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- 1066-1075 | INTRODUÇÃO
SEGUNDA PARTE A CELEBRAÇÃO DO MISTÉRIO CRISTÃO INTRODUÇÃO PORQUÊ A LITURGIA? 1066. No Símbolo da Fé, a Igreja confessa o mistério da Santíssima Trindade e o seu «desígnio admirável» (Ef 1, 9) sobre toda a criação: o Pai realiza o «mistério da sua vontade», dando o seu Filho muito amado e o seu Espírito Santo para a salvação do mundo e para a glória do seu nome. Tal é o mistério de Cristo (1), revelado e realizado na história segundo um plano, uma «disposição» sabiamente ordenada, a que São Paulo chama «a economia do mistério» (Ef 3, 9) e a que a tradição patrística chamará «a economia do Verbo encarnado» ou «economia da salvação». 1067. «Esta obra da redenção humana e da glorificação perfeita de Deus, cujo prelúdio foram as magníficas obras divinas operadas no povo do Antigo Testamento, realizou-a Cristo Senhor, principalmente pelo mistério pascal da sua bem-aventurada paixão, Ressurreição dos mortos e gloriosa ascensão, em que, “morrendo, destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida”. Efectivamente, foi do lado de Cristo adormecido na cruz que nasceu “o sacramento admirável de toda a Igreja”» (2). É por isso que, na liturgia, a Igreja celebra principalmente o mistério pascal, pelo qual Cristo realizou a obra da nossa salvação. 1068. É este mistério de Cristo que a Igreja proclama e celebra na sua liturgia, para que os fiéis dele vivam e dele dêem testemunho no mundo. «A liturgia, com efeito, pela qual, sobretudo no sacrifício eucarístico, “se actua a obra da nossa redenção”, contribui em sumo grau para que os fiéis exprimam na vida e manifestem aos outros o mistério de Cristo e a autêntica natureza da, verdadeira Igreja» (3). QUAL O SIGNIFICADO DA PALAVRA LITURGIA? 1069. Originariamente, a palavra «liturgia» significa «obra pública», «serviço por parte dele em favor do povo». Na tradição cristã, quer dizer que o povo de Deus toma parte na «obra de Deus» (4). Pela liturgia, Cristo, nosso Redentor e Sumo-Sacerdote, continua na sua Igreja, com ela e por ela, a obra da nossa redenção. 1070. No Novo Testamento, a palavra «liturgia» é empregada para designar, não somente a celebração do culto divino mas também o anúncio do Evangelho (6) e a caridade em acto (7). Em todas estas situações, trata-se do serviço de Deus e dos homens. Na celebração litúrgica, a Igreja é serva, à imagem do seu Senhor, o único « Liturgo» (8), participando no seu sacerdócio (culto) profético (anúncio) e real (serviço da caridade): «Com razão se considera a liturgia como o exercício da função sacerdotal de Jesus Cristo. Nela, mediante sinais sensíveis e no modo próprio de cada qual, significa-se e realiza-se a santificação dos homens e é exercido o culto público integral pelo corpo Místico de Jesus Cristo, isto é, pela cabeça e pelos membros. Portanto, qualquer celebração litúrgica, enquanto obra de Cristo Sacerdote e do seu corpo que é a Igreja, é acção sagrada por excelência e nenhuma outra acção da Igreja a iguala em eficácia com o mesmo título e no mesmo grau» (9). A LITURGIA COMO FONTE DE VIDA 1071. Obra de Cristo, a Liturgia é também uma acção da sua Igreja. Ela realiza e manifesta a Igreja como sinal visível da comunhão de Deus e dos homens por Cristo; empenha os fiéis na vida nova da comunidade, e implica uma participação «consciente, activa e frutuosa» de todos (10). 1072. «A liturgia não esgota toda a acção da Igreja» (11). Deve ser precedida pela evangelização, pela fé e pela conversão, e só então pode produzir os seus frutos na vida dos fiéis: a vida nova segundo o Espírito, o empenhamento na missão da Igreja e o serviço da sua unidade. ORAÇÃO E LITURGIA 1073. A liturgia é também participação na oração de Cristo, dirigida ao Pai no Espírito Santo. Nela, toda a oração cristã encontra a sua fonte e o seu termo. Pela liturgia, o homem interior lança raízes e alicerça-se no «grande amor com que o Pai nos amou» (Ef 2, 4), em seu Filho bem-amado. É a mesma «maravilha de Deus» que é vivida e interiorizada por toda a oração, «em todo o tempo, no Espírito» (Ef 6, 18). CATEQUESE E LITURGIA 1074. «A liturgia é simultaneamente o cume para o qual se encaminha a acção da Igreja e a fonte de onde dimana toda a sua força» (13). É, portanto, o lugar privilegiado da catequese do Povo de Deus. «A catequese está intrinsecamente ligada a toda a acção litúrgica e sacramental, pois é nos sacramentos, sobretudo na Eucaristia, que Jesus Cristo age em plenitude, em ordem à transformação dos homens» (14). 1075. A catequese litúrgica visa introduzir no mistério de Cristo (ela é «mistagogia»), partindo do visível para o invisível, do significante para o significado, dos «sacramentos» para os «mistérios». Tal catequese compete aos catecismos locais e regionais; o presente catecismo, que deseja colocar-se ao serviço de toda a Igreja na diversidade dos seus ritos e das suas culturas (15) apresentará o que é fundamental e comum a toda a Igreja a respeito da liturgia, enquanto mistério e enquanto celebração (Primeira Secção), e depois, dos sete sacramentos e sacramentais (Segunda Secção). 1. Cf. Ef 3, 4. 2. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 5: AAS 56 (1964) 99. 3. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 2: AAS 56 (1964) 97-98. 4. Cf. Jo 17, 4 5. Cf. Act 13, 2: Lc 1, 23. 6. Cf. Rm 15, 16; Fl 2, 14-17.30. 7. Cf. Rm 15, 27; 2 Cor 9, 12; Fl 2, 25. 8. Cf. Heb 8, 2.6. 9. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 7: AAS 56 (1964) 101. 10. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 11: AAS 56 (1964) 103. 11. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 9: AAS 56 (1964) 101. 12. Cf. Ef 3, 16-17. 13. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 10: AAS 56 (1964) 102. 14. João Paulo II, Ex. Ap. Catechesi tradendae, 23: AAS 71 (1979) 1296. 15. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 3-4: AAS 56 (1964) 98. #catecismo #catecismodaigrejacatólica
- Mt 23, 27-32
Jesus repreende os doutores da Lei e os fariseus porque por fora parecem justos para as pessoas, mas por dentro estão cheios de hipocrisias e injustiças. Ele valoriza a sinceridade e a pureza de coração. As aparências enganam. Usa duas imagens para ilustrar essa realidade: a primeira é a figura do sepulcro belo por fora e cheio de podridão por dentro; a segunda faz referência aos túmulos que as lideranças religiosas edificaram aos profetas. Eles prestavam homenagens como pessoas beneméritas, no entanto, eles próprios os haviam eliminado. O discípulo do Reino segue na direção contrária. Em tudo, procura ser verdadeiro e digno de fé. Recusa-se aparentar o que não é, evitando o risco de induzir ao erro seus semelhantes. Jesus foi transparente em todas a s suas ações. Suas palavras eram dignas de fé. Entretanto os adversários serviam-se disso para acusá-lo, e estavam se organizando para matar o maior dos profetas, o Messias e na sequência os discípulos dele. Mas isso não afastará Jesus do caminho que deveria trilhar. Rezemos: Senhor, que em minhas ações eu me esforce para ser sincero, justo, misericordioso, transparente em meus pensamentos e atitudes. #mateus232732
- A UNÇÃO – Scott Hahn medita sobre a Solenidade do Batismo do Senhor
A liturgia da semana passada revelou o mistério do plano de Deus: em Jesus todos os povos, simbolizados pelos magos, foram feitos “co-herdeiros” das bênçãos prometidas a Israel. Nesta semana, soubemos como reivindicar nossa herança. Jesus não se submete ao batismo de João como um pecador que necessita de purificação. Humilha-se a Si mesmo, ao passar pelas águas do Jordão, a fim de liderar um novo “êxodo”: abrir a terra prometida do céu, para que todos os povos possam ouvir as palavras pronunciadas sobre Jesus no Evangelho de hoje, palavras antes reservadas a Israel e seu rei: que cada um de nós é um filho ou uma filha amada de Deus (ver Gênesis 22:2; Êxodo 4:22; Salmos 2:7). Jesus é o servo eleito profetizado, por Isaías, na primeira leitura de hoje, ungido com o Espírito para agir com retidão e justiça na terra. Deus fez descer Seu Espírito sobre Jesus para torná-lo o centro de “uma aliança do povo”, o libertador dos cativos, a luz das nações. Jesus, como nos diz a segunda leitura deste domingo, é Aquele longamente esperado por Israel, “ungido (…) com o Espírito Santo e com poder.” A palavra Messias significa “ungido” com o Espírito de Deus. O rei Davi foi “o ungido do Deus de Jacó” (ver 2 Samuel 23:1-17; Salmo 18:51; 132:10, 17). Os profetas ensinaram a Israel que aguardasse um rebento real que brotaria de Davi, e sobre quem o Espírito repousaria (ver Isaías 11:1-2; Daniel 9:25). É por isso que pessoas de interior da Judéia, e todos os habitantes de Jerusalém, iam atrás de João. Mas não era por João que eles procuravam. Deus confirma, com Sua própria voz, o que o Anjo já tinha dito anteriormente a Maria: Jesus é o Filho do Altíssimo, vindo para reivindicar o trono de Davi para sempre (ver Lucas 1:32-33). No Batismo que Ele traz, a voz de Deus pairará sobre as águas como uma chama de fogo, conforme cantamos no Salmo de hoje. Ele santificou as águas, fez delas uma passagem, um caminho para a cura e a libertação, fonte de um novo nascimento e de vida eterna. https://stpaulcenter.com/audio/sunday-bible-reflections/the-anointing-scott-hahn-reflects-on-the-feast-of-the-baptism-of-the-lord/
- Um olhar para 2021 à luz da mensagem de Fátima e da razão
O que realmente aconteceu em 2020, o ano dramático que acaba de terminar? E o que nos espera em 2021? Quais são os horizontes que enquadram os tempos em que vivemos? Por Roberto de Mattei O panorama que temos à nossa frente é nebuloso, difícil de examinar, mas tentarei fazê-lo do alto dos grandes princípios, das grandes certezas cuja luz julga a história do mundo. Entre estas certezas, há uma que mais nos ajuda a orientar-nos no presente e no futuro: a mensagem que Nossa Senhora transmitiu em Fátima em 1917. Bem sabemos que a Revelação divina terminou com a morte do último dos Apóstolos e nada mais pode ser acrescentado. A mensagem de Fátima não pertence ao patrimônio da fé revelada. No entanto, também é verdade que entre as revelações privadas, algumas têm a ver com o aperfeiçoamento espiritual das almas individuais, enquanto outras têm um âmbito social porque se dirigem a toda a humanidade. Pois bem, a mensagem de Fátima foi uma revelação privada que se dirigiu não só ao bem espiritual dos três pastorinhos que a receberam, mas a toda a humanidade. E de todas as revelações privadas dos últimos cem anos, nenhuma foi tão reconhecida pela Igreja como a de Fátima. Ao longo de cem anos, nada menos que sete papas, de Pio XI a Francisco, reconheceram e homenagearam a Virgem de Fátima, embora nenhum deles tenha cumprido totalmente o que ela pediu. Por outro lado, em 2000 a Igreja revelou oficialmente o chamado Terceiro Segredo de Fátima, a última parte da mensagem revelada aos três pastorinhos. É uma profecia ainda não cumprida que devemos ter sempre em mente 1 . O horizonte que delineia a mensagem de Fátima é trágico. A primeira tragédia que Nossa Senhora apresenta aos pastorinhos é a terrível visão do Inferno em que caem as almas dos pecadores impenitentes. A segunda tragédia está nas palavras da própria Virgem, segundo as quais “Deus se prepara para punir o mundo por seus crimes com a guerra, a fome e a perseguição à Igreja e ao Santo Padre”. Se o mundo não se converter, disse ele, “a Rússia espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições contra a Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá que sofrer muito e várias nações serão aniquiladas. A terceira parte da tragédia mostra o Papa e com ele “outros bispos, padres, religiosos, subindo uma montanha íngreme no topo da qual havia uma grande cruz feita de vigas ásperas como se fossem sobreiro com casca; Antes de chegar lá, o Santo Padre atravessou uma grande cidade meio em ruínas e meio trêmula com um passo hesitante, pesado de dor e pesar, rezando pelas almas dos cadáveres que encontrou no caminho; Chegando ao topo da montanha, prostrado de joelhos ao pé da grande cruz, foi morto por um grupo de soldados que disparou vários tiros com suas armas e flechas; e da mesma forma os bispos, padres, religiosos e vários leigos, homens e mulheres de várias classes e posições, morreram um após o outro. No entanto, uma breve frase da Virgem ilumina este trágico panorama com raios de imensa esperança: «Finalmente triunfará o meu Imaculado Coração. O Santo Padre me consagrará a Rússia, que se converterá, e algum tempo de paz será concedido ao mundo. O triunfo do Imaculado Coração de Maria é anunciado como algo certo e não sujeito a condições. Em qualquer caso, isso vai acontecer. Pelo contrário, o castigo que precederá o triunfo está sujeito a condições: só acontecerá se a humanidade não se converter. Este caráter condicional nos impede de falar com plena certeza do castigo, mas a crescente apostasia da humanidade nos últimos anos indica a irreversibilidade prática do processo histórico que leva primeiro a um castigo severo e depois ao triunfo do Coração Imaculado de Maria. As regras da razão A mensagem de Fátima reivindica a nossa fé, mas a fé é fundada na razão, e a razão tem algumas regras fundamentais que devemos cumprir. O Padre Réginald Garrigou-Lagrange ensina que a regra da sabedoria consiste em explicar “o inferior por meio do superior”, “segundo a subordinação das causas que nos conduz à Causa primeira e ao fim último do universo: a Deus, o Ser primeiro, Inteligência primeiro e o mais alto Bem ». Por outro lado, no processo cognitivo, a certeza –que exclui a dúvida– não deve ser confundida com a opinião, que admite a possibilidade do erro, ou com a hipótese, que precisa ser demonstrada para se tornar uma tese verdadeira. O raciocínio necessário para transformar uma hipótese em certeza é chamado de prova. Toda prova é baseada no princípio da não contradição, que é o fundamento da lógica. O verdadeiro raciocínio, baseado na lógica, se opõe ao sofisma ou ao paralogismo, que é um raciocínio falso baseado em erros lógicos e, em última instância, na violação do princípio da não contradição. Agora, não é possível manter a lógica sem a ajuda da Graça, que ilumina a inteligência do homem e fortalece sua vontade. A vida espiritual colabora com a atividade racional do homem. O mau uso da razão coloca a imaginação em primeiro lugar, que é uma forma de conhecimento que não segue estágios lógicos, mas muitas vezes é determinada por um estado de espírito. A razão é substituída pela fantasia e a demonstração pela narração. Para explicar o significado do termo phantasia, Aristóteles explica que ele é derivado da luz (pháos). Assim como os estímulos luminosos geram sensações visuais, a mente produz internamente fantasmas (phantasmata) ou imagens que não correspondem à realidade. Cada imagem que impressiona a mente deve, portanto, ser verificada à luz da razão, que é a faculdade mais elevada da alma. Certezas e opiniões Tudo começou em janeiro de 2020 com a notícia de uma epidemia que teve seu epicentro na China, na cidade de Wuhan. A globalização não só facilitou a disseminação do vírus, mas também a disseminação em tempo real de notícias relacionadas a ele, gerando uma atenção hipertrofiada a ele. Em 11 de março, a Organização Mundial da Saúde, depois de inicialmente minimizar o assunto, classificou-a como uma pandemia causada por um coronavírus, que posteriormente batizou de Covid-19. Nenhum de nós sabe com certeza até que ponto os dados estatísticos relatados pela própria OMS e pelos vários governos do mundo são confiáveis, por defeito ou por excesso; Ninguém sabe ao certo até que ponto as medidas tomadas para conter a pandemia, como máscaras e confinamentos, são eficazes; Ninguém está em condições de se pronunciar exatamente sobre a eficácia das vacinas solenemente anunciadas ao mundo no dia 27 de dezembro. Nenhum de nós pode comentar qualquer um desses pontos ou formular hipóteses, e não há ninguém que possa extrair certeza dessas hipóteses. Sem dúvida, existem alguns fatos óbvios a serem considerados. As primeiras, de cunho econômico e social, manifestaram-se ao longo de 2020 com a falência de inúmeras pequenas empresas, graves perdas econômicas para a classe média, desemprego e pobreza, enquanto os estados não conseguem fazer frente à crise econômica com dinheiro público. Ainda mais graves parecem as consequências psicológicas da pandemia, provocadas em primeiro lugar pelo estado de alarme e medo que se desencadeou no mundo. O medo do vírus tem causado angústia, depressão e até mesmo um grande número de suicídios em uma sociedade que cresceu com o repúdio à morte e o culto à saúde e ao bem-estar. O Ocidente, que não tem experiência de guerra há setenta anos,4 . Mais grave ainda do que o medo, dir-se-á que é a falta de confiança nos outros, neste caso pelo insuportável das medidas restritivas impostas pelas autoridades, em muitos casos confusas e desarrazoadas. Em alguns países, essas medidas abalaram os fundamentos da tradição jurídica no que diz respeito à relação entre a emergência e o exercício das liberdades individuais, incluindo a liberdade religiosa em maio . A classe política, por sua vez, se colocou nas mãos da empresa de saúde para combater a pandemia, mas a divisão entre os cientistas não demorou muito. Atrás deles, há uma disputa sombria entre as grandes empresas farmacêuticas, que obviamente se beneficiam da existência de uma dependência de drogas entre a população 6 . Aos interesses econômicos dessas empresas se somam os de capital financeiro, pois as farmacêuticas precisam de dinheiro para pesquisar e comercializar seus produtos. A produção de vacinas desencadeia a competição entre os governos nacionais dispostos a combatê-la a todo custo 7 . Como resultado de tudo isso, a confiança dos cidadãos em seus governos, na classe política e na mídia, mas também na ciência e na instituição médica, caiu. A desconfiança estende-se às pessoas que nos são próximas, que até ontem nos eram queridas e de noite para manhã não as valorizamos mais porque não pensam como nós. Se atribuirmos a essas coisas um caráter de causa da pandemia, cairemos no erro de confundir causa e efeito, que é um dos paralogismos que Aristóteles critica em suas Refutações Sofísticas 8 . Por exemplo, a existência de uma ditadura da saúde ou de uma crise econômica após a pandemia não constitui prova de que a pandemia foi desencadeada ou está sendo gerenciada para provocar uma ditadura da saúde ou uma crise econômica. É um vírus natural ou produzido em laboratório? Junto com a diversidade de opiniões sobre as medidas políticas e sanitárias adotadas para enfrentar a pandemia, uma infinidade de hipóteses surgiram sobre a origem e a natureza do vírus, que permanecem envoltas em mistério. Para a maioria dos cientistas, é um vírus de origem animal devido, segundo as teorias evolutivas, a um salto entre as espécies, do morcego ao homem. Em seu ensaio Spillover. L’evoluzione delle pandemie 9 , publicado em 2012, o divulgador científico americano David Quammen previu a possibilidade de uma perigosa pandemia causada por um coronavírus com base nos dados coletados em seus estudos. Existe, no entanto, uma segunda hipótese que até agora ninguém conseguiu excluir: a possibilidade da origem artificial da pandemia. Em Wuhan, há de fato um laboratório nacional de biossegurança, no qual são realizadas pesquisas tanto no campo civil quanto no militar sobre vírus potencialmente patogênicos para o homem. O coronavírus pode ter saído acidentalmente do referido laboratório, por acaso, ou pode ser o instrumento de um ato deliberado de guerra biológica. A hipótese de vazamento de vírus nas instalações de Wuhan foi proposta na Itália desde 25 de janeiro do ano passado pelo jornalista Paolo Liguori 10 , e nos Estados Unidos, no mês de fevereiro seguinte, por Steven Mosher, Presidente do Population Research Institute 11 . Por sua vez, o Prêmio Nobel de Medicina Luc Montagnier, em entrevista concedida em 17 de abril 12 , afirmou a tese da origem artificial do vírus, enquanto em 3 de maio, em entrevista ao ABC News, o secretário de O estado americano Mike Pompeo afirmou: «Uma quantidade considerável de evidências aponta para o laboratório de Wuhan como a fonte do Sars-Cov2 13». Quem se aprofundou nessa hipótese é o pesquisador italiano Joseph Tritto, em um estudo documentado intitulado Cina Covid-19. A quimera que mudou il mondo 14 . Junto com a hipótese de fuga involuntária do laboratório de Wuhan, há outra segundo a qual o vírus seria obra do terrorismo biológico chinês. Li-Men-Yang, pesquisadora da Universidade de Hong Kong que fugiu para os Estados Unidos em abril, afirmou com base em seus estudos que o covid-19 não se originou na natureza, mas é uma arma biológica criada com o propósito de matar . O oficial indiano Sharad S. Chauhan é autor de um livro intitulado COVID-19 – Opportunistic Bioterrorism? Um vírus da China definido como Change World History 16 , no qual ele afirma que o vírus foi lançado pela China para transformar o mundo em seu próprio benefício. A este respeito, recorde-se que em 1999 foi publicado um livro de dois coronéis chineses, Qiao Liang e Wang Xiangsui, intitulado Guerra Irrestrita , no qual os autores defendem que, para se defender, a China não deve hesitar em usar todos os meios à sua disposição, armas biológicas incluídas. E, sem dúvida, o laboratório Wuhan é um meio importante de produzir essas armas. O conceito de guerra irrestrita evoca o de guerra assimétrica, um conflito em que uma das partes é forçada a se defender contra um inimigo não identificável usando armas não convencionais. O uso de biotecnologias, ciência da computação e inteligência artificial faz parte da estratégia chinesa e é um exemplo típico de guerra assimétrica. Um tratado internacional, a Convenção de Armas Biológicas, assinada em 12 de abril de 1972 e em vigor desde 26 de março de 1975, proíbe a experimentação e produção de armas biológicas. Todos os países da União Europeia, Estados Unidos, Austrália e Japão ratificaram, mas a China não. A União Soviética aderiu ao tratado, mas isso não a impediu de lançar o Biopreparat, programa de pesquisa militar no campo biológico e bacteriológico, na década de 1970. A estrutura foi oficialmente desmontada no início da década de 1990, mas parece que a Rússia herdou a maioria das armas biológicas preparadas durante a Guerra Fria. A guerra biológica é um setor estratégico que apresenta inúmeras vantagens: é uma forma de guerra que tem um efeito nocivo ou fatal sobre os bens e as pessoas, cuja verdadeira origem não é fácil de identificar e que, portanto, pode ser realizada com dissimulação. Além disso, pela sua natureza oculta, é uma forma de guerra que não só atinge alvos físicos como desmoraliza a população, que não atribui a responsabilidade pelo dano à verdadeira causa da crise, mas sim a quem o tenta gerir a partir da crise. próprio país. Durante a Guerra Fria, a paz mundial foi garantida pelo equilíbrio do terror entre a Rússia e os EUA, pois ambas as potências estavam cientes de que o uso de armas nucleares provocaria uma resposta imediata que devastaria a superpotência adversária. A Rússia é uma potência em declínio e a China, uma emergente, mas a Rússia de ontem e a China de hoje têm em comum um sistema ideológico que Pio XI descreveu como mentiroso e inerentemente perverso em sua encíclica Divini Redemptoris de 19 de março de 1937 17. Nossa Senhora anunciou em Fátima que a Rússia espalharia os seus erros pelo mundo. Esses são erros comunistas, destinados a se espalhar além das fronteiras da Rússia também, e especialmente após a auto-dissolução da URSS em 1991. Como outros países, a China realiza pesquisas biológicas tanto civis quanto militares. É provável que o coronavírus tenha saído do laboratório de Wuhan, seja o produto de uma manobra de guerra biológica ou tenha surgido involuntariamente no decorrer de uma guerra ou programa de pesquisa de saúde. Mas a probabilidade não transforma uma hipótese em certeza até que uma evidência confiável seja fornecida. Por enquanto, a única certeza absoluta é que os transtornos causados pela pandemia estão comprometendo o processo de globalização dos últimos trinta anos, que se baseia justamente no papel desempenhado pela China, que colocou sua força de trabalho à disposição do Ocidente , enquanto o Ocidente ampliou seu mercado para bens de consumo fabricados no país asiático 18 . De acordo com as últimas análises, a China ultrapassará os Estados Unidos e se tornará a principal potência mundial em 2028, ou seja, cinco anos antes do planejado. A aceleração ocorreu em decorrência da pandemia, mas seria forçar a lógica 19 a basear as acusações contra aquele país no princípio do post hoc ergo propter hoc. Se atribuirmos tudo o que aconteceu em 2020 aos desígnios da Providência Divina, não estaremos errados. Conspirações verdadeiras e falsas Segundo outra hipótese, difundida principalmente na internet, uma oligarquia financeira ocidental seria a causa da pandemia e administraria sua disseminação com o objetivo de submeter a humanidade a um único governo mundial. Nesse caso, o coronavírus não teria se originado em laboratórios chineses, mas ocidentais. A tese do ataque bacteriológico foi originalmente proposta pelo governo chinês, que por meio de seu porta-voz no Ministério das Relações Exteriores acusou os Estados Unidos de trazer o patógeno para a China por ocasião dos Jogos Mundiais Militares realizados em Wuhan entre 18 e em 27 de outubro de 2019 20 . Na Itália, o intelectual neomarxista Diego Fusaro, que exerce notável influência nos meios conservadores desde 26 de fevereiro passado, acusando o Ocidente na RadioRadio, afirma que a hipótese que apresenta maior nível de coerência é aquela que de alguma forma revela a longa mão de EUA Para Fusaro, a ideologia globalista seria a superestrutura ideológica da estrutura capitalista que se tornou um mercado mundial único sem fronteiras e cujo objetivo é um novo modelo antropológico: o indivíduo sem identidade, produto das estratégias do tratamento. Esse projeto totalitário e liberticida coincidiria para alguns católicos com o regime do Anticristo. Essas hipóteses propagadas na blogosfera seduzem muitos, mas se expressam na forma de uma narrativa e não de um argumento. O que os torna falaciosos não é a teoria da conspiração que os embasa, mas a pretensão de fundamentar a teoria em argumentos de natureza puramente circunstancial, de outra forma incoerentes. Que, por exemplo, Bill Gates previu a pandemia e investiu em vacinas mostra sua visão e talento para os negócios, mas não mostra que ele criou e espalhou o vírus. Por outro lado, atribuir a pandemia aos obscuros interesses do supercapitalismo corresponde a afirmar a preponderância dos interesses econômicos nos acontecimentos mundiais, invertendo assim o princípio preconizado por pe. Garrigou-Lagrange segundo o qual o inferior é explicado pelo superior, e não vice-versa. Aqueles que apóiam essas teses usam o sofisma de recorrer a frases genéricas e peremptórias que não convencem os sábios, mas impressionam os incultos21 . O pensamento contra-revolucionário dos séculos 19 e 20 sempre afirmou a existência de uma trama histórica anticristã 22. O simples dinamismo das paixões e dos erros humanos não é suficiente para explicar o processo revolucionário que assaltou a Igreja e a civilização cristã por ela gerada durante séculos: «Para produzir um processo tão coerente, tão contínuo, como o da Revolução, Através das mil vicissitudes de séculos inteiros, cheios de acontecimentos imprevistos de todos os tipos, parece-nos impossível sem a ação de sucessivas gerações de conspiradores de extraordinária inteligência e poder. Pensar que sem isso a Revolução teria chegado ao estado em que se encontra, é o mesmo que admitir que centenas de cartas atiradas de uma janela poderiam ser dispostas espontaneamente no chão, de modo que formariam qualquer obra, por exemplo a Ode a Satanás por Carducci » 23 . Agora, identificar as forças que impulsionam a Revolução exige uma documentação precisa, um estudo aprofundado e, em última instância, um grande equilíbrio. Quando essas teorias não são bem fundamentadas, surge a suspeita de que são disseminadas pelos próprios agentes revolucionários para desqualificar qualquer crítica às forças secretas que promovem a Revolução. A melhor maneira de desacreditar a tese da conspiração anticristã é nem mais nem menos imaginar conspirações fantasiosas que beiram o absurdo. É semelhante ao que acontece com as revelações privadas. A melhor maneira de um demônio negar mensagens divinas autênticas é multiplicar as falsas revelações para desacreditar e ridicularizar as verdadeiras. Oportunidades Outro discurso muito diferente e totalmente razoável consiste em afirmar que as forças revolucionárias aproveitaram a pandemia como uma oportunidade. Este conceito de oportunidade evoca a teologia da história, segundo a qual Deus é a causa de todo o bem no universo e, quando permite o mal, o faz para extrair dele um bem maior. Deus sempre triunfa na história, e o diabo sempre perde. A estratégia diabólica, contrária à divina, consiste em buscar sempre fazer o mal e direcionar para o mal todo o bem que Deus criou no universo. Existe, então, uma oportunidade divina para a qual não há mal que não venha para o bem, e uma oportunidade diabólica que consiste em tirar os males do bem. Isso também se aplica ao coronavírus, que a Revolução tenta aproveitar como oportunidade para criar uma situação de incerteza. E essa é a tese substantiva de dois expoentes da cultura de esquerda contemporânea: o sociólogo esloveno Slavoj Žižeke e o filósofo francês Edgar Morin. Em seu livro Pandemic. Covid-19 sacode o mundo, Žižek afirma que para a revolução comunista, neste momento tudo é possível em qualquer direção, do melhor ao pior 24 , enquanto Morin afirma em seu novo livro, Vamos mudar o caminho. Lições da Pandemia 25 , de que a situação após o coronavírus pode ser apocalíptica e também promissora. Para ambos, o vírus foi algo que surgiu inesperadamente e que deve ser aproveitado como uma ocasião. É o que a Revolução está fazendo ao relançar, entre outras coisas, a teoria da Grande Restauração: partir do zero para que nasça um novo mundo utópico. O economista alemão Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, também conhecido como Fórum de Davos, falou no dia 3 de junho sobre a grande oportunidade de realizar uma Grande Reinicialização como resultado da pandemia. Mas o conceito de Big Reboot não nasceu com o coronavírus. Desde o ano passado, o Pacto Global pela Educação estava programado no Vaticano para 14 de maio de 2020, que se baseia na ideia de um grande reinício ecológico e global, embora não tenha ocorrido, e foi frustrado justamente por a pandemia. Qualquer que seja a origem do vírus, é verdade que as forças da Revolução estão tentando manipular a situação em seu benefício. É provável que existam diversas linhas dentro dela, já que o campo revolucionário está dividido. Claro, o objetivo final da Revolução não é criar uma nova ordem mundial, mas o caos organizado. O objetivo da Revolução é interromper a obra de Criação e Redenção para estabelecer o reino social do Diabo, um inferno na Terra que prefigura o da eternidade, assim como o Reino Social de Cristo, a civilização cristã, prefigura o reino dos Paraíso celestial. Nesse sentido, a Revolução tem sua essência na desordem, enquanto a civilização cristã é a ordem por excelência. A palavra pandemia, que vem do grego πάνδημος (pándēmos, “afetando todas as pessoas”) é afins a um pandemônio (“todos os demônios”), que vem do grego pan (todos) e daimonion (demônio). A palavra pandemônio foi cunhada pelo poeta inglês John Milton em sua obra Paradise Lost 27 para identificar o palácio construído por Satanás no Inferno. Pandemônio é sinônimo de caos, e o fio condutor da pandemia que estamos vivenciando parece ser um caos diabólico. Uma chance perdida Ao Grande Reinício proposto pelos revolucionários corresponderia a opor-se a outro na direção oposta, com base no retorno à ordem ao invés do estabelecimento da desordem. Infelizmente, os homens que governam a Igreja não aproveitaram a oportunidade que o coronavírus poderia ter proporcionado a eles. O que deveriam ter feito as autoridades eclesiásticas e o que deveriam fazer todos os católicos diante de uma pandemia como a que nos assola? Acima de tudo, a Igreja deve falar da morte, do pecado, do julgamento de Deus e, em última instância, da alternativa que a mensagem de Fátima nos apresenta entre a conversão e o castigo, individual e colectivo. Não é de surpreender que a sociedade contemporânea, incapaz de encontrar sentido na vida, acrescente à angústia da doença e da morte. O que causa espanto é o silêncio de quem teria todas as armas para lutar, quanto mais a morte, mas a angústia que a cerca. Devem lembrar que tanto a morte como todos os males do mundo têm sua origem no pecado, que o pecado público é mais grave que o individual e que Deus castiga os pecados sociais com flagelos como doenças, guerras, fomes e catástrofes. natural. Na realidade, não existe pecado original da sociedade, mas existe o pecado coletivo dos homens que a compõem. Deus pune ou recompensa os homens individuais na outra vida, mas ele pune ou recompensa as sociedades em seu horizonte terreno, porque, ao contrário dos homens, as sociedades não têm vida eterna. Se o mundo não se arrepender e, sobretudo, se os homens da Igreja se calarem, os castigos que foram aplicados com suavidade no início estão destinados a tornar-se cada vez mais severos até atingirem a aniquilação de nações inteiras, como a Virgem anunciou em Fátima. . Lo de Fátima não é uma história apocalíptica de origem humana, mas um anúncio divino reconhecido pela Igreja. As ultimas vezes Nos primeiros dias de 2021 o horizonte ainda está envolto em brumas de mistério, mas a seriedade da situação religiosa, política e social nos faz pensar que vivemos tempos recentes, dos quais falaram São Luís Maria Grignion de Monfort e outros. Santos. Não as últimas vezes que antecederão a vinda do Anticristo, mas aquelas que serão o prelúdio do triunfo do Coração Imaculado de Maria. A profecia de Fátima assegura-nos que não vivemos na época do Anticristo, porque a Rússia se converterá e o mundo terá um período de paz. Não sabemos quanto tempo durará esse período de paz, mas estamos certos de que a paz, que é a tranquilidade da ordem natural cristã, corresponde ao nosso futuro. São Pio X, que viveu a terrível crise do modernismo, temia que a mentalidade perversa de seu tempo fosse “o prólogo dos males que devemos esperar no fim dos tempos; ou mesmo pensar que o filho da perdição já vive neste mundo (2 Tes. 2,3) » 30 . Estas palavras foram pronunciadas em sua primeira encíclica, E supremi apostolatus cathedra, de 4 de outubro de 1903, quando a Virgem ainda não tinha aparecido em Fátima. Mas não podemos subestimar a promessa de Fátima, que não nos fala do Anticristo e do fim do mundo, mas do triunfo do seu Imaculado Coração e do renascimento da civilização cristã. Há uma diferença substancial entre a chegada do Anticristo e a do reinado do Coração Imaculado de Maria. O senhorio do Anticristo será a expressão suprema do mal na história. Naquele dia Satanás reinará no mundo e o império do mal se espalhará a tal ponto que não será possível se esconder para fugir da escolha radical entre estar com Jesus e estar contra Ele. O próprio Cristo, no auge da perseguição, vencerá o Anticristo e aparecerá triunfante em sua Parousia (Ap 6,11). O triunfo do Imaculado Coração de Maria é, ao contrário, a consequência de um processo histórico no final do qual várias nações serão destruídas, mas a Rússia e outros países se converterão à verdadeira Fé Católica, e essa conversão será verdadeiramente espetacular, porque a Rússia é um país que foi dominado pelo comunismo e ainda vive sob o engano da religião ortodoxa. A Virgem revelou à Irmã Lúcia que a Primeira e a Segunda Guerra Mundial faziam parte desse processo, que experimentaria novas convulsões antes de chegar ao fim. Há também uma diferença entre os castigos do Inferno, que a Virgem mostrou na primeira parte da mensagem de Fátima, e o castigo das nações de que falam a segunda e a terceira partes da mesma mensagem. O castigo das almas no momento da morte é imediato e durará por toda a eternidade. As nações, por outro lado, não têm caráter eterno, e seu castigo se dá na história como resultado de uma sucessão de acontecimentos que a Virgem aponta com precisão: guerras, fomes, perseguições contra a Igreja e contra o Papa … Alguns desses acontecimentos Eles podem obedecer às catástrofes naturais desejadas por Deus e realizadas pelos anjos, que são os executores de Seus planos na história, mas outras são desejadas pelos homens, que por suas próprias mãos causam a autodestruição. À medida que a Revolução se aproxima de seus objetivos finais, ela se autodestrói. Além disso, se é verdade que “quanto mais próximo da causa, mais seus efeitos são sentidos” 31 , isso também pode ser aplicado ao caso contrário. Se a Revolução está enraizada na vontade de destruir, o impulso inicial está fadado a se esgotar à medida que a destruição atinge as suas consequências finais, porque o mal – que é a privação do ser – não consegue extinguir o ser daquele que sua própria essência procede. O drama do mal é que ele não pode eliminar o último bem que sobreviveu. Seu dinamismo está destinado a quebrar contra o que resta de sólido na liquefação que produz. A última etapa do processo de autodissolução que hoje erode a rocha sobre a qual assenta a Igreja está, portanto, destinada a ver a morte da Revolução e a germinação de um princípio vital oposto: um itinerário de restauração da Fé e da moralidade, da verdade e da ordem social que lhe corresponde. E esse princípio é a contra-revolução católica. O tempo dos motins A Revolução tem origem e regra unitária, mas quando chega ao fim de sua jornada tende a se fragmentar desordenadamente. O fim é o caos, que é também o fim da Revolução. Segundo o princípio da heterogênese dos fins, toda revolução que ocorre na história acaba sendo transtornada, tendo um resultado diferente daquele desejado por seus criadores. E também o projeto da República Universal e da Nova Ordem Mundial está se transformando no caos em um nível planetário que temos em vista. Protestos e desentendimentos sociais se espalham enquanto atos de desobediência a todas as autoridades se multiplicam em uma perspectiva de desordem em escala mundial. Na noite de 14 de julho de 1789, o rei Luís XVI da França ouviu do duque La Rochefoucault-Liancourt que a Bastilha fora tomada. O monarca perguntou a ela: “É uma revolta?” “Não, Majestade”, respondeu o duque. é uma revolução ”, 32 . A diferença entre revolta e revolução expressa neste diálogo não é, no entanto, uma antítese. Cada revolução nasce de uma revolta nas tendências humanas. Mas a revolta se transforma em revolução quando se organiza e obedece a um programa e a um itinerário. Agora, quando a revolução perde sua capacidade de se planejar e governar, ela se desintegra e retrocede, por assim dizer, dissolvendo-se em uma variedade de revoltas que não têm nada em comum, exceto a intensidade emocional da destruição. Igor Safarevic documentou o espírito de morte e destruição que literalmente permeia a maioria das teorias e movimentos socialistas ao longo da história e constitui a motivação interna. “A morte da humanidade não é apenas o resultado previsível do triunfo do socialismo, mas o fim dele” 33 . Atualmente é tempo de motins 34 , porque a Revolução está em crise. Os desordeiros são os ambientalistas, os pacifistas, os anti-racistas, os ativistas LGTB, os Indignados, o movimento Black Lives Matter e os ativistas da Internet, que na incapacidade de seus projetos optaram pelo caminho da guerra permanente. No início do século 21, o filósofo marxista Toni Negri, em seu livro Império 35 , clamou por uma guerra mundial permanente não apenas contra os Estados nacionais, mas também contra as multinacionais, a ONU, o Banco Mundial e o Clube de Davos. Atualmente Diego Fusaro apela à revolta aos dissidentes de esquerda e direita. Os livros de Fusaro têm títulos significativos, como Still Marx ou Antonio Gramsci: a paixão de estar no mundo. Não há nada de errado com suas idéias. Seu último livro, Pensare altrimenti. Filosofia da dissidência, que é uma desculpa para a rebelião e a dissidência revolucionária. O que é dissidência? Fusaro explica: «Revolução é rebelião, deserção e protesto, revolta e motim, antagonismo e desacordo, insubordinação e sedição, greve e desobediência, resistência e sabotagem, insurreição e a guerrilha, a agitação e o boicote; todas essas são figuras multiformes de dissidência » 36 . Fusaro exalta os grandes rebeldes contra a ordem constituída que existiu: Prometeu, Spartacus, Lutero, os Anabatistas, Jordano Bruno, e assim por diante até Marx, Lenin, Martin Luther King, Che Guevara e o movimento Não Global 37 . A história da humanidade, afirma ele, começa com “a dissidência de Adão e Eva diante da ordem divina que os impede de comer da árvore do conhecimento: vocês serão como deuses”. “Essa dissidência original, paga por um preço tão alto, permite ao homem ser verdadeiramente homem, levantar-se com autonomia e liberdade para fazer sua própria fortuna, e superior a outras criaturas na medida em que só ele está em posição de determinar livremente com sua própria ação responsável” 38 . Segundo Fusaro, Adão e Eva, como Prometeu “não deixam de nos ensinar a importância da dissidência, e mais tarde também, de forma correlata, que uma condição de sofrimento e tortura é preferível (…) a uma servidão sem esforço e cansaço” 39 . São palavras terríveis. Fusaro evita lembrar que o primeiro grande rebelde, o incitador da rebelião de Adão e Eva, o pai de toda dissidência contra a ordem constituída, foi Lúcifer. Lúcifer escolheu e continua a escolher sofrer eternamente em vez de depender de seu Criador. O sofrimento e a morte são preferíveis à obediência: tal é a mensagem de Fusaro, um dos mais conhecidos expoentes da teoria da conspiração tecno-capitalista contra a qual incita a rebelião em nome da filosofia da práxis. A luz de Fátima na escuridão da noite Vivemos em tempos de caos, mas temos uma certeza: nada do que acontece é acidental ou fortuito; tudo depende da Providência Divina. Os desígnios de Deus são inexcrutáveis, mas são executados sem falha. Deus, por meio de causas secundárias, regula a cadeia de causas e efeitos em nossa vida e na história. Não sabemos se covid-19 é de origem natural ou artificial. O certo é que, como todas as desgraças que sobrevêm à humanidade, é um castigo, e a Virgem anunciou em Fátima castigos para uma humanidade impenitente. Negar que o coronavírus seja um castigo pelos pecados dos homens seria, além de rejeitar a mensagem de Fátima, uma profissão de ateísmo prático e, em última instância, blasfêmia. Que o mundo blasfema, como Voltaire blasfemava antes do terremoto de Lisboa de 1755 40 . Vejamos a Cova de Iria, onde em 1917 a Virgem confiou a três pastorinhos uma mensagem de tragédia e de esperança para a humanidade. À filosofia da rebelião, à filosofia da dissidência, à filosofia da Revolução, cujo primeiro inspirador é o Diabo, vamos opor uma filosofia de obediência à lei de Deus que é violada e ofendida em todo o mundo. E em nome dessa suprema obediência estamos dispostos a deixar de obedecer aos homens, inclusive aos da Igreja, se houver circunstâncias graves que nos imponham. Mas se isso acontecer, o faremos com dor, com respeito, renovando o nosso espírito de obediência a Deus e à sua lei, e renovando o nosso amor pela Igreja e pelo próximo: a cada irmão cuja vontade queremos cumprir segundo a ordem de prioridades dependências e hierarquias que governam o universo. Amemos a ordem e lutemos contra a desordem. Nossa luta contra a desordem é chamada de Contra-revolução, que é o movimento que restaura a ordem. A ordem que aspiramos restaurar em seus alicerces é a civilização cristã, a imagem e o reflexo terrestre do Paraíso. Em Fátima, a Virgem chamou a vitória do seu Imaculado Coração de vitória da Contra-revolução. Essa é a nossa meta para 2021, assim como tem sido a nossa vida inteira. Para acelerar este triunfo, apelamos a todos os homens de boa vontade neste ano que assinala os 450 anos da vitória de Lepanto, que é também o ano que o Papa Francisco dedicou a São José, protetor da Igreja. e a Contra-revolução. A mensagem de Fátima é a luz que guia nesta época do coronavírus. Luz de Fátima, luz sem sombras, luz imaculada, luz do amanhecer que chega: pedimos-te que iluminas os nossos passos na escuridão da noite. Traduzido de infovaticana.com 1 CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Mensagem de Fátima, Cidade do Vaticano 2000. 2 RÉGINALD GARRIGOU-LAGRANGE OP, Il senso del mistero e il chiaroscuro intellettuale, tr. Item. Fede e Cultura, Verona 2019. 3 ARISTOTLE, Da alma, III, 3, 429, a 3. 4 https://www.lemonde.fr/politique/article/2020/03/17/nous-sommes-en-guerre-face-au-coronavirus-emmanuel-macron-sonne-la-mobilisation-generale_6033338_823448.html 5 FABIO ADERNÒ, A liberdade religiosa nella legislação d’emergenza, em Covid-19 vs. Democrazia. Aspetti giuridici ed economici na primeira fase da emergência sanitária, editado por Michele Borgato e Daniele Trabucco, Edizioni Scientifiche Italiane, Napoli 2020, pp. 77-102. 6 Cf. JOSEPH TRITTO, Cina Covid-19. A quimera che mudou il mondo, Cantagalli , Siena 2020, pp. 207-218. O boicote a uma droga como a hidroxicloroquina deve ser enquadrado no contexto de uma disputa entre a Gilead Sciences, fabricante do Remdesivir, e a Sanofi, fabricante do Plaquenil (cloroquina). 7 ALDO GIANNULI, Coronavirus: globalizzazione e servizi segreti. Venha a pandemia mudou e mudou l’ordine mondiale, Ponte alle Grazie, Florença 2020, pp. 198-205. 8 ARISTOTLE, Refutações sofísticas. Introdução, tradução e comentários de Paolo Fait, Laterza, Roma-Bari 2007. 9 DAVID QUAMMEN, Spillover. L’evoluzione delle pandemie, trad. Item. Adelphi, Milão 2014. 10 https://www.tgcom24.mediaset.it/2020/video/paolo-liguori-questo-virus-nasce-in-un-laboratorio_13934963.shtml 11 STEVEN MOSHER , Não acredite na história da China: o coronavírus pode ter vazado de um laboratório, no New York Post, 22 Fevereiro de 2020. 12 https://www.lemonde.fr/les-decodeurs/article/2020/04/17/le-coronavirus-fabrique-a-poco-du-virus-du-sida-la-these-tres-contestee-du -pr-luc-montagnier_6036972_4355770.html 13 Enormous Evidence Coronavirus Veio from Chinese Lab, in The Guardian, 30 de maio de 2020. NÃO ERA NO ABC? 14 JOSEPH TRITTO, Cina Covid-19. A quimera que mudou il mondo, cit. 15 https://zenodo.org/record/4028830#.X2YSU2czbUr 16 SHARAD S. CHAUHAN, Covid 19 Or Opportunistic Bioterrorism?: A Virus from China Set to Change World History!, Unistar Books Pvt. Limited, 2020. Unistar Books Pvt. Limited, 2020. 17 PIO XI, Encíclica Divini Redemptoris de 19 de março de 1937, in Acta Apostolicae Sedis, 29 (1937), p. 96 (pp. 65-106.) 18 SALVATORE SANTANGELO, Geopandêmico. Decifrare e rappresentare il caos, Castelvecchi, Rome 2020, pp. 17-18. 19 Esse é o resultado da análise realizada pelo Centro de Pesquisas Econômicas e Empresariais (Cebr) em seu relatório anual publicado em 26 de dezembro. 20 GERMANA LEONI, Biological warfare , in NexusNewTimes, nº 145 (outubro-novembro de 2020), p. 28 21 PADRE ENRICO ZOFFOLI, Principi di Philosophy, Edizioni Fonti Vive, Roma 1988, p. 554. 22 Cf. ad exempio MONS. HENRI DELASSUS, La conspiracy antichrétienne: le temple maçonnique voulant s’élever sur les ruines de l’Eglise catholique, Paris 1910, 3 vols., Com uma carta como prólogo do cardeal Raphael Merry del Val. 23 PLINIO CORRÊA DE OLIVEIRA, Revolução e contra-revolução , Lima 2005, pgs. 39-40. 24 Slavoj Žižek, Pandemic. Covid-19 sacode o mundo , Anagrama, Barcelona 2020. 25 EDGAR MORIN, vamos mudar de faixa. Lições da pandemia, Paidós, Barcelona 2020. 35 TONI NEGRI, Imperio, com Michael Hardt, Paidós, Buenos Aires 2002. 26 https://www.weforum.org/great-reset/ 27 JOHN MILTON, Paradise Lost, I, 753-756. 28 https://fatimatragedyhope.info/it/2020/12/23/abbiamo-bisogno-di-un-great-reset-ma-non-di-quello-che-pensate/ 29 Cf. ROBERTO DE MATTEI, Plinio Correa de Oliveira, Apostolo di Fatima, Profeta del Regno di Maria, Edizioni Fiducia, Roma 2017, pgs. 281-364. 30 http://www.vatican.va/content/pius-x/it/encyclicals/documents/hf_p-x_enc_04101903_e-supremi.html 31 SÃO TOMAS DE AQUINO, Summa Theologiae, III, q. 27, a. 5 32 FRANÇOIS BLUCHE cita a anedota em seu Dictionnaire des citations et des mots historiques, Éditions du Rocher, Paris 1997. 33 IGOR SAFAREVIC, Il socialismo as phenomeno storico mondiale, La Casa di Matriona, Milão 1980, p. 365 34 DONATELLA DI CESARE, Il tempo della rivolta, Bollati Boringhieri, Torino 2020, pp. 10 e ff. 35 TONI NEGRI, Imperio, com Michael Hardt, com Michael Hardt, Paidós, Buenos Aires 2002 .. 36 DIEGO FUSARO, Pensare altrimenti. Filosofia da dissidência, Einaudi, Torino 2017, p. 3 – 37 Ibid., Pp. 3-4. 38 Ibid., P. 13 39 Ibid., P. 14 40 Poème sur le désastre de Lisbonne, in Œuvres complètes di VOLTAIRE, Garnier, Paris 1877, tomo 9, pgs. 470-479. Publicado em correspondência romana.
- Um olhar para 2021 à luz da mensagem de Fátima e da razão
O que realmente aconteceu em 2020, o ano dramático que acaba de terminar? E o que nos espera em 2021? Quais são os horizontes que enquadram os tempos em que vivemos? Por Roberto de Mattei O panorama que temos à nossa frente é nebuloso, difícil de examinar, mas tentarei fazê-lo do alto dos grandes princípios, das grandes certezas cuja luz julga a história do mundo. Entre estas certezas, há uma que mais nos ajuda a orientar-nos no presente e no futuro: a mensagem que Nossa Senhora transmitiu em Fátima em 1917. Bem sabemos que a Revelação divina terminou com a morte do último dos Apóstolos e nada mais pode ser acrescentado. A mensagem de Fátima não pertence ao patrimônio da fé revelada. No entanto, também é verdade que entre as revelações privadas, algumas têm a ver com o aperfeiçoamento espiritual das almas individuais, enquanto outras têm um âmbito social porque se dirigem a toda a humanidade. Pois bem, a mensagem de Fátima foi uma revelação privada que se dirigiu não só ao bem espiritual dos três pastorinhos que a receberam, mas a toda a humanidade. E de todas as revelações privadas dos últimos cem anos, nenhuma foi tão reconhecida pela Igreja como a de Fátima. Ao longo de cem anos, nada menos que sete papas, de Pio XI a Francisco, reconheceram e homenagearam a Virgem de Fátima, embora nenhum deles tenha cumprido totalmente o que ela pediu. Por outro lado, em 2000 a Igreja revelou oficialmente o chamado Terceiro Segredo de Fátima, a última parte da mensagem revelada aos três pastorinhos. É uma profecia ainda não cumprida que devemos ter sempre em mente 1 . O horizonte que delineia a mensagem de Fátima é trágico. A primeira tragédia que Nossa Senhora apresenta aos pastorinhos é a terrível visão do Inferno em que caem as almas dos pecadores impenitentes. A segunda tragédia está nas palavras da própria Virgem, segundo as quais “Deus se prepara para punir o mundo por seus crimes com a guerra, a fome e a perseguição à Igreja e ao Santo Padre”. Se o mundo não se converter, disse ele, “a Rússia espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições contra a Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá que sofrer muito e várias nações serão aniquiladas. A terceira parte da tragédia mostra o Papa e com ele “outros bispos, padres, religiosos, subindo uma montanha íngreme no topo da qual havia uma grande cruz feita de vigas ásperas como se fossem sobreiro com casca; Antes de chegar lá, o Santo Padre atravessou uma grande cidade meio em ruínas e meio trêmula com um passo hesitante, pesado de dor e pesar, rezando pelas almas dos cadáveres que encontrou no caminho; Chegando ao topo da montanha, prostrado de joelhos ao pé da grande cruz, foi morto por um grupo de soldados que disparou vários tiros com suas armas e flechas; e da mesma forma os bispos, padres, religiosos e vários leigos, homens e mulheres de várias classes e posições, morreram um após o outro. No entanto, uma breve frase da Virgem ilumina este trágico panorama com raios de imensa esperança: «Finalmente triunfará o meu Imaculado Coração. O Santo Padre me consagrará a Rússia, que se converterá, e algum tempo de paz será concedido ao mundo. O triunfo do Imaculado Coração de Maria é anunciado como algo certo e não sujeito a condições. Em qualquer caso, isso vai acontecer. Pelo contrário, o castigo que precederá o triunfo está sujeito a condições: só acontecerá se a humanidade não se converter. Este caráter condicional nos impede de falar com plena certeza do castigo, mas a crescente apostasia da humanidade nos últimos anos indica a irreversibilidade prática do processo histórico que leva primeiro a um castigo severo e depois ao triunfo do Coração Imaculado de Maria. As regras da razão A mensagem de Fátima reivindica a nossa fé, mas a fé é fundada na razão, e a razão tem algumas regras fundamentais que devemos cumprir. O Padre Réginald Garrigou-Lagrange ensina que a regra da sabedoria consiste em explicar “o inferior por meio do superior”, “segundo a subordinação das causas que nos conduz à Causa primeira e ao fim último do universo: a Deus, o Ser primeiro, Inteligência primeiro e o mais alto Bem ». Por outro lado, no processo cognitivo, a certeza –que exclui a dúvida– não deve ser confundida com a opinião, que admite a possibilidade do erro, ou com a hipótese, que precisa ser demonstrada para se tornar uma tese verdadeira. O raciocínio necessário para transformar uma hipótese em certeza é chamado de prova. Toda prova é baseada no princípio da não contradição, que é o fundamento da lógica. O verdadeiro raciocínio, baseado na lógica, se opõe ao sofisma ou ao paralogismo, que é um raciocínio falso baseado em erros lógicos e, em última instância, na violação do princípio da não contradição. Agora, não é possível manter a lógica sem a ajuda da Graça, que ilumina a inteligência do homem e fortalece sua vontade. A vida espiritual colabora com a atividade racional do homem. O mau uso da razão coloca a imaginação em primeiro lugar, que é uma forma de conhecimento que não segue estágios lógicos, mas muitas vezes é determinada por um estado de espírito. A razão é substituída pela fantasia e a demonstração pela narração. Para explicar o significado do termo phantasia, Aristóteles explica que ele é derivado da luz (pháos). Assim como os estímulos luminosos geram sensações visuais, a mente produz internamente fantasmas (phantasmata) ou imagens que não correspondem à realidade. Cada imagem que impressiona a mente deve, portanto, ser verificada à luz da razão, que é a faculdade mais elevada da alma. Certezas e opiniões Tudo começou em janeiro de 2020 com a notícia de uma epidemia que teve seu epicentro na China, na cidade de Wuhan. A globalização não só facilitou a disseminação do vírus, mas também a disseminação em tempo real de notícias relacionadas a ele, gerando uma atenção hipertrofiada a ele. Em 11 de março, a Organização Mundial da Saúde, depois de inicialmente minimizar o assunto, classificou-a como uma pandemia causada por um coronavírus, que posteriormente batizou de Covid-19. Nenhum de nós sabe com certeza até que ponto os dados estatísticos relatados pela própria OMS e pelos vários governos do mundo são confiáveis, por defeito ou por excesso; Ninguém sabe ao certo até que ponto as medidas tomadas para conter a pandemia, como máscaras e confinamentos, são eficazes; Ninguém está em condições de se pronunciar exatamente sobre a eficácia das vacinas solenemente anunciadas ao mundo no dia 27 de dezembro. Nenhum de nós pode comentar qualquer um desses pontos ou formular hipóteses, e não há ninguém que possa extrair certeza dessas hipóteses. Sem dúvida, existem alguns fatos óbvios a serem considerados. As primeiras, de cunho econômico e social, manifestaram-se ao longo de 2020 com a falência de inúmeras pequenas empresas, graves perdas econômicas para a classe média, desemprego e pobreza, enquanto os estados não conseguem fazer frente à crise econômica com dinheiro público. Ainda mais graves parecem as consequências psicológicas da pandemia, provocadas em primeiro lugar pelo estado de alarme e medo que se desencadeou no mundo. O medo do vírus tem causado angústia, depressão e até mesmo um grande número de suicídios em uma sociedade que cresceu com o repúdio à morte e o culto à saúde e ao bem-estar. O Ocidente, que não tem experiência de guerra há setenta anos,4 . Mais grave ainda do que o medo, dir-se-á que é a falta de confiança nos outros, neste caso pelo insuportável das medidas restritivas impostas pelas autoridades, em muitos casos confusas e desarrazoadas. Em alguns países, essas medidas abalaram os fundamentos da tradição jurídica no que diz respeito à relação entre a emergência e o exercício das liberdades individuais, incluindo a liberdade religiosa em maio . A classe política, por sua vez, se colocou nas mãos da empresa de saúde para combater a pandemia, mas a divisão entre os cientistas não demorou muito. Atrás deles, há uma disputa sombria entre as grandes empresas farmacêuticas, que obviamente se beneficiam da existência de uma dependência de drogas entre a população 6 . Aos interesses econômicos dessas empresas se somam os de capital financeiro, pois as farmacêuticas precisam de dinheiro para pesquisar e comercializar seus produtos. A produção de vacinas desencadeia a competição entre os governos nacionais dispostos a combatê-la a todo custo 7 . Como resultado de tudo isso, a confiança dos cidadãos em seus governos, na classe política e na mídia, mas também na ciência e na instituição médica, caiu. A desconfiança estende-se às pessoas que nos são próximas, que até ontem nos eram queridas e de noite para manhã não as valorizamos mais porque não pensam como nós. Se atribuirmos a essas coisas um caráter de causa da pandemia, cairemos no erro de confundir causa e efeito, que é um dos paralogismos que Aristóteles critica em suas Refutações Sofísticas 8 . Por exemplo, a existência de uma ditadura da saúde ou de uma crise econômica após a pandemia não constitui prova de que a pandemia foi desencadeada ou está sendo gerenciada para provocar uma ditadura da saúde ou uma crise econômica. É um vírus natural ou produzido em laboratório? Junto com a diversidade de opiniões sobre as medidas políticas e sanitárias adotadas para enfrentar a pandemia, uma infinidade de hipóteses surgiram sobre a origem e a natureza do vírus, que permanecem envoltas em mistério. Para a maioria dos cientistas, é um vírus de origem animal devido, segundo as teorias evolutivas, a um salto entre as espécies, do morcego ao homem. Em seu ensaio Spillover. L’evoluzione delle pandemie 9 , publicado em 2012, o divulgador científico americano David Quammen previu a possibilidade de uma perigosa pandemia causada por um coronavírus com base nos dados coletados em seus estudos. Existe, no entanto, uma segunda hipótese que até agora ninguém conseguiu excluir: a possibilidade da origem artificial da pandemia. Em Wuhan, há de fato um laboratório nacional de biossegurança, no qual são realizadas pesquisas tanto no campo civil quanto no militar sobre vírus potencialmente patogênicos para o homem. O coronavírus pode ter saído acidentalmente do referido laboratório, por acaso, ou pode ser o instrumento de um ato deliberado de guerra biológica. A hipótese de vazamento de vírus nas instalações de Wuhan foi proposta na Itália desde 25 de janeiro do ano passado pelo jornalista Paolo Liguori 10 , e nos Estados Unidos, no mês de fevereiro seguinte, por Steven Mosher, Presidente do Population Research Institute 11 . Por sua vez, o Prêmio Nobel de Medicina Luc Montagnier, em entrevista concedida em 17 de abril 12 , afirmou a tese da origem artificial do vírus, enquanto em 3 de maio, em entrevista ao ABC News, o secretário de O estado americano Mike Pompeo afirmou: «Uma quantidade considerável de evidências aponta para o laboratório de Wuhan como a fonte do Sars-Cov2 13». Quem se aprofundou nessa hipótese é o pesquisador italiano Joseph Tritto, em um estudo documentado intitulado Cina Covid-19. A quimera que mudou il mondo 14 . Junto com a hipótese de fuga involuntária do laboratório de Wuhan, há outra segundo a qual o vírus seria obra do terrorismo biológico chinês. Li-Men-Yang, pesquisadora da Universidade de Hong Kong que fugiu para os Estados Unidos em abril, afirmou com base em seus estudos que o covid-19 não se originou na natureza, mas é uma arma biológica criada com o propósito de matar . O oficial indiano Sharad S. Chauhan é autor de um livro intitulado COVID-19 – Opportunistic Bioterrorism? Um vírus da China definido como Change World History 16 , no qual ele afirma que o vírus foi lançado pela China para transformar o mundo em seu próprio benefício. A este respeito, recorde-se que em 1999 foi publicado um livro de dois coronéis chineses, Qiao Liang e Wang Xiangsui, intitulado Guerra Irrestrita , no qual os autores defendem que, para se defender, a China não deve hesitar em usar todos os meios à sua disposição, armas biológicas incluídas. E, sem dúvida, o laboratório Wuhan é um meio importante de produzir essas armas. O conceito de guerra irrestrita evoca o de guerra assimétrica, um conflito em que uma das partes é forçada a se defender contra um inimigo não identificável usando armas não convencionais. O uso de biotecnologias, ciência da computação e inteligência artificial faz parte da estratégia chinesa e é um exemplo típico de guerra assimétrica. Um tratado internacional, a Convenção de Armas Biológicas, assinada em 12 de abril de 1972 e em vigor desde 26 de março de 1975, proíbe a experimentação e produção de armas biológicas. Todos os países da União Europeia, Estados Unidos, Austrália e Japão ratificaram, mas a China não. A União Soviética aderiu ao tratado, mas isso não a impediu de lançar o Biopreparat, programa de pesquisa militar no campo biológico e bacteriológico, na década de 1970. A estrutura foi oficialmente desmontada no início da década de 1990, mas parece que a Rússia herdou a maioria das armas biológicas preparadas durante a Guerra Fria. A guerra biológica é um setor estratégico que apresenta inúmeras vantagens: é uma forma de guerra que tem um efeito nocivo ou fatal sobre os bens e as pessoas, cuja verdadeira origem não é fácil de identificar e que, portanto, pode ser realizada com dissimulação. Além disso, pela sua natureza oculta, é uma forma de guerra que não só atinge alvos físicos como desmoraliza a população, que não atribui a responsabilidade pelo dano à verdadeira causa da crise, mas sim a quem o tenta gerir a partir da crise. próprio país. Durante a Guerra Fria, a paz mundial foi garantida pelo equilíbrio do terror entre a Rússia e os EUA, pois ambas as potências estavam cientes de que o uso de armas nucleares provocaria uma resposta imediata que devastaria a superpotência adversária. A Rússia é uma potência em declínio e a China, uma emergente, mas a Rússia de ontem e a China de hoje têm em comum um sistema ideológico que Pio XI descreveu como mentiroso e inerentemente perverso em sua encíclica Divini Redemptoris de 19 de março de 1937 17. Nossa Senhora anunciou em Fátima que a Rússia espalharia os seus erros pelo mundo. Esses são erros comunistas, destinados a se espalhar além das fronteiras da Rússia também, e especialmente após a auto-dissolução da URSS em 1991. Como outros países, a China realiza pesquisas biológicas tanto civis quanto militares. É provável que o coronavírus tenha saído do laboratório de Wuhan, seja o produto de uma manobra de guerra biológica ou tenha surgido involuntariamente no decorrer de uma guerra ou programa de pesquisa de saúde. Mas a probabilidade não transforma uma hipótese em certeza até que uma evidência confiável seja fornecida. Por enquanto, a única certeza absoluta é que os transtornos causados pela pandemia estão comprometendo o processo de globalização dos últimos trinta anos, que se baseia justamente no papel desempenhado pela China, que colocou sua força de trabalho à disposição do Ocidente , enquanto o Ocidente ampliou seu mercado para bens de consumo fabricados no país asiático 18 . De acordo com as últimas análises, a China ultrapassará os Estados Unidos e se tornará a principal potência mundial em 2028, ou seja, cinco anos antes do planejado. A aceleração ocorreu em decorrência da pandemia, mas seria forçar a lógica 19 a basear as acusações contra aquele país no princípio do post hoc ergo propter hoc. Se atribuirmos tudo o que aconteceu em 2020 aos desígnios da Providência Divina, não estaremos errados. Conspirações verdadeiras e falsas Segundo outra hipótese, difundida principalmente na internet, uma oligarquia financeira ocidental seria a causa da pandemia e administraria sua disseminação com o objetivo de submeter a humanidade a um único governo mundial. Nesse caso, o coronavírus não teria se originado em laboratórios chineses, mas ocidentais. A tese do ataque bacteriológico foi originalmente proposta pelo governo chinês, que por meio de seu porta-voz no Ministério das Relações Exteriores acusou os Estados Unidos de trazer o patógeno para a China por ocasião dos Jogos Mundiais Militares realizados em Wuhan entre 18 e em 27 de outubro de 2019 20 . Na Itália, o intelectual neomarxista Diego Fusaro, que exerce notável influência nos meios conservadores desde 26 de fevereiro passado, acusando o Ocidente na RadioRadio, afirma que a hipótese que apresenta maior nível de coerência é aquela que de alguma forma revela a longa mão de EUA Para Fusaro, a ideologia globalista seria a superestrutura ideológica da estrutura capitalista que se tornou um mercado mundial único sem fronteiras e cujo objetivo é um novo modelo antropológico: o indivíduo sem identidade, produto das estratégias do tratamento. Esse projeto totalitário e liberticida coincidiria para alguns católicos com o regime do Anticristo. Essas hipóteses propagadas na blogosfera seduzem muitos, mas se expressam na forma de uma narrativa e não de um argumento. O que os torna falaciosos não é a teoria da conspiração que os embasa, mas a pretensão de fundamentar a teoria em argumentos de natureza puramente circunstancial, de outra forma incoerentes. Que, por exemplo, Bill Gates previu a pandemia e investiu em vacinas mostra sua visão e talento para os negócios, mas não mostra que ele criou e espalhou o vírus. Por outro lado, atribuir a pandemia aos obscuros interesses do supercapitalismo corresponde a afirmar a preponderância dos interesses econômicos nos acontecimentos mundiais, invertendo assim o princípio preconizado por pe. Garrigou-Lagrange segundo o qual o inferior é explicado pelo superior, e não vice-versa. Aqueles que apóiam essas teses usam o sofisma de recorrer a frases genéricas e peremptórias que não convencem os sábios, mas impressionam os incultos21 . O pensamento contra-revolucionário dos séculos 19 e 20 sempre afirmou a existência de uma trama histórica anticristã 22. O simples dinamismo das paixões e dos erros humanos não é suficiente para explicar o processo revolucionário que assaltou a Igreja e a civilização cristã por ela gerada durante séculos: «Para produzir um processo tão coerente, tão contínuo, como o da Revolução, Através das mil vicissitudes de séculos inteiros, cheios de acontecimentos imprevistos de todos os tipos, parece-nos impossível sem a ação de sucessivas gerações de conspiradores de extraordinária inteligência e poder. Pensar que sem isso a Revolução teria chegado ao estado em que se encontra, é o mesmo que admitir que centenas de cartas atiradas de uma janela poderiam ser dispostas espontaneamente no chão, de modo que formariam qualquer obra, por exemplo a Ode a Satanás por Carducci » 23 . Agora, identificar as forças que impulsionam a Revolução exige uma documentação precisa, um estudo aprofundado e, em última instância, um grande equilíbrio. Quando essas teorias não são bem fundamentadas, surge a suspeita de que são disseminadas pelos próprios agentes revolucionários para desqualificar qualquer crítica às forças secretas que promovem a Revolução. A melhor maneira de desacreditar a tese da conspiração anticristã é nem mais nem menos imaginar conspirações fantasiosas que beiram o absurdo. É semelhante ao que acontece com as revelações privadas. A melhor maneira de um demônio negar mensagens divinas autênticas é multiplicar as falsas revelações para desacreditar e ridicularizar as verdadeiras. Oportunidades Outro discurso muito diferente e totalmente razoável consiste em afirmar que as forças revolucionárias aproveitaram a pandemia como uma oportunidade. Este conceito de oportunidade evoca a teologia da história, segundo a qual Deus é a causa de todo o bem no universo e, quando permite o mal, o faz para extrair dele um bem maior. Deus sempre triunfa na história, e o diabo sempre perde. A estratégia diabólica, contrária à divina, consiste em buscar sempre fazer o mal e direcionar para o mal todo o bem que Deus criou no universo. Existe, então, uma oportunidade divina para a qual não há mal que não venha para o bem, e uma oportunidade diabólica que consiste em tirar os males do bem. Isso também se aplica ao coronavírus, que a Revolução tenta aproveitar como oportunidade para criar uma situação de incerteza. E essa é a tese substantiva de dois expoentes da cultura de esquerda contemporânea: o sociólogo esloveno Slavoj Žižeke e o filósofo francês Edgar Morin. Em seu livro Pandemic. Covid-19 sacode o mundo, Žižek afirma que para a revolução comunista, neste momento tudo é possível em qualquer direção, do melhor ao pior 24 , enquanto Morin afirma em seu novo livro, Vamos mudar o caminho. Lições da Pandemia 25 , de que a situação após o coronavírus pode ser apocalíptica e também promissora. Para ambos, o vírus foi algo que surgiu inesperadamente e que deve ser aproveitado como uma ocasião. É o que a Revolução está fazendo ao relançar, entre outras coisas, a teoria da Grande Restauração: partir do zero para que nasça um novo mundo utópico. O economista alemão Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, também conhecido como Fórum de Davos, falou no dia 3 de junho sobre a grande oportunidade de realizar uma Grande Reinicialização como resultado da pandemia. Mas o conceito de Big Reboot não nasceu com o coronavírus. Desde o ano passado, o Pacto Global pela Educação estava programado no Vaticano para 14 de maio de 2020, que se baseia na ideia de um grande reinício ecológico e global, embora não tenha ocorrido, e foi frustrado justamente por a pandemia. Qualquer que seja a origem do vírus, é verdade que as forças da Revolução estão tentando manipular a situação em seu benefício. É provável que existam diversas linhas dentro dela, já que o campo revolucionário está dividido. Claro, o objetivo final da Revolução não é criar uma nova ordem mundial, mas o caos organizado. O objetivo da Revolução é interromper a obra de Criação e Redenção para estabelecer o reino social do Diabo, um inferno na Terra que prefigura o da eternidade, assim como o Reino Social de Cristo, a civilização cristã, prefigura o reino dos Paraíso celestial. Nesse sentido, a Revolução tem sua essência na desordem, enquanto a civilização cristã é a ordem por excelência. A palavra pandemia, que vem do grego πάνδημος (pándēmos, “afetando todas as pessoas”) é afins a um pandemônio (“todos os demônios”), que vem do grego pan (todos) e daimonion (demônio). A palavra pandemônio foi cunhada pelo poeta inglês John Milton em sua obra Paradise Lost 27 para identificar o palácio construído por Satanás no Inferno. Pandemônio é sinônimo de caos, e o fio condutor da pandemia que estamos vivenciando parece ser um caos diabólico. Uma chance perdida Ao Grande Reinício proposto pelos revolucionários corresponderia a opor-se a outro na direção oposta, com base no retorno à ordem ao invés do estabelecimento da desordem. Infelizmente, os homens que governam a Igreja não aproveitaram a oportunidade que o coronavírus poderia ter proporcionado a eles. O que deveriam ter feito as autoridades eclesiásticas e o que deveriam fazer todos os católicos diante de uma pandemia como a que nos assola? Acima de tudo, a Igreja deve falar da morte, do pecado, do julgamento de Deus e, em última instância, da alternativa que a mensagem de Fátima nos apresenta entre a conversão e o castigo, individual e colectivo. Não é de surpreender que a sociedade contemporânea, incapaz de encontrar sentido na vida, acrescente à angústia da doença e da morte. O que causa espanto é o silêncio de quem teria todas as armas para lutar, quanto mais a morte, mas a angústia que a cerca. Devem lembrar que tanto a morte como todos os males do mundo têm sua origem no pecado, que o pecado público é mais grave que o individual e que Deus castiga os pecados sociais com flagelos como doenças, guerras, fomes e catástrofes. natural. Na realidade, não existe pecado original da sociedade, mas existe o pecado coletivo dos homens que a compõem. Deus pune ou recompensa os homens individuais na outra vida, mas ele pune ou recompensa as sociedades em seu horizonte terreno, porque, ao contrário dos homens, as sociedades não têm vida eterna. Se o mundo não se arrepender e, sobretudo, se os homens da Igreja se calarem, os castigos que foram aplicados com suavidade no início estão destinados a tornar-se cada vez mais severos até atingirem a aniquilação de nações inteiras, como a Virgem anunciou em Fátima. . Lo de Fátima não é uma história apocalíptica de origem humana, mas um anúncio divino reconhecido pela Igreja. As ultimas vezes Nos primeiros dias de 2021 o horizonte ainda está envolto em brumas de mistério, mas a seriedade da situação religiosa, política e social nos faz pensar que vivemos tempos recentes, dos quais falaram São Luís Maria Grignion de Monfort e outros. Santos. Não as últimas vezes que antecederão a vinda do Anticristo, mas aquelas que serão o prelúdio do triunfo do Coração Imaculado de Maria. A profecia de Fátima assegura-nos que não vivemos na época do Anticristo, porque a Rússia se converterá e o mundo terá um período de paz. Não sabemos quanto tempo durará esse período de paz, mas estamos certos de que a paz, que é a tranquilidade da ordem natural cristã, corresponde ao nosso futuro. São Pio X, que viveu a terrível crise do modernismo, temia que a mentalidade perversa de seu tempo fosse “o prólogo dos males que devemos esperar no fim dos tempos; ou mesmo pensar que o filho da perdição já vive neste mundo (2 Tes. 2,3) » 30 . Estas palavras foram pronunciadas em sua primeira encíclica, E supremi apostolatus cathedra, de 4 de outubro de 1903, quando a Virgem ainda não tinha aparecido em Fátima. Mas não podemos subestimar a promessa de Fátima, que não nos fala do Anticristo e do fim do mundo, mas do triunfo do seu Imaculado Coração e do renascimento da civilização cristã. Há uma diferença substancial entre a chegada do Anticristo e a do reinado do Coração Imaculado de Maria. O senhorio do Anticristo será a expressão suprema do mal na história. Naquele dia Satanás reinará no mundo e o império do mal se espalhará a tal ponto que não será possível se esconder para fugir da escolha radical entre estar com Jesus e estar contra Ele. O próprio Cristo, no auge da perseguição, vencerá o Anticristo e aparecerá triunfante em sua Parousia (Ap 6,11). O triunfo do Imaculado Coração de Maria é, ao contrário, a consequência de um processo histórico no final do qual várias nações serão destruídas, mas a Rússia e outros países se converterão à verdadeira Fé Católica, e essa conversão será verdadeiramente espetacular, porque a Rússia é um país que foi dominado pelo comunismo e ainda vive sob o engano da religião ortodoxa. A Virgem revelou à Irmã Lúcia que a Primeira e a Segunda Guerra Mundial faziam parte desse processo, que experimentaria novas convulsões antes de chegar ao fim. Há também uma diferença entre os castigos do Inferno, que a Virgem mostrou na primeira parte da mensagem de Fátima, e o castigo das nações de que falam a segunda e a terceira partes da mesma mensagem. O castigo das almas no momento da morte é imediato e durará por toda a eternidade. As nações, por outro lado, não têm caráter eterno, e seu castigo se dá na história como resultado de uma sucessão de acontecimentos que a Virgem aponta com precisão: guerras, fomes, perseguições contra a Igreja e contra o Papa … Alguns desses acontecimentos Eles podem obedecer às catástrofes naturais desejadas por Deus e realizadas pelos anjos, que são os executores de Seus planos na história, mas outras são desejadas pelos homens, que por suas próprias mãos causam a autodestruição. À medida que a Revolução se aproxima de seus objetivos finais, ela se autodestrói. Além disso, se é verdade que “quanto mais próximo da causa, mais seus efeitos são sentidos” 31 , isso também pode ser aplicado ao caso contrário. Se a Revolução está enraizada na vontade de destruir, o impulso inicial está fadado a se esgotar à medida que a destruição atinge as suas consequências finais, porque o mal – que é a privação do ser – não consegue extinguir o ser daquele que sua própria essência procede. O drama do mal é que ele não pode eliminar o último bem que sobreviveu. Seu dinamismo está destinado a quebrar contra o que resta de sólido na liquefação que produz. A última etapa do processo de autodissolução que hoje erode a rocha sobre a qual assenta a Igreja está, portanto, destinada a ver a morte da Revolução e a germinação de um princípio vital oposto: um itinerário de restauração da Fé e da moralidade, da verdade e da ordem social que lhe corresponde. E esse princípio é a contra-revolução católica. O tempo dos motins A Revolução tem origem e regra unitária, mas quando chega ao fim de sua jornada tende a se fragmentar desordenadamente. O fim é o caos, que é também o fim da Revolução. Segundo o princípio da heterogênese dos fins, toda revolução que ocorre na história acaba sendo transtornada, tendo um resultado diferente daquele desejado por seus criadores. E também o projeto da República Universal e da Nova Ordem Mundial está se transformando no caos em um nível planetário que temos em vista. Protestos e desentendimentos sociais se espalham enquanto atos de desobediência a todas as autoridades se multiplicam em uma perspectiva de desordem em escala mundial. Na noite de 14 de julho de 1789, o rei Luís XVI da França ouviu do duque La Rochefoucault-Liancourt que a Bastilha fora tomada. O monarca perguntou a ela: “É uma revolta?” “Não, Majestade”, respondeu o duque. é uma revolução ”, 32 . A diferença entre revolta e revolução expressa neste diálogo não é, no entanto, uma antítese. Cada revolução nasce de uma revolta nas tendências humanas. Mas a revolta se transforma em revolução quando se organiza e obedece a um programa e a um itinerário. Agora, quando a revolução perde sua capacidade de se planejar e governar, ela se desintegra e retrocede, por assim dizer, dissolvendo-se em uma variedade de revoltas que não têm nada em comum, exceto a intensidade emocional da destruição. Igor Safarevic documentou o espírito de morte e destruição que literalmente permeia a maioria das teorias e movimentos socialistas ao longo da história e constitui a motivação interna. “A morte da humanidade não é apenas o resultado previsível do triunfo do socialismo, mas o fim dele” 33 . Atualmente é tempo de motins 34 , porque a Revolução está em crise. Os desordeiros são os ambientalistas, os pacifistas, os anti-racistas, os ativistas LGTB, os Indignados, o movimento Black Lives Matter e os ativistas da Internet, que na incapacidade de seus projetos optaram pelo caminho da guerra permanente. No início do século 21, o filósofo marxista Toni Negri, em seu livro Império 35 , clamou por uma guerra mundial permanente não apenas contra os Estados nacionais, mas também contra as multinacionais, a ONU, o Banco Mundial e o Clube de Davos. Atualmente Diego Fusaro apela à revolta aos dissidentes de esquerda e direita. Os livros de Fusaro têm títulos significativos, como Still Marx ou Antonio Gramsci: a paixão de estar no mundo. Não há nada de errado com suas idéias. Seu último livro, Pensare altrimenti. Filosofia da dissidência, que é uma desculpa para a rebelião e a dissidência revolucionária. O que é dissidência? Fusaro explica: «Revolução é rebelião, deserção e protesto, revolta e motim, antagonismo e desacordo, insubordinação e sedição, greve e desobediência, resistência e sabotagem, insurreição e a guerrilha, a agitação e o boicote; todas essas são figuras multiformes de dissidência » 36 . Fusaro exalta os grandes rebeldes contra a ordem constituída que existiu: Prometeu, Spartacus, Lutero, os Anabatistas, Jordano Bruno, e assim por diante até Marx, Lenin, Martin Luther King, Che Guevara e o movimento Não Global 37 . A história da humanidade, afirma ele, começa com “a dissidência de Adão e Eva diante da ordem divina que os impede de comer da árvore do conhecimento: vocês serão como deuses”. “Essa dissidência original, paga por um preço tão alto, permite ao homem ser verdadeiramente homem, levantar-se com autonomia e liberdade para fazer sua própria fortuna, e superior a outras criaturas na medida em que só ele está em posição de determinar livremente com sua própria ação responsável” 38 . Segundo Fusaro, Adão e Eva, como Prometeu “não deixam de nos ensinar a importância da dissidência, e mais tarde também, de forma correlata, que uma condição de sofrimento e tortura é preferível (…) a uma servidão sem esforço e cansaço” 39 . São palavras terríveis. Fusaro evita lembrar que o primeiro grande rebelde, o incitador da rebelião de Adão e Eva, o pai de toda dissidência contra a ordem constituída, foi Lúcifer. Lúcifer escolheu e continua a escolher sofrer eternamente em vez de depender de seu Criador. O sofrimento e a morte são preferíveis à obediência: tal é a mensagem de Fusaro, um dos mais conhecidos expoentes da teoria da conspiração tecno-capitalista contra a qual incita a rebelião em nome da filosofia da práxis. A luz de Fátima na escuridão da noite Vivemos em tempos de caos, mas temos uma certeza: nada do que acontece é acidental ou fortuito; tudo depende da Providência Divina. Os desígnios de Deus são inexcrutáveis, mas são executados sem falha. Deus, por meio de causas secundárias, regula a cadeia de causas e efeitos em nossa vida e na história. Não sabemos se covid-19 é de origem natural ou artificial. O certo é que, como todas as desgraças que sobrevêm à humanidade, é um castigo, e a Virgem anunciou em Fátima castigos para uma humanidade impenitente. Negar que o coronavírus seja um castigo pelos pecados dos homens seria, além de rejeitar a mensagem de Fátima, uma profissão de ateísmo prático e, em última instância, blasfêmia. Que o mundo blasfema, como Voltaire blasfemava antes do terremoto de Lisboa de 1755 40 . Vejamos a Cova de Iria, onde em 1917 a Virgem confiou a três pastorinhos uma mensagem de tragédia e de esperança para a humanidade. À filosofia da rebelião, à filosofia da dissidência, à filosofia da Revolução, cujo primeiro inspirador é o Diabo, vamos opor uma filosofia de obediência à lei de Deus que é violada e ofendida em todo o mundo. E em nome dessa suprema obediência estamos dispostos a deixar de obedecer aos homens, inclusive aos da Igreja, se houver circunstâncias graves que nos imponham. Mas se isso acontecer, o faremos com dor, com respeito, renovando o nosso espírito de obediência a Deus e à sua lei, e renovando o nosso amor pela Igreja e pelo próximo: a cada irmão cuja vontade queremos cumprir segundo a ordem de prioridades dependências e hierarquias que governam o universo. Amemos a ordem e lutemos contra a desordem. Nossa luta contra a desordem é chamada de Contra-revolução, que é o movimento que restaura a ordem. A ordem que aspiramos restaurar em seus alicerces é a civilização cristã, a imagem e o reflexo terrestre do Paraíso. Em Fátima, a Virgem chamou a vitória do seu Imaculado Coração de vitória da Contra-revolução. Essa é a nossa meta para 2021, assim como tem sido a nossa vida inteira. Para acelerar este triunfo, apelamos a todos os homens de boa vontade neste ano que assinala os 450 anos da vitória de Lepanto, que é também o ano que o Papa Francisco dedicou a São José, protetor da Igreja. e a Contra-revolução. A mensagem de Fátima é a luz que guia nesta época do coronavírus. Luz de Fátima, luz sem sombras, luz imaculada, luz do amanhecer que chega: pedimos-te que iluminas os nossos passos na escuridão da noite. Traduzido de infovaticana.com 1 CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Mensagem de Fátima, Cidade do Vaticano 2000. 2 RÉGINALD GARRIGOU-LAGRANGE OP, Il senso del mistero e il chiaroscuro intellettuale, tr. Item. Fede e Cultura, Verona 2019. 3 ARISTOTLE, Da alma, III, 3, 429, a 3. 4 https://www.lemonde.fr/politique/article/2020/03/17/nous-sommes-en-guerre-face-au-coronavirus-emmanuel-macron-sonne-la-mobilisation-generale_6033338_823448.html 5 FABIO ADERNÒ, A liberdade religiosa nella legislação d’emergenza, em Covid-19 vs. Democrazia. Aspetti giuridici ed economici na primeira fase da emergência sanitária, editado por Michele Borgato e Daniele Trabucco, Edizioni Scientifiche Italiane, Napoli 2020, pp. 77-102. 6 Cf. JOSEPH TRITTO, Cina Covid-19. A quimera che mudou il mondo, Cantagalli , Siena 2020, pp. 207-218. O boicote a uma droga como a hidroxicloroquina deve ser enquadrado no contexto de uma disputa entre a Gilead Sciences, fabricante do Remdesivir, e a Sanofi, fabricante do Plaquenil (cloroquina). 7 ALDO GIANNULI, Coronavirus: globalizzazione e servizi segreti. Venha a pandemia mudou e mudou l’ordine mondiale, Ponte alle Grazie, Florença 2020, pp. 198-205. 8 ARISTOTLE, Refutações sofísticas. Introdução, tradução e comentários de Paolo Fait, Laterza, Roma-Bari 2007. 9 DAVID QUAMMEN, Spillover. L’evoluzione delle pandemie, trad. Item. Adelphi, Milão 2014. 10 https://www.tgcom24.mediaset.it/2020/video/paolo-liguori-questo-virus-nasce-in-un-laboratorio_13934963.shtml 11 STEVEN MOSHER , Não acredite na história da China: o coronavírus pode ter vazado de um laboratório, no New York Post, 22 Fevereiro de 2020. 12 https://www.lemonde.fr/les-decodeurs/article/2020/04/17/le-coronavirus-fabrique-a-poco-du-virus-du-sida-la-these-tres-contestee-du -pr-luc-montagnier_6036972_4355770.html 13 Enormous Evidence Coronavirus Veio from Chinese Lab, in The Guardian, 30 de maio de 2020. NÃO ERA NO ABC? 14 JOSEPH TRITTO, Cina Covid-19. A quimera que mudou il mondo, cit. 15 https://zenodo.org/record/4028830#.X2YSU2czbUr 16 SHARAD S. CHAUHAN, Covid 19 Or Opportunistic Bioterrorism?: A Virus from China Set to Change World History!, Unistar Books Pvt. Limited, 2020. Unistar Books Pvt. Limited, 2020. 17 PIO XI, Encíclica Divini Redemptoris de 19 de março de 1937, in Acta Apostolicae Sedis, 29 (1937), p. 96 (pp. 65-106.) 18 SALVATORE SANTANGELO, Geopandêmico. Decifrare e rappresentare il caos, Castelvecchi, Rome 2020, pp. 17-18. 19 Esse é o resultado da análise realizada pelo Centro de Pesquisas Econômicas e Empresariais (Cebr) em seu relatório anual publicado em 26 de dezembro. 20 GERMANA LEONI, Biological warfare , in NexusNewTimes, nº 145 (outubro-novembro de 2020), p. 28 21 PADRE ENRICO ZOFFOLI, Principi di Philosophy, Edizioni Fonti Vive, Roma 1988, p. 554. 22 Cf. ad exempio MONS. HENRI DELASSUS, La conspiracy antichrétienne: le temple maçonnique voulant s’élever sur les ruines de l’Eglise catholique, Paris 1910, 3 vols., Com uma carta como prólogo do cardeal Raphael Merry del Val. 23 PLINIO CORRÊA DE OLIVEIRA, Revolução e contra-revolução , Lima 2005, pgs. 39-40. 24 Slavoj Žižek, Pandemic. Covid-19 sacode o mundo , Anagrama, Barcelona 2020. 25 EDGAR MORIN, vamos mudar de faixa. Lições da pandemia, Paidós, Barcelona 2020. 35 TONI NEGRI, Imperio, com Michael Hardt, Paidós, Buenos Aires 2002. 26 https://www.weforum.org/great-reset/ 27 JOHN MILTON, Paradise Lost, I, 753-756. 28 https://fatimatragedyhope.info/it/2020/12/23/abbiamo-bisogno-di-un-great-reset-ma-non-di-quello-che-pensate/ 29 Cf. ROBERTO DE MATTEI, Plinio Correa de Oliveira, Apostolo di Fatima, Profeta del Regno di Maria, Edizioni Fiducia, Roma 2017, pgs. 281-364. 30 http://www.vatican.va/content/pius-x/it/encyclicals/documents/hf_p-x_enc_04101903_e-supremi.html 31 SÃO TOMAS DE AQUINO, Summa Theologiae, III, q. 27, a. 5 32 FRANÇOIS BLUCHE cita a anedota em seu Dictionnaire des citations et des mots historiques, Éditions du Rocher, Paris 1997. 33 IGOR SAFAREVIC, Il socialismo as phenomeno storico mondiale, La Casa di Matriona, Milão 1980, p. 365 34 DONATELLA DI CESARE, Il tempo della rivolta, Bollati Boringhieri, Torino 2020, pp. 10 e ff. 35 TONI NEGRI, Imperio, com Michael Hardt, com Michael Hardt, Paidós, Buenos Aires 2002 .. 36 DIEGO FUSARO, Pensare altrimenti. Filosofia da dissidência, Einaudi, Torino 2017, p. 3 – 37 Ibid., Pp. 3-4. 38 Ibid., P. 13 39 Ibid., P. 14 40 Poème sur le désastre de Lisbonne, in Œuvres complètes di VOLTAIRE, Garnier, Paris 1877, tomo 9, pgs. 470-479. Publicado em correspondência romana.
- Quaresma: Tempo de Oração, Jejum e Penitência
Na Quarta-Feira de Cinzas têm início a quaresma, os quarenta dias que antecedem a Semana Santa, quando a Igreja nos fala da necessidade do jejum e da penitência como meios de melhor combater os vícios, pela mortificação do corpo, e propiciar a elevação da mente a Deus. Afirmam os santos padres (como se pode ver em Cornélio e Lapide, Bellarmino, etc.) que foi a Quaresma instituição dos apóstolos para honrarmos e imitarmos o jejum de Nosso Senhor Jesus Cristo, satisfazermos a Justiça Divina, e assim preparamos a digna celebração da Páscoa. Nesse tempo sagrado, substituindo a Igreja o luto as profanas alegrias, bradando a Deus a implorar seu auxilio, a pedir-lhe a conversão dos pecadores, exorta-nos, e como que nos obriga, a entrarmos em contas conosco. Façamos-lhe a vontade, cumpramos com o preceito do jejum, e juntemos a essa penitencia exterior a do coração, sondando o abismo da nossa consciência, lavando os pecados nas lágrimas da compunção e no sangue de Cristo, frequentando mais os sacramentos, ouçamos a missa todas as vezes que pudermos, apliquemo-nos a lição espiritual, a oração, a consideração das verdades eternas, a pratica das boas obras, façamos esmolas mais generosas, sirvam as nossas privações para sustento do pobre. Desta sorte apagaremos, nestes dias da salvação, nossas culpas passadas, e fortalecemo-nos contra as tentações futuras. Leia também: Sugestões de penitências e mortificações na quaresma “ A Encarnação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, com sua Paixão e Morte na cruz, foi o meio escolhido para restituir à humanidade transviada a plena amizade com Deus. “ Foi religiosamente praticado esse jejum desde o tempo dos apóstolos. Que vergonha para nossa tibieza e covardia a piedade e rigor dos primeiros cristãos! Privavam-se, não só da carne, como de muitos outros alimentos; era depois das vésperas a única refeição do dia; comiam só para não morrer, sem tantas sensualidades. Só nos princípios do século XIII consentiu a Igreja que adiantassem ate ao meio dia refeição da tarde. Asseveram São Bernardo e Pedro Blezense (12º século) que bem como eles jejuavam os fieis ate a boca da noite. Nunc usque ad Vésperam jejunábunt nobíscum páriter univérsi reges, et príncipes, cleros et pópulus, nóbiles et ignóbiles, simul in unum dives et pauper. (Serm. 3 in Quadrag.) Leia também: O que aconteceu com a Quaresma? Em memória desta antiga disciplina rezam-se as Vésperas na Quaresma antes da comida, e desta indulgente antecipação da hora veio aconsoada, a qual não deve ser mais uma refeição completa. Unamos cada dia nosso jejum ao de Cristo Nosso Senhor, em testemunho da nossa obediência a Igreja nossa Mãe, do nosso agradecimento por tantos benefícios, para expiação dos nossos pecados e dos de nossos irmãos, para alivio das almas do Purgatório, e para alcançar a graça de livrar-nos de tal pecado e praticar tal virtude. Extraído do livro Manual do Cristão (Goffiné) Aos que desejarem se aprofundar, assista: Como viver bem a Quaresma: Tempo de Oração, Jejum e Abstinência #penitência #Quaresma #jejum #Oração #abstinência
- Quaresma: Tempo de Oração, Jejum e Penitência
Na Quarta-Feira de Cinzas têm início a quaresma, os quarenta dias que antecedem a Semana Santa, quando a Igreja nos fala da necessidade do jejum e da penitência como meios de melhor combater os vícios, pela mortificação do corpo, e propiciar a elevação da mente a Deus. Afirmam os santos padres (como se pode ver em Cornélio e Lapide, Bellarmino, etc.) que foi a Quaresma instituição dos apóstolos para honrarmos e imitarmos o jejum de Nosso Senhor Jesus Cristo, satisfazermos a Justiça Divina, e assim preparamos a digna celebração da Páscoa. Nesse tempo sagrado, substituindo a Igreja o luto as profanas alegrias, bradando a Deus a implorar seu auxilio, a pedir-lhe a conversão dos pecadores, exorta-nos, e como que nos obriga, a entrarmos em contas conosco. Façamos-lhe a vontade, cumpramos com o preceito do jejum, e juntemos a essa penitencia exterior a do coração, sondando o abismo da nossa consciência, lavando os pecados nas lágrimas da compunção e no sangue de Cristo, frequentando mais os sacramentos, ouçamos a missa todas as vezes que pudermos, apliquemo-nos a lição espiritual, a oração, a consideração das verdades eternas, a pratica das boas obras, façamos esmolas mais generosas, sirvam as nossas privações para sustento do pobre. Desta sorte apagaremos, nestes dias da salvação, nossas culpas passadas, e fortalecemo-nos contra as tentações futuras. Leia também: Sugestões de penitências e mortificações na quaresma “ A Encarnação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, com sua Paixão e Morte na cruz, foi o meio escolhido para restituir à humanidade transviada a plena amizade com Deus. “ Foi religiosamente praticado esse jejum desde o tempo dos apóstolos. Que vergonha para nossa tibieza e covardia a piedade e rigor dos primeiros cristãos! Privavam-se, não só da carne, como de muitos outros alimentos; era depois das vésperas a única refeição do dia; comiam só para não morrer, sem tantas sensualidades. Só nos princípios do século XIII consentiu a Igreja que adiantassem ate ao meio dia refeição da tarde. Asseveram São Bernardo e Pedro Blezense (12º século) que bem como eles jejuavam os fieis ate a boca da noite. Nunc usque ad Vésperam jejunábunt nobíscum páriter univérsi reges, et príncipes, cleros et pópulus, nóbiles et ignóbiles, simul in unum dives et pauper. (Serm. 3 in Quadrag.) Leia também: O que aconteceu com a Quaresma? Em memória desta antiga disciplina rezam-se as Vésperas na Quaresma antes da comida, e desta indulgente antecipação da hora veio aconsoada, a qual não deve ser mais uma refeição completa. Unamos cada dia nosso jejum ao de Cristo Nosso Senhor, em testemunho da nossa obediência a Igreja nossa Mãe, do nosso agradecimento por tantos benefícios, para expiação dos nossos pecados e dos de nossos irmãos, para alivio das almas do Purgatório, e para alcançar a graça de livrar-nos de tal pecado e praticar tal virtude. Extraído do livro Manual do Cristão (Goffiné) Aos que desejarem se aprofundar, assista: Como viver bem a Quaresma: Tempo de Oração, Jejum e Abstinência #penitência #Quaresma #jejum #Oração #abstinência
- 422-682 | CAPÍTULO SEGUNDO
SEGUNDA SECÇÃO A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ CAPÍTULO SEGUNDO CREIO EM JESUS CRISTO, FILHO ÚNICO DE DEUS A BOA-NOVA: DEUS ENVIOU O SEU FILHO 422. «Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adoptivos» (Gl 4, 4-5). Esta é a «Boa-Nova de Jesus Cristo, Filho de Deus»(1): Deus visitou o seu povo(2) e cumpriu as promessas feitas a Abraão e à sua descendência (3) fê-lo para além de toda a expectativa: enviou o seu «Filho muito-amado» (4). 423. Nós cremos e confessamos que Jesus de Nazaré, judeu nascido duma filha de Israel, em Belém, no tempo do rei Herodes o Grande e do imperador César Augusto, carpinteiro de profissão, morto crucificado em Jerusalém sob o procurador Pôncio Pilatos no reinado do imperador Tibério, é o Filho eterno de Deus feito homem; que Ele «saiu de Deus» (Jo 13, 3), «desceu do céu» (Jo 3, 13; 6, 33) e «veio na carne» (5), porque «o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade […] Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos, graça sobre graça» (Jo 1, 14, 16). 424. Movidos pela graça do Espírito Santo e atraídos pelo Pai, nós cremos e confessamos a respeito de Jesus: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo» (Mt 16, 16). Foi sobre o rochedo desta fé, confessada por Pedro, que Cristo edificou a sua Igreja (6). «ANUNCIAR A INSONDÁVEL RIQUEZA DE CRISTO» (Ef 3, 8) 425. A transmissão da fé cristã é, antes de mais, o anúncio de Jesus Cristo, para Levar à fé n’Ele. Desde o princípio, os primeiros discípulos arderam no desejo de anunciar Cristo: «Nós é que não podemos deixar de dizer o que vimos e escutámos» (Act 4, 20). E convidam os homens de todos os tempos a entrar na alegria da sua comunhão com Cristo: «O que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e as nossas mãos tocaram acerca do Verbo da vida, é o que nós vos anunciamos, pois a vida manifestou-Se e nós vimo-la e dela damos testemunho: nós vos anunciamos a vida eterna que estava junto do Pai e nos foi manifestada. Nós vos anunciamos o que vimos e ouvimos, para que estejais também em comunhão connosco. E a comunhão em que estamos é com o Pai e com o seu Filho, Jesus Cristo. E escrevemos tudo isto para a nossa alegria ser completa» (1 Jo, 1, 1-4). NO CORAÇÃO DA CATEQUESE: CRISTO 426. «No coração da catequese, encontramos essencialmente uma Pessoa: Jesus de Nazaré, Filho único do Pai […], que sofreu e morreu por nós e que agora, ressuscitado, vive connosco para sempre […]. Catequizar […] é revelar, na Pessoa de Cristo, todo o desígnio eterno de Deus […]. É procurar compreender o significado dos gestos e das palavras de Cristo e dos sinais por Ele realizados» (7). O fim da catequese é «pôr em comunhão com Jesus Cristo: somente Ele pode levar ao amor do Pai, no Espírito, e fazer-nos participar na vida da Santíssima Trindade» (8). 427. «Na catequese, é Cristo, Verbo Encarnado e Filho de Deus, que é ensinado; tudo o mais é-o em referência a Ele. E só Cristo ensina. Todo e qualquer outro o faz apenas na medida em que é seu porta-voz, consentindo em que Cristo ensine pela sua boca […]. Todo o catequista deveria poder aplicar a si próprio a misteriosa palavra de Jesus: “A minha doutrina não é minha, mas d’Aquele que Me enviou” (Jo 7, 16)» (9). 428. Aquele que é chamado a «ensinar Cristo» deve, portanto, antes de mais nada, procurar «esse lucro sobreeminente que é o conhecimento de Jesus Cristo». Tem de «aceitar perder tudo […] para ganhar Cristo e encontrar-se n’Ele» e «conhecê-Lo, a Ele, na força da sua ressurreição e na comunhão com os seus sofrimentos, conformar-se com Ele na morte, na esperança de chegar a ressuscitar dos mortos» (Fl 3, 8-11). 429. Deste conhecimento amoroso de Cristo brota o desejo de O anunciar, de «evangelizar» e levar os outros ao «sim» da fé em Jesus Cristo. Mas, ao mesmo tempo, faz-se sentir a necessidade de conhecer sempre melhor esta fé. Com esse objectivo, seguindo a ordem do Símbolo da fé, primeiro serão apresentados os principais títulos de Jesus: Cristo, Filho de Deus, Senhor (Artigo 2). O Símbolo confessa, em seguida, os principais mistérios da vida de Cristo: da sua Encarnação (Artigo 3), da sua Páscoa (Artigos 4 e 5) e, por fim, da sua Glorificação (Artigos 6 e 7). ARTIGO 2 «E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR» I. Jesus 430. Em hebraico, Jesus quer dizer «Deus salva». Quando da Anunciação, o anjo Gabriel dá-Lhe como nome próprio o nome de Jesus, o qual exprime, ao mesmo tempo, a sua identidade e a sua missão (10). Uma vez que «só Deus pode perdoar os pecados» (Mc 2, 7), será Ele quem, em Jesus, seu Filho eterno feito homem, «salvará o seu povo dos seus pecados»(Mt 1, 21). Em Jesus, Deus recapitula, assim, toda a sua história de salvação em favor dos homens. 431. Nesta história da salvação, Deus não Se contenta com libertar Israel «da casa da escravidão» (Dt 5, 6), fazendo-o sair do Egipto. Salvou-o também do seus pecados. Porque o pecado é sempre uma ofensa feita a Deus (11), só Ele é que pode absolvê-lo (12). É por isso que Israel, tomando cada vez mais consciência da universalidade do pecado, só poderá procurar a salvação na invocação do nome do Deus Redentor (13). 432. O nome de Jesus significa que o próprio nome de Deus está presente na pessoa do seu Filho (14) feito homem para a redenção universal e definitiva dos pecados. Ele é o único nome divino que traz a salvação (15) e pode desde agora ser invocado por todos, pois a todos os homens Se uniu pela Encarnação (16), de tal modo que «não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos» (Act 4, l2) (17). 433. O nome de Deus salvador era invocado apenas uma vez por ano, pelo sumo sacerdote, para expiação dos pecados de Israel, depois de ter aspergido o propiciatório do «santo dos santos» com o sangue do sacrifício (18). O propiciatório era o lugar da presença de Deus (19). Quando São Paulo diz de Jesus que Deus O «ofereceu para, n’Ele, pelo seu sangue, se realizar a expiação» (Rm 3, 25), quer dizer que, na sua humanidade, «era Deus que em Cristo reconciliava o mundo consigo» (2 Cor 5, 19). 434. A ressurreição de Jesus glorifica o nome de Deus salvador (20) porque, a partir daí, é o nome de Jesus que manifesta em plenitude o poder supremo do nome que está acima de todos os nomes» (Fl 2, 9-10). Os espíritos maus temem o seu nome (21) e é em seu nome que os discípulos de Jesus fazem milagres (22), porque tudo o que pedem ao Pai, em seu nome, Ele lho concede (23). 435. O nome de Jesus está no centro da oração cristã. Todas as orações litúrgicas se concluem com a fórmula «per Dominum nostrum Jesum Christum – por nosso Senhor Jesus Cristo». A Ave-Maria culmina nas palavras «e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus». A oração-do-coração dos Orientais, chamada «oração a Jesus», diz: «Jesus Cristo, Filho de Deus, Senhor, tem piedade de mim, pecador». E muitos cristãos morrem, como Santa Joana d’Arc, tendo nos lábios apenas uma palavra: «Jesus» (24). II. Cristo 436. Cristo vem da tradução grega do termo hebraico «Messias», que quer dizer «ungido». Só se torna nome próprio de Jesus porque Ele cumpre perfeitamente a missão divina que tal nome significa. Com efeito, em Israel eram ungidos, em nome de Deus, aqueles que Lhe eram consagrados para uma missão d’Ele dimanada. Era o caso dos reis (25), dos sacerdotes (26) e, em raros casos, dos profetas (27). Este devia ser, por excelência, o caso do Messias, que Deus enviaria para estabelecer definitivamente o seu Reino (28). O Messias devia ser ungido pelo Espírito do Senhor (29), ao mesmo tempo como rei e sacerdote (30) mas também como profeta (31). Jesus realizou a expectativa messiânica de Israel na sua tríplice função de sacerdote, profeta e rei. 437. O anjo anunciou aos pastores o nascimento de Jesus como sendo o do Messias prometido a Israel: «nasceu-vos hoje, na cidade de David, um salvador que é Cristo, Senhor» (Lc 2, 11). Desde a origem, Ele é «Aquele que o Pai consagrou e enviou ao mundo» (Jo 10, 36), concebido como «santo» no seio virginal de Maria (32). José foi convidado por Deus a «levar para sua casa Maria, sua esposa», grávida d’«Aquele que nela foi gerado pelo poder do Espírito Santo» (Mt 1, 20), para que Jesus, «chamado Cristo», nascesse da esposa de José, na descendência messiânica de David (Mt 1, 16) (33). 438. A consagração messiânica de Jesus manifesta a sua missão divina. «Aliás, é o que indica o seu próprio nome; porque no nome de Cristo está subentendido Aquele que ungiu. Aquele que foi ungido e a própria Unção com que foi ungido. Aquele que ungiu é o Pai, Aquele que foi ungido é o Filho, e foi-o no Espírito que é a Unção» (34). A sua eterna consagração messiânica revelou-se no tempo da sua vida terrena, quando do seu baptismo por João, altura em que «Deus O ungiu com o Espírito Santo e poder» (Act 10, 38), «para que se manifestasse a Israel» (Jo 1, 31) como seu Messias. As suas obras e palavras dá-lo-ão a conhecer como «o santo de Deus» (35). 439. Numerosos judeus, e mesmo alguns pagãos que partilhavam da sua esperança, reconheceram em Jesus os traços fundamentais do messiânico «filho de David», prometido por Deus a Israel (36). Jesus aceitou o título de Messias a que tinha direito (37), mas não sem reservas, uma vez que esse título era compreendido, por numerosos dos seus contemporâneos, segundo um conceito demasiado humano (38), essencialmente político (39). 440. Jesus aceitou a profissão de fé de Pedro, que O reconhecia como o Messias, anunciando a paixão próxima do Filho do Homem (40). Revelou o conteúdo autêntico da sua realeza messiânica, ao mesmo tempo na identidade transcendente do Filho do Homem «que desceu do céu» (Jo 3, 13)(41) e na sua missão redentora como Servo sofredor: «O Filho do Homem […] não veio para ser servido, veio para servir e dar a vida como resgate pela multidão» (Mt 20, 28) (42). Foi por isso que o verdadeiro sentido da sua realeza só se manifestou do cimo da cruz (43). E só depois da ressurreição, a sua realeza messiânica poderá ser proclamada por Pedro perante o Povo de Deus: «Saiba, com absoluta certeza, toda a casa de Israel, que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes» (Act 2, 36). III. Filho único de Deus 441. Filho de Deus, no Antigo Testamento, é um título dado aos anjos (44), ao povo eleito (45) aos filhos de Israel (46) e aos seus reis (47). Nestes casos, significa uma filiação adoptiva, que estabelece entre Deus e a sua criatura relações de particular intimidade. Quando o Rei-Messias prometido é chamado «filho de Deus» (48), isso não implica necessariamente, segundo o sentido literal de tais textos, que Ele seja mais que um simples ser humano. Os que assim designaram Jesus, enquanto Messias de Israel (49), talvez não tenham querido dizer mais (50). 442. Mas não é este o caso de Pedro, quando confessa Jesus como «Cristo, o Filho de Deus vivo» (51), porque Jesus responde-lhe solenemente: «não foram a carne nem o sangue que to revelaram, mas sim o meu Pai que está nos céus» (Mt 16, 17). De igual modo, Paulo dirá, a propósito da sua conversão no caminho de Damasco: «Quando aprouve a Deus – que me escolheu desde o seio de minha mãe e me chamou pela sua graça – revelar o seu Filho em mim, para que O anuncie como Evangelho aos gentios…» (Gl 1, 15-16). «E logo começou a proclamar nas sinagogas que Jesus era o Filho de Deus» (Act 9, 20). Será este, desde o princípio (52),o núcleo da fé apostólica (53), primeiramente professada por Pedro como fundamento da Igreja (54). 443. Se Pedro pôde reconhecer o carácter transcendente da filiação divina de Jesus-Messias, foi porque Este lha deixou perceber nitidamente. Diante do Sinédrio, à pergunta dos seus acusadores: «Então, tu és o Filho de Deus?» Jesus respondeu: «É como dizeis, sou» (Lc 22, 70) (55). Já muito antes, Ele Se designara como «o Filho» que conhece o Pai (56), diferente dos «servos» que Deus anteriormente enviara ao seu povo (57), superior aos próprios anjos (58). Ele distinguiu a sua filiação da dos Seus discípulos, nunca dizendo «Pai nosso» (59), a não ser para lhes ordenar: «vós, quando rezardes, dizei assim: Pai nosso» (Mt 6,9); e sublinhou esta distinção: «o meu Pai e vosso Pai» (Jo 20, 17). 444. Os evangelhos referem, em dois momentos solenes, no baptismo e na transfiguração de Cristo, a voz do Pai, que O designa como seu «filho muito-amado» (60). Jesus designa-Se a Si próprio como «o Filho único de Deus» (Jo 3, 16), afirmando por este título a sua preexistência eterna (61). E exige a fé «no nome do Filho único de Deus» (Jo 3, 18). Esta profissão de fé cristã aparece já na exclamação do centurião diante de Jesus crucificado: «Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus!» (Mc 15, 39); porque somente no Mistério Pascal o crente pode dar pleno significado ao título de «Filho de Deus». 445. É depois da ressurreição que a filiação divina de Jesus aparece no poder da sua humanidade glorificada: «Segundo o Espírito santificante, pela sua ressurreição de entre os mortos, Ele foi estabelecido como Filho de Deus em poder» (Rm 1, 4) (62). E os Apóstolos poderão confessar: «Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como a Filho único, cheio de graça e de verdade» (Jo 1, 14). IV. Senhor 446. Na tradução grega dos Livros do Antigo Testamento, o nome inefável sob o qual Deus Se revelou a Moisés (63), YHWH, é traduzido por « Kyrios» («Senhor»). Senhor torna-se, desde então, o nome mais habitual para designar a própria divindade do Deus de Israel. É neste sentido forte que o Novo Testamento utiliza o título de «Senhor», tanto para o Pai como também – e aí é que está a novidade – para Jesus, assim reconhecido como sendo Ele próprio Deus (64). 447. O próprio Jesus veladamente atribui a Si mesmo este título, quando discute com os fariseus sobre o sentido do Salmo 110 (65), e também, de modo explícito, ao dirigir-Se aos Apóstolos (66). Ao longo de toda a vida pública, os seus gestos de domínio sobre a natureza, sobre as doenças, sobre os demónios, sobre a morte e o pecado, demonstravam a sua soberania divina. 448. Muitíssimas vezes, nos evangelhos, aparecem pessoas que se dirigem a Jesus chamando-lhe «Senhor». Este título exprime o respeito e a confiança dos que se aproximam de Jesus e d’Ele esperam socorro e cura (67). Pronunciado sob a moção do Espírito Santo, exprime o reconhecimento do Mistério divino de Jesus (68). No encontro com Jesus ressuscitado, transforma-se em adoração: «Meu Senhor e meu Deus» (Jo 20, 28). Assume então uma conotação de amor e afeição, que vai ficar como típica da tradição cristã: «E o Senhor!» (Jo 21, 7). 449. Ao atribuir a Jesus o título divino de Senhor, as primeiras confissões de fé da Igreja afirmam, desde o princípio (69), que o poder, a honra e a glória, devidos a Deus Pai, também são devidos a Jesus (70), porque Ele é «de condição divina» (Fl 2, 6) e o Pai manifestou esta soberania de Jesus ressuscitando-O de entre os mortos e exaltando-O na sua glória (71). 450. Desde o princípio da história cristã, a afirmação do senhorio de Jesus sobre o mundo e sobre a história (72) significa também o reconhecimento de que o homem não deve submeter a sua liberdade pessoal, de modo absoluto, a nenhum poder terreno, mas somente a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo: César não é o «Senhor»(73). «A Igreja crê… que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontra no seu Senhor e Mestre» (74). 451. A oração cristã é marcada pelo título de «Senhor», quer no convite à oração: «O Senhor esteja convosco», quer na conclusão da mesma: «Por nosso Senhor Jesus Cristo», quer ainda pelo grito cheio de confiança e de esperança: «Maran atha» («O Senhor vem!») ou «Marana tha» («Vem, Senhor!») (1 Cor 16, 22): «Amen, vem, Senhor Jesus!» (Ap 22, 20). Resumindo: 452. O nome de Jesus significa «Deus salva». O menino nascido da Virgem Maria é chamado «Jesus», «porque salvará o seu povo dos seus pecados» (Mt 1, 21); «não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos» (Act 4, 12). 453. O nome de Cristo significa «Ungido», «Messias». Jesus é Cristo, porque «Deus O ungiu com o Espírito Santo e o poder» (Act 10, 38). Ele era «Aquele que estava para vir» (Lc 7, 19), o objecto da «esperança de Israel» (75). 454. O nome de Filho de Deus significa a relação única e eterna de Jesus Cristo com Deus seu Pai: Ele é o Filho único do Pai (76) e, Ele próprio, Deus (77). Crer que Jesus Cristo é o Filho de Deus é condição necessária para ser cristão (78). 455. O nome de Senhor significa a soberania divina. Confessar ou invocar Jesus como Senhor é crer na sua divindade. «Ninguém pode dizer “Jesus é Senhor”, a não ser pela acção do Espírito Santo» (1 Co 12, 3). ARTIGO 3 «JESUS CRISTO FOI CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO E NASCEU DA VIRGEM MARIA» PARÁGRAFO 1 O FILHO DE DEUS FEZ-SE HOMEM I. Porque é que o Verbo encarnou? 456. Com o Credo Niceno-Constantinopolitano, respondemos confessando: «Por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus; e encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria e Se fez homem» (79). 457. O Verbo fez-Se carne para nos salvar, reconciliando-nos com Deus: «Foi Deus que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados» (1 Jo 4, 10). «O Pai enviou o Filho como salvador do mundo» (1 Jo 4, 14). «E Ele veio para tirar os pecados» (1 Jo 3, 5): «Enferma, a nossa natureza precisava de ser curada; decaída, precisava de ser elevada; morta, precisava de ser ressuscitada. Tínhamos perdido a posse do bem; era preciso que nos fosse restituído. Encerrados nas trevas, precisávamos de quem nos trouxesse a luz; cativos, esperávamos um salvador: prisioneiros, esperávamos um auxílio; escravos, precisávamos dum libertador. Seriam razões sem importância? Não seriam suficientes para comover a Deus, a ponto de O fazer descer até à nossa natureza humana para a visitar, já que a humanidade se encontrava em estado tão miserável e infeliz?» (80). 458. O Verbo fez-Se carne, para que assim conhecêssemos o amor de Deus: «Assim se manifestou o amor de Deus para connosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que vivamos por Ele» (I Jo 4, 9). «Porque Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16). 459. O Verbo fez-Se carne, para ser o nosso modelo de santidade: «Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim […]» (Mt 11, 29). «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim» (Jo 14, 6). E o Pai, na montanha da Transfiguração, ordena: «Escutai-o» (Mc 9, 7) (81). De facto, Ele é o modelo das bem-aventuranças e a norma da Lei nova: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 15, 12). Este amor implica a oferta efectiva de nós mesmos, no seu seguimento (82). 460. O Verbo fez-Se carne, para nos tornar «participantes da natureza divina» (2 Pe 1, 4): «Pois foi por essa razão que o Verbo Se fez homem, e o Filho de Deus Se fez Filho do Homem: foi para que o homem, entrando em comunhão com o Verbo e recebendo assim a adopção divina, se tornasse filho de Deus» (83). «Porque o Filho de Deus fez-Se homem, para nos fazer deuses» (84). «Unigenitus […] Dei Filias, suae divinitatis volens nos esse participes, naturam nostram assumpsit, ut homines deos faceret factos homo – O Filho Unigénito de Deus, querendo que fôssemos participantes da sua divindade, assumiu a nossa natureza para que, feito homem, fizesse os homens deuses» (84). II. A Encarnação 461. Retomando a expressão de São João («o Verbo fez-Se carne»: Jo 1, 14), a Igreja chama «Encarnação» ao facto de o Filho de Deus ter assumido uma natureza humana, para nela levar a efeito a nossa salvação. Num hino que nos foi conservado por São Paulo, a Igreja canta este mistério: «Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus. Ele, que era de condição divina, não se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio, assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte, e morte de Cruz» (Fl 2, 5-8) (86). 462. A Epístola aos Hebreus fala do mesmo mistério: «É por isso que, ao entrar neste mundo, Cristo diz: “Não quiseste sacrifícios e oferendas, mas formaste-Me um corpo. Holocaustos e imolações pelo pecado não Te foram agradáveis. Então Eu disse: Eis-Me aqui […] para fazer a tua vontade”» (Heb 10, 5-7, citando o Sl 40. 7-9, segundo os LXX). 463. A fé na verdadeira Encarnação do Filho de Deus é o sinal distintivo da fé cristã: «Nisto haveis de reconhecer o Espírito de Deus: todo o espírito que confessa a Jesus Cristo encarnado é de Deus» (1 Jo 4, 2). É esta a alegre convicção da Igreja desde o seu princípio, ao cantar «o grande mistério da piedade»: «Ele manifestou-Se na carne» (1 Tm 3, 16). III. Verdadeiro Deus e verdadeiro homem 464. O acontecimento único e absolutamente singular da Encarnação do Filho de Deus não significa que Jesus Cristo seja em parte Deus e em parte homem, nem que seja o resultado de uma mistura confusa do divino com o humano. Ele fez-Se verdadeiro homem, permanecendo verdadeiro Deus. Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Esta verdade da fé, teve a Igreja de a defender e clarificar no decurso dos primeiros séculos, perante heresias que a falsificavam. 465. As primeiras heresias negaram menos a divindade de Cristo que a sua verdadeira humanidade (docetismo gnóstico). Desde os tempos apostólicos que a fé cristã insistiu sobre a verdadeira Encarnação do Filho de Deus «vindo na carne» (87). Mas, a partir do século III, a Igreja teve de afirmar, contra Paulo de Samossata, num concilio reunido em Antioquia, que Jesus Cristo é Filho de Deus por natureza e não por adopção. O primeiro Concílio ecuménico de Niceia, em 325, confessou no seu Credo que o Filho de Deus é «gerado, não criado, consubstancial (‘homoúsios’) ao Pai» (88); e condenou Ario, o qual afirmava que «o Filho de Deus saiu do nada» (89) e devia ser «duma substância diferente da do Pai» (90). 466. A heresia nestoriana via em Cristo uma pessoa humana unida à pessoa divina do Filho de Deus. Perante esta heresia, São Cirilo de Alexandria e o terceiro Concilio ecuménico, reunido em Éfeso em 431,confessaram que «o Verbo, unindo na sua pessoa uma carne animada por uma alma racional, Se fez homem» (91). A humanidade de Cristo não tem outro sujeito senão a pessoa divina do Filho de Deus, que a assumiu e a fez sua desde que foi concebida. Por isso, o Concílio de Éfeso proclamou, cm 431, que Maria se tornou, com toda a verdade. Mãe de Deus, por ter concebido humanamente o Filho de Deus em seu seio: «Mãe de Deus, não porque o Verbo de Deus dela tenha recebido a natureza divina, mas porque dela recebeu o corpo sagrado, dotado duma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne» (92). 467. Os monofisitas afirmavam que a natureza humana tinha deixado de existir, como tal, em Cristo, sendo assumida pela sua pessoa divina de Filho de Deus. Confrontando-se com esta heresia, o quarto Concílio ecuménico, em Calcedónia, no ano de 451, confessou: «Na sequência dos santos Padres, ensinamos unanimemente que se confesse um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, igualmente perfeito na divindade e perfeito na humanidade, sendo o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, composto duma alma racional e dum corpo, consubstancial ao Pai pela sua divindade, consubstancial a nós pela sua humanidade, «semelhante a nós em tudo, menos no pecado» (93): gerado do Pai antes de todos os séculos segundo a divindade, e nestes últimos dias, por nós e pela nossa salvação, nascido da Virgem Mãe de Deus segundo a humanidade. Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho Único, que devemos reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação. A diferença das naturezas não é abolida pela sua união; antes, as propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas numa só pessoa e numa só hipóstase» (94). 468. Depois do Concílio de Calcedónia, alguns fizeram da natureza humana de Cristo uma espécie de sujeito pessoal. Contra eles, o quinto Concílio ecuménico, reunido em Constantinopla em 553, confessou a propósito de Cristo: «não há n’Ele senão uma só hipóstase (ou pessoa), que é nosso Senhor Jesus Cristo, um da santa Trindade» (95). Tudo na humanidade de Cristo deve, portanto, ser atribuído à sua pessoa divina como seu sujeito próprio (96); não só os milagres, mas também os sofrimentos (97) e a própria morte: «Aquele que foi crucificado na carne, nosso Senhor Jesus Cristo, é verdadeiro Deus, Senhor da glória e um da Santíssima Trindade» (98). 469. Assim, a Igreja confessa que Jesus é inseparavelmente verdadeiro Deus e verdadeiro homem. É verdadeiramente o Filho de Deus feito homem, nosso irmão, e isso sem deixar de ser Deus, nosso Senhor: «Id quod fuit remansit, et quod non fuit assumpsit» – «Continuou a ser o que era e assumiu o que não era», como canta a Liturgia Romana (90). E a Liturgia de São João Crisóstomo proclama e canta: «Ó Filho único e Verbo de Deus, sendo imortal. Vos dignastes, para nossa salvação, encarnar no seio da Santa Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, e sem mudança Vos fizestes homem e fostes crucificado! Ó Cristo Deus, que por Vossa morte esmagastes a morte, que sois um da Santíssima Trindade, glorificado com o Pai e o Espírito Santo, salvai-nos!» (100). IV. Como é que o Filho de Deus é homem 470. Uma vez que, na união misteriosa da Encarnação, «a natureza humana foi assumida, não absorvida» (101), a Igreja, no decorrer dos séculos, foi levada a confessar a plena realidade da alma humana, com as suas operações de inteligência e vontade, e do corpo humano de Cristo. Mas, paralelamente, a mesma Igreja teve de lembrar repetidamente que a natureza humana de Cristo pertence, como própria, à pessoa divina do Filho de Deus que a assumiu. Tudo o que Ele fez e faz nela, depende de «um da Trindade». Portanto, o Filho de Deus comunica à sua humanidade o seu próprio modo de existir pessoal na Santíssima Trindade. E assim, tanto na sua alma como no seu corpo, Cristo exprime humanamente os costumes divinos da Trindade (102): «O Filho de Deus trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (103). A ALMA E O CONHECIMENTO HUMANO DE CRISTO 471. Apolinário de Laodiceia afirmava que, em Cristo, o Verbo tinha ocupado o lugar da alma ou do espírito. Contra este erro, a Igreja confessou que o Filho eterno assumiu também uma alma racional humana (104). 472. Esta alma humana, que o Filho de Deus assumiu, é dotada de um verdadeiro conhecimento humano. Como tal, este não podia ser por si mesmo ilimitado. Exercia-se nas condições históricas da sua existência no espaço e no tempo. Foi por isso que o Filho de Deus, fazendo-Se homem, pôde aceitar «crescer em sabedoria, estatura e graça» (Lc 2, 52) e também teve de Se informar sobre o que, na condição humana, deve aprender-se de modo experimental (105). Isso correspondia à realidade do seu abatimento voluntário na «condição de servo» (106). 473. Mas, ao mesmo tempo, este conhecimento verdadeiramente humano do Filho de Deus exprimia a vida divina da sua pessoa (107). «A natureza humana do Filho de Deus, não por si mesma, mas pela sua união com o Verbo, conhecia e manifestava em si tudo o que é próprio de Deus» (108). É o caso, em primeiro lugar, do conhecimento íntimo e imediato que o Filho de Deus feito homem tem do seu Pai (109). O Filho também mostrava, no seu conhecimento humano, a clarividência divina que tinha dos pensamentos secretos do coração dos homens (110). 474. Pela sua união com a Sabedoria divina na pessoa do Verbo Encarnado, o conhecimento humano de Cristo gozava, em plenitude, da ciência dos desígnios eternos que tinha vindo revelar (111). O que neste domínio Ele reconhece ignorar (112) declara, noutro ponto, não ter a missão de o revelar (113). A VONTADE HUMANA DE CRISTO 475. De igual modo, a Igreja confessou, no sexto Concilio ecuménico, que Cristo possui duas vontades e duas operações naturais, divinas e humanas, não opostas mas cooperantes, de maneira que o Verbo feito carne quis humanamente, em obediência ao Pai, tudo quanto decidiu divinamente com o Pai e o Espírito Santo para a nossa salvação (114). A vontade humana de Cristo «segue a sua vontade divina, sem fazer resistência nem oposição em relação a ela, antes estando subordinada a essa vontade omnipotente» (115). O VERDADEIRO CORPO DE CRISTO 476. Uma vez que o Verbo Se fez carne, assumindo uma verdadeira natureza humana, o corpo de Cristo era circunscrito (116). Portanto, o rosto humano de Jesus pode ser «pintado» (117). No VII Concílio ecuménico (118), a Igreja reconheceu como legítimo que ele fosse representado em santas imagens. 477. Ao mesmo tempo, a Igreja sempre reconheceu que, no corpo de Jesus, «Deus que, por sua natureza, era invisível, tornou-Se visível aos nossos olhos» (119). Com efeito, as particularidades individuais do corpo de Cristo exprimem a pessoa divina do Filho de Deus. Este fez seus os traços do seu corpo humano, de tal modo que, pintados numa imagem sagrada, podem ser venerados porque o crente que venera a sua imagem, «venera nela a pessoa nela representada» (120). O CORAÇÃO DO VERBO ENCARNADO 478. Jesus conheceu-nos e amou-nos, a todos e a cada um, durante a sua vida, a sua agonia e a sua paixão, entregando-Se por cada um de nós: «O Filho de Deus amou-me e entregou-Se por mim» (Gl 2, 20). Amou-nos a todos com um coração humano. Por esse motivo, o Sagrado Coração de Jesus, trespassado pelos nossos pecados e para nossa salvação (121), «praecipuus consideratur index et symbolus… illius amoris, quo divinus Redemptor aeternum Patrem hominesque universos continenter adamat é considerado sinal e símbolo por excelência… daquele amor com que o divino Redentor ama sem cessar o eterno Pai e todos os homens» (122). Resumindo: 479. No tempo estabelecido por Deus, o Filho Unigénito do Pai, a Palavra eterna, isto é, o Verbo e imagem substancial do Pai, encarnou. Sem perder a natureza divina, assumiu a natureza humana. 480. Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, na unidade da sua Pessoa divina; por essa razão, Ele é o único mediador entre Deus e os homens. 481. Jesus Cristo tem duas naturezas, a divina e a humana, não confundidas, mas unidas na única Pessoa do Filho de Deus. 482. Verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Cristo tem uma inteligência e uma vontade humanas em perfeito acordo e submissão à inteligência e vontade divinas, que Ele tem em comum com o Pai e o Espírito Santo. 483. A encarnação é, pois, o mistério da união admirável da natureza divina e da natureza humana, na única Pessoa do Verbo. PARÁGRAFO 2 «… CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, NASCIDO DA VIRGEM MARIA» I. Concebido pelo poder do Espírito Santo… 484. A Anunciação a Maria inaugura a «plenitude dos tempos» (Gl 4, 4), isto é, o cumprimento das promessas e dos preparativos. Maria é convidada a conceber Aquele em quem habitará «corporalmente toda a plenitude da Divindade» (Cl 2, 9). A resposta divina ao seu «como será isto, se Eu não conheço homem?» (Lc 1, 34) é dada pelo poder do Espírito: «O Espírito Santo virá sobre ti» (Lc 1, 35). 485. A missão do Espírito Santo está sempre unida e ordenada à do Filho (123). O Espírito Santo, que é «o Senhor que dá a Vida», é enviado para santificar o seio da Virgem Maria e para a fecundar pelo poder divino, fazendo-a conceber o Filho eterno do Pai, numa humanidade originada da sua. 486. Tendo sido concebido como homem no seio da Virgem Maria, o Filho único do Pai é «Cristo», isto é, ungido pelo Espírito Santo (124), desde o princípio da sua existência humana, embora a sua manifestação só se venha a fazer progressivamente: aos pastores (125), aos magos 126), a João Baptista (127), aos discípulos (128). Toda a vida de Jesus Cristo manifestará, portanto, «como Deus O ungiu com o Espírito Santo e o poder» (Act 10, 38). II. …nascido da Virgem Maria 487. O que a fé católica crê, a respeito de Maria, funda-se no que crê a respeito de Cristo. Mas o que a mesma fé ensina sobre Maria esclarece, por sua vez, a sua fé em Cristo. A PREDESTINAÇÃO DE MARIA 488. «Deus enviou o seu Filho» (GI 4, 4). Mas, para Lhe «formar um corpo» (129), quis a livre cooperação duma criatura. Para isso, desde toda a eternidade, Deus escolheu, para ser a Mãe do seu Filho, uma filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré, na Galileia, «virgem que era noiva de um homem da casa de David, chamado José. O nome da virgem era Maria» (Lc 1, 26-27): «O Pai das misericórdias quis que a aceitação, por parte da que Ele predestinara para Mãe, precedesse a Encarnação, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, também outra mulher contribuísse para a vida (130). 489. Ao longo da Antiga Aliança, a missão de Maria foi preparada pela missão de santas mulheres. Logo no princípio, temos Eva; apesar da sua desobediência, ela recebe a promessa duma descendência que sairá vitoriosa do Maligno(131) e de vir a ser a mãe de todos os vivos (132). Em virtude desta promessa, Sara concebe um filho, apesar da sua idade avançada (133). Contra toda a esperança humana, Deus escolheu o que era tido por incapaz e fraco (134) para mostrar a sua fidelidade à promessa feita: Ana, a mãe de Samuel (135), Débora, Rute, Judite e Ester e muitas outras mulheres. Maria «é a primeira entre os humildes e pobres do Senhor, que confiadamente esperam e recebem a salvação de Deus. Com ela, enfim, excelsa filha de Sião, passada a longa espera da promessa, cumprem-se os tempos e inaugura-se a nova economia da salvação» (136). A IMACULADA CONCEIÇÃO 490. Para vir a ser Mãe do Salvador, Maria «foi adornada por Deus com dons dignos de uma tão grande missão» (137). O anjo Gabriel, no momento da Anunciação, saúda-a como «cheia de graça»(138). Efectivamente, para poder dar o assentimento livre da sua fé ao anúncio da sua vocação, era necessário que Ela fosse totalmente movida pela graça de Deus. 491. Ao longo dos séculos, a Igreja tomou consciência de que Maria, «cumulada de graça» por Deus (139), tinha sido redimida desde a sua conceição. É o que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo Papa Pio IX: «Por uma graça e favor singular de Deus omnipotente e em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada intacta de toda a mancha do pecado original no primeiro instante da sua conceição» (140). 492. Este esplendor de uma «santidade de todo singular», com que foi «enriquecida desde o primeiro instante da sua conceição» (141), vem-lhe totalmente de Cristo: foi «remida dum modo mais sublime, em atenção aos méritos de seu Filho» (142). Mais que toda e qualquer outra pessoa criada, o Pai a «encheu de toda a espécie de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo» (Ef 1, 3). «N’Ele a escolheu antes da criação do mundo, para ser, na caridade, santa e irrepreensível na sua presença» (Ef 1, 4). 493. Os Padres da tradição oriental chamam ã Mãe de Deus «a toda santa» («Panaghia»), celebram-na como «imune de toda a mancha de pecado, visto que o próprio Espírito Santo a modelou e dela fez uma nova criatura» (143). Pela graça de Deus, Maria manteve-se pura de todo o pecado pessoal ao longo de toda a vida. «FAÇA-SE EM MIM SEGUNDO A TUA PALAVRA…» 494. Ao anúncio de que dará à luz «o Filho do Altíssimo», sem conhecer homem, pela virtude do Espírito Santo (144), Maria respondeu pela «obediência da fé» (145), certa de que «a Deus nada é impossível»: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Assim, dando o seu consentimento à palavra de Deus, Maria tornou-se Mãe de Jesus. E aceitando de todo o coração, sem que nenhum pecado a retivesse, a vontade divina da salvação, entregou-se totalmente à pessoa e à obra do seu Filho para servir, na dependência d’Ele e com Ele, pela graça de Deus, o mistério da redenção (146). «Como diz Santo Ireneu, “obedecendo, Ela tornou-se causa de salvação, para si e para todo o género humano” (147). Eis porque não poucos Padres afirmam, tal como ele, nas suas pregações, que “o nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; e aquilo que a virgem Eva atou, com a sua incredulidade, desatou-o a Virgem Maria com a sua fé” (148); e, por comparação com Eva, chamam Maria a “Mãe dos vivos” e afirmam muitas vezes: “a morte veio por Eva, a vida veio por Maria”» (149). A MATERNIDADE DIVINA DE MARIA 495. Chamada nos evangelhos «a Mãe de Jesus» (Jo 2, 1; 19, 25)(150), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito Santo e desde antes do nascimento do seu Filho, como «a Mãe do meu Senhor» (Lc 1, 43). Com efeito, Aquele que Ela concebeu como homem por obra do Espírito Santo, e que Se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne, não é outro senão o Filho eterno do Pai, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é, verdadeiramente, Mãe de Deus («Theotokos») (151). A VIRGINDADE DE MARIA 496. Desde as primeiras formulações da fé (152), a Igreja confessou que Jesus foi concebido unicamente pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, afirmando igualmente o aspecto corporal deste acontecimento: Jesus foi concebido « absque semine, […] ex Spiritu Sancto – do Espírito Santo, sem sémen [de homem]» (153). Os Santos Padres vêem, na conceição virginal, o sinal de que foi verdadeiramente o Filho de Deus que veio ao mundo numa humanidade como a nossa: Diz, por exemplo, Santo Inácio de Antioquia (princípio do século II): «Vós estais firmemente convencidos, a respeito de nosso Senhor, que Ele é verdadeiramente da raça de David segundo a carne (154). Filho de Deus segundo a vontade e o poder de Deus (155); verdadeiramente nascido duma virgem […], foi verdadeiramente crucificado por nós, na sua carne, sob Pôncio Pilatos […] e verdadeiramente sofreu, como também verdadeiramente ressuscitou» (156). 497. As narrativas evangélicas (157) entendem a conceição virginal como uma obra divina que ultrapassa toda a compreensão e possibilidade humanas (158): «O que foi gerado nela vem do Espírito Santo», diz o anjo a José, a respeito de Maria, sua esposa (Mt 1, 20). A Igreja vê nisto o cumprimento da promessa divina feita através do profeta Isaías: «Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho» (Is 7, 14), segundo a tradução grega de Mt 1, 23. 498. Tem, por vezes, causado impressão o silêncio do Evangelho de São Marcos e das epístolas do Novo Testamento sobre a conceição virginal de Maria Também foi questionado, se não se trataria aqui de lendas ou construções teológicas fora do âmbito da historicidade. A isto há que responder: a fé na conceição virginal de Jesus encontrou viva oposição, troça ou incompreensão por parte dos não-crentes, judeus e pagãos (159); mas não tinha origem na mitologia pagã, nem era motivada por qualquer adaptação às ideias do tempo. O sentido deste acontecimento só é acessível à fé. que o vê no «nexo que liga os mistérios entre si» (160), no conjunto dos mistérios de Cristo, da Encarnação até à Páscoa. Já Santo Inácio de Antioquia fala deste nexo: «O príncipe deste mundo não teve conhecimento da virgindade de Maria e do seu parto, tal como da morte do Senhor: três mistérios extraordinários, que se efectuaram no silêncio de Deus» (161). MARIA – «SEMPRE VIRGEM» 499. O aprofundamento da fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria (162), mesmo no parto do Filho de Deus feito homem (163). Com efeito, o nascimento de Cristo «não diminuiu, antes consagrou a integridade virginal» da sua Mãe (164). A Liturgia da Igreja celebra Maria “Aeiparthenos” como a «sempre Virgem»(165) 500. A isso objecta-se, por vezes, que a Escritura menciona irmãos e irmãs de Jesus (166). A Igreja entendeu sempre estas passagens como não designando outros filhos da Virgem Maria. Com efeito, Tiago e José, «irmãos de Jesus» (Mt 13, 55), são filhos duma Maria discípula de Cristo (167) designada significativamente como «a outra Maria» (Mt 28, 1). Trata-se de parentes próximos de Jesus, segundo uma expressão conhecida do Antigo Testamento (168). 501. Jesus é o filho único de Maria. Mas a maternidade espiritual de Maria (169) estende-se a todos os homens que Ele veio salvar: «Ela deu à luz um Filho que Deus estabeleceu como “primogénito de muitos irmãos” (Rm 8, 29), isto é, dos fiéis para cuja geração e educação Ela coopera com amor de mãe» (170). A MATERNIDADE VIRGINAL DE MARIA NO PLANO DE DEUS 502. O olhar da fé pode descobrir, em ligação com o conjunto da Revelação, as razões misteriosas pelas quais Deus, no seu desígnio salvífico, quis que o seu Filho nascesse duma virgem. Tais razões dizem respeito tanto à pessoa e missão redentora de Cristo como ao acolhimento dessa missão por Maria, para bem de todos os homens: 503. A virgindade de Maria manifesta a iniciativa absoluta de Deus na Encarnação. Jesus só tem Deus por Pai (171). «A natureza humana, que Ele assumiu, nunca O afastou do Pai […]. Naturalmente Filho do seu Pai segundo a divindade, naturalmente Filho da sua Mãe segundo a humanidade, mas propriamente Filho de Deus nas suas duas naturezas» (172). 504. Jesus é concebido pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria, porque Ele é o Novo Adão (173), que inaugura a criação nova: «O primeiro homem veio da terra e do pó: o segundo homem veio do céu» (1 Cor 15, 47). A humanidade de Cristo é, desde a sua conceição, cheia do Espírito Santo, porque Deus «não dá o Espírito por medida» (Jo 3, 34). É da «sua plenitude», que Lhe é própria enquanto cabeça da humanidade resgatada que «nós recebemos graça sobre graça» (Jo 1, 16). 505. Jesus, o novo Adão, inaugura, pela sua conceição virginal, o novo nascimento dos filhos de adopção, no Espírito Santo, pela fé, «Como será isso?» (Lc 1, 34) (175). A participação na vida divina não procede «do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus» (Jo 1, 13). A recepção desta vida é virginal, porque inteiramente dada ao homem pelo Espírito. O sentido esponsal da vocação humana, em relação a Deus (176), foi perfeitamente realizado na maternidade virginal de Maria. 506. Maria é virgem, porque a virgindade é nela o sinal da sua fé, «sem a mais leve sombra de dúvida» (177) e da sua entrega sem reservas à vontade de Deus (178). É graças à sua fé que ela vem a ser a Mãe do Salvador: «Beatior est Maria percipiendo fïdem Christi quam concipiendo carnem Christi – Maria é mais feliz por receber a fé de Cristo do que por conceber a carne de Cristo» (179). 507. Maria é, ao mesmo tempo, virgem e mãe, porque é a figura e a mais perfeita realização da Igreja (180): «Por sua vez, a Igreja, que contempla a sua santidade misteriosa e imita a sua caridade, cumprindo fielmente a vontade do Pai, torna-se também, ela própria, mãe, pela fiel recepção da Palavra de Deus: efectivamente, pela pregação e pelo Baptismo, gera, para uma vida nova e imortal, os filhos concebidos por acção do Espírito Santo e nascidos de Deus. E também ela é virgem, pois guarda fidelidade total e pura ao seu esposo» (181). Resumindo: 508. Na descendência de Eva, Deus escolheu a Virgem Maria para ser a Mãe do seu Filho. «Cheia de graça», ela é «o mais excelso fruto da Redenção» (182). Desde o primeiro instante da sua conceição, ela foi totalmente preservada imune da mancha do pecado original, e permaneceu pura de todo o pecado pessoal ao longo da vida. 509. Maria é verdadeiramente «Mãe de Deus», pois é a Mãe do Filho eterno de Deus feito homem que, Ele próprio, é Deus. 510. Maria permaneceu «Virgem ao conceber o seu Filho, Virgem ao dá-Lo à luz, Virgem grávida, Virgem fecunda, Virgem perpétua» (183); com todo o seu ser; ela é a «serva do Senhor» (Lc 1, 38). 511. A Virgem Maria «cooperou livremente, pela sua fé e obediência, na salvação dos homens» (184). Pronunciou o seu «fiat» – faça-se – «loco totius humanae naturae – em vez de toda a humanidade» (185): pela sua obediência, tornou-se a nova Eva, mãe dos vivos. PARÁGRAFO 3 OS MISTÉRIOS DA VIDA DE CRISTO 512. Relativamente à vida de Cristo, o Símbolo da Fé apenas fala dos mistérios da Encarnação (conceição e nascimento) e da Páscoa (paixão, crucifixão, morte, sepultura, descida à mansão dos mortos, ressurreição, ascensão). Nada diz explicitamente dos mistérios da vida oculta e pública de Jesus. Mas os artigos que dizem respeito à Encarnação e à Páscoa de Jesus esclarecem toda a vida terrena de Cristo. «Tudo o que Jesus fez e ensinou desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao céu» (Act 1, 1-2) deve ser visto á luz dos mistérios do Natal e da Páscoa. 513. A catequese, segundo as circunstâncias, explanará toda a riqueza dos mistérios de Jesus. Aqui, basta indicar alguns elementos comuns a todos os mistérios da vida de Cristo (I), para depois esboçar os principais mistérios da vida oculta (II) e pública (III) de Jesus. I. Toda a vida de Cristo é mistério 514. Muitas coisas que interessam à curiosidade humana, a respeito de Jesus, não figuram nos evangelhos. Quase nada se diz da sua vida em Nazaré e mesmo grande parte da sua vida pública não é relatada (186). O que foi escrito nos evangelhos, foi-o «para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome» (Jo 20, 31). 515. Os evangelhos foram escritos por homens que foram dos primeiros a receber a fé (187) e que quiseram partilhá-la com outros. Tendo conhecido, pela fé, quem é Jesus, puderam ver e fazer ver os traços do seu mistério em toda a sua vida terrena. Desde os panos do nascimento (188) até ao vinagre da paixão (189) e ao sudário da ressurreição (190), tudo, na vida de Jesus, é sinal do seu mistério. Através dos seus gestos, milagres e palavras, foi revelado que «n’Ele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade» (Cl 2, 9). A sua humanidade aparece, assim, como «sacramento», isto é, sinal e instrumento da sua divindade e da salvação que Ele veio trazer. O que havia de visível na sua vida terrena conduz ao mistério invisível da sua filiação divina e da sua missão redentora. OS TRAÇOS COMUNS DOS MISTÉRIOS DE JESUS 516. Toda a vida de Cristo é revelação do Pai: as suas palavras e actos, os seus silêncios e sofrimentos, a maneira de ser e de falar. Jesus pode dizer: «Quem Me vê, vê o Pai» (Jo 14, 9); e o Pai: «Este é o meu Filho predilecto: escutai-O» (Lc 9, 35). Tendo-Se nosso Senhor feito homem para cumprir a vontade do Pai (191), os mais pequenos pormenores dos seus mistérios manifestam «o amor de Deus para connosco» (192). 517. Toda a vida de Cristo é mistério de redenção. A redenção vem-nos, antes de mais, pelo sangue da cruz (193). Mas este mistério está actuante em toda a vida de Cristo: já na sua Encarnação, pela qual, fazendo-Se pobre, nos enriquece com a sua pobreza (194); na vida oculta que, pela sua obediência (195), repara a nossa insubmissão; na palavra que purifica os seus ouvintes (196): nas curas e expulsões dos demónios, pelas quais «toma sobre Si as nossas enfermidades e carrega com as nossas doenças» (Mt 8, 17)(197); na ressurreição, pela qual nos justifica (198). 518. Toda a vida de Cristo é mistério de recapitulação. Tudo o que Jesus fez, disse e sofreu tinha por fim restabelecer o homem decaído na sua vocação originária: «Quando Ele encarnou e Se fez homem, recapitulou em Si a longa história dos homens e proporcionou-nos, em síntese, a salvação, de tal forma que aquilo que havíamos perdido em Adão – isto é, sermos imagem e semelhança de Deus – o recuperássemos em Cristo Jesus» (199). «Aliás, foi por isso que Cristo passou por todas as idades da vida, restituindo assim a todos os homens a comunhão com Deus» (200). A NOSSA COMUNHÃO NOS MISTÉRIOS DE JESUS 519. Toda a riqueza de Cristo «se destina a todos os homens e constitui o bem de cada um» (201). Cristo não viveu para Si mesmo, mas para nós, desde a Encarnação «por nós homens e para nossa salvação» (202) até á sua morte «por causa dos nossos pecados» (1 Cor 15, 3) e à sua ressurreição «para nossa justificação» (Rm 4, 25). Ainda agora, Ele é «o nosso advogado junto do Pai» (1 Jo 2, 1), «sempre vivo para interceder por nós» (Heb 7, 25). Com tudo o que viveu e sofreu por nós, uma vez por todas, Ele está para sempre presente «em nosso favor, na presença de Deus» (Heb 9, 24). 520. Em toda a sua vida, Jesus mostra-Se como nosso modelo (203): é «o homem perfeito» (204), que nos convida a tornarmo-nos seus discípulos e a segui-Lo; com a sua humilhação, deu-nos um exemplo a imitar (205); com a sua oração, convida-nos à oração (206); com a sua pobreza, incita–nos a aceitar livremente o despojamento e as perseguições (207). 521. Tudo o que Cristo viveu, Ele próprio faz com que o possamos viver n’Ele e Ele vivê-lo em nós. «Pela sua Encarnação, o Filho de Deus uniu-Se, de certo modo, a cada homem» (208). Nós somos chamados a ser um só com Ele; Ele faz-nos comungar, enquanto membros do seu corpo, em tudo o que Ele próprio viveu na sua carne por nós, e como nosso modelo: «Devemos continuar a completar em nós os estados e mistérios da vida de Jesus e pedir-Lhe continuamente que Se digne consumá-los perfeitamente em nós e em toda a sua Igreja […]. Na verdade, o Filho de Deus deseja comunicar e prolongar, de certo modo, os seus mistérios em nós e em toda a sua Igreja, […] quer pelas graças que decidiu conceder-nos, quer pelos efeitos que deseja produzir em nós, por meio destes mistérios. É neste sentido que Ele quer completá-los em nós» (209). II. Os mistérios da infância e da vida oculta de Jesus OS PREPARATIVOS 522. A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento tão grandioso, que Deus quis prepará-lo durante séculos. Ritos e sacrifícios, figuras e símbolos da «primeira Aliança» (210), tudo Deus faz convergir para Cristo. Anuncia-O pela boca dos profetas que se sucedem em Israel. E, por outro lado, desperta no coração dos pagãos a obscura expectativa desta vinda. 523. São João Baptista é o precursor imediato do Senhor (211), enviado para Lhe preparar o caminho (212). «Profeta do Altíssimo» (Lc 1, 76), supera todos os profetas (213), é o último deles (214) inaugura o Evangelho (215); saúda a vinda de Cristo desde o seio da sua Mãe (216) e põe a sua alegria em ser «o amigo do esposo» (Jo 3, 29) que ele designa como «Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» (Jo 1, 29). Precedendo Jesus «com o espírito e o poder de Elias» (Lc 1, 17), dá testemunho d’Ele pela sua pregação, pelo seu baptismo de conversão e, finalmente, pelo seu martírio (217). 524. Ao celebrar em cada ano a Liturgia do Advento, a Igreja actualiza esta expectativa do Messias. Comungando na longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo da sua segunda vinda (218). Pela celebração do nascimento e martírio do Precursor, a Igreja une-se ao seu desejo: «Ele deve crescer e eu diminuir» (Jo 3, 30). O MISTÉRIO DO NATAL 525. Jesus nasceu na humildade dum estábulo, no seio duma família pobre (219). As primeiras testemunhas deste acontecimento são simples pastores. E é nesta pobreza que se manifesta a glória do céu (220). A Igreja não se cansa de cantar a glória desta noite: «Hoje a Virgem dá à luz o Eterno e a terra oferece uma gruta ao Inacessível. Cantam-n’O os anjos e os pastores, e com a estrela os magos põem-se a caminho, porque Tu nasceste para nós, pequeno Infante. Deus eterno!» (221) 526. «Tornar-se criança» diante de Deus é a condição para entrar no Reino (222), e para isso, é preciso abaixar-se (223) tornar-se pequeno. Mais ainda: é preciso «nascer do Alto» (Jo 3, 7), «nascer de Deus» (224) para se «tornar filho de Deus» (225). O mistério do Natal cumpre-se em nós quando Cristo «Se forma» em nós (226). O Natal é o mistério desta «admirável permuta»: «O admirabile commercium! Creator generis humani, animatum corpus sumens de Virgine nasci dignatus est; et, procedens homo sine semine, largitus est nobis suam deitatem». – «Oh admirável permuta! O Criador do género humano, tomando corpo e alma, dignou-Se nascer duma Virgem; e, feito homem sem progenitor humano, tornou-nos participantes da sua divindade!» (227). OS MISTÉRIOS DA INFÂNCIA DE JESUS 527. A circuncisão de Jesus, oito dias depois do seu nascimento (228), sinal da sua inserção na descendência de Abraão, no povo da Aliança, da sua submissão à Lei (229) e da sua deputação para o culto de Israel, no qual participará durante toda a sua vida. Este sinal prefigura «a circuncisão de Cristo», que é o Baptismo (230). 528. A Epifania é a manifestação de Jesus como Messias de Israel, Filho de Deus e salvador do mundo. Juntamente com o baptismo de Jesus no Jordão e as bodas de Caná (231), a Epifania celebra a adoração de Jesus pelos «magos» vindos do Oriente (232). Nestes «magos», representantes das religiões pagãs circunvizinhas, o Evangelho vê as primícias das nações, que acolhem a Boa-Nova da salvação pela Encarnação. A vinda dos magos a Jerusalém, para «adorar o rei dos judeus» (233), mostra que eles procuram em Israel, à luz messiânica da estrela de David (234), Aquele que será o rei das nações (235). A sua vinda significa que os pagãos não podem descobrir Jesus e adorá-Lo como Filho de Deus e Salvador do mundo, senão voltando-se para os Judeus (236) e recebendo deles a sua promessa messiânica, tal como está contida no Antigo Testamento (237). A Epifania manifesta que «todos os povos entram na família dos patriarcas» (238) e adquire a « israelitica dignitas» – a dignidade própria do povo eleito (239). 529. A apresentação de Jesus no templo (240) mostra-O como Primogénito que pertence ao Senhor (241). Com Simeão e Ana, é toda a expectativa de Israel que vem ao encontro do seu Salvador (a tradição bizantina designa por encontro este acontecimento). Jesus é reconhecido como o Messias tão longamente esperado, «luz das nações» e «glória de Israel», mas também como «sinal de contradição». A espada de dor, predita a Maria, anuncia essa outra oblação, perfeita e única, da cruz, que trará a salvação que Deus «preparou diante de todos os povos». 530. A fuga para o Egipto e o massacre dos Inocentes (242) manifestam a oposição das trevas à luz: «Ele veio para o que era seu e os seus não O receberam» (Jo 1, 11). Toda a vida de Cristo decorrerá sob o signo da perseguição. Os seus partilham-na com Ele (243). O seu regresso do Egipto (244) lembra o Êxodo (245) e apresenta Jesus como o libertador definitivo. OS MISTÉRIOS DA VIDA OCULTA DE JESUS 531. Durante a maior parte da sua vida, Jesus partilhou a condição da imensa maioria dos homens: uma vida quotidiana sem grandeza aparente, vida de trabalho manual, vida religiosa judaica sujeita à Lei de Deus (246), vida na comunidade. De todo este período, é-nos revelado que Jesus era «submisso» a seus pais (247) e que «ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 52). 532. A submissão de Jesus à sua Mãe e ao seu pai legal foi o cumprimento perfeito do quarto mandamento. É a imagem temporal da sua obediência filial ao Pai celeste. A submissão diária de Jesus a José e a Maria anunciava e antecipava a submissão de Quinta-Feira Santa: «Não se faça a minha vontade […]» (Lc 22, 42). A obediência de Cristo, no quotidiano da vida oculta, inaugurava já a recuperação daquilo que a desobediência de Adão tinha destruído (248). 533. A vida oculta de Nazaré permite a todos os homens entrar em comunhão com Jesus, pelos diversos caminhos da vida quotidiana: «Nazaré é a escola em que se começa a compreender a vida de Jesus, é a escola em que se inicia o conhecimento do Evangelho […] Em primeiro lugar, uma lição de silêncio. Oh! se renascesse em nós o amor do silêncio, esse admirável e indispensável hábito do espírito […]! Uma lição de vida familiar Que Nazaré nos ensine o que é a família, a sua comunhão de amor, a sua austera e simples beleza, o seu carácter sagrado e inviolável […]. Uma lição de trabalho, Nazaré, a casa do “Filho do carpinteiro”! Aqui desejaríamos compreender e celebrar a lei, severa mas redentora, do trabalho humano […] Daqui, finalmente, queremos saudar os trabalhadores de todo o mundo e mostrar-lhes o seu grande modelo, o seu Irmão divino» (249) 534. O reencontro de Jesus no templo (250) é o único acontecimento que quebra o silêncio dos evangelhos sobre os anos ocultos de Jesus. Nele, Jesus deixa entrever o mistério da sua consagração total à missão decorrente da sua filiação divina: «Não sabíeis que Eu tenho de estar na casa do meu Pai?». Maria e José «não compreenderam» esta palavra, mas acolheram-na na fé, e Maria «guardava no coração todas estas recordações», ao longo dos anos em que Jesus permaneceu oculto no silêncio duma vida normal. III. Os mistérios da vida pública de Jesus O BAPTISMO DE JESUS 535 O início (251) da vida pública de Jesus é o seu baptismo por João, no rio Jordão (252). João pregava «um baptismo de penitência, em ordem à remissão dos pecados» (Lc 3, 3). Uma multidão de pecadores, publicanos e soldados (253), fariseus e saduceus (254) e prostitutas vinha ter com ele, para que os baptizasse. «Então aparece Jesus». O Baptista hesita, Jesus insiste: e recebe o baptismo. Então o Espírito Santo, sob a forma de pomba, desce sobre Jesus e uma voz do céu proclama: «Este é o meu Filho muito amado» (Mt 3,13-17). Tal foi a manifestação («epifania») de Jesus como Messias de Israel e Filho de Deus. 536. Da parte de Jesus, o seu baptismo é a aceitação e a inauguração da sua missão de Servo sofredor. Deixa-se contar entre o número dos pecadores (256). É já «o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» (Jo 1, 29), e antecipa já o «baptismo» da sua morte sangrenta (257). Vem, desde já, para «cumprir toda a justiça» (Mt 3,15). Quer dizer que Se submete inteiramente à vontade do Pai e aceita por amor o baptismo da morte para a remissão dos nossos pecados (258). A esta aceitação responde a voz do Pai, que põe toda a sua complacência no Filho (259). O Espírito que Jesus possui em plenitude, desde a sua conceição, vem «repousar» sobre Ele (Jo 1, 32-33) (260) e Jesus será a fonte do mesmo Espírito para toda a humanidade. No baptismo de Cristo, «abriram-se os céus» (Mt 3, 16) que o pecado de Adão tinha fechado, e as águas são santificadas pela descida de Jesus e do Espírito, prelúdio da nova criação. 537. Pelo Baptismo, o cristão é sacramentalmente assimilado a Jesus que, no seu baptismo, antecipa a sua morte e ressurreição. Deve entrar neste mistério de humilde abatimento e de penitência, descer à água com Jesus, para de lá subir com Ele, renascer da água e do Espírito para se tornar, no Filho, filho-amado do Pai e «viver numa vida nova» (Rm 6, 4): «Sepultemo-nos com Cristo pelo Baptismo, para com Ele ressuscitarmos; desçamos com Ele, para com Ele sermos elevados; tornemos a subir com Ele, para n’Ele sermos glorificados» (261). «Tudo o que se passou com Cristo dá-nos a conhecer que, depois do banho de água, o Espírito Santo desce sobre nós do alto dos céus e, adoptados pela voz do Pai, tornamo-nos filhos de Deus» (262). A TENTAÇÃO DE JESUS 538. Os evangelhos falam dum tempo de solidão que Jesus passou no deserto, imediatamente depois de ter sido baptizado por João: «Impelido»pelo Espírito para o deserto, Jesus ali permanece sem comer durante quarenta dias. Vive com os animais selvagens e os anjos servem-n’O (263). No fim desse tempo, Satanás tenta-O por três vezes, procurando pôr em causa a sua atitude filial para com Deus; Jesus repele esses ataques, que recapitulam as tentações de Adão no paraíso e de Israel no deserto; e o Diabo afasta-se d’Ele «até determinada altura» (Lc 4, 13). 539. Os evangelistas indicam o sentido salvífico deste acontecimento misterioso, Jesus é o Novo Adão, que Se mantém fiel naquilo em que o primeiro sucumbiu à tentação. Jesus cumpre perfeitamente a vocação de Israel: contrariamente aos que outrora, durante quarenta anos, provocaram a Deus no deserto (264), Cristo revela-Se o Servo de Deus totalmente obediente à vontade divina. Nisto, Jesus vence o Diabo: «amarrou o homem forte», para lhe tirar os despojos (265). A vitória de Jesus sobre o tentador, no deserto, antecipa a vitória da paixão, suprema obediência do seu amor filial ao Pai. 540. A tentação de Jesus manifesta a maneira própria de o Filho de Deus ser Messias, ao contrário da que Lhe propõe Satanás e que os homens (266) desejam atribuir-Lhe. Foi por isso que Cristo venceu o Tentador, por nós: «Nós não temos um sumo-sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas; temos um, que possui a experiência de todas as provações, tal como nós, com excepção do pecado» (Heb 4, 15). Todos os anos, pelos quarenta dias da Grande Quaresma, a Igreja une-se ao mistério de Jesus no deserto. «O REINO DE DEUS ESTÁ PRÓXIMO» 541. «Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia. Aí proclamava a Boa-Nova da vinda de Deus, nestes termos: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: convertei-vos e acreditai na Boa-Nova!”» (Mc 1, 14-15). «Por isso, Cristo, a fim de cumprir a vontade do Pai, deu começo na terra ao Reino dos céus» (267). Ora a vontade do Pai é «elevar os homens à participação da vida divina» (268). E fá-lo reunindo os homens em torno do seu Filho, Jesus Cristo. Esta reunião é a Igreja, a qual é na terra «o germe e o princípio» do Reino de Deus» (269). 542. Cristo está no centro desta reunião dos homens na «família de Deus». Reúne-os à sua volta pela sua palavra, pelos seus sinais que manifestam o Reino de Deus, pelo envio dos discípulos. E realizará a vinda do seu Reino sobretudo pelo grande mistério da sua Páscoa: a sua morte de cruz e a sua ressurreição. «E Eu, uma vez elevado da Terra, atrairei todos a Mim» (Jo 12, 32). Todos os homens são chamados a esta união com Cristo (270). O ANÚNCIO DO REINO DE DEUS 543. Todos os homens são chamados a entrar no Reino. Anunciado primeiro aos filhos de Israel (271), este Reino messiânico é destinado a acolher os homens de todas as nações (272). Para ter acesso a ele, é preciso acolher a Palavra de Jesus: «A Palavra do Senhor compara-se à semente lançada ao campo: aqueles que a ouvem com fé e entram a fazer parte do pequeno rebanho de Cristo, já receberam o Reino; depois, por força própria, a semente germina e cresce até ao tempo da messe» (273). 544. O Reino é dos pobres e pequenos, quer dizer, dos que o acolheram com um coração humilde. Jesus foi enviado para «trazer a Boa-Nova aos pobres» (Lc 4, 18) (274). Declara-os bem-aventurados, porque «é deles o Reino dos céus» (Mt 5, 3). Foi aos «pequenos» que o Pai se dignou revelar o que continua oculto aos sábios e inteligentes (275). Jesus partilha a vida dos pobres, desde o presépio até à cruz: sabe o que é sofrer a fome (276), a sede (277) e a indigência (278). Mais ainda: identifica-se com os pobres de toda a espécie, e faz do amor activo para com eles a condição da entrada no seu Reino (279). 545. Jesus convida os pecadores para a mesa do Reino: «Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores» (Mc 2, 17) (280). Convida-os à conversão sem a qual não se pode entrar no Reino, mas por palavras e actos, mostra-lhes a misericórdia sem limites do Seu Pai para com eles e a imensa «alegria que haverá no céu, por um só pecador que se arrependa» (Lc 15, 7). A prova suprema deste amor será o sacrifício da sua própria vida, «pela remissão dos pecados» (Mt 26, 28). 546. Jesus chama para entrar no Reino, por meio de parábolas, traço característico do seu ensino (282). Por meio delas, convida para o banquete do Reino (283), mas exige também uma opção radical: para adquirir o Reino é preciso dar tudo (284). As palavras não bastam, exigem-se actos (285). As parábolas são, para o homem, uma espécie de espelho: como é que ele recebe a Palavra? Como chão duro, ou como terra boa? (286) Que faz ele dos talentos recebidos? (287) Jesus e a presença do Reino neste mundo estão secretamente no coração das parábolas. É preciso entrar no Reino, quer dizer, tornar-se discípulo de Cristo, para «conhecer os mistérios do Reino dos céus» (Mt 13, 11). Para os que ficam «fora» (Mc 4, 11), tudo permanece enigmático (288). OS SINAIS DO REINO DE DEUS 547. Jesus acompanha as suas palavras com numerosos «milagres, prodígios e sinais» (Act 2,22), os quais manifestam que o Reino está presente n’Ele. Comprovam que Ele é o Messias anunciado (289). 548. Os sinais realizados por Jesus testemunham que o Pai O enviou (290). Convidam a crer n’Ele (291). Aos que se Lhe dirigem com fé, concede-lhes o que pedem (292). Assim, os milagres fortificam a fé n’Aquele que faz as obras do seu Pai: testemunham que Ele é o Filho de Deus (293). Mas também podem ser «ocasião de queda» (294). Eles não pretendem satisfazer a curiosidade nem desejos mágicos. Apesar de os seus milagres serem tão evidentes, Jesus é rejeitado por alguns (295); chega mesmo a ser acusado de agir pelo poder dos demónios (296). 549. Ao libertar certos homens dos males terrenos da fome (297), da injustiça (298) da doença e da morte (299) – Jesus realizou sinais messiânicos; no entanto, Ele não veio para abolir todos os males deste mundo (300), mas para libertar os homens da mais grave das escravidões, a do pecado (301), que os impede de realizar a sua vocação de filhos de Deus e é causa de todas as servidões humanas. 550. A vinda do Reino de Deus é a derrota do reino de Satanás (302): «Se é pelo Espírito de Deus que Eu expulso os demónios, então é porque o Reino de Deus chegou até vós» (Mt 12, 28). Os exorcismos de Jesus libertam os homens do poder dos demónios (303). E antecipam a grande vitória de Jesus sobre «o príncipe deste mundo» (304). É pela cruz de Cristo que o Reino de Deus vai ser definitivamente estabelecido: «Regnavit a ligno Deus – Deus reinou desde o madeiro» (305). «AS CHAVES DO REINO» 551. Desde o princípio da sua vida pública, Jesus escolheu alguns homens, em número de doze, para andarem com Ele e participarem na sua missão (306). Deu-lhes parte na sua autoridade «e enviou-os a pregar o Reino de Deus e a fazer curas» (Lc 9, 2). Estes homens ficam para sempre associados ao Reino de Cristo, porque, por meio deles, Jesus Cristo dirige a Igreja: «Eu disponho, a vosso favor, do Reino, como meu Pai dispõe dele a meu favor, a fim de que comais e bebais à minha mesa, no meu Reino. E sentar-vos-eis em tronos, a julgar as doze tribos de Israel» (Lc 22, 29-30). 552. No colégio dos Doze, Simão Pedro ocupa o primeiro lugar (307). Jesus confiou-lhe uma missão única. Graças a uma revelação vinda do Pai, Pedro confessara: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo» (Mt 16, 16). E nosso Senhor declarou-lhe então: «Tu és Pedro: sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela» (Mt 16, 18). Cristo, «pedra viva» (308), garante à sua Igreja, edificada sobre Pedro, a vitória sobre os poderes da morte. Pedro, graças à fé que confessou, permanecerá o rochedo inabalável da Igreja. Terá a missão de defender esta fé para que nunca desfaleça e de nela confirmar os seus irmãos (309). 553. Jesus confiou a Pedro uma autoridade específica: «Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desligares na terra será desligado nos céus» (Mt 16, 19). O «poder das chaves» designa a autoridade para governar a Casa de Deus, que é a Igreja. Jesus, o «bom Pastor» (Jo 10, 11), confirmou este cargo depois da sua ressurreição: «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21, 15-17). O poder de «ligar e desligar» significa a autoridade para absolver os pecados, pronunciar juízos doutrinais e tomar decisões disciplinares na Igreja. Jesus confiou esta autoridade à Igreja pelo ministério dos Apóstolos e particularmente pelo de Pedro, o único a quem confiou explicitamente as chaves do Reino. UM ANTEGOZO DO REINO: A TRANSFIGURAÇÃO 554. A partir do dia em que Pedro confessou que Jesus era o Cristo, Filho do Deus vivo, o Mestre «começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e lá sofrer […], que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia» (Mt 16, 21). Pedro rejeita este anúncio e os outros também não o entendem (312). É neste contexto que se situa o episódio misterioso da transfiguração de Jesus (313), no cimo duma alta montanha, perante três testemunhas por Ele escolhidas: Pedro, Tiago e João. O rosto e as vestes de Jesus tornaram-se fulgurantes de luz, Moisés e Elias aparecem, «e falam da sua morte, que ia consumar-se em Jerusalém» (Lc 9, 31). Uma nuvem envolve-os e uma voz do céu diz: «Este é o meu Filho predilecto: escutai-O» (Lc 9, 35). 555. Por um momento, Jesus mostra a sua glória divina, confirmando assim a confissão de Pedro. Mostra também que, para «entrar na sua glória» (Lc 24, 26), tem de passar pela cruz em Jerusalém. Moisés e Elias tinham visto a glória de Deus sobre a montanha; a Lei e os Profetas tinham anunciado os sofrimentos do Messias (314). A paixão de Jesus é da vontade do Pai: o Filho age como Servo de Deus (315). A nuvem indica a presença do Espírito Santo: «Tota Trinitas apparuit: Pater in voce; Filius in homine; Spiritus in nube clara – Apareceu toda a Trindade: o Pai na voz; o Filho na humanidade; o Espírito Santo na nuvem luminosa» (316): «Transfiguraste-Te sobre a montanha e, na medida em que disso eram capazes, os teus discípulos contemplaram a tua glória, ó Cristo Deus; para que, quando Te vissem crucificado, compreendessem que a tua paixão era voluntária, e anunciassem ao mundo que Tu és verdadeiramente a irradiação do Pai» (317). 556. No limiar da vida pública, o baptismo; no limiar da Páscoa, a transfiguração. Pelo baptismo de Jesus «declaratum fuit mysterium primae regenerationis – foi declarado o mistério da (nossa) primeira regeneração» – o nosso Baptismo; e a transfiguração «est sacramentum secundae regenerationis – é o sacramento da (nossa) segunda regeneração» – a nossa própria ressurreição (318). Desde agora, nós participamos na ressurreição do Senhor pelo Espírito Santo que actua nos sacramentos do Corpo de Cristo. A transfiguração dá-nos um antegozo da vinda gloriosa de Cristo, «que transfigurará o nosso corpo miserável para o conformar com o seu corpo glorioso» (Fl 3, 21). Mas lembra-nos também que temos de passar por muitas tribulações para entrar no Reino de Deus» (Act 14, 22): «Era isso que Pedro ainda não tinha compreendido, quando manifestava o desejo de ficar com Cristo no cimo da montanha (319). – Isso, Ele to reservou, Pedro, para depois da morte. Mas agora, Ele próprio te diz: Desce para sofrer na Terra, para servir na Terra, para ser desprezado e crucificado na Terra. A Vida desce para se fazer matar: o Pão desce para passar fome; o Caminho desce para se cansar de andar; a Fonte desce para ter sede; – e tu recusas-te a sofrer?» (320). A SUBIDA DE JESUS PARA JERUSALÉM 557. «Ora, como se aproximavam os dias de Jesus ser levado deste mundo, Ele tomou a firme resolução de Se dirigir a Jerusalém» (Lc 9, 51) (321). Por esta decisão, indicava que subia para Jerusalém pronto para lá morrer. Já por três vezes tinha anunciado a sua paixão e a sua ressurreição (322). E ao dirigir-Se para Jerusalém, declara: «não se admite que um profeta morra fora de Jerusalém» (Lc 13, 33). 558. Jesus recorda o martírio dos profetas que tinham sido entregues à morte em Jerusalém (323). No entanto, continua a convidar Jerusalém a reunir-se à sua volta: «Quantas vezes Eu quis agrupar os teus filhos como a galinha junta os seus pintainhos sob as asas!… Mas vós não quisestes» (Mt 23, 37b). Quando já avista Jerusalém, chora sobre ela (324) e exprime, uma vez mais, o desejo do seu coração: «Se neste dia também tu tivesses conhecido o que te pode trazer a paz! Mas agora isto está oculto aos teus olhos» (Lc 19, 42). A ENTRADA MESSIÂNICA DE JESUS EM JERUSALÉM 559. Como vai Jerusalém acolher o seu Messias? Embora tenha sempre evitado as tentativas populares de O fazerem rei (325), Jesus escolheu o momento e preparou os pormenores da sua entrada messiânica na cidade de «David, seu pai» (Lc 1, 32) (326). E é aclamado como filho de David e como aquele que traz a salvação («Hosanna» quer dizer «então salva!», «dá a salvação»). Ora, o «rei da glória» (Sl 24, 7-10) entra na «sua cidade», «montado num jumento» (Zc 9, 9). Não conquista a filha de Sião, figura da sua Igreja, nem pela astúcia nem pela violência, mas pela humildade que dá testemunho da verdade (327). Por isso é que, naquele dia, os súbditos do seu Reino, são as crianças (328) e os «pobres de Deus», que O aclamam, tal como os anjos O tinham anunciado aos pastores (329). A aclamação deles: «Bendito o que vem em nome do Senhor» (Sl 118, 26) é retomada pela Igreja no «Sanctus» da Liturgia Eucarística, a abrir o memorial da Páscoa do Senhor. 560. A entrada de Jesus em Jerusalém manifesta a vinda do Reino que o Rei-Messias vai realizar pela Páscoa da sua morte e da sua ressurreição. É com a sua celebração, no Domingo de Ramos, que a Liturgia da Igreja começa a Semana Santa. Resumindo: 561. «Toda a vida de Cristo foi um contínuo ensinamento: os seus silêncios, os seus milagres, os seus gestos, a sua oração, o seu amor pelo homem, a sua predilecção pelos pequenos e pelos pobres, a aceitação do sacrifício total na cruz pela redenção do mundo, a sua ressurreição tudo é actuação da sua palavra e cumprimento da Revelação» (330). 562. Os discípulos de Cristo devem conformar-se com Ele até que Ele Se forme neles (331), «Por isso, somos assumidos nos mistérios da sua vida, configurados com Ele, com Ele mortos e ressuscitados, até que reinemos com Ele» (332). 563. Pastor ou mago, ninguém pode atingir a Deus neste mundo senão ajoelhando diante do presépio de Belém e adorando-O oculto na fraqueza duma criança. 564. Pela sua submissão a Maria e a José, assim como pelo seu trabalho humilde em Nazaré durante longos anos, Jesus dá-nos o exemplo da santidade na vida quotidiana da família e do trabalho. 565. Desde o princípio da sua vida pública, desde o seu baptismo, Jesus é o «Servo» inteiramente consagrado à obra redentora, que consumará pelo «baptismo» da sua paixão. 566. A tentação no deserto mostra Jesus como Messias humilde, que triunfa de Satanás pela total adesão ao desígnio de salvação querido pelo Pai. 567. O Reino dos céus foi inaugurado na terra por Cristo, e resplandece para os homens na palavra, nas obras e na presença de Cristo» (333). A Igreja é o gérmen e o princípio deste Reino. As suas chaves são confiadas a Pedro. 568. A transfiguração de Cristo tem por fim fortalecer a fé dos Apóstolos em vista da paixão: a subida à «alta montanha» prepara a subida ao Calvário. Cristo, cabeça da Igreja, manifesta o que o seu Corpo contém e irradia nos sacramentos: «a esperança da Glória» (Cl 1, 27) (334). 569. Jesus subiu voluntariamente a Jerusalém, sabendo perfeitamente que ali ia morrer de morte violenta, por causa da oposição dos pecadores (335). 570. A entrada de Jesus em Jerusalém manifesta a vinda do Reino, que o Rei-Messias, acolhido na cidade pelas crianças e pelos humildes de corarão, vai realizar pela Páscoa da sua morte e ressurreição. ARTIGO 4 «JESUS CRISTO PADECEU SOB PÔNCIO PILATOS FOI CRUCIFICADO, MORTO E SEPULTADO» 571. O mistério pascal da cruz e ressurreição de Cristo está no centro da Boa-Nova que os Apóstolos, e depois deles a Igreja, devem anunciar ao mundo. O desígnio salvífico de Deus cumpriu-se de «una vez por todas» (Heb 9, 26) pela morte redentora do seu Filho Jesus Cristo. 572. A Igreja permanece fiel à «interpretação de todas as Escrituras» dada pelo próprio Jesus, tanto antes como depois da sua Páscoa (336) «Não tinha o Messias de sofrer tudo isto, para entrar na sua glória?» (Lc 24, 26). Os sofrimentos de Jesus tomaram a sua forma histórica concreta, pelo facto de Ele ter sido «rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas» (Mc 8, 31), que «O entregaram aos pagãos para ser escarnecido, flagelado e crucificado» (Mt 20, 19). 573. A fé pode, portanto, esforçar-se por investigar as circunstâncias da morte de Jesus, fielmente transmitidas pelos evangelhos (337) e esclarecidas por outras fontes históricas, para melhor compreender o sentido da redenção. PARÁGRAFO 1 JESUS E ISRAEL 574. Desde o princípio do ministério público de Jesus, fariseus e partidários de Herodes, com sacerdotes e escribas, puseram-se de acordo para lhe dar a morte (338). Por alguns dos seus actos (expulsões de demónios (339); perdão dos pecados (340) curas em dia de sábado (341); interpretação original dos preceitos de pureza legal (342): trato familiar com publicanos e pecadores públicos (343), Jesus pareceu a alguns, mal intencionados, suspeito de possessão diabólica (344). Foi acusado de blasfémia (345) e de falso profetismo (346), crimes religiosos que a Lei castigava com a pena de morte por apedrejamento (347). 575. Muitas atitudes e palavras de Jesus foram, portanto, «sinal de contradição» (348) para as autoridades religiosas de Jerusalém, a quem o Evangelho de São João muitas vezes chama simplesmente «os Judeus» (349), mais ainda do que para o comum do Povo de Deus (350). Sem dúvida que as suas relações com os fariseus não foram unicamente polémicas: são fariseus que O previnem do perigo que corre (351). Jesus louva alguns de entre eles, como o escriba de Mc 12, 34, e em várias ocasiões come em casa de fariseus (352). Jesus confirma doutrinas partilhadas por esta elite religiosa do povo de Deus: a ressurreição dos mortos (353) formas de piedade (esmola, jejum e oração (354)) e o hábito de se dirigir a Deus como Pai, o carácter central do mandamento do amor de Deus e do próximo (355). 576. Aos olhos de muitos em Israel, parece que Jesus procede contra as instituições essenciais do Povo eleito: – a submissão à Lei, na totalidade dos seus preceitos escritos e, para os fariseus, na interpretação da tradição oral; – a centralidade do templo de Jerusalém, como lugar santo em que Deus habita de maneira privilegiada; – a fé no Deus único, cuja glória nenhum homem pode partilhar. I. Jesus e a Lei 577. Jesus fez uma solene advertência no início do sermão da montanha, ao apresentar a Lei dada por Deus no Sinai, quando da primeira Aliança, à luz da graça da Nova Aliança: «Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogá-los, mas levá-los à perfeição. Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a Terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequeno que seja, e ensinar assim aos homens, será o menor no Reino dos céus. Mas aquele que os praticar e ensinar, será grande no Reino dos céus» (Mt 5, 17-19). 578. Jesus, o Messias de Israel e, portanto, o maior no Reino dos céus, fazia questão de cumprir a Lei, executando-a integralmente até nos mais pequenos preceitos, segundo as suas próprias palavras. Foi, mesmo, o único a poder fazê-lo perfeitamente (356). Os Judeus, segundo a sua própria confissão, não puderam nunca cumprir integralmente a Lei sem violação do mínimo preceito (357). Por isso é que, em cada festa anual da Expiação, os filhos de Israel pediam a Deus perdão pelas suas transgressões da Lei. Com efeito, a Lei constitui um todo e, como lembra São Tiago, «quem observa toda a Lei, mas falta num só mandamento, torna-se réu de todos os outros» (Tg 2, 10) (358). 579. Este princípio da integralidade da observância da Lei, não só na letra mas também no espírito, era caro aos fariseus. Tomando-o extensivo a Israel, conduziram muitos judeus do tempo de Jesus a um zelo religioso extremo (359). E um tal zelo, se não se ficasse por uma casuística «hipócrita» (360), com certeza que prepararia o povo para esta inaudita intervenção de Deus, que será o cumprimento perfeito da Lei pelo único justo representante de todos os pecadores (361). 580. O cumprimento perfeito da Lei só podia ser obra do divino Legislador, nascido sujeito à Lei na pessoa do Filho (362). Em Jesus, a Lei já não aparece gravada em tábuas de pedra, mas «no íntimo do coração» (Jr 31, 33) do Servo, o qual, proclamando «fielmente o direito» (Is 42, 3), se tornou «a aliança do povo» (Is 42, 6). Jesus cumpriu a Lei até ao ponto de tomar sobre Si «a maldição da Lei» (363) em que incorrem aqueles que não «praticam todos os preceitos da Lei» (364); porque «a morte de Cristo foi para remir as faltas cometidas durante a primeira Aliança» (Heb 9, 15). 581. Jesus apareceu aos olhos dos Judeus e dos seus chefes espirituais como um «rabbi» (365). Muitas vezes argumentou, no quadro da interpretação rabínica da Lei (366). Mas, ao mesmo tempo, Jesus tinha forçosamente de Se confrontar com os doutores da Lei porque não Se contentava com propor a sua interpretação a par das deles: «ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas» (Mt 7, 28-29). N’Ele, era a própria Palavra de Deus, que Se fizera ouvir no Sinai, para dar a Moisés a Lei escrita, que de novo Se fazia ouvir sobre a montanha das bem-aventuranças (367). Esta Palavra de Deus não aboliu a Lei, mas cumpriu-a, ao fornecer, de modo divino, a sua interpretação última: «Ouvistes que foi dito aos antigos […] Eu, porém, digo-vos» (Mt 5, 33-34). Com esta mesma autoridade divina, desaprova certas «tradições humanas» (368) dos fariseus, que «anulam a Palavra de Deus» (369). 582. Indo mais longe, Jesus cumpriu a lei sobre a pureza dos alimentos, tão importante na vida quotidiana judaica, explicando o seu sentido «pedagógico» (370) por uma interpretação divina: «Não há nada fora do homem que, ao entrar nele, o possa tornar impuro […] – e assim declarava puros todos os alimentos – […]. O que sai do homem é que o toma impuro. Pois, do interior do coração dos homens é que saem os pensamentos perversos» (Mc 7, 18-21). Proporcionando, com autoridade divina, a interpretação definitiva da Lei, Jesus colocou-Se numa situação de confronto com certos doutores da Lei, que não aceitavam a sua interpretação, muito embora garantida pelos sinais divinos que a acompanhavam (371). Isto vale sobretudo para a questão do sábado: Jesus lembra, e muitas vezes com argumentos rabínicos (372), que o repouso sabático não é violado pelo serviço de Deus (373) ou do próximo (374) que as suas curas realizam. II. Jesus e o templo 583. Jesus, como antes d’Ele os profetas, professou pelo templo de Jerusalém o mais profundo respeito. Ali foi apresentado por José e Maria, quarenta dias depois do seu nascimento (375). Na idade de doze anos, decidiu ficar no templo para lembrar aos seus pais que tinha de Se ocupar das coisas de seu Pai (376). Ao templo subiu todos os anos, ao menos pela Páscoa, durante a vida oculta (377). O seu próprio ministério público foi ritmado pelas peregrinações a Jerusalém nas grandes festas judaicas (378). 584. Jesus subiu ao templo como quem sobe ao lugar privilegiado de encontro com Deus. O templo é para Ele a casa do seu Pai, uma casa de oração, e indigna-Se com o facto de o átrio exterior se ter tornado lugar de negócio (379). Se expulsa os vendilhões do templo é pelo amor zeloso a seu Pai: «Não façais da casa do meu Pai casa de comércio». «Os discípulos recordaram-se de que estava escrito: “O zelo pela tua casa devorar-me-á” (Sl 69, 10)» (Jo 2, 16-17). Depois da ressurreição, os Apóstolos guardaram para com o templo um respeito religioso (380). 585. No entanto, nas vésperas da sua paixão, Jesus anunciou a ruína deste esplêndido edifício, do qual não ficaria pedra sobre pedra (381). Há aqui o anúncio dum sinal dos últimos tempos, que vão iniciar-se com a sua própria Páscoa (382). Mas esta profecia pôde ser referida de modo deturpado por falsas testemunhas, quando do interrogatório a que Jesus foi sujeito em casa do sumo-sacerdote (383) e ser-Lhe lançada em rosto, como injúria, quando agonizava, pregado na cruz (384). 586. Longe de ter sido contra o templo (385) onde proclamou o essencial da sua doutrina (386), Jesus quis pagar o imposto do templo, associando a Si Pedro (387), que Ele acabara de estabelecer como pedra basilar da sua Igreja futura (388). Mais ainda: identificou-Se com o templo, apresentando-Se como a morada definitiva de Deus entre os homens (389). Por isso é que a sua entrega à morte corporal (390) prenuncia a destruição do templo, a qual vai assinalar a entrada numa nova idade da história da salvação: «Vai chegar a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai» (Jo 4, 21) (391). III. Jesus e a fé de Israel no Deus único e salvador 587. Se a Lei e o templo de Jerusalém puderam ser ocasião de «contradição» (392) entre Jesus e as autoridades religiosas de Israel, o seu papel na redenção dos pecados, obra divina por excelência, foi, para essas autoridades, a verdadeira pedra de escândalo (393). 588. Jesus escandalizou os fariseus por comer com os publicanos e os pecadores (394) tão familiarmente como com eles (395). Contra aqueles «que se consideravam justos e desprezavam os demais» (Lc 18, 9) (396) Jesus afirmou: «Eu não vim chamar os justos, vim chamar os pecadores, para que se arrependam» (Lc 5, 32). E foi mais longe, afirmando, diante dos fariseus, que, sendo o pecado universal (397), cegam-se a si próprios (398) aqueles que pretendem não precisar de salvação. 589. Jesus escandalizou, sobretudo, por ter identificado a sua conduta misericordiosa para com os pecadores com a atitude do próprio Deus a respeito dos mesmos (399). Chegou, até, a dar a entender que, sentando-Se à mesa dos pecadores (400), os admitia no banquete messiânico (401). Mas foi muito particularmente ao perdoar os pecados que Jesus colocou as autoridades religiosas de Israel perante um dilema. É que, como essas autoridades justamente dizem, apavoradas, «só Deus pode perdoar os pecados» (Mc 2, 7). Jesus ao perdoar os pecados, ou blasfema por ser um homem que se faz igual a Deus (402), ou diz a verdade e a Sua pessoa torna então presente e revela o nome de Deus (403). 590. Só a identidade divina da pessoa de Jesus é que pode justificar uma exigência tão absoluta como esta: «Quem não está comigo, está contra Mim» (Mt 12, 30); o mesmo se diga de quando afirma ser «mais que Jonas,… mais que Salomão» (Mt 12, 41-42), «mais que o templo» (404); de quando lembra, a respeito de si próprio, que David chamou ao Messias o seu Senhor (405); de quando afirma: «Antes de Abraão existir, “Eu sou”» (Jo 8, 58); e ainda mais: «Eu e o Pai somos um» (Jo 10, 30). 591. Jesus pediu às autoridades religiosas de Jerusalém que acreditassem n’Ele, por causa das obras do seu Pai que Ele fazia (406). Mas tal acto de fé tinha de passar por uma misteriosa morte para si mesmo, a qual desse lugar a um novo «nascimento do Alto» (407), por atracção da graça divina (408). Tal exigência de conversão, face a um tão surpreendente cumprimento das promessas (409), permite compreender o trágico desdém do Sinédrio, ao sentenciar que Jesus merecia a morte como blasfemo (410). Os membros do Sinédrio agiam assim, ao mesmo tempo por «ignorância» (411) e pelo «endurecimento» (412) da sua «incredulidade» (413). Resumindo: 592. Jesus não aboliu a Lei do Sinai, mas cumpriu-a (414) com tal perfeição (415) que revelou o sentido último dela (416) e resgatou as transgressões contra ela cometidas (417). 593. Jesus venerou o templo, subindo a ele nas festas judaicas de peregrinação e amou com amor zeloso esta morada de Deus entre os homens. O templo prefigura o seu mistério. Quando anuncia a sua destruição, fá-lo como revelação da sua própria morte e da entrada numa nova idade da história da salvação, em que o seu Corpo será o templo definitivo. 594. Jesus praticou actos, como o perdão dos pecados, que O manifestaram como sendo o próprio Deus salvador (418). Alguns judeus, que, não reconhecendo o Deus feito homem (419) viam n’Ele «um homem que se faz Deus» (420), julgaram-n’O como blasfemo. PARÁGRAFO 2 JESUS MORREU CRUCIFICADO I. O processo de Jesus DIVISÕES ENTRE AS AUTORIDADES JUDAICAS A RESPEITO DE JESUS 595. Entre as autoridades religiosas de Jerusalém, não somente se encontravam o fariseu Nicodemos (421) e o notável José de Arimateia, discípulos ocultos de Jesus (422), mas também, durante muito tempo, houve dissensões a respeito d’Ele (423) ao ponto de, na própria véspera da paixão. João poder dizer deles que «um bom número acreditou n’ Ele», embora de modo assaz imperfeito (Jo 12, 42); o que não é nada de admirar, tendo-se presente que, no dia seguinte ao de Pentecostes, «um grande número de sacerdotes se submetia à fé» (Act 6, 7) e «alguns homens do partido dos fariseus tinham abraçado a fé» (Act 15, 5), de tal modo que São Tiago podia dizer a São Paulo que «muitos milhares entre os judeus abraçaram a fé e todos têm zelo pela Lei» (Act 21, 20). 596. As autoridades religiosas de Jerusalém não foram unânimes na atitude a adoptar a respeito de Jesus (424). Os fariseus ameaçaram de excomunhão aqueles que O seguissem (425). Aos que temiam que «todos acreditassem n’Ele e os romanos viessem destruir o templo e a nação» (Jo 11, 48), o sumo sacerdote Caifás propôs, profetizando: «E do vosso interesse que morra um só homem pelo povo e não pereça a nação inteira» (Jo 11, 50). O Sinédrio, tendo declarado Jesus «réu de morte» (426) como blasfemo, mas tendo perdido o direito de condenar à morte fosse quem fosse (427), entregou Jesus aos romanos, acusando-O de revolta política (428) — o que O colocava em pé de igualdade com que Barrabás, acusado de «sedição» (Lc 23, 19). São também de carácter político as ameaças que os sumos-sacerdotes fazem a Pilatos, pressionando-o a condenar Jesus à morte (429). OS JUDEUS NÃO SÃO COLECTIVAMENTE RESPONSÁVEIS PELA MORTE DE JESUS 597. Tendo em conta a complexidade histórica do processo de Jesus, manifestada nas narrativas evangélicas, e qualquer que tenha sido o pecado pessoal dos intervenientes no processo (Judas, o Sinédrio, Pilatos), que só Deus conhece, não se pode atribuir a responsabilidade do mesmo ao conjunto dos judeus de Jerusalém, apesar da gritaria duma multidão manipulada (430) e das censuras globais contidas nos apelos à conversão, depois do Pentecostes (431). O próprio Jesus, perdoando na cruz (432) e Pedro a seu exemplo, apelaram para «a ignorância» (433) dos judeus de Jerusalém e mesmo dos seus chefes. Menos ainda é possível estender a responsabilidade ao conjunto dos judeus no espaço e no tempo, a partir do grito do povo: «Que o seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos» (Mt 27, 25), que é uma fórmula de ratificação (434): Por isso, a Igreja declarou no II Concílio do Vaticano: «Não se pode, todavia, imputar indistintamente a todos os judeus que então viviam, nem aos judeus do nosso tempo, o que na sua paixão se perpetrou. […] Nem por isso os judeus devem ser apresentados como reprovados por Deus e malditos, como se tal coisa se concluísse da Sagrada Escritura» (435). TODOS OS PECADORES FORAM AUTORES DA PAIXÃO DE CRISTO 598. A Igreja, no magistério da sua fé e no testemunho dos seus santos, nunca esqueceu que «os pecadores é que foram os autores, e como que os instrumentos, de todos os sofrimentos que o divino Redentor suportou» (436). Partindo do princípio de que os nossos pecados atingem Cristo em pessoa (437), a Igreja não hesita em imputar aos cristãos a mais grave responsabilidade no suplício de Jesus, responsabilidade que eles muitas vezes imputaram unicamente aos judeus: «Devemos ter como culpados deste horrível crime os que continuam a recair nos seus pecados. Porque foram os nossos crimes que fizeram nosso Senhor Jesus Cristo suportar o suplício da cruz, é evidente que aqueles que mergulham na desordem e no mal crucificam de novo em seu coração, tanto quanto deles depende, o Filho de Deus, pelos seus pecados, expondo-O à ignomínia. E temos de reconhecer: o nosso crime, neste caso, é maior que o dos judeus. Porque eles, como afirma o Apóstolo, «se tivessem conhecido a Sabedoria de Deus, não leriam crucificado o Senhor da glória» (1 Cor 2, 8); ao passo que nós, pelo contrário, fazemos profissão de O conhecer: e, quando O renegamos pelos nossos actos, de certo modo levantamos contra Ele as nossas mãos assassinas» (438). «Não foram os demónios que O pregaram na cruz, mas tu com eles O crucificaste, e ainda agora O crucificas quando te deleitas nos vícios e pecados» (439). II. A morte redentora de Cristo no desígnio divino de salvação «JESUS ENTREGUE, SEGUNDO O DESÍGNIO DETERMINADO DE DEUS» 599. A morte violenta de Jesus não foi fruto do acaso, nem coincidência infeliz de circunstâncias várias. Faz parte do mistério do desígnio de Deus, como Pedro explica aos judeus de Jerusalém, logo no seu primeiro discurso no dia de Pentecostes: «Depois de entregue, segundo o desígnio determinado e a previsão de Deus» (Act 2, 23). Esta linguagem bíblica não significa que os que «entregaram Jesus» (440) foram simples actores passivos dum drama previamente escrito por Deus. 600. A Deus, todos os momentos do tempo estão presentes na sua actualidade. Por isso, Ele estabelece o seu desígnio eterno de «predestinação», incluindo nele a resposta livre de cada homem à sua graça: «Na verdade, Herodes e Pôncio Pilatos uniram-se nesta cidade, com as nações pagãs e os povos de Israel, contra o vosso santo Servo Jesus, a quem ungistes (441). Cumpriram assim tudo o que o vosso poder e os vossos desígnios tinham de antemão decidido que se realizasse» (Act 4, 27-28). Deus permitiu os actos resultantes da sua cegueira (442), como fim de levar a cabo o seu plano de salvação (443). «MORTO PELOS NOSSOS PECADOS, SEGUNDO AS ESCRITURAS» 601. Este plano divino de salvação, pela entrega à morte do «Servo, o Justo» (444), tinha sido de antemão anunciado na Escritura como um mistério de redenção universal, quer dizer, de resgate que liberta os homens da escravidão do pecado (445) São Paulo professa, numa confissão de fé que diz ter «recebido» (446), que «Cristo morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras» (1 Cor 15, 3) (447). A morte redentora de Jesus deu cumprimento sobretudo à profecia do Servo sofredor (448). O próprio Jesus apresentou o sentido da sua vida e da sua morte à luz do Servo sofredor (449). Após a sua ressurreição, deu esta interpretação das Escrituras aos discípulos de Emaús (450) e depois aos próprios Apóstolos (451). «POR NÓS, DEUS FÊ-LO PECADO» 602. Consequentemente, Pedro pôde formular assim a fé apostólica no plano divino da salvação: «fostes resgatados da vã maneira de viver herdada dos vossos pais, pelo sangue precioso de Cristo, como de um cordeiro sem defeito nem mancha, predestinado antes da criação do mundo e manifestado nos últimos tempos por nossa causa» (1 Pe1, 18-20). Os pecados dos homens, que se seguiram ao pecado original, foram castigados com a morte (452). Enviando o seu próprio Filho na condição de escravo (453), que era a de uma humanidade decaída e votada à morte por causa do pecado (454), «a Cristo, que não conhecera o pecado, Deus fê-lo pecado por amor de nós, para que, em Cristo, nos tornássemos justos aos olhos de Deus» (2 Cor 5, 21). 603. Jesus não conheceu a reprovação como se tivesse pecado pessoalmente (455). Mas, no amor redentor que constantemente O unia ao Pai (456), assumiu-nos no afastamento do nosso pecado em relação a Deus a ponto de, na cruz, poder dizer em nosso nome: «Meu Deus, meu Deus, por que Me abandonaste?» (Mc 15, 34) (457). Tendo-O feito solidário connosco, pecadores, «Deus não poupou o seu próprio Filho, mas entregou-O para morrer por nós todos» (Rm 8, 32), para que fôssemos «reconciliados com Ele pela morte do seu Filho» (Rm 5, 10). DEUS TOMA A INICIATIVA DO AMOR REDENTOR UNIVERSAL 604. Entregando o seu Filho pelos nossos pecados, Deus manifesta que o seu plano sobre nós é um desígnio de amor benevolente, independente de qualquer mérito da nossa parte: «Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, foi Deus que nos amou a nós e enviou o seu Filho como vítima de propiciação pelos nossos pecados» (1 Jo 4, 10) (458). «Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores» (Rm 5, 8). 605. Este amor é sem exclusão. Jesus lembrou-o ao terminar a parábola da ovelha perdida: «Assim, não é da vontade do meu Pai, que está nos céus, que se perca um só destes pequeninos» (Mt 18, 14). E afirma «dar a Sua vida em resgate pela multidão» (Mt 20, 28). Esta última expressão não é restritiva: simplesmente contrapõe o conjunto da humanidade à pessoa única do redentor, que Se entrega para a salvar (459). No seguimento dos Apóstolos (460), a Igreja ensina que Cristo morreu por todos os homens, sem excepção: «Não há, não houve, nem haverá nenhum homem pelo qual Cristo não tenha sofrido» (461). III. Cristo ofereceu-Se a Si mesmo ao Pai pelos nossos pecados TODA A VIDA DE CRISTO É OBLAÇÃO AO PAI 606. O Filho de Deus, «descido do céu, não para fazer a sua vontade mas a do seu Pai, que O enviou» (462), «diz, ao entrar no mundo: […] Eis-me aqui, […] ó Deus, para fazer a tua vontade. […] E em virtude dessa mesma vontade, é que nós fomos santificados, pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre» (Heb 10, 5-10). Desde o primeiro instante da sua Encarnação, o Filho faz seu o plano divino de salvação, no desempenho da sua missão redentora: «O meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que Me enviou e realizar a sua obra» (Jo 4, 34). O sacrifício de Jesus «pelos pecados do mundo inteiro» (1 Jo 2, 2) é a expressão da sua comunhão amorosa com o Pai: «O Pai ama-Me, porque Eu dou a minha vida» (Jo 10, 17). «O mundo tem de saber que amo o Pai e procedo como o Pai Me ordenou» (Jo 14, 31). 607. Este desejo de fazer seu o plano do amor de redenção do seu Pai, anima toda a vida de Jesus (463). A sua paixão redentora é a razão de ser da Encarnação: «Pai, salva-Me desta hora! Mas por causa disto, é que Eu cheguei a esta hora» (Jo 12, 27). «O cálice que o Pai Me deu, não havia de bebê-lo?» (Jo 18, 11). E ainda na cruz, antes de «tudo estar consumado» (Jo 19, 30), diz: «Tenho sede» (Jo 19, 28). «O CORDEIRO QUE TIRA O PECADO DO MUNDO» 608. Depois de ter aceitado dar-Lhe o baptismo como aos pecadores (464), João Baptista viu e mostrou em Jesus o «Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» (465). Manifestou deste modo que Jesus é, ao mesmo tempo, o Servo sofredor, que Se deixa levar ao matadouro sem abrir a boca (466), carregando os pecados das multidões (467), e o cordeiro pascal, símbolo da redenção de Israel na primeira Páscoa (468), Toda a vida de Cristo manifesta a sua missão: «servir e dar a vida como resgate pela multidão» (469). JESUS PARTILHA LIVREMENTE O AMOR REDENTOR DO PAI 609. Ao partilhar, no seu coração humano, o amor do Pai para com os homens, Jesus «amou-os até ao fim» (Jo 13, 1), «pois não há maior amor do que dar a vida por aqueles que se ama» (Jo 15, 13). Assim, no sofrimento e na morte, a sua humanidade tornou-se instrumento livre e perfeito do seu amor divino, que quer a salvação dos homens (470). Com efeito, Ele aceitou livremente a sua paixão e morte por amor do Pai e dos homens a quem o Pai quer salvar: «Ninguém Me tira a vida. Sou Eu que a dou espontaneamente» (Jo 10, 18). Daí, a liberdade soberana do Filho de Deus, quando Ele próprio vai ao encontro da morte (471). NA CEIA, JESUS ANTECIPOU A OBLAÇÃO LIVRE DA SUA VIDA 610. Jesus exprimiu de modo supremo a oblação livre de Si mesmo na refeição que tornou com os doze Apóstolos (472), na «noite em que foi entregue» (1 Cor 11, 23). Na véspera da sua paixão, quando ainda era livre, Jesus fez desta última Ceia com os Apóstolos o memorial da sua oblação voluntária ao Pai (473) para a salvação dos homens: «Isto é o meu Corpo, que vai ser entregue por vós» (Lc 22, 19). «Isto é o meu “Sangue da Aliança”, que vai ser derramado por uma multidão, para remissão dos pecados» (Mt 26, 28). 611. A Eucaristia, que neste momento instituiu, será o «memorial» (474) do seu sacrifício. Jesus incluiu os Apóstolos na sua própria oferenda e pediu-lhes que a perpetuassem (475). Desse modo, instituiu os Apóstolos como sacerdotes da Nova Aliança: «Eu consagro-me por eles, para que também eles sejam consagrados na verdade» (Jo 17, 19) (476). A AGONIA NO GETSÉMANI 612. O cálice da Nova Aliança, que Jesus antecipou na Ceia, oferecendo-Se a Si mesmo (477), é aceite seguidamente por Jesus das mãos do Pai, na agonia no Getsémani (478), fazendo-Se «obediente até á morte» (Fl 2, 8) (479). Na sua oração, Jesus diz: «Meu Pai, se é possível, que se afaste de Mim este cálice […]» (Mt 26, 39). Exprime desse modo o horror que a morte representa para a sua natureza humana. Com efeito, esta, como a nossa, está destinada à vida eterna. Mas, diferentemente da nossa, é perfeitamente isenta do pecado (480) que causa a morte (481). E, sobretudo, é assumida pela pessoa divina do «Príncipe da Vida» (482), do «Vivente» (483). Aceitando, com a sua vontade humana, que se faça a vontade do Pai (484) aceita a sua morte enquanto redentora, para «suportar os nossos pecados no seu corpo, no madeiro da cruz» (1 Pe 2, 24). A MORTE DE CRISTO É O SACRIFÍCIO ÚNICO E DEFINITIVO 613. A morte de Cristo é, ao mesmo tempo, o sacrifício pascal que realiza a redenção definitiva dos homens (485) por meio do «Cordeiro que tira o pecado do mundo» (486), e o sacrifício da Nova Aliança (487)que restabelece a comunhão entre o homem e Deus (488), reconciliando-o com Ele pelo «sangue derramado pela multidão, para a remissão dos pecados» (489). 614. Este sacrifício de Cristo é único, leva à perfeição e ultrapassa todos os sacrifícios (490). Antes de mais, é um dom do próprio Deus Pai: é o Pai que entrega o seu Filho para nos reconciliar consigo (491). Ao mesmo tempo, é oblação do Filho de Deus feito homem, que livremente e por amor (492) oferece a sua vida (493) ao Pai pelo Espírito Santo (494) para reparar a nossa desobediência. JESUS SUBSTITUI A NOSSA DESOBEDIÊNCIA PELA SUA OBEDIÊNCIA 615. «Como pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, pela obediência de um só, muitos se tornarão justos» (Rm 5, 19). Pela sua obediência até à morte, Jesus realizou a acção substitutiva do Servo sofredor, que oferece a sua vida como sacrifício de expiação, ao carregar com o pecado das multidões, que justifica carregando Ele próprio com as suas faltas (495). Jesus reparou as nossas faltas e satisfez ao Pai pelos nossos pecados (496). NA CRUZ, JESUS CONSUMA O SEU SACRIFÍCIO 616. É o «amor até ao fim» (497) que confere ao sacrifício de Cristo o valor de redenção e reparação, de expiação e satisfação. Ele conheceu-nos e amou-nos a todos no oferecimento da sua vida (498). «O amor de Cristo nos pressiona, ao pensarmos que um só morreu por todos e que todos, portanto, morreram» (2 Cor 5, 14). Nenhum homem, ainda que fosse o mais santo, estava em condições de tornar sobre si os pecados de todos os homens e de se oferecer em sacrifício por todos. A existência, em Cristo, da pessoa divina do Filho, que ultrapassa e ao mesmo tempo abrange todas as pessoas humanas e O constitui cabeça de toda a humanidade, é que torna possível o seu sacrifício redentor por todos. 617. «Sua sanctissima passione in ligno crucis nobis justificationem meruit – Pela sua santíssima paixão no madeiro da cruz, Ele mereceu-nos a justificação» – ensina o Concílio de Trento (499), sublinhando o carácter único do sacrifício de Cristo como fonte de salvação eterna (500). E a Igreja venera a Cruz cantando: «O crux, ave, spes unica! – Avé, ó cruz, esperança única!» (501). A NOSSA PARTICIPAÇÃO NO SACRIFÍCIO DE CRISTO 618. A cruz é o único sacrifício de Cristo, mediador único entre Deus e os homens (502). Mas porque, na sua pessoa divina encarnada. «Ele Se uniu, de certo modo, a cada homem» (503), «a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal, por um modo só de Deus conhecido» (504). Convida os discípulos a tomarem a sua cruz e a segui-Lo(505) porque sofreu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigamos os seus passos (506). De facto, quer associar ao seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os primeiros beneficiários (507). Isto realiza-se, em sumo grau, em sua Mãe, associada, mais intimamente do que ninguém, ao mistério do seu sofrimento redentor (508): Há uma só escada verdadeira fora do paraíso; fora da cruz, não há outra escada por onde se suba ao céu» (509). Resumindo: 619. «Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras» (1 Cor 15, 3). 620. A nossa salvação procede da iniciativa amorosa de Deus em nosso favor, pois «foi Ele que nos amou a nós e enviou o seu Filho como vítima de propiciação pelos nossos pecados» (1 Jo 4, 10). «Foi Deus que, em Cristo, reconciliou consigo o mundo» (2 Cor 5, 19). 621. Jesus ofereceu-Se livremente para nossa salvação. Este dom, significa-o e realiza-o Ele, de antemão, durante a Ultimo Ceia: «Isto é o meu Corpo, que vai ser entregue por vós» (Lc 22, 19). 622. Nisto consiste a redenção de Cristo: Ele «veio dar a sua vida em resgate pela multidão»(Mt 20, 28), quer dizer; veio «amuar os seus até ao fim» (Jo 13, 1), para que fossem libertos da má conduta herdada dos seus pais (510). 623. Pela sua obediência amorosa ao Pai, «até d morte de cruz» (Fl 2, 8), Jesus cumpriu a missão expiatória (511) do Servo sofredor, que justifica as multidões, tomando sobre Si o peso das suas faltas (Is 53, 11) (512). PARÁGRAFO 3 JESUS CRISTO FOI SEPULTADO 624. «Pela graça de Deus, ele experimentou a morte, para proveito de todos» (Heb 2, 9). No seu plano de salvação, Deus dispôs que o seu Filho, não só «morresse pelos nossos pecados» (1 Cor 15, 3), mas também «saboreasse a morte», isto é, conhecesse o estado de morte, o estado de separação entre a sua alma e o seu corpo, durante o tempo compreendido entre o momento em que expirou na cruz e o momento em que ressuscitou. Este estado de Cristo morto é o mistério do sepulcro e da descida à mansão dos mortos. É o mistério do Sábado Santo, em que Cristo, depositado no túmulo (513), manifesta o repouso sabático de Deus (514) depois da realização (515) da salvação dos homens, que pacifica todo o universo (516). O CORPO DE CRISTO NO SEPULCRO 625. A permanência do corpo de Cristo no túmulo constitui o laço real entre o estado passível de Cristo antes da Páscoa e o seu estado glorioso actual de ressuscitado. É a mesma pessoa do «Vivente» que pode dizer: «Estive morto e eis-Me vivo pelos séculos dos séculos» (Ap 1, 18): «É este o mistério do desígnio de Deus àcerca da morte e da ressurreição dos mortos: se Ele não impediu que a morte separasse a alma do corpo, segundo a ordem necessária da natureza: mas juntou-os de novo um ao outro pela ressurreição, a fim de ser Ele próprio na sua pessoa o ponto de encontro da morte e da vida, suspendendo em Si a decomposição da natureza produzida pela morte e tornando-Se, Ele próprio, princípio de reunião para as partes separadas» (517). 626. Uma vez que o «Príncipe da Vida», a quem deram a morte (518), é precisamente o mesmo «Vivente que ressuscitou» (519), é forçoso que a pessoa divina do Filho de Deus tenha continuado a assumir a alma e o corpo, separados um do outro pela morte: «Embora Cristo, enquanto homem tenha sofrido a morte e a sua santa alma tenha sido separada do seu corpo imaculado, nem por isso a divindade se separou, de nenhum modo, nem da alma nem do corpo: e nem por isso a Pessoa única foi dividida em duas. Tanto o corpo como a alma tiveram existência simultânea, desde o início, na Pessoa do Verbo; e, apesar de na morte terem sido separados, nenhum dos dois deixou de subsistir na Pessoa única do Verbo» (520). «NÃO DEIXAREIS O VOSSO SANTO SOFRER A CORRUPÇÃO» 627. A morte de Cristo foi uma verdadeira morte, na medida em que pôs fim à sua existência humana terrena. Mas por causa da união que a Pessoa do Filho manteve com o seu corpo, este não se tornou um despojo mortal como os outros, porque «não era possível que Ele ficasse sob o domínio» da morte (Act 2, 24) e, por isso, «o poder divino preservou o corpo de Cristo da corrupção» (521). De Cristo pode dizer-se ao mesmo tempo: «Foi cortado da terra dos vivos» (Is 53, 8) e: «A minha carne repousará na esperança, porque Tu não abandonarás a minha alma na mansão dos mortos, nem deixarás que o teu santo conheça a corrupção» (Act 2, 26-27) (522). A ressurreição de Jesus «ao terceiro dia» (1 Cor 15, 4; Lc 24, 46) (523) era disso sinal, até porque se julgava que a corrupção começava a manifestar-se a partir do quarto dia (524). «SEPULTADOS COM CRISTO…» 628. O Baptismo, cujo sinal original e pleno é a imersão, significa eficazmente a descida ao túmulo, por parte do cristão que morre para o pecado com Cristo, com vista a uma vida nova. «Fomos sepultados com Ele, pelo Baptismo, na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova» (Rm 6, 4) (525). Resumindo: 629. Para benefício de todos os homens, Jesus experimentou a morte (526). Foi, de verdade, o Filho de Deus feito homem que morreu e foi sepultado. 630. Durante a permanência de Cristo no túmulo, a sua pessoa divina continuou a assumir tanto a alma como o corpo, apesar de separados entre si pela morte. Por isso, o corpo de Cristo morto «não sofreu a corrupção» (Act 13,37). ARTIGO 5 «JESUS CRISTO DESCEU À MANSÃO DOS MORTOS, AO TERCEIRO DIA RESSUSCITOU DOS MORTOS» 631. «Jesus desceu às regiões inferiores da Terra. Aquele que desceu é precisamente o mesmo que subiu» (Ef 4, 9-10). O Símbolo dos Apóstolos confessa, num mesmo artigo da fé, a descida de Cristo a mansão dos mortos e a sua ressurreição dos mortos ao terceiro dia, porque, na sua Páscoa, é da profundidade da morte que Ele faz jorrar a vida: «Christus, Filius tuus, qui, regressos ab inferis, humano generi serenus illuxit, et vivit et regnat in saecula saeculorum. Amen». «Jesus Cristo, vosso Filho, que, ressuscitando de entre os mortos, iluminou o género humano com a sua luz e a sua paz e vive glorioso pelos séculos dos séculos. Ámen» (527). PARÁGRAFO 1 CRISTO DESCEU À MANSÃO DOS MORTOS 632. As frequentes afirmações do Novo Testamento, segundo as quais Jesus «ressuscitou de entre os mortos» (1 Cor 15, 20) (528), pressupõem que, anteriormente à ressurreição, Ele tenha estado na mansão dos mortos (529) este o sentido primeiro dado pela pregação apostólica à descida de Jesus à mansão dos mortos: Jesus conheceu a morte, como todos os homens, e foi ter com eles à morada dos mortos. Porém, desceu lá como salvador proclamando a Boa-Nova aos espíritos que ali estavam prisioneiros (530). 633. A morada dos mortos, a que Cristo morto desceu, é chamada pela Escritura os infernos, Sheol ou Hades (531), porque aqueles que aí se encontravam estavam privados da visão de Deus (532). Tal era o caso de todos os mortos, maus ou justos, enquanto esperavam o Redentor (533), o que não quer dizer que a sua sorte fosse idêntica, como Jesus mostra na parábola do pobre Lázaro, recebido no «seio de Abraão» (534). «Foram precisamente essas almas santas, que esperavam o seu libertador no seio de Abraão, que Jesus Cristo libertou quando desceu à mansão dos mortos» (535). Jesus não desceu à mansão dos mortos para de lá libertar os condenados (536), nem para abolir o inferno da condenação (537), mas para libertar os justos que O tinham precedido (538). 634. «A Boa-Nova foi igualmente anunciada aos mortos…» (1 Pe 4, 6). A descida à mansão dos mortos é o cumprimento, até à plenitude, do anúncio evangélico da salvação. É a última fase da missão messiânica de Jesus, fase condensada no tempo, mas imensamente vasta no seu significado real de extensão da obra redentora a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares, porque todos aqueles que se salvaram se tornaram participantes da redenção. 635. Cristo, portanto, desceu aos abismos da morte (539), para que «os mortos ouvissem a voz do Filho do Homem e os que a ouvissem, vivessem» (Jo 5, 25). Jesus, «o Príncipe da Vida» (540), «pela sua morte, reduziu à impotência aquele que tem o poder da morte, isto é, o Diabo, e libertou quantos, por meio da morte, se encontravam sujeitos à servidão durante a vida inteira» (Heb 2, 14-15). Desde agora, Cristo ressuscitado «detém as chaves da morte e do Hades» (Ap 1, 18) e «ao nome de Jesus todos se ajoelhem, no céu, na terra e nos abismos» (Fl 2, 10). «Um grande silêncio reina hoje sobre a terra; um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o rei dorme. A terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos […]. Vai à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Quer visitar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte. Vai libertar Adão do cativeiro da morte. Ele que é ao mesmo tempo seu Deus e seu filho […] “Eu sou o teu Deus, que por ti me fiz teu filho […] Desperta tu que dormes, porque Eu não te criei para que permaneças cativo no reino dos mortos: levanta-te de entre os mortos; Eu sou a vida dos mortos”» (541). Resumindo: 636. Na expressão «Jesus desceu à mansão dos mortos», o Símbolo confessa que Jesus morreu realmente, e que, por ter morrido por nós, venceu a morte e o Diabo «que tem o poder da morte» (Heb 2, 14). 637. Cristo morto, na sua alma unida à pessoa divina, desceu à morada dos mortos. E abriu aos justos, que O tinham precedido, as portas do céu. PARÁGRAFO 2 AO TERCEIRO DIA, RESSUSCITOU DOS MORTOS 638. «Nós vos anunciamos a Boa-Nova de que a promessa feita aos nossos pais, a cumpriu Deus para nós, seus filhos, ao ressuscitar Jesus» (Act 13, 32-33). A ressurreição de Jesus é a verdade culminante da nossa fé em Cristo, acreditada e vivida como verdade central pela primeira comunidade cristã, transmitida como fundamental pela Tradição, estabelecida pelos documentos do Novo Testamento, pregada como parte essencial do mistério pascal, ao mesmo tempo que a cruz: «Cristo ressuscitou dos mortos. Pela Sua morte venceu a morte, e aos mortos deu a vida» (542). I. Acontecimento histórico e transcendente 639. O mistério da ressurreição de Cristo é um acontecimento real, com manifestações historicamente verificadas, como atesta o Novo Testamento. Já São Paulo, por volta do ano 56, pôde escrever aos Coríntios: «Transmiti-vos, em primeiro lugar, o mesmo que havia recebido: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras: a seguir, apareceu a Pedro, depois aos Doze» (1 Cor 15, 3-4). O Apóstolo fala aqui da tradição viva da ressurreição, de que tinha tomado conhecimento após a sua conversão, às portas de Damasco (543). O TÚMULO VAZIO 640. «Por que motivo procurais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui, ressuscitou» (Lc 24, 5-6). No quadro dos acontecimentos da Páscoa, o primeiro elemento que se nos oferece é o sepulcro vazio. Isso não é, em si, uma prova directa. A ausência do corpo de Cristo do sepulcro poderia explicar-se doutro modo (544). Apesar disso, o sepulcro vazio constitui, para todos, um sinal essencial. A descoberta do facto pelos discípulos foi o primeiro passo para o reconhecimento do facto da ressurreição. Foi, primeiro, o caso das santas mulheres (545), depois o de Pedro (546). «O discípulo que Jesus amava» (Jo 20, 2) afirma que, ao entrar no sepulcro vazio e ao descobrir «os lençóis no chão» (Jo 20, 6), «viu e acreditou» (547); o que supõe que ele terá verificado, pelo estado em que ficou o sepulcro vazio “‘, que a ausência do corpo de Jesus não podia ter sido obra humana e que Jesus não tinha simplesmente regressado a uma vida terrena, como fora o caso de Lázaro (549). AS APARIÇÕES DO RESSUSCITADO 641. Maria Madalena e as santas mulheres, que vinham para acabar de embalsamar o corpo de Jesus (550), sepultado à pressa por causa do início do «Sábado», no fim da tarde de Sexta-feira Santa (551), foram as primeiras pessoas a encontra-se com o Ressuscitado (552). Assim, as mulheres foram as primeiras mensageiras da ressurreição de Cristo para os próprios Apóstolos (553). Em seguida, foi a eles que Jesus apareceu: primeiro a Pedro, depois aos Doze (554). Pedro, incumbido de consolidar a fé dos seus irmãos (555), vê, portanto, o Ressuscitado antes deles e é com base no seu testemunho que a comunidade exclama: «Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão» (Lc 24, 34.36). 642. Tudo quanto aconteceu nestes dias pascais empenha cada um dos Apóstolos – e muito particularmente Pedro – na construção da era nova, que começa na manhã do dia de Páscoa. Como testemunhas do Ressuscitado, eles são as pedras do alicerce da sua Igreja. A fé da primeira comunidade dos crentes está fundada no testemunho de homens concretos, conhecidos dos cristãos e, a maior parte, vivendo ainda entre eles. Estas «testemunhas da ressurreição de Cristo» (556) são, em primeiro lugar, Pedro e os Doze. Mas há outros: Paulo fala claramente de mais de quinhentas pessoas às quais Jesus apareceu em conjunto, além de Tiago e de todos os Apóstolos (557). 643. Perante estes testemunhos, é impossível interpretar a ressurreição de Cristo fora da ordem física e não a reconhecer como um facto histórico. Resulta, dos factos, que a fé dos discípulos foi submetida à prova radical da paixão e morte de cruz do seu Mestre, por este de antemão anunciada (558). O abalo provocado pela paixão foi tão forte que os discípulos (pelo menos alguns) não acreditaram imediatamente na notícia da ressurreição. Longe de nos apresentar uma comunidade tomada de exaltação mística, os evangelhos apresentam-nos os discípulos abatidos (de «rosto sombrio»: Lc 24, 17) e apavorados (559). Foi por isso que não acreditaram nas santas mulheres, regressadas da sua visita ao túmulo, e «as suas narrativas pareceram-lhe um desvario» (Lc 24, 11) (560). Quando Jesus apareceu aos onze, na tarde do dia de Páscoa, «censurou-lhes a falta de fé e a teimosia em não quererem acreditar naqueles que O tinham visto ressuscitado» (Mc 16, 14). 644. Mesmo confrontados com a realidade de Jesus Ressuscitado, os discípulos ainda duvidam (561) de tal modo isso lhes parecia impossível: julgavam ver um fantasma (562). «Por causa da alegria, estavam ainda sem querer acreditar e cheios de assombro» (Lc 24, 41). Tomé experimentará a mesma provação da dúvida (563), e quando da última aparição na Galileia, referida por Mateus, «alguns ainda duvidavam» (Mt 28, 17).É por isso que a hipótese, segundo a qual a ressurreição teria sido um «produto» da fé (ou da credulidade) dos Apóstolos, é inconsistente. Pelo contrário, a sua fé na ressurreição nasceu — sob a acção da graça divina da experiência directa da realidade de Jesus Ressuscitado. O ESTADO DA HUMANIDADE RESSUSCITADA DE CRISTO 645. Jesus Ressuscitado estabeleceu com os seus discípulos relações directas, através do contacto físico (564) e da participação na refeição (565). Desse modo, convida-os a reconhecer que não é um espírito (566), e sobretudo a verificar que o corpo ressuscitado, com o qual se lhes apresenta, é o mesmo que foi torturado e crucificado, pois traz ainda os vestígios da paixão (567). No entanto, este corpo autêntico e real possui, ao mesmo tempo, as propriedades novas dum corpo glorioso: não está situado no espaço e no tempo, mas pode, livremente, tornar-se presente onde e quando quer (568), porque a sua humanidade já não pode ser retida sobre a terra e já pertence exclusivamente ao domínio divino do Pai (569). Também por este motivo, Jesus Ressuscitado é soberanamente livre de aparecer como quer: sob a aparência dum jardineiro (570) ou «com um aspecto diferente» (Mc 16, 12) daquele que era familiar aos discípulos; e isso, precisamente, para lhes despertar a fé (571). 646. A ressurreição de Cristo não foi um regresso à vida terrena, como no caso das ressurreições que Ele tinha realizado antes da Páscoa: a filha de Jairo, o jovem de Naim e Lázaro. Esses factos eram acontecimentos milagrosos, mas as pessoas miraculadas reencontravam, pelo poder de Jesus, uma vida terrena «normal»: em dado momento, voltariam a morrer. A ressurreição de Cristo é essencialmente diferente. No seu corpo ressuscitado, Ele passa do estado de morte a uma outra vida, para além do tempo e do espaço. O corpo de Cristo é, na ressurreição, cheio do poder do Espírito Santo; participa da vida divina no estado da sua glória, de tal modo que São Paulo pode dizer de Cristo que Ele é o «homem celeste» (572). A RESSURREIÇÃO COMO ACONTECIMENTO TRANSCENDENTE 647. «Oh noite bendita! – canta o «Exultet» pascal – única a ter conhecimento do tempo e da hora em que Cristo ressuscitou do sepulcro» (573). Com efeito, ninguém foi testemunha ocular do acontecimento da ressurreição propriamente dita e nenhum evangelista o descreve. Ninguém pôde dizer como ela se deu, fisicamente. Ainda menos a sua essência mais íntima, a passagem a uma outra vida, foi perceptível aos sentidos. Acontecimento histórico comprovado pelo sinal do túmulo vazio e pela realidade dos encontros dos Apóstolos com Cristo Ressuscitado, nem por isso a ressurreição deixa de estar, naquilo em que transcende e ultrapassa a história, no próprio centro do mistério da fé. Foi por isso que Cristo Ressuscitado não Se manifestou ao mundo (574), mas aos discípulos, «aos que com Ele tinham subido da Galileia a Jerusalém» e que «são agora testemunhas de Jesus junto do povo» (Act 13, 31). II. A ressurreição – obra da Santíssima Trindade 648. A ressurreição de Cristo é objecto de fé, na medida em que é uma intervenção transcendente do próprio Deus na criação e na história. Nela, as três pessoas divinas agem em conjunto e manifestam a sua originalidade própria: realizou-se pelo poder do Pai, que «ressuscitou» (Act 2, 24) Cristo seu Filho, e assim introduziu de modo perfeito a sua humanidade – com o seu corpo – na Trindade. Jesus foi divinamente revelado «Filho de Deus em todo o seu poder, pela sua ressurreição de entre os mortos» (Rm 1, 4). São Paulo insiste na manifestação do poder de Deus (575) por obra do Espírito, que vivificou a humanidade morta de Jesus e a chamou ao estado glorioso de Senhor. 649. Quanto ao Filho, Ele opera a sua própria ressurreição em virtude do seu poder divino. Jesus anuncia que o Filho do Homem deverá sofrer muito, e depois ressuscitar (no sentido activo da palavra (576)). Aliás, é d’Ele esta afirmação explícita: «Eu dou a minha vida para retomá-la […] Tenho o poder de a dar e o poder de a retomar» (Jo 10, 17-18). «Nós cremos que Jesus morreu e depois ressuscitou» (1 Ts 4, 14). 650. Os Santos Padres contemplam a ressurreição a partir da pessoa divina de Cristo, que ficou unida à sua alma e ao seu corpo, separados entre si pela morte: «Pela unidade da natureza divina, que continua presente em cada uma das duas partes do homem, estas unem-se de novo. Assim, a morte é produzida pela separação do composto humano e a ressurreição pela união das duas partes separadas» (577). III. Sentido e alcance salvífico da ressurreição 651. «Se Cristo não ressuscitou, então a nossa pregação é vã e também é vã a vossa fé» (1 Cor 15, 14). A ressurreição constitui, antes de mais, a confirmação de tudo quanto Cristo em pessoa fez e ensinou. Todas as verdades, mesmo as mais inacessíveis ao espírito humano, encontram a sua justificação se, ressuscitando, Cristo deu a prova definitiva, que tinha prometido, da sua autoridade divina. 652. A ressurreição de Cristo é o cumprimento das promessas do Antigo Testamento (578) e do próprio Jesus, durante a sua vida terrena (579). A expressão «segundo as Escrituras» (580) indica que a ressurreição de Cristo cumpriu essas predições. 653. A verdade da divindade de Jesus é confirmada pela ressurreição. Ele tinha dito: «Quando elevardes o Filho do Homem, então sabereis que “Eu Sou”» (Jo 8, 28). A ressurreição do Crucificado demonstrou que Ele era verdadeiramente «Eu Sou», o Filho de Deus e Ele próprio Deus. São Paulo pôde declarar aos judeus: «E nós vos anunciamos a Boa-Nova de que a promessa feita aos nossos pais, cumpriu-a Deus para os filhos deles ao ressuscitar Jesus, como justamente está escrito no Salmo segundo: “Tu és meu Filho, Eu gerei-Te hoje”» (Act 13, 32-33) (581). O mistério da ressurreição de Cristo está estreitamente ligado ao mistério da Encarnação do Filho de Deus. É dele o cumprimento, segundo o desígnio eterno de Deus. 654. Existe um duplo aspecto no mistério pascal: pela sua morte, Cristo liberta-nos do pecado; pela sua ressurreição, abre-nos o acesso a uma nova vida. Esta é, antes de mais, a justificação, que nos repõe na graça de Deus (582), «para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos […], também nós vivamos uma vida nova» (Rm 6, 4). Esta consiste na vitória sobre a morte do pecado e na nova participação na graça (583); realiza a adopção filial, porque os homens tornam-se irmãos de Cristo, como o próprio Jesus chama aos discípulos depois da ressurreição: «Ide anunciar aos meus irmãos» (Mt 28, 10) (584). Irmãos, não por natureza, mas por dom da graça, porque esta filiação adoptiva proporciona uma participação real na vida do Filho, plenamente revelada na sua ressurreição. 655. Finalmente, a ressurreição de Cristo – e o próprio Cristo Ressuscitado – é princípio e fonte da nossa ressurreição futura: «Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram […]. Do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida» (1 Cor 15, 20-22). Na expectativa de que isto se realize, Cristo Ressuscitado vive no coração dos seus fiéis. N’Ele, os cristãos «saboreiam as maravilhas do mundo vindouro» (Heb 6, 5) e a sua vida é atraída por Cristo para o seio da vida divina (585), «para que os vivos deixem de viver para si próprios, mas vivam para Aquele que morreu e ressuscitou por eles» (2 Cor 5, 15). Resumindo: 656. A fé na ressurreição tem por objecto um acontecimento, ao mesmo tempo historicamente testemunhado pelos discípulos (que realmente encontraram o Ressuscitado) e misteriosamente transcendente, enquanto entrada da humanidade de Cristo na glória de Deus. 657. O sepulcro vazio e os lençóis deixados no chão significam, por si mesmos, que o corpo de Cristo escapou aos laços da morte e da corrupção, pelo poder de Deus. E preparam os discípulos para o encontro com o Ressuscitado. 658. Cristo, «primogénito de entre os mortos» (Cl 1, 18), é o princípio da nossa própria ressurreição, desde agora pela justificação da nossa alma (586), mais tarde pela vivificação do nosso corpo (587). ARTIGO 6 «JESUS SUBIU AOS CÉUS E ESTÁ SENTADO À DIREITA DE DEUS, PAI TODO-PODEROSO» 659. «Então, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi elevado ao céu e sentou-se à direita de Deus» (Mc 16, 19). O corpo de Cristo foi glorificado desde o momento da sua ressurreição, como o provam as propriedades novas e sobrenaturais de que, a partir de então, ele goza permanentemente (588). Mas, durante os quarenta dias em que vai comer e beber familiarmente com os discípulos (589) e instruí-los sobre o Reino (590), a sua glória fica ainda velada sob as aparências duma humanidade normal (591). A última aparição de Jesus termina com a entrada irreversível da sua humanidade na glória divina, simbolizada pela nuvem (592) e pelo céu (593). onde a partir de então, está sentado à direita de Deus (594). Só de modo absolutamente excepcional e único é que Se mostrará a Paulo, «como a um aborto» (1 Cor 15, 8), numa última aparição que o constitui Apóstolo (595). 660. O carácter velado da glória do Ressuscitado, durante este tempo, transparece na sua misteriosa palavra a Maria Madalena: « […] ainda não subi para o Pai. Vai ter com os meus irmãos e diz-lhes que vou subir para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus» (Jo 20, 17). Isto indica uma diferença entre a manifestação da glória de Cristo Ressuscitado e a de Cristo exaltado à direita do Pai. O acontecimento da ascensão, ao mesmo tempo histórico e transcendente, marca a transição duma para a outra. 661. Esta última etapa continua intimamente unida à primeira, isto é, à descida do céu realizada na Encarnação. Só Aquele que «saiu do Pai» pode «voltar para o Pai»: Cristo (596). «Ninguém subiu ao céu senão Aquele que desceu do céu: o Filho do Homem» (Jo 3, 13) (597). Abandonada às suas forças naturais, a humanidade não tem acesso à «Casa do Pai» (598), à vida e à felicidade de Deus. Só Cristo Ode abrir ao homem este acesso: «subindo aos céus, como nossa cabeça e primogénito, deu-nos a esperança de irmos um dia ao seu encontro, como membros do seu corpo» (599). 662. «E Eu, uma vez elevado da terra, atrairei todos a Mim» (Jo 12, 32). A elevação na cruz significa e anuncia a elevação da ascensão aos céus. É o princípio dela, Jesus Cristo, o único sacerdote da nova e eterna Aliança, «não entrou num santuário feito por homens […]. Entrou no próprio céu, a fim de agora se apresentar diante de Deus em nosso favor» (Heb 9, 24). Nos céus, Cristo exerce permanentemente o seu sacerdócio, «sempre vivo para interceder a favor daqueles que, por seu intermédio, se aproximam de Deus» (Heb 7, 25). Como «sumo sacerdote dos bens futuros» (Heb 9, 11), Ele é o centro e o actor principal da liturgia que honra o Pai que está nos céus (600). 663. Doravante, Cristo está sentado à direita do Pai: «Por direita do Pai entendemos a glória e a honra da divindade, em cujo seio Aquele que, antes de todos os séculos, existia como Filho de Deus, como Deus e consubstancial ao Pai, tomou assento corporalmente desde que encarnou e o seu corpo foi glorificado» (601). 664. Sentar-se à direita do Pai significa a inauguração do Reino messiânico, cumprimento da visão do profeta Daniel a respeito do Filho do Homem: «Foi-Lhe entregue o domínio, a majestade e a realeza, e todos os povos, nações e línguas O serviram. O seu domínio é um domínio eterno, que não passará jamais, e a sua realeza não será destruída» (Dn 7, 14). A partir deste momento, os Apóstolos tornaram-se as testemunhas do «Reino que não terá fim» (602). Resumindo: 665. A ascensão de Cristo marca a entrada definitiva da humanidade de Jesus no domínio celeste de Deus, de onde há-de voltar (603) mas que, entretanto, O oculta aos olhos dos homens (604). 666. Jesus Cristo, cabeça da Igreja, precede-nos no Reino glorioso do Pai, para que nós, membros do seu corpo, vivamos na esperança de estarmos um dia eternamente com Ele. 667. Jesus Cristo, tendo entrado, uma vez por todas, no santuário dos céus, intercede incessantemente por nós, como mediador que nos garante permanentemente a efusão do Espírito Santo. ARTIGO 7 «DE ONDE HÁ-DE VIR A JULGAR OS VIVOS E OS MORTOS» I. «Voltará na sua glória» CRISTO REINA, DESDE JÁ, PELA IGREJA… 668. «Cristo morreu e voltou à vida para ser Senhor dos mortos e dos vivos» (Rm 14, 9). A ascensão de Cristo aos céus significa a sua participação, na sua humanidade, no poder e autoridade do próprio Deus. Jesus Cristo é Senhor: Ele possui todo o poder nos céus e na Terra. Está «acima de todo o principado, poder, virtude e soberania», porque o Pai «tudo submeteu a seus pés»(Ef 1, 20-22). Cristo é o Senhor do cosmos (605) e da história, N’Ele, a história do homem, e até a criação inteira, encontram a sua «recapitulação» (606), o seu acabamento transcendente. 669. Como Senhor, Cristo é também a cabeça da Igreja, que é o seu corpo (607). Elevado ao céu e glorificado, tendo assim cumprido plenamente a sua missão, continua na terra por meio da Igreja. A redenção é a fonte da autoridade que Cristo, em virtude do Espírito Santo, exerce sobre a Igreja (608). «O Reino de Cristo já está misteriosamente presente na Igreja» (609), «gérmen e princípio deste mesmo Reino na Terra» (610). 670. Depois da ascensão, o desígnio de Deus entrou na sua consumação. Estamos já na «última hora» (1 Jo 2, 18) (611). «Já chegou pois, a nós, a plenitude dos tempos, a renovação do mundo já está irrevogavelmente adquirida e, de certo modo, encontra-se já realmente antecipada neste tempo: com efeito, ainda aqui na Terra, a Igreja está aureolada de uma verdadeira, embora imperfeita, santidade» (612). O Reino de Cristo manifesta já a sua presença pelos sinais miraculosos (613) que acompanham o seu anúncio pela Igreja (614). … À ESPERA DE QUE TUDO LHE SEJA SUBMETIDO 671. Já presente na sua Igreja, o Reino de Cristo, contudo, ainda não está acabado «em poder e glória» (Lc 21, 27) (615) pela vinda do Rei à terra. Este Reino ainda é atacado pelos poderes do mal (616), embora estes já tenham sido radicalmente vencidos pela Páscoa de Cristo. Até que tudo Lhe tenha sido submetido (617), «enquanto não se estabelecem os novos céus e a nova terra, em que habita a justiça, a Igreja peregrina, nos seus sacramentos e nas suas instituições, que pertencem à presente ordem temporal, leva a imagem passageira deste mundo e vive no meio das criaturas que gemem e sofrem as dores do parto, esperando a manifestação dos filhos de Deus» (618). Por este motivo, os cristãos oram, sobretudo na Eucaristia (619), para que se apresse o regresso de Cristo (620), dizendo-Lhe: «Vem, Senhor» (Ap 22, 20) (621). 672. Cristo afirmou, antes da sua ascensão, que ainda não era a hora do estabelecimento glorioso do Reino messiânico esperado por Israel (622), o qual devia trazer a todos os homens, segundo os profetas (623), a ordem definitiva da justiça, do amor e da paz. O tempo presente é, segundo o Senhor, o tempo do Espírito e do testemunho (624) mas é também um tempo ainda marcado pela «desolação» (625) e pela provação do mal (626), que não poupa a Igreja (627) e inaugura os combates dos últimos dias (628). É um tempo de espera e de vigília (629). A VINDA GLORIOSA DE CRISTO, ESPERANÇA DE ISRAEL 673. A partir da ascensão, a vinda de Cristo na glória está iminente (630) mesmo que não nos «pertença saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade» (Act 1, 7) (631). Este advento escatológico pode realizar-se a qualquer momento (632), ainda que esteja «retido», ele e a provação final que o há-de preceder (633). 674. A vinda do Messias glorioso está pendente, a todo o momento da história (634), do seu reconhecimento por «todo o Israel» (635), do qual «uma parte se endureceu» (636) na «incredulidade» (Rm 11, 20) em relação a Jesus. E Pedro quem diz aos judeus de Jerusalém, após o Pentecostes: «Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que os pecados vos sejam perdoados. Assim, o Senhor fará que venham os tempos de alívio e vos mandará o Messias Jesus, que de antemão vos foi destinado. O céu tem de O conservar até à altura da restauração universal, que Deus anunciou pela boca dos seus santos profetas de outrora» (Act 3, 19-21). E Paulo faz-se eco destas palavras: «Se da sua rejeição resultou a reconciliação do mundo, o que será a sua reintegração senão uma ressurreição de entre os mortos?» (Rm 11, 15). A entrada da totalidade dos judeus (637) na salvação messiânica, a seguir à «conversão total dos pagãos» (638), dará ao povo de Deus ocasião de «realizar a plenitude de Cristo» (Ef 4, 13), na qual «Deus será tudo em todos» (1 Cor 15, 2). A ÚLTIMA PROVA DA IGREJA 675. Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes (639). A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na Terra (640), porá a descoberto o «mistério da iniquidade», sob a forma duma impostura religiosa, que trará aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A suprema impostura religiosa é a do Anticristo, isto é, dum pseudo-messianismo em que o homem se glorifica a si mesmo, substituindo-se a Deus e ao Messias Encarnado (641). 676. Esta impostura anticrística já se esboça no mundo, sempre que se pretende realizar na história a esperança messiânica, que não pode consumar-se senão para além dela, através do juízo escatológico. A Igreja rejeitou esta falsificação do Reino futuro, mesmo na sua forma mitigada, sob o nome de milenarismo (642), e principalmente sob a forma política dum messianismo secularizado, «intrinsecamente perverso» (643). 677. A Igreja não entrará na glória do Reino senão através dessa última Páscoa, em que seguirá o Senhor na sua morte e ressurreição (644). O Reino não se consumará, pois, por um triunfo histórico da Igreja (645) segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o último desencadear do mal (646), que fará descer do céu a sua Esposa (647). O triunfo de Deus sobre a revolta do mal tomará a forma de Juízo final (648), após o último abalo cósmico deste mundo passageiro (649). II. «Para julgar os vivos e os mortos» 678. Na sequência dos profetas (650) e de João Baptista (651), Jesus anunciou, na sua pregação, o Juízo do último dia. Então será revelado o procedimento de cada um (652) e o segredo dos corações (653). Então, será condenada a incredulidade culpável, que não teve em conta a graça oferecida por Deus (654). A atitude tomada para com o próximo revelará a aceitação ou a recusa da graça e do amor divino (655). No último dia, Jesus dirá: «Sempre que o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes» (Mt 25, 40). 679. Cristo é Senhor da vida eterna. O pleno direito de julgar definitivamente as obras e os corações dos homens pertence-Lhe a Ele, enquanto redentor do mundo. Ele «adquiriu» este direito pela sua cruz. Por isso, o Pai entregou «ao Filho todo o poder de julgar» (Jo 5, 22) (656). Ora, o Filho não veio para julgar, mas para salvar (657) e dar a vida que tem em Si (658). É pela recusa da graça nesta vida que cada qual se julga já a si próprio (659), recebe segundo as suas obras (660) e pode, mesmo, condenar-se para a eternidade, recusando o Espírito de amor (661). Resumindo: 680. Cristo Senhor reina já pela Igreja, mas ainda não Lhe estão submetidas todas as coisas deste mundo. O triunfo do Reino de Cristo só será um facto, depois dum último assalto das forças do mal. 681. No dia do Juízo, no fim do mundo, Cristo virá na sua glória para completar o triunfo definitivo do bem sobre o mal, os quais, como o trigo e o joio, terão crescido juntos no decurso da história. 682. Quando vier; no fim dos tempos, para julgar os vivos e os mortos, Cristo glorioso há-de revelar a disposição secreta dos corações, e dará a cada um segundo as suas obras e segundo tiver aceite ou recusado a graça. 1. Cf. Mc 1, 1. 2. Cf. Lc 1, 68. 3. Cf. Lc 1, 55. 4. Cf. Mc 1, 11. 5. Cf. 1 Jo 4, 2. 6. Cf. Mt 16, 18: São Leão Magno. Sermão 4, 3: CCL 88, 19-20 (PL 54, 151 ); Sermão 51, 1: CCL 88A. 296-297 (PL 54, 309): Sermão 62, 2: CCL 88A, 377-378 (PL 54, 350-351); Sermão 83, 3: CCL 88A, 521-522 (PL 54, 432). 7. João Paulo II. Ex. Ap. Catechesi tradendae, 5: AAS 71 (1979). 1280-1281. 8. João Paulo II. Ex. Ap. Catechesi tradendae, 5: AAS 71 (1979). 1281. 9. João Paulo II. Ex. Ap. Catechesi tradendae, 6: AAS 71 (1979). 1281-1282. 10. Cf. Lc 1 , 3 1 . 11. Cf. Sl 51 , 6. 12. Cf. Sl 51. 11. 13. Cf. Sl 79, 9. 14. Cf. Act 5, 41: 3 Jo 7. 15. Cf. Jo 3, 18: Act 2. 21. 16. Cf. Rom 10, 6-13. 17. Cf. Act 9. 14; Tg 2, 7. 18. Cf. Lv 16, 15-16: Sir 50, 20-22: Heb 9, 7. 19. Cf. Ex 25, 22; Lv 16, 2; Nm 7, 8 9; Heb 9, 5. 20. Cf. Jo 12. 28. 21. Cf. Act 16, 16-18; 19, 13-16. 22. Cf. Mc 16. 17. 23. Cf. Jo 15, 16. 24. Cf. La réhabilitation de Jeanne la Pucelle. L’enquête ordonée par Charles VII en 1450 et le codicille de Guillaume Bouillé, ed. P. Doncoeur – Y. Larhers (Paris 1956), p. 39.45.56. 25. Cf. 1 Sm 9, 16; 10, 1; 16, 1.12-13: 1 Rc 1, 39. 26. Cf. Ex 29, 7; Lv 8, 12. 27. Cf. 1 Rs 19, 16. 28. Cf. Sl 2, 2; Act 4, 26-27. 29. Cf. Is 11, 2. 30. Cf. Zc 4, 14; 6, 13. 31. Cf. Is 61, 1; Lc 4, 16-21. 32. Cf. Lc 1, 35. 33. Cf. Rm 1, 3; 2 Tm 2, 8: Ap 22. 16. 34. Santo Ireneu de Lyon, Adversus Haereses 3, 18, 3; SC 211, 350 (PG 7, 934). 35. Cf. Mc 1, 24; Jo 6, 69; Act 3, 14. 36. Cf. Mt 2, 2; 9, 27; 12, 23; 15, 22; 20, 30; 21, 9.15. 37. Cf. Jo 4, 25-26; 11, 27. 38. Cf. Mt 22, 41-46. 39. Cf. Jo 6, 15; Lc 24, 21. 40. Cf. Mt 16, 16-23. 41. Cf. Jo 6, 62; Dn 7, 13. 42. Cf. Is 53, 10-12. 43. Cf. Jo 19, 19-22; Lc 23, 39-43. 44. Cf. Dt (LXX) 32, 8; Job 1. 6. 45. Cf. Ex 4, 22; Os 11, 1; Jer 3, 19: Sir 36,14; Sb 18, 13. 46. Cf. Dt 14, 1; Os 2, 1. 47. Cf. 2 Sm 7, 14; Sl 82, 6. 48. Cf. 1 Cr 17, 13; Sl 2. 7. 49. Cf. Mt 27, 54. 50. Cf. Lc 23, 47. 51. Cf. Mt 16, 16. 52. Cf. 1 Ts 1, 10. 53. Cf. Jo 20, 31. 54. Cf. Mt 16, 18. 55. Cf. Mt 26, 64; Mc 14, 62. 56. Cf. Mt 11, 27; 21, 37-38. 57. Cf. Mt 21, 34-36. 58. Cf. Mt 24, 36. 59. Cf. Mt 5, 48; 6, 8; 7. 21; Lc 11, 13. 60. Cf. Mt 3, 17; 17, 5. 61. Cf. Jo 10, 36. 62. Cf. Act 13, 33. 63. 63 Cf. Ex 3, 14. 64. Cf. 1 Cor 2, 8. 65. Cf. Mt 22, 41-46; cf. também Act 2. 34-36; Heb 1, 13. 66. Cf. Jo 13, 13. 67. Cf. Mt 8, 2: 14, 30; 15, 22: etc. 68. Cf. Lc 1, 43; 2, 11. 69. Cf. Act 2, 34-36. 70. Cf. Rm 9, 5; Tt 2, 13: Ap 5, 13. 71. Cf. Rm 10, 9; 1 Cor 12, 3; Fl 2. 9-11. 72. Cf. Ap 1, 15. 73. Cf.Mc 12, 17; Act 5, 29. 74. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 10; AAS 58 (1966) 1033; cf. ibid., 45: AAS 58 (1966) 1066 75. Cf. Act 28, 20. 76. Cf. Jo 1, 14, 18; 3, 16,18. 77. Cf. Jo 1, 1. 78. Cf. Act 8, 37; 1 Jo 2, 23, 7 79. DS 150. 80. São Gregório de Nissa, Oratio catechetica 15, 3: TD 7, 78 (PG 45, 48). 81. Cf. Dt 6, 4-5. 82. Cf. Mc 8, 34. 83. Santo Ireneo de Lião, Adversus haereses 3, 19, 1: SC 211, 374 (PG 7, 939). 84. Santo Atanasio, De Incarnatione, 54, 3: SC 199, 458 (PG 25, 192B). 85. São Tomás de Aquino, Officium de festo corporis Christi, Ad Matutinas. In primo Nocturno, Lectio 1: Opera omnia, v. 29 (Parisiis 1876) p. 336. 86. Cf. Cântico nas I Vésperas de Domingo: Liturgia Horarum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1973-1974), v. 1, p. 545.629.718 e 808: v. 2, p. 844.937.1037 e 1129: v. 3. p. 548.669.793 e 916; v. 4, p. 496.617.741 e 864 [Ed. portuguesa: Liturgia das Horas (Gráfica de Coimbra 1983), v. I. p. 621.710.803 e 897: v. 2, p. 984, 1079, 1182 e 1278; v. 3. p. 685.800.918 e 1032; v. 4, p.633.748.866 e 980]. 87. Cf. 1 Jo 4, 2-3; 2 Jo 7. 88. Símbolo de Niceia: DS 125. 89. Concílio de Nicéia, Epistula synodalis «Epeidê tês» ad Aegyptios: DS 130. 90. Símbolo de Niceia: DS 126. 91. Concílio de Éfeso, Epistula II Cyrilli Alexandrini ad Nestorium: DS250. 92. Concílio de Éfeso, Epistola II Cyrilli Alexandrini ad Nestorium: DS251. 93. Cf. Heb 4, 15. 94. Concílio de Calcedónia, Symbolum: DS 301-302. 95. II Concílio de Constantinopla, Sess. 8ª, Canon 4: DS 424. 96. Cf. Concílio de Éfeso, Anathematismi Cyrilli Alexandrini, 4: DS 255. 97. Cf. II Concílio de Constantinopla, Sess. 8ª, Canon 3: DS 423. 98. Cf. II Concílio de Constantinopla, Sess. 8ª, Canon 10: DS 432. 99. Antífona do «Benedictus» no ofício da Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus: Liturgia Horarum, editio typica, v. 1 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 394 [a edição oficial portuguesa omite a versão deste texto: Liturgia das Horas (Gráfica de Coimbra 1983),v. 1, p. 438]: cf. São Leão Magno, Sermão 21. 2: CCL138, 87 (PL 54, 192). 100. Ofício das Horas Bizantino, Tropário «O monoghenis»: «Horológion tò méga (Romae 1876) p. 82. 101. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042. 102. Cf. Jo 14. 9-10. 103. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042-1043. 104. Cf. São Dâmaso I, Epistula «Hóti tê apostolikê kathédra»: DS 149. 105. Cf. Mc 6. 38: 8. 27; Jo 11. 34: etc. 106. Cf. Fl 2, 7. 107. Cf. São Gregório Magno, Ep. Sicut aqua: DS 475. 108. São Máximo Confessor, Quaestiones et dubia, Q. I, 67: CCG10, 155 (66: PG 90. 840). 109. Cf. Mc 14, 36: Mt 11. 27; Jo I. 18; 8. 55; etc. 110. Cf. Mc 2. 8; Jo 2, 25; 6. 61; etc. 111. Cf. Mc 8, 31; 9. 31: 10. 33-34; 14, 18-20. 26-30. 112. Cf. Mc 13. 32. 113. Cf. Act 1, 7. 114. Cf. III Concílio de Constantinopla (ano 681). Sess.18.ª, Definido de duabus in Christo voluntatibus et operatianibus: DS 556-559. 115. III Concílio de Constantinopla (ano 681), Sess.18ª, Definitio de duabus in Christo voluntatibus et operationibus: DS 556. 116. Cf. Concílio de Latrão (ano 649). Canon 4: DS 504. 117. Cf. Gl 3, 1. 118. Concílio de Nicéia (ano 787), Act. 7ª, Definitio de sacris imaginibus: DS 600-603. 119. Prefácio do Natal II: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 396 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 458]. 120. Concílio de Nicéia, Act.7ª, Definitio de sacris imaginibus: DS 601. 121. Cf. Jo 19, 34. 122. Pio XII, Enc. Haurietis aquas: DS 3924: cf. ID.. Enc. Mystici corporis: DS 3812. 123. Cf. Jo 16, 14-15. 124. Cf. Mt 1, 20; Lc 1, 35. 125. Cf. Lc 2, 8-20. 126. Cf. Mt 2, 1-12. A 127. Cf. Jo 1, 31-34. 128. Cf. Jo 2, 11. 129. Cf. Heb 10, 5. 130. Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 56: AAS 57 (1965) 60; cf. ibid., 61: AAS 57 (1965) 63. 131. Cf. Gn 3,15. 132. Cf. Gn 3, 20. 133. Cf. Gn 18, 10-14; 21, 1-2. 134. Cf. 1 Cor 1, 27. 135.Cf. 1 Sm 1. 136. Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 55: AAS 57 (1965) 59-60. 137. Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 56: AAS 57 (1965) 60. 138. Cf. Lc 1, 28. 139. Cf. Lc 1, 28. 140. Pio IX, Bulla Ineffabilis Deus DS 2803. 141. Cf. Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium,, 56: AAS 57 (1965) 60. 142. Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 53: AAS 57 (1965) 58. 143. Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 56: AAS 57 (1965) 60. 144. Cf. Lc 1, 28-37. 145. Cf. Rm 1, 5. 146. Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 56: AAS 57 (1965) 60-61. 147. Santo Irineu de Lião, Adversus haereses, 3, 22, 4: SC 211, 440 (PG 7, 959). 148. Cf. Santo Irineu de Lião, Adversus haereses, 3, 22, 4: SC 211, 442-444 (PG 7, 959-960). 149. Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 56: AAS 57 (1965) 60-61. 150. Cf. Mt 13, 55. 151. Cf. Concílio de Éfeso, Epistula II Cyrilli Alexandrini ad Nestorium: DS 251. 152. Cf. DS 10-64. 153. Concílio de Latrão (ano 649), Canon 3: DS 503. 154. Cf. Rm 1, 3. 155. Cf. Jo 1, 13. 156. Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Smyrnaeos 1-2: SC 10bis. p. 132-134 (Funk 1, 274‑276). 157. Cf. Mt 1, 18-25: Lc 1, 26-38. 158. Cf. Lc 1, 34. 159. Cf. São Justino, Dialogus cum Tryphone Iudaeo 66-67: CA 2. 234-236 (PG 6, 628-629): Orígenes, Contra Celsum, 1. 32: SC 132, 162-164 (PG 8. 720-724); Ibid., 1, 69: SC 132, 270 (PG 8, 788-789): e outros. 160. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 4: DS 3016. 161. Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Ephesios 19, 1: SC l0bis- 74 (Funk 1, 228); cf. 1 Cor 2, 8. 162. II Concílio de Constantinopla, Sess.8ª Canon 6 : DS 427. 163. Cf. São Leão Magno, Tomus ad Flavianum: DS 291; Ibid.: DS 294; Pelágio I, Ep. Humani generis: DS 442: Concílio e Latrão, Canon 3: DS 503; XVI Concílio de Toledo, Symbolum: DS 571; Paulo IV, Const. Cum quorumdam hominum: DS 1880. 164. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 57: AAS 57 (1965) 61. 165 II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 52: AAS 57 (1965) 58. 166. Cf. Mc 3, 31-35; 6, 3: 1 Cor 9, 5: Gl 1, 19. 167. Cf. Mt 27, 56. 168. Cf. Gn 13, 8; 14, 16; 29. 15; etc. 169. Cf. Jo 19, 26-27; Ap 12, 17. 170. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 63: AAS 57 (1965) 64. 171. Cf. Lc 2, 48-49. 172. Concílio de Friúl (ano 796). Symbolum: DS 619. 173. Cf. 1 Cor 15, 45. 174. Cf. Cl 1, 18. 175. Cf. Jo 3, 9. 176. Cf. 2 Cor 11, 2. 177. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 63: AAS 57 (1965) 64. 178. Cf. 1 Cor 7, 34-35. 179. Santo Agostinho, De sancta virginitate, 3, 3: CSEL 41. 237 (PL 40, 398). 180. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 63: AAS 57 (1965) 64. 181. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 64: AAS 57 (1965) 64. 182. II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 103: AAS 56 (1964) 125. 183. Santo Agostinho, Sermão 186, 1: PL 38, 999. 184. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 56: AAS 57 (1965) 60. 185. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3. q. 30, a. I. c: Ed. Leon. 11, 315. 186. Cf. Jo 20, 3. 187. Cf. Mc 1, 1; Jo 21, 24 188. Cf. Lc 2, 7. 189. Cf. Mt 27, 48. 190. Cf Jo 20, 7. 191.Cf. Heb 10, 5-7. 192. Cf. 1 Jo 4, 9. 193. Cf. Ef 1, 7: Cl I. 13-14 (Vulgata); 1 Pe 1, 18-19. 194. Cf. 2 Cor 8, 9. 195. Cf. Lc 2, 51. 196. Cf. Jo 15, 3. 197. Cf. Is 53, 4. 198. Cf. Rm 4, 25. 199. Santo Ireneo de Lião, Adversus haereses 3, 18, 1: SC 211, 342-344 (PG 7, 932). 200. Ibidem, 18. 7: SC 211, 366 (PG 7, 937); cf. Ibid. 2, 22. 4: SC 294, 220-222 (PG 7, 784). 201. João Paulo II, Enc. Redemptor hominis, 11: AAS 71 (1979) 278. 202. Cf. Símbolo Niceno-Contantinopolitano: DS 150. 203. Cf. Rm 15, 5; Fl 2, 5. 204. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 38: AAS 58 (1966) 1055. 205. Cf. Jo 13, 15. 206. Cf. Lc 11, 1. 207. Cf. Mt 5, 11-12. 208. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042. 209. São João Eudes: Le royaume de Jésus, 3, 4: Oeuvres complètes, v. 1 (Vannes 1905) p. 310-311 [2ª leitura do Ofício de Leituras de sexta-feira da 33ª semana do Tempo Comum: Liturgia das Horas, v. 4 (Gráfica de Coimbra 1983), p. 539]. 210. Cf. Heb 9, 15. 211. Cf. Act 13, 24. 212 Cf. Mt 3, 3. 213. Cf. Lc 7 26 214. Cf. Mt 11, 13. 215. Cf. Act 1, 22: Lc 16, 16. 216. Cf. Lc 1, 41. 217. Cf. Mc 6, 17-29. 218. Cf. Ap 22, 17. 219. Cf. Lc 2, 6-7. 220. Cf. Lc 2, 8-20. 221. São Romano o Melódio, Kontakion, 10, In diem Nativitatis Christi, Prooemium: SC 110, 50. 222. Cf. Mt 18, 3-4. 223. Cf. Mt 23, 12. 224. Cf. Jo 1, 13. 225. Cf. Jo 1, 12. 226. Cf. Gl 4, 19. 227. Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, 1ª Antífona das I e II Vésperas: Liturgia Horarum, editio typica, v. I (Typis Polyglottis Vaticanis 1973), p. 385 e 397 [a versão oficial portuguesa é menos exacta: «Oh admirável mistério! O Criador do género humano, tomando corpo e alma, dignou-Se nascer duma Virgem; e, feito homem, tornou-nos participantes da sua divindade!»: Liturgia das Horas. v. 1 (Gráfica de Coimbra 1983). p. 426 e 441]. 228. Cf. Lc 2, 21. 229. Cf. Gl 4, 4. -‘9 230. Cf. Cl 2, 11-13. :231. Cf. Solenidade da Epifania do Senhor. Antífona do «Magnificat» das II Vésperas: Liturgia Horarum, editio typica, v. 1 (Typis Polyglottis Vaticanis 1973) p. 465 [Liturgia das Horas, v. 1 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 528]. 232. Cf. Mt 2, 1. 233. Cf. Mt 2, 2. 234. Cf. Nm 24, 17; Ap 22, 16. 235. Cf. Nm 24, 17-19. 236. Cf. Jo 4, 22. 237. Cf. Mt 2, 4-6. 238. São Leão Magno, Sermão 33, 3: CCL 138, 173 (PL 54. 242) [Solenidade da Epifania do Senhor, 2ª Leitura do Ofício de Leituras: Liturgia das Horas, v. 1 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 519]. 239. Vigília Pascal, Oração depois da 3ª leitura: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 277 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 305]. 240. Cf. Lc 2, 22-39. 241. Cf. Ex 13, 2. 12-13. 242. Cf. Mt 2, 13-18. 243. Cf. Jo 15, 20. 244. Cf. Mt 2, 15. 245. Cf. Os 11, 1. 246. Cf. G1 4, 4. 247. Cf. Lc 2, 51. 248. Cf. Rm 5, 19. 249. Paulo VI, Alocução na igreja da Anunciação à bem-aventurada Virgem Maria em Nazaré, 5 de Janeiro de 1964: AAS 56 (1964) 167-168 [Festa da Sagrada Família, 2ª Leitura do Ofício de Leitura: Liturgia das Horas, v. 1 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 381-382]. 250. Cf. Lc 2, 41-52. 251. Cf. Lc 3, 23. 252. Cf. Act 1, 22. 253. Cf. Lc 3, 10-14. 254. Cf. Mt 3, 7. 255. Cf. Mt 21, 32. 256. Cf. Is 53, 12. 257. Cf. Mc 10, 38; Lc 12, 50. 258. Cf. Mt 26, 39. 259. Cf. Lc 3 . 22; Is 42, 1. 260. Cf. Jo 1 , 32-33; Is 1 l, 2. 261. São Gregório Nazianzeno, Oratio 40, 9: SC 358, 216 (PG 36. 369). 262. Santo Hilário de Poitiers, In evangelium Matthaei 2, 6: SC 254. 110 (PL 9, 927). 263. Cf. Mc 1, 13. 264. Cf. SI 95, 10. 265. Cf. Mc 3, 27. 266. Cf. Mt 16, 21-23. 267. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 3: AAS 57 (1965) 6. 268. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 2: AAS 57 (1965) 5-6. 269. I II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 8. 270 Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 3: AAS 57 (1965) 6. 271. Cf. Mt 10, 5-7. 272. Cf. Mt 8, 11; 28, 19. 273. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 7. 274. Cf. Lc 7, 22. 275. Cf. Mt 11, 25. 276. Cf. Mc 2, 23-26: Mt 21, 18. 277. Cf. Jo 4, 6-7: 19, 28. 278. Cf. Lc 9, 58. 279. Cf. Mt 25, 31-46. 280. Cf. 1 Tm 1, 15. 281. Cf. Lc 15, 11-32. 282. Cf. Mc 4, 33-34. 283. Cf. Mt 22, 1-14. 284. Cf. Mt 13, 44-45. 285. Cf. Mt 21, 28-32. 286. Cf. Mt 13, 3-9. 287. Cf. Mt 25, 14-30. 288. Cf. Mt 13, 10-15. 289. Cf. Lc 7. 18-23. 290. Cf. Jo 5, 36; 10, 25. 291. Cf. Jo 10, 38. 292. Cf. Mc 5, 25-34; 10, 52: etc. 293. Cf. Jo 10, 31-38. 294. Cf. Mt 11, 6. 295. Cf. Jo 11, 47-48. 296. Cf. Mc 3, 22. 297. Cf. Jo 6, 5-15. 298. Cf. Lc 19, 8. 299. Cf. Mt 11, 5. 300. Cf. Lc 12, 13-14; Jo 18, 36. 301. Cf. Jo 8, 34-36. 302. Cf. Mt 12, 26. 303. Cf. Lc 8, 26-39. 304. Cf. Jo 12, 31. 305. Venâncio Fortunato, Hino «Vexilla Regis»: MGH 1/4/1, 34 (PL 88, 96). 306. Cf. Mc 3, 13-19. 307. Cf. Mc 3, 16; 9, 2; Lc 24, 34: 1 Cor 15, 5. 308. Cf. 1 Pe 2. 4. 309. Cf. Lc 22, 32. 310. Cf. Mt 18, 18. 311. Cf. Mt 16, 22-23. 312. Cf. Mt 17, 23; Lc 9, 45. 313. Cf. Mt 17, 1-8 e par.: 2 Pe 1, 16-18. 314. Cf. Lc 24. 27. 315. Cf. Is 42, 1. 316. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3. q. 45, a. 4, ad 2: Ed. Leon. 11, 433. 317. Liturgia bizantina, Kontakion na Festa da Transfiguração: «Mênaîa toû bólou eniautoû», v. 6 (Romae 1901) p. 341. 318. Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3, q. 45. a. 4, ad 2: Ed. Leon. 11, 433. 319. Cf. Lc 9. 33. 320. Santo Agostinho, Sermão 78. 6: PL 38, 492-493. 321. Cf. Jo 13, 1. 322. Cf. Mc 8, 31-33; 9, 31-32; 10, 32-34. 323. Cf. Mt 23, 37a. 324. Cf. Lc 19, 41. 325. Cf. Jo 6, 15. 326. Cf. Mt 21, 1-11. 327. Cf. Jo 18, 37. 328. Cf. Mt 21, 15-16; Sl 8, 3. 329. Cf. Lc 19, 38: 2, 14. 330. João Paulo II, Ex. Ap. Catechesi tradendae, 9: AAS 71 (1979) 1284. 331. Cf. Gl 4, 19. 332. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 7: AAS 57 (1965) 10. 333. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 7. 334. Cf. São Leão Magno, Sermão 51, 3: CCL 138A, 298-299 (PL 54. 310). 335. Cf. Heb 12, 3. 336. Cf. Lc 24, 27, 44-45. 337. Cf. II Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Verbum, 19; AAS 58 (1966) 826-827. 338. Cf. Mc 3, 6. 339. Cf. Mt 12, 24. 340. Cf. Mc 2, 7. 341. Cf. Mc 3, 1-6. 342. Cf. Mc 7, 14-23. 343. Cf. Mc2, 14-17. 344. Cf. Mc 3, 22: Jo 8, 48: 10, 20. 345. Cf. Mc 2, 7; Jo 5, 18; 10, 33. 346. Cf. Jo 7, 12; 52. 347. Cf. Jo 8, 59; 10, 31. 348. Cf. Lc 2, 34. 349. CL Jo 1, 19; 2, 18; 5, 10; 7, 13; 9, 22 18, 12: 19, 38; 20, 19. 350. Cf. Jo 7, 48-49. 351. Cf. Lc 13, 31. 352. Cf. Lc 7, 36; 14, 1. 353. Cf. Mt 22, 23-34; Lc 20, 39. 354. Cf. Mt 6, 2-18. 355. Cf. Mc 12, 28-34. 356. Cf. Jo 8, 46. 357. Cf. Jo 7, 19; Act 13, 38-41; 15, 10. 358. Cf. Gl 3, 10; 5, 3. 359. Cf. Rm 10, 2. 360. Cf. Mt 15, 3-7; Lc 11, 39-54. 361. Cf. Is 53, 11: Heb 9, 15. 362. Cf. Gl 4, 4. 363. Cf. Gl 3, 13. 364. Cf. Gl 3, 10. 365. Cf. Jo 3. 2; Mt 22, 23-24. 34-36. 366. Cf. Mt 9, 12; 12, 5: Mc 2, 23-27; Lc 6, 6-9; Jo 7, 22-23. 367. Cf. Mt 5, 1. 368. Cf. Mc 7, 8. 369. Cf. Mc 7, 13. 370. Cf. Gl 3, 24. 371. Cf. Jo 5, 36; 10 25. 37-38; 12, 37. 372 Cf. Mc 2, 25-27; Jo 7, 22-24. 373. Cf. Mt 12, 5; Nm 28, 9. 374. Cf. Lc 13, 15-16; 14, 3-4. 375. Cf. Lc 2, 22-39. 376 Cf. Lc 2, 46-49. 377. Cf. Lc 2, 41. 378. Cf. Jo 2, 13-14; 5, 1.14; 7, 1.10.14; 8, 2; 10, 22-23. 379. Cf. Mt 21, 13. 380. Cf. Act 2, 46; 3. 1; 5, 20-21; etc. 381. Cf. Mt 24, 1-2. 382. Cf. Mt 24, 3: Lc 13, 35. 383. Cf. Mc 14, 57-58. 384. Cf. Mt 27, 39-40. 385. Cf. Mt 8, 4; 23, 21; Lc 17, 14; Jo 4, 22. 386. Cf. Jo 18, 20. 387. Cf. Mt 17, 24-27. 388. Cf. Mt 16, 18. 389. Cf. Jo 2, 21; Mt 12, 6. 390. Cf. Jo 2, 18-22. 391. Cf. Jo 4, 23-24; Mt 27, 51: Heb 9, 11; Ap 21, 22. 392. Cf. Lc 2, 34. 393. Cf. Lc 20, 17-18; Sl 118, 22. 394. Cf. Lc 5. 30. 395. Cf. Lc 7, 36; 11, 37; 14, 1. 396 Cf. Jo 7, 49; 9, 34. 397. Cf. Jo 8, 33-36. 398. Cf. Jo 9. 40-41. 399. Cf. Mt 9, 13; Os 6, 6. 400. Cf. Lc 15, 1-2. 401. Cf. Lc 15. 23-32. 402. Cf. Jo 5, 18: 10, 33. 403. Cf. Jo 17, 6.26. 404. Cf. Mt 12, 6. 405 Cf. Mc 12, 36-37. 406. Cf. Jo 10, 36-38. 407. Cf. Jo 3, 7. 408. Cf. Jo 6, 44. 409. Cf. Is 53, 1. 410. Cf. Mc 3, 6; Mt 26, 64-66. 411. Cf. Lc 23, 34; Act 3, 17-18. 412. Cf. Mc 3, 5; Rm 11, 25. 413. Cf. Rm 11, 20. 414. Cf. Mt 5, 17-19. 415. Cf. Jo 8, 46. 416. Cf. Mt 5, 33. 417. Cf. Heb 9, 15. 418. Cf. Jo 5, 16-18. 419. Cf. Jo 1, 14. 420. Cf. Jo 10, 33. 421. Cf. Jo 7, 50. 422. Cf. Jo 19, 38-39. 423. Cf. Jo 9, 16-17; 10, 19-21. 424. Cf. Jo 9, 16; 10, 19. 425. Cf. Jo 9, 22. 426. Cf. Mt 26, 66. 427. Cf. Jo 18, 31. 428. Cf. Lc 23, 2. 429. Cf. Jo 19, 12.15.21. 430. Cf. Mc 15, 11. 431. Cf. Act 2, 23.36; 3, 13-14; 4, 10; 5, 30; 7, 52; 10, 39; 13, 27-28; 1 Ts 2, 14-15. 432. Cf. Lc 23, 34. 433. Cf. Act 3, 17. 434. Cf. Act 5, 28; 18, 6. 435. II Concílio do Vaticano, Decl. Nostra aetate, 4: AAS 58 (1966) 743. 436. CatRom 1, 5, 11. p. 64: Cf. Heb 12, 3. 437. Cf. Mt 25, 45; Act 9, 4-5. 438. CatRom 1, 5, 11, p. 64. 439. São Francisco de Assis, Admonitia 5, 3: Opuscula Sancti Patris Francisci Assisiensis, ed. G. Esser (Grottaferrata 1978) p. 66. [Fontes Franciscanas I (Braga. Editorial Franciscana. 1994) p. 114]. 440. Cf. Act 3, 13. 441. Cf. Sl 2, 1-2. 442. Cf. Mt 26, 54; Jo 18, 36: 19, 11. 443. Cf. Act 3, 17-18. 444. Cf. Is 53, 11: Act 3, 14. 445. Cf. Is 53, 11-12; Jo 8. 34-3 446. Cf. 1 Cor 15, 3. 447. Cf. também Act 3, 18; 7, 52; 13, 29; 26, 22-23. 448. Cf. Is 53. 7-8; Act 8, 32-35. 449. Cf. Mt 20, 28. 450. Cf. Lc 24, 25-27. 451. Cf. Lc 24, 44-45. 452. Cf. Rm 5, 12: 1 Cor 15, 56. 453. Cf. Fl 2, 7. 454. Cf. Rm 8, 3. 455. Cf. Jo 8, 46. 456. Cf. Jo 8, 29. 457. Cf. Sl 22, 1. 458. Cf. 1 Jo 4, 19. 459. Cf. Rm 5, 18-19. 460. Cf. 2 Cor 5, 15: 1 Jo 2, 2. 461. Concílio de Quiercy (ano 853). De libero arbitrio hominis et de praedestinatione, canon 4: DS 624. 462. Cf. Jo 6. 38. 463. Cf. Lc 12, 50; 22, 15: Mt 16, 21-23. 464. Cf. Lc 3, 21; Mt 3, 14-15. 465. Cf. Jo 1, 29.36. 466. Cf. Is 53, 7: Jr 11,19. 467. Cf. Is 53, 12. 468. Cf. Ex 12, 3-14; Jo 19, 36; 1 Cor 5, 7. 469. Cf. Mc 10, 45. 470. Cf. Heb 2, 10.17-18; 4, 15; 5, 7-9. 471. Cf. Jo 18, 4-6; Mt 26, 53. 472. Cf. Mt 26, 20. 473. Cf. 1 Cor 5, 7. 474. Cf. 1 Cor 11, 25. 475. Cf. Lc 22, 19. 476. Cf. Concílio de Trento, Sess. 22ª, Doctrina de sanctissimo Missae Sacriftcio, canon 2: DS 1752: Sess. 23ª, Doctrina de sacramento Ordinis, c. 1: DS 1764. 477. Cf. Lc 22, 20. 478. Cf. Mt 26, 42. 479. Cf. Heb 5, 7-8. 480. Cf. Heb 4, 15. 481. Cf. Rm 5, 12. 482. Cf. Act 3, 15. 483. Cf. Ap 1, 18; Jo 1, 4; 5, 26. 484. Cf. Mt 26, 42. 485. Cf. 1 Cor 5, 7; Jo 8, 34-36. 486. Cf. Jo 1, 29: 1 Pe 1, 19. 487. Cf. 1 Cor 11, 25. 488. Cf. Ex 24, 8. 489. Cf. Mt 26, 28; Lv 16, 15-16. 490. Cf. Heb 10, 10. 491. Cf. 1 Jo 4, 10. 492. Cf. Jo 15, 13. 493. Cf. Jo 10, 17-18. 494. Cf. Heb 9, 14. 495. Cf. Is 53, 10-12. 496. Cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 7: DS 1529. 497. Cf. Jo 13, 1. 498. Cf. Gl 2, 20; Ef 5, 2. 25. 499. Concílio de Trento, Sess. 6ª. Decretum de iustificatione, c. 1: DS 1529. 500. Cf. Heb 5, 9. 501. Aditamento litúrgico ao Hino «Vexilla Regis»: Liturgia Horarum, editio typica. N. 2 (Typis Polyglottis Vaticanis 1974) p. 313: v. 4, p. 1129 [a versão litúrgica em português difere um pouco: «Cruz do Senhor, és única esperança!»: Liturgia das Horas. v. 2 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 366; v. 4. p. 1267]. 502. Cf. 1 Tm 2, 5. 503. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042. 504. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1043. 505. Cf. Mt 16, 24. 506. Cf. 1 Pe 2, 21. 507. Cf. Mc 10, 39; Jo 21, 18-19; Cl 1, 24. 508. Cf. Lc 2, 35. 509. Santa Rosa de Lima: P. Hansen. Vita mirabilis […] venerabilis sororis Rosae de sancta Maria Limensis (Romae 1664), p. 137. 510. Cf. 1 Pe 1, 18. 511. Cf. Is 53, 10. 512. Cf. Is 53, 11; Rm 5, 19. 513. Cf. Jo 19, 42. 514. Cf. Heb 4, 4-9. 515. Cf. Jo 19, 30. 516. Cf. Cl 1, 18-20. 517. São Gregório de Nissa, Oratio catechetica, 16, 9: TD 7, 90 (PG 45, 52). 518. Cf. Act 3, 15. 519. Cf. Lc 24, 5-6. 520. São João Damasceno, Expositio fidei, 71 [De Fide orthodoxa 3, 27]. PTS 12, 170 (PG 94, 1098). 521. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3, 51, 3. ad 2: ED. Leon. 11, 490. 522. Cf. Sl 16, 9-10. 523. Cf. Mt 12, 40: Jo 2, 1; Os 6, 2. 524. Cf. Jo 11, 39. 525. Cf. Cl 2, 12: Ef 5, 26. 526. Cf. Heb 2, 9. 527. Vigília Pascal, Precónio Pascal («Exsultet»): Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 273 e 275 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 292 e 295]. 528. Cf. Act 3, 15; Rm 8, 11. 529. Cf. Heb 13, 20. 530. Cf. 1 Pe 3, 18-19. 531. Cf. Fl 2, 10; Act 2, 24: Ap 1, 18; Ef 4, 9. 532. Cf. Sl 6, 6; 88, 11-13. 533. Cf. Sl 89, 49; 1 Sm 28, 19: Ez 32, 17-32. 534. Cf. Lc 16, 22-26, 535. CatRom 1. 6. 3. p. 71. 536. Cf. Concílio de Roma (ano 745), De descensu Christi ad inferos: DS 587. 537. Cf. Bento XII, Libellus, Cum dudum (1341). 18: DS 1011; Clemente VI, Ep. Super quibusdam (ano 1351), c. 15, 13: DS 1077. 538. Cf. IV Concílio de Toledo (ano 633). Capitulum, 1: DS 485; Mt 27, 52-53. 539. Cf Mt 12, 40; Rm 10, 7; Ef 4, 9. 540. Cf. Act 3, 15. 541. Antiga homilia para Sábado Santo: PG 43. 440.452.461 [Sábado Santo, 2ª Leitura do Ofício de Leituras: Liturgia das Horas, s. 2 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 454-4551. 542. Liturgia bizantina, Tropário no dia de Páscoa: «Pentêkostárion» (Romae 1884) p.6. 543. Cf. Act 9, 3-18. 544. Cf. Jo 20, l3; Mt 28, 11-15. 545. Cf. Lc 24, 3. 22-23. 546. Cf. Lc 24, 12. 547. Cf. Jo 20, 8. 548. Cf. Jo 20, 5-7. 549. Cf. Jo 11, 44. 550. Cf. Mc 16, l ; Lc 24, 1. 551. Cf. Jo 19, 31.42. 552. Cf. Mt 28, 9-10; Jo 20, 11-18. 553. Cf. Lc 24, 9-10. 554. Cf. 1 Cor 15, 5. 555. Cf. Lc 22, 31-32. 556. Cf. Act 1, 22. 557. Cf. 1 Cor 15, 4-8. 558. Cf. Lc 22, 31-32. 559. Cf. Jo 20, 19. 560. Cf. Mc 16, 11.13. 561. Cf. Lc 24,38. 562. Cf. Lc 24, 37. 563. Cf. Jo 20, 24-27. 564. Cf. Lc 24, 39; Jo 20, 27. 565. Cf. Lc 24, 30.41-43: Jo 21, 9.13-15. 566. Cf. Lc 24, 39. 567. Cf. Lc 24, 40: Jo 20, 20.27. 568. Cf. Mt 28, 9.16-17; Lc 24, 15.36; Jo 20, 14.19-26; 21, 4. 569. Cf. Jo 20, 17. 570. Cf. Jo 20, 14-15. 571. Cf. Jo 20, 14.16; 21, 4.7. 572. Cf. 1 Cor 15, 35-50. 573. Vigília Pascal, Precónio Pascal («Exsultet» ): Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 272 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 290 e 294]. 574. Cf. Jo 14, 22. 575. Cf. Rm 6, 4; 2 Cor 13, 4: Fl 3. 10; Ef 1, 19-22; Heb 7, 16. 576. Cf. Mc 8, 31; 9. 9.31; 10. 34. 577. São Gregório de Nissa, De tridui inter mortem et resurrectionem Domini nostri Iesu Christi spatio: Gregorii Nysseni opera, ed. W. Jaeger — H. Langerbeck, V. 9 (Leiden 1967) p. 293- 294 (PG 46, 417B): cf. também Statuta Ecelesiae Antigua: DS 325: Anastásio II, Ep. In prolixitate epistulae: DS 359: Santo Hormisda. Ep. Inter ea quae: DS 369: XI Concílio de Toledo, Symbolum: DS 539. 578. Cf. Lc 24, 26-27. 44-48. 579. Cf. Mt 28, 6; Mc 16, 7; Lc 24, 6-7. 580. Cf. 1 Cor 15, 3-4: Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150. 581. Cf. Sl, 2, 7. 582. Cf. Rm 4, 25. 583. Cf. Ef 2, 4-5; 1 Pe 1, 3. 584. Cf. Jo 20, 17. 585. Cf. Cl 3, 1-3. 586. Cf. Rm 6, 4. 587. Cf. Rom 8, 11. 588. Cf. Lc 24. 31; Jo 20, 19.26. 589. Cf. Act 10, 41. 590. Cf. Act 1, 3. 591. Cf. Mc 16, 12; Lc 24. 15; Jo 20, 14-15; 21, 4. 592. Cf. Act 1, 9; também Lc 9. 34-35; Ex 13, 22. 593. Cf. Lc 24, 51. 594. Cf. Mc 16, 19; Act 2, 33; 7. 56: também Sl 110, 1. 595. Cf. 1 Cor 9, 1: Gl 1, 16. 596. Cf. Jo 16, 28. 597. Cf. Ef 4, 8-10. 598. Cf. Jo 14, 2. 599. Prefácio de Ascensão, I: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 410 [Missal Romano. Gráfica de Coimbra 1992. 474]. 600. Cf. Ap 4, 6-11. 601. São João Damasceno, Expositio fidei, 75 [De fide Orthodoxa 4, 2]: PTS 12. 173 (PG 94, 104D). 601. Cf. Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150. 603. Cf. Act 1, 11. 604. Cf. Cl 3, 3. 605. Cf. Ef 4, 10; 1 Cor 15, 24. 27-28. 606. Cf. Ef 1, 10. 607. Cf. Ef 1, 22. 608. Cf. Ef 4, 11-13. 609. Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 3: AAS 57 (1965) 6. 610. Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 8. 611. Cf. 1 Pe 4, 7. 612. Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 53. 613. Cf. Mc 16, 17-18. 614. Cf. Mc 16, 20. 615. Cf. Mt 25, 31. 616. Cf. 2 Ts 2, 7. 617. Cf. 1 Cor 15, 28. 618. Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 53. 619. Cf. 1 Cor 11, 26. 620. Cf. 2 Pe 3. 11-12. 621. Cf. 1 Cor 16, 22; Ap 22, 17. 622. Cf. Act 1, 6-7. 623. Cf. Is 11, 1-9. 624. Cf. Act 1, 8. 625. Cf. 1 Cor 7, 26. 626. Cf. Ef 5, 16. 627. Cf. 1 Pe 4, 17. 628. Cf. 1 Jo 2, 18; 4, 3: 1 Tm 4, 1. 629. Cf. Mt 25, 1-13; Mc 13, 33-37. 630. Cf. Ap 22. 20. 631. Cf. Mc 13, 32. 632. Cf. Mt 24, 44; 1 Ts 5, 2. 633. Cf. 2 Ts 2, 3-12. 634. Cf. Rm 11, 31. 635. Cf. Rm 11, 26; Mt 23, 39. 636. Cf. Rm 11, 25. 637. Cf. Rm 11, 12. 638. Cf. Rm 11, 25; Lc 21, 24. 639. Cf. Lc 18, 8; Mt 24, 12. 640. Cf. Lc 21, 12; Jo 15, 19-20. 641. Cf. 2 Ts 2, 4-12; 1 Ts 5. 2-3; 2 Jo 7; 1 Jo 2, 18.22. 642. Cf. Santo Ofício, Decretum de millenarismo (19 de Julho de 1944): DS 3839. 643. Cf. Pio XI, Enc. Divini Redemtptoris (19 de Março de 1937): AAS 29 (1937) 65-106, condenando o «falso misticismo» desta «simulação da redenção dos humildes» (p. 69); II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 20-21: AAS 58 (1966) 1040-1042. 644. Cf. Ap 19, 1-9. 645. Cf. Ap 13, 8. 646. Cf. Ap 20, 7-10. 647. Cf. Ap 21, 2-4. 648. Cf. Ap 20, 12. 649. Cf. 2 Pe 3. 12-13. 650. Cf. Dn 7, 10; Jl 3-4: Ml 3, 19. 651. Cf. Mt 3, 7-12. 652. Cf. Mc 12, 38-40. 653. Cf. Lc 12, Jo 3, 20-21; Rm 2, 16; 1 Cor 4, 5. 654. Cf. Mt 11, 20-24: 12, 41-42. 655. Cf. Mt 5, 22; 7, 1-5. 656. Cf. Jo 5, 27: Mt 25, 31: Act 10, 42: 17, 31: 2 Tm 4, 1. 657. Cf. Jo 3, 17. 658. Cf. Jo 5, 26. 659. Cf. Jo 3, 18: 12, 48. 600. Cf. 1 Cor 3, 12-15. 601. Cf. Mt 12, 32; Heb 6, 4-6; 10, 26-31. #CAPÍTULOSEGUNDO422682 #CAPÍTULOSEGUNDOCREIOEMJESUSCRISTO #FILHOÚNICODEDEUS #CREIOEMDEUSPAI #catecismodaigrejacatólica #catecismo
- VIOLÊNCIA – Padre Santiago Martín
A notícia desta semana, sem dúvida, foi a tomada do Congresso dos EUA por uma multidão de apoiadores do ainda Presidente Trump. Associo-me à condenação deste ato violento feita pela Conferência Episcopal dos EUA, especialmente por um dos bispos mais conservadores e pró-vida dos Estados Unidos, o Arcebispo Cordileone, de São Francisco. Tendo dito isto — e, repito, deixando claro que o que aconteceu em Washington não tem qualquer justificação —, creio que pelo menos mais duas coisas devem ser ditas. A primeira é que a violência deve ser condenada por todos, seja quem for que a pratique. Parte do que aconteceu deve-se ao fato de muitas pessoas estarem fartas da suposta superioridade moral da esquerda, segundo a qual tudo o que fazem é bem feito e tudo o que os seus opositores políticos fazem é mal feito. Isto, que tem sido encorajado pela maioria dos meios de comunicação, tornou-se uma ditadura do pensamento, onde o que é politicamente correto é decidido por uns e os outros têm de o aceitar, se não quiserem assumir a cadeia de insultos e desqualificações permanentes que vêm daquela esquerda, que é o mestre absoluto do pensamento. Por exemplo: a agressão ao Congresso é tachada de má, enquanto a violência do movimento “Black lives matter” (que foi desencadeada pela morte de um cidadão afro-americano por um policial), não é. Se o policial agiu mal, deve ser julgado e condenado, mas isso não justifica a violência. Outro exemplo: quando os combatentes da independência catalã declararam ilegalmente a sua independência, em 2017, a polícia teve de suportar ataques muito violentos, na sequência da intervenção da autonomia catalã por parte do governo legítimo de Espanha, mas no final foi a polícia que foi apresentada como culpada. Não é verdade que o uso da violência seja mau apenas quando é decidido por aqueles que controlam o que é politicamente correto. Esta é precisamente uma das causas que geram tal violência. Outra coisa: pensar que o que aconteceu, nos Estados Unidos, se deve às ações irresponsáveis de um presidente, é simplificar muito as coisas. A realidade é que o país está dividido e que, de ambos os lados, os temperamentos estão exacerbados. Aqueles que agrediram o Congresso são uma minoria radical, mas a maioria dos que votaram em Trump, embora desaprovando o uso da violência, não se sentem representados pelos novos governantes. Talvez isso seja inevitável, mas é precisamente por isso que esses novos governantes deveriam ter, como tarefa principal, unir todo o país, e não impor o seu programa, com base em sua maioria, para aprovar leis que a outra metade do país rejeita. Por exemplo: a maioria democrata, nesse mesmo Congresso, já propôs que os termos “pai”, “mãe”, “filho” e “filha” fossem eliminados, além de propor também a chamada “Lei da Igualdade”, que penaliza aqueles que discordam da ideologia do gênero. Governar para uns, contra outros, não é apropriado para um bom governante. É adicionar combustível ao fogo e depois reclamar. Não há justificação para a violência, mas é responsabilidade de todos evitar as causas de tal violência. Responsabilidade especialmente daqueles que governam, a começar por Trump, mas não apenas dele. E isto também é verdade para a Igreja. O testamento de Jesus, registrado no Evangelho de São João e proclamado após a Última Ceia, é um pedido ao Pai: que todos os cristãos estejam unidos, para que o mundo possa acreditar. A busca da unidade é a grande tarefa de cada governante, político ou religioso, porque (e estas são também palavras de Cristo) um Reino em guerra consigo mesmo vai arruinar-se. E já está ruindo, casa após casa.
- 198-421 | CAPÍTULO PRIMEIRO
SEGUNDA SECÇÃO A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI 198. A nossa profissão de fé começa por Deus, porque Deus é «o Primeiro e o Último» (Is 44, 6), o Princípio e o Fim de tudo. O Credo começa por Deus Pai, porque o Pai é a Primeira Pessoa divina da Santíssima Trindade; o nosso Símbolo começa pela criação do céu e da terra, porque a criação é o princípio e o fundamento de todas as obras de Deus. ARTIGO 1 «CREIO EM DEUS PAI TODO-PODEROSO CRIADOR DO CÉU E DA TERRA» PARÁGRAFO 1 CREIO EM DEUS 199. «Creio em Deus»: é esta a primeira afirmação da profissão de fé e também a mais fundamental. Todo o Símbolo fala de Deus; ao falar também do homem e do mundo, fá-lo em relação a Deus. Os artigos do Credo dependem todos do primeiro, do mesmo modo que todos os mandamentos são uma explicitação do primeiro. Os outros artigos fazem-nos conhecer melhor a Deus, tal como Ele progressivamente Se revelou aos homens. «Os fiéis professam, antes de mais nada, crer em Deus»(1). I. «Creio em um só Deus» 200. É com estas palavras que começa o Símbolo Niceno-Constantinopolitano. A confissão da unicidade de Deus, que radica na Revelação divina da Antiga Aliança, é inseparável da confissão da existência de Deus e tão fundamental como ela. Deus é único; não há senão um só Deus: «A fé cristã crê e professa que há um só Deus, por natureza, por substância e por essência» (2). 201. A Israel, seu povo eleito, Deus revelou-Se como sendo único: «Escuta, Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 4-5). Por meio dos profetas, Deus faz apelo a Israel e a todas as nações para que se voltem para Ele, o Único: «Voltai-vos para Mim, e sereis salvos, todos os confins da terra, porque Eu sou Deus e não há outro […] Diante de Mim se hão-de dobrar todos os joelhos, em Meu nome hão-de jurar todas as línguas. E dirão: “Só no Senhor existem a justiça e o poder”» (Is 45, 22-24) (3). 202. O próprio Jesus confirma que Deus é «o único Senhor», e que é necessário amá-Lo «com todo o coração, com toda a alma, com todo o entendimento e com todas as forças» (4). Ao mesmo tempo, dá a entender que Ele próprio é «o Senhor» (5). Confessar que «Jesus é o Senhor» é próprio da fé cristã. Isso não vai contra a fé num Deus Único. Do mesmo modo, crer no Espírito Santo, «que é Senhor e dá a Vida», não introduz qualquer espécie de divisão no Deus único: «Nós acreditamos com firmeza e afirmamos simplesmente que há um só Deus verdadeiro, imenso e imutável, incompreensível, todo-poderoso e inefável. Pai e Filho e Espírito Santo: três Pessoas, mas uma só essência, uma só substância ou natureza absolutamente simples»(6). II. Deus revela o seu nome 203. Deus revelou-Se ao seu povo Israel, dando-lhe a conhecer o seu nome. O nome exprime a essência, a identidade da pessoa e o sentido da sua vida. Deus tem um nome. Não é uma força anónima. Dizer o seu nome é dar-Se a conhecer aos outros; é, de certo modo, entregar-Se a Si próprio, tornando-Se acessível, capaz de ser conhecido mais intimamente e de ser invocado pessoalmente. 204. Deus revelou-Se progressivamente e sob diversos nomes ao seu povo; mas foi a revelação do nome divino feita a Moisés na teofania da sarça ardente, no limiar do êxodo e da Aliança do Sinai, que se impôs como sendo a revelação fundamental, tanto para a Antiga como para a Nova Aliança. O DEUS VIVO 205. Do meio duma sarça que arde sem se consumir, Deus chama por Moisés. E diz-lhe: «Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob» (Ex 3, 6). Deus é o Deus dos antepassados, Aquele que tinha chamado e guiado os patriarcas nas suas peregrinações. É o Deus fiel e compassivo, que se lembra deles e das promessas que lhes fez. Ele vem para libertar da escravidão os seus descendentes. É o Deus que, para além do espaço e do tempo, pode e quer fazê-lo, e empenhará a Sua omnipotência na concretização deste desígnio. «EU SOU AQUELE QUE SOU» Moisés disse a Deus: «Vou então procurar os filhos de Israel e dizer-lhes: ” O Deus de vossos pais enviou-me a vós”. Mas se me perguntarem qual é o seu nome, que hei-de responder-lhes? Deus disse a Moisés: «Eu sou Aquele que sou». E prosseguiu: «Assim falarás aos filhos de Israel: Aquele que tem por nome “Eu sou” é que me enviou a vós […] … Será este o meu nome para sempre, nome que ficará de memória para todas as gerações» (Ex 3, 13-15). 206. Ao revelar o seu nome misterioso de YHWH, «Eu sou Aquele que É», ou «Eu sou Aquele que Sou», ou ainda «Eu sou quem Eu sou», Deus diz Quem é e com que nome deve ser chamado. Este nome divino é misterioso, tal como Deus é mistério. E, ao mesmo tempo, um nome revelado e como que a recusa dum nome. É assim que Deus exprime melhor o que Ele é, infinitamente acima de tudo o que podemos compreender ou dizer: Ele é o «Deus escondido» (Is 45, 15), o seu nome é inefável (7), e é o Deus que Se faz próximo dos homens. 207. Ao revelar o seu nome, Deus revela ao mesmo tempo a sua fidelidade, que é de sempre e para sempre, válida tanto para o passado («Eu sou o Deus de teu pai» – Ex 3, 6), como para o futuro («Eu estarei contigo» – Ex 3, 12). Deus, que revela o seu nome como sendo «Eu sou», revela-Se como o Deus que está sempre presente junto do seu povo para o salvar. 208. Perante a presença atraente e misteriosa de Deus, o homem descobre a sua pequenez. Diante da sarça ardente, Moisés descalça as sandálias e cobre o rosto face à santidade divina (8). Ante a glória do Deus três vezes santo, Isaías exclama: «Ai de mim, que estou perdido, pois sou um homem de lábios impuros» (Is 6, 5). Perante os sinais divinos realizados por Jesus. Pedro exclama: «Afasta-Te de mim, Senhor, porque eu sou um pecador» (Lc 5, 8). Mas porque Deus é santo, pode perdoar ao homem que se descobre pecador diante d’Ele: «Não deixarei arder a minha indignação […]. É que Eu sou Deus, e não homem, o Santo que está no meio de vós» (Os 11, 9). E o apóstolo João dirá também: «Tranquilizaremos diante d’Ele, o nosso coração, se o nosso coração vier a acusar-nos. Pois Deus é maior do que o nosso coração e conhece todas as coisas» (1 Jo 3, 19-20). 209. Por respeito pela santidade de Deus, o povo de Israel não pronuncia o seu nome. Na leitura da Sagrada Escritura, o nome revelado é substituído pelo título divino de «Senhor» («Adonai», em grego «Kyrios»). É sob este título que será aclamada a divindade de Jesus: «Jesus é o Senhor». «DEUS DE TERNURA E DE PIEDADE» 210. Depois do pecado de Israel, que se afastou de Deus para adorar o bezerro de ouro (9), Deus atende a intercessão de Moisés e aceita caminhar no meio dum povo infiel, manifestando deste modo o seu amor (10). A Moisés, que Lhe pede a graça de ver a sua glória. Deus responde: «Farei passar diante de ti toda a minha bondade (beleza) e proclamarei diante de ti o nome de YHWH» (Ex 33, 18-19). E o Senhor passa diante de Moisés e proclama: «O Senhor, o Senhor [YHWH, YHWH] é um Deus clemente e compassivo, sem pressa para se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade» (Ex 34, 6). Moisés confessa, então, que o Senhor é um Deus de perdão» (11). 211. O nome divino «Eu sou» ou «Ele é» exprime a fidelidade de Deus, que, apesar da infidelidade do pecado dos homens e do castigo que merece, «conserva a sua benevolência em favor de milhares de pessoas» (Ex 34, 7). Deus revela que é «rico de misericórdia» (Ef 2, 4), ao ponto de entregar o seu próprio Filho. Dando a vida para nos libertar do pecado, Jesus revelará que Ele mesmo é portador do nome divino: «Quando elevardes o Filho do Homem, então sabereis que Eu sou» (Jo 8, 28). SÓ DEUS É 212. No decorrer dos séculos, a fé de Israel pôde desenvolver e aprofundar as riquezas contidas na revelação do nome divino. Deus é único, fora d’Ele não há deuses (12). Ele transcende o mundo e a história. Foi Ele que fez o céu e a terra; «eles hão-de passar, mas Vós permaneceis; tal como um vestido, eles se vão gastando […] Vós, porém, sois sempre o mesmo e os vossos anos não têm fim» (Sl 102, 27-28). N’Ele «não há variação nem sombra de mudança» (Tg 1, 17). Ele é «Aquele que é», desde sempre e para sempre; e assim, permanece sempre fiel a Si mesmo e às suas promessas. 213. A revelação do nome inefável «Eu sou Aquele que sou» encerra, portanto, a verdade que só Deus «É». Foi nesse sentido que já a tradução dos Setenta e, na sua sequência, a Tradição da Igreja. compreenderam o nome divino: Deus é a plenitude do Ser e de toda a perfeição, sem princípio nem fim. Enquanto todas as criaturas d’Ele receberam todo o ser e o ter, só Ele é o seu próprio Ser, e Ele é por Si mesmo tudo o que Ele é. III. Deus, «Aquele que é», é verdade e amor 214. Deus, «Aquele que É», revelou-Se a Israel como Aquele que é «cheio de misericórdia e fidelidade» (Ex 34, 6). Estas duas palavras exprimem, de modo sintético, as riquezas do nome divino. Em todas as suas obras, Deus mostra a sua benevolência, a sua bondade, a sua graça, o seu amor; mas também a sua credibilidade, a sua constância, a sua fidelidade, a sua verdade. «Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade» (Sl 138, 2) (13). Ele é a verdade, porque «Deus é luz, e n’Ele não há trevas nenhumas» (1 Jo 1, 5); Ele é «Amor», como ensina o apóstolo João (1 Jo 4, 8). DEUS É A VERDADE 215. «A verdade é princípio da vossa palavra, é eterna toda a sentença da vossa justiça» (Sl 119, 160). «Decerto, Senhor Deus, Vós é que sois Deus e dizeis palavras de verdade» (2 Sm 7, 28); é por isso que as promessas de Deus se cumprem sempre (14). Deus é a própria verdade; as suas palavras não podem enganar. É por isso que nos podemos entregar com toda a confiança e em todas as coisas à verdade e à fidelidade da sua palavra. O princípio do pecado e da queda do homem foi uma mentira do tentador, que o levou a duvidar da palavra de Deus, da sua benevolência e da sua fidelidade. 216. A verdade de Deus é a sua sabedoria, que comanda toda a ordem da criação e governo do mundo (15). Só Deus que, sozinho, criou o céu e a terra (16) pode dar o conhecimento verdadeiro de todas as coisas criadas na sua relação com Ele (17). 217. Deus é igualmente verdadeiro quando Se revela: todo o ensinamento que vem de Deus é «doutrina de verdade» (Ml 2, 6). Quando Ele enviar o seu Filho ao mundo, será «para dar testemunho da verdade» (Jo 18, 37): «Sabemos […] que veio o Filho de Deus e nos deu entendimento para conhecermos o Verdadeiro» (1 Jo 5, 20) (18). DEUS É AMOR 218. No decorrer da sua história, Israel pôde descobrir que Deus só tinha uma razão para Se lhe ter revelado e o ter escolhido, de entre todos os povos, para ser o seu povo: o seu amor gratuito (19). E Israel compreendeu, graças aos seus profetas, que foi também por amor que Deus não deixou de o salvar (20) e de lhe perdoar a sua infidelidade e os seus pecados (21). 219. O amor de Deus para com Israel é comparado ao amor dum pai para com o seu filho(22). Este amor é mais forte que o de uma mãe para com os seus filhos (23). Deus ama o seu povo, mais que um esposo a sua bem-amada (24); este amor vencerá mesmo as piores infidelidades (25); e chegará ao mais precioso de todos os dons: «Deus amou de tal maneira o mundo, que lhe entregou o seu Filho Único» (Jo 3, 16). 220. O amor de Deus é «eterno» (Is 54, 8): «Ainda que as montanhas se desloquem e vacilem as colinas, o meu amor não te abandonará» (Is 54, 10). «Amei-te com amor eterno: por isso, guardei o meu favor para contigo» (Jr 31, 3). 221. São João irá ainda mais longe, ao afirmar: «Deus é Amor» (1 Jo 4, 8, 16): a própria essência de Deus é Amor. Ao enviar, na plenitude dos tempos, o seu Filho único e o Espírito de Amor, Deus revela o seu segredo mais íntimo “: Ele próprio é eternamente permuta de amor: Pai, Filho e Espírito Santo; e destinou-nos a tomar parte nessa comunhão. IV. Consequências da fé no Deus Único 222. Crer em Deus, o Único, e amá-Lo com todo o nosso ser, tem consequências imensas para toda a nossa vida: 223. É conhecer a grandeza e a majestade de Deus: «Deus é grande demais para que O possamos conhecer» (Job 36, 26). É por isso que Deus deve ser «o primeiro a ser servido» (27). 224. É viver em acção de graças: Se Deus é o Único, tudo o que nós somos e tudo quanto possuímos vem d’Ele: «Que possuis que não tenhas recebido?» (1 Cor 4, 7). «Como agradecerei ao Senhor tudo quanto Ele me deu?» (Sl 116, 12). 225. É conhecer a unidade e a verdadeira dignidade de todos os homens: todos eles foram feitos «à imagem e semelhança de Deus» (Gn 1, 26). 226. É fazer bom uso das coisas criadas: A fé no Deus único leva-nos a usar de tudo quanto não for Ele, na medida em que nos aproximar d’Ele, e a desprender-nos de tudo, na medida em que d’Ele nos afastar (28): «Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo o que me afasta de Ti. Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxima de Ti. Meu Senhor e meu Deus, desapega-me de mim mesmo, para que eu me dê todo a Ti» (29). 227. É ter confiança em Deus, em todas as circunstâncias, mesmo na adversidade. Uma oração de Santa Teresa de Jesus exprime admiravelmente tal atitude: «Nada te perturbe / Nada te espante Tudo passa / Deus não muda A paciência tudo alcança / Quem a Deus tem nada lhe falta / Só Deus basta» (30). Resumindo: 228. «Escuta, Israel! O Senhor; nosso Deus, é o único Senhor…» (Dt 6, 4; Mc 12, 29). «O ser supremo tem necessariamente de ser único, isto é, sem igual. […] Se Deus não for único, não é Deus» (31). 229. A fé em Deus leva-nos a voltarmo-nos só para Ele, como a nossa primeira origem e o nosso último fim, e a nada Lhe preferir ou por nada O substituir: 230. Deus, ao revelar-Se, continua mistério inefável: «Se O compreendesses, não seria Deus» (32). 231. O Deus da nossa fé revelou-Se como Aquele que é: deu-Se a conhecer como «cheio de misericórdia e fidelidade» (Ex 34, 6). O seu próprio Ser é verdade e amor. PARÁGRAFO 2 O PAI I. «Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» 232. Os cristãos são baptizados «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28, 19). Antes disso, eles respondem «Creio» à tríplice pergunta com que são interpelados a confessar a sua fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo: «Fides omnium christianorum in Trinitate consistit – A fé de todos os cristãos assenta na Trindade») (33). 233. Os cristãos são baptizados «em nome» do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e não «nos nomes» deles porque não há senão um só Deus – o Pai Omnipotente, o Seu Filho Unigénito e o Espírito Santo: a Santíssima Trindade. 234. O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo. E, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé e a luz que os ilumina. É o ensinamento mais fundamental e essencial na «hierarquia das verdades da fé» (35). «Toda a história da salvação não é senão a história do caminho e dos meios pelos quais o Deus verdadeiro e único, Pai, Filho e Espírito Santo, Se revela, reconcilia consigo e Se une aos homens que se afastam do pecado»(36). 235. Neste parágrafo se exporá brevemente de que maneira foi revelado o mistério da Santíssima Trindade (I), como é que a Igreja formulou a doutrina da fé sobre este mistério (II) e, por fim, como é que, pelas missões divinas do Filho e do Espírito Santo, Deus Pai realiza o seu «desígnio de benevolência» de criação, redenção e santificação (III). 236. Os Padres da Igreja distinguem entre «Theologia» e «Oikonomia», designando pelo primeiro termo o mistério da vida íntima de Deus-Trindade e, pelo segundo, todas as obras de Deus pelas quais Ele Se revela e comunica a sua vida. É pela «Oikonomia» que nos é revelada a «Theologia»; mas, inversamente, é a «Theologia» que esclarece toda a «Oikonomia». As obras de Deus revelam quem Ele é em Si mesmo: e, inversamente, o mistério do seu Ser íntimo ilumina o entendimento de todas as suas obras. Analogicamente, é o que se passa com as pessoas humanas. A pessoa revela-se no que faz, e, quanto mais conhecemos uma pessoa, tanto melhor compreendemos o seu agir. 237. A Trindade é um mistério de fé em sentido estrito, um dos «mistérios ocultos em Deus, que não podem ser conhecidos se não forem revelados lá do alto» (37) É verdade que Deus deixou traços do seu Ser trinitário na obra da criação e na sua revelação ao longo do Antigo Testamento. Mas a intimidade do seu Ser como Trindade Santíssima constitui um mistério inacessível à razão sozinha e, mesmo, à fé de Israel antes da Encarnação do Filho de Deus e da missão do Espírito Santo. II. A revelação de Deus como Trindade O PAI REVELADO PELO FILHO 238. A invocação de Deus como «Pai» é conhecida em muitas religiões. A divindade é muitas vezes considerada como «pai dos deuses e dos homens». Em Israel, Deus é chamado Pai enquanto criador do mundo (38). Mais ainda, Deus é Pai em razão da Aliança e do dom da Lei a Israel, seu «filho primogénito» (Ex 4, 22). Também é chamado Pai do rei de Israel (39). E é muito especialmente «o Pai dos pobres», do órfão e da viúva, entregues à sua protecção amorosa (40). 239. Ao designar Deus com o nome de «Pai», a linguagem da fé indica principalmente dois aspectos: que Deus é a origem primeira de tudo e a autoridade transcendente, e, ao mesmo tempo, que é bondade e solicitude amorosa para com todos os seus filhos. Esta ternura paternal de Deus também pode ser expressa pela imagem da maternidade (41), que indica melhor a imanência de Deus, a intimidade entre Deus e a sua criatura A linguagem da fé vai, assim, alimentar-se na experiência humana dos progenitores, que são, de certo modo, os primeiros representantes de Deus para o homem. Mas esta experiência diz também que os progenitores humanos são falíveis e podem desfigurar a face da paternidade e da maternidade. Convém, então, lembrar que Deus transcende a distinção humana dos sexos. Não é homem nem mulher: é Deus. Transcende também a paternidade e a maternidade humanas (42), sem deixar de ser de ambas a origem e a medida (43): ninguém é pai como Deus. 240. Jesus revelou que Deus é «Pai» num sentido inédito: não o é somente enquanto Criador: é Pai eternamente em relação ao seu Filho único, o qual, eternamente, só é Filho em relação ao Pai: «Ninguém conhece o Filho senão o Pai, nem ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar» (Mt 11, 27). 241. É por isso que os Apóstolos confessam que Jesus é «o Verbo [que] estava [no princípio] junto de Deus» e que é Deus (Jo 1, 1), «a imagem do Deus invisível» (Cl 1, 15), «o resplendor da sua glória e a imagem da sua substância» (Heb 1, 3). 242. Na esteira deles, seguindo a tradição apostólica, no primeiro concílio ecuménico de Niceia, em 325, a Igreja confessou que o Filho é «consubstancial» ao Pai (44), quer dizer, um só Deus com Ele. O segundo concilio ecuménico, reunido em Constantinopla em 381, guardou esta expressão na sua formulação do Credo de Niceia e confessou «o Filho unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos, luz da luz. Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai» (45). O PAI E O FILHO REVELADOS PELO ESPÍRITO 243. Antes da sua Páscoa, Jesus anuncia o envio de um «outro Paráclito»(Defensor), o Espírito Santo. Agindo desde a criação (46) e tendo outrora «falado pelos profetas» (47), o Espírito Santo estará agora junto dos discípulos, e neles (48), para os ensinar (49) e os guiar «para a verdade total» (Jo 16, 13). E, assim, o Espírito Santo é revelado como uma outra pessoa divina, em relação a Jesus e ao Pai. 244. A origem eterna do Espírito revela-se na sua missão temporal. O Espírito Santo é enviado aos Apóstolos e à Igreja, tanto pelo Pai, em nome do Filho, como pessoalmente pelo Filho, depois do seu regresso ao Pai (50). O envio da pessoa do Espírito, após a glorificação de Jesus (51) revela em plenitude o mistério da Santíssima Trindade. 245. A fé apostólica relativamente ao Espírito foi confessada pelo segundo concilio ecuménico, reunido em Constantinopla em 381:«Nós acreditamos no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai» (52). A Igreja reconhece assim o Pai como «a fonte e a origem de toda a Divindade» (53). Mas a origem eterna do Espírito Santo não está desligada da do Filho: «O Espírito Santo, que é a terceira pessoa da Trindade, é Deus, uno e igual ao Pai e ao Filho, da mesma substância e também da mesma natureza… Contudo, não dizemos que Ele é somente o Espírito do Pai, mas, ao mesmo tempo, o Espírito do Pai e do Filho»(54). O Credo do Concílio de Constantinopla da Igreja confessa que Ele, «com o Pai e o Filho, é adorado e glorificado» (55). 246. A tradição latina do Credo confessa que o Espírito «procede do Pai e do Filho (Filioque)». O Concílio de Florença, em 1438, explicita: «O Espírito Santo […] recebe a sua essência e o seu ser ao mesmo tempo do Pai e do Filho, e procede eternamente de um e do outro como dum só Princípio e por uma só espiração […] E porque tudo o que é do Pai, o próprio Pai o deu ao seu Filho Unigénito, gerando-O, com excepção do seu ser Pai, esta mesma procedência do Espírito Santo, a partir do Filho, Ele a tem eternamente do seu Pai, que eternamente O gerou» (56). 247. A afirmação do Filioque não figurava no Símbolo de Constantinopla de 381. Mas, com base numa antiga tradição latina e alexandrina, o Papa São Leão já a tinha confessado dogmaticamente em 447 (57), mesmo antes de Roma ter conhecido e recebido o Símbolo de 381 no Concílio de Calcedónia, em 451). O uso desta fórmula no Credo foi sendo, pouco a pouco, admitido na liturgia latina (entre os séculos VIII e XI). A introdução do Filioque no Símbolo Niceno-Constantinopolitano pela liturgia latina constitui, ainda hoje, no entanto, um diferendo com as igrejas ortodoxas. 248. A tradição oriental exprime, antes de mais, o carácter de origem primeira do Pai em relação ao Espírito. Ao confessar o Espírito como «saído do Pai» (Jo 15, 26), afirma que Ele procede do Pai pelo Filho (58). A tradição ocidental exprime, sobretudo, a comunhão consubstancial entre o Pai e o Filho, ao dizer que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho (Filioque). E di-lo «de maneira legítima e razoável» (59), «porque a ordem eterna das pessoas divinas na sua comunhão consubstancial implica que o Pai seja a origem primeira do Espírito, enquanto «princípio sem princípio» (60), mas também que, enquanto Pai do Filho Único, seja com Ele «o princípio único de que procede o Espírito Santo» (61). Esta legítima complementaridade, se não for exagerada, não afecta a identidade da fé na realidade do mesmo mistério confessado. III. A Santíssima Trindade na doutrina da fé A FORMAÇÃO DO DOGMA TRINITÁRIO 249. A verdade revelada da Santíssima Trindade esteve, desde a origem, na raiz da fé viva da Igreja. principalmente por meio do Baptismo. Encontra a sua expressão na regra da fé baptismal, formulada na pregação, na catequese e na oração da Igreja. Tais formulações encontram-se já nos escritos apostólicos, como o comprova esta saudação retomada na liturgia eucarística: «A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós» (2 Cor 13, 13)(62). 250. No decurso dos primeiros séculos, a Igreja preocupou-se com formular mais explicitamente a sua fé trinitária, tanto para aprofundar a sua própria inteligência da fé, como para a defender contra os erros que a deformavam. Foi esse o trabalho dos primeiros concílios, ajudados pelo trabalho teológico dos Padres da Igreja e sustentados pelo sentido da fé do povo cristão. 251. Para a formulação do dogma da Trindade, a Igreja teve de elaborar uma terminologia própria, com a ajuda de noções de origem filosófica: «substância», «pessoa» ou «hipóstase», «relação», etc. Ao fazer isto, a Igreja não sujeitou a fé a uma sabedoria humana, mas deu um sentido novo, inédito, a estes termos, chamados a exprimir também, desde então, um mistério inefável, «transcendendo infinitamente tudo quanto podemos conceber a nível humano» (63). 252. A Igreja utiliza o termo «substância» (às vezes também traduzido por «essência» ou «natureza») para designar o ser divino na sua unidade; o termo «pessoa» ou «hipóstase» para designar o Pai, o Filho e o Espírito Santo na distinção real entre Si; e o termo «relação» para designar o facto de que a sua distinção reside na referência recíproca de uns aos outros. O DOGMA DA SANTÍSSIMA TRINDADE 253. A Trindade é una. Nós não confessamos três deuses, mas um só Deus em três pessoas: «a Trindade consubstancial» (64). As pessoas divinas não dividem entre Si a divindade única: cada uma delas é Deus por inteiro: «O Pai é aquilo mesmo que o Filho, o Filho aquilo mesmo que o Pai, o Pai e o Filho aquilo mesmo que o Espírito Santo, ou seja, um único Deus por natureza» (65). «Cada uma das três pessoas é esta realidade, quer dizer, a substância, a essência ou a natureza divina» (66). 254. As pessoas divinas são realmente distintas entre Si. «Deus é um só, mas não solitário» (67). «Pai», «Filho», «Espírito Santo» não são meros nomes que designam modalidades do ser divino, porque são realmente distintos entre Si. «Aquele que é o Filho não é o Pai e Aquele que é o Pai não é o Filho, nem o Espírito Santo é Aquele que é o Pai ou o Filho» (68). São distintos entre Si pelas suas relações de origem: «O Pai gera, o Filho é gerado, o Espírito Santo procede»(69). A unidade divina é trina. 255. As pessoas divinas são relativas umas às outras. Uma vez que não divide a unidade divina, a distinção real das pessoas entre Si reside unicamente nas relações que as referenciam umas às outras: «Nos nomes relativos das pessoas, o Pai é referido ao Filho, o Filho ao Pai, o Espírito Santo a ambos. Quando falamos destas três pessoas, considerando as relações respectivas, cremos, todavia, numa só natureza ou substância» (70). Com efeito, «n’Eles tudo é um, onde não há a oposição da relação» (71). «Por causa desta unidade, o Pai está todo no Filho e todo no Espírito Santo: o Filho está todo no Pai e todo no Espírito Santo: o Espírito Santo está todo no Pai e todo no Filho»(72). 256. São Gregório de Nazianzo, também chamado «o Teólogo», confia aos catecúmenos de Constantinopla o seguinte resumo da fé trinitária: «Antes de mais nada, guardai-me este bom depósito, pelo qual vivo e combato, com o qual quero morrer, que me dá coragem para suportar todos os males e desprezar todos os prazeres: refiro-me à profissão de fé no Pai e no Filho e no Espírito Santo. Eu vo-la confio hoje. É por ela que, daqui a instantes, eu vou mergulhar-vos na água e dela fazer-vos sair. Eu vo-la dou por companheira e protectora de toda a vossa vida. Dou-vos uma só Divindade e Potência, uma nos Três e abrangendo os Três de maneira distinta. Divindade sem diferença de substância ou natureza, sem grau superior que eleve nem grau inferior que abaixe […] É de três infinitos a infinita conaturalidade. Deus integralmente, cada um considerado em Si mesmo […] Deus, os Três considerados juntamente […] Assim que comecei a pensar na Unidade logo me encontrei envolvido no esplendor da Trindade. Mal começo a pensar na Trindade, logo à Unidade sou reconduzido» (73). IV. As obras divinas e as missões trinitárias 257. «O lux beata Trinitas et principalis Unitas! – Ó Trindade. Luz ditosa, ó primordial Unidade!» (74). Deus é eterna bem-aventurança, vida imortal, luz sem ocaso. Deus é amor: Pai, Filho e Espírito Santo. Livremente. Deus quer comunicar a glória da sua vida bem-aventurada. Tal é o «mistério da sua vontade» (Ef 1, 9) que Ele concebeu antes da criação do mundo em seu Filho muito-amado, uma vez que nos «destinou de antemão a que nos tornássemos seus filhos adoptivos por Jesus Cristo» (Ef 1, 5), quer dizer, a sermos «conformes à imagem do seu Filho» (Rm 8, 29), graças ao «Espírito que faz de vós filhos adoptivos» (Rm 8, 15). Este desígnio é uma «graça que nos foi dada […] desde toda a eternidade»(2 Tm 1, 9), a qual procede imediatamente do amor trinitário. E este amor manifesta-se na obra da criação, em toda a história da salvação depois da queda, e nas missões do Filho e do Espírito, continuadas pela missão da Igreja (75). 258. Toda a economia divina é obra comum das três pessoas divinas. Assim como não tem senão uma e a mesma natureza, a Trindade não tem senão uma e a mesma operação (76). «O Pai, o Filho e o Espírito Santo não são três princípios das criaturas, mas um só princípio» (77). No entanto, cada pessoa divina realiza a obra comum segundo a sua propriedade pessoal. É assim que a Igreja confessa, na sequência do Novo Testamento (78), «um só Deus e Pai, de Quem são todas as coisas; um só Senhor Jesus Cristo, para Quem são todas as coisas; e um só Espírito Santo, em Quem são todas as coisas» (79). São sobretudo as missões divinas da Encarnação do Filho e do dom do Espírito Santo que manifestam as propriedades das pessoas divinas. 259. Obra ao mesmo tempo comum e pessoal, toda a economia divina faz conhecer não só a propriedade das pessoas divinas, mas também a sua única natureza. Por isso, toda a vida cristã é comunhão com cada uma das pessoas divinas, sem de modo algum as separar. Todo aquele que dá glória ao Pai, fá-lo pelo Filho no Espírito Santo: todo aquele que segue Cristo, fá-lo porque o Pai o atrai (80) e o Espírito o move (81). 260. O fim último de toda a economia divina é o acesso das criaturas à unidade perfeita da bem-aventurada Trindade (82). Mas já desde agora nós somos chamados a ser habitados pela Santíssima Trindade: «Quem me tem amor, diz o Senhor, porá em prática as minhas palavras. Meu Pai amá-lo-á; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada» (Jo 14, 23): «Ó meu Deus, Trindade que eu adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim, para me estabelecer em Vós, imóvel e pacifica como se já a minha alma estivesse na eternidade. Que nada possa perturbar a minha paz, nem fazer-me sair de Vós, ó meu Imutável, mas que cada minuto me leve mais longe na profundeza do vosso mistério! Pacificai a minha alma, fazei dela o vosso céu, vossa morada querida e o lugar do vosso repouso. Que nunca ai eu Vos deixe só, mas que esteja lá inteiramente, toda desperta na minha fé, toda em adoração, toda entregue à vossa acção criadora» (83). Resumindo: 261. O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. Só Deus pode dar-nos o seu conhecimento, revelando-Se como Pai, Filho e Espírito Santo. 262. A Encarnação do Filho de Deus revela que Deus é o Pai eterno, e que o Filho é consubstancial ao Pai, quer dizer que n’Ele e com Ele é o mesmo e único Deus. 263. A missão do Espírito Santo, enviado pelo Pai em nome do Filho (84) e pelo Filho «de junto do Pai» (Jo 15, 26), revela que Ele é, com Eles, o mesmo e único Deus. «Com o Pai e o Filho é adorado e glorificado» (85). 264. «O Espírito Santo procede do Pai enquanto fonte primeira; e, pelo dom eterno do Pai ao Filho, procede do Pai e do Filho em comunhão» (86). 265. Pela graça do Baptismo «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo», (Mt 28, 19), somos chamados a participar na vida da Trindade bem-aventurada; para já, na obscuridade da fé, e depois da morte na luz eterna (87). 266. «Fides autem catholica haec est, ut unum Deum in Trinitate, et Trinitatem in unitate veneremur, neque confundentes personas, neque substantiam sepa-raptes; alia enim est persona Patris, alia Filii, alia Spiritus Sancti: sed Patris et Filii et Spiritus Sancti una est divinitas, aequalis gloria, coaeterna majestas (88) – A fé católica é esta: venerarmos um só Deus na Trindade e a Trindade na unidade, sem confudir as Pessoas nem dividir a substância: porque uma é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas do Pai e do Filho e do Espírito Santo é só uma a divindade, igual a glória e coeterna a majestade». 267. Inseparáveis no que são, as pessoas divinas são também inseparáveis no que fazem. Mas, na operação divina única, cada uma manifesta o que Lhe é próprio na Trindade, sobretudo nas missões divinas da Encarnação do Filho e do dom do Espírito Santo. PARÁGRAFO 3 O TODO-PODEROSO 268. De todos os atributos divinos, só a omnipotência é nomeada no Símbolo: confessá-la é de grande alcance para a nossa vida. Nós acreditamos que ela é universal, porque Deus, que tudo criou (89), tudo governa e tudo pode; amorosa, porque Deus é nosso Pai (90); misteriosa, porque só a fé a pode descobrir, quando «ela actua plenamente na fraqueza» (2 Cor 12, 9) (91). «FAZ TUDO QUANTO LHE APRAZ» (Sl 115, 3) 269. As Sagradas Escrituras confessam, a cada passo, o poder universal de Deus. Ele é chamado «o Poderoso de Jacob» (Gn 49, 24; Is 1, 24: etc.) «o Senhor dos Exércitos», «o Forte, o Poderoso» (SI 24, 8-10). Se Deus é omnipotente «no céu e na terra» (Sl 135, 6), é porque foi Ele quem os fez. Portanto, nada Lhe é impossível (92) e Ele dispõe à vontade da sua obra (93); Ele é o Senhor do Universo, cuja ordem foi por Ele estabelecida e Lhe permanece inteiramente submissa e disponível; Ele é o Senhor da história; governa os corações e os acontecimentos segundo a sua vontade (94): «O vosso poder imenso sempre vos assiste – e quem poderá resistir à força do Vosso braço?» (Sb 11, 21). «PORQUE PODEIS TUDO, DE TODOS VOS COMPADECEIS» (Sb 11, 23) 270. Deus é o Pai todo-poderoso. A sua paternidade e o seu poder esclarecem-se mutuamente. Com efeito, Ele mostra a sua omnipotência paterna pelo modo como cuida das nossas necessidades (95) pela adopção filial que nos concede («serei para vós um Pai e vós sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor todo poderoso»: 2 Cor 6, 18); enfim, pela sua infinita misericórdia, pois mostra o seu poder no mais alto grau, perdoando livremente os pecados. 271. A omnipotência divina não é, de modo algum, arbitrária: «Em Deus, o poder e a essência, a vontade e a inteligência, a sabedoria e a justiça, são uma só e a mesma coisa, de modo que nada pode estar no poder divino que não possa estar na justa vontade de Deus ou na sua sábia inteligência» (96). O MISTÉRIO DA APARENTE IMPOTÊNCIA DE DEUS 272. A fé em Deus Pai todo-poderoso pode ser posta à prova pela experiência do mal e do sofrimento. Por vezes, Deus pode parecer ausente e incapaz de impedir o mal. Ora, Deus Pai revelou a sua omnipotência do modo mais misterioso, na humilhação voluntária e na ressurreição de seu Filho, pelas quais venceu o mal. Por isso, Cristo crucificado é «força de Deus e sabedoria de Deus. Pois o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens, e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens» (1 Cor 1, 25). Foi na ressurreição e na exaltação de Cristo que o Pai «exerceu a eficácia da [sua] poderosa força» e mostrou a «incomensurável grandeza que representa o seu poder para nós, os crentes» (Ef 1, 19-22). 273. Só a fé pode aderir aos caminhos misteriosos da omnipotência de Deus. Esta fé gloria-se nas suas fraquezas, para atrair a si o poder de Cristo (97). Desta fé é modelo supremo a Virgem Maria, pois acreditou que «a Deus nada é impossível» (Lc 1, 37) e pôde proclamar a grandeza do Senhor: «O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas; ‘Santo’ – é o seu nome» (Lc 1, 49). 274. «Portanto, nada é mais próprio para firmar a nossa fé e a nossa esperança do que a convicção, profundamente arraigada nas nossas almas, de que nada é impossível a Deus. Tudo o que [o Credo] seguidamente nos propõe para crer, as coisas maiores, as mais incompreensíveis, bem como as mais sublimes e mais acima das leis ordinárias da Natureza, basta que a nossa razão tenha a ideia da omnipotência divina para as admitir facilmente e sem hesitação alguma» (98). Resumindo: 275. Confessamos com o justo Job: «Eu sei que podeis tudo e que, para Vós, nenhum projecto é impossível» (Job 42, 2). 276. Fiel ao testemunho da Escritura, a Igreja dirige muitas vezes a sua oração ao «Deus todo-poderoso e eterno» (omnipotens sempiterne Deus), crendo firmemente que «a Deus nada é impossível» (Lc 1, 37) (99). 277. Deus manifesta a sua omnipotência convertendo-nos dos nossos pecados e restabelecendo-nos na sua amizade pela graça («Deus qui omnipotentiam tuam parcendo maxime et miserando manifestas» – «Senhor; que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis») (100). 278. Se não crermos que o amor de Deus é omnipotente, como poderemos crer que o Pai pôde criar-nos, o Filho remir-nos e o Espírito Santo santificar-nos? PARÁGRAFO 4 O CRIADOR 279. «No princípio, Deus criou o céu e a terra» (Gn 1, 1). É com estas palavras solenes que começa a Sagrada Escritura. E o Símbolo da fé retoma-as, confessando a Deus, Pai todo-poderoso, como «Criador do céu e da terra» (101), «de todas as coisas, visíveis e invisíveis» (102). Vamos, portanto, falar primeiro do Criador, depois da sua criação, e, finalmente, da queda do pecado, de que Jesus, Filho de Deus, nos veio Libertar. 280. A criação é o fundamento de «todos os desígnios salvíficos de Deus», «o princípio da história da salvação» (103), que culmina em Cristo. Por seu lado, o mistério de Cristo derrama sobre o mistério da criação a luz decisiva; revela o fim, em vista do qual «no princípio Deus criou o céu e a terra» (Gn 1, 1): desde o princípio, Deus tinha em vista a glória da nova criação em Cristo (104). 281. É por isso que as leituras da Vigília Pascal, celebração da nova criação em Cristo, começam pela narrativa da criação. Do mesmo modo, na liturgia bizantina, a narrativa da criação constitui sempre a primeira leitura das vigílias das grandes festas do Senhor. Segundo o testemunho dos antigos, a instrução dos catecúmenos para o Baptismo segue o mesmo caminho (105). I. A catequese sobre a criação 282. A catequese sobre a criação reveste-se duma importância capital. Diz respeito aos próprios fundamentos da vida humana e cristã, porque torna explícita a resposta da fé cristã à questão elementar que os homens de todos os tempos têm vindo a pôr-se: «De onde vimos?» «Para onde vamos?» «Qual a nossa origem?» «Qual o nosso fim?» «Donde vem e para onde vai tudo quanto existe?» As duas questões, da origem e, do fim, são inseparáveis. E são decisivas para o sentido e para a orientação da nossa vida e do nosso proceder. 283. A questão das origens do mundo e do homem tem sido objecto de numerosas investigações científicas, que enriqueceram magnificamente os nossos conhecimentos sobre a idade e a dimensão do cosmos, a evolução dos seres vivos, o aparecimento do homem. Tais descobertas convidam-nos, cada vez mais, a admirar a grandeza do Criador e a dar-Lhe graças por todas as suas obras, e pela inteligência e saber que dá aos sábios e investigadores. Estes podem dizer com Salomão: «Foi Ele quem me deu a verdadeira ciência de todas as coisas, a fim de conhecer a constituição do Universo e a força dos elementos […], porque a Sabedoria, que tudo criou, mo ensinou» (Sb 7, 17-21). 284. O grande interesse atribuído a estas pesquisas é fortemente estimulado por uma questão de outra ordem, que ultrapassa o domínio próprio das ciências naturais. Porque não se trata apenas de saber quando e como surgiu materialmente o cosmos, nem quando é que apareceu o homem; mas, sobretudo, de descobrir qual o sentido de tal origem: se foi determinada pelo acaso, por um destino cego ou uma fatalidade anónima, ou, antes, por um Ser transcendente, inteligente e bom, chamado Deus. E se o mundo provém da sabedoria e da bondade de Deus, qual a razão do mal? De onde vem ele? Quem é por ele responsável? E será que existe uma libertação do mesmo? 285. Desde os princípios que a fé cristã teve de defrontar-se com respostas, diferentes da sua, sobre a questão das origens. De facto, nas religiões e nas culturas antigas encontram-se muitos mitos relativos às origens. Certos filósofos disseram que tudo é Deus, que o mundo é Deus, ou que a evolução do mundo é a evolução de Deus (panteísmo): outros disseram que o mundo é uma emanação necessária de Deus, brotando de Deus como duma fonte e a Ele voltando; outros, ainda, afirmaram a existência de dois princípios eternos, o bem e o mal, a luz e as trevas, em luta permanente (dualismo, maniqueísmo). Segundo algumas destas concepções, o mundo (pelo menos o mundo material) seria mau, produto duma decadência e, portanto, objecto de repúdio ou de superação (gnose); outras admitem que o mundo tenha sido feito por Deus, mas à maneira dum relojoeiro que, depois de o ter feito, o abandonou a si mesmo (deísmo); outras, finalmente, rejeitam qualquer origem transcendente do mundo e vêem nele o puro jogo duma matéria que teria existido sempre (materialismo). Todas estas tentativas dão testemunho da permanência e universalidade do problema das origens. É uma busca própria do homem. 286. Não há dúvida de que a inteligência humana é capaz de encontrar uma resposta para a questão das origens. Com efeito, a existência de Deus Criador pode ser conhecida com certeza pelas suas obras, graças à luz da razão humana (106), mesmo que tal conhecimento muitas vezes seja obscurecido e desfigurado pelo erro. E é por isso que a fé vem confirmar e esclarecer a razão na compreensão exacta desta verdade: «Pela fé, sabemos que o mundo foi organizado pela palavra de Deus, de modo que o que se vê provém de coisas invisíveis» (Heb 11, 3). 287. A verdade da criação é tão importante para toda a vida humana que Deus, na sua bondade, quis revelar ao seu povo tudo quanto é salutar conhecer-se a esse propósito. Para além do conhecimento natural, que todo o homem pode ter do Criador (107), Deus revelou progressivamente a Israel o mistério da criação. Deus, que escolheu os patriarcas, que fez sair Israel do Egipto e que, escolhendo Israel, o criou e formou (108) revela-Se como Aquele a quem pertencem todos os povos da terra e toda a terra, como sendo o único que «fez o céu e a terra» (Sl 115, 15; 124, 8; 134, 3). 288. Assim, a revelação da criação é inseparável da revelação e da realização da Aliança de Deus, o Deus Único, com o seu povo. A criação é revelada como o primeiro passo para esta Aliança, como o primeiro e universal testemunho do amor omnipotente de Deus (109). Por isso, a verdade da criação é expressa com vigor crescente na mensagem dos profetas (110), na oração dos salmos (111) e da liturgia, na reflexão da sabedoria (112) do Povo eleito. 289. Entre tudo quanto a Sagrada Escritura nos diz sobre a criação, os três primeiros capítulos do Génesis ocupam um lugar único. Do ponto de vista literário, estes textos podem ter diversas fontes. Os autores inspirados puseram-nos no princípio da Escritura, de maneira a exprimirem, na sua linguagem solene, as verdades da criação, da sua origem e do seu fim em Deus, da sua ordem e da sua bondade, da vocação do homem, e enfim, do drama do pecado e da esperança da salvação. Lidas à luz de Cristo, na unidade da Sagrada Escritura e na Tradição viva da Igreja, estas palavras continuam a ser a fonte principal para a catequese dos mistérios do «princípio»: criação, queda, promessa da salvação. II. A criação – obra da Santíssima Trindade 290. «No princípio, Deus criou o céu e a terra». Três coisas são afirmadas nestas primeiras palavras da Escritura: Deus eterno deu um princípio a tudo quanto existe fora d’Ele. Só Ele é criador (o verbo «criar» – em hebraico «bara» – tem sempre Deus por sujeito). E tudo quanto existe (expresso pela fórmula «o céu e a terra») depende d’ Aquele que lhe deu o ser. 291. «No princípio era o Verbo […] e o Verbo era Deus […] Tudo se fez por meio d’Ele e, sem Ele, nada se fez» (Jo 1, 1-3). O Novo Testamento revela que Deus tudo criou por meio do Verbo eterno, seu Filho muito-amado. Foi n’Ele «que foram criados todos os seres que há nos céus e na terra […]. Tudo foi criado por seu intermédio e para Ele. Ele é anterior a todas as coisas, e todas se mantêm por Ele» (Cl 1, 16-17). A fé da Igreja afirma igualmente a acção criadora do Espírito Santo: Ele é Aquele «que dá a vida» (113), «o Espírito Criador» (Veni, Creator Spiritus), a «Fonte de todo o bem» (114). 292. Insinuada no Antigo Testamento (115) revelada na Nova Aliança, a acção criadora do Filho e do Espírito Santo, inseparavelmente unida à do Pai, é claramente afirmada pela regra de fé da Igreja: «Existe um só Deus. Ele é o Pai, é Deus, é o Criador, o Autor, o Ordenador. Fez todas as coisas por Si mesmo, quer dizer, pelo Seu Verbo e pela sua Sabedoria» (116) «pelo Filho e pelo Espírito» que são como «as suas mãos» (117). A criação é obra comum da Santíssima Trindade. III. «O mundo foi criado para glória de Deus» 293. É uma verdade fundamental, que a Escritura e a Tradição não cessam de ensinar e de celebrar: «O mundo foi criado para glória de Deus» (118). Deus criou todas as coisas, explica São Boaventura, «non propter gloriam augendam, sed propter gloriam manifestandam et propter gloriam suam communicandam – Não para aumentar a Sua glória, mas para a manifestar e para a comunicar » (119). Para criar, Deus não tem outra razão senão o seu amor e a sua bondade: «Aperta manu clave amoris creaturae prodierunt – As criaturas saíram da mão (de Deus) aberta pela chave do amor» (120). E o I Concílio do Vaticano explica: «Na sua bondade e pela sua força omnipotente, não para aumentar a sua felicidade nem para adquirir a sua perfeição, mas para a manifestar pelos bens que concede às suas criaturas, Deus, no seu libérrimo desígnio, criou do nada simultaneamente e desde o princípio do tempo uma e outra criatura — a espiritual e a corporal» (121). 294. A glória de Deus está em que se realize esta manifestação e esta comunicação da sua bondade, em ordem às quais o mundo foi criado. Fazer de nós «filhos adoptivos por Jesus Cristo. Assim aprouve à sua vontade, para que fosse enaltecida a glória da sua graça» (Ef 1, 5-6): «Porque a glória de Deus é o homem vivo, e a vida do homem é a visão de Deus: se a revelação de Deus pela criação já proporcionou a vida a todos os seres que vivem na terra, quanto mais a manifestação do Pai pelo Verbo proporciona a vida aos que vêem a Deus!» (122). O fim último da criação é que Deus Pai, «criador de todos os seres, venha finalmente a ser ‘tudo em todos’ (1 Cor 15, 28), provendo, ao mesmo tempo, à sua glória e à nossa felicidade» (123). IV. O mistério da criação DEUS CRIA COM SABEDORIA E POR AMOR 295 Acreditamos que Deus criou o mundo segundo a sua sabedoria (124). O mundo não é fruto duma qualquer necessidade, dum destino cego ou do acaso. Acreditamos que ele procede da vontade livre de Deus, que quis fazer as criaturas participantes do seu Ser, da sua sabedoria e da sua bondade: «porque Vós criastes todas as coisas e, pela vossa vontade, elas receberam a existência e foram criadas» (Ap 4, 11). «Como são grandes, Senhor, as vossas obras! Tudo fizestes com sabedoria» (Sl 104, 24). «O Senhor é bom para com todos e a sua misericórdia estende-se a todas as criaturas» (Sl 145, 9). DEUS CRIA «DO NADA» 296. Acreditamos que Deus não precisa de nada preexistente, nem de qualquer ajuda, para criar (124). A criação tão pouco é uma emanação necessária da substância divina (126). Deus cria livremente «do nada» (127): «Que haveria de extraordinário, se Deus tivesse tirado o mundo duma matéria preexistente? Um artista humano, quando se lhe dá um material, faz dele o que quer. O poder de Deus, porém, mostra-se precisamente quando parte do nada para fazer tudo o que quer» (128). 297. A fé na criação a partir «do nada» é testemunhada na Escritura como uma verdade cheia de promessa e de esperança. É assim que a mãe dos sete filhos os anima ao martírio: «Não sei como aparecestes no meu seio; não fui eu que vos dei a respiração e a vida, nem fui eu que dispus os membros que compõem cada um de vós. Por isso, o Criador do mundo, que formou o homem à nascença e concebeu todas as coisas na sua origem, vos dará novamente, na sua misericórdia, a respiração e a vida, uma vez que vos desprezais agora a vós próprios, por amor às suas leis […] Peço-te, meu filho, que olhes para o céu e para a terra. Vê todas as coisas que neles se encontram, para saberes que Deus não as fez do que já existia, e que o mesmo sucede com o género humano» (2 Mac 7, 22-23.28). 298. Uma vez que Deus pode criar «do nada», também pode, pelo Espírito Santo, dar a vida da alma aos pecadores, criando neles um coração puro e a vida do corpo aos defuntos, pela ressurreição. Ele que «dá a vida aos mortos e chama o que não existe como se já existisse» (Rm 4, 17). E como, pela sua palavra, pôde fazer que das trevas brilhasse a luz (130), pode também dar a luz da fé aos que a ignoram (131). DEUS CRIA UM MUNDO ORDENADO E BOM 299. Uma vez que Deus cria com sabedoria, a criação possui ordem. «Dispusestes tudo com medida, número e peso» (Sb 11, 20). Criada no Verbo e pelo Verbo eterno, «que é a imagem do Deus invisível» (Cl 1, 15), a criação destina-se e orienta-se para o homem, imagem de Deus (132), chamado ele próprio a uma relação pessoal com Deus. A nossa inteligência, participante da luz do intelecto divino, pode entender o que Deus nos diz pela sua criação (133), sem dúvida com grande esforço e num espírito de humildade e de respeito perante o Criador e a sua obra (134). Saída da bondade divina, a criação partilha dessa bondade («E Deus viu que isto era bom […] muito bom»: Gn 1, 4. 10. 12. 18. 21. 31). Porque a criação é querida por Deus como um dom orientado para o homem, como herança que lhe é destinada e confiada. A Igreja, em diversas ocasiões, viu-se na necessidade de defender a bondade da criação, mesmo a do mundo material (135). DEUS TRANSCENDE A CRIAÇÃO E ESTÁ PRESENTE NELA 300. Deus é infinitamente maior do que todas as suas obras (136): «A vossa majestade está acima dos céus» (Sl 8, 2), «insondável é a sua grandeza» (Sl 145, 3). Mas, porque Ele é o Criador soberano e livre, causa primeira de tudo quanto existe, está presente no mais íntimo das suas criaturas: «É n’Ele que vivemos, nos movemos e existimos» (Act 17, 28). Segundo as palavras de Santo Agostinho, Ele é «superior summo meo et interior intimo meo — Deus está acima do que em mim há de mais elevado e é mais interior do que aquilo que eu tenho de mais íntimo» (137). DEUS SUSTENTA E CONDUZ A CRIAÇÃO 301. Depois da criação, Deus não abandona a criatura a si mesma. Não só lhe dá o ser e o existir, mas a cada instante a mantém no ser, lhe dá o agir e a conduz ao seu termo. Reconhecer esta dependência total do Criador é fonte de sabedoria e de liberdade, de alegria e de confiança: «Vós amais tudo quanto existe e não tendes aversão a coisa alguma que fizestes: se tivésseis detestado alguma criatura, não a teríeis formado. Como poderia manter-se qualquer coisa, se Vós não quisésseis? Como é que ela poderia durar, se não a tivésseis chamado à existência? Poupais tudo, porque tudo é vosso, ó Senhor, que amais a vida» (Sb 11, 24-26). V. Deus realiza o seu desígnio: a divina Providência 302. A criação tem a sua bondade e a sua perfeição próprias, mas não saiu totalmente acabada das mãos do Criador. Foi criada «em estado de caminho» («in statu viae») para uma perfeição última ainda a atingir e a que Deus a destinou. Chamamos divina Providência às disposições pelas quais Deus conduz a sua criação em ordem a essa perfeição: «Deus guarda e governa, pela sua Providência, tudo quanto criou, “atingindo com força dum extremo ao outro e dispondo tudo suavemente” (Sb 8, 1). Porque “tudo está nu e patente a seus olhos” (Heb 4, 13), mesmo aquilo que depende da futura acção livre das criaturas» (138). 303. É unânime, a este respeito, o testemunho da Escritura: a solicitude da divina Providência é concreta e imediata, cuida de tudo, desde os mais insignificantes pormenores até aos grandes acontecimentos do mundo e da história. Os livros santos afirmam, com veemência, a soberania absoluta de Deus no decurso dos acontecimentos: «Tudo quanto Lhe aprouve, o nosso Deus o fez, no céu e na terra» (Sl 115, 3); e de Cristo se diz: «que abre e ninguém fecha, e fecha e ninguém abre» (Ap 3, 7); «há muitos projectos no coração do homem, mas é a vontade do Senhor que prevalece» (Pr 19, 21). 304. É assim que, muitas vezes, vemos o Espírito Santo, autor principal da Sagrada Escritura, atribuir a Deus certas acções, sem mencionar causas-segundas. Isso não é «uma maneira de dizer» primitiva, mas sim um modo profundo de afirmar o primado de Deus e o seu senhorio absoluto sobre a história e sobre o mundo (139) e de ensinar a ter confiança n’Ele. A oração dos Salmos é, aliás, a grande escola desta confiança (140). 305. Jesus reclama um abandono filial à Providência do Pai celeste, que cuida das mais pequenas necessidades dos seus filhos: «Não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? Que havemos de beber? […] Bem sabe o vosso Pai celeste que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e tudo o mais vos será dado por acréscimo» (Mt 6, 31-33) (141). A PROVIDÊNCIA E AS CAUSAS SEGUNDAS 306. Deus é o Senhor soberano dos seus planos. Mas, para a realização dos mesmos, serve-Se também do concurso das criaturas. Isto não é um sinal de fraqueza, mas da grandeza e bondade de Deus omnipotente. É que Ele não só permite às suas criaturas que existam, mas confere-lhes a dignidade de agirem por si mesmas, de serem causa e princípio umas das outras e de cooperarem, assim, na realização do seu desígnio. 307. Aos homens, Deus concede mesmo poderem participar livremente na sua Providência, confiando-lhes a responsabilidade de «submeter» a terra e dominá-la (142). Assim lhes concede que sejam causas inteligentes e livres, para completar a obra da criação, aperfeiçoar a sua harmonia, para o seu bem e o dos seus semelhantes. Cooperadores muitas vezes inconscientes da vontade divina, os homens podem entrar deliberadamente no plano divino, pelos seus actos e as suas orações, como também pelos seus sofrimentos (143). Tornam-se, então, plenamente «colaboradores de Deus» (1 Cor 3, 9)(144) e do seu Reino(145). 308. Esta é uma verdade inseparável da fé em Deus Criador: Deus age em toda a acção das suas criaturas. É Ele a causa-primeira, que opera nas e pelas causas-segundas: «É Deus que produz em nós o querer e o operar, segundo o seu beneplácito» (Fl 2, 13)(146). Longe de diminuir a dignidade da criatura, esta verdade realça-a. Tirada «do nada» pelo poder, sabedoria e bondade de Deus, a criatura separada da sua origem, nada pode, porque «a criatura sem o Criador esvai-se» (147). Muito menos pode atingir o seu fim último, sem a ajuda da graça (148). A PROVIDÊNCIA E O ESCÂNDALO DO MAL 309. Se Deus Pai todo-poderoso, Criador do mundo ordenado e bom, tem cuidado com todas as suas criaturas, porque é que o mal existe? A esta questão, tão premente como inevitável, tão dolorosa como misteriosa, não é possível dar uma resposta rápida e satisfatória. É o conjunto da fé cristã que constitui a resposta a esta questão: a bondade da criação, o drama do pecado, o amor paciente de Deus que vem ao encontro do homem pelas suas alianças, pela Encarnação redentora de seu Filho, pelo dom do Espírito, pela agregação à Igreja, pela força dos sacramentos, pelo chamamento à vida bem-aventurada, à qual as criaturas livres são de antemão convidadas a consentir, mas à qual podem, também de antemão, negar-se, por um mistério terrível. Não há nenhum pormenor da mensagem cristã que não seja, em parte, resposta ao problema do mal. 310. Mas, porque é que Deus não criou um mundo tão perfeito que nenhum mal pudesse existir nele? No seu poder infinito, Deus podia sempre ter criado um mundo melhor (149). No entanto, na sua sabedoria e bondade infinitas, Deus quis livremente criar um mundo «em estado de caminho» para a perfeição última. Este devir implica, no desígnio de Deus, juntamente com o aparecimento de certos seres, o desaparecimento de outros; o mais perfeito, com o menos perfeito; as construções da natureza, com as suas destruições. Com o bem físico também existe, pois, o mal físico, enquanto a criação não tiver atingido a perfeição (150). 311. Os anjos e os homens, criaturas inteligentes e livres, devem caminhar para o seu último destino por livre escolha e amor preferencial. Podem, por conseguinte, desviar-se. De facto, pecaram. Foi assim que entrou no mundo o mal moral, incomensuravelmente mais grave que o mal físico. Deus não é, de modo algum, nem directa nem indirectamente, causa do mal moral (151). No entanto, permite-o por respeito pela liberdade da sua criatura e misteriosamente sabe tirar dele o bem: «Deus todo-poderoso […] sendo soberanamente bom, nunca permitiria que qualquer mal existisse nas suas obras se não fosse suficientemente poderoso e bom para do próprio mal, fazer surgir o bem» (152). 312. Assim, com o tempo, é possível descobrir que Deus, na sua omnipotente Providência, pode tirar um bem das consequências dum mal (mesmo moral), causado pelas criaturas: «Não, não fostes vós – diz José a seus irmãos – que me fizestes vir para aqui. Foi Deus. […] Premeditastes contra mim o mal: o desígnio de Deus aproveitou-o para o bem […] e um povo numeroso foi salvo» (Gn, 45, 8; 50, 20) (153). Do maior mal moral jamais praticado, como foi o repúdio e a morte do Filho de Deus, causado pelos pecados de todos os homens, Deus, pela superabundância da sua graça (154), tirou o maior dos bens: a glorificação de Cristo e a nossa redenção. Mas nem por isso o mal se transforma em bem. 313. «Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus» (Rm 8, 28). O testemunho dos santos não cessa de confirmar esta verdade: Assim, Santa Catarina de Sena diz aos «que se escandalizam e se revoltam contra o que lhes acontece»: «Tudo procede do amor, tudo está ordenado para a salvação do homem, e não com nenhum outro fim» (155). E S. Tomás Moro, pouco antes do seu martírio, consola a filha com estas palavras: «Nada pode acontecer-me que Deus não queira. E tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça, é, na verdade, muito bom»(156). E Juliana de Norwich: «Compreendi, pois, pela graça de Deus, que era necessário ater-me firmemente à fé […] e crer, com não menos firmeza, que todas as coisas serão para bem […]». «Thou shalt see thyself that all manner of thing shall be well» (157). 314. Nós cremos firmemente que Deus é o Senhor do mundo e da história. Muitas vezes, porém, os caminhos da sua Providência são-nos desconhecidos. Só no fim, quando acabar o nosso conhecimento parcial e virmos Deus «face a face» (1 Cor 13, 12), é que nos serão plenamente conhecidos os caminhos pelos quais, mesmo através do mal e do pecado, Deus terá conduzido a criação ao repouso desse Sábado (158) definitivo, em vista do qual criou o céu e a terra. Resumindo: 315. Na criação do mundo e do homem, Deus deu o primeiro e universal testemunho do seu amor omnipotente e da sua sabedoria e fez o primeiro anúncio do seu «desígnio amoroso», o qual tem como finalidade a nova criação em Cristo. 316. Embora a obra da criação seja particularmente atribuída ao Pai, é igualmente verdade de fé que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são o único e indivisível princípio da criação. 317. Só Deus criou o Universo, livremente, directamente, sem qualquer ajuda. 318. Nenhuma criatura possui o poder infinito necessário para «criar», no sentido próprio da palavra: quer dizer; para produzir e dar o ser ao que de modo algum o possuía (chamar à existência «ex nihilo» a partir do nada) (159). 319. Deus criou o mundo para manifestar e comunicar a sua glória. Que as criaturas partilhem da sua verdade, da sua bondade e da sua beleza – eis a glória, para a qual Deus as criou. 320. Deus, que criou o universo, mantém-no na existência pelo seu Verbo; «o Filho tudo sustenta com a sua palavra poderosa» (He 1, 3) e pelo seu Espírito criador que dá a vida. 321. A divina Providência consiste nas disposições pelas quais Deus conduz, com sabedoria e amor; todas as criaturas, para o seu último fim. 322. Cristo convida-nos a abandonarmo-nos filialmente à Providência do Pai dos céus (160); o apóstolo São Pedro retoma o seu pensamento ao dizer: «Lançai sobre Deus toda a vossa inquietação porque Ele vela por vós» (1 Pe 5, 7)(161). 323. A Providência divina também age pela acção das criaturas. Aos seres humanos, Deus permite-lhes cooperar livremente com os seus desígnios. 324. A permissão divina do mal físico e do mal moral é um mistério, que Deus esclarece por seu Filho Jesus Cristo, morto e ressuscitado para vencer o mal. A fé dá-nos a certeza de que Deus não permitiria o mal, se do próprio mal não fizesse sair o bem, por caminhos que só na vida eterna conheceremos plenamente. PARÁGRAFO 5 CÉU E A TERRA 325. O Símbolo dos Apóstolos professa que Deus é «Criador do céu e da terra» (162). E o Símbolo Niceno-Constantinopolitano explicita: «… de todas as coisas, visíveis e invisíveis» (163). 326. Na Sagrada Escritura, a expressão «céu e terra» significa: tudo o que existe, a criação inteira. Indica também o laço que, no interior da criação, ao mesmo tempo une e distingue céu e terra: «a terra» é o mundo dos homens (164); «o céu» ou «os céus» pode designar o firmamento (165), mas também o «lugar» próprio de Deus: «Pai nosso que estais nos céus» (Mt 5, 16)(166), e, por conseguinte, também «o céu» que é a glória escatológica. Finalmente, a palavra «céu» indica o «lugar» das criaturas espirituais – os anjos – que rodeiam Deus. 327. A profissão de fé do quarto Concílio de Latrão afirma que Deus, «desde o princípio do tempo, criou do nada ao mesmo tempo uma e outra criatura, a espiritual e a corporal, isto é, os anjos e o mundo terrestre. Depois criou a criatura humana, que participa das duas primeiras, formada, como é, de espírito e corpo» (167). I. Os anjos A EXISTÊNCIA DOS ANJOS UMA VERDADE DE FÉ 328. A existência dos seres espirituais, não-corporais, a que a Sagrada Escritura habitualmente chama anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura é tão claro como a unanimidade da Tradição. QUEM SÃO OS ANJOS? 329. Santo Agostinho diz a respeito deles: «Angelus […] officii nomen est, non naturae. Quaeris nomen naturae, spiritus est; quaeris officium, angelus est: ex eo quod est, spiritus est: ex eo quod agit, angelus –Anjo é nome de ofício, não de natureza. Desejas saber o nome da natureza? Espírito. Desejas saber o do ofício? Anjo. Pelo que é, é espírito: pelo que faz, é anjo (anjo = mensageiro)» (168). Com todo o seu ser, os anjos são servos e mensageiros de Deus. Pelo facto de contemplarem «continuamente o rosto do meu Pai que está nos céus» (Mt 18, 10), eles são «os poderosos executores das suas ordens, sempre atentos à sua palavra» (Sl 103, 20). 330. Enquanto criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e vontade: são criaturas pessoais (169) e imortais (170). Excedem em perfeição todas as criaturas visíveis. O esplendor da sua glória assim o atesta (171). CRISTO «COM TODOS OS SEUS ANJOS» 331. Cristo é o centro do mundo dos anjos (angélico). Estes pertencem-Lhe: «Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os [seus] anjos…» (Mt 25, 31). Pertencem-Lhe, porque criados por e para Ele: «em vista d’Ele é que foram criados todos os seres, que há nos céus e na terra, os seres visíveis e os invisíveis, os anjos que são os tronos, senhorias, principados e dominações. Tudo foi criado por seu intermédio e para Ele» (Cl 1, 16), E são d’Ele mais ainda porque Ele os fez mensageiros do seu plano salvador: «Não são eles todos espíritos ao serviço de Deus, enviados a fim de exercerem um ministério a favor daqueles que hão-de herdar a salvação?» (Heb 1, 14). 332. Ei-los, desde a criação (172) e ao longo de toda a história da salvação, anunciando de longe ou de perto esta mesma salvação, e postos ao serviço do plano divino da sua realização: eles fecham o paraíso terrestre (173); protegem Lot (174), salvam Agar e seu filho (175), detêm a mão de Abraão (176) pelo seu ministério é comunicada a Lei (177), são eles que conduzem o povo de Deus (178), anunciam nascimentos (179) e vocações (180) assistem os profetas (181) – para não citar senão alguns exemplos. Finalmente, é o anjo Gabriel que anuncia o nascimento do Precursor e o do próprio Jesus (182). 333. Da Encarnação à Ascensão, a vida do Verbo Encarnado é rodeada da adoração e serviço dos anjos. Quando Deus «introduziu no mundo o seu Primogénito, disse: Adorem-n’O todos os anjos de Deus» (Heb 1, 6). O seu cântico de louvor, na altura do nascimento de Cristo, nunca deixou de se ouvir no louvor da Igreja: «Glória a Deus […]» (Lc 2, 14). Eles protegem a infância de Jesus (183), servem-n’O no deserto (184) e confortam-n’O na agonia (185) no momento em que por eles poderia ter sido salvo das mãos dos inimigos (186) como outrora Israel (187). São ainda os anjos que «evangelizam» (188), anunciando a Boa-Nova da Encarnação (189) e da Ressurreição (190) de Cristo. E estarão presentes aquando da segunda vinda de Cristo, que anunciam (191), ao serviço do seu juízo (192). OS ANJOS NA VIDA DA IGREJA 334. Daqui resulta que toda a vida da Igreja beneficia da ajuda misteriosa e poderosa dos anjos (193). 335. Na sua liturgia, a Igreja associa-se aos anjos para adorar a Deus três vezes santo (194); invoca a sua assistência (como na oração “In paradisum deducant te angeli – conduzam-te os anjos ao paraíso” da Liturgia dos Defuntos (195), ou ainda no «Hino querubínico» da Liturgia bizantina (196), e festeja de modo mais particular a memória de certos anjos (São Miguel, São Gabriel, São Rafael e os Anjos da Guarda). 336. Desde o seu começo (197) até à morte (198), a vida humana é acompanhada pela sua assistência (199) e intercessão (200). «Cada fiel tem a seu lado um anjo como protector e pastor para o guiar na vida» (201). Desde este mundo, a vida cristã participa, pela fé, na sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus. II. O mundo visível 337. Foi o próprio Deus que criou o mundo visível, com toda a sua riqueza, a sua diversidade e a sua ordem. A Sagrada Escritura apresenta a obra do Criador, simbolicamente, como uma sequência de seis dias «de trabalho» divino, que terminam no «repouso» do sétimo dia (202). O texto sagrado ensina, a respeito da criação, verdades reveladas por Deus para a nossa salvação (203), as quais permitem «conhecer a natureza última e o valor de todas as criaturas e a sua ordenação para a glória de Deus» (204). 338. Nada existe que não deva a sua existência a Deus Criador: O mundo começou quando foi tirado do nada pela Palavra de Deus: todos os seres existentes, toda a Natureza, toda a história humana radicam neste acontecimento primordial: é a própria génese, pela qual o mundo foi constituído e o tempo começado (205). 339. Cada criatura possui a sua bondade e perfeição próprias. Acerca de cada uma das obras dos «seis dias» está escrito: «E Deus viu que era bom». «Foi em virtude da própria criação que todas as coisas foram estabelecidas segundo a sua consistência, a sua verdade, a sua excelência própria, com o seu ordenamento e leis específicas» (206). As diferentes criaturas, queridas pelo seu próprio ser, reflectem, cada qual a seu modo, uma centelha da sabedoria e da bondade infinitas de Deus. É por isso que o homem deve respeitar a bondade própria de cada criatura, para evitar o uso desordenado das coisas, que despreza o Criador e traz consigo consequências nefastas para os homens e para o seu meio ambiente. 340. A interdependência das criaturas é querida por Deus. O sol e a lua, o cedro e a florzinha, a águia e o pardal: o espectáculo das suas incontáveis diversidades e desigualdades significa que nenhuma criatura se basta a si mesma. Elas só existem na dependência umas das outras, para se completarem mutuamente, no serviço umas das outras. 341. A beleza do Universo: A ordem e a harmonia do mundo criado resultam da diversidade dos seres e das relações existentes entre si. O homem descobre-as progressivamente como leis da natureza. Elas suscitam a admiração dos sábios. A beleza da criação reflecte a beleza infinita do Criador, a qual deve inspirar o respeito e a submissão da inteligência e da vontade humanas. 342. A hierarquia das criaturas é expressa pela ordem dos «seis dias», indo do menos perfeito para o mais perfeito. Deus ama todas as suas criaturas (207) e cuida de cada uma, até dos passarinhos. No entanto, Jesus diz: «[Vós] valeis mais do que muitos passarinhos» (Lc 12, 7), e ainda: «Um homem vale muito mais que uma ovelha» (Mt 12, 12). 343. O homem é o ponto culminante da obra da criação. A narrativa inspirada exprime essa realidade, fazendo nítida distinção entre a criação do homem e a das outras criaturas (208). 344. Existe uma solidariedade entre todas as criaturas pelo facto de todas terem o mesmo Criador e todas serem ordenadas para a sua glória: «Louvado sejas meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o meu senhor irmão Sol, o qual faz o dia e por ele nos alumia E ele é belo e radiante com grande esplendor: de Ti. Altíssimo, nos dá ele a imagem […] Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água, que é tão útil e humilde, e preciosa e casta […] Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa, e produz variados frutos, com flores coloridas, e verduras […] Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças e servi-o com grande humildade» (219). 345. O «Sábado» – fim da obra dos «seis dias». O texto sagrado diz que «Deus concluiu, no sétimo dia, a obra que fizera» e que assim «se completaram o céu e a terra»; e no sétimo dia Deus «descansou» e santificou e abençoou este dia (Gn 2, 1-3). Estas palavras inspiradas são ricas de salutares ensinamentos: 346. Na criação, Deus estabeleceu uma base e leis que permanecem estáveis (210) sobre as quais o crente pode apoiar-se com confiança, e que serão para ele sinal e garantia da fidelidade inquebrantável da Aliança divina (211). Por seu lado, o homem deve manter-se fiel a esta base e respeitar as leis que o Criador nela inscreveu. 347. A criação foi feita em vista do Sábado e, portanto, do culto e da adoração de Deus. O culto está inscrito na ordem da criação (212) – «Operi Dei nihil preponatur – Nada se anteponha à obra de Deus (ao culto divino)» – diz a Regra de São Bento (213) indicando assim a justa ordem das preocupações humanas. 348. O Sábado está no coração da Lei de Israel. Guardar os Mandamentos é corresponder à sabedoria e à vontade de Deus, expressas na sua obra da criação. 349. O oitavo dia. Mas para nós, um dia novo surgiu: o dia da Ressurreição de Cristo. O sétimo dia acaba a primeira criação. O oitavo dia começa a nova criação. A obra da criação culmina, assim, na obra maior da Redenção. A primeira criação encontrou o seu sentido e cume ria nova criação em Cristo, cujo esplendor ultrapassa o da primeira (214). Resumindo: 350. Os anjos são criaturas espirituais que glorificam a Deus sem cessar e servem os seus planos salvíficos em relação às outras criaturas: «Ad omnia bona nostra cooperantur angeli – Os anjos prestam a sua cooperação a tudo quanto diz respeito ao nosso bem» (215). 351. Os anjos assistem a Cristo, seu Senhor. Servem-n’O de modo particular no cumprimento da sua missão salvífica em relação aos homens. 352. A Igreja venera os anjos, que a ajudam na sua peregrinação terrestre e protegem todo o género humano. 353. Deus quis a diversidade das suas criaturas e a sua bondade própria, a sua interdependência e a sua ordem. Destinou todas as criaturas materiais para o bem do género humano. O homem, e através dele toda a criação, tem como destino a glória de Deus. 354. Respeitar as leis inscritas na criação e as relações derivantes da natureza das coisas, é princípio de sabedoria e fundamento da moral. PARÁGRAFO 6 O HOMEM 355. «Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus. Ele o criou homem e mulher» (Gn 1, 27). O homem ocupa um lugar único na criação: é «à imagem de Deus» (I); na sua própria natureza, une o mundo espiritual e o mundo material (II); foi criado «homem e mulher» (III); Deus estabeleceu-o na sua amizade (IV). I. «A imagem de Deus» 356. De todas as criaturas visíveis, só o homem é «capaz de conhecer e amar o seu Criador» (216); é a «única criatura sobre a terra que Deus quis por si mesma» (217); só ele é chamado a partilhar, pelo conhecimento e pelo amor, a vida de Deus. Com este fim foi criado, e tal é a razão fundamental da sua dignidade: «Qual foi a razão de terdes elevado o homem a tão alta dignidade? Foi certamente o incomparável amor com que Vos contemplastes a Vós mesmo na vossa criatura e Vos enamorastes dela; porque foi por amor que a criastes, foi por amor que lhe destes um ser capaz de apreciar o vosso bem eterno» (218). 357. Porque é «à imagem de Deus», o indivíduo humano possui a dignidade de pessoa: ele não é somente alguma coisa, mas alguém. É capaz de se conhecer, de se possuir e de livremente se dar e entrar em comunhão com outras pessoas. E é chamado, pela graça, a uma Aliança com o seu Criador, a dar-Lhe uma resposta de fé e amor que mais ninguém pode dar em seu lugar. 358. Deus tudo criou para o homem (219) mas o homem foi criado para servir e amar a Deus, e para Lhe oferecer toda a criação: «Qual é, pois, o ser que vai chegar à existência rodeado de tal consideração? É o homem, grande e admirável figura vivente, mais precioso aos olhos de Deus que toda a criação; é o homem, para quem existem o céu e a terra e o mar e a totalidade da criação, e a cuja salvação Deus deu tanta importância, que, por ele, nem ao seu próprio Filho poupou. Porque Deus não desiste de tudo realizar, para fazer subir o homem até Si e fazê-lo sentar à sua direita» (220). 359. «Na realidade, só no mistério do Verbo Encarnado é que verdadeiramente se esclarece o mistério do homem» (221): «São Paulo ensina-nos que dois homens estão na origem do género humano: Adão e Cristo. […] O primeiro Adão, diz ele, foi criado como um ser humano que recebeu a vida; o segundo é um ser espiritual que dá a vida. O primeiro foi criado pelo segundo, de Quem recebeu a alma que o faz viver. […] O segundo Adão gravou a sua imagem no primeiro, quando o modelou. Por isso, veio a assumir a sua função e o seu nome, para que não se perdesse aquele que fizera à sua imagem. Primeiro e último Adão: o primeiro teve princípio; o último não terá fim. Por isso é que o último é verdadeiramente o primeiro, como Ele mesmo diz: “Eu sou o Primeiro e o Último”» (222). 360. Graças à comunidade de origem, o género humano forma uma unidade. Deus «fez, a partir de um só homem todo o género humano para habitar sobre toda a face da terra» (Act 17, 26) (223): «Maravilhosa visão, que nos faz contemplar o género humano na unidade da sua origem em Deus […]; na unidade da sua natureza, em todos igualmente integrada dum corpo material e duma alma espiritual; na unidade do seu fim imediato e da sua missão no mundo; na unidade da sua habitação, a terra, de cujos bens todos os homens, por direito natural, podem servir-se para sustentar e desenvolver a vida; na unidade do seu fim sobrenatural. Deus, para o Qual todos devem tender, na unidade dos meios para atingir este fim; […] na unidade da Redenção, para todos levada a cabo por Cristo» (224). 361. «Esta lei de solidariedade humana e de caridade» (225), sem excluir a rica variedade das pessoas, das culturas e dos povos, assegura-nos que todos os homens são verdadeiramente irmãos. II. «Corpore et anima unus» – Unidade de corpo e alma 362. A pessoa humana, criada à imagem de Deus, é um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual. A narrativa bíblica exprime esta realidade numa linguagem simbólica, quando afirma que «Deus formou o homem com o pó da terra, insuflou-lhe pelas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se num ser vivo» (Gn 2, 7). O homem, no seu ser total, foi, portanto, querido por Deus. 363. Muitas vezes, a palavra alma designa, nas Sagradas Escrituras, a vida humana (226), ou a pessoa humana no seu todo (227). Mas designa também o que há de mais íntimo no homem (228) e de maior valor na sua pessoa (229), aquilo que particularmente faz dele imagem de Deus: «alma» significa o princípio espiritual no homem. 364. O corpo do homem participa na dignidade da «imagem de Deus»: é corpo humano precisamente por ser animado pela alma espiritual, e a pessoa humana na sua totalidade é que é destinada a tornar-se, no Corpo (Místico) de Cristo, templo do Espírito (230): «Corpo e alma, mas realmente uno, o homem, na sua condição corporal, reúne em si mesmo os elementos do mundo material, que assim nele encontram a sua consumação e nele podem louvar Livremente o seu Criador. Por isso, não é lícito ao homem menosprezar a vida do corpo. Pelo contrário, deve estimar e respeitar o seu corpo, que foi criado por Deus e que há-de ressuscitar no último dia» (231). 365. A unidade da alma e do corpo é tão profunda que se deve considerar a alma como a «forma» do corpo (232); quer dizer, é graças à alma espiritual que o corpo, constituído de matéria, é um corpo humano e vivo. No homem, o espírito e a matéria não são duas naturezas unidas, mas a sua união forma uma única natureza. 366. A Igreja ensina que cada alma espiritual é criada por Deus de modo imediato (233) e não produzida pelos pais; e que é imortal (234), isto é, não morre quando, na morte, se separa do corpo; e que se unirá de novo ao corpo na ressurreição final. 367. Encontra-se às vezes uma distinção entre alma e espírito. São Paulo, por exemplo, ora para que «todo o nosso ser, o espírito, a alma e o corpo», seja guardado sem mancha até à vinda do Senhor (1 Ts 5, 23). A Igreja ensina que esta distinção não introduz uma dualidade na alma (235), «Espírito» significa que o homem é ordenado, desde a sua criação, para o seu fim sobrenatural (236), e que a alma é capaz de ser gratuitamente sobreelevada até à comunhão com Deus (237). 368. A tradição espiritual da Igreja insiste também no coração,no sentido bíblico de «fundo do ser» («nas entranhas»: Jr 31, 33) em que a pessoa se decide ou não por Deus (238). III. «Homem e mulher os criou» IGUALDADE E DIFERENÇA QUERIDAS POR DEUS 369. O homem e a mulher foram criados, quer dizer, foram queridos por Deus: em perfeita igualdade enquanto pessoas humanas, por um lado; mas, por outro, no seu respectivo ser de homem e de mulher. «Ser homem», «ser mulher» é uma realidade boa e querida por Deus: o homem e a mulher têm uma dignidade inamissível e que lhes vem imediatamente de Deus, seu Criador (239). O homem e a mulher são, com uma mesma dignidade, «à imagem de Deus». No seu «ser homem» e no seu «ser mulher», reflectem a sabedoria e a bondade do Criador. 370. Deus não é, de modo algum; à imagem do homem. Não é nem homem nem mulher. Deus é puro espírito, no Qual não há lugar para a diferença de sexos. Mas as «perfeições» do homem e da mulher reflectem qualquer coisa da infinita perfeição de Deus: as duma mãe (240) e as dum pai e esposo (241). «UM PARA O OUTRO» – «UMA UNIDADE A DOIS» 371. Criados juntamente, o homem e a mulher são, na vontade de Deus, um para o outro. A Palavra de Deus no-lo dá a entender em diversos passos do texto sagrado. «Não convém que o homem esteja só: vou fazer-lhe uma ajudante que se pareça com ele» (Gn 2, 18). Nenhum dos animais pode ser este «par» do homem (242). A mulher que Deus «molda» da costela tirada do homem e que apresenta ao homem, provoca da parte deste, uma exclamação admirativa, de amor e comunhão: «E osso dos meus ossos e carne da minha carne» (Ga 2, 23). O homem descobre a mulher como um outro «eu», da mesma humanidade. 372. O homem e a mulher são feitos «um para o outro»: não é que Deus os tenha feito «a meias» e «incompletos»; criou-os para uma comunhão de pessoas, em que cada um pode ser «ajuda» para o outro, uma vez que são, ao mesmo tempo, iguais enquanto pessoas («osso dos meus ossos») e complementares enquanto masculino e feminino (243). No matrimónio, Deus une-os de modo que, formando «uma só carne» (Gn 2, 24), possam transmitir a vida humana: «crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra» (Gn 1, 28). Transmitindo aos seus descendentes a vida humana, o homem e a mulher, como esposos e pais, cooperam de modo único na obra do Criador (244). 373. Segundo o desígnio de Deus, o homem e a mulher são vocacionados para «dominarem a terra» (245) como «administradores» de Deus. Esta soberania não deve ser uma dominação arbitrária e destruidora. A imagem do Criador, «que ama tudo o que existe» (Sb 11, 24), o homem e a mulher são chamados a participar na Providência divina em relação às outras criaturas. Daí a sua responsabilidade para com o mundo que Deus lhes confiou. IV. O homem no paraíso 374. O primeiro homem não só foi criado bom, como também foi constituído num estado de amizade com o seu Criador, e de harmonia consigo mesmo e com a criação que o rodeava; amizade e harmonia tais, que só serão ultrapassadas pela glória da nova criação em Cristo. 375. A Igreja, interpretando de modo autêntico o simbolismo da linguagem bíblica à luz do Novo Testamento e da Tradição, ensina que os nossos primeiros pais, Adão e Eva, foram constituídos num estado de santidade e de justiça originais (246). Esta graça da santidade original era uma participação na vida divina (247). 376. Todas as dimensões da vida do homem eram fortalecidas pela irradiação desta graça. Enquanto permanecesse na intimidade divina, o homem não devia nem morrer (248), nem sofrer (249). A harmonia interior da pessoa humana, a harmonia entre o homem e a mulher (250), enfim, a harmonia entre o primeiro casal e toda a criação, constituía o estado dito «de justiça original». 377. O «domínio» do mundo, que Deus tinha concedido ao homem desde o princípio, realizava-se, antes de mais, no próprio homem como domínio de si. O homem era integrado e ordenado em todo o seu ser, porque livre da tríplice concupiscência (251), que o sujeita aos prazeres dos sentidos, à ambição dos bens terrenos e à afirmação de si contra os imperativos da razão. 378. Sinal da familiaridade com Deus é o facto de Deus o colocar no jardim (252). Ali vive «a fim de o cultivar e guardar» (Gn 2, 15): o trabalho não é um castigo (253), mas a colaboração do homem e da mulher com Deus no aperfeiçoamento da criação visível. 379. Toda esta harmonia da justiça original, prevista para o homem pelo plano de Deus, será perdida pelo pecado dos nossos primeiros pais. Resumindo: 380. «Formastes o homem à vossa imagem e lhe confiastes o Universo, para que, servindo-Vos unicamente a Vós, seu Criador; exercesse domínio sobre todas as criaturas» (254). 381. O homem foi predestinado para reproduzir a imagem do Filho de Deus feito homem –«imagem do Deus invisível» (Cl 1, 15) –, para que Cristo seja o primogénito duma multidão de irmãos e irmãs (255). 382. O homem é «uma unidade de corpo e alma» (256). A doutrina da fé afirma que a alma espiritual e imortal foi criada imediatamente por Deus. 383. «Deus não criou o homem solitário: desde a origem “criou-os homem e mulher” (Gn 1, 27); a sociedade dos dois realiza a primeira forma de comunhão entre pessoas» (257). 384. A Revelação dá-nos a conhecer o estado de santidade e justiça originais do homem e da mulher, antes do pecado: da amizade de ambos com Deus derivava a felicidade da sua existência no paraíso. PARÁGRAFO 7 A QUEDA 385. Deus é infinitamente bom e todas as suas obras são boas. No entanto, ninguém escapa à experiência do sofrimento, dos males da natureza – que aparecem como ligados aos limites próprios das criaturas –, e sobretudo à questão do mal moral. Donde vem o mal? «Quaerebam unde malum et non erat exitus – Procurava a origem do mal e não encontrava solução», diz Santo Agostinho (258). A sua própria busca dolorosa só encontrará saída na conversão ao Deus vivo. Porque «o mistério da iniquidade» (2 Ts 2, 7) só se esclarece à luz do «mistério da piedade» (259). A revelação do amor divino em Cristo manifestou, ao mesmo tempo, a extensão do mal e a superabundância da graça (260). Devemos, portanto, abordar a questão da origem do mal, fixando o olhar da nossa fé n’Aquele que é o seu único vencedor (261). I. «Onde abundou o pecado, sobreabundou a graça» A REALIDADE DO PECADO 386. O pecado está presente na história do homem. Seria vão tentar ignorá-lo ou dar outros nomes a esta obscura realidade. Para tentar compreender o que é o pecado, temos primeiro de reconhecer o laço profundo que une o homem a Deus, porque, fora desta relação, o mal do pecado não é desmascarado na sua verdadeira identidade de recusa e oposição a Deus, embora continue a pesar na vida do homem e na história. 387. A realidade do pecado e, dum modo particular, a do pecado das origens, só se esclarece à luz da Revelação divina. Sem o conhecimento que esta nos dá de Deus, não se pode reconhecer claramente o pecado, e somos tentados a explicá-lo unicamente como falta de maturidade, fraqueza psicológica, erro, consequência necessária duma estrutura social inadequada, etc. Só no conhecimento do desígnio de Deus sobre o homem é que se compreende que o pecado é um abuso da liberdade que Deus dá às pessoas criadas para que possam amá-Lo e amarem-se mutuamente. O PECADO ORIGINAL – UMA VERDADE FUNDAMENTAL DA FÉ 388. Com o progresso da Revelação, vai-se esclarecendo também a realidade do pecado. Embora o povo de Deus do Antigo Testamento tenha abordado a dor da condição humana à luz da história da queda narrada no Génesis, não podia atingir o significado último dessa história, o qual só se manifesta à luz da Morte e Ressurreição de Jesus Cristo (262). É preciso conhecer Cristo como fonte da graça para reconhecer Adão como fonte do pecado. Foi o Espírito Paráclito, enviado por Cristo ressuscitado, que veio «confundir o mundo em matéria de pecado» (Jo 16, 8), revelando Aquele que é o seu redentor. 389. A doutrina do pecado original é, por assim dizer, «o reverso» da Boa-Nova de que Jesus é o Salvador de todos os homens, de que todos têm necessidade da salvação e de que a salvação é oferecida a todos, graças a Cristo. A Igreja, que tem o sentido de Cristo (263), sabe bem que não pode tocar-se na revelação do pecado original sem atentar contra o mistério de Cristo. PARA LER A NARRATIVA DA QUEDA 390. A narrativa da queda (Gn 3) utiliza uma linguagem feita de imagens, mas afirma um acontecimento primordial, um facto que teve lugar no princípio da história do homem (264). A Revelação dá-nos uma certeza de fé de que toda a história humana está marcada pela falta original, livremente cometida pelos nossos primeiros pais (265). II. A queda dos anjos 391. Por detrás da opção de desobediência dos nossos primeiros pais, há uma voz sedutora, oposta a Deus (266), a qual, por inveja, os faz cair na morte (267). A Escritura e a Tradição da Igreja vêem neste ser um anjo decaído, chamado Satanás ou Diabo (268). Segundo o ensinamento da Igreja, ele foi primeiro um anjo bom, criado por Deus. «Diabolus enim et alii daemones a Deo quidem natura creati sunt boni, sed ipsi per se facti sunt mali – De facto, o Diabo e os outros demónios foram por Deus criados naturalmente bons; mas eles, por si, é que se fizeram maus» (269). 392. A Escritura fala dum pecado destes anjos (270). A queda consiste na livre opção destes espíritos criados, que radical e irrevogavelmente recusaram Deus e o seu Reino. Encontramos um reflexo desta rebelião nas palavras do tentador aos nossos primeiros pais: «Sereis como Deus» (Gn 3, 5). O Diabo é «pecador desde o princípio» (1 Jo 3, 8), «pai da mentira» (Jo 8, 44). 393. É o carácter irrevogável da sua opção, e não uma falha da infinita misericórdia de Deus, que faz com que o pecado dos anjos não possa ser perdoado. «Não há arrependimento para eles depois da queda, tal como não há arrependimento para os homens depois da morte» (271). 394. A Escritura atesta a influência nefasta daquele que Jesus chama «o assassino desde o princípio» (Jo 8, 44), e que chegou ao ponto de tentar desviar Jesus da missão recebida do Pai (272). «Foi para destruir as obras do Diabo que apareceu o Filho de Deus» (1 Jo 3, 8). Dessas obras, a mais grave em consequências foi a mentirosa sedução que induziu o homem a desobedecer a Deus. 395. No entanto, o poder de Satanás não é infinito. Satanás é uma simples criatura, poderosa pelo facto de ser puro espírito, mas, de qualquer modo, criatura: impotente para impedir a edificação do Reino de Deus. Embora Satanás exerça no mundo a sua acção, por ódio contra Deus e o seu reinado em Jesus Cristo, e embora a sua acção cause graves prejuízos – de natureza espiritual e indirectamente, também, de natureza física – a cada homem e à sociedade, essa acção é permitida pela divina Providência, que com força e suavidade dirige a história do homem e do mundo. A permissão divina da actividade diabólica é um grande mistério. Mas «nós sabemos que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus» (Rm 8, 28). III. O pecado original A PROVA DA LIBERDADE 396. Deus criou o homem «à sua imagem» e constituiu-o na sua amizade. Criatura espiritual, o homem só pode viver esta amizade na modalidade da livre submissão a Deus. É isso o que exprime a proibição feita ao homem de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, «pois no dia em que o comeres, morrerás» (Gn 2, 17). A «árvore de conhecer o bem e o mal» (Gn 2, 17) evoca simbolicamente o limite intransponível que o homem, como criatura, deve livremente reconhecer e confiadamente respeitar. O homem depende do Criador. Está sujeito às leis da criação e às normas morais que regulam o exercício da liberdade. O PRIMEIRO PECADO DO HOMEM 397. Tentado pelo Diabo, o homem deixou morrer no coração a confiança no seu Criador (273). Abusando da liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Nisso consistiu o primeiro pecado do homem (274). Daí em diante, todo o pecado será uma desobediência a Deus e uma falta de confiança na sua bondade. 398. Neste pecado, o homem preferiu-se a si próprio a Deus, e por isso desprezou Deus: optou por si próprio contra Deus, contra as exigências da sua condição de criatura e, daí, contra o seu próprio bem. Constituído num estado de santidade, o homem estava destinado a ser plenamente «divinizado» por Deus na glória. Pela sedução do Diabo, quis «ser como Deus»(275), mas «sem Deus, em vez de Deus, e não segundo Deus» (276). 399. A Escritura refere as consequências dramáticas desta primeira desobediência: Adão e Eva perdem imediatamente a graça da santidade original (277). Têm medo daquele Deus (278) de quem se fizeram uma falsa imagem: a dum Deus ciumento das suas prerrogativas (279). 400. A harmonia em que viviam, graças à justiça original, ficou destruída; o domínio das faculdades espirituais da alma sobre o corpo foi quebrado (280); a união do homem e da mulher ficou sujeita a tensões (281); as suas relações serão marcadas pela avidez e pelo domínio (282). A harmonia com a criação desfez-se: a criação visível tornou-se, para o homem, estranha e hostil (283). Por causa do homem, a criação ficou sujeita «à servidão da corrupção» (284). Enfim, vai concretizar-se a consequência explicitamente anunciada para o caso da desobediência (285): o homem «voltará ao pó de que foi formado» (286). A morte faz a sua entrada na história da humanidade (287). 401. A partir deste primeiro pecado, uma verdadeira «invasão» de pecado inunda o mundo: o fratricídio cometido por Caim na pessoa de Abel (288); a corrupção universal como consequência do pecado (289). Na história de Israel, o pecado manifesta-se com frequência, sobretudo como uma infidelidade ao Deus da Aliança e como transgressão da lei de Moisés. Mesmo depois da redenção de Cristo, o pecado manifesta-se de muitas maneiras entre os cristãos (290). A Sagrada Escritura e a Tradição da Igreja não se cansam de lembrar a presença e a universalidade do pecado na história do homem. «O que a Revelação divina nos dá a conhecer, concorda com os dados da experiência. Quando o homem olha para dentro do seu próprio coração, descobre-se inclinado também para o mal, e imerso em muitos males, que não podem provir do seu Criador, que é bom. Muitas vezes, recusando reconhecer Deus como seu princípio, o homem perturbou, por isso mesmo, a sua ordenação para o fim último e, ao mesmo tempo, toda a harmonia consigo próprio, com os outros homens e com toda a criação» (291). CONSEQUÊNCIAS DO PECADO DE ADÃO PARA A HUMANIDADE 402. Todos os homens estão implicados no pecado de Adão. É São Paulo quem o afirma: «pela desobediência de um só homem, muitos [quer dizer, a totalidade dos homens] se tornaram pecadores» (Rm 5, 19): «Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram» (Rm 5, 12). A universalidade do pecado e da morte, o Apóstolo opõe a universalidade da salvação em Cristo: «Assim como, pelo pecado de um só, veio para todos os homens a condenação, assim também, pela obra de justiça de um só [Cristo], virá para todos a justificação que dá a vida» (Rm 5, 18). 403. Depois de São Paulo, a Igreja sempre ensinou que a imensa miséria que oprime os homens, e a sua inclinação para o mal e para a morte não se compreendem sem a ligação com o pecado de Adão e o facto de ele nos ter transmitido um pecado de que todos nascemos infectados e que é «morte da alma» (292). A partir desta certeza de fé, a Igreja confere o Baptismo para a remissão dos pecados, mesmo às crianças que não cometeram qualquer pecado pessoal (293). 404. Como é que o pecado de Adão se tornou o pecado de todos os seus descendentes? Todo o género humano é, em Adão, «sicut unum corpus unius hominis – como um só corpo dum único homem» (294). Em virtude desta «unidade do género humano», todos os homens estão implicados no pecado de Adão, do mesmo modo que todos estão implicados na justificação de Cristo. Todavia, a transmissão do pecado original é um mistério que nós não podemos compreender plenamente. Mas sabemos, pela Revelação, que Adão tinha recebido a santidade e a justiça originais, não só para si, mas para toda a natureza humana; consentindo na tentação, Adão e Eva cometeram um pecado pessoal, mas este pecado afecta a natureza humana que eles vão transmitir num estado decaído (295). É um pecado que vai ser transmitido a toda a humanidade por propagação, quer dizer, pela transmissão duma natureza humana privada da santidade e justiça originais. E é por isso que o pecado original se chama «pecado» por analogia: é um pecado «contraído» e não «cometido»; um estado, não um acto. 405. Embora próprio de cada um (296), o pecado original não tem, em qualquer descendente de Adão, carácter de falta pessoal. É a privação da santidade e justiça originais, mas a natureza humana não se encontra totalmente corrompida: está ferida nas suas próprias forças naturais, sujeita à ignorância, ao sofrimento e ao império da morte, e inclinada ao pecado (inclinação para o mal, que se chama concupiscência). O Baptismo, ao conferir a vida da graça de Cristo, apaga o pecado original e reorienta o homem para Deus, mas as consequências para a natureza, enfraquecida e inclinada para o mal, persistem no homem e convidam-no ao combate espiritual. 406. A doutrina da Igreja sobre a transmissão do pecado original foi definida sobretudo no século V, particularmente sob o impulso da reflexão de Santo Agostinho contra o pelagianismo, e no século XVI, por oposição à Reforma protestante. Pelágio sustentava que o homem podia, pela força natural da sua vontade livre, sem a ajuda necessária da graça de Deus, levar uma vida moralmente boa; reduzia a influência do pecado de Adão à de um simples mau exemplo. Os primeiros reformadores protestantes, pelo contrário, ensinavam que o homem estava radicalmente pervertido e a sua liberdade anulada pelo pecado das origens: identificavam o pecado herdado por cada homem com a tendência para o mal («concupiscência»), a qual seria invencível. A Igreja pronunciou-se especialmente sobre o sentido do dado revelado, quanto ao pecado original, no segundo Concílio de Orange em 529 (297) e no Concílio de Trento em 1546 (298). UM DURO COMBATE 407. A doutrina sobre o pecado original – ligada à da redenção por Cristo – proporciona uma visão de lúcido discernimento sobre a situação do homem e da sua acção neste mundo. Pelo pecado dos primeiros pais, o Diabo adquiriu um certo domínio sobre o homem, embora este permanecesse livre. O pecado original traz consigo «a escravidão, sob o poder daquele que possuía o império da morte, isto é, do Diabo» (299). Ignorar que o homem tem uma natureza ferida, inclinada para o mal, dá lugar a graves erros no domínio da educação, da política, da acção social (300) e dos costumes. 408. As consequências do pecado original e de todos os pecados pessoais dos homens dão ao mundo, no seu conjunto, uma condição pecadora, que pode ser designada pela expressão de São João «o pecado do mundo» (Jo 1, 29). Esta expressão significa também a influência negativa que as situações comunitárias e as estruturas sociais, que são o fruto dos pecados dos homens, exercem sobre as pessoas (301). 409. Esta dramática situação do mundo, que «está todo sob o poder do Maligno» (1 Jo 5, 19) (302), transforma a vida do homem num combate: «Um duro combate contra os poderes das trevas atravessa toda a história dos homens. Tendo começado nas origens, há-de durar – o Senhor no-lo disse – até ao último dia. Empenhado nesta batalha, o homem vê-se na necessidade de lutar sem descanso para aderir ao bem. Só através de grandes esforços é que, com a graça de Deus, consegue realizar a sua unidade interior» (303). IV. «Vós não o abandonastes ao poder da morte» 410. Depois da queda, o homem não foi abandonado por Deus. Pelo contrário, Deus chamou-o (304) e anunciou-lhe, de modo misterioso, que venceria o mal e se levantaria da queda (305). Esta passagem do Génesis tem sido chamada « Proto-Evangelho» por ser o primeiro anúncio do Messias redentor, do combate entre a Serpente e a Mulher, e da vitória final dum descendente desta. 411. A Tradição cristã vê nesta passagem um anúncio do «novo Adão» (306) que, pela sua «obediência até à morte de cruz» (Fl 2, 8), repara super‑abundantemente a desobediência de Adão (307). Por outro lado, muitos santos Padres e Doutores da Igreja vêem na mulher, anunciada no proto-Evangelho, a Mãe de Cristo, Maria, como «nova Eva». Ela foi a primeira a beneficiar, dum modo único, da vitória sobre o pecado alcançada por Cristo: foi preservada de toda a mancha do pecado original (308) e, durante toda a sua vida terrena, por uma graça especial de Deus, não cometeu qualquer espécie de pecado (309). 412. Mas porque é que Deus não impediu o primeiro homem de pecar? São Leão Magno responde: «A graça inefável de Cristo deu-nos bens superiores aos que a inveja do demónio nos tinha tirado» (310). E São Tomás de Aquino: «Nada se opõe a que a natureza humana tenha sido destinada a um fim mais alto depois do pecado. Efectivamente, Deus permite que os males aconteçam para deles tirar um bem maior. Daí a palavra de São Paulo: “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5, 20). Por isso, na bênção do círio pascal canta-se: “Ó feliz culpa, que mereceu tal e tão grande Redentor!”» (311). Resumindo: 413. «Não foi Deus quem fez a morte, nem Ele se alegra por os vivos se perderem […]. A morte entrou no mundo pela inveja do Diabo» (Sb 1, 13; 2, 24). 414. Satanás ou Diabo e os outros demónios são anjos decaídos por terem livremente recusado servir a Deus e ao seu desígnio. A sua opção contra Deus é definitiva. E eles tentam associar o homem à sua revolta contra Deus. 415. «Estabelecido por Deus num estado de santidade, o homem, seduzido pelo Maligno desde o princípio da história, abusou da sua liberdade, levantando-se contra Deus e pretendendo atingir o seu fim fora de Deus» (312). 416. Pelo seu pecado, Adão, como primeiro homem, perdeu a santidade e a justiça originais que tinha recebido de Deus, não somente para si, mas para todos os seres humanos. 417. À sua descendência, Adão e Eva transmitiram a natureza humana ferida pelo seu primeiro pecado, portanto privada da santidade e da justiça originais. Esta privação é chamada «pecado original». 418. Como consequência do pecado original, a natureza humana ficou enfraquecida nas suas forças e sujeita à ignorância, ao sofrimento e ao domínio da morte, e inclinada para o pecado – inclinação que se chama «concupiscência». 419. «Afirmamos, pois, com o Concílio de Trento, que o pecado original é transmitido com a natureza humana, “não por imitação, mas por propagação”, e que, assim, é “próprio de cada um”»(313). 420. A vitória alcançada por Cristo sobre o pecado trouxe-nos bens superiores àqueles que o pecado nos tinha tirado: «Onde abundou o pecado, superabundou a graça» (Rm 5, 20). 421. «Segundo a fé dos cristãos, este mundo foi criado e continua a ser conservado pelo amor do Criador; é verdade que caiu sob a escravidão do pecado, mas Cristo, pela Cruz e Ressurreição, venceu o poder do Maligno e libertou-o…» (314). 1. CatRom I. 2, 6, p. 23. 2. CatRom I. 2, 8, p. 26. 3. Cf. Fl 2, 10-11. 4. Cf. Mc 12, 29-30. 5. Cf. Mc 12, 35-37. 6. IV Concílio de Latrão, Cap. 1. De fide catholica: DS 800. 7. Cf. Jz 13, 1. 8. Cf. Ex 3, 5-6. 9. Cf. Ex 32. 10. Cf. Ex 33, 12-17. 11. Cf. Ex 34, 9. 12. Cf. Is 44, 6. 13. Cf. Sl 85, 11. 14. Cf. Dt 7, 9. 15. Cf. Sb 13, 1-9. 16. Cf. Sl 115, 15. 17. Cf. Sb 7, 17-21. 18. Cf. Jo 17, 3. 19. Cf. Dt 4, 37; 7, 8: 10, 15. 20. Cf. Is 43, 1-7. 21. Cf. Os 2. 22. Cf. Os 11, 1. 23. Cf. Is 49, 14-15. 24. Cf. Is 62, 4-5. 25. Cf. Ez 16; Os 11. 26. Cf. 1 Cor 2, 7-16: Ef 3, 9-12. 27. Santa Joana D’Arc, Dito: Procès de condamnation, ed. P. Tisset–Y.Lanhers. v. I (Paris 1960) p. 280 e 288. 28. Cf. Mt 5, 29-30: 16. 24: 19. 23-24. 29. S. Nicolau de Flüe, Bruder-Klausen-Gebet, apud R. Amschwand, Bruder Klaus. Ergänzungsband zum Quellenwerk von R. Durrer (Sarnen 1987). p. 215. 30. Santa Teresa de Jesus. Poesía. 9: Biblioteca Mística Carmelitana. v. 6 (Burgos 1919). p. 90. [Santa Teresa de Jesus, Obras Completas (Paço de Arcos. Edições Carmelo 1994) p. 1390] 31. Tertuliano, Adversus Marcionem, I, 3, 5: CCL 1, 444 (PL 2. 274). 32. Santo Agostinho, Sermo 52. 6. 16: ed. P. Verbraken: Revue Bénédictine 74 (1964) 27 (PL 38. 360). 33. São Cesário de Arles. Expositio vel traditio Symboli (sermo 9): CCL 103. 47. 34. Cf. Vigílio, Professio fidei (522): DS 415. 35. Cf. Sagrada Congregação do Clero, Directorium catechisticum generale, 43: AAS (1972)123. 36. Ibid., 47. 37. I Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Filius, c. 4: DS 3015. 38. Cf. Dt 32. 6: Ml 2. 10. 39. Cf. 2 Sm 7, 14. 40. Cf. Sl 68, 6. 41. Cf. Is 66, 13: Sl 131, 2. 42. Cf. Sl 27, 10. 43. Cf. Ef 3, 14-15: Is 49, 15. 44. Símbolo de Nicéia: DS 125. 45. Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150. 46. Cf. Gn 1. 2. 47. Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150. 48. Cf. Jo 14, 17. 49 Cf. Jo 14, 26. 50. Cf. Jo 14, 26: 15. 26; 16, 14. 51. Cf. Jo 7, 39. 52. Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150. 53. VI Concílio de Toledo (em 638), De Trinitate et de Filio Dei Redemptore incarnato: DS 490. 54. XI Concílio de Toledo (ano 675), Symbolum: DS 527. 55. Símbolo Niceno Constantinopolitano: DS 150. 56. Concílium de Florença. Decretum pro Graecis: DS 1300-1301. 57. Cf. São Leão Magno, Ep. Quam laudabiliter: DS 284. 58. II Concílio Vaticano, Decr. Ad gentes: AAS 58 (1966) 948. 59. Concílio de Florença, Decretum pro Graecis (ano 1439): DS 1302. 60. Concílio de Florença, Decretum pro Iacobitis (ano 1442): DS 1331. 61. II Concílio de Lião, Constitutio de Summa Trinitate et fide catholica (ano 1274): DS 850. 62. Cf. 1 Cor 12, 4-6; Ef 4, 4-6. 63. Paulo VI, Sollemnis Professio fidei, 9: AAS 60 (1968) 437. 64. II Concílio de Constantinopla (ano 553), Anathematismi de tribus Capitulis. 1: DS 421. 65. XI Concílio de Toledo (ano 675). Symbolum: DS 530. 66. IV Concílio de Latrão (ano 1215), Cap. 2. De errore abbatis Ioachim: DS 804. 67. Fides Damasi: DS 71. 68. XI Concílio de Toledo (ano 675). Symbolum: DS 530. 69. IV Concílio de Latrão (ano 1215). Cap. 2, De errore abbatis Ioachim: DS 804. 70. XI Concílio de Toledo (ano 675). Symbolum: DS 528. 71. Concílio de Florença, Decretum pro Iacobitis (ano 1442): DS 1330. 72. Concílio de Florença, Decretum pro Iacobitis (ano 1442): DS 1331. 73. São Gregório de Nazianzo, Oratio 40. 41: SC 358, 292-294 (PG 36, 417). 74. Hino das II Vésperas de Domingo, nas semanas 2 e 4: Liturgia Horarum, editio typica, 3 (Typis Poliglottis Vaticanis Poliglottis Vaticanis 1974) p. 632 e 879 [Este hino está traduzido na ed. portuguesa: Liturgia das Horas (Gráfica de Coimbra 1983), v. 3, p. 86 e N. 4, p. 86]. 75. I Concílio de Vaticano, Decr. Ad gentes, 2-9: AAS 58 (1966) 948-958. 76. II Concílio de Constantinopla (ano 553), Anathematismi de tribus Capitulis, 1: DS 421. 77. Concílio de Florença, Decretum pro Incobitis (ano 1442): DS 1331. 78. Cf. 1 Cor 8, 6. 79. II Concílio de Constantinopla (ano 553). Anathematismi de tribus Capitulis, 1: DS 421. 80. Cf. Jo 6. 44. 81. Cf. Rm 8, 14. 82. Cf. Jo 17, 21-23. 83. Beata Isabel da Trindade, Élévation à la Trinité: Écrits spirituels. 50. ed. M. M. Philipon (Paris 1949), p. 80. [Escritos espirituais (Oeiras, Edições Carmelo 1989) p. 327]. 84. Cf. Jo 14, 26. 85. Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150. 86. Santo Agostinho, De Trinitate 15, 26, 47: CCL 50A, 529 (PL 42. 1095). 87. Paulo VI, Sollemnis Processio fidei, 9: AAS 60 (1968) 436. 88. Símbolo Quicumque: DS 75. 89. Cf. Gn 1, 1; Jo 1, 3. 90. Cf. Mt 6, 9. 91. Cf. 1 Cor 1,18. 92. Cf. Jr 32, 17; Lc 1, 37. 93. Cf. Jr 27, 5. 94. Cf. Est 4c. 17: Pr 21, 1;Tb 13, 2. 95. Cf. Mt 6, 32. 96. São Tomás De Aquino, Summa theologiae 1, q. 25, a. 5, ad 1: Ed Leon. 4, 297. 97. Cf. 2 Cor 12, 9: Fl 4. 13. 98. CatRom I, 2, 13, p. 31. 99. Cf. Gn 18. 14: Mt 19, 26. 100. Domingo XXVI do Tempo Comum, Colecta: Missale Romanum. editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 365 [Trad. oficial portuguesa: Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992. p. 420] 101. Símbolo dos Apóstolos: DS 30. 102. Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150. 103. Cf. Sagrada Congregação do Clero, Directorium catechisticum generale, 51: AAS 64 (1972) 128. 104. Cf. Rm 8, 18-23. 105. Cf. Egria, Itinerarium seu Peregrinatio ad loca sancta 46, 2: SC 296, 308: PLS 1, 1089-1090: Santo Agostinho. De catechizandis rudibus 3, 5: CCL 46. 124 (PL 40, 313). 106. Cf. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Fillius, De Revelatione. canon I: DS 3026. 107. Cf. Act 17, 24-29; Rm 1, 19-20. 108. Cf. Is 43, 1. 109. Cf. Gn 15, 5; Jr 33, 19-26. 110. Cf. Is 44, 24. 111. Cf. S1 104. 112. Cf. Pr 8. 22-31. 113. Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150. 114. Liturgia Bizantina. Tropário das Vésperas de Pentecostes: Pentêkostáriom (Rome 1883). 408. 115. Cf. Sl 33, 6; 104. 30; Gn 1, 2-3. 116. Santo Irineu de Lião, Adversus haereses, 2, 30, 9: SC 294, 318-320 (PG 7, 822). 117. Ibidem, 4, 20, 1: SC 100, 626 (PG 7, 1032). 118. I Concílio Vaticano, Const dogm. Dei Filius. De Deo rerum omnium Creatore, canon 5: DS 3025. 119. São Boavenura, In secundum librum Sententiarum, dist. 1. p. 2. a. 2, q. 1. concl.: Opera omnia, v. 2 (Ad Claras Aquas 1885), p. 44. 120. São Tomás de Aquino, Commentum in secundum librum Sententiarum, Prologus: Opera omnia, v. 8 (Parisiis 1873), p. 2. 121. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 1: DS 3002. 122. Santo Ireneu de Lião, Adversus haereses 4, 20, 7: SC 100, 648 (PG 7, 1037). 123. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes. 2: AAS 58 (1966) 948. 124. Cf. Sb 9, 9. 125. I Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Filius, c. 1: DS 3002. 126. I Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Filius, De Deo rerum omnium Creatore, canones 1-4: DS 3023-3024. 127. IV Concílio de Latrão, Cap. 2. De fide catholica: DS 800; I Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Filius,. Const. dogm. Dei Filiu.s, De Deo rerum omnium Creatore, canon 5: DS 3025. 128. São Teófilo de Antioquia, Ad Autolycum, 2. 4; SC 20. 102 (PG 6. 1052). 129. Cf. Sl 51, 12. 130. Cf. Gn 1, 3. 131. Cf. 2 Cor 4, 6. 132. Cf. Cf. Gn 1, 26. 133. Cf. Sl 19, 2-5. 134. Cf. Job 42, 3. 135. Cf. São Leão Magno, Ep Quam laudabiliter: DS 286: I Concílio de Braga, Anathematismi praesertim contra Priscillianistas, 5-13: DS 455-463: IV Concílio de Latrão, Cap. 2, De fide catholica: DS 800; Concílio de Florença, Decretam pro Iacobitis: DS 1333. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 1: DS 3002. 136. Cf. Sir 43, 30. 137. Santo Agostinho, Confissões, 3, 6, 11: CCL 27, 33 (PL 32, 688). 138. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 1: DS 3003. 139. Cf. Is 10, 5-15: 45, 5-7: Dt 32, 39: Sir 11, 14. 140. Cf. Sl 22; 32; 35; 103; 138; etc. 141. Cf. Mt 10, 29-31. 142. Cf. Gn 1, 26-28. 143. Cf. Cl 1, 24. 144. Cf. 1 Ts 3, 2. 145. Cf. Cl 4, 11. 146. Cf. 1 Cor 12, 6. 147. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes. 36: AAS 58 (1966) 1054. 148. Cf. Mt 19, 26: Jo 15, 5; Fl 4, 13. 149. Cf. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 1, q. 25, a. 6: Ed. Leon. 4, 298-299. 150. São Tomás de Aquino, Summa contra gentiles, 3, 71: Ed. Leon. 14. 209-211. 151. Cf. Santo Agostinho, De libero arbitrio, 1, 1, 1: CCL 29, 211 (PL 32. 1221-1223): Santo Tomás de Aquino, Summa theologiae, 1-2, q. 79, a. l: Ed. Leon. 7, 76-77. 152. Santo Agostinho, Enchiridion de fide, spe et caritate. 3. 11: CCL 46, 53 (PL 40, 236). 153. Cf. Tb 2. 12-18 vulg. 154. Cf. Rm 5, 20. 155. Santa Catarina de Sena, ll dialogo della Divina provvidenza, 138: ed. G. Cavallini (Roma 1995) p. 441. 156. Margarita Roper, Epistola ad Aliciam Alington (Agosto 1534): The Correspondence of Sir Thomas More, ed. E. F. Rogers (Princeton 1947), p. 531-532. [Texto no Ofício de Leituras da memória de São Tomás Moro a 22 de Junho]. 157. Juliana de Norwich, Revelatio 13, 32: A Book of Showings to the Anchoress Julian of Norwich. ed. E. Colledge — J. Walsh, vol.. 2 (Toronto 1978), p. 426 e 422. 158. Cf. Gn 2. 2. 159. Cf. Sagrada Congregação de Estudos, Decreto (27 Julho 1914): DS 3624. 160. Cf. Mt 6, 26-34. 161. Cf. Sl 55, 23. 162. DS 30. 163. DS 150. 164. Cf. Sl 115, 16. 165. Cf. Sl 19. 2. 166. Cf. Sl 115, 16. 163. DS 150. 164. Cf, Sl 115, 16. 165. Cf. Sl 19, 2. 166. Cf. Sl 115, 16. 167. IV Concílio de Latrão, Cap. I. De fide catholica: DS 800; Cf. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. I: DS 3002 e Paulo VI, Sollemnis Professio fìdei, 8: .AAS 60 (1968) 436. 168. Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum, 103, 1, 15: CCL 40, 1488 (PL 37, 1348-1349). 169. Cf. Pio XII, Enc. Humani generis: DS 3891. 170. Cf. Lc 20. 36. 171. Cf. Dn 10, 9-12. 172. Cf. Job 38, 7, onde os anjos são chamados «filhos de Deus». 173. Cf. Gn 3, 24. 174. Cf. Gn 19. 175. Cf. Gn 21, 17. 176. Cf. Gn 22, 11. 177. Cf. Act 7. 53. 178. Cf. Ex 23, 20-23. 179. Cf. Jz 13. 180. Cf. Jz 6, 11-24; Is 6. 6. 181. Cf. 1 Rs 19, 5. 182. Cf. Lc 1, 11. 26. 183. Cf. Mt 1, 20; 2, 13.19. 184. Cf. Mc 1, 13; Mt 4, 11. 185. Cf. Lc 22, 43. 186. Cf. Mt 26, 53. 187. Cf. 2 Mac 10, 29-30; 11, 8. 188. Cf. Lc 2, 10. 189. Cf. Lc 2, 8-14. 190 Cf. Mc 16, 5-7. 191. Cf. Act 1, 10-11. 192. Cf. Mt 13, 41; 24, 31; Lc 12, 8-9. 193. Cf. Act 5, 18-20; 8, 26-29; 10, 3-8; 12, 6-11; 27, 23-25. 194. Cf. Oração eucarística. «Santo»: (editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970). p. 392) [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 452]. 195. Ordo exsequiarum, 50, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1969), p. 23 [Ed. portuguesa: Celebração das Exéquias. Braga, Conferência Episcopal Portuguesa – Editorial A.O., 1984, n. 77, p. 71]. 196. Liturgia Byzantina sancti Ioannis Chrysostomi, Hymnus cherubinorum: Liturgies Eastern and Western, ed. F. E. Brightman (Oxford 1896) p. 377. 197. Cf. Mt 18, 10. 198. Cf. Lc 16, 22. 199. Cf. Sl 34, 8; 91, 10-13. 200. Cf. Job 33, 23-24; Zc 1, 12; Tb 12, 12. 201. São Basílio Magno, Adversus Eunomium 3, 1; SC 305, 148 (PG 29, 656B). 202. Cf. Gn 1, 1-2, 4. 203. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 823. 204. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 36: AAS 57 (1965) 41. 205. Cf. Santo Agostinho, De genesi contra Manichaeos, 1, 2, 4: PL 36, 175. 206. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 36: AAS 58 (1966) 1054. 207. Cf. Sl 145, 9. 208. Cf. Gn 1, 26. 209. São Francisco de Assis. Cântico das criaturas: Opuscula sancti Patris Francisci Assisiensis, ed C. Esser (Grottaferrata 1978) p. 84-86 [Fontes Franciscanas, l Braga, Editorial Franciscana, 1994) p. 77-78]. 210. Cf. Heb 4, 3-4. 211. Cf. Jr 31. 35-37; 33, 19-26. 212. Cf. Gn 1, 14. 213. São Bento, Regula. 43. 3: CSEL 75, 106 (PL 66, 675). 214. Cf. Vigília Pascal, oração depois da primeira leitura: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 276 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 304]. 215. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 1, 114. 3, ad 3: Ed. Leon. 5, 535. 216. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 12: AAS 58 (1966) 1034. 217. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 24: AAS 58 (1966) 1045. 218. Santa Catarina de Sena, Il dialogo della Divina provvidenza, 13: ed. G. Cavallini (Roma 1995) p. 43. 219. Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 12: AAS 58 (1966) 1034: Ibid. 24: AAS 58 (1966) 1045; Ibid. 39: AAS 58 (1966) 1056-1057. 220. São João Crisóstomo, Sermones in Genesim, 2, 1: PG 54, 587D-588A. 221. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042. 222. São Pedro Crisólogo, Sermones 117, 1-2: CCL 24A, 709 (PL 52, 520) [2ª leit. do Ofício de Leituras de Sábado da XXIX Semana do Tempo Comum: Liturgia das Horas (Gráfica de Coimbra 1983), v. 4, p. 440]. 223. Cf. Tb 8, 6. 224. Pio XII, Enc. Summi Pontificatus: AAS 31 (1939) 427: II Concílio Vaticano, Decl. Nostra aetate, 1: AAS 58 (1966) 740. 225. Pio XII. Enc. Summi Pontificatus: AAS 31 (1939) 426. 226. Cf. Mt 16, 25-26; Jo 15. 13 227. Cf. Act 2, 41. 228. Cf. Mt 26, 38; Jo 12, 27. 229. Cf. Mt 10, 28; 2 Mac 6, 30. 230. Cf. 1 Cor 6, 19-20; 15, 44-45. 231. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 14: AAS 58 (1966) 1035. 232. Cf. Concílio de Viena (ano 1312), Const. «Fidei catholicae»: DS 902. 233. Cf. Pio XII, Enc. Humani generis (ano 1950): DS 3896; Paulo VI, Sollemnis Professio fidei, 8: AAS 60 (1968) 436. 234. Cf. V Concílio de Latrão (ano 1513), Bulla Apostolici regiminis: DS 1440. 235. IV Concílio de Constantinopla (ano 870), canon 11: DS 657. 236. Cf. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 2: DS 3005; II Concílio Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042-1043. 237. Cf. Pio XII, Enc. Humani generis (ano 1950): DS 3891. 238. Cf. Dt 6, 5; 29, 3; Is 29, 13; Ez 36, 26; Mt 6, 21: Lc 8, 15; Rm 5, 5. 239. Cf. Gn 2, 7.22. 240. Cf. Is 49, 14-15; 66, 13; Sl 131, 2-3. 241. Cf. Os 11, 1-4; Jr 3, 4-19. 242. Cf. Gn 2, 19-20. 243. Cf. João Paulo II, Ep. ap. Mulieris dignitatem, 7: AAS 80 (1988) 1664-1665. 244. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 50: AAS 58 (1966) 1070-1071. 245. Cf. Gn 1, 28. 246. Cf. Concílio de Trento, Sess. 5.°. Decretum de peccato originali, canon 1: DS1511. 247. Cf. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 2: AAS 57 (1965) 5-6. 248. Cf. Gn 2, 17; 3, 19. 249. Cf. Gn 3, 16. 250. Cf. Gn 2, 25. 251. Cf. 1 Jo 2, 16. 252. Cf. Gn 2, 8. 253. Cf. Gn 3, 17-19. 254. Oração eucarística IV 118: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 467 [Missal Romano. Gráfica de Coimbra 1992. 538]. 255. Cf. Ef 1, 3-6: Rm 8, 29. 256. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 14: AAS 58 (1966) 1035. 257. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 12: AAS 58 (1966) 1034. 258. Santo Agostinho, Confissões 7, 7. 11: CCL 27. 99 (PL 32, 739). 259. Cf. 1 Tm 3, 16. 260. Cf. Rm 5, 20. 261. Cf. Lc 11, 21-22: Jo 16, 11; 1 Jo 3, 8. 262. Cf. Rm 5, 12-21. 263. Cf. I Cor 2, 16. 264. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 13: AAS 58 (1966) 1034-1035. 265. Cf. Concílio de Trento, Sess. 5.º, Decretum de peccato originali, canon 3: DS1513: Pio XII, Enc. Humani generis: DS 3897: Paulo VI, Alocução aos participantes no «simpósio» teológico sobre o pecado original (11 de Julho de 1966): AAS 58 (1966) 649-655. 266. Cf. Gn 3, 1-5. 267. Cf. Sb 2, 24. 268. Cf. Jo 8, 44; Ap 12, 9. 269. IV Concílio de Latrão (ano 1215), Cap. 1, De fide catholica: DS 800. 270. Cf. 2 Pe 2, 4. 271. São João Damasceno, Expositio fidei [De fide orthodoxa 2, 4]: PTS 12, 50 (PG 94, 877). 272. Cf. Mt 4, 1-11. 273. Cf Gn 3, 1-11. 274. Cf. Rm 5, 19. 275. Cf. Gn 3, 5. 276. São Máximo o Confessor, Ambiguorum liber: PG 91, 1156. 277. Cf. Rm 3, 23. 278. Cf. Gn 3, 9-10. 279. Cf. Gn 3, 5. 280. Cf. Gn 3, 7. 281. Cf. Gn 3, 11-13. 282. Cf. Gn 3, 16. 283. Cf. Gn 3, 17.19. 284. Cf. Rm 8, 20. 285. Cf. Gn 2, 17. 286. Cf. Gn 3, 19. 287. Cf. Rm 5, 12. 288. Cf. Gn 4, 3-15. 289. Cf. Gn 6, 5.12; Rm 1, 18-32. 290. Cf. 1 Cor 1-6; Ap 2-3. 291. I Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 13: AAS 58 (1966) 1035. 292. Concílio de Trento, Sess.5.ª, Decretum de peccato originali, canon 2: DS 1512. 293 Concílio de Trento, Sess. 5.ª, Decretum de peccato originali, canon 4: DS 1514. 294. São Tomás de Aquino, Quaestiones disputatae de malo, 4. 1, c.: Ed. Leon. 23, 105. 295. Concílio de Trento, Sess. 5.ª, Decretum de peccato originali, canon 1-2: DS 1511-1512. 296. Concílio de Trento, Sess. 5.ª, Decretum de peccato originali, canon 3: DS 1513. 297. Concílio de Orange, Canones 1-2: DS 371-372. 298. Concílio de Trento, Sess. Decretum de peccato originali, DS 1510-1516. 299. Concílio de Trento, Sess. Decretum de peccato originali, canon l: DS 1511; cf. Heb 2, 14. 300. Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 25: AAS 83 (1991) 823-824. 301. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Reconciliatio et paenitentia, 16: AAS 77 (1985) 213-217. 302. Cf. 1 Pe 5, 8. 303. II Concílio do Vaticano. Const. past. Gaudium et spes, 37: AAS 58 (1966) 1055. 304. Cf. Gn 3, 9. 305. Cf. Gn 3, 15. 306. Cf. 1 Cor 15, 21-22.45. 307. Cf. Rm 5, 19-20. 308. Cf. Pio IX. Bulla Ineffabilis Deus: DS 2803. 309. Cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª., Decretum de iustificatione, canon 23: DS 1573. 310. São Leão Magno, Sermo 73. 4: CCL 88A. 453 (PL 54. 151). 311. São Tomás de Aquino, Summa theologiae. 3, q. 1, a. 3. ad 3: Ed. Leon. 11, 14: as palavras aqui citadas por São Tomás cantam-se no Precónio pascal «Exsultet». 312. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 13: AAS 58 (1966) 1034-1035. 313. Paulo VI, Sollemnis Professio fidei, 16: AAS 60 (1968) 439. 314. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 2: AAS 58 (1966) 1026. #CAPÍTULOPRIMEIRO198421 #catecismo #catecismodaigrejacatólica #CREIOEMDEUSPAI
- A AGENDA DA ONU E OS PROBLEMAS DE CONSCIÊNCIA DOS PROFESSORES CATÓLICOS – Stefano Fontana
A crise doutrinal da Igreja, agora muito evidente, produz uma práxis cega que persegue objetivos muitas vezes equivocados e até desumanos, materializados em diálogo simplista com o mundo e caridade demasiadamente humana. Um lugar decisivamente privilegiado desse engano, na Igreja de hoje, é a escola, dentro da qual professores católicos não sabem mais como se posicionar, especialmente se são professores de religião da escola pública, mas também os das escolas confessionais. Tanto aqueles como esses são obrigados a aplicar as diretrizes do novo programa da disciplina de Educação Cívica. Se seguirem a reta moral, as diretrizes a serem aplicadas seriam o contrário do que espera o Ministério da Educação. Portanto, para o professor católico, a consciência estará inevitavelmente dividida, já que as diretrizes para o ensino de Educação Cívica falam de ambientalismo, da Constituição, das Metas da ONU para 2030… Na escola de hoje, é preciso coragem para ensinar que a Criação não é só natureza; que a Constituição só deve ser respeitada se respeitar princípios superiores a si mesma (caso contrário, não); que os objetivos da ONU não podem ser aceitos, porque são contra a vida e a família. Muitos professores até que teriam coragem de resistir, se fossem estimulados pelos pastores. Contudo, se a Santa Sé apoia os objetivos da ONU que preveem o aborto, por que eu arriscaria ensinar o contrário — eu que não passo de um simples professor católico de uma pobre escola qualquer, numa qualquer cidade italiana por aí, mesmo que receba censuras do setor responsável da diocese? Será mesmo necessário haver uma disciplina que ensine religião católica só na aparência, mas com a qual a Igreja, no fundo, só se presta a difundir a ideologia de Estado imposta pelo Ministério da Educação? Multiplicam-se, hoje, os casos de católicos contraditados por seus pastores, abandonados na linha de frente. Tais pastores argumentam que, hoje em dia, não há mais linha de frente, pois as lutas da Igreja com o mundo já acabaram, quando a verdade é bem outra: os inimigos não desapareceram, apenas se transferiram de fora para dentro da Igreja. https://lanuovabq.it/it/lagenda-onu-e-il-problema-di-coscienza-in-casa-cattolica
- 185-197 | SEGUNDA SECÇÃO
SEGUNDA SECÇÃO A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ OS SÍMBOLOS DA FÉ Quem diz «Creio» afirma: «dou a minha adesão àquilo em que nós cremos». A comunhão na fé tem necessidade duma linguagem comum da fé, normativa para todos e a todos unindo na mesma confissão de fé. Desde a origem, a Igreja apostólica exprimiu e transmitiu a sua própria fé em fórmulas breves e normativas para todos (1). Mas bem cedo a Igreja quis também recolher o essencial da sua fé em resumos orgânicos e articulados, destinados sobretudo aos candidatos ao Baptismo. «Esta síntese da fé não foi feita segundo as opiniões humanas: mas recolheu-se de toda a Escritura o que nela há de mais importante, para apresentar na integra aquilo e só aquilo que a fé ensina. E, tal como a semente de mostarda contém, num pequeno grão, numerosos ramos, do mesmo modo este resumo da fé encerra em algumas palavras todo o conhecimento da verdadeira piedade contido no Antigo e no Novo Testamento» (2). A estas sínteses da fé chamamos-lhes «profissões de fé», porque resumem a fé professada pelos cristãos. Chamamos-lhes «Credo», pelo facto de elas normalmente começarem pela palavra: «Creio». Igualmente lhes chamamos «símbolos da fé». A palavra grega «symbolon» significava a metade dum objecto partido (por exemplo, um selo), que se apresentava como um sinal de identificação. As duas partes eram justapostas para verificar a identidade do portador. O «símbolo da fé» é, pois, um sinal de identificação e de comunhão entre os crentes. «Symbolon» também significa resumo, colectânea ou sumário. O «símbolo da fé» é o sumário das principais verdades da fé. Por isso, serve de ponto de referência primário e fundamental da catequese. A primeira «profissão de fé» faz-se por ocasião do Baptismo. O «símbolo da fé» é, antes de mais nada, o símbolo baptismal. E uma vez que o Baptismo é conferido «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo»(Mt 28, 19), as verdades da fé professadas por ocasião do Baptismo articulam-se segundo a sua referência às três pessoas da Santíssima Trindade. O Símbolo divide-se, portanto, em três partes: «na primeira, trata da Primeira Pessoa divina e da obra admirável da criação: na segunda, da Segunda Pessoa divina e do mistério da Redenção dos homens; na terceira, da Terceira Pessoa divina, fonte e princípio da nossa santificação» (3). São estes «os três capítulos do nosso selo [baptismal]» (4). O Símbolo «está estruturado em três partes […] subdivididas em fórmulas variadas e muito adequadas. Segundo uma comparação frequentemente empregada pelos Padres, chamamos-lhes artigos. De facto, assim como nos nossos membros há certas articulações que os distinguem e separam, do mesmo modo, nesta profissão de fé, foi com razão e propriedade que se deu o nome de artigos às verdades que devemos crer em particular e de modo distinto» (5). Segundo uma antiga tradição, já atestada por Santo Ambrósio, é costume enumerar doze artigos do Credo, simbolizando, com o número dos doze Apóstolos, o conjunto da fé apostólica (6). Foram numerosas, ao longo dos séculos, e correspondendo sempre às necessidades das diferentes épocas, as profissões ou símbolos da fé: os símbolos das diferentes Igrejas apostólicas e antigas (7), o símbolo «Quicumque», chamado de Santo Atanásio (8), as profissões de fé de certos concílios (Toledo (9); Latrão (10): Lião (11) Trento (12)) ou de certos papas, como a «Fides Damasi» (13) ou o «Credo do Povo de Deus», de Paulo VI (1968) (14). Nenhum dos símbolos dos diferentes períodos da vida da Igreja pode ser considerado ultrapassado ou inútil. Todos nos ajudam a abraçar e a aprofundar hoje a fé de sempre, através dos diversos resumos que dela se fizeram. Entre todos os símbolos da fé, há dois que têm um lugar muito especial na vida da Igreja: O Símbolo dos Apóstolos, assim chamado porque se considera, com justa razão, o resumo fiel da fé dos Apóstolos. É o antigo símbolo baptismal da Igreja de Roma. A sua grande autoridade vem-lhe deste facto: «É o símbolo adoptado pela Igreja romana, aquela em que Pedro, o primeiro dos Apóstolos, teve a sua cátedra, e para a qual ele trouxe a expressão da fé comum» (15). O Símbolo dito de Niceia-Constantinopla deve a sua grande autoridade ao facto de ser proveniente desses dois primeiros concílios ecuménicos (dos anos de 325 e 381). Ainda hoje continua a ser comum a todas as grandes Igrejas do Oriente e do Ocidente. A exposição da fé, que vamos fazer, seguirá o Símbolo dos Apóstolos, que constitui, por assim dizer, «o mais antigo catecismo romano». Entretanto, a nossa exposição será completada por constantes referências ao Símbolo Niceno-Constantinopolitano, muitas vezes mais explícito e pormenorizado. Como no dia do nosso Baptismo, quando toda a nossa vida foi confiada «a esta regra de doutrina» (Rm 6, 17), acolhemos o Símbolo da nossa fé que dá a vida. Recitar com fé o Credo é entrar em comunhão com Deus Pai, Filho e Espírito Santo. E é também entrar em comunhão com toda a Igreja, que nos transmite a fé e em cujo seio nós acreditamos: «Este Símbolo é o selo espiritual […], é a meditação do nosso coração e a sentinela sempre presente; é, sem dúvida, o tesouro da nossa alma» (16). Cf. Rm 10, 9; 1 Cor 15, 3-5; etc. São Cirilo de Jerusalém, Catechese illuminandorum 5, 12: Opera, v. 1. ed. G. C. Reischl (Monaci 1848), p. 150 (PG 33. 521-524). Cat Rom I, I, 4. p. 20. Santo Ireneo, Demonstratio apostolicae praedicationis, 100: SC 62. 170. Cat Rom I. 1, 4. p. 20. Cf. Santo Ambrósio10, Explanatio Symboli, 8: CSEL 73, 10-11 (PL 17. 1196). Cf. Symbola fidei ab Ecclesia antiqua recepta: DS 1-64. Cf. DS 75-76. XI Concílio de Toledo: DS 525-541. IV Concílio de Latrão: DS 800-802. II Concílio de Lião: DS 851-861. Professio ftdei Tridentina: DS 1862-1870. Cf. DS 71-72. Sollemnis Professio fidei: AAS 60 (1968) 433-445. Santo Ambrósio, Explanatio Symboli, 7: CSEL 73. 10 (PL 17, 1196). Santo Ambrósio, Explanatio Symboli, 7: CSEL 73. 3 (PL 17, 1193). #catecismo #catecismodaigrejacatólica #SEGUNDASECÇÃO185197
- 142-184 | CAPÍTULO TERCEIRO
PRIMEIRA PARTE A PROFISSÃO DA FÉ PRIMEIRA SECÇÃO «EU CREIO» – «NÓS CREMOS» CAPÍTULO TERCEIRO A RESPOSTA DO HOMEM A DEUS Pela sua revelação, «Deus invisível, na riqueza do seu amor, fala aos homens como amigos e convive com eles, para os convidar e admitir à comunhão com Ele» (1). A resposta adequada a este convite é a fé. Pela fé, o homem submete completamente a Deus a inteligência e a vontade; com todo o seu ser, o homem dá assentimento a Deus revelador (2). A Sagrada Escritura chama «obediência da fé» a esta resposta do homem a Deus revelador (3). ARTIGO 1 EU CREIO I. A «obediência da fé» Obedecer (ob-audire) na fé é submeter-se livremente à palavra escutada, por a sua verdade ser garantida por Deus, que é a própria verdade. Desta obediência, o modelo que a Sagrada Escritura nos propõe é Abraão. A sua realização mais perfeita é a da Virgem Maria. ABRAÃO – «O PAI DE TODOS OS CRENTES» A Epístola aos Hebreus, no grande elogio que faz da fé dos antepassados, insiste particularmente na fé de Abraão: «Pela fé, Abraão obedeceu ao chamamento de Deus, e partiu para uma terra que viria a receber como herança: partiu, sem saber para onde ia» (Heb 11, 8) (4). Pela fé, viveu como estrangeiro e peregrino na terra prometida (5). Pela fé, Sara recebeu a graça de conceber o filho da promessa. Pela fé, finalmente, Abraão ofereceu em sacrifício o seu filho único (6). Abraão realiza assim a definição da fé dada pela Epístola aos Hebreus: «A fé constitui a garantia dos bens que se esperam, e a prova de que existem as coisas que não se vêem» (Heb 11, 1). «Abraão acreditou em Deus, e isto foi-lhe atribuído como justiça» (Rm 4, 3) (7). «Fortalecido» por esta fé (Rm 4, 20), Abraão tornou-se «o pai de todos os crentes» (Rm 4, 11. 18) (8). O Antigo Testamento é rico em testemunhos desta fé. A Epístola aos Hebreus faz o elogio da fé exemplar dos antigos, «que lhes valeu um bom testemunho» (Heb 11, 2. 39). No entanto, para nós, «Deus previra destino melhor»: a graça de crer no seu Filho Jesus, «guia da nossa fé, que Ele leva à perfeição» (Heb 11, 40; 12, 2). MARIA – «FELIZ AQUELA QUE ACREDITOU» A Virgem Maria realiza, do modo mais perfeito, a «obediência da fé». Na fé, Maria acolheu o anúncio e a promessa trazidos pelo anjo Gabriel, acreditando que «a Deus nada é impossível» (Lc 1, 37) (9) e dando o seu assentimento: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Isabel saudou-a: «Feliz aquela que acreditou no cumprimento de quanto lhe foi dito da parte do Senhor» (Lc 1, 45). É em virtude desta fé que todas as gerações a hão-de proclamar bem-aventurada (10). Durante toda a sua vida e até à última provação (11), quando Jesus, seu filho, morreu na cruz, a sua fé jamais vacilou. Maria nunca deixou de crer «no cumprimento» da Palavra de Deus. Por isso, a Igreja venera em Maria a mais pura realização da fé. II. «Eu sei em quem pus a minha fé» (2 Tm 1, 12) CRER SÓ EM DEUS Antes de mais, a fé é uma adesão pessoal do homem a Deus. Ao mesmo tempo, e inseparavelmente, é o assentimento livre a toda a verdade revelada por Deus. Enquanto adesão pessoal a Deus e assentimento à verdade por Ele revelada, a fé cristã difere da fé numa pessoa humana. É justo e bom confiar totalmente em Deus e crer absolutamente no que Ele diz. Seria vão e falso ter semelhante fé numa criatura (12). CRER EM JESUS CRISTO, FILHO DE DEUS Para o cristão, crer em Deus é crer inseparavelmente n’Aquele que Deus enviou – «no seu Filho muito amado» em quem Ele pôs todas as suas complacências (13): Deus mandou-nos que O escutássemos (14). O próprio Senhor disse aos seus discípulos: «Acreditais em Deus, acreditai também em Mim» (Jo 14, 1). Podemos crer em Jesus Cristo, porque Ele próprio é Deus, o Verbo feito carne: «A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer» (Jo 1, 18). Porque «viu o Pai» (Jo 6, 46), Ele é o único que O conhece e O pode revelar (15). CRER NO ESPÍRITO SANTO Não é possível acreditar em Jesus Cristo sem ter parte no seu Espírito. É o Espírito Santo que revela aos homens quem é Jesus. Porque «ninguém é capaz de dizer: “Jesus é Senhor”, a não ser pela acção do Espírito Santo» (1 Cor 12, 3). «O Espírito penetra todas as coisas, até o que há de mais profundo em Deus […]. Ninguém conhece o que há em Deus senão o Espírito de Deus» (1 Cor 2, 10-11). Só Deus conhece inteiramente Deus. Nós cremos no Espírito Santo, porque Ele é Deus. A Igreja não cessa de confessar a sua fé num só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. III. As características da fé A FÉ É UMA GRAÇA Quando Pedro confessa que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, Jesus declara-lhe que esta revelação não lhe veio «da carne nem do sangue, mas do seu Pai que está nos Céus» (Mt 16, 17) (16). A fé é um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele. «Para prestar esta adesão da fé, são necessários a prévia e concomitante ajuda da graça divina e os interiores auxílios do Espírito Santo, o qual move e converte o coração para Deus, abre os olhos do entendimento, e dá “a todos a suavidade em aceitar e crer a verdade”» (17). A FÉ É UM ACTO HUMANO O acto de fé só é possível pela graça e pelos auxílios interiores do Espírito Santo. Mas não é menos verdade que crer é um acto autenticamente humano. Não é contrário nem à liberdade nem à inteligência do homem confiar em Deus e aderir às verdades por Ele reveladas. Mesmo nas relações humanas, não é contrário à nossa própria dignidade acreditar no que outras pessoas nos dizem acerca de si próprias e das suas intenções, e confiar nas suas promessas (como, por exemplo, quando um homem e uma mulher se casam), para assim entrarem em mútua comunhão. Por isso, é ainda menos contrário à nossa dignidade «prestar, pela fé, submissão plena da nossa inteligência e da nossa vontade a Deus revelador» (18) e entrar assim em comunhão intima com Ele. Na fé, a inteligência e a vontade humanas cooperam com a graça divina: «Credere est actas intellectus assentientis veritati divinae ex imperio voluntatis, a Deo motae per gratiam» — «Crer é o acto da inteligência que presta o seu assentimento à verdade divina, por determinação da vontade, movida pela graça de Deus» (19). A FÉ E A INTELIGÊNCIA O motivo de crer não é o facto de as verdades reveladas aparecerem como verdadeiras e inteligíveis à luz da nossa razão natural. Nós cremos «por causa da autoridade do próprio Deus revelador, que não pode enganar-se nem enganar-nos» (20). «Contudo, para que a homenagem da nossa fé fosse conforme à razão, Deus quis que os auxílios interiores do Espírito Santo fossem acompanhados de provas exteriores da sua Revelação» (21). Assim, os milagres de Cristo e dos santos (22), as profecias, a propagação e a santidade da Igreja, a sua fecundidade e estabilidade «são sinais certos da Revelação, adaptados à inteligência de todos» (23), «motivos de credibilidade», mostrando que o assentimento da fé não é, «de modo algum, um movimento cego do espírito» (24). A fé é certa, mais certa que qualquer conhecimento humano, porque se funda na própria Palavra de Deus, que não pode mentir. Sem dúvida, as verdades reveladas podem parecer obscuras à razão e à experiência humanas; mas «a certeza dada pela luz divina é maior do que a dada pela luz da razão natural» (25). «Dez mil dificuldades não fazem uma só dúvida» (26). «A fé procura compreender» (27): é inerente à fé o desejo do crente de conhecer melhor Aquele em quem acreditou, e de compreender melhor o que Ele revelou; um conhecimento mais profundo exigirá, por sua vez, uma fé maior e cada vez mais abrasada em amor. A graça da fé abre «os olhos do coração» (Ef 1, 18) para uma inteligência viva dos conteúdos da Revelação, isto é, do conjunto do desígnio de Deus e dos mistérios da fé, da íntima conexão que os Liga entre si e com Cristo, centro do mistério revelado. Ora, para «que a compreensão da Revelação seja cada vez mais profunda, o mesmo Espírito Santo aperfeiçoa sem cessar a fé, mediante os seus dons» (28). Assim, conforme o dito de Santo Agostinho, «eu creio para compreender e compreendo para crer melhor» (29). Fé e ciência. «Muito embora a fé esteja acima da razão, nunca pode haver verdadeiro desacordo entre ambas: o mesmo Deus, que revela os mistérios e comunica a fé, também acendeu no espírito humano a luz da razão. E Deus não pode negar-Se a Si próprio, nem a verdade pode jamais contradizer a verdade» (30). «É por isso que a busca metódica, em todos os domínios do saber, se for conduzida de modo verdadeiramente científico e segundo as normas da moral, jamais estará em oposição à fé: as realidades profanas e as da fé encontram a sua origem num só e mesmo Deus. Mais ainda: aquele que se esforça, com perseverança e humildade, por penetrar no segredo das coisas, é como que conduzido pela mão de Deus, que sustenta todos os seres e faz que eles sejam o que são, mesmo que não tenha consciência disso» (31). A LIBERDADE DA FÉ Para ser humana, «a resposta da fé, dada pelo homem a Deus, deve ser voluntária. Por conseguinte, ninguém deve ser constrangido a abraçara fé contra vontade. Efectivamente, o acto de fé é voluntário por sua própria natureza» (32). «E certo que Deus chama o homem a servi-Lo em espírito e verdade; mas, se é verdade que este apelo obriga o homem em consciência, isso não quer dizer que o constranja […]. Isto foi evidente, no mais alto grau, em Jesus Cristo» (33). De facto, Cristo convidou à fé e à conversão, mas de modo nenhum constrangeu alguém. «Deu testemunho da verdade, mas não a impôs pela força aos seus contraditores. O seu Reino […] dilata-se graças ao amor, pelo qual, levantado na cruz, Cristo atrai a Si todos os homens (34)». A NECESSIDADE DA FÉ Para obter a salvação é necessário acreditar em Jesus Cristo e n’Aquele que O enviou para nos salvar (35). «Porque “sem a fé não é possível agradar a Deus” (Heb 11, 6) e chegar a partilhar a condição de filhos seus; ninguém jamais pode justificar-se sem ela e ninguém que não “persevere nela até ao fim” (Mt 10, 22; 24, 13) poderá alcançar a vida eterna» (36). A PERSEVERANÇA NA FÉ A fé á um dom gratuito de Deus ao homem. Mas nós podemos perder este dom inestimável. Paulo adverte Timóteo a respeito dessa possibilidade: «Combate o bom combate, guardando a fé e a boa consciência; por se afastarem desse princípio é que muitos naufragaram na fé» (1 Tm 1, 18-19). Para viver, crescer e perseverar até ao fim na fé, temos de a alimentar com a Palavra de Deus; temos de pedir ao Senhor que no-la aumente (37); ela deve «agir pela caridade» (Gl 5, 6) (38), ser sustentada pela esperança (39) e permanecer enraizada na fé da Igreja. A FÉ – VIDA ETERNA INICIADA A fé faz que saboreemos, como que de antemão, a alegria e a luz da visão beatifica, termo da nossa caminhada nesta Terra. Então veremos Deus «face a face» (1 Cor 13, 12), «tal como Ele é» (1 Jo 3, 2). A fé, portanto, é já o princípio da vida eterna: «Enquanto, desde já, contemplamos os benefícios da fé, como reflexo num espelho, é como se possuíssemos já as maravilhas que a nossa fé nos garante havermos de gozar um dia» (40). Por enquanto porém, «caminhamos pela fé e não vemos claramente» (2 Cor 5, 7), e conhecemos Deus «como num espelho, de maneira confusa, […] imperfeita» (1 Cor, 13, 12). Luminosa por parte d’Aquele em quem ela crê, a fé é muitas vezes vivida na obscuridade, e pode ser posta à prova. O mundo em que vivemos parece muitas vezes bem afastado daquilo que a ,fé nos diz: as experiências do mal e do sofrimento, das injustiças e da morte parecem contradizer a Boa-Nova, podem abalar a fé e tornarem-se, em relação a ela, uma tentação. É então que nos devemos voltar para as testemunhas da fé: Abraão, que acreditou, «esperando contra toda a esperança» (Rm 4, 18); a Virgem Maria que, na «peregrinação da fé» (41), foi até à «noite da fé» (42), comungando no sofrimento do seu Filho e na noite do seu sepulcro (43); e tantas outras testemunhas da fé: «envoltos em tamanha nuvem de testemunhas, devemos desembaraçar-nos de todo o fardo e do pecado que nos cerca, e correr com constância o risco que nos é proposto, fixando os olhos no guia da nossa fé, o qual a leva à perfeição» (Heb 12, 1-2). ARTIGO 2 NÓS CREMOS A fé é um acto pessoal, uma resposta livre do homem à proposta de Deus que Se revela. Mas não é um acto isolado. Ninguém pode acreditar sozinho, tal como ninguém pode viver só. Ninguém se deu a fé a si mesmo, como ninguém a si mesmo se deu a vida. Foi de outrem que o crente recebeu a fé; a outrem a deve transmitir. O nosso amor a Jesus e aos homens impele-nos a falar aos outros da nossa fé. Cada crente é, assim, um elo na grande cadeia dos crentes. Não posso crer sem ser amparado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo também para amparar os outros na fé. «Eu creio» (44): é a fé da Igreja, professada pessoalmente por cada crente, principalmente por ocasião do Baptismo. «Nós cremos» (45): é a fé da Igreja, confessada pelos bispos reunidos em Concílio ou, de modo mais geral, pela assembleia litúrgica dos crentes. «Eu creio»: é também a Igreja, nossa Mãe, que responde a Deus pela sua fé e nos ensina a dizer: «Eu creio», «Nós cremos». I. «Olhai, Senhor, para a fé da vossa Igreja» É, antes de mais, a Igreja que crê, e que assim suporta, nutre e sustenta a minha fé. É primeiro a Igreja que, por toda a parte, confessa o Senhor («Te per orbem terrarum sancta confitetur Ecclesia» – «A Santa Igreja anuncia por toda a terra a glória do vosso nome» – como cantamos no «Te Deum»). Com ela e nela, também nós somos atraídos e levados a confessar: «Eu creio», «Nós cremos». É da Igreja que recebemos a fé e a vida nova em Cristo, pelo Baptismo. No Ritual Romano, o ministro do Baptismo pergunta ao catecúmeno: «Que vens pedir à Igreja de Deus?» E ele responde: – «A fé». – «Para que te serve a fé?» – «Para alcançar a vida eterna» (46). A salvação vem só de Deus. Mas porque é através da Igreja que recebemos a vida da fé, a Igreja é nossa Mãe. «Cremos que a Igreja é como que a mãe do nosso novo nascimento, mas não cremos na Igreja como se ela fosse a autora da nossa salvação»(47). É porque é nossa Mãe, é também a educadora da nossa fé. II. A linguagem da fé Não acreditamos em fórmulas, mas sim nas realidades que as fórmulas exprimem e que a fé nos permite «tocar». «O acto [de fé] do crente não se detém no enunciado, mas na realidade [enunciada]» (48). No entanto, é através das fórmulas da fé que nos aproximamos dessas realidades. As fórmulas permitem-nos exprimir e transmitir a fé, celebrá-la em comunidade, assimilá-la e dela viver cada vez mais. A Igreja, que é «coluna e apoio da verdade» (1 Tm 3, 15), guarda fielmente a fé transmitida aos santos de uma vez por todas (49). É ela que guarda a memória das palavras de Cristo. É ela que transmite, de geração em geração, a confissão de fé dos Apóstolos. Tal como uma mãe ensina os seus filhos a falar e, dessa forma, a compreender e a comunicar, a Igreja, nossa Mãe, ensina-nos a linguagem da fé, para nos introduzir na inteligência e na vida da fé. III. Uma só fé Desde há séculos, através de tantas línguas, culturas, povos e nações, a Igreja não cessa de confessar a sua fé única, recebida de um só Senhor, transmitida por um só Baptismo, enraizada na convicção de que todos os homens têm apenas um só Deus e Pai (50). Santo Ireneu de Lião, testemunha desta fé, declara: «A Igreja, embora dispersa por todo o mundo até aos confins da Terra, tendo recebido dos Apóstolos e dos seus discípulos a fé, […] guarda [esta pregação e esta fé] com tanto cuidado como se habitasse numa só casa; nela crê de modo idêntico, como tendo um só coração e uma só alma; prega-a e ensina-a e transmite-a com voz unânime, como se tivesse uma só boca» (51). «Através do mundo, as línguas diferem: mas o conteúdo da Tradição é um só e o mesmo. Nem as Igrejas estabelecidas na Germania têm outra fé ou outra tradição, nem as que se estabeleceram entre os Iberos ou entre os Celtas, as do Oriente, do Egipto ou da Líbia, nem as que se fundaram no centro do mundo» (52). «A mensagem da Igreja é verídica e sólida, porque nela aparece um só e o mesmo caminho de salvação, em todo o mundo» (53). Esta fé, «que recebemos da Igreja, guardamo-la nós cuidadosamente, porque sem cessar, sob a acção do Espírito de Deus, tal como um depósito de grande valor encerrado num vaso excelente, ela rejuvenesce e faz rejuvenescer o próprio vaso que a contém» (54). Resumindo: A fé é uma adesão pessoal, do homem todo, a Deus que Se revela. Comporta uma adesão da inteligência e da vontade à Revelação que Deus fez de Si mesmo, pelas suas acções e palavras. «Crer» tem, pois, uma dupla referência: à pessoa e à verdade; à verdade, pela confiança na pessoa que a atesta. Não devermos crer em mais ninguém senão em Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. A fé é um dom sobrenatural de Deus. Para crer, o homem tem necessidade dos auxílios interiores do Espírito Santo. «Crer» é um acto humano, consciente e livre, que está de acordo com a dignidade da pessoa humana. «Crer» é um acto eclesial. A fé da Igreja precede, gera, suporta e nutre a nossa fé. A Igreja é a Mãe de todos os crentes. «Ninguém pode ter a Deus por Pai, se não tiver a Igreja por Mãe» (55). «Nós cremos em tudo quanto está contido na Palavra de Deus, escrita ou transmitida, e que a Igreja propõe à nossa fé como divinamente revelado» (56). A fé é necessária para a salvação. O próprio Senhor o afirma: «Quem acreditar e for baptizado salvar-se-á, mas quem não acreditar será condenado» (Mc 16, 16). «A fé é um antegozo do conhecimento que nos tornará felizes na vida futura» (57). #CAPÍTULOTERCEIRO142184 #catecismo #catecismodaigrejacatólica
- O PROTESTO PRÓ-TRUMP NOS EUA – Stefano Magni
O que vimos em Washington, hoje? O Capitólio, por alguns momentos, foi ocupado por manifestantes pró-Trump, que interromperam o processo de certificação do voto presidencial. Era como assistir a um filme de ficção política, mas ao vivo. Pensamos ter visto de tudo no ano passado, mas nunca imaginaríamos ver cenas típicas de revolução no coração dos Estados Unidos. O que aconteceu exatamente? O Congresso se reuniu para certificar a vitória de Joe Biden na eleição presidencial. A certificação, em tempos e eleições normais, é um ato puramente formal. Mas nestas eleições de 2020, não. De fato, quando, em ordem alfabética, foi a vez do reconhecimento dos 11 votos eleitorais do Arizona, o primeiro dos seis estados em que os republicanos duvidam da legitimidade da vitória do candidato democrata, o senador Ted Cruz se levantou, com uma pequena patrulha de senadores e contestou formalmente a certificação. Este já é um fato único e raro, mesmo se dentro dos limites do jogo institucional regular. Como apontou o vice-presidente Mike Pence, que presidiu a sessão, os manifestantes exercitavam o seu direito. Iniciava-se o debate sobre a votação no Arizona, quando a sessão foi abruptamente interrompida: os manifestantes irrompiam pelo Capitólio. O que estava acontecendo, de fato, fora das resguardadas salas parlamentares? E o que aconteceu antes? Desde o dia anterior, uma multidão considerável de apoiadores do presidente Donald Trump se reunia em Washington para protestar contra a eleição de Joe Biden (que mais de 70% dos eleitores republicanos consideram fraudulenta). Os tribunais, até agora, rejeitaram as petições legais apresentadas pela equipe de advogados de Trump, as redes sociais alertam (ou simplesmente cancelam) qualquer pessoa que publique informações online sobre suspeitas de fraude, que a mídia considera por unanimidade uma grande fake news. Ou seja: todos os canais de diálogo, ou mesmo simplesmente de desabafo, foram fechados nos últimos dois meses. Mesmo com suspeita de fraude, não se podia falar sobre isso nem em particular. Era a condição perfeita para iniciar-se uma rebelião. Havia várias maneiras de desarmar a bomba antes que ela explodisse. Trump acabara de brigar com seu vice Mike Pence, pedindo, mas não obtendo dele, que remetesse aos estados a decisão de certificar os votos eleitorais. Nos estados ainda em disputa, de fato, tanto os delegados de Trump quanto os de Biden depositaram seus votos. O grupo de senadores dissidentes, ao invés, pediu, de forma mais simples, a constituição de uma comissão de inquérito, com duração máxima de 10 dias (para não atrapalhar a posse do novo governo em 20 de janeiro), para reexaminar todos os casos suspeitos de fraude. Essa opção também foi negada. E tudo isso enquanto Trump estimulava a sua multidão a não desistir e continuar lutando “para salvar o seu voto”. Nessas circunstâncias, o impensável aconteceu. Uma parte da manifestação pró-Trump, após o discurso do presidente, seguiu da Casa Branca ao Capitólio e um grupo de apoiadores de Trump conseguiu entrar. Ainda há incertezas sobre o que aconteceu na sala parlamentar e as fontes diferem em muitos detalhes. Jornalistas, que lá estavam, referem-se a militantes vestidos de preto que, “armados com extintores, quebravam portas e janelas”. E também há a suspeita, entre os partidários de Trump, de que houvesse Antifas infiltrados. Vários manifestantes republicanos, incluindo idosos, responderam às perguntas dos repórteres, dizendo que eles haviam participado da invasão e não testemunharam nenhuma cena de violência. Lamentaram, também, a reação excessivamente violenta da polícia contra pessoas desarmadas. Os feridos pelas forças de segurança foram dois, atingidos por uma bala e uma bomba de gás lacrimogêneo, de acordo com os depoimentos dos participantes da invasão. Uma mulher ferida pela polícia morreu em seguida, de acordo com relatórios da polícia de Washington. Em todo caso, não havia armas entre os “insurgentes” (esta é a definição que Joe Biden lhes deu), oficialmente proibidas em toda a área de Washington DC. Também não podemos falar de um “golpe de estado”. Também não houve qualquer violência contra instituições, policiais e propriedades particulares, como a desencadeada nos últimos seis meses pelos protestos da Antifas e Black Lives Matter (protestos, esses últimos, que quase todos os meios de comunicação definiram como “legítimos” e “pacíficos”). O acontecimento de hoje foi, antes, uma espécie de novo Tea Party, na mais clássica tradição americana: quando os adversários mais radicais de Jorge III, em 1773, disfarçados de índios americanos, ocuparam navios mercantes ingleses e derrubaram toda a sua carga de chá no mar, em protesto contra o monopólio. Também no presente caso, o protesto ocorreu com uma ocupação simbólica de um espaço político, com manifestantes mascarados e coloridos ocupando os gabinetes de políticos (incluindo o de Nancy Pelosi) e as cadeiras parlamentares, fotografando-se e se divertindo, mais para provocar as instituições e o sistema que para destruir ou ocupar. Mas a julgar pelas declarações de Biden, que, de fato, falou em “insurreição e não protesto”, e pelos alarmes lançados por líderes mundiais parceiros dos EUA, a reação será muito dura. Às 18h de hoje (horário da Costa Leste dos EUA), um toque de recolher foi imposto a Washington. Mas a questão central não é essa: ao ganhar também os dois cargos para o senado da Geórgia, os democratas têm agora os meios e os números no Congresso para desencadear uma futura caçada inédita aos conservadores, justificando-a, quem sabe, com o pretexto de evitar “novos golpes”. https://lanuovabq.it/it/un-tea-party-al-campidoglio-blocca-la-conferma-di-biden
- 50-141 | CAPÍTULO SEGUNDO
PRIMEIRA SECÇÃO «EU CREIO» – «NÓS CREMOS» CAPÍTULO SEGUNDO DEUS AO ENCONTRO DO HOMEM Pela razão natural, o homem pode conhecer Deus com certeza, a partir das suas obras. Mas existe outra ordem de conhecimento, que o homem de modo nenhum pode atingir por suas próprias forças: a da Revelação divina (1). Por uma vontade absolutamente livre, Deus revela-Se e dá-Se ao homem. E fá-lo revelando o seu mistério, o desígnio benevolente que, desde toda a eternidade, estabeleceu em Cristo, em favor de todos os homens. Revela plenamente o seu desígnio, enviando o seu Filho bem-amado, nosso Senhor Jesus Cristo, e o Espírito Santo. ARTIGO 1 A REVELAÇÃO DE DEUS I. Deus revela o seu «desígnio benevolente» «Aprouve a Deus, na sua sabedoria e bondade, revelar-Se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade, segundo o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tomam participantes da natureza divina»(2). Deus, que «habita numa luz inacessível» (1 Tm 6, 16), quer comunicar a sua própria vida divina aos homens que livremente criou, para fazer deles, no seu Filho único, filhos adoptivos (3). Revelando-Se a Si mesmo, Deus quer tornar os homens capazes de Lhe responderem, de O conhecerem e de O amarem, muito para além de tudo o que seriam capazes por si próprios. O desígnio divino da Revelação realiza-se, ao mesmo tempo, «por meio de acções e palavras, intrinsecamente relacionadas entre si» (4) e esclarecendo-se mutuamente. Comporta uma particular «pedagogia divina»: Deus comunica-Se gradualmente ao homem e prepara-o, por etapas, para receber a Revelação sobrenatural que faz de Si próprio e que vai culminar na Pessoa e missão do Verbo encarnado, Jesus Cristo. Santo Ireneu de Lião fala várias vezes desta pedagogia divina, sob a imagem da familiaridade mútua entre Deus e o homem: «O Verbo de Deus […] habitou no homem e fez-Se Filho do Homem, para acostumar o homem a apreender Deus e Deus a habitar no homem, segundo o beneplácito do Pai» (5). II. As etapas da Revelação DESDE A ORIGEM, DEUS DÁ-SE A CONHECER «Deus, criando e conservando todas as coisas pelo Verbo, oferece aos homens um testemunho perene de Si mesmo nas coisas criadas, e, além disso, decidindo abrir o caminho da salvação sobrenatural, manifestou-se a Si mesmo, desde o princípio, aos nossos primeiros pais» (6). Convidou-os a uma comunhão íntima consigo, revestindo-os de uma graça e justiça resplandecentes. Esta Revelação não foi interrompida pelo pecado dos nossos primeiros pais. Com efeito, Deus, «depois da sua queda, com a promessa de redenção, deu-lhes a esperança da salvação, e cuidou continuamente do género humano, para dar a vida eterna a todos aqueles que, perseverando na prática das boas obras, procuram a salvação»(7). «E quando, por desobediência, perdeu a vossa amizade, não o abandonastes ao poder da morte […] Repetidas vezes fizestes aliança com os homens (8)». A ALIANÇA COM NOÉ Desfeita a unidade do género humano pelo pecado, Deus procurou imediatamente, salvar a humanidade intervindo com cada uma das suas partes. A aliança com Noé, a seguir ao dilúvio (9), exprime o princípio da economia divina em relação às «nações», quer dizer, em relação aos homens reagrupados «por países e línguas, por famílias e nações» (Gn 10, 5) (10). Esta ordem, ao mesmo tempo cósmica, social e religiosa da pluralidade das nações (11), destinava-se a limitar o orgulho duma humanidade decaída, que, unânime na sua perversidade (12), pretendia refazer por si mesma a própria unidade, à maneira de Babel (13). Mas, por causa do pecado (14), quer o politeísmo quer a idolatria da nação e do seu chefe são uma contínua ameaça de perversão pagã a esta economia provisória. A aliança com Noé permanece em vigor enquanto durar o tempo das nações (15), até à proclamação universal do Evangelho. A Bíblia venera algumas grandes figuras das «nações», como «o justo Abel», o rei e sacerdote Melquisedec (16), figura de Cristo (17), ou os justos «Noé, Danel e Job» (Ez 14, 14). Deste modo, a Escritura exprime o alto grau de santidade que podem atingir os que vivem segundo a aliança de Noé, na expectativa de que Cristo «reúna, na unidade, todos os filhos de Deus dispersos» (Jo 11, 52). DEUS ELEGE ABRAÃO Para reunir a humanidade dispersa, Deus escolhe Abrão, chamando-o para «deixar a sua terra, a sua família e a casa de seu pai» (Gn 12, 1), para o fazer Abraão, quer dizer, «pai de um grande número de nações» (Gn 17, 5): «Em ti serão abençoadas todas as nações da Terra» (Gn 12, 3) (18). O povo descendente de Abraão será o depositário da promessa feita aos patriarcas, o povo eleito (19), chamado a preparar a reunião, um dia, de todos os filhos de Deus na unidade da Igreja (20). Será o tronco em que serão enxertados os pagãos tornados crentes (21). Os patriarcas, os profetas e outras personagens do Antigo Testamento foram, e serão sempre, venerados como santos em todas as tradições litúrgicas da Igreja. DEUS FORMA O SEU POVO ISRAEL Depois dos patriarcas, Deus formou Israel como seu povo, salvando-o da escravidão do Egipto. Concluiu com ele a aliança do Sinai e deu-lhe, por Moisés, a sua Lei, para que Israel O reconhecesse e O servisse como único Deus vivo e verdadeiro, Pai providente e justo Juiz, e vivesse na expectativa do Salvador prometido (22). Israel é o povo sacerdotal de Deus (23), sobre o qual «foi invocado o Nome do Senhor» (Dt 28, 10). É o povo daqueles «a quem Deus falou em primeiro lugar»(24), o povo dos «irmãos mais velhos» na fé de Abraão (25). Pelos profetas, Deus forma o seu povo na esperança da salvação, na expectativa duma aliança nova e eterna, destinada a todos os homens (26), e que será gravada nos corações (27). Os profetas anunciam uma redenção radical do povo de Deus, a purificação de todas as suas infidelidades (28), uma salvação que abrangerá todas as nações (29). Serão sobretudo os pobres e os humildes do Senhor (30) os portadores desta esperança. As mulheres santas como Sara, Rebeca, Raquel, Míriam, Débora, Ana, Judite e Ester conservaram viva a esperança da salvação de Israel. Maria é a imagem puríssima desta esperança (31). III. Jesus Cristo – «Mediador e plenitude de toda a Revelação» (32) NO SEU VERBO, DEUS DISSE TUDO «Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos pelo seu Filho» (Heb 1, 1-2). Cristo, Filho de Deus feito homem, é a Palavra única, perfeita e insuperável do Pai. N’Ele, o Pai disse tudo. Não haverá outra palavra além dessa. São João da Cruz, após tantos outros, exprime-o de modo luminoso, ao comentar Heb 1, 1-2: «Ao dar-nos, como nos deu, o seu Filho, que é a sua Palavra – e não tem outra – (Deus) disse-nos tudo ao mesmo tempo e de uma só vez nesta Palavra única e já nada mais tem para dizer. […] Porque o que antes disse parcialmente pelos profetas, revelou-o totalmente, dando-nos o Todo que é o seu Filho. E por isso, quem agora quisesse consultar a Deus ou pedir-Lhe alguma visão ou revelação, não só cometeria um disparate, mas faria agravo a Deus, por não pôr os olhos totalmente em Cristo e buscar fora d’Ele outra realidade ou novidade» (33). JÁ NÃO HAVERÁ OUTRA REVELAÇÃO «Portanto, a economia cristã, como nova e definitiva aliança, jamais passará, e já não se há-de esperar nenhuma nova revelação pública antes da gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo»(34). No entanto, apesar de a Revelação já estar completa, ainda não está plenamente explicitada. E está reservado à fé cristã apreender gradualmente todo o seu alcance, no decorrer dos séculos. No decurso dos séculos tem havido revelações ditas «privadas», algumas das quais foram reconhecidas pela autoridade da Igreja. Todavia, não pertencem ao depósito da fé. O seu papel não é «aperfeiçoar» ou «completar» a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente, numa determinada época da história. Guiado pelo Magistério da Igreja, o sentir dos fiéis sabe discernir e guardar o que nestas revelações constitui um apelo autêntico de Cristo ou dos seus santos à Igreja. A fé cristã não pode aceitar «revelações» que pretendam ultrapassar ou corrigir a Revelação de que Cristo é a plenitude. É o caso de certas religiões não-cristãs, e também de certas seitas recentes. fundadas sobre tais «revelações». Resumindo: Por amor, Deus revelou-Se e deu-Se ao homem. Dá assim uma resposta definitiva e superabundante às questões que o homem se põe a si próprio sobre o sentido e o fim da sua vida. Deus revelou-Se ao homem, comunicando-lhe gradualmente o seu próprio mistério, por acções e por palavras. Além do testemunho que dá de Si mesmo através das coisas criadas, Deus manifestou-Se a Si próprio aos nossos primeiros pais. Falou-lhes e, depois da queda, prometeu-lhes a salvação (35) e ofereceu-lhes a sua aliança. Deus concluiu com Noé uma aliança eterna entre Si e todos os seres vivos (36). Essa aliança durará enquanto durar o mundo. Deus escolheu Abraão e concluiu uma aliança com ele e os seus descendentes. Fez deles o seu povo, ao qual revelou a sua Lei por meio de Moisés. E preparou-o, pelos profetas, a acolher a salvação destinada a toda a humanidade. Deus revelou-Se plenamente enviando o seu próprio Filho, no qual estabeleceu a sua aliança para sempre. O Filho é a Palavra definitiva do Pai, de modo que, depois d’Ele, não haverá outra Revelação. ARTIGO 2 A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA Deus «quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tm 2, 4), quer dizer, de Cristo Jesus (37). Por isso, é preciso que Cristo seja anunciado a todos os povos e a todos os homens, e que, assim a Revelação chegue aos confins do mundo: Deus dispôs amorosamente que permanecesse íntegro e fosse transmitido a todas as gerações tudo quanto tinha revelado para salvação de todos os povos (38). I. A Tradição apostólica «Cristo Senhor, em quem toda a revelação do Deus altíssimo se consuma, tendo cumprido e promulgado pessoalmente o Evangelho antes prometido pelos profetas, mandou aos Apóstolos que o pregassem a todos, como fonte de toda a verdade salutar e de toda a disciplina de costumes, comunicando-lhes assim os dons divinos» (39). A PREGAÇÃO APOSTÓLICA … A transmissão do Evangelho, segundo a ordem do Senhor, fez-se de duas maneiras: – oralmente, «pelos Apóstolos, que, na sua pregação oral, exemplos e instituições, transmitiram aquilo que tinham recebido dos lábios, trato e obras de Cristo, e o que tinham aprendido por inspiração do Espírito Santo»; – por escrito, «por aqueles apóstolos e varões apostólicos que, sob a inspiração do mesmo Espírito Santo, escreveram a mensagem da salvação» (40). … CONTINUADA NA SUCESSÃO APOSTÓLICA «Para que o Evangelho fosse perenemente conservado íntegro e vivo na Igreja, os Apóstolos deixaram os bispos como seus sucessores, “entregando-lhes o seu próprio ofício de magistério”» (41). Com efeito, «a pregação apostólica, que se exprime de modo especial nos livros inspirados, devia conservar-se, por uma sucessão ininterrupta, até à consumação dos tempos» (42). Esta transmissão viva, realizada no Espírito Santo, denomina-se Tradição, enquanto distinta da Sagrada Escritura, embora estreitamente a ela ligada. Pela Tradição, «a Igreja, na sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo em que acredita» (43). «Afirmações dos santos Padres testemunham a presença vivificadora desta Tradição, cujas riquezas entram na prática e na vida da Igreja crente e orante» (44). Assim, a comunicação que o Pai fez de Si próprio, pelo seu Verbo, no Espírito Santo, continua presente e activa na Igreja: «Deus, que outrora falou, dialoga sem interrupção com a esposa do seu amado Filho; e o Espírito Santo – por quem ressoa a voz do Evangelho na Igreja, e, pela Igreja, no mundo – introduz os crentes na verdade plena e faz com que a palavra de Cristo neles habite em toda a sua riqueza» (45). II. A relação entre a Tradição e a Sagrada Escritura UMA FONTE COMUM… «A Tradição sagrada e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetradas entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim» (46). Uma e outra tornam presente e fecundo na Igreja o mistério de Cristo, que prometeu estar com os seus, «sempre, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20). … DUAS FORMAS DE TRANSMISSÃO DISTINTAS «A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus enquanto foi escrita por inspiração do Espírito divino». «A sagrada Tradição, por sua vez, conserva a Palavra de Deus, confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos, e transmite-a integralmente aos seus sucessores, para que eles, com a luz do Espírito da verdade, fielmente a conservem, exponham e difundam na sua pregação» (47). Daí resulta que a Igreja, a quem está confiada a transmissão e interpretação da Revelação, «não tira só da Sagrada Escritura a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas. Por isso, ambas devem ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência» (48). TRADIÇÃO APOSTÓLICA E TRADIÇÕES ECLESIAIS A Tradição de que falamos aqui é a que vem dos Apóstolos. Ela transmite o que estes receberam do ensino e do exemplo de Jesus e aprenderam pelo Espírito Santo. De facto, a primeira geração de cristãos não tinha ainda um Novo Testamento escrito, e o próprio Novo Testamento testemunha o processo da Tradição viva. É preciso distinguir, desta Tradição, as «tradições» teológicas, disciplinares, litúrgicas ou devocionais, nascidas no decorrer do tempo nas Igrejas locais. Elas constituem formas particulares, sob as quais a grande Tradição recebe expressões adaptadas aos diversos lugares e às diferentes épocas. É à sua luz que estas podem ser mantidas, modificadas e até abandonadas, sob a direcção do Magistério da Igreja. III. A interpretação da herança da fé A HERANÇA DA FÉ CONFIADA À TOTALIDADE DA IGREJA O depósito da fé (49) («depositum fidei»), contido na Tradição sagrada e na Sagrada Escritura, foi confiado pelos Apóstolos ao conjunto da Igreja. «Apoiando-se nele, todo o povo santo persevera unido aos seus pastores na doutrina dos Apóstolos e na comunhão, na fracção do pão e na oração, de tal modo que, na conservação, actuação e profissão da fé transmitida, haja uma especial concordância dos pastores e dos fiéis» (50). O MAGISTÉRIO DA IGREJA «O encargo de interpretar autenticamente a Palavra de Deus, escrita ou contida na Tradição, foi confiado só ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo (51), isto é, aos bispos em comunhão com o sucessor de Pedro, o bispo de Roma. «Todavia, este Magistério não está acima da Palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido, enquanto, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, a ouve piamente, a guarda religiosamente e a expõe fielmente, haurindo deste depósito único da fé tudo quanto propõe à fé como divinamente revelado» (52). Os fiéis, lembrando-se da palavra de Cristo aos Apóstolos: «Quem vos escuta escuta-me a Mim» (Lc 10, 16) (53), recebem com docilidade os ensinamentos e as directrizes que os seus pastores lhes dão, sob diferentes formas. OS DOGMAS DA FÉ O Magistério da Igreja faz pleno uso da autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando propõe, dum modo que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, verdades contidas na Revelação divina ou quando propõe, de modo definitivo, verdades que tenham com elas um nexo necessário. Existe uma ligação orgânica entre a nossa vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho da nossa fé: iluminam-no e tornam-no seguro. Por outro lado, se a nossa vida for recta, a nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé (54). A interligação e a coerência dos dogmas podem encontrar-se no conjunto da revelação do mistério de Cristo (55). Convém lembrar que «existe uma ordem ou “hierarquia” das verdades da doutrina católica, já que o nexo delas com o fundamento da fé cristã é diferente» (56). O SENTIDO SOBRENATURAL DA FÉ Todos os fiéis participam na compreensão e na transmissão da verdade revelada. Todos receberam a unção do Espírito Santo que os instrui (57) e os conduz «à verdade total» (Jo 16, 13). «A totalidade dos fiéis […] não pode enganar-se na fé e manifesta esta sua propriedade peculiar por meio do sentir sobrenatural da fé do povo todo, quando, “desde os bispos até ao último dos fiéis leigos”, exprime consenso universal em matéria de fé e costumes» (58). «Com este sentido da fé, que se desperta e sustenta pela acção do Espírito de verdade, o povo de Deus, sob a direcção do sagrado Magistério […] adere indefectivelmente à fé, uma vez por todas confiada aos santos; penetra-a mais profundamente com juízo acertado e aplica-a mais totalmente na vida» (59). O CRESCIMENTO NA INTELIGÊNCIA DA FÉ Graças à assistência do Espírito Santo, a inteligência das realidades e das palavras do depósito da fé pode crescer na vida da Igreja: – «Pela contemplação e pelo estudo dos crentes, que as meditam no seu coração» (60); e particularmente pela «investigação teológica, que aprofunda o conhecimento da verdade revelada» (61). – «Pela inteligência interior das coisas espirituais que os crentes experimentam» (62); «Divina eloquia cum legente crescunt» – «As palavras divinas crescem com quem as lê» (63). – «Pela pregação daqueles que receberam, com a sucessão episcopal, um carisma certo da verdade» (64). «É claro, portanto, que a sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja, segundo um sapientíssimo desígnio de Deus, estão de tal maneira ligados e conjuntos, que nenhum pode subsistir sem os outros e, todos juntos, cada um a seu modo, sob a acção do mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas» (65). Resumindo: O que Cristo confiou aos Apóstolos, estes o transmitiram, pela sua pregação e por escrito, sob a inspiração do Espírito Santo, a todas as gerações, até à vinda gloriosa de Cristo. «A sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um único depósito sagrado da Palavra de Deus» (66), no qual, como num espelho, a Igreja peregrina contempla Deus, fonte de todas as suas riquezas. «Na sua doutrina, vida e culto, a Igreja perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é, tudo aquilo em que acredita» (67). Graças ao sentido sobrenatural da fé, o povo de Deus, no seu todo, não cessa de acolher o dom da Revelação divina, de nele penetrar mais profundamente e de viver dele mais plenamente. O encargo de interpretar autenticamente a Palavra de Deus foi confiado unicamente ao Magistério da Igreja, ao Papa e aos bispos em comunhão com ele. ARTIGO 3 A SAGRADA ESCRITURA I. Cristo – Palavra única da Escritura santa Na sua bondade condescendente, para Se revelar aos homens. Deus fala-lhes em palavras humanas: «As palavras de Deus, com efeito, expressas por línguas humanas, tornaram-se semelhantes à linguagem humana, tal como outrora o Verbo do eterno Pai se assemelhou aos homens assumindo a carne da debilidade humana» (68). Através de todas as palavras da Sagrada Escritura. Deus não diz mais que uma só Palavra, o seu Verbo único, em quem totalmente Se diz (69): «Lembrai-vos de que o discurso de Deus que se desenvolve em todas as Escrituras é um só e um só é o Verbo que Se faz ouvir na boca de todos os escritores sagrados, o qual, sendo no princípio Deus junto de Deus, não tem necessidade de sílabas, pois não está sujeito ao tempo» (70). Por esta razão, a Igreja sempre venerou as divinas Escrituras tal como venera o Corpo do Senhor. Nunca cessa de distribuir aos fiéis o Pão da vida, tornado à mesa quer da Palavra de Deus, quer do Corpo de Cristo (71). Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra continuamente o seu alimento e a sua força (72), porque nela não recebe apenas uma palavra humana, mas o que ela é na realidade: a Palavra de Deus (73). «Nos livros sagrados, com efeito, o Pai que está nos Céus vem amorosamente ao encontro dos seus filhos, a conversar com eles» (74). II. Inspiração e verdade da Sagrada Escritura Deus é o autor da Sagrada Escritura. «A verdade divinamente revelada, que os livros da Sagrada Escritura contêm e apresentam, foi registrada neles sob a inspiração do Espírito Santo». «Com efeito, a santa Mãe Igreja, segundo a fé apostólica, considera como sagrados e canónicos os livros completos do Antigo e do Novo Testamento com todas as suas partes, porque, escritos por inspiração do Espírito Santo, têm Deus por autor, e como tais foram confiados à própria Igreja» (75). Deus inspirou os autores humanos dos livros sagrados. «Para escrever os livros sagrados, Deus escolheu e serviu-se de homens, na posse das suas faculdades e capacidades, para que, agindo Ele neles e por eles, pusessem por escrito, como verdadeiros autores, tudo aquilo e só aquilo que Ele queria» (76). Os livros inspirados ensinam a verdade. «E assim como tudo o que os autores inspirados ou hagiógrafos afirmam, deve ser tido como afirmado pelo Espírito Santo, por isso mesmo se deve acreditar que os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro, a verdade que Deus quis que fosse consignada nas sagradas Letras em ordem à nossa salvação» (77). No entanto, a fé cristã não é uma «religião do Livro». O Cristianismo é a religião da «Palavra» de Deus, «não duma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo» (78). Para que não sejam letra morta, é preciso que Cristo, Palavra eterna do Deus vivo, pelo Espírito Santo, nos abra o espírito à inteligência das Escrituras (79). III. O Espírito Santo, intérprete da Escritura Na Sagrada Escritura, Deus fala ao homem à maneira dos homens. Portanto, para bem interpretar a Escritura, é necessário prestar atenção ao que os autores humanos realmente quiseram dizer, e àquilo que aprouve a Deus manifestar-nos pelas palavras deles (80). Para descobrir a intenção dos autores sagrados, é preciso ter em conta as condições do seu tempo e da sua cultura, os «géneros literários» em uso na respectiva época, os modos de sentir, falar e narrar correntes naquele tempo. «Porque a verdade é proposta e expressa de modos diversos, em textos históricos de vária índole, ou proféticos, ou poéticos ou de outros géneros de expressão»(81). Mas, uma vez que a Sagrada Escritura é inspirada, existe outro princípio de interpretação recta, não menos importante que o anterior, e sem o qual a Escritura seria letra morta: «A Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada com o mesmo espírito com que foi escrita» (82). O II Concílio do Vaticano indica três critérios para uma interpretação da Escritura conforme ao Espírito que a inspirou (83): 1. Prestar grande atenção «ao conteúdo e à unidade de toda a Escritura». Com efeito, por muito diferentes que sejam os livros que a compõem, a Escritura é una, em razão da unidade do desígnio de Deus, de que Jesus Cristo é o centro e o coração, aberto desde a sua Páscoa (84). «Por coração (85) de Cristo entende-se a Sagrada Escritura que nos dá a conhecer o coração de Cristo. Este coração estava fechado antes da Paixão, porque a Escritura estava cheia de obscuridades. Mas a Escritura ficou aberta depois da Paixão e assim, aqueles que desde então a consideram com inteligência, discernem o modo como as profecias devem ser interpretadas» (86). 2. Ler a Escritura na «tradição viva de toda a Igreja». Segundo uma sentença dos Padres, «Sacra Scriptura principalius est in corde Ecclesiae quam in materialibus instrumentis scripta» – «A Sagrada Escritura está escrita no coração da Igreja, mais do que em instrumentos materiais» (87). Com efeito, a Igreja conserva na sua Tradição a memória viva da Palavra de Deus, e é o Espírito Santo que lhe dá a interpretação espiritual da Escritura («… secundum spiritualem sensum quem Spiritus donat Ecclesiae» «segundo o sentido espiritual que o Espírito Santo dá à Igreja») (88). 3. Estar atento «à analogia da fé» (89). Por «analogia da fé» entendemos a coesão das verdades da fé entre si e no projecto total da Revelação. OS SENTIDOS DA ESCRITURA Segundo uma antiga tradição, podemos distinguir dois sentidos da Escritura: o sentido literal e o sentido espiritual, subdividindo-se este último em sentido alegórico, moral e anagógico. A concordância profunda dos quatro sentidos assegura a sua riqueza à leitura viva da Escritura na Igreja: O sentido literal. É o expresso pelas palavras da Escritura e descoberto pela exegese segundo as regras da recta interpretação. «Omnes sensus (sc. Sacrae Scripturae) fundentur super litteralem» – «Todos os sentidos (da Sagrada Escritura) se fundamentam no literal» (90). O sentido espiritual. Graças à unidade do desígnio de Deus, não só o texto da Escritura, mas também as realidades e acontecimentos de que fala, podem ser sinais. O sentido alegórico. Podemos adquirir uma compreensão mais profunda dos acontecimentos, reconhecendo o seu significado em Cristo: por exemplo, a travessia do Mar Vermelho é um sinal da vitória de Cristo e, assim, do Baptismo (91). O sentido moral. Os acontecimentos referidos na Escritura podem conduzir-nos a um comportamento justo. Foram escritos «para nossa instrução» (1 Cor 10, 11) (92). O sentido anagógico. Podemos ver realidades e acontecimentos no seu significado eterno, o qual nos conduz (em grego: «anagoge») em direcção à nossa Pátria. Assim, a Igreja terrestre é sinal da Jerusalém celeste (93). Um dístico medieval resume a significação dos quatro sentidos: «Littera gesta docet, quid credas allegoria. Moralis quid agas, quo tendas anagogia». «A letra ensina-te os factos (passados), a alegoria o que deves crer, a moral o que deves fazer, a anagogia para onde deves tender» (94). «Cabe aos exegetas trabalhar, de harmonia com estas regras, por entender e expor mais profundamente o sentido da Sagrada Escritura, para que, mercê deste estudo, de algum modo preparatório, amadureça o juízo da Igreja. Com efeito, tudo quanto diz respeito à interpretação da Escritura, está sujeito ao juízo último da Igreja, que tem o divino mandato e o ministério de guardar e interpretar a Palavra de Deus» (95): «Ego vero Evangelio non crederem, nisi me catholicae Ecclesiae commoveret auctoritas» – «Quanto a mim, não acreditaria no Evangelho se não me movesse a isso a autoridade da Igreja católica» (96). IV. O Cânon das Escrituras Foi a Tradição Apostólica que levou a Igreja a discernir quais os escritos que deviam ser contados na lista dos livros sagrados (97). Esta lista integral é chamada «Cânon» das Escrituras. Comporta, para o Antigo Testamento, 46 (45, se se contar Jeremias e as Lamentações como um só) escritos, e, para o Novo, 27 (98): Para o Antigo Testamento: Génesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronómio, Josué, Juízes, Rute, os dois livros de Samuel, os dois livros dos Reis, os dois livros das Crónicas, Esdras e Neemias, Tobias, Judite, Ester, os dois livros dos Macabeus, Job, os Salmos, os Provérbios, o Eclesiastes (ou Coelet), o Cântico dos Cânticos, a Sabedoria, o livro de Ben-Sirá (ou Eclesiástico), Isaías, Jeremias, as Lamentações, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oseias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miqueias, Nahum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias; Para o Novo Testamento: Os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João; os Actos dos Apóstolos; as epístolas de São Paulo: aos Romanos, primeira e segunda aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, primeira e segunda aos Tessalonicenses, primeira e segunda a Timóteo, a Tito, a Filémon: a Epístola aos Hebreus; a Epístola de Tiago, a primeira e segunda de Pedro, as três epístolas de João, a Epístola de Judas e o Apocalipse. O ANTIGO TESTAMENTO O Antigo Testamento é uma parte da Sagrada Escritura de que não se pode prescindir. Os seus livros são divinamente inspirados e conservam um valor permanente (99), porque a Antiga Aliança nunca foi revogada. Efectivamente, «a “economia”do Antigo Testamento destinava-se, sobretudo, a preparar […] o advento de Cristo, redentor universal». Os livros do Antigo Testamento, «apesar de conterem também coisas imperfeitas e transitórias», dão testemunho de toda a divina pedagogia do amor salvífico de Deus: neles «encontram-se sublimes doutrinas a respeito de Deus, uma sabedoria salutar a respeito da vida humana, bem como admiráveis tesouros de preces»; neles, em suma, está latente o mistério da nossa salvação» (100). Os cristãos veneram o Antigo Testamento como verdadeira Palavra de Deus. A Igreja combateu sempre vigorosamente a ideia de rejeitar o Antigo Testamento, sob o pretexto de que o Novo o teria feito caducar (Marcionismo). O NOVO TESTAMENTO «A Palavra de Deus, que é força de Deus para salvação de quem acredita, apresenta-se e manifesta o seu poder dum modo eminente nos escritos do Novo Testamento»(101). Estes escritos transmitem-nos a verdade definitiva da Revelação divina. O seu objecto central é Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado, os seus actos, os seus ensinamentos, a sua Paixão e glorificação, bem como os primórdios da sua Igreja sob a acção do Espírito Santo (102). Os evangelhos são o coração de todas as Escrituras, «enquanto são o principal testemunho da vida e da doutrina do Verbo encarnado, nosso Salvador» (103). Na formação dos evangelhos podemos distinguir três etapas: A vida e os ensinamentos de Jesus. A Igreja sustenta firmemente que os quatro evangelhos, «cuja historicidade afirma sem hesitações, transmitem fielmente as coisas que Jesus, Filho de Deus, realmente operou e ensinou para salvação eterna dos homens, durante a sua vida terrena, até ao dia em que subiu ao Céu». A tradição oral. «Na verdade, após a Ascensão do Senhor, os Apóstolos transmitiram aos seus ouvintes (com aquela compreensão mais plena de que gozavam, uma vez instruídos pelos acontecimentos gloriosos de Cristo e iluminados pelo Espírito de verdade) as coisas que Ele tinha dito e feito». Os evangelhos escritos. «Os autores sagrados, porém, escreveram os quatro evangelhos, escolhendo algumas coisas, entre as muitas transmitidas por palavra ou por escrito, sintetizando umas, desenvolvendo outras, segundo o estado das Igrejas, conservando, finalmente, o carácter de pregação, mas sempre de maneira a comunicar-nos coisas verdadeiras e sinceras acerca de Jesus» (104). O Evangelho quadriforme ocupa na Igreja um lugar único, de que são testemunhas a veneração de que a Liturgia o rodeia e o atractivo incomparável que em todos os tempos exerceu sobre os santos: «Não há doutrina melhor, mais preciosa e esplêndida do que o texto do Evangelho. Vede e retende o que nosso Senhor e Mestre, Cristo, ensinou pelas suas palavras e realizou pelos seus actos» (105). «É sobretudo o Evangelho que me ocupa durante as minhas orações. Nele encontro tudo o que é necessário à minha pobre alma. Nele descubro sempre novas luzes, sentidos escondidos e misteriosos» (106). A UNIDADE DO ANTIGO E DO NOVO TESTAMENTO A Igreja, já nos tempos apostólicos (107), e depois constantemente na sua Tradição, pôs em evidência a unidade, do plano divino nos dois Testamentos, graças à tipologia. Esta descobre nas obras de Deus, na Antiga Aliança, prefigurações do que o mesmo Deus realizou na plenitude dos tempos, na pessoa do seu Filho encarnado. Os cristãos lêem, pois, o Antigo Testamento à luz de Cristo morto e ressuscitado. Esta leitura tipológica manifesta o conteúdo inesgotável do Antigo Testamento. Mas não deve fazer-nos esquecer de que ele mantém o seu valor próprio de Revelação, reafirmado pelo próprio Jesus, nosso Senhor (108). Aliás, também o Novo Testamento requer ser lido à luz do Antigo. A catequese cristã primitiva recorreu constantemente a este método (109). Segundo um velho adágio, o Novo Testamento está oculto no Antigo, enquanto o Antigo é desvendado no Novo: « Novum in Vetere latet et in Novo Vetus patet» – «O Novo está oculto no Antigo, e o Antigo está patente no Novo» (110). A tipologia significa o dinamismo em ordem ao cumprimento do plano divino, quando «Deus for tudo em todos» (1 Cor 15, 28). Assim, a vocação dos patriarcas e o êxodo do Egipto, por exemplo, não perdem o seu valor próprio no plano de Deus pelo facto de, ao mesmo tempo, serem etapas intermédias desse mesmo plano. V. A Sagrada Escritura na vida da Igreja «É tão grande a força e a virtude da Palavra de Deus, que ela se torna para a Igreja apoio e vigor e, para os filhos da Igreja, solidez da fé, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual» (111). É necessário que «os fiéis tenham largo acesso à Sagrada Escritura» (112). «O estudo das Páginas sagradas deve ser como que a “alma” da sagrada teologia. Também o ministério da Palavra, isto é, a pregação pastoral, a catequese, e toda a espécie de instrução cristã, na qual a homilia litúrgica deve ter um lugar principal, com proveito se alimenta e santamente se revigora com a palavra da Escritura» (113). A Igreja «exorta com ardor e insistência todos os fiéis […] a que aprendam “a sublime ciência de Jesus Cristo” (Fl. 3, 8) na leitura frequente da Sagrada Escritura. Porque “a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo”» (114). Resumindo: Omnis Scriptura divina unus liber est, et ille unus liber Christus est, «quia omnis Scriptura divina de Christo loquitur; et omnis Scriptura divina in Christo impletur» – Toda a Escritura divina é um só livro, e esse livro único é Cristo, «porque toda a Escritura divina fala de Cristo e toda a Escritura divina se cumpre em Cristo» (115). «As Sagradas Escrituras contêm a Palavra de Deus; e, pelo facto de serem inspiradas, são verdadeiramente a Palavra de Deus» (116). Deus é o autor da Sagrada Escritura, ao inspirar os seus autores humanos: age neles e por eles. E assim nos dá a garantia de que os seus escritos ensinam, sem erro, a verdade da salvação (117). A interpretação das Escrituras inspiradas deve, antes de mais nada, estar atenta ao que Deus quer revelar, por meio dos autores sagrados, para nossa salvação. O que vem do Espírito não é plenamente entendido senão pela acção do Espírito (118). A Igreja recebe e venera, como inspirados, os 46 livros do Antigo e os 27 do Novo Testamento. Os quatro evangelhos ocupam um lugar central, dado que Jesus Cristo é o seu centro. A unidade dos dois Testamentos deriva da unidade do plano de Deus e da sua Revelação. O Antigo Testamento prepara o Novo, ao passo que o Novo dá cumprimento ao Antigo. Os dois esclarecem-se mutuamente; ambos são verdadeira Palavra de Deus. «A Igreja sempre venerou as Divinas Escrituras, tal como o próprio Corpo do Senhor» (119) ambos alimentam e regem toda a vida cristã. «A vossa Palavra é farol para os meus passos e luz para os meus caminhos» (Sl 119, 105)(120). Cf. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 4: DS 3015. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 2: AAS 58 (1966) 818. Cf. Ef 1, 4-5. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 2: AAS 58 (1966) 818. Santo Ireneu de Lião, Adversus haereses III, 20, 2: SC 211, 392 (PG 7, 944); cf. por exemplo, Ibid. III 17, I: SC 211. 330 (PG 7, 929); Ibid. IV, 12. 4: SC 100, 518 (PG 7, 1006); Ibid. IV 21, 3: SC 100, 684 (PG 7, 1046). II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 3: AAS 58 (1966) 818. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 3: AAS 58 (1966) 818. Oração eucarística IV: Missal Romano, editio typica. Typis Polyglottis Vaticanis. 1970 p. 467. [Gráfica de Coimbra 1992, p. 538]. Cf. Gn 9, 9. Cf. Gn 10, 20-31. Cf. Act 17, 26-27. Cf. Sb 10, 5. Cf. Gn 11, 4-6. Cf. Rm 1, 18-25. Cf. Lc 21, 24. Cf. Gn 14, 18. Cf. Heb 7, 3. Cf. Gl 3, 8. Cf. Rm 11, 28. Cf. Jo 11, 52; 10, 16. Cf. Rm 11, 17-18. 24. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 3: AAS 58 (1966) 818. Cf. Ex 19, 6. Sexta-Feira da Paixão do Senhor. Oração universal VI: Missale Romanum. editio typica. Typis Polyglottis Vaticanis 1975, p. 254 [a tradução oficial portuguesa omite este particular: Missal Romano. Gráfica de Coimbra 1992. p. 259.267]. João Paulo II, Discurso na sinagoga durante o encontro com a comunidade hebraica da cidade de Roma (13 de Abril de 1986), 4: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, IX/1, 1027. Cf. Is 2, 2-4. Cf. Jr 31, 31-34: Heb 10, 16. Cf. Ez 36. Cf. Is 49, 5-6: 53, 11. Cf. Sf 2, 3. Cf. Lc 1, 38. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 2: AAS 58 (1966) 818. São João da Cruz, Subida del monte Carmelo 2, 22, 3-5: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 11, Burgos 1929. p. 184. [ID. Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1986) p. 196 = Segunda leitura do Ofício de Leituras da Segunda-Feira da II Semana do Advento]. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 4: AAS 58 (1966) 819. Cf. Gn 3, 15. Cf. Gn 9, 16. Cf. Jo 14, 6. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 7: AAS 58 (1966) 820. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 7: AAS 58 (1966) 820. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 7: AAS 58 (1966) 820. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 7: AAS 58 (1966) 820. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821. II Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 9: AAS 58 (1966) 821. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 9: AAS 58 (1966) 821. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 9: AAS 58 (1966) 821. Cf. 1 Tm 6, 20; 2 Tm 1, 12-14. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822. II Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822. Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 20: AAS 57 (1965) 24. Cf. Jo 8, 31-32. Cf. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 4: DS 3016 «mysteriorum nexus». Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 25: AAS 57 (1965) 29. II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 11: AAS 57 (1965) 99. Cf. 1 Jo 2, 20. 27. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 12: AAS 57 (1965) 16. II Concílio do Vaticano. Const. dogm. Lumen Gentium, 12: AAS 57 (1965) 16. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 62: AAS 58 (1966) 1084: cf. Ibid.. 44: AAS 58 (1966) 1065; Const. dogm. Dei Verbum, 23: AAS 58 (1966) 828; Ibid. 24: AAS 58 (1966) 828-829: Decr. Unitatis redintegratio, 4: AAS 57 (1965) 94. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821. São Gregório Magno, Homilia in Ezechielem 1. 7, 8: CCL 142. 87 (PL 76, 843 D). II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821. II Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Verbum, 13: AAS 58 (1966) 824. Cf. Heb 1, 1-3. Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum 103, 4, 1: CCL 40, 1521 (PL 37, 1378). II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 21: AAS 58 (1966) 827. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 24: AAS 58 (1966) 829. Cf. 1 Ts 2, 13. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 21: AAS 58 (1966) 827-828. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 822-823. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 823. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 823. São Bernardo de Claraval, Homilia super “Missus est”, 4, 11: Opera, ed. J. Leclercq – H. Rochais, V. 4, Roma 1966, p. 57. Cf. Lc 24, 45. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum 12: AAS 58 11966) 823. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 12: AAS 58 (1966) 823. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 12: AAS 58 (1966) 824. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 12: AAS 58 (1966) 824. Cf. Lc 24. 25-27. 44-46. Cf. Sl 22, 15. São Tomás de Aquino, Expositio in Psalmos, 21, 11: Opera omnia. v. 18. Paris 1876, p. 350. Cf. Santo Hilário de Poitiers, Liber ad Constantium Imperatorem 9: CSEL 65. 204 PL 10, 570); São Jerónimo. Commentarius in epistulam ad Galatas I 1, 11-12: PL 26. 347. Orígenes, Homiliae in Leviticum 5, 5: SC 286, 228 (PG 12, 454). Cf. Rm 12, 6. São Tomás de Aquino, Summa theologiae I, q. 1, a. 10, ad I: Ed. Leon. 4, 25. Cf. 1 Cor 10, 2. Cf. Heb 3-4, 11. Cf. Ap 21, 1-22, 5. Agostinho de Dácia, Rotulus pugillaris, I: ed. A. Waltz: Angelicum 6(1929) 256. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 12: AAS 58 (1966) 824. Santo Agostinho, Contra Epistulam Manichaei quam vocant fundamenti 5. 6: CSEL 25, 197 (PL 42, 176). II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821. Cf. Decretum Damasi: DS 179-180: Concílio de Florença, Decretum pro Iacobitis: DS 1334-1336; Concílio de Trento. Sess. 4ª. Decretum de Libris Sacris et de traditionibus recipiendis: DS 1501-1504. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 14: AAS 58 (1966) 825. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 15: AAS 58 (1966) 825. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 17: AAS 58 (1966) 826. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 20: AAS 58 (1966) 827. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 18: AAS 58 (1966) 826. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 19: AAS 58 (1966) 826-827. Santa Cesária, A Jovem, Epistula ad Richildam et Radegundem: SC 345, 480. Santa Teresa do Menino Jesus, Manuscrit A, 83v: Manuscrits autobiographiques, Paris 1929, p. 268. [Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, Obras Completas (Paço de Arcos. Edições do Carmelo 1996) p. 213]. Cf. 1 Cor 10, 6: Heb 10, 1; 1 Pe 3, 21. Cf. Mc 12, 29-31. Cf. 1 Cor 5, 6-8: 10, 1-11. Santo Agostinho, Quaestiones in Heptateucumt 2, 73: CCL 33. 106 (PL 34, 623); cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 16: AAS 58 (1966) 825. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 21: A AS 58 (1966) 828. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 22: AAS 58 (1966) 828. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 24: AAS 58 (1966) 829. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 25: AAS 58 (1966) 829: cf. São Jerónimo, Commentarii in Isaiam, Prologus: CCL 73, 1 (PL 24, 17). Hugo de São Vítor, De arca Noe II, 8: PL 176, 642: cf. Ibid. 2. 9: PL 176, 642-643. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum. 24: AAS 58 (1966) 829. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 822-823. Cf. Orígenes, Homiliae in Exodum 4, 5: SC 321, 128 (PG 12, 320). II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 21: AAS 58 (1966) 827. Cf. Is 50, 4. #catecismo #catecismodaigrejacatólica
- BISPO SCHNEIDER ELENCA E RESOLVE OS PROBLEMAS DA IGREJA – Stefano Fontana
Um livro de reflexão é válido se tiver a capacidade de abarcar plenamente o tema de que trata e se produzir uma visão convincente, de modo a contribuir para uma melhor síntese em benefício não só da tese apresentada, mas da verdade como tal. Por outras palavras: se permite conhecer melhor e com maior profundidade, dando um passo adiante no caminho da verdade. Visto que o livro do bispo Athanasius Schneider ( Christus vincit. O triunfo de Cristo sobre as trevas de nosso tempo . Verona, Fede & Cultura, 2020, 382 p.) faz exatamente isso, então deve ser dito que é um bom livro, o que, traduzido para o jargão editorial, significa um livro que deve ser lido. Não ficou de fora nenhum problema relevante na vida atual da Igreja, sempre havendo como pano de fundo a Igreja de todos os tempos. O livro enfrenta corajosamente todas as dificuldades, todos os estorvos, todas as questões em aberto. E para cada um deles tem uma proposta clara. O islã, o diálogo inter-religioso, Abu Dhabi, o Vaticano II, a confusão doutrinal, a perda do sobrenatural, a “reforma da reforma” litúrgica, o terceiro segredo de Fátima, o papel de Pedro na Igreja, Amoris laetitia , o ecologismo e o globalismo eclesiástico, o acordo do Vaticano com a China, as “dubia”, a nova moral sexual, a intercomunhão com os protestantes, a descentralização doutrinal, a pena de morte… Nenhum dos grandes problemas da Igreja foi negligenciado, destacando-se mais os internos do que os externos. Um aspecto que, antes de qualquer outro, impressiona o leitor, é a apreensiva avaliação do momento presente: “Uma tremendo estado de confusão quanto à doutrina, à moral e à liturgia. A Igreja, em nossos dias, está infectada com o vírus de um naturalismo egoístico e da adaptação ao espírito do mundo descrente. O clero, quando em posições de responsabilidade, dobra seus joelhos perante o mundo” (p.185-186). Afirmações como esta retornam ao longo do livro: “Creio que atualmente os fiéis, em grande parte, são enganados pelo clero” (p. 167); “a inundação está atingindo níveis de alerta, estamos experimentando o ápice do desastre” (p. 164); “Hoje vivemos o predomínio total do modernismo na vida da Igreja e nas faculdades de teologia. Até certo ponto, o modernismo se infiltrou até nos documentos do Magistério” (p. 165). É neste quadro que o livro faz surgir a certeza da fé a respeito da Vitória de Cristo. No entanto, essa certeza não impede, na verdade exige, que todos façam a sua parte. Os muitos problemas da crise, o autor os aborda com toda a sabedoria de que é capaz e, para muitos deles, não hesita em afirmar que os futuros papas terão de corrigir os erros ou ambiguidades presentes nos documentos do recente magistério. Os pontos, sobre os quais o bispo Schneider está seguro, pela fé, que requerem ajustes — os quais, mais cedo ou mais tarde, serão feitos pelo Magistério supremo —, dizem respeito, sobretudo, a algumas afirmações do Vaticano II e da exortação Amoris Laetitia . O Vaticano II — afirma ele — é certamente válido e ensinou muitas coisas importantes que, anteriormente, o Magistério ainda não tinha plenamente trazido à luz. Schneider não é um negacionista do Concílio. Certamente, ele rejeita a ideia de que tenha havido um parêntese de 1700 anos, entre Constantino e o Vaticano II, mas reconhece que “a maioria dos textos do Concílio Vaticano II não apresentam rupturas e estão em clara continuidade com a tradição constante da Igreja” (p. 151). Segundo o bispo Schneider, no entanto, devem ser reconsiderados o nº 16 da Lumen gentium , onde se diz que católicos e muçulmanos “adoram conosco um único Deus”; o nº 2 e 4 da Dignitatis humanae , onde se ensina que o direito de escolher religião se baseia na dignidade da pessoa humana; e muitas passagens de Nostre aetate (sobre as relações com as demais religiões). O mesmo deve ocorrer com algumas ambiguidades, como a incerteza da Gaudium et spes sobre a prioridade do fim procriativo no casamento (que gerou o cânon 1055 do Código de Direito Canônico que, segundo ele, deveria ser reescrito); ou a ambiguidade da frase “A Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica”, presente em Dominus Jesus e que é proveniente da Lumen gentium , que já teve alguns esclarecimentos. “Talvez os futuros papas possam simplesmente retomar as frases ambíguas dos textos conciliares — que graças a Deus não são tão numerosas — e dizer: não estão de acordo com a tradição da Igreja” (p. 223). Segundo Schneider, é errôneo o novo ensinamento sobre a pena de morte, inserido pelo Papa Francisco no Catecismo. Também neste caso, “não há dúvida de que um futuro sucessor do Papa Francisco, ou um futuro Concílio ecumênico, corrigirá esta mudança drástica no ensino permanente da Igreja”. Semelhante é o caso do capítulo VIII da exortação Amoris laetitia que, segundo nosso autor, não deve ser rejeitado “da primeira à última linha, mas apenas algumas afirmações deste capítulo que estão realmente equivocadas” (p. 223). A ampla revisão da situação da Igreja em nosso tempo, contida neste livro, aborda todos os aspectos não apenas da doutrina, mas também da práxis da Igreja atual: da papolatria injustificada ao excesso de reuniões e comissões, do apoio à nova ordem mundial ao trágico acordo com a China. https://lanuovabq.it/it/cosi-schneider-elenca-e-risolve-i-problemi-della-chiesa
- O MELHOR ABANDONADO
Se uma das razões da democracia é proteger a maioria mais frágil da hegemonia da minoria mais poderosa, mais que nunca é preciso hoje, na universidade (especialmente nas ciências humanas e nas artes), defender a frágil minoria dos alunos mais inteligentes da massacrante maioria dos alunos mais despreparados intelectualmente. É assunto da mais alta seriedade: trata-se de todo um ano letivo jogado fora, na obrigação impossível de servir a dois senhores: a massificação universitária e o compromisso com a cultura mais elevada. Com as porteiras populisticamente abertas das universidades públicas (mas também das privadas), sobretudo nas humanidades, para a grande massa de alunos mal instruídos que chegam do ensino médio, o professor habitualmente se defronta com dois tipos de alunos: a minoria apta para enfrentar o conhecimento acumulado em cada área de estudos, e a maioria amorfa dos despreparados, que chegam aos cursos superiores tangidos por uma equivocada concepção de universidade. Esta dualidade provoca no ambiente acadêmico uma cômica inversão de papéis, obrigando nossas melhores mentes a caminhar em “adágio” ou “andante”, quando seus músculos pedem um “allegro moderato” ou “vivace” (para usar a linguagem musical), enquanto os demais se debatem e suam diante de conceitos que não conseguem assimilar. Os primeiros são colocados em ostensivo e desperdiçado banho-maria, para que se possa, “democraticamente”, socorrer os demais. Se isto não é atitude decente em relação àqueles que escolheram conscientemente a sua área de estudos, depois de prestado um estressante exame vestibular, será muito menos para com a maioria não qualificada, seguramente mais útil à sociedade se aproveitada em atividades mais práticas que acadêmicas (ambas louváveis na mesma medida, se desempenhadas honestamente). O mau professor de português, incapaz de proferir uma frase sem insultar a gramática, seria uma pessoa profissionalmente mais digna noutra área de atuação. Não nasceu para a interpretação de textos, mas para outras coisas — tão nobres como analisar um canto da Divina Comédia dantesca ou decifrar um parágrafo complicado de filosofia alemã. É inimaginável uma brutalidade maior do que a cometida pela universidade contra alunos não vocacionados para o ensino superior, maldosamente compelidos a uma mediocridade que não merecem. No fundo, quem é o principal responsável por essa deplorável violência, senão o próprio poder político que, indiferentemente à esquerda ou à direita, só se sente bem entre grandes números? Quanto mais alunos ingressando em nossas pobres humanidades, melhor para a estatística oficial. O deplorável é que essa condescendência dos vestibulares costuma ser vergonhosamente endossada pela própria corporação dos professores, seja por equívoco ideológico ou pelo temor da redução de vagas docentes. É preciso cuidar melhor dos três por cento das pessoas que, no Brasil, estão acima da inteligência média brasileira. Pensando nos números da população atual, seriam mais de seis milhões de cidadãos. O futuro de um país depende, entre outras coisas, da formação de seus melhores jovens, que ocuparão os postos de lideranças nas mídias, nos laboratórios, nas escolas, nas empresas, nas igrejas, nas artes etc. O país jamais sairá do atoleiro cultural, em que notoriamente se encontra, sem a mediação consciente das lideranças científicas, religiosas e culturais, devidamente capacitadas intelectual e moralmente. Há os que, por influência do socialismo mais radical, preferem um igualitarismo homogeneizante, fruto do pecado capital da inveja, qualificando levianamente de elitista ou fascista o cuidado especial dispensado àqueles que, entre nós, se revelam mais dotados intelectualmente. Ao contrário, não há forma mais digna e cristã de caridade do que favorecer, pela educação, a plenitude dos talentos que Deus concedeu aos homens.
- 27-49 | CAPÍTULO PRIMEIRO
PRIMEIRA SECÇÃO «EU CREIO» – «NÓS CREMOS» Quando professamos a nossa fé, começamos por dizer: «Creio», ou «Cremos». Portanto, antes de expor a fé da Igreja, tal como é confessada no Credo, celebrada na liturgia, vivida na prática dos mandamentos e na oração, perguntemos a nós mesmos o que significa «crer». A fé é a resposta do homem a Deus, que a ele Se revela e Se oferece, resposta que, ao mesmo tempo, traz uma luz superabundante ao homem que busca o sentido último da sua vida. Comecemos, pois, por considerar esta busca do homem (capítulo primeiro): depois, a Revelação divina pela qual Deus vem ao encontro do homem (capítulo segundo); finalmente, a resposta da fé (capítulo terceiro). CAPÍTULO PRIMEIRO O HOMEM É «CAPAZ» DE DEUS I. O desejo de Deus O desejo de Deus é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso: «A razão mais sublime da dignidade humana consiste na sua vocação à comunhão com Deus. Desde o começo da sua existência, o homem é convidado a dialogar com Deus: pois se existe, é só porque, criado por Deus por amor, é por Ele, e por amor, constantemente conservado: nem pode viver plenamente segundo a verdade, se não reconhecer livremente esse amor e não se entregar ao seu Criador»(1). De muitos modos, na sua história e até hoje, os homens exprimiram a sua busca de Deus em crenças e comportamentos religiosos (orações, sacrifícios, cultos, meditações, etc.). Apesar das ambiguidades de que podem enfermar, estas formas de expressão são tão universais que bem podemos chamar ao homem um ser religioso: Deus «criou de um só homem todo o género humano, para habitar sobre a superfície da terra, e fixou períodos determinados e os limites da sua habitação, para que os homens procurassem a Deus e se esforçassem realmente por O atingir e encontrar. Na verdade, Ele não está longe de cada um de nós. É n’Ele que vivemos, nos movemos e existimos» (Act 17, 26-28). Mas esta «relação íntima e vital que une o homem a Deus»(2) pode ser esquecida, desconhecida e até explicitamente rejeitada pelo homem. Tais atitudes podem ter origens diversas (3) a revolta contra o mal existente no mundo, a ignorância ou a indiferença religiosas, as preocupações do mundo e das riquezas(4), o mau exemplo dos crentes, as correntes de pensamento hostis à religião e, finalmente, a atitude do homem pecador que, por medo, se esconde de Deus(5) e foge quando Ele o chama (6). «Exulte o coração dos que procuram o Senhor» (Sl 105, 3). Se o homem pode esquecer ou rejeitar Deus, Deus é que nunca deixa de chamar todo o homem a que O procure, para que encontre a vida e a felicidade. Mas esta busca exige do homem todo o esforço da sua inteligência, a rectidão da sua vontade, «um coração recto», e também o testemunho de outros que o ensinam a procurar Deus. És grande, Senhor, e altamente louvável; grande é o teu poder e a tua sabedoria é sem medida. E o homem, pequena parcela da tua criação, pretende louvar-Te – precisamente ele que, revestido da sua condição mortal, traz em si o testemunho do seu pecado, o testemunho de que Tu resistes aos soberbos. Apesar de tudo, o homem, pequena parcela da tua criação, quer louvar-Te. Tu próprio a isso o incitas, fazendo com que ele encontre as suas delícias no teu louvor, porque nos fizeste para Ti e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Ti (7). II. Os caminhos de acesso ao conhecimento de Deus Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar a Deus, c homem que procura Deus descobre certos «caminhos» de acesso ao conhecimento de Deus. Também se lhes chama «provas da existência de Deus» – não no sentido das provas que as ciências naturais indagam mas no de «argumentos convergentes e convincentes» que permitem chegar a verdadeiras certezas. Estes «caminhos» para atingir Deus têm como ponto de partida criação: o mundo material e a pessoa humana. O mundo: A partir do movimento e do devir, da contingência, da ordem e da beleza do mundo, pode chegar-se ao conhecimento de Deu: como origem e fim do universo. São Paulo afirma a respeito dos pagãos: «O que se pode conhecer de Deus manifesto para eles, porque Deus lho manifestou. Desde a criação do mundo, a perfeições invisíveis de Deus, o seu poder eterno e a sua divindade tornam-se pelas suas obras, visíveis à inteligência» (Rm 1, 19-20) (8). E Santo Agostinho: «Interroga a beleza da terra, interroga a beleza do mar interroga a beleza do ar que se dilata e difunde, interroga a beleza do céu […] interroga todas estas realidades. Todas te respondem: Estás a ver como somo belas. A beleza delas é o seu testemunho de louvor [«confessio»]. Essas belezas sujeitas à mudança, quem as fez senão o Belo [«Ptdcher»], que não está sujeite à mudança?» (9). O homem: Com a sua abertura à verdade e à beleza, com o seu sentido do bem moral, com a sua liberdade e a voz da sua consciência, com a sua ânsia de infinito e de felicidade, o homem interroga-se sobre a existência de Deus. Nestas aberturas, ele detecta sinais da sua alma espiritual. «Gérmen de eternidade que traz em si mesmo, irredutível à simples matéria» (10), a sua alma só em Deus pode ter origem. O mundo e o homem atestam que não têm em si mesmos, nem o seu primeiro princípio, nem o seu fim último, mas que participam do Ser-em-si, sem princípio nem fim. Assim, por estes diversos «caminhos», o homem pode ter acesso ao conhecimento da existência duma realidade que é a causa primeira e o fim último de tudo, «e a que todos chamam Deus» (11). As faculdades do homem tornam-no capaz de conhecer a existência de um Deus pessoal. Mas, para que o homem possa entrar na sua intimidade, Deus quis revelar-Se ao homem e dar-lhe a graça de poder receber com fé esta revelação. Todavia, as provas da existência de Deus podem dispor para a fé e ajudar a perceber que a fé não se opõe à razão humana. III. O conhecimento de Deus segundo a Igreja «A Santa Igreja, nossa Mãe, atesta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido, com certeza, pela luz natural da razão humana, a partir das coisas criadas» (12). Sem esta capacidade, o homem não poderia acolher a revelação de Deus. O homem tem esta capacidade porque foi criado «à imagem de Deus» (Gn 1, 27). Nas condições históricas em que se encontra, o homem experimenta, no entanto, muitas dificuldades para chegar ao conhecimento de Deus só com as luzes da razão: «Com efeito, para falar com simplicidade, apesar de a razão humana poder verdadeiramente, pelas suas forças e luz naturais, chegar a um conhecimento verdadeiro e certo de um Deus pessoal, que protege e governa o mundo pela sua providência, bem como de uma lei natural inscrita pelo Criador nas nossas almas, há, contudo, bastantes obstáculos que impedem esta mesma razão de usar eficazmente e com fruto o seu poder natural, porque as verdades que dizem respeito a Deus e aos homens ultrapassam absolutamente a ordem das coisas sensíveis; e quando devem traduzir-se em actos e informar a vida, exigem que nos dêmos e renunciemos a nós próprios. O espírito humano, para adquirir semelhantes verdades, sofre dificuldade da parte dos sentidos e da imaginação, bem como dos maus desejos nascidos do pecado original. Daí deriva que, em tais matérias, os homens se persuadem facilmente da falsidade ou, pelo menos, da incerteza das coisas que não desejariam fossem verdadeiras» (13). É por isso que o homem tem necessidade de ser esclarecido pela Revelação de Deus, não somente no que diz respeito ao que excede o seu entendimento, mas também sobre «as verdades religiosas e morais que, de si, não são inacessíveis à razão, para que possam ser, no estado actual do género humano, conhecidas por todos sem dificuldade, com uma certeza firme e sem mistura de erro» (14). IV. Como falar de Deus? Ao defender a capacidade da razão humana para conhecer Deus, a Igreja exprime a sua confiança na possibilidade de falar de Deus a todos os homens e com todos os homens. Esta convicção está na base do seu diálogo com as outras religiões, com a filosofia e as ciências, e também com os descrentes e os ateus. Mas dado que o nosso conhecimento de Deus é limitado, a nossa linguagem, ao falar de Deus, também o é. Não podemos falar de Deus senão a partir das criaturas e segundo o nosso modo humano limitado de conhecer e de pensar. Todas as criaturas são portadoras duma certa semelhança de Deus, muito especialmente o homem, criado à imagem e semelhança de Deus. As múltiplas perfeições das criaturas (a sua verdade, a sua bondade, a sua beleza) reflectem, pois, a perfeição infinita de Deus. Daí que possamos falar de Deus a partir das perfeições das suas criaturas: «porque a grandeza e a beleza das criaturas conduzem, por analogia, à contemplação do seu Autor» (Sb 13, 5). Deus transcende toda a criatura. Devemos, portanto, purificar incessantemente a nossa linguagem no que ela tem de limitado, de ilusório, de imperfeito, para não confundir o Deus «inefável, incompreensível, invisível, impalpável» (15) com as nossas representações humanas. As nossas palavras humanas ficam sempre aquém do mistério de Deus. Ao falar assim de Deus, a nossa linguagem exprime-se, evidentemente, de modo humano. Mas atinge realmente o próprio Deus, sem todavia poder exprimi-Lo na sua infinita simplicidade. Devemos lembrar-nos de que, «entre o Criador e a criatura, não é possível notar uma semelhança sem que a dissemelhança seja ainda maior» (16), e de que «não nos é possível apreender de Deus o que Ele é, senão apenas o que Ele não é, e como se situam os outros seres em relação a Ele»(17). Resumindo: O homem é, por natureza e vocação, um ser religioso. Vindo de Deus e caminhando para Deus, o homem não vive uma vida plenamente humana senão na medida em que livremente viver a sua relação com Deus. O homem foi feito para viver em comunhão com Deus, em quem encontra a sua felicidade: «Quando eu estiver todo em Ti, não mais haverá tristeza nem angústia; inteiramente repleta de Ti, a minha vida será vida plena»(18). Quando escuta a mensagem das criaturas e a voz da sua consciência, o homem pode alcançar a certeza da existência de Deus, causa e fim de tudo. A Igreja ensina que o Deus único e verdadeiro, nosso Criador e Senhor; pode ser conhecido com certeza pelas suas obras, graças à luz natural da razão humana (19). Nós podemos realmente falar de Deus partindo das múltiplas perfeições das criaturas, semelhanças de Deus infinitamente perfeito, ainda que a nossa linguagem limitada não consiga esgotar o mistério. «A criatura sem o Criador esvai-se» (20). Por isso, os crentes sentem-se pressionados pelo amor de Cristo a levar a luz do Deus vivo aos que O ignoram ou rejeitam. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et Spes, 19: AAS 58 (1966) 1038-1039. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et Spes,, 19: AAS 58 (1966) 1039. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et Spes, 19-21: AAS 58 (1966) 1038-1042. Cf. Mt 13, 22. Cf. Gn 3, 8-10. Cf. Jn 1, 3. Santo Agostinho, Confissões, I,1, 1: CCL 27. 1 (PL 32, 659-661). Cf. Act 14, 15, 17; 17. 27-28; Sb 13, 1-9. Santo Agostinho, Sermão 241. 2: PL 38, 1134. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et Spes,18: AAS 58 (1966) 1038: cf. ibid., 14: AAS 58 (1966) 1036. São Tomás de Aquino, Summa theologiae I. q. 2, a. 3, e: Ed. Leon. 4, 31. I Concílio Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 2: DS 3004: cf. Ibid., De Revelatione, canon 2: DS 3026; II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum. 6: AAS 58 (1966) 819. Pio XII. Enc. Humani Generis: DS 3875. Ibid., DS 3876. Cf. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius. c. 2: DS 3005; II Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Verbum. 6: AAS 58 (1966) 819-820; São Tomás de Aquino, Summa theologiae, I, q. 1, a. 1, c.: Ed. Leon. 4. 6. Liturgia Bizantina. Anáfora de São João Crisóstomo: Liturgies Eastern and Western, ed. F. E. Brightman, Oxford 1896. p. 384 (PG 63, 915). IV Concílio de Latrão, Cap. 2. De errore abbatis Ioachim: DS 806. São Tomás de Aquino, Summa contra gentiles I 30: Ed. Leon. 13, 92. Santo Agostinho, Confissões X, 28, 39: CCL 27, 175 (PL 32. 795). I Concílio Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, De revelatione, canon 2: DS 3026. II Concílio do Vaticano II, Const. past. Gaudium et Spes, 36: AAS 58 (1966) 1054. #CAPÍTULOPRIMEIRO2749 #catecismo #catecismodaigrejacatólica
- O REI RECÉM-NASCIDO – Scott Hahn medita sobre a Solenidade da Epifania do Senhor
Hoje, a criança nascida no Natal é revelada como o tão esperado rei dos judeus. Segundo a interpretação dada pelos sacerdotes e escribas, no Evangelho de hoje, Ele é o governante esperado da linhagem do Rei Davi, cuja grandiosidade alcançaria os confins da terra (ver Miquéias 5: 1-3; 2 Samuel 5: 2). Jesus é encontrado junto de sua mãe, assim como o filho de Davi, Salomão, foi entronizado ao lado de sua Rainha Mãe (ver 1 Reis 2:19). E os magos vêm pagar-lhe tributo, como outrora reis e rainhas procuravam Salomão (ver 1 Reis 10: 2,25). Sua vinda evoca promessas que remontam aos primórdios de Israel. Séculos antes, um rei perverso, que procurava destruir Moisés e os israelitas, mandou chamar Balaão, que veio do Oriente com dois servos. Mas Balaão recusou-se a amaldiçoar Israel e, em vez disso, profetizou que uma estrela e um cetro real se levantariam de Israel e seriam exaltados acima de todas as nações (ver Números 22:21; 23: 7; 24: 7, 17). Esta é a estrela seguida pelo três magos. E como Balaão, eles também se recusam a envolver-se nos planos de um rei malévolo. Sua peregrinação é um sinal de que as profecias da Primeira Leitura e do Salmo de hoje estão sendo cumpridas. Eles vêm de longe, guiados pela luz de Deus, levando as riquezas das nações para louvar o Deus de Israel. Celebramos, neste domingo, nossa própria admissão na família de Deus, e o cumprimento do plano de Deus, segundo o qual todas as nações se uniriam a Israel como co-herdeiros de Suas bênçãos paternais, como Paulo revela na epístola de hoje. Nós também devemos ser guiados pela luz do mundo (ver Isaías 42: 6; João 8:12) e a raiz de Davi, a radiosa estrela da manhã (“Eu sou a raiz e o descendente de Davi, a estrela radiosa da manhã”, disse Jesus em Apocalipse 22:16). Como os magos O adoraram na manjedoura, renovemos nosso voto de servi-Lo, colocando nossos dons — nossas intenções e talentos — no altar desta Eucaristia. Devemos oferecer a Ele nossas próprias vidas em ação de graças. Nenhuma outra dádiva será suficiente para este Rei recém-nascido. https://stpaulcenter.com/audio/sunday-bible-reflections/newborn-king-scott-hahn-reflects-on-the-feast-of-the-epiphany-of-the-lord/
- Santa Genoveva, Virgem e Padroeira de Paris – 3 de Janeiro
SANTO DO DIA – 03 DE JANEIRO – SANTA GENOVEVA (Virgem e Padroeira de Paris) No ano de 420, São Germano, bispo de Auxerre, legado do Papa São Celestino, e São Lobo, Bispo de Troyes, rumavam para a Grã-Betanha a fim de combater a heresia dos pelágios, os quais pretendiam poder o homem, sozinho, e sem a graça divina, merecer o céu e ver Deus na sua essência. Pelo caminho, os dois pontífices chegaram ao burfo de Nanterre, perto de Paris. Os habitantes, sabedores da reputação de ambos, apresentaram-se em multidão. São Germano fez-lhe uma exortação, e, olhando o povo que o circundava, viu de longe uma jovem em quem notou algo de celestial. Pediu-lhe que se aproximasse e, com grande assombro de todos, beijou-lhe respeitosamente a testa. Perguntou-lhe o nome, e quem eram seus pais. Responderam-lhe que se chamava Genoveva. Seu pai Severo e sua mãe Gerôntia apresentaram-se ao mesmo tempo. São Germano congratulou-se com eles por terem tal filha, e predisse-lhes que, um dia, seria exemplo para todas as criaturas humanas. Exortou-a a lhe descobrir os segredos do coração, e perguntou-lhe se queria consagrar-se a Jesus Cristo, como esposa. Genoveva declarou que era esse o seu propósito, e rogou ao santo bispo lhe desse a benção solene das Virgens. Entraram na igreja para a prece da nona; em seguida, entoaram-se vários salmos, e fizeram-se longas preces durante as quais o santo bispo manteve a mão direita sobre a cabeça da jovem. Depois, almoçou com ela e seus pais, e recomendou a estes que lha levassem no dia seguinte. Não faltaram ao compromisso e, São Germano perguntou a Genoveva se se lembrava do que tinha prometido. “Sim, santo padre, disse ela, e espero observá-lo com o auxílio de Deus e por meio de vossas orações.” Olhando para o chão, viu ele uma moeda de cobre com o sinal da cruz; pegou-se, e, dando-a a Genoveva, disse-lhe: – ” Guardai-a por amor a mim, levai-a sempre pendente do pescoço e como único ornamento, e deixai o ouro e as pedras preciosas às que servem o mundo.” Recomendou-a aos pais, e continuou a jornada. Desde a idade de quinze anos até os cinquenta, santa Genoveva não comeu senão duas vezes por semana, no domingo e na quinta-feira; e assim mesmo, tratava-se apenas de pão de cevada e favas; nunca bebeu vinho nem coisa nenhuma que pudesse entontecê-la. Alguns dias depois da partida de São Germano, a mãe pretendeu impedi-la de ir à igreja num dia de festa, e, não logrando retê-la, a bateu na face. Imediatamente, ela cegou e cega ficou durante dois anos. Finalmente, lembrando-se da profecia de São Germano, disse à filha que lhe trouxesse um pouco de água do poço e que sobre ela fizesse o sinal da cruz. Santa Genoveva lavou-lhe os olhos, e ela começou a ver um pouco; quando a filha repetiu o ato duas ou três vezes, a mãe recobrou inteiramente a vista. Após a morte dos pais, Genoveva foi viver em Paris, em casa de sua mãe espiritual, ou madrinha. Lá recebeu solenemente, com outras duas virgens, o véu das mãos do bispo. Deus provou-a pelos sofrimentos; todo o corpo foi atacado de paralisia, e, durante três dias, ela pareceu morta. Quando recobrou a saúde, contou que um anjo a tinha conduzido à morada dos justos, para receber o prêmio que Deus reserva aos que o amam. Recebeu também o dom de ler no âmago dos corações. Entretanto, São Germano de Auxerre, em 447, foi chamado pela segunda vez à Grã-Betanha, e para lá rumou com São Severo, bispo de Tréves. Os dois prelados tomaram o caminho por Paris. Os habitantes dessa cidade, sabedores que eles chegavam, foram encontrá-los e rogaram a São Germano que lhes desse a benção. Ele pediu-lhes notícias de Genoveva. Compreendeu pelas respostas que a sua reputação era violentamente atacada por calúnias. Conhecendo-a perfeitamente, rumou para ela, e saudou-a tão humildemente que todos se encheram de assombro. Falou ao povo, para justificá-la e, a fim de provar a sua virtude, mostrou no lugar em que repousava, o chão encharcado de lágrimas. Tendo persuadido todos da inocência de Genoveva, continuou a jornada. Um dia, espalhou-se a notícia de que Átila, rei dos hunos, iria devastar a Gália. Os cidadãos de Paris tomados de pânico resolveram emigrar e transportar os seus haveres a cidades mais fortificadas. Genoveva, reunindo as companheiras, aconselhou-lhes dedicar-se aos jejuns, às preces e às vigílias, a fim de lograrem, como Judite e Ester, escapar à calamidade que as ameaçava. Reuniram-se com Genoveva no batistério, e destinaram vários dias a tais obras de penitência. A santa, por outro lado, dizia aos homens que não abandonassem Paris, visto que as cidades para as quais pretendiam retirar-se seriam devastadas pelos bárbaros, ao passo que, com a proteção de Cristo, Paris ficaria salvo. Mas os habitantes de Paris sublevaram-se contra ela, chamando-lhe falsa profetisa. Falavam até em assassiná-la a pedradas, ou afogá-la num sorvedouro. Apareceu então de Auxerre o arquidiácono de São Germano, que encontrou nos parisienses amontoados nos cantos das ruas, bradando que matariam Genoveva. Disse-lhes “- Não cometais tamanho crime. A que pretendeis matar, soubemo-lo do nosso bispo São Germano, foi escolhida por Deus desde o seio materno; e eis aqui elogios ou bençãos que lhe trago da parte do sumo pontífice. Os habitantes de Paris, considerando o testemunho de Germano, temeram a Deus e deixaram de molestar-lhe a fiel servidora. Chegaram até a conceber por ela uma veneração religiosa, quando viram, de acordo com a profecia, que os hunos se afastavam da sua província. Segundo duas Vidas antiquíssimas de Santa Genoveva, mais antigas até que Gregório de Tours, os francos assediaram durante muitos anos, ou melhor, dez anos, a cidade de Paris, o que provocou uma fome extrema, estando todas as cercanias devastadas. A cidade abriu as portas, e o rei dos francos, Childerico ou Hilderico como o chamam essas Vidas, lá, pelo menos durante algum tempo, fixou moradia. A protetora dos parisienses durante tais calamidades foi Santa Genoveva. Na fome, arranjou-lhes mantimentos que foi procurar pessoalmente com barcos no Sena, até Arcis-sur-Aube e em Troyes. Em seguida, várias vezes obteve de Hilderico o perdão dos que ele havia condenado à morte. O rei, apesar de bárbaro e pagão, não pode deixar de respeitá-la. De resto, era tão grande a fama de Genoveva, que do fundo da Síria São Simeão Estilita pedia notícias dela e se recomendava às suas preces. O que excitava a admiração e o afeto de todos era apenas a sua terna piedade, que a fazia verter lágrimas cada vez que erguia os olhos ao céu, não era somente a sua viva caridade para com os pobres, mas o grande número de milagres que Deus lhe permitia realizar. Viram-na, com o sinal da cruz, curar enfermos, devolver a vista aos cegos, o ouvido aos surdos, expulsar demônios, ressuscitar mortos. Viram-na realizar milagres desse gênero em vários lugares, principalmente em Paris, Meaux, Laon, Troyes, Orleans e Tours. Várias vezes foi em romaria a esta última cidade, a fim de honrar as relíquias de São Martinho. Tinha também particular devoção por São Dionísio de Paris, e mandou erguer-lhe, bem como os companheiros de martírio, uma igreja no lugar em que tinham vertido o sangue pela fé de Jesus Cristo. Foi ainda ela que formou o projeto da basílica dos apóstolos São Pedro e São Paulo, começada por Clóvis e terminada por Santa Clotilde. Finalmente após uma vida de 80 anos, passada na prática de toda a espécie de obras, Genoveva morreu em 3 de Janeiro de 512, cinco semanas depois que Clóvis, o primeiro rei cristão dos francos. O seu corpo foi sepultada perto do príncipe, no recinto da nova igreja dos apóstolos, que ainda não estava concluída, e que, com o tempo tomou o nome de Santa Genoveva, trazido até o nosso século. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume I, p. 122 à 128) Fonte: Arautos do Evangelho
- Santa Genoveva, Virgem e Padroeira de Paris – 3 de Janeiro
SANTO DO DIA – 03 DE JANEIRO – SANTA GENOVEVA (Virgem e Padroeira de Paris) No ano de 420, São Germano, bispo de Auxerre, legado do Papa São Celestino, e São Lobo, Bispo de Troyes, rumavam para a Grã-Betanha a fim de combater a heresia dos pelágios, os quais pretendiam poder o homem, sozinho, e sem a graça divina, merecer o céu e ver Deus na sua essência. Pelo caminho, os dois pontífices chegaram ao burfo de Nanterre, perto de Paris. Os habitantes, sabedores da reputação de ambos, apresentaram-se em multidão. São Germano fez-lhe uma exortação, e, olhando o povo que o circundava, viu de longe uma jovem em quem notou algo de celestial. Pediu-lhe que se aproximasse e, com grande assombro de todos, beijou-lhe respeitosamente a testa. Perguntou-lhe o nome, e quem eram seus pais. Responderam-lhe que se chamava Genoveva. Seu pai Severo e sua mãe Gerôntia apresentaram-se ao mesmo tempo. São Germano congratulou-se com eles por terem tal filha, e predisse-lhes que, um dia, seria exemplo para todas as criaturas humanas. Exortou-a a lhe descobrir os segredos do coração, e perguntou-lhe se queria consagrar-se a Jesus Cristo, como esposa. Genoveva declarou que era esse o seu propósito, e rogou ao santo bispo lhe desse a benção solene das Virgens. Entraram na igreja para a prece da nona; em seguida, entoaram-se vários salmos, e fizeram-se longas preces durante as quais o santo bispo manteve a mão direita sobre a cabeça da jovem. Depois, almoçou com ela e seus pais, e recomendou a estes que lha levassem no dia seguinte. Não faltaram ao compromisso e, São Germano perguntou a Genoveva se se lembrava do que tinha prometido. “Sim, santo padre, disse ela, e espero observá-lo com o auxílio de Deus e por meio de vossas orações.” Olhando para o chão, viu ele uma moeda de cobre com o sinal da cruz; pegou-se, e, dando-a a Genoveva, disse-lhe: – ” Guardai-a por amor a mim, levai-a sempre pendente do pescoço e como único ornamento, e deixai o ouro e as pedras preciosas às que servem o mundo.” Recomendou-a aos pais, e continuou a jornada. Desde a idade de quinze anos até os cinquenta, santa Genoveva não comeu senão duas vezes por semana, no domingo e na quinta-feira; e assim mesmo, tratava-se apenas de pão de cevada e favas; nunca bebeu vinho nem coisa nenhuma que pudesse entontecê-la. Alguns dias depois da partida de São Germano, a mãe pretendeu impedi-la de ir à igreja num dia de festa, e, não logrando retê-la, a bateu na face. Imediatamente, ela cegou e cega ficou durante dois anos. Finalmente, lembrando-se da profecia de São Germano, disse à filha que lhe trouxesse um pouco de água do poço e que sobre ela fizesse o sinal da cruz. Santa Genoveva lavou-lhe os olhos, e ela começou a ver um pouco; quando a filha repetiu o ato duas ou três vezes, a mãe recobrou inteiramente a vista. Após a morte dos pais, Genoveva foi viver em Paris, em casa de sua mãe espiritual, ou madrinha. Lá recebeu solenemente, com outras duas virgens, o véu das mãos do bispo. Deus provou-a pelos sofrimentos; todo o corpo foi atacado de paralisia, e, durante três dias, ela pareceu morta. Quando recobrou a saúde, contou que um anjo a tinha conduzido à morada dos justos, para receber o prêmio que Deus reserva aos que o amam. Recebeu também o dom de ler no âmago dos corações. Entretanto, São Germano de Auxerre, em 447, foi chamado pela segunda vez à Grã-Betanha, e para lá rumou com São Severo, bispo de Tréves. Os dois prelados tomaram o caminho por Paris. Os habitantes dessa cidade, sabedores que eles chegavam, foram encontrá-los e rogaram a São Germano que lhes desse a benção. Ele pediu-lhes notícias de Genoveva. Compreendeu pelas respostas que a sua reputação era violentamente atacada por calúnias. Conhecendo-a perfeitamente, rumou para ela, e saudou-a tão humildemente que todos se encheram de assombro. Falou ao povo, para justificá-la e, a fim de provar a sua virtude, mostrou no lugar em que repousava, o chão encharcado de lágrimas. Tendo persuadido todos da inocência de Genoveva, continuou a jornada. Um dia, espalhou-se a notícia de que Átila, rei dos hunos, iria devastar a Gália. Os cidadãos de Paris tomados de pânico resolveram emigrar e transportar os seus haveres a cidades mais fortificadas. Genoveva, reunindo as companheiras, aconselhou-lhes dedicar-se aos jejuns, às preces e às vigílias, a fim de lograrem, como Judite e Ester, escapar à calamidade que as ameaçava. Reuniram-se com Genoveva no batistério, e destinaram vários dias a tais obras de penitência. A santa, por outro lado, dizia aos homens que não abandonassem Paris, visto que as cidades para as quais pretendiam retirar-se seriam devastadas pelos bárbaros, ao passo que, com a proteção de Cristo, Paris ficaria salvo. Mas os habitantes de Paris sublevaram-se contra ela, chamando-lhe falsa profetisa. Falavam até em assassiná-la a pedradas, ou afogá-la num sorvedouro. Apareceu então de Auxerre o arquidiácono de São Germano, que encontrou nos parisienses amontoados nos cantos das ruas, bradando que matariam Genoveva. Disse-lhes “- Não cometais tamanho crime. A que pretendeis matar, soubemo-lo do nosso bispo São Germano, foi escolhida por Deus desde o seio materno; e eis aqui elogios ou bençãos que lhe trago da parte do sumo pontífice. Os habitantes de Paris, considerando o testemunho de Germano, temeram a Deus e deixaram de molestar-lhe a fiel servidora. Chegaram até a conceber por ela uma veneração religiosa, quando viram, de acordo com a profecia, que os hunos se afastavam da sua província. Segundo duas Vidas antiquíssimas de Santa Genoveva, mais antigas até que Gregório de Tours, os francos assediaram durante muitos anos, ou melhor, dez anos, a cidade de Paris, o que provocou uma fome extrema, estando todas as cercanias devastadas. A cidade abriu as portas, e o rei dos francos, Childerico ou Hilderico como o chamam essas Vidas, lá, pelo menos durante algum tempo, fixou moradia. A protetora dos parisienses durante tais calamidades foi Santa Genoveva. Na fome, arranjou-lhes mantimentos que foi procurar pessoalmente com barcos no Sena, até Arcis-sur-Aube e em Troyes. Em seguida, várias vezes obteve de Hilderico o perdão dos que ele havia condenado à morte. O rei, apesar de bárbaro e pagão, não pode deixar de respeitá-la. De resto, era tão grande a fama de Genoveva, que do fundo da Síria São Simeão Estilita pedia notícias dela e se recomendava às suas preces. O que excitava a admiração e o afeto de todos era apenas a sua terna piedade, que a fazia verter lágrimas cada vez que erguia os olhos ao céu, não era somente a sua viva caridade para com os pobres, mas o grande número de milagres que Deus lhe permitia realizar. Viram-na, com o sinal da cruz, curar enfermos, devolver a vista aos cegos, o ouvido aos surdos, expulsar demônios, ressuscitar mortos. Viram-na realizar milagres desse gênero em vários lugares, principalmente em Paris, Meaux, Laon, Troyes, Orleans e Tours. Várias vezes foi em romaria a esta última cidade, a fim de honrar as relíquias de São Martinho. Tinha também particular devoção por São Dionísio de Paris, e mandou erguer-lhe, bem como os companheiros de martírio, uma igreja no lugar em que tinham vertido o sangue pela fé de Jesus Cristo. Foi ainda ela que formou o projeto da basílica dos apóstolos São Pedro e São Paulo, começada por Clóvis e terminada por Santa Clotilde. Finalmente após uma vida de 80 anos, passada na prática de toda a espécie de obras, Genoveva morreu em 3 de Janeiro de 512, cinco semanas depois que Clóvis, o primeiro rei cristão dos francos. O seu corpo foi sepultada perto do príncipe, no recinto da nova igreja dos apóstolos, que ainda não estava concluída, e que, com o tempo tomou o nome de Santa Genoveva, trazido até o nosso século. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume I, p. 122 à 128) Fonte: Arautos do Evangelho
- 26 | PRIMEIRA SECÇÃO
PRIMEIRA SECÇÃO «EU CREIO» – «NÓS CREMOS» Quando professamos a nossa fé, começamos por dizer: «Creio», ou «Cremos». Portanto, antes de expor a fé da Igreja, tal como é confessada no Credo, celebrada na liturgia, vivida na prática dos mandamentos e na oração, perguntemos a nós mesmos o que significa «crer». A fé é a resposta do homem a Deus, que a ele Se revela e Se oferece, resposta que, ao mesmo tempo, traz uma luz superabundante ao homem que busca o sentido último da sua vida. Comecemos, pois, por considerar esta busca do homem (capítulo primeiro): depois, a Revelação divina pela qual Deus vem ao encontro do homem (capítulo segundo); finalmente, a resposta da fé (capítulo terceiro). CAPÍTULO PRIMEIRO O HOMEM É «CAPAZ» DE DEUS I. O desejo de Deus O desejo de Deus é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso: «A razão mais sublime da dignidade humana consiste na sua vocação à comunhão com Deus. Desde o começo da sua existência, o homem é convidado a dialogar com Deus: pois se existe, é só porque, criado por Deus por amor, é por Ele, e por amor, constantemente conservado: nem pode viver plenamente segundo a verdade, se não reconhecer livremente esse amor e não se entregar ao seu Criador»(1). De muitos modos, na sua história e até hoje, os homens exprimiram a sua busca de Deus em crenças e comportamentos religiosos (orações, sacrifícios, cultos, meditações, etc.). Apesar das ambiguidades de que podem enfermar, estas formas de expressão são tão universais que bem podemos chamar ao homem um ser religioso: Deus «criou de um só homem todo o género humano, para habitar sobre a superfície da terra, e fixou períodos determinados e os limites da sua habitação, para que os homens procurassem a Deus e se esforçassem realmente por O atingir e encontrar. Na verdade, Ele não está longe de cada um de nós. É n’Ele que vivemos, nos movemos e existimos» (Act 17, 26-28). Mas esta «relação íntima e vital que une o homem a Deus»(2) pode ser esquecida, desconhecida e até explicitamente rejeitada pelo homem. Tais atitudes podem ter origens diversas (3) a revolta contra o mal existente no mundo, a ignorância ou a indiferença religiosas, as preocupações do mundo e das riquezas(4), o mau exemplo dos crentes, as correntes de pensamento hostis à religião e, finalmente, a atitude do homem pecador que, por medo, se esconde de Deus(5) e foge quando Ele o chama (6). «Exulte o coração dos que procuram o Senhor» (Sl 105, 3). Se o homem pode esquecer ou rejeitar Deus, Deus é que nunca deixa de chamar todo o homem a que O procure, para que encontre a vida e a felicidade. Mas esta busca exige do homem todo o esforço da sua inteligência, a rectidão da sua vontade, «um coração recto», e também o testemunho de outros que o ensinam a procurar Deus. És grande, Senhor, e altamente louvável; grande é o teu poder e a tua sabedoria é sem medida. E o homem, pequena parcela da tua criação, pretende louvar-Te – precisamente ele que, revestido da sua condição mortal, traz em si o testemunho do seu pecado, o testemunho de que Tu resistes aos soberbos. Apesar de tudo, o homem, pequena parcela da tua criação, quer louvar-Te. Tu próprio a isso o incitas, fazendo com que ele encontre as suas delícias no teu louvor, porque nos fizeste para Ti e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Ti (7). II. Os caminhos de acesso ao conhecimento de Deus Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar a Deus, c homem que procura Deus descobre certos «caminhos» de acesso ao conhecimento de Deus. Também se lhes chama «provas da existência de Deus» – não no sentido das provas que as ciências naturais indagam mas no de «argumentos convergentes e convincentes» que permitem chegar a verdadeiras certezas. Estes «caminhos» para atingir Deus têm como ponto de partida criação: o mundo material e a pessoa humana. O mundo: A partir do movimento e do devir, da contingência, da ordem e da beleza do mundo, pode chegar-se ao conhecimento de Deu: como origem e fim do universo. São Paulo afirma a respeito dos pagãos: «O que se pode conhecer de Deus manifesto para eles, porque Deus lho manifestou. Desde a criação do mundo, a perfeições invisíveis de Deus, o seu poder eterno e a sua divindade tornam-se pelas suas obras, visíveis à inteligência» (Rm 1, 19-20) (8). E Santo Agostinho: «Interroga a beleza da terra, interroga a beleza do mar interroga a beleza do ar que se dilata e difunde, interroga a beleza do céu […] interroga todas estas realidades. Todas te respondem: Estás a ver como somo belas. A beleza delas é o seu testemunho de louvor [«confessio»]. Essas belezas sujeitas à mudança, quem as fez senão o Belo [«Ptdcher»], que não está sujeite à mudança?» (9). O homem: Com a sua abertura à verdade e à beleza, com o seu sentido do bem moral, com a sua liberdade e a voz da sua consciência, com a sua ânsia de infinito e de felicidade, o homem interroga-se sobre a existência de Deus. Nestas aberturas, ele detecta sinais da sua alma espiritual. «Gérmen de eternidade que traz em si mesmo, irredutível à simples matéria» (10), a sua alma só em Deus pode ter origem. O mundo e o homem atestam que não têm em si mesmos, nem o seu primeiro princípio, nem o seu fim último, mas que participam do Ser-em-si, sem princípio nem fim. Assim, por estes diversos «caminhos», o homem pode ter acesso ao conhecimento da existência duma realidade que é a causa primeira e o fim último de tudo, «e a que todos chamam Deus» (11). As faculdades do homem tornam-no capaz de conhecer a existência de um Deus pessoal. Mas, para que o homem possa entrar na sua intimidade, Deus quis revelar-Se ao homem e dar-lhe a graça de poder receber com fé esta revelação. Todavia, as provas da existência de Deus podem dispor para a fé e ajudar a perceber que a fé não se opõe à razão humana. III. O conhecimento de Deus segundo a Igreja «A Santa Igreja, nossa Mãe, atesta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido, com certeza, pela luz natural da razão humana, a partir das coisas criadas» (12). Sem esta capacidade, o homem não poderia acolher a revelação de Deus. O homem tem esta capacidade porque foi criado «à imagem de Deus» (Gn 1, 27). Nas condições históricas em que se encontra, o homem experimenta, no entanto, muitas dificuldades para chegar ao conhecimento de Deus só com as luzes da razão: «Com efeito, para falar com simplicidade, apesar de a razão humana poder verdadeiramente, pelas suas forças e luz naturais, chegar a um conhecimento verdadeiro e certo de um Deus pessoal, que protege e governa o mundo pela sua providência, bem como de uma lei natural inscrita pelo Criador nas nossas almas, há, contudo, bastantes obstáculos que impedem esta mesma razão de usar eficazmente e com fruto o seu poder natural, porque as verdades que dizem respeito a Deus e aos homens ultrapassam absolutamente a ordem das coisas sensíveis; e quando devem traduzir-se em actos e informar a vida, exigem que nos dêmos e renunciemos a nós próprios. O espírito humano, para adquirir semelhantes verdades, sofre dificuldade da parte dos sentidos e da imaginação, bem como dos maus desejos nascidos do pecado original. Daí deriva que, em tais matérias, os homens se persuadem facilmente da falsidade ou, pelo menos, da incerteza das coisas que não desejariam fossem verdadeiras» (13). É por isso que o homem tem necessidade de ser esclarecido pela Revelação de Deus, não somente no que diz respeito ao que excede o seu entendimento, mas também sobre «as verdades religiosas e morais que, de si, não são inacessíveis à razão, para que possam ser, no estado actual do género humano, conhecidas por todos sem dificuldade, com uma certeza firme e sem mistura de erro» (14). IV. Como falar de Deus? Ao defender a capacidade da razão humana para conhecer Deus, a Igreja exprime a sua confiança na possibilidade de falar de Deus a todos os homens e com todos os homens. Esta convicção está na base do seu diálogo com as outras religiões, com a filosofia e as ciências, e também com os descrentes e os ateus. Mas dado que o nosso conhecimento de Deus é limitado, a nossa linguagem, ao falar de Deus, também o é. Não podemos falar de Deus senão a partir das criaturas e segundo o nosso modo humano limitado de conhecer e de pensar. Todas as criaturas são portadoras duma certa semelhança de Deus, muito especialmente o homem, criado à imagem e semelhança de Deus. As múltiplas perfeições das criaturas (a sua verdade, a sua bondade, a sua beleza) reflectem, pois, a perfeição infinita de Deus. Daí que possamos falar de Deus a partir das perfeições das suas criaturas: «porque a grandeza e a beleza das criaturas conduzem, por analogia, à contemplação do seu Autor» (Sb 13, 5). Deus transcende toda a criatura. Devemos, portanto, purificar incessantemente a nossa linguagem no que ela tem de limitado, de ilusório, de imperfeito, para não confundir o Deus «inefável, incompreensível, invisível, impalpável» (15) com as nossas representações humanas. As nossas palavras humanas ficam sempre aquém do mistério de Deus. Ao falar assim de Deus, a nossa linguagem exprime-se, evidentemente, de modo humano. Mas atinge realmente o próprio Deus, sem todavia poder exprimi-Lo na sua infinita simplicidade. Devemos lembrar-nos de que, «entre o Criador e a criatura, não é possível notar uma semelhança sem que a dissemelhança seja ainda maior» (16), e de que «não nos é possível apreender de Deus o que Ele é, senão apenas o que Ele não é, e como se situam os outros seres em relação a Ele»(17). Resumindo: O homem é, por natureza e vocação, um ser religioso. Vindo de Deus e caminhando para Deus, o homem não vive uma vida plenamente humana senão na medida em que livremente viver a sua relação com Deus. O homem foi feito para viver em comunhão com Deus, em quem encontra a sua felicidade: «Quando eu estiver todo em Ti, não mais haverá tristeza nem angústia; inteiramente repleta de Ti, a minha vida será vida plena»(18). Quando escuta a mensagem das criaturas e a voz da sua consciência, o homem pode alcançar a certeza da existência de Deus, causa e fim de tudo. A Igreja ensina que o Deus único e verdadeiro, nosso Criador e Senhor; pode ser conhecido com certeza pelas suas obras, graças à luz natural da razão humana (19). Nós podemos realmente falar de Deus partindo das múltiplas perfeições das criaturas, semelhanças de Deus infinitamente perfeito, ainda que a nossa linguagem limitada não consiga esgotar o mistério. «A criatura sem o Criador esvai-se» (20). Por isso, os crentes sentem-se pressionados pelo amor de Cristo a levar a luz do Deus vivo aos que O ignoram ou rejeitam. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et Spes, 19: AAS 58 (1966) 1038-1039. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et Spes,, 19: AAS 58 (1966) 1039. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et Spes, 19-21: AAS 58 (1966) 1038-1042. Cf. Mt 13, 22. Cf. Gn 3, 8-10. Cf. Jn 1, 3. Santo Agostinho, Confissões, I,1, 1: CCL 27. 1 (PL 32, 659-661). Cf. Act 14, 15, 17; 17. 27-28; Sb 13, 1-9. Santo Agostinho, Sermão 241. 2: PL 38, 1134. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et Spes,18: AAS 58 (1966) 1038: cf. ibid., 14: AAS 58 (1966) 1036. São Tomás de Aquino, Summa theologiae I. q. 2, a. 3, e: Ed. Leon. 4, 31. I Concílio Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 2: DS 3004: cf. Ibid., De Revelatione, canon 2: DS 3026; II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum. 6: AAS 58 (1966) 819. Pio XII. Enc. Humani Generis: DS 3875. Ibid., DS 3876. Cf. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius. c. 2: DS 3005; II Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Verbum. 6: AAS 58 (1966) 819-820; São Tomás de Aquino, Summa theologiae, I, q. 1, a. 1, c.: Ed. Leon. 4. 6. Liturgia Bizantina. Anáfora de São João Crisóstomo: Liturgies Eastern and Western, ed. F. E. Brightman, Oxford 1896. p. 384 (PG 63, 915). IV Concílio de Latrão, Cap. 2. De errore abbatis Ioachim: DS 806. São Tomás de Aquino, Summa contra gentiles I 30: Ed. Leon. 13, 92. Santo Agostinho, Confissões X, 28, 39: CCL 27, 175 (PL 32. 795). I Concílio Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, De revelatione, canon 2: DS 3026. II Concílio do Vaticano II, Const. past. Gaudium et Spes, 36: AAS 58 (1966) 1054. #catecismo #catecismodaigrejacatólica
- 01-25 | PRÓLOGO
PRÓLOGO «PAI, […] é esta a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo» (Jo 17, 3). «Deus, nosso Salvador […], quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tm 2, 3-4). «Não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos» (Act 4, 12), senão o nome de JESUS. I. A vida do homem – conhecer e amar a Deus Deus, infinitamente perfeito e bem-aventurado em Si mesmo, num desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para o tornar participante da sua vida bem-aventurada. Por isso, sempre e em toda a parte, Ele está próximo do homem. Chama-o e ajuda-o a procurá-Lo, a conhecê-Lo e a amá-Lo com todas as suas forças. Convoca todos os homens, dispersos pelo pecado, para a unidade da sua família que é a Igreja. Para tal, enviou o seu Filho como Redentor e Salvador na plenitude dos tempos. N’Ele e por Ele, chama os homens a tornarem-se, no Espírito Santo, seus filhos adoptivos e, portanto, herdeiros da sua vida bem-aventurada. Para que este convite se fizesse ouvir por toda a Terra, Cristo enviou os Apóstolos que escolhera, dando-lhes o mandato de anunciar o Evangelho: «Ide, pois, fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprirem tudo quanto vos prescrevi. E eis que Eu estou convosco todos os dias até ao fim do mundo» (Mt 28, 19-20). Fortalecidos por esta missão, os Apóstolos «partiram a pregar por toda a parte e o Senhor cooperava com eles confirmando a Palavra com os sinais que a acompanhavam» (Mc 16, 20). Aqueles que, com a ajuda de Deus, aceitaram o convite de Cristo e livremente Lhe responderam, foram por sua vez impelidos, pelo amor do mesmo Cristo, a anunciar por toda a parte a Boa-Nova. Este tesouro, recebido dos Apóstolos, foi fielmente guardado pelos seus sucessores. Todos os fiéis de Cristo são chamados a transmiti-lo de geração em geração, anunciando a fé, vivendo-a em partilha fraterna e celebrando-a na liturgia e na oração (1). II. Transmitir a fé – a catequese Bem cedo se chamou catequese ao conjunto de esforços empreendidos na Igreja para fazer discípulos, para ajudar os homens a acreditar que Jesus é o Filho de Deus, a fim de, pela fé, terem a vida em seu nome, e para os educar e instruir nessa vida, construindo assim o Corpo de Cristo (2). «A catequese é uma educação da fé das crianças, dos jovens e dos adultos, que compreende especialmente o ensino da doutrina cristã, ministrado em geral dum modo orgânico e sistemático, em ordem à iniciação na plenitude da vida cristã» (3). Sem se confundir com eles, a catequese articula-se com um certo número de elementos da missão pastoral da Igreja que têm um aspecto catequético, preparam para a catequese ou dela derivam: o primeiro anúncio do Evangelho ou pregação missionária, para suscitar a fé; a busca das razões de acreditar; a experiência da vida cristã; a celebração dos sacramentos; a integração na comunidade eclesial; o testemunho apostólico e missionário (4) «A catequese está intimamente ligada a toda a vida da Igreja. Dependem essencialmente dela não só a expansão geográfica e o crescimento numérico, mas também, e muito mais ainda, o crescimento interior da Igreja e a sua conformidade com o desígnio de Deus» (5). Os períodos de renovação da Igreja são também tempos fortes de catequese. Assim, na grande época dos Padres da Igreja, vemos santos bispos consagrarem parte importante do seu ministério à catequese, como por exemplo São Cirilo de Jerusalém, São João Crisóstomo, Santo Ambrósio, Santo Agostinho e tantos outros Padres, cujas obras catequéticas continuam a ser modelo. O ministério da catequese vai buscar energias sempre novas aos concílios. O Concílio de Trento constitui, a este respeito, um exemplo a sublinhar: nas suas constituições e decretos, deu prioridade à catequese; está na origem do Catecismo Romano que tem o seu nome e que constitui um trabalho de primeira ordem como compêndio da doutrina cristã; fez nascer na Igreja uma organização notável da catequese; e, graças a santos bispos e teólogos, como São Pedro Canísio, São Carlos Borromeo, São Toríbio de Mogrovejo e São Roberto Belarmino, levou à publicação de numerosos catecismos. Não admira, pois, que, na sequência do II Concílio do Vaticano (que o Papa Paulo VI considerava como o grande catecismo dos tempos modernos), a catequese da Igreja tenha de novo chamado a atenção. O Directório catequético geral, de 1971; as sessões do Sínodo dos Bispos consagradas à evangelização (1974) e à catequese (1977): e as exortações apostólicas correspondentes — Evangelii nuntiandi (1975) e Catechesi tradendae (1979) — são disso bom testemunho. A assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos de 1985 pediu: «que seja redigido um catecismo ou compêndio de toda a doutrina católica, tanto no tocante à fé como no que respeita à moral» (6). O Santo Padre João Paulo II fez seu este voto do Sínodo dos Bispos. Reconheceu que «tal desejo corresponde inteiramente a uma verdadeira necessidade da Igreja universal e das Igrejas particulares»(7). E pôs todo o seu empenho cm que se concretizasse este desejo dos Padres sinodais. III. Finalidade e destinatários deste catecismo A finalidade deste Catecismo é apresentar uma exposição orgânica e sintética dos conteúdos essenciais e fundamentais da doutrina católica, tanto sobre a fé como sobre a moral, à luz do II Concilio do Vaticano e do conjunto da Tradição da Igreja. As suas fontes principais são a Sagrada Escritura, os santos Padres, a liturgia e o Magistério da Igreja. E destina-se a servir «como ponto de referência aos catecismos ou compêndios a publicar nos diversos países» (8). Este Catecismo destina-se principalmente aos responsáveis pela catequese, que são em primeiro lugar os bispos, enquanto doutores da fé e pastores da Igreja. É-lhes oferecido como instrumento para o desempenho da sua missão de ensinar o povo de Deus. E, através dos bispos, dirige-se aos redactores de catecismos, aos sacerdotes e aos catequistas. Será também uma leitura útil para todos os outros fiéis cristãos. IV. Estrutura deste catecismo O plano deste Catecismo inspira-se na grande tradição dos catecismos que articulam a catequese cm torno de quatro «pilares»: a profissão da fé baptismal (Símbolo), os sacramentos da fé, a vida da fé (Mandamentos) e a oração do crente (o Pai Nosso). PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ Aqueles que, pela fé e pelo Baptismo, pertencem a Cristo, devem confessar a sua fé baptismal diante dos homens (9). Por isso, o Catecismo começa por expor em que consiste a Revelação, pela qual Deus Se dirige e Se dá ao homem, e a fé pela qual o homem responde a Deus (Primeira Secção). O Símbolo da fé resume os dons que Deus faz ao homem, como Autor de todo o bem, Redentor e Santificador, e articula-os em volta dos «três capítulos» do nosso Baptismo – a fé num só Deus: o Pai Todo-poderoso, Criador; e o seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador: e o Espírito Santo, na Santa Igreja (Segunda Secção). SEGUNDA PARTE: OS SACRAMENTOS DA FÉ A segunda parte do Catecismo expõe como a salvação de Deus, realizada uma vez por todas por Jesus Cristo e pelo Espírito Santo, se toma presente nas acções sagradas da liturgia da Igreja(Primeira Secção), e em especial nos sete sacramentos (Segunda Secção). TERCEIRA PARTE: A VIDA DA FÉ A terceira parte do Catecismo apresenta o fim último do homem, criado à imagem de Deus – a bem-aventurança e os caminhos para a ela chegar: um comportamento recto e livre, com a ajuda da lei de Deus e da sua graça (Primeira Secção); um comportamento que realize o duplo mandamento da caridade, explicitado nos dez Mandamentos de Deus (Segunda Secção). QUARTA PARTE: A ORAÇÃO NA VIDA DA FÉ A última parte do Catecismo trata do sentido e da importância da oração na vida dos crentes(Primeira Secção), terminando com um breve comentário aos sete pedidos da Oração do Senhor(Segunda Secção). De facto, nesses sete pedidos encontramos a suma dos bens que devemos esperar e que o nosso Pai dos Céus nos quer dar. V. Indicações práticas para o uso deste catecismo Este Catecismo foi concebido como uma exposição orgânica de toda a fé católica. Deve, portanto, ser lido como um todo. Numerosas notas remissivas à margem do texto (números impressos em tipos menores remetendo para outros parágrafos que tratam do mesmo assunto) e o índice analítico no fim do volume, permitem encarar cada tema na sua ligação com o conjunto da fé. Muitas vezes, os textos da Sagrada Escritura não são citados literalmente, mas com a simples indicação da referência (por meio dum cf.) feita em nota. Para uma inteligência aprofundada desses passos, convém recorrer aos próprios textos. Tais referências bíblicas são um instrumento de trabalho para a catequese. Quando, cm certas passagens, se emprega a letra miúda, isso quer dizer que se trata de anotações de tipo histórico ou apologético, ou de exposições doutrinais complementares. As citações, em letra miúda, de fontes patrísticas, litúrgicas, do Magistério ou da hagiografia, destinam-se a enriquecer a exposição doutrinal. Frequentemente, esses textos foram escolhidos a pensar num emprego directamente catequético. No fim de cada unidade temática, uma série de textos breves resume, em fórmulas escolhidas, o essencial do ensinamento. Estes «RESUMINDO» têm por fim dar à catequese local sugestões de fórmulas sintéticas e fáceis de decorar. VI. Adaptações necessárias A tónica deste Catecismo incide sobre a exposição doutrinal. Com efeito, a sua intenção é ajudar a aprofundar o conhecimento da fé. Todo ele se orienta no sentido do amadurecimento da mesma fé, do seu enraizamento na vida e da sua irradiação no testemunho (10). Pela sua própria finalidade, este Catecismo não se propõe realizar as adaptações da exposição e dos métodos catequéticos, exigidas pelas diferenças de culturas, idades, maturidade espiritual, situações sociais e eclesiais daqueles a quem a catequese se dirige. Essas indispensáveis adaptações pertencem aos catecismos apropriados e, sobretudo, àqueles que ministram o ensino aos fiéis: «Aquele que ensina deve “fazer-se tudo para todos” (1 Cor 9, 22) para a todos atrair a Jesus Cristo. […] Sobretudo, não julgue que lhe está confiada apenas uma categoria de almas e que, portanto, lhe incumbe o trabalho de ensinar e formar de modo idêntico, na verdadeira piedade, todos os fiéis, usando sempre um só e mesmo método! Atendendo a que, em Cristo Jesus, uns são como crianças recém-nascidas, outros como adolescentes e outro, finalmente, já são efectivamente adultos, é necessário que pondere com toda a diligência quais são os que precisam de leite e quais os que carecem de um alimento mais sólido. […] Isto mesmo testemunhava de si próprio o Apóstolo. […] Os que são chamados ao ministério da pregação devem, ao transmitir o ensino dos mistérios da fé e das normas dos costumes, adaptar as suas palavras à mentalidade e à inteligência dos seus ouvintes» (11). ACIMA DE TUDO — A CARIDADE A concluir esta apresentação, é oportuno Lembrar este princípio pastoral enunciado pelo Catecismo Romano: Este é sem dúvida o caminho melhor, que o mesmo apóstolo seguia quando fundamentava a sua doutrina e ensino na caridade que não acaba nunca. A finalidade da doutrina e do ensino deve fixar-se toda no amor, que não acaba. Podemos expor muito bem o que se deve crer, esperar ou fazer; mas, sobretudo, devemos pôr sempre em evidência o amor de nosso Senhor, de modo que cada qual compreenda que qualquer acto de virtude perfeitamente cristão, não tem outra origem nem outro fim senão o amor (12). Notas Cf. Act 2, 42. 2. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Catechesi tradendae, 1: AAS 71 (1979) 1277-1278. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Catechesi tradendae, 18: AAS 71 (1979) 1292. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Catechesi tradendae, 18: AAS 71 (1979) 1292. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Catechesi tradendae, 13: AAS 71 (1979) 1288. Sínodo dos Bispos, Assembleia extraordinária, Ecclesia sub Verbo Dei mysteria Christi celebrans pro salute mundi. Relatório final II B A 4 (Cidade do Vaticano 1985), p. 11. João Paulo II, Discurso de encerramento da Assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos (7 de Dezembro de 1985), 6: AAS 58 (1986) 435. Sínodo dos Bispos, Ecclesia sub Verbo Dei mysteria Christi celebrans pro salute mundi. Relatório final II B A 4 (Cidade do Vaticano 1985), p. 11. Cf. Mt 10, 23; Rm 10, 9. Cf. João Paulo II, Ex. ap. Catechesi tradendae, 20-22: AAS 71 (1979) 1293-1296; Ibid., 25: AAS 71 (1979) 1207-1298. Catechismus Romanus seu Catechismus ex decreto Concilii Tridentini ad parochos, Pii V Pontificis Maximi iussu editus, Praefatio, 11: ed P. Rodríguez (Città del Vaticano – Pamplona 1989) p. 11. Catechismus Romanus, Praefatio 10: ed. P. Rodriguez (Città del Vaticano – Pamplona 1989) p. 10. #catecismo #catecismodaigrejacatólica #PRÓLOGO125
- VACINAS – Padre Santiago Martín
Há alguns dias, uma notícia viajou pelo mundo: o Vaticano teria aprovado o uso de vacinas Covid com fetos humanos. Isto implicaria, de alguma forma e de acordo com a maioria dos meios de comunicação social, a aceitação do aborto e do negócio que este gera, um negócio em que as mulheres que fazem abortos estão se tornando fornecedoras de “material humano” para a indústria cosmética ou a medicina. De fato, o documento do Vaticano baseia-se num anterior, de 2008 — quando ainda era papa Bento XVI — no qual foi analisada a possibilidade de utilizar vacinas provenientes de células humanas a partir de fetos. Tudo começou no início da década de 1970, quando uma linha celular foi extraída de um feto abortado para investigação. A partir daí, foram produzidas vacinas contra a varicela, sarampo, papeira ou rubéola. Estas vacinas não continham diretamente material de fetos, mas foram obtidas a partir daquelas primeiras células retiradas daquele feto abortado. Já então o Vaticano estabeleceu que a utilização de tal material para investigação era imoral e pediu às empresas farmacêuticas que procurassem vacinas que não envolvessem células humanas de abortos. Mas, ao mesmo tempo, permitiu aos católicos recorrer a tais vacinas por razões graves, quando a saúde dos seus filhos estava em risco. O novo documento do Vaticano está em conformidade com o que foi estabelecido em 2008. Condena a utilização de material fetal para experimentação, mas permite que os católicos utilizem vacinas Covid obtidas com estas células antigas, alegando que a ligação entre elas e o material fetal original é remota (quase 50 anos, desde que o aborto teve lugar, e as células que foram utilizadas desde então foram removidas) e que, se estas vacinas não fossem utilizadas, não só a vida da pessoa que não quisesse ser vacinada estaria em perigo, mas que poderia infectar outras pessoas e causar a sua morte. Por conseguinte, enquanto a experimentação e utilização de material de fetos humanos é rejeitada, as vacinas dessa fonte são aceitas com base no fato de a cooperação com esse aborto, através da utilização de algo dele, ser remota; além disso, é considerado um mal menor utilizar a vacina em comparação com o mal maior de se opor a ela. Não vou discutir a decisão do Vaticano, que também se baseia na que foi abençoada pelo Papa Bento XVI em 2008. Mas tenho algumas questões que gostaria que alguém esclarecesse. Este é um negócio florescente que provém da utilização de material fetal, e o mínimo é a utilização das linhas celulares que foram criadas há 50 anos atrás. Os fetos estão sendo hoje utilizados para cosméticos, para aromatizar certos alimentos e bebidas e, cada vez mais, para fornecer órgãos para transplantes. Tal como já existem mulheres que alugam os seus ventres para engravidar às custas de outras pessoas, poderia haver muitas mulheres que produzem crianças diretamente para aborto; uma vez que o aborto aos nove meses é legal em muitos países — o chamado aborto decapitado —, poderiam ser obtidos órgãos saudáveis que seriam comercializados a preços elevados. Se uma vacina for aceita para prevenir a Covid, não poderia ser aceito um fígado, um rim ou um coração, de um bebê de nove meses, quando está em jogo a vida daquele que precisa do transplante? É verdade que o critério da temporalidade — a ligação remota com o aborto inicial do qual se originou a linha celular que serviu de base para a vacina — excluiria a moralidade da utilização desse órgão de um feto recentemente morto, mas o argumento do mal menor poderia ser utilizado, afirmando que o feto morrerá de qualquer forma porque foi criado para esse fim e que lhe podem ser retirados vários órgãos para salvar tantas vidas humanas. A perspectiva é assustadora e devemos ter muito cuidado para não nos tornarmos cúmplices na transformação do homem num material para consumo, a um nível não superior ao de uma vaca, um cordeiro ou uma galinha. Por outro lado, o Vaticano encoraja a utilização de vacinas que não tenham impedimentos morais. Creio que isto não só é legítimo, como necessário. Se os católicos, se pudessem escolher, rejeitassem as vacinas que têm origem, embora remotamente, em fetos, as empresas farmacêuticas colocariam outros produtos no mercado para não perderem milhões de clientes. De acordo com vários estudos, a vacina Pfizer é eticamente aceitável. Façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que é o que nos é dado, sem esquecer que não é obrigatório ser vacinado, embora possa ser, segundo o Vaticano, moralmente aconselhável.
- Jo 3, 13-17
A Festa da Exaltação da Santa Cruz ajuda o discípulo a compreender o mistério cristão e motiva a viver inspirado em Jesus. A cruz na vida de Jesus, não se resumiu a um fato preciso de sua vida por ocasião de sua morte violenta. Perpassou toda a sua existência, em forma de tentações, perseguições, calunias, contrariedades e, por fim, morte cruel. As muitas cruzes da caminhada prepararam a cruz definitiva, onde foi possível demonstrar a força da obediência. A cruz é sinônimo de fidelidade a Deus, da entrega da própria vida nas mãos do Pai. É sinônimo de Amor: “Ninguém tem maior amor do alguém que dá a vida pelos amigos” (Jo 15, 13). Nós não amamos a cruz pela cruz; amamos a cruz por causa do crucificado. Na cruz está o projeto do amor do Pai. Vergonha para os judeus, loucura para os gregos, escândalo para os gentios, ela representa o mistério do sofrimento e da glória. A cruz não é a última palavra; ela simboliza o saber perder para ganhar. É o grão de trigo que aceita morrer para voltar multiplicado. São Paulo compreendeu e expressou a riqueza contida na crucificação de Jesus: “Ele me amou e se entregou por mim” (Gl 2, 20). Jesus para nos redimir e salvar, morreu crucificado. Mudou assim o sentido da cruz de instrumento de condenação a transformou em trono de vitória e resgate em favor de toda a humanidade. Embora traga sinais de sofrimentos se tornou para nós em fonte de salvação. Rezemos: Senhor, contemplando e beijando a cruz queremos dizer: Nós vos adoramos Senhor Jesus Cristo e vos bendizemos. Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo. O Senhor nos abençoe e guarde. #LiturgiaDiária03102127ºDOMINGOTEMPOCOMUM #liturgiadodiadehoje #liturgiadehojecomhomilia #reflexãodaliturgiadehoje #meditandooevangelhodehoje #homiliadodiadehoje #homilia #liturgiadiáriadehoje #EVANGELHOCOMENTADO #liturgiadiáriacatólica #homiliadamissacatólica #evangelhododia #liturgiadaigrejacatólicadehoje #LITURGIACATÓLICA #liturgiadoevangelho #liturgiadoevangelhodehoje #evangelhomeditadodehoje #liturgiadamissa #reflexãodoevangelho #liturgiadiária2021 #EVANGELHODODIADEHOJE #EVANGELHOMEDITADO #homiliadamissadehoje #liturgiadaigrejacatólica #HOMILIACATÓLICA #HOMILIADALITURGIADEHOJE #liturgiadehoje #evangelhodehoje #liturgiadiáriacomentada #evangelhodamissadehoje #liturgiadiária #liturgiadiáriadodiadehoje #homiliadaigrejacatólica #liturgia #homiliadoevangelhocatólico #catecismodaigrejacatólica #HOMILIADEHOJE #liturgiadamissadehoje #liturgiadodia #HOMILIADODIA #homiliadoevangelhodehoje #catecismo
- Lc 6, 27-38
Jesus propõe um caminho revolucionário, é preciso demonstrar o amor que trazemos no coração. São exigências que vão na direção contrária de nossas tendências egoístas. É denunciada a lógica da violência e a tentação de responder o mal com o mal. Somos desafiados a sair de nós mesmos e favorecer gratuitamente o próximo. É amar os inimigos, rezar por aqueles que nos caluniam, lembrando que a calunia produz um rasgo profundo no íntimo da vítima. Ele revoluciona o plano das relações humanas, mostrando que numa sociedade justa e fraterna, as relações devem ser gratuitas, à semelhança do amor misericordioso do Pai. É assumir atitudes benevolentes como o Pai assume em ralação a todos, bons e maus. O discípulo se mostra disposto a romper com espiral da violência, sendo pacifico na capacidade de solidarizar e de partilhar, nos gestos de misericórdia, inspirados no modo divino de agir e na disposição do perdão. Amar os que nos amam, embora nem sempre saibamos fazer isso, é humano, assim como odiar os que nos odeiam. Divino é amar os que nos odeiam, e rezar por eles a pedido do Pai: “Sejam misericordiosos, como o Pai de vocês é misericordioso”. Nossas escolhas, se forem segundo as exigências do Reino, serão largamente recompensadas por Deus em larga medida. Rezemos: Senhor, ajuda-nos assimilar e praticar sua mensagem de amor e fraternidade. Cria no meu coração o desejo de agir como o Pai age conosco. O Senhor nos abençoe e guarde. Lc 6, 6-31 Lc 2, 22-40 422-682 | CAPÍTULO SEGUNDO #LiturgiaDiária03102127ºDOMINGOTEMPOCOMUM #liturgiadehojecomhomilia #reflexãodaliturgiadehoje #meditandooevangelhodehoje #homiliadodiadehoje #homilia #liturgiadiáriadehoje #EVANGELHOCOMENTADO #liturgiadiáriacatólica #homiliadamissacatólica #evangelhododia #liturgiadaigrejacatólicadehoje #LITURGIACATÓLICA #liturgiadoevangelho #liturgiadoevangelhodehoje #evangelhomeditadodehoje #liturgiadamissa #reflexãodoevangelho #liturgiadiária2021 #EVANGELHODODIADEHOJE #EVANGELHOMEDITADO #homiliadamissadehoje #liturgiadaigrejacatólica #HOMILIACATÓLICA #HOMILIADALITURGIADEHOJE #liturgiadehoje #evangelhodehoje #liturgiadiáriacomentada #evangelhodamissadehoje #liturgiadiária #liturgiadiáriadodiadehoje #homiliadaigrejacatólica #liturgia #homiliadoevangelhocatólico #HOMILIADEHOJE #liturgiadamissadehoje #liturgiadodia #HOMILIADODIA #homiliadoevangelhodehoje
- Mt 1, 1-16.18-23
FESTA DA NATIVIDADE DE MARIA A liturgia de hoje, celebra o nascimento de Maria. Além de celebrar o dom da vida, a festa lembra que este nascimento é a aurora da nossa salvação. É uma realidade importante na execução do projeto divino: Deus na sua misericórdia quis salvar os homens com a colaboração de Maria, a nova criatura. É a nova Eva, a mãe da nova humanidade. E devemos ter em conta que o Protagonista deste nascimento é Deus. Deus olha e admira a menina que descansa tranquila nos braços de Sant’Ana e a prepara para o futuro: Um dia ela dará à luz aquele que o universo não pode conter. Ao contemplar o nascimento de Maria, São João Damasceno exclama: “Formou-se um céu sobre a terra, porque está para iniciar a salvação”. Nela acontecerá o impossível aos olhos humanos: o Deus de nossos pais vai assumir nossa carne, nossa história, nossas limitações. Mateus lista os antepassados de Jesus. Entre tantos justos, enumera também, pessoas duvidosas, Jesus vai carregar sobre si os pecados do mundo. O Filho de Maria será chamado, Emanuel, Deus conosco. Ele é Filho de Deus e Filho de Maria. Como descendente de Davi, José dará a ele o nome de Jesus. Ó Mãe, ensina a Igreja acolher a vontade do Pai, que se torne amorosa e servidora, e cuide da vida em todas as suas etapas para que todos vivam dignamente. Ajude-nos a proteger a vida! Rezemos: Senhor, ajude cada um de nós a entender e acolher as surpresas de Deus em nossa vida. Surpresas que tecem a História da Salvação, que preparam Maria e José para acolherem Jesus, o Salvador. O Senhor nos guarde e abençoe. #LiturgiaDiária03102127ºDOMINGOTEMPOCOMUM #liturgiadehojecomhomilia #reflexãodaliturgiadehoje #meditandooevangelhodehoje #homiliadodiadehoje #homilia #liturgiadiáriadehoje #EVANGELHOCOMENTADO #liturgiadiáriacatólica #homiliadamissacatólica #evangelhododia #liturgiadaigrejacatólicadehoje #LITURGIACATÓLICA #liturgiadoevangelho #liturgiadoevangelhodehoje #evangelhomeditadodehoje #liturgiadamissa #reflexãodoevangelho #liturgiadiária2021 #EVANGELHODODIADEHOJE #EVANGELHOMEDITADO #homiliadamissadehoje #liturgiadaigrejacatólica #HOMILIACATÓLICA #HOMILIADALITURGIADEHOJE #liturgiadehoje #evangelhodehoje #liturgiadiáriacomentada #evangelhodamissadehoje #liturgiadiária #liturgiadiáriadodiadehoje #homiliadaigrejacatólica #liturgia #homiliadoevangelhocatólico #HOMILIADEHOJE #liturgiadamissadehoje #liturgiadodia #HOMILIADODIA #homiliadoevangelhodehoje
- Lc 7, 1-10
Estamos diante de um modelo de fé. Um militar romano, um pagão, mostrou possuir uma fé exemplar. Uma fé fundada na caridade. Que um oficial estime um subalterno é admirável, mais admirável é se preocupar com a saúde dele e se empenhar em buscar recursos para que fosse curado. O centurião é um homem de bom coração, até construiu uma sinagoga para os judeus. A certeza de que Jesus poderia curar o seu amigo alicerçava-se numa fé profunda, a ponto de acreditar que o servo poderia ser curado sem a necessidade do encontro pessoal com Jesus. O centurião é um homem humilde e confiante e sabe que bastaria uma palavra para que o seu amigo recuperasse a saúde: “Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha casa… dize uma palavra e o meu servo ficará curado. E assim acontece. Uma prece repetida em todas as Celebrações Eucarísticas. Jesus tomado de admiração profunda, engrandece a fé que o pagão demonstrou. Os discípulos tinham neste homem um excelente exemplo no qual podiam se inspirar. O Centurião mostrou uma fé e uma humildade que Jesus não encontrou em Israel. Rezemos: Senhor, que minha fé seja profunda e sincera, alicerçada na caridade e me leve a fazer sempre o bem a todos. O Senhor nos abençoe e guarde. #LiturgiaDiária03102127ºDOMINGOTEMPOCOMUM #liturgiadehojecomhomilia #reflexãodaliturgiadehoje #meditandooevangelhodehoje #homiliadodiadehoje #homilia #liturgiadiáriadehoje #EVANGELHOCOMENTADO #liturgiadiáriacatólica #homiliadamissacatólica #evangelhododia #liturgiadaigrejacatólicadehoje #LITURGIACATÓLICA #liturgiadoevangelho #liturgiadoevangelhodehoje #evangelhomeditadodehoje #liturgiadamissa #reflexãodoevangelho #liturgiadiária2021 #EVANGELHODODIADEHOJE #EVANGELHOMEDITADO #homiliadamissadehoje #liturgiadaigrejacatólica #HOMILIACATÓLICA #HOMILIADALITURGIADEHOJE #liturgiadehoje #evangelhodehoje #liturgiadiáriacomentada #evangelhodamissadehoje #liturgiadiária #liturgiadiáriadodiadehoje #homiliadaigrejacatólica #liturgia #homiliadoevangelhocatólico #HOMILIADEHOJE #liturgiadamissadehoje #liturgiadodia #HOMILIADODIA #homiliadoevangelhodehoje
- Lc 6, 43-49
No Evangelho de hoje é um alerta contra o perigo da falsidade, nos oferece um critério solido: os frutos revelam a pessoa. A vida do discípulo não é constituída de pequenos fatos isolados. Existe um projeto que comanda o todo. É preciso prestar atenção ao testemunho de uma vida honesta e de amor sincero. O que conta é o que vem do intimo da pessoa. Quem tem consciência reta, pratica ações corretas. O grande risco do discipulado do Reino é reduzir-se ao palavreado inconsistente, sem o respaldo do testemunho. Falar e não fazer é uma atitude insensata. Será mentiroso, quando a situação exige pessoas verdadeiras. Será egoísta quando desafiado a ser generoso e compartilhar. Ficará calado diante da injustiça e da maldade, quando os fatos exigem ser corajoso e defensor dos injustiçados e oprimidos. A fé não pode ser vazia, superficial, ela precisa corresponder a uma vida alicerçada em Cristo. A casa de nossa vida deve ser alicerçada sobre o alicerce inabalável da Palavra de Deus. O que conta são as boas obras, que são como tijolos consistentes na edificação da própria vida. Caso contrário estamos destinados a desmoronar. São Paulo nos adverte que o único fundamento sólido é Jesus Cristo. Rezemos: Senhor, quero ser um autêntico discípulo do Reino, pronto para praticar a Palavra e preparado para permanecer firmes nas tribulações. O Senhor nos abençoe e guarde. #LiturgiaDiária03102127ºDOMINGOTEMPOCOMUM #liturgiadehojecomhomilia #reflexãodaliturgiadehoje #meditandooevangelhodehoje #homiliadodiadehoje #homilia #liturgiadiáriadehoje #EVANGELHOCOMENTADO #liturgiadiáriacatólica #homiliadamissacatólica #evangelhododia #liturgiadaigrejacatólicadehoje #LITURGIACATÓLICA #liturgiadoevangelho #liturgiadoevangelhodehoje #evangelhomeditadodehoje #liturgiadamissa #reflexãodoevangelho #liturgiadiária2021 #EVANGELHODODIADEHOJE #EVANGELHOMEDITADO #homiliadamissadehoje #liturgiadaigrejacatólica #HOMILIACATÓLICA #HOMILIADALITURGIADEHOJE #liturgiadehoje #evangelhodehoje #liturgiadiáriacomentada #evangelhodamissadehoje #liturgiadiária #liturgiadiáriadodiadehoje #homiliadaigrejacatólica #liturgia #homiliadoevangelhocatólico #HOMILIADEHOJE #liturgiadamissadehoje #liturgiadodia #HOMILIADODIA #homiliadoevangelhodehoje
- Lc 6, 39-42
O ensinamento de Jesus denuncia a hipocrisia dos discípulos que estão sempre prontos para acusar os defeitos alheios, sem antes verificar o próprio comportamento. É uma tendência habitual do ser humano apontar os defeitos alheios. A crítica dos outros deve ser precedida da devida autocritica. Os fariseus por se acharem melhores que os outros, pensavam ter as credenciais para criticar o próximo. Muitas vezes censuraram o comportamento de Jesus e de seus discípulos. Jesus quer melhorar o nível do relacionamento humano na vida comunitária. Madre Teresa de Calcutá dizia: “Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las”. Jesus vem lembrar que ninguém é tão perfeito que tem condições de remexer a vida dos outros. Cuidado! A ânsia de corrigir um pequeno defeito do próximo pode significar que temos o mesmo defeito em grau bem maior. Olhemos para nossos irmãos e irmãs com o olhar puro e misericordioso do Pai Celeste. Quem tem o senso de autocritica será mais complacente com o irmão. Saberá também o quanto é difícil corrigir as falhas pessoais, será mais compreensivo com quem deseja abandonar os seus erros. Terá paciência para ajuda-lo e não o julgar. A conversão é o caminho de toda a nossa vida. Estamos sempre começando, eliminando o cisco de nosso olho e nossa vida. Devemos ser exigentes conosco e misericordiosos com os outros. Rezemos: Senhor, que eu saiba reconhecer as minhas falhas e fragilidades. Aprenda que a melhor medida é a misericórdia e não caia na tentação de ser juiz do meu próximo. O Senhor nos abençoe e guarde. #LiturgiaDiária03102127ºDOMINGOTEMPOCOMUM #liturgiadehojecomhomilia #reflexãodaliturgiadehoje #meditandooevangelhodehoje #homiliadodiadehoje #homilia #liturgiadiáriadehoje #EVANGELHOCOMENTADO #liturgiadiáriacatólica #homiliadamissacatólica #evangelhododia #liturgiadaigrejacatólicadehoje #LITURGIACATÓLICA #liturgiadoevangelho #liturgiadoevangelhodehoje #evangelhomeditadodehoje #liturgiadamissa #reflexãodoevangelho #liturgiadiária2021 #EVANGELHODODIADEHOJE #EVANGELHOMEDITADO #homiliadamissadehoje #liturgiadaigrejacatólica #HOMILIACATÓLICA #HOMILIADALITURGIADEHOJE #liturgiadehoje #evangelhodehoje #liturgiadiáriacomentada #evangelhodamissadehoje #liturgiadiária #liturgiadiáriadodiadehoje #homiliadaigrejacatólica #liturgia #homiliadoevangelhocatólico #HOMILIADEHOJE #liturgiadamissadehoje #liturgiadodia #HOMILIADODIA #homiliadoevangelhodehoje
- Jo 19, 25-27
FESTA DE NOSSA SENHORA DAS DORES Muitos são os títulos conferidos a Maria, mãe de Jesus e nossa mãe. Um dos mais significativos é o de Nossa Senhora das Dores. Na apresentação no Templo, o velho Simeão profetizou as dores que transpassariam o coração e a alma de Maria. A paixão de Maria se concentra na cena em que ela está de pé junto à cruz de seu Filho. Sabemos, porém, que Maria, durante a sua vida, com seu coração de Mãe, conheceu e experimentou o sofrimento ao ver seu filho rejeitado pelos adversários. A devoção popular enumerou os principais momentos dolorosos de Maria, suas Sete Dores: a profecia de Simeão, a fuga para o Egito, a perda de Jesus, o caminho para o Calvário, a crucificação, a descida da cruz e o sepultamento de Jesus. Na hora dramática da Cruz, Maria, de pé, contempla o seu Filho e nele a redenção da humanidade. E Jesus não nos deixou órfãos; nos deixou um precioso presente: sua Mãe. E desde aquele momento, João a levou para sua casa. Em todo lar católico sempre encontramos uma ou mais imagens de Maria. Sobretudo nas horas de sofrimento, ela acolhe, acaricia e enxuga nossas lágrimas. E, em todos os dias, indica o caminho e a vontade de seu Filho, nosso irmão Jesus. Rezemos: Senhor, quero pedir que nos momentos difíceis e até na hora da morte, possa contar com a força de Maria, nossa Mae, que a Igreja achou por bem invocar como Nossa Senhora das Dores. O Senhor nos abençoe e guarde. #LiturgiaDiária03102127ºDOMINGOTEMPOCOMUM #liturgiadehojecomhomilia #reflexãodaliturgiadehoje #meditandooevangelhodehoje #homiliadodiadehoje #homilia #liturgiadiáriadehoje #EVANGELHOCOMENTADO #liturgiadiáriacatólica #homiliadamissacatólica #evangelhododia #liturgiadaigrejacatólicadehoje #LITURGIACATÓLICA #liturgiadoevangelho #liturgiadoevangelhodehoje #evangelhomeditadodehoje #liturgiadamissa #reflexãodoevangelho #liturgiadiária2021 #EVANGELHODODIADEHOJE #EVANGELHOMEDITADO #homiliadamissadehoje #liturgiadaigrejacatólica #HOMILIACATÓLICA #HOMILIADALITURGIADEHOJE #liturgiadehoje #evangelhodehoje #liturgiadiáriacomentada #evangelhodamissadehoje #liturgiadiária #liturgiadiáriadodiadehoje #homiliadaigrejacatólica #liturgia #homiliadoevangelhocatólico #HOMILIADEHOJE #liturgiadamissadehoje #liturgiadodia #HOMILIADODIA #homiliadoevangelhodehoje
- Liturgia Diária – 09/12/21 – 5ª feira da 2ª Semana do Advento
5ª feira da 2ª Semana do Advento 9 de Dezembro de 2021 – Cor: Roxo 1ª LEITURA – IS 41,13-20 Eu sou o teu Salvador, o Santo de Israel. Leitura do Livro do Profeta Isaías 41, 13-20 13Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tomo pela mão e te digo: ‘Não temas; eu te ajudarei. 14Não tenhas medo, Jacó, pobre verme, não temais, homens de Israel. Eu vos ajudarei’, diz o Senhor e Salvador, o Santo de Israel. 15Eis que te transformei num carro novo de triturar, guarnecido de dentes de serra. Hás de triturar e despedaçar os montes, e reduzirás as colinas a poeira. 16Ao expô-los ao vento, o vento os levará e o temporal os dispersará; exultarás no Senhor e te alegrarás no Santo de Israel. 17Pobres e necessitados procuram água, mas não há, estão com a língua seca de sede. Eu, o Senhor, os atenderei, eu, Deus de Israel, não os abandonarei. 18Farei nascer rios nas colinas escalvadas e fontes no meio dos vales; transformarei o deserto em lagos e a terra seca em nascentes d’água. 19Plantarei no deserto o cedro, a acácia e a murta e a oliveira; crescerão no ermo o pinheiro, o olmo e o cipreste juntamente, 20para que os homens vejam e saibam, considerem e compreendam que a mão do Senhor fez essas coisas e o Santo de Israel tudo criou. Palavra do Senhor. SALMO – SL 144 (145), 1.9. 10-11. 12-13AB (R. 8) R.Misericórdia e piedade é o Senhor! Ele é amor, é paciência, é compaixão. 1Ó meu Deus, quero exaltar-os, ó meu Rei, / e bendizer o vosso nome pelos séculos. 9O Senhor é muito bom para com todos, / sua ternura abraça toda criatura. R. 10Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, / e os vossos santos com louvores vos bendigam!11Narrem a glória e o esplendor do vosso reino / e saibam proclamar vosso poder! R. 12Para espalhar vossos prodígios entre os homens / e o fulgor de vosso reino esplendoroso. 13AO vosso reino é um reino para sempre, 13Bvosso poder, de geração em geração. R. EVANGELHO – MT 11,11-15 Não surgiu nenhum maior do que João Batista. + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 11, 11-15 Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 11Em verdade eu vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele. 12Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos Céus sofre violência, e são os violentos que o conquistam. 13Com efeito, todos os profetas e a Lei profetizaram até João. 14E se quereis aceitar, ele é o Elias que há de vir. 15Quem tem ouvidos, ouça. Palavra da Salvação. #liturgiadehojecomhomilia #EvangelhodeJesusCristosegundoSãoLucas1114 #meditandooevangelhodehoje #homiliadodiadehoje #homilia #liturgiadiáriadehoje #EVANGELHOCOMENTADO #liturgiadiáriacatólica #homiliadamissacatólica #evangelhododia #liturgiadaigrejacatólicadehoje #LITURGIACATÓLICA #liturgiadoevangelho #liturgiadoevangelhodehoje #evangelhomeditadodehoje #EvangelhodeNossoSenhorJesusCristosegundoSãoLucas11 #liturgiadamissa #liturgiadiária2021 #EVANGELHODODIADEHOJE #homiliadamissadehoje #liturgiadaigrejacatólica #HOMILIACATÓLICA #HOMILIADALITURGIADEHOJE #LiturgiaDiária0610214ªFEIRADA27ªSEMANATEMPOCOMUM #liturgiadehoje #evangelhodehoje #liturgiadiáriacomentada #LiturgiaDiária0912215ªfeirada2ªSemanadoAdvento #evangelhodamissadehoje #liturgiadiária #liturgiadiáriadodiadehoje #homiliadaigrejacatólica #liturgia #homiliadoevangelhocatólico #HOMILIADEHOJE #liturgiadamissadehoje #liturgiadodia #HOMILIADODIA #homiliadoevangelhodehoje
- Liturgia Diária – 08/12/21 – 4ª feira da 2ª Semana do Advento
Imaculada Conceição de Nossa Senhora – Solenidade 8 de Dezembro de 2021 – Cor: Branco 1ª LEITURA – GN 3,9-15.20 Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Leitura do Livro do Gênesis 3, 9-15. 20 Depois que Adão comeu do fruto da árvore, 9o Senhor Deus o chamou, dizendo: ‘Onde estás?’10E ele respondeu: ‘Ouvi tua voz no jardim, e fiquei com medo porque estava nu; e me escondi’. 11Disse-lhe o Senhor Deus: ‘E quem te disse que estavas nu? Então comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer?’12Adão disse: ‘A mulher que tu me deste por companheira, foi ela que me deu do fruto da árvore, e eu comi’. 13Disse o Senhor Deus à mulher: ‘Por que fizeste isso?’ E a mulher respondeu: ‘A serpente enganou-me e eu comi’. 14Então o Senhor Deus disse à serpente: ‘Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens! Rastejarás sobre o ventre e comerás pó todos os dias da tua vida!15Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar’. 20E Adão chamou à sua mulher ‘Eva’, porque ela é a mãe de todos os viventes. Palavra do Senhor. SALMO – SL 97(98),1.2-3AB.3CD-4 (R. 1A) R.Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! 1Cantai ao Senhor Deus um canto novo, / porque ele fez prodígios! / Sua mão e o seu braço forte e santo / alcançaram-lhe a vitória. R. 2O Senhor fez conhecer a salvação, / e às nações, sua justiça; 3Arecordou o seu amor sempre fiel 3Bpela casa de Israel. R. 3COs confins do universo contemplaram 3Da salvação do nosso Deus. 4Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, / alegrai-vos e exultai! R. 2ª LEITURA – EF 1,3-6.11-12 Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo. Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios 1, 3-6. 11-12 3Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele nos abençoou com toda a bênção do seu Espírito em virtude de nossa união com Cristo, no céu. 4Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor. 5Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por intermédio de Jesus Cristo, conforme a decisão da sua vontade, 6para o louvor da sua glória e da graça com que ele nos cumulou no seu Bem-amado. 11Nele também nós recebemos a nossa parte. Segundo o projeto daquele que conduz tudo conforme a decisão de sua vontade, nós fomos predestinados12a sermos, para o louvor de sua glória, os que de antemão colocaram a sua esperança em Cristo. Palavra do Senhor. EVANGELHO – LC 1,26-38 Eis que conceberás e darás à luz um filho. + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 1, 26-38 Naquele tempo: 26O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da virgem era Maria28O anjo entrou onde ela estava e disse: ‘Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!’29Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. 30O anjo, então, disse-lhe: ‘Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim’. 34Maria perguntou ao anjo: ‘Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?’35O anjo respondeu: ‘O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altissimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37porque para Deus nada é impossível’. 38Maria, então, disse: ‘Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!’ E o anjo retirou-se. Palavra da Salvação. #liturgiadehojecomhomilia #EvangelhodeJesusCristosegundoSãoLucas1114 #meditandooevangelhodehoje #homiliadodiadehoje #homilia #liturgiadiáriadehoje #EVANGELHOCOMENTADO #liturgiadiáriacatólica #homiliadamissacatólica #evangelhododia #liturgiadaigrejacatólicadehoje #LITURGIACATÓLICA #liturgiadoevangelho #liturgiadoevangelhodehoje #evangelhomeditadodehoje #EvangelhodeNossoSenhorJesusCristosegundoSãoLucas11 #liturgiadamissa #liturgiadiária2021 #EVANGELHODODIADEHOJE #homiliadamissadehoje #liturgiadaigrejacatólica #HOMILIACATÓLICA #HOMILIADALITURGIADEHOJE #LiturgiaDiária0610214ªFEIRADA27ªSEMANATEMPOCOMUM #liturgiadehoje #LiturgiaDiária0812214ªfeirada2ªSemanadoAdvento #evangelhodehoje #liturgiadiáriacomentada #evangelhodamissadehoje #liturgiadiária #liturgiadiáriadodiadehoje #homiliadaigrejacatólica #liturgia #homiliadoevangelhocatólico #HOMILIADEHOJE #liturgiadamissadehoje #liturgiadodia #HOMILIADODIA #homiliadoevangelhodehoje
- Liturgia Diária – 07/12/21 – 3ª feira da 2ª Semana do Advento
3ª feira da 2ª Semana do Advento 7 de Dezembro de 2021 – Cor: Branco 1ª LEITURA – IS 40,1-11 Deus consola o seu povo. Leitura do Livro do Profeta Isaías 40, 1-11 1Consolai o meu povo, consolai-o! – diz o vosso Deus. 2Falai ao coração de Jerusalém e dizei em alta voz que sua servidão acabou e a expiação de suas culpas foi cumprida; ela recebeu das mãos do Senhor o dobro por todos os seus pecados. 3Grita uma voz: ‘Preparai no deserto o caminho do Senhor, aplainai na solidão a estrada de nosso Deus. 4Nivelem-se todos os vales, rebaixem-se todos os montes e colinas; endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas: 5a glória do Senhor então se manifestará, e todos os homens verão juntamente o que a boca do Senhor falou’. 6Dizia uma voz: ‘Grita!’ E respondi: ‘O que devo gritar?’ A criatura humana é feno, toda a sua glória é como flor do campo; 7seca o feno, murcha a flor ao soprar o Senhor sobre eles. Sim, o povo é feno. 8Seca o feno, murcha a flor, mas a palavra de nosso Deus fica para sempre. 9Sobe a um alto monte, tu, que trazes a boa nova a Sião; levanta com força a tua voz, tu, que trazes a boa nova a Jerusalém, ergue a voz, não temas; dize às cidades de Judá: ‘Eis o vosso Deus, 10eis que o Senhor Deus vem com poder, seu braço tudo domina: eis, com ele, sua conquista, eis à sua frente a vitória. 11Como um pastor, ele apascenta o rebanho, reúne, com a força dos braços, os cordeiros e carrega-os ao colo; ele mesmo tange as ovelhas-mães’. Palavra do Senhor. SALMO – ANO FIXO SL 95 (96), 1-2. 3.10AC. 11-12. 13 (R.IS 40,9-10) 1Cantai ao Senhor Deus um canto novo, / cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira!2Cantai e bendizei seu santo nome! / Dia após dia anunciai sua salvação. R. 3manifestai a sua glória entre as nações, / e entre os povos do universo seus prodígios!10APublicai entre as nações: ‘Reina o Senhor!’ 10Ce os povos ele julga com justiça. R. 11O céu se rejubile e exulte a terra, / aplauda o mar com o que vive em suas águas; 12os campos com seus frutos rejubilem / e exultem as florestas e as matas R. 13na presença do Senhor, pois ele vem, / porque vem para julgar a terra inteira. / Governará o mundo todo com justiça, / e os povos julgará com lealdade. R. EVANGELHO – MT 8,12-14 Deus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos. + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 8, 12-14 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 12Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixa ele as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu?13Em verdade vos digo, se ele a encontrar, ficará mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam. 14Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos. Palavra da Salvação. #liturgiadehojecomhomilia #EvangelhodeJesusCristosegundoSãoLucas1114 #meditandooevangelhodehoje #homiliadodiadehoje #homilia #liturgiadiáriadehoje #EVANGELHOCOMENTADO #liturgiadiáriacatólica #homiliadamissacatólica #evangelhododia #liturgiadaigrejacatólicadehoje #LITURGIACATÓLICA #liturgiadoevangelho #liturgiadoevangelhodehoje #evangelhomeditadodehoje #EvangelhodeNossoSenhorJesusCristosegundoSãoLucas11 #liturgiadamissa #liturgiadiária2021 #EVANGELHODODIADEHOJE #homiliadamissadehoje #liturgiadaigrejacatólica #HOMILIACATÓLICA #HOMILIADALITURGIADEHOJE #LiturgiaDiária0610214ªFEIRADA27ªSEMANATEMPOCOMUM #liturgiadehoje #LiturgiaDiária0712213ªfeirada2ªSemanadoAdvento #evangelhodehoje #liturgiadiáriacomentada #evangelhodamissadehoje #liturgiadiária #liturgiadiáriadodiadehoje #homiliadaigrejacatólica #liturgia #homiliadoevangelhocatólico #HOMILIADEHOJE #liturgiadamissadehoje #liturgiadodia #HOMILIADODIA #homiliadoevangelhodehoje
- Liturgia Diária – 06/12/21 – 2ª feira da 2ª Semana do Advento
2ª feira da 2ª Semana do Advento 6 de Dezembro de 2021 – Cor: Roxo 1ª LEITURA – IS 35,1-10 É Deus mesmo que vem para vos salvar. Leitura do Livro do Profeta Isaías 35, 1-10 1Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e floresça como um lírio. 2Germine e exulte de alegria e louvores. Foi-lhe dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Saron; seus habitantes verão a glória do Senhor, a majestade do nosso Deus. 3Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. 4Dizei às pessoas deprimidas: ‘Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar’. 5Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. 6O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos, assim como brotarão águas no deserto e jorrarão torrentes no ermo. 7A terra árida se transformará em lago, e a região sedenta, em fontes d’água; nas cavernas onde viviam dragões crescerá o caniço e o junco. 8Ali haverá uma vereda e um caminho; o caminho se chamará estrada santa: por ela não passará o impuro; mas será uma estrada reta em que até os débeis não se perderão. 9Ali não existem leões, não andam por ela animais de predadores, nem mesmo aparecem lá; os que forem libertados, poderão percorrê-la, 10os que o Senhor salvou, voltarão para casa. Eles virão a Sião cantando louvores, com infinita alegria brilhando em seus rostos: cheios de gozo e contentamento, não mais conhecerão a dor e o pranto. Palavra do Senhor. SALMO – SL 84 (85),9AB-10. 11-12. 13-14 (R. IS 35,4D) R.Eis que vem o nosso Deus! Ele vem para salvar. 9AQuero ouvir o que o Senhor irá falar: / é a paz que ele vai anunciar; 9Ba paz para o seu povo e seus amigos, / para os que voltam ao Senhor seu coração. 10Está perto a salvação dos que o temem, / e a glória habitará em nossa terra. R. 11A verdade e o amor se encontrarão, / a justiça e a paz se abraçarão; 12da terra brotará a fidelidade, / E A JUSTIÇA OLHARÁ DOS ALTOS CÉUS. R. 13O Senhor nos dará tudo o que é bom, / e a nossa terra nos dará suas colheitas; 14a justiça andará na sua frente / e a salvação há de seguir os passos seus. R. EVANGELHO – LC 5,17-26 Hoje vimos coisas maravilhosas! + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 5, 17-26 17Um dia Jesus estava ensinando. É sua volta estavam sentados fariseus e doutores da Lei, vindos de todas as aldeias da Galiléia, da Judéia e de Jerusalém. E a virtude do Senhor o levava a curar. 18Uns homens traziam um paralítico num leito e procuravam fazê-lo entrar para apresentá-lo. 19Mas, não achando por onde introduzi-lo, devido à multidão, subiram ao telhado e por entre as telhas o desceram com o leito no meio da assembléia diante de Jesus. 20Vendo-lhes a fé, ele disse: Homem, teus pecados estão perdoados. 21Os escribas e fariseus começaram a murmurar, dizendo: Quem é este que assim blasfema? Quem pode perdoar os pecados senão Deus?22Conhecendo-lhes os pensamentos, Jesus respondeu, dizendo: ‘Por que murmurais em vossos corações?23O que é mais fácil dizer: ‘teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘levanta-te e anda’?24Pois, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder de perdoar os pecados – disse ao paralítico – eu te digo: levanta-te, pega o leito e vai para casa’. 25Imediatamente, diante deles, ele se levantou, tomou o leito e foi para casa, louvando a Deus. 26Todos ficaram fora de si, glorificavam a Deus e cheios de temor diziam: ‘Hoje vimos coisas maravilhosas!’ Palavra da Salvação. #LiturgiaDiária0612212ªfeirada2ªSemanadoAdvento #liturgiadehojecomhomilia #EvangelhodeJesusCristosegundoSãoLucas1114 #meditandooevangelhodehoje #homiliadodiadehoje #homilia #liturgiadiáriadehoje #EVANGELHOCOMENTADO #liturgiadiáriacatólica #homiliadamissacatólica #evangelhododia #liturgiadaigrejacatólicadehoje #LITURGIACATÓLICA #liturgiadoevangelho #liturgiadoevangelhodehoje #evangelhomeditadodehoje #EvangelhodeNossoSenhorJesusCristosegundoSãoLucas11 #liturgiadamissa #liturgiadiária2021 #EVANGELHODODIADEHOJE #homiliadamissadehoje #liturgiadaigrejacatólica #HOMILIACATÓLICA #HOMILIADALITURGIADEHOJE #LiturgiaDiária0610214ªFEIRADA27ªSEMANATEMPOCOMUM #liturgiadehoje #evangelhodehoje #liturgiadiáriacomentada #evangelhodamissadehoje #liturgiadiária #liturgiadiáriadodiadehoje #homiliadaigrejacatólica #liturgia #homiliadoevangelhocatólico #HOMILIADEHOJE #liturgiadamissadehoje #liturgiadodia #HOMILIADODIA #homiliadoevangelhodehoje
- Liturgia Diária – 05/12/21 – 2º Domingo do Advento
2º Domingo do Advento 5 de Dezembro de 2021 – Cor: Roxo 1ª LEITURA – BR 5,1-9 Deus mostrará o teu esplendor. Leitura do Livro do Profeta Baruc 5, 1-9 1Despe ó Jerusalém, a veste de luto e de aflição, e reveste, para sempre, os adornos da glória vinda de Deus. 2Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e põe na cabeça o diadema da glória do Eterno. 3Deus mostrará teu esplendor, ó Jerusalém, a todos os que estão debaixo do céu. 4Receberás de Deus este nome para sempre: ‘Paz-da-justiça e glória-da-piedade’. 5Levanta-te, Jerusalém, põe-te no alto e olha para o Oriente! Vê teus filhos reunidos pela voz do Santo, desde o poente até o levante, jubilosos por Deus ter-se lembrado deles. 6Saíram de ti, caminhando a pé, levados pelos inimigos. Deus os devolve a ti, conduzidos com honras, como príncipes reais. 7Deus ordenou que se abaixassem todos os altos montes e as colinas eternas, e se enchessem os vales, para aplainar a terra, a fim de que Israel caminhe com segurança, sob a glória de Deus. 8As florestas e todas as árvores odoríferas, darão sombra a Israel, por ordem de Deus. 9Sim, Deus guiará Israel, com alegria, à luz de sua glória, manifestando a misericórdia e a justiça que dele procedem. Palavra do Senhor. SALMO – SL 125,1-2AB.2CD-3.4-5.6 (R. 3) R.Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria! 1Quando o Senhor reconduziu nossos cativos, / parecíamos sonhar; 2Aencheu-se de sorriso nossa boca, 2Bnossos lábios, de canções. R. 2CEntre os gentios se dizia: ‘Maravilhas 2Dfez com eles o Senhor!’3Sim, maravilhas fez conosco o Senhor, / exultemos de alegria! R. 4Mudai a nossa sorte, ó Senhor, / como torrentes no deserto. 5Os que lançam as sementes entre lágrimas, / ceifarão com alegria. R. 6Chorando de tristeza sairão, / espalhando suas sementes; / cantando de alegria voltarão, / carregando os seus feixes! R. 2ª LEITURA – FL 1,4-6.8-11 Ficareis puros e sem defeito para o dia de Cristo. Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses 1, 4-6. 8-11 Irmãos: 4Sempre em todas as minhas orações rezo por vós, com alegria, 5por causa da vossa comunhão conosco na divulgação do Evangelho, desde o primeiro dia até agora. 6Tenho a certeza de que aquele que começou em vós uma boa obra, há de levá-la à perfeição até ao dia de Cristo Jesus. 8Deus é testemunha de que tenho saudade de todos vós, com a ternura de Cristo Jesus. 9E isto eu peço a Deus: que o vosso amor cresça sempre mais, em todo o conhecimento e experiência, 10para discernirdes o que é o melhor. E assim ficareis puros e sem defeito para o dia de Cristo, 11cheios do fruto da justiça que nos vem por Jesus Cristo, para a glória e o louvor de Deus. Palavra do Senhor. EVANGELHO – LC 3,1-6 Todas as pessoas verão a salvação de Deus. + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 3, 1-6 1No décimo quinto ano do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia, Herodes administrava a Galiléia, seu irmão Filipe, as regiões da Ituréia e Traconítide, e Lisânias a Abilene; 2quando Anás e Caifás eram sumos sacerdotes, foi então que a palavra de Deus foi dirigida a João, o filho de Zacarias, no deserto. 3E ele percorreu toda a região do Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados, 4como está escrito no Livro das palavras do profeta Isaías: ‘Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. 5Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados. 6E todas as pessoas verão a salvação de Deus”. Palavra da Salvação. #liturgiadehojecomhomilia #EvangelhodeJesusCristosegundoSãoLucas1114 #meditandooevangelhodehoje #homiliadodiadehoje #homilia #liturgiadiáriadehoje #EVANGELHOCOMENTADO #liturgiadiáriacatólica #homiliadamissacatólica #evangelhododia #liturgiadaigrejacatólicadehoje #LITURGIACATÓLICA #liturgiadoevangelho #liturgiadoevangelhodehoje #evangelhomeditadodehoje #LiturgiaDiária0512212ºDomingodoAdvento #EvangelhodeNossoSenhorJesusCristosegundoSãoLucas11 #liturgiadamissa #liturgiadiária2021 #EVANGELHODODIADEHOJE #homiliadamissadehoje #liturgiadaigrejacatólica #HOMILIACATÓLICA #HOMILIADALITURGIADEHOJE #LiturgiaDiária0610214ªFEIRADA27ªSEMANATEMPOCOMUM #liturgiadehoje #evangelhodehoje #liturgiadiáriacomentada #evangelhodamissadehoje #liturgiadiária #liturgiadiáriadodiadehoje #homiliadaigrejacatólica #liturgia #homiliadoevangelhocatólico #HOMILIADEHOJE #liturgiadamissadehoje #liturgiadodia #HOMILIADODIA #homiliadoevangelhodehoje
- Liturgia Diária – 04/12/21 –Sábado da 1ª Semana do Advento
Sábado da 1ª Semana do Advento 4 de Dezembro de 2021 – Cor: Roxo 1ª LEITURA – IS 30,19-21.23-26 O Senhor se comoverá à voz do teu clamor. Leitura do Livro do Profeta Isaías 30, 19-21. 23-26 Assim fala o Senhor, o Santo de Israel: 19Povo de Sião, que habitas em Jerusalém, não terás motivo algum para chorar: ele se comoverá à voz do teu clamor; logo que te ouvir, ele atenderá. 20O Senhor de certo dará a todos o pão da angústia e a água da aflição, não se apartará mais de ti o teu mestre; teus olhos poderão vê-lo21e teus ouvidos poderão ouvir a palavra de aviso atrás de ti: ‘O caminho é este para todos, segui por ele’, sem desviar-vos à direita ou à esquerda. 23Ele te dará chuva para a semente que tiveres semeado na terra, e o fruto da terra será abundante e rico; nesse dia, o teu rebanho pastará em vastas pastagens, 24teus bois e os animais que lavram a terra comerão forragem salgada, limpa com pá e peneira. 25Haverá em toda montanha alta e em toda colina elevada arroios de água corrente, num dia em que muitos serão mortos com o desabamento de seus torreões. 26A lua brilhará como a luz do sol e o sol brilhará sete vezes mais, como a luz de sete dias, no dia em que o Senhor curar a ferida de seu povo e fizer sarar a lesão de sua chaga. Palavra do Senhor. SALMO – SL 146 (147) 1-2. 3-4. 5-6 (R. IS 30,18) R.Felizes são aqueles, que esperam no Senhor! 1Louvai o Senhor Deus, porque ele é bom, / cantai ao nosso Deus, porque é suave: / ele é digno de louvor, ele o merece!2O Senhor reconstruiu Jerusalém, / e os dispersos de Israel juntou de novo. R. 3ele conforta os corações despedaçados, / ele enfaixa suas feridas e as cura; 4fixa o número de todas as estrelas / e chama a cada uma por seu nome. R. 5É grande e onipotente o nosso Deus, / seu saber não tem medida nem limites. 6O Senhor Deus é o amparo dos humildes, / mas dobra até o chão os que são ímpios. R. EVANGELHO – MT 9,35 – 10,1.6-8 Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas. + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 9, 35 – 10, 1. 6-8 Naquele tempo: 35Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade. 36Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: 37‘A Messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!’10, 1E, chamando os seus doze discípulos deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade. Enviou-os com as seguintes recomendações: 6Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel!7Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. 8Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! Palavra da Salvação. #liturgiadehojecomhomilia #EvangelhodeJesusCristosegundoSãoLucas1114 #meditandooevangelhodehoje #homiliadodiadehoje #homilia #liturgiadiáriadehoje #EVANGELHOCOMENTADO #liturgiadiáriacatólica #homiliadamissacatólica #evangelhododia #liturgiadaigrejacatólicadehoje #LITURGIACATÓLICA #liturgiadoevangelho #liturgiadoevangelhodehoje #evangelhomeditadodehoje #EvangelhodeNossoSenhorJesusCristosegundoSãoLucas11 #liturgiadamissa #liturgiadiária2021 #LiturgiaDiária041221Sábadoda1ªSemanadoAdvento #EVANGELHODODIADEHOJE #homiliadamissadehoje #liturgiadaigrejacatólica #HOMILIACATÓLICA #HOMILIADALITURGIADEHOJE #LiturgiaDiária0610214ªFEIRADA27ªSEMANATEMPOCOMUM #liturgiadehoje #evangelhodehoje #liturgiadiáriacomentada #evangelhodamissadehoje #liturgiadiária #liturgiadiáriadodiadehoje #homiliadaigrejacatólica #liturgia #homiliadoevangelhocatólico #HOMILIADEHOJE #liturgiadamissadehoje #liturgiadodia #HOMILIADODIA #homiliadoevangelhodehoje
- Liturgia Diária – 03/12/21 – 6ª feira da 1ª Semana do Advento
6ª feira da 1ª Semana do Advento 3 de Dezembro de 2021 – Cor: Branco 1ª LEITURA – IS 29,17-24 Naquele dia, os olhos dos cegos verão. Leitura do Livro do Profeta Isaías 29, 17-24 Assim fala o Senhor Deus: 17Dentro de pouco tempo, não se transformará o Líbano em jardim? E não poderá o jardim tornar-se floresta?18Naquele dia, os surdos ouvirão as palavras do livro e os olhos dos cegos verão, no meio das trevas e das sombras. 19Os humildes aumentarão sua alegria no Senhor, e os mais pobres dos homens se rejubilarão no Santo de Israel; 20fracassou o prepotente, desapareceu o trapaceiro, e sucumbiram todos os malfeitores precoces, 21os que faziam os outros pecar por palavras, e armavam ciladas ao juiz à porta da cidade e atacavam o justo com palavras falsas. 22Isto diz o Senhor à casa de Jacó, ele que libertou Abraão: ‘Agora, Jacó não mais terá que envergonhar-se nem seu rosto terá que enrubescer; 23quando contemplarem as obras de minhas mãos, hão de honrar meu nome no meio do povo, honrarão o Santo de Jacó, e temerão o Deus de Israel; 24os homens de espírito inconstante conseguirão sabedoria e os maldizentes concordarão em aprender’. Palavra do Senhor. SALMO – SL 26 (27), 1. 4. 13-14 (R.1A) R.O Senhor é minha luz e salvação. 1O Senhor é minha luz e salvação; / de quem eu terei medo? / O Senhor é a proteção da minha vida; / perante quem eu tremerei? R. 4Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, / e é só isto que eu desejo: / habitar no santuário do Senhor / por toda a minha vida; / saborear a suavidade do Senhor / e contemplá-lo no seu templo. R. 13Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver / na terra dos viventes. 14Espera no Senhor e tem coragem, / espera no Senhor! R. EVANGELHO – MT 9,27-31 Dois cegos, crendo em Jesus, são curados. + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 9, 27-31 Naquele tempo: 27Partindo Jesus, dois cegos o seguiram, gritando: ‘Tem piedade de nós, filho de Davi!’28Quando Jesus entrou em casa, os cegos se aproximaram dele. Então Jesus perguntou-lhes: ‘Vós acreditais que eu posso fazer isso?’ Eles responderam: ‘Sim, Senhor. ‘29Então Jesus tocou nos olhos deles, dizendo: ‘Faça-se conforme a vossa fé. ‘30E os olhos deles se abriram. Jesus os advertiu severamente: ‘Tomai cuidado para que ninguém fique sabendo. ‘31Mas eles saíram, e espalharam sua fama por toda aquela região. Palavra da Salvação. SÃO FRANCISCO XAVIER, PRESBÍTERO – SANTORAL 1ª LEITURA – 1COR 9,16-19.22-23 Ai de mim se eu não pregar o evangelho! Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 9, 16-19. 22-23 Irmãos: 16Pregar o evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o evangelho!17Se eu exercesse minha função de pregador por iniciativa própria, eu teria direito a salário. Mas, como a iniciativa não é minha, trata-se de um encargo que me foi confiado. 18Em que consiste então o meu salário? Em pregar o evangelho, oferecendo-o de graça, e sem usar os direitos que o evangelho me dá. 19Assim, livre em relação a todos, eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. 22Com os fracos, eu me fiz fraco, para ganhar os fracos. Com todos, eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns. 23Por causa do evangelho eu faço tudo, para ter parte nele. Palavra do Senhor. SALMO – SL 116(117),1-2 (R. MC 16,15) R.Ide, por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho. 1Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, / povos todos, festejai-o! R. 2Pois comprovado é seu amor para conosco, / para sempre ele é fiel! R. EVANGELHO – MC 16,15-20 Anunciai o Evangelho a toda criatura. + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 16, 15-20 Naquele tempo, Jesus se manifestou aos onze discípulos, 15e disse-lhes: ‘Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!16Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado. 17Os sinais que acompanharão aqueles que crerem serão estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; 18se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal não lhes fará mal algum; quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados’. 19Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus. 20Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra por meio dos sinais que a acompanhavam. Palavra da Salvação. #liturgiadehojecomhomilia #EvangelhodeJesusCristosegundoSãoLucas1114 #meditandooevangelhodehoje #homiliadodiadehoje #homilia #liturgiadiáriadehoje #EVANGELHOCOMENTADO #liturgiadiáriacatólica #homiliadamissacatólica #evangelhododia #liturgiadaigrejacatólicadehoje #LITURGIACATÓLICA #LiturgiaDiária0312216ªfeirada1ªSemanadoAdvento #liturgiadoevangelho #liturgiadoevangelhodehoje #evangelhomeditadodehoje #EvangelhodeNossoSenhorJesusCristosegundoSãoLucas11 #Sãofranciscoxavier #liturgiadamissa #liturgiadiária2021 #EVANGELHODODIADEHOJE #homiliadamissadehoje #liturgiadaigrejacatólica #HOMILIACATÓLICA #HOMILIADALITURGIADEHOJE #LiturgiaDiária0610214ªFEIRADA27ªSEMANATEMPOCOMUM #liturgiadehoje #evangelhodehoje #liturgiadiáriacomentada #evangelhodamissadehoje #liturgiadiária #liturgiadiáriadodiadehoje #homiliadaigrejacatólica #liturgia #homiliadoevangelhocatólico #HOMILIADEHOJE #liturgiadamissadehoje #liturgiadodia #HOMILIADODIA #homiliadoevangelhodehoje
- Liturgia Diária – 02/12/21 – 5ª feira da 1ª Semana do Advento
5ª feira da 1ª Semana do Advento 2 de Dezembro de 2021 – Cor: Roxo 1ª LEITURA – IS 26,1-6 Que entre um povo justo, cumpridor da palavra. Leitura do Livro do Profeta Isaías 26, 1-6 1Naquele dia, cantarão este canto em Judá: ‘Uma cidade fortificada é a nossa segurança; o Senhor cercou-a de muros e antemuro. 2Abri as suas portas, para que entre um povo justo, cumpridor da palavra, 3firme em seu propósito; e tu lhe conservarás a paz, porque confia em ti. 4Esperai no Senhor por todos os tempos, o Senhor é a rocha eterna. 5Ele derrubou os que habitam no alto, há de humilhar a cidade orgulhosa, deitando-a por terra, até fazê-la beijar o chão. 6Hão de pisá-la os pés, os pés dos pobres, as passadas dos humildes. Palavra do Senhor. SALMO – SL 117 (118) 1.8-9. 19-21. 25-27A (R. 26A) R.Bendito é aquele que vem vindo em nome do Senhor! R.Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia. 1Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! / ‘Eterna é a sua misericórdia!’8É melhor buscar refúgio no Senhor, / do que pôr no ser humano a esperança; 9é melhor buscar refúgio no Senhor, / do que contar com os poderosos deste mundo!’ R. 19Abri-me vós, abri-me as portas da justiça; / quero entrar para dar graças ao Senhor!20‘Sim, esta é a porta do Senhor, por ela só os justos entrarão!’21Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes / e vos tornastes para mim o Salvador! R. 25Ó Senhor, dai-nos a vossa salvação, / ó Senhor, dai-nos também prosperidade!’26Bendito seja, em nome do Senhor, / aquele que em seus átrios vai entrando! / Desta casa do Senhor vos bendizemos. 27AQue o Senhor e nosso Deus nos ilumine!R / EVANGELHO – MT 7,21.24-27 Aquele que faz a vontade de meu Pai entrará no reino dos céus. + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 7, 21. 24-27 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 2LNem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus. 24Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. 25Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha. 26Por outro lado, quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática, é como um homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. 27Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos sopraram e deram contra a casa, e a casa caiu, e sua ruína foi completa!’ Palavra da Salvação. #liturgiadehojecomhomilia #EvangelhodeJesusCristosegundoSãoLucas1114 #meditandooevangelhodehoje #homiliadodiadehoje #homilia #liturgiadiáriadehoje #EVANGELHOCOMENTADO #liturgiadiáriacatólica #homiliadamissacatólica #evangelhododia #liturgiadaigrejacatólicadehoje #LITURGIACATÓLICA #liturgiadoevangelho #liturgiadoevangelhodehoje #evangelhomeditadodehoje #EvangelhodeNossoSenhorJesusCristosegundoSãoLucas11 #liturgiadamissa #liturgiadiária2021 #EVANGELHODODIADEHOJE #homiliadamissadehoje #liturgiadaigrejacatólica #HOMILIACATÓLICA #HOMILIADALITURGIADEHOJE #LiturgiaDiária0212215ªfeirada1ªSemanadoAdvento #LiturgiaDiária0610214ªFEIRADA27ªSEMANATEMPOCOMUM #liturgiadehoje #evangelhodehoje #liturgiadiáriacomentada #evangelhodamissadehoje #liturgiadiária #liturgiadiáriadodiadehoje #homiliadaigrejacatólica #liturgia #homiliadoevangelhocatólico #HOMILIADEHOJE #liturgiadamissadehoje #liturgiadodia #HOMILIADODIA #homiliadoevangelhodehoje
- LITURGIA DIÁRIA – 30/06/2021 (4ª-FEIRA)
4ª-FEIRA DA 13ª SEMANA – TEMPO COMUM 1ª LEITURA – GN 21,5.8-20 O filho de uma escrava não pode ser herdeiro com o meu filho Isaac. Leitura do Livro do Gênesis 21, 5. 8-20 5Abraão tinha cem anos quando lhe nasceu o filho Isaac. 8Entretanto, o menino cresceu e foi desmamado; e no dia em que o menino foi desmamado, Abraão deu um grande banquete. 9Sara, porém, viu o filho que a egípcia Agar dera a Abraão brincando com Isaac. 10E disse a Abraão: ‘Manda embora essa escrava e seu filho, pois o filho de uma escrava não pode ser herdeiro com o meu filho Isaac’. 11Abraão ficou muito desgostoso com isso, por se tratar de um filho seu. 12Mas Deus lhe disse: ‘Não te aflijas por causa do menino e da tua escrava. Atende a tudo o que Sara te pedir, pois é por Isaac que uma descendência levará o teu nome. 13Mas do filho da escrava farei também um grande povo, por ele ser da tua raça’. 14Abraão levantou-se de manhã, tomou pão e um odre de água e os deu a Agar, colocando-os nos ombros dela: depois, entregou-lhe o menino e despediu-a. Ela foi-se embora e andou vagueando pelo deserto de Bersabéia. 15Tendo acabado a água do odre, largou o menino debaixo de um arbusto, 16e foi sentar-se em frente dele, à distância de um tiro de arco. Pois dizia consigo: ‘Não quero ver o menino morrer’. Assim, ficou sentada defronte ao menino, e pôs-se a gritar e a chorar. 17Deus ouviu o grito do menino e o anjo de Deus chamou do céu a Agar, dizendo: ‘Que tens Agar? Não tenhas medo, pois Deus ouviu a voz do menino do lugar em que está. 18Levanta-te, toma o menino e segura-o bem pela mão, porque farei dele um grande povo’. 19Deus abriu-lhe os olhos, e ela viu um poço de água. Foi então encher o odre e deu de beber ao menino. 20Deus estava com o menino, que cresceu e habitou no deserto. tornando-se um jovem arqueiro. 21Morou no deserto de Farã, e sua mãe escolheu para ele uma mulher no país do Egito. Palavra do Senhor. SALMO – SL 33,7-8. 10-11. 12-13 (R. 7A) R.Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido. 7Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, / e o Senhor o libertou de toda angústia. 8O anjo do Senhor vem acampar / ao redor dos que o temem, e os salva. R. 10Respeitai o Senhor Deus, seus santos todos, / porque nada faltará aos que o temem. 11Os ricos empobrecem, passam fome, / mas aos que buscam o Senhor não falta nada. R. 12Meus filhos, vinde agora e escutai-me: / vou ensinar-vos o temor do Senhor Deus. 13Qual o homem que não ama sua vida, / procurando ser feliz todos os dias? R. EVANGELHO – MT 8,28-34 Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo? + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 8, 28-34 Naquele tempo: 28Quando Jesus chegou à outra margem do lago, na região dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois homens possuídos pelo demônio, saindo dos túmulos. Eram tão violentos, que ninguém podia passar por aquele caminho. 29Eles então gritaram: ‘O que tens a ver conosco, Filho de Deus? Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?’ 30Ora, a certa distância deles, estava pastando uma grande manada de porcos. 31Os demônios suplicavam-lhe: ‘Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos. ‘ 32Jesus disse: ‘Ide. ‘ Os demônios saíram, e foram para os porcos. E logo toda a manada atirou-se monte abaixo para dentro do mar, afogando-se nas águas. 33Os homens que guardavam os porcos fugiram e, indo até à cidade, contaram tudo, inclusive o caso dos possuídos pelo demônio. 34Então a cidade toda saiu ao encontro de Jesus. Quando o viram, pediram-lhe que se retirasse da região deles. Palavra da Salvação. #OfilhodeumaescravanãopodeserherdeirocomomeufilhoIsaac #efoiouvido #LITURGIADIÁRIA300620214ªFEIRA #EsteinfelizgritouaDeus #Tuviesteaquiparanosatormentarantesdotempo #EsteinfelizgritouaDeusefoiouvido
- LITURGIA DIÁRIA – 29/06/2021 (3ª-FEIRA)
3ª-FEIRA DA 13ª SEMANA – TEMPO COMUM 1ª LEITURA – GN 19,15-29 O Senhor fez então chover do céu enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra. Leitura do Livro do Gênesis 19, 15-29 Naqueles dias: 15Os anjos insistiram com Ló, dizendo: ‘Levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas, e sai, para não morreres também por causa das iniqüidades da cidade’. 16Como ele hesitasse, os homens tomaram-no pela mão, a ele, à mulher e às duas filhas – pois o Senhor tivera compaixão dele -, fizeram-nos sair e deixaram-nos fora da cidade. 17Uma vez fora, disseram: ‘Trata de salvar a tua vida. Não olhes para trás, nem te detenhas em parte alguma desta região. Mas foge para a montanha, se não quiseres morrer’. 18Ló respondeu: ‘Não, meu Senhor, eu te peço! 19O teu servo encontrou teu favor e foi grande a tua bondade, salvando-me a vida. Mas receio não poder salvar-me na montanha, antes que a calamidade me atinja e eu morra. 20Eis aí perto uma cidade onde poderei refugiar-me; é pequena, mas aí salvarei a minha vida’. E ele lhe disse: ‘Pois bem, concedo-te também este favor: não destruirei a cidade de que falas. 22Refugia-te lá depressa, pois nada posso fazer enquanto não tiveres entrado na cidade’. Por isso foi dado àquela cidade o nome de Segor. 23O sol estava nascendo, quando Ló entrou em Segor. 24O Senhor fez então chover do céu enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra. 25Destruiu as cidades e toda a região, todos os habitantes das cidades e até a vegetação do solo. 26Ora, a mulher de Ló olhou para trás e tornou-se uma estátua de sal. 27Abraão levantou-se bem cedo e foi até o lugar onde antes tinha estado com o Senhor. 28Olhando para Sodoma e Gomorra, e para toda a região, viu levantar-se da terra uma densa fumaça, como a fumaça de uma fornalha. 29Mas, ao destruir as cidades da região, Deus lembrou-se de Abraão e salvou Ló da catástrofe que arrasou as cidades onde Ló havia morado. Palavra do Senhor. SALMO – SL 25,2-3. 9-10. 11-12 (R.3A) R.Tenho sempre vosso amor ante meus olhos. 2Provai-me, ó Senhor, e examinai-me, / sondai meu coração e o meu íntimo!3Pois tenho sempre vosso amor ante meus olhos; / vossa verdade escolhi por meu caminho. R. 9Não junteis a minha alma à dos malvados, / nem minha vida à dos homens sangüinários; 10eles têm as suas mãos cheias de crime; / sua direita está repleta de suborno. R. 11Eu, porém, vou caminhando na inocência; / libertai-me, ó Senhor, tende piedade!12Está firme o meu pé na estrada certa; / ao Senhor eu bendirei nas assembléias. R. EVANGELHO – MT 8,23-27 Levantando-se, ameaçou os ventos e o mar, e fez-se uma grande calmaria. + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 8, 23-27 Naquele tempo: 23Jesus entrou na barca, e seus discípulos o acompanharam. 24E eis que houve uma grande tempestade no mar, de modo que a barca estava sendo coberta pelas ondas. Jesus, porém, dormia. 25Os discípulos aproximaram-se e o acordaram, dizendo: ‘Senhor, salva-nos, pois estamos perecendo!’ 26Jesus respondeu: ‘Por que tendes tanto medo, homens fracos na fé?’ Então, levantando-se, ameaçou os ventos e o mar, e fez-se uma grande calmaria. 27Os homens ficaram admirados e diziam: ‘Quem é este homem, que até os ventos e o mar lhe obedecem?’ Palavra da Salvação. SÃO PEDRO E SÃO PAULO, APÓSTOLOS – SANTORAL 1ª LEITURA – AT 3,1-10 O que tenho eu te dou: em nome de Jesus levanta-te e anda! Leitura dos Atos dos Apóstolos 3, 1-10 Naqueles dias: 1Pedro e João subiram ao Templo para a oração das três horas da tarde. 2Então trouxeram um homem, coxo de nascença, que costumavam colocar todos os dias na porta do Templo, chamada Formosa, a fim de que pedisse esmolas aos que entravam. 3Quando viu Pedro e João entrando no Templo, o homem pediu uma esmola. 4Os dois olharam bem para ele e Pedro disse: ‘Olha para nós!’ 5O homem fitou neles o olhar, esperando receber alguma coisa. 6Pedro então lhe disse: ‘Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!’ 7E pegando-lhe a mão direita, Pedro o levantou. Na mesma hora, os pés e os tornozelos do homem ficaram firmes. 8Então ele deu um pulo, ficou de pé e começou a andar. E entrou no Templo junto com Pedro e João, andando, pulando e louvando a Deus. 9O povo todo viu o homem andando e louvando a Deus. 10E reconheceram que era ele que pedia esmolas, sentado na porta Formosa do Templo. E ficaram admirados e espantados com o que havia acontecido com ele. Palavra do Senhor. SALMO – SL 18(19A),2-3.4-5 (R. 5A) R.Seu som ressoa e se espalha em toda terra. 2Os céus proclamam a glória do Senhor, / e o firmamento, a obra de suas mãos; 3o dia ao dia transmite esta mensagem, / a noite à noite publica esta notícia. R. 4Não são discursos nem frases ou palavras, / nem são vozes que possam ser ouvidas; 5seu som ressoa e se espalha em toda a terra, / chega aos confins do universo a sua voz. R. 2ª LEITURA – GL 1,11-20 Deus me separou desde o ventre materno. Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas 1, 11-20 Irmãos: 11Asseguro-vos que o evangelho pregado por mim não é conforme a critérios humanos. 12Com efeito, não o recebi nem aprendi de homem algum, mas por revelação de Jesus Cristo. 13Certamente ouvistes falar como foi outrora a minha conduta no judaísmo, com que excessos perseguia e devastava a Igreja de Deus 14e como progredia no judaísmo mais do que muitos judeus de minha idade, mostrando-me extremamente zeloso das tradições paternas. 15Quando, porém, aquele que me separou desde o ventre materno e me chamou por sua graça 16se dignou revelar-me o seu Filho, para que eu o pregasse entre os pagãos, não consultei carne nem sangue 17nem subi, logo, a Jerusalém para estar com os que eram apóstolos antes de mim. Pelo contrário, parti para a Arábia e, depois, voltei ainda a Damasco. 18Três anos mais tarde, fui a Jerusalém para conhecer Cefas e fiquei com ele quinze dias. 19E não estive com nenhum outro apóstolo, a não ser Tiago, o irmão do Senhor. 20Escrevendo estas coisas, afirmo diante de Deus que não estou mentindo. Palavra do Senhor. EVANGELHO – JO 21,15-19 Apascenta os meus cordeiros. Apascenta as minhas ovelhas. + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João 21, 15-19 Jesus manifestou-se aos seus discípulos e, 15depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: ‘Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?’ Pedro respondeu: ‘Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo’. Jesus disse: ‘Apascenta os meus cordeiros’. 16E disse de novo a Pedro: ‘Simão, filho de João, tu me amas?’ Pedro disse: ‘Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo’. Jesus disse-lhe: ‘Apascenta as minhas ovelhas’. 17Pela terceira vez, perguntou a Pedro: ‘Simão, filho de João, tu me amas?’ Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: ‘Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo’. Jesus disse-lhe: ‘Apascenta as minhas ovelhas. 18Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir. ‘ 19Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou : ‘Segue-me’. Palavra da Salvação. #Levantandose #OquetenhoeutedouemnomedeJesuslevantateeanda #ameaçouosventoseomar #OSenhorfezentãochoverdocéuenxofreefogosobreSodomaeGomorra #efezseumagrandecalmaria
- LITURGIA DIÁRIA – 20/06/2021 (DOMINGO)
12º DOMINGO – TEMPO COMUM 1ª LEITURA – JÓ 38,1.8-11 ‘Aqui cessa a arrogância de tuas ondas’ Leitura do Livro de Jó 38, 1. 8-11 1O Senhor respondeu a Jó, do meio da tempestade, e disse: 8Quem fechou o mar com portas, quando ele jorrou com ímpeto do seio materno, 9quando eu lhe dava nuvens por vestes e névoas espessas por faixas; 10quando marquei seus limites e coloquei portas e trancas, 11e disse: ‘Até aqui chegarás, e não além; aqui cessa a arrogância de tuas ondas?` Palavra do Senhor. SALMO – SL 106,23-24.25-26.28-29.30-31 (R. 1B) R.Dai graças ao Senhor, porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia! R.Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia. 23Os que sulcam o alto-mar com seus navios, / para ir comerciar nas grandes águas, 24testemunharam os prodígios do Senhor / e as suas maravilhas no alto-mar. R. 25Ele ordenou, e levantou-se o furacão, / arremessando grandes ondas para o alto; 26aos céus subiam e desciam aos abismos, / seus corações desfaleciam de pavor. R. 28Mas gritaram ao Senhor na aflição, / e ele os libertou daquela angústia. 29Transformou a tempestade em bonança, / e as ondas do oceano se calaram. R. 30Alegraram-se ao ver o mar tranqüilo, / e ao porto desejado os conduziu. 31Agradeçam ao Senhor por seu amor / e por suas maravilhas entre os homens! R. 2ª LEITURA – 2COR 5,14-17 Tudo agora é novo Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios 5, 14-17 Irmãos: 14O amor de Cristo nos pressiona, pois julgamos que um só morreu por todos, e que, logo, todos morreram. 15De fato, Cristo morreu por todos, para que os vivos não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. 16Assim, doravante, não conhecemos ninguém conforme a natureza humana. E, se uma vez conhecemos Cristo segundo a carne, agora já não o conhecemos assim. 17Portanto, se alguém está em Cristo, é uma criatura nova. O mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo. Palavra do Senhor. EVANGELHO – MC 4,35-41 Quem é este a quem até o vento e o mar obedecem? + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 4, 35-41 35Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse a seus discípulos: ‘Vamos para a outra margem!’ 36Eles despediram a multidão e levaram Jesus consigo, assim como estava na barca. Havia ainda outras barcas com ele. 37Começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a se encher. 38Jesus estava na parte de trás, dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: ‘Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?’ 39Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: ‘Silêncio! Cala-te!’ O ventou cessou e houve uma grande calmaria. 40Então Jesus perguntou aos discípulos: ‘Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?’ 41Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: ‘Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?’ Palavra da Salvação. #Aquicessaaarrogânciadetuasondas #LITURGIADIÁRIA12ºDOMINGOTEMPOCOMUM #12ºDOMINGOTEMPOCOMUM #Queméesteaquematéoventoeomarobedecem #Tudoagoraénovo
- LITURGIA DIÁRIA – 28/06/2021 (2ª-FEIRA)
2ª-FEIRA DA 13ª SEMANA – TEMPO COMUM 1ª LEITURA – GN 18,16-33 Vais realmente exterminar o justo com o ímpio? Leitura do Livro do Gênesis 18, 16-33 16Os homens levantaram-se e partiram na direção de Sodoma. Abraão acompanhava-os para encaminhá-los. 17E o Senhor disse consigo: ‘Acaso poderei ocultar a Abraão o que vou fazer? 18Pois Abraão virá a ser uma nação grande e forte e nele serão abençoadas todas as nações da terra. 19De fato, eu o escolhi, Para que ensine seus filhos e sua família a guardarem os caminhos do Senhor, praticando a justiça e o direito, a fim de que o Senhor cumpra em favor de Abraão tudo o que lhe prometeu’. 20Então, o Senhor disse: ‘O clamor contra Sodoma e Gomorra cresceu, e agravou-se muito o seu pecado. 21Vou descer para verificar se as suas obras correspondem ou não ao clamor que chegou até mim’. 22Partindo dali, os homens dirigiram-se a Sodoma, enquanto Abraão ficou na presença do Senhor. 23Então, aproximando-se, disse Abraão: ‘Vais realmente exterminar o justo com o ímpio? 24Se houvesse cinqüenta justos na cidade, acaso iríeis exterminá-los? Não pouparias o lugar por causa dos cinqüenta justos que ali vivem? 25Longe de ti agir assim, fazendo morrer o justo com o ímpio, como se o justo fosse igual ao ímpio. Longe de ti! O juiz de toda a terra não faria justiça?’ 26O Senhor respondeu: ‘Se eu encontrasse em Sodoma cinqüenta justos, pouparia por causa deles a cidade inteira’. 27Abraão prosseguiu dizendo: ‘Estou sendo atrevido em falar a meu Senhor, eu que sou pó e cinza. 28Se dos cinqüenta justos faltassem cinco, destruirias por causa dos cinco a cidade inteira?’ O Senhor respondeu: ‘Não destruiria, se achasse ali quarenta e cinco justos’. 29Insistiu ainda Abraão e disse: ‘E se houvesse quarenta?’ Ele respondeu: ‘Por causa dos quarenta, não o faria’. 30Abraão tornou a insistir: ‘Não se irrite o meu Senhor, se ainda falo. E se houvesse apenas trinta justos?’. Ele respondeu: ‘Também não o faria, se encontrasse trinta’. 31Tornou Abraão a insistir: ‘Já que me atrevi a falar a meu Senhor, e se houver vinte justos?’ Ele respondeu: ‘Não a iria destruir por causa dos vinte’. 32Abraão disse: ‘Que o meu Senhor não se irrite, se eu falar só mais uma vez: e se houvesse apenas dez?’ Ele respondeu: ‘Por causa dos dez, não a destruiria’. 33Tendo acabado de falar, o Senhor retirou-se, e Abraão voltou para a sua tenda. Palavra do Senhor. SALMO – SL 102,1-2. 3-4. 8-9. 10-11 (R. 8A) R.O Senhor é indulgente, é favorável. 1Bendize, ó minha alma, ao Senhor, / e todo o meu ser, seu santo nome!2Bendize, ó minha alma, ao Senhor, / não te esqueças de nenhum de seus favores! R. 3Pois ele te perdoa toda culpa, / e cura toda a tua enfermidade; 4da sepultura ele salva a tua vida / e te cerca de carinho e compaixão. R. 8O Senhor é indulgente, é favorável, / é paciente, é bondoso e compassivo. 9Não fica sempre repetindo as suas queixas, / nem guarda eternamente o seu rancor. R. 10Não nos trata como exigem nossas faltas, / nem nos pune em proporção às nossas culpas. 11Quanto os céus por sobre a terra se elevam, / tanto é grande o seu amor aos que o temem. R. EVANGELHO – MT 8,18-22 Segue-me! + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 8, 18-22 Naquele tempo; 18Vendo uma multidão ao seu redor, Jesus mandou passar para a outra margem do lago. 19Então um mestre da Lei aproximou-se e disse: ‘Mestre, eu te seguirei aonde quer que tu vás. ‘ 20Jesus lhe respondeu: ‘As raposas têm suas tocas e as aves dos céus têm seus ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. ‘ 21Um outro dos discípulos disse a Jesus: ‘Senhor, permite-me que primeiro eu vá sepultar meu pai. ‘ 22Mas Jesus lhe respondeu: ‘Segue-me, e deixa que os mortos sepultem os seus mortos. ‘ Palavra da Salvação. #2ªFEIRADA13ªSEMANATEMPOCOMUM #LITURGIADIÁRIA280620212ªFEIRA #Vaisrealmenteexterminarojustocomoímpio
- LITURGIA DIÁRIA – 19/06/2021 (SÁBADO)
SÁBADO DA 11ª SEMANA – TEMPO COMUM 1ª LEITURA – 2COR 12,1-10 Eu não me gloriarei, a não ser das minhas fraquezas. Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios 12, 1-10 Irmãos: 1Será que é preciso gloriar-me? Na verdade, não convém. No entanto, passarei a falar das visões e revelações do Senhor. 2Conheço um homem, unido a Cristo, que, há quatorze anos, foi arrebatado até ao terceiro céu. Se ele foi arrebatado com o corpo ou sem o corpo, eu não o sei, só Deus sabe. 3Sei que esse homem – se com o corpo ou sem o corpo, não sei, Deus o sabe – 4foi arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis que nenhum homem consegue pronunciar. 5Quanto a esse homem eu me gloriarei, mas, quanto a mim mesmo, eu não me gloriarei, a não ser das minhas fraquezas. 6No entanto, se eu quisesse gloriar-me, não seria insensato, pois só diria a verdade. Mas evito gloriar-me, para que ninguém faça de mim um idéia superior àquilo que vê em mim ou que ouve de mim. 7E para que a extraordinária grandeza das revelações não me ensoberbecesse, foi espetado na minha carne um espinho, que é como um anjo de Satanás a esbofetear-me, a fim de que eu não me exalte demais. 8A esse propósito, roguei três vezes ao Senhor que o afastasse de mim. 9Mas ele disse-me: ‘Basta-te a minha graça. Pois é na fraqueza que a força se manifesta’. Por isso, de bom grado, eu me gloriarei das minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim. 10Eis porque eu me comprazo nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições e nas angústias sofridas por amor a Cristo. Pois, quando eu me sinto fraco, é então que sou forte. Palavra do Senhor. SALMO – SL 33, 8-9. 10-11. 12-13 (R. 9A) R.Provai e vêde quão suave é o Senhor! 8O anjo do Senhor vem acampar / ao redor dos que o temem, e os salva. 9Provai e vede quão suave é o Senhor! / Feliz o homem que tem nele o seu refúgio! R. 10Respeitai o Senhor Deus, seus santos todos, / porque nada faltará aos que o temem. 11Os ricos empobrecem, passam fome, / mas aos que buscam o Senhor não falta nada. R. 12Meus filhos, vinde agora e escutai-me: / vou ensinar-vos o temor do Senhor Deus. 13Qual o homem que não ama sua vida, / procurando ser feliz todos os dias? R. EVANGELHO – MT 6,24-34 Não vos preocupeis com o dia de amanhã. + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 6, 24-34 Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 24Ninguém pode servir a dois senhores: pois, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. 25Por isso eu vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir. Afinal, a vida não vale mais do que o alimento, e o corpo, mais do que a roupa? 26Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta. Vós não valeis mais do que os pássaros? 27Quem de vós pode prolongar a duração da própria vida, só pelo fato de se preocupar com isso? 28E por que ficais preocupados com a roupa? Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. 29Porém, eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. 30Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, não fará ele muito mais por vós, gente de pouca fé? 31Portanto, não vos preocupeis, dizendo: O que vamos comer? O que vamos beber? Como vamos nos vestir? 32Os pagãos é que procuram essas coisas. Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso. 33Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo. 34Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia, bastam seus próprios problemas.’ Palavra da Salvação. #anãoserdasminhasfraquezas #Eunãomegloriarei #LITURGIADIÁRIA19062021SÁBADO #LITURGIADIÁRIASÁBADODA11ªSEMANATEMPOCOMUM
- LITURGIA DIÁRIA – 27/06/2021 (DOMINGO)
13º DOMINGO – TEMPO COMUM 1ª LEITURA – SB 1,13-15;2,23-24 Foi por inveja do diabo que a morte entrou no mundo Leitura do Livro da Sabedoria 1, 13-15; 2, 23-24 13Deus não fez a morte, nem tem prazer com a destruição dos vivos. 14Ele criou todas as coisas para existirem, e as criaturas do mundo são saudáveis: nelas não há nenhum veneno de morte, nem é a morte que reina sobre a terra: 15pois a justiça é imortal. 2, 23Deus criou o homem para a imortalidade e o fez à imagem de sua própria natureza; 24foi por inveja do diabo que a morte entrou no mundo, e experimentam-na os que a ele pertencem. Palavra do Senhor. SALMO – SL 29,2.4.5-6.11.12A.13B (R.2A.4B) R.Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes e preservastes minha vida da morte! 2Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes, / e não deixastes rir de mim meus inimigos!4Vós tirastes minha alma dos abismos / e me salvastes, quando estava já morrendo! R. 5Cantai salmos ao Senhor, povo fiel, / dai-lhe graças e invocai seu santo nome!6Pois sua ira dura apenas um momento, / mas sua bondade permanece a vida inteira; / se à tarde vem o pranto visitar-nos, / de manhã vem saudar-nos a alegria. R. 11Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade! / Sede, Senhor, o meu abrigo protetor!12Transformastes o meu pranto em uma festa, 13Senhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos! R. 2ª LEITURA – 2COR 8,7.9.13-15 A vossa fartura supra a penúria dos pobres. Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios 8, 7. 9. 13-15 Irmãos: 7Como tendes tudo em abundância – fé, eloqüência, ciência, zelo para tudo, e a caridade de que vos demos o exemplo – assim também procurai ser abundantes nesta obra de generosidade. 9Na verdade, conheceis a generosidade de nosso Senhor Jesus Cristo: de rico que era, tornou-se pobre por causa de vós, para que vos torneis ricos, por sua pobreza. 13Não se trata de vos colocar numa situação aflitiva para aliviar os outros; o que se deseja é que haja igualdade. 14Nas atuais circunstâncias, a vossa fartura supra a penúria deles e, por outro lado, o que eles têm em abundância venha suprir a vossa carência. Assim haverá igualdade, como está escrito: 15‘Quem recolheu muito não teve de sobra e quem recolheu pouco não teve falta’. Palavra do Senhor. EVANGELHO – MC 5,21-43 Menina, levanta-te! + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 5, 21-43 Naquele tempo: 21Jesus atravessou de novo, numa barca, para a outra margem. Uma numerosa multidão se reuniu junto dele, e Jesus ficou na praia. 22Aproximou-se, então, um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Quando viu Jesus, caiu a seus pés, 23e pediu com insistência: ‘Minha filhinha está nas últimas. Vem e põe as mãos sobre ela, para que ela sare e viva!’ 24Jesus então o acompanhou. Uma numerosa multidão o seguia e o comprimia. 25Ora, achava-se ali uma mulher que, há doze anos, estava com uma hemorragia; 26tinha sofrido nas mãos de muitos médicos, gastou tudo o que possuía, e, em vez de melhorar, piorava cada vez mais. 27Tendo ouvido falar de Jesus, aproximou-se dele por detrás, no meio da multidão, e tocou na sua roupa. 28Ela pensava: ‘Se eu ao menos tocar na roupa dele, ficarei curada’. 29A hemorragia parou imediatamente, e a mulher sentiu dentro de si que estava curada da doença. 30Jesus logo percebeu que uma força tinha saído dele. E, voltando-se no meio da multidão, perguntou: ‘Quem tocou na minha roupa?’ 31Os discípulos disseram: ‘Estás vendo a multidão que te comprime e ainda perguntas: ‘Quem me tocou’?’ 32Ele, porém, olhava ao redor para ver quem havia feito aquilo. 33A mulher, cheia de medo e tremendo, percebendo o que lhe havia acontecido, veio e caíu aos pés de Jesus, e contou-lhe toda a verdade. 34Ele lhe disse: ‘Filha, a tua fé te curou. Vai em paz e fica curada dessa doença’. 35Ele estava ainda falando, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, e disseram a Jairo: ‘Tua filha morreu. Por que ainda incomodar o mestre?’ 36Jesus ouviu a notícia e disse ao chefe da sinagoga: ‘Não tenhas medo. Basta ter fé!’ 37E não deixou que ninguém o acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e seu irmão João. 38Quando chegaram à casa do chefe da sinagoga, Jesus viu a confusão e como estavam chorando e gritando. 39Então, ele entrou e disse: ‘Por que essa confusão e esse choro? A criança não morreu, mas está dormindo’. 40Começaram então a caçoar dele. Mas, ele mandou que todos saíssem, menos o pai e a mãe da menina, e os três discípulos que o acompanhavam. Depois entraram no quarto onde estava a criança. 41Jesus pegou na mão da menina e disse: ‘Talitá cum’- que quer dizer: ‘Menina, levanta-te!’ 42Ela levantou-se imediatamente e começou a andar, pois tinha doze anos. E todos ficaram admirados. 43Ele recomendou com insistência que ninguém ficasse sabendo daquilo. E mandou dar de comer à menina. Palavra da Salvação. #Foiporinvejadodiaboqueamorteentrounomundo #levantateProclamaçãodoEvangelhodeJesusCristosegundoMarcos5 #2143 #Menina #Avossafarturasupraapenúriadospobres
- LITURGIA DIÁRIA – 26/06/2021 (SÁBADO)
SÁBADO DA 12ª SEMANA – TEMPO COMUM 1ª LEITURA – GN 18,1-15 Existe alguma coisa impossível para o Senhor? Voltarei a ti e Sara já terá um filho. Leitura do Livro do Gênesis 18, 1-15 Naqueles dias: 1O Senhor apareceu a Abraão junto ao carvalho de Mambré, quando ele estava sentado à entrada da sua tenda, no maior calor do dia. 2Levantando os olhos, Abraão viu três homens de pé, perto dele. Assim que os viu, correu ao seu encontro e prostrou-se por terra. 3E disse: ‘Meu Senhor, se ganhei tua amizade, peço-te que não prossigas viagem, sem parar junto a mim, teu servo. 4Mandarei trazer um pouco de água para vos lavar os pés, e descansareis debaixo da árvore. 5Farei servir um pouco de pão para refazerdes vossas forças, antes de continuar a viagem. Pois foi para isso mesmo que vos aproximastes do vosso servo’. Eles responderam: ‘Faze como disseste’. 6Abraão entrou logo na tenda, onde estava Sara e lhe disse: ‘Toma depressa três medidas da mais fina farinha, amassa alguns pães e assa-os’. 7Depois, Abraão correu até o rebanho, pegou um bezerro dos mais tenros e melhores, e deu-o a um criado, para que o preparasse sem demora. 8A seguir, foi buscar coalhada, leite e o bezerro assado, e pôs tudo diante deles. Abraão, porém, permaneceu de pé, junto deles, debaixo da árvore, enquanto comiam. 9E eles lhe perguntaram: ‘Onde está Sara, tua mulher?’ -‘Está na tenda’, respondeu ele. 10E um deles disse: ‘Voltarei, sem falta, no ano que vem, por este tempo, e Sara, tua mulher, já terá um filho’. Ouvindo isto, Sara pôs-se a rir, da entrada da tenda, que estava atrás dele. 11Abraão e Sara já eram velhos, muito avançados em idade, e para ela já havia cessado o período regular das mulheres. 12Por isso, Sara se pôs a rir em seu íntimo, dizendo: ‘Acabada como estou, terei ainda tal prazer, sendo meu marido já velho?’ 13E o Senhor disse a Abraão: ‘Por que riu Sara, dizendo consigo mesma: ‘Acaso ainda terei um filho, sendo tão velha?’ 14Existe alguma coisa impossível para o Senhor? No ano que vem, voltarei por este tempo, e Sara já terá um filho’. 15Sara protestou, dizendo: ‘Eu não ri’, pois estava com medo. Mas ele insistiu: ‘Sim, tu riste’. Palavra do Senhor. SALMO – LC 1,46-47. 48-49. 50-51. 52-53. 54-55 (R.CF.54B) R.O Senhor se lembrou de mostrar sua bondade. 46A minh’alma engrandece ao Senhor, 47e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador, R. 48pois, ele viu a pequenez de sua serva, / eis que agora as gerações hão de chamar-me de bendita. 49O Poderoso fez por mim maravilhas / e Santo é o seu nome! R. 50Seu amor, de geração em geração, / chega a todos que o respeitam. 51Demonstrou o poder de seu braço, / dispersou os orgulhosos. R. 52Derrubou os poderosos de seus tronos / e os humildes exaltou. 53De bens saciou os famintos / e despediu, sem nada, os ricos. R. 54Acolheu Israel, seu servidor, / fiel ao seu amor, 55como havia prometido aos nossos pais, / em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre. R. EVANGELHO – MT 8,5-17 Muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa junto com Abraão, Isaac e Jacó. + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 8, 5-17 Naquele tempo: 5Quando Jesus entrou em Cafarnaum, um oficial romano aproximou-se dele, suplicando: 6‘Senhor, o meu empregado está de cama, lá em casa, sofrendo terrivelmente com uma paralisia. ‘ 7Jesus respondeu: ‘Vou curá-lo. ‘ 8O oficial disse: ‘Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado. 9Pois eu também sou subordinado e tenho soldados debaixo de minhas ordens. E digo a um : ‘Vai!’, e ele vai; e a outro: ‘Vem!’, e ele vem; e digo ao meu escravo: ‘Faze isto!’, e ele faz. ‘ 10Quando ouviu isso, Jesus ficou admirado, e disse aos que o seguiam: ‘Em verdade, vos digo: nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé. 11Eu vos digo: muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa no Reino dos Céus, junto com Abraão, Isaac e Jacó, 12enquanto os herdeiros do Reino serão jogados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes. ‘ 13Então, Jesus disse ao oficial: ‘Vai! e seja feito como tu creste. ‘ E naquela mesma hora o empregado ficou curado. 14Entrando Jesus na casa de Pedro, viu a sogra dele deitada e com febre. 15Tocou-lhe a mão, e a febre a deixou. Ela se levantou, e pôs-se a servi-lo. 16Quando caiu a tarde, levaram a Jesus muitas pessoas possuídas pelo demônio. Ele expulsou os espíritos, com sua palavra, e curou todos os doentes, 17para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías: ‘Ele tomou as nossas dores e carregou as nossas enfermidades. ‘ Palavra da Salvação. #ExistealgumacoisaimpossívelparaoSenhorVoltareiatieSarajáteráumfilho #LITURGIADIÁRIAMT851726062021SÁBADO
- LITURGIA DIÁRIA – 25/06/2021 (6ª-FEIRA)
6ª-FEIRA DA 12ª SEMANA – TEMPO COMUM 1ª LEITURA – GN 17.1.9-10.15-22 Este é o sinal de minha aliança: todo homem entre vós deverá ser circuncidado. Sara te dará um filho. Leitura do Livro do Gênesis 17. 1. 9-10. 15-22 1Abrão tinha noventa e nove anos de idade, quando o Senhor lhe apareceu e lhe disse: ‘Eu sou o Deus Poderoso. Anda na minha presença e sê perfeito. 9Deus disse ainda a Abraão: ‘Guarda a minha aliança, tu e a tua descendência para sempre. 10Esta é a minha aliança que devereis observar, aliança entre mim e vós e tua descendência futura: todo homem entre vós deverá ser circuncidado’. 15Deus disse também a Abraão: ‘Quanto à tua mulher, Sarai, já não a chamarás Sarai, mas Sara. 16Eu a abençoarei e também dela te darei um filho. Vou abençoá-la, e ela será mãe de nações, e reis de povos dela sairão’. 17Abraão prostrou-se com o rosto em terra, e pôs-se a rir, dizendo consigo mesmo: ‘Será que um homem de cem anos vai ter um filho e que, aos noventa anos, Sara vai dar à luz?’. 18E, dirigindo-se a Deus, disse: ‘Se ao menos Ismael pudesse viver em tua presença’. 19Deus, porém, disse: ‘Na verdade, é Sara, tua mulher, que te dará um filho, a quem chamarás Isaac. Com ele estabelecerei a minha aliança, uma aliança perpétua para a sua descendência. 20Atendo ao teu pedido, também, a respeito de Ismael. Eu o abençoarei e tornarei fecundo e extremamente numeroso. Será pai de doze príncipes e farei dela uma grande nação. 21Mas, quanto à minha aliança, eu a estabelecerei com Isaac, o filho que Sara te dará no ano que vem, por este tempo’. 22Tendo acabado de falar com Abraão, Deus se retirou. Palavra do Senhor. SALMO – SL 127 (128),1-2. 3. 4-5 (R. 4) R.Será assim abençoado todo aquele que respeita o Senhor. 1Feliz és tu se temes o Senhor / e trilhas seus caminhos!2Do trabalho de tuas mãos hás de viver, / serás feliz, tudo irá bem! R. 3A tua esposa é uma videira bem fecunda / no coração da tua casa; / os teus filhos são rebentos de oliveira / ao redor de tua mesa. R. 4Será assim abençoado todo homem / que teme o Senhor. 5O Senhor te abençoe de Sião, / cada dia de tua vida. R. EVANGELHO – MT 8,1-4 Se queres, tu tens o poder de me purificar. + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 8, 1-4 1Tendo Jesus descido do monte, numerosas multidões o seguiam. 2Eis que um leproso se aproximou e se ajoelhou diante dele, dizendo: ‘Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar. ‘ 3Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: ‘Eu quero, fica limpo. ‘ No mesmo instante, o homem ficou curado da lepra. 4Então Jesus lhe disse: ‘Olha, não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote, e faze a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho para eles. ‘ Palavra da Salvação. #6ªFEIRADA12ªSEMANATEMPOCOMUM #EsteéosinaldeminhaaliançatodohomementrevósdeverásercircuncidadoSaratedaráumfilho #Sequeres #tutensopoderdemepurificar
- Liturgia Diária – 01/12/21 – 4ª feira – 1ª Semana do Advento
4ª feira da 1ª Semana do Advento 1 de Dezembro de 2021 – Cor: Roxo 1ª LEITURA – IS 25,6-10A O Senhor convida para o seu banquete e enxugará as lágrimas de todas as faces. Leitura do Livro do Profeta Isaías 25, 6-10a Naquele dia: 6O Senhor dos exércitos dará neste monte, para todos os povos, um banquete de ricas iguarias, regado com vinho puro, servido de pratos deliciosos e dos mais finos vinhos. 7Ele removerá, neste monte, a ponta da cadeia que ligava todos os povos, a teia em que tinha envolvido todas as nações. 8O Senhor Deus eliminará para sempre a morte e enxugará as lágrimas de todas as faces e acabará com a desonra do seu povo em toda a terra, o Senhor o disse. 9Naquele dia, se dirá: ‘Este é o nosso Deus, esperamos nele, até que nos salvou; este é o Senhor, nele temos confiado: vamos alegrar-nos e exultar por nos ter salvo’. 10AE a mão do Senhor repousará sobre este monte. Palavra do Senhor. SALMO – SL 22 (23), 1-3A. 3B-4. 5. 6 (R. 6CD) R.Na casa do Senhor habitarei pelos tempos infinitos. 1O Senhor é o pastor que me conduz; / não me falta coisa alguma. 2Pelos prados e campinas verdejantes / ele me leva a descansar. / Para as águas repousantes me encaminha, 3Ae restaura as minhas forças. R. 3BEle me guia no caminho mais seguro, / pela honra do seu nome. 4Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, / nenhum mal eu temerei. / Estais comigo com bastão e com cajado, / eles me dão a segurança! R. 5Preparais à minha frente uma mesa, / bem à vista do inimigo; / com óleo vós ungis minha cabeça, / e o meu cálice transborda. R. 6Felicidade e todo bem hão de seguir-me, / por toda a minha vida; / e, na casa do Senhor, habitarei / pelos tempos infinitos. R. EVANGELHO – MT 15,29-37 Jesus cura muitos e multiplica os pães. + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 15, 29-37 Naquele tempo: 29Jesus foi para as margens do mar da Galiléia, subiu a montanha, e sentou-se. 30Numerosas multidões aproximaram-se dele, levando consigo coxos, aleijados, cegos, mudos, e muitos outros doentes. Então os colocaram aos pés de Jesus. E ele os curou. 31O povo ficou admirado, quando viu os mudos falando, os aleijados sendo curados, os coxos andando e os cegos enxergando. E glorificaram o Deus de Israel. 32Jesus chamou seus discípulos e disse: ‘Tenho compaixão da multidão, porque já faz três dias que está comigo, e nada tem para comer. Não quero mandá-los embora com fome, para que não desmaiem pelo caminho. ‘33Os discípulos disseram: ‘Onde vamos buscar, neste deserto, tantos pães para saciar tão grande multidão?’34Jesus perguntou: ‘Quantos pães tendes?’ Eles responderam: ‘Sete, e alguns peixinhos’. 35E Jesus mandou que a multidão se sentasse pelo chão. 36Depois pegou os sete pães e os peixes, deu graças, partiu-os, e os dava aos discípulos, e os discípulos, às multidões. 37Todos comeram, e ficaram satisfeitos. e encheram sete cestos com os pedaços que sobraram. Palavra da Salvação. #liturgiadehojecomhomilia #LiturgiaDiária0112214ªfeira1ªSemanadoAdvento #EvangelhodeJesusCristosegundoSãoLucas1114 #meditandooevangelhodehoje #homiliadodiadehoje #homilia #liturgiadiáriadehoje #EVANGELHOCOMENTADO #liturgiadiáriacatólica #homiliadamissacatólica #evangelhododia #liturgiadaigrejacatólicadehoje #LITURGIACATÓLICA #liturgiadoevangelho #liturgiadoevangelhodehoje #evangelhomeditadodehoje #EvangelhodeNossoSenhorJesusCristosegundoSãoLucas11 #liturgiadamissa #liturgiadiária2021 #EVANGELHODODIADEHOJE #homiliadamissadehoje #liturgiadaigrejacatólica #HOMILIACATÓLICA #HOMILIADALITURGIADEHOJE #LiturgiaDiária0610214ªFEIRADA27ªSEMANATEMPOCOMUM #liturgiadehoje #evangelhodehoje #liturgiadiáriacomentada #evangelhodamissadehoje #liturgiadiária #liturgiadiáriadodiadehoje #homiliadaigrejacatólica #liturgia #homiliadoevangelhocatólico #HOMILIADEHOJE #liturgiadamissadehoje #liturgiadodia #HOMILIADODIA #homiliadoevangelhodehoje
- LITURGIA DIÁRIA – 24/06/2021 (5ª-FEIRA) – NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA
NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA – SANTORAL 1ª LEITURA – JR 1,4-10 Leitura do Livro do Profeta Jeremias 1, 4-10 Nos dias de Josias: 4Foi-me dirigida a palavra do Senhor, dizendo: 5‘Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações’. 6Disse eu: ‘Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou muito novo’. 7Disse-me o Senhor: ‘Não digas que és muito novo; a todos a quem eu te enviar, irás, e tudo que eu te mandar dizer, dirás. 8Não tenhas medo deles, pois estou contigo para defender-te’, diz o Senhor. 9O Senhor estendeu a mão, tocou-me a boca e disse-me: ‘Eis que ponho minhas palavras em tua boca. 10Eu te constituí hoje sobre povos e reinos com poder para extirpar e destruir, devastar e derrubar, construir e plantar’. Palavra do Senhor. SALMO – SL 70(71),1-2.3-4A.5-6AB.15AB E 17 (R. 6B) R.Desde o seio maternal, sois meu amparo. 1Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor: / que eu não seja envergonhado para sempre!2Porque sois justo, defendei-me e libertai-me! / Escutai a minha voz, vinde salvar-me! R. 3Sede uma rocha protetora para mim, / um abrigo bem seguro que me salve! / Porque sois a minha força e meu amparo, / o meu refúgio, proteção e segurança! 4ALibertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio. R. 5Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, / em vós confio desde a minha juventude!6ASois meu apoio desde antes que eu nascesse, 6Bdesde o seio maternal, o meu amparo. R. 15AMinha boca anunciará todos os dias 15Bvossa justiça e vossas graças incontáveis. 17Vós me ensinastes desde a minha juventude, / e até hoje canto as vossas maravilhas. R. 2ª LEITURA – 1PD 1,8-12 Esta salvação tem sido objeto das investigações e meditações dos profetas. Leitura da Primeira Carta de São Pedro 1, 8-12 Caríssimos: 8Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, 9pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação. 10Esta salvação tem sido objeto das investigações e meditações dos profetas. Eles profetizaram a respeito da graça que vos estava destinada. 11Procuraram saber a que época e a que circunstâncias se referia o Espírito de Cristo, que estava neles, ao anunciar com antecedência os sofrimentos de Cristo e a glória conseqüente. 12Foi-lhes revelado que, não para si mesmos, mas para vós, estavam ministrando estas coisas, que agora são anunciadas a vós por aqueles que vos pregam o evangelho em virtude do Espírito Santo, enviado do céu; revelações essas, que até os anjos desejam contemplar! Palavra do Senhor. EVANGELHO – LC 1,5-17 Tua esposa vai ter um filho, e tu lhe darás o nome de João. + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 1, 5-17 5Nos dias de Herodes, rei da Judéia, vivia um sacerdote chamado Zacarias, do grupo de Abia. Sua esposa era descendente de Aarão e chamava-se Isabel. 6Ambos era justos diante de Deus e obedeciam fielmente a todos os mandamentos e ordens do Senhor. 7Não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e os dois já eram de idade avançada. 8Em certa ocasião, Zacarias estava exercendo as funções sacerdotais no Templo, pois era a vez do seu grupo. 9Conforme o costume dos sacerdotes, ele foi sorteado para entrar no Santuário, e fazer a oferta do incenso. 10Toda a assembléia do povo estava do lado de fora rezando, enquanto o incenso estava sendo oferecido. 11Então apareceu-lhe o anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. 12Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e o temor apoderou-se dele. 13Mas o anjo disse: ‘Não tenhas medo, Zacarias, porque Deus ouviu tua súplica. Tua esposa, Isabel, vai ter um filho, e tu lhe darás o nome de João. 14Tu ficarás alegre e feliz, e muita gente se alegrará com o nascimento do menino, 15porque ele vai ser grande diante do Senhor. Não beberá vinho nem bebida fermentada e, desde o ventre materno, ficará repleto do Espírito Santo. 16Ele reconduzirá muitos do povo de Israel ao Senhor seu Deus. 17E há de caminhar à frente deles, com o espírito e o poder de Elias, a fim de converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à sabedoria dos justos, preparando para o Senhor um povo bem disposto’. Palavra da Salvação. #etulhedarásonomedeJoão #Estasalvaçãotemsidoobjetodasinvestigaçõesemeditaçõesdosprofetas #LITURGIADIÁRIANATIVIDADEDESÃOJOÃOBATISTA #Tuaesposavaiterumfilho
- LITURGIA DIÁRIA – 23/06/2021 (4ª-FEIRA)
4ª-FEIRA DA 12ª SEMANA – TEMPO COMUM 1ª LEITURA – GN 15,1-12.17-18 Abrão teve fé no Senhor, que considerou isso como justiça; e o Senhor fez aliança com Abrão. Leitura do Livro do Gênesis 15, 1-12. 17-18 Naqueles dias: 1O Senhor falou a Abrão, dizendo: ‘Não temas, Abrão! Eu sou o teu protetor e tua recompensa será muito grande’. 2Abrão respondeu: ‘Senhor Deus, que me darás? Eu me vou desta vida sem filhos e o herdeiro de minha casa será Eliezer de Damasco’. 3E acrescentou: ‘Como não me deste descendência, um servo nascido em minha casa será meu herdeiro’. 4Então o Senhor falou-lhe nestes termos: ‘O teu herdeiro não será esse, mas um dos teus descendentes é que será o herdeiro’. 5E, conduzindo-o para fora, disse-lhe: ‘Olha para o céu e conta as estrelas, se fores capaz!’ E acrescentou: ‘Assim será a tua descendência’. 6Abrão teve fé no Senhor, que considerou isso como justiça. 7E lhe disse: ‘Eu sou o Senhor que te fez sair de Ur dos Caldeus, para te dar em possessão esta terra’. 8Abrão lhe perguntou: ‘Senhor Deus, como poderei saber que vou possuí-la?’ 9E o Senhor lhe disse: ‘Traze-me uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um carneiro de três anos, além de uma rola e de uma pombinha’. 10Abrão trouxe tudo e dividiu os animais pelo meio, mas não as aves, colocando as respectivas partes uma frente à outra. 11Aves de rapina se precipitaram sobre os cadáveres, mas Abrão as enxotou. 12Quando o sol já se ia pondo, caiu um sono profundo sobre Abrão e ele foi tomado de grande e misterioso terror. 17Quando o sol se pôs e escureceu, apareceu um braseiro fumegante e uma tocha de fogo, que passaram por entre os animais divididos. 18Naquele dia o Senhor fez aliança com Abrão, dizendo: ‘Aos teus descendentes darei esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio, o Eufrates’. Palavra do Senhor. SALMO – SL 104,1-2. 3-4. 6-7. 8-9 (R. 8A) R.O Senhor se lembra sempre da Aliança. R.Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia. 1Dai graças ao Senhor, gritai seu nome, / anunciai entre as nações seus grandes feitos!2Cantai, entoai salmos para ele, / publicai todas as suas maravilhas! R. 3Gloriai-vos em seu nome que é santo, / exulte o coração que busca a Deus!4Procurai o Senhor Deus e seu poder, / buscai constantemente a sua face! R. 6Descendentes de Abraão, seu servidor, / e filhos de Jacó, seu escolhido, 7ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus, / vigoram suas leis em toda a terra. R. 8Ele sempre se recorda da Aliança, / promulgada a incontáveis gerações; 9da Aliança que ele fez com Abraão, / e do seu santo juramento a Isaac. R. EVANGELHO – MT 7,15-20 Pelos seus frutos vós os conhecereis. + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 7, 15-20 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 15Cuidado com os falsos profetas: Eles vêm até vós vestidos com peles de ovelha, mas por dentro são lobos ferozes. 16Vós os conhecereis pelos seus frutos. Por acaso se colhem uvas de espinheiros ou figos de urtigas? 17Assim, toda árvore boa produz frutos bons, e toda árvore má, produz frutos maus. 18Uma árvore boa não pode dar frutos maus, nem uma árvore má pode produzir frutos bons. 19Toda árvore que não dá bons frutos é cortada e jogada no fogo. 20Portanto, pelos seus frutos vós os conhecereis. Palavra da Salvação. #LITURGIADIÁRIA4ªFEIRADA12ªSEMANATEMPOCOMUM #AbrãotevefénoSenhor #LITURGIADIÁRIA230620214ªFEIRA #queconsiderouissocomojustiçaeoSenhorfezaliançacomAbrão #Pelosseusfrutosvósosconhecereis














