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- “Big Brother Brasil é a catequese do encardido” alerta Padre Leo
A catequese do “encardido” chamada Big Brother – Trecho de uma pregação de Padre Léo Se você quer uma catequese do demônio, para descobrir tudo que o demônio tem a ensinar as famílias para que elas se destruam, chama-se Big Brother. Clique aqui para assistir a pregação: Assista também Porque muitos, mesmo dentro da Igreja, estão a caminho do inferno? A maior catequese demoníaca contrária à família. Se você quer uma catequese do demônio, para descobrir tudo que o demônio tem a ensinar as famílias para que elas se destruam (e aí o lobo entra lá com facilidade), chama-se Big Brother. Aí você tem uma aula completa. E é terrível! Hoje faz uma semana que eu li na Folha de São Paulo, um jornal sério, um grande jornal (e também não iria publicar uma matéria dessas se não tivesse provas), que o Big Brother, criado pela Endemol… Olha o nome da empresa: Endemol… O Big Brother já passou em 27 países do mundo. Na Espanha, por exemplo, já chegou na quinta edição. No Brasil está na *quarta… Ele já foi assistido por 2 bilhões de telespectadores no mundo. E, como eles estão espalhados no mundo inteiro, criaram então o Big Brother árabe, muçulmano, pra passar em vários países da Arábia. O programa foi feito nos Emirados Árabes. Os doze participantes, um de cada país, pegando toda a região da Arábia, toda a região muçulmana. E tomaram os cuidados, lá, por exemplo: o quarto das moças separado do quarto dos rapazes. Os rapazes não podiam entrar no quarto das moças e as moças não podiam entrar no quarto dos rapazes, como é a lei muçulmana. As moças podiam ficar com a veste até o pé, como elas usam, inclusive uma delas, dizia o jornal, o tempo todo estava com aquela veste. Eles tinham, dentro da casa do Big Brother, um quarto especial para oração, que o muçulmano tem que rezar três vezes por dia. Portanto, eles tomaram muitos cuidados! Estreou, foi ao ar e saiu do ar dois dias depois! Porque a população de 12 países muçulmanos disse: “Nós não queremos isso em nossa casa”. Lá na Arábia. Agora, sabe o que deixa a gente envergonhado? Nos países que já fizeram a terceira, a quarta, a quinta edição, a maioria da população se diz católica. Não é uma vergonha? A própria Folha de São Paulo dizia que, há três semanas atrás, quando tinha a eliminatoria do Big Brother, tiveram a alegria de ter 11 milhões de telefonemas. Onze milhões de telefonemas! Com excessão do estado de São Paulo e de Minas, nenhum outro estado do Brasil tem uma população tão grande. Onze milhões? Pra que, gente? Pra eliminar alguém! Leia também NOVELAS E A PERDA DOS PRINCÍPIOS CRISTÃOS Qual é a grande catequese que ensina o Big Brother? Que você pra ganhar na vida, você tem que ir, pouco a pouco, eliminando as pessoas. Olha se não é o demônio que taí? É o contrário do Evangelho. Por isso, eles gastam tanto dinheiro, por isso tem tanta propaganda, tanta empresa grande patrocinando. É a catequese do inferno pra destruir família. A imoralidade corre solta! Por acaso eles colocam lá um irmão, uma irmã de verdade? Porque aí ia defender o irmão… Eles colocam gente estranha. Eles colocam lá gente que tenha coragem de se mostrar, gente que tenha coragem de ficar pelado. Gente que tenha coragem de se prostituir e sabendo que está sendo tudo filmado. Gente que não tem pudor. Gente que não tem vergonha na cara. E mostra que a família está apoiando essa pouca vergonha! Porque cada semana, pra eliminatória leva.. a Globo paga uma fortuna pra levar a família de avião, fica em hotel 5 estrelas, os amigos, vão buscar “véio, a véia”, eles vão buscar todo mundo em cadeira de rodas, tudo eles levam…cPra mostrar que a família está apoiando a pessoa lá dentro. Apoiando o quê, gente? Pra ganhar o quê? Pra ganhar não sei quantos mil reais, claro, não é todo esse dinheiro que vai pra mão da pessoa, isso é óbvio que não é. Se fosse assim os que tivessem ganhado antes estavam já milionários. Num país feito o nosso ganhar 500 mil reais! Estão programando um lá na França e outro na Espanha, com duração de um ano. O prêmio vai ser um milhão de euros. Dá mais ou menos 3.700 mil reais. Uma loucura! Uma fortuna! Esse vai ser o prêmio. Então, vai ensinando a pessoa que pra você conseguir, primeiro, que a felicidade é consequência daquilo que eu tenho. Que eu preciso de muito dinheiro pra ser feliz. E para conseguir muito dinheiro eu preciso fazer o quê? Eliminar as pessoas. Leia também A PERSEGUIÇÃO DA REDE GLOBO CONTRA OS BONS Eu vou dizer uma coisa a você, na nossa Comunidade Bethânia, nós já temos muitos filhos e filhas que foram eliminados pela família. Quantas pessoas você já eliminou da sua vida? Ah, tem um amigo e ele prejudicou você? Elimina! Seu marido não faz você mais feliz? E você nasceu para ser feliz, você tem direito de ser feliz? Você assistiu isso na novela… Tem direito de ser feliz? Elimina o marido. Quantos maridos já eliminaram a esposa? Alguns chegam a eliminar, mandam matar mesmo! Não foi ontem no shopping, aqui? Eliminaram um casal aí. Meteu fogo! Dez metros aí do estacinamento do shopping da cidade. Tá no jornal de hoje, notícia do jornal de Joinville. Elimina! Seu vizinho tá te incomodando? Elimina! Ah, não precisa ir longe, lá no seu Grupo de Oração tem alguém te incomodando? Elimina! Como você não tem coragem de eliminar ele matando, como você não tem coragem de ir lá no confessionário pra eliminar ele, você mata com sua língua através da fofoca, da mentira, da calúnia… Elimina. Porque a hora que elimina a comunidade… Por isso, o demônio não gosta de comunidade. A comunidade constrói. Gente, o encardido é terrível! Hoje, a Nova Era patrocina religiões que se dizem catolicas. Nós sabemos que, por exemplo, quantas comunidades católicas tem em Joinville! Quantas comunidades evangélicas sérias tem em Joinville! Santa Catarina tem uma dívida imensa aos irmãos, principalmente aos irmãos da Confissão Luterana, por exemplo… Quantos! Leia também Padre Léo sobre Lula: “Se transformou em um instrumento do encardido!” Como é que surge uma comunidade? A gente arruma dinheiro, e vai lá e compra um teatro? Nós temos dinheiro pra comprar aqui o Ivan Rodrigues e transformá-lo numa Igreja? Temos? Não. Uma comunidade vai sendo contruída tjolo por tijolo. Ou você constrói ou o lobo derruba! Pois o encardido está criando igrejas que se dizem cristãs, que usam o nome de Jesus. Usando dinheiro de droga, dinheiro internacional. Vai lá no centro da cidade, compra um teatro, compra um cinema. Compra isso, compra aquilo… E a partir de então põe uma fachada lá na frente dizendo: Essa igreja é de Nosso Senhor Jesus Cristo. E eu digo a você: essa não é a igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Transcrição de um áudio de pregação de padre Léo encontrado no YouTube. * A quarta edição do BBB aconteceu em 2004, o que nos leva a conclusão que a pregação acima transcrita é do referido ano e ocorreu em Joinville-SC, de acordo com a narração de Padre Léo dos fatos daquele fim de semana. Leia também Um grave problema: Terceirizar a educação dos filhos #BBB #BigBrotherBrasil #PadreLeo
- A SOLUÇÃO CORRETA DE MARK TWAIN PARA O PROBLEMA RACIAL – Russell Shaw
Questão do dia: “Que romance do século 19 aponta o caminho para uma solução duradoura das tensões raciais que afligem, hoje, os EUA?” Se você respondeu Cabana do Pai Tomás , está errado. Como observou o presidente Lincoln, a pintura da escravidão de Harriet Beecher Stowe ajudou a desencadear a Guerra Civil. A resposta correta é o clássico de Mark Twain As Aventuras de Huckleberry Finn . Às vezes chamado de o primeiro grande romance americano, As Aventuras de Huckleberry Finn é apresentado como uma narrativa dialetal de um menino de espírito livre, que foge de um pai cruel e uma sociedade repressiva na companhia de um escravo negro fugitivo chamado Jim. O livro narra suas aventuras pitorescas e, às vezes, assustadoras, enquanto descem o Mississippi em busca do que cada um espera que possa ser a liberdade. Mais do que apenas uma história pitoresca, o livro faz um retrato da escravidão antes da Guerra Civil, filtrada pela consciência perturbada de um menino iletrado, mas intuitivo, que se vê obrigado a cotejar a experiência vivida contra o código hipócrita de uma sociedade que aprova a propriedade de alguns seres humanos por outros. Em vez de pregação, Twain nos leva para o interior da mente de Huck enquanto luta com seu dilema ético. Na passagem central do livro, Jim foi detido e está sob custódia, aguardando a localização de seu dono. Huck sabe quem é: uma senhora idosa que tinha sido gentil com ele. Educado a considerar como gravemente pecaminoso dar ajuda a um escravo fugitivo, escreve uma carta à velha, informando-lhe onde poderia reivindicar a sua propriedade. “Senti-me bem, e limpo de todos os pecados, pela primeira vez na vida”, lembra Huck, “e sabia que agora podia rezar”. Mas, então, começa a pensar. Lembra-se dos momentos alegres que ele e Jim tiveram, rindo e cantando juntos no rio; as vezes em que Jim ficou de vigia para que ele pudesse dormir um pouco mais. Lembra-se de outros exemplos da bondade e gentileza de Jim, inclusive quando o homem negro lhe disse que ele havia sido “o melhor amigo que o velho Jim já teve neste mundo.” Foi então seus olhos se voltaram para a carta com a qual iria trair Jim. “Peguei-a e segurei-a na minha mão. Estava tremendo, pois eu tinha que decidir, para sempre, entre duas coisas, e eu sabia disso. Ponderei um minuto, quase prendendo a respiração, e depois disse para mim mesmo: ‘Tudo bem, então. Eu vou para o inferno’, e a rasguei.” Twain escreveu a maior parte de Huckleberry Finn logo após seu livro anterior, As Aventuras de Tom Sawyer , ser lançado em 1876. No entanto, sem saber como terminar a história, esperou vários anos antes de finalmente terminá-lo em 1884. Sem ideias para a conclusão, Twain finalmente se voltou para o personagem Tom Sawyer (importado do romance anterior), que inventa um esquema maluco para libertar Jim, o que quase custa a vida de Jim, Huck e Tom. Depois disso, vem um final feliz apressado e pouco convincente, que deixa o leitor sentindo-se de alguma forma ludibriado. Mas, para seu crédito eterno, Twain encontrou a solução mais correta para o problema racial. No final, ele deixa claro que a única resposta duradoura está em reconhecer e celebrar nossa humanidade comum. E o que acontece, agora? Atualmente, alguns ativistas se comprazem com alguns gestos simbólicos, como derrubar estátuas de generais mortos. Provocam sem persuadir. Outros se ocupam em fomentar a culpa nos brancos, exigindo reparações. Se há uma moral a tirar daqui, é que a ficção de Mark Twain, em contraste com a agitação contemporânea proveniente de uma permanente inquietação social, aponta o caminho autêntico para a busca da igualdade e da paz social. Mark Twain’s correct solution to the race problem https://www.catholicworldreport.com/2022/01/13/mark-twains-correct-solution-to-the-race-problem/
- NAS BODAS DE CANÁ – Scott Hahn medita sobre o 2º Domingo do Tempo Comum
Procuremos ver as primeiras semanas depois do Natal como uma época de “epifanias”. A liturgia está nos mostrando quem é Jesus e o que Ele revelou a respeito de nosso relacionamento com Deus. Na semana passada (e na anterior), a imagem exibida era régia e filial: Jesus é o rei recém-nascido dos judeus que nos torna coerdeiros da promessa de Israel, amados filhos de Deus. Na liturgia da semana passada, todos fomos a um batismo. Nesta semana, estamos num casamento. Revela-se a nós, agora, uma outra dimensão do nosso relacionamento com Deus. Se somos filhos e filhas de Deus, é porque fomos incorporados à família divina por meio de uma boda. Alguma vez já nos perguntamos por que a Bíblia começa e termina com um casamento: Adão e Eva no jardim e a ceia das bodas do Cordeiro? Comparem-se Gênesis 2, 23-24 e Apocalipse 19, 9; 21: 9; 22:17. Em toda a Bíblia, o casamento é o símbolo do relacionamento de aliança que Deus deseja ter com o Seu povo escolhido. Ele é o noivo, e a humanidade a sua amada e procurada noiva. Isto se reflete maravilhosamente na Primeira Leitura de hoje. Quando Israel rompe a aliança, é comparado a uma esposa infiel (Jeremias 2, 20-36; 3, 1-13). Mas Deus promete trazê-la de volta e desposá-la para sempre numa aliança eterna (Oseias 2, 18-22). É por isso que, no Evangelho de hoje, Jesus realiza o seu primeiro “sinal” público numa festa de casamento. Jesus é o esposo divino (João 3, 29), chamando-nos para o Seu régio matrimônio (Mateus 22, 1-14). Por Sua Nova Aliança, Ele se tornará “uma só carne” com toda a humanidade, por intermédio da Igreja (Efésios 5, 21-33). Pelo nosso batismo, cada um de nós foi prometido a Cristo como a noiva a seu esposo (2 Coríntios 11, 2). O vinho novo que Jesus faz transbordar, na festa deste domingo, é o dom do Espírito Santo oferecido à Sua noiva e Seu corpo, como diz a Epístola de hoje. Esta é a “salvação” anunciada às “famílias das nações”, diz o Salmo que cantaremos. https://stpaulcenter.com/in-the-wedding-scott-hahn-reflects-on-the-second-sunday-in-ordinary-time/
- Você sabia que a celebração da palavra NÃO substitui a Missa no Domingo?
Infelizmente, está sendo propagada no Brasil a ideia de que a Celebração da Palavra com distribuição da Eucaristia e a Santa Missa têm o mesmo peso e importância. Tal opinião é errada e contrária à lei da Igreja. Nesta formação aprenderemos, a partir dos documentos da Igreja, por que a chamada “celebração da Palavra” não pode jamais comparar-se à Santa Missa, e porque devemos optar sempre pela Santa Missa, mesmo que para isso precisemos fazer um pouco mais de esforço. O Catecismo da Igreja Católica ensina que “a celebração dominical do Dia e da Eucaristia do Senhor está no coração da vida da Igreja. O domingo, dia em que por tradição apostólica se celebra o Mistério Pascal, deve ser guardado em toda a Igreja como dia de festa de preceito por excelência.” (CIC 2177) Portanto, o católico tem a obrigação de participar da celebração dominical. Mas, em que consiste esta celebração? O mesmo Catecismo segue ensinando: “O mandamento da Igreja determina e especifica a lei do Senhor: ‘Aos domingos e nos outros dias de festa de preceito, os fiéis têm a obrigação de participar da missa’. Satisfaz o preceito de participar da missa quem assiste à missa celebrada segundo o rito católico no próprio dia da festa ou à tarde do dia anterior. (CIC 2180) Assista a formação antes de continuar a leitura: Leia também Porque é tão importante frequentar a Santa Missa aos Domingos? A celebração que cumpre o preceito é a Santa Missa e o motivo é bastante simples, pois é a “Eucaristia do domingo [que] fundamenta e sanciona toda a prática cristã”, diz o Catecismo. E continua dizendo que: “Por isso os fiéis são obrigados a participar da Eucaristia nos dias de preceito, a não ser por motivos muito sérios (por exemplo, uma doença, cuidado com bebês) ou se forem dispensados pelo próprio pastor. Aqueles que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem pecado grave. ” (CIC 2181) Por esse parágrafo do Catecismo é possível dimensionar a importância da participação na Eucaristia dominical. O Código de Direito Canônico regulamenta: Cân 1248: § 2. Por falta de ministro sagrado ou por outra grave causa, se a participação na celebração eucarística se tornar impossível, recomenda-se vivamente que os fiéis participem da liturgia da Palavra, se houver, na igreja paroquial ou em outro lugar sagrado, celebrada de acordo com as prescrições do Bispo diocesano; ou então se dediquem à oração por tempo conveniente, pessoalmente ou em família, ou em grupos de família de acordo com a oportunidade.” Infelizmente, está sendo propagada no Brasil a opinião de que a Celebração da Palavra com distribuição da Eucaristia e a Santa Missa têm o mesmo peso e importância. Tal opinião é errada e contrária à lei da Igreja. Leia também: Guardar domingos e festas de guarda – Aprenda a lista dos dias santos de obrigação do catolicismo Além dos documentos já citados, sabendo da importância do domingo para o católico, o Papa João Paulo II publicou a Carta Apostólica Dies Domini, no ano de 1998, falando exclusivamente sobre esse tema: “8. O domingo, segundo a experiência cristã, é sobretudo uma festa pascal, totalmente iluminada pela glória de Cristo ressuscitado. É a celebração da « nova criação ». Este seu caráter, porém, se bem entendido, é inseparável da mensagem que a Escritura, desde as suas primeiras páginas, nos oferece acerca do desígnio de Deus na criação do mundo. Com efeito, se é verdade que o Verbo Se fez carne na « plenitude dos tempos » (Gal 4,4), também é certo que, em virtude precisamente do seu mistério de Filho eterno do Pai, Ele é origem e fim do universo. Afirma-o S. João, no Prólogo do seu Evangelho: « Tudo começou a existir por meio d’Ele, e sem Ele nada foi criado » (1,3). Também S. Paulo, ao escrever aos Colossenses, o sublinha: « N’Ele foram criadas todas as coisas, nos Céus e na Terra, as visíveis e as invisíveis […]. Tudo foi criado por Ele e para Ele » (1,16). Esta presença ativa do Filho na obra criadora de Deus revelou-se plenamente no mistério pascal, no qual Cristo, ressuscitando como « primícia dos que morreram » (1 Cor 15,20), inaugurou a nova criação e deu início ao processo que Ele mesmo levará a cabo no momento do seu retorno glorioso, « quando entregar o Reino a Deus Pai […], a fim de que Deus seja tudo em todos » (1 Cor 15,24.28).” “18. Por esta dependência essencial que o terceiro mandamento tem da memória das obras salvíficas de Deus, os cristãos, apercebendo-se da originalidade do tempo novo e definitivo inaugurado por Cristo, assumiram como festivo o primeiro dia depois do sábado, porque nele se deu a ressurreição do Senhor. De fato, o mistério pascal de Cristo constitui a revelação plena do mistério das origens, o cume da história da salvação e a antecipação do cumprimento escatológico do mundo. Aquilo que Deus realizou na criação e o que fez pelo seu povo no êxodo, encontrou na morte e ressurreição de Cristo o seu cumprimento, embora este tenha a sua expressão definitiva apenas na parusia, com a vinda gloriosa de Cristo. N’Ele se realiza plenamente o sentido « espiritual » do sábado, como o sublinha S. Gregório Magno: « Nós consideramos verdadeiro sábado a pessoa do nosso Redentor, nosso Senhor Jesus Cristo ». Por isso, a alegria com que Deus, no primeiro sábado da humanidade, contempla a criação feita do nada, exprime-se doravante pela alegria com que Cristo apareceu aos seus, no domingo de Páscoa, trazendo o dom da paz e do Espírito (cf.Jo 20,19-23). De fato, no mistério pascal, a condição humana e, com ela, toda a criação, que geme e sofre as dores de parto até ao presente (cf. Rom 8,22) conheceu o seu novo « êxodo » para a liberdade dos filhos de Deus, que podem gritar, com Cristo, « Abba, Pai » (Rom 8,15; Gal 4,6). À luz deste mistério, o sentido do preceito vetero testamentário do dia do Senhor é recuperado, integrado e plenamente revelado na glória que brilha na face de Cristo Ressuscitado (cf. 2 Cor 4,6). Do « sábado » passa-se ao « primeiro dia depois do sábado », do sétimo dia passa-se ao primeiro dia: o dies Domini torna-se o dies Christi!” (DD) Para aqueles que, mesmo diante dessa farta documentação, ainda insistem em colocar em igual nível de importância a Celebração da Palavra e a Santa Missa, existe a Instrução Redemptionis Sacramentum, que versa sobre alguns itens que se devem observar e evitar acerca da Santíssima Eucaristia. Ela foi publicada pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em 25 de março de 2004 e especificamente sobre o preceito dominical ela diz que: “A Igreja, no dia que se chama «domingo», reúne-se fielmente para comemorar a ressurreição do Senhor e todo o mistério pascal, especialmente pela celebração da Missa. De fato, «nenhuma comunidade cristã se edifica se não tem sua raiz e tronco na celebração da Santíssima Eucaristia». Pois o povo cristão tem direito a que seja celebrada a Eucaristia em seu favor, aos domingos e festas de preceito, ou quando ocorram outros dias festivos importantes, e também diariamente, na medida do possível. Por isto, quando no domingo há dificuldade para a celebração da Missa, na igreja paroquial ou noutra comunidade de fiéis, o Bispo diocesano busque as soluções oportunas, juntamente com o presbitério. Entre as soluções, as principais serão chamar para isto a outros sacerdotes ou que os fiéis se transladem para outra igreja de um lugar circunvizinho, para participar do mistério eucarístico. Todos os sacerdotes, a quem tem sido entregue o sacerdócio e a Eucaristia «para» os outros, lembrem-se de que seu encargo é para que todos os fiéis tenham oportunidade de cumprir com o preceito de participar na Missa do domingo. Por sua parte, os fiéis leigos têm direito a que nenhum sacerdote, a não ser que exista verdadeira impossibilidade, nunca rejeite celebrar a Missa em favor do povo, ou que esta seja celebrada por outro sacerdote, se de diverso modo não se pode cumprir o preceito de participar na Missa, no domingo e nos outros dias estabelecidos. «Quando falta o ministro sagrado ou outra causa grave fez impossível a participação na celebração eucarística», o povo cristão tem direito a que o Bispo diocesano, quando possível, procure que se realize alguma celebração dominical para essa comunidade, sob sua autoridade e conforme às normas da Igreja. Por isso, esta classe de Celebrações dominicais especiais devem ser consideradas sempre como absolutamente extraordinárias. Portanto, quer sejam diáconos ou fiéis leigos, todos os que têm sido encarregados pelo Bispo diocesano para tomar parte neste tipo de Celebrações, «considerarão como mantida viva na comunidade uma verdadeira “fome” da Eucaristia, que leve a não perder ocasião alguma de ter a celebração da Missa, inclusive aproveitando a presença ocasional de um sacerdote que não esteja impedido pelo direito da Igreja para celebrá-la». É necessário evitar, diligentemente, qualquer confusão entre este tipo de reuniões e a celebração eucarística. Os Bispos diocesanos, portanto, valorizem com prudência se deve distribuir a sagrada Comunhão nestas reuniões. Convém que isto seja determinado, para promover uma maior coordenação, pela Conferência de Bispos, de modo que alcançada a resolução, a apresentará à aprovação da Sé apostólica, mediante a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Além disso, na ausência do sacerdote e do diácono, será preferível que as diversas partes possam ser distribuídas entre vários fiéis, em vez de que um só dos fiéis leigos dirija toda a celebração. Não convém, em nenhum momento, que se diga que um fiel leigo «preside» a celebração. Assim mesmo, o Bispo diocesano, a quem somente corresponde este assunto, não conceda com facilidade que este tipo de Celebrações, sobretudo se entre elas se distribui a sagrada Comunhão, revivendo-se nos dias feriais e, sobretudo, nos lugares onde o domingo precedente, ou o seguinte, se tem podido ou se poderá celebrar a Eucaristia. Roga-se vivamente aos sacerdotes que, ao ser possível, celebrem diariamente a santa Missa pelo povo, em uma das igrejas que lhes têm sido confiadas. «De maneira parecida, não se pode pensar em substituir a santa Missa dominical com Celebrações ecumênicas da Palavra ou com encontros de oração em comum com cristãos membros de outras […] comunidades eclesiais, ou bem com a participação em seu serviço litúrgico». Se por uma necessidade urgente, o Bispo diocesano permitir ad actum a participação dos católicos, vigiem os pastores para que entre os fiéis católicos não se produza confusão sobre a necessidade de participar na Missa de preceito, também nestas ocasiões, a outra hora do dia.” Então, fica claro que para cumprir o preceito dominical é necessária a participação na Santa Missa e somente em casos extraordinários é facultado que o fiel participe da Celebração da Palavra. A Igreja orienta de forma inequívoca sobre a maneira correta de se cumprir o preceito dominical. Almejar a obediência ao Senhor e fomentar em si mesmo o amor à Sagrada Eucaristia, fará com que a obrigação de participar da Santa Missa aos domingos deixe de ser um dever e se transforme num desejo cada vez maior para o encontro com o Amado. Fonte: padrepauloricardo.org SANTIFICAR AS FESTAS DE PRECEITO E DOMINGO Parece incrível que se deva fazer força para obter dos cristãos de não trabalhar nos domingos e em festas de guarda para dedicar-se ao Senhor e à própria alma. Não só, mas o cúmulo é que só se consegue obter o descanso festivo e a participação à Santa Missa só de uma pequena minoria de cristãos. Já chegamos a este ponto! Com quais consequências? Aquelas já previstas pelo Papa Leão XIII: “Não respeitar os domingos, este é o princípio de todos os males: é a festa apagada, a eternidade esquecida, é Deus excluído da vida do homem.” É o quadro mundial da sociedade de hoje: ateísmo, laicismo, materialismo, animalismo. Com o Concílio Vaticano II, o domingo ficou posto ainda mais em lugar de honra, como o dia do Senhor e o dia da alegria do homem. Todos os domingos” os fiéis devem reunir-se em assembleia para ouvir a Palavra de Deus e participar à Eucaristia. O domingo é a festa primordial que deve ser proposta à piedade dos fiéis, de modo que resulte também em um dia de alegria e de descanso” (SC, n.106). Todos os domingos, os cristãos hão de ganhar para a alma, com a nutrição espiritual que recebem da S. Missa para o corpo, com o descanso que restaura das fadigas da semana. Só temos a ganhar! O domingo recarrega de energias a alma e o corpo. É um dom de Deus. É dia de graça. “Este é o dia que o Senhor fez para nós” (Sl 117,24). Por isso, S. Tomás Moro, o Chanceler da Inglaterra, mesmo quando com a perseguição foi preso, festejava o Domingo, mandando trazer e vestindo os hábitos da festa para agradar o Senhor. Todos à Santa Missa As duas coisas mais importantes das festas são a participação à Santa Missa e o repouso do trabalho. A participação na Santa Missa não consiste em estar presente na Igreja durante a celebração, porque os bancos e as paredes também estão, mas em participar ativa e sentidamente: ativa no seguir ponto por ponto o desenrolar dela; sentida no unir-se vivamente a Jesus que se sacrifica no Altar entre as mãos do sacerdote. A participação é plena se se recebe também a Comunhão, depois de ter devidamente purificado a alma com o Sacramento da Confissão. É este o Domingo do cristão: Confissão, Santa Missa e Comunhão. São três tesouros de infinito valor que enriquecem maravilhosamente a vida da Graça. Em tal modo, o domingo é o “Dia do Senhor” e a “Festa da Alma”. Muitos cristãos se contentam só com a Santa Missa. Por quê? Porque estão provados dos dois Sacramentos da Confissão e Comunhão. E se pode chamar dia do Senhor um domingo sem a Comunhão? Os antigos cristãos chamavam o domingo também com duas palavras: Dies Panis: Dia do Pão, porque todos participavam à Santa Missa e recebiam Jesus Eucarístico, Pão do Céu (cf. Jo 6,41). Não devia ser assim também hoje para todos os cristãos? É pecado mortal O dever da Santa Missa festiva é grave. Quem não participa à Santa Missa festiva comete pecado mortal. Só o caso de grave necessidade ou de impossibilidade (doença) faz evitar o pecado. Nem vale escutar a Santa Missa pelos meios de comunicação. Este é um ato de devoção útil a quem está privado de ir a Igreja. A Santa Missa é o ato comunitário e social por excelência. Por isto é necessária a presença viva no seio da comunidade. Lembremo-nos sempre: pela sua importância, a Santa Missa deve ocupar o 1º lugar no domingo. Tudo lhe deve ser subordinado e condicionado. Quando o Pio Alberto I, Rei da Bélgica, encontrou-se nas Índias, organizaram-lhe uma esplêndida excursão para o dia de domingo. O programa foi apresentado ao Rei, que examinou e logo disse: “Esquecestes um ponto: A Santa Missa. Este antes de mais nada.” Que lição para tantos de nossos excursionistas, tão prontos em sacrificar a Santa Missa e em transformar o domingo de “Dia do Senhor” em “dia do demônio”. Ainda mais edificante é o exemplo que dão alguns simples fiéis, que enfrentam sacrifícios duros para não perderem a Santa Missa. Uma senhora deve percorrer a pé diversas horas do caminho; um operário que pode correr à Santa Missa só às primeiras horas do dia; uma mãe de muitos filhos que nunca perdeu uma Missa… O repouso festivo Para louvar o Senhor, para a Ele dedicar-se, cuidando da própria alma, é necessária a abstenção do trabalho. Ensina S. Gregório Magno: “No domingo se deve interromper o trabalho e dar-se à oração, para que as negligências dos dias precedentes sejam descontadas com a oração deste grande dia”. Se se pudessem escutar de novo os sermões que S. Cura d’Ars fez por 8 anos contra o trabalho festivo, ficaríamos tocados e comovidos. Dizia o Santo: “Se perguntamos a quem trabalha no domingo: O que estais fazendo? Deveria responder: Estou vendendo a alma ao demônio e colocando Jesus na Cruz de novo, condenando-me ao Inferno”. Próprio naqueles tempos Maria aparecia nos montes de La Salette e advertia: “O Senhor vos deu seis dias para trabalhar, reservando-se o 7º, e não o quereis dar. Eis o que faz ficar pesado o braço Divino”. É possível que temamos de perder, se servimos o Senhor, observando o seu Mandamento? “Gente de pouca fé! Procurais antes o Reino de Deus e a sua justiça, e o mais vos virá por acréscimo!” (Mt 6,33). O pai de S. Terezinha tinha uma ourivesaria. Aberta toda a semana e fechada os dias festivos. Uma pessoa aconselhou-o a abri-la nos dias que fechava, já que os camponeses iam nestes dias fazer compras. Até seu confessor o autorizou. Mas ele não quis. Preferia perder aquele lucro a afastar uma só bênção de Deus sobre a sua família. E o Senhor o fez enriquecer com os lucros da loja. É fundamental Observar o 3º mandamento é fundamental para a vida do cristão. Frequentar a Igreja, aproximar-se dos Sacramentos, participar à Santa Missa, ouvir a Palavra de Deus, são alimentos vitais da vida cristã. Privar-se significa condenar-se à ruína, ao sofrimento eterno. Um venerado Bispo Francês, ao preparar o seu túmulo, fez esculpir uma pedra com estas palavras: “Lembrai-vos de santificar as festas, porque só isso me basta. Se os fiéis me obedecerem, chegarão certamente à salvação. “Tinha razão. Quem santifica as festas se tem em relação com Deus e fica de domingo sob seu salutar influxo e chamada. Por isso Pe. Pio, na Confissão, era muito severo ao fazer respeitar este mandamento, e muitos penitentes tiveram por causa deste pecado recusada a absolvição, mandados embora bruscamente com um: “Vai embora, desgraçado!” Maria, Mãe de Jesus e nossa, quer ver ao menos todos os domingos reunidos em volta do Altar, em volta de Jesus, seus filhos. Ela nos quer todos os domingos para nos poder ter no Domingo Eterno, que é o Paraíso. #FormaçõesCatólicas #Liturgia #Missa #SantaMissa
- Você sabia que a celebração da palavra NÃO substitui a Missa no Domingo?
Infelizmente, está sendo propagada no Brasil a ideia de que a Celebração da Palavra com distribuição da Eucaristia e a Santa Missa têm o mesmo peso e importância. Tal opinião é errada e contrária à lei da Igreja. Nesta formação aprenderemos, a partir dos documentos da Igreja, por que a chamada “celebração da Palavra” não pode jamais comparar-se à Santa Missa, e porque devemos optar sempre pela Santa Missa, mesmo que para isso precisemos fazer um pouco mais de esforço. O Catecismo da Igreja Católica ensina que “a celebração dominical do Dia e da Eucaristia do Senhor está no coração da vida da Igreja. O domingo, dia em que por tradição apostólica se celebra o Mistério Pascal, deve ser guardado em toda a Igreja como dia de festa de preceito por excelência.” (CIC 2177) Portanto, o católico tem a obrigação de participar da celebração dominical. Mas, em que consiste esta celebração? O mesmo Catecismo segue ensinando: “O mandamento da Igreja determina e especifica a lei do Senhor: ‘Aos domingos e nos outros dias de festa de preceito, os fiéis têm a obrigação de participar da missa’. Satisfaz o preceito de participar da missa quem assiste à missa celebrada segundo o rito católico no próprio dia da festa ou à tarde do dia anterior. (CIC 2180) Assista a formação antes de continuar a leitura: Leia também Porque é tão importante frequentar a Santa Missa aos Domingos? A celebração que cumpre o preceito é a Santa Missa e o motivo é bastante simples, pois é a “Eucaristia do domingo [que] fundamenta e sanciona toda a prática cristã”, diz o Catecismo. E continua dizendo que: “Por isso os fiéis são obrigados a participar da Eucaristia nos dias de preceito, a não ser por motivos muito sérios (por exemplo, uma doença, cuidado com bebês) ou se forem dispensados pelo próprio pastor. Aqueles que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem pecado grave. ” (CIC 2181) Por esse parágrafo do Catecismo é possível dimensionar a importância da participação na Eucaristia dominical. O Código de Direito Canônico regulamenta: Cân 1248: § 2. Por falta de ministro sagrado ou por outra grave causa, se a participação na celebração eucarística se tornar impossível, recomenda-se vivamente que os fiéis participem da liturgia da Palavra, se houver, na igreja paroquial ou em outro lugar sagrado, celebrada de acordo com as prescrições do Bispo diocesano; ou então se dediquem à oração por tempo conveniente, pessoalmente ou em família, ou em grupos de família de acordo com a oportunidade.” Infelizmente, está sendo propagada no Brasil a opinião de que a Celebração da Palavra com distribuição da Eucaristia e a Santa Missa têm o mesmo peso e importância. Tal opinião é errada e contrária à lei da Igreja. Leia também: Guardar domingos e festas de guarda – Aprenda a lista dos dias santos de obrigação do catolicismo Além dos documentos já citados, sabendo da importância do domingo para o católico, o Papa João Paulo II publicou a Carta Apostólica Dies Domini, no ano de 1998, falando exclusivamente sobre esse tema: “8. O domingo, segundo a experiência cristã, é sobretudo uma festa pascal, totalmente iluminada pela glória de Cristo ressuscitado. É a celebração da « nova criação ». Este seu caráter, porém, se bem entendido, é inseparável da mensagem que a Escritura, desde as suas primeiras páginas, nos oferece acerca do desígnio de Deus na criação do mundo. Com efeito, se é verdade que o Verbo Se fez carne na « plenitude dos tempos » (Gal 4,4), também é certo que, em virtude precisamente do seu mistério de Filho eterno do Pai, Ele é origem e fim do universo. Afirma-o S. João, no Prólogo do seu Evangelho: « Tudo começou a existir por meio d’Ele, e sem Ele nada foi criado » (1,3). Também S. Paulo, ao escrever aos Colossenses, o sublinha: « N’Ele foram criadas todas as coisas, nos Céus e na Terra, as visíveis e as invisíveis […]. Tudo foi criado por Ele e para Ele » (1,16). Esta presença ativa do Filho na obra criadora de Deus revelou-se plenamente no mistério pascal, no qual Cristo, ressuscitando como « primícia dos que morreram » (1 Cor 15,20), inaugurou a nova criação e deu início ao processo que Ele mesmo levará a cabo no momento do seu retorno glorioso, « quando entregar o Reino a Deus Pai […], a fim de que Deus seja tudo em todos » (1 Cor 15,24.28).” “18. Por esta dependência essencial que o terceiro mandamento tem da memória das obras salvíficas de Deus, os cristãos, apercebendo-se da originalidade do tempo novo e definitivo inaugurado por Cristo, assumiram como festivo o primeiro dia depois do sábado, porque nele se deu a ressurreição do Senhor. De fato, o mistério pascal de Cristo constitui a revelação plena do mistério das origens, o cume da história da salvação e a antecipação do cumprimento escatológico do mundo. Aquilo que Deus realizou na criação e o que fez pelo seu povo no êxodo, encontrou na morte e ressurreição de Cristo o seu cumprimento, embora este tenha a sua expressão definitiva apenas na parusia, com a vinda gloriosa de Cristo. N’Ele se realiza plenamente o sentido « espiritual » do sábado, como o sublinha S. Gregório Magno: « Nós consideramos verdadeiro sábado a pessoa do nosso Redentor, nosso Senhor Jesus Cristo ». Por isso, a alegria com que Deus, no primeiro sábado da humanidade, contempla a criação feita do nada, exprime-se doravante pela alegria com que Cristo apareceu aos seus, no domingo de Páscoa, trazendo o dom da paz e do Espírito (cf.Jo 20,19-23). De fato, no mistério pascal, a condição humana e, com ela, toda a criação, que geme e sofre as dores de parto até ao presente (cf. Rom 8,22) conheceu o seu novo « êxodo » para a liberdade dos filhos de Deus, que podem gritar, com Cristo, « Abba, Pai » (Rom 8,15; Gal 4,6). À luz deste mistério, o sentido do preceito vetero testamentário do dia do Senhor é recuperado, integrado e plenamente revelado na glória que brilha na face de Cristo Ressuscitado (cf. 2 Cor 4,6). Do « sábado » passa-se ao « primeiro dia depois do sábado », do sétimo dia passa-se ao primeiro dia: o dies Domini torna-se o dies Christi!” (DD) Para aqueles que, mesmo diante dessa farta documentação, ainda insistem em colocar em igual nível de importância a Celebração da Palavra e a Santa Missa, existe a Instrução Redemptionis Sacramentum, que versa sobre alguns itens que se devem observar e evitar acerca da Santíssima Eucaristia. Ela foi publicada pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em 25 de março de 2004 e especificamente sobre o preceito dominical ela diz que: “A Igreja, no dia que se chama «domingo», reúne-se fielmente para comemorar a ressurreição do Senhor e todo o mistério pascal, especialmente pela celebração da Missa. De fato, «nenhuma comunidade cristã se edifica se não tem sua raiz e tronco na celebração da Santíssima Eucaristia». Pois o povo cristão tem direito a que seja celebrada a Eucaristia em seu favor, aos domingos e festas de preceito, ou quando ocorram outros dias festivos importantes, e também diariamente, na medida do possível. Por isto, quando no domingo há dificuldade para a celebração da Missa, na igreja paroquial ou noutra comunidade de fiéis, o Bispo diocesano busque as soluções oportunas, juntamente com o presbitério. Entre as soluções, as principais serão chamar para isto a outros sacerdotes ou que os fiéis se transladem para outra igreja de um lugar circunvizinho, para participar do mistério eucarístico. Todos os sacerdotes, a quem tem sido entregue o sacerdócio e a Eucaristia «para» os outros, lembrem-se de que seu encargo é para que todos os fiéis tenham oportunidade de cumprir com o preceito de participar na Missa do domingo. Por sua parte, os fiéis leigos têm direito a que nenhum sacerdote, a não ser que exista verdadeira impossibilidade, nunca rejeite celebrar a Missa em favor do povo, ou que esta seja celebrada por outro sacerdote, se de diverso modo não se pode cumprir o preceito de participar na Missa, no domingo e nos outros dias estabelecidos. «Quando falta o ministro sagrado ou outra causa grave fez impossível a participação na celebração eucarística», o povo cristão tem direito a que o Bispo diocesano, quando possível, procure que se realize alguma celebração dominical para essa comunidade, sob sua autoridade e conforme às normas da Igreja. Por isso, esta classe de Celebrações dominicais especiais devem ser consideradas sempre como absolutamente extraordinárias. Portanto, quer sejam diáconos ou fiéis leigos, todos os que têm sido encarregados pelo Bispo diocesano para tomar parte neste tipo de Celebrações, «considerarão como mantida viva na comunidade uma verdadeira “fome” da Eucaristia, que leve a não perder ocasião alguma de ter a celebração da Missa, inclusive aproveitando a presença ocasional de um sacerdote que não esteja impedido pelo direito da Igreja para celebrá-la». É necessário evitar, diligentemente, qualquer confusão entre este tipo de reuniões e a celebração eucarística. Os Bispos diocesanos, portanto, valorizem com prudência se deve distribuir a sagrada Comunhão nestas reuniões. Convém que isto seja determinado, para promover uma maior coordenação, pela Conferência de Bispos, de modo que alcançada a resolução, a apresentará à aprovação da Sé apostólica, mediante a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Além disso, na ausência do sacerdote e do diácono, será preferível que as diversas partes possam ser distribuídas entre vários fiéis, em vez de que um só dos fiéis leigos dirija toda a celebração. Não convém, em nenhum momento, que se diga que um fiel leigo «preside» a celebração. Assim mesmo, o Bispo diocesano, a quem somente corresponde este assunto, não conceda com facilidade que este tipo de Celebrações, sobretudo se entre elas se distribui a sagrada Comunhão, revivendo-se nos dias feriais e, sobretudo, nos lugares onde o domingo precedente, ou o seguinte, se tem podido ou se poderá celebrar a Eucaristia. Roga-se vivamente aos sacerdotes que, ao ser possível, celebrem diariamente a santa Missa pelo povo, em uma das igrejas que lhes têm sido confiadas. «De maneira parecida, não se pode pensar em substituir a santa Missa dominical com Celebrações ecumênicas da Palavra ou com encontros de oração em comum com cristãos membros de outras […] comunidades eclesiais, ou bem com a participação em seu serviço litúrgico». Se por uma necessidade urgente, o Bispo diocesano permitir ad actum a participação dos católicos, vigiem os pastores para que entre os fiéis católicos não se produza confusão sobre a necessidade de participar na Missa de preceito, também nestas ocasiões, a outra hora do dia.” Então, fica claro que para cumprir o preceito dominical é necessária a participação na Santa Missa e somente em casos extraordinários é facultado que o fiel participe da Celebração da Palavra. A Igreja orienta de forma inequívoca sobre a maneira correta de se cumprir o preceito dominical. Almejar a obediência ao Senhor e fomentar em si mesmo o amor à Sagrada Eucaristia, fará com que a obrigação de participar da Santa Missa aos domingos deixe de ser um dever e se transforme num desejo cada vez maior para o encontro com o Amado. Fonte: padrepauloricardo.org SANTIFICAR AS FESTAS DE PRECEITO E DOMINGO Parece incrível que se deva fazer força para obter dos cristãos de não trabalhar nos domingos e em festas de guarda para dedicar-se ao Senhor e à própria alma. Não só, mas o cúmulo é que só se consegue obter o descanso festivo e a participação à Santa Missa só de uma pequena minoria de cristãos. Já chegamos a este ponto! Com quais consequências? Aquelas já previstas pelo Papa Leão XIII: “Não respeitar os domingos, este é o princípio de todos os males: é a festa apagada, a eternidade esquecida, é Deus excluído da vida do homem.” É o quadro mundial da sociedade de hoje: ateísmo, laicismo, materialismo, animalismo. Com o Concílio Vaticano II, o domingo ficou posto ainda mais em lugar de honra, como o dia do Senhor e o dia da alegria do homem. Todos os domingos” os fiéis devem reunir-se em assembleia para ouvir a Palavra de Deus e participar à Eucaristia. O domingo é a festa primordial que deve ser proposta à piedade dos fiéis, de modo que resulte também em um dia de alegria e de descanso” (SC, n.106). Todos os domingos, os cristãos hão de ganhar para a alma, com a nutrição espiritual que recebem da S. Missa para o corpo, com o descanso que restaura das fadigas da semana. Só temos a ganhar! O domingo recarrega de energias a alma e o corpo. É um dom de Deus. É dia de graça. “Este é o dia que o Senhor fez para nós” (Sl 117,24). Por isso, S. Tomás Moro, o Chanceler da Inglaterra, mesmo quando com a perseguição foi preso, festejava o Domingo, mandando trazer e vestindo os hábitos da festa para agradar o Senhor. Todos à Santa Missa As duas coisas mais importantes das festas são a participação à Santa Missa e o repouso do trabalho. A participação na Santa Missa não consiste em estar presente na Igreja durante a celebração, porque os bancos e as paredes também estão, mas em participar ativa e sentidamente: ativa no seguir ponto por ponto o desenrolar dela; sentida no unir-se vivamente a Jesus que se sacrifica no Altar entre as mãos do sacerdote. A participação é plena se se recebe também a Comunhão, depois de ter devidamente purificado a alma com o Sacramento da Confissão. É este o Domingo do cristão: Confissão, Santa Missa e Comunhão. São três tesouros de infinito valor que enriquecem maravilhosamente a vida da Graça. Em tal modo, o domingo é o “Dia do Senhor” e a “Festa da Alma”. Muitos cristãos se contentam só com a Santa Missa. Por quê? Porque estão provados dos dois Sacramentos da Confissão e Comunhão. E se pode chamar dia do Senhor um domingo sem a Comunhão? Os antigos cristãos chamavam o domingo também com duas palavras: Dies Panis: Dia do Pão, porque todos participavam à Santa Missa e recebiam Jesus Eucarístico, Pão do Céu (cf. Jo 6,41). Não devia ser assim também hoje para todos os cristãos? É pecado mortal O dever da Santa Missa festiva é grave. Quem não participa à Santa Missa festiva comete pecado mortal. Só o caso de grave necessidade ou de impossibilidade (doença) faz evitar o pecado. Nem vale escutar a Santa Missa pelos meios de comunicação. Este é um ato de devoção útil a quem está privado de ir a Igreja. A Santa Missa é o ato comunitário e social por excelência. Por isto é necessária a presença viva no seio da comunidade. Lembremo-nos sempre: pela sua importância, a Santa Missa deve ocupar o 1º lugar no domingo. Tudo lhe deve ser subordinado e condicionado. Quando o Pio Alberto I, Rei da Bélgica, encontrou-se nas Índias, organizaram-lhe uma esplêndida excursão para o dia de domingo. O programa foi apresentado ao Rei, que examinou e logo disse: “Esquecestes um ponto: A Santa Missa. Este antes de mais nada.” Que lição para tantos de nossos excursionistas, tão prontos em sacrificar a Santa Missa e em transformar o domingo de “Dia do Senhor” em “dia do demônio”. Ainda mais edificante é o exemplo que dão alguns simples fiéis, que enfrentam sacrifícios duros para não perderem a Santa Missa. Uma senhora deve percorrer a pé diversas horas do caminho; um operário que pode correr à Santa Missa só às primeiras horas do dia; uma mãe de muitos filhos que nunca perdeu uma Missa… O repouso festivo Para louvar o Senhor, para a Ele dedicar-se, cuidando da própria alma, é necessária a abstenção do trabalho. Ensina S. Gregório Magno: “No domingo se deve interromper o trabalho e dar-se à oração, para que as negligências dos dias precedentes sejam descontadas com a oração deste grande dia”. Se se pudessem escutar de novo os sermões que S. Cura d’Ars fez por 8 anos contra o trabalho festivo, ficaríamos tocados e comovidos. Dizia o Santo: “Se perguntamos a quem trabalha no domingo: O que estais fazendo? Deveria responder: Estou vendendo a alma ao demônio e colocando Jesus na Cruz de novo, condenando-me ao Inferno”. Próprio naqueles tempos Maria aparecia nos montes de La Salette e advertia: “O Senhor vos deu seis dias para trabalhar, reservando-se o 7º, e não o quereis dar. Eis o que faz ficar pesado o braço Divino”. É possível que temamos de perder, se servimos o Senhor, observando o seu Mandamento? “Gente de pouca fé! Procurais antes o Reino de Deus e a sua justiça, e o mais vos virá por acréscimo!” (Mt 6,33). O pai de S. Terezinha tinha uma ourivesaria. Aberta toda a semana e fechada os dias festivos. Uma pessoa aconselhou-o a abri-la nos dias que fechava, já que os camponeses iam nestes dias fazer compras. Até seu confessor o autorizou. Mas ele não quis. Preferia perder aquele lucro a afastar uma só bênção de Deus sobre a sua família. E o Senhor o fez enriquecer com os lucros da loja. É fundamental Observar o 3º mandamento é fundamental para a vida do cristão. Frequentar a Igreja, aproximar-se dos Sacramentos, participar à Santa Missa, ouvir a Palavra de Deus, são alimentos vitais da vida cristã. Privar-se significa condenar-se à ruína, ao sofrimento eterno. Um venerado Bispo Francês, ao preparar o seu túmulo, fez esculpir uma pedra com estas palavras: “Lembrai-vos de santificar as festas, porque só isso me basta. Se os fiéis me obedecerem, chegarão certamente à salvação. “Tinha razão. Quem santifica as festas se tem em relação com Deus e fica de domingo sob seu salutar influxo e chamada. Por isso Pe. Pio, na Confissão, era muito severo ao fazer respeitar este mandamento, e muitos penitentes tiveram por causa deste pecado recusada a absolvição, mandados embora bruscamente com um: “Vai embora, desgraçado!” Maria, Mãe de Jesus e nossa, quer ver ao menos todos os domingos reunidos em volta do Altar, em volta de Jesus, seus filhos. Ela nos quer todos os domingos para nos poder ter no Domingo Eterno, que é o Paraíso. #FormaçõesCatólicas #Liturgia #Missa #SantaMissa
- MANUEL BANDEIRA, POETA ATEU?
Há um poema de Bandeira que parece exprimir bem essa visão pessimista da vida. Foi escrito em abril de 1935, conforme testemunha do escritor Marques Rebelo. O ateu Rebelo assistia, na companhia do agnóstico Manuel Bandeira, à Missa de sétimo dia do contista Alcântara Machado. Os dois literatos pareciam sobrar na igreja entre deputados, políticos, funcionários da Câmara, magnatas da indústria e do comércio, pessoas que pouco ou nada tinham a ver com literatura. Depois da Missa, já caminhando na rua, Bandeira tirou um papel do bolso e pediu a Rebelo que lesse: — “Fiz ontem. Saiu de uma assentada”. Era o poema “Momento num café”. O texto, magistralmente composto, falava de um enterro passando à frente de um café, no Rio de Janeiro. Os homens saíam à porta e saudavam o morto. Mas o faziam distraídos e maquinalmente, pois estavam todos voltados “para a vida, absortos na vida, confiantes na vida.” Todos com exceção de um — porta-voz do poeta —, que se descobriu “num gesto largo e demorado, olhando o esquife longamente. Este homem, ao contrário dos milhares de santos e sábios cristãos dos últimos dois mil anos, sabia o que só poucos iluminados sabiam: “que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade, que a vida é traição, e saudava a matéria que passava liberta para sempre da alma extinta”. O poema é curto: Quando o enterro passou Os homens que se achavam no café Tiraram o chapéu maquinalmente Saudavam o morto distraídos Estavam todos voltados para a vida Absortos na vida Confiantes da vida. Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado Olhando o esquife longamente Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade Que a vida é traição E saudava a matéria que passava Liberta para sempre da alma extinta. Marques Rebelo conta, em seu romance autobiográfico O espelho partido , que suas mãos tremiam com aquele pedaço de papel entre os dedos, numa espécie de integração total com aquilo que considerava a suprema verdade da vida e do ser — numa espécie de êxtase místico ateísta, se isto for possível —, exposta por Bandeira de maneira simples e no entanto terrível neste poema: o corpo humano, que passava no caixão a caminho do cemitério, para sempre liberto da alma já extinta. À mente cristã, é uma estranha e absurda concepção de liberdade, vinculada ao desaparecimento do que, no ser humano, lhe é mais caro: a alma. “A vida é traição”, conclui o poeta. Não teria chegado à mesma conclusão aquele oficial da marinha inglesa, depois da perna quebrada e do desejo de salvar ninguém, no conto “O incêndio”, de Machado de Assis, que tem o próprio Manuel Bandeira em sua origem? (v. aqui ) Em seu “Ensaio de exegese de um poema de Manuel Bandeira”, publicado em 1944 na revista luso-brasileira Atlântico , um Otto Maria Carpeaux ainda católico fala em blasfêmia a propósito desse poema e insinua que poderia até ser lido pela ótica satanista. De fato, o maior sonho do demônio é que o homem deixe de crer na sobrevivência da alma e na existência de Deus, pois a partir daí tudo é permitido, como já ensinou Ivan Karamazov. Certa vez, Bandeira demonstrou que não sabia mesmo o que fazer com a alma, embora seja ela a responsável por tantos e belos poemas do autor pernambucano: “Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma. /A alma é que estraga o amor. /Só em Deus ela pode encontrar satisfação. /Não noutra alma. /Só em Deus — ou fora do mundo. /As almas são incomunicáveis. /Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo. /Porque os corpos se entendem, mas as almas não.” (“A arte de amar”, em Belo belo ) No poema “Morte absoluta”, o poeta exprime o desejo de “Morrer de corpo e de alma. Completamente (…) Morrer sem deixar porventura uma alma errante… A caminho do céu? Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?” A exemplo de Fernando Pessoa, também se poderia retalhar a alma bandeiriana em alguns heterônimos conflitantes: o Bandeira que sonhava com uma Pasárgada toda hedonista, o Bandeira quase estoico do “Soneto inglês nº 2”, o Bandeira brutal e desesperadamente ateu que vimos acima (ou dos versos impacientes a Santa Teresinha de Lisieux e a Santa Rita, que de certo modo explicam a revolta gnóstica do poeta). E até o Bandeira que fazia versos de inesperada delicadeza a Nossa Senhora e à natividade divina de Jesus.
- Beato Pedro Donders, sacerdote – 14 de Janeiro
SANTO DO DIA – 14 DE JANEIRO – BEATO PEDRO DONDERS Sacerdote (1809-1887) Pedro Donders nasceu em 27 de outubro de 1809, no sul da Holanda. Seus pais, Arnoldo e Petronila, tiveram dois filhos que sobrevieram a mortalidade infantil da época. Pedro, era o mais velho e muito doente; Martino, era o caçula e deficiente. Pedro tinha seis anos de idade, quando sua mãe morreu e diante dessa circunstância precisou deixar os estudos para ajudar seu pai, já muito idoso, na renda familiar. Depois por causa de sua saúde frágil não foi aceito no serviço militar, Beato Pedro_Donders_1.jpgmas sua vocação era o sacerdócio.Também devido a sua condição física, escassa capacidade intelectual e pobreza material, não permitiam que seguisse o seu chamado. Entretanto Pedro insistia com seu pároco que o ajudava , até que conseguiu que o recebessem no seminário, mais como empregado do que como noviço. Pedro se interessava pelas missões e depois de ser rejeitado pelos Jesuítas, Redentoristas e Franciscanos, acabou ingressando no Seminário diocesano. No ano de 1839 o Seminário foi visitado pelo Prefeito Apostólico do Suriname, Guiana Holandesa, buscando ajuda para seu território de missão que estava numa situação muito crítica. Dos seminaristas, apenas Pedro Donders se ofereceu. Em 5 de junho de 1841 foi ordenado sacerdote. Um ano mais tarde chegou em Paramaribo, uma região selvagem quatro vezes maior que a Holanda. Era seu campo de missão. Os primeiros catorze anos foram dedicados à formação dos catequistas, das crianças e às visitas pastorais entre os escravos das fazendas holandesas. Era enorme a distância religiosa e moral, tanto entre os brancos como entre os negros. A rotina de padre Pedro iniciava nas primeiras horas da madrugada quando rezava a Santa Missa e se entregava às orações, depois saia para visitar as famílias. Em 1856 recebeu o encargo da pastoral dos enfermos, dedicando-se especialmente aos leprosos de Batávia, local oficial para os leprosos, onde existiam mais de quatrocentos enfermos de ambos os sexos e com todos os tipos de lepra. Nesta tarefa, nenhum capelão resistia mais de um ano. Ele ficou quase trinta, sempre à inteira disposição dos miseráveis. Não se contentava somente com palavras piedosas. Fazia de tudo. Principalmente aos pacientes terminais. Suspendia os corpos para dar-lhes de beber e lavava com zelo aquilo que nenhum ser humano gostaria de ver: um corpo humano quase decomposto, mas, vivo! Em 1865 chegaram os Missionários Redentoristas no Suriname, com a missão de continuar os trabalhos de evangelização. Os quatro holandeses sacerdotes diocesanos poderiam optar em voltar para a Holanda. Dois sacerdotes regressaram. Padre Pedro decidiu ficar e pediu seu ingresso na Congregação do Santíssimo Redentor, professando os votos em 1867. No final do ano 1886, pela última vez, padre Pedro visitou todos os seus enfermos. Atendeu as confissões de todos e lhes deu a Santa Comunhão. Um ano depois no dia 14 de janeiro de 1887, morreu de uma grave enfermidade renal. Santamente terminou sua vida e apostolado de oração e trabalho contínuo e de muitos sofrimentos. O Papa João Paulo II proclamou Beato Pedro Donders em 1982, designando o dia de sua morte para as honras litúrgicas.
- Beato Pedro Donders, sacerdote – 14 de Janeiro
SANTO DO DIA – 14 DE JANEIRO – BEATO PEDRO DONDERS Sacerdote (1809-1887) Pedro Donders nasceu em 27 de outubro de 1809, no sul da Holanda. Seus pais, Arnoldo e Petronila, tiveram dois filhos que sobrevieram a mortalidade infantil da época. Pedro, era o mais velho e muito doente; Martino, era o caçula e deficiente. Pedro tinha seis anos de idade, quando sua mãe morreu e diante dessa circunstância precisou deixar os estudos para ajudar seu pai, já muito idoso, na renda familiar. Depois por causa de sua saúde frágil não foi aceito no serviço militar, Beato Pedro_Donders_1.jpgmas sua vocação era o sacerdócio.Também devido a sua condição física, escassa capacidade intelectual e pobreza material, não permitiam que seguisse o seu chamado. Entretanto Pedro insistia com seu pároco que o ajudava , até que conseguiu que o recebessem no seminário, mais como empregado do que como noviço. Pedro se interessava pelas missões e depois de ser rejeitado pelos Jesuítas, Redentoristas e Franciscanos, acabou ingressando no Seminário diocesano. No ano de 1839 o Seminário foi visitado pelo Prefeito Apostólico do Suriname, Guiana Holandesa, buscando ajuda para seu território de missão que estava numa situação muito crítica. Dos seminaristas, apenas Pedro Donders se ofereceu. Em 5 de junho de 1841 foi ordenado sacerdote. Um ano mais tarde chegou em Paramaribo, uma região selvagem quatro vezes maior que a Holanda. Era seu campo de missão. Os primeiros catorze anos foram dedicados à formação dos catequistas, das crianças e às visitas pastorais entre os escravos das fazendas holandesas. Era enorme a distância religiosa e moral, tanto entre os brancos como entre os negros. A rotina de padre Pedro iniciava nas primeiras horas da madrugada quando rezava a Santa Missa e se entregava às orações, depois saia para visitar as famílias. Em 1856 recebeu o encargo da pastoral dos enfermos, dedicando-se especialmente aos leprosos de Batávia, local oficial para os leprosos, onde existiam mais de quatrocentos enfermos de ambos os sexos e com todos os tipos de lepra. Nesta tarefa, nenhum capelão resistia mais de um ano. Ele ficou quase trinta, sempre à inteira disposição dos miseráveis. Não se contentava somente com palavras piedosas. Fazia de tudo. Principalmente aos pacientes terminais. Suspendia os corpos para dar-lhes de beber e lavava com zelo aquilo que nenhum ser humano gostaria de ver: um corpo humano quase decomposto, mas, vivo! Em 1865 chegaram os Missionários Redentoristas no Suriname, com a missão de continuar os trabalhos de evangelização. Os quatro holandeses sacerdotes diocesanos poderiam optar em voltar para a Holanda. Dois sacerdotes regressaram. Padre Pedro decidiu ficar e pediu seu ingresso na Congregação do Santíssimo Redentor, professando os votos em 1867. No final do ano 1886, pela última vez, padre Pedro visitou todos os seus enfermos. Atendeu as confissões de todos e lhes deu a Santa Comunhão. Um ano depois no dia 14 de janeiro de 1887, morreu de uma grave enfermidade renal. Santamente terminou sua vida e apostolado de oração e trabalho contínuo e de muitos sofrimentos. O Papa João Paulo II proclamou Beato Pedro Donders em 1982, designando o dia de sua morte para as honras litúrgicas.
- O PAPEL DA LITERATURA NA BUSCA DA SABEDORIA
O que faz a mente humana transformar-se em solo fértil e adubado, de modo a dar bons frutos no terreno das ideias? Para o professor americano John Senior (em La restauración de la cultura cristiana . Trad. de Rubén Peretó Rivas. Madrid, Homo Legens, 2018), é a cultura literária. A solução é ler os clássicos da literatura. Senior não acha necessário fazer uma lista dessas obras clássicas: “…um clássico é uma obra cujo título todos conhecem”. Segundo ele, “A fecundidade das ideias de Platão, Aristóteles, Santo Agostinho ou Santo Tomás não pode se manifestar senão no terreno de uma imaginação saturada de fábulas e contos de fadas, histórias e poemas, romances e aventuras”. Sem esse trato prévio do solo com o adubo da imaginação literariamente trabalhada, a semente até que pode germinar; porém, como o solo é pobre, a planta não desenvolve, não dá bons frutos. “Da mesma forma que o vinho se perde em garrafas rachadas, os livros se perdem em espíritos que já não sabem mais ler”. Saber ler, para Senior, é bem diferente do método preconizado pelos atuais cursos de Letras: defende ele uma leitura diletante, “da pessoa comum que se diverte com o que lê, ignorante daqueles exames críticos, históricos ou textuais que destroem o que analisam, que são tão inimigos da cultura quanto os estudos da sexualidade o são do casamento, ou a agricultura científica da vida no campo”, dispensando “dicionários, enciclopédias, atlas, guias, edições críticas, notas, apêndices biográficos e históricos. Tudo isso é a ciência da literatura, uma aplicação errônea do método científico a um terreno que está além de seu alcance”. Ao contrário, preferia John Senior uma forma mais simples de leitura: direta, agradável, espontânea e livre. Reconhecia que, se isso não era suficiente para a formação científica e filosófica, era porém indispensável para o desenvolvimento moral, intelectual e espiritual da pessoa. Era necessário começar dali, com as crianças, adolescentes e jovens. O resto viria em seguida. Para John Senior, uma boa cultura literária é indispensável para aquisição da verdadeira sabedoria, e esta, por ser coisa de Deus, acabaria por conduzir inevitavelmente à Igreja fundada por Deus.
- BOM LUGAR PARA UMA UNIVERSIDADE
Da minha sala no Departamento de Literatura, na universidade em que trabalhei por quase trinta anos, era inevitável olhar de vez em quando para o belo bosque ao lado. Seus galhos ameaçavam entrar por nossas salas. O festival da passarada era permanente. Provavelmente, as grandes árvores que nos cercavam não fossem nativas, mas plantadas depois da construção dos prédios — em estilo gelidamente modernista —, porém uma bela mata nativa, anterior ao campus (fundado em 1958 por alguns professores da USP, entre os quais Antônio Candido), começava logo atrás do prédio da biblioteca. Enfim, era um campus à sombra de altas árvores, um cenário perfeito para o ócio especulativo. A biblioteca… Era impossível olhar a mata sem também enxergar o comprido prédio da biblioteca. Pensava na vasta e inútil coleção de filosofia que ali havia, dos gregos aos contemporâneos; no bom acervo de literatura de todas as línguas e de história de todos os povos. Aqueles professores de setenta anos atrás, Antônio Candido & Cia., que nos haviam precedido no campus, eram de uma época em que ler era algo importante. Sabiam como montar uma boa biblioteca. Infelizmente, quase já não havia, entre professores e alunos, quem procurasse aqueles velhos e bons livros, que eram sinal de uma civilização já ultrapassada que era preciso negar ou desdenhar. Os professores tinham de cuidar de suas pesquisas trienais, com boas bolsas das fundações de “amparo à pesquisa”, para as quais bastava a mais recente bibliografia do assunto, e não lhes sobrava tempo para vagabundagem intelectual; quanto aos alunos, tinham sido sequestrados pela música popular, pelo cinema, pela internet, quando não pelo sexo fácil, e lhes bastavam os livros indicados pelos professores super-ocupados. Se todos aqueles livros permanecerem heroicamente ali, depois de passado o tsunami de barbárie que atualmente assola o planeta, quem sabe um dia volte a ser uma universidade, que cuide tanto da formação profissional quanto das coisas do espírito, mais preocupada com a aquisição da sabedoria do que com a vida prática (sem a primeira, a segunda se reduz a uma atividade quase animal, sem bússola e norte). Já temos os recursos naturais, com belas árvores e alegres pássaros. Temos os devidos recursos espirituais, com aqueles excelentes livros. Só faltam os recursos humanos, com mentes menos preocupadas com duvidosos direitos de certas minorias e mais arejadas pelo sopro do Espírito.
- Vida de São Josemaria Escrivá inspira filme inédito e nova edição de biografia
São Josemaria Escrivá é um santo extraordinário que viveu em nosso tempo. Conheça a vida, a obra e os ensinamentos deste grande santo em novo filme e biografia. No mês de comemoração dos 120 anos de São Josemaria Escrivá, a Minha Biblioteca Católica e a Lumine se uniram para uma imersão completa na vida do santo do cotidiano. É a primeira vez que o clube de assinatura de livros e a plataforma de streaming fazem um lançamento conjunto, que envolve uma biografia e um filme inédito. “Essa ação cruzada foi providencial. Proporcionamos uma imersão católica completa na vida de um santo que esteve no Brasil, reunindo livro, filme e audiobook. Temos muito orgulho de oferecer essa experiência aos assinantes”, afirma Matheus Bazzo, que é cofundador da Minha Biblioteca Católica, e também, fundador da Lumine. Leia também Quem é São Josemaria Escrivá e o que é Opus Dei? Livro com guia de leitura original “Uma luz no mundo” foi escrito pelo padre português Hugo de Azevedo, que conviveu com o fundador do Opus Dei. Cronológico, o livro resgata detalhes sobre sua vida e personalidade — trazendo lições de como conciliar os afazeres do dia com a vida espiritual. O box da Minha Biblioteca Católica, revelado para o público há alguns dias, será enviado para os assinantes em fevereiro, contando ainda com um guia de leitura exclusivo. O material, produzido pelo clube, oferece introdução e aprofundamento na história do sacerdote espanhol, bem como informações adicionais sobre a obra. A experiência é complementada com o audiobook, que estará disponível no aplicativo Peregrino. E, também, haverá um episódio no podcast Tertúlia, que poderá ser ouvido no app, além de YouTube e Spotify. Leia também Conselhos valiosos de São Josemaria Escrivá para se santificar no dia a dia Filme com depoimentos exclusivos e imagens remasterizadas Já a Lumine estreará, no dia 31 de janeiro, o filme “Um santo entre nós”. Lançamento original da plataforma de streaming, o documentário traz palestras que São Josemaria apresentou durante sua vinda ao Brasil, em 1974. Tudo remasterizado e com qualidade de cinema, algo inédito até então. A produção reúne depoimentos exclusivos de pessoas que estiveram com o santo do cotidiano e tiveram suas vidas impactadas por ele. São os casos, por exemplo, do piloto do helicóptero que se converteu após viajar com Josemaria e o Padre Francisco Faus — autor de quase duas dezenas de obras cristãs e que esteve, por diversas oportunidades, com o fundador do Opus Dei. “São Josemaria Escrivá revisita uma espiritualidade que é antiga, mas ao mesmo tempo contemporânea. E extremamente necessária para os dias atuais. Ele nos mostra que é possível ter uma vida plena com um trabalho comum. Com o fundador do Opus Dei, aprendemos que a santidade é um caminho acessível a todos nós”, conclui Matheus Bazzo. Leia também Conheça São Josemaria Escrivá, um santo extraordinário que viveu a santidade no ordinário #SãoJosemariaEscrivá
- Vida de São Josemaria Escrivá inspira filme inédito e nova edição de biografia
São Josemaria Escrivá é um santo extraordinário que viveu em nosso tempo. Conheça a vida, a obra e os ensinamentos deste grande santo em novo filme e biografia. No mês de comemoração dos 120 anos de São Josemaria Escrivá, a Minha Biblioteca Católica e a Lumine se uniram para uma imersão completa na vida do santo do cotidiano. É a primeira vez que o clube de assinatura de livros e a plataforma de streaming fazem um lançamento conjunto, que envolve uma biografia e um filme inédito. “Essa ação cruzada foi providencial. Proporcionamos uma imersão católica completa na vida de um santo que esteve no Brasil, reunindo livro, filme e audiobook. Temos muito orgulho de oferecer essa experiência aos assinantes”, afirma Matheus Bazzo, que é cofundador da Minha Biblioteca Católica, e também, fundador da Lumine. Leia também Quem é São Josemaria Escrivá e o que é Opus Dei? Livro com guia de leitura original “Uma luz no mundo” foi escrito pelo padre português Hugo de Azevedo, que conviveu com o fundador do Opus Dei. Cronológico, o livro resgata detalhes sobre sua vida e personalidade — trazendo lições de como conciliar os afazeres do dia com a vida espiritual. O box da Minha Biblioteca Católica, revelado para o público há alguns dias, será enviado para os assinantes em fevereiro, contando ainda com um guia de leitura exclusivo. O material, produzido pelo clube, oferece introdução e aprofundamento na história do sacerdote espanhol, bem como informações adicionais sobre a obra. A experiência é complementada com o audiobook, que estará disponível no aplicativo Peregrino. E, também, haverá um episódio no podcast Tertúlia, que poderá ser ouvido no app, além de YouTube e Spotify. Leia também Conselhos valiosos de São Josemaria Escrivá para se santificar no dia a dia Filme com depoimentos exclusivos e imagens remasterizadas Já a Lumine estreará, no dia 31 de janeiro, o filme “Um santo entre nós”. Lançamento original da plataforma de streaming, o documentário traz palestras que São Josemaria apresentou durante sua vinda ao Brasil, em 1974. Tudo remasterizado e com qualidade de cinema, algo inédito até então. A produção reúne depoimentos exclusivos de pessoas que estiveram com o santo do cotidiano e tiveram suas vidas impactadas por ele. São os casos, por exemplo, do piloto do helicóptero que se converteu após viajar com Josemaria e o Padre Francisco Faus — autor de quase duas dezenas de obras cristãs e que esteve, por diversas oportunidades, com o fundador do Opus Dei. “São Josemaria Escrivá revisita uma espiritualidade que é antiga, mas ao mesmo tempo contemporânea. E extremamente necessária para os dias atuais. Ele nos mostra que é possível ter uma vida plena com um trabalho comum. Com o fundador do Opus Dei, aprendemos que a santidade é um caminho acessível a todos nós”, conclui Matheus Bazzo. Leia também Conheça São Josemaria Escrivá, um santo extraordinário que viveu a santidade no ordinário #SãoJosemariaEscrivá
- ANTERO DE QUENTAL – Agripino Grieco
[O católico Agripino Grieco (1988-1973) foi um dos maiores ensaístas literários que o Brasil teve do século XX. De vasta cultura geral e dono de uma biblioteca com mais de quarenta mil volumes, foi um impressionista no bom sentido da palavra, conseguindo mesclar à agudeza crítica uma verve humorística rara entre intelectuais (dizia-se incapaz de ler Guimarães Rosa, pois não sabia húngaro). Seus livros, se reeditados, muito contribuiriam para a onda de revisão anti-iluminista, que move atualmente toda uma geração de jovens brasileiros desconfiados do pós-modernismo que tomou conta das letras acadêmicas e do jornalismo cultural. O texto a seguir é um capítulo de sua obra São Francisco de Assis e a poesia cristã, em que trata de autores como Dante, Santa Teresa, Milton, Verlaine, Baudelaire, Péguy, Wilde, Keats, Longfellow, Alphonsus de Guimarães, entre outros]. Antero, que não aceitou os convites da natureza para alegrar-se como os comuns dos mortais, foi — todos o sabem — um fascinador irresistível. Quando moço, em Coimbra, sua barba fulva ardia como um facho de revolta. Filósofo de estirpe germânica, triturador de verdades, afirmou-se talvez o maior homem de ideias de Portugal, sabendo criar pensamentos poéticos e não pondo palavras demais no que escrevia. Sentia e raciocinava simultaneamente, ligando o espirito geométrico ao espirito de finura, e sua obra, um misto de inspiração e de meditação, mostra que é possível filosofar em verso. Seu pessimismo não era simplesmente doméstico ou pessoal. Não se lamentava ele de vulgares infortúnios, incidindo nesses excessos de pateticismo que degeneram em comedia. Era um pessimismo heroico, reflexo da tristeza universal, da tragedia humana. Foi Antero, de certo modo, um budista e um estoico. Queria a abnegação diante do Irreparável e consolava-se à certeza de que a bondade é superior ao sofrimento e vence o sofrimento. Queria o homem bom sem a ideia de prêmio. Orgulhoso de sofrer, achava que blasfemar é ser covarde e que a dor é hoje o único indicio de superioridade, a última aristocracia possível na terra. O culto do dever e da honra, coisas ridículas nos fazedores de frases melodramáticas, nobilitava-se nele. Apesar de tudo, falasse embora amiúde no vazio do mundo e das ilusões sentimentais, ele não descreu propriamente da vida e não quis mal aos seus companheiros de servidão. Esse cético teve como poucos a paixão da caridade e os seus minguados haveres despendeu-os protegendo duas órfãs. Quando sentiu que o destino o compelia a sacrificar alguém, sacrificou-se a si mesmo, dando-se em holocausto à Beatriz da morte, no período trágico em que sobre Portugal soprou uma rajada de desalento que conduziu ao suicídio um Soares dos Reis, um Julio César Machado e um Camillo Castello Branco. Mas quem escreveu os quatorze versos à Virgem Santíssima é um dos maiores poetas de Nossa Senhora que o mundo já conheceu: À VIRGEM SANTÍSSIMA – Antero de Quental Num sonho todo feito de incerteza, De noturna e indizível ansiedade, É que eu vi teu olhar de piedade E (mais que piedade) de tristeza… Não era o vulgar brilho da beleza, Nem o ardor banal da mocidade… Era outra luz, era outra suavidade, Que até nem sei se as há na natureza… Um místico sofrer… uma ventura Feita só do perdão, só ternura E da paz da nossa hora derradeira… Ó visão, visão triste e piedosa! Fita-me assim calada, assim chorosa. E deixa-me sonhar a vida inteira! (Agripino Grieco. São Francisco de Assis e a poesia cristã. Rio, Ariel, 1934)
- Por que Deus permite o sofrimento?
Vivemos em uma sociedade cujo objetivo principal é uma busca constante por conforto e prazer, repelindo qualquer tipo de sofrimento a todo custo. Jesus, entretanto, que experimentou o sofrimento humano integralmente, aponta para nós que o sofrimento não é nosso inimigo, ao contrário do que o mundo ensina, mas um aliado no caminho da salvação. Deus não é causa do sofrimento. Deus apenas permite o sofrimento, pois o homem tem a liberdade de escolher aquilo que quer. Ele fez todos os seres humanos livres, inteligentes, e nobres. A partir disto quando o homem faz a escolha errada ele coloca o sofrimento no mundo, como consequência da vida. Mas de todo sofrimento Deus tira um bem, uma lição para o homem cresça e se torne mais maduro. Jesus Cristo nos faz compreender o significado do sofrimento. Ninguém sofreu como Ele e ninguém como Ele soube enfrentar o sofrimento e dar-lhe um sentido transcendente. Um dia Karl Wuysman, escritor francês, entre o revolver e o crucifixo, escolheu o crucifixo. O fato de Jesus ter sofrido como ninguém, e ser Deus e Santo, mostra que o sofrimento não é castigo. Uma prova de que Deus não deseja o sofrimento, e não o manda como castigo a alguém, é que um sinal forte de que o Reino de Deus já estava entre nós, eram as curas, os milagres, os exorcismos, etc, que Jesus fazia, isto é, vitórias sobre o mal e sobre o sofrimento. Mais do que a saúde física, Deus quer para os seus filhos a salvação eterna. Jesus Cristo, ao se encarnar, experimentou o sofrimento humano. Portanto, Jesus fez do sofrimento a matéria-prima da salvação da humanidade e São Paulo disse que “completo na minha carne o que falta para a Paixão de Cristo no seu corpo que é a Igreja” (Cl 1,24). Assim, todo sofrimento é salvífico desde que Cristo morreu na cruz; como estamos unidos a ele por nosso Batismo nosso sofrimento se une ao dele pela salvação do mundo. Daí o seu valor. Alguns perguntam: se Deus existe, então, como pode permitir tanta desgraça? A resposta católica para o problema do sofrimento foi dada de maneira clara por S. Agostinho († 430), e por S. Tomás de Aquino († 1274): “A existência do mal não se deve à falta de poder ou de bondade em Deus; ao contrário, Ele só permite o mal porque é suficientemente poderoso e bom para tirar do próprio mal o bem” (Suma Teológica l qu, 22, art. 2, ad 2). “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8,28). Deus, sendo Perfeitíssimo, não pode ser causa do mal, logo, esta é a própria criatura, que pode falhar, já que não é perfeita como o seu Criador. Por outro lado, o mal pode ser também o uso mau de coisas boas. Uma faca é boa na mão da cozinheira, mas na mão do assassino… O sofrimento da humanidade, sobretudo, é também fruto do pecado. São Paulo disse que “o salário do pecado é a morte” (Rm 6,23). Os nossos erros geram sofrimentos para os nossos descendentes também. Os filhos não herdam os pecados dos pais, mas podem sofrer pelas consequências desses pecados. O Papa João Paulo II, em 11/02/84, na Carta Apostólica sobre o sofrimento disse que: “O sentido do sofrimento é tão profundo quanto o homem mesmo, precisamente porque manifesta, a seu modo, a profundidade própria do homem e ultrapassa esta. O sofrimento parece pertencer à transcendência do homem” (Dor Salvífica, nº 2). Para que o homem fosse “grande”, digno, nobre, Deus o fez livre, inteligente, com sensibilidade, vontade, memória, etc. Deus não poderia impedir o homem de lhe dizer Não; senão lhe tiraria a liberdade, e ele seria apenas um robô, marionete, teleguiado. E Deus não quis isto. Deus não é paternalista; é Pai; não fica “passando a mão por cima” dos erros dos filhos. Esta é a lei da justiça: quem erra deve arcar as conseqüências dos seus erros. “Deus não fez a morte nem tem prazer em destruir os viventes” (Sab.1,13). Por que Deus permite o sofrimento dos inocentes? Ver inocentes sofrendo e morrendo toca o coração. Por que precisamente eles têm de sofrer? Qual é o sentido da sua dor? Se Deus existe, se Ele nos ama, por que não impede estas injustiças? oda pessoa está chamada a aliviar o sofrimento dos inocentes e a lutar contra as suas causas. No entanto, o seu sentido só pode ser descoberto na perspectiva da vida eterna: essa injustiça causada pela liberdade humana mal utilizada foi transformada por Cristo em caminho que conduz cada pessoa à ressurreição – e a humanidade, à felicidade definitiva. O sofrimento das crianças – e, em geral, dos inocentes – suscita muita dor e incompreensão, o que leva algumas pessoas a negar que Deus existe, enquanto outras se convencem precisamente de que tem de existir uma vida eterna, na qual se fará justiça e o amor finalmente triunfará. A maneira como as doenças, a fome, as guerras, os abusos, o abandono, a morte afetam os inocentes interroga e inquieta profundamente o homem e põe sua fé à prova. “Como posso acreditar em Deus, quando Ele permite a morte de uma criança inocente?”, questionava Ivan em “Os irmãos Karamazov”, de Dostoiévski. Como ele, muitos rejeitam Deus ou o culpam, ao não encontrar resposta diante do grito dessas vítimas. O sofrimento dos inocentes apresenta muitas perguntas, também aos que têm fé, como, por exemplo: por que algumas pessoas sofrem tanto e outras não? O sofrimento dos inocentes – crianças, mártires, Nossa Senhora e o próprio Cristo – continua sendo um mistério. Adentrar-se nele significa aprofundar no mistério do mal. Perspectiva da vida eterna Para o Beato Carlo Gnochi, capelão italiano que atendeu muitas crianças feridas durante a Segunda Guerra Mundial, “quando se chega a compreender o significado da dor das crianças, tem-se nas mãos a chave para compreender toda dor humana; e quem consegue sublimar o sofrimento dos inocentes está em condições de consolar a pena de todo homem ferido e humilhado pela dor”. É somente a partir da perspectiva da vida eterna que se pode vislumbrar o sentido dos sofrimentos dos inocentes. Efetivamente, depois da morte, Deus colocará cada coisa em seu lugar, sem deixar espaço para o absurdo ou para o acaso, mas somente ao mais pleno amor – para o qual é necessária a liberdade. Esta esperança dá forças para confiar em Deus, quem permite o que aos olhos humanos parece algo sem sentido e lhe dá um grande valor, sobretudo por meio de Cristo crucificado e glorificado. Cada pessoa está chamada a respeitar e estimar profundamente os inocentes que sofrem, a compartilhar a sua dor, a ajudar a aceitá-la e a uni-la à de Cristo, bem como a fazer todo o possível para aliviar esse sofrimento e impedir a injustiça que o causa. Cristo ensina tanto a fazer o bem com o sofrimento como a fazer o bem a quem sofre. A Igreja vê as vítimas inocentes como dignas de ser honradas e as ama e ajuda em suas necessidades materiais e espirituais. Ela as assiste, acolhe e defende, mas também compartilha e carrega o seu sofrimento, ajudando-as muitas vezes a descobrir e viver o seu grande valor, recordando-lhes da sua libertação final. Assim, os inocentes que sofrem despertam a entrega (o amor) de outras pessoas a eles, mas também sua própria união a Cristo e a entrega da sua valiosa dor para lutar contra o mal. Com relação à luta concreta contra os males físicos que açoitam os inocentes – pobreza, fome, doença, entre outros –, Bento XVI recorda que não é somente a filantropia que beneficia o gênero humano, mas que isso faz parte da redenção “total” de Cristo. Ao mesmo tempo, constata que somente Deus pode eliminar por completo o sofrimento do mundo e que n’Ele está a esperança. Os inocentes podem sofrer males físicos ou morais, provenientes da maldade de outros, mas não o pior sofrimento de todos: o eterno, do qual Cristo salva. Diferenciar o sofrimento, em seu sentido fundamental e definitivo – permanecer afastado do Amor por toda a eternidade –, das suas múltiplas dimensões temporais ajuda a aproximar-se do mistério do sofrimento dos inocentes. Diferentes tipos de males Segundo o professor de teodiceia José Antonio Galindo, existem males físicos que provocam sofrimento e/ou causam a morte do ser humano; são provenientes da natureza do mundo (terremotos, tsunamis, incêndios) ou da natureza humana (todo tipo de doenças corporais e psíquicas). Também existem males morais, causados pela conduta moral negativa; são procedentes do pecado da pessoa (muitos pecados ou vícios originam doenças, além de privar da graça de Deus) ou da maldade de outros (guerras, genocídios, perseguições, ódio, vinganças). No entanto, muito além do sofrimento temporal, existe o sofrimento definitivo: a perda da vida eterna. Cristo protege o homem desse grande mal, tocando-o em suas raízes – o pecado e a morte –, que Ele vence com a sua obediência e com a sua ressurreição; graças aos seus méritos e à misericórdia divina, inclusive as crianças que morrem sem receber o Batismo podem se salvar desse sofrimento eterno. A criança sofre pela sua condição de ser humano: ainda que não tenha pecado pessoalmente, está envolvida na expiação do pecado, o primeiro e todos os cometidos ao longo da história. Além disso, também participa do sofrimento salvador de Cristo. Comunidade humana Por que um inocente tem de sofrer, alguém que não fez mal algum? Esta é uma pergunta frequente de quem vê a dor somente como uma pena pela própria culpa. Mas, segundo a concepção cristã, a humanidade forma uma comunidade cujos membros participam tanto do seu bem como do seu mal. Por isso, as pessoas são submetidas às consequências do pecado – entre estas, o sofrimento e a morte. Por isso, quando uma criança sofre, entra em ação a comunhão com Adão (que rejeitou viver segundo os ensinamentos de Deus, introduzindo a vulnerabilidade na existência humana) e a solidariedade com todos os seres humanos – uma solidariedade “negativa”, pela qual tem de sofrer, por exemplo, as consequências de decisões egoístas, mas também uma comunhão do bem, pela qual a criança se beneficia de muitos sacrifícios alheios e do progresso da humanidade. O sofrimento dos inocentes tem, além disso, uma terceira fonte: a solidariedade com o sacrifício inocente de Cristo, alcançado pelo Batismo. A graça ilumina e eleva então esse sofrimento, que se converte em caminho de sua libertação, em acontecimento de purificação e redenção. Cristo transforma radicalmente o sentido do sofrimento, que deixa de ser puro castigo, prova ou correção, para se tornar a potência que salva por amor. União a Cristo As pessoas que sofrem sem o peso das suas próprias culpas não o fazem em vão. Unidas intimamente a Cristo, podem contribuir de maneira excepcional para a salvação dos homens. A lei segundo a qual “a morte de um é a vida de outro”, referida aos seres materiais, afeta também o homem. A dor tem um caráter purificador e pode ser um caminho de crescimento e maturidade, não somente pessoal, mas também de toda a família humana. Nela, a pessoa encontra a si mesma, sua própria humanidade, dignidade e missão, e se atualiza o sentimento de compaixão. E quando o sofrimento se funde com o amor redentor, transforma-se em uma força contra o mal no mundo. Foi por meio de um martírio inocente que Jesus assumiu todas as dores e sofrimentos da humanidade e a redimiu. Desde então, todas as pessoas podem cooperar na Redenção, participando da vida e da dor de Cristo. Mas algumas estão chamadas a sofrer não pelas suas culpas, mas pelas de todos. E quanto mais limpa sua alma estiver das culpas pessoais, mais se parecerá com a do Cordeiro de Deus. Ele, com sua força transformadora, se faz presente em toda pessoa que sofre, mas no inocente de maneira mais clara, mais imediata. Além de redimir com Cristo, os inocentes que sofrem são também intercessores e podem conseguir favores de Deus mais facilmente que outras pessoas. Com informações de Cleofas e padrepauloricardo.org. #FormaçõesCatólicas #Sacrifício #Sofrimento
- Por que Deus permite o sofrimento?
Vivemos em uma sociedade cujo objetivo principal é uma busca constante por conforto e prazer, repelindo qualquer tipo de sofrimento a todo custo. Jesus, entretanto, que experimentou o sofrimento humano integralmente, aponta para nós que o sofrimento não é nosso inimigo, ao contrário do que o mundo ensina, mas um aliado no caminho da salvação. Deus não é causa do sofrimento. Deus apenas permite o sofrimento, pois o homem tem a liberdade de escolher aquilo que quer. Ele fez todos os seres humanos livres, inteligentes, e nobres. A partir disto quando o homem faz a escolha errada ele coloca o sofrimento no mundo, como consequência da vida. Mas de todo sofrimento Deus tira um bem, uma lição para o homem cresça e se torne mais maduro. Jesus Cristo nos faz compreender o significado do sofrimento. Ninguém sofreu como Ele e ninguém como Ele soube enfrentar o sofrimento e dar-lhe um sentido transcendente. Um dia Karl Wuysman, escritor francês, entre o revolver e o crucifixo, escolheu o crucifixo. O fato de Jesus ter sofrido como ninguém, e ser Deus e Santo, mostra que o sofrimento não é castigo. Uma prova de que Deus não deseja o sofrimento, e não o manda como castigo a alguém, é que um sinal forte de que o Reino de Deus já estava entre nós, eram as curas, os milagres, os exorcismos, etc, que Jesus fazia, isto é, vitórias sobre o mal e sobre o sofrimento. Mais do que a saúde física, Deus quer para os seus filhos a salvação eterna. Jesus Cristo, ao se encarnar, experimentou o sofrimento humano. Portanto, Jesus fez do sofrimento a matéria-prima da salvação da humanidade e São Paulo disse que “completo na minha carne o que falta para a Paixão de Cristo no seu corpo que é a Igreja” (Cl 1,24). Assim, todo sofrimento é salvífico desde que Cristo morreu na cruz; como estamos unidos a ele por nosso Batismo nosso sofrimento se une ao dele pela salvação do mundo. Daí o seu valor. Alguns perguntam: se Deus existe, então, como pode permitir tanta desgraça? A resposta católica para o problema do sofrimento foi dada de maneira clara por S. Agostinho († 430), e por S. Tomás de Aquino († 1274): “A existência do mal não se deve à falta de poder ou de bondade em Deus; ao contrário, Ele só permite o mal porque é suficientemente poderoso e bom para tirar do próprio mal o bem” (Suma Teológica l qu, 22, art. 2, ad 2). “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8,28). Deus, sendo Perfeitíssimo, não pode ser causa do mal, logo, esta é a própria criatura, que pode falhar, já que não é perfeita como o seu Criador. Por outro lado, o mal pode ser também o uso mau de coisas boas. Uma faca é boa na mão da cozinheira, mas na mão do assassino… O sofrimento da humanidade, sobretudo, é também fruto do pecado. São Paulo disse que “o salário do pecado é a morte” (Rm 6,23). Os nossos erros geram sofrimentos para os nossos descendentes também. Os filhos não herdam os pecados dos pais, mas podem sofrer pelas consequências desses pecados. O Papa João Paulo II, em 11/02/84, na Carta Apostólica sobre o sofrimento disse que: “O sentido do sofrimento é tão profundo quanto o homem mesmo, precisamente porque manifesta, a seu modo, a profundidade própria do homem e ultrapassa esta. O sofrimento parece pertencer à transcendência do homem” (Dor Salvífica, nº 2). Para que o homem fosse “grande”, digno, nobre, Deus o fez livre, inteligente, com sensibilidade, vontade, memória, etc. Deus não poderia impedir o homem de lhe dizer Não; senão lhe tiraria a liberdade, e ele seria apenas um robô, marionete, teleguiado. E Deus não quis isto. Deus não é paternalista; é Pai; não fica “passando a mão por cima” dos erros dos filhos. Esta é a lei da justiça: quem erra deve arcar as conseqüências dos seus erros. “Deus não fez a morte nem tem prazer em destruir os viventes” (Sab.1,13). Por que Deus permite o sofrimento dos inocentes? Ver inocentes sofrendo e morrendo toca o coração. Por que precisamente eles têm de sofrer? Qual é o sentido da sua dor? Se Deus existe, se Ele nos ama, por que não impede estas injustiças? oda pessoa está chamada a aliviar o sofrimento dos inocentes e a lutar contra as suas causas. No entanto, o seu sentido só pode ser descoberto na perspectiva da vida eterna: essa injustiça causada pela liberdade humana mal utilizada foi transformada por Cristo em caminho que conduz cada pessoa à ressurreição – e a humanidade, à felicidade definitiva. O sofrimento das crianças – e, em geral, dos inocentes – suscita muita dor e incompreensão, o que leva algumas pessoas a negar que Deus existe, enquanto outras se convencem precisamente de que tem de existir uma vida eterna, na qual se fará justiça e o amor finalmente triunfará. A maneira como as doenças, a fome, as guerras, os abusos, o abandono, a morte afetam os inocentes interroga e inquieta profundamente o homem e põe sua fé à prova. “Como posso acreditar em Deus, quando Ele permite a morte de uma criança inocente?”, questionava Ivan em “Os irmãos Karamazov”, de Dostoiévski. Como ele, muitos rejeitam Deus ou o culpam, ao não encontrar resposta diante do grito dessas vítimas. O sofrimento dos inocentes apresenta muitas perguntas, também aos que têm fé, como, por exemplo: por que algumas pessoas sofrem tanto e outras não? O sofrimento dos inocentes – crianças, mártires, Nossa Senhora e o próprio Cristo – continua sendo um mistério. Adentrar-se nele significa aprofundar no mistério do mal. Perspectiva da vida eterna Para o Beato Carlo Gnochi, capelão italiano que atendeu muitas crianças feridas durante a Segunda Guerra Mundial, “quando se chega a compreender o significado da dor das crianças, tem-se nas mãos a chave para compreender toda dor humana; e quem consegue sublimar o sofrimento dos inocentes está em condições de consolar a pena de todo homem ferido e humilhado pela dor”. É somente a partir da perspectiva da vida eterna que se pode vislumbrar o sentido dos sofrimentos dos inocentes. Efetivamente, depois da morte, Deus colocará cada coisa em seu lugar, sem deixar espaço para o absurdo ou para o acaso, mas somente ao mais pleno amor – para o qual é necessária a liberdade. Esta esperança dá forças para confiar em Deus, quem permite o que aos olhos humanos parece algo sem sentido e lhe dá um grande valor, sobretudo por meio de Cristo crucificado e glorificado. Cada pessoa está chamada a respeitar e estimar profundamente os inocentes que sofrem, a compartilhar a sua dor, a ajudar a aceitá-la e a uni-la à de Cristo, bem como a fazer todo o possível para aliviar esse sofrimento e impedir a injustiça que o causa. Cristo ensina tanto a fazer o bem com o sofrimento como a fazer o bem a quem sofre. A Igreja vê as vítimas inocentes como dignas de ser honradas e as ama e ajuda em suas necessidades materiais e espirituais. Ela as assiste, acolhe e defende, mas também compartilha e carrega o seu sofrimento, ajudando-as muitas vezes a descobrir e viver o seu grande valor, recordando-lhes da sua libertação final. Assim, os inocentes que sofrem despertam a entrega (o amor) de outras pessoas a eles, mas também sua própria união a Cristo e a entrega da sua valiosa dor para lutar contra o mal. Com relação à luta concreta contra os males físicos que açoitam os inocentes – pobreza, fome, doença, entre outros –, Bento XVI recorda que não é somente a filantropia que beneficia o gênero humano, mas que isso faz parte da redenção “total” de Cristo. Ao mesmo tempo, constata que somente Deus pode eliminar por completo o sofrimento do mundo e que n’Ele está a esperança. Os inocentes podem sofrer males físicos ou morais, provenientes da maldade de outros, mas não o pior sofrimento de todos: o eterno, do qual Cristo salva. Diferenciar o sofrimento, em seu sentido fundamental e definitivo – permanecer afastado do Amor por toda a eternidade –, das suas múltiplas dimensões temporais ajuda a aproximar-se do mistério do sofrimento dos inocentes. Diferentes tipos de males Segundo o professor de teodiceia José Antonio Galindo, existem males físicos que provocam sofrimento e/ou causam a morte do ser humano; são provenientes da natureza do mundo (terremotos, tsunamis, incêndios) ou da natureza humana (todo tipo de doenças corporais e psíquicas). Também existem males morais, causados pela conduta moral negativa; são procedentes do pecado da pessoa (muitos pecados ou vícios originam doenças, além de privar da graça de Deus) ou da maldade de outros (guerras, genocídios, perseguições, ódio, vinganças). No entanto, muito além do sofrimento temporal, existe o sofrimento definitivo: a perda da vida eterna. Cristo protege o homem desse grande mal, tocando-o em suas raízes – o pecado e a morte –, que Ele vence com a sua obediência e com a sua ressurreição; graças aos seus méritos e à misericórdia divina, inclusive as crianças que morrem sem receber o Batismo podem se salvar desse sofrimento eterno. A criança sofre pela sua condição de ser humano: ainda que não tenha pecado pessoalmente, está envolvida na expiação do pecado, o primeiro e todos os cometidos ao longo da história. Além disso, também participa do sofrimento salvador de Cristo. Comunidade humana Por que um inocente tem de sofrer, alguém que não fez mal algum? Esta é uma pergunta frequente de quem vê a dor somente como uma pena pela própria culpa. Mas, segundo a concepção cristã, a humanidade forma uma comunidade cujos membros participam tanto do seu bem como do seu mal. Por isso, as pessoas são submetidas às consequências do pecado – entre estas, o sofrimento e a morte. Por isso, quando uma criança sofre, entra em ação a comunhão com Adão (que rejeitou viver segundo os ensinamentos de Deus, introduzindo a vulnerabilidade na existência humana) e a solidariedade com todos os seres humanos – uma solidariedade “negativa”, pela qual tem de sofrer, por exemplo, as consequências de decisões egoístas, mas também uma comunhão do bem, pela qual a criança se beneficia de muitos sacrifícios alheios e do progresso da humanidade. O sofrimento dos inocentes tem, além disso, uma terceira fonte: a solidariedade com o sacrifício inocente de Cristo, alcançado pelo Batismo. A graça ilumina e eleva então esse sofrimento, que se converte em caminho de sua libertação, em acontecimento de purificação e redenção. Cristo transforma radicalmente o sentido do sofrimento, que deixa de ser puro castigo, prova ou correção, para se tornar a potência que salva por amor. União a Cristo As pessoas que sofrem sem o peso das suas próprias culpas não o fazem em vão. Unidas intimamente a Cristo, podem contribuir de maneira excepcional para a salvação dos homens. A lei segundo a qual “a morte de um é a vida de outro”, referida aos seres materiais, afeta também o homem. A dor tem um caráter purificador e pode ser um caminho de crescimento e maturidade, não somente pessoal, mas também de toda a família humana. Nela, a pessoa encontra a si mesma, sua própria humanidade, dignidade e missão, e se atualiza o sentimento de compaixão. E quando o sofrimento se funde com o amor redentor, transforma-se em uma força contra o mal no mundo. Foi por meio de um martírio inocente que Jesus assumiu todas as dores e sofrimentos da humanidade e a redimiu. Desde então, todas as pessoas podem cooperar na Redenção, participando da vida e da dor de Cristo. Mas algumas estão chamadas a sofrer não pelas suas culpas, mas pelas de todos. E quanto mais limpa sua alma estiver das culpas pessoais, mais se parecerá com a do Cordeiro de Deus. Ele, com sua força transformadora, se faz presente em toda pessoa que sofre, mas no inocente de maneira mais clara, mais imediata. Além de redimir com Cristo, os inocentes que sofrem são também intercessores e podem conseguir favores de Deus mais facilmente que outras pessoas. Com informações de Cleofas e padrepauloricardo.org. #FormaçõesCatólicas #Sacrifício #Sofrimento
- A agência de mídia católica austríaca lança cruzada de oração COVID-19
ROMA – Uma iniciativa de oração pan-europeia que espera ajudar a acabar com a pandemia do COVID-19 e trazer conversão e cura ao continente após dois anos de divisão e rancor teve um aumento de participação nas últimas semanas. Chamado de “ Europa reza ”, os organizadores estão pedindo a todos os cristãos que se reúnam em público para “orar pelo fim da pandemia de COVID, pela liberdade, pelo fim da polarização predominante e pela conversão dos corações”. Lançada pelo site de notícias católico austríaco Kath.net , a iniciativa também convida os cristãos a orar por seus políticos. “Este é um convite para todos”, diz Kath.net em seu site. “Vamos nos encontrar uma vez por semana em lugares públicos e orar, orar, orar.” Em particular, eles pedem aos católicos que recitem o Rosário e se juntem aos protestantes e ortodoxos para “ir às ruas e apenas rezar”. Os participantes são convidados a se registrar em EuropaBetet.jetzt . Um rosário foi recitado na noite de quarta-feira em uma igreja no centro de Viena e em 250 cidades da Áustria, enquanto em Roma um rosário foi rezado “pela Itália” na basílica de Santa Maria Maior. Cerca de 50 pessoas participaram e os participantes dizem que o número de participantes da iniciativa está crescendo. “Até onde eu sei, existem agora pelo menos 600-700 lugares nos países de língua alemã, onde as pessoas estão orando pelo menos uma vez por semana” , disse o diretor do Kath.net , Roland Noe, ao Register em 5 de janeiro. “Esperamos que, com nosso pequeno site, a ideia também esteja se espalhando para mais países da Europa.” A iniciativa ocorre quando muitos governos europeus intensificam os requisitos de vacinação, usando a variante omicron agora dominante como motivação. A variante, altamente contagiosa, é amplamente resistente a duas injeções de vacina . As vacinas também não previnem a transmissão e, portanto, uma terceira dose de reforço está sendo promovida por muitos governos europeus em um esforço para reduzir os casos. Mas o omicron também traz sintomas mais leves , bem como uma taxa de mortalidade muito menor do que a variante delta. Alguns especialistas em saúde acreditam que poderia fornecer uma imunidade coletiva há muito esperada. As autoridades de saúde, no entanto, pediram cautela e a variante, que ganhou destaque em dezembro, não impediu o governo austríaco de prosseguir com os mandatos de vacinas mais rígidos na Europa, anunciados pela primeira vez em novembro. Isso inclui multas de 3.600 euros (US$ 4.000) a partir de 15 de fevereiro para maiores de 14 anos que não foram vacinados. Os cidadãos serão rastreados para garantir o cumprimento em 15 de fevereiro, com verificações subsequentes a cada três meses, e multas adicionais se a pessoa ainda não estiver vacinada. Os austríacos não vacinados também foram trancados antes e durante o Natal com uma suspensão temporária de 31 de dezembro a janeiro. 1 durante o qual eles foram autorizados a participar de reuniões de não mais de 10 pessoas. As multas e os bloqueios para os não vacinados, agora estendidos até pelo menos 10 de janeiro, levaram a enormes protestos em toda a Áustria no período que antecedeu o Natal. Em muitos outros países europeus, como Itália, França, Suíça e Alemanha, apenas os vacinados ou aqueles que se recuperaram recentemente do COVID podem acessar locais não essenciais como hotéis, restaurantes e academias usando um passe (em 5 de janeiro de o governo italiano reforçou ainda mais as restrições , incluindo a obrigatoriedade de vacinas para pessoas com mais de 50 anos e vacinação ou testes para entrar em lojas, bancos, correios e cabeleireiros). Desde 23 de dezembro, funcionários e visitantes do Vaticano devem ser vacinados para entrar no território, usando o que ficou conhecido como “Super Green Pass” na Itália e na Santa Sé. Levantando a retórica Apesar das crescentes dúvidas sobre a eficácia das injeções e relatos de que o omicron sinaliza o fim da pandemia , os políticos também vêm aumentando sua retórica e ameaçando novas políticas discriminatórias contra os não vacinados. O presidente francês Emmanuel Macron causou protestos na quarta-feira quando disse em uma entrevista que os não vacinados “não eram mais cidadãos”, acrescentando: “Eu realmente quero irritá-los, e vamos continuar fazendo isso até o fim. . Essa é a estratégia. ” O primeiro-ministro britânico Boris Johnson também vem pressionando fortemente uma terceira vacinação, dizendo a repórteres em 4 de janeiro que um reforço seria necessário para viajar para outros países “ dentro de semanas ”. Além da Europa, o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau chocou muitos canadenses quando disse na semana passada que os não vacinados eram “muitas vezes misóginos e racistas” pessoas que “ocupam algum espaço”, e questionou se deveriam ser tolerados. A iniciativa de oração Kath.net começou em novembro depois que o reitor de Salzburgo, padre Ignaz Steinwender, criticou a exclusão de pessoas não vacinadas e pediu uma “grande oração do Rosário” para ser rezada diariamente. Em uma entrevista, ele criticou as medidas rígidas do governo, dizendo acreditar que elas eram “desproporcionais e contraproducentes”. “O homem de alguma forma perdeu de vista Deus e também o que torna uma pessoa piedosa”, disse ele. Ele observou muita “pressão e divisão, mesmo dentro das famílias” por causa de divergências sobre a vacinação contra o COVID-19 e disse que muitas vezes os fiéis pediram aos fiéis que dissessem a seus padres que chamassem os fiéis para a oração. “Então, hoje eu gostaria de responder a essa preocupação múltipla”, disse o padre Steiwender na entrevista. “Eu não sou Petrus Pavlicek [um franciscano austríaco do século 20 que fundou a Cruzada de Reparação do Santo Rosário pela Paz no Mundo], mas por causa da urgência eu gostaria de exceder minhas competências e fazer este apelo em toda a Áustria.” Áustria Pioneira em “Caminho Perigoso” O padre Steinwender disse acreditar que o governo austríaco foi escolhido para ser pioneiro nesse “caminho perigoso” de mandatos de vacinas e, portanto, queria fazer seu apelo para “rezar, rezar pela Áustria! Um Rosário todos os dias!” “Estou convencido de que cada Rosário é um dom para quem reza, para quem está ao seu redor e para a Áustria”, disse ele. “Deus fará tudo para o bem daqueles que o amam!” Noe disse que “dentro de dias” da publicação das observações do padre Steinwender, “a ideia se espalhou na Áustria, depois na Alemanha e na Suíça”. Noe acrescentou que a ideia de a Europa rezar pelo fim da emergência do COVID remonta ao início do surto. A iniciativa também tem conexões com Alexander Tschuggel, fundador do Instituto São Bonifácio , um think tank austríaco que defende a fé católica, que iniciou as procissões do Rosário há dois anos e meio. “O que quer que esteja acontecendo no mundo, seja aborto, ataques ao casamento ou essas restrições da coroa, se precisarmos lutar contra eles, precisamos da ajuda de Deus, e a única possibilidade é através do culto público com a ajuda de Nossa Senhora”. Tschuguel disse ao Register. Ele disse que essas reuniões públicas de oração cresceram exponencialmente nos últimos dois meses e se espalharam para outros países de língua não alemã, como França, Inglaterra e Espanha. Tschuguel disse que em breve divulgará detalhes de um grupo online para participantes de língua inglesa, que ele anunciará em sua página no Twitter . Fonte: National Catholic Register / 6 de janeiro de 2022
- SAINTE-BEUVE, UM CRÍTICO LITERÁRIO ESQUECIDO
Quem gosta de literatura não deve menosprezar os bons críticos literários do passado. Por exemplo, um Sainte-Beuve (1804-1869), o esquecido crítico francês do período romântico, de vasta obra, que tinha capacidade de ler e pensar por conta própria, sem as danosas metodologias de interpretação literária que hoje são moda nos cursos de Letras. Cultura, alguém já o disse, é tudo aquilo que fica, depois que se esquecem os autores e as obras lidas. Ou seja, é o sumo que permanece vivo na memória, sobre o qual vai trabalhar a inteligência e a vontade transformará em boas obras. O melhor método — o que praticou Sainte-Beuve — é ler bastante, com atenção e, depois, expressar-se com clareza sobre a obra lida, o que é sintoma de saúde mental e de boa educação, de respeito ao público. São as grandes lições do crítico francês, das quais o leitor brasileiro é obrigado a ficar distante, porque não o temos traduzido em nossa língua. Uma acusação que a crítica posterior sempre lhe faz é a de não ter compreendido seus contemporâneos (Baudelaire, Balzac, Stendhal e até Flaubert). Não é bem assim. Ele só não os aceitou irrestritamente. Como pequena amostra, leia-se o que escreveu sobre Flaubert e pode valer para os flaubertianos da “modernidade”, sobretudo os praticantes do chamado nouveau roman francês, que pretendia revelar a alma dos personagens indiretamente, pela enfadonha e minuciosa descrição do ambiente em que viviam: “Uma qualidade preciosa distingue o Sr. Gustavo Flaubert dos outros observadores mais ou menos exatos que, em nossos dias, se vangloriam de tomar consciência da realidade, o que às vezes conseguem. Flaubert tem estilo. Tem até um pouco demais, e sua pena se compraz em curiosidades e minúcias de descrição contínua que, às vezes, anulam o efeito total. Nele, as coisas ou figuras que foram feitas para ser olhadas, são um pouco apagadas ou niveladas pelo muito relevo que ele dá aos objetos circundantes.” Além de bom intérprete literário, Sainte-Beuve tinha erudição. Num pequeno trecho do ensaio “O que é um clássico?”, ensina as origens latinas da palavra clássico, no sentido em que o termo é utilizado em literatura e nas artes em geral: “Um clássico, conforme a definição ordinária, é um autor antigo, já consagrado pela admiração e que tem autoridade em seu gênero. A palavra clássico, tomada neste sentido, começa a aparecer entre os Romanos. Entre eles, chamava-se propriamente de clássico, não os cidadãos das diversas classes, mas somente os da primeira, que possuíam um bom rendimento, a partir de certa quantia determinada. Todos os que possuíam um rendimento inferior eram designados pela denominação infra classem , abaixo da primeira classe. No sentido figurado, a palavra clássico se encontra empregada em Aulus-Gelle [gramático latino do século II], e aplicada aos escritores: um escritor de valor e de importância, classicus assiduusque scriptor , um escritor que conta, que tem seu lugar ao sol, que não é confundido com os proletários. Uma tal expressão supõe um bom distanciamento temporal para que haja uma escolha e a classificação dentro da literatura.” Sainte-Beuve foi também historiador. Atesta-o sua monumental e controvertida obra Port-Royal , em vários volumes, sobre o célebre mosteiro francês (um dos palcos da heresia jansenista), que a Igreja colocou no Index assim que saíram os dois primeiros tomos.
- O UNGIDO – Scott Hahn medita sobre a Festa do Batismo do Senhor
A Liturgia revelou, na semana passada, o mistério dos planos de Deus: que, em Jesus, todos os povos, simbolizados pelos magos, foram feitos coerdeiros das bênçãos prometidas a Israel. Nesta semana, nos é mostrado como podemos reivindicar a nossa herança. Jesus não se submete ao batismo de João como pecador que precise de purificação. Ele humilha a Si mesmo, atravessando as águas do Jordão, a fim de comandar um novo “êxodo” — abrindo a terra prometida do Céu, para que todos os povos possam ouvir as palavras pronunciadas, hoje, sobre Ele. São palavras outrora reservadas apenas a Israel e a seu rei, mas agora extensivas a nós, pois cada um de nós é um filho ou filha amados de Deus (Gênesis 22, 2; Êxodo 4, 22; Salmos 2, 7). Jesus é o servo escolhido que Isaías profetiza na Primeira Leitura de hoje, ungido com o Espírito para realizar as coisas certas e justas, aqui na terra. Deus põe o Seu Espírito sobre Jesus para torná-lo “o centro da aliança do povo”, o libertador dos cativos, a luz das nações. Jesus, conforme a segunda leitura de hoje, é Aquele que há muito se esperava em Israel, ungido com o Espírito Santo e com poder. A palavra “messias” significa “ser ungido” com o Espírito de Deus. O rei Davi foi “o ungido do Deus de Jacó” (II Samuel 23, 1-17; Salmo 18, 51; 132, 10, 17). Os profetas ensinaram Israel a esperar um rebento real de Davi, sobre quem o Espírito repousaria (Isaías 11, 1-2; Daniel 9, 25). É por isso que as multidões estão tão ansiosas, no início do Evangelho de hoje. Mas não é por João que eles procuram. Deus confirma, com Sua própria voz, o que o anjo disse a Maria: Jesus é o Filho do Altíssimo, vindo para reclamar o trono de Davi para sempre (Lucas 1, 32-33). No Batismo que Ele traz, a voz de Deus pairará sobre as águas como chama de fogo, conforme cantamos no Salmo deste domingo. Ele santificou as águas, fazendo delas um caminho para a cura e a liberdade — fonte de um novo nascimento e a vida eterna. https://stpaulcenter.com/the-anointing-scott-hahn-reflects-on-the-feast-of-the-baptism-of-the-lord/
- A RESISTÊNCIA – Pe. Santiago Martín
Os pré-cismáticos alemães não desistem, mesmo no Natal. O bispo de Osnabrück, Monsenhor Bode, está convencido de que alcançarão os seus objetivos: ordenação das mulheres, sacerdócio para as pessoas casadas, aceitação das relações homossexuais, comunhão para os protestantes. Ele diz que estão se aproximando lenta, mas seguramente, desse objetivo. Eles têm o poder e o dinheiro e isso lhes dá confiança, confiança que é aumentada porque não há reação da autoridade competente aos ultrajes que cometem. São deixados à sua própria sorte e veem isto como uma aceitação implícita, como se “aquele que cala, consente”. Não desistem, nem diante das vozes críticas que, mesmo vindo de figuras liberais importantes, como o Cardeal Kasper, se levantam contra o seu projeto de uma Igreja Protestante-Católica. Mas estas vozes críticas existem, no entanto. Também são alemães e estão se organizando. Formaram uma espécie de “resistência” dentro da própria Igreja, cujos membros não estão dispostos a desistir. Prova disso é o Manifesto contra o Sínodo Alemão, que foi entregue ao Papa nesta semana. Tem o aval de quase seis mil personalidades e toma uma posição crítica contra a deriva protestante da maioria do Episcopado naquele país. Entre outras coisas, diz do Sínodo alemão que “abandona o caminho da unidade com a Igreja universal, prejudica a própria substância da fé da Igreja, e equivale a um cisma”. Há um setor do povo de Deus que está se movendo e organizando. A Alemanha é a gota que transborda de um copo muito cheio, e o Manifesto contra o Sínodo é a resposta de base à deriva dos seus pastores. Mas este não é o único caso. Cada vez mais se levantam vozes críticas, dos leigos e de alguns jovens padres, contra os excessos de todos os tipos que são tolerados ou mesmo encorajados na Igreja. A proibição da comunhão na boca, a proibição de participar na Missa sem ser vacinado, ou mesmo o fechamento de igrejas sem nem sequer o pedido das autoridades civis, têm incomodado um setor de católicos praticantes, que nada entendem de teologia, mas que se sentem prejudicados por estas disposições das autoridades eclesiásticas, onde quer que elas tenham ocorram. A esses católicos juntam-se, no seu mal-estar, aqueles que se sentiram maltratados pelas restrições à Missa tradicional, que veem, contudo, como todos os tipos de excessos são tolerados nas celebrações litúrgicas, incluindo a presença, nelas, de ritos pagãos. A resistência está crescendo e é alimentada por pessoas que estão insatisfeitas por várias razões. Podem ser minimizados, ignorados ou mesmo perseguidos; tenta-se silenciar a voz dos seus líderes, especialmente quando são padres ou bispos, mas nenhuma destas medidas irá funcionar. Pelo contrário, a repressão só servirá para aumentar a raiva daqueles que já estão insatisfeitos, e suscitarão simpatia por eles da parte daqueles que tinham dúvidas sobre os seus motivos. Precisamente agora, quando se fala tanto em sinodalidade e em ouvir o povo de Deus, é o momento em que somos mais surdos ao clamor que surge de uma parte desse povo, que quer ser fiel, mas não está disposto a tolerar abusos cometidos contra o Senhor na Eucaristia, no seu ensino ou na sua liturgia. Se os abusos continuarem a ser tolerados, a Igreja logo se encontrará numa encruzilhada, com dois cismas que ameaçam quebrar a sua unidade: por um lado, haverá quem queira acabar com todas as tradições, incluindo a doutrina; e, por outro, haverá quem já não sinta que esta Igreja, permissiva dos abusos da primeira, é a verdadeira Igreja de Cristo. Cada ruptura é uma tragédia, uma causa de dor, como a história nos ensinou. Tal como as guerras, tudo deve ser feito para as evitar. Mas aqueles que formam a resistência, na Igreja, compreenderam que há algo ainda pior: trair Cristo e permitir que a sua mensagem seja pervertida e a sua divindade negada, sem que se faça nada. Oremos pela unidade da Igreja. Para a única unidade possível: unidade em torno do Senhor, de Sua Palavra e de Sua Pessoa.
- A mão que batizou mais de 700 mil pessoas
Para os visitantes da Igreja de Gesù, a primeira igreja jesuíta de Roma, uma característica marcante é a capela dedicada a uma relíquia peculiar de São Francisco Xavier: sua mão. Para ser mais específico, é o antebraço direito e a mão direita. Mas por que, em meio a tantas relíquias para exibir, os jesuítas escolheram a mão de São Francisco Xavier? Depois de se juntar a Inácio de Loyola em sua nova ordem religiosa chamada Companhia de Jesus, Xavier foi encarregado de navegar para o leste. Ele saiu de Roma em 1540 e viajou para vários lugares da Ásia, como China e Japão. Aonde quer que fosse, Xavier recebia inúmeras almas, que nunca tinham ouvido falar de Jesus. Sem conhecer todos os idiomas, Xavier pregava o Evangelho com a ajuda de intérpretes. Os milagres da cura também o acompanharam nas viagens para as aldeias e isso o tornou uma figura muito popular. Ele estava sempre rodeado por multidões de almas que queriam ser curadas e salvas pelas águas do batismo. Os registros relatam que a mão de Xavier batizou mais de 700 mil almas. A frequência era tal que, de acordo com um relato que ele mais tarde deu, “às vezes, te tão cansado por administrar esse sacramento, era incapaz de mover o braço”. Depois que Xavier morreu em sua jornada missionária, os jesuítas levaram para Roma uma relíquia para a veneração dos fiéis. O superior geral na época escolheu o antebraço direito e a mão direita de Xavier, a mesma mão que batizou todos aqueles que foram até ele. Embora possa parecer estranho guardar esse tipo de relíquia, essa é uma forma de lembrar como cada um de nós é um instrumento de Deus. Podemos não receber o chamado para sermos missionários na Ásia, batizando milhares de almas. Mas Deus ainda usa nossas mãos para levar seu amor a outras pessoas. Pode ser um toque suave ou um abraço sincero, não importa. O certo é que somos o instrumento de Deus e nossas mãos podem levar sua presença para os outros. Fonte: Aleteia
- A mão que batizou mais de 700 mil pessoas
Para os visitantes da Igreja de Gesù, a primeira igreja jesuíta de Roma, uma característica marcante é a capela dedicada a uma relíquia peculiar de São Francisco Xavier: sua mão. Para ser mais específico, é o antebraço direito e a mão direita. Mas por que, em meio a tantas relíquias para exibir, os jesuítas escolheram a mão de São Francisco Xavier? Depois de se juntar a Inácio de Loyola em sua nova ordem religiosa chamada Companhia de Jesus, Xavier foi encarregado de navegar para o leste. Ele saiu de Roma em 1540 e viajou para vários lugares da Ásia, como China e Japão. Aonde quer que fosse, Xavier recebia inúmeras almas, que nunca tinham ouvido falar de Jesus. Sem conhecer todos os idiomas, Xavier pregava o Evangelho com a ajuda de intérpretes. Os milagres da cura também o acompanharam nas viagens para as aldeias e isso o tornou uma figura muito popular. Ele estava sempre rodeado por multidões de almas que queriam ser curadas e salvas pelas águas do batismo. Os registros relatam que a mão de Xavier batizou mais de 700 mil almas. A frequência era tal que, de acordo com um relato que ele mais tarde deu, “às vezes, te tão cansado por administrar esse sacramento, era incapaz de mover o braço”. Depois que Xavier morreu em sua jornada missionária, os jesuítas levaram para Roma uma relíquia para a veneração dos fiéis. O superior geral na época escolheu o antebraço direito e a mão direita de Xavier, a mesma mão que batizou todos aqueles que foram até ele. Embora possa parecer estranho guardar esse tipo de relíquia, essa é uma forma de lembrar como cada um de nós é um instrumento de Deus. Podemos não receber o chamado para sermos missionários na Ásia, batizando milhares de almas. Mas Deus ainda usa nossas mãos para levar seu amor a outras pessoas. Pode ser um toque suave ou um abraço sincero, não importa. O certo é que somos o instrumento de Deus e nossas mãos podem levar sua presença para os outros. Fonte: Aleteia
- São Raimundo Peñafort, presbítero – 7 de Janeiro
ANTO DO DIA – 07 DE JANEIRO – SÃO RAIMUNDO PEÑAFORT Presbítero (1175-1275) Diretor espiritual do rei, apóstolo das gentes, célebre canonista, professor, reformador dos costumes, protetor dos pobres, conciliador de litígios,não havia campo de apostolado ao qual ele não se lançasse. Alguns santos a Providência dá uma missão restrita, bem delimitada. Outros são chamados para acudir às necessidades gerais da Igreja, nos mais diversas campos de apostolado. Eles sustentam a causa de Deus em toda parte, são, por assim dizer, factótuns (faz-de-tudo) de Deus. Uma vocação universal Nessa perspectiva, a vida de São Raimundo se torna mais facilmente compreensível. Trata-se de um Santo com uma vocação universal. Chamado pela Providência para as missões mais diversas, ele, com uma versatilidade prodigiosa, “faz de tudo”, quase ao mesmo tempo. Nasceu em 1175, no castelo de Peñafort, na Catalunha, Espanha. Seus pais eram de nobre estirpe de cavaleiros. Ainda leigo, com a idade de 20 anos, já ensinava filosofia em sua cidade, mais com o intuito de formar os corações do que de instruir os espíritos. O tempo que lhe sobrava, empregava- o em socorrer os infelizes e conciliar divergências entre seus concidadãos. Aos 30 anos ingressou na Universidade de Bolonha, onde estudou Direito Canônico e Civil com tal êxito que não tardou em doutorar-se e passar de aluno a mestre. As qualidades e virtudes do piedoso doutor faziam dele um dos mais belos ornamentos da famosa Universidade. Em pouco tempo, sua reputação já alcançava países distantes. Em 1219, o Bispo de Barcelona, Dom Berenger, foi a Bolonha, com o objetivo de levar consigo Raimundo para sua diocese. Bem sabia o Prelado quanto este lhe seria valioso instrumento para reforma dos costumes, reafervoramento do povo e até mesmo do clero da Catalunha. O famoso professor, entretanto, não se mostrava disposto a abandonar seu campo de trabalho, onde podia fazer tanto bem para a salvação das almas. O Bispo, porém, sabia como tocar as cordas sensíveis do Santo. Após expor- lhe as prementes necessidades da Igreja em Barcelona, afirmou que ele tinha uma particular obrigação de atender primeiro seu país natal. Depois lhe mostrou o perigo de se afastar do caminho de Deus, ao qual ele ficaria mais exposto se seguisse apenas sua própria vontade. E encerrou com o seguinte argumento: em Bolonha, o brilho de sua reputação lhe atraía tão grandes aplausos que não poderia deixar de aumentar desmedidamente suas ocupações, com prejuízo da vida interior. Por fim, Raimundo se deixou persuadir e transferiu-se para Barcelona, dedicando-se de corpo e alma ao serviço do Altar. Modelo dos sacerdotes Nomeado cônego, e pouco depois arqui-diácono, logo tornou-se o modelo dos sacerdotes na igreja de Barcelona, tanto pela inocência de sua vida quanto pela regularidade e exatidão no cumprimento de todos os ministérios. Empenhou-se para que os atos litúrgicos fossem realizados com a maior dignidade e beleza. Autorizado pelo Bispo, promoveu pela primeira vez a celebração da festa da Assunção de Nossa Senhora, com ofício solene. Raimundo estava sempre pronto a socorrer os indigentes e auxiliar a todos quantos iam consultá-lo. Em pouco tempo fez-se amado e respeitado por todos. O exemplo de suas virtudes contribuiu mais para a reforma dos costumes que toda a autoridade da qual fora revestido pelo Bispo. Mas o desejo de levar uma vida mais perfeita, mais penitente e menos exposta aos olhos dos homens, cujos louvores temia, o impelia a procurar um estado de maior dedicação. Quando professor em Bolonha, testemunhara as grandes virtudes de São Domingos e os milagres que Deus realizava por meio desse Santo. Era grande admirador da vida angélica dos primeiros dominicanos estabelecidos em Barcelona. Dócil à voz de Deus que o chamava a ser como eles, recebeu o hábito religioso de São Domingos na Sexta-Feira Santa de 1222, na idade de 47 anos. Seu exemplo atraiu para a Ordem Dominicana vários personagens ilustres, como Pedro Ruber, Raimundo de Rosannes e outros piedosos eclesiásticos, cuja vocação e talento deram novo brilho à Ordem em toda a Catalunha. Homem de grande ciência Esse novo estado de vida foi para ele um acréscimo de fervor e uma escola de perfeição. As graças que recebia na oração aumentavam-lhe sempre o desejo de se mortificar e tornar-se útil no serviço da Igreja e do próximo. Os superiores valeram-se sabiamente de tais disposições para fazer frutificar suas qualidades. Tendo ele rogado que lhe impusessem uma severa penitência para expiar, segundo dizia, as vãs complacências que tivera ensinando no mundo, ordenaram-lhe que compusesse um compêndio dos casos de consciência, para facilitar a delicada missão dos confessores. Frei Raimundo executou esse trabalho com admirável exatidão, apresentando de forma ordenada os “casos de consciência” e dando a solução para cada um deles, com base nos ensinamentos das Sagradas Escrituras, nos cânones das leis eclesiásticas, na doutrina dos Padres da Igreja e nos decretos pontifícios. O Papa Clemente VIII fez grandes elogios a essa obra, afirmando ser ela igualmente útil aos penitentes e necessária aos confessores. Conhecedor da grande ciência de São Raimundo, o Papa Gregório IX chamou-o a Roma como Penitenciário Papal e lhe deu a incumbência de realizar um trabalho de proporções universais, a compilação da vasta legislação canônica então em vigor. Dela se desincumbiu o insigne canonista dominicano com o zelo e a competência de costume. Em 1234 apresentou ao Pontífice a obra concluída. Sob o título de Decretais, essa codificação vigorou na Igreja até 1918, quando foi publicado o primeiro Código de Direito Canônico. Insaciável zelo pelas almas Em 1238 foi eleito Superior Geral dos Dominicanos. Desejoso, porém, de dedicar-se por inteiro ao apostolado de conquista de almas para Jesus Cristo, pediu e obteve dispensa desse cargo. O zelo da salvação das almas o devorava. Seus pensamentos estavam voltados para fazer novas conquistas para a Igreja, sobretudo entre os infiéis. Com o objetivo de facilitar a conversão de judeus e muçulmanos, criou centros para o ensino de suas línguas e pediu a São Tomás de Aquino para escrever a Suma Contra Gentiles. Servindo-se deste poderoso instrumento de apostolado, o Santo pôs-se a campo, e os bons resultados não se fizeram esperar: em uma carta sua ao Superior Geral, datada de 1256, pode- se ler que obteve a conversão de mais de dez mil árabes na Espanha. Esse célebre canonista organizou também missões para a conversão dos judeus e dos muçulmanos. Não havia, por assim dizer, campo de apostolado ao qual não se lançasse: trabalhar sem esmorecimento para converter os pagãos, ou pelo menos impedir que corrompessem os cristãos; atrair os pecadores à penitência e reconciliá-los no tribunal do confessionário; instruir os fiéis pelo ministério da palavra; apoiar os bons, consolálos nos seus sofrimentos; obter para os pobres as esmolas e os auxílios dos ricos – nada era demasiado para o desejo de salvar almas, que nele crescia mais e mais. Navegando sobre um escapulário de lã São Raimundo é um dos mais esplendorosos exemplos de confirmação das palavras de Cristo: “Aquele que crê em Mim fará também as obras que Eu faço, e fará ainda maiores do que estas” (Jo 14,12). O Rei Jaime de Aragão era senhor da Ilha de Maiorca, localizada no mar Mediterrâneo a 360 quilômetros de Barcelona. Numa de suas viagens a essa ilha, convidou para acompanhá-lo Frei Raimundo, que na época exercia as funções de capelão da corte. Durante o percurso, o monarca – cujo procedimento moral muito deixava a desejar – tentou forçar a consciência do Santo, exigindo que ele complacentemente fizesse vistas grossas a esse mau proceder. O homem de Deus resistiu com vigor, chegando a ponto de pedir licença para descer do navio, em pleno mar, e retornar a Barcelona. O Rei negou autorização para essa “loucura” que para o Santo, entretanto, parecia coisa simples, uma vez que Jesus veio até seus discípulos “caminhando sobre as águas do mar” (Mt 14,25). Confiante em Deus, ele respondeu ao monarca: – Um rei da terra me fecha a passagem, mas o Rei do Céu há de me abrir caminho melhor; ou por outra, Ele próprio é meu caminho! Porém o Rei, à negativa de autorização, acrescentou uma ameaça de pena de morte, caso o Santo tentasse fugir. E ao desembarcar na ilha, Frei Raimundo notou que uma escolta armada havia sido incumbida de guardá-lo para impedir sua fuga. Após, com sua acolhedora bondade, conquistar a confiança dos guardas, manifestou-lhes o desejo de rezar andando pela praia. Eles consentiram. Afinal, pensavam, o que poderia fazer esse bom frade, desarmado, para escapar de nossa vigilância? Tal raciocínio, inteiramente válido para outros homens, revelou- se ilusório para o indomável Santo. Sob o olhar estupefato dos soldados, ele estendeu seu escapulário de lã sobre as águas do mar, e nele “embarcou”. Após agasalhar-se com parte de seu manto, içou a outra ponta ao seu bastão, constituindo uma vela. O resto… foi só invocar o santo nome de Maria, a Senhora dos ventos, de quem era fiel devoto. Um sopro suave, mas veloz, impulsionou o veleiro de Deus e em menos de seis horas ele chegava ao porto de Barcelona, vencendo milagrosamente a distância de 360 km que separam a Ilha de Maiorca dessa cidade espanhola. Era alta madrugada quando chegou a seu convento, onde a grande porta abriu-se por si mesma, como braços maternos a acolher um filho que há tempos não a transpunha. Ele dirigiu-se à sua cela conventual, onde até as paredes pareciam exultar de alegria. Ao amanhecer, com a despretensão característica dos santos, ele foi tomar a bênção do Superior e comunicar que sua missão na corte real estava cumprida. Do portentoso milagre, só muito depois os irmãos tomaram conhecimento, e por outras vias. E o Rei, como reagiu? Caindo em si, ante essa manifestação de um poder sem comparação maior que o seu, passou a seguir fielmente as advertências de Frei Raimundo, tanto no que dizia respeito à direção de sua consciência, quanto no que concernia ao governo do Reino. Cem anos de vida inocente Recolhido no convento de Barcelona, São Raimundo cuidou de preparar-se para sua última viagem. Com redobrado fervor, consagrava dias e noites à oração e à penitência. Chegou afinal o almejado e temido dia do encontro com Deus, 6 de janeiro de 1275. Justamente nesse dia, ele completava 100 anos de idade! Após receber os sacramentos da Igreja, sua grande alma retornou às mãos do Criador, tão inocente quanto delas havia saído. Antes de sua partida para a eternidade, os reis de Castela e Aragão o visitaram com suas respectivas cortes, para receber pela última vez sua bênção. São Raimundo foi canonizado em 1601, pelo Papa Clemente VIII. Em seu túmulo, operaram-se numerosos milagres, muitos dos quais são mencionados na bula de sua canonização. Sendo o dia 6 de janeiro dedicado à festa dos Reis Magos, a Igreja celebra no dia 7 a entrada gloriosa de sua alma no Céu. ****** São Raimundo e a Ordem dos Mercedários São Raimundo de Peñafort está também na origem da Ordem de Nossa Senhora das Mercês, cujas Constituições foram redigidas por ele. Seu fundador, São Pedro Nolasco, na idade de 25 anos, travou contato com ele em Barcelona e logo se pôs sob sua direção espiritual. Naquela época, milhares de cristãos eram aprisionados por piratas mouros no Mar Mediterrâneo ou nas regiões costeiras, e encerrados em sombrias masmorras ou vendidos como escravos nas cidades maometanas. O milagre das Cadeias de São Pedro, narrado nos Atos dos Apóstolos, serviu de inspiração para a fundação de uma ordem religiosa com o objetivo de resgatar esses infelizes cativos: “Pedro dormia entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Um anjo do Senhor resplandeceu no cárcere e, tocando-o, disse: Levanta-te, e segue-me. E as correntes caíram das suas mãos (…) Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo” (At 12, 6-10). Em homenagem a este milagre, a Igreja estabeleceu a festa das Cadeias de São Pedro, comemorada no dia 1º de agosto. Justamente nesta festa, no ano 1218, Nossa Senhora apareceu a São Pedro Nolasco e lhe disse ser do agrado de Deus a fundação de uma congregação com o título de Nossa Senhora das Mercês, para o resgate dos cativos cristãos. Ele foi logo comunicar o fato a São Raimundo, o qual declarou ter recebido a mesma graça da Mãe de Deus. Pouco depois, foram os dois tratar com o Rei Jaime sobre os meios para levar avante a fundação, e este lhes informou que também a ele a Santíssima Virgem havia aparecido, fazendo idêntica comunicação. Assim, graças a uma conjugação de fatores sobrenaturais, e ajudada pelo prestígio de São Raimundo, a Ordem de Nossa Senhora das Mercês se desenvolveu rapidamente, atraindo para suas fileiras numerosos fidalgos da França, Alemanha, Inglaterra e Hungria. (Antonio Queiroz; Revista Arautos do Evangelho, Jan/2005, n. 37, p. 34 à 37) Fonte: Arautos do Evangelho
- São Raimundo Peñafort, presbítero – 7 de Janeiro
ANTO DO DIA – 07 DE JANEIRO – SÃO RAIMUNDO PEÑAFORT Presbítero (1175-1275) Diretor espiritual do rei, apóstolo das gentes, célebre canonista, professor, reformador dos costumes, protetor dos pobres, conciliador de litígios,não havia campo de apostolado ao qual ele não se lançasse. Alguns santos a Providência dá uma missão restrita, bem delimitada. Outros são chamados para acudir às necessidades gerais da Igreja, nos mais diversas campos de apostolado. Eles sustentam a causa de Deus em toda parte, são, por assim dizer, factótuns (faz-de-tudo) de Deus. Uma vocação universal Nessa perspectiva, a vida de São Raimundo se torna mais facilmente compreensível. Trata-se de um Santo com uma vocação universal. Chamado pela Providência para as missões mais diversas, ele, com uma versatilidade prodigiosa, “faz de tudo”, quase ao mesmo tempo. Nasceu em 1175, no castelo de Peñafort, na Catalunha, Espanha. Seus pais eram de nobre estirpe de cavaleiros. Ainda leigo, com a idade de 20 anos, já ensinava filosofia em sua cidade, mais com o intuito de formar os corações do que de instruir os espíritos. O tempo que lhe sobrava, empregava- o em socorrer os infelizes e conciliar divergências entre seus concidadãos. Aos 30 anos ingressou na Universidade de Bolonha, onde estudou Direito Canônico e Civil com tal êxito que não tardou em doutorar-se e passar de aluno a mestre. As qualidades e virtudes do piedoso doutor faziam dele um dos mais belos ornamentos da famosa Universidade. Em pouco tempo, sua reputação já alcançava países distantes. Em 1219, o Bispo de Barcelona, Dom Berenger, foi a Bolonha, com o objetivo de levar consigo Raimundo para sua diocese. Bem sabia o Prelado quanto este lhe seria valioso instrumento para reforma dos costumes, reafervoramento do povo e até mesmo do clero da Catalunha. O famoso professor, entretanto, não se mostrava disposto a abandonar seu campo de trabalho, onde podia fazer tanto bem para a salvação das almas. O Bispo, porém, sabia como tocar as cordas sensíveis do Santo. Após expor- lhe as prementes necessidades da Igreja em Barcelona, afirmou que ele tinha uma particular obrigação de atender primeiro seu país natal. Depois lhe mostrou o perigo de se afastar do caminho de Deus, ao qual ele ficaria mais exposto se seguisse apenas sua própria vontade. E encerrou com o seguinte argumento: em Bolonha, o brilho de sua reputação lhe atraía tão grandes aplausos que não poderia deixar de aumentar desmedidamente suas ocupações, com prejuízo da vida interior. Por fim, Raimundo se deixou persuadir e transferiu-se para Barcelona, dedicando-se de corpo e alma ao serviço do Altar. Modelo dos sacerdotes Nomeado cônego, e pouco depois arqui-diácono, logo tornou-se o modelo dos sacerdotes na igreja de Barcelona, tanto pela inocência de sua vida quanto pela regularidade e exatidão no cumprimento de todos os ministérios. Empenhou-se para que os atos litúrgicos fossem realizados com a maior dignidade e beleza. Autorizado pelo Bispo, promoveu pela primeira vez a celebração da festa da Assunção de Nossa Senhora, com ofício solene. Raimundo estava sempre pronto a socorrer os indigentes e auxiliar a todos quantos iam consultá-lo. Em pouco tempo fez-se amado e respeitado por todos. O exemplo de suas virtudes contribuiu mais para a reforma dos costumes que toda a autoridade da qual fora revestido pelo Bispo. Mas o desejo de levar uma vida mais perfeita, mais penitente e menos exposta aos olhos dos homens, cujos louvores temia, o impelia a procurar um estado de maior dedicação. Quando professor em Bolonha, testemunhara as grandes virtudes de São Domingos e os milagres que Deus realizava por meio desse Santo. Era grande admirador da vida angélica dos primeiros dominicanos estabelecidos em Barcelona. Dócil à voz de Deus que o chamava a ser como eles, recebeu o hábito religioso de São Domingos na Sexta-Feira Santa de 1222, na idade de 47 anos. Seu exemplo atraiu para a Ordem Dominicana vários personagens ilustres, como Pedro Ruber, Raimundo de Rosannes e outros piedosos eclesiásticos, cuja vocação e talento deram novo brilho à Ordem em toda a Catalunha. Homem de grande ciência Esse novo estado de vida foi para ele um acréscimo de fervor e uma escola de perfeição. As graças que recebia na oração aumentavam-lhe sempre o desejo de se mortificar e tornar-se útil no serviço da Igreja e do próximo. Os superiores valeram-se sabiamente de tais disposições para fazer frutificar suas qualidades. Tendo ele rogado que lhe impusessem uma severa penitência para expiar, segundo dizia, as vãs complacências que tivera ensinando no mundo, ordenaram-lhe que compusesse um compêndio dos casos de consciência, para facilitar a delicada missão dos confessores. Frei Raimundo executou esse trabalho com admirável exatidão, apresentando de forma ordenada os “casos de consciência” e dando a solução para cada um deles, com base nos ensinamentos das Sagradas Escrituras, nos cânones das leis eclesiásticas, na doutrina dos Padres da Igreja e nos decretos pontifícios. O Papa Clemente VIII fez grandes elogios a essa obra, afirmando ser ela igualmente útil aos penitentes e necessária aos confessores. Conhecedor da grande ciência de São Raimundo, o Papa Gregório IX chamou-o a Roma como Penitenciário Papal e lhe deu a incumbência de realizar um trabalho de proporções universais, a compilação da vasta legislação canônica então em vigor. Dela se desincumbiu o insigne canonista dominicano com o zelo e a competência de costume. Em 1234 apresentou ao Pontífice a obra concluída. Sob o título de Decretais, essa codificação vigorou na Igreja até 1918, quando foi publicado o primeiro Código de Direito Canônico. Insaciável zelo pelas almas Em 1238 foi eleito Superior Geral dos Dominicanos. Desejoso, porém, de dedicar-se por inteiro ao apostolado de conquista de almas para Jesus Cristo, pediu e obteve dispensa desse cargo. O zelo da salvação das almas o devorava. Seus pensamentos estavam voltados para fazer novas conquistas para a Igreja, sobretudo entre os infiéis. Com o objetivo de facilitar a conversão de judeus e muçulmanos, criou centros para o ensino de suas línguas e pediu a São Tomás de Aquino para escrever a Suma Contra Gentiles. Servindo-se deste poderoso instrumento de apostolado, o Santo pôs-se a campo, e os bons resultados não se fizeram esperar: em uma carta sua ao Superior Geral, datada de 1256, pode- se ler que obteve a conversão de mais de dez mil árabes na Espanha. Esse célebre canonista organizou também missões para a conversão dos judeus e dos muçulmanos. Não havia, por assim dizer, campo de apostolado ao qual não se lançasse: trabalhar sem esmorecimento para converter os pagãos, ou pelo menos impedir que corrompessem os cristãos; atrair os pecadores à penitência e reconciliá-los no tribunal do confessionário; instruir os fiéis pelo ministério da palavra; apoiar os bons, consolálos nos seus sofrimentos; obter para os pobres as esmolas e os auxílios dos ricos – nada era demasiado para o desejo de salvar almas, que nele crescia mais e mais. Navegando sobre um escapulário de lã São Raimundo é um dos mais esplendorosos exemplos de confirmação das palavras de Cristo: “Aquele que crê em Mim fará também as obras que Eu faço, e fará ainda maiores do que estas” (Jo 14,12). O Rei Jaime de Aragão era senhor da Ilha de Maiorca, localizada no mar Mediterrâneo a 360 quilômetros de Barcelona. Numa de suas viagens a essa ilha, convidou para acompanhá-lo Frei Raimundo, que na época exercia as funções de capelão da corte. Durante o percurso, o monarca – cujo procedimento moral muito deixava a desejar – tentou forçar a consciência do Santo, exigindo que ele complacentemente fizesse vistas grossas a esse mau proceder. O homem de Deus resistiu com vigor, chegando a ponto de pedir licença para descer do navio, em pleno mar, e retornar a Barcelona. O Rei negou autorização para essa “loucura” que para o Santo, entretanto, parecia coisa simples, uma vez que Jesus veio até seus discípulos “caminhando sobre as águas do mar” (Mt 14,25). Confiante em Deus, ele respondeu ao monarca: – Um rei da terra me fecha a passagem, mas o Rei do Céu há de me abrir caminho melhor; ou por outra, Ele próprio é meu caminho! Porém o Rei, à negativa de autorização, acrescentou uma ameaça de pena de morte, caso o Santo tentasse fugir. E ao desembarcar na ilha, Frei Raimundo notou que uma escolta armada havia sido incumbida de guardá-lo para impedir sua fuga. Após, com sua acolhedora bondade, conquistar a confiança dos guardas, manifestou-lhes o desejo de rezar andando pela praia. Eles consentiram. Afinal, pensavam, o que poderia fazer esse bom frade, desarmado, para escapar de nossa vigilância? Tal raciocínio, inteiramente válido para outros homens, revelou- se ilusório para o indomável Santo. Sob o olhar estupefato dos soldados, ele estendeu seu escapulário de lã sobre as águas do mar, e nele “embarcou”. Após agasalhar-se com parte de seu manto, içou a outra ponta ao seu bastão, constituindo uma vela. O resto… foi só invocar o santo nome de Maria, a Senhora dos ventos, de quem era fiel devoto. Um sopro suave, mas veloz, impulsionou o veleiro de Deus e em menos de seis horas ele chegava ao porto de Barcelona, vencendo milagrosamente a distância de 360 km que separam a Ilha de Maiorca dessa cidade espanhola. Era alta madrugada quando chegou a seu convento, onde a grande porta abriu-se por si mesma, como braços maternos a acolher um filho que há tempos não a transpunha. Ele dirigiu-se à sua cela conventual, onde até as paredes pareciam exultar de alegria. Ao amanhecer, com a despretensão característica dos santos, ele foi tomar a bênção do Superior e comunicar que sua missão na corte real estava cumprida. Do portentoso milagre, só muito depois os irmãos tomaram conhecimento, e por outras vias. E o Rei, como reagiu? Caindo em si, ante essa manifestação de um poder sem comparação maior que o seu, passou a seguir fielmente as advertências de Frei Raimundo, tanto no que dizia respeito à direção de sua consciência, quanto no que concernia ao governo do Reino. Cem anos de vida inocente Recolhido no convento de Barcelona, São Raimundo cuidou de preparar-se para sua última viagem. Com redobrado fervor, consagrava dias e noites à oração e à penitência. Chegou afinal o almejado e temido dia do encontro com Deus, 6 de janeiro de 1275. Justamente nesse dia, ele completava 100 anos de idade! Após receber os sacramentos da Igreja, sua grande alma retornou às mãos do Criador, tão inocente quanto delas havia saído. Antes de sua partida para a eternidade, os reis de Castela e Aragão o visitaram com suas respectivas cortes, para receber pela última vez sua bênção. São Raimundo foi canonizado em 1601, pelo Papa Clemente VIII. Em seu túmulo, operaram-se numerosos milagres, muitos dos quais são mencionados na bula de sua canonização. Sendo o dia 6 de janeiro dedicado à festa dos Reis Magos, a Igreja celebra no dia 7 a entrada gloriosa de sua alma no Céu. ****** São Raimundo e a Ordem dos Mercedários São Raimundo de Peñafort está também na origem da Ordem de Nossa Senhora das Mercês, cujas Constituições foram redigidas por ele. Seu fundador, São Pedro Nolasco, na idade de 25 anos, travou contato com ele em Barcelona e logo se pôs sob sua direção espiritual. Naquela época, milhares de cristãos eram aprisionados por piratas mouros no Mar Mediterrâneo ou nas regiões costeiras, e encerrados em sombrias masmorras ou vendidos como escravos nas cidades maometanas. O milagre das Cadeias de São Pedro, narrado nos Atos dos Apóstolos, serviu de inspiração para a fundação de uma ordem religiosa com o objetivo de resgatar esses infelizes cativos: “Pedro dormia entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Um anjo do Senhor resplandeceu no cárcere e, tocando-o, disse: Levanta-te, e segue-me. E as correntes caíram das suas mãos (…) Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo” (At 12, 6-10). Em homenagem a este milagre, a Igreja estabeleceu a festa das Cadeias de São Pedro, comemorada no dia 1º de agosto. Justamente nesta festa, no ano 1218, Nossa Senhora apareceu a São Pedro Nolasco e lhe disse ser do agrado de Deus a fundação de uma congregação com o título de Nossa Senhora das Mercês, para o resgate dos cativos cristãos. Ele foi logo comunicar o fato a São Raimundo, o qual declarou ter recebido a mesma graça da Mãe de Deus. Pouco depois, foram os dois tratar com o Rei Jaime sobre os meios para levar avante a fundação, e este lhes informou que também a ele a Santíssima Virgem havia aparecido, fazendo idêntica comunicação. Assim, graças a uma conjugação de fatores sobrenaturais, e ajudada pelo prestígio de São Raimundo, a Ordem de Nossa Senhora das Mercês se desenvolveu rapidamente, atraindo para suas fileiras numerosos fidalgos da França, Alemanha, Inglaterra e Hungria. (Antonio Queiroz; Revista Arautos do Evangelho, Jan/2005, n. 37, p. 34 à 37) Fonte: Arautos do Evangelho
- A ÚNICA FONTE DA NOSSA ALEGRIA
O maior ensinamento do Evangelho é muito simples e, ao mesmo tempo, muito difícil: já que somos amados por Deus, a Quem não vemos, somos convidados a imitá-Lo amando o próximo, que vemos e podemos tocar. Enfim, juntar a teologia de Maria com a teologia de Marta, digamos assim. São, portanto, dois aspectos a considerar, obrigatoriamente: o amor de Deus por nós e o nosso amor pelos outros. Confesso que, neste tempo de Natal, fiquei pensando muito no primeiro aspecto, que é a razão de ser do segundo: o amor de Deus por nós, o amor de Deus por mim, criatura singular e irrepetível. Não que já não o soubesse. Sabia-o, e tive provas abundantes disto, em minha vida. Desta vez, porém, a consciência dessa realidade foi quase epifânica, como se fosse a primeira vez. Ser amado por outro ser humano é muito bom e faz tanto bem. Até o amor de um cachorrinho já é coisa boa, admitindo que seja amor o apego que os cães sentem por nós. Se o amor das criaturas é tão benéfico, o que pensar do amor de Deus por nós? Há, claro, uma diferença: o amor divino não o experimentamos sensorialmente. Não ouvimos de seus lábios que somos amados, como podemos ouvi-lo da namorada, da esposa, dos filhos. Sei que Ele me ama por um ato de fé da minha parte, pois fui por Ele criado, fui por Ele redimido, sou por Ele mantido no ser, e assim será por toda a eternidade. Seja como for, esse amor “indireto” existe, e é infinitamente maior que todos os demais, embora seja um mistério muito grande para ser plenamente apreendido por nossos cérebros de galináceos. Eu me saber amado pelo Deus onisciente, onipotente, onipresente, e que, sendo tudo isto, ainda veio ser minúsculo como eu e por mim morrer — lembrar-me disto foi, para mim, o maior presente deste Natal. Parece que uma boa forma de retribuir esse presente, é dizer às pessoas, que nos cercam, que elas também são objeto desse Amor, e que, se lhes faltar o amor das pessoas ou dos lulus, elas não perdem muita coisa, desde que creiam que são infinitamente amadas pelo Todo Poderoso. É certo que, em nossa época, retribuir com palavras esse dom inestimável de Deus é como falar com pedras. Ainda assim, é preciso continuar a dizer a nossa fé, dar as razões de nossa esperança, como dizia São Pedro, com os pobres meios que temos à disposição. Somos chamados a essa luta verbal, mesmo que seja uma luta sem resultados imediatos, uma luta vã, como dizia o agnóstico Drummond (“Lutar com palavras/ É a luta mais vã/. No entanto, lutamos/ Mal rompe a manhã.”). Numa época em que os católicos somos praticamente minoria, em que não faltam esforços de eliminar o caráter sagrado e transcendente do Natal, nunca foi tão urgente anunciar e propagar que somos amados pelo Autor da vida. Esta é a principal fonte da nossa alegria, o mais eficaz remédio contra a tristeza e a depressão: não permitir que a carne, o mundo e o demônio se interponham entre nós e o Criador, criando uma barreira que dificulte chegar às almas a irradiação do amor divino. Propus-me pessoalmente, neste Natal, abrir um parêntese de luz cristã em meio às trevas que nos cercam, deixando momentaneamente de lado fantasmas que nos assombram cotidianamente, como a “nova ordem mundial” (com tudo o que essa expressão implica), a islamização da nossa mãe Europa, o fortalecimento do comunismo na América Latina, o aumento da influência chinesa na política e na economia etc. Essa experiência com a luz sobrenatural — que, ao fim e ao cabo, é a única verdadeira — é a recarga anual necessária de nossas baterias espirituais, para que, ao longo do próximo ano, continuemos a suportar o assédio de tantos inimigos mortíferos, entre os quais é preciso acrescentar mais um, talvez o mais perigoso de todos por estar mais próximo: a nossa própria tendência ao mal. Essas férias de duas semanas na ilha da luz natalina, embora cercada de trevas por todos os lados, nos fazem lembrar do “único necessário”, do nosso fim último, que é a salvação das almas, as nossas e a de nossos inimigos. A feliz consumação do nosso destino é a plena comunhão com a Trindade, como ensinou Santo Tomás, e não a eliminação dos problemas deste mundo. É um imperativo cristão a luta contra o mal, contudo sem a presunção de que vamos construir aqui embaixo, no belo planetinha azul, uma utopia conservadora, a cristandade medieval plenamente restaurada e aperfeiçoada… Absolutamente, não. “Pobres sempre tereis entre vós”, disse certa vez Jesus. Mesmo que não faltem bons números em nossas contas bancárias, pobre sempre seremos: pobres da graça, pobres de virtudes, pobres de amor. Pobre será sempre este mundo efêmero, no sentido lato e metafísico da palavra: uma realidade sempre insuficiente, finita e sujeita à corrupção, que palmilhamos com nossos pés de barro. Portanto, sursum corda . Corações ao alto. Se a alegria será o estado definitivo do homem ressuscitado, é preciso ser alegre desde já.
- Mãe que recusou-se abortar seu filho concebido em estupro: “Ele é minha maior bênção”
“Um presente honroso e sincero de Deus: Isso é o que significa o nome do meu filho, que foi concebido em um estupro coletivo”, assim começa o duro testemunho de vida de Paula Peyton, palestrante e ativista pró-vida que hoje apoia mulheres que vivem em uma situação semelhante. Paula, natural de Memphis, Tennessee (Estados Unidos), foi concebida em um estupro em 1991 e é mãe de Caleb, um menino concebido em um estupro coletivo em 2017. Atualmente, ela atua como diretora executiva da Hope After Rape Conception, uma Organização sem fins lucrativos dedicada a ajudar mães que sofreram estupro e precisam de apoio para criar seus filhos. Paula contou sua história, em 5 de junho de 2020, em uma coluna publicada na plataforma pró-vida Live Action. “Sofri um trauma na noite em que foi concebido. Não há como negar a existência de um trauma depois que dois homens apontaram a arma para mim e me estupraram de todas as formas imagináveis. Honestamente, quando terminaram comigo, não sabia porque Deus tinha salvado a minha vida. Minha alma simplesmente se apagou e vivi em um perpétuo estado de luto”, narrou Paula sobre o terrível acontecimento que marcou a sua vida para sempre. A mulher disse que, naquele momento de dificuldade, um membro do clero da confissão evangélica que frequentava a pressionava “para tomar a pílula do dia seguinte”. “Naquele momento, eu não tinha certeza de como me sentia sobre o plano b, mas sabia o suficiente para entender que poderia evitar que uma pessoa humana única se implantasse no útero durante seu estágio embrionário. Por isso, decidi não aceitar e evitei as numerosas mensagens de texto e telefonemas do clero”, contou. Paula disse que após o evento traumático ela chorava o tempo todo “enquanto rezava e perguntava a Deus por que ele me permitiu sofrer essa tortura naquela noite”. “Senti-me desagradável, exausta, como se nunca pudesse voltar a estar completa, nunca voltaria a estar limpa, nunca experimentaria a alegria ou a sensação de ter um propósito novamente. E senti que não tinha razão para continuar vivendo”, afirmou. Mas reagiu “através de consultas médicas, dos testes e dos tratamentos proativos que recebi para DSTs, caso eu tivesse sido exposta a alguma coisa. Sofri os terríveis efeitos colaterais da profilaxia pós-exposição (PEP), com o objetivo de prevenir a transmissão do HIV. Comecei a avançar nessa nova existência anormal da qual não queria fazer parte”, disse. Em vez de usar a pílula do dia seguinte, Paula decidiu trocá-la na farmácia por um teste de gravidez. Em pouco tempo, o sinal de “grávida” apareceu na pequena tela digital. “Sorri. Sorri muito. Naquele momento, soube, sem dúvidas, que Deus havia me visto (…). Deus me deu a dor que eu sofri com um propósito. Isso me deu um motivo para viver. Deu-me o maior presente de amor e alegria que eu jamais poderia imaginar: a oportunidade de ser mãe de um bebê perfeito”. Depois deste acontecimento, a mãe disse que suas lutas não desapareceram, pois os membros da igreja à qual ela pertencia começaram a pressioná-la para abortar e outros pararam de falar com ela. Chegaram inclusive a marcar consultas em clínicas de aborto sem o seu consentimento. “Disseram-me diversas vezes que meu bebê era ‘malvado’, ‘uma semente de Satanás’, uma memória permanente do estupro’, ‘nem mesmo uma pessoa’, ‘desagradável’, ‘um erro’, ‘a razão pela qual o aborto existe’, e continuavam e continuavam. Essas foram as coisas mais amáveis que disseram. Não posso contar a quantidade de vezes que me disseram que não poderia amá-lo porque fui vítima de um estupro”, escreveu Paula. Em seu interior, a agora conferencista pensava: “A pessoa que eles estavam tentando convencer sobre a natureza intrinsecamente malvada do que chamavam ‘os bebês do estupro de Satanás’, havia sido concebida em um estupro, e não demonstrei nenhuma das características horríveis que me disseram que o meu filho teria”. Além disso, a partir desse problema, começou a sofrer um sangramento intenso devido a uma infecção causada pelo estupro. “Foi a experiência mais traumática: soluçar e implorar a Deus para poupar a vida do meu bebê, fortalecê-lo e ajudá-lo a suportar”, disse. Depois que ela foi diagnosticada com o tipo de infecção, Paula fez ciclos de tratamentos com antibióticos por várias semanas. “Chorei de medo até que o sangramento parou e, quando finalmente aconteceu, na 20ª semana, chorei lágrimas de ação de graças. Deus continuava protegendo meu bebê, e apenas uma semana depois, descobri que era um menino”, afirmou a mãe da família. “Quando as pessoas tentavam falar comigo sobre o aborto, dizia-lhes que Caleb e eu estávamos indo muito bem e que mal podia esperar para ver seu rosto, abraçá-lo e ser sua mãe. “Eu literalmente o chamei pelo nome durante semanas, e sempre que ia à igreja me diziam que ainda era possível ‘consertar isso’. Recebi ofertas de muitas pessoas, incluindo uma mulher rica. Todos queriam ‘me ajudar’ financiando uma viagem para fora do estado, para Novo México, para um aborto tardio”, disse Paula. Ela disse que “não importava que [a sua gravidez] estivesse muito além da idade da viabilidade”, que “não importava que ela deixasse claro desde o início que não queria abortar” e que “não importava que ela o amava com cada fibra do meu ser”, pois, para as pessoas que a rodeavam, o menino tinha sido “concebido em um estupro” e “isso significava que não era o suficientemente digno como para respirar nem mesmo um pouquinho de ar”. “Segundo este padrão, eu também não”, disse. No entanto, apesar do momento difícil, Paula se apegou a Deus e ao fato de que Ele não descarta as pessoas. Quando seu bebê nasceu, Paula disse que “era o bebê mais feliz que ela já tinha visto em sua vida”. “Continuou sendo o menino mais alegre. Com dois anos e meio, adora abraçar e beijar. Pega flores silvestres no jardim para mim e me pede para desenhar para as pessoas, porque diz que quer fazê-las felizes. Ele ama os bebês e quer ser um médico super-herói quando crescer”, contou a mãe do pequeno. “Caleb adora rezar e reza todos os dias para que as mães sejam amadas e para que os bebês em suas barrigas estejam seguros”, afirmou. Hoje, Paula olha para o filho e reza por aqueles que agora estão passando pela mesma “provação que nós vivemos”. “Os planos de Deus são sempre maiores, sempre melhores, sempre para nosso benefício”, disse. A mensagem final de Paula é que a história dela e a do filho “não é triste”, mas narra o amor ilimitado e redentor de Deus. “Nossa história não é triste. É verdade que está marcada por um trauma, mas não é triste. Nossa história fala do amor ilimitado e redentor de Deus, que me viu nas profundezas do meu desespero e me deu a maior bênção da minha vida: uma criança concebida em um estupro coletivo, uma criança que muitas pessoas consideravam descartável, uma criança que salvou a minha vida, uma criança que sempre foi meu presente sincero e honroso de Deus”, disse. Fonte: ACI Digital #Aborto
- Mãe que recusou-se abortar seu filho concebido em estupro: “Ele é minha maior bênção”
“Um presente honroso e sincero de Deus: Isso é o que significa o nome do meu filho, que foi concebido em um estupro coletivo”, assim começa o duro testemunho de vida de Paula Peyton, palestrante e ativista pró-vida que hoje apoia mulheres que vivem em uma situação semelhante. Paula, natural de Memphis, Tennessee (Estados Unidos), foi concebida em um estupro em 1991 e é mãe de Caleb, um menino concebido em um estupro coletivo em 2017. Atualmente, ela atua como diretora executiva da Hope After Rape Conception, uma Organização sem fins lucrativos dedicada a ajudar mães que sofreram estupro e precisam de apoio para criar seus filhos. Paula contou sua história, em 5 de junho de 2020, em uma coluna publicada na plataforma pró-vida Live Action. “Sofri um trauma na noite em que foi concebido. Não há como negar a existência de um trauma depois que dois homens apontaram a arma para mim e me estupraram de todas as formas imagináveis. Honestamente, quando terminaram comigo, não sabia porque Deus tinha salvado a minha vida. Minha alma simplesmente se apagou e vivi em um perpétuo estado de luto”, narrou Paula sobre o terrível acontecimento que marcou a sua vida para sempre. A mulher disse que, naquele momento de dificuldade, um membro do clero da confissão evangélica que frequentava a pressionava “para tomar a pílula do dia seguinte”. “Naquele momento, eu não tinha certeza de como me sentia sobre o plano b, mas sabia o suficiente para entender que poderia evitar que uma pessoa humana única se implantasse no útero durante seu estágio embrionário. Por isso, decidi não aceitar e evitei as numerosas mensagens de texto e telefonemas do clero”, contou. Paula disse que após o evento traumático ela chorava o tempo todo “enquanto rezava e perguntava a Deus por que ele me permitiu sofrer essa tortura naquela noite”. “Senti-me desagradável, exausta, como se nunca pudesse voltar a estar completa, nunca voltaria a estar limpa, nunca experimentaria a alegria ou a sensação de ter um propósito novamente. E senti que não tinha razão para continuar vivendo”, afirmou. Mas reagiu “através de consultas médicas, dos testes e dos tratamentos proativos que recebi para DSTs, caso eu tivesse sido exposta a alguma coisa. Sofri os terríveis efeitos colaterais da profilaxia pós-exposição (PEP), com o objetivo de prevenir a transmissão do HIV. Comecei a avançar nessa nova existência anormal da qual não queria fazer parte”, disse. Em vez de usar a pílula do dia seguinte, Paula decidiu trocá-la na farmácia por um teste de gravidez. Em pouco tempo, o sinal de “grávida” apareceu na pequena tela digital. “Sorri. Sorri muito. Naquele momento, soube, sem dúvidas, que Deus havia me visto (…). Deus me deu a dor que eu sofri com um propósito. Isso me deu um motivo para viver. Deu-me o maior presente de amor e alegria que eu jamais poderia imaginar: a oportunidade de ser mãe de um bebê perfeito”. Depois deste acontecimento, a mãe disse que suas lutas não desapareceram, pois os membros da igreja à qual ela pertencia começaram a pressioná-la para abortar e outros pararam de falar com ela. Chegaram inclusive a marcar consultas em clínicas de aborto sem o seu consentimento. “Disseram-me diversas vezes que meu bebê era ‘malvado’, ‘uma semente de Satanás’, uma memória permanente do estupro’, ‘nem mesmo uma pessoa’, ‘desagradável’, ‘um erro’, ‘a razão pela qual o aborto existe’, e continuavam e continuavam. Essas foram as coisas mais amáveis que disseram. Não posso contar a quantidade de vezes que me disseram que não poderia amá-lo porque fui vítima de um estupro”, escreveu Paula. Em seu interior, a agora conferencista pensava: “A pessoa que eles estavam tentando convencer sobre a natureza intrinsecamente malvada do que chamavam ‘os bebês do estupro de Satanás’, havia sido concebida em um estupro, e não demonstrei nenhuma das características horríveis que me disseram que o meu filho teria”. Além disso, a partir desse problema, começou a sofrer um sangramento intenso devido a uma infecção causada pelo estupro. “Foi a experiência mais traumática: soluçar e implorar a Deus para poupar a vida do meu bebê, fortalecê-lo e ajudá-lo a suportar”, disse. Depois que ela foi diagnosticada com o tipo de infecção, Paula fez ciclos de tratamentos com antibióticos por várias semanas. “Chorei de medo até que o sangramento parou e, quando finalmente aconteceu, na 20ª semana, chorei lágrimas de ação de graças. Deus continuava protegendo meu bebê, e apenas uma semana depois, descobri que era um menino”, afirmou a mãe da família. “Quando as pessoas tentavam falar comigo sobre o aborto, dizia-lhes que Caleb e eu estávamos indo muito bem e que mal podia esperar para ver seu rosto, abraçá-lo e ser sua mãe. “Eu literalmente o chamei pelo nome durante semanas, e sempre que ia à igreja me diziam que ainda era possível ‘consertar isso’. Recebi ofertas de muitas pessoas, incluindo uma mulher rica. Todos queriam ‘me ajudar’ financiando uma viagem para fora do estado, para Novo México, para um aborto tardio”, disse Paula. Ela disse que “não importava que [a sua gravidez] estivesse muito além da idade da viabilidade”, que “não importava que ela deixasse claro desde o início que não queria abortar” e que “não importava que ela o amava com cada fibra do meu ser”, pois, para as pessoas que a rodeavam, o menino tinha sido “concebido em um estupro” e “isso significava que não era o suficientemente digno como para respirar nem mesmo um pouquinho de ar”. “Segundo este padrão, eu também não”, disse. No entanto, apesar do momento difícil, Paula se apegou a Deus e ao fato de que Ele não descarta as pessoas. Quando seu bebê nasceu, Paula disse que “era o bebê mais feliz que ela já tinha visto em sua vida”. “Continuou sendo o menino mais alegre. Com dois anos e meio, adora abraçar e beijar. Pega flores silvestres no jardim para mim e me pede para desenhar para as pessoas, porque diz que quer fazê-las felizes. Ele ama os bebês e quer ser um médico super-herói quando crescer”, contou a mãe do pequeno. “Caleb adora rezar e reza todos os dias para que as mães sejam amadas e para que os bebês em suas barrigas estejam seguros”, afirmou. Hoje, Paula olha para o filho e reza por aqueles que agora estão passando pela mesma “provação que nós vivemos”. “Os planos de Deus são sempre maiores, sempre melhores, sempre para nosso benefício”, disse. A mensagem final de Paula é que a história dela e a do filho “não é triste”, mas narra o amor ilimitado e redentor de Deus. “Nossa história não é triste. É verdade que está marcada por um trauma, mas não é triste. Nossa história fala do amor ilimitado e redentor de Deus, que me viu nas profundezas do meu desespero e me deu a maior bênção da minha vida: uma criança concebida em um estupro coletivo, uma criança que muitas pessoas consideravam descartável, uma criança que salvou a minha vida, uma criança que sempre foi meu presente sincero e honroso de Deus”, disse. Fonte: ACI Digital #Aborto
- Por que desmontamos as decorações de Natal no dia 6 de janeiro?
“Depois que passam as festividades de fim de ano, fica a dúvida: quando é a hora de desmontar a árvore de Natal e guardar as outras decorações natalinas? A tradição católica tem a resposta: 6 de janeiro, data em que se celebra a Epifania do Senhor , também conhecida como Dia de Reis. O dia simbólico lembra a ocasião em que os reis magos levaram presentes ao menino Jesus, felicitando e revelando seu nascimento para o restante do mundo. “A palavra epifania vem do grego e quer dizer manifestação. O Dia de Reis celebra o encontro de Jesus com os magos, que eram pagãos. Isso demonstra a universalidade da vinda de Jesus, que é para todos, e não só para os judeus”, explica o Frei Angelo Vanazzi, vigário da Paróquia São Francisco de Assis, de Chopinzinho, no interior do Paraná. “Essa atitude dos magos mostra dignidade. Esses reis eram símbolo de pessoas que não tinham grandes poderes, mas tiveram esse discernimento”. Segunda a tradição católica, o dia certo para desmontar a árvore é no Dia de Reis, celebrado em 6 de janeiro. Esse dia costumava encerrar as festividades de Natal no tempo litúrgico da Igreja Católica, e a tradição se manteve como o dia de desmontar as decorações de fim de ano. Atualmente, o dia que marca o encerramento das celebrações natalinas na igreja é o Batismo de Jesus, que em 2020 cai em 12 de janeiro. E, se a tradição conta que os reis seguiram a estrela guia e encontraram o menino Jesus na noite de seu nascimento, por que a data é celebrada 12 dias depois do Natal? “Essas são informações simbólicas, e não históricas”, explica Frei Adriano Freixo, vigário da Paróquia Bom Jesus dos Perdões, no Centro de Curitiba. “Os reis não chegam na noite de Natal. É provável que [tenham chegado] quase dois anos depois”.
- Por que desmontamos as decorações de Natal no dia 6 de janeiro?
“Depois que passam as festividades de fim de ano, fica a dúvida: quando é a hora de desmontar a árvore de Natal e guardar as outras decorações natalinas? A tradição católica tem a resposta: 6 de janeiro, data em que se celebra a Epifania do Senhor , também conhecida como Dia de Reis. O dia simbólico lembra a ocasião em que os reis magos levaram presentes ao menino Jesus, felicitando e revelando seu nascimento para o restante do mundo. “A palavra epifania vem do grego e quer dizer manifestação. O Dia de Reis celebra o encontro de Jesus com os magos, que eram pagãos. Isso demonstra a universalidade da vinda de Jesus, que é para todos, e não só para os judeus”, explica o Frei Angelo Vanazzi, vigário da Paróquia São Francisco de Assis, de Chopinzinho, no interior do Paraná. “Essa atitude dos magos mostra dignidade. Esses reis eram símbolo de pessoas que não tinham grandes poderes, mas tiveram esse discernimento”. Segunda a tradição católica, o dia certo para desmontar a árvore é no Dia de Reis, celebrado em 6 de janeiro. Esse dia costumava encerrar as festividades de Natal no tempo litúrgico da Igreja Católica, e a tradição se manteve como o dia de desmontar as decorações de fim de ano. Atualmente, o dia que marca o encerramento das celebrações natalinas na igreja é o Batismo de Jesus, que em 2020 cai em 12 de janeiro. E, se a tradição conta que os reis seguiram a estrela guia e encontraram o menino Jesus na noite de seu nascimento, por que a data é celebrada 12 dias depois do Natal? “Essas são informações simbólicas, e não históricas”, explica Frei Adriano Freixo, vigário da Paróquia Bom Jesus dos Perdões, no Centro de Curitiba. “Os reis não chegam na noite de Natal. É provável que [tenham chegado] quase dois anos depois”.
- A MÃE – Giuseppe Ungaretti
[O grande poeta italiano Giuseppe Ungaretti (1888-1970) retornou à fé católica em 1928. Pouco depois, perdeu a mãe. E, então, escreveu esse belo poema, na esperança de que ela, junto de Deus, intercederia por ele]. E quando o coração, depois da última batida, Terá feito cair por terra a parede de sombras, Como antes me darás tua mão, ó Mãe, Para me conduzir até o Senhor. Ajoelhada e decidida, Serás uma estátua diante do Eterno, Do mesmo modo como eu te via Quando ainda estavas viva. Erguerás trêmula os teus velhos braços, Como quando expiraste Dizendo: “Meu Deus, aqui estou eu.” E só quando eu for perdoado, Haverás de querer me olhar de novo. Recordarás o quanto esperaste por mim, E teus olhos darão um rápido suspiro. * LA MADRE E il cuore quando d’un ultimo battito Avrà fatto cadere il muro d’ombra, Per condurmi, Madre, sino al Signore, Come una volta mi darai la mano. In ginocchio, decisa, Sarai una statua davanti all’Eterno, Come già ti vedeva Quando eri ancora in vita. Alzerai tremante le vecchie braccia, Come quando spirasti Dicendo: Mio Dio, eccomi. E solo quando m’avrà perdonato, Ti verrà desiderio di guardarmi. Ricorderai d’avermi atteso tanto, E avrai negli occhi un rapido sospiro. (Giuseppe Ungaretti. Vita d’un uomo. Tutte le poesie . Milano, Mondadori, 1969).
- Qual a importância da beleza na Liturgia?
Existe hoje em dia uma estranha tendência a pensar que, tanto na vida quanto nos ritos religiosos, o aspecto exterior das coisas tem pouco valor, enquanto o “interior” é tudo o que realmente importa… Mas será assim mesmo? Existe hoje em dia uma estranha tendência a pensar que o aspecto exterior das coisas tem pouco valor, enquanto o “interior” é tudo o que realmente importa. Por exemplo, desde que você seja uma pessoa “de bom coração”, tanto faz a sua aparência, como você se veste ou fala, de que tipo de música gosta ou (para irmos ainda mais longe) a religião que você professa. Há nisso uma pontinha de verdade: a altura, o peso e a cor da pele não são, de fato, qualidades morais; pecadores e santos os há de todas as colorações, formatos e tamanhos. O problema é que vira e mexe nos esquecemos de como o exterior brota do interior e pode, muitas vezes, revelar o que se esconde no coração. Uma pessoa boa irá vestir-se com modéstia, falará respeitosamente e apreciará um estilo de música que enobreça o caráter, ao invés de degradá-lo — e tudo isso por causa das disposições interiores do coração, ocultas a olhos humanos, mas descobertas aos de Deus. A religião, embora se manifeste, é claro, com palavras e gestos, está enraizada no mais íntimo da alma e expressa, exteriormente, quais são os valores e as prioridades de quem a professa. O conhecido filósofo inglês Roger Scruton diz a esse propósito: É bem verdade o que, em tom de gracejo, dizia Oscar Wilde: só quem é superficial não julga pelas aparências. Pois são estas, com efeito, que transmitem sentido e constituem o núcleo de nossas preocupações emocionais. Quando deparo com um rosto humano, essa experiência não dá origem a um estudo anatômico, nem a beleza do que vejo leva-me a pensar sobre os tendões, nervos e ossos que, em alguma medida, estruturam aquela face. Pelo contrário, deter-se no “crânio que está sob a pele” é ver tão-somente o corpo, e não a pessoa que por ele se expressa. E isso, portanto, é perder de vista a beleza do rosto. Nossos antepassados da Idade Média, por conseguinte, jamais diriam — e com toda coerência — que “pela capa não se julga o livro”. Prova disso é que eles investiram montanhas de dinheiro na produção de ricos Evangeliários, com pesados feixes de ouro, cravejados de pedras preciosas, para que ficasse patente que aquele livro encerrava a Palavra de Deus e merecia, por isso mesmo, a nossa mais profunda veneração. Ao longo dos séculos, os cristãos ofereceram a Deus o melhor que podiam fazer na liturgia. Também a sagrada liturgia contém a Palavra de Deus; e não só isso: a Missa, por incrível que pareça, contém o próprio Deus, o Verbo feito carne. Eis porque seria totalmente inadequado ao conteúdo mais profundo da liturgia que os ritos externos fossem tudo menos gloriosos, imponentes, belos, solenes, reverentes. Deveríamos poder julgar este “livro” por sua capa resplandecente, quer dizer, a Missa pela sua aparência, por seus aspectos musical, textual e cerimonial; deveríamos ser capazes de enxergar-lhe o coração em cada uma de suas ações. Não podemos “perder de vista a beleza do rosto”. Insiste-se muito atualmente em que não temos de dar lá grande atenção às “exterioridades” da Missa; basta lembrar que “Jesus está presente”. Tiremos logo as papas da língua: “isso não cola”. Ao longo dos séculos, os cristãos ofereceram a Deus o melhor que podiam fazer na liturgia, sobretudo pela beleza alcançável pelas mais finas artes, a fim de que as almas dos fiéis pudessem dispor-se melhor para adorar e glorificar o Senhor. É nesse sentido que Santo Tomás de Aquino escreve que a liturgia não é para Deus, mas para nós. É claro que ela tem a Deus por fim; a liturgia sequer teria sentido se Deus não existisse e Cristo não fosse o Redentor por cujo sacrifício fomos salvos. Mas a liturgia nada acrescenta a Deus e a Cristo, como se os fizesse “melhores”; eles já são infinitamente bons, santos e gloriosos. Na verdade, ela é um auxílio para nós, que oferecemos a Deus um sacrifício de louvor, na medida em que orienta nossas almas a Ele, nosso fim último, e alimenta nosso espírito com a verdade de sua presença e nossos corações com o fogo do seu amor. Turíbulo. Tudo isso se cumpre do modo mais perfeito numa liturgia que impressiona pelo cuidado com o altar e os vasos sagrados, pela nobreza dos gestos e das alfaias, pelo canto e as cerimônias. Ou seja, numa liturgia que, do início ao fim, manifesta profundamente a proximidade e a transcendência de Deus. Uma liturgia assim, celebrada com sacralidade, dificilmente servirá a fins e propósitos seculares, mas inspirará em quem a ela assistir respeito, encanto e espírito de oração. Numa palavra, o homem, enquanto criatura intelectual e corpórea, tirará muito menos proveito de uma liturgia quer excessivamente “verbal e cerebral” quer superficialmente “pomposa” do que de uma liturgia que, além de rica em textos e cerimônias, esteja embebida de simbolismo. Eis o que são todas as liturgias cristãs históricas; eis o que não é, infelizmente, boa parte das liturgias católicas atuais. Uma grata exceção a essa regra seria o crescente número de lugares em que se tem oferecido o rito romano tradicional, chamado também “forma extraordinária” da Missa. É um rito saturado de sacralidade que, por assim dizer, quase nos “obriga” a rezar, a mergulhar de cabeça nos mistérios de Cristo através dos gestos externos, à semelhança dos discípulos de Emaús, que reconheceram o Senhor durante a fração do pão (cf. Lc 24, 35). O rito litúrgico é como o pão milagrosamente multiplicado e dividido ao redor do mundo, oferecido na mesa dos reis e pobres que buscam um alimento imperecível. Quando partimos esse pão ao participar do rito, abrem-se-nos os olhos para reconhecer Cristo ressuscitado. “Quando a religião e a arte se divorciam, é difícil saber qual das duas se corrompeu primeiro.” Matthew Schmitz notou o seguinte: Assusta pensar que os líderes de uma fé ritualística tenham pensado ser possível deixar de lado as formas tradicionais de oração. Entre os poucos que viram a insensatez de um tal projeto, contavam-se muitos artistas, atentos como que por natureza ao que, embora pareça superficial, é no fundo imprescindível. O escritor Nicholas Dávila disse mais ou menos o mesmo: “Quando a religião e a arte se divorciam, é difícil saber qual das duas se corrompeu primeiro”. É por todos esses motivos que a liturgia não só pode como deve ser julgada “pela capa”, pela aparência — pois, como diz Aristóteles, a aparência da coisa aponta para a natureza e substância dela. A Igreja Católica deve cuidar não só do real, mas também das aparências. O ser humano chega ao conhecimento da verdade por meio dos sentidos; ele não pode formar conceitos sem imagens. Em matéria de religião, no encontro com o Deus encarnado nos mistérios de sua vida, morte e ressurreição, nossos sentidos, nossa memória, nossa imaginação e emoções desempenham um papel tão importante quanto nossa inteligência e vontade. Peter Kwasniewski | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere #Liturgia
- Qual a importância da beleza na Liturgia?
Existe hoje em dia uma estranha tendência a pensar que, tanto na vida quanto nos ritos religiosos, o aspecto exterior das coisas tem pouco valor, enquanto o “interior” é tudo o que realmente importa… Mas será assim mesmo? Existe hoje em dia uma estranha tendência a pensar que o aspecto exterior das coisas tem pouco valor, enquanto o “interior” é tudo o que realmente importa. Por exemplo, desde que você seja uma pessoa “de bom coração”, tanto faz a sua aparência, como você se veste ou fala, de que tipo de música gosta ou (para irmos ainda mais longe) a religião que você professa. Há nisso uma pontinha de verdade: a altura, o peso e a cor da pele não são, de fato, qualidades morais; pecadores e santos os há de todas as colorações, formatos e tamanhos. O problema é que vira e mexe nos esquecemos de como o exterior brota do interior e pode, muitas vezes, revelar o que se esconde no coração. Uma pessoa boa irá vestir-se com modéstia, falará respeitosamente e apreciará um estilo de música que enobreça o caráter, ao invés de degradá-lo — e tudo isso por causa das disposições interiores do coração, ocultas a olhos humanos, mas descobertas aos de Deus. A religião, embora se manifeste, é claro, com palavras e gestos, está enraizada no mais íntimo da alma e expressa, exteriormente, quais são os valores e as prioridades de quem a professa. O conhecido filósofo inglês Roger Scruton diz a esse propósito: É bem verdade o que, em tom de gracejo, dizia Oscar Wilde: só quem é superficial não julga pelas aparências. Pois são estas, com efeito, que transmitem sentido e constituem o núcleo de nossas preocupações emocionais. Quando deparo com um rosto humano, essa experiência não dá origem a um estudo anatômico, nem a beleza do que vejo leva-me a pensar sobre os tendões, nervos e ossos que, em alguma medida, estruturam aquela face. Pelo contrário, deter-se no “crânio que está sob a pele” é ver tão-somente o corpo, e não a pessoa que por ele se expressa. E isso, portanto, é perder de vista a beleza do rosto. Nossos antepassados da Idade Média, por conseguinte, jamais diriam — e com toda coerência — que “pela capa não se julga o livro”. Prova disso é que eles investiram montanhas de dinheiro na produção de ricos Evangeliários, com pesados feixes de ouro, cravejados de pedras preciosas, para que ficasse patente que aquele livro encerrava a Palavra de Deus e merecia, por isso mesmo, a nossa mais profunda veneração. Ao longo dos séculos, os cristãos ofereceram a Deus o melhor que podiam fazer na liturgia. Também a sagrada liturgia contém a Palavra de Deus; e não só isso: a Missa, por incrível que pareça, contém o próprio Deus, o Verbo feito carne. Eis porque seria totalmente inadequado ao conteúdo mais profundo da liturgia que os ritos externos fossem tudo menos gloriosos, imponentes, belos, solenes, reverentes. Deveríamos poder julgar este “livro” por sua capa resplandecente, quer dizer, a Missa pela sua aparência, por seus aspectos musical, textual e cerimonial; deveríamos ser capazes de enxergar-lhe o coração em cada uma de suas ações. Não podemos “perder de vista a beleza do rosto”. Insiste-se muito atualmente em que não temos de dar lá grande atenção às “exterioridades” da Missa; basta lembrar que “Jesus está presente”. Tiremos logo as papas da língua: “isso não cola”. Ao longo dos séculos, os cristãos ofereceram a Deus o melhor que podiam fazer na liturgia, sobretudo pela beleza alcançável pelas mais finas artes, a fim de que as almas dos fiéis pudessem dispor-se melhor para adorar e glorificar o Senhor. É nesse sentido que Santo Tomás de Aquino escreve que a liturgia não é para Deus, mas para nós. É claro que ela tem a Deus por fim; a liturgia sequer teria sentido se Deus não existisse e Cristo não fosse o Redentor por cujo sacrifício fomos salvos. Mas a liturgia nada acrescenta a Deus e a Cristo, como se os fizesse “melhores”; eles já são infinitamente bons, santos e gloriosos. Na verdade, ela é um auxílio para nós, que oferecemos a Deus um sacrifício de louvor, na medida em que orienta nossas almas a Ele, nosso fim último, e alimenta nosso espírito com a verdade de sua presença e nossos corações com o fogo do seu amor. Turíbulo. Tudo isso se cumpre do modo mais perfeito numa liturgia que impressiona pelo cuidado com o altar e os vasos sagrados, pela nobreza dos gestos e das alfaias, pelo canto e as cerimônias. Ou seja, numa liturgia que, do início ao fim, manifesta profundamente a proximidade e a transcendência de Deus. Uma liturgia assim, celebrada com sacralidade, dificilmente servirá a fins e propósitos seculares, mas inspirará em quem a ela assistir respeito, encanto e espírito de oração. Numa palavra, o homem, enquanto criatura intelectual e corpórea, tirará muito menos proveito de uma liturgia quer excessivamente “verbal e cerebral” quer superficialmente “pomposa” do que de uma liturgia que, além de rica em textos e cerimônias, esteja embebida de simbolismo. Eis o que são todas as liturgias cristãs históricas; eis o que não é, infelizmente, boa parte das liturgias católicas atuais. Uma grata exceção a essa regra seria o crescente número de lugares em que se tem oferecido o rito romano tradicional, chamado também “forma extraordinária” da Missa. É um rito saturado de sacralidade que, por assim dizer, quase nos “obriga” a rezar, a mergulhar de cabeça nos mistérios de Cristo através dos gestos externos, à semelhança dos discípulos de Emaús, que reconheceram o Senhor durante a fração do pão (cf. Lc 24, 35). O rito litúrgico é como o pão milagrosamente multiplicado e dividido ao redor do mundo, oferecido na mesa dos reis e pobres que buscam um alimento imperecível. Quando partimos esse pão ao participar do rito, abrem-se-nos os olhos para reconhecer Cristo ressuscitado. “Quando a religião e a arte se divorciam, é difícil saber qual das duas se corrompeu primeiro.” Matthew Schmitz notou o seguinte: Assusta pensar que os líderes de uma fé ritualística tenham pensado ser possível deixar de lado as formas tradicionais de oração. Entre os poucos que viram a insensatez de um tal projeto, contavam-se muitos artistas, atentos como que por natureza ao que, embora pareça superficial, é no fundo imprescindível. O escritor Nicholas Dávila disse mais ou menos o mesmo: “Quando a religião e a arte se divorciam, é difícil saber qual das duas se corrompeu primeiro”. É por todos esses motivos que a liturgia não só pode como deve ser julgada “pela capa”, pela aparência — pois, como diz Aristóteles, a aparência da coisa aponta para a natureza e substância dela. A Igreja Católica deve cuidar não só do real, mas também das aparências. O ser humano chega ao conhecimento da verdade por meio dos sentidos; ele não pode formar conceitos sem imagens. Em matéria de religião, no encontro com o Deus encarnado nos mistérios de sua vida, morte e ressurreição, nossos sentidos, nossa memória, nossa imaginação e emoções desempenham um papel tão importante quanto nossa inteligência e vontade. Peter Kwasniewski | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere #Liturgia
- São João Nepomuceno, mártir do segredo de confissão – 5 de Janeiro
SANTO DO DIA – 05 DE JANEIRO – SÃO JOÃO NEPOMUCENO NEUMANN (Mártir do segredo da Confissão) Fundador das Irmãs da Ordem Terceira de São Francisco (1811-1860) Mesmo somando-se o refulgir de todos os cristais que a Boêmia possa ter produzido, não se alcança o brilho sobrenatural desta alma que buscou e alcançou a santidade. Ocorrida há não mais de vinte anos, a queda da assim chamada “cortina de ferro” não somente permitiu que naqueles países novamente crescessem a esperança e a liberdade, mas também tornou mais acessíveis a milhões de pessoas, em todo o mundo, algumas das mais esplêndidas maravilhas culturais e arquitetônicas da bela Europa. Dentre estas, é dever de justiça citar a encantadora cidade de Praga, capital da República Tcheca, tão famosa pelos seus antigos edifícios de extraordinária beleza. Os tchecos também são conhecidos por terem oferecido ao mundo a música clássica de Dvorak, além de uma saborosa cerveja que leva o nome de uma de suas importantes cidades: Pilsen. Mais ainda, uma das regiões desse país, a Boêmia, produz há séculos cristais reconhecidos como padrão de requinte e beleza no mundo inteiro. Pode-se, porém, dizer com segurança que, mesmo somando-se o refulgir de todos os cristais que a Boêmia possa ter produzido, não se alcança, o brilho sobrenatural de uma alma empenhada em buscar e alcançar a santidade. Tal foi o exemplo a nós deixado por um dos mais ilustres filhos dessas terras, João Nepomuceno, sacerdote e mártir em defesa dos direitos da Santa Igreja. Um denodado sacerdote João Nepomuceno nasceu na cidade de Nepomuk, em um dos vales da Boêmia, por volta do ano de 1345. Já no ano de 1370 tinha o cargo de notário na Cúria Metropolitana. Nove anos depois, foi ordenado sacerdote e nomeado pároco de São Gall. Não obstante os encargos dessa grave função, continuou seus estudos de direito eclesiástico na Universidade de Praga, na qual obteve o bacharelato. Em 1382, o arcebispo o enviou a Pádua, onde se doutorou em direito canônico, em 1387. Voltando logo em seguida a Praga, foi nomeado cônego da igreja de São Gil, mas ali permaneceu só dois anos. Em agosto de 1390, tornou-se cônego honorário da Catedral de São Vito e vigário geral dessa já então ampla e importante arquidiocese. A partir desse momento, a Providência o transformou em homem público. Os sermões pregados por São João Nepomuceno produziram notável mudança nos costumes e assim ele foi chamado a desempenhar o cargo de confessor da Rainha. Para isso concorreram sua já conhecida virtude e a segurança doutrinária por ele tantas vezes demonstrada no púlpito. Se, no entanto, a piedosa rainha colocava-se docilmente sob a direção espiritual de tão virtuoso sacerdote, o mesmo não se passava com o rei. Além de ser dado a violentos acessos de fúria, foi ele tomado por uma infundada desconfiança em relação à fidelidade de sua esposa. Como nada encontrasse para comprovar essa dúvida, mas seu coração mesquinho continuasse apegado a essa fantasiosa idéia, mandou trazer o confessor à sua presença e exigiu-lhe contar em detalhes o que no confessionário lhe confidenciava a rainha. Espantado pela infundada desconfiança, e muito mais pelo inaudito pedido, João Nepomuceno com firmeza o recusou, afirmando categoricamente o princípio da inviolabilidade do segredo da confissão, o mesmo até hoje mantido pela Santa Igreja: “O que é dito dentro das santas paredes do confessionário é o mais estrito dos segredos. As palavras pelo penitente declinadas ante o sacerdote, sendo a matéria para a absolvição da alma pecadora, ali mesmo morrem. Disso tudo, somente Deus é testemunha, e o sacerdote que algo disso revelasse a um terceiro cometeria um dos mais abomináveis sacrilégios, contra o qual se levantaria imediatamente terrível excomunhão” (1). A nada disso, porém, deu ouvidos o ímpio rei. Cego de furor, mandou brutalmente torturar o fiel confessor. Suportando sofrimentos terríveis, João Nepomuceno manteve-se irredutível e isso só aumentou a fúria do cruel soberano. Por fim, vendo que nada conseguiria tirar de um homem tão firme e compenetrado de sua fé, mandou os esbirros amarrarem-no e atirarem-no de uma das pontes de Praga. Assim, o intrépido sacerdote entregou sua alma a Deus, perecendo afogado nas águas do rio Moldava. Era a noite de 20 de março de 1393. Uma controvérsia histórica A trágica morte dum personagem tão conhecido e estimado chocou muitos habitantes da cidade, e o rei, não querendo admitir abertamente a razão pela qual mandara assassinar o Pe. João Nepomuceno, fez constar ser outra a razão de sua atitude. Havia na Boêmia uma grande e prestigiosa abadia, a de Klandrau. Aproveitando o lapso entre a morte do antigo abade e a eleição de um novo, o monarca tencionava suprimi-la, transformando-a em uma nova sede episcopal, a qual seria entregue a um membro de sua corte. O rei tentou pressionar o vigário geral para apoiá-lo nessa ação. E como ele a isso se teria oposto violentamente, o rei declarou ser essa oposição suficiente para condená-lo à morte. Embora algumas crônicas oficiais do reino tenham transmitido essa versão, muitas outras referem o verdadeiro motivo (2). Após ser encontrado, o corpo de João Nepomuceno foi sepultado na própria catedral, onde logo passou a receber do povo as honras devidas a um mártir. Assim, tinha início um forte e saudável movimento de veneração ao sacerdote que morrera em defesa do segredo da Confissão. Estes fatos inclusive foram narrados na carta de acusação ao rei, que o arcebispo João Jenzenstein apresentou ao Papa Bento IX (3). Beatificação e canonização O Papa Inocêncio XIII o declarou beato em 1721. Posteriormente, cartas de imperadores, de bispos e de ordens religiosas, às quais se juntavam as das universidades de Viena, Praga e Blatislava, em coro pediam ao Soberano Pontífice a abertura do processo de canonização, e de fato, este foi iniciado em julho de 1722. Anos depois, em 27 de janeiro de 1725, uma comissão presidida pelo Arcebispo de Praga, formada por algumas dignidades eclesiásticas, além de um professor de medicina e dois cirurgiões, realizou a exumação dos restos mortais do mártir. Na presença dessas autoridades, deu-se um extraordinário acontecimento. O corpo se encontrava naturalmente desfeito pelo tempo, exceto a língua, a qual estava maravilhosamente conservada, ainda que ressequida. Então, diante de todos, começou a refazer-se, apresentando uma cor rósea como se tratasse de alguém vivo. Admirados, os presentes se puseram de joelhos, e este milagre, realizado em circunstâncias tão solenes e com testemunhas tão categorizadas, foi o quarto dos constantes no processo de canonização. E assim, em 19 de março de 1729, na Basílica de São João de Latrão, pelas mãos do Papa Bento XIII, era solenemente elevado à honra dos altares São João Nepomuceno, mártir do segredo da Confissão, cuja festa a Igreja comemora no dia 16 de maio. Fonte: Arautos do Evangelho #SantodoDia
- São João Nepomuceno, mártir do segredo de confissão – 5 de Janeiro
SANTO DO DIA – 05 DE JANEIRO – SÃO JOÃO NEPOMUCENO NEUMANN (Mártir do segredo da Confissão) Fundador das Irmãs da Ordem Terceira de São Francisco (1811-1860) Mesmo somando-se o refulgir de todos os cristais que a Boêmia possa ter produzido, não se alcança o brilho sobrenatural desta alma que buscou e alcançou a santidade. Ocorrida há não mais de vinte anos, a queda da assim chamada “cortina de ferro” não somente permitiu que naqueles países novamente crescessem a esperança e a liberdade, mas também tornou mais acessíveis a milhões de pessoas, em todo o mundo, algumas das mais esplêndidas maravilhas culturais e arquitetônicas da bela Europa. Dentre estas, é dever de justiça citar a encantadora cidade de Praga, capital da República Tcheca, tão famosa pelos seus antigos edifícios de extraordinária beleza. Os tchecos também são conhecidos por terem oferecido ao mundo a música clássica de Dvorak, além de uma saborosa cerveja que leva o nome de uma de suas importantes cidades: Pilsen. Mais ainda, uma das regiões desse país, a Boêmia, produz há séculos cristais reconhecidos como padrão de requinte e beleza no mundo inteiro. Pode-se, porém, dizer com segurança que, mesmo somando-se o refulgir de todos os cristais que a Boêmia possa ter produzido, não se alcança, o brilho sobrenatural de uma alma empenhada em buscar e alcançar a santidade. Tal foi o exemplo a nós deixado por um dos mais ilustres filhos dessas terras, João Nepomuceno, sacerdote e mártir em defesa dos direitos da Santa Igreja. Um denodado sacerdote João Nepomuceno nasceu na cidade de Nepomuk, em um dos vales da Boêmia, por volta do ano de 1345. Já no ano de 1370 tinha o cargo de notário na Cúria Metropolitana. Nove anos depois, foi ordenado sacerdote e nomeado pároco de São Gall. Não obstante os encargos dessa grave função, continuou seus estudos de direito eclesiástico na Universidade de Praga, na qual obteve o bacharelato. Em 1382, o arcebispo o enviou a Pádua, onde se doutorou em direito canônico, em 1387. Voltando logo em seguida a Praga, foi nomeado cônego da igreja de São Gil, mas ali permaneceu só dois anos. Em agosto de 1390, tornou-se cônego honorário da Catedral de São Vito e vigário geral dessa já então ampla e importante arquidiocese. A partir desse momento, a Providência o transformou em homem público. Os sermões pregados por São João Nepomuceno produziram notável mudança nos costumes e assim ele foi chamado a desempenhar o cargo de confessor da Rainha. Para isso concorreram sua já conhecida virtude e a segurança doutrinária por ele tantas vezes demonstrada no púlpito. Se, no entanto, a piedosa rainha colocava-se docilmente sob a direção espiritual de tão virtuoso sacerdote, o mesmo não se passava com o rei. Além de ser dado a violentos acessos de fúria, foi ele tomado por uma infundada desconfiança em relação à fidelidade de sua esposa. Como nada encontrasse para comprovar essa dúvida, mas seu coração mesquinho continuasse apegado a essa fantasiosa idéia, mandou trazer o confessor à sua presença e exigiu-lhe contar em detalhes o que no confessionário lhe confidenciava a rainha. Espantado pela infundada desconfiança, e muito mais pelo inaudito pedido, João Nepomuceno com firmeza o recusou, afirmando categoricamente o princípio da inviolabilidade do segredo da confissão, o mesmo até hoje mantido pela Santa Igreja: “O que é dito dentro das santas paredes do confessionário é o mais estrito dos segredos. As palavras pelo penitente declinadas ante o sacerdote, sendo a matéria para a absolvição da alma pecadora, ali mesmo morrem. Disso tudo, somente Deus é testemunha, e o sacerdote que algo disso revelasse a um terceiro cometeria um dos mais abomináveis sacrilégios, contra o qual se levantaria imediatamente terrível excomunhão” (1). A nada disso, porém, deu ouvidos o ímpio rei. Cego de furor, mandou brutalmente torturar o fiel confessor. Suportando sofrimentos terríveis, João Nepomuceno manteve-se irredutível e isso só aumentou a fúria do cruel soberano. Por fim, vendo que nada conseguiria tirar de um homem tão firme e compenetrado de sua fé, mandou os esbirros amarrarem-no e atirarem-no de uma das pontes de Praga. Assim, o intrépido sacerdote entregou sua alma a Deus, perecendo afogado nas águas do rio Moldava. Era a noite de 20 de março de 1393. Uma controvérsia histórica A trágica morte dum personagem tão conhecido e estimado chocou muitos habitantes da cidade, e o rei, não querendo admitir abertamente a razão pela qual mandara assassinar o Pe. João Nepomuceno, fez constar ser outra a razão de sua atitude. Havia na Boêmia uma grande e prestigiosa abadia, a de Klandrau. Aproveitando o lapso entre a morte do antigo abade e a eleição de um novo, o monarca tencionava suprimi-la, transformando-a em uma nova sede episcopal, a qual seria entregue a um membro de sua corte. O rei tentou pressionar o vigário geral para apoiá-lo nessa ação. E como ele a isso se teria oposto violentamente, o rei declarou ser essa oposição suficiente para condená-lo à morte. Embora algumas crônicas oficiais do reino tenham transmitido essa versão, muitas outras referem o verdadeiro motivo (2). Após ser encontrado, o corpo de João Nepomuceno foi sepultado na própria catedral, onde logo passou a receber do povo as honras devidas a um mártir. Assim, tinha início um forte e saudável movimento de veneração ao sacerdote que morrera em defesa do segredo da Confissão. Estes fatos inclusive foram narrados na carta de acusação ao rei, que o arcebispo João Jenzenstein apresentou ao Papa Bento IX (3). Beatificação e canonização O Papa Inocêncio XIII o declarou beato em 1721. Posteriormente, cartas de imperadores, de bispos e de ordens religiosas, às quais se juntavam as das universidades de Viena, Praga e Blatislava, em coro pediam ao Soberano Pontífice a abertura do processo de canonização, e de fato, este foi iniciado em julho de 1722. Anos depois, em 27 de janeiro de 1725, uma comissão presidida pelo Arcebispo de Praga, formada por algumas dignidades eclesiásticas, além de um professor de medicina e dois cirurgiões, realizou a exumação dos restos mortais do mártir. Na presença dessas autoridades, deu-se um extraordinário acontecimento. O corpo se encontrava naturalmente desfeito pelo tempo, exceto a língua, a qual estava maravilhosamente conservada, ainda que ressequida. Então, diante de todos, começou a refazer-se, apresentando uma cor rósea como se tratasse de alguém vivo. Admirados, os presentes se puseram de joelhos, e este milagre, realizado em circunstâncias tão solenes e com testemunhas tão categorizadas, foi o quarto dos constantes no processo de canonização. E assim, em 19 de março de 1729, na Basílica de São João de Latrão, pelas mãos do Papa Bento XIII, era solenemente elevado à honra dos altares São João Nepomuceno, mártir do segredo da Confissão, cuja festa a Igreja comemora no dia 16 de maio. Fonte: Arautos do Evangelho #SantodoDia
- A ARMA DO PADRE PIO
O curta-metragem de animação 3D “A arma do Padre Pio”, de 2021, é um filme sobre São Pio de Pietrelcina, em especial a sua devoção pelo Santo Rosário. Foi realizado pelos irmãos Arthur Luís Zamboni e Heitor Luís Zamboni, que também cuidaram da trilha sonora. O roteiro é de José Carlos Zamboni e conta com a narração de Tomás Roberto Ravanhani Rodrigues. A duração é de 15:13 min.
- Quem eram os Reis Magos e por que se chamam Melchior, Gaspar e Baltazar?
No dia 6 de janeiro, a Igreja celebra a solenidade da Epifania do Senhor, quando se recorda a adoração dos Reis Magos ao Menino Jesus em Belém. No Brasil, esta celebração é transferida para o domingo mais próximo, que neste ano, 2 de janeiro. Mas, será que eles eram reis ou magos e seus nomes eram mesmo Melchior, Gaspar e Baltazar? Um sacerdote e teólogo explica estas questões. Padre Miguel Fuentes, do Instituto do Verbo Encarnado (IVE), explica no site “El Teólogo Responde” que “o termo ‘magos’ (magoi) que aparece em Mt 2,1 se refere àqueles que eram denominados ‘sábios’ na antiguidade”. “Neste caso, foram homens sábios que vieram do ‘Oriente’ (Mt 2,1), que pode ser uma referência a Arábia, Mesopotâmia ou algum outro território mais a leste da Palestina”. Padre Fuentes afirma que “o fato de terem sido guiados por uma estrela (Mt 2,2) sugere que eles eram instruídos em astrologia ou em ciência da navegação e cálculo do tempo por meio das configurações estelares”. “Além de uma tribo de Média chamada assim, os magos aparecem, em sua primeira época, como uma casta sacerdotal de Média e da Pérsia. Eles se dedicaram ao estudo da sabedoria. Estrabão diz que eles eram ‘zelosos observadores da justiça e da virtude’. E Cícero diz que eles são ‘a classe de sábios e doutores na Pérsia’”. Padre Fuentes assinala que foi o escritor e teólogo Orígenes, do século III, “quem disse pela primeira vez que foram três magos em virtude dos três presentes oferecidos ao Menino”. O sacerdote afirma ainda que, “antes do século VI, nenhum autor afirmava expressamente que eles eram reis, com exceção de Tertuliano, que sugeriu que eles eram ‘quase reis’”. “Isto se tornou popular por interpretar assim a referência ao Salmo 72,10 (os reis da terra se prosternarão e lhe oferecerão os seus dons) que parece estar implícita no relato de São Mateus”. “A arte já os apresenta como reis desde o século VIII, enquanto nas pinturas das catacumbas de santa Priscila, do início do século II-IV, são representados apenas como nobres persas”, assinala. No entanto, acrescenta, “o Novo Testamento não fala sobre o número nem sobre a sua suposta realeza”. A partir do século VIII, continua padre Fuentes, os Reis Magos “receberam nomes, com algumas variações (os primeiros foram Bithisarea, Melchior e Gathaspa)”. “Os nomes atuais de Gaspar, Melchior e Baltazar, foi-lhes atribuído no século IX pelo historiador Agnello, em sua obra ‘Pontificalis Ecclesiae Ravennatis'”. “Na Idade Média, eles foram até mesmo venerados como santos”, diz. “A cena dos magos adorando o Menino Jesus se tornou o tema favorito na arte dos baixos-relevos, miniaturas e vitrais”, conclui. Assista o filme O Quarto Sábio O que significam o ouro, o incenso e a mirra? Os presentes dos Magos podem parecer estranhos a um primeiro olhar, mas nos ensinam a reconhecer Deus na pequenez do Menino Jesus. Quando nasce uma criança, é costume que os familiares e amigos mais próximos demonstrem o seu afeto e estima com presentes dos mais diversos tipos: roupinhas e sapatinhos para agasalhar o bebê; fraldas e produtos para cuidar da sua higiene; e, um pouco mais tarde, quando ele começar a segurar as coisas com as mãos, brinquedos para que tenha com que se divertir. Os padrinhos do recém-nascido talvez até comprem uma banheira, um carrinho ou um berço, ajudando a completar o enxoval. Mas, quando o Menino Jesus nasceu em Belém, deitado al freddo e al gelo sobre uma manjedoura, os primeiros presentes que recebeu, de três estranhos, não foram nada comuns. O Evangelho diz que Magos vindos do Oriente, “abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra” ( Mt 2, 11). Ora, o que uma criança que mal acabara de nascer podia fazer com ouro, incenso e mirra? À parte o valor incontestável do ouro, o que uma pobre família de Nazaré ia querer com objetos dessa natureza? Qual o significado dessas três coisas que os Magos oferecem a Jesus e que são lembradas, todos os anos, na Solenidade da Epifania do Senhor? Durante a Missa da Epifania de 2010, o Papa Bento XVI, expressando a mesma perplexidade dessas perguntas, reconheceu que os dons apresentados pelos Magos: “Sem dúvida, não são dons que correspondem às necessidades primárias ou quotidianas. Naquele momento, a Sagrada Família certamente teria tido mais necessidade de algo diferente do incenso e da mirra, e nem sequer o ouro podia ser-lhe imediatamente útil. Mas estes dons têm um profundo significado: são um ato de justiça. Com efeito, segundo a mentalidade em vigor nessa época no Oriente, representam o reconhecimento de uma pessoa como Deus e Rei: ou seja, são um ato de submissão. Querem dizer que a partir daquele momento os doadores pertencem ao soberano e reconhecem a sua autoridade.” A reflexão de Bento segue a linha de outros autores da Tradição da Igreja, que associam os três presentes dados ao Menino Jesus com o reconhecimento de Sua identidade e missão divinas. Uma antiga homilia, de autor incerto, lembra que “a qualidade dos presentes oferecidos dava testemunho da divindade que eles consideravam haver no menino”, com o ouro se referindo à Sua realeza; o incenso, à Sua divindade; e a mirra, à Sua humanidade. O Papa São Gregório Magno († 604), em uma de suas homilias, oferece uma interpretação completa do que sejam esses presentes. Primeiro, ele recorre a uma explicação literal, dizendo para que servem o ouro, o incenso e a mirra: “Os magos tinham ouro, incenso e mirra: o primeiro, evidentemente, corresponde a um rei; o incenso é usado no sacrifício a Deus; a mirra, por fim, embalsama os corpos dos mortos.” Depois, ele dá o sentido alegórico e místico dessa passagem, explicando aquilo em que devemos crer: “Os Magos que adoram o Cristo também O proclamam com presentes místicos: que Ele é rei, com o ouro; que é Deus, com o incenso; e que é mortal, com a mirra. De fato, são muitos os hereges que acreditam em Deus, mas de modo algum acreditam que Ele reina em todos os lugares. Esses certamente Lhe oferecem incenso, mas o ouro não querem ofertar. São muitos também os que O estimam como rei, mas O negam enquanto Deus. Esses, como se pode ver, oferecem-Lhe ouro, mas o incenso não querem ofertar. Há muitos, enfim, que O exaltam tanto como Deus como quanto rei, mas negam que Ele tenha assumido a carne mortal. Esses oferecem-Lhe muito ouro e incenso, mas a mirra da mortalidade assumida não querem ofertar. Nós, ao contrário, ao Senhor que nasce ofereçamos ouro, a fim de confessarmos que Ele reina onde quer que seja; ofereçamos incenso, para crermos que aquele que apareceu no tempo é o Deus que existe antes dos tempos; e ofereçamos mirra, para crermos que também assumiu a nossa carne mortal aquele em cuja divindade impassível acreditamos.” Por fim, São Gregório faz uma interpretação moral dessa passagem, mostrando como também nós podemos ofertar ao Menino Jesus ouro, incenso e mirra: “Porém, no ouro, no incenso e na mirra, outras coisas se pode entender. O ouro, por exemplo, designa a sabedoria, que Salomão atesta quando diz: ‘Desejável tesouro se encontra na boca do sábio’ ( Pr 21, 20). Pelo incenso se exprime aquilo que a força da oração incendeia diante de Deus, como atesta o Salmista: ‘Seja elevada diante de tua presença a minha oração como incenso’ ( Sl 140, 2). Na mirra, enfim, vai figurada a mortificação da nossa carne, de onde a Santa Igreja dizer de seus servidores fiéis, até a morte, que ‘suas mãos destilaram mirra’ ( Ct 5, 5). Ao Rei que nasce, portanto, ofereçamos ouro, se em Sua presença resplandecemos na luz da sabedoria celeste; ofereçamos incenso, se pelo santo amor à oração queimamos os pensamentos da carne no altar do coração, a fim de andarmos no suave odor do desejo das coisas celestes; ofereçamos mirra, se pela abstinência mortificamos os vícios da carne. A mirra age, de fato, impedindo que a carne se putrefaça. A putrefação da carne mortal significa servir ao impulso da luxúria, como é dito pelo profeta: ‘Conspurcaram-se os jumentos em sua imundície’ ( Jl 1, 17). Os jumentos se conspurcarem em sua imundície quer dizer os homens terminarem a vida na fetidez da luxúria. Ofereçamos a Deus a mirra, portanto, se pelo bálsamo da continência conservamos este corpo mortal livre da corrupção da luxúria. “ Outra leitura moral do que seja a mirra é encontrada nos Padres Gregos, que põem o seu significado nas “boas obras”: “Assim como a mirra preserva da corrupção o corpo dos defuntos, assim também as boas obras conservam Cristo continuamente crucificado na memória do homem , o qual, por sua vez, é conservado no Cristo”, diz um texto atribuído a São João Crisóstomo. “Tu, pois, quando vieres à igreja para rezar a Deus, traz presentes em tuas mãos e dá aos que não têm, pois é enferma a oração quando não munida da virtude das esmolas.” Mais do que o ouro, o incenso e a mirra, portanto, Deus quer que ofereçamos a Ele obras espirituais. O que Ele espera de nós verdadeiramente são uma fé viva, uma oração pura e uma vida santa. Não temamos, neste tempo do Natal, oferecer tudo isso diante da criança que nasce em Belém. O Menino Jesus não é um infante qualquer, mas o sacramento que une Deus e o homem, que faz descer o Céu à Terra. O que que muitos teólogos modernos teimam em negar, os Magos já o sabiam. Vident enim hominem, et agnoscunt Deum : na gruta de Belém, eles “veem um homem, mas reconhecem Deus”. #Natal #TrêsReisMagos
- Quem eram os Reis Magos e por que se chamam Melchior, Gaspar e Baltazar?
No dia 6 de janeiro, a Igreja celebra a solenidade da Epifania do Senhor, quando se recorda a adoração dos Reis Magos ao Menino Jesus em Belém. No Brasil, esta celebração é transferida para o domingo mais próximo, que neste ano, 2 de janeiro. Mas, será que eles eram reis ou magos e seus nomes eram mesmo Melchior, Gaspar e Baltazar? Um sacerdote e teólogo explica estas questões. Padre Miguel Fuentes, do Instituto do Verbo Encarnado (IVE), explica no site “El Teólogo Responde” que “o termo ‘magos’ (magoi) que aparece em Mt 2,1 se refere àqueles que eram denominados ‘sábios’ na antiguidade”. “Neste caso, foram homens sábios que vieram do ‘Oriente’ (Mt 2,1), que pode ser uma referência a Arábia, Mesopotâmia ou algum outro território mais a leste da Palestina”. Padre Fuentes afirma que “o fato de terem sido guiados por uma estrela (Mt 2,2) sugere que eles eram instruídos em astrologia ou em ciência da navegação e cálculo do tempo por meio das configurações estelares”. “Além de uma tribo de Média chamada assim, os magos aparecem, em sua primeira época, como uma casta sacerdotal de Média e da Pérsia. Eles se dedicaram ao estudo da sabedoria. Estrabão diz que eles eram ‘zelosos observadores da justiça e da virtude’. E Cícero diz que eles são ‘a classe de sábios e doutores na Pérsia’”. Padre Fuentes assinala que foi o escritor e teólogo Orígenes, do século III, “quem disse pela primeira vez que foram três magos em virtude dos três presentes oferecidos ao Menino”. O sacerdote afirma ainda que, “antes do século VI, nenhum autor afirmava expressamente que eles eram reis, com exceção de Tertuliano, que sugeriu que eles eram ‘quase reis’”. “Isto se tornou popular por interpretar assim a referência ao Salmo 72,10 (os reis da terra se prosternarão e lhe oferecerão os seus dons) que parece estar implícita no relato de São Mateus”. “A arte já os apresenta como reis desde o século VIII, enquanto nas pinturas das catacumbas de santa Priscila, do início do século II-IV, são representados apenas como nobres persas”, assinala. No entanto, acrescenta, “o Novo Testamento não fala sobre o número nem sobre a sua suposta realeza”. A partir do século VIII, continua padre Fuentes, os Reis Magos “receberam nomes, com algumas variações (os primeiros foram Bithisarea, Melchior e Gathaspa)”. “Os nomes atuais de Gaspar, Melchior e Baltazar, foi-lhes atribuído no século IX pelo historiador Agnello, em sua obra ‘Pontificalis Ecclesiae Ravennatis'”. “Na Idade Média, eles foram até mesmo venerados como santos”, diz. “A cena dos magos adorando o Menino Jesus se tornou o tema favorito na arte dos baixos-relevos, miniaturas e vitrais”, conclui. Assista o filme O Quarto Sábio O que significam o ouro, o incenso e a mirra? Os presentes dos Magos podem parecer estranhos a um primeiro olhar, mas nos ensinam a reconhecer Deus na pequenez do Menino Jesus. Quando nasce uma criança, é costume que os familiares e amigos mais próximos demonstrem o seu afeto e estima com presentes dos mais diversos tipos: roupinhas e sapatinhos para agasalhar o bebê; fraldas e produtos para cuidar da sua higiene; e, um pouco mais tarde, quando ele começar a segurar as coisas com as mãos, brinquedos para que tenha com que se divertir. Os padrinhos do recém-nascido talvez até comprem uma banheira, um carrinho ou um berço, ajudando a completar o enxoval. Mas, quando o Menino Jesus nasceu em Belém, deitado al freddo e al gelo sobre uma manjedoura, os primeiros presentes que recebeu, de três estranhos, não foram nada comuns. O Evangelho diz que Magos vindos do Oriente, “abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra” ( Mt 2, 11). Ora, o que uma criança que mal acabara de nascer podia fazer com ouro, incenso e mirra? À parte o valor incontestável do ouro, o que uma pobre família de Nazaré ia querer com objetos dessa natureza? Qual o significado dessas três coisas que os Magos oferecem a Jesus e que são lembradas, todos os anos, na Solenidade da Epifania do Senhor? Durante a Missa da Epifania de 2010, o Papa Bento XVI, expressando a mesma perplexidade dessas perguntas, reconheceu que os dons apresentados pelos Magos: “Sem dúvida, não são dons que correspondem às necessidades primárias ou quotidianas. Naquele momento, a Sagrada Família certamente teria tido mais necessidade de algo diferente do incenso e da mirra, e nem sequer o ouro podia ser-lhe imediatamente útil. Mas estes dons têm um profundo significado: são um ato de justiça. Com efeito, segundo a mentalidade em vigor nessa época no Oriente, representam o reconhecimento de uma pessoa como Deus e Rei: ou seja, são um ato de submissão. Querem dizer que a partir daquele momento os doadores pertencem ao soberano e reconhecem a sua autoridade.” A reflexão de Bento segue a linha de outros autores da Tradição da Igreja, que associam os três presentes dados ao Menino Jesus com o reconhecimento de Sua identidade e missão divinas. Uma antiga homilia, de autor incerto, lembra que “a qualidade dos presentes oferecidos dava testemunho da divindade que eles consideravam haver no menino”, com o ouro se referindo à Sua realeza; o incenso, à Sua divindade; e a mirra, à Sua humanidade. O Papa São Gregório Magno († 604), em uma de suas homilias, oferece uma interpretação completa do que sejam esses presentes. Primeiro, ele recorre a uma explicação literal, dizendo para que servem o ouro, o incenso e a mirra: “Os magos tinham ouro, incenso e mirra: o primeiro, evidentemente, corresponde a um rei; o incenso é usado no sacrifício a Deus; a mirra, por fim, embalsama os corpos dos mortos.” Depois, ele dá o sentido alegórico e místico dessa passagem, explicando aquilo em que devemos crer: “Os Magos que adoram o Cristo também O proclamam com presentes místicos: que Ele é rei, com o ouro; que é Deus, com o incenso; e que é mortal, com a mirra. De fato, são muitos os hereges que acreditam em Deus, mas de modo algum acreditam que Ele reina em todos os lugares. Esses certamente Lhe oferecem incenso, mas o ouro não querem ofertar. São muitos também os que O estimam como rei, mas O negam enquanto Deus. Esses, como se pode ver, oferecem-Lhe ouro, mas o incenso não querem ofertar. Há muitos, enfim, que O exaltam tanto como Deus como quanto rei, mas negam que Ele tenha assumido a carne mortal. Esses oferecem-Lhe muito ouro e incenso, mas a mirra da mortalidade assumida não querem ofertar. Nós, ao contrário, ao Senhor que nasce ofereçamos ouro, a fim de confessarmos que Ele reina onde quer que seja; ofereçamos incenso, para crermos que aquele que apareceu no tempo é o Deus que existe antes dos tempos; e ofereçamos mirra, para crermos que também assumiu a nossa carne mortal aquele em cuja divindade impassível acreditamos.” Por fim, São Gregório faz uma interpretação moral dessa passagem, mostrando como também nós podemos ofertar ao Menino Jesus ouro, incenso e mirra: “Porém, no ouro, no incenso e na mirra, outras coisas se pode entender. O ouro, por exemplo, designa a sabedoria, que Salomão atesta quando diz: ‘Desejável tesouro se encontra na boca do sábio’ ( Pr 21, 20). Pelo incenso se exprime aquilo que a força da oração incendeia diante de Deus, como atesta o Salmista: ‘Seja elevada diante de tua presença a minha oração como incenso’ ( Sl 140, 2). Na mirra, enfim, vai figurada a mortificação da nossa carne, de onde a Santa Igreja dizer de seus servidores fiéis, até a morte, que ‘suas mãos destilaram mirra’ ( Ct 5, 5). Ao Rei que nasce, portanto, ofereçamos ouro, se em Sua presença resplandecemos na luz da sabedoria celeste; ofereçamos incenso, se pelo santo amor à oração queimamos os pensamentos da carne no altar do coração, a fim de andarmos no suave odor do desejo das coisas celestes; ofereçamos mirra, se pela abstinência mortificamos os vícios da carne. A mirra age, de fato, impedindo que a carne se putrefaça. A putrefação da carne mortal significa servir ao impulso da luxúria, como é dito pelo profeta: ‘Conspurcaram-se os jumentos em sua imundície’ ( Jl 1, 17). Os jumentos se conspurcarem em sua imundície quer dizer os homens terminarem a vida na fetidez da luxúria. Ofereçamos a Deus a mirra, portanto, se pelo bálsamo da continência conservamos este corpo mortal livre da corrupção da luxúria. “ Outra leitura moral do que seja a mirra é encontrada nos Padres Gregos, que põem o seu significado nas “boas obras”: “Assim como a mirra preserva da corrupção o corpo dos defuntos, assim também as boas obras conservam Cristo continuamente crucificado na memória do homem , o qual, por sua vez, é conservado no Cristo”, diz um texto atribuído a São João Crisóstomo. “Tu, pois, quando vieres à igreja para rezar a Deus, traz presentes em tuas mãos e dá aos que não têm, pois é enferma a oração quando não munida da virtude das esmolas.” Mais do que o ouro, o incenso e a mirra, portanto, Deus quer que ofereçamos a Ele obras espirituais. O que Ele espera de nós verdadeiramente são uma fé viva, uma oração pura e uma vida santa. Não temamos, neste tempo do Natal, oferecer tudo isso diante da criança que nasce em Belém. O Menino Jesus não é um infante qualquer, mas o sacramento que une Deus e o homem, que faz descer o Céu à Terra. O que que muitos teólogos modernos teimam em negar, os Magos já o sabiam. Vident enim hominem, et agnoscunt Deum : na gruta de Belém, eles “veem um homem, mas reconhecem Deus”. #Natal #TrêsReisMagos
- Santa Ângela de Foligno, padroeira das viúvas e protetora da morte prematura das crianças – 4
SANTO DO DIA 04 DE JANEIRO – SANTA ÂNGELA DE FOLIGNO Viúva, mística da Terceira Ordem de São Francisco (1248-1309) A história de Santa Ângela, considerada uma das primeiras místicas italianas, poderia ser o roteiro de um romance ou novela, com final feliz, é claro. Transformou-se de mulher fútil e despreocupada em mística e devota, depois literata, teóloga e, finalmente, santa. A data mais aceita para o nascimento de Ângela, em Foligno, perto de Assis e de Roma, é o ano 1248. Ela pertencia à uma família relativamente rica e bem situada socialmente. Ainda muito jovem casou-se com um nobre e passou a levar uma vida ainda mais confortável, voltada para as vaidades, festas e recreações mundanas. Assim viveu até os trinta e sete anos, quando uma tragédia avassaladora mudou sua vida. Num curto espaço de tempo perdeu os pais, o marido e todos os numerosos filhos, um a um. Mas, ao invés de esmorecer, uma mulher forte e confiante nasceu daquela seqüência de mortes e sofrimento, cheia de fé em Deus e no seu conforto espiritual. Como conseqüência, em 1291 fez os votos religiosos, doando todos os seus bens para os pobres e entrando para a Ordem Terceira de São Francisco, trocando a futilidade por penitências e orações. O dom místico começou a se manifestar quando Santa Ângela recebeu em sonho a orientação de São Francisco para que fizesse uma peregrinação a Assis. Ela obedeceu, e a partir daí as manifestações não pararam mais. Contam seus escritos que ela chegava a sentir todo o flagelo da paixão de Cristo, nos ossos e juntas do próprio corpo. Todas essas manifestações, acompanhadas e testemunhadas por seu diretor espiritual, Santo Arnaldo de Foligno, foram registradas em narrações que ela escrevia em dialeto úmbrio e que eram transcritas imediatamente para o latim ensinado nas escolas, para que pudessem ser aproveitados imediatamente por toda a cristandade. Trinta e cinco dessas passagens foram editadas com o título “Experiências espirituais, revelações e consolações da Bem-Aventurada Ângela de Foligno”, livro que passou a ser básico para a formação de religiosos e trouxe para a Santa o título de “Mestra dos Teólogos”. Muitos dos quais a comparam como Santa Tereza d’Ávila e Santa Catarina de Sena. Ângela terminou seus dias orientando espiritualmente, através de cartas, centenas de pessoas que pediam seus conselhos. Ao Santo Arnaldo, à quem ditou sua autobiografia, disse o seguinte: “Eu, Ângela de Foligno, tive que atravessar muitas etapas no caminho da penitencia e conversão. A primeira foi me convencer de como o pecado é grave e danoso. A segunda foi sentir arrependimento e vergonha por ter ofendido a bondade de Deus. A terceira me confessar de todos os meus pecados. A quarta me convencer da grande misericórdia que Deus tem para com os pecadores que desejam ser perdoados. A quinta adquirir um grande amor e reconhecimento por tudo o que Cristo sofreu por todos nós. A sexta sentir um profundo amor por Jesus Eucarístico. A sétima aprender a orar, especialmente rezar com amor e atenção o Pai Nosso. A oitava procurar e tratar de viver em contínua e afetuosa comunhão com Deus”. Na Santa Missa, ela muitas vezes via Jesus Cristo na Santa Hóstia. Morreu, em 04 de janeiro 1309, já sexagenária, sendo enterrada na Igreja de São Francisco, em Foligno, Itália. Seu túmulo foi cenário de muitos prodígios e graças. Assim, a atribuição de sua santidade aconteceu naturalmente, àquela que os devotos consideram como a padroeira das viúvas e protetora da morte prematura das crianças. Foi o Papa Clemente XI que reconheceu seu culto, em 1707. Porém ela já tinha sido descrita como Santa por vários outros pontífices, à exemplo de Paulo III em 1547 e Inocente XII em 1693. Mais recentemente o Papa Pio XI a mencionou também como Santa em uma carta datada de 1927.
- Santa Ângela de Foligno, padroeira das viúvas e protetora da morte prematura das crianças – 4
SANTO DO DIA 04 DE JANEIRO – SANTA ÂNGELA DE FOLIGNO Viúva, mística da Terceira Ordem de São Francisco (1248-1309) A história de Santa Ângela, considerada uma das primeiras místicas italianas, poderia ser o roteiro de um romance ou novela, com final feliz, é claro. Transformou-se de mulher fútil e despreocupada em mística e devota, depois literata, teóloga e, finalmente, santa. A data mais aceita para o nascimento de Ângela, em Foligno, perto de Assis e de Roma, é o ano 1248. Ela pertencia à uma família relativamente rica e bem situada socialmente. Ainda muito jovem casou-se com um nobre e passou a levar uma vida ainda mais confortável, voltada para as vaidades, festas e recreações mundanas. Assim viveu até os trinta e sete anos, quando uma tragédia avassaladora mudou sua vida. Num curto espaço de tempo perdeu os pais, o marido e todos os numerosos filhos, um a um. Mas, ao invés de esmorecer, uma mulher forte e confiante nasceu daquela seqüência de mortes e sofrimento, cheia de fé em Deus e no seu conforto espiritual. Como conseqüência, em 1291 fez os votos religiosos, doando todos os seus bens para os pobres e entrando para a Ordem Terceira de São Francisco, trocando a futilidade por penitências e orações. O dom místico começou a se manifestar quando Santa Ângela recebeu em sonho a orientação de São Francisco para que fizesse uma peregrinação a Assis. Ela obedeceu, e a partir daí as manifestações não pararam mais. Contam seus escritos que ela chegava a sentir todo o flagelo da paixão de Cristo, nos ossos e juntas do próprio corpo. Todas essas manifestações, acompanhadas e testemunhadas por seu diretor espiritual, Santo Arnaldo de Foligno, foram registradas em narrações que ela escrevia em dialeto úmbrio e que eram transcritas imediatamente para o latim ensinado nas escolas, para que pudessem ser aproveitados imediatamente por toda a cristandade. Trinta e cinco dessas passagens foram editadas com o título “Experiências espirituais, revelações e consolações da Bem-Aventurada Ângela de Foligno”, livro que passou a ser básico para a formação de religiosos e trouxe para a Santa o título de “Mestra dos Teólogos”. Muitos dos quais a comparam como Santa Tereza d’Ávila e Santa Catarina de Sena. Ângela terminou seus dias orientando espiritualmente, através de cartas, centenas de pessoas que pediam seus conselhos. Ao Santo Arnaldo, à quem ditou sua autobiografia, disse o seguinte: “Eu, Ângela de Foligno, tive que atravessar muitas etapas no caminho da penitencia e conversão. A primeira foi me convencer de como o pecado é grave e danoso. A segunda foi sentir arrependimento e vergonha por ter ofendido a bondade de Deus. A terceira me confessar de todos os meus pecados. A quarta me convencer da grande misericórdia que Deus tem para com os pecadores que desejam ser perdoados. A quinta adquirir um grande amor e reconhecimento por tudo o que Cristo sofreu por todos nós. A sexta sentir um profundo amor por Jesus Eucarístico. A sétima aprender a orar, especialmente rezar com amor e atenção o Pai Nosso. A oitava procurar e tratar de viver em contínua e afetuosa comunhão com Deus”. Na Santa Missa, ela muitas vezes via Jesus Cristo na Santa Hóstia. Morreu, em 04 de janeiro 1309, já sexagenária, sendo enterrada na Igreja de São Francisco, em Foligno, Itália. Seu túmulo foi cenário de muitos prodígios e graças. Assim, a atribuição de sua santidade aconteceu naturalmente, àquela que os devotos consideram como a padroeira das viúvas e protetora da morte prematura das crianças. Foi o Papa Clemente XI que reconheceu seu culto, em 1707. Porém ela já tinha sido descrita como Santa por vários outros pontífices, à exemplo de Paulo III em 1547 e Inocente XII em 1693. Mais recentemente o Papa Pio XI a mencionou também como Santa em uma carta datada de 1927.
- O ANTICRISTO SEGUNDO CARL SCHIMIDT – Vittorio Messori
Morto em 1985, com quase cem anos de idade, Carl Schmitt está entre aqueles de quem provavelmente ouviremos mais falar nos próximos anos: já há um prenúncio seguro disto na impetuosa bibliografia, que cresce a cada dia, sobre sua obra, a qual, nas últimas décadas, havia sido desdenhada e exorcizada por ele ter sido suspeito de Nacional-Socialismo. Na realidade, este brilhante jurista e cientista político alemão logo foi rejeitado pelo Terceiro Reich (no qual ele também, inicialmente, viu a realização de alguns pontos de sua teoria política), depressa acusado de “anti-semitismo insuficiente e superficial” e, acima de tudo, de “corrupção católica”. Na verdade — como estudos recentes confirmaram — o catolicismo de Schmitt não foi uma simples herança cultural determinada por seus estudos de juventude em escolas religiosas, mas foi uma fé professada e vivida até o fim. A causa do fascínio inquietante deste pensador (agora também redescoberto pela ex-esquerda, em uma busca confusa por mestres, após a queda de todos os seus pontos de referência) é que ele soube inserir, em um realismo à Maquiavel e Hobbes, temas religiosos como a culpa, a redenção, a salvação; e até questões como a do Cristo e do Anticristo. Falou-se, a propósito, de uma “teologia política”. No entanto, para quem o lê com atenção, talvez se tratasse mais de uma “política teológica”: isto é, uma discussão das ordens humanas, levando-se em conta também a transcendência; um confronto com a história, com a consciência de que ela não é tudo e está destinada a conduzir a um Mistério que a ultrapassa. Desde 1916, como soldado do exército da Baviera, Carl Schmitt, com 28 anos, começa a refletir sobre o Anticristo em um livro dedicado a Nordlicht (“Luz do Norte”, ou seja, “Aurora Boreal”), de Theodore Däubler. O jovem Schmitt cita, naquelas páginas, um texto que encontrou no Efrém latino, no “Sermo de fine mundi”. Vale a pena citar no original aquela passagem verdadeiramente singular, segundo a qual o Grande Enganador, que provocará a apostasia de muitos antes da vitória definitiva de Cristo, “erit omnibus subdole placidus, munera non alzipiens, personam non praeponens, amabilis omnibus, quietus universis, xenia non appetens, affabilis apparens in proximos, ita ut beatificent eum omnes homines dicentes: Justus homo hic est! “. Ou seja: “Sutilmente, agradará a todos, não aceitará cargos, não fará distinção de pessoas, será amável com todos, calmo em todas as situações, recusará dádivas, parecerá afável com o próximo, para que todos o elogiem, exclamando: ‘Eis aqui um homem justo!'”. Uma perspectiva perturbadora, esta do Efrém latino: o Anticristo sob a aparência mentirosa de um “homem do diálogo”, de um “humanista” pacífico, reservado e honesto… É precisamente este identikit do Adversário que Schmitt endossa: segundo ele, surgirá de uma sociedade como a ocidental moderna, onde “os homens são pobres diabos que sabem tudo e não acreditam em nada”; uma sociedade onde “as coisas mais importantes e últimas são secularizadas: a beleza tornou-se bom gosto, a Igreja uma organização pacifista, em vez da antiga distinção entre o bem e o mal, entre o útil e o nocivo. Em tal cultura, aquele “diálogo” sorrateiro do Anticristo fará as pessoas acreditarem que a salvação vem por meio da seguridade social e do planejamento. Acima de tudo (e é uma das intuições mais perturbadoras do ainda jovem Smith), o Anticristo não será de forma alguma um materialista, um inimigo da religião: ao contrário, ele “proverá todas as necessidades, inclusive as espirituais.” Satisfará o anseio de transcendência do homem falando de espiritualidade, propondo uma “religião da humanidade” na qual todos estejam de acordo em tudo e na qual todas as divergências e, sobretudo, todos os dogmas sejam proibidos, pois serão vistos como o mal radical. No início do século XX, quando escrevia sobre isto, a perspectiva de Schmitt passou quase despercebida, parecendo completamente improvável. Mas talvez seja necessário refletir sobre isso hoje, quando o que nos ameaça, no campo religioso, certamente não é mais a intolerância, mas, no mínimo, o seu contrário: aquela “tolerância” que se transforma em indiferentismo, na consideração das várias crenças como uma forma única — diferenciada apenas por razões históricas e geográficas — de adorar o mesmo e idêntico Deus; quando o “inimigo” não é mais o antigo e honesto materialismo, mas, talvez, o insidioso espiritualismo “humanitário”… https://lanuovabq.it/it/lanticristo-di-vittorio-messori
- UM REI PARA CONTEMPLAR – Scott Hahn reflete sobre a Solenidade da Epifania do Senhor
Uma epifania é uma aparição. Nas leituras de hoje, com suas estrelas em ascensão, luzes esplendorosas e mistérios revelados, aparece o rosto da criança nascida no dia de Natal. Herodes, no Evangelho de hoje, pergunta aos chefes dos sacerdotes e escribas onde o Messias deve nascer. A resposta que Mateus coloca em seus lábios diz muito mais, combinando duas vertentes da promessa do Antigo Testamento: uma revelando que o Messias é da linhagem de Davi (2 Samuel 2, 5), a outra prevendo “um soberano de Israel” que “apascentará o seu rebanho” e cuja “grandeza chegará até os confins da terra” (Miquéias 5, 1-3). Essas promessas do rei de Israel, que governa as nações, ressoam também no Salmo de hoje. O salmo celebra Salomão, o filho de Davi. Seu reino, como nós cantamos, se estenderá “até os confins da terra”, e os reis do mundo lhe renderão homenagem. Esta é também a cena da primeira leitura de hoje, quando as nações descem do Oriente, carregando “ouro e incenso” para o rei de Israel. A peregrinação dos Magos, no Evangelho de hoje, marca o cumprimento das promessas de Deus. Os magos, provavelmente astrólogos persas, estão seguindo a estrela que, conforme Balaão tinha previsto, subiria junto com o bastão do soberano sobre a casa de Jacó (Números 24:17). Carregados de ouro e especiarias, sua viagem evoca aquelas feitas até Salomão pela Rainha de Sabá e os “reis da terra” (1Reis 10, 2, 25; 2Crônicas 9,24). Curiosamente, os únicos outros lugares, na Bíblia, em que o incenso e a mirra são mencionados juntamente, são os cânticos de Salomão (Cântico dos Cânticos 3, 6; 4, 6, 14). Alguém maior que Salomão está aqui (Lucas 11,31). Ele veio para revelar que todos os povos são “co-herdeiros” da família real de Israel, como ensina a Epístola de hoje. Sua manifestação nos obriga a escolher: seguiremos os sinais que nos levam até Ele, como os sábios magos fizeram? Ou seremos como aqueles sacerdotes e escribas, que deixam as palavras da promessa divina se transformarem em letras mortas de um antigo pergaminho? https://stpaulcenter.com/a-king-to-behold-scott-hahn-reflects-on-the-solemnity-of-the-epiphany-of-the-lord/
- Roteiro espiritual para preservar a Graça de Deus
Se para o ser humano o alimento é o combustível do corpo, a vida de oração certamente é o combustível para a alma. É através da oração e de uma vida voltada para o alto que conseguimos preservar a Graça de Deus, ou seja, a amizade e a comunhão com Deus. Infelizmente, grande parte das pessoas, mesmo que estão dentro da Igreja, não possuem uma vida de amizade com Deus, e por isso estão sujeitas à tentação que as levam a caírem em situações de pecado grave. Por falta de formação adequada, muitas dessas pessoas não se confessam há muitos anos, mas mesmo assim entram na fila da comunhão e acabam comungando indignamente o corpo e o Sangue de Nosso Senhor. Mas graças ao amor de Deus por nós, todos temos uma chance de recomeçar! Todo dia é tempo de começar de novo, e o melhor dia que temos para buscar nossa conversão é o dia de hoje! A confissão e a comunhão são os caminhos que nos levam à Graça de Deus. A partir do momento que nos decidimos firmemente a amar a Deus, devemos olhar para trás e fazer um balancete de nossa vida, de nossos erros e acertos, e a partir daí traçar as metas e fazer os propósitos de vida para nos mantermos na Graça de Deus. Para fazer um balancete de nossa vida espiritual, devemos observar aquilo que nos foi favorável, e aquilo que nos atrapalhou… perceber os degraus espirituais que subimos, ou descemos… Veja o exemplo: De um ano para cá, eu evolui ou regredi? Nas batalhas que tive no campo espiritual, eu venci com a graça de Deus? Tive muitas quedas? ( pecados mortais ) Permaneci caído? Estou vivendo na comunhão? Meu amor por Jesus aumentou? Estou rezando mais do que antes? Cultivei algum vício? (novelas, cigarro, bebidas, fofoca, preguiça, imodéstia, pornografia, tibieza, etc.) Rezo o terço todos os dias? Cultivei atitudes que roubam de mim o amor de Deus? Etc 📌 Dica! Após ler este texto e assistir o vídeo em anexo, faça este exame de consciência para que possa fazer uma boa confissão. Também temos um exame de consciência para crianças. Se por acaso cultivamos atitudes que nos afastam de Deus, ou ainda, se cometemos qualquer tipo de pecado mortal, este é o momento certo de dar um basta e fazer o propósito que a partir de agora não irá mais deixar se dominar por estes vícios e atitudes erradas! Tudo o que nos afasta de Deus, devemos deixar para trás e fazer um novo propósito de amar mais a Deus, e de fazer a sua vontade, obedecendo seus mandamentos com mais perfeição que até agora tinha feito. Assista ao vídeo contendo mais detalhes e dicas para a vida espiritual: Roteiro de vida espiritual A vida de oração e a perseverança na graça de Deus depende muito de nossa disposição e docilidade à vontade de Deus, portanto, grande parte do roteiro espiritual que propomos já faz parte de nossas obrigações como católicos e alguns pontos são até mandamentos da lei de Deus e da Igreja. Segue abaixo, o roteiro de vida espiritual adequado a todo católico que pretende preservar a graça de Deus: Confessar, ao menos, uma vez por mês. Nunca faltar à Missa Dominical. Adorar o Santíssimo Sacramento, pelo menos 1x por semana. Rezar o terço todos os dias! Ler todos os dias um capítulo das Sagradas Escrituras (especialmente do Novo Testamento). Ao menos 1x por mês fazer uma obra de caridade (visitar um abrigo de idosos, alguém no hospital, uma pessoa doente, etc.) Fazer um cenáculo de oração (terço com amigos ou outras famílias), se possível, uma vez por semana, visando a evangelização. Criar uma rotina de ler bons livros, ou pelo menos, buscar outras formas de adquirir conhecimento sobre a Doutrina da Igreja (vídeos, artigos, etc), para nunca ter dúvidas daquilo que a Santa Igreja ensina, e deste modo poder ensinar aos irmãos. Leia também: Não é possível ser um bom Cristão sem Vida de Oração Esta é uma lista resumida de um roteiro de vida espiritual que, seguindo todos os itens, certamente é possível evoluir muito em pouco tempo. Sobretudo, precisamos considerar de maneira mais séria e profunda a nossa vocação à santidade, e isso inclui aprender a amar de verdade a Deus e aos nossos irmãos, ou seja, precisamos ser melhores como pessoas, como cristãos! Como cristãos precisamos zelar por nossos irmãos, ou seja, nossos familiares e amigos. Estar com eles, dar bom testemunho. Precisamos vencer os pecados e fraquezas que reduzam nossa capacidade de amar. Para isso necessitamos buscar forças em Deus por uma vida de oração, pela digna recepção dos sacramentos e em um esforço maior para servir os que conosco convivem ou que de nós necessitam. Leia também: Porque muitos, mesmo dentro da Igreja, estão a caminho do inferno Santidade Para um cristão não pode haver diferença entre felicidade e santidade, portanto devemos cada vez mais buscar esta intimidade com Deus que nos faz compreender que ser dóceis à sua vontade é o que de melhor podemos experimentar. Assista a este vídeo bônus: #Dicas #Santidade #Vidadeoração
- Roteiro espiritual para preservar a Graça de Deus
Se para o ser humano o alimento é o combustível do corpo, a vida de oração certamente é o combustível para a alma. É através da oração e de uma vida voltada para o alto que conseguimos preservar a Graça de Deus, ou seja, a amizade e a comunhão com Deus. Infelizmente, grande parte das pessoas, mesmo que estão dentro da Igreja, não possuem uma vida de amizade com Deus, e por isso estão sujeitas à tentação que as levam a caírem em situações de pecado grave. Por falta de formação adequada, muitas dessas pessoas não se confessam há muitos anos, mas mesmo assim entram na fila da comunhão e acabam comungando indignamente o corpo e o Sangue de Nosso Senhor. Mas graças ao amor de Deus por nós, todos temos uma chance de recomeçar! Todo dia é tempo de começar de novo, e o melhor dia que temos para buscar nossa conversão é o dia de hoje! A confissão e a comunhão são os caminhos que nos levam à Graça de Deus. A partir do momento que nos decidimos firmemente a amar a Deus, devemos olhar para trás e fazer um balancete de nossa vida, de nossos erros e acertos, e a partir daí traçar as metas e fazer os propósitos de vida para nos mantermos na Graça de Deus. Para fazer um balancete de nossa vida espiritual, devemos observar aquilo que nos foi favorável, e aquilo que nos atrapalhou… perceber os degraus espirituais que subimos, ou descemos… Veja o exemplo: De um ano para cá, eu evolui ou regredi? Nas batalhas que tive no campo espiritual, eu venci com a graça de Deus? Tive muitas quedas? ( pecados mortais ) Permaneci caído? Estou vivendo na comunhão? Meu amor por Jesus aumentou? Estou rezando mais do que antes? Cultivei algum vício? (novelas, cigarro, bebidas, fofoca, preguiça, imodéstia, pornografia, tibieza, etc.) Rezo o terço todos os dias? Cultivei atitudes que roubam de mim o amor de Deus? Etc 📌 Dica! Após ler este texto e assistir o vídeo em anexo, faça este exame de consciência para que possa fazer uma boa confissão. Também temos um exame de consciência para crianças. Se por acaso cultivamos atitudes que nos afastam de Deus, ou ainda, se cometemos qualquer tipo de pecado mortal, este é o momento certo de dar um basta e fazer o propósito que a partir de agora não irá mais deixar se dominar por estes vícios e atitudes erradas! Tudo o que nos afasta de Deus, devemos deixar para trás e fazer um novo propósito de amar mais a Deus, e de fazer a sua vontade, obedecendo seus mandamentos com mais perfeição que até agora tinha feito. Assista ao vídeo contendo mais detalhes e dicas para a vida espiritual: Roteiro de vida espiritual A vida de oração e a perseverança na graça de Deus depende muito de nossa disposição e docilidade à vontade de Deus, portanto, grande parte do roteiro espiritual que propomos já faz parte de nossas obrigações como católicos e alguns pontos são até mandamentos da lei de Deus e da Igreja. Segue abaixo, o roteiro de vida espiritual adequado a todo católico que pretende preservar a graça de Deus: Confessar, ao menos, uma vez por mês. Nunca faltar à Missa Dominical. Adorar o Santíssimo Sacramento, pelo menos 1x por semana. Rezar o terço todos os dias! Ler todos os dias um capítulo das Sagradas Escrituras (especialmente do Novo Testamento). Ao menos 1x por mês fazer uma obra de caridade (visitar um abrigo de idosos, alguém no hospital, uma pessoa doente, etc.) Fazer um cenáculo de oração (terço com amigos ou outras famílias), se possível, uma vez por semana, visando a evangelização. Criar uma rotina de ler bons livros, ou pelo menos, buscar outras formas de adquirir conhecimento sobre a Doutrina da Igreja (vídeos, artigos, etc), para nunca ter dúvidas daquilo que a Santa Igreja ensina, e deste modo poder ensinar aos irmãos. Leia também: Não é possível ser um bom Cristão sem Vida de Oração Esta é uma lista resumida de um roteiro de vida espiritual que, seguindo todos os itens, certamente é possível evoluir muito em pouco tempo. Sobretudo, precisamos considerar de maneira mais séria e profunda a nossa vocação à santidade, e isso inclui aprender a amar de verdade a Deus e aos nossos irmãos, ou seja, precisamos ser melhores como pessoas, como cristãos! Como cristãos precisamos zelar por nossos irmãos, ou seja, nossos familiares e amigos. Estar com eles, dar bom testemunho. Precisamos vencer os pecados e fraquezas que reduzam nossa capacidade de amar. Para isso necessitamos buscar forças em Deus por uma vida de oração, pela digna recepção dos sacramentos e em um esforço maior para servir os que conosco convivem ou que de nós necessitam. Leia também: Porque muitos, mesmo dentro da Igreja, estão a caminho do inferno Santidade Para um cristão não pode haver diferença entre felicidade e santidade, portanto devemos cada vez mais buscar esta intimidade com Deus que nos faz compreender que ser dóceis à sua vontade é o que de melhor podemos experimentar. Assista a este vídeo bônus: #Dicas #Santidade #Vidadeoração
- REZAR COM OS POEMAS CARMELITAS
Há uma magnífica tradição poética no Carmelo. A prática da oração e da contemplação permite uma grande interioridade entre os Carmelitas, alguns dos quais compartilham conosco sua beleza por meio de seus escritos. É particularmente o caso dos grandes santos do Carmelo, que também são grandes poetas. Meditemos com Santa Teresa d’Ávila, que — com estes poucos versos de seu “poema n ° 8” — nos convida a um tempo de meditação e de intimidade com aquele que está presente em nós: “Se por acaso não souberes onde me encontrar, Não andes daqui pra ali; Se quiseres me encontrar, Procure-me em ti. Já que tu és minha casa, és o meu lar e minha morada. Por isso bato a todo momento, Se a encontro fechada, Na porta do teu pensamento.” Contemplemos, com São João da Cruz e com o seu Cântico Espiritual , que convida a olhar o mundo e a natureza com os olhos amorosos de Cristo, vendo como toda a beleza nos fala de Deus: “Mil graças derramando, Apressado passou pela natura E, para ela olhando, Bastou sua figura Pra logo a revestir de formosura.” Provemos o momento presente, este tempo de Deus, com Santa Teresinha de Lisieux e seu poema “Minha canção de hoje”: “Minha vida é apenas um momento, um instante passageiro… Minha vida é só um dia que me escapa e foge. Tu o sabes, oh meu Deus! Para te amar aqui na terra Só tenho o dia de hoje!…” Sintamos o sopro do Espírito com Edith Stein, Santa Teresa Benedita da Cruz: “Tu, que estás mais perto de mim do que eu mesma, Que estás mais dentro de mim que meu próprio coração, E, no entanto, inatingível e inconcebível, Além de todo e qualquer nome, Espírito Santo, Amor Eterno!” Prier avec les poésies du Carmel
- Solenidade Santa Maria, Mãe de Deus – 01 de Janeiro
A maternidade de Maria resplandece com tão virginal fulgor, que todas as virgens, diante dEla, são como se não o fossem. Somente Ela é a imaculada, a Virgem entre as virgens, a única que perfuma e torna perfeita a castidade de todas. O título “Théotokos” (Mãe de Deus) foi dado à Maria durante o Concílio de Éfeso (431), na Ásia Menor. A heresia de negar a maternidade divina de Nossa Senhora é muito anterior aos protestantes. Ela nasceu com Nestório, então Bispo de Constantinopla. Os protestantes retomaram esta heresia já sepultada pela Igreja de Cristo. Este é um problema de Cristologia e não de Mariologia. Vamos demonstrar através dos exemplos abaixo a autenticidade da doutrina católica. “Donde me vem a dita que a Mãe de meu Senhor venha visitar-me?” (Lc 1,43) Assista a Homilia do Padre Fernando onde ele explica sobre o dogma da Grande Mãe de Deus e o combate às Heresias… No primeiro dia do ano novo, o calendário dos santos se abre com a festa de Maria Santíssima, no mistério de sua maternidade divina. Escolha acertada, porque de fato Ela é “a Virgem mãe, Filha de seu Filho, humilde e mais sublime que toda criatura, objeto fixado por um eterno desígnio de amor”. Ela tem o direito de chamá-lo “Filho”, e Ele, Deus onipotente, chama-a, com toda verdade, Mãe! Foi a primeira festa mariana que apareceu na Igreja ocidental. Substituiu o costume pagão das dádivas e começou a ser celebrada em Roma, no século IV. Desde 1931 era no dia 11 de outubro, mas com a última revisão do calendário religioso passou à data atual, a mesma onde antes se comemorava a circuncisão de Jesus, oito dias após ter nascido. Num certo sentido, todo o ano litúrgico segue as pegadas desta maternidade,começando pela solenidade da Anunciação, nove meses antes da Natividade. Maria concebeu por obra do Espírito Santo. Como todas as mães, trouxe no próprio seio aquele que só ela sabia que se tratava do Filho unigênito de Deus, que nasceu na noite de Belém. Ela assumiu para si a missão confiada por Deus. Sabendo, por conhecer as profecias, que teria também seu próprio calvário, enquanto mãe daquele que seria sacrificado em nome da salvação da Humanidade. Deus se fez carne por meio de Maria. Ela é o ponto de união entre o Céu e a Terra. Contribuiu para a obtenção da plenitude dos tempos. Sem Maria, o Evangelho seria apenas ideologia, somente “racionalismo espiritualista”, como registram alguns autores. O próprio Jesus através do apóstolo São Lucas (6,43) nos esclarece: “Uma árvore boa não dá frutos maus, uma árvore má não dá bom fruto”. Portanto, pelo fruto se conhece a árvore. Santa Isabel, quando recebeu a visita de Maria já coberta pelo Espírito Santo, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.” (Lc1,42). O Fruto do ventre de Maria é o Filho de Deus Altíssimo, Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor. Quem aceita Jesus, fruto de Maria, aceita a árvore que é Maria. Maria é de Jesus e Jesus é de Maria. Ou se aceita Jesus e Maria ou se rejeita a ambos. Por tomar esta verdade como dogma é que a Igreja reverencia, no primeiro dia do ano, a Mãe de Jesus. Que a contemplação deste mistério exerça em nós a confiança inabalável na Misericórdia de Deus, para nos levar ao caminho reto, com a certeza de seu auxílio, para abandonarmos os apegos e vaidades do mundo, e assimilarmos a vida de Jesus Cristo, que nos conduz à Vida Eterna. Assim, com esses objetivos entreguemos o novo ano à proteção de Maria Santíssima que, quando se tornou Mãe de Deus, fez-se também nossa Mãe, incumbiu-se de formar em nós a imagem de seu Divino Filho, desde que não oponhamos de nossa parte obstáculos à sua ação maternal. A comemoração de Maria, neste dia, soma-se ao Dia Universal da Paz. Ninguém mais poderia encarnar os ideais de paz, amor e solidariedade do que ela, que foi o terreno onde Deus fecundou seu amor pelos filhos e de cujo ventre nasceu aquele que personificou a união ente os homens e o amor ao próximo, Nosso Senhor Jesus Cristo. Celebrar Maria é celebrar O nosso Salvador. Dia da Paz, dia de nossa Mãe, Maria Santíssima. Nos tempos sofridos em que vivemos, um dia de reflexão e esperança! A predestinação de Maria a maternidade divina A predestinação com que a Santíssima Virgem foi eleita é especial, única entre todas, não somente pelo grau, mas pelo gênero. Se Maria é, na verdade, a primeira criatura predestinada com a mais perfeita imagem de seu Filho, é, além disso e a outro título, a única predestinada em qualidade de Mãe sua. Para demonstrar a afirmação de que desde toda a eternidade Deus predestinou a Santíssima Virgem Maria para ser a Mãe do Verbo encarnado, o insigne dominicano Fr. Royo Marín evoca a pura voz da infabilidade pontifícia: “Na Bula Ineffabilis Deus, com a que Pio IX definiu o dogma da Imaculada Conceição, leêm-se expressamente estas palavras: “Elegeu e assinalou (Deus), desde o princípio e antes dos tempos, para seu Unigênito uma Mãe, na qual Ele se encarnaria, e da qual, depois, na ditosa plenitude dos tempos, nasceria; e em tal grau A amou acima de todas as criaturas, que somente nEla se comprouve com singularíssima benevolência.” Nada sucede, nem pode suceder no tempo que não tenha sido previsto ou predestinado por Deus desde toda a eternidade. Logo, se a Virgem Maria é, de fato, a Mãe do Verbo encarnado, claro está que foi predestinada para isso desde toda a eternidade. É uma verdade tão límpida e evidente que não necessita demonstração alguma. A maternidade divina de Maria Todos os títulos e grandezas de Maria dependem do fato colossal de sua maternidade divina. Maria é imaculada, cheia de graça, Co-redentora da humanidade, Rainha dos Céus e da Terra e Medianeira universal de todas as graças, etc., porque é a Mãe de Deus. A maternidade divina A coloca a tal altura, tão acima de todas as criaturas que São Tomás de Aquino, tão sóbrio e discreto em suas apreciações, não hesita em qualificar sua dignidade como sendo de certo modo infinita. E seu grande comentarista, o Cardeal Caietano, diz que Maria, por sua maternidade divina, alcança os limites da divindade. Entre todas as criaturas, é Maria, sem dúvida alguma, a que tem maior afinidade com Deus. Assim, no dizer de outro eminente mariólogo “o dogma mais importante da Virgem Maria é sua maternidade divina”. É o primeiro alicerce sobre o qual se levanta o edifício da grandeza mariana. É este um fato que excede de tal modo a força cognoscitiva do homem que deve ser enumerado entre os maiores mistérios de nossa fé. Que uma humilde mulher, descendente de Adão como nós, se torne Mãe de Deus, é um mistério tão sublime de elevação do homem e de condescendência divina, que deixa atônita qualquer inteligência, angélica ou humana, no séculos e na eternidade. Maria, verdadeira Mãe de Deus Para que uma mulher possa dizer-se verdadeiramente mãe, é necessário que subministre à sua prole, por via de geração, uma natureza semelhante (ou seja, consubstancial) à sua. Suposta esta óbvia noção da maternidade, não é tão difícil compreender-se de que modo a Virgem Santíssima possa ser chamada verdadeira Mãe de Cristo, tendo Ela subministrado a Cristo, por via de geração, uma natureza semelhante à sua, ou seja, a natureza humana. A dificuldade surge, porém, quando se procura compreender de que modo a Virgem Santíssima pode ser chamada verdadeira Mãe de Deus, pois não se vê bem, à primeira vista, de que modo Deus possa ser aqui gerado. Não obstante isso, se se observar atentamente, as duas fórmulas: Mãe de Cristo e Mãe de Deus, se equivalem, pois significam a mesma realidade e são, por isso, perfeitamente sinônimas. Nossa Senhora, com efeito, não é denominada Mãe de Deus no sentido de que houvesse gerado a Divindade (ou seja, a natureza divina do Verbo) e sim no sentido de que gerou, segundo a humanidade, a divina pessoa do verbo. O sujeito da geração e da filiação não é a natureza, mas a pessoa. Ora, a divina pessoa do Verbo foi unida à natureza humana, subministrada pela Virgem Santíssima, desde o primeiro instante da concepção; de modo que a natureza humana de Cristo não esteve jamais terminada, nem mesmo por um instante, pela personalidade humana, mas sempre subsistiu, desde o primeiro momento de sua existência, na pessoa divina do Verbo. Este e não outro é o verdadeiro conceito da maternidade divina, tal como foi definida pelo Concílio de Éfeso, em 431. Em suma, “Maria concebeu realmente e deu à luz segundo a carne à pessoa divina de Cristo (única pessoa que há nEle), e, por conseguinte, é e deve ser chamada com toda propriedade Mãe de Deus. Não importa que Maria não haja concebido a natureza divina enquanto tal (tampouco as outras mães concebem a alma de seus filhos), já que essa natureza divina subsiste no Verbo eternamente e é, por conseguinte, anterior à existência de Maria. Ela, porém, concebeu uma pessoa – como todas as demais mães -, e como essa pessoa, Jesus, não era humana, mas divina, segue-se logicamente que Maria concebeu segundo a carne a pessoa divina de Cristo, e é, portanto, real e verdadeiramente Mãe de Deus. O testemunho da Escritura A Sagrada Escritura nos diz explicitamente que a Virgem Santíssima é verdadeira Mãe de Jesus (Mt, II, 1; Lc. II, 37-48; Jo. II, 1; At. I, 14). Com efeito, Jesus nos é apresentado como concebido pela Virgem (Lc. I, 31) e nascido da Virgem (Lc. II, 7-12). Mas, Jesus é verdadeiro Deus, como resulta do seu próprio e explícito testemunho, pela fé apostólica da Igreja, pelo testemunho de São João, etc. Para se poder negar sua divindade, não há outro caminho senão rasgar todas as páginas do Novo Testamento. Ora, se Maria é verdadeira Mãe de Jesus e Jesus é verdadeiro Deus, segue-se necessariamente que Maria é verdadeira Mãe de Deus. São Paulo ensina explicitamente que, “chegada a plenitude dos tempos, Deus mandou seu Filho, feito de uma mulher” (Gal. IV, 4). Por estas palavras, manifesta-se claramente que Aquele que foi gerado ab aeterno pelo Pai é o mesmo que foi, depois, gerado no tempo pela Mãe; mas Aquele que foi gerado ab aeterno pelo Pai é Deus, o Verbo. Portanto, também o que foi gerado no tempo pela Mãe é Deus, o Verbo. Ainda mais clara e explícita, em seu vigor sintético, é a expressão de Santa Isabel. Respondendo à saudação que Maria lhe dirigira. Santa Isabel, inspirada pelo Espírito Santo, disse, cheia de admiração: “E como me é dado que a Mãe de meu Senhor venha a mim?” (Lc I, 43). A expressão meu Senhor é, evidentemente, sinônimo de Deus, pois que, em seguida, Isabel acrescenta: “Cumprir-se-ão em Ti todas as coisas que te foram ditas da parte do Senhor”, ou seja, da parte de Deus. Isabel, portanto, inspirada pelo Espírito Santo, proclamou explicitamente que Maria é verdadeira Mãe de Deus. A voz da tradição Toda a tradição cristã, a partir dos tempos apóstolicos, é uma proclamação contínua desta verdade mariológica fundamental. Nos dois primeiros séculos, os Padres ensinaram que Maria concebeu e deu à luz a Deus. No terceiro século, começa o uso do termo que se tornou clássico: Theotokos, ou seja, Mãe de Deus. No século IV, mesmo antes do Concílio de Éfeso, a expressão Mãe de Deus se tornara tão comum entre os cristãos, que dava nos nervos do Imperador Juliano, o Apóstata, o qual se lamentava de os cristãos não se cansarem nunca de chamar a Maria de Mãe de Deus. João de Antioquia aconselhava a seu amigo Nestório para não insistir demasiado em negar este título, a fim de evitar tumulto do povo. O próprio Alexandre de Hierápolis, cognominado de outro Nestório, reconhecia que a expressão Mãe de Deus estava em uso entre os cristãos desde muito tempo. A exultação mesma que os fiéis demonstraram, quando a maternidade divina foi definida solenemente como dogma de fé, comprova até à evidência quão profundamente na alma estava radicada essa verdade fundamental na alma daqueles antigos cristãos. Por isso, no sentir do Pe. Terrien, “as definições dos concílios não introduziram um novo dogma, mas foram antes a sanção oficial da fé da Igreja, motivada pelas sacrílegas negações dos inovadores.” (Pequeno Ofício da Imaculada Conceição comentado, Monsenhor João Clá Dias, EP, Artpress, São Paulo,1997, p. 365 à 367). Maria é Mãe de Deus, porque é Mãe de Jesus que é Deus Se perguntarmos a alguém se ele e filho de sua mãe, se esta verdadeiramente for a mãe dele, de certo nos lançará um olhar de espanto. E teria razão. O homem como sabemos é composto de corpo, alma e espírito. A minha mãe me deu meu corpo, a parte material deste conjunto trinitário que eu sou; sendo minha alma e espírito dados por Deus. E minha mãe que me deu a luz não é verdadeiramente minha mãe? Apliquemos, agora, estas noções de bom senso ao caso da Maternidade divina de Nossa Senhora. Há em Nosso Senhor Jesus Cristo duas naturezas: a humana e a divina, constituindo uma só pessoa, a pessoa de Jesus. Nossa Santa Mãe é mãe desta pessoa, dando a ela somente a parte material, como nosso mãe também o faz. O Espírito e Alma de Cristo também vieram de Deus. Nossa mãe não é mãe do nosso corpo, mas mãe de nossa pessoa. Assim também Maria é Mãe de Cristo. Ela não é a Mae da Divindade ou da Trindade, mas é mãe de Cristo a segunda pessoa da Santíssima Trindade, que também é Deus. Sendo Jesus Deus, Maria é Mãe de Deus. Basta um pequeno raciocínio para reconhecer como necessária a maternidade Divina da Santíssima Virgem. Nosso Senhor morreu como homem na Cruz (pois Deus não morre), mas nos redimiu como Deus, pelos seus méritos infinitos. Ora, a natureza humana de Nosso Senhor e a natureza divina não podem ser separadas, pois a Redenção não existiria se Nosso Senhor tivesse morrido apenas como homem. Logo, Nossa Santa Mãe, Mãe de Nosso Senhor, mesmo não sendo mãe da divindade é Mãe de Deus, pois Nosso Senhor é Deus. Se negarmos a maternidade de Nossa Senhora, negaremos a redenção do gênero humano. A negação da Maternidade divina de Nossa Senhora é uma negação à Verdade, uma negação ao ensino dos Apóstolos de Cristo. Provas da Sagrada Escritura A Igreja Católica sendo a única Igreja Fundada por Cristo, confirmada pelos Apóstolos e seus legítimos sucessores; sendo Ela a escritora, legitimadora e guardiã da Bíblia, jamais poderia ensinar algo que estivesse contra o Ensino da Bíblia. Vejamos o que a Sagrada Escritura ensina sobre a Maternidade Divina de Nossa Senhora: O profeta Isaías escreveu: “Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel [Deus conosco]” (Is 7,14). Claramente o profeta declara que o filho da virgem será divino, portanto a maternidade da virgem também é divina, o que a faz ser Mãe de Deus. O Arcanjo Gabriel disse: “O Santo que há de nascer de ti será chamado Filho de Deus” (Lc 1,35). Se ele é filho de Deus, ele tb é Deus e Maria é sua Mãe, portanto Mãe de Deus. Isaías também escreveu o mesmo em Is 7,14. Cheia do Espírito Santo, Santa Izabel saudou Maria dizendo: “Donde a mim esta dita de que a mãe do meu Senhor venha ter comigo”? (Lc 1,43). E Mãe de meu Senhor quer dizer Mãe do meu Deus, portanto Mãe de Deus.. São Paulo ainda escreveu: “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4,4). São Paulo claramente afirma que uma mulher foi a Mãe do filho de Deus, portanto Mãe de Deus. Tendo a Sagrada Escritura seu berço na Igreja – portanto sendo menor que Ela -, vemos como está de acordo com o ensino da mesma. Leia também: Dicas para passar o ano inteiro na Graça de Deus A Doutrina dos Santos Padres Será que os Apóstolos de Cristo concordavam com a Maternidade Divina de Nossa Senhora? Pois segundo os protestantes, a Igreja Católica inventou a maternidade divina de Maria no séc V durante o Concílio de Éfeso. Vejamos o que diz o Apóstolo Santo André: “Maria é Mãe de Deus, resplandecente de tanta pureza, e radiante de tanta beleza, que, abaixo de Deus, é impossível imaginar maior, na terra ou no céu” (Sto Andreas Apost. in trasitu B. V., apud Amad.). Veja agora o testemunho de São João Apóstolo: “Maria, é verdadeiramente Mãe de Deus, pois concebeu e gerou um verdadeiro Deus, deu a luz, não um simples homem como as outras mães, mas Deus unido a carne humana” (S. João Apost. Ibid). São Tiago: “Maria é Santíssima, a Imaculada, a gloriosíssima Mãe de Deus” (S. Jac. in Liturgia). São Dionísio Areopagita: “Maria é feita Mãe de Deus, para a salvação dos infelizes” (S. Dion. in revel. S. Brigit.). Orígenes escreveu: “Maria é Mãe de Deus, unigênito do Rei e criador de tudo o que existe” (Orig. Hom I, in divers. – Sec. II). Santo Atanásio diz: “Maria é Mãe de Deus, completamente intacta e impoluta” (Sto. Ath. Or. in pur. B.V.). Santo Efrém: “Maria é Mãe de Deus sem culpa” (S. Ephre. in Thren. B.V.). São Jerônimo: “Maria é verdadeiramente Mãe de Deus” (S. Jerôn. in Serm. Ass. B.V.). Santo Agostinho: “Maria é Mãe de Deus, feita pela mão de Deus” (S. Agost. in orat. ad heres.). Todos os Santos Padres afirmaram em amor e veneração a maternidade divina por Nossa Senhora. Me cansaria em citar todos os testemunhos primitivos. Agora uma surpresa para os protestantes. Lutero e Calvino sempre veneraram a Santíssima Virgem. Veja abaixo a testemunho dos pais da Reforma: “Quem são todas as mulheres, servos, senhores, príncipes, reis monarcas da Terra, comparados com a Virgem Maria que, nascida de descendência real (descendente do rei Davi) é, além disso, Mãe de Deus, a mulher mais sublime da Terra? Ela é, na cristandade inteira, o mais nobre tesouro depois de Cristo, a quem nunca poderemos exaltar o suficiente, a mais nobre imperatriz e rainha, exaltada e bendita acima de toda a nobreza, com sabedoria e santidade” (Martinho Lutero no comentário do Magnificat – cf. escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista Jesus vive e é o Senhor). “Não há honra, nem beatitude, que se aproxime sequer, por sua elevação, da incomparável prerrogativa, superior a todas as outras, de ser a única pessoa humana que teve um Filho em comum com o Pai Celeste” (Martinho Lutero – Deutsche Schriften, 14,250). “Não podemos reconhecer as bênçãos que nos trouxe Jesus, sem reconhecer ao mesmo tempo quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê-la para Mãe de Deus” (Calvino – Comm. Sur I’Harm. Evang., 20). A negação da Maternidade divina de Nossa Senhora é uma negação à Verdade, é negar a Divindade de Cristo, é negar o ensino dos Apóstolos de Cristo. O Concílio Ecumênico de Éfeso Quando o heresiarca Ario divulgou o seu erro, negando a divindade da pessoa de Jesus Cristo, a Providência Divina fez aparecer o intrépido Santo Atanásio para confundi-lo, assim como fez surgir Santo Agostinho para suplantar o herege Pelágio, e São Cirilo de Alexandria para refutar os erros de Nestório, que haviam semeado a pertubação e a indignação no Oriente. Em 430, o Papa São Celestino I, num concílio de Roma, examinou a doutrina de Nestório que lhe fora apresentada por São Cirilo e condenou-a anti-católica, herética. São Cirilo formulou a condenação em doze proposições, chamadas os doze anátemas, em que resumia toda a doutrina católica a este respeito. Leia também: .: A Santa Escravidão de Amor .: Os erros mais comuns sobre a Total Consagração à Santíssima Virgem .: A necessidade e a urgência da propagação da Total Consagração a Santíssima Virgem Pode-se resumi-la em três pontos: Em Jesus Cristo, o Filho do homem não é pessoalmente distinto do Filho de Deus; A Virgem Santíssima é verdadeiramente a Mãe de Deus, por ser a Mãe de Jesus Crito, que é Deus; Em virtude da união hipostática, há comunicações de idiomas, isto é; denominações, propriedades e ações das duas naturezas em Jesus Cristo, que podem ser atribuídas à sua pessoa, de modo que se pode dizer: Deus morreu por nós, Deus salvou o mundo, Deus ressuscitou. Para exterminar completamente o erro, e restringir a unidade de doutrina ao mundo, o Papa resolveu reunir o Concílio de Éfeso (na Ásia Menor), em 431, convidando todos os bispos do mundo. Perto de 200 bispos, vindos de todas as partes do orbe, reuniram-se em Éfeso. São Cirilo presidiu a assembléia em nome do Papa. Nestório recusou comparecer perante aos bispos unidos. Desde a primeira sessão a heresia foi condenada. Sobre um trono, no centro da assembléia, os bispos colocaram o Santo Evangelho, para representar a assistência de Jesus Cristo, que prometera estar com a sua Igreja até a consumação dos séculos, espetáculo santo e imponente que desde então foi adotado em todos os concílios. Os bispos cercando o Evangelho e o representante do Papa, pronunciaram unânime e simultaneamente a definição proclamando que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus. Nestório deixou de ser, desde então, bispo de Constantinopla. Quando a multidão ansiosa que rodeava a Igreja de Santa Maria Maior, onde se reunia o concílio, soube da definição que proclamava Maria Mãe de Deus, num imenso brado ecoou a exclamação: “Viva Maria, Mãe de Deus! Foi vencido o inimigo da Virgem! Viva a grande, a augusta, a gloriosa Mãe de Deus!” Em memória desta solene definição, o concílio juntou à saudação angélica estas palavras simples e expressivas: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte”. Alessandro Lima Fonte: www.veritatis.com.br A Mulher, a Serpente e a Profecia Por que o diabo quis impedir que as pessoas conhecessem o tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem? O Papa Bento XV classificou o “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, escrito por São Luís Maria Grignion de Montfort, como um “livro da mais suave unção”. De fato, todo seu conteúdo é sublime e nos apresenta não apenas uma espiritualidade que eleva e enriquece aqueles que procuram vivenciá-la e que beneficia imensamente o próximo por causa da doação dos méritos, mas também porque nos apresenta de modo claro a estratégia estabelecida por Deus para neutralizar a ação do inimigo e estabelecer no mundo o Reinado de Jesus Cristo. Em Gênesis 3, 15 lê-se que o próprio Deus estabeleceu o ódio entre a serpente e a mulher, entre sua descendência e a dela; e fazendo ver que estamos em uma batalha espiritual, antecipa o conhecimento do resultado final dessa guerra entre o bem e o mal, confiando à mulher e à sua descendência a missão de esmagar a cabeça do inimigo, que por sua vez procurará sempre armar-lhe ciladas. Assista ao Vídeo do Padre Rodrigo Maria: O diabo – melhor do que nós – conhecia a profecia e sabia que mais cedo ou mais tarde ela se cumpriria. Com efeito o inimigo sabia que Deus não fez uma mera ameaça, mas uma promessa onde decretava sua derrota. A mulher é claramente Nossa Senhora, razão pela qual Jesus no alto da cruz, quando nos consagra a Ela, entregando-nos a seus cuidados, não utiliza o termo “mãe” mas “mulher” (Jo 19,26). A palavra“mulher” aqui não é uma palavra de desprezo, ou que denote qualquer frieza para com a Mãe Santíssima, mas sim uma palavra técnica, precisa, muito bem colocada, pela qual Jesus queria nos fazer compreender que a Virgem Maria era a mulher destinada pelo Pai através da qual se cumprirá a profecia (Gen 3,15). Ele, seu único filho segundo a carne, entrega a Ela uma numerosíssima descendência quando na pessoa de João diz: “Mulher eis aí o teu filho”. A Igreja interpretando este gesto do Senhor diz que em João todos fomos entregues à Maria Santíssima, razão pela qual o Papa Paulo VI declarou Maria “Mãe da Igreja”. Ela é a mulher da profecia. Cristo e nós, seus membros, somos sua descendência. Jesus nos entregou a Maria, dando a Ela a amorosa autoridade de mãe sobre todos, para que Ela nos ensinasse a amá-Lo, levando-nos a fazer tudo o que Ele mandou, e assim nos mantivéssemos em comunhão com Ele e com mais facilidade perseverássemos em sua graça. O desejo do inimigo é arrastar-nos para o inferno, tentando-nos de todos os modos possíveis para nos desviar do caminho de Deus e renegarmos a sua vontade, perdendo a sua graça e portanto a comunhão com Ele. Jesus nos deu Maria como antídoto contra o inimigo. É Ela que, como boa Mãe nos ajudará a acolher e compreender melhor a vontade de Deus e a rejeitar as tentações do inimigo, levando-nos a esmagar sua cabeça ou seja, a rejeitar suas propostas que nos fariam perder a amizade e a comunhão com Deus. O povo cristão sempre venerou a Santíssima Virgem e recorreu à sua materna intercessão, mas só pouco a pouco se foi compreendendo seu papel no plano da salvação e como efetivamente Ela contribuiria em nosso processo de santificação e salvação. Quando São Luís Maria Grignion de Montfort escreve o Tratado da Verdadeira Devoção mostrando de modo claro e elevado a importância e a necessidade de uma verdadeira devoção para com a Virgem Santíssima para nossa santificação pessoal, para benefício do próximo e cumprimento da profecia, ou seja do plano salvífico de Deus para o homem, o inferno se revolta e satanás mostra todo seu pavor e ódio da consagração ali ensinada, por isto ele reconhece que se o mundo conhecesse a devoção e a consagração do modo como Montfort as apresentavam a profecia se cumpriria, sua cabeça seria esmagada, sua ação neutralizada e seu reino destruído. Leia também: Campanha de Consagrações – Grupos de Consagração via What’s App Tal é o pavor que o conteúdo do Tratado impõe ao inferno, que o inimigo em uma atitude ousada, jamais vista na história, tenta destruir o pequeno livro. Não sendo entretanto permitido por Deus tal coisa, ele empreende todo os esforços para escondê-lo, de “modo que não apareça” (T.V.D. 144) e o mundo não o conheça… Em sua sabedoria Deus permite tal ação, de modo que o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem escrito em 1712 desapareceu e só foi reencontrado 130 anos depois, ou seja em 1842, sendo prontamente publicado e posteriormente traduzido em mais de 60 línguas. Deus permitiu que o inimigo escondesse o Tratado por tanto tempo para que assim ficasse manifesto todo o medo que ele tem da consagração ali ensinada e assim compreendêssemos bem com que arma deveríamos derrotá-lo. 75 anos depois que o Tratado da Verdadeira Devoção foi encontrado, em 1917 Nossa Senhora aparece em Fátima e depois de mostrar o inferno aos pastorinhos e muitas almas que aí caíam “por não haver quem rezasse e se sacrificassem por elas” diz: “Para salvar as almas dos pobres pecadores, meu Filho quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”. É Jesus que novamente volta seu olhar para nós e apontando para sua Mãe diz: “Eis aí tua mãe”… Ele quer que se estabeleça no mundo a verdadeira devoção ao Coração da Virgem Imaculada, ou seja aquela devoção e aquela entrega que Ele mesmo quis que tivéssemos para com sua Mãe Santíssima quando no-la deu por Mãe, e a fez Senhora, submetendo a Ela os nossos corações. Em Fátima nada de novo é dito. Ao manifestar o desejo do coração de seu Filho a Santíssima Virgem simplesmente recorda a todos a profecia do Pai (Gen 3, 15) e a ordem do Filho (Jo 19, 26), que respectivamente lhe confiou a missão de derrotar o inimigo, esmagando-lhe a cabeça e de proteger e educar a descendência que Deus lhe confiou ensinando-a a amá-Lo verdadeiramente. Em Fátima Nossa Senhora nos faz compreender, que por vontade de Deus, a devoção e a consagração ao Seu Imaculado Coração precedem toda e qualquer devoção, não por ser mais importante, mais por ser uma condição para se fazer e viver bem qualquer devoção ou espiritualidade, sendo assim, aqueles que pela Total Consagração entram na Escola do Imaculado Coração de Maria, aprendem com ela a adorar de modo mais profundo a Jesus no Santíssimo Sacramento, a venerar de maneira mais elevada o Seu Sacratíssimo Coração, a deixar-se conduzir com muita mais docilidade pelo Espírito Santo, a honrar com mais perfeição os anjos e santos de Deus. Mais… Deus nos faz compreender que nesta batalha espiritual, seu plano para combater o inimigo e estabelecer o reinado de seu Filho no mundo, continua exatamente o mesmo, pois disse Nossa Senhora:“Por fim meu Imaculado Coração triunfará”. O triunfo do Imaculado Coração de Maria consiste tão somente em fazer de Jesus o Senhor de todos os corações. Consiste em acolher todos em Seu coração para ensiná-los a fazer tudo que Jesus mandou. Maria reina em nós quando Jesus é feito Rei de nossos corações. O inimigo sabe que se todos forem a Maria Santíssima, então aprenderão com Ela a amar a Deus e a rejeitar as seduções do mal, por isso escondeu por tanto tempo o Tratado da Verdadeira Devoção, que nos ensina quem é Nossa Senhora e qual sua missão no processo de nossa santificação e salvação, como devemos nos entregar e consagrar a Ela, para que Ela tenha a liberdade de nos formar na fé e nos consolidar no amor a Jesus Cristo Nosso Senhor. No diário da Divina Misericórdia de Santa Faustina Kowalska Jesus dizia à santa que da Polônia faria surgir uma centelha, através da qual incendiaria o mundo. Sem dúvida, que essa centelha foi o Beato João Paulo II, que em sua vida e doutrina nos deu a síntese de Montfort e Fátima. O Beato João Paulo II tornou-se uma centelha que incendiará o mundo, sobretudo no que se refere à sua devoção e consagração à Nossa Senhora. Ele fez perceber pelo seu exemplo e doutrina a importância e o lugar de Nossa Senhora na vida dos cristãos e de toda a Igreja. Colocou a base para uma profunda e extensão divulgação de Total Consagração, uma vez que leu o Tratado e fez a Consagração Total quando era seminarista, adotou como lema de seu pontificado o “Totus Tuus”, resumo de sua total entrega a Mãe de Deus, recomendou a todos que fizessem essa consagração e escrevendo à família Monfortana pediu que não se “deixasse escondido esse tesouro de graça”. Tomando consciência do plano e da estratégia de Deus para salvar o seu povo e dar cumprimento a profecia, derrotando o inimigo de nossa salvação, compete a nós hoje, nas pegadas de São Luís de Montfort, respondendo ao apelo de Fátima a exemplo do Beato João Paulo II fazer de tudo para conhecer, viver e divulgar a Total Consagração para que venha logo o Triunfo do Imaculado Coração e o Reinado de Jesus Cristo Nosso Senhor. Leia também: EM DEFESA DA SANTA ESCRAVIDÃO DE AMOR – Resposta a um seminarista que falava contra a Total Consagração à Santíssima Virgem O demônio teve grande pavor e ódio do Tratado da Verdadeira Devoção, o que levou-o a escondê-lo por 130 anos, façamos nós o contrário! Trabalhemos para difundí-lo em todo o mundo, levando todos à Escola do Imaculado Coração onde o mundo compreenderá aquilo que não somos capazes de explicar, e entender o que não somos capazes de fazer compreender com palavras. Que todos amem a Jesus com toda a força, com toda alma, com todo coração e com todo entendimento. Que Ele reine no mundo e em nossos corações. Trabalhemos para que se cumpra a profecia! Templário de Maria #FestasdeNossaSenhora #NossaSenhora #SantíssimaVirgem #SantodoDia
- Solenidade Santa Maria, Mãe de Deus – 01 de Janeiro
A maternidade de Maria resplandece com tão virginal fulgor, que todas as virgens, diante dEla, são como se não o fossem. Somente Ela é a imaculada, a Virgem entre as virgens, a única que perfuma e torna perfeita a castidade de todas. O título “Théotokos” (Mãe de Deus) foi dado à Maria durante o Concílio de Éfeso (431), na Ásia Menor. A heresia de negar a maternidade divina de Nossa Senhora é muito anterior aos protestantes. Ela nasceu com Nestório, então Bispo de Constantinopla. Os protestantes retomaram esta heresia já sepultada pela Igreja de Cristo. Este é um problema de Cristologia e não de Mariologia. Vamos demonstrar através dos exemplos abaixo a autenticidade da doutrina católica. “Donde me vem a dita que a Mãe de meu Senhor venha visitar-me?” (Lc 1,43) Assista a Homilia do Padre Fernando onde ele explica sobre o dogma da Grande Mãe de Deus e o combate às Heresias… No primeiro dia do ano novo, o calendário dos santos se abre com a festa de Maria Santíssima, no mistério de sua maternidade divina. Escolha acertada, porque de fato Ela é “a Virgem mãe, Filha de seu Filho, humilde e mais sublime que toda criatura, objeto fixado por um eterno desígnio de amor”. Ela tem o direito de chamá-lo “Filho”, e Ele, Deus onipotente, chama-a, com toda verdade, Mãe! Foi a primeira festa mariana que apareceu na Igreja ocidental. Substituiu o costume pagão das dádivas e começou a ser celebrada em Roma, no século IV. Desde 1931 era no dia 11 de outubro, mas com a última revisão do calendário religioso passou à data atual, a mesma onde antes se comemorava a circuncisão de Jesus, oito dias após ter nascido. Num certo sentido, todo o ano litúrgico segue as pegadas desta maternidade,começando pela solenidade da Anunciação, nove meses antes da Natividade. Maria concebeu por obra do Espírito Santo. Como todas as mães, trouxe no próprio seio aquele que só ela sabia que se tratava do Filho unigênito de Deus, que nasceu na noite de Belém. Ela assumiu para si a missão confiada por Deus. Sabendo, por conhecer as profecias, que teria também seu próprio calvário, enquanto mãe daquele que seria sacrificado em nome da salvação da Humanidade. Deus se fez carne por meio de Maria. Ela é o ponto de união entre o Céu e a Terra. Contribuiu para a obtenção da plenitude dos tempos. Sem Maria, o Evangelho seria apenas ideologia, somente “racionalismo espiritualista”, como registram alguns autores. O próprio Jesus através do apóstolo São Lucas (6,43) nos esclarece: “Uma árvore boa não dá frutos maus, uma árvore má não dá bom fruto”. Portanto, pelo fruto se conhece a árvore. Santa Isabel, quando recebeu a visita de Maria já coberta pelo Espírito Santo, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.” (Lc1,42). O Fruto do ventre de Maria é o Filho de Deus Altíssimo, Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor. Quem aceita Jesus, fruto de Maria, aceita a árvore que é Maria. Maria é de Jesus e Jesus é de Maria. Ou se aceita Jesus e Maria ou se rejeita a ambos. Por tomar esta verdade como dogma é que a Igreja reverencia, no primeiro dia do ano, a Mãe de Jesus. Que a contemplação deste mistério exerça em nós a confiança inabalável na Misericórdia de Deus, para nos levar ao caminho reto, com a certeza de seu auxílio, para abandonarmos os apegos e vaidades do mundo, e assimilarmos a vida de Jesus Cristo, que nos conduz à Vida Eterna. Assim, com esses objetivos entreguemos o novo ano à proteção de Maria Santíssima que, quando se tornou Mãe de Deus, fez-se também nossa Mãe, incumbiu-se de formar em nós a imagem de seu Divino Filho, desde que não oponhamos de nossa parte obstáculos à sua ação maternal. A comemoração de Maria, neste dia, soma-se ao Dia Universal da Paz. Ninguém mais poderia encarnar os ideais de paz, amor e solidariedade do que ela, que foi o terreno onde Deus fecundou seu amor pelos filhos e de cujo ventre nasceu aquele que personificou a união ente os homens e o amor ao próximo, Nosso Senhor Jesus Cristo. Celebrar Maria é celebrar O nosso Salvador. Dia da Paz, dia de nossa Mãe, Maria Santíssima. Nos tempos sofridos em que vivemos, um dia de reflexão e esperança! A predestinação de Maria a maternidade divina A predestinação com que a Santíssima Virgem foi eleita é especial, única entre todas, não somente pelo grau, mas pelo gênero. Se Maria é, na verdade, a primeira criatura predestinada com a mais perfeita imagem de seu Filho, é, além disso e a outro título, a única predestinada em qualidade de Mãe sua. Para demonstrar a afirmação de que desde toda a eternidade Deus predestinou a Santíssima Virgem Maria para ser a Mãe do Verbo encarnado, o insigne dominicano Fr. Royo Marín evoca a pura voz da infabilidade pontifícia: “Na Bula Ineffabilis Deus, com a que Pio IX definiu o dogma da Imaculada Conceição, leêm-se expressamente estas palavras: “Elegeu e assinalou (Deus), desde o princípio e antes dos tempos, para seu Unigênito uma Mãe, na qual Ele se encarnaria, e da qual, depois, na ditosa plenitude dos tempos, nasceria; e em tal grau A amou acima de todas as criaturas, que somente nEla se comprouve com singularíssima benevolência.” Nada sucede, nem pode suceder no tempo que não tenha sido previsto ou predestinado por Deus desde toda a eternidade. Logo, se a Virgem Maria é, de fato, a Mãe do Verbo encarnado, claro está que foi predestinada para isso desde toda a eternidade. É uma verdade tão límpida e evidente que não necessita demonstração alguma. A maternidade divina de Maria Todos os títulos e grandezas de Maria dependem do fato colossal de sua maternidade divina. Maria é imaculada, cheia de graça, Co-redentora da humanidade, Rainha dos Céus e da Terra e Medianeira universal de todas as graças, etc., porque é a Mãe de Deus. A maternidade divina A coloca a tal altura, tão acima de todas as criaturas que São Tomás de Aquino, tão sóbrio e discreto em suas apreciações, não hesita em qualificar sua dignidade como sendo de certo modo infinita. E seu grande comentarista, o Cardeal Caietano, diz que Maria, por sua maternidade divina, alcança os limites da divindade. Entre todas as criaturas, é Maria, sem dúvida alguma, a que tem maior afinidade com Deus. Assim, no dizer de outro eminente mariólogo “o dogma mais importante da Virgem Maria é sua maternidade divina”. É o primeiro alicerce sobre o qual se levanta o edifício da grandeza mariana. É este um fato que excede de tal modo a força cognoscitiva do homem que deve ser enumerado entre os maiores mistérios de nossa fé. Que uma humilde mulher, descendente de Adão como nós, se torne Mãe de Deus, é um mistério tão sublime de elevação do homem e de condescendência divina, que deixa atônita qualquer inteligência, angélica ou humana, no séculos e na eternidade. Maria, verdadeira Mãe de Deus Para que uma mulher possa dizer-se verdadeiramente mãe, é necessário que subministre à sua prole, por via de geração, uma natureza semelhante (ou seja, consubstancial) à sua. Suposta esta óbvia noção da maternidade, não é tão difícil compreender-se de que modo a Virgem Santíssima possa ser chamada verdadeira Mãe de Cristo, tendo Ela subministrado a Cristo, por via de geração, uma natureza semelhante à sua, ou seja, a natureza humana. A dificuldade surge, porém, quando se procura compreender de que modo a Virgem Santíssima pode ser chamada verdadeira Mãe de Deus, pois não se vê bem, à primeira vista, de que modo Deus possa ser aqui gerado. Não obstante isso, se se observar atentamente, as duas fórmulas: Mãe de Cristo e Mãe de Deus, se equivalem, pois significam a mesma realidade e são, por isso, perfeitamente sinônimas. Nossa Senhora, com efeito, não é denominada Mãe de Deus no sentido de que houvesse gerado a Divindade (ou seja, a natureza divina do Verbo) e sim no sentido de que gerou, segundo a humanidade, a divina pessoa do verbo. O sujeito da geração e da filiação não é a natureza, mas a pessoa. Ora, a divina pessoa do Verbo foi unida à natureza humana, subministrada pela Virgem Santíssima, desde o primeiro instante da concepção; de modo que a natureza humana de Cristo não esteve jamais terminada, nem mesmo por um instante, pela personalidade humana, mas sempre subsistiu, desde o primeiro momento de sua existência, na pessoa divina do Verbo. Este e não outro é o verdadeiro conceito da maternidade divina, tal como foi definida pelo Concílio de Éfeso, em 431. Em suma, “Maria concebeu realmente e deu à luz segundo a carne à pessoa divina de Cristo (única pessoa que há nEle), e, por conseguinte, é e deve ser chamada com toda propriedade Mãe de Deus. Não importa que Maria não haja concebido a natureza divina enquanto tal (tampouco as outras mães concebem a alma de seus filhos), já que essa natureza divina subsiste no Verbo eternamente e é, por conseguinte, anterior à existência de Maria. Ela, porém, concebeu uma pessoa – como todas as demais mães -, e como essa pessoa, Jesus, não era humana, mas divina, segue-se logicamente que Maria concebeu segundo a carne a pessoa divina de Cristo, e é, portanto, real e verdadeiramente Mãe de Deus. O testemunho da Escritura A Sagrada Escritura nos diz explicitamente que a Virgem Santíssima é verdadeira Mãe de Jesus (Mt, II, 1; Lc. II, 37-48; Jo. II, 1; At. I, 14). Com efeito, Jesus nos é apresentado como concebido pela Virgem (Lc. I, 31) e nascido da Virgem (Lc. II, 7-12). Mas, Jesus é verdadeiro Deus, como resulta do seu próprio e explícito testemunho, pela fé apostólica da Igreja, pelo testemunho de São João, etc. Para se poder negar sua divindade, não há outro caminho senão rasgar todas as páginas do Novo Testamento. Ora, se Maria é verdadeira Mãe de Jesus e Jesus é verdadeiro Deus, segue-se necessariamente que Maria é verdadeira Mãe de Deus. São Paulo ensina explicitamente que, “chegada a plenitude dos tempos, Deus mandou seu Filho, feito de uma mulher” (Gal. IV, 4). Por estas palavras, manifesta-se claramente que Aquele que foi gerado ab aeterno pelo Pai é o mesmo que foi, depois, gerado no tempo pela Mãe; mas Aquele que foi gerado ab aeterno pelo Pai é Deus, o Verbo. Portanto, também o que foi gerado no tempo pela Mãe é Deus, o Verbo. Ainda mais clara e explícita, em seu vigor sintético, é a expressão de Santa Isabel. Respondendo à saudação que Maria lhe dirigira. Santa Isabel, inspirada pelo Espírito Santo, disse, cheia de admiração: “E como me é dado que a Mãe de meu Senhor venha a mim?” (Lc I, 43). A expressão meu Senhor é, evidentemente, sinônimo de Deus, pois que, em seguida, Isabel acrescenta: “Cumprir-se-ão em Ti todas as coisas que te foram ditas da parte do Senhor”, ou seja, da parte de Deus. Isabel, portanto, inspirada pelo Espírito Santo, proclamou explicitamente que Maria é verdadeira Mãe de Deus. A voz da tradição Toda a tradição cristã, a partir dos tempos apóstolicos, é uma proclamação contínua desta verdade mariológica fundamental. Nos dois primeiros séculos, os Padres ensinaram que Maria concebeu e deu à luz a Deus. No terceiro século, começa o uso do termo que se tornou clássico: Theotokos, ou seja, Mãe de Deus. No século IV, mesmo antes do Concílio de Éfeso, a expressão Mãe de Deus se tornara tão comum entre os cristãos, que dava nos nervos do Imperador Juliano, o Apóstata, o qual se lamentava de os cristãos não se cansarem nunca de chamar a Maria de Mãe de Deus. João de Antioquia aconselhava a seu amigo Nestório para não insistir demasiado em negar este título, a fim de evitar tumulto do povo. O próprio Alexandre de Hierápolis, cognominado de outro Nestório, reconhecia que a expressão Mãe de Deus estava em uso entre os cristãos desde muito tempo. A exultação mesma que os fiéis demonstraram, quando a maternidade divina foi definida solenemente como dogma de fé, comprova até à evidência quão profundamente na alma estava radicada essa verdade fundamental na alma daqueles antigos cristãos. Por isso, no sentir do Pe. Terrien, “as definições dos concílios não introduziram um novo dogma, mas foram antes a sanção oficial da fé da Igreja, motivada pelas sacrílegas negações dos inovadores.” (Pequeno Ofício da Imaculada Conceição comentado, Monsenhor João Clá Dias, EP, Artpress, São Paulo,1997, p. 365 à 367). Maria é Mãe de Deus, porque é Mãe de Jesus que é Deus Se perguntarmos a alguém se ele e filho de sua mãe, se esta verdadeiramente for a mãe dele, de certo nos lançará um olhar de espanto. E teria razão. O homem como sabemos é composto de corpo, alma e espírito. A minha mãe me deu meu corpo, a parte material deste conjunto trinitário que eu sou; sendo minha alma e espírito dados por Deus. E minha mãe que me deu a luz não é verdadeiramente minha mãe? Apliquemos, agora, estas noções de bom senso ao caso da Maternidade divina de Nossa Senhora. Há em Nosso Senhor Jesus Cristo duas naturezas: a humana e a divina, constituindo uma só pessoa, a pessoa de Jesus. Nossa Santa Mãe é mãe desta pessoa, dando a ela somente a parte material, como nosso mãe também o faz. O Espírito e Alma de Cristo também vieram de Deus. Nossa mãe não é mãe do nosso corpo, mas mãe de nossa pessoa. Assim também Maria é Mãe de Cristo. Ela não é a Mae da Divindade ou da Trindade, mas é mãe de Cristo a segunda pessoa da Santíssima Trindade, que também é Deus. Sendo Jesus Deus, Maria é Mãe de Deus. Basta um pequeno raciocínio para reconhecer como necessária a maternidade Divina da Santíssima Virgem. Nosso Senhor morreu como homem na Cruz (pois Deus não morre), mas nos redimiu como Deus, pelos seus méritos infinitos. Ora, a natureza humana de Nosso Senhor e a natureza divina não podem ser separadas, pois a Redenção não existiria se Nosso Senhor tivesse morrido apenas como homem. Logo, Nossa Santa Mãe, Mãe de Nosso Senhor, mesmo não sendo mãe da divindade é Mãe de Deus, pois Nosso Senhor é Deus. Se negarmos a maternidade de Nossa Senhora, negaremos a redenção do gênero humano. A negação da Maternidade divina de Nossa Senhora é uma negação à Verdade, uma negação ao ensino dos Apóstolos de Cristo. Provas da Sagrada Escritura A Igreja Católica sendo a única Igreja Fundada por Cristo, confirmada pelos Apóstolos e seus legítimos sucessores; sendo Ela a escritora, legitimadora e guardiã da Bíblia, jamais poderia ensinar algo que estivesse contra o Ensino da Bíblia. Vejamos o que a Sagrada Escritura ensina sobre a Maternidade Divina de Nossa Senhora: O profeta Isaías escreveu: “Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel [Deus conosco]” (Is 7,14). Claramente o profeta declara que o filho da virgem será divino, portanto a maternidade da virgem também é divina, o que a faz ser Mãe de Deus. O Arcanjo Gabriel disse: “O Santo que há de nascer de ti será chamado Filho de Deus” (Lc 1,35). Se ele é filho de Deus, ele tb é Deus e Maria é sua Mãe, portanto Mãe de Deus. Isaías também escreveu o mesmo em Is 7,14. Cheia do Espírito Santo, Santa Izabel saudou Maria dizendo: “Donde a mim esta dita de que a mãe do meu Senhor venha ter comigo”? (Lc 1,43). E Mãe de meu Senhor quer dizer Mãe do meu Deus, portanto Mãe de Deus.. São Paulo ainda escreveu: “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4,4). São Paulo claramente afirma que uma mulher foi a Mãe do filho de Deus, portanto Mãe de Deus. Tendo a Sagrada Escritura seu berço na Igreja – portanto sendo menor que Ela -, vemos como está de acordo com o ensino da mesma. Leia também: Dicas para passar o ano inteiro na Graça de Deus A Doutrina dos Santos Padres Será que os Apóstolos de Cristo concordavam com a Maternidade Divina de Nossa Senhora? Pois segundo os protestantes, a Igreja Católica inventou a maternidade divina de Maria no séc V durante o Concílio de Éfeso. Vejamos o que diz o Apóstolo Santo André: “Maria é Mãe de Deus, resplandecente de tanta pureza, e radiante de tanta beleza, que, abaixo de Deus, é impossível imaginar maior, na terra ou no céu” (Sto Andreas Apost. in trasitu B. V., apud Amad.). Veja agora o testemunho de São João Apóstolo: “Maria, é verdadeiramente Mãe de Deus, pois concebeu e gerou um verdadeiro Deus, deu a luz, não um simples homem como as outras mães, mas Deus unido a carne humana” (S. João Apost. Ibid). São Tiago: “Maria é Santíssima, a Imaculada, a gloriosíssima Mãe de Deus” (S. Jac. in Liturgia). São Dionísio Areopagita: “Maria é feita Mãe de Deus, para a salvação dos infelizes” (S. Dion. in revel. S. Brigit.). Orígenes escreveu: “Maria é Mãe de Deus, unigênito do Rei e criador de tudo o que existe” (Orig. Hom I, in divers. – Sec. II). Santo Atanásio diz: “Maria é Mãe de Deus, completamente intacta e impoluta” (Sto. Ath. Or. in pur. B.V.). Santo Efrém: “Maria é Mãe de Deus sem culpa” (S. Ephre. in Thren. B.V.). São Jerônimo: “Maria é verdadeiramente Mãe de Deus” (S. Jerôn. in Serm. Ass. B.V.). Santo Agostinho: “Maria é Mãe de Deus, feita pela mão de Deus” (S. Agost. in orat. ad heres.). Todos os Santos Padres afirmaram em amor e veneração a maternidade divina por Nossa Senhora. Me cansaria em citar todos os testemunhos primitivos. Agora uma surpresa para os protestantes. Lutero e Calvino sempre veneraram a Santíssima Virgem. Veja abaixo a testemunho dos pais da Reforma: “Quem são todas as mulheres, servos, senhores, príncipes, reis monarcas da Terra, comparados com a Virgem Maria que, nascida de descendência real (descendente do rei Davi) é, além disso, Mãe de Deus, a mulher mais sublime da Terra? Ela é, na cristandade inteira, o mais nobre tesouro depois de Cristo, a quem nunca poderemos exaltar o suficiente, a mais nobre imperatriz e rainha, exaltada e bendita acima de toda a nobreza, com sabedoria e santidade” (Martinho Lutero no comentário do Magnificat – cf. escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista Jesus vive e é o Senhor). “Não há honra, nem beatitude, que se aproxime sequer, por sua elevação, da incomparável prerrogativa, superior a todas as outras, de ser a única pessoa humana que teve um Filho em comum com o Pai Celeste” (Martinho Lutero – Deutsche Schriften, 14,250). “Não podemos reconhecer as bênçãos que nos trouxe Jesus, sem reconhecer ao mesmo tempo quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê-la para Mãe de Deus” (Calvino – Comm. Sur I’Harm. Evang., 20). A negação da Maternidade divina de Nossa Senhora é uma negação à Verdade, é negar a Divindade de Cristo, é negar o ensino dos Apóstolos de Cristo. O Concílio Ecumênico de Éfeso Quando o heresiarca Ario divulgou o seu erro, negando a divindade da pessoa de Jesus Cristo, a Providência Divina fez aparecer o intrépido Santo Atanásio para confundi-lo, assim como fez surgir Santo Agostinho para suplantar o herege Pelágio, e São Cirilo de Alexandria para refutar os erros de Nestório, que haviam semeado a pertubação e a indignação no Oriente. Em 430, o Papa São Celestino I, num concílio de Roma, examinou a doutrina de Nestório que lhe fora apresentada por São Cirilo e condenou-a anti-católica, herética. São Cirilo formulou a condenação em doze proposições, chamadas os doze anátemas, em que resumia toda a doutrina católica a este respeito. Leia também: .: A Santa Escravidão de Amor .: Os erros mais comuns sobre a Total Consagração à Santíssima Virgem .: A necessidade e a urgência da propagação da Total Consagração a Santíssima Virgem Pode-se resumi-la em três pontos: Em Jesus Cristo, o Filho do homem não é pessoalmente distinto do Filho de Deus; A Virgem Santíssima é verdadeiramente a Mãe de Deus, por ser a Mãe de Jesus Crito, que é Deus; Em virtude da união hipostática, há comunicações de idiomas, isto é; denominações, propriedades e ações das duas naturezas em Jesus Cristo, que podem ser atribuídas à sua pessoa, de modo que se pode dizer: Deus morreu por nós, Deus salvou o mundo, Deus ressuscitou. Para exterminar completamente o erro, e restringir a unidade de doutrina ao mundo, o Papa resolveu reunir o Concílio de Éfeso (na Ásia Menor), em 431, convidando todos os bispos do mundo. Perto de 200 bispos, vindos de todas as partes do orbe, reuniram-se em Éfeso. São Cirilo presidiu a assembléia em nome do Papa. Nestório recusou comparecer perante aos bispos unidos. Desde a primeira sessão a heresia foi condenada. Sobre um trono, no centro da assembléia, os bispos colocaram o Santo Evangelho, para representar a assistência de Jesus Cristo, que prometera estar com a sua Igreja até a consumação dos séculos, espetáculo santo e imponente que desde então foi adotado em todos os concílios. Os bispos cercando o Evangelho e o representante do Papa, pronunciaram unânime e simultaneamente a definição proclamando que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus. Nestório deixou de ser, desde então, bispo de Constantinopla. Quando a multidão ansiosa que rodeava a Igreja de Santa Maria Maior, onde se reunia o concílio, soube da definição que proclamava Maria Mãe de Deus, num imenso brado ecoou a exclamação: “Viva Maria, Mãe de Deus! Foi vencido o inimigo da Virgem! Viva a grande, a augusta, a gloriosa Mãe de Deus!” Em memória desta solene definição, o concílio juntou à saudação angélica estas palavras simples e expressivas: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte”. Alessandro Lima Fonte: www.veritatis.com.br A Mulher, a Serpente e a Profecia Por que o diabo quis impedir que as pessoas conhecessem o tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem? O Papa Bento XV classificou o “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, escrito por São Luís Maria Grignion de Montfort, como um “livro da mais suave unção”. De fato, todo seu conteúdo é sublime e nos apresenta não apenas uma espiritualidade que eleva e enriquece aqueles que procuram vivenciá-la e que beneficia imensamente o próximo por causa da doação dos méritos, mas também porque nos apresenta de modo claro a estratégia estabelecida por Deus para neutralizar a ação do inimigo e estabelecer no mundo o Reinado de Jesus Cristo. Em Gênesis 3, 15 lê-se que o próprio Deus estabeleceu o ódio entre a serpente e a mulher, entre sua descendência e a dela; e fazendo ver que estamos em uma batalha espiritual, antecipa o conhecimento do resultado final dessa guerra entre o bem e o mal, confiando à mulher e à sua descendência a missão de esmagar a cabeça do inimigo, que por sua vez procurará sempre armar-lhe ciladas. Assista ao Vídeo do Padre Rodrigo Maria: O diabo – melhor do que nós – conhecia a profecia e sabia que mais cedo ou mais tarde ela se cumpriria. Com efeito o inimigo sabia que Deus não fez uma mera ameaça, mas uma promessa onde decretava sua derrota. A mulher é claramente Nossa Senhora, razão pela qual Jesus no alto da cruz, quando nos consagra a Ela, entregando-nos a seus cuidados, não utiliza o termo “mãe” mas “mulher” (Jo 19,26). A palavra“mulher” aqui não é uma palavra de desprezo, ou que denote qualquer frieza para com a Mãe Santíssima, mas sim uma palavra técnica, precisa, muito bem colocada, pela qual Jesus queria nos fazer compreender que a Virgem Maria era a mulher destinada pelo Pai através da qual se cumprirá a profecia (Gen 3,15). Ele, seu único filho segundo a carne, entrega a Ela uma numerosíssima descendência quando na pessoa de João diz: “Mulher eis aí o teu filho”. A Igreja interpretando este gesto do Senhor diz que em João todos fomos entregues à Maria Santíssima, razão pela qual o Papa Paulo VI declarou Maria “Mãe da Igreja”. Ela é a mulher da profecia. Cristo e nós, seus membros, somos sua descendência. Jesus nos entregou a Maria, dando a Ela a amorosa autoridade de mãe sobre todos, para que Ela nos ensinasse a amá-Lo, levando-nos a fazer tudo o que Ele mandou, e assim nos mantivéssemos em comunhão com Ele e com mais facilidade perseverássemos em sua graça. O desejo do inimigo é arrastar-nos para o inferno, tentando-nos de todos os modos possíveis para nos desviar do caminho de Deus e renegarmos a sua vontade, perdendo a sua graça e portanto a comunhão com Ele. Jesus nos deu Maria como antídoto contra o inimigo. É Ela que, como boa Mãe nos ajudará a acolher e compreender melhor a vontade de Deus e a rejeitar as tentações do inimigo, levando-nos a esmagar sua cabeça ou seja, a rejeitar suas propostas que nos fariam perder a amizade e a comunhão com Deus. O povo cristão sempre venerou a Santíssima Virgem e recorreu à sua materna intercessão, mas só pouco a pouco se foi compreendendo seu papel no plano da salvação e como efetivamente Ela contribuiria em nosso processo de santificação e salvação. Quando São Luís Maria Grignion de Montfort escreve o Tratado da Verdadeira Devoção mostrando de modo claro e elevado a importância e a necessidade de uma verdadeira devoção para com a Virgem Santíssima para nossa santificação pessoal, para benefício do próximo e cumprimento da profecia, ou seja do plano salvífico de Deus para o homem, o inferno se revolta e satanás mostra todo seu pavor e ódio da consagração ali ensinada, por isto ele reconhece que se o mundo conhecesse a devoção e a consagração do modo como Montfort as apresentavam a profecia se cumpriria, sua cabeça seria esmagada, sua ação neutralizada e seu reino destruído. Leia também: Campanha de Consagrações – Grupos de Consagração via What’s App Tal é o pavor que o conteúdo do Tratado impõe ao inferno, que o inimigo em uma atitude ousada, jamais vista na história, tenta destruir o pequeno livro. Não sendo entretanto permitido por Deus tal coisa, ele empreende todo os esforços para escondê-lo, de “modo que não apareça” (T.V.D. 144) e o mundo não o conheça… Em sua sabedoria Deus permite tal ação, de modo que o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem escrito em 1712 desapareceu e só foi reencontrado 130 anos depois, ou seja em 1842, sendo prontamente publicado e posteriormente traduzido em mais de 60 línguas. Deus permitiu que o inimigo escondesse o Tratado por tanto tempo para que assim ficasse manifesto todo o medo que ele tem da consagração ali ensinada e assim compreendêssemos bem com que arma deveríamos derrotá-lo. 75 anos depois que o Tratado da Verdadeira Devoção foi encontrado, em 1917 Nossa Senhora aparece em Fátima e depois de mostrar o inferno aos pastorinhos e muitas almas que aí caíam “por não haver quem rezasse e se sacrificassem por elas” diz: “Para salvar as almas dos pobres pecadores, meu Filho quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”. É Jesus que novamente volta seu olhar para nós e apontando para sua Mãe diz: “Eis aí tua mãe”… Ele quer que se estabeleça no mundo a verdadeira devoção ao Coração da Virgem Imaculada, ou seja aquela devoção e aquela entrega que Ele mesmo quis que tivéssemos para com sua Mãe Santíssima quando no-la deu por Mãe, e a fez Senhora, submetendo a Ela os nossos corações. Em Fátima nada de novo é dito. Ao manifestar o desejo do coração de seu Filho a Santíssima Virgem simplesmente recorda a todos a profecia do Pai (Gen 3, 15) e a ordem do Filho (Jo 19, 26), que respectivamente lhe confiou a missão de derrotar o inimigo, esmagando-lhe a cabeça e de proteger e educar a descendência que Deus lhe confiou ensinando-a a amá-Lo verdadeiramente. Em Fátima Nossa Senhora nos faz compreender, que por vontade de Deus, a devoção e a consagração ao Seu Imaculado Coração precedem toda e qualquer devoção, não por ser mais importante, mais por ser uma condição para se fazer e viver bem qualquer devoção ou espiritualidade, sendo assim, aqueles que pela Total Consagração entram na Escola do Imaculado Coração de Maria, aprendem com ela a adorar de modo mais profundo a Jesus no Santíssimo Sacramento, a venerar de maneira mais elevada o Seu Sacratíssimo Coração, a deixar-se conduzir com muita mais docilidade pelo Espírito Santo, a honrar com mais perfeição os anjos e santos de Deus. Mais… Deus nos faz compreender que nesta batalha espiritual, seu plano para combater o inimigo e estabelecer o reinado de seu Filho no mundo, continua exatamente o mesmo, pois disse Nossa Senhora:“Por fim meu Imaculado Coração triunfará”. O triunfo do Imaculado Coração de Maria consiste tão somente em fazer de Jesus o Senhor de todos os corações. Consiste em acolher todos em Seu coração para ensiná-los a fazer tudo que Jesus mandou. Maria reina em nós quando Jesus é feito Rei de nossos corações. O inimigo sabe que se todos forem a Maria Santíssima, então aprenderão com Ela a amar a Deus e a rejeitar as seduções do mal, por isso escondeu por tanto tempo o Tratado da Verdadeira Devoção, que nos ensina quem é Nossa Senhora e qual sua missão no processo de nossa santificação e salvação, como devemos nos entregar e consagrar a Ela, para que Ela tenha a liberdade de nos formar na fé e nos consolidar no amor a Jesus Cristo Nosso Senhor. No diário da Divina Misericórdia de Santa Faustina Kowalska Jesus dizia à santa que da Polônia faria surgir uma centelha, através da qual incendiaria o mundo. Sem dúvida, que essa centelha foi o Beato João Paulo II, que em sua vida e doutrina nos deu a síntese de Montfort e Fátima. O Beato João Paulo II tornou-se uma centelha que incendiará o mundo, sobretudo no que se refere à sua devoção e consagração à Nossa Senhora. Ele fez perceber pelo seu exemplo e doutrina a importância e o lugar de Nossa Senhora na vida dos cristãos e de toda a Igreja. Colocou a base para uma profunda e extensão divulgação de Total Consagração, uma vez que leu o Tratado e fez a Consagração Total quando era seminarista, adotou como lema de seu pontificado o “Totus Tuus”, resumo de sua total entrega a Mãe de Deus, recomendou a todos que fizessem essa consagração e escrevendo à família Monfortana pediu que não se “deixasse escondido esse tesouro de graça”. Tomando consciência do plano e da estratégia de Deus para salvar o seu povo e dar cumprimento a profecia, derrotando o inimigo de nossa salvação, compete a nós hoje, nas pegadas de São Luís de Montfort, respondendo ao apelo de Fátima a exemplo do Beato João Paulo II fazer de tudo para conhecer, viver e divulgar a Total Consagração para que venha logo o Triunfo do Imaculado Coração e o Reinado de Jesus Cristo Nosso Senhor. Leia também: EM DEFESA DA SANTA ESCRAVIDÃO DE AMOR – Resposta a um seminarista que falava contra a Total Consagração à Santíssima Virgem O demônio teve grande pavor e ódio do Tratado da Verdadeira Devoção, o que levou-o a escondê-lo por 130 anos, façamos nós o contrário! Trabalhemos para difundí-lo em todo o mundo, levando todos à Escola do Imaculado Coração onde o mundo compreenderá aquilo que não somos capazes de explicar, e entender o que não somos capazes de fazer compreender com palavras. Que todos amem a Jesus com toda a força, com toda alma, com todo coração e com todo entendimento. Que Ele reine no mundo e em nossos corações. Trabalhemos para que se cumpra a profecia! Templário de Maria #FestasdeNossaSenhora #NossaSenhora #SantíssimaVirgem #SantodoDia
- CARTA AOS TRÊS REIS MAGOS – Pe. Santiago Martín
Dentro de alguns dias celebraremos a solenidade da Epifania. Seguindo uma tradição antiga, que pratico desde a minha infância, escrevi uma carta aos Três Reis Magos. Estou ciente de que o que peço a Suas Majestades é muito difícil de conseguir e sei certamente que não o mereço. Provavelmente, vão me trazer carvão. Mas, mesmo assim, sabendo que são bons e generosos, atrevo-me a pedir estes dons valiosos. São quatro. Quando se começa a pedir, vê-se que é impossível pedir poucos. Primeiro, gostaria de pedir a virtude da Fé. É preciso começar pelo principal e nisso não vou ser tímido. Portanto, peço pela fé, pela Igreja e por mim. Uma fé sólida e simples. Uma fé que algumas pessoas esclarecidas, com um complexo de superioridade, diriam ser típica de um queimador de carvão (havia um professor de Teologia Moral que se recusava a responder às perguntas dos seus alunos, se estes não soubessem alemão, porque considerava que as suas perguntas não eram de um nível suficientemente elevado). Quero que os Três Reis Magos me deem a fé dos meus pais, a fé dos simples, a fé que move montanhas. E peço-lhes que deem essa fé a todos os membros da Igreja, incluindo os teólogos que conhecem alemão, e mesmo àqueles que conhecem espanhol, português, inglês e francês. Essa fé é caracterizada pela crença de que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem e, portanto, que os seus ensinamentos nunca podem ser manipulados ou adaptados às modas do momento. Essa fé que nos leva a acreditar que aquilo que o Evangelho ensina não é uma invenção destinada a consolidar a supremacia do Vaticano sobre as outras Igrejas ou, na verdade, a mitologizar um pobre carpinteiro nazareno, que não seria mais do que um homem bom, sem pretensões, e que um certo Paulo de Tarso transformou num Deus. Em segundo lugar, peço a virtude da esperança. Preciso muito dela, porque por vezes me sinto sufocar em meio às ondas que parecem submergir o barco da Igreja em que me encontro. Uma esperança que me ajude a confiar que Deus perdoa os meus pecados e me dá a graça de não pecar mais, depois que me confesso. Uma esperança que me dê a certeza de que Deus ouve as minhas orações e é capaz de fazer milagres. E, sobretudo, uma esperança que me permita encarar a Irmã Morte nos olhos, sem medo, porque sei que não é o fim do caminho, mas um passo em direção à vida plena que me espera junto de Deus, graças à sua misericórdia divina. Em terceiro lugar, peço a virtude da caridade. Mas uma boa espécie de caridade, não os seus substitutos. Pois essa virtude é aplicada, antes de mais nada, a Deus. Peço a Suas Majestades que me tragam o dom de arder de amor por Deus e de não desejar outra coisa, senão agradar-Lhe em tudo. Eu sei que é difícil, mas é o que peço. Além do mais, essa virtude é também dirigida ao meu próximo e, por isto, peço-lhes que ponham, em mim, um coração compassivo por todos os que sofrem; e que não haja uma só lágrima que permaneça por enxugar, nem um estômago que permaneça vazio, se estiver em meu poder enchê-lo. Peço aos Santos Reis que persuadam o Espírito Santo a regar o deserto do meu coração e a acendê-lo com o fogo do Seu amor. Faço minha aquela oração de Santo Agostinho: “Dai-me amor (…) para que, dando-me amor, possais alegrar-Vos comigo”. Finalmente, e eu sei que se trata de um abuso, mas aqui vai: peço a virtude da humildade. Trata-se de uma virtude com muitas nuances, mas quero pedir a Suas Majestades que me deem, acima de tudo, um aspecto dessa humildade, que é aceitar que não sou Deus e que, portanto, tenho de confiar Nele, mesmo que não compreenda os Seus planos. Em suma, o que peço é que me seja dada a humildade da Santíssima Virgem Maria, para poder dizer “confio”, mesmo que me pareça que o Todo-Poderoso está tirando uma longa sesta, enquanto a Igreja parece afundar-se. Confio que os Três Reis Magos não se aborrecerão com a natureza exagerada das minhas pretensões, especialmente porque sei que só mereço carvão. Mas é preciso continuar sonhando, principalmente hoje em dia.
- Conheça o Te Deum, hino de louvor a Deus mais célebre da Igreja
“Te Deum laudamus“, em latim, quer dizer “Nós Vos louvamos [como] Deus“, é o Hino de ação de graças mais célebre da Igreja, para o qual se reserva indulgência plenária se cantado no último dia do ano, e que pode ser rezado todos os dias. No Brasil, assim como na maior parte do globo, não há um Thanksgiving Day (“Dia de Ação de Graças”) como o que é celebrado pelos norte-americanos. Mas o dia 31 de dezembro, que marca o fim do ano civil, é o dia de ação de graças por excelência — e neste dia os católicos do mundo inteiro entoam, em suas igrejas, o Te Deum . Há até uma indulgência plenária vinculada ao costume, lucrada sempre que o hino é rezado “na igreja ou no oratório”, por quem quer que participe “devotamente do canto ou recitação solene” ( Enchiridion Indulgentiarum , conc. 26, § 1). Para os padres e religiosos, bem como os fiéis habituados a rezar a Liturgia das Horas, o Te Deum não é exatamente uma novidade. A Igreja prescreve que ele seja rezado (ou cantado) no Ofício das Leituras, “nos domingos fora da Quaresma, nos dias das oitavas da Páscoa e do Natal” e “nas solenidades e festas” ( Instrução Geral da Liturgia das Horas , 68). Leia também: Saiba como lucrar a Indulgência Plenária para o primeiro e último dia do ano A história do Hino Te Deum Antes das reformas do Papa Paulo VI, porém, o hino era rezado em qualquer festa litúrgica de III classe (o equivalente às nossas memórias de santos). Na prática, devido à numerosa quantidade de santos no calendário do usus antiquior , isso significava que o Te Deum só se omitia na Quaresma . Além disso, sua hora canônica própria eram as Matinas (que só se podiam rezar à noite) , razão pela qual o hino também era chamado matutinalis , isto é, “matutino”. Foi essa hora que passou a ser chamada de Ofício das Leituras, a qual pode ser recitada, agora, em qualquer momento do dia. Mas não é só isso. Por ser um louvor dirigido a todas as Pessoas da Trindade e repassar vários mistérios da nossa salvação — como o Glória, na Missa —, o Te Deum foi se transformando com o tempo em um verdadeiro hino de ação de graças, dentro e fora da liturgia . Assim, sempre que uma ocasião solene se apresentasse, era costume cantá-lo: na eleição de um Papa, na sagração de um bispo, na canonização de um santo, na profissão de votos de um religioso, numa coroação real etc. Hoje, é “para render graças a Deus pelos benefícios concedidos no decurso de todo o ano” que se reza o te-déum no dia 31 de dezembro [1]. Sim, “te-déum”. O termo ficou tão popular que aportuguesou-se. (Com direito a verbete no dicionário.) Chama-se assim por conta das duas palavras latinas com que inicia: Te Deum ; literalmente, “A ti, Deus”. Nos países lusófonos, porém, já está consagrado o uso da segunda pessoa do plural para se referir a Deus, à Virgem Maria e aos santos. Por isso, a tradução litúrgica oficial traz “A vós, ó Deus, louvamos” — e em Portugal “Nós Vos louvamos, ó Deus”. Abaixo deixamos o texto completo do hino (numa das traduções mais literais que encontramos), seguido de um vídeo do grupo espanhol Verbum Gloriae , ensinando como cantá-lo, em tom simples, na língua latina: Nós Vos louvamos, Senhor: nós Vos glorificamos. A Vós, eterno Pai, adora toda a terra. A Vós todos os Anjos, os Céus e Potestades. A Vós os Querubins e Serafins, sem cessar proclamam: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos exércitos. Cheios estão os Céus e a terra da majestade de vossa glória. O glorioso coro dos Apóstolos, A venerável assembleia dos profetas, O exército brilhante dos mártires, E a Santa Igreja por toda a redondeza da terra Vos louvam: Pai de imensa majestade, E vosso adorável, verdadeiro e único Filho, E também o vosso Espírito Santo Consolador. Vós sois Rei da glória, ó Cristo. Vós, sempiterno Filho do Pai, Vós, tomando a peito libertar o homem, não tivestes asco do seio da Virgem. Vós, vencendo a morte, abristes aos crentes o Reino dos Céus. Vós, estais sentado à dextra de Deus, na glória do Pai. Cremos que haveis de vir como juiz. Dignai-vos, pois, assistir a vossos servos, que haveis remido com vosso precioso sangue. Fazei que sejam do número dos vossos santos na glória. Salvai o vosso povo, Senhor, e abençoai a vossa herança. Governai-os e exaltai-os para sempre. Nós Vos bendizemos todos os dias. E louvamos o vosso nome para todo o sempre. Dignai-Vos, Senhor, neste dia conservar-nos sem pecado. Compadecei-Vos de nós, Senhor! Compadecei-Vos de nós. Desça sobre nós a vossa misericórdia, segundo a esperança que em Vós pusemos. Em Vós, Senhor, esperei; jamais serei confundido. Até pouco tempo, o hino também era conhecido simplesmente como “ambrosiano”, por sua atribuição a Santo Ambrósio. Acreditava-se inclusive que o santo milanês o teria composto junto com Santo Agostinho, na noite em que este foi batizado . A tradição, registrada na Patrologia Latina por Incmaro de Reims († 882), hoje é tida pelos estudiosos do assunto como improvável. Entre outras razões, porque o te-déum é uma prosa rítmica e não segue as métricas clássicas dos hinos que conhecemos destes Santos Padres. Acreditava-se que teriam sido Ambrósio e Agostinho a compor o “Te Deum”, na noite que este foi batizado. Outros manuscritos indicam como verdadeiro autor do Te Deum o bispo São Nicetas de Remesiana († 414), que viveu no território hoje correspondente à Sérvia — e muitos acham bastante plausível a hipótese, que tem o respaldo de um bispo e santo da mesma época, Paulino de Nola († 431). O epílogo da obra de São Cipriano de Cartago († 258) sobre a mortalidade parece-se muito com alguns versos da primeira parte do te-déum: Illic apostolorum gloriosus chorus , diz o santo; illic prophetarum exsultantium numerus ; illic martyrum innumerabilis populus [4]. (O hino: Te gloriosus apostolorum chorus; te prophetarum laudabilis numerus; te martyrum candidatus laudat exercitus .) As frases são tão semelhantes que se chegou a aventar a hipótese de que fosse ele, Cipriano, o autor de pelo menos parte do hino… Ou o Te Deum já existia na época? Há quem diga que ele remonta ao Papa São Aniceto — martirizado ainda em 168! Incertezas de autoria à parte, de uma coisa não há dúvidas: o hino em questão é antiquíssimo. Segundo o Dicionário elementar de liturgia de José Aldazábal , “no século VI já tinha entrado na oração monástica e já se considerava um hino tradicional da Igreja” . Ao recitar ou cantar essa composição, podemos estar certos de unir-nos a uma multidão incontável de fiéis católicos que nos antecederam. O último “Te Deum” de um santo homem Um destes fiéis foi o bem-aventurado Carlos da Áustria († 1922), último monarca do Império Austro-Húngaro. O te-déum que ele cantou no fim de sua vida merece um destaque especial — e chega a parecer um despropósito que tenhamos feito uma introdução histórica tão longa do hino em questão, deixando para as linhas finais este fato tão belo e emocionante da vida do beato. Era importante mostrar, porém, como a seguinte história deste digno filho da Igreja se liga a um verdadeiro exército de adoradores antes dele, atravessando os séculos e chegando quase aos próprios Apóstolos. Não pertencemos a uma religião que nasceu ontem, no terreno baldio de uma esquina qualquer . Não somos órfãos neste vale de lágrimas que Deus nos confiou como morada provisória. Somos católicos apostólicos romanos — e só por essa graça, mais valiosa que qualquer título de nobreza mundano, devemos entoar te-déuns solenes por toda a nossa existência. Vale lembrar também que o acontecimento que transcrevemos a seguir — testemunhado por Maria Lackner — se deu há exatos 100 anos , no dia 31 de dezembro de 1921, o último réveillon passado pelo Beato Carlos, quando ele e sua esposa já se encontravam na Ilha da Madeira, exilados de sua terra natal (e dos próprios filhos!). O rei morreria dentro de três meses: À tarde, como devoção de encerramento do ano, houve na capela da casa uma solene Bênção Eucarística. Estávamos apenas o Imperador, a Imperatriz e nós. Também foi rezado o Te Deum . Atrás de nós, ficava um ano que tinha sido o mais duro da vida do Servo de Deus. Ele encontrava-se longe da pátria, no exílio; na mais drástica necessidade material; estava separado de seus filhos e não sabia o que o dia seguinte haveria de lhe trazer de mal . Durante o Te Deum , nós, um após o outro, fomos nos silenciando, porque a dor nos fazia fugir a voz. Somente o Servo de Deus manteve-se firme e entoou forte e claramente o cântico ambrosiano até o fim, acentuando cada palavra […]. Olhei-o com admiração. Percebia-se com toda evidência que para ele, naquele momento, existia apenas Deus — ninguém mais — e que aquele Te Deum era um íntimo diálogo entre Deus e o seu mais fiel servidor . Na época, ele não sabia se tornaria a ver seus filhos, não sabia o que o dia seguinte haveria de lhe trazer, e contudo, rezou com muito fervor aquela oração de ação de graças [5]. No dia de hoje, seja no aconchego de nossos lares, seja diante do altar de Deus, ao rezar esta mesma oração (tão simples) de agradecimento pelo ano que passou, não nos esqueçamos do último Te Deum cantado pelo Beato Carlos da Áustria. A exemplo dele, talvez, muitos de nós também não vejamos, humanamente , tantos motivos para agradecer: talvez este ano tenha sido difícil e carregado de cruzes; talvez não tenha sido tão bom, por melhor que tenhamos passado… Seja como for, não deixe que a voz lhe fuja . Cante, como quem sabe que “tudo”, absolutamente tudo, “concorre para o bem dos que amam a Deus” ( Rm 8, 28). Em latim: “Te Deum laudamus” Em latim: “Te Deum laudamus” Te Deum laudamus: te Dominum confitemur. Te æternum Patrem omnis terra veneratur. Tibi omnes Angeli; tibi cæli et universæ Potestates; Tibi Cherubim et Seraphim incessabili voce proclamant: Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dominus Deus Sabaoth. Pleni sunt cæli et terra maiestatis gloriæ tuæ Te gloriosus Apostolorum chorus, Te Prophetarum laudabilis numerus, Te Martyrum candidatus laudat exercitus. Te per orbem terrarum sancta confitetur Ecclesia, Patrem immensæ maiestatis: Venerandum tuum verum et unicum Filium; Sanctum quoque Paraclitum Spiritum. Tu Rex gloriae, Christe. Tu Patris sempiternus es Filius. Tu ad liberandum suscepturus hominem, non horruisti Virginis uterum. Tu, devicto mortis aculeo, aperuisti credentibus regna caelorum. Tu ad dexteram Dei sedes, in gloria Patris. Iudex crederis esse venturus. Te ergo quaesumus, tuis famulis subveni: quos pretioso sanguine redemisti. Aeterna fac cum sanctis tuis in gloria numerari. (Adicionado posteriormente, contendo trechos do Salmos:) Salvum fac populum tuum, Domine, et benedic hereditati tuae. Et rege eos, et extolle illos usque in aeternum. Per singulos dies benedicimus te; Et laudamus Nomen tuum in saeculum, et in saeculum saeculi. Dignare, Domine, die isto sine peccato nos custodire. Miserere nostri Domine, miserere nostri. Fiat misericordia tua, Domine, super nos, quemadmodum speravimus in te. In te, Domine, speravi: non confundar in aeternum. #Liturgia
- Conheça o Te Deum, hino de louvor a Deus mais célebre da Igreja
“Te Deum laudamus“, em latim, quer dizer “Nós Vos louvamos [como] Deus“, é o Hino de ação de graças mais célebre da Igreja, para o qual se reserva indulgência plenária se cantado no último dia do ano, e que pode ser rezado todos os dias. No Brasil, assim como na maior parte do globo, não há um Thanksgiving Day (“Dia de Ação de Graças”) como o que é celebrado pelos norte-americanos. Mas o dia 31 de dezembro, que marca o fim do ano civil, é o dia de ação de graças por excelência — e neste dia os católicos do mundo inteiro entoam, em suas igrejas, o Te Deum . Há até uma indulgência plenária vinculada ao costume, lucrada sempre que o hino é rezado “na igreja ou no oratório”, por quem quer que participe “devotamente do canto ou recitação solene” ( Enchiridion Indulgentiarum , conc. 26, § 1). Para os padres e religiosos, bem como os fiéis habituados a rezar a Liturgia das Horas, o Te Deum não é exatamente uma novidade. A Igreja prescreve que ele seja rezado (ou cantado) no Ofício das Leituras, “nos domingos fora da Quaresma, nos dias das oitavas da Páscoa e do Natal” e “nas solenidades e festas” ( Instrução Geral da Liturgia das Horas , 68). Leia também: Saiba como lucrar a Indulgência Plenária para o primeiro e último dia do ano A história do Hino Te Deum Antes das reformas do Papa Paulo VI, porém, o hino era rezado em qualquer festa litúrgica de III classe (o equivalente às nossas memórias de santos). Na prática, devido à numerosa quantidade de santos no calendário do usus antiquior , isso significava que o Te Deum só se omitia na Quaresma . Além disso, sua hora canônica própria eram as Matinas (que só se podiam rezar à noite) , razão pela qual o hino também era chamado matutinalis , isto é, “matutino”. Foi essa hora que passou a ser chamada de Ofício das Leituras, a qual pode ser recitada, agora, em qualquer momento do dia. Mas não é só isso. Por ser um louvor dirigido a todas as Pessoas da Trindade e repassar vários mistérios da nossa salvação — como o Glória, na Missa —, o Te Deum foi se transformando com o tempo em um verdadeiro hino de ação de graças, dentro e fora da liturgia . Assim, sempre que uma ocasião solene se apresentasse, era costume cantá-lo: na eleição de um Papa, na sagração de um bispo, na canonização de um santo, na profissão de votos de um religioso, numa coroação real etc. Hoje, é “para render graças a Deus pelos benefícios concedidos no decurso de todo o ano” que se reza o te-déum no dia 31 de dezembro [1]. Sim, “te-déum”. O termo ficou tão popular que aportuguesou-se. (Com direito a verbete no dicionário.) Chama-se assim por conta das duas palavras latinas com que inicia: Te Deum ; literalmente, “A ti, Deus”. Nos países lusófonos, porém, já está consagrado o uso da segunda pessoa do plural para se referir a Deus, à Virgem Maria e aos santos. Por isso, a tradução litúrgica oficial traz “A vós, ó Deus, louvamos” — e em Portugal “Nós Vos louvamos, ó Deus”. Abaixo deixamos o texto completo do hino (numa das traduções mais literais que encontramos), seguido de um vídeo do grupo espanhol Verbum Gloriae , ensinando como cantá-lo, em tom simples, na língua latina: Nós Vos louvamos, Senhor: nós Vos glorificamos. A Vós, eterno Pai, adora toda a terra. A Vós todos os Anjos, os Céus e Potestades. A Vós os Querubins e Serafins, sem cessar proclamam: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos exércitos. Cheios estão os Céus e a terra da majestade de vossa glória. O glorioso coro dos Apóstolos, A venerável assembleia dos profetas, O exército brilhante dos mártires, E a Santa Igreja por toda a redondeza da terra Vos louvam: Pai de imensa majestade, E vosso adorável, verdadeiro e único Filho, E também o vosso Espírito Santo Consolador. Vós sois Rei da glória, ó Cristo. Vós, sempiterno Filho do Pai, Vós, tomando a peito libertar o homem, não tivestes asco do seio da Virgem. Vós, vencendo a morte, abristes aos crentes o Reino dos Céus. Vós, estais sentado à dextra de Deus, na glória do Pai. Cremos que haveis de vir como juiz. Dignai-vos, pois, assistir a vossos servos, que haveis remido com vosso precioso sangue. Fazei que sejam do número dos vossos santos na glória. Salvai o vosso povo, Senhor, e abençoai a vossa herança. Governai-os e exaltai-os para sempre. Nós Vos bendizemos todos os dias. E louvamos o vosso nome para todo o sempre. Dignai-Vos, Senhor, neste dia conservar-nos sem pecado. Compadecei-Vos de nós, Senhor! Compadecei-Vos de nós. Desça sobre nós a vossa misericórdia, segundo a esperança que em Vós pusemos. Em Vós, Senhor, esperei; jamais serei confundido. Até pouco tempo, o hino também era conhecido simplesmente como “ambrosiano”, por sua atribuição a Santo Ambrósio. Acreditava-se inclusive que o santo milanês o teria composto junto com Santo Agostinho, na noite em que este foi batizado . A tradição, registrada na Patrologia Latina por Incmaro de Reims († 882), hoje é tida pelos estudiosos do assunto como improvável. Entre outras razões, porque o te-déum é uma prosa rítmica e não segue as métricas clássicas dos hinos que conhecemos destes Santos Padres. Acreditava-se que teriam sido Ambrósio e Agostinho a compor o “Te Deum”, na noite que este foi batizado. Outros manuscritos indicam como verdadeiro autor do Te Deum o bispo São Nicetas de Remesiana († 414), que viveu no território hoje correspondente à Sérvia — e muitos acham bastante plausível a hipótese, que tem o respaldo de um bispo e santo da mesma época, Paulino de Nola († 431). O epílogo da obra de São Cipriano de Cartago († 258) sobre a mortalidade parece-se muito com alguns versos da primeira parte do te-déum: Illic apostolorum gloriosus chorus , diz o santo; illic prophetarum exsultantium numerus ; illic martyrum innumerabilis populus [4]. (O hino: Te gloriosus apostolorum chorus; te prophetarum laudabilis numerus; te martyrum candidatus laudat exercitus .) As frases são tão semelhantes que se chegou a aventar a hipótese de que fosse ele, Cipriano, o autor de pelo menos parte do hino… Ou o Te Deum já existia na época? Há quem diga que ele remonta ao Papa São Aniceto — martirizado ainda em 168! Incertezas de autoria à parte, de uma coisa não há dúvidas: o hino em questão é antiquíssimo. Segundo o Dicionário elementar de liturgia de José Aldazábal , “no século VI já tinha entrado na oração monástica e já se considerava um hino tradicional da Igreja” . Ao recitar ou cantar essa composição, podemos estar certos de unir-nos a uma multidão incontável de fiéis católicos que nos antecederam. O último “Te Deum” de um santo homem Um destes fiéis foi o bem-aventurado Carlos da Áustria († 1922), último monarca do Império Austro-Húngaro. O te-déum que ele cantou no fim de sua vida merece um destaque especial — e chega a parecer um despropósito que tenhamos feito uma introdução histórica tão longa do hino em questão, deixando para as linhas finais este fato tão belo e emocionante da vida do beato. Era importante mostrar, porém, como a seguinte história deste digno filho da Igreja se liga a um verdadeiro exército de adoradores antes dele, atravessando os séculos e chegando quase aos próprios Apóstolos. Não pertencemos a uma religião que nasceu ontem, no terreno baldio de uma esquina qualquer . Não somos órfãos neste vale de lágrimas que Deus nos confiou como morada provisória. Somos católicos apostólicos romanos — e só por essa graça, mais valiosa que qualquer título de nobreza mundano, devemos entoar te-déuns solenes por toda a nossa existência. Vale lembrar também que o acontecimento que transcrevemos a seguir — testemunhado por Maria Lackner — se deu há exatos 100 anos , no dia 31 de dezembro de 1921, o último réveillon passado pelo Beato Carlos, quando ele e sua esposa já se encontravam na Ilha da Madeira, exilados de sua terra natal (e dos próprios filhos!). O rei morreria dentro de três meses: À tarde, como devoção de encerramento do ano, houve na capela da casa uma solene Bênção Eucarística. Estávamos apenas o Imperador, a Imperatriz e nós. Também foi rezado o Te Deum . Atrás de nós, ficava um ano que tinha sido o mais duro da vida do Servo de Deus. Ele encontrava-se longe da pátria, no exílio; na mais drástica necessidade material; estava separado de seus filhos e não sabia o que o dia seguinte haveria de lhe trazer de mal . Durante o Te Deum , nós, um após o outro, fomos nos silenciando, porque a dor nos fazia fugir a voz. Somente o Servo de Deus manteve-se firme e entoou forte e claramente o cântico ambrosiano até o fim, acentuando cada palavra […]. Olhei-o com admiração. Percebia-se com toda evidência que para ele, naquele momento, existia apenas Deus — ninguém mais — e que aquele Te Deum era um íntimo diálogo entre Deus e o seu mais fiel servidor . Na época, ele não sabia se tornaria a ver seus filhos, não sabia o que o dia seguinte haveria de lhe trazer, e contudo, rezou com muito fervor aquela oração de ação de graças [5]. No dia de hoje, seja no aconchego de nossos lares, seja diante do altar de Deus, ao rezar esta mesma oração (tão simples) de agradecimento pelo ano que passou, não nos esqueçamos do último Te Deum cantado pelo Beato Carlos da Áustria. A exemplo dele, talvez, muitos de nós também não vejamos, humanamente , tantos motivos para agradecer: talvez este ano tenha sido difícil e carregado de cruzes; talvez não tenha sido tão bom, por melhor que tenhamos passado… Seja como for, não deixe que a voz lhe fuja . Cante, como quem sabe que “tudo”, absolutamente tudo, “concorre para o bem dos que amam a Deus” ( Rm 8, 28). Em latim: “Te Deum laudamus” Em latim: “Te Deum laudamus” Te Deum laudamus: te Dominum confitemur. Te æternum Patrem omnis terra veneratur. Tibi omnes Angeli; tibi cæli et universæ Potestates; Tibi Cherubim et Seraphim incessabili voce proclamant: Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dominus Deus Sabaoth. Pleni sunt cæli et terra maiestatis gloriæ tuæ Te gloriosus Apostolorum chorus, Te Prophetarum laudabilis numerus, Te Martyrum candidatus laudat exercitus. Te per orbem terrarum sancta confitetur Ecclesia, Patrem immensæ maiestatis: Venerandum tuum verum et unicum Filium; Sanctum quoque Paraclitum Spiritum. Tu Rex gloriae, Christe. Tu Patris sempiternus es Filius. Tu ad liberandum suscepturus hominem, non horruisti Virginis uterum. Tu, devicto mortis aculeo, aperuisti credentibus regna caelorum. Tu ad dexteram Dei sedes, in gloria Patris. Iudex crederis esse venturus. Te ergo quaesumus, tuis famulis subveni: quos pretioso sanguine redemisti. Aeterna fac cum sanctis tuis in gloria numerari. (Adicionado posteriormente, contendo trechos do Salmos:) Salvum fac populum tuum, Domine, et benedic hereditati tuae. Et rege eos, et extolle illos usque in aeternum. Per singulos dies benedicimus te; Et laudamus Nomen tuum in saeculum, et in saeculum saeculi. Dignare, Domine, die isto sine peccato nos custodire. Miserere nostri Domine, miserere nostri. Fiat misericordia tua, Domine, super nos, quemadmodum speravimus in te. In te, Domine, speravi: non confundar in aeternum. #Liturgia
- Indulgência Plenária para o primeiro e último dia do ano
A Santa Igreja concede indulgência plenária para aqueles que no dia 31 de dezembro rezarem o “TE DEUM” e aqueles que no dia 1 de janeiro rezarem o “VENI CREATOR” , ambos publicamente . Para cada um dos dias nós podemos lucrar indulgência plenária para nós mesmos ou pela alma de algum fiel defunto. Não basta apenas rezar. Para adquirir a INDULGÊNCIA PLENÁRIA é preciso recitar as orações publicamente e preencher essas quatro condições básicas para qualquer indulgência plenária: a) confissão sacramental – cada confissão vale para as indulgências obtidas até uns 15 dias antes e para as que serão obtidas até uns 15 dias depois de recebido o sacramento; b) comunhão eucarística – é necessária uma comunhão para cada indulgência; c) oração nas intenções do Sumo Pontífice – rezar para cada indulgência; d) exclusão de qualquer apego ao pecado, mesmo venial. e) Cumprir a obra prescrita, que para esses dias são a oração do TE DEUM e o VENI CREATOR. A confissão vale para os dois dias, mas a comunhão e a oração pelo papa devem ser feitas para cada um dos dias. Seguem os hinos: 1 – HINO TE DEUM (A VÓS, Ó DEUS, LOUVAMOS) – Para o dia 31/12 Te Deum A Vós, ó Deus, louvamos e por Senhor nosso Vos confessamos. A Vós, ó Eterno Pai, reverencia e adora toda a Terra. A Vós, todos os Anjos, a Vós, os Céus e todas as Potestades; A Vós, os Querubins e Serafins com incessantes vozes proclamam: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos Exércitos! Os Céus e a Terra estão cheios da vossa glória e majestade. A Vós, o glorioso coro dos Apóstolos, A Vós, a respeitável assembléia dos Profetas, A Vós, o brilhante exército dos mártires engrandece com louvores! A Vós, Eterno Pai, Deus de imensa majestade, Ao Vosso verdadeiro e único Filho, digno objeto das nossa a adorações, Do mesmo modo ao Espírito Santo, nosso consolador e advogado. Vós sois o Rei da Glória, ó meu Senhor Jesus Cristo! Vós sois Filho sempiterno do vosso Pai Onipotente! Vós, para vos unirdes ao homem e o resgatardes não Vos dignastes de entrar no casto seio duma Virgem! Vós, vencedor do estímulo da morte, abristes aos fiéis o Reino dos Céus, Vós estais sentado à direita de Deus, no glorioso trono do vosso Pai! Nós cremos e confessamos firmemente que de lá haveis de vir a julgar no fim do mundo. A Vós portanto rogamos que socorrais os vossos servos a quem remistes como vosso preciosíssimo Sangue. Fazei que sejamos contados na eterna glória, entre o número dos vossos Santos. Salvai, Senhor, o vosso povo e abençoai a vossa herança, E regei-os e exaltai-os eternamente para maior glória vossa. Todos os dias Vos bendizemos E esperamos glorificar o vosso nome agora e por todos os séculos. Dignai-Vos, Senhor, conservar-nos neste dia e sempre sem pecado. Tende compaixão de nós, Senhor, compadecei-Vos de nós, miseráveis. Derramai sobre nós, Senhor, a vossa misericórdia, pois em Vós colocamos toda a nossa esperança. Em Vós, Senhor, esperei, não serei confundido. 2 – VENI CREATOR – Para o dia 01/01 Vem Espírito Criador Vinde, Espírito Criador, visitai as almas dos Vossos; enchei de graça celestial os corações que criastes! Sois o Divino Consolador, o dom do Deus Altíssimo, fonte viva, o fogo, a caridade, a unção dos espirituais. Com os Vossos sete dons: sois o dedo da direita de Deus, Solene promessa do Pai Inspirando nossas palavras. Acendei a luz nos sentidos; insuflai o amor nos corações, amparai na constante virtude a nossa carne enfraquecida. Afastai para longe o inimigo; Trazei-nos prontamente a paz Assim guiados por Vós Evitaremos todo o mal. Por Vós explicar-se-á o Pai E conheceremos o Filho; Dai-nos crer sempre em Vós Espírito do Pai e do Filho. Glória ao Pai, Senhor, Ao Filho que ressuscitou Assim como ao Consolador. Por todos os séculos. Amém. Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar o hino Te Deum (A vós, ó Deus) em ação de graças, e será plenária, quando recitado em público no último dia do ano. Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar devotamente o hino Veni Creator (Ó vinde, Espírito Criador). A indulgência será plenária no dia primeiro de janeiro e na solenidade de Pentecostes, se o hino se recitar publicamente . (Manual das Indulgências aprovado pela Santa Sé e publicado em 1990 pela CNBB. Edições Paulinas: SP, 1990, P.15-19). ORAÇÕES EM LATIM Te Deum Te Deum laudamus: te Dominum confitemur. Te aeternum Patrem omnis terra veneratur. Tibi omnes Angeli; tibi caeli et universae Potestates; Tibi Cherubim et Seraphim incessabili voce proclamant: Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dominus Deus Sabaoth. Pleni sunt caeli et terra maiestatis gloriae tuae. Te gloriosus Apostolorum chorus, Te Prophetarum laudabilis numerus, Te Martyrum candidatus laudat exercitus. Te per orbem terrarum sancta confitetur Ecclesia, Patrem immensae maiestatis: Venerandum tuum verum et unicum Filium; Sanctum quoque Paraclitum Spiritum. Tu Rex gloriae, Christe. Tu Patris sempiternus es Filius. Tu ad liberandum suscepturus hominem, non horruisti Virginis uterum. Tu, devicto mortis aculeo, aperuisti credentibus regna caelorum. Tu ad dexteram Dei sedes, in gloria Patris. Iudex crederis esse venturus. Te ergo quaesumus, tuis famulis subveni: quos pretioso sanguine redemisti. Aeterna fac cum sanctis tuis in gloria numerari. [adicionado posteriormente, oriundos dos provérbios dos Salmos:] Salvum fac populum tuum, Domine, et benedic hereditati tuae. Et rege eos, et extolle illos usque in aeternum. Per singulos dies benedicimus te; Et laudamus Nomen tuum in saeculum, et in saeculum saeculi. Dignare, Domine, die isto sine peccato nos custodire. Miserere nostri Domine, miserere nostri. Fiat misericordia tua, Domine, super nos, quemadmodum speravimus in te. In te, Domine, speravi: non confundar in aeternum. Veni Creator Veni Creator Spiritus, Mentes tuorum visita, Imple superna gratia, Quae tu creasti, pectora. Qui diceris Paraclitus, Altissimi donum Dei, Fons vivus, ignis, caritas, Et spiritalis unctio. Tu septiformis munere, Digitus Paternae dexterae, Tu rite promissum Patris, Sermone ditans guttura. Accende lumen sensibus, Infunde amorem cordibus, Infirma nostri corpis Virtute firmans perpeti. Hostem repellas longius, Pacemque dones protinus; Ductore sic te praevio, Vitemus omne noxium. Per te sciamus da Patrem Noscamus atque Filium; Teque utriusque Spiritum Credamus omni tempore. Deo Patri sit gloria, Et Filio, qui a mortuis Surrexit, ac Paraclito In saeculorum saecula. Amen. Requisitos para recebimento da Indulgência plenária, segundo a CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA INDULGENTIARUM DOCTRINA “N. 7. Para adquirir a indulgência plenária é preciso fazer uma obra enriquecida de indulgência e preencher as seguintes três condições: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice. Requer-se além disso rejeitar todo o apego ao pecado, qualquer que seja, mesmo venial. Se falta essa plena disposição ou não se cumprem as supramencionadas condições, ficando intacta a prescrição da norma 11 para os que se acham “impedidos”, a indulgência será apenas parcial. N. 8. As três condições podem ser preenchidas em dias diversos, antes ou após a realização da obra prescrita; mas convém que a comunhão e a oração nas intenções do Soberano Pontífice se façam no mesmo dia em que se faz a obra. N. 9. Com uma só confissão sacramental, podem adquirir-se várias indulgências plenárias, mas para cada indulgência plenária é necessária uma comunhão e as orações nas intenções do Sumo Pontífice. N. 10. A condição da oração nas intenções do Sumo Pontífice pode ser plenamente cumprida recitando em suas intenções um Pai-nosso e Ave-Maria; mas é facultado a todos os fiéis recitarem qualquer outra oração conforme sua piedade e devoção para com o Pontífice Romano” #Indulgências
- Indulgência Plenária para o primeiro e último dia do ano
A Santa Igreja concede indulgência plenária para aqueles que no dia 31 de dezembro rezarem o “TE DEUM” e aqueles que no dia 1 de janeiro rezarem o “VENI CREATOR” , ambos publicamente . Para cada um dos dias nós podemos lucrar indulgência plenária para nós mesmos ou pela alma de algum fiel defunto. Não basta apenas rezar. Para adquirir a INDULGÊNCIA PLENÁRIA é preciso recitar as orações publicamente e preencher essas quatro condições básicas para qualquer indulgência plenária: a) confissão sacramental – cada confissão vale para as indulgências obtidas até uns 15 dias antes e para as que serão obtidas até uns 15 dias depois de recebido o sacramento; b) comunhão eucarística – é necessária uma comunhão para cada indulgência; c) oração nas intenções do Sumo Pontífice – rezar para cada indulgência; d) exclusão de qualquer apego ao pecado, mesmo venial. e) Cumprir a obra prescrita, que para esses dias são a oração do TE DEUM e o VENI CREATOR. A confissão vale para os dois dias, mas a comunhão e a oração pelo papa devem ser feitas para cada um dos dias. Seguem os hinos: 1 – HINO TE DEUM (A VÓS, Ó DEUS, LOUVAMOS) – Para o dia 31/12 Te Deum A Vós, ó Deus, louvamos e por Senhor nosso Vos confessamos. A Vós, ó Eterno Pai, reverencia e adora toda a Terra. A Vós, todos os Anjos, a Vós, os Céus e todas as Potestades; A Vós, os Querubins e Serafins com incessantes vozes proclamam: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos Exércitos! Os Céus e a Terra estão cheios da vossa glória e majestade. A Vós, o glorioso coro dos Apóstolos, A Vós, a respeitável assembléia dos Profetas, A Vós, o brilhante exército dos mártires engrandece com louvores! A Vós, Eterno Pai, Deus de imensa majestade, Ao Vosso verdadeiro e único Filho, digno objeto das nossa a adorações, Do mesmo modo ao Espírito Santo, nosso consolador e advogado. Vós sois o Rei da Glória, ó meu Senhor Jesus Cristo! Vós sois Filho sempiterno do vosso Pai Onipotente! Vós, para vos unirdes ao homem e o resgatardes não Vos dignastes de entrar no casto seio duma Virgem! Vós, vencedor do estímulo da morte, abristes aos fiéis o Reino dos Céus, Vós estais sentado à direita de Deus, no glorioso trono do vosso Pai! Nós cremos e confessamos firmemente que de lá haveis de vir a julgar no fim do mundo. A Vós portanto rogamos que socorrais os vossos servos a quem remistes como vosso preciosíssimo Sangue. Fazei que sejamos contados na eterna glória, entre o número dos vossos Santos. Salvai, Senhor, o vosso povo e abençoai a vossa herança, E regei-os e exaltai-os eternamente para maior glória vossa. Todos os dias Vos bendizemos E esperamos glorificar o vosso nome agora e por todos os séculos. Dignai-Vos, Senhor, conservar-nos neste dia e sempre sem pecado. Tende compaixão de nós, Senhor, compadecei-Vos de nós, miseráveis. Derramai sobre nós, Senhor, a vossa misericórdia, pois em Vós colocamos toda a nossa esperança. Em Vós, Senhor, esperei, não serei confundido. 2 – VENI CREATOR – Para o dia 01/01 Vem Espírito Criador Vinde, Espírito Criador, visitai as almas dos Vossos; enchei de graça celestial os corações que criastes! Sois o Divino Consolador, o dom do Deus Altíssimo, fonte viva, o fogo, a caridade, a unção dos espirituais. Com os Vossos sete dons: sois o dedo da direita de Deus, Solene promessa do Pai Inspirando nossas palavras. Acendei a luz nos sentidos; insuflai o amor nos corações, amparai na constante virtude a nossa carne enfraquecida. Afastai para longe o inimigo; Trazei-nos prontamente a paz Assim guiados por Vós Evitaremos todo o mal. Por Vós explicar-se-á o Pai E conheceremos o Filho; Dai-nos crer sempre em Vós Espírito do Pai e do Filho. Glória ao Pai, Senhor, Ao Filho que ressuscitou Assim como ao Consolador. Por todos os séculos. Amém. Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar o hino Te Deum (A vós, ó Deus) em ação de graças, e será plenária, quando recitado em público no último dia do ano. Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar devotamente o hino Veni Creator (Ó vinde, Espírito Criador). A indulgência será plenária no dia primeiro de janeiro e na solenidade de Pentecostes, se o hino se recitar publicamente . (Manual das Indulgências aprovado pela Santa Sé e publicado em 1990 pela CNBB. Edições Paulinas: SP, 1990, P.15-19). ORAÇÕES EM LATIM Te Deum Te Deum laudamus: te Dominum confitemur. Te aeternum Patrem omnis terra veneratur. Tibi omnes Angeli; tibi caeli et universae Potestates; Tibi Cherubim et Seraphim incessabili voce proclamant: Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dominus Deus Sabaoth. Pleni sunt caeli et terra maiestatis gloriae tuae. Te gloriosus Apostolorum chorus, Te Prophetarum laudabilis numerus, Te Martyrum candidatus laudat exercitus. Te per orbem terrarum sancta confitetur Ecclesia, Patrem immensae maiestatis: Venerandum tuum verum et unicum Filium; Sanctum quoque Paraclitum Spiritum. Tu Rex gloriae, Christe. Tu Patris sempiternus es Filius. Tu ad liberandum suscepturus hominem, non horruisti Virginis uterum. Tu, devicto mortis aculeo, aperuisti credentibus regna caelorum. Tu ad dexteram Dei sedes, in gloria Patris. Iudex crederis esse venturus. Te ergo quaesumus, tuis famulis subveni: quos pretioso sanguine redemisti. Aeterna fac cum sanctis tuis in gloria numerari. [adicionado posteriormente, oriundos dos provérbios dos Salmos:] Salvum fac populum tuum, Domine, et benedic hereditati tuae. Et rege eos, et extolle illos usque in aeternum. Per singulos dies benedicimus te; Et laudamus Nomen tuum in saeculum, et in saeculum saeculi. Dignare, Domine, die isto sine peccato nos custodire. Miserere nostri Domine, miserere nostri. Fiat misericordia tua, Domine, super nos, quemadmodum speravimus in te. In te, Domine, speravi: non confundar in aeternum. Veni Creator Veni Creator Spiritus, Mentes tuorum visita, Imple superna gratia, Quae tu creasti, pectora. Qui diceris Paraclitus, Altissimi donum Dei, Fons vivus, ignis, caritas, Et spiritalis unctio. Tu septiformis munere, Digitus Paternae dexterae, Tu rite promissum Patris, Sermone ditans guttura. Accende lumen sensibus, Infunde amorem cordibus, Infirma nostri corpis Virtute firmans perpeti. Hostem repellas longius, Pacemque dones protinus; Ductore sic te praevio, Vitemus omne noxium. Per te sciamus da Patrem Noscamus atque Filium; Teque utriusque Spiritum Credamus omni tempore. Deo Patri sit gloria, Et Filio, qui a mortuis Surrexit, ac Paraclito In saeculorum saecula. Amen. Requisitos para recebimento da Indulgência plenária, segundo a CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA INDULGENTIARUM DOCTRINA “N. 7. Para adquirir a indulgência plenária é preciso fazer uma obra enriquecida de indulgência e preencher as seguintes três condições: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice. Requer-se além disso rejeitar todo o apego ao pecado, qualquer que seja, mesmo venial. Se falta essa plena disposição ou não se cumprem as supramencionadas condições, ficando intacta a prescrição da norma 11 para os que se acham “impedidos”, a indulgência será apenas parcial. N. 8. As três condições podem ser preenchidas em dias diversos, antes ou após a realização da obra prescrita; mas convém que a comunhão e a oração nas intenções do Soberano Pontífice se façam no mesmo dia em que se faz a obra. N. 9. Com uma só confissão sacramental, podem adquirir-se várias indulgências plenárias, mas para cada indulgência plenária é necessária uma comunhão e as orações nas intenções do Sumo Pontífice. N. 10. A condição da oração nas intenções do Sumo Pontífice pode ser plenamente cumprida recitando em suas intenções um Pai-nosso e Ave-Maria; mas é facultado a todos os fiéis recitarem qualquer outra oração conforme sua piedade e devoção para com o Pontífice Romano” #Indulgências















































