, apenas concebida, adorastes profundamente a Deus e lhe rendestes graças, já que por meio de vós, desfeita a antiga maldição, derramou-se a maior bênção sobre os filhos de Adão. Fazei que esta bênção acenda em meu coração um amor ardente a Deus. Inflamai-o vós, para que eu o ame constantemente e dele goze depois para sempre no paraíso, onde poderei dar-lhe graças mais ardentemente pelos singulares privilégios que vos concedeu e gozar de vós coroada de tanta glória. — Oração Final Notas Raccolta di orazioni e pie opere alle quali sono annesse le s. indulgenze . 11.ª ed. Roma: Dalla Tipografia Marini e Compagno, 1844, p. 203ss. É sentença piedosa, sustentada por vários teólogos importantes como, por exemplo, Santo Afonso M.ª de Ligório (cf. Glórias de Maria , p. II, d. 2, “Do nascimento de Maria”, p. 2), a de que Nossa Senhora, desde o primeiro instante de sua concepção no ventre de Sant’Ana, teria gozado do uso da razão e do livre-arbítrio, precondição necessária aos atos meritórios possibilitantes do crescimento em graça, o qual, para estes autores, se deu ao longo de toda a vida terrena de Maria. Uma segunda razão para reconhecer nela tal privilégio funda-se no que em mariologia se conhece como princípio de eminência , segundo o qual há que atribuir à Mãe de Deus, em sentido formal ou equivalente, todos os privilégios concedidos aos outros santos, desde que não sejam incompatíveis com a dignidade (por exemplo, o dom de lágrimas, que supõe o arrependimento dos pecados) nem com a missão dela neste mundo (por exemplo, o dom de línguas, ordenado à pregação pública do Evangelho entre os gentios). Ora, como a interpretação comum e tradicional dos Padres vê na pré-santificação de João Batista o uso extraordinário das faculdades intelectuais, dever-se-ia atribuí-lo também à Virgem Menina, tão-logo começou a existir. — Obviamente, nenhum católico está obrigado a aceitar essa opinião teológica . #ImaculadaConceição

  • Imagem de Nossa Senhora das Graças é vandalizada em Maceió

    A capital de Alagoas se tornou alvo de crime de intolerância religiosa na última quarta-feira (30). Rezemos em desagravo! Por ACI Digital – Uma imagem de Nossa Senhora das Graças em frente ao prédio da Associação Comercial de Maceió (AL) foi pichada com spray de tinta vermelha na madrugada de ontem. As imagens do circuito de segurança instaladas na região foram entregues a Policia Civil, que investiga se o crime foi motivado por intolerância religiosa. Em nota oficial, o arcebispo de Maceió, dom Antônio Muniz Fernandes, disse repudiar “os atos de vandalismo que tem acontecido no território arquidiocesano e em outras dioceses, em especial, o caso de vandalismo registrado no dia 30 de novembro com a imagem de Nossa Senhora das Graças, que fica em frente ao prédio da Associação Comercial, no bairro do Jaraguá”. Na nota, dom Antônio diz que “na arquidiocese, de modo específico em Maceió, há imagens de Nossa Senhora em praças, avenidas, parques e etc”. “Este gesto reforça a devoção à Mãe de Jesus, pois a arquidiocese e Maceió têm Maria como Mãe e Padroeira; e não são atos dessa natureza que afetarão a devoção e fé do povo de Deus”, escreveu o arcebispo.

  • Imagem de Nossa Senhora das Graças é vandalizada em Maceió

    A capital de Alagoas se tornou alvo de crime de intolerância religiosa na última quarta-feira (30). Rezemos em desagravo! Por ACI Digital – Uma imagem de Nossa Senhora das Graças em frente ao prédio da Associação Comercial de Maceió (AL) foi pichada com spray de tinta vermelha na madrugada de ontem. As imagens do circuito de segurança instaladas na região foram entregues a Policia Civil, que investiga se o crime foi motivado por intolerância religiosa. Em nota oficial, o arcebispo de Maceió, dom Antônio Muniz Fernandes, disse repudiar “os atos de vandalismo que tem acontecido no território arquidiocesano e em outras dioceses, em especial, o caso de vandalismo registrado no dia 30 de novembro com a imagem de Nossa Senhora das Graças, que fica em frente ao prédio da Associação Comercial, no bairro do Jaraguá”. Na nota, dom Antônio diz que “na arquidiocese, de modo específico em Maceió, há imagens de Nossa Senhora em praças, avenidas, parques e etc”. “Este gesto reforça a devoção à Mãe de Jesus, pois a arquidiocese e Maceió têm Maria como Mãe e Padroeira; e não são atos dessa natureza que afetarão a devoção e fé do povo de Deus”, escreveu o arcebispo.

  • Novena a Imaculada Conceição – de 29 de Novembro a 7 de Dezembro

    “A beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original”, afirma a Bula “Ineffabilis Deus” sobre a Imaculada Conceição de Maria. Há Há poucos dias desta grade solenidade mariana, que é celebrada em 8 de dezembro, apresentamos esta poderosa novena para pedir a intercessão da Virgem Maria junto a Deus. Oração para todos os dias Deus vos salve, Maria, cheia de graça e bendita mais que todas as mulheres, Virgem singular, Virgem soberana e perfeita, eleita por Mãe de Deus e preservada por Ele de toda culpa desde o primeiro instante de sua Concepção: Assim como por Eva nos veio a morte, assim nos vem a vida por ti, que pela graça de Deus tens sido eleita para ser Mãe do novo povo que Jesus Cristo tem formado com seu Sangue. A ti, puríssima Mãe, restauradora da caída linhagem de Adão e Eva, viemos confiantes e suplicantes nesta novena, para rogar que nos concedas a graça de sermos verdadeiros filhos teus e de teu Filho Jesus Cristo, livres de toda mancha de pecado. Confiantes, Virgem Santíssima, que haveis sido feita Mãe de Deus, não somente para vossa dignidade e glória, senão também para salvação nossa e proveito de todo o gênero humano. Confiantes que jamais se tem ouvido dizer que um somente de quantos tem acudido a vossa proteção e implorado vosso socorro, tem já sido desamparado. Não me deixeis, pois, a mim tampouco, porque se me deixais me perderei; Que eu tampouco quero deixar a vos, antes bem, cada dia quero crescer mais em vossa verdadeira devoção. Alcançai-me principalmente estas três graças: A primeira, não cometer jamais pecado mortal; A segunda, um grande apreço da virtude cristã, A terceira, uma boa morte. Além disso, dai-me a graça particular que vos peço nesta novena. Fazer aqui o pedido que se deseja obter. 2 – Meditação do dia (Escolha o dia da novena) 1º dia 2º dia 3º dia 4º dia 5º dia 6º dia 7º dia 8º dia 9º dia Orações finais Bendita seja tua pureza e eternamente o seja, pois todo um Deus se recreia em tão graciosa beleza. A ti, celestial Princesa, Virgem Sagrada Maria, vos ofereço neste dia alma, vida e coração. Olhai-me com compaixão, não me deixes, Mãe minha. 🙏Rezar três Ave-Marias. Tua Imaculada Concepção, Oh! Virgem Mãe de Deus, anunciou alegria ao universo inteiro. Oração Oh! Deus meu, que pela Imaculada Concepção da Virgem, preparaste digna habitação a teu Filho: Vos rogamos que, assim como pela previsão da morte de teu Filho livrai-vos a ela de toda mancha, assim a nós nos concedas por sua intercessão chegar a Vós limpos de pecado. Pelo mesmo Senhor nosso Jesus Cristo. Amém. Primeiro dia Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso: Assim como preservaste a Maria do pecado original em sua Imaculada Concepção, e a nós nos fizeste o grande beneficio de livramos dele por meio de teu Santo batismo, assim vos rogamos humildemente nos concedas a graça de nos portarmos sempre como bons cristãos, regenerados em ti, Nosso Pai Altíssimo. Orações Finais Segundo dia Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso: Assim como preservaste a Maria de todo pecado mortal em toda sua vida e a nós nos dais graça para evita-lo e o Sacramento da confissão para remedia-lo, assim vos rogamos humildemente, por intercessão de tua Mãe Imaculada, nos concedas a graça de não cometer nunca pecado mortal, e se acontecer tão terrível desgraça, a de sair dele quanto antes por meio de uma boa confissão. Orações Finais Terceiro dia Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso: Assim como preservaste a Maria de todo pecado venial em toda sua vida, e a nós nos pedes que purifiquemos mais e mais nossas almas para sermos dignos de ti, assim vos rogamos humildemente, por intercessão de tua Mãe Imaculada, nos concedas a graça de evitar os pecados veniais e a de procurar e obter cada dia mais pureza e delicadeza de consciência. Orações Finais Quarto dia Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso: Assim como livrais a Maria da inclinação ao pecado e lhe destes domínio perfeito sobre todas suas paixões, assim vos rogamos humildemente, por intercessão de Maria Imaculada, nos concedas a graça de ir domando nossas paixões e destruindo nossas más inclinações, para que vos possamos servir, com verdadeira liberdade de espírito, sem imperfeição nenhuma. Orações Finais Quinto dia Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso: Assim como, desde o primeiro instante de sua Concepção, destes a Maria mais graça que a todos os Santos e anjos do céu, assim vos rogamos humildemente, por intercessão de tua Mãe Imaculada, nos inspires um apreço singular da divina graça que Vós nos adquiriste com teu sangue, e nos concedas o aumentar mais e mais com nossas boas obras e com a recepção de teus Santos Sacramentos, especialmente o da Comunhão. Orações Finais Sexto dia Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso: Assim como, desde o primeiro momento, destes a Maria, com toda plenitude, as virtudes sobrenaturais e os dons do Espírito Santo, assim vos suplicamos humildemente, por intercessão de tua Mãe Imaculada, nos concedas a nós a abundancia destes mesmos dons e virtudes, para que possamos vencer todas as tentações e tenhamos muitos atos de virtude dignos de nossa profissão de cristãos. Orações Finais Sétimo dia Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso: Assim como destes a Maria, entre as demais virtudes, uma pureza e castidade eximia, pela qual é chamada Virgem das virgens, assim vos suplicamos, por intercessão de tua Mãe Imaculada, nos concedas a dificilíssima virtude da castidade, que tantos tem conservado mediante a devoção da Virgem e tua proteção. Orações Finais Oitavo dia Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso: Assim como destes a Maria a graça de uma ardentíssima caridade e amor de Deus sobre todas as coisas, assim vos rogamos humildemente, por intercessão de tua Mãe Imaculada, nos concedas um amor sincero de ti, Oh! Deus Senhor nosso! Nosso verdadeiro bem, nosso bem feitor, nosso Pai, e que antes queiramos perder todas as coisas que ofender-Vos com um somente pecado. Orações Finais Nono dia Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso: Assim como tens concedido a Maria a graça de ir ao céu e de ser nele colocada no primeiro lugar depois de Vós, vos suplicamos humildemente, por intercessão de Maria Imaculada, nos concedas uma boa morte, que recebamos bem os últimos sacramentos, que expiremos sem mancha nenhuma de pecado na consciência e vamos ao céu, para sempre aproveitar, em tua companhia e a de nossa Mãe, com todos os que se tem salvado por ela. Orações Finais Por ACI Digital #FestasdeNossaSenhora #NossaSenhora #Novena

  • Novena a Imaculada Conceição – de 29 de Novembro a 7 de Dezembro

    “A beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original”, afirma a Bula “Ineffabilis Deus” sobre a Imaculada Conceição de Maria. Há Há poucos dias desta grade solenidade mariana, que é celebrada em 8 de dezembro, apresentamos esta poderosa novena para pedir a intercessão da Virgem Maria junto a Deus. Oração para todos os dias Deus vos salve, Maria, cheia de graça e bendita mais que todas as mulheres, Virgem singular, Virgem soberana e perfeita, eleita por Mãe de Deus e preservada por Ele de toda culpa desde o primeiro instante de sua Concepção: Assim como por Eva nos veio a morte, assim nos vem a vida por ti, que pela graça de Deus tens sido eleita para ser Mãe do novo povo que Jesus Cristo tem formado com seu Sangue. A ti, puríssima Mãe, restauradora da caída linhagem de Adão e Eva, viemos confiantes e suplicantes nesta novena, para rogar que nos concedas a graça de sermos verdadeiros filhos teus e de teu Filho Jesus Cristo, livres de toda mancha de pecado. Confiantes, Virgem Santíssima, que haveis sido feita Mãe de Deus, não somente para vossa dignidade e glória, senão também para salvação nossa e proveito de todo o gênero humano. Confiantes que jamais se tem ouvido dizer que um somente de quantos tem acudido a vossa proteção e implorado vosso socorro, tem já sido desamparado. Não me deixeis, pois, a mim tampouco, porque se me deixais me perderei; Que eu tampouco quero deixar a vos, antes bem, cada dia quero crescer mais em vossa verdadeira devoção. Alcançai-me principalmente estas três graças: A primeira, não cometer jamais pecado mortal; A segunda, um grande apreço da virtude cristã, A terceira, uma boa morte. Além disso, dai-me a graça particular que vos peço nesta novena. Fazer aqui o pedido que se deseja obter. 2 – Meditação do dia (Escolha o dia da novena) 1º dia 2º dia 3º dia 4º dia 5º dia 6º dia 7º dia 8º dia 9º dia Orações finais Bendita seja tua pureza e eternamente o seja, pois todo um Deus se recreia em tão graciosa beleza. A ti, celestial Princesa, Virgem Sagrada Maria, vos ofereço neste dia alma, vida e coração. Olhai-me com compaixão, não me deixes, Mãe minha. 🙏Rezar três Ave-Marias. Tua Imaculada Concepção, Oh! Virgem Mãe de Deus, anunciou alegria ao universo inteiro. Oração Oh! Deus meu, que pela Imaculada Concepção da Virgem, preparaste digna habitação a teu Filho: Vos rogamos que, assim como pela previsão da morte de teu Filho livrai-vos a ela de toda mancha, assim a nós nos concedas por sua intercessão chegar a Vós limpos de pecado. Pelo mesmo Senhor nosso Jesus Cristo. Amém. Primeiro dia Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso: Assim como preservaste a Maria do pecado original em sua Imaculada Concepção, e a nós nos fizeste o grande beneficio de livramos dele por meio de teu Santo batismo, assim vos rogamos humildemente nos concedas a graça de nos portarmos sempre como bons cristãos, regenerados em ti, Nosso Pai Altíssimo. Orações Finais Segundo dia Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso: Assim como preservaste a Maria de todo pecado mortal em toda sua vida e a nós nos dais graça para evita-lo e o Sacramento da confissão para remedia-lo, assim vos rogamos humildemente, por intercessão de tua Mãe Imaculada, nos concedas a graça de não cometer nunca pecado mortal, e se acontecer tão terrível desgraça, a de sair dele quanto antes por meio de uma boa confissão. Orações Finais Terceiro dia Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso: Assim como preservaste a Maria de todo pecado venial em toda sua vida, e a nós nos pedes que purifiquemos mais e mais nossas almas para sermos dignos de ti, assim vos rogamos humildemente, por intercessão de tua Mãe Imaculada, nos concedas a graça de evitar os pecados veniais e a de procurar e obter cada dia mais pureza e delicadeza de consciência. Orações Finais Quarto dia Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso: Assim como livrais a Maria da inclinação ao pecado e lhe destes domínio perfeito sobre todas suas paixões, assim vos rogamos humildemente, por intercessão de Maria Imaculada, nos concedas a graça de ir domando nossas paixões e destruindo nossas más inclinações, para que vos possamos servir, com verdadeira liberdade de espírito, sem imperfeição nenhuma. Orações Finais Quinto dia Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso: Assim como, desde o primeiro instante de sua Concepção, destes a Maria mais graça que a todos os Santos e anjos do céu, assim vos rogamos humildemente, por intercessão de tua Mãe Imaculada, nos inspires um apreço singular da divina graça que Vós nos adquiriste com teu sangue, e nos concedas o aumentar mais e mais com nossas boas obras e com a recepção de teus Santos Sacramentos, especialmente o da Comunhão. Orações Finais Sexto dia Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso: Assim como, desde o primeiro momento, destes a Maria, com toda plenitude, as virtudes sobrenaturais e os dons do Espírito Santo, assim vos suplicamos humildemente, por intercessão de tua Mãe Imaculada, nos concedas a nós a abundancia destes mesmos dons e virtudes, para que possamos vencer todas as tentações e tenhamos muitos atos de virtude dignos de nossa profissão de cristãos. Orações Finais Sétimo dia Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso: Assim como destes a Maria, entre as demais virtudes, uma pureza e castidade eximia, pela qual é chamada Virgem das virgens, assim vos suplicamos, por intercessão de tua Mãe Imaculada, nos concedas a dificilíssima virtude da castidade, que tantos tem conservado mediante a devoção da Virgem e tua proteção. Orações Finais Oitavo dia Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso: Assim como destes a Maria a graça de uma ardentíssima caridade e amor de Deus sobre todas as coisas, assim vos rogamos humildemente, por intercessão de tua Mãe Imaculada, nos concedas um amor sincero de ti, Oh! Deus Senhor nosso! Nosso verdadeiro bem, nosso bem feitor, nosso Pai, e que antes queiramos perder todas as coisas que ofender-Vos com um somente pecado. Orações Finais Nono dia Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso: Assim como tens concedido a Maria a graça de ir ao céu e de ser nele colocada no primeiro lugar depois de Vós, vos suplicamos humildemente, por intercessão de Maria Imaculada, nos concedas uma boa morte, que recebamos bem os últimos sacramentos, que expiremos sem mancha nenhuma de pecado na consciência e vamos ao céu, para sempre aproveitar, em tua companhia e a de nossa Mãe, com todos os que se tem salvado por ela. Orações Finais Por ACI Digital #FestasdeNossaSenhora #NossaSenhora #Novena

  • Brasil: o futuro de sofrimento, provações e conflitos que se aproxima.

    O Brasil vive um momento único e decisivo em sua história e não podemos nos silenciar diante da censura e a tirania daqueles que fizeram de tudo para passar por cima da lei e dos brasileiros. O que podemos esperar e fazer diante deste cenário caótico? Este é o tema da formação especial de hoje… Para assistir, acesse: #Política

  • Brasil: o futuro de sofrimento, provações e conflitos que se aproxima.

    O Brasil vive um momento único e decisivo em sua história e não podemos nos silenciar diante da censura e a tirania daqueles que fizeram de tudo para passar por cima da lei e dos brasileiros. O que podemos esperar e fazer diante deste cenário caótico? Este é o tema da formação especial de hoje… Para assistir, acesse: #Política

  • Morte… o instante em que tudo muda

    Considerai que sois pó, e que em pó vos haveis de tornar. Virá um dia em que morrereis e sereis lançado à podridão num fosso, onde o vosso único vestido serão os vermes. Tal é a sorte reservada a todos os homens, aos nobres e aos plebeus, aos príncipes e aos vassalos. Logo que a alma saia do corpo com o último suspiro, dirigir-se-á à eternidade e o corpo deverá reduzir-se a pó. Imaginai que estais vendo uma pessoa que acaba de exalar o último suspiro; considerai esse cadáver deitado ainda no leito, com a cabeça pendida sobre o peito, os cabelos em desalinho banhados ainda nos suores da morte, os olhos encovados, as faces descarnadas, o rosto acinzentado, a língua e os lábios cor de ferro… o corpo frio e pesado. Empalidece e treme quem quer que o vê. Quantas pessoas, à vista de um parente ou de um amigo morto, não mudaram de vida e não deixaram o mundo! Mais horrível ainda é o cadáver quando principia a corromper-se. Há apenas 24 horas que esse moço morreu, e já o mau cheiro se começa a sentir. É preciso abrir as janelas e queimar incenso; é preciso quanto antes enviar esse corpo à igreja e entregá-lo à terra, com receio de que venha a infectar toda a casa… No que se tornou esse orgulhoso, esse dissoluto! Ainda há pouco acolhido e desejado nas sociedades, agora objeto de horror e de desgosto para quem o vê! …. Há bem poucos instantes ainda, não se falava senão do seu espírito, da sua polidez, das suas belas maneiras, dos seus bons ditos; mas apenas está morto, já se perdeu a lembrança de tudo isto. Santo Afonso de Ligório in ‘Preparação para a Morte’ (Edit. Parceria António Maria Pereira, Lisboa, 5a. edição, 1922, p. 10 e ss) Via Senza Pagare #Morte

  • Morte… o instante em que tudo muda

    Considerai que sois pó, e que em pó vos haveis de tornar. Virá um dia em que morrereis e sereis lançado à podridão num fosso, onde o vosso único vestido serão os vermes. Tal é a sorte reservada a todos os homens, aos nobres e aos plebeus, aos príncipes e aos vassalos. Logo que a alma saia do corpo com o último suspiro, dirigir-se-á à eternidade e o corpo deverá reduzir-se a pó. Imaginai que estais vendo uma pessoa que acaba de exalar o último suspiro; considerai esse cadáver deitado ainda no leito, com a cabeça pendida sobre o peito, os cabelos em desalinho banhados ainda nos suores da morte, os olhos encovados, as faces descarnadas, o rosto acinzentado, a língua e os lábios cor de ferro… o corpo frio e pesado. Empalidece e treme quem quer que o vê. Quantas pessoas, à vista de um parente ou de um amigo morto, não mudaram de vida e não deixaram o mundo! Mais horrível ainda é o cadáver quando principia a corromper-se. Há apenas 24 horas que esse moço morreu, e já o mau cheiro se começa a sentir. É preciso abrir as janelas e queimar incenso; é preciso quanto antes enviar esse corpo à igreja e entregá-lo à terra, com receio de que venha a infectar toda a casa… No que se tornou esse orgulhoso, esse dissoluto! Ainda há pouco acolhido e desejado nas sociedades, agora objeto de horror e de desgosto para quem o vê! …. Há bem poucos instantes ainda, não se falava senão do seu espírito, da sua polidez, das suas belas maneiras, dos seus bons ditos; mas apenas está morto, já se perdeu a lembrança de tudo isto. Santo Afonso de Ligório in ‘Preparação para a Morte’ (Edit. Parceria António Maria Pereira, Lisboa, 5a. edição, 1922, p. 10 e ss) Via Senza Pagare #Morte

  • Irmã Cristina, a freira que ganhou o The Voice na Itália, deixa o hábito

    Irmã Cristina, a freira italiana que venceu o concurso musical de “The Voice”, abandonou seu hábito religioso, voltando a ser simplesmente Cristina Scuccia. “Deus ainda está em mim, mas houve uma mudança evolutiva”, disse ele a Silvia Toffanin, no programa de Verissimo. Irmã Cristina, chegou à fama em 2014 interpretando “No One” de Alicia Keys em sua primeira apresentação e finalmente venceu o programa, embarcou em uma carreira como cantora e se juntou ao elenco do musical “Mudança de Hábito”, além de aparecer em 2016 entre as protagonistas do musical “Titanic”, mas sem abandonar a vida religiosa. A ex-freira contou ao programa que “foram 15 anos de vida religiosa, os melhores anos da minha vida, o que me fez crescer muito, mas foi uma mudança minha, um crescimento. Fiz essa escolha quando tinha 19 anos, quando conheci as Irmãs Ursulinas, minha mãe me pediu para desempenhar o papel da Irmã Rosa, que fundou a congregação, no musical para o centenário do nascimento da congregação. No começo eu não queria saber, depois aceitei. Cristina Scuccia apareceu no programa já vestida como uma leiga em um terno vermelho, e anunciou que havia deixado a vida religiosa. Além disso, a ex-freira italiana revelou que atualmente vive na Espanha, onde continua a cultivar sua paixão pela música e trabalha como garçonete. Vida depois de deixar a congregação Não foi fácil comunicar essa mudança também à sua família, embora tenha sido o resultado de um caminho doloroso, do qual a mãe reconheceu sem esconder seu medo e desorientação para o que é, para todos os efeitos, um salto para o vazio. Após 15 anos de vida religiosa, explicou que “esta exposição mediática, ao longo do tempo, foi o motor de muitas perguntas” e que tudo foi precipitado pela pandemia, quando tudo parou e pôde refletir se estava feliz. Ela explicou que teve que ser ajudada por uma psicóloga porque não conseguia sair “da escuridão”. “Eu não entendia quem ele era. Nunca neguei a Deus, mas não tinha o meu hábito”, acrescentou. Sobre se ela vai encontrar o amor, a ex-religiosa disse que “ela acredita no amor, mas não é algo que ela considera agora”. “Não é minha prioridade agora. Você tem que cuidar de si mesmo, amar a si mesmo, antes de poder amar os outros”, disse ele. Nascida em 1988 em Vittoria, na Sicília (sul), entrou para o convento aos 19 anos. Depois de ser descoberta pelo “The Voice Italia” em um concurso de canto religioso, ela foi chamada para participar do programa de televisão. Sua audição para “The Voice” com “No One”, de Alicia Keys, ultrapassou 90 milhões de visualizações no YouTube em uma semana e, durante o programa, recebeu elogios de uma das juradas, Raffaella Carrà, que garantiu que a irmã Cristina “nasceu para estar no palco”.

  • Irmã Cristina, a freira que ganhou o The Voice na Itália, deixa o hábito

    Irmã Cristina, a freira italiana que venceu o concurso musical de “The Voice”, abandonou seu hábito religioso, voltando a ser simplesmente Cristina Scuccia. “Deus ainda está em mim, mas houve uma mudança evolutiva”, disse ele a Silvia Toffanin, no programa de Verissimo. Irmã Cristina, chegou à fama em 2014 interpretando “No One” de Alicia Keys em sua primeira apresentação e finalmente venceu o programa, embarcou em uma carreira como cantora e se juntou ao elenco do musical “Mudança de Hábito”, além de aparecer em 2016 entre as protagonistas do musical “Titanic”, mas sem abandonar a vida religiosa. A ex-freira contou ao programa que “foram 15 anos de vida religiosa, os melhores anos da minha vida, o que me fez crescer muito, mas foi uma mudança minha, um crescimento. Fiz essa escolha quando tinha 19 anos, quando conheci as Irmãs Ursulinas, minha mãe me pediu para desempenhar o papel da Irmã Rosa, que fundou a congregação, no musical para o centenário do nascimento da congregação. No começo eu não queria saber, depois aceitei. Cristina Scuccia apareceu no programa já vestida como uma leiga em um terno vermelho, e anunciou que havia deixado a vida religiosa. Além disso, a ex-freira italiana revelou que atualmente vive na Espanha, onde continua a cultivar sua paixão pela música e trabalha como garçonete. Vida depois de deixar a congregação Não foi fácil comunicar essa mudança também à sua família, embora tenha sido o resultado de um caminho doloroso, do qual a mãe reconheceu sem esconder seu medo e desorientação para o que é, para todos os efeitos, um salto para o vazio. Após 15 anos de vida religiosa, explicou que “esta exposição mediática, ao longo do tempo, foi o motor de muitas perguntas” e que tudo foi precipitado pela pandemia, quando tudo parou e pôde refletir se estava feliz. Ela explicou que teve que ser ajudada por uma psicóloga porque não conseguia sair “da escuridão”. “Eu não entendia quem ele era. Nunca neguei a Deus, mas não tinha o meu hábito”, acrescentou. Sobre se ela vai encontrar o amor, a ex-religiosa disse que “ela acredita no amor, mas não é algo que ela considera agora”. “Não é minha prioridade agora. Você tem que cuidar de si mesmo, amar a si mesmo, antes de poder amar os outros”, disse ele. Nascida em 1988 em Vittoria, na Sicília (sul), entrou para o convento aos 19 anos. Depois de ser descoberta pelo “The Voice Italia” em um concurso de canto religioso, ela foi chamada para participar do programa de televisão. Sua audição para “The Voice” com “No One”, de Alicia Keys, ultrapassou 90 milhões de visualizações no YouTube em uma semana e, durante o programa, recebeu elogios de uma das juradas, Raffaella Carrà, que garantiu que a irmã Cristina “nasceu para estar no palco”.

  • Documentário sobre Madre Teresa estreia nos cinemas em sessões exclusivas

    Primeiras exibições de Madre Teresa – Amor Maior Não Há no Brasil acontecem nesta segunda e terça-feira, exclusivamente nos cinemas SÃO PAULO, 21 de novembro de 2022 – Após bem-sucedidas exibições nos Estados Unidos, estreia nos cinemas do Brasil “ Madre Teresa – Amor Maior Não Há”, com sessões exclusivas nos dias 21, 22, 28 e 29 de novembro. Financiado e produzido pela organização Cavaleiros de Colombo, o documentário narra a história da santa do século 20 e o impacto que ela e sua congregação religiosa – fundada em 1950, em Calcutá – as Missionárias da Caridade, tiveram na vida das pessoas a quem serviram em todo o mundo. “Madre Teresa – Amor Maior Não Há” foi filmado em cinco continentes e contém entrevistas, vídeos inéditos, que contam etapas marcantes da vida de Santa Teresa de Calcutá, que faleceu há 25 anos. O filme foi roteirizado e dirigido por David Naglieri, premiado por outras produções católicas e traz imagens inéditas de arquivos institucionais e do apostolado das Missionárias da Caridade em diversos países, inclusive no Brasil, de onde foi reconhecido o milagre que corroborou para a canonização da religiosa. O documentário conta com o depoimento de Marcílio Haddad, paulista curado de uma grave enfermidade, por intercessão da santa. (Madre Teresa intercedeu, e o milagre aconteceu – reportagem sobre a história de Marcílio ) Acompanhando momentos da vida de Madre Teresa, o documentário aborda sua profunda espiritualidade e o impacto que ela teve — e continua ter — na vida de católicos e não católicos em todo o mundo. Além disso, mostra seus períodos admitidos de escuridão espiritual e a amizade com outro santo venerado, o Papa João Paulo II. “Este documentário tem uma relevância muito forte neste momento, porque Madre Teresa é sinônimo de amor, e o que nós mais precisamos na nossa vida, na nossa sociedade, na nossa Igreja, na nossa família é amor” , reflete a diretora executiva e fundadora da Kolbe Arte Produções, Angela Morais. “ Em Madre Teresa identificamos essa característica. Então, acho que nós, quando assistimos pela primeira vez ao filme, conseguimos entender imediatamente esse amor sem limites” . Assista ao trailer: Santa Teresa de Calcutá Santa Teresa de Calcutá nasceu em 26 de agosto de 1910, em Escópia, onde hoje é a Macedônia do Norte. Ela se juntou às Irmãs de Loretto aos 17 anos e fundou as Missionárias da Caridade em 1950, em Calcutá, Índia. Hoje, a sede da comunidade ainda está em Calcutá, com casas em todo o mundo. A santa recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1979 por seu serviço aos pobres. Morreu em 5 de setembro de 1997 e foi canonizada pelo Papa Francisco em 4 de setembro de 2016. Sinopse Vinte e cinco anos se passaram desde a morte de Madre Teresa de Calcutá, despertando um interesse renovado por esta grande referência espiritual do século XX. Filmado nos cinco continentes, com acesso sem precedentes a arquivos institucionais e ao apostolado das Missionárias da Caridade, Madre Teresa – Amor Maior Não Há revela não apenas quem foi a religiosa e santa, mas também como sua visão singular de servir a Cristo nos pobres continua a ser realizada hoje, através do trabalho da congregação por ela fundada. Mais do que um documentário, é ao mesmo tempo um tributo sublime a um ícone espiritual, um testemunho poderoso da autêntica caridade cristã e um guia para todos os que buscam esperança em nossos tempos turbulentos. Ficha Técnica Madre Teresa – Amor Maior Não Há (Mother Teresa – No Greater Love) Duração:1h 55min Ano: 2022 Gênero: Docudrama Diretor e Roteirista: David Naglieri Produtor: Tim Moriarty Diretor de Fotografia: George Hosek Editor: Marc Boudignon Sobre a Kolbe Arte Produções A Kolbe Arte Produções surgiu em 2010, a partir da percepção de que o meio cristão necessitava desenvolver estratégias para melhor se comunicar com seus fiéis e transmitir sua mensagem de forma eficaz e condizente com seus valores. Aliando a experiência de mais de 20 anos em movimentos e veículos de comunicação da Igreja Católica à especialização nessa área, uma equipe formada por profissionais das áreas de relações públicas, jornalismo e marketing, trabalham para atender instituições e empresas interessadas em se comunicar com o público religioso. Há 12 anos, a Kolbe Arte Produções trabalha com produção, realização e divulgação de eventos culturais. Desde 2019, também atua na promoção de filmes com temática religiosa, especialmente de produções voltadas para o público católico brasileiro. Assista ao trailer de “Madre Teresa: Amor Maior Não Há” Para conferir cinemas, locais e horário de exibições, acesse: cinetks.com.br/madre-teresa

  • Documentário sobre Madre Teresa estreia nos cinemas em sessões exclusivas

    Primeiras exibições de Madre Teresa – Amor Maior Não Há no Brasil acontecem nesta segunda e terça-feira, exclusivamente nos cinemas SÃO PAULO, 21 de novembro de 2022 – Após bem-sucedidas exibições nos Estados Unidos, estreia nos cinemas do Brasil “ Madre Teresa – Amor Maior Não Há”, com sessões exclusivas nos dias 21, 22, 28 e 29 de novembro. Financiado e produzido pela organização Cavaleiros de Colombo, o documentário narra a história da santa do século 20 e o impacto que ela e sua congregação religiosa – fundada em 1950, em Calcutá – as Missionárias da Caridade, tiveram na vida das pessoas a quem serviram em todo o mundo. “Madre Teresa – Amor Maior Não Há” foi filmado em cinco continentes e contém entrevistas, vídeos inéditos, que contam etapas marcantes da vida de Santa Teresa de Calcutá, que faleceu há 25 anos. O filme foi roteirizado e dirigido por David Naglieri, premiado por outras produções católicas e traz imagens inéditas de arquivos institucionais e do apostolado das Missionárias da Caridade em diversos países, inclusive no Brasil, de onde foi reconhecido o milagre que corroborou para a canonização da religiosa. O documentário conta com o depoimento de Marcílio Haddad, paulista curado de uma grave enfermidade, por intercessão da santa. (Madre Teresa intercedeu, e o milagre aconteceu – reportagem sobre a história de Marcílio ) Acompanhando momentos da vida de Madre Teresa, o documentário aborda sua profunda espiritualidade e o impacto que ela teve — e continua ter — na vida de católicos e não católicos em todo o mundo. Além disso, mostra seus períodos admitidos de escuridão espiritual e a amizade com outro santo venerado, o Papa João Paulo II. “Este documentário tem uma relevância muito forte neste momento, porque Madre Teresa é sinônimo de amor, e o que nós mais precisamos na nossa vida, na nossa sociedade, na nossa Igreja, na nossa família é amor” , reflete a diretora executiva e fundadora da Kolbe Arte Produções, Angela Morais. “ Em Madre Teresa identificamos essa característica. Então, acho que nós, quando assistimos pela primeira vez ao filme, conseguimos entender imediatamente esse amor sem limites” . Assista ao trailer: Santa Teresa de Calcutá Santa Teresa de Calcutá nasceu em 26 de agosto de 1910, em Escópia, onde hoje é a Macedônia do Norte. Ela se juntou às Irmãs de Loretto aos 17 anos e fundou as Missionárias da Caridade em 1950, em Calcutá, Índia. Hoje, a sede da comunidade ainda está em Calcutá, com casas em todo o mundo. A santa recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1979 por seu serviço aos pobres. Morreu em 5 de setembro de 1997 e foi canonizada pelo Papa Francisco em 4 de setembro de 2016. Sinopse Vinte e cinco anos se passaram desde a morte de Madre Teresa de Calcutá, despertando um interesse renovado por esta grande referência espiritual do século XX. Filmado nos cinco continentes, com acesso sem precedentes a arquivos institucionais e ao apostolado das Missionárias da Caridade, Madre Teresa – Amor Maior Não Há revela não apenas quem foi a religiosa e santa, mas também como sua visão singular de servir a Cristo nos pobres continua a ser realizada hoje, através do trabalho da congregação por ela fundada. Mais do que um documentário, é ao mesmo tempo um tributo sublime a um ícone espiritual, um testemunho poderoso da autêntica caridade cristã e um guia para todos os que buscam esperança em nossos tempos turbulentos. Ficha Técnica Madre Teresa – Amor Maior Não Há (Mother Teresa – No Greater Love) Duração:1h 55min Ano: 2022 Gênero: Docudrama Diretor e Roteirista: David Naglieri Produtor: Tim Moriarty Diretor de Fotografia: George Hosek Editor: Marc Boudignon Sobre a Kolbe Arte Produções A Kolbe Arte Produções surgiu em 2010, a partir da percepção de que o meio cristão necessitava desenvolver estratégias para melhor se comunicar com seus fiéis e transmitir sua mensagem de forma eficaz e condizente com seus valores. Aliando a experiência de mais de 20 anos em movimentos e veículos de comunicação da Igreja Católica à especialização nessa área, uma equipe formada por profissionais das áreas de relações públicas, jornalismo e marketing, trabalham para atender instituições e empresas interessadas em se comunicar com o público religioso. Há 12 anos, a Kolbe Arte Produções trabalha com produção, realização e divulgação de eventos culturais. Desde 2019, também atua na promoção de filmes com temática religiosa, especialmente de produções voltadas para o público católico brasileiro. Assista ao trailer de “Madre Teresa: Amor Maior Não Há” Para conferir cinemas, locais e horário de exibições, acesse: cinetks.com.br/madre-teresa

  • Sacerdotes exorcistas convocam jornada de oração e jejum para 6 de dezembro

    Os padres sugerem o Rosário e as orações ao Sagrado Coração, bem como “alguma forma de penitência, como jejum, abstinência e outras formas de mortificação”, na intenção de “expulsar toda influência diabólica na Igreja, resultante de acontecimentos recentes” (Aleteia) Quatro sacerdotes exorcistas dos Estados Unidos, que pediram anonimato, lançaram apelo mediante o respeitado jornal católico norte-americano National Catholic Register para que, em todo o mundo, os católicos se unam numa jornada penitencial de oração e jejum no próximo dia 6 de dezembro com a intenção de “expulsar toda influência diabólica na Igreja, resultante de acontecimentos recentes“. Eles pediram que os fiéis ofereçam nessa jornada a oração do Santo Rosário, além de sacrifícios pessoais como o jejum e a abstinência, o ato de consagração da humanidade ao Sagrado Coração de Jesus e o ato de reparação ao Sagrado Coração de Jesus. “Outros atos recomendados que encorajamos por essa intenção é fazer uma Hora Santa diante do Santíssimo Sacramento e assistir à Missa nesse dia, oferecendo os méritos da Missa por essa mesma intenção. Estamos incentivando todos os católicos que reconhecem o mal desses eventos a se unirem a nós num dia de oração e penitência, em 6 de dezembro, com o propósito de expulsar toda influência diabólica dentro da Igreja, resultante desses eventos recentes, junto com qualquer outro evento”. Os exorcistas destacaram a importância da luta espiritual na Igreja e denunciaram pecados como a idolatria, enquanto que a reparação pede perdão pelos pecados pessoais, as ofensas à modéstia cristã, os ataques à inocência, a profanidade aos domingos e dias de preceito e as blasfêmias. Segue a declaração completa: À luz dos eventos recentes sobre o ritual Pachamama nos Jardins do Vaticano, a subsequente procissão do ídolo em São Pedro, bem como a colocação dos ídolos na igreja de Santa Maria na Traspontina, lembramos as palavras de São Paulo ( 1 Coríntios 10:20): “Digo que o que é oferecido em sacrifício aos ídolos, é alguma coisa? Ou que o ídolo é alguma coisa? Mas as coisas que os pagãos sacrificam, eles sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não gostaria que você se tornasse participante de demônios. Os Salmos (95: 5) nos dizem que “todos os deuses dos gentios são demônios; mas o Senhor fez os céus.” Esses eventos trazem à tona a realidade de que (Efésios 6:12) “nossa luta não é contra carne e sangue ; mas contra principados e poder, contra os governantes do mundo das trevas, contra os espíritos da iniqüidade nos altos. ”Esses eventos trazem à tona a realidade de que estamos na guerra espiritual e que a guerra está acontecendo dentro da própria Igreja. Estamos, portanto, incentivando todos os católicos que reconhecem o mal dos eventos a se juntarem a nós em um dia de oração e penitência em 6 de dezembro, com o objetivo de expulsar qualquer influência diabólica na Igreja que tenha sido obtida como resultado disso. eventos recentes – junto com outros eventos. Solicitamos a todos os participantes que façam o seguinte para essa intenção: 1.) Reze o terço; 2.) assumir alguma forma de penitência, como jejum, abstinência e outras formas de mortificação; 3.) oferecer as orações ao Sagrado Coração, como visto abaixo. Outros atos recomendados que incentivamos outras pessoas a fazer para essa intenção são fazer uma Hora Santa em frente ao Santíssimo Sacramento e assistir à Missa naquele dia, oferecendo os méritos da Missa para essa intenção. Que a Divina Misericórdia repouse sobre todos nós. Ato de consagração da humanidade ao Sagrado Coração (da Carta Encíclica ‘Annum Sacrum’, de Leão XIII) Ó Dulcíssimo Jesus, ó Redentor do gênero humano, lançai um olhar sobre nós, humildemente prostrados diante do vosso Altar! Somos vossos e vossos queremos ser; e para podermos viver mais estreitamente unidos a Vós, eis que cada um de nós se consagra ao vosso Sacratíssimo Coração. Muitos, porém, já não vos conhecem; muitos, ao desprezar os vossos Mandamentos, repudiam-Vos. O Benigníssimo Jesus, tende piedade de uns e de outros; e atraí todos ao vosso Coração Santíssimo. Oh Senhor, sê o Rei não só dos fiéis que não se distanciaram de Vós, mas também destes filhos pródigos que Vos abandonaram; fazei com que estes retornem à Casa Paterna o quanto antes para não morrerem de miséria e fome. Sê o Rei de todos os que vivem no engano do erro ou que por discordarem de Vós se separaram; chamai-os ao Porto da Verdade e da Unidade da Fé para que assim, em breve, não haja mais que um só rebanho sob um só Pastor. Sê finalmente o Rei de todos os que estão envoltos nas superstições do paganismo e não recuseis tirá-los das trevas para traze-los à Luz do Reino de Deus. Obtende, ó Senhor, a integridade e liberdade segura para a vossa Igreja; dai a todo o povo a tranquilidade da ordem; fazei com que de uma extremidade à outra da Terra ressoe esta única voz: “Seja louvado este Coração do qual provém a nossa salvação! A Ele a Glória e a Honra pelos séculos! Amém!”. Ato de reparação ao Sagrado Coração Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é por eles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados na Vossa presença, para Vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é de toda parte alvejado o Vosso amorosíssimo coração. Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós mais de uma vez cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos a Vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, senão também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não Vos querendo como pastor e guia, ou, conculcando as promessas do batismo, sacudiram o suavíssimo jugo da Vossa santa lei. De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-Vos, mais particularmente da licença dos costumes e imodéstia do vestido, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias contra Vós e Vossos Santos, dos insultos ao Vosso Vigário e a todo o Vosso clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino amor e, enfim, dos atentados e rebeldias das nações contra os direitos e o Magistério da Vossa Igreja. Oh! Se pudéssemos lavar com o próprio sangue tantas iniquidades! Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, Vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação, que Vós oferecestes ao eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar todos os dias sobre nossos altares. Ajudai-nos Senhor, com o auxílio da Vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a vivência da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e por nosso próximo, impedir, por todos os meios, novas injúrias de Vossa divina Majestade e atrair ao Vosso serviço o maior número de almas possíveis. Recebei, ó benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria santíssima reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes, até à morte, no fiel cumprimento de nossos deveres e no Vosso santo serviço, para que possamos chegar todos à pátria bem-aventurada, onde Vós com o Pai e o Espírito Santo viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém. Via Aleteia

  • Sacerdotes exorcistas convocam jornada de oração e jejum para 6 de dezembro

    Os padres sugerem o Rosário e as orações ao Sagrado Coração, bem como “alguma forma de penitência, como jejum, abstinência e outras formas de mortificação”, na intenção de “expulsar toda influência diabólica na Igreja, resultante de acontecimentos recentes” (Aleteia) Quatro sacerdotes exorcistas dos Estados Unidos, que pediram anonimato, lançaram apelo mediante o respeitado jornal católico norte-americano National Catholic Register para que, em todo o mundo, os católicos se unam numa jornada penitencial de oração e jejum no próximo dia 6 de dezembro com a intenção de “expulsar toda influência diabólica na Igreja, resultante de acontecimentos recentes“. Eles pediram que os fiéis ofereçam nessa jornada a oração do Santo Rosário, além de sacrifícios pessoais como o jejum e a abstinência, o ato de consagração da humanidade ao Sagrado Coração de Jesus e o ato de reparação ao Sagrado Coração de Jesus. “Outros atos recomendados que encorajamos por essa intenção é fazer uma Hora Santa diante do Santíssimo Sacramento e assistir à Missa nesse dia, oferecendo os méritos da Missa por essa mesma intenção. Estamos incentivando todos os católicos que reconhecem o mal desses eventos a se unirem a nós num dia de oração e penitência, em 6 de dezembro, com o propósito de expulsar toda influência diabólica dentro da Igreja, resultante desses eventos recentes, junto com qualquer outro evento”. Os exorcistas destacaram a importância da luta espiritual na Igreja e denunciaram pecados como a idolatria, enquanto que a reparação pede perdão pelos pecados pessoais, as ofensas à modéstia cristã, os ataques à inocência, a profanidade aos domingos e dias de preceito e as blasfêmias. Segue a declaração completa: À luz dos eventos recentes sobre o ritual Pachamama nos Jardins do Vaticano, a subsequente procissão do ídolo em São Pedro, bem como a colocação dos ídolos na igreja de Santa Maria na Traspontina, lembramos as palavras de São Paulo ( 1 Coríntios 10:20): “Digo que o que é oferecido em sacrifício aos ídolos, é alguma coisa? Ou que o ídolo é alguma coisa? Mas as coisas que os pagãos sacrificam, eles sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não gostaria que você se tornasse participante de demônios. Os Salmos (95: 5) nos dizem que “todos os deuses dos gentios são demônios; mas o Senhor fez os céus.” Esses eventos trazem à tona a realidade de que (Efésios 6:12) “nossa luta não é contra carne e sangue ; mas contra principados e poder, contra os governantes do mundo das trevas, contra os espíritos da iniqüidade nos altos. ”Esses eventos trazem à tona a realidade de que estamos na guerra espiritual e que a guerra está acontecendo dentro da própria Igreja. Estamos, portanto, incentivando todos os católicos que reconhecem o mal dos eventos a se juntarem a nós em um dia de oração e penitência em 6 de dezembro, com o objetivo de expulsar qualquer influência diabólica na Igreja que tenha sido obtida como resultado disso. eventos recentes – junto com outros eventos. Solicitamos a todos os participantes que façam o seguinte para essa intenção: 1.) Reze o terço; 2.) assumir alguma forma de penitência, como jejum, abstinência e outras formas de mortificação; 3.) oferecer as orações ao Sagrado Coração, como visto abaixo. Outros atos recomendados que incentivamos outras pessoas a fazer para essa intenção são fazer uma Hora Santa em frente ao Santíssimo Sacramento e assistir à Missa naquele dia, oferecendo os méritos da Missa para essa intenção. Que a Divina Misericórdia repouse sobre todos nós. Ato de consagração da humanidade ao Sagrado Coração (da Carta Encíclica ‘Annum Sacrum’, de Leão XIII) Ó Dulcíssimo Jesus, ó Redentor do gênero humano, lançai um olhar sobre nós, humildemente prostrados diante do vosso Altar! Somos vossos e vossos queremos ser; e para podermos viver mais estreitamente unidos a Vós, eis que cada um de nós se consagra ao vosso Sacratíssimo Coração. Muitos, porém, já não vos conhecem; muitos, ao desprezar os vossos Mandamentos, repudiam-Vos. O Benigníssimo Jesus, tende piedade de uns e de outros; e atraí todos ao vosso Coração Santíssimo. Oh Senhor, sê o Rei não só dos fiéis que não se distanciaram de Vós, mas também destes filhos pródigos que Vos abandonaram; fazei com que estes retornem à Casa Paterna o quanto antes para não morrerem de miséria e fome. Sê o Rei de todos os que vivem no engano do erro ou que por discordarem de Vós se separaram; chamai-os ao Porto da Verdade e da Unidade da Fé para que assim, em breve, não haja mais que um só rebanho sob um só Pastor. Sê finalmente o Rei de todos os que estão envoltos nas superstições do paganismo e não recuseis tirá-los das trevas para traze-los à Luz do Reino de Deus. Obtende, ó Senhor, a integridade e liberdade segura para a vossa Igreja; dai a todo o povo a tranquilidade da ordem; fazei com que de uma extremidade à outra da Terra ressoe esta única voz: “Seja louvado este Coração do qual provém a nossa salvação! A Ele a Glória e a Honra pelos séculos! Amém!”. Ato de reparação ao Sagrado Coração Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é por eles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados na Vossa presença, para Vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é de toda parte alvejado o Vosso amorosíssimo coração. Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós mais de uma vez cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos a Vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, senão também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não Vos querendo como pastor e guia, ou, conculcando as promessas do batismo, sacudiram o suavíssimo jugo da Vossa santa lei. De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-Vos, mais particularmente da licença dos costumes e imodéstia do vestido, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias contra Vós e Vossos Santos, dos insultos ao Vosso Vigário e a todo o Vosso clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino amor e, enfim, dos atentados e rebeldias das nações contra os direitos e o Magistério da Vossa Igreja. Oh! Se pudéssemos lavar com o próprio sangue tantas iniquidades! Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, Vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação, que Vós oferecestes ao eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar todos os dias sobre nossos altares. Ajudai-nos Senhor, com o auxílio da Vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a vivência da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e por nosso próximo, impedir, por todos os meios, novas injúrias de Vossa divina Majestade e atrair ao Vosso serviço o maior número de almas possíveis. Recebei, ó benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria santíssima reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes, até à morte, no fiel cumprimento de nossos deveres e no Vosso santo serviço, para que possamos chegar todos à pátria bem-aventurada, onde Vós com o Pai e o Espírito Santo viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém. Via Aleteia

  • A devoção dos católicos às relíquias dos Santos

    A palavra relíquia vem do latim “reliquus” (restante) ou “relinquere” (deixar). Relíquias são, pois, as coisas que restaram ou foram deixadas. Nesse sentido, a relíquia de um santo é aquilo que dele restou ou o que ele deixou. Por que cultuamos as relíquias? Por terem praticado as virtudes em grau heroico, os Santos são apresentados como modelos aos cristãos, e suas relíquias são cercadas de respeito e veneração. Quando a Igreja Católica propõe a devoção às relíquias dos Santos, atende a um sentimento religioso dos fiéis, seguindo uma antiga tradição. Como se sabe, a Igreja distingue entre duas espécies de relíquias: as diretas e as indiretas. Com o passar do tempo, as relíquias passaram a ser não apenas os corpos dos Santos, mas também os objetos que eles usaram, os lugares onde estiveram, etc. A relíquia direta provém do corpo, dos ossos ou das cinzas de um santo. A relíquia indireta é algo que nele foi tocado. Da relíquia indireta temos ainda duas espécies: ou são os objetos com os quais o santo teve contato em vida, ou são coisas que se tocam nos corpos de santos depois de mortos. Acontece às vezes ouvirmos falar de uma quantidade imensa de relíquias indiretas, e alguns objetam dizendo que os santos não poderiam ter tocado em tantas coisas. Na realidade, eles não o fizeram, mas certas coisas foram encostadas nos ossos deles ou em suas relíquias diretas, para serem distribuídas. As relíquias começaram a ser classificadas por grau: primeiro grau, o corpo dos santos; segundo grau, algo que pertenceu ao santo ou os lugares onde viviam; e terceiro grau, os objetos que o santo tocou ou que foram tocados por uma relíquia de primeiro ou segundo grau. Fundamentação do culto às relíquias O fundamento do culto às relíquias indiretas é algo um tanto difícil de exprimir, mas cujo valor é intuitivo e vem do seguinte: quando uma pessoa toca em alguma coisa, algo dessa pessoa passa para aquilo que foi tocado. Por exemplo, uma cadeira na qual Napoleão se sentou quando esteve em determinado lugar. Algo da dignidade, da importância e mesmo dos defeitos de Napoleão passa para a cadeira. Teríamos uma idéia ainda melhor disso, se nos oferecessem de presente a corda com que Judas se enforcou. Em si, é uma corda como qualquer outra. Dir-se-ia apenas estar muito velha, com cerca de dois mil anos. Se estivesse em razoável estado de conservação, daria até para amarrar um cachorro. Contudo, nem quereríamos tocar nela. Como que um pouco da infâmia de Judas passou para a corda. Então, há esse fato de que algo “impregna” aquilo que foi tocado. Encontramos, aliás, na Sagrada Escritura um episódio curioso nessa linha. Quando o Evangelho relata a cura de uma mulher que tocou na túnica de Nosso Senhor, acrescenta que o Divino Mestre perguntou quem a tinha tocado, porque sentiu que uma virtude curativa saíra d’Ele. A túnica tinha servido de elemento de transmissão de uma força terapêutica proveniente de um corpo Sagrado, o qual como que enobreceu e dignificou a vestimenta. Por causa disso, no tesouro da Igreja encontramos algumas relíquias indiretas de uma importância tão grande que elas, por assim dizer, valem mais do que as relíquias diretas. Por exemplo, a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma relíquia indireta; o Santo Sepulcro é uma relíquia indireta, assim como o são também os fragmentos que restam da manjedoura onde Jesus nasceu. Como são sagrados esses objetos que, afinal de contas, são relíquias indiretas, mas que veneramos quase como se fossem relíquias diretas! Inestimável valor das relíquias diretas relicário da coroa de espinhos, conservado em Notre-Dame de Paris Devemos considerar igualmente as relíquias em que a pessoa não só tocou, mas se serviu delas como instrumento para a realização de uma ação insigne. O fato de se ter prestado um gesto eminente, aumenta muito o valor da relíquia. Considere-se, por exemplo, um pedaço do pano com que Verônica enxugou o rosto de Nosso Senhor. Ainda que não tivesse sido estampada ali a verdadeira face dele, pela razão de ter servido para consolar a Nosso Senhor numa situação muito difícil, por ter sido instrumento de uma ação nobre, de um ato de generosidade e de coragem, aquela relíquia vale muito, pois adquiriu algo da dignidade da ação da qual participou. Vimos, então, que relíquias indiretas são as coisas tocadas por alguém, ou aquelas que lhe serviram como meio de ação. Num sentido muito mais amplo, já não no religioso, mas analógico da palavra, podemos também considerar relíquias as obras que alguém deixou, os livros que escreveu, os pensamentos que transmitiu. Outrossim, como relíquia poderíamos considerar os filhos de uma pessoa, a prole deixada por ela e que, de algum modo, no-la recorda. Tome-se toda essa doutrina das relíquias, ampliada como a estou dando, e teremos o fundamento da Tradição. Esta é, exatamente, a continuidade de algo, é a transmissão de notícias, memórias, hábitos, costumes, de uma geração à outra através do exemplo, ou mediante informações, testemunhos, ensinamentos orais ou escritos. Vemos como isso tem analogia com o culto católico das relíquias, e, portanto, como o fundo do nosso pensamento, enquanto defendendo a tradição, toca no mais recôndito do pensamento católico. Agora, se, como observamos, as relíquias indiretas têm tanto valor e são tão sagradas, o que dizer das relíquias diretas? Um pedaço de carne ou um fragmento de osso de um santo é uma parte, um elemento constitutivo da própria pessoa do santo. E está em união — que não é viva, mas entretanto profunda, de caráter metafísico — com a alma do santo no Céu. Aquela relíquia é, pois parte de uma pessoa que se encontra no Céu. De tal maneira que quando o santo ressuscitar, aquele fragmento vai ser incorporado ao corpo dele e passará para o estado glorioso. Aquele pedaço de carne e aqueles ossos que se acham em nossos relicários irão se reunir novamente no corpo ressurecto do santo, e vão dar glória a Deus durante toda a eternidade no Paraíso! Compreende-se, portanto, como tais fragmentos são mais do que qualquer outra relíquia indireta, posto serem, em certo sentido, a presença física do próprio santo entre nós. É claro que, se de uma túnica de Nosso Senhor saíam graças, estas também sairão dos santos de Deus. Destes o Divino Mestre declarou que eram mais unidos a Ele do que sua Mãe e seus irmãos. Podemos por aí imaginar o quanto os bem-aventurados estão ligados a Ele, muito mais do que uma túnica! A garantia de se “arrancar” as graças de um Santo Então, compreendamos quanto essa presença das relíquias constitui uma graça para aqueles que as levam. Para melhor frisá-lo, reporto-me mais uma vez às palavras que Santa Marta disse a Nosso Senhor. Ela havia mandado chamar Jesus para atender a Lázaro, que estava muito mal. Nosso Senhor não veio, e Lázaro morreu. Ela então disse esta frase curiosa: “Mestre, se tivésseis estado aqui, meu irmão não teria morrido.” Ou seja, ela tinha certeza de que a presença física de Nosso Senhor determinaria uma atitude d’Ele, que era a de curar o irmão. Portanto, quando se tem a presença física de Jesus, a graça se torna quase irrecusável. Ora, pode-se dizer mais ou menos o mesmo da relíquia de um santo: guardadas as devidas proporções, tem um valor semelhante ao da presença física de Nosso Senhor. Quer dizer, é uma garantia de que o santo de algum modo está fisicamente presente onde se encontra a relíquia, e que quase podemos arrancar as graças dele, por atenção às relíquias que são parte dele. Compreende-se então que, nesse sentido, as relíquias têm um grande significado e são fontes colossais de graças, devendo ser tratadas com muito respeito. Sendo, em última análise, fragmentos de santos, e nada havendo de mais respeitável, abaixo de Deus, no Céu e na Terra, do que esses heróis da Fé, claro está que devemos ter suma veneração para com tais fragmentos. Uma relíquia direta é algo de imensamente mais respeitável do que qualquer dignidade régia, e por isso os antigos construíam catedrais para abrigá-las. Por exemplo, a Sainte Chapelle, com toda a sua magnificência, foi edificada para custodiar uma das mais preciosas relíquias indiretas de Nosso Senhor: um dos espinhos da coroa sagrada. Relicário contendo a relíquias de muitos santos: Estas fotos mostram um Relicário com lenho da Santa Cruz, relíquias de 1º classe de São Cosmo, São Damião, São Pedro, São Pedro de Verona, São Sebastião, Santa Juliana Falconieri, Santa Ágata, Santa Dorata, Santa Ana, São Carlos Borromeu, São João Batista, São Paulino, São Narciso, Santa Cecília, Santa Apolónia, São Vitor Mártir, Santa Juliana Mártir, Santa Catarina Virgem Mártir, São Lourenço, Santa Rosa, São Bartolomeu, São Paulo, Santo Erminio Bispo, São Tomás de Aquino, Santo Agostinho, São Januário, Santo Alvino, Santa Ursula, São Luciano Mártir, São Noterino Mártir, São Mateus, Santo André, São Judas Tadeu, São Tomé, Santa Bartomea Virgem, Santa Laura de Córdoba e pedaço do véu de Nossa Senhora. Obs: alguns pergaminhos possuem mais de um nome, como o que está escrito “S. Cosme & Damião” e “Paulino & Narciso”. Cuidados que devemos ter no cultuar as relíquias Cumpre termos sempre em mente tudo o que acaba de ser dito, para entendermos o tesouro que é uma relíquia. Cabe aqui fazer uma aplicação concreta acerca do modo de guardá-las e de venerá-las. Não é correto conservar as relíquias jogadas em gavetas, no meio de outros objetos: repelentes contra mosquitos, remédios, band-aid, etc., e, chocando-se com eles, relíquias de três ou quatro santos. Essa é uma forma muito incorreta de tratá-las. Se não se dispõe de recursos, é preciso ter uma pequena caixa, mesmo de papelão, mas inteiramente separada, colocada de preferência num lugar onde não haja outros elementos, para nela guardar todas as relíquias juntas, em vez de mantê-las separadas nos locais mais díspares. Portanto, todas devem estar reunidas e ser objeto de nosso culto. E como prestar essa veneração a elas? Pelo menos da seguinte forma: todos os dias, de manhã e à noite, oscularmos as relíquias que temos, para pedir a intercessão daqueles santos em nosso favor. Devemos procurar conhecer a biografia deles, a fim nos darmos bem conta de quem está ali presente, e por essa forma lhes render o merecido culto através de suas relíquias. Resumindo, portanto: 1) guardá-las condignamente — não quero dizer luxuosamente; 2) prestar-lhes culto. E para fazê-lo bem, sugiro que este se transforme numa rotina, que consista, por exemplo, em oscular todos os dias as relíquias, de manhã e à noite. É triste termos uma relíquia jogada em casa, desprovida de culto ou devoção. Seria o caso de dá-la a outra pessoa que a honre, pois não se compreende que o santo esteja ali presente, com um elemento constitutivo de sua pessoa, e não seja objeto de nossa veneração! Há ainda um último ponto a considerar: pode-se carregar as relíquias consigo? Sim, desde que se tenha o necessário cuidado para não perdê-las. Por exemplo, conservando-as sempre no mesmo bolso. Certos militares levavam uma relíquia incrustada na própria espada. Eu compreenderia que, com a necessária prudência, houvesse uma relíquia numa boa caneta ou num digno instrumento de trabalho. Mas, sempre com o necessário cuidado. (Revista Dr. Plinio, Outubro/2003, n. 67, p. 14 a 17). Relíquias de Nosso Senhor Nosso Senhor nos deixou preciosíssimas relíquias de Sua Paixão. Entre as mais famosas está o Sudário de Turim. Uma curiosidade é que essa e outras relíquias da mesma época estão, em sua maioria, em igrejas da Europa. Assim como vimos sobre as relíquias dos Reis Magos, surge a pergunta inevitável: como as relíquias da Terra Santa foram parar em países como Alemanha, Espanha, França? Logo após o Pentecostes, os judeus iniciaram uma grande perseguição aos cristãos, que só cessou após a destruição de Jerusalém; mas começaram então as perseguições por parte dos romanos, sob o Imperador Nero, no ano 64. Durante esse tempo, as relíquias mais caras do cristianismo ficaram sob a guarda dos Apóstolos, ou simplesmente ocultas em lugares conhecidos apenas dos cristãos. No ano 313, o Imperador romano Constantino emitiu o Édito de Milão, que declarou o cristianismo uma religião a ser tolerada e libertou todos os prisioneiros religiosos. Segundo alguns historiadores, sua mãe, Helena, foi batizada aos 63 anos de idade. No ano 324, Constantino unificou os Impérios do Oriente e do Ocidente e mudou sua capital para Bizâncio (mais tarde denominada Constantinopla). Representando seu filho, Santa Helena fez uma peregrinação à Terra Santa, descobrindo que, em Jerusalém, o Imperador Adriano havia construído um templo a Afrodite sobre o Calvário e o Santo Sepulcro. Ela ordenou a destruição do templo pagão e supervisionou a construção de uma igreja – a Igreja do Santo Sepulcro. Nela foram mantidas várias relíquias, mas também vários pedaços delas começaram a ser enviados a igrejas em todo o Império Romano, sendo espalhadas pela devoção dos reis e pela perseguição religiosa, ao longo dos séculos. A primeira relíquia encontrada por Santa Helena foi a Cruz do Senhor, sobre a qual falaremos em outro artigo! Orientações da Igreja Vale ressaltar algumas das indicações do Código de Direito Canônico com relação à veneração das relíquias: Cân. 1186 Para fomentar a santificação do povo de Deus, a Igreja recomenda à veneração especial e filial dos fiéis a Bem- aventurada sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, a quem Cristo constituiu Mãe de todos os homens, bem como promove o verdadeiro e autêntico culto dos outros Santos, por cujo exemplo os fiéis se edificam e pela intercessão dos quais são sustentados. Cân. 1187 Só é lícito venerar, mediante culto público, aos servos de Deus que foram inscritos pela autoridade da Igreja no catálogo dos Santos ou dos Beatos. Cân. 1188 Mantenha-se a praxe de propor imagens sagradas nas igrejas, para a veneração dos fiéis; entretanto, sejam expostas em número moderado e na devida ordem, a fim de que não se desperte a admiração no povo cristão, nem se dê motivo a uma devoção menos correta. Cân. 1189 Imagens preciosas, isto é, que sobressaem por antiguidade, arte ou culto, expostas à veneração dos fiéis, em igrejas e oratórios, se precisarem de reparação, nunca sejam restauradas sem a licença escrita do Ordinário; este, antes de concedê-la, consulte os peritos. Cân. 1190 § 1. Não é lícito vender relíquias sagradas.(*) § 2. As relíquias insignes, bem como outras de grande veneração do povo, não podem de modo algum ser alienadas nem definitivamente transferidas, sem a licença da Sé Apostólica. § 3. A prescrição do §2 vale também para as imagens que são objeto de grande veneração do povo em alguma igreja. (*) No eBay é comum se encontrar anúncios de “relíquias autênticas do Vaticano”; ou são falsas ou são relíquias mantidas por famílias há séculos e que algum descendente, mal informado e provavelmente em dificuldades financeiras, se propõe a vender. Também em sites brasileiros às vezes surgem ofertas desse tipo. Como conseguir relíquias dos santos? A Igreja proíbe a venda de relíquias de santos, mas você pode adquirir uma gratuitamente. Para solicitar as relíquias, devem-se levar em conta as seguintes normas: Cabe à Postulação Geral avaliar os pedidos que chegam e conceder as relíquias, acompanhadas de um certificado de autenticidade, marcado com o selo da mesma Postulação. É possível conseguir relíquias entrando em contato com as congregações que os santos fizeram parte. Veja o exemplo abaixo: #Relíquias

  • A devoção dos católicos às relíquias dos Santos

    A palavra relíquia vem do latim “reliquus” (restante) ou “relinquere” (deixar). Relíquias são, pois, as coisas que restaram ou foram deixadas. Nesse sentido, a relíquia de um santo é aquilo que dele restou ou o que ele deixou. Por que cultuamos as relíquias? Por terem praticado as virtudes em grau heroico, os Santos são apresentados como modelos aos cristãos, e suas relíquias são cercadas de respeito e veneração. Quando a Igreja Católica propõe a devoção às relíquias dos Santos, atende a um sentimento religioso dos fiéis, seguindo uma antiga tradição. Como se sabe, a Igreja distingue entre duas espécies de relíquias: as diretas e as indiretas. Com o passar do tempo, as relíquias passaram a ser não apenas os corpos dos Santos, mas também os objetos que eles usaram, os lugares onde estiveram, etc. A relíquia direta provém do corpo, dos ossos ou das cinzas de um santo. A relíquia indireta é algo que nele foi tocado. Da relíquia indireta temos ainda duas espécies: ou são os objetos com os quais o santo teve contato em vida, ou são coisas que se tocam nos corpos de santos depois de mortos. Acontece às vezes ouvirmos falar de uma quantidade imensa de relíquias indiretas, e alguns objetam dizendo que os santos não poderiam ter tocado em tantas coisas. Na realidade, eles não o fizeram, mas certas coisas foram encostadas nos ossos deles ou em suas relíquias diretas, para serem distribuídas. As relíquias começaram a ser classificadas por grau: primeiro grau, o corpo dos santos; segundo grau, algo que pertenceu ao santo ou os lugares onde viviam; e terceiro grau, os objetos que o santo tocou ou que foram tocados por uma relíquia de primeiro ou segundo grau. Fundamentação do culto às relíquias O fundamento do culto às relíquias indiretas é algo um tanto difícil de exprimir, mas cujo valor é intuitivo e vem do seguinte: quando uma pessoa toca em alguma coisa, algo dessa pessoa passa para aquilo que foi tocado. Por exemplo, uma cadeira na qual Napoleão se sentou quando esteve em determinado lugar. Algo da dignidade, da importância e mesmo dos defeitos de Napoleão passa para a cadeira. Teríamos uma idéia ainda melhor disso, se nos oferecessem de presente a corda com que Judas se enforcou. Em si, é uma corda como qualquer outra. Dir-se-ia apenas estar muito velha, com cerca de dois mil anos. Se estivesse em razoável estado de conservação, daria até para amarrar um cachorro. Contudo, nem quereríamos tocar nela. Como que um pouco da infâmia de Judas passou para a corda. Então, há esse fato de que algo “impregna” aquilo que foi tocado. Encontramos, aliás, na Sagrada Escritura um episódio curioso nessa linha. Quando o Evangelho relata a cura de uma mulher que tocou na túnica de Nosso Senhor, acrescenta que o Divino Mestre perguntou quem a tinha tocado, porque sentiu que uma virtude curativa saíra d’Ele. A túnica tinha servido de elemento de transmissão de uma força terapêutica proveniente de um corpo Sagrado, o qual como que enobreceu e dignificou a vestimenta. Por causa disso, no tesouro da Igreja encontramos algumas relíquias indiretas de uma importância tão grande que elas, por assim dizer, valem mais do que as relíquias diretas. Por exemplo, a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma relíquia indireta; o Santo Sepulcro é uma relíquia indireta, assim como o são também os fragmentos que restam da manjedoura onde Jesus nasceu. Como são sagrados esses objetos que, afinal de contas, são relíquias indiretas, mas que veneramos quase como se fossem relíquias diretas! Inestimável valor das relíquias diretas relicário da coroa de espinhos, conservado em Notre-Dame de Paris Devemos considerar igualmente as relíquias em que a pessoa não só tocou, mas se serviu delas como instrumento para a realização de uma ação insigne. O fato de se ter prestado um gesto eminente, aumenta muito o valor da relíquia. Considere-se, por exemplo, um pedaço do pano com que Verônica enxugou o rosto de Nosso Senhor. Ainda que não tivesse sido estampada ali a verdadeira face dele, pela razão de ter servido para consolar a Nosso Senhor numa situação muito difícil, por ter sido instrumento de uma ação nobre, de um ato de generosidade e de coragem, aquela relíquia vale muito, pois adquiriu algo da dignidade da ação da qual participou. Vimos, então, que relíquias indiretas são as coisas tocadas por alguém, ou aquelas que lhe serviram como meio de ação. Num sentido muito mais amplo, já não no religioso, mas analógico da palavra, podemos também considerar relíquias as obras que alguém deixou, os livros que escreveu, os pensamentos que transmitiu. Outrossim, como relíquia poderíamos considerar os filhos de uma pessoa, a prole deixada por ela e que, de algum modo, no-la recorda. Tome-se toda essa doutrina das relíquias, ampliada como a estou dando, e teremos o fundamento da Tradição. Esta é, exatamente, a continuidade de algo, é a transmissão de notícias, memórias, hábitos, costumes, de uma geração à outra através do exemplo, ou mediante informações, testemunhos, ensinamentos orais ou escritos. Vemos como isso tem analogia com o culto católico das relíquias, e, portanto, como o fundo do nosso pensamento, enquanto defendendo a tradição, toca no mais recôndito do pensamento católico. Agora, se, como observamos, as relíquias indiretas têm tanto valor e são tão sagradas, o que dizer das relíquias diretas? Um pedaço de carne ou um fragmento de osso de um santo é uma parte, um elemento constitutivo da própria pessoa do santo. E está em união — que não é viva, mas entretanto profunda, de caráter metafísico — com a alma do santo no Céu. Aquela relíquia é, pois parte de uma pessoa que se encontra no Céu. De tal maneira que quando o santo ressuscitar, aquele fragmento vai ser incorporado ao corpo dele e passará para o estado glorioso. Aquele pedaço de carne e aqueles ossos que se acham em nossos relicários irão se reunir novamente no corpo ressurecto do santo, e vão dar glória a Deus durante toda a eternidade no Paraíso! Compreende-se, portanto, como tais fragmentos são mais do que qualquer outra relíquia indireta, posto serem, em certo sentido, a presença física do próprio santo entre nós. É claro que, se de uma túnica de Nosso Senhor saíam graças, estas também sairão dos santos de Deus. Destes o Divino Mestre declarou que eram mais unidos a Ele do que sua Mãe e seus irmãos. Podemos por aí imaginar o quanto os bem-aventurados estão ligados a Ele, muito mais do que uma túnica! A garantia de se “arrancar” as graças de um Santo Então, compreendamos quanto essa presença das relíquias constitui uma graça para aqueles que as levam. Para melhor frisá-lo, reporto-me mais uma vez às palavras que Santa Marta disse a Nosso Senhor. Ela havia mandado chamar Jesus para atender a Lázaro, que estava muito mal. Nosso Senhor não veio, e Lázaro morreu. Ela então disse esta frase curiosa: “Mestre, se tivésseis estado aqui, meu irmão não teria morrido.” Ou seja, ela tinha certeza de que a presença física de Nosso Senhor determinaria uma atitude d’Ele, que era a de curar o irmão. Portanto, quando se tem a presença física de Jesus, a graça se torna quase irrecusável. Ora, pode-se dizer mais ou menos o mesmo da relíquia de um santo: guardadas as devidas proporções, tem um valor semelhante ao da presença física de Nosso Senhor. Quer dizer, é uma garantia de que o santo de algum modo está fisicamente presente onde se encontra a relíquia, e que quase podemos arrancar as graças dele, por atenção às relíquias que são parte dele. Compreende-se então que, nesse sentido, as relíquias têm um grande significado e são fontes colossais de graças, devendo ser tratadas com muito respeito. Sendo, em última análise, fragmentos de santos, e nada havendo de mais respeitável, abaixo de Deus, no Céu e na Terra, do que esses heróis da Fé, claro está que devemos ter suma veneração para com tais fragmentos. Uma relíquia direta é algo de imensamente mais respeitável do que qualquer dignidade régia, e por isso os antigos construíam catedrais para abrigá-las. Por exemplo, a Sainte Chapelle, com toda a sua magnificência, foi edificada para custodiar uma das mais preciosas relíquias indiretas de Nosso Senhor: um dos espinhos da coroa sagrada. Relicário contendo a relíquias de muitos santos: Estas fotos mostram um Relicário com lenho da Santa Cruz, relíquias de 1º classe de São Cosmo, São Damião, São Pedro, São Pedro de Verona, São Sebastião, Santa Juliana Falconieri, Santa Ágata, Santa Dorata, Santa Ana, São Carlos Borromeu, São João Batista, São Paulino, São Narciso, Santa Cecília, Santa Apolónia, São Vitor Mártir, Santa Juliana Mártir, Santa Catarina Virgem Mártir, São Lourenço, Santa Rosa, São Bartolomeu, São Paulo, Santo Erminio Bispo, São Tomás de Aquino, Santo Agostinho, São Januário, Santo Alvino, Santa Ursula, São Luciano Mártir, São Noterino Mártir, São Mateus, Santo André, São Judas Tadeu, São Tomé, Santa Bartomea Virgem, Santa Laura de Córdoba e pedaço do véu de Nossa Senhora. Obs: alguns pergaminhos possuem mais de um nome, como o que está escrito “S. Cosme & Damião” e “Paulino & Narciso”. Cuidados que devemos ter no cultuar as relíquias Cumpre termos sempre em mente tudo o que acaba de ser dito, para entendermos o tesouro que é uma relíquia. Cabe aqui fazer uma aplicação concreta acerca do modo de guardá-las e de venerá-las. Não é correto conservar as relíquias jogadas em gavetas, no meio de outros objetos: repelentes contra mosquitos, remédios, band-aid, etc., e, chocando-se com eles, relíquias de três ou quatro santos. Essa é uma forma muito incorreta de tratá-las. Se não se dispõe de recursos, é preciso ter uma pequena caixa, mesmo de papelão, mas inteiramente separada, colocada de preferência num lugar onde não haja outros elementos, para nela guardar todas as relíquias juntas, em vez de mantê-las separadas nos locais mais díspares. Portanto, todas devem estar reunidas e ser objeto de nosso culto. E como prestar essa veneração a elas? Pelo menos da seguinte forma: todos os dias, de manhã e à noite, oscularmos as relíquias que temos, para pedir a intercessão daqueles santos em nosso favor. Devemos procurar conhecer a biografia deles, a fim nos darmos bem conta de quem está ali presente, e por essa forma lhes render o merecido culto através de suas relíquias. Resumindo, portanto: 1) guardá-las condignamente — não quero dizer luxuosamente; 2) prestar-lhes culto. E para fazê-lo bem, sugiro que este se transforme numa rotina, que consista, por exemplo, em oscular todos os dias as relíquias, de manhã e à noite. É triste termos uma relíquia jogada em casa, desprovida de culto ou devoção. Seria o caso de dá-la a outra pessoa que a honre, pois não se compreende que o santo esteja ali presente, com um elemento constitutivo de sua pessoa, e não seja objeto de nossa veneração! Há ainda um último ponto a considerar: pode-se carregar as relíquias consigo? Sim, desde que se tenha o necessário cuidado para não perdê-las. Por exemplo, conservando-as sempre no mesmo bolso. Certos militares levavam uma relíquia incrustada na própria espada. Eu compreenderia que, com a necessária prudência, houvesse uma relíquia numa boa caneta ou num digno instrumento de trabalho. Mas, sempre com o necessário cuidado. (Revista Dr. Plinio, Outubro/2003, n. 67, p. 14 a 17). Relíquias de Nosso Senhor Nosso Senhor nos deixou preciosíssimas relíquias de Sua Paixão. Entre as mais famosas está o Sudário de Turim. Uma curiosidade é que essa e outras relíquias da mesma época estão, em sua maioria, em igrejas da Europa. Assim como vimos sobre as relíquias dos Reis Magos, surge a pergunta inevitável: como as relíquias da Terra Santa foram parar em países como Alemanha, Espanha, França? Logo após o Pentecostes, os judeus iniciaram uma grande perseguição aos cristãos, que só cessou após a destruição de Jerusalém; mas começaram então as perseguições por parte dos romanos, sob o Imperador Nero, no ano 64. Durante esse tempo, as relíquias mais caras do cristianismo ficaram sob a guarda dos Apóstolos, ou simplesmente ocultas em lugares conhecidos apenas dos cristãos. No ano 313, o Imperador romano Constantino emitiu o Édito de Milão, que declarou o cristianismo uma religião a ser tolerada e libertou todos os prisioneiros religiosos. Segundo alguns historiadores, sua mãe, Helena, foi batizada aos 63 anos de idade. No ano 324, Constantino unificou os Impérios do Oriente e do Ocidente e mudou sua capital para Bizâncio (mais tarde denominada Constantinopla). Representando seu filho, Santa Helena fez uma peregrinação à Terra Santa, descobrindo que, em Jerusalém, o Imperador Adriano havia construído um templo a Afrodite sobre o Calvário e o Santo Sepulcro. Ela ordenou a destruição do templo pagão e supervisionou a construção de uma igreja – a Igreja do Santo Sepulcro. Nela foram mantidas várias relíquias, mas também vários pedaços delas começaram a ser enviados a igrejas em todo o Império Romano, sendo espalhadas pela devoção dos reis e pela perseguição religiosa, ao longo dos séculos. A primeira relíquia encontrada por Santa Helena foi a Cruz do Senhor, sobre a qual falaremos em outro artigo! Orientações da Igreja Vale ressaltar algumas das indicações do Código de Direito Canônico com relação à veneração das relíquias: Cân. 1186 Para fomentar a santificação do povo de Deus, a Igreja recomenda à veneração especial e filial dos fiéis a Bem- aventurada sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, a quem Cristo constituiu Mãe de todos os homens, bem como promove o verdadeiro e autêntico culto dos outros Santos, por cujo exemplo os fiéis se edificam e pela intercessão dos quais são sustentados. Cân. 1187 Só é lícito venerar, mediante culto público, aos servos de Deus que foram inscritos pela autoridade da Igreja no catálogo dos Santos ou dos Beatos. Cân. 1188 Mantenha-se a praxe de propor imagens sagradas nas igrejas, para a veneração dos fiéis; entretanto, sejam expostas em número moderado e na devida ordem, a fim de que não se desperte a admiração no povo cristão, nem se dê motivo a uma devoção menos correta. Cân. 1189 Imagens preciosas, isto é, que sobressaem por antiguidade, arte ou culto, expostas à veneração dos fiéis, em igrejas e oratórios, se precisarem de reparação, nunca sejam restauradas sem a licença escrita do Ordinário; este, antes de concedê-la, consulte os peritos. Cân. 1190 § 1. Não é lícito vender relíquias sagradas.(*) § 2. As relíquias insignes, bem como outras de grande veneração do povo, não podem de modo algum ser alienadas nem definitivamente transferidas, sem a licença da Sé Apostólica. § 3. A prescrição do §2 vale também para as imagens que são objeto de grande veneração do povo em alguma igreja. (*) No eBay é comum se encontrar anúncios de “relíquias autênticas do Vaticano”; ou são falsas ou são relíquias mantidas por famílias há séculos e que algum descendente, mal informado e provavelmente em dificuldades financeiras, se propõe a vender. Também em sites brasileiros às vezes surgem ofertas desse tipo. Como conseguir relíquias dos santos? A Igreja proíbe a venda de relíquias de santos, mas você pode adquirir uma gratuitamente. Para solicitar as relíquias, devem-se levar em conta as seguintes normas: Cabe à Postulação Geral avaliar os pedidos que chegam e conceder as relíquias, acompanhadas de um certificado de autenticidade, marcado com o selo da mesma Postulação. É possível conseguir relíquias entrando em contato com as congregações que os santos fizeram parte. Veja o exemplo abaixo: #Relíquias

  • Brasil: O povo nos quartéis, os militares e a incerteza do que virá.

    O Brasil vive um momento único e decisivo em sua história e não podemos nos silenciar diante da censura e a tirania daqueles que fizeram de tudo para passar por cima da lei e dos brasileiros. O que podemos esperar e fazer diante deste cenário caótico? Este é o tema da formação especial de hoje… Para assistir, acesse: #Formaçõesaovivo #PadreRodrigoMaria

  • Brasil: O povo nos quartéis, os militares e a incerteza do que virá.

    O Brasil vive um momento único e decisivo em sua história e não podemos nos silenciar diante da censura e a tirania daqueles que fizeram de tudo para passar por cima da lei e dos brasileiros. O que podemos esperar e fazer diante deste cenário caótico? Este é o tema da formação especial de hoje… Para assistir, acesse: #Formaçõesaovivo #PadreRodrigoMaria

  • Monsenhor Jonas Abib é internado com pneumonia e Canção Nova pede orações

    A Comunidade Canção Nova divulgou por meio de suas redes sociais nesta quinta-feira (10) que o fundador Monsenhor Jonas Abib, de 85 anos, precisou ser internado. Além de partilhar o estado de saúde do sacerdote, a comunidade pediu orações por ele. Na  publicação , a comunidade católica diz que “Nosso querido pai fundador Monsenhor Jonas Abib, após episódios recorrentes de pneumonia, causadas por broncoaspiração, precisou ser hospitalizado para tratamento. Paralelo a isso, ele segue o tratamento quimioterápico do mieloma, iniciado em maio de 2021.” A nota diz ainda que “Monsenhor Jonas permanece sereno e confiante em Deus, inspirado na passagem bíblica ‘Quando sou fraco, aí é que sou forte!’ (2Cor 12,10), e pede orações pelo seu restabelecimento.” O post termina com um pedido de corrente de oração aos internautas e à “família Canção Nova”. Em maio de 2021, a Comunidade anunciou que  Monsenhor Jonas Abib havia sido diagnosticado com câncer  após realizar uma biópsia da medula óssea. “A avaliação diagnóstica apontou um mieloma”, explicou a nota. Mieloma é um tipo de tumor maligno que se desenvolve nas células plasmáticas. Com informações de churchpop.com

  • Monsenhor Jonas Abib é internado com pneumonia e Canção Nova pede orações

    A Comunidade Canção Nova divulgou por meio de suas redes sociais nesta quinta-feira (10) que o fundador Monsenhor Jonas Abib, de 85 anos, precisou ser internado. Além de partilhar o estado de saúde do sacerdote, a comunidade pediu orações por ele. Na  publicação , a comunidade católica diz que “Nosso querido pai fundador Monsenhor Jonas Abib, após episódios recorrentes de pneumonia, causadas por broncoaspiração, precisou ser hospitalizado para tratamento. Paralelo a isso, ele segue o tratamento quimioterápico do mieloma, iniciado em maio de 2021.” A nota diz ainda que “Monsenhor Jonas permanece sereno e confiante em Deus, inspirado na passagem bíblica ‘Quando sou fraco, aí é que sou forte!’ (2Cor 12,10), e pede orações pelo seu restabelecimento.” O post termina com um pedido de corrente de oração aos internautas e à “família Canção Nova”. Em maio de 2021, a Comunidade anunciou que  Monsenhor Jonas Abib havia sido diagnosticado com câncer  após realizar uma biópsia da medula óssea. “A avaliação diagnóstica apontou um mieloma”, explicou a nota. Mieloma é um tipo de tumor maligno que se desenvolve nas células plasmáticas. Com informações de churchpop.com

  • Novena a Jesus Cristo, Rei do Universo

    A solenidade de Cristo Rei é uma celebração muito recente da Igreja. Foi o Papa Pio XI que a criou, em 1925. Naquele contexto, a Igreja via como necessário reafirmar a soberania real de Jesus e de seus ensinamentos, em um mundo que ia se afastando cada vez mais do Senhor. Hoje, quase 100 anos depois, caberia a pergunta se o mundo está caminhando mais que antes rumo ao Senhor. Não parece ser o caso, pelo menos não se olharmos rápida e superficialmente. Se seguirmos o mesmo critério de então, talvez hoje com mais razão precisamos afirmar essa realeza de Cristo. Mas falar de realeza pode trazer muitos mal-entendidos. Se olharmos para os reis de antigamente, que tinham um poder absoluto sobre seus povos, veremos quase sempre que esse poder acaba corrompendo, de certa forma o coração do homem, ferido pelo pecado. Certamente houve reis santos, mas sabemos que nem os santos estão livres da ferida do pecado. De toda forma, a realeza de Jesus é de outra índole. Em sua realeza, lembramos sua divindade, que se manifestou colocando-se a serviço da humanidade. Esse traço característico de serviço também não encontramos com facilidade naqueles que detém um poder muito grande. (Não estamos excluindo a possibilidade, e certamente muita gente com essas responsabilidades fez um ótimo serviço à população). Mas, inclusive, esse serviço que Jesus oferece é diferente de qualquer outro serviço prestado por pessoas poderosas. Por mais poderoso que fosse alguém, não poderia servir-nos dando-nos a salvação, o perdão dos pecados, a possibilidade de voltar a amizade com Deus sempre que nos voltássemos para Ele arrependidos das nossas faltas. O verdadeiro serviço de Jesus foi mostrar que nós somos criaturas de Deus, feridas pelo pecado, mas que Nele podemos encontrar de novo o sentido de nossas vidas, que sem Ele caminha para a morte. Não é uma festa Bíblica, há que dizer. Jesus não aparece na Bíblia como um Senhor Glorioso dos povos. Pelo contrário, uma das vezes que a realeza de Jesus se manifesta é quando estão zombando dele. Quando o vestem de púrpura e o coroam com a coroa de espinhos, de maneira velada, podemos reconhecer aí um sinal de sua realeza, mas a verdade é que os soldados não estavam tão reverentes assim. A outra vez que Jesus é reconhecido como rei é quando entra montado em um burrico em Jerusalém. Ali ele é até aclamado como o filho de Davi! Mas parece que esse reconhecimento não durou muito, já que pouco depois a multidão gritava: Crucifica-o! Nessa ocasião, vale a pena que nos perguntemos sobre quem é o Senhor Jesus em nossas vidas. Será que permitimos realmente que ele seja o centro dela? Todas as vezes que rezamos o Pai-Nosso estamos pedindo que seu reino, ou seja, sua realeza, seu domínio venha sobre nós. E o nosso coração, está preparado para reconhecer seu verdadeiro rei? Porque isso é fundamental para o cristão: Reconhecer-se criatura. No nosso mundo, em que muito se fala de autonomia, de segurança pessoal, que pretende ter o controle sobre tudo, essa festa vem nos recordar que Aquele que verdadeiramente reina é somente o Cristo. E claro, vale lembrar que, com essa festa, terminamos o ano litúrgico. Já começa, de maneira especial, nossa caminhada de advento, rumo ao Natal. Que essa festa de Cristo Rei já nos coloque no clima e que não esqueçamos que Aquele menino, frágil e dependente da mãe, que vai nascer é, na realidade, o Rei do Universo, da qual todas as coisas foram feitas e em quem todas elas foram renovadas com sua encarnação, morte e ressurreição. 1 – Medite a reflexão do dia 1º dia 2º dia 3º dia 4º dia 5º dia 6º dia 7º dia 8º dia 9º dia 2 – Ladainha de Cristo Rei ℣. Senhor, tende piedade de nós. ℟. Senhor, tende piedade de nós. ℣. Cristo, tende piedade de nós. ℟. Cristo, tende piedade de nós. ℣. Senhor, tende piedade de nós. ℟. Senhor, tende piedade de nós. ℣.Cristo, ouvi-nos. ℟. Cristo, ouvi-nos. ℣. Cristo, atendei-nos. ℟. Cristo, atendei-nos. Deus Pai dos céus, ℟. tende piedade de nós. Deus Filho, Redentor do mundo, Deus Espírito Santo, Santíssima Trindade, que sois um só Deus, Senhor Jesus Cristo, Rei do céu e da terra, Senhor Jesus Cristo, Rei soberano de todas as nações, Senhor Jesus Cristo, Rei anunciado pelos profetas, Senhor Jesus Cristo, Rei entronizado na cruz, Senhor Jesus Cristo, Rei ressuscitado dentre os mortos, Senhor Jesus Cristo, Rei sentado à direita de Deus Pai, Senhor Jesus Cristo, Rei de infinita majestade, Senhor Jesus Cristo, Rei exaltado no trono da graça, Senhor Jesus Cristo, Rei de misericórdia, Senhor Jesus Cristo, Rei de cujo lado aberto brotaram sangue e água, Senhor Jesus Cristo, Rei compassivo, Senhor Jesus Cristo, Rei, autor e eficácia dos sacramentos, Senhor Jesus Cristo, Rei verdadeiramente presente no Santíssimo Sacramento do altar, Senhor Jesus Cristo, Rei do coração que arde de amor, Senhor Jesus Cristo, Rei que sois alfa e ômega, Senhor Jesus Cristo, Rei que fostes, sois e vireis, Senhor Jesus Cristo, Rei de cujo trono nos aproximamos confiantes, Senhor Jesus Cristo, Rei do qual provém toda autoridade, Senhor Jesus Cristo, Rei cujo reino não é deste mundo, Senhor Jesus Cristo, Rei que cura toda divisão, Senhor Jesus Cristo, Rei ferido por nossa indiferença, Senhor Jesus Cristo, Rei manso e humilde de coração, Senhor Jesus Cristo, Rei que habitais os corações, Senhor Jesus Cristo, Rei das famílias, ℣.Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, ℟. perdoai-nos, Senhor. ℣.Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, ℟. ouvi-nos, Senhor. ℣. Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, ℟. tende piedade de nós. ℣. Vossa é a grandeza e o poder. ℟. Vosso é o reino, Senhor. ℣. OREMOS Deus eterno e todo-poderoso, que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, Rei do universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente. Pelo mesmo Cristo, Senhor nosso. ℟. Amém. 3 – Ato de Consagração do Gênero Humano ao Sagrado Coração de Jesus (Ato de consagração do gênero humano a Jesus Cristo Rei) Dulcíssimo Jesus, Redentor do gênero humano, lançai sobre nós que humildemente estamos prostrados na vossa presença, os vossos olhares. Nós somos e queremos ser vossos; e a fim de podermos viver mais intimamente unidos a vós, cada um de nós se consagra, espontaneamente, neste dia, ao vosso sacratíssimo Coração. Muitos há que nunca vos conheceram; muitos, desprezando os vossos mandamentos, vos renegaram. Benigníssimo Jesus, tende piedade de uns e de outros e trazei-os todos ao vosso Sagrado Coração. Senhor, sede rei não somente dos fiéis, que nunca de vós se afastaram, mas também dos filhos pródigos, que vos abandonaram; fazei que estes tornem, quanto antes, à casa paterna, para não perecerem de miséria e de fome. Sede rei dos que vivem iludidos no erro, ou separados de vós pela discórdia; trazei-os ao porto da verdade e à unidade da fé, a fim de que, em breve, haja um só rebanho e um só pastor. Senhor, conservai incólume a vossa Igreja, e dai-lhe uma liberdade segura e sem peias; concedei ordem e paz a todos os povos; fazei que, de um pólo a outro do mundo ressoe uma só voz: louvado seja o coração divino, que nos trouxe a salvação; honra e glória a ele, por todos os séculos. Amém. Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar piedosamente este ato, e plenária quando se recitar publicamente na solenidade de Jesus Cristo Rei. 4 – Ato de Consagração individual ao Sagrado Coração de Jesus Eu, {O SEU NOME}, vos dou e consagro, ó Sagrado Coração de Jesus Cristo, a minha vida, as minhas ações, penas e sofrimentos, para não querer mais servir-me de nenhuma parte do meu ser, senão para vos honrar, amar e glorificar. É esta a minha vontade irrevogável: ser todo vosso e tudo fazer por vosso amor, renunciando de todo o meu coração a tudo quanto vos possa desagradar. Tomo-vos, pois, ó Sagrado Coração, por único bem do meu amor, protetor da minha vida, segurança da minha salvação, remédio da minha fragilidade e da minha inconstância, reparador de todas as imperfeições da minha vida e meu asilo seguro na hora da morte. Sê, ó Coração de bondade, a minha justificação diante de Deus, vosso Pai, para que desvie de mim a sua justa cólera. Ó Coração de amor, deposito toda a minha confiança em Vós, pois tudo temo de minha malícia e de minha fraqueza, mas tudo espero de vossa bondade! Extingui em mim tudo o que possa desagradar- Vos ou que se oponha à vossa vontade. Seja o vosso puro amor tão profundamente impresso em meu coração, que jamais possa eu esquecer-Vos nem separar-me de Vós. Suplico-Vos que o meu nome seja escrito no vosso Coração, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e toda a minha glória em viver e morrer como vosso escravo. Amém. 1º dia – CRISTO, REI DOS SÉCULOS “Cristo Rei, sois dos séculos Príncipe, Soberano e Senhor das nações! Ó Juiz, só a Vós é devido Julgar mentes, julgar corações.” Queremos rezar esta novena em honra de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Mas este próprio título já coloca a primeira dificuldade à nossa devoção: será mesmo que Cristo é Rei do Universo, deste universo tão cheio de desordens e de injustiças? Chamamo-l’O de Príncipe dos Séculos, e no entanto cada novo século que se inaugura parece mais rebelde a este Príncipe: se em épocas passadas, no auge da civilização cristã, a Igreja era verdadeira Mãe e Mestra da humanidade, hoje parece que o mundo vai se tornando cada vez mais como a hospedaria de Belém, sem lugar para Jesus (cf. Lc 2, 7). Proclamamo-l’O Soberano e Senhor das Nações, mas são cada vez mais as nações que, reivindicando uma ilusória soberania perante Deus, distorcem a noção de estado laico em estado laicista e ateu, e se rendem a ideologias opostas aos valores cristãos. Dizemo-l’O Juiz das mentes e dos corações – e contudo parece ficar impune a impiedade dos que, fazendo coro àquele “Não queremos que Ele reine sobre nós” (Lc 19, 14), rejeitam-n’O em seus corações e em suas vidas. Diante desse cenário, talvez nos deixemos contaminar por um certo ceticismo, uma falta de fé no poder e na bondade de Deus, e em seu interesse por nossa vida. “Será que Deus se esqueceu de ter piedade? (…) Eu confesso que é esta a minha dor: ‘A mão de Deus não é a mesma: está mudada!’” (Sl 76, 10-11). Em casos mais graves, nosso orgulho pode levar até mesmo ao cinismo descarado: para justificar nossos pecados, passamos a negar a existência d’Ele – pois afinal de contas, se não há Deus, “Ninguém vê nem condena o meu crime!” (Sl 35, 3). “Deus está morto! E fomos nós que O matamos!”, esbravejava um famoso ateu, um daqueles “sábios” que se julgam muito “originais” e “críticos” por defenderem ideias tão velhas quanto a maçã do Éden: mas quem morreu, de fato, foi este ateu – não sem antes ser internado num manicômio, pois Deus declarou loucura a sabedoria deste mundo (1 Cor 1, 20). Mas o que diremos, então, diante de tantos males e injustiças que vemos no mundo? A própria Escritura reconhece que, nesta vida, são muitas as aflições que podem recair sobre nós – mas ao mesmo tempo nos garante que Deus ama o direito e a justiça (Sl 32, 5), e que dos altos céus Ele se inclina para olhar todos os homens (v. 13), pois formou o coração de cada um, e por todos os seus atos se interessa (v. 15). Se Ele permite temporariamente que suas criaturas livres, pelo abuso de sua liberdade, causem o mal, só o faz porque consegue sempre tirar daí um bem maior – para forjar seus santos no fogo das provações, assim como o ouro na fornalha (cf. 1Pd 1, 6-9). Foi por meio do pecado dos irmãos de José, que o venderam como escravo, que todos eles foram preservados, anos depois, quando seu irmão, feito governador do Egito, salvou-os da fome que assolava a região: “Não, não fostes vós”, diz José a seus irmãos, “que me fizestes vir para aqui. Foi Deus. (…) Premeditastes contra mim o mal: o desígnio de Deus aproveitou-o para o bem (…) e um povo numeroso foi salvo” (Gn 45, 8; 50,20). Os poderosos deste mundo podem até reunir-se e conspirar todos juntos contra o Deus onipotente e o seu Cristo (Sl 2, 2) – e no entanto “O coração do rei nas mãos do Senhor é como água corrente; ele o dirige para onde quer. O homem pensa que o seu caminho é sempre reto, mas é o Senhor quem sonda os corações” (Pr 21, 1-2). Quando, portanto, nos assolar a tentação de desespero; quando, nos momentos sombrios desta luta que é nossa vida sobre aterra (Jó 7, 1), esmorecermos e quisermos dizer, com o Frodo d’O Senhor dos Anéis, “Ah! Eu queria que o fardo deste Anel nunca tivesse chegado até mim! Queria que nada disso tivesse acontecido!”… Reforcemos, então, nosso ato de fé em Deus: “Nada pode acontecer-me que Deus não queira. E tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça, é, na verdade, muito bom!”. Mesmo que pareça triunfar o mal, mesmo que a turba raivosa nos ensurdeça com suas revoltas contra a Realeza de Cristo, continuemos afirmando com serenidade, mas com firmeza inquebrantável, “És tu, Senhor Jesus, o Rei do Universo, o Rei supremo de todas as coisas”. ORAÇÃO Ó prudentíssimo Cristo Rei, que junto ao Pai governais todos os séculos com mão forte e suave, e que desde o vosso trono celeste voltais os olhos para o mundo, penetrando os homens com vosso olhar: rogo-Vos me concedais a graça de guardar sempre a minha fé, mesmo quando pareça demais o sofrimento em minha vida. Ajudai-me a erguer-Vos minhas mãos, buscando-Vos no meu dia de aflição, para que, recordando vossos grandes feitos do passado e as obras grandiosas que fizestes em nosso favor, proclame sempre que são santos, ó Senhor, vossos caminhos. Acolhei com misericórdia as súplicas que Vos dirijo nesta Novena ………., e apresentai-as ao Pai, que Se dignou enviar-Vos como nosso Salvador. Amém. Senhor Jesus Cristo, Rei dos Séculos, Tende piedade de nós. 👉 Ladainha (clique aqui) 2º dia – CRISTO, REI NO CALVÁRIO E NA MISSA Para isso, de braços abertos, vós pendeis do madeiro sagrado e mostrais vosso bom coração a sangrar, pela lança rasgado. Para isso, no altar escondido sob as formas de vinho e de pão, através desse lado ferido, para os filhos trazeis salvação. Ontem refletíamos sobre a Providência – sobre o fato de que o mundo não é uma sucessão cega de fatos desconexos, mas sim um drama, guiado por um verdadeiro plano divino de salvação. No belo hino que escreveu sobre este mistério (Ef 1, 3-10), São Paulo louva a Deus por ter-nos escolhido, já bem antes de o mundo ser criado, para que fôssemos, perante a sua face, sem mácula e santos pelo amor (v. 4). Hoje queremos meditar mais a fundo sobre o caminho que Deus dispôs para realizar este plano: se Ele nos convida a sermos seus filhos adotivos, isto se dá através de Jesus Cristo (v. 5), e especialmente pela remissão dos pecados, que nos vem pelo Seu sangue (v. 7). Jesus Cristo é, de fato, o único caminho para nossa salvação – para resolver a encruzilhada em que nos colocara o pecado de Adão e Eva: “como somente Deus é infinito, somente Ele era capaz de um ato de reparação de valor infinito pela infinita malícia do pecado. Mas quem fosse pagar pelo pecado do homem deveria ser humano, se realmente tinha de arcar com os nossos pecados, se de verdade ia ser nosso representante”. A Encarnação é a maravilhosa resposta divina a este impasse: “Sendo verdadeiro homem como nós, o Redentor poderia representar-nos e agir realmente por nós. Sendo também verdadeiro Deus, a mais insignificante de suas ações teria um valor infinito, suficiente para reparar todos os pecados cometidos ou que viriam a cometer-se”. Para se aproximar deste mistério, São Luís Maria Grignion de Montfort imaginava uma assembleia das três pessoas da Santíssima Trindade, convocada por Jesus, a Sabedoria Eterna, para decidir a salvação do homem. O drama, no entanto, era que Deus, sendo sumamente bom, não podia ser injusto – e o pecado, portanto, não podia ser simplesmente ignorado, e deixado impune. “A Sabedoria, não encontrando no universo algo capaz de expiar o pecado do homem, de reparar a justiça e aplacar a ira de Deus e querendo, apesar de tudo, salvar o pobre homem que ama, encontra um meio admirável. É de pasmar: o amor incompreensível vai até aos extremos! Eis que a amorosa e real Princesa oferece-se a si mesma, em sacrifício ao Pai, para reparar a sua justiça, para aplacar a sua cólera, para arrancar o homem da escravidão do demônio, para livrá-lo das chamas do inferno e para merecer-lhe uma eternidade feliz. A sua oferta é aceita; é tomada uma decisão: a Sabedoria eterna, isto é, o Filho de Deus, far-se-á homem no momento oportuno e entro de parâmetros estabelecidos”. Nossa reconciliação com Deus nos veio, portanto, através de Jesus Cristo, homem, o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2, 5), e especialmente através de sua morte na Cruz, onde Ele derramou seu sangue para remissão dos pecados de muitos (cf. Mt 26, 28). Por isso mesmo é que o principal foco da vida de Jesus sobre a terra, o motivo pelo qual Ele veio (cf. Jo 12, 27), não foram seus milagres, nem seus sermões, nem as obras de caridade que fez com os desfavorecidos: “Ele não pediu para que os homens escrevessem Suas palavras em uma Escritura; não pediu que Sua bondade para com os pobres fosse registrada na história; mas pediu que os homens lembrassem de Sua morte. E para que essa memória não fosse uma narrativa aleatória feita pelos homens, Ele mesmo instituiu o meio preciso pelo qual deveria ser recordada”. Aqui entendemos o valor único e insubstituível da Santa Missa, que o Concílio Vaticano II chama de “fonte e centro de toda a vida cristã”: cada vez que um sacerdote católico, obedecendo ao mandato de Nosso Senhor, toma pão e vinho e pronuncia sobre eles as palavras do Mestre, torna-se presente, de forma muito real, aquele dramático sacrifício acontecido há dois milênios, no monte Calvário: “o único acontecimento da história que não passa jamais (…). Todos os outros acontecimentos da história acontecem uma vez e passam, devorados pelo passado”. – mas o Mistério Pascal é perpetuado a cada Santa Missa, “pois a Eucaristia nada mais é que a extensão sacramental da Encarnação ao longo do tempo e do espaço: a maneira com que Cristo continua a habitar, de forma corpórea, na sua Igreja”. e assim a Cruz permanece solidamente fincada no centro do universo, até o fim dos tempos. No coração do cristianismo está, portanto, a mensagem de que Deus houve por bem reverter a sentença de morte certa que pesava sobre nós, como consequência da rebelião de nossos primeiros pais. Para religar o que havia sido rompido pelo pecado, Deus dispôs que, no momento previsto, Ele haveria de reunir em Cristo o que estava disperso: instauráre ómnia in Christo, quando Ele fosse exaltado da terra no madeiro da Cruz (Jo 12, 32). Jesus Cristo, feito carne no madeiro, e na hóstia feito pão, é, assim, o centro da história: tudo converge para Ele, tudo encontra n’Ele seu sentido e sua razão de ser. Aproveitemos, então, desta novena para fazer um exame de consciência: como me comporto em relação ao Santo Sacrifício da Missa? Será que minha postura, minha pontualidade, meus trajes, minha concentração, revelam que tenho consciência de estar diante do Cordeiro Imolado? Peçamos a Deus a graça de uma devoção sempre maior à Santa Missa. ORAÇÃO Ó amorosíssimo Cristo Rei, que para reunir num só redil os corações desgarrados, fizestes-Vos Homem para salvar o homem, de modo que o demônio, autor da morte, fosse vencido pela mesma natureza que antes vencera, atraí-nos para a Cruz em que sois exaltado. Vós que de braços abertos pendeis da árvore ensanguentada, entregando-Vos em nossos altares sob o véu do pão e do vinho: fazei que, contemplando vosso coração abrasado de misericórdia, saibamos colher a salvação que flui de vosso peito traspassado pela lança. Amém. Senhor Jesus Cristo, Rei no Calvário e na Missa, Tende piedade de nós. 👉 Ladainha (clique aqui) 3º dia – CRISTO, REI DA PÁTRIA TERRENA Por que, Herodes, temes chegar o Rei que é Deus? Não rouba aos reis da terra quem reinos dá nos céus. Se é verdade que todo o universo foi criado por Deus com um propósito de amor, se cada uma de suas partes encontra seu sentido e sua razão de ser em Jesus Cristo, Deus e homem, que se encarnou para nos salvar no lenho da Cruz – então daqui se segue que também as diversas realidades de nossa vida terrena devem ser orientadas a Cristo, em reconhecimento de sua Realeza. A Escritura é bastante clara a este respeito: a Cristo é dada toda a autoridade, não só no céu, mas no céu e na terra (Mt 28, 18), eseu domínio sobre todos os povos e todas as nações (Sl 2,8; Mt 25, 32) se desdobra de mar a mar, e do rio até os confins de toda a terra (Sl 71, 8; Zc 9, 10). Todos os povos devem fazer-se seus discípulos, para aprender a observar tudo o que Ele mandou (Mt 28, 19-20). Se, por um lado, é preciso precaver-se contra uma leitura politizada e demasiado mundana destas passagens, por outro lado é igualmente errônea uma visão espiritualista, que pretenda confinar Cristo e sua Igreja à intimidade da consciência privada, aos lares e às sacristias. O Reinado de Cristo é, sim, principalmente espiritual (e por isso mesmo Ele se escondia do povo que esperava d’Ele uma mera libertação político-econômica da opressão romana, e dizia a Pilatos que Seu reino não era deste mundo; cf. Jo 18, 36), mas este Reinado possui também uma dimensão social: Cristo recebeu do Pai o império sobre todas as coisas civis, e o direito absoluto sobre toda a criação. Mas como, então, se exerce este Reinado Social de Cristo? Como fica a relação entre o Estado e a Igreja? Um breve resumo desta relação nos foi dado pelo próprio Senhor, naquele “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21). Cristo reconhece, por um lado, que existe umCésar, um governo humano da sociedade, e que há coisas que são de César, que são devidas a ele. Nós cristãos, de fato, precisamos obedecer às autoridades constituídas como representantes de Deus, prestando-lhes o respeito às leis, “o pagamento dos impostos, o exercício do direito de voto, e a defesa do país”. Por outro lado, há coisas que são de Deus, e não de César. Nenhuma autoridade humana tem um poder absoluto: ao César de cada época, a Igreja continua sempre ecoando as palavras de seu divino fundador: “Não terias poder algum sobre mim, se de cima não te fora dado” (Jo 19, 11). Quando uma autoridade civil dá ordens “contrárias às exigências da ordem moral, aos direitos fundamentais das pessoas ou aos ensinamentos do Evangelho”, os cristãos temos o direito (e o dever!) de recusar obediência14. Qualquer proposta de “legalizar o aborto” por decreto do Parlamento ou do Judiciário, por exemplo, faz tanto sentido quanto o projeto de “restaurar a escravidão”, ou mesmo de “revogar a lei da gravidade” – e os que defendem essas ideias, embora não percebam nem entendam, caminham numa grande escuridão, abalando os fundamentos do universo; julgam-se deuses, mas como homens morrerão, e cairão como qualquer dos poderosos, quando o Senhor se levantar para julgar a terra (Sl 81, 5-8). Diante desta doutrina de nossa religião, pode ser que alguém nos acuse de sermos subversivos e antipatriotas, ao colocar limites ao poder do Estado e de seus ministros. Nada estaria mais longe da verdade: é o verdadeiro amor à pátria que nos leva a dizer-lhe a verdade, a corrigir-lhe os excessos. Sócrates, o Pai da Filosofia, foi acusado do crime de lesapátria por ter “corrompido a juventude” – e em sua defesa disse claramente: “Ó atenienses, eu vos tenho em grande honra e amor, mas vou obedecer antes a Deus que a vós. (…) Vós, que sois cidadãos da grande, poderosa e sábia cidade de Atenas: porventura não vos causa vergonha buscar acumular ao máximo o dinheiro, as honrarias, e a fama, e ao mesmo tempo negligenciar a sabedoria, a verdade, e o cultivo de vossa alma, pela qual não tendes nenhuma consideração? (…) Eu sei que este é o comando de Deus – que eu examine a coerência de vossas vidas –, e acredito que nunca houve um bem maior na república que este meu serviço a Deus”. São Tomás More, o grande humanista e chanceler da Inglaterra, foi condenado à morte por recusar-se a sufocar sua consciência em prol da luxúria do Rei Henrique VIII, que queria separar o que Deus havia unido – e ao ser acusado de malícia e traição aos interesses do Reino, responde: “Nos assuntos da consciência, o cidadão leal deve ser mais fiel à sua consciência do que a qualquer outra coisa. Por acaso eu deveria dizer ‘sim’ à doença do estado? Seria de ajuda ao meu rei que eu lhe desse mentiras, quando ele me pede a verdade? Vocês acham que vão ajudar a Inglaterra, enchendo-a de mentirosos?”. E assim também tantos outros fiéis, ao longo da história, martirizados pela tirania de um Estado que se julgava acima de Deus e da Igreja: um Beato Anacleto González Flores (1888-1927) e seus companheiros mártires do governo maçônico secularista mexicano, um Beato Franz Jägerstätter (1907-1943), o pai de família e católico devoto que preferiu enfrentar a prisão e a morte a lutar no exército nazista… Todos nós queremos, para este nosso amado Brasil, paz constante e prosperidade completa – e precisamente por isso é que queremos que Cristo reine sobre esta grande nação. Mas o caminho para isso, o caminho para que Cristo Jesus seja adorado e seja amado nesta Terra de Santa Cruz, é fazermos nossa parte, eu e você, e buscarmos que Ele reine em nossas vidas. ORAÇÃO Ó sapientíssimo Cristo Rei, que nos mandastes dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus, ajudai-nos a ser cidadãos patriotas e exemplares. Que no mundo inteiro se proclame o zelo de nossos trabalhadores, o engenho de nossos homens de ciência e cultura, a pureza e a energia de nossos jovens, e a fé de nosso povo. Que nossos governantes reconheçam Vosso Senhorio em seus pensamentos e ações, em suas políticas e leis, para que o amor à nossa pátria terrena nos sirva de caminho para chegarmos à pátria definitiva no Céu. Amém. Senhor Jesus Cristo, Rei da Pátria Terrena, Tende piedade de nós. 👉 Ladainha (clique aqui) 4º dia – CRISTO, REI DA FAMÍLIA A batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será a respeito do Matrimônio e da Família. (Irmã Lúcia) Depois de termos dedicado os três primeiros dias nossa novena aos motivos mais gerais pelos quais Cristo é Rei do Universo, queremos, nos próximos dias, meditar sobre alguns temas mais específicos da sociedade moderna, nos quais aquele Reinado vai perdendo sua primazia. Nosso olhar se volta naturalmente, então, à crise da família, que transparece com evidência em todo o mundo ocidental. Não falamos apenas dos divórcios – pois esta prática, outrora tida como sinal claro de um desequilíbrio social, hoje é tão banal que só nos espantamos, de fato, quando um casal consegue perseverar unido, através das dificuldades, por 30, 40 ou 50 anos… Vemos por todo lado os conflitos familiares: desrespeitos mútuos entre pais e filhos, violências no lar, com tudo terminando na delegacia ou no tribunal… Vão-se disseminando também visões equivocadas sobre a família e a sexualidade humana, em que qualquer agrupamento de pessoas com afeto mútuo passa a ser inserido na categoria de “novas famílias”, e os conceitos de homem e mulher são esvaziados de qualquer referência a uma realidade objetiva, no ser das coisas. Afinal de contas, será que a Igreja não estaria sendo rigorosa demais, ao perseverar em seu ensinamento tradicional? Não seria um exagero chamar estas novas tendências sociais a respeito do Matrimônio e da Família de batalha final entre Deus e Satanás? Para entendermos bem este ponto, convém lembrarmos que o pecado característico de Satanás é a rebelião, a revolta contra Deus e sua criação: seu lema é aquele Non serviam!, “Não servirei!”. Ora, tanto a complementaridade dos sexos masculino e feminino quanto a indissolubilidade do vínculo matrimonial são verdades inscritas pelo Criador na própria natureza humana. Afinal de contas, não é necessário ter fé para enxergar, por um lado, que todo ser humano que vem a este mundo procede da união do homem e da mulher, e por outro, que os bebês humanos, diferente dos outros animais, são extremamente vulneráveis e precisam de um longo tempo num ambiente estável para se desenvolver: um potro já nasce andando, mas a formação de um ser humano adulto bem exige duas décadas de constante proteção e educação, num ambiente estável de confiança e cumplicidade. Existe, portanto, uma base natural para a defesa da família e do matrimônio – e a Escritura o confirma ao incluir estas duas verdades nos relatos da Criação: Deus criou o ser humano à sua imagem, como homem e mulher (Gn 1, 27), que ao unirem-se em matrimônio tornam-se uma só carne (Gn 2, 24). Também Jesus o repete ao dizer que foi assim que o Criador, desde o princípio, nos fez (Mt 19, 4-5). Mas além destas bases naturais, a família tem ainda uma finalidade sobrenatural, que é missão da Igreja pregar. Diferente dos outros animais, nossa existência não terminará na cova, mas vai se prolongar eternamente, ou no Céu em suprema felicidade, ou em suprema agonia no inferno – e por isso mesmo é que os pais têm o dever sagrado de educar os filhos não só para esta vida terrena, mas principalmente para a vida eterna. “Contudo, quantos pais esquecem esta verdade de importância capital! Quantos não fazem os maiores sacrifícios e não se poupam a fadigas nem a trabalhos para conseguirem que seus filhos sejam mais amáveis, mais espertos, mais instruídos! Escola, piano, francês, alemão, lições de ginástica, de baile… tudo isto está muito bem, mas o teu filho, tem alma! Preocupas-te também com a sua alma? Não esqueças que o filho é um dom confiado por Deus e Deus pedir-te-á um dia conta deste tesouro”. Daqui a importância fundamental de verdadeiramente educar os filhos, impondo-lhes limites e disciplina, e não tendo medo de magoá-los dizendo que “não”, quando seu próprio bem o exigir. Que os pais se lembrem, aqui, da censura que Deus dirigiu ao sumo sacerdote Eli, “castigando sua casa para sempre, por causa da sua iniquidade, porque sabia que seus filhos procediam mal e não os corrigiu como devia” (1Sm 3, 13). Além de colocar regras, é preciso também exercer uma justa vigilância sobre os filhos, levando em conta a sua idade e maturidade. Não se trata de “acorrentá-los” dentro de casa – mas de saber onde estão, o que fazem, e com quem andam. Hoje em dia, aliás, com os smartphones e computadores, os maiores perigos invadem até mesmo nossos lares: quanta gente mal intencionada nas redes sociais, quantos esforços da indústria pornográfica de capturar a atenção até mesmo de nossas crianças, inserindo propagandas ocultas em sites de joguinhos inocentes, e aproveitando de seus cérebros ainda em desenvolvimento para viciá-las em consumir seu material imundo! “Quem se descuida dos seus, e principalmente dos de sua própria família, é um renegado, pior que um infiel” (1Tm 5, 8). Pouco adianta exercer a vigilância sobre os filhos, no entanto, se os próprios pais não dão o exemplo de vida cristã: se não se esforçam, dentro das possibilidades de cada família, para criar momentos de oração em comum, para dar mais importância à Missa de domingo que aos compromissos sociais… Um último apelo aos casais cristãos: sejamos generosos em vosso amor a Cristo! Não nos conformemos com esta mentalidade materialista que anda tanto em voga, e que faz com que a família tenha medo de ter filhos… “Os filhos são a bênção do Senhor!” (Sl 126, 3-5). “É quadro triste e pavoroso, o de um casal, que goza de saúde, a quem Deus concederia a benção de ter filhos, mas eles não os querem aceitar, porque, no seu modo de ver, os filhos são uma carga”. S. Francisco Xavier era o sétimo filho de seus pais; S. Teresinha foi a nona e última filha; S. Inácio de Loyola foi o décimo terceiro… Deus sabe as graças que tem preparadas para os casais que se dispõem a não cortar as asas do amor. ORAÇÃO Ó amabilíssimo Cristo Rei, que escolhestes vir ao mundo no seio de uma família para nos ensinar que a vida familiar é um caminho privilegiado de santificação, dai-nos a graça de enxergar nossas relações familiares tendo em consideração a vida eterna. Dai a nossos pais e mães a força para doarem amorosamente sua vida e sua juventude pelo bem verdadeiro de seus filhos, e de serem felizes ao vê-los vicejar como rebentos de oliveira ao redor de sua mesa. Dai a nossas crianças a graça de seguirem os bons caminhos que lhes ensinem seus pais, para que, mesmo quando envelhecerem, não se venham a deles afastar. Amém. Senhor Jesus Cristo, Rei da Família, Tende piedade de nós. 👉 Ladainha (clique aqui) 5º dia – CRISTO, REI DA JUVENTUDE Filhos dos homens, até quando fechareis o coração? Por que amais a ilusão e procurais a falsidade? (Sl 4, 3) Qualquer pessoa que comparasse o jovem médio de 2022 com aquele de 1922 enxergaria uma enorme diferença em seu estilo de vida e em sua mentalidade: nas roupas que veste, na música que escuta, nas coisas que lê, em seus sonhos e projetos de vida – diferença muito maior, por exemplo, que a entre o jovem de 1922 e o de 1822. Não se trata, de fato, do mero efeito da passagem do tempo: alguma coisa aconteceu, no último século, que abalou profundamente as aspirações da juventude – que a convenceu de que ela só alcançaria sua verdadeira felicidade se abandonasse as leis dos seus antepassados e não se governasse mais pelas leis de Deus (2Mc 6, 1). Imediatamente nos vem à cabeça todo o movimento dos anos 1960, a Revolução Sexual, a Contracultura: como cantava Bob Dylan em 1964, “Vamos, pais e mães, e não critiquem o que vocês não conseguem entender: seus filhos e filhas estão fora de sua autoridade, e seu velho caminho está caducando rápido. (…) Pois o que agora é presente, logo será passado, e a ordem está rapidamente desaparecendo, e os tempos estão mudando!”. Essa proposta parecia boa, e quase toda a juventude do mundo cristão adotou os costumes pagãos (1Mc 1, 12-13). O drama, no entanto, é que a tão esperada felicidade nunca chegou… Comemos o fruto, mas não nos tornamos como deuses. Pelo contrário, os índices de infelicidade e transtornos mentais cresceram enormemente, e difundiu-se no mundo um fenômeno novo: a depressão e o suicídio de crianças – aquelas mesmas crianças, que com seu riso e seu encanto conseguiam desanuviar os dias escuros, que nos confortavam com sua mão e seu coração, e que em sua inocência e confiança nos ensinavam a ser livres… Isso para não falar das tantas crises de identidade e de rebeliões contra a realidade: de jovens que, como fantoches doutrinados por ideologias mentirosas, traíram seu ser e entregaram-se à escravidão. O que fazer? Muitos há que se perguntam: “Quem nos dá felicidade?” (Sl 4, 7) – mas onde, afinal, encontrá-la? É bom lembrarmos aqui daquele primeiro discurso que fez o grande São João Paulo II, quando foi eleito Papa: Não tenhais medo! Abri de par em par as portas a Cristo! Como depois explicou Bento XVI, o Papa, naquela ocasião, falava “sobretudo aos jovens. Porventura não temos todos nós, de um modo ou de outro, medo – se deixarmos entrar Cristo totalmente dentro de nós, se nos abrirmos completamente a Ele –, medo de que Ele possa tirar-nos algo da nossa vida? Não temos porventura medo de renunciar a algo de grandioso, único, que torna a vida tão bela? Não arriscamos depois de nos encontrarmos na angústia e privados da liberdade? E mais uma vez o Papa queria dizer: Não! Quem faz entrar Cristo, nada perde – nada, absolutamente nada daquilo que torna a vida livre, bela e grande. Não! Só nesta amizade se abrem de par em par as portas da vida. Só nesta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só nesta amizade experimentamos o que é belo e o que liberta. Assim, queridos jovens, eu gostaria de vos dizer hoje, com grande força e convicção, partindo da experiência de uma longa vida pessoal: não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, ele dá tudo. Quem se doa por Ele, recebe o cêntuplo. Sim, abri de par em par as portas a Cristo e encontrareis a vida verdadeira”. “Olhemos ao redor! A sociedade ocidental escolheu organizar-se sem Deus. Ei-la agora, entregue às luzes tilintantes e enganosas da sociedade de consumo, do lucro a qualquer custo, do individualismo ensandecido. Um mundo sem Deus é um mundo de trevas, de mentira e de egoísmo! (…) O mundo de ideologias que negam a natureza humana e destroem a família, das estruturas globalistas que impõem goela abaixo uma nova ética mundial… O Ocidente foi evangelizado pelos Santos e Mártires. Sereis vós, jovens de hoje, sereis vós os santos e os mártires que as nações esperam para uma Nova Evangelização! Vossas pátrias têm sede do Cristo! Não as desaponteis! A Igreja confia em vós.” Num mundo de fugitivos, aquele que marchar na direção oposta será tomado por um desertor26. Jovens cristãos, tenham a coragem de caminhar na direção oposta: de salvar o amor humano do fosso em que se encontra – em que já não é visto como o dom generoso de si mesmo, mas como a possessão do outro, como um egoísmo vivido a dois: “eu vou usando seu corpo, e você vai usando o meu, até quando enjoarmos”. Tenham a coragem de ser como os Santos Macabeus, que não aceitaram renegar sua fé em troca das juras de riqueza, felicidade e altos cargos, mas mostraram-se prontos a morrer, antes que transgredir as leis de seus antepassados (2Mc 7, 2.24) Aproveitemos desta novena para tomar o firme propósito de dedicar, todo dia, um tempo generoso ao diálogo com o Senhor, no silêncio e na intimidade de nosso coração. Se o fizermos, poderemos ter vida pura; seremos fortes, porque a Palavra de Deus permanecerá em nós (Sl 118, 9; 1Jo 1, 14). ORAÇÃO Ó amantíssimo Cristo Rei, que fizestes do jovem São João em sua pureza juvenil, o discípulo amado, ajudai nossos jovens a enxergar a beleza de uma vida pura. A todos os jovens que se perguntam, “Quem nos dá felicidade?”, mostrai, Senhor, o esplendor de vossa face – e dai-lhes mais alegria ao coração do que a outros na fartura de seu trigo e vinho novo. Dai que nossos jovens, seguindo vossa lei, se rejubilem muito mais do que em todas as riquezas. Amém. Senhor Jesus Cristo, Rei da Juventude, Tende piedade de nós. 👉 Ladainha (clique aqui) 6º dia – CRISTO, REI DA MULHER Uma mulher virtuosa, quem a pode encontrar? Superior ao das pérolas é o seu valor. Seus filhos se levantam para proclamá-la bem-aventurada e seu marido para elogiá-la (Pr 31, 10.28) Nas primeiras décadas do século XX, assistimos no Ocidente ao surgimento dos primeiros movimentos feministas – e de fato havia na sociedade da época várias discriminações injustas contra as mulheres: não raro eram levadas a entrar em arranjos matrimoniais contra sua vontade; não podiam acessar diversos cargos técnicos ou vagas de universidade; a lei as considerava juridicamente incapazes, quase que sob a tutela legal de seu pai ou marido; não podiam eleger seus representantes… Com o passar das décadas, no entanto, a luta pelo fim dessas desigualdades injustas acabou se tornando, em alguns ambientes, uma verdadeira revolta contra toda e qualquer desigualdade – ou seja, um igualitarismo radical, que não se contenta com nada que não a completa identificação entre os sexos. Até mesmo aqueles vícios e pecados que afetavam mais tipicamente os homens passaram a ser “invejados” pelas feministas radicais: se, por exemplo, os homens podiam ser alcoólatras ou sexualmente promíscuos sem sofrer grandes pressões ou estigmas sociais, então a solução (ao invés de condenar estes desvios masculinos e procurar corrigi-los!) seria levar as mulheres a adotar os mesmos comportamentos… Este desejo de “equalização” a todo custo tinha, no entanto, um obstáculo biológico bastante forte: como quem engravida é sempre a mulher, a promiscuidade era muito mais arriscada para ela que para o homem – que, lamentavelmente, podia facilmente ser um irresponsável e abandonar a moça que engravidou. No começo dos anos 1960, no entanto, a invenção da pílula anticoncepcional provocou uma verdadeira revolução: pela primeira vez na história, as mulheres tinham agora controle sobre sua fertilidade, com um instrumento técnico de uso privado, que não atraía para elas os olhares da sociedade. Em pouquíssimo tempo, diversas forças sociais começaram a pressionar a Igreja Católica, que resguardava ainda seu ensinamento tradicional sobre a contracepção. A revista Time, por exemplo, publicou em 196727 uma matéria de capa sobre o assunto, em que afirmava que “o uso da pílula por uma grande população católica contribuirá para torná-la psicologicamente saudável, e para criar relações familiares sadias”, e que havia um “consenso entre médicos e sociólogos” de que a sua disseminação não aumentaria os índices de promiscuidade. No ano seguinte, e em pleno turbilhão da Revolução Sexual, o Papa São Paulo VI tomou a heroica decisão de preservar o ensinamento bimilenar da Igreja, e profetizou ainda que a disseminação da contracepção artificial traria graves consequências para a vida social: o crescimento da infidelidade conjugal e da degradação da moralidade, e a perda do respeito pela mulher, que levaria o homem, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta e não mais como sua companheira, respeitada e amada28. O Papa foi amplamente ignorado e caricaturado como retrógado e “medieval” – inclusive por alguns católicos… –, e, como sabemos todos, o caldo cultural empapou-se até à raiz na cultura da libertinagem e da contracepção. Conforme o tempo se passava, no entanto, todas as previsões do Papa acabaram se cumprindo à risca, para desconcerto dos opositores da Igreja. Os índices de promiscuidade, infidelidade, divórcio e aborto todos explodiram – e a cultura nitidamente vem tratando a mulher cada vez mais como um objeto a ser consumido e dominado pelo homem. Os outdoors e propagandas de todo tipo de produto exibem corpos femininos seminus como mercadorias; filmes e séries de sucesso como Game of Thrones ou 50 tons de cinza agora abundam em cenas de abuso sexual e estupro com a maior naturalidade; nos sites de pornografia, as categorias mais assistidas são as que envolvem violência, especificamente contra as mulheres; nossas músicas chamam as mulheres de “cadelas” e “vagabundas”, que devem satisfazer seu parceiro sob pena de ele estar justificado em recorrer a uma “namorada reserva”; e são raras as cantoras de sucesso que conseguem ascender à carreira sem se venderem à luxúria do grande público… No meio de tanta desgraça, parece justo perguntar: será que não está na hora de reassumirmos a visão cristã da mulher? Estamos fartos de ouvir que a Igreja é “machista” e “patriarcal” – mas quem se põe a estudar friamente o assunto chega à conclusão contrária: tanto na Igreja Antiga quando na Medieval, a civilização cristã foi a que mais reconheceu direitos e dignidade à mulher. Não se trata de proibir a mulher de ter uma carreira, ou de “forçá-la” a ficar em casa e criar os filhos. Por sinal, estamos bem conscientes de que, nas circunstâncias atuais, as famílias são muitas vezes compelidas, por motivos econômicos, a que os dois cônjuges trabalhem fora de casa… Trata-se, aqui, simplesmente de reconhecer que a feminilidade, a maternidade, são belíssimos aspectos constituintes do ser mulher – e que há hoje muitas moças que gostariam imensamente de dedicar sua vida a unir-se a um bom marido e criar seus filhos como rainhas do lar, mas que são impedidas de fazê-lo pelos mesmos estigmas e pressões sociais que o feminismo supostamente veio para suprimir. O próprio Deus se vale da imagem da ternura materna para simbolizar seu cuidado por seu povo: “Como uma criança que a mãe consola, sereis consolados em Jerusalém” (Is 66, 13). Confiemos, então, todas as nossas mulheres, estas joias preciosas que Deus criou, à maternal proteção de Maria, Nossa Mãe e Senhora. ORAÇÃO Ó dulcíssimo Cristo Rei, que com o Pai e o Espírito Santo criastes a mulher para que o homem não estivesse só, mas, à imagem da Santíssima Trindade, fosse fecundo em sua união de amor, dai às nossas mulheres viverem numa sociedade que respeite sua dignidade de filhas muito amadas de Deus. Inspiradas nas grandes santas de todas as épocas da Igreja, possam nossas mulheres animar-se a uma entrega corajosa e forte de todo seu coração a Deus e, por Deus, a seus filhos, naturais ou espirituais. Possam elas ser reflexo do carinho maternal com que Deus mesmo cuida de seus filhos, e da ternura e fidelidade com que Vossa Mãe Santíssima vos amou na terra e no Céu. Amém. Senhor Jesus Cristo, Rei da Mulher, Tende piedade de nós. 👉 Ladainha (clique aqui) 7º dia – CRISTO, REI DOS QUE SOFREM Se alguém quer me seguir, negue-se a si mesmo, tome a cada dia a sua cruz e siga-me. (Lc 9, 23) Neste antepenúltimo dia de novena vamos refletir sobre uma das principais questões da vida humana e ponto crucial de nossa fé: o sofrimento. Veremos que Nosso Senhor Jesus Cristo não nos promete riquezas e honrarias nessa vida presente – pelo contrário, nos convoca a carregarmos a cruz de cada dia, assim como Ele o fez para cumprir sua missão de redimir a humanidade. Para entender o sofrimento é necessário, em primeiro lugar, ter em mente o objetivo da vida de qualquer pessoa: a santidade. Num mundo que não reconhece a realeza de Cristo, no entanto, esta conquista da pátria eterna requer bravura e, muitas vezes, heroísmo. Nesse sentido, os santos demonstram quão vantajoso é abraçar livremente o sofrimento por amor a Deus. Importante destacar o termo “livremente”, uma vez que é justamente a livre aceitação dos desígnios divinos que dá sentido cristão ao sofrimento. Como mencionamos na oração “Salve Rainha”, esta nossa morada terrena será sempre um “vale de lágrimas”, sendo inútil buscar alívio em qualquer mitologia, psicótico, forma de governo, ideologia ou doutrina que não o próprio Deus. A partir do pecado original, sofrimento e vida humana formam um só conjunto, pois a desobediência dos primeiros pais destruiu o plano original de Deus. Até mesmo as mazelas que vemos hoje no mundo – misérias, violências, guerras… – evidenciam que a maior parte do sofrimento humano é consequência de seu próprio orgulho, egoísmo e avareza. Ainda assim, Deus permite que inclusive as almas mais puras e inocentes sofram grandes tribulações. A partir de uma mentalidade mundana isso pode parecer ser demasiada injustiça e crueldade – mas é justamente o oposto. Para as almas mais nobres Deus consente o sofrimento para que se tornem obras-primas ainda mais sublimes, ao passo para que para as ovelhas desgarradas o sofrimento é remédio eficaz para que se convertam. Dessa maneira, o sofrimento é sempre manifestação do amor divino: afortunados os que sofrem e têm a Cristo como Rei! Os melhores pais são aqueles que repreendem e impõem limites a seus filhos – e, caso seja preciso, castigam-nos enquanto é tempo para que não arruínem sua vida futura. A sabedoria duas vezes milenar da Igreja revela que mais vale expiar as culpas na terra do que sofrer as agonias eternas no Inferno (ou mesmo as agonias temporais no Purgatório). De acordo com a parábola do semeador, a alma humana, da mesma forma que a terra, deve ser preparada para que produza bons frutos. Prosperidade e bem-estar são fatores que endurecem e potencializam o descontrole e a ambição. Por outro lado, o sofrimento aduba a compaixão e humildade, permitindo o florescimento do Evangelho. Adiante, precisamos considerar a Cristo como Rei dos sofrem não apenas para compreender o mistério da vida humana, mas também para vencer o sofrimento sem cair em desespero. Nenhum caminho é impossível de ser trilhado para os que imitam a vida de Cristo, pois quem permanece na graça conta com o poderoso auxílio do Espírito Santo para vencer as tribulações. Diante disso, é fundamental que sejamos humildes e reconheçamos nossas fraquezas e a dívida impagável que temos para com Deus. Nenhum sofrimento chega aos pés do experimentado por Jesus, que se fez pobre e escolheu voluntariamente sofrer a maior das injustiças e o maior dos sofrimentos para a redenção de criaturas pecadoras como nós. Todavia, o reconhecimento da importância do sofrimento não significa que o cristão seja insensível à dor própria e à do próximo. É compreensível sentir-se no limite em determinadas ocasiões – porém quem tem a Cristo como Rei da própria vida não esmorece, porque sabe que Deus será generoso em recompensar todas as boas obras praticadas na terra. Por fim, quem reconhece a realeza de Cristo não pode ser infeliz diante do sofrimento, mas sim se regozija e alegra-se com espírito de sacrifício. Todos os homens sofrem – a diferença é que o cristão não se abate e carrega a própria cruz erguida a prumo, com amor! Eis o belo contraste do reino de Nosso Senhor: suas posses mais preciosas são precisamente aquelas lapidadas no sofrimento, o qual nunca é superior às forças concedidas por Deus. ORAÇÃO Ó misericordiosíssimo Cristo Rei, que vos fizestes homem e sofrestes por nós a maior das injustiças e o maior dos sofrimentos, não fiqueis longe de mim, pois a angústia está perto e não há quem ajude. Rogo-vos para que me deis forças para guardar a fé diante do sofrimento, permitindo que vossa graça atue em minha alma de modo a fazer meu coração semelhante ao vosso. Por maiores que sejam os sofrimentos, faça-se, Senhor, a vossa vontade, ainda que eu não a compreenda. Vós, que não desprezais a aflição do pobre, ajudai-me a anunciar vosso nome aos meus irmãos, para que abracem o sofrimento desta vida e sejam poupados na eternidade. Amém. Senhor Jesus Cristo, Rei dos que Sofrem, Tende piedade de nós. 👉 Ladainha (clique aqui) 8º dia – CRISTO, REI DA MORTE Vigiai, portanto, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. (Mt 24, 42) Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá, e Eu o ressuscitarei no último dia. (Jo 11, 25-26) Existe uma estreita relação entre a festa de Cristo Rei e a consciência da finitude de nossa vida e da certeza do Juízo. De fato, algumas das mais belas representações artísticas da Realeza de Cristo estão em obras sobre o fim dos tempos: vale a pena passar longas horas contemplando, por exemplo, os infinitos detalhes de um Retábulo de Gante, de um Juízo Final de Memling ou de um Fra Angelico, ou meditar sobre a soberana majestade e a infinita piedade de Deus ao som de um Rex Tremendae de Mozart… Também na Liturgia da Igreja enxergamos esta mesma relação. No crepúsculo de cada dia, os sacerdotes rezam, por toda a Igreja, um cântico escatológico: ora antecipando o momento em que, vindo o tempo de julgar vivos e mortos, e chegada a realeza de Deus e o domínio de seu Cristo, daremos graças ao Senhor Deus onipotente, Aquele que é, que era e que há de vir (“O julgamento de Deus”, às quintas-feiras); ora prenunciando as núpcias do Cordeiro redivivo, quando exultaremos de alegria porque de seu reino terá tomado posse nosso Deus onipotente (“As núpcias do Cordeiro”, aos domingos); ora louvando a Deus pelo Cordeiro por nós imolado, que nos remiu com seu sangue e nos faz sacerdotes e povo de reis (“Hino dos remidos”, às terças-feiras). E o tradicional canto gregoriano Dies Irae, que antigamente era cantado nas Missas de Exéquias(Requiem), é atualmente reservado para a última semana do tempo comum – justamente os dias que sucedem nossa Solenidade de Cristo Rei. Reflitamos mais detidamente, então, sobre a morte, o juízo e o sentido da vida. Muitas pessoas se enganam ao pensar que a maior festa litúrgica dos cristãos é o Natal – de fato, embora a Encarnação do Verbo tenha modificado o curso da história para sempre, foi somente com sua Paixão e Ressureição que Nosso Senhor Jesus Cristo completou sua missão e demonstrou sua realeza inclusive sobre a morte. Cristo não mede esforços para salvar as ovelhas perdidas: como nos ensina a parábola do bom-pastor, Ele teria sofrido os mais atrozes sofrimentos ainda que fosse somente por cada um de nós. Seu Sacratíssimo Coração desejou padecer até o extremo as tribulações para que, por sua morte, nos fosse conquistada a vida. Dessa maneira, a morte detém papel singular na doutrina católica e deveria sempre estar nos pensamentos dos cristãos. O chamado à reflexão é universal, já que todos havemos de morrer, como bem proclamado na capela do Convento de São Francisco em Évora: “Nós, ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos”. Os monges franciscanos não desejavam aterrorizar os fiéis, mas sim conclamá-los a ter responsabilidade perante a vida, rejeitando sobretudo os pecados graves. Uma das maiores heresias de nossos tempos consiste em afirmar que a bondade divina jamais condenaria alguma alma ao inferno. Todavia, o magistério constante da Igreja e as Sagradas Escrituras são claros em sustentar quão horroroso aos olhos de Deus é o pecado, castigado inclusive com morte e fogo, com choro e ranger de dentes (Jo 15, 5-6; Lc 13, 22-24.28). Nossa morte está intimamente ligada com nossa vida, não apenas por ela ser a porta para a eternidade, mas também para que vivamos longe das mentiras e falsas promessas de sucesso. Qualis vita, finis ita, “Qual vida, tal morte”, dizem os mestres espirituais. A origem do pecado remonta precisamente em procurar no mundo uma felicidade que ele não pode oferecer. Em verdade, reconhecer a Cristo como Rei da morte significa necessariamente que O tenhamos reconhecido primeiramente como Senhor de todos os aspectos da existência. As reflexões de ontem sobre o sofrimento demonstraram a insensatez de se pensar constantemente no corpo e esquecer da alma. Quem peca experimentará, cedo ou tarde, frustação e tristeza – e, à diferença do justo, não terá seu fardo aliviado pela consciência de carregar a própria cruz humildemente com alegria e amor. Neste ponto não existe “meio-termo”, já que é impossível servir a dois senhores: só há dois lugares possíveis para passarmos nossa eternidade. A fidelidade a nosso Rei é medida a partir dos bons frutos, pois é estéril a vida de quem enterra seus talentos e não faz brilhar a sua luz diante dos homens. A morte é somente o começo de toda a eternidade, é durante as poucas décadas na terra em que se demonstra fidelidade ou rejeição a Cristo para sempre. Tudo depende do seguinte questionamento: “como vivi e em que estado morri”. Assim, o cristão não teme a morte e, mais ainda, a espera feliz e confiante nas palavras de Cristo de que ressuscitará os que creram Nele. Por isso, não devemos medir esforços para fazer com que os indivíduos e a sociedade retornem a Cristo, permitindo que entendam a palavra de Deus e seus mandamentos – pois quanto mais o conhecerem, mais o amarão. Entretanto, a humanidade não reconhece as verdades contidas nos ensinamentos de Nosso Senhor. Pior que isso, nossa sociedade hoje prega a transgressão inclusive contra as mais básicas leis naturais, dando cada vez mais velas à vontade tresloucada de tomar o papel do Criador. A consequência não poderia ser outra senão a propagação de uma cultura da morte, em que filhos são assassinados no ventre de suas jovens mães e, posteriormente, depois de exaurido o relógio biológico, são novamente descartados como subprodutos das fertilizações in vitro. Os que conseguem chegar à vida são então bombardeados por ideologias iníquas, as quais almejam incutir em suas mentes inexperientes pensamentos opostos à lei imutável e eterna de Deus, elevando a infelicidade geral e até os suicídios. Ainda que as proporções dessas mazelas sejam elevadas, o remédio para reconduzir a sociedade à vida é muito simples: reconhecer a Cristo como Rei da família, da juventude, da mulher, dos que sofrem, da morte e de todos os aspectos da criação. São necessárias hoje grandes virtudes para combater as tentações e guardar a fé – mas as meditações que vimos fazendo nos apontam algo do caminho. Cristo é meu Rei, e para que também eu reine sobre a morte, não posso transgredir os Mandamentos, devo guardar puro o corpo e o coração, dizer sempre a verdade, obedecer aos pais e superiores, olhar o mundo à luz de sua doutrina e, por fim, orar muito para a conversão dos pecadores e salvação das almas. ORAÇÃO Ó gloriosíssimo Cristo Rei, que para a redenção da humanidade vencestes a morte, ajudai-nos também a nós a vencê-la, perseverando no caminho da vida e na rejeição ao pecado. Que no mundo inteiro frutifiquem homens e mulheres que sejam sal da terra e luz do mundo, que com suas boas obras iluminem o caminho daqueles que permanecem nas trevas. Dai-nos um coração manso e humilde como o Vosso, a fim de que aprendamos convosco o caminho que leva ao Pai e à salvação. Sede nosso refúgio nas tribulações, e não abandoneis os que Vos procuram e Vos anunciam às nações. Que sejamos misericordiosos e saibamos amar a justiça, a fim de que não temamos o julgamento e que a morte nos seja a porta de entrada para a pátria eterna no Céu. Amém. Senhor Jesus Cristo, Rei da morte, Tende piedade de nós. 👉 Ladainha (clique aqui) 9º dia – CRISTO, REI DA GLÓRIA Levantai-vos, soldados de Cristo! Eia! Avante, na senda da glória! Desfraldai no pendão da vitória O imortal coração de Jesus! Não nascemos senão para a luta. Da batalha amplo campo é a terra. É renhida e constante esta guerra: Apanágio dos filhos de Adão! Não é preciso ser muito perspicaz para perceber que, no Brasil e em todo o Ocidente, a coesão do tecido social vem sendo cada vez mais esgarçada: a insegurança pública e a brutalidade nem nos causam mais espanto; os conflitos entre correntes políticas e ideológicas vão se acirrando e distanciando até mesmo antigos amigos e parentes… Parece que a única coisa em que conseguimos concordar é que temos tido cada vez mais conflitos, e cada vez menos paz. Em certo sentido, nada disto é surpresa para nós cristãos: sabemos que a vida do homem sobre a terra é uma luta (Jó 7, 1), e que, por causa do pecado, que sujeitou a criação inteira à vaidade, e a faz gemer continuamente como que em dores de parto (Rm 8, 20.33), a nossa sorte é comer o pão suado do trabalho, e alimentar-nos com sofrimento todos os dias de nossa vida (Gn 3, 17.19). Mas Cristo não veio justamente para nos libertar desta encruzilhada? Sim veio, e de fato nos abriu as portas do Céu com sua Morte e Ressurreição – mas só atravessaremos esta porta se passarmos pelo mesmo processo que ele passou. Acaso ignorais que todos nós, batizados no Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados? (cf Rm 6, 3-6). Ele mesmo nos adverte severamente: o Reino dos Céus é arrebatado à força, e são os violentos que o conquistam (Mt 11, 12). Mas que força e que violência é esta que Cristo nos pede? Que combate é esse ao qual somos conclamados, e que morte é essa pela qual devemos passar? Se não tivermos verdadeira fé sobrenatural em Deus, corremos o risco de encarar esta luta de um ponto de vista excessivamente humano: uma mera “cruzada cultural” contra organizações sociais e instituições políticas contrárias aos valores cristãos… Mas lembremos do que nos diz São Paulo: a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra (…) os espíritos malignos espalhados pelo espaço (Ef 6, 12). Ideologias e sistemas políticos anticristãos, recessões econômicas, desastres ambientais, fomes e epidemias: são certamente realidades dolorosas – mas que, em última análise, não passam de males deste mundo, sem nenhuma relevância diante da vida eterna. São John Henry Newman expressou esta ideia com toda veemência ao dizer que “A Igreja Católica afirma que, se o sol e a lua se precipitassem do firmamento, e a terra se afundasse, e os muitos milhões que a povoam morressem de inanição em extrema agonia, tudo isso, que causaria males temporais, tudo isso seria um mal menos grave do que o de uma única alma que não só se perdesse, mas cometesse um único pecado leve, dissesse deliberadamente uma mentira ou roubasse sem motivo uma moeda de cinquenta centavos”. Trata-se, portanto, de um combate espiritual – e por isso nossos “exercícios militares” devem também ser de natureza espiritual. Seguindo ainda o conselho de São Paulo, precisamos fortalecer-nos no Senhor, no poder de sua força, e revestir-nos com a armadura de Deus, a fim de que possamos resistir no dia mau, e permanecer firmes depois de terdes superado toda prova (Ef 6, 10.13). Em primeiríssimo lugar, precisamos conservar sempre o nosso estado de graça, esta vida sobrenatural que Deus infunde em seus amigos. Mas para isto não basta “ir à Missa aos domingos e contribuir com o dízimo” – é preciso aceitar e viver, na vida de cada dia, todos os mandamentos de Cristo e da Igreja. Essa postura, que vemos às vezes, de quem diz “Sou católico, mas não concordo com tal ou qual ensinamento da Igreja” faz tanto sentido quanto “ser palmeirense, mas torcer pra que o Corinthians vença o Palmeiras na final do campeonato”, ou vice-versa. E quando nos faltarem as forças para viver à altura do Evangelho, recorramos apressadamente à Confissão. Se estudarmos a vida dos santos, vemos que todos tinham o hábito de se confessar com frequência: a cada mês, a cada quinzena, ou mesmo a cada semana… Será que nós somos tão mais santos que eles, que nos basta recorrer ao santo perdão uma vez só por ano, nos mutirões de Páscoa? Se já estamos em estado de graça, se já saímos do “risco de vida”, o próximo passo é exercitar nossa vida interior. Temos que reservar, todos os dias, um tempo generoso de conversa íntimo com Deus; temos de rezar o terço devotamente (como nos pediu tantas vezes Maria Santíssima!); e comungar com frequência – se possível, inclusive durante a semana. Precisamos, por fim, estudar nossa religião, conhecer nossa doutrina, e estar sempre prontos a dar a razão de nossa esperança a todo aquele que a pedir (1 Pd 3, 15). Lembremos sempre que o que está em jogo neste combate é a salvação eterna de bilhões e bilhões de almas – inclusive a minha e a sua! Como dizia Léon Bloy, só existe uma verdadeira tristeza: a de não sermos Santos – ou, olhando pelo lado positivo da moeda: Não há nada melhor no mundo do que estar em graça de Deus. Em certo sentido, nossa época lembra um pouco o período final do Império Romano, em que aquela grandiosa civilização, outrora pujante, bambeava e ameaçava ruir ao chão, pelo crescente cinismo e rejeição dos valores tradicionais. Antes mesmo da efetiva queda de Roma ante os bárbaros, os homens mais sábios, como um Santo Agostinho, entreviam a ruína iminente – e indicavam a saída: ‘Os tempos estão ruins, estão cheios de problemas!’ – dizem os homens. Ora, passemos nós a viver bem, e os tempos serão bons. Nós somos os tempos: da forma com que nós vivermos, assim serão os tempos. A saída para estas nossas crises sociais – no Brasil e em todo o Ocidente – começa, portanto, pela santidade pessoal. Esforcemo-nos, então, para sermos os santos de que tanto precisamos: santos pais e mães de família, santos professores e médicos, santos políticos e sacerdotes, santos trabalhadores e empreendedores, santos formadores de opinião e influenciadores: que empenhem sua vida e sua honra para defender a vida, desde seu início até seu fim natural, que promovam a honestidade na vida pública e privada, que lutem pela dignidade humana e contra todo tipo de miséria, material como espiritual. “Um segredo. – Um segredo em voz alta: estas crises mundiais são crises de santos.Deus quer um punhado de homens ‘seus’ em cada atividade humana. – Depois… ‘pax Christi in regno Christi’ – a paz de Cristo no reino de Cristo”. ORAÇÃO Ó potentíssimo Cristo Rei, que com o Pai e o Espírito Santo criastes no princípio o mundo e depois o recriastes na redenção, e não cessais de renová-lo em vossa amorosa Providência, ajudai-nos a estar despertos para a luta espiritual que travamos neste vale de lágrimas. Vós, que na aparente derrota da Cruz vencestes o Maligno e anunciastes a paz ao mundo, livrai-nos do desespero e do vão temor, e ajudai-nos a empenharmo-nos com perseverança no combate que nos é proposto, com os olhos fixos em Vós. Dai-nos alcançar a herança incorruptível, que não estraga, que não se mancha nem murcha, e que é reservada para nós nos céus, para ser manifestada nos últimos tempos. Amém. Senhor Jesus Cristo, Rei da Glória Tende piedade de nós. 👉 Ladainha (clique aqui) Fonte: pocketterco.com.br #CristoRei #Novena

  • Novena a Jesus Cristo, Rei do Universo

    A solenidade de Cristo Rei é uma celebração muito recente da Igreja. Foi o Papa Pio XI que a criou, em 1925. Naquele contexto, a Igreja via como necessário reafirmar a soberania real de Jesus e de seus ensinamentos, em um mundo que ia se afastando cada vez mais do Senhor. Hoje, quase 100 anos depois, caberia a pergunta se o mundo está caminhando mais que antes rumo ao Senhor. Não parece ser o caso, pelo menos não se olharmos rápida e superficialmente. Se seguirmos o mesmo critério de então, talvez hoje com mais razão precisamos afirmar essa realeza de Cristo. Mas falar de realeza pode trazer muitos mal-entendidos. Se olharmos para os reis de antigamente, que tinham um poder absoluto sobre seus povos, veremos quase sempre que esse poder acaba corrompendo, de certa forma o coração do homem, ferido pelo pecado. Certamente houve reis santos, mas sabemos que nem os santos estão livres da ferida do pecado. De toda forma, a realeza de Jesus é de outra índole. Em sua realeza, lembramos sua divindade, que se manifestou colocando-se a serviço da humanidade. Esse traço característico de serviço também não encontramos com facilidade naqueles que detém um poder muito grande. (Não estamos excluindo a possibilidade, e certamente muita gente com essas responsabilidades fez um ótimo serviço à população). Mas, inclusive, esse serviço que Jesus oferece é diferente de qualquer outro serviço prestado por pessoas poderosas. Por mais poderoso que fosse alguém, não poderia servir-nos dando-nos a salvação, o perdão dos pecados, a possibilidade de voltar a amizade com Deus sempre que nos voltássemos para Ele arrependidos das nossas faltas. O verdadeiro serviço de Jesus foi mostrar que nós somos criaturas de Deus, feridas pelo pecado, mas que Nele podemos encontrar de novo o sentido de nossas vidas, que sem Ele caminha para a morte. Não é uma festa Bíblica, há que dizer. Jesus não aparece na Bíblia como um Senhor Glorioso dos povos. Pelo contrário, uma das vezes que a realeza de Jesus se manifesta é quando estão zombando dele. Quando o vestem de púrpura e o coroam com a coroa de espinhos, de maneira velada, podemos reconhecer aí um sinal de sua realeza, mas a verdade é que os soldados não estavam tão reverentes assim. A outra vez que Jesus é reconhecido como rei é quando entra montado em um burrico em Jerusalém. Ali ele é até aclamado como o filho de Davi! Mas parece que esse reconhecimento não durou muito, já que pouco depois a multidão gritava: Crucifica-o! Nessa ocasião, vale a pena que nos perguntemos sobre quem é o Senhor Jesus em nossas vidas. Será que permitimos realmente que ele seja o centro dela? Todas as vezes que rezamos o Pai-Nosso estamos pedindo que seu reino, ou seja, sua realeza, seu domínio venha sobre nós. E o nosso coração, está preparado para reconhecer seu verdadeiro rei? Porque isso é fundamental para o cristão: Reconhecer-se criatura. No nosso mundo, em que muito se fala de autonomia, de segurança pessoal, que pretende ter o controle sobre tudo, essa festa vem nos recordar que Aquele que verdadeiramente reina é somente o Cristo. E claro, vale lembrar que, com essa festa, terminamos o ano litúrgico. Já começa, de maneira especial, nossa caminhada de advento, rumo ao Natal. Que essa festa de Cristo Rei já nos coloque no clima e que não esqueçamos que Aquele menino, frágil e dependente da mãe, que vai nascer é, na realidade, o Rei do Universo, da qual todas as coisas foram feitas e em quem todas elas foram renovadas com sua encarnação, morte e ressurreição. 1 – Medite a reflexão do dia 1º dia 2º dia 3º dia 4º dia 5º dia 6º dia 7º dia 8º dia 9º dia 2 – Ladainha de Cristo Rei ℣. Senhor, tende piedade de nós. ℟. Senhor, tende piedade de nós. ℣. Cristo, tende piedade de nós. ℟. Cristo, tende piedade de nós. ℣. Senhor, tende piedade de nós. ℟. Senhor, tende piedade de nós. ℣.Cristo, ouvi-nos. ℟. Cristo, ouvi-nos. ℣. Cristo, atendei-nos. ℟. Cristo, atendei-nos. Deus Pai dos céus, ℟. tende piedade de nós. Deus Filho, Redentor do mundo, Deus Espírito Santo, Santíssima Trindade, que sois um só Deus, Senhor Jesus Cristo, Rei do céu e da terra, Senhor Jesus Cristo, Rei soberano de todas as nações, Senhor Jesus Cristo, Rei anunciado pelos profetas, Senhor Jesus Cristo, Rei entronizado na cruz, Senhor Jesus Cristo, Rei ressuscitado dentre os mortos, Senhor Jesus Cristo, Rei sentado à direita de Deus Pai, Senhor Jesus Cristo, Rei de infinita majestade, Senhor Jesus Cristo, Rei exaltado no trono da graça, Senhor Jesus Cristo, Rei de misericórdia, Senhor Jesus Cristo, Rei de cujo lado aberto brotaram sangue e água, Senhor Jesus Cristo, Rei compassivo, Senhor Jesus Cristo, Rei, autor e eficácia dos sacramentos, Senhor Jesus Cristo, Rei verdadeiramente presente no Santíssimo Sacramento do altar, Senhor Jesus Cristo, Rei do coração que arde de amor, Senhor Jesus Cristo, Rei que sois alfa e ômega, Senhor Jesus Cristo, Rei que fostes, sois e vireis, Senhor Jesus Cristo, Rei de cujo trono nos aproximamos confiantes, Senhor Jesus Cristo, Rei do qual provém toda autoridade, Senhor Jesus Cristo, Rei cujo reino não é deste mundo, Senhor Jesus Cristo, Rei que cura toda divisão, Senhor Jesus Cristo, Rei ferido por nossa indiferença, Senhor Jesus Cristo, Rei manso e humilde de coração, Senhor Jesus Cristo, Rei que habitais os corações, Senhor Jesus Cristo, Rei das famílias, ℣.Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, ℟. perdoai-nos, Senhor. ℣.Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, ℟. ouvi-nos, Senhor. ℣. Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, ℟. tende piedade de nós. ℣. Vossa é a grandeza e o poder. ℟. Vosso é o reino, Senhor. ℣. OREMOS Deus eterno e todo-poderoso, que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, Rei do universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente. Pelo mesmo Cristo, Senhor nosso. ℟. Amém. 3 – Ato de Consagração do Gênero Humano ao Sagrado Coração de Jesus (Ato de consagração do gênero humano a Jesus Cristo Rei) Dulcíssimo Jesus, Redentor do gênero humano, lançai sobre nós que humildemente estamos prostrados na vossa presença, os vossos olhares. Nós somos e queremos ser vossos; e a fim de podermos viver mais intimamente unidos a vós, cada um de nós se consagra, espontaneamente, neste dia, ao vosso sacratíssimo Coração. Muitos há que nunca vos conheceram; muitos, desprezando os vossos mandamentos, vos renegaram. Benigníssimo Jesus, tende piedade de uns e de outros e trazei-os todos ao vosso Sagrado Coração. Senhor, sede rei não somente dos fiéis, que nunca de vós se afastaram, mas também dos filhos pródigos, que vos abandonaram; fazei que estes tornem, quanto antes, à casa paterna, para não perecerem de miséria e de fome. Sede rei dos que vivem iludidos no erro, ou separados de vós pela discórdia; trazei-os ao porto da verdade e à unidade da fé, a fim de que, em breve, haja um só rebanho e um só pastor. Senhor, conservai incólume a vossa Igreja, e dai-lhe uma liberdade segura e sem peias; concedei ordem e paz a todos os povos; fazei que, de um pólo a outro do mundo ressoe uma só voz: louvado seja o coração divino, que nos trouxe a salvação; honra e glória a ele, por todos os séculos. Amém. Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar piedosamente este ato, e plenária quando se recitar publicamente na solenidade de Jesus Cristo Rei. 4 – Ato de Consagração individual ao Sagrado Coração de Jesus Eu, {O SEU NOME}, vos dou e consagro, ó Sagrado Coração de Jesus Cristo, a minha vida, as minhas ações, penas e sofrimentos, para não querer mais servir-me de nenhuma parte do meu ser, senão para vos honrar, amar e glorificar. É esta a minha vontade irrevogável: ser todo vosso e tudo fazer por vosso amor, renunciando de todo o meu coração a tudo quanto vos possa desagradar. Tomo-vos, pois, ó Sagrado Coração, por único bem do meu amor, protetor da minha vida, segurança da minha salvação, remédio da minha fragilidade e da minha inconstância, reparador de todas as imperfeições da minha vida e meu asilo seguro na hora da morte. Sê, ó Coração de bondade, a minha justificação diante de Deus, vosso Pai, para que desvie de mim a sua justa cólera. Ó Coração de amor, deposito toda a minha confiança em Vós, pois tudo temo de minha malícia e de minha fraqueza, mas tudo espero de vossa bondade! Extingui em mim tudo o que possa desagradar- Vos ou que se oponha à vossa vontade. Seja o vosso puro amor tão profundamente impresso em meu coração, que jamais possa eu esquecer-Vos nem separar-me de Vós. Suplico-Vos que o meu nome seja escrito no vosso Coração, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e toda a minha glória em viver e morrer como vosso escravo. Amém. 1º dia – CRISTO, REI DOS SÉCULOS “Cristo Rei, sois dos séculos Príncipe, Soberano e Senhor das nações! Ó Juiz, só a Vós é devido Julgar mentes, julgar corações.” Queremos rezar esta novena em honra de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Mas este próprio título já coloca a primeira dificuldade à nossa devoção: será mesmo que Cristo é Rei do Universo, deste universo tão cheio de desordens e de injustiças? Chamamo-l’O de Príncipe dos Séculos, e no entanto cada novo século que se inaugura parece mais rebelde a este Príncipe: se em épocas passadas, no auge da civilização cristã, a Igreja era verdadeira Mãe e Mestra da humanidade, hoje parece que o mundo vai se tornando cada vez mais como a hospedaria de Belém, sem lugar para Jesus (cf. Lc 2, 7). Proclamamo-l’O Soberano e Senhor das Nações, mas são cada vez mais as nações que, reivindicando uma ilusória soberania perante Deus, distorcem a noção de estado laico em estado laicista e ateu, e se rendem a ideologias opostas aos valores cristãos. Dizemo-l’O Juiz das mentes e dos corações – e contudo parece ficar impune a impiedade dos que, fazendo coro àquele “Não queremos que Ele reine sobre nós” (Lc 19, 14), rejeitam-n’O em seus corações e em suas vidas. Diante desse cenário, talvez nos deixemos contaminar por um certo ceticismo, uma falta de fé no poder e na bondade de Deus, e em seu interesse por nossa vida. “Será que Deus se esqueceu de ter piedade? (…) Eu confesso que é esta a minha dor: ‘A mão de Deus não é a mesma: está mudada!’” (Sl 76, 10-11). Em casos mais graves, nosso orgulho pode levar até mesmo ao cinismo descarado: para justificar nossos pecados, passamos a negar a existência d’Ele – pois afinal de contas, se não há Deus, “Ninguém vê nem condena o meu crime!” (Sl 35, 3). “Deus está morto! E fomos nós que O matamos!”, esbravejava um famoso ateu, um daqueles “sábios” que se julgam muito “originais” e “críticos” por defenderem ideias tão velhas quanto a maçã do Éden: mas quem morreu, de fato, foi este ateu – não sem antes ser internado num manicômio, pois Deus declarou loucura a sabedoria deste mundo (1 Cor 1, 20). Mas o que diremos, então, diante de tantos males e injustiças que vemos no mundo? A própria Escritura reconhece que, nesta vida, são muitas as aflições que podem recair sobre nós – mas ao mesmo tempo nos garante que Deus ama o direito e a justiça (Sl 32, 5), e que dos altos céus Ele se inclina para olhar todos os homens (v. 13), pois formou o coração de cada um, e por todos os seus atos se interessa (v. 15). Se Ele permite temporariamente que suas criaturas livres, pelo abuso de sua liberdade, causem o mal, só o faz porque consegue sempre tirar daí um bem maior – para forjar seus santos no fogo das provações, assim como o ouro na fornalha (cf. 1Pd 1, 6-9). Foi por meio do pecado dos irmãos de José, que o venderam como escravo, que todos eles foram preservados, anos depois, quando seu irmão, feito governador do Egito, salvou-os da fome que assolava a região: “Não, não fostes vós”, diz José a seus irmãos, “que me fizestes vir para aqui. Foi Deus. (…) Premeditastes contra mim o mal: o desígnio de Deus aproveitou-o para o bem (…) e um povo numeroso foi salvo” (Gn 45, 8; 50,20). Os poderosos deste mundo podem até reunir-se e conspirar todos juntos contra o Deus onipotente e o seu Cristo (Sl 2, 2) – e no entanto “O coração do rei nas mãos do Senhor é como água corrente; ele o dirige para onde quer. O homem pensa que o seu caminho é sempre reto, mas é o Senhor quem sonda os corações” (Pr 21, 1-2). Quando, portanto, nos assolar a tentação de desespero; quando, nos momentos sombrios desta luta que é nossa vida sobre aterra (Jó 7, 1), esmorecermos e quisermos dizer, com o Frodo d’O Senhor dos Anéis, “Ah! Eu queria que o fardo deste Anel nunca tivesse chegado até mim! Queria que nada disso tivesse acontecido!”… Reforcemos, então, nosso ato de fé em Deus: “Nada pode acontecer-me que Deus não queira. E tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça, é, na verdade, muito bom!”. Mesmo que pareça triunfar o mal, mesmo que a turba raivosa nos ensurdeça com suas revoltas contra a Realeza de Cristo, continuemos afirmando com serenidade, mas com firmeza inquebrantável, “És tu, Senhor Jesus, o Rei do Universo, o Rei supremo de todas as coisas”. ORAÇÃO Ó prudentíssimo Cristo Rei, que junto ao Pai governais todos os séculos com mão forte e suave, e que desde o vosso trono celeste voltais os olhos para o mundo, penetrando os homens com vosso olhar: rogo-Vos me concedais a graça de guardar sempre a minha fé, mesmo quando pareça demais o sofrimento em minha vida. Ajudai-me a erguer-Vos minhas mãos, buscando-Vos no meu dia de aflição, para que, recordando vossos grandes feitos do passado e as obras grandiosas que fizestes em nosso favor, proclame sempre que são santos, ó Senhor, vossos caminhos. Acolhei com misericórdia as súplicas que Vos dirijo nesta Novena ………., e apresentai-as ao Pai, que Se dignou enviar-Vos como nosso Salvador. Amém. Senhor Jesus Cristo, Rei dos Séculos, Tende piedade de nós. 👉 Ladainha (clique aqui) 2º dia – CRISTO, REI NO CALVÁRIO E NA MISSA Para isso, de braços abertos, vós pendeis do madeiro sagrado e mostrais vosso bom coração a sangrar, pela lança rasgado. Para isso, no altar escondido sob as formas de vinho e de pão, através desse lado ferido, para os filhos trazeis salvação. Ontem refletíamos sobre a Providência – sobre o fato de que o mundo não é uma sucessão cega de fatos desconexos, mas sim um drama, guiado por um verdadeiro plano divino de salvação. No belo hino que escreveu sobre este mistério (Ef 1, 3-10), São Paulo louva a Deus por ter-nos escolhido, já bem antes de o mundo ser criado, para que fôssemos, perante a sua face, sem mácula e santos pelo amor (v. 4). Hoje queremos meditar mais a fundo sobre o caminho que Deus dispôs para realizar este plano: se Ele nos convida a sermos seus filhos adotivos, isto se dá através de Jesus Cristo (v. 5), e especialmente pela remissão dos pecados, que nos vem pelo Seu sangue (v. 7). Jesus Cristo é, de fato, o único caminho para nossa salvação – para resolver a encruzilhada em que nos colocara o pecado de Adão e Eva: “como somente Deus é infinito, somente Ele era capaz de um ato de reparação de valor infinito pela infinita malícia do pecado. Mas quem fosse pagar pelo pecado do homem deveria ser humano, se realmente tinha de arcar com os nossos pecados, se de verdade ia ser nosso representante”. A Encarnação é a maravilhosa resposta divina a este impasse: “Sendo verdadeiro homem como nós, o Redentor poderia representar-nos e agir realmente por nós. Sendo também verdadeiro Deus, a mais insignificante de suas ações teria um valor infinito, suficiente para reparar todos os pecados cometidos ou que viriam a cometer-se”. Para se aproximar deste mistério, São Luís Maria Grignion de Montfort imaginava uma assembleia das três pessoas da Santíssima Trindade, convocada por Jesus, a Sabedoria Eterna, para decidir a salvação do homem. O drama, no entanto, era que Deus, sendo sumamente bom, não podia ser injusto – e o pecado, portanto, não podia ser simplesmente ignorado, e deixado impune. “A Sabedoria, não encontrando no universo algo capaz de expiar o pecado do homem, de reparar a justiça e aplacar a ira de Deus e querendo, apesar de tudo, salvar o pobre homem que ama, encontra um meio admirável. É de pasmar: o amor incompreensível vai até aos extremos! Eis que a amorosa e real Princesa oferece-se a si mesma, em sacrifício ao Pai, para reparar a sua justiça, para aplacar a sua cólera, para arrancar o homem da escravidão do demônio, para livrá-lo das chamas do inferno e para merecer-lhe uma eternidade feliz. A sua oferta é aceita; é tomada uma decisão: a Sabedoria eterna, isto é, o Filho de Deus, far-se-á homem no momento oportuno e entro de parâmetros estabelecidos”. Nossa reconciliação com Deus nos veio, portanto, através de Jesus Cristo, homem, o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2, 5), e especialmente através de sua morte na Cruz, onde Ele derramou seu sangue para remissão dos pecados de muitos (cf. Mt 26, 28). Por isso mesmo é que o principal foco da vida de Jesus sobre a terra, o motivo pelo qual Ele veio (cf. Jo 12, 27), não foram seus milagres, nem seus sermões, nem as obras de caridade que fez com os desfavorecidos: “Ele não pediu para que os homens escrevessem Suas palavras em uma Escritura; não pediu que Sua bondade para com os pobres fosse registrada na história; mas pediu que os homens lembrassem de Sua morte. E para que essa memória não fosse uma narrativa aleatória feita pelos homens, Ele mesmo instituiu o meio preciso pelo qual deveria ser recordada”. Aqui entendemos o valor único e insubstituível da Santa Missa, que o Concílio Vaticano II chama de “fonte e centro de toda a vida cristã”: cada vez que um sacerdote católico, obedecendo ao mandato de Nosso Senhor, toma pão e vinho e pronuncia sobre eles as palavras do Mestre, torna-se presente, de forma muito real, aquele dramático sacrifício acontecido há dois milênios, no monte Calvário: “o único acontecimento da história que não passa jamais (…). Todos os outros acontecimentos da história acontecem uma vez e passam, devorados pelo passado”. – mas o Mistério Pascal é perpetuado a cada Santa Missa, “pois a Eucaristia nada mais é que a extensão sacramental da Encarnação ao longo do tempo e do espaço: a maneira com que Cristo continua a habitar, de forma corpórea, na sua Igreja”. e assim a Cruz permanece solidamente fincada no centro do universo, até o fim dos tempos. No coração do cristianismo está, portanto, a mensagem de que Deus houve por bem reverter a sentença de morte certa que pesava sobre nós, como consequência da rebelião de nossos primeiros pais. Para religar o que havia sido rompido pelo pecado, Deus dispôs que, no momento previsto, Ele haveria de reunir em Cristo o que estava disperso: instauráre ómnia in Christo, quando Ele fosse exaltado da terra no madeiro da Cruz (Jo 12, 32). Jesus Cristo, feito carne no madeiro, e na hóstia feito pão, é, assim, o centro da história: tudo converge para Ele, tudo encontra n’Ele seu sentido e sua razão de ser. Aproveitemos, então, desta novena para fazer um exame de consciência: como me comporto em relação ao Santo Sacrifício da Missa? Será que minha postura, minha pontualidade, meus trajes, minha concentração, revelam que tenho consciência de estar diante do Cordeiro Imolado? Peçamos a Deus a graça de uma devoção sempre maior à Santa Missa. ORAÇÃO Ó amorosíssimo Cristo Rei, que para reunir num só redil os corações desgarrados, fizestes-Vos Homem para salvar o homem, de modo que o demônio, autor da morte, fosse vencido pela mesma natureza que antes vencera, atraí-nos para a Cruz em que sois exaltado. Vós que de braços abertos pendeis da árvore ensanguentada, entregando-Vos em nossos altares sob o véu do pão e do vinho: fazei que, contemplando vosso coração abrasado de misericórdia, saibamos colher a salvação que flui de vosso peito traspassado pela lança. Amém. Senhor Jesus Cristo, Rei no Calvário e na Missa, Tende piedade de nós. 👉 Ladainha (clique aqui) 3º dia – CRISTO, REI DA PÁTRIA TERRENA Por que, Herodes, temes chegar o Rei que é Deus? Não rouba aos reis da terra quem reinos dá nos céus. Se é verdade que todo o universo foi criado por Deus com um propósito de amor, se cada uma de suas partes encontra seu sentido e sua razão de ser em Jesus Cristo, Deus e homem, que se encarnou para nos salvar no lenho da Cruz – então daqui se segue que também as diversas realidades de nossa vida terrena devem ser orientadas a Cristo, em reconhecimento de sua Realeza. A Escritura é bastante clara a este respeito: a Cristo é dada toda a autoridade, não só no céu, mas no céu e na terra (Mt 28, 18), eseu domínio sobre todos os povos e todas as nações (Sl 2,8; Mt 25, 32) se desdobra de mar a mar, e do rio até os confins de toda a terra (Sl 71, 8; Zc 9, 10). Todos os povos devem fazer-se seus discípulos, para aprender a observar tudo o que Ele mandou (Mt 28, 19-20). Se, por um lado, é preciso precaver-se contra uma leitura politizada e demasiado mundana destas passagens, por outro lado é igualmente errônea uma visão espiritualista, que pretenda confinar Cristo e sua Igreja à intimidade da consciência privada, aos lares e às sacristias. O Reinado de Cristo é, sim, principalmente espiritual (e por isso mesmo Ele se escondia do povo que esperava d’Ele uma mera libertação político-econômica da opressão romana, e dizia a Pilatos que Seu reino não era deste mundo; cf. Jo 18, 36), mas este Reinado possui também uma dimensão social: Cristo recebeu do Pai o império sobre todas as coisas civis, e o direito absoluto sobre toda a criação. Mas como, então, se exerce este Reinado Social de Cristo? Como fica a relação entre o Estado e a Igreja? Um breve resumo desta relação nos foi dado pelo próprio Senhor, naquele “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21). Cristo reconhece, por um lado, que existe umCésar, um governo humano da sociedade, e que há coisas que são de César, que são devidas a ele. Nós cristãos, de fato, precisamos obedecer às autoridades constituídas como representantes de Deus, prestando-lhes o respeito às leis, “o pagamento dos impostos, o exercício do direito de voto, e a defesa do país”. Por outro lado, há coisas que são de Deus, e não de César. Nenhuma autoridade humana tem um poder absoluto: ao César de cada época, a Igreja continua sempre ecoando as palavras de seu divino fundador: “Não terias poder algum sobre mim, se de cima não te fora dado” (Jo 19, 11). Quando uma autoridade civil dá ordens “contrárias às exigências da ordem moral, aos direitos fundamentais das pessoas ou aos ensinamentos do Evangelho”, os cristãos temos o direito (e o dever!) de recusar obediência14. Qualquer proposta de “legalizar o aborto” por decreto do Parlamento ou do Judiciário, por exemplo, faz tanto sentido quanto o projeto de “restaurar a escravidão”, ou mesmo de “revogar a lei da gravidade” – e os que defendem essas ideias, embora não percebam nem entendam, caminham numa grande escuridão, abalando os fundamentos do universo; julgam-se deuses, mas como homens morrerão, e cairão como qualquer dos poderosos, quando o Senhor se levantar para julgar a terra (Sl 81, 5-8). Diante desta doutrina de nossa religião, pode ser que alguém nos acuse de sermos subversivos e antipatriotas, ao colocar limites ao poder do Estado e de seus ministros. Nada estaria mais longe da verdade: é o verdadeiro amor à pátria que nos leva a dizer-lhe a verdade, a corrigir-lhe os excessos. Sócrates, o Pai da Filosofia, foi acusado do crime de lesapátria por ter “corrompido a juventude” – e em sua defesa disse claramente: “Ó atenienses, eu vos tenho em grande honra e amor, mas vou obedecer antes a Deus que a vós. (…) Vós, que sois cidadãos da grande, poderosa e sábia cidade de Atenas: porventura não vos causa vergonha buscar acumular ao máximo o dinheiro, as honrarias, e a fama, e ao mesmo tempo negligenciar a sabedoria, a verdade, e o cultivo de vossa alma, pela qual não tendes nenhuma consideração? (…) Eu sei que este é o comando de Deus – que eu examine a coerência de vossas vidas –, e acredito que nunca houve um bem maior na república que este meu serviço a Deus”. São Tomás More, o grande humanista e chanceler da Inglaterra, foi condenado à morte por recusar-se a sufocar sua consciência em prol da luxúria do Rei Henrique VIII, que queria separar o que Deus havia unido – e ao ser acusado de malícia e traição aos interesses do Reino, responde: “Nos assuntos da consciência, o cidadão leal deve ser mais fiel à sua consciência do que a qualquer outra coisa. Por acaso eu deveria dizer ‘sim’ à doença do estado? Seria de ajuda ao meu rei que eu lhe desse mentiras, quando ele me pede a verdade? Vocês acham que vão ajudar a Inglaterra, enchendo-a de mentirosos?”. E assim também tantos outros fiéis, ao longo da história, martirizados pela tirania de um Estado que se julgava acima de Deus e da Igreja: um Beato Anacleto González Flores (1888-1927) e seus companheiros mártires do governo maçônico secularista mexicano, um Beato Franz Jägerstätter (1907-1943), o pai de família e católico devoto que preferiu enfrentar a prisão e a morte a lutar no exército nazista… Todos nós queremos, para este nosso amado Brasil, paz constante e prosperidade completa – e precisamente por isso é que queremos que Cristo reine sobre esta grande nação. Mas o caminho para isso, o caminho para que Cristo Jesus seja adorado e seja amado nesta Terra de Santa Cruz, é fazermos nossa parte, eu e você, e buscarmos que Ele reine em nossas vidas. ORAÇÃO Ó sapientíssimo Cristo Rei, que nos mandastes dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus, ajudai-nos a ser cidadãos patriotas e exemplares. Que no mundo inteiro se proclame o zelo de nossos trabalhadores, o engenho de nossos homens de ciência e cultura, a pureza e a energia de nossos jovens, e a fé de nosso povo. Que nossos governantes reconheçam Vosso Senhorio em seus pensamentos e ações, em suas políticas e leis, para que o amor à nossa pátria terrena nos sirva de caminho para chegarmos à pátria definitiva no Céu. Amém. Senhor Jesus Cristo, Rei da Pátria Terrena, Tende piedade de nós. 👉 Ladainha (clique aqui) 4º dia – CRISTO, REI DA FAMÍLIA A batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será a respeito do Matrimônio e da Família. (Irmã Lúcia) Depois de termos dedicado os três primeiros dias nossa novena aos motivos mais gerais pelos quais Cristo é Rei do Universo, queremos, nos próximos dias, meditar sobre alguns temas mais específicos da sociedade moderna, nos quais aquele Reinado vai perdendo sua primazia. Nosso olhar se volta naturalmente, então, à crise da família, que transparece com evidência em todo o mundo ocidental. Não falamos apenas dos divórcios – pois esta prática, outrora tida como sinal claro de um desequilíbrio social, hoje é tão banal que só nos espantamos, de fato, quando um casal consegue perseverar unido, através das dificuldades, por 30, 40 ou 50 anos… Vemos por todo lado os conflitos familiares: desrespeitos mútuos entre pais e filhos, violências no lar, com tudo terminando na delegacia ou no tribunal… Vão-se disseminando também visões equivocadas sobre a família e a sexualidade humana, em que qualquer agrupamento de pessoas com afeto mútuo passa a ser inserido na categoria de “novas famílias”, e os conceitos de homem e mulher são esvaziados de qualquer referência a uma realidade objetiva, no ser das coisas. Afinal de contas, será que a Igreja não estaria sendo rigorosa demais, ao perseverar em seu ensinamento tradicional? Não seria um exagero chamar estas novas tendências sociais a respeito do Matrimônio e da Família de batalha final entre Deus e Satanás? Para entendermos bem este ponto, convém lembrarmos que o pecado característico de Satanás é a rebelião, a revolta contra Deus e sua criação: seu lema é aquele Non serviam!, “Não servirei!”. Ora, tanto a complementaridade dos sexos masculino e feminino quanto a indissolubilidade do vínculo matrimonial são verdades inscritas pelo Criador na própria natureza humana. Afinal de contas, não é necessário ter fé para enxergar, por um lado, que todo ser humano que vem a este mundo procede da união do homem e da mulher, e por outro, que os bebês humanos, diferente dos outros animais, são extremamente vulneráveis e precisam de um longo tempo num ambiente estável para se desenvolver: um potro já nasce andando, mas a formação de um ser humano adulto bem exige duas décadas de constante proteção e educação, num ambiente estável de confiança e cumplicidade. Existe, portanto, uma base natural para a defesa da família e do matrimônio – e a Escritura o confirma ao incluir estas duas verdades nos relatos da Criação: Deus criou o ser humano à sua imagem, como homem e mulher (Gn 1, 27), que ao unirem-se em matrimônio tornam-se uma só carne (Gn 2, 24). Também Jesus o repete ao dizer que foi assim que o Criador, desde o princípio, nos fez (Mt 19, 4-5). Mas além destas bases naturais, a família tem ainda uma finalidade sobrenatural, que é missão da Igreja pregar. Diferente dos outros animais, nossa existência não terminará na cova, mas vai se prolongar eternamente, ou no Céu em suprema felicidade, ou em suprema agonia no inferno – e por isso mesmo é que os pais têm o dever sagrado de educar os filhos não só para esta vida terrena, mas principalmente para a vida eterna. “Contudo, quantos pais esquecem esta verdade de importância capital! Quantos não fazem os maiores sacrifícios e não se poupam a fadigas nem a trabalhos para conseguirem que seus filhos sejam mais amáveis, mais espertos, mais instruídos! Escola, piano, francês, alemão, lições de ginástica, de baile… tudo isto está muito bem, mas o teu filho, tem alma! Preocupas-te também com a sua alma? Não esqueças que o filho é um dom confiado por Deus e Deus pedir-te-á um dia conta deste tesouro”. Daqui a importância fundamental de verdadeiramente educar os filhos, impondo-lhes limites e disciplina, e não tendo medo de magoá-los dizendo que “não”, quando seu próprio bem o exigir. Que os pais se lembrem, aqui, da censura que Deus dirigiu ao sumo sacerdote Eli, “castigando sua casa para sempre, por causa da sua iniquidade, porque sabia que seus filhos procediam mal e não os corrigiu como devia” (1Sm 3, 13). Além de colocar regras, é preciso também exercer uma justa vigilância sobre os filhos, levando em conta a sua idade e maturidade. Não se trata de “acorrentá-los” dentro de casa – mas de saber onde estão, o que fazem, e com quem andam. Hoje em dia, aliás, com os smartphones e computadores, os maiores perigos invadem até mesmo nossos lares: quanta gente mal intencionada nas redes sociais, quantos esforços da indústria pornográfica de capturar a atenção até mesmo de nossas crianças, inserindo propagandas ocultas em sites de joguinhos inocentes, e aproveitando de seus cérebros ainda em desenvolvimento para viciá-las em consumir seu material imundo! “Quem se descuida dos seus, e principalmente dos de sua própria família, é um renegado, pior que um infiel” (1Tm 5, 8). Pouco adianta exercer a vigilância sobre os filhos, no entanto, se os próprios pais não dão o exemplo de vida cristã: se não se esforçam, dentro das possibilidades de cada família, para criar momentos de oração em comum, para dar mais importância à Missa de domingo que aos compromissos sociais… Um último apelo aos casais cristãos: sejamos generosos em vosso amor a Cristo! Não nos conformemos com esta mentalidade materialista que anda tanto em voga, e que faz com que a família tenha medo de ter filhos… “Os filhos são a bênção do Senhor!” (Sl 126, 3-5). “É quadro triste e pavoroso, o de um casal, que goza de saúde, a quem Deus concederia a benção de ter filhos, mas eles não os querem aceitar, porque, no seu modo de ver, os filhos são uma carga”. S. Francisco Xavier era o sétimo filho de seus pais; S. Teresinha foi a nona e última filha; S. Inácio de Loyola foi o décimo terceiro… Deus sabe as graças que tem preparadas para os casais que se dispõem a não cortar as asas do amor. ORAÇÃO Ó amabilíssimo Cristo Rei, que escolhestes vir ao mundo no seio de uma família para nos ensinar que a vida familiar é um caminho privilegiado de santificação, dai-nos a graça de enxergar nossas relações familiares tendo em consideração a vida eterna. Dai a nossos pais e mães a força para doarem amorosamente sua vida e sua juventude pelo bem verdadeiro de seus filhos, e de serem felizes ao vê-los vicejar como rebentos de oliveira ao redor de sua mesa. Dai a nossas crianças a graça de seguirem os bons caminhos que lhes ensinem seus pais, para que, mesmo quando envelhecerem, não se venham a deles afastar. Amém. Senhor Jesus Cristo, Rei da Família, Tende piedade de nós. 👉 Ladainha (clique aqui) 5º dia – CRISTO, REI DA JUVENTUDE Filhos dos homens, até quando fechareis o coração? Por que amais a ilusão e procurais a falsidade? (Sl 4, 3) Qualquer pessoa que comparasse o jovem médio de 2022 com aquele de 1922 enxergaria uma enorme diferença em seu estilo de vida e em sua mentalidade: nas roupas que veste, na música que escuta, nas coisas que lê, em seus sonhos e projetos de vida – diferença muito maior, por exemplo, que a entre o jovem de 1922 e o de 1822. Não se trata, de fato, do mero efeito da passagem do tempo: alguma coisa aconteceu, no último século, que abalou profundamente as aspirações da juventude – que a convenceu de que ela só alcançaria sua verdadeira felicidade se abandonasse as leis dos seus antepassados e não se governasse mais pelas leis de Deus (2Mc 6, 1). Imediatamente nos vem à cabeça todo o movimento dos anos 1960, a Revolução Sexual, a Contracultura: como cantava Bob Dylan em 1964, “Vamos, pais e mães, e não critiquem o que vocês não conseguem entender: seus filhos e filhas estão fora de sua autoridade, e seu velho caminho está caducando rápido. (…) Pois o que agora é presente, logo será passado, e a ordem está rapidamente desaparecendo, e os tempos estão mudando!”. Essa proposta parecia boa, e quase toda a juventude do mundo cristão adotou os costumes pagãos (1Mc 1, 12-13). O drama, no entanto, é que a tão esperada felicidade nunca chegou… Comemos o fruto, mas não nos tornamos como deuses. Pelo contrário, os índices de infelicidade e transtornos mentais cresceram enormemente, e difundiu-se no mundo um fenômeno novo: a depressão e o suicídio de crianças – aquelas mesmas crianças, que com seu riso e seu encanto conseguiam desanuviar os dias escuros, que nos confortavam com sua mão e seu coração, e que em sua inocência e confiança nos ensinavam a ser livres… Isso para não falar das tantas crises de identidade e de rebeliões contra a realidade: de jovens que, como fantoches doutrinados por ideologias mentirosas, traíram seu ser e entregaram-se à escravidão. O que fazer? Muitos há que se perguntam: “Quem nos dá felicidade?” (Sl 4, 7) – mas onde, afinal, encontrá-la? É bom lembrarmos aqui daquele primeiro discurso que fez o grande São João Paulo II, quando foi eleito Papa: Não tenhais medo! Abri de par em par as portas a Cristo! Como depois explicou Bento XVI, o Papa, naquela ocasião, falava “sobretudo aos jovens. Porventura não temos todos nós, de um modo ou de outro, medo – se deixarmos entrar Cristo totalmente dentro de nós, se nos abrirmos completamente a Ele –, medo de que Ele possa tirar-nos algo da nossa vida? Não temos porventura medo de renunciar a algo de grandioso, único, que torna a vida tão bela? Não arriscamos depois de nos encontrarmos na angústia e privados da liberdade? E mais uma vez o Papa queria dizer: Não! Quem faz entrar Cristo, nada perde – nada, absolutamente nada daquilo que torna a vida livre, bela e grande. Não! Só nesta amizade se abrem de par em par as portas da vida. Só nesta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só nesta amizade experimentamos o que é belo e o que liberta. Assim, queridos jovens, eu gostaria de vos dizer hoje, com grande força e convicção, partindo da experiência de uma longa vida pessoal: não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, ele dá tudo. Quem se doa por Ele, recebe o cêntuplo. Sim, abri de par em par as portas a Cristo e encontrareis a vida verdadeira”. “Olhemos ao redor! A sociedade ocidental escolheu organizar-se sem Deus. Ei-la agora, entregue às luzes tilintantes e enganosas da sociedade de consumo, do lucro a qualquer custo, do individualismo ensandecido. Um mundo sem Deus é um mundo de trevas, de mentira e de egoísmo! (…) O mundo de ideologias que negam a natureza humana e destroem a família, das estruturas globalistas que impõem goela abaixo uma nova ética mundial… O Ocidente foi evangelizado pelos Santos e Mártires. Sereis vós, jovens de hoje, sereis vós os santos e os mártires que as nações esperam para uma Nova Evangelização! Vossas pátrias têm sede do Cristo! Não as desaponteis! A Igreja confia em vós.” Num mundo de fugitivos, aquele que marchar na direção oposta será tomado por um desertor26. Jovens cristãos, tenham a coragem de caminhar na direção oposta: de salvar o amor humano do fosso em que se encontra – em que já não é visto como o dom generoso de si mesmo, mas como a possessão do outro, como um egoísmo vivido a dois: “eu vou usando seu corpo, e você vai usando o meu, até quando enjoarmos”. Tenham a coragem de ser como os Santos Macabeus, que não aceitaram renegar sua fé em troca das juras de riqueza, felicidade e altos cargos, mas mostraram-se prontos a morrer, antes que transgredir as leis de seus antepassados (2Mc 7, 2.24) Aproveitemos desta novena para tomar o firme propósito de dedicar, todo dia, um tempo generoso ao diálogo com o Senhor, no silêncio e na intimidade de nosso coração. Se o fizermos, poderemos ter vida pura; seremos fortes, porque a Palavra de Deus permanecerá em nós (Sl 118, 9; 1Jo 1, 14). ORAÇÃO Ó amantíssimo Cristo Rei, que fizestes do jovem São João em sua pureza juvenil, o discípulo amado, ajudai nossos jovens a enxergar a beleza de uma vida pura. A todos os jovens que se perguntam, “Quem nos dá felicidade?”, mostrai, Senhor, o esplendor de vossa face – e dai-lhes mais alegria ao coração do que a outros na fartura de seu trigo e vinho novo. Dai que nossos jovens, seguindo vossa lei, se rejubilem muito mais do que em todas as riquezas. Amém. Senhor Jesus Cristo, Rei da Juventude, Tende piedade de nós. 👉 Ladainha (clique aqui) 6º dia – CRISTO, REI DA MULHER Uma mulher virtuosa, quem a pode encontrar? Superior ao das pérolas é o seu valor. Seus filhos se levantam para proclamá-la bem-aventurada e seu marido para elogiá-la (Pr 31, 10.28) Nas primeiras décadas do século XX, assistimos no Ocidente ao surgimento dos primeiros movimentos feministas – e de fato havia na sociedade da época várias discriminações injustas contra as mulheres: não raro eram levadas a entrar em arranjos matrimoniais contra sua vontade; não podiam acessar diversos cargos técnicos ou vagas de universidade; a lei as considerava juridicamente incapazes, quase que sob a tutela legal de seu pai ou marido; não podiam eleger seus representantes… Com o passar das décadas, no entanto, a luta pelo fim dessas desigualdades injustas acabou se tornando, em alguns ambientes, uma verdadeira revolta contra toda e qualquer desigualdade – ou seja, um igualitarismo radical, que não se contenta com nada que não a completa identificação entre os sexos. Até mesmo aqueles vícios e pecados que afetavam mais tipicamente os homens passaram a ser “invejados” pelas feministas radicais: se, por exemplo, os homens podiam ser alcoólatras ou sexualmente promíscuos sem sofrer grandes pressões ou estigmas sociais, então a solução (ao invés de condenar estes desvios masculinos e procurar corrigi-los!) seria levar as mulheres a adotar os mesmos comportamentos… Este desejo de “equalização” a todo custo tinha, no entanto, um obstáculo biológico bastante forte: como quem engravida é sempre a mulher, a promiscuidade era muito mais arriscada para ela que para o homem – que, lamentavelmente, podia facilmente ser um irresponsável e abandonar a moça que engravidou. No começo dos anos 1960, no entanto, a invenção da pílula anticoncepcional provocou uma verdadeira revolução: pela primeira vez na história, as mulheres tinham agora controle sobre sua fertilidade, com um instrumento técnico de uso privado, que não atraía para elas os olhares da sociedade. Em pouquíssimo tempo, diversas forças sociais começaram a pressionar a Igreja Católica, que resguardava ainda seu ensinamento tradicional sobre a contracepção. A revista Time, por exemplo, publicou em 196727 uma matéria de capa sobre o assunto, em que afirmava que “o uso da pílula por uma grande população católica contribuirá para torná-la psicologicamente saudável, e para criar relações familiares sadias”, e que havia um “consenso entre médicos e sociólogos” de que a sua disseminação não aumentaria os índices de promiscuidade. No ano seguinte, e em pleno turbilhão da Revolução Sexual, o Papa São Paulo VI tomou a heroica decisão de preservar o ensinamento bimilenar da Igreja, e profetizou ainda que a disseminação da contracepção artificial traria graves consequências para a vida social: o crescimento da infidelidade conjugal e da degradação da moralidade, e a perda do respeito pela mulher, que levaria o homem, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta e não mais como sua companheira, respeitada e amada28. O Papa foi amplamente ignorado e caricaturado como retrógado e “medieval” – inclusive por alguns católicos… –, e, como sabemos todos, o caldo cultural empapou-se até à raiz na cultura da libertinagem e da contracepção. Conforme o tempo se passava, no entanto, todas as previsões do Papa acabaram se cumprindo à risca, para desconcerto dos opositores da Igreja. Os índices de promiscuidade, infidelidade, divórcio e aborto todos explodiram – e a cultura nitidamente vem tratando a mulher cada vez mais como um objeto a ser consumido e dominado pelo homem. Os outdoors e propagandas de todo tipo de produto exibem corpos femininos seminus como mercadorias; filmes e séries de sucesso como Game of Thrones ou 50 tons de cinza agora abundam em cenas de abuso sexual e estupro com a maior naturalidade; nos sites de pornografia, as categorias mais assistidas são as que envolvem violência, especificamente contra as mulheres; nossas músicas chamam as mulheres de “cadelas” e “vagabundas”, que devem satisfazer seu parceiro sob pena de ele estar justificado em recorrer a uma “namorada reserva”; e são raras as cantoras de sucesso que conseguem ascender à carreira sem se venderem à luxúria do grande público… No meio de tanta desgraça, parece justo perguntar: será que não está na hora de reassumirmos a visão cristã da mulher? Estamos fartos de ouvir que a Igreja é “machista” e “patriarcal” – mas quem se põe a estudar friamente o assunto chega à conclusão contrária: tanto na Igreja Antiga quando na Medieval, a civilização cristã foi a que mais reconheceu direitos e dignidade à mulher. Não se trata de proibir a mulher de ter uma carreira, ou de “forçá-la” a ficar em casa e criar os filhos. Por sinal, estamos bem conscientes de que, nas circunstâncias atuais, as famílias são muitas vezes compelidas, por motivos econômicos, a que os dois cônjuges trabalhem fora de casa… Trata-se, aqui, simplesmente de reconhecer que a feminilidade, a maternidade, são belíssimos aspectos constituintes do ser mulher – e que há hoje muitas moças que gostariam imensamente de dedicar sua vida a unir-se a um bom marido e criar seus filhos como rainhas do lar, mas que são impedidas de fazê-lo pelos mesmos estigmas e pressões sociais que o feminismo supostamente veio para suprimir. O próprio Deus se vale da imagem da ternura materna para simbolizar seu cuidado por seu povo: “Como uma criança que a mãe consola, sereis consolados em Jerusalém” (Is 66, 13). Confiemos, então, todas as nossas mulheres, estas joias preciosas que Deus criou, à maternal proteção de Maria, Nossa Mãe e Senhora. ORAÇÃO Ó dulcíssimo Cristo Rei, que com o Pai e o Espírito Santo criastes a mulher para que o homem não estivesse só, mas, à imagem da Santíssima Trindade, fosse fecundo em sua união de amor, dai às nossas mulheres viverem numa sociedade que respeite sua dignidade de filhas muito amadas de Deus. Inspiradas nas grandes santas de todas as épocas da Igreja, possam nossas mulheres animar-se a uma entrega corajosa e forte de todo seu coração a Deus e, por Deus, a seus filhos, naturais ou espirituais. Possam elas ser reflexo do carinho maternal com que Deus mesmo cuida de seus filhos, e da ternura e fidelidade com que Vossa Mãe Santíssima vos amou na terra e no Céu. Amém. Senhor Jesus Cristo, Rei da Mulher, Tende piedade de nós. 👉 Ladainha (clique aqui) 7º dia – CRISTO, REI DOS QUE SOFREM Se alguém quer me seguir, negue-se a si mesmo, tome a cada dia a sua cruz e siga-me. (Lc 9, 23) Neste antepenúltimo dia de novena vamos refletir sobre uma das principais questões da vida humana e ponto crucial de nossa fé: o sofrimento. Veremos que Nosso Senhor Jesus Cristo não nos promete riquezas e honrarias nessa vida presente – pelo contrário, nos convoca a carregarmos a cruz de cada dia, assim como Ele o fez para cumprir sua missão de redimir a humanidade. Para entender o sofrimento é necessário, em primeiro lugar, ter em mente o objetivo da vida de qualquer pessoa: a santidade. Num mundo que não reconhece a realeza de Cristo, no entanto, esta conquista da pátria eterna requer bravura e, muitas vezes, heroísmo. Nesse sentido, os santos demonstram quão vantajoso é abraçar livremente o sofrimento por amor a Deus. Importante destacar o termo “livremente”, uma vez que é justamente a livre aceitação dos desígnios divinos que dá sentido cristão ao sofrimento. Como mencionamos na oração “Salve Rainha”, esta nossa morada terrena será sempre um “vale de lágrimas”, sendo inútil buscar alívio em qualquer mitologia, psicótico, forma de governo, ideologia ou doutrina que não o próprio Deus. A partir do pecado original, sofrimento e vida humana formam um só conjunto, pois a desobediência dos primeiros pais destruiu o plano original de Deus. Até mesmo as mazelas que vemos hoje no mundo – misérias, violências, guerras… – evidenciam que a maior parte do sofrimento humano é consequência de seu próprio orgulho, egoísmo e avareza. Ainda assim, Deus permite que inclusive as almas mais puras e inocentes sofram grandes tribulações. A partir de uma mentalidade mundana isso pode parecer ser demasiada injustiça e crueldade – mas é justamente o oposto. Para as almas mais nobres Deus consente o sofrimento para que se tornem obras-primas ainda mais sublimes, ao passo para que para as ovelhas desgarradas o sofrimento é remédio eficaz para que se convertam. Dessa maneira, o sofrimento é sempre manifestação do amor divino: afortunados os que sofrem e têm a Cristo como Rei! Os melhores pais são aqueles que repreendem e impõem limites a seus filhos – e, caso seja preciso, castigam-nos enquanto é tempo para que não arruínem sua vida futura. A sabedoria duas vezes milenar da Igreja revela que mais vale expiar as culpas na terra do que sofrer as agonias eternas no Inferno (ou mesmo as agonias temporais no Purgatório). De acordo com a parábola do semeador, a alma humana, da mesma forma que a terra, deve ser preparada para que produza bons frutos. Prosperidade e bem-estar são fatores que endurecem e potencializam o descontrole e a ambição. Por outro lado, o sofrimento aduba a compaixão e humildade, permitindo o florescimento do Evangelho. Adiante, precisamos considerar a Cristo como Rei dos sofrem não apenas para compreender o mistério da vida humana, mas também para vencer o sofrimento sem cair em desespero. Nenhum caminho é impossível de ser trilhado para os que imitam a vida de Cristo, pois quem permanece na graça conta com o poderoso auxílio do Espírito Santo para vencer as tribulações. Diante disso, é fundamental que sejamos humildes e reconheçamos nossas fraquezas e a dívida impagável que temos para com Deus. Nenhum sofrimento chega aos pés do experimentado por Jesus, que se fez pobre e escolheu voluntariamente sofrer a maior das injustiças e o maior dos sofrimentos para a redenção de criaturas pecadoras como nós. Todavia, o reconhecimento da importância do sofrimento não significa que o cristão seja insensível à dor própria e à do próximo. É compreensível sentir-se no limite em determinadas ocasiões – porém quem tem a Cristo como Rei da própria vida não esmorece, porque sabe que Deus será generoso em recompensar todas as boas obras praticadas na terra. Por fim, quem reconhece a realeza de Cristo não pode ser infeliz diante do sofrimento, mas sim se regozija e alegra-se com espírito de sacrifício. Todos os homens sofrem – a diferença é que o cristão não se abate e carrega a própria cruz erguida a prumo, com amor! Eis o belo contraste do reino de Nosso Senhor: suas posses mais preciosas são precisamente aquelas lapidadas no sofrimento, o qual nunca é superior às forças concedidas por Deus. ORAÇÃO Ó misericordiosíssimo Cristo Rei, que vos fizestes homem e sofrestes por nós a maior das injustiças e o maior dos sofrimentos, não fiqueis longe de mim, pois a angústia está perto e não há quem ajude. Rogo-vos para que me deis forças para guardar a fé diante do sofrimento, permitindo que vossa graça atue em minha alma de modo a fazer meu coração semelhante ao vosso. Por maiores que sejam os sofrimentos, faça-se, Senhor, a vossa vontade, ainda que eu não a compreenda. Vós, que não desprezais a aflição do pobre, ajudai-me a anunciar vosso nome aos meus irmãos, para que abracem o sofrimento desta vida e sejam poupados na eternidade. Amém. Senhor Jesus Cristo, Rei dos que Sofrem, Tende piedade de nós. 👉 Ladainha (clique aqui) 8º dia – CRISTO, REI DA MORTE Vigiai, portanto, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. (Mt 24, 42) Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá, e Eu o ressuscitarei no último dia. (Jo 11, 25-26) Existe uma estreita relação entre a festa de Cristo Rei e a consciência da finitude de nossa vida e da certeza do Juízo. De fato, algumas das mais belas representações artísticas da Realeza de Cristo estão em obras sobre o fim dos tempos: vale a pena passar longas horas contemplando, por exemplo, os infinitos detalhes de um Retábulo de Gante, de um Juízo Final de Memling ou de um Fra Angelico, ou meditar sobre a soberana majestade e a infinita piedade de Deus ao som de um Rex Tremendae de Mozart… Também na Liturgia da Igreja enxergamos esta mesma relação. No crepúsculo de cada dia, os sacerdotes rezam, por toda a Igreja, um cântico escatológico: ora antecipando o momento em que, vindo o tempo de julgar vivos e mortos, e chegada a realeza de Deus e o domínio de seu Cristo, daremos graças ao Senhor Deus onipotente, Aquele que é, que era e que há de vir (“O julgamento de Deus”, às quintas-feiras); ora prenunciando as núpcias do Cordeiro redivivo, quando exultaremos de alegria porque de seu reino terá tomado posse nosso Deus onipotente (“As núpcias do Cordeiro”, aos domingos); ora louvando a Deus pelo Cordeiro por nós imolado, que nos remiu com seu sangue e nos faz sacerdotes e povo de reis (“Hino dos remidos”, às terças-feiras). E o tradicional canto gregoriano Dies Irae, que antigamente era cantado nas Missas de Exéquias(Requiem), é atualmente reservado para a última semana do tempo comum – justamente os dias que sucedem nossa Solenidade de Cristo Rei. Reflitamos mais detidamente, então, sobre a morte, o juízo e o sentido da vida. Muitas pessoas se enganam ao pensar que a maior festa litúrgica dos cristãos é o Natal – de fato, embora a Encarnação do Verbo tenha modificado o curso da história para sempre, foi somente com sua Paixão e Ressureição que Nosso Senhor Jesus Cristo completou sua missão e demonstrou sua realeza inclusive sobre a morte. Cristo não mede esforços para salvar as ovelhas perdidas: como nos ensina a parábola do bom-pastor, Ele teria sofrido os mais atrozes sofrimentos ainda que fosse somente por cada um de nós. Seu Sacratíssimo Coração desejou padecer até o extremo as tribulações para que, por sua morte, nos fosse conquistada a vida. Dessa maneira, a morte detém papel singular na doutrina católica e deveria sempre estar nos pensamentos dos cristãos. O chamado à reflexão é universal, já que todos havemos de morrer, como bem proclamado na capela do Convento de São Francisco em Évora: “Nós, ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos”. Os monges franciscanos não desejavam aterrorizar os fiéis, mas sim conclamá-los a ter responsabilidade perante a vida, rejeitando sobretudo os pecados graves. Uma das maiores heresias de nossos tempos consiste em afirmar que a bondade divina jamais condenaria alguma alma ao inferno. Todavia, o magistério constante da Igreja e as Sagradas Escrituras são claros em sustentar quão horroroso aos olhos de Deus é o pecado, castigado inclusive com morte e fogo, com choro e ranger de dentes (Jo 15, 5-6; Lc 13, 22-24.28). Nossa morte está intimamente ligada com nossa vida, não apenas por ela ser a porta para a eternidade, mas também para que vivamos longe das mentiras e falsas promessas de sucesso. Qualis vita, finis ita, “Qual vida, tal morte”, dizem os mestres espirituais. A origem do pecado remonta precisamente em procurar no mundo uma felicidade que ele não pode oferecer. Em verdade, reconhecer a Cristo como Rei da morte significa necessariamente que O tenhamos reconhecido primeiramente como Senhor de todos os aspectos da existência. As reflexões de ontem sobre o sofrimento demonstraram a insensatez de se pensar constantemente no corpo e esquecer da alma. Quem peca experimentará, cedo ou tarde, frustação e tristeza – e, à diferença do justo, não terá seu fardo aliviado pela consciência de carregar a própria cruz humildemente com alegria e amor. Neste ponto não existe “meio-termo”, já que é impossível servir a dois senhores: só há dois lugares possíveis para passarmos nossa eternidade. A fidelidade a nosso Rei é medida a partir dos bons frutos, pois é estéril a vida de quem enterra seus talentos e não faz brilhar a sua luz diante dos homens. A morte é somente o começo de toda a eternidade, é durante as poucas décadas na terra em que se demonstra fidelidade ou rejeição a Cristo para sempre. Tudo depende do seguinte questionamento: “como vivi e em que estado morri”. Assim, o cristão não teme a morte e, mais ainda, a espera feliz e confiante nas palavras de Cristo de que ressuscitará os que creram Nele. Por isso, não devemos medir esforços para fazer com que os indivíduos e a sociedade retornem a Cristo, permitindo que entendam a palavra de Deus e seus mandamentos – pois quanto mais o conhecerem, mais o amarão. Entretanto, a humanidade não reconhece as verdades contidas nos ensinamentos de Nosso Senhor. Pior que isso, nossa sociedade hoje prega a transgressão inclusive contra as mais básicas leis naturais, dando cada vez mais velas à vontade tresloucada de tomar o papel do Criador. A consequência não poderia ser outra senão a propagação de uma cultura da morte, em que filhos são assassinados no ventre de suas jovens mães e, posteriormente, depois de exaurido o relógio biológico, são novamente descartados como subprodutos das fertilizações in vitro. Os que conseguem chegar à vida são então bombardeados por ideologias iníquas, as quais almejam incutir em suas mentes inexperientes pensamentos opostos à lei imutável e eterna de Deus, elevando a infelicidade geral e até os suicídios. Ainda que as proporções dessas mazelas sejam elevadas, o remédio para reconduzir a sociedade à vida é muito simples: reconhecer a Cristo como Rei da família, da juventude, da mulher, dos que sofrem, da morte e de todos os aspectos da criação. São necessárias hoje grandes virtudes para combater as tentações e guardar a fé – mas as meditações que vimos fazendo nos apontam algo do caminho. Cristo é meu Rei, e para que também eu reine sobre a morte, não posso transgredir os Mandamentos, devo guardar puro o corpo e o coração, dizer sempre a verdade, obedecer aos pais e superiores, olhar o mundo à luz de sua doutrina e, por fim, orar muito para a conversão dos pecadores e salvação das almas. ORAÇÃO Ó gloriosíssimo Cristo Rei, que para a redenção da humanidade vencestes a morte, ajudai-nos também a nós a vencê-la, perseverando no caminho da vida e na rejeição ao pecado. Que no mundo inteiro frutifiquem homens e mulheres que sejam sal da terra e luz do mundo, que com suas boas obras iluminem o caminho daqueles que permanecem nas trevas. Dai-nos um coração manso e humilde como o Vosso, a fim de que aprendamos convosco o caminho que leva ao Pai e à salvação. Sede nosso refúgio nas tribulações, e não abandoneis os que Vos procuram e Vos anunciam às nações. Que sejamos misericordiosos e saibamos amar a justiça, a fim de que não temamos o julgamento e que a morte nos seja a porta de entrada para a pátria eterna no Céu. Amém. Senhor Jesus Cristo, Rei da morte, Tende piedade de nós. 👉 Ladainha (clique aqui) 9º dia – CRISTO, REI DA GLÓRIA Levantai-vos, soldados de Cristo! Eia! Avante, na senda da glória! Desfraldai no pendão da vitória O imortal coração de Jesus! Não nascemos senão para a luta. Da batalha amplo campo é a terra. É renhida e constante esta guerra: Apanágio dos filhos de Adão! Não é preciso ser muito perspicaz para perceber que, no Brasil e em todo o Ocidente, a coesão do tecido social vem sendo cada vez mais esgarçada: a insegurança pública e a brutalidade nem nos causam mais espanto; os conflitos entre correntes políticas e ideológicas vão se acirrando e distanciando até mesmo antigos amigos e parentes… Parece que a única coisa em que conseguimos concordar é que temos tido cada vez mais conflitos, e cada vez menos paz. Em certo sentido, nada disto é surpresa para nós cristãos: sabemos que a vida do homem sobre a terra é uma luta (Jó 7, 1), e que, por causa do pecado, que sujeitou a criação inteira à vaidade, e a faz gemer continuamente como que em dores de parto (Rm 8, 20.33), a nossa sorte é comer o pão suado do trabalho, e alimentar-nos com sofrimento todos os dias de nossa vida (Gn 3, 17.19). Mas Cristo não veio justamente para nos libertar desta encruzilhada? Sim veio, e de fato nos abriu as portas do Céu com sua Morte e Ressurreição – mas só atravessaremos esta porta se passarmos pelo mesmo processo que ele passou. Acaso ignorais que todos nós, batizados no Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados? (cf Rm 6, 3-6). Ele mesmo nos adverte severamente: o Reino dos Céus é arrebatado à força, e são os violentos que o conquistam (Mt 11, 12). Mas que força e que violência é esta que Cristo nos pede? Que combate é esse ao qual somos conclamados, e que morte é essa pela qual devemos passar? Se não tivermos verdadeira fé sobrenatural em Deus, corremos o risco de encarar esta luta de um ponto de vista excessivamente humano: uma mera “cruzada cultural” contra organizações sociais e instituições políticas contrárias aos valores cristãos… Mas lembremos do que nos diz São Paulo: a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra (…) os espíritos malignos espalhados pelo espaço (Ef 6, 12). Ideologias e sistemas políticos anticristãos, recessões econômicas, desastres ambientais, fomes e epidemias: são certamente realidades dolorosas – mas que, em última análise, não passam de males deste mundo, sem nenhuma relevância diante da vida eterna. São John Henry Newman expressou esta ideia com toda veemência ao dizer que “A Igreja Católica afirma que, se o sol e a lua se precipitassem do firmamento, e a terra se afundasse, e os muitos milhões que a povoam morressem de inanição em extrema agonia, tudo isso, que causaria males temporais, tudo isso seria um mal menos grave do que o de uma única alma que não só se perdesse, mas cometesse um único pecado leve, dissesse deliberadamente uma mentira ou roubasse sem motivo uma moeda de cinquenta centavos”. Trata-se, portanto, de um combate espiritual – e por isso nossos “exercícios militares” devem também ser de natureza espiritual. Seguindo ainda o conselho de São Paulo, precisamos fortalecer-nos no Senhor, no poder de sua força, e revestir-nos com a armadura de Deus, a fim de que possamos resistir no dia mau, e permanecer firmes depois de terdes superado toda prova (Ef 6, 10.13). Em primeiríssimo lugar, precisamos conservar sempre o nosso estado de graça, esta vida sobrenatural que Deus infunde em seus amigos. Mas para isto não basta “ir à Missa aos domingos e contribuir com o dízimo” – é preciso aceitar e viver, na vida de cada dia, todos os mandamentos de Cristo e da Igreja. Essa postura, que vemos às vezes, de quem diz “Sou católico, mas não concordo com tal ou qual ensinamento da Igreja” faz tanto sentido quanto “ser palmeirense, mas torcer pra que o Corinthians vença o Palmeiras na final do campeonato”, ou vice-versa. E quando nos faltarem as forças para viver à altura do Evangelho, recorramos apressadamente à Confissão. Se estudarmos a vida dos santos, vemos que todos tinham o hábito de se confessar com frequência: a cada mês, a cada quinzena, ou mesmo a cada semana… Será que nós somos tão mais santos que eles, que nos basta recorrer ao santo perdão uma vez só por ano, nos mutirões de Páscoa? Se já estamos em estado de graça, se já saímos do “risco de vida”, o próximo passo é exercitar nossa vida interior. Temos que reservar, todos os dias, um tempo generoso de conversa íntimo com Deus; temos de rezar o terço devotamente (como nos pediu tantas vezes Maria Santíssima!); e comungar com frequência – se possível, inclusive durante a semana. Precisamos, por fim, estudar nossa religião, conhecer nossa doutrina, e estar sempre prontos a dar a razão de nossa esperança a todo aquele que a pedir (1 Pd 3, 15). Lembremos sempre que o que está em jogo neste combate é a salvação eterna de bilhões e bilhões de almas – inclusive a minha e a sua! Como dizia Léon Bloy, só existe uma verdadeira tristeza: a de não sermos Santos – ou, olhando pelo lado positivo da moeda: Não há nada melhor no mundo do que estar em graça de Deus. Em certo sentido, nossa época lembra um pouco o período final do Império Romano, em que aquela grandiosa civilização, outrora pujante, bambeava e ameaçava ruir ao chão, pelo crescente cinismo e rejeição dos valores tradicionais. Antes mesmo da efetiva queda de Roma ante os bárbaros, os homens mais sábios, como um Santo Agostinho, entreviam a ruína iminente – e indicavam a saída: ‘Os tempos estão ruins, estão cheios de problemas!’ – dizem os homens. Ora, passemos nós a viver bem, e os tempos serão bons. Nós somos os tempos: da forma com que nós vivermos, assim serão os tempos. A saída para estas nossas crises sociais – no Brasil e em todo o Ocidente – começa, portanto, pela santidade pessoal. Esforcemo-nos, então, para sermos os santos de que tanto precisamos: santos pais e mães de família, santos professores e médicos, santos políticos e sacerdotes, santos trabalhadores e empreendedores, santos formadores de opinião e influenciadores: que empenhem sua vida e sua honra para defender a vida, desde seu início até seu fim natural, que promovam a honestidade na vida pública e privada, que lutem pela dignidade humana e contra todo tipo de miséria, material como espiritual. “Um segredo. – Um segredo em voz alta: estas crises mundiais são crises de santos.Deus quer um punhado de homens ‘seus’ em cada atividade humana. – Depois… ‘pax Christi in regno Christi’ – a paz de Cristo no reino de Cristo”. ORAÇÃO Ó potentíssimo Cristo Rei, que com o Pai e o Espírito Santo criastes no princípio o mundo e depois o recriastes na redenção, e não cessais de renová-lo em vossa amorosa Providência, ajudai-nos a estar despertos para a luta espiritual que travamos neste vale de lágrimas. Vós, que na aparente derrota da Cruz vencestes o Maligno e anunciastes a paz ao mundo, livrai-nos do desespero e do vão temor, e ajudai-nos a empenharmo-nos com perseverança no combate que nos é proposto, com os olhos fixos em Vós. Dai-nos alcançar a herança incorruptível, que não estraga, que não se mancha nem murcha, e que é reservada para nós nos céus, para ser manifestada nos últimos tempos. Amém. Senhor Jesus Cristo, Rei da Glória Tende piedade de nós. 👉 Ladainha (clique aqui) Fonte: pocketterco.com.br #CristoRei #Novena

  • O mal elevado ao poder e a resistência dos cristãos

    O Brasil vive um momento único e decisivo em sua história e não podemos nos silenciar diante da censura e a tirania daqueles que fizeram de tudo para passar por cima da lei e dos brasileiros. O que podemos esperar e fazer diante deste cenário caótico? Este é o tema da formação especial de hoje… Para assistir, acesse: #Brasil

  • O mal elevado ao poder e a resistência dos cristãos

    O Brasil vive um momento único e decisivo em sua história e não podemos nos silenciar diante da censura e a tirania daqueles que fizeram de tudo para passar por cima da lei e dos brasileiros. O que podemos esperar e fazer diante deste cenário caótico? Este é o tema da formação especial de hoje… Para assistir, acesse: #Brasil

  • São Leonardo de Noblac – 06 de Novembro

    SANTO DO DIA – 06 DE NOVEMBRO – SÃO LEONARDO DE NOBLAC Eremita (+559) As notícias sobre a vida deste santo, popularíssimo na Europa centro-setentrional, chegaram até nós por meio de uma biografia escrita cinco séculos depois de sua morte, com os inevitáveis embelezamentos legendários. Leonardo, de nobre estirpe franca, teve o rei Clóvis como padrinho. Com tal apoio teria facilitada qualquer carreira, mas Leonardo preferiu militar sob o estandarte do santo bispo Remígio. Valeu-se de qualquer modo da amizade do rei para ter um privilégio, do qual fez amplo uso porque inspirado na caridade — qual seja, o de poder conceder a liberdade a todos os prisioneiros que encontrasse pelo caminho. É lastimável que Leonardo tenha escolhido viver como eremita no meio de um denso bosque, no qual poucos prisioneiros teriam transitado… Mas a santidade tem muitos outros recursos. Assim, espalhado o rumor sobre este santo eremita e sobre suas capacidades taumatúrgicas, bastava aos prisioneiros invocar seu nome para que as correntes caíssem de seus pulsos e tornozelos. Bem no meio da floresta de Pavum, perto de Limoges, onde o eremita havia fixado a sua morada, passou, em vez dos prisioneiros, o casal real com todo o seu séquito de cortesãos para uma partida de caça. Inútil perguntar o que foi fazer aí a rainha no último mês de gravidez. Para lá foi ela, narra o autor da Vita sancti Leonardi, por um desígnio providencial. Com efeito, a nobre soberana, colhida pelas dores do parto, teve a assistência do santo e, graças sobretudo as suas orações, o evento foi verdadeiramente alegre. O rei mostrou-se reconhecido e prometeu doar-lhe o terreno para que construísse um mosteiro. Que área? Toda aquela que ele conseguisse delimitar percorrendo-a no dorso de um asno, em um só dia, obviamente. Leonardo, já rodeado de muito discípulos, alguns dos quais tinham sido libertados das cadeias por sua intercessão, construiu um primeiro oratório e aí escavou um poço; depois os devotos estabeleceram-se ao lado do mosteiro com suas famílias, dando origem à aldeia que leva seu nome: Saint-Leonard-de-Noblac. E o santuário continua ainda hoje a ser lugar de peregrinações. O santo é invocado como padroeiro dos prisioneiros, mas também dos fabricantes de cadeias, de cepos, de fechos e afins. É invocado contra os bandidos, os quais, por sua vez, postos sob cadeias, poderiam recorrer a seu generoso patrocínio. Mas o invocam sobretudo as parturientes para ter um parto indolor. Retirado do livro: ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. São Leonardo, Eremita Leonardo, companheiro de Clóvis, converteu-se ao cristianismo por influência de São Remi, apóstolo dos francos. Vivendo ainda no século, e freqüentando a corte, era grandemente caridoso para com os cativos e prisioneiros de guerra, trabalhando com afinco, cheio dum zelo infatigável, para lhes proporcionar todo o alívio de que necessitavam, sobretudo esforçando-se para livrá-los dos vícios. Para muitos deles, conseguiu mesmo a liberdade. Tais obras de caridade lhe aumentaram a fé. E, um dia, resolveu abandonar o mundo, retirar-se da corte, para seguir mais de perto as lições e os exemplos de São Remi. Nessa altura, pregava o Evangelho aos companheiros de armas. Acreditando, porém, que pudesse ser trazido à corte, e desejando renunciar inteiramente a si mesmo, secretamente retirou-se ao mosteiro de Mici, a duas léguas de Orleans, sob a direção de São Maximino. Encontrou, então, em Mici, um modelo e um êmulo de virtude em São Lé, nascido em Berry, e que, mais tarde, levou vida de anacoreta numa floresta de Bauce. São Leonardo, que suspirava igualmente por uma solidão mais perfeita, deixou, por sua vez, Mici, ali pelo ano de 520. Passando por Berry, converteu inumeráveis idólatras. Chegando a Limosino, fixou-se numa floresta, longe de Limoges quatro léguas, construindo seu oratório num lugar chamado Noblac. Ervas e frutas eram-lhe toda a alimentação. E foi, durante algum tempo, desconhecido dos homens, sendo-lhe apenas Deus testemunha da austeridade da penitência que se impunha. O zelo levou-o a instruir as gentes da vizinhança; muitos dos que o ouviam foram tocados singularmente pelas pregações que lhes fazia: e alguns se sentiram mesmo animados a imitá-lo naquele gênero de vida. E foram à procura do santo, ao deserto em que vivia: nasceu o mosteiro, depois célebre, de São Leonardo de Noblac. O rei Teodeberto d’Austrásia, em reconhecimento de que a rainha, num parto muito laborioso, obtivera pelas orações do santo, um feliz desfecho doou ao mosteiro uma parte considerável da floresta onde Leonardo e os discípulos viviam. A primeira caridade de São Leonardo pelos cativos não e mais que aumentar com a perfeita conversão. Mais de um prisioneiro se viu livre das prisões pelas orações do santo. O rei concedeu-lhe mesmo, por um especial privilégio, libertar quem achasse que tal merecia. Daí São Leonardo, que morreu aos 6 de novembro de 559, ser invocado, particularmente, em favor dos prisioneiros e das parturientes. (Vida dos Santos, Padre Rohbacher, Volume XIX, p. 218-219) #SantodoDia

  • São Leonardo de Noblac – 06 de Novembro

    SANTO DO DIA – 06 DE NOVEMBRO – SÃO LEONARDO DE NOBLAC Eremita (+559) As notícias sobre a vida deste santo, popularíssimo na Europa centro-setentrional, chegaram até nós por meio de uma biografia escrita cinco séculos depois de sua morte, com os inevitáveis embelezamentos legendários. Leonardo, de nobre estirpe franca, teve o rei Clóvis como padrinho. Com tal apoio teria facilitada qualquer carreira, mas Leonardo preferiu militar sob o estandarte do santo bispo Remígio. Valeu-se de qualquer modo da amizade do rei para ter um privilégio, do qual fez amplo uso porque inspirado na caridade — qual seja, o de poder conceder a liberdade a todos os prisioneiros que encontrasse pelo caminho. É lastimável que Leonardo tenha escolhido viver como eremita no meio de um denso bosque, no qual poucos prisioneiros teriam transitado… Mas a santidade tem muitos outros recursos. Assim, espalhado o rumor sobre este santo eremita e sobre suas capacidades taumatúrgicas, bastava aos prisioneiros invocar seu nome para que as correntes caíssem de seus pulsos e tornozelos. Bem no meio da floresta de Pavum, perto de Limoges, onde o eremita havia fixado a sua morada, passou, em vez dos prisioneiros, o casal real com todo o seu séquito de cortesãos para uma partida de caça. Inútil perguntar o que foi fazer aí a rainha no último mês de gravidez. Para lá foi ela, narra o autor da Vita sancti Leonardi, por um desígnio providencial. Com efeito, a nobre soberana, colhida pelas dores do parto, teve a assistência do santo e, graças sobretudo as suas orações, o evento foi verdadeiramente alegre. O rei mostrou-se reconhecido e prometeu doar-lhe o terreno para que construísse um mosteiro. Que área? Toda aquela que ele conseguisse delimitar percorrendo-a no dorso de um asno, em um só dia, obviamente. Leonardo, já rodeado de muito discípulos, alguns dos quais tinham sido libertados das cadeias por sua intercessão, construiu um primeiro oratório e aí escavou um poço; depois os devotos estabeleceram-se ao lado do mosteiro com suas famílias, dando origem à aldeia que leva seu nome: Saint-Leonard-de-Noblac. E o santuário continua ainda hoje a ser lugar de peregrinações. O santo é invocado como padroeiro dos prisioneiros, mas também dos fabricantes de cadeias, de cepos, de fechos e afins. É invocado contra os bandidos, os quais, por sua vez, postos sob cadeias, poderiam recorrer a seu generoso patrocínio. Mas o invocam sobretudo as parturientes para ter um parto indolor. Retirado do livro: ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora. São Leonardo, Eremita Leonardo, companheiro de Clóvis, converteu-se ao cristianismo por influência de São Remi, apóstolo dos francos. Vivendo ainda no século, e freqüentando a corte, era grandemente caridoso para com os cativos e prisioneiros de guerra, trabalhando com afinco, cheio dum zelo infatigável, para lhes proporcionar todo o alívio de que necessitavam, sobretudo esforçando-se para livrá-los dos vícios. Para muitos deles, conseguiu mesmo a liberdade. Tais obras de caridade lhe aumentaram a fé. E, um dia, resolveu abandonar o mundo, retirar-se da corte, para seguir mais de perto as lições e os exemplos de São Remi. Nessa altura, pregava o Evangelho aos companheiros de armas. Acreditando, porém, que pudesse ser trazido à corte, e desejando renunciar inteiramente a si mesmo, secretamente retirou-se ao mosteiro de Mici, a duas léguas de Orleans, sob a direção de São Maximino. Encontrou, então, em Mici, um modelo e um êmulo de virtude em São Lé, nascido em Berry, e que, mais tarde, levou vida de anacoreta numa floresta de Bauce. São Leonardo, que suspirava igualmente por uma solidão mais perfeita, deixou, por sua vez, Mici, ali pelo ano de 520. Passando por Berry, converteu inumeráveis idólatras. Chegando a Limosino, fixou-se numa floresta, longe de Limoges quatro léguas, construindo seu oratório num lugar chamado Noblac. Ervas e frutas eram-lhe toda a alimentação. E foi, durante algum tempo, desconhecido dos homens, sendo-lhe apenas Deus testemunha da austeridade da penitência que se impunha. O zelo levou-o a instruir as gentes da vizinhança; muitos dos que o ouviam foram tocados singularmente pelas pregações que lhes fazia: e alguns se sentiram mesmo animados a imitá-lo naquele gênero de vida. E foram à procura do santo, ao deserto em que vivia: nasceu o mosteiro, depois célebre, de São Leonardo de Noblac. O rei Teodeberto d’Austrásia, em reconhecimento de que a rainha, num parto muito laborioso, obtivera pelas orações do santo, um feliz desfecho doou ao mosteiro uma parte considerável da floresta onde Leonardo e os discípulos viviam. A primeira caridade de São Leonardo pelos cativos não e mais que aumentar com a perfeita conversão. Mais de um prisioneiro se viu livre das prisões pelas orações do santo. O rei concedeu-lhe mesmo, por um especial privilégio, libertar quem achasse que tal merecia. Daí São Leonardo, que morreu aos 6 de novembro de 559, ser invocado, particularmente, em favor dos prisioneiros e das parturientes. (Vida dos Santos, Padre Rohbacher, Volume XIX, p. 218-219) #SantodoDia

  • Cardeal Müller faz grave alerta sobre Sínodo da Sinodalidade

    Cardeal Müller diz que Sínodo do Papa Francisco é uma ‘tomada hostil da Igreja’. O Cardeal Müller em entrevista exclusiva à Life Site News, falou abertamente sobre as forças ‘anti-humanas’ do mal em jogo na Igreja, falando diretamente sobre a atual crise na hierarquia da Santa Madre Igreja. “Esta é uma maneira de minar a fé católica”, disse o cardeal Gerhard Müller sobre o Sínodo sobre a Sinodalidade em alguns de seus comentários mais aguçados ainda sobre a direção da Igreja sob o Papa Francisco. O cardeal Gerhard Müller rasgou o Sínodo sobre a Sinodalidade em alguns de seus comentários mais fortes ainda sobre os rumos da Igreja Católica sob o Papa Francisco, descrevendo o processo sinodal como uma “tomada hostil” da Igreja que ameaça “acabar” com o catolicismo. Em uma entrevista explosiva na quinta-feira no the World Over da EWTN, o ex-chefe do mais alto escritório doutrinário do Vaticano condenou ideias heterodoxas expressas pela liderança sinodal e em relatórios sinodais e bateu o foco da iniciativa na “auto-revelação” em oposição à fé católica. O Cardeal rejeita veementemente a agenda LGBT que continua a se infiltrar na Igreja Católica, e classifica a agenda como uma ideologia que até promove a “ideia criminosa” da “castração de crianças”, o que implica diretamente “um abuso dos pequenos”. Reitera seu lamento pelo drama que é o próprio Papa quem está promovendo e nomeando prelados abertamente aquiescentes à agenda gay para posições-chave na hierarquia. “Cristo Bom Pastor não pode ser separado de Cristo Mestre. A pastoral não se opõe à doutrina. A verdade da fé está do lado daqueles que são fiéis a Jesus Cristo” disse ele. Sobre a “bênção” dos casais homossexuais proposta pelos Bispos belgas, disse ele: “não passa de uma justificativa para o casamento entre pessoas do mesmo sexo”, embora ocultem esse plano por trás de “propaganda”. Mas se você remover a propaganda”, explicou o cardeal, “não passa de uma heresia contra o casamento cristão, uma heresia absoluta e um cisma”. “Roma deve falar”, ele acusou. “Agora é a hora de gritar a verdade dos telhados.” Ao final exortou: “Nenhum bispo do Papa tem autoridade para abençoar coisas ou comportamentos que vão contra a vontade de nosso Criador e Redentor. Temos que ajudar essas pessoas na pastoral a encontrar seu caminho, mas o caminho de Jesus Cristo e não de acordo com as ideologias deste mundo” A Entrevista “Este é um sistema de auto-revelação e é a ocupação da Igreja Católica” e “a tomada hostil da Igreja de Jesus Cristo, que é uma coluna da Verdade Revelada”, disse o cardeal Müller ao anfitrião da EWTN Raymond Arroyo. “Isso não tem nada a ver com Jesus Cristo, com o Deus Triune, e eles acham que a doutrina é apenas como um programa de um partido político que pode mudá-lo de acordo com seus eleitores.” O Sínodo sobre a Sinodalidade, lançado pelo Papa Francisco em 2021, é um processo de vários anos que envolve reunir opiniões de católicos leigos – e até mesmo não católicos – em todas as dioceses do mundo antes do Sínodo dos Bispos, em Roma, em outubro próximo. O Papa Francisco descreveu o objetivo do Sínodo como a criação de “uma Igreja diferente”, e altos funcionários sinodais indicaram que isso poderia levar a mudanças na doutrina e liderança da Igreja. O relator-geral do Sínodo, cardeal Jean-Claude Hollerich, provocou indignação e acusações de heresia no início deste ano por afirmar que o ensino católico sobre o pecado dos atos homossexuais “não está mais correto” e precisa de “revisão”. Relatórios sinodais nacionais de vários países ocidentais também destacaramos apelos por mudanças doutrinárias, incluindo sobre homossexualidade e ordenação de mulheres, e o site oficial do Vaticano para o Sínodo tem repetidamente enfurecido os católicos ao promover relações homossexuais e grupos ativistas dissidentes. Questionado se o Sínodo sobre a Sinodalidade está se configurando como “uma tentativa de destruir a Igreja”, o cardeal Müller respondeu com “sim, se eles conseguirem, mas esse será o fim da Igreja Católica”. Ele comparou o estado do processo sinodal com a heresia do Arianismo e a “forma marxista de criar a verdade”, insistindo que os católicos “devem resistir” a ela. “É como as velhas heresias do arianismo, quando Arius pensou de acordo com suas ideias o que Deus pode fazer e o que Deus não pode fazer”, disse o cardeal. “O intelecto humano quer decidir o que é verdade e o que está errado.” Os líderes do Sínodo estão “sonhando com outra igreja [que] não tem nada a ver com a fé católica” e é “absolutamente contra” ela, disse o cardeal Müller. “Eles querem abusar desse processo para mudar a Igreja Católica e não apenas em outra direção, mas na destruição da Igreja Católica.” “Ninguém pode fazer uma mudança absoluta e substituir a doutrina revelada da Igreja”, enfatizou, “mas eles têm essas ideias estranhas”, como essa “doutrina é apenas uma teoria de algum teólogo”. Isso não é de todo o caso, o prelado alemão enfatizou: A doutrina dos Apóstolos é uma reflexão e manifestação da Revelação da Palavra de Deus. Temos que ouvir a Palavra de Deus, mas na autoridade da Bíblia Sagrada, da Tradição Apostólica, e do Magistério, e todos os conselhos disseram antes que isso não é possível substituir a Revelação dada de uma vez por todas em Jesus Cristo por outra revelação. Leia também Bispos e Cardeais advertem Caminho Sinodal Alemão: Não vos conformeis com este mundo A entrevista completa (em inglês) pode ser conferida no YouTube de The John-Henry Westen Channel. Título: Cardinal Müller defies globalist LGBT agenda in bombshell interview

  • Cardeal Müller faz grave alerta sobre Sínodo da Sinodalidade

    Cardeal Müller diz que Sínodo do Papa Francisco é uma ‘tomada hostil da Igreja’. O Cardeal Müller em entrevista exclusiva à Life Site News, falou abertamente sobre as forças ‘anti-humanas’ do mal em jogo na Igreja, falando diretamente sobre a atual crise na hierarquia da Santa Madre Igreja. “Esta é uma maneira de minar a fé católica”, disse o cardeal Gerhard Müller sobre o Sínodo sobre a Sinodalidade em alguns de seus comentários mais aguçados ainda sobre a direção da Igreja sob o Papa Francisco. O cardeal Gerhard Müller rasgou o Sínodo sobre a Sinodalidade em alguns de seus comentários mais fortes ainda sobre os rumos da Igreja Católica sob o Papa Francisco, descrevendo o processo sinodal como uma “tomada hostil” da Igreja que ameaça “acabar” com o catolicismo. Em uma entrevista explosiva na quinta-feira no the World Over da EWTN, o ex-chefe do mais alto escritório doutrinário do Vaticano condenou ideias heterodoxas expressas pela liderança sinodal e em relatórios sinodais e bateu o foco da iniciativa na “auto-revelação” em oposição à fé católica. O Cardeal rejeita veementemente a agenda LGBT que continua a se infiltrar na Igreja Católica, e classifica a agenda como uma ideologia que até promove a “ideia criminosa” da “castração de crianças”, o que implica diretamente “um abuso dos pequenos”. Reitera seu lamento pelo drama que é o próprio Papa quem está promovendo e nomeando prelados abertamente aquiescentes à agenda gay para posições-chave na hierarquia. “Cristo Bom Pastor não pode ser separado de Cristo Mestre. A pastoral não se opõe à doutrina. A verdade da fé está do lado daqueles que são fiéis a Jesus Cristo” disse ele. Sobre a “bênção” dos casais homossexuais proposta pelos Bispos belgas, disse ele: “não passa de uma justificativa para o casamento entre pessoas do mesmo sexo”, embora ocultem esse plano por trás de “propaganda”. Mas se você remover a propaganda”, explicou o cardeal, “não passa de uma heresia contra o casamento cristão, uma heresia absoluta e um cisma”. “Roma deve falar”, ele acusou. “Agora é a hora de gritar a verdade dos telhados.” Ao final exortou: “Nenhum bispo do Papa tem autoridade para abençoar coisas ou comportamentos que vão contra a vontade de nosso Criador e Redentor. Temos que ajudar essas pessoas na pastoral a encontrar seu caminho, mas o caminho de Jesus Cristo e não de acordo com as ideologias deste mundo” A Entrevista “Este é um sistema de auto-revelação e é a ocupação da Igreja Católica” e “a tomada hostil da Igreja de Jesus Cristo, que é uma coluna da Verdade Revelada”, disse o cardeal Müller ao anfitrião da EWTN Raymond Arroyo. “Isso não tem nada a ver com Jesus Cristo, com o Deus Triune, e eles acham que a doutrina é apenas como um programa de um partido político que pode mudá-lo de acordo com seus eleitores.” O Sínodo sobre a Sinodalidade, lançado pelo Papa Francisco em 2021, é um processo de vários anos que envolve reunir opiniões de católicos leigos – e até mesmo não católicos – em todas as dioceses do mundo antes do Sínodo dos Bispos, em Roma, em outubro próximo. O Papa Francisco descreveu o objetivo do Sínodo como a criação de “uma Igreja diferente”, e altos funcionários sinodais indicaram que isso poderia levar a mudanças na doutrina e liderança da Igreja. O relator-geral do Sínodo, cardeal Jean-Claude Hollerich, provocou indignação e acusações de heresia no início deste ano por afirmar que o ensino católico sobre o pecado dos atos homossexuais “não está mais correto” e precisa de “revisão”. Relatórios sinodais nacionais de vários países ocidentais também destacaramos apelos por mudanças doutrinárias, incluindo sobre homossexualidade e ordenação de mulheres, e o site oficial do Vaticano para o Sínodo tem repetidamente enfurecido os católicos ao promover relações homossexuais e grupos ativistas dissidentes. Questionado se o Sínodo sobre a Sinodalidade está se configurando como “uma tentativa de destruir a Igreja”, o cardeal Müller respondeu com “sim, se eles conseguirem, mas esse será o fim da Igreja Católica”. Ele comparou o estado do processo sinodal com a heresia do Arianismo e a “forma marxista de criar a verdade”, insistindo que os católicos “devem resistir” a ela. “É como as velhas heresias do arianismo, quando Arius pensou de acordo com suas ideias o que Deus pode fazer e o que Deus não pode fazer”, disse o cardeal. “O intelecto humano quer decidir o que é verdade e o que está errado.” Os líderes do Sínodo estão “sonhando com outra igreja [que] não tem nada a ver com a fé católica” e é “absolutamente contra” ela, disse o cardeal Müller. “Eles querem abusar desse processo para mudar a Igreja Católica e não apenas em outra direção, mas na destruição da Igreja Católica.” “Ninguém pode fazer uma mudança absoluta e substituir a doutrina revelada da Igreja”, enfatizou, “mas eles têm essas ideias estranhas”, como essa “doutrina é apenas uma teoria de algum teólogo”. Isso não é de todo o caso, o prelado alemão enfatizou: A doutrina dos Apóstolos é uma reflexão e manifestação da Revelação da Palavra de Deus. Temos que ouvir a Palavra de Deus, mas na autoridade da Bíblia Sagrada, da Tradição Apostólica, e do Magistério, e todos os conselhos disseram antes que isso não é possível substituir a Revelação dada de uma vez por todas em Jesus Cristo por outra revelação. Leia também Bispos e Cardeais advertem Caminho Sinodal Alemão: Não vos conformeis com este mundo A entrevista completa (em inglês) pode ser conferida no YouTube de The John-Henry Westen Channel. Título: Cardinal Müller defies globalist LGBT agenda in bombshell interview

  • Novembro, mês das almas do Purgatório

    O mês de novembro começou com duas importantes festas litúrgicas: a dos santos e a dos mortos. No dia 1º de novembro, a Igreja celebrou a festa de Todos os Santos. Aquele sobre o qual canta o Apocalipse: «Vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, que se encontrava diante do trono e do Cordeiro, vestida com túnicas brancas e com as palmas das mãos. Eles clamaram em alta voz, dizendo: ‘Salve o nosso Deus’ ”(Apocalipse 7, 9-10). É a Igreja triunfante do Paraíso. A Igreja dos santos, nossos modelos e intercessores. E no dia 2 de novembro, a Igreja comemora os fiéis falecidos, de quem São Paulo diz: “Não queremos que vocês, irmãos, ignorem aqueles que dormem, para que não sofram como os outros, que não têm esperança” ( 1.Tes.4,13). É a Igreja purgativa, formada por almas que sofrem no Purgatório à espera de poder entrar no Paraíso. A fé nos ensina que a libertação de seus sofrimentos está, pela oração, em nossas mãos. A Igreja triunfante do Paraíso e a sofredora do Purgatório unem-se à Igreja militante, composta pelos cristãos que vivem na Terra, e entre as três formam uma única Igreja: o Corpo Místico de Cristo, a comunhão dos santos. Leia também Cada pecado mortal acrescenta sete anos de Purgatório Cada uma dessas três igrejas, a triunfante, a purgativa e a militante, não é feita apenas de almas, mas constitui uma sociedade autêntica, um Corpo Místico integrado em um Corpo Místico maior que compreende as três igrejas. As almas do Paraíso não só são imensamente felizes porque conhecem Deus face a face, mas também porque se conhecem e se amam ardentemente; cada um desfruta da felicidade e glória dos outros, bem como da sua. Na sociedade celestial o amor reina soberano. As almas do Purgatório não se relacionam apenas com os fiéis da Terra, mas vivem em sociedade, se conhecem e se amam e se ajudam como irmãs. Nossos entes queridos não vivem isolados no Purgatório; eles têm relações familiares entre si. Segundo os teólogos, o Purgatório é o reino da caridade fraterna. Leia também Aprenda porque os católicos rezam pelos mortos Da mesma forma, a Igreja militante da qual fazemos parte não é formada por almas isoladas. É uma sociedade composta por todos aqueles que foram incorporados a Cristo pelo batismo e professam a fé católica. Mas, embora todas as almas do Paraíso e do Purgatório façam parte da comunhão dos santos, na Igreja militante apenas os fiéis que estão na graça participam plenamente da comunhão dos santos. Só eles podem ajudar uns aos outros espiritualmente e comunicar os méritos, satisfações e frutos da oração. Embora os pecadores façam parte da Igreja militante, eles não podem participar dessa troca de méritos, satisfações e orações porque estão privados da graça de Deus, ao contrário dos justos que, como Abel e o Bom Ladrão, nem mesmo são membros da A Igreja militante, porque ainda não foi fundada, merecia a graça do Paraíso e pertence à Igreja triunfante. É por isso que São Gregório diz que a comunhão dos santos tem sua origem em Abel e abrange todos os justos, desde Abel até o último dos eleitos no fim dos tempos. Leia também Segunda-feira – Dia dedicado às almas do Purgatório Por isso, a situação mais difícil dentro da comunhão dos santos é a dos membros da Igreja militante, que devem lutar muito pela sua salvação. Porque quem está no Purgatório tem, apesar de seus sofrimentos, a certeza de que alcançará a felicidade eterna no Paraíso, enquanto na Terra ninguém tem essa certeza até o momento revelador da morte. Embora a vida eterna seja oferecida a todos, desde que coloquem em prática a lei do Senhor, nem todos a aceitam, nem todos se esforçam para observá-la, nem todos confiam em Deus para fazê-lo. Deus é quem nos salva, mas desde que façamos a nossa parte. Sem a sua ajuda, não há força humana para nos salvar. A vida, então, é uma luta para conquistar a coroa prometida a quem luta e vence com a ajuda de Deus. Somos soldados que apesar do feridas, suor e lama com o qual estamos cobertos, queremos continuar a lutar para conquistar a coroa que foi prometido a nós (2 Tim . 4,8). Por isso, no mês de novembro pedimos uma ajuda especial aos santos e aos mortos, aos quais renovamos as nossas orações. Leia também O que são os Novíssimos? O céu, a morte, o purgatório… COMO PODEMOS AJUDAR AS ALMAS DO PURGATÓRIO? Principalmente pelo Santo Sacrifício da Missa, que é insubstituível. Pelos sofrimentos expiatórios: todo sofrimento físico ou moral oferecido para as almas, traz grande alívio. O Rosário (parcial ou completo) é, depois da missa, o meio mais eficaz de ajudar as almas. Através do rosário são libertadas diariamente numerosas almas que, sem essa ajuda, deveriam sofrer muitos anos ainda. A Via Sacra também pode lhes trazer grande reconforto. De inestimável valia são as Indulgências, dizem as almas. São elas uma apropriação da expiação oferecida por Jesus a Deus, seu Pai. Todo aquele que, durante a vida, ganha muitas indulgências para os mortos, receberá também mais do que os outros na sua última hora; pois receberá a graça de ganhar inteiramente a indulgência plenária. Não tirar proveito desses tesouros da Igreja para as almas do purgatório é uma crueldade. Vejamos! Se você se encontrasse diante de uma montanha de moedas de ouro, com a possibilidade de pegar quantas quisesse para ajudar um pobre infeliz, incapaz, por si mesmo, de pegá-las, não seria cruel você recusar o trabalho de estender a mão para fazê-lo? Em muitos lugares, diminuem ano a ano o uso das orações indulgenciadas. Os fieis deviam ser exortados a fazê-las com frequência. As esmolas e as boas obras, principalmente as doações para as Missões, ajudam as almas do purgatório. Acender velas ajudam-nas também, primeiro por ser um ato de atenção e amor para com elas; depois, porque se são bentas, as velas iluminam a escuridão em que se encontram as almas. Uma criança de 11 anos, da família Kaiser, pediu orações a Maria Simma. Estava no purgatório por ter, no Dia de Finados, apagado as velas sobre os túmulos e roubado a cera para brincar. Velas bentas têm muito valor para as almas. No dia de Nossa Senhora das Cadeias, Maria Simma teve que acender duas velas por uma alma enquanto suportava por ela sofrimentos expiatórios. A aspersão de água benta também alivia os sofrimentos dos mortos. Certa vez, aspergindo água benta para as almas ao sair de casa, Maria Simma ouviu uma voz dizer-lhe: ‘Mais!’. Todos esses meios de consolação não ajudam as almas na mesma proporção. Se alguém em vida deu pouco valor à santa missa, também quando estiver no purgatório a missa lhe será de pouco proveito. VAMOS ESVAZIAR O PURGATÓRIO? No dia de Finados, podemos oferecer uma Indulgência Plenária por um falecido, cumprindo 5 condições: 1) Visitar uma Igreja, capela ou cemitério 2) Lá, rezar um Pai-Nosso e um Creio, além das orações pelas intenções do Papa (que pode ser uma Ave-Maria e um Glória) 3) Confissão (até 8 dias antes ou 8 dias depois) 4) Comunhão (em estado de graça, evidentemente) 5) Desapego total dos pecados *Observação: quem fez a Consagração Total a Jesus pelas mãos da Virgem Maria, não escolherá a alma beneficiada, mas deixará que Ela escolha, sabendo que Ela, com seus méritos incalculáveis, cuidará dos nossos entes queridos melhor do que nós poderíamos fazer com nossas indulgências. 💡 Oração pelas almas do Purgatório: Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno. E a luz perpétua as ilumine. Descansem em paz. Amém. 🙏 Ave-Maria cheia de graça… 👼 Oração pelos agonizantes: Oh clementíssimo Jesus, que amais as almas! Eu Vos suplico, pela agonia do Vosso Sacratíssimo Coração e pelas dores de Vossa Mãe Imaculada, que purifiqueis em Vosso Sangue os pecadores de todo o mundo que estão em agonia e hoje hão de morrer. Amém Coração agonizante de Jesus Compadecei-Vos dos moribundos. #Purgatório

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Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

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