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  • O Escândalo da Campanha da Fraternidade 2021: COMO É POSSÍVEL?

    O ESCÂNDALO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2021 Todo católico honesto que tem lido do Texto Base da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021 e tomado ciência de alguns contextos e personagens envolvidos, têm se perguntando: COMO É POSSÍVEL QUE ISSO ESTEJA ACONTECENDO? Gostaríamos de perguntar aos quase 500 bispos que compõem a CNBB: 1 – COMO É POSSÍVEL que uma pastora que defende o aborto esteja à frente da elaboração de um documento que deve orientar as reflexões dos católicos em todas as paróquias e comunidades católicas do Brasil? 2 – COMO É POSSÍVEL que os bispos, renunciando a sua missão de conduzir o rebanho de Cristo, entreguem a condução do povo de Deus a uma Pastora abortista, auto declarada feminista, que defende a Ideologia de Gênero e TODAS as demais pautas da esquerda revolucionária? Leia também: Expor os erros da CNBB não significa atacar a Igreja – o silêncio não é a resposta 3 – COMO É POSSÍVEL que no Texto Base, nas palavras dessa mesma pastora abortista, os senhores bispos apresentem aos católicos a afirmação de que a celebração da Reforma Protestante foi um sopro do Espírito Santo? Então os bispos da CNBB acreditam que o que foi feito por Lutero foi inspirado pelo Espírito Santo, razão pela qual deve ser celebrado com alegria? E também querem que os católicos acreditem e celebrem isso? 4 – COMO É POSSÍVEL que os senhores bispos apresentem aos católicos a ativista Mariele Franco, como se fosse uma mártir e modelo de defensora dos Diretos Humanos, mesmo sendo essa senhora uma ardorosa defensora do assassinato de crianças que não nasceram, também da Ideologia de Gênero de TODAS as demais bandeiras defendidas pelo PSOL, partido anti cristão? 5 – COMO É POSSÍVEL que se apresente aos católicos, como exemplo de ações práticas a serem feitas, a visita e a celebração em um Terreiro de Mãe de Santo ou Candomblé? 6 – COMO É POSSÍVEL que os senhores bispos apresentem um texto onde acusa de serem sem caridade e sem consciência (como que fanáticos) os fiéis que não concordaram com o isolamento generalizado (que NÃO tem NENHUMA base científica) e reivindicaram o seu direito de encontrarem suas Igrejas abertas para receberem os Sacramentos? Assista também Bispo de Formosa comenta Campanha da Fraternidade: Não percam tempo com a Teologia da Libertação 7 – COMO É POSSÍVEL defenderem o ISOLAMENTO social e o irracional fechamento de tudo e depois acusarem o Governo (Federal evidentemente) de ser responsável pelo crescimento do desemprego, pelo aumento da violência doméstica e pela fome?!!! Quem pode explicar essa loucura??? 8 – COMO É POSSÍVEL que os Senhores bispos apresentem aos fiéis católicos um documento completamente ideológico, que reflete as ideias e a linguagem da esquerda revolucionária que tem sido repetida pela grande mídia a todo momento? Estaria também a CNBB se unindo ainda mais a esquerda para tentar colocar os católicos contra os valores conservadores e contra o atual governo pensando nas eleições de 2022? 9 – COMO É POSSÍVEL que os bispos apresentem aos católicos do Brasil a falsa ideia de que a Igreja é contra as pessoa terem armas para se defender, quando a doutrina e o Catecismo da Igreja afirmam que é lícito as pessoas possuírem armas para defenderem a si e aos seus entes queridos? Desde quando a Igreja concorda com a ideologia do Igualitarismo, com o Irenismo, com o relativismo e outras doutrinas ali expostas, todas já condenadas pela Igreja? 10 – COMO É POSSÍVEL que os bispos do Brasil apresentem aos fiéis um documento com informações falsas, que já foram desmentidas, como aquelas apresentadas pelo Grupo Gay da Bahia que diz terem sido assassinados 420 pessoas LGBTs em 2018 por motivações homofóbicas? Isso, sem dizer a menção feita ao Aquecimento Global como sendo causado pela ação do ser humano, tese já desmentida por numerosos cientistas… Assista também a denúncia do Tiba LGBTQI+ no texto-base da Campanha da Fraternidade 2021? 11 – COMO É POSSÍVEL que os senhores bispos, pastores do povo de Deus, relativizem de tal forma a doutrina ensinada pela Igreja, e sejam tão indiferentes a salvação eterna do rebanho confiado a seus cuidados? Que essa afronta a fé católica e o escárnio que foram expressos nessa Campanha da Fraternidade de 2021 ajudem os fiéis a perceberem a necessidade de se rezar pela conversão de nossos padres e bispos, bem como a necessidade de se estudar mais a Doutrina da Igreja para não serem enganados por aqueles, mesmo sendo autoridades, não possuem a fé da Igreja. Será que algum bispo, ou mesmo sacerdote, terá a coragem de dizer: “SOU CATÓLICO E CREIO NO QUE A IGREJA ENSINA, POR ISSO, ESSA CAMPANHA DA FRATERNIDADE NÃO ENTRA EM MINHA DIOCESE/PARÓQUIA!!!” ? Estamos no aguardo…. Discordar e rejeitar todos os erros e aberrações apresentados pelos bispos nessa Campanha da Fraternidade não é ato de desrespeito ou desobediência, mas é antes ato de fé e de amor a verdade, que nos conduz e nos faz permanecer unidos a Deus, Verdade Eterna. Templário de Maria Assista também a denúncia do Centro Dom Bosco: Quem está por trás da Campanha da Fraternidade? #CampanhadaFraternidade #CF2021 #CNBB

  • O Escândalo da Campanha da Fraternidade 2021: COMO É POSSÍVEL?

    O ESCÂNDALO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2021 Todo católico honesto que tem lido do Texto Base da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021 e tomado ciência de alguns contextos e personagens envolvidos, têm se perguntando: COMO É POSSÍVEL QUE ISSO ESTEJA ACONTECENDO? Gostaríamos de perguntar aos quase 500 bispos que compõem a CNBB: 1 – COMO É POSSÍVEL que uma pastora que defende o aborto esteja à frente da elaboração de um documento que deve orientar as reflexões dos católicos em todas as paróquias e comunidades católicas do Brasil? 2 – COMO É POSSÍVEL que os bispos, renunciando a sua missão de conduzir o rebanho de Cristo, entreguem a condução do povo de Deus a uma Pastora abortista, auto declarada feminista, que defende a Ideologia de Gênero e TODAS as demais pautas da esquerda revolucionária? Leia também: Expor os erros da CNBB não significa atacar a Igreja – o silêncio não é a resposta 3 – COMO É POSSÍVEL que no Texto Base, nas palavras dessa mesma pastora abortista, os senhores bispos apresentem aos católicos a afirmação de que a celebração da Reforma Protestante foi um sopro do Espírito Santo? Então os bispos da CNBB acreditam que o que foi feito por Lutero foi inspirado pelo Espírito Santo, razão pela qual deve ser celebrado com alegria? E também querem que os católicos acreditem e celebrem isso? 4 – COMO É POSSÍVEL que os senhores bispos apresentem aos católicos a ativista Mariele Franco, como se fosse uma mártir e modelo de defensora dos Diretos Humanos, mesmo sendo essa senhora uma ardorosa defensora do assassinato de crianças que não nasceram, também da Ideologia de Gênero de TODAS as demais bandeiras defendidas pelo PSOL, partido anti cristão? 5 – COMO É POSSÍVEL que se apresente aos católicos, como exemplo de ações práticas a serem feitas, a visita e a celebração em um Terreiro de Mãe de Santo ou Candomblé? 6 – COMO É POSSÍVEL que os senhores bispos apresentem um texto onde acusa de serem sem caridade e sem consciência (como que fanáticos) os fiéis que não concordaram com o isolamento generalizado (que NÃO tem NENHUMA base científica) e reivindicaram o seu direito de encontrarem suas Igrejas abertas para receberem os Sacramentos? Assista também Bispo de Formosa comenta Campanha da Fraternidade: Não percam tempo com a Teologia da Libertação 7 – COMO É POSSÍVEL defenderem o ISOLAMENTO social e o irracional fechamento de tudo e depois acusarem o Governo (Federal evidentemente) de ser responsável pelo crescimento do desemprego, pelo aumento da violência doméstica e pela fome?!!! Quem pode explicar essa loucura??? 8 – COMO É POSSÍVEL que os Senhores bispos apresentem aos fiéis católicos um documento completamente ideológico, que reflete as ideias e a linguagem da esquerda revolucionária que tem sido repetida pela grande mídia a todo momento? Estaria também a CNBB se unindo ainda mais a esquerda para tentar colocar os católicos contra os valores conservadores e contra o atual governo pensando nas eleições de 2022? 9 – COMO É POSSÍVEL que os bispos apresentem aos católicos do Brasil a falsa ideia de que a Igreja é contra as pessoa terem armas para se defender, quando a doutrina e o Catecismo da Igreja afirmam que é lícito as pessoas possuírem armas para defenderem a si e aos seus entes queridos? Desde quando a Igreja concorda com a ideologia do Igualitarismo, com o Irenismo, com o relativismo e outras doutrinas ali expostas, todas já condenadas pela Igreja? 10 – COMO É POSSÍVEL que os bispos do Brasil apresentem aos fiéis um documento com informações falsas, que já foram desmentidas, como aquelas apresentadas pelo Grupo Gay da Bahia que diz terem sido assassinados 420 pessoas LGBTs em 2018 por motivações homofóbicas? Isso, sem dizer a menção feita ao Aquecimento Global como sendo causado pela ação do ser humano, tese já desmentida por numerosos cientistas… Assista também a denúncia do Tiba LGBTQI+ no texto-base da Campanha da Fraternidade 2021? 11 – COMO É POSSÍVEL que os senhores bispos, pastores do povo de Deus, relativizem de tal forma a doutrina ensinada pela Igreja, e sejam tão indiferentes a salvação eterna do rebanho confiado a seus cuidados? Que essa afronta a fé católica e o escárnio que foram expressos nessa Campanha da Fraternidade de 2021 ajudem os fiéis a perceberem a necessidade de se rezar pela conversão de nossos padres e bispos, bem como a necessidade de se estudar mais a Doutrina da Igreja para não serem enganados por aqueles, mesmo sendo autoridades, não possuem a fé da Igreja. Será que algum bispo, ou mesmo sacerdote, terá a coragem de dizer: “SOU CATÓLICO E CREIO NO QUE A IGREJA ENSINA, POR ISSO, ESSA CAMPANHA DA FRATERNIDADE NÃO ENTRA EM MINHA DIOCESE/PARÓQUIA!!!” ? Estamos no aguardo…. Discordar e rejeitar todos os erros e aberrações apresentados pelos bispos nessa Campanha da Fraternidade não é ato de desrespeito ou desobediência, mas é antes ato de fé e de amor a verdade, que nos conduz e nos faz permanecer unidos a Deus, Verdade Eterna. Templário de Maria Assista também a denúncia do Centro Dom Bosco: Quem está por trás da Campanha da Fraternidade? #CampanhadaFraternidade #CF2021 #CNBB

  • LEVANTAR-SE PARA SERVIR – Scott Hahn medita sobre o 5º Domingo do Tempo Comum

    Na primeira leitura de hoje, Jó descreve a futilidade da vida antes de Cristo. Seu lamento nos lembra a maldição da labuta e da morte que foi colocada sobre Adão, após o pecado original (ver Gênesis 3: 17-19). Homens e mulheres são como escravos à procura de uma sombra, incapazes de encontrar descanso. Suas vidas são como o vento que vem e vai. Mas, conforme cantamos no Salmo de hoje, Aquele que criou as estrelas prometeu curar os quebrantados de coração e libertar do exílio os que estavam perdidos (ver Isaías 11:12; 61: 1). Vemos essa promessa cumprir-se no Evangelho de hoje. A sogra de Simão representa a humanidade cansada e desesperada de Jó: está abatida pela aflição e por demais enfraquecida para se salvar por conta própria. Mas como Deus prometeu tomar pela mão o Seu povo eleito (ver Isaías 42: 6), Jesus a agarra pela mão e a ajuda a levantar-se. A palavra grega traduzida como “ajudar” tem, na verdade, o mesmo sentido de “levantar”. O mesmo verbo é usado quando Jesus ordena que uma menina morta se levante (ver Marcos 5: 41-42). É usado novamente para descrever a Sua própria ressurreição (ver Marcos 14:28; 16: 7). O que Jesus fez pela sogra de Simão, fez também por toda a humanidade: levantou-nos a todos os que estávamos mortos por causa dos nossos pecados (ver Efésios 2:5). Observem-se todas as palavras que indiquem totalidade e completude no Evangelho. A cidade inteira se reuniu ; todos os doentes foram levados a ele. Ele expulsa demônios por toda a Galiléia. Todos estão procurando por Cristo. Nós também O encontramos. Por meio de nosso batismo, Ele nos curou e nos levantou para vivermos em Sua presença (ver Oséias 6: 1-2). Como a sogra de Simão, só há uma maneira de agradecê-lo pela nova vida que Ele nos deu: devemos nos levantar para servir a Ele e a Seu evangelho. Nossas vidas devem ser nossa ação de graças, como mostra Paulo na epístola de hoje. Devemos revelar a todas as pessoas as boas novas, a razão pela qual Jesus veio até nós: que também os outros possam ser herdeiros de Sua salvação. https://stpaulcenter.com/audio/sunday-bible-reflections/raised-to-serve-scott-hahn-reflects-on-the-fifth-sunday-in-ordinary-time/

  • Estudo aponta que transgêneros têm vantagem nos esportes femininos

    Um novo estudo sugere que mulheres transexuais mantêm uma vantagem atlética sobre seus pares cisgêneros, mesmo depois de um ano em terapia hormonal. Os resultados, publicados no mês passado no British Journal of Sports Medicine , podem significar que o atual período de espera de um ano para atletas em transição é inadequado. As ordens executivas de Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, sobre ideologia de gênero, colocam em risco os esportes femininos, quando abrem caminho para que homens biológicos que se identificam como do sexo oposto, os chamados “trans”, assumam recordes femininos nos esportes. Uma nova pesquisa do British Journal of Sports, diz que ativistas LGBT estão se juntando a mães e conservadores para lutar contra a competição desleal, sugerindo que os legisladores mantenham a separação entre feminino e masculino nos jogos. “Acreditamos que todos deveriam ter a oportunidade de competir, mas a paridade atlética para as mulheres exige que os esportes femininos sejam reservados a mulheres biológicas”, diz o grupo Save Women’s Sports. Um estudo recente divulgado até mesmo pela rede progressista NBC, o doutor Timothy Roberts descobriu que homens que se submetem à transição de gênero continuam tendo vantagem competitiva sob as mulheres, mesmo após algum tempo de tratamento. O estudo diz que dentro de um ano “as ‘mulheres’ trans, em média, ainda têm vantagem”. A descoberta teria sido feita através do estudo de meses de hormônios e outros tratamentos, demonstrando que os homens em transição ainda eram capazes de fazer mais flexões e correr mais rápido que as mulheres. A descoberta de Roberts foi feita com militares da Força Aérea que estavam passando pela transição, com tratamentos com hormônios. As Forças Armadas e a Olimpíada são vistas por Roberts como “uma situação comparável, na qual você tem pessoas dando o máximo para manter ou melhorar suas habilidades”. Texto de Gospel Prime Leia também Mais um Transgênero vence torneio mundial feminino, eliminando as chances das mulheres de verdade #LGBT #Transgênero

  • Estudo aponta que transgêneros têm vantagem nos esportes femininos

    Um novo estudo sugere que mulheres transexuais mantêm uma vantagem atlética sobre seus pares cisgêneros, mesmo depois de um ano em terapia hormonal. Os resultados, publicados no mês passado no British Journal of Sports Medicine , podem significar que o atual período de espera de um ano para atletas em transição é inadequado. As ordens executivas de Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, sobre ideologia de gênero, colocam em risco os esportes femininos, quando abrem caminho para que homens biológicos que se identificam como do sexo oposto, os chamados “trans”, assumam recordes femininos nos esportes. Uma nova pesquisa do British Journal of Sports, diz que ativistas LGBT estão se juntando a mães e conservadores para lutar contra a competição desleal, sugerindo que os legisladores mantenham a separação entre feminino e masculino nos jogos. “Acreditamos que todos deveriam ter a oportunidade de competir, mas a paridade atlética para as mulheres exige que os esportes femininos sejam reservados a mulheres biológicas”, diz o grupo Save Women’s Sports. Um estudo recente divulgado até mesmo pela rede progressista NBC, o doutor Timothy Roberts descobriu que homens que se submetem à transição de gênero continuam tendo vantagem competitiva sob as mulheres, mesmo após algum tempo de tratamento. O estudo diz que dentro de um ano “as ‘mulheres’ trans, em média, ainda têm vantagem”. A descoberta teria sido feita através do estudo de meses de hormônios e outros tratamentos, demonstrando que os homens em transição ainda eram capazes de fazer mais flexões e correr mais rápido que as mulheres. A descoberta de Roberts foi feita com militares da Força Aérea que estavam passando pela transição, com tratamentos com hormônios. As Forças Armadas e a Olimpíada são vistas por Roberts como “uma situação comparável, na qual você tem pessoas dando o máximo para manter ou melhorar suas habilidades”. Texto de Gospel Prime Leia também Mais um Transgênero vence torneio mundial feminino, eliminando as chances das mulheres de verdade #LGBT #Transgênero

  • Cardeal Müller adverte contra o Grande Reset: “buscam controle absoluto do pensamento, fala e

    O cardeal Gerhard Müller, prefeito emérito da Congregação para a Doutrina da Fé, falou com Edward Pentin, do National Catholic Register, sobre o atual debate sobre o “Grande Reset” (grande reinicialização) , promovido pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) de Davos. Eles buscam “controle absoluto do pensamento, fala e ação” de toda a população. O cardeal emitiu um sério aviso de que vê uma fusão das organizações capitalistas ocidentais com a China, formando um novo “capital-socialismo unificado”. O prelado alemão disse a Pentin que dois campos – “capitalismo especulativo, os gigantes da grande tecnologia dos países ocidentais” e “comunismo da República Popular da China” – estão hoje “convergindo e se fundindo em um capital-socialismo unificado”, produzindo um “novo colonialismo”. The Great Reset (ou Great Readjustment) é um programa do Fórum Econômico Mundial (WEF) que usa a crise causada pela pandemia como uma desculpa para uma reformulação fundamental da forma como os seres humanos vivem juntos nesta terra. O WEF declara em seu site que “as mudanças que já vimos em resposta ao COVID-19 mostram que é possível redefinir nossos fundamentos econômicos e sociais”. À luz das crises econômicas e ambientais previstas, o WEF propõe que “devemos construir uma base totalmente nova para nossos sistemas econômicos e sociais”. O que essa reconstrução de nossas sociedades deve parecer aos olhos desses atores financeiros e econômicos globais pode ser visto em seu próprio vídeo do WEF intitulado “Oito previsões para o mundo em 2030”. O vídeo prevê que “você não terá nada e será feliz. O que você quiser, você aluga e eles te entregam com um drone ». Junto com a abolição da propriedade privada – um objetivo típico das ideologias socialistas – o WEF também vê o fim dos valores ocidentais que são obviamente baseados no Cristianismo: “Os valores ocidentais terão sido testados a ponto de se romper”. Que tipo de valores substituirão esses “valores ocidentais” e de onde eles virão? Neste contexto, os comentários do Cardeal Müller são importantes, pois ele está denunciando este novo programa ideológico para o nosso mundo. Embora esteja bem com pessoas das esferas econômica e política se encontrando e discutindo questões importantes, o cardeal alemão se pergunta que “imagem de humanidade” o WEF realmente tem. Ao mesmo tempo, advertiu que o objetivo dessa nova força de fusão – a colaboração das grandes entidades capitalistas com a China – é “o controle absoluto do pensamento, da palavra e da ação”. O cardeal destaca a importância do mundo digital hoje e como isso afeta a vida humana. Ele vê que um “homem homogeneizado” está sendo criado e que esse homem “pode ​​ser mais facilmente dirigido”. “O mundo orwelliano do homo digitalis começou”, explicou ele. “Por meio do mainstreaming, você deseja alcançar a conformidade total da consciência das massas por meio da mídia”. Müller aponta para o autor francês do século 19, Gustave Le Bon, que previu tal situação em seu livro The Psychology of Crowds. O cardeal Müller também rejeitou a ideia de que tais críticas ao Grande Reset e seus planos ideológicos sejam meras “teorias da conspiração” e acrescentou que os sistemas totalitários “sempre denegriram qualquer crítica como conspiração e subversão”. Nesse sentido, ele apontou para as inúmeras advertências sobre os governos totalitários no século 20 e explicou que “dificilmente podem ser desacreditadas como teorias da conspiração, uma vez que os desenvolvimentos políticos reais provaram que estavam certos”. Advertindo que as promessas do Grande Reset e outros programas semelhantes de fundações muito ricas não devem ser tomadas como esforços inocentes, o prelado alemão afirmou que “a confiança cega na atitude filantrópica dos líderes das Grandes Fundações e Sociedades Abertas só é possível com uma negação completamente ingênua da realidade. ‘ O Prefeito emérito da Doutrina da Fé destacou que no passado houve tentativas de recriar o homem e inventar o mundo de novo. Essas tentativas sempre se transformaram em movimentos totalitários. Sempre que o homem quis “recriar e redimir a si mesmo”, disse a Pentin, um monstro foi criado em seu lugar, citando como exemplo a “horrível experiência humana” da União Soviética comunista que coincidiu com a revolução industrial. “Isso deveria ter nos convencido”, acrescentou, “de que a utopia de um paraíso na terra, sob qualquer forma, dá origem aos maiores crimes contra a humanidade (negação da liberdade aos dissidentes, destruição do trabalho, redução da população pelo aborto e eutanásia). A natureza do homem, ferido pelo pecado, ele precisa do perdão divino. Somente a graça de Deus pode nos redimir e nos dar a liberdade e a glória dos filhos de Deus. Acontece que o novo presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden, é aliado do programa Great Reset e chega a chamar sua nova agenda de “Build Back Better” (Reconstruir melhor), slogan que também vem sendo utilizado pelo Fórum Econômico Mundial . O Fórum Econômico Mundial alinhou-se com a China ao mesmo tempo e convidou seu presidente Xi Jingping para fazer um discurso no dia de abertura de sua reunião anual (virtual) de 2021. O próprio WEF descreveu sua participação no fórum como “oportunidade histórica colaboração “. Em outubro de 2020, o cardeal Müller já advertia que a eleição de Biden como presidente dos Estados Unidos poderia ter sérios efeitos tanto nos Estados Unidos quanto nas democracias mundiais, especialmente à luz do crescente poder da China. Em declarações ao Breitbart News, o cardeal alemão afirmou: “O resultado das eleições nos Estados Unidos determinará se este país continuará a ser a principal potência mundial – pela liberdade e pela democracia – ou se uma ditadura comunista assumirá esse papel pela comunidade. “ Falando sobre a ditadura chinesa e seu crescente poder no mundo, o Cardeal Müller afirmou que “na China se repete o lema da Alemanha nazista: Você não é nada, o Estado é tudo. E, no entanto, a verdade é o contrário: as pessoas são tudo e o Estado existe apenas para servir ao bem comum. E como os Estados Unidos são a primeira potência no mundo livre, eles também devem acabar com o domínio imperialista de uma superpotência comunista que busca a dominação mundial e permitir que o povo chinês e outros povos oprimidos entrem na comunidade e na solidariedade dos povos livres. Perfeitamente alinhado com a previsão do WEF de que os ‘valores ocidentais’ logo atingirão seu ponto de ruptura, o cardeal Müller em janeiro de 2021 expressou preocupação de que o novo regime de Biden esteja liderando uma campanha para ‘descristianizar a cultura ocidental’. Em declarações ao site católico austríaco Kath.net, o prelado afirmou que o governo Biden, “com seu poder político, midiático e econômico concentrado, está na vanguarda da campanha mais sutilmente brutal dos últimos 100 anos para descristianizar a cultura . ocidental “. Ele estava se referindo às políticas de Biden sobre o aborto, LGTBI e ideologia de gênero O próprio Fórum Econômico Mundial também está promovendo a agenda LGBT, bem como a agenda do aborto. Traduzido de InfoCatólica

  • Cardeal Müller adverte contra o Grande Reset: “buscam controle absoluto do pensamento, fala e

    O cardeal Gerhard Müller, prefeito emérito da Congregação para a Doutrina da Fé, falou com Edward Pentin, do National Catholic Register, sobre o atual debate sobre o “Grande Reset” (grande reinicialização) , promovido pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) de Davos. Eles buscam “controle absoluto do pensamento, fala e ação” de toda a população. O cardeal emitiu um sério aviso de que vê uma fusão das organizações capitalistas ocidentais com a China, formando um novo “capital-socialismo unificado”. O prelado alemão disse a Pentin que dois campos – “capitalismo especulativo, os gigantes da grande tecnologia dos países ocidentais” e “comunismo da República Popular da China” – estão hoje “convergindo e se fundindo em um capital-socialismo unificado”, produzindo um “novo colonialismo”. The Great Reset (ou Great Readjustment) é um programa do Fórum Econômico Mundial (WEF) que usa a crise causada pela pandemia como uma desculpa para uma reformulação fundamental da forma como os seres humanos vivem juntos nesta terra. O WEF declara em seu site que “as mudanças que já vimos em resposta ao COVID-19 mostram que é possível redefinir nossos fundamentos econômicos e sociais”. À luz das crises econômicas e ambientais previstas, o WEF propõe que “devemos construir uma base totalmente nova para nossos sistemas econômicos e sociais”. O que essa reconstrução de nossas sociedades deve parecer aos olhos desses atores financeiros e econômicos globais pode ser visto em seu próprio vídeo do WEF intitulado “Oito previsões para o mundo em 2030”. O vídeo prevê que “você não terá nada e será feliz. O que você quiser, você aluga e eles te entregam com um drone ». Junto com a abolição da propriedade privada – um objetivo típico das ideologias socialistas – o WEF também vê o fim dos valores ocidentais que são obviamente baseados no Cristianismo: “Os valores ocidentais terão sido testados a ponto de se romper”. Que tipo de valores substituirão esses “valores ocidentais” e de onde eles virão? Neste contexto, os comentários do Cardeal Müller são importantes, pois ele está denunciando este novo programa ideológico para o nosso mundo. Embora esteja bem com pessoas das esferas econômica e política se encontrando e discutindo questões importantes, o cardeal alemão se pergunta que “imagem de humanidade” o WEF realmente tem. Ao mesmo tempo, advertiu que o objetivo dessa nova força de fusão – a colaboração das grandes entidades capitalistas com a China – é “o controle absoluto do pensamento, da palavra e da ação”. O cardeal destaca a importância do mundo digital hoje e como isso afeta a vida humana. Ele vê que um “homem homogeneizado” está sendo criado e que esse homem “pode ​​ser mais facilmente dirigido”. “O mundo orwelliano do homo digitalis começou”, explicou ele. “Por meio do mainstreaming, você deseja alcançar a conformidade total da consciência das massas por meio da mídia”. Müller aponta para o autor francês do século 19, Gustave Le Bon, que previu tal situação em seu livro The Psychology of Crowds. O cardeal Müller também rejeitou a ideia de que tais críticas ao Grande Reset e seus planos ideológicos sejam meras “teorias da conspiração” e acrescentou que os sistemas totalitários “sempre denegriram qualquer crítica como conspiração e subversão”. Nesse sentido, ele apontou para as inúmeras advertências sobre os governos totalitários no século 20 e explicou que “dificilmente podem ser desacreditadas como teorias da conspiração, uma vez que os desenvolvimentos políticos reais provaram que estavam certos”. Advertindo que as promessas do Grande Reset e outros programas semelhantes de fundações muito ricas não devem ser tomadas como esforços inocentes, o prelado alemão afirmou que “a confiança cega na atitude filantrópica dos líderes das Grandes Fundações e Sociedades Abertas só é possível com uma negação completamente ingênua da realidade. ‘ O Prefeito emérito da Doutrina da Fé destacou que no passado houve tentativas de recriar o homem e inventar o mundo de novo. Essas tentativas sempre se transformaram em movimentos totalitários. Sempre que o homem quis “recriar e redimir a si mesmo”, disse a Pentin, um monstro foi criado em seu lugar, citando como exemplo a “horrível experiência humana” da União Soviética comunista que coincidiu com a revolução industrial. “Isso deveria ter nos convencido”, acrescentou, “de que a utopia de um paraíso na terra, sob qualquer forma, dá origem aos maiores crimes contra a humanidade (negação da liberdade aos dissidentes, destruição do trabalho, redução da população pelo aborto e eutanásia). A natureza do homem, ferido pelo pecado, ele precisa do perdão divino. Somente a graça de Deus pode nos redimir e nos dar a liberdade e a glória dos filhos de Deus. Acontece que o novo presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden, é aliado do programa Great Reset e chega a chamar sua nova agenda de “Build Back Better” (Reconstruir melhor), slogan que também vem sendo utilizado pelo Fórum Econômico Mundial . O Fórum Econômico Mundial alinhou-se com a China ao mesmo tempo e convidou seu presidente Xi Jingping para fazer um discurso no dia de abertura de sua reunião anual (virtual) de 2021. O próprio WEF descreveu sua participação no fórum como “oportunidade histórica colaboração “. Em outubro de 2020, o cardeal Müller já advertia que a eleição de Biden como presidente dos Estados Unidos poderia ter sérios efeitos tanto nos Estados Unidos quanto nas democracias mundiais, especialmente à luz do crescente poder da China. Em declarações ao Breitbart News, o cardeal alemão afirmou: “O resultado das eleições nos Estados Unidos determinará se este país continuará a ser a principal potência mundial – pela liberdade e pela democracia – ou se uma ditadura comunista assumirá esse papel pela comunidade. “ Falando sobre a ditadura chinesa e seu crescente poder no mundo, o Cardeal Müller afirmou que “na China se repete o lema da Alemanha nazista: Você não é nada, o Estado é tudo. E, no entanto, a verdade é o contrário: as pessoas são tudo e o Estado existe apenas para servir ao bem comum. E como os Estados Unidos são a primeira potência no mundo livre, eles também devem acabar com o domínio imperialista de uma superpotência comunista que busca a dominação mundial e permitir que o povo chinês e outros povos oprimidos entrem na comunidade e na solidariedade dos povos livres. Perfeitamente alinhado com a previsão do WEF de que os ‘valores ocidentais’ logo atingirão seu ponto de ruptura, o cardeal Müller em janeiro de 2021 expressou preocupação de que o novo regime de Biden esteja liderando uma campanha para ‘descristianizar a cultura ocidental’. Em declarações ao site católico austríaco Kath.net, o prelado afirmou que o governo Biden, “com seu poder político, midiático e econômico concentrado, está na vanguarda da campanha mais sutilmente brutal dos últimos 100 anos para descristianizar a cultura . ocidental “. Ele estava se referindo às políticas de Biden sobre o aborto, LGTBI e ideologia de gênero O próprio Fórum Econômico Mundial também está promovendo a agenda LGBT, bem como a agenda do aborto. Traduzido de InfoCatólica

  • CARDEAL MÜLLER CONDENA O GRANDE RESET – Maike Hickson

    O cardeal Gerhard Müller, prefeito emérito da Congregação para a Doutrina da Fé, comentou recentemente com Eward Pentin, do National Catholic Register, sobre a discussão atual a respeito do Grande Reset, promovido pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), em Davos. Nesse contexto, o cardeal fez uma advertência séria: ele vê uma fusão das organizações capitalistas ocidentais com a China, formando um novo “capital-socialismo unificado”. Em 29 de janeiro, o prelado alemão disse a Pentin que dois lados — “o capitalismo especulativo, os Big Techs ocidentais” e o “comunismo da República Popular da China” — estão agora “convergindo e se fundindo em um capital-socialismo unificado”, produzindo um “novo colonialismo”. Com esses comentários, parece sugerir que estamos testemunhando aqui uma fusão de grandes potências financeiras com estados comunistas — particularmente a China — visando a dominação do mundo por potências capitalistas globais, enquanto as massas são mantidas numa sociedade socialista, controladas e oprimidas pelo Estado. Podemos relembrar aqui a resposta recente dos países ocidentais à crise do Coronavirus, que levou à supressão de muitas liberdades em nome de uma crise sanitária. O Grande Reset é um programa lançado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), que usa a crise do Coronavírus como pretexto para uma reorganização fundamental da maneira como nós, seres humanos, vivemos juntos nesta terra. O Fórum Econômico Mundial afirma em seu site que “as mudanças que já vimos, em resposta à Covid-19, demonstram que um reset de nossas bases econômicas e sociais é possível”. À luz das crises econômicas e ambientais esperadas, o Fórum Econômico Mundial propõe que “devemos construir bases completamente novas para nossos sistemas econômicos e sociais”. Como essa reconstrução de nossas sociedades deveria aparecer aos olhos desses atores financeiros e econômicos globais, pode ser visto em um vídeo do Fórum Econômico Mundial, chamado “Oito Previsões para o Mundo em 2030”. Este vídeo prevê que “as pessoas não terão nada e serão felizes. O que se quiser, poderá ser alugado e será entregue a domicílio por um drone”. Junto com a abolição da propriedade privada — um objetivo típico das ideologias socialistas — o Fórum Econômico Mundial também vê o fim dos valores ocidentais que são obviamente baseados no cristianismo: “Os valores ocidentais terão postos à prova e chegarão ao ponto de ruptura.” É de se perguntar que tipo de valores substituirão esses “valores ocidentais” e de onde eles virão. Neste contexto, os comentários do Cardeal Müller são importantes, pois denuncia este novo programa ideológico para o nosso mundo. Enquanto ele pensa que é bom que as pessoas das esferas econômica e política se reúnam e discutam questões importantes, o cardeal alemão se pergunta que “imagem de humanidade” o Fórum Econômico Mundial está realmente propondo. Ao mesmo tempo, o cardeal advertiu que o objetivo desta nova força de fusão — a colaboração entre grandes entidades capitalistas com a China — é o “controle absoluto do pensamento, palavra e ação”. Os comentários do cardeal Müller indicam a importância do mundo digital hoje e como ele afeta a vida humana. Ele vê que está sendo criado um “homem homogeneizado”, e que um tal homem “pode ser guiado mais facilmente”. “Começou o mundo orwelliano do homo digitalis “, explicou ele. “Por meio do mainstream , a conformidade total da consciência das massas deve ser alcançada por meio da mídia.” O cardeal Müller se referiu aqui ao autor francês do século 19, Gustave Le Bon, que previu tal situação em seu livro A psicologia das multidões. O cardeal Müller também rejeitou a ideia de que tais críticas ao Grande Reset, e seus planos ideológicos, sejam meras “teorias da conspiração”. Acrescentou que os sistemas totalitários “sempre denegriram todas as críticas como conspiração e subversão”. Em seus comentários, ele se referiu às muitas advertências do governo totalitário, no século 20. E explicou que “dificilmente podem ser desacreditadas como teorias da conspiração, pois os desdobramentos políticos reais mostraram que estavam certos”. Advertindo-nos para não considerar como esforços inocentes as promessas do Grande Reset e programas similares das riquíssimas fundações [internacionais], o prelado alemão afirmou que “a fé cega na atitude filantrópica dos líderes das Grandes Fundações e Sociedades Abertas só é possível com uma negação completamente ingênua da realidade”. O cardeal alemão e ex-bispo de Regensburg, Alemanha, ressaltou que houve tentativas no passado de recriar o homem e reinventar o mundo. Essas tentativas sempre se transformaram em movimentos totalitários. Sempre que o homem quis “recriar e redimir a si mesmo”, disse Cardeal Muller a Pentin, foi criado um monstro, citando como exemplo o “experimento humano macabro” da União Soviética Comunista, que coincidiu com a revolução industrial. “Isso deveria ter nos convencido”, acrescentou, “que a utopia de um paraíso terrestre, em qualquer forma, se traduz nos maiores crimes contra a humanidade (negação da liberdade dos dissidentes, destruição do trabalho, redução da população pelo aborto e eutanásia). A natureza do homem, ferido pelo pecado, precisa do perdão divino. Só a graça de Deus pode nos redimir e nos dar a ‘liberdade e glória dos filhos de Deus”. Lembramos aqui aos nossos leitores o fato de que o presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden, é aliado do programa Great Reset e até chama sua nova agenda de “Build Back Better”, slogan também utilizado pelo Fórum Econômico Mundial. Ao mesmo tempo, o Fórum Econômico Mundial se alinhou com a China e convidou o presidente Xi Jinping a fazer um discurso no dia de abertura de sua reunião anual (virtual) em 2021. O próprio Fórum Econômico Mundial assim definiu a sua participação no fórum: uma “oportunidade histórica para colaboração”. Em outubro de 2020, o cardeal Müller já havia alertado que a eleição de Biden a presidente dos Estados Unidos poderia ter sérios efeitos nos Estados Unidos e nas democracias mundiais, especialmente à luz do crescente poder da China. Em declarações ao Breitbart News, o cardeal alemão disse: “O resultado das eleições americanas determinará se os Estados Unidos continuarão a ser a principal potência mundial — pela liberdade e pela democracia — ou se uma ditadura comunista assumirá esse papel para a comunidade global”. Falando sobre a ditadura chinesa e seu crescente poder no mundo, o Cardeal Müller explicou que “na China se repete o lema da Alemanha nazista: “Você não é nada — o Estado é tudo. Mas a verdade é o contrário: as pessoas são tudo e o Estado existe apenas para servir ao bem comum”. Em perfeita consonância com a previsão do Fórum Econômico Mundial de que os “valores ocidentais” logo atingirão seu ponto de ruptura, o cardeal Müller expressou, em janeiro de 2021, sua preocupação de que o novo regime de Biden esteja agora empreendendo uma campanha para “descristianizar a cultura ocidental”. Em declarações ao site católico austríaco Kath.net, o prelado afirmou que a administração Biden, “com seu poder político, midiático e econômico concentrado, está na vanguarda da campanha mais sutilmente brutal dos últimos 100 anos para descristianizar o Cultura ocidental.” Seus comentários se ligavam ao fato do presidente Biden já haver tomado medidas para promover o aborto, bem como a agenda LGBT. O próprio Fórum Econômico Mundial está promovendo a agenda LGBT, bem como a agenda do aborto. O cardeal Müller se opõe veementemente a essas agendas anticristãs e disse, ao Kath.net, que qualquer “cristão que se posicione contra o mainstream da propaganda LGBT, o aborto, o uso de drogas legalizadas, a dissolução da sexualidade masculina ou feminina, é insultado como de ‘extrema direita’ ou mesmo como ‘nazista’, apesar dos nacional-socialistas, eles sim, com sua ideologia biologista e social-darwinista, terem sido a mais aberta contradição da imagem cristã do homem”. Os cristãos, na política, devem se opor a essas agendas, disse ele, mesmo se não puderem agir efetivamente contra a aprovação dessas leis. “Eles nunca devem participar do mal, nem ativa, nem passivamente”, acrescentou. “No mínimo, devem protestar contra isso e — na medida do possível — resistir, mesmo que sejam discriminados.” https://www.lifesitenews.com/blogs/cardinal-mueller-decries-the-great-reset

  • OS DEZ MANDAMENTOS

    Êxodo 20, 2-17Deuteronómio 5, 6-21Fórmula CatequéticaEu sou o Senhor teu Deus, Que te tirei da terra do Egipto, dessa casa da escravidão.Não terás outros deuses perante Mim. Não farás de ti nenhuma imagem esculpida, nem figura que existe lá no alto do céu ou cá em baixo na terra ou nas águas debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas nem lhes prestarás culto porque eu, o Senhor teu Deus, sou um Deus cios: castigo a ofensa dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que Me ofendem; mas uso de misericórdia até à milésima geração com aqueles que Me amam e guardam os meus mandamentos.Eu sou o Senhor teu Deus, que te fiz tirei da terra do Egipto dessa da casa da escravidão.Não terás outros deuses diante de Mim… Primeiro: Adorar a Deus e amá-Lo sobre todas as coisas.Não invocarás em vão o Nome do Senhor teu Deus, porque o Senhor não deixa sem castigo quem invocar o seu Nome em vão.Não invocarás em vão o Nome do Senhor teu Deus…Segundo: Não invocar o santo nome de Deus em vão.Lembrar-te do dia do Sábado para o santificar. Durante seis dias trabalharás e farás todos os trabalhos. Mas o sétimo dia é sábado do Senhor teu Deus. Não farás nele nenhum trabalho, nem tu, nem teu filho ou tua filha, nem o teu servo nem a tua serva, nem o teu gado, nem o estrangeiro que vive em tua cidade. Porque em seis dias o Senhor fez o céu e a terra, o mar e tudo o que eles contêm: mas ao sétimo diz descansou. Por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou.Guarda o dia do sábado para o santificarTerceiro: Santificar os domingos e festas de guarda.Honra pai mãe, a fim de prolongares os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te vai dar.Honra teu pai e tua mãe…Quarto: Honrar pai e mãe (e os outros legítimos superiores).Não matarás.Não matarás.Quinto: Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo).Não cometerás adultério.Não cometerás adultério.Sexto: Guardar castidade nas palavras e nas obras.Não roubarás.Não roubarás.Sétimo: Não furtar (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo).Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo.Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo.Oitavo: Não levantar falsos testemunhos (nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo).Não cobiçarás a casa do teu próximo.Nono: Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos.Não desejarás a mulher do próximo, nem o seu servo nem a sua serva, o seu boi ou o seu jumento, nem nada que lhe pertença.Não desejarás a mulher do teu próximo;Não cobiçarás … nada que pertença ao teu próximo. Décimo: Não cobiçar as coisas alheias.Estes dez mandamentos resumem-se em dois que são: Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos. 1. Leão XIII, Enc. Libertas praestantissimum: Leonis XIII Acta 8. 218: São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 1-2, q. 90. a. 1: Ed. Leon. 7, 149-150. 2. Tertuliano, Adversos Marcionem, 2, 4, 5: CCL I. 479 (PL 2, 315). 3. Leão XIII, Enc. Libertas praestantissimum: Leonis XIII Acta 8. 219 4. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 89: AAS 58 (1966) 1111-1112. 5. Santo Agostinho, De Trinitate, 14, 15, 21: CCL 50A, 451 (PL 42, 1052). 6. São Tomás de Aquino, In duo praecepta caritatis et in detem Legi praecepta expositio 1: Opera amnia, v. 27 (Parisiis 1875) p. 144. 7. Marco Túlio Cícero, De re publica, 3, 22, 33: Scripta quae manserunt omnia, Bibliotheca Teubneriana fasc. 39. ed. K. Ziegler (Leipzig 1969) p. 96. 8. Cf. II Concílio do Vaticano,. Const. past. Gaudium et spes, 10: AAS 58 (1966) 1033. 9. Santo Agostinho, Confissões 2, 4, 9: CCL 27, 21 (PL 32, 678). 10. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 2: DS 3005: Pio XII. Enc. Humani Generis: DS 3876. 11. Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum, 57, I: CCL 39, 708. 12. Cf. Rm 7, 12. 13. Cf. Rm 7, 14. 14. Cf. Rm 7, 16. 15. Cf. Gl 3, 24. 16. Cf. Rm 7. 17. Santo Ireneu de Lião, Adversus haereses, 4, 15, 1: SC 100. 548 (PG 7, 1012). 18. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 1-2, q. 107, a.I, ad 2: Ed. Leon 7, 279. 19. Cf. Jr 31, 31-34. 20. Santo Agostinho, De sermone Domine in monte, 1, 1, 1: CCL 35, 1-2 (PL 34, 1229-1231). 21. Cf. Mt 5, 17-19. 22. Cf. Mt 15, 18-19. 23. Cf. Mt 5, 48. 24. Cf.  Mt 5, 44. 25. Cf. Mt 6, 1-6; 16-18. 26. Cf. Mt 6, 9-13. 27. Cf. Mt 7, 13-14. 28. Cf. Mt 7, 21-27. 29. Cf. Lc 6, 31. 30. Cf. Jo 13, 34. 31. Cf. Jo 15, 12. 32. Cf. Rom 14; 1 Cor 5-10. 33.Cf. Tg 1, 25; 2, 12. 34. Cf. G14.1-7; 21-31; Rm 8, 15-17. 35. Cf. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2. Q. 184, a. 3: Ed. Leon. 10, 453-454. 36. São Francisco de Sales, Traité de l’amour de Dieu, 8, 6: Oeuvres, v. 5 (Anecy 1894) p. 75. 37. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 1-2. q. 90, a. 4, e: Ed. Leon. 7, 152. 38. Cf. Rm 10, 4. 39. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 42 AAS 57 (1965) 48. 40. Cf. Rm 3, 22. 41. Cf. Rm 6, 3-4. 42. Cf. 1 Cor 12. 43. Cf. Jo 15, 1-4. 44. Santo Atanásio de Alexandria, Epistula ad Serapionem. 1, 24: PG 26, 585-588. 45. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 7: DS 1528. 46. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 7: DS 1529. 47. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 5: DS 1525. 48. Santo Agostinho, In Iohannis evangelium tractatus, 72, 3: CCL 36, 508 (PL 35, 1823). 49. Cf. Rm 7, 22; Ef 3,16. 50. Cf. Jo 1, 12-18. 51. Cf. Rm 8, 14-17. 52. Cf. 2 Pe 1, 3-4. 53. Cf. Jo 17, 3. 54. Cf. 1 Cor 2, 7-9. 55. Cf. Jo 4, 14; 7, 38-39. 56. Santo Agostinho, De gratia et libero arbítrio, 17, 33: PL 44, 901. 57. Santo Agostinho, De natura et gratia, 31, 35: CSEL 49, 258-259 (PL 44, 264). 58. Santo Agostinho, Confissões, 13, 36, 51: CCL 27, 272 (PL 32, 868). 59. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 12: AAS 57 (1965) 16-17. 60. Cf. 1 Cor 12. 61. Cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 9: DS 1533-1534. 62. Santa Joana D’Arc: Dito: Procès de condannation, ed. P. Tisset (Paris, 1969) p. 62. 63. Prefácio dos Santos, I: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 428 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992. p . 495]: cf. o «Doutor da Graça». Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum 102, 7: CCL 40, 1457 (PI_ 37, 1321). 64. Cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 16: DS 1546. 65. Cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 16: DS 1546. 66. Santo Agostinho, Sermão 298, 4-5: SPM 1, 98-99 (PL 38, 1376). 67. Santa Teresa do Menino Jesus, Acte d’offrande à l’Amour miséricordieux: Récréations pieuses – Prières (Paris 1992) p. 512-515. [Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 199) p. 1077]. 68. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 40: AAS 57 (1965) 45. 69.  II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 40: AAS 57 (1965) 45. 70. Cf. 2 Tm 4. 71. São Gregório de Nissa, In Canticum homilia 8: Gregorii Nysseni opera, ed. W. Jaeger – H. Langerbeck, v. 6 (Leiden 1960) p. 247 (PG 44, 941). 72. Cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, can. 26: DS 1576 73. II Concílio do Vaticano, Const dogm. Lumen Gentium, 40: AAS 57 (1965) 45. 74. São Gregório de Nissa, De vita Moysis, 1. 5: ed. M. Simonetti (Vicenza 1984) p. 10 (PG 44. 300). 75. Cf. Gl 6, 2. 76. Cf. Rm 12, 1. 77. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 17: AAS 57 (1965) 21. 78. CIC can. 747, § 2. 79. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 25: AAS 57 (1965) 29. 80. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 25: AAS 57 (1965) 30. 81. Cf. Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, Decl. Mysterium Ecclesiae, 3: AAS 65 (1973) 401. 82. Cf. II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 14: AAS 58 (1966) 940. 83. Cf. CIC can. 213. 84. Cf. 1 Cor 2, 10-15. 85. Cf. Rm 12, 8.11. 86. Cf. CIC can. 1246-1248: CCEO can. 880, § 3, 881, §§ 1.2.4. 87. Cf. CIC can. 989: CCEO can. 719. 88. Cf. CIC can. 920: CCEO can. 708. 881, § 3. 89 Cf. CIC can. 1249-1251; CCEO can. 882. 90. Cf. CIC can. 222: CCEO can. 25. As Conferências Episcopais podem, para além destes, estabelecer outros preceitos eclesiásticos para o seu território: cf. CICcan. 455. 91. II Concílio do Vaticano, Decr. Apostolicam actuositatem, 6: AAS 58 (1966) 842. 92. Cf. Ef 1, 22. 93. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 39: AAS 57 (1965) 44. 94. Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do universo,  Prefácio: Missale Romanum. editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 381 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 429]. #AVIDAEMCRISTO #catecismo #catecismodaigrejacatólica

  • Quem está por trás da Campanha da Fraternidade?

    O Centro Dom Bosco investigou tudo sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021 e as notícias não são nada animadoras. Você vai se surpreender ao saber quem está querendo manipular a Igreja Católica. Assista o vídeo no final da publicação. Há alguns dias o Tiba Camargos, liderança católica do movimento pró-vida no Brasil, postou um vídeo fazendo um alerta sobre a gravidade do texto-base da Campanha da Fraternidade de 2021, promovida pela CNBB, fazer uso de uma linguagem que promove a ideologia de gênero, e vincular os crimes contra a “comunidade LGBT” ao “discurso político” e também ao “extremismo religioso”. Assista também a denúncia do Tiba : LGBTQI+ no texto-base da Campanha da Fraternidade 2021? Assista a denúncia. Desta vez o Centro Dom Bosco prestou um serviço aos católicos e fez um dossiê completo sobre a Campanha da Fraternidade mostrando o que querem e quem está por trás desse movimento que configura-se em um dos mais nocivos momentos de esvaziamento litúrgico/sacramental e de propagação ideológica dentro da Igreja, subvertendo em socialismo ativista um dos momentos mais profundos da nossa liturgia que é a Quaresma. Leia também: O Escândalo da Campanha da Fraternidade 2021: COMO É POSSÍVEL? Assista e compartilhe: Assista também – Bispo de Formosa comenta Campanha da Fraternidade: Não percam tempo com a Teologia da Libertação Leia também Expor os erros da CNBB não significa atacar a Igreja – o silêncio não é a resposta #CampanhadaFraternidade #CF2021 #CNBB

  • Quem está por trás da Campanha da Fraternidade?

    O Centro Dom Bosco investigou tudo sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021 e as notícias não são nada animadoras. Você vai se surpreender ao saber quem está querendo manipular a Igreja Católica. Assista o vídeo no final da publicação. Há alguns dias o Tiba Camargos, liderança católica do movimento pró-vida no Brasil, postou um vídeo fazendo um alerta sobre a gravidade do texto-base da Campanha da Fraternidade de 2021, promovida pela CNBB, fazer uso de uma linguagem que promove a ideologia de gênero, e vincular os crimes contra a “comunidade LGBT” ao “discurso político” e também ao “extremismo religioso”. Assista também a denúncia do Tiba : LGBTQI+ no texto-base da Campanha da Fraternidade 2021? Assista a denúncia. Desta vez o Centro Dom Bosco prestou um serviço aos católicos e fez um dossiê completo sobre a Campanha da Fraternidade mostrando o que querem e quem está por trás desse movimento que configura-se em um dos mais nocivos momentos de esvaziamento litúrgico/sacramental e de propagação ideológica dentro da Igreja, subvertendo em socialismo ativista um dos momentos mais profundos da nossa liturgia que é a Quaresma. Leia também: O Escândalo da Campanha da Fraternidade 2021: COMO É POSSÍVEL? Assista e compartilhe: Assista também – Bispo de Formosa comenta Campanha da Fraternidade: Não percam tempo com a Teologia da Libertação Leia também Expor os erros da CNBB não significa atacar a Igreja – o silêncio não é a resposta #CampanhadaFraternidade #CF2021 #CNBB

  • IRMÃO SOL, IRMÃ LUA – Padre Santiago Martín

    Na quinta-feira celebrou-se o primeiro Dia da Fraternidade Humana. Foi uma proposta do Papa e do Grande Imã de Al Azhar, que a ONU ratificou em dezembro do ano passado. O objetivo é tornar todos os seres humanos conscientes de que fazem parte de uma grande família universal e as diferenças não podem ser resolvidas pela violência. Que o principal líder sunita, como o egípcio, tenha assinado esta petição é especialmente importante, porque entre os muçulmanos há muitos que levam o seu radicalismo religioso ao extremo de matar os de outras crenças, especialmente os cristãos, como bem sabem os que vivem na África Central e no Iraque. Embora não se dê muita atenção a isso, é algo importante. Imagino que o objetivo de uma tal celebração é construir pontes que ajudem ao diálogo. Para o fazer, é necessário olhar para o que nos une, a fim de ter um ponto de partida comum. Somos membros da mesma espécie humana e habitamos o mesmo planeta. O que acontece num ponto do mundo, acaba por nos afetar a todos, como demonstrou o vírus da Covid. São João XXIII utilizou este mesmo princípio para lançar o diálogo ecuménico. Ninguém ignora, porém, que isto não é tudo e que pode mesmo ser prejudicial, se se chegar à conclusão de que o que nos separa não é importante. No campo ecumênico, por exemplo, as Igrejas fizeram grandes progressos no diálogo, alcançando objetivos importantes, como o acordo sobre “justificação” assinado com os luteranos, mas estamos muito longe de alcançar a tão desejada unidade solicitada por Cristo, na sua última mensagem antes de partir para o Monte das Oliveiras, na noite de Quinta-feira Santa. É por isso que acho interessante olhar para o que fez São Francisco de Assis, que foi um pioneiro desta “fraternidade universal”. É seu o “Cântico das criaturas”, no qual ele vai além de chamar de irmãos os homens: faz o mesmo em relação ao sol, à lua, à terra, ao vento e à água. Chama a própria morte de sua irmã. Mas a fraternidade universal, que São Francisco cantou e viveu, foi uma fraternidade baseada na fé em Deus, o Criador. O “Cântico das criaturas” não é um hino às criaturas, mas ao Criador de todas elas: “Louvado sejais vós, meu Senhor”, começa cada uma das estrofes, dando graças a Deus por ter criado todas essas criaturas, incluindo o homem. É, portanto, uma irmandade baseada no fato de existir um Criador. Posso chamar o outro de irmão, porque acredito num Deus que o criou e a mim. Se o outro não acredita nesse Deus e ainda quer chamar-me irmão, não tenho qualquer objeção, mas devo dizer-lhe por que acredito no Criador; não vou esconder esse fato. São Francisco não só não o escondeu, como enviou muitos dos seus primeiros seguidores para evangelizar em países muçulmanos. Santo António deixou a ordem agostiniana e tornou-se franciscano, porque dois dos seus amigos tinham morrido mártires em Marrocos, para lá enviados pelo santo de Assis. O próprio São Francisco partiu para o Egito e tentou evangelizar o próprio sultão. Procurou a sua conversão não com a espada dos Cruzados, mas pelo testemunho e a palavra. Enfim, o fato é que ele procurou a sua conversão. É um passo importante que todos nós nos reconheçamos como irmãos. São Francisco o fez e eu não tenho qualquer problema em fazê-lo. Pelo contrário. Isto não implica a anulação de diferenças ou a renúncia à evangelização. É pela fé em Deus Criador que proclamo a fraternidade universal. Pela fé no Filho de Deus feito homem, aceito o seu pedido de ir a todo o mundo pregar o Evangelho, porque, como ele mesmo o disse, aquele que crê e é batizado, será salvo; e aquele que não for, será condenado. Estas são palavras suas que muitos, hoje em dia, gostariam de suprimir e que terão de ser interpretadas, mas que não podem ser esquecidas. Fraternidade, sim; e evangelização também. Como fez São Francisco.

  • CREDO

    CREDO 1. II Concílio Vaticano, Const. dogm.  Dei Verbum,  2: AAS 58 (1966) 818. 2. II Concílio Vaticano, Const. dogm.  Dei Verbum,  5: AAS 58 (1966) 819. 3. Cf.  Rm  1, 5; 16, 26. 4. Cf.  Gn  12, 1-4. 5. Cf.  Gn  23, 4. 6. Cf.  Heb  11, 17. 7. Cf.  Gn  15, 6. 8. Cf.  Gn  15, 5.  9. Cf.  Gn  18, 14. 10 Cf.  Lc  l, 48. 11. Cf.  Lc  2, 35. 12. Cf.  Jr  17, 5-6;  Sl  40, 5; 146, 3-4. 13. Cf.  Mc  1 , 11. 14. Cf.  Mc  9, 7. 15. Cf.  Mt  11, 27. 16. Cf.  Gl  1,15-16;  Mt  11, 25. 17 .  II Concílio Vaticano, Const. dogm.  Dei Verbum,  5: AAS 58 (1966) 819. 18. I Concílio Vaticano, Const. dogm.  Dei Filius,  c.3: DS 3008. 19. São Tomás de Aquino.  Summa theologiae  II-II. q. 2. a. 9. c: Ed. Leon. 8. 37: cf. IConcílio Vaticano, Const. dogm.  Dei Filius,  c. 3: DS 3010. 20. I Concílio Vaticano, Const. dogm. Dei Filius.  c. 3: DS 3008. 21. I Concílio Vaticano, Const. dogm.  Dei Filius,  c. 3: DS 3009. 22. Cf.  Mc  16, 20;  Heb  2, 4. 23.  I Concílio Vaticano, Const. dogm.  Dei Filius,  c. 3: DS 3009. 24.I Concílio Vaticano, Const. dogm.  Dei Filius,  c. 3: DS 3010. 25. São Tomás de Aquino,  Summa theologiae  II-II. q. 171, 5, 3um: Ed. Leon. 10, 373. 26.  J. H. Newman,  Apologia pro vita sua , c. 5. ed. M. J. Svaglic, Oxford 1967, p. 210. 27. Santo Anselmo da Cantuária,  Proslogion.  Prooemium:  Opera omnia,  ed. F. S. Schmitt. v. 1, Edimburgo 1946, p. 94. 28.  II Concílio Vaticano, Const. dogm.  Dei Verbum , 5: AAS 58 (1966) 819. 29. Santo Agostinho,  Sermão  43, 7, 9: CCL 41. 512 (PL 38. 258). 30. I Concílio Vaticano, Const. dogm.  Dei Filius,  c. 4: DS 3017. 31. II Concílio Vaticano, Const. past.  Gaudium et spes,  36: AAS 58 ((966) 1054. 32. II Concílio Vaticano, Decl.  Dignitatis humanae,  10: AAS 58 (1966) 936; cf. CIC cân. 748 § 2. 33.  II Concílio Vaticano, Decl.  Dignitatis humanae,  11: AAS 58 (1966) 936. 34. II Concílio Vaticano, Decl.  Dignitatis humanae,  11: AAS 58 (1966) 937. 35. Cf.  Mc  16, 16;  Jo  3, 36: 6, 40: etc. 36. I Concílio Vaticano, Const. dogm.  Dei Filius,  c 3: DS 3012; cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª,  Decretum de iustiftcatione,  c. 8: DS 1532. 37. Cf.  Mc  9, 24;  Lc  17, 5: 22, 32. 38. Cf.  Tg  2, 14-26. 39. Cf.  Rm  15, 13. 40. São Basílio Magno,  Liber de Spiritu Sancto,  15, 36: SC 17bis. 370 (PG 32, 132); cf. São Tomás de Aquino , Summa Theologiae  II-II, q. 4, a. I. c: Ed. Leon. 8. 44. 41. Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm.  Lumen Gentium,  58: AAS 57 (1965) 61. 42. João Paulo II, Enc.  Redemptoris Mater,  17: AAS 79 (1987) 381. 43. João Paulo II,  Enc.  Redemptoris Mater,  18: AAS 79 (1987) 382-383. 44.  Símbolo dos Apóstolos:  DS 30. 45.  Símbolo Niceno-Constantinopolitano:  DS 150 (no original grego). 46.  Iniciação cristã dos adultos,  75. 2ª edição, Gráfica de Coimbra 1996. p. 48:  Ibid ., 247, p. 153. 47. Fausto de Riez,  De Spiritu sancto  1, 2: CSEL 21, 104 (l, 1: PL 62.11). 48. São Tomás de Aquino,  Summa theologiae  11-II, q. I. a. 2. ad 2: Ed Leon. 8. 11. 49. Cf.  Jd  3. 50. Cf.  Ef  4, 4-6. 51. Santo Ireneu de Lião,  Adversus haereses  I. 10, 1-2: SC 264, 154-158 (PG 7, 550-551). 52.Santo Ireneu de Lião,  Adversus haereses   I. 10. 2: SC 264, 158-160 (PG 7, 531-534). 53. Santo Ireneu de Lião,  Adversus haereses   V, 20. 1: SC 153, 254-256 (PG 7, 1177). 54. Santo Ireneu de Lião,  Adversus haereses   III. 24, 1: SC 211, 472 (PG 7, 966).  55. São Cipriano de Cartago,  Ecclesiae catholicae unitate,  6: CCL 3. 253 (PL 4. 519). 56. Paulo VI,  Sollemnis Professio fidei  [Credo do Povo de Deus], 20: AAS 60 (1968) 441. 57. São Tomás de Aquino,  Compendium theologiae,  1, 2: Ed. Leon. 42. 83., 1, 2. 58. DS 30. 59. DS 150. #catecismo #catecismodaigrejacatólica #CREDO

  • MAIO DE 1968 E A PEDOFILIA – Luc Ferry

    Compreendo bem que os partidários de Maio de 68 estejam hoje tentando limpar o movimento dos suas inclinações incestuosas e pedófilas, sobre as quais muito se tem falado nos últimos dias. O fato é que a verdade histórica obriga-nos a dizer que, apesar de tudo, foi na esteira daquele feliz mês de maio, e com a bênção das autoridades filosóficas mais representativas do esquerdismo cultural da época, que a pedofilia recebeu os títulos de nobreza que ela tinha perdido desde Platão. Quando, em meados da década de 1970, no Liberation e no Le Monde , surgiram petições louvando a pederastia, assinadas por intelectuais como Foucault, Sartre, Beauvoir, Deleuze, Barthes ou Chatelet, a recusa em aderir era correr o risco de se excluir do clube dos “verdadeiros intelectuais”, isto é, dos intelectuais de esquerda, “obrigatoriamente de esquerda ” (castristas, maoistas, trotskistas, enfim, comunistas). Esquecemos que o “pensamento 68” era inteiramente favorável à pederastia, que aprovava os delírios de René Schérer e Guy Hocquenghem, que publicaram, em 1976, Co-ire (em latim, “ir junto”, “copular” na terceira pessoa do singular …), um livro ornamentado com uma série de fotos de crianças nuas que elogiavam o “rapto”: como a criança não era propriedade privada dos pais (pequena referência a Marx), argumentavam que todo adulto teria o direito, e até mesmo o dever, de requestá-la para nela despertar a sexualidade que a burguesia procurava esconder. Scherer, um dos fundadores da Universidade de Vincennes, apoiado evidentemente por Deleuze, Châtelet, Lyotard, Foucault, Badiou e outros do mesmo time, ou seja, pelo que o “pensamento 68” tinha então de mais ruidoso, explicou como a educação burguesa vigente em nossas escolas se perdiam na “perversidade”, que consistia em não dar espaço à pederastia: “Postulamos em princípio, escreveu ele, que a relação pedagógica é essencialmente pervertida, não porque acompanhada de relações pederásticas entre professores e alunos, mas justamente porque ela os nega e os exclui.” Sim, vocês leram bem: a perversão consiste em excluir a pederastia tanto da educação escolar como familiar! Alguém poderá objetar que a pedofilia já se difundiu por todos os círculos, e terá razão, embora eu não conheça nenhuma outra ideologia que faça sua apologia além desta. Por mais estranho que isso nos pareça hoje em dia, naquele meio e naquela época as pessoas pensavam assim mesmo, de modo que por muito tempo foi mais arriscado criticar a pedofilia do que defendê-la. Esses prestigiosos professores se valeram das teses de Freud sobre a sexualidade infantil para delas tirar a absurda conclusão de que era dever dos adultos despertá-la. Como na época era “proibido proibir”, não havia por que se preocupar. Hoje em dia, os signatários remanescentes daquelas petições [pró-pederastia] admitem que “foi tudo besteira”. Pois é… Mas quando publiquei La Pensée 68 [O pensamento de 68] com Alain Renaut, em 1985, um livro que criticava os fundamentos filosóficos desses apelos delirantes à transgressão total, eles (ou seus próximos) foram os primeiros a nos insultar. Por quase um ano, não pude dar palestras em público, nem mesmo na Escola Normal da Rua d’Ulm, onde, no entanto, eu dirigia um centro de estudos sobre o idealismo alemão, porque os discípulos de Foucault nos esperavam, não com desculpas, mas com tacos de beisebol! https://www.lefigaro.fr/vox/societe/luc-ferry-pensee-68-et-pedophilie-20210203

  • Censura: Canal do Terça Livre é banido do YouTube

    O YouTube excluiu, na noite desta quarta-feira (03/02), o canal Terça Livre. A retirada do conteúdo acontece após o grupo de ativismo Sleeping Giants Brasil, fazer campanha em diversos setores para cancelar o Terça Livre. A plataforma online de vídeos YouTube encerrou os dois canais do Terça Livre na noite desta quarta-feira (3), após campanha do grupo de ativismo pró-censura, Sleeping Giants Brasil, em diversos setores para cancelar o Terça Livre. Terça Livre é um site de notícias criado em 2014. O site ganhou notoriedade nas eleições presidenciais brasileiras de 2018 por aproximar-se da família Bolsonaro e também por trazer notícias sem viés ideológico. O canal que chegou a ter 1,1 milhão de seguidores já havia sofrido duas advertências do YouTube por supostamente violar as regras da plataforma. Em teoria, o motivo para o banimento do canal é a criação de um segundo canal para criação de conteúdos enquanto o primeiro estava sob sanções. De acordo com o YouTube “Caso uma conta tenha sido restringida na plataforma ou impossibilitada de usar algum dos recursos, o criador não poderá usar outro canal para contornar essas penalidades. Essa regra se aplicaria a todo o período em que a restrição estivesse ativa. A violação dela é considerada um descumprimento dos Termos de Serviço, o que pode levar ao encerramento da conta.” Os dois canais do Terça Livre foram encerrados: o “Terça Livre TV” e o “Terça Livre Live”. “Esta conta foi encerrada por violação dos Termos de Serviço do YouTube”, informa o YouTube ao tentar acessar o canal. Leia também A Ditadura do STF e a perseguição aos conservadores O TERÇA LIVRE FOI BANIDO DO @YouTubeBrasil! Depois de mais de 100 empresas bloquearem os seus anúncios após a nossa denúncia, o cana principal e o reserva foram banidos! ESSA É UMA VITÓRIA DE TODOS VOCÊS! pic.twitter.com/MqjP1NdGbf — Sleeping Giants Brasil (@slpng_giants_pt) February 4, 2021

  • Censura: Canal do Terça Livre é banido do YouTube

    O YouTube excluiu, na noite desta quarta-feira (03/02), o canal Terça Livre. A retirada do conteúdo acontece após o grupo de ativismo Sleeping Giants Brasil, fazer campanha em diversos setores para cancelar o Terça Livre. A plataforma online de vídeos YouTube encerrou os dois canais do Terça Livre na noite desta quarta-feira (3), após campanha do grupo de ativismo pró-censura, Sleeping Giants Brasil, em diversos setores para cancelar o Terça Livre. Terça Livre é um site de notícias criado em 2014. O site ganhou notoriedade nas eleições presidenciais brasileiras de 2018 por aproximar-se da família Bolsonaro e também por trazer notícias sem viés ideológico. O canal que chegou a ter 1,1 milhão de seguidores já havia sofrido duas advertências do YouTube por supostamente violar as regras da plataforma. Em teoria, o motivo para o banimento do canal é a criação de um segundo canal para criação de conteúdos enquanto o primeiro estava sob sanções. De acordo com o YouTube “Caso uma conta tenha sido restringida na plataforma ou impossibilitada de usar algum dos recursos, o criador não poderá usar outro canal para contornar essas penalidades. Essa regra se aplicaria a todo o período em que a restrição estivesse ativa. A violação dela é considerada um descumprimento dos Termos de Serviço, o que pode levar ao encerramento da conta.” Os dois canais do Terça Livre foram encerrados: o “Terça Livre TV” e o “Terça Livre Live”. “Esta conta foi encerrada por violação dos Termos de Serviço do YouTube”, informa o YouTube ao tentar acessar o canal. Leia também A Ditadura do STF e a perseguição aos conservadores O TERÇA LIVRE FOI BANIDO DO @YouTubeBrasil! Depois de mais de 100 empresas bloquearem os seus anúncios após a nossa denúncia, o cana principal e o reserva foram banidos! ESSA É UMA VITÓRIA DE TODOS VOCÊS! pic.twitter.com/MqjP1NdGbf — Sleeping Giants Brasil (@slpng_giants_pt) February 4, 2021

  • AS PERIGOSAS AMIZADES DA SANTA SÉ – Carlos Esteban

    Uma das coisas que um jornalista no século XXI mais teme é ganhar o rótulo de “conspiranóico”. Há muito foi decretado que suspeitar que as coisas não são o que dela se diz oficialmente, que há decisões de peso que são feitas fora dos canais institucionais apropriados, é uma forma de doença mental e que tudo que sai da caneta ou da boca de uma pessoa afetada por ela deve ser descartada sem cerimônia ou discussão. A coisa está cada vez mais difícil para nós, e o novo Conselho para um Capitalismo Inclusivo [promovido pela Santa Sé com alguns dos maiores líderes empresariais do mundo] é o exemplo mais recente: é praticamente uma lista das fundações e empresas que aparecem em todas as teorias da conspiração que se prezem. A influência de algumas delas, na transformação ideológica do mundo atual, é verdadeiramente inegável. A Fundação Rockefeller, por exemplo, financiou em 1927 a criação do Instituto Kaiser Wilhelm de Antropologia, Patrimônio Humano e Eugenia em Berlim. Seu diretor era Eugen Fischer, um antropólogo racista membro do Partido Nazista que, mais tarde, foi nomeado por Hitler para ser membro do corpo docente da Universidade de Berlim. Hitler reconheceu ter se inspirado nas práticas eugenistas de vários estados norte-americanos promovidas pela Fundação Rockefeller, que também financiou a pesquisa de Otmar Freiherr von Verschuer, que foi o segundo diretor do Instituto Kaiser e fundador do Instituto de Herança Biológica e Higiene Racial da Universidade de Frankfurt, além de professor do famoso Josef Mengele, que realizou seus trabalhos criminosos com irmãos gêmeos ou siameses em Auschwitz. As relações de cooperação da Fundação Rockefeller com os nazistas, antes da Segunda Guerra Mundial, estão mais do que documentadas. A vitória dos aliados fez com que, aparentemente, a fundação mudasse sua linguagem e seu alinhamento político, mas não suas ideias fundamentais. O relatório da Comissão Rockefeller, de 1972, sugere promover a descriminalização do aborto para melhor uso dos recursos estratégicos do mundo, seguindo as recomendações do Population Council (Conselho da População), fundado em 1952 por John D. Rockefeller III, as idéias de The Population Bomb (A bomba demográfica), livro publicado em 1968 por Paul Ehrlich, e também The Limits of Growth (Os limites do crescimento), de 1972, do poderoso e elitista Clube de Roma. Hoje, a promoção do aborto, do feminismo radical e da ideologia de gênero pode ser facilmente rastreada, e chegaremos em fundações como a Open Society, de George Soros, a Rockefeller Foundation, a Ford Foundation ou a Hewlett Packard Foundation. O que é mais surpreendente, acerca dessa estranha aliança arquitetada pelo Vaticano, é que muitos desses “guardiães do capitalismo inclusivo”, senão todos, são inclusivos só no sentido de fazer desaparecer os que ficam de fora, através do aborto ou da esterilização de massa. Las amistades peligrosas de la Santa Sede

  • A CONVERSÃO DE JOAQUIM NABUCO – Padre Leonel Franca

    Joaquim Nabuco voltou à prática da sua fé, em Londres, no ano de 1892. No dia da confissão, a 28 de maio, nota em seu diário: “No Oratório. Com o Padre Gordon no Confessionário… Levantei-me alegre, contente de mim mesmo, a vida parecendo-me digna de se viver, e o verde da folhagem do Parque radiante de simpatia comigo. A impressão é divina, pode apagar-se (mas está em mim renová-la sempre), mas, enquanto dura, a alma sente-se alada. Foi na capela de mármore, perto de Nossa Senhora das Dores, que a coragem me veio de aproximar-me do confessor. Essa Capela é para mim a nova Fonte de lágrimas, porque eu tinha rezado para poder chorar”. Poucos meses depois, já no Rio de Janeiro, quis renovar a primeira impressão, voltou ao Confessionário, e, com um pensamento delicado, atribuiu às orações dos escravos a sua purificação consoladora. “Confessei-me hoje”, reza o seu Diário a 22 de dezembro de 1892, “na Matriz de S. João Batista com o Padre Macnamara, irlandês, coadjutor da Lagoa… Quem sabe se as orações dos escravos não concorreram para dar-me a coragem de purificar-me assim? Mesmo quando tinha perdido a fé, eu admirava a grande concepção do Confessionário. O Padre Gordon atribuía à oração dos seus antepassados católicos a sua conversão. Eu quero crer que foram os escravos que ofereceram a Deus por mim algumas de suas amarguras”. [Carolina Nabuco. Vida de Joaquim Nabuco , 1928, p. 338] A confissão não é ainda a união intima com a divindade, é apenas a purificação interior que a condiciona. Toda a religião é uma orientação da vida em harmonia com uma explicação completa do Universo. O Universo não é compreensível nem pensável senão numa dependência completa e total de Deus. A vida religiosa será, portanto, o reconhecimento desta dependência com todos os corolários que dela derivam e o ato fundamental da religião consistirá no dom completo de si mesmo a Deus, na oblação total da criatura ao Criador. E eis por que a Eucaristia, em que se realiza esta oferta, em união com a oferta de Cristo, é o centro da vida cristã. O verdadeiro encontro, que, no Itinerário da alma a Deus, une e sela a reconciliação definitiva é a comunhão eucarística. Só quem passou por esta experiencia inefável começa a compreender o mistério de amor infinito que instituiu a presença real do Deus-Redentor no seio da humanidade pecadora. O convertido fica então integrado na vida da Igreja, sente-se membro real da família cristã. Os mistérios da fé, vistos do interior, aparecem-lhe sob outra luz, como os vitrais das nossas Igrejas: de fora, não passam de grandes manchas cinzentas, irregularmente recortadas por divisões de chumbo; de dentro, transfiguram-se inteiramente. Os desenhos ressaltam na harmonia das suas linhas, as tintas iluminam-se na viveza da sua esplêndida policromia. A comunhão, a vida religiosa prática, a experiencia viva do cristianismo dissipa as últimas dúvidas, esclarece e conforta. Joaquim Nabuco, no dia da sua primeira comunhão de convertido, escreve em suas notas intimas: “Hoje comunguei com o Padre Bos, na capela das Irmãs de Caridade. Pela primeira vez, porque as comunhões do colégio eram em idade em que eu não podia compreender o ato. Graças a Deus, das cinzas da minha fé pude tirar a pequena lâmpada que hoje acendi em honra de Cristo em meu coração e que alumiará a minha morte. Estou grato pelo recolhimento com que recebi o sagrado corpo de Deus e espero que ele se disseminará como alento por todo o meu ser desanimado e como luz pelo abismo que ele trazia dentro de mim. As minhas dúvidas hoje empalideceram todas, fugindo como as corujas do campanário ao raiar do dia”. O trabalho de reconstrução de sua fé prosseguiu serena e intensamente. “Dia a dia, o vergar da minha razão perante a doutrina católica foi-se tornando mais fácil, enquanto o sentimento de minha liberdade se dilatava em vez de se contrair ao encontro da nova disciplina. O ajustamento do meu pensamento individual ao pensamento comum dos católicos se realizava como que por um puro fenômeno de afinidade. Era-me grato trocar as mil perguntas insolúveis, que são a riqueza inútil do cético, pelo simples onmia mea mecum porto [levo comigo tudo o que é meu] do crente”. [Carolina Nabuco. Vida de Joaquim Nabuco , 1928, p. 339] [Padre Leonel Franca. A psicologia da fé. 2ª ed. Rio, Civilização Brasileira, 1935, p. 293].

  • Bala perdida atinge igreja e cai aos pés do sacerdote durante homilia

    “A bala caiu próxima aos pés do padre que a recolheu e entregou ao coordenador da comunidade. E se seguiu com a celebração normalmente”. Assista o vídeo: Segundo o site ACI Digital que noticiou noticiou um fato, a Paróquia São José, em Vitória (ES) foi alvo de violência no último domingo, 31 de janeiro, quando uma bala perdida atingiu o templo e caiu aos pés do sacerdote durante a Santa Missa. Segundo informou a Paróquia por meio de nota publicada em suas redes sociais, quando o pároco, Pe. Robinson de Castro Cunha, estava concluindo a homilia, “por volta das 19h37”, a “bala perdida atingiu o teto de zinco que perfurou o gesso da Igreja São José”. O fato ocorreu logo “após uma queima de foguetes na região”. “A bala caiu próxima aos pés do padre que a recolheu e entregou ao coordenador da comunidade. E se seguiu com a celebração normalmente”, informou a Paróquia, acrescentando que o coordenador da comunidade registrou um Boletim de Ocorrência. NOTA Ontem, 31/1, durante a celebração da Santa Missa quando se concluía a homilia por volta das 19h37 após uma queima… Publicado por Paróquia São José – Maruípe em Segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021 Veja a publicação nas redes sociais da paróquia:

  • Bala perdida atinge igreja e cai aos pés do sacerdote durante homilia

    “A bala caiu próxima aos pés do padre que a recolheu e entregou ao coordenador da comunidade. E se seguiu com a celebração normalmente”. Assista o vídeo: Segundo o site ACI Digital que noticiou noticiou um fato, a Paróquia São José, em Vitória (ES) foi alvo de violência no último domingo, 31 de janeiro, quando uma bala perdida atingiu o templo e caiu aos pés do sacerdote durante a Santa Missa. Segundo informou a Paróquia por meio de nota publicada em suas redes sociais, quando o pároco, Pe. Robinson de Castro Cunha, estava concluindo a homilia, “por volta das 19h37”, a “bala perdida atingiu o teto de zinco que perfurou o gesso da Igreja São José”. O fato ocorreu logo “após uma queima de foguetes na região”. “A bala caiu próxima aos pés do padre que a recolheu e entregou ao coordenador da comunidade. E se seguiu com a celebração normalmente”, informou a Paróquia, acrescentando que o coordenador da comunidade registrou um Boletim de Ocorrência. NOTA Ontem, 31/1, durante a celebração da Santa Missa quando se concluía a homilia por volta das 19h37 após uma queima… Publicado por Paróquia São José – Maruípe em Segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021 Veja a publicação nas redes sociais da paróquia:

  • LGBTQI+ no texto-base da Campanha da Fraternidade 2021? Assista a denúncia.

    Tiba Camargos, liderança católica do movimento pró-vida no Brasil, postou um vídeo fazendo um alerta sobre a gravidade do texto-base da Campanha da Fraternidade de 2021, promovida pela CNBB, fazer uso de uma linguagem que promove a ideologia de gênero, e vincular os crimes contra a “comunidade LGBT” ao “discurso político” e também ao “extremismo religioso”. “Quando a gente perde a capacidade de se escandalizar com o absurdo, a gente no futuro vai aceitar aquele absurdo!” Clique aqui para assistir o vídeo: Leia também: O Escândalo da Campanha da Fraternidade 2021: COMO É POSSÍVEL? Não é novidade que a Campanha da Fraternidade, em sua gênese, configura-se em um dos mais nocivos momentos de esvaziamento litúrgico/sacramental e de propagação ideológica dentro da Igreja, subvertendo em socialismo ativista um dos momentos mais profundos da nossa liturgia que é a Quaresma. Seus cânticos, textos, subsídios e materiais de campanha, estão todos aparelhados com a Teologia da Libertação e com as ideologias vigentes. Tudo isso com a anuência dos Bispos, Padres e leigos envolvidos. No texto-base deste ano, na página 33, item 68 a comissão traz um texto, que longe de ter a finalidade de expor uma realidade de violência, traz consigo toda a carga ideológica que o movimento LGBTQI+ promove. Palavras como: “discurso de ódio, fundamentalismo religioso, vozes contra o reconhecimento dos direitos…” são termos que designam, dentro deste contexto ideológico, o claro ataque à família, à vida, à fé católica e ao ordenamento jurídico e moral da sociedade. Leia abaixo o principal trecho do texto-base da campanha da fraternidade 2021 que se refere a denúncia: Leia também Cardeal Sarah: A Igreja Católica sofre porque muitos padres perderam o sentido do sagrado Além disso, é importante salientar que as relações sociais de classe, de gênero, de raça, de etnia estão historicamente interligadas. 68. Outro grupo social que sofre as consequências da politica estruturada na violência e na criação de inimigos, é a população LGBTQI+ . O já citado Atlas da Violência de 2020, mostra que o número de denúncias de violências sofridas pela população LGBTQl+ registradas no Dique 100 no ano de 2018 foi de 1685 casos. Segundo dados do Grupo Gay da Bahia apresentados no Atlas da Violência 2020, no ano de 2018, 420 pessoas LGBTQI+ foram assassinadas, destas 210, 64 eram pessoas trans. Percebe-se que em 2011 foram registrados 5 homicídios de pessoas LGBTQl+. Seis anos depois, em 2017, este número aumentou para 193 casos. O aumento no número de homicídio de pessoas LGBTQI+, entre 2016 e 2017, foi de 127%. Estes homicídios são efeitos do discurso de ódio, do fundamentalismo religioso , de vozes contra o reconhecimento dos direitos das populações LGBTQI+ e de outros grupos perseguidos e vulneráveis. Leia também Porque muitos, mesmo dentro da Igreja, estão a caminho do inferno? Como vemos na imagem: Leia também: Expor os erros da CNBB não significa atacar a Igreja – o silêncio não é a resposta O que ensina a Doutrina da Igreja sobre a ideologia de gênero e o pecado de atos homossexuais? Os pecados que bradam ao Céu e pedem vingança a Deus são quatro: 1º Homicídio voluntário; 2º Pecado impuro contra a natureza; (atos homossexuais, bestialidades, sexo anal ou oral mesmo que hetero, etc.) 3º Opressão de órfãos e viúvas; 4º Não pagar o salário a quem trabalha; Assista também Bispo de Formosa comenta Campanha da Fraternidade: Não percam tempo com a Teologia da Libertação Por que se diz que estes pecados pedem vingança a Deus? Diz-se que estes pecados pedem vingança a Deus, porque o diz o Espírito Santo, e porque a sua malícia é tão grave e manifesta, que provoca o mesmo Deus a puni-los com os mais severos castigos. Parágrafo 2359 do Catecismo da Igreja Católica: “As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.” Infelizmente, além de estragar a experiência da quaresma com os temas da Campanha da Fraternidade que destoam totalmente da espiritualidade quaresmal, querem forçar nosso apoio a ideologias anticristãs. APRENDA MAIS PODE UMA PESSOA COM TENDÊNCIAS HOMOSSEXUAIS SER UM BOM CATÓLICO? #CampanhadaFraternidade #CF2021 #CNBB

  • LGBTQI+ no texto-base da Campanha da Fraternidade 2021? Assista a denúncia.

    Tiba Camargos, liderança católica do movimento pró-vida no Brasil, postou um vídeo fazendo um alerta sobre a gravidade do texto-base da Campanha da Fraternidade de 2021, promovida pela CNBB, fazer uso de uma linguagem que promove a ideologia de gênero, e vincular os crimes contra a “comunidade LGBT” ao “discurso político” e também ao “extremismo religioso”. “Quando a gente perde a capacidade de se escandalizar com o absurdo, a gente no futuro vai aceitar aquele absurdo!” Clique aqui para assistir o vídeo: Leia também: O Escândalo da Campanha da Fraternidade 2021: COMO É POSSÍVEL? Não é novidade que a Campanha da Fraternidade, em sua gênese, configura-se em um dos mais nocivos momentos de esvaziamento litúrgico/sacramental e de propagação ideológica dentro da Igreja, subvertendo em socialismo ativista um dos momentos mais profundos da nossa liturgia que é a Quaresma. Seus cânticos, textos, subsídios e materiais de campanha, estão todos aparelhados com a Teologia da Libertação e com as ideologias vigentes. Tudo isso com a anuência dos Bispos, Padres e leigos envolvidos. No texto-base deste ano, na página 33, item 68 a comissão traz um texto, que longe de ter a finalidade de expor uma realidade de violência, traz consigo toda a carga ideológica que o movimento LGBTQI+ promove. Palavras como: “discurso de ódio, fundamentalismo religioso, vozes contra o reconhecimento dos direitos…” são termos que designam, dentro deste contexto ideológico, o claro ataque à família, à vida, à fé católica e ao ordenamento jurídico e moral da sociedade. Leia abaixo o principal trecho do texto-base da campanha da fraternidade 2021 que se refere a denúncia: Leia também Cardeal Sarah: A Igreja Católica sofre porque muitos padres perderam o sentido do sagrado Além disso, é importante salientar que as relações sociais de classe, de gênero, de raça, de etnia estão historicamente interligadas. 68. Outro grupo social que sofre as consequências da politica estruturada na violência e na criação de inimigos, é a população LGBTQI+ . O já citado Atlas da Violência de 2020, mostra que o número de denúncias de violências sofridas pela população LGBTQl+ registradas no Dique 100 no ano de 2018 foi de 1685 casos. Segundo dados do Grupo Gay da Bahia apresentados no Atlas da Violência 2020, no ano de 2018, 420 pessoas LGBTQI+ foram assassinadas, destas 210, 64 eram pessoas trans. Percebe-se que em 2011 foram registrados 5 homicídios de pessoas LGBTQl+. Seis anos depois, em 2017, este número aumentou para 193 casos. O aumento no número de homicídio de pessoas LGBTQI+, entre 2016 e 2017, foi de 127%. Estes homicídios são efeitos do discurso de ódio, do fundamentalismo religioso , de vozes contra o reconhecimento dos direitos das populações LGBTQI+ e de outros grupos perseguidos e vulneráveis. Leia também Porque muitos, mesmo dentro da Igreja, estão a caminho do inferno? Como vemos na imagem: Leia também: Expor os erros da CNBB não significa atacar a Igreja – o silêncio não é a resposta O que ensina a Doutrina da Igreja sobre a ideologia de gênero e o pecado de atos homossexuais? Os pecados que bradam ao Céu e pedem vingança a Deus são quatro: 1º Homicídio voluntário; 2º Pecado impuro contra a natureza; (atos homossexuais, bestialidades, sexo anal ou oral mesmo que hetero, etc.) 3º Opressão de órfãos e viúvas; 4º Não pagar o salário a quem trabalha; Assista também Bispo de Formosa comenta Campanha da Fraternidade: Não percam tempo com a Teologia da Libertação Por que se diz que estes pecados pedem vingança a Deus? Diz-se que estes pecados pedem vingança a Deus, porque o diz o Espírito Santo, e porque a sua malícia é tão grave e manifesta, que provoca o mesmo Deus a puni-los com os mais severos castigos. Parágrafo 2359 do Catecismo da Igreja Católica: “As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.” Infelizmente, além de estragar a experiência da quaresma com os temas da Campanha da Fraternidade que destoam totalmente da espiritualidade quaresmal, querem forçar nosso apoio a ideologias anticristãs. APRENDA MAIS PODE UMA PESSOA COM TENDÊNCIAS HOMOSSEXUAIS SER UM BOM CATÓLICO? #CampanhadaFraternidade #CF2021 #CNBB

  • O FANTASMA DO ARIANISMO NA IGREJA ATUAL – Frei Dwight Longenecker

    As heresias são como ervas daninhas, que voltam de vez em quando. A questão é que elas voltam com diferentes roupagens. No século IV, o arianismo fez parte do grande debate sobre a divindade de Cristo e, portanto, sobre a definição da Santíssima Trindade. No curso que estou ministrando, no Instituto Ávila, sobre “Como São Bento mudou o mundo”, dedicamos parte da primeira sessão da segunda-feira à noite para discutir a heresia do arianismo. A heresia começou com o ensinamento de Ário, em meados do século III, e se espalhou por todo o Império. Missionários da parte oriental do império foram para o norte e as tribos germânicas se converteram ao arianismo. Em nossa discussão sobre São Bento, observamos como, quando ele era um jovem que estudava em Roma por volta de 500, a Itália era governada pelo rei gótico Teodorico, o Grande, que era ariano. O arianismo se tornou não apenas um problema teológico, mas um grande cisma. Os arianos tinham suas próprias igrejas, seus próprios bispos e seus próprios poderes temporais, como Teodorico, que os apoiava. O cerne do arianismo era a negação da cristologia de Niceia. Em suma, eles acreditavam que Jesus era o “Filho de Deus”, sem ser a segunda pessoa da santa e indivisa Trindade que se tornou humano. Em vez disso, Jesus um ser criado, um semideus e, portanto, subordinado a Deus Pai. Santo Atanásio, que se destacou na luta contra o arianismo, observou que os arianos eram teólogos sutis, que usavam uma linguagem ambígua e se expressavam em termos vagos. Estavam mais interessados ​​no cuidado pastoral do que no dogma. Também eram, em sua maioria, os de educação mais bem cuidada e vinham das classes dirigentes. O arianismo era uma forma de cristianismo muito mais credível: Jesus, como criatura subordinada ao Pai, era mais aceitável intelectualmente do que a doutrina da Encarnação (que causava dificuldades intelectuais ligadas à doutrina da Trindade). Hoje, o arianismo assume uma forma diferente e chega até nós sob a aparência de humanismo. Por “humanismo” compreendo aquele sistema de crenças que considera o homem a medida de todas as coisas. Este humanismo é um conglomerado de diferentes crenças modernistas, mas o resumo de tudo isso é o materialismo: que nosso mundo físico é tudo o que existe, a história humana é tudo o que importa, e o desenvolvimento da raça humana, nesta esfera física, é a única coisa pela qual lutar. O arianismo, hoje em dia, é uma interpretação do cristianismo de acordo com essa filosofia materialista e humanística. Claramente, Jesus Cristo, como o Filho Divino de Deus e a segunda pessoa coeterna da Santíssima Trindade, não se encaixa bem nesta visão. Em vez disso, nos propõe um Jesus bom mestre, um rabino sábio, um belo exemplo, um mártir por uma causa nobre. No máximo, é um ser humano “tão realizado e auto-atualizado, que se divinizou”. Em outras palavras, “Jesus é um ser humano tão completo, que nos revela a imagem divina pela qual todos fomos criados e, portanto, nos mostra como é Deus”. Podemos encontrar um sentido nessa “divinização”, que aconteceu a Jesus como resultado das graças que recebeu de Deus, da vida que levou e dos sofrimentos que padeceu. Esse cristianismo diluído é nossa forma moderna de arianismo. São diferentes o contexto cultural da heresia e sua expressão, mas a essência da heresia é a mesma de sempre: “Jesus Cristo é um ser criado. Sua ‘divindade’ é algo que se desenvolveu ou foi adicionado por Deus à sua humanidade.” A diferença entre Ário e os hereges modernos, é que Ário foi explícito em seu ensinamento. Os hereges modernos, não. Eles habitam em nossos seminários, nossos mosteiros, nossas casas paroquiais e presbitérios. Eles são o clero modernista que domina as principais denominações protestantes, além de ser tão numerosos dentro da Igreja Católica. Não são uma seita ou denominação separada. Pelo contrário, eles infestam a verdadeira Igreja como um horrível parasita. Muitos deles nem mesmo sabem que são hereges, pois foram mal catequizados desde o início. Suas crenças sobre Jesus Cristo ficaram difusas e desfocadas. Mantêm suas crenças sob uma névoa sentimental, na qual vagamente sentem que o que acreditam é “cristão”, mas sem intenção de ser muito precisos na compreensão (pois aprenderam que o dogma é algo “divisivo”). Para evitar questões mais difíceis, deliberadamente mantêm vagas as suas crenças e se concentram nas “preocupações pastorais”. Ensinaram-lhes que o dogma faz parte de uma era anterior da Igreja e que já amadurecemos, deixando de lado essas questões mais delicadas. No entanto, eles se sentem totalmente confortáveis ​​recitando o Credo Niceno a cada semana, celebrando a Natividade do Filho de Deus e o grande Tríduo Pascal. Usam todas as palavras do cristianismo tradicional de Niceia, enquanto reinterpretam essas palavras de uma forma que agradaria a Ário. De modo que, quando falam de Jesus Cristo como Filho Divino de Deus, eles realmente querem dizer o que escrevi acima: “Que, de uma maneira sublime, ele foi um ser humano tão perfeito, que nos revela como Deus realmente é”. A Virgem Maria,, assim, se torna “uma jovem judia, boa e pura, que enfrentou sua gravidez não planejada com grande coragem e fé”. A crucificação se torna “a morte trágica de um jovem e bravo lutador pela paz e a justiça”. A ressurreição significa que, “de alguma forma misteriosa, seguindo seus ensinamentos, os discípulos de Jesus continuaram a acreditar que ele estava vivo em seus corações e na história”. Verdadeiramente interessante é que esses arianos de hoje (e tenho certeza de que o mesmo poderia ser dito da sua versão no século IV) não são pecadores malvados e repulsivos. São gente boa. São pessoas bem educadas. São pessoas bem situadas. São pessoas bem conectadas. São “cristãos” respeitáveis. (Diabo! Até mesmo os imperadores eram arianos, naquela época). Enfim, são pessoas no topo da hierarquia socioeconômica. Além disso, sua versão ariana da fé parece muito mais razoável, sensível e credível do que a ortodoxia intelectualmente escandalosa de Santo Atanásio, São Basílio e São Gregório, e da Igreja através dos tempos. Mas não posso deixar de reconhecer esses hereges pelo que eles são de fato: lobos em pele de cordeiro. Podem se apresentar como cristãos simpáticos, respeitáveis, devotados e sinceros. Tudo bem. Mas são hereges, são mentirosos, e aqueles que mais acreditam em suas mentiras são eles próprios. Se conseguirem o que desejam, e suas sutis heresias prevalecerem, acabarão por destruir a fé. Da minha parte, quero manter a fé de Niceia com Atanásio, Basílio e Gregório, junto com os santos e mártires ao longo dos tempos. Não me importa se o mundo pensa que essa fé é “arcaica” ou “pitoresca”, “lamentavelmente rígida” ou “demasiado dogmática”, “inacessível aos cristãos modernos”. Os arianos, provavelmente, também utilizaram todos esses argumentos. Eu confesso o Credo de Niceia e não me importo em dizer “consubstancial ao Pai”. Apego-me à clareza e simplicidade das palavras, sem achar que elas devam ser “reinterpretadas”. The Ghost of Arianism in the Church Today

  • A AUTORIDADE DO REI – Scott Hahn medita sobre o 4º Domingo do Tempo Comum

    Na semana passada, Jesus anunciou que o reino de Deus está próximo. Nesta semana, com palavras e ações poderosas, Ele exerce Seu domínio, afirmando a sua autoridade real sobre o governante deste mundo, que é Satanás (ver João 12:31). Observe-se que os acontecimentos narrados hoje ocorrem no sábado. O sábado devia ser um sinal eterno, tanto da aliança amorosa de Deus com Sua criação (ver Êxodo 20: 8-11; 31: 12-17), quanto da libertação que Ele trouxe ao povo eleito, Israel (ver Deuteronômio 6: 12-15). Neste sábado, Jesus sinaliza uma nova criação: o Santo de Deus veio para purificar Seu povo e livrar o mundo do mal. “Com um espírito impuro” é a expressão bíblica para um homem possuído pelo demônio, cujo príncipe é Satanás (ver Marcos 3:22). A pergunta dos demônios: “O que queres de nós?” é frequentemente usada em cenas de combate e julgamento do Velho Testamento (ver Juízes 11:12; 1 Reis 17:18). E como Deus, por Sua Palavra “repreendeu” as forças do caos na criação do mundo (ver Salmos 104: 7; Jó 26: 10-12), e novamente repreendeu o Mar Vermelho para que os israelitas pudessem fazer o seu êxodo (ver Salmo 106: 9), Marcos usa a mesma palavra para descrever o que Jesus fez: repreendeu o demônio (ver Marcos 4:39; Zacarias 3: 2). Jesus é o profeta predito por Moisés na primeira leitura de hoje (ver Atos 3:22). Embora tenha autoridade sobre o céu e a terra (ver Daniel 7:14, 27; Apocalipse 12:10), Ele se torna um de nossos parentes. Ele vem para repreender as forças do mal e do caos, e não apenas no mundo, mas em nossas vidas. Deseja nos tornar santos de corpo e espírito, como Paulo diz na epístola de hoje (ver Êxodo 31:12). Na liturgia deste domingo, ouvimos a Sua voz e “vemos” as Suas obras, conforme cantamos no Salmo. E, como nos recomenda Moisés, devemos ouvi-Lo. https://stpaulcenter.com/audio/sunday-bible-reflections/the-kings-authority-scott-hahn-reflects-on-the-fourth-sunday-in-ordinary-time/

  • O incrível relato da Visão do Inferno por Dom Bosco

    São João Bosco, nascido na Itália em 1815, começou a ter sonhos vívidos aos nove anos, o que continuaria ao longo de sua vida. Um dos seus sonhos mais memoráveis, e também uma das experiências mais aterrorizantes de sua vida, envolveu uma visita ao Inferno, da qual ele acordou com marcas de queimaduras na palma de sua mão após ter tocado a parede exterior do Inferno. O seguinte é o relato do santo em suas próprias palavras. Se preferir escute o relato na voz do Padre Paulo Ricardo: Relato da Visão do Inferno por Dom Bosco Eu tenho outro sonho para lhes contar, uma espécie de resquício daqueles que eu lhe falei quinta e sexta-feira passadas, o que me esgotou totalmente. Os chame de sonhos ou o que você quiser. Passei todo o dia seguinte preocupando com a noite miserável que estava me aguardando e, quando chegou a noite, não queria ir para a cama, então sentei-me à minha mesa navegando pelos livros até a meia-noite. O simples pensamento de ter mais pesadelos me assustava. No entanto, com grande esforço, finalmente fui para a cama. Para que eu não adormecesse imediatamente e começasse a sonhar, coloquei meu travesseiro em pé na cabeceira da cama e praticamente me sentei, mas logo, com meu cansaço, simplesmente adormeci. Imediatamente a mesma pessoa da noite anterior apareceu ao pé da minha cama. — “Levante-se e me siga!” ele disse. — “Pelo amor de Deus”, – protestei, – “deixe-me em paz. Estou exausto! Fui atormentado por uma dor de dente por vários dias e preciso de descanso. Além disso, pesadelos me desgastaram completamente”. – Eu disse isso porque a aparição desse homem sempre significa problemas, fadiga e terror para mim. Dom Bosco ouvindo confissões — “Levante-se,” – ele repetiu – “Você não tem tempo a perder.” — “Para onde você está me levando?” – Eu perguntei. — “Não importa, você verá.” Ele me levou a uma planície extensa e sem limites, verdadeiramente um deserto sem vida, sem uma alma à vista ou uma árvore ou um riacho. A vegetação amarela e seca aumentava a desolação. Eu não tinha ideia de onde eu estava ou o que deveria fazer. Por um momento, perdi de vista o meu guia e temi que estivesse perdido, totalmente sozinho. Quando eu finalmente vi meu amigo vindo em minha direção, suspirei de alívio. — “Onde estou?” Eu perguntei. — “Venha comigo e você descobrirá!” Ele foi à frente e eu segui em silêncio, mas depois de uma longa e triste marcha, comecei a me preocupar se eu poderia atravessar o vasto campo mesmo com minha dor de dente e minhas pernas inchadas. De repente, vi uma estrada à frente. — “Por onde vamos agora?” – Perguntei ao meu guia. — “Por aqui” – ele respondeu. Dante and Virgil leaving the dark wood, Gustave Doré (1861) “O caminho dos pecadores é calçado de pedras unidas, mas ele conduz à região dos mortos, às trevas e aos suplícios.” (Eclesiástico 21:11). Nós pegamos a estrada. Era bonita, ampla e muitíssimo pavimentada. Ambos os lados estavam alinhados com magníficas cercas verdejantes enfeitadas por lindas flores. Rosas, especialmente, apareciam por toda parte nas folhas. À primeira vista, a estrada era nivelada e confortável, e então eu caminhei sem a menor suspeita, mas logo percebi que ela imperceptivelmente inclinada para baixo. Embora não tenha ficado íngreme, encontrei-me movendo tão rapidamente que senti que estava deslizando sem esforço pelo ar. Realmente, eu estava deslizando e quase não usando meus pés. Então logo percebi que a viagem de volta seria muito longa e árdua. — “Como devemos voltar ao Oratório?” – Perguntei com preocupação. — “Não se preocupe,” – ele respondeu. – “O Todo-Poderoso quer que você vá. Ele, que o conduz, saberá como levá-lo de volta”. A estrada continuava inclinada para baixo. Enquanto continuávamos nosso caminho, cercados por margens de rosas e outras flores, percebi que os meninos do Oratório e muitos outros que não conhecia estavam me seguindo. De alguma forma, encontrei-me no meio deles. Enquanto eu estava olhando para eles, eu notei que às vezes um, às vezes outro caiam no chão e eram instantaneamente arrastados por uma força invisível para uma queda assustadora, distantemente visível, que se inclinava para uma fornalha. “ Os soberbos armaram-me laços e cordas; estenderam uma rede à beira do caminho; puseram-me armadilhas” (Salmo 139: 6). — “O que faz cair esses meninos?” – Perguntei ao meu companheiro. — “Veja mais de perto” – ele respondeu. Eu o fiz. As armadilhas estavam em todo lugar, algumas perto do chão, outras ao nível dos olhos, mas todas bem escondidas. Ignorando seu perigo, muitos garotos foram pegos e tropeçaram; eles se esparramavam pelo chão, pernas ao ar. Então, quando eles conseguiam voltar a ficar de pé, eles corriam de cabeça baixa pelo caminho em direção ao abismo. Alguns ficaram presos pela cabeça, outros pelo pescoço, mão, braços, pernas ou lados e foram puxados para baixo instantaneamente. As armadilhas terrestres, bem como as teias de aranhas e quase invisíveis, pareciam muito frágeis e inofensivas; ainda assim, para minha surpresa, todos os garotos que foram pegos caíram ao chão. Percebendo meu espanto, o guia observou: — “Você sabe o que é isso?” — “Apenas uma fibra transparente”, respondi. — “Um nada,” – disse ele, – “simplesmente respeito humano”. Ao ver que muitos meninos estavam sendo pegos nessas armadilhas, perguntei: — “Por que tantos são pegos? Quem os puxa?” — “Vá mais perto e você verá!” – ele me disse. Segui seu conselho, mas não vi nada de peculiar. — “Olhe mais perto”, – ele insistiu. Peguei uma das armadilhas e puxei. Eu imediatamente senti alguma resistência. Eu puxei mais forte, apenas para sentir que, ao invés de puxar o fio, eu estava sendo puxado para baixo. Não resisti e logo me encontrei na boca de uma caverna assustadora. Parei, não queria me aventurar naquela caverna profunda e novamente comecei a puxar o fio para mim. Ele cedeu um pouco, mas apenas depois de um grande esforço da minha parte. Continuei puxando e, depois de um longo tempo, surgiu um monstro enorme e terrível, agarrando uma corda ao qual todas essas armadilhas estavam amarradas. Foi ele quem instantaneamente arrastou aqueles que foram apanhados nas armadilhas. — “Não vou tentar comparar minha força com a dele”, – falei comigo mesmo. – “Eu certamente vou perder. É melhor lutar contra ele com o sinal da cruz e com pequenas invocações”. Então eu voltei para o meu guia. — “Agora, você sabe quem ele é” – ele me disse. —“Eu certamente sei! É o próprio diabo!” Parte de The Last Judgement, Fran Angelico (1431) Examinando atentamente muitas das armadilhas, vi que cada uma trazia uma inscrição: Orgulho, Desobediência, Inveja, Sexto Mandamento, Roubo, Gula, Preguiça, Raiva e assim por diante. Voltando um pouco para ver quais capturavam o maior número de meninos, descobri que as mais perigosas eram as de impureza, desobediência e orgulho. Na verdade, estes três estavam ligados entre si. Muitas outras armadilhas também causavam grandes danos, mas não tanto quanto as duas primeiras. Ainda observando, percebi que muitos meninos corriam mais rápido do que outros. — “Por que tal pressa?” Eu perguntei. — “Porque eles são arrastados pela armadilha do respeito humano”. Olhando ainda mais de perto, vi facas entre as armadilhas. Uma mão providencial as colocou lá para que se livrem. As maiores, que simbolizavam a meditação, eram para uso contra a armadilha do orgulho; outras, não tão grandes, simbolizaram a leitura espiritual bem feita. Havia também duas facas que representavam a devoção ao Santíssimo Sacramento, especialmente através da freqüente comunhão e da Santíssima Virgem. Havia também um martelo que simbolizava a confissão e outras facas que significavam devoção a São José, a Santo Aloísio e a outros santos. Por esses meios, poucos garotos conseguiram se libertar ou escapar a captura. Quando meu guia estava satisfeito de que eu havia observado tudo, ele me fez prosseguir ao longo dessa estrada coberta de rosa, mas quanto mais andamos mais escassas as rosas se tornaram. Espinhos longos começaram a aparecer, e logo as rosas não apareciam mais. As sebes tornaram-se queimadas pelo sol, sem folhas e espinhosas. Nós já havíamos chegado a um barranco cujos lados íngremes escondiam o que estava além. A estrada, ainda inclinada para baixo, estava ficando cada vez mais íngreme, escavada e eriçada com pedras e pedregulhos. Continuei, mas quanto mais avançava, mais árdua e íngreme tornou-se a descida, de modo que eu caí e caí várias vezes, prostrado até recuperar o fôlego. De vez em quando meu guia me apoiava ou me ajudava a levantar. Arfando, eu disse ao meu guia: — “Meu bom amigo, minhas pernas não me levarão a mais um passo. Eu simplesmente não posso continuar.” — “Agora que chegamos tão longe, você quer que eu o deixe aqui?” – meu guia perguntou severamente. Com essa ameaça, respondi: — “Como posso sobreviver sem sua ajuda?” — “Então, siga-me”. Continuamos nossa descida, a estrada agora se tornando tão espantosamente íngreme que era quase impossível manter-se ereto. E então, no fundo deste precipício, na entrada de um vale escuro, um enorme edifício apareceu, o seu portal no alto firmemente trancado, de frente para a nossa estrada. Quando finalmente cheguei ao fundo, fiquei asfixiado por um calor sufocante, enquanto uma fumaça gordurosa, verde, iluminada por flashes de chamas escarlates subia por trás das paredes enormes mais altas do que as montanhas. — “Onde estamos? O que é isso?” – Perguntei ao meu guia. — “Leia a inscrição nesse portão e você saberá”. Eu olhei para cima e li estas palavras: “O lugar sem renúncia”. Eu percebi que estávamos no portão do inferno. O guia me mostrou todo este horrível lugar. Em distâncias regulares os portais de bronze, como o primeiro, divisavam as descidas; em cada um existia uma inscrição, como: “Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos.” (Mateus 25:41) Dante finds Bocca degli Abati, Gustave Doré (1861) De repente, o guia virou-se para mim. Chateado e assustado, ele me fez sinal para me afastar. — “Veja!” – ele disse. Olhei para cima assustado e vi ao longe alguém correndo pelo caminho a uma velocidade incontrolável. Fiquei de olho nele, tentando identificá-lo, e quando ele se aproximou, eu o reconheci como um dos meus meninos. Seu cabelo desgrenhado estava em parte de pé na cabeça e parcialmente jogado de volta pelo vento. Seus braços estavam estendidos como se estivesse nadando na tentativa de não se afogar. Ele queria parar, mas não podia. Atravessando as pedras salientes, ele continuou caindo ainda mais rápido. — “Vamos ajudá-lo, vamos detê-lo” – eu gritei, estendendo minhas mãos em um esforço vago para restringi-lo. — “Deixe-o em paz”, – respondeu o guia. — “Por quê?” — “Você não sabe o quão terrível é a vingança de Deus? Você acha que pode conter alguém que está fugindo de Sua justa ira?” Enquanto isso, o jovem havia virado o olhar para trás, na tentativa de ver se a ira de Deus continuava perseguindo-o. No momento seguinte, caiu no fundo do barranco e caiu contra o portal de bronze, como se não encontrasse um refúgio melhor em sua fuga. — “Por que ele estava olhando para trás com tanto medo?” – Eu perguntei ao guia. — “Porque a ira de Deus atravessará os portões do inferno para alcançá-lo e atormentá-lo, mesmo no meio do fogo!” Quando o menino entrou pelo portal, este se abriu com um rugido e, instantaneamente, mil portais internos se abriram com um barulho ensurdecedor como se fosse atingido por algo que tinha sido jogado por um vendaval invisível, violento e irresistível. À medida que essas portas de bronze — uma atrás da outra, embora a uma distância considerável uma da outra — permaneciam momentaneamente abertas, eu vi ao longe na distância algo como portas de fornalha lançando bolas de fogo no momento em que o jovem se precipitava. Tão rapidamente quanto abriram, os portais então fecharam. Tentei anotar o nome desse infeliz garoto, mas o guia me impediu. — “Espere”, – ele ordenou. – “Veja!” Três outros meninos nossos, gritando de terror e de braços estendidos, estavam rolando um atrás do outro como pedras maciças. Eu os reconheci no momento em que eles atingiram os portões. Naquela fração de segundo, ele se abriu e os outros milhares também. Os três rapazes foram sugados para aquele corredor infinito, em meio a um grande eco, desbotado e infernal, e então os portais fecharam novamente. Em intervalos, muitos outros rapazes caíram atrás deles. Eu vi um menino desafortunado sendo empurrado para baixo da ladeira por um companheiro. Outros caíram sozinhos ou com outros, de braços dados ou lado a lado. Cada um deles carregava o nome de seu pecado em sua testa. Eu continuei chamando-os enquanto eles caíam, mas eles não me ouviram. Mais uma vez, os portais se abriram estranhamente e fecharam com um estrondo. Então, silêncio! — “Maus companheiros, maus livros e maus hábitos,” – disse meu guia, – “são os principais responsáveis ​​por tantos eternamente perdidos”. The Last Judgement (detail), Hans Memling (c. 1467) As armadilhas que eu tinha visto anteriormente estavam realmente arrastando os meninos para a ruína. Vendo tantos em perdição, eu gritei desconsoladamente: — “Se tantos de nossos meninos acabam assim, estamos trabalhando em vão. Como podemos evitar tais tragédias?” — “Este é o estado atual deles”, – disse o meu guia, – “e é para aí que eles iriam se morressem agora”. Naquele momento, um novo grupo de meninos apareceu e os portais abriram-se momentaneamente. — “Entremos”, – disse o guia. Eu me afastei em horror. — “Venha”, – insistiu meu guia. – “Você aprenderá muito”. Nós entramos no corredor estreito e horrível e passamos por ele com uma velocidade relâmpago. As inscrições ameaçadoras brilhavam ameaçadoramente em todos os portais internos. O último abriu a um vasto e sombrio pátio com uma grande e incrivelmente ameaçadora entrada no extremo oposto. — “A partir daqui”, – disse ele, – “ninguém poderá ter um companheiro útil, um amigo reconfortante, um coração amoroso, um olhar compassivo ou uma palavra benevolente. Tudo isto acabou para sempre. Você quer apenas ver ou prefere experimente essas coisas você mesmo? “ — “Eu só quero ver!” – Eu respondi. — “Então venha comigo” Meu amigo me levou arrastado, atravessou aquele portão em um corredor em cujo extremo distante estava em um deque de observação, fechado por um enorme e único painel de cristal que chegava do chão ao teto. Assim que atravessei o seu limite, senti um terror indescritível e não ousei dar outro passo. A minha frente eu podia ver algo como uma imensa caverna que gradualmente desaparecia em fundos recuos até as entranhas das montanhas. Tudo estava em chamas, mas não era um fogo terrestre com chamas saltitantes. Toda a caverna — paredes, teto, chão, ferro, pedras, madeira e carvão — tudo era um branco brilhante a temperaturas de milhares de graus. No entanto, o incêndio não incinerava, não consumia. Eu simplesmente não consigo encontrar palavras para descrever o horror da caverna. Eu estava olhando com perplexidade quando um rapaz encontrou correndo por um portão. Aparentemente inconsciente de qualquer outra coisa, ele emitiu um grito aterrorizante, como alguém que está prestes a cair em um caldeirão de bronze líquido, e caiu no centro da caverna. Instantaneamente ele também se tornou incandescente e perfeitamente imóvel, enquanto o eco de seu lamento moribundo permanecia por mais um instante. Terrivelmente assustado, eu olhei para ele por um tempo. Ele parecia ser um dos meus meninos do Oratório. — “Ele não é fulano?” – Perguntei ao meu guia. — “Sim”, – foi a resposta. — “Por que ele está tão quieto, tão incandescente?” — “Você escolheu ver”, – ele respondeu. – “Fique satisfeito com isso. Apenas continue olhando”. Quando olhei novamente, outro garoto entrou na caverna a uma velocidade vertiginosa. Ele também era do Oratório. Mais assustado do que nunca, perguntei ao meu guia: — “Quando esses meninos estão correndo para esta caverna, eles não sabem para onde estão indo?” — “Eles certamente sabem. Eles foram advertidos mil vezes, mas ainda sim optaram por se jogar ao fogo porque eles não detestam o pecado e tem preguiça em abandoná-lo. Além disso, eles desprezam e rejeitam os incessantes e misericordiosos convites de Deus para fazer penitência. Assim provocada, a Divina Justiça os persegue, os persegue e os estimula para que não possam parar até chegarem a este lugar “. — “Oh, quão miserável esses garotos infelizes devem se sentir ao saber que não têm mais nenhuma esperança”, – exclamei. — “Se você realmente quer saber sua loucura e fúria íntimas, chegue um pouco mais perto”, – observou meu guia. Fui alguns passos para a frente e vi que muitos desses pobres infelizes se espancavam furiosamente como cães loucos. Outros estavam arranhando seus próprios rostos e mãos, arrancando sua própria carne e a jogando com toda violência. Naquele momento, todo o teto da caverna tornou-se tão transparente como o cristal e revelou um pedaço do céu e seus companheiros radiante seguros por toda a eternidade. Os pobres miseráveis, furiosos e ofegantes de inveja, queimavam de raiva porque haviam ridicularizado os justos em vida. “ O ímpio o verá, e se entristecerá; rangerá os dentes, e se consumirá; o desejo dos ímpios perecerá.” (Salmo 111: 10). Spendthrifts running through the wood of the suicides, Gustave Doré (1861) — “Por que não ouço nada?” – Perguntei ao meu guia. — “Chegue mais perto!” – ele aconselhou. Pressionando minha orelha contra a janela de cristal, ouvi gritos e soluços, blasfêmias e xingamentos contra os santos. Foi um tumulto de vozes e gritos, estridente e confuso. — “Tais são os cantos lúgubres que devem ecoar aqui durante a eternidade. Mas seus gritos, seus esforços e seus gritos são todos em vão.” “ Toda a força da miséria virá sobres eles.”(Jó 20:22). — “Aqui, o tempo não existe mais. Aqui existe apenas a eternidade”. Enquanto eu via a condição de muitos dos meus meninos em pleno terror, um pensamento me aconteceu de repente. — “Como esses meninos podem ser condenados?” – Eu perguntei. – “Ontem à noite eles ainda estavam vivos no Oratório!” “Os meninos que você vê aqui”, – ele respondeu, – “estão todos mortos para a graça de Deus. Se eles morressem agora ou se persistissem em seus maus caminhos, eles seriam condenados. Mas estamos perdendo o tempo. Vamos continuar”. Ele me conduziu e passamos por um corredor para uma caverna inferior, em cuja entrada eu li: “porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará” (Isaías 66:24). Nesta caverna inferior novamente vi os meninos do Oratório que haviam caído no forno de fogo. Eu me aproximei deles e notei que eles estavam todos cobertos de vermes e insetos que roíam seus órgãos vitais, corações, olhos, mãos, pernas e corpos inteiros tão ferozmente que desafiam a descrição. Desamparados e imóveis, eram presa de todo tipo de tormento. Esperando poder falar com eles ou ouvir algo deles, cheguei ainda mais perto, mas ninguém falou nem olhou para mim. Então, perguntei ao meu guia por que, e ele explicou que os condenados estão totalmente privados de liberdade. Cada um deve suportar completamente seu próprio castigo, sem absolutamente nenhuma ajuda. Aqui, podia-se ver como era atroz o remorso daqueles que haviam sido alunos em nossas escolas. Como era um tormento para eles lembrar cada pecado imperdoável e seu justo castigo, os inúmeros e até extraordinários meios que eles tinham para consertar seus caminhos, perseverar na virtude e ganhar o paraíso e sua falta de resposta aos muitos favores prometidos e concedidos pela Virgem Maria. Que tortura para eles pensar que poderiam ter sido salvos tão facilmente, mas agora estão irremediavelmente perdidos e lembrar as muitas boas resoluções feitas e nunca mantidas. O inferno é realmente pavimentado com boas intenções! — “E agora”, – acrescentou, – “você também deve entrar naquela caverna”. — “Ah não!” – Eu objetei com terror. – “Antes de ir ao inferno, alguém deve ser julgado. Ainda não fui julgado, então não irei ao inferno!” — “Ouça”, – ele disse, – “o que você prefere fazer: visitar o inferno e salvar seus meninos ou ficar fora e deixá-los em agonia?” Por um momento, fiquei sem palavras. — “Claro, eu amo meus meninos e desejo salvá-los todos”, – respondi, – “mas não há outra saída?” — “Sim, há um caminho”,– ele prosseguiu, – “desde que você faça tudo o que puder”. Respirei com mais facilidade e instantaneamente disse: — “Não me importo de ficar se eu puder resgatar esses amados filhos de tais tormentos”. — “Entre por aqui”, – continuou meu amigo, – “e veja como nosso Deus bom e poderoso oferece amorosamente mil meios para guiar os seus meninos à penitência e salvando-os da morte eterna”. Ao pegar minha mão, ele me levou até a caverna. Quando entrei, encontrei-me de repente transportado para um magnífico salão cujas portas de vidro cortadas ocultavam mais entradas. Acima de uma delas, li esta inscrição: o Sexto Mandamento. Apontando para isso, meu guia exclamou: — “Transgressões a este mandamento causaram a eterna ruína de muitos meninos”. — “Eles não foram se confessar?” — “Sim, o fizeram, mas omitiram ou insuficientemente confessaram os pecados contra a bela virtude da pureza. Outros meninos podem ter caído nesse pecado, mas em sua infantilidade e vergonha nunca confessaram ou fizeram isso de forma insuficiente. Outros não lamentavam real ou sinceramente em sua determinação de evitá-la no futuro. Havia mesmo alguns que, ao invés de examinar sua consciência, passaram seu tempo tentando descobrir a melhor forma de enganar seu confessor. Qualquer um que morra neste estado de espírito escolhe estar entre os condenados , e assim ele está condenado por toda a eternidade. Apenas aqueles que morrerem verdadeiramente arrependidos serão eternamente felizes. Agora, você quer ver por que nosso Deus misericordioso trouxe você aqui?” Ele levantou a cortina e vi um grupo de meninos do Oratório — todos conhecidos por mim — que estavam lá por causa deste pecado. Entre eles estavam alguns cuja conduta parecia ser boa. — “Agora você certamente me deixará anotar seus nomes para que eu possa avisá-los individualmente”, – exclamou. — “Não será necessário!” — “Então, o que você sugere dizer a eles?” — “Sempre pregue contra a imodéstia. Tenha em mente que, mesmo que você os corrigisse individualmente, eles prometeriam, mas não sempre de coração. Para uma resolução firme, é preciso a graça de Deus, que não será negada aos seus meninos se eles orarem. Deus manifesta o Seu poder, especialmente por ser misericordioso e perdoador. Por sua parte, reze e faça sacrifícios. Quanto aos meninos, deixe-os ouvir suas correções e consulte suas consciências. Isso lhes dirá o que fazer “. — “Posso mencionar todas essas coisas aos meus meninos?” — “Sim, você pode dizer o que quer que você lembre.” — “Que conselho devo dar para protegê-los de tal tragédia?” — “Continue dizendo-lhes que obedecendo a Deus, a Igreja, seus pais e seus superiores, mesmo nas pequenas coisas, serão salvos. Avise-os contra a ociosidade. Diga-lhes que se mantenham ocupados em todos os momentos para que o diabo não tenha chance para tentá-los. “ The Seven Corporal Works Of Mercy, David Teniers the Younger Inclinei a cabeça e prometi. Fraco pela consternação, eu só podia murmurar: — “Obrigado por ter sido tão bom comigo. Agora, me leve para fora daqui”. — “Tudo bem, então, venha comigo”. Encorajadoramente, ele pegou minha mão e me levantou porque eu mal conseguia fazê-lo. Saindo daquele salão, em pouco tempo nós voltamos pelo horrível pátio e pelo longo corredor. Mas, assim que atravessamos o último portal de bronze, ele se virou para mim e disse: — “Agora que você viu o que os outros sofrem, você também deve experimentar um toque do inferno.” — “Não, não!” Gritei aterrorizado. Ele insistiu, mas eu continuei recusando. — “Não tenha medo”, – ele me disse; – “apenas tente. Toque nesta parede.” Não consegui reunir coragem suficiente e tentei fugir, mas ele me segurou de volta. — “Experimente”, – ele insistiu. Agarrando meu braço firmemente, ele me puxou para a parede. — “Apenas um toque”, – ele ordenou, – “para que você possa dizer que você viu e tocou as paredes do sofrimento eterno e que você pode entender o que o último muro deve ser como se o primeiro fosse tão insuportável. Olhe para este muro!” Eu o fiz com atenção. Parecia incrivelmente grosso. — “Há mil paredes entre esta e o fogo real do inferno”, – continuou meu guia. – “Mil paredes as englobam, cada uma mil medidas grossas e igualmente distantes uma da outra. Cada medida são mil milhas. Esse muro, portanto, está há milhões e milhões de quilômetros do fogo real do inferno. É apenas uma borda remota de próprio inferno.” Quando ele disse isso, instintivamente fui para trás, mas ele agarrou minha mão, abriu-a e apertou-a contra a primeira das mil paredes. A sensação era tão excruciante que eu acordei com um grito e me encontrei sentado na cama. Minha mão estava ardendo, e eu continuava esfregando-a para aliviar a dor. Quando levantei esta manhã, notei que estava inchada. Ter minha mão pressionada contra a parede, embora apenas em um sonho, foi tão real que, mais tarde, a pele da minha palma descascou. Tenha em mente que tentei não assustar-vos muito, e por isso não descrevi essas coisas com todo o seu horror quanto as vi e me impressionaram. Sabemos que Nosso Senhor sempre retratou o Inferno em símbolos porque, se ele o descrevesse como realmente é, não o teríamos entendido. Nenhum mortal pode compreender essas coisas. O Senhor conhece-os, e Ele os revela a quem Ele quiser. Leia também: Conheça a vida de São João Bosco #DomBosco #FormaçõesCatólicas #Inferno

  • O incrível relato da Visão do Inferno por Dom Bosco

    São João Bosco, nascido na Itália em 1815, começou a ter sonhos vívidos aos nove anos, o que continuaria ao longo de sua vida. Um dos seus sonhos mais memoráveis, e também uma das experiências mais aterrorizantes de sua vida, envolveu uma visita ao Inferno, da qual ele acordou com marcas de queimaduras na palma de sua mão após ter tocado a parede exterior do Inferno. O seguinte é o relato do santo em suas próprias palavras. Se preferir escute o relato na voz do Padre Paulo Ricardo: Relato da Visão do Inferno por Dom Bosco Eu tenho outro sonho para lhes contar, uma espécie de resquício daqueles que eu lhe falei quinta e sexta-feira passadas, o que me esgotou totalmente. Os chame de sonhos ou o que você quiser. Passei todo o dia seguinte preocupando com a noite miserável que estava me aguardando e, quando chegou a noite, não queria ir para a cama, então sentei-me à minha mesa navegando pelos livros até a meia-noite. O simples pensamento de ter mais pesadelos me assustava. No entanto, com grande esforço, finalmente fui para a cama. Para que eu não adormecesse imediatamente e começasse a sonhar, coloquei meu travesseiro em pé na cabeceira da cama e praticamente me sentei, mas logo, com meu cansaço, simplesmente adormeci. Imediatamente a mesma pessoa da noite anterior apareceu ao pé da minha cama. — “Levante-se e me siga!” ele disse. — “Pelo amor de Deus”, – protestei, – “deixe-me em paz. Estou exausto! Fui atormentado por uma dor de dente por vários dias e preciso de descanso. Além disso, pesadelos me desgastaram completamente”. – Eu disse isso porque a aparição desse homem sempre significa problemas, fadiga e terror para mim. Dom Bosco ouvindo confissões — “Levante-se,” – ele repetiu – “Você não tem tempo a perder.” — “Para onde você está me levando?” – Eu perguntei. — “Não importa, você verá.” Ele me levou a uma planície extensa e sem limites, verdadeiramente um deserto sem vida, sem uma alma à vista ou uma árvore ou um riacho. A vegetação amarela e seca aumentava a desolação. Eu não tinha ideia de onde eu estava ou o que deveria fazer. Por um momento, perdi de vista o meu guia e temi que estivesse perdido, totalmente sozinho. Quando eu finalmente vi meu amigo vindo em minha direção, suspirei de alívio. — “Onde estou?” Eu perguntei. — “Venha comigo e você descobrirá!” Ele foi à frente e eu segui em silêncio, mas depois de uma longa e triste marcha, comecei a me preocupar se eu poderia atravessar o vasto campo mesmo com minha dor de dente e minhas pernas inchadas. De repente, vi uma estrada à frente. — “Por onde vamos agora?” – Perguntei ao meu guia. — “Por aqui” – ele respondeu. Dante and Virgil leaving the dark wood, Gustave Doré (1861) “O caminho dos pecadores é calçado de pedras unidas, mas ele conduz à região dos mortos, às trevas e aos suplícios.” (Eclesiástico 21:11). Nós pegamos a estrada. Era bonita, ampla e muitíssimo pavimentada. Ambos os lados estavam alinhados com magníficas cercas verdejantes enfeitadas por lindas flores. Rosas, especialmente, apareciam por toda parte nas folhas. À primeira vista, a estrada era nivelada e confortável, e então eu caminhei sem a menor suspeita, mas logo percebi que ela imperceptivelmente inclinada para baixo. Embora não tenha ficado íngreme, encontrei-me movendo tão rapidamente que senti que estava deslizando sem esforço pelo ar. Realmente, eu estava deslizando e quase não usando meus pés. Então logo percebi que a viagem de volta seria muito longa e árdua. — “Como devemos voltar ao Oratório?” – Perguntei com preocupação. — “Não se preocupe,” – ele respondeu. – “O Todo-Poderoso quer que você vá. Ele, que o conduz, saberá como levá-lo de volta”. A estrada continuava inclinada para baixo. Enquanto continuávamos nosso caminho, cercados por margens de rosas e outras flores, percebi que os meninos do Oratório e muitos outros que não conhecia estavam me seguindo. De alguma forma, encontrei-me no meio deles. Enquanto eu estava olhando para eles, eu notei que às vezes um, às vezes outro caiam no chão e eram instantaneamente arrastados por uma força invisível para uma queda assustadora, distantemente visível, que se inclinava para uma fornalha. “ Os soberbos armaram-me laços e cordas; estenderam uma rede à beira do caminho; puseram-me armadilhas” (Salmo 139: 6). — “O que faz cair esses meninos?” – Perguntei ao meu companheiro. — “Veja mais de perto” – ele respondeu. Eu o fiz. As armadilhas estavam em todo lugar, algumas perto do chão, outras ao nível dos olhos, mas todas bem escondidas. Ignorando seu perigo, muitos garotos foram pegos e tropeçaram; eles se esparramavam pelo chão, pernas ao ar. Então, quando eles conseguiam voltar a ficar de pé, eles corriam de cabeça baixa pelo caminho em direção ao abismo. Alguns ficaram presos pela cabeça, outros pelo pescoço, mão, braços, pernas ou lados e foram puxados para baixo instantaneamente. As armadilhas terrestres, bem como as teias de aranhas e quase invisíveis, pareciam muito frágeis e inofensivas; ainda assim, para minha surpresa, todos os garotos que foram pegos caíram ao chão. Percebendo meu espanto, o guia observou: — “Você sabe o que é isso?” — “Apenas uma fibra transparente”, respondi. — “Um nada,” – disse ele, – “simplesmente respeito humano”. Ao ver que muitos meninos estavam sendo pegos nessas armadilhas, perguntei: — “Por que tantos são pegos? Quem os puxa?” — “Vá mais perto e você verá!” – ele me disse. Segui seu conselho, mas não vi nada de peculiar. — “Olhe mais perto”, – ele insistiu. Peguei uma das armadilhas e puxei. Eu imediatamente senti alguma resistência. Eu puxei mais forte, apenas para sentir que, ao invés de puxar o fio, eu estava sendo puxado para baixo. Não resisti e logo me encontrei na boca de uma caverna assustadora. Parei, não queria me aventurar naquela caverna profunda e novamente comecei a puxar o fio para mim. Ele cedeu um pouco, mas apenas depois de um grande esforço da minha parte. Continuei puxando e, depois de um longo tempo, surgiu um monstro enorme e terrível, agarrando uma corda ao qual todas essas armadilhas estavam amarradas. Foi ele quem instantaneamente arrastou aqueles que foram apanhados nas armadilhas. — “Não vou tentar comparar minha força com a dele”, – falei comigo mesmo. – “Eu certamente vou perder. É melhor lutar contra ele com o sinal da cruz e com pequenas invocações”. Então eu voltei para o meu guia. — “Agora, você sabe quem ele é” – ele me disse. —“Eu certamente sei! É o próprio diabo!” Parte de The Last Judgement, Fran Angelico (1431) Examinando atentamente muitas das armadilhas, vi que cada uma trazia uma inscrição: Orgulho, Desobediência, Inveja, Sexto Mandamento, Roubo, Gula, Preguiça, Raiva e assim por diante. Voltando um pouco para ver quais capturavam o maior número de meninos, descobri que as mais perigosas eram as de impureza, desobediência e orgulho. Na verdade, estes três estavam ligados entre si. Muitas outras armadilhas também causavam grandes danos, mas não tanto quanto as duas primeiras. Ainda observando, percebi que muitos meninos corriam mais rápido do que outros. — “Por que tal pressa?” Eu perguntei. — “Porque eles são arrastados pela armadilha do respeito humano”. Olhando ainda mais de perto, vi facas entre as armadilhas. Uma mão providencial as colocou lá para que se livrem. As maiores, que simbolizavam a meditação, eram para uso contra a armadilha do orgulho; outras, não tão grandes, simbolizaram a leitura espiritual bem feita. Havia também duas facas que representavam a devoção ao Santíssimo Sacramento, especialmente através da freqüente comunhão e da Santíssima Virgem. Havia também um martelo que simbolizava a confissão e outras facas que significavam devoção a São José, a Santo Aloísio e a outros santos. Por esses meios, poucos garotos conseguiram se libertar ou escapar a captura. Quando meu guia estava satisfeito de que eu havia observado tudo, ele me fez prosseguir ao longo dessa estrada coberta de rosa, mas quanto mais andamos mais escassas as rosas se tornaram. Espinhos longos começaram a aparecer, e logo as rosas não apareciam mais. As sebes tornaram-se queimadas pelo sol, sem folhas e espinhosas. Nós já havíamos chegado a um barranco cujos lados íngremes escondiam o que estava além. A estrada, ainda inclinada para baixo, estava ficando cada vez mais íngreme, escavada e eriçada com pedras e pedregulhos. Continuei, mas quanto mais avançava, mais árdua e íngreme tornou-se a descida, de modo que eu caí e caí várias vezes, prostrado até recuperar o fôlego. De vez em quando meu guia me apoiava ou me ajudava a levantar. Arfando, eu disse ao meu guia: — “Meu bom amigo, minhas pernas não me levarão a mais um passo. Eu simplesmente não posso continuar.” — “Agora que chegamos tão longe, você quer que eu o deixe aqui?” – meu guia perguntou severamente. Com essa ameaça, respondi: — “Como posso sobreviver sem sua ajuda?” — “Então, siga-me”. Continuamos nossa descida, a estrada agora se tornando tão espantosamente íngreme que era quase impossível manter-se ereto. E então, no fundo deste precipício, na entrada de um vale escuro, um enorme edifício apareceu, o seu portal no alto firmemente trancado, de frente para a nossa estrada. Quando finalmente cheguei ao fundo, fiquei asfixiado por um calor sufocante, enquanto uma fumaça gordurosa, verde, iluminada por flashes de chamas escarlates subia por trás das paredes enormes mais altas do que as montanhas. — “Onde estamos? O que é isso?” – Perguntei ao meu guia. — “Leia a inscrição nesse portão e você saberá”. Eu olhei para cima e li estas palavras: “O lugar sem renúncia”. Eu percebi que estávamos no portão do inferno. O guia me mostrou todo este horrível lugar. Em distâncias regulares os portais de bronze, como o primeiro, divisavam as descidas; em cada um existia uma inscrição, como: “Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos.” (Mateus 25:41) Dante finds Bocca degli Abati, Gustave Doré (1861) De repente, o guia virou-se para mim. Chateado e assustado, ele me fez sinal para me afastar. — “Veja!” – ele disse. Olhei para cima assustado e vi ao longe alguém correndo pelo caminho a uma velocidade incontrolável. Fiquei de olho nele, tentando identificá-lo, e quando ele se aproximou, eu o reconheci como um dos meus meninos. Seu cabelo desgrenhado estava em parte de pé na cabeça e parcialmente jogado de volta pelo vento. Seus braços estavam estendidos como se estivesse nadando na tentativa de não se afogar. Ele queria parar, mas não podia. Atravessando as pedras salientes, ele continuou caindo ainda mais rápido. — “Vamos ajudá-lo, vamos detê-lo” – eu gritei, estendendo minhas mãos em um esforço vago para restringi-lo. — “Deixe-o em paz”, – respondeu o guia. — “Por quê?” — “Você não sabe o quão terrível é a vingança de Deus? Você acha que pode conter alguém que está fugindo de Sua justa ira?” Enquanto isso, o jovem havia virado o olhar para trás, na tentativa de ver se a ira de Deus continuava perseguindo-o. No momento seguinte, caiu no fundo do barranco e caiu contra o portal de bronze, como se não encontrasse um refúgio melhor em sua fuga. — “Por que ele estava olhando para trás com tanto medo?” – Eu perguntei ao guia. — “Porque a ira de Deus atravessará os portões do inferno para alcançá-lo e atormentá-lo, mesmo no meio do fogo!” Quando o menino entrou pelo portal, este se abriu com um rugido e, instantaneamente, mil portais internos se abriram com um barulho ensurdecedor como se fosse atingido por algo que tinha sido jogado por um vendaval invisível, violento e irresistível. À medida que essas portas de bronze — uma atrás da outra, embora a uma distância considerável uma da outra — permaneciam momentaneamente abertas, eu vi ao longe na distância algo como portas de fornalha lançando bolas de fogo no momento em que o jovem se precipitava. Tão rapidamente quanto abriram, os portais então fecharam. Tentei anotar o nome desse infeliz garoto, mas o guia me impediu. — “Espere”, – ele ordenou. – “Veja!” Três outros meninos nossos, gritando de terror e de braços estendidos, estavam rolando um atrás do outro como pedras maciças. Eu os reconheci no momento em que eles atingiram os portões. Naquela fração de segundo, ele se abriu e os outros milhares também. Os três rapazes foram sugados para aquele corredor infinito, em meio a um grande eco, desbotado e infernal, e então os portais fecharam novamente. Em intervalos, muitos outros rapazes caíram atrás deles. Eu vi um menino desafortunado sendo empurrado para baixo da ladeira por um companheiro. Outros caíram sozinhos ou com outros, de braços dados ou lado a lado. Cada um deles carregava o nome de seu pecado em sua testa. Eu continuei chamando-os enquanto eles caíam, mas eles não me ouviram. Mais uma vez, os portais se abriram estranhamente e fecharam com um estrondo. Então, silêncio! — “Maus companheiros, maus livros e maus hábitos,” – disse meu guia, – “são os principais responsáveis ​​por tantos eternamente perdidos”. The Last Judgement (detail), Hans Memling (c. 1467) As armadilhas que eu tinha visto anteriormente estavam realmente arrastando os meninos para a ruína. Vendo tantos em perdição, eu gritei desconsoladamente: — “Se tantos de nossos meninos acabam assim, estamos trabalhando em vão. Como podemos evitar tais tragédias?” — “Este é o estado atual deles”, – disse o meu guia, – “e é para aí que eles iriam se morressem agora”. Naquele momento, um novo grupo de meninos apareceu e os portais abriram-se momentaneamente. — “Entremos”, – disse o guia. Eu me afastei em horror. — “Venha”, – insistiu meu guia. – “Você aprenderá muito”. Nós entramos no corredor estreito e horrível e passamos por ele com uma velocidade relâmpago. As inscrições ameaçadoras brilhavam ameaçadoramente em todos os portais internos. O último abriu a um vasto e sombrio pátio com uma grande e incrivelmente ameaçadora entrada no extremo oposto. — “A partir daqui”, – disse ele, – “ninguém poderá ter um companheiro útil, um amigo reconfortante, um coração amoroso, um olhar compassivo ou uma palavra benevolente. Tudo isto acabou para sempre. Você quer apenas ver ou prefere experimente essas coisas você mesmo? “ — “Eu só quero ver!” – Eu respondi. — “Então venha comigo” Meu amigo me levou arrastado, atravessou aquele portão em um corredor em cujo extremo distante estava em um deque de observação, fechado por um enorme e único painel de cristal que chegava do chão ao teto. Assim que atravessei o seu limite, senti um terror indescritível e não ousei dar outro passo. A minha frente eu podia ver algo como uma imensa caverna que gradualmente desaparecia em fundos recuos até as entranhas das montanhas. Tudo estava em chamas, mas não era um fogo terrestre com chamas saltitantes. Toda a caverna — paredes, teto, chão, ferro, pedras, madeira e carvão — tudo era um branco brilhante a temperaturas de milhares de graus. No entanto, o incêndio não incinerava, não consumia. Eu simplesmente não consigo encontrar palavras para descrever o horror da caverna. Eu estava olhando com perplexidade quando um rapaz encontrou correndo por um portão. Aparentemente inconsciente de qualquer outra coisa, ele emitiu um grito aterrorizante, como alguém que está prestes a cair em um caldeirão de bronze líquido, e caiu no centro da caverna. Instantaneamente ele também se tornou incandescente e perfeitamente imóvel, enquanto o eco de seu lamento moribundo permanecia por mais um instante. Terrivelmente assustado, eu olhei para ele por um tempo. Ele parecia ser um dos meus meninos do Oratório. — “Ele não é fulano?” – Perguntei ao meu guia. — “Sim”, – foi a resposta. — “Por que ele está tão quieto, tão incandescente?” — “Você escolheu ver”, – ele respondeu. – “Fique satisfeito com isso. Apenas continue olhando”. Quando olhei novamente, outro garoto entrou na caverna a uma velocidade vertiginosa. Ele também era do Oratório. Mais assustado do que nunca, perguntei ao meu guia: — “Quando esses meninos estão correndo para esta caverna, eles não sabem para onde estão indo?” — “Eles certamente sabem. Eles foram advertidos mil vezes, mas ainda sim optaram por se jogar ao fogo porque eles não detestam o pecado e tem preguiça em abandoná-lo. Além disso, eles desprezam e rejeitam os incessantes e misericordiosos convites de Deus para fazer penitência. Assim provocada, a Divina Justiça os persegue, os persegue e os estimula para que não possam parar até chegarem a este lugar “. — “Oh, quão miserável esses garotos infelizes devem se sentir ao saber que não têm mais nenhuma esperança”, – exclamei. — “Se você realmente quer saber sua loucura e fúria íntimas, chegue um pouco mais perto”, – observou meu guia. Fui alguns passos para a frente e vi que muitos desses pobres infelizes se espancavam furiosamente como cães loucos. Outros estavam arranhando seus próprios rostos e mãos, arrancando sua própria carne e a jogando com toda violência. Naquele momento, todo o teto da caverna tornou-se tão transparente como o cristal e revelou um pedaço do céu e seus companheiros radiante seguros por toda a eternidade. Os pobres miseráveis, furiosos e ofegantes de inveja, queimavam de raiva porque haviam ridicularizado os justos em vida. “ O ímpio o verá, e se entristecerá; rangerá os dentes, e se consumirá; o desejo dos ímpios perecerá.” (Salmo 111: 10). Spendthrifts running through the wood of the suicides, Gustave Doré (1861) — “Por que não ouço nada?” – Perguntei ao meu guia. — “Chegue mais perto!” – ele aconselhou. Pressionando minha orelha contra a janela de cristal, ouvi gritos e soluços, blasfêmias e xingamentos contra os santos. Foi um tumulto de vozes e gritos, estridente e confuso. — “Tais são os cantos lúgubres que devem ecoar aqui durante a eternidade. Mas seus gritos, seus esforços e seus gritos são todos em vão.” “ Toda a força da miséria virá sobres eles.”(Jó 20:22). — “Aqui, o tempo não existe mais. Aqui existe apenas a eternidade”. Enquanto eu via a condição de muitos dos meus meninos em pleno terror, um pensamento me aconteceu de repente. — “Como esses meninos podem ser condenados?” – Eu perguntei. – “Ontem à noite eles ainda estavam vivos no Oratório!” “Os meninos que você vê aqui”, – ele respondeu, – “estão todos mortos para a graça de Deus. Se eles morressem agora ou se persistissem em seus maus caminhos, eles seriam condenados. Mas estamos perdendo o tempo. Vamos continuar”. Ele me conduziu e passamos por um corredor para uma caverna inferior, em cuja entrada eu li: “porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará” (Isaías 66:24). Nesta caverna inferior novamente vi os meninos do Oratório que haviam caído no forno de fogo. Eu me aproximei deles e notei que eles estavam todos cobertos de vermes e insetos que roíam seus órgãos vitais, corações, olhos, mãos, pernas e corpos inteiros tão ferozmente que desafiam a descrição. Desamparados e imóveis, eram presa de todo tipo de tormento. Esperando poder falar com eles ou ouvir algo deles, cheguei ainda mais perto, mas ninguém falou nem olhou para mim. Então, perguntei ao meu guia por que, e ele explicou que os condenados estão totalmente privados de liberdade. Cada um deve suportar completamente seu próprio castigo, sem absolutamente nenhuma ajuda. Aqui, podia-se ver como era atroz o remorso daqueles que haviam sido alunos em nossas escolas. Como era um tormento para eles lembrar cada pecado imperdoável e seu justo castigo, os inúmeros e até extraordinários meios que eles tinham para consertar seus caminhos, perseverar na virtude e ganhar o paraíso e sua falta de resposta aos muitos favores prometidos e concedidos pela Virgem Maria. Que tortura para eles pensar que poderiam ter sido salvos tão facilmente, mas agora estão irremediavelmente perdidos e lembrar as muitas boas resoluções feitas e nunca mantidas. O inferno é realmente pavimentado com boas intenções! — “E agora”, – acrescentou, – “você também deve entrar naquela caverna”. — “Ah não!” – Eu objetei com terror. – “Antes de ir ao inferno, alguém deve ser julgado. Ainda não fui julgado, então não irei ao inferno!” — “Ouça”, – ele disse, – “o que você prefere fazer: visitar o inferno e salvar seus meninos ou ficar fora e deixá-los em agonia?” Por um momento, fiquei sem palavras. — “Claro, eu amo meus meninos e desejo salvá-los todos”, – respondi, – “mas não há outra saída?” — “Sim, há um caminho”,– ele prosseguiu, – “desde que você faça tudo o que puder”. Respirei com mais facilidade e instantaneamente disse: — “Não me importo de ficar se eu puder resgatar esses amados filhos de tais tormentos”. — “Entre por aqui”, – continuou meu amigo, – “e veja como nosso Deus bom e poderoso oferece amorosamente mil meios para guiar os seus meninos à penitência e salvando-os da morte eterna”. Ao pegar minha mão, ele me levou até a caverna. Quando entrei, encontrei-me de repente transportado para um magnífico salão cujas portas de vidro cortadas ocultavam mais entradas. Acima de uma delas, li esta inscrição: o Sexto Mandamento. Apontando para isso, meu guia exclamou: — “Transgressões a este mandamento causaram a eterna ruína de muitos meninos”. — “Eles não foram se confessar?” — “Sim, o fizeram, mas omitiram ou insuficientemente confessaram os pecados contra a bela virtude da pureza. Outros meninos podem ter caído nesse pecado, mas em sua infantilidade e vergonha nunca confessaram ou fizeram isso de forma insuficiente. Outros não lamentavam real ou sinceramente em sua determinação de evitá-la no futuro. Havia mesmo alguns que, ao invés de examinar sua consciência, passaram seu tempo tentando descobrir a melhor forma de enganar seu confessor. Qualquer um que morra neste estado de espírito escolhe estar entre os condenados , e assim ele está condenado por toda a eternidade. Apenas aqueles que morrerem verdadeiramente arrependidos serão eternamente felizes. Agora, você quer ver por que nosso Deus misericordioso trouxe você aqui?” Ele levantou a cortina e vi um grupo de meninos do Oratório — todos conhecidos por mim — que estavam lá por causa deste pecado. Entre eles estavam alguns cuja conduta parecia ser boa. — “Agora você certamente me deixará anotar seus nomes para que eu possa avisá-los individualmente”, – exclamou. — “Não será necessário!” — “Então, o que você sugere dizer a eles?” — “Sempre pregue contra a imodéstia. Tenha em mente que, mesmo que você os corrigisse individualmente, eles prometeriam, mas não sempre de coração. Para uma resolução firme, é preciso a graça de Deus, que não será negada aos seus meninos se eles orarem. Deus manifesta o Seu poder, especialmente por ser misericordioso e perdoador. Por sua parte, reze e faça sacrifícios. Quanto aos meninos, deixe-os ouvir suas correções e consulte suas consciências. Isso lhes dirá o que fazer “. — “Posso mencionar todas essas coisas aos meus meninos?” — “Sim, você pode dizer o que quer que você lembre.” — “Que conselho devo dar para protegê-los de tal tragédia?” — “Continue dizendo-lhes que obedecendo a Deus, a Igreja, seus pais e seus superiores, mesmo nas pequenas coisas, serão salvos. Avise-os contra a ociosidade. Diga-lhes que se mantenham ocupados em todos os momentos para que o diabo não tenha chance para tentá-los. “ The Seven Corporal Works Of Mercy, David Teniers the Younger Inclinei a cabeça e prometi. Fraco pela consternação, eu só podia murmurar: — “Obrigado por ter sido tão bom comigo. Agora, me leve para fora daqui”. — “Tudo bem, então, venha comigo”. Encorajadoramente, ele pegou minha mão e me levantou porque eu mal conseguia fazê-lo. Saindo daquele salão, em pouco tempo nós voltamos pelo horrível pátio e pelo longo corredor. Mas, assim que atravessamos o último portal de bronze, ele se virou para mim e disse: — “Agora que você viu o que os outros sofrem, você também deve experimentar um toque do inferno.” — “Não, não!” Gritei aterrorizado. Ele insistiu, mas eu continuei recusando. — “Não tenha medo”, – ele me disse; – “apenas tente. Toque nesta parede.” Não consegui reunir coragem suficiente e tentei fugir, mas ele me segurou de volta. — “Experimente”, – ele insistiu. Agarrando meu braço firmemente, ele me puxou para a parede. — “Apenas um toque”, – ele ordenou, – “para que você possa dizer que você viu e tocou as paredes do sofrimento eterno e que você pode entender o que o último muro deve ser como se o primeiro fosse tão insuportável. Olhe para este muro!” Eu o fiz com atenção. Parecia incrivelmente grosso. — “Há mil paredes entre esta e o fogo real do inferno”, – continuou meu guia. – “Mil paredes as englobam, cada uma mil medidas grossas e igualmente distantes uma da outra. Cada medida são mil milhas. Esse muro, portanto, está há milhões e milhões de quilômetros do fogo real do inferno. É apenas uma borda remota de próprio inferno.” Quando ele disse isso, instintivamente fui para trás, mas ele agarrou minha mão, abriu-a e apertou-a contra a primeira das mil paredes. A sensação era tão excruciante que eu acordei com um grito e me encontrei sentado na cama. Minha mão estava ardendo, e eu continuava esfregando-a para aliviar a dor. Quando levantei esta manhã, notei que estava inchada. Ter minha mão pressionada contra a parede, embora apenas em um sonho, foi tão real que, mais tarde, a pele da minha palma descascou. Tenha em mente que tentei não assustar-vos muito, e por isso não descrevi essas coisas com todo o seu horror quanto as vi e me impressionaram. Sabemos que Nosso Senhor sempre retratou o Inferno em símbolos porque, se ele o descrevesse como realmente é, não o teríamos entendido. Nenhum mortal pode compreender essas coisas. O Senhor conhece-os, e Ele os revela a quem Ele quiser. Leia também: Conheça a vida de São João Bosco #DomBosco #FormaçõesCatólicas #Inferno

  • 2759-2865 | SEGUNDA SECÇÃO

    SEGUNDA SECÇÃO A ORAÇÃO DO SENHOR: «PAI NOSSO» 2759. «Um dia, estava Jesus em oração, em certo lugar. Quando acabou, disse-lhe um dos seus discípulos: “Senhor, ensina-nos a orar, como João Baptista também ensinou os seus discípulos”» (Lc 11, 1). Foi em resposta a este pedido que o Senhor confiou aos seus discípulos e à sua Igreja a oração cristã fundamental. São Lucas apresenta-nos um texto breve dessa oração (cinco petições)(1); São Mateus, uma versão mais desenvolvida (sete petições) (2). A tradição litúrgica da Igreja reteve o texto de São Mateus (Mt 6, 9-13): Pai Nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso Nome, venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mal. Watch this video on YouTube. 2760. Bem cedo o uso litúrgico concluiu a oração do Senhor por uma doxologia. Na Didakê: «Porque Vosso é o poder e a glória, pelos séculos» (3). A esta doxologia, as Constituições Apostólicas acrescentam no princípio: «o Reino» (4), e essa é a fórmula que se usa em nossos dias na oração ecuménica. A tradição bizantina acrescenta, depois de «a glória»: «Pai, Filho e Espírito Santo». O Missal Romano amplia a última petição (5) na perspectiva explícita da «expectativa da bem-aventurada esperança» (6) e da vinda de Jesus Cristo nosso Senhor, seguindo-se a aclamação da assembleia que retoma a doxologia das Constituições Apostólicas. ARTIGO 1 «O RESUMO DE TODO O EVANGELHO» 2761. «A oração dominical é verdadeiramente o resumo de todo o Evangelho»(7). «Depois de o Senhor nos ter legado esta fórmula de oração, acrescentou “Pedi e recebereis” (Jo 16, 24). Cada um pode, portanto, dirigir ao céu diversas orações segundo as suas necessidades, mas começando sempre pela oração do Senhor, que continua a ser a oração fundamental» (8). I. No centro da Sagrada Escritura 2762. Depois de ter mostrado como os Salmos são o alimento principal da oração cristã e convergem para as petições do Pai-nosso, Santo Agostinho conclui: «Percorrei todas as orações que existem na Sagrada Escritura; não creio que possais encontrar uma só que não esteja incluída e compendiada nesta oração dominical» (9). 2763. Todas as Escrituras (a Lei, os Profetas e os Salmos) se cumpriram em Cristo (10). O Evangelho é esta «boa-nova». O seu primeiro anúncio está resumido por São Mateus no sermão da montanha (11). Ora a oração do Pai-nosso está no centro deste anúncio. E é neste contexto que se elucida cada uma das petições da oração legada pelo Senhor: «A oração dominical é a mais perfeita das orações […]. Nela, não só pedimos tudo quanto podemos rectamente desejar, mas também segundo a ordem em que convém desejá-lo. De modo que esta oração, não só nos ensina a pedir, mas também plasma todos os nossos afectos» (12). 2764. O sermão da montanha é doutrina de vida e a oração dominical é prece; mas num e noutra, o Espírito do Senhor dá uma forma nova aos nossos desejos, a esses movimentos interiores que animam a nossa vida. Jesus ensina-nos a vida nova com as suas palavras e ensina-nos a pedi-la pela oração. Da rectidão da nossa oração dependerá a da nossa vida n’ Ele. II. «A oração do Senhor» 2765. A expressão tradicional «oração dominical» (isto é, «oração do Senhor») significa que a prece dirigida ao nosso Pai nos foi ensinada e legada pelo Senhor Jesus. Tal oração, que nos vem de Jesus, é verdadeiramente única: é «do Senhor». Efectivamente, por um lado, nas palavras desta oração o Filho Único dá-nos as palavras que o Pai Lhe deu (13): Ele é o mestre da nossa oração. Por outro lado, sendo o Verbo encarnado, Ele conhece no seu coração de homem as necessidades dos seus irmãos e irmãs humanos e revela-no-las: Ele é o modelo da nossa oração. 2766. Mas Jesus não nos deixa uma fórmula para ser repetida maquinalmente (14). Como em toda a oração vocal, é pela Palavra de Deus que o Espírito Santo ensina os filhos de Deus a orar ao seu Pai. Jesus dá-nos, não somente as palavras da nossa oração filial, mas também, ao mesmo tempo, o Espírito pelo qual elas se tornam em nós «espírito e vida» (Jo 6, 63). Mais ainda: a prova e a possibilidade da nossa oração filial é que o Pai «enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho que clama: “Abbá! ó Pai!”» (Gl 4, 6). Uma vez que a nossa oração traduz os nossos desejos diante do Pai, é ainda «Aquele que sonda os corações», o Pai, que «conhece o desejo do Espírito, porque é de acordo com Deus que o Espírito intercede pelos santos» (Rm 8, 27). A oração ao nosso Pai insere-se na missão misteriosa do Filho e do Espírito. III. A oração da Igreja 2767. Esta dádiva indissociável das palavras do Senhor e do Espírito Santo que lhes dá vida no coração dos crentes foi recebida e vivida pela Igreja desde as origens. As primeiras comunidades rezavam a oração do Senhor «três vezes por dia» (15), em vez das «dezoito bênçãos» usadas pela piedade judaica. 2768. Segundo a Tradição apostólica, a oração do Senhor está essencialmente radicada na oração litúrgica: O Senhor «ensina-nos a fazer a nossa oração em comum por todos os nossos irmãos. Porque Ele não diz «meu Pai» que estás nos céus, mas sim nosso Pai, para que a nossa oração seja, numa só alma, por todo o corpo da Igreja» (16). Em todas as tradições litúrgicas, a oração do Senhor é parte integrante das «horas» principais do Ofício Divino. Mas é sobretudo nos três sacramentos da iniciação cristã que o seu carácter eclesial aparece com evidência: 2769. No Baptismo e na Confirmação, a entrega («traditio») da oração do Senhor significa o novo nascimento para a vida divina. Uma vez que a oração cristã consiste em falar a Deus com a própria Palavra de Deus, aqueles que são «regenerados […] pela palavra do Deus vivo» (1 Pe 1, 23) aprendem a invocar o seu Pai com a única palavra que Ele escuta sempre. E podem fazê-lo a partir de então, porque o selo da unção do Espírito Santo foi gravado indelevelmente no seu coração, nos seus ouvidos, nos seus lábios, em todo o seu ser filial. É por isso que a maior parte dos comentários patrísticos ao Pai-nosso são dirigidos aos catecúmenos e aos neófitos. Quando a Igreja reza a oração do Senhor, é sempre o povo dos «recém-nascidos» que ora e alcança misericórdia (17). 2770. Na liturgia eucarística, a oração do Senhor aparece como a oração de toda a Igreja. Ali se revela o seu sentido pleno e a sua eficácia. Situada entre a anáfora (oração eucarística) e a liturgia da comunhão, recapitula, por um lado, todas as petições e intercessões expressas no movimento da epiclese; e por outro, bate à porta do festim do Reino que a Comunhão sacramental vai antecipar. 2771. Na Eucaristia, a oração do Senhor manifesta também o carácter escatológico das suas petições. É a oração própria dos «últimos tempos», dos tempos da salvação que começaram com a efusão do Espírito Santo e terminarão com o regresso do Senhor. Os pedidos que fazemos ao nosso Pai, diferentemente das orações da Antiga Aliança, apoiam-se no mistério da salvação já realizada, duma vez para sempre, em Cristo crucificado e ressuscitado. 2772. Desta fé inabalável brota a esperança que suscita cada uma das sete petições. Estas exprimem os gemidos do tempo presente, este tempo da paciência e da espera, durante o qual «ainda não se manifestou o que havemos de ser» (1 Jo 3, 2)(18). A Eucaristia e o Pai-nosso tendem para a vinda do Senhor, «até que Ele venha!» (1 Cor 11, 26). Resumindo: 2773. Em resposta ao pedido dos seus discípulos («Senhor, ensina-nos a orar»: Lc 11, 1), Jesus confia-lhes a oração cristã fundamental do «Pai-nosso». 2774. «A Oração Dominical é verdadeiramente o resumo de todo o Evangelho» (19), «a mais perfeita das orações» (20). Está no centro da Sagrada Escritura. 2775. É chamada «Oração Dominical», porque nos vem do Senhor Jesus, mestre e modelo da nossa oração. 2776. A Oração Dominical é a oração da Igreja por excelência. Faz parte integrante das «horas» principais do Ofício Divino e dos sacramentos da iniciação cristã: Baptismo, Confirmação e Eucaristia. Integrada na Eucaristia, manifesta o carácter «escatológico» das suas petições, na esperança do Senhor, «até que Ele venha» (1 Cor 11, 26). ARTIGO 2 «PAI NOSSO, QUE ESTAIS NOS CÉUS» I. «Ousar aproximar-se com toda a confiança» 2777. Na liturgia romana, a assembleia eucarística é convidada a orar ao nosso Pai com ousadia filial. As liturgias orientais utilizam e desenvolvem expressões análogas: «Ousar com toda a segurança», «tomai-nos dignos de». Diante da sarça ardente foi dito a Moisés: «Não te aproximes. Descalça as sandálias» (Ex 3, 5). Este umbral da santidade divina, só Jesus o podia franquear, Ele que, «tendo realizado a purificação dos pecados» (Heb 1, 3), nos introduz perante a face do Pai: «Eis-me, a mim e aos filhos que Deus Me deu!» (Heb 2, 13): «A consciência que temos da nossa situação de escravos far-nos-ia sumir sob o chão, a nossa condição terrena dissolver-se-ia em pó, se a autoridade do próprio Pai e o Espírito do Seu Filho não nos levasse a soltar este grito dizendo: “Deus mandou o Espírito do Seu Filho aos nossos corações clamando Abba, ó Pai!” (Rm 8, 15) […]. Quando é que a fraqueza dum mortal se atreveria a chamar a Deus seu Pai, senão somente quando o íntimo do homem é animado pelo poder do alto?» (21). 2778. Este poder do Espírito que nos introduz na oração do Senhor é expresso, nas liturgias do Oriente e do Ocidente, pela bela expressão tipicamente cristã: «parrêsía», simplicidade sem desvio, confiança filial, segurança alegre, ousadia humilde, certeza de ser amado (22). II. «Pai!» 2779. Antes de fazermos nosso este primeiro impulso da oração do Senhor, convém purificar humildemente o nosso coração de certas falsas imagens «deste mundo». A humildade faz-nos reconhecer que «ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho Se dignar revelá-Lo», quer dizer «os pequeninos» (Mt 11, 25-27). A purificação do coração refere-se às imagens paternas ou maternas provenientes da nossa história pessoal e cultural, que influenciam o nosso relacionamento com Deus. É que Deus, nosso Pai, transcende as categorias do mundo criado. Transpor para Ele ou contra Ele, as nossas ideias neste domínio, seria fabricar ídolos, a adorar ou a derrubar. Orar ao Pai é entrar no seu mistério, tal como Ele é e tal como o Filho no-Lo revelou: «A expressão Deus Pai nunca tinha sido revelada a ninguém. Quando o próprio Moisés perguntou a Deus quem era, ouviu um nome diferente. A nós, este nome foi revelado no Filho; porque este nome (de Filho) implica o nome de Pai» (23). 2780. Nós podemos invocar Deus como «Pai», porque Ele nos foi revelado pelo seu Filho feito homem e porque o seu Espírito no-Lo faz conhecer. A relação pessoal do Filho com o Pai (24), que o homem não pode conceber nem os poderes angélicos podem entrever, eis que o Espírito do Filho nos faz participar dela, a nós que cremos que Jesus é o Cristo e que nascemos de Deus (25). 2781. Quando oramos ao Pai, estamos em comunhão com Ele e com o seu Filho Jesus Cristo (26). É então que O reconhecemos num encantamento sempre novo. A primeira palavra da oração do Senhor é uma bênção de adoração, antes de ser uma súplica. Porque a glória de Deus é que nós O reconheçamos como «Pai», Deus verdadeiro. Damos-Lhe graças por nos ter revelado o seu nome, por nos ter dado a graça de acreditar n’Ele, de sermos habitados pela sua presença. 2782. Nós podemos adorar o Pai porque Ele nos fez renascer para a sua vida adoptando-nos por seus filhos no seu Filho Único: pelo Baptismo, incorpora-nos no corpo do seu Cristo; e pela Unção do seu Espírito, que da Cabeça se derrama pelos membros, faz de nós «cristos»: «Deus, que nos predestinou para a adopção de filhos, tornou-nos conformes ao corpo glorioso de Cristo. Doravante, pois, participantes de Cristo, sois com todo o direito chamados “cristos”» (27). «O homem novo, que renasceu e foi restituído ao seu Deus pela graça, começa por dizer, “Pai!”, porque se tornou filho» (28). 2783. Deste modo, pela oração do Senhor, nós somos revelados a nós próprios, ao mesmo tempo que nos é revelado o Pai (29): «Ó homem, tu não ousavas levantar o teu rosto para o céu, baixavas os teus olhos para a terra, e de repente recebeste a graça de Cristo: todos os pecados te foram perdoados, de mau servo tornaste-te bom filho […]. Portanto, ergue os olhos para o Pai que te resgatou pelo seu Filho e diz: Pai nosso […]. Mas não reivindiques para ti algo de especial. Só de Cristo é que Ele é Pai de modo especial, de todos nós é Pai em comum; porque só a Ele gerou, ao passo que a nós, criou-nos. Portanto, por graça, diz também tu “Pai nosso”, para mereceres ser filho» (30). 2784. Este dom gratuito da adopção exige da nossa parte uma conversão contínua e uma vida nova. Orar ao nosso Pai deve desenvolver em nós duas disposições fundamentais: O desejo e a vontade de nos parecermos com Ele. Criados à sua imagem, é pela graça que a semelhança nos é restituída e a ela devemos corresponder. «Devemos lembrar-nos de que, quando chamamos a Deus «Pai nosso», temos de nos comportar como filhos de Deus» (31). «Vós não podeis chamar vosso Pai ao Deus de toda a bondade se conservardes um coração cruel e desumano; porque, nesse caso, já não tendes a marca da bondade do Pai celeste» (32). «Devemos contemplar incessantemente a beleza do Pai e impregnar dela a nossa alma» (33) 2785. Um coração humilde e confiante que nos faça «voltar ao estado de crianças» (Mt 18, 3): porque é aos «pequeninos» que o Pai Se revela (Mt 11, 25): É um estado «que se forma contemplando a Deus somente, com o ardor da caridade. Nele, a alma funde-se e abisma-se em santa dilecção e trata com Deus como com o seu próprio Pai, muito familiarmente, numa ternura de piedade muito particular» (34). «Pai nosso – que haverá de mais querido para os filhos do que o pai? – Este nome suscita em nós ao mesmo tempo o amor, o afecto na oração, […] e também a esperança de obter o que vamos pedir […]. De facto, que pode Ele recusar à súplica dos seus filhos, quando já previamente lhes permitiu que fossem filhos seus?» (35). III. Pai «nosso» 2786. Pai «nosso» refere-se a Deus. Pela nossa parte, o adjectivo «nosso» não exprime uma posse, mas sim uma relação totalmente nova com Deus. 2787. Quando dizemos Pai «nosso», reconhecemos, antes de mais nada, que todas as suas promessas de amor, anunciadas pelos profetas, se cumpriram na Nova e eterna Aliança no seu Cristo: nós tornámo-nos o «seu» povo e Ele é doravante o «nosso» Deus. Esta relação nova é uma pertença mútua, dada gratuitamente: é por amor e fidelidade (36) que temos de responder «à graça e à verdade» que nos foram dadas em Cristo Jesus (37). 2788. Uma vez que a oração do Senhor é a do seu povo nos «últimos tempos», este «nosso» exprime também a certeza da nossa esperança na última promessa de Deus: na Jerusalém nova, Ele dirá ao vencedor: «Eu serei o seu Deus e ele será o meu Filho» (Ap 21, 7). 2789. Rezando ao «nosso» Pai, é ao Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que nós nos dirigimos pessoalmente. Não dividimos a divindade, pois que o Pai é a sua «fonte e origem», mas confessamos desse modo que o Filho é por Ele gerado eternamente e que d’Ele procede o Espírito Santo. Também não confundimos as Pessoas, pois confessamos que a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo no seu único Espírito Santo. A Santíssima Trindade é consubstancial e indivisível. Quando rezamos ao Pai, adoramo-Lo e glorificamo-Lo com o Filho e o Espírito Santo. 2790. Gramaticalmente, «nosso» qualifica uma realidade comum a vários. Há um só Deus, que é reconhecido como Pai por aqueles que, pela fé no seu Filho Único, renasceram d’Ele pela água e pelo Espírito (38). A Igreja é esta nova comunhão de Deus com os homens; unida ao Filho Único, que se tornou o «primogénito de muitos irmãos» (Rm 8, 29), ela está em comunhão com um só e mesmo Pai, num só e mesmo Espírito Santo (39). Ao rezar Pai «nosso», cada baptizado reza nesta comunhão: «A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma» (Act 4, 32). 2791. É por isso que, apesar das divisões dos cristãos, a oração ao «nosso» Pai continua a ser um bem comum e um apelo premente para todos os baptizados. Em comunhão pela fé em Cristo e pelo Baptismo, eles devem participar na oração de Jesus pela unidade dos seus discípulos (40). 2792. Por fim, se rezamos em verdade o «Pai-nosso», saímos do individualismo, pois o Amor que nós acolhemos dele nos liberta. O «nosso» do princípio da oração do Senhor, tal como o «nos» das quatro últimas petições, não é exclusivo de ninguém. Para que seja dito em verdade (41), as nossas divisões e oposições têm de ser superadas. 2793. Os baptizados não podem dizer Pai «nosso», sem levar até junto d’Ele todos aqueles por quem Ele deu o seu Filho bem-amado. O amor de Deus é sem fronteiras; a nossa oração deve sê-lo também (42). Rezar Pai «nosso» abre-nos às dimensões do seu amor manifestado em Cristo: orar com e por todos os homens que ainda O não conhecem, para que sejam «reunidos na unidade» (43). Este cuidado divino por todos os homens e por toda a criação animou todos os grandes orantes; deve também dilatar a nossa oração num amor sem limites, quando ousamos dizer: Pai «nosso». IV. «Que estais nos céus» 2794. Esta expressão bíblica não significa um lugar («o espaço»), mas um modo de ser; não é o distanciamento de Deus, mas a sua majestade. O nosso Pai não está «algures», está «para além de tudo» o que podemos conceber da sua santidade. E é por ser três vezes santo que Ele está mesmo junto do coração humilde e contrito: «É com razão que estas palavras: “Pai nosso que estais nos céus” se referem ao coração dos justos, nos quais Deus habita como em seu templo. Por isso, também aquele que ora há-de desejar ver morar em si Aquele a quem invoca» (44). «Os “céus” também poderiam muito bem ser aqueles que trazem em si a imagem do mundo celeste e em quem Deus mora e passeia» (45). 2795. O símbolo dos céus remete-nos para o mistério da Aliança que nós vivemos, quando rezamos ao Pai. Ele está nos céus: é a sua morada. A casa do Pai é, pois, a nossa «pátria». Foi da terra da Aliança que o pecado nos exilou (46), e é para o Pai, para o céu, que a conversão do coração nos faz voltar (47). Ora, foi em Cristo que o céu e a terra se reconciliaram (48), porque o Filho «desceu do céu», sozinho, e para lá nos faz subir juntamente consigo, pela sua cruz, ressurreição e ascensão (49). 2796. Quando a Igreja reza «Pai nosso que estais nos céus», professa que somos o povo de Deus já sentado nos céus em Cristo Jesus (50) escondidos com Cristo em Deus (51) e que, ao mesmo tempo, «gememos nesta tenda, ansiando por revestir-nos da nossa habitação celeste» (2 Cor 5, 2) (52): Os cristãos «estão na carne, mas não vivem segundo a carne. Passam a vida na terra, mas são cidadãos do céu» (53). Resumindo: 2797. A confiança simples e fiel, a segurança humilde e alegre são as disposições que convêm a quem reza o Pai-Nosso. 2798. Podemos invocar Deus como «Pai», porque no-Lo revelou o Filho de Deus feito homem, em quem, pelo Baptismo, somos incorporados e adoptados como filhos de Deus. 2799. A oração do Senhor põe-nos em comunhão com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. E, ao mesmo tempo, revela-nos a nós mesmos (54). 2800. Rezar ao nosso Pai deve fazer crescer em nós a vontade de nos parecermos com Ele e criar em nós um coração humilde e confiante. 2801. Ao dizermos Pai «nosso», invocamos a Nova Aliança em Jesus Cristo, a comunhão com a Santíssima Trindade e a caridade divina que, através da Igreja, se estende às dimensões do mundo. 2802. A expressão «que estais nos céus» não designa um lugar, mas sim a majestade de Deus e a sua presença no coração dos justos. O céu, a Casa do Pai, constitui a verdadeira pátria, para onde caminhamos e à qual desde já pertencemos. ARTIGO 3 AS SETE PETIÇÕES 2803. Depois de nos termos posto na presença de Deus nosso Pai para O adorarmos, amarmos e bendizermos, o Espírito filial faz brotar dos nossos corações sete petições, que são sete bênçãos. As três primeiras, mais teologais, atraem-nos para a glória do Pai; as quatro últimas, como caminhos para Ele, expõem a nossa miséria à sua graça. «Abismo atrai abismo» (Sl 42, 8). 2804. O primeiro conjunto leva-nos até Ele, para Ele: o vosso nome, o vosso Reino, a vossa vontade! É próprio do amor pensar, em primeiro lugar, n’ Aquele que amamos. Em cada um dos três pedidos, nós não «nos» nomeamos, mas o que nos move é o «desejo ardente», é mesmo «a ânsia» do Filho bem-amado pela glória de seu Pai (55): «Santificado seja […]. Venha […]. Seja feita…». Estas três súplicas já foram atendidas no sacrifício de Cristo salvador, mas agora estão orientadas, na esperança, para o seu cumprimento final, enquanto Deus ainda não é tudo em todos (56). 2805. O segundo conjunto de petições segue a dinâmica de certas epicleses eucarísticas: é oferenda das nossas expectativas e atrai o olhar do Pai das misericórdias. Parte de nós e diz-nos respeito já agora, neste mundo: «Dai-nos […], perdoai-nos […], não nos deixeis […], livrai-nos…». A quarta e quinta petições dizem respeito à nossa vida, como tal, quer para a alimentar, quer para a curar do pecado. As duas últimas dizem respeito ao nosso combate pela vitória da vida, que é o próprio combate da oração. 2806. Pelas três primeiras petições, somos confirmados na fé, repletos de esperança e abrasados pela caridade. Criaturas e, para além disso, pecadores, devemos pedir por nós – um «nós» à medida do mundo e da história – que entregamos ao amor sem medida do nosso Deus. Pois é pelo nome do seu Cristo e pelo Reino do seu Espírito Santo que o nosso Pai realiza o seu desígnio de salvação para nós e para todo o mundo. I. «Santificado seja o vosso nome» 2807. A palavra «santificar» deve ser entendida, aqui, antes de mais, não no seu sentido causativo (só Deus santifica, torna santo), mas sobretudo num sentido estimativo: reconhecer como santo, tratar de um modo santo. É assim que, na adoração, esta invocação é por vezes entendida como louvor e acção de graças (57). Mas esta petição é-nos ensinada por Jesus na forma optativa: um pedido, um desejo, e expectativa na qual Deus e o homem estão empenhados. Desde a primeira petição ao nosso Pai, mergulhamos no mistério íntimo da sua divindade e no drama da salvação da nossa humanidade. Pedir-Lhe que o seu nome seja santificado é envolvermo-nos «no desígnio benevolente que Ele de antemão formou a nosso respeito» (Ef 1, 9), para que «sejamos santos e imaculados diante d’Ele, no amor» (Ef 1, 4). 2808. Nos momentos decisivos da sua economia, Deus revela o seu nome; mas revela-o realizando a sua obra. Ora esta obra só se realiza, para nós e em nós, se o seu nome for santificado por nós e em nós. 2809. A santidade de Deus é o foco inacessível do seu mistério eterno. Ao que dela se manifestou na criação e na história, a Escritura chama Glória, a irradiação da sua majestade (58). Ao fazer o homem «à sua imagem e semelhança» (Gn 1, 26), Deus «coroa-o de glória» (59), mas, ao pecar, o homem é «privado da glória de Deus» (60). Desde então, Deus vai manifestar a sua santidade revelando e dando o seu nome, para restaurar o homem «à imagem do seu Criador» (Cl 3, 10). 2810. Na promessa feita a Abraão e no juramento que a acompanha (61), Deus compromete-Se a Si mesmo, mas sem revelar o seu nome. É a Moisés que começa a revelá-Lo (62), e manifesta-O aos olhos de todo o povo salvando-o dos Egípcios: «revestiu-Se de glória» (Ex 15, 1). A partir da Aliança do Sinai, este povo é «seu» e deve ser uma «nação santa» (ou consagrada; em hebreu é a mesma palavra) (63), porque o nome de Deus habita nela. 2811. Ora, apesar da Lei santa que o Deus santo lhe deu e tornou a dar (64), e muito embora o Senhor, «por respeito pelo seu nome», usasse de paciência, o povo desviou-se do Santo de Israel e «profanou o seu nome entre as nações» (65). Por isso, os justos da Antiga Aliança, os pobres retornados do exílio e os profetas arderam de paixão pelo Nome. 2812. Finalmente, é em Jesus que o nome do Deus santo nos é revelado e dado, na carne, como salvador (66): revelado pelo que Ele é, pela sua Palavra e pelo seu sacrifício (67). É o coração da sua oração sacerdotal: «Pai santo, […] por eles Eu me consagro para que também eles sejam consagrados na verdade» (Jo 17, 19). Porque Ele próprio «santifica» o seu nome (68), é que Jesus nos «manifesta» o nome do Pai (69). No termo da sua Páscoa é que o Pai Lhe dá então o nome que está acima de todo o nome: Jesus é Senhor para glória de Deus Pai (70). 2813. Na água do Baptismo, nós fomos «purificados, santificados, justificados pelo nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus» (1 Cor 6, 11). Em toda a nossa vida, o nosso Pai chama-nos «à santidade» (1 Ts 4, 7) e, uma vez que é por Ele que nós estamos em Cristo Jesus, «o qual Se tornou para nós […] santidade» (1 Cor 1, 30), interessa à sua glória e à nossa vida que o seu nome seja santificado em nós e por nós. Tal é a urgência da nossa primeira petição. «Por quem poderia Deus ser santificado se é Ele próprio quem santifica? Mas porque Ele mesmo disse: “sede santos, porque Eu sou santo” (Lv 14, 44), nós que fomos santificados no Baptismo, pedimos e rogamos para perseverar no que começámos a ser. E isso nós o pedimos todos os dias. Precisamos de uma santificação quotidiana para que, incorrendo em faltas todos os dias, todos os dias sejamos delas purificados por uma santificação assídua […] Portanto, oramos para que esta santificação permaneça em nós» (71). 2814. Depende inseparavelmente da nossa vida e da nossa oração que o seu nome seja santificado entre as nações: «Pedimos a Deus que o seu nome seja santificado, porque é pela santidade que Ele salva e santifica toda a criação. […] Este é o nome que dá a salvação ao mundo perdido. Mas nós pedimos que este nome de Deus seja santificado em nós pela nossa actuação. Porque se nós agirmos bem, o nome de Deus é bendito; mas é blasfemado se agirmos mal. Escuta o que diz o Apóstolo: “O nome de Deus é blasfemado entre as nações, por causa de vós” (Rm 2, 24) 72. Nós, portanto, pedimos para merecermos ter nos nossos costumes tanta santidade, quanto é santo o nome de Deus» (73). «Quando dizemos: “Santificado seja o vosso nome”, pedimos que ele seja santificado em nós que estamos n’Ele, mas também nos outros, por quem a graça de Deus ainda está à espera, para nos conformarmos com o preceito que nos obriga a orar por todos, mesmo pelos nossos inimigos. É por isso que nós não dizemos expressamente: santificado seja o vosso nome “em nós”, porque pedimos que o seja em todos os homens» (74). 2815. Esta petição, que as inclui todas, é atendida pela oração de Cristo, como as restantes seis petições que se seguem. A oração que fazemos ao nosso Pai é nossa, se for rezada «em nome» de Jesus (75). Na sua oração sacerdotal, Jesus pede: «Pai santo, guarda em teu nome aqueles que Me deste» (Jo 17, 11). II. «Venha a nós o vosso Reino» 2816. No Novo Testamento, a mesma palavra « basileia» pode traduzir-se por realeza (nome abstracto), reino (nome concreto) ou reinado (nome de acção). O Reino de Deus está diante de nós. Aproximou-se no Verbo encarnado, foi anunciado através de todo o Evangelho, veio na morte e ressurreição de Cristo. O Reino de Deus vem desde a santa ceia e, na Eucaristia, está no meio de nós. O Reino virá na glória, quando Cristo o entregar a seu Pai: «É mesmo possível […] que o Reino de Deus signifique o próprio Cristo, a Quem todos os dias desejamos que venha e cuja Vinda queremos que aconteça depressa. Do mesmo modo que Ele é a nossa ressurreição, pois n’Ele ressuscitamos, assim também pode ser Ele próprio o Reino de Deus, porque n’Ele reinaremos» (76). 2817. Esta petição é o «Marana Tha», o clamor do Espírito e da esposa: «Vem, Senhor Jesus!»: «Mesmo que esta oração não nos tivesse imposto o dever de pedir a vinda deste Reino, teríamos espontaneamente soltado este grito, com pressa de irmos abraçar o objecto das nossas esperanças. As almas dos mártires, sob o altar de Deus, invocam o Senhor com grandes gritos: “Até quando, Senhor, até quando tardarás em pedir contas do nosso sangue aos habitantes da terra?” (Ap 6, 10). Eles devem, com efeito, alcançar justiça, no fim dos tempos. Apressa, portanto, Senhor, a vinda do Teu Reino!» (77). 2818. Na oração do Senhor, trata-se principalmente da vinda final do Reino de Deus pelo regresso de Cristo (78). Mas este desejo não distrai a Igreja da sua missão neste mundo, antes a empenha nela. Porque, desde o Pentecostes, a vinda do Reino é obra do Espírito do Senhor, «para continuar a sua obra no mundo e consumar toda a santificação» (79). 2819. «O Reino de Deus […] é justiça, paz e alegria no Espírito Santo» (Rm 14, 17). Os últimos tempos em que nos encontramos são os da efusão do Espírito Santo. Trava-se desde então um combate decisivo entre «a carne» e o Espírito (80): «Só um coração puro pode dizer com confiança: “Venha a nós o vosso Reino”. É preciso ter passado pela escola de Paulo para dizer: “Que o pecado deixe de reinar no vosso corpo mortal” (Rm 6, 12). Quem se conserva puro nos seus actos, pensamentos e palavras é que pode dizer a Deus: “Venha a nós o vosso Reino!”» (81). 2820. Discernindo segundo o Espírito, os cristãos devem distinguir entre o crescimento do Reino de Deus e o progresso da cultura e da sociedade em que estão inseridos. Esta distinção não é uma separação. A vocação do homem para a vida eterna não suprime, antes reforça, o seu dever de aplicar as energias e os meios recebidos do Criador no serviço da justiça e da paz neste mundo (82). 2821. Esta petição é feita e atendida na oração de Jesus (83), presente e eficaz na Eucaristia; ela produz o seu fruto na vida nova segundo as bem-aventuranças (84). III. «Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu» 2822. É vontade do nosso Pai «que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tm 2, 3-4). Ele «usa de paciência […], não querendo que ninguém se perca» (2 Pe 3, 9) (85). O seu mandamento, que resume todos os outros e nos diz toda a sua vontade, é que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou (86). 2823. Ele «manifestou-nos o mistério da sua vontade, segundo o bene­plácito que nele de antemão estabeleceu […]: instaurar todas as coisas em Cristo […]. Foi n’Ele também que fomos escolhidos como sua herança, predestinados de acordo com o desígnio daquele que tudo opera de acordo com a decisão da sua vontade» (Ef 1, 9-11). Nós pedimos com empenho que este plano benevolente se realize por completo na terra, como já se cumpre no céu. 2824. Foi em Cristo e pela sua vontade humana que a vontade do Pai se cumpriu perfeitamente e duma vez para sempre. Ao entrar neste mundo, Jesus disse: «Eu venho, […] ó Deus, para fazer a tua vontade» (Heb 10, 7) (87). Só Jesus pode dizer: «Faço sempre o que é do seu agrado» (Jo 8, 29). Na oração da sua agonia, Ele conforma-Se totalmente com esta vontade: «Não se faça a minha vontade, mas a tua» (Lc 22, 42) (88). Eis por que Jesus «Se entregou pelos nossos pecados […] consoante a vontade de Deus» (Gl 1, 4). «Em virtude dessa mesma vontade é que nós fomos santificados, pela oferenda do corpo de Jesus Cristo » (Heb 10, 10). 2825. Jesus, «apesar de ser Filho, aprendeu, por aquilo que sofreu, o que é obedecer» (Heb 5, 8). Com quanto mais razão nós, criaturas e pecadores, que n’Ele nos tornamos filhos de adopção! Nós pedimos ao nosso Pai que una a nossa vontade à do seu Filho, para que se cumpra a vontade d’Ele, o seu plano de salvação para a vida do mundo. Somos radicalmente impotentes para tal, mas unidos a Jesus e com o poder do seu Espírito Santo, podemos entregar-Lhe a nossa vontade e decidir escolher o que o seu Filho sempre escolheu: fazer o que é do agrado do Pai (89): «Aderindo a Cristo, podemos tornar-nos um só espírito com Ele e assim cumprir a sua vontade; desse modo, ela será feita na terra como no céu» (90). «Considerai como Jesus Cristo nos ensina a ser humildes, fazendo-nos ver que a nossa virtude não depende só do nosso trabalho, mas da graça de Deus. Aqui, Ele ordena a todo o fiel que ora a fazê-lo de modo universal, por toda a terra. Porque não diz “seja feita a vossa vontade” em mim ou em vós, mas “em toda a terra”: para que dela seja banido o erro e nela reine a verdade, o vício seja destruído e a virtude refloresça, e para que a terra deixe de ser diferente do céu» (91). 2826. É pela oração que podemos discernir qual é a vontade de Deus (92) e obter perseverança para a cumprir (93). Jesus ensina-nos que se entra no Reino dos céus, não por palavras, mas «fazendo a vontade do meu Pai que está nos céus» (Mt 7, 21). 2827. «Se alguém honrar a Deus e cumprir a sua vontade, Ele o atende» (Jo 9, 31) (94). Tal é o poder da oração da Igreja feita em nome do seu Senhor, sobretudo na Eucaristia; ela é comunhão de intercessão com a santíssima Mãe de Deus (95) e com todos os santos que foram «agradáveis» ao Senhor por não terem querido senão a sua vontade: «Podemos ainda, sem trair a verdade, traduzir estas palavras: “seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu” por estoutras: na Igreja como em nosso Senhor Jesus Cristo; na esposa que Lhe foi desposada, como no esposo que cumpriu a vontade do Pai» (96). IV. «O pão nosso de cada dia nos dai hoje» 2828. «Dai-nos»: como é bela a confiança dos filhos, que tudo esperam do Pai! «Ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e chover sobre justos e injustos» (Mt 5, 45); dá a todos os seres vivos «de comer a seu tempo» (Sl 104, 27). É Jesus quem nos ensina esta petição que, de facto, glorifica o nosso Pai porque é o reconhecimento de quanto Ele é bom, acima de toda a bondade. 2829. «Dai-nos» é também expressão da Aliança: nós somos d’Ele e Ele é nosso, é para nós. Mas este «nós» reconhece-O também como Pai de todos os homens, e nós pedimos-Lhe por todos, solidários com as suas necessidades e os seus sofrimentos. 2830. «O pão nosso». O Pai que nos dá a vida não pode deixar de nos dar o alimento necessário para a vida e todos os bens «convenientes», materiais e espirituais. No sermão da montanha, Jesus insiste nesta confiança filial que coopera com a providência do nosso Pai (97). Não nos incita a qualquer espécie de passividade (98), mas quer libertar-nos de toda a inquietação ansiosa e de qualquer preocupação. Assim é o abandono filial dos filhos de Deus: «Àqueles que procuram o Reino e a justiça de Deus, Ele promete dar tudo por acréscimo. Com efeito, tudo pertence a Deus: nada faltará àquele que possui a Deus se ele próprio não faltar a Deus»(99). 2831. Mas a presença daqueles que têm fome por falta de pão revela outra profundidade desta petição. O drama da fome no mundo chama os cristãos que oram com sinceridade a assumir uma responsabilidade efectiva em relação aos seus irmãos, tanto nos seus comportamentos pessoais como na solidariedade para com a família humana. Esta petição da oração do Senhor não pode ser isolada das parábolas do pobre Lázaro (100) e do Juízo final (101). 2832. Tal como o fermento na massa, a novidade do Reino deve levedar a terra com o Espírito de Cristo (102). Há-de manifestar-se pela instauração da justiça nas relações pessoais e sociais, económicas e internacionais, sem nunca esquecer que não há nenhuma estrutura justa sem homens que queiram ser justos. 2833. Trata-se do «nosso» pão, de «um» para «muitos». A pobreza das bem-aventuranças é a virtude da partilha. Ela convida a comunicar e a partilhar os bens materiais e espirituais, não por coacção, mas por amor, para que a abundância de uns remedeie às necessidades dos outros (103). 2834. «Ora e trabalha» (104). «Orai como se tudo dependesse de Deus, e trabalhai como se tudo dependesse de vós» (105). Tendo nós feito o nosso trabalho, o alimento continua a ser uma dádiva do nosso Pai; é bom pedir-Lho dando-Lhe graças por ele. Tal o sentido da bênção da mesa numa família cristã. 2835. Esta petição e a responsabilidade que comporta valem também para outra fome de que os homens morrem: «O homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca do Deus» (Mt 4, 4) (106), quer dizer, da sua Palavra e do seu Sopro. Os cristãos devem mobilizar todos os esforços para «anunciar o Evangelho aos pobres». Há uma fome na terra que «não é fome de pão nem sede de água, mas de ouvir a Palavra do Senhor» (Am 8, 11). É por isso que o sentido especificamente cristão desta quarta petição tem a ver com o Pão da Vida: a Palavra de Deus, que deve ser acolhida na fé, e o corpo de Cristo, recebido na Eucaristia (107). 2836. «Hoje» é outra expressão de confiança. É o Senhor que no-la ensina (108); a nossa presunção não poderia inventá-la. Tratando-se sobretudo da sua Palavra e do corpo do seu Filho, este «hoje» não é somente o do nosso tempo mortal: é o «Hoje» de Deus: «Se em cada dia recebes o pão, cada dia é hoje para ti. Se Cristo é para ti hoje, todos os dias Ele ressuscita para ti. Como é isso? “Tu és o Meu Filho, Eu hoje Te gerei” (Sl 2, 7). Hoje quer dizer: quando Cristo ressuscita» (109). 2837. «De cada dia». Esta palavra «epioúsios» não é usada em mais lado nenhum no Novo Testamento. Tomada num sentido temporal, é uma repetição pedagógica do «hoje» (110) para nos confirmar numa confiança «sem reservas». Tomada no sentido qualitativo, significa o necessário para a vida e, de um modo mais abrangente, todo o bem suficiente para a subsistência (111). Tomada à letra (epioúsios, «sobre-substancial»), designa directamente o Pão da Vida, o corpo de Cristo, «remédio de imortalidade» (112), sem o qual não temos a vida em nós (113). Enfim, ligado ao antecedente, é evidente o sentido celestial: «este dia» é o do Senhor, o do banquete do Reino, antecipado na Eucaristia que é já o antegozo do Reino que vem. É por isso conveniente que a liturgia Eucarística seja celebrada em «cada dia». «A Eucaristia é o nosso pão de cada dia […]. A virtude própria deste alimento é a de realizar a unidade a fim de que, reunidos no corpo de Cristo, tornados seus membros, sejamos o que recebemos. […] E também são pão de cada dia as leituras que em cada dia ouvis na igreja; e os hinos que escutais e cantais, são pão de cada dia. Estes são os mantimentos necessários para a nossa peregrinação» (114). O Pai celeste exorta-nos a pedir, como filhos do céu, o Pão celeste (115). Cristo «é Ele mesmo o Pão que, semeado na Virgem, levedado na carne, amassado na paixão, cozido no forno do sepulcro, guardado em reserva na Igreja, levado aos altares, fornece cada dia aos fiéis um alimento celeste» (116). V. «Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido» 2838. Esta petição é surpreendente. Se comportasse somente o primeiro membro da frase – «Perdoai-nos as nossas ofensas» – poderia estar incluída implicitamente nas três primeiras petições da oração do Senhor, pois que o sacrifício de Cristo é «para a remissão dos pecados». Mas, de acordo com o segundo membro da frase, a nossa petição não será atendida sem que primeiro tenhamos satisfeito uma exigência. É uma petição voltada para o futuro e a nossa resposta deve tê-la precedido; liga-as uma expressão: «assim como». «PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS»… 2839. Começámos a orar ao nosso Pai com um sentimento de audaciosa confiança. Suplicando-Lhe que o seu nome seja santificado, pedimos-Lhe para sermos cada vez mais santificados. Mas, apesar de revestidos da veste baptismal, não deixámos de pecar, de nos desviar de Deus. Agora, nesta nova petição, voltamos para Ele, como o filho pródigo (117), e reconhecemo-nos pecadores na sua presença, como o publicano (118). A nossa petição começa por uma «confissão» na qual, ao mesmo tempo, confessamos a nossa miséria e a sua misericórdia. A nossa esperança é firme, pois que em seu Filho «nós temos a redenção, a remissão dos nossos pecados» (Cl 1, 14) (119). E encontramos nos sacramentos da sua Igreja o sinal eficaz e indubitável do seu perdão (120). 2840. Ora, e isso é temível, esta onda de misericórdia não pode penetrar nos nossos corações enquanto não tivermos perdoado àqueles que nos ofenderam. O amor, como o corpo de Cristo, é indivisível: nós não podemos amar a Deus, a quem não vemos, se não amarmos o irmão ou a irmã, que vemos (121). Recusando perdoar aos nossos irmãos ou irmãs, o nosso coração fecha-se, a sua dureza torna-o impermeável ao amor misericordioso do Pai. Na confissão do nosso pecado, o nosso coração abre-se à sua graça. 2841. Esta petição é tão importante que é a única na qual o Senhor volta a insistir, desenvolvendo-a no sermão da montanha (122). Esta exigência crucial do mistério da Aliança é impossível para o homem. Mas «a Deus tudo é possível» (Mt 19, 26). «ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO» 2842. Este «como» não é único no ensinamento de Jesus. «Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito» (Mt 5, 48); «sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso» (Lc 6, 36); «dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 13, 34). Observar o mandamento do Senhor é impossível, quando se trata de imitar, do exterior, o modelo divino. Trata-se duma participação vital, vinda «do fundo do coração», na santidade, na misericórdia e no amor do nosso Deus. Só o Espírito, que é «nossa vida» (Gl 5, 25), pode fazer «nossos» os mesmos sentimentos que existiram em Cristo Jesus (123). Então, a unidade do perdão torna-se possível, «perdoando-nos mutuamente como Deus nos perdoou em Cristo» (Ef 4, 32). 2843. Assim ganham vida as palavras do Senhor sobre o perdão, sobre este amor que ama até ao extremo do amor (124). A parábola do servo desapiedado, que conclui o ensinamento do Senhor sobre a comunhão eclesial (125), termina com estas palavras: «Assim procederá convosco o meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão do fundo do coração». É aí, de facto, «no fundo do coração», que tudo se ata e desata. Não está no nosso poder deixar de sentir e esquecer a ofensa; mas o coração que se entrega ao Espírito Santo muda a ferida em compaixão e purifica a memória, transformando a ofensa em intercessão. 2844. A oração cristã vai até ao perdão dos inimigos (126). Transfigura o discípulo, configurando-o com o seu Mestre. O perdão é o cume da oração cristã; o dom da oração só pode ser recebido num coração em sintonia com a compaixão divina. O perdão testemunha também que, no nosso mundo, o amor é mais forte que o pecado. Os mártires de ontem e de hoje dão este testemunho de Jesus. O perdão é a condição fundamental da reconciliação (127) dos filhos de Deus com o seu Pai e dos homens entre si (128). 2845. Não há limite nem medida para este perdão essencialmente divino (129). Quando se trata de ofensas (de «pecados», segundo Lc 11, 4, ou de «dívidas» segundo Mt 6, 12), de facto nós somos sempre devedores: «Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor de uns para com os outros» (Rm 13, 8). A comunhão da Santíssima Trindade é a fonte e o critério da verdade de toda a relação (130). E é vivida na oração, sobretudo na Eucaristia (131): «Deus não aceita o sacrifício do dissidente e manda-o retirar-se do altar e reconciliar-se primeiro com o irmão: só com orações pacíficas se podem fazer as pazes com Deus. O maior sacrifício para Deus é a nossa paz, a concórdia fraterna e um povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (132). VI. «Não nos deixeis cair em tentação» 2846. Esta petição atinge a raiz da precedente, porque os nossos pecados são fruto do consentimento na tentação. Nós pedimos ao nosso Pai que não nos «deixe cair» na tentação. Traduzir numa só palavra o termo grego é difícil. Significa «não permitas que entre em» (133), «não nos deixes sucumbir à tentação». «Deus não é tentado pelo mal, nem tenta ninguém» (Tg 1, 13). Pelo contrário, Ele quer livrar-nos do mal. O que Lhe pedimos é que não nos deixe seguir pelo caminho que conduz ao pecado. Nós andamos empenhados no combate «entre a carne e o Espírito». Esta petição implora o Espírito de discernimento e de fortaleza. 2847. O Espírito Santo permite-nos discernir entre a provação, necessária ao crescimento do homem interior (134) em vista duma virtude «comprovada» (135) e a tentação que conduz ao pecado e à morte (136). Devemos também distinguir entre «ser tentado» e «consentir» na tentação. Finalmente, o discernimento desmascara a mentira da tentação: aparentemente, o seu objecto é «bom, agradável à vista, desejável» (Gn 3, 6), quando, na realidade, o seu fruto é a morte. «Deus não quer impor o bem, quer seres livres […]. Para alguma coisa serve a tentação. Ninguém, senão Deus, sabe o que a nossa alma recebeu de Deus, nem nós próprios. Mas a tentação manifesta-o para nos ensinar a conhecermo-nos e desse modo descobrir a nossa miséria e obrigar-nos a dar graças pelos bens que a tentação nos manifestou» (137). 2848. «Não entrar em tentação» implica uma decisão do coração: «Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração […] Ninguém pode servir a dois senhores» (Mt 6, 21, 24). «Se vivemos pelo Espírito, caminhemos também segundo o Espírito» (Gl 5, 25). É neste «consentimento» ao Espírito Santo que o Pai nos dá a força. «Não vos surpreendeu nenhuma tentação que tivesse ultrapassado a medida humana. Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças, mas, com a tentação, vos dará os meios de sair dela e a força para a suportar» (1 Cor 10, 13). 2849. Ora um tal combate e uma tal vitória só são possíveis pela oração. Foi pela oração que Jesus venceu o Tentador desde o princípio (138) e no último combate da sua agonia (139). Foi ao seu combate e à sua agonia que Cristo nos uniu nesta petição ao nosso Pai. A vigilância do coração é lembrada com insistência (140) em comunhão com a sua. A vigilância é a «guarda do coração» e Jesus pede ao Pai que «nos guarde em seu nome» (141). O Espírito Santo procura incessantemente despertar-nos para esta vigilância (142). Esta petição adquire todo o seu sentido dramático, quando relacionada com a tentação final do nosso combate na terra: ela pede a perseverança final. «Olhai que vou chegar como um ladrão: feliz de quem estiver vigilante!» (Ap 16, 15). VII. «Mas livrai-nos do Mal» 2850. A última petição ao nosso Pai também está incluída na oração de Jesus: «Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno» (Jo 17, 15). Ela diz-nos respeito, a cada um pessoalmente, mas somos sempre «nós» que rezamos, em comunhão com toda a Igreja, pela libertação de toda a família humana. A oração do Senhor não cessa de nos abrir às dimensões da economia da salvação. A nossa interdependência no drama do pecado e da morte transforma-se em solidariedade no corpo de Cristo, em «comunhão dos santos» (143). 2851. Nesta petição, o Mal não é uma abstracção, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus. O «Diabo» («dia-bolos») é aquele que «se atravessa» no desígnio de Deus e na sua «obra de salvação» realizada em Cristo. 2852. «Assassino desde o princípio, […] mentiroso e pai da mentira» (Jo 8, 44), «Satanás, que seduz o universo inteiro» (Ap 12, 9), foi por ele que o pecado e a morte entraram no mundo, e é pela sua derrota definitiva que toda a criação será «liberta do pecado e da morte» (144). «Sabemos que ninguém que nasceu de Deus peca, porque o preserva Aquele que foi gerado por Deus, e o Maligno, assim, não o atinge. Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro está sujeito ao Maligno» (1 Jo 5, 18-19): «O Senhor, que tirou o vosso pecado e perdoou as vossas faltas, tem poder para vos proteger e guardar contra as insídias do Diabo que vos combate, para que não vos surpreenda o inimigo que tem o hábito de engendrar a culpa. Mas quem a Deus se entrega não tem medo do Diabo. Porque “se Deus está por nós, quem contra nós?” (Rm 8, 31)» (145). 2853. A vitória sobre o «príncipe deste mundo» (146) foi alcançada, duma vez para sempre, na «Hora» em que Jesus livremente Se entregou à morte para nos dar a sua vida. Foi o julgamento deste mundo, e o príncipe deste mundo foi «lançado fora» (147). «Pôs-se a perseguir a Mulher»(Ap 12, 13) (148), mas não logrou alcançá-la: a nova Eva, «cheia da graça» do Espírito Santo, foi preservada do pecado e da corrupção da morte (Imaculada Conceição e Assunção da santíssima Mãe de Deus, Maria, sempre Virgem). Então, «furioso contra a Mulher, foi fazer guerra contra o resto da sua descendência» (Ap 12, 17). Eis porque o Espírito e a Igreja rogam: «Vem, Senhor Jesus!» (Ap 22, 17.20), já que a sua vinda nos libertará do Maligno. 2854. Ao pedirmos para sermos libertados do Maligno, pedimos igualmente para sermos livres de todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou instigador. Nesta última petição, a Igreja leva à presença do Pai toda a desolação do mundo. Com a libertação dos males que pesam sobre a humanidade, a Igreja implora o dom precioso da paz e a graça da espera perseverante do regresso de Cristo. Orando assim, antecipa na humildade da fé a recapitulação de todos e de tudo, n’Aquele que «tem as chaves da morte e da morada dos mortos» (Ap 1, 18), «Aquele que é, que era e que há-de vir, o Todo-Poderoso» (Ap 1, 8) (149): «Livrai-nos de todo o mal, Senhor, e dai ao mundo a paz em nossos dias, para que, ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e de toda a perturbação, enquanto esperamos a vinda gloriosa de Jesus Cristo nosso Salvador» (150) A DOXOLOGIA FINAL 2855. A doxologia final – «Porque Vosso é o Reino, o poder e a glória» – retoma, por inclusão, as três primeiras petições do Pai-nosso: a glorificação do seu nome, a vinda do seu Reino e o poder da sua vontade salvífica. Mas esta repetição faz-se agora sob a forma de acção de graças, como na liturgia celeste (151). O príncipe deste mundo tinha-se atribuído mentirosamente este três títulos de realeza, de poder e de glória (152). Cristo, o Senhor, restitui-os ao seu e nosso Pai, até que Ele Lhe entregue o Reino, quando estiver definitivamente consumado o mistério da salvação e Deus for tudo em todos (153). 2856. «Depois, acabada a oração, dizes: Ámen, subscrevendo com esta palavra, que significa «Assim seja» (154), o conteúdo desta oração que Deus nos ensinou» (155). Resumindo: 2857. No «Pai-nosso», as três primeiras petições têm por objecto a glória do Pai: a santificação do Nome, a vinda do Reino e o cumprimento da divina vontade. As outras quatro petições apresentam-Lhe os nossos desejos: pedidos concernentes à nossa vida para a alimentar ou para a curar do pecado, ou relativos ao nosso combate para a vitória do Bem sobre o Mal. 2858. Ao pedirmos: «santificado seja o vosso nome», entramos no desígnio de Deus, que é a santificação do seu nome – revelado a Moisés e depois em Jesus – por nós e em nós, bem como em todas as nações e em cada homem. 2859. Na segunda petição, a Igreja tem em vista principalmente o regresso de Cristo e a vinda final do reinado de Deus. Reza também pelo crescimento do Reino de Deus no «hoje» das nossas vidas. 2860. Na terceira petição, pedimos ao Pai que una a nossa vontade à do Seu Filho para cumprir o seu desígnio de salvação na vida do mundo. 2861. Na quarta petição, ao dizer «dai-nos», exprimimos, em comunhão com os nossos irmãos, a nossa confiança filial no nosso Pai dos céus. «O pão nosso» designa o alimento terrestre necessário à subsistência de nós todos, mas também significa o Pão da Vida: a Palavra de Deus e o Corpo de Cristo. Ele é recebido no «Hoje» de Deus, como alimento indispensável e (sobre) substancial do banquete do Reino, antecipado na Eucaristia. 2862. A quinta petição implora para as nossas ofensas a misericórdia de Deus, a qual não pode penetrar no nosso coração sem nós termos sido capazes de perdoar aos nossos inimigos, a exemplo e com a ajuda de Cristo. 2863. Ao dizermos: «não nos deixeis cair em tentação», pedimos a Deus que não permita que enveredemos pelo caminho que conduz ao pecado. Esta petição implora o Espírito de discernimento e de fortaleza; solicita a graça da vigilância e a perseverança final. 2864. Na última petição: «mas livrai-nos do Mal», o cristão roga a Deus, com a Igreja, que manifeste a vitória, já alcançada por Cristo, sobre o «príncipe deste mundo», Satanás, o anjo que se opõe pessoalmente a Deus e ao seu plano de salvação. 2865. Pelo «Ámen» final, exprimimos o nosso «fiat» em relação às sete petições: «Assim seja…». 1. Cf. Lc 11, 2-4. 2 Cf. Mt 6, 9-13. 3. Didakê 8, 2: SC 248, 174 (Funk, Patres apostolici 1, 20) 4. Constitutiones apostolicae 7, 24, 1: SC 336, 174 (Fink, Didascalia et Constitutiones Apostolorum 1, 410). 5. Cf. Rito da Comunhão, [Embolismo]: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 472 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 545]. 6. Cf. Tt 2, 13. 7. Tertuliano, De Oratione, 1, 6: CCL 1, 258 (PL 1, 1255). 8. Tertuliano, De Oratione, 10: CCL 1, 263 (PL 1, 1268-1269). 9. Santo Agostinho, Epistula 130, 12, 22: CSEL 44, 66 (PL 33, 502). 10. Cf. Lc 24, 44. 11. Cf. Mt 5-7. 12. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2, q. 83, a. 9, c: Ed. Leon. 9, 201. 13. Cf. Jo 17, 7. 14 Cf. Mt 6, 7; 1 Rs 18, 26-29. 15. Didakê 8, 3: SC 284, 174 (Funk, Patres Apostolici, 1, 20). 16. São João Crisóstomo, In Matthaeum, homilia 19, 4: PG 57, 278. 17. Cf. 1 Pe 2, 1-10. 18. Cf. Cl 3, 4. 19. Tertuliano, De oratione, 1, 6: CCL 1, 258 (PL 1, 1255). 20. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2, q. 83, a. 9, c: Ed. Leon. 9, 201. 21. São Pedro Crisólogo, Sermão 71, 3: CCL 24A, 425 (PL 52, 401). 22. Cf. Ef 3, 12; Heb 3, 6; 4, 16; 10, 19; 1 Jo 2, 28; 3, 21; 5, 14. 23. Tertuliano, De oratione, 3, 1: CCL 1, 258-259 (PL 1, 1257). 24. Cf. Jo 1, 1. 11 25. Cf. 1 Jo 5, 1. 26. Cf. 1 Jo 1, 3. 27. São Cirilo de Jerusalém, Catecheses mystagogicae, 3, 1: SC 126, 120 (PG 33, 1088). 28. São Cipriano de Catargo, De dominica oratione, 9: CCL 3A, 94 (PL 4, 541). 29. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042. 30. Santo Ambrósio, De sacramentas, 5, 19: CSEL 73, 66 (PL 16, 450). 31. São Cirpiano de Cartago, De dominica oratione, 11: CCL 3A, 96 (PL 4, 543). 32. São João Crisóstomo, De angusta porta et in Orationem dominicam, 3: PG 51, 44. 33. São Gregório de Nissa, Homiliae in Orationem dominicam, 2: Gregorii Nysseni opera, ed. W. Jaeger-H. Langerbeck, v. 7/2 (leiden 1992) p. 30 (PG 44, 1148). 34. São João Cassiano, Conlatio, 9, 18, 1: CSEL 13, 265-266 (PL 49, 788). 35. Santo Agostinho, De sermone Domini in monte, 2, 4, 16: CCL 35, 106 (PL 34, 1276). 36. Cf. Os 2, 21-22; 6, 1-6. 37. Cf. Jo 1, 17. 38. Cf. 1 Jo 5, 1; Jo 3, 5. 39. Cf. Ef 4, 4-6. 40. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 8: AAS 57 (1965) 98; Ibid., 22: AAS 57 (1965) 105-106. 41. Cf. Mt 5, 23-24; 6, 14-15. 42. Cf. II Concílio do Vaticano, Decl. Nostra aetate, 5: AAS 58 (1966) 743-744. 43. Cf. Jo 11, 52. 44. Santo Agostinho, De sermone Domini in monte, 2, 5, 18: CCL 35, 108-109 (PL 34, 1277). 45. São Cirilo de Jerusalém, Catecheses mystagogicae, 5, 11: SC 126, 160 (PG 33, 1117). 46. Cf. Gn 3. 47. Cf. Jr 3, 19 – 4, 1 a; Lc 15, 18.21. 48. Cf. Is 45, 8; Sl 85, 12. 49. Cf. Jo 12, 32; 14, 2-3; 16, 28; 20, 17; Ef 4, 9-10; Heb 1, 3; 2, 13. 50. Cf. Ef 2, 6. 51. Cf. Cl 3, 3. 52. Cf. Fl 3, 21; Heb 13, 14. 53. Epístola a Diogneto, 5, 8-9: SC 33, 62-64 (Funk, 1, 398). 54. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042. 55. Cf. Lc 22, 15; 12, 50. 56. Cf. 1 Cor 15, 28. 57. Cf. Sl 111, 9; Lc 1, 49. 58. Sl 8; Is 6, 3. 59. Cf. Sl 8, 6. 60. Cf. Rm 3, 23. 61. Cf. Heb 6, 13. 62. Cf. Ex 3, 14. 63. Cf. Ex 19, 5-6. 64. Cf. Lv 19, 2: «Sede santos, porque Eu, o Senhor vosso Deus, sou santo». 65. Cf. Ez 20; 36. 66. Cf. Mt 1, 21; Lc 1, 31. 67. Cf. Jo 8, 28; 17, 8; 17, 17-19. 68. Cf. Ez 20, 39; 36, 20-21. 69. Cf. Jo 17, 6. 70. Cf. Fl 2, 9-11. 71. São Cipriano de Cartago, De dominica oratione, 12: CCL 3A, 96-97 (PL 4, 544). 72. Cf. Ez 36, 20-22. 73. São Pedro Crisólogo, Sermão 71, 4: CCL 24A, 425 (PL 52, 402). 74. Tertuliano, De oratione, 3, 4: CCL 1, 259 (PL 1, 1259). 75. Cf. Jo 14, 13; 15, 16; 16, 24.26. 76. São Cipriano de Cartago, De dominica oratione, 13: CCL 3A, 97 (PL 4, 545). 77. Tertuliano, De oratione, 5, 2-4: CCL 1, 260 (PL I, 1261-1262). 78. Cf. Tt 2, 13. 79. Cf. Oração Eucarística IV, 118: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 468 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 539]. 80. Cf. Gl 5, 16-25. 81. São Cirilo de Jerusalém, Catecheses mystagogicae, 5, 13: SC 126, 162 (PG 33, 1120). 82. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042-1044; Ibid., 32: AAS 58 (1966) 1057; Ibid., 45: AAS 58 (1966) 1065-1066; Paulo VI, Ex. ap. Evangelii nuntiandi, 31: AAS 68 (1976) 26-27. 83. Cf. Jo 17, 17-20. 84. Cf. Mt 5, 13-16; 6, 24; 7, 12-13. 85. Cf. Mt 18, 14. 86. Cf. Jo 13, 34; 1 Jo 3; 4; Lc 10, 25-37. 87. Cf. Sl 40, 8-9. 88. Cf. Jo 4, 34; 5, 30; 6, 38. 89. Cf. Jo 8, 29. 90. Orígenes, De oratione, 26, 3: GCS 3, 361 (PG 11, 501). 91. São João Crisóstomo, In Matthaeum homilia l9, 5: PG 57, 280. 92. Cf. Rm 12, 2; Ef 5, 17. 93. Cf. Heb 10, 36. 94. Cf. 1 Jo 5, 14. 95. Cf. Lc 1, 38.49. 96. Santo Agostinho, De sermone Domini in monte, 2, 6, 24: CCL 35, 113 (PL34, 1279). 97. Cf. Mt 6, 25-34. 98. Cf. 2 Ts 3, 6-13. 99. São Cipriano de Cartago, De dominica oratione, 21: CCL 3A, 103 (PL 4, 551). 100. Cf. Lc 16, 19-31. 10.1 Cf. Mt 25, 31-46. 102. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Apostolicam actuositatem, 5: AAS 58 (1966) 842. 103. Cf. 2 Cor 8, 1-15. 104. Da tradição beneditina. Cf. São Bento, Regra 20;48: CSEL 75, 75-76.114-119 (PL 66, 479-480.703-704). 105. Dito atribuído a Santo Inácio de Loyola; cf. Petrus de Ribadeneyra, Tractatus de modo gubernandi sancti Ignatii, c. 6, 14: MHSI 85, 631. 106. Cf. Dt 8, 3. 107. Cf. Jo 6, 26-58. 108. Cf. Mt 6, 34; Ex 16, 19. 109. Santo Ambrósio, De Sacramentis, 5, 26: CSEL 73, 70 (PL 16, 453). 110. Cf. Ex 16, 19-21. 111. Cf. 1 Tm 6, 8. 112. Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Ephesios 20, 2: SC 10bis, 76 (Funk 1, 230). 113. Cf. Jo 6, 53-56. 114. Santo Agostinho, Sermão 57, 7, 7: PL 38, 389-390. 115. Cf. Jo 6, 51. 116. São Pedro Crisólogo, Sermão 67, 7: CCL 24A, 404-405 (PL52, 402). 117. Cf. Lc 15, 11-32. 118. Cf. Lc 18, 13. 119. Cf. Ef 1, 7. 120. Cf. Mt 26, 28; Jo 20, 23. 121. Cf. 1 Jo 4, 20. 122. Cf. Mt 5, 23-34; 6, 14-15; Mc 11, 25. 123. Cf. Fl 2, 1.5. 124. Cf. Jo 13, 1. 125. Cf. Mt 18, 23-35. 126. Cf. Mt 5, 43-44. 127. Cf. 2 Cor 5, 18-21. 128. Cf. João Paulo II, Enc. Dives in misericordia, 14: AAS 72 (1980) 1221-1228. 129 Cf. Mt 18, 21-22; Lc 17, 3-4. 130. Cf. 1 Jo 3, 19-24. 131. Cf. Mt 5, 23-24. 132. São Cipriano de Cartago, De dominica oratione, 23: CCL 3A, 105 (PL 4, 535-536). 133. Cf. Mt 26, 41. 134. Cf. Lc 8, 13-15; Act 14, 22; 2 Tm 3, 12. 135. Cf. Rm 5, 3-5. 136. Cf. Tg 1, 14-15. 137. Orígenes, De oratione, 29, 15 e 17: GCS 3, 390-391 (PG 11, 541-544). 138. Cf. Mt 4, 1-11. 139. Cf. Mt 26, 36-44. 140. Cf. Mc 13, 9.23.33-37; 14, 38; Lc 12, 35-40. 141. Cf. Jo 17, 11. 142. Cf. 1 Cor 16, 13; Cl 4, 2; 1 Ts 5, 6; 1 Pe 5, 8. 143. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Reconciliatio et paenitentia, 16: AAS 77 (1985) 214-215. 144. Oração eucarística IV, 123: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 471 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 543]. 145. Santo Ambrósio, De sacramentis, 5, 30: CSEL 73, 71-72 (PL 16, 454). 146. Cf. Jo 14, 30. 147. Cf. Jo 12, 31; Ap 12, 10. 148. Cf. Ap 12, 13-16. 149. Cf. Ap 1, 4. 150. Rito da Comunhão [Embolismo]: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 472 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 545]. 151. Cf. Ap 1, 6; 4, 11; 5, 13. 152. Cf. Lc 4, 5-6. 153. Cf. 1 Cor 15, 24-28. 154. Cf. Lc 1, 38. 155. São Cirilo de Jerusalém, Catecheses mystagogicae, 5, 18: SC 126, 168 (PG 33, 1124). #SEGUNDASECÇÃO27592865 #fé #catecismodaigrejacatólica #QUARTAPARTEAORAÇÃOCRISTÃ #catecismo

  • Estudante é impedida de fazer prova do Enem usando objetos religiosos

    Ela foi obrigada a retirar uma pulseira em formato de terço e um escapulário que estava usando; supervisora teria argumentado que “a prova é laica” Segundo o site Aleteia, em uma matéria intitulada Estudante é impedida de fazer o Enem usando objetos religiosos, A mãe de uma estudante usou as redes sociais para fazer um desabafo: a filha dela foi impedida de usar uma pulseira em formato de terço e um escapulário durante a segunda prova do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). O caso aconteceu em uma escola – que serve como local de prova – na Vila Mariana, em São Paulo. De acordo com a publicação, a supervisora da sala pediu para que a estudante retirasse os acessórios religiosos que estava usando. Além disso, a fiscal teria argumentado que “a prova é laica”. A mãe da estudante, Cristina Mariotti, explicou: “Hoje fomos buscar nossa filha após o 2o dia do ENEM, à R. Doutor Álvaro Alvim, 90 – Vila Mariana. Ao entrar no carro ela nos informou que a supervisora da sala pediu que ela retirasse a pulseira de prata em formato de terço e o escapulário pra fazer a prova pois, segundo afirmação da supervisora, A PROVA É LAICA!!!!!! Mesmo questionando o porquê desta atitude e uma vez que, no domingo passado não houve nenhuma solicitação, minha filha acabou cedendo e tirou… AGORA EU PERGUNTO: ISTO TEM FUNDAMENTO?” O fato gerou revolta entre os católicos, que comentaram na publicação de Cristina Mariotti. Muitos falam em perseguição religiosa, já que na primeira prova a estudante usava os mesmos acessórios e não precisou retirá-los para seguir fazendo o exame. O que não pode no Enem O site do Ministério da Educação tem uma seção em que informa o que é permitido e o que é proibido durante a realização das provas do Enem. Tanto o site quanto o edital do Enem não mencionam a proibição de artigos religiosos por parte dos estudantes. Os materiais que os participantes não podem portar durante a prova, de acordo com o MEC, são os seguintes: Óculos escuros e artigos de chapelaria, como boné, chapéu, viseira, gorro ou similares; Caneta de material não transparente, lápis, lapiseira, borrachas, réguas, corretivos; Livros, manuais, impressos, anotações; Protetor auricular; Relógio de qualquer tipo; Quaisquer dispositivos eletrônicos, como telefones celulares, smartphones, tablets, wearable tech, máquinas calculadoras, agendas eletrônicas e/ou similares, ipods®, gravadores, pen drive, mp3 e/ou similar; Alarmes, chaves com alarme ou com qualquer outro componente eletrônico; Fones de ouvido e/ou qualquer transmissor, gravador e/ou receptor de dados, imagens, vídeos e mensagens.

  • Estudante é impedida de fazer prova do Enem usando objetos religiosos

    Ela foi obrigada a retirar uma pulseira em formato de terço e um escapulário que estava usando; supervisora teria argumentado que “a prova é laica” Segundo o site Aleteia, em uma matéria intitulada Estudante é impedida de fazer o Enem usando objetos religiosos, A mãe de uma estudante usou as redes sociais para fazer um desabafo: a filha dela foi impedida de usar uma pulseira em formato de terço e um escapulário durante a segunda prova do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). O caso aconteceu em uma escola – que serve como local de prova – na Vila Mariana, em São Paulo. De acordo com a publicação, a supervisora da sala pediu para que a estudante retirasse os acessórios religiosos que estava usando. Além disso, a fiscal teria argumentado que “a prova é laica”. A mãe da estudante, Cristina Mariotti, explicou: “Hoje fomos buscar nossa filha após o 2o dia do ENEM, à R. Doutor Álvaro Alvim, 90 – Vila Mariana. Ao entrar no carro ela nos informou que a supervisora da sala pediu que ela retirasse a pulseira de prata em formato de terço e o escapulário pra fazer a prova pois, segundo afirmação da supervisora, A PROVA É LAICA!!!!!! Mesmo questionando o porquê desta atitude e uma vez que, no domingo passado não houve nenhuma solicitação, minha filha acabou cedendo e tirou… AGORA EU PERGUNTO: ISTO TEM FUNDAMENTO?” O fato gerou revolta entre os católicos, que comentaram na publicação de Cristina Mariotti. Muitos falam em perseguição religiosa, já que na primeira prova a estudante usava os mesmos acessórios e não precisou retirá-los para seguir fazendo o exame. O que não pode no Enem O site do Ministério da Educação tem uma seção em que informa o que é permitido e o que é proibido durante a realização das provas do Enem. Tanto o site quanto o edital do Enem não mencionam a proibição de artigos religiosos por parte dos estudantes. Os materiais que os participantes não podem portar durante a prova, de acordo com o MEC, são os seguintes: Óculos escuros e artigos de chapelaria, como boné, chapéu, viseira, gorro ou similares; Caneta de material não transparente, lápis, lapiseira, borrachas, réguas, corretivos; Livros, manuais, impressos, anotações; Protetor auricular; Relógio de qualquer tipo; Quaisquer dispositivos eletrônicos, como telefones celulares, smartphones, tablets, wearable tech, máquinas calculadoras, agendas eletrônicas e/ou similares, ipods®, gravadores, pen drive, mp3 e/ou similar; Alarmes, chaves com alarme ou com qualquer outro componente eletrônico; Fones de ouvido e/ou qualquer transmissor, gravador e/ou receptor de dados, imagens, vídeos e mensagens.

  • A DITADURA DO PENSAMENTO ÚNICO – Padre Santiago Martín

    As palavras da influente congressista democrata Nancy Pelosi, acusando aqueles que são contra o aborto de serem inimigos da democracia, especialmente se votaram nos republicanos, desencadearam uma onda de críticas nos Estados Unidos, algumas delas vindas de bispos que não estão dispostos a submeter-se à ditadura do pensamento único. Nos Estados Unidos, esta dura acusação pode ser uma novidade, mas em outros países há muito que a suportamos. Foi o filósofo marxista Gramsci que apontou o caminho para o que estamos vivendo hoje: a hegemonia cultural do que se costumava chamar “esquerda” e que, hoje, é quase impossível de descrever, porque é difícil identificar a esquerda clássica com políticos que vivem em mansões de luxo, na ilha exclusiva de Martha’s Vineyard ou em moradias caras em Galapagar. Os franceses, ironicamente, chamavam-lhes “gaúchos divinos”, porque eram os novos deuses. Os espanhóis, mais pragmáticos, chamam-lhes “esquerda caviar” porque falam sobre pobres, mas vivem como ricos. Essa esquerda, povoada de bilionários, é a que está promovendo a nova ordem mundial. O aborto faz parte da sua agenda, e já não como uma concessão feita às mulheres em situações extremas, mas como um direito. Que o aborto é um direito significa que qualquer pessoa que se lhe oponha deve ser considerada como um inimigo dos direitos humanos e deve sofrer as suas consequências. A Sra. Pelosi — que diz ser católica, embora talvez seja só uma pagã batizada — para além de dizer que os pró-vida não são democratas, errou ao pedir a aplicação da lei anti-terrorista sobre eles e sobre nós. A hegemonia cultural desta “esquerda divina e caviar”, e o pensamento único que querem implantar, levam inevitavelmente a isto: quem não pensa como eles, não só não tem direito a opinião, como nem sequer tem o direito de existir. Mas não se trata apenas de aborto. É curioso e muito significativo que, dentro da Igreja, aqueles que são mais tépidos na defesa da vida ou que até justificam o aborto, sejam também a favor do resto do programa que nos querem impor: comunhão com pecado mortal e comunhão aos protestantes, aceitação da ideologia de gênero, sacerdócio feminino. Este é o pensamento único que o “clero caviar” quer impor-nos. E aqueles que não o aceitarem, pagarão as consequências, como pessoas iguais ao Cardeal Pell já sabem muito bem. Nesta manipulação da verdade, que parte do princípio de que é verdade só o que eles pensam e publicam em seus poderosos meios de comunicação, a novidade agora é dizer que, se menos pessoas vão à Igreja, é porque há muitos padres, especialmente padres jovens, que são conservadores. Seria para uma boa risada, se não fizesse chorar. Dizem, com ar de felicidade, que as paróquias estariam mais cheias de paroquianos, e os seminários de vocações, se as teses do pensamento único liberal fossem definitivamente impostas e não encontrassem a oposição silenciosa de uma parte do clero, especialmente os mais jovens. Não importa que se trate de uma mentira, de uma óbvia mentira. A Igreja liberal está morta, mas tem o poder e a capacidade de reescrever a História, como os bilionários que promovem a nova ordem mundial estão fazendo. No entanto, confrontam-se eles com dois inconvenientes, perante os quais o seu poder e os seus milhões se desmoronam: a natureza e Deus. A realidade existe; e a “verdade” publicada nos seus poderosos meios de comunicação não pode esconder a verdade real. E, acima de tudo, Deus existe; e é Ele, e não estes aprendizes de feiticeiro, que é o verdadeiro Senhor da História. “Não tenhais medo”, disse-nos Jesus, “eu venci o mundo”.

  • 2697-2758 | CAPÍTULO TERCEIRO

    CAPÍTULO TERCEIRO A VIDA DE ORAÇÃO 2697. A oração é a vida do coração novo. Deve animar-nos a todo o momento. Mas acontece que nos esquecemos d’Aquele que é a nossa vida e o nosso tudo. É por isso que os Padres espirituais, na sequência do Deuteronómio e dos profetas, insistem na oração como «lembrança de Deus», frequente despertador da «memória do coração». «Devemos lembrar-nos de Deus com mais frequência do que respiramos» (1). Mas não se pode orar «em todo o tempo», se não se orar em certos momentos, voluntariamente: são os tempos fortes da oração cristã, em intensidade e duração. 2698. A Tradição da Igreja propõe aos fiéis ritmos de oração destinados a alimentar a oração contínua. Alguns são quotidianos: a oração da manhã e da noite, antes e depois das refeições, a Liturgia das Horas. O Domingo, centrado na Eucaristia, é santificado principalmente pela oração. O ciclo do ano litúrgico e as suas grandes festas constituem os ritmos fundamentais da vida de oração dos cristãos. 2699. O Senhor conduz cada pessoa pelos caminhos e da maneira que Lhe apraz. Por seu turno, cada fiel responde-Lhe conforme a determinação do seu coração e as expressões pessoais da sua oração. No entanto, a tradição cristã conservou três expressões principais da vida de oração: a oração vocal, a meditação e a contemplação. Têm um traço fundamental comum: o recolhimento do coração. Esta atenção em guardar a Palavra e permanecer na presença de Deus faz destas três expressões tempos fortes da vida de oração. ARTIGO 1 AS EXPRESSÕES DA ORAÇÃO I. A oração vocal 2700. Pela sua Palavra, Deus fala ao homem. É nas palavras, mentais ou vocais, que a nossa oração toma corpo. Mas o mais importante é a presença do coração Àquele a Quem falamos na oração. «Que a nossa oração seja atendida não depende da quantidade de palavras, mas do fervor das nossas almas» (2). 2701. A oração vocal é um elemento indispensável da vida cristã. Aos discípulos, atraídos pela oração silenciosa do seu mestre, este ensina-lhes uma oração vocal: o «Pai-nosso». Jesus não rezou apenas as orações litúrgicas da sinagoga: os evangelhos mostram-no-Lo a elevar a voz para exprimir a sua oração pessoal, desde a bênção exultante do Pai (3) até à desolação do Getsémani (4). 2702. A necessidade de associar os sentidos à oração interior corresponde a uma exigência da natureza humana. Nós somos corpo e espírito e experimentamos a necessidade de traduzir exteriormente os nossos sentimentos. Devemos rezar com todo o nosso ser para dar à nossa súplica a maior força possível. 2703. Esta necessidade corresponde também a uma exigência divina. Deus procura quem O adore em espírito e verdade e, por conseguinte, uma oração que suba viva das profundezas da alma. Mas também quer a expressão exterior que associe o corpo à oração interior, porque ela Lhe presta a homenagem perfeita de tudo a quanto Ele tem direito. 2704. Porque exterior e tão plenamente humana, a oração vocal é, por excelência, a oração das multidões. Mas até a oração mais interior não pode prescindir da oração vocal. A oração torna-se interior na medida em que tomamos consciência d’Aquele «a Quem falamos» (5). Então, a oração vocal torna-se uma primeira forma da contemplação. II. A meditação 2705. A meditação é sobretudo uma busca. O espírito procura compreender o porquê e o como da vida cristã, para aderir e corresponder ao que o Senhor lhe pede. Exige uma atenção difícil de disciplinar. Habitualmente, recorre-se à ajuda dum livro e os cristãos não têm falta deles: a Sagrada Escritura, em especial o Evangelho, os santos ícones (as imagens), os textos litúrgicos do dia ou do tempo, os escritos dos Padres espirituais, as obras de espiritualidade, o grande livro da criação e o da história, a página do «hoje» de Deus. 2706. Meditar no que se lê leva a assimilá-lo, confrontando-o consigo mesmo. Abre-se aqui um outro livro: o da vida. Passa-se dos pensamentos à realidade. Segundo a medida da humildade e da fé, descobrem-se nela os movimentos que agitam o coração e é possível discerni-los. Trata-se de praticar a verdade para chegar à luz: «Senhor, que quereis que eu faça?». 2707. Os métodos de meditação são tão diversos como os mestres espirituais. Um cristão deve querer meditar com regularidade; doutro modo, torna-se semelhante aos três primeiros terrenos da parábola do semeador (6). Mas um método não passa de um guia; o importante é avançar, com o Espírito Santo, no caminho único da oração: Cristo Jesus. 2708. A meditação põe em acção o pensamento, a imaginação, a emoção e o desejo. Esta mobilização é necessária para aprofundar as convicções da fé, suscitar a conversão do coração e fortalecer a vontade de seguir a Cristo. A oração cristã dedica-se, de preferência, a meditar nos «mistérios de Cristo», como na « lectio divina» ou no rosário. Esta forma de reflexão orante é de grande valor, mas a oração cristã deve ir mais longe: até ao conhecimento amoroso do Senhor Jesus, até à união com Ele. III. A contemplação 2709. O que é a contemplação? Responde Santa Teresa: «Outra coisa não é, a meu parecer, oração mental, senão tratar de amizade – estando muitas vezes tratando a sós – com Quem sabemos que nos ama» (7). A contemplação procura «Aquele que o meu coração ama» (Ct 1, 7) (8), que é Jesus, e n’Ele o Pai. Ele é procurado, porque desejá-Lo é sempre o princípio do amor, e é procurado na fé pura, esta fé que nos faz nascer d’Ele e viver n’Ele. Nesta modalidade de oração pode, ainda, meditar-se; todavia, o olhar vai todo para o Senhor. 2710. A escolha do tempo e duração da contemplação depende duma vontade determinada, reveladora dos segredos do coração. Não se faz contemplação quando se tem tempo; ao invés, arranja-se tempo para estar com o Senhor, com a firme determinação de não Lho retirar durante o caminho, sejam quais forem as provações e a aridez do encontro. Não se pode meditar sempre; mas pode-se entrar sempre em contemplação, independentemente das condições de saúde, trabalho ou afectividade. O coração é o lugar da busca e do encontro, na pobreza e na fé. 2711. A entrada na contemplação é análoga à da liturgia eucarística: «reunir» o coração, recolher todo o nosso ser sob a moção do Espírito Santo, habitar na casa do Senhor que nós somos, despertar a fé para entrar na presença d’Aquele que nos espera, fazer cair as nossas máscaras e voltar o nosso coração para o Senhor que nos ama, de modo a entregarmo-nos a Ele como uma oferenda a purificar e transformar. 2712. A contemplação é a oração do filho de Deus, do pecador perdoado que consente em acolher o amor com que é amado e ao qual quer corresponder amando ainda mais (9). Mas ele sabe que o seu amor de correspondência é o que o Espírito Santo derrama no seu coração, porque tudo é graça da parte de Deus. A contemplação é a entrega humilde e pobre à vontade amorosa do Pai, em união cada vez mais profunda com o seu Filho muito amado. 2713. Assim, a contemplação é a expressão mais simples do mistério da oração. É um dom, uma graça; só pode ser acolhida na humildade e na pobreza. É uma relação de aliança estabelecida por Deus no fundo do nosso ser (10). A contemplação é comunhão: nela, a Santíssima Trindade conforma o homem, imagem de Deus, «à sua semelhança». 2714. A contemplação é, também, por excelência, o tempo forte da oração. Nela, o Pai enche-nos de força, pelo Espírito Santo, para que se fortaleça em nós o homem interior, Cristo habite nos nossos corações pela fé e nós sejamos radicados e alicerçados no amor (11). 2715. A contemplação é o olhar da fé, fixado em Jesus. «Eu olho para Ele e Ele olha para mim» – dizia, no tempo do seu santo Cura, um camponês d’Ars em oração diante do sacrário (12). Esta atenção a Ele é renúncia ao «eu». O seu olhar purifica o coração. A luz do olhar de Jesus ilumina os olhos do nosso coração; ensina-nos a ver tudo à luz da sua verdade e da sua compaixão para com todos os homens. A contemplação dirige também o seu olhar para os mistérios da vida de Cristo. E assim aprende «o conhecimento íntimo do Senhor» para mais O amar e seguir (13). 2716. A contemplação é escuta da Palavra de Deus. Longe de ser passiva, esta escuta é obediência da fé, acolhimento incondicional do servo e adesão amorosa do filho. Participa do «sim» do Filho que se fez Servo e do «faça-se» da sua humilde serva. 2717. A contemplação é silêncio, este «símbolo do mundo que há-de vir» (14) ou «linguagem calada do amor» (15). Na contemplação, as palavras não são discursos, mas acendalhas que alimentam o fogo do amor. É neste silêncio, insuportável para o homem «exterior», que o Pai nos diz o seu Verbo encarnado, sofredor, morto e ressuscitado e que o Espírito filial nos faz participar da oração de Jesus. 2718. A contemplação é união à oração de Cristo na medida em que nos faz participar no seu mistério. O mistério de Cristo é celebrado pela Igreja na Eucaristia e o Espírito Santo faz-nos viver dele na contemplação, para que seja manifestado pela caridade em acto. 2719. A contemplação é uma comunhão de amor, portadora de vida para a multidão, na medida em que é consentimento em permanecer na noite da fé. A noite pascal da ressurreição passa pela da agonia e do sepulcro. São estes três tempos fortes da «Hora» de Jesus, que o seu Espírito (e não a «carne», que é «fraca») nos faz viver na oração contemplativa. É preciso consentir em velar uma hora com Ele (16). Resumindo: 2720. A Igreja convida os fiéis para uma oração regular: orações quotidianas, Liturgia das Horas, Eucaristia dominical, festas do ano litúrgico. 2721. A tradição cristã compreende três expressões principais da vida de oração: a oração vocal, a meditação e a contemplação. Têm em comum o recolhimento do coração. 2722. A oração vocal, fundada na união do corpo e do espírito na natureza humana, associa o corpo à oração interior do coração, a exemplo de Cristo que orava ao Pai e ensinava o «Pai-nosso» aos seus discípulos. 2723. A meditação é uma busca orante que põe em acção o pensamento, a imaginação, a emoção, o desejo. Tem por finalidade a apropriação crente do tema considerado, confrontado com a realidade da nossa vida. 2724. A contemplação é a expressão simples do mistério da oração. É um olhar de fé fixo em Jesus, uma escuta da Palavra de Deus, um amor silencioso. Realiza a união com a oração de Cristo, na medida em que nos faz participar no seu mistério. ARTIGO 2 O COMBATE DA ORAÇÃO 2725. A oração é um dom da graça e uma resposta decidida da nossa parte. Pressupõe sempre um esforço. Os grandes orantes da Antiga Aliança antes de Cristo, bem como a Mãe de Deus e os santos com Ele no-lo ensinam: a oração é um combate. Contra quem? Contra nós mesmos e contra as astúcias do Tentador que tudo faz para desviar o homem da oração e da união com o seu Deus. Reza-se como se vive, porque se vive como se reza. Se não se quiser agir habitualmente segundo o Espírito de Cristo, também não se pode orar habitualmente em seu nome. O «combate espiritual» da vida nova do cristão é inseparável do combate da oração. I. As objecções à oração 2726. No combate da oração, temos de enfrentar, em nós e à nossa volta, concepções erróneas da oração. Alguns vêem nela uma simples operação psicológica; outros, um esforço de concentração para chegar ao vazio mental; outros ainda, reduzem-na a atitudes e palavras rituais. No inconsciente de muitos cristãos, rezar é uma ocupação incompatível com tudo o que têm de fazer: não têm tempo. Os que procuram a Deus na oração desanimam depressa, porque não sabem que a oração também vem do Espírito Santo e não somente de si próprios. 2727. Temos de enfrentar também certas mentalidades «deste mundo» que nos invadem, se não estivermos atentos. Por exemplo: só é verdadeiro o que se pode verificar pela razão e pela ciência (mas orar é um mistério que ultrapassa a nossa consciência e o nosso inconsciente); os valores são a produção e o rendimento (mas a oração é improdutiva, logo inútil); o sensualismo e o conforto são os critérios do verdadeiro, do bem e do belo (mas a oração, «amor da beleza» – philocália – deixa-se encantar pela glória do Deus vivo e verdadeiro); em reacção ao activismo, temos a oração apresentada como fuga do mundo (mas a oração cristã não é uma saída da história nem um divórcio da vida). 2728. Finalmente, o nosso combate tem de enfrentar aquilo que sentimos como sendo os nossos fracassos na oração: desânimo na aridez, tristeza por não dar tudo ao Senhor, porque temos «muitos bens» decepção por não sermos atendidos segundo a nossa própria vontade, o nosso orgulho ferido que se endurece perante a nossa indignidade de pecadores, alergia à gratuitidade da oração, etc… A conclusão é sempre a mesma: de que serve orar? Para vencer tais obstáculos, é preciso combater com humildade, confiança e perseverança. II. A humilde vigilância do coração PERANTE AS DIFICULDADES DA ORAÇÃO 2729. A dificuldade habitual da nossa oração é a distracção. Pode ter por objecto as palavras e o seu sentido, na oração vocal; mais profundamente, pode incidir sobre Aquele a Quem rezamos, na oração vocal (litúrgica ou pessoal), na meditação e na contemplação. Partir à caça das distracções seria cair nas suas ciladas; basta regressar ao nosso coração: uma distracção revela-nos aquilo a que estamos apegados e esta humilde tomada de consciência diante do Senhor deve despertar o nosso amor preferencial por Ele, oferecendo-Lhe resolutamente o nosso coração para que Ele o purifique. É aí que se situa o combate: na escolha do Senhor a quem servir (18). 2730. Positivamente, o combate contra o nosso eu, possessivo e dominador, consiste na vigilância, a sobriedade do coração. Quando Jesus insiste na vigilância, esta refere-se sempre a Ele, à sua vinda, no último dia e em cada dia: «hoje». O Esposo chega a meio da noite. A luz que não se deve extinguir é a da fé: «Diz-me o coração: “Procura a sua face”» (Sl 27, 8). 2731. Outra dificuldade, especialmente para os que querem rezar com sinceridade, é a aridez. Faz parte da oração em que o coração está seco, sem gosto pelos pensamentos, lembranças e sentimentos, mesmo espirituais. É o momento da fé pura, que se aguenta fielmente ao lado de Jesus na agonia e no sepulcro. «Se o grão de trigo morrer, dará muito fruto» (Jo 12, 24). Se a aridez for devida à falta de raiz, por a Palavra ter caído em terreno pedregoso, o combate entra no campo da conversão (19). PERANTE AS TENTAÇÕES NA ORAÇÃO 2732. A tentação mais comum e a mais oculta é a nossa falta de fé. Exprime-se menos por uma incredulidade declarada do que por uma preferência de facto. Quando começamos a orar, mil trabalhos e preocupações, julgados urgentes, apresentam-se-nos como prioritários. É mais uma vez o momento da verdade do coração e do seu amor preferencial. Umas vezes, voltamo-nos para o Senhor como nosso último recurso: mas será que acreditamos mesmo n’Ele? Outras vezes, tomamos o Senhor como aliado, mas conservamos o coração cheio de presunção. Em todos os casos, a nossa falta de fé revela que ainda não temos as disposições de um coração humilde: «Sem Mim, nada podereis fazer» (Jo 15, 5). 2733. Outra tentação, à qual a presunção abre a porta, é a acédia. Os Padres espirituais entendem por ela uma forma de depressão devida ao relaxamento da ascese, à diminuição da vigilância, à negligência do coração. «O espírito está decidido, mas a carne é fraca» (Mt 26, 41). Quanto de mais alto se cai, mais magoado se fica. O desânimo doloroso é o reverso da presunção. Quem é humilde não se admira da sua miséria; ela leva-o a ter mais confiança e a manter-se firme na constância. III. A confiança filial 2734. A confiança filial é posta à prova – e prova-se a si mesma – na tribulação (20). A principal dificuldade diz respeito à oração de petição, na intercessão por si ou pelos outros. Alguns deixam mesmo de orar porque, segundo pensam, o seu pedido não é atendido. Aqui, duas questões se põem: Por que é que pensamos que o nosso pedido não é atendido? E como é que a nossa oração é atendida, e «eficaz»? PORQUE NOS LAMENTARMOS POR NÃO SERMOS ATENDIDOS? 2735. Antes de mais, uma constatação deveria surpreender-nos. É que, quando louvamos a Deus ou Lhe damos graças pelos seus benefícios em geral, não nos importamos nada com saber se a nossa oração Lhe é agradável, ao passo que exigimos ver o resultado da nossa petição. Qual é, então, a imagem de Deus que motiva a nossa oração: um meio a utilizar ou o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo? 2736. Será que estamos convencidos de que «não sabemos o que pedir, para rezar como devemos» (Rm 8, 26)? Será que pedimos a Deus «os bens convenientes»? O nosso Pai sabe muito bem do que precisamos, antes que Lho peçamos (21), mas espera o nosso pedido, porque a dignidade dos seus filhos está na sua liberdade. Devemos, pois, orar com o seu Espírito de liberdade para podermos conhecer de verdade qual é o seu desejo (22). 2737. «Não tendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, pois o que pedis é para satisfazer as vossas paixões» (Tg 4, 2-3) (23). Se pedirmos com um coração dividido, «adúltero» (24), Deus não pode atender-nos, pois quer o nosso bem, a nossa vida. «Ou pensais que a Escritura diz em vão: “o Espírito que habita em nós ama-nos com ciúme”?» (Tg 4, 5). O nosso Deus é «ciumento» de nós e isso é sinal da verdade do seu amor. Entremos no desejo do seu Espírito e seremos atendidos: «Não te aflijas, se não recebes logo de Deus o que Lhe pedes: é que Ele quer beneficiar-te ainda mais pela tua perseverança em permanecer com Ele na oração» (25). Ele quer «que o nosso desejo se exercite na oração dilatando-nos, de modo a termos capacidade para receber o que Ele prepara para nos dar» (26). COMO É QUE A NOSSA ORAÇÃO SERIA EFICAZ? 2738. A revelação da oração na economia da salvação ensina-nos que a fé se apoia na acção de Deus na história. A confiança filial é suscitada pela sua acção por excelência: a paixão e ressurreição do seu Filho. A oração cristã é cooperação com a sua providência, com o seu desígnio de amor para com os homens. 2739. Em São Paulo, esta confiança é audaciosa (27), apoiando-se na oração do Espírito em nós e no amor fiel do Pai que nos deu o seu Filho Único (28). A transformação do coração que ora é a primeira resposta ao nosso pedido. 2740. A oração de Jesus faz da oração cristã uma petição eficaz. Jesus é o modelo da oração cristã; Ele ora em nós e connosco. Uma vez que o coração do Filho não procura senão o que agrada ao Pai, como poderia o dos filhos adoptivos apegar-se mais aos dons que ao Doador? 2741. Jesus também ora por nós, em nosso lugar e em nosso favor. Todos os nossos pedidos foram reunidos, de uma vez por todas, no seu brado sobre a cruz e atendidos pelo Pai na sua ressurreição; e é por isso que Ele não cessa de interceder por nós junto do Pai (29). Se a nossa oração estiver resolutamente unida à de Jesus na confiança e na audácia filial, obteremos tudo o que pedirmos em seu nome e muito mais do que isto ou aquilo: o próprio Espírito Santo que inclui todos os dons. IV. Perseverar no amor 2742. «Orai sem cessar» (1 Ts 5, 17), «dai sempre graças por tudo a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo» (Ef 5, 20), «servindo-vos de toda a espécie de orações e preces, orai em todo o tempo no Espírito Santo; e, para isso, vigiai com toda a perseverança e com preces por todos os santos» (Ef 6, 18). «Não nos foi mandado que trabalhemos, velemos e jejuemos constantemente, mas temos a lei de orar sem cessar» (30) Este fervor incansável só pode vir do amor. Contra a nossa lentidão e preguiça, o combate da oração é o do amor humilde, confiante e perseverante. Este amor abre os nossos corações a três evidências de fé, luminosas e vivificantes: 2743. Orar é sempre possível: O tempo do cristão é o de Cristo Ressuscitado, que está «connosco todos os dias» (Mt 28, 20), sejam quais forem as tempestades (31). O nosso tempo está na mão de Deus: «É possível, mesmo no mercado ou durante um passeio solitário, fazer oração frequente e fervorosa; sentados na vossa loja, a tratar de compras e vendas, até mesmo a cozinhar» (32). 2744. Orar é uma necessidade vital. A demonstração do contrário não é menos convincente: se não nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo, recairemos na escravidão do pecado (33). Ora, como pode o Espírito Santo ser a «nossa vida» se o nosso coração estiver longe d’Ele? «Nada iguala o valor da oração; ela torna possível o impossível, fácil o difícil. […] É impossível […] que o homem que ora caia no pecado» (34). «Quem reza salva-se, de certeza; quem não reza condena-se, de certeza»». 2745. Oração e vida cristã são inseparáveis, porque se trata do mesmo amor e da mesma renúncia que procede do amor; da mesma conformidade filial e amorosa com o desígnio de amor do Pai; da mesma união transformante no Espírito Santo que nos conforma sempre mais com Cristo Jesus; do mesmo amor para com todos os homens, desse amor com que Jesus nos amou. «Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros» (Jo 15, 16-17). «Ora sem cessar, aquele que une a oração às obras e as obras à oração. Só assim é que podemos considerar como realizável o preceito de orar incessantemente» (36). V. A oração da Hora de Jesus 2746. Ao chegar a sua «Hora», Jesus ora ao Pai (37). A sua oração, a mais longa que nos é transmitida pelo Evangelho, abraça toda a economia da criação e da salvação, bem como a sua morte e ressurreição. A oração da «Hora» de Jesus continua sempre sua, tal como a sua Páscoa, acontecida «uma vez por todas», continua presente na liturgia da sua Igreja. 2747. A tradição cristã chama-lhe, a justo título, a oração «sacerdotal» de Jesus. Ela é, de facto, a oração do nosso Sumo-Sacerdote, inseparável do seu sacrifício, da sua «passagem» (páscoa) deste mundo para o Pai, em que é inteiramente «consagrado» ao Pai (38). 2748. Nesta oração pascal, sacrificial, tudo está «recapitulado» n’Ele (39): Deus e o mundo, o Verbo e a carne, a vida eterna e o tempo, o amor que se entrega e o pecado que o atraiçoa, os discípulos presentes e os que n’Ele hão-de crer pela palavra deles, a humilhação e a glória. É a Oração da Unidade. 2749. Jesus cumpriu perfeitamente a obra do Pai e a sua oração, como o seu sacrifício estende-se até à consumação do tempo. A oração da «Hora» preenche os últimos tempos e leva-os à sua consumação. Jesus, o Filho a Quem o Pai tudo deu, entrega-Se todo ao Pai; e, ao mesmo tempo, exprime-Se com uma liberdade soberana (40), segundo o poder que o Pai Lhe deu sobre toda a carne. O Filho, que Se fez Servo, é o Senhor, o Pantocrátor. O nosso Sumo-Sacerdote que ora por nós é também Aquele que em nós ora e o Deus que nos atende. 2750. É entrando no santo nome do Senhor Jesus que podemos acolher, desde dentro, a oração que Ele nos ensina: «Pai nosso!». A sua oração sacerdotal inspira, a partir de dentro, as grandes petições do Pai-nosso: a preocupação com o nome do Pai (41), a paixão pelo seu Reino (a glória) (42), o cumprimento da vontade do Pai, do seu desígnio de salvação (43) e a libertação do mal (44). 2751. Finalmente, é nesta oração que Jesus nos revela e nos dá o «conhecimento» indissociável do Pai e do Filho (45), que é o próprio mistério da vida de oração. Resumindo: 2752. A oração pressupõe esforço e luta contra nós mesmos e contra as ciladas do Tentador. O combate da oração é inseparável do «combate espiritual» necessário para agir habitualmente segundo o Espírito de Cristo: ora-se como se vive, porque se vive como se ora. 2753. No combate da oração, devemos enfrentar concepções erróneas, diversas correntes de mentalidades e a experiência dos nossos fracassos. A estas tentações, que lançam a dúvida sobre a utilidade ou até mesmo a possibilidade da oração, convém responder com humildade, confiança e perseverança. 2754. As principais dificuldades no exercício da oração são a distracção e a aridez. O remédio está na fé, na conversão e na vigilância do coração. 2755. Duas tentações frequentes ameaçam a oração: a falta de fé e a acédia, que é uma espécie de depressão devida ao relaxamento da ascese e que leva ao desânimo. 2756. A confiança filial é posta à prova quando temos a sensação de nem sempre ser atendidos. O Evangelho convida-nos a interrogarmo-nos sobre a conformidade da nossa oração com o desejo do Espírito. 2757. «Orai sem cessar» (1 Ts 5, 17). Orar é sempre possível. É, até, uma necessidade vital. Oração e vida cristã são inseparáveis. 2758. A oração da «Hora» de Jesus, justamente chamada «oração sacerdotal» (46), recapitula toda a economia da criação e da salvação. É ela que inspira as grandes petições do «Pai-nosso». 1. São Gregório Nazianzo, Oratio 27 (theologica 1), 4: SC 250, 78 (PG 36, 16). 2. São João Crisóstomo, De Anna, sermo 2, 2: PG 54, 646. 3. Cf. Mt 11, 25-26. 4. Cf. Mc 14, 36. 5. Santa Teresa de Jesus, Camino de perfección, 25: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 3 (Burgos 1916) p. 122. [Cf. Santa Teresa de Jesus, Caminho de perfeição, 25: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1994) p. 494]. 6. Cf. Mc 4, 4-7. 15-19. 7. Santa Teresa de Jesus, Libro de la vida, 8: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 1 (Burgos 1915) p. 57. [Cf. Santa Teresa de Jesus, Livro da vida, 8: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1994) p. 56]. 8. Cf. Ct 3, 1-4. 9. Cf. Lc 7, 36-50; 19, 1-10. 10. Cf. Jr 31, 33. 11. Cf. Ef 3, 16-17. 12. Cf. F. Trochu, Le Curé d’Ars Saint Jean-Marie Vianney (Lyon-Paris 1927) p. 223-224. 13. Cf. Santo Inácio de Loyola, Exercitia spiritualia, 104: MHSI 100, 224. 14. Santo Isaac de Nínive, Tractatus mystici, 66: ed. A. J. Wensinck (Amsterdam 1923) p. 315; ed. P. Bedjan (Parisiis-Lipsiae 1909) p. 470. 15. São João da Cruz, Carta, 6: Biblioteca Mística carmelitana, v. 13 (Burgos 1931) p. 262.[Cf. São João da Cruz, Carta Sexta: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1986) p. 967]. 16. Cf. Mt 26, 40-41. 17. Cf. Mc 10, 22. 18. Cf. Mt 6, 21.24. 19. Cf. Lc 8, 6.13. 20. Cf. Rm 5, 3-5. 21. Cf. Mt 6, 8. 22. Cf. Rm 8, 27. 23. Cf. todo o contexto de Tg 1, 5-8; 4, 1-10; 5, 16. 24. Cf. Tg 4, 4. 25. Evágrio do Ponto, De Oratione, 34: PG 79, 1173. 26. Santo Agostinho, Epistula 130, 8, 17: CSEL 44, 59 (PL 33, 500). 27. Cf. Rm 10, 12-13. 28. Cf. Rm 8, 26-39. 29. Cf. Heb 5, 7; 7, 25; 9, 24. 30. Evágrio do Ponto, Capita practica ad Anatolium, 49: SC 171, 610 (PG 40, 1245). 31. Cf. Lc 8, 24. 32. São João Crisóstomo, De Anna, sermo 4, 6: PG 54, 668. 33. Cf. Gl 5, 16-25. 34. São João Crisóstomo, De Anna, sermo 4, 5: PG 54, 666. 35. Santo Afonso de Ligório, Del gran mezzo della preghiera, parte I, c. 1: ed. G. Cacciatore (Roma 1962) p. 32. 36. Orígenes, De oratione, 12, 2: GCS 3, 324-325 (PG 11, 452). 37. Cf. Jo 17. 38. Cf. Jo 17, 11.13.19. 39. Cf. Ef 1, 10. 40. Cf. Jo 17, 11.13.19.24. 41. Cf. Jo 17, 6.11.12.26. 42. Cf. Jo 17, 1.5.10.22.23-26. 43. Cf. Jo 17, 2.4.6.9.11.12.24. 44 Cf. Jo 17, 15. 4. 45. Cf. Jo 17, 3.6-10.25. 46. Cf. Jo 17. #fé #catecismodaigrejacatólica #QUARTAPARTEAORAÇÃOCRISTÃ #CAPÍTULOTERCEIROAVIDADEORAÇÃO #catecismo

  • NOSSOS FILHOS MOLDARÃO O FUTURO – Entrevista com a ministra húngara Katalin Novák

    [O portal português Dies Iræ entrevistou, exclusivamente, a Ministra para os Assuntos Familiares da Hungria, Katalin Novák, após as alterações realizadas na Constituição de seu país e os inúmeros ataques da Europa ao Governo de Orbán que, ao longo dos seus mandatos, tem introduzido uma legislação fundamental para a defesa dos valores da Família e da Vida]. P. Senhora Ministra, começamos por lhe agradecer por nos conceder esta tão importante entrevista e desejamos que este novo ano possa ser repleto das bênçãos de Deus e de Santo Estêvão para a Hungria, para o Governo Húngaro e, claro, para a senhora Ministra. Esperamos, em breve, poder recebê-la no nosso País. Brevemente, que balanço faz de 2020, ano marcado pelo COVID-19, a nível nacional e internacional? R. Assistimos a um ano como nenhum outro. É a primeira vez, em mais de um século, que uma pandemia coloca o Mundo de joelhos. Forçou os decisores, líderes políticos e económicos, bem como os cidadãos, a reavaliar as suas prioridades e a pensar sobre o que realmente importa. Também podemos concluir que, entre os efeitos negativos da globalização, não podemos falar apenas das alterações climáticas ou da migração ilegal, mas devemos também dirigir a nossa atenção para os riscos relacionados com a saúde pública. Cada crise internacional mostrou que os estados-nação continuam a ser os atores mais capazes e poderosos para defender os interesses dos seus cidadãos. Isto foi verdade depois da crise económica de 2008, igualmente depois da crise migratória, em 2015, e também é verdade agora. Não importa o potencial das organizações internacionais em ajudar os países a coordenar e mitigar os efeitos das crises, têm sido incapazes de prever, preparar e aconselhar os governos nacionais. Os governos nacionais puderam tomar decisões responsáveis e arriscar, ​​e tomar medidas quando se tratou de limitar as viagens, ajudar sectores, limitar a liberdade de movimento, adquirir, urgentemente, equipamentos médicos e de proteção meses antes da UE ou outros. Na verdade, devo observar, com tristeza, que, no caso da Hungria, organizações internacionais e adversários políticos tentaram impedir os nossos esforços de proteção, rotulando a nossa lei de emergência, aprovada nesta Primavera, como um retrocesso autoritário – até mentiram sobre o Parlamento, dizendo que a questão não esteve na sessão, quando, na verdade, esteve.      P. É Ministra para os Assuntos Familiares, do Governo de Viktor Orbán, desde Outubro de 2020. Todavia, há já longos anos que conhece de perto a política húngara. Para além disso, é casada e tem três filhos. O que a levou a defender tão convictamente a Nona Emenda à Constituição da Hungria, aprovada, a 15 de Dezembro, por grande maioria parlamentar? R. Como disseram, em primeiro lugar, sou a mulher do meu marido e mãe dos nossos três filhos. Antes da minha nomeação, fui responsável, durante anos, pela política familiar húngara. Com a alteração da nossa Lei Fundamental, registámos coisas que são óbvias para o povo Húngaro. Há uma tendência alarmante em que verdades básicas, que a humanidade considerou óbvias e inquestionáveis, ​​estão, agora, a ser contestadas. A ideologia política parece superar a ciência e a razão. Esta tendência ainda não está presente na Hungria, as pessoas ainda acreditam que homens são homens e mulheres são mulheres, e que não se pode mudar o seu ADN ou fingir que é possível. Aprovámos legislação para fechar brechas legais e determinar quem é que o Estado reconhece como homem ou mulher, com base na biologia e na ciência, e não na ideologia social e política. Em Dezembro, acrescentámos à Constituição que pai é homem, mãe é mulher. Mesmo que isso seja óbvio para nós, atualmente é contestado. Queremos defender os nossos filhos e deixá-los ser crianças sem os usarmos para qualquer base ideológica. Parte central do pensamento do governo Húngaro é que o interesse superior da criança e o seu bem-estar são fundamentais. P. Um pouco por todo o Mundo, fazendo-se notar particularmente na Europa, assistimos a uma rejeição da Cultura Cristã enquanto garante da unidade e da coesão dos Estados. Ao invés disso, a Hungria, através do seu Governo, opta por vincar e reforçar esta importância do Cristianismo como valor essencial para a preservação da identidade húngara. O que move o Governo? R. O estado Húngaro está profundamente entrelaçado com o Cristianismo. Tribos húngaras chegaram, no século VIII, à Europa e os líderes Húngaros foram aceites pelos líderes na Europa quando nos convertemos ao Cristianismo, e o Papa enviou uma coroa para o nosso primeiro rei. Ao longo dos séculos, o Rei Santo Estêvão I da Hungria, bem como outros reis Húngaros, foram canonizados. A Hungria travou muitas guerras para defender o Cristianismo Húngaro e Europeu. Estamos na fronteira do Cristianismo Oriental e Ocidental, estivemos na fronteira entre os mundos Cristão e Muçulmano durante séculos, e estivemos na fronteira da Guerra Fria, infelizmente, no lado Oriental, onde o império Soviético tentou erradicar a Cristandade. A nossa história é uma história de sobrevivência para os Húngaros, mas também uma história de sobrevivência do Cristianismo. Mesmo os Húngaros que não acreditam em Deus entendem e reconhecem a profunda ligação entre a identidade Cristã, a identidade Húngara e a condição do estado Húngaro. P. Ainda no seguimento da questão anterior, mas abordando o assunto da Família natural, isto é, constituída por um homem, uma mulher e os eventuais filhos, qual lhe parece ser a centralidade que a Família deve ter numa sociedade? E por quê? R. As famílias são as unidades básicas de qualquer sociedade, a menor e mais próxima comunidade de todas as comunidades. São o tecido da nossa sociedade. Se desfizermos esse tecido, as nossas sociedades desintegrar-se-ão como um todo. É onde as crianças experimentam e aprendem o amor, a solidariedade, mas também a responsabilidade e o valor da comunidade. Nem todas as crianças têm a sorte de crescer numa família feliz, mas é do interesse da sociedade e, portanto, dever do Estado ajudar e defender as famílias. Uma sociedade onde as pessoas não querem ter filhos, não acreditam que vale a pena reproduzir-se, está condenada à morte. O facto de a taxa de natalidade em todos os países Europeus não corresponder à fecundidade de reposição diz muito sobre os nossos valores e o nosso modelo socioeconómico. Por alguma razão, os líderes Europeus não querem reconhecer esta situação. Preocupamo-nos com as mudanças climáticas e com o futuro do nosso planeta, mas não nos importamos com o facto de que é preciso haver novas gerações para lhes darmos o nosso planeta. É por isso que queremos dar oportunidade aos Húngaros de terem quantos filhos quiserem. P. Em 2017, um partido de extrema-esquerda português, que atualmente apoia o Governo, defendeu que os menores de idade, a partir dos 16 anos, devem poder processar os pais caso não lhes concedam a permissão para a mudança de sexo. Já o Governo, contra um parecer técnico e ético, aprovou a possibilidade de mudança de sexo a partir dos 16 anos, ainda que com a autorização dos representantes legais dos menores de idade. Assiste-se, assim, a uma desconstrução da identidade com que cada um nasce e a uma completa rejeição e banalização do poder de influência que a Família, e bem, pode e deve exercer sobre os seus filhos, mormente quando menores. Que comentários que lhe merecem medidas como estas? Há quem as proponha também na Hungria? R. Há um ditado na Hungria para quem está completamente perdido: nem sabe se ele é menino ou se ela é menina. Daí resulta também que, para uma criança, um dos principais pontos de segurança é o seu sexo. Não existem tais propostas na Hungria como em Portugal, mas esta tendência é, exatamente, porque aprovámos certas medidas legislativas na Hungria. O desenvolvimento mental e físico das crianças é algo muito frágil. Os adolescentes são, de modo especial, vulneráveis ​​à influência – todos os pais podem ser testemunhas disso. Temos leis que tornam os pais responsáveis ​​pelas ações e pelo desenvolvimento dos filhos por um motivo. As crianças têm responsabilidade limitada pelas suas próprias ações por um motivo. Não podem beber álcool, conduzir um carro ou votar nas eleições abaixo de uma certa idade por um motivo. O estado e a sociedade têm a obrigação de defendê-los e também de proteger os seus melhores interesses. Veja-se os regulamentos de escolaridade obrigatória, por exemplo. Não acompanhei esse debate em Portugal, mas a sociedade portuguesa, provavelmente, passou pelos mesmos debates e argumentos. Se foi o que a maioria apoiou, devemos respeitar. Se a opinião da maioria mudar, será possível mudar essa legislação. Acredito que esta é uma boa luta e uma luta que vale a pena travar, mas cada sociedade deve assumir a responsabilidade pelo seu futuro e pelo futuro dos seus filhos. P. Perante o atual quadro político europeu, os constantes ataques que a Hungria sofre, um pouco a par da Polónia, podem ser vistos como uma confirmação de que estão no caminho certo? R. Se somos atacados pela esquerda, deve isso significar que não estamos a procurar ideologias de esquerda, mas valores conservadores. É para isso que fomos eleitos. Há alguns anos, um comunista português liderou esse esforço, no Parlamento Europeu, contra a Hungria. Fomos reeleitos duas vezes desde então. Essas são questões que cada pessoa deve decidir por si mesma. A Hungria testemunhou quatro décadas de imposição do modelo comunista e socialista. As pessoas que viveram num país socialista nunca compreendem por que motivo o socialismo ainda possa ser um sonho romântico para muitos na Europa Ocidental. Na Hungria, os governos socialistas destruíram o país, com consequências duradouras, em 1919, 1989 e 2009. Sentimos o efeito e sofremos as consequências de todos os três até hoje. P. Em Portugal, temos acompanhado com muito interesse toda a ação do Governo Orbán, sobretudo em matérias que dizem respeito à liberdade religiosa, à Família e à imigração. A invasão muçulmana à Europa, com os seus milhares de migrantes ilegais, é um dos fatores que, a seu ver, levam à adopção de políticas absolutamente anti-Família natural e anti-Matrimónio? Que resposta deu a Hungria perante tal cenário? E, em concreto, o seu Ministério? R. A esquerda não acredita no papel das nações e dos estados-nação ou da identidade. Desejam substituir os valores e a identidade tradicionais por uma nova identidade despojada de herança. Vimos várias tentativas disso na história. Rejeitar os valores familiares e promover a imigração andam de mão dada. Se a família, a maternidade e o património comum não têm valor, os imigrantes ilegais não representam nenhum risco e a imigração em massa é apenas uma questão de números exigidos no mercado de trabalho. As famílias saudáveis já não são necessárias porque a reprodução não tem importância e a imigração pode resolver a demografia. É uma visão muito materialista e não a partilhamos. Se as famílias e a reprodução já não estão ligadas, então família, casamento e sexualidade podem ser o que se quiser e não passam de uma questão de moda e ideologia. Na Hungria, acreditamos que vale a pena proteger e transmitir a nossa cultura e herança às gerações futuras, por isso concentramo-nos na construção de uma sociedade onde o casamento é definido como uma união entre um homem e uma mulher, onde as famílias são definidas pelo casamento ou pela relação progenitor-filho, e a sociedade valoriza as crianças e recompensa a procriação. É por isso que temos construído um país amigo da família desde 2010. O objetivo é permitir que os jovens casais realizem os seus objetivos familiares, por um lado, e, por outro, fortalecer famílias que já criam filhos. Construímos o mais amplo sistema de benefícios familiares do Mundo Ocidental. O orçamento central alocado para apoiar as famílias é duas vezes e meia maior do que em 2010 e representa 5% do PIB total. Temos um sistema tributário favorável à família, o que significa que menos impostos se paga quantos mais filhos se tiver. Mães com, pelo menos, quatro filhos, estão isentas do pagamento dos impostos para o resto das suas vidas. Estamos a construir novas creches para facilitar o equilíbrio entre vida profissional e familiar, a ajudar as famílias por meio de subsídios para a habitação e a garantir a liberdade de escolha para as mulheres. Na Hungria, as mães ou os pais podem optar por ficar em casa e receber uma prestação até a criança atingir os 3 anos de idade. Também receberão benefícios caso regressem ao mercado de trabalho. Graças a uma nova lei, as mulheres ganharão, imediatamente, mais do que o seu ordenado líquido após o parto. A boa notícia é que os resultados são encorajadores: a taxa de fertilidade aumentou em mais de 20%, o número de casamentos atingiu o máximo em quarenta anos, o número de divórcios atingiu o mínimo em seis décadas.         P. Comummente ouvimos dizer, por parte de líderes europeus, que a Hungria, ao adoptar medidas como as já referidas, não cumpre o “estado de direito”. Que resposta lhe merece uma Europa que, aos poucos, se tem vindo a tornar refém dos lobbies defensores das mais abjectas concepções de Estado, de Direito, de Família e de Liberdade? R. A Europa está, lentamente, a despertar para a ideia de que a sua visão sobre dados demográficos, famílias e imigração falhou. Em 2019, pela primeira vez, foi nomeado um Comissário Europeu para a Demografia. A crise da imigração de 2015 destacou as tensões sociais e o custo social da imigração. Ataques terroristas e jovens a partir para a Síria, para lutar pelo ISIS, provaram os fracassos da integração. As políticas a nível europeu mudarão se os eleitores exigirem mudanças a nível nacional. Nesse ínterim, defenderemos os nossos valores e os interesses. Fomos escolhidos, pelos Húngaros, para fazê-lo pelo terceiro mandato consecutivo no governo. P. Para terminar, gostaríamos de lhe pedir que deixasse uma mensagem aos portugueses, principalmente àqueles que, através dos diversos meios, lutam pela defesa da Família natural, pela inviolabilidade da Vida desde a concepção até à morte natural, pela conservação da identidade nacional e pelo aprofundamento de saudáveis relações entre os diversos Estados, sem que isso interfira na vida interna de cada País, algo que a atual União Europeia, lamentavelmente, não sabe, aliás, não quer fazer. R. A minha mensagem é que devem defender a verdade e que esta é uma luta que vale a pena travar. Ninguém o fará por vós. Estamos a travar esta luta há 10 anos. Foi muito difícil, mas também gratificante. Estamos prontos para partilhar as nossas experiências sobre o que funciona e o que não funciona. Mas, no final, cada pessoa e cada país são donos do seu próprio destino. Os nossos filhos moldarão o futuro. A questão é de quem serão os nossos filhos. https://www.diesirae.pt/2021/01/os-nossos-filhos-moldarao-o-futuro.html

  • 2650-2696 | CAPÍTULO SEGUNDO

    CAPÍTULO SEGUNDO A TRADIÇÃO DA ORAÇÃO 2650. A oração não se reduz ao brotar espontâneo dum impulso interior: para orar, é preciso querer. Tão-pouco basta saber o que a Escritura revela sobre a oração: é preciso também aprender a rezar. Ora, é através duma transmissão viva (a Tradição sagrada), que o Espírito Santo, na «Igreja crente e orante» (1), ensina os filhos de Deus a orar. 2651. A tradição da oração cristã é uma das formas de crescimento da Tradição da fé, particularmente pela contemplação e pelo estudo dos crentes, que guardam no seu coração os acontecimentos e as palavras da economia da salvação, e pela penetração profunda das realidades espirituais que eles experimentam (2). ARTIGO 1 NAS FONTES DA ORAÇÃO 2652. O Espírito Santo é a «água viva» que, no coração orante, «jorra para a vida eterna» (3). É Ele quem nos ensina a recolhê-la na própria Fonte: Jesus Cristo. Ora, há na vida cristã mananciais onde Cristo nos espera para nos dar a beber o Espírito Santo. A PALAVRA DE DEUS 2653. A Igreja «exorta com ardor e insistência todos os fiéis […] a que aprendam “a sublime ciência de Jesus Cristo” (Fl 3, 8) pela leitura frequente das divinas Escrituras […]. Lembrem-se, porém, de que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada de oração, para que seja possível o diálogo entre Deus e o homem, porque “a Ele falamos, quando rezamos, a Ele ouvimos, quando lemos os divinos oráculos”» (4). 2654. Os Padres espirituais, parafraseando Mt 7, 7, resumem assim as disposições do coração, alimentado pela Palavra de Deus na oração: «Procurai na leitura e achareis na meditação; batei à porta na oração e ela abrir-se-vos-á na contemplação» (5). A LITURGIA DA IGREJA 2655. A missão de Cristo e do Espírito Santo que, na liturgia sacramental da Igreja anuncia, actualiza e comunica o mistério da salvação, prossegue no coração de quem ora. Os Padres espirituais comparam, por vezes, o coração a um altar. A oração interioriza e assimila a liturgia, durante e depois da sua celebração. Mesmo quando vivida «no segredo» (Mt 6, 6), a oração é sempre oração da Igreja; é comunhão com a Santíssima Trindade (6). AS VIRTUDES TEOLOGAIS 2656. Entra-se na oração como se entra na liturgia: pela porta estreita da fé. Através dos sinais da sua presença, é a face do Senhor que nós buscamos e desejamos, é a sua Palavra que nós queremos escutar e guardar. 2657. O Espírito Santo, que nos ensina a celebrar a liturgia na expectativa do regresso de Cristo, educa-nos para orar na esperança. E vice-versa, a oração da Igreja e a prece pessoal nutrem em nós a esperança. Particularmente os salmos, com a sua linguagem concreta e variada, ensinam-nos a fixar em Deus a nossa esperança: «Esperei no Senhor com toda a confiança, e Ele atendeu-me. Ouviu o meu clamor» (Sl 40, 2). «Que o Deus da esperança vos encha de toda a alegria e paz na fé, para que transbordeis de esperança pela força do Espírito Santo» (Rm 15, 13). 2658. «A esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5). A oração, formada pela vida litúrgica, vai haurir tudo no amor com que fomos amados em Cristo e que nos dá a graça de Lhe corresponder, amando como Ele amou. O amor é a fonte da oração; quem bebe dessa fonte atinge os cumes da oração: «Eu Vos amo, ó meu Deus, e o meu único desejo é amar-Vos até ao último suspiro da minha vida. Amo-Vos, ó meu Deus infinitamente amável, e antes quero morrer a amar-Vos do que viver sem Vos amar. Amo-Vos, Senhor, e a única graça que Vos peço é a de Vos amar eternamente […] Meu Deus: Se a minha língua não pode dizer a todo o momento que Vos amo, quero que o meu coração o repita tantas vezes quantas eu respiro» (7). «HOJE» 2659. Aprendemos a orar em certos momentos, escutando a Palavra do Senhor e participando no seu mistério pascal. Mas a cada momento, nos acontecimentos de cada dia, o seu Espírito é-nos oferecido para fazer brotar a oração. O ensinamento de Jesus sobre a oração ao nosso Pai está na mesma linha que o ensino sobre a providência (8): o tempo está nas mãos do Pai; é no presente que nós O encontramos; não ontem nem amanhã, mas hoje: – «Quem dera ouvísseis hoje a sua voz; não endureçais os vossos corações» (Sl 95, 7-8). 2660. Orar nos acontecimentos de cada dia e de cada instante é um dos segredos do Reino, revelados aos «pequeninos», aos servos de Cristo, aos pobres das bem-aventuranças. É justo e bom orar para que a vinda do Reino da justiça e da paz influencie a marcha da história; mas também é importante levedar pela oração a massa das humildes situações quotidianas. Todas as formas de oração podem ser esse fermento a que o Senhor compara o Reino (9). Resumindo: 2661. É por meio duma transmissão viva, pela Tradição, que, na Igreja, o Espírito Santo ensina os filhos de Deus a orar. 2662. A Palavra de Deus, a liturgia da Igreja, as virtudes da fé, da esperança e da caridade são fontes da oração. ARTIGO 2 O CAMINHO DA ORAÇÃO 2663. Na tradição viva da oração, cada Igreja propõe aos seus fiéis, segundo o contexto histórico, social e cultural, a linguagem da sua oração: palavras, melodias, gestos e iconografia. Compete ao Magistério(10) ajuizar sobre a fidelidade destes caminhos de oração à Tradição da fé apostólica. E aos pastores e catequistas incumbe a tarefa de explicar o seu sentido, sempre com referência a Jesus Cristo. A ORAÇÃO AO PAI 2664. Não há outro caminho para a oração cristã senão Cristo. Seja comunitária ou pessoal, seja vocal ou interior, a nossa oração só tem acesso ao Pai se rezarmos «em nome» de Jesus. A santa humanidade de Jesus é, pois, o caminho pelo qual o Espírito Santo nos ensina a orar a Deus nosso Pai. A ORAÇÃO A JESUS 2665. A oração da Igreja, alimentada pela Palavra de Deus e pela celebração da liturgia, ensina-nos a orar ao Senhor Jesus. Mesmo sendo dirigida sobretudo ao Pai, ela inclui, em todas as tradições litúrgicas, formas de oração dirigidas a Cristo. Certos salmos, segundo a sua actualização na oração da Igreja, e o Novo Testamento, colocam nos nossos lábios e gravam nos nossos corações as invocações desta oração a Cristo: Filho de Deus, Verbo de Deus, Senhor, Salvador, Cordeiro de Deus, Rei, Filho muito amado, Filho da Virgem, Bom Pastor, nossa Vida, nossa Luz, nossa Esperança, nossa Ressurreição, Amigo dos homens… 2666. Mas o nome que tudo encerra é o que o Filho de Deus recebe na sua encarnação: JESUS. O nome divino é indizível para lábios humanos mas, ao assumir a nossa humanidade, o Verbo de Deus comunica-no-lo e nós podemos invocá-lo: «Jesus», « YHWH salva» (12). O nome de Jesus contém tudo: Deus e o homem e toda a economia da criação e da salvação. Rezar «Jesus» é invocá-Lo, chamá-Lo a nós. O seu nome é o único que contém a presença que significa. Jesus é o Ressuscitado, e todo aquele que invocar o seu nome, acolhe o Filho de Deus que o amou e por ele Se entregou (13). 2667. Esta invocação de fé tão simples foi desenvolvida na tradição da oração sob as mais variadas formas, tanto no Oriente como no Ocidente. A formulação mais habitual, transmitida pelos espirituais do Sinai, da Síria e de Athos, é a invocação: «Jesus, Cristo, Filho de Deus, Senhor, tende piedade de nós, pecadores!». Ela conjuga o hino cristológico de Fl 2, 6-11 com a invocação do publicano e dos mendigos da luz (14). Por ela, o coração sintoniza com a miséria dos homens e com a misericórdia do seu Salvador. 2668. A invocação do santo Nome de Jesus é o caminho mais simples da oração contínua. Muitas vezes repetida por um coração humildemente atento, não se dispersa num «mar de palavras» (Mt 6, 7), mas «guarda a Palavra e produz fruto pela constância» (15). E é possível «em todo o tempo», porque não constitui uma ocupação a par de outra, mas é a ocupação única, a de amar a Deus, que anima e transfigura toda a acção em Cristo Jesus. 2669. A oração da Igreja venera e honra o Coração de Jesus, tal como invoca o seu santíssimo Nome. Adora o Verbo encarnado e o seu Coração que, por amor dos homens, Se deixou trespassar pelos nossos pecados. A oração cristã gosta de percorrer o caminho da cruz (Via-Sacra) no seguimento do Salvador. As estações, do Pretório ao Gólgota e ao túmulo, assinalam o caminho de Jesus que, pela sua santa cruz, remiu o mundo. «VINDE, ESPÍRITO SANTO» 2670. «Ninguém pode dizer “Jesus é o Senhor”, a não ser pela acção do Espírito Santo» (1 Cor 12, 3). Todas as vezes que começamos a orar a Jesus, é o Espírito Santo que, pela sua graça preveniente, nos atrai para o caminho da oração. Uma vez que Ele nos ensina a orar lembrando-nos Cristo, como orar-Lhe a Ele próprio? A Igreja convida-nos, pois, a implorar cada dia o Espírito Santo, especialmente no princípio e no fim de qualquer acto importante. «Se o Espírito Santo não deve ser adorado, como é que Ele me diviniza pelo Baptismo? E se deve ser adorado, não há-de ser objecto dum culto particular?» (16). 2671. A forma tradicional de pedir o Espírito é invocar o Pai, por Cristo, nosso Senhor, para que nos dê o Espírito Consolador (17). Jesus insiste nesta petição em seu nome no próprio momento em que promete o dom do Espírito de verdade (18). Mas também é tradicional a oração mais simples e mais directa: «Vinde, Espírito Santo». Cada tradição litúrgica desenvolveu-a em antífonas e hinos: «Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor» (19). «Rei celeste, Espírito consolador, Espírito da verdade, presente em toda a parte e tudo enchendo, tesouro de todo o bem e fonte da vida, vem, habita em nós, purifica-nos e salva-nos, Tu que és Bom!» (20). 2672. O Espírito Santo, cuja unção impregna todo o nosso ser, é o mestre interior da oração cristã. É o artífice da tradição viva da oração. Há, é certo, tantos caminhos na oração como orantes; mas é o mesmo Espírito que age em todos e com todos. É na comunhão do Espírito Santo que a oração cristã é oração na Igreja. EM COMUNHÃO COM A SANTA MÃE DE DEUS 2673. Na oração, o Espírito Santo une-nos à pessoa do Filho Único, na sua humanidade glorificada. É por ela e nela que a nossa oração filial comunga, na Igreja, com a Mãe de Jesus (21). 2674. Desde o consentimento prestado na fé à Anunciação e mantido sem hesitação ao pé da cruz, a maternidade de Maria estende-se aos irmãos e irmãs do seu Filho ainda peregrinos e que caminham entre perigos e angústias (22). Jesus, o único mediador, é o caminho da nossa oração; Maria, sua Mãe e nossa Mãe, é pura transparência dele: Ela «mostra o caminho» («Hodêghêtria»), é «o sinal» do caminho, segundo a iconografia tradicional no Oriente e no Ocidente. 2675. Foi a partir desta singular cooperação de Maria com a acção do Espírito Santo que as Igrejas cultivaram a oração à santa Mãe de Deus, centrando-a na pessoa de Cristo manifestada nos seus mistérios. Nos inúmeros hinos e antífonas em que esta oração se exprime, alternam habitualmente dois movimentos: um «magnifica» o Senhor pelas «maravilhas» que fez pela sua humilde serva e, através d’Ela, por todos os seres humanos (23); o outro confia à Mãe de Jesus as súplicas e louvores dos filhos de Deus, pois Ela agora conhece a humanidade que n’Ela foi desposada pelo Filho de Deus. 2676. Este duplo movimento de oração a Maria encontrou uma expressão privilegiada na oração da «Ave-Maria»: «Ave, Maria (alegrai-vos, Maria)». A saudação do anjo Gabriel abre esta oração. É o próprio Deus que, por intermédio do seu anjo, saúda Maria. A nossa oração ousa retomar a saudação a Maria com o olhar que Deus pôs na sua humilde serva (24), alegrando-nos com a alegria que Ele n’Ela encontra (25). «Cheia de graça, o Senhor é convosco». As duas palavras da saudação do anjo esclarecem-se mutuamente. Maria é cheia de graça, porque o Senhor está com Ela. A graça de que Ela é cumulada é a presença d’Aquele que é a fonte de toda a graça. «Solta brados de alegria […] filha de Jerusalém […]; o Senhor teu Deus está no meio de ti» (Sf 3, 14. 17a). Maria, em quem o próprio Senhor vem habitar, é em pessoa a filha de Sião, a arca da aliança, o lugar onde reside a glória do Senhor: é «a morada de Deus com os homens» (Ap 21, 3). «Cheia de graça», Ela dá-se toda Aquele que n’Ela vem habitar e que Ela vai dar ao mundo. «Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus». Depois da saudação do anjo, fazemos nossa a de Isabel. «Cheia […] do Espírito Santo» (Lc 1, 41), Isabel é a primeira, na longa sequência das gerações, a declarar Maria bem-aventurada (26): «Feliz d’Aquela que acreditou…» (Lc 1, 45); Maria é «bendita entre as mulheres», porque acreditou no cumprimento da Palavra do Senhor. Abraão, pela sua fé, tornou-se uma bênção «para todas as nações da terra» (Gn 12, 3). Pela sua fé, Maria tornou-se a mãe dos crentes, graças a quem todas as nações da terra recebem Aquele que é a própria bênção de Deus: Jesus, «fruto bendito do vosso ventre». 2677. «Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós…». Com Isabel, também nós ficamos maravilhados: «E de onde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 43). Porque nos dá Jesus, seu Filho, Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos confiar-lhe todas as nossas preocupações e pedidos: Ela ora por nós como orou por si própria: «Faça-se em Mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Confiando-nos à sua oração, abandonamo-nos com Ela à vontade de Deus: «Seja feita a vossa vontade». «Rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte». Pedindo a Maria que rogue por nós, reconhecemo-nos pobres pecadores e recorremos à «Mãe de misericórdia», à «Santíssima». Confiamo-nos a Ela «agora», no hoje das nossas vidas. E a nossa confiança alarga-se para lhe confiar, desde agora, «a hora da nossa morte». Que Ela esteja então presente como na morte do seu Filho na cruz e que, na hora do nosso passamento, Ela nos acolha como nossa Mãe (27), para nos levar ao seu Filho Jesus, no Paraíso. 2678. A piedade medieval do Ocidente propagou a oração do rosário como substituto popular da Liturgia das Horas. No Oriente, a forma litânica do akáthistos e da paráclêsis ficou mais próxima do ofício coral nas Igrejas bizantinas, ao passo que as tradições arménia, copta e siríaca preferiram os hinos e cânticos populares à Mãe de Deus. Mas, na Ave-Maria, nas theotokía, nos hinos de Santo Efrém ou de São Gregório de Narek, a tradição da oração é fundamentalmente a mesma. 2679. Maria é a orante perfeita, figura da Igreja. Quando Lhe oramos, aderimos com Ela ao desígnio do Pai, que envia o seu Filho para salvar todos os homens. Como o discípulo amado, nós acolhemos em nossa casa (28) a Mãe de Jesus que se tornou Mãe de todos os viventes. Podemos orar com Ela e orar-Lhe a Ela. A oração da Igreja é como que sustentada pela oração de Maria. Está-lhe unida na esperança (29). Resumindo: 2680. A oração é principalmente dirigida ao Pai. Igualmente se dirige a Jesus, nomeadamente pela invocação do seu santo Nome: «Jesus Cristo, Filho de Deus, Senhor, tende piedade de nós, pecadores!». 2681. «Ninguém pode dizer: “Jesus é o Senhor”, a não ser pela acção do Espírito Santo» (1 Cor 12, 3). A Igreja convida-nos a invocar o Espírito Santo como mestre interior da oração cristã. 2682. Em virtude da sua singular cooperação com a acção do Espírito Santo, a Igreja gosta de orar em comunhão com a Virgem Maria, para enaltecer com Ela as grandes coisas que Deus n’Ela realizou e para Lhe confiar súplicas e louvores. ARTIGO 3 GUIAS PARA A ORAÇÃO UMA NUVEM DE TESTEMUNHAS 2683. As testemunhas que nos precederam no Reino (30), especialmente aquelas que a Igreja reconhece como «santos», participam na tradição viva da oração pelo exemplo da sua vida, pela transmissão dos seus escritos e pela sua oração actual. Elas contemplam a Deus, louvam-n’ O e não cessam de tomar a seu cuidado os que deixaram na terra. Tendo entrado «na alegria» do seu Senhor, foram «estabelecidas à frente de muita coisa» (31). A sua intercessão é o mais alto serviço que prestam ao desígnio de Deus. Podemos e devemos pedir-lhes que intercedam por nós e por todo o mundo. 2684. Na comunhão dos santos desenvolveram-se, ao longo da história das Igrejas diversas espiritualidades. O carisma pessoal duma testemunha do amor de Deus pelos homens pode ter sido transmitido, como o espírito de Elias o foi a Eliseu (32) e a João Baptista (33), para que haja discípulos que partilhem desse espírito (34). Uma espiritualidade está também na confluência doutras correntes, litúrgicas e teológicas, e testemunha a inculturação da fé num determinado meio humano e na respectiva história. As espiritualidades cristãs participam na tradição viva da oração e são guias indispensáveis para os fiéis. Reflectem, na sua rica diversidade, a pura e única luz do Espírito Santo. «O Espírito é verdadeiramente o lugar dos santos. E o santo é, para o Espírito, um lugar próprio, pois se oferece para habitar com Deus e é chamado seu templo»(35). SERVOS DA ORAÇÃO 2685. A família cristã é o primeiro lugar da educação para a oração. Fundada no sacramento do Matrimónio, é «a igreja doméstica» na qual os filhos de Deus aprendem a orar «em igreja» e a perseverar na oração. Particularmente para os filhos pequenos, a oração familiar quotidiana é o primeiro testemunho da memória viva da Igreja pacientemente despertada pelo Espírito Santo. 2686. Os ministros ordenados são também responsáveis pela formação na oração dos seus irmãos e irmãs em Cristo. Servos do Bom Pastor, são ordenados para guiar o povo de Deus até às fontes vivas da oração: a Palavra de Deus, a Liturgia, a vida teologal, o «hoje» de Deus nas situações concretas (36). 2687. Muitos religiosos têm consagrado toda a sua vida à oração. Depois dos anacoretas do deserto do Egipto, eremitas, monges e monjas têm dedicado o seu tempo ao louvor de Deus e à intercessão pelo seu povo. A vida consagrada não se mantém nem se propaga sem a oração; é uma das fontes vivas da contemplação e da vida espiritual na Igreja. 2688. A catequese das crianças, dos jovens e dos adultos visa a que a Palavra de Deus seja meditada na oração pessoal, actualizada na oração litúrgica e interiorizada em todo o tempo, para que dê fruto numa vida nova. A catequese é também o momento em que se pode purificar e educar a piedade popular (37). A memorização das orações fundamentais oferece um suporte indispensável à vida de oração, mas é importante que se faça saborear o seu sentido (38). 2689. Grupos de oração e até «escolas de oração» são hoje um dos sinais e um dos estímulos da renovação da oração na Igreja, na condição de irem beber às fontes autênticas da oração cristã. A preocupação com a comunhão é sinal da verdadeira oração na Igreja. 2690. O Espírito Santo concede a certos fiéis dons de sabedoria, de fé e de discernimento, em vista deste bem comum que é a oração (direcção espiritual). Aqueles e aquelas que de tais dons são dotados, são verdadeiros ministros da tradição viva da oração: É por isso que a alma que quer progredir na perfeição deve, segundo o conselho de São João da Cruz, «olhar em que mãos se põe, porque, qual o mestre, tal será o discípulo, e tal pai, tal filho». E ainda: o guia, «além de sábio e discreto, é mister que seja experimentado» […]. Se o guia espiritual «não tem experiência do que é puro e verdadeiro espírito, não atinará a encaminhar nele, quando Deus lho dá, nem ainda o poderia entender» (39). LUGARES FAVORÁVEIS À ORAÇÃO 2691. A igreja, casa de Deus, é o lugar próprio da oração litúrgica para a comunidade paroquial. É também o lugar privilegiado para a adoração da presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento. A escolha dum lugar favorável não é indiferente para a verdade da oração: – para a oração pessoal, pode servir um «recanto de oração», com a Sagrada Escritura e ícones (imagens) para aí se estar «no segredo» diante do Pai (40). Numa família cristã, este género de pequeno oratório favorece a oração em comum; – nas regiões onde existem mosteiros, tais comunidades estão vocacionadas para favorecer a participação dos fiéis na Liturgia das Horas e permitir a solidão necessária para uma oração pessoal mais intensa (41); – as peregrinações evocam a nossa marcha na terra para o céu. São tradicionalmente tempos fortes duma oração renovada. Os santuários são, para os peregrinos à procura das suas fontes vivas, lugares excepcionais para viver «em Igreja» as formas da oração cristã. Resumindo: 2692. Na sua oração, a Igreja peregrina associa-se à dos santos, cuja intercessão solicita. 2693. As diferentes espiritualidades cristãs participam na tradição viva da oração e são guias preciosos da vida espiritual. 2694. A família cristã é o primeiro lugar da educação para a oração. 2695. Os ministros ordenados, a vida consagrada, a catequese, os grupos de oração, a «direcção espiritual» prestam, na Igreja, ajuda d oração. 2696. Os lugares mais favoráveis para a oração são: o oratório pessoal ou familiar, os mosteiros, os santuários de peregrinação e, sobretudo, a igreja, que é o lugar próprio da oração litúrgica para a comunidade paroquial e o lugar privilegiado da adoração eucarística. 1. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821. 2. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821. ‘ 3. Cf. Jo 4, 14. 4. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum,25: AAS 58 (1966) 829; cf. Santo Ambrósio, De officiis ministrorum, 1, 88: ed. N. Testard (Paris 1984) p. 138 (PL 16, 50). 5. Guigo, O Cartuxo, Scala claustralium, 2, 2: PL 184, 476. Entretanto, estas palavras não foram retidas no texto da edição crítica SC 163, 84; veja-se aí o aparato crítico. 6. Instrução geral da Liturgia das Horas, 9: Liturgia Horarum, editio typica, v. 1 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 25 [Liturgia das Horas, v. 1 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 27]. 7. São João Maria Baptista Vianney, Oração, In B. Nodet, Le Cure d’Ars. Sa pensée-son coeur (Le Puy 1966) p. 45. 8. Cf. Mt 6, 11.34. 9. Cf. Lc 13, 20-21. 10. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822. 11. Cf. Ex 3, 14; 33, 19-23. 12. Cf. Mt 1, 21. ‘ 13. Cf. Rm 10, 13; Act 2, 21; 3, 15-16; Gl 2, 20. 14. Cf. Lc 18, 13; Mc 10, 46-52. 15. Cf. Lc 8, 15. 16. São Gregório de Nazianzo, Oratio 31 (theologica 5), 28: SC 250, 332 (PG 36, 165). 17. Cf. Lc 11, 13. 18. Cf. Jo 14, 17; 15, 26; 16, 13. 19. Solenidade de Pentecostes, Antífona do «Magnificat» nas I Vésperas: Liturgia Horarum, editio typica, v. 2 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 798 [Liturgia das Horas, v. 2 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 930]; cf. Solenidade de Pentecostes, Sequência na Missa do dia: Lectionarium, v. 1, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970) p. 855-856 [Leccionário Dominical. Ano A (Coimbra, Gráfica de Coimbra – Conferência Episcopal Portuguesa, 1993) p. 238]. 20. Ofício das Horas Bizantino, Vésperas do dia de Pentecostes, Sticherum 4: Pentêkostárion (Rome 1884) p. 394. 21. Cf. Act 1, 14. 22. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 62: AAS 57 (1965) 63. 23. Cf. Lc 1, 46-55. 24. Cf. Lc 1, 48. s 25. Cf. Sf 3, 17. 26. Cf. Lc 1, 48. 27. Cf. Jo 19, 27. 28. Cf. Jo 19, 27. 29. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 68-69: AAS 57 (1965) 66-67. 30. Cf. Heb 12, 1. 31. Cf. Mt 25, 21. 32. Cf. 2 Rs 2, 9. 33. Cf. Lc 1, 17. 34. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Perfectae caritatis, 2: AAS 58 (1966) 703. 35. São Basílio Magno, De Spiritu Sancto, 26, 62: SC 17bis, 472 (PG 32, 184). 36. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Presbyterorum ordinis, 4-6: AAS 58 (1966) 995-1001. 37. Cf. João Paulo II, Ex. Ap. Catechesi tradendae, 54: AAS 71 (1979) 1321-1322. 38. Cf. João Paulo II, Ex. Ap. Catechesi tradendae, 55: AAS 71 (1979) 1322-1323. 39. São João da Cruz, Llama de amor viva, redactio segunda, stropha 3, declaratio 30: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 13 (Burgos 1931) p. 171. [São João da Cruz, Chama viva de amor, III 30: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições do Carmelo 1986) p. 909]. 40. Cf. Mt 6, 6. 41. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Perfectae caritatis, 7: AAS 58 (1966) 705. #CAPÍTULOSEGUNDO26502696 #fé #ARTIGO1NASFONTESDAORAÇÃO #catecismodaigrejacatólica #QUARTAPARTEAORAÇÃOCRISTÃ #catecismo

  • SARAMAGO SEGUNDO NOSSO SENHOR – Rodrigo Emílio

    [José Saramago, grande inimigo de Deus, continua sendo uma pequena divindade pagã muito cultuada na universidade. Onde estão escondidos os milagres literários do escritor português? Como toda seita esotérica, só os iniciados conseguem vê-los. O título do poema a seguir, do português Rodrigo Emílio, “Saramago Segundo Nosso Senhor”, parodia o título de um famoso romance de Saramago, O Evangelho Segundo Jesus Cristo . O poema foi musicado por José Campos e Souza; veja abaixo, no Youtube]. Est’ano, Senhora, trago Comigo um pesado encargo, Intenção extra e concisa: A de orar por Saramago Que, coitado, bem precisa. Não tivesse Cristo-Rei Um tão imenso fair-play E já irmão Saramago Agora teria pago, Com juro e língua de palmo, O seu sacrílego salmo… José Saramago, visto Ao vivo por Jesus Cristo… Saramago, o escritor, Biografadinho e descrito Segundo Nosso Senhor: Havia de ser bonito!… O que o salva é Cristo-Rei Ter um tão grande fair-play, Quando não Virgem Maria. Esse Evangelho vermelho Onde é que já não estaria? Proponho assim, por descargo — Como quem dá a camisa — Rezarmos por Saramago, Que bem precisa, coitado!… Mãe dos Céus, oh se precisa!

  • 2566-2649 | CAPÍTULO PRIMEIRO

    CAPÍTULO PRIMEIRO A REVELAÇÃO DA ORAÇÃO O apelo universal à oração 2566. O homem anda à procura de Deus. Pela criação, Deus chama todos os seres do nada à existência. Coroado de glória e esplendor (1), o homem, depois dos anjos, é capaz de reconhecer «que o nome do Senhor é grande em toda a terra» (2). Mesmo depois de, pelo pecado, ter perdido a semelhança com Deus, o homem continua a ser à imagem do seu Criador. Conserva o desejo d’Aquele que o chama à existência. Todas as religiões testemunham esta busca essencial do homem (3). 2567. Mas é Deus que primeiro chama o homem. Muito embora o homem se esqueça do seu Criador ou se esconda da sua face, corra atrás dos ídolos ou acuse a divindade de o ter abandonado, o Deus vivo e verdadeiro chama incansavelmente cada pessoa ao misterioso encontro da oração. Na oração, é sempre o amor do Deus fiel a dar o primeiro passo; o passo do homem é sempre uma resposta. A medida que Deus Se revela e revela o homem a si mesmo, a oração surge como um apelo recíproco, um drama de aliança. Através das palavras e dos actos, este drama compromete o coração e manifesta-se ao longo de toda a história da salvação. ARTIGO 1 NO ANTIGO TESTAMENTO 2568. A revelação da oração no Antigo Testamento inscreve-se entre a queda e o levantar-se do homem, entre o doloroso chamamento de Deus pelos seus primeiros filhos: «Onde estás? […] Porque fizeste isso?» (Gn 3, 9,13), e a resposta do Filho único, ao entrar neste mundo: «Eis que venho, […] ó Deus, para fazer a tua vontade» (Heb 10, 7) (4). A oração está assim ligada à história dos homens; é a relação com Deus nos acontecimentos da história. A CRIAÇÃO – FONTE DA ORAÇÃO 2569. Antes de mais, é a partir das realidades da criação que a oração se vive. Os nove primeiros capítulos do Génesis descrevem esta relação com Deus como oferta das primeiras crias do rebanho por Abel (5), como invocação do nome divino por Henoc (6), como «caminhada com Deus» (7). A oferenda de Noé é «agradável» a Deus que o abençoa e, através dele, abençoa toda a criação (8) porque o seu coração é justo e íntegro. Também ele «anda com Deus» (Gn 6, 9). Esta qualidade da oração é vivida por uma multidão de justos em todas as religiões. Na sua aliança indefectível com os seres vivos (9), Deus está sempre a chamar os homens para lhe rezarem. Mas é sobretudo a partir do nosso pai Abraão que a oração se revela no Antigo Testamento. A PROMESSA E A ORAÇÃO DA FÉ 2570. Quando Deus o chama, Abraão parte «como o Senhor lhe tinha mandado» (Gn 12, 4). O seu coração está completamente «submetido à Palavra»: ele obedece. A escuta do coração que se decide em conformidade com Deus é essencial à oração; as palavras têm um valor relativo. Mas a oração de Abraão exprime-se, antes de mais, em actos: homem de silêncio, constrói, em cada etapa, um altar ao Senhor. Só mais tarde é que aparece a sua primeira oração por palavras: uma queixa velada que lembra a Deus as suas promessas que não parecem cumprir-se (10). Assim nos aparece, desde o princípio, um dos aspectos do drama da oração: a prova da fé na fidelidade de Deus. 2571. Tendo acreditado em Deus (11) caminhando na sua presença e em aliança com Ele (12), o patriarca está pronto para acolher na sua tenda o Hóspede misterioso: é a admirável hospitalidade de Mambré, prelúdio da Anunciação do verdadeiro Filho da promessa (13). Desde então, tendo-lhe Deus confiado o seu desígnio, o coração de Abraão fica em sintonia com a compaixão do seu Senhor pelos homens e ousa interceder por eles com uma confiança audaciosa (14). 2572. Como última purificação da sua fé, é pedido ao «depositário das promessas» (Heb 11, 17) que sacrifique o filho que Deus lhe deu. A sua fé não vacila: «Deus proverá quanto ao cordeiro para o holocausto» (Gn 22, 8), «porque Deus, pensava ele, é capaz até de ressuscitar os mortos» (Heb 11, 19). E assim, o pai dos crentes conformou-se com a semelhança do Pai que não poupará o seu próprio Filho, mas O entregará por todos nós (15). A oração restaura o homem na semelhança com Deus e fá-lo participante no poder do amor de Deus que salva a multidão (16). 2573. Deus renova a sua promessa a Jacob, o antepassado das doze tribos de Israel (17). Antes de enfrentar o seu irmão Esaú, ele luta durante uma noite inteira com «alguém», um ser misterioso que se nega a revelar o seu nome, mas que o abençoa, antes de o deixar, ao raiar da aurora. A tradição espiritual da Igreja divisou nesta narrativa o símbolo da oração como combate da fé e vitória da perseverança (18). MOISÉS E A ORAÇÃO DO MEDIADOR 2574. Quando começa a realizar-se a promessa (a Páscoa, o Êxodo, o dom da Lei e a conclusão da Aliança), a oração de Moisés é a tocante figura da oração de intercessão, que terá a sua realização no «Mediador único entre Deus e os homens, Cristo Jesus» (1 Tm 2, 5). 2575. Também aqui, a iniciativa é de Deus. Ele chama Moisés do meio da sarça ardente (19). Este acontecimento ficará como uma das figuras primordiais da oração na tradição espiritual judaica e cristã. Com efeito, se «o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob» chama o seu servo Moisés, é porque Ele é o Deus vivo, que quer a vida dos homens. Revela-Se para os salvar, mas não sozinho nem apesar deles: chama Moisés para o enviar, para o associar à sua compaixão, à sua obra de salvação. Há como que uma imploração divina nesta missão e Moisés, após um longo debate, conformará a sua vontade com a de Deus salvador. Mas neste diálogo em que Deus Se confia, Moisés também aprende a orar: esquiva-se, objecta e, sobretudo, interroga. E é em resposta à sua pergunta que o Senhor lhe confia o seu Nome inefável, o qual se revelará nas suas magníficas proezas. 2576. «O Senhor falava com Moisés frente a frente, como um homem fala com o seu amigo» (Ex 33, 11). A oração de Moisés é o tipo da contemplação, graças à qual o servo de Deus se mantém fiel à sua missão. Moisés «conversa» muitas vezes e demoradamente com o Senhor, subindo à montanha para O ouvir e O implorar, descendo depois até junto do povo para lhe repetir as palavras do seu Deus e o guiar. «Eu estabeleci-o sobre toda a minha casa! Falo com ele frente a frente, à vista e não por enigmas» (Nm 12, 7-8), porque «Moisés era um homem deveras humilde, mais que todos os homens que há sobre a face da terra (Nm 12, 3). 2577. Nesta intimidade com o Deus fiel, lento em irar-Se e cheio de amor (20), Moisés hauriu a força e a tenacidade da sua intercessão. Ele não ora por si, mas pelo povo que Deus adquiriu para Si. Já durante o combate com os amalecitas (21) ou para obter a cura de Miriam (22), Moisés foi intercessor. Mas foi sobretudo após a apostasia do povo que ele «se mantém na brecha» diante de Deus (Sl 106, 23), para salvar o mesmo povo (23). Os argumentos da sua oração (a intercessão também é um combate misterioso) irão inspirar a audácia dos grandes orantes, tanto do povo judaico como da Igreja: Deus é amor e, portanto, é justo e fiel; Ele não pode contradizer-Se; há-de, por conseguinte, lembrar-Se das suas acções maravilhosas; está em jogo a sua glória; Ele não pode abandonar o povo que tem o seu nome. DAVID E A ORAÇÃO DO REI 2578. A oração do povo de Deus vai expandir-se à sombra da morada de Deus: a arca da aliança e, mais tarde, o templo. São, em primeiro lugar os condutores do povo – os pastores e os profetas – que o ensinarão a orar. O pequeno Samuel teve de aprender de Ana, sua mãe, o modo como devia «comportar-se na presença do Senhor» (24), e do sacerdote Eli, como devia escutar a sua Palavra: «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta» (1 Sm 3, 9-10). Mais tarde, também ele conhecerá o peso e o preço da intercessão: «Longe de mim também este pecado contra o Senhor: deixar de rogar por vós! Eu vos mostrarei sempre o caminho bom e recto» (1 Sm 12, 23). 2579. David é, por excelência, o rei «segundo o coração de Deus», o pastor que ora pelo seu povo e em nome dele, aquele cuja submissão à vontade de Deus, cujo louvor e cujo arrependimento serão o modelo da oração do povo. Ungido de Deus, a sua oração é adesão fiel à promessa divina (25), confiança amorosa e alegre n’Aquele que é o único Rei e Senhor. Nos salmos, inspirado pelo Espírito Santo, David é o primeiro profeta da oração judaica e cristã. A oração de Cristo, verdadeiro Messias e Filho de David, há-de revelar e dar pleno sentido dessa oração. 2580. O templo de Jerusalém, a casa de oração que David queria construir, será obra do seu filho Salomão. A oração da Dedicação do templo (26) apoia-se na promessa de Deus e na sua aliança, na presença activa do seu nome no meio do seu povo e na memória das magníficas proezas do êxodo. O rei levanta então as mãos para o céu e suplica ao Senhor por si próprio, por todo o povo, pelas gerações futuras, pelo perdão dos seus pecados e pelas suas necessidades de cada dia, para que todas as nações saibam que Ele é o único Deus e o coração do seu povo Lhe pertença inteiramente. ELIAS, OS PROFETAS E A CONVERSÃO DO CORAÇÃO 2581. O templo devia ser, para o povo de Deus, o lugar da sua educação para a oração: as peregrinações, as festas, os sacrifícios, a oblação vespertina, o incenso, os «pães da proposição», todos esses sinais da santidade e da glória do Deus altíssimo e tão próximo, eram apelos e caminhos de oração. Muitas vezes, porém, o ritualismo arrastava o povo para um culto demasiadamente exterior. Faltava-lhe a educação da fé e a conversão do coração. Foi essa a missão dos profetas, antes e depois do Exílio. 2582. Elias é o pai dos profetas, da geração dos que procuram a Deus, dos que procuram a face do Deus de Jacob (27). O seu nome – «O Senhor é o meu Deus» – é prenúncio do grito do povo em resposta à sua oração no monte Carmelo (28). São Tiago remete para ele quando nos incita à oração: «Muito pode a oração persistente dum justo» (Tg 5, 16) (29). 2583. Depois de ter aprendido a misericórdia no seu retiro na torrente de Querit, ensina à viúva de Sarepta a fé na Palavra de Deus, fé que ele confirma com a sua oração insistente: Deus faz voltar à vida o filho da viúva (30). Aquando do sacrifício no monte Carmelo, prova decisiva para a fé do povo de Deus, é em resposta à sua súplica que o fogo do Senhor consome o holocausto, «à hora de oferecer o sacrifício da tarde». «Responde-me, Senhor, responde-me!» são as palavras de Elias, que as liturgias orientais retomam na epiclese eucarística (31). Finalmente, retomando o caminho do deserto em direcção ao lugar onde o Deus vivo e verdadeiro Se revelou ao seu povo, Elias recolheu-se, como Moisés, «na cavidade do rochedo», até «passar» a presença misteriosa de Deus (32). Mas será somente no monte da transfiguração que Se mostrará sem véu Aquele cuja face eles procuravam (33): o conhecimento da glória de Deus está na face de Cristo, crucificado e ressuscitado (34). 2584. É no «a sós com Deus» que os profetas vão haurir luz e força para a sua missão. A sua oração não é uma fuga do mundo infiel, mas uma escuta da Palavra de Deus, às vezes um debate ou uma queixa e sempre uma intercessão que espera e prepara a intervenção do Deus Salvador, Senhor da história (35). OS SALMOS, ORAÇÃO DA ASSEMBLEIA 2585. De David até à vinda do Messias, os livros sagrados contêm textos de oração que atestam como esta se foi tornando mais profunda, quer feita em favor de si mesmo quer pelos outros (36). Os salmos foram a pouco e pouco reunidos numa colectânea de cinco livros: os Salmos (ou «Louvores»), obra-prima da oração no Antigo Testamento. 2586. Os salmos nutrem e exprimem a oração do povo de Deus enquanto assembleia, por ocasião das grandes festas em Jerusalém e em cada sábado nas sinagogas. Esta oração é inseparavelmente pessoal e comunitária; diz respeito aos que a fazem e a todos os homens; sobe da Terra Santa e das comunidades da Diáspora, mas abraça toda a criação; recorda os acontecimentos salvíficos do passado, mas estende-se até à consumação da história; faz memória das promessas de Deus já realizadas, mas espera o Messias que as cumprirá definitivamente. Rezados por Cristo e n’Ele realizados, os salmos continuam a ser essenciais para a oração da sua Igreja (37). 2587. O Saltério é o livro em que a Palavra de Deus se torna oração do homem. Nos outros livros do Antigo Testamento, «as palavras declaram as obras» (de Deus a favor dos homens) «e esclarecem o mistério nelas contido» (38). No Saltério, as palavras do salmista exprimem, cantando-as para Deus, as suas obras de salvação. É o mesmo Espírito que inspira, tanto a obra de Deus, como a resposta do homem. Cristo unirá uma e outra. N’Ele, os salmos não cessam de nos ensinar a orar. 2588. As expressões multiformes da oração dos salmos tomam forma, ao mesmo tempo, na liturgia do templo e no coração do homem. Quer se trate dum hino, duma oração de aflição ou de acção de graças, de súplica individual ou comunitária, dum cântico real ou de peregrinação, ou ainda duma meditação sapiencial, os salmos são o espelho das maravilhas de Deus na história do seu povo e das situações humanas vividas pelo salmista. Um salmo pode reflectir um acontecimento do passado, mas reveste-se de tal sobriedade que pode com verdade ser rezado pelos homens de qualquer condição e de todos os tempos. 2589. Há traços constantes e comuns a todos os salmos: a simplicidade e a espontaneidade da oração; o desejar Deus em pessoa, através e com tudo o que é bom na sua criação; a situação desconfortável do crente que, no seu amor de preferência pelo Senhor, tem de se confrontar com uma multidão de inimigos e de tentações; a certeza do seu amor e a entrega à sua vontade, enquanto espera o que o Deus fiel fará. A oração dos salmos é sempre animada pelo louvor; e é por isso que o título desta colectânea corresponde bem ao que ela nos oferece: «Os Louvores». Coligida para o culto da assembleia, faz-nos ouvir o apelo à oração e canta a resposta ao mesmo apelo: «Hallelou-Ya» (Aleluia)! «Louvai ao Senhor!». «Haverá coisa melhor que um salmo? É por isso que David diz, e muito bem: “Louvai o Senhor, porque salmodiar é bom: para o nosso Deus, louvor suave e belo!” E é verdade. Porque o salmo é uma bênção cantada pelo povo, louvor de Deus cantado pela assembleia, aplauso de todos, palavra universal, voz da Igreja, melodiosa profissão de fé…» (39). Resumindo: 2590. «A oração é a elevação da alma para Deus ou o pedido feito a Deus de bens convenientes» (40). 2591. Deus não se cansa de chamar cada um, pessoalmente, para o encontro misterioso com Ele. A oração acompanha toda a história da salvação, como um apelo recíproco entre Deus e o homem. 2592. A oração de Abraão e de Jacob apresenta-se como um combate da fé, confiante na fidelidade de Deus e na certeza da vitória prometida à perseverança. 2593. A oração de Moisés responde à iniciativa do Deus vivo, com vista à salvação do seu povo. Prefigura a oração de intercessão do único mediador, Cristo Jesus. 2594. A oração do povo de Deus expande-se à sombra da morada de Deus, a arca da aliança e o templo, sob a guia dos pastores, nomeadamente do rei David e dos profetas. 2595. Os profetas convidam à conversão do coração e, procurando ardentemente a face de Deus, como Elias, intercedem pelo povo. 2596. Os salmos constituem a obra-prima da oração no Antigo Testamento. Apresentam duas componentes inseparáveis: a pessoal e a comunitária. Estendem-se a todas as dimensões da história, comemorando as promessas de Deus já cumpridas e esperando a vinda do Messias. 2597. Rezados por Cristo e n’Ele realizados, os salmos são um elemento essencial e permanente da oração da sua Igreja. Adaptam-se aos homens de qualquer condição e de todos os tempos. ARTIGO 2 NA PLENITUDE DO TEMPO 2598. O drama da oração é-nos plenamente revelado no Verbo que Se faz carne e habita entre nós. Procurar compreender a sua oração através do que as suas testemunhas dela nos dizem no Evangelho, é aproximar-nos do santo Senhor Jesus como da sarça ardente: primeiro, contemplando-o a Ele próprio em oração; depois, escutando como Ele nos ensina a rezar, para, finalmente, conhecermos como é que Ele atende a nossa oração. JESUS ORA 2599. O Filho de Deus, feito Filho da Virgem, aprendeu a orar segundo o seu coração de homem. Aprendeu as fórmulas de oração com a sua Mãe, que conservava e meditava no seu coração todas as «maravilhas» feitas pelo Omnipotente (41). Ele ora com as palavras e nos ritmos da oração do seu povo, na sinagoga de Nazaré e no Templo. Mas a sua oração brotava duma fonte muito mais secreta, como deixa pressentir quando diz, aos doze anos: «Eu devo ocupar-me das coisas do meu Pai» (Lc 2, 49). Aqui começa a revelar-se a novidade da oração na plenitude dos tempos: a oração filial, que o Pai esperava dos seus filhos, vai finalmente ser vivida pelo próprio Filho Único na sua humanidade, com e para os homens. 2600. O Evangelho segundo São Lucas sublinha a acção do Espírito Santo e o sentido da oração no ministério de Cristo. Jesus ora antes dos momentos decisivos da sua missão: antes de o Pai dar testemunho d’Ele aquando do seu baptismo (42) e da sua transfiguração (43) e antes de cumprir, pela paixão, o desígnio de amor do Pai (44). Reza também antes dos momentos decisivos que vão decidir a missão dos seus Apóstolos: antes de escolher e chamar os Doze (45), antes de Pedro O confessar como o «Cristo de Deus» (46) e para que a fé do chefe dos Apóstolos não desfaleça na tentação (47). A oração de Jesus antes dos acontecimentos da salvação de que o Pai O encarrega, é uma entrega humilde e confiante da sua vontade à vontade amorosa do Pai. 2601. «Estando um dia Jesus em oração em certo lugar, quando acabou disse-Lhe um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar» (Lc 11, 1). Não é, porventura, ao contemplar primeiro o seu Mestre em oração, que o discípulo de Cristo sente o desejo de orar? Pode então aprendê-la com o mestre da oração. É contemplando e escutando o Filho que os filhos aprendem a orar ao Pai. 2602. Jesus retira-Se muitas vezes sozinho para a solidão, no cimo da montanha, preferentemente de noite, a fim de orar (48). Na sua oração Ele leva os homens, porquanto Ele próprio assumiu a humanidade na sua encarnação, e oferece-os ao Pai oferecendo-Se a Si mesmo. Ele, o Verbo que «assumiu a carne», na sua oração humana partilha tudo quanto vivem os «seus irmãos» (49); e compadece-Se das suas fraquezas para os livrar delas (50). Foi para isso que o Pai O enviou. As suas palavras e as suas obras aparecem então como a manifestação visível da sua oração «no segredo». 2603. Os evangelistas retiveram duas orações mais explícitas de Cristo durante o seu ministério. E ambas começam por uma acção de graças. Na primeira (51), Jesus louva o Pai, reconhece-O e bendi-Lo por ter escondido os mistérios do Reino aos que se julgavam sábios e os ter revelado aos «pequeninos» (os pobres das bem-aventuranças). O seu estremecimento – «Sim Pai!» – revela o íntimo do seu coração, a sua adesão ao «beneplácito» do Pai, como um eco do «Fiat» da sua Mãe aquando da sua concepção e como prelúdio do que Ele próprio dirá ao Pai na sua agonia. Toda a oração de Jesus está nesta adesão amorosa do seu coração de homem ao «mistério da vontade» do Pai (52). 2604. A segunda oração é referida por São João (53), antes da ressurreição de Lázaro. A acção de graças precede o acontecimento: «Pai, Eu Te dou graças por Me teres escutado», o que implica que o Pai atende sempre o que Lhe pede; e Jesus acrescenta logo: «Eu bem sabia que Tu Me atendes sempre», o que implica, por seu turno, que Jesus pede constantemente. Assim, apoiada na acção de graças, a oração de Jesus revela-nos como devemos pedir: Antes de Lhe ser dado o que pede, Jesus adere Aquele que dá e Se dá nos seus dons. O Doador é mais precioso do que dom concedido, é o «tesouro», e é n’Ele que está o coração do Filho; o dom é dado «por acréscimo» (54). A oração «sacerdotal» de Jesus (55) ocupa um lugar único na economia da salvação. Será meditada no final da primeira Secção. Ela revela, de facto, a oração sempre actual do nosso Sumo-Sacerdote e, ao mesmo tempo, contém tudo quanto Ele nos ensina na nossa oração ao Pai, que será explicada na Segunda Secção. 2605. Quando chegou a Hora em que cumpriu o desígnio de amor do Pai, Jesus deixa entrever a profundidade insondável da sua oração filial, não só antes de livremente Se entregar («Abbá… não se faça a minha vontade, mas a tua»: Lc 23, 42), mas até nas suas últimas palavras já na cruz, onde orar e dar-Se coincidem: «Perdoa-lhes, ó Pai, pois não sabem o que fazem» (Lc 23, 34); «em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso» (Lc 23, 43); «Mulher, eis aí o teu filho» […] «eis aí a tua mãe» (Jo 19, 26-27); «tenho sede!» (Jo 19, 28); «meu Deus, por que Me abandonaste?» (Mc 15, 34) (56); «tudo está consumado» (Jo 19, 30); «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito» (Lc 23, 46), até ao «grande brado» com que expira, entregando o espírito (57). 2606. Todas as desolações da humanidade de todos os tempos, escrava do pecado e da morte, todas as súplicas e intercessões da história da salvação estão reunidas neste brado do Verbo encarnado. E eis que o Pai as acolhe e as atende, para além de toda a esperança, ao ressuscitar o seu Filho. Assim se cumpre e se consuma o drama da oração na economia da criação e da salvação. Dele nos dá o Saltério a chave em Cristo. É no «hoje» da ressurreição que o Pai diz: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei. Pede-Me, e Te darei as nações por herança e os confins da terra para teu domínio!» (Sl 2, 7-8) (58). A Epístola aos Hebreus exprime em termos dramáticos como é que a oração de Jesus realiza a vitória da salvação: «Nos dias da sua vida mortal, Cristo dirigiu preces e súplicas, com um forte brado e com lágrimas, Aquele que O podia livrar da morte e, por causa da sua piedade, foi atendido. Apesar de ser Filho, aprendeu, de quanto sofreu, o que é obedecer. E quando atingiu a sua plenitude, tornou-Se, para todos aqueles que Lhe obedecem, causa de salvação eterna» (Heb 5, 7-9). JESUS ENSINA A ORAR 2607. Quando ora, Jesus já nos ensina a orar. O caminho teologal da nossa oração é a sua oração ao Pai. Mas o Evangelho fornece-nos um ensinamento explícito de Jesus sobre a oração. Como bom pedagogo, toma conta de nós no ponto em que nos encontramos e, progressivamente, conduz-nos até ao Pai. Dirigindo-Se às multidões que O seguem, Jesus parte daquilo que elas já conhecem acerca da oração segundo a Antiga Aliança e abre-as à novidade do Reino que chega. Depois, revela-lhes em parábolas essa novidade. E, por fim, aos seus discípulos que hão-de ser pedagogos da oração na sua Igreja, fala abertamente do Pai e do Espírito Santo. 2608. Jesus insiste na conversão do coração desde o sermão da montanha: a reconciliação com o irmão antes de apresentar a oferta no altar (59); o amor dos inimigos e a oração pelos perseguidores (60); orar ao Pai «no segredo» (Mt 6, 6); não se perder em fórmulas palavrosas (61); perdoar do fundo do coração na oração (62); a pureza do coração e a busca do Reino (63) Esta conversão está totalmente polarizada no Pai: é filial. 2609. O coração, assim decidido a converter-se, aprende a orar na fé. A fé é uma adesão filial a Deus, para além de tudo quanto sentimos e compreendemos. Tornou-se possível, porque o Filho bem-amado nos franqueia o acesso até junto do Pai. Ele pode pedir-nos que «procuremos» e «batamos à porta», porque Ele próprio é a porta e o caminho (64). 2610. Do mesmo modo que Jesus ora ao Pai e Lhe dá graças antes de receber os seus dons, assim também nos ensina esta audácia filial: «tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o alcançastes» (Mc 11, 24). Tal é a força da oração: «tudo é possível a quem crê» (Mc 9, 23), com uma fé que não hesita (65). Assim como Jesus Se entristece por causa da «falta de fé» dos seus conterrâneos (Mc 6, 6) e da «pouca fé» dos seus discípulos (66), também Se enche de admiração perante a «grande fé» do centurião romano (67) e da cananeia (68). 2611. A oração de fé não consiste somente em dizer «Senhor, Senhor!», mas em preparar o coração para fazer a vontade do Pai (69). Jesus exorta os seus discípulos a levar para a oração esta solicitude em cooperar com o desígnio de Deus (70). 2612. Em Jesus, «o Reino de Deus está perto». Ele apela à conversão e à fé, mas também à vigilância. Na oração (Mc 1, 15), o discípulo vela, atento Aquele que é e que vem, na memória da sua primeira vinda na humildade da carne e na esperança da sua segunda vinda na glória (71). Em comunhão com o Mestre, a oração dos discípulos é um combate; é vigiando na oração que não se cai na tentação (72). 2613. São Lucas transmite-nos três parábolas principais sobre a oração. A primeira, a do «amigo importuno» (73), convida-nos a uma oração persistente: «Batei, e a porta abrir-se-vos-á». Aquele que assim ora, o Pai celeste «dará tudo quanto necessitar» e dará, sobretudo, o Espírito Santo, que encerra todos os dons. A segunda, a da «viúva importuna» (74), está centrada numa das qualidades da oração: é preciso orar sem se cansar, com a paciência da fé. «Mas o Filho do Homem, quando voltar, achará porventura fé sobre a terra?». A terceira, a do «fariseu e do publicano» (75), diz respeito à humildade do coração orante. «Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador». A Igreja não cessa de fazer sua esta oração: «Kyrie, eleison!». 2614. Quando Jesus confia abertamente aos discípulos o mistério da oração ao Pai, desvenda-lhes o que deve ser a oração deles e a nossa quando Ele tiver voltado para junto do Pai, na sua humanidade glorificada. O que há de novo agora é o «pedir em seu nome» (76). A fé n’Ele introduz os discípulos no conhecimento do Pai, porque Jesus é «o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14, 6). A fé dá os seus frutos no amor: guardar a sua Palavra, os seus mandamentos, permanecer com Ele no Pai que n’Ele nos ama ao ponto de permanecer em nós. Nesta aliança nova, a certeza de sermos atendidos nas nossas petições baseia-se na oração de Jesus (77). 2615. Mais ainda: o que o Pai nos dá, quando a nossa oração se une à de Jesus, é «o outro Paráclito, […] para ficar convosco para sempre, o Espírito de verdade» (Jo14, 16-17). Esta novidade da oração e das suas condições aparece ao longo do discurso do adeus (78). No Espírito Santo, a oração cristã é comunhão de amor com o Pai, não somente por Cristo, mas também n’Ele: «Até agora, não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para a vossa alegria ser completa» (Jo 16, 24). JESUS ATENDE A ORAÇÃO 2616. A oração a Jesus já foi sendo atendida por Ele durante o seu ministério, mediante os sinais que antecipam o poder da sua morte e ressurreição: Jesus atende a oração da fé expressa em palavras (do leproso (79), de Jairo (80), da cananeia (81), do bom ladrão (82)) ou feita em silêncio (dos que trouxeram o paralítico (83) , da hemorroíssa que Lhe tocou na veste (84), as lágrimas e o perfume da pecadora (85)). A súplica premente dos cegos: «Filho de David, tem piedade de nós!» (Mt 9, 27), ou «Jesus, filho de David, tem piedade de mim!» (Mc 10, 47), foi retomada na tradição da Oração a Jesus: «Jesus Cristo, Filho de Deus, Senhor, tem piedade de mim, pecador!». Seja a cura das doenças ou o perdão dos pecados, Jesus responde sempre à oração de quem Lhe implora com fé: «Vai em paz, a tua fé te salvou». Santo Agostinho resume admiravelmente as três dimensões da oração de Jesus: «sendo o nosso Sacerdote, ora por nós; sendo a nossa Cabeça, ora em nós; e sendo o nosso Deus, a Ele oramos. Reconheçamos, pois, n’Ele a nossa voz e a voz d’Ele em nós» (86) . A ORAÇÃO DA VIRGEM MARIA 2617. A oração de Maria é-nos revelada na aurora da plenitude dos tempos. Antes da encarnação do Filho de Deus e da efusão do Espírito Santo, a sua oração coopera de um modo único com o desígnio bene­volente do Pai, aquando da Anunciação para a concepção de Cristo (87) e aquando do Pentecostes para a formação da Igreja, corpo de Cristo (88). Na fé da sua humilde serva, o Dom de Deus encontra o acolhimento que Ele esperava desde o princípio dos tempos. Aquela que o Todo-Poderoso fez «cheia de graça» responde pelo oferecimento de todo o seu ser: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra». «Faça-se» é a oração cristã: ser todo para Ele, já que Ele é todo para nós. 2618. O Evangelho revela-nos como é que Maria ora e intercede na fé: em Caná (89), a Mãe de Jesus roga a seu Filho pelas necessidades dum banquete de bodas, sinal dum outro banquete, o das bodas do Cordeiro que dá o seu corpo e o seu sangue a pedido da Igreja, sua esposa . E é na hora da Nova Aliança, ao pé da cruz (90), que Maria é atendida como a Mulher, a nova Eva, a verdadeira «mãe dos vivos». 2619. É por isso que o cântico de Maria (91) o Magnificat latino, o Megalynárion bizantino – é, ao mesmo tempo, o cântico da Mãe de Deus e o da Igreja, cântico da Filha de Sião e do novo povo de Deus, cântico de acção de graças pela plenitude de graças derramadas na economia da salvação, cântico dos «pobres», cuja esperança se vê satisfeita pelo cumprimento das promessas feitas aos nossos pais, «em favor de Abraão e da sua descendência, para sempre». Resumindo: 2620. No Novo Testamento, o modelo perfeito da oração é a oração filial de Jesus. Feita muitas vezes na solidão, no segredo, a oração de Jesus comporta uma adesão amorosa à vontade do Pai até à cruz e uma confiança absoluta em que será atendida. 2621. Na sua doutrina, Jesus ensina os discípulos a orar com um coração purificado, uma fé viva e perseverante, uma audácia filial. Exorta-os à vigilância e convida-os a apresentar a Deus os seus pedidos em nome d’Ele. O próprio Jesus Cristo atende as orações que Lhe são dirigidas. 2622. A oração da Virgem Maria, no seu «Fiat» e no seu «Magnificat», caracteriza-se pelo oferecimento generoso de todo o seu ser na fé. ARTIGO 3 NO TEMPO DA IGREJA 2623. No dia de Pentecostes, o Espírito da promessa foi derramado sobre os discípulos, «reunidos no mesmo lugar» (Act 2, 1), enquanto O esperavam, «todos […] perseveravam unânimes na oração» (Act 1, 14). O Espírito que ensina a Igreja e lhe recorda tudo quanto Jesus disse (92) vai também formá-la na vida de oração. 2624. Na primeira comunidade de Jerusalém, os crentes «eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fracção do pão e às orações» (Act 2, 42). Esta sequência é típica da oração da Igreja: fundada sobre a fé apostólica e autenticada pela caridade, alimenta-se na Eucaristia. 2625. Estas orações são, em primeiro lugar, as que os fiéis ouvem e lêem nas Escrituras; mas eles actualizam-nas, em particular as dos salmos, a partir da sua realização em Cristo (93). O Espírito Santo, que assim recorda Cristo à sua Igreja orante, também a conduz para a verdade integral e suscita formulações novas que exprimirão o insondável mistério de Cristo operante na vida, sacramentos e missão da Igreja. Estas formulações desenvolver-se-ão nas grandes tradições litúrgicas e espirituais. As formas da oração, tais como as revelam as Escrituras apostólicas canónicas, continuam a ser normativas da oração cristã. I. A bênção e a adoração 2626. A bênção exprime o movimento de fundo da oração cristã: ela é o encontro de Deus com o homem; nela se encontram e unem o dom de Deus e o acolhimento do homem. A oração de bênção é a resposta do homem aos dons de Deus: uma vez que Deus abençoa, o coração do homem pode responder bendizendo Aquele que é a fonte de toda a bênção. 2627. Exprimem este movimento duas formas fundamentais: umas vezes, a bênção sobe, levada por Cristo no Espírito Santo, para o Pai (nós O bendizemos por Ele nos ter abençoado) (94); outras vezes, implora a graça do Espírito Santo que, por Cristo, desce de junto do Pai (é Ele que nos abençoa) (95). 2628. A adoração é a primeira atitude do homem que se reconhece criatura diante do seu Criador. Exalta a grandeza do Senhor que nos criou (96) e a omnipotência do Salvador que nos liberta do mal. É a prostração do espírito perante o «Rei da glória» (97) e o silêncio respeitoso face ao Deus «sempre maior» (98). A adoração do Deus três vezes santo e soberanamente amável enche-nos de humildade e dá segurança às nossas súplicas. II. A oração de petição 2629. O vocabulário da oração de súplica é rico de matizes no Novo Testamento: pedir, reclamar, chamar com insistência, invocar, bradar, gritar e, até, «lutar na oração» (99). Mas a sua forma mais habitual, porque mais espontânea, é a petição. É pela oração de petição que traduzimos a consciência da nossa relação com Deus: enquanto criaturas, não somos a nossa origem, nem donos das adversidades, nem somos o nosso fim último; mas também, sendo pecadores, sabemos, como cristãos, que nos afastamos do nosso Pai. A petição é já um regresso a Ele. 2630. O Novo Testamento quase não contém orações de lamentação, frequentes no Antigo. Doravante, em Cristo Ressuscitado, a petição da Igreja é sustentada pela esperança, embora ainda estejamos à espera e tenhamos de nos converter em cada dia. É de outra profundidade que brota a petição cristã, aquela a que São Paulo chama gemido: o da criação em «dores de parto» (Rm 8, 22) e também o nosso, «aguardando a libertação do nosso corpo», porque «foi na esperança que fomos salvos» (Rm 8, 23-24); e, por fim, os «gemidos inefáveis» do próprio Espírito Santo, que «vem em auxílio da nossa fraqueza, pois não sabemos o que havemos de pedir, para rezarmos como deve ser» (Rm 8, 26). 2631. O pedido de perdão é o primeiro movimento da oração de petição (cf. o publicano: «Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador» (Lc 18, 13). É o preliminar duma oração justa e pura. A humildade confiante repõe-nos na luz da comunhão com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo, bem como dos homens uns com os outros (100). Nestas condições, «seja o que for que Lhe peçamos, recebê-lo-emos» (1 Jo 3, 22). O pedido de perdão é o preâmbulo da liturgia Eucarística, bem como da oração pessoal. 2632. A petição cristã está centrada no desejo e na busca do Reino que há-de vir, em conformidade com o ensinamento de Jesus (101). Há uma hierarquia nas petições: primeiro, o Reino; depois, tudo quanto é necessário para o acolher e para cooperar com a sua vinda. Esta cooperação com a missão de Cristo e do Espírito Santo, que agora é a da Igreja, é o objecto da oração da comunidade apostólica (102). É a oração de Paulo, o apóstolo por excelência, que nos revela como a solicitude divina por todas as Igrejas deve animar a oração cristã (103). Pela oração, todo o cristão trabalha pela vinda do Reino. 2633. Quando se participa assim no amor salvífico de Deus, compreende-se que qualquer necessidade pode tornar-se objecto de pedido. Cristo, que tudo assumiu a fim de tudo resgatar, é glorificado pelos pedidos que dirigimos ao Pai em seu nome (104). É com esta certeza que Tiago (105) e Paulo nos exortam a orar em todas as ocasiões (106). III. A oração de intercessão 2634. A intercessão é uma oração de petição que nos conforma de perto com a oração de Jesus. É Ele o único intercessor junto do Pai em favor de todos os homens, em particular dos pecadores (107). Ele «pode salvar de maneira definitiva aqueles que, por seu intermédio, se aproximam de Deus, uma vez que está sempre vivo, para interceder por eles» (Heb 7, 25). O próprio Espírito Santo «intercede por nós […] intercede pelos santos, em conformidade com Deus» (Rm 8, 26-27). 2635. Interceder, pedir a favor de outrem, é próprio, desde Abraão, dum coração conforme com a misericórdia de Deus. No tempo da Igreja, a intercessão cristã participa na de Cristo: é a expressão da comunhão dos santos. Na intercessão, aquele que ora não «olha aos seus próprios interesses, mas aos interesses dos outros» (Fl 2, 4), e chega até a rezar pelos que lhe fazem mal (108). 2636. As primeiras comunidades cristãs viveram intensamente esta forma de partilha (109). O apóstolo Paulo fá-las participar deste modo no seu ministério do Evangelho (110) mas ele próprio também intercede por elas (111). A intercessão dos cristãos não conhece fronteiras: «[…] por todos os homens, […] por todos os que exercem a autoridade» (1 Tm 2, 1), pelos perseguidores (112), pela salvação dos que rejeitam o Evangelho (113). IV. A oração de acção de graças 2637. A acção de graças caracteriza a oração da Igreja que, ao celebrar a Eucaristia, manifesta e cada vez mais se torna naquilo que é. De facto, pela obra da salvação, Cristo liberta a criação do pecado e da morte, para de novo a consagrar e fazer voltar ao Pai, para sua glória. A acção de graças dos membros do corpo participa na da sua Cabeça. 2638. Como na oração de petição, qualquer acontecimento e qualquer necessidade podem transformar-se em oferenda de acção de graças. As cartas de São Paulo muitas vezes começam e acabam por uma acção de graças, e nelas o Senhor Jesus está sempre presente: «Dai graças em todas as circunstâncias, pois é esta a vontade de Deus, em Cristo Jesus, a vosso respeito» (1 Ts 5, 18); «perseverai na oração; sede, por meio dela, vigilantes em acções de graças» (Cl 4, 2). V. A oração de louvor 2639. O louvor é a forma de oração que mais imediatamente reconhece que Deus é Deus! Canta-O por Si próprio, glorifica-O, não tanto pelo que Ele faz, mas sobretudo porque ELE É. Participa da bem-aventurança dos corações puros que O amam na fé, antes de O verem na glória. Por ela, o Espírito junta-Se ao nosso espírito para testemunhar que somos filhos de Deus (114) e dá testemunho do Filho Único no qual fomos adoptados e pelo qual glorificamos o Pai. O louvor integra as outras formas de oração e leva-as Aquele que delas é a fonte e o termo: «o único Deus, o Pai, de quem tudo procede e para quem nós somos» (1 Cor 8, 6). 2640. São Lucas registra muitas vezes no seu Evangelho a admiração e o louvor perante as maravilhas operadas por Cristo. Sublinha também os mesmos sentimentos perante as acções do Espírito Santo que são os Actos dos Apóstolos: a comunidade de Jerusalém (115), o entrevado curado por Pedro e João (116), a multidão que por tal facto dá glória a Deus (117), os pagãos da Pisídia, que, «cheios de alegria, glorificam a Palavra do Senhor» (Act 13, 48). 2641. «Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos inspirados; cantai e louvai ao Senhor no vosso coração» (Ef 5, 19) (118). Tal como os escritores inspirados do Novo Testamento, as primeiras comunidades cristãs relêem o livro dos Salmos, cantando neles o mistério de Cristo. Na novidade do Espírito, compõem também hinos e cânticos a partir do acontecimento inaudito que Deus realizou em seu Filho: a sua encarnação, a sua morte vitoriosa sobre a morte, a sua ressurreição e a sua ascensão à direita do Pai (119). É desta «maravilha» de toda a economia da salvação que sobe a doxologia, o louvor de Deus (120). 2642. A revelação «do que deve acontecer em breve», que é o Apocalipse, apoia-se nos cânticos da liturgia celeste (121), mas também na intercessão das «testemunhas» (isto é, dos mártires) (122). Os profetas e os santos, todos os que na terra foram mortos por causa do testemunho dado por Jesus (123), a multidão imensa daqueles que, vindos da grande tribulação, nos precederam no Reino, cantam o louvor da glória d’Aquele que está sentado no trono e do Cordeiro (124). Em comunhão com eles, a Igreja da terra canta também os mesmos cânticos, na fé e na provação. A fé, na súplica e na intercessão, espera contra toda a esperança e dá graças ao Pai das luzes de Quem procede todo o dom perfeito (125). Assim, a fé é um puro louvor. 2643. A Eucaristia contém e exprime todas as formas de oração: é «a oblação pura» de todo o corpo de Cristo «para glória do seu nome» (126); é, segundo as tradições do Oriente e do Ocidente, «o sacrifício de louvor». Resumindo: 2644. O Espírito Santo, que ensina a Igreja e lhe recorda tudo o que Jesus disse, também a educa para a vida de oração, suscitando expressões que se renovam no âmbito de formas permanentes: bênção, petição, intercessão, acção de graças e louvor. 2645. É porque Deus o abençoa, que o coração do homem pode, retribuindo, bendizer Aquele que é a fonte de toda a bênção. 2646. A oração de petição tem por objecto o perdão, a busca do Reino, bem como qualquer necessidade verdadeira. 2647. A oração de intercessão consiste numa petição em favor de outrem. Não conhece fronteiras e estende-se até aos inimigos. 2648. Toda a alegria e todo o sofrimento, todo o acontecimento e toda a necessidade podem ser matéria da acção de graças, a qual, participando na de Cristo, deve encher a vida toda: «Dai graças em todas as circunstâncias» (1 Ts 5, 18). 2649. A oração de louvor, totalmente desinteressada, dirige-se a Deus: canta-O por Si próprio, glorifica-O, não tanto pelo que Ele faz, mas sobretudo porque ELE É. 1. Cf. Sl 8, 6. 2. Cf. Sl 8, 2. 3. Cf. Act 17, 27. 4. Cf. Heb 10, 5-7. 5.Cf. Gn 4, 4. 6. Cf. Gn 4, 26. 7. Cf. Gn 5, 24. 8. Cf. Gn 8, 20 – 9, 17. 9. Cf. Gn 9, 8-16. 10. Cf. Gn 15, 2-3. 11. Cf. Gn 15, 6. 12. Cf. Gn 17, 1-2. 13. Cf. Gn 18, 1-15; Lc 1, 26-38. 14. Cf. Gn 18, 16-33. 15. Cf. Rm 8, 32. 16. Cf. Rm 4, 16-21. 17. Cf. Gn 28, 10-22. 18. Cf. Gn 32, 25-31; Lc 18, 1-8. 19. Cf. Ex 3, 1-10. 20. Cf. Ex 34, 6. 21. Cf. Ex 17, 8-13. 22. Cf. Nm 12, 13-14. 23. Cf. Ex 32, 1 – 34, 9. 24. Cf. 1 Sm 1, 9-18. 25. Cf. 2 Sm 7, 18-29. 26. Cf. 1 Rs 8, 10-61. 27. Cf. Sl 24, 6. 28. Cf. 1 Rs 18, 39. 29. Cf. Tg 5, 16-18. 30. Cf. 1 Rs 17, 7-24. 31. Cf. 1 Rs 18, 20-39. 32. Cf. 1 Rs 19, 1-14; Ex 33, 19-23. 33. Cf. Lc 9, 30-35. 34. Cf. 2 Cor 4, 6. 35. Cf. Am 7, 2.5; Is 6, 5.8.11; Jr 1, 6; 15, 15-18; 20, 7-18. 36. Cf. Esd 9, 6-15; Ne 1, 4-11; Jn 2, 3-10; Tb 3, 11-16; Jdt 9, 2-14. 37. Cf. Instrução geral da Liturgia das Horas, 100-109: Liturgia Horarum, editio typica, v. 1(Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 52-56 [Liturgia das Horas, v. 1 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 54-58]. 38. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 2: AAS 58 (1966) 818. 39. Santo Ambrósio, Enarrationes in Psalmos, 1, 9: CSEL 64, 7 (PL14, 968). 40. São João Damasceno, Expositio fidei, 68 [De fide orthodoxa 3, 24]: PTS 12, 167 (PG 94, 1089). 41. Cf. Lc 1, 49; 2, 19; 2, 51. 42 Cf. Lc 3, 21. 43. Cf. Lc 9, 28. 44 Cf. Lc 22, 41-44. 45. Cf. Lc 6, 12. 46. Cf. Lc 9, 18-20. 47. Cf. Lc 22, 32. 48. Cf. Mc 1, 35; 6, 46; Lc 5, 16. 49. Cf. Heb 2, 12. 50. Cf. Heb 2, 15; 4, 15. 51. Cf. Mt 11, 25-27 e Lc 10, 21-22. 52. Cf. Ef 1, 9. 53. Cf. Jo 11, 41-42. 54. Cf. Mt 6, 21.33. 55. Cf Jo 17. 56. Cf. Sl 22, 2. 57. Cf Mc 15, 37; Jo 19, 30. 58. Cf. Act 13, 33. 59. Cf. Mt 5, 23-24. 60. Cf. Mt 5, 44-45. 61 Cf. Mt 6, 7. 62. Cf. Mt 6, 14-15. 63. Cf. Mt 6, 21.25.33. 64. Cf. Mt 7, 7-11.13-14. 65. Cf. Mt 21, 21. 66. Cf. Mt 8, 26. 67. Cf. Mt 8, 10. 68. Cf. Mt 15, 28. 69. Cf. Mt 7, 21. 70. Cf. Mt 9, 38; Lc 10, 2; Jo 4, 34.. 71. Cf. Mc 13; Lc 21, 34-36. 72. Cf. Lc 22, 40.46. 73. Cf. Lc 11, 5-13. 74. Cf. Lc 18, 1-8. 75. Cf. Lc 18, 9-14. 76. Cf. Jo 14, 13. 77. Cf. Jo 14, 13-14. 78. Cf. Jo 14, 23-26; 15, 7.16; 16, 13-15.23-27. 79. Cf. Mc 1, 40-41. 80. Cf. Mc 5, 36. 81. Cf. Mc 7, 29. 82. Cf. Lc 23, 39-43. 83. Cf. Mc 2, 5. 84 Cf. Mc 5, 28. 85. Cf. Lc 7, 37-38. 86. Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum 85, 1 CCL39, 1176 (PL 36, 1081); cf. Instrução geral da Liturgia das Horas, 7: Liturgia Horarum, editio typica, v. 1 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 24 [Liturgia das Horas, v. 1 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 26]. 87. Cf. Lc 1, 38. 88. Cf. Lc 1, 14. 89. Cf. Jo 2, 1-12. 90. Cf. Jo 19, 25-27. 91. Cf. Lc 1, 46-55. 92. Cf. Jo 14, 26. 93 Cf. Lc 24, 27.44. 94. Cf. Ef 1, 3-14; 2 Cor 1, 3-7; 1 Pe 1, 3-9. 95. Cf. 2 Cor 13, 13; Rm 15, 5-6.13; Ef 6, 23-24. 96. Cf. Sl 95, 1-6. 97. Cf. Sl 24, 9-10. 98. Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum 62, 16: CCL 39, 804 (PL 36, 758). 99. Cf. Rm 15, 30; Cl 4, 12. 100. Cf. 1 Jo 1, 7 – 2, 2. 49 101. Cf. Mt 6, 10.33; Lc 11, 2.13. 102. Cf. Act 6, 6: 13, 3. 103. Cf. Rm 10, l; Ef 1, 16-23; Fl 1, 9-11; Cl 1, 3-6; 4, 3-4.12. 104. Cf. Jo 14, 13. 105. Cf. Tg 1, 5-8. 106 Cf. Ef 5, 20; Fl 4, 6-7; Cl 3, 16-17; 1 Ts 5, 17-18. 107. Cf. Rm 8, 34; 1 Jo 2, 1; 1 Tm 2, 5-8. 108. Cf. Santo Estêvão rezando pelos que o supliciavam, como Jesus: cf. Act 7, 60; Lc 23, 28.34. 109. Cf. Act 12, 5; 20, 36; 21, 5; 2 Cor 9, 14. 110. Cf. Ef 6, 18-20; Cl 4, 3-4; 1 Ts 5, 25. 111. Cf. 2 Ts 1, 11; Cl 1, 3; Fl 1, 3-4. 112. Cf. Rm 12, 14. 113. Cf. Rm 10, 1. 114. Cf. Rm 8, 16. 115. Cf. Act 2, 47. 116. Cf. Act 3, 9. 117. Cf. Act 4, 21. 118. Cf. Cl 3, 16. 119. Cf. Fl 2, 6-11; Cl 1, 15-20; Ef 5, 14; 1 Tm 3, 16; 6, 15-16; 2 Tm 2, 11-13. 120. Cf. Ef 1, 3-14; 3, 20-21; Rm 16, 25-27; Jd 24-25. 121.Cf. Ap 4, 8-11; 5, 9-14; 7, 10-12. 122. Cf. Ap 6, 10. 123. Cf. Ap 18, 24. 124. Cf. Ap 19, 1-8. 125. Cf. Tg 1, 17. 126. Cf. Ml 1, 11. #catecismo #catecismodaigrejacatólica #fé #QUARTAPARTEAORAÇÃOCRISTÃ

  • Cardeal Turkson culpa a própria Igreja pelas posições pró-aborto de Biden

    Segundo o site Gaudium Press, em um artigo intitulado “Com o presidente Biden, as relações entre o Vaticano e os Estados Unidos estão destinadas a mudar drasticamente”, Edward Pentin publicou no dia 20, no National Catholic Register, um trecho de uma conversa recente com o Cardeal Peter Turkson, na qual o purpurado afirma estar preocupado com as opiniões pró-aborto do presidente Joe Biden, mas acredita que a Igreja “pode trabalhar com ele para encontrar um caminho aceitável.” O cardeal afirma que as posições de Biden sobre aborto e outras políticas contrárias ao ensino da Igreja estão enraizadas porque “não temos feito nosso trabalho como Igreja”. Isso permitiu que “certas tendências se tornassem protagonistas de nossas sociedades” e permitiu que surgisse um líder que as represente. Preocupação com o ‘catolicismo’ de Biden Pentin resume a preocupação de muitos católicos com as declarações de Biden sobre os temas vida e família, ratificados por tomadas de posições anteriores. Citando o padre John Wauck, um sacerdote radicado em Roma, Pentin cita, por exemplo, as preocupações de muitos com os avanços legais do aborto que Biden provavelmente promoverá, com intenção de “forçar todos os americanos a ajudar a pagar, com seus impostos, por esses assassinatos [abortos], tanto em casa quanto no exterior”. O padre Wauck lembrou que, como vice-presidente, Biden ‘oficializou’ o “casamento” de dois homens e que potencialmente ameaça a liberdade religiosa, buscando reverter as proteções de consciência das Irmãzinhas dos Pobres e outros empregadores religiosos que se opõem ao fornecimento de contraceptivos. Pentin também cita a preocupação expressada pelos líderes da Igreja na África que temem que a nomeação de Samantha Power à frente da agência de ajuda americana USAID conduza a uma colonização ideológica cultural no continente em favor da ideologia de gênero e dos chamados direitos LGTBI. Fonte: https://gaudiumpress.org/content/cardeal-turkson-culpa-a-propria-igreja-pelas-posicoes-pro-aborto-de-biden/

  • Cardeal Turkson culpa a própria Igreja pelas posições pró-aborto de Biden

    Segundo o site Gaudium Press, em um artigo intitulado “Com o presidente Biden, as relações entre o Vaticano e os Estados Unidos estão destinadas a mudar drasticamente”, Edward Pentin publicou no dia 20, no National Catholic Register, um trecho de uma conversa recente com o Cardeal Peter Turkson, na qual o purpurado afirma estar preocupado com as opiniões pró-aborto do presidente Joe Biden, mas acredita que a Igreja “pode trabalhar com ele para encontrar um caminho aceitável.” O cardeal afirma que as posições de Biden sobre aborto e outras políticas contrárias ao ensino da Igreja estão enraizadas porque “não temos feito nosso trabalho como Igreja”. Isso permitiu que “certas tendências se tornassem protagonistas de nossas sociedades” e permitiu que surgisse um líder que as represente. Preocupação com o ‘catolicismo’ de Biden Pentin resume a preocupação de muitos católicos com as declarações de Biden sobre os temas vida e família, ratificados por tomadas de posições anteriores. Citando o padre John Wauck, um sacerdote radicado em Roma, Pentin cita, por exemplo, as preocupações de muitos com os avanços legais do aborto que Biden provavelmente promoverá, com intenção de “forçar todos os americanos a ajudar a pagar, com seus impostos, por esses assassinatos [abortos], tanto em casa quanto no exterior”. O padre Wauck lembrou que, como vice-presidente, Biden ‘oficializou’ o “casamento” de dois homens e que potencialmente ameaça a liberdade religiosa, buscando reverter as proteções de consciência das Irmãzinhas dos Pobres e outros empregadores religiosos que se opõem ao fornecimento de contraceptivos. Pentin também cita a preocupação expressada pelos líderes da Igreja na África que temem que a nomeação de Samantha Power à frente da agência de ajuda americana USAID conduza a uma colonização ideológica cultural no continente em favor da ideologia de gênero e dos chamados direitos LGTBI. Fonte: https://gaudiumpress.org/content/cardeal-turkson-culpa-a-propria-igreja-pelas-posicoes-pro-aborto-de-biden/

  • Cardeal Wako: “Não quero padres estúpidos na Igreja”

    «Encontrei-me com padres e constatei que a maioria deles não conhece a liturgia da Igreja, têm um ensino superficial da Igreja». O cardeal Gabriel Zubeir Wako, arcebispo emérito de Cartum, capital do Sudão, questionou o nível de alguns padres da Igreja no Sudão do Sul. “Não quero padres estúpidos na Igreja”, disse o cardeal Wako, que fará 80 anos no dia 27 de fevereiro e perderá o direito de participar de um eventual conclave, durante uma visita à cidade de Wau, no noroeste. “Durante os dias que passei aqui em Wau, encontrei-me com padres e percebi que a maioria deles não conhece a liturgia da Igreja, têm um ensino superficial da Igreja. Devem melhorar seus padrões”, disse o arcebispo emérito da capital sudanesa, segundo a BBC . O cardeal é amplamente respeitado e reconhecido por apoiar programas educacionais. Ele foi homenageado pelo governo do Sudão do Sul em 2016 por apoiar a educação de dois milhões de crianças deslocadas pelo conflito no Sudão do Sul. Ele também enviou muitos padres para continuar seus estudos em Roma e no Quênia para o ensino superior, incluindo, por exemplo, o atual arcebispo de Cartum, Michael Didi, e o arcebispo de Juba, Stephen Ameyu. O cardeal Wako também exortou os sacerdotes a melhorar seus padrões “moral e intelectualmente”, a fim de servir a Igreja e a sociedade com eficácia. O cardeal Gabriel Zubeir Wako é o primeiro cardeal do Sudão. Entrou no seminário aos 10 anos e foi ordenado sacerdote em 21 de julho de 1963. Em 12 de dezembro de 1974, foi nomeado bispo de Wau e em 30 de outubro de 1979 foi promovido a arcebispo coadjutor de Cartum, do qual foi posterior titular. João Paulo II criou-o cardeal no consistório de 21 de outubro de 2003, participando dos conclaves que elegeram Bento XVI e Francisco. Traduzido de InfoVaticana

  • Cardeal Wako: “Não quero padres estúpidos na Igreja”

    «Encontrei-me com padres e constatei que a maioria deles não conhece a liturgia da Igreja, têm um ensino superficial da Igreja». O cardeal Gabriel Zubeir Wako, arcebispo emérito de Cartum, capital do Sudão, questionou o nível de alguns padres da Igreja no Sudão do Sul. “Não quero padres estúpidos na Igreja”, disse o cardeal Wako, que fará 80 anos no dia 27 de fevereiro e perderá o direito de participar de um eventual conclave, durante uma visita à cidade de Wau, no noroeste. “Durante os dias que passei aqui em Wau, encontrei-me com padres e percebi que a maioria deles não conhece a liturgia da Igreja, têm um ensino superficial da Igreja. Devem melhorar seus padrões”, disse o arcebispo emérito da capital sudanesa, segundo a BBC . O cardeal é amplamente respeitado e reconhecido por apoiar programas educacionais. Ele foi homenageado pelo governo do Sudão do Sul em 2016 por apoiar a educação de dois milhões de crianças deslocadas pelo conflito no Sudão do Sul. Ele também enviou muitos padres para continuar seus estudos em Roma e no Quênia para o ensino superior, incluindo, por exemplo, o atual arcebispo de Cartum, Michael Didi, e o arcebispo de Juba, Stephen Ameyu. O cardeal Wako também exortou os sacerdotes a melhorar seus padrões “moral e intelectualmente”, a fim de servir a Igreja e a sociedade com eficácia. O cardeal Gabriel Zubeir Wako é o primeiro cardeal do Sudão. Entrou no seminário aos 10 anos e foi ordenado sacerdote em 21 de julho de 1963. Em 12 de dezembro de 1974, foi nomeado bispo de Wau e em 30 de outubro de 1979 foi promovido a arcebispo coadjutor de Cartum, do qual foi posterior titular. João Paulo II criou-o cardeal no consistório de 21 de outubro de 2003, participando dos conclaves que elegeram Bento XVI e Francisco. Traduzido de InfoVaticana

  • MARK NOWAKOWSKI E O ATUAL “RENASCIMENTO CATÓLICO” NA MÚSICA ERUDITA

    A música fornece um “suplemento espiritual” indispensável à vida cultural dos povos. Palavra de Mark Nowakowski, compositor católico americano de música clássica, nascido em Chicago em 1978, filho de pais que vieram da Polônia. Em sua opinião, a arte cristã perde completamente o objetivo quando usa a linguagem popular para expressar a profundidade do sagrado. O mesmo se aplica à música. Hoje, se há uma coisa de que precisamos é mirar alto, para os cumes do sagrado, sem baixar o nível. A música pode nos fornecer esse suplemento de espiritualidade para nos elevarmos acima do pântano insípido da vida contemporânea. É um antídoto que deve ser amplamente distribuído. Nascido e criado em uma família católica, Nowakowski, como costuma acontecer, abandonou a fé na adolescência. Nessa altura, via a sua paróquia como “um country club dirigido por velhos”, mas já adulto, graças ao encontro com alguns amigos que o colocaram diante do rigor intelectual do catolicismo, regressou à Igreja e à vida de fé. “Deus se aproveitou do meu orgulho — diz Nowakowski — e assim, quando estava estudando o catolicismo com o propósito de desmascará-lo, me deparei com sua majestade espiritual, seu brilhante ensinamento artístico, sua incomparável tradição filosófica e a única explicação sobre a condição humana que considerei completa e convincente. Comecei a me converter antes mesmo de estar completamente seguro sobre Cristo, porque era a coisa mais sensata a fazer”. O próprio estudo da música sacra contribuiu para fazer Nowakowski retornar à fé. Compreendeu que a sua vocação musical e cristã estavam interligadas. Além disso, foi fundamental para o seu retorno à Igreja conhecer os acontecimentos de Fátima. “Fátima — diz ele — é atual, porque explica muito do que está acontecendo hoje em dia”. “Se a arte é uma verdadeira vocação espiritual, como João Paulo II sugeriu em sua Carta aos artistas, então não posso separar meu ser católico de minha vocação de compositor, assim como não posso separá-lo de minha vocação de marido e pai”. Filosófica e espiritualmente, Nowakowski afirma ter sido profundamente influenciado pela longa história do misticismo católico e o encontro entre o Oriente e o Ocidente. “Estou sempre em busca do elemento transcendente”, porque a música, em suas melhores expressões, “possui um conteúdo transcendente que nos conduz a experimentar os aspectos essenciais da realidade”. Isso faz da música “uma contrapartida natural para um autêntico compromisso religioso”. Há uma relação clara e direta entre música e misticismo. “Eu poderia ir mais longe e dizer que a experiência estética orante pode ser uma forma de misticismo em si e por si mesma, mesmo se ainda não esteja seguro de que esta seja uma experiência universal. Em todo o caso, a Igreja, respirando com ambos os pulmões, o ocidental e o oriental, deve inspirar e sustentar estes valores, nos quais me inspiro para o meu trabalho”. Entre os compositores que o influenciaram, Nowakowski cita em particular um grupo de artistas que sobreviveram ao pesadelo comunista europeu, durante a segunda metade do século XX, músicos capazes de resistir à estética modernista e que, ainda hoje, são um antídoto para o modernismo. Aqui, ele lembra Henryk Gorecki, Arvo Part e Giya Kancheli. Fora da Cortina de Ferro, Nowakowski fez referência aos compositores britânicos John Tavener e Sir James MacMillan, além de Pawel Lukaszewski, compositor polonês contemporâneo. Nos Estados Unidos, Nowakowski reconhece as influências musicais de Frank LaRocca, Jeffrey Quick, Nicholas Lemme e Daniel Knaggs. O que o aproximou mais da música clássica do que da popular, diz Nowakowski, foi a relação entre catolicismo e qualidade. Produzir arte de qualidade sempre foi a coisa mais natural para a Igreja, que através da grande arte nos chama à excelência espiritual; hoje, porém, vivemos um período estranho e confuso, em que a Igreja se entrega a experimentos estéticos que pouco têm a ver com qualidade, e tudo isso exatamente num momento em que mais precisamos da beleza, porque estamos expostos a uma cultura pop que mina o nosso senso do belo e do eterno. «No entanto, a Igreja, no seu coração, ainda nos chama à excelência e, de qualquer maneira, estou sempre consciente do apelo de Cristo a ir para águas mais profundas». “Penso — diz o compositor — que não teremos condições de iniciar a reconstrução da nossa cultura enquanto aceitarmos as atuais posturas relativistas sobre a estética, também prevalecentes na Igreja”. É fundamental oferecer música de qualidade, arte de qualidade. “Acho que Deus está falando claramente conosco sobre esta questão, tão vital em nossa época.” A “Renascença Católica” só pode começar se os fiéis e a hierarquia a apoiarem. “Tenho a impressão de que com a tecnologia, e os conhecimentos modernos, poderíamos realmente ter um segundo Renascimento, capaz de superar o primeiro, quantitativa e qualitativamente. Ver a sua realização é meu grande sonho”. https://www.ncregister.com/features/meet-a-catholic-composer-at-the-cutting-edge “Sì, la musica può condurre a Dio”. Parola di compositore credente che sogna un Rinascimento cattolico

  • 2558-2565 | PRIMEIRA SECÇÃO

    PRIMEIRA SECÇÃO A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ 2558. «Mistério admirável da nossa fé!». A Igreja professa-o no Símbolo dos Apóstolos (primeira parte) e celebra-o na liturgia sacramental (segunda parte), para que a vida dos fiéis seja configurada com Cristo no Espírito Santo para glória de Deus Pai (terceira parte). Este mistério exige, portanto, que os fiéis nele creiam, o celebrem e dele vivam, numa relação viva e pessoal com o Deus vivo e verdadeiro. Esta relação é a oração. O QUE É A ORAÇÃO? «Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado para o céu, é um grito de gratidão e de amor, tanto no meio da tribulação como no meio da alegria» (1). A ORAÇÃO COMO DOM DE DEUS 2559. «A oração é a elevação da alma para Deus ou o pedido feito a Deus de bens convenientes» (2). De onde é que falamos, ao orar? Das alturas do nosso orgulho e da nossa vontade própria, ou das «profundezas» (Sl 130, 1) dum coração humilde e contrito? Aquele que se humilha é que é elevado (3). A humildade é o fundamento da oração. «Não sabemos o que havemos de pedir para rezarmos como deve ser» (Rm 8, 26). A humildade é a disposição necessária para receber gratuitamente o dom da oração: o homem é um mendigo de Deus (4). 2560. «Se conhecesses o dom de Deus!» (Jo 4, 10). A maravilha da oração revela-se precisamente, à beira dos poços aonde vamos buscar a nossa água: aí é que Cristo vem ao encontro de todo o ser humano; Ele antecipa-Se a procurar-nos e é Ele que nos pede de beber. Jesus tem sede, e o seu pedido brota das profundezas de Deus que nos deseja. A oração, saibamo-lo ou não, é o encontro da sede de Deus com a nossa. Deus tem sede de que nós tenhamos sede d’Ele (5). 2561. «Tu é que Lhe terias pedido e Ele te daria água viva» (Jo 4, 10). Paradoxalmente, a nossa oração de súplica é uma resposta. Resposta ao lamento do Deus vivo: «Abandonou-Me a Mim, nascente de águas vivas, e foi escavar cisternas fendidas» (Jr 2, 13); resposta de fé à promessa gratuita da salvação (6); resposta de amor à sede do Filho Único (7). A ORAÇÃO COMO ALIANÇA 2562. De onde procede a oração do homem? Seja qual for a linguagem da oração (gestos e palavras), é o homem todo que ora. Mas para designar o lugar de onde brota a oração, as Escrituras falam às vezes da alma ou do espírito ou, com mais frequência, do coração (mais de mil vezes). É o coração que ora. Se ele estiver longe de Deus, a expressão da oração será vã. 2563. O coração é a morada onde estou, onde habito (e segundo a expressão semítica ou bíblica, aonde eu «desço»). É o nosso centro oculto, inapreensível, quer para a nossa razão quer para a dos outros: só o Espírito de Deus é que o pode sondar e conhecer. E o lugar da decisão, no mais profundo das nossas tendências psíquicas. É a sede da verdade, onde escolhemos a vida ou a morte. É o lugar do encontro, já que, à imagem de Deus, vivemos em relação: é o lugar da aliança. 2564. A oração cristã é uma relação de aliança entre Deus e o homem em Cristo. É acção de Deus e do homem; jorra do Espírito Santo e de nós, toda orientada para o Pai, em união com a vontade humana do Filho de Deus feito homem. A ORAÇÃO COMO COMUNHÃO 2565. Na Nova Aliança, a oração é a relação viva dos filhos de Deus com o seu Pai infinitamente bom, com o seu Filho Jesus Cristo e com o Espírito Santo. A graça do Reino é «a união de toda a Santíssima Trindade com a totalidade do espírito» (8). Assim, a vida de oração consiste em estar habitualmente na presença do Deus três vezes santo e em comunhão com Ele. Esta comunhão de vida é sempre possível porque, pelo Baptismo, nos tornámos um só com Cristo (9). A oração é cristã na medida em que for comunhão com Cristo, dilatando-se na Igreja que é o seu corpo. As suas dimensões são as do amor de Cristo (10). 1. Santa Teresa do Menino Jesus, Manuscrit C, 25r: Manuscrits autobiographiques (Paris 1992) p. 389-390. [Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, Obras Completas (Paço de Arcos, Edições do Carmelo 1996) p. 276] 2. São João Damasceno, Expositio fidei, 68 [De fide orthodoxa 3, 24]: PTS 12, 167 (PG 94, 1089). 3. Cf. Lc 18, 9-14. 4. Cf. Santo Agostinho, Sermão 56, 6, 9: ed. P. Verbraken: Revue Bénédictine 68 (1958) 31 (PL 38, 381). 5. Cf. Santo Agostinho, De diversis quaestionibus octoginta tribus, 64, 4: CCL 44A, 140 (PL 40, 56). 6. Cf. Jo 7, 37-39; Is 12, 3; 51, 1. 7. Cf. Jo 19, 28; Zc 12, 10; 13, 1. 8. São Gregório Nazianzo, Oratio 16, 9: PG 35, 945. 9. Cf. Rm 6, 5. 10. Cf. Ef 3, 18-21. #catecismo #catecismodaigrejacatólica #fé #QUARTAPARTEAORAÇÃOCRISTÃ

  • Assista online o filme: “40 Dias o Milagre da Vida”

    Baseado no livro autobiográfico de Abby Johnson, “ 40 Dias: O Milagre da Vida ” traz relatos reais de uma ex-funcionária da Paternidade Planejada, organização responsável por metade dos abortos realizados nos Estados Unidos. O filme foi disponibilizado no YouTube e é possível assisti-lo completamente dublado. Também é possível alugar o filme no youtube clicando aqui para assitir em alta resolução. Clique aqui para assistir: Assista também: Clique aqui para assitir mais de 50 filmes católicos disponíveis na íntegra no YouTube A narrativa aborda a história de Abby, uma das diretoras mais novas da clínica e que renunciou ao cargo em 2009, após ter presenciado uma cena que mudou a sua percepção sobre o aborto. Desde então, atua como ativista pró-vida na luta contra a causa. “Eu queria que as pessoas vissem aquilo que eu vi. Eu queria que elas sentissem o mesmo sentimento de urgência que eu sinto todos os dias”, afirma a escritora. “As imagens são poderosas e eu acredito que elas também nos transmitem uma bela mensagem da esperança de Deus, da Sua redenção e do Seu perdão”, acrescenta. O filme gerou repercussão internacional, após a estreia nos Estados Unidos, e levou milhares de espectadores aos cinemas. Ashley Bratcher, atriz que interpreta Abby no filme, conta que recebe relatos diários de pessoas que tiveram suas vidas impactadas positivamente após assisti-lo. De acordo com o diretor da trama, Chuck Konzelman, cerca de 100 trabalhadores de clínicas de aborto optarampor largar seus empregos após assistirem ao “40 Dias: O Milagre da Vida”. O título faz alusão ao movimento “40 Dias Pela Vida” , iniciativa que já salvou mais de 11 mil crianças do aborto. “40 Dias: O Milagre da Vida” é escrito e dirigido por Chuck Konzelman e Cary Solomon, que já haviam trabalhado juntos em “Deus Não Está Morto” e “Você Acredita?”. E traz no elenco os atores Ashley Bratcher, Brooks Ryan, Robia Scott, Jared Lotz, Emma Elle Roberts, Robin DeMarco e Robert Thomason. #Aborto

  • Assista online o filme: “40 Dias o Milagre da Vida”

    Baseado no livro autobiográfico de Abby Johnson, “ 40 Dias: O Milagre da Vida ” traz relatos reais de uma ex-funcionária da Paternidade Planejada, organização responsável por metade dos abortos realizados nos Estados Unidos. O filme foi disponibilizado no YouTube e é possível assisti-lo completamente dublado. Também é possível alugar o filme no youtube clicando aqui para assitir em alta resolução. Clique aqui para assistir: Assista também: Clique aqui para assitir mais de 50 filmes católicos disponíveis na íntegra no YouTube A narrativa aborda a história de Abby, uma das diretoras mais novas da clínica e que renunciou ao cargo em 2009, após ter presenciado uma cena que mudou a sua percepção sobre o aborto. Desde então, atua como ativista pró-vida na luta contra a causa. “Eu queria que as pessoas vissem aquilo que eu vi. Eu queria que elas sentissem o mesmo sentimento de urgência que eu sinto todos os dias”, afirma a escritora. “As imagens são poderosas e eu acredito que elas também nos transmitem uma bela mensagem da esperança de Deus, da Sua redenção e do Seu perdão”, acrescenta. O filme gerou repercussão internacional, após a estreia nos Estados Unidos, e levou milhares de espectadores aos cinemas. Ashley Bratcher, atriz que interpreta Abby no filme, conta que recebe relatos diários de pessoas que tiveram suas vidas impactadas positivamente após assisti-lo. De acordo com o diretor da trama, Chuck Konzelman, cerca de 100 trabalhadores de clínicas de aborto optarampor largar seus empregos após assistirem ao “40 Dias: O Milagre da Vida”. O título faz alusão ao movimento “40 Dias Pela Vida” , iniciativa que já salvou mais de 11 mil crianças do aborto. “40 Dias: O Milagre da Vida” é escrito e dirigido por Chuck Konzelman e Cary Solomon, que já haviam trabalhado juntos em “Deus Não Está Morto” e “Você Acredita?”. E traz no elenco os atores Ashley Bratcher, Brooks Ryan, Robia Scott, Jared Lotz, Emma Elle Roberts, Robin DeMarco e Robert Thomason. #Aborto

  • Cardeal Müller: “Não posso apoiar um político pró-aborto porque ele constrói habitações sociai

    O cardeal Müller foi claro em uma entrevista à kath.net sobre o presidente dos Estados Unidos Joe Biden: “Não posso apoiar um político pró-aborto porque ele constrói habitação social, nem tenho que aceitar o absolutamente ruim por causa do relativamente bom.” O purpurado alemão também coloca a Espanha como um exemplo de país onde as instituições católicas podem ser forçadas a ir contra a moral. “Quem relativiza o claro compromisso com a sacralidade de toda a vida humana a partir de preferências políticas com jogos táticos e véus sofistas, se opõe abertamente à fé católica”, explica o cardeal Gerhard Ludwig Müller. na entrevista exclusiva com Kath.net sobre a defesa do aborto do novo presidente americano, o católico Joe Biden. O Prefeito emérito da Congregação para a Doutrina da Fé adverte ainda que: «Agora, os Estados Unidos, com seu poder político, midiático e econômico concentrado, estão na vanguarda da campanha mais sutil e brutal pela descristianização de Cultura ocidental em 100 anos » Senhor Cardeal, a Conferência dos Bispos dos Estados Unidos (USCCB) criticou claramente a política indígena do novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Por outro lado, houve alguns bispos americanos que consideraram as críticas a Biden imprudentes. O cardeal Blase Cupich de Chicago escreveu em seu Twitter que a conferência dos bispos havia feito “uma declaração precipitada”. Você acha que as críticas da USCCB são justificadas ou os bispos estão exagerando? Um bispo católico difere de políticos e ideólogos de poder pela obediência à palavra revelada de Deus. Ele seria um falso apóstolo se relativizasse a lei moral natural para suas preferências políticas ou para apoiar este ou aquele partido. Cada pessoa deve reconhecer as demandas de sua consciência de sua razão. Quando os governantes político-religiosos de seu tempo quiseram proibir os apóstolos de proclamar o ensino de Cristo sob ameaça de punição, eles responderam: “Devemos obedecer a Deus antes que aos homens” (Atos 5:29). Qualquer um que relativize o claro compromisso com a sacralidade de toda a vida humana com base em preferências políticas com jogos táticos e véus sofistas se opõe abertamente à fé católica. O Vaticano II e todos os papas até Francisco descreveram o assassinato deliberado de uma criança antes e depois do nascimento como a mais grave violação dos mandamentos de Deus. O presidente da USCCB, Arcebispo Gomez, explica ao presidente Joe Biden em sua declaração clara: “Como ensina o Papa Francisco, não podemos ficar calados quando quase um milhão de vidas em nosso país são deixadas de lado pelo aborto”. O que a igreja está ensinando sobre o aborto? “Porque Deus, Senhor da vida, confiou aos homens a distinta missão de conservar a vida, missão que deve ser realizada de maneira digna do homem. Portanto, a vida desde a sua concepção deve ser protegida com o máximo cuidado; o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis ​​”(Vaticano II, Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo moderno Gaudium et Spes, 51). O presidente Joe Biden se apresentou, e não apenas no dia de sua posse, como um católico devoto e praticante. Isso é muito crível aos seus olhos, dada sua longa série de declarações pró-aborto e sua declaração oficial no 38º aniversário de Roe v. Wade : “Nos últimos quatro anos o direito ao aborto foi atacado de forma extrema”, bem como o anúncio de que voltarão a dar apoio massivo ao aborto nos Estados Unidos e em todo o mundo, também financeiramente? Existem bons católicos, mesmo entre os mais altos funcionários do Vaticano, que com cega afeição anti-Trump aceitam ou minimizam tudo o que agora está sendo preparado contra os cristãos e todas as pessoas de boa vontade na América. Agora os Estados Unidos, com seu poder político, midiático e econômico concentrado, estão na vanguarda da campanha mais sutilmente brutal para descristianizar a cultura ocidental nos últimos 100 anos. O fato de que as vidas de milhões de crianças serão vítimas da campanha de aborto organizada em todo o mundo sob o eufemismo “direito à saúde reprodutiva” é minimizado ao apontar as fraquezas do caráter de Trump. Um irmão muito estimado em outras circunstâncias me reprovou, dizendo que eu não deveria vincular tudo ao aborto. Porque com a não reeleição de Trump, o perigo muito maior de que esse louco tivesse pressionado o botão atômico foi evitado. Mas estou convencido de que a ética individual e social prevalece sobre a política. O limite onde a fé e a moral são contrariadas pelo cálculo político foi excedido. Não posso apoiar um político do aborto porque ele constrói moradias sociais nem tenho que aceitar o absolutamente ruim por causa do relativamente bom. Há bispos nos Estados Unidos que falam publicamente que Biden não está em plena comunhão com a Igreja Católica devido às suas declarações e ações públicas em relação ao aborto, por exemplo, o Arcebispo de Denver, Samuel J. Aquila e o Arcebispo emérito da Filadélfia, Charles Chaput. Chaput defende que Biden não deve receber a comunhão neste momento. Em contraste, o cardeal Wilton D. Gregory, arcebispo de Washington, DC, disse que não se desviaria da prática de que Biden continuaria a receber a comunhão. Como você avalia isso? A opinião absurda se espalhou, mesmo entre os católicos, que a crença é um assunto privado e que algo ruim pode ser permitido, aprovado e promovido na vida pública. Em ações práticas concretas, os cristãos no parlamento ou no governo nem sempre conseguem fazer cumprir a lei natural em todos os pontos. Mas eles nunca devem participar ativa ou passivamente do mal. Eles têm que pelo menos protestar contra ela e, na medida do possível, resistir a ela, mesmo que sejam discriminados por isso. Qualquer pessoa que como cristão se declare contra o mainstream da propaganda LGBT, do aborto, da legalização do uso de drogas, da dissolução da sexualidade masculina ou feminina, é insultada e descrita como “direita” ou mesmo “nazista”. Embora fosse justamente a Nacional Socialistas, com sua ideologia darwiniana biológico-social, que estavam em franca contradição com a imagem cristã do homem. Espíritos afins (que denegrem os outros com as comparações nazistas, mas ao mesmo tempo ficam escandalizados pelas comparações nazistas) são mais propensos a se encontrar onde alguém se rebela contra o Deus que criou o homem à sua imagem e semelhança, como homem e mulher. Os bispos dos Estados Unidos podem basicamente confiar que o Papa Francisco apoiará totalmente seu compromisso pró-vida e, no máximo, poderão surgir divergências sobre a questão da sensibilidade ao lidar com um presidente em exercício? O Santo Padre nunca faltou as palavras mais claras contra o aborto como homicídio premeditado e, portanto, foi vilmente difamado por aqueles que tendem a gostar de se referir a ele e não podem enfatizar o suficiente o contraste com o anterior Papa Bento XVI. Espero que ninguém tenha a ideia perversa de acusar o aborto e a eutanásia de permitir que imigrantes e migrantes entrem na fronteira com o México, aceitando assim com “silêncio” crimes contra a humanidade. Os católicos americanos podem e devem, à luz das posições pró-aborto do novo presidente, simplesmente aceitar seus apelos por “unidade” e cura das feridas? Reconciliação é o que Deus nos deu por meio de Jesus Cristo. Para os cristãos na política em particular, este também deve ser um ponto de referência para seu discurso e desempenho. Mas uma divisão ideológica da sociedade não é superada por um lado empurrando o outro para o limite, criminalizando-o e destruindo-o, de modo que no final todas as instituições, desde a mídia às corporações internacionais, sejam dominadas apenas por representantes da vontade. capital. Nos Estados Unidos, como agora ocorre na Espanha, não há dúvida de que escolas católicas, hospitais e outras instituições sem fins lucrativos com financiamento público serão forçados a cometer conduta imoral ou serão fechadas se violarem as regras. Agora, o mais tardar, mesmo o mais ingênuo deve perceber se o discurso sobre a reconciliação na sociedade foi feito a sério ou foi apenas um golpe de propaganda. Especialmente aqueles que falam sobre isso com tanta insistência devem se perguntar criticamente sobre sua contribuição para a divisão. O lema “Se você não quiser ser meu irmão, quebro sua cabeça” não é o caminho certo para alcançar a reconciliação e o respeito mútuo. Será que tal reação contra a política de aborto seria concebível na área de língua alemã, na Áustria, Alemanha e na Suíça de língua alemã? Com o absolutismo, temos a infeliz tradição da igreja estatal na França, Áustria e Baviera católica desde o século 18 (galicanismo, febronismo, josefineismo). A Igreja já não se define pela sua missão divina de salvação de todos os homens, mas pelo serviço que lhe é permitido prestar no âmbito do bem comum, de acordo com o estado da sociedade. Apenas uma vez, no Kulturkampf contra o absolutismo estatal prussiano e contra as ideologias totalitárias, foi oferecida resistência em nome de sua missão superior (Pio XI., Encíclica com preocupação em chamas). Desde então, o público tem estado em grande parte subordinado aos objetivos do estado do mundo interior (a chamada relevância sistêmica) e só lida com a descristianização agressiva da sociedade no privado. Um bispo na Europa Central hoje se depara com a escolha entre sobreviver em conformidade ou ser tachado de fundamentalista pelos ignorantes. Enquanto nos Estados Unidos é comum a grande participação de bispos católicos, pe. Por exemplo, no maior evento pró-vida do mundo, a Marcha pela Vida, é quase um hábito que os poucos bispos bravos na Alemanha que vêm à Marcha pela Vida possam contar com uma mão. Não cabe a mim julgar o comportamento de bispos individualmente. Sempre fiquei impressionado com Clemens August von Galen, que foi ordenado bispo de Münster em 18 de outubro de 1933. Seu brasão era: Nec laudibus-nec timore. Não devemos nos deixar levar por elogios ou medo das pessoas. Na Polônia, por outro lado, os bispos são marcadamente pró-vida. Você aprecia seus esforços? Os poloneses sofreram e lutaram pelo Estado de direito, pela democracia e pela fé católica mais do que qualquer outro povo europeu nos últimos 200 anos. No entanto, existem preconceitos perversos contra este país. Esses tópicos e estereótipos também são aceitos sem crítica nos círculos da igreja. O compromisso dos bispos, padres e leigos poloneses é atribuído a um sentimento tradicionalista básico de uma nação que, depois da ditadura nacional-socialista e comunista e do governo estrangeiro, ainda não está totalmente madura para a democracia. As ofertas à Polônia para ser tutelar em questões de democracia e como lidar com uma sociedade secularizada vêm precisamente da Alemanha e da Áustria. Devemos mostrar deliberadamente mais solidariedade para com nossos irmãos e irmãs católicos. Poderíamos aprender coisas importantes uns com os outros e, juntos, fazer o bem para a Igreja Católica no mundo de hoje. Traduzido de Katn.net/InfoCatólica

  • Cardeal Müller: “Não posso apoiar um político pró-aborto porque ele constrói habitações sociai

    O cardeal Müller foi claro em uma entrevista à kath.net sobre o presidente dos Estados Unidos Joe Biden: “Não posso apoiar um político pró-aborto porque ele constrói habitação social, nem tenho que aceitar o absolutamente ruim por causa do relativamente bom.” O purpurado alemão também coloca a Espanha como um exemplo de país onde as instituições católicas podem ser forçadas a ir contra a moral. “Quem relativiza o claro compromisso com a sacralidade de toda a vida humana a partir de preferências políticas com jogos táticos e véus sofistas, se opõe abertamente à fé católica”, explica o cardeal Gerhard Ludwig Müller. na entrevista exclusiva com Kath.net sobre a defesa do aborto do novo presidente americano, o católico Joe Biden. O Prefeito emérito da Congregação para a Doutrina da Fé adverte ainda que: «Agora, os Estados Unidos, com seu poder político, midiático e econômico concentrado, estão na vanguarda da campanha mais sutil e brutal pela descristianização de Cultura ocidental em 100 anos » Senhor Cardeal, a Conferência dos Bispos dos Estados Unidos (USCCB) criticou claramente a política indígena do novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Por outro lado, houve alguns bispos americanos que consideraram as críticas a Biden imprudentes. O cardeal Blase Cupich de Chicago escreveu em seu Twitter que a conferência dos bispos havia feito “uma declaração precipitada”. Você acha que as críticas da USCCB são justificadas ou os bispos estão exagerando? Um bispo católico difere de políticos e ideólogos de poder pela obediência à palavra revelada de Deus. Ele seria um falso apóstolo se relativizasse a lei moral natural para suas preferências políticas ou para apoiar este ou aquele partido. Cada pessoa deve reconhecer as demandas de sua consciência de sua razão. Quando os governantes político-religiosos de seu tempo quiseram proibir os apóstolos de proclamar o ensino de Cristo sob ameaça de punição, eles responderam: “Devemos obedecer a Deus antes que aos homens” (Atos 5:29). Qualquer um que relativize o claro compromisso com a sacralidade de toda a vida humana com base em preferências políticas com jogos táticos e véus sofistas se opõe abertamente à fé católica. O Vaticano II e todos os papas até Francisco descreveram o assassinato deliberado de uma criança antes e depois do nascimento como a mais grave violação dos mandamentos de Deus. O presidente da USCCB, Arcebispo Gomez, explica ao presidente Joe Biden em sua declaração clara: “Como ensina o Papa Francisco, não podemos ficar calados quando quase um milhão de vidas em nosso país são deixadas de lado pelo aborto”. O que a igreja está ensinando sobre o aborto? “Porque Deus, Senhor da vida, confiou aos homens a distinta missão de conservar a vida, missão que deve ser realizada de maneira digna do homem. Portanto, a vida desde a sua concepção deve ser protegida com o máximo cuidado; o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis ​​”(Vaticano II, Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo moderno Gaudium et Spes, 51). O presidente Joe Biden se apresentou, e não apenas no dia de sua posse, como um católico devoto e praticante. Isso é muito crível aos seus olhos, dada sua longa série de declarações pró-aborto e sua declaração oficial no 38º aniversário de Roe v. Wade : “Nos últimos quatro anos o direito ao aborto foi atacado de forma extrema”, bem como o anúncio de que voltarão a dar apoio massivo ao aborto nos Estados Unidos e em todo o mundo, também financeiramente? Existem bons católicos, mesmo entre os mais altos funcionários do Vaticano, que com cega afeição anti-Trump aceitam ou minimizam tudo o que agora está sendo preparado contra os cristãos e todas as pessoas de boa vontade na América. Agora os Estados Unidos, com seu poder político, midiático e econômico concentrado, estão na vanguarda da campanha mais sutilmente brutal para descristianizar a cultura ocidental nos últimos 100 anos. O fato de que as vidas de milhões de crianças serão vítimas da campanha de aborto organizada em todo o mundo sob o eufemismo “direito à saúde reprodutiva” é minimizado ao apontar as fraquezas do caráter de Trump. Um irmão muito estimado em outras circunstâncias me reprovou, dizendo que eu não deveria vincular tudo ao aborto. Porque com a não reeleição de Trump, o perigo muito maior de que esse louco tivesse pressionado o botão atômico foi evitado. Mas estou convencido de que a ética individual e social prevalece sobre a política. O limite onde a fé e a moral são contrariadas pelo cálculo político foi excedido. Não posso apoiar um político do aborto porque ele constrói moradias sociais nem tenho que aceitar o absolutamente ruim por causa do relativamente bom. Há bispos nos Estados Unidos que falam publicamente que Biden não está em plena comunhão com a Igreja Católica devido às suas declarações e ações públicas em relação ao aborto, por exemplo, o Arcebispo de Denver, Samuel J. Aquila e o Arcebispo emérito da Filadélfia, Charles Chaput. Chaput defende que Biden não deve receber a comunhão neste momento. Em contraste, o cardeal Wilton D. Gregory, arcebispo de Washington, DC, disse que não se desviaria da prática de que Biden continuaria a receber a comunhão. Como você avalia isso? A opinião absurda se espalhou, mesmo entre os católicos, que a crença é um assunto privado e que algo ruim pode ser permitido, aprovado e promovido na vida pública. Em ações práticas concretas, os cristãos no parlamento ou no governo nem sempre conseguem fazer cumprir a lei natural em todos os pontos. Mas eles nunca devem participar ativa ou passivamente do mal. Eles têm que pelo menos protestar contra ela e, na medida do possível, resistir a ela, mesmo que sejam discriminados por isso. Qualquer pessoa que como cristão se declare contra o mainstream da propaganda LGBT, do aborto, da legalização do uso de drogas, da dissolução da sexualidade masculina ou feminina, é insultada e descrita como “direita” ou mesmo “nazista”. Embora fosse justamente a Nacional Socialistas, com sua ideologia darwiniana biológico-social, que estavam em franca contradição com a imagem cristã do homem. Espíritos afins (que denegrem os outros com as comparações nazistas, mas ao mesmo tempo ficam escandalizados pelas comparações nazistas) são mais propensos a se encontrar onde alguém se rebela contra o Deus que criou o homem à sua imagem e semelhança, como homem e mulher. Os bispos dos Estados Unidos podem basicamente confiar que o Papa Francisco apoiará totalmente seu compromisso pró-vida e, no máximo, poderão surgir divergências sobre a questão da sensibilidade ao lidar com um presidente em exercício? O Santo Padre nunca faltou as palavras mais claras contra o aborto como homicídio premeditado e, portanto, foi vilmente difamado por aqueles que tendem a gostar de se referir a ele e não podem enfatizar o suficiente o contraste com o anterior Papa Bento XVI. Espero que ninguém tenha a ideia perversa de acusar o aborto e a eutanásia de permitir que imigrantes e migrantes entrem na fronteira com o México, aceitando assim com “silêncio” crimes contra a humanidade. Os católicos americanos podem e devem, à luz das posições pró-aborto do novo presidente, simplesmente aceitar seus apelos por “unidade” e cura das feridas? Reconciliação é o que Deus nos deu por meio de Jesus Cristo. Para os cristãos na política em particular, este também deve ser um ponto de referência para seu discurso e desempenho. Mas uma divisão ideológica da sociedade não é superada por um lado empurrando o outro para o limite, criminalizando-o e destruindo-o, de modo que no final todas as instituições, desde a mídia às corporações internacionais, sejam dominadas apenas por representantes da vontade. capital. Nos Estados Unidos, como agora ocorre na Espanha, não há dúvida de que escolas católicas, hospitais e outras instituições sem fins lucrativos com financiamento público serão forçados a cometer conduta imoral ou serão fechadas se violarem as regras. Agora, o mais tardar, mesmo o mais ingênuo deve perceber se o discurso sobre a reconciliação na sociedade foi feito a sério ou foi apenas um golpe de propaganda. Especialmente aqueles que falam sobre isso com tanta insistência devem se perguntar criticamente sobre sua contribuição para a divisão. O lema “Se você não quiser ser meu irmão, quebro sua cabeça” não é o caminho certo para alcançar a reconciliação e o respeito mútuo. Será que tal reação contra a política de aborto seria concebível na área de língua alemã, na Áustria, Alemanha e na Suíça de língua alemã? Com o absolutismo, temos a infeliz tradição da igreja estatal na França, Áustria e Baviera católica desde o século 18 (galicanismo, febronismo, josefineismo). A Igreja já não se define pela sua missão divina de salvação de todos os homens, mas pelo serviço que lhe é permitido prestar no âmbito do bem comum, de acordo com o estado da sociedade. Apenas uma vez, no Kulturkampf contra o absolutismo estatal prussiano e contra as ideologias totalitárias, foi oferecida resistência em nome de sua missão superior (Pio XI., Encíclica com preocupação em chamas). Desde então, o público tem estado em grande parte subordinado aos objetivos do estado do mundo interior (a chamada relevância sistêmica) e só lida com a descristianização agressiva da sociedade no privado. Um bispo na Europa Central hoje se depara com a escolha entre sobreviver em conformidade ou ser tachado de fundamentalista pelos ignorantes. Enquanto nos Estados Unidos é comum a grande participação de bispos católicos, pe. Por exemplo, no maior evento pró-vida do mundo, a Marcha pela Vida, é quase um hábito que os poucos bispos bravos na Alemanha que vêm à Marcha pela Vida possam contar com uma mão. Não cabe a mim julgar o comportamento de bispos individualmente. Sempre fiquei impressionado com Clemens August von Galen, que foi ordenado bispo de Münster em 18 de outubro de 1933. Seu brasão era: Nec laudibus-nec timore. Não devemos nos deixar levar por elogios ou medo das pessoas. Na Polônia, por outro lado, os bispos são marcadamente pró-vida. Você aprecia seus esforços? Os poloneses sofreram e lutaram pelo Estado de direito, pela democracia e pela fé católica mais do que qualquer outro povo europeu nos últimos 200 anos. No entanto, existem preconceitos perversos contra este país. Esses tópicos e estereótipos também são aceitos sem crítica nos círculos da igreja. O compromisso dos bispos, padres e leigos poloneses é atribuído a um sentimento tradicionalista básico de uma nação que, depois da ditadura nacional-socialista e comunista e do governo estrangeiro, ainda não está totalmente madura para a democracia. As ofertas à Polônia para ser tutelar em questões de democracia e como lidar com uma sociedade secularizada vêm precisamente da Alemanha e da Áustria. Devemos mostrar deliberadamente mais solidariedade para com nossos irmãos e irmãs católicos. Poderíamos aprender coisas importantes uns com os outros e, juntos, fazer o bem para a Igreja Católica no mundo de hoje. Traduzido de Katn.net/InfoCatólica

  • DISTOPIA – Jack Tollers

    Passada a minha juventude, algumas décadas atrás, deixei de esperar em cada esquina a segunda vinda de Nosso Senhor. Leituras posteriores me levaram a confirmar que boa parte dos comentários, senão todos, do livro do Apocalipse, feitos na época patrística e medieval, não eram apocalípticos, ou seja, não viam aquele livro como profecias sobre o fim dos tempos, mas lhe davam uma interpretação espiritual; por exemplo, a de San Victorino de Poetovio, a de San Beda ou a de Cesáreo de Arles. Tudo isso não impede, porém, que o Senhor retorne em glória e majestade; não sabemos quando, mas seguramente estamos mais próximos desse momento do que estavam os nossos avós. Todo este preâmbulo é só para dizer que, embora por inércia eu resista às interpretações apocalípticas dos eventos atuais, não seria sensato fechar essa possibilidade. E tampouco seria uma atitude católica. A presidência de Biden se manifesta como uma das tentativas mais poderosas, na história humana, para destruir a ordem natural e a ordem divina, não tanto porque suas medidas sejam inovadoras, mas devido àqueles que as promovem: os governantes da maior potência do mundo. Muitos dos gestos de Biden foram por demais significativos. A nomeação, como subsecretária de saúde, de “Rachel” Levine, um patético personagem “transgênero” (diante de quem o próprio diabo ficaria assustado, se o encontrasse numa noite sem lua), dá a entender que rumos tomarão a saúde americana e todos os seus derivados. O senhor em questão, há algumas semanas, enquanto ocupava um alto cargo no governo da Pensilvânia, deu uma série de conselhos sobre como organizar e participar de orgias sexuais com segurança, e com riscos mínimos de contrair Covid. As medidas prioritárias tomadas pelo novo presidente, no primeiro dia de seu mandato, foram sobre mudanças climáticas, anti-Covid, igualdade racial e LBGT. Também muito significativa é a simbologia que agora o cerca, em seu “salão oval” rapidamente redecorado. O mais estranho é que Joe Biden se define abertamente como católico, assistindo à Missa todos os domingos. Horas antes da inauguração de seu mandato, assistiu a uma Missa na Catedral de Washington junto dos mais importantes líderes de seu futuro governo, começando pela vice-presidente Kamala Harris. Um evento desta natureza não ocorre nem mesmo em países católicos, se é que ainda existe algum. Alguém consegue imaginar Alberto Fernández, Pedro Sánchez ou Emmanuel Macron indo à missa antes de iniciar seu mandato? O seu gabinete é composto por uma maioria de católicos, e o Papa Francisco se desfaz em salamaleques para com ele (o próprio Biden colocou uma foto do Romano Pontífice em seu escritório, num lugar de destaque). O New York Times afirma que ele é o presidente mais religioso dos últimos cinquenta anos. Soube-se que o Vaticano retardou uma carta dos bispos americanos ao novo presidente, na qual lhe pediam que não ficasse calado diante do crime do aborto, apesar do que, literalmente, afirmou o Pontifício Instituto Teológico João Paulo II, presidido pelo inefável Paglia: “Defender o direito ao aborto não significa defender o aborto”. Tudo isto não deixa de ser muito estranho. Não estaremos perante a tão temida aliança entre a Igreja e o Império, não mais o sacro e romano Império, mas satânico, tal como o inaugurado por Biden? Por trás dos governantes visíveis, existem os verdadeiros donos do poder. Não é “conspiranoia” pensar dessa maneira. Já é evidente a todos o enorme poder de que desfrutam figuras como Georges Soros e Bill Gates, devido à sua prática “filantrópica”. Mais do que isto: os atuais governantes dos países ocidentais já falam, abertamente, sobre a importância da “governança global”, embora nunca se saiba com certeza quem são os que compõem o seu gabinete superior. A série de documentários lançada nos últimos meses, pela Netflix, sobre Jeffrey Epstein e Dominique Strauss-Kahn, revelou a escravidão aos vícios da carne em que vivem alguns dos líderes mundiais. Serão apenas Strauss-Kahn, Bill Clinton e Prince Andrew, ou haverá muitos mais? Até que ponto essa governança oscila não apenas entre poder e dinheiro, mas também na lama das paixões carnais mais degradadas? Abyssus abyssum vocat . Os romances distópicos costumavam apresentar o mundo dos últimos tempos como um lugar cinzento, sem luz, onde o sol nunca podia brilhar. Sempre pensávamos que não passasse de uma bela e boa fantasia. Contudo, na última sexta-feira, soube-se que Bill Gates financia um projeto para “escurecer o sol”, e, assim, acabar com o famoso aquecimento global. Trata-se de despejar toneladas de carbonato de cálcio na atmosfera. Os testes começarão nos próximos meses. [O que o Papa Francisco pensará da iniciativa? Talvez seja a piedosa resposta de Gates à encíclica Laudato sì ]. Todos esses fatos — que já não são mais fantasias apocalípticas — ocorrem no meio de uma pandemia, da qual já estamos fartos, mas sem poder saber quando vai terminar. Em suma, já não se trata mais de uma pequena lista de sinais e previsões distópicas para o nosso futuro próximo. Está nas mãos de profetas e santos interpretá-los. http://caminante-wanderer.blogspot.com/2021/01/distopia.html

  • 2196-2557 | CAPÍTULO SEGUNDO

    CAPÍTULO SEGUNDO «AMARÁS O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO» Jesus disse aos discípulos: «Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei» (Jo 13, 34). 2196. Respondendo à questão posta sobre o primeiro dos mandamentos, Jesus disse: «O primeiro é: “Escuta, Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças!”. O segundo é este: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Não há outro mandamento maior do que estes» (Mc 12, 29-31). E o apóstolo São Paulo lembra: «Quem ama o próximo cumpre plenamente a lei. De facto: “Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás”, bem como qualquer outro mandamento, estão resumidos numa só frase: “Amarás ao próximo como a ti mesmo”. O amor não faz mal ao próximo. Assim, é no amor que está o pleno cumprimento da lei» (Rm 13, 8-10). ARTIGO 4 O QUARTO MANDAMENTO «Honra pai e mãe, a fim de prolongares os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te vai dar» (Ex 20, 12). «Era-lhes submisso» (Lc 2, 51). O próprio Senhor Jesus lembrou a força deste «mandamento de Deus» (1). E o Apóstolo ensina: «Filhos, obedecei aos vossos pais, no Senhor, pois é isso que é justo. “Honra pai e mãe” – tal é o primeiro mandamento, com uma promessa “para que sejas feliz e gozes de longa vida sobre a terra”» (Ef 6, 1-3) (2). 2197. O quarto mandamento é o primeiro da segunda tábua, e indica a ordem da caridade. Deus quis que, depois de Si, honrássemos os nossos pais, a quem devemos a vida e que nos transmitiram o conhecimento de Deus. Temos obrigação de honrar e respeitar todos aqueles que Deus, para nosso bem, revestiu da sua autoridade. 2198. Este mandamento exprime-se sob a forma positiva de deveres a cumprir. Anuncia os mandamentos seguintes, relativos ao respeito particular pela vida, pelo matrimónio, pelos bens terrenos, pela palavra dada. E constitui um dos fundamentos da doutrina social da Igreja. 2199. O quarto mandamento dirige-se expressamente aos filhos nas suas relações com o pai e a mãe, porque esta relação é a mais universal. Mas diz respeito igualmente às relações de parentesco com os membros do grupo familiar. Exige que se preste honra, afeição e reconhecimento aos avós e antepassados. E, enfim, extensivo aos deveres dos alunos para com os professores, dos empregados para com os patrões, dos subordinados para com os chefes e dos cidadãos para com a pátria e para com quem os administra ou governa. Este mandamento implica e subentende os deveres dos pais, tutores, professores, chefes, magistrados, governantes, todos aqueles que exercem alguma autoridade sobre outrem ou sobre uma comunidade de pessoas. 2200. A observância do quarto mandamento comporta a respectiva recompensa: «Honra pai e mãe, a fim de prolongares os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te vai dar» (Ex 20, 12) (3). O respeito por este mandamento proporciona, com os frutos espirituais, os frutos temporais da paz e da prosperidade. Pelo contrário, a sua inobservância acarreta grandes danos às comunidades e às pessoas humanas. I. A família no plano de Deus NATUREZA DA FAMÍLIA 2201. A comunidade conjugal assenta sobre o consentimento dos esposos. O matrimónio e a família estão ordenados para o bem dos esposos e para a procriação e educação dos filhos. O amor dos esposos e a geração dos filhos estabelecem, entre os membros duma mesma família, relações pessoais e responsabilidades primordiais. 2202. Um homem e uma mulher, unidos em matrimónio, formam com os seus filhos uma família. Esta disposição precede todo e qualquer reconhecimento por parte da autoridade pública e impõe-se a ela. Deverá ser considerada como a referência normal, em função da qual serão apreciadas as diversas formas de parentesco. 2203. Ao criar o homem e a mulher, Deus instituiu a família humana e dotou-a da sua constituição fundamental. Os seus membros são pessoas iguais em dignidade. Para o bem comum dos seus membros e da sociedade, a família implica uma diversidade de responsabilidades, de direitos de deveres. A FAMÍLIA CRISTÃ 2204. «A família cristã constitui uma revelação e uma realização específica da comunhão eclesial; por esse motivo […], há-de ser designada como uma igreja doméstica» (4). Ela é uma comunidade de fé, de esperança e de caridade: reveste-se duma importância singular na Igreja, como transparece do Novo Testamento (5). 2205. A família cristã é uma comunhão de pessoas, vestígio e imagem da comunhão do Pai e do Filho, no Espírito Santo. A sua actividade procriadora e educativa é o reflexo da obra criadora do Pai. É chamada a partilhar da oração e do sacrifício de Cristo. A oração quotidiana e a leitura da Palavra de Deus fortalecem nela a caridade. A família cristã é evangelizadora e missionária. 2206. As relações no seio da família comportam uma afinidade de sentimentos, de afectos e de interesses, que provêm sobretudo do mútuo respeito das pessoas. A família é uma comunidade privilegiada, chamada a realizar a comunhão das almas, o comum acordo dos esposos e a dili­gente cooperação dos pais na educação dos filhos (6). II. A família e a sociedade 2207. A família é a célula originária da vida social. É ela a sociedade natural em que o homem e a mulher são chamados ao dom de si no amor e no dom da vida. A autoridade, a estabilidade e a vida de relações no seio da família constituem os fundamentos da liberdade, da segurança, da fraternidade no seio da sociedade. A família é a comunidade em que, desde a infância, se podem aprender os valores morais, começar a honrar a Deus e a fazer bom uso da liberdade. A vida da família é iniciação à vida em sociedade. 2208. A família deve viver de modo que os seus membros aprendam a preocupar-se e a encarregar-se dos jovens e dos velhos, das pessoas doentes ou incapacitadas e dos pobres. São muitas as famílias que, em certos momentos, se não encontram em condições de prestar esta ajuda. Recai então sobre outras pessoas, outras famílias e, subsidiariamente, sobre a sociedade, o dever de prover a estas necessidades: «A religião pura e sem mancha, aos olhos de Deus nosso Pai, consiste em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e conservar-se limpo do contágio do mundo» (Tg 1, 27). 2209. A família deve ser ajudada e defendida por medidas sociais apropriadas. Nos casos em que as famílias não estiverem em condições de cumprir as suas funções, os outros corpos sociais têm o dever de as ajudar e de amparar a instituição familiar. Mas, segundo o princípio da subsidiariedade, as comunidades mais vastas abster-se-ão de lhe usurpar as suas prerrogativas ou de se imiscuir na sua vida. 2210. A importância da família na vida e no bem-estar da sociedade (7) implica uma responsabilidade particular desta no apoio e fortalecimento do matrimónio e da família. A autoridade civil deve considerar como seu grave dever «reconhecer e proteger a verdadeira natureza do matrimónio e da família, defender a moralidade pública e favorecer a prosperidade doméstica» (8). 2211. A comunidade política tem o dever de honrar a família, de a assistir e de nomeadamente lhe garantir: – a Liberdade de fundar um lar, ter filhos e educá-Los de acordo com as suas próprias convicções morais e religiosas; – a protecção da estabilidade do vínculo conjugal e da instituição familiar; – a liberdade de professar a sua fé, de a transmitir, de educar nela os seus filhos, com os meios e as instituições necessárias; – o direito à propriedade privada, a liberdade de iniciativa, de obter um trabalho, uma habitação e o direito de emigrar; – consoante as instituições dos países, o direito aos cuidados médicos e à assistência aos idosos, bem como ao abono de família; – a protecção da segurança e da salubridade, sobretudo no que respeita a perigos como a droga, a pornografia, o alcoolismo. etc.; – a liberdade de formar associações com outras famílias e de ter assim representação junto das autoridades civis (9). 2212. O quarto mandamento esclarece as outras relações na sociedade. Nos nossos irmãos e irmãs vemos os filhos dos nossos pais; nos nossos primos, os descendentes dos nossos avós; nos nossos concidadãos, os filhos da nossa pátria; nos baptizados, os filhos da nossa mãe Igreja; em toda a pessoa humana, um filho ou filha d’Aquele que quer ser chamado «nosso Pai». Daí que as nossas relações com o próximo sejam reconhecidas como de ordem pessoal. O próximo não é um «indivíduo» da colectividade humana; é «alguém» que, pelas suas origens conhecidas, merece uma atenção e um respeito singulares. 2213. As comunidades humanas são compostas de pessoas. O bom governo das mesmas não se limita à garantia dos direitos e ao cumprimento dos deveres, bem como ao respeito pelos contratos. Relações justas entre patrões e empregados, governantes e cidadãos, pressupõem a benevolência natural, de acordo com a dignidade das pessoas humanas, solícitas pela justiça e pela fraternidade. III. Deveres dos membros da família DEVERES DOS FILHOS 2214. A paternidade divina é a fonte da paternidade humana (10); nela se fundamenta a honra devida aos pais. O respeito dos filhos, menores ou adultos, pelo seu pai e pela sua mãe (11) nutre-se do afecto natural nascido dos laços que os unem. Exige-o o preceito divino (12). 2215. O respeito pelos pais (piedade filial) é feito de reconhecimento àqueles que, pelo dom da vida, pelo seu amor e seu trabalho, puseram os filhos no mundo e lhes permitiram crescer em estatura, sabedoria e graça. «Honra o teu pai de todo o teu coração e não esqueças as dores da tua mãe. Lembra-te de que foram eles que te geraram. Como lhes retribuirás o que por ti fizeram?» (Sir 7, 27-28). 2216. O respeito filial revela-se na docilidade e na obediência autênticas. «Observa, meu filho, as ordens do teu pai, e não desprezes os ensinamentos da tua mãe […]. Servir-te-ão de guia no caminho, velarão por ti quando dormires, e falarão contigo ao despertares» (Pr 6, 20.22). «O filho sábio é fruto da correcção paterna, mas o insolente não aceita a repreensão» (Pr 13, 1). 2117. Enquanto viver na casa dos pais, o filho deve obedecer a tudo o que eles lhe mandarem para seu bem ou o da família. «Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, porque isto agrada ao Senhor» (Cl 3, 20) (13). Os filhos devem também obedecer às prescrições razoáveis dos seus educadores e de todos aqueles a quem os pais os confiaram. Mas se o filho se persuadir, em consciência, de que é moralmente mau obedecer a determinada ordem, não o faça. Com o crescimento, os filhos continuarão a respeitar os pais. Adivinharão os seus desejos, pedirão de boa vontade os seus conselhos e aceitarão as suas admoestações justificadas. A obediência aos pais cessa com a emancipação: mas não o respeito que sempre lhes é devido. É que este tens a sua raiz no temor de Deus, que é um dos dons do Espírito Santo. 2218. O quarto mandamento lembra aos filhos adultos as suas responsabilidades para com os pais. Tanto quanto lhes for possível, devem prestar-lhes ajuda material e moral, nos anos da velhice e no tempo da doença, da solidão ou do desânimo. Jesus lembra este dever de gratidão (14). «Deus quis honrar o pai pelos filhos e cuidadosamente firmou sobre eles a autoridade da mãe. O que honra o pai alcança o perdão dos seus pecados e quem honra a mãe é semelhante àquele que acumula tesouros. Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos e será ouvido no dia da sua oração. Quem honra o pai gozará de longa vida e quem lhe obedece consolará a sua mãe» (Sir 3, 2-6). «Filho, ampara o teu pai na velhice, não o desgostes durante a sua vida. Mesmo se ele vier a perder a razão, sê indulgente, não o desprezes, tu que estás na plenitude das tuas forças […]. É como um blasfemador o que desampara o seu pai e é amaldiçoado por Deus aquele que irrita a sua mãe» (Sir 3, 12-16). 2219. O respeito filial favorece a harmonia de toda a vida familiar; engloba também as relações entre irmãos e irmãs. O respeito pelos pais impregna todo o ambiente familiar. «A coroa dos anciãos são os filhos dos seus filhos» (Pr 17, 6). «Suportai-vos uns aos outros na caridade, com toda a humildade, mansidão e paciência» (Ef 4, 2). 2220. Os cristãos, têm o dever de ser especialmente gratos àqueles de quem receberam o dom da fé, a graça do Baptismo e a vida na Igreja. Pode tratar-se dos pais, de outros membros da família, dos avós, dos pastores, dos catequistas, dos professores ou amigos. «Conservo a lembrança da tua fé tão sincera, que foi primeiro a da tua avó Lóide e da tua mãe Eunice, e que, estou certo, habita também em ti» (2 Tm 1, 5). DEVERES DOS PAIS 2221. A fecundidade do amor conjugal não se reduz apenas à procriação dos filhos. Deve também estender-se à sua educação moral e à sua formação espiritual. O «papel dos pais na educação é de tal importância que é impossível substituí-los» (15). O direito e o dever da educação são primordiais e inalienáveis para os país (16). 2222. Os pais devem olhar para os seus filhos como filhos de Deus e respeitá-los como pessoas humanas. Educarão os seus filhos no cumprimento da lei de Deus, na medida em que eles próprios se mostrarem obedientes à vontade do Pai dos céus. 2223. Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos. Testemunham esta responsabilidade, primeiro pela criação dum lar onde são regra a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado. O lar é um lugar apropriado para a educação das virtudes, a qual requer a aprendizagem da abnegação, de sãos critérios, do autodomínio, condições da verdadeira liberdade. Os pais ensinarão os filhos a subordinar «as dimensões físicas e instintivas às dimensões interiores e espirituais» (17). Os pais têm a grave responsabilidade de dar bons exemplos aos filhos. Sabendo reconhecer diante deles os próprios defeitos, serão mais capazes de os guiar e corrigir: «Aquele que ama o seu filho, castiga-o com frequência […]. Aquele que dá ensinamentos ao seu filho será louvado» (Sir 30, 1-2). «E vós, pais, não irriteis os vossos filhos: pelo contrário, educai-os com disciplina e advertências inspiradas pelo Senhor» (Ef 6, 4). 2224. O lar constitui o âmbito natural para a iniciação da pessoa humana na solidariedade e nas responsabilidades comunitárias. Os pais devem ensinar os filhos a acautelar-se dos perigos e degradações que ameaçam as sociedades humanas. 2225. Pela graça do sacramento do matrimónio, os pais receberam a responsabilidade e o privilégio de evangelizar os filhos. Desde tenra idade devem iniciá-los nos mistérios da fé, de que são os «primeiros arautos» (18). Hão-de associá-los, desde a sua primeira infância, à vida da Igreja. A maneira como se vive em família pode alimentar as disposições afectivas, que durante toda a vida permanecem como autêntico preâmbulo e esteio duma fé viva. 2226. A educação da fé por parte dos pais deve começar desde a mais tenra infância. Faz-se já quando os membros da família se ajudam mutuamente a crescer na fé pelo testemunho duma vida cristã, de acordo com o Evangelho. A catequese familiar precede, acompanha e enriquece as outras formas de ensinamento da fé. Os pais têm a missão de ensinar os filhos a rezar e a descobrir a sua vocação de filhos de Deus (19). A paróquia é a comunidade eucarística e o coração da vida litúrgica das famílias cristãs: é o lugar privilegiado da catequese dos filhos e dos pais. 2227. Por sua vez, os filhos contribuem para o crescimento dos seus pais na santidade (20). Todos e cada um se darão, generosamente e sem se cansar, o perdão mútuo exigido pelas ofensas, querelas, injustiças e abandonos. Assim o sugere o afecto mútuo. E assim o exige a caridade de Cristo (21). 2228. Durante a infância, o respeito e o carinho dos pais traduzem-se, primeiro, no cuidado e na atenção que consagram à educação dos filhos, para prover as suas necessidades, físicas e espirituais. A medida que vão crescendo, o mesmo respeito e dedicação levam os pais a educar os filhos no sentido dum uso correcto da sua razão e da sua liberdade. 2229. Como primeiros responsáveis pela educação dos seus filhos, os pais têm o direito de escolher para eles uma escola que corresponda às suas próprias convicções. É um direito fundamental. Tanto quanto possível, os pais têm o dever de escolher as escolas que melhor os apoiem na sua tarefa de educadores cristãos (22). Os poderes públicos têm o dever de garantir este direito dos pais e de assegurar as condições reais do seu exercício. 2230. Ao tornarem-se adultos, os filhos têm o dever e o direito de escolher a sua profissão e o seu estado de vida. Devem assumir as novas responsabilidades numa relação de confiança com os seus pais, a quem pedirão e de quem de boa vontade receberão opiniões e conselhos. Os pais terão o cuidado de não constranger os filhos, nem na escolha duma profissão, nem na escolha do cônjuge. Mas este dever de discrição não os proíbe, muito pelo contrário, de os ajudar com opiniões ponderadas, sobretudo quando tiverem em vista a fundação dum novo lar. 2231. Há quem não se case para cuidar dos pais ou dos irmãos e irmãs; ou para se dedicar mais exclusivamente a uma profissão; ou ainda por outros motivos válidos. Esses podem contribuir muitíssimo para o bem da família humana. IV. A família e o Reino 2232. São importantes, mas não absolutos, os laços familiares. Quanto mais a criança cresce para a maturidade e autonomia humanas e espirituais, tanto mais a sua vocação individual, que vem de Deus, se afirma com nitidez e força. Os pais devem respeitar este chamamento e apoiar a resposta dos filhos para o seguir. Hão-de convencer-se de que a primeira vocação do cristão é seguir Jesus (23): «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim» (Mt 10, 37). 2233. Tornar-se discípulo de Jesus é aceitar o convite para pertencer à família de Deus, para viver em conformidade com a sua maneira de viver: «Todo aquele que fizer a vontade do meu Pai que está nos céus, é que é meu irmão e minha irmã e minha mãe» (Mt 12, 50). Os pais devem acolher e respeitar, com alegria e acção de graças, o chamamento que o Senhor fizer a um dos seus filhos, para O seguir na virgindade pelo Reino, na vida consagrada ou no ministério sacerdotal. V. As autoridades na sociedade civil 2234. O quarto mandamento da Lei de Deus manda que honremos também todos aqueles que, para nosso bem, receberam de Deus alguma autoridade na sociedade. E esclarece os deveres dos que exercem essa autoridade, bem como os daqueles que dela beneficiam. DEVERES DAS AUTORIDADES CIVIS 2235. Aqueles que exercem alguma autoridade, devem exercê-la como quem presta um serviço. «Quem quiser entre vós tornar-se grande, será vosso servo» (Mt 20, 26). O exercício da autoridade é moralmente regulado pela sua origem divina, pela sua natureza racional e pelo seu objecto específico. Ninguém pode mandar ou instituir o que for contrário à dignidade das pessoas e à lei natural. 2236. O exercício da autoridade visa tornar manifesta uma justa hierarquia de valores, a fim de facilitar o exercício da liberdade e da responsabilidade de todos. Os superiores exerçam a justiça distributiva com sabedoria, tendo em conta as necessidades e a contribuição de cada qual, e em vista da concórdia e da paz. Estarão atentos a que as regras e disposições que tomam não induzam em tentação, opondo o interesse pessoal ao da comunidade (24). 2237. Os poderes políticos são obrigados a respeitar os direitos fundamentais da pessoa humana. Administrarão a justiça como humanidade, respeitando o direito de cada qual, nomeadamente das famílias e dos deserdados. Os direitos políticos inerentes à cidadania podem e devem ser reconhecidos conforme as exigências do bem comum. Não podem ser suspensos pelos poderes públicos sem motivo legítimo e proporcionado. O exercício dos direitos políticos orienta-se para o bem comum da nação e da comunidade humana. DEVERES DOS CIDADÃOS 2238. Os que estão sujeitos à autoridade considerarão os seus superiores como representantes de Deus, que os instituiu ministros dos seus dons «Submetei-vos, por causa do Senhor, a toda a instituição humana […]. Procedei como homens livres, não como aqueles que fazem da liberdade capa da sua malícia, mas como servos de Deus» (1 Pe 2, 13.16). A sua colaboração leal comporta o direito, e às vezes o dever, duma justa reclamação de quanto lhes parecer prejudicial à dignidade das pessoas e ao bem da comunidade. 2239. É dever dos cidadãos colaborar com os poderes civis para o bem da sociedade, num espírito de verdade, de justiça, de solidariedade e de liberdade. O amor e o serviço da pátria derivam do dever da gratidão e da ordem da caridade. A submissão às autoridades legítimas e o serviço do bem comum exigem dos cidadãos que cumpram o seu papel na vida da comunidade política. 2240. A submissão à autoridade e a corresponsabilidade pelo bem comum exigem moralmente o pagamento dos impostos, o exercício do direito de voto, a defesa do país: «Dai a cada um o que lhe é devido: o imposto, a quem se deve o imposto; a taxa, a quem se deve a taxa; o respeito, a quem se deve o respeito; a honra, a quem se deve a honra» (Rm 13, 7). Os cristãos «residem na sua própria pátria, mas vivem todos como de passagem; em tudo participam como os outros cidadãos, mas tudo suportam como se não tivessem pátria […]. Obedecem às leis estabelecidas, mas pelo seu modo de vida superam as leis […]. Tão nobre é o posto que Deus lhes assinalou, que não lhes é lícito desertar» (26). O Apóstolo exorta-nos a fazer súplicas e acções de graças pelos reis e por todos aqueles que exercem a autoridade, «a fim de que possamos ter uma vida calma e tranquila, com toda a piedade e dignidade» (1 Tm 2, 2). 2241. As nações mais abastadas devem acolher, tanto quanto possível, o estrangeiro em busca da segurança e dos recursos vitais que não consegue encontrar no seu país de origem. Os poderes públicos devem velar pelo respeito do direito natural que coloca o hóspede sob a protecção daqueles que o recebem. As autoridades políticas podem, em vista do bem comum de que têm a responsabilidade, subordinar o exercício do direito de imigração a diversas condições jurídicas, nomeadamente no respeitante aos deveres que os imigrantes contraem para com o país de adopção. O imigrado tem a obrigação de respeitar com reconhecimento o património material e espiritual do país que o acolheu, de obedecer às suas leis e de contribuir para o seu bem. 2242. O cidadão é obrigado, em consciência, a não seguir as prescrições das autoridades civis, quando tais prescrições forem contrárias às exigências de ordem moral, aos direitos fundamentais das pessoas ou aos ensinamentos do Evangelho. A recusa de obediência às autoridades civis, quando as suas exigências forem contrárias às da recta consciência, tem a sua justificação na distinção entre o serviço de Deus e o serviço da comunidade política. «Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus» (Mt 22, 21). «Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens» (Act 5, 29): «Quando a autoridade pública, excedendo os limites da própria competência, oprimir os cidadãos, estes não se recusem às exigências objectivas do bem comum; mas é-lhes lícito, dentro dos limites definidos pela lei natural e pelo Evangelho, defender os seus próprios direitos e os dos seus concidadãos contra o abuso dessa autoridade» (27). 2243. A resistência à opressão do poder político não recorrerá legitimamente às armas, senão nas seguintes condições: 1 – em caso de violações certas, graves e prolongadas dos direitos fundamentais; 2 – depois de ter esgotado todos os outros recursos; 3 – se não provocar desordens piores; 4 – se houver esperança fundada de êxito; 5 – e se for impossível prever razoavelmente soluções melhores. A COMUNIDADE POLÍTICA E A IGREJA 2244. Toda a instituição se inspira, mesmo que implicitamente, numa visão do homem e do seu destino, visão da qual tira as suas referências de juízo, a sua hierarquia de valores, a sua linha de procedimento. A maior parte das sociedades referiram as suas instituições a uma certa preeminência do homem sobre as coisas. Só a religião divinamente revelada é que reconheceu claramente em Deus, Criador e Redentor, a origem e o destino do homem. A Igreja convida os poderes políticos a referenciar os seus juízos e decisões a esta inspiração da verdade sobre Deus e sobre o homem: As sociedades que ignoram esta inspiração ou a recusam em nome da sua independência em relação a Deus, são levadas a procurar em si mesmas ou a tomar de uma ideologia as suas referências e o seu fim: e não admitindo que se defenda um critério objectivo do bem e do mal, a si mesmas atribuem, sobre o homem e o seu destino, um poder totalitário, declarado ou oculto, como a história tem mostrado» (31). 2245. «A Igreja que, em virtude da sua função e competência, de modo algum se confunde com a comunidade política, […] é, ao mesmo tempo, sinal e salvaguarda do carácter transcendente da pessoa humana» (29). « A Igreja respeita e promove a liberdade política e a responsabilidade dos cidadãos» (30). 2246. Faz parte da missão da Igreja «proferir um juízo moral, mesmo acerca das realidades que dizem respeito à ordem política, sempre que os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem utilizando todos e só os meios conformes com o Evangelho e o bem de todos segundo a variedade dos tempos e circunstâncias» (31). Resumindo: 2247. «Honra pai e mãe» (Dt 5, 16; Mc 7, 10). 2248. Segundo o quarto mandamento, Deus quis que, depois d’Ele, honrássemos os nossos pais e aqueles que, para nosso bem, Ele revestiu de autoridade. 2249. A comunidade conjugal está fundada na aliança e no consentimento dos esposos. O matrimónio e a família estão ordenados para o bem dos cônjuges e para a procriação e educação dos filhos. 2250. «A saúde da pessoa e da sociedade humana e cristã depende estreitamente de uma situação favorável da comunidade conjugal e familiar» (32). 2251. Os filhos devem aos pais respeito, gratidão, obediência justa e ajuda. O respeito filial favorece a harmonia de toda a vida familiar. 2252. Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos seus filhos na fé, na oração, e em todas as virtudes. Eles têm o dever de prover, na medida do possível, às necessidades físicas e espirituais dos seus filhos. 2253. Os pais devem respeitar e favorecer a vocação dos seus filhos. Hão-de lembrar-se e hão-de ensinar-lhes que a primeira vocação do cristão é seguir Jesus. 2254. A autoridade pública tem a obrigação de respeitar os direitos fundamentais da pessoa humana e as condições do exercício da sua liberdade. 2255. É dever dos cidadãos colaborar com os poderes civis na edificação da sociedade, num espírito de verdade, justiça, solidariedade e liberdade. 2256. O cidadão está obrigado em consciência a não seguir as prescrições das autoridades civis quando tais prescrições forem contrárias às exigências da ordem moral. «Deve obedecer-se antes a Deus do que aos homens» (Act 5, 29). 2257. Toda a sociedade refere os seus juízos e a sua conduta a uma visão do homem e do seu destino. Fora das luzes do Evangelho sobre Deus e sobre o homem, as sociedades facilmente resvalam para o totalitarismo. ARTIGO 5 O QUINTO MANDAMENTO «Não matarás» (Ex 20, 13). «Ouvistes o que foi dito aos antigos: “Não matarás. Aquele que matar terá de responder em juízo”. Eu, porém, digo-vos: Quem se irritar contra o seu irmão, será réu perante o tribunal» (Mt 5, 21-22). 2258. «A vida humana é sagrada porque, desde a sua origem, postula a acção criadora de Deus e mantém-se para sempre numa relação especial com o Criador, seu único fim. Só Deus é senhor da vida, desde o seu começo até ao seu termo: ninguém, em circunstância alguma, pode reivindicar o direito de dar a morte directamente a um ser humano inocente» (33). I. O respeito pela vida humana TESTEMUNHO DA HISTÓRIA SAGRADA 2259. A Sagrada Escritura, na narrativa da morte de Abel pelo seu irmão Caim (34), revela, desde os primórdios da história humana, a presença no homem da cólera e da inveja, consequências do pecado original. O homem tornou-se inimigo do seu semelhante. Deus denuncia a perversidade deste fratricídio: «Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama da terra por Mim. De futuro, serás maldito sobre a terra, que abriu a sua boca para beber, da tua mão, o sangue do teu irmão» (Gn 4, 10‑11). 2260. A aliança entre Deus e a humanidade é entretecida de referências ao dom divino da vida humana e à violência assassina do homem: «Pedirei contas do vosso sangue […]. A quem derramar sangue humano, por mão de homem será derramado o seu, porque Deus fez o homem à sua imagem» (Gn 9, 5-61). O Antigo Testamento considerou sempre o sangue como um sinal sagrado da vida (35). E este ensinamento é válido para todos os tempos. 2261. A Escritura determina a proibição contida no quinto mandamento: «Não causarás a morte do inocente e do justo» (Ex 23, 7). O homicídio voluntário dum inocente é gravemente contrário à dignidade do ser humano, à regra de ouro e à santidade do Criador. A lei que o proíbe universalmente válida: obriga a todos e a cada um, sempre e em toda a parte. 2262. No sermão da montanha, o Senhor lembra o preceito: «Não matarás» (Mt 5, 21) e acrescenta-lhe a proibição da ira, do ódio e da vingança. Mais ainda: Cristo exige do seu discípulo que ofereça a outra face (36), que ame os seus inimigos (37). Ele próprio não Se defendeu e disse a Pedro que deixasse a espada na bainha (38). A LEGÍTIMA DEFESA 2263. A defesa legítima das pessoas e das sociedades não é uma excepção à proibição de matar o inocente que constitui o homicídio voluntário. «Do acto de defesa pode seguir-se um duplo efeito: um, a conservação da própria vida; outro, a morte do agressor» (39). «Nada impede que um acto possa ter dois efeitos, dos quais só um esteja na intenção, estando o outro para além da intenção» (40). 2264. O amor para consigo mesmo permanece um princípio fundamental de moralidade. E, portanto, legítimo fazer respeitar o seu próprio direito à vida. Quem defende a sua vida não é réu de homicídio, mesmo que se veja constrangido a desferir sobre o agressor um golpe mortal: «Se, para nos defendermos, usarmos duma violência maior do que a necessária, isso será ilícito. Mas se repelirmos a violência com moderação, isso será lícito […]. E não é necessário à salvação que se deixe de praticar tal acto de defesa moderada para evitar a morte do outro: porque se está mais obrigado a velar pela própria vida do que pela alheia» (41). 2265. A legítima defesa pode ser não somente um direito, mas até um grave dever para aquele que é responsável pela vida de outrem. Defender o bem comum implica colocar o agressor injusto na impossibilidade de fazer mal. É por esta razão que os detentores legítimos da autoridade têm o direito de recorrer mesmo às armas para repelir os agressores da comunidade civil confiada à sua responsabilidade. 2266. O esforço do Estado em reprimir a difusão de comportamentos que lesam os direitos humanos e as regras fundamentais da convivência civil, corresponde a uma exigência de preservar o bem comum. É direito e dever da autoridade pública legítima infligir penas proporcionadas à gravidade do delito. A pena tem como primeiro objectivo reparar a desordem introduzida pela culpa. Quando esta pena é voluntariamente aceite pelo culpado, adquire valor de expiação. A pena tem ainda como objectivo, para além da defesa da ordem pública e da protecção da segurança das pessoas, uma finalidade medicinal, posto que deve, na medida do possível, contribuir para a emenda do culpado. 2267. Durante muito tempo, considerou-se o recurso à pena de morte por parte da autoridade legítima, depois de um processo regular, como uma resposta adequada à gravidade de alguns delitos e um meio aceitável, ainda que extremo, para a tutela do bem comum. Hoje vai-se tornando cada vez mais viva a consciência de que a dignidade da pessoa não se perde, mesmo depois de ter cometido crimes gravíssimos. Além disso, difundiu-se uma nova compreensão do sentido das sanções penais por parte do Estado. Por fim, foram desenvolvidos sistemas de detenção mais eficazes, que garantem a indispensável defesa dos cidadãos sem, ao mesmo tempo, tirar definitivamente ao réu a possibilidade de se redimir. Por isso a Igreja ensina, à luz do Evangelho, que «a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa» [Discurso aos participantes no encontro promovido pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, 11 de outubro de 2017], e empenha-se com determinação a favor da sua abolição em todo o mundo. O HOMICÍDIO VOLUNTÁRIO 2268. O quinto mandamento proíbe, como gravemente pecaminoso, o homicídio directo e voluntário. O assassino e quantos voluntariamente colaboram no assassinato cometem um pecado que brada ao céu (43). O infanticídio (44), o fratricídio, o parricídio e o assassinato do cônjuge são crimes especialmente graves, em razão dos laços naturais que eles quebram. Não se podem invocar preocupações de eugenismo ou de higiene pública para justificar qualquer homicídio, ainda que tal seja imposto pelos poderes públicos 2269. O quinto mandamento proíbe fazer seja o que for com a intenção de provocar indirectamente a morte duma pessoa. A lei moral proíbe expor alguém, sem razão grave, a um perigo mortal, assim como negar assistência a uma pessoa em perigo. A aceitação pela sociedade humana de fomes mortíferas, sem se esforçar por lhe dar remédio, é uma escandalosa injustiça e um pecado grave. Os traficantes, cujas práticas usurárias e mercantis provocam a fome e a morte dos seus irmãos em humanidade, cometem indirectamente homicídio, que lhes é imputável (45). O homicídio involuntário não é moralmente imputável. Mas não se é desculpado de falta grave se, sem razões proporcionadas, se proceder de maneira a causar a morte, mesmo sem a intenção de a provocar. O ABORTO 2270. A vida humana deve ser respeitada e protegida, de modo absoluto, a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento da sua existência, devem ser reconhecidos a todo o ser humano os direitos da pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo o ser inocente à vida (46). «Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi: antes que saísses do seio da tua mãe, Eu te consagrei» (Jr 1, 5). «Vós conhecíeis já a minha alma e nada do meu ser Vos era oculto, quando secretamente era formado, modelado nas profundidades da terra» (Sl 139, 15). 2271. A Igreja afirmou, desde o século I, a malícia moral de todo o aborto provocado. E esta doutrina não mudou. Continua invariável. O aborto directo, isto é, querido como fim ou como meio, é gravemente contrário à lei moral: «Não matarás o embrião por meio do aborto, nem farás que morra o recém-nascido» (47). «Deus […], Senhor da vida, confiou aos homens, para que estes desempenhassem dum modo digno dos mesmos homens, o nobre encargo de conservar a vida. Esta deve, pois, ser salvaguardada, com extrema solicitude, desde o primeiro momento da concepção; o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis» (48). 2272. A colaboração formal num aborto constitui falta grave. A Igreja pune com a pena canónica da excomunhão este delito contra a vida humana. «Quem procurar o aborto, seguindo-se o efeito («effectu secuto») incorre em excomunhão latae sententiae (49), isto é, «pelo facto mesmo de se cometer o delito» (50) e nas condições previstas pelo Direito (50). A Igreja não pretende, deste modo, restringir o campo da misericórdia. Simplesmente, manifesta a gravidade do crime cometido, o prejuízo irreparável causado ao inocente que foi morto, aos seus pais e a toda a sociedade. 2273. O inalienável direito à vida, por parte de todo o indivíduo humano inocente, é um elemento constitutivo da sociedade civil e da sua legislação: «Os direitos inalienáveis da pessoa deverão ser reconhecidos e respeitados pela sociedade civil e pela autoridade política. Os direitos do homem não dependem nem dos indivíduos, nem dos pais, nem mesmo representam uma concessão da sociedade e do Estado. Pertencem à natureza humana e são inerentes à pessoa, em razão do acto criador que lhe deu origem. Entre estes direitos fundamentais deve aplicar-se o direito à vida e à integridade física de todo ser humano, desde a concepção até à morte» (52). «Desde o momento em que uma lei positiva priva determinada categoria de seres humanos da protecção que a legislação civil deve conceder-lhes, o Estado acaba por negar a igualdade de todos perante a lei. Quando o Estado não põe a sua força ao serviço dos direitos de todos os cidadãos, em particular dos mais fracos, encontram-se ameaçados os próprios fundamentos dum «Estado de direito» […]. Como consequência do respeito e da protecção que devem ser garantidos ao nascituro, desde o momento da sua concepção, a lei deve prever sanções penais apropriadas para toda a violação deliberada dos seus direitos» (53). 2274. Uma vez que deve ser tratado como pessoa desde a concepção, o embrião terá de ser defendido na sua integridade, tratado e curado, na medida do possível, como qualquer outro ser humano. O diagnóstico pré-natal é moralmente lícito, desde que «respeite a vida e a integridade do embrião ou do feto humano, e seja orientado para a sua defesa ou cura individual […]. Mas está gravemente em oposição com a lei moral, se previr, em função dos resultados, a eventualidade de provocar um aborto. Um diagnóstico […] não pode ser equivalente a uma sentença de morte» (54). 2275. «Devem considerar-se lícitas as intervenções no embrião humano, sempre que respeitem a vida e a integridade do mesmo e não envolvam para ele riscos desproporcionados, antes tenham em vista a sua cura, as melhoria das suas condições de saúde ou a sua sobrevivência individual» (55). «É imoral produzir embriões humanos destinados a serem explorados como material biológico disponível» (56). «Certas tentativas de intervenção no património cromossomático ou genético não são terapêuticas, mas têm em cesta a produção de seres humanos seleccionados segundo o sexo ou outras qualidades pré-estabelecidas. Tais manipulações são contrárias à dignidade pessoal do ser humano, à sua integridade e à sua identidade única, irrepetível» (57). A EUTANÁSIA 2276. Aqueles que têm uma vida deficiente ou enfraquecida reclamam um respeito especial. As pessoas doentes ou deficientes devem ser amparadas, para que possam levar uma vida tão normal quanto possível. 2277. Quaisquer que sejam os motivos e os meios, a eutanásia directa consiste em pôr fim à vida de pessoas deficientes, doentes ou moribundas. É moralmente inaceitável. Assim, uma acção ou uma omissão que, de per si ou na intenção, cause a morte com o fim de suprimir o sofrimento, constitui um assassínio gravemente contrário à dignidade da pessoa humana e ao respeito do Deus vivo, seu Criador. O erro de juízo, em que se pode ter caído de boa fé, não muda a natureza do acto homicida, o qual deve sempre ser condenado e posto de parte (58). 2278. A cessação de tratamentos médicos onerosos, perigosos, extraordinários ou desproporcionados aos resultados esperados, pode ser legítima. É a rejeição do «encarniçamento terapêutico». Não que assim se pretenda dar a morte; simplesmente se aceita o facto de a não poder impedir. As decisões devem ser tomadas pelo paciente se para isso tiver competência e capacidade; de contrário, por quem para tal tenha direitos legais, respeitando sempre a vontade razoável e os interesses legítimos do paciente. 2279. Mesmo que a morte seja considerada iminente, os cuidados habitualmente devidos a uma pessoa doente não podem ser legitimamente interrompidos. O uso dos analgésicos para aliviar os sofrimentos do moribundo, mesmo correndo-se o risco de abreviar os seus dias, pode ser moralmente conforme com a dignidade humana, se a morte não for querida, nem como fim nem como meio, mas somente prevista e tolerada como inevitável. Os cuidados paliativos constituem uma forma excepcional da caridade desinteressada; a esse título, devem ser encorajados. O SUICÍDIO 2280. Cada qual é responsável perante Deus pela vida que Ele lhe deu, Deus é o senhor soberano da vida; devemos recebê-la com reconhecimento e preservá-la para sua honra e salvação das nossas almas. Nós somos administradores e não proprietários da vida que Deus nos confiou; não podemos dispor dela. 2281. O suicídio contraria a inclinação natural do ser humano para conservar e perpetuar a sua vida. É gravemente contrário ao justo amor de si mesmo. Ofende igualmente o amor do próximo, porque quebra injustamente os laços de solidariedade com as sociedades familiar, nacional e humana, em relação às quais temos obrigações a cumprir. O suicídio é contrário ao amor do Deus vivo. 2282. Se for cometido com a intenção de servir de exemplo, sobretudo para os jovens, o suicídio assume ainda a gravidade do escândalo. A cooperação voluntária no suicídio é contrária à lei moral. Perturbações psíquicas graves, a angústia ou o temor grave duma provação, dum sofrimento, da tortura, são circunstâncias que podem diminuir a responsabilidade do suicida. 2283. Não se deve desesperar da salvação eterna das pessoas que se suicidaram. Deus pode, por caminhos que só Ele conhece, oferecer-lhes a ocasião de um arrependimento salutar. A Igreja ora pelas pessoas que atentaram contra a própria vida. II. O respeito pela dignidade das pessoas O RESPEITO PELA ALMA DO PRÓXIMO: O ESCÂNDALO 2284. O escândalo é a atitude ou comportamento que leva outrem a fazer o mal. O escandaloso transforma-se em tentador do seu próximo; atenta contra a virtude e a rectidão, podendo arrastar o irmão para a morte espiritual. O escândalo constitui uma falta grave se, por acção ou omissão, levar deliberadamente outra pessoa a cometer uma falta grave. 2285. O escândalo reveste-se duma gravidade particular conforme a autoridade dos que o causam ou a fraqueza dos que dele são vítimas. Ele inspirou esta maldição a nosso Senhor: «Mas se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem em Mim, seria preferível que lhe suspendessem do pescoço a mó de um moinho e o lançassem nas profundezas do mar» (Mt 18, 6) (59). O escândalo é grave quando é causado por aqueles que, por natureza ou em virtude da função que exercem, tem a obrigação de ensinar e de educar os outros. Jesus censura-o nos escribas e fariseus, comparando-os a lobos disfarçados de cordeiros (60). 2286. O escândalo pode ser provocado pela lei ou pelas instituições, pela moda ou pela opinião. É assim que se tornam culpados de escândalo os que estabelecem leis ou estruturas sociais conducentes à degradação dos costumes e à corrupção da vida religiosa, ou a «condições sociais que, voluntária ou involuntariamente, tornam difícil e praticamente impossível uma conduta cristã conforme aos mandamentos» (61). O mesmo se diga dos chefes de empresa que tomam medidas incitando à fraude, dos professores que «exasperam» os seus alunos (62), ou daqueles que, manipulando a opinião pública, a desviam dos valores morais. 2287. Aquele que usa dos poderes de que dispõe, em condições que induzem a agir mal, torna-se culpado de escândalo e responsável pelo mal que, directa ou indirectamente, favorece. «É inevitável que haja escândalos, mas ai daquele que os causa» (Lc 17, 1). O RESPEITO PELA SAÚDE 2288. A vida e a saúde física são bens preciosos, confiados por Deus. Temos a obrigação de cuidar razoavelmente desses dons, tendo em conta as necessidades alheias e o bem comum. O cuidado da saúde dos cidadãos requer a ajuda da sociedade para se conseguirem condições de vida que permitam crescer e atingir a maturidade: alimentação e vestuário, casa, cuidados de saúde, ensino básico, emprego, assistência social. 2289. Se a moral apela para o respeito da vida corporal, não é que faça dela um valor absoluto. Pelo contrário, insurge-se contra uma concepção neo-pagã, tendente a promover o culto do corpo, sacrificando-lhe tudo, e a idolatrar a perfeição física e o êxito desportivo. Pela escolha selectiva que faz entre os fortes e os fracos, tal concepção pode conduzir à perversão das relações humanas. 2290. A virtude da temperança leva a evitar toda a espécie de excessos, o abuso da comida, da bebida, do tabaco e dos medicamentos. Aqueles que, em estado de embriaguez ou por gosto imoderado da velocidade, põem em risco a segurança dos outros e a sua própria, nas estradas, no mar ou no ar, tornam-se gravemente culpados. 2291. O uso de estupefacientes causa gravíssimos danos à saúde e à vida humana. A não ser por prescrições estritamente terapêuticas, o seu uso é uma falta grave. A produção clandestina e o tráfico de drogas são práticas escandalosas, e constituem uma cooperação directa, pois incitam a práticas gravemente contrárias à lei moral. O RESPEITO PELA PESSOA E A INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA 2292. As experiências científicas, médicas ou psicológicas, sobre pessoas ou grupos humanos, podem concorrer para a cura dos doentes e para o progresso da saúde pública. 2293. A investigação científica de base, tanto como a aplicada, constituem uma expressão significativa do domínio do homem sobre a criação. A ciência e a técnica são recursos preciosos quando, postos ao serviço do homem, promovem o seu desenvolvimento integral em benefício de todos. Mas, só por si, não podem indicar o sentido da existência e do progresso humano. A ciência e a técnica estão ordenadas para o homem, a quem devem a sua origem e progressos. Por isso, é na pessoa e nos seus valores morais que encontram a indicação da sua finalidade e a consciência dos seus limites. 2294. É ilusório reivindicar a neutralidade moral da investigação científica e das suas aplicações. Por outro lado, os critérios de orientação não podem deduzir-se nem da simples eficácia nem da utilidade que daí pode advir para uns em prejuízo de outros, nem, pior ainda, das ideologias dominantes. A ciência e a técnica requerem, pelo seu próprio significado intrínseco, o respeito incondicional dos critérios fundamentais da moralidade: devem estar ao serviço da pessoa humana, dos seus direitos inalienáveis, do seu bem autêntico e integral, de acordo com o projecto e a vontade de Deus. 2295. As investigações ou experiências sobre o ser humano não podem legitimar actos em si mesmos contrários à dignidade das pessoas e à lei moral. O eventual consentimento dos sujeitos não justifica tais actos. A experimentação sobre o ser humano não é moralmente legítima, se fizer correr riscos desproporcionados, ou evitáveis, à vida ou à integridade física ou psíquica do sujeito. A experimentação sobre seres humanos não é conforme à dignidade da pessoa se, ainda por cima, for feita sem o consentimento esclarecido do sujeito ou de quem sobre ele tem responsabilidades. 2296. A transplantação de órgãos é conforme à lei moral se os perigos e riscos físicos e psíquicos, em que o doador incorre, forem proporcionados ao bem que se procura em favor do destinatário. A doação de órgãos após a morte é um acto nobre e meritório e deve ser encorajado como uma manifestação de generosa solidariedade. Mas não é moralmente aceitável se o doador ou os seus representantes lhe não tiverem dado o seu consentimento expresso. Para além disso, e moralmente inadmissível provocar directamente a mutilação que leve à invalidez ou à morte dum ser humano, ainda que isso se faça para retardar a morte de outras pessoas. O RESPEITO PELA INTEGRIDADE CORPORAL 2297. Os raptos e o sequestro de reféns espalham o terror e, pela ameaça, exercem intoleráveis pressões sobre as vítimas. São moralmente ilegítimos. O terrorismo ameaça, fere e mata sem descriminação; é gravemente contrário à justiça e à caridade. A tortura, que usa a violência física ou moral para arrancar confissões, para castigar culpados, atemorizar opositores ou satisfazer ódios, é contrária ao respeito pela pessoa e pela dignidade humana. A não ser por indicações médicas de ordem estritamente terapêutica, as amputações, mutilações ou esterilizações directamente voluntárias de pessoas inocentes, são contrárias à lei moral (63). 2298. Nos tempos passados, certas práticas de crueldade foram comummente adoptadas por governos legítimos para manter a lei e a ordem, muitas vezes sem protesto dos pastores da Igreja, tendo eles mesmos adoptado, nos seus próprios tribunais, as prescrições do direito romano sobre a tortura. A par destes factos lastimáveis, a Igreja ensinou sempre o dever da clemência e da misericórdia; e proibiu aos clérigos o derramamento de sangue. Nos tempos recentes, tornou-se evidente que estas práticas cruéis não eram necessárias à ordem pública nem conformes aos direitos legítimos da pessoa humana. Pelo contrário, tais práticas conduzem às piores degradações. Deve trabalhar-se pela sua abolição e orar pelas vítimas e seus carrascos. O RESPEITO PELOS MORTOS 2299. Aos moribundos deve dispensar-se toda a atenção e cuidado, para os ajudar a viver os últimos momentos com dignidade e paz. Devem ser ajudados pela oração dos que lhes são mais próximos. Estes velarão por que os doentes recebam, em tempo oportuno, os sacramentos que os preparam para o encontro com o Deus vivo. 2300. Os corpos dos defuntos devem ser tratados com respeito e caridade, na fé e esperança da ressurreição. Enterrar os mortos é uma obra de misericórdia corporal (64) que honra os filhos de Deus, templos do Espírito Santo. 2301. A autópsia dos cadáveres pode ser moralmente admitida por motivos de investigação legal ou pesquisa científica. O dom gratuito de órgãos depois da morte é legítimo e até pode ser meritório. A Igreja permite a cremação a não ser que esta ponha em causa a fé na ressurreição dos corpos (65). A salvaguarda da paz A PAZ 2302. Evocando o preceito «Não matarás» (Mt 5, 21), nosso Senhor pede a paz do coração e denuncia a imoralidade da cólera assassina e do ódio: A ira é um desejo de vingança. «Desejar a vingança, para mal daquele que deve ser castigado, é ilícito»; mas impor uma reparação «para correcção do vício e para conservar o bem da justiça», isso é louvável (66). Se a ira for até ao desejo deliberado de matar o próximo ou de o ferir gravemente, ofende de modo grave a caridade, e é pecado mortal. O Senhor diz: «Quem se irar contra o seu irmão, será sujeito a julgamento» (Mt 5, 22). 2303. O ódio voluntário é contra a caridade. Odiar o próximo, querendo-lhe mal deliberadamente é pecado. É pecado grave, quando deliberadamente se lhe deseja um mal grave. «Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos céus…» (Mt 5, 44-45). 2304. O respeito e o crescimento da vida humana exigem a paz. A paz não é só ausência da guerra, nem se limita a assegurar o equilíbrio das forças adversas. A paz não é possível na terra sem a salvaguarda dos bens das pessoas, a livre comunicação entre os seres humanos, o respeito pela dignidade das pessoas e dos povos e a prática assídua da fraternidade. Ela é «tranquilidade da ordem» (67); é «obra da justiça» (Is 32, 17) e efeito da caridade (68). 2305. A paz terrena é imagem e fruto da paz de Cristo, o «Príncipe da Paz» messiânico (Is 9, 5). Pelo sangue da sua cruz, Ele, levando em Si próprio a morte à inimizade (69), reconciliou com Deus os homens e fez da sua Igreja o sacramento da unidade do género humano e da sua união com Deus (70). «Ele é a nossa paz» (Ef 2, 14) e declara «bem-aventurados os obreiros da paz» (Mt 5, 9). 2306. Os que, renunciando à acção violenta e sangrenta, recorrem a meios de defesa ao alcance dos mais fracos para a salvaguarda dos direitos humanos, dão testemunho da caridade evangélica, desde que o façam sem lesar os direitos e obrigações dos outros homens e das sociedades. E atestam legitimamente a gravidade dos riscos físicos e morais do recurso à violência, com as suas ruínas e mortes (71). EVITAR A GUERRA 2307. O quinto mandamento proíbe a destruição voluntária da vida humana. Por causa dos males e injustiças que toda a guerra traz consigo, a Igreja exorta instantemente a todos para que orem e actuem para que a Bondade divina nos livre da antiga escravidão da guerra (72). 2308. Cada cidadão e cada governante deve trabalhar no sentido de evitar as guerras. No entanto, enquanto «subsistir o perigo de guerra e não houver uma autoridade internacional competente, dotada dos convenientes meios, não se pode negar aos governos, uma vez esgotados todos os recursos de negociações pacíficas, o direito de legítima defesa» (73). 2309. Devem ser ponderadas com rigor as estritas condições duma legítima defesa pela força das armas. A gravidade duma tal decisão submete-a a condições rigorosas de legitimidade moral. É necessário, ao mesmo tempo: – que o prejuízo causado pelo agressor à nação ou comunidade de nações seja duradouro, grave e certo; – que todos os outros meios de lhe pôr fim se tenham revelado impraticáveis ou ineficazes; – que estejam reunidas condições sérias de êxito; – que o emprego das armas não traga consigo males e desordens mais graves do que o mal a eliminar. O poder dos meios modernos de destruição tem um peso gravíssimo na apreciação desta condição. Estes são os elementos tradicionalmente apontados na doutrina da chamada «guerra justa». A apreciação destas condições de legitimidade moral pertence ao juízo prudencial daqueles que têm o encargo do bem comum. 2310 Os poderes públicos têm, neste caso, o direito e o dever de impor aos cidadãos as obrigações necessárias à defesa nacional. Aqueles que se dedicam ao serviço da pátria na vida militar são servidores da segurança e da liberdade dos povos. Na medida em que desempenharem como convém esta tarefa, contribuem verdadeiramente para o bem comum e para a salvaguarda da paz (74). 2311. Os poderes públicos atenderão equitativamente o caso daqueles que, por motivos de consciência, recusam o uso de armas; estes continuam obrigados a servir, de outra forma, a comunidade humana (75). 2312. A Igreja e a razão humana declaram a validade permanente da lei moral durante os conflitos armados. «Uma vez lamentavelmente começada a guerra, nem por isso tudo se torna lícito entre as partes beligerantes» (76). 2313. Devem ser respeitados e tratados com humanidade os não-combatentes, os soldados feridos e os prisioneiros. As acções deliberadamente contrárias ao direito dos povos e aos seus princípios universais, bem como as ordens que comandam tais acções, são crimes. Uma obediência cega não basta para desculpar os que a elas se submetem. Assim, o extermínio dum povo, duma nação ou duma minoria étnica deve ser condenado como pecado mortal. É-se moralmente obrigado a resistir às ordens para praticar um genocídio. 2314. «Toda a acção bélica, que tende indiscriminadamente à destruição de cidades inteiras ou vastas regiões com os seus habitantes, é um crime contra Deus e o próprio homem, que se deve condenar com firmeza, sem hesitação» (77). Um dos perigos da guerra moderna é o de oferecer aos detentores das armas científicas, nomeadamente atómicas, biológicas ou químicas, ocasião para cometer tais crimes. 2315. A acumulação de armas é considerada por muitos como um processo paradoxal de dissuadir da guerra eventuais adversários. Vêem nisso o mais eficaz dos meios susceptíveis de garantir a paz entre as nações. No entanto, esse processo de dissuasão suscita severas reservas morais. A corrida aos armamentos não garante a paz. Longe de eliminaras causas da guerra, corre o risco de as agravar. O dispêndio de fabulosas riquezas na preparação de armas sempre novas impede que se auxiliem as populações indigentes (78), e trava o desenvolvimento dos povos. O superarmamento multiplica as razões de conflito e aumenta o risco da sua propagação. 2316. O fabrico e comércio de armas tem a ver com o bem comum das nações e da comunidade internacional. Daí que as autoridades públicas tenham o direito e o dever de os regulamentar. A busca de interesses privados ou colectivos a curto prazo não pode legitimar empresas que incentivam a violência e os conflitos entre as nações e que comprometem a ordem jurídica internacional. 2317. As injustiças, as excessivas desigualdades de ordem económica ou social, a inveja, a desconfiança e o orgulho que grassam entre os homens e as nações, são uma constante ameaça à paz e provocam as guerras. Tudo o que se fizer para superar estas desordens contribui para edificar a paz e evitar a guerra: «Na medida em que os homens são pecadores, o perigo da guerra ameaça-os e continuará a ameaçá-los até à vinda de Cristo: mas, na medida em que, unidos na caridade, superam o pecado, superadas ficam também as violências, até que se realize aquela palavra: “Com as espadas forjarão arados e foices com as lanças. Não mais levantará a espada povo contra povo, nem jamais se exercitarão para a guerra” (Is 2, 4)» (79). Resumindo: 2318. «Deus tem nas suas mãos a vida de todo o ser vivo e o sopro de vida de todos os homens» (Job 12, 10). 2319. Toda a vida humana, desde o momento da concepção até à morte, é sagrada, porque a pessoa humana foi querida por si mesma e criada à imagem e semelhança do Deus vivo e santo. 2320. O assassínio de um ser humano é gravemente contrário à dignidade da pessoa e à santidade do Criador. 2321. A proibição de matar não derroga o direito de retirar ao injusto agressor a possibilidade de fazer mal. A legítima defesa é um dever grave para quem é responsável pela vida de outrem ou pelo bem comum. 2322. Desde que foi concebida, a criança tem direito à vida. O aborto directo, isto é, querido como fim ou como meio, é uma «prática infame» (80), gravemente contrária à lei moral. A Igreja pune com a pena canónica da excomunhão este delito contra a vida humana. 2323. Uma vez que deve ser tratado como pessoa desde a sua concepção, o embrião deve ser defendido na sua integridade, atendido e cuidado medicamente como qualquer outro ser humano. 2324. A eutanásia voluntária, quaisquer que sejam as formas e os motivos, é um homicídio. É gravemente contrária à dignidade da pessoa humana e ao respeito pelo Deus vivo, seu Criador. 2325. O suicídio é gravemente contrário à justiça, à esperança e à caridade. É proibido pelo quinto mandamento. 2326. O escândalo constitui uma falta grave quando, por acção ou omissão, leva deliberadamente outrem a pecar gravemente. 2327. Devido aos males e injustiças que toda a guerra traz consigo, devemos fazer tudo o que for humanamente possível para evitá-la. A Igreja ora: «Da fome, da peste e da guerra – livrai-nos, Senhor!». 2328. A Igreja e a razão humana declaram a validade permanente da lei moral durante os conflitos armados. As práticas deliberadamente contrárias ao direito das gentes e aos seus princípios universais são crimes. 2329. A corrida aos armamentos é um terrível flagelo para a humanidade e prejudica os pobres de uma forma intolerável (81). 2330. «Bem-aventurados os obreiros da paz, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 9). ARTIGO 6 O SEXTO MANDAMENTO «Não cometerás adultério» (Ex 20, l4) (82). «Ouvistes que foi dito: “Não cometerás adultério”. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração» (Mt 5, 27-28). I. «Homem e mulher os criou»… 2331. «Deus é amor e vive em Si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Ao criar a humanidade do homem e da mulher à sua imagem […] Deus inscreveu nela a vocação para o amor e para a comunhão e, portanto, a capacidade e a responsabilidade correspondentes» (83). «Deus criou o homem à sua imagem; […] homem e mulher os criou» (Gn 1, 27); «Crescei e multiplicai-vos» (Gn 1, 28); «Quando Deus criou o ser humano, fê-lo à semelhança de Deus. Criou-os homem e mulher e abençoou-os; e chamou-lhes «Adão» no dia em que os criou»(Gn 5, 1-2). 2332. A sexualidade afecta todos os aspectos da pessoa humana, na unidade do seu corpo e da sua alma. Diz respeito particularmente à afectividade, à capacidade de amar e de procriar, e, de um modo mais geral, à aptidão para criar laços de comunhão com outrem. 2333. Compete a cada um, homem e mulher, reconhecer e aceitar a sua identidade sexual. A diferença e a complementaridade físicas, morais e espirituais orientam-se para os bens do matrimónio e para o progresso da vida familiar. A harmonia do casal e da sociedade depende, em parte, da maneira como são vividos, entre os sexos, a complementaridade, a necessidade mútua e o apoio recíproco. 2334. «Ao criar o ser humano homem e mulher, Deus conferiu a dignidade pessoal, de igual modo ao homem e à mulher» (84). «O homem é uma pessoa; e isso na mesma medida para o homem e para a mulher, porque ambos são criados à imagem e semelhança dum Deus pessoal» (85). 2335. Cada um dos dois sexos é, com igual dignidade, embora de modo diferente, imagem do poder e da ternura de Deus. A união do homem e da mulher no matrimónio é um modo de imitar na carne a generosidade e a fecundidade do Criador: «O homem deixará o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne» (Gn 2, 24). Desta união procedem todas as gerações humanas (86). 2336. Jesus veio restaurar a criação na pureza das suas origens. No sermão da montanha, interpreta de modo rigoroso o desígnio de Deus: «Ouvistes que foi dito: “Não cometerás adultério”. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração» (Mt 5, 27-28). Não separe o homem o que Deus uniu (87). A Tradição da Igreja entendeu o sexto mandamento como englobando o conjunto da sexualidade humana. II. A vocação à castidade 2337. A castidade significa a integração conseguida da sexualidade na pessoa, e daí a unidade interior do homem no seu ser corporal e espiritual. A sexualidade, na qual se exprime a pertença do homem ao mundo corporal e biológico, torna-se pessoal e verdadeiramente humana quando integrada na relação de pessoa a pessoa, no dom mútuo total e temporalmente ilimitado, do homem e da mulher. A virtude da castidade engloba, portanto, a integridade da pessoa e a integralidade da doação. A INTEGRIDADE DA PESSOA 2338. A pessoa casta mantém a integridade das forças de vida e de amor em si depositadas. Esta integridade garante a unidade da pessoa e opõe-se a qualquer comportamento susceptível de a ofender. Não tolera nem a duplicidade da vida, nem a da linguagem (88). 2339. A castidade implica uma aprendizagem do domínio de si, que é uma pedagogia da liberdade humana. A alternativa é clara: ou o homem comanda as suas paixões e alcança a paz, ou se deixa dominar por elas e torna-se infeliz (89). «A dignidade do homem exige que ele proceda segundo uma opção consciente e livre, isto é, movido e determinado por uma convicção pessoal e não sob a pressão de um cego impulso interior ou da mera coacção externa. O homem atinge esta dignidade quando, libertando-se de toda a escravidão das paixões, prossegue o seu fim na livre escolha do bem e se procura de modo eficaz e com diligente iniciativa os meios adequados» (90). 2340. Aquele que quiser permanecer fiel às promessas do seu Baptismo e resistir às tentações, terá o cuidado de procurar os meios: o conhecimento de si, a prática duma ascese adaptada às situações em que se encontra, a obediência aos mandamentos divinos, a prática das virtudes morais e a fidelidade à oração. «A continência, na verdade, recolhe-nos e reconduz-nos àquela unidade que tínhamos perdido, dispersando-nos na multiplicidade» (91). 2341. A virtude da castidade gira na órbita da virtude cardial da temperança, a qual visa impregnar de razão as paixões e os apetites da sensibilidade humana. 2342. O domínio de si é uma obra de grande fôlego. Nunca poderá considerar-se total e definitivamente adquirido. Implica um esforço constantemente retomado, em todas as idades da vida (92); mas o esforço requerido pode ser mais intenso em certas épocas, como quando se forma a personalidade, durante a infância e a adolescência. 2343. A castidade conhece leis de crescimento e passa por fases marcadas pela imperfeição, muitas vezes até pelo pecado. O homem virtuoso e casto «constrói-se dia a dia com as suas numerosas decisões livres. Por isso, conhece, ama e cumpre o bem moral segundo fases de crescimento» (93). 2344. A castidade representa uma tarefa eminentemente pessoal; implica também um esforço cultural, porque existe «interdependência entre o desenvolvimento da pessoa e o da própria sociedade» (94). A castidade pressupõe o respeito pelos direitos da pessoa, particularmente o de receber uma informação e educação que respeitem as dimensões morais e espirituais da vida humana. 2345. A castidade é uma virtude moral. Mas é também um dom de Deus, uma graça, um fruto do trabalho espiritual (95). O Espírito Santo concede a graça de imitar a pureza de Cristo (96) àquele que regenerou pela água do Baptismo. A INTEGRALIDADE DO DOM DE SI 2346. A caridade é a forma de todas as virtudes. Sob a sua influência, a castidade aparece como uma escola de doação da pessoa. O domínio de si ordena-se para o dom de si. A castidade leva quem a pratica a tornar-se, junto do próximo, testemunha da fidelidade e da ternura de Deus. 2347. A virtude da castidade expande-se na amizade. Indica ao discípulo o modo de seguir e imitar Aquele que nos escolheu como seus próprios amigos (97), que Se deu totalmente a nós e nos faz participar da sua condição divina. A castidade é promessa de imortalidade. A castidade exprime-se especialmente na amizade para com o próximo. Desenvolvida entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos diferentes, a amizade representa um grande bem para todos. Conduz à comunhão espiritual. OS DIVERSOS REGIMES DA CASTIDADE 2348. Todo o baptizado é chamado à castidade. O cristão «revestiu-se de Cristo» (98), modelo de toda a castidade. Todos os fiéis de Cristo são chamados a levar uma vida casta, segundo o seu estado de vida particular. No momento do seu Baptismo, o cristão comprometeu-se a orientar a sua afectividade na castidade. 2349. «A castidade deve qualificar as pessoas segundo os seus diferentes estados de vida: uns, na virgindade ou celibato consagrado, forma eminente de se entregarem mais facilmente a Deus com um coração indiviso: outros, do modo que a lei moral para todos determina, e conforme são casados ou solteiros» (99). As pessoas casadas são chamadas a viver a castidade conjugal; as outras praticam a castidade na continência: «Existem três formas da virtude da castidade: uma, das esposas: outra, das viúvas; a terceira, da virgindade. Não louvamos uma com exclusão das outras. […] É nisso que a disciplina da Igreja é rica» (100). 2350. Os noivos são chamados a viver a castidade na continência. Eles farão, neste tempo de prova, a descoberta do respeito mútuo, a aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem um ao outro de Deus. Reservarão para o tempo do matrimónio as manifestações de ternura específicas do amor conjugal. Ajudar-se-ão mutuamente a crescer na castidade. AS OFENSAS À CASTIDADE 2351. A luxúria é um desejo desordenado ou um gozo desregrado de prazer venéreo. O prazer sexual é moralmente desordenado quando procurado por si mesmo, isolado das finalidades da procriação e da união. 2352. Por masturbação entende-se a excitação voluntária dos órgão genitais, para daí retirar um prazer venéreo. «Na linha duma tradição constante, tanto o Magistério da Igreja como o sentido moral dos fiéis têm afirmado sem hesitação que a masturbação é um acto intrínseca e gravemente desordenado». «Seja qual for o motivo, o uso deliberado da faculdade sexual fora das normais relações conjugais contradiz a finalidade da mesma». O prazer sexual é ali procurado fora da «relação sexual requerida pela ordem moral, que é aquela que realiza, no contexto dum amor verdadeiro, o sentido integral da doação mútua e da procriação humana» (101). Para formar um juízo justo sobre a responsabilidade moral dos sujeitos, e para orientar a acção pastoral, deverá ter-se em conta a imaturidade afectiva, a força de hábitos contraídos, o estado de angústia e outros factores psíquicos ou sociais que podem atenuar, ou até reduzir ao mínimo, a culpabilidade moral. 2353. A fornicação é a união carnal fora do matrimónio entre um homem e uma mulher livres. É gravemente contrária à dignidade das pessoas e da sexualidade humana, naturalmente ordenada para o bem dos esposos, assim como para a geração e educação dos filhos. Além disso, é um escândalo grave, quando há corrupção dos jovens. 2354. A pornografia consiste em retirar os actos sexuais, reais ou simulados, da intimidade dos parceiros, para os exibir a terceiras pessoas, de modo deliberado. Ofende a castidade, porque desnatura o acto conjugal, doação íntima dos esposos um ao outro. É um grave atentado contra a dignidade das pessoas intervenientes (actores, comerciantes, público), uma vez que cada um se torna para o outro objecto dum prazer vulgar e dum lucro ilícito. E faz mergulhar uns e outros na ilusão dum mundo fictício. É pecado grave. As autoridades civis devem impedir a produção e a distribuição de material pornográfico. 2355. A prostituição é um atentado contra a dignidade da pessoa que se prostitui, reduzida ao prazer venéreo que dela se tira. Quem paga, peca gravemente contra si mesmo: quebra a castidade a que o obriga o seu Baptismo e mancha o seu corpo, que é templo do Espírito Santo (102). A prostituição constitui um flagelo social. Envolve habitualmente mulheres, mas também homens, crianças ou adolescentes (nestes dois últimos casos, o pecado duplica com o escândalo). É sempre gravemente pecaminoso entregar-se à prostituição; mas a miséria, a chantagem e a pressão social podem atenuar a imputabilidade do pecado. 2356. A violação designa a entrada na intimidade sexual duma pessoa à força, com violência. É um atentado contra a justiça e a caridade. A violação ofende profundamente o direito de cada um ao respeito, à liberdade e à integridade física e moral. Causa um prejuízo grave, que pode marcar a vítima para toda a vida. É sempre um acto intrinsecamente mau. É mais grave ainda, se cometido por parentes próximos (incesto) ou por educadores contra crianças a eles confiadas. CASTIDADE E HOMOSSEXUALIDADE 2357 A homossexualidade designa as relações entre homens ou mulheres, que experimentam uma atracção sexual exclusiva ou predominante para pessoas do mesmo sexo. Tem-se revestido de formas muito variadas, através dos séculos e das culturas. A sua génese psíquica continua em grande parte por explicar. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves (103) a Tradição sempre declarou que «os actos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados» (104). São contrários à lei natural, fecham o acto sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afectiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados. 2358. Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objectivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição. 2359. As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã. III. O amor dos esposos 2360. A sexualidade ordena-se para o amor conjugal do homem e da mulher. No matrimónio, a intimidade corporal dos esposos torna-se sinal e penhor de comunhão espiritual. Entre os baptizados, os laços do matrimónio são santificados pelo sacramento. 2361. «A sexualidade, mediante a qual o homem e a mulher se dão um ao outro com os actos próprios e exclusivos dos esposos, não é algo de puramente biológico, mas diz respeito à pessoa humana como tal, no que ela tem de mais íntimo. Esta só se realiza de maneira verdadeiramente humana se for parte integrante do amor com o qual homem e mulher se comprometem totalmente um para com o outro até à morte» (105). «Tobias ergueu-se do leito e disse […] [a Sara]: “Irmã, levanta-te; vamos orar ao Senhor e pedir-lhe que nos conceda a sua misericórdia e salvação”. Levantaram-se ambos e puseram-se a orar e a implorar que lhes fosse enviada a salvação, dizendo: “Bendito sejas, Deus dos nossos pais […]. Tu criaste Adão e deste-lhe Eva, sua esposa, como amparo valioso, e de ambos procedeu o género humano. Com efeito, disseste: ‘Não é bom que o homem esteja só; façamos-lhe uma auxiliar semelhante a ele’. Agora, Senhor, Tu bem sabes que não é por luxúria que agora tomo por esposa esta minha irmã, mas é com intenção pura. Permite, pois, que eu e ela encontremos misericórdia e cheguemos juntos à velhice» (Tb 8, 4-9). 2362. «Os actos pelos quais os esposos se unem íntima e castamente são honestos e dignos; realizados de modo autenticamente humano, exprimem e alimentam a mútua entrega pela qual se enriquecem um ao outro com alegria e gratidão» (106). A sexualidade é fonte de alegria e de prazer: «Foi o próprio Criador Quem […] estabeleceu que, nesta função [da geração], os esposos experimentassem prazer e satisfação do corpo e do espírito. Portanto, os esposos não fazem nada de mal ao procurar este prazer e gozar dele. Aceitam o que o Criador lhes destinou. No entanto, devem saber manter-se dentro dos limites duma justa moderação» (107). 2363. Pela união dos esposos realiza-se o duplo fim do matrimónio: o bem dos próprios esposos e a transmissão da vida. Não podem separar-se estes dois significados ou valores do matrimónio sem alterar a vida espiritual do casal nem comprometer os bens do matrimónio e o futuro da família. O amor conjugal do homem e da mulher está, assim, colocado sob a dupla exigência da fidelidade e da fecundidade. A FIDELIDADE CONJUGAL 2364. Ambos os esposos constituem «uma íntima comunidade de vida e de amor, fundada pelo Criador e por Ele dotada de leis próprias». Esta comunidade «é instaurada pela aliança conjugal, ou seja, por um irrevogável consentimento pessoal» (108). Os dois entregam-se, definitiva e totalmente, um ao outro. Doravante, já não são dois, mas uma só carne. A aliança livremente contraída pelos esposos impõe-lhes a obrigação de a manter una e indissolúvel (109). «O que Deus uniu, não o separe o homem»(Mc 10, 9) (110). 2365. A fidelidade exprime a constância em manter a palavra dada. Deus é fiel. O sacramento do matrimónio introduz o homem e a mulher na fidelidade de Cristo à sua Igreja. Pela castidade conjugal, eles dão testemunho deste mistério perante o mundo. São João Crisóstomo sugere aos jovens casados que façam este discurso às suas esposas: «Tomei-te nos meus braços, amo-te e prefiro-te à minha própria vida. Porque a vida presente não é nada e o meu sonho mais ardente é passá-la contigo, de tal maneira que tenhamos a certeza de não ser separados naquela que nos está reservada […]. Eu ponho o teu amor acima de tudo, e nada me seria mais penoso do que não ter os mesmos pensamentos que tu» (111). A FECUNDIDADE DO MATRIMÓNIO 2366. A fecundidade é um dom, uma finalidade do matrimónio, porque o amor conjugal tende naturalmente a ser fecundo. O filho não vem de fora juntar-se ao amor mútuo dos esposos; surge no próprio coração deste dom mútuo, do qual é fruto e complemento. Por isso, a Igreja, que «toma partido pela vida» (112), ensina que «todo o acto matrimonial deve, por si estar aberto à transmissão da vida» (113). «Esta doutrina, muitas vezes exposta pelo Magistério, funda-se sobre o nexo indissolúvel estabelecido por Deus e que o homem não pode quebrar por sua iniciativa, entre os dois significados inerentes ao acto conjugal: união e procriação» (114). 2367. Chamados a dar a vida, os esposos participam do poder criador e da paternidade de Deus (115). «No dever de transmitir e educar a vida humana – dever que deve ser considerado como a sua missão própria – saibam os esposos que são cooperadores do amor de Deus e como que os seus intérpretes. Cumprirão, pois, esta missão, com responsabilidade humana e cristã» (116). 2368. Um aspecto particular desta responsabilidade diz respeito à regulação da procriação. Os esposos podem querer espaçar o nascimento dos seus filhos por razões justificadas (117). Devem, porém, verificar se tal desejo não procede do egoísmo, e se está de acordo com a justa generosidade duma paternidade responsável. Além disso, regularão o seu comportamento segundo os critérios objectivos da moralidade: «Quando se trata de conciliar o amor conjugal com a transmissão responsável da vida, a moralidade do comportamento não depende apenas da sinceridade da intenção e da apreciação dos motivos; deve também determinar-se por critérios objectivos, tomados da natureza da pessoa e dos seus actos; critérios que respeitem, num contexto de autêntico amor, o sentido da mútua doação e da procriação humana. Tudo isto só é possível, se se cultivar sinceramente a virtude da castidade conjugal» (118). 2369. «É salvaguardando estes dois aspectos essenciais, união e procriação, que o acto conjugal conserva integralmente o sentido de mútuo e verdadeiro amor e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade» (119). 2370. A continência periódica, os métodos de regulação dos nascimentos baseados na auto-observação e no recurso aos períodos infecundos (120), são conformes aos critérios objectivos da moralidade. Estes métodos respeitam o corpo dos esposos, estimulam a ternura entre eles e favorecem a educação duma liberdade autêntica. Em contrapartida, é intrinsecamente má «qualquer acção que, quer em previsão do acto conjugal, quer durante a sua realização, quer no desenrolar das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação» (121). «À linguagem que exprime naturalmente a doação recíproca e total dos esposos, a contracepção opõe uma linguagem objectivamente contraditória, segundo a qual já não se trata de se darem totalmente um ao outro. Daí deriva, não somente a recusa positiva da abertura à vida, mas também uma falsificação da verdade interna do amor conjugal, chamado a ser um dom da pessoa toda. […] Esta diferença antropológica e moral, entre a contracepção e o recurso aos ritmos periódicos, implica dois conceitos de pessoa e de sexualidade humana irredutíveis um ao outro» (122). 2371. «Aliás, todos devem ter bem presente que a vida humana e a missão de a transmitir não se limitam aos horizontes deste mundo, nem podem ser medidas ou compreendidas unicamente em função dele, mas estão sempre relacionadas com o destino eterno do homem» (123). 2372. O Estado é responsável pelo bem-estar dos cidadãos. A tal título, é legítimo que intervenha para orientar o crescimento da população. Pode fazê-lo mediante uma informação objectiva e respeitosa, não porém com imposições autoritárias e obrigatórias. O Estado não pode legitimamente substituir-se à iniciativa dos esposos, primeiros responsáveis pela procriação e educação dos seus filhos (124). Neste domínio, não tem autoridade para intervir com medidas contrárias à lei moral. O DOM DO FILHO 2373. A Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja vêem nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais (125). 2374. É grande o sofrimento dos casais que descobrem que são estéreis. «Que me dareis, Senhor Deus?» – pergunta Abraão a Deus. «Vou-me sem filhos…» (Gn 15, 2). – «Dá-me filhos ou então morro!» – grita Raquel ao seu marido Jacob (Gn 30, 1). 2375. As pesquisas que se destinam a reduzir a esterilidade humana devem ser encorajadas, com a condição de serem colocadas «ao serviço da pessoa humana, dos seus direitos inalienáveis e do seu bem verdadeiro e integral, em conformidade com o projecto e a vontade de Deus» (126). 2376. As técnicas que provocam a dissociação dos progenitores pela intervenção duma pessoa estranha ao casal (dádiva de esperma ou ovócito, empréstimo de útero) são gravemente desonestas. Estas técnicas (inseminação e fecundação artificial heteróloga) lesam o direito do filho a nascer dum pai e duma mãe seus conhecidos e unidos entre si pelo casamento. E atraiçoam «o direito exclusivo a não serem nem pai nem mãe senão um pelo outro» (127). 2377. Praticadas no seio do casal, estas técnicas (inseminação e fecundação artificial homóloga) são talvez menos prejudiciais, mas continuam moralmente inaceitáveis. Dissociam o acto sexual do acto procriador. O acto fundador da existência do filho deixa de ser um acto pelo qual duas pessoas se dão uma à outra, e «remete a vida e a identidade do embrião para o poder dos médicos e biólogos. Instaurando o domínio da técnica sobre a origem e destino da pessoa humana. Tal relação de domínio é, de si, contrária à dignidade e à igualdade que devem ser comuns aos pais e aos filhos» (128). «A procriação é moralmente privada da sua perfeição própria, quando não é querida como fruto do acto conjugal, isto é, do gesto específico da união dos esposos. […] Só o respeito pelo laço que existe entre os significados do acto conjugal e o respeito pela unidade do ser humano permite uma procriação conforme à dignidade da pessoa» (129). 2378. O filho não é uma dívida, é uma dádiva. O «dom mais excelente do matrimónio» é uma pessoa humana. O filho não pode ser considerado como objecto de propriedade, conclusão a que levaria o reconhecimento dum pretenso «direito ao filho». Neste domínio, só o filho é que possui verdadeiros direitos: o de «ser fruto do acto específico do amor conjugal dos seus pais, e também o de ser respeitado como pessoa desde o momento da sua concepção» (130). 2379. O Evangelho mostra que a esterilidade física não é um mal absoluto. Os esposos que, depois de esgotados os recursos médicos legítimos, sofrem de infertilidade, associar-se-ão à cruz do Senhor, fonte de toda a fecundidade espiritual. Podem mostrar a sua generosidade adoptando crianças abandonadas ou realizando serviços significativos em favor do próximo. IV. As ofensas à dignidade do matrimónio 2380. O adultério. É o termo que designa a infidelidade conjugal. Quando dois parceiros, dos quais pelo menos um é casado, estabelecem entre si uma relação sexual, mesmo efémera, cometem adultério. Cristo condena o adultério, mesmo de simples desejo (131). O sexto mandamento e o Novo Testamento proíbem absolutamente o adultério (132). Os profetas denunciam-lhe a gravidade. E vêem no adultério a figura do pecado da idolatria (133). 2381. O adultério é uma injustiça. Aquele que o comete, falta aos seus compromissos. Viola o sinal da Aliança, que é o vínculo matrimonial, lesa o direito do outro cônjuge e atenta contra a instituição do matrimónio, violando o contrato em que assenta. Compromete o bem da geração humana e dos filhos que têm necessidade da união estável dos pais. O DIVÓRCIO 2382. O Senhor Jesus insistiu na intenção original do Criador, que queria um matrimónio indissolúvel (134). E abrogou as tolerâncias que se tinham infiltrado na antiga Lei (135). Entre baptizados, «o matrimónio rato e consumado não pode ser dissolvido por nenhum poder humano, nem por nenhuma causa, além da morte» (136). 2383. A separação dos esposos, permanecendo o vínculo matrimonial, pode ser legítima em certos casos previstos pelo direito canónico (137). Se o divórcio civil for a única maneira possível de garantir certos direitos legítimos, tais como o cuidado dos filhos ou a defesa do património, pode ser tolerado sem constituir falta moral. 2384. O divórcio é uma ofensa grave à lei natural. Pretende romper o contrato livremente aceite pelos esposos de viverem um com o outro até à morte. O divórcio é uma injúria contra a aliança da salvação, de que o matrimónio sacramental é sinal. O facto de se contrair nova união, embora reconhecida pela lei civil, aumenta a gravidade da ruptura: o cônjuge casado outra vez encontra-se numa situação de adultério público e permanente: «Não é lícito ao homem, despedida a esposa, casar com outra; nem é legítimo que outro tome como esposa a que foi repudiada pelo marido»(138). 2385. O carácter imoral do divórcio advém-lhe também da desordem que introduz na célula familiar e na sociedade. Esta desordem traz consigo prejuízos graves: para o cônjuge que fica abandonado; para os filhos, traumatizados pela separação dos pais e, muitas vezes, objecto de contenda entre eles; e pelo seu efeito de contágio, que faz dele uma verdadeira praga social. 2386. Pode acontecer que um dos cônjuges seja a vítima inocente do divórcio declarado pela lei civil; esse, então, não viola o preceito moral. Há uma grande diferença entre o cônjuge que sinceramente se esforçou por ser fiel ao sacramento do matrimónio e se vê injustamente abandonado, e aquele que, por uma falta grave da sua parte, destrói um matrimónio canonicamente válido (139). OUTRAS OFENSAS À DIGNIDADE DO MATRIMÓNIO 2387. É compreensível o drama daquele que, desejoso de se converter ao Evangelho, se vê obrigado a repudiar uma ou mais mulheres com quem partilhou anos de vida conjugal. Contudo, a poligamia não está de acordo com a lei moral. «Opõe-se radicalmente à comunhão conjugal: porque nega, de modo directo, o desígnio de Deus, tal como nos foi revelado no princípio e é contrária à igual dignidade pessoal da mulher e do homem, os quais, no matrimónio, se dão um ao outro num amor total que, por isso mesmo, é único e exclusivo»(140). O cristão que anteriormente foi polígamo é gravemente obrigado, por justiça, a honrar as obrigações contraídas para com as suas antigas mulheres e respectivos filhos. 2388. O incesto designa relações íntimas entre parentes ou afins, num grau que proíbe o matrimónio entre eles (141). São Paulo estigmatiza esta falta particularmente grave: «É voz corrente que existe entre vós um caso de imoralidade […] ao ponto de certo homem viver com a mulher de seu pai! […] Em nome do Senhor Jesus […], que esse homem seja entregue a Satanás […] para ruína do seu corpo» (1 Cor 5, 1. 4-5). O incesto corrompe as relações familiares e representa uma regressão à animalidade. 2389. Podem relacionar-se com o incesto os abusos sexuais cometidos por adultos em relação a crianças ou adolescentes confiados à sua guarda. Nesse caso a culpa é dupla por se tratar dum escandaloso atentado contra a integridade física e moral dos jovens, que assim ficarão marcados para toda a sua vida e duma violação da responsabilidade educativa. 2390. Há união livre quando homem e mulher recusam dar forma jurídica e pública a uma ligação que implica intimidade sexual. A expressão é falaciosa: que pode significar uma união em que as pessoas não se comprometem uma para com a outra, testemunhando assim uma falta de confiança na outra, em si mesmas, ou no futuro? A expressão tenta camuflar situações diferentes: concubinato, recusado matrimónio como tal, incapacidade de se ligar por compromissos a longo prazo (142). Todas estas situações ofendem a dignidade do matrimónio; destroem a própria ideia de família; enfraquecem o sentido da fidelidade. São contrárias à lei moral: o acto sexual deve ter lugar exclusivamente no matrimónio; fora dele constitui sempre um pecado grave e exclui da comunhão sacramental. 2391. Hoje em dia, há muitos que reclamam uma espécie de «direito à experiência», quando há intenção de contrair matrimónio. Seja qual for a firmeza do propósito daqueles que enveredam por relações sexuais prematuras, «estas não permitem assegurar que a sinceridade e a fidelidade da relação interpessoal dum homem e duma mulher fiquem a salvo nem, sobretudo, que esta relação fique protegida de volubilidade dos desejos e dos caprichos»(143). A união carnal só é legítima quando se tiver instaurado uma definitiva comunidade de vida entre o homem e a mulher. O amor humano não tolera o «ensaio». Exige o dom total e definitivo das pessoas entre si (144). Resumindo: 2392. «O amor é a vocação fundamental e inata de todo o ser humano» (145). 2393. Ao criar o ser humano homem e mulher, Deus conferiu a dignidade pessoal, de igual modo, a um e a outra. Compete a cada um, homem e mulher, reconhecer e aceitar a sua identidade sexual. 2394. Cristo é o modelo da castidade. Todo o baptizado é chamado a levar uma vida casta, cada um segundo o seu próprio estado de vida. 2395. A castidade significa a integração da sexualidade na pessoa. Implica a aprendizagem do autodomínio. 2396. Entre os pecados gravemente contrários à castidade, devem citar-se: a masturbação, a fornicação, a pornografia e as práticas homossexuais. 2397. A aliança livremente contraída pelos esposos implica um amor fiel. Ele impõe-lhes a obrigação de guardar indissolúvel o seu matrimónio. 2398. A fecundidade é um bem, um dom, uma finalidade do matrimónio. Dando a vida, os esposos participam da paternidade de Deus. 2399. A regulação dos nascimentos representa um dos aspectos da paternidade e da maternidade responsáveis. A legitimidade das intenções dos esposos não justifica o recurso a meios moralmente inadmissíveis (por exemplo, a esterilização directa ou a contracepção). 2400. O adultério e o divórcio, a poligamia e a união livre são ofensas graves à dignidade do matrimónio. ARTIGO 7 O SÉTIMO MANDAMENTO «Não furtarás» (Ex 20, 15) (146). «Não roubarás» (Mt 19, 18). 2401. O sétimo mandamento proíbe tomar ou reter injustamente o bem do próximo e prejudicá-lo nos seus bens, seja como for. Prescreve a justiça e a caridade na gestão dos bens terrenos e do fruto do trabalho dos homens. Exige, em vista do bem comum, o respeito pelo destino universal dos bens e pelo direito à propriedade privada. A vida cristã esforça-se por ordenar para Deus e para a caridade fraterna os bens deste mundo. I. O destino universal e a propriedade privada dos bens 2402. No princípio, Deus confiou a terra e os seus recursos à gestão comum da humanidade, para que dela cuidasse, a dominasse pelo seu trabalho e gozasse dos seus frutos(147).Os bens da criação são destinados a todo o género humano. No entanto, a terra foi repartida entre os homens para garantir a segurança da sua vida, exposta à penúria e ameaçada pela violência. A apropriação dos bens é legítima, para garantir a liberdade e a dignidade das pessoas, e para ajudar cada qual a ocorrer às suas necessidades fundamentais e às necessidades daqueles que tem a seu cargo. Tal apropriação deve permitir que se manifeste a solidariedade natural entre os homens. 2403. O direito à propriedade privada, adquirida ou recebida de maneira justa, não anula a doação original da terra à humanidade no seu conjunto. O destino universal dos bens continua a ser primordial, embora a promoção do bem comum exija o respeito pela propriedade privada, do direito a ela e do respectivo exercício. 2404. «Quem usa desses bens, não deve considerar as coisas exteriores, que legitimamente possui, só como próprias, mas também como comuns, no sentido de que possam beneficiar, não só a si, mas também aos outros»(148). A propriedade dum bem faz do seu detentor um administrador da providência de Deus, com a obrigação de o fazer frutificar e de comunicar os seus benefícios aos outros, a começar pelos seus próximos. 2405. Os bens de produção – materiais ou imateriais – como terras ou fábricas, com­petências ou artes, requerem os cuidados dos seus possuidores, para que a sua fecundidade aproveite ao maior número. Os detentores dos bens de uso e de consumo devem utilizá-los com moderação, reservando a melhor parte para o hóspede, o doente, o pobre. 2406. A autoridade política tem o direito e o dever de regular, em função do bem comum, o exercício legítimo do direito de propriedade (149) II. O respeito pelas pessoas e seus bens 2407. Em matéria económica, o respeito pela dignidade humana exige a prática da virtude da temperança, para moderar o apego aos bens deste mundo; da virtude da justiça, para acautelar os direitos do próximo e dar-lhe o que lhe é devido; e da solidariedade, segundo a regra de ouro e conforme a liberalidade do Senhor, que «sendo rico Se fez pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza» (150) O RESPEITO PELOS BENS ALHEIOS 2408. O sétimo mandamento proíbe o roubo, isto é, a usurpação do bem alheio, contra a vontade razoável do seu proprietário. Não há roubo quando o consentimento se pode presumir ou a recusa é contrária à razão e ao destino universal dos bens. É o caso da necessidade urgente e evidente, em que o único meio de remediar necessidades imediatas e essenciais (alimento, abrigo, vestuário…) é dispor e usar dos bens alheios (151). 2409. Todo o processo de se apoderar e de reter injustamente o bem alheio, mesmo que não esteja em desacordo com as disposições da lei civil, é contrário ao sétimo mandamento. Assim, reter deliberadamente bens emprestados ou objectos perdidos; cometer fraude no comércio (152); pagar salários injustos (153); subir os preços especulando com a ignorância ou a necessidade dos outros (154). São também processos moralmente ilícitos: a especulação pela qual se manobra no sentido de fazer variar artificialmente a avaliação dos bens, com vista a daí tirar vantagem em detrimento de outrem; a corrupção, pela qual se desvia o juízo daqueles que devem tomar decisões segundo o direito; a apropriação e o uso privado de bens sociais duma empresa; os trabalhos mal executados, a fraude fiscal, a falsificação de cheques e facturas, as despesas excessivas, o desperdício. Causar voluntariamente um prejuízo em propriedades privadas ou públicas é contra a lei moral e exige reparação. 2410. As promessas devem ser cumpridas e os contratos rigorosamente observados, desde que o compromisso assumido seja moralmente justo. Grande parte da vida económica e social depende da validade dos contratos entre pessoas físicas ou morais. Por exemplo, os contratos comerciais de compra e venda, os contratos de arrendamento ou de trabalho. Todo o contrato deve ser convencionado e executado de boa fé. 2411. Os contratos estão sujeitos à justiça comutativa, que regula as permutas entre as pessoas e entre as instituições no exacto respeito pelos seus direitos. A justiça comutativa obriga estritamente; exige a salvaguarda dos direitos de propriedade, o pagamento das dívidas e a prestação das obrigações livremente contraídas. Sem a justiça comutativa, nenhuma outra forma de justiça é possível. A justiça comutativa distingue-se da justiça legal, a qual diz respeito ao que o cidadão equitativamente deve à comunidade, e da justiça distributiva, que regula o que a comunidade deve aos cidadãos, proporcionalmente às suas contribuições e às suas necessidades. 2412. Em virtude da justiça comutativa, a reparação da injustiça cometida exige a restituição do bem roubado ao seu proprietário: Jesus louvou Zaqueu pelo seu compromisso: «Se causei qualquer prejuízo a alguém, restitui-lhe-ei quatro vezes mais» (Lc 19, 8). Aqueles que, de maneira directa ou indirecta, se apoderaram de um bem alheio, estão obrigados a restituí-lo, ou a dar o equivalente em natureza ou espécie, se a coisa desapareceu, assim como os frutos e vantagens que o seu dono teria legitimamente auferido. Estão igualmente obrigados a restituir, na proporção da sua responsabilidade e do seu proveito, todos aqueles que de qualquer modo participaram no roubo ou dele se aproveitaram com conhecimento de causa; por exemplo, aqueles que o ordenaram, o ajudaram ou o ocultaram. 2413. Os jogos de azar (jogo de cartas, etc.) e as apostas não são, em si mesmos, contrários à justiça. Mas tornam-se moralmente inaceitáveis, quando privam a pessoa do que lhe é necessário para as suas necessidades e as de outrem. A paixão do jogo pode tornar-se uma grave servidão. Apostar injustamente ou fazer batota nos jogos constitui matéria grave, a menos que o prejuízo causado seja tão leve que quem o sofre não possa razoavelmente considerá-lo significativo. 2414. O sétimo mandamento proíbe os actos ou empreendimentos que, seja por que motivo for – egoísta ou ideológico, mercantil ou totalitário – conduzam a escravizar seres humanos, a desconhecer a sua dignidade pessoal, a comprá-los, vendê-los e trocá-los como mercadoria. É um pecado contra a dignidade das pessoas e seus direitos fundamentais reduzi-las, pela violência, a um valor utilitário ou a uma fonte de lucro. São Paulo ordenava a um amo cristão que tratasse o seu escravo, também cristão, «não já como escravo mas como irmão […], tanto humanamente como no Senhor» (Flm 16). O RESPEITO PELA INTEGRIDADE DA CRIAÇÃO 2415. O sétimo mandamento exige o respeito pela integridade da criação. Os animais, tal como as plantas e os seres inanimados, são naturalmente destinados ao bem comum da humanidade, passada, presente e futura(155) O uso dos recursos minerais, vegetais e animais do universo não pode ser desvinculado do respeito pelas exigências morais. O domínio concedido pelo Criador ao homem sobre os seres inanimados e os outros seres vivos, não é absoluto, mas regulado pela preocupação da qualidade de vida do próximo, inclusive das gerações futuras; exige um respeito reli­gioso pela integridade da criação (156). 2416. Os animais são criaturas de Deus. Deus envolve-os na sua solicitude providencial (157). Pelo simples facto de existirem, eles O bendizem e Lhe dão glória (158). Por isso, os homens devem estimá-los. É de lembrar com que delicadeza os santos, como São Francisco de Assis ou São Filipe de Néri, tratavam os animais. 2417. Deus confiou os animais ao governo daquele que foi criado à Sua imagem (159). É, portanto, legítimo servimo-nos dos animais para a alimentação e para a confecção do vestuário. Podemos domesticá-los para que sirvam o homem nos seus trabalhos e lazeres. As experiências médicas e científicas em animais são práticas moralmente admissíveis desde que não ultrapassem os limites do razoável e contribuam para curar ou poupar vidas humanas. 2418. É contrário à dignidade humana fazer sofrer inutilmente os animais e dispor indiscriminadamente das suas vidas. É igualmente indigno gastar com eles somas que deveriam, prioritariamente, aliviar a miséria dos homens. Pode-se amar os animais, mas não deveria desviar-se para eles o afecto só devido às pessoas. III. A doutrina social da Igreja 2419. «A Revelação cristã conduz […] a uma inteligência mais penetrante das leis da vida social» (160). A Igreja recebe do Evangelho a revelação plena da verdade acerca do homem. Quando cumpre a sua missão de anunciar o Evangelho, a Igreja atesta ao homem, em nome de Cristo, a sua dignidade própria e a sua vocação para a comunhão das pessoas, e ensina-lhe as exigências da justiça e da paz, conformes à sabedoria divina. 2420. A Igreja emite um juízo moral em matéria económica e social, «quando os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigem» (161). Na ordem da moralidade, ela exerce uma missão diferente da que concerne às autoridades políticas: a Igreja preocupa-se com os aspectos temporais do bem comum em razão da sua ordenação ao Bem soberano, nosso fim último. E esforça-se por inspirar as atitudes justas, no que respeita aos bens terrenos e às relações sócio-económicas. 2421. A doutrina social da Igreja desenvolveu-se no século XIX aquando do confronto do Evangelho com a sociedade industrial moderna, as suas novas estruturas para a produção de bens de consumo, o seu novo conceito de sociedade, de Estado e de autoridade, as suas novas formas de trabalho e de propriedade. O desenvolvimento da doutrina da Igreja em matéria económica e social comprova o valor permanente da doutrina da mesma Igreja, ao mesmo tempo que o verdadeiro sentido da sua Tradição, sempre viva e activa (162). 2422. O ensino social da Igreja inclui um corpo de doutrina que se vai articulando à medida que a mesma Igreja interpreta os acontecimentos no decurso da história à luz do conjunto da Palavra revelada por Cristo Jesus, com a assistência do Espírito Santo (163). Este ensino torna-se tanto mais aceitável para os homens de boa vontade, quanto mais inspira o procedimento dos fiéis. 2423. A doutrina social da Igreja propõe princípios de reflexão, salienta critérios de julgamento e fornece orientações para a acção: Todo o sistema, segundo o qual as relações sociais forem inteiramente determinadas pelos factores económicos, é contrário à natureza da pessoa humana e dos seus actos (164). 2424. Uma teoria que faça do lucro a regra exclusiva e o fim último da actividade económica, é moralmente inaceitável. O apetite desordenado do dinheiro não deixa de produzir os seus efeitos perversos e é uma das causas dos numerosos conflitos que perturbam a ordem social (165). Um sistema que «sacrifique os direitos fundamentais das pessoas e dos grupos à organização colectiva da produção», é contrário à dignidade humana (166). Toda a prática que reduza as pessoas a não serem mais que simples meios com vista ao lucro, escraviza o homem, conduz à idolatria do dinheiro e contribui para propagar o ateísmo. «Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24; Lc 16, 13). 2425. A Igreja rejeitou as ideologias totalitárias e ateias, associadas, nos tempos modernos, ao «comunismo» ou ao «socialismo». Por outro lado, recusou, na prática do «capitalismo», o individualismo e o primado absoluto da lei do mercado sobre o trabalho humano (167). Regular a economia só pela planificação centralizada perverte a base dos laços sociais: regulá-la só pela lei do mercado é faltar à justiça social, «porque há numerosas necessidades humanas que não podem ser satisfeitas pelo mercado» (168). É necessário preconizar uma regulação racional do mercado e das iniciativas económicas, segundo uma justa hierarquia dos valores e tendo em vista o bem comum. IV. A actividade económica e a justiça social 2426. O desenvolvimento das actividades económicas e o crescimento da produção destinam-se a ocorrer às necessidades dos seres humanos. A vida económica não visa somente multiplicar os bens produzidos e aumentar o lucro ou o poder; ordena-se, antes de mais, para o serviço das pessoas, do homem integral e de toda a comunidade humana. Conduzida segundo métodos próprios, a actividade económica deve exercer-se dentro dos limites da ordem moral e segundo as normas da justiça social, a fim de corresponder ao desígnio de Deus sobre o homem (169). 2427. O trabalho humano procede imediatamente das pessoas criadas à imagem de Deus e chamadas a prolongar, umas com as outras, a obra da criação, dominando a terra (170). Portanto, o trabalho é um dever: «Se algum de vós não quer trabalhar, também não coma» (2 Ts 3, 10) (171). O trabalho honra os dons do Criador e os talentos recebidos. Também pode ser redentor: suportando o que o trabalho tem de penoso (172) em união com Jesus, o artesão de Nazaré e crucificado do Calvário, o homem colabora, de certo modo, com o Filho de Deus na sua obra redentora. Mostra-se discípulo de Cristo, levando a cruz de cada dia na actividade que foi chamado a exercer (173). O trabalho pode ser um meio de santificação e uma animação das realidades terrenas no Espírito de Cristo. 2428. No trabalho, a pessoa exerce e cumpre uma parte das capacidades inscritas na sua natureza. O valor primordial do trabalho pertence ao próprio homem, seu autor e destinatário. O trabalho é para o homem e não o homem para o trabalho (174). Cada um deve poder tirar do trabalho os meios de subsistência, para si e para os seus, e a possibilidade de servir a comunidade humana. 2429. Cada um tem o direito de iniciativa económica e usará legitimamente os seus talentos, a fim de contribuir para uma abundância proveitosa a todos e recolher os justos frutos dos seus esforços. Mas terá o cuidado de se conformar com as regulamentações impostas pelas legítimas autoridades em vista do bem comum (175). 2430. A vida económica põe em causa interesses diversos , muitas vezes opostos entre si. Assim se explica a emergência dos conflitos que a caracterizam (176). Todos devem esforçar-se por reduzir estes últimos através de uma negociação que respeite os direitos e deveres de todos os parceiros sociais: os responsáveis das empresas, os representantes dos assalariados (por exemplo, organizações sindicais) e, eventualmente, os poderes públicos. 2431. A responsabilidade do Estado. «A actividade económica, particularmente a da economia de mercado, não pode desenrolar-se num vazio institucional, jurídico e político. Pressupõe asseguradas as garantias das liberdades individuais e da propriedade, sem falar duma moeda estável e de serviços públicos eficientes. Mas o dever essencial do Estado é assegurar estas garantias, de modo que, quem trabalha, possa usufruir do fruto do seu trabalho e, portanto, se sinta estimulado a realizá-lo com eficiência e honestidade […]. O Estado tem o dever de zelar e orientar a aplicação dos direitos humanos no sector económico. Todavia, neste domínio, a primeira responsabilidade não cabe ao Estado, mas sim às instituições e diferentes grupos e associações que compõem a sociedade» (177). 2432. Os responsáveis de empresas têm, perante a sociedade, a responsabilidade económica e ecológica das suas operações (178). Estão obrigados a ter em consideração o bem das pessoas, e não somente o aumento dos lucros. Estes são necessários, pois permitem realizar investimentos que assegurem o futuro das empresas e garantam o emprego. 2433. O acesso ao trabalho e ao exercício da profissão deve ser aberto a todos sem descriminação injusta: homens e mulheres, sãos e deficientes, naturais e imigrados (179). Por sua vez, a sociedade deve, nas diversas circunstâncias, ajudar os cidadãos a conseguir um trabalho e um emprego (180). 2434. O salário justo é o fruto legítimo do trabalho. Recusá-lo ou retê-lo, pode constituir grave injustiça (181). Para calcular a remuneração equitativa, há que ter em conta, ao mesmo tempo, as necessidades de cada um e o contributo que presta. «Tendo em conta as funções e a produtividade de cada um, bem como a situação da empresa e o bem comum, o trabalho deve ser remunerado de maneira a assegurar ao homem e aos seus os recursos necessários para uma vida digna no plano material, social, cultural e espiritual» (182). O acordo das partes não basta para justificar moralmente o montante do salário. 2435. A greve é moralmente legítima, quando se apresenta como recurso inevitável, senão mesmo necessário, em vista dum benefício proporcionado. Mas torna-se moralmente inaceitável quando acompanhada de violências, ou ainda quando por feita com objectivos não directamente ligados às condições de trabalho ou contrários ao bem comum. 2436. É injusto não pagar aos organismos de segurança social as quotas estabelecidas pelas autoridades legítimas. O desemprego devido à falta de trabalho é, quase sempre, para quem dele é vítima, um atentado à sua dignidade e uma ameaça ao equilíbrio da vida. Para além do prejuízo pessoalmente sofrido, derivam dele numerosos riscos para a respectiva família (183). V. Justiça e solidariedade entre as nações 2437. No plano internacional, a desigualdade dos recursos e meios económicos é tal que cava entre as nações um verdadeiro «fosso» (184) Dum lado, estão os que detêm e desenvolvem os meios do crescimento; do outro, os que acumulam dívidas. 2438. Diversas causas, de natureza religiosa, política, económica e financeira, conferem hoje «à questão social uma dimensão mundial» (185). A solidariedade é necessária entre nações cujas políticas já são interdependentes. E é ainda mais indispensável quando se trata de travar «mecanismos perversos» que contrariam o desenvolvimento dos países menos avançados(186). Os sistemas financeiros abusivos, quando não usurários (187), as relações comerciais iníquas entre as nações, a corrida aos armamentos, têm de ser substituídos por um esforço comum para mobilizar os recursos em ordem a objectivos de desenvolvimento moral, cultural e económico, predefinindo as prioridades e as escalas de valores» (188). 1439. As nações ricas têm uma grave responsabilidade moral em relação aquelas que não podem, por si mesmas, assegurar os meios do seu desenvolvimento ou disso foram impedidas por trágicos acontecimentos históricos. É um dever de solidariedade e caridade; é também uma obrigação de justiça, se o bem-estar das nações ricas provier de recursos que não foram equitativamente pagos. 2440. A ajuda directa constitui uma resposta apropriada a necessidades imediatas, extraordinárias, causadas, por exemplo, por catástrofes naturais, epidemias, etc.. Mas não basta para reparar os graves prejuízos resultantes de situações de indigência nem para prover, de modo durável, às necessidades. É necessário também reformar as instituições económicas e financeiras internacionais, para que melhor promovam relações equitativas com os países menos avançados (189). É necessário apoiar o esforço dos países pobres, trabalhando pelo seu crescimento e pela sua libertação (190). Esta doutrina deve ser aplicada de modo muito particular no domínio do trabalho agrícola. Os camponeses, sobretudo no terceiro mundo, formam a massa preponderante dos pobres. 2441. Aumentar o sentido de Deus e o conhecimento de si mesmo está na base de todo o desenvolvimento completo da sociedade humana. Este multiplica os bens materiais e põe-nos ao serviço da pessoa e da sua liberdade. Diminui a miséria e a exploração económicas. Faz crescer o respeito pelas identidades culturais e a abertura à transcendência (191). 2442. Não compete aos pastores da Igreja intervir directamente na construção política e na organização da vida social. Este papel faz parte da vocação dos fiéis leigos, agindo por sua própria iniciativa juntamente com os seus concidadãos. A acção social pode implicar uma pluralidade de caminhos concretos; mas deverá ter sempre em vista o bem comum e conformar-se a mensagem evangélica e o ensinamento da Igreja. Compete aos fiéis leigos «animar as realidades temporais com o seu compromisso cristão, comportando-se nelas como artífices da paz e da justiça» (192). VI. O amor dos pobres 2443. Deus abençoa os que ajudam os pobres e reprova os que deles se afastam: «Dá a quem te pede; não voltes as costas a quem pretende pedir-te emprestado» (Mt 5, 42). «Recebestes gratuitamente; pois dai também gratuitamente» (Mt 10, 8). É pelo que tiverem feito pelos pobres, que Jesus reconhecerá os seus eleitos (193). Quando «a boa-nova é anunciada aos pobres» (Mt 11, 5) (194), é sinal de que Cristo está presente. 2444. «O amor da Igreja pelos pobres […] faz parte da sua constante tradição» (195). Esse amor inspira-se no Evangelho das bem-aventuranças (196), na pobreza de Jesus (197) e na sua atenção aos pobres (198). O amor dos pobres é mesmo um dos motivos do dever de trabalhar: para «poder fazer o bem, socorrendo os necessitados» (199). E não se estende somente à pobreza material, mas também às numerosas formas de pobreza cultural e religiosa (200). 2445. O amor dos pobres é incompatível com o amor imoderado das riquezas ou com o uso egoísta das mesmas: «E agora, ó ricos, chorai em altos brados por causa das desgraças que virão sobre vós. As vossas riquezas estão podres e as vossas vestes roídas pela traça. O vosso oiro e a vossa prata enferrujaram-se e a sua ferrugem servirá de testemunho contra vós e devorará a vossa carne como o fogo. Entesourastes, afinal, para os vossos últimos dias! Olhai que o salário que não pagastes aos trabalhadores que ceifaram os vossos campos está a clamar: e os clamores dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor do universo! Tendes vivido na terra entregues ao luxo e aos prazeres, cevando assim os vossos apetites para o dia da matança! Condenastes e destes a morte ao inocente, e Deus não vai opor-se?» (Tg 5, 1-6). 2446. São João Crisóstomo lembra com vigor: «Não fazer os pobres participar dos seus próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida. Não são nossos, mas deles, os bens que aferrolhamos» (201). «Satisfaçam-se, antes de mais, as exigências da justiça e não se ofereça como dom da caridade aquilo que é devido a título de justiça» (202): «Quando damos aos indigentes o que lhes é necessário, não lhes ofertamos o que é nosso: limitamos a restituir-lhes o que lhes pertence. Mais do que praticar uma obra de misericórdia, cumprimos um dever de justiça» (203). 2447. As obras de misericórdia são as acções caridosas pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, nas suas necessidades corporais e espirituais (204). Instruir, aconselhar, consolar, confortar, são obras de misericórdia espirituais, como perdoar e suportar com paciência. As obras de misericórdia corporais consistem nomeadamente em dar de comer a quem tem fome, albergar quem não tem tecto, vestir os nus, visitar os doentes e os presos, sepultar os mortos (205). Entre estes gestos, a esmola dada aos pobres (206) é um dos principais testemunhos da caridade fraterna e também uma prática de justiça que agrada a Deus (207): «Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos, faça o mesmo» (Lc 3, 11). «Dai antes de esmola do que possuis, e tudo para vós ficará limpo» (Lc 11, 41). «Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem do alimento quotidiano, e um de vós lhe disser: “Ide em paz; tratai de vos aquecer e de matar a fome”, mas não lhes der o que é necessário para o corpo, de que lhes aproveitará?» (Tg 2, 15-16) (208). 2448. «Sob as suas múltiplas formas: indigência material, opressão injusta, doenças físicas e psíquicas, e finalmente a morte, a miséria humana é o sinal manifesto da condição congénita de fraqueza em que o homem se encontra desde o primeiro pecado e da necessidade que tem de salvação. Foi por isso que ela atraiu a compaixão de Cristo Salvador, que quis tomá-la sobre Si e identificar-Se com os “mais pequenos de entre os seus irmãos” (Mt 25, 40-45). É por isso, os que se sentem acabrunhados por ela são objecto de um amor preferencial por parte da Igreja que, desde o princípio, apesar das falhas de muitos dos seus membros, nunca deixou de trabalhar por aliviá-los, defendê-los e libertá-los; fê-lo através de inúmeras obras de beneficência, que continuam indispensáveis, sempre e em toda a parte» (209). 2449. Desde o Antigo Testamento, toda a espécie de medidas jurídicas (ano de remissão, interdição de empréstimos a juros e da retenção dum penhor, obrigação do dízimo, pagamento quotidiano da jorna, direito de apanhar os restos da vindima e da ceifa) são uma resposta à exortação do Deuteronómio: «Nunca faltarão os pobres na terra; por isso, faço-te esta recomendação: abre, abre a mão para o teu irmão, para o pobre e necessitado que estiver na tua terra» (Dt 15, 1 l ). E Jesus faz sua esta palavra: «Pobres, sempre os haveis de ter convosco; a Mim, nem sempre Me tereis» (Jo 12, 8). Com isto não faz caducar a força dos oráculos antigos: «Compraremos os necessitados por dinheiro e os pobres por um par de sandálias» (Am 8, 6), mas convida-nos a reconhecer a sua presença na pessoa dos pobres que são seus irmãos (210): No dia em que a sua mãe a repreendeu por manter em sua casa pobres e doentes. Santa Rosa de Lima respondeu-lhe: «Quando servimos os pobres e os doentes, é a Jesus servimos. Não devemos cansar-nos de ajudar o nosso próximo, porque nele servimos a Jesus» (211). Resumindo: 2450. «Não roubarás» (Dt 5, 19). «Nem ladrões, nem gananciosos […] nem salteadores herdarão o Reino de Deus» (1 Cor 6, 10). 2451. O sétimo mandamento prescreve a prática da Justiça e da caridade na gestão dos bens terrenos e dos frutos do trabalho dos homens. 2452. Os bens da criação são destinados a todo o género humano. O direito à propriedade privada não pode abolir o destino universal dos bens. 2453. O sétimo mandamento proíbe o roubo. O roubo é a usurpação de um bem de outrem contra a vontade razoável do proprietário. 2454. Todo o processo de tomar e usar injustamente um bem alheio é contrário ao sétimo mandamento. A injustiça cometida exige reparação. A justiça comutativa exige a restituição do bem roubado. 2455. A lei moral proíbe os actos que, com fins mercantis ou totalitários, conduzem a escravizar seres humanos, comprá-los, vendê-los e trocá-los como mercadoria. 2456. O domínio concedido pelo Criador sobre os recursos minerais, vegetais e animais do universo, não pode ser separado do respeito pelas obrigações morais, inclusivamente para com as gerações futuras. 2457. Os animais são confiados ao cuidado do homem, que lhes deve benevolência. Podem servir para a justa satisfação das necessidades do homem. 2458. A Igreja pronuncia-se em matéria económica e social, sempre que os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigem. Ela preocupa-se com o bem comum temporal dos homens, em razão da ordenação do mesmo ao soberano Bem, nosso último fim. 2459. O homem é o autor; o centro e o fim de toda a vida económica e social. O ponto decisivo da questão social é que os bens criados por Deus para todos, cheguem de facto a todos, segundo a justiça e com a ajuda da caridade. 2460. O valor primordial do trabalho diz respeito ao próprio homem, que dele é autor e destinatário. Mediante o seu trabalho, o homem participa na obra da criação. Unido a Cristo, o trabalho pode ser redentor. 2461. O verdadeiro desenvolvimento é o do homem integral. Trata-se de fazer crescer a capacidade de cada pessoa para responder à sua vocação e, portanto, ao apelo de Deus (212). 2462. A esmola dada aos pobres é um testemunho de caridade fraterna; é também uma prática de justiça que agrada a Deus. 2463. Na multidão de seres humanos sem pão, sem tecto, sem residência, como não reconhecer Lázaro, o mendigo esfomeado da parábola (213). Como não ouvir Jesus quando diz: «Também a Mim o deixastes de fazer» (Mt 25, 45)? ARTIGO 8 O OITAVO MANDAMENTO «Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo» (Ex 20, 16). «Foi dito aos antigos: “Não faltarás ao que tiveres jurado; hás-de cumprir os teus juramentos para com o Senhor”» (Mt 5, 33). 2464. O oitavo mandamento proíbe falsificar a verdade nas relações com outrem. Esta prescrição moral decorre da vocação do povo santo para ser testemunha do seu Deus, que é e que quer a verdade. As ofensas à verdade exprimem, por palavras ou por actos, a recusa em empenhar-se na rectidão moral: são infidelidades graves para com Deus e, nesse sentido, minam os alicerces da Aliança. I. Viver na verdade 2465. O Antigo Testamento declara: Deus é a fonte de toda a verdade. A sua Palavra é verdade (214). A sua lei é verdade (215). «A sua fidelidade permanece de geração em geração» (Sl 119, 90) (216). Uma vez que Deus é o «Verdadeiro» (Rm 3, 4), os membros do seu povo são chamados a viver na verdade (217). 2466. Em Jesus Cristo, a verdade de Deus manifestou-se na sua totalidade. Cheio de graça e de verdade (218), Ele é a «luz do mundo» (Jo 8, 12), Ele é a verdade (219). Quem nele crê não fica nas trevas (220). O discípulo de Jesus «permanece na sua palavra» para conhecer a verdade que liberta (221) e que santifica (222). Seguir Jesus é viver do Espírito de verdade (223) que o Pai envia em seu nome (224) e que conduz «à verdade total» (Jo 14, 17; 16, 13). Aos seus discípulos, Jesus ensina o amor incondicional à verdade: «que a vossa linguagem seja: “sim, sim; não, não”» (Mt 5, 37). 2467. O homem tende naturalmente para a verdade. É obrigado a honrá-la e a testemunhá-la: «Em virtude da sua dignidade, todos os homens, porque pessoas, […] são impelidos pela sua própria natureza e obrigados por exigência moral a procurar a verdade, em primeiro lugar aquela que diz respeito à religião. São obrigados também a aderir à verdade desde que a conheçam e a regular toda a sua vida segundo as exigências da verdade» (225). 2468. A verdade, como rectidão da acção e da palavra humana, chama-se veracidade, sinceridade ou franqueza. A verdade ou veracidade é a virtude que consiste em mostrar-se verdadeiro nos actos e em dizer a verdade nas palavras, evitando a duplicidade, a simulação e a hipocrisia. 2469. «Os homens não seriam capazes de viver juntos, se não tivessem confiança uns nos outros, isto é, se não se dissessem a verdade» (226). A virtude da veracidade dá justamente a outrem o que lhe é devido. A veracidade observa um justo meio-termo entre o que deve ser dito e o segredo que deve ser guardado: implica honestidade e discrição. Por justiça, «um homem deve honestamente ao outro a manifestação da verdade» (227). 2470. O discípulo de Cristo aceita «viver na verdade», isto é, na simplicidade duma vida conforme ao exemplo do Senhor e permanecendo na Sua verdade. «Se dizemos que estamos em comunhão com Ele e andamos nas trevas, mentimos, não praticamos a verdade» (1 Jo 1, 6). II. «Dar testemunho da verdade» 2471. Diante de Pilatos, Cristo proclama que «veio ao mundo para dar testemunho da verdade» (228). O cristão não deve «envergonhar-se de dar testemunho do Senhor» (2 Tm 1, 8). Em situações que exigem a confissão da fé, o cristão deve professá-la sem equívoco, conforme o exemplo de São Paulo diante dos seus juízes. É preciso guardar uma consciência irrepreensível diante de Deus e dos homens» (Act 24, 16). 2472. O dever dos cristãos, de tomar parte na vida da Igreja, leva-os a agir como testemunhas do Evangelho e das obrigações que dele dimanam. Este testemunho é transmissão da fé por palavras e obras. O testemunho é um acto de justiça que estabelece ou que dá a conhecer a verdade (229): «Todos os fiéis cristãos, onde quer que vivam, têm obrigação de manifestar, pelo exemplo da vida e pelo testemunho da palavra, o homem novo de que se revestiram pelo Baptismo e a virtude do Espírito Santo, com que foram robustecidos na Confirmação» (230). 2473. O martírio é o supremo testemunho dado em favor da verdade da fé; designa um testemunho que vai até à morte. O mártir dá testemunho de Cristo, morto e ressuscitado, ao qual está unido pela caridade. Dá testemunho da verdade da fé e da doutrina cristã. Suporta a morte com um acto de fortaleza. «Deixai-me ser pasto das feras, pelas quais poderei chegar à posse de Deus» (231). 2474. A Igreja recolheu com o maior cuidado as memórias daqueles que foram até ao fim na confissão da sua fé. São as Actas dos Mártires, as quais constituem os arquivos da verdade escritos com letras de sangue: «De nada me serviriam os atractivos do mundo ou os reinos deste século. Prefiro morrer em Cristo Jesus a reinar sobre todos os confins da terra. Procuro Aquele que morreu por nós; quero Aquele que ressuscitou por nossa causa. Estou prestes a nascer…» (232). «Eu Te bendigo por me teres julgado digno deste dia e desta hora, digno de ser contado no número dos teus mártires (…). Tu cumpriste a tua promessa, Deus da fidelidade e da verdade. Por esta graça e por tudo, eu Te louvo e Te bendigo; eu Te glorifico pelo eterno e celeste Sumo-Sacerdote Jesus Cristo, Teu Filho muito-amado. Por Ele, que está contigo e com o Espírito, glória a Ti, agora e pelos séculos sem fim. Ámen» (233). III. As ofensas à verdade 2475. Os discípulos de Cristo «revestiram-se do homem novo, criado segundo Deus na justiça e na santidade verdadeiras» (Ef 4, 24). «Libertos da mentira» (Ef 4, 25), devem rejeitar «toda a malícia, falsidade, hipocrisia, invejas e toda a espécie de maledicência» (1 Pe 2, I). 2476. Falso testemunho e perjúrio. Uma afirmação contrária à verdade feita publicamente, reveste-se de gravidade particular: perante um tribunal, é um falso testemunho (234); quando mantida sob juramento, é um perjúrio. Estes modos de agir contribuem quer para condenar um inocente, quer para absolver um culpado ou aumentar a pena em que tiver incorrido o acusado (235). E comprometem gravemente o exercício da justiça e a equidade da sentença pronunciada pelos juízes. 2477. O respeito pela reputação das pessoas proíbe toda e qualquer atitude ou palavra susceptíveis de lhes causar um dano injusto (236). Torna-se culpado: – de juízo temerário, aquele que, mesmo tacitamente, admite como verdadeiro, sem prova suficiente, um defeito moral do próximo; – de maledicência, aquele que, sem motivo objectivamente válido, revela os defeitos e as faltas de outrem a pessoas que os ignoram (237); – de calúnia, aquele que, por afirmações contrárias à verdade, prejudica a reputação dos outros e dá ocasião a falsos juízos a seu respeito. 2478. Para evitar o juízo temerário, cada um procurará interpretar em sentido favorável, tanto quanto possível, os pensamentos, as palavras e os actos do seu próximo: «Todo o bom cristão deve estar mais pronto a interpretar favoravelmente a opinião ou afirmação obscura do próximo do que a condená-la. Se de modo nenhum a pode aprovar, interrogue-se sobre como é que ele a compreende: se ele pensa ou compreende menos rectamente, corrija-o com benevolência; e se isso não basta, tentem-se todos os meios oportunos para que, compreendendo-a bem, ele regresse do erro são e salvo» (238). 2479. A maledicência e a calúnia destroem a reputação e a honra do próximo. Ora, a honra é o testemunho social prestado à dignidade humana e todos gozam do direito natural à honra do seu nome, à boa reputação e ao respeito. Por isso, a maledicência e a calúnia lesam as virtudes da justiça e da caridade. 2480. Deve condenar-se toda a palavra ou atitude que, por lisonja, adulação ou complacência, estimula e confirma outrem na malícia dos seus actos e na perversidade da sua conduta. A adulação é uma falta grave, se se tornar cúmplice de vícios ou de pecados graves. Nem o desejo de prestar um serviço nem a amizade justificam a duplicidade de linguagem. A adulação é um pecado venial quando apenas se deseja ser agradável, evitar um mal, valer a uma necessidade ou obter vantagens legítimas. 2481. A jactância ou vanglória constitui um pecado contra a verdade. O mesmo se diga da ironia que visa depreciar alguém, caricaturando, de modo malévolo, um ou outro aspecto do seu comportamento. 2482. «A mentira consiste em dizer o que é falso com a intenção de enganar» (239). O Senhor denuncia na mentira uma obra diabólica: «Vós tendes por pai o diabo, [… ] nele não há verdade; quando fala mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira» (Jo 8, 44). 2483. A mentira é a ofensa mais directa à verdade. Mentir é falar ou agir contrariamente à verdade, para induzir em erro. Lesando a relação do homem com a verdade e com o próximo, a mentira ofende a relação fundamental do homem e da sua palavra com o Senhor. 2484. A gravidade da mentira mede-se pela natureza da verdade que ela deforma, atendendo às circunstâncias, às intenções de quem a comete e aos danos causados àqueles que são suas vítimas. Embora a mentira, em si, não constitua mais que um pecado venial, torna-se mortal quando lesa gravemente as virtudes da justiça e da caridade. 2485. A mentira é, por sua natureza, condenável. É uma profanação da palavra, a qual tem por fim comunicar aos outros a verdade conhecida. O propósito deliberado de induzir o próximo em erro, por meio de afirmações contrárias à verdade constitui uma falta contra justiça e contra a caridade. A culpabilidade é maior quando a intenção de enganar pode ter consequências funestas para aqueles que são desviados da verdade. 2486. A mentira (porque é uma violação da virtude da veracidade) é uma autêntica violência feita a outrem. Este é atingido na sua capacidade de conhecer, a qual é condição de todo o juízo e de toda a decisão. A mentira contém em gérmen a divisão dos espíritos e todos os males que a mesma suscita. É funesta para toda a sociedade: destrói pela base a confiança entre os homens e retalha o tecido das relações sociais. 2487. Qualquer falta cometida contra a justiça e contra a verdade implica o dever da reparação, mesmo que o seu autor tenha sido perdoado. Quando for impossível reparar publicamente um mal, deve-se fazê-lo em segredo; se aquele que foi lesado não pode ser indemnizado directamente, deve dar-se-lhe uma satisfação moral, em nome da caridade. Este dever de reparação diz respeito também às faltas cometidas contra a reputação alheia. A reparação, moral e às vezes material, deve ser avaliada segundo a medida do prejuízo causado e obriga em consciência. IV. O respeito pela verdade 2488. O direito à comunicação da verdade não é absoluto. Cada um deve conformar a sua vida com o preceito evangélico do amor fraterno, mas este requer, em situações concretas, que avaliemos se convém ou não revelar a verdade a quem a pede. 2489. É a caridade e o respeito pela verdade que devem ditar a resposta a qualquer pedido de informação ou de comunicação. O bem e a segurança de outrem, o respeito pela vida privada e pelo bem comum, são razões suficientes para calar o que não deve ser conhecido ou para usar uma linguagem discreta. Muitas vezes, o dever de evitar o escândalo impõe uma estrita discrição. Ninguém é obrigado a revelar a verdade a quem não tem o direito de a conhecer (240). 2490. O sigilo do sacramento da Reconciliação é sagrado e não pode ser revelado sob pretexto algum. «O sigilo sacramental é inviolável; pelo que o confessor não pode denunciar o penitente, nem por palavras nem por qualquer outro modo, nem por causa alguma»(241). 2491. Os segredos profissionais – conhecidos, por exemplo, por políticos, militares, médicos, juristas – ou as confidências feitas sob sigilo, devem ser guardados, salvo em casos excepcionais em que a retenção do segredo poderia causar a quem o confiou, a quem o recebeu, ou a terceiros, danos muito graves e somente evitáveis pela revelação da verdade. Mesmo que não tenham sido confiadas sob sigilo, as informações particulares prejudiciais a outrem não devem ser divulgadas sem uma razão grave e proporcionada. 2492. Cada qual deve observar uma justa reserva a propósito da vida privada das pessoas. Os responsáveis pela comunicação devem guardar uma justa proporção entre as exigências do bem comum e o respeito pelos direitos particulares. A ingerência dos órgãos de informação na vida privada das pessoas comprometidas numa actividade política ou pública é condenável na medida em que atenta contra a sua intimidade e a sua liberdade. V. O uso dos meios de comunicação social 2493. Na sociedade moderna, os meios de comunicação social desempenham um papel de grande relevo na informação, na promoção cultural e na formação. Este papel é cada vez maior, em virtude dos progressos técnicos, do alcance e diversidade das notícias transmitidas e da influência exercida sobre a opinião pública. 2494. A informação mediática está ao serviço do bem comum (242). A sociedade tem direito a uma informação fundada na verdade, na liberdade, na justiça e na solidariedade. «O uso recto deste direito requer que a comunicação seja, quanto ao objecto, sempre verídica, e quanto ao respeito pelas exigências da justiça e da caridade, completa; quanto ao modo, que seja honesta e conveniente, quer dizer, que na obtenção e difusão das notícias, observe absolutamente as leis morais, os direitos e a dignidade do homem» (243). 2495 «Também neste domínio é necessário que todos os membros da sociedade cumpram os seus deveres de justiça e de verdade. Devem utilizar os meios de comunicação social no sentido de concorrer para a formação e difusão de um recta opinião pública» (244). A solidariedade é consequência duma comunicação verdadeira e justa e da livre circulação das ideias que favorecem o conhecimento e o respeito pelos outros. 2496. Os meios de comunicação social (em particular os mass-média) podem gerar uma certa passividade nos utentes, fazendo deles consumidores pouco cautelosos de mensagens e espectáculos. Os utentes devem impor a si próprios moderação e disciplina em relação aos mass-média. Hão-de formar-se uma consciência esclarecida e recta, para resistir mais facilmente às influências menos honestas. 2497. Pela própria natureza da sua profissão na imprensa, os seus responsáveis têm a obrigação, na difusão da informação, de servir a verdade sem ofender a caridade. Esforçar-se-ão por respeitar, com igual cuidado, a natureza dos factos e os limites do juízo crítico em relação às pessoas. Devem evitar ceder à difamação. 2498. «Cabem às autoridades civis deveres particulares em razão do bem comum. […] Os poderes públicos devem defender e proteger a verdadeira e justa liberdade de informação» (245). Promulgando leis e velando pela sua aplicação, os poderes públicos «responsabilizar-se-ão por que o mau uso dos média não venha a causar graves prejuízos aos costumes públicos e aos progressos da sociedade» (246). Sancionarão a violação dos direitos de cada um ao bom nome e à privacidade; prestarão a tempo e honestamente as informações que dizem respeito ao bem geral ou correspondem a justas preocupações da população. Nada pode justificar o recurso às falsas informações para manipular a opinião pública através dos média. Essas intervenções não deverão atentar contra a liberdade dos indivíduos e dos grupos. 2499. A moral denuncia a chaga dos estados totalitários, que falsificam sistematicamente a verdade, exercem através dos «média» o domínio político da opinião, «manipulam» os acusados e as testemunhas dos processos públicos e pensam assegurar a sua tirania sufocando e reprimindo tudo o que consideram como «delitos de opinião». VI. Verdade, beleza e arte sacra 2500. A prática do bem é acompanhada por um prazer espiritual gratuito e pela beleza moral. Do mesmo modo, a verdade comporta a alegria e o esplendor da beleza espiritual. A verdade é bela por si mesma. A verdade da palavra, expressão racional do conhecimento da realidade criada e incriada, é necessária ao homem dotado de inteligência; mas a verdade pode encontrar também outras formas de expressão humana, complementares, sobretudo quando se trata de evocar o que ela comporta de indizível: as profundezas do coração humano, as elevações da alma, o mistério de Deus. Antes mesmo de Se revelar ao homem em palavras de verdade, Deus revela-Se-lhe pela linguagem universal da criação, obra da sua Palavra e da sua Sabedoria: a ordem e a harmonia do cosmos – que podem ser descobertas tanto pela criança como pelo homem de ciência – , «a grandeza e a beleza das criaturas levam, por analogia, à contemplação do seu Autor» (Sb 13, 5), «porque foi a própria fonte da beleza que as criou» (Sb 13, 3). «Com efeito, a Sabedoria é um sopro do poder de Deus, efusão pura da glória do Omnipotente; por isso, nenhum elemento impuro a pode atingir. Ela é o esplendor da luz eterna, límpido espelho da actividade de Deus, imagem da sua bondade» (Sb 7, 25-26). «A Sabedoria é, de facto, mais formosa do que o sol e supera todas as constelações. Comparada com a luz, revela-se mais excelente, porque à luz sucede a noite, mas a maldade nada pode contra a Sabedoria (Sb 7, 29-30). Amei-a […] e enamorei-me dos seus encantos» (Sb 8, 2) 2501. «Criado à imagem de Deus» (247), o homem exprime também a verdade da sua relação com Deus Criador pela beleza das suas obras artísticas. A arte é, com efeito, uma forma de expressão especificamente humana. Para além da busca da satisfação das necessidades vitais, comum a todas as criaturas vivas, a arte é uma superabundância gratuita da riqueza interior do ser humano. Fruto do talento dado pelo Criador e do esforço do próprio homem, a arte é uma forma de sabedoria prática, unindo conhecimento e habilidade (248) para dar forma à verdade duma realidade, em linguagem acessível à vista ou ao ouvido. A arte comporta assim uma certa semelhança com a actividade de Deus no mundo criado, na medida em que se inspira na verdade e no amor dos seres. Como qualquer outra actividade humana, a arte não tem em si mesma o seu fim absoluto; mas é ordenada e enobrecida pelo fim último do homem (249). 2502. A arte sacra é verdadeira e bela quando corresponde, pela forma, à sua vocação própria: evocar e glorificar, na fé e na adoração, o mistério transcendente de Deus, sobre eminente beleza invisível da verdade e do amor, manifestada em Cristo, «esplendor da sua glória e imagem da sua substância» (Heb 1, 3), no Qual «habita corporalmente toda a plenitude da divindade» (Cl 2, 9); beleza espiritual reflectida na santíssima Virgem Mãe de Deus, nos anjos e nos santos. A verdadeira arte sacra leva o homem à adoração, à oração e ao amor de Deus, Criador e Salvador, Santo e Santificador. 2503. Por isso, os bispos devem, por si próprios ou por delegados, velar pela promoção da arte sacra, antiga e nova, sob todas as suas formas e, com o mesmo religioso cuidado, afastar da liturgia e dos lugares de culto tudo o que não for conforme com a verdade da fé e a autêntica beleza da arte sacra (250). Resumindo: 2504. «Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo» (Ex 20, 16). Os discípulos de Cristo revestiram-se «do homem novo, que foi criado em conformidade com Deus, na justiça e na santidade, próprias da verdade» (Ef 4, 24). 2505. A verdade ou veracidade é a virtude que consiste em mostrar-se verdadeiro nos actos e em dizer a verdade nas palavras, evitando a duplicidade, a simulação e a hipocrisia. 2506. O cristão não deve «envergonhar-se de dar testemunho do Senhor» (2 Tm 1, 8) em actos e palavras. O martírio é o supremo testemunho dado em favor da verdade da fé. 2507. O respeito pelo bom nome e pela honra das pessoas proíbe toda e qualquer atitude ou palavra de maledicência ou calúnia. 2508. A mentira consiste em dizer o que é falso, com a intenção de enganar o próximo. 2509. Uma falta cometida contra a verdade exige reparação. 2510. Em situações concretas, a regra de ouro ajuda a discernir se convém ou não revelar a verdade a quem a pede. 2511. «O sigilo sacramental é inviolável» (251). Os segredos profissionais devem ser guardados. As confidências prejudiciais a outrem não devem ser divulgadas. 2512. A sociedade tem direito a uma informação fundada na verdade, na liberdade e na justiça. É preciso impor-se moderação e disciplina no uso dos meios de comunicação social. 2513. As belas-artes, mas sobretudo a arte sacra, «estão relacionadas, por sua natureza, com a infinita beleza de Deus, que deve ser expressa de algum modo nas obras humanas. E tanto mais se consagram a Deus e contribuem para o seu louvor e para a sua glória, quanto mais se afastarem de todo o propósito que não seja o de contribuir o mais eficazmente possível, através das suas obras, para dirigir o espírito dos homens, piamente, para Deus» (252). ARTIGO 9 O NONO MANDAMENTO «Não cobiçarás a casa do teu próximo, não desejarás a mulher do próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, ou o seu jumento, nem nada que lhe pertença» (Ex 20, 17). «Todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração» (Mt 5, 28). 2514. São João distingue três espécies de cupidez ou concupiscência: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida (253). Segundo a tradição catequética católica, o nono mandamento proíbe a concupiscência carnal; e o décimo, a cobiça dos bens alheios. 2515. Em sentido etimológico, «concupiscência» pode designar todas as formas veementes de desejo humano. A teologia cristã deu-lhe o sentido particular de impulso do apetite sensível, contrário aos ditames da razão humana. O apóstolo São Paulo identifica-a com a revolta que a «carne» instiga contra o «espírito» (254). Procede da desobediência do primeiro pecado (255). Desregra as faculdades morais do homem e, sem ser nenhuma falta em si mesma, inclina o homem para cometer pecado (256). 2516. No homem, porque é um ser integrado de espírito e corpo, já existe uma certa tensão. Trava-se nele uma certa luta de tendências entre o «espírito» e a «carne». Mas esta luta, de facto, faz parte da herança do pecado, é uma consequência dele e, ao mesmo tempo, uma sua confirmação. Faz parte da experiência quotidiana do combate espiritual: «Para o Apóstolo, não se trata de desprezar e condenar o corpo que, com a alma espiritual, constitui a natureza do homem e a sua personalidade de sujeito; pelo contrário, ele fala das obras, ou antes, das disposições estáveis, virtudes e vícios, moralmente boas ou más, que são o fruto da submissão (no primeiro caso) ou, pelo contrário, da resistência (no segundo caso) à acção salvadora do Espírito Santo. É por isso que o Apóstolo escreve: “Se vivemos pelo Espírito, caminhemos também segundo o espírito” (Gl 5, 25)» (257). I. A purificação do coração 2517. O coração é a sede da personalidade moral: «Do coração procedem as más intenções, os assassínios, os adultérios, as prostituições» (Mt 15, 19). A luta contra a concupiscência carnal passa pela purificação do coração e pela prática da temperança: «Mantém-te na simplicidade, na inocência, e serás como as criancinhas que ignoram o mal, destruidor da vida dos homens» (258). 2518. A sexta bem-aventurança proclama: «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5, 8). Os «puros de coração» são os que puseram a inteligência e a vontade de acordo com as exigências da santidade de Deus, principalmente em três domínios: a caridade (259); a castidade ou rectidão sexual (260); o amor da verdade e a ortodoxia da fé (261), Existe um nexo entre a pureza do coração, do corpo e da fé: Os fiéis devem crer nos artigos do Credo, «para que, crendo, obedeçam a Deus; obedecendo a Deus, vivam como deve ser; vivendo como deve ser, purifiquem o seu coração; e purificando o seu coração, compreendam aquilo em que crêem» (262). 2519. Aos «puros de coração» é prometido que verão a Deus face a face e serão semelhantes a Ele (263). A pureza do coração é condição prévia para a visão. Já desde agora, permite-nos ver segundo Deus, aceitar o outro como um «próximo» e compreender o corpo humano, o nosso e o do próximo, como um templo do Espírito Santo, uma manifestação da beleza divina. II. O combate pela pureza 2520. O Baptismo confere a quem o recebe a graça da purificação de todos os pecados. Mas o baptizado tem de continuar a lutar contra a concupiscência da carne e os desejos desordenados. Com a graça de Deus, consegui-lo-ei: – pela virtude e pelo dom da castidade, pois a castidade permite amar com um coração recto e sem partilha; – pela pureza de intenção, que consiste em ter em vista o verdadeiro fim do homem: com um olhar simples, o baptizado procura descobrir e cumprir em tudo a vontade de Deus (264); – pela pureza do olhar, exterior e interior; pela disciplina dos sentidos e da imaginação; pela rejeição da complacência em pensamentos impuros que o levariam a desviar-se do caminho dos mandamentos divinos: «a vista excita a paixão dos insensatos» (Sb 15, 5). – pela oração: «Eu pensava que a continência dependia das minhas próprias forças, forças que em mim não conhecia. E era suficientemente louco para não saber […] que ninguém pode ser continente, se Tu lho não concederes. E de certo Tu o terias concedido, se com gemido interior eu chamasse aos teus ouvidos e se com fé sólida lançasse em Ti o meu cuidado» (265). 2521. A pureza exige o pudor. O pudor é parte integrante da temperança. O pudor preserva a intimidade da pessoa. Designa a recusa de mostrar o que deve ficar oculto. Ordena-se à castidade e comprova-lhe a delicadeza. Orienta os olhares e as atitudes em conformidade com a dignidade das pessoas e com a união que existe entre elas. 2522. O pudor protege o mistério da pessoa e do seu amor. Convida à paciência e à moderação na relação amorosa e exige que se cumpram as condições do dom e do compromisso definitivo do homem e da mulher entre si. O pudor é modéstia. Inspira a escolha do vestuário, mantém o silêncio ou o recato onde se adivinha o perigo duma curiosidade malsã. O pudor é discrição. 2523. Existe um pudor dos sentimentos, tal como existe um pudor corporal. Ele protesta, por exemplo, contra as explorações exibicionistas do corpo humano em certa publicidade, ou contra a solicitação de certos meios de comunicação em ir longe demais na revelação de confidências íntimas. O pudor inspira um modo de viver que permite resistir às solicitações da moda e à pressão das ideologias dominantes. 2524. As formas de que o pudor se reveste variam de cultura para cultura. No entanto, ele continua a ser, em toda a parte, o pressentimento duma dignidade espiritual própria do homem. Nasce com o despertar da consciência pessoal. Ensinar o pudor às crianças e adolescentes é despertá-los para o respeito pela pessoa humana. 2525. A pureza cristã exige uma purificação do ambiente social. Exige dos meios de comunicação social uma informação preocupada com o respeito e o recato. A pureza de coração liberta do erotismo difuso e afasta dos espectáculos que favorecem a curiosidade mórbida e a ilusão. 2526. A chamada permissividade dos costumes assenta numa concepção errónea da liberdade humana; para se edificar, esta precisa de se deixar educar previamente pela lei moral. Deve pedir-se aos responsáveis pela educação que ministrem à juventude um ensino respeitador da verdade, das qualidades do coração e da dignidade moral e espiritual do homem. 2527. «A boa-nova de Cristo renova constantemente a vida e a cultura do homem decaído; combate e repele os erros e os males provenientes da sedução sempre ameaçadora do pecado. Purifica e eleva sem cessar a moralidade dos povos. Com as riquezas do alto, fecunda, consolida, completa e restaura em Cristo, como que a partir de dentro, as qualidades espirituais e os dotes de todos os povos e eras» (266) Resumindo: 2528. «Todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração» (Mt 5, 28). 2529. O nono mandamento acautela-nos contra a cupidez ou concupiscência carnal. 2530. A luta contra a concupiscência carnal passa pela purificação do coração e pela prática da temperança. 2531. A pureza de coração permitir-nos-á ver a Deus: desde já, permite-nos ver tudo segundo Deus. 2532. A purificação do coração exige a oração, a prática da castidade, a pureza de intenção e do olhar. 2533. A pureza do coração requer o pudor que é paciência, modéstia e discrição. O pudor preserva a intimidade da pessoa. ARTIGO 10 O DÉCIMO MANDAMENTO «Não cobiçarás […] nada que pertença [ao teu próximo]» (Ex 20, 17). «Não cobiçarás a casa [do teu próximo], nem o seu campo, nem o seu servo nem a sua serva, o seu boi, ou o seu jumento, nem nada que lhe pertença» (Dt 5, 21). «Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração» (Mt 6, 21). 2534. O décimo mandamento desdobra e completa o nono, que tem por objecto a concupiscência da carne. Proíbe cobiçar o bem de outrem, raiz de onde procede o roubo, a rapina e a fraude, proibidos pelo sétimo mandamento. A «concupiscência dos olhos» (1 Jo 2, 16) conduz à dolência e à injustiça, proibidas pelo quinto mandamento (267). A cobiça, bem como a fornicação, tem a sua origem na idolatria, proibida nos três primeiros mandamentos da Lei (268). O décimo mandamento incide sobre a intenção do coração e resume, com o nono, todos os preceitos da Lei. I. A desordem das cobiças 2535. O apetite sensível leva-nos a desejar as coisas agradáveis que não possuímos. Exemplo disso é desejar comer quando se tem fome ou aquecer-se quando se tem frio. Estes desejos são bons em si mesmos; muitas vezes, porém, não respeitam os limites da razão e levam-nos a cobiçar injustamente o que não é nosso e que pertence, ou é devido, a outrem. 2536. O décimo mandamento condena a avidez e o desejo duma apropriação desmesurada dos bens terrenos; e proíbe a cupidez desregrada, nascida da paixão imoderada das riquezas e do seu poder. Interdita também o desejo de cometer uma injustiça pela qual se prejudicaria o próximo nos seus bens temporais: «Quando a Lei nos diz: “Não cobiçarás”, diz-nos, por outras palavras, que afastemos os nossos desejos de tudo o que não nos pertence. Porque a sede da cobiça dos bens alheios é imensa, infindável e insaciável, conforme está escrito: “O avarento nunca se fartará de dinheiro” (Sir 5, 9)» (269). 2537. Não é violar este mandamento desejar obter coisas que pertencem ao próximo, desde que seja por meios legítimos. A catequese tradicional menciona, com realismo, «os que têm que lutar mais contra as suas cobiças criminosas» e que, portanto, precisam de ser «exortados com mais insistência a observarem este preceito»: «São [.. .] os comerciantes que desejam a falta ou carestia das coisas, que vêem com pena não serem eles os únicos a comprar e a vender, o que lhes permitiria vender mais caro e comprar mais barato; os que desejam ver o seu semelhante na miséria, para obterem maiores lucros, quer vendendo quer comprando […]. Os médicos, que desejam que haja doentes; os advogados, que reclamam causas e processos importantes e numerosos…» (270). 2538. O décimo mandamento exige que seja banida a inveja do coração humano. Quando o profeta Natan quis estimular o arrependimento do rei David, contou-lhe a história do pobre que só possuía uma ovelha, tratada como se fosse uma filha, e do rico que, apesar dos seus numerosos rebanhos, tinha inveja dele e acabou por lhe roubar a ovelha (271). A inveja pode levar aos piores crimes (272). «Foi pela inveja do demónio que a morte entrou no mundo» (Sb 2, 24). «Combatemo-nos uns aos outros e é a inveja que nos arma uns contra os outros […]. Se todos se encarniçam assim a abalar o corpo de Cristo, onde chegaremos nós? Estamos a aniquilar o corpo de Cristo. […] Declaramo-nos membros dum mesmo organismo e devoramo-nos como feras» (273). 2539. A inveja é um vício capital. Designa a tristeza que se sente perante o bem alheio e o desejo imoderado de se apropriar dele, mesmo indevidamente. Se desejar ao próximo um mal grave, é pecado mortal: Santo Agostinho via na inveja «o pecado diabólico por excelência» (274). «Da inveja nascem o ódio, a maledicência, a calúnia, a alegria causada pelo mal do próximo e o desgosto causado pela sua prosperidade» (275). 2540. A inveja representa uma das formas da tristeza e, portanto, uma recusa da caridade; o baptizado lutará contra ela, opondo-lhe a benevolência. Muitas vezes, a inveja nasce do orgulho; o baptizado exercitar-se-á a viver na humildade: «Quereríeis ver Deus glorificado por vós? Pois bem, alegrai-vos com os progressos do vosso irmão e, assim, será por vós que Deus é glorificado. Deus será louvado, dir-se-á, pelo facto de o seu servo ter sabido vencer a inveja, pondo a sua alegria nos méritos dos outros» (276). II. Os desejos do Espírito 2541. A economia da lei e da graça desvia o coração dos homens da cobiça e da inveja; inicia-o no desejo do sumo bem; e instrui-o nos desejos do Espírito Santo que sacia o coração do homem. O Deus das promessas desde sempre pôs o homem de prevenção contra a sedução daquilo que, desde as origens, aparece como «bom para comer, […] de atraente aspecto e precioso para esclarecer a inteligência» (Gn 3, 6). 2542. A Lei, confiada a Israel, nunca foi suficiente para justificar aqueles que lhe estavam sujeitos; chegou até a tornar-se instrumento de «concupiscência» (277). A inadequação entre o querer e o fazer (278) manifesta o conflito entre a Lei de Deus, que é a «lei da razão», e uma outra lei «que me retém cativo na lei do pecado, que se encontra nos meus membros» (Rm 7, 23). 2543. «Agora, foi sem a Lei que se manifestou a justiça de Deus, testemunhada pela Lei e pelos Profetas: a justiça que vem para todos os crentes, mediante a fé em Jesus Cristo» (Rm 3, 21-22). E assim, os fiéis de Cristo «crucificaram a carne com as suas paixões e desejos» (Gl 5, 24); são conduzidos pelo Espírito (279) e seguem os desejos do Espírito (280). III. A pobreza de coração 2544. Jesus impõe aos seus discípulos que O prefiram a tudo e a todos e propõe-lhes que renunciem a todos os seus bens (281) por causa d’Ele e do Evangelho (282). Pouco antes da sua paixão, deu-lhes o exemplo da pobre viúva de Jerusalém que, da sua penúria, deu tudo o que tinha para viver (283). O preceito do desapego das riquezas é obrigatório para entrar no Reino dos céus. 2545. Todos os fiéis de Cristo devem «ordenar rectamente os próprios afectos, para não serem impedidos de avançar na perfeição da caridade pelo uso das coisas terrenas e pelo apego às riquezas, em oposição ao espírito de pobreza evangélica» (284). 2546. «Bem-aventurados os pobres em espírito» (Mt 5, 3). As bem-aventuranças revelam uma ordem de felicidade e de graça, de beleza e de paz. Jesus celebra a alegria dos pobres, aos quais o Reino pertence desde já (285): «O Verbo chama “pobreza em espírito” à humildade voluntária do espírito humano e à sua renúncia; e o Apóstolo dá-nos como exemplo a pobreza de Deus, quando diz: «Ele fez-Se pobre por nós (2 Cor 8, 9)» (286). 2547. O Senhor lamenta-Se dos ricos, porque eles encontram a sua consolação na abundância de bens (287). «O orgulhoso procura o poder terreno, ao passo que o pobre em espírito procura o Reino dos céus» (288). O abandono à providência do Pai do céu liberta da preocupação pelo amanhã. A confiança em Deus dispõe para a bem-aventurança dos pobres (289). Eles verão a Deus. IV. «Quero ver a Deus» 2548. O desejo da verdadeira felicidade liberta o homem do apego imoderado aos bens deste mundo, e terá a sua plenitude na visão beatífica de Deus. «A promessa de ver a Deus ultrapassa toda a bem-aventurança. […] Na Escritura, ver é possuir. […] Por isso aquele que vê a Deus obteve todos os bens que se possam imaginar» (290). 2549. Resta ao povo santo lutar, com a graça do Alto, para alcançar os bens que Deus promete. Para possuir e contemplar a Deus, os fiéis de Cristo mortificam os seus maus desejos e, com a graça do mesmo Deus, triunfam das seduções do prazer e do poder. 2550. Neste caminho da perfeição, o Espírito e a Esposa chamam quem os escuta (291) à comunhão perfeita com Deus: «Ali será a verdadeira glória; ninguém ali será louvado por engano ou por lisonja; as verdadeiras honras não serão nem recusadas aos que as merecem, nem dadas aos indignos delas; aliás, não haverá ali indigno que as pretenda, pois só os dignos lá serão admitidos. Ali reinará a verdadeira paz; ninguém terá oposição, nem de si mesmo nem dos outros. O próprio Deus será a recompensa da virtude, Ele que a deu e Se lhe prometeu como recompensa, a maior e melhor que possa existir: […] “Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (Lv 26, 12) […] É também este o sentido das palavras do Apóstolo: “Para que Deus seja tudo em todos” (I Cor 15, 28). Ele mesmo será o fim dos nossos desejos, Ele que nós havemos de contemplar sem fim, de amar sem saciedade, de louvar sem cansaço. É este dom, este afecto, esta ocupação serão, sem dúvida, comuns a todos como a vida eterna» (292). Resumindo: 2551. «Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração» (Mt 6, 21). 2552. O décimo mandamento proíbe a cupidez desregrada, nascida da paixão imoderada das riquezas e seu poder. 2553 Inveja é a tristeza que se experimenta perante o bem alheio e o desejo imoderado de se apropriar dele. É um vício capital. 2554 O baptizado combate a inveja pela benevolência, pela humildade e pelo abandono à providência divina. 2555. Os fiéis de Cristo «crucificaram a carne com as suas paixões e desejos» (Gl 5, 24); são conduzidos pelo Espírito e seguem os seus desejos. 2556. O desapego das riquezas é necessário para entrar no Reino dos céus. «Bem-aventurados os pobres em espírito» (Mt 5, 3). 2557. O homem de desejo diz: «Quero ver a Deus», sede de Deus é saciada pela água da vida eterna (293). Notas 1. Cf. Mc 7, 8-13. 2. Cf. Dt 5, 16. 3. Cf. Dt 5, 16. 4. João Paulo II. Ex. ap. Familiaris consortio, 21: AAS 74 (1982) 105; cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 16. 5. Cf. Ef 5, 21-6, 4; Cl 3, 18-21; 1 Pe 3, 1-7. 6. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 52: AAS 58 (1966) 1073. 7. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 47: AAS 58 (1966) 1067. 8. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 52: AAS 58 (1966) 1073. 9. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 46: AAS 74 (1982) 137-138 10. Cf. Ef 3, 15. 11. Cf. Pr 1, 8; Tb 4, 3-4. 12. Cf. Ex 20, 12. 13. Cf. Ef 6, 1. 14. Cf. Mc 7, 10-12. 15. II Concílio do Vaticano, Decl. Gravissimum educationis, 3: AAS 58 (1966) 731. 16. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 36: AAS 74 (1982) 126. 17. João Paulo II. Enc. Centesimus annus, 36: AAS 83 (1991) 838. 18. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 16: cf. CIC can. 1136. 19. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11: AAS 57 (1965) 16. 20. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1069. 21.Cf. Mt 18. 21-22; Lc 17, 4. 22. Cf. II Concílio do Vaticano, Decl. Gravissimum educationis, 6: AAS 58 (1966) 733. 23. Cf. Mt 16, 23. 24. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 25: AAS 83 (1991) 823. 25. Cf. Rm 13, 1-2. 26. Epístola a Diogneto, 5, 5; 5, 10; 6, 10: SC 33. 62-66 (Funk 1,. 398-400). 27. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes,74: AAS 58 (1966) 1096. 28. Cf. João Paulo II. Enc. Centesimus annus, 45-46: AAS 83 (1991) 849-851. 29. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 76: AAS 58 (1966) 1099. 30. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 76: AAS 58 (1966) 1099. 31. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 76: AAS 58 (1966) 1100. 32. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 47: AAS 58 (1966) 1067. 33. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, Introductio, 5: AAS 80 ( 1988) 76-77. 34. Cf. Gn 4, 8-12. 35. Cf. Lv 17, 14 36. Cf Mt 5, 22-26.38-39. 37. Cf. Mt 5, 44. 38. Cf. Mt 26, 52. 39. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2, q. 64. a. 7. c: Ed. Leon. 9, 74. 40. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2, q. 64. a. 7. c: Ed. Leon. 9, 74. 41. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2, q. 64. a. 7. c: Ed. Leon. 9, 74. 42. Discurso do Papa Francisco por ocasião do XXV Aniversário do Catecismo da Igreja Católica, 11 de setembro de 2017. 43. Cf. Gn 4, 10. 44. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 51: AAS 58 (1966) 1072. 45. Cf. Am 8, 4-10. 46. Cf. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 1. 1: AAS 80 (1988) 79. 47. Didaké 2, 2: SC 248, 148 (Funk 1, 8); cf. Epistola Pseudo Barnabae 19. 5: SC 172, 202 (Funk 1, 90); Epistola a Diogneto 5, 6: SC 33. 62 (Funk 1. 398): Tertuliano, Apologeticum, 9, 8: CCL 1, 103 (PL 1, 371-372). 48. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 51: AAS 58 (1966) 1072. 49. CIC can. 1398. 50. CIC can. 1314. 51. Cf. CIC can. 1323-1324. 52. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 3: AAS 80 (1988) 98-99. 53. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 3: AAS 80 (1988) 99. 54. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 1, 2: AAS 80 (1988) 70-80. 55. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 1, 3. AAS 80 (1988) 80-81. 56. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 1, 5: AAS 80 (1988) 83. 57. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 1, 6: AAS 80 (1988) 85. 58. Cf Sagrada Congregação da Doutrina da Fé, Iura et bona: AAS 72 (1980) 542-552. 59. Cf. 1 Cor 8, 10-13. 60. Cf. Mt 7, 15. 61. Pio XII. Mensagem radiofónica (1 de Junho de 1941): AAS 33 (1941) 197. 62. Cf. Ef 6, 4: Cl 3, 21 63. Cf. Pio XI. Enc. Casti connubii: DS 3722-3723. 64. Cf. Tb 1, 16-18. 65. Cf. CIC can. 1176, §3. III. 66. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2, q. 158. a. 1. ad 3: Ed. Leon, 10, 273. 67. Santo Agostinho, De civitate Dei, 19, 13: CSEL 40/2, 395 (PL 41, 640). 68. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 78: AAS 58 (1966) 1101. 69. Cf. Ef 2, 16: Cl 1, 20-22. 70. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 1: AAS 57 (1965) 5. 71. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 78: AAS 58 (1966) 1101-1102. 72. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 81: AAS 58 (1966) 1105. 73. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 79: AAS 58 (1966) 1103 74. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 79: AAS 58 (1966) 1103. 75. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 79: AAS 58 (1966) 1103. 76. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 79: AAS 58 (1966) 1103. 77. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 80: AAS 58 (1966) 1104. 78. Cf. Paulo VI, Enc. Populorum progressio, 53: AAS 59 (1967) 283. 79. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 78: AAS 58 (1966) 1102. 80. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 27: AAS 58 (1966) 1048. 81. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 81: AAS 58 (1966) 1105. 82. Cf. Dt 5, 18. 83. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 11: AAS 74 (1982) 91-92. 84. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 22: AAS 74 (1982) 107: cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 49: AAS 58 (1966) 1070. 85. João Paulo II. Ep. ap. Mulieris dignitatem, 6: AAS 80 (1988) 1663. 86. Cf. Gn 4, 1-2.25-26; 5,1. 87. Cf. Mt 19, 6. 88. Cf. Mt 5, 37. 89. Cf. Sir 1, 22. 90. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 17: AAS 58 (1966) 1037-1038. 91. Santo Agostinho, Confissões, 10, 29, 40: CCL 27, 176 (PL 32. 796). 92. Cf. Tt 2, 1-6. 93. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 34: AAS 74 (1982) 123. 94. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 25: AAS 58 (1966) 1045. 95. Cf. Gl 5. 22-23. 96. Cf. 1 Jo 3, 3. 97. Cf. Jo 15, 15. 98. Cf. Gl 3, 27. 99. Congregação da Doutrina da Fé, Decl. Persona humana, 11: AAS 68 (1976) 90-91. 100. Santo Ambrósio, De viduis 23: Sancti Ambrosii Episcopi Mediolanensis opera, v. 14/1 (Milano-Roma 1989), p. 266 (PL 16, 241-242). 101. Congregação da Doutrina da Fé, Decl. Persona humana, 9: AAS 68 (1976) 86. 102. Cf. 1 Cor 6, 15-20. 103. Cf. Gn 19, 1-29; Rm 1, 24-27; 1 Cor 6, 9-10; 1 Tm 1, 10. 104. Congregação da Doutrina da Fé, Decl. Persona humana, 8: AAS 68 (1976) 95. 105. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 11: AAS 74 (1982) 92. 106. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 49: AAS 58 (1966) 1070. 107. Pio XII, Alocução aos participantes no Congresso da União Católica Italiana de Obstetras (29 de Outubro de 1951): AAS 43 (1951) 851. 108. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 48: AAS 58 (1966) 1067. 109. Cf. CIC can. 1056. 110. Cf. Mt 19, 1-12; 1 Cor 7, 10-11. 111. São João Crisóstomo, In epistulam ad Ephesios, homilia 20, 8: PG 62, 146-147. 112. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 30: AAS 74 (1982) 116. 113. Paulo VI, Enc. Humanae vitae, 11: AAS 60 (1968) 488. 114. Paulo VI, Enc. Humanae vitae, 12: AAS 60 (1968) 488; cf. Pio XI, Enc. Casti connubii: DS 3717. 115. Cf. Ef 3, 14-15; Mt 23, 9. 116. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 50: AAS 58 (1966) 1071. 117. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 50: AAS 58 (1966) 1071. 118. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes,, 51: AAS 58 (1966) 1072. 119. Paulo VI, Enc. Humanae vitae, 12: AAS 60 (1968) 489. 120. Cf. Paulo VI, Enc. Humanae vitae, 16: AAS 60 (1968) 491-492. 121. Paulo VI, Enc. Humanae vitae, 14: AAS 60 (1968) 490. 122. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 32: AAS 74 (1982) 119-120. 123. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 51: AAS 58 (1966) 1073. 124. Cf. Paulo VI, Enc. Populorum progressio, 37: AAS 59 (1967) 275-276; Id., Enc. Humanae vitae, 23: AAS 60 (1968) 497-498. 125. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 50: AAS 58 (1966) 1071. 126. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, Introductio, 2: AAS 80 (1988) 73. 127. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 2, 1: AAS 80 (1988) 87. 128. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 2, 5: AAS 80 (1988) 93. 129. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 2, 4: AAS 80 (1988) 91. 130. Congregação da Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, 2, 8: AAS 80 (1988) 97. 131. Cf. Mt 5, 27-28. 132. Cf. Mt 5, 32; 19, 6; Mc 10, 11-12; 1 Cor 6, 9-10. 133. Cf. Os 2. 7; Jr 5, 7; 13, 27. 134. Cf. Mt 5, 31-32; 19, 3-9; Mc 10, 9; Lc 16, 18; 1 Cor 7, 10-11. 135. Cf. Mt 19, 7-9. 136. CIC can. 1141. 137. Cf. CIC can. 1151-1155. 138. São Basílio Magno, Moralia, regra 73: PG 31, 852. 139. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 84: AAS 74 (1982) 185. 140. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 19: AAS 74 (1982) 102; cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 47: AAS 58 (1966) 1067. 141. Cf. Lv 18, 7-20. 142. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris consortio, 81: AAS 74 (1982) 181-182. 143. Congregação da Doutrina da Fé, Decl. Persona humana, 7: AAS 68 (1976) 82. 144. Cf. João Paulo, Ex. ap. Familiaris consortio, 80: AAS 74 (1982) 180-181. 145. João Paulo II, Ex. ap. Familiares consortio, 11: AAS 74 (1982) 92. 146. Cf. Dt 5. 19. 147. Cf. Gn 1, 26-29. 148. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 69: AAS 58 (1966) 1090. 149. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 71. AAS 58 (1966) 1093.; João Paulo II. Enc. Sollicitudo rei socialis, 42: AAS 80 (1988) 572-574; Id. Enc. Centesimus annus, 40: AAS 83 (1991) 843, Ibid., 48: AAS 83 (1991) 852-854 150. Cf. 2 Cor 8, 9. 151. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 69: AAS 58 (1966) 1090-1091. 152. Cf. Dt 25, 13-16. 153. Cf. Dt 24, 14-15; Tg 5, 4. 154. Cf. Am 8, 4-6. 155. Cf. Gn 1, 28-31. 156. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 37-38: AAS 83 (1991) 840-841. 157. Cf. Mt 6, 26. 158. Cf. Dn 3, 79-81. 159. Cf. Gn 2, 19-20; 9, 1-4. 160. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 23: AAS 58 (1966) 1044. 161. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 76: AAS 58 (1966) 1100. 162. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 3: AAS 83 (1991) 794-796. 163. Cf. João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 1: AAS 80 (1988) 513-514; Ibid., 41: AAS 80 (1988) 570-572. 164. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 24: AAS 83 (1991) 821-822. 165. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 63: AAS 58 (1966) 1085; João Paulo II, Enc. Laborem exercens, 7: AAS 73 (1981) 592-594: Id., Enc. Centesimus annus, 35: AAS 83 (1991) 836-838. 166. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 65: AAS 58 (1966) 1087. 167. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 10: AAS 83 (1991) 804-806; Ibid., 13: AAS 83 (1991) 809-810; Ibid., 44: AAS 83 (1991) 848-849. 168. João PauloII, Enc. Centesimus annus, 34: AAS 83 (1991) 836. 169. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 64: AAS 58 (1966) 1086. 170. Cf. Gn 1, 28; II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 34: AAS 58 (1966) 1052-1053; João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 31: AAS 83 (1991) 831-832. 171. Cf. 1 Ts 4, 11. 172. Cf. Gn 3, 14-19. 173. Cf. João Paulo II, Enc. Laborem exercens, 27: AAS 73 (1981) 644-647. 174. Cf. João Paulo II, Enc. Laborem exercens, 6: AAS 73 (1981) 589-592. 175. Cf. João Paulo II, Enc. Centessimus annus, 32: AAS 83 (1991) 832-833: Ibid. 34: AAS 83 (1991) 835-836. 176. Cf. João Paulo II, Enc. Laborem exercens, 11: AAS 73 (1981) 602-605. 07 177. João Paulo II, Enc. Centesimus annnus, 48: AAS 83 (1991) 852-853. 178. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 37: AAS 83 (1991) 840. 179. Cf. João Paulo II, Enc. Laborem exercens, 19: AAS 73 (1981) 625-629; Ibid., 22-23: AAS 73 (1981) 634-637. 180. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 48: AAS 83 (1991) 852-854. 181. Cf. Lv 19, 13; Dt 24, 14-15; Tg 5, 4. 182. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 67: AAS 58 (1966) 1088-1089. 183. Cf. João Paulo II, Enc. Laborem exercens, 18: AAS 73 (1981) 622-625. 184. Cf. João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 14: AAS 80 (1988) 526-528. ‘ 185. João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 9: AAS 80 (1988) 520-521. 186. Cf. João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 17: AAS 80 (1988) 532-533; Ibid., 45: AAS 80 (1988) 577-578. 187. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus aunus, 35: AAS 83 (1991) 836-838. 188. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 28: AAS 83 (1991) 828. 189. Cf. João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 16: AAS 80 (1988) 531. 190. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 26: AAS 83 (1991) 824-826. 191. Cf. João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 32: AAS 80 (1988) 556-557; ID., Enc. Centesimus annus, 51: AAS 83 (1991) 856-857. 192. João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 47: AAS 80 (1988) 582; cf. Ibid., 42: AAS 80 (1988) 572-574. 193. Cf. Mt 25, 31-36. 194. Cf. Lc 4, 18. 195. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 57: AAS 83 (1991) 862-863. 196. Cf. Lc 6, 20-22. 197. Cf. Mt 8, 20. 198. Cf. Mc 12, 41-44. 199. Cf. Ef 4, 28. 200. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 57: AAS 83 (1991) 863. 201. São João Crisóstomo, In Lazarum, concio 2, 6: PG 48, 992. 202. II Concílio do Vaticano, Decr. Apostolicam actuositatem, 8: AAS 58 (1966) 845. 203. São Gregório Magno, Regula pastoralis, 3, 21, 45: SC 382, 394 (PL 77, 87). 204. Cf. Is 58, 6-7; Heb 13, 3. 205. Cf. Mt 25, 31-46. 206. Cf. Tb 4, 5-11; Sir 17, 18. 207. Cf. Mt 6, 2-4. 208. Cf. 1 Jo 3, 17. 209. Congregação para a Doutrina da Fé, Instr. Libertatis conscientia, 68: AAS 79 (1987) 583. 210. Cf. Mt 25, 40. 211. P. Hansen, Vita mirabilis […] venerabilis sororis Rosae de sancta Maria Limensis (Romae 1664) p. 200. 212. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 29: AAS83 (1991) 828-830. 213. Cf. Lc 16, 19-31. 214. Cf. Pr 8, 7, 2 Sm 7, 28. 215. Sl 119, 142. 216. Cf. Lc 1, 50. 217. Cf. Sl 119, 30. 218. Cf. Jo 1, 14. 219. Cf. Jo 14, 6. 220. Cf. Jo 12, 46. 221. Cf Jo 8, 31-32. 222. Cf. Jo 17, 17. 223. Cf. Jo 14, 17. 224. Cf. Jo 14, 26. 225. II Concílio do Vaticano, Decl. Dignitatis humanae, 2: AAS 58 (1966) 931. 226. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2, q. 109, a. 3, ad 1: Ed. Leon. 9, 418. 227. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2, q. 109, a. 3, c: Ed. Leon. 9. 418. 228. Cf. Jo 18, 37. 229. Cf. Mt 18, 16. 230. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 11: AAS 58 (1966) 959. 231. Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Romanos, 4, 1: SC 10bis, p. 110 (Funk, 1, 256). 232. Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Romanos, 6, 1 : SC 10bis, p. 114 (Funk, 1, 258-260). 233. Martyrium Polycarpi, 14, 2-3: SC 10bis, p. 228 (Funk 1, 330-332). 234. Cf. Pr 19, 9. 235. Cf. Pr 18, 5. 236. Cf. CIC can. 220. 237. Cf. Sir 21, 28. 238. Santo Inácio de Loyola, Exercitia spiritualia, 22: MHSI 100, 164. 239. Santo Agostinho, De mendacio, 4, 5: CSEL 41, 419 (PL 40, 491). 240. Cf. Sir 27, 17; Pr 25, 9-10. 241. CIC can. 983, § 1. 242. Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Inter mirifica, 11: AAS 56 (1964) 148-149. 243 II Concílio do Vaticano, Decr. Inter mirifica, 5: AAS 56 (1964) 147. 244. II Concílio do Vaticano, Decr. Inter mirifica, 8: AAS 56 (1964) 148. 245 II Concílio do Vaticano, Decr. Inter mirifica, 12: AAS 56 (1964) 149. 246. II Concílio do Vaticano, Decr. Inter mirifica, 12: AAS 56 (1964) 149. 247. Cf. Gn 1, 26. 248. Cf. Sb 7, 17. 249. Cf. Pio XII, Mensagem radiofónica (24 de Dezembro de 1955): AAS 48 (1956) 26-41; Id., Mensagem radiofónica aos membros das associações de jovens operários cristãos (J.O.C.) (3 de Setembro de 1950): AAS 42 (1950) 639-642. 250. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 122-127: AAS 56 (1964) 130-132. 251. CIC can. 983, § 1. 252. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 122: AAS 56 (1964) 130-131. 253. Cf. 1 Jo 2, 16 (Vulgata). 254. Cf. Gl 5, 16.17.24; Ef 2, 3. 255. Cf. Gn 3, 11. 256. Cf. Concílio de Trento, Sess. 5ª, Decretum de peccato originali, can. 5: DS 1515. 257. João Paulo II, Enc. Dominum et vivificantem, 55: AAS 78 (1986) 877-878. 258. Hermas, Pastor 27, 1 (mandatum 2. 1): SC 53, 146 (Funk 1, 70). 259. Cf. 1 Ts 4, 3-9: 2 Tm 2, 22. 260. Cf. 1Ts 4, 7; Cl 3, 5; Ef 4, 19. 261. Cf. Tt 1, 15; 1 Tm 1, 3-4; 2 Tm 2, 23-26. 26. Santo Agostinho, De fide et symbolo, 10, 25: CSEL 25, 32 (PL 40, 196). 263. Cf. 1 Cor 13, 12; l Jo 3. 2. 264. Cf. Rm 12, 2; Cl 1, 10. 265. Santo Agostinho, Confissões, 6, 11, 20: CCL 27. 87 (PL 32, 729-730). 266. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 58: AAS 58 (1966) 1079. 267. Cf. Mq 2, 2. 268. Cf. Sb 14, 12. 269. CatRom 3, 10, 13, p. 518. 270. CatRom 3, 10, 23, p. 523. 271. Cf. 2 Sm 12, 1-4. 272. Cf. Gn 4, 3-8; 1 Rs 21, 1-29. 273. São João Crisóstomo, In epistulam II ad Corinthios, homilia 27, 3-4: PG 61, 588. 274. Santo Agostinho, De disciplina christiana, 7, 7: CCL 46, 214 (PL 40, 673); ID., Epistula 108, 3, 8: CSEL 34, 620 (PL 33, 410). 275. São Gregório Magno, Moralia in Job, 31, 45, 88: CCL 143b, 1610 (PL 76, 621). 276. São João Crisóstomo, In epistulam as Romanos, homilia 7, 5: PG 60, 448. 277. Cf. Rm 7, 7. 278. Cf. Rm 7, 15. 279. Cf. Rm 8, 14 280. Cf. Rm 8, 27. 281. Cf. Lc 14, 33. 282. Cf. Mc 8, 35. 283. Cf. Lc 21, 4. 284. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 42: AAS 57 (1965) 49. 285. Cf. Lc 6, 20. 286. São Gregório de Nissa, De beatitudinibus, oratio 1: Gregorii Nysenni opera, ed. W. Jaeger, v. 7/2 (Leiden 1992) p. 83 (PG 44, 1200). 287. Cf. Lc 6, 24. 288. Santo Agostinho, De sermone Domini in monte, 1, 1, 3: CCL 35, 4 (PL 34, 1232). 289. Cf. Mt 6, 25-34. 290. São Gregório de Nissa, De beatitudinibus, oratio 6: Gregorii Nysenni opera, ed. W. Jaeger. v. 7/2 (Leiden 1992) p. 138 (PG 44, 1265). 291. Cf. Ap 22, 17. 292. Santo Agostinho, De civitate Dei, 22, 30: CSEL 40/2, 665-666 (PL 41, 801-802). 293. Cf. Jo 4, 14. #AVIDAEMCRISTO #CAPÍTULOSEGUNDO #fé #CAPÍTULOSEGUNDO21962557 #catecismodaigrejacatólica #catecismo

  • Bispo de Formosa denuncia a submissão da Igreja às autoridades e a Nova Ordem Mundial

    Em um vídeo que se tornou viral no Brasil, o Bispo de Formosa (GO), Dom Adair José Guimarães, lamentou que, frente às medidas adotadas por causa da pandemia de Covid-19, “ bispos , sacerdotes” estejam se “curvando diante” das autoridades civis que, com medidas arbitrárias vêm contrariando o direito de culto e a liberdade religiosa dos fiéis brasileiros. O trecho da homilia do Prelado viralizou após ser compartilhado no Facebook no sábado, 23 de janeiro, por Prof. Felipe Aquino, intelectual católico, escritor e apresentador. Ao comentar sobre a atual situação gerada pela pandemia de coronavírus, Dom Adair assinalou que “estamos sendo manipulados com tantas incertezas, com tantas besteiras que vão se fazendo em relação a esta peste, desde o fechamento das Igrejas, que foi um absurdo que clamará a Deus”. Entre as medidas adotadas com a finalidade de se manter o distanciamento social para prevenir a propagação do vírus esteve o fechamento das igrejas em diversos lugares, com a suspensão das Missas com a presença dos fiéis. Frente a estas ações, o Bispo de Formosa afirmou que, embora as autoridades busquem promover tais medidas, “o povo não vai abdicar de sua liberdade, de sua fé”. “Nós não podemos aceitar que nenhuma autoridade venha com essa lorota de fechar os nossos templos, de fechar as nossas igrejas, de privar a humanidade de dar a Deus o que é de direito de Deus, o louvor”, disse. “Eu acho que nós estamos muito fracos, nós bispos, sacerdotes, curvando diante desses governadores e prefeitos. Nunca antes na história nós tivemos isso. E nós nos curvamos sem questionar”, lamentou. Além disso, o Prelado observou que outras instituições, como bancos, continuam abertas, bem como a circulação de meios de transporte, como “os aviões estão cheios de pessoas”, ou mesmo no período eleitoral, que “os comícios aglomeraram tanto”. “Agora, querem fechar as igrejas”, pontuou. “Não é aqui que o vírus está, o vírus não está no altar, na hóstia consagrada. E nós, cristãos, não somos filhos do medo, nós somos filhos da coragem. E se nós tivermos que morrer com a peste? Vamos morrer na fé?”, questionou. Em seguida, Dom Adair lamentou que nem mesmo os doentes podem receber a assistência da Igreja . “Agora, o sacerdote não pode dar unção. Um padre nosso morreu com essa peste sem a unção dos enfermos, porque não pudemos dar a unção dos enfermos. É lamentável os direitos de Deus serem cerceados”. Por fim, ressaltou que “nós não podemos nunca nos curvar diante dos homens. Nós somos chamados, como a Santíssima Virgem, a nos curvar diante de Cristo”. Dom Adair não é o primeiro bispo brasileiro a alertar sobre as medidas que restringem a participação dos fiéis na Missa . Em dezembro do ano passado, o Bispo de Frederico Westphalen, Dom Antônio Carlos Rossi Keller , criticou medidas do governo do Rio Grande do Sul que restringiam a capacidade das igrejas a 10% ou 30 pessoas, além de proibir “distribuição de alimentos e bebidas”. Conforme indicou o Prelado, essa medida poderia “significar a arbitrariedade de se impedir a distribuição da Sagrada Eucaristia ”. “As autoridades sanitárias pretendem culpar a Igreja pela situação em relação ao aumento de casos do Covid-19 no Estado”, afirmou na ocasião. O Arcebispo de Juiz de Fora (MG), Dom Gil Antônio Moreira, também expressou sua perplexidade diante das medidas estabelecidas pela prefeitura local em dezembro devido à pandemia. Na época, o Prelado disse que era “incompreensível por que praças comerciais de alimentos podem funcionar com 50% de sua capacidade de fregueses, sem restrição de horários, e as igrejas, que são lugares muito mais seguros, que cuidam com muito mais rigor do distanciamento, uso de máscara, higienização das mãos repetidas vezes numa única celebração, tapetes químicos e medição de temperatura, devem funcionar apenas com 20% do espaço e restringir suas celebrações em apenas 45 minutos”. Texto ACI DIGITAL

  • Bispo de Formosa denuncia a submissão da Igreja às autoridades e a Nova Ordem Mundial

    Em um vídeo que se tornou viral no Brasil, o Bispo de Formosa (GO), Dom Adair José Guimarães, lamentou que, frente às medidas adotadas por causa da pandemia de Covid-19, “ bispos , sacerdotes” estejam se “curvando diante” das autoridades civis que, com medidas arbitrárias vêm contrariando o direito de culto e a liberdade religiosa dos fiéis brasileiros. O trecho da homilia do Prelado viralizou após ser compartilhado no Facebook no sábado, 23 de janeiro, por Prof. Felipe Aquino, intelectual católico, escritor e apresentador. Ao comentar sobre a atual situação gerada pela pandemia de coronavírus, Dom Adair assinalou que “estamos sendo manipulados com tantas incertezas, com tantas besteiras que vão se fazendo em relação a esta peste, desde o fechamento das Igrejas, que foi um absurdo que clamará a Deus”. Entre as medidas adotadas com a finalidade de se manter o distanciamento social para prevenir a propagação do vírus esteve o fechamento das igrejas em diversos lugares, com a suspensão das Missas com a presença dos fiéis. Frente a estas ações, o Bispo de Formosa afirmou que, embora as autoridades busquem promover tais medidas, “o povo não vai abdicar de sua liberdade, de sua fé”. “Nós não podemos aceitar que nenhuma autoridade venha com essa lorota de fechar os nossos templos, de fechar as nossas igrejas, de privar a humanidade de dar a Deus o que é de direito de Deus, o louvor”, disse. “Eu acho que nós estamos muito fracos, nós bispos, sacerdotes, curvando diante desses governadores e prefeitos. Nunca antes na história nós tivemos isso. E nós nos curvamos sem questionar”, lamentou. Além disso, o Prelado observou que outras instituições, como bancos, continuam abertas, bem como a circulação de meios de transporte, como “os aviões estão cheios de pessoas”, ou mesmo no período eleitoral, que “os comícios aglomeraram tanto”. “Agora, querem fechar as igrejas”, pontuou. “Não é aqui que o vírus está, o vírus não está no altar, na hóstia consagrada. E nós, cristãos, não somos filhos do medo, nós somos filhos da coragem. E se nós tivermos que morrer com a peste? Vamos morrer na fé?”, questionou. Em seguida, Dom Adair lamentou que nem mesmo os doentes podem receber a assistência da Igreja . “Agora, o sacerdote não pode dar unção. Um padre nosso morreu com essa peste sem a unção dos enfermos, porque não pudemos dar a unção dos enfermos. É lamentável os direitos de Deus serem cerceados”. Por fim, ressaltou que “nós não podemos nunca nos curvar diante dos homens. Nós somos chamados, como a Santíssima Virgem, a nos curvar diante de Cristo”. Dom Adair não é o primeiro bispo brasileiro a alertar sobre as medidas que restringem a participação dos fiéis na Missa . Em dezembro do ano passado, o Bispo de Frederico Westphalen, Dom Antônio Carlos Rossi Keller , criticou medidas do governo do Rio Grande do Sul que restringiam a capacidade das igrejas a 10% ou 30 pessoas, além de proibir “distribuição de alimentos e bebidas”. Conforme indicou o Prelado, essa medida poderia “significar a arbitrariedade de se impedir a distribuição da Sagrada Eucaristia ”. “As autoridades sanitárias pretendem culpar a Igreja pela situação em relação ao aumento de casos do Covid-19 no Estado”, afirmou na ocasião. O Arcebispo de Juiz de Fora (MG), Dom Gil Antônio Moreira, também expressou sua perplexidade diante das medidas estabelecidas pela prefeitura local em dezembro devido à pandemia. Na época, o Prelado disse que era “incompreensível por que praças comerciais de alimentos podem funcionar com 50% de sua capacidade de fregueses, sem restrição de horários, e as igrejas, que são lugares muito mais seguros, que cuidam com muito mais rigor do distanciamento, uso de máscara, higienização das mãos repetidas vezes numa única celebração, tapetes químicos e medição de temperatura, devem funcionar apenas com 20% do espaço e restringir suas celebrações em apenas 45 minutos”. Texto ACI DIGITAL

  • Padre Robson é declarado inocente pela Justiça

    Na quarta-feira, dia 20, a Rede Vida informou com exclusividade sobre a decisão da justiça que  declarou  Padre Robson de Oliveira inocentado de acusações  como  lavagem de dinheiro. O sacerdote é  propagador da devoção do Divino Pai Eterno no Brasil. A notícia foi dada pelo Jornal da Vida, que aqui reproduzimos texto e imagens da reportagem. O desembargador Walter Carlos Leme, presidente do Tribunal de Justiça de Goiás decidiu não considerar o pedido do Ministério Público de Goiás para continuar investigando Padre Robson de Oliveira e a Associação Filhos do Pai Eterno (AFIPE). Em consequência dessa decisão, o processo deve ser arquivado definitivamente diante do julgamento. Em outubro de 2020, o Tribunal de Justiça de Goiás havia inocentado Padre Robson em julgamento que durou cerca de quarenta minutos. O desembargador Nicomedes Domingo proferiu a sentença, sendo acompanhado por todos os membros da primeira câmara criminal. Assim, a ação por parte do Ministério Público foi arquivada. Assunto encerrado, segundo o advogado, “Padre Robson é inocente”. Doutor Pedro Paulo de Medeiros, advogado do religioso, acredita que o assunto deve ser encerrado definitivamente. Deste modo Padre Robson poderá voltar à sua vida normal e atividades pastorais. “Aceitamos essa decisão com tranquilidade, até porque nós já esperávamos que ela acontecesse. Esta sentença define que não há qualquer irregularidade a ser investigada, que Padre Robson é inocente“, destaca. O advogado ainda explica que a decisão “transitou em julgado”. “O que significa em português claro, o arquivamento definitivo das acusações com o reconhecimento de que Padre Robson é inocente“. Pedro Paulo foi enfático sobre a condição do sacerdote perante a sociedade. “Padre Robson é inocente, o próprio Ministério público pediu desistência do recurso que havia interposto contra o arquivamento das acusações”, comenta. Quanto à situação eclesial do sacerdote, fica por conta da Igreja, sua Congregação, a dos Redentoristas, e a Associação Filhos do Pai Eterno. Opinião do Blog Quando se soube da  denúncia contra o Padre houve uma inundação midiática de notícias nos vários meios de comunicação sobre o caso, inclusive com reportagens a nível nacional. A mesma fibra em divulgar a denúncia não se verificou quando a justiça que investigou Padre Robson o declarou inocente. Fonte: https://blogs.opovo.com.br/ancoradouro/2021/01/25/padre-robson-e-inocentado-pela-justica/ Acompanhe a reportagem na íntegra sobre a decisão que inocentou Padre Robson de Oliveira

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