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- O DIA QUE O SENHOR FEZ PARA NÓS – Scott Hahn medita sobre o Domingo da Divina Misericórdia
Três vezes, no Salmo de hoje, soltamos um grito de vitória: “Eterna é a sua misericórdia!” Verdadeiramente, já conhecemos o amor eterno de Deus, que veio a nós como nosso Salvador. Pelo sangue e água que fluíram do lado perfurado de Jesus (v. João 19:34), fomos feitos filhos de Deus, como ouvimos na Epístola de hoje. Até agora, ainda não encontramos pessoalmente Jesus, nunca O ouvimos ensinar, nem O vimos ressuscitado dos mortos. Sua Palavra salvadora chegou até nós através da Igreja, por meio do ministério dos apóstolos, que no Evangelho de hoje são por Ele enviados, tal como Ele um dia também foi enviado pelo Pai. Jesus foi feito Espírito vivificante (v. 1 Coríntios 15:45) e cumulou Seus apóstolos com esse Espírito. Como ouvimos na Primeira Leitura de hoje, eles deram testemunho de sua ressurreição com grande poder. E, por meio de seu testemunho, transmitido na Igreja ao longo dos séculos, seus ensinamentos e tradições chegaram até nós (v. Atos 2:42). Hoje, nós O encontramos tal como os apóstolos o fizeram: ao partir o pão no dia do Senhor (ver Atos 20: 7; 1 Coríntios 16: 2; Apocalipse 1:10). Há algo de litúrgico na maneira como as cenas do Evangelho de hoje se desdobram. É como se João estivesse tentando nos mostrar como o Senhor ressuscitado vem até nós, por intermédio da liturgia e dos sacramentos. Em ambas as cenas é noite de domingo. As portas estão bem trancadas, mas Jesus entra misteriosamente e os saúda com uma expressão (“A paz esteja convosco”), que já tinha sido utilizada outras vezes por mensageiros divinos (ver Daniel 10:19; Juízes 6:23). Mostra-lhes sinais de Sua verdadeira presença corporal. E, em ambas as noites, os discípulos respondem alegremente, acolhendo Jesus como seu Senhor. Não é isso o que ocorre na Missa, quando nosso Senhor nos fala com Sua Palavra e se oferece a nós através do sacramento de Seu corpo e Seu sangue? Aproximemo-nos do altar com alegria, sabendo que cada Eucaristia é o dia que o Senhor fez para nós, quando a vitória da Páscoa se torna novamente esplendorosa diante de nossos olhos. https://stpaulcenter.com/audio/sunday-bible-reflections/the-day-the-lord-made-scott-hahn-reflects-on-divine-mercy-sunday/
- MISERICORDIA ET MISERA
CARTA APOSTÓLICA Misericordia et misera DO SANTO PADRE FRANCISCO NO TERMO DO JUBILEU EXTRAORDINÁRIO DA MISERICÓRDIA Francisco a quantos lerem esta Carta Apostólica misericórdia e paz! Misericórdia e mísera (misericordia et misera) são as duas palavras que Santo Agostinho utiliza para descrever o encontro de Jesus com a adúltera (cf. Jo 8, 1-11). Não podia encontrar expressão mais bela e coerente do que esta, para fazer compreender o mistério do amor de Deus quando vem ao encontro do pecador: «Ficaram apenas eles dois: a mísera e a misericórdia».[1] Quanta piedade e justiça divina nesta narração! O seu ensinamento, ao mesmo tempo que ilumina a conclusão do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, indica o caminho que somos chamados a percorrer no futuro. 1. Esta página do Evangelho pode, com justa razão, ser considerada como ícone de tudo o que celebramos no Ano Santo, um tempo rico em misericórdia, a qual pede para continuar a ser celebrada e vivida nas nossas comunidades. Com efeito, a misericórdia não se pode reduzir a um parêntese na vida da Igreja, mas constitui a sua própria existência, que torna visível e palpável a verdade profunda do Evangelho. Tudo se revela na misericórdia; tudo se compendia no amor misericordioso do Pai. Encontraram-se uma mulher e Jesus: ela, adúltera e – segundo a Lei – julgada passível de lapidação; Ele que, com a sua pregação e o dom total de Si mesmo que O levará até à cruz, reconduziu a lei mosaica ao seu intento originário genuíno. No centro, não temos a lei e a justiça legal, mas o amor de Deus, que sabe ler no coração de cada pessoa incluindo o seu desejo mais oculto e que deve ter a primazia sobre tudo. Entretanto, nesta narração evangélica, não se encontram o pecado e o juízo em abstrato, mas uma pecadora e o Salvador. Jesus fixou nos olhos aquela mulher e leu no seu coração: lá encontrou o desejo de ser compreendida, perdoada e libertada. A miséria do pecado foi revestida pela misericórdia do amor. Da parte de Jesus, nenhum juízo que não estivesse repassado de piedade e compaixão pela condição da pecadora. A quem pretendia julgá-la e condená-la à morte, Jesus responde com um longo silêncio, cujo intuito é deixar emergir a voz de Deus tanto na consciência da mulher como nas dos seus acusadores. Estes deixam cair as pedras das mãos e vão-se embora um a um (cf. Jo 8, 9). E, depois daquele silêncio, Jesus diz: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou? (…) Também Eu não te condeno. Vai e de agora em diante não tornes a pecar» (8, 10.11). Desta forma, ajuda-a a olhar para o futuro com esperança, pronta a recomeçar a sua vida; a partir de agora, se quiser, poderá «proceder no amor» (Ef 5, 2). Depois que se revestiu da misericórdia, embora permaneça a condição de fraqueza por causa do pecado, tal condição é dominada pelo amor que consente de olhar mais além e viver de maneira diferente. 2. Aliás Jesus ensinara-o claramente quando, em casa dum fariseu que O convidara para almoçar, se aproximou d’Ele uma mulher conhecida por todos como pecadora (cf. Lc 7, 36-50). Esta ungira com perfume os pés de Jesus, banhara-os com as suas lágrimas e enxugara-os com os seus cabelos (cf. 7, 37-38). À reação escandalizada do fariseu, Jesus retorquiu: «São perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas àquele a quem pouco se perdoa, pouco ama» (7, 47). O perdão é o sinal mais visível do amor do Pai, que Jesus quis revelar em toda a sua vida. Não há página do Evangelho que possa ser subtraída a este imperativo do amor que chega até ao perdão. Até nos últimos momentos da sua existência terrena, ao ser pregado na cruz, Jesus tem palavras de perdão: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 34). Nada que um pecador arrependido coloque diante da misericórdia de Deus pode ficar sem o abraço do seu perdão. É por este motivo que nenhum de nós pode pôr condições à misericórdia; esta permanece sempre um ato de gratuidade do Pai celeste, um amor incondicional e não merecido. Por isso, não podemos correr o risco de nos opor à plena liberdade do amor com que Deus entra na vida de cada pessoa. A misericórdia é esta ação concreta do amor que, perdoando, transforma e muda a vida. É assim que se manifesta o seu mistério divino. Deus é misericordioso (cf. Ex 34, 6), a sua misericórdia é eterna (cf. Sal 136/135), de geração em geração abraça cada pessoa que confia n’Ele e transforma-a, dando-lhe a sua própria vida. 3. Quanta alegria brotou no coração destas duas mulheres: a adúltera e a pecadora! O perdão fê-las sentirem-se, finalmente, livres e felizes como nunca antes. As lágrimas da vergonha e do sofrimento transformaram-se no sorriso de quem sabe que é amado. A misericórdia suscita alegria, porque o coração se abre à esperança duma vida nova. A alegria do perdão é indescritível, mas transparece em nós sempre que a experimentamos. Na sua origem, está o amor com que Deus vem ao nosso encontro, rompendo o círculo de egoísmo que nos envolve, para fazer também de nós instrumentos de misericórdia. Como são significativas, também para nós, estas palavras antigas que guiavam os primeiros cristãos: «Reveste-te de alegria, que é sempre agradável a Deus e por Ele bem acolhida. Todo o homem alegre trabalha bem, pensa bem e despreza a tristeza. (…) Viverão em Deus todas as pessoas que afastam a tristeza e se revestem de toda a alegria».[2] Experimentar a misericórdia dá alegria; não no-la deixemos roubar pelas várias aflições e preocupações. Que ela permaneça bem enraizada no nosso coração e sempre nos faça olhar com serenidade a vida do dia-a-dia. Numa cultura frequentemente dominada pela tecnologia, parecem multiplicar-se as formas de tristeza e solidão em que caem as pessoas, incluindo muitos jovens. Com efeito, o futuro parece estar refém da incerteza, que não permite ter estabilidade. É assim que muitas vezes surgem sentimentos de melancolia, tristeza e tédio, que podem, pouco a pouco, levar ao desespero. Há necessidade de testemunhas de esperança e de alegria verdadeira, para expulsar as quimeras que prometem uma felicidade fácil com paraísos artificiais. O vazio profundo de tanta gente pode ser preenchido pela esperança que trazemos no coração e pela alegria que brota dela. Há tanta necessidade de reconhecer a alegria que se revela no coração tocado pela misericórdia! Por isso guardemos como um tesouro estas palavras do Apóstolo: «Alegrai-vos sempre no Senhor!» (Flp 4, 4; cf. 1 Ts 5, 16). 4. Celebramos um Ano intenso, durante o qual nos foi concedida, em abundância, a graça da misericórdia. Como um vento impetuoso e salutar, a bondade e a misericórdia do Senhor derramaram-se sobre o mundo inteiro. E perante este olhar amoroso de Deus, que se fixou de maneira tão prolongada sobre cada um de nós, não se pode ficar indiferente, porque muda a vida. Antes de mais nada, sentimos necessidade de agradecer ao Senhor, dizendo-Lhe: «Vós abençoastes a vossa terra (…). Perdoastes as culpas do vosso povo» (Sal 85/84, 2.3). Foi mesmo assim: Deus esmagou as nossas culpas e lançou ao fundo do mar os nossos pecados (cf. Miq 7, 19); já não Se lembra deles, lançou-os para trás de Si (cf. Is 38, 17); como o Oriente está afastado do Ocidente, assim os nossos pecados estão longe d’Ele (cf. Sal 103/102, 12). Neste Ano Santo, a Igreja pôde colocar-se à escuta e experimentou com grande intensidade a presença e proximidade do Pai, que, por obra do Espírito Santo, lhe tornou mais evidente o dom e o mandato de Jesus Cristo relativo ao perdão. Foi realmente uma nova visita do Senhor ao meio de nós. Sentimos o seu sopro vital efundir-se sobre a Igreja, enquanto, mais uma vez, as suas palavras indicavam a missão: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos» (Jo 20, 22-23). 5. Agora, concluído este Jubileu, é tempo de olhar para diante e compreender como se pode continuar, com fidelidade, alegria e entusiasmo, a experimentar a riqueza da misericórdia divina. As nossas comunidades serão capazes de permanecer vivas e dinâmicas na obra da nova evangelização na medida em que a «conversão pastoral», que estamos chamados a viver,[3] for plasmada dia após dia pela força renovadora da misericórdia. Não limitemos a sua ação; não entristeçamos o Espírito que indica sempre novas sendas a percorrer para levar a todos o Evangelho da salvação. Em primeiro lugar, somos chamados a celebrar a misericórdia. Quanta riqueza está presente na oração da Igreja, quando invoca a Deus como Pai misericordioso! Na liturgia, não só se evoca repetidamente a misericórdia, mas é realmente recebida e vivida. Desde o início até ao fim da Celebração Eucarística, a misericórdia reaparece várias vezes no diálogo entre a assembleia orante e o coração do Pai, que rejubila quando pode derramar o seu amor misericordioso. Logo na altura do pedido inicial de perdão com a invocação «Senhor, tende piedade de nós», somos tranquilizados: «Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna». É com esta confiança que a comunidade se reúne na presença do Senhor, especialmente no dia semanal que recorda a ressurreição. Muitas orações ditas «coletas» procuram recordar-nos o grande dom da misericórdia. No tempo da Quaresma, por exemplo, rezamos com estas palavras: «Deus, Pai de misericórdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na oração e no amor fraterno os remédios do pecado, olhai benigno para a confissão da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consciência da culpa, sejamos confortados pela vossa misericórdia».[4] Mais adiante, somos introduzidos na Oração Eucarística pelo Prefácio que proclama: «Na vossa infinita misericórdia, de tal modo amastes o mundo que nos enviastes Jesus Cristo, nosso Salvador, em tudo semelhante ao homem, menos no pecado».[5] Aliás a própria Oração Eucarística IV é um hino à misericórdia de Deus: «Na vossa misericórdia, a todos socorrestes, para que todos aqueles que Vos procuram Vos encontrem». E «tende misericórdia de nós, Senhor»[6] é a súplica premente que o sacerdote faz na Oração Eucarística para implorar a participação na vida eterna. Depois do Pai-Nosso, o sacerdote prolonga a oração invocando a paz e a libertação do pecado, «ajudados pela vossa misericórdia» e, antes da saudação da paz que os participantes trocam entre si como expressão de fraternidade e amor mútuo à luz do perdão recebido, o celebrante reza de novo: «Não olheis aos nossos pecados, mas à fé da vossa Igreja».[7] Através destas palavras, pedimos com humilde confiança o dom da unidade e da paz para a Santa Mãe Igreja. Assim a celebração da misericórdia divina culmina no Sacrifício Eucarístico, memorial do mistério pascal de Cristo, do qual brota a salvação para todo o ser humano, a história e o mundo inteiro. Em suma, cada momento da Celebração Eucarística faz referimento à misericórdia de Deus. Mas, em toda a vida sacramental, é-nos dada com abundância a misericórdia. Realmente é significativo que a Igreja tenha querido fazer explicitamente apelo à misericórdia na fórmula dos dois sacramentos chamados «de cura»: a Reconciliação e a Unção dos Enfermos. Assim reza a fórmula da absolvição: «Deus, Pai de misericórdia, que, pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e infundiu o Espírito para a remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz»;[8] e ao ungir a pessoa doente: «Por esta santa Unção e pela sua piíssima misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo».[9] Deste modo, a referência à misericórdia na oração da Igreja, longe de ser apenas parenética, é altamente realizadora, ou seja, enquanto a invocamos com fé, é-nos concedida; enquanto a confessamos viva e real, efetivamente transforma-nos. Este é um conteúdo fundamental da nossa fé, que devemos conservar em toda a sua originalidade: ainda antes e acima da revelação do pecado, temos a revelação do amor com que Deus criou o mundo e os seres humanos. O amor é o primeiro ato com que Deus Se deu a conhecer e vem ao nosso encontro. Por isso mantenhamos o coração aberto à confiança de ser amados por Deus. O seu amor sempre nos precede, acompanha e permanece connosco, não obstante o nosso pecado. 6. Neste contexto, assume significado particular também a escuta da Palavra de Deus. Cada domingo, a Palavra de Deus é proclamada na comunidade cristã, para que o Dia do Senhor seja iluminado pela luz que dimana do mistério pascal.[10] Na Celebração Eucarística, é como se assistíssemos a um verdadeiro diálogo entre Deus e o seu povo. Com efeito, na proclamação das Leituras bíblicas, repassa-se a história da nossa salvação através da obra incessante de misericórdia que é anunciada. Deus fala-nos ainda hoje como a amigos, «convive» connosco[11] oferecendo-nos a sua companhia e mostrando-nos a senda da vida. A sua Palavra faz-se intérprete dos nossos pedidos e preocupações e, simultaneamente, resposta fecunda para podermos experimentar concretamente a sua proximidade. Quão grande importância adquire a homilia, onde «a verdade anda de mãos dadas com a beleza e o bem»,[12] para fazer vibrar o coração dos crentes perante a grandeza da misericórdia! Recomendo vivamente a preparação da homilia e o cuidado na sua proclamação. Será tanto mais frutuosa quanto mais o sacerdote tiver experimentado em si mesmo a bondade misericordiosa do Senhor. Comunicar a certeza de que Deus nos ama não é um exercício de retórica, mas condição de credibilidade do próprio sacerdócio. Por conseguinte, viver a misericórdia é a via mestra para fazê-la tornar-se um verdadeiro anúncio de consolação e conversão na vida pastoral. A homilia, como também a catequese, precisam de ser sempre sustentadas por este coração pulsante da vida cristã. 7. A Bíblia é a grande narração que relata as maravilhas da misericórdia de Deus. Nela, cada página está imbuída do amor do Pai, que, desde a criação, quis imprimir no universo os sinais de seu amor. O Espírito Santo, através das palavras dos profetas e dos escritos sapienciais, moldou a história de Israel no reconhecimento da ternura e proximidade de Deus, não obstante a infidelidade do povo. A vida de Jesus e a sua pregação marcam, de forma determinante, a história da comunidade cristã, que compreendeu a sua missão com base no mandato que Cristo lhe confiou de ser instrumento permanente da sua misericórdia e do seu perdão (cf. Jo 20, 23). Através da Sagrada Escritura, mantida viva pela fé da Igreja, o Senhor continua a falar à sua Esposa, indicando-lhe as sendas a percorrer para que o Evangelho da salvação chegue a todos. É meu vivo desejo que a Palavra de Deus seja cada vez mais celebrada, conhecida e difundida, para que se possa, através dela, compreender melhor o mistério de amor que dimana daquela fonte de misericórdia. Claramente no-lo recorda o Apóstolo: «Toda a Escritura é inspirada por Deus e adequada para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça» (2 Tm 3, 16). Seria conveniente que cada comunidade pudesse, num domingo do Ano Litúrgico, renovar o compromisso em prol da difusão, conhecimento e aprofundamento da Sagrada Escritura: um domingo dedicado inteiramente à Palavra de Deus, para compreender a riqueza inesgotável que provém daquele diálogo constante de Deus com o seu povo. Não há de faltar a criatividade para enriquecer o momento com iniciativas que estimulem os crentes a ser instrumentos vivos de transmissão da Palavra. Entre tais iniciativas, conta-se certamente uma difusão mais ampla da lectio divina, para que, através da leitura orante do texto sagrado, a vida espiritual encontre apoio e crescimento. A lectio divina sobre os temas da misericórdia consentirá verificar a grande fecundidade que deriva do texto sagrado, lido à luz de toda a tradição espiritual da Igreja, que leva necessariamente a gestos e obras concretas de caridade.[13] 8. A celebração da misericórdia tem lugar, duma forma muito particular, no sacramento da Reconciliação. Este é o momento em que sentimos o abraço do Pai, que vem ao nosso encontro para nos restituir a graça de voltarmos a ser seus filhos. Nós somos pecadores e carregamos connosco o peso da contradição entre o que quereríamos fazer e aquilo que, ao invés, acabamos concretamente por fazer (cf. Rm 7, 14-21); mas a graça sempre nos precede e assume o rosto da misericórdia que se torna eficaz na reconciliação e no perdão. Deus faz-nos compreender o seu amor imenso precisamente à vista da nossa realidade de pecadores. A graça é mais forte, e supera qualquer possível resistência, porque o amor tudo vence (cf. 1 Cor 13, 7). No sacramento do Perdão, Deus mostra o caminho da conversão a Ele e convida a experimentar de novo a sua proximidade. É um perdão que pode ser obtido, começando antes de mais nada por viver a caridade. Assim no-lo recorda o apóstolo Pedro, quando escreve que «o amor cobre a multidão dos pecados» (1 Ped 4, 8). Só Deus perdoa os pecados, mas também nos pede que estejamos prontos a perdoar aos outros, como Ele perdoa a nós: «Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido» (Mt 6, 12). Como é triste quando ficamos fechados em nós mesmos, incapazes de perdoar! Prevalecem o ressentimento, a ira, a vingança, tornando a vida infeliz e frustrando o jubiloso compromisso pela misericórdia. 9. Uma experiência de graça que a Igreja viveu, com tanta eficácia, no Ano Jubilar foi, certamente, o serviço dos Missionários da Misericórdia. A sua ação pastoral pretendeu tornar evidente que Deus não põe qualquer barreira a quantos O procuram de coração arrependido, mas vai ao encontro de todos como um Pai. Recebi muitos testemunhos de alegria pelo renovado encontro com o Senhor no sacramento da Confissão. Não percamos a oportunidade de viver a fé, inclusive como experiência da reconciliação. «Reconciliai-vos com Deus» (2 Cor 5, 20): é o convite que ainda hoje dirige o Apóstolo a cada crente para lhe fazer descobrir a força do amor que o torna uma «nova criação» (2 Cor 5, 17). Quero expressar a minha gratidão a todos os Missionários da Misericórdia pelo valioso serviço oferecido para tornar eficaz a graça do perdão. Mas este ministério extraordinário não termina com o encerramento da Porta Santa. De facto desejo que permaneça ainda, até novas ordens, como sinal concreto de que a graça do Jubileu continua a ser viva e eficaz nas várias partes do mundo. Será responsabilidade do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização seguir, neste período, os Missionários da Misericórdia, como expressão direta da minha solicitude e proximidade e encontrar as formas mais coerentes para o exercício deste precioso ministério. 10. Aos sacerdotes, renovo o convite para se prepararem com grande cuidado para o ministério da Confissão, que é uma verdadeira missão sacerdotal. Agradeço-vos vivamente pelo vosso serviço e peço-vos para serdes acolhedores com todos, testemunhas da ternura paterna não obstante a gravidade do pecado, solícitos em ajudar a refletir sobre o mal cometido, claros ao apresentar os princípios morais, disponíveis para acompanhar os fiéis no caminho penitencial respeitando com paciência o seu passo, clarividentes no discernimento de cada um dos casos, generosos na concessão do perdão de Deus. Como Jesus, perante a adúltera, optou por permanecer em silêncio para a salvar da condenação à morte, assim também o sacerdote no confessionário seja magnânimo de coração, ciente de que cada penitente lhe recorda a sua própria condição pessoal: pecador mas ministro da misericórdia. 11. Gostaria que todos nós meditássemos as palavras do Apóstolo, escritas no final da sua vida, quando confessa a Timóteo ser o primeiro dos pecadores, mas «justamente por isso alcancei misericórdia» (1 Tm 1, 16). As suas palavras têm uma força que irrompe também em nós levando-nos a refletir sobre a nossa existência vendo em ação a misericórdia de Deus na mudança, conversão e transformação do nosso coração: «Dou graças Àquele que me conforta, Cristo Jesus Nosso Senhor, por me ter considerado digno de confiança, pondo-me ao seu serviço, a mim que antes fora blasfemo, perseguidor e violento. Mas alcancei misericórdia» (1 Tm 1, 12-13). Por isso lembremos, com paixão pastoral sempre renovada, as palavras do Apóstolo: «Tudo isto vem de Deus, que nos reconciliou consigo por meio de Cristo e nos confiou o ministério da reconciliação» (2 Cor 5, 18). Nós, primeiro, fomos perdoados, tendo em vista este ministério; tornamo-nos testemunhas em primeira mão da universalidade do perdão. Não há lei nem preceito que possa impedir a Deus de reabraçar o filho que regressa a Ele reconhecendo que errou, mas decidido a começar de novo. Deter-se apenas na lei equivale a invalidar a fé e a misericórdia divina. Há um valor preparatório na lei (cf. Gal 3, 24), cujo fim é o amor (cf. 1 Tm 1, 5). Mas o cristão é chamado a viver a novidade do Evangelho, «a lei do Espírito que dá vida em Cristo Jesus» (Rm 8, 2). Mesmo nos casos mais complexos, onde se é tentado a fazer prevalecer uma justiça que deriva apenas das normas, deve-se crer na força que brota da graça divina. Nós, confessores, temos experiência de muitas conversões que ocorrem diante dos nossos olhos. Sintamos, portanto, a responsabilidade de gestos e palavras que possam chegar ao fundo do coração do penitente, para que descubra a proximidade e a ternura do Pai que perdoa. Não invalidemos estes momentos com comportamentos que possam contradizer a experiência da misericórdia que se procura; mas, antes, ajudemos a iluminar o espaço da consciência pessoal com o amor infinito de Deus (cf. 1 Jo 3, 20). O sacramento da Reconciliação precisa de voltar a ter o seu lugar central na vida cristã; para isso requerem-se sacerdotes que ponham a sua vida ao serviço do «ministério da reconciliação» (2 Cor 5, 18), de tal modo que a ninguém sinceramente arrependido seja impedido de aceder ao amor do Pai que espera o seu regresso e, ao mesmo tempo, a todos seja oferecida a possibilidade de experimentar a força libertadora do perdão. Uma ocasião propícia pode ser a celebração da iniciativa 24 horas para o Senhor nas proximidades do IV domingo da Quaresma, que goza já de amplo consenso nas dioceses e continua a ser um forte apelo pastoral para viver intensamente o sacramento da Confissão. 12. Em virtude desta exigência, para que nenhum obstáculo exista entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus, concedo a partir de agora a todos os sacerdotes, em virtude do seu ministério, a faculdade de absolver a todas as pessoas que incorreram no pecado do aborto. Aquilo que eu concedera de forma limitada ao período jubilar[14] fica agora alargado no tempo, não obstante qualquer disposição em contrário. Quero reiterar com todas as minhas forças que o aborto é um grave pecado, porque põe fim a uma vida inocente; mas, com igual força, posso e devo afirmar que não existe algum pecado que a misericórdia de Deus não possa alcançar e destruir, quando encontra um coração arrependido que pede para se reconciliar com o Pai. Portanto, cada sacerdote faça-se guia, apoio e conforto no acompanhamento dos penitentes neste caminho de especial reconciliação. No Ano do Jubileu, aos fiéis que por variados motivos frequentam as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade de São Pio X, tinha-lhes concedido receber válida e licitamente a absolvição sacramental dos seus pecados.[15] Para o bem pastoral destes fiéis e confiando na boa vontade dos seus sacerdotes para que se possa recuperar, com a ajuda de Deus, a plena comunhão na Igreja Católica, estabeleço por minha própria decisão de estender esta faculdade para além do período jubilar, até novas disposições sobre o assunto, a fim de que a ninguém falte jamais o sinal sacramental da reconciliação através do perdão da Igreja. 13. A misericórdia possui também o rosto da consolação. «Consolai, consolai o meu povo» (Is 40, 1): são as palavras sinceras que o profeta faz ouvir ainda hoje, para que possa chegar uma palavra de esperança a quantos estão no sofrimento e na aflição. Nunca deixemos que nos roubem a esperança que provém da fé no Senhor ressuscitado. É verdade que muitas vezes somos sujeitos a dura prova, mas não deve jamais esmorecer a certeza de que o Senhor nos ama. A sua misericórdia expressa-se também na proximidade, no carinho e no apoio que muitos irmãos e irmãs podem oferecer quando sobrevêm os dias da tristeza e da aflição. Enxugar as lágrimas é uma ação concreta que rompe o círculo de solidão onde muitas vezes se fica encerrado. Todos precisamos de consolação, porque ninguém está imune do sofrimento, da tribulação e da incompreensão. Quanta dor pode causar uma palavra maldosa, fruto da inveja, do ciúme e da ira! Quanto sofrimento provoca a experiência da traição, da violência e do abandono! Quanta amargura perante a morte das pessoas queridas! E, todavia, Deus nunca está longe quando se vivem estes dramas. Uma palavra que anima, um abraço que te faz sentir compreendido, uma carícia que deixa perceber o amor, uma oração que permite ser mais forte… são todas expressões da proximidade de Deus através da consolação oferecida pelos irmãos. Às vezes, poderá ser de grande ajuda também o silêncio; porque em certas ocasiões não há palavras para responder às perguntas de quem sofre. Mas, à falta da palavra, pode suprir a compaixão de quem está presente, próximo, ama e estende a mão. Não é verdade que o silêncio seja um ato de rendição; pelo contrário, é um momento de força e de amor. O próprio silêncio pertence à nossa linguagem de consolação, porque se transforma num gesto concreto de partilha e participação no sofrimento do irmão. 14. Num momento particular como o nosso que, entre muitas crises, regista também a da família, é importante fazer chegar uma palavra de força consoladora às nossas famílias. O dom do matrimónio é uma grande vocação, que se há de viver, com a graça de Cristo, no amor generoso, fiel e paciente. A beleza da família permanece inalterada, apesar de tantas sombras e propostas alternativas: «a alegria do amor que se vive nas famílias é também o júbilo da Igreja».[16] A senda da vida que leva um homem e uma mulher a encontrarem-se, amarem-se e prometerem reciprocamente, diante de Deus, uma fidelidade para sempre, é muitas vezes interrompida pelo sofrimento, a traição e a solidão. A alegria pelo dom dos filhos não está imune das preocupações sentidas pelos pais com o seu crescimento e formação, com um futuro digno de ser vivido intensamente. A graça do sacramento do Matrimónio não só fortalece a família, para que seja o lugar privilegiado onde se vive a misericórdia, mas também compromete a comunidade cristã e toda a atividade pastoral para pôr em realce o grande valor propositivo da família. Por isso, este Ano Jubilar não pode perder de vista a complexidade da realidade familiar atual. A experiência da misericórdia torna-nos capazes de encarar todas as dificuldades humanas com a atitude do amor de Deus, que não Se cansa de acolher e acompanhar.[17] Não podemos esquecer que cada um traz consigo a riqueza e o peso da sua própria história, que nos distingue de qualquer outra pessoa. A nossa vida, com as suas alegrias e os seus sofrimentos, é algo único e irrepetível que se desenrola sob o olhar misericordioso de Deus. Isto requer, sobretudo por parte do sacerdote, um discernimento espiritual atento, profundo e clarividente, para que toda a pessoa sem exceção, em qualquer situação que viva, possa sentir-se concretamente acolhida por Deus, participar ativamente na vida da comunidade e estar inserida naquele Povo de Deus que incansavelmente caminha para a plenitude do reino de Deus, reino de justiça, de amor, de perdão e de misericórdia. 15. Reveste-se de particular importância o momento da morte. A Igreja viveu sempre esta dramática passagem à luz da ressurreição de Jesus Cristo, que abriu a estrada para a certeza da vida futura. Temos aqui um grande desafio a abraçar, sobretudo na cultura contemporânea que, muitas vezes, tende a banalizar a morte até reduzi-la a simples ficção ou a ocultá-la. Ao contrário, a morte há de ser enfrentada e preparada como uma passagem que, embora dolorosa e inevitável, é cheia de sentido: o ato extremo de amor para com as pessoas que se deixam e para com Deus a cujo encontro se vai. Em todas as religiões, o momento da morte – como aliás o do nascimento – é acompanhado por uma presença religiosa. Nós vivemos a experiência das exéquias como uma oração cheia de esperança para a alma da pessoa falecida e para dar consolação àqueles que sofrem a separação da pessoa amada. Estou convencido de que há necessidade, na pastoral animada por uma fé viva, de tornar palpável como os sinais litúrgicos e as nossas orações são expressão da misericórdia do Senhor. É Ele próprio que oferece palavras de esperança, porque nada nem ninguém poderá separar-nos jamais do seu amor (cf. Rm 8, 35.38-39). A partilha deste momento pelo sacerdote é um acompanhamento importante, porque lhe permite viver a proximidade à comunidade cristã no momento de fraqueza, solidão, incerteza e pranto. 16. Termina o Jubileu e fecha-se a Porta Santa. Mas a porta da misericórdia do nosso coração permanece sempre aberta de par em par. Aprendemos que Deus Se inclina sobre nós (cf. Os 11, 4), para que também nós possamos imitá-Lo inclinando-nos sobre os irmãos. A saudade que muitos sentem de regressar à casa do Pai, que aguarda a sua chegada, é suscitada também por testemunhas sinceras e generosas da ternura divina. A Porta Santa, que cruzamos neste Ano Jubilar, introduziu-nos no caminho da caridade, que somos chamados a percorrer todos os dias com fidelidade e alegria. É a estrada da misericórdia que torna possível encontrar tantos irmãos e irmãs que estendem a mão para que alguém a possa agarrar a fim de caminharem juntos. Querer estar perto de Cristo exige fazer-se próximo dos irmãos, porque nada é mais agradável ao Pai do que um sinal concreto de misericórdia. Por sua própria natureza, a misericórdia torna-se visível e palpável numa ação concreta e dinâmica. Uma vez que se experimentou a misericórdia em toda a sua verdade, nunca mais se volta atrás: cresce continuamente e transforma a vida. É, na verdade, uma nova criação que faz um coração novo, capaz de amar plenamente, e purifica os olhos para reconhecerem as necessidades mais ocultas. Como são verdadeiras as palavras com que a Igreja reza na Vigília Pascal, depois da leitura da narração da criação: «Senhor nosso Deus, que de modo admirável criastes o homem e de modo mais admirável o redimistes…»![18] A misericórdia renova e redime, porque é o encontro de dois corações: o de Deus que vem ao encontro do coração do homem. Este inflama-se e o primeiro cura-o: o coração de pedra fica transformado em coração de carne (cf. Ez 36, 26), capaz de amar, não obstante o seu pecado. Nisto se nota que somos verdadeiramente uma «nova criação» (Gal 6, 15): sou amado, logo existo; estou perdoado, por conseguinte renasço para uma vida nova; fui «misericordiado» e, consequentemente, feito instrumento da misericórdia. 17. Durante o Ano Santo, especialmente nas «sextas-feiras da misericórdia», pude verificar concretamente a grande quantidade de bem que existe no mundo. Com frequência, não é conhecido porque se realiza diariamente de forma discreta e silenciosa. Embora não façam notícia, existem muitos sinais concretos de bondade e ternura para com os mais humildes e indefesos, os que vivem mais sozinhos e abandonados. Há verdadeiros protagonistas da caridade, que não deixam faltar a solidariedade aos mais pobres e infelizes. Agradecemos ao Senhor por estes dons preciosos, que convidam a descobrir a alegria de aproximar-se da humanidade ferida. Com gratidão, penso nos inúmeros voluntários que diariamente dedicam o seu tempo a manifestar a presença e proximidade de Deus com a sua entrega. O seu serviço é uma genuína obra de misericórdia, que ajuda muitas pessoas a aproximar-se da Igreja. 18. É a hora de dar espaço à imaginação a propósito da misericórdia para dar vida a muitas obras novas, fruto da graça. A Igreja precisa de narrar hoje aqueles «muitos outros sinais» que Jesus realizou e que «não estão escritos» (Jo 20, 30), de modo que sejam expressão eloquente da fecundidade do amor de Cristo e da comunidade que vive d’Ele. Já se passaram mais de dois mil anos, e todavia as obras de misericórdia continuam a tornar visível a bondade de Deus. Ainda hoje populações inteiras padecem a fome e a sede, sendo grande a preocupação suscitada pelas imagens de crianças que não têm nada para se alimentar. Multidões de pessoas continuam a emigrar dum país para outro à procura de alimento, trabalho, casa e paz. A doença, nas suas várias formas, é um motivo permanente de aflição que requer ajuda, consolação e apoio. Os estabelecimentos prisionais são lugares onde muitas vezes, à pena restritiva da liberdade, se juntam transtornos por vezes graves devido às condições desumanas de vida. O analfabetismo ainda é muito difuso, impedindo aos meninos e meninas de se formarem, expondo-os a novas formas de escravidão. A cultura do individualismo exacerbado, sobretudo no Ocidente, leva a perder o sentido de solidariedade e responsabilidade para com os outros. O próprio Deus continua a ser hoje um desconhecido para muitos; isto constitui a maior pobreza e o maior obstáculo para o reconhecimento da dignidade inviolável da vida humana. Em suma, as obras de misericórdia corporal e espiritual constituem até aos nossos dias a verificação da grande e positiva incidência da misericórdia como valor social. Com efeito, esta impele a arregaçar as mangas para restituir dignidade a milhões de pessoas que são nossos irmãos e irmãs, chamados connosco a construir uma «cidade fiável».[19] 19. Muitos sinais concretos de misericórdia foram realizados durante este Ano Santo. Comunidades, famílias e indivíduos crentes redescobriram a alegria da partilha e a beleza da solidariedade. Mas não basta. O mundo continua a gerar novas formas de pobreza espiritual e material, que comprometem a dignidade das pessoas. É por isso que a Igreja deve permanecer vigilante e pronta para individuar novas obras de misericórdia e implementá-las com generosidade e entusiasmo. Assim, ponhamos todo o esforço em dar formas concretas à caridade e, ao mesmo tempo, entender melhor as obras de misericórdia. Com efeito, esta possui um efeito inclusivo pelo que tende a difundir-se como uma nódoa de azeite e não conhece limites. E, neste sentido, somos chamados a dar um novo rosto às obras de misericórdia que conhecemos desde sempre. De facto a misericórdia extravasa; vai sempre mais além, é fecunda. É como o fermento que faz levedar a massa (cf. Mt 13, 33), e como o grão de mostarda que se transforma numa árvore (cf. Lc 13, 19). A título de exemplo, basta pensar na obra de misericórdia corporal vestir quem está nu (cf. Mt 25, 36.38.43.44). A mesma nos reconduz aos primórdios, ao jardim do Éden, quando Adão e Eva descobriram que estavam nus e, ouvindo aproximar-Se o Senhor, tiveram vergonha e esconderam-se (cf. Gn 3, 7-8). Sabemos que o Senhor castigou-os; no entanto, Ele «fez a Adão e à sua mulher túnicas de peles e vestiu-os» (Gn 3, 21). A vergonha é superada e a dignidade restituída. Fixemos o olhar também em Jesus no Gólgota. Na cruz, o Filho de Deus está nu; a sua túnica foi sorteada e levada pelos soldados (cf. Jo 19, 23-24); Ele não tem mais nada. Na cruz, manifesta-se ao máximo a partilha de Jesus com as pessoas que perderam a dignidade, por terem sido privadas do necessário. Assim como a Igreja é chamada a ser a «túnica de Cristo»[20] para revestir o seu Senhor, assim também ela se comprometeu a tornar-se solidária com os nus da terra a fim de recuperarem a dignidade de que foram despojados. Assim as palavras de Jesus – «estava nu e destes-me que vestir» (Mt 25, 36) – obrigam-nos a não desviar o olhar das novas formas de pobreza e marginalização que impedem às pessoas de viverem com dignidade. Não ter trabalho nem receber um salário justo, não poder ter uma casa ou uma terra onde habitar, ser discriminados pela fé, a raça, a posição social… estas e muitas outras são condições que atentam contra a dignidade da pessoa; frente a elas, a ação misericordiosa dos cristãos responde, antes de mais nada, com a vigilância e a solidariedade. Hoje são tantas as situações em que podemos restituir dignidade às pessoas, consentindo-lhes uma vida humana. Basta pensar em tantos meninos e meninas que sofrem violências de vários tipos, que lhes roubam a alegria da vida. Os seus rostos tristes e desorientados permanecem impressos na minha mente; pedem a nossa ajuda para serem libertados da escravidão do mundo contemporâneo. Estas crianças são os jovens de amanhã; como estamos a prepará-las para viverem com dignidade e responsabilidade? Com que esperança podem elas enfrentar o seu presente e o seu futuro? O caráter social da misericórdia exige que não permaneçamos inertes mas afugentemos a indiferença e a hipocrisia para que os planos e os projetos não fiquem letra morta. Que o Espírito Santo nos ajude a estar sempre prontos a prestar de forma efetiva e desinteressada a nossa contribuição, para que a justiça e uma vida digna não permaneçam meras palavras de circunstância, mas sejam o compromisso concreto de quem pretende testemunhar a presença do Reino de Deus. 20. Somos chamados a fazer crescer uma cultura de misericórdia, com base na redescoberta do encontro com os outros: uma cultura na qual ninguém olhe para o outro com indiferença, nem vire a cara quando vê o sofrimento dos irmãos. As obras de misericórdia são «artesanais»: nenhuma delas é cópia da outra; as nossas mãos podem moldá-las de mil modos e, embora seja único o Deus que as inspira e única a «matéria» de que são feitas, ou seja, a própria misericórdia, cada uma adquire uma forma distinta. Com efeito, as obras de misericórdia, tocam toda a vida duma pessoa. Por isso, temos possibilidade de criar uma verdadeira revolução cultural precisamente a partir da simplicidade de gestos que podem alcançar o corpo e o espírito, isto é, a vida das pessoas. É um compromisso que a comunidade cristã pode assumir, na certeza de que a Palavra do Senhor não cessa de a chamar para sair da indiferença e do individualismo em que somos tentados a fechar-nos levando uma existência cómoda e sem problemas. «Os pobres, sempre os tendes convosco» (Jo 12, 8): disse Jesus aos seus discípulos. Não há desculpa que possa justificar a incúria, quando sabemos que Ele Se identificou com cada um deles. A cultura da misericórdia forma-se na oração assídua, na abertura dócil à ação do Espírito, na familiaridade com a vida dos Santos e na solidariedade concreta para com os pobres. É um convite premente para não se equivocar onde é determinante comprometer-se. A tentação de se limitar a fazer a «teoria da misericórdia» é superada na medida em que esta se faz vida diária de participação e partilha. Aliás, nunca devemos esquecer as palavras com que o apóstolo Paulo – ao contar o encontro depois da sua conversão com Pedro, Tiago e João – põe em realce um aspeto essencial da sua missão e de toda a vida cristã: «Só nos disseram que nos devíamos lembrar dos pobres – o que procurei fazer com o maior empenho» (Gal 2, 10). Não podemos esquecer-nos dos pobres: trata-se dum convite hoje mais atual do que nunca, que se impõe pela sua evidência evangélica. 21. Que a experiência do Jubileu imprima em nós estas palavras do apóstolo Pedro: outrora «não tínheis alcançado misericórdia e agora alcançastes misericórdia» (1 Ped 2, 10). Não guardemos ciosamente só para nós tudo o que recebemos; saibamos partilhá-lo com os irmãos atribulados, para que sejam sustentados pela força da misericórdia do Pai. As nossas comunidades abram-se para alcançar a todas as pessoas que vivem no seu território, para que chegue a todas a carícia de Deus através do testemunho dos crentes. Este é o tempo da misericórdia. Cada dia da nossa caminhada é marcado pela presença de Deus, que guia os nossos passos com a força da graça que o Espírito infunde no coração para o plasmar e torná-lo capaz de amar. É o tempo da misericórdia para todos e cada um, para que ninguém possa pensar que é alheio à proximidade de Deus e à força da sua ternura. É o tempo da misericórdia para que quantos se sentem fracos e indefesos, afastados e sozinhos possam individuar a presença de irmãos e irmãs que os sustentam nas suas necessidades. É o tempo da misericórdia para que os pobres sintam pousado sobre si o olhar respeitoso mas atento daqueles que, vencida a indiferença, descobrem o essencial da vida. É o tempo da misericórdia para que cada pecador não se canse de pedir perdão e sentir a mão do Pai, que sempre acolhe e abraça. À luz do «Jubileu das Pessoas Excluídas Socialmente», celebrado quando já se iam fechando as Portas da Misericórdia em todas as catedrais e santuários do mundo, intuí que, como mais um sinal concreto deste Ano Santo extraordinário, se deve celebrar em toda a Igreja, na ocorrência do XXXIII Domingo do Tempo Comum, o Dia Mundial dos Pobres. Será a mais digna preparação para bem viver a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, que Se identificou com os mais pequenos e os pobres e nos há de julgar sobre as obras de misericórdia (cf. Mt 25, 31-46). Será um Dia que vai ajudar as comunidades e cada batizado a refletir como a pobreza está no âmago do Evangelho e tomar consciência de que não poderá haver justiça nem paz social enquanto Lázaro jazer à porta da nossa casa (cf. Lc 16, 19-21). Além disso este Dia constituirá uma forma genuína de nova evangelização (cf. Mt 11, 5), procurando renovar o rosto da Igreja na sua perene ação de conversão pastoral para ser testemunha da misericórdia. 22. Sobre nós permanecem pousados os olhos misericordiosos da Santa Mãe de Deus. Ela é a primeira que abre a procissão e nos acompanha no testemunho do amor. A Mãe da Misericórdia reúne a todos sob a proteção do seu manto, como A quis frequentemente representar a arte. Confiemos na sua ajuda materna e sigamos a indicação perene que nos dá de olhar para Jesus, rosto radiante da misericórdia de Deus. Dado em Roma, junto de São Pedro, em 20 de novembro – Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo – do Ano do Senhor de 2016, quarto do meu pontificado. FRANCISCO [1] In Johannis 33, 5. [2] Hermas, O Pastor, 42, 1-4. [3] Cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 27. [4] Missal Romano, III Domingo da Quaresma. [5] Ibid., Prefácio VII dos Domingos do Tempo Comum. [6] Ibid., Oração Eucarística II. [7] Ibid., Ritos da Comunhão. [8] Ritual da Penitência, n. 46. [9] Ritual da Unção dos Enfermos, n. 76. [10] Cf. Concílio Ecuménico Vaticano II, Const. Sacrosanctum Concilium, 106. [11] Idem,Const. dogm. Dei Verbum, 2. [12] Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 142. [13] Cf. Bento XVI, Exort. ap. pós-sinodal Verbum Domini, 86-87. [14] Cf. Carta pela qual se concede a indulgência por ocasião do Jubileu da Misericórdia, 1 de setembro de 2015. [15] Cf. ibidem. [16] Francisco, Exort. ap. pós-sinodal Amoris laetitia, 1. [17] Cf. ibid., 291-300. [18] Missal Romano, Vigília Pascal, Oração depois da Primeira Leitura. [19] Francisco, Carta enc. Lumen fidei, 50. [20] Cipriano, A unidade da Igreja Católica, 7. #CARTAAPOSTÓLICAMisericordiaetmisera #Misericordiaetmisera #CARTAAPOSTÓLICA #misericórdiaepaz #CARTAAPOSTÓLICADOSANTOPADREFRANCISCO
- MUSEUS VATICANOS REABREM AO PÚBLICO EM 3 DE MAIO
Museus Vaticanos reabrem ao público em 3 de maio Reserva obrigatória, pontualidade, máscara e distanciamento. Quem não respeitar o protocolo de segurança poderá ser afastado. As mesmas regras valem tanto para os Museus, que também contam com a visita à Capela Sistina, como para os Jardins do Vaticano. Museus Vaticanos: inaugurado elevador para visitantes com dificuldades motoras De volta à reabertura, mas com cautela. Em conformidade com as normas sanitárias das autoridades italianas frente à pandemia, os Museus e Jardins Vaticanos reabrem ao público em 3 de maio após o último e terceiro fechamento desde o ano passado devido à Covid-19. Critérios de segurança a serem respeitados Para a nova fase, as medidas de comportamento para os visitantes continuam rigorosas: acesso permitido somente para quem comprar o ingresso com hora marcada para a visita, pontualidade, uso obrigatório de máscara e respeito à distância interpessoal mínima de um metro. Além disso, o acesso será contingenciado, com entrada a cada 30 minutos, e os funcionários irão medir a temperatura dos visitantes. As mesmas regras valem tanto para os Museus, que também contam com a Capela Sistina, como para os Jardins do Vaticano. As visitas podem ser agendadas pelo site oficial dos Museus e, quem não respeitar o protocolo de segurança colocando em risco a saúde dos outros, poderá ser afastado, como adianta um protocolo detalhado sobre as normas a serem seguidas dentro do local. Na mesma página web, está sendo novamente indicado um endereço eletrônico especial para ser usado em caso de necessidade neste período: help.musei@scv.va. O mesmo contato pode ajudar a esclarecer dúvidas sobre a reabertura, as reservas ou ainda dar algum tipo de assistência. Protocolo para visitar os Museus Vaticanos O site oficial dos Museus oferece um protocolo detalhados sobre as normas e procedimentos a serem respeitados para visitar o local a partir de 3 de maio. O documento está disponível em 5 idiomas, entre eles, o italiano, … A Itália precisa voltar a respirar cultura Em fevereiro, o ministro italiano da Cultura, Dario Franceschini, já havia declarado que “teatros e cinemas, com severas e adequadas medidas, sejam mais seguros” que outros locais já abertos naquele período: durante todos estes meses, disse ele, conseguimos entender que “os lugares mais perigosos são aqueles onde se tira a máscara, como restaurantes, bares, casas privadas”. O ministro, assim, foi enfático: “acredito que a Itália, mais do que outros países, precise como o próprio oxigênio de voltar a ter uma oferta cultural”. Andressa Collet – Vatican News 09/02/2021 FONTE: https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2021-04/museus-vaticanos-reabertura-3-de-maio-2021-coronavirus.html Please wait while flipbook is loading. For more related info, FAQs and issues please refer to DearFlip WordPress Flipbook Plugin Help documentation. #CritériosdesegurançaparavisitarosMuseusVaticanos #MuseusVaticanosreabremaopúblicoem3demaio #MuseusVaticanosinauguradoelevadorparavisitantescomdificuldadesmotoras #ProtocoloparavisitarosMuseusVaticanos
- Eucaristia: um direito, antes que um dever
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz – Presidente do Pró-Vida de Anápolis Era a solenidade de São José, dia 19 de março de 2020, quando recebemos a ordem de que as Santas Missas seriam celebradas “sem a presença dos fiéis”, “sem o povo”, embora em favor do Povo de Deus. Várias Dioceses tomaram essa medida. O motivo era “evitar aglomerações” que poderiam facilitar a disseminação da doença conhecida como COVID-19. Reconhecia-se que “ no domingo e nos outros dias de festa de preceito, os fiéis têm a obrigação de participar da Missa ” (cânon 1247), mas usava-se o cânon 87, §1º para dispensar os fiéis de tal dever: O Bispo diocesano, sempre que julgar que isso possa concorrer para o bem espiritual dos fiéis, pode dispensá-los das leis disciplinares, universais ou particulares, dadas pela suprema autoridade da Igreja para o seu território ou para seus súditos. Não há dúvida de que o Bispo pode dispensar seus diocesanos do preceito de ir à Missa aos domingos. O que não foi esclarecido é se o Bispo pode proibir seus súditos de irem à Celebração Eucarística a fim de oferecerem ao Pai o sacrifício de Cristo e receberem o seu Corpo e Sangue em Comunhão. Pois participar da Eucaristia é muito mais do que um dever. É acima de tudo um direito. Se, apesar de dispensados, os fiéis quisessem ir à Santa Missa nas igrejas, poderia o Bispo privá-los desse direito? Que fazer em caso de dúvida? A obediência é uma virtude excelentíssima. Foi fazendo-se “obediente até a morte” (Fl 2,8) que Cristo salvou o mundo. É verdade que há limites para a obediência. Não estamos obrigados a obedecer a uma ordem impossível nem a uma ordem que viole a lei de Deus. No entanto, na dúvida, deve-se presumir que o superior tem razão: “ in dubio presumptio stat pro superiore ” [1] . Se a proibição de celebrar a Eucaristia com o povo tivesse vindo apenas do Estado, esta seria apenas mais uma das perseguições sofridas pelos cristãos. Deveríamos, contra todas as ameaças, celebrar ocultamente em união com nossos Pastores, mesmo com o perigo de sermos multados, presos, torturados ou mortos. No entanto, pela primeira vez na história da Igreja, tal proibição vinha não do imperador romano, nem de um governo maçom ou comunista, mas dos Bispos, Sucessores dos Apóstolos! Seria lícito desobedecer àqueles a quem prometemos solenemente obediência no dia de nossa ordenação sacerdotal? Como aquela situação era absolutamente inédita, preferi obedecer. Não conseguindo demover meus superiores da ordem recebida, perguntei sobre os detalhes da proibição. Foi-me permitido celebrar na presença de duas pessoas. Os excluídos ansiavam por fazer parte dos dois felizardos que comigo podiam estar diante do altar oferecendo o Sacrifício. Veio a mim um grupo de fieis pedindo que ao menos eu lhe distribuísse a Sagrada Comunhão fora da Missa. Como desejava em tudo ser obediente, consultei a autoridade diocesana. Porém, obtive uma resposta negativa. A obediência mandava-me negar o pão a quem tinha fome. E não um pão qualquer, mas o Pão da Vida. Vieram à minha mente as palavras que Jesus pronunciará no dia do juízo: “ Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno preparado para o diabo e para os seus anjos, porque tive fome e não me destes de comer ” (Mt 25,41-42). Essa situação aflitiva, em que o desejo dos fiéis se opunha à proibição do superior, perdurou durante a Quaresma e o Tríduo Pascal, e só se afrouxou no terceiro domingo da Páscoa, dia 26 de abril de 2020, quando se pôde, pela primeira vez, com restrições, voltar às celebrações públicas. Leia também Padre desafia governo e vence na justiça: proibição de missas é declarado ilegal na Escócia Refletindo sobre a proibição… Agora, com a mente mais tranquila, é possível refletir sobre a ordem recebida e sobre o dever de obedecer-lhe. Como já disse, o Bispo pode legitimamente dispensar seus súditos do dever de “ participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda ” (Catecismo, n. 2042), que é o primeiro mandamento da Igreja. Mas quem ama a Santa Missa não precisa de uma lei que o obrigue a participar dela nem se alegra quando é dispensado de tal obrigação. Que fazer com os fiéis que, mesmo com a dispensa, desejavam ardentemente “ participar da celebração eucarística em que se reúne a comunidade cristã ” (Catecismo 2042)? Seria lícito privá-los desse direito? Se eles fossem à Missa aos domingos, contra a ordem do bispo diocesano, estariam pecando? Que situação inusitada! Segundo o Catecismo, “ os fiéis são obrigados a participar da Eucaristia nos dias de preceito, a não ser por motivos muito sérios (por exemplo, uma doença, cuidados com bebês) ”. E ainda: “ aqueles que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem pecado grave ” (n. 2181). Com a epidemia, os fiéis foram “ dispensados pelo próprio pastor ” (n. 2181) de cumprirem essa obrigação grave. E não apenas isso: foram proibidos de fazer o que antes era uma obrigação! Imagine-se a estranha cena de um fiel indo ao confessionário e dizendo: – Padre, eu pequei indo à Missa por três domingos. – Mas isso não é pecado! – responde o confessor. – Mas meu Bispo proibiu e eu fui à Missa assim mesmo. Os limites da obediência Agora, estudando com calma os documentos da Igreja, percebo que obedeci em excesso. O Código de Direito Canônico fala dos sacramentos como um direito dos fiéis: “Os fieis têm o direito de receber dos Pastores sagrados, dentre os bens espirituais da Igreja, principalmente os auxílios da Palavra de Deus e dos sacramentos ” (Cânon 213). “Os ministros sagrados não podem negar os sacramentos àqueles que os pedirem oportunamente, que estiverem devidamente dispostos e que pelo direito não forem proibidos de os receber” (Cânon 843, §1º). “Qualquer batizado, não proibido pelo direito, pode e deve ser admitido à sagrada comunhão” (Cânon 912). Comentando o cânon 912, diz o canonista Angel Marzoa: “Em virtude do Batismo, o fiel cristão tem um direito fundamental – de origem divina – de que lhe seja administrada a Sagrada Comunhão” [2] . Ora, se tal direito é de origem divina – e não meramente eclesiástica – nem a Igreja pode privar o fiel de receber a Sagrada Comunhão. As exceções estão descritas em um cânon à parte: “Não sejam admitidos à sagrada comunhão os excomungados e os interditados, depois da imposição ou declaração da pena, e outros que obstinadamente persistem no pecado grave manifesto” (Cânon 915). O motivo da não admissão é óbvio: em virtude do seu pecado, tais fiéis perderam o direito à Comunhão Eucarística, até que se reconciliem com Deus por meio da Igreja. Porém, se os fiéis estão em estado de graça e desejam participar da Eucaristia, não podem ser privados de seu direito. Regulamentar, não suprimir “Compete à autoridade eclesiástica, em vista do bem comum, regular o exercício dos direitos que são próprios dos fiéis” (Cânon 223, §2º). Comentando esse cânon, diz o Pe. Jesus Hortal: A faculdade que compete à autoridade eclesiástica não é arbitrária, mas em função unicamente do bem comum. Além disso, a mesma autoridade não pode suprimir, mas apenas regulamentar o uso dos direitos dos fiéis [3] . O direito à Eucaristia, portanto, pode ser regulamentado, mas não suprimido. Poderiam os Bispos, por exemplo, determinar que as Missas fossem celebradas de maneira “campal”, ao ar livre (supondo que tal medida diminuísse a disseminação do coronavírus). Essa ordem, ainda que parecesse estranha ou irrazoável, obrigaria à obediência, desde que com ela nenhum fiel ficasse privado da participação na Eucaristia. Mas não obrigaria à obediência uma ordem que simplesmente proibisse os fiéis de estarem presentes à celebração eucarística. A Eucaristia “virtual” não basta Leiamos estas palavras de Bento XVI, escritas em 2007 na exortação apostólica pós-sinodal “ Sacramentum Caritatis ”: Enfim, quanto ao valor desta participação na Santa Missa pelos meios de comunicação, quem assiste a tais transmissões deve saber que, em condições normais, não cumpre o preceito dominical; de fato, a linguagem da imagem representa a realidade, mas não a reproduz em si mesma . Se é muito louvável que idosos e doentes participem na Santa Missa festiva através das transmissões radiotelevisivas, o mesmo não se pode dizer de quem quisesse, por meio de tais transmissões, dispensar-se de ir à igreja tomar parte na celebração eucarística na assembleia da Igreja viva [4] . No dia 15 de agosto de 2020, Solenidade da Assunção da Virgem Maria, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publicou a carta “ Voltemos com alegria à Eucaristia! ” assinada pelo prefeito Cardeal Robert Sarah, com a aprovação do Papa Francisco [5] e dirigida aos presidentes das Conferências Episcopais [6] . A carta insiste sobre a importância da participação presencial dos fieis na Eucaristia. Enquanto os pagãos construíam templos dedicados às divindades aos quais as pessoas não tinham acesso, os cristãos, assim que gozaram da liberdade de culto, logo edificaram lugares que fossem domus Dei et domus ecclesiae [7] , onde os fiéis se pudessem reconhecer como comunidade de Deus, povo convocado para o culto e constituído em assembleia santa. Deus pode, portanto, proclamar: «Eu sou o teu Deus, tu serás o meu povo» (cf. Ex 6, 7; Dt 14, 2). O Senhor mantém-se fiel à sua Aliança (cf. Dt 7, 9) e Israel torna-se por isso mesmo Morada de Deus , lugar santo da sua presença no mundo (cf. Ex 29, 45; Lv 26, 11-12). Por isso, a casa de Deus supõe a presença da família dos filhos de Deus. […] A comunidade cristã nunca procurou o isolamento e jamais fez da Igreja uma cidade de portas fechadas. Formados para o valor da vida comunitária e para a procura do bem comum, os cristãos sempre procuraram inserir-se na sociedade, embora conscientes de uma alteridade: estar no mundo sem lhe pertencer nem a ele se reduzir (cf. Carta a Diogneto , 5-6). […] Por muito que os meios de comunicação desempenhem um prestimoso serviço em prol dos doentes e de quantos estão impedidos de se deslocar à Igreja, e prestaram um grande serviço na transmissão da Santa Missa no tempo em que não era possível celebrar comunitariamente, nenhuma transmissão se pode equiparar à participação pessoal ou a pode substituir. Aliás, estas transmissões, por si sós, correm o risco de nos afastarem de um encontro pessoal e íntimo com o Deus encarnado que se entregou a nós não de modo virtual, mas realmente, dizendo: «Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele» (Jo 6, 56). Este contato físico com o Senhor é vital, indispensável, insubstituível. “Não podemos viver sem o Domingo” Para ilustrar a importância da Eucaristia presencial, a carta narra a história dos mártires de Abitene, mortos no ano 304, quando o imperador Diocleciano proibiu os cristãos, sob pena de morte, de possuírem as Escrituras, de se reunirem ao domingo para celebrar a Eucaristia e de construírem lugares para as suas assembleias. Este tempo de privação pode dar-nos a graça de compreender o coração dos nossos irmãos mártires de Abitene (inícios do século IV), os quais responderam aos seus juízes com serena determinação, mesmo perante uma condenação à morte certa: «Sine Dominico non possumus». O absoluto non possumus (não podemos ) e a densidade de significado do substantivo neutro Dominicum (o que é do Senhor ) não se podem traduzir com uma só palavra. Uma brevíssima expressão encerra uma grande riqueza de matizes e significados que hoje se oferecem à nossa meditação: Não podemos viver, ser cristãos, realizar plenamente a nossa humanidade e os desejos de bem e de felicidade que o nosso coração acalenta sem a Palavra do Senhor , que na celebração ganha corpo e se torna palavra viva, pronunciada por Deus para quem abre hoje o coração à escuta; Não podemos viver como cristãos sem participar no sacrifício da Cruz em que o Senhor Jesus se dá sem reservas para salvar, com a sua morte, o homem que estava morto por causa do pecado; o Redentor associa a si a humanidade e a reconduz ao Pai; no abraço do Crucificado encontra luz e conforto todo o humano sofrimento; Não podemos viver sem o banquete da Eucarística , mesa do Senhor à qual somos convidados como filhos e irmãos para receber o próprio Cristo Ressuscitado, presente em corpo, sangue, alma e divindade como Pão do céu que nos sustenta nas alegrias e nas canseiras da peregrinação terrena; Não podemos viver sem a comunidade cristã , a família do Senhor: precisamos de encontrar os irmãos que partilham a filiação de Deus, a fraternidade de Cristo, a vocação e a procura da santidade e da salvação das suas almas na rica diversidade de idades, histórias pessoais, carismas e vocações; Não podemos viver sem a casa do Senhor , que é a nossa casa, sem os lugares santos onde nascemos para a fé, onde descobrimos a presença providente do Senhor e descobrimos o seu abraço misericordioso que levanta quem caiu, onde consagramos a nossa vocação no seguimento religioso ou no matrimônio, onde suplicamos e agradecemos, exultamos e choramos, onde confiamos ao Pai os nossos entes queridos que completaram a sua peregrinação terrena; Não podemos viver sem o dia do Senhor, sem o Domingo que dá luz e sentido ao suceder-se dos dias do trabalho e das responsabilidades familiares e sociais. Também o Papa Bento XVI já havia narrado em 2005 a história desses mártires da assembleia eucarística. Em Abitene, uma pequena localidade na atual Tunísia, 49 cristãos foram surpreendidos um domingo enquanto, reunidos em casa de Octávio Félix, celebravam a Eucaristia desafiando as proibições imperiais. Foram presos e levados para Cartago para serem interrogados pelo pró-Cônsul Anulino. Foi significativa, entre outras, a resposta que um tal Emérito deu ao pró-Cônsul que lhe perguntava por que motivo violaram a ordem severa do imperador. Respondeu: “ Sine dominico non possumus ”: isto é, sem nos reunirmos em assembleia ao domingo para celebrar a Eucaristia não podemos viver. Faltar-nos-iam as forças para enfrentar as dificuldades quotidianas sem sucumbir. Depois de atrozes torturas, os 49 mártires de Abitene foram mortos. Confirmaram assim, com a efusão do sangue, a sua fé. Morreram, mas venceram: agora, nós recordamo-los na glória de Cristo ressuscitado [8] . Se esses cristãos preferiram a morte a ficar sem a Eucaristia, como é despropositado privar os fiéis da Eucaristia a fim de livrá-los da morte! Sobretudo os idosos e os doentes, os mais necessitados de Jesus Eucarístico, foram os mais afastados da Eucaristia, por serem considerados “grupos de risco”. Ora, os autênticos cristãos, de ontem e de hoje, prefeririam morrer com a Eucaristia – que lhes dá a vida eterna – a terem um (suposto) prolongamento da vida mortal sem a Eucaristia. Comunhão na boca: um direito Com o medo de que as espécies eucarísticas pudessem constituir veículo para a transmissão do vírus, houve Bispos que em suas Dioceses determinaram que a Sagrada Comunhão fosse distribuída apenas na mão do fiel e não na língua. Do ponto de vista higiênico, o médico Filippo Maria Boscia, presidente da Associação de Médicos Católicos da Itália, afirma que a comunhão na mão é mais contagiosa: As mãos são a parte do corpo mais exposta aos vírus, tocam tudo, das coisas infectadas ao dinheiro e necessitam de uma contínua desinfecção. […] Para mim é mais segura a [comunhão] na língua que na mão. As mãos, com disse, tocam muitas coisas. Na mão é, com certeza, mais contagiosa. […] Desculpe-me: depois da gripe espanhola, continuamos a tomar comunhão na boca, por exemplo, e tudo permaneceu como antes. […] Saúde certamente sim, mas exasperações ou extravagâncias não. Em todo caso, como médico, creio que a comunhão na mão seja higienicamente menos segura que a outra [9] . O parecer de Dr. Boscia foi acompanhado por 21 médicos austríacos, que escreveram uma carta solicitando aos Bispos da Áustria que voltassem a permitir a Comunhão na boca (que fora proibida pela Conferência Episcopal Austríaca em 15/05/2020) [10] . Quanto à questão litúrgica, ela já foi definida em 2004 pela Instrução “Redemptionis Sacramentum” da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos: Embora todo fiel tenha sempre o direito de receber, à sua escolha, a santa comunhão na boca, nas regiões onde a Conferência dos Bispos, com a confirmação da Sé apostólica, permitiu, se um comungante quiser receber o sacramento na mão, seja-lhe distribuída a sagrada hóstia. […] Se houver perigo de profanação, não se deve distribuir a santa comunhão na mão dos fieis [11] . Receber a Sagrada Comunhão na boca é, portanto, um direito assegurado pela Santa Sé e que não pode ser suprimido pela autoridade local. O que pode ser negada é comunhão na mão, se houver perigo de profanação. Em 2009, a mesma Congregação respondeu a um católico leigo da Grã-Bretanha, em cuja diocese a comunhão na língua havia sido restringida por causa da gripe H1N1 (“gripe suína”), confirmando o direito de todo fiel receber a sagrada hóstia na língua e citando o trecho acima da “ Redemptionis sacramentum ”, 92 [12] . Em 2020, a mesma Congregação, na já referida carta “Voltemos com alegria à Eucaristia”, faz observações pertinentes ao assunto: As normas litúrgicas não são matéria sobre a qual as autoridades civis possam legislar, mas são da exclusiva competência das autoridades eclesiásticas (cf. Sacrosanctum Concilium, 22). […] Reconheça-se aos fiéis o direito de receber o Corpo de Cristo e de adorar o Senhor presente na Eucaristia, nos modos previstos, sem limitações que chegam mesmo a ir além do previsto pelas normas higiénicas emanadas pelas autoridades públicas ou pelos Bispos [13] . Isso faz lembrar o estranho Protocolo 9, da Prefeitura de Anápolis, de 03/02/2021, dizendo que nos “ cultos religiosos e filosóficos (sic)”, “ a oferta da ceia, hóstia ou similar (sic) deverá ser realizada diretamente nas mãos dos fiéis, de forma individualizada ”. É evidente o abuso do Município, que não tem competência para ditar normas litúrgicas. Além disso, mesmo as autoridades eclesiásticas devem reconhecer “o direito de receber o Corpo de Cristo … nos modos previstos” [14] . Anápolis, 5 de abril de 2021 Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz Presidente do Pró-Vida de Anápolis Texto originalmente disponível em: https://www.providaanapolis.org.br/index.php/todos-os-artigos/item/687-eucaristia-um-direito-antes-que-um-dever [1] A. TANQUEREY. Compêndio de Teologia Ascética e Mística . 6 ed. Porto: Apostolado da Imprensa, 1961, n. 1061, p. 503. [2] CODICE DI DIRITTO CANONICO e leggi complementari commentato. 2 ed. Roma: Coletti a San Pietro, 2007, p. 617 [3] CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO. 23. ed. São Paulo: Loyola, 2015, p. 125. O grifo é nosso. [4] BENTO XVI, Exortação Apostólica pós-sinodal Sacramentum Caritatis , 2007, n. 57. O grifo é nosso. [5] CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS. Voltemos com alegria à Eucaristia! Carta sobre a celebração da liturgia durante e após a pandemia do COVID-19 aos presidentes das Conferências Episcopais da Igreja Católica. Prot. n. 432/20, 15 ago. 2020. Disponível em: http://www.cultodivino.va/content/cultodivino/it/documenti/lettere-circolari/torniamo-con-gioia-all-eucaristia–15-agosto-2020-.html [6] Há uma tradução portuguesa feita pela Conferência Episcopal Portuguesa em http://www.conferenciaepiscopal.pt/v1/voltemos-com-alegria-a-eucaristia/ . Não foi possível encontrar uma versão portuguesa na página da CNBB. [7] Casa de Deus e casa da assembleia. [8] BENTO XVI. Homilia na Conclusão do Congresso Eucarístico Italiano. Solenidade de Corpus Christi . Bari, 29 maio 2005. Disponível em: http://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/homilies/2005/documents/hf_ben-xvi_hom_20050529_bari.html [9] Bruno VOLPE. Boscia (Medici cattolici): “Comunione sulla mano più contagiosa di quella sulla lingua”. La fede quotidiana . 10 maio 2020. https://www.lafedequotidiana.it/boscia-medici-cattolici-comunione-sulla-mano-piu-contagiosa-di-quella-sulla-lingua/ [10] Jeanne SMITS. 21 doctors tell bishops Communion on tongue ‘safer’ than in hand. LifeSiteNews . 26 jun. 2020. https://www.lifesitenews.com/news/21-doctors-tell-bishops-communion-on-tongue-safer-than-in-hand [11] CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS, Instrução “ Redemptionis sacramentum ”, 2004, n. 92. [12] ID. Prot. N. 655/09 L. 24 jul. 2009. In: https://rorate-caeli.blogspot.com/2009/11/it-is-not-licit-to-deny-communion-on.html [13] ID. Voltemos com alegria à Eucaristia . Prot. n. 432/20, 15 ago. 2020. [14] Poderão eventualmente, como tem acontecido em certas dioceses, determinar, p. ex., que os que querem receber a S. Comunhão na boca, venham por último, ou que haja um ministro próprio ao qual se devem dirigir os que desejam receber a S. Comunhão na boca.
- Eucaristia: um direito, antes que um dever
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz – Presidente do Pró-Vida de Anápolis Era a solenidade de São José, dia 19 de março de 2020, quando recebemos a ordem de que as Santas Missas seriam celebradas “sem a presença dos fiéis”, “sem o povo”, embora em favor do Povo de Deus. Várias Dioceses tomaram essa medida. O motivo era “evitar aglomerações” que poderiam facilitar a disseminação da doença conhecida como COVID-19. Reconhecia-se que “ no domingo e nos outros dias de festa de preceito, os fiéis têm a obrigação de participar da Missa ” (cânon 1247), mas usava-se o cânon 87, §1º para dispensar os fiéis de tal dever: O Bispo diocesano, sempre que julgar que isso possa concorrer para o bem espiritual dos fiéis, pode dispensá-los das leis disciplinares, universais ou particulares, dadas pela suprema autoridade da Igreja para o seu território ou para seus súditos. Não há dúvida de que o Bispo pode dispensar seus diocesanos do preceito de ir à Missa aos domingos. O que não foi esclarecido é se o Bispo pode proibir seus súditos de irem à Celebração Eucarística a fim de oferecerem ao Pai o sacrifício de Cristo e receberem o seu Corpo e Sangue em Comunhão. Pois participar da Eucaristia é muito mais do que um dever. É acima de tudo um direito. Se, apesar de dispensados, os fiéis quisessem ir à Santa Missa nas igrejas, poderia o Bispo privá-los desse direito? Que fazer em caso de dúvida? A obediência é uma virtude excelentíssima. Foi fazendo-se “obediente até a morte” (Fl 2,8) que Cristo salvou o mundo. É verdade que há limites para a obediência. Não estamos obrigados a obedecer a uma ordem impossível nem a uma ordem que viole a lei de Deus. No entanto, na dúvida, deve-se presumir que o superior tem razão: “ in dubio presumptio stat pro superiore ” [1] . Se a proibição de celebrar a Eucaristia com o povo tivesse vindo apenas do Estado, esta seria apenas mais uma das perseguições sofridas pelos cristãos. Deveríamos, contra todas as ameaças, celebrar ocultamente em união com nossos Pastores, mesmo com o perigo de sermos multados, presos, torturados ou mortos. No entanto, pela primeira vez na história da Igreja, tal proibição vinha não do imperador romano, nem de um governo maçom ou comunista, mas dos Bispos, Sucessores dos Apóstolos! Seria lícito desobedecer àqueles a quem prometemos solenemente obediência no dia de nossa ordenação sacerdotal? Como aquela situação era absolutamente inédita, preferi obedecer. Não conseguindo demover meus superiores da ordem recebida, perguntei sobre os detalhes da proibição. Foi-me permitido celebrar na presença de duas pessoas. Os excluídos ansiavam por fazer parte dos dois felizardos que comigo podiam estar diante do altar oferecendo o Sacrifício. Veio a mim um grupo de fieis pedindo que ao menos eu lhe distribuísse a Sagrada Comunhão fora da Missa. Como desejava em tudo ser obediente, consultei a autoridade diocesana. Porém, obtive uma resposta negativa. A obediência mandava-me negar o pão a quem tinha fome. E não um pão qualquer, mas o Pão da Vida. Vieram à minha mente as palavras que Jesus pronunciará no dia do juízo: “ Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno preparado para o diabo e para os seus anjos, porque tive fome e não me destes de comer ” (Mt 25,41-42). Essa situação aflitiva, em que o desejo dos fiéis se opunha à proibição do superior, perdurou durante a Quaresma e o Tríduo Pascal, e só se afrouxou no terceiro domingo da Páscoa, dia 26 de abril de 2020, quando se pôde, pela primeira vez, com restrições, voltar às celebrações públicas. Leia também Padre desafia governo e vence na justiça: proibição de missas é declarado ilegal na Escócia Refletindo sobre a proibição… Agora, com a mente mais tranquila, é possível refletir sobre a ordem recebida e sobre o dever de obedecer-lhe. Como já disse, o Bispo pode legitimamente dispensar seus súditos do dever de “ participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda ” (Catecismo, n. 2042), que é o primeiro mandamento da Igreja. Mas quem ama a Santa Missa não precisa de uma lei que o obrigue a participar dela nem se alegra quando é dispensado de tal obrigação. Que fazer com os fiéis que, mesmo com a dispensa, desejavam ardentemente “ participar da celebração eucarística em que se reúne a comunidade cristã ” (Catecismo 2042)? Seria lícito privá-los desse direito? Se eles fossem à Missa aos domingos, contra a ordem do bispo diocesano, estariam pecando? Que situação inusitada! Segundo o Catecismo, “ os fiéis são obrigados a participar da Eucaristia nos dias de preceito, a não ser por motivos muito sérios (por exemplo, uma doença, cuidados com bebês) ”. E ainda: “ aqueles que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem pecado grave ” (n. 2181). Com a epidemia, os fiéis foram “ dispensados pelo próprio pastor ” (n. 2181) de cumprirem essa obrigação grave. E não apenas isso: foram proibidos de fazer o que antes era uma obrigação! Imagine-se a estranha cena de um fiel indo ao confessionário e dizendo: – Padre, eu pequei indo à Missa por três domingos. – Mas isso não é pecado! – responde o confessor. – Mas meu Bispo proibiu e eu fui à Missa assim mesmo. Os limites da obediência Agora, estudando com calma os documentos da Igreja, percebo que obedeci em excesso. O Código de Direito Canônico fala dos sacramentos como um direito dos fiéis: “Os fieis têm o direito de receber dos Pastores sagrados, dentre os bens espirituais da Igreja, principalmente os auxílios da Palavra de Deus e dos sacramentos ” (Cânon 213). “Os ministros sagrados não podem negar os sacramentos àqueles que os pedirem oportunamente, que estiverem devidamente dispostos e que pelo direito não forem proibidos de os receber” (Cânon 843, §1º). “Qualquer batizado, não proibido pelo direito, pode e deve ser admitido à sagrada comunhão” (Cânon 912). Comentando o cânon 912, diz o canonista Angel Marzoa: “Em virtude do Batismo, o fiel cristão tem um direito fundamental – de origem divina – de que lhe seja administrada a Sagrada Comunhão” [2] . Ora, se tal direito é de origem divina – e não meramente eclesiástica – nem a Igreja pode privar o fiel de receber a Sagrada Comunhão. As exceções estão descritas em um cânon à parte: “Não sejam admitidos à sagrada comunhão os excomungados e os interditados, depois da imposição ou declaração da pena, e outros que obstinadamente persistem no pecado grave manifesto” (Cânon 915). O motivo da não admissão é óbvio: em virtude do seu pecado, tais fiéis perderam o direito à Comunhão Eucarística, até que se reconciliem com Deus por meio da Igreja. Porém, se os fiéis estão em estado de graça e desejam participar da Eucaristia, não podem ser privados de seu direito. Regulamentar, não suprimir “Compete à autoridade eclesiástica, em vista do bem comum, regular o exercício dos direitos que são próprios dos fiéis” (Cânon 223, §2º). Comentando esse cânon, diz o Pe. Jesus Hortal: A faculdade que compete à autoridade eclesiástica não é arbitrária, mas em função unicamente do bem comum. Além disso, a mesma autoridade não pode suprimir, mas apenas regulamentar o uso dos direitos dos fiéis [3] . O direito à Eucaristia, portanto, pode ser regulamentado, mas não suprimido. Poderiam os Bispos, por exemplo, determinar que as Missas fossem celebradas de maneira “campal”, ao ar livre (supondo que tal medida diminuísse a disseminação do coronavírus). Essa ordem, ainda que parecesse estranha ou irrazoável, obrigaria à obediência, desde que com ela nenhum fiel ficasse privado da participação na Eucaristia. Mas não obrigaria à obediência uma ordem que simplesmente proibisse os fiéis de estarem presentes à celebração eucarística. A Eucaristia “virtual” não basta Leiamos estas palavras de Bento XVI, escritas em 2007 na exortação apostólica pós-sinodal “ Sacramentum Caritatis ”: Enfim, quanto ao valor desta participação na Santa Missa pelos meios de comunicação, quem assiste a tais transmissões deve saber que, em condições normais, não cumpre o preceito dominical; de fato, a linguagem da imagem representa a realidade, mas não a reproduz em si mesma . Se é muito louvável que idosos e doentes participem na Santa Missa festiva através das transmissões radiotelevisivas, o mesmo não se pode dizer de quem quisesse, por meio de tais transmissões, dispensar-se de ir à igreja tomar parte na celebração eucarística na assembleia da Igreja viva [4] . No dia 15 de agosto de 2020, Solenidade da Assunção da Virgem Maria, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publicou a carta “ Voltemos com alegria à Eucaristia! ” assinada pelo prefeito Cardeal Robert Sarah, com a aprovação do Papa Francisco [5] e dirigida aos presidentes das Conferências Episcopais [6] . A carta insiste sobre a importância da participação presencial dos fieis na Eucaristia. Enquanto os pagãos construíam templos dedicados às divindades aos quais as pessoas não tinham acesso, os cristãos, assim que gozaram da liberdade de culto, logo edificaram lugares que fossem domus Dei et domus ecclesiae [7] , onde os fiéis se pudessem reconhecer como comunidade de Deus, povo convocado para o culto e constituído em assembleia santa. Deus pode, portanto, proclamar: «Eu sou o teu Deus, tu serás o meu povo» (cf. Ex 6, 7; Dt 14, 2). O Senhor mantém-se fiel à sua Aliança (cf. Dt 7, 9) e Israel torna-se por isso mesmo Morada de Deus , lugar santo da sua presença no mundo (cf. Ex 29, 45; Lv 26, 11-12). Por isso, a casa de Deus supõe a presença da família dos filhos de Deus. […] A comunidade cristã nunca procurou o isolamento e jamais fez da Igreja uma cidade de portas fechadas. Formados para o valor da vida comunitária e para a procura do bem comum, os cristãos sempre procuraram inserir-se na sociedade, embora conscientes de uma alteridade: estar no mundo sem lhe pertencer nem a ele se reduzir (cf. Carta a Diogneto , 5-6). […] Por muito que os meios de comunicação desempenhem um prestimoso serviço em prol dos doentes e de quantos estão impedidos de se deslocar à Igreja, e prestaram um grande serviço na transmissão da Santa Missa no tempo em que não era possível celebrar comunitariamente, nenhuma transmissão se pode equiparar à participação pessoal ou a pode substituir. Aliás, estas transmissões, por si sós, correm o risco de nos afastarem de um encontro pessoal e íntimo com o Deus encarnado que se entregou a nós não de modo virtual, mas realmente, dizendo: «Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele» (Jo 6, 56). Este contato físico com o Senhor é vital, indispensável, insubstituível. “Não podemos viver sem o Domingo” Para ilustrar a importância da Eucaristia presencial, a carta narra a história dos mártires de Abitene, mortos no ano 304, quando o imperador Diocleciano proibiu os cristãos, sob pena de morte, de possuírem as Escrituras, de se reunirem ao domingo para celebrar a Eucaristia e de construírem lugares para as suas assembleias. Este tempo de privação pode dar-nos a graça de compreender o coração dos nossos irmãos mártires de Abitene (inícios do século IV), os quais responderam aos seus juízes com serena determinação, mesmo perante uma condenação à morte certa: «Sine Dominico non possumus». O absoluto non possumus (não podemos ) e a densidade de significado do substantivo neutro Dominicum (o que é do Senhor ) não se podem traduzir com uma só palavra. Uma brevíssima expressão encerra uma grande riqueza de matizes e significados que hoje se oferecem à nossa meditação: Não podemos viver, ser cristãos, realizar plenamente a nossa humanidade e os desejos de bem e de felicidade que o nosso coração acalenta sem a Palavra do Senhor , que na celebração ganha corpo e se torna palavra viva, pronunciada por Deus para quem abre hoje o coração à escuta; Não podemos viver como cristãos sem participar no sacrifício da Cruz em que o Senhor Jesus se dá sem reservas para salvar, com a sua morte, o homem que estava morto por causa do pecado; o Redentor associa a si a humanidade e a reconduz ao Pai; no abraço do Crucificado encontra luz e conforto todo o humano sofrimento; Não podemos viver sem o banquete da Eucarística , mesa do Senhor à qual somos convidados como filhos e irmãos para receber o próprio Cristo Ressuscitado, presente em corpo, sangue, alma e divindade como Pão do céu que nos sustenta nas alegrias e nas canseiras da peregrinação terrena; Não podemos viver sem a comunidade cristã , a família do Senhor: precisamos de encontrar os irmãos que partilham a filiação de Deus, a fraternidade de Cristo, a vocação e a procura da santidade e da salvação das suas almas na rica diversidade de idades, histórias pessoais, carismas e vocações; Não podemos viver sem a casa do Senhor , que é a nossa casa, sem os lugares santos onde nascemos para a fé, onde descobrimos a presença providente do Senhor e descobrimos o seu abraço misericordioso que levanta quem caiu, onde consagramos a nossa vocação no seguimento religioso ou no matrimônio, onde suplicamos e agradecemos, exultamos e choramos, onde confiamos ao Pai os nossos entes queridos que completaram a sua peregrinação terrena; Não podemos viver sem o dia do Senhor, sem o Domingo que dá luz e sentido ao suceder-se dos dias do trabalho e das responsabilidades familiares e sociais. Também o Papa Bento XVI já havia narrado em 2005 a história desses mártires da assembleia eucarística. Em Abitene, uma pequena localidade na atual Tunísia, 49 cristãos foram surpreendidos um domingo enquanto, reunidos em casa de Octávio Félix, celebravam a Eucaristia desafiando as proibições imperiais. Foram presos e levados para Cartago para serem interrogados pelo pró-Cônsul Anulino. Foi significativa, entre outras, a resposta que um tal Emérito deu ao pró-Cônsul que lhe perguntava por que motivo violaram a ordem severa do imperador. Respondeu: “ Sine dominico non possumus ”: isto é, sem nos reunirmos em assembleia ao domingo para celebrar a Eucaristia não podemos viver. Faltar-nos-iam as forças para enfrentar as dificuldades quotidianas sem sucumbir. Depois de atrozes torturas, os 49 mártires de Abitene foram mortos. Confirmaram assim, com a efusão do sangue, a sua fé. Morreram, mas venceram: agora, nós recordamo-los na glória de Cristo ressuscitado [8] . Se esses cristãos preferiram a morte a ficar sem a Eucaristia, como é despropositado privar os fiéis da Eucaristia a fim de livrá-los da morte! Sobretudo os idosos e os doentes, os mais necessitados de Jesus Eucarístico, foram os mais afastados da Eucaristia, por serem considerados “grupos de risco”. Ora, os autênticos cristãos, de ontem e de hoje, prefeririam morrer com a Eucaristia – que lhes dá a vida eterna – a terem um (suposto) prolongamento da vida mortal sem a Eucaristia. Comunhão na boca: um direito Com o medo de que as espécies eucarísticas pudessem constituir veículo para a transmissão do vírus, houve Bispos que em suas Dioceses determinaram que a Sagrada Comunhão fosse distribuída apenas na mão do fiel e não na língua. Do ponto de vista higiênico, o médico Filippo Maria Boscia, presidente da Associação de Médicos Católicos da Itália, afirma que a comunhão na mão é mais contagiosa: As mãos são a parte do corpo mais exposta aos vírus, tocam tudo, das coisas infectadas ao dinheiro e necessitam de uma contínua desinfecção. […] Para mim é mais segura a [comunhão] na língua que na mão. As mãos, com disse, tocam muitas coisas. Na mão é, com certeza, mais contagiosa. […] Desculpe-me: depois da gripe espanhola, continuamos a tomar comunhão na boca, por exemplo, e tudo permaneceu como antes. […] Saúde certamente sim, mas exasperações ou extravagâncias não. Em todo caso, como médico, creio que a comunhão na mão seja higienicamente menos segura que a outra [9] . O parecer de Dr. Boscia foi acompanhado por 21 médicos austríacos, que escreveram uma carta solicitando aos Bispos da Áustria que voltassem a permitir a Comunhão na boca (que fora proibida pela Conferência Episcopal Austríaca em 15/05/2020) [10] . Quanto à questão litúrgica, ela já foi definida em 2004 pela Instrução “Redemptionis Sacramentum” da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos: Embora todo fiel tenha sempre o direito de receber, à sua escolha, a santa comunhão na boca, nas regiões onde a Conferência dos Bispos, com a confirmação da Sé apostólica, permitiu, se um comungante quiser receber o sacramento na mão, seja-lhe distribuída a sagrada hóstia. […] Se houver perigo de profanação, não se deve distribuir a santa comunhão na mão dos fieis [11] . Receber a Sagrada Comunhão na boca é, portanto, um direito assegurado pela Santa Sé e que não pode ser suprimido pela autoridade local. O que pode ser negada é comunhão na mão, se houver perigo de profanação. Em 2009, a mesma Congregação respondeu a um católico leigo da Grã-Bretanha, em cuja diocese a comunhão na língua havia sido restringida por causa da gripe H1N1 (“gripe suína”), confirmando o direito de todo fiel receber a sagrada hóstia na língua e citando o trecho acima da “ Redemptionis sacramentum ”, 92 [12] . Em 2020, a mesma Congregação, na já referida carta “Voltemos com alegria à Eucaristia”, faz observações pertinentes ao assunto: As normas litúrgicas não são matéria sobre a qual as autoridades civis possam legislar, mas são da exclusiva competência das autoridades eclesiásticas (cf. Sacrosanctum Concilium, 22). […] Reconheça-se aos fiéis o direito de receber o Corpo de Cristo e de adorar o Senhor presente na Eucaristia, nos modos previstos, sem limitações que chegam mesmo a ir além do previsto pelas normas higiénicas emanadas pelas autoridades públicas ou pelos Bispos [13] . Isso faz lembrar o estranho Protocolo 9, da Prefeitura de Anápolis, de 03/02/2021, dizendo que nos “ cultos religiosos e filosóficos (sic)”, “ a oferta da ceia, hóstia ou similar (sic) deverá ser realizada diretamente nas mãos dos fiéis, de forma individualizada ”. É evidente o abuso do Município, que não tem competência para ditar normas litúrgicas. Além disso, mesmo as autoridades eclesiásticas devem reconhecer “o direito de receber o Corpo de Cristo … nos modos previstos” [14] . Anápolis, 5 de abril de 2021 Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz Presidente do Pró-Vida de Anápolis Texto originalmente disponível em: https://www.providaanapolis.org.br/index.php/todos-os-artigos/item/687-eucaristia-um-direito-antes-que-um-dever [1] A. TANQUEREY. Compêndio de Teologia Ascética e Mística . 6 ed. Porto: Apostolado da Imprensa, 1961, n. 1061, p. 503. [2] CODICE DI DIRITTO CANONICO e leggi complementari commentato. 2 ed. Roma: Coletti a San Pietro, 2007, p. 617 [3] CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO. 23. ed. São Paulo: Loyola, 2015, p. 125. O grifo é nosso. [4] BENTO XVI, Exortação Apostólica pós-sinodal Sacramentum Caritatis , 2007, n. 57. O grifo é nosso. [5] CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS. Voltemos com alegria à Eucaristia! Carta sobre a celebração da liturgia durante e após a pandemia do COVID-19 aos presidentes das Conferências Episcopais da Igreja Católica. Prot. n. 432/20, 15 ago. 2020. Disponível em: http://www.cultodivino.va/content/cultodivino/it/documenti/lettere-circolari/torniamo-con-gioia-all-eucaristia–15-agosto-2020-.html [6] Há uma tradução portuguesa feita pela Conferência Episcopal Portuguesa em http://www.conferenciaepiscopal.pt/v1/voltemos-com-alegria-a-eucaristia/ . Não foi possível encontrar uma versão portuguesa na página da CNBB. [7] Casa de Deus e casa da assembleia. [8] BENTO XVI. Homilia na Conclusão do Congresso Eucarístico Italiano. Solenidade de Corpus Christi . Bari, 29 maio 2005. Disponível em: http://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/homilies/2005/documents/hf_ben-xvi_hom_20050529_bari.html [9] Bruno VOLPE. Boscia (Medici cattolici): “Comunione sulla mano più contagiosa di quella sulla lingua”. La fede quotidiana . 10 maio 2020. https://www.lafedequotidiana.it/boscia-medici-cattolici-comunione-sulla-mano-piu-contagiosa-di-quella-sulla-lingua/ [10] Jeanne SMITS. 21 doctors tell bishops Communion on tongue ‘safer’ than in hand. LifeSiteNews . 26 jun. 2020. https://www.lifesitenews.com/news/21-doctors-tell-bishops-communion-on-tongue-safer-than-in-hand [11] CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS, Instrução “ Redemptionis sacramentum ”, 2004, n. 92. [12] ID. Prot. N. 655/09 L. 24 jul. 2009. In: https://rorate-caeli.blogspot.com/2009/11/it-is-not-licit-to-deny-communion-on.html [13] ID. Voltemos com alegria à Eucaristia . Prot. n. 432/20, 15 ago. 2020. [14] Poderão eventualmente, como tem acontecido em certas dioceses, determinar, p. ex., que os que querem receber a S. Comunhão na boca, venham por último, ou que haja um ministro próprio ao qual se devem dirigir os que desejam receber a S. Comunhão na boca.
- SOLIDÃO PROVISÓRIA
A gente queira ou não queira, Não há maior ilusão Nem coisa mais passageira, No mundo, que a solidão: Jamais estaremos sós. Tal como a seiva nos ramos, Deus vive dentro de nós E dentro de Deus estamos.
- Padre desabafa contra fechamentos das Igrejas por políticos: “Bando de Vagabundos”
Durante as celebrações da Semana Santa o Padre Oscar não suportou ver a igreja totalmente vazia e desabafou contra toda essa situação que impede os fiéis de manifestarem sua fé como pede a Santa Igreja. No dia 2 de abril, durante as celebrações da Semana Santa, o Padre Oscar da Paróquia Imaculado Coração de Maria na cidade de São José do Rio Preto – SP, sensibilizado por uma igreja totalmente vazia, criticou as autoridades que impedem o povo de participar presencialmente da Santa Missa. “Isso acontece por causa dessas autoridades incompetentes que nós temos! De um lado governantes que estão de sacanagem, estão de brincadeira, começando por esse Governador, que não permite na igreja, mesmo com todos os cuidados possíveis, ter a presença do povo na celebração pois na igreja se pega covid” e continua “e nos ônibus lotados e festas ninguém fala nada”. Assista o vídeo: O padre também faz uma crítica às autoridades religiosas que se curvam à vontade dos governantes: “E Por outro lado as nossas autoridades religiosas que têm medo, só pode ser medo, e incompetentes, não batem de frente com esses vagabundos, abaixam a cabeça e dizem amém… isso em âmbito católico, em âmbito evangélico” Leia também STF decide que a Missa não é um direito essencial na pandemia Durante a fala o sacerdote também faz uma crítica ao comunismo que é ateu, dando exemplos do que acontece China e da Venezuela, e busca a extinção das igrejas. “E se a gente não reagir… E se a gente não bater de frente com esses vagabundo políticos, o Brasil vai ser um país comunista! Deus queira o que a gente faça alguma coisa!” Antes de terminar sua fala ele ainda pede para a câmera mostrar a situação da igreja, totalmente vazia e completa: “E olha que bonito, olha que gracinha! Tá vendo? Do jeito que o partido comunista chinês deseja! Vamos continuar assim e nós de igreja, padres, bispos, pastores. Vamos continuar tudo com a boca fechada… vocês vão ver daqui 10 anos…” Ele termina a fala dizendo: “A única coisa que eu posso fazer é falar, pois se eu tivesse autoridade para fazer, ia ser diferente” Leia também Padre explica porque Bispos e Prefeitos não podem proibir fiéis de frequentar a Santa Missa
- Padre desabafa contra fechamentos das Igrejas por políticos: “Bando de Vagabundos”
Durante as celebrações da Semana Santa o Padre Oscar não suportou ver a igreja totalmente vazia e desabafou contra toda essa situação que impede os fiéis de manifestarem sua fé como pede a Santa Igreja. No dia 2 de abril, durante as celebrações da Semana Santa, o Padre Oscar da Paróquia Imaculado Coração de Maria na cidade de São José do Rio Preto – SP, sensibilizado por uma igreja totalmente vazia, criticou as autoridades que impedem o povo de participar presencialmente da Santa Missa. “Isso acontece por causa dessas autoridades incompetentes que nós temos! De um lado governantes que estão de sacanagem, estão de brincadeira, começando por esse Governador, que não permite na igreja, mesmo com todos os cuidados possíveis, ter a presença do povo na celebração pois na igreja se pega covid” e continua “e nos ônibus lotados e festas ninguém fala nada”. Assista o vídeo: O padre também faz uma crítica às autoridades religiosas que se curvam à vontade dos governantes: “E Por outro lado as nossas autoridades religiosas que têm medo, só pode ser medo, e incompetentes, não batem de frente com esses vagabundos, abaixam a cabeça e dizem amém… isso em âmbito católico, em âmbito evangélico” Leia também STF decide que a Missa não é um direito essencial na pandemia Durante a fala o sacerdote também faz uma crítica ao comunismo que é ateu, dando exemplos do que acontece China e da Venezuela, e busca a extinção das igrejas. “E se a gente não reagir… E se a gente não bater de frente com esses vagabundo políticos, o Brasil vai ser um país comunista! Deus queira o que a gente faça alguma coisa!” Antes de terminar sua fala ele ainda pede para a câmera mostrar a situação da igreja, totalmente vazia e completa: “E olha que bonito, olha que gracinha! Tá vendo? Do jeito que o partido comunista chinês deseja! Vamos continuar assim e nós de igreja, padres, bispos, pastores. Vamos continuar tudo com a boca fechada… vocês vão ver daqui 10 anos…” Ele termina a fala dizendo: “A única coisa que eu posso fazer é falar, pois se eu tivesse autoridade para fazer, ia ser diferente” Leia também Padre explica porque Bispos e Prefeitos não podem proibir fiéis de frequentar a Santa Missa
- O livro que o demônio tentou esconder por mais de um século com medo que alguém o encontrasse
O livro Tratado da Verdadeira Devoção à Maria, de São Luís Maria Grignion de Montfort permaneceu por 130 anos no silêncio de um baú. No passado, o demônio tentou evitar a difusão do “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria”, de São Luís Maria Grignion de Montfort, o qual propõe um método de consagração a Jesus Cristo por meio da Virgem Maria, adotado por grandes Santos como São João Paulo II ou São Pio X. O Tratado, que esteve extraviado durante 130 anos, foi reconhecido por sua autenticidade e pureza doutrinal pelo Papa Pio IX em um decreto no dia 12 de maio de 1853, um ano antes da promulgação do dogma da Imaculada Concepção. Irmã Ágata Ângela, uma Filha da Sabedoria (instituto fundado por São Luís Maria de Montfort), que viveu a dois séculos atrás, nas crônicas de 1842 escreveu um testemunho direto sobre o redescobrimento do Tratado da Verdadeira Devoção à Maria: “Durante a Revolução Francesa as cartas e os manuscritos das comunidades (fundadas por Montfort) foram escondidos nas fazendas vizinhas, onde permaneceram sepultados no pó durante diversos anos. Aquilo que foi reencontrado, foi em parte colocado na biblioteca dos Padres (monfortinos) e outra parte na Comunidade das Irmãs; o manuscrito em questão (o Tratado) foi depositado na casa dos Padres (Saint Spirit) e ali permaneceu desconhecido como havia profetizado o autor”. De fato, no mesmo manuscrito, São Luís Maria, no ano 1712, prenuncia a perseguição de sua obra, seu quase desaparecimento e os padecimentos que ele mesmo viveria por ter revelado a doutrina que explica a função da Santíssima Virgem no plano divino da salvação e na vida do cristão. Ele escreveu: “Prevejo que muitos animais frementes virão em fúria para rasgar com seus dentes diabólicos este pequeno escrito e aquele de quem o Espírito Santo se serviu para compô-lo. Ou pelo menos procurarão envolver este livrinho nas trevas e no silêncio de uma arca, a fim de que não apareça.” (TVD 114). 🛒 Tratado da Verdadeira Devoção Monfort sofreu uma tentativa de assassinato e sua Congregação dos Missionários da Companhia de Maria recebeu diversos ataques no período de heresias como o jansenismo ou o iluminismo. “Atacarão mesmo e perseguirão aqueles que o lerem e puserem em prática. Mas, que importa? Tanto melhor! Esta visão me anima e me faz esperar um grande êxito, isto é, um grande esquadrão de bravos e valorosos soldados de Jesus e Maria, de ambos os sexos, que combaterão o mundo, o demônio e a natureza corrompida, nos tempos perigosos que mais do que nunca se aproximam!” (nº 114). Por seu conteúdo, o manuscrito sempre foi alvo de ódio do demônio, entretanto, não pôde fazer com que desaparecesse. Foi escondido “nas trevas e no silêncio de uma arca” (nº 114) e escondido em uma capela de um campo francês; tempos depois, foi levado à biblioteca da Companhia de Maria na Casa principal (França). Leia também O que é a Santa Escravidão de Amor a Jesus pelas mãos de Maria? Dia 22 de abril de 1842 o reverendo, Padre Pedro Rauterau, bibliotecário da Companhia de Maria (Monfortinos), enquanto preparava uma pregação em honra à Santa Virgem, nosso Senhor lhe colocou entre as mãos este precioso tesouro. O Padre reconheceu o estilo e o pensamento do Venerável fundador e imediatamente o entregou ao seu superior (Padre J. Dalin) que reconheceu perfeitamente a caligrafia. Assim veio à luz aquilo que o santo de Montfort “ensinou com fruto em público e em privado nas missões por diversos anos” (TVD 110), isto é que “Por meio da Santíssima Virgem Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por meio dela que deve reinar no mundo” (TVD 1). Esse livro foi escondido por causa da importância dos seus ensinamentos, ele nos revela a importância da Santíssima Virgem na história da salvação dos homens, nos indica como fazê-la reinar nos corações através da consagração total a Ela e assim pertencer perfeitamente a Cristo, impedindo as insídias do demônio e esmagando a cabeça da serpente que quer a perdição das almas no esquecimento de Deus e no pecado. Por isso o demônio tentou destruí-lo ou ao menos escondê-lo. Observou-se como a Imaculada Conceição, que esmaga a cabeça da serpente, é um ponto comum a todas as grandes aparições marianas, reconhecidas pela Igreja, a partir da aparição de Nossa Senhora das Graças a Santa Catarina Labouré (1830). É também impressionante a coincidência de datas entre o início do ciclo das aparições marianas dos últimos dois séculos e o reencontro desse escrito mariano destinado a formar gerações de santos (1842). A obra prima de Montfort de fato foi publicada no momento justo, isto é, quando começava a despontar a aurora do “tempo de Maria” que o Santo havia profetizado, o tempo da luta entre Maria e os seus humildes servos de uma parte e de satanás e os seus seguidores de outra. “O poder de Maria sobre todos os demônios resplenderá em modo particular nos últimos tempos quando satanás insidiará o seu calcanhar e isto é, os humildes servos e filhos que Ela suscitará para mover-lhe guerra.” (TVD 54). Clique aqui para adquirir o livro Tratado da Verdadeira Devoção A primeira publicação do Tratado foi feita em 1843. Logo se converteu em um dos livros mais apreciados do catolicismo contemporâneo e um dos que mais contribuíram e fomentaram a piedade cristã no mundo inteiro. São Luís Maria explica em sua obra que esta devoção é o caminho mais “fácil, curto, perfeito e seguro para chegar à união com Deus, na qual consiste a perfeição cristã” (nº 152). “Por esta devoção damos a Jesus Cristo tudo o que lhe podemos dar. Fazemo-lo da maneira mais perfeita, visto ser pelas mãos de Maria. E damos assim muito mais do que pelas outras devoções, em que lhe consagramos parte do nosso tempo, ou parte das nossas boas obras, ou parte das nossas satisfações e mortificações. Aqui tudo fica dado e consagrado, até mesmo o direito de dispor dos bens interiores, e das satisfações que se ganham com as boas obras de cada dia. Isto não se pede nem mesmo em uma ordem religiosa” (nº 123). Leia também Cardeal apresenta o Tratado de S. Luís de Montfort como um “atalho” para a santidade dos sacerdotes Para defender esta postura, assinala que “a Santa Igreja, com o Espírito Santo, abençoa em primeiro lugar a Virgem e só depois Jesus Cristo: ‘Bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto do Vosso ventre, Jesus’ (Lc 1, 42). Não é que Maria seja mais que Jesus, ou igual a Ele: dizê-lo seria uma heresia intolerável. Mas, para mais perfeitamente abençoar Jesus Cristo, é preciso louvar antes a Virgem Maria” (nº 95). O Beato Pio IX afirmou que a verdadeira devoção proposta por São Luís Maria é a melhor e mais aceitável, enquanto o Papa São Pio X aprovou a fórmula de consagração do Santo. São João Paulo II se reconheceu devedor de Luís Maria Grignion de Montfort ao adotar como lema episcopal ‘Totus tuus’ (Todo teu), fórmula de consagração a Maria do fundador francês e um de seus lemas marianos. Da mesma forma, expressou na encíclica Redemptoris Mater que era grato recordar “a figura de São Luís Maria Grignion de Montfort, o qual propunha aos cristãos a consagração a Cristo pelas mãos de Maria, como meio eficaz para viver fielmente o compromisso do batismo”. Leia também A Total Consagração e a estratégia de Deus para salvar seu povo, revelada por Nossa Senhora em Fátima No final de sua vida, em uma carta dirigida à família montfortiana em 2003, o Papa Wojtyla contou que em sua juventude a leitura do “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria” ajudou muito porque ali encontrou a resposta às suas dúvidas sobre o temor do culto excessivo a Maria que poderia deixar de lado a supremacia do culto a Cristo. “Sob os cuidados sábios de São Luís Maria, compreendi que, se vivemos o mistério de Maria em Cristo, esse perigo não existe. Em efeito, o pensamento mariológico deste santo ‘está baseado no mistério trinitário e na verdade da encarnação do Verbo de Deus’”, assinalou o Pontífice polonês. Leia também Resposta a um seminarista que falava contra a Total Consagração à Santíssima Virgem Também assinalou que “a doutrina deste Santo exerceu uma profunda influência na devoção mariana de muitos fiéis e também em minha vida. Trata-se de uma doutrina vivida, de notável profundidade ascética e mística, expressa com um estilo vivo e ardente, que muitas vezes utiliza imagens e símbolos”. Na atualidade, congregações e grupos da Igreja preparam milhares de fiéis em diversos países que desejam consagrar-se à Mãe de Deus através do método de São Luís Maria. Com informações de ACI Digital e Blog Todo de Maria Assista a formação: A Origem da Total Consagração a Nossa Senhora #ConsagraçãoàNossaSenhora #FormaçõesCatólicas #TotalConsagração
- O livro que o demônio tentou esconder por mais de um século com medo que alguém o encontrasse
O livro Tratado da Verdadeira Devoção à Maria, de São Luís Maria Grignion de Montfort permaneceu por 130 anos no silêncio de um baú. No passado, o demônio tentou evitar a difusão do “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria”, de São Luís Maria Grignion de Montfort, o qual propõe um método de consagração a Jesus Cristo por meio da Virgem Maria, adotado por grandes Santos como São João Paulo II ou São Pio X. O Tratado, que esteve extraviado durante 130 anos, foi reconhecido por sua autenticidade e pureza doutrinal pelo Papa Pio IX em um decreto no dia 12 de maio de 1853, um ano antes da promulgação do dogma da Imaculada Concepção. Irmã Ágata Ângela, uma Filha da Sabedoria (instituto fundado por São Luís Maria de Montfort), que viveu a dois séculos atrás, nas crônicas de 1842 escreveu um testemunho direto sobre o redescobrimento do Tratado da Verdadeira Devoção à Maria: “Durante a Revolução Francesa as cartas e os manuscritos das comunidades (fundadas por Montfort) foram escondidos nas fazendas vizinhas, onde permaneceram sepultados no pó durante diversos anos. Aquilo que foi reencontrado, foi em parte colocado na biblioteca dos Padres (monfortinos) e outra parte na Comunidade das Irmãs; o manuscrito em questão (o Tratado) foi depositado na casa dos Padres (Saint Spirit) e ali permaneceu desconhecido como havia profetizado o autor”. De fato, no mesmo manuscrito, São Luís Maria, no ano 1712, prenuncia a perseguição de sua obra, seu quase desaparecimento e os padecimentos que ele mesmo viveria por ter revelado a doutrina que explica a função da Santíssima Virgem no plano divino da salvação e na vida do cristão. Ele escreveu: “Prevejo que muitos animais frementes virão em fúria para rasgar com seus dentes diabólicos este pequeno escrito e aquele de quem o Espírito Santo se serviu para compô-lo. Ou pelo menos procurarão envolver este livrinho nas trevas e no silêncio de uma arca, a fim de que não apareça.” (TVD 114). 🛒 Tratado da Verdadeira Devoção Monfort sofreu uma tentativa de assassinato e sua Congregação dos Missionários da Companhia de Maria recebeu diversos ataques no período de heresias como o jansenismo ou o iluminismo. “Atacarão mesmo e perseguirão aqueles que o lerem e puserem em prática. Mas, que importa? Tanto melhor! Esta visão me anima e me faz esperar um grande êxito, isto é, um grande esquadrão de bravos e valorosos soldados de Jesus e Maria, de ambos os sexos, que combaterão o mundo, o demônio e a natureza corrompida, nos tempos perigosos que mais do que nunca se aproximam!” (nº 114). Por seu conteúdo, o manuscrito sempre foi alvo de ódio do demônio, entretanto, não pôde fazer com que desaparecesse. Foi escondido “nas trevas e no silêncio de uma arca” (nº 114) e escondido em uma capela de um campo francês; tempos depois, foi levado à biblioteca da Companhia de Maria na Casa principal (França). Leia também O que é a Santa Escravidão de Amor a Jesus pelas mãos de Maria? Dia 22 de abril de 1842 o reverendo, Padre Pedro Rauterau, bibliotecário da Companhia de Maria (Monfortinos), enquanto preparava uma pregação em honra à Santa Virgem, nosso Senhor lhe colocou entre as mãos este precioso tesouro. O Padre reconheceu o estilo e o pensamento do Venerável fundador e imediatamente o entregou ao seu superior (Padre J. Dalin) que reconheceu perfeitamente a caligrafia. Assim veio à luz aquilo que o santo de Montfort “ensinou com fruto em público e em privado nas missões por diversos anos” (TVD 110), isto é que “Por meio da Santíssima Virgem Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por meio dela que deve reinar no mundo” (TVD 1). Esse livro foi escondido por causa da importância dos seus ensinamentos, ele nos revela a importância da Santíssima Virgem na história da salvação dos homens, nos indica como fazê-la reinar nos corações através da consagração total a Ela e assim pertencer perfeitamente a Cristo, impedindo as insídias do demônio e esmagando a cabeça da serpente que quer a perdição das almas no esquecimento de Deus e no pecado. Por isso o demônio tentou destruí-lo ou ao menos escondê-lo. Observou-se como a Imaculada Conceição, que esmaga a cabeça da serpente, é um ponto comum a todas as grandes aparições marianas, reconhecidas pela Igreja, a partir da aparição de Nossa Senhora das Graças a Santa Catarina Labouré (1830). É também impressionante a coincidência de datas entre o início do ciclo das aparições marianas dos últimos dois séculos e o reencontro desse escrito mariano destinado a formar gerações de santos (1842). A obra prima de Montfort de fato foi publicada no momento justo, isto é, quando começava a despontar a aurora do “tempo de Maria” que o Santo havia profetizado, o tempo da luta entre Maria e os seus humildes servos de uma parte e de satanás e os seus seguidores de outra. “O poder de Maria sobre todos os demônios resplenderá em modo particular nos últimos tempos quando satanás insidiará o seu calcanhar e isto é, os humildes servos e filhos que Ela suscitará para mover-lhe guerra.” (TVD 54). Clique aqui para adquirir o livro Tratado da Verdadeira Devoção A primeira publicação do Tratado foi feita em 1843. Logo se converteu em um dos livros mais apreciados do catolicismo contemporâneo e um dos que mais contribuíram e fomentaram a piedade cristã no mundo inteiro. São Luís Maria explica em sua obra que esta devoção é o caminho mais “fácil, curto, perfeito e seguro para chegar à união com Deus, na qual consiste a perfeição cristã” (nº 152). “Por esta devoção damos a Jesus Cristo tudo o que lhe podemos dar. Fazemo-lo da maneira mais perfeita, visto ser pelas mãos de Maria. E damos assim muito mais do que pelas outras devoções, em que lhe consagramos parte do nosso tempo, ou parte das nossas boas obras, ou parte das nossas satisfações e mortificações. Aqui tudo fica dado e consagrado, até mesmo o direito de dispor dos bens interiores, e das satisfações que se ganham com as boas obras de cada dia. Isto não se pede nem mesmo em uma ordem religiosa” (nº 123). Leia também Cardeal apresenta o Tratado de S. Luís de Montfort como um “atalho” para a santidade dos sacerdotes Para defender esta postura, assinala que “a Santa Igreja, com o Espírito Santo, abençoa em primeiro lugar a Virgem e só depois Jesus Cristo: ‘Bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto do Vosso ventre, Jesus’ (Lc 1, 42). Não é que Maria seja mais que Jesus, ou igual a Ele: dizê-lo seria uma heresia intolerável. Mas, para mais perfeitamente abençoar Jesus Cristo, é preciso louvar antes a Virgem Maria” (nº 95). O Beato Pio IX afirmou que a verdadeira devoção proposta por São Luís Maria é a melhor e mais aceitável, enquanto o Papa São Pio X aprovou a fórmula de consagração do Santo. São João Paulo II se reconheceu devedor de Luís Maria Grignion de Montfort ao adotar como lema episcopal ‘Totus tuus’ (Todo teu), fórmula de consagração a Maria do fundador francês e um de seus lemas marianos. Da mesma forma, expressou na encíclica Redemptoris Mater que era grato recordar “a figura de São Luís Maria Grignion de Montfort, o qual propunha aos cristãos a consagração a Cristo pelas mãos de Maria, como meio eficaz para viver fielmente o compromisso do batismo”. Leia também A Total Consagração e a estratégia de Deus para salvar seu povo, revelada por Nossa Senhora em Fátima No final de sua vida, em uma carta dirigida à família montfortiana em 2003, o Papa Wojtyla contou que em sua juventude a leitura do “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria” ajudou muito porque ali encontrou a resposta às suas dúvidas sobre o temor do culto excessivo a Maria que poderia deixar de lado a supremacia do culto a Cristo. “Sob os cuidados sábios de São Luís Maria, compreendi que, se vivemos o mistério de Maria em Cristo, esse perigo não existe. Em efeito, o pensamento mariológico deste santo ‘está baseado no mistério trinitário e na verdade da encarnação do Verbo de Deus’”, assinalou o Pontífice polonês. Leia também Resposta a um seminarista que falava contra a Total Consagração à Santíssima Virgem Também assinalou que “a doutrina deste Santo exerceu uma profunda influência na devoção mariana de muitos fiéis e também em minha vida. Trata-se de uma doutrina vivida, de notável profundidade ascética e mística, expressa com um estilo vivo e ardente, que muitas vezes utiliza imagens e símbolos”. Na atualidade, congregações e grupos da Igreja preparam milhares de fiéis em diversos países que desejam consagrar-se à Mãe de Deus através do método de São Luís Maria. Com informações de ACI Digital e Blog Todo de Maria Assista a formação: A Origem da Total Consagração a Nossa Senhora #ConsagraçãoàNossaSenhora #FormaçõesCatólicas #TotalConsagração
- O ABANDONO DA RAZÃO – Pe. Santiago Martín
Na pátria de Kant, a razão está de novo sendo assassinada. A razão pura e a razão prática. Ou melhor, estão matando a razão pura porque não gostam do que a razão prática lhes diz. Por outras palavras, eles querem mudar o dogma da Igreja porque não aceitam as consequências éticas desse dogma. E fazem-no recorrendo a argumentos que, pela sua natureza absurda, ofendem a razão, fazendo de tolos os que os utilizam. Refiro-me, naturalmente, ao que está acontecendo com o Sínodo Alemão. O Cardeal Brandmüller, cardeal e historiador alemão, disse que é ao mesmo tempo uma cisão e uma heresia. E o Cardeal Müller, também alemão, disse que eles têm mais medo do dogma do que o diabo da água benta. Concordo com eles, mas é também que a loucura dos sinodistas alemães os leva a defender as suas posições com argumentos que são verdadeiros ataques contra a razão e que não resistem à menor crítica. Se Kant, um bom protestante, ressuscitasse, morreria novamente, e de desgosto, pelo que se passa em seu próprio país. Porque o argumento utilizado pelos sínodos alemães para justificar o seu disparate, é que os fiéis estão abandonando a Igreja porque esta não aceita o sacerdócio feminino, o casamento de sacerdotes, o divórcio, a ideologia de género, entre outras coisas. Mas, se assim fosse, o lógico seria que os católicos que deixam a sua Igreja fossem para a Igreja Luterana, na qual tudo isso é permitido. Há padres casados, sacerdotisas, pastores e pastoras homossexuais e lésbicas que vivem com os seus parceiros, o divórcio é aceito e não têm problemas com casais homossexuais. Tudo o que desejam esses católicos, que têm mais medo do dogma da Igreja do que o diabo de água benta – na bela comparação do Cardeal Müller – já está na Igreja Luterana. Então por que não vão com os luteranos? Se para eles a Palavra de Deus, a Tradição, e mesmo o Magistério mais recente, não são vinculativos, mas meras opiniões, seria lógico que se tornassem protestantes e que os trezentos mil que deixam a Igreja todos os anos se juntassem às fileiras dos seguidores de Lutero. Será que isso realmente acontece? Por exemplo, no ano de 2016 havia 23,6 milhões de católicos na Alemanha, que diminuíram no ano seguinte para 23,3; como consequência, os luteranos deveriam ter aumentado numa quantidade semelhante. Mas não foi assim. Nessas mesmas datas passaram de 21,9 milhões para 21,5, ou seja, não só não receberam nenhum católico como perderam quatrocentos mil fiéis, cem mil a mais do que os católicos. Será realmente possível dizer, com um mínimo de rigor intelectual, que não se curvar ao que o mundo exige é a causa da fuga dos fiéis? E se olharmos para o clero, os dados dizem que em 1994 os protestantes “ordenaram” 975 pastores — incluindo nesse número não só mulheres, mas também leigos que são chamados “chefes de comunhão”. Nesse mesmo ano, os católicos ordenaram 214 padres; alguns anos mais tarde, em 2016, os luteranos “ordenaram” 322 pastores, 67 por cento menos, enquanto os católicos ordenaram 77 homens, 64,1 por cento menos. Por outras palavras, a queda nas ordenações entre protestantes — mesmo admitindo mulheres e leigos — é maior do que entre católicos. E eles ainda têm a coragem, os do Sínodo católico alemão, de dizer que a causa da crise é porque a Igreja não aceita tudo o que o mundo lhe exige. Repito, se Kant erguesse a cabeça no túmulo e visse a falta de rigor intelectual que têm alguns na sua terra natal, morreria de repugnância. O sono da razão, como diria Goya, produz monstros. No final de tudo, a chave explicativa reside no dinheiro que os fiéis pagam por serem católicos ou luteranos, o chamado “imposto religioso”. Estão enganados, e sabem-no, se pensam que os católicos não vão abandonar a sua Igreja por ser “protestante”. Se não querem que eles saiam, devem deixar de os forçar a pagar o imposto. E, acima de tudo, que sejam fiéis a Jesus Cristo, confessem a sua divindade — o que significa que os seus ensinamentos são intocáveis —, aceitem ir contra a corrente do mundo e, desta forma, aqueles que permanecem, poucos ou muitos, farão o que for necessário para apoiar a sua Igreja, que é o Corpo Místico de Cristo, e na qual encontram o verdadeiro caminho da salvação.
- O SAPO PÓS-CRISTÃO E A PRUDÊNCIA DA CARNE
Mais uma derrota para o cristianismo, sob o pretexto de defender a vida. O ministro do STF, Kassio Nunes Marques, liberou na véspera da Páscoa as celebrações religiosas presenciais, desde que cumpridas as regras do jogo sanitário. Foi uma vitória do bom senso e de todos aqueles que acreditam mais no Deus que se fez homem (crença cristã ainda predominante no Brasil), do que no homem que quer ser deus (crença de origem iluminista ainda minoritária no país, mas que, lamentavelmente, parece ser a da maioria dos ministros da suprema corte brasileira). Na segunda-feira seguinte, outro ministro da mesma corte, Gilmar Mendes, que recentemente recolocou em circulação política um ex-presidente criminoso, decidiu o contrário de Kassio Nunes: cultos religiosos devem continuar tutelados pela vontade dos governadores. Qual decisão tem mais valor? O plenário do Supremo foi convocado para decidir, preparando-se para mais um espetáculo de desrespeito à Constituição. Já se previa qual seria o resultado da partida: mais uma vez, a religião do homem que quer ser deus se sobrepôs à do Deus que se fez homem. E não deu outra: nesta quarta-feira saiu o resultado da partida. Nove a dois para o demônio e os pós-cristãos iluministas do STF, exultantes por haverem derrotado o “fanatismo religioso”. Se há temas que ainda dividem o plenário do STF, o anticristianismo tem o poder de deixá-los coesos como uma bola de gude. Ficamos sem compreender o segundo voto a favor de Cristo, dado pelo ministro Toffoli, que se diz católico, mas cujas posições anticristãs sobre aborto e homossexualismo são notórias, mais próximas de seu partido, o PT, do que da eternidade. Afinal, a religião humanitária dos iluminados juízes ouve mais a ciência do que as superstições medievais. Segundo um infectologista, que se diz do lado da vida, as celebrações religiosas são ambientes de alto risco para a contaminação viral: por serem ambientes fechados e pelas emissões de voz nas orações e nos cantos, que deixariam o ar povoado de partículas nocivas, inimigas da vida. Não seriam suficientes, portanto, a distância entre os fiéis e demais cuidados já praticados pelas paróquias. Se a palavra de ordem é preservar vidas e controlar os contágios, urge reduzir ao mínimo os ambientes permitidos. E, entre os essenciais, não estariam evidentemente os templos (“reze-se em casa”, disse o mais gutural dos ministros); à sua frente vêm os bancos e os supermercados. Ora, não consta que supermercados sejam mais abertos que os templos, nem que as bocas dos que ali estão comprando deixem de emitir partículas suspeitas. Está claro como a luz do sol (cujo estoque de vitamina D nunca esteve tão encalhado como nesses tempos de lockdown), que tal escala de prioridades é determinada pela visão de mundo agnóstica e ateísta, que sonha reduzir o homem a bicho, para as quais as atividades religiosas não passam de subprodutos ideológicos, dinossáuricos, pré-revolução francesa. Ao contrário, o ponto de vista católico vê no corpo e na alma um composto indissociável: tanto os alimentos do corpo como os da alma são essenciais e indispensáveis, ainda que os últimos sejam mais importantes que os primeiros, quando se considera o destino eterno do bicho humano. Segundo São Tomás de Aquino, comete-se grave falha moral quando se consideram os bens da carne como o objetivo principal da vida, já que o fim último do homem é a vida eterna. É o que o teólogo chama de “prudência da carne”, que é uma má prudência, uma negação da própria ideia de prudência. O amor da carne só é lícito quando submisso ao bem da alma, que é o seu fim ( Suma teológica , IIa IIae, questão 55, artigo 1). Essa hierarquização não significa menosprezo nem eliminação das necessidades corporais, mas colocação das coisas em seus devidos lugares. Não se trata de “ou” isto “ou” aquilo, mas disto “e” daquilo. Corpo e alma não são alternativas, mas uma adição indissolúvel, que a morte do primeiro só separa provisoriamente. Mas essa é uma conversa medieval demais para os iluminados do Supremo. Voltemos à Constituição, que garante a realização dos cultos religiosos, respeitando-se os ritos próprios e a liturgia de cada um deles. Se é especificidade do culto católico (a Missa) a presença dos fiéis e do padre para a realização do rito da comunhão eucarística — centro da vida e do culto católico —, o seu impedimento é obviamente inconstitucional. Nada se poderia fazer além de regulamentar o serviço religioso segundo as normas sanitárias cabíveis, jamais a sua supressão. O que passar disto é ditadura do judiciário, tão danosa quanto a ditadura militar, a ditadura do proletariado, a ditadura da “nova ordem mundial”. Desde que o direito de culto é garantido pela Constituição, e o culto católico exige presença, a Missa deve ser vista como atividade essencial. Tem todo o direito de pensar diferente a “ainda” minoria dos iluminados juristas do STF, mas não podem obrigar a “ainda” maioria cristã a engolir esse sapo — esse indigesto sapo pós-cristão.
- Via-sacra mostra Cristo agredido por feministas
Uma via-sacra realizada na Sexta-feira Santa deste ano, 2 de abril, gerou polêmica ao mostrar mulheres que representavam feministas agredindo Jesus Cristo no chão. Na via-sacra, quando Jesus estava chegando à oitava estação, foi atacado pelas figurantes feministas. A narração disse: “Há 2021 anos, o Salvador pelas ruas de Jerusalém encontrou em seu caminho um grupo de mulheres que choravam por Ele. Hoje, 2021 anos depois, o Senhor volta a se encontrar com mulheres muito diferentes daquelas que consolou”. “Mulheres imersas no coletivo irracional, exigindo direitos com insultos, destruindo tudo por onde passam, lutando por um feminismo pela dignidade das mulheres, quando nem elas mesmas se dignificam”. “Mulheres violentas, acompanhadas de atos de vandalismo. Mulheres que entram nos templos profanando a Eucaristia, zombando da Virgem Maria”, continua a narração. Leia também Foi o cristianismo, e não o feminismo, que melhorou a vida da mulher “Hoje Jesus continua se encontrando com as mulheres, mas o Senhor não deixará de repetir para nós novamente as suas palavras de consolo: mulheres de Jerusalém não chorem por mim, mas por vocês mesmas e por seus filhos. Porque embora na luta exijam o aborto como direito, desde o momento da concepção toda mulher é mãe e todo feto abortado são seus filhos”. A via-sacra foi organizada e transmitida pela Life Online Oficial, uma plataforma de evangelização vinculada à paróquia São José de Ciudad Pemex, que está sob a jurisdição da diocese de Tabasco. Os membros do Life Online Oficial se definem como “jovens católicos” interessados em “falar sobre muitos temas que nos ajudem a ser melhores e a crescer na fé, informando-nos devidamente sobre temas de interesse à luz do magistério da Igreja”. A transmissão, que durou mais de duas horas, começou às 9h58 (hora local) pelo Facebook e já tem cerca de seis mil visualizações. A via-sacra foi apresentada pelo Pe. Tomás Raymundo Rodríguez, pároco da paróquia São José de Ciudad Pemex. Ao longo da Semana Santa, o Life Online Oficial transmitiu as celebrações litúrgicas ao vivo através da sua página no Facebook. Além disso, compartilharam exercícios espirituais e atos de devoção, como a oração do terço on-line. Em diferentes meios de comunicação mexicanos, foi criticada a diocese de Tabasco e seu seminário maior por supostamente usar a celebração religiosa para criticar as feministas. Em entrevista coletiva no dia 4 de abril, o bispo de Tabasco, Dom Gerardo de Jesús Rojas López, disse que a informação que acusa a diocese e seu seminário maior é uma “notícia falsa” que “destrói, porque quando não se diz a verdade há muito perigo, há difamação, e pode ser que até calúnia”. O bispo mexicano disse que de 27 de março até 3 de abril, Sábado Santo, os seminaristas não estavam no seminário maior, pois “foram fazer missões”. “Não houve via-sacra no seminário”, disse o bispo de Tabasco, reforçando que responsabilizar a diocese ou seu seminário maior “é uma mentira”. Fonte: ACI Digital
- Via-sacra mostra Cristo agredido por feministas
Uma via-sacra realizada na Sexta-feira Santa deste ano, 2 de abril, gerou polêmica ao mostrar mulheres que representavam feministas agredindo Jesus Cristo no chão. Na via-sacra, quando Jesus estava chegando à oitava estação, foi atacado pelas figurantes feministas. A narração disse: “Há 2021 anos, o Salvador pelas ruas de Jerusalém encontrou em seu caminho um grupo de mulheres que choravam por Ele. Hoje, 2021 anos depois, o Senhor volta a se encontrar com mulheres muito diferentes daquelas que consolou”. “Mulheres imersas no coletivo irracional, exigindo direitos com insultos, destruindo tudo por onde passam, lutando por um feminismo pela dignidade das mulheres, quando nem elas mesmas se dignificam”. “Mulheres violentas, acompanhadas de atos de vandalismo. Mulheres que entram nos templos profanando a Eucaristia, zombando da Virgem Maria”, continua a narração. Leia também Foi o cristianismo, e não o feminismo, que melhorou a vida da mulher “Hoje Jesus continua se encontrando com as mulheres, mas o Senhor não deixará de repetir para nós novamente as suas palavras de consolo: mulheres de Jerusalém não chorem por mim, mas por vocês mesmas e por seus filhos. Porque embora na luta exijam o aborto como direito, desde o momento da concepção toda mulher é mãe e todo feto abortado são seus filhos”. A via-sacra foi organizada e transmitida pela Life Online Oficial, uma plataforma de evangelização vinculada à paróquia São José de Ciudad Pemex, que está sob a jurisdição da diocese de Tabasco. Os membros do Life Online Oficial se definem como “jovens católicos” interessados em “falar sobre muitos temas que nos ajudem a ser melhores e a crescer na fé, informando-nos devidamente sobre temas de interesse à luz do magistério da Igreja”. A transmissão, que durou mais de duas horas, começou às 9h58 (hora local) pelo Facebook e já tem cerca de seis mil visualizações. A via-sacra foi apresentada pelo Pe. Tomás Raymundo Rodríguez, pároco da paróquia São José de Ciudad Pemex. Ao longo da Semana Santa, o Life Online Oficial transmitiu as celebrações litúrgicas ao vivo através da sua página no Facebook. Além disso, compartilharam exercícios espirituais e atos de devoção, como a oração do terço on-line. Em diferentes meios de comunicação mexicanos, foi criticada a diocese de Tabasco e seu seminário maior por supostamente usar a celebração religiosa para criticar as feministas. Em entrevista coletiva no dia 4 de abril, o bispo de Tabasco, Dom Gerardo de Jesús Rojas López, disse que a informação que acusa a diocese e seu seminário maior é uma “notícia falsa” que “destrói, porque quando não se diz a verdade há muito perigo, há difamação, e pode ser que até calúnia”. O bispo mexicano disse que de 27 de março até 3 de abril, Sábado Santo, os seminaristas não estavam no seminário maior, pois “foram fazer missões”. “Não houve via-sacra no seminário”, disse o bispo de Tabasco, reforçando que responsabilizar a diocese ou seu seminário maior “é uma mentira”. Fonte: ACI Digital
- IGOR STRAVINSKI, O COMPOSITOR QUE ERA AMIGO DOS PAPAS – Massimo Scapin
Nascido na Igreja Ortodoxa Russa, [há 150 anos], Stravinsky se aproxima da Igreja e da religião novamente por volta de 1930. Fez amizade com o filósofo católico francês Jacques Maritain, leu a Vida de São Francisco do escritor dinamarquês Johannes Jorgensen. Escreveu, em 1930, a Sinfonia dos Salmos para coro e orquestra, que está entre os maiores atos de fé na música de todos os tempos, e a Missa Latina para coro e instrumentos de sopro, que terminou de compor em 1948 nos Estados Unidos, onde se estabeleceu por oito anos. Stravinsky via a Igreja Católica com certa simpatia: “Cresci com profunda admiração pelo catolicismo, e fui levado a isso pela minha educação espiritual e pela minha natureza (sou muito mais ocidental do que oriental). A religião ortodoxa que professo é muito próxima do catolicismo. E não seria surpreendente se um dia eu me tornasse católico “(E. Zanetti, Guida a The Rake’s Progress , La Biennale di Venezia, XIV Festival Internazionale di Musica Contemporanea, Venezia, 1951, p. 9). O Papa João XXIII, no primeiro mês de seu pontificado, recebeu Stravinsky em audiência privada, no Vaticano, em 26 de novembro de 1958, poucos dias antes do maestro dirigir a Orquestra da RAI em Roma em um concerto com sua música ( Les noces , Sinfonia em três movimentos e Cenas de balé ). Enquanto era Patriarca da Sereníssima, Papa Roncalli o conheceu em 10 de agosto de 1956, em Veneza, quando deu sua aprovação para a estreia mundial, sob a direção do autor, em 13 de setembro do mesmo ano, na Basílica de San Marco, do Canticum sacrum ad honorem Sancti Marci nominis , para tenor, barítono, coro e orquestra, de autoria do compositor russo (no âmbito do 19º festival de música contemporânea). A conversa com o Papa, na presença de Robert Craft, maestro americano e assistente de Stravinsky, “foi muito agradável a ambos” (R. Craft, «Inguarum» Stravinsky e Adriana Panni, in A. Quattrocchi, Novecento: studi in onore di Adriana Panni , EDT, Torino 1996, p. 15). Foi também uma oportunidade para falar de Veneza e relembrar aquele concerto, definido por alguns críticos como um “assassinato na catedral” ( Time , 24 de setembro de 1956). “Quando Stravinsky se levantou para sair e se abaixou para beijar o anel de Pedro, o Santo Padre deu uma simpática prova de modéstia, pedindo-lhe uma fotografia autografada”. João XXIII morreu na noite de 3 de junho de 1963; alguns meses antes, ele havia nomeado o compositor, como afirma o diploma, INGUARUM Stravinsky Equitem Commendatorem Ordinis Sancti Sylverstri Papæ, Commendatore dell’Ordine di San Silvestro Papa (R. Craft, ibidem). Em 18 de agosto de 1963, o arcebispo Edwin V. Byrne (1891-1963), de Santa Fé, capital do Novo México (EUA), em sua catedral de São Francisco de Assis deu a Stravinsky, de 81 anos, o diploma com a insígnia da Ordem da Cavalaria; em seguida, o mestre dirigiu sua própria Missa, dedicando-a “à memória de seu augusto amigo de Abençoada Memória” (R. Craft, ibidem). Paulo VI, às 18h00 do dia 12 de junho de 1965, assiste no Auditório Pio, próximo ao Vaticano, a um concerto sinfônico de música religiosa contemporânea, que lhe ofereceu a Rádio e Televisão Italiana (RAI). No programa, constava Two Solemn Melodies , op. 77, para violino e orquestra do finlandês Jean Sibelius (1865-1957); São Francisco de Assis , mistério para solos, coro e orquestra do veneziano Gian Francesco Malipiero (1882-1973); Salmo 129 , para barítono e orquestra do francês Darius Milhaud e a Sinfonia dos salmos do nosso compositor. Foi a última estada de Stravinsky em Roma e ele se sentou ao lado do Papa, ouvindo a obra-prima de seu período neoclássico. “Um momento de tensão ocorre após os Salmos, quando Stravinsky tenta se ajoelhar e beijar o anel do Pescador, mas escorrega e perde momentaneamente o equilíbrio” (cfr. R. Craft, Stravinsky: Chronicle of a Friendship , Vanderbilt University Press, 1994, p. 423) Certamente a Sinfonia dos Salmos se destaca nas onze obras de música sacra do músico russo. O verdadeiro impulso espiritual que move esta partitura nos é revelado já nas primeiras palavras com que o autor a dedica à Orquestra Sinfônica de Boston, por ocasião do quinquagésimo aniversário de sua fundação: “Cette Symphonie composée à la gloire de Dieu … “(Esta sinfonia composta para a glória de Deus …). https://lanuovabq.it/it/igor-stravinskij-il-compositore-amico-dei-papi
- CELEBRAÇÃO DAS EXÉQUIAS
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- RITUAL ROMANO DO MATRIMÔNIO
RITUAL ROMANO DO MATRIMÔNIO Please wait while flipbook is loading. For more related info, FAQs and issues please refer to DearFlip WordPress Flipbook Plugin Help documentation. RITUAL ROMANO REFORMADO POR DECRETO DO CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II PROMULGADO POR AUTORIDADE DE S. S. O PAPA PAULO VI E REVISTO SOB O CUIDADO DE S. S. O PAPA JOÃO PAULO II CELEBRAÇÃO DO MATRIMÓNIO TERCEIRA EDIÇÃO CONFERÊNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA FONTE: SECRETARIADO NACIONAL DE LITURGIA DE PORTUGAL #RITUALROMANO #PAPAJOÃOPAULOII #RITUALROMANODOMATRIMÔNIO #papapaulovi #CONCÍLIOECUMÉNICOVATICANOII
- RITUAL ROMANO DE UNÇÃO DOS DOENTES
RITUAL ROMANO DE UNÇÃO DOS DOENTES Please wait while flipbook is loading. For more related info, FAQs and issues please refer to DearFlip WordPress Flipbook Plugin Help documentation. REFORMADO POR DECRETO DO CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II E PROMULGADO POR AUTORIDADE DE S. S. O PAPA PAULO VI R I T U A L R O M A N O UNÇÃO E PASTORAL DOS DOENTES SEGUNDA EDIÇÃO TÍPICA Reimpressão CONFERÊNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA FONTE: https://www.liturgia.pt/ #papapaulovi #RITUALROMANO #RITUALROMANODOSDOENTES
- RITUAL ROMANO DA PENITÊNCIA
RITUAL ROMANO DA PENITÊNCIA Please wait while flipbook is loading. For more related info, FAQs and issues please refer to DearFlip WordPress Flipbook Plugin Help documentation. RITUAL ROMANO REFORMADO POR DECRETO DO CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II E PROMULGADO POR AUTORIDADE DE S. S. O PAPA PAULO VI CELEBRAÇÃO DA PENITÊNCIA SEGUNDA EDIÇÃO conferência episcopal portuguesa FONTE: https://www.liturgia.pt/ #CELEBRAÇÃODAPENITÊNCIA #papapaulovi #RITUALROMANO
- RITUAL ROMANO DOS EXORCISMOS
RITUAL ROMANO DOS EXORCISMOS Please wait while flipbook is loading. For more related info, FAQs and issues please refer to DearFlip WordPress Flipbook Plugin Help documentation. RITUAL ROMANO REFORMADO POR DECRETO DO CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II E PROMULGADO POR AUTORIDADE DE S. S. O PAPA JOÃO PAULO II CELEBRAÇÃO DOS EXORCISMOS CONFERÊNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA FONTE: https://www.liturgia.pt #EXORCISMOS #RITUALDOSEXORCISMOS #CELEBRAÇÃODOSEXORCISMOS #PAPAJOÃOPAULOII #RITUALROMANODOSEXORCISMOS
- RITUAL DA PROFISSÃO RELIGIOSA
RITUAL DA PROFISSÃO RELIGIOSA Please wait while flipbook is loading. For more related info, FAQs and issues please refer to DearFlip WordPress Flipbook Plugin Help documentation. RITUAL ROMANO REFORMADO POR DECRETO DO CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II E PROMULGADO POR AUTORIDADE DE S. S. O PAPA PAULO VI RITUAL DA PROFISSÃO RELIGIOSA CONFERÊNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA #papapaulovi #RITUALDAPROFISSÃORELIGIOSA #RITUALROMANO #vaticanoii
- BÊNÇÃO DE UM ABADE E DE UMA ABADESSA
BÊNÇÃO DE UM ABADE E DE UMA ABADESSA Please wait while flipbook is loading. For more related info, FAQs and issues please refer to DearFlip WordPress Flipbook Plugin Help documentation. PONTIFICAL ROMANO REFORMADO POR DECRETO DO CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II E PROMULGADO POR AUTORIDADE DE S. S. O PAPA PAULO VI BÊNÇÃO DE UM ABADE E DE UMA ABADESSA CONFERÊNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA FONTE: https://www.liturgia.pt RITO DA BÊNÇÃO DE UM ABADE PRELIMINARES 1. A bênção do Abade deve fazer-se com a assistência dos religiosos e, se possível, dos fiéis, num domingo ou dia festivo, a não ser que motivos de ordem pastoral aconselhem outra coisa. 2. A bênção do Abade é normalmente celebrada pelo Bispo do lugar em que está situado o mosteiro. Havendo, porém, justa causa, e dado o consentimento do Bispo local, o Eleito pode receber a bênção de outro Bispo ou de outro Abade. 3. O Eleito é assistido por dois monges do seu mosteiro. 4. Convém que os dois religiosos assistentes, se forem presbíteros, bem como os abades, religiosos sacerdotes, e outros sacerdotes, eventualmente presentes, concelebrem a Missa, juntamente com o Prelado que confere a bênção e o Abade eleito. 5. Se a bênção for conferida, na própria abadia do Eleito, por outro Abade, este pode convidar o Eleito a presidir à concelebração na Liturgia Eucarística. Aliás, presidirá à concelebração o Prelado que tiver conferido a bênção. Neste caso, o novo Abade ocupará o primeiro lugar entre os demais concelebrantes. 6. O Prelado que confere a bênção e os concelebrantes revestem-se dos paramentos sagrados requeridos para a celebração da Missa; o Bispo, também da dalmática. O Eleito reveste-se igualmente dos paramentos sacerdotais, e, por baixo da casula, põe a cruz peitoral e a dalmática. Os religiosos assistentes do Eleito, se não concelebram, irão de hábito coral ou de sobrepeliz por cima do hábito. 7. Normalmente, a bênção do anel, do báculo e da mitra far-se-á numa altura oportuna, antes da bênção do Eleito. #BÊNÇÃODEUMABADEEDEUMAABADESSA #vaticanoii #CONFERÊNCIAEPISCOPALPORTUGUESA #BÊNÇÃODEUMABADE #papapaulovi #PONTIFICALROMANO #abadessa
- VOCAÇÃO NACIONAL PARA A PAGODEIRA
O desinteresse dos nossos cursos universitários de Letras pelos clássicos mais antigos parece que é congênito ao povo brasileiro. Tudo isso já estava lá, no começo de tudo, na época dos jesuítas e das primeiras caravelas. Padre Serafim Leite, no primeiro volume de sua vasta e erudita História da Companhia de Jesus no Brasil , mostra com fartura de exemplos o imenso trabalho que os padres da Companhia de Jesus empreenderam, mundo afora, para aprimorar seu método de ensino, o “Ratio Studiorum” (estudo racional, sistemático), que inegavelmente contribuiu para o desenvolvimento da civilização ocidental. O método previa três graus, ou áreas, como preferimos dizer hoje: Letras Humanas, Filosofia e Teologia. Letras Humanas, que vinha após o ensino elementar, equivalia ao nosso ginasial e se dividia em Retórica, Humanidades (literatura antiga e história) e Gramática (elevada, média e básica). Segundo os jesuítas, a principal preocupação do adolescente devia ser o domínio das ferramentas do conhecimento: aprender a ler, escrever e falar. A principal língua era o latim, única que os alunos deviam usar em aula para escrever ou conversar, embora também fossem iniciados no grego e no hebraico. Os modelos de escrita eram os velhos clássicos gregos e latinos, que ainda estavam na ordem do dia: Homero, Demóstenes, Horácio, Ovídio e, como mestres de estilo, Cícero e Virgílio. No Brasil, ensinava-se também o que os padres chamavam de “grego da terra”, a língua dos índios, que logo teve a honra de merecer gramática e dicionário. Em seguida, vinha o curso de Filosofia, preparatório para o de Teologia, tanto teórica como prática, com discussão de casos morais. Conta o nosso historiador que o regulamento em sala de aula era rigoroso e o trabalho era árduo. Não se permitia demasiado lazer aos alunos, e os melhores estudantes, dos quais sairiam os futuros professores, tinham tratamento especial: não se desperdiçavam os talentos, como agora. Um cuidado que nós, hoje em dia, responsáveis por uma cultura de “melhores abandonados”, preferimos chamar desdenhosamente de elitista. No entanto, essa notável máquina de ensinar criada pelos jesuítas — que era utilizada nos quase mil colégios espalhados por todo o mundo, até o século XVIII, quando a ordem foi extinta —, pelo jeito não fazia muito sucesso aqui em nossa relapsa terrinha… Os padres, em suas cartas, referiam-se com frequência à pouca disposição dos brasileiros para os estudos, apesar de quase todos garantirem que fossem talentosos. Talentosos, porém com uma aversão crônica ao método. Parece que nascemos para ser assim, enquanto povo e nação, avessos a todo estudo mais sistemático. Nenhuma “Ratio Studiorum”, com toda a sua austeridade pedagógica, podia dar conta da irrefreável tendência nacional para a pagodeira e a dispersão. Leia-se o que escreveu um desses padres decepcionados: por ser a “terra relaxada, remissa e melancólica, tudo se vai em festas, cantigas e folganças”. Ou seja, enquanto no resto do mundo a moçada ralava nas línguas clássicas e no estudo dos antigos, nossos antepassados tinham uma missão histórica muito mais importante: estavam lançando as bases, cada vez mais sólidas, da nossa futura mentalidade carnavalesca. Em vez da rigidez jesuítica, sempre preferimos “distrações repetidas e demasiadas”. Festejar, cantar, folgar… Era, e continua a ser, o nosso jeitinho próprio de contribuir para o aperfeiçoamento dos grandes vícios da espécie humana. Outro jesuíta da época, padre Pero Rodrigues, precursor daqueles naturalistas europeus que logo aportariam nos trópicos para pesquisar a fauna e a flora brasileira, pintou o seguinte quadro no português arcaico de então: “Como nesta província nasce um bicho, como raposas, a que chamam preguiça, não sei como também se pega em muitos a pouca curiosidade do estudo e contentam-se com pouco, donde entra a ociosidade e com ela suas filhas e isto se vê mais nos naturais”. Traduzido para o português de hoje, ficaria mais ou menos assim: “Nesta província nasce um bicho, parecido com raposa, a que chamam de preguiça, com o qual muitas pessoas se parecem, pois demonstram pouca curiosidade para o estudo e contentam-se com pouco. É aí que entra a ociosidade e, com ela, suas filhas (os vícios), sobretudo nos índios”. O resultado, segundo Pe. Serafim Leite, era uma quase total falta de aplicação aos estudos e a permanente ameaça de desistência. Evasão escolar, portanto, não é coisa nova no país: acha-se entre os mais veneráveis problemas brasileiros.
- RITO DA INICIAÇÃO CRISTÃ DE ADULTOS – RICA
RITO DA INICIAÇÃO CRISTÃ DE ADULTOS – RICA Please wait while flipbook is loading. For more related info, FAQs and issues please refer to DearFlip WordPress Flipbook Plugin Help documentation. RITUAL ROMANO reformado por decreto do Concílio Ecuménico Vaticano II e promulgado por autoridade de S. S. o Papa Paulov VI INICIAÇÃO CRISTÃ DOS ADULTOS SEGUNDA EDIÇÃO conferência episcopal portuguesa FONTE: PRELIMINARES GERAIS 1. Pelos sacramentos da iniciação cristã, os homens, libertos do poder das trevas, mortos com Cristo, e com Ele sepultados e ressuscitados, recebem o Espírito de adopção filial e celebram, com todo o povo de Deus, o memorial da morte e ressurreição do Senhor. 2. Com efeito, unidos a Cristo pelo Baptismo, eles são constituídos em povo de Deus e, depois de recebido o perdão de todos os pecados, libertos do poder das trevas, passam ao estado de filhos adoptivos, feitos nova criatura pela água e pelo Espírito Santo, pelo que são chamados e são de verdade filhos de Deus. Assinalados na Confirmação com o dom do mesmo Espírito, são mais perfeitamente configurados ao Senhor e repletos do Espírito Santo, para levarem o Corpo de Cristo, o mais depressa possível, à plenitude, dando testemunho d’Ele no mundo. #RITODAINICIAÇÃOCRISTÃDEADULTOSRICA #RITUALROMANO #RITUALROMANODAINICIAÇÃOCRISTÃDEADULTOS
- CELEBRAÇÃO DAS BÊNÇÃOS
RITUAL ROMANO DA CELEBRAÇÃO DAS BÊNÇÃOS Please wait while flipbook is loading. For more related info, FAQs and issues please refer to DearFlip WordPress Flipbook Plugin Help documentation. RITUAL ROMANO REFORMADO POR DECRETO DO CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II E PROMULGADO POR AUTORIDADE DE S.S. O PAPA JOÃO PAULO II CELEBRAÇÃO DAS BÊNÇÃOS CONFERÊNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA FONTE: http://www.conferenciaepiscopal.pt/v1/ PRELIMINARES GERAIS I. A BÊNÇÃO NA HISTÓRIA DA SALVAÇÃO 1. A fonte e origem de toda a bênção é Deus bendito sobre todas as coisas, que, como único e sumo bem, tudo fez bem feito, para encher de bênçãos as suas criaturas e, mesmo depois da queda do homem, continua a derramar essas bênçãos, como sinal da sua misericórdia. 2. Mas quando chegou a plenitude dos tempos, o Pai enviou o seu Filho e por Ele __ ao assumir a condição humana __ de novo a bençoou os homens com todas as bênçãos espirituais. E assim se converteu em bênção a antiga maldição, quando «nasceu o Sol de justiça, Cristo nosso Deus, que destruiu a maldição e nos trouxe a bênção». 3. Cristo, a maior bênção do Pai, apareceu no Evangelho abençoando os irmãos, principalmente os mais humildes, e elevando ao Pai uma oração de bênção. Finalmente, tendo sido glorificado pelo Pai e subido ao Céu, derramou sobre os irmãos, remidos com o seu Sangue, o dom do Espírito, para que, movidos pelo seu poder, pudessem louvar e glorificar em todas as coisas a Deus Pai, adorá-l’O e dar-Lhe graças, e, praticando obras de caridade, merecessem ser contados entre os benditos do seu reino. #BÊNÇÃOS #CELEBRAÇÃODASBÊNÇÃOS #joãopauloii #RITUALROMANO
- BATISMO DAS CRIANÇAS
RITUAL ROMANO DO BATISMO DAS CRIANÇAS Please wait while flipbook is loading. For more related info, FAQs and issues please refer to DearFlip WordPress Flipbook Plugin Help documentation. RITUAL ROMANO reformado por decreto do Concílio Ecuménico Vaticano II e promulgado por autoridade de S. S. o Papa Paulo VI CELEBRAÇÃO DO BAPTISMO DAS CRIANÇAS SEGUNDA EDIÇÃO TÍPICA conferência episcopal portuguesa FONTE: http://www.conferenciaepiscopal.pt/ INICIAÇÃO CRISTÃ PRELIMINARES GERAIS 1. Pelos sacramentos da iniciação cristã, os homens, libertos do poder das trevas, mortos com Cristo, e com Ele sepultados e ressuscitados, recebem o Espírito de adopção filial e celebram, com todo o povo de Deus, o memorial da morte e ressurreição do Senhor. 2. Com efeito, unidos a Cristo pelo Baptismo, eles são constituídos em povo de Deus e, depois de recebido o perdão de todos os pecados, libertos do poder das trevas, passam ao estado de filhos adoptivos, feitos nova criatura pela água e pelo Espírito Santo. Assinalados na Confirmação com o dom do mesmo Espírito, são mais perfeitamente configurados ao Senhor e repletos do Espírito Santo, para levarem o Corpo de Cristo, o mais depressa possível, à plenitude, dando testemunho d’Ele no mundo. Finalmente, participando na assembleia eucarística, comem a carne do Filho do homem e bebem o seu sangue, para receberem a vida eterna e exprimirem a unidade do povo de Deus; oferecendo-se a si mesmos com Cristo, participam no sacrifício universal, que é toda a cidade redimida, oferecida a Deus pelo sumo Sacerdote; e fazem com que, por uma efusão mais plena do Espírito Santo, todo o género humano chegue à unidade da família de Deus. Por isso, os três sacramentos da iniciação de tal modo estão unidos entre si, que, por eles, os fiéis chegam ao seu pleno desenvolvimento, e exercem a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo. #RITUALROMANO #BATISMO #BATISMODASCRIANÇAS #CELEBRAÇÃODOBATISMO #CELEBRAÇÃODOBAPTISMODASCRIANÇAS
- Cardeal Alemão: Igreja alemã não só cismática, mas também herege
Cardeal Alemão: Igreja alemã não só cismática, mas também herege Na “Igreja Católica” na Alemanha, não há apenas um cisma, mas também uma heresia, o que significa uma dissidência no nível doutrinário, disse o Cardeal Walter Brandmüller a IlMessaggero.it (4 de abril), Ele notou que a “Igreja Católica” alemã há muito clama por sacerdotisas, Comunhão para adúlteros, aceita a homossexualidade e abençoa uniões homossexuais. “Isso é um deslize nas posições protestantes, talvez eles queiram uma Igreja unida aos protestantes”, disse Brandmüller, um convertido do protestantismo. Ele sabe que muito poucas pessoas se juntarão ao cisma alemão porque a maioria dos “católicos” alemães é profundamente indiferente, secularizada e à beira de abandonar todas as religiões. A condenação radical de Brandmüller aos “protestantes” é um tanto injusta, pois há muitos grupos protestantes que estão se saindo muito melhor do que a decadente Igreja Novus Ordo. FONTE: https://gloria.tv/post/WtE3VosjuXpD6FAvsrMn3YcvL #CardealAlemão #CardealWalterBrandmüller #Igrejaalemã #Igrejaalemãnãosócismática
- Na Segunda-feira da Páscoa celebramos a “Segunda-Feira do Anjo”, entenda o por quê.
Hoje, Segunda-feira da Páscoa, a Igreja celebra a chamada “Segunda-feira do Anjo”, que recebe este nome porque foi precisamente um anjo que, no sepulcro, anunciou às mulheres que Jesus tinha ressuscitado. Em um dia como hoje, em 2017, Vatican News recordou a explicação dada por São João Paulo II em 1994. “Por que se chama assim?”, perguntou o Pontífice, colocando em evidência a necessidade de destacar a figura daquele anjo, que disse das profundezas do sepulcro: “Ele ressuscitou”. Estas palavras “eram muito difíceis de pronunciar, de expressar, para uma pessoa. Além disso, as mulheres que foram ao sepulcro, o encontraram vazio, mas não puderam dizer ‘ressuscitou’; só afirmaram que o sepulcro estava vazio. Mas o anjo disse: ‘Ele não está aqui, ressuscitou’”. Assim narra o Evangelho de Mateus: “Mas o anjo, respondendo, disse às mulheres: Não tenhais medo; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito. Vinde, vede o lugar onde o Senhor jazia. Ide pois, imediatamente, e dizei aos seus discípulos que já ressuscitou dentre os mortos. E eis que ele vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis. Eis que os disse”. (Mt 28, 5-7) Os anjos são servidores e mensageiros de Deus. Como criaturas puramente espirituais, têm inteligência e vontade: são criaturas pessoais e imortais. Superam a perfeição de todas as criaturas visíveis. O resplendor da sua glória testemunha isso: Cristo é o centro do mundo dos anjos e estes lhe pertencem, ainda mais, porque os tornou mensageiros do seu plano de salvação. A partir de hoje, até o final da Páscoa no dia de Pentecostes, se reza a oração do Regina Coeli em vez da Oração do Ângelus. O Sumo Pontífice Emérito Bento XVI, em 2009, assinalou que o “Alegrai-vos” Maria pronunciado pelo anjo é um convite à alegria: “Gaude et laetare, Virgem Maria, aleluia, quia Surrexit Dominus vere, aleluia”, “Alegrai-vos e exultai, Virgem Maria, aleluia, pois o Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia”. Fonte: ACI Digital
- Na Segunda-feira da Páscoa celebramos a “Segunda-Feira do Anjo”, entenda o por quê.
Hoje, Segunda-feira da Páscoa, a Igreja celebra a chamada “Segunda-feira do Anjo”, que recebe este nome porque foi precisamente um anjo que, no sepulcro, anunciou às mulheres que Jesus tinha ressuscitado. Em um dia como hoje, em 2017, Vatican News recordou a explicação dada por São João Paulo II em 1994. “Por que se chama assim?”, perguntou o Pontífice, colocando em evidência a necessidade de destacar a figura daquele anjo, que disse das profundezas do sepulcro: “Ele ressuscitou”. Estas palavras “eram muito difíceis de pronunciar, de expressar, para uma pessoa. Além disso, as mulheres que foram ao sepulcro, o encontraram vazio, mas não puderam dizer ‘ressuscitou’; só afirmaram que o sepulcro estava vazio. Mas o anjo disse: ‘Ele não está aqui, ressuscitou’”. Assim narra o Evangelho de Mateus: “Mas o anjo, respondendo, disse às mulheres: Não tenhais medo; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito. Vinde, vede o lugar onde o Senhor jazia. Ide pois, imediatamente, e dizei aos seus discípulos que já ressuscitou dentre os mortos. E eis que ele vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis. Eis que os disse”. (Mt 28, 5-7) Os anjos são servidores e mensageiros de Deus. Como criaturas puramente espirituais, têm inteligência e vontade: são criaturas pessoais e imortais. Superam a perfeição de todas as criaturas visíveis. O resplendor da sua glória testemunha isso: Cristo é o centro do mundo dos anjos e estes lhe pertencem, ainda mais, porque os tornou mensageiros do seu plano de salvação. A partir de hoje, até o final da Páscoa no dia de Pentecostes, se reza a oração do Regina Coeli em vez da Oração do Ângelus. O Sumo Pontífice Emérito Bento XVI, em 2009, assinalou que o “Alegrai-vos” Maria pronunciado pelo anjo é um convite à alegria: “Gaude et laetare, Virgem Maria, aleluia, quia Surrexit Dominus vere, aleluia”, “Alegrai-vos e exultai, Virgem Maria, aleluia, pois o Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia”. Fonte: ACI Digital
- A pobreza filosófica do ateísmo
Um dos maiores nomes da filosofia brasileira, Mário Ferreira dos Santos, faz uma dura crítica aos movimentos materialistas e ateístas de forma geral. . Para ele, tais movimentos eram intelectualmente pobres, favoreciam apenas um pensar mecânico e utilitarista, escapando das análises mais profundas que abarcam o âmago da existência humana. . Ele defendia que até mesmo as críticas que esses movimentos teciam contra o cristianismo baseavam-se em falsas premissas, pois elas se apoiavam – e se apoiam – em caricaturas e deformações feitas por uma leitura precipitada de autores mal-intencionados e tolos. Devido a isso, construíram uma imagem equivocada de Deus e, em constante guerra, militam contra esse conceito de Deus. Como ele diz: “o materialismo, o positivismo e doutrinas dessa espécie não se mantinham em pé, quando passavam pelo crivo de uma crítica filosófica séria.” . Tais movimentos se colocam como anticristãos, e numa tentativa pobre e desesperada buscam substituí-lo como religião. Mas esquecem-se que o cristianismo não é mera filosofia especulativa, é a crença sólida que transforma vidas, é um relacionamento íntimo com o Deus vivo, na pessoa de Jesus Cristo. O ateísmo não tem nada a oferecer. Ele não responde os anseios mais profundos do homem, não é intelectualmente razoável e não é capaz de dar um sentido a existência. O cristianismo, ao contrário, abrange todos os aspectos da existência. Proporciona uma mudança profunda do coração, satisfazendo não somente o intelecto, mas os anseios mais íntimos do nosso ser. Cristo traz a Luz onde existia trevas e sentido onde existia confusão e caos. . Eis que faço novas todas as coisas (Apocalipse 21:5) . Ramon Serrano
- Escravos de likes
Vivemos numa geração onde a internet representa uma parte crucial de nossa rotina, para o bem ou para o mal. . Isso tem trazido um impacto gigantesco para nossa vida, especialmente para os mais jovens. Os jovens são frágeis, buscam o amor e aceitação que muitas vezes não receberam de suas famílias. E ao tentar satisfazer essa necessidade emocional nas mídias sociais, ele não só se torna ainda mais vulnerável, mas também um escravo daquilo. . A internet cria uma espécie de identidade para o usuário, quem você segue, o que você twitta, quais marcas você gosta, qual artista você ouve, e tudo o mais que puder te rotular como pertencente a uma determinada comunidade está ali. E serem aceitos, incluídos e respeitados por essa comunidade, é o no fundo tudo o que eles querem. Por isso, existe todo um cuidado com a imagem que eles constroem on-line e uma codependência emocional da internet. . Mas isso acaba sendo uma forma de escravidão, e pior, de pessoas que você sequer conhece na vida real. Pessoas que na vida real, não moveriam uma pena para te ajudar. . Mas porque isso ocorre? De forma breve, existe uma falha familiar em criar um ambiente onde a busca por um modelo de ‘boa vida’ seja o evangelho, e não a cultura pop. Os pais são os primeiros professores que toda criança tem, e é a eles que ela irá imitar durante anos. . Até mesmo a igreja tem falhado na construção de um imaginário cristão nas crianças e jovens. Elas acabaram entrando na competição secular, e “jesuificaram” elementos da cultura. Se existe o pop secular, temos o pop gospel, balada gospel, e tudo mais que o que você imaginar. Nosso chamado não é se isolar da cultura, muito menos ser escravo dela, mas viver de modo pleno o evangelho de Cristo, entendendo que Cristo é Senhor de tudo e todos. . Devemos reorientar nossos amores, não mais buscando ser o que o mundo apresenta a nós, mas o que o evangelho ensina. Devemos sempre lembrar que em Cristo já somos aceitos, e é por Ele que recebemos uma identidade, que somos livres de verdade. Ramon Serrano
- AMAR OS INIMIGOS É ABRIR-LHES A PORTA DE CASA?
O filme Lourdes (2009), da diretora austríaca Jessica Hausner, parece uma típica manifestação do pensamento gnóstico — Deus pode até existir, mas não é justo —, expresso no milagre alcançado pela paralítica Christine, que sofre de esclerose múltipla e vê o mundo pelo ângulo desconfortabilíssimo de uma cadeira de rodas. Christine, apesar do nome, óbvio demais em sua ironia, é uma cristã sem fé. Até a maneira como ela aparece na cidade de Lourdes é gnóstico-existencialista: jogada ali como coisa (a “derrelição” a que se referia o filósofo Martin Heidegger, também ele um gnóstico, em sua obra Ser e tempo ), não se sabe como, sem parentes ou amigos, cuidada por uma enfermeira egoísta e leviana. Só depois, com a ajuda da internet, ficamos sabendo que os peregrinos ali estão sob os cuidados da Ordem de Malta, que todo ano organiza em Lourdes um “tour” de doentes (que, sem exceção, parecem emprestados de algum filme de Ingmar Bergman). “Há pouca, pouquíssima luz em todo o filme, cuja clave cromática é o chumbo: nuvens negras no céu até nas raras cenas exteriores”, viu bem Vittorio Messori, no lúcido comentário ao filme publicado pelo Corriere dela sera (12 de fevereiro de 2010). No ambiente da história, oprimido pela falta de luz, vida mesmo, segundo Messori, só havia na troca de olhares entre as moças de véu e os rapazes de quepe, voluntários da Ordem de Malta, e que parece encerrar a verdadeira mensagem da obra: a única saída, para o beco sem saída desta vida, é o carpe diem . Sem fé, Christine recebe a graça sobrenatural, ao contrário de outra jovem, também “cadeirante”, que com ela compõe o par de contrastes do filme, acompanhada da mãe que muito reza e parece muito crer. Parece ser este o objetivo do filme: mostrar o irracionalismo do demiurgo brincalhão, e não o mistério insondável de Deus. Nesse aspecto, é um filme claramente contra Lourdes, mas, paradoxalmente, acerta justo onde procura ser mais cruel: na sátira à nova Igreja e ao turismo religioso. O padre do hotel é um idiota oportunista que joga cartas com o segurança e exprime-se por chavões mal decorados no seminário. Os padres que, a certa altura, celebram o culto do Santíssimo Sacramento, parecem um bando de trapalhões esforçando-se, por ordem da diretora Jessica, para não exagerar no pastelão. O único personagem decente da fita é uma velha estúpida da boca torta, que, certamente, era por isso que ali estava: endireitar a boca. Vittorio Messori, no citado artigo, espanta-se que esse mesmo filme tenha recebido o Premio Brian, da União dos Ateus e Agnósticos Racionalistas (para quem a obra da sra. Hausner poderá contribuir para abalar a fé de muita gente, oferecendo uma visão desencantada e cética aos que ainda não a conseguiram ter), e o Prêmio Signis, concedido por católicos de uma associação internacional reconhecida oficialmente pela Santa Sé, além da atitude receptiva da Arquidiocese de Milão, apadrinhando-o e difundindo-o em suas paróquias. A Radio Vaticano também não vê maldade nenhuma no filme ( http://www.radiovaticana.org/it1/Articolo.asp?c=357033 ). Exprimindo justamente o ponto de vista daquela Igreja que é ridicularizada na obra, não enxerga as intenções ideológicas e anticatólicas do trabalho da cineasta austríaca. Para esse órgão de comunicação da Santa Sé, o filme é “austero e intenso, não quer tomar posição e muito menos criticar ou zombar, mas que, em sua essencial e lúcida equidistância, produz um debate salutar, várias reflexões sobre o milagre e as reações que despertam no coração das pessoas”. A revista Família cristã , versão italiana, participa do coro e elogia ( http://www.stpauls.it/fc/1007fc/1007fc74.htm ). É um filme controvertido, mas respeitoso, diz a matéria do periódico católico, que não se incomodou nem um pouco com a Igreja ter sido ali representada por um bando de tolos que repetem mecanicamente o jargão ritualístico. E transcreve trechos de uma entrevista da diretora, dos quais o seguinte me parece bastante revelador: “Depois da minha primeira peregrinação a Lourdes, vendo o sofrimento dos fiéis, ficava deprimida e queria abandonar o projeto. Mudei de ideia quando tive contato com os voluntários da Ordem de Malta, atingida por sua estrutura tão militaresca. Aquelas figuras me permitiram ampliar a história, acrescentando uma pitada de ironia.” Os milagres e os doentes, ilustrações estereotipadas dos pecados capitais, já contavam menos do que a reprovável estrutura militaresca de “uma única” associação filantrópica, representante da vil repressão burguesa, e que, pela maneira como é mostrada no filme, parece resumir metonimicamente “toda” a Lourdes. Vittorio Messori menciona uma conversa, bastante ilustrativa, que teve com o escritor e ateu Umberto Eco, que se dizia desiludido quando via semelhantes premiações católicas (uma deles da Universidade Loyola, a escola dos jesuítas americanos) serem dadas ao filme baseado em seu romance O nome da rosa : “Esforcei-me para fazer um livro radicalmente agnóstico, senão ateu, esperando suscitar um debate vivo. Ao contrário, esses padres me decepcionam, aclamando-me e enchendo-me de prêmios. Chego a ter saudades dos belos e velhos tempos da Santa Inquisição. Aqueles ásperos dominicanos eram menos aborrecidos do que os frades e sacristães ‘maduros’ de hoje, que aplaudem com entusiasmo o escritor descrente”.
- UM POEMA DE PÁSCOA
Antes eu não sabia o que fazer dos mortos. Nos cemitérios, ficava tão mudo quanto os túmulos à minha volta. Agora os túmulos têm cor, Têm voz, Tem vida própria. Até as mais desprezíveis flores de plástico Das covas mais abandonadas Adquiriram uma graça insuspeita. E embora as almas dos mortos Estejam só um pouco adiante de nós, Deslocadas um milímetro para longe dos despojos que ficaram, As almas um dia se reencontrarão amorosamente com o pó Na inimaginável festa da ressurreição dos mortos. (Minha fantasia de Céu não o situa no alto, Num vértice infinitamente distante da base, Mas logo-ali, quase ao nosso lado, Defendido por uma poderosa película sobrenatural). O cemitério seria a nossa estação de embarque para a cidade definitiva Se a alma já não tivesse partido algumas horas antes.
- UMA NOVA MANHÃ – Scott Hahn medita sobre o Domingo da Páscoa
A tumba estava vazia. Na madrugada daquela primeira Páscoa, Maria Madalena e os outros discípulos não sabiam o que pensar. Mas, à medida que a luz do dia se propagava, eles viram o amanhecer de uma nova criação. No início, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, como o Evangelho de hoje nos diz. Não sabemos precisamente quais textos bíblicos eles deveriam ter compreendido. Talvez tenha sido o sinal de Jonas, que escapou da barriga do grande peixe depois de três dias (ver Jonas 1:17). Ou talvez a profecia de Oséias sobre a restauração de Israel após o exílio (ver Oséias 6: 2). Ou ainda o salmista que se alegrava por Deus não o ter abandonado no mundo dos mortos (ver Salmos 16: 9–10). Qualquer que tenha sido a Escritura, quando os discípulos se curvaram para entrar no túmulo, eles viram e creram. O que foi que viram? As vestimentas fúnebres numa tumba vazia, cuja pedra havia sido removida. Sete vezes, em nove versículos desse Evangelho, ouvimos essa palavra: “tumba”. No que eles acreditaram? Que Deus havia feito o que Jesus disse que faria, ressuscitando-O no terceiro dia (ver Marcos 9:31; 10:34). Deram testemunho do que viram e acreditaram, como nos diz a Primeira Leitura de hoje. O discurso de Pedro é um resumo dos Evangelhos, a começar do batismo de Jesus no Jordão, passando por sua morte nos lenhos de uma árvore (ver Deuteronômio 21: 22-23), até Sua ressurreição dos mortos. Somos descendentes dos apóstolos, nascidos no mundo novo que brotou de seu testemunho. Nossa vida está escondida, com Cristo, em Deus, como diz a Epístola de hoje. Como eles, nós nos reunimos, na manhã do primeiro dia da semana, para celebrar a Eucaristia, que é a festa do túmulo vazio. Estamos exultantes, porque as pedras de nossos túmulos também foram removidas. Cada um de nós pode gritar, como fazemos no Salmo de hoje: “Não morrerei, mas, ao contrário, viverei”. Os apóstolos viram e creram. E estamos aguardando o dia que por eles foi prometido, quando também nós apareceremos “com Ele, revestidos de glória”. https://stpaulcenter.com/audio/sunday-bible-reflections/new-morning-scott-hahn-reflects-on-easter-sunday/
- São Luís Scrosoppi – 03 de Abril
SANTO DO DIA – 03 DE ABRIL – SÃO LUÍS SCROSOPPI Fundou a Congregação das Irmãs da Providência (1804-1884) Luís nasceu em 4 de agosto de 1804, em Udine, cidade do Friuli, no Norte da Itália. Foi o último dos filhos de Antônia e Domingos Scrosoppi, cristãos fervorosos que educaram os filhos dentro dos preceitos da fé e na caridade. Aos doze anos, Luís ingressou no seminário diocesano de Udine, e, em 1827, foi ordenado sacerdote. A região do Friuli, a partir de 1800, mergulhou na miséria em consequência das guerras e epidemias, o que serviu ao padre Luís de estímulo para cuidar dos necessitados. Dedicou-se, com outros sacerdotes e um grupo de jovens professoras, à acolhida e à educação das ‘derelitas’, as mais sozinhas e abandonadas jovens de Udine e dos arredores. A elas ele disponibilizou todos os seus bens, suas energias e seu afeto, sem economizar nada de si. Quando foi preciso, ele não hesitou em pedir esmolas. A sua vida foi, de fato, uma expressão palpável da grande confiança na Providência Divina. Com essas senhoras, chamadas de ‘professoras’, hábeis no trabalho de costura e de bordado, que estavam aptas à alfabetização, dispostas a colocarem suas vidas nas mãos do Senhor para servi-lo e optando por uma vida de pobreza, padre Luís Scrosoppi fundou a Congregação das Irmãs da Providência. Mas notou que necessitava de algo mais para dar continuidade a essa obra. Por isso, aos quarenta e dois anos de idade, em 1846, tornou-se um ‘filho de são Felipe’ e, através do santo, aprendeu a mansidão e a doçura, qualidades que lhe deram mais idoneidade na função de fundador e pai da nova família religiosa. Todas as obras feitas por padre Luís refletiram sua opção pelos mais pobres e necessitados. Ele profetizou certa vez: ‘Doze casas abrirei antes da minha morte’, e sua profecia concretizou-se. Foram, realmente, doze casas abertas às jovens abandonadas, aos doentes pobres e aos anciãos que não tinham família. Porém Luís não se dedicava apenas às suas obras de caridade. Ele também oferecia seu apoio espiritual e econômico a outras iniciativas sociais de Udine, realizadas por leigos de boa vontade. Era dele, também, a missão de sustentar todas as atividades da Igreja, em particular as destinadas aos jovens do seminário de Udine. Depois de 1850, a Itália unificou-se, num clima anticlerical, e os fatos políticos representaram um período difícil para Udine e toda a região do Friuli. Uma das consequências foi o decreto de supressão da ‘Casa das Derelitas’ e da Congregação dos Padres do Oratório, de Udine. Após uma verdadeira batalha, conseguiu salvar as ‘Casas’, mas não conseguiu impedir a supressão da Congregação do Oratório. Já no fim da vida, padre Luís transferiu a direção de suas obras às irmãs, que aceitaram a missão com serenidade e esperança. Quando sentiu chegar o fim, dirigiu suas últimas palavras às irmãs, animando-as para os revezes que surgiriam, lembrando-as: ‘… Caridade! Eis o espírito da vossa família religiosa: salvar as almas e salvá-las com a caridade’. Morreu no dia 3 de abril de 1884. Toda a população de Udine e das cidades vizinhas foram vê-lo pela última vez e pedir-lhe ajuda do paraíso celeste. No terceiro milênio, as irmãs da Providência continuam a obra do fundador nos seguintes países: Romênia, Moldávia, Togo, Índia, Bolívia, Brasil, África do Sul, Uruguai e Argentina. Padre Luís Scrosoppi foi proclamado santo pelo papa João Paulo II em 2001. Nessa solenidade estava presente um jovem sul-africano que foi curado, em 1996, da Aids. Por esse motivo, esse mesmo pontífice declarou São Luis Scrosoppi padroeiro dos portadores do vírus da Aids e de todos os doentes incuráveis. O jovem sul-africano que se curou desse vírus entrou no Oratório de São Felipe Néri, tomando o nome de Luís. #SantodoDia
- São Luís Scrosoppi – 03 de Abril
SANTO DO DIA – 03 DE ABRIL – SÃO LUÍS SCROSOPPI Fundou a Congregação das Irmãs da Providência (1804-1884) Luís nasceu em 4 de agosto de 1804, em Udine, cidade do Friuli, no Norte da Itália. Foi o último dos filhos de Antônia e Domingos Scrosoppi, cristãos fervorosos que educaram os filhos dentro dos preceitos da fé e na caridade. Aos doze anos, Luís ingressou no seminário diocesano de Udine, e, em 1827, foi ordenado sacerdote. A região do Friuli, a partir de 1800, mergulhou na miséria em consequência das guerras e epidemias, o que serviu ao padre Luís de estímulo para cuidar dos necessitados. Dedicou-se, com outros sacerdotes e um grupo de jovens professoras, à acolhida e à educação das ‘derelitas’, as mais sozinhas e abandonadas jovens de Udine e dos arredores. A elas ele disponibilizou todos os seus bens, suas energias e seu afeto, sem economizar nada de si. Quando foi preciso, ele não hesitou em pedir esmolas. A sua vida foi, de fato, uma expressão palpável da grande confiança na Providência Divina. Com essas senhoras, chamadas de ‘professoras’, hábeis no trabalho de costura e de bordado, que estavam aptas à alfabetização, dispostas a colocarem suas vidas nas mãos do Senhor para servi-lo e optando por uma vida de pobreza, padre Luís Scrosoppi fundou a Congregação das Irmãs da Providência. Mas notou que necessitava de algo mais para dar continuidade a essa obra. Por isso, aos quarenta e dois anos de idade, em 1846, tornou-se um ‘filho de são Felipe’ e, através do santo, aprendeu a mansidão e a doçura, qualidades que lhe deram mais idoneidade na função de fundador e pai da nova família religiosa. Todas as obras feitas por padre Luís refletiram sua opção pelos mais pobres e necessitados. Ele profetizou certa vez: ‘Doze casas abrirei antes da minha morte’, e sua profecia concretizou-se. Foram, realmente, doze casas abertas às jovens abandonadas, aos doentes pobres e aos anciãos que não tinham família. Porém Luís não se dedicava apenas às suas obras de caridade. Ele também oferecia seu apoio espiritual e econômico a outras iniciativas sociais de Udine, realizadas por leigos de boa vontade. Era dele, também, a missão de sustentar todas as atividades da Igreja, em particular as destinadas aos jovens do seminário de Udine. Depois de 1850, a Itália unificou-se, num clima anticlerical, e os fatos políticos representaram um período difícil para Udine e toda a região do Friuli. Uma das consequências foi o decreto de supressão da ‘Casa das Derelitas’ e da Congregação dos Padres do Oratório, de Udine. Após uma verdadeira batalha, conseguiu salvar as ‘Casas’, mas não conseguiu impedir a supressão da Congregação do Oratório. Já no fim da vida, padre Luís transferiu a direção de suas obras às irmãs, que aceitaram a missão com serenidade e esperança. Quando sentiu chegar o fim, dirigiu suas últimas palavras às irmãs, animando-as para os revezes que surgiriam, lembrando-as: ‘… Caridade! Eis o espírito da vossa família religiosa: salvar as almas e salvá-las com a caridade’. Morreu no dia 3 de abril de 1884. Toda a população de Udine e das cidades vizinhas foram vê-lo pela última vez e pedir-lhe ajuda do paraíso celeste. No terceiro milênio, as irmãs da Providência continuam a obra do fundador nos seguintes países: Romênia, Moldávia, Togo, Índia, Bolívia, Brasil, África do Sul, Uruguai e Argentina. Padre Luís Scrosoppi foi proclamado santo pelo papa João Paulo II em 2001. Nessa solenidade estava presente um jovem sul-africano que foi curado, em 1996, da Aids. Por esse motivo, esse mesmo pontífice declarou São Luis Scrosoppi padroeiro dos portadores do vírus da Aids e de todos os doentes incuráveis. O jovem sul-africano que se curou desse vírus entrou no Oratório de São Felipe Néri, tomando o nome de Luís. #SantodoDia
- O SANTO REMÉDIO DA VELHICE
Vi trechos de uma entrevista com um ex-jogador de futebol, ainda jovem, bombado, como se diz na gíria de hoje, com as indefectíveis tatuagens que hoje caracteriza a categoria. O repórter perguntava se, com a fama que tinha, havia “pego” muitas mulheres. Diante do constrangimento e do silêncio do jogador, que apenas sorria malicioso, o jornalista não lhe dava tréguas e pressionava, até que o rapaz não teve outra saída senão responder: — Peguei, cara. Peguei muitas. — Todas? — insistiu o outro. — Todas… — admitiu com uma jactância marota e bem disfarçada, como se tivesse sido objeto de coerção psicológica, tornando público, contra a vontade, o que gostaria de deixar discretamente guardado em sua memória e na daquelas que ele “pegou”. A verdade era bem outra. O sorriso, a postura, a entonação com que o atleta respondia — tudo isto falava mais claro do que uma e outra palavra de falso pudor e embaraço. Estava ali alguém que era a perfeita encarnação da vaidade, para o deleite dos ex-torcedores e das futuras mulheres que ele ainda “pegaria” (e, por que não?, para a inveja de muitos que por ele não torciam, não possuem a sua fama, o seu dinheiro, a sua juventude). Se vista de perto, parecia uma conversa alegre e despojada com o jornalista. Olhada, porém, de mais longe, com o distanciamento da fé, era inevitável perceber uma nuvem de melancolia envolvendo a dupla. Nada é mais melancólico do que a sobreposição do natural ao sobrenatural, do corpo ao espírito, das coisas passageiras às permanentes. Aquele rapaz era o resultado do que podem fazer o talento, a fama e o dinheiro no mundo de hoje. Quando ele cairia “na real” e passaria a ver a vida como ela de fato é — fumaça, sombra, nada? Quando “desceria do céu uma luz que iluminaria o outro lado de suas vaidades”, frase dura com que o escritor Marques Rebelo termina o seu romance A estrela sobe ? Uma das curas para essa triste doença — a vitalidade mal gerenciada — é certamente a velhice, que todos veem como uma grande desgraça, o fim de todos os sonhos, a queda de todas as torres, mas que, no fundo, pensando bem, é o mais santo dos remédios, o verdadeiro espelho de Narciso. Alguém já chamou a velhice de a pior de todas as doenças. Se for verdade, não é menos certo que ela também traz, em seu bojo, o mais eficaz de todos os remédios. Amargo, sim, mas santo e eficaz remédio. Quem sabe seja ela a candeia que traz a luz a que se referia o escritor mencionado: um último esforço da graça divina para acordar os que vivemos na pétrea sonolência do prazer ou da fama. Talvez jamais despertássemos, não fossem as pequenas humilhações do envelhecimento. Haverá coisa mais triste do que uma grande tatuagem em pele encarquilhada de velho? Só a velhice, a doença ou uma inesperada conversão têm o poder de dobrar os joelhos da vanglória.
- Padre é assaltado e levado como refém após missa de lava pés
Após celebrar a Missa da Ceia do Senhor, foi assaltado e raptado, e abandonado num canavial. É seu primeiro Tríduo Pascal como Sacerdote. Como o Senhor, após a Ceia e a oração no Horto, o Padre foi levado. Judas, que traiu a Jesus, também era ladrão. Na noite de ontem (01), após a celebração do inicio do Tríduo Pascal, no Centro Paroquial de Formação – CEPARF, de Cianorte, o Padre Gabriel Henrique dos Santos Camargo, ordenado recentemente, foi abordado por três assaltantes e levado refém, até São Lourenço. O Padre Gabriel, da Igreja Matriz de Cianorte, tinha acabado de celebrar a missa de abertura do Tríduo Pascal no CEPARF e estava voltando embora quando foi abordado pelos criminosos. Os três bandidos armados fizeram o padre de refém por cerca de três horas e fugiram com o carro da Paróquia e seu celular. O padre foi libertado na região da mata e, após caminhar cerca de 10 km, encontrou uma residência, onde conseguiu chamar por ajuda. No momento o sacerdote está na casa paroquial e nada aconteceu a ele de mais grave. A polícia ainda não tem pistas dos criminosos. Todas as providências já foram tomadas e se pede que continuemos em oração. Fonte: Comunicado Oficial Diocese de Umuarama Leia também “A Paixão De Cristo 2: Ressurreição”, será o maior filme de todos os tempos A Crucificação de Jesus na visão de um Médico:
- Padre é assaltado e levado como refém após missa de lava pés
Após celebrar a Missa da Ceia do Senhor, foi assaltado e raptado, e abandonado num canavial. É seu primeiro Tríduo Pascal como Sacerdote. Como o Senhor, após a Ceia e a oração no Horto, o Padre foi levado. Judas, que traiu a Jesus, também era ladrão. Na noite de ontem (01), após a celebração do inicio do Tríduo Pascal, no Centro Paroquial de Formação – CEPARF, de Cianorte, o Padre Gabriel Henrique dos Santos Camargo, ordenado recentemente, foi abordado por três assaltantes e levado refém, até São Lourenço. O Padre Gabriel, da Igreja Matriz de Cianorte, tinha acabado de celebrar a missa de abertura do Tríduo Pascal no CEPARF e estava voltando embora quando foi abordado pelos criminosos. Os três bandidos armados fizeram o padre de refém por cerca de três horas e fugiram com o carro da Paróquia e seu celular. O padre foi libertado na região da mata e, após caminhar cerca de 10 km, encontrou uma residência, onde conseguiu chamar por ajuda. No momento o sacerdote está na casa paroquial e nada aconteceu a ele de mais grave. A polícia ainda não tem pistas dos criminosos. Todas as providências já foram tomadas e se pede que continuemos em oração. Fonte: Comunicado Oficial Diocese de Umuarama Leia também “A Paixão De Cristo 2: Ressurreição”, será o maior filme de todos os tempos A Crucificação de Jesus na visão de um Médico:
- 1ª Hora da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo
Watch this video on YouTube. AS 24 HORAS DA PAIXÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO 1ª Hora – das 5 às 6 da tarde Jesus despede-se de Sua santíssima Mãe Ó Mãe celeste, aproxima-se a hora da separação, e quero estar junto de ti. Ó Mãe, dá-me o teu amor, as tuas reparações e a tua dor, porque quero seguir contigo, passo a passo, o adorado Jesus. E eis que Jesus vem, e tu, com o ânimo transbordante de amor, corres ao Seu encontro e, O vendo tão pálido e triste, o teu Coração se aperta de dor, as forças te faltam e já estás prestes a cair a Seus pés. Ó Mãe, te abraço, com toda a ternura de que é capaz este meu pobre coração, a fim de que, abraçado e unido a ti, eu também possa receber os abraços do adorado Jesus. Será que não te cansarás de mim? Creio que não; antes, não será um conforto para o teu coração ter uma alma perto de ti, com a qual possas dividir os sofrimentos, os afetos, as reparações? Ó Jesus, nesta hora tão angustiante para o Teu terníssimo Coração, que ensinamento nos dás, de filial e amorosa obediência à Tua Mãe! Que doce harmonia perpassa entre Ti e Maria! Que suave encanto de amor sobe até o trono do Eterno e se dilata para a salvação de todas as criaturas da terra! Ó minha Mãe celeste, sabes o que o adorado Jesus quer de ti? Nada mais que a última bênção. É verdade que, de todas as partículas do teu ser, saem somente bênçãos e louvores a Teu Criador; mas Jesus, ao despedir-se de ti, quer escutar a doce palavra: “Ó Filho, abençoo-Te”. E aquela bênção afasta todas as blasfêmias do Seu Ouvido e, doce e suave, desce ao Seu Coração; Jesus quer o teu “abençoo-Te” como que para colocar uma reparação em todas as ofensas das criaturas. Também eu me uno a ti, ó doce Mãe: nas asas dos ventos quero girar pelo Céu e pedir ao Pai, ao Espírito Santo e a todos os Anjos, um “abençoo-Te” para Jesus, a fim de que, quando formos nos encontrar com Ele, possamos levar-Lhe as suas bênçãos. E, aqui na terra, desejo ir a todas as criaturas e pedir de todos os lábios, de cada palpitação, de cada passo, de cada respiro, de cada olhar, de cada pensamento, bênçãos e louvores para Jesus; e, se alguma não me quiser dá-los, eu o farei por ela. Ó doce Mãe, depois de ter girado e voltado a girar, para pedir à Santíssima Trindade, aos Anjos, a todas as criaturas, à luz do sol, ao perfume das flores, às ondas do mar, a cada sopro de vento, a cada centelha de fogo, a cada folha que se move, ao brilho das estrelas, a cada movimento da natureza, um “abençoo-Te”; venho a ti e, juntamente às tuas, coloco as minhas bênçãos. Ó minha doce Mãe, vejo que Tu recebes conforto e alívio e ofereces a Jesus todas as minhas bênçãos, em reparação das blasfêmias e maldições que Ele recebe das criaturas. Mas enquanto ofereço tudo a ti, ouço a tua voz trêmula que diz: “Filho, abençoa-me também!” Ó Jesus, meu doce Amor, me abençoa juntamente com a Tua Mãe; abençoa os meus pensamentos, o meu coração, as minhas mãos, as minhas obras, os meus passos e, com a Tua Mãe, abençoa todas as criaturas. Ó minha Mãe, quando olhas para o rosto do amargurado Jesus, pálido, triste e sofredor, nasce em ti a recordação das dores que, dentre em pouco, Ele irá sofrer. Prevês o Seu rosto coberto de escarros, a cabeça trespassada pelos espinhos, os olhos vedados, o Corpo dilacerado pelas flagelações, as mãos e os pés furados pelos cravos, e tu a abençoá-Lo. Aonde quer que Ele vá, Tu o segues com as tuas bênçãos; contigo, eu também O sigo. Quando Jesus for atingido pelas flagelações, coroado de espinhos, esbofeteado, trespassado pelos pregos, encontrará em toda a parte, juntamente com o teu, também o meu “abençoo-Te”. Ó Jesus, ó Mãe, tenho compaixão de vós; a vossa dor é imensa nestes últimos momentos; o coração de um, parece arrebatar o coração do outro. Ó Mãe, tira o meu coração da terra e prende-o com força a Jesus, a fim de que, junto a Ele, possa tomar parte nas Tuas dores e, enquanto vos estreitais, vos abraçais, vos lançais mutuamente os últimos olhares, os derradeiros beijos, estando no meio dos vossos corações, eu possa receber os vossos últimos beijos, os vossos derradeiros abraços. Não vedes que não posso ficar sem vós, apesar da minha miséria e da minha frieza? Ó Jesus, ó doce Mãe, conservai-me unido a vós; dai-me o vosso amor, o vosso desejo; fulminai o meu pobre coração, me mantenha em vossos braços; e, contigo, ó doce Mãe, quero seguir, passo a passo, o adorado Jesus com a intenção de Lhe dar conforto, alívio, amor e reparação por todos. Ó Jesus, juntamente com a Tua Mãe, beijo o Teu pé esquerdo, implorando que me perdoes, assim como a todas as criaturas, pelas inúmeras vezes que não caminhamos para Deus. – Beijo o Teu pé direito: perdoa-me, a mim e a todos, pelas vezes que não seguimos a perfeição que Tu desejavas de nós; Beijo a Tua mão esquerda: comunica-nos a Tua pureza; Beijo a Tua mão direita: abençoa todas as minhas palpitações, pensamentos, afetos, a fim de que, revigorados por Tua bênção, todos se santifiquem; e comigo, abençoa ainda todas as criaturas e sela a salvação de suas almas com a Tua bênção. Ó Jesus, juntamente com a Tua Mãe Te abraço e, beijando o Teu Coração, Te peço que coloques no meio dos vossos corações, também o meu, para que se alimente continuamente dos vossos amores, das vossas dores, dos vossos próprios afetos, dos vossos desejos e da vossa própria vida. Assim seja! Reflexões e práticas Antes de dar início à Sua Paixão, Jesus vai ao encontro de Sua Mãe para pedir-lhe a bênção. Neste ato, Jesus nos ensina a obediência, não apenas externa, mas também interna, que devemos ter para corresponder às inspirações da Graça. Às vezes, não estamos prontos a concretizar uma boa inspiração, ou porque somos impedidos pelo amor-próprio a que se une à tentação, ou por respeito humano, ou ainda, por não fazer santa violência a nós mesmos. Contudo, quando rejeitamos a boa inspiração de exercitar uma virtude, de realizar um ato virtuoso, de fazer uma boa obra, de praticar uma devoção, fazemos com que o Senhor se afaste, privando-nos de novas inspirações. Ao contrário, a pronta correspondência, piedosa e prudente às santas inspirações, nos atrai luzes e graças maiores. Em caso de dúvida, recorre-se, prontamente e com reta intenção, ao grande instrumento da oração e ao conselho reto e honesto. Assim, o bom Deus não deixa de iluminar a alma para realizar a salutar inspiração e dar-lhe sempre mais, para seu próprio proveito. As nossas ações, nossas orações, as Horas da Paixão, devemos fazê-las com as mesmas intenções de Jesus, segundo a Sua Vontade, sacrificando-nos a nós mesmos, como Ele fez, para a glória do Pai e para o bem das almas. Devemos estar dispostos a sacrificar-nos em tudo por amor a nosso amável Jesus, conformando-nos ao Seu Espírito, agindo com os Seus próprios sentimentos e abandonando-nos n’Ele, não só em todas as dores e contrariedades externas, mas, sobretudo, em tudo aquilo que puder dispor o nosso interior; assim, no momento oportuno, nos encontraremos prontos a aceitar qualquer sofrimento. Fazendo assim, daremos ao nosso Jesus pequenas porções de doçura; além disso, se fizermos tudo isto segundo a Vontade de Deus, que contém todas as ternuras, todas as alegrias de modo imenso, daremos a Jesus grandes porções de doçura, de maneira a aliviar a amargura que Lhe proporcionam as criaturas e consolar o Seu Coração Divino. Antes de começar qualquer ação, invoquemos sempre a bênção de Deus, para fazer com que as nossas ações tenham o toque da divindade e atraiam as suas bênçãos sobre nós e sobre todas as criaturas. Meu Jesus, a Tua bênção me preceda, me acompanhe e me siga, a fim de que tudo o que eu fizer possua o sinal do Teu “abençoo-Te”. #ASJ #divinavontade #paixãodejesus #RedeSeculo21 #paixãodejesusdas5às6datarde #luisapiccarreta #luisapicarreta #IªHORADAPAIXÃODEJESUSCRISTO #JesusdespedesedeSuasantíssimaMãe #as24horasdapaixaodejesuscristo #24horasdapaixão #1ªHoradaPaixãodeNossoSenhorJesusCristo #terceirofiat #divinavontade24horasdapaixãodecristo #livrosemaudio #reinodadivinavontade #domdevivernadivinavontade #1ªHoradas5às6datarde #mortificação #as24horasdapaixão #livrocatólico #igrejacatolica #PaixãodeCristo
- UM NOME ACIMA DE TODOS OS NOMES
O mundo está cheio de nomes presumivelmente poderosos (Biden, Soros, Putin, Jinping, Johnson, Tedros, Macron, Bashar, Gates, Maduro, Merkel, Erdogan, Guterres etc.) Mas há um Nome Que está acima de todos os nomes e todos os poderes: JESUS CRISTO.
- Santo Tomás de Aquino e a vaca voadora
O dia 1º de abril, que é conhecido como o dia da mentira, é a ocasião perfeita para que nós possamos meditar sobre o 8º mandamento: Não Levantar Falso Testemunho. Veja essa história de Santo Tomás de Aquino e a vaca voadora… Santo Tomás e a vaca ‘Consta que o tímido e bonachão Tomás debruçava-se, como sempre, em uma pilha de livros e escritos, sempre em produção frenética. Alguns monges se aproximam e decidem pregar uma peça no compenetrado monge: – “Tomás, Tomás! Veja! Uma vaca voando!” Tomás saltou da cadeira e, reclinado ao parapeito, vasculhou os céus em busca da vaca, enquanto em torno os outros monges explodiam numa gargalhada coletiva. – “Ora, irmão Tomás, então sois tão crédulo a ponto de acreditardes que uma vaca pudesse voar?” Surpreendido, o santo se explicou: “É que achei mais razoável uma vaca voar do que um frei mentir.” O Pecado contra o 8º Mandamento: Não levantar falso testemunho (Ex 20, 16) Antes de continuar a leitura, assista esta importante formação: “Se vós me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,15). A observação dos mandamentos exige duas coisas uma positiva (fazer o que os mandamentos mandam) e uma negativa (não fazer o que os mandamentos proíbem) O 8º mandamento propõe: dizer oportunamente a verdade, isto é, falar e proceder de acordo em o que se pensa no íntimo, (cf. Mt 5, 37; Tg 5, 12); a pratica da correção fraterna, a denuncia, quando a correção fraterna não basta, interpretar no bom sentido as ações do próximo. O 8º mandamento proíbe: a mentira; o falso testemunho; a calunia; a detração (ou murmuração); a dúvida, a suspeita, o juízo temerário, o respeito humano, o sacrilégio na confissão; a adulação; a bajulação; a ostentação, a hipocrisia. Exame de Consciência referente ao Oitavo Mandamento Oitavo Mandamento: Não levantarás falsos testemunhos contra o teu próximo. Menti a respeito de alguém (calúnia)? As minhas mentiras causaram a alguém danos materiais ou espirituais? Fiz julgamentos temerários a respeito de alguém (isto é, acreditei firmemente, sem provas suficientes, que eram culpados de algum defeito moral ou crime)? Atingi o bom nome de alguém, revelando faltas autênticas mas ocultas (maledicência)? Revelei os pecados de outra pessoa? Fui culpado de fazer intrigas (isto é, de contar alguma coisa desfavorável que alguém disse de outra pessoa, para criar inimizade entre eles)? Dei crédito ou apoio à divulgação de escândalos sobre o meu próximo? Jurei falso ou assinei documentos falsos? Sou crítico ou negativo sem necessidade ou falto à caridade nas minhas conversas? Lisonjeei outras pessoas? Clique aqui para ler o Exame de Consciência completo. Leia também: Apresentação do Curso sobre os 10 Mandamentos 7º Mandamento: “Não furtar” 9º Mandamento: “Não desejar a mulher do próximo” #DezMandamentos #FormaçõesCatólicas #Mentira #SantoTomásdeAquino
- Santo Tomás de Aquino e a vaca voadora
O dia 1º de abril, que é conhecido como o dia da mentira, é a ocasião perfeita para que nós possamos meditar sobre o 8º mandamento: Não Levantar Falso Testemunho. Veja essa história de Santo Tomás de Aquino e a vaca voadora… Santo Tomás e a vaca ‘Consta que o tímido e bonachão Tomás debruçava-se, como sempre, em uma pilha de livros e escritos, sempre em produção frenética. Alguns monges se aproximam e decidem pregar uma peça no compenetrado monge: – “Tomás, Tomás! Veja! Uma vaca voando!” Tomás saltou da cadeira e, reclinado ao parapeito, vasculhou os céus em busca da vaca, enquanto em torno os outros monges explodiam numa gargalhada coletiva. – “Ora, irmão Tomás, então sois tão crédulo a ponto de acreditardes que uma vaca pudesse voar?” Surpreendido, o santo se explicou: “É que achei mais razoável uma vaca voar do que um frei mentir.” O Pecado contra o 8º Mandamento: Não levantar falso testemunho (Ex 20, 16) Antes de continuar a leitura, assista esta importante formação: “Se vós me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,15). A observação dos mandamentos exige duas coisas uma positiva (fazer o que os mandamentos mandam) e uma negativa (não fazer o que os mandamentos proíbem) O 8º mandamento propõe: dizer oportunamente a verdade, isto é, falar e proceder de acordo em o que se pensa no íntimo, (cf. Mt 5, 37; Tg 5, 12); a pratica da correção fraterna, a denuncia, quando a correção fraterna não basta, interpretar no bom sentido as ações do próximo. O 8º mandamento proíbe: a mentira; o falso testemunho; a calunia; a detração (ou murmuração); a dúvida, a suspeita, o juízo temerário, o respeito humano, o sacrilégio na confissão; a adulação; a bajulação; a ostentação, a hipocrisia. Exame de Consciência referente ao Oitavo Mandamento Oitavo Mandamento: Não levantarás falsos testemunhos contra o teu próximo. Menti a respeito de alguém (calúnia)? As minhas mentiras causaram a alguém danos materiais ou espirituais? Fiz julgamentos temerários a respeito de alguém (isto é, acreditei firmemente, sem provas suficientes, que eram culpados de algum defeito moral ou crime)? Atingi o bom nome de alguém, revelando faltas autênticas mas ocultas (maledicência)? Revelei os pecados de outra pessoa? Fui culpado de fazer intrigas (isto é, de contar alguma coisa desfavorável que alguém disse de outra pessoa, para criar inimizade entre eles)? Dei crédito ou apoio à divulgação de escândalos sobre o meu próximo? Jurei falso ou assinei documentos falsos? Sou crítico ou negativo sem necessidade ou falto à caridade nas minhas conversas? Lisonjeei outras pessoas? Clique aqui para ler o Exame de Consciência completo. Leia também: Apresentação do Curso sobre os 10 Mandamentos 7º Mandamento: “Não furtar” 9º Mandamento: “Não desejar a mulher do próximo” #DezMandamentos #FormaçõesCatólicas #Mentira #SantoTomásdeAquino
- Prefeito cria projeto de lei para multar quem distribuir comida a moradores de rua
Projeto de lei prevê multa de R$ 150 a R$ 550, após advertência, para quem entregar comida sem autorização. Prefeitura de Curitiba defende que precisa haver organização na distribuição. Segundo o portal de notícias G1, o prefeito Rafael Greca (DEM) encaminhou à Câmara Municipal de Curitiba (CMC) um projeto que prevê multa para quem distribuir comida aos moradores de rua sem autorização da prefeitura. Atualmente, são quase 3 mil moradores de rua em Curitiba, segundo a prefeitura. Pela proposta, quem “distribuir alimentos em desacordo com os horários, datas e locais autorizados pelo Município de Curitiba”, poderá ser multado de R$ 150 a R$ 550, após advertência. O projeto de lei entrou entre as votações da CMC na segunda-feira (29), junto com um requerimento de que, nesta quarta-feira (31), fosse votado em regime de urgência. O pedido era para que a tramitação desse projeto fosse acelerada, mas o requerimento foi retirado de pauta pelos vereadores, que optaram pela tramitação habitual. Voluntários respondem Ao saber do projeto de lei, organizações não governamentais e grupos de voluntários que distribuem os alimentos aos moradores de rua fizeram uma carta aberta. As ONGs disseram que foram pegas de surpresa. “Em meio a tantos problemas, tantas demandas não cumpridas, tantas possibilidades efetivas de resolver de forma eficaz o problema, a atitude é esta: proibir e penalizar quem faz”, disse a carta aberta assinada pelas ONGs. Carlos Umberto dos Santos, coordenador do Movimento Nacional da População de rua, disse que a prefeitura vai contra o objetivo dos voluntários. “A gente está ajudando essas pessoas em desigualdade social. Eles precisam dessa alimentação, é o que sustenta o dia dessas pessoas. Viver na rua ninguém quer”, defendeu. O que diz a prefeitura de Curitiba? Em nota, a prefeitura explicou as razões do projeto, que ganhou o nome de Programa Mesa Solidária. Segundo a proposta, seriam feitas apenas mudanças na forma da distribuição de comida aos moradores de rua. Conforme a Prefeitura de Curitiba, tem que haver organização porque há descompasso no fornecimento das marmitas: em alguns momentos os alimentos são oferecidos em exagero e, em outros, faltam alimentos. A distribuição dos alimentos sem controle é arriscada, conforme a prefeitura. A ideia é que, além de ser organizado, com cadastro dos grupos e ONGs de voluntários, haja o controle sanitário, com a distribuição em locais específicos. A prefeitura defende que, quando há o fornecimento exacerbado, os resíduos deixados pelos moradores de rua acabam atraindo vetores urbanos e pragas. Além do manifesto das ONGs, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Paraná (OAB-PR) pediu esclarecimentos à prefeitura e também à CMC. Com informações do G1
- Prefeito cria projeto de lei para multar quem distribuir comida a moradores de rua
Projeto de lei prevê multa de R$ 150 a R$ 550, após advertência, para quem entregar comida sem autorização. Prefeitura de Curitiba defende que precisa haver organização na distribuição. Segundo o portal de notícias G1, o prefeito Rafael Greca (DEM) encaminhou à Câmara Municipal de Curitiba (CMC) um projeto que prevê multa para quem distribuir comida aos moradores de rua sem autorização da prefeitura. Atualmente, são quase 3 mil moradores de rua em Curitiba, segundo a prefeitura. Pela proposta, quem “distribuir alimentos em desacordo com os horários, datas e locais autorizados pelo Município de Curitiba”, poderá ser multado de R$ 150 a R$ 550, após advertência. O projeto de lei entrou entre as votações da CMC na segunda-feira (29), junto com um requerimento de que, nesta quarta-feira (31), fosse votado em regime de urgência. O pedido era para que a tramitação desse projeto fosse acelerada, mas o requerimento foi retirado de pauta pelos vereadores, que optaram pela tramitação habitual. Voluntários respondem Ao saber do projeto de lei, organizações não governamentais e grupos de voluntários que distribuem os alimentos aos moradores de rua fizeram uma carta aberta. As ONGs disseram que foram pegas de surpresa. “Em meio a tantos problemas, tantas demandas não cumpridas, tantas possibilidades efetivas de resolver de forma eficaz o problema, a atitude é esta: proibir e penalizar quem faz”, disse a carta aberta assinada pelas ONGs. Carlos Umberto dos Santos, coordenador do Movimento Nacional da População de rua, disse que a prefeitura vai contra o objetivo dos voluntários. “A gente está ajudando essas pessoas em desigualdade social. Eles precisam dessa alimentação, é o que sustenta o dia dessas pessoas. Viver na rua ninguém quer”, defendeu. O que diz a prefeitura de Curitiba? Em nota, a prefeitura explicou as razões do projeto, que ganhou o nome de Programa Mesa Solidária. Segundo a proposta, seriam feitas apenas mudanças na forma da distribuição de comida aos moradores de rua. Conforme a Prefeitura de Curitiba, tem que haver organização porque há descompasso no fornecimento das marmitas: em alguns momentos os alimentos são oferecidos em exagero e, em outros, faltam alimentos. A distribuição dos alimentos sem controle é arriscada, conforme a prefeitura. A ideia é que, além de ser organizado, com cadastro dos grupos e ONGs de voluntários, haja o controle sanitário, com a distribuição em locais específicos. A prefeitura defende que, quando há o fornecimento exacerbado, os resíduos deixados pelos moradores de rua acabam atraindo vetores urbanos e pragas. Além do manifesto das ONGs, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Paraná (OAB-PR) pediu esclarecimentos à prefeitura e também à CMC. Com informações do G1
- São Hugo – 01 de Abril
SANTO DO DIA – 01 DE ABRIL – SÃO HUGO DE GRENOBLE Bispo (1053-1132) Hugo nasceu numa família de condes, em 1053, em Castelnovo de Isère, sudoeste da França. Seu pai, Odilon de Castelnovo, foi um soldado da corte que, depois de viúvo, se casou de novo. Hugo era filho da segunda esposa. Sua mãe preferia a vida retirada à da corte, e se ocupava pessoalmente da educação dos filhos, conduzindo-os pelos caminhos da caridade, oração e penitência, conforme os preceitos cristãos. Aos vinte e sete anos, Hugo ordenou-se e foi para a diocese de Valence, onde foi nomeado cônego. Depois, passou para a arquidiocese de Lião, como secretário do arcebispo. Nessa época, recebeu a primeira de uma série de missões apostólicas que o conduziriam para a santidade. Foi designado, por seu superior, para trabalhar na delegação do papa Gregório VII. Este, por sua vez, reconhecendo sua competência, inteligência, prudência e piedade, nomeou-o para uma missão mais importante ainda: renovar a diocese de Grenoble. Grenoble era uma diocese muito antiga, situada próxima aos Alpes, entre a Itália e a França, que possuía uma vasta e importante biblioteca, rica em códigos e manuscritos antigos. A região era muito extensa e tinha um grande número de habitantes, mas suas qualidades terminavam aí. Havia tempos a diocese estava vaga, a disciplina eclesiástica não mais existia e até os bens da Igreja estavam depredados. Hugo foi nomeado bispo e começou o trabalho, mas eram tantas as resistências que renunciou ao cargo e retirou-se para um mosteiro. Mas sua vida de monge durou apenas dois anos. O papa insistiu porque estava convencido de que ele era o mais capacitado para executar essa dura missão e fez com que o próprio Hugo percebesse isso também, reassumindo o cargo. Cinco décadas depois de muito trabalho, árduo mas frutífero, a diocese estava renovada e até abrigava o primeiro mosteiro da ordem dos monges cartuchos. O bispo Hugo não só deixou a comunidade organizada e eficiente, como ainda arranjou tempo e condições para acolher e ajudar seu antigo professor, o famoso monge Bruno de Colônia, que foi elevado aos altares também, na fundação dessa ordem. Planejada sobre os dois pilares da vida monástica de então, oração e trabalho, esses monges buscavam a solidão, a austeridade, a disciplina pelas orações contemplativas, pelos estudos, mas também a prática da caridade pelo trabalho social junto à comunidade mais carente, tudo muito distante da vida fútil, mundana e egoísta que prevalecia naquele século. Foram cinquenta e dois anos de um apostolado profundo, que uniu o povo na fé em Cristo. Já velho e doente, o bispo Hugo pediu para ser afastado do cargo, mas recebeu do papa Honório II uma resposta digna de sua amorosa dedicação: ele preferia o bispo à frente da diocese, mesmo velho e doente, do que um jovem saudável, para o bem do seu rebanho. Hugo morreu com oitenta anos de idade, no primeiro dia de 1132, cercado pelos seus discípulos monges cartuchos que o veneravam pelo exemplo de santidade em vida. Tanto assim que, após seu trânsito, muitos milagres e graças foram atribuídos à sua intercessão. O culto a são Hugo foi autorizado dois anos após sua morte, pelo papa Inocente II, sendo difundido por toda a França e o mundo católico. Conheça mais sobre São Hugo, Bispo de Grenoble Nasceu em 1053, em Château-Neuf, Delfinado, diocese de Valença. Seu pai, chamado Odilon, bravo oficial, retirou-se na velhice para a grande Cartuxa, onde viveu ainda dezoito anos e morreu centenário, após ter recebido os últimos sacramentos das mãos de seu filho, nessa época, bispo. A mãe desejava igualmente retirar-se para um mosteiro de religiosas. Mas como houvesse muitos poucos na província, praticou a regra monástica em sua própria casa, segundo os conselhos do santo filho, que a assistiu também na hora derradeira. Ele amava os estudos e freqüentou escolas longínquas. Extrema modéstia, o preservava de todo o perigo. Era cônego de Valence, quando Hugo, bispo de Die e legado do Papa São Gregório VII para todas as Gálias, reconhecendo-lhe os méritos, o levou consigo, e dele se serviu utilmente na reforma do clero. Em 1080, como o legado estivesse reunido em um grande concílio de Avinhão, os deputados da igreja de Grenoble vieram pedir-lhe um bispo. Sabendo que, Hugo de Valença era da confiança do legado, elegeram-no inânimente bispo. Mas Hugo recusou, considerando-se indigno e incapaz de tão grande cargo. O legado dissipou-lhe os temores, dizendo-lhe que em ocasiões semelhantes ninguém devia desconfiar da própria virtude, mas devia confiar em Deus. Vencido por tais encorajamentos e pelos do concílio, aceitou, por fim, a eleição. Todavia, não quis receber a sagração das mãos do arcebispo de Viena, acusado de simonia e acompanhou o legado a Roma, para ser sagrado pelas mãos do Papa. Durante o tempo em que esperava pelo dia da sagração episcopal, o espírito das trevas o tentou a proferir blasfêmias contra Deus, tentação que lhe durou a vida toda, com mais ou menos violência. Abriu o coração ao legado, que o aconselhou a se dirigir ao Papa pessoalmente. São Gregório VII, que possuía grande experiência nesses assuntos, lembrou-lhe que o Senhor repreende e castiga aqueles a quem ama e flagela os filhos a quem dedica afeição. Quanto mais, pois lhe flagelava o coração, mais se tornava evidente seu amor paternal. Além do mais, o diabo já pressentia algumas perdas que iria experimentar e que vantagens tiraria disso o povo de Deus. Era por isso que empregava todos os esforços de sua velha malícia para demovê-lo do propósito de aceitar o santo ministério, coisa que Deus permitia, para confusão e pena do tentador e para glória do servidor fiel. Essas exortações do santo Papa o encorajavam de tal forma, que a mesma tentação que quase o havia levado ao desespero, torna-se para ele motivo de confiança. Alguns dias após, recebeu a sagração episcopal do santo Pontífice que lhe testemunhou durante todo o tempo, uma afeição tão particular, que ninguém duvidava de que já conhecesse quais as graças especiais que Deus comunicaria ao novo bispo. A condessa Matilde, tida na igreja católica como a profetisa Débora, entre o povo de Israel, forneceu tudo quanto era necessário para a sagração, e acrescentou ainda algumas obras de Santo Ambrósio e de Santo Agostinho. Ela o honrou durante toda a sua vida como um verdadeiro servidor de Deus, cujos conselhos e orações reclamava. Chegando a Grenoble, São Hugo encontrou um povo indócil e ignorante, um clero simoníaco, sacerdotes escandalosos, leigos usurários e usurpadores dos bens da igreja. Era um vasto campo para seu zelo. Trabalhou com coragem no sentido de acabar com tais escândalos. Mas, o fruto não correspondia aos seus esforços. Deixou, então, o bispado, após dois anos e retirou-se para o mosteiro de La Chaise-Dieu, onde tomou o hábito de monge. Lá ficou apenas um ano, pois o Papa Gregório VII, sabendo de sua retirada lhe ordenou voltasse à sua igreja e não preferisse o repouso à salvação das almas das quais estava incumbido. Hugo obedeceu. Mas conservou o resto da vida, no episcopado, o amor e a prática da vida religiosa. Não fazia ainda três anos que havia voltado, quando teve um sonho misterioso. Parecia-lhe que Deus construía uma habitação em um deserto de sua diocese e que sete estrelas lhe indicavam o caminho. Pelo mesmo tempo, viu chegarem à sua presença sete homens que procuravam um lugar apropriado para a vida solitária. Eram São Bruno e seus companheiros. São Hugo reconheceu neles as sete estrelas e os conduziu à solidão da Cartuxa, a mesma que havia visto em sonho. Foi em 1084. Construíram lá o mosteiro, que existe ainda no primeiro fervor. O santo bispo de Grenoble não tinha consolo maior que ir frequentemente à Cartuxa, edificar-se com a vida santa que levavam aqueles piedosos solitários. Mas estes se edificavam ainda mais com a humildade dele em confessar tristeza por não poder praticar as mesmas austeridades. Esse santo bispo vivia com eles, como se fosse o último deles. Seu fervor fazia-o esquecer sua dignidade e se entregando aos serviços mais humildes, em favor daquele que habitava a mesma cela. É necessário explicar que nessa época, no começo, os cartuxos costumavam habitar dois a mesma cela. Seu companheiro se queixou a São Bruno, visto que Hugo queria servir-lhe de criado. Mas o santo bispo não dava ouvidos senão à humildade e sentia-se honrado com poder servir os servidores de Deus. São Bruno tomava às vezes a liberdade de o enviar à igreja. “Vai às tuas ovelhas, dizia-lhe que elas tem necessidade de ti. Dá-lhes o que deves dar-lhes.” O santo bispo obedecia a Bruno como a um superior e após ter passado algum tempo com seu povo, retomava à solidão. Queria vender todos os cavalos e fazer, em seguida, a visita a toda a diocese a pé. Mas São Bruno nada lhe disse, com receio de que, com isso, parecesse estar condenando os demais bispos, e que ele mesmo estivesse procurando vanglória. Hugo não fez o que pretendia, mas sua humildade fê-lo rejeitar tudo quanto acreditava não ser pertinente à sua dignidade. A modéstia exterior respondia às virtudes que escondia no coração, das quais era fiel guardiã. Esse santo bispo guardava os olhos com tanta discrição, que após cinqüenta anos de episcopado, não conhecia senão uma mulher, de rosto. Embora tivesse falado a uma infinidade de outras mulheres, jamais detivera a olhar alguma delas. Para não dar a mínima oportunidade à malícia da maledicência, não confessava as mulheres a não ser de dia e em lugar em que pudesse ser visto, porque a caridade pelos pecadores lhe atraía grande número de penitentes. Ele os escutava com grande paciência, e as lágrimas que derramava, ouvindo-os inspiravam salutar arrependimento. Apesar dos males quase contínuos do estômago, e da cabeça que o afligiram durante quarenta anos, não cessou de pregar a palavra de Deus ao povo. Mas não procurava, em absoluto, dizer o que podia causar-lhe aplausos dos ouvintes. Propunha-se apenas instruí-los e comovê-los, o que conseguia com êxito, pois, após o sermão, grande número de pecadores o procuravam para confessar-se. Alguns chegavam a confessar publicamente os pecados, Depois de São Bruno, São Hugo foi como que o pai dos cartuxos. Estabeleceu uma ordem, proibindo às mulheres passarem pelos terrenos desses religiosos, a fim de que elas não lhe perturbassem a solidão. Isso foi em Julho de 1084. Quanto mais o bispo de Grenoble se mostrava santo, mais defendia a Igreja romana. Em 1106, o imperador Henrique V procurou, com violências, arrancar ao Papa Pascoal II um privilégio injusto. Os bispos da província de Vienne, movidos pelo santo colega de Grenoble, excomungaram-no publicamente, em um concílio. Essa atitude era tanto mais corajosa, dado que Vienne, por causa do reino de Borgonha, pertencia a Henrique e seus embaixadores se encontravam no concílio com cartas favoráveis do Papa. Em 1124, ocupou o trono da Santa Sé Honório II. São Hugo lhe enviou emissários para lhe rogaram permissão de abandonar o bispado de Grenoble. Esse desejo, que tinha desde o começo do episcopado, durou-lhe toda a vida. Mas, aumentou-lhe com o decorrer dos anos e da enfermidade. O santo ancião considerava-se um servidor inútil, que ocupava o lugar do bispo, recebendo as honras e rendas a ele inerentes, mas sem ter o mérito, nem desempenhar-lhes as funções. O Papa Honório nem considerou seu pedido e mandou de volta os emissários com cartas de consolação, nas quais o encorajava a perseverar. São Hugo não desanimou. Foi a Roma e rogou insistentemente ao Papa qie lhe permitisse terminar sua vida em paz e que desse um pastor melhor à igreja de Grenoble. Mas o Papa continuou convencido de que pela autoridade, pelo bom exemplo, seria mais útil ao rebanho do que um outro. Concedeu-lhe, então, tudo quanto pediu, consolou-o da melhor maneira possível e o enviou de volta. São Hugo justificou bem o julgamento do Papa. Vimos com que coragem o bispo de Grenoble excomungava seu próprio soberano, o imperador Henrique V, quando este aprisionou o Papa Pascoal II, para arrancar-lhe as investiduras. Os anos não enfraqueceram o vigor episcopal. Após a eleição do Papa Inocêncio II e antes que seus núncios chegassem à França para condenarem o cisma do Antipapa, o santo bispo de Grenoble se dirigiu a Puy em Velai, com outros bispos, não obstante as doenças de sua idade avançada – tinha setenta e oito anos – Sabia com certeza que Pedro de Léon não fora eleito Papa por seu mérito, mas pelo prestígio da família e pela violência. Foi por isso que não considerou as bons serviços que Pedro e seu pai lhe haviam prestado em outros tempos. Mas, não tendo em vista senão a justiça e o bem da igreja, excomungou-o nesse concílio, com os demais bispos, como cismático. E essa excomunhão foi de grande peso, dada a autoridade de São Hugo. A excomunhão do Antipapa Anacleto foi a última atitude memorável do santo bispo de Grenoble. As doenças aumentaram de dia para dia e o obrigaram a permanecer na cama durante muito tempo, antes de morrer. Perdeu por completo a memória de todas as coisas temporais que havia feito ou visto no mundo. Mas, por um prodígio bem grande, não esqueceu nada do que se relacionava com o serviço de Deus e recitava todos os dias de cor os salmos com os clérigos. Os monges de Calais, mosteiro que havia fundado, foram até ele, para servi-lo durante a enfermidade. E julgaram-se muito bem pagos dos serviços prestados, com o exemplo edificante recebido. Quanto Hugo percebia que a doença lhe havia arrancado algumas palavras de impaciência, se acusava chorando e ordenava aos que o serviam lhe impusessem disciplina. Mas, como pensavam não deverem obedecer-lhe, desfazia-se em lágrimas e recitava repetidas vezes o confiteor, para pedir perdão a Deus. Hugo fez com que os cartuxos escrevessem ao Papa Inocêncio II a respeito do triste estado em que se encontrava. Obteve, então, licença para nomear seu substituto no bispado de Grenoble, um santo religioso da Cartuxa, chamado também Hugo. Após o que, não desejou mais nada na terra e não tardou em ir unir-se ao Criador. Morreu no dia 1 de Abril de 1132, com mais e oitenta anos. O Papa Inocêncio II, sabendo da vida edificante e da santa morte de Hugo, colocou-o entre os santos e deu ordens a Guigues, prior da Cartuxa, de escrever-lhe a vida. Foi o que ordenou pela seguinte carta, que podemos considerar como o decreto de sua canonização: “Inocêncio, bispo servidor dos servidores de Deus, saúda seu queridíssimo filho Guigues, prior da Cartuxa, e lhe dá a benção apostólica. Para corresponder aos benefícios de Deus, rendemos graças, de início, à sua majestade, ao sabermos da santa vida do bem-aventurado Hugo e dos milagres que se operam por sua intercessão. Em seguida, após ter consultado os arcebispos, bispos e cardeais e outras pessoas que estão conosco, ordenamos que fosse honrado como santo e que seja comemorado o dia de sua morte. Mas, como tendes exato conhecimento de sua vida e dos milagres, ordenamo-vos, pela autoridade de São Pedro e pela nossa, que escrevais o que sabeis, para que o clero os leia ao povo e este se edifique e mereça obter a remissão de pecados pela intercessão do santo bispo. Rezamos por vós e damos nossa benção aos queridos filhos cartuxos. Pisa, 22 de Abril. Com efeito Guigues escreveu a vida de São Hugo e a dedicou ao Papa Inocêncio II. Ninguém era mais instruído do que esse piedoso escritor, porque vivera longo tempo com São Hugo e era seu amigo particular. #SantodoDia
- São Hugo – 01 de Abril
SANTO DO DIA – 01 DE ABRIL – SÃO HUGO DE GRENOBLE Bispo (1053-1132) Hugo nasceu numa família de condes, em 1053, em Castelnovo de Isère, sudoeste da França. Seu pai, Odilon de Castelnovo, foi um soldado da corte que, depois de viúvo, se casou de novo. Hugo era filho da segunda esposa. Sua mãe preferia a vida retirada à da corte, e se ocupava pessoalmente da educação dos filhos, conduzindo-os pelos caminhos da caridade, oração e penitência, conforme os preceitos cristãos. Aos vinte e sete anos, Hugo ordenou-se e foi para a diocese de Valence, onde foi nomeado cônego. Depois, passou para a arquidiocese de Lião, como secretário do arcebispo. Nessa época, recebeu a primeira de uma série de missões apostólicas que o conduziriam para a santidade. Foi designado, por seu superior, para trabalhar na delegação do papa Gregório VII. Este, por sua vez, reconhecendo sua competência, inteligência, prudência e piedade, nomeou-o para uma missão mais importante ainda: renovar a diocese de Grenoble. Grenoble era uma diocese muito antiga, situada próxima aos Alpes, entre a Itália e a França, que possuía uma vasta e importante biblioteca, rica em códigos e manuscritos antigos. A região era muito extensa e tinha um grande número de habitantes, mas suas qualidades terminavam aí. Havia tempos a diocese estava vaga, a disciplina eclesiástica não mais existia e até os bens da Igreja estavam depredados. Hugo foi nomeado bispo e começou o trabalho, mas eram tantas as resistências que renunciou ao cargo e retirou-se para um mosteiro. Mas sua vida de monge durou apenas dois anos. O papa insistiu porque estava convencido de que ele era o mais capacitado para executar essa dura missão e fez com que o próprio Hugo percebesse isso também, reassumindo o cargo. Cinco décadas depois de muito trabalho, árduo mas frutífero, a diocese estava renovada e até abrigava o primeiro mosteiro da ordem dos monges cartuchos. O bispo Hugo não só deixou a comunidade organizada e eficiente, como ainda arranjou tempo e condições para acolher e ajudar seu antigo professor, o famoso monge Bruno de Colônia, que foi elevado aos altares também, na fundação dessa ordem. Planejada sobre os dois pilares da vida monástica de então, oração e trabalho, esses monges buscavam a solidão, a austeridade, a disciplina pelas orações contemplativas, pelos estudos, mas também a prática da caridade pelo trabalho social junto à comunidade mais carente, tudo muito distante da vida fútil, mundana e egoísta que prevalecia naquele século. Foram cinquenta e dois anos de um apostolado profundo, que uniu o povo na fé em Cristo. Já velho e doente, o bispo Hugo pediu para ser afastado do cargo, mas recebeu do papa Honório II uma resposta digna de sua amorosa dedicação: ele preferia o bispo à frente da diocese, mesmo velho e doente, do que um jovem saudável, para o bem do seu rebanho. Hugo morreu com oitenta anos de idade, no primeiro dia de 1132, cercado pelos seus discípulos monges cartuchos que o veneravam pelo exemplo de santidade em vida. Tanto assim que, após seu trânsito, muitos milagres e graças foram atribuídos à sua intercessão. O culto a são Hugo foi autorizado dois anos após sua morte, pelo papa Inocente II, sendo difundido por toda a França e o mundo católico. Conheça mais sobre São Hugo, Bispo de Grenoble Nasceu em 1053, em Château-Neuf, Delfinado, diocese de Valença. Seu pai, chamado Odilon, bravo oficial, retirou-se na velhice para a grande Cartuxa, onde viveu ainda dezoito anos e morreu centenário, após ter recebido os últimos sacramentos das mãos de seu filho, nessa época, bispo. A mãe desejava igualmente retirar-se para um mosteiro de religiosas. Mas como houvesse muitos poucos na província, praticou a regra monástica em sua própria casa, segundo os conselhos do santo filho, que a assistiu também na hora derradeira. Ele amava os estudos e freqüentou escolas longínquas. Extrema modéstia, o preservava de todo o perigo. Era cônego de Valence, quando Hugo, bispo de Die e legado do Papa São Gregório VII para todas as Gálias, reconhecendo-lhe os méritos, o levou consigo, e dele se serviu utilmente na reforma do clero. Em 1080, como o legado estivesse reunido em um grande concílio de Avinhão, os deputados da igreja de Grenoble vieram pedir-lhe um bispo. Sabendo que, Hugo de Valença era da confiança do legado, elegeram-no inânimente bispo. Mas Hugo recusou, considerando-se indigno e incapaz de tão grande cargo. O legado dissipou-lhe os temores, dizendo-lhe que em ocasiões semelhantes ninguém devia desconfiar da própria virtude, mas devia confiar em Deus. Vencido por tais encorajamentos e pelos do concílio, aceitou, por fim, a eleição. Todavia, não quis receber a sagração das mãos do arcebispo de Viena, acusado de simonia e acompanhou o legado a Roma, para ser sagrado pelas mãos do Papa. Durante o tempo em que esperava pelo dia da sagração episcopal, o espírito das trevas o tentou a proferir blasfêmias contra Deus, tentação que lhe durou a vida toda, com mais ou menos violência. Abriu o coração ao legado, que o aconselhou a se dirigir ao Papa pessoalmente. São Gregório VII, que possuía grande experiência nesses assuntos, lembrou-lhe que o Senhor repreende e castiga aqueles a quem ama e flagela os filhos a quem dedica afeição. Quanto mais, pois lhe flagelava o coração, mais se tornava evidente seu amor paternal. Além do mais, o diabo já pressentia algumas perdas que iria experimentar e que vantagens tiraria disso o povo de Deus. Era por isso que empregava todos os esforços de sua velha malícia para demovê-lo do propósito de aceitar o santo ministério, coisa que Deus permitia, para confusão e pena do tentador e para glória do servidor fiel. Essas exortações do santo Papa o encorajavam de tal forma, que a mesma tentação que quase o havia levado ao desespero, torna-se para ele motivo de confiança. Alguns dias após, recebeu a sagração episcopal do santo Pontífice que lhe testemunhou durante todo o tempo, uma afeição tão particular, que ninguém duvidava de que já conhecesse quais as graças especiais que Deus comunicaria ao novo bispo. A condessa Matilde, tida na igreja católica como a profetisa Débora, entre o povo de Israel, forneceu tudo quanto era necessário para a sagração, e acrescentou ainda algumas obras de Santo Ambrósio e de Santo Agostinho. Ela o honrou durante toda a sua vida como um verdadeiro servidor de Deus, cujos conselhos e orações reclamava. Chegando a Grenoble, São Hugo encontrou um povo indócil e ignorante, um clero simoníaco, sacerdotes escandalosos, leigos usurários e usurpadores dos bens da igreja. Era um vasto campo para seu zelo. Trabalhou com coragem no sentido de acabar com tais escândalos. Mas, o fruto não correspondia aos seus esforços. Deixou, então, o bispado, após dois anos e retirou-se para o mosteiro de La Chaise-Dieu, onde tomou o hábito de monge. Lá ficou apenas um ano, pois o Papa Gregório VII, sabendo de sua retirada lhe ordenou voltasse à sua igreja e não preferisse o repouso à salvação das almas das quais estava incumbido. Hugo obedeceu. Mas conservou o resto da vida, no episcopado, o amor e a prática da vida religiosa. Não fazia ainda três anos que havia voltado, quando teve um sonho misterioso. Parecia-lhe que Deus construía uma habitação em um deserto de sua diocese e que sete estrelas lhe indicavam o caminho. Pelo mesmo tempo, viu chegarem à sua presença sete homens que procuravam um lugar apropriado para a vida solitária. Eram São Bruno e seus companheiros. São Hugo reconheceu neles as sete estrelas e os conduziu à solidão da Cartuxa, a mesma que havia visto em sonho. Foi em 1084. Construíram lá o mosteiro, que existe ainda no primeiro fervor. O santo bispo de Grenoble não tinha consolo maior que ir frequentemente à Cartuxa, edificar-se com a vida santa que levavam aqueles piedosos solitários. Mas estes se edificavam ainda mais com a humildade dele em confessar tristeza por não poder praticar as mesmas austeridades. Esse santo bispo vivia com eles, como se fosse o último deles. Seu fervor fazia-o esquecer sua dignidade e se entregando aos serviços mais humildes, em favor daquele que habitava a mesma cela. É necessário explicar que nessa época, no começo, os cartuxos costumavam habitar dois a mesma cela. Seu companheiro se queixou a São Bruno, visto que Hugo queria servir-lhe de criado. Mas o santo bispo não dava ouvidos senão à humildade e sentia-se honrado com poder servir os servidores de Deus. São Bruno tomava às vezes a liberdade de o enviar à igreja. “Vai às tuas ovelhas, dizia-lhe que elas tem necessidade de ti. Dá-lhes o que deves dar-lhes.” O santo bispo obedecia a Bruno como a um superior e após ter passado algum tempo com seu povo, retomava à solidão. Queria vender todos os cavalos e fazer, em seguida, a visita a toda a diocese a pé. Mas São Bruno nada lhe disse, com receio de que, com isso, parecesse estar condenando os demais bispos, e que ele mesmo estivesse procurando vanglória. Hugo não fez o que pretendia, mas sua humildade fê-lo rejeitar tudo quanto acreditava não ser pertinente à sua dignidade. A modéstia exterior respondia às virtudes que escondia no coração, das quais era fiel guardiã. Esse santo bispo guardava os olhos com tanta discrição, que após cinqüenta anos de episcopado, não conhecia senão uma mulher, de rosto. Embora tivesse falado a uma infinidade de outras mulheres, jamais detivera a olhar alguma delas. Para não dar a mínima oportunidade à malícia da maledicência, não confessava as mulheres a não ser de dia e em lugar em que pudesse ser visto, porque a caridade pelos pecadores lhe atraía grande número de penitentes. Ele os escutava com grande paciência, e as lágrimas que derramava, ouvindo-os inspiravam salutar arrependimento. Apesar dos males quase contínuos do estômago, e da cabeça que o afligiram durante quarenta anos, não cessou de pregar a palavra de Deus ao povo. Mas não procurava, em absoluto, dizer o que podia causar-lhe aplausos dos ouvintes. Propunha-se apenas instruí-los e comovê-los, o que conseguia com êxito, pois, após o sermão, grande número de pecadores o procuravam para confessar-se. Alguns chegavam a confessar publicamente os pecados, Depois de São Bruno, São Hugo foi como que o pai dos cartuxos. Estabeleceu uma ordem, proibindo às mulheres passarem pelos terrenos desses religiosos, a fim de que elas não lhe perturbassem a solidão. Isso foi em Julho de 1084. Quanto mais o bispo de Grenoble se mostrava santo, mais defendia a Igreja romana. Em 1106, o imperador Henrique V procurou, com violências, arrancar ao Papa Pascoal II um privilégio injusto. Os bispos da província de Vienne, movidos pelo santo colega de Grenoble, excomungaram-no publicamente, em um concílio. Essa atitude era tanto mais corajosa, dado que Vienne, por causa do reino de Borgonha, pertencia a Henrique e seus embaixadores se encontravam no concílio com cartas favoráveis do Papa. Em 1124, ocupou o trono da Santa Sé Honório II. São Hugo lhe enviou emissários para lhe rogaram permissão de abandonar o bispado de Grenoble. Esse desejo, que tinha desde o começo do episcopado, durou-lhe toda a vida. Mas, aumentou-lhe com o decorrer dos anos e da enfermidade. O santo ancião considerava-se um servidor inútil, que ocupava o lugar do bispo, recebendo as honras e rendas a ele inerentes, mas sem ter o mérito, nem desempenhar-lhes as funções. O Papa Honório nem considerou seu pedido e mandou de volta os emissários com cartas de consolação, nas quais o encorajava a perseverar. São Hugo não desanimou. Foi a Roma e rogou insistentemente ao Papa qie lhe permitisse terminar sua vida em paz e que desse um pastor melhor à igreja de Grenoble. Mas o Papa continuou convencido de que pela autoridade, pelo bom exemplo, seria mais útil ao rebanho do que um outro. Concedeu-lhe, então, tudo quanto pediu, consolou-o da melhor maneira possível e o enviou de volta. São Hugo justificou bem o julgamento do Papa. Vimos com que coragem o bispo de Grenoble excomungava seu próprio soberano, o imperador Henrique V, quando este aprisionou o Papa Pascoal II, para arrancar-lhe as investiduras. Os anos não enfraqueceram o vigor episcopal. Após a eleição do Papa Inocêncio II e antes que seus núncios chegassem à França para condenarem o cisma do Antipapa, o santo bispo de Grenoble se dirigiu a Puy em Velai, com outros bispos, não obstante as doenças de sua idade avançada – tinha setenta e oito anos – Sabia com certeza que Pedro de Léon não fora eleito Papa por seu mérito, mas pelo prestígio da família e pela violência. Foi por isso que não considerou as bons serviços que Pedro e seu pai lhe haviam prestado em outros tempos. Mas, não tendo em vista senão a justiça e o bem da igreja, excomungou-o nesse concílio, com os demais bispos, como cismático. E essa excomunhão foi de grande peso, dada a autoridade de São Hugo. A excomunhão do Antipapa Anacleto foi a última atitude memorável do santo bispo de Grenoble. As doenças aumentaram de dia para dia e o obrigaram a permanecer na cama durante muito tempo, antes de morrer. Perdeu por completo a memória de todas as coisas temporais que havia feito ou visto no mundo. Mas, por um prodígio bem grande, não esqueceu nada do que se relacionava com o serviço de Deus e recitava todos os dias de cor os salmos com os clérigos. Os monges de Calais, mosteiro que havia fundado, foram até ele, para servi-lo durante a enfermidade. E julgaram-se muito bem pagos dos serviços prestados, com o exemplo edificante recebido. Quanto Hugo percebia que a doença lhe havia arrancado algumas palavras de impaciência, se acusava chorando e ordenava aos que o serviam lhe impusessem disciplina. Mas, como pensavam não deverem obedecer-lhe, desfazia-se em lágrimas e recitava repetidas vezes o confiteor, para pedir perdão a Deus. Hugo fez com que os cartuxos escrevessem ao Papa Inocêncio II a respeito do triste estado em que se encontrava. Obteve, então, licença para nomear seu substituto no bispado de Grenoble, um santo religioso da Cartuxa, chamado também Hugo. Após o que, não desejou mais nada na terra e não tardou em ir unir-se ao Criador. Morreu no dia 1 de Abril de 1132, com mais e oitenta anos. O Papa Inocêncio II, sabendo da vida edificante e da santa morte de Hugo, colocou-o entre os santos e deu ordens a Guigues, prior da Cartuxa, de escrever-lhe a vida. Foi o que ordenou pela seguinte carta, que podemos considerar como o decreto de sua canonização: “Inocêncio, bispo servidor dos servidores de Deus, saúda seu queridíssimo filho Guigues, prior da Cartuxa, e lhe dá a benção apostólica. Para corresponder aos benefícios de Deus, rendemos graças, de início, à sua majestade, ao sabermos da santa vida do bem-aventurado Hugo e dos milagres que se operam por sua intercessão. Em seguida, após ter consultado os arcebispos, bispos e cardeais e outras pessoas que estão conosco, ordenamos que fosse honrado como santo e que seja comemorado o dia de sua morte. Mas, como tendes exato conhecimento de sua vida e dos milagres, ordenamo-vos, pela autoridade de São Pedro e pela nossa, que escrevais o que sabeis, para que o clero os leia ao povo e este se edifique e mereça obter a remissão de pecados pela intercessão do santo bispo. Rezamos por vós e damos nossa benção aos queridos filhos cartuxos. Pisa, 22 de Abril. Com efeito Guigues escreveu a vida de São Hugo e a dedicou ao Papa Inocêncio II. Ninguém era mais instruído do que esse piedoso escritor, porque vivera longo tempo com São Hugo e era seu amigo particular. #SantodoDia
- NOVO NORMAL?
Um francês aposentado, de 83 anos, vacinado com duas doses da Pfizer, residente na região de Ile-de-France, continua confinado: não pode avançar além de 10 quilômetros de sua casa. Decidiu interpor recurso junto ao Conselho de Estado, solicitando o levantamento do confinamento dos já vacinados. O governo se opôs, mencionando a “eficácia parcial” da vacina, uma “eficácia que se tornou particularmente limitada com a chegada de novas variantes”.
- O MARTELO NIILISTA DO CINEASTA MICHELANGELO ANTONIONI
O diretor italiano Antonioni é um nome importante do cinema italiano do século XX, de fama mundial. Contribuiu para a superação do neorrealismo e surgimento de um cinema marcado pelo pensamento existencialista. Em 1969, em entrevista a um crítico de cinema americano, Charles Thomas Samuels, disse que “O ser humano está sobrecarregado por sentimentos totalmente inadequados às suas necessidades. (…) estamos sobrecarregados com uma cultura que não avançou tanto quanto a ciência. O homem científico já está na lua, mas ainda vivemos com os conceitos morais de Homero. Daí esse transtorno, esse desequilíbrio que deixa os mais fracos ansiosos e apreensivos, que tanto dificulta a adaptação ao mecanismo da vida moderna”. Perguntado se a velha bagagem moral devia ser jogada fora e se o ser humano devia conceber uma nova moralidade, indignou-se com essa última palavra: “Por que continuar usando essa palavra que detesto? Vivemos em uma sociedade que nos obriga a continuar usando esses conceitos, e não sabemos mais o que eles significam. No futuro — não em breve, talvez no século vinte e cinco — esses conceitos terão perdido sua relevância. Não consigo entender como fomos capazes de seguir esses rastros desgastados, que foram criados pelo pânico diante da natureza. Quando o homem se reconciliar com a natureza, quando o espaço físico se tornar seu verdadeiro pano de fundo, essas palavras e conceitos terão perdido o significado e não teremos mais que usá-los.” O jornalista lembra o final do filme de Antonioni L’avventura , em que o personagem Sandro reconhece que sua promiscuidade é prejudicial a Cláudia, com quem ele teve provavelmente a única relação intensa de sua vida. E pergunta ao diretor se a culpa que ele sente (levando-o às lágrimas) é um erro, porque o que o faz sentir essa culpa são as concepções ultrapassadas de amor e a ideia de responsabilidade pessoal, que se tornaram fardos irrelevantes. Responde Antonioni que “Sandro é um personagem de um filme rodado em 1960 e, portanto, está totalmente imerso em tais problemas morais. Ele é italiano, católico e, portanto, vítima dessa moralidade. O que eu disse há pouco é que esses dilemas morais não terão o direito de existir em um futuro diferente do presente. Hoje começamos a vislumbrar esse futuro, mas em 1960 vivíamos em um país com o Papa e o Vaticano, que sempre foram extremamente importantes para todos nós. Ainda não há uma escola na Itália, nem um tribunal sem seu crucifixo. Temos Cristo em nossas casas e, portanto, o problema de consciência, um problema alimentado por nós quando crianças, do qual depois temos problemas para nos livrar. Todos os personagens dos meus filmes estão lutando contra esses problemas, precisando de liberdade, tentando encontrar uma maneira de se libertar, mas falhando em se livrar da consciência, do senso de pecado, de todo esse monte de truques.” O entrevistador, Charles Thomas Samuels, discorda do entrevistado: “Não acho que o que você está propondo seja apenas uma questão de tempo. Seria realmente bom dispensar esse monte de truques, como você o chama? Eu me pergunto se não deveríamos nos orgulhar mais dessa tradição que remonta a Homero do que da viagem à lua. Falando apenas por mim — não, tenho certeza de que falo pelos outros também — o final de L’avventura é tão poderoso porque Sandro tem a consciência de se arrepender do que fez. Para sentir tanto pesar, é preciso acreditar na suprema importância da responsabilidade humana, e não consigo conceber a arte sem essa crença.” Perguntado, certa vez, se acreditava em Deus, teria respondido Antonioni: “Algumas vezes, à noite.” Os ateus não conseguem se desembaraçar completamente de Deus… E se Deus existe pelo menos “algumas vezes, à noite”, nem tudo é permitido nesta vida. Nem que seja por um breve período de tempo — “algumas vezes”… “à noite”… https://scrapsfromtheloft.com/2017/10/11/interview-michelangelo-antonioni/
- São João Clímaco – 30 de Março
SANTO DO DIA – 30 DE MARÇO – SÃO JOÃO CLÍMACO Abade (579-649) O Monte Sinai está historicamente ligado ao cristianismo. Foi o lugar indicado por Deus para entregar a Moisés as tábuas gravadas com os Dez Mandamentos. É uma serra rochosa e árida que, não só pela sua geografia, mas também pelo significado histórico, foi escolhida pelos cristãos que procuravam a solidão da vida eremítica. Assim, já no século IV, depois das perseguições romanas, vários mosteiros rudimentares foram ali construídos por numerosos monges que se entregavam à vida de oração e contemplação. Esses mosteiros tornaram-se famosos pela hospitalidade para com os peregrinos e pelas bibliotecas que continham manuscritos preciosos. Foi neste ambiente que viveu e atuou o maior dos monges do Monte Sinai, João Clímaco. João nasceu na Síria, por volta do ano 579. De grande inteligência, formação literária e religiosa, ainda muito jovem, aos dezesseis anos, optou pelo deserto e viajou para o Monte Sinai, tornando-se discípulo num dos mais renomados mosteiros, do venerável ancião Raiuthi. Isso aconteceu depois de renunciar a fortuna da família e a uma posição social promissora. Preferiu um cotidiano feito de oração, jejum continuado, trabalho duro e estudos profundos. Só descia ao vale para recolher frutas e raízes para sua parca refeição e só se reunia aos demais monges nos fins de semana, para um culto coletivo. Sua fama se espalhou e muitos peregrinos iam procura-lo para aprender com seus ensinamentos e conselhos. Inicialmente eram apenas os que desejavam seguir a vida monástica, depois eram os fiéis que queriam uma bênção do monge, já tido em vida como santo. Aos sessenta anos, João foi eleito por unanimidade abade geral de todos os eremitas da serra do Monte Sinai. Nesse período ele escreveu muito e o que dele se conserva até hoje é um livro importantíssimo que teve ampla divulgação na Idade Média, ‘Escada do Paraíso’. Livro que lhe trouxe também o sobrenome Clímaco que, em grego, significa ‘aquele da escada’. No seu livro ele estabeleceu trinta degraus necessários à subir para alcançar a perfeição da alma. Trata-se de um verdadeiro manual, a síntese da doutrina monástica e ascética, para os noviços e monges, onde descreveu, degrau por degrau, todas as dificuldades a serem vividas, a superação da razão e dos sentidos, e que as alegrias do Paraíso perfeito serão colhidas no final dessa escalada, após o trânsito para a eternidade de Nosso Senhor Jesus Cristo. João Clímaco morreu no dia 30 de março de 649, amado e venerado por todos os cristãos do mundo oriental e ocidental, sendo celebrado por todos eles no mesmo dia do seu falecimento. Conheça mais sobre São João Clímaco São João Clímaco e a escada do Paraíso O que a vida e a obra de um monge eremita do século VI têm a ensinar ao homem do século XXI? No dia 30 de março, a Igreja no mundo inteiro recorda a memória de São João Clímaco. Do século VI, esse monge do Oriente é conhecido especialmente por sua obra “Escada do Paraíso”, na qual explica a vida monástica, desde o abandono do mundo até a perfeição na caridade. De onde tirou sustento para escrever uma obra tão robusta? A resposta está em seu profundo amor a Deus, desde a mais tenra idade. Com apenas 16 anos, João tornou-se monge no monte Sinai, onde foi discípulo do sábio abade Martírio. Aí, entregue à oração e aos cuidados deste mestre espiritual, pôde dedicar-se ao ofício de sábio, àquele que Santo Tomás identifica como “o mais perfeito, o mais sublime, o mais útil e o mais bem-aventurado” de todos os estudos humanos [1]. Com cerca de 20 anos, João elegeu a vida eremítica, passando a habitar no sopé do monte Sinai. Queria entregar-se a Deus na solidão. O fato, porém, é que muitas pessoas o procuravam, querendo uma direção espiritual, e ele próprio tinha que visitar os mosteiros ao redor, dando conselhos aos demais irmãos monges. Uma pessoa sábia é procurada naturalmente em uma sociedade minimamente sadia, pois todos reconhecem a sua importância e a superioridade de seu ofício entre todos os demais. Movido pela caridade, então, João passava aquilo que tinha aprendido do próprio Deus aos seus próximos. Foi justamente por insistência de um irmão vizinho do mosteiro de Raito que nasceu a sua “Escada do Paraíso” ( Κλίμαξ, em grego) – de onde vem o seu nome, Clímaco. Nessa obra, o santo compara o progresso na vida espiritual a uma escada, com três partes: a primeira diz respeito ao abandono do mundo, a fim de voltar ao estado da infância evangélica; a segunda é um importante subsídio para o reconhecimento e a cura das chamadas “doenças espirituais”; a terceira, por sua vez, é propriamente o caminho dos perfeitos. Em toda a obra de João Clímaco, porém, o seu foco não é outro senão o amor, como ele próprio revela, ao associar o combate espiritual à figura do “fogo” [2] e concluir o seu tratado com as palavras de São Paulo: “Agora subsistem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior delas é a caridade” ( 1 Cor 13, 13). A metáfora da escada para a vida espiritual é muito conveniente e encontra amparo nas próprias Sagradas Escrituras (cf. Gn 28, 11-19). Pode, porém, passar a falsa impressão de algo fatigante e cansativo e uma imagem de autossuficiência – como se fosse possível alguém ascender a Deus pelas próprias forças. Entretanto, se é verdade que “é necessário passar por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus” ( At 14, 22), a “escada do Paraíso”, antes de ser subida pelos homens, foi descida pelo próprio Deus. Foi o Senhor quem se inclinou ao homem e inclinou a escada dos céus, para que ele a pudesse subir mais facilmente – Ele, que “humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte, e morte de Cruz” (Fl 2, 8). De fato, antes que o homem desse o primeiro passo em direção ao Altíssimo, Ele mesmo saiu dos altos céus e veio em seu auxílio, com a Sua graça. Por isso, a resposta do homem a essa misericórdia de Deus só pode ser o amor – o amor de quem sobe uma escada firmando os “braços cansados” e “os joelhos vacilantes” (Is 35, 3), com o coração ansioso em contemplar o Senhor e possui-Lo plenamente na eternidade. Pode haver quem se pergunte sobre a validade das lições de São João Clímaco para o homem de hoje. O Papa Bento XVI, ao falar sobre esse importante místico da Igreja, se pergunta se “o itinerário existencial de um homem que viveu sempre na montanha do Sinai, numa época muito distante, pode ter alguma atualidade para nós”. A sua resposta é que “aquela vida monástica é apenas um grande símbolo da vida batismal, da vida do cristão. Mostra, por assim dizer, com caracteres grandes, o que nós escrevemos no dia-a-dia com caracteres pequenos”. Todos, pois, são chamados à santidade, como conclamou o Concílio Vaticano II [3]. A “escada do Paraíso” é o itinerário para todos os cristãos, chamados que são ao amor. Que São João Clímaco, do Céu, ajude o homem do século XXI a atingir o clímax da caridade, como ele alcançou. #SantodoDia



































