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- Atleta olímpica exibe com orgulho sua devoção à Nossa Senhora após ganhar medalha de ouro
Enquanto a atleta subia ao pódio dos vencedores segurando a histórica medalha de ouro em sua mão, uma outra medalha no pescoço da campeã olímpica ganhou destaque! Levantadora de peso das Filipinas deu uma belíssima demonstração de fé e agradecimento ao conquistar o ouro olímpico. ouve muita emoção quando Hidilyn Diaz subiu ao pódio para receber sua medalha de ouro olímpica – a primeira das Filipinas ha história das Olimpíadas. A halterofilista de 30 anos manteve sua reverência durante a execução o hino nacional do país tocava, enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto. A atleta filipina venceu a categoria até 55 kg no Tokyo International Forum e superou a chinesa Liao Qiuyun, dona do recorde mundial, que teve que ficou com o segundo lugar. A cerimônia de premiação ficou ainda mais especial quando a levantadora de peso ergueu sua medalha para mostrar à multidão. No entanto, não era a medalha de ouro reluzente que ela exibia, mas a Medalha Milagrosa de Nossa Senhora , que ela também levava no pescoço. A campeã expressou sua surpresa por ser capaz de chegar ao lugar mais alto do pódio: “Acho que foi Deus e todas as pessoas que oraram por mim… Agradeço a todos aqueles que oraram e fizeram a novena”. Medalha ainda mais preciosa A Medalha Milagrosa de Diaz é, obviamente, muito preciosa para ela. Juntamente com as orações de todos aqueles que a apoiaram em seu caminho, foi fundamental para a vitória. Como ela explicou ao site Spin.Ph , uma amiga dela lhe deu a medalha e fez uma novena por ela: “Ele fez uma oração de nove dias, depois eu também fiz uma novena. [Foi um] sinal de orações e fé em nossa Mãe Maria e em Jesus Cristo”. As orações de todos os seus amigos, familiares e fãs foram certamente atendidas. Com as Filipinas competindo nas Olimpíadas por 97 anos, a primeira vitória de Diaz para o país será, sem dúvida, motivo para uma grande comemoração. É preciso lembrar que o país teve algumas das restrições de quarentena mais severas do mundo durante a pandemia, tornando o treinamento dos atletas extremamente desafiador. Na corrida para sua quarta Olimpíada, tendo ganhado uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, Diaz ficou presa na Malásia sem acesso a equipamentos de treinamento. Ela utilizava mastros e garrafas de água como pesos – e uma força de vontade que só poderia ser enviada do céu. “Achávamos que era impossível, eu também achava que era impossível, essa pandemia, estamos em uma pandemia, as Olimpíadas são impossíveis. Mas estamos aqui agora. Então, nós podemos fazer isso. Não desista. Quaisquer que sejam os desafios e provações, vamos orar a Deus para que Ele nos guie”, compartilhou a campeã com o site ABS-CBN News . Assim, armada com sua medalha e sua forte fé, Diaz superou todas as expectativas. “Fiquei surpresa por conseguir isso. Deus é excepcional ”, destacou ela em entrevista a Gretchen Ho, da Cignal TV. Fonte: Aleteia
- Vaticano senta no banco dos réus pelos abusos econômicos de uma década
Vaticano senta no banco dos réus pelos abusos econômicos de uma década O tribunal da Santa Sé inicia nesta terça-feira um macrojulgamento de dez acusados de desvio de dinheiro e corrupção, incluindo um cardeal pela primeira vez na história DANIEL VERDÚ – EL PAÍS Roma – 27 JUL 2021 – 08:29 BRST O Vaticano vai colocar no banco dos réus nesta terça-feira uma parte dos excessos econômicos e financeiros dos últimos dez anos. O tribunal presidido pelo ex-juiz antimáfia Giuseppe Pignatone julgará um grupo de dez imputados, incluindo, pela primeira vez, um cardeal. Giovanni Angelo Becciu, que era o número dois da poderosa Secretaria de Estado do Vaticano, é o acusado mais importante em um processo histórico que tentará apurar responsabilidades em um “sistema podre e predatório”, segundo o promotor responsável pela instrução, por meio do qual os fundos destinados a caridade foram usados para investimentos obscuros, como a compra em 2015 de um luxuoso edifício de 17.000 metros quadrados no elegante bairro londrino de Chelsea. A Procuradoria do Vaticano, comandada por Gian Piero Milano, considera que o suposto complô executou uma gestão paralela das finanças do Vaticano durante uma década e atribui aos processados os crimes de fraude, lavagem de dinheiro, malversação de fundos e corrupção. Isso acontece justamente no momento em que a Santa Sé tenta dar mostras de transparência ao tornar pública parte de suas contas e o buraco de 273 milhões de euros (1,7 bilhão de reais) que acumula desde 2016. O caso também permite decifrar algumas das grandes lutas pelo poder em Roma nos últimos tempos. Quem quer fazer carreira no Vaticano procura estar perto do Papa. Mas a maioria também sabe que convém não chegar perto demais para não acabar se queimando. O sardo Angelo Becciu (73 anos), substituto na Secretaria de Estado nos tempos de Ratzinger e Francisco, talvez o melhor e mais astuto encanador que a Santa Sé teve em décadas, foi durante anos um dos homens de maior confiança do atual Pontífice. “O único que lhe dizia as coisas na cara quando não concordava”, lembra uma pessoa que o conhece bem. Becciu era o sujeito do alto escalão que sabia tudo sobre quase todo mundo, mas de quem quase ninguém sabia nada, sustenta agora a investigação do caso. É estranho, porém, que ninguém soubesse na Secretaria de Estado, a começar pelo seu titular, Pietro Parolin, de tudo o que ele agora está sendo acusado. Aprenda Usar A lei Da Atração Mudando Suas Vibrações COM O LIVRO (E-BOOK) O IMÃ DA ABUNDÂNCIA Em 24 de setembro, enquanto descansava em seu apartamento no palácio do antigo Santo Ofício, Becciu recebeu um telefonema do Papa convocando-o com urgência. Saiu correndo, caminhou os 400 metros que o separavam de Santa Marta, residência intramuros do Papa, e ouviu surpreso enquanto Francisco lhe pedia explicações sobre supostos casos de corrupção e tratamento favorável a familiares, encomendando e pagando trabalhos em diferentes nunciaturas. Saíram faíscas. O Papa não se convenceu da sua resposta e, sem mais reflexão, lhe pediu que renunciasse aos seus direitos cardenalícios —algo que só aconteceu três vezes em 120 anos e que, de fato, o torna um simples sacerdote vestido de vermelho—e à titularidade do seu dicastério. O departamento de comunicação da Santa Sé não deu uma única explicação e esperou que os corvos, com os tradicionais vazamentos do Vaticano, devorassem o prelado. Logo vieram à tona alguns aspectos de um caso que marcará para o bem ou para o mal a reputação dos tribunais da Santa Sé e sua capacidade de manter o quintal da casa em ordem. A causa central do julgamento que começa nesta terça-feira —dada sua envergadura, terá que ser realizado em uma grande sala dos Museus do Vaticano— é a compra e venda do imóvel em Londres, que Becciu autorizou, custou cerca de 300 milhões de euros (1,84 bilhão de reais) e foi feita por meio de uma série de intermediários que cobravam comissões milionárias e que se reservavam o poder de bloquear movimentos futuros, apesar de praticamente não terem contribuído com capital. A operação foi realizada com os fundos do Óbolo de São Pedro, teoricamente destinados a custear as obras de caridade da Santa Sé. Não foi a primeira vez. E Becciu a autorizou. O prelado se ocupou de 2013 a 2018 dos assuntos mais delicados da Secretaria de Estado e lidou com os maiores escândalos do século XX, como os casos conhecidos como Vatileaks ou a histórica renúncia de Bento XVI. Seu poder era quase ilimitado, tinha acesso a todos os segredos do Vaticano e aparecia, até setembro passado, em todas as apostas como papável no próximo conclave. O setor italiano há muito reivindica o retorno de um dos seus ao trono de Pedro. E Becciu se encaixava. Por isso, pesa também neste julgamento a sombra dos tradicionais jogos de poder da Santa Sé, que já liquidaram neste pontificado os presidentes do Banco do Vaticano, auditores de contas e até um poderoso ministro das finanças (George Pell, acusado e posteriormente absolvido na Austrália por crimes de pedofilia). Uma longa investigação iniciada há dois anos, com cerca de 29.000 páginas, permitiu constatar que a atividade dos imputados supostamente acarretou “consideráveis perdas para as finanças” [entre 73 e 166 milhões de euros, ou seja, de 450.000 a 1,02 bilhão de reais], segundo Nunzio Gallantino, presidente da APSA, o organização que administra os imóveis do Vaticano. Além disso, aponta a acusação, os réus também usaram os recursos destinados às obras de caridade pessoal do Papa para seus supostos crimes. A investigação do caso passou pelos Emirados Árabes Unidos, Reino Unido, Jersey, Luxemburgo, Eslovênia e Suíça. A bancada dos réus é composta por pessoal eclesiástico e laico da Secretaria de Estado, a casa das máquinas do Vaticano, como Mauro Carliono, secretário de Becciu, também acusado de espionagem, e o histórico banqueiro vaticano Enrico Crasso. Mas também por figuras da então Autoridade de Informação Financeira e personagens externas, atuantes no mundo das finanças. O grupo é completado por uma misteriosa mulher de 49 anos, Cecilia Marogna, uma suposta especialista em relações internacionais, a quem Becciu teria transferido até 600.000 euros (3,7 milhões de reais) em fundos reservados para realizar missões diplomáticas secretas e proteção de nunciaturas em áreas de risco. Mas parte desse dinheiro foi gasto em itens de luxo, como bolsas Prada ou uma poltrona de 12.000 euros (74.000 reais), segundo ela mesma. Marogna —de origem da Sardenha, como o cardeal—nunca escondeu isso: “Talvez a bolsa fosse para a esposa de um amigo nigeriano que pudesse falar com o presidente de Burkina Faso”. Esse dinheiro fazia parte de seus honorários e o gastou como quis, argumentou: “Não sou missionária, não trabalho de graça”. Quase nenhum dos envolvidos também. A operação londrina permitiu a entrada de uma série de agentes comissionados, como Raffaele Mincione, dono de um fundo de investimentos luxemburguês, que se aproveitaram do tradicional analfabetismo financeiro dos funcionários do Vaticano. Descoberto o desastre, e para se livrar de Mincione, foi escolhido como novo intermediário Gianluigi Torzi, corretor que negociou a saída de seu antecessor, indenizando-o em 40 milhões de libras esterlinas (288 milhões de reais) e alterando o acordo financeiro para que o Vaticano finalmente se tornasse o único proprietário do edifício. Mas Torzi, que foi contratado pelo sucessor de Becciu (o venezuelano Edgar Peña Parra), assumiu o controle da propriedade do Vaticano (por meio de ações com direito a voto) e, em seguida, supostamente extorquiu a Secretaria de Estado para obter 15 milhões de euros (93 milhões de reais) por sua saída, segundo o texto da acusação do tribunal penal. A cereja do bolo é que os fundos usados para a causa em julgamento vieram do Óbolo de São Pedro, instrumento que canaliza as doações de todas as igrejas do mundo para a Santa Sé e que, teoricamente, são destinadas à caridade. Os fundos são recolhidos todo dia 29 de junho (cerca de 600 milhões de euros). Eram administrados pela Secretaria de Estado —o Papa já destituiu este departamento dessas funções— e muitos, como o próprio Becciu, defendiam que deveriam ser investidos em outras atividades para que seu valor não diminuísse. Na realidade, apenas 10% desse dinheiro é usado para fins de caridade, o restante serve para custear as despesas da Cúria Romana, nunciaturas, a comunicação e até os tribunais eclesiásticos. Contudo, desta vez, acabaram enterrados sob os tijolos de um edifício em Londres e nas mãos de agentes comissionados, espiões e fundos de investimento. FONTE: https://brasil.elpais.com/internacional/2021-07-27/vaticano-senta-no-banco-dos-reus-pelos-abusos-economicos-de-uma-decada.html?outputType=amp #incluindoumcardealpelaprimeiraveznahistória #Pontífice #GiovanniAngeloBecciu #AngeloBecciu #dicastério #NunzioGallantino #GianPieroMilano #gestãoparaleladasfinançasdoVaticano #Vaticanosentanobancodosréuspelosabusoseconômicosdeumadécada #exjuizantimáfiaGiuseppePignatone #Vaticano #Ratzinger #OtribunaldaSantaSéinicianestaterçafeiraummacrojulgamentodedezacusadosdedesviodedinheiroecorrupção
- Quando nos consagramos a Nossa Senhora, podemos rezar por outras pessoas?
Na consagração a nosso Senhor Jesus Cristo e a Santíssima Virgem Maria, ou escravidão de amor, entregamos os nossos bens interiores, o valor de nossas boas obras passadas, presentes e futuras a Nossa Senhora. Ao saber disso muitos imaginam que ficarão desamparados, ou ainda pensam que consagrar o valor de todas as suas orações, mortificações e esmolas, impossibilitará de socorrer as almas de parentes, amigos e benfeitores. Leia esta formação para compreender melhor o significado dos Valores Meritório, Satisfatório e Impetratório e descubra como funciona a partir da consagração. Quem está em estado de graça é como o ramo ligado à videira, que é Cristo (ler Jo 15,5). Pode dizer com São Paulo: “Já não sou em que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). Quando faz uma boa obra, não age sozinho. Cristo age nele e faz com que essa obra tenha méritos sobrenaturais, ou seja, mereça um aumento da graça e a glória eterna. Esse mérito é obtido por justiça e não pode ser transferido para outra pessoa. Chama-se mérito de condigno. Esse mérito é semelhante ao do operário que, por ter trabalhado, merece por justiça o seu salário. Mas além dele, há um outro mérito que adquirimos quando praticamos uma boa obra. É chamado mérito de côngruo. Não o merecemos por estrita justiça, mas por conveniência. Convém, por exemplo, que a pessoa que nos fez um favor receba nossa recompensa agradecida. Convém que o soldado que lutou bravamente na guerra receba, além do seu soldo, uma condecoração. Convém que o empregado que se dedicou extraordinariamente a servir o patrão, receba, além do salário, uma gratificação. Convém que aquele que usa o seu livre arbítrio para cumprir a vontade de Deus, receba dele uma recompensa. Antes de continuar a leitura, assista: Esse mérito de conveniência, ou de côngruo, pode ser usado em nosso favor ou em favor de outra pessoa. Como? Satisfazendo a pena devida pelos pecados cometidos por nós ou por outra pessoa (por exemplo, por uma alma do purgatório). Este é o valor satisfatório de nossas boas obras. Impetrando de Deus algum favor. Por exemplo, pode-se dar uma esmola tendo em vista obter a cura de uma doença ou a vitória sobre um vício ou o aumento das vocações sacerdotais. Esse é o valor impetratório de nossas boas obras. Você pode pedir a um padre ou a uma freira que reze um terço, oferecendo-o em sua intenção. E eles podem aceitar o seu pedido. Por quê? Porque o valor (impetratório) da recitação do terço pertence a eles. Eles podem aplicar o seu terço por quem quiserem, inclusive por você. Você mesmo pode fazer um dia de jejum e oferecer a Deus para satisfazer as penas devidas pelas almas do purgatório. Pode comungar e oferecer a Santa Comunhão pela conversão dos pecadores. Pode dar uma esmola e oferecer o valor dessa boa obra pelos governantes do país. Pode visitar algum doente e oferecer isso pela sua própria santificação. Numa palavra: suas obras são suas, e o que você merece quando as pratica pertence a você. O mérito por justiça (de condigno) é intransferível, mas o mérito de conveniência (de côngruo) você pode aplicar como quiser, seja para obter de Deus algum favor (valor impetratório), seja para satisfazer a pena devida a um pecado seu ou alheio (valor satisfatório). Leia também Por que muitos católicos se cumprimentam dizendo Salve Maria? Os religiosos, que renunciam a tanta coisa, não são obrigados a renunciar ao valor de suas boas obras. Mas aquele que se consagra a Maria na qualidade de escravo, como ensina São Luís, não pode mais dispor do valor de nenhuma de suas boas ações. “Tudo que sofre, tudo que pensa, diz e faz pertence a Maria, para que ela de tudo disponha conforme a vontade e para a maior glória de seu Filho” (TVD, nº 124). Uma comparação Suponhamos que você trabalhe numa confeitaria e saiba fazer bolos. Depois de prontos, você reparte os bolos para quem quiser. Cada qual recebe uma fatia segundo a sua vontade. Você continuará fabricando seus bolos, mas os entregará todos a Maria. E será ela que vai decidir quem receberá as fatias e que tamanho cada fatia terá. Em sua outra obra “O segredo de Maria”, São Luís explica: “Deixa-se à sua inteira disposição todo o valor satisfatório e impetratório de todas as obras: assim, após a oblação que delas se fez, embora sem nenhum voto, não se é mais senhor do bem que se faz; mas a Santíssima Virgem pode aplicá-lo a uma alma do Purgatório, para aliviá-la ou livrá-la, ou a um pobre pecador para convertê-lo” . Leia também Casais que “vivem juntos” e não possuem o Sacramento do Matrimônio, podem se consagrar a Nossa Senhora? Um segredo: quando você entrega o bolo a ela, ela o faz crescer com suas mãos puríssimas. E assim as fatias aumentam de tamanho. “ É preciso notar ainda que nossas obras, passando pelas mãos de Maria, recebem um aumento de pureza, e, por conseguinte, de mérito e de valor satisfatório e impetratório; por isso elas se tornam muito mais capazes de aliviar as almas do purgatório e de converter os pecadores do que se não passassem pelas mãos virginais e liberais de Maria. O pouco que damos pela Santíssima Virgem, sem vontade própria, e por uma desinteressada caridade, torna-se em verdade, bem mais potente para abrandar a cólera de Deus e atrair sua misericórdia; e há de verificar-se à hora da morte que uma pessoa fiel a esta prática terá, por este meio, libertado inúmeras almas do purgatório, e convertido muitos pecadores, conquanto só tenha feito as ações comuns e ordinárias do seu estado. Que alegria haverá em seu julgamento! Que glória na eternidade!” (TVD, nº 172). E o que fazemos com os nossos méritos por justiça (de condigno)? Nós também entregamos a Maria não para que ela os comunique a outra pessoa (pois eles são intransferíveis), mas para que ela os conserve, aumente e embeleze. Em “O segredo de Maria” e no “Tratado”, São Luís explica: “Põem-se, por esta devoção, os méritos próprios nas mãos da Santa Virgem; mas é para guardá-los, aumentá-los e embelezá-los, pois nós não podemos comunicar uns aos outros nem méritos da graça santificante nem da glória” (SM, n. 31). Leia também Faça conosco o Curso de Formação para a Consagração a Nossa Senhora | Online e Gratuito Assista também esta formação de aprofundamento: Fonte: Livro de Ouro #ConsagraçãoàNossaSenhora #FormaçõesCatólicas #TotalConsagração
- Quando nos consagramos a Nossa Senhora, podemos rezar por outras pessoas?
Na consagração a nosso Senhor Jesus Cristo e a Santíssima Virgem Maria, ou escravidão de amor, entregamos os nossos bens interiores, o valor de nossas boas obras passadas, presentes e futuras a Nossa Senhora. Ao saber disso muitos imaginam que ficarão desamparados, ou ainda pensam que consagrar o valor de todas as suas orações, mortificações e esmolas, impossibilitará de socorrer as almas de parentes, amigos e benfeitores. Leia esta formação para compreender melhor o significado dos Valores Meritório, Satisfatório e Impetratório e descubra como funciona a partir da consagração. Quem está em estado de graça é como o ramo ligado à videira, que é Cristo (ler Jo 15,5). Pode dizer com São Paulo: “Já não sou em que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). Quando faz uma boa obra, não age sozinho. Cristo age nele e faz com que essa obra tenha méritos sobrenaturais, ou seja, mereça um aumento da graça e a glória eterna. Esse mérito é obtido por justiça e não pode ser transferido para outra pessoa. Chama-se mérito de condigno. Esse mérito é semelhante ao do operário que, por ter trabalhado, merece por justiça o seu salário. Mas além dele, há um outro mérito que adquirimos quando praticamos uma boa obra. É chamado mérito de côngruo. Não o merecemos por estrita justiça, mas por conveniência. Convém, por exemplo, que a pessoa que nos fez um favor receba nossa recompensa agradecida. Convém que o soldado que lutou bravamente na guerra receba, além do seu soldo, uma condecoração. Convém que o empregado que se dedicou extraordinariamente a servir o patrão, receba, além do salário, uma gratificação. Convém que aquele que usa o seu livre arbítrio para cumprir a vontade de Deus, receba dele uma recompensa. Antes de continuar a leitura, assista: Esse mérito de conveniência, ou de côngruo, pode ser usado em nosso favor ou em favor de outra pessoa. Como? Satisfazendo a pena devida pelos pecados cometidos por nós ou por outra pessoa (por exemplo, por uma alma do purgatório). Este é o valor satisfatório de nossas boas obras. Impetrando de Deus algum favor. Por exemplo, pode-se dar uma esmola tendo em vista obter a cura de uma doença ou a vitória sobre um vício ou o aumento das vocações sacerdotais. Esse é o valor impetratório de nossas boas obras. Você pode pedir a um padre ou a uma freira que reze um terço, oferecendo-o em sua intenção. E eles podem aceitar o seu pedido. Por quê? Porque o valor (impetratório) da recitação do terço pertence a eles. Eles podem aplicar o seu terço por quem quiserem, inclusive por você. Você mesmo pode fazer um dia de jejum e oferecer a Deus para satisfazer as penas devidas pelas almas do purgatório. Pode comungar e oferecer a Santa Comunhão pela conversão dos pecadores. Pode dar uma esmola e oferecer o valor dessa boa obra pelos governantes do país. Pode visitar algum doente e oferecer isso pela sua própria santificação. Numa palavra: suas obras são suas, e o que você merece quando as pratica pertence a você. O mérito por justiça (de condigno) é intransferível, mas o mérito de conveniência (de côngruo) você pode aplicar como quiser, seja para obter de Deus algum favor (valor impetratório), seja para satisfazer a pena devida a um pecado seu ou alheio (valor satisfatório). Leia também Por que muitos católicos se cumprimentam dizendo Salve Maria? Os religiosos, que renunciam a tanta coisa, não são obrigados a renunciar ao valor de suas boas obras. Mas aquele que se consagra a Maria na qualidade de escravo, como ensina São Luís, não pode mais dispor do valor de nenhuma de suas boas ações. “Tudo que sofre, tudo que pensa, diz e faz pertence a Maria, para que ela de tudo disponha conforme a vontade e para a maior glória de seu Filho” (TVD, nº 124). Uma comparação Suponhamos que você trabalhe numa confeitaria e saiba fazer bolos. Depois de prontos, você reparte os bolos para quem quiser. Cada qual recebe uma fatia segundo a sua vontade. Você continuará fabricando seus bolos, mas os entregará todos a Maria. E será ela que vai decidir quem receberá as fatias e que tamanho cada fatia terá. Em sua outra obra “O segredo de Maria”, São Luís explica: “Deixa-se à sua inteira disposição todo o valor satisfatório e impetratório de todas as obras: assim, após a oblação que delas se fez, embora sem nenhum voto, não se é mais senhor do bem que se faz; mas a Santíssima Virgem pode aplicá-lo a uma alma do Purgatório, para aliviá-la ou livrá-la, ou a um pobre pecador para convertê-lo” . Leia também Casais que “vivem juntos” e não possuem o Sacramento do Matrimônio, podem se consagrar a Nossa Senhora? Um segredo: quando você entrega o bolo a ela, ela o faz crescer com suas mãos puríssimas. E assim as fatias aumentam de tamanho. “ É preciso notar ainda que nossas obras, passando pelas mãos de Maria, recebem um aumento de pureza, e, por conseguinte, de mérito e de valor satisfatório e impetratório; por isso elas se tornam muito mais capazes de aliviar as almas do purgatório e de converter os pecadores do que se não passassem pelas mãos virginais e liberais de Maria. O pouco que damos pela Santíssima Virgem, sem vontade própria, e por uma desinteressada caridade, torna-se em verdade, bem mais potente para abrandar a cólera de Deus e atrair sua misericórdia; e há de verificar-se à hora da morte que uma pessoa fiel a esta prática terá, por este meio, libertado inúmeras almas do purgatório, e convertido muitos pecadores, conquanto só tenha feito as ações comuns e ordinárias do seu estado. Que alegria haverá em seu julgamento! Que glória na eternidade!” (TVD, nº 172). E o que fazemos com os nossos méritos por justiça (de condigno)? Nós também entregamos a Maria não para que ela os comunique a outra pessoa (pois eles são intransferíveis), mas para que ela os conserve, aumente e embeleze. Em “O segredo de Maria” e no “Tratado”, São Luís explica: “Põem-se, por esta devoção, os méritos próprios nas mãos da Santa Virgem; mas é para guardá-los, aumentá-los e embelezá-los, pois nós não podemos comunicar uns aos outros nem méritos da graça santificante nem da glória” (SM, n. 31). Leia também Faça conosco o Curso de Formação para a Consagração a Nossa Senhora | Online e Gratuito Assista também esta formação de aprofundamento: Fonte: Livro de Ouro #ConsagraçãoàNossaSenhora #FormaçõesCatólicas #TotalConsagração
- FAMÍLIAS ESPIRITUAIS – Prudente de Morais, neto
A observação e a experimentação, métodos de investigação científica, definem psicologicamente duas famílias de espíritos, como as “raízes e caramujos”, de que falava o poeta Carlos Drummond de Andrade num poeminha talvez renegado pelo autor, já que não foi incluído em qualquer dos seus livros, o que aliás, parece atitude de excessivo rigor. É certo que o poeminha não acrescentaria à obra do poeta senão o registro de um momento, possivelmente menos importante, para o autor. Para o leitor, porém, e para o estudo do poeta, esse momento interessa. Não havia por que suprimi-lo, uma vez que não é um simples esboço inacabado, cujo recolhimento exigiria classificação à parte e publicação especial. O fato, entretanto, é que o poeta preferiu omiti-lo, embora não militem contra ele as razões que mantiveram impublicadas algumas outras manifestações da primeira fase revolucionária da poesia de Carlos Drummond. Voltando ao assunto, que é o das “grandes famílias espirituais”, constituídas a partir da adoção de um ou de outro daqueles dois métodos de investigação científica, notemos que a observação nos impõe principalmente uma disciplina crítica. Sua técnica é a da boca de espera, não a da iniciativa. Essa técnica nos submete às manifestações objetivas dos fenômenos em observação. Não é criadora, é interpretativa. Na interpretação é que intervirá, a seguir, a capacidade intuitiva de ligar entre si os fatos, de modo a conferir-lhes um sentido global que os integre numa explicação de conjunto. Mas, a submissão ao real é a marca definidora e característica do trabalho de observação e da atitude intelectual que ele impõe. Essas características não podem estar ausentes das investigações experimentais, é claro. Não estão ausentes, mas nelas não predominam. A experimentação parte de uma construção criadora, que é submetida à verificação posterior. Uma hipótese é elaborada, é estudada em suas consequências. Se, na verificação experimental, estas ocorrerem conforme a hipótese, estará confirmada a construção. Se, ao contrário, os fatos não se ajustarem à teoria proposta para explicá-los, será preciso corrigir, modificar ou substituir a teoria, o que custa, muitas vezes, pesar e decepção profunda para seu autor. É como levar uma corrida de barbada e perdê-la, na regra, sem acidente, imperícia ou desculpa: perdê-la, simplesmente, porque a suposta barbada… não era. Entre a bolação e a verificação experimental, corre o espírito um sério risco: o de perder-se na idolatria do que ele mesmo construiu. Projetando sua construção sobre os fatos, acaba por encobri-los, subestimá-los, desprezá-los como irrelevantes, em face da grandiosidade da concepção subjetiva. Essa atitude, contra a qual se previnem constantemente os homens de laboratório, em defesa da segurança das suas conclusões, decorre da ativação das qualidades propícias à concepção de novas hipóteses, com o poder da imaginação. Com sua força criadora, que continua a atuar ainda no momento de abster-se. A imaginação criadora costuma funcionar em correntes contínuas. Ela marca um estilo de comportamento diante das coisas. E pode existir, como efetivamente existe, sem a contrapartida dos controles a que o laboratório obriga. Muitas indagações científicas que, sem embargo dessa condição, não se sujeitam às técnicas de laboratório, oferecem um campo imenso à expansão desse espírito criador, que usa a técnica científica apenas no que ela lhe possa aproveitar, isto é, enquanto trabalhe a seu favor, mas não hesita em abandoná-la, se acaso pressentir uma conclusão negativa nos seus resultados. Por esse caminho, não se constrói a ciência, mas a meia-ciência, que é uma contrafação, uma falsificação, uma perversão do conhecimento, mil vezes mais nefasta que a pura e santa ignorância indissimulada, autêntica. (Em O Estado de São Paulo, 07/02/1969)
- OS RISCOS DA ‘SOCIEDADE ABERTA’
O que a humanidade perdeu ou ganhou no seu inevitável e multimilenar trânsito do campo para as cidades? Ficou mais rica e saudável? Cresceu em virtudes? Debilitou-se moralmente? Todos já fomos caipiras, um dia: décadas atrás ou há alguns milênios. A urbanização, contudo, é uma vocação inevitável para a maioria das pessoas, mas cada época apresenta os próprios problemas. Tome-se como exemplo o caipira paulista e mineiro, do qual a maioria de nós descende. Ao migrar para os grandes centros urbanos, sua vida não se tornou menos íngreme do que era antes: a ladeira do trabalho continuava difícil de subir. Mas se, ao trocar o serviço da roça pela operação de máquinas industriais, não ficou livre do esforço físico, a jornada de trabalho passou a ser mais limitada: o grande êxodo rural brasileiro, em meados do século XX, foi posterior à legislação trabalhista da CLT dos anos trinta, mais favorável a empregados. Contudo, a troca do trabalho rural, mais livre e a céu aberto, pelo industrial, mecanizado e uniforme, em geral em ambiente fechado e pouco salubre, certamente não esteve isenta de consequências tanto na saúde física quanto psíquica. O esforço físico diminuiu ainda mais com a crescente automação do setor industrial, mas quando a produção passou a ser mais planejada, com o aprimoramento da tecnologia do trabalho e o melhor êxito da fabricação em série, passou a conhecer uma espécie de sofrimento antes desconhecida: a pressão psicológica pelo desempenho, pois era necessário lutar pela manutenção de uma vaga mais qualificada, numa sociedade cada vez mais competitiva em que as estações de trem, e depois de ônibus, não deixavam de acolher, vindos do interior, uma massa crescente de futuros concorrentes ao mesmo posto de trabalho. Os filhos e netos do caipira, já nascidos na cidade grande, tiveram oportunidade de trabalhar em atividades menos fatigantes do que carpir mato ou operar máquinas arcaicas: além dos que permaneceram na fábrica do pai e do avô, agora tecnologicamente mais bem aparelhadas, ou noutras atividades que também demandavam como levantar ou pintar paredes, outros preferiram dirigir táxis e caminhões, entregar mercadorias, cuidar de jardins da classe média. Um número menor conseguiu ir para o serviço bancário ou o mundo da contabilidade, o comércio ou o serviço público, a advocacia ou o magistério. Em geral, este é o percurso intergeracional dos homens e mulheres que deixaram o campo para melhorar de vida nas cidades. E assim são as cidades de hoje, com suas indústrias e serviços, seus moradores mais rudes ou mais “civilizados”: alguns, por ainda conservarem a fibra dos antepassados lavradores, são mais capazes de enfrentar com menos prejuízo as provações da vida presente; e muitos outros não, certamente a maioria, já contaminados pelo regime de facilidade com que a sociedade industrial e pós-industrial — a open society dos liberais progressistas — vem condicionando o comportamento e as expectativas humanas, reduzidos ao aqui e agora da carne perecível. Aqui chega-se ao ponto decisivo do jogo: a questão da educação moral do homem moderno, mais afeito ao transitório que ao permanente, já bem distanciado de suas origens rurais e interioranas. A que preceptores foi entregue, depois que boa parte da Igreja, cansada de sua missão sobrenatural, rompeu com a própria tradição magisterial e decidiu transigir com o mundo, com suas mais recentes e inaceitáveis exigências no terreno da sexualidade e da família, complacente com o divórcio, o aborto, a eutanásia, a contracepção, a prática homossexual tanto fora quanto intramuros? A Igreja sempre educou para as coisas difíceis ou dolorosas de suportar: as durezas da vida. Em nenhum momento dos evangelhos se diz que o homem tem o direito de esperar pelo paraíso neste mundo. É exatamente o contrário. O “toma a tua cruz e me segue” talvez seja a melhor e mais breve síntese do cristianismo: a primeira frase do período resume a moral cristã, a segunda o fim último da vida (que, ao menos para um certo número de pessoas, continua a ser a salvação das almas). A moral cristã não visa nada mais, além de produzir pessoas fortes para o combate espiritual e o enfrentamento do mistério da iniquidade, pois crê que este êxito seja o pressuposto da recompensa eterna. No entanto, não confia exagerada e pelagianamente no próprio esforço humano; não dispensa, antes recomenda vivamente a utilização dos sacramentos e o hábito da oração como meios para atingir aquele objetivo moral de plena identificação com Deus, presentes na segunda parte do enunciado “toma a tua cruz e me segue”. A Igreja nunca fez segredo sobre as dificuldades do caminho: há uma cruz, uma ladeira e um sacrifício final, antes da vitória definitiva sobre a morte. Tanto o homem mais fisicamente forte da roça, quanto o mais espiritualmente frágil das metrópoles, eram convidados ao campo de batalha, fosse o inimigo o mouro invasor, o herege ímpio, a peste negra da Idade Média, as ideologias ateias, o consumismo reificador — e até um vírus como o atual, que veio das profundas da Ásia para revelar ao homem contemporâneo o nível deplorável de fraqueza a que chegou.
- A SIMBOLOGIA DA REVOLUÇÃO E DA MAÇONARIAO triângulo
O triângulo Neste artigo iremos tratar de um símbolo que causa muita confusão. Essa confusão é fruto da mais pura ignorância e má formação. Dentro do contexto revolucionário havia uma necessitados recrutar aqueles que estavam fora dos círculos internos, os revolucionários se inspiraram outro símbolos pitagórico de grande importância: o triângulo. Se o círculo sugeria o objetivo – a perfeição igualitária da natureza, o triângulo sugeria o alcançá-lo. O triângulo, símbolo fundamental para os maçons tinha para os pitagóricos o sentido especial de ser o meio mais simples de encerrar uma superfície com linhas retas. O triângulo expressava relações harmônicas (com do teorema de Pitágoras) e se tornaria um símbolo importante na iconografia revolucionária. A tríada revolucionária (Liberdade, Igualdade, Fraternidade e a forma tricolor (vermelho, branco e azul) adornavam cada um dos lados do onipresente triângulo em selos e estampas. O ocultismo pitagórico acrescentou importância ao símbolo. O influente livro de Franz von Baader de 1798, Sobre o quadrado pitagórico natureza sugeria que os três elementos da natureza fogo, água e terra – tinham sido energizados pelo “princípio que tudo anima” ou “ponto da aurora”, representado como um ponto no centro de um triângulo equilátero◬¹. Qualquer letra, símbolo ou máxima a que um grupo revolucionário quisesse prestar especial veneração recebia esse lugar de autoridade oculta em um inevitável selo triangular.2 Maréchal divulgou a idéia ocultista de harmonias triangulares em sua “CARTA DA RAÇA HUMANA” de 1793, anunciando o dever tripartite do homem de ser pai, filho e marido como “estabelecido pela Natureza no homem”: “um triângulo para além do qual ele não se atreverá a ir impunemente”³. Essa ideia aparentemente tradicional é revalidada para o liberto “homem sem Deus” ao vê-lo para como uma espécie de trindade secular: três pessoas em uma única substância. Maréchal frequentemente colocava sua alcunha HSD dentro de um triângulo. Os primeiros revolucionários, ao estabelecer suas organizações nucleares, revelaram uma mania por triângulos. A ideia original dos Iluminados de um círculo interno de nove homens foi logo descartada como suscetível demais à penetração policial, de modo que projetos posteriores de reorganização repartiram o círculo em três “triângulos” de três homens. Um homem de um grupo interno recrutaria dois de um grupo externo para serem aprendizes; e assim uma cadeia indefinida de organizações interconectadas poderia ser formada. – Qualquer membro só precisava conhecer outros dois – de algum outro grupo situado acima ou abaixo dele hierarquicamente – fora de sua célula de três. Pode ser que esse processo de triangulação não tenha sido implementado pelos Iluminados – ou sequer concebido por eles. Os projetos atribuídos aos Iluminados foram publicados pelo governo da Baviera como parte de um relatório, e talvez tenham sido editados para parecerem mais incriminadores⁴. Mas, tenha a direita inventado essa tática da esquerda ou apenas a divulgado, ela foi logo adotada pelos círculos revolucionários. Essa forma triangular de organização, íntima e relativamente segura, reapareceu nos tempos modernos: no Vietnã, na Argélia e até na União Soviética⁵. Pouco após sua chegada a Genebra em 1806, Buonarroti e seus amigos seguiram a dica. Seu programa de 1808-1809 para os Sublimes Mestres Perfeitos estava repleto de símbolos triangulares. O símbolo para cada célula era⁶ ∴⃝ e o altar no santuário para o qual cada novo membro era levado consistia apenas em um ponto no vértice de um triângulo de relicários. Os outros dois pontos representavam oceano o oceano (da nova vida, o elemento água) e o vulcão (ou revolução, o terra). Na direção Leste, por trás do triângulo altar-oceano-vulcão, três velas ficavam acesas num candelabro com o formato de um triângulo equilátero sob um semicírculo que significava o equador (que, por sua vez, significava o giro circular do globo terrestre inteiro e a perfeição da eternidade⁷ Os três homens que se viam diante dessa figura simbólica do universo podem ter servido de modelo para a organização de Buonarroti em triunviratos. No centro desse triângulo humano que fitava os triângulos simbólicos estava a Estrela Polar, líder das duas outras Grandes Estrelas. A Estrela Polar era claramente aquela que guiava, e assim se tornou uma marca favorita dos jornais revolucionários. Adotando o nome de Camille, Buonarroti se juntou à loja maçônica moderadamente republicana dos Amigos Sinceros, em Genebra, para recrutar revolucionários. Ele estava, contudo, sob vigilância, e a loja foi infiltrada pela polícia e fechada em 1811. Ele então tentou continuar a realizar seus encontros em segredo, aparentemente reorganizando a loja, com participação expandida de militares, sob o novo nome de Triângulo ⁸. Nada mais se sabe sobre essa organização, mas o nome escolhido e as circunstâncias de perseguição politica podem indicar o início de organização triangular. Esse sistema de células secretas interligadas aparentemente foi utilizado pelo maior complô para matar um rei na Europa pós-napoleônica: a Conspiração do Triângulo na Espanha em 1816⁹. Assim como os companheiros de Buonarroti, os incansáveis jovens espanhóis estavam realizando a passagem das conspirações contra Napoleão para um conceito mais amplo de combate a monarcas de toda espécie. Os Sublimes Mestres Perfeitos devem ter visto com simpatia, se é que não participaram dela, a tentativa de matar o rei restaurado Fernando VII, o qual havia rejeitado a Constituição liberal de 1812 e reinstituído a inquisição. Esse método triangular de organização permaneceu um meio básico de garantir a segurança de conspirações ao longo da década de 1830; e foi levado de volta para a Alemanha nos estatutos de 1836 da primeira organização revolucionária de emigrados alemães em Paris: a Liga dos Fora-da-Lei. Das suas “tendas” locais até a “fogueira” central, essa progenitora da primeira Liga dos Comunistas manteve vários níveis de organização ignorantes uns dos outros. Cada homem de um vasto grupo formava um triângulo com um representante secreto de outro grupo do seu mesmo nível e com um terceiro representante, que se ligava a ambos e pertencia a um nível superior.10 Bibliográfia: 1. F. von Baader, Über das pythagoräische Quadrat in der Natur oder die vier Weltgegenden, Tüb 1798, em Sämtliche Werke, Aalen, 1963, vol. III, pp. 266-267; também p. 249. A influencia Baader deu-se principalmente sobre a idéia conservadora de uma “Santa Aliança”, um triangulo poder no qual “três reis do Oriente” (um russo ortodoxo, um prussiano protestante e um austri católico) eram unificados pelo Espírito Santo para proporcionar o “ponto de aurora” na Eur pós-napoleônica. O livro de Baader, Über das durch die französische Revolution herbeigefü Bedürfniss einer neuern und innigern Verbindung der Religion mit der Politik, foi divulgado aos três monarcas em 1814 e publicado em Nuremberga, em 1815. V. H. Schäder, Die dritte Kolon und die Heilige Allianz, 1934, pp. 65-70; F. Büchler, Die geistige Wurzeln der Heiligen Allianz Freiburg, 1929, pp. 53-60, para essas e outras influências ocultistas 2. Só em Le Mans, encontram-se selos triangulares de lojas que trazem a estrela do “triplo laço social Freiburg, 1929, pp. 53-60, para essas e outras influências ocultistas alemãs. O olho da vigilância, o “E” de Elêusis e as palavras “Age d’Or” [Era de Ouro], que estão ilustrados em A. Bouton, Les Francs-maçons manceaux et la révolution française, 1741-1815, Le Mans, jun 1958 p. 100, 252, 275, 286. 3.Maréchal, Correctif, pp. 313-314. Maréchal também insistia em que, nos casamentos republicanos, se abençoasse a natalidade cantando em resposta à Marselhesa: “Aux armes, couple heureux, comblez votre destin!/Neuf mois, neuf mois;/Et donnez nous um fier Républicain!”. Recueil d’hymnes républicains et de chansons guerrières et patriotiques, s/l., s/d., p. 19 (BH). 4. Como sugere R. Eckart, “Aus den Papieren eines Illuminaten”, em Forschungen zur kultur-und literaturgeschichte Bayerns, vol. III, 1895, p. 208. O fascínio pelos múltiplos triângulos interligados na maçonaria ocultista chegou a gerar debates especiosos, por exemplo sobre se o “G” dentro do triângulo do Universo (Deus [God]), à mais alta ciência da Geometria, ao deus hermafrodita dos gnósticos ou central de um símbolo (que incluía seis outros triângulos triplos) fazia referência ao Grande Arquiteto a uma usurpação da maçonaria pelo superior [geral] da Ordem dos Jesuítas (a posição defendida por Bonneville). V. E. Lesueur, La franc-maçonnerie artésienne au XVIIIe siècle, 1914, p. 205. 5. O modelo de célula de três homens é particularmente prezado pelos revolucionários que, assim como os primeiros revolucionários europeus do início do século XIX, viam-se como veículos da educação bem como da mobilização de um povo. Esse modelo se tornou fundamental para o comunismo vietnamita; e, levado para a Argélia, foi ilustrado em imagens com o filme A Batalha de Argel. O sistema de celulas de três homens desconhecidos entre si reapareceu em meio a grupos de dissidentes da União Soviética ao fim da década de 1960: P. Sormani, “Dissidence in moscow”, Survey, 1971, primavera, p. 18-19 6. Saitta, vol.II, P. 79-80 7. Saitta, vol. II, p. 78-79 8. Lehning, pp. 119-120, complementado por F. Ruchon, Histoire de la franc-maçonnerie à Genève 1736 à 1900, Genebra, 1935, pp. 99-120. G. Weill, valendo-se de um boletim policial, identificou Buonarroti, Vilard e Terray de Lyon como o “triângulo” original: Revue Historique, vol. LXXVI, 1901, mai.-ago., p. 261. 9. Sobre a ainda misteriosa Conspiración del triángulo, v. E. Astur, Riego, Oviedo, 1933, p. 102. V. de la Fuente Historia de las sociedades secretas antiguas y modernas em España, Barcelona, 1933, p. 270-276, esp. P. 270 sobre a influência dos Iluminados; também M. LaFuente e J. Valera, Historia general de España, Barcelona, 1889, vol. XVIII, pp. 203-204; e F. Suárez, La crisis política del antiguo régimen em España (1800-1840), Madri, 1950, 2ª ed., pp. 60-61. 10. Esse princípio pode ser deduzido dos estatutos descobertos nos arquivos de Merseberg na Alemanha Oriental e reimpressos em Bund der Kommunisten, 1970, vol. II, pp. 975-982, esp. Artigos 14, 52b, 23 e 33ª, para os elos entre os graus ascendentes: Zelt/Lager/Kreislager/Brennpunkt.
- A SIMBOLOGIA DA REVOLUÇÃO E DA MAÇONARIA
Como estamos verificando nos textos anteriores, uma imensa série de nomes e imagens foi tirada da antiguidade clássica para legitimar a nova fé revolucionária. Dois nomes relativamente negligenciados tiveram importância central para o desenvolvimento de uma identidade ideal em meio aos intelectuais revolucionários: a imagem do revolucionário como um Pitágoras moderno e de seu ideal social como uma Filadélfia. Esses dois tópicos ilustravam o alcance proto-romântico de um distante ideal grego como uma alternativa majestosa às imagens romanas de poder e conquista que haviam dominado a França à medida que esta, assim como a Roma antiga, passava da república para o império sob o governo de Napoleão. Pitágoras e Filadélfia representavam uma destilação dos altos ideais fraternos comuns tanto às irmandades ocultistas da maçonaria e do iluminismo quanto à mobilização idealista de jovens para defender a revolução de 1792-1794. Houve uma recessão das esperanças revolucionárias ao fim do século XVIII e começo do XIX. Pitágoras, o semi-lendário filósofo grego, que fundou (uma espécie de seita político-religiosa com ritos secretos) em Crotona, na Itália meridional. Pitágoras (que provavelmente nada escreveu) e o antigo pitagorismo estão envolvidos pela lenda e é impossível distinguir a doutrina pessoal do mestre da dos seu discípulos. Certamente nem todo o conteúdo doutrinário do pitagorismo é antigo quanto Pitágoras (representado pela lenda como profeta e Taumaturgo) mas, por outro lado, é exagerado atribuir à antiga escola apenas um caráter místico e ritual. Com toda probabilidade duas doutrinas fundamentais (da “transmigração das almas” e dos “Números”) são antigas quanto a Escola. Pitágoras serviu de modelo para o intelectual-transformado-em-revolucionário. Tornou-se uma espécie de o padroeiro dos revolucionários românticos, que precisavam de novos santo símbolos de santidade secular. De acordo com a tradição, no século VI a.C. o grande geômetra da antiguidade deixou a cidade de Samos, na Grécia, e foi para Crotona, no sul da Itália, onde supostamente fundou uma irmandade religiosa-filosófica para transformar a sociedade. Reformadores intelectuais radicais, ao longo de toda a antiguidade, reviveram e embelezaram essa tradição. Neopitagóricos surgiram na Alexandria no século II a.C.; e um grupo posterior de pitagóricos produziu Apolônio de Tiana no século II, um sábio taumaturgo que foi, na sua época, um grande rival de Cristo. Embora grupos organizados tenham desaparecido, as ideias pitagóricas vieram a reaparecer na cristandade medieval, que por certo tempo representou Pitágoras como um elo judeu oculto entre Moisés e Platão. Houve uma corrente de fascínio pelo pensamento pitagórico no Renascimento e no Iluminismo que ganhou um espírito de ira durante a Revolução Francesa. O projeto final de Weishaupt de um iluminismo politizado, escrito durante o primeiro ano da Revolução, era intitulado Pitágoras; e, à medida que os extremistas procuravam princípios simples, porém sólidos, com base nos quais reconstruir a sociedade, cada vez mais passaram a buscar orientação nas crenças pitagóricas em números primos e formas geométricas. Antes, revolucionários românticos buscaram atalhos ocultistas para as verdades íntimas da natureza, e assim diversas vezes deram importância aos principais números primos do misticismo pitagórico: um, três, sete, e sobretudo cinco. Panfletários de direita sugeriram que os números primos propiciavam um código organizacional secreto para os revolucionários; uma elaboração particularmente engenhosa de 1797 derivava do número dezessete toda a estrutura da história revolucionária. Por mais esquisita que possa a revolucionários e historiadres posteriores, essa paixão pitagórica influenciou seriamente as atividades a organizacionais dos primeiros revolucionários. Estamos vendo como os iluminados fizeram os primeiros e hesitantes esforços de usar da maçonaria ocultista em conspirações ulteriores – abrindo caminho para Bonneville, Buonarroti e os primeiros revolucionários profissionais. Ocultistas se tornaram políticos e fizeram especial emprego de dois dos mais importantes símbolos geométricos pitagóricos o círculo e o triângulo ao dramatizarem seu desafio ao poder estabelecido. Essas duas formas se tornaram símbolos que representava o divino no cristianismo medieval. Passaram a progressivamente dominar os hieróglifos das ordens maçônicas mais altas e também a imaginação de arquitetos utópicos pré-revolucionários que, com frequência, buscavam fazer edificações só com base em “figuras geométricas do triângulo ao círculo”. Como muitos dos primeiros líderes da revolução viam a si mesmos como maçons-arquitetos, sentiram alguma afinidade com a campanha então em andamento de combate ao estilo rococó aristocrático com o “poder da geometria”. Assegurados pela lei da gravidade de Newton quanto à harmonia circular do universo, sentiram que o domínio das leis matemáticas tornava o homem “possuidor do segredo do universo solar” destinado a organizar a sociedade humana racionalmente. Ao mesmo tempo, a filosofia proto – romântica do ocultismo alemão levou muitos a verem o homem não como uma engrenagem, mas como um dinâmico “ponto vivo destinado a se tornar um círculo. Mas, antes que as fronteiras pudessem se expandir, monumentos precisavam ser construídos em seu centro. A forma piramidal se tornou popular após o retorno de Napoleão do Egito, embora tenha sido logo ultrapassada em locais públicos por obeliscos. Mesmo antes da revolução, arquitetos utópicos se sentiram atraídos pela “sublime magnificência da esfera”. Essa forma pura reapareceu no esboço de um Memorial de Newton (uma esfera tendo dentro de si apenas um pequeno túmulo iluminado por um único raio de sol) e de um proposto Templo da Igualdade (uma imensa esfera erguida sobre colunas, contendo uma esfera menor em seu interior). O círculo Os pitagóricos tinham sido a primeira escola da antiguidade clássica a sustentar sistematicamente que a Terra e o universo eram esféricos em sua forma e finitos em sua extensão. Os números e a música expressavam as harmonias ocultas de uma derradeira e esférica perfeição natural. A realidade central da vida humana era a transmigração de almas humanas de um corpo para o outro – tudo a se mover em ciclos como o próprio universo. Pitagóricos do século XVIII ficaram especialmente entusiasmados com a ideia dos Iluminados de uma progressiva purificação humana desde círculos mais baixos da natureza animal até as esferas de pura inteligência. A hierarquia de círculos dos Iluminados – Movendo-se desde a “Igreja” para o “sínodo” e, por fim, para o centro areopagita – sugeria os círculos concêntricos do próprio universo. A chama ao centro do último e mais interno círculo era tomada como uma imagem do fogo interno do universo redor do qual a Terra e todos os outros planetas giravam. Ocultistas podem até não ter acreditado sempre nisso, mas sentiam jazer em algum secreto círculo interno a promessa tanto de redenção pessoal como de compreensão cósmica. Acrescia-se a essa crença tradicional numa sabedoria esotérica superior a nova promessa de libertação que vinha do romantismo alemão. O conceito de um círculo interno encantado de dimensão espacial ao desejo romântico de liberdade. A vida “do círculo era uma vida de libertação – libertando-se até das limitações corporais na esferas celestes, libertando a sociedade das amarras da tradição herdada. Ao que parece, Weishaupt foi o primeiro a utilizar o termo “círculo” para descrever um novo tipo de organização política que fazia reivindicações tanto de ordem moral quanto de ordem ideológica universal. Weishaupt descreveu o recrutamento de Iluminados no interior de lojas maçônicas em Munique como “o progresso do ⊙” na área política. Ele introduziu variantes destacadas em itálico da palavra latina (circul, circl) em seus escritos alemães para explicar a politização do movimento, que ele divulgava de “circulares” e “circulação”. Luchet descrevia o “círculo” como a principal célula da conspiração constituída por nove homens: o “comitê administrativo” para um tipo inteiramente novo de sociedade humana, no qual “cada membro de um círculo pertence igualmente a todos os outros” e “rompeu com todos laços que o ligavam à sociedade”. [Luchet, Essai, pp. 54, 67, 91; e os capítulos “Circles” e “Proofs used to Concentrate Illuminist member of a Circle”]. Os conservadores rosacruzes, que dominavam a corte prussiana após a ascensão de Frederico William 11 em 1786, criaram o seu próprio conceito rival de um Zirkel composto de nove homens. Disseminadores do ideal dos Iluministas tentaram repetidamente atacar os “círculos de corrupção” dos rosacruzes e/ou incorporá-los em seus próprios planos de “circulação” ocultista, Já vimos como Bonneville tinha por meta uma transformação global segundo o modelo dos Iluminados a ser feita através de “círculos mágicos” que irradiariam as idéias do seu “círculo social” ao centro para todo o CERCLE DU PEUPLE FRANC. Com o recesso das expectativas revolucionárias ao fim da década de 1790, Bonneville (e companheiros seus como Thomas Paine – como, antes dele, Weishaupt no exílio e Sylvain Maréchal) se apoiou na imagem de si mesmo como um Pitágoras: um intelectual exilado mas “relevante”, a construir uma nova irmandade de libertação para o futuro. Já antes da revolução, Bonneville fizera o ideal dos Iluminados remontar a Pitágoras, o qual “trouxe do Oriente o seu sistema de verdadeiros ensinamentos maçons para iluminar o Ocidente” 102 Após o fracasso de sua tentativa de “multiplicar o círculo social” 103 por meio de suas organizações do início dos anos 1790, Bonneville escreveu versos sobre “os números de Pitágoras”, 104 proclamando que “o homem é Deus” e “se tornará angélico” ao ampliar o círculo da irmandade universal: [Ó Círculo Social! Esperança cada vez mais doce, de um pacto geral, Dos povos oprimidos sua liga fraterna Jura libertação, inteira, universal.” Esperança sempre mais doce de um pacto geral, Tua irmandade de povos oprimidos Jurou libertação total, universal]. Thomas Paine, que viveu num ménage à trois com Bonneville e sua esposa de 1797 a 1802, acreditava que os druidas e os pitagóricos tinham se unido para oferecer uma alternativa ideológica ocultista ao cristianismo. Seu “Um ensaio sobre a origem da maçonaria”, escrito após seu retorno aos Estados Unidos (com a esposa de Bonneville) e imediatamente traduzido para francês por Bonneville, insistia em que a adoração natural do sol cultivada pelos druidas não havia desaparecido, mas apenas passado para dentro da maçonaria. No apogeu de sua influência em 1782, o Círculo Social começou a publicar novas obras cripto-revolucionárias do sumo-sacerdote do misticismo de Lyon Louis-Claude de Saint-Martin. Ele havia subitamente descoberto no misterioso caos da revolução a possibilidade de construir uma nova Jerusalém através de formas e números pitagoricos “Um radiante sol se desprendeu do firmamento e veio se instalar sobre Paris desde onde espalha sua luz universal”. O “novo homem” pode perceber essa luz ao contemplar os círculos concêntricos que convergem sobre um ponto dentro da chama de uma vela acesa, assim a se “reintegrar” com os elementos primais do ar, da terra e da água. À medida que o homem se encaminhar para o puro espírito, a democracia revolucionária se tornará “deocracia”. A imagem de Pitágoras como modelo heróico para todos os revolucionários foi desenvolvida em toda sua intensidade na grande obra de despedida de Sylvain Maréchal: suas monumentais, em seis volumes, Viagens de Pitágoras, de 1799. O Pitágoras de Maréchal incitava ao levante armado (“não com palavras, [mas com] arco e flecha”), invocando uma metáfora que viria a se tornar clássica na retórica revolucionária: É preciso apanhar o momento propício […] com a menor das centelhas se pode Iniciar um grande incêndio […] O ideal dos herdeiros de Pitágoras é: Compartilhar a posse de tudo, nada para você mesmo […] a igualdade da natureza […] a república dos iguais. O volume final das Viagens, ao listar supostas 3506 “leis de Pitágoras”, O volume final das Viagens, ao listar supostas 3506 “leis de Pitágoras”, Advertia em “Revolução” que […] a história de todo um povo muito frequentemente se encontra na vida de um punhado de homens. Os líderes das revoluções não eram militares, mas jornalistas-intelectuais, eram influenciados não tanto pelo racionalismo do Iluminismo francês, e sim mais pelo ocultismo do nascente romantismo alemão. A obra de Maréchal era amplamente distribuída no mundo de fala alemã; mas, profeticamente, era mais prezada no distante Império Russo, na atmosfera de vaga religiosidade e disperso reformismo sob o governo do Tzar Alexandre I. A começar em 1804, as Viagens de Maréchal passaram a aparecer em jornais governamentais oficiais em tradução russa ao ritmo de um volume por ano. Outro jornal russo publicou, paralelamente, 150 “regras de Pitágoras” tiradas do sexto volume de Maréchal. O agente russo de Maréchal era o protegido de Nicholas Novikov, um ocultista encarcerado cujo pseudônimo era “amante da verdade” e cujas reuniões secretas ao fim do século XVIII tinham dado início à kruzhkovshchina (mania de círculos da tradição radical moderna na Rússia. O sonho de uma organização pitagórica revolucionária animou o primeiro fluxo de atividade política juvenil no Império Russo depois da derrota de Napoleão. Um grupo de estudantes de Vilnius se reunia em encontros noturnos em locais de beleza natural para ouvir a sabedoria ocultista de um visitante “arquiiluminado” vindo de um círculo mais interno; e a tradição de “pitagóricos livres” se espraiou pelas regiões do Império onde havia influência polonesa. Na Ucrânia ocidental, três jovens russos formaram uma “sociedade de Pitágoras” em maio de 1818 e estabeleceram as “regras da seita pitagórica”. Propuseram os três clássicos círculos concêntricos o terceiro a representar a República de Platão. Desse grupo viria a surgir a Sociedade dos Eslavos Unidos, que objetivava realizar seu ideal helênico por todo o mundo eslavo e dera feição russa aos três graus de associação:, “irmãos, homens e boiardo”. Os primeiros radicais russos com frequência argumentavam em termos de leis de Pitágoras que concorriam entre si – alguns enfatizando as “duas leis de Pitágoras” que proibiam a propriedade privada e exigiam a posse comum; outros enfatizando a “regra” segundo a qual as armas e a amizade podiam tudo conquistar; outros insistindo na primazia da perfeição moral sobre a reforma legal: “Não criem leis para o povo; criem um povo para as leis”. Um dos primeiros grupos a alimentar a Revolta Dezembrista de 1825 foi o ainda misterioso Lâmpada Verde. Um de seus líderes escreveu para sua organização um retrato utópico de São Petersburgo trezentos anos no futuro, quando o tzarismo e a ortodoxia teriam, afinal, sido substituídos por formas pitagóricas. Há um templo circular com um altar plano e branco, feito de mármore, e um arco ao ar livre. A música é a única arte permitida. Uma fênix segurando um ramo de oliveira substituiu a decapitada águia de duas cabeças (as duas cabeças do selo imperial, que supostamente representavam o despotismo e a superstição). Alexander Puchkin, o maior poeta russo, referia-se à Lâmpada Verde como um círculo no qual a “amada igualdade se sentava à mesa redonda trajando um barrete frígio”. Embora não tão envolvido com círculos revolucionários ocultistas quanto o seu congênere polonês, Adam Mickiewicz, Puchkin compartilhava com ele o fascínio pela dedicação e sacrifício que pareciam poder ser encontrados somente em símbolo supremo do que uma canção maçônica russa da época chamava de um círculo mágico de jovens revolucionários. O “círculo” era, em suma, o símbolo supremo do que uma canção maçônica russa da época chamava de Aquelas verdades da santa lei A ti dadas pela Geometria. A maçonaria russa desenvolveu no mínimo dois conjuntos de símbolos geométricos como equivalentes às letras do alfabeto. No próximo artigo falaremos do triângulo #maçonaria #humanismo #IcelandSwedenDenmarkNorway #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Gnosticismo
- AS ORIGENS OCULTAS DA REVOLUÇÃO
A gnose revolucionária A visão de mundo primitiva dos revolucionários como uma luta dualista entre as forças das trevas e da luz pode ter se originado na concepção dos seguidores de Weishaupt de que seu grupo de eleitos, de “iluminados”, travava uma batalha contra “os filhos das trevas”, o nome categórico que davam ao mundo exterior. O nome da ordem, no princípio, foi aparentemente indeterminado (Perfectibilistas chegou a ser usado e Abelhas, a ser considerado);5¹ mas o nome Iluministas foi escolhido, ao que parece, com base na imagem do sol que ilumina os círculos exteriores. No centro do círculo dos Areopagitas ficava acesa uma vela simbolizando a fonte solar de toda iluminação. Esse culto zoroastrista-maniqueu do fogo era de importância central para o ambiente em geral eclético de simbolismo dos Iluminados; o seu calendário era baseado no calendário persa, e não nos modelos clássico ou cristão.52 Pseudônimos e símbolos, cujo sentido esotérico era preciso nas lojas maçônicas, tornaram-se instrumentos deliberados de camuflagem para os Iluminados. Ingolstadt era ao mesmo tempo Elêusis e Éfeso; Munique era Atena; Viena, Roma. O nome do próprio Weishaupt na Ordem dos Iluminados, Espártaco, o líder de uma revolta de escravos na Roma antiga, serve de indicativo do seu comprometimento revolucionário; mas os seus principais colaboradores originais tomaram para si os nomes do grego Ajax e do egípcio Dánao, e outros nomes iam de Tamerlão a Confúcio, Os Iluminados tentaram utilizar a agitação e a confusão da maçonaria para os seus próprios objetivos. Weishaupt ingressou para uma loja maçônica de Munique em 1777; e tentou recrutar “comandos” (grupos de seguidores) dentro de lojas da capital bávara. Ao fim de 1780, a campanha de Weishaupt se espalhou por toda a Alemanha e às falsas ordens de cavalaria mais altas da maçonaria com a entrada de Weishaupt para o círculo próximo do Barão Adolph Knigge. Os Iluminados cooptaram a estrutura organizacional de seu rival maçônico conservador; no curso desse processo, adquiriram algo do charme misterioso que antes não possuíam em sua árida seita de intelectuais racionalistas. O Iluminismo também se tornou muito mais político. Weishaupt parece ter começado a ver a maçonaria como uma espécie de terreno intermediário de treino para os Iluminados – depois de terem entrado na ordem, mas antes que ingressassem nos círculos secretos mais internos. Assim, sob a liderança de Knigge, ele desenvolveu um sistema de três “classes” sucessivas que incorporava todos os “graus” existentes na maçonaria etapa preliminar a graus de uma classe superior dos Iluminados. As primeiras duas classes (a preparatória e a intermediária) incorporavam os três graus como tradicionais e os graus simbólicos mais altos da maçonaria, respectivamente. A terceira classe, a classe “administrativa”, era a mais original-e indicava, só pelo seu nome, as implicações políticas do projeto de Weishaupt para uma renovação moral da humanidade. Os seus primeiros dois graus, aqueles dos “pequenos mistérios” e dos “grandes mistérios” respectivamente, levavam a um terceiro e mais alto grau: o dos Areopagitas, onde todos os afinal irrelevantes simbolismos eram abandonados em prol do puro reino da liberdade e da igualdade. Nesse grau último totalmente secreto para os demais – , a “nobreza dos motivos”56 era total, o contrato social era restaurado e uma nova “política interior” proporcionaria o núcleo e o modelo para um mundo transformado. Essas divisões dentro da hierarquia iluminista eram descritas popularmente em termos eclesiásticos. As primeiras duas classes, que abrangiam todos os estágios maçônicos anteriores, eram a “Igreja”; os primeiros dois graus da classe administrativa, o “Sínodo”; e o último grau, o Areopagita, representava o homem liberto de toda a autoridade para viver em harmonia igualitária. Essa promessa de total libertação terrificou o mundo de fala alemã, e a ordem foi ridicularizada, perseguida e obrigada a se dissolver formalmente em 1785-1787. Weishaupt foi banido para Gotha e mantido sob vigilância. Mas a diáspora de uma ordem que chegara a ter 2.500 membros57 no seu auge no começo da década de 1780 gerou um impacto póstumo que foi muito maior, por toda a Europa, do que ordem alguma jamais conseguira durante sua efêmera vida como um movimento de intelectuais alemães. Na França, a publicação, pela polícia bávara, da correspondência de Weishaupt e de outros documentos, em 1787, provocou mais admiração que medo. O “Ensaio sobre a seita dos Iluminados”, publicado no ano seguinte pelo irmão de um ex-funcionário da corte prussiana, provocou mais perplexidade que horror. Nem mesmo a imaginação erótica do Palais-Royal teria sido capaz de aperfeiçoar a descrição de um suposto rito de iniciação dos Iluminados: marcas eram feitas sobre o corpo nu do candidato deitado. Seus testículos eram amarrados com uma fita cor de rosa e carmesim; e ele renunciava a quaisquer outros laços humanos antes que cinco fantasmas de capuz branco, com estandartes ensanguentados e postados à frente de uma “imagem colossal”, aparecessem numa fogueira. Por fim, as amarras e marcas eram removidas, e ele era aceito à ordem superior ao beber sangue diante de sete velas pretas. O livro que teve papel decisivo na popularização do ideal dos Iluminados foi a monarquia prussiana sob o governo de Frederico, o Grande, do Conde de Mirabeau, publicado em 1788. Com boa extensão sua escrita por um ex-membro dos Iluminados, Jakob Mauvillon, a obra de Mirabeau distinguia os Iluminados racionalistas dos ocultistas “místicos”, saudando os primeiros como líderes de um movimento cujo “grande objetivo” era “a melhoria do atual sistema de governos e legislações”. Mirabeau tirou muito de seu novo e abrangente conceito de “revolução” diretamente dos Iluminados; é quase quase certo que transmitiu algo desse ideal aos seus influentes protegidos, Camille Desmoulins e Etienne Dumont (o amigo e protetor de Thomas Paine em Londres), o qual depois foi seu secretário pessoal. Nicholas Bonneville, contudo, é que foi o canal decisivo de influência dos Iluminados. Foi convertido às idéias dos Iluminados durante a primeira de suas duas viagens a Paris (em junho de 1787) por um destacado colaborador de Weishaupt na última fase política do Iluminismo, Christian Bode. Amigo de Lessing e alguém bem-sucedido na tarefa de sustar a inclinação dos franceses ao ocultismo conservador, Bode aparentemente converteu Bonneville (à época trabalhando como advogado no Parlamento) a uma fé que combinava símbolos dos Iluminados e ideias radicais de soberania popular. Bonneville via a libertação popular como uma espécie de ingresso em massa, de olhos vendados, num santuário dos Iluminados: “Retirem a venda que cobre os olhos do Povo […]. Ponham a mão do Povo sobre o véu [.. ele em breve será rasgado”. Acusado por contemporâneos de tornar “o título de cidadão um grau de iniciação dos Iluminados”, Bonneville respondeu, à maneira dos Iluminados, que o homem integral é Deus” e que do centro do círculo social “emanará um círculo de luz que nos revelará o que jaz escondido no caos simbólico das inovações maçônicas”.64 Em seu extenso estudo de 1788, A expulsão dos jesuítas da maçonaria, Bonneville desenvolveu a idéia básica de Weishaupt e Bode de que a maçonaria tinha sido infiltrada pelos jesuítas, os quais deveriam ser expulsos por uma nova ordem que se opusesse aos tiranos e aos padres. Observamos que os jesuítas estavam buscando se infiltrar na maçonaria para destruir essa sociedade por dentro, na obra Les jésuites percebe-se isto, foi quase imediatamente publicado em tradução alemã de Bode, o qual, por sua vez, impressionara Friedrich Schiller com a história de uma conspiração jesuítica contra o Iluminismo (v.a carta de Schiller de 10 de setembro de 1787, “Die jetzige Anarchie der Aufklärung wäre hauptsächlich der Jesuiten Werk”, Grassl, p. 290). Devido a complexidade do tema “a infiltração dos jesuítas na maçonaria”, iremos tratar deste tema à parte em outras postagens. #maçonaria #modernismo #humanismo #IcelandSwedenDenmarkNorway #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Gnosticismo
- AS ORIGENS OCULTAS DA REVOLUÇÃO
O ambiente da maçonaria Continuando nosso estudo sobre a relação maçonaria/Revolução: Vamos verificar a abordagem da organização revolucionária de Buonarroti, verificasse que esta fosse muito além de qualquer modelo maçônico, ela foi claramente influenciada pelo período de cinco anos de imersão em lojas maçônicas que ele passou em Genebra. Tão grande, na verdade, foi o impacto da maçonaria no período revolucionário, que alguma compreensão do ambiente social maçônico parece um ponto de partida essencial para qualquer investigação séria das raízes ocultistas da tradição revolucionária. A maçonaria transmitiu à tradição revolucionária já em sua nascença a metáfora essencial de que os revolucionários se valeram para compreender a sua própria missão em meados do século XIX: a metáfora de um arquiteto construindo uma nova e melhor estrutura para a sociedade humana. Os maçons acreditavam estar recriando em suas sociedades fraternas a condição “natural” de cooperação que prevalecera em meio aos pedreiros (mason deu origem a palavra maçon que significa pedreiro) artesãos do passado que moldaram as pedras de uma construção comum. A evolução de cada “irmão”, desde o estágio de aprendiz, passando pelo de companheiro e, por fim, alcançando o de mestre, requeria realizações mais filosóficas e filantrópicas do que reputação social. A “franco-maçonaria era, pois, matéria de meritocracia moral-coisa implicitamente subversiva em qualquer sociedade estática baseada em hierarquia tradicional. Homens inteligentes e ambiciosos do século XVIII frequentemente vivenciaram dentro de lojas maçônicas uma espécie de irmandade entre iguais que não se poderia encontrar na sociedade aristocrática externa. Os rituais que davam acesso a cada novo grau de associação não eram, como às vezes se sugere, iniciações infantis. Eram impressionantes ritos de passagem a novos tipos de associação, com a promessa de acesso a verdades mais elevadas da Natureza tão logo a venda fosse removida dos olhos no cômodo interior da loja. Cada noviço deveria buscar se tornar um pedreiro “livre” e “aperfeiçoado” capaz de ler os planos do “Divino Arquiteto” para “reconstruir o templo de Salomão” e de remoldar a ordem secular mediante a força moral. Era mais acessível a mobilidade ascendente propiciada pela fraternidade ritualizada da maçonaria do que aquela que se encontraria no restante da sociedade. O título maçom de “irmão” materializava na França parte da mescla de burguesia e aristocracia sugerida na Inglaterra pelo uso do invejado termo “cavalheiro”[ pesquisa de D. Ligou, “Um source important de l’histoire du XVIIIe siècle. Le fond maçonnique de la Bibliothèque Nationale”, Actes du 89 Congrès National des Societés Savantes (Section d’histoire), 1965, p. 38]. Nos meios maçônicos, pessoas normalmente conservadoras poderiam cultivar seriamente a possibilidade de uma Utopia [J. Servier, “Utopie et franc-maçonnerie au XVIII siècle”, Annales Historiques, 1969, jul.-set., pp. 409-413]; em outros artigos poderemos verificar a questão dos laços da maçonaria com a revolução. – ou pelo menos de uma alternativa ao ancien régime. Filipe de Orléans era o chefe titular da maçonaria francesa (a Grande Oriente); e muitos dos frequentadores pró-revolucionários dos cafés do Palais-Royal eram seus “irmãos” maçons. Nos primeiros dias da revolução, a maçonaria proporcionou grande parte dos principais simbolismos e rituais – a começar com a recepção maçônica sob uma “abóbada de espadas” feita ao rei no Hotel de Ville três dias antes da queda da Bastilha [Sobre o uso do voûte d’acier no 17 de julho, v. J. Palou, La franc-maçonnerie, 1972, p.187]. Compreenda-se, contudo, que a maior parte dos maçons franceses antes da revolução “não tinham sido revolucionários, nem mesmo reformistas, nem mesmo descontentes” [D. Mornet, Les origines intelectuelles de la révolution française (1715-1787), 1954, p. 375; vejam-se comentários às pp. 357-387; bibliografia às pp. 523-525; e, fora da França, veja-se Billington, Icon, A. Mellor, Les mythes maçonniques (1974), também minimiza a influência maçônica, embora reconhecendo vagamente a influência do renascimento ocultista no movimento revolucionário pp. 712-714] e, mesmo durante a revolução, a própria maçonaria permaneceu politicamente polimorfa: “Qualquer elemento social e qualquer tendência política poderia ‘se tornar maçônico’ caso assim quisesse”. Mas a maçonaria propiciava um refúgio rico e relativamente não tradicional para os novos símbolos nacionais (moedas, canções, cartazes, selos), as novas formas de tratamento (tu, frère, vivat!) e os novos modelos de organização civil, particularmente fora de Paris [No Novo Mundo, onde os elos entre as organizações maçônicas e as revolucionárias eram particularmente fortes, partidos revolucionários adversários às vezes adotavam nomes de ritos adversários. No México, por exemplo, escoceses (“centralistas”pró-ingleses rito escocês) combatiam os yorquinos (federalistas oriundos do rito de York, criado pelo primeiro embaixador norte-americano, Joel Poinsett). [Ver A. Bonner, “Mexican Pamphlets in the Bodlein Library”, The Bodleian Library Record, 1970, abr., pp. 207-208]. Mais relevante para a nossa história, fato é que a maçonaria foi propositalmente utilizada por revolucionários no início do século XIX como um modelo e como um espaço para recrutamento para os seus primeiros experimento conspiratórios de organização política. Buonarroti agia de maneira típica ao adotar os nomes de duas lojas maçônicas, “perfeita igualdade” e “perfeita união”, para os seus dois primeiros grupos em Genebra. Essas lojas tinham surgido na década de 1760 em oposição, respectivamente, à monarquia absolutisra e aos privilégios aristocráticos. Buonarroti elaborou seu primeiro projeto dos “sublimes mestres perfeitos” em 1806-1813, quando era membro ativo na loja da “perfeita igualdade” em Genebra[O. Karmin, “Notes sur la loge et le chapitre, La Perfaite Égalité la Révolution Française, vol. XII, 1917, jul.-dez., pp. 314-324], de Genève”, Revue Historique de, tendo defnido a “perfeita igualdade” como seu objetivo. As lojas da “perfeita união” influenciaram a organização revolucionária União, fundada em 1813-1814 em Grenoble por Joseph Rey, um futuro colaborador de Buonarroti, que nesse período visitava a cidade. #maçonaria #IcelandSwedenDenmarkNorway #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #Gnosticismo
- A VITÓRIA DE CRISTO SOBRE AS TREVAS DA NOSSA ÉPOCA
[Padre Danziec, colunista do jornal francês conservador Valeurs Actuelles , entrevistou Dom Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana, no Cazaquistão. Dom Athanasius está na França para divulgar a tradução francesa de seu recente livro Christus vincit. O Triunfo de Cristo sobre as Trevas de Nosso Tempo . A seguir, um trecho da entrevista]. Padre Danziec: Excelência, seu livro é intitulado Christus vincit. O Triunfo de Cristo sobre as Trevas de Nosso Tempo . Não há algo de estranho em falar sobre a vitória de Cristo, quando o próprio cristianismo parece estar desaparecendo? A mensagem da Igreja parece estar, agora, mais frágil do que nunca… Dom Athanasius Schneider: Sua pergunta se relaciona com a própria natureza da mensagem de Cristo. Se o Cristianismo fosse uma instituição humana, você estaria certo e não teria sentido falar desse assunto. Mas, como bispo católico, sou chamado a dar testemunho da origem divina da Igreja. Todos os batizados sabem, com a certeza da fé, que Cristo encarna a vitória, mesmo na atual circunstância de confusão geral. Em meio a essas trevas, devemos renovar nossa confiança neste Senhor que “venceu o mundo” (João 16:33). Em muitas ocasiões, na história da humanidade, Cristo usou meios simples para tornar possíveis essas vitórias. No relato bíblico, o triunfo de Davi sobre Golias é uma das passagens mais célebres das Escrituras: ela nos diz que nada é impossível para Deus. No seu país, a França, a figura de Joana D’Arc encarna exatamente isto. Diante de um poder corrupto, ela foi condenada e queimada viva. Humanamente, parecia, então, que ela havia perdido. Mas, agora, ela é a grande glória da França, mesmo além das fileiras dos batizados. É assim que Deus, frequentemente, confunde os soberbos, aqueles que são prisioneiros de suas visões terrenas. Para Charles de Foucauld, “a Igreja é uma aparente derrota numa vitória perpétua”. Deus utiliza, com frequência, instrumentos simples e aparentemente frágeis para tornar sua mensagem vitoriosa. Hoje, não há razão para que ele não recorra aos mesmos métodos. Creio que a vitória de Cristo, hoje em dia, passa justamente pelos “pequenos” e “simples” da Igreja, aqueles que não fazem parte do establishment ou de suas estruturas administrativas. As famílias corajosas, e os jovens sedentos de verdade e de clareza, são para mim sinais de que, aos poucos, a vitória de Cristo segue avançando em meio às trevas do nosso tempo. La victoire du Christ passe de nos jours par les “petits” et les “simples” de l’Église
- O gesto de partilha de um menino – Jo 6,1-15
O gesto de partilha de um menino Reflexão sobre a liturgia do 17º Domingo Comum, Jo 6,1-15 Adroaldo Palaoro* “Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes” (Jo 6,9) Do pão de trigo ou cevada para o pão do sentido de vida doada; do alimento de cada um para a circularidade do alimento partilhado, em pequenos grupos, sem templo, na gratuidade e frugalidade… Este é o sentido do texto joanino, proposto para este domingo. De todos os gestos realizados por Jesus, durante sua atividade profética, o mais recordado pelas primeiras comunidades cristãs foi, seguramente, uma refeição multitudinária, organizada por Ele no descampado, nas proximidades do lago da Galileia. É a única cena relatada em todos os evangelhos. O conteúdo do relato é de grande riqueza e cheio de simbolismo. Seguindo seu costume, o evangelho de João não o chama ” milagre”, mas “sinal”. Com isso nos convida a não ficarmos nos fatos externos que são narrados, mas descobrir, a partir da fé, um sentido mais profundo. Longe do templo e das autoridades judaicas, seguido por uma multidão, Jesus sinaliza para uma Páscoa centrada na pessoa dele, aberta a um processo de partilha, comunhão e retorno de vida abundante para todos. O congraçamento de Israel, durante a festa da Páscoa, no Templo, é substituído pelo congraçamento em torno a Jesus, no lugar onde Ele estiver, com a multidão que o segue. Mas, enquanto a Páscoa no Templo favorece os controladores dele, a Páscoa em torno de Jesus favorece e engrandece a todos. Aprenda Usar A lei Da Atração Mudando Suas Vibrações COM O LIVRO (E-BOOK) O IMÃ DA ABUNDÂNCIA Jesus ocupa o lugar central na cena; ninguém lhe pede que intervenha. É Ele mesmo que olha, intui a fome daquela multidão e ativa a necessidade de alimentá-la. Como alimentar tanta gente no meio do descampado? Os discípulos não encontram nenhuma solução. Felipe diz que não se pode pensar em comprar pão, pois não têm dinheiro. André sugere que se poderia partilhar o que havia, mas só um menino tem cinco pães e dois peixes. Que é isso para uma multidão? Segundo João, enquanto Filipe justifica a impossibilidade de solução, André procura uma alternativa e se depara com cinco pães de cevada e dois peixinhos nas mãos de um menino. Filipe ocupa seu tempo e sua inteligência em buscar justificativas para o impasse e desculpas para não ser responsabilizado. André, no entanto, encara a realidade e se ocupa na busca de solução. Encontra um sinal. Há pão, é de cevada, não de trigo, é pouco, mas o menino, pessoa que está começando a vida agora, coloca à disposição. Naqueles vastos campos da Galileia, Jesus propõe a grande mesa da comunhão universal, a mesa “fora dos templos” que inclui a todos, sem distinção. O gesto da benção instaura o horizonte da partilha, em que os alimentos são destinados à necessidade de todos, por meio da corresponsabilidade dos participantes no banquete da Criação, sobre cuja mesa Deus preparou pão em abundância para todos. Todos acompanham com atenção os gestos de Jesus: coração em ação de graças, olhos fixos, ao mesmo tempo, no pão, enquanto o parte, e na multidão ao seu redor. Primeiro dá graças à Fonte da vida. Segundo, contempla o pão, fruto da terra e do trabalho de muitos homens e mulheres, que deve ser partido e compartilhado. Terceiro, convida a repartir e assegura-se de que a distribuição é justa. Jesus dá graças por cinco pães e dois peixinhos diante de cinco mil pessoas famintas. É a gratidão sobre o pouco que faz o muito. É pouco, mas é dom de Deus, e dom pode-se multiplicar, pois a graça partilhada tem alcance ilimitado. Nós, geralmente, só damos graças quando temos em abundância, porque, a nosso ver, é a abundância que significa graça. Depois da ação de graças, o pão se multiplica, tem para todos, o quanto necessitam, e ainda sobra abundantemente. Quanto mais se partilha, mais se tem. A fome desse momento foi saciada, mas a vida continua. Jesus ensina como repartir, isto é, como as pessoas devem proceder na relação de umas com as outras. A abundância de alimento é graça de Deus, mas é igualmente empenho de cada pessoa e de todas juntas. Jesus é o primeiro responsável, mas quer partilhar com os seus. Isso exige a participação de todos. A cena é fascinante: uma multidão dispersa, transformada pelo encontro com Jesus, já é capaz de sentar-se em grupos ordenados sobre a relva do campo, iguais, sem divisão em hierarquia e partilhando uma refeição simples e gratuita. Não é um banquete de ricos; não há vinho nem carnes. É a refeição frugal das pessoas que vivem junto ao lago: pão de cevada e peixe defumado. Os que tinham algo para comer também foram repartindo com os outros. Na realidade, o verdadeiro milagre foi o da partilha, onde as pessoas famintas não se lançam vorazmente sobre os pães numa luta para conseguir os alimentos escassos. Compartilhar gratuitamente com os outros, com desconhecidos, e não acumular o que sobra, isso sim é milagre. A comunhão bíblica se realiza entre os “distantes”, por meio de um gesto que não é de poder, mas de esvaziamento, não é de apropriação, mas de partilha, não é de fechamento, mas de abertura das mãos que acolhem, que distribuem… O dinheiro continua hoje sendo a causa de toda desigualdade. Tudo tem um preço, incluídos os “bens espirituais”. A gratuidade e a partilha são gestos que estão desaparecendo de nossa sociedade. Jesus abre outra lógica: a da partilha, frente à lógica do mercado, focado na apropriação e na acumulação. Só se fará efetiva a nova comunidade quando pães e peixes entrarem na lógica do Reino. Sem oferecer o próprio pão, os próprios recursos, a própria pessoa, não há possibilidade de construção do Reino de Deus. Em cada migalha de pão, em cada pedaço de peixe, há uma história de amores e trabalhos que vão passando de mão em mão, sem cobiça devoradora. Os bens deste mundo carregando dentro uma vocação fraterna e universal. São dons para todos. Nesta refeição de todo o povo sobre o campo verde não se discrimina ninguém, não se pergunta a ninguém pelo seu passado, sua profissão ou sua situação moral e religiosa. Todos são acolhidos como expressão das entranhas compassivas de Deus, que chama todos a compartilhar sua mesa. Todos se sentem pessoas dignas e amadas. Esta é a utopia do Reino: tudo está reconciliado: o cosmos, com a natureza verde e em paz; os produtos do trabalho humano, da generosidade do mar e da terra; e as pessoas, numa relação harmoniosa entre si e com Deus, sem exclusões, competições nem privilégios. A sensibilidade solidária de Jesus situa tudo na lógica do amor, que é a única força transformadora da história. Texto bíblico: Jo 6,1-15 Na oração: A oração é também questão de densidade de vida, de humanismo, de ativar a sensibilidade para com aqueles que não têm quem os defenda; é revelar que em nosso peito bate um coração de amor infinito, capaz de vibrar e mobilizar-nos em favor dos outros. A oração implica entrar em sintonia com o coração compassivo de Deus voltado para a miséria humana. Como seguidor(a) de Jesus, qual é a sua “lógica” diante do contexto social de exclusão e de miséria? A do Reino ou a do mercado neoliberal? A pobreza, a miséria, a fome… despertam em você uma “santa indignação” ou uma acomodação doentia? Os gestos de partilha e solidariedade são um modo de proceder contínuo em sua vida? *Adroaldo Palaoro é padre jesuíta e atua no ministério dos Exercícios Espirituais FONTE: https://centroloyola.com.br/o-gesto-de-partilha-de-um-menino-25-07-2021.html https://homilias.com.br/liturgia-diaria-25-07-21-17o-domingo-tempo-comum/ #Ogestodepartilhadeummenino #Reflexãosobrealiturgiado17ºDomingoComumJo6115
- Dom Antônio Keller autoriza missa tradicional em sua diocese aplicando Traditionis Custodes
O Bispo de Frederico Westphalen publicou uma nota pastoral autorizando a celebração da Santa Missa com o missal de 1962 em sua diocese. Dom Antônio Rossi Keller, bispo de Frederico Westphalen – RS, publicou nesta sexta feira uma nota pastoral aplicando o novo Motu Proprio Traditionis Custodes em sua diocese. Na nota ele estabelece um local para a celebração da Santa Missa utilizando o Missal de 1962 e solicita aos padres que celebram pública ou privadamente que dirijam ao bispo diocesano uma formal solicitação de autorização para continuar celebrando. Leia o comunicado na íntegra: DOM ANTONIO CARLOS ROSSI KELLER PELA GRAÇA DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA BISPO DE FREDERICO WESTPHALEN (RS) NOTA PASTORAL APLICAÇÃO DO MOTU PROPRIO “TRADITIONIS CUSTODES” DO SANTO PADRE, O PAPA FRANCISCO,NA DIOCESE DE FREDERICO WESTPHALEN Tendo em vista a publicação, no dia 16 de julho de 2021, do Motu Proprio “TRADITIONIS CUSTODES” do Santo Padre o Papa Francisco; CONSIDERANDO o artigo 2 do referido Motu Proprio que, segundo a legislação canônica vigente reconhece que, ao bispo diocesano “como moderador, promotor e custodio de toda a vida litúrgica na Igreja particular que lhe foi confiada lhe corresponde a regulação das celebrações litúrgicas em sua própria diocese. Portanto, é de sua exclusiva competência autorizar o uso do Missal Romano de 1962 na diocese, seguindo as orientações da Sé Apostólica”; CONSIDERANDO, nesta Diocese, segundo as ponderações apresentadas pelo Santo Padre o Papa Francisco em sua “Carta” de apresentação do Motu Proprio “Traditionis Custodes”, enviada aos bispos do mundo inteiro: Que a faculdade de se utilizar o Missal Romano promulgado por São Pio V não foi interpretada e nem teve como resultado “um uso paralelo ao Missal Romano promulgado por São Paulo VI”; Que em nenhum momento foi negada ou colocada em dúvida a autoridade do Concílio Vaticano II, no que diz respeito à reforma litúrgica por ele determinada; Que não existe nenhuma rejeição em relação à Igreja e às suas instituições, nem a propagação de uma errônea ideia da existência de uma “verdadeira Igreja”, por parte daqueles fiéis católicos que frequentam a Santa Missa, celebrada segundo o Missal de São Pio V; ACOLHO na obediência amorosa o que diz o Santo Padre o Papa Francisco no Motu Proprio “Traditiones Custodes” e DETERMINO, pois o que se segue: Que os sacerdotes devidamente autorizados, que celebram a Santa Missa utilizando-se do Missal Romano de 1962, comprovem e comuniquem ao bispo diocesano que os fiéis que dela participam “não excluam a validez e a legitimidade da reforma litúrgica, dos ditados do Concílio Vaticano II e do Magistério dos Sumos Pontífices” (Art. 3, § 1 do Motu Proprio); Que se tenha como lugar para a celebração da Santa Missa segundo o Missal Romano de 1962 a Capela do Centro de Formação da Paróquia Santa Inês de Três Passos, com altar já dedicado e com relíquias; Que as celebrações da Santa Missa, segundo o Missal Romano de 1962, possam acontecer em qualquer dia da semana, incluindo os domingos; Que as Leituras sagradas sejam proclamadas em língua vernácula; Que o Revmo. Sr. Pe. Anderson Pelizari, pároco de Santa Inês de Três Passos e o Revmo. Sr. Pe. Lucas Rafael Marinho Folego, pároco de São Sebastião de Campo Novo, sejam os responsáveis pelas referidas celebrações como Delegados Episcopais, para que se possa cumprir o indicado pelo Santo Padre o Papa Francisco no Art. 3, §4 do referido Motu Proprio; Que os presbíteros que celebram publicamente a Santa Missa segundo o Missal Romano de 1962, assim como aqueles que o fazem privadamente, dirijam ao bispo diocesano uma formal solicitação de autorização para continuar celebrando. Que se cumpra o estabelecido no Art. 4, no que diz respeito aos presbíteros ordenados depois da publicação do referido Motu Proprio. Frederico Westphalen, 23 de julho de 2021 Antonio Carlos Rossi Keller Bispo de Frederico Westphalen #TraditionisCustodes
- Dom Antônio Keller autoriza missa tradicional em sua diocese aplicando Traditionis Custodes
O Bispo de Frederico Westphalen publicou uma nota pastoral autorizando a celebração da Santa Missa com o missal de 1962 em sua diocese. Dom Antônio Rossi Keller, bispo de Frederico Westphalen – RS, publicou nesta sexta feira uma nota pastoral aplicando o novo Motu Proprio Traditionis Custodes em sua diocese. Na nota ele estabelece um local para a celebração da Santa Missa utilizando o Missal de 1962 e solicita aos padres que celebram pública ou privadamente que dirijam ao bispo diocesano uma formal solicitação de autorização para continuar celebrando. Leia o comunicado na íntegra: DOM ANTONIO CARLOS ROSSI KELLER PELA GRAÇA DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA BISPO DE FREDERICO WESTPHALEN (RS) NOTA PASTORAL APLICAÇÃO DO MOTU PROPRIO “TRADITIONIS CUSTODES” DO SANTO PADRE, O PAPA FRANCISCO,NA DIOCESE DE FREDERICO WESTPHALEN Tendo em vista a publicação, no dia 16 de julho de 2021, do Motu Proprio “TRADITIONIS CUSTODES” do Santo Padre o Papa Francisco; CONSIDERANDO o artigo 2 do referido Motu Proprio que, segundo a legislação canônica vigente reconhece que, ao bispo diocesano “como moderador, promotor e custodio de toda a vida litúrgica na Igreja particular que lhe foi confiada lhe corresponde a regulação das celebrações litúrgicas em sua própria diocese. Portanto, é de sua exclusiva competência autorizar o uso do Missal Romano de 1962 na diocese, seguindo as orientações da Sé Apostólica”; CONSIDERANDO, nesta Diocese, segundo as ponderações apresentadas pelo Santo Padre o Papa Francisco em sua “Carta” de apresentação do Motu Proprio “Traditionis Custodes”, enviada aos bispos do mundo inteiro: Que a faculdade de se utilizar o Missal Romano promulgado por São Pio V não foi interpretada e nem teve como resultado “um uso paralelo ao Missal Romano promulgado por São Paulo VI”; Que em nenhum momento foi negada ou colocada em dúvida a autoridade do Concílio Vaticano II, no que diz respeito à reforma litúrgica por ele determinada; Que não existe nenhuma rejeição em relação à Igreja e às suas instituições, nem a propagação de uma errônea ideia da existência de uma “verdadeira Igreja”, por parte daqueles fiéis católicos que frequentam a Santa Missa, celebrada segundo o Missal de São Pio V; ACOLHO na obediência amorosa o que diz o Santo Padre o Papa Francisco no Motu Proprio “Traditiones Custodes” e DETERMINO, pois o que se segue: Que os sacerdotes devidamente autorizados, que celebram a Santa Missa utilizando-se do Missal Romano de 1962, comprovem e comuniquem ao bispo diocesano que os fiéis que dela participam “não excluam a validez e a legitimidade da reforma litúrgica, dos ditados do Concílio Vaticano II e do Magistério dos Sumos Pontífices” (Art. 3, § 1 do Motu Proprio); Que se tenha como lugar para a celebração da Santa Missa segundo o Missal Romano de 1962 a Capela do Centro de Formação da Paróquia Santa Inês de Três Passos, com altar já dedicado e com relíquias; Que as celebrações da Santa Missa, segundo o Missal Romano de 1962, possam acontecer em qualquer dia da semana, incluindo os domingos; Que as Leituras sagradas sejam proclamadas em língua vernácula; Que o Revmo. Sr. Pe. Anderson Pelizari, pároco de Santa Inês de Três Passos e o Revmo. Sr. Pe. Lucas Rafael Marinho Folego, pároco de São Sebastião de Campo Novo, sejam os responsáveis pelas referidas celebrações como Delegados Episcopais, para que se possa cumprir o indicado pelo Santo Padre o Papa Francisco no Art. 3, §4 do referido Motu Proprio; Que os presbíteros que celebram publicamente a Santa Missa segundo o Missal Romano de 1962, assim como aqueles que o fazem privadamente, dirijam ao bispo diocesano uma formal solicitação de autorização para continuar celebrando. Que se cumpra o estabelecido no Art. 4, no que diz respeito aos presbíteros ordenados depois da publicação do referido Motu Proprio. Frederico Westphalen, 23 de julho de 2021 Antonio Carlos Rossi Keller Bispo de Frederico Westphalen #TraditionisCustodes
- OS PÃES QUE SOBRARAM – Scott Hahn medita sobre o 17º Domingo do Tempo Comum
A liturgia de hoje apresenta várias referências às quais o Antigo Testamento aludia para revelar Jesus como o Messias e Rei, como o Senhor que vem para alimentar o seu povo. Observemos o paralelismo que existe entre o evangelho de hoje e a primeira leitura. Jesus, como Eliseu, está diante de um grupo de pessoas famintas, com apenas alguns pães de cevada; é evidente a impossibilidade de satisfazer tantas pessoas com tão pouco. Além disso, nas duas leituras, a multiplicação do pão não apenas satisfaz as pessoas, mas também deixa sobras. Por sua vez, a história de Eliseu nos faz lembrar de Moisés, o profeta que deu de comer ao povo de Deus no deserto (v. Ex 16). Moisés profetizou que Deus iria enviar um profeta como ele (v. Dt 18, 15-19). A multidão, que testemunha no evangelho de hoje a multiplicação dos pães, identifica Jesus como aquele profeta anunciado. O Evangelho deste domingo nos mostra Jesus como Senhor, o Bom Pastor que faz o seu povo repousar nas verdes pastagens, preparando para ele um banquete (v. S 23, 1.5). O milagre de alimentar a multidão é um sinal de que Deus começou a cumprir sua promessa, algo do qual também fala o Salmo de hoje, quando diz: “e vós lhes dais no tempo certo o alimento” (S 144, 15; v. S 81, 17). No entanto, Jesus chama nossa atenção para o cumprimento definitivo dessa promessa na Eucaristia. Faz os mesmos gestos que fez na Última Ceia: toma os pães, pronuncia uma bênção de ação de graças (o significado literal da palavra grega eucaristia é ação de graças) e dá o pão para o povo (v. Mt 26, 26). Note-se que, no final, sobram doze cestos de pão: um para cada apóstolo. Estes sinais devem nos levar à Eucaristia, pela qual a Igreja, fundada sobre os apóstolos, continua a nutrir-nos com o pão vivo do seu Corpo. Na Eucaristia, nos tornamos um só corpo com o Senhor, como ouvimos na epístola de hoje. Disponhamo-nos, portanto, a levar uma vida de acordo com tão digna vocação. https://stpaulcenter.com/bread-left-over-scott-hahn-reflects-on-the-seventeenth-sunday-in-ordinary-time/
- Os fiéis que frequentam a Missa Tradicional são inimigos da Igreja?
Leia neste artigo especial sobre uma pesquisa que faz uma comparação entre o comportamento de fiéis que frequentam a missa no rito tradicional e fiéis que frequentam o novo rito. Incluimos neste artigo o testemunho de um fiel que mudou de opinião quanto aos grupos de católicos fiéis à tradição após conhecê-los. E para aqueles que ainda não tiveram a chance de participar da missa tradicional, conheça um pouco mais sobre este tesouro da igreja, também neste artigo. Uma nova pesquisa realizada pelo P. Donald Kloster, da Igreja de Santa Maria, em Norwalk, Connecticut, Estados Unidos, em parceria com um estatístico e com Brian Williams, de LiturgyGuy.com, realçou alguns dados interessantes de um grupo sub-representado de católicos: aqueles que regularmente assistem à Missa Tradicional. O sacerdote que iniciou a pesquisa celebra “tanto a Missa de Paulo VI – Novus Ordo Missae — como a Missa Tradicional há cerca de 20 anos e afirma, na introdução dos resultados, que “observou variações entre as pessoas que assistem às duas Missas do Rito Romano”. Observando que os “católicos americanos que assistem à Missa de Paulo VI têm sido questionados repetidamente acerca das suas ideias e práticas ( Pew Research e Center for Applied Research in the Apostolate at Georgetown University – CARA )”, também observa que “o corpo de pesquisas não parece incluir uma descrição de católicos que assistem à Missa Tradicional” que compreende “cerca de 100 mil católicos”, assistindo “ao menos a 489 Missas dominicais em todo o país”. Foram questionadas, tanto presencialmente como online , um total de 1773 pessoas. Os resultados em questões-chave revelam que: 1. 2% dos católicos que assistem à Missa Tradicional aprovavam a contracepção, contra 89% dos católicos que assistem à Missa pós-conciliar; 2. 1% dos católicos que assistem à Missa Tradicional aprovavam o aborto, em comparação a 51% dos que assistem à Missa pós-conciliar; 3. 99% dos católicos que assistem à Missa Tradicional afirmaram ir à missa semanalmente, contra 22% dos que assistem à Missa pós-conciliar; 4. 2% dos que assistem à Missa Tradicional aprovavam o “casamento gay”, contra 67% dos que assistem à Missa pós-conciliar. Também é de se destacar a taxa de doação entre católicos que assistem à Missa Tradicional, que era cerca de 6 vezes o total de doações (6% do orçamento) dos católicos de Missa pós-conciliar (1,2%). Os católicos tradicionais também possuíam uma taxa de natalidade de 3,6 contra 2,3 dos católicos pós-conciliares — indicando “uma família aproximadamente 60% maior”. Como afirmam os autores do estudo, as diferenças entre os dois grupos eram “dramáticas, quando comparadas as ideias, a frequência na igreja, a generosidade financeira e as taxas de natalidade”. A pesquisa inicial, conduzida durante alguns meses de 2018, foi curta, mas P. Kloster pretende dedicar-se ao estudo de assuntos adicionais na sua próxima pesquisa — tal como a propensão para as vocações — que deseja iniciar neste ano. Os resultados serão, provavelmente, pouco surpreendentes para os católicos que frequentam as capelas em que a Missa Tradicional é disponibilizada no País. Estes indicam que essas capelas são terreno fértil para a ortodoxia católica, famílias numerosas e uma prática autêntica da fé, e continuarão a prover o crescimento e o alimento da Igreja no futuro próximo. Adaptado de Fratres in Unum Conheça mais sobre a Missa Tradicional Antes de conhecer mais sobre a missa tridentina, leia o breve testemunho de Rodrigo Sousa , coletado nas redes sociais: Lembro quando me converti ao catolicismo. A galerinha conservadora católica demonizava tanto os católicos mais tradicionais que eu achava que os caras tinham vindo direto do inferno sem baldeamento nem nada. Quando o tal catolicismo conservador começou a desmoronar junto com o catolicismo liberal, eu comecei a dar uma investigada no movimento tradicional. Caraca! Os tradicionais não são nada do que essa molecada conservadorinha/e-meio-liberalóide apologista de Facebook diz que eles são. Todos os tradicionalistas que cruzei o caminho pessoalmente são: acolhedores, simpáticos, bem-humorados, gente boa pra cacete, levam Deus e os ensinamentos da Igreja a sério, são homens e mulheres de oração, acreditam realmente nos dogmas da Igreja e nas Escrituras Sagradas, são hospitaleiros e bondosos, tem muitos filhos e os ensinam para morar no céu, são trabalhadores e a grandiosa maioria não está em redes sociais (além de várias outras qualidades que não dá pra colocar aqui po causa do espaço). Foi aí que me lembrei de quando eu era protestante e que os protestantes demonizavam a Igreja Católica. Até que eu decidi conhece-La pessoalmente e, sem a “ajuda” de intermediários, me tornei católico, da mesma forma como agora, já dentro da Barca de Pedro, me tornei tradicional. Você quer conhecer os tradicionalistas de verdade também? Pare de ouvir quem fala abobrinha na internet a respeito deles e passe seis meses envolvido(a) com a comunidade tradicional mais próxima de sua casa. Vá lá sem preconceitos, sem conceitos já pré-estabelecidos. Conheça as pessoas. Pare de ser viajão na maionese e saia desse mundinho apologético de internet. Missa Tridentina: o tesouro da Igreja Católica Você já ouviu falar em Missa Tridentina? Pois bem, a igreja mais antiga de Goiânia (GO), a Capela São José, localizada no Setor São José, ainda mantém a tradição da também chamada Missa de Sempre, Missa Tradicional ou Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano. De segunda-feira a sábado, às 19h, e aos domingos às 9h30, cristãos católicos participam da celebração na tradicional paróquia, fundada em 1901, e que inclusive, foi o primeiro seminário dos Missionários Redentoristas em Goiás. A Missa Tridentina é rezada nos dias de hoje como foi transmitida pelos apóstolos, com algumas pouquíssimas diferenças e alterações. “A posição do padre dentro do contexto da missa é uma das diferenças. Hoje em dia se pede que o padre, na missa comum, esteja voltado o tempo inteiro para o povo. Na Missa Tradicional, a posição do padre é voltada, na maior parte do tempo, para o altar, todos ficam de frente para o altar. A segunda diferença é relacionada à importância da língua latina. O padre reza a missa em Latim e os fiéis participam respondendo também algumas partes em Latim. Existem outras línguas presentes, inclusive, o Português, o Hebraico, o Grego, mas a língua predominante é a latina”, pontua o Missionário Redentorista Pe. Bráulio Maria Pereira, que faz a celebração há cerca de quatro anos. Considerada como um tesouro da Igreja Católica, outra característica peculiar é a experiência do sacrifício e da profunda veneração vivida nos ritos . “Todos ficam mais tempo ajoelhados e em silêncio. É uma liturgia predominantemente penitencial. Há uma preferência também pela música sacra, canto gregoriano e a polifonia. Outra especificidade é que as mulheres procuram estar mais modestas, sempre estão usando véu sobre o cabelo; se casadas o véu é preto, se solteiras o véu é branco. Os homens usam sempre calças e camisas de manga. Tudo representa respeito”, ressalta o padre. Quanto à Eucaristia, Pe. Bráulio afirma que é o momento de maior espírito de adoração: “Boa parte do tempo o padre reza quase em silêncio, praticamente sussurrando, somente o padre e o coroinha ou acólito mais próximo escutam. Então, esta é a primeira diferença na hora da Eucaristia: o silêncio. A segunda é a forma de como receber a comunhão. As pessoas se ajoelham e é como se fosse uma mesa, porque tem um forro e as pessoas recebem a Comunhão ajoelhadas e diretamente na boca. A forma de organização da fila, de ocupar a mesa é bastante apropriada. Sempre tudo isso marcado pela ordem, pelo decoro e por uma posição de profundo respeito. Naquele momento o padre faz uma pequena oração fazendo o Sinal da Cruz sobre o rosto da pessoa que receberá a comunhão, antes de colocá-la sobre a língua da pessoa. Em seguida, elas voltam aos seus lugares e continuam em oração”. Uma das peculiaridades da Missa Tridentina está relacionada ao tempo de silêncio . “A missa é uma atualização do calvário. Então, o silêncio transparece uma profunda dor naquele sofrimento, durante a Paixão que Jesus foi submetido. É um silêncio que significa solidariedade, paixão, amor a Deus”, diz o Missionário Redentorista. Feliz em manter viva uma tradição tão antiga da Igreja Católica, Pe. Bráulio, que já tem quase 12 anos de sacerdócio, conta como foi seu primeiro contato com a Liturgia mais tradicional: “Foi em um mosteiro de frades franciscanos e outro de cônegos regulares. Ali eu pude ver o valor que eles davam ao Latim. Algumas tradições como uso do hábito religioso. Outras tradições como o canto gregoriano, que quase desapareceu das nossas celebrações. E aquilo foi me tocando profundamente para a contemplação do mistério de Deus. Depois, foi em uma viagem para os Estados Unidos, onde fui aprofundando no conhecimento do Latim. Mas, foi lá que eu vi o grande fruto dessa missa na vida concreta das famílias, que educavam seus filhos e sustentavam sua vida familiar a partir da Liturgia tradicional do rito romano. Dessas famílias eu fui conhecendo grupos de religiosos, de irmãos, freiras que também preservaram essa tradição, e eu via que essa Liturgia era autêntica e ajudava os católicos em sua relação com Deus e a progredir na caridade”. Ainda segundo o padre, toda essa experiência lhe trouxe e traz profunda realização em sua missão religiosa. “Cada vez eu aprendo mais e vivo mais. Claro que tive que me submeter a uma mudança do modo de viver, de rezar, mas sempre foi muito benéfico, edificante. Neste contexto de conhecimento foi que eu me senti chamado por Deus. Não é fácil, exige muito estudo, dedicação, conhecimento profundo dos ritos, que são muitos exatos, minuciosos. Preciso de muita disciplina interior até mesmo para me preparar melhor para sermões ligados ao ensinamento de sempre da Igreja”, conclui o Missionário Redentorista. Cristã católica, Dimitria Rodrigues visitou a Capela São José e assistiu pela primeira vez uma Missa Tridentina. “Nossa! É bem diferente e muito bonita também. Representa um respeito enorme e tem uma simbologia bem antiga, conservadora. Bom ver que uma Igreja e um padre da minha cidade ainda mantém um costume tão antigo da nossa Igreja. Me emocionei em ver e sentir tudo aquilo. Uma presença forte do Pai Eterno no meu coração”. Fonte: paieterno.com.br #MissaTridentina #TraditionisCustodes
- Os fiéis que frequentam a Missa Tradicional são inimigos da Igreja?
Leia neste artigo especial sobre uma pesquisa que faz uma comparação entre o comportamento de fiéis que frequentam a missa no rito tradicional e fiéis que frequentam o novo rito. Incluimos neste artigo o testemunho de um fiel que mudou de opinião quanto aos grupos de católicos fiéis à tradição após conhecê-los. E para aqueles que ainda não tiveram a chance de participar da missa tradicional, conheça um pouco mais sobre este tesouro da igreja, também neste artigo. Uma nova pesquisa realizada pelo P. Donald Kloster, da Igreja de Santa Maria, em Norwalk, Connecticut, Estados Unidos, em parceria com um estatístico e com Brian Williams, de LiturgyGuy.com, realçou alguns dados interessantes de um grupo sub-representado de católicos: aqueles que regularmente assistem à Missa Tradicional. O sacerdote que iniciou a pesquisa celebra “tanto a Missa de Paulo VI – Novus Ordo Missae — como a Missa Tradicional há cerca de 20 anos e afirma, na introdução dos resultados, que “observou variações entre as pessoas que assistem às duas Missas do Rito Romano”. Observando que os “católicos americanos que assistem à Missa de Paulo VI têm sido questionados repetidamente acerca das suas ideias e práticas ( Pew Research e Center for Applied Research in the Apostolate at Georgetown University – CARA )”, também observa que “o corpo de pesquisas não parece incluir uma descrição de católicos que assistem à Missa Tradicional” que compreende “cerca de 100 mil católicos”, assistindo “ao menos a 489 Missas dominicais em todo o país”. Foram questionadas, tanto presencialmente como online , um total de 1773 pessoas. Os resultados em questões-chave revelam que: 1. 2% dos católicos que assistem à Missa Tradicional aprovavam a contracepção, contra 89% dos católicos que assistem à Missa pós-conciliar; 2. 1% dos católicos que assistem à Missa Tradicional aprovavam o aborto, em comparação a 51% dos que assistem à Missa pós-conciliar; 3. 99% dos católicos que assistem à Missa Tradicional afirmaram ir à missa semanalmente, contra 22% dos que assistem à Missa pós-conciliar; 4. 2% dos que assistem à Missa Tradicional aprovavam o “casamento gay”, contra 67% dos que assistem à Missa pós-conciliar. Também é de se destacar a taxa de doação entre católicos que assistem à Missa Tradicional, que era cerca de 6 vezes o total de doações (6% do orçamento) dos católicos de Missa pós-conciliar (1,2%). Os católicos tradicionais também possuíam uma taxa de natalidade de 3,6 contra 2,3 dos católicos pós-conciliares — indicando “uma família aproximadamente 60% maior”. Como afirmam os autores do estudo, as diferenças entre os dois grupos eram “dramáticas, quando comparadas as ideias, a frequência na igreja, a generosidade financeira e as taxas de natalidade”. A pesquisa inicial, conduzida durante alguns meses de 2018, foi curta, mas P. Kloster pretende dedicar-se ao estudo de assuntos adicionais na sua próxima pesquisa — tal como a propensão para as vocações — que deseja iniciar neste ano. Os resultados serão, provavelmente, pouco surpreendentes para os católicos que frequentam as capelas em que a Missa Tradicional é disponibilizada no País. Estes indicam que essas capelas são terreno fértil para a ortodoxia católica, famílias numerosas e uma prática autêntica da fé, e continuarão a prover o crescimento e o alimento da Igreja no futuro próximo. Adaptado de Fratres in Unum Conheça mais sobre a Missa Tradicional Antes de conhecer mais sobre a missa tridentina, leia o breve testemunho de Rodrigo Sousa , coletado nas redes sociais: Lembro quando me converti ao catolicismo. A galerinha conservadora católica demonizava tanto os católicos mais tradicionais que eu achava que os caras tinham vindo direto do inferno sem baldeamento nem nada. Quando o tal catolicismo conservador começou a desmoronar junto com o catolicismo liberal, eu comecei a dar uma investigada no movimento tradicional. Caraca! Os tradicionais não são nada do que essa molecada conservadorinha/e-meio-liberalóide apologista de Facebook diz que eles são. Todos os tradicionalistas que cruzei o caminho pessoalmente são: acolhedores, simpáticos, bem-humorados, gente boa pra cacete, levam Deus e os ensinamentos da Igreja a sério, são homens e mulheres de oração, acreditam realmente nos dogmas da Igreja e nas Escrituras Sagradas, são hospitaleiros e bondosos, tem muitos filhos e os ensinam para morar no céu, são trabalhadores e a grandiosa maioria não está em redes sociais (além de várias outras qualidades que não dá pra colocar aqui po causa do espaço). Foi aí que me lembrei de quando eu era protestante e que os protestantes demonizavam a Igreja Católica. Até que eu decidi conhece-La pessoalmente e, sem a “ajuda” de intermediários, me tornei católico, da mesma forma como agora, já dentro da Barca de Pedro, me tornei tradicional. Você quer conhecer os tradicionalistas de verdade também? Pare de ouvir quem fala abobrinha na internet a respeito deles e passe seis meses envolvido(a) com a comunidade tradicional mais próxima de sua casa. Vá lá sem preconceitos, sem conceitos já pré-estabelecidos. Conheça as pessoas. Pare de ser viajão na maionese e saia desse mundinho apologético de internet. Missa Tridentina: o tesouro da Igreja Católica Você já ouviu falar em Missa Tridentina? Pois bem, a igreja mais antiga de Goiânia (GO), a Capela São José, localizada no Setor São José, ainda mantém a tradição da também chamada Missa de Sempre, Missa Tradicional ou Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano. De segunda-feira a sábado, às 19h, e aos domingos às 9h30, cristãos católicos participam da celebração na tradicional paróquia, fundada em 1901, e que inclusive, foi o primeiro seminário dos Missionários Redentoristas em Goiás. A Missa Tridentina é rezada nos dias de hoje como foi transmitida pelos apóstolos, com algumas pouquíssimas diferenças e alterações. “A posição do padre dentro do contexto da missa é uma das diferenças. Hoje em dia se pede que o padre, na missa comum, esteja voltado o tempo inteiro para o povo. Na Missa Tradicional, a posição do padre é voltada, na maior parte do tempo, para o altar, todos ficam de frente para o altar. A segunda diferença é relacionada à importância da língua latina. O padre reza a missa em Latim e os fiéis participam respondendo também algumas partes em Latim. Existem outras línguas presentes, inclusive, o Português, o Hebraico, o Grego, mas a língua predominante é a latina”, pontua o Missionário Redentorista Pe. Bráulio Maria Pereira, que faz a celebração há cerca de quatro anos. Considerada como um tesouro da Igreja Católica, outra característica peculiar é a experiência do sacrifício e da profunda veneração vivida nos ritos . “Todos ficam mais tempo ajoelhados e em silêncio. É uma liturgia predominantemente penitencial. Há uma preferência também pela música sacra, canto gregoriano e a polifonia. Outra especificidade é que as mulheres procuram estar mais modestas, sempre estão usando véu sobre o cabelo; se casadas o véu é preto, se solteiras o véu é branco. Os homens usam sempre calças e camisas de manga. Tudo representa respeito”, ressalta o padre. Quanto à Eucaristia, Pe. Bráulio afirma que é o momento de maior espírito de adoração: “Boa parte do tempo o padre reza quase em silêncio, praticamente sussurrando, somente o padre e o coroinha ou acólito mais próximo escutam. Então, esta é a primeira diferença na hora da Eucaristia: o silêncio. A segunda é a forma de como receber a comunhão. As pessoas se ajoelham e é como se fosse uma mesa, porque tem um forro e as pessoas recebem a Comunhão ajoelhadas e diretamente na boca. A forma de organização da fila, de ocupar a mesa é bastante apropriada. Sempre tudo isso marcado pela ordem, pelo decoro e por uma posição de profundo respeito. Naquele momento o padre faz uma pequena oração fazendo o Sinal da Cruz sobre o rosto da pessoa que receberá a comunhão, antes de colocá-la sobre a língua da pessoa. Em seguida, elas voltam aos seus lugares e continuam em oração”. Uma das peculiaridades da Missa Tridentina está relacionada ao tempo de silêncio . “A missa é uma atualização do calvário. Então, o silêncio transparece uma profunda dor naquele sofrimento, durante a Paixão que Jesus foi submetido. É um silêncio que significa solidariedade, paixão, amor a Deus”, diz o Missionário Redentorista. Feliz em manter viva uma tradição tão antiga da Igreja Católica, Pe. Bráulio, que já tem quase 12 anos de sacerdócio, conta como foi seu primeiro contato com a Liturgia mais tradicional: “Foi em um mosteiro de frades franciscanos e outro de cônegos regulares. Ali eu pude ver o valor que eles davam ao Latim. Algumas tradições como uso do hábito religioso. Outras tradições como o canto gregoriano, que quase desapareceu das nossas celebrações. E aquilo foi me tocando profundamente para a contemplação do mistério de Deus. Depois, foi em uma viagem para os Estados Unidos, onde fui aprofundando no conhecimento do Latim. Mas, foi lá que eu vi o grande fruto dessa missa na vida concreta das famílias, que educavam seus filhos e sustentavam sua vida familiar a partir da Liturgia tradicional do rito romano. Dessas famílias eu fui conhecendo grupos de religiosos, de irmãos, freiras que também preservaram essa tradição, e eu via que essa Liturgia era autêntica e ajudava os católicos em sua relação com Deus e a progredir na caridade”. Ainda segundo o padre, toda essa experiência lhe trouxe e traz profunda realização em sua missão religiosa. “Cada vez eu aprendo mais e vivo mais. Claro que tive que me submeter a uma mudança do modo de viver, de rezar, mas sempre foi muito benéfico, edificante. Neste contexto de conhecimento foi que eu me senti chamado por Deus. Não é fácil, exige muito estudo, dedicação, conhecimento profundo dos ritos, que são muitos exatos, minuciosos. Preciso de muita disciplina interior até mesmo para me preparar melhor para sermões ligados ao ensinamento de sempre da Igreja”, conclui o Missionário Redentorista. Cristã católica, Dimitria Rodrigues visitou a Capela São José e assistiu pela primeira vez uma Missa Tridentina. “Nossa! É bem diferente e muito bonita também. Representa um respeito enorme e tem uma simbologia bem antiga, conservadora. Bom ver que uma Igreja e um padre da minha cidade ainda mantém um costume tão antigo da nossa Igreja. Me emocionei em ver e sentir tudo aquilo. Uma presença forte do Pai Eterno no meu coração”. Fonte: paieterno.com.br #MissaTridentina #TraditionisCustodes
- UMA FICÇÃO INSUPORTÁVEL – Pe. Santiago Martín
As reações ao “motu proprio” Traditionis custodes não têm sido, de certa forma, o que se poderia esperar. Sem excepção, os bispos, em cujas dioceses a Missa tradicional era celebrada, garantiram aos seus fiéis que as coisas permanecerão as mesmas e tiveram mesmo palavras de afeto e encorajamento para aqueles que se sentiram duramente atingidos pelo documento do Papa. Mesmo bispos liberais, como os cardeais de Chicago e Washington, têm falado nesse sentido. O mesmo foi expresso pela Conferência Episcopal Francesa. Os institutos católicos, cujo carisma é a celebração da tradicional Santa Missa, expressaram o seu pesar, mas também a sua vontade de obedecer, e lamentaram que todos aqueles que querem a velha liturgia sejam equiparados aos que rejeitam o Concílio Vaticano II. As críticas mais fortes vieram de fora — dos seguidores de Monsenhor Lefebvre — e de dentro. Particularmente duras foram as palavras do Cardeal Zen, que acusou os “cavalheiros do Vaticano” de não conseguirem esperar pela morte de Bento XVI para publicar a sua obra, causando-lhe assim grande sofrimento. Ainda mais duras foram as palavras do Cardeal Müller, talvez a mais dura de todas as que foram proferidas; referindo-se ao Papa, como autor do “motu proprio”, ele diz que “em vez de apreciar o cheiro das ovelhas, o pastor aqui bate-lhes com a força do seu cajado”. De toda a nuvem de comentários publicada nesses dias, emerge uma questão essencial. O Papa tem razão quando diz que a divisão da Igreja deve ser evitada, porque duas Igrejas não podem coexistir dentro de uma única, cada qual considerando ser a verdadeira Igreja. Ele também tem razão quando afirma — e o Cardeal Müller sublinha isto, em sua crítica fundamentada ao documento — que quem não aceitar os Concílios aprovados pelo Papa, e, portanto, o Concílio Vaticano II, não pode ser católico. Independentemente de todos os tradicionalistas rejeitarem ou não este Concílio, deve ser dito que quem o rejeitar não pode ser considerado católico, tal como quem rejeitar o Concílio de Trento ou o Concílio de Éfeso, entre outros, não pode ser considerado católico. No entanto, com o Vaticano II aconteceu algo que não tinha acontecido antes. Tem havido interpretações tão opostas dos textos do Concílio que ninguém sabe exatamente o que significa aceitar o Concílio Vaticano II. Bento XVI tentou resolver esta questão, desde o início do seu pontificado, dizendo que o Concílio deveria ser interpretado (e posto em prática) com uma hermenêutica de continuidade em relação à Palavra de Deus e à Tradição da Igreja. Como aplicação desta continuidade, Bento XVI permitiu, sob condições, que a Missa fosse celebrada de acordo com a forma tradicional. A questão é se, ao abolir esta permissão, se está criticando a interpretação do Vaticano II como continuidade do passado. A hermenêutica da ruptura afirma que, com o Concílio Vaticano II, deve surgir uma “nova Igreja” que não seja limitada pela Tradição e mesmo pela Palavra de Deus. Esta nova Igreja estaria em paz com o mundo, sobretudo nas questões relativas à moralidade sexual, à família e à vida. Assim, o aborto, a eutanásia, o controlo artificial da natalidade e a prática da homossexualidade seriam aceitos. Conviventes não casados, divorciados e divorciados recasados poderiam receber a comunhão. Os padres poderiam casar-se. O sacramento do casamento poderia ser recebido por casais homossexuais e, claro, o sacerdócio em todos os seus graus estaria aberto a homossexuais e mulheres, para que na nova Igreja houvesse, como já existe na Igreja Luterana, sacerdotes e bispos homossexuais e casados, sacerdotes e bispas lésbicas casados, e até — isto não é obviamente o caso dos luteranos — o Papa poderia ser uma mulher, casada com outra mulher. Isto não é ficção científica, nem exagero. É exatamente, ponto por ponto, o que a “nova Igreja” promove, afirmando basear-se não na “letra” do Concílio Vaticano II, mas no “espírito do Concílio”, que interpreta com uma hermenêutica de ruptura tudo o que vinha de antes. É verdade que não pedem tudo de uma só vez, para não alarmarem, mas é esse o objetivo que procuram. Como o Papa diz, e com razão, duas Igrejas que se consideram as verdadeiras não podem coexistir dentro de uma Igreja. Uma Igreja que aceita o Concílio Vaticano II, mas o interpreta em continuidade com o que a Igreja tem ensinado desde Jesus Cristo, não pode coexistir com uma Igreja que se esconde atrás do Concílio para criar uma Igreja totalmente diferente. A tragédia é que temos vivido nessa coexistência impossível durante sessenta anos, o que não faz nada bem à nossa saúde. A tensão causada pelo confronto entre estas duas hermenêuticas não é enriquecedora, mas destrutiva, e os danos que estão provocando aos fiéis são imensos, para não mencionar o sofrimento de muitos sacerdotes. A coexistência de duas Igrejas tão radicalmente diferentes dentro da mesma Igreja é uma ficção que não pode continuar. Para resumir e sintetizar: ou se está com São João Paulo II e Bento XVI em sua interpretação do Concílio em continuidade com o passado, ou então se está com a Igreja alemã. Um dos artigos que li, nestes dias, terminava perguntando: após o golpe dado aos tradicionalistas, quem será o próximo? Não hesito em afirmar que a “nova Igreja” da ruptura não é a Igreja de Cristo, e sei que há muitos que pensam como eu, incluindo cardeais, bispos, padres e fiéis. Seremos nós os próximos?
- Cardeal pergunta aos cavaleiros anti-Ratzinger do Vaticano se não poderiam esperar morrer antes de h
O Cardeal Joseph Zen Ze-kiun, bispo emérito de Hong Kong, escreveu um artigo sobre o motu proprio Traditionis Custodes no qual lamenta o tratamento dispensado aos fiéis que assistem à missa tridentina, alerta que o principal problema é se as pessoas vão ou não à missa, e nem tanto ao rito que frequenta, e no final lança uma crítica séria contra aqueles que querem que morra a missa tridentina e não esperam que Bento XVI morra primeiro para que não sofrer a humilhação que ele está sofrendo. Artigo do Cardinal Zen: Por que vêem um problema onde não existe e fecham os olhos para o problema, pelo qual também são responsáveis? As preocupações com o documento veiculado “contra” a Missa Tridentina se concretizaram, e o golpe não foi menos severo porque já era esperado. Muitas generalizações tendenciosas nos documentos ferem o coração de muitas pessoas boas mais do que o esperado, que nunca deram o menor motivo para suspeitar que não aceitam a reforma litúrgica do Concílio, muito menos que eles não aceite o Concílio Vaticano II. Além disso, eles permanecem membros ativos em suas paróquias. Pessoalmente, foi para mim uma surpresa amarga que a consulta “generalizada” não tenha chegado a mim, Cardeal e uma vez membro da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Durante os anos 2007-2009, aliás, fui bispo de Hong Kong e, portanto, responsável pela implementação do “Summorum Pontificum”, e até agora, um conhecido apoiador do grupo. Não conhecendo nem o questionário nem as respostas ao questionário, não Não tendo conhecido nem o questionário nem as respostas ao questionário, não posso julgar, mas apenas suspeito que houve muito mal-entendido (ou talvez até mesmo manipulação) no processo. Lendo os dois documentos, eu noto: (1) uma facilidade incrível (ou tendência) em vincular o desejo de usar o vetus ritus à não aceitação do ritus novus e … (2) na associação da não aceitação da reforma litúrgica (que muitas vezes diz respeito principalmente à forma como foi realizada com seus muitos abusos graves) com uma rejeição total e profunda do próprio Concílio (como questão de fato para aqueles que rejeitam o Concílio a diversidade do rito da missa é apenas um pequeno corolário, tanto que a concessão em relação ao rito não reverteu o cisma). As autoridades do Vaticano deveriam se perguntar (e talvez até fazer uma investigação completa) por que o segundo fenômeno persistiu e talvez (recentemente) até piorou. O problema não é “qual rito as pessoas preferem?” mas “por que eles não vão mais à missa?” Algumas pesquisas mostram que metade da população cristã da Europa não acredita mais na presença real de Jesus na Eucaristia, não acredita mais na vida eterna! Obs.: Uma pesquisa feita no Brasil, pela a Arquidiocese de São Paulo, mostra que apenas 5% dos que se declaram católicos frequentam regularmente a missa dominical. Certamente não culpamos tudo isso à reforma litúrgica, só queremos dizer que o problema é muito mais profundo, não podemos evitar a pergunta: “Não faltou a formação da fé?” “O grande trabalho do Concílio não foi desperdiçado?” A raiz do mal não é essa atitude de acreditar que tudo agora pode ser mudado? Não é essa atitude de acreditar que este Concílio apaga todos os anteriores e que o Concílio de Trento é como a sujeira acumulada no “último julgamento” da Capela Sistina (como disse um “liturgista” em nossa diocese)? O Documento, obviamente, vê não apenas irregularidades na execução do Summorum Pontificum, mas considera a própria existência de um rito paralelo como um mal. Os parágrafos § 5º e § 6º dos artigos 3º, art 4 e 5 não desejam claramente a morte dos grupos? Mas, mesmo nesse caso, os cavalheiros anti-Ratzinger do Vaticano não podem ser pacientes para permitir que a missa tridentina morra somente após a morte de Bento XVI em vez de infligir tal humilhação ao venerável Papa Emérito? Traduzido de InfoCatolica #TraditionisCustodes
- Cardeal pergunta aos cavaleiros anti-Ratzinger do Vaticano se não poderiam esperar morrer antes de h
O Cardeal Joseph Zen Ze-kiun, bispo emérito de Hong Kong, escreveu um artigo sobre o motu proprio Traditionis Custodes no qual lamenta o tratamento dispensado aos fiéis que assistem à missa tridentina, alerta que o principal problema é se as pessoas vão ou não à missa, e nem tanto ao rito que frequenta, e no final lança uma crítica séria contra aqueles que querem que morra a missa tridentina e não esperam que Bento XVI morra primeiro para que não sofrer a humilhação que ele está sofrendo. Artigo do Cardinal Zen: Por que vêem um problema onde não existe e fecham os olhos para o problema, pelo qual também são responsáveis? As preocupações com o documento veiculado “contra” a Missa Tridentina se concretizaram, e o golpe não foi menos severo porque já era esperado. Muitas generalizações tendenciosas nos documentos ferem o coração de muitas pessoas boas mais do que o esperado, que nunca deram o menor motivo para suspeitar que não aceitam a reforma litúrgica do Concílio, muito menos que eles não aceite o Concílio Vaticano II. Além disso, eles permanecem membros ativos em suas paróquias. Pessoalmente, foi para mim uma surpresa amarga que a consulta “generalizada” não tenha chegado a mim, Cardeal e uma vez membro da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Durante os anos 2007-2009, aliás, fui bispo de Hong Kong e, portanto, responsável pela implementação do “Summorum Pontificum”, e até agora, um conhecido apoiador do grupo. Não conhecendo nem o questionário nem as respostas ao questionário, não Não tendo conhecido nem o questionário nem as respostas ao questionário, não posso julgar, mas apenas suspeito que houve muito mal-entendido (ou talvez até mesmo manipulação) no processo. Lendo os dois documentos, eu noto: (1) uma facilidade incrível (ou tendência) em vincular o desejo de usar o vetus ritus à não aceitação do ritus novus e … (2) na associação da não aceitação da reforma litúrgica (que muitas vezes diz respeito principalmente à forma como foi realizada com seus muitos abusos graves) com uma rejeição total e profunda do próprio Concílio (como questão de fato para aqueles que rejeitam o Concílio a diversidade do rito da missa é apenas um pequeno corolário, tanto que a concessão em relação ao rito não reverteu o cisma). As autoridades do Vaticano deveriam se perguntar (e talvez até fazer uma investigação completa) por que o segundo fenômeno persistiu e talvez (recentemente) até piorou. O problema não é “qual rito as pessoas preferem?” mas “por que eles não vão mais à missa?” Algumas pesquisas mostram que metade da população cristã da Europa não acredita mais na presença real de Jesus na Eucaristia, não acredita mais na vida eterna! Obs.: Uma pesquisa feita no Brasil, pela a Arquidiocese de São Paulo, mostra que apenas 5% dos que se declaram católicos frequentam regularmente a missa dominical. Certamente não culpamos tudo isso à reforma litúrgica, só queremos dizer que o problema é muito mais profundo, não podemos evitar a pergunta: “Não faltou a formação da fé?” “O grande trabalho do Concílio não foi desperdiçado?” A raiz do mal não é essa atitude de acreditar que tudo agora pode ser mudado? Não é essa atitude de acreditar que este Concílio apaga todos os anteriores e que o Concílio de Trento é como a sujeira acumulada no “último julgamento” da Capela Sistina (como disse um “liturgista” em nossa diocese)? O Documento, obviamente, vê não apenas irregularidades na execução do Summorum Pontificum, mas considera a própria existência de um rito paralelo como um mal. Os parágrafos § 5º e § 6º dos artigos 3º, art 4 e 5 não desejam claramente a morte dos grupos? Mas, mesmo nesse caso, os cavalheiros anti-Ratzinger do Vaticano não podem ser pacientes para permitir que a missa tridentina morra somente após a morte de Bento XVI em vez de infligir tal humilhação ao venerável Papa Emérito? Traduzido de InfoCatolica #TraditionisCustodes
- GUERRA IDEOLÓGICA
PONTO DE VISTA NÚMERO UM. Desde as últimas décadas do século XX, antes do fim da União Soviética (1991), estamos amadurecendo em todo o mundo ocidental um pensamento, denominado neoliberal, com o qual visamos proteger a livre iniciativa e os direitos das minorias, ao mesmo tempo em que buscamos salvar o planeta ameaçado pela superpopulação e as mudanças climáticas provocadas pela emissão de CO2 na atmosfera. O objetivo é juntar, como na China, o que há de melhor no capitalismo (livre iniciativa) e no comunismo (políticas públicas). É preciso substituir a velha ordem baseada na soberania nacional (que podemos chamar de Ordem Mundial 1.0, insuficiente para atender às demandas de um mundo globalizado) por uma nova ordem (chamemo-la Ordem Mundial 2.0) fundada num novo ordenamento jurídico e político do mundo, em que as soberanias nacionais se curvem a certas obrigações planetárias. Comentaristas políticos de tendência conservadora chamam de “elite globalista” as forças e pessoas envolvidas neste nosso projeto de redenção da humanidade pela ciência e as políticas inclusivas. PONTO DE VISTA NÚMERO DOIS. Nas últimas décadas, sobretudo após o fim da União Soviética comunista (1991), vem ganhando força em todo o mundo ocidental uma nova ideologia, assumidamente pós-cristã, que nós, conservadores, chamamos de “globalismo” ou “nova ordem mundial”, cujo propósito confessado é a instauração de um “governo mundial”, cujas diretrizes — legalização do aborto, ideologia de gênero, redução do CO2 — são dadas pela ONU e seus organismos, com financiamento de alguns “filantropos” endinheirados, como a família Rockefeller, a família Rothschild, o financista Georges Soros, e atualmente os bilionários das chamadas “bigh techs” (tecnologia da informação), como Bill Gates (da Microsoft), Jeff Bezos (da Amazon), Mark Zuckerberg (do Facebook), Jack Dorsey (Twiter), o finado Steve Jobs (da Apple), agora substituído por sua viúva Laurene Jobs, que já chamam de Georges Soros II. Comentaristas políticos de tendência liberal ou esquerdista classificam esta nossa posição de “conspiracionista” ou “complotista”.
- Bispos da Costa Rica proíbem missa tradicional em todo o país
“Nenhum sacerdote está autorizado a continuar celebrando de acordo com a antiga liturgia.” Também proíbem as orações, vestes ou ritos típicos da liturgia anterior. Ontem soubemos como um bispo de Porto Rico foi além do Motu Proprio de Francisco, pelo qual revogou o Summorum Pontificum de Bento XVI e decretou a proibição da Missa Tradicional em sua diocese, a de Mayagüez. Hoje, todo um país seguiu esse caminho: a Costa Rica. A Conferência Episcopal da Costa Rica divulgou um comunicado por meio do Facebook, assinado pelo presidente, o vice-presidente e o secretário geral do episcopado, proibindo a celebração da Missa Tradicional. “Nestes dois documentos se percebe a eclesiologia mais requintada”, escrevem os prelados em referência ao Motu Proprio ‘Traditionis Custodes’ e à carta que o acompanha aos bispos. «Não só se recorda que« os tutores da tradição, os bispos, em comunhão com o Bispo de Roma, constituem o princípio visível e o fundamento da unidade nas suas Igrejas particulares », mas os mesmos textos foram escritos nessa lógica de comunhão. O que o Romano Pontífice publicou é o resultado de um processo sinodal do qual também participou nossa Conferência Episcopal da Costa Rica ”, explicam os bispos costarriquenhos. “De fato, este é um assunto que há muito tempo ocupa a atenção dos Bispos da Conferência Episcopal da Costa Rica. Tem se refletido em nível diocesano, onde cada um de nós fez seu próprio discernimento ouvindo as diferentes vozes e inquietações que foram apresentadas. Mas também o tratamos de forma colegial, inclusive abrindo nossas considerações às instâncias da comunhão universal da Igreja ”, continuam. “Corroboramos que na Conferência Episcopal da Costa Rica surgiram as circunstâncias que levaram o Papa Francisco a intervir nesta questão”, afirmam, citando o seguinte trecho do motu proprio: (…) A intenção pastoral dos meus predecessores, que pretendiam “envidar todos os esforços para que todos aqueles que verdadeiramente desejam a unidade possam permanecer nesta unidade ou reencontrá-la” [12], foi muitas vezes severamente ignorada . Uma oportunidade oferecida por São João Paulo II e ainda mais magnanimamente por Bento XVI para restaurar a unidade do corpo eclesial, respeitando as diversas sensibilidades litúrgicas, tem sido aproveitada para aumentar distâncias, endurecer diferenças e construir oposições que ferem a Igreja e a entravam. progresso, expondo-a ao risco de divisão. Como resultado do “discernimento pastoral” que realizaram “em comunhão com muitos outros fiéis”, os bispos da Costa Rica estão convencidos “de que não há justificativa objetiva para usar a liturgia antes da reforma de 1970 entre nós”. “Aqueles que mostram afinidade com as formas antigas nem sempre expressam sua avaliação da“ validade e legitimidade da reforma litúrgica, dos ditames do Concílio Vaticano II e do Magistério dos Sumos Pontífices ”, dizem eles, citando Traditionis. Custódios. “Com declarações às vezes discretas ou comentários diretamente ofensivos, eles questionam a“ santidade do novo rito ”(Summorum Pontificum). Não buscam a sinergia que daria validade teológico-pastoral às suas preferências rituais ”, acrescentam os bispos. “Como as normas anteriores, instruções, concessões e costumes são revogados,“ doravante não é autorizado o uso do Missale Romanum de 1962 ou qualquer outra expressão da liturgia anterior a 1970 ”, decreto dos prelados costarriquenhos. Os bispos deixam claro “que nenhum sacerdote está autorizado a continuar celebrando de acordo com a antiga liturgia”. “De acordo com essas disposições,” novos padres podem ser educados, seminaristas. ” A sua formação deve estar claramente orientada para a valorização e prática da liturgia repristinada pelo Concílio Vaticano II, que é “a única expressão da lex orandi do rito romano”, indicam. “Além disso, a Conferência Episcopal da Costa Rica junta-se à dor e à reprovação que outrora foram expressas por Bento XVI e agora são reproduzidas pelo Papa Francisco: é necessário celebrar segundo as indicações dadas pelos diversos livros litúrgicos, para que o sagrado e caráter cúltico, a ausência do qual alguns afirmam com razão. É claro que a liturgia reformada pelo Concílio Vaticano II tem todas as condições para elevar o ser humano e fortalecer sua vida espiritual, respondendo de maneira equilibrada às autênticas necessidades antropológicas e culturais de quem ora em nosso tempo. Basta uma aplicação adequada das normas, diretrizes e possibilidades dos livros litúrgicos ”, afirma o episcopado da Costa Rica. “De modo particular, hoje devemos lembrar que nossa liturgia, celebrada segundo os livros promulgados pelos santos Paulo VI e João Paulo II, deve ser preservada de qualquer elemento proveniente de formas antigas. Em nossas celebrações, as orações, vestes ou ritos típicos da liturgia anterior à reforma de 1970 não devem ser introduzidos ”, afirmam os prelados. A Costa Rica torna-se assim o primeiro país a proibir a Missa Tradicional. #TraditionisCustodes
- Bispos da Costa Rica proíbem missa tradicional em todo o país
“Nenhum sacerdote está autorizado a continuar celebrando de acordo com a antiga liturgia.” Também proíbem as orações, vestes ou ritos típicos da liturgia anterior. Ontem soubemos como um bispo de Porto Rico foi além do Motu Proprio de Francisco, pelo qual revogou o Summorum Pontificum de Bento XVI e decretou a proibição da Missa Tradicional em sua diocese, a de Mayagüez. Hoje, todo um país seguiu esse caminho: a Costa Rica. A Conferência Episcopal da Costa Rica divulgou um comunicado por meio do Facebook, assinado pelo presidente, o vice-presidente e o secretário geral do episcopado, proibindo a celebração da Missa Tradicional. “Nestes dois documentos se percebe a eclesiologia mais requintada”, escrevem os prelados em referência ao Motu Proprio ‘Traditionis Custodes’ e à carta que o acompanha aos bispos. «Não só se recorda que« os tutores da tradição, os bispos, em comunhão com o Bispo de Roma, constituem o princípio visível e o fundamento da unidade nas suas Igrejas particulares », mas os mesmos textos foram escritos nessa lógica de comunhão. O que o Romano Pontífice publicou é o resultado de um processo sinodal do qual também participou nossa Conferência Episcopal da Costa Rica ”, explicam os bispos costarriquenhos. “De fato, este é um assunto que há muito tempo ocupa a atenção dos Bispos da Conferência Episcopal da Costa Rica. Tem se refletido em nível diocesano, onde cada um de nós fez seu próprio discernimento ouvindo as diferentes vozes e inquietações que foram apresentadas. Mas também o tratamos de forma colegial, inclusive abrindo nossas considerações às instâncias da comunhão universal da Igreja ”, continuam. “Corroboramos que na Conferência Episcopal da Costa Rica surgiram as circunstâncias que levaram o Papa Francisco a intervir nesta questão”, afirmam, citando o seguinte trecho do motu proprio: (…) A intenção pastoral dos meus predecessores, que pretendiam “envidar todos os esforços para que todos aqueles que verdadeiramente desejam a unidade possam permanecer nesta unidade ou reencontrá-la” [12], foi muitas vezes severamente ignorada . Uma oportunidade oferecida por São João Paulo II e ainda mais magnanimamente por Bento XVI para restaurar a unidade do corpo eclesial, respeitando as diversas sensibilidades litúrgicas, tem sido aproveitada para aumentar distâncias, endurecer diferenças e construir oposições que ferem a Igreja e a entravam. progresso, expondo-a ao risco de divisão. Como resultado do “discernimento pastoral” que realizaram “em comunhão com muitos outros fiéis”, os bispos da Costa Rica estão convencidos “de que não há justificativa objetiva para usar a liturgia antes da reforma de 1970 entre nós”. “Aqueles que mostram afinidade com as formas antigas nem sempre expressam sua avaliação da“ validade e legitimidade da reforma litúrgica, dos ditames do Concílio Vaticano II e do Magistério dos Sumos Pontífices ”, dizem eles, citando Traditionis. Custódios. “Com declarações às vezes discretas ou comentários diretamente ofensivos, eles questionam a“ santidade do novo rito ”(Summorum Pontificum). Não buscam a sinergia que daria validade teológico-pastoral às suas preferências rituais ”, acrescentam os bispos. “Como as normas anteriores, instruções, concessões e costumes são revogados,“ doravante não é autorizado o uso do Missale Romanum de 1962 ou qualquer outra expressão da liturgia anterior a 1970 ”, decreto dos prelados costarriquenhos. Os bispos deixam claro “que nenhum sacerdote está autorizado a continuar celebrando de acordo com a antiga liturgia”. “De acordo com essas disposições,” novos padres podem ser educados, seminaristas. ” A sua formação deve estar claramente orientada para a valorização e prática da liturgia repristinada pelo Concílio Vaticano II, que é “a única expressão da lex orandi do rito romano”, indicam. “Além disso, a Conferência Episcopal da Costa Rica junta-se à dor e à reprovação que outrora foram expressas por Bento XVI e agora são reproduzidas pelo Papa Francisco: é necessário celebrar segundo as indicações dadas pelos diversos livros litúrgicos, para que o sagrado e caráter cúltico, a ausência do qual alguns afirmam com razão. É claro que a liturgia reformada pelo Concílio Vaticano II tem todas as condições para elevar o ser humano e fortalecer sua vida espiritual, respondendo de maneira equilibrada às autênticas necessidades antropológicas e culturais de quem ora em nosso tempo. Basta uma aplicação adequada das normas, diretrizes e possibilidades dos livros litúrgicos ”, afirma o episcopado da Costa Rica. “De modo particular, hoje devemos lembrar que nossa liturgia, celebrada segundo os livros promulgados pelos santos Paulo VI e João Paulo II, deve ser preservada de qualquer elemento proveniente de formas antigas. Em nossas celebrações, as orações, vestes ou ritos típicos da liturgia anterior à reforma de 1970 não devem ser introduzidos ”, afirmam os prelados. A Costa Rica torna-se assim o primeiro país a proibir a Missa Tradicional. #TraditionisCustodes
- A UNIDADE AMEAÇADA DA IGREJA CATÓLICA
Jean-Pierre Maugendre, presidente do movimento francês Renascença católica , empenhado na restauração da autêntica fé cristã e da cultura clássica em seu país, não compreende como é possível afirmar (como fez Papa Francisco em seu recente documento Traditionis custodes ) que a celebração da Missa antiga possa colocar em risco a unidade eclesial. E enumera alguns fatos que, na Igreja, verdadeiramente revelam a mais escandalosa ausência de unidade: — Há padres que celebram suas Missas respeitando as indicações contidas no Missal. E há padres que celebram suas Missas da forma que melhor lhes apetece. — Há dioceses em que os divorciados e recasados são admitidos à Sagrada Comunhão; há dioceses em que os divorciados e recasados não são admitidos à Sagrada Comunhão. — 31% dos católicos americanos dizem crer na presença substancial de Cristo sob as aparências do pão e do vinho após a consagração; 69% dos católicos americanos dizem que não acreditam na presença substancial de Cristo sob as aparências do pão e do vinho após a consagração (pesquisa do Pew Research Center – agosto de 2019). — Há padres que não abençoam uniões entre pessoas do mesmo sexo em suas paróquias. E há padres que abençoam impunemente, ainda por cima vestidos com as cores do arco-íris, uniões entre pessoas do mesmo sexo em suas paróquias. É possível continuar enumerando acontecimentos desse gênero, num quase sem-fim de oposições. No entanto, nos pares de enunciados contraditórios acima, um deles é Igreja e o outro não. Ou seja: — Padres que celebram suas Missas respeitando as indicações contidas no Missal são Igreja. Não são Igreja os padres que celebram suas Missas da forma que melhor lhes apetece. — Dioceses em que os divorciados e recasados são admitidos à Sagrada Comunhão não são Igreja. São Igreja as dioceses em que os divorciados e recasados não são admitidos à Sagrada Comunhão. — Os 31% dos católicos americanos que dizem crer na presença substancial de Cristo sob as aparências do pão e do vinho após a consagração são Igreja. Não são Igreja os 69% dos católicos americanos que dizem não acreditar na presença substancial de Cristo sob as aparências do pão e do vinho após a consagração. — Padres que não abençoam uniões entre pessoas do mesmo sexo em suas paróquias são Igreja. Não são Igreja os padres que abençoam impunemente, e ainda por cima vestidos com as cores do arco-íris, uniões entre pessoas do mesmo sexo em suas paróquias. São essas coisas que colocam em risco a unidade eclesial. “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído. Toda cidade, toda casa dividida contra si mesma não pode subsistir”, disse certa vez, há mais de dois mil anos, o Fundador da própria Igreja (Mateus 12, 25). Em Lucas (18, 8) fez a terrível pergunta: “Quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?” Por outro lado, em Mateus (16, 18), Jesus garantiu que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja, que afinal é mais Sua do que nossa.
- Vídeo mostra homem entrar em igreja e destruir imagem de Cristo crucificado
Um vídeo que mostra o momento em que um homem destrói a imagem de Cristo crucificado começou a circular nas redes sociais. O incidente ocorreu após a missa da manhã na igreja de Nossa Senhora das Graças, no município de Palmeira dos Índios, Alagoas. Como comentou o Padre Fábio Freitas ao portal de notícias 7 Segundos, “ foi um momento de agonia e tristeza que nunca esperávamos passar , quando fomos surpreendidos por um jovem do bairro Sampaio que sofre de problemas mentais desde pequeno e quebrou a imagem de Cristo”. Veja o vídeo: O padre explicou que o homem está sempre nas calçadas da igreja e nunca representou nenhuma ameaça aos fiéis ou às pessoas que ali trabalhavam. Ele até entrou na igreja outras vezes e nunca teve um comportamento agressivo. “Mas ontem, no final da celebração, todos na igreja ficaram surpresos com a reação do jovem e todos ficamos perplexos, porque nunca esperávamos um acontecimento como este, principalmente depois de uma missa tão linda, tão linda, tão comovente “, disse. Padre Freitas contou que no final da missa todos tiveram um momento muito forte ao testemunhar as pessoas que receberam milagres de cura por intercessão de Nossa Senhora por um voto feito a Deus e, pouco depois, o inimigo usou o pobre jovem para expressar seu ódio e sua rejeição às coisas de Deus e da Igreja . Os motivos alegados para o ataque “Ele reagiu violentamente, quebrando a imagem do crucificado. O diabo age assim e é preciso estar sempre vigilante para não cair nessas armadilhas inimigas”, alertou o padre. “Quando ele foi detido pelos fiéis, entramos em contato com a polícia para informá-los do ocorrido e pedimos que o levassem para a UPA de Palmeira dos Índios”, explica o sacerdote. Segundo o pároco, o jovem vem de uma família muito humilde, e sua mãe e tio foram à igreja para dizer que ele é muito agressivo em casa e já quebrou muitas coisas. “Muitas coisas podem ter contribuído para a violência que ele cometeu. Falta de tomar o remédio controlado, já que parecia muito agitado, ou lhe aconteceu algo que o induziu a este ato maligno”, disse o padre, que ficou perplexo com a ação violenta do homem. “Vamos recomeçar e buscar uma solução para resolver esse problema”, finalizou. Rezemos por este homem! Via ChurchPop.pt
- Vídeo mostra homem entrar em igreja e destruir imagem de Cristo crucificado
Um vídeo que mostra o momento em que um homem destrói a imagem de Cristo crucificado começou a circular nas redes sociais. O incidente ocorreu após a missa da manhã na igreja de Nossa Senhora das Graças, no município de Palmeira dos Índios, Alagoas. Como comentou o Padre Fábio Freitas ao portal de notícias 7 Segundos, “ foi um momento de agonia e tristeza que nunca esperávamos passar , quando fomos surpreendidos por um jovem do bairro Sampaio que sofre de problemas mentais desde pequeno e quebrou a imagem de Cristo”. Veja o vídeo: O padre explicou que o homem está sempre nas calçadas da igreja e nunca representou nenhuma ameaça aos fiéis ou às pessoas que ali trabalhavam. Ele até entrou na igreja outras vezes e nunca teve um comportamento agressivo. “Mas ontem, no final da celebração, todos na igreja ficaram surpresos com a reação do jovem e todos ficamos perplexos, porque nunca esperávamos um acontecimento como este, principalmente depois de uma missa tão linda, tão linda, tão comovente “, disse. Padre Freitas contou que no final da missa todos tiveram um momento muito forte ao testemunhar as pessoas que receberam milagres de cura por intercessão de Nossa Senhora por um voto feito a Deus e, pouco depois, o inimigo usou o pobre jovem para expressar seu ódio e sua rejeição às coisas de Deus e da Igreja . Os motivos alegados para o ataque “Ele reagiu violentamente, quebrando a imagem do crucificado. O diabo age assim e é preciso estar sempre vigilante para não cair nessas armadilhas inimigas”, alertou o padre. “Quando ele foi detido pelos fiéis, entramos em contato com a polícia para informá-los do ocorrido e pedimos que o levassem para a UPA de Palmeira dos Índios”, explica o sacerdote. Segundo o pároco, o jovem vem de uma família muito humilde, e sua mãe e tio foram à igreja para dizer que ele é muito agressivo em casa e já quebrou muitas coisas. “Muitas coisas podem ter contribuído para a violência que ele cometeu. Falta de tomar o remédio controlado, já que parecia muito agitado, ou lhe aconteceu algo que o induziu a este ato maligno”, disse o padre, que ficou perplexo com a ação violenta do homem. “Vamos recomeçar e buscar uma solução para resolver esse problema”, finalizou. Rezemos por este homem! Via ChurchPop.pt
- QUANDO O OCIDENTE PERDEU O CRISTO
Com a vinda do homem do campo para as cidades, em meados do século XX, sobretudo entre as décadas de quarenta e sessenta, migrou junto uma certa visão de mundo mais conservadora que, mesmo em contato com o natural dinamismo do meio urbano, não sofria erosões mais profundas, pois o sistema de valores vigentes no Brasil ainda tinha por base a moral cristã: o que o padre cobrava dos fiéis nas homilias das Missas dominicais, frequentadas pela maioria da população, era válido indistintamente para o homem urbano e o rural. A paisagem urbana modificava-se com a chegada dos caipiras e interioranos: enquanto a norma culta da língua torcia o nariz às variantes linguísticas trazidas pelos novos intrusos, os restaurantes viam-se obrigados a incorporar, aqui e ali, alguns itens de proveniência regional em seu cardápio e as rádios passavam a tocar canções de sabor mais telúrico, muitas vezes até com ritmos acentuadamente regionais. O próprio cinema nascente procurava satisfazer, com seus mazzaropis e cangaceiros, o novo público que então enchia as salas de projeção — público que também absorvia filmes que chegavam de Hollywood e já traziam consigo novas ideias, muitas delas em contraste com o que as pessoas haviam aprendido em casa, na escola e na Missa. O nível de vida dos novos habitantes dependia das condições de trabalho nos novos centros: nos mais industrializados, provavelmente fosse menor o número de favelas, delinquentes e criminosos. O certo é que a existência de um sistema moral de freios garantia uma relativa estabilidade de costumes e valores, mais ou menos compartilhado pelas escolas (e não só as confessionais), as paróquias católicas e as salas de culto protestantes. Nos anos sessenta, já com os grandes centros urbanos bastante inchados pelo êxodo rural, eis que irrompem, nesse cenário relativamente acomodado, alguns agressivos fatores de desestabilização, em especial os movimentos ideológicos de esquerda, dispostos a mudar, inclusive pelas armas, a estrutura sociopolítica do país; e o surgimento de uma cultura de massa (através da música popular, da televisão, do cinema), estimulando o consumo e os prazeres do corpo. Ambos vinham com a séria disposição de questionar os valores e princípios que a civilização ocidental havia conservado ao longo de quase dois mil anos, num processo que tinha conseguido dosar tanto elementos de permanência (o suficiente para preservar a sua identidade) como de mudança (necessários para atender às demandas de cada novo e particular período). Paralelamente a isto, e não sem relação de causa e efeito, o sistema moral de freios do catolicismo, e do ainda minoritário cristianismo evangélico, começava a ceder. As escolas — e, de forma crescente, até as igrejas, por influência das novas teologias de teor progressista — passaram a atuar como veículos das novas ideias transgressoras. “O Ocidente perdeu Cristo e por isto decai”. Esta frase, atribuída à Dostoiévski, explica de modo luminoso tudo o que está acontecendo com o mundo, nos últimos dois séculos. Mesmo quem não tem fé, mas tem juízo, costuma concordar com este diagnóstico: se o cristianismo já não é caminho para a vida eterna, será o melhor que existe para a condução da História. Sem os princípios morais cristãos, coroamento da boa moral greco-romana fundada na “lei natural”, nada que era sólido podia subsistir e logo se desmanchava no ar. Quando os caipiras, e seus descendentes, passaram a viver sem os velhos parâmetros de ação moral, trazidos da roça e do interior, transformaram-se em peças cada vez mais passivas numa partida de xadrez disputada pelas piores paixões humanas.
- AS ORIGENS HERÉTICAS DA ICONOCLASTIA
“As imagens são honradas por todos os fiéis, para que, através de um rosto visível, a nossa alma seja arrebatada até à majestade invisível de Deus, com um afeto espiritual através da contemplação da imagem representada segundo a carne que o Filho de Deus se dignou assumir para nossa redenção.” – Jean-Claude Schimitt pág. 57 O Império Bizantino do século VIII até o XI Este é um artigo introdutório acerca do tema iconoclastia, para quem não sabe o significado, iconoclastas se refere aos quebradores de imagens, os que rejeitam as imagens. Será abordado esse tema na perspectiva de vários autores, alguns com obras sem tradução no Brasil, mas todos os especialistas no assunto. Verificaremos principalmente o Império Bizantino a partir do século VIII, foi no oriente que se deu a heresia iconoclasta. No Ocidente o que podemos chamar de “a crise da imagem” ocorreu de forma sistêmica a partir da reforma protestante, parafraseando Peter Burke “foi um momento de crise da imagem, uma mudança do que podemos chamar cultura visual para uma cultura textual” (PG.89), o próprio Burke nos aponta que “numa cultura de iletrados, as imagens oferecem uma evidência muito mais rica de que os textos” (PG. 89), ele continua falando numa folclorização do protestantismo quando aponta um crítico das imagens que, ele próprio estava se tornando objeto de um culto semelhante. No Ocidente antes da reforma protestante tivemos um momento de discussões sobre as imagens, isso ocorreu no período dos reinos francos e com libre carolini, neste período se discutiu a função da imagem e não propriamente sua proibição. No desenvolvimento do pensamento cristão das imagens recorremos a uma análise de Marie-José Mondzain; “[…] O pensamento icônico nos concerne a todos, hoje em dia, no mundo profano e laico, sem haver necessariamente, no interesse que se dedica a ele, a menor preocupação apologética ou doutrinária. Entretanto, o uso ideológico que agora se faz dos temas icônicos obriga-nos a retornar às fontes para mostrar a autonomia do campo filosófico em relação ao domínio propriamente religioso. Para alguém como Nicéforo, é a causa do pensamento que é sagrada; se o ícone é sagrado, é porque funda a própria possibilidade do pensar. Hoje, a reflexão sobre a imagem só continua a ser uma causa sagrada porque o destino do pensamento e da liberdade constitui seu desafio. Será que o mundo visível, esse que nos é dado ver, é liberdade ou escravidão? Para poder contemplar um mundo radicalmente baseado na visibilidade, a partir da convicção da invisibilidade do que constitui sua essência e seu sentido, foi preciso produzir um pensamento que relacionasse o visível e o invisível. Essa relação apoiou-se na distinção entre a imagem e o ícone. A imagem é invisível, o ícone é visível. A economia foi o conceito de sua articulação viva. A imagem é mistério, o ícone é enigma. A economia foi o conceito de sua relação e sua intimidade. A imagem é eterna similitude, o ícone é semelhança temporal. A economia foi o conceito de transfiguração da história.” Apontaremos doravante as motivações, discussões, perseguições e as soluções sobre o tema da iconoclastia. Entenderemos a questão política, a dinastia reinante no século VII foi a Heráclida que tentou, com seu último governante, aumentar a tributação da aristocracia local, o que gerou crescente insatisfação. Justiniano II acabou sendo deposto no ano de 711 e institui-se uma nova dinastia: a Isáurica. Foi um período de grandes problemas externos, oriundos de várias frentes como os árabes e os búlgaros. Ganhos e perdas foram processados; ora as fronteiras do Império recuavam, ora se expandiam. No entanto, nunca foi recuperado o apogeu do período de Justiniano. A questão iconoclasta Antecedentes: Não é possível tratarmos da questão Iconoclasta, ocorrida no Império Bizantino do século VIII, sem entendermos seus antecedentes, conhecermos alguns elementos de História da Arte e, sobretudo, dominarmos o significado do conceito ícone. A palavra ícone tem sua origem no grego eikon, termo que pode ser traduzido grosseiramente por imagem e que adquiriu expressividade na representação religiosa. Em outras palavras, ícone seria a imagem, a projeção que é feita de alguma situação ou de alguém. No que diz respeito à arte religiosa, temos referências de que os primeiros cristãos tinham o costume de adornar as catacumbas onde se reuniam nas fases de perseguição, com símbolos. Um dos símbolos mais utilizados era do peixe, que significava o reconhecimento dos seguidores de Jesus. A palavra peixe em grego significa ICHTHYS, cujas iniciais poderiam ser traduzidas como IESUS CHRISTUS THEOS YIOS SOTER (“Jesus Cristo, filho do Deus Salvador”). Temos ainda relatos da existência de algumas esculturas e estátuas retratando santos, anjos, ainda nos séculos II e III. Citando Engelberto Kirschbaum, Eduardo Junyent, e Jose Vives; “Como se manifestam nos cemitérios cristãos de Roma e nos monumentos funerários que encerram e segundo os tempos em que ocorrem e se cruzam, a exposição temática de arte cristã pode ser acompanhada nos seus canais naturais e com toda a força do seu expressão na verdadeira compreensão do seu conteúdo. Dos temas da arte clássica preservados pelo Cristianismo, muitas vezes com outro significado, dos símbolos que aparecem como claramente cristãos aos temas de origem funerária, que são criados a partir da segunda metade do século II; aos temas referentes à salvação, que se espalharam em meados do século III para se desenvolver em ambos sentidos com novas concepções artísticas, até os últimos anos do século IV, uma visão progressista é adquirida de figurações representativas da arte sepulcral. Da mesma forma, desde os temas cristológicos com sentido narrativo impregnado de alegorias que aparecem em locais de culto desde a segunda metade do século III, cujo eco é evocado nos mesmos monumentos funerários, até chegar à arte transcendental com temas históricos glorificantes que têm uma impacto na decoração dos santuários dos mártires, a mesma visão progressista se completa como foi realizada em um dos centros artísticos mais importantes.” – “La Tumba de San Pedro y las Catacumbas Romanas”, pagina 270 Em termos de História da Arte, as cores dos ícones possuem significados especiais e não são meras escolhas aleatórias. Toda vez que era empregado o azul, a intenção era mostrar o transcendental, o imanente; o verde, a natureza, a criação de Deus; o branco mantém sua significância, a paz, a harmonia; o vermelho, a cor de maior humanidade, representa a concepção de martírio. Era muito comum também a utilização do dourado para destacar roupas, coroas e bordas. Nas primeiras basílicas destaca-se também que não houve, desde os primórdios, um consenso sobre a pertinência ou não dessas representações. No caso das primeiras basílicas, o ponto era se deviam decorá-las e como. Segundo o historiador da arte Ernst Gombrich: “Num ponto os primeiros cristãos debatiam: se não devia haver estátuas na Casa do Senhor. As estátuas pareciam-se demais com as imagens esculpidas de ídolos pagãos que a Bíblia condenava. Colocar uma figura de Deus, ou de um dos seus santos, no altar parecia criar confusão aos pagãos convertidos. Pois, como iriam os míseros pagãos recém-convertidos à nova fé aprender a distinguir entre suas antigas crenças e a nova mensagem, se vissem tais estátuas nas igrejas?” (GOMBRICH, E.H. A História da Arte. Rio de Janeiro:LTC, 2008, p.135). Observe que havia uma discussão num período inicial da Igreja, esse período segundo o autor, abrange o final do primeiro século em diante. Em relação às pinturas, houve, inicialmente, uma tolerância maior dada à sua funcionalidade lembrada, sobretudo, pelo papa São Gregório Magno no final do século VI, lembrou àqueles que eram contra qualquer pintura, que muitos membros da Igreja não sabiam ler, nem escrever, e que para ensiná-los, essas imagens eram tão úteis quanto os desenhos de um livro ilustrado para crianças. Disse ele: “A pintura pode realizar pelos analfabetos o que a escrita faz pelos que sabem ler.” IDEIAS MONOFISITAS Como veremos em futuras publicações, em algumas áreas do Império Bizantino, avolumou-se o número de seguidores das ideias monofisistas. Um de seus principais líderes, Severo de Antioquia, era visceralmente avesso a qualquer representação de Cristo, de Maria ou dos santos e suas ideias foram seguidas por muitos indivíduos. Lembre-se que os monofisistas acreditavam que a natureza de Cristo era uma, ou seja, apenas espiritual; a humana fora absorvida pela imaterial. Outro dado curioso sobre o nascimento e desenvolvimento da Iconoclastia, ou seja, movimento contra a criação e veneração de imagens sagradas, é sua localização geográfica. A Iconoclastia foi muito mais intensa em regiões fronteiriças com comunidades islâmicas. Por serem contrários a essa prática, conforme veremos, muitos imperadores bizantinos, em nome de uma boa convivência com os árabes, “fecharam os olhos” para o movimento. A Questão Iconoclasta No século VIII, no entanto, a questão ganhou um novo e expressivo capítulo que foi denominado questão Iconoclasta. Será abordado que, no Império Bizantino, que o governante gozava de um poder bastante extenso, o Cesaropapismo. Na prática, o governante assumia o poder temporal e religioso ingerindo, inclusive, questões doutrinárias. No ano de 730, o imperador Leão III estabeleceu que não deveria ocorrer nas terras do Império qualquer tipo de veneração ou como eles acusavam “adoração” às Imagens. Seguiu-se uma verdadeira caça aos iconófilos e seus símbolos, com a destruição de grande quantidade de ícones, pinturas, enfeites, sendo uma lamentável perda cultural. O imperador seguinte, Constantino V, após o Concílio iconoclasta de Hieria do ano de 754, oficializou a Iconoclastia. Todos os que se mantinham venerando às imagens foram perseguidos e punidos, particularmente os religiosos. A OPÇÃO DA IGREJA PELA ICONOCLASTIA Essa opção pela Iconoclastia foi totalmente unilateral, ou seja, os bispos ocidentais não participaram do Concílio e nem concordavam com a decisão. Mais uma vez a Igreja Ocidental e a oriental discordavam sobre questões dogmáticas. Foi o ensejo para um pequeno Cisma, só amainado 23 anos depois quando a Imperatriz Irene aprovou o dogma da Iconofilia. É necessário salientar que outros Concílios e Imperadores posteriores retrocederam nessa decisão, afastando cada vez mais os lados ocidental e oriental da Igreja, a ponto de culminar no rompimento final, como veremos à frente. As “outras” causas da Questão Iconoclasta: “Muitos estudiosos entendem que a questão da veneração ou não de imagens transcendiam em muito a problemas meramente dogmáticos. Um dos motivos seria a preocupação com a grande ingerência da Igreja dentro do Império. Ela adquirira grandes propriedades. O número de mosteiros se ampliara, logo sua influência junto ao povo também. Além disso, a riqueza e a influência que os mosteiros amealharam eram cobiçadas pelos imperadores. Como grande parte desse patrimônio era oriunda da confecção e venda dos ícones, uma maneira de enfraquecê-la era proibir sua fabricação e circulação comercial, além de confiscar propriedades dos iconófilos. Outra teoria defendida refere-se a questões de ordem administrativa. Em algumas áreas do Império Bizantino, ou ainda em seus limites, existiam comunidades seguidoras do Islamismo e do Judaísmo, opostas à prática da veneração de imagens. Abolir tal dogma seria um caminho plausível para a convivência e até mesmo dominação desses povos. De qualquer forma, muito dessa tradição se perdeu, ganhando novo fôlego apenas no século XII quando o emprego de materiais mais sofisticados tornou-se regra. É dessa época e de períodos póstumos a maior parte dos elementos de que dispomos. Na imagem abaixo, Cristo é esmagado em uma prensa como um cacho de uvas simbólico e o sangue (vinho eucarístico) que flui de suas feridas é recolhido em um recipiente (o Fons Vitae ) que idealmente pode beber toda a humanidade e assim ser purificado do pecado. O Papa Gregório Magno é quem recolhe o sangue na forma de hóstia. BIBLIOGRAFIA; Jean-Claude Schmitt O Corpo Das Imagens, Peter Burke e 1 mais Testemunha ocular: O uso de imagens como evidência histórica, Marie-josé Mondzain Imagem, Icone, Economia #Bizâncio #IcelandSwedenDenmarkNorway #France #Apologética #Belarus #desenvolvimentodoutrinal #imagensIconoclastas #Doctrinaldevelopment
- Cardeal Burke: “Rezo para que os fiéis não cedam ao desânimo”
“Rezo para que os fiéis não dêem lugar ao desânimo que tal dureza necessariamente gera, mas irá, com a ajuda da graça divina, perseverar em seu amor pela Igreja e por seus pastores”, disse o cardeal Raymond Burke ao Register. Em comentários ao Registro, o cardeal Raymond Burke, prefeito emérito da Signatura Apostólica, observou o que ele vê como uma série de falhas em Traditionis Custodes, dizendo que não conseguia entender como o novo Missal Romano é a “expressão única do lex orandi do Rito Romano”, como afirma o novo motu proprio. A forma extraordinária da missa “é uma forma viva do Rito Romano e nunca deixou de ser assim”, observou o cardeal Burke. Ele também não conseguia entender por que o motu proprio entra em vigor imediatamente, pois o decreto “contém muitos elementos que requerem estudo sobre sua aplicação”. O cardeal americano ainda observou que, em sua longa experiência, ele não testemunhou a “situação gravemente negativa” que Francisco descreve em sua carta. Embora alguns fiéis possam ter “ideias errôneas”, disse ele, ele encontrou os fiéis em questão geralmente “têm um profundo amor pela Igreja e por seus pastores na Igreja” e “de forma alguma atribuim a uma ideologia cismática ou sedevacantista. Na verdade, muitas vezes sofreram muito para permanecer na comunhão da Igreja sob o pontífice romano”, disse ele. O cardeal Burke acrescentou que, se houver situações “de atitude ou prática contrárias à doutrina sólida e disciplina da Igreja, elas devem ser tratadas individualmente pelos pastores da Igreja, pelo pontífice romano e pelos bispos em comunhão com ele”. O Cardeal Burke também questionou o tom do motu proprio, observando que ele é “marcado por uma dureza” em relação aos fiéis que adoram de forma extraordinária. “Rezo para que os fiéis não dêem lugar ao desânimo que tal dureza necessariamente gera, mas irá, com a ajuda da graça divina, perseverar em seu amor pela Igreja e por seus pastores”, disse ele. Leia também A Liturgia não é invenção humana, mas um presente de Deus para nós – Cardeal Burke ‘Uma Grande Decepção’ Joseph Shaw, presidente da Sociedade Latina de Massa no Reino Unido, disse que achou um “documento surpreendente, superando as piores expectativas. “O Papa Francisco desfez completamente os arranjos de Summorum Pontificum e criou uma situação que parece totalmente inviável, proibindo a forma extraordinária das igrejas paroquiais.” Ele acrescentou: “Os termos negativos do documento virão como uma triste decepção para aqueles muitos leigos e padres que têm usado a forma extraordinária porque o Papa João Paulo II e o Papa Bento XVI os encorajaram a fazê-lo, descrevendo-o como uma ‘aspiração legítima’ e ‘riquezas’ para a Igreja, respectivamente.” Luigi Casalini, editor de Messa em Latino, que, juntamente com o blog Rorate Caeli, foi o primeiro a revelar que tal proprio motu estava sendo preparado, disse acreditar que Summorum Pontificum foi “revogada com violência sem precedentes e uma total falta de caridade”. A pesquisa a que Francisco se refere no motu proprio e que, segundo ele, o levou a emitir o motu proprio teria recebido apenas uma resposta moderada, e mais da metade dos que responderam tinha uma visão favorável ou neutra da recepção do Summorum Pontificum. O cardeal Burke disse que, “dada a natureza drástica da legislação, seria justo dar um relatório detalhado do resultado da pesquisa, que também verifica a natureza científica da pesquisa. “Conheço muitos bispos que são muito próximos dos fiéis que adoram de acordo com o usus antiquior [forma extraordinária] e aos sacerdotes que os servem”, disse o cardeal. “Espero que eles também tenham sido ouvidos através da pesquisa.” Traduzido de National Catholic Register #TraditionisCustodes
- Cardeal Burke: “Rezo para que os fiéis não cedam ao desânimo”
“Rezo para que os fiéis não dêem lugar ao desânimo que tal dureza necessariamente gera, mas irá, com a ajuda da graça divina, perseverar em seu amor pela Igreja e por seus pastores”, disse o cardeal Raymond Burke ao Register. Em comentários ao Registro, o cardeal Raymond Burke, prefeito emérito da Signatura Apostólica, observou o que ele vê como uma série de falhas em Traditionis Custodes, dizendo que não conseguia entender como o novo Missal Romano é a “expressão única do lex orandi do Rito Romano”, como afirma o novo motu proprio. A forma extraordinária da missa “é uma forma viva do Rito Romano e nunca deixou de ser assim”, observou o cardeal Burke. Ele também não conseguia entender por que o motu proprio entra em vigor imediatamente, pois o decreto “contém muitos elementos que requerem estudo sobre sua aplicação”. O cardeal americano ainda observou que, em sua longa experiência, ele não testemunhou a “situação gravemente negativa” que Francisco descreve em sua carta. Embora alguns fiéis possam ter “ideias errôneas”, disse ele, ele encontrou os fiéis em questão geralmente “têm um profundo amor pela Igreja e por seus pastores na Igreja” e “de forma alguma atribuim a uma ideologia cismática ou sedevacantista. Na verdade, muitas vezes sofreram muito para permanecer na comunhão da Igreja sob o pontífice romano”, disse ele. O cardeal Burke acrescentou que, se houver situações “de atitude ou prática contrárias à doutrina sólida e disciplina da Igreja, elas devem ser tratadas individualmente pelos pastores da Igreja, pelo pontífice romano e pelos bispos em comunhão com ele”. O Cardeal Burke também questionou o tom do motu proprio, observando que ele é “marcado por uma dureza” em relação aos fiéis que adoram de forma extraordinária. “Rezo para que os fiéis não dêem lugar ao desânimo que tal dureza necessariamente gera, mas irá, com a ajuda da graça divina, perseverar em seu amor pela Igreja e por seus pastores”, disse ele. Leia também A Liturgia não é invenção humana, mas um presente de Deus para nós – Cardeal Burke ‘Uma Grande Decepção’ Joseph Shaw, presidente da Sociedade Latina de Massa no Reino Unido, disse que achou um “documento surpreendente, superando as piores expectativas. “O Papa Francisco desfez completamente os arranjos de Summorum Pontificum e criou uma situação que parece totalmente inviável, proibindo a forma extraordinária das igrejas paroquiais.” Ele acrescentou: “Os termos negativos do documento virão como uma triste decepção para aqueles muitos leigos e padres que têm usado a forma extraordinária porque o Papa João Paulo II e o Papa Bento XVI os encorajaram a fazê-lo, descrevendo-o como uma ‘aspiração legítima’ e ‘riquezas’ para a Igreja, respectivamente.” Luigi Casalini, editor de Messa em Latino, que, juntamente com o blog Rorate Caeli, foi o primeiro a revelar que tal proprio motu estava sendo preparado, disse acreditar que Summorum Pontificum foi “revogada com violência sem precedentes e uma total falta de caridade”. A pesquisa a que Francisco se refere no motu proprio e que, segundo ele, o levou a emitir o motu proprio teria recebido apenas uma resposta moderada, e mais da metade dos que responderam tinha uma visão favorável ou neutra da recepção do Summorum Pontificum. O cardeal Burke disse que, “dada a natureza drástica da legislação, seria justo dar um relatório detalhado do resultado da pesquisa, que também verifica a natureza científica da pesquisa. “Conheço muitos bispos que são muito próximos dos fiéis que adoram de acordo com o usus antiquior [forma extraordinária] e aos sacerdotes que os servem”, disse o cardeal. “Espero que eles também tenham sido ouvidos através da pesquisa.” Traduzido de National Catholic Register #TraditionisCustodes
- Menos de 48h após o motu próprio, bispo publica decreto proibindo tudo que cheira tradição
Geralmente acontece nas organizações que quando o superior dá uma ordem, alguns subordinados tentam ir além da ordem, tentando agradar o que sabem ou pensam saber ser a verdadeira vontade do chefe. Assim, embora o motu proprio Traditionis custodes preveja que o culto à Missa Tradicional seja mantido onde quer que existam comunidades consolidadas que o exijam, não poucos pastores entenderam o documento papal como um sinal para apagar todos os vestígios do rito tridentino de suas dioceses. . Tal parece ser o caso do bispo de Mayagüez, em Porto Rico, Ángel Ríos Matos, a quem faltou tempo para publicar um decreto aparentemente destinado a não deixar sequer a memória da Missa Tradicional em seu território, invocando o novo motu proprio que revoga o motu proprio que Bento XVI promulgou há apenas 14 anos. Será que ainda há aulas sobre abrangência de jurisdição e competência nos seminários atuais? Ríos, elevado ao episcopado em 2020, alega que atualmente não há grupos em sua diocese que solicitem o rito tridentino e, portanto, “proíbe” sua celebração em sua diocese. Nenhum sacerdote ou lugar será designado para isso. Além disso, ele ordena que “cada sacerdote” em sua diocese deve presidir o Novus Ordo, “mesmo quando é celebrado em privado e sem pessoas”. Por último, “proíbe” o uso de casulas romanas, toalhas de mesa de linho, coberturas de cálices, manípulos, almofarizes e outros elementos típicos do rito romano. Leia também Cardeal Sarah responde a Traditionis Custodes citando Bento XVI De onde vem tanta aversão à tradição? Ainda que existam diferenças profundas entre a forma ordinária do rito romano e a forma extraordinária (missa tridentina), as semelhanças são muitas Uma forma de contornar o acesso dos fiéis à missa tradicional, especialmente nas paróquias onde o padre sabe ou não pode celebrar o rito extraordinário, é basicamente celebrar o rito na forma ordinária de maneira piedosa, seguindo as recomendações do missal e instruções litúrgicas! Todos os itens abaixo estão previstos no Novus Ordo e qualquer padre tem autoridade para celebrar: em latim com leituras e homilia em português; ad orientem (de frente para o altar/sacrário); cantos litúrgicos em gregoriano com órgão e coral de vozes; paramentos litúrgicos completos, com casula romana, barrete, etc); comunhão na boca com genuflexório e patena de comunhão; orientar o povo sobre o uso de roupas adequadas, modestas e o véu; orientar o povo a fazer profundo silêncio dentro da igreja, sem conversas ou alimentos; preparar homilias realmente católicas, inspiradas nos sermões de grandes santos da igreja; utilizar turíbulo em domingos, solenidades e festas; evitar “comentaristas” durante a missa; não fazer entradas da bíblia, teatros, danças, outras entradas inventadas, e outros abusos; etc; Leia também Missa de frente para deus – versus deum – também no rito novo? Um dos principais argumentos para as grandes mudanças no rito da missa era para popularizar a missa e deixar mais “acessível”, entretanto o resultado é que nos dias atuais apenas 5% daqueles que se declaram católicos cumprem o preceito e frequentam a missa todos os domingos. Se todas as missas fossem bem celebradas e de maneira piedosa, com homilias verdadeiramente católicas e catequeticas, como pede a Santa Igreja e o Missal, sem abusos litúrgicos, certamente muito mais católicos frequentariam a Santa Missa aos domingos. Leia também Lefebristas se pronunciam sobre Traditionis Custodes: da reserva ao zoológico #TraditionisCustodes
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Geralmente acontece nas organizações que quando o superior dá uma ordem, alguns subordinados tentam ir além da ordem, tentando agradar o que sabem ou pensam saber ser a verdadeira vontade do chefe. Assim, embora o motu proprio Traditionis custodes preveja que o culto à Missa Tradicional seja mantido onde quer que existam comunidades consolidadas que o exijam, não poucos pastores entenderam o documento papal como um sinal para apagar todos os vestígios do rito tridentino de suas dioceses. . Tal parece ser o caso do bispo de Mayagüez, em Porto Rico, Ángel Ríos Matos, a quem faltou tempo para publicar um decreto aparentemente destinado a não deixar sequer a memória da Missa Tradicional em seu território, invocando o novo motu proprio que revoga o motu proprio que Bento XVI promulgou há apenas 14 anos. Será que ainda há aulas sobre abrangência de jurisdição e competência nos seminários atuais? Ríos, elevado ao episcopado em 2020, alega que atualmente não há grupos em sua diocese que solicitem o rito tridentino e, portanto, “proíbe” sua celebração em sua diocese. Nenhum sacerdote ou lugar será designado para isso. Além disso, ele ordena que “cada sacerdote” em sua diocese deve presidir o Novus Ordo, “mesmo quando é celebrado em privado e sem pessoas”. Por último, “proíbe” o uso de casulas romanas, toalhas de mesa de linho, coberturas de cálices, manípulos, almofarizes e outros elementos típicos do rito romano. Leia também Cardeal Sarah responde a Traditionis Custodes citando Bento XVI De onde vem tanta aversão à tradição? Ainda que existam diferenças profundas entre a forma ordinária do rito romano e a forma extraordinária (missa tridentina), as semelhanças são muitas Uma forma de contornar o acesso dos fiéis à missa tradicional, especialmente nas paróquias onde o padre sabe ou não pode celebrar o rito extraordinário, é basicamente celebrar o rito na forma ordinária de maneira piedosa, seguindo as recomendações do missal e instruções litúrgicas! Todos os itens abaixo estão previstos no Novus Ordo e qualquer padre tem autoridade para celebrar: em latim com leituras e homilia em português; ad orientem (de frente para o altar/sacrário); cantos litúrgicos em gregoriano com órgão e coral de vozes; paramentos litúrgicos completos, com casula romana, barrete, etc); comunhão na boca com genuflexório e patena de comunhão; orientar o povo sobre o uso de roupas adequadas, modestas e o véu; orientar o povo a fazer profundo silêncio dentro da igreja, sem conversas ou alimentos; preparar homilias realmente católicas, inspiradas nos sermões de grandes santos da igreja; utilizar turíbulo em domingos, solenidades e festas; evitar “comentaristas” durante a missa; não fazer entradas da bíblia, teatros, danças, outras entradas inventadas, e outros abusos; etc; Leia também Missa de frente para deus – versus deum – também no rito novo? Um dos principais argumentos para as grandes mudanças no rito da missa era para popularizar a missa e deixar mais “acessível”, entretanto o resultado é que nos dias atuais apenas 5% daqueles que se declaram católicos cumprem o preceito e frequentam a missa todos os domingos. Se todas as missas fossem bem celebradas e de maneira piedosa, com homilias verdadeiramente católicas e catequeticas, como pede a Santa Igreja e o Missal, sem abusos litúrgicos, certamente muito mais católicos frequentariam a Santa Missa aos domingos. Leia também Lefebristas se pronunciam sobre Traditionis Custodes: da reserva ao zoológico #TraditionisCustodes
- Lefebristas se pronunciam sobre Traditionis Custodes: da reserva ao zoológico
Continuam as reações ao motu proprio do Papa Francisco sobre a Missa Tradicional, pela qual o de seu predecessor, Bento XVI, o Summorum Pontificum, é revogado. Se esta manhã comentamos a reação do cardeal guineense Robert Sarah e o Cardeal Mueller, agora pegamos um artigo publicado pela Fraternidade São Pio X Sacerdotal, organização formada pelo bispo francês Marcel Lefebvre, justamente para manter, entre outras coisas, a liturgia antes da reforma pós-conciliar. De Summorum pontificum a Traditionis custodes, ou da reserva para o zoológico O Papa Francisco publicou nesta sexta (16/07) um Motu Proprio cujo título poderia apresentar uma grande esperança: Traditionis custodes, “Guardiões da Tradição”. Sabendo que se dirige aos Bispos, poderia-se levar a sonhar: a Tradição está em vias de recuperar os seus direitos na Igreja? Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est Pelo contrário. Este novo Motu Proprio executa uma eliminação. Ele ilustra a precariedade do atual magistério e indica a data de expiração do Summorum Pontificum de Bento XVI, que nem sequer terá celebrado seu décimo quinto aniversário. Tudo, ou quase tudo, contido no Summorum pontificum foi disperso, abandonado ou destruído. O objetivo também está claramente estabelecido na Carta que acompanha esta liquidação. O Papa enumera dois princípios “sobre o modo de proceder nas dioceses”: “por um lado, prover o bem daqueles que estão enraizados na forma precedente de celebração e que precisam de tempo para retornar ao rito romano promulgado pelos “santos” Paulo VI e João Paulo II ”. E, por outro lado: “impedir de erigir novas paróquias pessoais, ligadas mais ao desejo e à vontade de cada sacerdote do que às necessidades do “povo santo e fiel de Deus”. Uma extinção programada Enquanto Francisco se faz defensor das espécies animais ou vegetais em vias de desaparecimento, ele decide e promulga a extinção daqueles que estão ligados ao rito imemorial da Santa Missa. Esta espécie não tem mais o direito de viver: ela deve desaparecer. E todos os meios serão empregados para alcançar este resultado. E, antes de tudo, uma rigorosa redução da liberdade. Até agora, os espaços reservados para o rito antigo tinham uma certa latitude de movimento, um pouco como reservas. Hoje passamos para um regime de zoológico: gaiolas, rigorosamente restritas e delimitadas. O número delas é estritamente monitorado e, uma vez instaladas, será proibida fornecer outras. Os guardiões – ou deveríamos dizer os carcereiros? – não são outros senão os próprios Bispos. Tudo isso está especificado no artigo 3, parágrafo 2: “O bispo (…) indicará um ou mais lugares onde os fiéis aderentes a estes grupos possam se reunir para a celebração eucarística (mas não nas igrejas paroquiais e sem constituir uma nova paróquia pessoal)“ O regulamento interno destas prisões é estritamente controlado (artigo 3º, parágrado 3): “O bispo (…) estabelecerá os dias em que, no lugar indicado, serão autorizadas as celebrações eucarísticas com o uso do Missal Romano promulgado por são João XXIII em 1962.” Esse controle se estende aos menores detalhes (ibidem): “Nessas celebrações, as leituras serão proclamadas no vernáculo, utilizando as traduções da Sagrada Escritura para uso litúrgico, aprovadas pelas respectivas Conferências Episcopais.” Não se trata de usar a tradução de um Dom Lefebvre ou de um lecionário do passado. A eutanásia está prevista para as espécimes consideradas impróprias aos cuidados paliativos (artigo 3º, parágrafo 5): “O bispo (…) procederá, nas paróquias pessoais canonicamente erigidas em benefício destes fiéis, a uma avaliação adequada da sua real utilidade para crescimento espiritual, e decidirá se os deve manter ou não.“ A reserva é, de fato, suprimida em sua totalidade, uma vez que desaparece a comissão Ecclesia Dei (artigo 6º): “Os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, então erigidas pela Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, passam a ser de competência da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.“ Leia também O que pensar sobre o Motu Proprio Traditionis Custodes que restringe a missa tradicional? Proibido para migrantes Enquanto o Papa está constantemente preocupado com todos os tipos de migrantes, as prisões que ele instala tem fronteiras muradas, instransponíveis por fora. Para garantir que não sejam criadas reservas selvagens, o Papa proibiu qualquer extensão da prisão (artigo 3º, parágrafo 6º): “O bispo (…) terá o cuidado de não autorizar a constituição de novos grupos.” Esta medida também se assemelha à esterilização: estes selvagens do passado devem desaparecer; eles são proibidos de se reproduzir e perpetuar suas espécies. Esta esterilização também diz respeito aos padres que serão ordenados no futuro (artigo 4): “Os padres ordenados após a publicação deste Motu proprio, que pretendam celebrar com o Missale Romanum de 1962, devem fazer um pedido formal ao bispo diocesano que irá consultar a Sé Apostólica antes de conceder a autorização.” Quanto aos sacerdotes que já se beneficiam de uma autorização, vão agora necessitar de uma renovação do seu passe “celebrativo”, que se assemelha a um visto temporário (artigo 5º): “Os padres que já celebram segundo o Missale Romanum de 1962 pedirão autorização do bispo diocesano para continuar a fazer uso da faculdade.“ Assim, se se trata de restringir, reduzir ou mesmo destruir grupos, os bispos têm carta branca, mas se for necessário autorizar, o Papa não confia neles: é preciso passar por Roma. Enquanto dezenas de padres, muitas vezes apoiados por seus bispos, escarneceram a Congregação para a Doutrina da Fé ao “abençoar” casais homossexuais, sem qualquer reação romana, exceto uma aprovação velada de Francisco por meio de sua mensagem ao Padre Martin, os futuros padres serão observados de perto se pensam em celebrar segundo a Missa de São Pio V. Obviamente, é mais fácil esconder sua falta de autoridade aterrorizando os fiéis que não resistirão, do que reduzir o cisma alemão. Parece que não havia nada mais urgente do que atingir esta parte do rebanho. Leia também Cardeal Mueller sobre as novas restrições à Missa Tradicional em Latim Vacinação contra o Lefebvrismo O grande medo da contaminação pelo vírus Lefebvrista é exorcizado pela vacina Vat. II – do laboratório Moderno – obrigatória (artigo 3º, parágrafo 1º): “O bispo (…) zelará por que tais grupos não excluam a validade e legitimidade da reforma litúrgica, das disposições do Concílio Vaticano II e do Magistério dos Soberanos Pontífices.” E tudo o que possa ser fonte de potencial contágio é implacavelmente eliminada (artigo 8º): “Normas, instruções, concessões e costumes anteriores, que não estejam em conformidade com as disposições do atual Motu Proprio, são revogados“. Levado pelo entusiasmo, o Papa quase chega a dizer que é a velha Missa que é um vírus perigoso que deve-se proteger. Assim, no artigo 1º ele especifica: “Os livros litúrgicos promulgados pelos Santos Pontífices Paulo VI e João Paulo II, de acordo com os decretos do Concílio Vaticano II, são a única expressão da lex orandi do Rito Romano.” Se o Novus Ordo é a única expressão da lex orandi, como qualificar a Missa Tridentina? É liturgicamente ou canonicamente sem peso? Não tem sequer direito ao lugar que o rito dominicano, o rito ambrosiano ou o rito de Lyon ainda ocupam na Igreja Latina? Isso parece emergir do que diz o Papa na carta que acompanha seu Motu Proprio. Sem parecer estar consciente do paralogismo que ele está cometendo, ele escreve: “Sinto-me consolado nesta decisão pelo fato de que, após o Concílio de Trento, São Pio V também revogou todos os ritos que não podiam reivindicar uma antiguidade comprovada, estabelecendo um único Missale Romanum para toda a Igreja latina. Durante quatro séculos, este Missale Romanum promulgado por São Pio V foi, portanto, a expressão principal da lex orandi do rito romano, cumprindo uma função unificadora na Igreja.” A conclusão lógica que se segue dessa comparação é que esse rito deve ser mantido. Tanto mais que a Bula Quo primum de São Pio V a protege de qualquer ataque. Isso também foi confirmado pela comissão de cardeais reunida por João Paulo II, que afirmou quase unanimemente (8 de 9) que um Bispo não poderia impedir um sacerdote de celebrá-la, depois de ter observado, por unanimidade, que ela nunca havia sido proibida. E o que o Papa Bento XVI aceitou e ratificou no Summorum pontificum. Mas para Francisco, os antigos ritos mantidos por São Pio V, incluindo a chamada Missa Tridentina, aparentemente não têm valor unificador. O novo rito, e só ele, com seus cinquenta anos de existência, suas infinitas variações e seus inúmeros abusos, é capaz de dar unidade litúrgica à Igreja. A contradição é flagrante. Voltando à idéia de eliminação das espécies, o Papa pôde escrever aos Bispos: “Cabe-vos, sobretudo, trabalhar pelo regresso a uma forma unitária de celebração, verificando caso a caso a realidade dos grupos que celebram com este Missale Romanum.“ Leia também Cardeal Sarah responde a Traditionis Custodes citando Bento XVI Uma lei claramente oposta ao bem comum A impressão geral que emerge desses documentos – Motu Proprio e a Carta do Papa que a acompanha – dá a sensação de um sectarismo aliado a um comprovado abuso de poder. A Missa tradicional pertence à parte mais íntima do bem comum na Igreja e, restringi-la, rejeitá-la nos guetos e finalmente planejar seu desaparecimento, não pode ter nenhuma legitimidade. Esta lei não é uma lei da Igreja, porque, como diz Santo Tomás, não existe lei válida contra o bem comum. Além disso, há, em todos os aspectos, um tom óbvio de fúria manifestado por certos fanáticos da reforma litúrgica, contra a missa tradicional. O fracasso desta reforma é sublinhado, como num claro-escuro, pelo sucesso da Tradição e da Missa Tridentina. É por isso que eles não suportam. Sem dúvida, imaginam que seu desaparecimento total fará com que os fiéis voltem às igrejas esvaziadas do sagrado, o que é um trágico equívoco. A magnífica ascensão desta celebração digna de Deus apenas sublinha sua indigência: não é a causa da desertificação produzida pelo novo rito. A verdade é que este Motu Proprio, que mais cedo ou mais tarde terminará no esquecimento da história da Igreja, não é em si uma boa notícia: marca uma pausa na reapropriação da sua Tradição pela Igreja, e retardará o fim da crise que já dura mais de sessenta anos. Quanto à Fraternidade São Pio X, ela encontra uma nova razão de fidelidade ao seu fundador, Mons. Marcel Lefebvre, e de admiração por sua clarividência, sua prudência e sua fé. Embora a Missa tradicional esteja em processo de extinção e as promessas feitas às sociedades Ecclesia Dei estão sendo tão bem cumpridas, ela encontra na liberdade que lhe foi deixada pelo Bispo de Ferro, a possibilidade de continuar a lutar pela fé e pelo reinado de Cristo Rei. Leia também Cardeal Sarah: “A proibição da missa tradicional é inspirada no diabo, que deseja a nossa morte espiritual” #TraditionisCustodes
- Lefebristas se pronunciam sobre Traditionis Custodes: da reserva ao zoológico
Continuam as reações ao motu proprio do Papa Francisco sobre a Missa Tradicional, pela qual o de seu predecessor, Bento XVI, o Summorum Pontificum, é revogado. Se esta manhã comentamos a reação do cardeal guineense Robert Sarah e o Cardeal Mueller, agora pegamos um artigo publicado pela Fraternidade São Pio X Sacerdotal, organização formada pelo bispo francês Marcel Lefebvre, justamente para manter, entre outras coisas, a liturgia antes da reforma pós-conciliar. De Summorum pontificum a Traditionis custodes, ou da reserva para o zoológico O Papa Francisco publicou nesta sexta (16/07) um Motu Proprio cujo título poderia apresentar uma grande esperança: Traditionis custodes, “Guardiões da Tradição”. Sabendo que se dirige aos Bispos, poderia-se levar a sonhar: a Tradição está em vias de recuperar os seus direitos na Igreja? Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est Pelo contrário. Este novo Motu Proprio executa uma eliminação. Ele ilustra a precariedade do atual magistério e indica a data de expiração do Summorum Pontificum de Bento XVI, que nem sequer terá celebrado seu décimo quinto aniversário. Tudo, ou quase tudo, contido no Summorum pontificum foi disperso, abandonado ou destruído. O objetivo também está claramente estabelecido na Carta que acompanha esta liquidação. O Papa enumera dois princípios “sobre o modo de proceder nas dioceses”: “por um lado, prover o bem daqueles que estão enraizados na forma precedente de celebração e que precisam de tempo para retornar ao rito romano promulgado pelos “santos” Paulo VI e João Paulo II ”. E, por outro lado: “impedir de erigir novas paróquias pessoais, ligadas mais ao desejo e à vontade de cada sacerdote do que às necessidades do “povo santo e fiel de Deus”. Uma extinção programada Enquanto Francisco se faz defensor das espécies animais ou vegetais em vias de desaparecimento, ele decide e promulga a extinção daqueles que estão ligados ao rito imemorial da Santa Missa. Esta espécie não tem mais o direito de viver: ela deve desaparecer. E todos os meios serão empregados para alcançar este resultado. E, antes de tudo, uma rigorosa redução da liberdade. Até agora, os espaços reservados para o rito antigo tinham uma certa latitude de movimento, um pouco como reservas. Hoje passamos para um regime de zoológico: gaiolas, rigorosamente restritas e delimitadas. O número delas é estritamente monitorado e, uma vez instaladas, será proibida fornecer outras. Os guardiões – ou deveríamos dizer os carcereiros? – não são outros senão os próprios Bispos. Tudo isso está especificado no artigo 3, parágrafo 2: “O bispo (…) indicará um ou mais lugares onde os fiéis aderentes a estes grupos possam se reunir para a celebração eucarística (mas não nas igrejas paroquiais e sem constituir uma nova paróquia pessoal)“ O regulamento interno destas prisões é estritamente controlado (artigo 3º, parágrado 3): “O bispo (…) estabelecerá os dias em que, no lugar indicado, serão autorizadas as celebrações eucarísticas com o uso do Missal Romano promulgado por são João XXIII em 1962.” Esse controle se estende aos menores detalhes (ibidem): “Nessas celebrações, as leituras serão proclamadas no vernáculo, utilizando as traduções da Sagrada Escritura para uso litúrgico, aprovadas pelas respectivas Conferências Episcopais.” Não se trata de usar a tradução de um Dom Lefebvre ou de um lecionário do passado. A eutanásia está prevista para as espécimes consideradas impróprias aos cuidados paliativos (artigo 3º, parágrafo 5): “O bispo (…) procederá, nas paróquias pessoais canonicamente erigidas em benefício destes fiéis, a uma avaliação adequada da sua real utilidade para crescimento espiritual, e decidirá se os deve manter ou não.“ A reserva é, de fato, suprimida em sua totalidade, uma vez que desaparece a comissão Ecclesia Dei (artigo 6º): “Os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, então erigidas pela Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, passam a ser de competência da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.“ Leia também O que pensar sobre o Motu Proprio Traditionis Custodes que restringe a missa tradicional? Proibido para migrantes Enquanto o Papa está constantemente preocupado com todos os tipos de migrantes, as prisões que ele instala tem fronteiras muradas, instransponíveis por fora. Para garantir que não sejam criadas reservas selvagens, o Papa proibiu qualquer extensão da prisão (artigo 3º, parágrafo 6º): “O bispo (…) terá o cuidado de não autorizar a constituição de novos grupos.” Esta medida também se assemelha à esterilização: estes selvagens do passado devem desaparecer; eles são proibidos de se reproduzir e perpetuar suas espécies. Esta esterilização também diz respeito aos padres que serão ordenados no futuro (artigo 4): “Os padres ordenados após a publicação deste Motu proprio, que pretendam celebrar com o Missale Romanum de 1962, devem fazer um pedido formal ao bispo diocesano que irá consultar a Sé Apostólica antes de conceder a autorização.” Quanto aos sacerdotes que já se beneficiam de uma autorização, vão agora necessitar de uma renovação do seu passe “celebrativo”, que se assemelha a um visto temporário (artigo 5º): “Os padres que já celebram segundo o Missale Romanum de 1962 pedirão autorização do bispo diocesano para continuar a fazer uso da faculdade.“ Assim, se se trata de restringir, reduzir ou mesmo destruir grupos, os bispos têm carta branca, mas se for necessário autorizar, o Papa não confia neles: é preciso passar por Roma. Enquanto dezenas de padres, muitas vezes apoiados por seus bispos, escarneceram a Congregação para a Doutrina da Fé ao “abençoar” casais homossexuais, sem qualquer reação romana, exceto uma aprovação velada de Francisco por meio de sua mensagem ao Padre Martin, os futuros padres serão observados de perto se pensam em celebrar segundo a Missa de São Pio V. Obviamente, é mais fácil esconder sua falta de autoridade aterrorizando os fiéis que não resistirão, do que reduzir o cisma alemão. Parece que não havia nada mais urgente do que atingir esta parte do rebanho. Leia também Cardeal Mueller sobre as novas restrições à Missa Tradicional em Latim Vacinação contra o Lefebvrismo O grande medo da contaminação pelo vírus Lefebvrista é exorcizado pela vacina Vat. II – do laboratório Moderno – obrigatória (artigo 3º, parágrafo 1º): “O bispo (…) zelará por que tais grupos não excluam a validade e legitimidade da reforma litúrgica, das disposições do Concílio Vaticano II e do Magistério dos Soberanos Pontífices.” E tudo o que possa ser fonte de potencial contágio é implacavelmente eliminada (artigo 8º): “Normas, instruções, concessões e costumes anteriores, que não estejam em conformidade com as disposições do atual Motu Proprio, são revogados“. Levado pelo entusiasmo, o Papa quase chega a dizer que é a velha Missa que é um vírus perigoso que deve-se proteger. Assim, no artigo 1º ele especifica: “Os livros litúrgicos promulgados pelos Santos Pontífices Paulo VI e João Paulo II, de acordo com os decretos do Concílio Vaticano II, são a única expressão da lex orandi do Rito Romano.” Se o Novus Ordo é a única expressão da lex orandi, como qualificar a Missa Tridentina? É liturgicamente ou canonicamente sem peso? Não tem sequer direito ao lugar que o rito dominicano, o rito ambrosiano ou o rito de Lyon ainda ocupam na Igreja Latina? Isso parece emergir do que diz o Papa na carta que acompanha seu Motu Proprio. Sem parecer estar consciente do paralogismo que ele está cometendo, ele escreve: “Sinto-me consolado nesta decisão pelo fato de que, após o Concílio de Trento, São Pio V também revogou todos os ritos que não podiam reivindicar uma antiguidade comprovada, estabelecendo um único Missale Romanum para toda a Igreja latina. Durante quatro séculos, este Missale Romanum promulgado por São Pio V foi, portanto, a expressão principal da lex orandi do rito romano, cumprindo uma função unificadora na Igreja.” A conclusão lógica que se segue dessa comparação é que esse rito deve ser mantido. Tanto mais que a Bula Quo primum de São Pio V a protege de qualquer ataque. Isso também foi confirmado pela comissão de cardeais reunida por João Paulo II, que afirmou quase unanimemente (8 de 9) que um Bispo não poderia impedir um sacerdote de celebrá-la, depois de ter observado, por unanimidade, que ela nunca havia sido proibida. E o que o Papa Bento XVI aceitou e ratificou no Summorum pontificum. Mas para Francisco, os antigos ritos mantidos por São Pio V, incluindo a chamada Missa Tridentina, aparentemente não têm valor unificador. O novo rito, e só ele, com seus cinquenta anos de existência, suas infinitas variações e seus inúmeros abusos, é capaz de dar unidade litúrgica à Igreja. A contradição é flagrante. Voltando à idéia de eliminação das espécies, o Papa pôde escrever aos Bispos: “Cabe-vos, sobretudo, trabalhar pelo regresso a uma forma unitária de celebração, verificando caso a caso a realidade dos grupos que celebram com este Missale Romanum.“ Leia também Cardeal Sarah responde a Traditionis Custodes citando Bento XVI Uma lei claramente oposta ao bem comum A impressão geral que emerge desses documentos – Motu Proprio e a Carta do Papa que a acompanha – dá a sensação de um sectarismo aliado a um comprovado abuso de poder. A Missa tradicional pertence à parte mais íntima do bem comum na Igreja e, restringi-la, rejeitá-la nos guetos e finalmente planejar seu desaparecimento, não pode ter nenhuma legitimidade. Esta lei não é uma lei da Igreja, porque, como diz Santo Tomás, não existe lei válida contra o bem comum. Além disso, há, em todos os aspectos, um tom óbvio de fúria manifestado por certos fanáticos da reforma litúrgica, contra a missa tradicional. O fracasso desta reforma é sublinhado, como num claro-escuro, pelo sucesso da Tradição e da Missa Tridentina. É por isso que eles não suportam. Sem dúvida, imaginam que seu desaparecimento total fará com que os fiéis voltem às igrejas esvaziadas do sagrado, o que é um trágico equívoco. A magnífica ascensão desta celebração digna de Deus apenas sublinha sua indigência: não é a causa da desertificação produzida pelo novo rito. A verdade é que este Motu Proprio, que mais cedo ou mais tarde terminará no esquecimento da história da Igreja, não é em si uma boa notícia: marca uma pausa na reapropriação da sua Tradição pela Igreja, e retardará o fim da crise que já dura mais de sessenta anos. Quanto à Fraternidade São Pio X, ela encontra uma nova razão de fidelidade ao seu fundador, Mons. Marcel Lefebvre, e de admiração por sua clarividência, sua prudência e sua fé. Embora a Missa tradicional esteja em processo de extinção e as promessas feitas às sociedades Ecclesia Dei estão sendo tão bem cumpridas, ela encontra na liberdade que lhe foi deixada pelo Bispo de Ferro, a possibilidade de continuar a lutar pela fé e pelo reinado de Cristo Rei. Leia também Cardeal Sarah: “A proibição da missa tradicional é inspirada no diabo, que deseja a nossa morte espiritual” #TraditionisCustodes
- Cardeal Sarah responde a Traditionis Custodes citando Bento XVI
O cardeal Robert Sarah, ex-prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos – isto é, alguém que entendemos competente no assunto – respondeu à publicação do novo documento do Papa Francisco, Traditionis Custodes, citando Bento XVI. “O que para as gerações anteriores era sagrado, também para nós continua sagrado e grande e não pode ser inesperadamente totalmente proibido ou mesmo prejudicial”, cita o cardeal Sarah em um tweet, esclarecendo que a frase é de Bento XVI, de 7 de julho de 2007. “É bom para todos nós conservarmos as riquezas que cresceram na fé e na oração da Igreja e dar-lhes o lugar certo”, escreve ele em outro tweet, citando Ratzinger novamente na mesma data: 7 de julho de 2007 . « Ce qui était sacré pour les générations précédentes reste grand et sacré pour nous, et ne peut à l’improviste se retrouver totalement interdit, voire considéré comme néfaste. » Benoît XVI, 7 juillet 2007. (1) pic.twitter.com/QsB2se4N7R — Cardinal R. Sarah (@Card_R_Sarah) July 18, 2021 Onde o Papa emérito disse essas frases? Visto que o cardeal africano não fornece a fonte dessas palavras, eu as dou a ele. Bento XVI escreveu isso na carta aos bispos que acompanharam o Motu Proprio Summorum Pontificum, documento que o Papa Francisco enterrou na sexta-feira passada. Ratzinger escreveu em 2007 que “não havia contradição entre uma edição do Missale Romanum e outra”. “Na história da Liturgia há crescimento e progresso, mas nenhuma ruptura. O que era sagrado para as gerações anteriores também permanece sagrado e grande para nós e não pode ser inesperadamente proibido ou mesmo prejudicial ”, acrescentou o Papa. “É bom para todos nós preservar as riquezas que cresceram na fé e na oração da Igreja e dar-lhes o lugar certo. Obviamente, para viver a plena comunhão, os sacerdotes das Comunidades que seguem o antigo costume também não podem, em princípio, excluir a celebração segundo os novos livros. Com efeito, não seria coerente com o reconhecimento do valor e da santidade do novo rito excluí-lo totalmente ”, lia-se no escrito que acompanhava o motu proprio revogado. Olhando para as citações do Cardeal Sarah, não acho que haja dúvidas sobre a opinião que o novo motu proprio do Papa Francisco merece, os Custódios Traditionis. Leia também Cardeal Sarah: “A proibição da missa tradicional é inspirada no diabo, que deseja a nossa morte espiritual” #CardealSarah #PapaBentoXVI #papafrancisco #TraditionisCustodes
- Cardeal Sarah responde a Traditionis Custodes citando Bento XVI
O cardeal Robert Sarah, ex-prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos – isto é, alguém que entendemos competente no assunto – respondeu à publicação do novo documento do Papa Francisco, Traditionis Custodes, citando Bento XVI. “O que para as gerações anteriores era sagrado, também para nós continua sagrado e grande e não pode ser inesperadamente totalmente proibido ou mesmo prejudicial”, cita o cardeal Sarah em um tweet, esclarecendo que a frase é de Bento XVI, de 7 de julho de 2007. “É bom para todos nós conservarmos as riquezas que cresceram na fé e na oração da Igreja e dar-lhes o lugar certo”, escreve ele em outro tweet, citando Ratzinger novamente na mesma data: 7 de julho de 2007 . « Ce qui était sacré pour les générations précédentes reste grand et sacré pour nous, et ne peut à l’improviste se retrouver totalement interdit, voire considéré comme néfaste. » Benoît XVI, 7 juillet 2007. (1) pic.twitter.com/QsB2se4N7R — Cardinal R. Sarah (@Card_R_Sarah) July 18, 2021 Onde o Papa emérito disse essas frases? Visto que o cardeal africano não fornece a fonte dessas palavras, eu as dou a ele. Bento XVI escreveu isso na carta aos bispos que acompanharam o Motu Proprio Summorum Pontificum, documento que o Papa Francisco enterrou na sexta-feira passada. Ratzinger escreveu em 2007 que “não havia contradição entre uma edição do Missale Romanum e outra”. “Na história da Liturgia há crescimento e progresso, mas nenhuma ruptura. O que era sagrado para as gerações anteriores também permanece sagrado e grande para nós e não pode ser inesperadamente proibido ou mesmo prejudicial ”, acrescentou o Papa. “É bom para todos nós preservar as riquezas que cresceram na fé e na oração da Igreja e dar-lhes o lugar certo. Obviamente, para viver a plena comunhão, os sacerdotes das Comunidades que seguem o antigo costume também não podem, em princípio, excluir a celebração segundo os novos livros. Com efeito, não seria coerente com o reconhecimento do valor e da santidade do novo rito excluí-lo totalmente ”, lia-se no escrito que acompanhava o motu proprio revogado. Olhando para as citações do Cardeal Sarah, não acho que haja dúvidas sobre a opinião que o novo motu proprio do Papa Francisco merece, os Custódios Traditionis. Leia também Cardeal Sarah: “A proibição da missa tradicional é inspirada no diabo, que deseja a nossa morte espiritual” #CardealSarah #PapaBentoXVI #papafrancisco #TraditionisCustodes
- Cardeal Muller sobre Traditionis Custodes: “O pastor bate forte nas ovelhas com seu cajadoR
A intenção do papa com seu motu proprio, Traditionis Custodes, é garantir ou restaurar a unidade da Igreja. O meio proposto para isso é a unificação total do Rito Romano na forma do Missal de Paulo VI (incluindo suas variações subsequentes). Portanto, a celebração da Missa na Forma Extraordinária de Rito Romano, introduzida pelo Papa Bento XVI com Summorum pontificum (2007) com base no Missal que existiu de Pio V (1570) a João XXIII (1962), foi drasticamente restrito. A intenção clara é condenar a Forma Extraordinária à extinção no longo prazo. Na sua “Carta aos Bispos de todo o mundo”, que acompanha o motu proprio, o Papa Francisco tenta explicar os motivos que o levaram, como portador da autoridade suprema da Igreja, a limitar a liturgia na forma extraordinária . Além da apresentação de suas reações subjetivas, entretanto, uma argumentação teológica estrita e logicamente compreensível também teria sido apropriada. Pois a autoridade papal não consiste em exigir superficialmente dos fiéis a mera obediência, ou seja, uma submissão formal da vontade, mas, muito mais essencialmente, em permitir que os fiéis também sejam convencidos com o consentimento da mente. Como São Paulo, cortês para com seus coríntios, muitas vezes rebeldes, disse: “Na igreja, prefiro falar cinco palavras com minha mente, para instruir também os outros, do que dez mil palavras em línguas.” (1 Cor 14:19) Esta dicotomia entre boa intenção e má execução sempre surge quando as objeções de funcionários competentes são percebidas como um obstáculo às intenções de seus superiores e, portanto, nem mesmo são oferecidas. Por mais bem-vindas que sejam as referências ao Vaticano II, deve-se ter cuidado para garantir que as declarações do Concílio sejam usadas com precisão e no contexto. A citação de Santo Agostinho sobre a adesão à Igreja “de acordo com o corpo” e “de acordo com o coração” (Lumen Gentium 14) refere-se à adesão plena da Igreja à fé católica. Consiste na incorporação visível no corpo de Cristo (comunhão religiosa, sacramental, eclesiástica-hierárquica), bem como na união do coração, ou seja, no Espírito Santo. O que isso significa, entretanto, não é a obediência ao papa e aos bispos na disciplina dos sacramentos, mas a graça santificadora, que nos envolve plenamente na Igreja invisível como comunhão com o Deus Triúno. Pois a unidade na confissão da fé revelada e a celebração dos mistérios da graça nos sete sacramentos não requerem de forma alguma uniformidade estéril na forma litúrgica externa, como se a Igreja fosse como uma das cadeias hoteleiras internacionais com seu desenho homogêneo . A unidade dos crentes uns com os outros está enraizada na unidade em Deus por meio da fé, esperança e amor e não tem nada a ver com uniformidade na aparência, o travamento de uma formação militar ou o pensamento de grupo da era das grandes tecnologias. Leia também Menos de 48h após o motu próprio, bispo publica decreto proibindo tudo que cheira tradição Mesmo depois do Concílio de Trento, sempre houve uma certa diversidade (musical, celebratória, regional) na organização litúrgica das Missas. A intenção do Papa Pio V não era suprimir a variedade de ritos, mas antes conter os abusos que levaram a uma falta de compreensão devastadora entre os Reformadores Protestantes a respeito da substância do sacrifício da Missa (seu caráter Sacrificial e Presença Real ) No Missal de Paulo VI, a homogeneização ritualística (rubricista) é interrompida, precisamente para superar uma execução mecânica em favor de uma participação ativa interna e externa de todos os crentes em suas respectivas línguas e culturas. A unidade do rito latino, entretanto, deve ser preservada através da mesma estrutura litúrgica básica e a orientação precisa das traduções para o original latino. A Igreja Romana não deve transferir sua responsabilidade pela unidade no culto às Conferências Episcopais. Roma deve supervisionar a tradução dos textos normativos do Missal de Paulo VI, e mesmo dos textos bíblicos, que podem obscurecer o conteúdo da fé. As presunções de que se pode “melhorar” a verba domini (por exemplo, pro multis – “para muitos” – na consagração, o et ne nos inducas in tentationem – “e não nos deixar cair em tentação” – no Pai Nosso), contradizem a verdade da fé e da unidade da Igreja muito mais do que celebrar a Missa segundo o Missal de João XXIII. A chave para uma compreensão católica da liturgia reside na percepção de que a substância dos sacramentos é dada à Igreja como um sinal visível e meio da graça invisível em virtude da lei divina, mas que depende da Sé Apostólica e , nos termos da lei, aos bispos que ordenem a forma externa da liturgia (na medida em que já não existia desde os tempos apostólicos). (Sacrosanctum Concilium, 22 § 1) As disposições do Traditionis Custodes são de natureza disciplinar e não dogmática e podem ser modificadas novamente por qualquer futuro papa. Naturalmente, o papa, em sua preocupação pela unidade da Igreja na fé revelada, deve ser plenamente apoiado quando a celebração da Santa Missa segundo o Missal de 1962 é uma expressão de resistência à autoridade do Vaticano II, que é quer dizer, quando a doutrina da fé e a ética da Igreja são relativizadas ou mesmo negadas na ordem litúrgica e pastoral. Leia também Cardeal Sarah responde a Traditionis Custodes citando Bento XVI Em Traditionis Custodes, o papa insiste acertadamente no reconhecimento incondicional do Vaticano II. Ninguém pode se chamar católico que queira voltar para trás do Vaticano II (ou qualquer outro concílio reconhecido pelo papa) como o tempo da “verdadeira” Igreja ou queira deixar essa Igreja para trás como um passo intermediário em direção a uma “nova Igreja . ” Pode-se medir a vontade do Papa Francisco de devolver à unidade os deplorados chamados “tradicionalistas” (isto é, aqueles que se opõem ao Missal de Paulo VI) contra o grau de sua determinação em pôr fim aos inúmeros abusos “progressistas” dos liturgia (renovada de acordo com o Vaticano II) que equivalem à blasfêmia. A paganização da liturgia católica – que em sua essência nada mais é do que o culto ao Deus Único e Triúno – por meio da mitologização da natureza, da idolatria do meio ambiente e do clima, assim como o espetáculo da Pachamama, foram bastante contraproducentes para a restauração e renovação de uma liturgia digna e ortodoxa refletindo a plenitude da fé católica. Ninguém pode fechar os olhos ao fato de que até mesmo os padres e leigos que celebram a missa segundo a ordem do Missal de São Paulo VI estão agora sendo amplamente criticados como tradicionalistas. Os ensinamentos do Vaticano II sobre a singularidade da redenção em Cristo, a plena realização da Igreja de Cristo na Igreja Católica, a essência da liturgia católica como adoração a Deus e mediação da graça, Revelação e sua presença nas Escrituras e Apostólica Tradição, a infalibilidade do magistério, o primado do papa, a sacramentalidade da Igreja, a dignidade do sacerdócio, a santidade e indissolubilidade do casamento – tudo isso está sendo hereticamente negado em contradição aberta ao Vaticano II por uma maioria de alemães bispos e funcionários leigos (mesmo que disfarçados com frases pastorais). E apesar de todo o aparente entusiasmo que expressam pelo Papa Francisco, eles estão negando categoricamente a autoridade conferida a ele por Cristo como o sucessor de Pedro. O documento da Congregação para a Doutrina da Fé sobre a impossibilidade de legitimar contatos sexuais entre pessoas do mesmo sexo e extraconjugais por meio de uma bênção é ridicularizado por bispos, padres e teólogos alemães (e não apenas alemães) como meramente a opinião de funcionários curiais subqualificados . Aqui temos uma ameaça à unidade da Igreja na fé revelada, uma reminiscência do tamanho da secessão protestante de Roma no século XVI. Dada a desproporção entre a resposta relativamente modesta aos ataques massivos à unidade da Igreja no “Caminho Sinodal” alemão (bem como em outras pseudo-reformas) e o severo disciplinamento da antiga minoria ritual, a imagem do equivocado vem à mente a brigada de incêndio, que – em vez de salvar a casa em chamas – primeiro salva o pequeno celeiro ao lado dela. Sem a menor empatia, ignora-se o sentimento religioso dos (muitas vezes jovens) participantes das missas segundo o Missal João XXIII. (1962) Em vez de apreciar o cheiro das ovelhas, o pastor aqui as bate forte com seu cajado. Também parece simplesmente injusto abolir as celebrações do “antigo” rito apenas porque atrai algumas pessoas problemáticas: abusus non tollit usum. Leia também O que pensar sobre o Motu Proprio Traditionis Custodes que restringe a missa tradicional? O que merece atenção especial no Traditionis Custodes é o uso do axioma lex orandi-lex credendi (“Regra de oração – regra de fé”). Esta frase aparece primeiro no Indiculus antipelagiano (“Contra as superstições e o paganismo”), que falava sobre “os sacramentos das orações sacerdotais, transmitidos pelos apóstolos a serem celebrados uniformemente em todo o mundo e em toda a Igreja Católica, para que a regra da oração é a regra da fé. ” (Denzinger Hünermann, Enchiridion symbolorum 3) Isso se refere à substância dos sacramentos (em sinais e palavras), mas não ao rito litúrgico, do qual havia vários (com diferentes variantes) na era patrística. Não se pode simplesmente declarar o último missal como a única norma válida da fé católica sem distinguir entre a “parte que é imutável em virtude da instituição divina e as partes que estão sujeitas a mudanças”. (Sacrosanctum Concilium 21). Os ritos litúrgicos mutáveis não representam uma fé diferente, mas antes testemunham a única e mesma fé apostólica da Igreja em suas diferentes expressões. A carta do papa confirma que ele permite a celebração de acordo com a forma mais antiga sob certas condições. Ele aponta corretamente para a centralidade do cânone romano no Missal mais recente como o coração do rito romano. Isso garante a continuidade crucial da liturgia romana em sua essência, desenvolvimento orgânico e unidade interna. Certamente, espera-se que os amantes da liturgia antiga reconheçam a liturgia renovada; assim como os adeptos do Missal Paulo VI também devem confessar que a Missa segundo o Missal de João XXIII é uma liturgia católica verdadeira e válida, ou seja, contém a substância da Eucaristia instituída por Cristo e, portanto, há e só pode ser “a única Missa de todos os tempos”. Um pouco mais de conhecimento da dogmática católica e da história da liturgia poderia neutralizar a formação infeliz de partidos adversários e também salvar os bispos da tentação de agir de maneira autoritária, sem amor e tacanha contra os partidários do “velho” Missa. Os bispos são nomeados pastores pelo Espírito Santo: “Vigiai sobre vós mesmos e sobre todo o rebanho do qual o Espírito Santo vos constituiu supervisores. Sede pastores da igreja de Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue. ” (Atos 20, 28) Eles não são meramente representantes de um escritório central – com oportunidades de promoção. O bom pastor pode ser reconhecido pelo fato de que ele se preocupa mais com a salvação das almas do que se recomendar a uma autoridade superior por meio de um “bom comportamento” subserviente. (1 Pedro 5, 1-4) Se a lei da não-contradição ainda se aplica, não se pode logicamente castigar o carreirismo na Igreja e, ao mesmo tempo, promover os carreiristas. Esperemos que as Congregações para os Religiosos e para o Culto Divino, com sua nova autoridade, não se embriaguem pelo poder e pensem que devem empreender uma campanha de destruição contra as comunidades do antigo rito – na tola crença de que assim fazendo eles estão prestando um serviço à Igreja e promovendo o Vaticano II. Se os guardições da tradiçãos (Traditionis Custodes) devem servir à unidade da Igreja, isso só pode significar uma unidade na fé, que nos permite “chegar ao conhecimento perfeito do Filho de Deus”, ou seja, unidade na verdade e no amor. (cf. Ef 4, 12-15). Leia também Lefebristas se pronunciam sobre Traditionis Custodes: da reserva ao zoológico #TraditionisCustodes
- Cardeal Muller sobre Traditionis Custodes: “O pastor bate forte nas ovelhas com seu cajadoR
A intenção do papa com seu motu proprio, Traditionis Custodes, é garantir ou restaurar a unidade da Igreja. O meio proposto para isso é a unificação total do Rito Romano na forma do Missal de Paulo VI (incluindo suas variações subsequentes). Portanto, a celebração da Missa na Forma Extraordinária de Rito Romano, introduzida pelo Papa Bento XVI com Summorum pontificum (2007) com base no Missal que existiu de Pio V (1570) a João XXIII (1962), foi drasticamente restrito. A intenção clara é condenar a Forma Extraordinária à extinção no longo prazo. Na sua “Carta aos Bispos de todo o mundo”, que acompanha o motu proprio, o Papa Francisco tenta explicar os motivos que o levaram, como portador da autoridade suprema da Igreja, a limitar a liturgia na forma extraordinária . Além da apresentação de suas reações subjetivas, entretanto, uma argumentação teológica estrita e logicamente compreensível também teria sido apropriada. Pois a autoridade papal não consiste em exigir superficialmente dos fiéis a mera obediência, ou seja, uma submissão formal da vontade, mas, muito mais essencialmente, em permitir que os fiéis também sejam convencidos com o consentimento da mente. Como São Paulo, cortês para com seus coríntios, muitas vezes rebeldes, disse: “Na igreja, prefiro falar cinco palavras com minha mente, para instruir também os outros, do que dez mil palavras em línguas.” (1 Cor 14:19) Esta dicotomia entre boa intenção e má execução sempre surge quando as objeções de funcionários competentes são percebidas como um obstáculo às intenções de seus superiores e, portanto, nem mesmo são oferecidas. Por mais bem-vindas que sejam as referências ao Vaticano II, deve-se ter cuidado para garantir que as declarações do Concílio sejam usadas com precisão e no contexto. A citação de Santo Agostinho sobre a adesão à Igreja “de acordo com o corpo” e “de acordo com o coração” (Lumen Gentium 14) refere-se à adesão plena da Igreja à fé católica. Consiste na incorporação visível no corpo de Cristo (comunhão religiosa, sacramental, eclesiástica-hierárquica), bem como na união do coração, ou seja, no Espírito Santo. O que isso significa, entretanto, não é a obediência ao papa e aos bispos na disciplina dos sacramentos, mas a graça santificadora, que nos envolve plenamente na Igreja invisível como comunhão com o Deus Triúno. Pois a unidade na confissão da fé revelada e a celebração dos mistérios da graça nos sete sacramentos não requerem de forma alguma uniformidade estéril na forma litúrgica externa, como se a Igreja fosse como uma das cadeias hoteleiras internacionais com seu desenho homogêneo . A unidade dos crentes uns com os outros está enraizada na unidade em Deus por meio da fé, esperança e amor e não tem nada a ver com uniformidade na aparência, o travamento de uma formação militar ou o pensamento de grupo da era das grandes tecnologias. Leia também Menos de 48h após o motu próprio, bispo publica decreto proibindo tudo que cheira tradição Mesmo depois do Concílio de Trento, sempre houve uma certa diversidade (musical, celebratória, regional) na organização litúrgica das Missas. A intenção do Papa Pio V não era suprimir a variedade de ritos, mas antes conter os abusos que levaram a uma falta de compreensão devastadora entre os Reformadores Protestantes a respeito da substância do sacrifício da Missa (seu caráter Sacrificial e Presença Real ) No Missal de Paulo VI, a homogeneização ritualística (rubricista) é interrompida, precisamente para superar uma execução mecânica em favor de uma participação ativa interna e externa de todos os crentes em suas respectivas línguas e culturas. A unidade do rito latino, entretanto, deve ser preservada através da mesma estrutura litúrgica básica e a orientação precisa das traduções para o original latino. A Igreja Romana não deve transferir sua responsabilidade pela unidade no culto às Conferências Episcopais. Roma deve supervisionar a tradução dos textos normativos do Missal de Paulo VI, e mesmo dos textos bíblicos, que podem obscurecer o conteúdo da fé. As presunções de que se pode “melhorar” a verba domini (por exemplo, pro multis – “para muitos” – na consagração, o et ne nos inducas in tentationem – “e não nos deixar cair em tentação” – no Pai Nosso), contradizem a verdade da fé e da unidade da Igreja muito mais do que celebrar a Missa segundo o Missal de João XXIII. A chave para uma compreensão católica da liturgia reside na percepção de que a substância dos sacramentos é dada à Igreja como um sinal visível e meio da graça invisível em virtude da lei divina, mas que depende da Sé Apostólica e , nos termos da lei, aos bispos que ordenem a forma externa da liturgia (na medida em que já não existia desde os tempos apostólicos). (Sacrosanctum Concilium, 22 § 1) As disposições do Traditionis Custodes são de natureza disciplinar e não dogmática e podem ser modificadas novamente por qualquer futuro papa. Naturalmente, o papa, em sua preocupação pela unidade da Igreja na fé revelada, deve ser plenamente apoiado quando a celebração da Santa Missa segundo o Missal de 1962 é uma expressão de resistência à autoridade do Vaticano II, que é quer dizer, quando a doutrina da fé e a ética da Igreja são relativizadas ou mesmo negadas na ordem litúrgica e pastoral. Leia também Cardeal Sarah responde a Traditionis Custodes citando Bento XVI Em Traditionis Custodes, o papa insiste acertadamente no reconhecimento incondicional do Vaticano II. Ninguém pode se chamar católico que queira voltar para trás do Vaticano II (ou qualquer outro concílio reconhecido pelo papa) como o tempo da “verdadeira” Igreja ou queira deixar essa Igreja para trás como um passo intermediário em direção a uma “nova Igreja . ” Pode-se medir a vontade do Papa Francisco de devolver à unidade os deplorados chamados “tradicionalistas” (isto é, aqueles que se opõem ao Missal de Paulo VI) contra o grau de sua determinação em pôr fim aos inúmeros abusos “progressistas” dos liturgia (renovada de acordo com o Vaticano II) que equivalem à blasfêmia. A paganização da liturgia católica – que em sua essência nada mais é do que o culto ao Deus Único e Triúno – por meio da mitologização da natureza, da idolatria do meio ambiente e do clima, assim como o espetáculo da Pachamama, foram bastante contraproducentes para a restauração e renovação de uma liturgia digna e ortodoxa refletindo a plenitude da fé católica. Ninguém pode fechar os olhos ao fato de que até mesmo os padres e leigos que celebram a missa segundo a ordem do Missal de São Paulo VI estão agora sendo amplamente criticados como tradicionalistas. Os ensinamentos do Vaticano II sobre a singularidade da redenção em Cristo, a plena realização da Igreja de Cristo na Igreja Católica, a essência da liturgia católica como adoração a Deus e mediação da graça, Revelação e sua presença nas Escrituras e Apostólica Tradição, a infalibilidade do magistério, o primado do papa, a sacramentalidade da Igreja, a dignidade do sacerdócio, a santidade e indissolubilidade do casamento – tudo isso está sendo hereticamente negado em contradição aberta ao Vaticano II por uma maioria de alemães bispos e funcionários leigos (mesmo que disfarçados com frases pastorais). E apesar de todo o aparente entusiasmo que expressam pelo Papa Francisco, eles estão negando categoricamente a autoridade conferida a ele por Cristo como o sucessor de Pedro. O documento da Congregação para a Doutrina da Fé sobre a impossibilidade de legitimar contatos sexuais entre pessoas do mesmo sexo e extraconjugais por meio de uma bênção é ridicularizado por bispos, padres e teólogos alemães (e não apenas alemães) como meramente a opinião de funcionários curiais subqualificados . Aqui temos uma ameaça à unidade da Igreja na fé revelada, uma reminiscência do tamanho da secessão protestante de Roma no século XVI. Dada a desproporção entre a resposta relativamente modesta aos ataques massivos à unidade da Igreja no “Caminho Sinodal” alemão (bem como em outras pseudo-reformas) e o severo disciplinamento da antiga minoria ritual, a imagem do equivocado vem à mente a brigada de incêndio, que – em vez de salvar a casa em chamas – primeiro salva o pequeno celeiro ao lado dela. Sem a menor empatia, ignora-se o sentimento religioso dos (muitas vezes jovens) participantes das missas segundo o Missal João XXIII. (1962) Em vez de apreciar o cheiro das ovelhas, o pastor aqui as bate forte com seu cajado. Também parece simplesmente injusto abolir as celebrações do “antigo” rito apenas porque atrai algumas pessoas problemáticas: abusus non tollit usum. Leia também O que pensar sobre o Motu Proprio Traditionis Custodes que restringe a missa tradicional? O que merece atenção especial no Traditionis Custodes é o uso do axioma lex orandi-lex credendi (“Regra de oração – regra de fé”). Esta frase aparece primeiro no Indiculus antipelagiano (“Contra as superstições e o paganismo”), que falava sobre “os sacramentos das orações sacerdotais, transmitidos pelos apóstolos a serem celebrados uniformemente em todo o mundo e em toda a Igreja Católica, para que a regra da oração é a regra da fé. ” (Denzinger Hünermann, Enchiridion symbolorum 3) Isso se refere à substância dos sacramentos (em sinais e palavras), mas não ao rito litúrgico, do qual havia vários (com diferentes variantes) na era patrística. Não se pode simplesmente declarar o último missal como a única norma válida da fé católica sem distinguir entre a “parte que é imutável em virtude da instituição divina e as partes que estão sujeitas a mudanças”. (Sacrosanctum Concilium 21). Os ritos litúrgicos mutáveis não representam uma fé diferente, mas antes testemunham a única e mesma fé apostólica da Igreja em suas diferentes expressões. A carta do papa confirma que ele permite a celebração de acordo com a forma mais antiga sob certas condições. Ele aponta corretamente para a centralidade do cânone romano no Missal mais recente como o coração do rito romano. Isso garante a continuidade crucial da liturgia romana em sua essência, desenvolvimento orgânico e unidade interna. Certamente, espera-se que os amantes da liturgia antiga reconheçam a liturgia renovada; assim como os adeptos do Missal Paulo VI também devem confessar que a Missa segundo o Missal de João XXIII é uma liturgia católica verdadeira e válida, ou seja, contém a substância da Eucaristia instituída por Cristo e, portanto, há e só pode ser “a única Missa de todos os tempos”. Um pouco mais de conhecimento da dogmática católica e da história da liturgia poderia neutralizar a formação infeliz de partidos adversários e também salvar os bispos da tentação de agir de maneira autoritária, sem amor e tacanha contra os partidários do “velho” Missa. Os bispos são nomeados pastores pelo Espírito Santo: “Vigiai sobre vós mesmos e sobre todo o rebanho do qual o Espírito Santo vos constituiu supervisores. Sede pastores da igreja de Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue. ” (Atos 20, 28) Eles não são meramente representantes de um escritório central – com oportunidades de promoção. O bom pastor pode ser reconhecido pelo fato de que ele se preocupa mais com a salvação das almas do que se recomendar a uma autoridade superior por meio de um “bom comportamento” subserviente. (1 Pedro 5, 1-4) Se a lei da não-contradição ainda se aplica, não se pode logicamente castigar o carreirismo na Igreja e, ao mesmo tempo, promover os carreiristas. Esperemos que as Congregações para os Religiosos e para o Culto Divino, com sua nova autoridade, não se embriaguem pelo poder e pensem que devem empreender uma campanha de destruição contra as comunidades do antigo rito – na tola crença de que assim fazendo eles estão prestando um serviço à Igreja e promovendo o Vaticano II. Se os guardições da tradiçãos (Traditionis Custodes) devem servir à unidade da Igreja, isso só pode significar uma unidade na fé, que nos permite “chegar ao conhecimento perfeito do Filho de Deus”, ou seja, unidade na verdade e no amor. (cf. Ef 4, 12-15). Leia também Lefebristas se pronunciam sobre Traditionis Custodes: da reserva ao zoológico #TraditionisCustodes
- REAÇÕES AO DOCUMENTO “TRADITIONIS CUSTODES”, RECÉM-PUBLICADO PELO PAPA FRANCISCO
O recente “motu proprio” Traditionis custodes , publicado pelo Papa Francisco no último dia 16 de julho — curiosamente, no dia de Nossa Senhora do Carmo —, tem a clara finalidade de impedir ou pelo menos frear o progresso do movimento em favor da Missa antiga (o § 6º do documento diz, explicitamente, que o bispo cuide de não autorizar a criação de novos grupos, e frisa que as celebrações permitidas não mais poderão ocorrer em igrejas paroquiais). O fato é que esse movimento cresce no mundo todo, em especial nos Estados Unidos (não é segredo para ninguém o descontentamento de Francisco com alguns bispos e dioceses americanos). Curiosamente, espantaram-se com o documento até bispos americanos próximos ao papa, sem nenhuma ligação com a Missa antiga, como os cardeais Wilton Gregory e San O’Malley. Um rápido giro pela internet revela quanto tem sido forte a reação, mundo afora, ao recente “motu próprio” . O cardeal alemão Gerard Müller critica as contradições de Papa Francisco, que é brando com o caminho sinodal alemão (que quer ordenação de mulheres, bênção a casais gays, comunhão aos luteranos), enquanto com o rebanho tradicionalista, não: aqui, bate pesado nas ovelhas. Cardeal Robert Sarah, que foi prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, tuitou com duas frases de Bento XVI, escritas em 2007, em defesa do rito tradicional. Numa delas, o papa emérito dizia que “O que era sagrado para as gerações anteriores, também permanece sagrado para nós: não pode ser inesperadamente proibido”. Noutra, afirma que É bom, para todos nós, preservar as riquezas que cresceram na fé e na oração da Igreja, e conferindo-lhes o devido lugar”. Para Dom Athanasius Schneider, o documento poderá provocar a debandada de muitos leigos e padres para a Fraternidade São Pio X, juntando-se aos lefebvrianos. Os bispos progressistas estão exultantes. O bispo de Puerto Rico, Ángel Ríos Matos, não se fez esperar e já publicou um decreto proibindo a Missa antiga em sua diocese. No Brasil, é legítimo considerar a possibilidade da CNBB tentar influenciar bispos a diminuir o número de celebrações da Missa Tridentina no país.
- OVELHAS SEM PASTOR – Scott Hahn medita sobre o 16º Domingo do Tempo Comum
Como o Evangelho de hoje nos mostra os Doze regressando de sua primeira viagem missionária, o conjunto das leituras nos convidam a continuar refletindo sobre a autoridade e missão da Igreja. O profeta Jeremias diz, na primeira leitura, que os líderes de Israel deixaram extraviar-se o Povo Eleito, pois se esqueceram de Deus e transmitiram falsos ensinamentos. Promete que Javé enviará um pastor, um descendente de Davi, para reunir as ovelhas perdidas e lhes dar novos pastores (v. Ez 34, 23). A multidão sentada na grama verde, que nos descreve o Evangelho deste domingo (v. Mc 6,39), já é parte daquele resto do Povo de Deus ao qual se referia Jeremias, profetizando que ele iria retornar ao vale de Israel (v. Jr 23,3). As pessoas parecem perceber que Jesus é o Senhor, o Bom Pastor (v. Jo 10,11), o Rei que estavam esperando (v. Oséias 3, 1-5). Jesus se comove ao ver as pessoas “como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34). Esta frase já havia sido usada por Moisés, falando da necessidade que Israel tinha de um pastor para sucedê-lo (Nm 27,17). E assim como Moisés nomeou Josué, Jesus escolheu os Doze para continuar a pastorear seu povo neste mundo. Jesus afirmou que tinha outras ovelhas que não pertenciam ao aprisco de Israel, mas que ouviriam a sua voz para se juntarem ao único rebanho do único pastor (v. Jo 10,16). No plano de Deus, a Igreja devia procurar primeiro as ovelhas perdidas de Israel e, em seguida, atrair todas as nações ao redil (v At 13, 44; Rm 1, 16). Também São Paulo, na epístola de hoje, vê a Igreja como uma nova criação, na qual as nações que antes estiveram longe de Deus, agora se unirão como “uma só pessoa” junto aos filhos de Israel. Como cantamos no Salmo de hoje, através da Igreja o Senhor, nosso Bom Pastor, continua conduzindo seu povo para os prados de verdes pastagens do Reino, para as águas tranquilas do batismo. Continua nos ungindo com o azeite da confirmação e dividindo com todos o banquete eucarístico, enquanto enche nossa taça até a borda. https://stpaulcenter.com/one-flock-scott-hahn-reflects-on-the-sixteenth-sunday-in-ordinary-time/
- O que pensar sobre o Motu Proprio Traditionis Custodes que restringe a missa tradicional?
A partir da publicação de do novo Motu Proprio do Papa Francisco, que contraria o ensinamento de Bento XVI, temos dois ensinamentos opostos entre si. O Padre Daniel Pinheiro explica este paradoxo e orienta como receber este novo ensinamento, lembrando os limites da obediência e que cumprir uma ordem contra a fé e a moral não é virtude, é servilismo. Clique aqui para assistir a orientação: Leia também Quem discorda do papa está em pecado de desobediência? #MissaTridentina
- O que pensar sobre o Motu Proprio Traditionis Custodes que restringe a missa tradicional?
A partir da publicação de do novo Motu Proprio do Papa Francisco, que contraria o ensinamento de Bento XVI, temos dois ensinamentos opostos entre si. O Padre Daniel Pinheiro explica este paradoxo e orienta como receber este novo ensinamento, lembrando os limites da obediência e que cumprir uma ordem contra a fé e a moral não é virtude, é servilismo. Clique aqui para assistir a orientação: Leia também Quem discorda do papa está em pecado de desobediência? #MissaTridentina
- Por que muitos católicos se cumprimentam dizendo Salve Maria?
Salve Maria! É muito comum em nosso meio saudarmos nossos irmãos com a expressão devota “Salve Maria”. Mas, você sabe o significado dessa expressão? Tal expressão está fundamentada nas Sagradas Escrituras, quando o anjo Gabriel ao chegar à casa da Virgem Santíssima proclama “Ave cheia de Graça, o Senhor é contigo” (Lc 1,28). “Assim como no homem a respiração é um sinal de vida, do mesmo modo, numa comunidade e numa família, o amor à Maria Santíssima é um sinal de predestinação.” PEQUENO CATECISMO DE NOSSA SENHORA – LIVRO DE 1955 Ave quer dizer “salve”, expressão própria e costumeira daquela época. “Salve” – Alegra-te, está associado à boa nova, notícia grandiosa que seria proclamado em seguida, a graça singular que a Nossa Senhora alcançara de Deus, isto é, ser a mãe do Verbo de Deus humanado. No livro “Maria ensinada à mocidade” (Livraria Francisco Alves, 1915), conta-se a história de São Bernardo de Claraval, grande devoto de Maria Santíssima, que sempre tivera uma grande devoção às imagens sacras de Nossa Senhora, e era costume sempre reverenciá-las. “No meio do século XII, existia nas florestas que separam as Flandres do Brabante uma ermida de religiosos beneditinos, célebre sob o nome de abadia de Afligem. Bernardo, percorrendo a Alemanha para pregar a segunda Cruzada, foi descansar alguns dias no piedoso convento. Uma estátua de Maria estava no fundo do claustro, na grande galeria. Com o divino filho nos braços, Maria parecia olhar com ternura para os religiosos que ali passavam. Bernardo dirigia-lhe a saudação angélica todas as vezes que passava diante dela: — Ave, Maria! — dizia ele. Um dia, ajoelhou-se aos pés da imagem, repetindo com efusão sua saudação favorita. No momento em que acabava de dizer “Ave, Maria!”, da imagem Maria respondeu: — Ave, Bernardo! — Eu te saúdo, ó Bernardo!” A belíssima experiência de São Bernardo nos mostra as graças que o santo obteve da Virgem Soberana. Os obséquios foram tão devotos que mereceu uma retribuição toda divina da Mãe de Deus. E que nos prova claramente que não existe maior saudação que possamos tecer a Virgem Santíssima do que aquela que o próprio anjo pronunciou. Muito alegra a Maria quando nós, seus filhos, a honramos com a saudação primeira, isto é, aquela proclamada no dia da Anunciação. E, no que diz respeito à difusão e uso do cumprimento no Brasil, foi inicialmente usado no Rio de Janeiro por volta da década de 1920 por congregados de confrarias marianas. Usava-se “Ave, Maria!”, depois foi traduzido e oficializado para “Salve, Maria”, o qual hoje retomamos o uso com muita devoção e amor. Sabemos que “Salve Maria!”, significa “que Nossa Senhora seja glorificada!”, pois “salve” é uma saudação, um ato de amor, de elevação divina. Logo podemos entender que o significado desse nosso cumprimento é exatamente a saudação do anjo Gabriel à Virgem Maria, quando anunciou que ela seria a mãe do Salvador (Lc 1, 28). “Ave Maria” (ou “Salve Maria”) significa “Alegra-te Maria”. E o significado dessa saudação tem uma profundidade imensa, a qual faltaria espaço e conhecimento o suficiente para expressar nessas poucas linhas. O papa João Paulo II, na encíclica Rosarium Virginis Mariae (O Rosário da Virgem Maria), explica que as palavras do anjo exprimem a admiração do Céu ao contemplar a Encarnação do Verbo Divino no seio de Maria e exprimem a própria história da redenção de Jesus e a co-redenção de Nossa Senhora, que tem como centro a história de Cristo, passa pelo sofrimento da Cruz e culmina em sua Gloriosa Ressurreição, o motivo da grande alegria de Maria e de toda a Igreja, pois é este o motivo da nossa fé. Deste modo, quando nos cumprimentamos com a saudação “Salve Maria”, estamos e precisamos sempre estar no nosso interior, contemplando, lembrando e fazendo nosso próximo recordar a saudação angélica, e consequentemente a história da nossa salvação, a qual a Virgem Imaculada, em sua humildade, simplicidade e decisão teve um papel singular no plano salvifíco de Deus. E isso deve fazer parte do nosso norte rumo a vida eterna: lembrar sempre que Ela (A virgem Imaculada) é um exemplo que nós precisamos seguir, e que seu doce nome precisa estar sempre em nossos lábios e em nossos louvores. Sejamos, pela intervenção divina, anunciadores das glórias de Maria. Proferindo antes de qualquer saudação, Salve Maria, o primeiro anúncio das tantas glórias da Virgem Maria! Deus seja louvado e Maria cada vez mais amada! Salve Maria! Fonte: a12.com
- Por que muitos católicos se cumprimentam dizendo Salve Maria?
Salve Maria! É muito comum em nosso meio saudarmos nossos irmãos com a expressão devota “Salve Maria”. Mas, você sabe o significado dessa expressão? Tal expressão está fundamentada nas Sagradas Escrituras, quando o anjo Gabriel ao chegar à casa da Virgem Santíssima proclama “Ave cheia de Graça, o Senhor é contigo” (Lc 1,28). “Assim como no homem a respiração é um sinal de vida, do mesmo modo, numa comunidade e numa família, o amor à Maria Santíssima é um sinal de predestinação.” PEQUENO CATECISMO DE NOSSA SENHORA – LIVRO DE 1955 Ave quer dizer “salve”, expressão própria e costumeira daquela época. “Salve” – Alegra-te, está associado à boa nova, notícia grandiosa que seria proclamado em seguida, a graça singular que a Nossa Senhora alcançara de Deus, isto é, ser a mãe do Verbo de Deus humanado. No livro “Maria ensinada à mocidade” (Livraria Francisco Alves, 1915), conta-se a história de São Bernardo de Claraval, grande devoto de Maria Santíssima, que sempre tivera uma grande devoção às imagens sacras de Nossa Senhora, e era costume sempre reverenciá-las. “No meio do século XII, existia nas florestas que separam as Flandres do Brabante uma ermida de religiosos beneditinos, célebre sob o nome de abadia de Afligem. Bernardo, percorrendo a Alemanha para pregar a segunda Cruzada, foi descansar alguns dias no piedoso convento. Uma estátua de Maria estava no fundo do claustro, na grande galeria. Com o divino filho nos braços, Maria parecia olhar com ternura para os religiosos que ali passavam. Bernardo dirigia-lhe a saudação angélica todas as vezes que passava diante dela: — Ave, Maria! — dizia ele. Um dia, ajoelhou-se aos pés da imagem, repetindo com efusão sua saudação favorita. No momento em que acabava de dizer “Ave, Maria!”, da imagem Maria respondeu: — Ave, Bernardo! — Eu te saúdo, ó Bernardo!” A belíssima experiência de São Bernardo nos mostra as graças que o santo obteve da Virgem Soberana. Os obséquios foram tão devotos que mereceu uma retribuição toda divina da Mãe de Deus. E que nos prova claramente que não existe maior saudação que possamos tecer a Virgem Santíssima do que aquela que o próprio anjo pronunciou. Muito alegra a Maria quando nós, seus filhos, a honramos com a saudação primeira, isto é, aquela proclamada no dia da Anunciação. E, no que diz respeito à difusão e uso do cumprimento no Brasil, foi inicialmente usado no Rio de Janeiro por volta da década de 1920 por congregados de confrarias marianas. Usava-se “Ave, Maria!”, depois foi traduzido e oficializado para “Salve, Maria”, o qual hoje retomamos o uso com muita devoção e amor. Sabemos que “Salve Maria!”, significa “que Nossa Senhora seja glorificada!”, pois “salve” é uma saudação, um ato de amor, de elevação divina. Logo podemos entender que o significado desse nosso cumprimento é exatamente a saudação do anjo Gabriel à Virgem Maria, quando anunciou que ela seria a mãe do Salvador (Lc 1, 28). “Ave Maria” (ou “Salve Maria”) significa “Alegra-te Maria”. E o significado dessa saudação tem uma profundidade imensa, a qual faltaria espaço e conhecimento o suficiente para expressar nessas poucas linhas. O papa João Paulo II, na encíclica Rosarium Virginis Mariae (O Rosário da Virgem Maria), explica que as palavras do anjo exprimem a admiração do Céu ao contemplar a Encarnação do Verbo Divino no seio de Maria e exprimem a própria história da redenção de Jesus e a co-redenção de Nossa Senhora, que tem como centro a história de Cristo, passa pelo sofrimento da Cruz e culmina em sua Gloriosa Ressurreição, o motivo da grande alegria de Maria e de toda a Igreja, pois é este o motivo da nossa fé. Deste modo, quando nos cumprimentamos com a saudação “Salve Maria”, estamos e precisamos sempre estar no nosso interior, contemplando, lembrando e fazendo nosso próximo recordar a saudação angélica, e consequentemente a história da nossa salvação, a qual a Virgem Imaculada, em sua humildade, simplicidade e decisão teve um papel singular no plano salvifíco de Deus. E isso deve fazer parte do nosso norte rumo a vida eterna: lembrar sempre que Ela (A virgem Imaculada) é um exemplo que nós precisamos seguir, e que seu doce nome precisa estar sempre em nossos lábios e em nossos louvores. Sejamos, pela intervenção divina, anunciadores das glórias de Maria. Proferindo antes de qualquer saudação, Salve Maria, o primeiro anúncio das tantas glórias da Virgem Maria! Deus seja louvado e Maria cada vez mais amada! Salve Maria! Fonte: a12.com
- COMBATENDO O ARIANISMO MODERNO: AOS QUE NÃO CREEM NA SANTÍSSIMA TRINDADE E QUE JESUS É DEUS.
NOTA: 1- Para evitar haver contestações, todas as referências bíblicas desse Artigo são citações retiradas da Bíblia Almeida Corrigida Fiel (Uma tradução para a língua portuguesa baseada na versão de João Ferreira Annes d'Almeida); 2- Todas as Fontes de Pesquisas e Citações estão contidas nos links diretos no discorrer desse texto. 3- As respostas à todas as perguntas produzidas desse Artigo é ou corresponde à Jesus Cristo. O DIA EM QUE O GRANDE MISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE FOI REVELADO PELA PRIMEIRA VEZ A UMA VIRGEM CHAMADA MARIA O mistério da Santíssima Trindade foi revelado para uma virgem chamada Maria: E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, A uma virgem desposada com um homem, cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. Lucas 1:26,27 Deus se revelando como Pai pela primeira vez: Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; Lucas 1:32 Deus tem um Filho que será revelado pela primeira vez: E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Lucas 1:31 E foi revelado que seu Filho será concebido pelo poder do Espírito Santo: E, respondendo o anjo, disse-lhe (à Maria): Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus. Lucas 1:35 Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe. Lucas 1:15 Quem é o unigênito do Pai? O unigênito do Pai é Jesus que é Deus pelo mesmo Espírito Santo (Deus Uno e Trino). Quem estava no princípio com Deus? Ele (Jesus) estava no princípio com Deus. João 1:2 Quem Deus enviou? A quem se refere as palavras de Deus? Porque aquele que Deus enviou (Jesus) fala as palavras de Deus (refere-se a Ele mesmo, Jesus); pois não lhe dá Deus o Espírito por medida (característica de quem é homem e Deus). O Pai ama o Filho, e todas as coisas entregou nas suas mãos. João 3:34,35 Quem resplandeceu nas trevas? E a luz (Jesus) resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. João 1:5 Quem revelou Deus? Os Anjos o saudou: Suas vozes se revezavam e diziam: Santo (Pai), santo (Filho), santo (Espírito) é o Senhor Deus do universo! A terra inteira proclama a sua glória! Isaías 6:3 E Jesus o revelou: Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito (Jesus), que está no seio do Pai, esse o revelou. João 1:18 NOTA: Quem revelou Deus se fez Deus. Ora, quem pode revelar Deus senão o próprio Deus? Quem é a imagem do Deus invisível? O primogênito de toda a criação é imagem do Deus invisível e não a semelhança da imagem do Deus invisível. Veja: E disse Deus: Façamos (Pai e Filho) o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; Gênesis 1:26 NOTA: Observe nos exemplos abaixo o emprego das preposições "de" e "do" e como elas são importantes para definição de um contexto. EXEMPLO 1: "de" é uma preposição simples, relacionada a uma abordagem genérica: Homem e mulher são à imagem (genérica) de Deus, por isso aqui cabe à semelhança. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem "de" (abordagem genérica) Deus o criou; homem e mulher os criou. Gênesis 1:27 EXEMPLO 2: "do" é uma preposição contraída, relacionada a uma abordagem específica definida pelo artigo "o": o primogênito de toda a criação é imagem (específica) de Deus, por isso aqui Jesus é definido como Deus. O qual é imagem "do" (abordagem específica) Deus invisível, o primogênito (Jesus) de toda a criação; Colossenses 1:15 Quem vai se opor e se levantar contra tudo o que se chama "Deus" e se assentará como "deus" no templo de Deus? Quem se chama Deus? De quem é o Templo? Quem quer parecer Deus? O qual se opõe (Anticristo), e se levanta contra tudo o que se chama Deus (Jesus Cristo), ou se adora (Jesus Cristo); de sorte que se assentará, como Deus (Anticristo), no templo de Deus (Jesus Cristo), querendo parecer Deus (Anticristo). 2Tessalonicenses 2:4 NOTA: Se Jesus Cristo não é Deus, porque aquele que se opõe a "Deus" se chama “anticristo” e não “antideus”? Ora, não é contra tudo que se chama Deus (Jesus Cristo) que ele (Anticristo) se opõe? A ENCARNAÇÃO TEM A SUA ORIGEM NO AMOR DE DEUS PELOS HOMENS. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos. 1 João 4:9 A Encarnação, por excelência, é a demonstração do Amor de Deus para com os homens, uma vez que nela é o próprio Deus que se entrega aos homens, fazendo-se participante da natureza humana, na unidade da pessoa. (Livro Resumos da Fé Cristã) Após a queda de Adão e Eva no paraíso, a Encarnação tem uma finalidade salvadora e redentora. Porque o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido. Mateus 18:11 Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. João 3:17 JESUS É ADORADO COMO DEUS, PORTANTO, É VERDADEIRAMENTE DEUS E VERDADEIRAMENTE HOMEM! Jesus Cristo assumiu a natureza humana sem deixar de ser Deus: é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. A Encarnação é “o mistério da união admirável da natureza divina e da natureza humana na única Pessoa do Verbo” (Catecismo, 483). A união hipostática: É por rejeitar a humanidade de Deus na pessoa de Jesus, que se rejeitou à Mãe de Deus na pessoa da Virgem Maria. NOTA: Tal confusão é tamanha que, não se aceitam na sua totalidade, nem a integridade de Cristo nem a integridade de Maria, e isso é persistido até os dias atuais. No início do século quinto, após as controvérsias precedentes, estava clara a necessidade de sustentar firmemente a integridade das duas naturezas, divina e humana, na Pessoa do Verbo; de modo que a unidade pessoal de Cristo começa a tornar-se o centro de atenções da cristologia e da soteriologia patrística. A primeira grande controvérsia teve sua origem em algumas afirmações de Nestório, patriarca de Constantinopla, que se utilizava de uma linguagem na qual dava a entender que em Cristo há dois sujeitos: o sujeito divino e o sujeito humano, unidos entre si por um vínculo moral, mas não fisicamente. ( Catecismo, 466; cf. DS 250 ( Lucas 2:41-52) e 251 (Lucas 3:23) ) É por causa desse tipo de erro cristológico que deu origem a sua rejeição do título de Mãe de Deus, Theotókos, aplicado à Santa Virgem Maria: Maria seria Mãe de Cristo, mas não Mãe de Deus... Diante desta grande heresia, São Cirilo de Alexandria e o Concílio de Éfeso de 431 recordaram que: “a humanidade de Cristo não tem outro sujeito senão a pessoa divina do Filho de Deus, que a assumiu e a fez sua desde que foi concebida". (Catecismo, 466) Por isso o Concílio de Éfeso proclamou, em 431, que: "Maria se tornou de verdade Mãe de Deus, pela concepção humana do Filho de Deus em seu seio”. NOTA: Mãe de Deus, não porque o Verbo de Deus tenha recebido dela a natureza divina, mas porque dela recebeu o corpo sagrado, dotado duma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne. (Catecismo, 466) O Concílio ecumênico de Calcedônia, do ano 451, ponto de referência obrigatório para a Cristologia, assim ensina: “confessar um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, o mesmo perfeito em divindade e perfeito em humanidade, e acrescenta que a união das duas naturezas é sem confusão, sem mudanças, sem divisão, sem separação”. EM JESUS, DEUS TORNOU-SE VERDADEIRAMENTE UM DE NÓS E, PORTANTO, NOSSO IRMÃO. TODAVIA, ELE NÃO DEIXOU DE SER DEUS EM NOSSO SENHOR. O concílio de Calcedônia ensinou, no ano de 451, que a divindade e a humanidade estão unidas – não separadas nem misturadas – na única pessoa de Jesus Cristo. (Catecismo. Compêndio 88 [464-467, 469]) A Igreja precisou de muito tempo e esforço para conseguir expressar a relação entre a divindade e a humanidade em Jesus Cristo. Divindade e humanidade não são rivais, de modo a que Jesus só parcialmente fosse Deus e só parcialmente fosse homem; as dimensões divina e humana também não estão misturadas. Deus em Jesus, não tomou só aparentemente um corpo humano (docetismo); Ele tornou-Se realmente homem. Além disso, a pessoa divina e humana não corresponde a duas pessoas distintas (nestorianismo). (Cléofas) Finalmente, a natureza humana não foi totalmente absorvida pela natureza divina (monofisismo). Contra Cristo é, conjuntamente, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. As famosas expressões “nem separadas nem misturadas” (Concílio de Calcedônia) não procura explicar o que é superior à compreensão humana, mas determinar os pontos angulares da fé; ela aponta a direção em que pode ser procurado o mistério da pessoa de Jesus Cristo. (Cléofas) Trata-se da mesma Pessoa: Aquele que me odeia, odeia também a meu Pai. João 15:23 E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou. João 12:45 Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? João 14:9 Porém, na Pessoa do Pai e do Filho: E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro. Apocalipse 22:1 NOTA: Dois lugares para duas pessoas. O VERBO É A PALAVRA DE DEUS E A PALAVRA DE DEUS É JESUS E JESUS É DEUS Veja essa passagem no original, traduzido para o Latim: in principio erat Verbum | et Verbum erat apud Deum | et Deus erat Verbum Agora, traduzido para o Português: NOTA: Tem "bíblias" em que essa e outras passagens são propositalmente e intencionalmente adulteradas, por alguma razão escusa, essa, especificamente, está para que não seja revelado o mistério que aí contém. A própria Bíblia têm sanções severas para quem comete esse tipo de delito. ( 2 João 1:9 | 1 Coríntios 4:6 | Apocalipse 22:18,19 | Gálatas 1:8,9 | Provérbios 30:5,6 | 1 Coríntios 3:11 ) No princípio era o Verbo (a Palavra), | e o Verbo (a Palavra) estava com Deus, | e o Verbo (a Palavra - Jesus) era Deus. João 1:1 Quem era o Verbo? O Verbo era a Palavra. Quem era a Palavra de Deus? A Palavra de Deus era Jesus. E estava vestido de veste tingida em sangue; e o nome pelo qual se chama é A Palavra de Deus (Jesus). Apocalipse 19:13 E quem é Jesus? Jesus é a Verdade (a expressão da verdadeira vontade de Deus - Espírito Santo). Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. João 14:6 E qual é a verdadeira vontade de Deus? Que o Filho seja verdadeiro como o Pai, e seja um com o Pai em Espírito (Jesus é verdadeiro como Deus - Jesus é um com Deus em Espírito - Jesus é Deus). Quem se fez carne e habitou entre nós? Deus se fez carne pelo Espírito Santo e habitou entre nós na pessoa de Jesus (Deus Uno e Trino). E o Verbo (a Palavra) se fez carne (Jesus), e habitou entre nós (a expressão da verdadeira vontade de Deus - Espírito Santo), e vimos a sua glória (Pai), como a glória do unigênito do Pai (Filho - Jesus), cheio de graça e de verdade (Espírito Santo). João 1:14 NOTA: Observe na frase: "...e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai...", veja que, a Preposição "como" é uma Preposição Comparativa e compara a glória de Deus à glória de Jesus. PORTANTO, EIS AQUI AS QUALIDADES E CARACTERÍSTICAS DE QUEM É DEUS, PORÉM, TUDO AQUI REFERE-SE À JESUS CRISTO, O QUAL TEM TODOS OS ATRIBUTOS DE DEUS: Quem tem o poder de salvar a não ser Deus? E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro. Apocalipse 7:10 Somente Deus pode ser adorado: E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro. Apocalipse 21:22 E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos santos. Apocalipse 15:3 Prostrar-se para adorar somente à Deus: E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos. Apocalipse 5:8 Também virão a ti, inclinando-se, os filhos dos que te oprimiram; e prostrar-se-ão às plantas dos teus pés todos os que te desprezaram; e chamar-te-ão a cidade do Senhor, a Sião do Santo de Israel. Isaías 60:14 Não foi dito que somente Deus tem o poder de perdoar pecados? No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. João 1:29 Somente Deus é luz e pode emanar luz: E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada. Apocalipse 21:23 Servir somente à Deus: E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão. Apocalipse 22:3 NOTA: "E os seus servos 'o' (singular) servirão". Refere-se à Deus ou ao Cordeiro? Ora, à ambos, pois Eles são a mesma pessoa, porque Sua glória não pode ser dividida. Somente Deus tem o poder de criar todas as coisas: Porque nele (Jesus) foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele (Jesus) e para ele (Jesus). Colossenses 1:16 Somente Deus é o único poderoso Senhor: Que guardes este mandamento sem mácula e repreensão, até à aparição de nosso Senhor Jesus Cristo; A qual a seu tempo mostrará o bem-aventurado, e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores; 1 Timóteo 6:14,15 Quem tem o poder de fazer todas as coisas? Todas as coisas foram feitas por ele (Jesus), e sem ele (Jesus) nada do que foi feito se fez. João 1:3 Quem tem o poder de dar a vida? Quem é a luz dos homens? Nele (Jesus) estava a vida, e a vida era a luz (Jesus) dos homens. João 1:4 Por quem vieram a graça e a verdade? Porque a lei foi dada por Moisés; a graça (revelação do Pai) e a verdade (revelação do Espírito) vieram por Jesus Cristo. João 1:17 Quem nos deu a vida eterna? O que está em seu Filho? E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. 1 João 5:11 Se esta vida eterna está em seu Filho, eu posso afirmar que seu Filho nos deu a vida eterna? Sim, porque só se pode dar aquilo que se têm, Jesus veio ao mundo para nos salvar, para nos dar aquilo que Ele têm, vida eterna. NOTA: Então, quem nos deu a vida eterna, Deus ou seu Filho? Ora, ambos, pois Eles são a mesma pessoa. O CORDEIRO É A CARNE E O ESPÍRITO DO DEUS VIVO. Se esse mistério acontece explicitamente na natureza humana, quanto mais na natureza divina: E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne. Marcos 10:8 NOTA: Basta substituir “carne” por “Espírito”: E serão os dois (Pai e Filho) um só Espírito; e assim já não serão dois, mas um só Espírito. Eis o mistério revelado. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. João 3:6 NOTA: Simples assim: Filho de peixe, peixinho é... Filho de Deus, Deus é... É lógica racional, é Deus se revelando naturalmente. Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Romanos 8:5 Porque se Jesus Cristo estivesse somente na carne não poderia agradar a Deus: Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. Romanos 8:8 A DIGNIDADE DADA AO CORDEIRO É A MESMA DIGNIDADE DADA À DEUS! Ao Cordeiro: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças. Apocalipse 5:12 À Deus: Louvor, e glória, e sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre. Amém. Apocalipse 7:12 E, POR CONSEGUINTE, JESUS CRISTO É ADORADO E GLORIFICADO COMO UM DEUS: Quem é o único que pode ser adorado e glorificado e que vive para todo o sempre? E ouvi a toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que estão no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre. Apocalipse 5:13 E os quatro animais diziam: Amém. E os vinte e quatro anciãos prostraram-se, e adoraram ao que vive para todo o sempre. Apocalipse 5:14 NOTA: “ao que vive para todo o sempre” (no singular), porque, ambos são um. E não “aos que vivem para todo o sempre” (no plural), diferenciando-os, uma pessoa da outra. O texto é tão forte que até nas traduções atuais (Strong) entende-se que (προσκυνέω) aqui deve ser entendido como um ato de adoração. Concordância de Strong: 4352. proskuneó: fazer reverência a Palavra Original: προσκυνέω (4352) Parte do discurso: Verbo Transliteração: proskuneó Ortografia Fonética: (pros-koo-neh'-o) Definição: reverência a E associa-se também esse texto com a passagem de Mateus e Lucas, onde Jesus fora conduzido pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo e as recusou, adorando e servindo somente à Deus: Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. Mateus 4:1 E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto; Lucas 4:1 Jesus referiu-se a Satanás aqui à Santíssima Trindade, porque somente é possível servir à Deus em espírito e em verdade: Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás. Mateus 4:10 DEUS É PAI, DEUS É FILHO, DEUS É ESPÍRITO, DEUS É UNO E TRINO. E quem é que dá o Espírito para que O adorem? Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. João 4:24 Ora, o medianeiro (Jesus) não o é de um só (Trino), mas Deus é um (Uno). Gálatas 3:20 Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz (Jesus). Isaías 9:6 NOTA: A criança nascida é chamada de Deus Forte - El-Gibbor (אֵל־גִּבּוֹר), pela tradução do Hebraico. E sabemos que já o Filho de Deus (Jesus Cristo) é vindo, e nos deu entendimento para que conheçamos ao Verdadeiro (ou seja, que Deus é Espírito); e no que é verdadeiro estamos (ou seja, estamos no Espírito de Deus), isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este (Jesus Cristo) é o verdadeiro Deus e a vida eterna. 1 João 5:20 NOTA: Na frase, a palavra "verdadeiro" está escrita de três formas, veja: "...para que conheçamos ao Verdadeiro", com "V" maiúsculo, referindo-se a um nome próprio específico (à pessoa), ou seja, ao Deus único; Diferenciando-se de: "e no que é verdadeiro estamos...", com "v" minúsculo, que é uma das qualidades de seu Filho, ou seja, Jesus Cristo é verdadeiro; E diferenciando-se também de: "Este é o verdadeiro Deus...", com "v" minúsculo, mas agora designando um atributo de Deus em seu Filho, ou seja, Este (Jesus Cristo) é o verdadeiro Deus e a vida eterna. O Pronome "Este" no final da frase é um Pronome Demonstrativo e relaciona-se à pessoa que está próxima de quem fala. Mesmo que Jesus Cristo não estivesse presente, fisicamente, no lugar, na ocasião, quando o Apóstolo João o citava, quem estava mais próximo de João, Jesus Cristo ou Deus? Jesus Cristo, obviamente. Deus chama seu próprio Filho de Deus. Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de equidade é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros. Hebreus 1:8,9 Novamente se repete, agora em Salmos: Deus chama seu próprio Filho de Deus. O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de equidade. Tu amas a justiça e odeias a impiedade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros. Salmos 45:6,7 Jesus é Criador de todas as coisas. Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. Colossenses 1:16 O Apóstolo Tomé chama Jesus de Deus. Respondeu-lhe Tomé: Meu Senhor e meu Deus! João 20:28 Jesus Cristo é Deus bendito eternamente. Amém. Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém. Romanos 9:5 O Apóstolo Paulo chama Jesus de grande Deus. Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo; Tito 2:13 O Apóstolo Paulo, revela a Santíssima Trindade: Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação; Efésios 1:17 A Santíssima Trindade testificam no céu e na Terra. Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra (Jesus), e o Espírito Santo; e estes três são um. 1 João 5:7 E três são os que testificam na terra: o Espírito (Espírito Santo), e a água (Deus - fonte da vida) e o sangue (Jesus - Cordeiro imolado); e estes três concordam num. 1 João 5:8 NOTA: Observe na frase que "e" é uma Preposição Aditiva e dá a ideia de soma (porque estabelece uma relação entre os termos), ou seja, liga as palavras entre si: o Espírito + a água + o sangue = Jesus Cristo, e o final da frase confirma isto, porque ambas estão subordinadas, veja: "e estes três concordam num". Os israelitas do Antigo Testamento são os judeus do Novo Testamento, aos quais Deus se lhes apresentou no passado (como Deus), se revelou no presente ( como Homem) e se mostrará no futuro (como Homem e Deus): E, se na verdade julgo, o meu juízo é verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu e o Pai que me enviou. João 8:16 E na vossa lei está também escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro. João 8:17 Eu sou (Jesus) o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai que me enviou. João 8:18 Disseram-lhe (fariseus), pois: Onde está teu Pai? Jesus respondeu: Não me conheceis a mim, nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai. João 8:19 E dizia-lhes (Jesus): Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou (Deus), morrereis em vossos pecados. João 8:23,24 Disseram-lhe (judeus), pois: Quem és tu? Jesus lhes disse: Isso mesmo que já desde o princípio vos disse. João 8:25 No princípio: E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel (judeus): EU SOU me enviou a vós. Êxodo 3:14 E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel (judeus): O Senhor Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração. Êxodo 3:15 No presente: Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou (Deus). João 8:58 Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então conhecereis que EU SOU (Deus), e que nada faço por mim mesmo; mas isto falo como meu Pai me ensinou. João 8:28 JESUS FALA DO GRANDE MISTÉRIO DA UNIDADE SANTA E A TRINDADE DE DEUS - JOÃO 17 Jesus falou assim e, levantando seus olhos ao céu, e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti; Assim como lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste. E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer. E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu mos deste, e guardaram a tua palavra. Agora já têm conhecido que tudo quanto me deste provém de ti; Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste. Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. E todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e neles sou glorificado. E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós. Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse. Mas agora vou para ti, e digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa em si mesmos. Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade. E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela tua palavra hão de crer em mim; Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim. Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo. Pai justo, o mundo não te conheceu; mas eu te conheci, e estes conheceram que tu me enviaste a mim. E eu lhes fiz conhecer o teu nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles, e eu neles esteja. João 17:1-26 O ARIANISMO O arianismo foi uma visão cristológica antitrinitária sustentada pelos seguidores de Ário, presbítero cristão de Alexandria nos primeiros tempos da Igreja primitiva, que negava a existência da consubstancialidade entre Jesus e Deus Pai, que os igualasse, concebendo Cristo como um ser pré-existente e criado, embora a primeira e mais excelsa de todas as criaturas, que encarnara em Jesus de Nazaré. Jesus então, seria subordinado a Deus Pai, sendo Ele (Jesus) não o próprio Deus em si e por si mesmo. Segundo Ário, só existe um Deus e Jesus é seu filho e não o próprio Deus. Ao mesmo tempo afirmava que Deus seria um grande eterno mistério, oculto em si mesmo, e que nenhuma criatura conseguiria revelá-lo, visto que Ele não pode revelar a si mesmo. Com esta linha de pensamento, o historiador H. M. Gwatkin afirmou, na obra "The Arian Controversy": "O Deus de Ário é um Deus desconhecido, cujo ser se acha oculto em eterno mistério". Foi condenada como heresia no Primeiro Concílio de Niceia em 325 devido ao Antitrinitarismo da doutrina. CREDO DE SANTO ANASTÁCIO “Um majestoso e único monumento da fé imutável de toda a igreja quanto aos grandes mistérios da divindade, da Trindade de pessoas em um só Deus e da dualidade de naturezas de um único Cristo.” (Archibald A. Hogde) Combatendo com maestria, santidade e propriedade as heresias do arianismo moderno: 1. Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé católica. 2. Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade. 3. A fé católica consiste em adorar um só Deus em três Pessoas e três Pessoas em um só Deus. 4. Sem confundir as Pessoas nem separar a substância. 5. Porque uma só é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo. 6. Mas uma só é a divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, igual a glória e coeterna a majestade. 7. Qual como é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo. 8. O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado. 9. O Pai é imenso, o Filho é imenso, o Espírito Santo é imenso. 10. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno. 11. E contudo não são três eternos, mas um só eterno. 12. Assim como não são três incriados, nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso. 13. Da mesma maneira, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente. 14. E contudo não são três onipotentes, mas um só onipotente. 15. O Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus. 16. E contudo não são três deuses, mas um só Deus. 17. Do mesmo modo, o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor. 18. E contudo não são três senhores, mas um só Senhor. 19. Porque, assim como a verdade cristã nos manda confessar que cada uma das Pessoas é Deus e Senhor, 20. Do mesmo modo a religião católica nos proíbe dizer que são três deuses ou senhores. 21. O Pai não foi feito, nem gerado, nem criado por ninguém. 22. O Filho procede do Pai; não foi feito, nem criado, mas gerado. 23. O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procede do Pai e do Filho. 24. Não há, pois, senão um só Pai, e não três Pais; um só Filho, e não três Filhos; um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos. 25. E nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo, nem maior nem menor, 26. Mas, as três Pessoas são coeternas e iguais entre si. 27. De sorte que, como se disse acima, em tudo se deve adorar a unidade na Trindade e a Trindade na unidade. 28. Quem, pois, quiser salvar-se, deve pensar assim a respeito da Trindade. 29. Mas, para alcançar a salvação, é necessário ainda crer firmemente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo. 30. A pureza da nossa fé consiste, pois, em crer ainda e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem. 31. É Deus, gerado na substância do Pai desde toda a eternidade; é homem porque nasceu, no tempo, da substância da sua Mãe. 32. Deus perfeito e homem perfeito, com alma racional e carne humana. 33. Igual ao Pai segundo a divindade; menor que o Pai segundo a humanidade. 34. E embora seja Deus e homem, contudo não são dois, mas um só Cristo. 35.É um, não porque a divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade. 36. Um, finalmente, não por confusão de substâncias, mas pela unidade da Pessoa. 37. Porque, assim como a alma racional e o corpo formam um só homem, assim também a divindade e a humanidade formam um só Cristo. 38. Ele sofreu a morte por nossa salvação, desceu aos infernos e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos. 39. Subiu aos Céus e está sentado a direita de Deus Pai todo-poderoso, 40.Donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. 41. E quando vier, todos os homens ressuscitarão com os seus corpos, 42.Para prestar conta dos seus atos. 43. E os que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna, e os maus para o fogo eterno. 44. Esta é a fé católica, e quem não a professar fiel e firmemente não se poderá salvar. Amém. CONCLUSÃO: Voltem para à luz da verdade e para a verdadeira Igreja criada por Jesus Cristo, a saber: A Santa Igreja Católica! Porque, o que vos são ensinados, são palavras persuasivas de sabedoria humana e todos vocês estão persuadidos assim também para todas as outras questões. E digo isto, para que ninguém vos engane com palavras persuasivas. Colossenses 2:4 E a minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; 1 Coríntios 2:4 A Bíblia está cheia de provas de que Jesus é Deus, porque o Pai e o Filho são consubstanciais. E se está confirmado que Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, Ele é a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai (primeira pessoa), e do Filho (segunda pessoa), e do Espírito Santo (terceira pessoa); Mateus 28:19
- Compaixão: ter um coração nos olhos
Compaixão: ter um coração nos olhos “Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34) Mais uma vez, Jesus e seus discípulos fazem a “travessia” pelo mar, em direção à “outra margem”; a multidão sai caminhando ansiosamente por terra e os alcança. Jesus é ponto de confluência de todas as fomes, carências e desesperos. É o povo pobre das pequenas aldeias que está sofrendo grandes injustiças e muita violência. Não é gente das cidades importantes. Diz o texto de Marcos que saíram “de todos os povoados” e foram “correndo”, com pressa, com expectativa e esperança, ansiosos por encontrar-se com Jesus. A cena acontece em um “lugar despovoado”, afastado da vida cotidiana organizada segundo o pensamento da sinagoga e a lógica dominadora do império romano. Ao ver a multidão, Jesus se comove até as entranhas, porque “eram como ovelhas sem pastor”. Como em outras passagens do Evangelho, Jesus muda o plano de descanso desse dia para acolher a dor que surge de repente em seu caminho. Contempla as pessoas, e em sua maneira de se aproximar do povo está já encarnado em gestos, palavras e olhares, o Reino que anuncia. Movido por sua compaixão, Jesus “começou a ensinar-lhes muitas coisas”. Sem pressas, se dedica pacientemente a ensinar-lhes a Boa Notícia de Deus e o projeto humanizador do Reino. Não o faz por obrigação; não pensa em si mesmo; comunica-lhes a Palavra de Deus, comovido pela necessidade que as pessoas tem de um pastor. Aprenda Usar A lei Da Atração Mudando Suas Vibrações COM O LIVRO (E-BOOK) O IMÃ DA ABUNDÂNCIA Jesus não vive olhando para o céu, mas tem os olhos bem fixos na terra, na humanidade sofredora. Por isso, nada lhe escapa, observa tudo. Seu olhar não é neutro: deixa-se afetar por tudo e por todos. E a realidade sofrida tem forte impacto em seu interior, comovendo-o. Os discípulos precisam aprender de Jesus como devem tratar as pessoas; nas comunidades cristãs é preciso recordar como era Jesus com essas pessoas perdidas no anonimato, das quais ninguém se preocupa. A primeira coisa que o evangelista Marcos destaca é o olhar de Jesus. Não se irrita porque interromperam seus planos; olha a multidão tranquilamente e se comove. As pessoas nunca lhe molestam. Seu coração intui a desorientação e o abandono em que se encontram, como camponeses daquelas aldeias. “A fé não só olha a Jesus, senão que olha a humanidade a partir do ponto de vista de Jesus, ou seja, com seus olhos: é uma participação em seu modo de olhar” (Lumen Fidei, n. 18). Jesus nos convida, no Evangelho de hoje(16º Dom TC), a fazer um exercício especial da visão. Destravar nosso olhar focado em nós mesmos, em nossos interesses e apegos, para expandi-lo em direção aos outros. Todos os Evangelhos estão perpassados, de ponta a ponta, por um olhar. O olhar de Jesus que chama, conhece, cativa, derrama ternura e misericórdia, que vela, que se antecipa, que revela, que denuncia, que confirma e, também, que restaura. Olhar que o move a um compromisso libertador. O olhar de Jesus ativa a identidade das pessoas. Olha de uma forma única e singular a cada uma, e nesse olhar desvela quem ela é e ilumina o sentido de sua existência. O olhar de Jesus lança para frente, desperta a confiança, descarrega o peso da culpabilidade e “dá asas” à vida. Por essa razão seu olhar eleva e dignifica o outro, nunca o deixa no mesmo lugar, não só o coloca de pé, mas sempre o leva para mais além… O olhar de Jesus é reflexo e prolongamento do olhar do Pai; Ele se fixa sobretudo nas pessoas concretas, mas com particular atenção aos mais pobres e necessitados, os quais eram invisíveis para a sociedade de seu tempo: os enfermos, as viúvas, as crianças, o estrangeiro… Olhar a partir de Jesus, olhar como Jesus, olhar a partir dos olhos daqueles que sofrem… É um convite a iluminar nosso olhar, às vezes muito apagado pela mediocridade de nossa vida; outras vezes opaco pela falta de esperança em nossa capacidade de levar adiante a missão que Jesus nos confia. O olhar de Jesus atinge o mais profundo de todos nós e transforma nosso coração; e nosso olhar cristificado nos leva mais além de nossos pré-juizos, nos conduz a um mundo novo de possibilidades inéditas, descobre e revela o melhor de cada um de nós. Jesus insiste: quem não está alerta, quem não abre bem os olhos, quem não afina a vista, o mistério divino lhe ficará oculto. No descobrir, no “olhar” as pessoas às quais costumamos excluir de nosso campo visual cotidiano, começa o vislumbre, a visibilidade de Deus entre nós… É aí onde encontraremos suas pegadas. A mística cristã é uma mística de olhos dolorosamente abertos. Temos de aguçar a visão para sermos capazes de contemplar a Vida de Jesus entrelaçada com a história do sofrimento das pessoas. Na Igreja precisamos aprender a olhar as pessoas como Jesus as olhava: captando o sofrimento, a solidão, o desconcerto ou o abandono que muitos sofrem. Somente este olhar solidário é que ativará a compaixão. Esta não brota da atenção às normas, à doutrina ou a atenção às nossas obrigações. Ela se desperta em nós quando olhamos atentamente aqueles que sofrem e são excluídos. Expressão de fraternidade e vivida como serviço, a compaixão é a capacidade de situar-se no lugar do outro, de sentir e sofrer com ele. Comporta um “estremecimento” frente o sofrimento alheio e se traduz numa ajuda eficaz. A compaixão é provavelmente o máximo grau de maturidade humana. Trata-se de uma das atitudes mais genuinamente humanas; não é casual que ocupe o lugar mais destacado nas grandes tradições espirituais. No budismo, especialmente, afirma-se que, enquanto alguém não seja capaz de pôr-se no lugar dos outros, não poderá alcançar a iluminação. Mas, o que favorece o emergir da compaixão? de onde ela nasce? O sentimento de compaixão se vê favorecido pela experiência da nossa própria necessidade, fragilidade ou vulnerabilidade. Sem dúvida, ao apalpar a nossa própria limitação, nos “reconciliamos” com nossa humanidade, nos fazemos mais “humanos”. E, a partir daí, pode crescer a capacidade de ativar a empatia para com o outro, particularmente quando se encontra em situação de necessidade e precariedade. Neste sentido, pode-se dizer que a experiência e a acolhida da própria fragilidade nos humaniza, nos “suaviza” e nos sensibiliza diante da dor alheia. A partir daí, a compaixão pode abrir caminho. Além disso, o encontro com a compaixão de Jesus desperta a compaixão presente em nosso interior, mas abafada pelas preocupações e interesses do nosso ego. A compaixão requer uma sensibilidade limpa e um afeto livre. Para poder “vibrar” com o outro, é necessário que nossa sensibilidade não esteja congelada nem petrificada; de outro modo, o sofrimento alheio chocaria contra nossa couraça, e seríamos incapazes de senti-lo. Por outro lado, é necessário também que tenhamos liberado nossa capacidade de amar: o bloqueio da mesma nos manteria fechados, impedindo-nos “sair” positivamente em direção à pessoa que sofre. Texto bíblico: Mc 6,30-34 Na oração: Senhor, faça que meus olhos sejam claros e simples, Que meu olhar reflita teu olhar. Que meu olhar transmita alegria, paz, confiança… Que eu olhe a vida com assombro e descubra a beleza escondida. Que eu olhe delicadamente o mistério de cada ser humano. Que eu me deixe afetar pelo olhar de dor, de busca, de esperança de cada irmão. Que Tu olhes, Senhor, com meus olhos, os meus irmãos mais necessitados. Olha-me, Senhor, em silêncio, e faz com que teu olhar percorra toda minha vida. Que eu volte à vida com o sorriso de Deus em meus olhos. Amém! Pe. Adroaldo Palaoro sj Diretor do Centro de Espiritualidade Inaciana – CEI FONTE: https://www.centroloyola.org.br/ #Compaixãoterumcoraçãonosolhos
- Missa de frente para deus – versus deum – também no rito novo?
“Versus Deum” significa “De frente para Deus”, e Ad orientem” (em direção ao Oriente, ou seja, Jerusalém). É uma forma do sacerdote celebrar o santo sacrifício do altar. O motivo da celebração versus Deum, ad Orientem, é principalmente o reforço do caráter do sacerdote como sendo o próprio Cristo, seu sacerdócio unido, pela Ordem, ao de Nosso Senhor e Salvador. Assim, “de costas para o povo”, o padre está, na verdade, à sua frente, como líder, como aquele que, em nome da humanidade, mostra-se diante de Deus, e, agindo Cristo por Ele, oferece um sacrifício. Virando-se para os fiéis nos momentos oportunos, é o representante de Deus que nos dá a bênção. E, desse modo, por ser Cristo Deus e Homem ao mesmo tempo, o padre, se é Seu ministro, age ora representando a humanidade ora a divindade, e a Única Pessoa de Jesus, em Suas duas naturezas, mediante o sacerdócio dos que Lhe são especialmente consagrados pelo sacramento da Ordem, oferece Seu sacrifício por nossos pecados. Muitos pensam que o Missal de 1970, o Novus Ordo, instituindo a nova forma de celebrar a Missa romana, modificou a direção a qual deve estar voltado o sacerdote celebrante. Ledo engano, a posição do ofertante foi mantida a mesma. É o que informam recentes documentos da Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, bem como o próprio Papa Bento XVI, à época Cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, em entrevista por ocasião do lançamento de seu livro “O espírito da liturgia”. Também das próprias rubricas do Missal Romano de Paulo VI encontramos as informações que confirmam tal ensino: o sacerdote deve, segundo tais textos, durante a Liturgia Eucarística, “voltar-se para o povo” durante alguns atos; isto significa que, se deve voltar-se ao povo, é porque antes estava voltado ad Orientem. “Estes avisos que em certos momentos o sacerdote esteja ‘voltado para o povo’ seriam supérfluos, se o sacerdote durante toda a celebração ficasse atrás do altar e frente ao povo.” (RUDROFF, Pe. Francisco. Santa Missa, Mistério de nossa Fé. 1996, Serviço de Animação Eucarística Mariana, Anápolis, com apresentação de Dom Manoel Pestana Filho, Bispo Diocesano de Anápolis, p. 110, nota 37; cf. ELLIOTT, Mons. Peter. Cerimonies of the Modern Roman Rite, 1995, Ignatius Press, San Francisco, p. 23) Isso, aliás, não é nenhuma surpresa, uma vez que nunca a posição ad Orientem foi expressamente proibida por algum decreto, nem esse foi o desejo dos Padres do Concílio Vaticano II, autor da reforma litúrgica. Outrossim, essa é a forma histórica de oferecimento da Missa, observada inclusive pelos ritos orientais. Mesmo assim, ainda que a norma seja a manutenção da direção do sacerdote ad Orientem, também conhecida como versus Deum foi permitida pela reforma a posição versus populum, i.e., voltado para o povo, atrás do altar, forma, aliás, que se disseminou mundialmente, tornando-se bastante popular, por força da Instrução Geral do Missal Romano. Uma nota publicada, em 1993, pela Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos , em seu boletim Notitiae, reafirmou o valor de ambas as opções, celebração versus populum ou versus Deum, de modo que quaisquer dúvidas devem ser dissipadas. O motivo da celebração versus Deum, ad Orientem, é principalmente o reforço do caráter do sacerdote como sendo o próprio Cristo, seu sacerdócio unido, pela Ordem, ao de Nosso Senhor e Salvador. Assim, “de costas para o povo”, o padre está, na verdade, à sua frente, como líder, como aquele que, em nome da humanidade, mostra-se diante de Deus, e, agindo Cristo por Ele, oferece um sacrifício. Virando-se para os fiéis nos momentos oportunos, é o representante de Deus que nos dá a bênção. E, desse modo, por ser Cristo Deus e Homem ao mesmo tempo, o padre, se é Seu ministro, age ora representando a humanidade ora a divindade, e a Única Pessoa de Jesus, em Suas duas naturezas, mediante o sacerdócio dos que Lhe são especialmente consagrados pelo sacramento da Ordem, oferece Seu sacrifício por nossos pecados. “(…) a imolação incruenta, por meio da qual, depois de pronunciadas as palavras da Consagração, Jesus Cristo torna-se presente sobre o altar no estado de Vítima, é levada a cabo somente pelo sacerdote, enquanto representante da Pessoa de Cristo, e não enquanto representante da pessoa dos fiéis.” (Sua Santidade, o Papa Pio XII. Encíclica Mediator Dei) Além do quê, na Missa, mesmo versus populum, sempre estamos “de costas” uns para os outros. Que mal há no padre também ficar? Mais ainda, ele não está simplesmente dando as costas ao povo, mas virando-se, junto com ele, para a mesma direção. O sacerdote, na Missa versus Deum, posiciona-se exatamente com o restante dos fiéis: todos miram o mesmo alvo, todos olham para o mesmo lugar, todos estão alinhados, como um verdadeiro povo, à frente do qual está o sacerdote, seu líder. Interessante é observar que os setores liberais e progressistas, defendendo a exclusividade da Missa versus populum, acabam criando um clericalismo que eles mesmos criticam, opondo sacerdote e fiéis uns aos outros. Além disso, por óbvio centra a atenção do povo no sacerdote e a atenção do sacerdote no povo, ao invés de ambos centrarem-se em Deus. O culto versus populum acaba, na prática, favorecendo o antropocentrismo. Evidentemente, nem todos os que celebram versus populum assim o fazem, pois é perfeitamente possível a Missa externamente voltada para o povo e, ao mesmo tempo, espiritualmente centrada em Deus. “Quando o sacerdote celebra versus populum, sua orientação espiritual deveria ser sempre versus Deum per Iesum Christum [para Deus, por meio de Jesus Cristo].” (Cardeal Joseph Ratzinger, A introdução do decano do Sacro Colégio ao livro de Uwe Michael Lang, in 30 Dias) Entretanto, ainda que a versus populum não seja, em si, antropocêntrica ou negadora da absoluta centralidade de Cristo na Eucaristia, não há como negar que a celebração versus Deum favorece, pela posição do sacerdote, a centralização da Missa em Deus. Sem dúvida que em qualquer posição, o padre olha para Deus. Mas a posição versus Deum é mais simbólica nesse sentido. Até porque, por tal argumento, deveríamos, então, em vez de olhar para o altar, olharmos todos uns para os outros. O padre não fica “de costas, propriamente, mas “olhando na mesma direção que nós”. Posição esta que é tradicional não só no rito romano (seja o tradicional, seja o novo – apesar de, nesta última forma, não ser tão comum), como nos ritos orientais (e mesmo nos demais ritos latinos). “Sobre a orientação do altar para o povo, não há sequer uma palavra no texto conciliar. Ela é mencionada em instruções pós-conciliares. A mais importante delas é a Institutio generalis Missalis Romani, a Introdução Geral ao novo Missal Romano, de 1969, onde, no número 262, se lê: “O altar maior deve ser construído separado da parede, de modo a que se possa facilmente andar ao seu redor e celebrar, nele, olhando na direção do povo [versus populum]”. A introdução à nova edição do Missal Romano, de 2002, retomou esse texto à letra, mas, no final, acrescentou o seguinte: “Isso é desejável sempre que possível”. Esse acréscimo foi lido por muitos como um enrijecimento do texto de 1969, no sentido de que agora haveria uma obrigação geral de construir – “sempre que possível” – os altares voltados para o povo. Essa interpretação, porém, já havia sido repelida pela Congregação para o Culto Divino, que tem competência sobre a questão, em 25 de setembro de 2000, quando explicou que a palavra “expedit” [é desejável] não exprime uma obrigação (…).” (Ratzinger, op. cit.) “Por último, penso que se o sacerdote rezasse, em algumas ocasiões, a Liturgia Eucarística versus Deum – algo perfeitamente possível segundo as normas atuais –, isso também ajudaria a perceber qual é a orientação espiritual da Liturgia – em direção a Deus, o que não significa nenhum desprezo do Povo. Aliás, alguém diz para a pessoa do banco da frente: ‘você está de costas para mim’?; ou que os noivos, no sacramento do Matrimônio, estão de ‘costas para o povo’?” Em resumo, no Novus Ordo Missae, na forma de rito romano promulgada por Paulo VI, em uso na Igreja Ocidental desde então, pode o sacerdote, sem problema algum nem oposição dos superiores ou dos Ordinários, celebrar “de costas aos fiéis”, na posição versus Deum, tradicional, própria, e muito mais rica dos pontos-de-vista teológico, histórico e mesmo espiritual. Longe de afastar os fiéis, essa prática só os faz crescer ainda mais na compreensão do mistério da Cruz, tornado presente em cada Santa Missa. Tomara essa posição do sacerdote seja revalorizada, para que o antropocentrismo dê lugar a quem de direito, ainda mais na Missa, Cristo Rei, que no altar, invisível e incruentamente, se imola ao Pai por nós. Mais elevados espiritualmente, melhores cristãos sairão os fiéis de uma Missa em que se observe até mesmo esse aparente detalhe da posição do celebrante: embora, substancialmente, a Missa seja a mesma, tal elemento acidental muito favorece a que tenhamos a correta apreensão da idéia de sacrifício, além de acrescentar à sacralidade do rito e à piedade de todos os que dela tomam parte, transmitindo a riqueza multissecular da Santa Igreja Católica. Fonte: Veritatis Splendor #Liturgia
- Missa de frente para deus – versus deum – também no rito novo?
“Versus Deum” significa “De frente para Deus”, e Ad orientem” (em direção ao Oriente, ou seja, Jerusalém). É uma forma do sacerdote celebrar o santo sacrifício do altar. O motivo da celebração versus Deum, ad Orientem, é principalmente o reforço do caráter do sacerdote como sendo o próprio Cristo, seu sacerdócio unido, pela Ordem, ao de Nosso Senhor e Salvador. Assim, “de costas para o povo”, o padre está, na verdade, à sua frente, como líder, como aquele que, em nome da humanidade, mostra-se diante de Deus, e, agindo Cristo por Ele, oferece um sacrifício. Virando-se para os fiéis nos momentos oportunos, é o representante de Deus que nos dá a bênção. E, desse modo, por ser Cristo Deus e Homem ao mesmo tempo, o padre, se é Seu ministro, age ora representando a humanidade ora a divindade, e a Única Pessoa de Jesus, em Suas duas naturezas, mediante o sacerdócio dos que Lhe são especialmente consagrados pelo sacramento da Ordem, oferece Seu sacrifício por nossos pecados. Muitos pensam que o Missal de 1970, o Novus Ordo, instituindo a nova forma de celebrar a Missa romana, modificou a direção a qual deve estar voltado o sacerdote celebrante. Ledo engano, a posição do ofertante foi mantida a mesma. É o que informam recentes documentos da Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, bem como o próprio Papa Bento XVI, à época Cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, em entrevista por ocasião do lançamento de seu livro “O espírito da liturgia”. Também das próprias rubricas do Missal Romano de Paulo VI encontramos as informações que confirmam tal ensino: o sacerdote deve, segundo tais textos, durante a Liturgia Eucarística, “voltar-se para o povo” durante alguns atos; isto significa que, se deve voltar-se ao povo, é porque antes estava voltado ad Orientem. “Estes avisos que em certos momentos o sacerdote esteja ‘voltado para o povo’ seriam supérfluos, se o sacerdote durante toda a celebração ficasse atrás do altar e frente ao povo.” (RUDROFF, Pe. Francisco. Santa Missa, Mistério de nossa Fé. 1996, Serviço de Animação Eucarística Mariana, Anápolis, com apresentação de Dom Manoel Pestana Filho, Bispo Diocesano de Anápolis, p. 110, nota 37; cf. ELLIOTT, Mons. Peter. Cerimonies of the Modern Roman Rite, 1995, Ignatius Press, San Francisco, p. 23) Isso, aliás, não é nenhuma surpresa, uma vez que nunca a posição ad Orientem foi expressamente proibida por algum decreto, nem esse foi o desejo dos Padres do Concílio Vaticano II, autor da reforma litúrgica. Outrossim, essa é a forma histórica de oferecimento da Missa, observada inclusive pelos ritos orientais. Mesmo assim, ainda que a norma seja a manutenção da direção do sacerdote ad Orientem, também conhecida como versus Deum foi permitida pela reforma a posição versus populum, i.e., voltado para o povo, atrás do altar, forma, aliás, que se disseminou mundialmente, tornando-se bastante popular, por força da Instrução Geral do Missal Romano. Uma nota publicada, em 1993, pela Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos , em seu boletim Notitiae, reafirmou o valor de ambas as opções, celebração versus populum ou versus Deum, de modo que quaisquer dúvidas devem ser dissipadas. O motivo da celebração versus Deum, ad Orientem, é principalmente o reforço do caráter do sacerdote como sendo o próprio Cristo, seu sacerdócio unido, pela Ordem, ao de Nosso Senhor e Salvador. Assim, “de costas para o povo”, o padre está, na verdade, à sua frente, como líder, como aquele que, em nome da humanidade, mostra-se diante de Deus, e, agindo Cristo por Ele, oferece um sacrifício. Virando-se para os fiéis nos momentos oportunos, é o representante de Deus que nos dá a bênção. E, desse modo, por ser Cristo Deus e Homem ao mesmo tempo, o padre, se é Seu ministro, age ora representando a humanidade ora a divindade, e a Única Pessoa de Jesus, em Suas duas naturezas, mediante o sacerdócio dos que Lhe são especialmente consagrados pelo sacramento da Ordem, oferece Seu sacrifício por nossos pecados. “(…) a imolação incruenta, por meio da qual, depois de pronunciadas as palavras da Consagração, Jesus Cristo torna-se presente sobre o altar no estado de Vítima, é levada a cabo somente pelo sacerdote, enquanto representante da Pessoa de Cristo, e não enquanto representante da pessoa dos fiéis.” (Sua Santidade, o Papa Pio XII. Encíclica Mediator Dei) Além do quê, na Missa, mesmo versus populum, sempre estamos “de costas” uns para os outros. Que mal há no padre também ficar? Mais ainda, ele não está simplesmente dando as costas ao povo, mas virando-se, junto com ele, para a mesma direção. O sacerdote, na Missa versus Deum, posiciona-se exatamente com o restante dos fiéis: todos miram o mesmo alvo, todos olham para o mesmo lugar, todos estão alinhados, como um verdadeiro povo, à frente do qual está o sacerdote, seu líder. Interessante é observar que os setores liberais e progressistas, defendendo a exclusividade da Missa versus populum, acabam criando um clericalismo que eles mesmos criticam, opondo sacerdote e fiéis uns aos outros. Além disso, por óbvio centra a atenção do povo no sacerdote e a atenção do sacerdote no povo, ao invés de ambos centrarem-se em Deus. O culto versus populum acaba, na prática, favorecendo o antropocentrismo. Evidentemente, nem todos os que celebram versus populum assim o fazem, pois é perfeitamente possível a Missa externamente voltada para o povo e, ao mesmo tempo, espiritualmente centrada em Deus. “Quando o sacerdote celebra versus populum, sua orientação espiritual deveria ser sempre versus Deum per Iesum Christum [para Deus, por meio de Jesus Cristo].” (Cardeal Joseph Ratzinger, A introdução do decano do Sacro Colégio ao livro de Uwe Michael Lang, in 30 Dias) Entretanto, ainda que a versus populum não seja, em si, antropocêntrica ou negadora da absoluta centralidade de Cristo na Eucaristia, não há como negar que a celebração versus Deum favorece, pela posição do sacerdote, a centralização da Missa em Deus. Sem dúvida que em qualquer posição, o padre olha para Deus. Mas a posição versus Deum é mais simbólica nesse sentido. Até porque, por tal argumento, deveríamos, então, em vez de olhar para o altar, olharmos todos uns para os outros. O padre não fica “de costas, propriamente, mas “olhando na mesma direção que nós”. Posição esta que é tradicional não só no rito romano (seja o tradicional, seja o novo – apesar de, nesta última forma, não ser tão comum), como nos ritos orientais (e mesmo nos demais ritos latinos). “Sobre a orientação do altar para o povo, não há sequer uma palavra no texto conciliar. Ela é mencionada em instruções pós-conciliares. A mais importante delas é a Institutio generalis Missalis Romani, a Introdução Geral ao novo Missal Romano, de 1969, onde, no número 262, se lê: “O altar maior deve ser construído separado da parede, de modo a que se possa facilmente andar ao seu redor e celebrar, nele, olhando na direção do povo [versus populum]”. A introdução à nova edição do Missal Romano, de 2002, retomou esse texto à letra, mas, no final, acrescentou o seguinte: “Isso é desejável sempre que possível”. Esse acréscimo foi lido por muitos como um enrijecimento do texto de 1969, no sentido de que agora haveria uma obrigação geral de construir – “sempre que possível” – os altares voltados para o povo. Essa interpretação, porém, já havia sido repelida pela Congregação para o Culto Divino, que tem competência sobre a questão, em 25 de setembro de 2000, quando explicou que a palavra “expedit” [é desejável] não exprime uma obrigação (…).” (Ratzinger, op. cit.) “Por último, penso que se o sacerdote rezasse, em algumas ocasiões, a Liturgia Eucarística versus Deum – algo perfeitamente possível segundo as normas atuais –, isso também ajudaria a perceber qual é a orientação espiritual da Liturgia – em direção a Deus, o que não significa nenhum desprezo do Povo. Aliás, alguém diz para a pessoa do banco da frente: ‘você está de costas para mim’?; ou que os noivos, no sacramento do Matrimônio, estão de ‘costas para o povo’?” Em resumo, no Novus Ordo Missae, na forma de rito romano promulgada por Paulo VI, em uso na Igreja Ocidental desde então, pode o sacerdote, sem problema algum nem oposição dos superiores ou dos Ordinários, celebrar “de costas aos fiéis”, na posição versus Deum, tradicional, própria, e muito mais rica dos pontos-de-vista teológico, histórico e mesmo espiritual. Longe de afastar os fiéis, essa prática só os faz crescer ainda mais na compreensão do mistério da Cruz, tornado presente em cada Santa Missa. Tomara essa posição do sacerdote seja revalorizada, para que o antropocentrismo dê lugar a quem de direito, ainda mais na Missa, Cristo Rei, que no altar, invisível e incruentamente, se imola ao Pai por nós. Mais elevados espiritualmente, melhores cristãos sairão os fiéis de uma Missa em que se observe até mesmo esse aparente detalhe da posição do celebrante: embora, substancialmente, a Missa seja a mesma, tal elemento acidental muito favorece a que tenhamos a correta apreensão da idéia de sacrifício, além de acrescentar à sacralidade do rito e à piedade de todos os que dela tomam parte, transmitindo a riqueza multissecular da Santa Igreja Católica. Fonte: Veritatis Splendor #Liturgia
- PADRE ESPANHOL COMENTA AS RESTRIÇÕES IMPOSTAS À MISSA TRADICIONAL
[A seguir, o comentário do padre espanhol Santiago Martín sobre o recente “motu proprio” Traditionis custodes , publicado pelo atual Pontífice no último dia 16 de julho, e que tem por finalidade impedir o progresso do movimento em favor da Missa antiga, que cresce no mundo todo, em especial nos EUA. Parece que o padre espanhol não se inclui entre os grandes entusiastas do rito tradicional, mas, ainda assim, demonstra forte preocupação com esse documento papal]. “A notícia mais relevante desta semana foi a revogação, pelo Papa Francisco, do “motu próprio” Sumorum Pontificum de Bento XVI, que havia dado liberdade para a utilização do missal aprovado no Concílio de Trento e revisto por João XXIII. A utilização deste missal era considerada uma forma extraordinária do rito romano e os bispos foram autorizados a permitir a sua utilização, em certas paróquias, para os fiéis que o solicitarem. Tudo isto foi abolido e deixará de haver uma forma extraordinária do rito romano. Só será permitida a sua utilização poraqueles que já o estavam fazendo, com tal permissão sendo revista caso a caso. Não serão criadas mais paróquias onde o Missal Tridentino possa ser utilizado. Os sacerdotes que forem ordenados a partir de agora já não poderão celebrar a Missa usando esse missal, mesmo em privado, sem autorização formal do bispo, que deve consultar Roma. A justificação dada pelo Papa, numa carta que acompanha o “motu próprio” Traditionis custodes , é que, embora os seus antecessores, quando deram liberdade à Missa Tridentina, o fizessem para favorecer a unidade da Igreja e nela voltar a inserir aqueles que se tinham juntado ao cisma de Lefebvre, tem servido ao propósito oposto: os que seguem a forma extraordinária revelam a sua rejeição do Concílio Vaticano II, por eles acusado de ter traído a Tradição, e se consideram a verdadeira Igreja. A reação ao novo “motu proprio” tem sido muito forte entre aqueles que se identificam com a celebração tridentina da Santa Missa. Monsenhor Schneider avisou, há alguns dias, que se isso acontecesse, muitos leigos e padres se juntariam aos lefebvrianos. Outros, que não questionam a firmeza com que foram tratados aqueles que usam a Missa Tridentina para rejeitar o Concílio Vaticano II, interrogam-se porque é que não se toma a mesma atitude com aqueles que praticam abusos litúrgicos muito graves — tais como abençoar casais homossexuais ou dar comunhão aos protestantes — e estão promovendo a criação de uma nova Igreja, que para eles é a verdadeira Igreja, em ruptura não só com a Tradição, mas com a Palavra de Deus. Não é a passividade perante estes últimos que provoca a reação daqueles outros e o seu anseio pelo passado? O Papa disse que esta decisão visa promover a unidade na Igreja. Rezemos para que o contrário não aconteça.”
- QUALIDADE DE VIDA? SÓ SE FOR ETERNA
O cristianismo soa como algo completamente anacrônico nesses tempos atuais, de perspectivas planetárias, em que o mundo parece transformar-se numa aldeia global sem mais raízes nas particularidades de cada povo e nação, e cuja religiosidade, em avançado processo de fabricação, é um ambientalismo panteísta, de idolatria da natureza e dos instintos elementares. Não seria para menos. Afinal, a doutrina do Nazareno, que ligava o Céu e a terra como a escada de Jacó, pela qual subiam e desciam anjos, tinha os pés bem plantados no chão judaico. É de uma região bem particular que Jesus extrai as imagens que aparecerão em seus ensinamentos e parábolas; as pessoas que com Ele convivem são datadas e bem situadas naquele ambiente seco do Oriente Próximo, com seus costumes e suas tradições, seus sapatos e suas roupas, suas bebidas e suas comidas, suas plantas e seus animais. Os evangelistas são escritores atentos à realidade sensível — hoje, os chamaríamos de realistas —, que nunca perdem de vista a vida como ela é, com seus pequenos prazeres, seus sofrimentos e suas expectativas. Esse aspecto “regionalista” do Novo Testamento até que poderia cair no agrado do homem pós-moderno como algo exótico, povoado de personagens romanticamente esquisitos e rústicos, se a esse cenário telúrico não se vinculasse o fardo pesado de um pensamento religioso que vinha falar de cruz — do sofrimento da cruz como pré-condição da felicidade. Aí já seria pedir demais a boa parte de nossos contemporâneos, guiados pelo conceito niilista de “qualidade de vida”, que antepõe ao espírito o cuidado obsessivo com o corpo. Quando a verdadeira preocupação é com o aqui-e-agora da dieta balanceada, das academias de ginástica, dos salões de estética, das roupas de grife ( à alma basta a vaga espiritualidade new-age de um yoga bem adaptado às expectativas ocidentais), há pouco sentido em falar de salvação e perdição eternas, a partir de méritos ou deméritos espirituais. E isto é tudo o que o cristianismo na verdade é: uma escada de Jacó por onde se ascende da terra ao Céu. Uma escalada em que não é permitido, a quem sobe, olhar para os degraus que vai deixando para trás, sob pena de se converter numa inútil estátua de sal. Uma escalada que subentende, é certo, uma certa doutrina religiosa, mas que, antes de ser doutrina, é um conjunto de fatos que só depois geraram uma doutrina, vividos por um homem semelhante a nós em quase tudo. Um “homem” que nunca se preocupou com dieta balanceada, academias de ginástica, salões de estética, roupas de grife.
















































