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- COMBATAM PELA VERDADE NOS OMBROS DE GIGANTES – Padre Bruno De Cristofaro
[Mensagem que um jovem padre italiano, Bruno De Cristofaro, dirigiu a jovens por ocasião do início do ano letivo 2021/2022]. “Assim implorei e a inteligência me foi dada, supliquei e o espírito da sabedoria veio a mim. Eu a preferi aos cetros e tronos, e avaliei a riqueza como um nada ao lado da sabedoria. Não comparei a ela a pedra preciosa, porque todo o ouro ao lado dela é apenas um pouco de areia, e porque a prata diante dela será tida como lama. Eu a amei mais do que a saúde e a beleza, e gozei dela mais do que da claridade do sol, porque a claridade que dela emana jamais se extingue. Com ela me vieram todos os bens, e nas suas mãos inumeráveis riquezas. De todos esses bens eu me alegrei, porque é a sabedoria que os guia, mas ignorava que ela fosse sua mãe. Eu estudei lealmente e reparto sem inveja e não escondo a riqueza que ela encerra, porque ela é para os homens um tesouro inesgotável; e os que a adquirem preparam-se para se tornar amigos de Deus”. (Sabedoria, 7, 7-14) Começam as aulas. E começam em pé de guerra. Porque a educação — sempre tenho dito — é um corpo a corpo. Uma luta que se dirige sobretudo a si mesmo: pois educar, “ex-ducere”, é “conduzir para fora”: fora da estreiteza mental e moral à qual ficamos todos muito acostumados, devido à ausência de mentores autênticos. Mas para a maioria de vocês, vítimas involuntárias da educação pública, o bom combate também envolverá a resistência heróica contra a atmosfera asfixiada das ideologias. O Santo Padre falou, recentemente, de um sonho: o de uma Europa finalmente livre delas. Mas isto deve começar nos bancos escolares, sabiam? Pois as ideologias, se não se aprende a reconhecê-las e desmantelá-las hoje, enquanto são manipuladas pelas cátedras, em vez de num sonho vocês acordarão amanhã em um novo pesadelo. E vocês vão viver isso junto com suas famílias, com seus filhos. A origem das ideologias, ainda mais do que na negação de nossas raízes cristãs (já um suicídio para a Europa contemporânea), se encontra no cancelamento das duas maiores conquistas da filosofia grega. Na verdade, hoje, contra qualquer ordem cronológica (que o progresso intelectual não é previsível como o técnico), vivemos uma era pré-socrática e pré-aristotélica. E vou explicar por quê. Sócrates legou à humanidade o bem inestimável da HONESTIDADE INTELECTUAL. Qualidade que os sofistas — antes dele — ignoravam completamente. Na verdade, eles entendiam a filosofia como mera retórica capaz de convencer os ouvintes com qualquer estratagema verbal, mesmo mentiroso. Sócrates deslocou o interesse do filósofo das opiniões para a verdade: essa não é algo que se impõe a partir dos próprios e satisfeitos pensamentos, mas só pode ser atingida a partir da humilde ignorância. A partir desse momento, a tarefa do filósofo é dedicar-se a uma busca sincera e heroica da verdade, ainda que à custa de sua vida. O maior presente de Aristóteles à posteridade foi, por outro lado, o RIGOR INTELECTUAL. Para chegar à verdade, não basta a reta intenção, que é necessária, mas insuficiente. Se o filósofo não observa escrupulosamente as regras da lógica, não chega a uma “cognitio certa” das coisas e, portanto, suas conclusões não têm valor científico universal. “Científico” aqui significa “certo” e “universal” significa “compreensível por todos”. Bernardo de Chartres, filósofo medieval, dizia a seus alunos que “apenas se apoiando nos ombros de gigantes (como os antigos filósofos) eles poderiam enxergar mais longe de si mesmos”. Por sua vez, o homem contemporâneo — acreditando que ele mesmo poderia fazer isto — saltou daqueles apoios seguros, daqueles privilegiados postos de vigia. E enquanto ele ainda chora pelos ossos que quebrou ao cair, ele cospe sua raiva furiosa em qualquer coisa real que vê em seu caminho, caso não corresponda a seus desejos e ânsias. Se vocês querem ter uma amostra sobre como Sócrates e Aristóteles foram traídos e eliminados pela cultura contemporânea, observe o peso de qualquer artista pop na determinação da chamada opinião pública, [cujas] lectiones magistrales coincidem perfeitamente com o que vocês tem ouvido de governantes e jornalistas e, digamos com franqueza, até da maioria de seus professores. Os “ismos” (Nacional-Socialismo, Fascismo, Comunismo e Relativismo) nascem e crescem precisamente assim: esvaziando os jovens da capacidade de pensar (honestamente, como Sócrates ensinava; e corretamente, como Aristóteles sugeria). E tudo isto começa na escola. A pressa em “completar o programa” (zelo educacional máximo para muitos professores) alguma vez ajudou um só aluno a “aprender” primeiro e “discernir” depois? As ideologias, que são a negação descarada e violenta do óbvio, em favor de ideias que ninguém jamais se preocupou em demonstrar logicamente, criam rapidamente raízes: as gerações mais jovens se tornam incapazes de formular (e reconhecer) argumentos sólidos. Sem honestidade e rigor intelectual, inviabiliza-se qualquer possibilidade de dissenso a respeito de alguma ideia dominante, bem como a respeito do poder que a encarna. É preciso explicar que tipo de implicações práticas tudo isso teve de março de 2020 até hoje? Acho que não, vocês são pessoas inteligentes. Caso contrário, vocês não me teriam lido até aqui. Pois bem, meus filhos, desejo que travem as batalhas que os esperam com dignidade e nobreza: dentro de vocês, para a conquista da virtude; e contra as ideologias pelo triunfo da verdade. No entanto, isso deve ser feito com gentileza e respeito, com uma reta consciência, para que no mesmo momento em que alguém falar mal de vocês, sejam envergonhados os que difamam a suas boas condutas em Cristo. Com efeito, já que Deus o quer, é melhor sofrer fazendo o bem do que fazendo o mal”(1 Pedro 3, 16-17). Se a metáfora dos anões e dos gigantes for verdadeira, Sócrates e Aristóteles também são minúsculos anões diante do Logos (que eles procuravam sem saber). O Verbo que vocês, filhos de Deus, conheceram pessoalmente e que jamais os abandonará. https://lanuovabq.it/it/ragazzi-combattete-sulle-spalle-dei-giganti-per-la-verita
- “IMAGINE QUE NÃO HÁ CÉU”: O LEGADO DE JOHN LENNON 50 ANOS DEPOIS – Stefano Manetti
“Imagine que não exista nenhum paraíso”: era assim que, em 1971, John Lennon concebia a nova paz que o mundo, segundo o seu modo de ver, deveria buscar. Na quinta-feira, 9 de setembro, comemorou-se o 50º aniversário de lançamento da canção mais icônica de Lennon: “Imagine”. Para entender aonde nos impele essa canção, como filosofia e conceitos transmitidos, é necessário entender em quem Lennon se inspirou e o que o influenciou, ao ponto de chegar a dizer que o Céu e o Inferno não são úteis para a paz. O autor, que fez parte dos Beatles, nunca escondeu suas inspirações e fontes. Para “Imagine”, sua musa foi a esposa Yoko Ono que, por meio de seus poemas, inspirou o marido a tentar a expressão de conceitos agressivos e revolucionários por meio de palavras doces. O próprio Lennon irá declarar em uma entrevista que seu trabalho é “anti-religioso, anti-nacionalista, anti-convencional, anti-capitalista, mas como é coberto de açúcar, a canção é aceita (…) Agora eu entendo como se deve fazer: passar mensagens políticas com um pouco de mel”. Esta afirmação confirma como é necessário bem pouco para veicular conceitos revolucionários e, assim, influenciar o maior número possível de pessoas com suas ideias. Mas a visão de Lennon, nesta música, não se limita à crítica religiosa (subentenda-se a fé cristã). Visa especialmente o fortalecimento de suas posições comunistas, vinculadas à sua interpretação do socialismo, em que se misturam pacifismo, antinacionalismo e a necessidade de eliminar qualquer ordem anteriormente existente, seja moral ou econômica. Afirmou que “Não existe um verdadeiro Estado comunista no mundo; é preciso compreender isto. O socialismo de que falo não é aquele posto em prática por algum idiota russo ou chinês. Isso pode ser adequado para eles. Nós, ao contrário, devemos ter um gentil socialismo britânico”. A bondade, de que fala Lennon, parte da firme convicção de que o ser humano é intrinsecamente bom e a sociedade é que o corrompe. Conceito sempre presente no mundo socialista, fundado no mito do bom selvagem de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). A única maneira de libertar o indivíduo é romper as jaulas e restrições impostas pela religião ou pelo Estado. Voltemos à letra da canção. Depois de negar o Céu e o inferno, o homem abandonará a propriedade, a terra e os afetos pessoais para viver em um mundo onde a fraternidade universal — da qual a Revolução Francesa, com sua guilhotina, deu um exemplo emblemático de aplicação — vai garantir a todos “Sharing all the world”, ou seja, o compartilhamento do mundo inteiro. A canção termina com a plena realização do sonho, no qual, enfim, o mundo não é mais feito de indivíduos pessoais e diferentes, mas de uma única entidade derivada da soma de todos. Além de imaginar um mundo nesses termos, Lennon leva o ouvinte a acreditar como é fácil realizar essa dimensão onírica… Não é preciso muito: basta começar a imaginá-lo e, sem perceber, o mundo terá se transformado no que você espera dele. Em 1980, Lennon declarou, confirmando os objetivos da sua visão ideológica: “Em primeiro lugar é necessário pensar em voar, e só depois é que se voa. Conceber a ideia é o primeiro passo “. Sua visão revolucionária está oculta sob uma grande habilidade musical, capaz de fundir música e voz numa eufonia que sabia ocultar a soma daqueles “anti” elencados pelo próprio Lennon em sua composição. A melodia parece onírica, evoca doces sentimentos, mas as palavras conseguem trazer aquele sentido de concretude rebelde que Lennon queria que fosse percebido em cada uma de suas canções. A vontade de fazer a “revolução com mel” deu definitivamente seus frutos infelizes, demonizando o conceito de autoridade. As ideias de Lennon e da sua geração materializaram-se: os mesmos princípios do bem e do mal são, hoje, muitas vezes invertidos; ou, pior ainda, são ainda completamente desconhecidos das pessoas, que já não compreendem mais o que é o mal e o que é o bem, porque tudo se torna relativo aos agentes e às circunstâncias em questão, sendo, portanto, movidos pela ideia de que o mundo imaginado por cada um é certamente o melhor para todos: “Imagine all the people living for today” (“Imagine todas as pessoas vivendo só para o dia de hoje”). https://www.europacristiana.com/leredita-dopo-50-anni-di-imagine-theres-no-heaven-di-john-lenon/?utm_source=mailpoet&utm_medium=email&utm_campaign=copia-di-bozza-da-utlizzare_3
- A tortuosa má vontade dos “homens de boa vontade” do Vaticano II
Os católicos fiéis escreveram montanhas de livros e artigos descrevendo a infiltração da Igreja Católica que levou ao Vaticano II e os frutos anticatólicos aparentemente ilimitados que se seguiram. À medida que a imagem da traição e da incompetência se torna mais clara, mais católicos (apropriadamente) começaram a avaliar o Vaticano II à luz da tradição, em vez de avaliar a história da Igreja pré-Vaticano II inteiramente à luz do Concílio. Infelizmente, a imagem ainda é tão complexa quanto desagradável. Para o bem ou para o mal, porém, podemos ter um vislumbre surpreendentemente preciso da crise com um simples exame da evolução do uso da frase “homens de boa vontade”. Começando com o anúncio da Natividade de Nosso Senhor aos pastores pelos anjos bons, e estendendo-se aos pronunciamentos daqueles aparentemente liderados por um grupo diferente de anjos hoje, podemos rastrear o significado e o uso da frase “homens de boa vontade”. Como seria de se esperar, a frase evoluiu de forma mais dramática desde o Vaticano II, de modo que a cronologia que se segue concentra-se principalmente em João XXIIII e seus sucessores. Quando chegarmos a Francisco, devemos considerar o uso de “homens de boa vontade” tematicamente em vez de cronologicamente – ao fazê-lo, veremos o fim do jogo planejado por aqueles que buscam colocar a Igreja a serviço de uma Nova Ordem Mundial. No entanto, como acontece com tantas outras novidades do Vaticano II, os arquitetos entenderam exatamente como usariam as formulações ambíguas para infligir danos à Igreja. A cronologia começa com a canção de louvor dos anjos: “E de repente apareceu com o anjo uma multidão do exército celestial, louvando a Deus, dizendo: Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade.” (Lucas 2: 13-14) A Catena Aurea de Santo Tomás de Aquino e o comentário de Cornelius à Lapide sobre o Evangelho de São Lucas, cada um apresenta diferentes interpretações da frase, mas as seguintes são mais relevantes para discernir quem se qualifica como “homens de boa vontade”: Cornelius à Lapide : “Paz seja com os homens, mas não com todos os homens, mas com os de boa vontade. Assim, S. Ambrose. ” “Bede diz:“ aqueles que recebem a Cristo ”. Santo Tomás de Aquino : “BEDE. Para quem eles pedem paz é explicado nas palavras, De boa vontade. Para eles, ou seja, que recebem o Cristo recém-nascido. Pois ali não há paz para os ímpios (Is 57:20), mas muita paz para aqueles que amam o nome de Deus. (Salmos 119: 165) ” Portanto, “homens de boa vontade” não abrange todos os homens; e do Venerável Bede temos a sensação de que “boa vontade” deve implicar algum amor a Deus e disposição para “receber a Cristo”. Isso faz sentido quando consideramos que a “paz” anunciada pelos anjos se aplicaria àqueles que por fim seguiriam a Cristo. Como Jesus disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-lo dou como o mundo a dá”. (João 14:27) Vemos esse mesmo sentido na encíclica do Papa Pio XI de 1937, Divini Redemptoris (sobre o comunismo ateísta): “Ao ensinar esta doutrina esclarecedora, a Igreja não tem outra intenção senão realizar as boas novas cantadas pelos Anjos sobre a caverna de Belém, no nascimento do Redentor: ‘Glória a Deus. . . e . . . paz aos homens. . ., ‘verdadeira paz e verdadeira felicidade, mesmo aqui embaixo, tanto quanto possível, em preparação para a felicidade do céu – mas para homens de boa vontade. Conforme descrito no Compêndio da Doutrina Social da Igreja do Pontifício Conselho para a Justiça e Paz , João XIII adotou a nova prática de se dirigir a “todos os homens de boa vontade” e convocá-los a resolver os problemas seculares do mundo: “Com a Encíclica Pacem in Terris , o Beato Papa João XXIII coloca em primeiro plano o problema da paz numa época marcada pela proliferação nuclear. Além disso, Pacem in Terris contém uma das primeiras reflexões aprofundadas sobre os direitos da Igreja; é a Encíclica da paz e da dignidade humana. Continua e completa a discussão apresentada em Mater et Magistra e, continuando na direção indicada pelo Papa Leão XIII, destaca a importância da cooperação de todos os homens e mulheres. É a primeira vez que um documento da Igreja se dirige também a ‘todos os homens de boa vontade’, chamados a uma grande tarefa: ‘estabelecer com verdade, justiça, amor e liberdade novos métodos de relacionamento na sociedade humana’ ”. Com a encíclica de Paulo VI de 1964, Ecclesiam Suam , podemos ver um novo desenvolvimento: «Falando em geral do papel de interlocutor, papel que a Igreja Católica deve assumir hoje com renovado fervor, gostaríamos apenas de observar que a Igreja deve estar sempre disposta a dialogar com todos os homens de bem. vontade, dentro e fora de sua própria esfera . ” Alguns católicos podem ser um subconjunto de “homens de boa vontade”, mas a categoria agora inclui todos os homens que podem ter boa vontade, mesmo fora da “esfera” da Igreja. Com toda a probabilidade, poucos católicos teriam ficado alarmados com essa mudança aparentemente pequena. No ano seguinte, a Constituição Pastoral do Vaticano II sobre a Igreja no Mundo Moderno, Gaudium et Spes , incluiu a declaração fundamental sobre “todos os homens de boa vontade”: “Pressionando o cristão, com certeza, estão a necessidade e o dever de lutar contra o mal por meio de múltiplas tribulações e até mesmo de sofrer a morte. Mas, ligado ao mistério pascal e inspirado no Cristo agonizante, ele se apressará à ressurreição na força que vem da esperança. Tudo isso vale não apenas para os cristãos, mas para todos os homens de boa vontade em cujos corações a graça opera de maneira invisível . Pois, visto que Cristo morreu por todos os homens, e visto que a vocação última do homem é de fato uma e divina, devemos crer que o Espírito Santo de uma maneira conhecida apenas por Deus oferece a cada homem a possibilidade de ser associado a esta mistério pascal. ” FONTE: THE REMNANT NEWSPAPER Escrito por Robert Morrison | Remnant Columnista #REMNANTNEWSPAPER
- A MÁQUINA DE MATAR QUE SE INSTALA NO CORAÇÃO DAS MULHERES
Todas as fêmeas da natureza cuidam de suas crias e querem o bem delas, mas depois de certo momento delas se esquecem e vão cuidar de suas vidas. Com a fêmea humana não era assim (pelo menos com a fêmea humana normal). A mulher desejava, para a sua cria, sucesso nesta vida e o prêmio da vida eterna. Durante toda a vida, preocupavam-se com suas crianças e, depois de mortas, continuariam certamente rezando, no Céu ou no Purgatório, por aqueles seres que geraram e deixaram no mundo. Mas parece que as mulheres também estão mudando. O que o atual mundo da pós-verdade está fazendo com elas? Nos distantes anos 30, início do século XX, o poeta Murilo Mendes já se preocupava com isto. Trata-se do poema “O rato e a comunidade” ( Poesia liberdade . Rio, Agir, 1947, p. 109-112): A mulher que escolhemos, a única e não outra Dentre tantas que habitam a terra triste, Esta mesma, frágil e indefesa, bela ou feia, Eis o mundo que nos é de novo apresentado Por intermédio de uma só pessoa. Esta é a que rompe as grades do nosso coração, Esta é a que possuímos mais pela ternura que pelo sexo. E nada será restaurado no seu genuíno sentido Se a mulher não retornar ao seu princípio: É a máquina instalada dentro dela que deveremos vencer. Quando esta mulher se tornar de novo submissa e doce, Os homens pela mão da antiga mediadora Abrirão outra vez um ao outro os corações que sangram. Faixas de mulheres comemorando nas ruas, recentemente, a descriminalização do aborto no México, eram bem ilustrativas da baixa temperatura maternal de certas jovens de hoje, sobretudo as que passam pelo corredor do inferno da vida acadêmica. As faixas traziam frases do tipo: “A maternidade deve ser desejada, ou então não será”, “Eu decido: aborto legal, seguro e gratuito”, “A liberdade não pode obrigar”. Mundo estranhíssimo este nosso, no qual o aborto deixa de ser uma “necessidade dolorosa” (pelo menos, aqui, suprimiam-se vidas com peso na consciência) para se transformar em direito de mulheres que se julgam proprietárias do próprio corpo. Um mundo em que a liberdade de decidir sobre o próprio corpo já não deve ter limites morais, indo da mera escolha de um corte de cabelo, passando pela tatuagem permanente e chegando ao próprio “suicídio assistido”, que já é direito em países como a Bélgica. Um mundo em que a gravidez é vista não só como um incômodo que é permitido interromper, mas sobretudo como uma doença da qual é lícito curar-se. É o que pensa a protagonista do filme O acontecimento , que acabou de ganhar o Leão de Ouro no Festival de Veneza: “Tenho aquela doença que num instante transforma a mulher em dona de casa”. A cruel máquina de matar está sendo instalada dentro da alma feminina pela mídia, a universidade, a indústria cultural, treinando as mulheres para fazerem o contrário daquilo para o qual foram criadas.
- Santuário Cristo Redentor divulga nota de repúdio após padre ser impedido de celebrar
Não foi a primeira vez que celebrantes foram parados rumo ao Cristo. Uma nota de repúdio contra o ICMBio foi divulgada. O padre Omar Raposo , reitor do Santuário Cristo Redentor, foi barrado na manhã deste sábado (11) por seguranças do Parque Nacional da Tijuca na guarita de acesso ao alto do Corcovado. Padre Omar iria celebrar um batizado na capela sob os pés da estátua, marcado para as 7h30, mas sua comitiva foi impedida de subir, sob a alegação de que “não estava autorizada”. O Santuário contesta e afirma que o evento foi previamente comunicado ao parque. Mesmo assim, até a criança, seus pais e padrinhos “foram travados”. O batizado só foi realizado duas horas depois. O platô onde fica a estátua do Cristo, no topo do Corcovado, pertence à Arquidiocese do Rio, que administra e conserva o cartão-postal. Todo o entorno, no entanto, é gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade ( ICMBio ). A autarquia também controla as lojas do complexo — hoje fechadas — e todos os acessos de veículos na Floresta da Tijuca. A nota cita cita esse e outros “atos hostis”. “Nos últimos meses, a postura dos seguranças do Parque Nacional da Tijuca tem sido hostil em relação ao reitor do Santuário Cristo Redentor, Padre Omar, e aos funcionários do Santuário”, diz um dos trechos da nota. “De maneira recorrente, Padre Omar, bispos e outros religiosos, juntamente com fiéis e convidados da Igreja que participam das missas, casamentos, batizados e ações culturais promovidas pelo Santuário, passam por constrangimentos ao acessar o Santuário”, detalhou. Leia a nota na íntegra O Santuário Cristo Redentor repudia os atos hostis do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), uma autarquia em regime especial, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, contra a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. De maneira recorrente, o reitor do Santuário Cristo Redentor, Padre Omar, bispos e outros religiosos do Rio de Janeiro, juntamente com fiéis e convidados da Igreja que participam das missas, casamentos, batizados e ações culturais promovidas pelo Santuário Cristo Redentor, passam por constrangimentos para acessarem o Santuário. Os gestores do Parque Nacional da Tijuca inviabilizam a servidão de passagem, entre outras ações vilipendiosas. Hoje, mais uma vez, Padre Omar e os fieis foram impedidos de acessar o Santuário Cristo Redentor quando estavam a caminho de um batizado, marcado às 7h30. O sacerdote, a criança e familiares foram travados na guarita localizada na Estrada das Paineiras, que dá acesso ao Santuário. Após ficarmos, no ano de 2019, vários meses sem funcionamento das escadas rolantes e elevadores na região do Alto Corcovado, obrigando idosos e pessoas com deficiência a passar inúmeras dificuldades e constrangimentos, mais uma vez ficamos à mercê do ICMBio, a partir dos funcionários do Parque Nacional da Tijuca. No dia 3 de setembro, fomos mais uma vez constrangidos e numa celebração litúrgica onde os convidados da Arquidiocese do Rio de Janeiro não puderam chegar ao Santuário Cristo Redentor. Após a oração, seria oferecido café da manhã gratuitamente aos convidados. O Parque Nacional da Tijuca também vetou o acesso de água aos convidados, violando o direito fundamental à saúde e ao bem-estar dos presentes. No dia 2 de setembro, os funcionários da empresa terceirizada que faz a gestão da iluminação do Cristo Redentor, que possuem veículos autorizados para o trabalho, foram barrados na guarita da Estrada das Paineiras pelos seguranças contratados pelo Parque Nacional da Tijuca. Eles estavam subindo para iluminar o monumento na cor verde em uma ação para chamar a atenção da população para a importância da doação de órgãos, que salva vidas, uma ação de iluminação na área de saúde entre tantas que o Santuário Cristo Redentor realiza. Da mesma forma, os veículos da Secretaria de Estado de Saúde, cujas informações de placa, modelo e cor já tinham sido enviadas ao Parque Nacional da Tijuca, também foram barrados na guarita. Esse bloqueio vem acontecendo há alguns meses. Enumeramos alguns acontecimentos dos últimos dias. No dia 22 de agosto, a fiscalização do ICMBio falhou ao não identificar turistas franceses que ficaram na mata após o encerramento da visitação de domingo. Na manhã do dia 23, o monumento foi acessado ilegalmente pelos turistas franceses, que arrombaram os cadeados da porta de acesso ao interior do monumento e subiram até a cabeça e os braços do Cristo Redentor, atentando contra a própria integridade física. O cesso ao monumento sem autorização configurou violação contra a propriedade da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Além disso, nesse momento, no Alto Corcovado não há operação de lojas comerciais, incluindo as de alimentação, por conta de querelas judiciais entre o Parque Nacional da Tijuca e os lojistas. Dessa forma, os visitantes não podem se alimentar nem ao menos se hidratar no local, sem que levem o próprio alimento ou água. Também por conta do fechamento das lojas, o banheiro mais próximo ao platô (área de visitação do Santuário Cristo Redentor), que ficava no restaurante, também foi fechado, impedindo que o público pudesse utiliza-lo. Nos últimos meses, a postura dos seguranças do Parque Nacional da Tijuca tem sido hostil em relação ao reitor do Santuário Cristo Redentor, Padre Omar, e aos funcionários do Santuário. Dessa forma, o ICMBio, mais uma vez, tem a postura de relativizar a autoridade da Igreja, que cuida, com todo o zelo, do monumento ao Cristo Redentor e do Santuário Cristo Redentor no alto do Morro do Corcovado, cuja propriedade é da Arquidiocese do Rio de Janeiro. O Santuário Cristo Redentor é o primeiro santuário a céu aberto do mundo. A área compreende todo o platô, ou seja, toda a área de visitação do público. Símbolo nacional dos sentimentos cristãos do país, é um espaço originalmente sagrado, que acolhe pessoas de todos os lugares do mundo. No dia 12 de outubro de 2021, será celebrado o 90º aniversário do monumento ao Cristo Redentor, com um calendário de atividades que está sendo preparado pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. Com informações de G1
- Santuário Cristo Redentor divulga nota de repúdio após padre ser impedido de celebrar
Não foi a primeira vez que celebrantes foram parados rumo ao Cristo. Uma nota de repúdio contra o ICMBio foi divulgada. O padre Omar Raposo , reitor do Santuário Cristo Redentor, foi barrado na manhã deste sábado (11) por seguranças do Parque Nacional da Tijuca na guarita de acesso ao alto do Corcovado. Padre Omar iria celebrar um batizado na capela sob os pés da estátua, marcado para as 7h30, mas sua comitiva foi impedida de subir, sob a alegação de que “não estava autorizada”. O Santuário contesta e afirma que o evento foi previamente comunicado ao parque. Mesmo assim, até a criança, seus pais e padrinhos “foram travados”. O batizado só foi realizado duas horas depois. O platô onde fica a estátua do Cristo, no topo do Corcovado, pertence à Arquidiocese do Rio, que administra e conserva o cartão-postal. Todo o entorno, no entanto, é gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade ( ICMBio ). A autarquia também controla as lojas do complexo — hoje fechadas — e todos os acessos de veículos na Floresta da Tijuca. A nota cita cita esse e outros “atos hostis”. “Nos últimos meses, a postura dos seguranças do Parque Nacional da Tijuca tem sido hostil em relação ao reitor do Santuário Cristo Redentor, Padre Omar, e aos funcionários do Santuário”, diz um dos trechos da nota. “De maneira recorrente, Padre Omar, bispos e outros religiosos, juntamente com fiéis e convidados da Igreja que participam das missas, casamentos, batizados e ações culturais promovidas pelo Santuário, passam por constrangimentos ao acessar o Santuário”, detalhou. Leia a nota na íntegra O Santuário Cristo Redentor repudia os atos hostis do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), uma autarquia em regime especial, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, contra a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. De maneira recorrente, o reitor do Santuário Cristo Redentor, Padre Omar, bispos e outros religiosos do Rio de Janeiro, juntamente com fiéis e convidados da Igreja que participam das missas, casamentos, batizados e ações culturais promovidas pelo Santuário Cristo Redentor, passam por constrangimentos para acessarem o Santuário. Os gestores do Parque Nacional da Tijuca inviabilizam a servidão de passagem, entre outras ações vilipendiosas. Hoje, mais uma vez, Padre Omar e os fieis foram impedidos de acessar o Santuário Cristo Redentor quando estavam a caminho de um batizado, marcado às 7h30. O sacerdote, a criança e familiares foram travados na guarita localizada na Estrada das Paineiras, que dá acesso ao Santuário. Após ficarmos, no ano de 2019, vários meses sem funcionamento das escadas rolantes e elevadores na região do Alto Corcovado, obrigando idosos e pessoas com deficiência a passar inúmeras dificuldades e constrangimentos, mais uma vez ficamos à mercê do ICMBio, a partir dos funcionários do Parque Nacional da Tijuca. No dia 3 de setembro, fomos mais uma vez constrangidos e numa celebração litúrgica onde os convidados da Arquidiocese do Rio de Janeiro não puderam chegar ao Santuário Cristo Redentor. Após a oração, seria oferecido café da manhã gratuitamente aos convidados. O Parque Nacional da Tijuca também vetou o acesso de água aos convidados, violando o direito fundamental à saúde e ao bem-estar dos presentes. No dia 2 de setembro, os funcionários da empresa terceirizada que faz a gestão da iluminação do Cristo Redentor, que possuem veículos autorizados para o trabalho, foram barrados na guarita da Estrada das Paineiras pelos seguranças contratados pelo Parque Nacional da Tijuca. Eles estavam subindo para iluminar o monumento na cor verde em uma ação para chamar a atenção da população para a importância da doação de órgãos, que salva vidas, uma ação de iluminação na área de saúde entre tantas que o Santuário Cristo Redentor realiza. Da mesma forma, os veículos da Secretaria de Estado de Saúde, cujas informações de placa, modelo e cor já tinham sido enviadas ao Parque Nacional da Tijuca, também foram barrados na guarita. Esse bloqueio vem acontecendo há alguns meses. Enumeramos alguns acontecimentos dos últimos dias. No dia 22 de agosto, a fiscalização do ICMBio falhou ao não identificar turistas franceses que ficaram na mata após o encerramento da visitação de domingo. Na manhã do dia 23, o monumento foi acessado ilegalmente pelos turistas franceses, que arrombaram os cadeados da porta de acesso ao interior do monumento e subiram até a cabeça e os braços do Cristo Redentor, atentando contra a própria integridade física. O cesso ao monumento sem autorização configurou violação contra a propriedade da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Além disso, nesse momento, no Alto Corcovado não há operação de lojas comerciais, incluindo as de alimentação, por conta de querelas judiciais entre o Parque Nacional da Tijuca e os lojistas. Dessa forma, os visitantes não podem se alimentar nem ao menos se hidratar no local, sem que levem o próprio alimento ou água. Também por conta do fechamento das lojas, o banheiro mais próximo ao platô (área de visitação do Santuário Cristo Redentor), que ficava no restaurante, também foi fechado, impedindo que o público pudesse utiliza-lo. Nos últimos meses, a postura dos seguranças do Parque Nacional da Tijuca tem sido hostil em relação ao reitor do Santuário Cristo Redentor, Padre Omar, e aos funcionários do Santuário. Dessa forma, o ICMBio, mais uma vez, tem a postura de relativizar a autoridade da Igreja, que cuida, com todo o zelo, do monumento ao Cristo Redentor e do Santuário Cristo Redentor no alto do Morro do Corcovado, cuja propriedade é da Arquidiocese do Rio de Janeiro. O Santuário Cristo Redentor é o primeiro santuário a céu aberto do mundo. A área compreende todo o platô, ou seja, toda a área de visitação do público. Símbolo nacional dos sentimentos cristãos do país, é um espaço originalmente sagrado, que acolhe pessoas de todos os lugares do mundo. No dia 12 de outubro de 2021, será celebrado o 90º aniversário do monumento ao Cristo Redentor, com um calendário de atividades que está sendo preparado pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. Com informações de G1
- SEGUINDO O MESSIAS – Scott Hahn medita sobre o 24º Domingo do Tempo Comum
No evangelho de hoje, nos deparamos com um momento chave para nossa caminhada com o Senhor. Depois de semanas ouvindo suas palavras e vendo suas maravilhas, somos questionados, assim como os discípulos, sobre quem realmente é Jesus. São Pedro responde por eles e também por nós, quando diz: “Tu és o Messias”. Muitos esperavam um Messias milagreiro, que vencesse os inimigos de Israel e restaurasse o reino de Davi (v. Jo 6,15). Jesus nos revela hoje uma imagem diferente. Ele se autodenomina o Filho do Homem, evocando a figura real que o profeta Daniel contemplou em suas visões celestiais (v. Dn 7, 13-14). No entanto, a sua realeza não é como a deste mundo (v. Jo 18, 36); e o caminho para o seu trono, conforme nos ensina, passa pelo sofrimento e pela morte. Jesus identifica o Messias com o Servo sofredor de quem Isaías fala na primeira leitura deste domingo. Suas palavras são as mesmas de Jesus, que se entrega para ser humilhado e espancado, confiando que Deus o ajudará. Ao mesmo tempo, ouvimos novamente a voz do Senhor no salmo de hoje, agradecendo a Deus por livrá-lo das teias da morte. Como Jesus nos diz neste domingo, acreditar que Ele é o Messias implica seguir um caminho de autonegação, perdendo a vida para salvá-la e ressuscitar com Ele para uma nova vida. Nossa fé, como ouvimos novamente na epístola de hoje, precisa ser expressa com obras de amor. É notório que Jesus questiona seus apóstolos, nessa leitura, enquanto vão “pelo caminho”. Eles vão a Jerusalém, onde o Senhor entregará a sua vida. Nós também estamos no caminho com o Senhor. Precisamos aceitar e carregar nossa cruz, oferecendo-nos aos outros e perseverando em todas as nossas provações pela causa de Cristo e do Evangelho. Nossas vidas devem ser um sacrifício de ação de graças pela nova vida que Deus nos deu, até o dia em que cheguemos ao nosso destino e caminhemos diante do Senhor na terra dos vivos (v. Ez 26, 20). https://stpaulcenter.com/following-the-messiah-scott-hahn-reflects-on-the-twenty-fourth-sunday-in-ordinary-time/
- O Papa aos Carmelitas: a amizade com Deus é um fogo a ser protegido
Francisco recebeu em audiência os participantes do Capítulo Geral da Ordem dos Frades Carmelitas Descalços: “Arraigados na relação com Deus, Trindade de Amor, vocês são chamados a cultivar os relacionamentos no Espírito, numa saudável tensão entre estar sozinhos e estar com os outros”. Ouvir, discernir e tornar-se testemunha. Estas são as diretrizes do discurso do Papa Francisco proferido aos participantes do Capítulo Geral dos Carmelitas Descalços, na manhã deste sábado (11/09), no Vaticano. “Ouvir é a atitude fundamental do discípulo, de quem se coloca na escola de Jesus e quer responder ao que Ele nos pede neste momento difícil, mas sempre belo, porque é o tempo de Deus.” Ouça e compartilhe Neste tempo, em que a pandemia nos colocou diante de muitas perguntas e que viu a queda de tantas certezas, vocês são chamados, como filhos de Santa Teresa, a cuidar de sua fidelidade aos elementos perenes de seu carisma. Esta crise, se tem algo de bom, e certamente tem, é para nos trazer de volta ao essencial, a não viver distraídos por uma falsa segurança. Viver plenamente a graça do presente O Papa sublinhou que “às vezes alguém pergunta qual é o futuro da vida consagrada”. As “visões pessimistas estão destinadas a serem desmentidas como aquelas sobre a própria Igreja”, disse Francisco. A vida consagrada faz parte da Igreja como Jesus a quis e como o Espírito a gera continuamente. Portanto, é preciso distanciar a tentação de se preocupar em sobreviver, e viver plenamente, acolhendo a graça do presente, mesmo com os riscos que isso implica. Cuidado com a mundanidade espiritual A vida carmelita é “vida contemplativa”. “Este é o dom que o Espírito deu à Igreja com Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz, e depois com os santos e santas carmelitas”. Fiel a este dom, o Papa acrescentou: “A vida carmelita é uma resposta à sede do homem contemporâneo, que no fundo é uma sede de Deus, uma sede do eterno”. Está protegido dos psicologismos, espiritualismos ou falsas atualizações que escondem um espírito de mundanidade.” O Pontífice citou um livro do pe. de Lubac sobre a mundanidade espiritual no qual afirma que “é o pior dos males que podem acontecer à Igreja, na verdade pior do que no tempo dos Papas concubinos”. “A cultura da mundanidade espiritual é uma cultura do efêmero e das aparências”, observou Francisco, que é “muito sutil”: “Entra e nós não percebemos”. Vocês conhecem bem a tentação dos psicologismos, dos espiritualismos e das atualizações do mundo: o espírito da mundanidade. Sobre isso eu lhes peço, por favor: cuidado com a mundanidade espiritual, que é o pior mal que pode acontecer à Igreja. “A fidelidade evangélica”, disse o Papa, “não é estabilidade de lugar, mas estabilidade de coração; que não consiste em recusar a mudança, mas em fazer as mudanças necessárias para atender ao que o Senhor nos pede, aqui e agora”. A fidelidade exige um firme compromisso com os valores do Evangelho e com o próprio carisma, e a renúncia àquilo que impede de dar o melhor de si ao Senhor e aos outros”. Amizade com Deus e missão O Pontífice também lembrou que a alegria e o senso de humor devem ser características marcantes da vida consagrada. Ele incentivou os Carmelitas a “manterem ligadas a amizade com Deus, a vida fraterna em comunidade e a missão”. Ele os exortou, a partir da amizade com Deus e do estilo de fraternidade, a “repensar a missão, com criatividade e um forte impulso apostólico, prestando grande atenção ao mundo de hoje”. A amizade com Deus”, explicou o Papa, “amadurece no silêncio, no recolhimento, na escuta da Palavra de Deus”. É um fogo que precisa ser alimentado e protegido todos os dias. O calor deste fogo interior também ajuda a praticar a vida fraterna em comunidade. Não é um elemento acessório, mas substancial. O nome de vocês lembra isso: “Irmãos descalços”. Arraigados na relação com Deus, Trindade de Amor, vocês são chamados a cultivar os relacionamentos no Espírito, numa saudável tensão entre estar sozinhos e estar com os outros, contracorrente em relação ao individualismo e a massificação do mundo. Capítulo Geral dos Carmelitas Descalços O Capítulo Geral dos Carmelitas Descalços, em Roma, que teve início em 30 de agosto e prossegue até 14 de setembro, é o 92º da história da Ordem. Os trabalhos são marcados por um texto elaborado nos últimos seis anos e focalizado no carisma carmelita-teresiano. Um dos objetivos é dar uma resposta atualizada às perguntas: o que significa ser Carmelitas Descalços hoje? Como viver a vocação de uma forma que esteja em sintonia com os desafios atuais? Noventa e cinco frades carmelitas dos cinco continentes foram convocados ao Capítulo, representando cerca de 4 mil frades que fazem parte da Ordem. Em 4 de setembro, a assembleia capitular elegeu o pe. Miguel Marquez Calle, nascido em 5 de outubro de 1965, na Espanha, novo diretor-geral. FONTE: VATICAN NEWS AUTORES: Amedeo Lomonaco/Mariangela Jaguraba #OPapaaosCarmelitasaamizadecomDeuséumfogoaserprotegido
- A reação de João Paulo II ao 11 de setembro
O ex-embaixador dos Estados Unidos junto à Santa Sé recorda a resposta do falecido Santo Padre aos terríveis acontecimentos de dez anos atrás. O Papa João Paulo II, embora um homem de Igreja, possuía um senso incomum para a dinâmica do globalismo e as complexidades dos povos e culturas. Meu primeiro encontro pessoal com o Papa João Paulo II foi em 13 de setembro de 2001. A ocasião foi a apresentação formal de minhas credenciais diplomáticas como o novo embaixador dos Estados Unidos junto à Santa Sé. Foi planejado para ser uma ocasião festiva; em vez disso, foi um acontecimento triste, pois o mundo estava sofrendo os horríveis acontecimentos de apenas 48 horas antes. A primeira coisa que o Papa me disse foi a pena que sentia pelo meu país, que acabara de ser atacado, e como isso o deixava triste. Em seguida, rezamos juntos pelas vítimas e suas famílias. Em seguida, o Papa disse algo muito profundo e muito revelador de sua aguda compreensão do terrorismo internacional. Ele disse: “Embaixador Nicholson, este foi um ataque, não apenas aos Estados Unidos, mas a toda a humanidade”. E, então, ele acrescentou: “Devemos impedir essas pessoas que matam em nome de Deus”. As palavras do papa sobre os atacantes da América em 11 de setembro e nossa necessidade, na verdade nossa obrigação moral, de “fazer algo” foram inestimáveis para os Estados Unidos na formação de uma “Coalizão dos Dispostos”, como a chamou o presidente Bush. Foi a compreensão instantânea e aguda da situação pelo Papa – o lançamento desses ataques terroristas no Afeganistão – que o obrigou a emprestar sua influência moral ao amigo e aliado dos Estados Unidos. Ele sabia exatamente o que estava dizendo e o efeito que isso teria sobre os outros países que estavam tentando decidir se deveriam ou não se juntar a nós como parceiros militares no Afeganistão contra a Al Qaeda e seus colaboradores. O Papa não hesitou, nem hesitou quando comunicou por meu intermédio ao nosso presidente e aos líderes de países com ideias semelhantes para fazer oposição aos terroristas apátridas que tentaram alinhar-se sob o muro de proteção da soberania do Afeganistão. O Papa João Paulo II cresceu sob os regimes repressivos dos nazistas e dos comunistas. Ele conhecia bem os efeitos sobre a liberdade e a dignidade que aqueles com uma agenda ideológica e recursos militares correspondentes poderiam causar em pessoas inocentes. O Papa desempenhou um papel fundamental no que George Weigel chama de “revolução de consciência” na Polônia. Ele foi fundamental para o fim da União Soviética e do comunismo europeu, e tinha muita prática nas complexidades do uso de força moral discreta para influenciar organismos internacionais. Sendo antes de tudo um homem de paz, o Papa João Paulo II também entendeu a doutrina da guerra justa da Igreja e a responsabilidade dos líderes de proteger as pessoas inocentes das forças do mal. Ele respeitou o presidente Bush e seu “julgamento prudente” ao decidir o que era legítimo para proteger o bem comum. Em 2004, o presidente Bush, com gratidão e respeito por sua solidariedade com os valores americanos, presenteou o Papa com a Medalha da Liberdade, que é o maior prêmio que os Estados Unidos concedem a um civil. Nota do editor: Esta coluna é cortesia da Agência Católica de Notícias Jim Nicholson é o ex-embaixador dos Estados Unidos na Santa Sé. FONTE: National Catholic Register AUTOR: James Nicholson 9 de setembro de 2011 #11desetembro #OexembaixadordosEstadosUnidosjuntoàSantaSérecordaarespostadofalecidoSantoPadreaosterríveisacontecimentosdedezanosatrás #papajoãopauloii
- Censura: Plataforma APOIA.SE cancela conta do Centro Dom Bosco
Seguindo a onda de censura aos conservadores promovida pelo STF, a plataforma APOIA.se tomou a decisão de censurar o Centro Dom Bosco e encerrar sua conta na plataforma. Cada vez mais produtores de conteúdo independente, inclusive congregações, institutos e apostolados católicos, estão recorrendo ao uso de plataformas de financiamento coletivo para financiar seus projetos, uma excelente alternativa proveniente da tecnologia, sendo a APOIA.se uma das mais utilizadas e conhecidas. A APOIA.se é uma plataforma digital destinada ao financiamento coletivo de atividades e facilita a colaboração e a viabilização de projetos, trabalhando como intermediadora da relação de apoio entre os empreendedores e sua comunidade apoiadora, cobrando uma porcentagem do valor arrecadado. Em teoria essa plataforma deveria ser isenta em suas ações, entretanto está se tornando recorrente a aplicação de censuras aos conservadores, principalmente após a instauração do inconstitucional Inquérito das Fake News promovido pelo STF. No ano passado alguns expoentes do conservadorismo no Brasil tiveram suas contas canceladas pela plataforma APOIA.se, por exemplo Bernardo Kuster, Jonal da Cidade Online, Sarah Giromini e o portal de notícias Conexão Política. Entre as justificativas para revisão/cancelamento das contas está a alegação de disseminação de fake news. A mais recente vítima de censura da plataforma foi o Centro Dom Bosco. A Associação Centro Dom Bosco (CDB) de fé e cultura, sediada na capital do Rio de Janeiro, já inspirou dezenas de outras associações similares e que juntas, elas formam a Liga Cristo Rei. O CDB ficarou conhecido nacionalmente após moverem processos contra a Netflix e Porta dos Fundos por ofensas a fé católica. São considerados pela grande mídia como um dos principais polos do conservadorismo católico no Brasil, taxados várias vezes como “ultraconservadores” pela imprensa militante. Através de suas redes sociais oficiais, o Centro Dom Bosco comunicou no início da noite de hoje (10), que teve sua conta encerrada unilateralmente pela plataforma de financiamento coletivo. O motivo seria uma matéria no site da associação que desagradou a plataforma. Isso é ou não é censura? Leia o comunicado feito pelo Centro Dom Bosco: O site de financiamento coletivo, Apoia-se, resolveu encerrar unilateralmente a nossa conta após cinco anos. O motivo? Postamos uma matéria em nosso site que desagradou a plataforma! Não podemos aceitar que um veículo de repasse de doações assuma o papel de censurar as posições de grupos católicos na web. Eles não vão ditar as regras. Por isso, amanhã diremos como reagiremos à onda de censura que nos alcançou. Pedimos que rezem pelo Centro Dom Bosco. Viva Cristo Rei Bernardo Küster Bernardo Küster contou também que teve uma campanha no Apoia.se censurada. Primeiro, pediram que tirassem um vídeo por alegarem que continha fake news. Ele retirou, pediram que tirasse outro e isso também foi feito. Por fim, o canal de financiamento coletivo queria que ele retirasse um artigo do site Brasil sem Medo do ar, o que ele se negou a fazer. “Eles alegaram que eu não podia ter certeza do que estava escrito lá”, disse o blogueiro. “Mas não dá para escrever apenas sobre o que se tem certeza”. Para Küster, além da perseguição do STF — que sob a alegação de investigar participantes de protestos antidemocráticos já prendeu comunicadores como o jornalista Oswaldo Eustáquio —, há outros possíveis censores por trás da tentativa de acabar com o canal, como o Sleeping Giants (que força empresas a tirarem patrocínio de determinados canais e sites ) e o youtuber Felipe Neto. “Ele prometeu em suas redes sociais que correria atrás de olavistas e conservadores”. Seja como for, se como rege a Constituição, “é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”. Talvez este seja de fato o momento de a Justiça atuar para impedir que apenas um lado da História tenha voz. Conheça mais sobre o Centro Dom Bosco
- Censura: Plataforma APOIA.SE cancela conta do Centro Dom Bosco
Seguindo a onda de censura aos conservadores promovida pelo STF, a plataforma APOIA.se tomou a decisão de censurar o Centro Dom Bosco e encerrar sua conta na plataforma. Cada vez mais produtores de conteúdo independente, inclusive congregações, institutos e apostolados católicos, estão recorrendo ao uso de plataformas de financiamento coletivo para financiar seus projetos, uma excelente alternativa proveniente da tecnologia, sendo a APOIA.se uma das mais utilizadas e conhecidas. A APOIA.se é uma plataforma digital destinada ao financiamento coletivo de atividades e facilita a colaboração e a viabilização de projetos, trabalhando como intermediadora da relação de apoio entre os empreendedores e sua comunidade apoiadora, cobrando uma porcentagem do valor arrecadado. Em teoria essa plataforma deveria ser isenta em suas ações, entretanto está se tornando recorrente a aplicação de censuras aos conservadores, principalmente após a instauração do inconstitucional Inquérito das Fake News promovido pelo STF. No ano passado alguns expoentes do conservadorismo no Brasil tiveram suas contas canceladas pela plataforma APOIA.se, por exemplo Bernardo Kuster, Jonal da Cidade Online, Sarah Giromini e o portal de notícias Conexão Política. Entre as justificativas para revisão/cancelamento das contas está a alegação de disseminação de fake news. A mais recente vítima de censura da plataforma foi o Centro Dom Bosco. A Associação Centro Dom Bosco (CDB) de fé e cultura, sediada na capital do Rio de Janeiro, já inspirou dezenas de outras associações similares e que juntas, elas formam a Liga Cristo Rei. O CDB ficarou conhecido nacionalmente após moverem processos contra a Netflix e Porta dos Fundos por ofensas a fé católica. São considerados pela grande mídia como um dos principais polos do conservadorismo católico no Brasil, taxados várias vezes como “ultraconservadores” pela imprensa militante. Através de suas redes sociais oficiais, o Centro Dom Bosco comunicou no início da noite de hoje (10), que teve sua conta encerrada unilateralmente pela plataforma de financiamento coletivo. O motivo seria uma matéria no site da associação que desagradou a plataforma. Isso é ou não é censura? Leia o comunicado feito pelo Centro Dom Bosco: O site de financiamento coletivo, Apoia-se, resolveu encerrar unilateralmente a nossa conta após cinco anos. O motivo? Postamos uma matéria em nosso site que desagradou a plataforma! Não podemos aceitar que um veículo de repasse de doações assuma o papel de censurar as posições de grupos católicos na web. Eles não vão ditar as regras. Por isso, amanhã diremos como reagiremos à onda de censura que nos alcançou. Pedimos que rezem pelo Centro Dom Bosco. Viva Cristo Rei Bernardo Küster Bernardo Küster contou também que teve uma campanha no Apoia.se censurada. Primeiro, pediram que tirassem um vídeo por alegarem que continha fake news. Ele retirou, pediram que tirasse outro e isso também foi feito. Por fim, o canal de financiamento coletivo queria que ele retirasse um artigo do site Brasil sem Medo do ar, o que ele se negou a fazer. “Eles alegaram que eu não podia ter certeza do que estava escrito lá”, disse o blogueiro. “Mas não dá para escrever apenas sobre o que se tem certeza”. Para Küster, além da perseguição do STF — que sob a alegação de investigar participantes de protestos antidemocráticos já prendeu comunicadores como o jornalista Oswaldo Eustáquio —, há outros possíveis censores por trás da tentativa de acabar com o canal, como o Sleeping Giants (que força empresas a tirarem patrocínio de determinados canais e sites ) e o youtuber Felipe Neto. “Ele prometeu em suas redes sociais que correria atrás de olavistas e conservadores”. Seja como for, se como rege a Constituição, “é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”. Talvez este seja de fato o momento de a Justiça atuar para impedir que apenas um lado da História tenha voz. Conheça mais sobre o Centro Dom Bosco
- UMA FEIRA DE BEBÊS EM PARIS
Depois da primeira experiência em setembro de 2020, voltou este ano a feira de bebês em Paris. Aconteceu no pequeno shopping parisiense Espaço Champerret, mais exatamente num salão de “reprodução assistida” que levava o cândido nome de “Desejo de ter um filho” (em francês soa mais lírico: “Désir d’enfant”). Estavam ali representadas algumas clínicas que lidam com fertilização in vitro, doação de óvulos, teste genético de embriões antes de implantá-los, e outras opções de fertilidade, entre as quais a mais polêmica de todas: o problema das barrigas de aluguel. Ali, clínicas americanas, canadenses e ucranianas estiveram à espera de clientes desejosos de saber como realizar o “desejo de ter um filho” — ou até comprar um bebê, cujo embrião, depois de produzido em laboratório com toda a arte e ciência da engenharia genética, seria gestado por mulheres que decidiram alugar seus úteros e ser mães por apenas nove meses. No ano passado, uma clínica de Toronto fabricava bebês por cerca de 100.000 euros, enquanto uma clínica ucraniana fazia por bem menos: 49 mil euros em média (embota também oferecesse um pacote VIP por 59.000 euros…). Neste 2021, a feira funcionou no sábado, dia 4, e no domingo, 5 de setembro. Ao lado de práticas aceitas pela legislação francesa, como a fertilização assistida em todas as suas variantes, as clínicas ali presentes também ofereciam atividades proibidas na França, como a locação de úteros humanos. Mesmo assim, a feira aconteceu. Uma entidade de feministas contrárias à prática apresentou, na semana passada, uma queixa à prefeita “progressista” de Paris, Anne Hidalgo (mui amiga do sr. Lula da Silva), pedindo-lhe que cancelasse o evento, mas a solicitação não obteve resposta. As estandes das várias clínicas exibiam fotos de mulheres grávidas, casais felizes com seus bebês nos braços, alegres crianças já crescidas, enfim, retratos de famílias radiantes por haver realizado o tão sonhado sonho. O público-alvo do negócio são casais estéreis, gays e até moças solteiras que, desejando filhos, fogem do ônus de uma “ligação estável”. Os gametas masculinos e femininos podiam ser escolhidos a partir de um catálogo, com fotos dos doadores-vendedores e um banco de dados completo dos mesmos, com informações úteis, de natureza física ou psicológica, para uma escolha bem-sucedida (mais ou menos como um cardápio de restaurante “à la carte”). Para tornar mais atraente a vitrina, os organizadores levaram este ano um jovem e feliz pai, que já tinha utilizado com sua mulher os serviços oferecidos por uma das clínicas. Pelo jeito gostou muito, ao ponto de classificar a experiência como “uma aventura mágica”, “uma viagem humanamente extraordinária”. Já era pai de dois filhos nascidos de um ventre emprestado. Garantia que ele e sua mulher já consideravam a mãe-alugada de seus filhos como “membro da família”, e provava-o, sorridente, exibindo uma foto em que apareciam todos juntos e felizes: os filhos, a esposa e a prestadora de serviços gestacionais. Sem dúvida, um jeito diferente de ser “família feliz”. Felicidade que, potencialmente, também poderia abranger mais gente na linha de produção: imagine-se um casal que compre gametas de um homem e uma mulher que não se conheciam, e que o casal também nunca tinha visto antes (responsáveis pelas características biológicas do bebê), resultando num embrião implantado numa terceira pessoa que também ainda não tinha entrado na história (responsável pelos primeiros e possivelmente decisivos condicionamentos psicológicos durante a gravidez). Para finalizar, imagine-se sobre a cômoda do quarto do bebê uma sorridente foto com esses cinco “genitores” (palavra que em breve substituirá as pré-históricas “pai” e “mãe”). Tantos genitores para, ao fim e ao cabo, acabar a criança nas mãos do Estado, com toda a sua vida decidida e determinada pelo “irmão mais velho”: o Big Brother orwelliano.
- Missa alguma é “mais poderosa” que outra, adverte cardeal
É muito comum ouvirmos falar em missas dos doentes, missa carismática, missa dos idosos, missa afro, ou mesmo missas de cura e libertação. Entretanto nenhuma delas é prevista! Não existem missas mais poderosas que outras, porque “toda missa tem um valor infinito diante de Deus”, afirmou o cardeal John Onaiyekan, arcebispo emérito de Abuja, Nigéria, na catequese desta quinta-feira, 9, no Congresso Eucarístico Internacional em Budapeste, na Hungria. “Em alguns lugares do mundo, com frequência, ouvimos sobre alguns sacerdotes que afirmam possuir poderes especiais e que a santa missa que eles celebram são mais poderosas que outras, com suas implicações monetárias para fiéis devotos, mas crédulos. Nada disso tem a ver com a nossa fé católica. Toda missa tem um valor infinito diante de Deus”, disse Onaiyekan. Leia também Padre carismático pede perdão por abusos litúrgicos: “Não celebrava a Missa da Igreja” “Esse é o motivo pelo qual, independentemente de quem celebre a missa, deve observar um mesmo ritual, especialmente no que diz respeito aos elementos centrais da oração eucarística”, explicou. “Não importa quem seja o ministro. Se é o papa, um bispo ou um sacerdote recém-ordenado. Jesus é quem está celebrando”. O cardeal fez um apelo para que a celebração seja respeitosa, pois “a celebração da Eucaristia é a recriação do que Jesus realizou na Última Ceia. Quando nos reunimos ao redor da mesa da celebração eucarística, é Jesus que está celebrando a Eucaristia”. Leia também O piedoso uso do Véu na santa missa e a beleza da tradição Para ele, “a liturgia católica não tem espaço para extravagâncias teatralizadas e representações criativas que roçam o entretenimento vulgar que não é digno do culto cristão.” “O sacerdote é um ministro humano que celebra na pessoa de Cristo”, disse Onaiyekan, “mas, junto com o sacerdote, toda a congregação se une também à celebração da Eucaristia, já que a Eucaristia é celebrada por todo o corpo de Cristo, tanto pela sua cabeça como pelos seus membros”. “É por isso que o Concílio Vaticano II insiste na participação ativa de todos os que estão presentes na missa. Não assistimos à missa para ver um espetáculo como espectadores. Vamos à missa para participar da ação sagrada na qual se recria plena e completamente a refeição eucarística de Jesus na Última Ceia”, disse o cardeal. Na sua catequese, intitulada “A Eucaristia, ápice da nossa vida cristã e fonte de toda a nossa esperança”, o cardeal Onaiyekan disse que “a Eucaristia é objeto da nossa fé” e “só podemos chegar a saber algo sobre o sacramento se estamos dispostos a submeter nossa mente, nosso coração e vontade ao que a revelação de Deus nos deu a conhecer sobre sua ação de amor por nós neste sacramento”. Leia também Qual é o significado da missa de sétimo dia? O cardeal recordou que, “na Eucaristia, temos a presença real de Deus entre nós. É claro, Deus está sempre presente conosco o tempo todo e em todo lugar. Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, é a presença física histórica de Deus no nosso mundo. Essa é a base da presença real de Deus em Cristo na sagrada Eucaristia”. “Jesus está verdadeiramente presente nos elementos eucarísticos” e, portanto, “a Eucaristia não é apenas para ser comida, mas também para ser adorada”, explicou ele. “A presença real de Jesus na Eucaristia tem implicações não só para nós que cremos nela e a celebramos. O que se torna o Corpo e o Sangue de Cristo são os frutos da terra e do trabalho do homem. De algum modo, toda a criação se eleva pelo fato de que estes objetos criados, colocados sobre o altar, por invocação do Espírito Santo, se convertam no corpo e no sangue de Cristo”, acrescentou. “Embora agora tenhamos a celebração da Eucaristia segundo uma variedade de ritos, o coração da Eucaristia permanece igual. Da mesma forma, ainda hoje, mesmo mantendo o coração da celebração eucarística, a Igreja fomenta a adaptação da celebração segundo a diversidade de culturas e épocas. Assim, a celebração da Eucaristia tornou-se um objeto muito importante da inculturação da liturgia, da qual tanto se falou”, disse o cardeal. Leia também São João Paulo II sobre os abusos litúrgicos: “A liturgia nunca é propriedade privada de alguém” Onaiyekan advertiu contra os perigos de colocar muita ênfase na inculturação: “Não devemos esquecer que, independentemente do que façamos com a inculturação, não deve ser uma simples ou primária promoção da nossa cultura, embora isso também seja importante. Pelo contrário, o objetivo principal dela deve ser assegurar que o coração da mensagem e o significado da Eucaristia possam ser transmitidos com maior clareza aos povos de diferentes culturas e épocas”. O cardeal insistiu sobre a necessidade de recorrer à comunhão num estado espiritual de graça: “Faz parte da doutrina católica que a sagrada Eucaristia é também medicinal. Porque nos limpa dos pecados veniais e nos protege contra os pecados mortais. Dito isso, também faz parte da doutrina da Igreja que não deve aproximar-se para receber a sagrada Comunhão quem saiba que se encontra em estado de pecado grave que o afaste do amor de Deus. Primeiro, deve se aproximar ao sacramento da reconciliação com Deus por meio da confissão. A doutrina da Igreja não mudou nesse ponto”. Segundo ele, “infelizmente, o que vemos é um fluxo geral de pessoas que vêm comungar na missa sem se preocupar se estão em um correto estado espiritual para recebê-la”. Leia também Assista o emocionante filme curta-metragem “Sob o Véu do Sacramento” “O caso mais comum é em relação ao estado matrimonial”, afirmou. “Considerados pela lei da Igreja como irregulares e que, portanto, devem manter-se afastados da sagrada Comunhão, são, por exemplo, aqueles que vivem juntos em concubinato aberto ou secreto, sem o sacramento do matrimônio, e aqueles que se casaram, divorciado e casado novamente sem passar pelo processo de nulidade canônica”. “Mas devemos estar conscientes de que não só as questões sobre o matrimônio irregular podem fazer com que um católico não seja apto a receber a comunhão. Qualquer um que se encontre numa vida imoral de forma estável deveria decidir manter-se afastado até que possa mudar a sua situação”, disse o cardeal. “Uma situação recente, que gerou grande debate, foi a da responsabilidade dos políticos católicos de respeitar as leis da Igreja em suas decisões políticas, especialmente no que diz respeito ao pecado grave do aborto”, acrescentou. Leia também Cardeal Sarah: A missa “virtual” não substitui a participação pessoal na igreja Infelizmente, “por mais grave que seja o pecado do aborto, foi legalizado de forma generalizada e considerado como algo normal em vários lugares, especialmente nas chamadas nações desenvolvidas”. Não obstante, “a posição da Igreja Católica, que insiste de forma clara em que o aborto é um atentado contra a matança de crianças inocentes não nascidas, se mantém. Qualquer católico que cometa um aborto ou que coopere na prática de um aborto, deve saber que cometeu um assassinato e deve manter-se afastado da sagrada Comunhão até que, pelo menos, tenha se confessado”, afirmou. No caso específico dos católicos com responsabilidade política, “se votar uma lei imoral, mesmo em um estado secular, equivale a se tornar cúmplice de um crime, então estaríamos diante de uma decisão moral incompatível com a recepção da sagrada Comunhão”. “Mas, de um ponto de vista pastoral, não está tão claro que, se essa pessoa se apresenta para comungar, devamos nos negar publicamente a dar-lhe a comunhão, provocando assim um grande alvoroço e escândalo”, disse o cardeal. Fonte: ACI Digital Leia também Guardar domingos e festas de guarda, aprenda como viver este mandamento? #Liturgia #Missa #SantaMissa
- Missa alguma é “mais poderosa” que outra, adverte cardeal
É muito comum ouvirmos falar em missas dos doentes, missa carismática, missa dos idosos, missa afro, ou mesmo missas de cura e libertação. Entretanto nenhuma delas é prevista! Não existem missas mais poderosas que outras, porque “toda missa tem um valor infinito diante de Deus”, afirmou o cardeal John Onaiyekan, arcebispo emérito de Abuja, Nigéria, na catequese desta quinta-feira, 9, no Congresso Eucarístico Internacional em Budapeste, na Hungria. “Em alguns lugares do mundo, com frequência, ouvimos sobre alguns sacerdotes que afirmam possuir poderes especiais e que a santa missa que eles celebram são mais poderosas que outras, com suas implicações monetárias para fiéis devotos, mas crédulos. Nada disso tem a ver com a nossa fé católica. Toda missa tem um valor infinito diante de Deus”, disse Onaiyekan. Leia também Padre carismático pede perdão por abusos litúrgicos: “Não celebrava a Missa da Igreja” “Esse é o motivo pelo qual, independentemente de quem celebre a missa, deve observar um mesmo ritual, especialmente no que diz respeito aos elementos centrais da oração eucarística”, explicou. “Não importa quem seja o ministro. Se é o papa, um bispo ou um sacerdote recém-ordenado. Jesus é quem está celebrando”. O cardeal fez um apelo para que a celebração seja respeitosa, pois “a celebração da Eucaristia é a recriação do que Jesus realizou na Última Ceia. Quando nos reunimos ao redor da mesa da celebração eucarística, é Jesus que está celebrando a Eucaristia”. Leia também O piedoso uso do Véu na santa missa e a beleza da tradição Para ele, “a liturgia católica não tem espaço para extravagâncias teatralizadas e representações criativas que roçam o entretenimento vulgar que não é digno do culto cristão.” “O sacerdote é um ministro humano que celebra na pessoa de Cristo”, disse Onaiyekan, “mas, junto com o sacerdote, toda a congregação se une também à celebração da Eucaristia, já que a Eucaristia é celebrada por todo o corpo de Cristo, tanto pela sua cabeça como pelos seus membros”. “É por isso que o Concílio Vaticano II insiste na participação ativa de todos os que estão presentes na missa. Não assistimos à missa para ver um espetáculo como espectadores. Vamos à missa para participar da ação sagrada na qual se recria plena e completamente a refeição eucarística de Jesus na Última Ceia”, disse o cardeal. Na sua catequese, intitulada “A Eucaristia, ápice da nossa vida cristã e fonte de toda a nossa esperança”, o cardeal Onaiyekan disse que “a Eucaristia é objeto da nossa fé” e “só podemos chegar a saber algo sobre o sacramento se estamos dispostos a submeter nossa mente, nosso coração e vontade ao que a revelação de Deus nos deu a conhecer sobre sua ação de amor por nós neste sacramento”. Leia também Qual é o significado da missa de sétimo dia? O cardeal recordou que, “na Eucaristia, temos a presença real de Deus entre nós. É claro, Deus está sempre presente conosco o tempo todo e em todo lugar. Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, é a presença física histórica de Deus no nosso mundo. Essa é a base da presença real de Deus em Cristo na sagrada Eucaristia”. “Jesus está verdadeiramente presente nos elementos eucarísticos” e, portanto, “a Eucaristia não é apenas para ser comida, mas também para ser adorada”, explicou ele. “A presença real de Jesus na Eucaristia tem implicações não só para nós que cremos nela e a celebramos. O que se torna o Corpo e o Sangue de Cristo são os frutos da terra e do trabalho do homem. De algum modo, toda a criação se eleva pelo fato de que estes objetos criados, colocados sobre o altar, por invocação do Espírito Santo, se convertam no corpo e no sangue de Cristo”, acrescentou. “Embora agora tenhamos a celebração da Eucaristia segundo uma variedade de ritos, o coração da Eucaristia permanece igual. Da mesma forma, ainda hoje, mesmo mantendo o coração da celebração eucarística, a Igreja fomenta a adaptação da celebração segundo a diversidade de culturas e épocas. Assim, a celebração da Eucaristia tornou-se um objeto muito importante da inculturação da liturgia, da qual tanto se falou”, disse o cardeal. Leia também São João Paulo II sobre os abusos litúrgicos: “A liturgia nunca é propriedade privada de alguém” Onaiyekan advertiu contra os perigos de colocar muita ênfase na inculturação: “Não devemos esquecer que, independentemente do que façamos com a inculturação, não deve ser uma simples ou primária promoção da nossa cultura, embora isso também seja importante. Pelo contrário, o objetivo principal dela deve ser assegurar que o coração da mensagem e o significado da Eucaristia possam ser transmitidos com maior clareza aos povos de diferentes culturas e épocas”. O cardeal insistiu sobre a necessidade de recorrer à comunhão num estado espiritual de graça: “Faz parte da doutrina católica que a sagrada Eucaristia é também medicinal. Porque nos limpa dos pecados veniais e nos protege contra os pecados mortais. Dito isso, também faz parte da doutrina da Igreja que não deve aproximar-se para receber a sagrada Comunhão quem saiba que se encontra em estado de pecado grave que o afaste do amor de Deus. Primeiro, deve se aproximar ao sacramento da reconciliação com Deus por meio da confissão. A doutrina da Igreja não mudou nesse ponto”. Segundo ele, “infelizmente, o que vemos é um fluxo geral de pessoas que vêm comungar na missa sem se preocupar se estão em um correto estado espiritual para recebê-la”. Leia também Assista o emocionante filme curta-metragem “Sob o Véu do Sacramento” “O caso mais comum é em relação ao estado matrimonial”, afirmou. “Considerados pela lei da Igreja como irregulares e que, portanto, devem manter-se afastados da sagrada Comunhão, são, por exemplo, aqueles que vivem juntos em concubinato aberto ou secreto, sem o sacramento do matrimônio, e aqueles que se casaram, divorciado e casado novamente sem passar pelo processo de nulidade canônica”. “Mas devemos estar conscientes de que não só as questões sobre o matrimônio irregular podem fazer com que um católico não seja apto a receber a comunhão. Qualquer um que se encontre numa vida imoral de forma estável deveria decidir manter-se afastado até que possa mudar a sua situação”, disse o cardeal. “Uma situação recente, que gerou grande debate, foi a da responsabilidade dos políticos católicos de respeitar as leis da Igreja em suas decisões políticas, especialmente no que diz respeito ao pecado grave do aborto”, acrescentou. Leia também Cardeal Sarah: A missa “virtual” não substitui a participação pessoal na igreja Infelizmente, “por mais grave que seja o pecado do aborto, foi legalizado de forma generalizada e considerado como algo normal em vários lugares, especialmente nas chamadas nações desenvolvidas”. Não obstante, “a posição da Igreja Católica, que insiste de forma clara em que o aborto é um atentado contra a matança de crianças inocentes não nascidas, se mantém. Qualquer católico que cometa um aborto ou que coopere na prática de um aborto, deve saber que cometeu um assassinato e deve manter-se afastado da sagrada Comunhão até que, pelo menos, tenha se confessado”, afirmou. No caso específico dos católicos com responsabilidade política, “se votar uma lei imoral, mesmo em um estado secular, equivale a se tornar cúmplice de um crime, então estaríamos diante de uma decisão moral incompatível com a recepção da sagrada Comunhão”. “Mas, de um ponto de vista pastoral, não está tão claro que, se essa pessoa se apresenta para comungar, devamos nos negar publicamente a dar-lhe a comunhão, provocando assim um grande alvoroço e escândalo”, disse o cardeal. Fonte: ACI Digital Leia também Guardar domingos e festas de guarda, aprenda como viver este mandamento? #Liturgia #Missa #SantaMissa
- Vaticano manda menores internos dos Arautos do Evangelho voltarem para casa
A Santa Sé determinou que “todos os menores de idade admitidos a qualquer título na Associação privada de Arautos do Evangelho ou que residam nas Casas, Colégios, Internatos da mesma Associação, ou nas Sociedades de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli e Regina virginum , ao final do ano letivo em curso devem voltar a viver com as suas famílias e serem confiados aos respectivos pais”. Após serem notificados, os Arautos apresentaram um recurso solicitando que a decisão seja revogada e apresentando o que afirmam ser “irregularidades e ilegalidades” do decreto. Leia a resposta dos Arautos do Evangelho no decorrer da matéria. De acordo com o portal ACI Digital, o decreto, datado de 22 de junho de 2021, é assinado pelo prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, cardeal João Braz de Aviz, e destinado ao cardeal Raymundo Damasceno Assis, arcebispo emérito de Aparecida (SP), nomeado comissário pontifício para os Arautos do Evangelho, em 2019. Segundo o documento, a medida busca “permitir aos mais jovens o indispensável relacionamento com as famílias e com o objetivo de prevenir qualquer situação que possa favorecer possíveis abusos de consciência e plágio contra menores”. O decreto usa o termo “plágio”, num sentido que essa palavra tem em italiano, mas não em português: submeter um pessoa de modo a reduzi-la a estado de total sujeição, segundo o Código Penal Italiano. O cardeal Aviz afirmou que a decisão foi tomada “à luz das informações recebidas pela Sé Apostólica; tendo em conta as numerosas comunicações aqui enviadas pelos pais das crianças e jovens inseridos na órbita da Associação Arautos do Evangelho, nas quais se lamentam que as famílias de origem são, na maioria das vezes, excluídas da vida dos seus filhos, e que os contatos com os pais não são suficientemente garantidos”. Disse que considerou também “o tipo de disciplina excessivamente rígida praticadas nas comunidades dos Arautos do Evangelho”. A decisão da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica foi comunicada aos Arautos pelo cardeal Raymundo Damasceno em um decreto com data de 10 de agosto de 2021. “Que o Secretário Geral da Associação Internacional de Fiéis de Direito Pontifício Arautos do Evangelho, em comum acordo com os Diretores das casas onde residam menores, definam e me deem a conhecer os procedimentos práticos e as medidas específicas para que a decisão seja cumprida dentro dos prazos estabelecidos”, afirmou o comissário pontifício. A assessoria de imprensa dos Arautos disse à ACI Digital que, das “três entidades agrupadas sob o nome de Arautos do Evangelho” citadas pelo decreto da Santa Sé, isto é, a Sociedade Clerical de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli, a Sociedade Feminina de Vida Apostólica Regina Virginum e a Associação Privada Internacional de Fiéis de Direito Pontifício Arautos do Evangelho, apenas esta última hospeda “menores adolescentes, com autorização escrita dos pais e/ou responsáveis, os quais detêm o poder familiar”. Afirmou ainda que “esta associação não possui colégios ou internatos” e que os colégios dos Arautos “são instituições civis e autônomas, inspiradas no carisma dos Arautos do Evangelho, cuja mantenedora se chama INEDAE, Instituto Educacional Arautos do Evangelho”. Após serem notificados sobre o decreto da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, os Arautos do Evangelho apresentaram recurso, no dia 15 de agosto. No documento dirigido ao cardeal Aviz, os Arautos dizem “discordar de uma decisão equivocada”. Segundo os Arautos, “nenhum dos responsáveis” da associação “foi chamado a confrontar as denúncias”, o que lhes “concederia a possibilidade de defesa”. Além disso, afirmam que “igualmente não foram ouvidos os principais responsáveis legais pela educação de menores, ou seja, os pais daqueles que pela autoridade do poder familiar, ficam hospedados em casas dos Arautos do Evangelho”. Segundo os Arautos, as denúncias feitas à Congregação da Santa Sé foram enviadas “em grande parte por pessoas que não são nem foram pais de menores cuja formação tenha sido encomendada” à Associação. Afirmam que as pessoas que realizaram tais denúncias também as encaminharam “às autoridades civis brasileiras”. A assessoria de imprensa dos Arautos informou que o inquérito que investigava abusos físicos e psicológicos cometidos contra menores de idade “já foi julgado e arquivado” pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, em 24 de agosto de 2021. “Ditas acusações, já escrutinadas pela justiça civil, resultaram improcedentes”, disse a assessoria da associação. Um grupo de pais de estudantes que se hospedam nas casas dos Arautos do Evangelho realizou um abaixo-assinado com 2.583 assinaturas, protocolado na Santa Sé no dia 2 de setembro, segundo a assessoria de imprensa dos Arautos. No documento, os signatários desafiam a decisão do cardeal Braz de Aviz. Segundo eles, esta medida viola o “direito natural” dos pais sobre a educação dos filhos, bem como a legislação canônica e a legislação civil, que “garante o exercício do poder familiar”. Por isso, afirmam não aceitar a decisão de que os menores retornem para casa ao final do ano letivo. Em um parecer sobre o decreto da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, os juristas Dircêo Torrecillas Ramos e Ives Gandra da Silva Martins afirmam que este “interfere em assuntos alheio ao Direito Canônico, qual seja, a formação intelectual, moral e religiosa de menores de idade no Brasil”. Segundo eles, a decisão “adentra uma seara cuja regulamentação e respectiva tutela são de atribuição de autoridades civis brasileiras”. Segundo os juristas, o decreto “viola a Lei Maior e as demais leis infraconstitucionais brasileiras; contraria o poder dos pais, o desejo dos filhos; não leva em consideração cursos que terminam em dezembro e outros em setembro, em prejuízo de todos”. Além disso, declaram que “existem órgãos públicos, em especial as Secretarias Estaduais de Educação, os Conselhos Tutelares e o Ministério Público, que detêm atribuições específicas para fiscalizar a regularidade da vida escolar de crianças e adolescentes”. Entretanto, afirmam que até o momento estes órgãos “nada constataram que confirme as suspeitas genéricas constatadas” na decisão da Congregação. O decreto da Santa Sé foi divulgado na imprensa brasileira em 3 de setembro, pelo site Metrópoles, que informou que o “Vaticano manda fechar colégios dos Arautos do Evangelho após ano letivo”. Em nota, os Arautos classificaram a informação como “falsa” e afirmaram que “esta prerrogativa é de atribuição dos órgãos vinculados ao Ministério da Educação, Secretarias Estaduais ou Municipais de Educação, após devido processo legal”. Por sua vez, o Instituto Educacional Arautos do Evangelho (INEDAE) afirmou por meio de nota que os colégios citados por Metrópoles são administrados pelo INEDAE, que é uma “pessoa jurídica de direito privado”. “Como instituição de ensino, o INEDAE está submetido a autorização e avaliação de qualidade pelo poder público (Constituição Federal. Art. 209º), não pelo poder eclesiástico”, diz. Arautos do Evangelho se pronunciam sobre suposto fechamento de colégios Como já foi amplamente divulgado, os Arautos do Evangelho receberam uma visita apostólica nos anos 2017-2019 cujos resultados foram favoráveis à associação privada de fiéis, sem implicar em qualquer motivo plausível para a condução de um comissariado. Todavia, por iniciativa de sede não competente, isto é, a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, se pôs em marcha o comissariado, com especial participação de seu prefeito: o cardeal Dom João Braz de Aviz, conhecido antípoda da instituição. O comissário nomeado, Dom Raymundo Damasceno Assis, estava conduzindo o comissariado de modo tranquilo, mesmo considerando o conturbado período de pandemia. Com efeito, as notícias indicavam que os Arautos do Evangelho continuavam com as mesmas atividades de sempre, acrescido ainda pelo auxílio de distribuição de alimentos a famílias desfavorecidas pela pandemia. Nesse ínterim, é sabido que a campanha anti-Arautos continuava pela internet. Ao mesmo tempo, as investigações a respeito das alegações divulgadas pela mídia seguiram seu curso. Pois bem, a assessoria de imprensa dos Arautos nos informou que todas as denúncias escrutinadas pela justiça civil, seja no Brasil, seja no exterior, até agora resultaram improcedentes, ou seja, em favor da associação. Com efeito, a tão propalada investigação por parte do Ministério Público foi arquivada no último 26 de agosto, “pois – menciona a nota de esclarecimento da associação – os fatos não foram comprovados, como não poderiam ser, visto que não ocorreram”. Pais e responsáveis têm conhecimento de causa Agora já tem sido noticiado um decreto de 22 de junho de 2021 da lavra do card. Braz de Aviz, que supostamente fecharia os colégios fundados por inspiração dos Arautos do Evangelho e dirigidos por um conjunto de pais e responsáveis. A entidade explana que tal determinação não é cabível por qualquer autoridade eclesiástica, mas sim pelos “órgãos vinculados ao Ministério da Educação, Secretarias Estaduais ou Municipais de Educação, após devido processo legal”. Além disso, a associação explica que a decisão de hospedagem de menores compete primordialmente aos pais e/ou responsáveis. Fato é que o decreto alega que os alunos não teriam suficiente contato com os pais. Sem embargo, os Arautos do Evangelho informam que foram colhidas 2.583 (duas mil, quinhentas e oitenta e três) assinaturas dos legítimos pais ou responsáveis dos alunos, os quais, com conhecimento de causa, não se sentem representados na referida decisão. Com efeito, as comunicações desfavoráveis que supostamente teriam chegado à mesa do cardeal certamente não provêm dos autênticos pais, pois a sua totalidade apoia a permanência de seus filhos na instituição. Com que direito? O decreto menciona, com efeito, a anômala privação de liberdade de os alunos eventualmente se hospedarem nas residências da entidade. Os Arautos, por sua parte, comunicam que o decreto atropela um dos mais sagrados direitos naturais, isto é, o direito e o dever dos pais de educar a prole de acordo com as próprias convicções; fere o direito civil, que tutela o ordenamento do ensino básico; e infringe frontalmente o próprio Direito Canônico (em particular o cân. 50) e o acordo Brasil-Santa Sé, além do sentido comum. Não por menos que os eminentes juristas Dr. Ives Gandra da Silva Martins e Dr. Dircêo Torrecillas Ramos protocolaram em 30 de agosto de 2021 um parecer ao cardeal Braz de Aviz, explicando que o referido decreto “se baseou em premissas genéricas, que não coincidem com a realidade dos fatos – interfere em assunto alheio ao Direito Canônico”, além de se adentrar em “uma seara cuja regulamentação e respectiva tutela são de atribuição de autoridades civis brasileiras”. Por fim, os juristas esperam que sejam empregados “todos os esforços para que a justiça seja feita e o diálogo restabelecido, em benefício dos Arautos Estudantes adolescentes, dos seus pais, da sociedade e da própria IGREJA, respeitando o Estado de Direito”. Os Arautos do Evangelho mencionam ainda que outros jurisconsultos também se pronunciaram. Uma histórica aberração jurídica? Desde os primeiros estrondos midiáticos contra os Arautos Evangelho até hoje não foi conduzido qualquer tipo de investigação por parte da congregação chefiada pelo Cardeal Braz de Aviz. De acordo com nossas fontes, foram realizadas investigações internas independentes por parte dos próprios Arautos a fim de averiguar a realidade dos fatos. Pois bem, todas as alegações se revelaram fraudulentas, pois efetivamente foram realizadas de modo coordenado por um grupo criminoso, por meio de obtenção de vantagens financeiras (propinas). Por outra parte, o próprio poder civil concluiu pela improcedência das acusações, inclusive em alguns casos revertendo em processo judicial contra os caluniadores. Pois bem, se a aplicação do decreto se confirmar, estaremos diante de uma das maiores aberrações jurídicas da história eclesiástica. Com efeito, o passado infelizmente testemunha que o poder civil perseguiu e ainda persegue a Igreja em muitos lugares do mundo. Por outro lado, em certas ocasiões, o mesmo poder civil se aliou a setores da própria Igreja para perseguir inocentes, como no infame juízo de Santa Joana d’Arc. Entretanto, nunca se ouviu dizer que a Igreja (ou um setor dela) tenha declarado uma sanção a um organismo eclesiástico, mesmo quando o poder público tenha declarado a sua inocência! No famoso estrondo midiático contra a Escola Base em São Paulo em 1994, mais conhecido caso de fake news do Brasil, o delegado de polícia, ao ser perguntado quais seriam as provas contra os proprietários da escola, respondeu: “O inquérito é a prova”. Pois bem, no caso dos Arautos, sequer existe inquérito e assim mesmo se impõe uma pena! Rigidamente contra a rigidez Na realidade, segundo nossas fontes, o Cardeal Braz de Aviz, em missiva enviada ao Cardeal Damasceno, em 16 de fevereiro de 2021, requere que sejam cessados os processos judiciais movidos pelos pais dos adolescentes Arautos contra os caluniadores. Ora, se isso for verdade – e tudo indica que seja –, isso revela, sem dúvidas, um juízo no mínimo unilateral por parte do cardeal brasileiro. Na realidade, o que os pais ouvidos pela reportagem se queixam não é o pouco contato com os filhos, mas sim um contato com o próprio cardeal, o qual, durante vários anos, sempre se recusou em atendê-los. Seja como for, ainda que a disciplina nos Arautos do Evangelho não seja conforme os anseios do cardeal Braz de Aviz (segundo ele, “excessivamente rígida”), é de perguntar por que os Provérbios (23,13) interpelam: “Não afastes do jovem a disciplina!” Antes, é de se indagar: por que será que ele tem toda essa implicância contra a disciplina? Será que é para proteger padres corruptos com filhos , como ele mesmo admitiu fazer no passado? Como disse São Paulo a Tito (1,15): “Para os puros, todas as coisas são puras”. Já para os impuros… Por Saul Castiblanco NOTA DE IMPRENSA Diante da surpreendente notícia veiculada pelo Portal Metrópoles, de que “Vaticano manda fechar colégios dos Arautos do Evangelho após ano letivo”, esclarecemos: 1 – A entidade que administra os referidos Colégios é o INEDAE, instituição de ensino autônoma, não a Associação Internacional de Fiéis de Direito Pontifício Arautos do Evangelho; 2 – Apesar da denominação dos Colégios – Arautos do Evangelho –, o INEDAE é pessoa jurídica de direito privado; 3 – Como instituição de ensino, o INEDAE está submetido a autorização e avaliação de qualidade pelo poder público (Constituição Federal. Art. 209º), não pelo poder eclesiástico. 4 – A separação entre a Igreja e o Estado foi efetivada em 7 de janeiro de 1890, pelo Decreto nº 119-A, e consagrada desde a Constituição de 1891. Dessa forma, diante da perplexidade que tal notícia causou – tanto nos familiares de quem integra o corpo discente da instituição que presidimos, quanto nos professores que trabalham em nossa rede de ensino –, cabe-nos perguntar: Teria, de fato, o Vaticano mandado fechar os Colégios Arautos do Evangelho, interferindo, assim, em assunto alheio ao Direito Canônico e adentrando numa seara cuja regulamentação e respectiva tutela são de atribuição de autoridades civis brasileiras? Ou estaria o Portal Metrópoles propagando uma irresponsável fake news ao espalhar uma notícia sem verificar antes as fontes de sua informação? Assim, na qualidade de Presidente do INEDAE, seja qual for a real hipótese aventada, envidaremos diante do poder judiciário todos os esforços para o restabelecimento da verdade a fim de evitar uma lamentável reedição do célebre caso da Escola Base. Prof.ª Mônica Harumi Furutani (Presidente)
- Vaticano manda menores internos dos Arautos do Evangelho voltarem para casa
A Santa Sé determinou que “todos os menores de idade admitidos a qualquer título na Associação privada de Arautos do Evangelho ou que residam nas Casas, Colégios, Internatos da mesma Associação, ou nas Sociedades de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli e Regina virginum , ao final do ano letivo em curso devem voltar a viver com as suas famílias e serem confiados aos respectivos pais”. Após serem notificados, os Arautos apresentaram um recurso solicitando que a decisão seja revogada e apresentando o que afirmam ser “irregularidades e ilegalidades” do decreto. Leia a resposta dos Arautos do Evangelho no decorrer da matéria. De acordo com o portal ACI Digital, o decreto, datado de 22 de junho de 2021, é assinado pelo prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, cardeal João Braz de Aviz, e destinado ao cardeal Raymundo Damasceno Assis, arcebispo emérito de Aparecida (SP), nomeado comissário pontifício para os Arautos do Evangelho, em 2019. Segundo o documento, a medida busca “permitir aos mais jovens o indispensável relacionamento com as famílias e com o objetivo de prevenir qualquer situação que possa favorecer possíveis abusos de consciência e plágio contra menores”. O decreto usa o termo “plágio”, num sentido que essa palavra tem em italiano, mas não em português: submeter um pessoa de modo a reduzi-la a estado de total sujeição, segundo o Código Penal Italiano. O cardeal Aviz afirmou que a decisão foi tomada “à luz das informações recebidas pela Sé Apostólica; tendo em conta as numerosas comunicações aqui enviadas pelos pais das crianças e jovens inseridos na órbita da Associação Arautos do Evangelho, nas quais se lamentam que as famílias de origem são, na maioria das vezes, excluídas da vida dos seus filhos, e que os contatos com os pais não são suficientemente garantidos”. Disse que considerou também “o tipo de disciplina excessivamente rígida praticadas nas comunidades dos Arautos do Evangelho”. A decisão da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica foi comunicada aos Arautos pelo cardeal Raymundo Damasceno em um decreto com data de 10 de agosto de 2021. “Que o Secretário Geral da Associação Internacional de Fiéis de Direito Pontifício Arautos do Evangelho, em comum acordo com os Diretores das casas onde residam menores, definam e me deem a conhecer os procedimentos práticos e as medidas específicas para que a decisão seja cumprida dentro dos prazos estabelecidos”, afirmou o comissário pontifício. A assessoria de imprensa dos Arautos disse à ACI Digital que, das “três entidades agrupadas sob o nome de Arautos do Evangelho” citadas pelo decreto da Santa Sé, isto é, a Sociedade Clerical de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli, a Sociedade Feminina de Vida Apostólica Regina Virginum e a Associação Privada Internacional de Fiéis de Direito Pontifício Arautos do Evangelho, apenas esta última hospeda “menores adolescentes, com autorização escrita dos pais e/ou responsáveis, os quais detêm o poder familiar”. Afirmou ainda que “esta associação não possui colégios ou internatos” e que os colégios dos Arautos “são instituições civis e autônomas, inspiradas no carisma dos Arautos do Evangelho, cuja mantenedora se chama INEDAE, Instituto Educacional Arautos do Evangelho”. Após serem notificados sobre o decreto da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, os Arautos do Evangelho apresentaram recurso, no dia 15 de agosto. No documento dirigido ao cardeal Aviz, os Arautos dizem “discordar de uma decisão equivocada”. Segundo os Arautos, “nenhum dos responsáveis” da associação “foi chamado a confrontar as denúncias”, o que lhes “concederia a possibilidade de defesa”. Além disso, afirmam que “igualmente não foram ouvidos os principais responsáveis legais pela educação de menores, ou seja, os pais daqueles que pela autoridade do poder familiar, ficam hospedados em casas dos Arautos do Evangelho”. Segundo os Arautos, as denúncias feitas à Congregação da Santa Sé foram enviadas “em grande parte por pessoas que não são nem foram pais de menores cuja formação tenha sido encomendada” à Associação. Afirmam que as pessoas que realizaram tais denúncias também as encaminharam “às autoridades civis brasileiras”. A assessoria de imprensa dos Arautos informou que o inquérito que investigava abusos físicos e psicológicos cometidos contra menores de idade “já foi julgado e arquivado” pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, em 24 de agosto de 2021. “Ditas acusações, já escrutinadas pela justiça civil, resultaram improcedentes”, disse a assessoria da associação. Um grupo de pais de estudantes que se hospedam nas casas dos Arautos do Evangelho realizou um abaixo-assinado com 2.583 assinaturas, protocolado na Santa Sé no dia 2 de setembro, segundo a assessoria de imprensa dos Arautos. No documento, os signatários desafiam a decisão do cardeal Braz de Aviz. Segundo eles, esta medida viola o “direito natural” dos pais sobre a educação dos filhos, bem como a legislação canônica e a legislação civil, que “garante o exercício do poder familiar”. Por isso, afirmam não aceitar a decisão de que os menores retornem para casa ao final do ano letivo. Em um parecer sobre o decreto da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, os juristas Dircêo Torrecillas Ramos e Ives Gandra da Silva Martins afirmam que este “interfere em assuntos alheio ao Direito Canônico, qual seja, a formação intelectual, moral e religiosa de menores de idade no Brasil”. Segundo eles, a decisão “adentra uma seara cuja regulamentação e respectiva tutela são de atribuição de autoridades civis brasileiras”. Segundo os juristas, o decreto “viola a Lei Maior e as demais leis infraconstitucionais brasileiras; contraria o poder dos pais, o desejo dos filhos; não leva em consideração cursos que terminam em dezembro e outros em setembro, em prejuízo de todos”. Além disso, declaram que “existem órgãos públicos, em especial as Secretarias Estaduais de Educação, os Conselhos Tutelares e o Ministério Público, que detêm atribuições específicas para fiscalizar a regularidade da vida escolar de crianças e adolescentes”. Entretanto, afirmam que até o momento estes órgãos “nada constataram que confirme as suspeitas genéricas constatadas” na decisão da Congregação. O decreto da Santa Sé foi divulgado na imprensa brasileira em 3 de setembro, pelo site Metrópoles, que informou que o “Vaticano manda fechar colégios dos Arautos do Evangelho após ano letivo”. Em nota, os Arautos classificaram a informação como “falsa” e afirmaram que “esta prerrogativa é de atribuição dos órgãos vinculados ao Ministério da Educação, Secretarias Estaduais ou Municipais de Educação, após devido processo legal”. Por sua vez, o Instituto Educacional Arautos do Evangelho (INEDAE) afirmou por meio de nota que os colégios citados por Metrópoles são administrados pelo INEDAE, que é uma “pessoa jurídica de direito privado”. “Como instituição de ensino, o INEDAE está submetido a autorização e avaliação de qualidade pelo poder público (Constituição Federal. Art. 209º), não pelo poder eclesiástico”, diz. Arautos do Evangelho se pronunciam sobre suposto fechamento de colégios Como já foi amplamente divulgado, os Arautos do Evangelho receberam uma visita apostólica nos anos 2017-2019 cujos resultados foram favoráveis à associação privada de fiéis, sem implicar em qualquer motivo plausível para a condução de um comissariado. Todavia, por iniciativa de sede não competente, isto é, a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, se pôs em marcha o comissariado, com especial participação de seu prefeito: o cardeal Dom João Braz de Aviz, conhecido antípoda da instituição. O comissário nomeado, Dom Raymundo Damasceno Assis, estava conduzindo o comissariado de modo tranquilo, mesmo considerando o conturbado período de pandemia. Com efeito, as notícias indicavam que os Arautos do Evangelho continuavam com as mesmas atividades de sempre, acrescido ainda pelo auxílio de distribuição de alimentos a famílias desfavorecidas pela pandemia. Nesse ínterim, é sabido que a campanha anti-Arautos continuava pela internet. Ao mesmo tempo, as investigações a respeito das alegações divulgadas pela mídia seguiram seu curso. Pois bem, a assessoria de imprensa dos Arautos nos informou que todas as denúncias escrutinadas pela justiça civil, seja no Brasil, seja no exterior, até agora resultaram improcedentes, ou seja, em favor da associação. Com efeito, a tão propalada investigação por parte do Ministério Público foi arquivada no último 26 de agosto, “pois – menciona a nota de esclarecimento da associação – os fatos não foram comprovados, como não poderiam ser, visto que não ocorreram”. Pais e responsáveis têm conhecimento de causa Agora já tem sido noticiado um decreto de 22 de junho de 2021 da lavra do card. Braz de Aviz, que supostamente fecharia os colégios fundados por inspiração dos Arautos do Evangelho e dirigidos por um conjunto de pais e responsáveis. A entidade explana que tal determinação não é cabível por qualquer autoridade eclesiástica, mas sim pelos “órgãos vinculados ao Ministério da Educação, Secretarias Estaduais ou Municipais de Educação, após devido processo legal”. Além disso, a associação explica que a decisão de hospedagem de menores compete primordialmente aos pais e/ou responsáveis. Fato é que o decreto alega que os alunos não teriam suficiente contato com os pais. Sem embargo, os Arautos do Evangelho informam que foram colhidas 2.583 (duas mil, quinhentas e oitenta e três) assinaturas dos legítimos pais ou responsáveis dos alunos, os quais, com conhecimento de causa, não se sentem representados na referida decisão. Com efeito, as comunicações desfavoráveis que supostamente teriam chegado à mesa do cardeal certamente não provêm dos autênticos pais, pois a sua totalidade apoia a permanência de seus filhos na instituição. Com que direito? O decreto menciona, com efeito, a anômala privação de liberdade de os alunos eventualmente se hospedarem nas residências da entidade. Os Arautos, por sua parte, comunicam que o decreto atropela um dos mais sagrados direitos naturais, isto é, o direito e o dever dos pais de educar a prole de acordo com as próprias convicções; fere o direito civil, que tutela o ordenamento do ensino básico; e infringe frontalmente o próprio Direito Canônico (em particular o cân. 50) e o acordo Brasil-Santa Sé, além do sentido comum. Não por menos que os eminentes juristas Dr. Ives Gandra da Silva Martins e Dr. Dircêo Torrecillas Ramos protocolaram em 30 de agosto de 2021 um parecer ao cardeal Braz de Aviz, explicando que o referido decreto “se baseou em premissas genéricas, que não coincidem com a realidade dos fatos – interfere em assunto alheio ao Direito Canônico”, além de se adentrar em “uma seara cuja regulamentação e respectiva tutela são de atribuição de autoridades civis brasileiras”. Por fim, os juristas esperam que sejam empregados “todos os esforços para que a justiça seja feita e o diálogo restabelecido, em benefício dos Arautos Estudantes adolescentes, dos seus pais, da sociedade e da própria IGREJA, respeitando o Estado de Direito”. Os Arautos do Evangelho mencionam ainda que outros jurisconsultos também se pronunciaram. Uma histórica aberração jurídica? Desde os primeiros estrondos midiáticos contra os Arautos Evangelho até hoje não foi conduzido qualquer tipo de investigação por parte da congregação chefiada pelo Cardeal Braz de Aviz. De acordo com nossas fontes, foram realizadas investigações internas independentes por parte dos próprios Arautos a fim de averiguar a realidade dos fatos. Pois bem, todas as alegações se revelaram fraudulentas, pois efetivamente foram realizadas de modo coordenado por um grupo criminoso, por meio de obtenção de vantagens financeiras (propinas). Por outra parte, o próprio poder civil concluiu pela improcedência das acusações, inclusive em alguns casos revertendo em processo judicial contra os caluniadores. Pois bem, se a aplicação do decreto se confirmar, estaremos diante de uma das maiores aberrações jurídicas da história eclesiástica. Com efeito, o passado infelizmente testemunha que o poder civil perseguiu e ainda persegue a Igreja em muitos lugares do mundo. Por outro lado, em certas ocasiões, o mesmo poder civil se aliou a setores da própria Igreja para perseguir inocentes, como no infame juízo de Santa Joana d’Arc. Entretanto, nunca se ouviu dizer que a Igreja (ou um setor dela) tenha declarado uma sanção a um organismo eclesiástico, mesmo quando o poder público tenha declarado a sua inocência! No famoso estrondo midiático contra a Escola Base em São Paulo em 1994, mais conhecido caso de fake news do Brasil, o delegado de polícia, ao ser perguntado quais seriam as provas contra os proprietários da escola, respondeu: “O inquérito é a prova”. Pois bem, no caso dos Arautos, sequer existe inquérito e assim mesmo se impõe uma pena! Rigidamente contra a rigidez Na realidade, segundo nossas fontes, o Cardeal Braz de Aviz, em missiva enviada ao Cardeal Damasceno, em 16 de fevereiro de 2021, requere que sejam cessados os processos judiciais movidos pelos pais dos adolescentes Arautos contra os caluniadores. Ora, se isso for verdade – e tudo indica que seja –, isso revela, sem dúvidas, um juízo no mínimo unilateral por parte do cardeal brasileiro. Na realidade, o que os pais ouvidos pela reportagem se queixam não é o pouco contato com os filhos, mas sim um contato com o próprio cardeal, o qual, durante vários anos, sempre se recusou em atendê-los. Seja como for, ainda que a disciplina nos Arautos do Evangelho não seja conforme os anseios do cardeal Braz de Aviz (segundo ele, “excessivamente rígida”), é de perguntar por que os Provérbios (23,13) interpelam: “Não afastes do jovem a disciplina!” Antes, é de se indagar: por que será que ele tem toda essa implicância contra a disciplina? Será que é para proteger padres corruptos com filhos , como ele mesmo admitiu fazer no passado? Como disse São Paulo a Tito (1,15): “Para os puros, todas as coisas são puras”. Já para os impuros… Por Saul Castiblanco NOTA DE IMPRENSA Diante da surpreendente notícia veiculada pelo Portal Metrópoles, de que “Vaticano manda fechar colégios dos Arautos do Evangelho após ano letivo”, esclarecemos: 1 – A entidade que administra os referidos Colégios é o INEDAE, instituição de ensino autônoma, não a Associação Internacional de Fiéis de Direito Pontifício Arautos do Evangelho; 2 – Apesar da denominação dos Colégios – Arautos do Evangelho –, o INEDAE é pessoa jurídica de direito privado; 3 – Como instituição de ensino, o INEDAE está submetido a autorização e avaliação de qualidade pelo poder público (Constituição Federal. Art. 209º), não pelo poder eclesiástico. 4 – A separação entre a Igreja e o Estado foi efetivada em 7 de janeiro de 1890, pelo Decreto nº 119-A, e consagrada desde a Constituição de 1891. Dessa forma, diante da perplexidade que tal notícia causou – tanto nos familiares de quem integra o corpo discente da instituição que presidimos, quanto nos professores que trabalham em nossa rede de ensino –, cabe-nos perguntar: Teria, de fato, o Vaticano mandado fechar os Colégios Arautos do Evangelho, interferindo, assim, em assunto alheio ao Direito Canônico e adentrando numa seara cuja regulamentação e respectiva tutela são de atribuição de autoridades civis brasileiras? Ou estaria o Portal Metrópoles propagando uma irresponsável fake news ao espalhar uma notícia sem verificar antes as fontes de sua informação? Assim, na qualidade de Presidente do INEDAE, seja qual for a real hipótese aventada, envidaremos diante do poder judiciário todos os esforços para o restabelecimento da verdade a fim de evitar uma lamentável reedição do célebre caso da Escola Base. Prof.ª Mônica Harumi Furutani (Presidente)
- AS IGREJAS PROTESTANTES “INCLUSIVAS” PERDEM FIÉIS
As principais denominações protestantes que adaptaram sua teologia às ideologias LGBT (permitindo e realizando casamentos homossexuais de seus pastores e fiéis a partir dos anos 2000, fazendo a fé marchar em sintonia com a realidade social), tiveram uma acelerada perda de membros: a frequência caiu drasticamente, especialmente desde os anos 2000. É o que relata Evangelical Focus em um artigo de 6 de setembro. Por exemplo: a Igreja Evangélica Luterana da América perdeu mais de dois milhões de membros no espaço de 30 anos, e esses fiéis, em sua maioria, procuraram outras congregações. A Igreja Anglicana do Canadá, que sempre foi considerada a mais liberal das congregações protestantes, viu mais de 280.000 fiéis partirem desde 2001. Outras comunidades protestantes importantes foram significativamente afetadas: a United Church of Christ, uma grande congregação americana, teve que fechar cerca de 1.300 igrejas desde 1995, e 670.000 fiéis partiram para outras denominações. A Igreja da Escócia, presbiteriana, passou de 607.000 membros para 325.000 no espaço de 20 anos. á as igrejas protestantes teologicamente mais conservadoras, em sua maioria estão crescendo nos países do hemisfério sul e nos países do Ocidente, ou pelo menos permanecem estáveis e com alto índice de comparecimento aos serviços religiosos. https://www.evangeliques.info/2021/09/08/monde-les-eglises-protestantes-inclusives-se-vident/?fbclid=IwAR0hjRMlOIZTug-shnISphKu-jIKJXLijGfa3ygXjiY_DlsvAcGd6p7YrBo
- Terremoto atinge México no mesmo dia que o aborto foi liberado no país
Um vídeo registrou o momento em que um padre rezava a Ave Maria, durante a Santa Missa, e no trecho em que diz: “ Bendito é o fruto do vosso ventre” , o terremoto abalou o país. A natureza grita contra as terríveis ofensas a Deus. A Suprema Corte do México, após decisão histórica e unanime, descriminalizou o aborto no país. “A partir de agora não será possível processar nenhuma mulher que faça aborto nos casos considerados por este tribunal”, disse o presidente do tribunal, Arturo Zaldívar. Horas depois da decisão, um poderoso tremor sacudiu o centro do país. O terremoto de magnitude 7,1 foi registrado pelo Instituto Sismológico Nacional na Cidade do México e regiões vizinhas. Até o momento não foram registradas vítimas. Assista o vídeo: Muitos internautas foram às redes sociais para comentar o assunto. Alguns, inclusive, fizeram ligação do terremoto com a decisão da Suprema Corte em descriminalizar o aborto. “O ser humano precisa aprender que não se brinca com coisa séria” , disse uma internauta. “Isso nada mais é um recado de Deus. Onde já se viu permitir aborto, tirar a chance de vida de um ser indefeso” , disse outra. Leia também Padre de coragem ensina porque, definitivamente, católico não pode ser a favor do Aborto Aborto não é mais considerado crime no México A decisão de descriminalizar o aborto tem efeitos gerais em todo o país e invalida as ações legislativas a favor da vida dos congressos estaduais . Após decisão histórica, a Suprema Corte de Justiça do México (SCJN) descriminalizou o aborto em todo o país. Antes dessa decisão, o aborto só era permitido pela legislação em quatro dos 32 estados que compõem o território nacional. De fato, o órgão máximo da justiça mexicana declarou inconstitucional penalizar o aborto em sua fase inicial (até 12 semanas de gravidez) . Assim, quem decidir abortar em qualquer parte do México não terá punição. O Ministro Presidente da SCJN, Arturo Zaldivar, disse que foi “um dia histórico para todas as mulheres mexicanas, especialmente as mais vulneráveis (…) A partir de agora não será possível, sem violar os critérios do Tribunal e da Constituição, processar qualquer mulher que faça um aborto nos casos que este tribunal constitucional considerou válidos ” . Segundo o ministro presidente da Suprema Corte, no México “inicia-seuma nova rota de liberdade, clareza, dignidade e respeito para todas as grávidas, mas principalmente as mulheres”. Posteriormente, ele destacou que esta decisão “é mais um passo na luta histórica por sua igualdade, por sua dignidade e pelo pleno exercício de seus direitos (…) Nunca mais uma pessoa com capacidade de gestar será criminalmente processada.” Aborto no segundo país com mais católicos Os dez ministros presentes na sede do SCJN tomaram a decisão de invalidar o artigo 196 do Código Penal do Estado de Coahuila, que criminalizava o aborto em sua fase inicial e o punia de um a três anos de prisão. A decisão tem efeitos gerais em todo o país e invalida as ações legislativas dos congressos estaduais para proteger a vida humana desde a concepção até a morte natural. A chamada “interrupção da gravidez” nas primeiras etapas da vida do ser humano será, portanto, legal no segundo país com maior número de católicos no mundo . A este respeito, os bispos do México recordaram aos ministros do SCJN “que o ser humano, filho de um pai e de uma mãe, cuja vida começa no momento da concepção, deve ser reconhecido em sua dignidade em todas as etapas da vida, e merece a mesma proteção da lei contra ações que possam ameaçar sua integridade”. Infelizmente, esse critério – compartilhado pela maioria dos mexicanos – não foi um obstáculo para a descriminalização do aborto. Pelo contrário, o ministro que apresentou esta resolução, Juiz Luis María Aguilar, disse: “Hoje estão banidos a ameaça de prisão e o estigma que pesa sobre quem decide livremente interromper sua gravidez”. Com informações de Aleteia #Aborto
- Terremoto atinge México no mesmo dia que o aborto foi liberado no país
Um vídeo registrou o momento em que um padre rezava a Ave Maria, durante a Santa Missa, e no trecho em que diz: “ Bendito é o fruto do vosso ventre” , o terremoto abalou o país. A natureza grita contra as terríveis ofensas a Deus. A Suprema Corte do México, após decisão histórica e unanime, descriminalizou o aborto no país. “A partir de agora não será possível processar nenhuma mulher que faça aborto nos casos considerados por este tribunal”, disse o presidente do tribunal, Arturo Zaldívar. Horas depois da decisão, um poderoso tremor sacudiu o centro do país. O terremoto de magnitude 7,1 foi registrado pelo Instituto Sismológico Nacional na Cidade do México e regiões vizinhas. Até o momento não foram registradas vítimas. Assista o vídeo: Muitos internautas foram às redes sociais para comentar o assunto. Alguns, inclusive, fizeram ligação do terremoto com a decisão da Suprema Corte em descriminalizar o aborto. “O ser humano precisa aprender que não se brinca com coisa séria” , disse uma internauta. “Isso nada mais é um recado de Deus. Onde já se viu permitir aborto, tirar a chance de vida de um ser indefeso” , disse outra. Leia também Padre de coragem ensina porque, definitivamente, católico não pode ser a favor do Aborto Aborto não é mais considerado crime no México A decisão de descriminalizar o aborto tem efeitos gerais em todo o país e invalida as ações legislativas a favor da vida dos congressos estaduais . Após decisão histórica, a Suprema Corte de Justiça do México (SCJN) descriminalizou o aborto em todo o país. Antes dessa decisão, o aborto só era permitido pela legislação em quatro dos 32 estados que compõem o território nacional. De fato, o órgão máximo da justiça mexicana declarou inconstitucional penalizar o aborto em sua fase inicial (até 12 semanas de gravidez) . Assim, quem decidir abortar em qualquer parte do México não terá punição. O Ministro Presidente da SCJN, Arturo Zaldivar, disse que foi “um dia histórico para todas as mulheres mexicanas, especialmente as mais vulneráveis (…) A partir de agora não será possível, sem violar os critérios do Tribunal e da Constituição, processar qualquer mulher que faça um aborto nos casos que este tribunal constitucional considerou válidos ” . Segundo o ministro presidente da Suprema Corte, no México “inicia-seuma nova rota de liberdade, clareza, dignidade e respeito para todas as grávidas, mas principalmente as mulheres”. Posteriormente, ele destacou que esta decisão “é mais um passo na luta histórica por sua igualdade, por sua dignidade e pelo pleno exercício de seus direitos (…) Nunca mais uma pessoa com capacidade de gestar será criminalmente processada.” Aborto no segundo país com mais católicos Os dez ministros presentes na sede do SCJN tomaram a decisão de invalidar o artigo 196 do Código Penal do Estado de Coahuila, que criminalizava o aborto em sua fase inicial e o punia de um a três anos de prisão. A decisão tem efeitos gerais em todo o país e invalida as ações legislativas dos congressos estaduais para proteger a vida humana desde a concepção até a morte natural. A chamada “interrupção da gravidez” nas primeiras etapas da vida do ser humano será, portanto, legal no segundo país com maior número de católicos no mundo . A este respeito, os bispos do México recordaram aos ministros do SCJN “que o ser humano, filho de um pai e de uma mãe, cuja vida começa no momento da concepção, deve ser reconhecido em sua dignidade em todas as etapas da vida, e merece a mesma proteção da lei contra ações que possam ameaçar sua integridade”. Infelizmente, esse critério – compartilhado pela maioria dos mexicanos – não foi um obstáculo para a descriminalização do aborto. Pelo contrário, o ministro que apresentou esta resolução, Juiz Luis María Aguilar, disse: “Hoje estão banidos a ameaça de prisão e o estigma que pesa sobre quem decide livremente interromper sua gravidez”. Com informações de Aleteia #Aborto
- RITUAL SATÂNICO E ABORTO
A nova lei pró-vida do Texas, que proíbe a maior parte dos abortos, está sob ataque do grupo Templo Satânico [The Satanic Temple], com sede em Massachusetts, segundo o qual a lei infringe a liberdade religiosa. Em uma carta à Food and Drug Administration [ANVISA americana], Matthew A. Kezhaya, advogado do Templo Satânico, solicitou que a organização fosse beneficiada com uma isenção religiosa que lhe permitisse ter acesso, sem prescrição médica, aos remédios abortivos mifepristone e misoprostol como parte do seu rito “sacramental” de aborto. Assim solicitou o “advogado do diabo”: “Os membros do Templo Satânico usam esses produtos em um ambiente sacramental. O ritual satânico do aborto é um sacramento que envolve e inclui o ato do aborto. É concebido para combater os sentimentos de culpa, dúvida e vergonha, permitindo que o membro afirme ou reafirme seu poder e controle sobre sua própria mente e corpo. As restrições a essas drogas interferem substancialmente no ritual satânico do aborto, já que o governo está impedindo os membros de terem acesso às drogas utilizadas no ritual (…) A batalha pelo direito ao aborto é, em grande parte, uma batalha de visões religiosas concorrentes, e nosso ponto de vista, segundo o qual o feto inviável faz parte do hospedeiro fertilizado, é felizmente protegido por leis de liberdade religiosa”. O Templo Satânico já havia tentado usar a liberdade religiosa para lutar contra as leis de aborto no Missouri, mas sem sucesso. Où l’on découvre le lien entre le rituel satanique et l’avortement
- Documento preparatório Sínodo 2023
Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão 1. A Igreja de Deus é convocada em Sínodo. O caminho, intitulado «Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão», iniciará solenemente nos dias 9-10 de outubro de 2021, em Roma, e a 17 de outubro seguinte, em cada uma das Igrejas particulares. Uma etapa fundamental será a celebração da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2023,[1] a que se seguirá a fase de execução, que envolverá novamente as Igrejas particulares (cf. EC, art. 19-21). Com esta convocação, o Papa Francisco convida a Igreja inteira a interrogar-se sobre um tema decisivo para a sua vida e a sua missão: «O caminho da sinodalidade é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milénio».[2] Este itinerário, que se insere no sulco da “atualização” da Igreja, proposta pelo Concílio Vaticano II, constitui um dom e uma tarefa: caminhando lado a lado e refletindo em conjunto sobre o camino percorrido, com o que for experimentando, a Igreja poderá aprender quais são os procesos que a podem ajudar a viver a comunhão, a realizar a participação e a abrir-se à missão. Com efeito, o nosso “caminhar juntos” é o que mais implementa e manifesta a natureza da Igreja como Povo de Deus peregrino e missionário. 2. Uma interrogação fundamental impele-nos e orienta-nos: como se realiza hoje, a diferentes níveis (do local ao universal) aquele “caminhar juntos” que permite à Igreja anunciar o Evangelho, em conformidade com a missão que lhe foi confiada; e que passos o Espírito nos convida a dar para crescer como Igreja sinodal? Enfrentar juntos esta interrogação exige que nos coloquemos à escuta do Espírito Santo que, como o vento, «sopra onde quer; ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai» (Jo 3, 8), permanecendo abertos às surpresas para as quais certamente nos predisporá ao longo do caminho. Ativa-se deste modo um dinamismo que permite começar a colher alguns frutos de uma conversão sinodal, que amadurecerão progressivamente. Trata-se de objetivos de grande relevância para a qualidade da vida eclesial e para o cumprimento da missão de evangelização, na qual todos nós participamos em virtude do Batismo e da Confirmação. Indicamos aqui os principais, que enunciam a sinodalidade como forma, como estilo e como estrutura da Igreja: fazer memória do modo como o Espírito orientou o caminho da Igreja ao longo da história e como hoje nos chama a ser, juntos, testemunhas do amor de Deus; viver um processo eclesial participativo e inclusivo, que ofereça a cada um – de maneira particular àqueles que, por vários motivos, se encontram à margem – a oportunidade de se expressar e de ser ouvido, a fim de contribuir para a construção do Povo de Deus; reconhecer e apreciar a riqueza e a variedade dos dons e dos carismas que o Espírito concede em liberdade, para o bem da comunidade e em benefício de toda a família humana; experimentar formas participativas de exercer a responsabilidade no anúncio do Evangelho e no compromisso para construir um mundo mais belo e mais habitável; examinar como são vividos na Igreja a responsabilidade e o poder, e as estruturas mediante as quais são geridos, destacando e procurando converter preconceitos e práticas distorcidas que não estão enraizadas no Evangelho; credenciar a comunidade cristã como sujeito credível e parceiro fiável em percursos de diálogo social, cura, reconciliação, inclusão e participação, reconstrução da democracia, promoção da fraternidade e da amizade social; regenerar as relações entre os membros das comunidades cristãs, assim como entre as comunidades e os demais grupos sociais, por exemplo, comunidades de crentes de outras confissões e religiões, organizações da sociedade civil, movimentos populares, etc; favorecer a valorização e a apropriação dos frutos das recentes experiências sinodais nos planos universal, regional, nacional e local. 3. O presente Documento Preparatório põe-se ao serviço do caminho sinodal, de modo especial como instrumento para favorecer a primeira fase de escuta e consulta do Povo de Deus nas Igrejas particulares (outubro de 2021 – abril de 2022), na esperança de contribuir para colocar em movimento as ideias, as energias e a criatividade de todos aqueles que participarem no itinerário, e facilitar a partilha dos frutos do seu compromisso. Para esta finalidade: 1) começa por delinear algumas caraterísticas salientes do contexto contemporâneo; 2) explica resumidamente as referências teológicas fundamentais para uma correta compreensão e prática da sinodalidade; 3) oferece algumas indicações bíblicas que poderão alimentar a meditação e a reflexão orante ao longo do caminho; 4) descreve certas perspetivas a partir das quais reler as experiências de sinodalidade vivida; 5) expõe determinadas indicações para articular este trabalho de releitura na oração e na partilha. Para acompanhar concretamente a organização dos trabalhos, propõe-se um Vade-mécum metodológico, anexado ao presente Documento Preparatório e disponível no site dedicado.[3] O site oferece alguns recursos para o aprofundamento do tema da sinodalidade, como apoio a este Documento Preparatório; entre eles destacamos dois, em seguida mencionados várias vezes: o Discurso na Comemoração do cinquentenário da instituição do Sínodo dos Bispos, pronunciado pelo Papa Francisco no dia 17 de outubro de 2015, e o documento A sinodalidade na vida e na missão da Igreja, elaborado pela Comissão Teológica Internacional e publicado em 2018. I. Apelo a caminhar juntos 4. O caminho sinodal desenvolve-se num contexto histórico, marcado por mudanças epocais na sociedade e por uma passagem crucial na vida da Igreja, que não é possível ignorar: é nas dobras da complexidade deste contexto, nas suas tensões e contradições, que somos chamados «a investigar os sinais dos tempos e a interpretá-los à luz do Evangelho» (GS, n. 4). Delineiam-se aqui alguns elementos do cenário global mais intimamente ligados ao tema do Sínodo, mas o quadro deverá ser enriquecido e completado a nível local. 5. Uma tragédia global como a pandemia de Covid-19 «despertou, por algum tempo, a consciência de sermos uma comunidade mundial que viaja no mesmo barco, onde o mal de um prejudica a todos. Recordamo-nos de que ninguém se salva sozinho, que só é possível salvar-nos juntos» (FT, n. 32). Ao mesmo tempo, a pandemia fez eclodir as desigualdades e as disparidades já existentes: a humanidade parece estar cada vez mais abalada por processos de massificação e fragmentação; a trágica condição que os migrantes vivem em todas as regiões do mundo testemunha quão elevadas e vigorosas ainda são as barreiras que dividem a única família humana. As Encíclicas Laudato si’ e Fratelli tutti documentam a profundidade das fraturas que atravessam a humanidade, e podemos referir-nos a tais análises para nos colocarmos à escuta do clamor dos pobres e da terra e para reconhecer as sementes de esperança e de futuro que o Espírito continua a fazer germinar inclusive no nosso tempo: «O Criador não nos abandona, nunca recua no seu projeto de amor, nem se arrepende de nos ter criado. A humanidade ainda possui a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum» (LS, n. 13). 6. Esta situação que, não obstante as grandes diferenças, irmana toda a família humana, desafia a capacidade da Igreja de acompanhar as pessoas e as comunidades a reler experiências de luto e sofrimento, que desmascararam muitas falsas certezas, e a cultivar a esperança e a fé na bondade do Criador e da sua criação. No entanto, não podemos negar que a própria Igreja deve enfrentar a falta de fé e a corrupção, inclusive no seu interior. Em particular, não podemos esquecer o sofrimento vivido por menores e pessoas vulneráveis «por causa de abusos sexuais, de poder e de consciência cometidos por um número notável de clérigos e pessoas consagradas».[4] Somos continuamente interpelados, «como Povo de Deus, a assumir a dor de nossos irmãos feridos na sua carne e no seu espírito».[5] Durante demasiado tempo, o grito das vítimas foi um clamor que a Igreja não soube ouvir suficientemente. Trata-se de feridas profundas, que dificilmente se cicatrizam, pelas quais nunca se pedirá perdão suficiente, e que constituem obstáculos, às vezes imponentes, para prosseguir na direção do “caminhar juntos”. A Igreja inteira é chamada a confrontar-se com o peso de uma cultura impregnada de clericalismo, que ela herdou da sua história, e de formas de exercício da autoridade nas quais se insinuam os vários tipos de abuso (de poder, económico, de consciência, sexual). É impensável «uma conversão do agir eclesial sem a participação ativa de todos os membros do Povo de Deus»:[6] juntos, peçamos ao Senhor «a graça da conversão e da unção interior para poder expressar, diante desses crimes de abuso, a nossa compunção e a nossa decisão de lutar com coragem».[7] 7. A despeito das nossas infidelidades, o Espírito continua a agir na história e a manifestar o seu poder vivificante. É precisamente nos sulcos cavados pelos sofrimentos de todos os tipos, suportados pela família humana e pelo Povo de Deus, que florescem novas linguagens da fé e renovados percursos, capazes não apenas de interpretar os acontecimentos de um ponto de vista teologal, mas de encontrar na provação as razões para voltar a fundar o caminho da vida cristã e eclesial. É motivo de grande esperança que não poucas Igrejas já tenham iniciado encontros e processos de consulta do Povo de Deus, mais ou menos estruturados. Onde eles se distinguiram por um estilo sinodal, o sentido de Igreja voltou a florescer e a participação de todos deu renovado impulso à vida eclesial. Também encontram confirmação o desejo de protagonismo no seio da Igreja por parte dos jovens, e o pedido de uma maior valorização das mulheres e de espaços de participação na missão da Igreja, já apontados pelas Assembleias sinodais de 2018 e de 2019. Nesta linha vão também a recente instituição do ministério laical do catequista e a abertura às mulheres do acesso aos ministérios do leitorado e do acolitado. 8. Não podemos ignorar a variedade das condições em que as comunidades cristãs vivem nas diferentes regiões do mundo. Ao lado dos países em que a Igreja acolhe a maioria da população, representando um ponto de referência cultural para toda a sociedade, existem outros em que os católicos constituem uma minoria; nalguns deles os, católicos, em conjunto com outros cristãos, experimentam formas de perseguição até muito violentas, e não raro o martírio. Se, por um lado, predomina uma mentalidade secularizada que tende a eliminar a religião do espaço público, por outro lado, existe um fundamentalismo religioso que não respeita as liberdades dos outros, alimentando formas de intolerância e de violência que se refletem também na comunidade cristã e nas suas relações com a sociedade. Não raramente, os cristãos adotam as mesmas atitudes, fomentando inclusive divisões e contraposições, até na Igreja. É igualmente necessário ter em consideração o modo como as fraturas que atravessam a sociedade se repercutem no seio da comunidade cristã e nas suas relações com a própria sociedade, por razões étnicas, raciais, de casta ou devido a outras formas de estratificação social ou de violência cultural e estrutural. Tais situações têm um impacto profundo sobre o significado da expressão “caminhar juntos” e sobre as possibilidades concretas de as pôr em prática. 9. Neste contexto, a sinodalidade representa a via mestra para a Igreja, chamada a renovar-se sob a ação do Espírito e graças à escuta da Palavra. A capacidade de imaginar um futuro diferente para a Igreja e para as suas instituições, à altura da missão recebida, depende em grande medida da escolha de encetar processos de escuta, diálogo e discernimento comunitário, em que todos e cada um possam participar e contribuir. Ao mesmo tempo, a escolha de “caminhar juntos” constitui um sinal profético para uma família humana que tem necessidade de um projeto comum, apto a perseguir o bem de todos. Uma Igreja capaz de comunhão e de fraternidade, de participação e de subsidiariedade, em fidelidade ao que anuncia, poderá colocar-se ao lado dos pobres e dos últimos, emprestando-lhes a própria voz. Para “caminhar juntos”, é necessário que nos deixemos educar pelo Espírito para uma mentalidade verdadeiramente sinodal, entrando com coragem e liberdade de coração num processo de conversão, sem o qual não será possível aquela «reforma perene da qual ela [a Igreja], como instituição humana e terrena, necessita perpetuamente» (UR, n. 6; cf. EG, n. 26). II. Uma Igreja constitutivamente sinodal 10. «Aquilo que o Senhor nos pede, de certo modo está já tudo contido na palavra “Sínodo”»,[8] que «é palavra antiga e veneranda na Tradição da Igreja, cujo significado recorda os conteúdos mais profundos da Revelação».[9] É o «Senhor Jesus que se apresenta a si mesmo como “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6)», e «os cristãos, na sua sequela, são originariamente chamados “os discípulos do caminho” (cf. At 9, 2; 19, 9.23; 22, 4; 24, 14.22)».[10] Nesta perspetiva, a sinodalidade é muito mais do que a celebração de encontros eclesiais e assembleias de Bispos, ou uma questão de simples administração interna da Igreja; ela «indica o específico modus vivendi et operandi da Igreja, o Povo de Deus, que manifesta e realiza concretamente o ser comunhão no caminhar juntos, no reunir-se em assembleia e no participar ativamente de todos os seus membros na sua missão evangelizadora».[11] Entrelaçam-se assim aqueles que o título do Sínodo propõe como eixos fundamentais de uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão. Neste capítulo explicamos sumariamente algumas referências teológicas essenciais em que esta perspetiva se fundamenta. 11. No primeiro milénio, “caminhar juntos”, ou seja, praticar a sinodalidade, era a maneira habitual de proceder da Igreja, entendida como «Povo reunido pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo».[12] Àqueles que dividiam o corpo eclesial, os Padres da Igreja opuseram a comunhão das Igrejas espalhadas pelo mundo, que Santo Agostinho descrevia como «concordissima fidei conspiratio»,[13] isto é, o acordo na fé entre todos os Batizados. É aqui que se arraiga o amplo desenvolvimento de uma prática sinodal a todos os níveis da vida da Igreja – local, provincial, universal – que encontrou a sua mais excelsa manifestação no concílio ecuménico. Foi neste horizonte eclesial, inspirado no princípio da participação de todos na vida da Igreja, que São João Crisóstomo pôde dizer: «Igreja e Sínodo são sinónimos».[14] Este modo de proceder não esmoreceu nem sequer no segundo milénio, quando a Igreja evidenciou em maior medida a função hierárquica: se na idade média e na época moderna é bem atestada a celebração dos sínodos diocesanos e provinciais, assim como a dos concílios ecuménicos, quando se tratava de definir verdades dogmáticas, os Papas queriam consultar os Bispos, para conhecer a fé de toda a Igreja, recorrendo à autoridade do sensus fidei de todo o Povo de Deus, que é «infalível “in credendo”» (EG, n. 119). 12. O Concílio Vaticano II ancorou-se neste dinamismo da Tradição. Ele põe em evidência que «aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo que o conhecesse na verdade e o servisse santamente» (LG, n. 9). Os membros do Povo de Deus são irmanados pelo Batismo e «ainda que, por vontade de Cristo, alguns sejam constituídos doutores, dispensadores dos mistérios e pastores em favor dos demais, reina, porém, igualdade entre todos quanto à dignidade e quanto à atuação, comum a todos os Fiéis, a favor da edificação do corpo de Cristo» (LG, n. 32). Por conseguinte, todos os Batizados, participantes na função sacerdotal, profética e real de Cristo, «no exercício da multiforme e ordenada riqueza dos seus carismas, das suas vocações, dos seus ministérios»,[15] são sujeitos ativos de evangelização, quer individualmente quer como totalidade do Povo de Deus. 13. O Concílio ressaltou que, em virtude da unção do Espírito Santo recebida no Batismo, a totalidade dos Fiéis «não pode enganar-se na fé; e esta sua propriedade peculiar manifesta-se por meio do sentir sobrenatural da fé do Povo todo quando este, “desde os Bispos até ao último dos Fiéis leigos”, manifesta o consenso universal em matéria de fé e de moral» (LG, n. 12). É o Espírito que guia os crentes para «toda a verdade» (Jo 16, 13). Pela sua obra, «a Tradição apostólica progride na Igreja», porque todo o Povo santo de Deus cresce na compreensão e na experiência, «tanto das coisas como das palavras transmitidas, quer graças à contemplação e ao estudo dos crentes, que as meditam no seu coração (cf. Lc 2, 19. 51), quer graças à íntima inteligência que experimentam das coisas espirituais, quer graças à pregação daqueles que, com a sucessão do episcopado, receberam o carisma da verdade» (DV, n. 8). Com efeito, este Povo, reunido pelos seus Pastores, adere ao depósito sagrado da Palavra de Deus confiado à Igreja, persevera constantemente no ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e na oração, «de tal modo que, na conservação, atuação e profissão da fé transmitida, haja uma especial concordância de espírito entre os Pastores e os Fiéis» (DV, n. 10). 14. Por isso, os Pastores, constituídos por Deus «como autênticos guardiões, intérpretes e testemunhas da fé de toda a Igreja»,[16] não tenham medo de se colocar à escuta da Grei que lhes for confiada: a consulta do Povo de Deus não exige a assunção, no seio da Igreja, dos dinamismos da democracia centrados no princípio de maioria, uma vez que na base da participação em qualquer processo sinodal está a paixão partilhada pela missão comum de evangelização, e não a representação de interesses em conflito. Por outras palavras, trata-se de um processo eclesial, que só pode realizar-se «no seio de uma comunidade hierarquicamente estruturada».[17] É na fecunda ligação entre o sensus fidei do Povo de Deus e a função magisterial dos Pastores que se realiza o consenso unânime de toda a Igreja na mesma fé. Cada processo sinodal, em que os Bispos são chamados a discernir aquilo que o Espírito diz à Igreja, não sozinhos, mas ouvindo o Povo de Deus, que «participa também da função profética de Cristo» (LG, n. 12), constitui uma forma evidente daquele «caminhar juntos» que faz crescer a Igreja. São Bento salienta que «muitas vezes o Senhor revela a melhor decisão»[18] a quem não ocupa posições relevantes na comunidade (neste caso, o mais jovem); assim, os Bispos tenham o cuidado de alcançar todos, a fim de que no desenrolar ordenado do caminho sinodal se realize aquilo que o apóstolo Paulo recomenda às comunidades: «Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo: abraçai o que é bom» (1 Ts 5, 19-21). 15. O sentido do caminho ao qual todos somos chamados consiste, antes de mais nada, em descobrir o rosto e a forma de uma Igreja sinodal, em que «cada um tem algo a aprender. Povo fiel, Colégio episcopal, Bispo de Roma: cada um à escuta dos outros; e todos à escuta do Espírito Santo, o “Espírito da verdade” (Jo 14, 17), para conhecer aquilo que Ele “diz às Igrejas” (Ap 2, 7)».[19] O Bispo de Roma, como princípio e fundamento de unidade da Igreja, pede que todos os Bispos e todas as Igrejas particulares, nas quais e a partir das quais existe a Igreja católica una e única (cf. LG, n. 23), entrem com confiança e coragem no caminho da sinodalidade. Neste “caminhar juntos”, peçamos ao Espírito que nos leve a descobrir como a comunhão, que compõe na unidade a variedade dos dons, dos carismas e dos ministérios, tem em vista a missão: uma Igreja sinodal é uma Igreja “em saída”, uma Igreja missionária, «com as portas abertas» (EG, n. 46). Isto inclui a chamada a aprofundar as relações com as outras Igrejas e comunidades cristãs, com as quais estamos unidos mediante o único Batismo. Além disso, a perspetiva de “caminhar juntos” é ainda mais ampla e abrange toda a humanidade, da qual compartilhamos «as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias» (GS, n. 1). Uma Igreja sinodal é um sinal profético sobretudo para uma comunidade de nações incapaz de propor um projeto partilhado, através do qual perseguir o bem de todos: praticar a sinodalidade é, hoje para a Igreja, a maneira mais evidente de ser «sacramento universal da salvação» (LG, n. 48), «sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano» (LG, n. 1). III. À escuta das Escrituras 16. O Espírito de Deus, que ilumina e vivifica este “caminhar juntos” das Igrejas, é o mesmo que atua na missão de Jesus, prometido aos Apóstolos e às gerações de discípulos que ouvirem a Palavra de Deus e que a puserem em prática. Em conformidade com a promessa do Senhor, o Espírito não se limita a confirmar a continuidade do Evangelho de Jesus, mas iluminará as profundidades sempre novas da sua Revelação e inspirará as decisões necessárias para sustentar o caminho da Igreja (cf. Jo 14, 25-26; 15, 26-27; 16, 12-15). Por este motivo, é oportuno que o nosso caminho de construção de uma Igreja sinodal se deixe inspirar por duas “imagens” da Escritura. Uma sobressai na representação da “cena comunitária” que acompanha constantemente o caminho da evangelização; a outra refere-se à experiência do Espírito, em que Pedro e a comunidade primitiva reconhecem o risco de colocar limites injustificados à partilha da fé. A experiência sinodal do caminhar juntos, no seguimento do Senhor e em obediência ao Espírito, poderá receber uma inspiração decisiva da meditação a respeito destes dois momentos da Revelação. Jesus, a multidão, os apóstolos 17. Na sua estrutura fundamental, uma cena original aparece como a constante do modo como Jesus se revela ao longo de todo o Evangelho, anunciando o advento do Reino de Deus. Os atores em jogo são essencialmente três (mais um). Naturalmente, o primeiro é Jesus, o protagonista absoluto que toma a iniciativa, semeando as palavras e os sinais da vinda do Reino, sem «preferência de pessoas» (cf. At 10, 34). De várias maneiras, Jesus presta especial atenção aos “separados” de Deus e aos “abandonados” pela comunidade (na linguagem evangélica, os pecadores e os pobres). Com as suas palavras e as suas ações, oferece a libertação do mal e a conversão à esperança, em nome de Deus Pai e na força do Espírito Santo. Não obstante a diversidade das chamadas e das respostas de acolhimento do Senhor, a caraterística comum é que a fé emerge sempre como valorização da pessoa: a sua súplica é ouvida, à sua dificuldade presta-se ajuda, a sua disponibilidade é apreciada, a sua dignidade é confirmada pelo olhar de Deus e restituída ao reconhecimento da comunidade. 18. Com efeito, a ação de evangelização e a mensagem de salvação não seriam compreensíveis sem a abertura constante de Jesus ao interlocutor mais vasto possível, que os Evangelhos indicam como a multidão, ou seja, o conjunto de pessoas que o seguem ao longo do caminho, e às vezes até o perseguem, na esperança de um sinal e de uma palavra de salvação: eis o segundo ator da cena da Revelação. O anúncio evangélico não se dirige unicamente a poucos iluminados ou escolhidos. O interlocutor de Jesus é “o povo” da vida comum, o “qualquer um” da condição humana, que Ele coloca diretamente em contacto com o dom de Deus e a chamada à salvação. De um modo que surpreende e às vezes escandaliza as testemunhas, Jesus aceita como interlocutores todos aqueles que sobressaem da multidão: ouve a lamentação apaixonada da mulher cananeia (cf. Mt 15, 21-28), que não pode aceitar ser excluída da bênção que Ele traz; abandona-se ao diálogo com a Samaritana (cf. Jo 4, 1-42), não obstante a sua condição de mulher social e religiosamente comprometida; solicita o ato de fé livre e reconhecido do cego de nascença (cf. Jo 9), que a religião oficial tinha descartado como alheio ao perímetro da graça. 19. Alguns seguem Jesus mais explicitamente, experimentando a fidelidade do discipulado, ao passo que outros são convidados a regressar à sua vida quotidiana: no entanto, todos dão testemunho da força da fé que os salvou (cf. Mt 15, 28). Entre aqueles que seguem Jesus, destaca-se nitidamente a figura dos apóstolos, aos quais Ele próprio chama desde o início, destinando-os à mediação autorizada da relação da multidão com a Revelação e com o advento do Reino de Deus. A entrada em cena deste terceiro ator não se verifica graças a uma cura ou conversão, mas coincide com o chamamento de Jesus. A eleição dos apóstolos não é o privilégio de uma posição exclusiva de poder e de separação, mas sim a graça de um ministério inclusivo de bênção e de comunhão. Graças ao dom do Espírito do Senhor ressuscitado, eles devem salvaguardar o lugar de Jesus, sem o substituir: não para colocar filtros à sua presença, mas para facilitar o seu encontro. 20. Jesus, a multidão na sua variedade, os apóstolos: eis a imagem e o mistério a contemplar e aprofundar continuamente, a fim de que a Igreja se torne cada vez mais aquilo que é. Nenhum dos três atores pode abandonar a cena. Se Jesus não estiver presente e outra pessoa ocupar o seu lugar, a Igreja tornar-se-á um contrato entre os apóstolos e a multidão, cujo diálogo acabará por seguir o enredo do jogo político. Sem os apóstolos, autorizados por Jesus e instruídos pelo Espírito, a relação com a verdade evangélica interrompe-se e a multidão permanece exposta a um mito ou a uma ideologia a respeito de Jesus, quer o aceite quer o rejeite. Sem a multidão, a relação dos apóstolos com Jesus corrompe-se numa forma sectária e autorreferencial de religião, e a evangelização perde a sua luz, que provém da revelação de si que Deus dirige a quem quer que seja, diretamente, oferecendo-lhe a sua salvação. 21. Além disso, há o ator “extra”, o antagonista, que traz à cena a separação diabólica dos outros três. Diante da perspetiva inquietadora da cruz, há discípulos que vão embora e multidões que mudam de humor. A ameaça que divide e, por conseguinte, impede um caminho comum, manifesta-se indiferentemente sob as formas do rigor religioso, da injunção moral, que se revela mais exigente que a de Jesus, e da sedução de uma sabedoria política mundana, que se julga mais eficaz que um discernimento dos espíritos. Para evitar os enganos do “quarto ator”, é necessária uma conversão contínua. A este propósito, é emblemático o episódio do centurião Cornélio (cf. At 10), precedente ao “concílio” de Jerusalém (cf. At 15), que constitui um ponto de referência crucial para uma Igreja sinodal. Uma dupla dinâmica de conversão: Pedro e Cornélio (At 10) 22. O episódio narra antes de mais nada a conversão de Cornélio, que chega a receber uma espécie de anunciação. Cornélio é pagão, presumivelmente romano, centurião (oficial de baixa patente) do exército de ocupação, que exerce uma profissão baseada na violência e no abuso. No entanto, dedica-se à oração e à esmola, ou seja, cultiva a relação com Deus e cuida do próximo. De modo surpreendente, o anjo entra precisamente nele, chama-o pelo nome e exorta-o a enviar – o verbo da missão! – os seus servos a Jafa para chamar – o verbo da vocação! – Pedro. Então, a narração torna-se a da conversão deste último, que naquele mesmo dia recebeu uma visão em que uma voz lhe ordena que mate e coma animais, alguns dos quais impuros. A sua resposta é decisiva: «De modo algum, Senhor!» (At 10, 14). Reconhece que é o Senhor quem fala com ele, mas opõe-se-lhe com uma clara rejeição, dado que aquela ordem destrói preceitos da Torá que são irrenunciáveis para a sua identidade religiosa, e que exprimem um modo de entender a eleição como diferença que implica separação e exclusão em relação aos outros povos. 23. O apóstolo permanece profundamente consternado e, enquanto se interroga sobre o sentido do que tinha acontecido, chegam os homens enviados por Cornélio, que o Espírito lhe indica como seus enviados. Pedro responde-lhes com palavras que evocam as de Jesus no horto: «Eu sou aquele a quem procurais» (At 10, 21). Trata-se de uma verdadeira conversão, uma passagem dolorosa e imensamente frutuosa para sair das próprias categorias culturais e religiosas: Pedro aceita alimentar-se com pagãos da comida que sempre tinha considerado proibida, reconhecendo-a como instrumento de vida e de comunhão com Deus e com o próximo. É no encontro com as pessoas, acolhendo-as, caminhando com elas e entrando nas suas casas, que ele se dá conta do significado da sua visão: nenhum ser humano é indigno aos olhos de Deus e a diferença instituída pela eleição não é preferência exclusiva, mas sim serviço e testemunho de alcance universal. 24. Tanto Cornélio como Pedro envolvem outras pessoas no seu percurso de conversão, fazendo delas companheiros de caminho. A ação apostólica cumpre a vontade de Deus, criando comunidade, derrubando barreiras e promovendo o encontro. A palavra desempenha um papel central no encontro entre os dois protagonistas. Cornélio começa a compartilhar a experiência que viveu. Pedro ouve-o e em seguida toma a palavra, comunicando por sua vez o que lhe aconteceu e testemunhando a proximidade do Senhor, que vai ao encontro de cada pessoa para a libertar daquilo que a torna prisioneira do mal e mortifica a sua humanidade (cf. At 10, 38). Esta maneira de comunicar é semelhante àquela que Pedro adotará quando, em Jerusalém, os fiéis circuncidados o repreenderão, acusando-o de ter transgredido as normas tradicionais, nas quais toda a atenção deles parece estar concentrada, menosprezando a efusão do Espírito: «Por que entraste na casa de incircuncisos e comeste com eles?» (At 11, 3). Naquele momento de conflito, Pedro descreve o que lhe aconteceu, assim como as suas reações de consternação, incompreensão e resistência. É exatamente isto que ajudará os seus interlocutores, inicialmente agressivos e refratários, a ouvir e a aceitar o que aconteceu. A Escritura contribuirá para interpretar o sentido disto, como sucessivamente acontecerá no “concílio” de Jerusalém, num processo de discernimento que é uma escuta em comum do Espírito. IV. A sinodalidade em ação: roteiros para a consulta do Povo de Deus 25. Iluminado pela Palavra e fundamentado na Tradição, o caminho sinodal enraíza-se na vida concreta do Povo de Deus. Com efeito, apresenta uma peculiaridade que é igualmente um recurso extraordinário: o seu objeto – a sinodalidade – é também o seu método. Em síntese, constitui uma espécie de estaleiro de obras ou experiência-piloto, que permite começar a colher imediatamente os frutos do dinamismo que a progressiva conversão sinodal introduz na comunidade cristã. Por outro lado, não pode deixar de se referir às experiências de sinodalidade vivida, a vários níveis e com diferentes graus de intensidade: os seus pontos fortes e os seus sucessos, assim como os seus limites e as suas dificuldades, oferecem elementos preciosos para o discernimento sobre a direção na qual continuar a caminhar. Aqui, certamente, faz-se referência às experiências ativadas pelo presente caminho sinodal, mas também a todas aquelas em que já se experimentam formas de “caminhar juntos” na vida do dia a dia, mesmo quando o termo sinodalidade nem sequer é conhecido ou utilizado. A questão fundamental 26. A interrogação fundamental que orienta esta consulta do Povo de Deus, como já foi recordado no início, é a seguinte: Anunciando o Evangelho, uma Igreja sinodal “caminha em conjunto”: como é que este “caminhar juntos” se realiza hoje na vossa Igreja particular? Que passos o Espírito nos convida a dar para crescermos no nosso “caminhar juntos”? Para dar uma resposta, sois convidados a: perguntar-vos que experiências da vossa Igreja particular a interrogação fundamental vos traz à mente? reler estas experiências mais profundamente: que alegrias proporcionaram? Que dificuldades e obstáculos encontraram? Que feridas fizeram emergir? Que intuições suscitaram? colher os frutos para compartilhar: onde, nestas experiências, ressoa a voz do Espírito? O que ela nos pede? Quais são os pontos a confirmar, as perspetivas de mudança, os passos a dar? Onde alcançamos um consenso? Que caminhos se abrem para a nossa Igreja particular? Diferentes articulações da sinodalidade 27. Na oração, reflexão e partilha suscitadas pela interrogação fundamental, é oportuno ter em consideração três níveis em que a sinodalidade se articula como «dimensão constitutiva da Igreja»:[20] · o plano do estilo em que a Igreja normalmente vive e atua, que exprime a sua natureza de Povo de Deus a caminho em conjunto e que se reúne em assembleia, convocado pelo Senhor Jesus na força do Espírito Santo para anunciar o Evangelho. Este estilo realiza-se através «da escuta comunitária da Palavra e da celebração da Eucaristia, da fraternidade da comunhão e da corresponsabilidade e participação de todo o povo de Deus, nos seus vários níveis e na distinção dos diversos ministérios e funções, na sua vida e na sua missão»;[21] · o plano das estruturas e dos processos eclesiais, determinados inclusive dos pontos de vista teológico e canónico, em que a natureza sinodal da Igreja se manifesta de maneira institucional a nível local, regional e universal; · o plano dos processos e eventos sinodais em que a Igreja é convocada pela autoridade competente, em conformidade com procedimentos específicos, determinados pela disciplina eclesiástica. Embora sejam distintos de um ponto de vista lógico, estes três planos referem-se uns aos outros e devem manter-se unidos de maneira coerente, caso contrário transmite-se um contratestemunho, minando a credibilidade da Igreja. Com efeito, se não se encarnar em estruturas e processos, o estilo da sinodalidade degrada-se facilmente do nível das intenções e dos desejos para aquele da retórica: enquanto processos e eventos, se não forem animados por um estilo adequado, não passam de formalidades vazias. 28. Além disso, na releitura das experiências, é necessário ter em consideração que “caminhar juntos” pode ser entendido de acordo com duas perspetivas diferentes, fortemente interligadas. A primeira diz respeito à vida interna das Igrejas particulares, às relações entre os indivíduos que as constituem (em primeiro lugar, aquela entre os Fiéis e os seus Pastores, também através dos organismos de participação previstos pela disciplina canónica, incluindo o sínodo diocesano) e às comunidades em que se subdividem (de modo particular as paróquias). Em seguida, considera as relações dos Bispos entre si e com o Bispo de Roma, inclusive através dos organismos intermediários de sinodalidade (Sínodos dos Bispos das Igrejas patriarcais e arquiepiscopais maiores, Conselhos de Hierarcas e Assembleias de Hierarcas das Igrejas sui iuris, Conferências Episcopais, com as suas expressões nacionais, internacionais e continentais). Por conseguinte, estende-se à maneira como cada uma das Igrejas particulares integra em si mesma a contribuição das várias formas de vida monástica, religiosa e consagrada, de associações e movimentos laicais, de instituições eclesiais e eclesiásticas de diferentes tipos (escolas, hospitais, universidades, fundações, instituições de caridade e de assistência, etc.). Para finalizar, esta perspetiva abrange também as relações e as iniciativas comuns com os irmãos e as irmãs das demais Confissões cristãs, com os quais partilhamos o dom do mesmo Batismo. 29. A segunda perspetiva tem em consideração o modo como o Povo de Deus caminha em conjunto com toda a família humana. Assim, o olhar contemplará o estado das relações, do diálogo e das eventuais iniciativas comuns com os crentes de outras religiões, com as pessoas afastadas da fé e igualmente com ambientes e grupos sociais específicos, com as respetivas instituições (mundo da política, da cultura, da economia, das finanças, do trabalho, sindicatos e associações empresariais, organizações não governamentais e da sociedade civil, movimentos populares, minorias de vários tipos, pobres e excluídos, etc.). Dez núcleos temáticos a aprofundar 30. Para ajudar a fazer emergir as experiências e a contribuir de maneira mais rica para a consulta, em seguida indicamos também dez núcleos temáticos que abordam diferentes aspetos da “sinodalidade vivida”. Deverão adaptar-se aos diferentes contextos locais e, periodicamente, ser integrados, explicados, simplificados e aprofundados, prestando atenção particular a quantos têm mais dificuldade em participar e responder: o Vade-mécum que acompanha este Documento Preparatório oferece instrumentos, percursos e sugestões, a fim de que os diferentes núcleos de interrogações inspirem concretamente momentos de oração, formação, reflexão e intercâmbio. I. OS COMPANHEIROS DE VIAGEM Na Igreja e na sociedade, estamos no mesmo caminho, lado a lado. Na vossa Igreja local, quem são aqueles que “caminham juntos”? Quando dizemos “a nossa Igreja”, quem é que faz parte dela? Quem nos pede para caminhar juntos? Quem são os companheiros de viagem, inclusive fora do perímetro eclesial? Que pessoas ou grupos são, expressa ou efetivamente, deixados à margem? II. OUVIR A escuta é o primeiro passo, mas requer que a mente e o coração estejam abertos, sem preconceitos. Com quem está a nossa Igreja particular “em dívida de escuta”? Como são ouvidos os Leigos, de modo particular os jovens e as mulheres? Como integramos a contribuição de Consagradas e Consagrados? Que espaço ocupa a voz das minorias, dos descartados e dos excluídos? Conseguimos identificar preconceitos e estereótipos que impedem a nossa escuta? Como ouvimos o contexto social e cultural em que vivemos? III. TOMAR A PALAVRA Todos estão convidados a falar com coragem e parrésia, ou seja, integrando liberdade, verdade e caridade. Como promovemos, no seio da comunidade e dos seus organismos, um estilo comunicativo livre e autêntico, sem ambiguidades e oportunismos? E em relação à sociedade de que fazemos parte? Quando e como conseguimos dizer o que é deveras importante para nós? Como funciona a relação com o sistema dos meios de comunicação social (não só católicos)? Quem fala em nome da comunidade cristã e como é escolhido? IV. CELEBRAR “Caminhar juntos” só é possível se nos basearmos na escuta comunitária da Palavra e na celebração da Eucaristia. De que forma a oração e a celebração litúrgica inspiram e orientam efetivamente o nosso “caminhar juntos”? Como inspiram as decisões mais importantes? Como promovemos a participação ativa de todos os Fiéis na liturgia e o exercício da função de santificar? Que espaço é reservado ao exercício dos ministérios do leitorado e do acolitado? V. CORRESPONSÁVEIS NA MISSÃO A sinodalidade está ao serviço da missão da Igreja, na qual todos os seus membros são chamados a participar. Dado que somos todos discípulos missionários, de que maneira cada um dos Batizados é convocado para ser protagonista da missão? Como é que a comunidade apoia os seus membros comprometidos num serviço na sociedade (na responsabilidade social e política na investigação científica e no ensino, na promoção da justiça social, na salvaguarda dos direitos humanos e no cuidado da Casa comum, etc.)? Como os ajuda a viver estes compromissos, numa lógica de missão? Como se verifica o discernimento a respeito das escolhas relativas à missão e quem participa? Como foram integradas e adaptadas as diferentes tradições em matéria de estilo sinodal, que constituem a herança de muitas Igrejas, especialmente as orientais, em vista de um testemunho cristão eficaz? Como funciona a colaboração nos territórios onde estão presentes diferentes Igrejas sui iuris? VI. DIALOGAR NA IGREJA E NA SOCIEDADE O diálogo é um caminho de perseverança, que inclui também silêncios e sofrimentos, mas é capaz de recolher a experiência das pessoas e dos povos. Quais são os lugares e as modalidades de diálogo no seio da nossa Igreja particular? Como são enfrentadas as divergências de visão, os conflitos, as dificuldades? Como promovemos a colaboração com as Dioceses vizinhas, com e entre as comunidades religiosas no território, com e entre associações e movimentos laicais, etc.? Que experiências de diálogo e de compromisso partilhado promovemos com crentes de outras religiões e com quem não crê? Como é que a Igreja dialoga e aprende com outras instâncias da sociedade: o mundo da política, da economia, da cultura, a sociedade civil, os pobres…? VII. COM AS OUTRAS CONFISSÕES CRISTÃS O diálogo entre cristãos de diferentes confissões, unidos por um único Batismo, ocupa um lugar particular no caminho sinodal. Que relacionamentos mantemos com os irmãos e as irmãs das outras Confissões cristãs? A que âmbitos se referem? Que frutos colhemos deste “caminhar juntos”? Quais são as dificuldades? VIII. AUTORIDADE E PARTICIPAÇÃO Uma Igreja sinodal é uma Igreja participativa e corresponsável. Como se identificam os objetivos a perseguir, o caminho para os alcançar e os passos a dar? Como se exerce a autoridade no seio da nossa Igreja particular? Quais são as práticas de trabalho em grupo e de corresponsabilidade? Como se promovem os ministérios laicais e a assunção de responsabilidade por parte dos Fiéis? Como funcionam os organismos de sinodalidade a nível da Igreja particular? São uma experiência fecunda? IX. DISCERNIR E DECIDIR Num estilo sinodal, decide-se por discernimento, com base num consenso que dimana da obediência comum ao Espírito. Com que procedimentos e com que métodos discernimos em conjunto e tomamos decisões? Como podem eles ser melhorados? Como promovemos a participação na tomada de decisões, no seio de comunidades hierarquicamente estruturadas? Como articulamos a fase consultiva com a deliberativa, o processo do decision-making com o momento do decision-taking? De que maneira e com que instrumentos promovemos a transparência e a accountability? X. FORMAR-SE NA SINODALIDADE A espiritualidade do caminhar juntos é chamada a tornar-se princípio educativo para a formação da pessoa humana e do cristão, das famílias e das comunidades. Como formamos as pessoas, de maneira particular aquelas que desempenham funções de responsabilidade no seio da comunidade cristã, a fim de as tornar mais capazes de “caminhar juntas”, de se ouvir mutuamente e de dialogar? Que formação oferecemos para o discernimento e o exercício da autoridade? Que instrumentos nos ajudam a interpretar as dinâmicas da cultura em que estamos inseridos e o seu impacto no nosso estilo de Igreja? A fim de contribuir para a consulta 31. A finalidade da primeira fase do caminho sinodal é favorecer um amplo processo de consulta, para recolher a riqueza das experiências de sinodalidade vivida, nas suas diferentes articulações e aspetos, envolvendo os Pastores e os Fiéis das Igrejas particulares em todos os diversificados níveis, através dos meios mais adequados, em conformidade com as realidades locais específicas: a consulta, coordenada pelo Bispo, destina-se «aos Presbíteros, Diáconos e Fiéis leigos das suas Igrejas, individualmente ou associados, sem transcurar a valiosa contribuição que pode vir dos Consagrados e das Consagradas» (EC, n. 7). De maneira particular, solicita-se a contribuição dos organismos de participação das Igrejas particulares, especialmente do Conselho presbiteral e do Conselho pastoral, a partir dos quais verdadeiramente «pode começar a tomar forma uma Igreja sinodal».[22] Será igualmente preciosa a contribuição das outras realidades eclesiais às quais o Documento Preparatório for enviado, assim como daqueles que quiserem enviar diretamente a própria contribuição. Finalmente, será de importância fundamental que encontre espaço também a voz dos pobres e dos excluídos, e não somente daqueles que desempenham alguma função ou responsabilidade no seio das Igrejas particulares. 32. A síntese que cada Igreja particular elaborar na conclusão deste trabalho de escuta e discernimento constituirá a sua contribuição para o percurso da Igreja universal. Para tornar mais fáceis e sustentáveis as fases sucessivas do caminho, é importante conseguir condensar os frutos da oração e da reflexão, no máximo, em dez páginas. Se for necessário, para as contextualizar e explicar melhor, poderão ser anexados outros textos como apoio ou integração. Recordamos que o objetivo do Sínodo, e por conseguinte desta consulta, não consiste em produzir documentos, mas em «fazer germinar sonhos, suscitar profecias e visões, fazer florescer a esperança, estimular confiança, faixar feridas, entrançar relações, ressuscitar uma aurora de esperança, aprender uns dos outros e criar um imaginário positivo que ilumine as mentes, aqueça os corações, restitua força às mãos».[23] Índice I. Apelo a caminhar juntos II. Uma Igreja constitutivamente sinodal III. À escuta das Escrituras Jesus, a multidão, os apóstolos Uma dupla dinâmica de conversão: Pedro e Cornélio (At 10) IV. A sinodalidade em ação: roteiros para a consulta do Povo de Deus A questão fundamental Diferentes articulações da sinodalidade Dez núcleos temáticos a aprofundar A fim de contribuir para a consulta FONTE: VATICAN NEWS – 07/09/21 #DocumentopreparatórioSínodo2023
- O Sínodo à escuta dos fiéis, publicado o Documento preparatório para a fase de consulta
“Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão – Documento preparatório”. A Secretaria Geral do Sínodo apresenta o texto preparatório e o Vade-mécum para orientar o caminho do Sínodo sobre a Sinodalidade, que será aberto nos dias 9-10 de outubro em Roma e em 17 de outubro nas Igrejas particulares, e será concluído com uma Assembléia no Vaticano em 2023. Salvatore Cernuzio – Vatican News Ouvir, “sem preconceitos”. Tomar a palavra, “com coragem e parrésia”. Diálogar com a Igreja, a sociedade e as outras confissões cristãs. A Secretaria Geral do Sínodo publicou o Documento Preparatório e o Vade-mécum para indicar as diretrizes sobre as quais o caminho do Sínodo sobre a Sinodalidade será orientado. O Sínodo será solenemente aberto em 9-10 de outubro em Roma e em 17 de outubro nas Igrejas particulares, e será concluído com a Assembléia dos Bispos no Vaticano em 2023. O documento pretende ser sobretudo “um instrumento” para facilitar a primeira fase de escuta e consulta do Povo de Deus nas Igrejas particulares, que começará em outubro de 2021 e terminará em abril de 2022. Enquanto o Vade-mécum é concebido como “um manual” que oferece “apoio prático” aos referentes diocesanos para preparar o Povo de Deus. Inclui orações on-line, exemplos de Sínodos recentes, um glossário de termos para o processo sinodal. “Não um livro de regras”, mas, “um guia para apoiar os esforços de cada Igreja local”. Na base das duas publicações há uma questão fundamental: “Como é que este “caminhar juntos” se realiza hoje em diferentes níveis (do local ao universal) que permite à Igreja de anunciar o Evangelho, de acordo com a missão que lhe foi confiada? Que passos o Espírito nos convida a dar para crescermos como Igreja sinodal? Para responder a esta pergunta, a Secretaria do Sínodo salienta a necessidade de “viver um processo eclesial participativo e inclusivo” que ofereça a cada um, de maneira particular aqueles que se encontram à margem, a oportunidade de se expressar e ser ouvido; em seguida, reconhecer e apreciar a variedade de carismas e examinar “como a responsabilidade e o poder são vividos na Igreja”. Em seguida, é solicitado a “credenciar a comunidade cristã como um sujeito credível e parceiro fiável” em percursos de diálogo, reconciliação, inclusão e participação. E também para “regenerar as relações” com representantes de outras confissões, organizações da sociedade civil e movimentos populares. Portanto, medidas concretas que se dão num marco histórico marcado pela “tragédia” da Covid e num contexto em que a Igreja enfrenta a falta de fé interna, corrupção e abusos. É precisamente nestes “sulcos cavados pelo sofrimento”, no entanto, que “novos caminhos” florescem para “refundar o caminho da vida cristã e eclesial”. O documento dedica amplo espaço aos leigos. Reafirma que todos os batizados são “sujeitos ativos de evangelização” e que é fundamental que os pastores “não tenham medo de ouvir o rebanho”. Em uma Igreja sinodal, de fato, cada um “tem algo a aprender” com o outro. O texto preparatório propõe então perguntas para orientar a consulta do Povo de Deus, começando com uma questão: Como se dá hoje o “caminhar juntos” em sua Igreja particular? Por isso, é preciso reexaminar as experiências da própria diocese a este respeito, levando em conta as relações internas da Diocese entre os fiéis, o clero e as paróquias, mas também entre os bispos, com as diversas formas de vida religiosa e consagrada, com as associações, os movimentos e as instituições como escolas, hospitais, universidades e organizações caritativas. Também devem ser consideradas as relações e iniciativas comuns com outras religiões e com o mundo da política, cultura, finanças, trabalho, sindicatos e minorias. Por fim, o documento ilustra dez núcleos temáticos sobre a “sinodalidade vivida” a serem explorados a fim de enriquecer a consulta. Estes incluem: refletir sobre quem faz parte do que chamamos de “nossa Igreja”; escutar os jovens, as mulheres, os consagrados, os descartados, os excluídos; considerar se um estilo autêntico de comunicação é promovido na comunidade, sem duplicidade; avaliar como a oração e a liturgia guiam o “caminhar juntos”; refletir sobre como a comunidade apoia os membros engajados em um serviço; repensar lugares e modos de diálogo nas dioceses, com dioceses vizinhas, com comunidades e movimentos religiosos, com instituições, com os não-crentes. E também: questionar-se como é exercida a autoridade na Igreja particular, como as decisões são tomadas, que instrumentos são promovidos para a transparência e responsabilidade, qual a formação dos que têm posições de responsabilidade. Os frutos das reflexões, explica a Secretaria do Sínodo, serão condensados em cerca de dez páginas. O objetivo “não é produzir documentos”, mas dar origem a sonhos, profecias e esperanças. FONTE: VATICAN NEWS #Documentosinodal #Documentosinodalpreparatórioparaafasedeconsulta #OSínodoàescutadosfiéis #vaticanopublicadocumentosinodal
- TOTALITARISMO SOFT
ALDEIA GLOBAL. Os gregos antigos davam o nome de ágora às praças de suas cidades, onde comerciantes expunham e vendiam seus produtos. Curiosamente, ideias também circulavam por aqueles lugares, pois os gregos gostavam de se reunir, ali, para discutir a vida pública da polis e fazer valer a voz do povo. Verdadeiras ágoras , em nossa época, são as redes sociais da internet, essas praças públicas planetárias e globalizadas com as quais os antigos gregos jamais poderiam sonhar. O PECADO CAPITAL DA DISTRAÇÃO. A internet, que é a extensão mais poderosa do cérebro humano até hoje inventada, potencializou os sete pecados capitais e criou um oitavo: a distração elevada à enésima potência. As pessoas nunca estiveram tão distraídas como hoje em dia, alheadas das coisas essenciais da vida, esquecidas do que realmente importa para viver como animal racional destinado à eternidade. Fatores distrativos e razões para distrair-se é o que não falta atualmente, sobretudo na internet. INTERNET E DEMOCRACIA. Mas a internet também tem suas virtudes: através de suas redes sociais, dispôs todas as vozes do debate político no mesmo plano, tornando mais difícil o controle que a mídia convencional — tevês, jornais, revistas — acaso pudesse fazer sobre a sociedade, seja sob o comando das forças nacionais que ambicionam o domínio do país (ou das forças internacionais que ambicionam o domínio do planeta). Os tradicionais donos do poder não previam quanto a internet pudesse ser fator de desestabilização do status quo reinante e, por isso, partiram para a ofensiva. O PODER DAS BIG TECHS. Só há uma forma de calar as vozes dissonantes da internet, já batizadas pejorativamente de “mídia paralela”: controlar o trânsito dessas vozes incômodas, definindo quem pode ou não se fazer ouvir nessas ágoras eletrônicas. Um controle que pode ser exercido tanto pelas próprias redes sociais (como têm feito as big techs Youtube, Facebook, Twitter etc.), como pelo poder judiciário. E isto já está acontecendo. A tecnologia da informação, que permitiu àquelas empresas tornar suas ágoras virtuais absolutamente necessárias para o debate público, é a mesma que permitirá, com poucos cliques de mouse, o silenciamento das vozes tidas como inconvenientes, acusadas de disseminadoras de “discurso de ódio” (que o politicamente correto define como uso da linguagem destinado a incitar violência contra minorias frágeis). TOTALITARISMO SOFT. Se os embates da “mídia paralela” (da esquerda com a direita) não fossem “cancelados”, o mundo poderia ter em breve algo semelhante ao que os cientistas políticos chamam de “democracia participativa”, na qual os cidadãos comuns conseguiriam influir de forma eficaz no governo de sua cidade ou nação. Mas a expectativa mais razoável é a contrária, ou seja, continuará mandando quem tem mandado nas últimas décadas: as ideologias progressistas e anticristãs (defensoras do aborto, do casamento gay, da histeria ambientalista), que querem tudo menos alta dialética, e são subvencionadas pelo poder financeiro internacional. Isto tem um nome: totalitarismo. No mundo ocidental, será inicialmente um totalitarismo soft , diferente do que é praticado atualmente na China. Mas há sérias chances de endurecer com o tempo, tornando a liberdade individual mais uma peça de museu, impiedosamente atirada aos monturos da História.
- Permanecendo no Limite
Você já parou à beira de uma decisão de mudança de vida, em que contemplou uma escolha irreversível que o separaria para sempre de tudo o que você conhece e ama? Talvez você tenha viajado para um novo país, sabendo que nunca mais voltaria. Ou talvez você veio de uma família anticatólica, se converteu ao catolicismo e se casou na fé, com poucas perspectivas de ver seus pais e irmãos novamente. Ou talvez, antes de se casar, você simplesmente ponderou sobre a mudança radical que sua vida sofreria depois disso. Recentemente, me deparei com algo semelhante e pensei que compartilhar a experiência pode ser útil. Para fornecer informações básicas: em janeiro, contraí o vírus Wuhan e acabei no hospital por 52 dias. Enquanto escrevo isto (6 meses depois), ainda estou me recuperando aos poucos. Após cerca de dez dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), os médicos e outros membros da equipe médica determinaram que eu provavelmente não sobreviveria. Embora estivessem fazendo todo o possível para impedir a progressão da doença, a inflamação, a coagulação e outros problemas causados pelo vírus, parecia que seus esforços seriam em vão. Um dia, em horários diferentes, cada médico e a enfermeira-chefe entraram em meu quarto e me disseram que eu tinha uma escolha – entrar em um respirador onde seria sedado e provavelmente morreria. Ou eu poderia “ir naturalmente”. Eu estava doente demais para temer a morte. Respondi que preferia o último. Eu esperava que houvesse a oportunidade de orar, caso recuperasse essa habilidade. Pedi que o meu padre tradicional viesse dar-me os últimos ritos, que, com as devidas precauções, pôde realizar mais tarde naquele dia. Foi nessa época que tive a experiência que estou prestes a relatar. Já havia achado impossível orar. Quando tentei rezar o Rosário, acabei recitando números idiotamente. Não consegui sequer formar as palavras de uma única ave-maria ou qualquer das orações ou exclamações mais simples, ou mesmo o nome de Jesus. Tentei aceitar a Vontade de Deus, mas não consegui expressá-la. Achei que estava consciente, mas não tenho certeza. Eu me peguei me afastando do hospital, do quarto, dos funcionários, da cama, de tudo. Tive a sensação avassaladora de que estava escorregando para a morte. Eu estava flutuando sem peso, descendo suavemente para um abismo escuro. Eu podia sentir um calor seco cada vez maior. Tentei ver o rosto de Nossa Senhora ou de Jesus, mas tudo que vi foram estranhos objetos geométricos – um caos. Isso me lembrou do “Dies Irae” – um dia de ira, um dia de confusão. De repente, fui atormentado por um pecado mortal não confessado. Eu não tinha certeza de qual era o pecado, mas temia ter perdido algo em minha última confissão e nunca haveria outra oportunidade de me purificar disso antes de morrer. Então eu tive a percepção avassaladora de que nunca veria nada do mundo novamente – nada, ninguém. Não havia uma segunda chance para nada. Esse era o limite final do qual não haveria mais volta. Embora procurasse desesperadamente por Jesus, Maria, José ou qualquer ser celestial, não vi nenhum. Tudo era confusão, caos e escuridão crescente. Eu me senti cedendo ao processo de morrer. Foi nesse ponto que percebi que, apesar de todos os anos de catolicismo tradicional, nunca havia realmente me preparado para a morte. Eu precisava de mais tempo – mais tempo para orar, mais tempo para adorar Jesus no Santíssimo Sacramento e me unir a Ele na sagrada comunhão, mais tempo para expiar meus incontáveis pecados, mais tempo para aumentar meu fervor. No entanto, apesar da minha compreensão, continuei a descer na escuridão e aumentar o calor. Quando parecia que estava perto do ponto sem volta, ergui os olhos para a luz e fiz um esforço determinado para inverter a direção da minha queda. Esforcei-me para redirecionar meu movimento para o caos acima de mim e simplesmente pedi a Deus mais tempo para se preparar. Embora eu ainda não pudesse orar, aos poucos senti que Ele ouviu meu pedido, para que eu não morresse agora, para que tivesse tempo de aprender a orar novamente, para que pudesse estar mais preparado da próxima vez. Por fim, caí em um sono profundo. No dia seguinte, minha corrida para a morte pareceu desacelerar, um pouco mais – mais como a interrupção do rápido declínio do que um movimento para melhorar. O principal é que eu não morri, que Deus ouviu meu pedido por mais tempo. Para meu alívio, percebi que a ansiedade pelo pecado não confessado era uma tentação do diabo. Uma semana depois, liguei novamente para o padre que havia me dado a última cerimônia. Ele ficou confuso no início. “Quem é?” Ele demandou. Quando dei meu nome pela segunda vez, ele disse: “Você deveria estar morto! Eu esperava que a próxima ligação fosse para os preparativos do funeral. ” Assegurei-lhe que ainda estava vivo e, com um pouco de relutância, ele concordou em trazer-me a Sagrada Comunhão. Ao chegar, reafirmou que ficou bastante surpreso com meu telefonema. Todas as indicações eram de que eu não viveria. Eu disse a ele que comecei a melhorar um dia depois que ele me deu a Extrema Unção. Sua resposta foi simples e direta: “Não estou surpreso. Então, qual é a razão para compartilhar uma descrição deste evento tão pessoal? Existem vários. Em primeiro lugar, que os leitores não precisem passar por uma experiência semelhante para perceber o quão terrível é o passo para a eternidade, que é irreversível, total, absoluta. Em segundo lugar, para transmitir a realidade de que morrer significa deixar tudo para trás – tudo e todos, sem exceção. Terceiro, para alertar os leitores contra a tentação de se desesperar quando o diabo fizer seu ataque final. Quarto, para lembrar a todos, inclusive a mim, que devemos nos preparar para a morte, já que, no último momento, podemos não ter a oportunidade de fazê-lo. Na verdade, mesmo se tivermos tempo, podemos não ter os recursos para pronunciar o Santo Nome de Jesus. “Fique atento! Fique atento! Não cometa erros. Não seja tolo. O momento da morte é o menos decidido pela vontade e pelo desejo; é o eco da vida. … o que torna a morte santa aos olhos de Deus não são tanto as circunstâncias edificantes que a cercam, ou os sentimentos finos expressos pelo moribundo, mas as verdadeiras virtudes praticadas durante a vida, e o grau de pureza do amor no serviço de Deus da alma no momento da morte. ” 1 Se Deus quiser, quando chegar a hora da sua morte, você terá se preparado melhor do que eu e estará pronto para deixar tudo para trás … para sempre. * * * * * * * * * * * * * 1 On the Threshold of Eternity: Preparação para a morte a ser feita a cada mês, pelo Rev. Emile Bauduin, 1928, pub por Refuge of Sinners Publishing, www.joyfulcatholic.com FONTE: CATHOLICISM.ORG – 3 DE JULHO DE 2021 AUTOR: BR. LAWRENCE MARY MICM, TERT. #escolhairreversível #mudançadevida #PermanecendonoLimite
- A santidade como antídoto para o mal no mundo
Os primeiros cristãos, pelo menos desde o século II, já tinham a consciência do chamado de Deus à santidade e da necessidade de serem instrumentos da boa obra de Deus neste mundo Certa vez, um amigo me perguntou quantos seriam os santos da Igreja. Explicando-lhe um pouco sobre a dificuldade em se precisar o número (cf. Quantos santos católicos existem?), disse-lhe que há fontes que falam em mais de 20.000 canonizados, informação que lhe causou um espanto em uma interpelação: “Nossa, mas é santo demais”. Ao que respondi: “Engano, são santos de menos; pois todo cristão deveria ser um indivíduo reconhecidamente santo”. Sim, quando falamos de santidade, o documento do Magistério da Igreja que talvez nos traga maior luz e reflexão seja a Constituição Dogmática Lumen gentium, do Concílio Vaticano II. Em seu capítulo V discute-se o chamado universal à santidade. Escreve o documento: “Todos os fiéis de Cristo, de qualquer categoria ou status, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade”. E completa ainda: “eles devem seguir os Seus passos [de Cristo] e conformar-se à Sua imagem, buscando a vontade do Pai em todas as coisas. Eles devem se dedicar com todo o seu ser à glória de Deus e ao serviço do próximo”. Chamado universal à santidade Causa-nos estranheza que, mesmo após mais de 50 anos dessa declaração dogmática, ainda paire sobre o imaginário católico o entendimento de que a santidade é reservada para alguns poucos “eleitos” e que os fiéis que vivem sua cotidianidade não têm condições de serem santos. Isso nunca foi verdade na história da Igreja, e, vista a necessidade moderna de termos mais e mais santos, a Igreja vem reafirmado a cada dia o chamado universal à santidade. Basta lembrarmos das palavras de São Josemaria Escrivá que diz: “Santificar o trabalho próprio não é uma quimera, mas missão de todo o cristão”. A questão que pode nos vir é: por que a necessidade de mais e mais santos? A primeira resposta a ser dada é porque esse foi o pedido do próprio Senhor Jesus quando nos diz: “Sê, pois, perfeito, como também o teu Pai celestial é perfeito” (Mt 5,42). O cristão é chamado pelo seu Senhor a unir-se, na Caridade, cada dia mais a Ele para que, pela graça santificante, haja uma transformação do seu ser e este seja um instrumento da boa obra do Pai neste mundo, transformando-o num antegozo da vida plena que terão os santos no Céu. Os primeiros cristãos, pelo menos desde o século II, já tinham a consciência do chamado de Deus à santidade e da necessidade de serem instrumentos da boa obra de Deus neste mundo. Um documento dessa época, intitulada Carta a Diogneto, afirma que “o que a alma é para o corpo, isso são os cristãos para o mundo”, ressaltando que os cristão estão em “permanente conflito com o mundo”, pois sabem que seus valores evangélicos são incompatíveis com o que o mundo pagão prega. Então, devem se santificar e transformar o mundo. Resposta para as mazelas da humanidade Nesse contexto, vem-nos a segunda resposta para a pergunta do por que há necessidade de mais santos. O escritor e filósofo G. K. Chesterton vai nos dizer que “o santo é um remédio por ser um antídoto”. E completa: “De fato, isso explica por que tantos deles tenham sido mártires”. O santo com seu testemunho e ensinamento é resposta para as dificuldades, as dúvidas e as mazelas da humanidade. Ele consegue atualizar, com a linguagem própria de cada tempo, os valores eternos ensinados por Nosso Senhor Jesus, dando luz às dificuldades que surgem no caminhar da história. Quando tínhamos o ensinamento dogmático da Igreja atacado pela heresia cátara, surgiu-nos São Domingos a combater essa heresia; quando tínhamos a visão de natureza paganizada e panteísta, veio a nós São Francisco de Assis mostrando o verdadeiro sentido evangélico da valorização da obra criada; e nessa linha poderíamos tecer inúmeros parágrafos. Diante do mundo moderno onde a fé é atacada de inúmeras formas, seja por meio de um neopaganismo (cf. Como avaliar a astrologia e o horóscopo?, publicado por Vanderlei de Lima em Aleteia a 10/01/2021), seja pela mercantilização do aborto (cf. A lucrativa indústria do aborto, publicado por Vanderlei de Lima em Aleteia a 29/08/2018), os cristãos devem responder ao chamado de Deus para ser santos em sua condição de vida, a fim de que assim sejam antídoto para as mazelas da sociedade moderna. Deste modo, podemos caminhar e atuar com o objetivo de chegar ao que Cristo quer: uma Igreja não composta de alguns membros santos, mas, sim, composta por todos os seus membros santos, respondendo com a luz da fé aos desafios que lhe são colocados. FONTE: ALETEIA Vitor Roberto Pugliesi Marques – publicado em 06/09/21 #Asantidadecomoantídotoparaomalnomundo
- Monjas de clausura enviam homenagem ao presidente
O presidente Jair Bolsonaro compartilhou um vídeo pelas redes sociais em que monjas enclausuradas enviam saudações e orações ao presidente. Bolsonaro disse: – Minha mais nobre reverência às Monjas Redentoristas, que vivem na clausura em Formosa-GO. – Sem a luta que vocês lutam, a minha não seria nada. – Com muito prazer, irei brevemente visitá-las, bem como pretendo, em outubro, ir à nossa Aparecida do Norte. – Que Deus nos abençoe! Conheça mais sobre o Mosteiro da Sagrada Face e a Ordem do Santíssimo Redentor em seu site oficial. Assista ao vídeo: – Minha mais nobre reverência às Monjas Redentoristas, que vivem na clausura em Formosa-GO. – Sem a luta que vocês lutam, a minha não seria nada. – Com muito prazer, irei brevemente visitá-las, bem como pretendo, em outubro, ir à nossa Aparecida do Norte. – Que Deus nos abençoe! pic.twitter.com/FiPAmmes8G — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) September 2, 2021 Você sabe a diferença entre um padre, um frei e um monge? “Sem o sacerdócio, a Igreja não fica de pé. Sem a vida dos consagrados, a Igreja é menos bela.” As pessoas geralmente ficam confusas quando solicitamos que diferenciem um padre, um frei e um monge. Algumas, inclusive, perguntam de volta: “Não é tudo a mesma coisa?” Sinto informá-las que não. O termo padre vem do termo latino pater – que quer dizer “pai” – e é dirigido a quem possui o papel de líder espiritual de uma comunidade. Para se tornar um deles é necessário ser homem, cumprir uma longa caminhada de estudos no seminário e ainda comprometer-se verdadeiramente com a vocação religiosa que escolheu. Após alguns anos, a pessoa em questão recebe o Sacramento da Ordem, que lhe permite celebrar o sacrifício da missa, confissões e outras funções pertinentes a esse ministério. Podendo pertencer a uma ordem religiosa ou diocese, todos os padres desempenham as mesmas funções. Já monges e freis são aqueles que fazem parte de uma congregação religiosa e seguem os votos de pobreza, castidade e obediência a Deus. Entre eles também existem algumas diferenças. Frei, que vem do latim frater e significa “irmão” ou “frade”, é o título dado a um católico consagrado que pertence a uma congregação e segue suas regras e ideais. É o caso dos franciscanos, por exemplo. Existem freis que se tornam padres, se assim escolherem, carregando os dois títulos; no entanto, a vida de um frei será sempre voltada ao serviço da congregação ou de uma comunidade específica. Monges católicos são aqueles consagrados que vivem em monastérios, dedicando suas vidas para orações e penitências. Alguns deles são os cartuxos, capuchinhos e beneditinos, que cumprem a vida religiosa na tradição da Santa Igreja. Aqui também existe a liberdade de um monge tornar-se padre e, assim, carregar também o título de sacerdote. Porém, o serviço dele será sempre voltado à sua congregação. Ou seja, um monge não se torna líder espiritual de uma comunidade, já que sua vida e serviço é oferecida para a ordem da qual faz parte. Apesar dessas diferenças em cada um dos papéis, o importante é que padres, freis e monges trabalham em nome de Deus e servem à Igreja com alegria e determinação. Leia também Bispos e padres revolucionários começam a sofrer oposição dos católicos dentro da Igreja
- Monjas de clausura enviam homenagem ao presidente
O presidente Jair Bolsonaro compartilhou um vídeo pelas redes sociais em que monjas enclausuradas enviam saudações e orações ao presidente. Bolsonaro disse: – Minha mais nobre reverência às Monjas Redentoristas, que vivem na clausura em Formosa-GO. – Sem a luta que vocês lutam, a minha não seria nada. – Com muito prazer, irei brevemente visitá-las, bem como pretendo, em outubro, ir à nossa Aparecida do Norte. – Que Deus nos abençoe! Conheça mais sobre o Mosteiro da Sagrada Face e a Ordem do Santíssimo Redentor em seu site oficial. Assista ao vídeo: – Minha mais nobre reverência às Monjas Redentoristas, que vivem na clausura em Formosa-GO. – Sem a luta que vocês lutam, a minha não seria nada. – Com muito prazer, irei brevemente visitá-las, bem como pretendo, em outubro, ir à nossa Aparecida do Norte. – Que Deus nos abençoe! pic.twitter.com/FiPAmmes8G — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) September 2, 2021 Você sabe a diferença entre um padre, um frei e um monge? “Sem o sacerdócio, a Igreja não fica de pé. Sem a vida dos consagrados, a Igreja é menos bela.” As pessoas geralmente ficam confusas quando solicitamos que diferenciem um padre, um frei e um monge. Algumas, inclusive, perguntam de volta: “Não é tudo a mesma coisa?” Sinto informá-las que não. O termo padre vem do termo latino pater – que quer dizer “pai” – e é dirigido a quem possui o papel de líder espiritual de uma comunidade. Para se tornar um deles é necessário ser homem, cumprir uma longa caminhada de estudos no seminário e ainda comprometer-se verdadeiramente com a vocação religiosa que escolheu. Após alguns anos, a pessoa em questão recebe o Sacramento da Ordem, que lhe permite celebrar o sacrifício da missa, confissões e outras funções pertinentes a esse ministério. Podendo pertencer a uma ordem religiosa ou diocese, todos os padres desempenham as mesmas funções. Já monges e freis são aqueles que fazem parte de uma congregação religiosa e seguem os votos de pobreza, castidade e obediência a Deus. Entre eles também existem algumas diferenças. Frei, que vem do latim frater e significa “irmão” ou “frade”, é o título dado a um católico consagrado que pertence a uma congregação e segue suas regras e ideais. É o caso dos franciscanos, por exemplo. Existem freis que se tornam padres, se assim escolherem, carregando os dois títulos; no entanto, a vida de um frei será sempre voltada ao serviço da congregação ou de uma comunidade específica. Monges católicos são aqueles consagrados que vivem em monastérios, dedicando suas vidas para orações e penitências. Alguns deles são os cartuxos, capuchinhos e beneditinos, que cumprem a vida religiosa na tradição da Santa Igreja. Aqui também existe a liberdade de um monge tornar-se padre e, assim, carregar também o título de sacerdote. Porém, o serviço dele será sempre voltado à sua congregação. Ou seja, um monge não se torna líder espiritual de uma comunidade, já que sua vida e serviço é oferecida para a ordem da qual faz parte. Apesar dessas diferenças em cada um dos papéis, o importante é que padres, freis e monges trabalham em nome de Deus e servem à Igreja com alegria e determinação. Leia também Bispos e padres revolucionários começam a sofrer oposição dos católicos dentro da Igreja
- VOCÊ NÃO PODE MENTIR QUANDO ESTÁ A SÓS CONSIGO MESMO – Corrado Gnerre
Há um provérbio norueguês que diz o seguinte: “Quando você está sozinho consigo mesmo, você não pode mentir”. Um homem pode mentir para os outros, mas dificilmente mentirá para si mesmo. Mesmo quando ele tenta fazer isso, por fim saberá que está enganando a si mesmo. Talvez não se envergonhe disto, por pensar que os outros não estão percebendo o que se passa. Mas é precisamente essa solidão que se torna implacável, pois estar sozinho diante de si mesmo coloca-o diante de uma evidência: a incapacidade de ele ser solução para si mesmo. Quando se relaciona com os outros, o homem se ilude a si mesmo ao achar que vai iludir os demais. Contudo, quando ele se encontra consigo mesmo, não há espaço para qualquer ilusão: só a verdade permanece de pé, como o último soldado num campo de batalha onde todos já morreram. Trata-se da verdade de haver necessidade de uma Verdade que nenhum homem pode dar-se a si mesmo. http://itresentieri.it/quando-sei-solo-con-te-stesso-non-puoi-mentire-proverbio-norvegese/
- ELE FEZ BEM TODAS AS COISAS – Scott Hahn medita sobre o 23º Domingo do Tempo Comum
Apenas São Marcos relata o episódio de que o Evangelho nos fala neste domingo. Nas palavras das pessoas está a chave principal: “Ele tem feito bem todas as coisas”. O texto grego, usado pelo evangelista, ecoa a história da criação, que diz: (v. Gn 1, 31) “Deus viu que tudo o que tinha feito era muito bom”. Deliberadamente, São Marcos evoca a promessa do profeta Isaías que ouvimos na primeira leitura de hoje: que Deus fará os surdos ouvirem e falarem os mudos. Descreve, inclusive, a pessoa que é curada por Cristo, usando uma palavra grega ( mogigalion , “impedimento da fala”), que só é encontrada em outro lugar da Bíblia: na tradução grega da passagem de Isaías que lemos neste domingo, onde o profeta afirma que “a língua dos mudos gritará de alegria”. A multidão percebe que Jesus está fazendo o que o profeta previu. Mas São Marcos nos convida a ver algo muito maior, que poderia ser expresso com as palavras da primeira leitura: “É vosso Deus que vem”. É notório quão pessoal e descritivo é o drama deste Evangelho. Ele nos pede para fixar nossa atenção em certa mão, alguns dedos, uma língua, a saliva. São Marcos nos ensina que, em Jesus, Deus realmente se tornou carne. Ele fez novas todas as coisas; fez uma nova criação (v. Ap 21, 1-5). Como Isaías prometeu, Ele fez as águas vivas do batismo correrem pelo deserto do mundo. Ele libertou os cativos dos próprios pecados, como cantamos no salmo de hoje. Veio para que os ricos e os pobres possam sentar-se juntos no banquete eucarístico, conforme o que Sao Tiago nos conta em sua epístola. Ele fez por cada um de nós o que tinha feito pelo surdo-mudo: abriu nossos ouvidos à Palavra de Deus e soltou nossas línguas para que possamos cantar seus louvores. Portanto, novamente na Eucaristia, vamos dar graças ao nosso glorioso Senhor Jesus Cristo. Digamos com Isaías que aqui está o nosso Deus, que vem para nos salvar. Que sejamos ricos em fé, para que herdemos o reino prometido aos que O amam. https://stpaulcenter.com/all-things-well-scott-hahn-reflects-on-the-twenty-third-sunday-in-ordinary-time/
- O Cristo Gnóstico falha, o Verdadeiro Cristo cura
Sobre as leituras do domingo, 5 de setembro de 2021 Leituras : Is 35: 4-7a Sl 146: 7, 8-9, 9-10 Tg 2: 1-5 Mc 7: 31-37 “Como você sabe que os escritos gnósticos nos fornecem uma descrição de Jesus menos historicamente precisa do que os Evangelhos?” Essa pergunta me foi feita alguns anos atrás, depois que dei uma palestra sobre O Código Da Vinci em uma paróquia católica. O homem que perguntou ficou aparentemente chateado por eu duvidar da afirmação de Dan Brown de que os chamados “evangelhos gnósticos” descreviam um Jesus humano crível, enquanto os quatro evangelhos canônicos haviam criado uma divindade que pouco ou nada tinha a ver com o mundo real. Minha resposta foi simples: “Eu os li”. Não há necessidade de acreditar na minha palavra quando a evidência é facilmente encontrada na página impressa. Os “evangelhos” gnósticos não são evangelhos no sentido em que os cristãos usam a palavra. Eles carecem de narrativa histórica, detalhes concretos, figuras históricas, pessoas verossímeis e detalhes sobre a vida social e religiosa. O Jesus que eles descrevem dificilmente tem qualquer interesse no reino material. Afinal, o objetivo principal do gnosticismo, que atingiu a maturação no segundo século, era escapar do mundo físico. O Jesus gnóstico falava sem parar (e muitas vezes sem sentido), mas não sujava as mãos. Compare isso com a leitura do Evangelho de hoje, a história de Jesus curando surdos-mudos, que é única no Evangelho de Marcos. É um relato magistral e conciso, cheio de riquezas teológicas e espirituais. Jesus e os discípulos estavam passando um tempo no território gentio, circulando ao norte e depois ao leste antes de viajar para o sul até o distrito de Decápolis, que fica a leste do rio Jordão e ao sul do mar da Galiléia. Durante sua visita anterior à região, Jesus libertou um homem da possessão demoníaca, enviando os espíritos imundos para um rebanho de porcos (Marcos 5: 1-20). A notícia de seu retorno aparentemente se espalhou, e ele foi convidado a curar um homem que era surdo e mudo. A fonte primária do Evangelho de Marcos era Pedro, e a descrição detalhada da cura indica que o apóstolo chefe ficou profundamente comovido com o que testemunhou. São sete ações específicas descritas por Jesus: ele afastou o homem da multidão, tocou as orelhas do homem com o dedo, cuspiu, tocou a língua do homem, olhou para o céu, gemeu e disse: “Abre-te!” Em muitas culturas antigas, acreditava-se que a saliva possuía propriedades curativas. O que talvez seja mais impressionante para o leitor moderno é a fisicalidade íntima da ação, como quando uma mãe usa sua saliva para esfregar a sujeira da bochecha de seu filho. A cura não foi obra de um médico desapaixonado, mas do Amante da Humanidade, o curador do corpo e da alma. O Filho, ao fazer-se homem, não se revestiu de carne e osso com relutância, mas foi verdadeiramente Encarnado, abraçando a humanidade plena, completa, integralmente. “Esse poder que não pode ser controlado desceu e se revestiu de membros que podem ser tocados”, escreveu Efrém, o Sírio, o grande teólogo do século IV, “para que os desesperados se aproximem dele, para que ao tocar sua humanidade possam discernir sua divindade. ” Considerando que o Cristo Gnóstico fugiu do reino material e finalmente falhou em encontrar o homem onde ele vive, o verdadeiro Cristo – o Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis – entrou no tempo e na história, experimentando o calor, a fome, a tristeza, o cansaço, e a dor. Mas esse milagre, como todas as curas de Jesus, foi muito mais do que o alívio de doenças e enfermidades físicas. Foi um sinal de que o Reino foi estabelecido, que riachos de água viva foram abertos no deserto e que os pobres estavam recebendo as riquezas da fé e da vida eterna. Jesus abraçou toda a humanidade – judeus e gentios, saudáveis e doentes, ouvintes e surdos, falantes e mudos – porque cada um de nós precisa ser tocado e transformado por suas mãos e sua palavra. Então, uma razão (entre muitas) os Evangelhos são muito mais verossímeis do que os escritos gnósticos é que eles descrevem pessoas reais no mundo real encontrando um Homem que realmente cura corpo e alma. (Esta coluna “Abrindo a Palavra” apareceu originalmente na edição de 6 de setembro de 2009 do jornal Our Sunday Visitor .) Sobre Carl E. Olson 1162 artigos Carl E. Olson é editor do Catholic World Report e do Ignatius Insight. Ele é o autor de Jesus realmente ressuscitou dos mortos? , Os católicos serão “deixados para trás”? , co-editor / contribuidor de Called To Be the Children of God , coautor de The Da Vinci Hoax (Ignatius) e autor dos Guias de Estudo “Catolicismo” e “Priest Prophet King” para o Bispo Robert Barron / Word on Fire . Seu novo livro Rezando o Pai Nosso na Quaresma (2021), é publicado pela Catholic Truth Society. Ele também é colaborador do jornal “Our Sunday Visitor”, da revista “The Catholic Answer”, “The Imaginative Conservative”, “The Catholic Herald”, “National Catholic Register” FONTE: https://www.catholicworldreport.com/ #OCristoGnósticofalha #oVerdadeiroCristocura #ComovocêsabequeosescritosgnósticosnosfornecemumadescriçãodeJesusmenoshistoricamenteprecisadoqueosEvangelhos
- DERROTA DA NOVA ORDEM MUNDIAL NO TEXAS – Pe. Santiago Martín
Hoje é preciso comentar as magníficas notícias que tiveram lugar nos Estados Unidos, especificamente no Estado do Texas. Os tribunais do Estado decretaram que o aborto é proibido a partir do momento em que um batimento cardíaco possa ser detectado no feto, o que ocorre na sexta semana de gravidez. Esta decisão foi levada ao Supremo Tribunal dos EUA, que decidiu a favor do Texas. A consequência não é apenas que um grande número de crianças —um número estimado em 50.000 por ano — poderão nascer no Texas, mas também que outros estados desse país — e outros fora dos Estados Unidos — poderão seguir o exemplo da legislação pró-vida. Dado que uma mulher normalmente percebe que está grávida com um mês de gravidez, o tempo entre a sua constatação e a possibilidade de fazer um aborto é reduzido para um par de semanas. Com esta lei, na prática, o aborto será reduzido ao mínimo. O que aconteceu no Texas mostra que é possível derrotar a Nova Ordem Mundial e que, embora possa parecer o contrário, eles não têm tudo tão controlado como proclamam. E se isso aconteceu sobre a espinhosa questão do aborto, também pode acontecer dentro da Igreja. Parece que a “nova Igreja”, a da ruptura com a Palavra e a Tradição, vai ganhar porque eles têm o poder e os recursos. Mas tal como os pró-vida ganharam no Texas, também podem ganhar aqueles de nós que acreditam que a mensagem de Jesus Cristo não está ultrapassada e que devemos ser-lhe fiéis, mesmo que tenhamos de enfrentar o mundo. Eles têm o poder, mas nós estamos com a verdade: temos Cristo do nosso lado, Ele que é o fundador da Igreja, o Caminho, a Verdade e a Vida. É uma questão de resistir, de não ceder a estes que, de dentro e de fora, querem transformar a Igreja num ramo da Nova Ordem Mundial. Nos anos 60, Joan Baez popularizou um antigo hino de origem religiosa que mais tarde foi utilizado na luta contra o racismo. Refiro-me a “We Shall Overcome” (“Nós vamos superar”). Se não desistirmos, se confiarmos no poder de Cristo, se aceitarmos a perseguição por sermos fiéis a Ele, podemos estar certos de que, tal como Cristo venceu, iremos superar.
- O que é a devoção dos “5 Primeiros Sábados”, pedida por N. Senhora de Fátima
As condições para, na hora da morte, recebermos a assistência de Maria e todas as graças necessárias para a nossa salvação Em 10 de dezembro de 1925, Nossa Senhora voltou a aparecer à Irmã Lúcia, em Pontevedra. Na ocasião, a vidente tinha 18 anos e, com o nome de Maria das Dores, era postulante da Congregação de Santa Doroteia. A própria Irmã Lúcia descreve esta aparição: “Em 10 de dezembro de 1925, a Santíssima Virgem apareceu, tendo junto a Ela, levado por uma nuvem luminosa, o Menino Jesus. A Santíssima Virgem pôs a mão no Seu ombro e mostrou, ao mesmo tempo, um Coração rodeado de espinhos que Ela segurava na outra mão. Nesse mesmo momento, o Menino disse: ‘Tem compaixão do Coração da tua Santíssima Mãe, coberto de espinhos com que homens ingratos O trespassam a todo o momento, sem que haja alguém que faça um ato de reparação para os tirar’. Então a Santíssima Virgem disse: ‘Olha, minha filha, o meu Coração, rodeado de espinhos com que homens ingratos O trespassam a todo o momento pelas suas blasfêmias e ingratidões. Ao menos tu faz por me consolar e anunciar em meu nome que prometo assistir na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação, a todos aqueles que, no primeiro sábado de cinco meses seguidos, recebam o sacramento da confissão, recebam a Sagrada Comunhão, rezem cinco dezenas do rosário e me façam companhia durante quinze minutos, enquanto meditam nos quinze mistérios do rosário, com a intenção de fazerem reparação ao meu Imaculado Coração’“. Em resumo O privilégio dos 5 primeiros sábados requer as seguintes condições: Confessar-se. Pode ser uma semana antes ou depois de cada primeiro sábado, contanto que se esteja em estado de graça (sem pecados mortais) no momento da comunhão reparadora; Comungar na Missa de cada primeiro sábado. Rezar o terço em cada primeiro sábado. Meditar durante 15 minutos sobre os 15 mistérios do rosário em cada primeiro sábado. Ter a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria, ao realizar cada uma destas quatro práticas. A graça prometida para quem vive a devoção dos 5 primeiros sábados é esta: A Santíssima Virgem promete a sua assistência na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação. FONTE: https://pt.aleteia.org/ Watch this video on YouTube. #Oqueéadevoçãodos5PrimeirosSábadospedidaporNSenhoradeFátima #devoçãodos5PrimeirosSábados #reparaçãoaoImaculadoCoração #prometidaparaquemviveadevoçãodos5primeirossábados #5PrimeirosSábados #porquêcomungarnos5primeirossábadosdomês #nossasenhora #comunhãoreparadora #desagravoaavirgemmaria #horadamorte #MariadasDores #IMACULADOCORAÇÃODEMARIA #IrmãLúcia #CongregaçãodeSantaDoroteia
- Doutrina Teológica e Direito Canônico: Leigos podem questionar seus superiores
Desejo aqueles sacerdotes que dizem que um leigo não deve defender a Santa Madre Igreja ou desafio aos sacerdotes endereço olharia para um dos seus que foi ferozmente lutando contra o liberalismo, tanto no clero e da sociedade na virada do 20 º século. Estou falando de Mons. Henri Delassus (1836-1921), autor da obra L’Americanisme et la Conjuration Antichretienne ( Americanism and the Anti-Christian Conjuration , 1899). Mons. DeLassus: ‘Não basta rezar, devemos lutar também’ Nesse trabalho, este valente polemista convocou todos os católicos – clérigos e leigos – a lutar pela Igreja e se empenhar pela “humilhação dos inimigos de Deus” – mesmo que estejam sentados dentro da Igreja – e “a vinda do Reino do Divino Salvador. ” Com a pena em chamas, ele escreve: “Cabe a nós [leigos e sacerdotes] lutar por esta humilhação e por este Reino. Para fazer isso, não basta rezar, devemos também lutar”. E ele critica aqueles clérigos que “querem abafar a polêmica que até agora preservou a Fé de toda corrupção para substituí-la por um pacifismo que só manteria a paz – e que paz! Uma paz conquistada às custas do inalienável direitos da verdade! ” (Cap. 15, ‘Que Faire? ‘ – ‘O que fazer?’) Este sólido conselho de Mons. Delassus, que foi altamente elogiado e honrado pelo Papa São Pio X, soa bem diferente do “dogma infalível” vindo de muitos dos padres tradicionalistas de hoje: que os leigos não podem levantar suas vozes publicamente contra Prelados e nunca podem criticar um padre. Nem devem ousar tentar defender a Igreja, tarefa que deve ser deixada para o Espírito Santo. E se o fazem, são arrogantes; eles são falsos profetas. Já demonstrei que esse “dogma” não tem base na História nem no Direito Natural . Agora, irei abordar a sólida Doutrina Teológica da Igreja Católica. III – Doutrina Teológica É revigorante ver como a Igreja sempre tem uma resposta para perguntas complicadas e uma solução para problemas desafiadores. 1. São Tomás de Aquino Por boas razões, São Tomás recebeu o título de Doutor Universal da Igreja. Ele tem algo a dizer sobre se um inferior pode ou não admoestar um superior. Em seus Comentários sobre as Sentenças de Pedro Lombardo , generalizando sobre o episódio de São Paulo admoestando São Pedro, ele ensina que corrigir um Prelado que peca é uma obra de misericórdia. Na verdade, quanto mais elevada for a posição do Prelado, maior será o mérito de quem corrige: O Doutor Universal da Igreja ensina que um leigo pode corrigir um padre “Eccl. 17:12 diz que Deus ‘impôs deveres para com o próximo a cada um’. Agora, uma Prelada é nossa vizinha. Portanto, devemos corrigi-lo quando ele peca. … “Alguns dizem que a correção fraterna não se estende aos Prelados, seja porque o homem não deve erguer a voz contra o céu, seja porque os Prelados se escandalizam facilmente se corrigidos por seus súditos. “Porém, isso não acontece, pois quando pecam os Prelados não representam o céu e, portanto, devem ser corrigidos. E os que os corrigem caridosamente não levantam a voz contra eles, mas a seu favor, visto que a advertência é por eles mesmos. … Por isso … o preceito da correção fraterna se estende também aos Prelados, para que sejam corrigidos por seus súditos ”. (1) Se um inferior – seja ele um sacerdote ou um leigo – pode corrigir um Prelado, um leigo pode igualmente corrigir um sacerdote. Em outra passagem, São Tomás defende diretamente o princípio de que os fiéis podem questionar e admoestar os Prelados: “ Havendo um perigo iminente para a Fé, os Prelados devem ser questionados, mesmo publicamente, por seus súditos. Assim, São Paulo, que era súdito de São Pedro, questionou-o publicamente por conta de um perigo iminente de escândalo em matéria de fé. E, como afirma o Gloss de Santo Agostinho ( Ad Galatas 2:14), ‘Santo O próprio Pedro deu o exemplo aos governantes para que, se se desviarem do caminho certo, não rejeitem uma correção como indigna, mesmo que venha de seus súditos. ‘”(2) Referindo-se ao mesmo episódio, em que São Paulo repreendeu São Pedro, São Tomás ensina: Quando um Prelado ensina o erro, os leigos devem repreendê-lo “A repreensão foi justa e útil, e a razão para isso não foi trivial: havia perigo para a preservação da verdade evangélica … A forma como aconteceu foi adequada, pois era pública e aberta. Por isso São Paulo escreve: ‘Falei a Cefas’, isto é, Pedro, ‘antes de todos’, visto que a simulação praticada por São Pedro era repleta de perigos para todos ”. (3) O Médico Universal da Igreja também mostra como este caso contém ensinamentos não apenas para os Hierarcas, mas também para os fiéis: “Aos Prelados foi dado um exemplo de humildade para que não se recusassem a aceitar as correções de seus inferiores e súditos; e aos súditos um exemplo de zelo e liberdade para que não tenham medo de corrigir seus Prelados, sobretudo quando o crime é público e representa perigo para muitos ”. (4) Com esta doutrina de São Tomás, torna-se cristalino que um leigo pode e deve admoestar um padre, um bispo ou mesmo um papa, caso ele corra o risco de se desviar do caminho certo. 2. Outros grandes teólogos Eu poderia citar textos de Santo Agostinho, São Roberto Belarmino, pe. Francisco de Vitoria, OP e pe. Francisco Suarez, SJ, ensinando a mesma doutrina. O leitor pode encontrar mais demonstrações neste artigo, ‘ The Duty to Resist’de Atila S. Guimarães, de onde extraí os textos de S. Tomás. IV – Direito Canônico Mas tem mais. Para aqueles que fingem que um leigo nunca deve falar contra um clérigo, eles devem saber que mesmo o Código de Direito Canônico de 1983 não concorda com eles. Aprova claramente tal ação como “uma obrigação e um direito de todos os fiéis cristãos”, sempre feita, é claro, de forma respeitosa. Canon 212 § 3 afirma : “Pelo conhecimento, competência e prestígio que possuam, eles (os leigos) têm o direito e mesmo às vezes o dever de manifestar aos sagrados pastores a sua opinião sobre assuntos que dizem respeito ao bem da Igreja e de fazer a sua opinião conhecido dos demais fiéis cristãos, sem prejuízo da integridade da fé e da moral, com reverência para com seus pastores e atento ao bem comum e à dignidade das pessoas ”. A Igreja não proíbe legalisticamente um jornalista católico, ou qualquer leigo qualificado, de fazer críticas a uma autoridade eclesiástica. Terceira conclusão Concluo o estudo da Doutrina Católica e do Direito Canônico afirmando que, sem sombra de dúvida, os leigos podem criticar seus superiores quando estes abandonam ou parecem abandonar o caminho da ortodoxia. Deveres como membro da Igreja Militante A Igreja Militante – composta tanto pela Hierarquia quanto pelos fiéis – existe nesta terra para lutar. A Igreja está dividida em três partes, a Igreja Triunfante (os santos do Céu), a Igreja Sofredora (as almas do Purgatório) e a Igreja Militante (as que ainda vivem na terra). A Igreja Militante – clero e leigos – deve lutar nesta terra para entrar na Igreja Triunfante A Santa Madre Igreja poderia ter chamado este último grupo de Igreja Orando , pois certamente devemos orar para chegar ao Céu, mas ela não o fez. Ela nos chamou de Igreja Militante, porque a postura normal de seus membros é sempre caracterizada pelo combate. Fora de suas paredes , a Santa Igreja tem seus inimigos – os hereges, cismáticos, pagãos e judeus – que devem ser combatidos. Este combate não terminou com o Vaticano II. Isso continua e nunca vai acabar até o fim do mundo. Dentro da Igreja, todo católico tem o duplo dever de lutar. Primeiro , ele deve lutar contra seus próprios defeitos, o mundo e o Diabo. Segundo, ele também deve lutar contra os inimigos que se infiltraram em suas paredes com erros, concessões e heresias. Assumimos essas batalhas internas porque é nosso dever como membros da Igreja Militante. Nossa vida como católicos é uma luta, e não devemos permitir que esta importante verdade seja obliterada por ninguém – leigo ou eclesiástico – quando a integridade da Fé e de sua Tradição é ameaçada. A marca do católico é lutar e amar a luta IV Sententiarum , d. 19, q.2, a.2., Em We Resist You to the Face , (Los Angeles: TIA, 2000), pp. 154-155. Summa theologiae (Torino / Roma: Marietti), 1948, II.II, q.33, a.4., In ibid. , p. 154 Super Epistulas S. Pauli, Ad Galatas , 2, 11-14, (Taurini / Roma: Marietti, 1953), lec. III, nn. 83-84, em ibid. Ibid., N. 77., em ibid. ESCRITO POR: Marian Horvat, Ph.D. FONTE: https://traditioninaction.org/ #DoutrinaTeológicaeDireitoCanônicoLeigospodemquestionarseussuperiores
- DIÁLOGO EM SALA DE AULA, NO ANNO DOMINI 2050 – Um conto distópico de Agostino Nobile
Dizia a professora: — Vacinar “70% da população não foi suficiente. Assim, quando atingiram 90% de cobertura vacinal, miraram 100%. À medida que as variantes aumentavam, conforme era esperado, as vacinações sazonais continuaram nos dez anos seguintes. Quando os pacientes infectados diminuíam, ou pelo menos constituíam percentagens não alarmantes, os vírus eram introduzidos nos tubos de aquecimento, ventilação e ar-condicionado nos lugares de maior concentração humana. Mas tão-somente para eliminar os mais frágeis. Aqueles que tinham anticorpos mais poderosos sobreviveram. Realizou-se, como poderíamos dizer?, uma queima de gorduras na humanidade. Obviamente, as gloriosas forças policiais foram obrigadas a fazer uma espécie de caçada humana. Nossos ancestrais, como você bem sabe, não eram cínicos, sem coração, mas pessoas iluminadas, que se empenhavam em salvar vidas na Terra. Melhor salvar uma pequena parte do que perecer tudo. Eles sabiam que um planeta superpovoado, por mais tantos anos, destruiria todas as terras cultiváveis, o ecossistema dos mares e dos rios, eliminando as fontes fundamentais de alimentação: trigo, verduras, legumes, carnes e peixes. — Com licença… — interrompeu uma aluna. — Pois não! — a jovem professora sorriu, satisfeita com o interesse despertado. — Veja… Sabemos que nossos ancestrais usaram as gloriosas forças policiais para reduzir o número da população. Mas não teria sido mais fácil usá-los para limitar os nascimentos? É claro que teria demorado mais, porém… A professora suspirou com um sorriso complacente: — Sim, mas assim não teríamos… Hoje, por exemplo, já não temos mais aqueles mais de 50% de sanguessugas que sobreviviam às custas do Estado Supremo (que Deus o abençoe!). Como um perfeito responsório, todos exclamaram em uníssono na sala de aula: — Para sempre seja bendito! Um estudante, de aspecto impaciente, ergueu a mão. A professora, olhando-o, assentiu. O jovem, apontando a aluna que se atrevera a propor alternativas às escolhas do Estado Supremo, com respeito sentenciou: — Você se esquece da “purificação da humanidade”! Não percebe que os parasitas são a maior ameaça social? Inclusive aquela ralé que pensava com a própria cabeça, ousando colocar…” Ele fez uma breve pausa, olhando para os outros colegas. E então, exibindo um sentimento de profundo desânimo, retomou com voz fraca: — …ousando colocar a ciência acima do Estado Supremo (que Deus o abençoe!)” E todos, novamente, em coro: — Para sempre seja bendito!
- OS DONOS DO MUNDO
Há mais de uma década, no dia 24 de maio de 2009, o jornal inglês The Times — que nada tem de conspiracionista — assim iniciava uma curiosa matéria dominical sobre alguns cidadãos americanos que sonhavam dirigir o curso do mundo, como se o mundo fosse uma pequena aldeia que coubesse na palma de suas mãos: “As pessoas mais ricas da América se reúnem para discutir os meios de lutar contra uma “catastrófica” ameaça ambiental, social e industrial. Alguns dos maiores bilionários da América se reuniram em segredo para examinar como sua riqueza poderia ser utilizada para diminuir o crescimento da população global e acelerar melhorias na saúde e na educação. Os filantropos que participaram de uma cúpula organizada pelo cofundador da Microsoft, Bill Gates, discutiram a possibilidade de unir suas forças para superar as barreiras políticas e religiosas que se interpunham à necessária mudança. Descrito como Good Club por alguém de dentro, incluía David Rockefeller Jr, o patriarca da dinastia mais rica da América, Warren Buffett e George Soros, financistas, Michael Bloomberg, o prefeito de Nova York, e os magnatas da mídia Ted Turner e Oprah Winfrey.” https://www.lesalonbeige.fr/cest-du-complotisme-ou-cest-autorise/
- Fiéis serão obrigados a comprovar vacinação em missas de Sapucaia – RJ
“Não se assustem ao chegar na porta de nossas igrejas e a equipe de acolhida estiver pedindo ‘carteira de vacinação’.” – alertou o pároco. Na noite desta quarta-feira (1) o padre Tiago Toledo, pároco na cidade de Sapucaia – RJ, veio às redes sociais para alertar os fiéis sobre o novo decreto municipal que obriga a comprovação de vacinação de pelo menos uma dose para aqueles, maiores de 18 anos, que queiram entrar ou permanecer em tempos religiosos. Leia o comunicado divulgado nas redes sociais do pároco: “Como Pároco e Pastor local comunico aos paroquianos que em nossas missas, celebrações e encontros de pastorais, terá que ser seguido o atual decreto municipal, com data de 01/09/21. Neste decreto as autoridades públicas pedem das Igrejas uma fiscalização no que tange a comprovação de uma dose da vacina contra a COVID-19. O padre foi pego de surpresa e por isso achei por bem comunica-los para que não se assustem ao chegar na porta de nossas igrejas e a equipe de acolhida estiver pedindo “carteira de vacinação” para que possam participar do culto ou missa. Vamos juntos com nossas autoridades civis, concordando ou não, contribuir para o fim desta pandemia. Sem mais, Votos de um mês de setembro rico na escuta da palavra de Deus.” Padre Thiago Toledo O decreto municipal Nº 4.334, de 01 de setembro de 2021, possui uma parte dedicada às instituições religiosas que colocamos na íntegra abaixo, entretanto há um parágrafo específico sobre a necessidade de comprovação da vacina. Paragrafo Único – Para entrar ou permanecer nos templos religiosos fica obrigatório à comprovação da vacinação de pelo menos uma dose de seus membros maiores de 18 anos. DAS MEDIDAS RELACIONADAS AS INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS Art. 8º – As atividades de organizações religiosas deverão observar os protocolos definidos pelas autoridades sanitárias, bem como obedecer aos incisos do artigo 3º no que couber, além de observar o que segue, sob pena de imediata suspensão das atividades: I – A capacidade de participantes dentro das igrejas, templos e/ou similares não poderá exceder 30% (trinta por cento) da capacidade total; II – As pessoas que acessarem e saírem da igreja ou do templo religioso deverão realizar a higienização das mãos com álcool em gel na concentração 70º (setenta graus), colocadas em dispensadores e disponibilizadas em pontos estratégicos como na entrada, secretaria, confessionários, corredores, para uso dos fiéis, religiosos e colaboradores; III – O responsável pela igreja ou templo deve orientar aos frequentadores que não poderão participar de celebrações ou eventos religiosos, caso apresentem sintomas de resfriado/gripe; IV – Manter regramento do uso obrigatório e adequado de máscaras faciais e distanciamento social de 2 m (dois metros) entre pessoas, além de áreas ventiladas; V – Horário dos encontros religiosos (como cultos e missas) de no máximo 2 h (duas horas) por dia; VI – Utilização do banheiro de 01 (uma) pessoa por vez, mesmo que a capacidade seja maior; VII – Proibida a utilização de copos descartáveis nos bebedouros; VIII – As cantinas, no espaço físico das Instituições Religiosas, poderão funcionar com até 50% (cinquenta por cento) de sua capacidade total, desde que sentadas. Paragrafo Único – Para entrar ou permanecer nos templos religiosos fica obrigatório à comprovação da vacinação de pelo menos uma dose de seus membros maiores de 18 anos. É possível ler o decreto completo diretamente no site da prefeitura. Clique aqui para fazer download do decreto. #Coronavírus #Pandemia
- Fiéis serão obrigados a comprovar vacinação em missas de Sapucaia – RJ
“Não se assustem ao chegar na porta de nossas igrejas e a equipe de acolhida estiver pedindo ‘carteira de vacinação’.” – alertou o pároco. Na noite desta quarta-feira (1) o padre Tiago Toledo, pároco na cidade de Sapucaia – RJ, veio às redes sociais para alertar os fiéis sobre o novo decreto municipal que obriga a comprovação de vacinação de pelo menos uma dose para aqueles, maiores de 18 anos, que queiram entrar ou permanecer em tempos religiosos. Leia o comunicado divulgado nas redes sociais do pároco: “Como Pároco e Pastor local comunico aos paroquianos que em nossas missas, celebrações e encontros de pastorais, terá que ser seguido o atual decreto municipal, com data de 01/09/21. Neste decreto as autoridades públicas pedem das Igrejas uma fiscalização no que tange a comprovação de uma dose da vacina contra a COVID-19. O padre foi pego de surpresa e por isso achei por bem comunica-los para que não se assustem ao chegar na porta de nossas igrejas e a equipe de acolhida estiver pedindo “carteira de vacinação” para que possam participar do culto ou missa. Vamos juntos com nossas autoridades civis, concordando ou não, contribuir para o fim desta pandemia. Sem mais, Votos de um mês de setembro rico na escuta da palavra de Deus.” Padre Thiago Toledo O decreto municipal Nº 4.334, de 01 de setembro de 2021, possui uma parte dedicada às instituições religiosas que colocamos na íntegra abaixo, entretanto há um parágrafo específico sobre a necessidade de comprovação da vacina. Paragrafo Único – Para entrar ou permanecer nos templos religiosos fica obrigatório à comprovação da vacinação de pelo menos uma dose de seus membros maiores de 18 anos. DAS MEDIDAS RELACIONADAS AS INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS Art. 8º – As atividades de organizações religiosas deverão observar os protocolos definidos pelas autoridades sanitárias, bem como obedecer aos incisos do artigo 3º no que couber, além de observar o que segue, sob pena de imediata suspensão das atividades: I – A capacidade de participantes dentro das igrejas, templos e/ou similares não poderá exceder 30% (trinta por cento) da capacidade total; II – As pessoas que acessarem e saírem da igreja ou do templo religioso deverão realizar a higienização das mãos com álcool em gel na concentração 70º (setenta graus), colocadas em dispensadores e disponibilizadas em pontos estratégicos como na entrada, secretaria, confessionários, corredores, para uso dos fiéis, religiosos e colaboradores; III – O responsável pela igreja ou templo deve orientar aos frequentadores que não poderão participar de celebrações ou eventos religiosos, caso apresentem sintomas de resfriado/gripe; IV – Manter regramento do uso obrigatório e adequado de máscaras faciais e distanciamento social de 2 m (dois metros) entre pessoas, além de áreas ventiladas; V – Horário dos encontros religiosos (como cultos e missas) de no máximo 2 h (duas horas) por dia; VI – Utilização do banheiro de 01 (uma) pessoa por vez, mesmo que a capacidade seja maior; VII – Proibida a utilização de copos descartáveis nos bebedouros; VIII – As cantinas, no espaço físico das Instituições Religiosas, poderão funcionar com até 50% (cinquenta por cento) de sua capacidade total, desde que sentadas. Paragrafo Único – Para entrar ou permanecer nos templos religiosos fica obrigatório à comprovação da vacinação de pelo menos uma dose de seus membros maiores de 18 anos. É possível ler o decreto completo diretamente no site da prefeitura. Clique aqui para fazer download do decreto. #Coronavírus #Pandemia
- O lar católico é feliz
O lar é um viveiro de boas ou más consequências, uma árvore de bons ou maus frutos a serem colhidos na sociedade; é mais ainda: é a base fundamental da coletividade social. Produz bons frutos, quando a sua formação é orientada em princípios básicos de fé espiritual e cívica. Pela fé espiritual, que é a verdadeira síntese do cristianismo, a chama ardente que afervora o coração do soldado de Cristo; pela fé cívica, que é o encorajamento impulsivo e resistente do soldado da Pátria . Assim, o lar é uma instituição mística, necessária e única para a composição da sociedade. E esta misticidade sublime, indispensável à vida interior, faz do homem um católico disciplinado e ao mesmo tempo um ótimo cooperador com a vida nacional. Mas, quando não são observados esses princípios, quando Cristo ali não reina, passa o lar a ser então um enxame de zangões que só poderá concorrer para desgosto e confusão de seus co-habitantes, e também da sociedade. De todas as coisas terrenas, negócios, propriedade, honrarias sociais, etc., nenhuma deve importar tanto ao homem da família como a boa orientação do seu lar. Aí deve ele empregar todo o esforço e empenho para que as flores desse ameno jardim, cultivadas pelos esposos, jardineiros consagrados por bênçãos de Deus, medrem viçosamente nesse ambiente de cristianização, impregnado de pura fragrância eucarística. O lar, quando nele reina o Cristo, quando observados os seus ensinamentos, é para o chefe e todos os seus componentes, uma verdadeira Jerusalém pacífica e confortadora. É um doce convívio de delícias para todos, é o jardim familiar onde o homem pode aspirar, prazeroso, o delicioso perfume de suas estimadas flores: a esposa e os filhinhos. Aí terá os momentos mais felizes da vida, ai conseguirá tréguas calmosas para suas lutas. Quão belas e sublimes as maravilhas de um lar feliz! Quantas bênçãos e graças não chovem naqueles que o constituem digno deste nome. REFERÊNCIAS: Livro: O guia do lar. Luiz Guimarães. 1941. Pintura: Uma família feliz. Eduardo Eugênio Zampighi. LETRA “F” #larcatólico #olaréumain
- O piedoso uso do Véu na santa missa e a beleza da tradição
“Tudo que é sagrado a Igreja cobre com um véu.” Mesmo com o espírito de modernidade que invadiu a igreja, ainda há muitas jovens moças e senhoras que mantém este belo espirito de ritualidade e adoração, que é o uso do véu na Santa Missa. O uso do véu na Santa Missa vem desde o inicio do cristianismo no Oriente. Além de ser um preceito bíblico se preservou na Igreja de Cristo por milênios. O véu, quando abençoado pelo sacerdote, é um sacramental. “A santa mãe Igreja instituiu os sacramentais, que são sinais sagrados pelos quais, à imitação dos sacramentos, são significados efeitos principalmente espirituais, obtidos pela impetração da Igreja. Pelos sacramentais os homens se dispõem a receber o efeito principal dos sacramentos e são santificadas as diversas circunstâncias da vida.” (CIC, 1667). Nesta formação disponibilizamos alguns vídeos para ajudar a compreender melhor o piedoso uso do véu na Igreja Católica. Assista ao primeiro vídeo antes de continuar a leitura: O Uso do véu na Santa Missa, além de ser um belo costume, é importante para manter a modéstia dentro da Igreja, e o devido respeito à presença do Senhor O uso do véu é obrigatório? Hoje em dia muito se discute se é ou não permitido que a mulher use o véu dentro da Igreja. Porém, a pergunta correta acerca do uso do véu seria: é ainda obrigatório para a mulher o uso do véu dentro da Igreja? Esta sempre foi a disciplina da Igreja atestada ao longo de dois mil anos. Atualmente já não existe obrigação canônica para o uso do véu. O que existe é uma longa tradição que insere a mulher num espírito de ritualidade e adoração, fazendo com que ela esconda a própria beleza e glória para dar glória à beleza de Deus. A última vez que a Igreja se manifestou a esse respeito foi em 1917, no Código de Direito Canônico, conhecido como Pio Beneditino. O Cânon 1262 dizia que: Os varões na igreja ou fora da Igreja enquanto assistem os sagrados ritos estejam com a cabeça descoberta, a não ser que os legítimos costumes dos povos ou as circunstâncias peçam diversamente. Assista também antes de continuar a leitura: Quanto aos costumes é possível citar os Bispos que usam mitra ou os padres que usam o barrete, e quanto às circunstâncias poderiam ser citadas as celebrações ao ar livre, sob um sol causticante ou ainda sob a chuva. Nesses casos, permitia-se a cabeça coberta para os homens. As mulheres, por sua vez, “estejam com a cabeça coberta e vestidas modestamente, especialmente quando se aproximam da mesa do Senhor” , é o que diz o mesmo Código. O uso do véu para as mulheres sempre foi uma obrigação unânime ao longo dos séculos. Escritos dos Santos Padres já dão notícia dessa disciplina e a própria Sagrada Escritura. Essa tradição continuou ao longo de toda a Idade Média, nos escritos de Santo Agostinho, ainda que ele não tenha se manifestado enfaticamente sobre o tema. Recentemente, nasceu a ideia de que o uso do véu estaria ligado à cultura do local e que poderia ser deixado de lado, já que não está enraizado na natureza humana, mas seria tão somente uma circunstância cultural descartável. Seja como for, atualmente, não existe a obrigação canônica do uso do véu. O Código de Direito Canônico reformado por João Paulo II não traz o cânon mencionado. O Cardeal Raymond Burke, presidente da Assinatura Apostólica, respondendo à pergunta de uma fiel sobre a obrigação do uso do véu, afirma que não existe a obrigação, mas se a pessoa vai participar do rito extraordinário seu uso seria muito pertinente, pois este rito possibilita uma expressão ritual mais adoradora que o rito ordinário. A raiz teológica do uso piedoso do véu está na I Carta de São Paulo aos Coríntios, no Capítulo 11, versículos 2 a 16. São Paulo fala claramente sobre a obrigação do véu e o que se nota no restante do texto é que em toda a sua argumentação, São Paulo sempre relaciona a cobertura da cabeça da mulher com a glória. Leia também: A Santa Missa e os abusos litúrgicos que ofuscam sua grandeza e seu mistério “A própria natureza não vos ensina que para o homem é vergonhoso deixar o cabelo crescer, ao passo que para a mulher é honroso ter os cabelos compridos?” (14-15), nesse trecho, São Paulo demonstra que não se trata apenas de algo cultural, mas de algo natural. É próprio do feminino a elegância, a busca da expressão da beleza interior pelo cuidado e zelo com a aparência exterior. Da mesma forma, é tipicamente feminino o cuidado com os cabelos. Diante disso, a mulher cobrir sua cabeça no momento dar glória a Deus é esconder a sua própria reverenciando Aquele que merece toda a glória. Usar o véu em atenção aos anjos, como diz São Paulo, significa que ela está participando de um culto de adoração a Deus juntamente com os anjos. Todas as criaturas, homens, mulheres e anjos, se prostram diante de Deus para adorá-lo e, nesse momento, todas elas devem esconder sua glória e dar glória a Deus. Cobrindo a cabeça, a mulher realiza isso de forma visível e ritual. Portanto, não existe obrigação canônica para o uso do véu. O que existe é uma longa tradição que insere a mulher num espírito de ritualidade e adoração, fazendo com que diante de Deus ela esconda a própria beleza, a própria glória para dar glória à beleza de Deus. De forma prática, o uso do véu requer prudência. Sobre ele recai a pecha de ser obsoleto, tradicionalista, contrário à dignidade da mulher, mas, embora seja justamente o contrário, é importante que a pessoa aja com prudência, principalmente se exercer na paróquia alguma função, como ministra extraordinária, catequista etc. Não se deve por em risco a oportunidade de prestar um grande serviço a Cristo. Contudo, se a pessoa não está engajada e sente o desejo de usar o véu, que seja corajosa e use, ainda que sozinha. Em muitos casos semelhantes o que se viu foi que outras mulheres se interessaram por essa piedade e, após a devida instrução passaram a praticá-la. De qualquer forma, o uso do véu é uma disciplina que, ao longo do tempo, santificou muitas mulheres e diante do mundo secularizado e imodesto que se vive hoje ensinar as meninas desde pequenas a usar o véu pode resultar em frutos excelentes nas próximas gerações. O véu e a modéstia O uso do véu é um desdobramento no caminho da vivência da virtude da modéstia, assim, não é possível vivenciar uma prática sem a outra ou ainda sem o entendimento real e verdadeiro do que é a modéstia, passando a praticá-la como uma virtude e não como uma moda. O uso piedoso do véu está unido a vivência da virtude da modéstia. Caso não tenha entendido o que é a virtude da modéstia ou tenha a idéia falha de que trata-se de usar saia e roupas com determinadas medidas, veja esta catequese que te fará entender a razão da modéstia ser uma virtude tão importante atualmente. Assista: Leia também Padre Paulo Ricardo faz alerta às mulheres sobre uso das saias e da modéstia E quanto às cores dos véus? Sempre foi tradição da Igreja no Brasil as moças solteiras usarem o véu branco, como sinal de pureza. E as casadas podem usar o véu preto. Porém não é regra estabelecida, nada impede que a casada por exemplo use um véu na cor cinza, ou bege (o branco para casadas não é adequado). Até mesmo cores como azul claro, ou rosa podem ser usados (sempre usando o bom senso e com cautela). Há quem diga que o uso do véu na missa é uma atitude machista, nada mais falso e errado. Como dizem alguns padres, “tudo o que é sagrado a Igreja cobre com um véu”. Ele nos ajuda a nos manter mais centradas sem olhar para o lado, e a assistir a Santa Missa com maior devoção. O objetivo do véu é para nos escondermos, que nós não sejamos o centro, mas sim apenas o Senhor, aquele que tudo pode e nem o universo inteiro pode conter. São Padre Pio de Pietrelcina é um santo recente e na porta da sua Igreja ele proibia as mulheres de entrarem mal vestidas na Igreja, ou sem o seu véu. Veja o cartaz fixado na porta da sua paróquia: “A Igreja é a casa de Deus. É proibido para os homens entrar com os braços nus ou usando shorts. É proibido para as mulheres entrarem usando calças, sem um véu sobre sua cabeça, com roupas curtas, decotes baixos, roupas sem mangas ou vestidos imodestos.” Com informações de padrepauloricardo.org #SantaMissa #Liturgia #MissaTridentina #Tradição #Missa
- O piedoso uso do Véu na santa missa e a beleza da tradição
“Tudo que é sagrado a Igreja cobre com um véu.” Mesmo com o espírito de modernidade que invadiu a igreja, ainda há muitas jovens moças e senhoras que mantém este belo espirito de ritualidade e adoração, que é o uso do véu na Santa Missa. O uso do véu na Santa Missa vem desde o inicio do cristianismo no Oriente. Além de ser um preceito bíblico se preservou na Igreja de Cristo por milênios. O véu, quando abençoado pelo sacerdote, é um sacramental. “A santa mãe Igreja instituiu os sacramentais, que são sinais sagrados pelos quais, à imitação dos sacramentos, são significados efeitos principalmente espirituais, obtidos pela impetração da Igreja. Pelos sacramentais os homens se dispõem a receber o efeito principal dos sacramentos e são santificadas as diversas circunstâncias da vida.” (CIC, 1667). Nesta formação disponibilizamos alguns vídeos para ajudar a compreender melhor o piedoso uso do véu na Igreja Católica. Assista ao primeiro vídeo antes de continuar a leitura: O Uso do véu na Santa Missa, além de ser um belo costume, é importante para manter a modéstia dentro da Igreja, e o devido respeito à presença do Senhor O uso do véu é obrigatório? Hoje em dia muito se discute se é ou não permitido que a mulher use o véu dentro da Igreja. Porém, a pergunta correta acerca do uso do véu seria: é ainda obrigatório para a mulher o uso do véu dentro da Igreja? Esta sempre foi a disciplina da Igreja atestada ao longo de dois mil anos. Atualmente já não existe obrigação canônica para o uso do véu. O que existe é uma longa tradição que insere a mulher num espírito de ritualidade e adoração, fazendo com que ela esconda a própria beleza e glória para dar glória à beleza de Deus. A última vez que a Igreja se manifestou a esse respeito foi em 1917, no Código de Direito Canônico, conhecido como Pio Beneditino. O Cânon 1262 dizia que: Os varões na igreja ou fora da Igreja enquanto assistem os sagrados ritos estejam com a cabeça descoberta, a não ser que os legítimos costumes dos povos ou as circunstâncias peçam diversamente. Assista também antes de continuar a leitura: Quanto aos costumes é possível citar os Bispos que usam mitra ou os padres que usam o barrete, e quanto às circunstâncias poderiam ser citadas as celebrações ao ar livre, sob um sol causticante ou ainda sob a chuva. Nesses casos, permitia-se a cabeça coberta para os homens. As mulheres, por sua vez, “estejam com a cabeça coberta e vestidas modestamente, especialmente quando se aproximam da mesa do Senhor” , é o que diz o mesmo Código. O uso do véu para as mulheres sempre foi uma obrigação unânime ao longo dos séculos. Escritos dos Santos Padres já dão notícia dessa disciplina e a própria Sagrada Escritura. Essa tradição continuou ao longo de toda a Idade Média, nos escritos de Santo Agostinho, ainda que ele não tenha se manifestado enfaticamente sobre o tema. Recentemente, nasceu a ideia de que o uso do véu estaria ligado à cultura do local e que poderia ser deixado de lado, já que não está enraizado na natureza humana, mas seria tão somente uma circunstância cultural descartável. Seja como for, atualmente, não existe a obrigação canônica do uso do véu. O Código de Direito Canônico reformado por João Paulo II não traz o cânon mencionado. O Cardeal Raymond Burke, presidente da Assinatura Apostólica, respondendo à pergunta de uma fiel sobre a obrigação do uso do véu, afirma que não existe a obrigação, mas se a pessoa vai participar do rito extraordinário seu uso seria muito pertinente, pois este rito possibilita uma expressão ritual mais adoradora que o rito ordinário. A raiz teológica do uso piedoso do véu está na I Carta de São Paulo aos Coríntios, no Capítulo 11, versículos 2 a 16. São Paulo fala claramente sobre a obrigação do véu e o que se nota no restante do texto é que em toda a sua argumentação, São Paulo sempre relaciona a cobertura da cabeça da mulher com a glória. Leia também: A Santa Missa e os abusos litúrgicos que ofuscam sua grandeza e seu mistério “A própria natureza não vos ensina que para o homem é vergonhoso deixar o cabelo crescer, ao passo que para a mulher é honroso ter os cabelos compridos?” (14-15), nesse trecho, São Paulo demonstra que não se trata apenas de algo cultural, mas de algo natural. É próprio do feminino a elegância, a busca da expressão da beleza interior pelo cuidado e zelo com a aparência exterior. Da mesma forma, é tipicamente feminino o cuidado com os cabelos. Diante disso, a mulher cobrir sua cabeça no momento dar glória a Deus é esconder a sua própria reverenciando Aquele que merece toda a glória. Usar o véu em atenção aos anjos, como diz São Paulo, significa que ela está participando de um culto de adoração a Deus juntamente com os anjos. Todas as criaturas, homens, mulheres e anjos, se prostram diante de Deus para adorá-lo e, nesse momento, todas elas devem esconder sua glória e dar glória a Deus. Cobrindo a cabeça, a mulher realiza isso de forma visível e ritual. Portanto, não existe obrigação canônica para o uso do véu. O que existe é uma longa tradição que insere a mulher num espírito de ritualidade e adoração, fazendo com que diante de Deus ela esconda a própria beleza, a própria glória para dar glória à beleza de Deus. De forma prática, o uso do véu requer prudência. Sobre ele recai a pecha de ser obsoleto, tradicionalista, contrário à dignidade da mulher, mas, embora seja justamente o contrário, é importante que a pessoa aja com prudência, principalmente se exercer na paróquia alguma função, como ministra extraordinária, catequista etc. Não se deve por em risco a oportunidade de prestar um grande serviço a Cristo. Contudo, se a pessoa não está engajada e sente o desejo de usar o véu, que seja corajosa e use, ainda que sozinha. Em muitos casos semelhantes o que se viu foi que outras mulheres se interessaram por essa piedade e, após a devida instrução passaram a praticá-la. De qualquer forma, o uso do véu é uma disciplina que, ao longo do tempo, santificou muitas mulheres e diante do mundo secularizado e imodesto que se vive hoje ensinar as meninas desde pequenas a usar o véu pode resultar em frutos excelentes nas próximas gerações. O véu e a modéstia O uso do véu é um desdobramento no caminho da vivência da virtude da modéstia, assim, não é possível vivenciar uma prática sem a outra ou ainda sem o entendimento real e verdadeiro do que é a modéstia, passando a praticá-la como uma virtude e não como uma moda. O uso piedoso do véu está unido a vivência da virtude da modéstia. Caso não tenha entendido o que é a virtude da modéstia ou tenha a idéia falha de que trata-se de usar saia e roupas com determinadas medidas, veja esta catequese que te fará entender a razão da modéstia ser uma virtude tão importante atualmente. Assista: Leia também Padre Paulo Ricardo faz alerta às mulheres sobre uso das saias e da modéstia E quanto às cores dos véus? Sempre foi tradição da Igreja no Brasil as moças solteiras usarem o véu branco, como sinal de pureza. E as casadas podem usar o véu preto. Porém não é regra estabelecida, nada impede que a casada por exemplo use um véu na cor cinza, ou bege (o branco para casadas não é adequado). Até mesmo cores como azul claro, ou rosa podem ser usados (sempre usando o bom senso e com cautela). Há quem diga que o uso do véu na missa é uma atitude machista, nada mais falso e errado. Como dizem alguns padres, “tudo o que é sagrado a Igreja cobre com um véu”. Ele nos ajuda a nos manter mais centradas sem olhar para o lado, e a assistir a Santa Missa com maior devoção. O objetivo do véu é para nos escondermos, que nós não sejamos o centro, mas sim apenas o Senhor, aquele que tudo pode e nem o universo inteiro pode conter. São Padre Pio de Pietrelcina é um santo recente e na porta da sua Igreja ele proibia as mulheres de entrarem mal vestidas na Igreja, ou sem o seu véu. Veja o cartaz fixado na porta da sua paróquia: “A Igreja é a casa de Deus. É proibido para os homens entrar com os braços nus ou usando shorts. É proibido para as mulheres entrarem usando calças, sem um véu sobre sua cabeça, com roupas curtas, decotes baixos, roupas sem mangas ou vestidos imodestos.” Com informações de padrepauloricardo.org #SantaMissa #Liturgia #MissaTridentina #Tradição #Missa
- Católicos franceses ao Papa Francisco: “Não toque em nossa missa em latim!”
Pela Liberdade da Missa Tradicional Sétima manifestação pacífica em frente à nunciatura apostólica na França Mais de 70 pessoas se reuniram neste sábado, 28 de agosto, em frente à nunciatura apostólica de Paris, na avenue du Président Wilson, das 12h às 13h. De fato, com a aproximação do fim das férias, cresce a preocupação entre os que frequentam a liturgia tradicional. É verdade que os bispos da França têm pregado o apaziguamento e, em várias dioceses, tudo deve permanecer como está. O próprio Arcebispo de Dijon, que foi um precursor das medidas romanas, está agora em busca de uma saída honrosa. Mas a violenta determinação de Roma, que se prepara para lançar medidas visando os seminários tradicionais, permanece intacta. Além disso, pode-se pensar que o núncio na França, Dom Celestino Migliore, incitará os bispos da França a se entregarem à repressão à missa tridentina. Na frente de sua porta, os manifestantes fazem saber que os católicos que vivem espiritualmente e doutrinariamente desta missa não desistem. Eles estão determinados a fazer o que for necessário para garantir que a celebração desta Missa nunca seja interrompida. Os manifestantes decidiram renovar o seu protesto todos os sábados, à mesma hora e no mesmo local. A próxima reunião está, portanto, marcada para 4 de setembro ao meio-dia em frente ao nr. 14 bis, avenue du President Wilson, em Paris. Publicado em https://remnantnewspaper.com/ #CatólicosfrancesesaoPapaFranciscoNãotoqueemnossamissaemlatim
- Padre é violentamente assassinado dentro de igreja no México
O sacerdote mexicano José Guadalupe Popoca foi assassinado na manhã de 31 de agosto no interior da igreja paroquial de são Nicolau de Bari, em Galeana, uma cidade no estado de Morelos, no centro do México. Um novo assassinato que atesta a violência que assola o país. Dom Ramón Castro Castro, bispo diocesano de Cuernavaca, onde fica a paróquia são Nicolau de Bari, disse em uma mensagem de vídeo: “estamos verdadeiramente surpresos. Confiamos nas autoridades que estão realizando a investigação necessária. O bispo mexicano pediu a Deus que o padre José Guadalupe “goze de sua paz e de sua glória”. Segundo o bispo, a comunidade precisa saber “discernir o que Deus quer dizer a todos através desse tipo de acontecimentos que a todos nos estremecem, nos fazem pensar e refletir”. Dom Castro Castro denunciou repetidamente a crescente violência em Morelos e em todo o México, e convocou caminhadas pela paz todos os anos. O padre foi encontrado morto na mesma igreja paroquial. Embora o motivo do assassinato seja desconhecido, alguns meios de comunicação locais relataram que homens armados queriam roubar o carro do padre, e foi quando eles atiraram várias vezes em sua pessoa. O Ministério Público do estado de Morelos atraiu o caso e está realizando as investigações pertinentes. Não só o bispo, mas também numerosos fiéis, que se aproximaram do cordão policial, pediram em voz alta que os responsáveis fossem identificados e que a justiça fosse feita. De acordo com a Central Multimídia Católica, já são quatro padres mortos até agora no mandato de seis anos do presidente Andrés Manuel López Obrador. Em junho de 2021, o padre Juan Antonio Orozco Alvarado, foi morto a caminho do estado mexicano de Durango. Em 2020, 20 missionários foram mortos em todo o mundo. Destes, oito morreram na América do Sul. Segundo o Secretariado Executivo do Sistema Nacional de Segurança Pública, entre janeiro e julho de 2021 ocorreram 769 homicídios e 10 sequestros no estado de Morelos. De acordo com o Índice de Paz México 2021, elaborado pelo Instituto para a Economia e a Paz, Morelos é o nono estado mais violento das 32 entidades federativas do país.
- Padre é violentamente assassinado dentro de igreja no México
O sacerdote mexicano José Guadalupe Popoca foi assassinado na manhã de 31 de agosto no interior da igreja paroquial de são Nicolau de Bari, em Galeana, uma cidade no estado de Morelos, no centro do México. Um novo assassinato que atesta a violência que assola o país. Dom Ramón Castro Castro, bispo diocesano de Cuernavaca, onde fica a paróquia são Nicolau de Bari, disse em uma mensagem de vídeo: “estamos verdadeiramente surpresos. Confiamos nas autoridades que estão realizando a investigação necessária. O bispo mexicano pediu a Deus que o padre José Guadalupe “goze de sua paz e de sua glória”. Segundo o bispo, a comunidade precisa saber “discernir o que Deus quer dizer a todos através desse tipo de acontecimentos que a todos nos estremecem, nos fazem pensar e refletir”. Dom Castro Castro denunciou repetidamente a crescente violência em Morelos e em todo o México, e convocou caminhadas pela paz todos os anos. O padre foi encontrado morto na mesma igreja paroquial. Embora o motivo do assassinato seja desconhecido, alguns meios de comunicação locais relataram que homens armados queriam roubar o carro do padre, e foi quando eles atiraram várias vezes em sua pessoa. O Ministério Público do estado de Morelos atraiu o caso e está realizando as investigações pertinentes. Não só o bispo, mas também numerosos fiéis, que se aproximaram do cordão policial, pediram em voz alta que os responsáveis fossem identificados e que a justiça fosse feita. De acordo com a Central Multimídia Católica, já são quatro padres mortos até agora no mandato de seis anos do presidente Andrés Manuel López Obrador. Em junho de 2021, o padre Juan Antonio Orozco Alvarado, foi morto a caminho do estado mexicano de Durango. Em 2020, 20 missionários foram mortos em todo o mundo. Destes, oito morreram na América do Sul. Segundo o Secretariado Executivo do Sistema Nacional de Segurança Pública, entre janeiro e julho de 2021 ocorreram 769 homicídios e 10 sequestros no estado de Morelos. De acordo com o Índice de Paz México 2021, elaborado pelo Instituto para a Economia e a Paz, Morelos é o nono estado mais violento das 32 entidades federativas do país.
- O INÍCIO DA ETERNIDADE
Você só pode ser consolado Da certeza da morte Com outra e misteriosa certeza: A de ser irrevogavelmente eterno (Uma certeza que, por enquanto, Ainda não é garantia de coisa alguma). De um lado, já não é mais possível Voltar ao nada anterior ao ser, De outro, ainda não é possível Cantar vitória sobre o diabo. A morte já nasceu morta, Mas o diabo quer você eternamente ao lado dele. Deus decidiu que você já é eterno E não adianta discutir com Ele. É uma eternidade tão antiga quanto a sua própria vida. Uma eternidade muito humildemente brotada Naquela partícula de tempo imemorial, Naquele simples e preciso átimo de instante Em que Deus encheu de espírito O seu então recentíssimo ínfimo ser molecular (Um ser de nada que, nas galerias subterrâneas do amor, Tinha acabado de surgir Tenro e informe Do abraço intracelular de seu pai com sua mãe). Um mínimo e sagrado ser Que no entanto já estava maduro o suficiente Para começar a ser eterno. O que, repita-se, ainda não é garantia de nada. Por enquanto, é só uma advertência e uma promessa Com consequências misteriosamente eternas.
- O Papa Francisco pretende renunciar? Ele responde…
Há rumores não-confirmados de que o papa Francisco está escrevendo um documento para definir o papel e as tarefas de um papa emérito. Esses rumores se ligam à especulação de uma eminente renúncia de Francisco ao papado, como fez Bento XVI. Alguns na Santa Sé acreditam que essas possibilidades estejam interligadas. O Próprio Papa Francisco deu uma entrevista sobre o tema a qual disponibilizamos no final da matéria. Caso exista, o estudo para a publicação de um documento sobre o papel e as funções do papa emérito é um segredo muito bem guardado. Uma fonte confiável da Santa Sé afirmou que esse projeto não pode ser descartado. É possível que o papa esteja redigindo o documento pessoalmente e que ele seja apresentado aos departamentos responsáveis pela publicação somente quando o rascunho esteja terminado. Pressões para um melhor delineamento do estatuto de um papa emérito já começaram há algum tempo. O teólogo Andrea Grillo chegou até a pedir a “morte institucional” do papa emérito, criticando as frequentes declarações de Bento XVI que, segundo ele, são uma “intromissão”. A ideia de que é necessário regulamentar melhor a figura do papa emérito provém da preocupação de grupos próximos a Francisco preocupados com a possibilidade de que declarações públicas de Bento XVI criassem confusão em torno da autoridade do papa. Esses grupos foram especialmente críticos quando o arcebispo Georg Gaenswein, secretário particular de Bento XVI, qualificou a situação atual de “fora do comum” e fez uma distinção entre pontificado “ativo” e “contemplativo”. Bento XVI decidiu não legislar sobre qual seria seu papel após sua demissão. Mas decidiu continuar vestindo a batina branca e tomando como título “papa emérito”. Isso diferia da ideia tradicional de que um papa voltaria a ser cardeal uma vez que renunciasse ao pontificado. Pio XII, que deixou uma carta de renúncia se os nazistas implementassem o plano para sequestrá-lo, tinha pensado dessa forma. Supostamente, ele teria dito que, “quando os nazistas chegarem, levarão o cardeal Pacelli e não o papa Pio XII”. Segundo o teólogo italiano Giovanni Cavalcoli, Bento XVI continuou se vestindo de branco porque considerava o papado como uma segunda ordenação episcopal. Os bispos eméritos, afinal, conservam seus emblemas e títulos. Segundo essa interpretação, isso também acontece com o papa emérito. Bento XVI também se assegurou de não influenciar no conclave para a escolha do seu sucessor. Um cardeal, ainda que ex-papa, poderia participar nas reuniões prévias ao conclave dos cardeais e, portanto, dirigir a eleição de um sucessor. Bento XVI não fez isso. Mas o que fará Francisco permanece sendo um mistério. Até agora, ele não quis definir a figura do papa emérito do ponto de vista jurídico. Em um dos seus primeiros encontros com Bento XVI, em 2014, Francisco disse que “o papa emérito não é uma estátua e participa da vida da Igreja”. Por que, então, a ideia de institucionalizar a figura do papa emérito avança agora? Parece haver várias razões. A primeira delas tem relação com a saúde do papa Francisco. Depois da sua operação, em 4 de julho, o papa mostrou-se vigoroso e bastante ativo na audiência geral e no Ângelus de agosto. Além disso, está preparando uma viagem bastante cansativa a Budapeste e Eslováquia. Mas os rumores de que o papa, possivelmente, tenha uma doença “degenerativa” e “crônica” (segundo a página, geralmente bem-informada, Il Sismografo) dispararam discussões sobre a natureza do próximo conclave. O impulso para uma reforma das regras do conclave começou com autores pró-Francisco. Primeiro, o historiador Alberto Melloni; depois, Massimo Faggioli. Eles argumentaram a favor de um conclave com um isolamento prolongado dos cardeais, desde as reuniões prévias que se realizam semipublicamente durante uma semana antes, até o conclave propriamente ditos que ocorrem na Capela Sistina. Ambos também sugeriram um tempo entre o anúncio do eleito e sua aceitação, para que o papa eleito possa ser esquadrinhado em busca de “esqueletos no armário” que pudessem danificar seu pontificado. Também existe um debate jurídico sobre as deficiências críticas apontadas por alguns peritos. A professora italiana de direito canônico da Universidade de Bolonha, Geraldina Boni, elaborou um estudo sobre o tema, que foi discutido nos círculos vinculados à cúria romana. Boni apresentou “as razões da necessidade e urgência de uma intervenção do legislador supremo da Igreja (o Papa) para preencher duas lacunas legais”: o regulamento da Sé Apostólica quando o papa não pode exercer seu cargo, temporária ou permanentemente, por “um impedimento irreversível” e as normas da “condição jurídica de um pontífice romano que renunciou ao seu cargo”. Em resumo: o que fazer quando um papa tem uma doença que afeta seu intelecto e sua vontade? E qual é o status do papa emérito? Os crescentes diálogos sobre o ensaio de Boni trouxeram rumores sobre a renúncia do papa Francisco. A lógica é esta: se nós começamos a discutir o status do papa emérito, então isso significa que o papa quer renunciar. O fato é que nunca houve sinais de que o papa Francisco quisesse renunciar. Segundo um sacerdote argentino que conhece Francisco desde sua época em Buenos Aires, “só há uma razão pela qual o Papa Francisco renunciaria: para que possa influenciar o processo de eleição de seu sucessor”. É uma leitura um tanto dura da personalidade de Francisco. No entanto, se as supostas novas regras estabelecerem que o papa emérito volte às fileiras dos cardeais, sua presença nas congregações gerais prévias ao conclave certamente poderia influenciar na eleição dos seus companheiros cardeais. Quanto disso tudo é fofoca e quanto é verdade? Primeiro, é verdade que a saúde do papa sofreu um golpe duro e que o próprio Francisco começou a acelerar algumas decisões, caso aconteça alguma coisa. Fontes da Santa Sé disseram à CNA, agência em inglês do grupo ACI, que esperam agora um encerramento muito rápido do processo aparentemente interminável da reforma da cúria, que poderia ocorrer entre o final de setembro e o início de outubro. Esperam também um novo consistório no início de outubro onde seriam criados cinco ou seis novos cardeais e uma “série de decisões com tom severo”. Segundo uma fonte, “ninguém espera que o papa morra ou renuncie logo. Mas todos estão se preparando para não serem pegos de surpresa quando isso acontecer”. Papa após a operação: “Nunca passou pela minha cabeça renunciar” Francisco foi entrevistado por Carlos Herrera da Rádio COPE. Pela primeira vez ele fala sobre a cirurgia em julho e também aborda temas como o Afeganistão, China, eutanásia, reforma da Cúria. Da operação no cólon a que foi submetido no último dia 4 de julho na Policlínica Gemelli – e suas atuais condições de saúde -, à crise no Afeganistão e à preocupação com a população. Depois o diálogo com a China, o ponto de vista sobre a eutanásia e o aborto, ambos símbolos daquela “cultura do descarte” que sempre foi denunciada, o julgamento no Vaticano e, por fim, os desafios do seu pontificado como a reforma do A Cúria e a luta contra a corrupção e a pedofilia. Pontificado que, tendo chegado quase ao nono ano, ao contrário de boatos que circulam na mídia italiana e argentina, não será interrompido antes do previsto: “Nunca me passou pela cabeça renunciar”. A entrevista que o Papa Francisco concedeu no último final de semana à Rádio Cope, emissora da Conferência Episcopal Espanhola, dura uma hora e meia. Esta é a primeira entrevista após a cirirgia de estenose diverticular e também a primeira para uma rádio na Espanha. A saúde após a operação no Gemelli Em entrevista ao jornalista Carlos Herrera, sob o olhar da imagem tão cara ao Pontífice de Nossa Senhora Desatadora dos Nós, colocada no hall da Casa Santa Marta, o Papa fala de temas da atualidade e não se esquiva das perguntas mais pessoais. A começar pela pergunta mais simples mas, neste momento de recuperação pós-operatória, a mais importante: “Como o senhor está?”. “Ainda estou vivo”, responde Francisco com um sorriso. E conta que a sua vida foi salva por um enfermeiro do serviço de saúde da Santa Sé, “um homem com mais de 30 anos de experiência”, que insistiu na cirurgia: “Ele salvou a minha vida! Disse-me: ‘Deve fazer uma operação’”. E isso, apesar do parecer contrário de alguns que sugeriram um tratamento “com antibióticos”. A insistência do enfermeiro, em vez disso, mostrou-se providencial, visto que a cirurgia revelou um quadro necrótico: agora, após a operação, revela Francisco, “tenho 33 centímetros a menos de intestino”. Fato, entretanto, que não o impede de levar uma vida “totalmente normal”. “Posso comer de tudo” e, tomando os “remédios adequados”, manter a agenda lotada: “Hoje, audiência toda a manhã, toda a manhã”. Agenda que inclui também a viagem à Eslováquia e à Hungria de 12 a 15 de setembro próximo, a 34ª de seu pontificado. “Renúncia? Nunca pensei nisso” Ainda falando da própria saúde, o Papa desmente categoricamente as especulações de alguns jornais italianos e argentinos sobre uma possível renúncia ao pontificado. Questionado a este respeito, Francisco afirma: “Nunca me passou pela cabeça … Não sei de onde tiraram a ideia de que eu renunciaria!”. Com um toque de ironia, o Papa também explica que veio a saber de tais notícias muito depois: “Disseram-me também que na semana passada estava na moda. Eva (Fernández, correspondente da Cope para a Itália e o Vaticano, ndr ) disse-me … e eu disse a ela que não fazia ideia, porque aqui só leio um jornal de manhã, o jornal de Roma. Eu o leio porque gosto da forma como é apresentado um título, o leio rapidamente e pronto, não me deixo envolver no jogo. Eu não assisto televisão. E recebo, sim, mais ou menos, um relato das notícias do dia, mas descobri muito mais tarde, alguns dias depois, que havia algo sobre minha renúncia. Sempre que um Papa está doente, há sempre uma brisa ou um furacão de Conclave”. A crise no Afeganistão Amplo espaço na entrevista é dedicado à crise no Afeganistão, ferido pelos recentes ataques kamikaze e pela sangria de cidadãos após a tomada do poder pelo Talibã. “Uma situação difícil”, observa o Papa Francisco, que não entra em detalhes sobre os esforços que a Santa Sé vem realizando no plano diplomático para evitar represálias contra a população, mas elogia o trabalho da Secretaria de Estado. “Estou certo que está ajudando ou pelo menos oferecendo ajuda”, afirma, definindo o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, como “o melhor diplomata que já conheci”: “Um diplomata que acrescenta, não um daqueles que subtrai, quem está sempre procurando, um homem de acordo”.LEIA TAMBÉM29/08/2021 Papa: não podemos permanecer indiferentes. Oração e jejum pelo Afeganistão O Papa cita a seguir a chanceler alemã Angela Merkel, “uma das grandes figuras da política mundial”, em seu pronunciamento de 20 de agosto em Moscou: “É necessário colocar um fim na política irresponsável de intervir do exterior e construir a democracia em outros países, ignorando as tradições do povo”. “Incisivo… mas percebi um senso de sabedoria diante das palavras dessa mulher”, afirma Francisco. E, quando questionado a este respeito, define a retirada dos Estados Unidos do Afeganistão como “lícita”, após vinte anos de ocupação, mesmo se “o eco que existe em mim seja outra coisa”, nomeadamente o fato de “deixar o povo afegão ao seu destino”. Para o Papa, de fato, o problema a ser resolvido é outro: “Como desistir, como negociar uma saída”. “Pelo que vejo – diz ele na entrevista – nem todas as eventualidades foram levadas em consideração aqui, ao que parece, não quero julgar, nem todas as eventualidades. Não sei se haverá uma revisão ou não, mas certamente houve muito engano talvez por parte das novas autoridades. Eu falo em engano ou muita ingenuidade, não entendo”. Diálogo com a China: este é o caminho a seguir Do Afeganistão, o olhar permanece na Ásia, mas se desloca para a China e ao acordo sobre nomeação dos bispos renovado por mais dois anos. “Há quem insista para que o senhor não renove o acordo que o Vaticano assinou com aquele país, porque põe em perigo a sua autoridade moral”, observa o jornalista. “A China não é fácil, mas estou convencido de que não devemos renunciar ao diálogo”, responde o Papa. “Pode-se enganar no diálogo, pode-se cometer erros, tudo isso … mas é o caminho a seguir. Mas é o caminho a seguir. O que foi alcançado até agora na China foi pelo menos o diálogo … algumas coisas concretas como a nomeação de novos bispos, lentamente … Mas esses são passos que podem ser discutidos e os resultados de uma parte ou de outra”. A inspiração do Cardeal Casaroli Para o Papa, o ponto de referência e inspiração é o cardeal Agostino Casaroli, por muito tempo secretário de Estado durante o pontificado de João Paulo II, já com João XXIII “o homem encarregado de construir pontes com a Europa Central”. O Pontífice cita “um belíssimo livro”, O martírio da paciência, no qual o purpurado narra suas experiências nos países comunistas: “Foi um pequeno passo atrás do outro, para construir pontes … Lentamente, lentamente, lentamente, foi conseguindo reservas de relações diplomáticas que no final significava nomear novos bispos e cuidar do povo fiel de Deus. Hoje, de alguma forma, devemos seguir passo a passo os caminhos do diálogo nas situações mais conflituosas”. A experiência com o Islã, com o Grande Imame Al-Tayyeb, foi muito positiva em muitos aspectos: “O diálogo, sempre o diálogo ou disponibilidade ao diálogo”. Os desafios do pontificado E o diálogo é uma das pedras angulares desses oito anos de pontificado que o Papa Francisco recorda na entrevista. A começar pela eleição de 13 de março de 2013, totalmente inesperada (“vim aqui com uma valise”), passando pelos vários desafios sempre enfrentados com o objetivo de concretizar o que foi acordado pelos cardeais nas reuniões pré-Conclave, tudo resumido na Evangelii Gaudium: “Penso que ainda existam diversas coisas a serem feitas, mas nada foi inventado por mim. Estou obedecendo ao que foi estabelecido no tempo devido”. “Pequenos ajustes” na Cúria Romana A reforma da Cúria Romana, novos avanços na transparência das finanças vaticanas e a prevenção de casos de abusos dentro da Igreja são as três questões nas quais Jorge Mario Bergoglio está trabalhando intensamente. Sobre a reforma da Cúria, o Papa assegura que “está andando passo a passo e bem” e revela que neste verão ele estava prestes a terminar de ler e assinar a nova constituição apostólica “Praedicar Evangelium”, cuja publicação foi, no entanto, atrasada “por causa da minha doença”. O documento, por sua vez, explica o Pontífice, “não conterá nada de novo em relação ao que vemos agora”, apenas algumas fusões de Dicastérios, como a Educação Católica com o Pontifício Conselho para a Cultura e o Dicastério da Nova Evangelização que se unirá à Propaganda Fide. “Pequenos ajustes”, explica o Papa. O julgamento no VaticanoLEIA TAMBÉM28/07/2021 Julgamento pela compra de imóvel em Londres será retomado em 5 de outubro A luta contra a corrupção nas finanças vaticanas continua a ser uma luta importante. “Foram feitos progressos na consolidação da justiça no Estado do Vaticano”, diz o Pontífice, e isto permitiu “que a justiça fosse mais independente, com meios técnicos, também com testemunhos registrados, coisas técnicas atuais, a nomeação de novos juízes, novos promotores…”. A referência é também para o maxi julgamento que começou em 27 de julho passado no Vaticano pelos atos ilícitos realizados com os fundos da Secretaria de Estado, que vê entre os dez réus o ex-substituto da Secretaria de Estado, o cardeal Angelo Becciu. Francisco, lembrando que todo o caso começou com as queixas de duas pessoas que trabalhavam no Vaticano e que viram irregularidades em seu trabalho, reiterou que ele não tem “medo da transparência ou da verdade”. Às vezes dói muito, mas a verdade é o que nos liberta”. Quanto a Becciu, cujas prerrogativas e direitos como cardeal ele revogou, explica que o cardeal havia sido julgado porque a lei do Vaticano assim o prevê: “Quero que ele seja inocente de todo o meu coração. Ele foi um colaborador meu e me ajudou muito. Ele é alguém por quem eu tenho uma certa estima como pessoa, então meu desejo é que ele se saia bem. Mas é uma forma afetiva da presunção de inocência… Além da presunção de inocência, eu quero que ele se saia bem. Agora cabe aos tribunais decidirem”. Luta contra a pedofilia, apelo aos governos contra a pornografia infantil O Papa também fala de justiça no que diz respeito ao flagelo da pedofilia. Quando perguntado sobre isto, ele primeiro elogia o cardeal Sean O’Malley, presidente da Comissão para a Proteção de Menores, por sua “coragem” e por todo o trabalho feito contra este crime desde quando era arcebispo de Boston, depois lança um forte apelo internacional aos governos para agirem e reagirem contra a pornografia infantil, “um problema global e grave”. “Às vezes me pergunto como alguns governos permitem a produção de pornografia infantil. Que não digam que não sabem. Hoje, com os serviços secretos, sabemos tudo. Um governo sabe que em seu país se produz pornografia pedófila. Para mim, esta é uma das coisas mais monstruosas que eu já vi”. Eutanásia, sinal da “cultura do descartável Com igual vigor, o Papa também aborda a questão da eutanásia, à luz das recentes leis aprovadas na Espanha. A legalização desta prática é um sinal da “cultura do descartável” que agora permeia as sociedades modernas: “O que é inútil é descartado”. Os idosos são descartáveis: eles são um incômodo. Também os doentes terminais; até mesmo as crianças indesejadas, e elas são enviadas ao remetente antes de nascerem”, afirma. É aquela “cultura do descarte”, denunciada desde o início do pontificado, que tem um grande impacto sobre o “inverno demográfico” do Ocidente e que afeta particularmente países como a Itália, onde a idade média é de 47 anos. “A pirâmide se inverteu… A cultura demográfica está com prejuízo porque olha para o lucro. Olha para o da frente… e às vezes usando a compaixão! O que a Igreja pede é que se ajude as pessoas a morrerem com dignidade. Ela sempre o fez”, comenta Francisco. Ele não deixa de estigmatizar o aborto mais uma vez: “Diante de uma vida humana, eu me faço duas perguntas: é lícito eliminar uma vida humana para resolver um problema? É correto contratar um assassino para resolver um problema?”. A esperança de estar em Glasgow para Cop26 O Papa também fala de abusos com relação à criação, uma de suas mais profundas preocupações, amadurecida nestes anos de pontificado. Francisco espera estar presente na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) que será realizada de 1º a 12 de novembro em Glasgow: “Em linha de princípio, o programa é que eu vá. Tudo depende de como eu me sinta naquele momento. Mas, na verdade, meu discurso já está sendo preparado, e o programa é de estar presente lá”. O motu proprio “Tratitionis Custodes”LEIA TAMBÉM16/07/2021 Novas normas sobre a missa antiga, maior responsabilidade ao bispo O foco da entrevista muda então para o motu proprio Traditionis Custodes, que regula as missas em latim e que neste verão despertou algumas controvérsias nos setores eclesiásticos mais conservadores. O Papa responde a uma pergunta sobre o assunto elencando a cronologia que levou à assinatura do documento: “A história de Traditionis Custodes é longa. Quando Bento XVI tornou possível celebrar com o missal de João XXIII (anterior ao de Paulo VI, que é pós-conciliar) para aqueles que não se sentiam à vontade com a liturgia atual, que tinham uma certa nostalgia… pareceu-me uma das mais belas e humanas ações pastorais de Bento XVI, que é um homem de uma extraordinária humanidade. E assim começou. Esta foi a razão”. “A preocupação” – reitera o Papa, como no texto que acompanha o motu próprio -, “que mais aparecia era que algo feito para ajudar pastoralmente aqueles que tinham vivido uma experiência anterior, se transformasse em uma ideologia. Em outras palavras, uma coisa pastoral transformada em uma ideologia. Por isso tivemos que reagir com regras claras… Se você ler bem a carta e o decreto, você verá que esta é simplesmente uma reorganização construtiva, com cuidado pastoral e evitando excessos”. Recomendações ao Dicastério para a Comunicação Na entrevista com a Cope, também é mencionada a visita de 24 de maio último ao Dicastério para a Comunicação do Vaticano e as palavras de encorajamento, mas também de chamada de atenção dirigidas aos funcionários da mídia do Vaticano. “Foi uma reprimenda”, pergunta o jornalista. “A reação me divertiu”, explica o Papa, “eu disse duas coisas”. Primeiro, uma pergunta: quantas pessoas leem o L’Osservatore Romano? Eu não disse se é lido muito ou pouco. Uma pergunta. Eu acho legítimo perguntar isso, não? E a segunda pergunta, que era mais temática, (eu a fiz) quando, depois de ver todo o novo trabalho de união, o novo organograma, a funcionalização, falei da doença dos organogramas, que dá a uma realidade um valor mais funcional do que real. E digo: com toda essa funcionalidade, que é funcionar bem, não devemos cair no funcionalismo. O funcionalismo é o culto dos organogramas sem levar em conta a realidade. Parece que alguém não entendeu estas duas coisas que eu disse, ou talvez alguém não tenha gostado, ou não sei o quê, e interpretou isso como uma reprovação. É uma coisa normal, é uma pergunta e um aviso. Sim… Talvez algumas pessoas tenham ouvido dizer algo, e …. Acho que o Dicastério é muito promissor, é o Dicastério com o maior orçamento da Cúria no momento, é liderado por um leigo – espero que em breve haja outros liderados por um leigo ou uma leiga – e que está decolando com novas reformas. L’Osservatore Romano, que eu chamo de ‘o jornal do partido’, fez grandes progressos e o esforço cultural que está fazendo é maravilhoso”. A família, o futebol, as lágrimas Ao final da entrevista, outras questões eclesiais são abordadas, como, por exemplo, o caminho sinodal na Alemanha, para o qual o Papa recorda sua carta de junho de 2019, bem como questões internacionais como a independência da Catalunha e as políticas migratórias, para as quais o Pontífice argentino reitera a fórmula dos quatro verbos: “Acolher, proteger, promover, integrar”. O Papa não se esquiva de perguntas mais pessoais sobre temas como sua relação com sua família, em particular com sua avó Rosa, seu apoio ao time de futebol San Lorenzo, seu sentimento de ser “um pecador que tenta fazer o bem”. O Papa Francisco revela que não é um homem de lágrimas fáceis, embora seja verdade que algumas situações lhe causam tristeza, e confessa que o que ele mais sente falta dos tempos de Buenos Aires é “andar de uma paróquia a outra” ou os densos dias nebulosos do outono argentino enquanto escuta a música do compositor argentino Astor Piazzolla. “Eu gostaria de andar pela rua, mas tenho que me conter, porque não poderia andar dez metros”. Com informações de ACI Digital e Vatican News #papafrancisco
- O Papa Francisco pretende renunciar? Ele responde…
Há rumores não-confirmados de que o papa Francisco está escrevendo um documento para definir o papel e as tarefas de um papa emérito. Esses rumores se ligam à especulação de uma eminente renúncia de Francisco ao papado, como fez Bento XVI. Alguns na Santa Sé acreditam que essas possibilidades estejam interligadas. O Próprio Papa Francisco deu uma entrevista sobre o tema a qual disponibilizamos no final da matéria. Caso exista, o estudo para a publicação de um documento sobre o papel e as funções do papa emérito é um segredo muito bem guardado. Uma fonte confiável da Santa Sé afirmou que esse projeto não pode ser descartado. É possível que o papa esteja redigindo o documento pessoalmente e que ele seja apresentado aos departamentos responsáveis pela publicação somente quando o rascunho esteja terminado. Pressões para um melhor delineamento do estatuto de um papa emérito já começaram há algum tempo. O teólogo Andrea Grillo chegou até a pedir a “morte institucional” do papa emérito, criticando as frequentes declarações de Bento XVI que, segundo ele, são uma “intromissão”. A ideia de que é necessário regulamentar melhor a figura do papa emérito provém da preocupação de grupos próximos a Francisco preocupados com a possibilidade de que declarações públicas de Bento XVI criassem confusão em torno da autoridade do papa. Esses grupos foram especialmente críticos quando o arcebispo Georg Gaenswein, secretário particular de Bento XVI, qualificou a situação atual de “fora do comum” e fez uma distinção entre pontificado “ativo” e “contemplativo”. Bento XVI decidiu não legislar sobre qual seria seu papel após sua demissão. Mas decidiu continuar vestindo a batina branca e tomando como título “papa emérito”. Isso diferia da ideia tradicional de que um papa voltaria a ser cardeal uma vez que renunciasse ao pontificado. Pio XII, que deixou uma carta de renúncia se os nazistas implementassem o plano para sequestrá-lo, tinha pensado dessa forma. Supostamente, ele teria dito que, “quando os nazistas chegarem, levarão o cardeal Pacelli e não o papa Pio XII”. Segundo o teólogo italiano Giovanni Cavalcoli, Bento XVI continuou se vestindo de branco porque considerava o papado como uma segunda ordenação episcopal. Os bispos eméritos, afinal, conservam seus emblemas e títulos. Segundo essa interpretação, isso também acontece com o papa emérito. Bento XVI também se assegurou de não influenciar no conclave para a escolha do seu sucessor. Um cardeal, ainda que ex-papa, poderia participar nas reuniões prévias ao conclave dos cardeais e, portanto, dirigir a eleição de um sucessor. Bento XVI não fez isso. Mas o que fará Francisco permanece sendo um mistério. Até agora, ele não quis definir a figura do papa emérito do ponto de vista jurídico. Em um dos seus primeiros encontros com Bento XVI, em 2014, Francisco disse que “o papa emérito não é uma estátua e participa da vida da Igreja”. Por que, então, a ideia de institucionalizar a figura do papa emérito avança agora? Parece haver várias razões. A primeira delas tem relação com a saúde do papa Francisco. Depois da sua operação, em 4 de julho, o papa mostrou-se vigoroso e bastante ativo na audiência geral e no Ângelus de agosto. Além disso, está preparando uma viagem bastante cansativa a Budapeste e Eslováquia. Mas os rumores de que o papa, possivelmente, tenha uma doença “degenerativa” e “crônica” (segundo a página, geralmente bem-informada, Il Sismografo) dispararam discussões sobre a natureza do próximo conclave. O impulso para uma reforma das regras do conclave começou com autores pró-Francisco. Primeiro, o historiador Alberto Melloni; depois, Massimo Faggioli. Eles argumentaram a favor de um conclave com um isolamento prolongado dos cardeais, desde as reuniões prévias que se realizam semipublicamente durante uma semana antes, até o conclave propriamente ditos que ocorrem na Capela Sistina. Ambos também sugeriram um tempo entre o anúncio do eleito e sua aceitação, para que o papa eleito possa ser esquadrinhado em busca de “esqueletos no armário” que pudessem danificar seu pontificado. Também existe um debate jurídico sobre as deficiências críticas apontadas por alguns peritos. A professora italiana de direito canônico da Universidade de Bolonha, Geraldina Boni, elaborou um estudo sobre o tema, que foi discutido nos círculos vinculados à cúria romana. Boni apresentou “as razões da necessidade e urgência de uma intervenção do legislador supremo da Igreja (o Papa) para preencher duas lacunas legais”: o regulamento da Sé Apostólica quando o papa não pode exercer seu cargo, temporária ou permanentemente, por “um impedimento irreversível” e as normas da “condição jurídica de um pontífice romano que renunciou ao seu cargo”. Em resumo: o que fazer quando um papa tem uma doença que afeta seu intelecto e sua vontade? E qual é o status do papa emérito? Os crescentes diálogos sobre o ensaio de Boni trouxeram rumores sobre a renúncia do papa Francisco. A lógica é esta: se nós começamos a discutir o status do papa emérito, então isso significa que o papa quer renunciar. O fato é que nunca houve sinais de que o papa Francisco quisesse renunciar. Segundo um sacerdote argentino que conhece Francisco desde sua época em Buenos Aires, “só há uma razão pela qual o Papa Francisco renunciaria: para que possa influenciar o processo de eleição de seu sucessor”. É uma leitura um tanto dura da personalidade de Francisco. No entanto, se as supostas novas regras estabelecerem que o papa emérito volte às fileiras dos cardeais, sua presença nas congregações gerais prévias ao conclave certamente poderia influenciar na eleição dos seus companheiros cardeais. Quanto disso tudo é fofoca e quanto é verdade? Primeiro, é verdade que a saúde do papa sofreu um golpe duro e que o próprio Francisco começou a acelerar algumas decisões, caso aconteça alguma coisa. Fontes da Santa Sé disseram à CNA, agência em inglês do grupo ACI, que esperam agora um encerramento muito rápido do processo aparentemente interminável da reforma da cúria, que poderia ocorrer entre o final de setembro e o início de outubro. Esperam também um novo consistório no início de outubro onde seriam criados cinco ou seis novos cardeais e uma “série de decisões com tom severo”. Segundo uma fonte, “ninguém espera que o papa morra ou renuncie logo. Mas todos estão se preparando para não serem pegos de surpresa quando isso acontecer”. Papa após a operação: “Nunca passou pela minha cabeça renunciar” Francisco foi entrevistado por Carlos Herrera da Rádio COPE. Pela primeira vez ele fala sobre a cirurgia em julho e também aborda temas como o Afeganistão, China, eutanásia, reforma da Cúria. Da operação no cólon a que foi submetido no último dia 4 de julho na Policlínica Gemelli – e suas atuais condições de saúde -, à crise no Afeganistão e à preocupação com a população. Depois o diálogo com a China, o ponto de vista sobre a eutanásia e o aborto, ambos símbolos daquela “cultura do descarte” que sempre foi denunciada, o julgamento no Vaticano e, por fim, os desafios do seu pontificado como a reforma do A Cúria e a luta contra a corrupção e a pedofilia. Pontificado que, tendo chegado quase ao nono ano, ao contrário de boatos que circulam na mídia italiana e argentina, não será interrompido antes do previsto: “Nunca me passou pela cabeça renunciar”. A entrevista que o Papa Francisco concedeu no último final de semana à Rádio Cope, emissora da Conferência Episcopal Espanhola, dura uma hora e meia. Esta é a primeira entrevista após a cirirgia de estenose diverticular e também a primeira para uma rádio na Espanha. A saúde após a operação no Gemelli Em entrevista ao jornalista Carlos Herrera, sob o olhar da imagem tão cara ao Pontífice de Nossa Senhora Desatadora dos Nós, colocada no hall da Casa Santa Marta, o Papa fala de temas da atualidade e não se esquiva das perguntas mais pessoais. A começar pela pergunta mais simples mas, neste momento de recuperação pós-operatória, a mais importante: “Como o senhor está?”. “Ainda estou vivo”, responde Francisco com um sorriso. E conta que a sua vida foi salva por um enfermeiro do serviço de saúde da Santa Sé, “um homem com mais de 30 anos de experiência”, que insistiu na cirurgia: “Ele salvou a minha vida! Disse-me: ‘Deve fazer uma operação’”. E isso, apesar do parecer contrário de alguns que sugeriram um tratamento “com antibióticos”. A insistência do enfermeiro, em vez disso, mostrou-se providencial, visto que a cirurgia revelou um quadro necrótico: agora, após a operação, revela Francisco, “tenho 33 centímetros a menos de intestino”. Fato, entretanto, que não o impede de levar uma vida “totalmente normal”. “Posso comer de tudo” e, tomando os “remédios adequados”, manter a agenda lotada: “Hoje, audiência toda a manhã, toda a manhã”. Agenda que inclui também a viagem à Eslováquia e à Hungria de 12 a 15 de setembro próximo, a 34ª de seu pontificado. “Renúncia? Nunca pensei nisso” Ainda falando da própria saúde, o Papa desmente categoricamente as especulações de alguns jornais italianos e argentinos sobre uma possível renúncia ao pontificado. Questionado a este respeito, Francisco afirma: “Nunca me passou pela cabeça … Não sei de onde tiraram a ideia de que eu renunciaria!”. Com um toque de ironia, o Papa também explica que veio a saber de tais notícias muito depois: “Disseram-me também que na semana passada estava na moda. Eva (Fernández, correspondente da Cope para a Itália e o Vaticano, ndr ) disse-me … e eu disse a ela que não fazia ideia, porque aqui só leio um jornal de manhã, o jornal de Roma. Eu o leio porque gosto da forma como é apresentado um título, o leio rapidamente e pronto, não me deixo envolver no jogo. Eu não assisto televisão. E recebo, sim, mais ou menos, um relato das notícias do dia, mas descobri muito mais tarde, alguns dias depois, que havia algo sobre minha renúncia. Sempre que um Papa está doente, há sempre uma brisa ou um furacão de Conclave”. A crise no Afeganistão Amplo espaço na entrevista é dedicado à crise no Afeganistão, ferido pelos recentes ataques kamikaze e pela sangria de cidadãos após a tomada do poder pelo Talibã. “Uma situação difícil”, observa o Papa Francisco, que não entra em detalhes sobre os esforços que a Santa Sé vem realizando no plano diplomático para evitar represálias contra a população, mas elogia o trabalho da Secretaria de Estado. “Estou certo que está ajudando ou pelo menos oferecendo ajuda”, afirma, definindo o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, como “o melhor diplomata que já conheci”: “Um diplomata que acrescenta, não um daqueles que subtrai, quem está sempre procurando, um homem de acordo”.LEIA TAMBÉM29/08/2021 Papa: não podemos permanecer indiferentes. Oração e jejum pelo Afeganistão O Papa cita a seguir a chanceler alemã Angela Merkel, “uma das grandes figuras da política mundial”, em seu pronunciamento de 20 de agosto em Moscou: “É necessário colocar um fim na política irresponsável de intervir do exterior e construir a democracia em outros países, ignorando as tradições do povo”. “Incisivo… mas percebi um senso de sabedoria diante das palavras dessa mulher”, afirma Francisco. E, quando questionado a este respeito, define a retirada dos Estados Unidos do Afeganistão como “lícita”, após vinte anos de ocupação, mesmo se “o eco que existe em mim seja outra coisa”, nomeadamente o fato de “deixar o povo afegão ao seu destino”. Para o Papa, de fato, o problema a ser resolvido é outro: “Como desistir, como negociar uma saída”. “Pelo que vejo – diz ele na entrevista – nem todas as eventualidades foram levadas em consideração aqui, ao que parece, não quero julgar, nem todas as eventualidades. Não sei se haverá uma revisão ou não, mas certamente houve muito engano talvez por parte das novas autoridades. Eu falo em engano ou muita ingenuidade, não entendo”. Diálogo com a China: este é o caminho a seguir Do Afeganistão, o olhar permanece na Ásia, mas se desloca para a China e ao acordo sobre nomeação dos bispos renovado por mais dois anos. “Há quem insista para que o senhor não renove o acordo que o Vaticano assinou com aquele país, porque põe em perigo a sua autoridade moral”, observa o jornalista. “A China não é fácil, mas estou convencido de que não devemos renunciar ao diálogo”, responde o Papa. “Pode-se enganar no diálogo, pode-se cometer erros, tudo isso … mas é o caminho a seguir. Mas é o caminho a seguir. O que foi alcançado até agora na China foi pelo menos o diálogo … algumas coisas concretas como a nomeação de novos bispos, lentamente … Mas esses são passos que podem ser discutidos e os resultados de uma parte ou de outra”. A inspiração do Cardeal Casaroli Para o Papa, o ponto de referência e inspiração é o cardeal Agostino Casaroli, por muito tempo secretário de Estado durante o pontificado de João Paulo II, já com João XXIII “o homem encarregado de construir pontes com a Europa Central”. O Pontífice cita “um belíssimo livro”, O martírio da paciência, no qual o purpurado narra suas experiências nos países comunistas: “Foi um pequeno passo atrás do outro, para construir pontes … Lentamente, lentamente, lentamente, foi conseguindo reservas de relações diplomáticas que no final significava nomear novos bispos e cuidar do povo fiel de Deus. Hoje, de alguma forma, devemos seguir passo a passo os caminhos do diálogo nas situações mais conflituosas”. A experiência com o Islã, com o Grande Imame Al-Tayyeb, foi muito positiva em muitos aspectos: “O diálogo, sempre o diálogo ou disponibilidade ao diálogo”. Os desafios do pontificado E o diálogo é uma das pedras angulares desses oito anos de pontificado que o Papa Francisco recorda na entrevista. A começar pela eleição de 13 de março de 2013, totalmente inesperada (“vim aqui com uma valise”), passando pelos vários desafios sempre enfrentados com o objetivo de concretizar o que foi acordado pelos cardeais nas reuniões pré-Conclave, tudo resumido na Evangelii Gaudium: “Penso que ainda existam diversas coisas a serem feitas, mas nada foi inventado por mim. Estou obedecendo ao que foi estabelecido no tempo devido”. “Pequenos ajustes” na Cúria Romana A reforma da Cúria Romana, novos avanços na transparência das finanças vaticanas e a prevenção de casos de abusos dentro da Igreja são as três questões nas quais Jorge Mario Bergoglio está trabalhando intensamente. Sobre a reforma da Cúria, o Papa assegura que “está andando passo a passo e bem” e revela que neste verão ele estava prestes a terminar de ler e assinar a nova constituição apostólica “Praedicar Evangelium”, cuja publicação foi, no entanto, atrasada “por causa da minha doença”. O documento, por sua vez, explica o Pontífice, “não conterá nada de novo em relação ao que vemos agora”, apenas algumas fusões de Dicastérios, como a Educação Católica com o Pontifício Conselho para a Cultura e o Dicastério da Nova Evangelização que se unirá à Propaganda Fide. “Pequenos ajustes”, explica o Papa. O julgamento no VaticanoLEIA TAMBÉM28/07/2021 Julgamento pela compra de imóvel em Londres será retomado em 5 de outubro A luta contra a corrupção nas finanças vaticanas continua a ser uma luta importante. “Foram feitos progressos na consolidação da justiça no Estado do Vaticano”, diz o Pontífice, e isto permitiu “que a justiça fosse mais independente, com meios técnicos, também com testemunhos registrados, coisas técnicas atuais, a nomeação de novos juízes, novos promotores…”. A referência é também para o maxi julgamento que começou em 27 de julho passado no Vaticano pelos atos ilícitos realizados com os fundos da Secretaria de Estado, que vê entre os dez réus o ex-substituto da Secretaria de Estado, o cardeal Angelo Becciu. Francisco, lembrando que todo o caso começou com as queixas de duas pessoas que trabalhavam no Vaticano e que viram irregularidades em seu trabalho, reiterou que ele não tem “medo da transparência ou da verdade”. Às vezes dói muito, mas a verdade é o que nos liberta”. Quanto a Becciu, cujas prerrogativas e direitos como cardeal ele revogou, explica que o cardeal havia sido julgado porque a lei do Vaticano assim o prevê: “Quero que ele seja inocente de todo o meu coração. Ele foi um colaborador meu e me ajudou muito. Ele é alguém por quem eu tenho uma certa estima como pessoa, então meu desejo é que ele se saia bem. Mas é uma forma afetiva da presunção de inocência… Além da presunção de inocência, eu quero que ele se saia bem. Agora cabe aos tribunais decidirem”. Luta contra a pedofilia, apelo aos governos contra a pornografia infantil O Papa também fala de justiça no que diz respeito ao flagelo da pedofilia. Quando perguntado sobre isto, ele primeiro elogia o cardeal Sean O’Malley, presidente da Comissão para a Proteção de Menores, por sua “coragem” e por todo o trabalho feito contra este crime desde quando era arcebispo de Boston, depois lança um forte apelo internacional aos governos para agirem e reagirem contra a pornografia infantil, “um problema global e grave”. “Às vezes me pergunto como alguns governos permitem a produção de pornografia infantil. Que não digam que não sabem. Hoje, com os serviços secretos, sabemos tudo. Um governo sabe que em seu país se produz pornografia pedófila. Para mim, esta é uma das coisas mais monstruosas que eu já vi”. Eutanásia, sinal da “cultura do descartável Com igual vigor, o Papa também aborda a questão da eutanásia, à luz das recentes leis aprovadas na Espanha. A legalização desta prática é um sinal da “cultura do descartável” que agora permeia as sociedades modernas: “O que é inútil é descartado”. Os idosos são descartáveis: eles são um incômodo. Também os doentes terminais; até mesmo as crianças indesejadas, e elas são enviadas ao remetente antes de nascerem”, afirma. É aquela “cultura do descarte”, denunciada desde o início do pontificado, que tem um grande impacto sobre o “inverno demográfico” do Ocidente e que afeta particularmente países como a Itália, onde a idade média é de 47 anos. “A pirâmide se inverteu… A cultura demográfica está com prejuízo porque olha para o lucro. Olha para o da frente… e às vezes usando a compaixão! O que a Igreja pede é que se ajude as pessoas a morrerem com dignidade. Ela sempre o fez”, comenta Francisco. Ele não deixa de estigmatizar o aborto mais uma vez: “Diante de uma vida humana, eu me faço duas perguntas: é lícito eliminar uma vida humana para resolver um problema? É correto contratar um assassino para resolver um problema?”. A esperança de estar em Glasgow para Cop26 O Papa também fala de abusos com relação à criação, uma de suas mais profundas preocupações, amadurecida nestes anos de pontificado. Francisco espera estar presente na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) que será realizada de 1º a 12 de novembro em Glasgow: “Em linha de princípio, o programa é que eu vá. Tudo depende de como eu me sinta naquele momento. Mas, na verdade, meu discurso já está sendo preparado, e o programa é de estar presente lá”. O motu proprio “Tratitionis Custodes”LEIA TAMBÉM16/07/2021 Novas normas sobre a missa antiga, maior responsabilidade ao bispo O foco da entrevista muda então para o motu proprio Traditionis Custodes, que regula as missas em latim e que neste verão despertou algumas controvérsias nos setores eclesiásticos mais conservadores. O Papa responde a uma pergunta sobre o assunto elencando a cronologia que levou à assinatura do documento: “A história de Traditionis Custodes é longa. Quando Bento XVI tornou possível celebrar com o missal de João XXIII (anterior ao de Paulo VI, que é pós-conciliar) para aqueles que não se sentiam à vontade com a liturgia atual, que tinham uma certa nostalgia… pareceu-me uma das mais belas e humanas ações pastorais de Bento XVI, que é um homem de uma extraordinária humanidade. E assim começou. Esta foi a razão”. “A preocupação” – reitera o Papa, como no texto que acompanha o motu próprio -, “que mais aparecia era que algo feito para ajudar pastoralmente aqueles que tinham vivido uma experiência anterior, se transformasse em uma ideologia. Em outras palavras, uma coisa pastoral transformada em uma ideologia. Por isso tivemos que reagir com regras claras… Se você ler bem a carta e o decreto, você verá que esta é simplesmente uma reorganização construtiva, com cuidado pastoral e evitando excessos”. Recomendações ao Dicastério para a Comunicação Na entrevista com a Cope, também é mencionada a visita de 24 de maio último ao Dicastério para a Comunicação do Vaticano e as palavras de encorajamento, mas também de chamada de atenção dirigidas aos funcionários da mídia do Vaticano. “Foi uma reprimenda”, pergunta o jornalista. “A reação me divertiu”, explica o Papa, “eu disse duas coisas”. Primeiro, uma pergunta: quantas pessoas leem o L’Osservatore Romano? Eu não disse se é lido muito ou pouco. Uma pergunta. Eu acho legítimo perguntar isso, não? E a segunda pergunta, que era mais temática, (eu a fiz) quando, depois de ver todo o novo trabalho de união, o novo organograma, a funcionalização, falei da doença dos organogramas, que dá a uma realidade um valor mais funcional do que real. E digo: com toda essa funcionalidade, que é funcionar bem, não devemos cair no funcionalismo. O funcionalismo é o culto dos organogramas sem levar em conta a realidade. Parece que alguém não entendeu estas duas coisas que eu disse, ou talvez alguém não tenha gostado, ou não sei o quê, e interpretou isso como uma reprovação. É uma coisa normal, é uma pergunta e um aviso. Sim… Talvez algumas pessoas tenham ouvido dizer algo, e …. Acho que o Dicastério é muito promissor, é o Dicastério com o maior orçamento da Cúria no momento, é liderado por um leigo – espero que em breve haja outros liderados por um leigo ou uma leiga – e que está decolando com novas reformas. L’Osservatore Romano, que eu chamo de ‘o jornal do partido’, fez grandes progressos e o esforço cultural que está fazendo é maravilhoso”. A família, o futebol, as lágrimas Ao final da entrevista, outras questões eclesiais são abordadas, como, por exemplo, o caminho sinodal na Alemanha, para o qual o Papa recorda sua carta de junho de 2019, bem como questões internacionais como a independência da Catalunha e as políticas migratórias, para as quais o Pontífice argentino reitera a fórmula dos quatro verbos: “Acolher, proteger, promover, integrar”. O Papa não se esquiva de perguntas mais pessoais sobre temas como sua relação com sua família, em particular com sua avó Rosa, seu apoio ao time de futebol San Lorenzo, seu sentimento de ser “um pecador que tenta fazer o bem”. O Papa Francisco revela que não é um homem de lágrimas fáceis, embora seja verdade que algumas situações lhe causam tristeza, e confessa que o que ele mais sente falta dos tempos de Buenos Aires é “andar de uma paróquia a outra” ou os densos dias nebulosos do outono argentino enquanto escuta a música do compositor argentino Astor Piazzolla. “Eu gostaria de andar pela rua, mas tenho que me conter, porque não poderia andar dez metros”. Com informações de ACI Digital e Vatican News #papafrancisco
- O Papa após a operação: “Nunca passou pela minha cabeça renunciar”
Francisco foi entrevistado por Carlos Herrera da Rádio COPE. Pela primeira vez ele fala sobre a cirurgia em julho e também aborda temas como o Afeganistão, China, eutanásia, reforma da Cúria. Salvatore Cernuzio – Cidade do Vaticano Da operação no cólon a que foi submetido no último dia 4 de julho na Policlínica Gemelli – e suas atuais condições de saúde -, à crise no Afeganistão e à preocupação com a população. Depois o diálogo com a China, o ponto de vista sobre a eutanásia e o aborto, ambos símbolos daquela “cultura do descarte” que sempre foi denunciada, o julgamento no Vaticano e, por fim, os desafios do seu pontificado como a reforma do A Cúria e a luta contra a corrupção e a pedofilia. Pontificado que, tendo chegado quase ao nono ano, ao contrário de boatos que circulam na mídia italiana e argentina, não será interrompido antes do previsto: “Nunca me passou pela cabeça renunciar”. A entrevista que o Papa Francisco concedeu no último final de semana à Rádio Cope, emissora da Conferência Episcopal Espanhola, dura uma hora e meia. Esta é a primeira entrevista após a cirirgia de estenose diverticular e também a primeira para uma rádio na Espanha. A saúde após a operação no Gemelli Em entrevista ao jornalista Carlos Herrera, sob o olhar da imagem tão cara ao Pontífice de Nossa Senhora Desatadora dos Nós, colocada no hall da Casa Santa Marta, o Papa fala de temas da atualidade e não se esquiva das perguntas mais pessoais. A começar pela pergunta mais simples mas, neste momento de recuperação pós-operatória, a mais importante: “Como o senhor está?”. “Ainda estou vivo”, responde Francisco com um sorriso. E conta que a sua vida foi salva por um enfermeiro do serviço de saúde da Santa Sé, “um homem com mais de 30 anos de experiência”, que insistiu na cirurgia: “Ele salvou a minha vida! Disse-me: ‘Deve fazer uma operação’”. E isso, apesar do parecer contrário de alguns que sugeriram um tratamento “com antibióticos”. A insistência do enfermeiro, em vez disso, mostrou-se providencial, visto que a cirurgia revelou um quadro necrótico: agora, após a operação, revela Francisco, “tenho 33 centímetros a menos de intestino”. Fato, entretanto, que não o impede de levar uma vida “totalmente normal”. “Posso comer de tudo” e, tomando os “remédios adequados”, manter a agenda lotada: “Hoje, audiência toda a manhã, toda a manhã”. Agenda que inclui também a viagem à Eslováquia e à Hungria de 12 a 15 de setembro próximo, a 34ª de seu pontificado. “Renúncia? Nunca pensei nisso” Ainda falando da própria saúde, o Papa desmente categoricamente as especulações de alguns jornais italianos e argentinos sobre uma possível renúncia ao pontificado. Questionado a este respeito, Francisco afirma: “Nunca me passou pela cabeça … Não sei de onde tiraram a ideia de que eu renunciaria!”. Com um toque de ironia, o Papa também explica que veio a saber de tais notícias muito depois: “Disseram-me também que na semana passada estava na moda. Eva (Fernández, correspondente da Cope para a Itália e o Vaticano, ndr ) disse-me … e eu disse a ela que não fazia ideia, porque aqui só leio um jornal de manhã, o jornal de Roma. Eu o leio porque gosto da forma como é apresentado um título, o leio rapidamente e pronto, não me deixo envolver no jogo. Eu não assisto televisão. E recebo, sim, mais ou menos, um relato das notícias do dia, mas descobri muito mais tarde, alguns dias depois, que havia algo sobre minha renúncia. Sempre que um Papa está doente, há sempre uma brisa ou um furacão de Conclave”. A crise no Afeganistão Amplo espaço na entrevista é dedicado à crise no Afeganistão, ferido pelos recentes ataques kamikaze e pela sangria de cidadãos após a tomada do poder pelo Talibã. “Uma situação difícil”, observa o Papa Francisco, que não entra em detalhes sobre os esforços que a Santa Sé vem realizando no plano diplomático para evitar represálias contra a população, mas elogia o trabalho da Secretaria de Estado. “Estou certo que está ajudando ou pelo menos oferecendo ajuda”, afirma, definindo o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, como “o melhor diplomata que já conheci”: “Um diplomata que acrescenta, não um daqueles que subtrai, quem está sempre procurando, um homem de acordo”. O Papa cita a seguir a chanceler alemã Angela Merkel, “uma das grandes figuras da política mundial”, em seu pronunciamento de 20 de agosto em Moscou: “É necessário colocar um fim na política irresponsável de intervir do exterior e construir a democracia em outros países, ignorando as tradições do povo”. “Incisivo… mas percebi um senso de sabedoria diante das palavras dessa mulher”, afirma Francisco. E, quando questionado a este respeito, define a retirada dos Estados Unidos do Afeganistão como “lícita”, após vinte anos de ocupação, mesmo se “o eco que existe em mim seja outra coisa”, nomeadamente o fato de “deixar o povo afegão ao seu destino”. Para o Papa, de fato, o problema a ser resolvido é outro: “Como desistir, como negociar uma saída”. “Pelo que vejo – diz ele na entrevista – nem todas as eventualidades foram levadas em consideração aqui, ao que parece, não quero julgar, nem todas as eventualidades. Não sei se haverá uma revisão ou não, mas certamente houve muito engano talvez por parte das novas autoridades. Eu falo em engano ou muita ingenuidade, não entendo”. Diálogo com a China: este é o caminho a seguir Do Afeganistão, o olhar permanece na Ásia, mas se desloca para a China e ao acordo sobre nomeação dos bispos renovado por mais dois anos. “Há quem insista que o senhor não se renove o acordo que o Vaticano assinou com aquele país, porque põe em perigo a sua autoridade moral”, observa o jornalista. “A China não é fácil, mas estou convencido de que não devemos renunciar ao diálogo”, responde o Papa. “Pode-se enganar no diálogo, pode-se cometer erros, tudo isso … mas é o caminho a seguir. Mas é o caminho a seguir. O que foi alcançado até agora na China foi pelo menos o diálogo … algumas coisas concretas como a nomeação de novos bispos, lentamente … Mas esses são passos que podem ser discutidos e os resultados de uma parte ou de outra”. A inspiração do Cardeal Casaroli Para o Papa, o ponto de referência e inspiração é o cardeal Agostino Casaroli, por muito tempo secretário de Estado durante o pontificado de João Paulo II, já com João XXIII “o homem encarregado de construir pontes com a Europa Central”. O Pontífice cita “um belíssimo livro”, O martírio da paciência, no qual o purpurado narra suas experiências nos países comunistas: “Foi um pequeno passo atrás do outro, para construir pontes … Lentamente, lentamente, lentamente, foi conseguindo reservas de relações diplomáticas que no final significava nomear novos bispos e cuidar do povo fiel de Deus. Hoje, de alguma forma, devemos seguir passo a passo os caminhos do diálogo nas situações mais conflituosas”. A experiência com o Islã, com o Grande Imame Al-Tayyeb, foi muito positiva em muitos aspectos: “O diálogo, sempre o diálogo ou disponibilidade ao diálogo”. Os desafios do pontificado E o diálogo é uma das pedras angulares desses oito anos de pontificado que o Papa Francisco recorda na entrevista. A começar pela eleição de 13 de março de 2013, totalmente inesperada (“vim aqui com uma valise”), passando pelos vários desafios sempre enfrentados com o objetivo de concretizar o que foi acordado pelos cardeais nas reuniões pré-Conclave, tudo resumido na Evangelii Gaudium: “Penso que ainda existam diversas coisas a serem feitas, mas nada foi inventado por mim. Estou obedecendo ao que foi estabelecido no tempo devido”. “Pequenos ajustes” na Cúria Romana A reforma da Cúria Romana, novos avanços na transparência das finanças vaticanas e a prevenção de casos de abusos dentro da Igreja são as três questões nas quais Jorge Mario Bergoglio está trabalhando intensamente. Sobre a reforma da Cúria, o Papa assegura que “está andando passo a passo e bem” e revela que neste verão ele estava prestes a terminar de ler e assinar a nova constituição apostólica “Praedicar Evangelium”, cuja publicação foi, no entanto, atrasada “por causa da minha doença”. O documento, por sua vez, explica o Pontífice, “não conterá nada de novo em relação ao que vemos agora”, apenas algumas fusões de Dicastérios, como a Educação Católica com o Pontifício Conselho para a Cultura e o Dicastério da Nova Evangelização que se unirá à Propaganda Fide. “Pequenos ajustes”, explica o Papa. O julgamento no Vaticano A luta contra a corrupção nas finanças vaticanas continua a ser uma luta importante. “Foram feitos progressos na consolidação da justiça no Estado do Vaticano”, diz o Pontífice, e isto permitiu “que a justiça fosse mais independente, com meios técnicos, também com testemunhos registrados, coisas técnicas atuais, a nomeação de novos juízes, novos promotores…”. A referência é também para o maxi julgamento que começou em 27 de julho passado no Vaticano pelos atos ilícitos realizados com os fundos da Secretaria de Estado, que vê entre os dez réus o ex-substituto da Secretaria de Estado, o cardeal Angelo Becciu. Francisco, lembrando que todo o caso começou com as queixas de duas pessoas que trabalhavam no Vaticano e que viram irregularidades em seu trabalho, reiterou que ele não tem “medo da transparência ou da verdade”. Às vezes dói muito, mas a verdade é o que nos liberta”. Quanto a Becciu, cujas prerrogativas e direitos como cardeal ele revogou, explica que o cardeal havia sido julgado porque a lei do Vaticano assim o prevê: “Quero que ele seja inocente de todo o meu coração. Ele foi um colaborador meu e me ajudou muito. Ele é alguém por quem eu tenho uma certa estima como pessoa, então meu desejo é que ele se saia bem. Mas é uma forma afetiva da presunção de inocência… Além da presunção de inocência, eu quero que ele se saia bem. Agora cabe aos tribunais decidirem”. Luta contra a pedofilia, apelo aos governos contra a pornografia infantil O Papa também fala de justiça no que diz respeito ao flagelo da pedofilia. Quando perguntado sobre isto, ele primeiro elogia o cardeal Sean O’Malley, presidente da Comissão para a Proteção de Menores, por sua “coragem” e por todo o trabalho feito contra este crime desde quando era arcebispo de Boston, depois lança um forte apelo internacional aos governos para agirem e reagirem contra a pornografia infantil, “um problema global e grave”. “Às vezes me pergunto como alguns governos permitem a produção de pornografia infantil. Que não digam que não sabem. Hoje, com os serviços secretos, sabemos tudo. Um governo sabe que em seu país se produz pornografia pedófila. Para mim, esta é uma das coisas mais monstruosas que eu já vi”. Eutanásia, sinal da “cultura do descartável Com igual vigor, o Papa também aborda a questão da eutanásia, à luz das recentes leis aprovadas na Espanha. A legalização desta prática é um sinal da “cultura do descartável” que agora permeia as sociedades modernas: “O que é inútil é descartado”. Os idosos são descartáveis: eles são um incômodo. Também os doentes terminais; até mesmo as crianças indesejadas, e elas são enviadas ao remetente antes de nascerem”, afirma. É aquela “cultura do descarte”, denunciada desde o início do pontificado, que tem um grande impacto sobre o “inverno demográfico” do Ocidente e que afeta particularmente países como a Itália, onde a idade média é de 47 anos. “A pirâmide se inverteu… A cultura demográfica está com prejuízo porque olha para o lucro. Olha para o da frente… e às vezes usando a compaixão! O que a Igreja pede é que se ajudem as pessoas a morrerem com dignidade. Ela sempre o fez”, comenta Francisco. Ele não deixa de estigmatizar o aborto mais uma vez: “Diante de uma vida humana, eu me faço duas perguntas: é lícito eliminar uma vida humana para resolver um problema? É correto contratar um assassino para resolver um problema?”. A esperança de estar em Glasgow para Cop26 O Papa também fala de abusos com relação à criação, uma de suas mais profundas preocupações, amadurecida nestes anos de pontificado. Francisco espera estar presente na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) que será realizada de 1º a 12 de novembro em Glasgow: “Em linha de princípio, o programa é que eu vá. Tudo depende de como eu me sinta naquele momento. Mas, na verdade, meu discurso já está sendo preparado, e o programa é de estar presente lá”. O motu proprio “Tratitionis Custodes” O foco da entrevista muda então para o motu proprio Traditionis Custodes, que regula as missas em latim e que neste verão despertou algumas controvérsias nos setores eclesiásticos mais conservadores. O Papa responde a uma pergunta sobre o assunto elencando a cronologia que levou à assinatura do documento: “A história de Traditionis Custodes é longa. Quando Bento XVI tornou possível celebrar com o missal de João XXIII (anterior ao de Paulo VI, que é pós-conciliar) para aqueles que não se sentiam à vontade com a liturgia atual, que tinham uma certa nostalgia… pareceu-me uma das mais belas e humanas ações pastorais de Bento XVI, que é um homem de uma extraordinária humanidade. E assim começou. Esta foi a razão”. “A preocupação” – reitera o Papa, como no texto que acompanha o motu próprio -, “que mais aparecia era que algo feito para ajudar pastoralmente aqueles que tinham vivido uma experiência anterior, se transformasse em uma ideologia. Em outras palavras, uma coisa pastoral transformada em uma ideologia. Por isso tivemos que reagir com regras claras… Se você ler bem a carta e o decreto, você verá que esta é simplesmente uma reorganização construtiva, com cuidado pastoral e evitando excessos”. Recomendações ao Dicastério para a Comunicação Na entrevista com a Cope, também é mencionada a visita de 24 de maio último ao Dicastério para a Comunicação do Vaticano e as palavras de encorajamento, mas também de chamada de atenção dirigidas aos funcionários da mídia do Vaticano. “Foi uma reprimenda”, pergunta o jornalista. “A reação me divertiu”, explica o Papa, “eu disse duas coisas”. Primeiro, uma pergunta: quantas pessoas leem o L’Osservatore Romano? Eu não disse se é lido muito ou pouco. Uma pergunta. Eu acho legítimo perguntar isso, não? E a segunda pergunta, que era mais temática, (eu a fiz) quando, depois de ver todo o novo trabalho de união, o novo organograma, a funcionalização, falei da doença dos organogramas, que dá a uma realidade um valor mais funcional do que real. E digo: com toda essa funcionalidade, que é funcionar bem, não devemos cair no funcionalismo. O funcionalismo é o culto dos organogramas sem levar em conta a realidade. Parece que alguém não entendeu estas duas coisas que eu disse, ou talvez alguém não tenha gostado, ou não sei o quê, e interpretou isso como uma reprovação. É uma coisa normal, é uma pergunta e um aviso. Sim… Talvez algumas pessoas tenham ouvido dizer algo, e …. Acho que o Dicastério é muito promissor, é o Dicastério com o maior orçamento da Cúria no momento, é liderado por um leigo – espero que em breve haja outros liderados por um leigo ou uma leiga – e que está decolando com novas reformas. L’Osservatore Romano, que eu chamo de ‘o jornal do partido’, fez grandes progressos e o esforço cultural que está fazendo é maravilhoso”. A família, o futebol, as lágrimas Ao final da entrevista, outras questões eclesiais são abordadas, como, por exemplo, o caminho sinodal na Alemanha, para o qual o Papa recorda sua carta de junho de 2019, bem como questões internacionais como a independência da Catalunha e as políticas migratórias, para as quais o Pontífice argentino reitera a fórmula dos quatro verbos: “Acolher, proteger, promover, integrar”. O Papa não se esquiva de perguntas mais pessoais sobre temas como sua relação com sua família, em particular com sua avó Rosa, seu apoio ao time de futebol San Lorenzo, seu sentimento de ser “um pecador que tenta fazer o bem”. O Papa Francisco revela que não é um homem de lágrimas fáceis, embora seja verdade que algumas situações lhe causam tristeza, e confessa que o que ele mais sente falta dos tempos de Buenos Aires é “andar de uma paróquia a outra” ou os densos dias nebulosos do outono argentino enquanto escuta a música do compositor argentino Astor Piazzolla. “Eu gostaria de andar pela rua, mas tenho que me conter, porque não poderia andar dez metros”. FONTE: VATICAN NEWS – 1 de setembro de 2021 #RENÚNCIAPAPAFRANCISCO #OPapaapósaoperaçãoNuncapassoupelaminhacabeçarenunciar #PROCESSOVATICANO #PAPAFRANCISCOENTREVISTA #espanha #CÚRIAROMANA #MIGRANTESEREFUGIADOS #AFEGANISTÃO #aborto #papafrancisco #Vaticano #EUTANÁSIA
- Detratores da tradição
Na fatídica sexta-feira, dezesseis de julho de 2021, festa de Nossa Senhora do Carmo, os católicos foram surpreendidos com a explosão impactante da “bomba” do motu próprio Traditionis Custodes proibindo a missa tridentina (ou de São Pio V), conhecida como a “missa de sempre” com restrições carregadas de ressentimentos contra os tradicionalistas católicos. A missa tridentina, resultado da reforma litúrgica do Concílio de Trento (1545-1563), ato que coroou a contra-reforma na promulgação do missal romano pelo Papa São Pio V (1570), mesmo passando por reformas pontuais pelos papas sucessores, nunca foi proibida e muito menos revogada, nem mesmo pela reforma litúrgica do Concilio Vaticano II (1963–1965) e nem pelo novo missal do São Paulo VI (1970) e, mesmo posta em proposital desuso, reconquistou com o motu próprio Summorum Pontificum do Papa Bento XVI (2007), um lugar ao sol na vida da Igreja como forma extraordinária da lex orandi do rito romano, lugar ainda marginal e injusto, porém, dando às gerações dos católicos de hoje conhecer o inestimável tesouro da tradição católica. Fora isso, em analogia com a contra-reforma que combateu contundentemente as heresias protestantes desde o século 16, a missa antiga se coloca como a grande espada, escudo e estandarte da fé católica na promoção da contra-revolução como uma muralha intransponível contra as heresias hodiernas. Foi assim que muitos católicos, a maioria deles jovens, conheceram e acolheram a missa tradicional, sobretudo, ao aprofundar a doutrina e moral católica, estudar a gloriosa história da Igreja, as heresias e os concílios e, de maneira toda particular, ao conhecer a vida dos santos que se santificaram com a antiga missa. Do outro lado, sempre mais à esquerda… é claro rsrs, a mentalidade revolucionária de grande parte dos eclesiásticos, presbíteros e antístites, manifesta uma verdadeira aversão e ódio para com a missa de São Pio V. Uma razão disso é a ignorância e a formação deficitária, outra razão é a doutrinação revolucionária que dominou os espíritos dos doutos e dos incultos nas academias, na política, na cultura e na sociedade em geral, sobretudo, a partir da revolução francesa que fez penetrar suas maléficas teorias, mesmo nos ambientes da Igreja, cooptando para o proselitismo e ativismo revolucionário muitos daqueles que, contrariados com a realidade adversa, se encantaram com o discurso modernista em suas respostas fáceis, ilusórias e imediatistas. Nos ambientes da Igreja, utilizando a linguagem religiosa para camuflar o intento revolucionário, as justificativas modernistas se dão na falsa preocupação com as questões humanitárias e colocando como única proposta a revolução social. A tradição católica, que tem como seu tesouro a missa tridentina, impenetrável a todas as heresias e ventos de errôneas doutrinas, sempre foi aquele grande muro intransponível para a infiltração de idéias revolucionárias abraçando e protegendo os católicos como que ao redil firme e seguro das ovelhas, sob o báculo do Bom Pastor. Assim, a missa antiga vem sendo combatida energicamente pelos revolucionários, pois, a mesma, evoca a tradição católica como aquele patrimônio sólido e insuperável num sistema doutrinal fundamentado na verdade da fé revelada, nas fontes da fé católica, na lei divina e na lei natural, edifício diante do qual, as idéias e modas progressistas não podem resistir sem serem denunciadas, desacreditadas e refutadas. Inconformados, aqueles que deveriam ser na continuidade dos Sumos Pontífices, os guardiões da tradição católica, se empenharam em se tornarem os detratores da tradição. A audácia dos prelados revolucionários foi longe demais ao perceberem o acolhimento e o avanço da missa tridentina, em todo o mundo e nas inúmeras dioceses, mesmo em meio a tantas proibições autoritárias e contínuas perseguições. A missa de sempre vai conquistando o coração da juventude, resgatando a tradição católica na sociedade, formando e edificando famílias cristãs, suscitando novas e crescentes vocações sacerdotais e provocando inúmeras conversões. Ou seja, a missa antiga, além impedir o sucesso do modernismo, ainda promove aqueles princípios e valores católicos perenes que os revolucionários odeiam e não querem de jeito algum. Assim, a estratégia maléfica para proibir a missa tridentina de uma vez por todas, se deu da maneira mais pérfida possível. A acusação de que a missa de São Pio V é utilizada pelos grupos tradicionalistas para contestar o Concilio Vaticano II, a missa nova e o atual Papa foi escolhido como meio mais odioso para tentar barrar o crescimento e a retomada natural do tradicionalismo católico. Uma chuva de articuladas reclamações à Santa Sé, reforçadas pelas consultas às dioceses com perguntas tendenciosas sobre os tradicionalistas e a missa antiga, unidas à frequente pecha de que ser tradicionalista católico é equivalente a um extremismo fatalista foi engenhosamente desenhado. Tal investida levou ao malfadado e proibitivo motu proprio que absurdamente exclui a missa tridentina da lex orandi do rito romano, que impossibilita as celebrações ao acesso dos fiéis e anula a liberdade dos sacerdotes para que celebrem. Como que esse golpe covarde no sentimento católico pode qualificar esses antístites revolucionários e detratores como guardiões da tradição? Mas, essa estratégia é velha e muito conhecida do modus operandi dos revolucionários. É como a preparação de uma bomba que vai explodir no colo de alguém para interceptá-lo, orquestradamente preparada com o interesse de quem fabrica e de quem manda fabricar. Aqueles que odeiam a tradição católica e a missa antiga formam a pólvora das reclamações e quem as recebe consulta os reclamantes para respaldar a fabricação e o lançamento da bomba. O intuito é de fazer explodir sobre quem vão culpar por ter explodido como o causador da explosão. Essa prática odiosa, própria de detratores profissionais, aconteceu com a proibição da missa tridentina a fim de enterrá-la de vez e para única e exclusivamente atingir de cheio os tradicionalistas católicos. Mas essa tentativa tem uma aparente vitória e é desastrosa porque quando a missa de sempre despontar novamente voltará pra ficar! Toda a tentativa de perseguir só servirá para inflamar uma vez mais os corações dos verdadeiros católicos que agora vão celebrar a missa tridentina nas catacumbas de hoje. Agora e cada vez mais, vão se evidenciando os verdadeiros católicos dos superficiais e aventureiros. É a hora de emergir o verdadeiro catolicismo que tentaram afogar. Os detratores são de hoje, de uma época e eles passam. A Igreja Católica é única e verdadeira e, ela é de Cristo, a missa tridentina é de sempre, o sacrifício do calvário é o sacrifício perpétuo e a tradição é perene porque é católica e apostólica. Nos mantenhamos firmes para triunfar com Cristo Rei, com o Imaculado Coração de Maria e com a Santa Igreja exaltada sobre o mundo. Pe. Fábio Fernandes Pároco Paróquia de Nossa Senhora das Angústias – São Paulo – SP FONTE: https://phvox.com.br/ #aversãoeódioparacomamissadeSãoPioV #Detratoresdatradição #lexorandidoritoromano #TraditionisCustodes #SummorumPontificum #missatridentina
- Liturgia Diária – 01/10/21 – 6ª-FEIRA DA 26ª SEMANA – TEMPO COMUM
1ª LEITURA – BR 1,15-22 Pecamos diante do Senhor e lhe desobedecemos. Leitura do Livro de Baruc 1, 15-2215Ao Senhor nosso Deus, cabe justiça; enquanto a nós, resta-nos corar de vergonha, como acontece no dia de hoje aos homens de Judá e aos habitantes de Jerusalém, 16aos nossos reis, nossos príncipes e sacerdotes, aos nossos profetas e nossos antepassados: 17pois pecamos diante do Senhor e lhe desobedecemos18e não ouvimos a voz do Senhor, nosso Deus, que nos exortava a viver de acordo com os mandamentos que ele pôs sob os nossos olhos. 19Desde o dia em que o Senhor tirou nossos pais do Egito, até hoje, temos sido desobedientes ao Senhor nosso Deus, procedemos inconsideradamente, deixando de ouvir sua voz; 20por isso perseguem-nos as calamidades e a maldição, que o Senhor nos lançou por meio de Moisés, seu servo, no dia em que tirou nossos pais do Egito, para nos dar uma terra que mana leite e mel, como de fato é hoje. 21Mas não escutamos a voz do Senhor, nosso Deus, como vem nas palavras dos profetas que ele nos enviou, 22e entregamo-nos, cada qual, às inclinações do perverso coração, para servir a outros deuses e praticar o mal aos olhos do Senhor, nosso Deus! Palavra do Senhor. SALMO – SL 78,1-2. 3-5. 8. 9 (R. 9B) R.Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos, ó Senhor! 1Invadiram vossa herança os infiéis, / profanaram, ó Senhor, o vosso templo, / Jerusalém foi reduzida a ruínas!2Lançaram aos abutres como pasto / os cadáveres dos vossos servidores; / e às feras da floresta entregaram / os corpos dos fiéis, vossos eleitos. R. 3Derramaram o seu sangue como água / em torno das muralhas de Sião, / e não houve quem lhes desse sepultura!4Nós nos tornamos o opróbrio dos vizinhos, / um objeto de desprezo e zombaria / para os povos e àqueles que nos cercam. 5Mas até quando, ó Senhor, veremos isto? / Conservareis eternamente a vossa ira? / Como fogo arderá a vossa cólera? R. 8Não lembreis as nossas culpas do passado, / mas venha logo sobre nós vossa bondade, / pois estamos humilhados em extremo. R. 9Ajudai-nos, nosso Deus e Salvador! / Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos! / Por vosso nome, perdoai nossos pecados! R. EVANGELHO – LC 10,13-16 Quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou. + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 10, 13-16Naquele tempo, disse Jesus: 13Ai de ti, Corazim! Aí de ti, Betsaida! Porque se em Tiro e Sidônia tivessem sido realizados os milagres que foram feitos no vosso meio, há muito tempo teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e sentando-se sobre cinzas. 14Pois bem: no dia do julgamento, Tiro e Sidônia terão uma sentença menos dura do que vós. 15Ai de ti, Cafarnaum! Serás elevada até o céu? Não, tu serás atirada no inferno. 16Quem vos escuta, a mim escuta; e quem vos rejeita, a mim despreza; mas quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou. Palavra da Salvação. SANTA TERESA DO MENINO JESUS, VIRGEM – SANTORAL 1ª LEITURA – IS 66,10-14C Eis que farei correr para ela a paz como um rio. Leitura do Livro do Profeta Isaías 66, 10-14c10Alegrai-vos com Jerusalém e exultai com ela todos vós que a amais; tomai parte em seu júbilo, todos vós que choráveis por ela, 11para poderdes sugar e saciar-vos ao seio de sua consolação, e aleitar-vos e deliciar-vos aos úberes de sua glória. 12Isto diz o Senhor: ‘Eis que farei correr para ela a paz como um rio e a glória das nações como torrente transbordante. Sereis amamentados, carregados ao colo e acariciados sobre os joelhos. 13Como uma mãe que acaricia o filho, assim eu vos consolarei; e sereis consolados em Jerusalém. 14CTudo isso haveis de ver e o vosso coração exultará, e o vosso vigor se renovará como a relva do campo. A mão do Senhor se manifestará em favor de seus servos. Palavra do Senhor. SALMO – SL 130(131),1.2.3 R.Guardai-me, em paz, junto a vós, ó Senhor! 1Senhor, meu coração não é orgulhoso, / nem se eleva arrogante o meu olhar; / não ando à procura de grandezas, / nem tenho pretensões ambiciosas! R. 2Fiz calar e sossegar a minha alma; / ela está em grande paz dentro de mim, / como a criança bem tranqüila, amamentada / no regaço acolhedor de sua mãe. R. 3Confia no Senhor, ó Israel, / desde agora e por toda a eternidade! R. EVANGELHO – MT 18,1-5 Quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe. + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 18, 1-5Naquela hora, 1os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: ‘Quem é o maior no Reino dos Céus?’2Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles3e disse: ‘Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. 4Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus. 5E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe. Palavra da Salvação. Watch this video on YouTube . Watch this video on YouTube . Watch this video on YouTube . #LiturgiaDiária0110216ªFEIRADA26ªSEMANATEMPOCOMUM
- Liturgia Diária – 02/10/21 – SÁBADO DA 26ª SEMANA – TEMPO COMUM
Santos Anjos da Guarda – Memória 2 de Outubro de 2021 – Cor: Branco 1ª Leitura – Ex 23,20-23 Salmo – Sl 90(91),1-2.3-4.5-6.10-11 (R. 11) Evangelho – Mt 18,1-5.10 1 LEITURA – EX 23,20-23 Vou enviar um anjo que vá à tua frente. Leitura do Livro do Êxodo 23, 20-23 Assim diz o Senhor: 20Vou enviar um anjo que vá à tua frente, que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que te preparei. 21Respeita-o e ouve a sua voz. Não lhe sejas rebelde, porque não suportará as vossas transgressões, e nele está o meu nome. 22Se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que eu disser, serei inimigo dos teus inimigos, e adversário dos teus adversários. 23O meu anjo irá à tua frente e te conduzirá à terra dos amorreus, dos hititas, dos fereseus, dos cananeus, dos heveus e dos jebuseus, e eu os exterminarei. Palavra do Senhor. SALMO – SL 90(91),1-2.3-4.5-6.10-11 (R. 11) R.O Senhor deu uma ordem aos seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem. 1Quem habita ao abrigo do Altíssimo / e vive à sombra do Senhor onipotente, 2diz ao Senhor: ‘Sois meu refúgio e proteção, / sois o meu Deus, no qual confio inteiramente’. R. 3Do caçador e do seu laço ele te livra. / Ele te salva da palavra que destrói. 4Com suas asas haverá de proteger-te, / com seu escudo e suas armas, defender-te. R. 5Não temerás terror algum durante a noite, / nem a flecha disparada em pleno dia; 6nem a peste que caminha pelo escuro, / nem a desgraça que devasta ao meio-dia. R. 10Nenhum mal há de chegar perto de ti, / nem a desgraça baterá à tua porta; 11pois o Senhor deu uma ordem a seus anjos / para em todos os caminhos te guardarem. R. EVANGELHO – MT 18,1-5.10 Os seus anjos nos céus vêem sem cessara face do meu Pai que está nos céus. + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 18, 1-5. 10 Naquela hora, 1Os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: ‘Quem é o maior no Reino dos Céus?’2Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles3e disse: ‘Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. 4Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus. 5E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe. 10Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus vêem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus. Palavra da Salvação. Watch this video on YouTube. #poisosenhordeuordemaosseusanjos #AnjodaGuarda #LiturgiaDiária021021SÁBADODA26ªSEMANATEMPOCOMUM #OsseusanjosnoscéusvêemsemcessarafacedomeuPaiqueestánoscéus #queteguardememtodososteuscaminhos #anjo #missadosanjosdaguarda #anjos #liturgiadoanjodaguarda #missadoanjodaguarda




































