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- Papa Valentino ( Agosto 827- Setembro de 827)
Valentino (agosto-setembro de 827). Um romano da família de classe alta, filho de Leôncio da Via Lata, ele entrou cedo no serviço da igreja, sendo ordenado e trazido para o palácio papal por Pascoal I e sendo eventualmente feito arcediácono. Com a morte de Eugênio II, ele foi eleito por unanimidade papa pelo clero, nobreza e povo de Roma; a participação dos leigos indica que a Constituição de 824 promulgada pelo imperador Lotário I (840-55) e ratificada por Eugênio II foi estritamente observada. Ele foi devidamente consagrado, mas de acordo com LP morreu quarenta dias depois; os Anais atribuídos a Eginhardo (c. 770-840), biógrafo e conselheiro de Carlos Magno, dão seu reinado em menos de um mês. O LP aplaude sua piedade e outras virtudes em termos convencionais, mas não há registro de nenhum ato realizado por ele. J.N.D Kelly. The Oxford Dictonary of Popes.
- A Era de Constantino (Revista Pergunte e Responderemos)
Em síntese: O Imperador Constantino em 313 deu a paz aos cristãos, que de então por diante puderam expandir suas virtualidades; Constantino julgava-se o 13° Apóstolo, chamado a ajudar a Igreja; a sua ingerência foi, em grande parte, benéfica; sofreu, porém, a atração do cesaropapismo que ia despontando e se tomaria mais forte em séculos posteriores. Não se pode dizer que o Cristianismo, posto em contato mais aberto com as instituições pagãs, se tenha paganizado; muito ao contrário, os Bispos souberam resistir a qualquer tentativa sincretista, alertando os fiéis para tal perigo. * * * Não raro ouve-se dizer que a era do Imperador Constantino (313-337) contribuiu para deturpar a Igreja, levando-a a adotar concepções e costumes do paganismo. Visto que Constantino deu liberdade aos cristãos e quis fazer as vezes de Imperador cristão, terá paganizado a Igreja, em vez de ser cristianizado por Ela. Para julgar tal afirmação, faz-se mister possuir uma visão ampla e precisa da administração governamental de Constantino e das atitudes da Igreja na época – conhecimentos estes de que nem todos dispõem. Eis por que tais elementos são abaixo oferecidos ao leitor. 1. Constantino, o Apóstolo “de fora” Em 313 o Imperador Constantino, mediante o edito de Milão, concedeu a paz aos cristãos, pondo fim à era das perseguições. De então por diante, foi-se voltando cada vez mais para a Igreja e suas expressões, favorecendo de diversas maneiras a expansão do Cristianismo; a trajetória religiosa de Constantino só terminou no leito de morte, onde pediu e recebeu o sacramento do Batismo (337). Grande número de Bispos houve por bem aceitar o apoio e as boas graças do Imperador Constantino; entre estas, enumera-se, por exemplo, o fato de que seria lícito, para o futuro, fazer testamentos em benefício da Igreja; os Bispos poderiam exercer ocasionalmente a jurisdição civil; aos judeus era proibido apedrejar aqueles que se quisessem converter ao Cristianismo… O Imperador em circunstâncias diversas proclamou sua fidelidade ao Cristianismo; assim dizia em 315: “Dedico pleno respeito à regular e legítima Igreja Católica” e vinte anos mais tarde: “Professo a mais santa das religiões… Ninguém pode negar que sou um fiel servidor de Deus”(1). (1) Textos transcritos da obra de Daniel-Rops, L’Eglise des Apôtres et des Martyrs, Paris 1948, p. 495. Não há dúvida de que Constantino simultaneamente favorecia o exercício dos cultos pagãos do antigo Império; ele mesmo trazia o título de “Grande Pontífice”, que havia caracterizado seus antecessores. Julgam bons historiadores que o Imperador Constantino conservava funções e atitudes do paganismo por motivos políticos e diplomáticos mais do que por convicção íntima; parece que tinha a consciência reta ou bem intencionada, mas uma formação doutrinária eclética ou incompletamente cristã e sujeita a temores supersticiosos. Além disto, deve-se reconhecer que os instintos de violência persistiam na alma de Constantino apesar de sua adesão ao Cristianismo; foi, por exemplo, autor dos morticínios de seu filho Crispo e de sua esposa Fausta. Como quer que seja, o Imperador, com todas as suas falhas, procurou aplicar os princípios do Evangelho à legislação do Império: o domingo, dia do Sol para os pagãos, consagrado pelos cristãos ao Senhor Jesus Ressuscitado, foi equiparado às feriae (dias festivos) do Império Romano. O suplício da cruz foi proibido, pois a Cruz se tornara um símbolo sagrado (Constantino tinha em seu palácio de Bizâncio um oratório particular, ornamentado apenas com uma cruz, diante da qual ele orava longamente); foi também proibido marcar o rosto dos condenados à morte com ferro incandescente, pois, dizia o texto da lei, “o semblante do homem foi feito à semelhança da Beleza Divina”. Constantino também remodelou certas estruturas da sociedade; reorganizou a família e diminuiu o poder, outrora absoluto, do paterfamilias; mandou socorrer as crianças abandonadas; mitigou as condições de trabalho dos escravos, reconhecendo-lhes igualdade moral com os demais homens e facilitando o resgate dos mesmos ([1]); um escravo não poderia ser separado da esposa e dos filhos, segundo a lei. O Imperador também teve a intenção (que seus antecessores já haviam manifestado e seus sucessores sistematizaram em leis) de fixar 0 camponês na sua terra, o funcionário na sua função própria, o artesão no seu artesanato; tal era o único recurso que o Estado podia conceber para impedira vida nômade das populações amedrontadas pelos impostos, pela insegurança da vida campestre e pela desagregação das agremiações ou coletividades. Assim se preparava a instituição medieval dos servos da gleba postos sob a tutela de um senhor feudal, instituição que na sua época estava longe de ser um malefício, pois era a única forma de garantir proteção, paz e segurança às populações campestres ameaçadas por hordes guerreiras e invasões bárbaras. No plano moral, Constantino também quis defender a reta ordem e a sociedade: promulgou leis contrárias ao adultério, à manutenção de concubinas por parte de homens casados, ao rapto de mulheres, à entrega de filhas à prostituição por parte dos genitores. A fim de prestigiar tal legislação, Constantino manteve para os adúlteros, os raptores e os proxenetas as severas penas que ele aboliu na repressão aos ladrões e aos bandidos. O monarca tentou outrossim suprimir, nos espetáculos de circo, as representações sangrentas ou obscenas, embora não o tenha conseguido. Tais medidas não resultaram numa cristianização perfeita da sociedade, mas inegavelmente contribuíram para uma transformação valiosa da mesma segundo os princípios do Evangelho; aos poucos, no decorrer dos cem próximos anos, os costumes do paganismo iriam cedendo aos do Cristianismo; a sociedade pagã se tornaria (tanto quanto possível à fraqueza humana) uma sociedade cristã; o Império pagão se faria Império cristão (dir-se-ia sob Carlos Magno em 800: “o Sacro Império Romano da Nação Franca”). O domingo e as grandes festas da Liturgia – Páscoa, Pentecostes e Natal – tomariam o lugar das festas pagãs. A face visível das cidades foi-se transformando: em muitos lugares ergueram-se igrejas de grandes dimensões – as ditas “basílicas constantinianas” -, que faziam a antiga arquitetura romana servir ao culto do verdadeiro Deus; nas esquinas e encruzilhadas das ruas as estátuas de divindades pagãs foram substituídas por oratórios de Santos. A arte cristã saiu das catacumbas para se expandir em plena luz. No linguajar de cada dia as palavras e expressões cristãs se multiplicaram, os nomes próprios foram sendo sempre mais os de mártires e Santos. Mediante a sua legislação social, Constantino contribuiu para salvar da caducidade e da ruína a própria civilização romana; as bases desta achavam-se abaladas e sem vitalidade; foi o Cristianismo, injetado por uma nova legislação a partir de Constantino, que salvou da dissolução a cultura antiga. Assim procedendo, Constantino lançou os fundamentos de uma civilização cristã, com a qual sonhou posteriormente S. Agostinho (+430) na sua obra monumental sobre “A Cidade de Deus” e que os Imperadores carolíngios (século IX) e otônicos (século X), com seus predicados e suas deficiências, procuraram realizar em colaboração com o Papado. 2. Restrições Deve-se todavia reconhecer que as boas graças do Imperador para com a Igreja tiveram, para esta, não somente conseqüências positivas, mas também incidências negativas e penosas, que inevitavelmente decorriam da fragilidade humana. Seja citado, por exemplo, o fato de que muitos cidadãos se converteram à fé cristã sem ter as devidas convicções; as vantagens, repentinamente outorgadas aos cristãos em lugar das perseguições, ocasionaram em muitos a tibieza e o aburguesamento. Mais ainda: Constantino, em seu zelo de Imperador cristão, fazia as vezes de “epískopos (= superintendente, vigia) de fora” – o que quer dizer: arrogava a si o direito de intervir em assuntos internos da Igreja, que escapavam à sua alçada. Com efeito, disse certa vez o Imperador a Bispos reunidos num Concílio regional: “Vos sois epískopoi (bispos) daqueles que estão dentro da Igreja; eu, porém, fui constituído por Deus epískopos (= vigilante) daqueles que estão fora da Igreja” ([2]). Propriamente o que Constantino queria afirmar com tais palavras, é que se considerava encarregado das populações ainda não cristãs, às quais deveria levar 0 Evangelho; através desse encargo, porém, ele se julgava habilitado a orientar até mesmo as controvérsias teológicas. Houve prelados que se prestaram a secundar as pretensões do Imperador, movidos por atitude subserviente para com o “Grande Protetor”; a liberdade subitamente concedida por Constantino à Igreja deslumbrou os cristãos e os tornou propensos não somente a obedecer ao Imperador, mas, por vezes, também a pedir a intervenção do mesmo em questões religiosas (como fizeram, por exemplo, os donatistas, hereges do Norte da África). Estes fatos se tornaram nocivos à Igreja oriental no decorrer dos séculos IV/VI; no Ocidente, o mesmo não ocorreu, pois as populações ocidentais não mereciam os cuidados dos Imperadores bizantinos; estes chegavam a desprezá-las, de sorte que a Igreja latina pôde com liberdade seguir o seu curso de expansão e implantação. O fato de ter Constantino transferido a capital do Império de Roma para Bizâncio em 330 tornava Roma, a sede de Pedro e de seus sucessores, isenta do influxo imperial ou mesmo apta a se opor a este quando exorbitava. A propósito tenha-se em vista o que aconteceu por ocasião das controvérsias teológicas dos séculos IV-VII (Roma sempre resistiu às fórmulas de fé forjadas pelos Imperadores); considere-se outrossim o episódio do Imperador Teodósio, que, censurado por S. Ambrósio, bispo de Milão, por causa de injusto morticínio cometido em Tessalônica, se submeteu à penitência pública e foi absolvido como qualquer frágil criatura no Natal de 380. A ingerência dos Imperadores bizantinos nos assuntos internos da Igreja, de um lado, e, de outro lado, a subserviência de Bispos orientais são males que tiveram início sob o reinado de Constantino. Faz-se mister reconhecê-los como tais; ao mesmo tempo, porém, deve-se afirmar que não deturparam a estrutura e a doutrina da Igreja. A mensagem do Evangelho foi, através de tais vicissitudes, vivida pelo povo de Deus de modo a poder transmitir-se íntegra às gerações subseqüentes. Como dito à p. 107, o fato de terem cooperado entre si a Igreja e o Império não é um mal em si; não há por que rejeitar de antemão o bom entendimento entre aquela e este, a menos que se professe um maniqueísmo sócio-político. Se um Imperador se diz católico e nada prova que não é sincero, a Igreja tem o direito e o dever de contar com ele como um filho seu, a quem compete proclamar o Evangelho a partir do trono imperial. Encerrando este estudo da era constantiniana, pode-se aqui transcrever a ponderação do conceituado historiador J.-R. Palanque: “Terminando a história do século IV, é-nos mister indicar os felizes efeitos obtidos através da união da Igreja e do Estado selada no tempo de Teodósio (380). O absolutismo imperial, cujas arbitrariedades por vezes sanguinárias e opressoras eram alimentadas pela adulação de uma corte subserviente, foi limitado pela intervenção dos Bispos; já se disse com razão que o poder e a liberdade do clero se tornaram a garantia da liberdade pública e do direito (cf. H. von Campen, Ambrosius von Mailand, p. 271). Visto que o Imperador estava ‘dentro da Igreja’, estava sujeito, como todos os fiéis, aos deveres que o Evangelho impõe. O governo dos monarcas cristãos era, sem dúvida, mais liberal, mais humanitário, do que o dos Imperadores pagãos. Além do mais, ao aceitarem o primado do espiritual, os príncipes cristãos se empenharam por impregnar as leis com os princípios da Moral cristã, que Constantino começara a instalar no Direito romano. Foram editadas novas leis que puniam severamente a delação, a difamação, a usura, a venda de crianças, os excessos da soldadesca… Nessa sociedade romana, os costumes eram freqüentemente brutais e grosseiros. Mas em tal setor as transformações profundas não são obra de um dia. Basta que no século IV tenham brotado alguns germens, que haveriam de frutificar mais tarde. Entre estes, o mais fecundo foi talvez a conversão progressiva e total dos Imperadores à fé de Cristo, e, em consequência, a integração da Igreja Católica, livre de heresias; no Estado; este a patrocinou oficialmente e, ao menos por certo tempo, se pôs humildemente a serviço da Igreja. O século IV, inaugurado pela conversão de Constantino, terminou com a penitência de Teodósio: estes dois acontecimentos, tão cheios de conseqüências, lhe conferem a sua verdadeira grandeza” (Fliche-Martin, Histoire de TEglise, vol. 3, Paris 1950, pp. 524s). Dom Estêvão Bettencourt [1] Segundo alguns historiadores, Constantino terá pensado em abolir por completo a escravatura. Apenas terá recuado diante das necessidades econômicas: o tipo de civilização da época entraria em colapso total se não fosse a mão-de-obra escrava. O próprio S. Agostinho, no fim do século IV, reconhecia a escravatura como fato contra o qual nada se podia fazer. Era preciso esperar que os tempos ainda evoluíssem e oferecessem aos homens novos dados para que percebessem, em termos concretos e práticos, que todos são iguais diante de Deus e, por isto, gozam dos mesmos direitos básicos na sociedade. [2] A palavra grega epískopos significa originariamente “vigilante” ou “superintendente”. Foi assumida pelos cristãos para designar o vigilante credenciado pela sagrada ordem do episcopado. A frase de Constantino joga com o duplo sentido da palavra.
- O ÚNICO ALIMENTO QUE PERMANECE – 18º Domingo do Tempo Comum
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Refeição espiritual”, clicar AQUI. No Evangelho deste domingo, a multidão que foi agraciada pela multiplicação dos pães sai à procura de Cristo querendo mais milagres. Mas Nosso Senhor a repreende: “Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna”. De que alimento, porém, está falando Jesus? Como podemos ter acesso a este “Pão da Vida”, saciado do qual ninguém “terá mais fome”? PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Êxodo 16, 2-4.12-15) Apego às coisas perecíveis Naqueles dias, 2a comunidade dos filhos de Israel pôs-se a murmurar contra Moisés e Aarão, no deserto, dizendo: 3“Quem dera que tivéssemos morrido pela mão do Senhor no Egito, quando nos sentávamos junto às panelas de carne e comíamos pão com fartura! Por que nos trouxestes a este deserto para matar de fome a toda esta gente?” 4O Senhor disse a Moisés: “Eis que farei chover para vós o pão do céu. O povo sairá diariamente e só recolherá a porção de cada dia, a fim de que eu o ponha à prova, para ver se anda ou não na minha lei. 12Eu ouvi as murmurações dos filhos de Israel. Dize-lhes, pois: ‘Ao anoitecer, comereis carne, e pela manhã vos fartareis de pão. Assim sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus’”. 13Com efeito, à tarde, veio um bando de codornizes e cobriu o acampamento; e, pela manhã, formou-se uma camada de orvalho ao redor do acampamento. 14Quando se evaporou o orvalho que caíra, apareceu na superfície do deserto uma coisa miúda, em forma de grãos, fina como a geada sobre a terra. 15Vendo aquilo, os filhos de Israel disseram entre si: “Que é isto?” Porque não sabiam o que era. Moisés respondeu-lhes: “Isto é o pão que o Senhor vos deu como alimento”. SALMO 77 Confiança no Deus provedor (Antífona): O Senhor deu a comer o pão do céu. Tudo aquilo que ouvimos e aprendemos, e transmitiram para nós os nossos pais, não haveremos de ocultar a nossos filhos, mas à nova geração nós contaremos: as grandezas do Senhor e seu poder. Ordenou, então, às nuvens lá dos céus, e as comportas das alturas fez abrir; fez chover-lhes o maná e alimentou-os, e lhes deu para comer o pão do céu. O homem se nutriu do pão dos anjos, e mandou-lhes alimento em abundância; conduziu-os para a Terra Prometida, para o Monte que seu braço conquistou. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Efésios 4, 17.20-24) O homem novo é o que se alimenta de Deus Irmãos: 17Eis, pois, o que eu digo e atesto no Senhor: não continueis a viver como vivem os pagãos, cuja inteligência os leva para o nada. 20Quanto a vós, não é assim que aprendestes de Cristo, 21se ao menos foi bem ele que ouvistes falar, e se é ele que vos foi ensinado, em conformidade com a verdade que está em Jesus. 22Renunciando à vossa existência passada, despojai-vos do homem velho, que se corrompe sob o efeito das paixões enganadoras, 23e renovai o vosso espírito e a vossa mentalidade. 24Revesti o homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade. EVANGELHO (São João 6, 24-35) O alimento que permanece Naquele tempo, 24quando a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum. 25Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: “Rabi, quando chegaste aqui?” 26Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. 27Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo”. 28Então perguntaram: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” 29Jesus respondeu: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”. 30Eles perguntaram: “Que sinal realizas, para que possamos ver e crer em ti? Que obra fazes? 31Nossos pais comeram o maná no deserto, como está na Escritura: ‘Pão do céu deu-lhes a comer’”. 32Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. 33Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”. 34Então pediram: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. 35Jesus lhes disse: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”. TESTE DE RESISTÊNCIA (Comentário de Scott Hahn) O caminho do discipulado é um êxodo de toda a vida, da escravidão do pecado e da morte à santificação pela verdade no Monte Sião, a terra prometida da vida eterna. O caminho pode se tornar difícil. E quando isso acontece, podemos ser tentados a reclamar, tal como os israelitas fizeram na primeira leitura desta semana. Devemos ver esses momentos de dificuldade como uma prova para avaliar como estão os nossos corações, como um chamado para confiar mais em Deus e purificar os motivos de nossa fé (v. Deuteronômio 8, 2-3). Como São Paulo nos lembra na epístola desta semana, devemos deixar para trás nossas velhas decepções e desejos, passando a viver segundo a nossa semelhança com Deus, a partir da qual nós fomos criados. É o que, no Evangelho desta semana, Jesus diz às multidões, que o estão seguindo pelas razões erradas. Procuram-No porque Ele os alimentou. Os israelitas também estavam felizes de seguir a Deus, enquanto tinham comida em abundância. A comida é o mais evidente dos sinais, pois é a mais básica de nossas necessidades humanas. Precisamos do nosso pão de cada dia para viver. Mas não podemos viver só de pão. Necessitamos do pão da vida eterna, que preserva todo aquele que crê no Senhor (v. Sab. 16, 20 e 26). O maná no deserto, como o pão que Jesus multiplicou para a multidão, era um sinal da providência de Deus: devemos ter confiança que Ele proverá. Estes sinais nos remetem para o seu cumprimento na Eucaristia, o abundante pão dos anjos que cantamos no Salmo desta semana. A Eucaristia é o alimento que Deus deseja nos dar. Este é o pão que deveríamos procurar. Muitas vezes, no entanto, não é este o pão que pedimos. Em vez disso, procuramos as coisas perecíveis solicitadas por nossos desejos e ansiedades cotidianas. Em nossa fraqueza, pensamos que essas coisas são o que realmente necessitamos. Devemos confiar mais em Deus. Se buscarmos primeiramente o seu Reino e sua Justiça, todas essas coisas nos serão acrescentadas (v. São Mateus 6, 33). https://stpaulcenter.com/endurance-test-scott-hahn-reflects-on-the-eighteenth-sunday-in-ordinary-time/ https://stpaulcenter.com/prueba-de-resistencia-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-18o-domingo-de-tiempo-ordinario/#
- • A DOUTRINA E O SEU DESENVOLVIMENTO
• A DOUTRINA E O SEU DESENVOLVIMENTO • Os pensadores cristãos, já nos primeiros séculos, começaram a distinguir entre essa instrução que pretendia “tornar conhecida a palavra a respeito de Cristo e o mistério em relação a ele” é essa instrução que pretendia “apontar para os hábitos corretos” (santo Atanásio epístolas festivas II. 3). A distinção, no mínimo em parte, foi sugerida pelo próprio método do novo testamento. Teodoro de Mopsuéstia observou que o apóstolo Paulo, tanto na epístola aos Romanos quanto na aos Efésios, estabeleceu Primeiro os “sermões dogmáticos”, definidos como sermões que contém um relato da vinda de Cristo e indicam as bençãos que ele nos conferiu com sua vinda e, depois, prosseguem com”exortação ética” (Teodoro de Mopsuéstia exposição de Efésios). A grande comissão de Mateus 28.18 também era vista como uma divisão da disciplina cristã em duas partes, “a parte ética e a precisão dos dogmas”, a primeira contida nos mandamentos de Jesus é a segunda na “tradição do batismo” (São Gregório de Nossa, Epístolas). Isso significa que “o método de santidade consiste dessas duas coisas: as doutrinas piedosas e a prática virtuosa” (são Cirilo de jerusalém, palestras catequeticas), nenhuma das quais era aceitável para Deus sem a outra. Ambas as formas de instrução pertencem ao púlpito e aos livros sobre o ensinamento cristão. O manual padrão de doutrina no cristianismo grego, a sobre a fé Ortodoxa, de São João Damasceno(João Damasceno sobre a fé Ortodoxa), discutia não só a trindade e a cristologia, mas também assuntos como medo, raiva e imaginação. Sua contraparte posterior na Igreja latina, sentenças, de Pedro Lombardo, incluí em seu terceiro livro um tratamento das virtudes criadas pela graça. • É necessário entender que a definição inicial exige especificação mais detalhada. A doutrina cristã é o negócio da Igreja. A história da doutrina não deve ser igualada a história da teologia nem à história do pensamento cristão. Se for, o historiador corre o risco de de exagerar a relevância do pensamento idiossincrático dos teólogos individuais à custa da fé comum da Igreja. As crenças privadas dos teólogos pertencem à história da doutrina, mas não apenas em seus próprios termos. Pois uma das diferenças mais decisivas entre um teólogo e um filósofo é que o primeiro se entende, de acordo de acordo com a frase clássica de Orígenes, como “um homem da Igreja”, um porta-voz para a comunidade cristã (Orígenes homilias sobre Levítico; homilias sobre Josué; homilias sobre Isaías). Um teólogo como Orígenes, mesmo em suas especulações teológicas e em sua polêmica contra algum ensinamento público da Igreja de sua época, sabe sabe que tem de prestar contas ao ao depositário da revelação cristã e à autoridade continua da Igreja. Suas opiniões pessoais devem ser estabelecidas no contexto do desenvolvimento do que a Igreja acredita, ensina e confessa com base na palavra de Deus. Isso, em geral, é difícil e, às vezes, impossível, desenhar uma linha de demarcação entre os ensinamentos da Igreja e as teorias de seus professores; o que os professores pensam muitas vezes reflete um estágio anterior do desenvolvimento ou antecipa um posterior. Contudo, objeto especial de nossa investigação aqui é esse desenvolvimento da doutrina da Igreja. • A doutrina é o que é ensinado, crido e confessado. A história da doutrina, concentra-se no que é confessado, ou seja, nos dogmas como declarações normativas da crença Cristã adotados pelas várias autoridades eclesiásticas e aplicados como o ensinamento oficial da Igreja. A história do dogma alega prestar atenção no desenvolvimento doutrinário antes ou depois das formulação dessas declarações normativas só por causa da relação desse desenvolvimento com o dogma. Na prática, contudo, as histórias de dogmas tendem a se expandir além das limitações autoimpostas, cuja arbitrariedade ficou especialmente evidente em algumas situações atuais, podemos pensar na qual designada para o estudo: o último ou o mais recente Concílio ou documento pastoral de um assunto em particular da Igreja. • Esta história, ao relacionar o que é confessado ao que é Crido e ensinado, tenta levar em conta como as doutrinas se desenvolvem. Sem estabelecer limites rígidos, identificaremos o que é Crido como a forma de doutrina Cristã presente nas modalidades de devoção, espiritualidade e adoração, O que é ensinado como o conteúdo da palavra de Deus extraído pela exegese dos testemunhos da Bíblia e transmitido às pessoas da igreja por meio da Proclamação da instrução e da teologia desenvolvida na igreja; e o que é confessado como testemunho da igreja, tanto contra os falsos ensinamentos na igreja quanto contra os ataques de fora dela articulados em polêmicas e em apologéticas e em Credo e em Dogma. • Os credos e os decretos contra a heresia se acumularão em nossa documentação histórica, exatamente como acontece com as histórias dos dogmas; pois o que a igreja confessa e o que ela crê e ensina — ou, no mínimo, representa parte do que a igreja crê e ensina. Na história do dogma, o que a Igreja crê e ensina à parte de suas declarações normativas de fé é importante como um comentário sobre o credo e o dogma. Nesta história do desenvolvimento da doutrina, o credo e o Dogma são importantes como um índice do que igreja crê, ensina e Confessa. Teremos em alguma extensão, de reler em retrospectiva o que foi confessado, o que de fato foi ensinado e realmente crido; pois, a diferença entre a história e o arqueologismo é que a história tem de ser regressiva, indo do presente para o passado. • A relação entre crer, ensinar e confessar também envolve que tanto a questão do sujeito quanto a da fonte do material para a história do desenvolvimento da doutrina mudará de forma gradual, mas firme, enquanto a traçamos ao longo da história da igreja. Não se pretende dizer que a doutrina, uma vez formulada, para se desenvolver e fica fixa nem mesmo que o Dogma da Trindade continua perfeitamente estático desde sua adoção e clarificação. Significa que a doutrina, tendo-se desenvolvido a partir do que se acredita e do que foi ensinado e talvez até mesmo do que foi confessado, torna-se gradualmente parte do depósito autorizado da Fé. Para rastrear mais seu desenvolvimento, teremos de procurar mais, embora não exclusivamente, seus expositores profissionais e os teólogos, enquanto eles especulam tanto em sua filosofia quanto em sua mistagogia, enquanto a estudavam e a criticavam, enquanto a usavam para interpretar as próprias Escrituras da qual a doutrina foi fundamentada e enquanto a expandiam e a revisavam. Portanto, em volumes posteriores dessa história, a história da doutrina passará para a história da teologia, mas nunca se tornará a história da teologia. Um sinal visível dessa mudança ao longo dos séculos é a evolução da vocação do teólogo. Durante os anos 100 a 600, a maioria dos teólogos eram bispos; de 600 a 1500 no acidente eles eram monges desde 1500, eles passaram a ser professores universitários. GregórioI morto em 604, é um bispo que tinha sido monge. • Ao longo da nossa história da doutrina, os Escritos dos teólogos, com certeza, são uma importante fonte como são para história da teologia. Se os teólogos, na verdade, são os porta-vozes responsáveis da igreja, espera-se que seus livros forneçam a maioria da informação sobre o desenvolvimento da doutrina. Mas não recorreremos apenas aos tratados ou teologia sistemática deles em busca de informação. De mais a mais, até mesmo nesses tratados eles não agiam só como refutadores da heresia, formuladores de dogmas, ou Defensores da Fé, mas como intérpretes das escrituras. Por exemplo a obra “discurso contra os arianos” de Santo Atanásio, consiste de suas explicações de uma série de passagens bíblicas que era motivo de controvérsia entre os arianos e os grupos de Nicéia; santo Tomás de Aquino era corretamente conhecido como um mestre da página Sagrada. A história da interpretação bíblica e o desenvolvimento da hermenêutica merecem ser estudados por seus próprios méritos e não representam nosso interesse neste texto. • Esta história, entendendo a doutrina Cristã como i que a igreja crê, ensina e confessa com base na palavra de Deus, não lidará com o conteúdo doutrinal do antigo e do Novo Testamento em seus próprios termos. Este constituem eles mesmos Campos de pesquisa, e a teologia do novo testamento, para Nosso propósito, não é o que Jesus e os apóstolos podem ter ensinado, mas o que a Igreja entendeu que eles ensinaram. Esse é um processo contínuo, em vez de um produto acabado. #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Igreja
- PARTICIPANTES DA PAIXÃO DE CRISTO JESUS (São João Crisóstomo, bispo)
Os filhos de Zebedeu pedem a Cristo: “Deixa-nos sentar um à tua direita e outro, à tua esquerda” (Marcos 10,37). Que resposta lhes dá o Senhor? Para mostrar que no seu pedido nada havia de espiritual, e se soubessem o que pediam não teriam ousado fazê-lo, diz: “Não sabeis o que estais pedindo” (Mateus 20,22), isto é, não sabeis como é grande, admirável e superior aos próprios poderes celestes aquilo que pedis. Depois acrescenta: “Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” (Mateus 20,22). É como se lhes dissesse: “Vós me falais de honras e de coroas; eu, porém, de combates e de suores. Não é este o tempo das recompensas, nem é agora que minha glória há de se manifestar. Mas a vida presente é de morte violenta, de guerra e de perigos”. Reparai como o Senhor os atrai e exorta, pelo modo de interrogar. Não perguntou: “Podeis suportar os suplícios?” “Podeis derramar vosso sangue?” Mas indagou: “Por acaso podeis beber o cálice?” E para os estimular, ainda acrescentou: “que eu vou beber?” Assim falava para que, em união com ele, se tornassem mais decididos. Chama sua paixão de batismo, para dar a entender que os sofrimentos haviam de trazer uma grande purificação para o mundo inteiro. Então os dois discípulos lhe disseram: “Podemos” (Mateus 20,22). Prometem imediatamente, cheios de fervor, sem perceber o alcance do que dizem, mas com a esperança de obter o que pediam. Que afirma o Senhor? “De fato, vós bebereis do meu cálice” (Mateus 20,23), “e sereis batizados com o batismo com que eu devo ser batizado” (Marcos 10,39). Grandes são os bens que lhes anuncia, a saber: “Sereis dignos de receber o martírio e sofrereis comigo; terminareis a vida com morte violenta e assim participareis da minha paixão”. “Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou” (Mateus 20,23). Somente depois de lhes ter levantado os ânimos e de tê-los tornado capazes de superar a tristeza é que corrigiu o pedido que fizeram. Então os outros dez discípulos ficaram irritados contra os dois irmãos (Mateus 20,24). Vedes como todos eles eram imperfeitos, tanto os que tentavam ficar acima dos outros, como os dez que tinham inveja dos dois? Mas, como já tive ocasião de dizer, observai-os mais tarde e vereis como estão livres de todos esses sentimentos. Prestai atenção como o mesmo apóstolo João, que se adianta agora por este motivo, cederá sempre o primeiro lugar a Pedro, quer para usar da palavra, quer para fazer milagres, conforme se lê nos Atos dos Apóstolos. Tiago, porém, não viveu muito mais tempo. Desde o princípio, pondo de parte toda aspiração humana, elevou-se a tão grande santidade que bem depressa recebeu a coroa do martírio. (Das Homilias sobre Mateus, de São João Crisóstomo, bispo – Hom. 65,2-4: PG 58,619-622 – Séc. IV). #Cristologia #Igreja #Santos #SãoJoãoCrisóstomo
- VÓS OS CONHECEREIS PELOS SEUS FRUTOS (São João Damasceno, bispo)
Estava determinado que a Virgem Mãe de Deus iria nascer de Ana. Por isso, a natureza não ousou antecipar o germe da graça, mas permaneceu sem dar o próprio fruto até que a graça produzisse o seu. De fato, convinha que fosse primogênita aquela de quem nasceria o primogênito de toda a criação, “no qual todas as coisas têm a sua consistência” (cf. Cl 1,17). Ó casal feliz, Joaquim e Ana! A vós toda a criação se sente devedora. Pois foi por vosso intermédio que a criatura ofereceu ao Criador o mais valioso de todos os dons, isto é, a mãe pura, a única que era digna do Criador. Alegra-te, Ana “estéril, que nunca foste mãe, exulta e regozija-te, tu que nunca deste à luz” (Is 54,1). Rejubila-te, Joaquim, “porque de tua filha nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho; o nome que lhe foi dado é: Anjo do grande conselho, salvação do mundo inteiro, Deus forte” (Cf. Is 9,5). Este menino é Deus. Ó casal feliz, Joaquim e Ana, sem qualquer mancha! Sereis conhecidos pelo fruto de vossas entranhas, como disse o Senhor certa vez: “Vós os conhecereis pelos seus frutos” (Mt 7,16). Estabelecestes o vosso modo de viver da maneira mais agradável a Deus e digno daquela que de vós nasceu. Na vossa casta e santa convivência educastes a pérola da virgindade, aquela que havia de ser virgem antes do parto, virgem no parto e continuaria virgem depois do parto; aquela que, de maneira única, conservaria sempre a virgindade, tanto em seu corpo como em seu coração. Ó castíssimo casal, Joaquim e Ana! Conservando a castidade prescrita pela lei natural, alcançastes de Deus aquilo que supera a natureza: gerastes para o mundo a mãe de Deus, que foi mãe sem a participação de homem algum. Levando, ao longo de vossa existência, uma vida santa e piedosa, gerastes uma filha que é superior aos anjos e agora é rainha dos anjos. Ó formosíssima e dulcíssima jovem! Ó filha de Adão e Mãe de Deus! Felizes o pai e a mãe que te geraram! Felizes os braços que te carregaram e os lábios que te beijaram castamente, ou seja, unicamente os lábios de teus pais, para que sempre e em tudo conservasses a perfeita virgindade! “Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos, exultai e cantai salmos” (cf. Sl 97,4-5). Levantai vossa voz; clamai e não tenhais medo. (Dos Sermões de São João Damasceno, bispo – Orat. 6, in Nativitatem B. Mariae V., 2.4.5.6: PG 96, 663.667.670 – Séc. VIII). #Bíblia #Cristologia #Igreja #mariologia
- JESUS CRISTO: O SERVO DE JAVÉ
“Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos… seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus” (Filipenses 2,3- 5). O APÓSTOLO PAULO prega que nosso comportamento deve ser igual, deve ser o mesmo de JESUS: devemos, como cristãos, assumir sempre a forma de servo, considerando o próximo superior a nós mesmo… Ou seja, descer da nossa posição, da nossa glória, do nosso posto, não da nossa condição humana… O próprio JESUS sendo DEUS, fez isso… JESUS não se agarrou egoisticamente à Sua CONDIÇÃO DIVINA para fugir de Sua CONDIÇÃO DE SERVO enquanto A PESSOA ÚNICA DO VERBO ENCARNADO. A indagação é esta: Para sermos servos, perdemos a nossa PERSONALIDADE ÚNICA, nosso ATRIBUTOS?!!! Claro que não, pois isso seria perder a nossa própria IDENTIDADE! João 13,13-15: “Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.” “A pergunta é: do quê Cristo Jesus se esvaziou? Seguramente não foi de sua existência “na forma de Deus”. Ele jamais deixou de ser o Possuidor da natureza divina. “Eu seu estado de humilhação, ele não poderia prescindir de sua Deidade… Mesmo em sua morte, ele teve que ser o poderoso Deus, a fim de, por sua morte, conquistar a morte” (R. C. H. Lenski)”. E mais: “…o verbo “ekenosen” [ele a si mesmo se esvaziou] não se refere a “morphe theou” (forma de Deus), mas a “einai isa theo”, ou seja, sua existência em igualdade a Deus (Systematic Theology, p. 328). E mais: “De que Cristo a si mesmo se esvaziou? Não de sua natureza divina, pois era impossível. Ele continuou sendo o Filho de Deus. Indubitavelmente, Cristo renunciou seu ambiente de glória” (Greijdanus). Vejamos como JESUS tinha plena consciência de Sua condição divina enquanto presente no mundo: “Eu te (((glorifiquei na terra))), finalizando a obra que me entregaste para realizar. E agora, Pai, (((glorifica-me junto a Ti, com a glória que Eu tinha contigo antes que o mundo existisse)))… (João 17,4,5). “Eu lhes tenho transferido a glória que me tens dado, (((para que sejam um, como nós o somos))): Eu neles e Tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que Tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim. (((Pai, Eu desejo que os que me deste estejam comigo onde Eu estou e contemplem a minha glória, a glória que me outorgaste porque me amaste antes da criação do mundo))) (João 17,22-24). Temos a plena convicção bíblica de que em Filipenses 2,5-11, jamais foi dito que JESUS em algum momento se despiu de Sua DIVINDADE, de Seus ATRIBUTOS DIVINOS… O que é dito é que JESUS “fez a si mesmo de nenhuma reputação” ao assumir a condição de escravo para morrer por nós na Cruz do Calvário… “SENDO DE CONDIÇÃO DIVINA” (Preexistência da PESSOA ÚNICA DO VERBO ETERNO)… JESUS despojou-se, esvaziou-se totalmente de sua glória divina, sem perder nada de sua natureza ou essência divina ao se fazer homem. YHWH (JAVÉ) – יהוה – Yud י Hêi ה Vav ו Hêi ה #Cristologia
- CRISTO MORREU POR TODOS (Santo Agostinho, bispo)
Aquele que em tua secreta misericórdia revelaste aos humildes e lhes enviaste para que nos ensinasse a humildade, o verdadeiro mediador, esse mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus, apareceu entre os pecadores mortais como justo mortal: mortal com os homens, justo com Deus. Sendo a recompensa da justiça a vida e a paz, pela justiça unida a Deus, ele destruiu a morte dos ímpios justificados, através dessa morte que desejou igual à deles. Quanto nos amaste, Pai bom, que não poupaste teu Filho único, mas por nós, ímpios, o entregaste! Como nos amaste, quando por nós ele não julgou rapina ser igual a ti, fez-se obediente até à morte da cruz, ele, o único livre entre os mortos, com poder de entregar sua vida e o poder de retomá-la! Tudo ele fez por nós, diante de ti vitorioso e vítima, vitorioso porque vítima. Por nós, diante de ti sacerdote e sacrifício, sacerdote porque sacrifício. Fazendo de nós, servos, filhos para ti, nascendo de ti, a nós servindo. Com muita razão minha grande esperança está nele, porque curarás todas as minhas fraquezas, por aquele que se assenta à tua direita e intercede por nós. De outro modo, desesperaria. Pois são muitas e grandes estas minhas fraquezas. São muitas e enormes. Porém muito maior é teu remédio. Teríamos podido pensar que teu Verbo estava longe de unir-se aos homens e entregarmo-nos ao desespero, se ele não se tivesse feito carne e habitado entre nós. Apavorado com meus pecados e como peso de minha miséria, eu revolvia no espírito e pensava em fugir para o deserto. Mas me impediste e me fortaleceste dizendo-me: “Para isto Cristo morreu por todos, para que os que vivem não mais vivam para si, mas para aquele que por eles morreu.” (cf. 2 Coríntios 5,15). Agora, Senhor, lanço em ti meus cuidados para viver e considerarei as maravilhas de tua lei. Tu conheces minha ignorância e fragilidade: ensina-me, cura-me! O teu Único Filho, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência, me remiu por seu sangue. Não me caluniem os soberbos, porque reflito no preço dado por mim. Como, bebo, distribuo e, pobre, desejo saturar-me dele entre aqueles que dele comem e são saciados. Com efeito, louvarão o Senhor aqueles que o procuram. (Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo – Lib. 10,43.68-70: CCL 27,192-193 – Séc. V) #Cristologia #Igreja #SantoAgostinho #Santos
- NOSSO CORAÇÃO SE DILATOU (São João Crisóstomo, bispo)
Nosso coração se dilatou. Aquilo que produz calor costuma dilatar. Assim é próprio da caridade dilatar, pois é uma virtude cálida e fervente. Ela abria também a boca de Paulo e lhe dilatava o coração. “Não amo só de boca, diz ele; meu coração, em verdade, harmoniza-se com o amor; por isso falo confiante, com toda a voz e toda a mente”. Nada de mais amplo do que o coração de Paulo que, à semelhança de um enamorado, abraçava a todos os fiéis com intenso amor, sem dividir e enfraquecer a amizade, mas conservando-a indivisa. Que há de admirar se era assim em relação aos homens piedosos, se até aos infiéis da terra inteira seu coração os abraçava? Por isto não diz apenas “Amo-vos”, mas, o faz com maior ênfase: “Nossa boca se abre, nosso coração se dilata. Guardamos a todos dentro de nós e não de qualquer jeito, mas com imensa amplidão. Pois aquele que é amado, sem temor passeia no íntimo do coração do que ama.” Assim diz: “Não estais apertados em nós, mas sim em vossos corações.” Vê a censura temperada com não pequena indulgência. Isto é bem de quem ama. Não disse: “Vós não me amais”, e sim: “Não do mesmo modo”. De fato, não queria atormentá-los com maior severidade. Em várias passagens, extraindo textos de cada epístola sua, pode-se ver de que amor incrível ardia para com os fiéis. Aos romanos escreve: “Desejo ver-vos; e: Muitas vezes fiz o propósito de ir até vós; e também: Se de qualquer modo puder ir fazer-vos boa visita.” Aos gálatas escreve: “Meus filhinhos, aos quais gero de novo”; e aos efésios: “Por esta razão dobro meus joelhos por vós.” E aos tessalonicenses: “Qual a minha esperança ou gáudio, ou coroa de glória? não sois vós?” Dizia, também, “carregá-los em suas cadeias e em seu coração.” Igualmente aos colossenses escreve: “Desejo que vejais, vós e aqueles que ainda não viram meu rosto, a grande luta que sustento por vós, para que vossos corações se fortaleçam.” Aos tessalonicenses: “À semelhança de uma mãe que acalenta seus filhos, assim amando-vos, desejávamos vos dar não só o Evangelho, mas nossas vidas. Não estais apertados em nós.” Não diz apenas que os ama, mas que é amado por eles, para deste modo atraí-los melhor. Pois assim escreve: “Tito chegou e contou-nos vosso desejo, vossas lágrimas, vosso zelo.” (Das Homilias sobre a segunda Carta aos Coríntios, de São João Crisóstomo, bispo – Hom. 13,1-2: PG 61,491-492 – Séc. IV) #Patrística #SãoJoãoCrisóstomo #Bíblia #Santos #Cristologia #Igreja
- TRANSBORDA MINHA ALEGRIA EM TODA TRIBULAÇÃO (São João Crisóstomo, bispo)
Paulo de novo fala sobre a caridade, refreando a dureza da advertência. Depois de tê-los censurado e repreendido porque, amados, não haviam correspondido ao seu amor, mas haviam-se separado de seu afeto para se ligar a homens perniciosos, de novo suaviza a acerba repreensão, dizendo: “Acolhei-nos em vossos corações”, como quem diz: “Amai-nos”. Não é pesada a graça que pede, e é de maior vantagem para quem dá do que para quem recebe. Não disse “Amai”, mas algo que transpira compaixão: “Acolhei-nos em vossos corações.” Quem foi que nos arrancou de vossos corações? Quem nos expulsou? Qual a causa de tanta estreiteza em vós? Acima dissera: “Tendes vossos corações apertados”; aqui declara abertamente o mesmo: “Acolhei-nos em vossos corações.” Assim, com isso os atrai de novo a si. Não é de somenos importância, quando se solicita o amor, que o amado entenda ser sua afeição de grande valia para quem ama. Já o disse: “Estais em nossos corações para a vida e para a morte.” A força máxima do amor está em que, mesmo desprezado, quer morrer e viver juntamente com eles. Ora, não de qualquer modo estais em nossos corações, mas como declarei. Pode acontecer que alguém ame, mas fuja dos perigos. Conosco não é assim. “Estou repleto de consolação.” Que consolação? Aquela que me vem de vós. Convertidos a melhores sentimentos, por vossas obras me consolais. É próprio de quem ama queixar-se de não ser amado e, ao mesmo tempo, temer que, excedendo-se na acusação, venha a magoar. Por isto acrescenta: “Estou repleto de consolação, transborda minha alegria.” Como se dissesse: “Senti grande tristeza por vós; contudo me enchestes de satisfação e me consolastes; não só tirastes a causa da tristeza, mas me cobristes com muito maior alegria”. Em seguida manifesta sua grandeza não apenas ao dizer: “Minha alegria transborda”; como também no que segue: “Em toda tribulação nossa.” Foi tão grande o prazer que me causastes que não poderia ser obscurecido pela grande aflição. Tão imenso que reduziu a nada todos os sofrimentos que nos acometeram e não nos permitiu fôssemos abatidos pelo desgosto. (Das Homilias sobre a Segunda Carta aos Coríntios, de São João Crisóstomo, bispo – Hom. 14,1-2: PG 6l,497-499 – Séc. IV) #Cristologia #Igreja #SãoJoãoCrisóstomo
- FONTE DA SABEDORIA, A PALAVRA DE DEUS NAS ALTURAS (São Clemente I, papa)
Com orações e súplicas incessantes, pedimos ao Criador de todas as coisas que conserve íntegro o número de seus eleitos em todo o mundo, por meio de seu amado Filho, Jesus Cristo. Por ele, fomos chamados das trevas para a luz, da ignorância para o conhecimento de seu nome glorioso. Concedei-nos, Senhor, a graça de esperar em vosso nome, princípio de toda criatura. Abertos os olhos de nosso coração, conheçamos a vós somente, “altíssimo entre os altíssimos, santo a repousar entre os santos. Vós humilhais a arrogância dos soberbos. Arrasais os planos dos pagãos”. Elevais os humildes e humilhais os poderosos, fazeis os ricos e os pobres. Levais à morte, salvais e vivificais, único benfeitor dos espíritos e Deus de toda a carne. Vós contemplais os abismos e observais as obras dos homens. Sois o auxílio dos que estão em perigo, “salvador dos desesperados”, criador e guarda de todas as almas. Multiplicais os povos pela terra e, entre todos, escolheis aqueles que vos amam, por Jesus Cristo, vosso Filho amado, por quem nos renovais, santificais e cobris de honra. Nós vos rogamos, Senhor, que sejais o nosso “sustentáculo e auxílio”. Libertai os nossos que estão atribulados. Compadecei-vos dos pequeninos. Levantai os caídos. Sustentai os indigentes. Sarai os doentes. Fazei voltar os que se desgarram de vosso povo. Dai de comer aos famintos. Tirai da prisão nossos cativos. Erguei os fracos, confortai os medrosos. Todas as “nações vos conheçam, porque só vós sois Deus”, e conheçam igualmente a Jesus Cristo, vosso Filho, e com elas também “nós, o vosso povo e as ovelhas do vosso rebanho”. Por vossas obras manifestastes a perene constituição do mundo. Vós, Senhor, criastes o globo terrestre. Sois fiel para com todas as gerações, justo nos julgamentos, admirável de força e de magnificência. Sois cheio de sabedoria ao criar e prudente em firmar as coisas criadas. Sois bom em tudo quanto é visível, fiel para com aqueles que em vós confiam, benigno e misericordioso. Perdoai nossas infidelidades e injustiças, nossos pecados e delitos. Não acuseis de pecado vossos servos e vossas servas, mas purificai-nos em vossa verdade e “conduzi nossos passos para caminharmos com piedade, justiça e simplicidade de coração, fazendo tudo o que é bom e agradável” a vossos olhos e diante de nossos pastores. Sobretudo, Senhor, mostrai-nos vossa face e possamos nós “gozar dos bens” na paz à sombra de “vossa mão poderosa”; por “vosso braço estendido” sejamos livres de todo pecado; guardai-nos daqueles que nos odeiam sem motivo. Dai-nos concórdia e paz, a nós e a todos os habitantes da terra, como as destes a nossos antepassados, que piedosamente “vos invocavam na fé e na verdade”. Unicamente vós podeis agir assim e ainda maiores benefícios realizar em nosso favor. Nós vos louvamos pelo pontífice e protetor de nossas vidas, Jesus Cristo. Por ele glória e majestade a vós agora, por todas as gerações e por todos os tempos. Amém. (Da Carta aos Coríntios, de São Clemente I, papa – Nn. 59.2-60,4; 61,3: Funk 1, 135-141 – Séc. I) #Cristologia #Igreja #Santos
- CEFAS, EM ARAMAICO, SIGNIFICA “PEDRA”, “ROCHA”
… Jesus disse: “E eu te declaro: tu és Kepha e sobre esta kepha edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão nunca contra ela” (Mateus 16,18)… Como já foi evocado, a tradição cristã concedeu a Pedro o título de Príncipe dos Apóstolos. Todos os evangelistas, sem exceção, ao falar dos doze, ao apresentar a lista de seus nomes, dão Pedro em primeiro lugar, um lugar de honra e de primaz, enquanto Judas “Ish Harlot” fica sempre com o último. É assim em São Mateus (10,2-4), São Marcos (3,16-19), São Lucas (6,13-16) e nos Atos dos Apóstolos (1,13). O termo grego “prótos”, traduzido como primeiro: “O primeiro é Simão que se chama Pedro (Mateus 10,2), quer dizer primeiro em posição, em honra e dignidade. Como em São Mateus (20,27): “O que entre vós quiser ser o primeiro, seja este vosso servo” ou em São Marcos (12,28): “Qual era o primeiro de todos os mandamentos?” para logo agregar: “Nenhum outro mandamento há que seja maior dos que estes” (Marcos 12,31). O termo “prótos” também designa o “príncipe”, de onde a expressão da tradição “Príncipe dos Apóstolos”, atribuída a Pedro… (Evaristo Eduardo de Miranda, Editora Vozes, Bíblia, História, Curiosidades…) #Igreja #Santos
- JESUS, O FRUTO DE JESSÉ PROMETIDO
É o brotar de uma rosa pequena, Brota de uma tenra raiz. Nos cantos antigos anunciada, Fruto de Jessé prometido. A rosa, pequena e frágil, abre-se à luz Com o frio do Inverno Na escuridão da noite Rosa, tão pequena, Enche-nos do teu doce perfume. Com o teu brilho claro Afasta a escuridão. Verdadeiro homem e verdadeiro Deus, Auxílio na nossa dor Que vens para nos libertar do pecado e da morte Ó Jesus! Que a tua ajuda nos acompanhe Até à sala do banquete Do Reino do teu Pai, Onde para sempre te louvaremos! Senhor! É o que te pedimos. (Poema Católico anônimo do século XVI) #Cristologia #Igreja
- HÁ UM SÓ MÉDICO, JESUS CRISTO (Santo Inácio de Antioquia)
Há um só Médico, da carne e do espírito, gerado e não gerado, Deus em um homem, vida autêntica em morte, ao mesmo tempo de Deus e de Maria, um tempo passível e agora impassível, Jesus Cristo, nosso Senhor. (Santo Inácio de Antioquia – A Encarnação) #Cristologia #Igreja #Santos
- PROVAI OS ESPÍRITOS A VER SE SÃO DE DEUS (obra autobiográfica de Santo Inácio, recolhida de viva voz
Inácio gostava muito de ler livros mundanos e romances que narravam supostos feitos heróicos de homens ilustres. Assim que se sentiu melhor, pediu que lhe dessem alguns deles, para passar o tempo. Mas não se tendo encontrado naquela casa nenhum livro deste gênero, deram-lhe um que tinha por título A vida de Cristo e outro chamado Florilégio dos Santos, ambos escritos na língua pátria. Com a leitura frequente desses livros, nasceu-lhe um certo gosto pelos fatos que eles narravam. Mas, quando deixava de lado essas leituras, entregava seu espírito a lembranças do que lera outrora; por vezes ficava absorto nas coisas do mundo, em que antes costumava pensar. Em meio a tudo isto, estava a divina providência que, através dessas novas leituras, ia dissipando os outros pensamentos. Assim, ao ler a vida de Cristo nosso Senhor e dos santos, punha-se a pensar e a dizer consigo próprio: “E se eu fizesse o mesmo que fez São Francisco e o que fez São Domingos?” E refletia longamente em coisas como estas. Mas sobrevinham-lhe depois outros pensamentos vazios e mundanos, como acima se falou, que também se prolongavam por muito tempo. Permaneceu nesta alternância de pensamentos durante um tempo bastante longo. Contudo, nestas considerações, havia uma diferença: quando se entretinha nos pensamentos mundanos, sentia imenso prazer; mas, ao deixá-los por cansaço, ficava triste e árido de espírito. Ao contrário, quando pensava em seguir os rigores praticados pelos santos, não apenas se enchia de satisfação, enquanto os revolvia no pensamento, mas também ficava alegre depois de os deixar. No entanto, ele não percebia nem avaliava esta diferença, até o dia em que se lhe abriram os olhos da alma, e começou a admirar-se desta referida diferença. Compreendeu por experiência própria que um gênero de pensamentos lhe trazia tristeza, e o outro, alegria. Foi esta a primeira conclusão que tirou das coisas divinas. Mais tarde, quando fez os Exercícios Espirituais, começou tomando por base esta experiência, para compreender o que ensinou sobre o discernimento dos espíritos. (Da Narrativa autobiográfica de Santo Inácio, recolhida de viva voz pelo Padre Luís Gonçalves da Câmara – Cap. 1,5-9: Acta Sanctorum Iulii, 7 [1868], 647 – Séc. XVI). #Igreja #Santos
- ESTES MÁRTIRES VIRAM O QUE PREGARAM (Santo Agostinho, bispo)
O martírio dos santos apóstolos Pedro e Paulo consagrou para nós este dia. Não falamos de mártires desconhecidos. “Sua voz ressoa e se espalha em toda a terra, chega aos confins do mundo a sua palavra” (Salmos, 18,5). Estes mártires viram o que pregaram, seguiram a justiça, proclamaram a verdade, morreram pela verdade. São Pedro, o primeiro dos apóstolos, que amava Cristo ardentemente, mereceu escutar: “Por isso eu te digo que tu és Pedro” (Mateus, 16,19). Antes, ele havia dito: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mateus, 16,16). E Cristo retorquiu: “Por isso eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra construirei minha Igreja” (Mateus, 16,18). Sobre esta pedra construirei a fé que haverás de proclamar. Sobre a afirmação que fizeste: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo, construirei a minha Igreja. Porque tu és Pedro. Pedro vem de pedra; não é pedra que vem de Pedro. Pedro vem de pedra, como cristão vem de Cristo.” Como sabeis, o Senhor Jesus, antes de sua paixão, escolheu alguns discípulos, aos quais deu o nome de apóstolos. Dentre estes, somente Pedro mereceu representar em toda parte a personalidade da Igreja inteira. Porque sozinho representava a Igreja inteira, mereceu ouvir estas palavras: “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus” (Mateus 16,19). Na verdade, quem recebeu estas chaves não foi um único homem, mas a Igreja una. Assim manifesta-se a superioridade de Pedro, que representava a universalidade e a unidade da Igreja, quando lhe foi dito: “Eu te darei.” A ele era atribuído pessoalmente o que a todos foi dado. Com efeito, para que saibais que a Igreja recebeu as chaves do Reino dos Céus, ouvi o que, em outra passagem, o Senhor diz a todos os seus apóstolos: “Recebei o Espírito Santo”. E em seguida: “A quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos” (João, 20,22-23). No mesmo sentido, também depois da ressurreição, o Senhor entregou a Pedro a responsabilidade de apascentar suas ovelhas. Não que dentre os outros discípulos só ele merecesse pastorear as ovelhas do Senhor; mas quando Cristo fala a um só, quer, deste modo, insistir na unidade da Igreja. E dirigiu-se a Pedro, de preferência aos outros, porque, entre os apóstolos, Pedro é o primeiro. Não fiques triste, ó apóstolo! Responde uma vez, responde uma segunda, responde uma terceira vez. Vença por três vezes a tua profissão de amor, já que por três vezes o temor venceu a tua presunção. Desliga por três vezes o que por três vezes ligaste. Desliga por amor o que ligaste por temor. E assim, o Senhor confiou suas ovelhas a Pedro, uma, duas e três vezes. Num só dia celebramos o martírio dos dois apóstolos. Na realidade, os dois eram como um só. Embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho. Pedro foi à frente; Paulo o seguiu. Celebramos o dia festivo consagrado para nós pelo sangue dos apóstolos. Amemos a fé, a vida, os trabalhos, os sofrimentos, os testemunhos e as pregações destes dois apóstolos. (Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo – Sermo 295,1-2.4.7-8: PL 38,1348-1352 – Séc. V). #Igreja #SantoAgostinho #Santos
- A IGREJA ESPOSA DE CRISTO (São Cirilo de Jerusalém, bispo)
Igreja “Católica”: é o nome próprio desta santa Mãe de todos nós. É também a Esposa de nosso Senhor Jesus Cristo, o unigênito Filho de Deus. Com efeito, está escrito: Assim como Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela, e o que se segue. Ela também manifesta em si a figura e a imitação da Jerusalém do alto, que é livre e mãe de todos nós [cf. Gálatas 4,26]. Sendo antes estéril, é agora mãe de numerosa prole. Repudiada a primeira, na segunda, isto é, na Igreja Católica, Deus, no dizer de Paulo, estabeleceu em primeiro lugar os apóstolos, em segundo os profetas, em terceiro os doutores, depois o poder dos milagres, os dons de curar, de assistir, de governar, as diversidades das línguas, e toda outra virtude, quero dizer, a sabedoria e a inteligência, a temperança e a justiça, a misericórdia e a bondade, a insuperável paciência nas perseguições. Ela, a Igreja, pelas armas da justiça à direita e à esquerda, na glória e no opróbrio, primeiro nas perseguições e angústias, coroou os santos mártires com coroas de variadas e múltiplas flores entrelaçadas com a paciência; agora, em tempos de paz, pela graça de Deus, recebe dos reis, dos homens ilustres e de todo gênero humano as honras devidas. Os reis, existentes em todo lugar, têm seu poder determinado pelos limites de seu reino. Unicamente a Santa Igreja Católica possui irrestrita autoridade em todo o orbe da terra: Pôs Deus a paz por seus confins [cf. Isaías 26,15], como está escrito. Instruídos com os preceitos e modo de viver nesta Santa Igreja Católica, possuiremos o reino dos céus e receberemos por herança a vida eterna. Por este motivo, agüentamos absolutamente tudo para a alcançarmos de Deus. Nossa meta proposta não é nada insignificante: a posse da vida eterna, esta é a nossa luta. Por isso na profissão de fé, após termos dito: Na ressurreição da carne, isto é, dos mortos, já explicada, aprendamos a crer: E na vida eterna, que é a nossa batalha de cristãos. Portanto, a vida em sua realidade e verdade é o Pai, que, pelo Filho no Espírito Santo, derama qual fonte os dons celestes sobre nós, e por sua benignidade também a nós, homens, nos foram firmemente prometidos os bens da vida eterna. (Das Catequeses de São Cirilo de Jerusalém, bispo – Cat. 18,26-29: PG 33,1047-1050 – Séc. IV). #Cristologia #Igreja
- POR CAUSA DE DEUS, NOS É PRECISO TUDO SUPORTAR PARA QUE ELE TAMBÉM NOS SUPORTE (Santo Inácio de Anti
Inácio, chamado também o Teóforo, a Policarpo, bispo da Igreja de Esmirna, que tem acima de si, como bispo, a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo, efusiva saudação. Tendo provas do teu espírito piedoso, fundado sobre rocha inabalável, elevo grandes louvores por ter sido digno de ver teu santo rosto. Praza a Deus dele gozar sempre em Deus! Rogo-te, pela graça que te reveste, a intensificares tua corrida e exortar a todos para que se salvem. Desempenha bem tua missão com toda a diligência corporal e espiritual. Tem cuidado pela unidade, pois nada há de melhor. Suporta a todos como o Senhor te suporta. Tolera a todos na caridade, como já o fazes. Entrega-te à oração incessante. Pede uma sabedoria ainda maior do que tens. Vigia, com espírito sempre desperto. Fala a cada um segundo a maneira habitual de Deus. Sofre as fraquezas de todos como perfeito atleta. De fato, onde há mais trabalho, aí também se encontra o maior lucro. Nenhum merecimento te advém de amar os bons discípulos. Portanto, trata com mais brandura os mais doentes. Não se cura toda chaga com a mesma pomada. Refresca com abluções os ímpetos febris. Em tudo sê prudente como a serpente e simples como a pomba. Porque és um ser corporal e espiritual, trata com calma o que te acontecer. Pede que te sejam manifestadas as realidades invisíveis, a fim de que nada te falte e sejas rico de todos os dons. O tempo te solicita como o piloto submetido aos ventos. Também batido pela tempestade, procuras o porto onde alcançarás a Deus com os teus. Sê sóbrio como atleta de Deus. O prêmio prometido é a imortalidade e a vida eterna, como estás convencido. Em tudo por ti sou um sacrifício expiatório, eu e minhas cadeias que beijaste. Aqueles que parecem merecer confiança mas ensinam coisas estranhas não te aterrorizem. Fica firme como a bigorna que é malhada. Convém ao grande atleta ser ferido e vencer. Principalmente por causa de Deus precisamos tudo suportar para que ele também nos suporte. Torna-te ainda mais zeloso. Pondera os tempos. Aguarda Aquele que é além do tempo, intemporal, invisível, que se fez visível, por nossa causa. Ele, intocável, impassível, que se fez passível por nossa causa e de todos os modos padeceu por nós. Não se negligenciem as viúvas. Depois do Senhor, sê tu seu protetor. Nada se faça sem a tua vontade nem faças algo sem Deus; o que não acontece! Sê constante. Não desprezes os escravos e as escravas. Mas que eles não se ensoberbeçam. Pelo contrário, que sirvam melhor para a glória de Deus, a fim de receberem de Deus uma liberdade mais perfeita. Não desejem alforria a expensas da caixa comum, para não se escravizarem à cupidez. (Início da Carta a Policarpo, de Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir – Inscriptio; nn. 1,1-4,3: Funk 1, 247-249 – Séc. I). #Cristologia #históriadaigrejaprimitiva #Igreja
- O PAPA FRANCISCO NÃO MUDA A DOUTRINA SOBRE A PENA DE MORTE, RATIFICA A SUA INADMISSIBILIDADE DE APLI
É muita superficialidade de conhecimento da fé e da doutrina da Igreja considerar a Carta da Congregação para a Doutrina da Fé sobre a Pena de Morte como mudança doutrinal. Meios midiáticos falarão que o Papa mudou a doutrina. Outros dirão que a doutrina moral é algo relativo que depende do gosto ou opinião. Há quem espere a mudança da compreensão da Igreja a respeito da sexualidade. A moral da Igreja é doutrina sobrenatural e não é mudada jamais. Faz parte do Dogma da Igreja. Dogma são os conjuntos de verdades inalteráveis reveladas pelo Senhor Jesus Cristo, o Verbo de Deus Encarnado. Nada impede que o Dogma possa ser compreendido e aprofundado melhor. Isso não significa ser mudado. A doutrina da Igreja não muda. O Santo Padre apenas ratifica a inaplicabilidade da pena de morte em uma sociedade que cresce cada vez mais a cultura de morte, e, na qual há meios do condenado ser punido, e, em muitos casos, reinserido na sociedade. Sempre a Igreja considerou a aplicação da pena de morte como último recurso, diante da ausência de outros. Algo parecido se deu com doutrina aplicável aos juros, em que sua aplicação em si era inadmissível em um contexto histórico passado em uma economia que era estagnada; pois tal aplicação beneficiava uns e explorava outros. O que difere dos tempos presentes onde em uma economia crescente os juros teriam um caráter reparador. Entretanto, os juros não podem ultrapassar uma medida justificável diante do contexto financeiro em que um prejudica o outro. Observamos que a explicação da inaplicabilidade da pena em nossos dias de morte foi explicitada no Catecismo, o que era ratificado por Papas anteriores, mas nada foi alterado no que se refere à legítima defesa pessoal. Se alguém vem na minha direção pessoal para me tirar a vida, ou na de um inocente cuja responsabilidade é minha, e, na legítima defesa o último recurso de defesa atingir a vida do outro, isso não é pecado. Difere de atingir para matar objetivamente por ódio ou vingança. A Igreja em tempos passados se posicionou contra o duelo, que era uma proposta de honra de disputa onde um poderia tirar a vida do outro, e isso era marcado e proposto com o consentimento das duas partes. Por outro lado, o reino da injustiça em nosso país não nos pode contaminar a ponto de sermos desejosos de sangue. Infelizmente os marginais não temem punições pois a injusta justiça brasileira favorece o crime. Devemos agir para que exista um sistema de justiça que puna os criminosos e que gere uma população de cidadãos que não defenda bandidos com fã clube de opiniões. Em uma sociedade onde o aborto e a eutanásia são vistos como normais, a ênfase da inaplicabilidade da pena de morte nas sociedades atuais diante de sistemas jurídicos injustos, é perfeitamente compreensível e objetivamente necessária de ser enfatizada. Infelizmente cresce cada vez mais a irracionalidade entre os homens e sua vivência da vida cada vez mais superficial. Enquanto os católicos fiéis exultam pela explicitação da doutrina, alguns simpatizantes de divisões colocarão oposição entre o Romano Pontífice e a Igreja, alimentando dissenções pelo simples prazer diabólico de dividir a Igreja em nome de suas opiniões pessoais. (Padre João Jefferson Chagas) #Igreja
- A MAIS BELA PROFISSÃO DO HOMEM É REZAR E AMAR (São João Maria Vianney, presbítero)
Prestai atenção, meus filhinhos: o tesouro do cristão não está na terra, mas nos céus. Por isso, o nosso pensamento deve estar voltado para onde está o nosso tesouro. Esta é a mais bela profissão do homem: rezar e amar. Se rezais e amais, eis aí a felicidade do homem sobre a terra. A oração nada mais é do que a união com Deus. Quando alguém tem o coração puro e unido a Deus, sente em si mesmo uma suavidade e doçura que inebria, e uma luz maravilhosa que o envolve. Nesta íntima união, Deus e a alma são como dois pedaços de cera, fundidos num só, de tal modo que ninguém pode mais separar. Como é bela esta união de Deus com sua pequenina criatura! É uma felicidade impossível de se compreender. Nós nos havíamos tornado indignos de rezar. Deus, porém, na sua bondade, permitiu-nos falar com ele. Nossa oração é o incenso que mais lhe agrada. Meus filhinhos, o vosso coração é por demais pequeno, mas a oração o dilata e torna capaz de amar a Deus. A oração faz saborear antecipadamente a felicidade do céu; é como o mel que se derrama sobre a alma e faz com que tudo nos seja doce. Na oração bem feita, os sofrimentos desaparecem, como a neve que se derrete sob os raios do sol. Outro benefício que nos é dado pela oração: o tempo passa tão depressa e com tanta satisfação para o homem, que nem se percebe sua duração. Escutai: certa vez, quando eu era pároco em Bresse, tive que percorrer grandes distâncias para substituir quase todos os meus colegas que estavam doentes; nessas intermináveis caminhadas, rezava ao bom Senhor e – podeis crer! – o tempo não me parecia longo. Há pessoas que mergulham profundamente na oração, como peixes na água, porque estão inteiramente entregues a Deus. Não há divisões em seus corações. Ó como eu amo estas almas generosas! São Francisco de Assis e Santa Clara viam nosso Senhor e conversavam com ele do mesmo modo como nós conversamos uns com os outros. Nós, ao invés, quantas vezes entramos na Igreja sem saber o que iremos pedir. E, no entanto, sempre que vamos ter com alguém, sabemos perfeitamente o motivo por que vamos. Há até mesmo pessoas que parecem falar com Deus deste modo: “Só tenho duas palavras para vos dizer e logo ficar livre de vós.”. Muitas vezes penso nisto: quando vamos adorar a Deus, podemos alcançar tudo o que desejamos, se o pedirmos com fé viva e coração puro. (Do Catecismo de São João Maria Vianney, presbítero – Catéchisme sur la prière: A. Monnin, Esprit du Curé d’Ars, Paris 1 899, pp. 87-89 – Séc. XIX). #Igreja
- Se sua fé não incomoda ninguém, você está fazendo errado.
Isso pode parecer ofensivo numa sociedade moderna onde “palavras machucam”, e o politicamente correto contaminou as mentes juvenis. Se posicionar pela verdade hoje pode ser considerado “discurso de ódio” e discordar de opiniões é “fascismo”. Mas o cristianismo é o oposto disso. O cristianismo é sobre a Verdade, não há espaço para relativismos, meias-verdades ou doces mentiras que afagam seu ego. Só quero mostrar alguns exemplos para ilustrar o que estou falando. Os profetas do Antigo Testamento foram perseguidos, presos e mortos pelos reis e até mesmo pelo povo. Por que? Condenavam os pecado e chamavam todos ao arrependimento, pouco se importando com o que alguém pensaria deles.O único juízo que importava era o de Deus. Outro exemplo claro é o de João Batista. Perdeu a cabeça (literalmente) por condenar o relacionamento de Herodes com a mulher de seu irmão. Falar a verdade tem seu preço! Nosso Senhor Jesus foi crucificado pelos líderes religiosos, dentre outros motivos, por condenar a hipocrisia, o legalismo e a cegueira espiritual. Todos os apóstolos foram perseguidos e mortos (João foi preso e exilado) por pregar o evangelho e não abrir mão da verdade da ressurreição de Cristo. São Atanásio, o grande bispo de Alexandria no século IV, foi banido do império 5 vezes por 4 imperadores diferentes, porque se manteve fiel a ortodoxia cristã na luta contra o arianismo. São João Crisóstomo, bispo da grande igreja de Constantinopla, foi exilado por condenar os pecados da corte imperial. O famoso pregador John Wesley, foi apedrejado por diversas vezes durante seus sermões. O puritano John Bunyan foi preso por anos por causa da sua fé. E mais quantos outros nomes não poderíamos citar que enfrentaram tortura, dor e morte pela sua fé, por dizer a verdade e não abrir mão dela, por condenar o erro e não se esquivar das consequências. Eles simplesmente poderiam ter ficados calados, serem os famosos “cristãos anônimos”, que se dizem cristãos mas ninguém pode saber, porque eles tem vergonha do que os outros podem pensar sobre isso. Esse tipo de “cristão” não se posiciona contra o erro, não condena a injustiça e se cala diante do malfeitor.Teme mais o julgamento do mundo do que o de Deus. O cristianismo sobrevive por dois milênios não é a toa. Graças a Deus esse tipo de comportamento covarde sempre foi minoria. Mas o que me preocupa é que agora está ficando comum, devido as doutrinas heréticas da modernidade com ensinamentos liberais e distorcidos. Hoje a ideologia do mundo está invadindo as Igrejas e mudança a forma correta de pensar, não é a Igreja que influência o mundo, mas ao contrário. Por isso, aquela fé que não incomoda é uma fé fraca, morna, sem sal, se é que pode ser chamada de fé. Quando se crê em Cristo, se crê até a última fibra do seu ser, até o último folego de vida. Ninguém que passa a crer de verdade em Jesus permanece o mesmo. O mundo sempre odiou a Verdade, se a sua fé não incomoda o mundo, talvez seja porque você também não se importe tanto assim com ela. CURTA O Caminho Ramon Serrano
- Sobre a Impureza – Santo Afonso Maria de Ligório
São Tomás diz que, devido a todos os vícios, mais especialmente pelo vício da impureza os homens são lançados para longe de Deus. Além disso, os pecados da impureza em virtude do seu grande número são um mal imenso. Um blasfemador nem sempre blasfema, mas só quando está bêbado ou quando é provocado pela ira. O assassino cujo trabalho é matar os outros, em geral não comete mais que oito ou dez homicídios, mas os impuros são culpados de uma torrente incessante de pecados, por pensamentos, por palavras, por olhares, por complacências, e por toques, de modo que, quando vão a confissão eles acham impossível dizer o número de pecados que cometeram contra a purely za. De acordo com São Gregório, a partir da impureza surgem a cegueira do entendimento, a destruição, o ódio a Deus e o desespero quanto à vida eterna. Santo Agostinho diz que, embora os impuros possam envelhecer o vício da impureza não envelhece neles. Por isso Santo Tomás diz que não há pecado em que o diabo se deleite tanto como neste pecado, porque não há outro pecado a que a natureza se apegue com tanta tenacidade. Ela adere ao vício da impureza tão firmemente que o apetite por prazeres carnais se torna insaciável. Vá agora, e diga que o pecado da impureza não é mais que um pequeno mal. Na hora da morte, você não dirá isso, todos os pecados dessa espécie lhe aparecerão como um monstro do inferno. São Remigio escreve que, exceto as crianças, o número de adultos que são salvos é pequeno, por causa dos pecados da carne. Em conformidade com essa doutrina, foi revelado a uma santa alma que como o orgulho encheu o inferno de demónios da mesma forma a impureza o enche de homens. Caríssimos irmãos, continuemos a orar a Deus para nos livrar desse vício, senão perderemos nossas almas. O pecado da impureza traz com ela a cegueira e obstinação. Todos os vícios produzem sombras no entendimento, mas a impureza produz em maior grau do que todos os outros pecados.” Santo Afonso de Ligório in Sermão sobre a Impureza (sermão para o 16º Domingo depois do Pentecostes) Fonte: Senza Pagare https://ouniversitario.saojeronimo.org/sobre-a-impureza-santo-afonso-maria-de-ligorio/
- • O MARTÍRIO DE PERPÉTUA E FELICIDADE
• O MARTÍRIO DE PERPÉTUA E FELICIDADE • Num período em que já não há heróis da fé como os primeiros mártires cristãos que podem remir a miséria humana, nós somos chamados a uma vida de oração mais dedicada, e podemos buscar a memória desses grandes Mártires, que como Tertuliano disse “o sangue dos mártires é a semente da Igreja”, a semente minúscula do grão de mostarda, plantada na Galiléia, germinou, ao custo de muitas vidas inocentes, mas a Igreja triunfou, e sempre triunfará, pois essa é a promessa de Cristo, vamos relembrar um dos momentos mais importantes e emocionantes da história da Igreja, vamos falar de Perpétua, que infelizmente nos dias atuais essa mártir do cristianismo foi alvo de uma difamação, que veio de grupos que defendem o direito de se relacionar com o mesmo sexo, e colocaram Perpétua e Felicidade como amantes, vejamos como essas pessoas são enganadas pelo pai da mentira. • Vibia Perpétua era uma jovem de elevado Nascimento, filha de um abastado nobre da cidade de Tuburbo, ao sul de Catargo. Receberá uma educação de elite e fizera um belo casamento. Nascera-lhe um filho, esperava outro, e a vida sorria-lhe docemente. Um dia, porém, encontrou no seu caminho aquele que disse: “Quem não odiar até a sua própria vida, não pode ser meu discípulo (Lucas 14, 26). E a alma Indomável que animava aquele corpo jovem fez a sua escolha. • A Perseguição contra os cristãos chegou até Perpétua, junto com outros catecúmenos. A maioria muito jovens e de todas as condições sociais. Perpétua encontrou-se presa ao lado dos escravos e de felicidade, e com eles foi atirada para dentro de uma masmorra. Faziam parte do mesmo grupo dos moços, Saturnino e secúndulo, aos pais em breve se juntou Saturno, que os guiara a todos na fé cristã e que agora vinha partilhar da sua sorte. • A atmosfera da África era então muito hostil aos cristãos. De vez em quando, acontecia manifestações em que a multidão assediava as autoridades, e exigia Delas o castigo da seita proscrita e gritavam em coro: “mais cemitérios! mais cemitérios para eles!” quando a ordem de séptímio Severo chegou à África, o homem que se ia encarregar de executá-la era um certo Hilariano, procurador, que exercia interinamente o governo da província por morte do Procônsul. A preocupação com a promoção próxima e o desejo de evitar complicações não deveriam atrapalhar à decisão de um homem por si só pouco indulgente. • No outono de 202, depois de terem passado algum tempo num cárcere da província em que Perpétua fora batizada, os Cristão presos encontram-se reunidos numa prisão de Cartago, à espera de serem julgados. Foram dias terríveis. Nos redutos escuros onde os amontoavam, o calor e o cheiro eram insuportáveis, e Perpétua, habituada a uma vida bem diferente, estava apavorada. A troco de dinheiro, dois diáconos da igreja conseguiram dos guardas um pouco mais de humanidade para com os prisioneiros. Perpétua foi então autorizada a rever o filho e, dali por diante, a masmorra pareceu-lhe um Palácio. • Mas estes sofrimentos materiais não eram nada. Haviam coisas bem piores: a tortura de ver a dor dos Pais e dos parentes, especialmente desse velho pai que empreendera uma longa viagem vindo da sua província, que conseguira entrar na prisão e que estava ali a seu, lado suplicando, ameaçando, meio louco de desespero e de amargura; só Deus sabia que força de alma era necessária para resistir-lhe. • Mas Perpétua possuía essa força de alma, e com o que Plenitude! Essa jovem mulher pertencia à linhagem espiritual dos grandes Santos que lhe apontavam o caminho; como a jovem Blandina, não se deixava abater. Dentro da prisão, é ela quem dá o exemplo, quem encoraja os outros e entra numa espécie de emulação Mística com o santo catequista Saturo. Deus está presente e sente-se o sopro do espírito dentro Desse Calabouço. Por vezes, o êxtase transporta estas almas eleitas, e envolvem-nas visões de grandes imagens em que, à familiaridade — bem natural — com o destino que a as espera, se une à indestrutível Esperança do Paraíso já próximo. • Algumas vezes, Perpétua vê elevar-se até o céu uma escada de grande altura, tão estreita que só dá passagem a uma pessoa de cada vez, e cujos os montantes estão cheios de espadas, de Ganchos e de lanças. Saturo é o primeiro que sobe, mostrando o caminho, Como fizera na terra, e chegando ao cimo grita: “Perpétua, eu te ajudarei, mas toma cuidado com o dragão que está deitado ao pé da escada, para que não te morda”. Então aquela jovem heróica empreende a subida, depois de esmagar com o pé o animal imundo. Sobe, sobe. acha-se agora num imenso Jardim cheio de luz. E um homem que ali se encontra sentado, vestido como um pastor e cercado de milhares de ovelhas, levanta a cabeça e olha-a com a ternura: “sê bem-vinda, minha filha”. E com a sua mão aproxima dos lábios uma porção de leite coalhado. • Numa outra ocasião, Perpétua avista um dos seus irmãos que morreu muito novo, na ignorância da fé cristã. A visão revela-lhe misteriosamente que, com a sua morte, levará a paz Suprema à Pobre Criança. Outra vez ainda, vê-se na arena, prestes a ser entregue às feras, e tem de lutar como um adversário de aspecto repugnante que tenta impedir-lhe a passagem. Quando depois contava estas visões aos companheiros, Saturo por sua vez contava outras que tinha tido e lhes anunciava as alegrias da libertação, com o coro dos Anjos prontos a recebê-los, e a morada definitiva que os aguardava num palácio cheio de luz, onde se ouvia sem cessar o louvor ao Deus do amor: Santo, Santo, Santo é o Senhor! • Foi nesta atmosfera de exaltação e de esperança que Perpétua e os seus companheiros passaram inverno. Aproximava-se a primavera quando o procurador Hilariano os mandou chamar à sua presença. O interrogatório não foi longo.”tem pena dos cabelos brancos do teu pai e da Juventude do teu filho. Sacrifica! — Não. Não sacrifico. — És Cristã? — Sou Cristã!” Era o bastante. Nem as súplicas do pai, que assistia desolado ao interrogatório, nem a ameaça de suplícios espantosos fizeram vergar esta alma de Aço. A sentença foi conforme com o que a santa vira no seu Êxtase: esperava-a o anfiteatro. • Os últimos dias dos Condenados foram assinalados por um episódio extremamente patético. Perpétua chegara ao oitavo mês de gravidez. Quanto mais se aproximava o dia do sacrifício, mais ela se desolava. Como a lei proibia que se levasse a morte uma mulher que estivesse grávida, a infeliz temia que adiassem o seu suplício e ficasse assim separada dos seus amigos. Durante três dias, ela e todos os que a acompanhavam imploravam ao senhor que, na sua Providência, resolvesse aquela dificuldade. Na tarde do terceiro dia, sentiu as dores do parto e deu à luz uma menina. Como o parto foi difícil e as dores grandes, Perpétua gemia, o que deu motivo a que um guarda zombasse: “se te queixas agora, que farás quando estiveres diante das feras?” E ela teve esta simples e profunda resposta: “Agora sou eu que sofro, mais lá fora, um Outro estará em mim, e ele sofrerá por mim, e eu sofrerei porque ele”. • Nada mais havia a esperar senão o desfecho fatal. Altiva e enérgica até o último momento, Perpétua continuava a ser a jovem de Nobre linhagem que resistia aos carcereiros e carrascos, exigindo que todos a respeitassem, bem como aos seus companheiros, a tal ponto que o próprio tribuno não ousava olhá-la de frente. No momento do suplício, quando por escárnio tentaram vesti-los com as túnicas das cerimônias pagãs, indignou-se protestou tanto que os carrascos desistiram da ideia. “Damos livremente a nossa vida para não aceitar tais coisas. Há um contrato entre nós, e vós não tendes o direito de nos impor essas vestes”. • O martírio teve lugar em 7 de março do ano 203, na arena de Cartago. Foi a mesma carnificina brutal a que tantas vezes esses se assistira naqueles lugares nos últimos 150 anos. Revocato e Saturnino foram, respectivamente, presas de um urso e de um leopardo. Saturo, contra quem lançaram um javali, foi apenas arrastado e pisado, e, quando lhe soltaram um urso, foi novamente poupado pela fera e retiraram-no vivo da arena. Quanto às jovens mulheres, Perpétua e Felicidade, quiseram submetê-las a um suplício pouco comum, para mais as insultarem. Tiraram-lhes os vestidos, às colocaram dentro de uma rede expuseram-nas assim na arena. Mas a multidão não viu com bons olhos o espetáculos dessas duas frágeis criaturas, uma das quais acabara de dar à luz e estava perdendo o leite. Voltaram a vesti-las e trouxeram-nas de novo para a pista. Uma vaca Furiosa, lançada contra elas, derrubou-as, mas não as matou, Perpétua Levantou-se, arrumou seu vestido que se rasgara, recompôs os cabelos para não parecer triste e abatida e, vendo Felicidade estendida no solo, correu para ela e ajudou-a levantar-se. A crueldade dos algozes deixou-se vencer momentaneamente e mandaram-nas sair pela porta dos vivos. • A morte santa Iria esquivar-se a expectativa de Perpétua? Não. Ao cabo de um instante, a multidão, enraivecendo-se, exigiu que trouxessem de novo os Mártires que tinham escapado com vida. Saturo reapareceu, e um novo leopardo saltou sobre ele e o cobriu de sangue. Quanto às duas santas, recorreu-se à espada. Encarregaram um gladiador de as degolar. Mas eram novato: atingiu perpétua no flanco, causando-lhe uma horrível ferida. Foi ela própria que colocou a ponta da espada sobre a garganta e ordenou ao desajeitado que lhe cortasse a garganta. E assim morreu essa heroína não contava ainda 22 anos. • A narrativa de toda essa história tem nas atas dos Mártires, um extraordinário tom de veracidade. A maior parte foi redigida pela própria Perpétua, na linguagem simples e elegante de uma jovem bem educada. • Bibliografia: A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires, Daniel Rops; Tradição Cristã, Jaroslav pelikan; História ecumênica da Igreja, Thomas Kaufman, Raymund Kottje, Bernard Moeller, Hubert Wolff; #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Santos #Igreja
- CONSEQUÊNCIAS CULTURAIS DA AUSÊNCIA CATÓLICA DO MUNDO DAS ARTES – Dana Gioia
“Um bom teste para uma boa religião é saber até que ponto se pode zombar dela.” G. K. Chesterton O cisma entre o cristianismo e as artes teve duas consequências profundas, dois grandes prejuízos — um para o mundo das artes, outro para a Igreja. Para o mundo das artes, a perda de uma visão religiosa transcendente (com seu senso aperfeiçoado e rigoroso do sagrado), e a ruptura e abandono de dois mil anos de mitos, simbolismo e tradição cristãs, deixaram a arte americana contemporânea mais pobre espiritualmente. O cinismo, a novidade superficial, o niilismo vulgar e as pretensões espirituais, vagas e sentimentais, de boa parte das artes contemporâneas são o legado desse cisma. Convém esclarecer-se este último ponto, para evitar mal-entendidos. A arte não precisa ser religiosa; há grandes obra-primas que não possuem transcendência religiosa. O que estou tentando sugerir é algo mais sutil, mais complexo. A vida cultural é um diálogo: uma cultura saudável contém obrigatoriamente vozes diferentes, frequentemente em ativo debate. A voz da fé religiosa alarga e anima toda a dialética da cultura, mesmo entre não crentes, assim como a voz da cultura secular mantém os escritores religiosos mais alertas e inteligentes. Pode-se tentar remover o religioso como um dos possíveis modos de arte; pode-se tentar separar a cultura das tradições longamente estabelecidas e das disciplinas de espiritualidade; contudo, não se removerão jamais os apetites espirituais, quer dos artistas, quer do público, que acabarão satisfeitos, da forma mais grosseira, com o vago, o pretensioso e o sentimental. O colapso daquela cultura que, em meados do século XX, dava suporte a O’Connor e Porter, Powers e Merton, conduziu a outra cultura, que consome romances infanto-juvenis sobre paranormais, reality shows sobre fantasmas e Wiccans na internet. O grande e atual perigo para a literatura americana é a crescente homogeneidade de nossos escritores, especialmente os das novas gerações. Frequentemente criados em vários lugares, em comunidades culturais e religiosas não específicas; educados sem conexão profunda a uma região, história ou tradição particular; e trabalhando, na maioria das vezes, em universidades, os nossos escritores se tornaram tão padronizados como o carro americano: funcional, simplificado e cada vez mais substituível. A globalização, hoje tão óbvia em muitas áreas da economia, incluindo a cultura popular, tem tido um impacto devastador sobre a literatura. Sua influência é especialmente poderosa a partir dos entretenimentos comerciais globalizados — filmes, televisão, música popular e vídeo-games — que agora configuram a imaginação dos jovens escritores mais poderosa e continuamente do que os próprios textos literários. Uma adolescência em Los Angeles não é muito diferente do que em Boston ou Chicago, em que milhares e milhares de horas são gastas, de maneira semelhante, com os mesmos e invariáveis mundos virtuais. Será realmente espantoso que a muitos dos novos textos falte qualquer senso tangível de lugar, sotaques próprios ou viva ligação com o passado? Nutrida mais por entretenimentos eletrônicos globais do que por uma ativa leitura individual, à própria linguagem faltam ressonância e personalidade. Por mais que sejam vistosos e eficientes, esses textos sem passado provavelmente não terão futuro. Os que antipatizam com o cristianismo — como é seguramente o caso de alguns leitores deste ensaio — tenderão ver o declínio da literatura católica como um sinal de progresso. Parece-lhes uma prova decisiva que ao cristianismo contemporâneo faltem criatividade e inteligência. Contudo, mesmo em termos seculares, essa posição é míope e autodestrutiva, para não dizer antidemocrática. Não pode ser saudável para a arte o fato da maior minoria cultural da nação (o catolicismo) estar quase ausente do discurso literário. Ao contrário, isso enfraquece a dialética do desenvolvimento cultural, tornando a literatura americana menos diversificada, menos vital, menos representativa. Em: https://www.firstthings.com/article/2013/12/the-catholic-writer-today
- PROFESSOR JESUS CRISTO
JESUS PROFESSOR. Não é possível esquecer que Jesus foi professor, e o seu modelo de magistério é que está sendo abolido atualmente, sobretudo a necessidade de ser o mais claro possível naquilo que se ensina. “Que o teu sim seja sim, e o teu não seja não”, dizia o Mestre aos discípulos, “e o que passar disto vem do diabo.” * * * A PEDAGOGIA DO CRISTO. Em seu modelo pedagógico distinguem-se, entre outros aspectos, a distinção de papéis entre quem ensina e quem aprende, o falar com autoridade e coragem sem deixar de ser humilde, a correção fraterna dos discípulos, a cobrança do conteúdo ensinado, o vínculo estreito entre o que se ensina e o que se vive, a dedicação em tempo integral à sua missão (e em qualquer lugar onde estivesse), nada ensinar que não seja útil à vida eterna e, o que só Ele podia fazer, entremeando um milagre aqui e ali para mostrar Quem era. Nunca fez greve. Nunca reclamou do salário (o Filho do Homem não tinha nem onde reclinar a cabeça). Nem precisava: o que ensinava atraía de tal modo as pessoas, que nunca faltaram homens e mulheres de posses que lhe ajudassem materialmente. Não massificou seus ensinamentos. A cada faixa de público ensinava o que lhe fosse mais conveniente, tratando de forma diferente o público em geral, seus discípulos mais próximos e o círculo reduzido dos apóstolos. * * * TÉCNICAS DIDÁTICAS DE JESUS. É impossível, também, não falar da utilização que Ele fez de técnicas didáticas adequadas a seu público, sobretudo a principal delas, a parábola, em que era ao mesmo tempo criador literário e intérprete da própria criação. A própria Palavra de Deus, tal como aparece nas Escrituras, é também literatura de alto nível. Infelizmente, porém, nossos cursos de Letras nunca tratam Jesus, o Verbo Encarnado, como poeta. No entanto, os Evangelhos possuem farto material para nossas aulas de literatura. O autor da salvação humana e principal mestre da moral ocidental foi, também, um mestre da linguagem figurada; um poeta, para resumir numa só palavra. Suas frases ficaram gravadas para sempre na memória das pessoas, cultas ou iletradas. Mesmo Gandhi, que muita gente no Ocidente usa como opção chique de liderança espiritual, não teria nada a dizer ao mundo se os opressores ingleses não lhe tivessem ensinado o Sermão da Montanha, cuja sabedoria temperou com algumas pitadas de exotismo religioso hindu, bem ao gosto da nova religiosidade sincrética que anda nos planos da ONU (e no gosto da maioria das pessoas, hoje em dia). * * * RAZÃO E FÉ. Mesmo misturada a permanentes quebra-cabeças filológicos, a palavra de Deus brilha, nas Escrituras, com a força e a castidade da primeira estrela quando cai a noite. Deus criou, ou suscitou a criação de uma linguagem especial para se comunicar com os homens: a poesia da prece. O homem moderno, acostumado à linguagem técnica que inventou para comunicar-se com os estratos menos perceptíveis da matéria — os conceitos científicos —, encontra sérias dificuldades para aceitar a poesia da prece, com suas imagens e seu tom súplice de pedido humilde, de declaração explícita de inferioridade diante do Criador. A grande quantidade de padres cientistas revela, porém, que é possível conciliar as duas atitudes: ser, ao mesmo tempo, um pesquisador sério na universidade e um bom cristão ajoelhado diante da magnificência divina.
- Da Santa Missa, e como se deve ouvir, por São Francisco de Sales
1. Ainda não te falei do sol dos exercícios espirituais, que é o santíssimo, sagrado e soberano Sacrifício e Sacramento da Missa, centro da Religião Cristã, Coração da devoção, Alma da piedade, Mistério inefável, que compendia e abarca o abismo da Caridade divina, e pelo qual Deus, unindo-se realmente a nós, nos comunica de modo magnífico as suas graças e favores. 2. A oração feita em união com este divino Sacrifício tem uma força indizível, de maneira que por Ele, ó Filoteia, a alma superabunda em celestiais favores por estar como que apoiada no seu Amado, que a deixa tão cheia de odor e suavidade espiritual, que fica a parecer-se com uma coluna de fumaça de madeira aromática, de mirra, de incenso e de todos os pós perfumados, como se diz nos Cantares. 3. Emprega o melhor dos teus esforços por assistir todos os dias à Santa Missa, a fim de ofereceres com o sacerdote o sacrifício do teu Redentor a Deus seu Pai, por ti e por toda a Igreja; os anjos sempre estão aí presentes, como diz São João Crisóstomo, para honrar este santo mistério; e nós, achando-nos aí com eles, e numa mesma intenção, não podemos deixar de receber muitas influências propícias, graças a tal companhia. Os coros da Igreja militante vêm unir-se e juntar-se a Nosso Senhor nesta divina ação para com Ele, n’Ele e por Ele, arrebatar o coração de Deus Pai, e fazer toda nossa a sua misericórdia! Que ventura não é para uma alma contribuir devotamente com os seus afetos para um bem tão precioso e desejável! 4. Se por algum caso de força maior não puderes estar presente à celebração deste soberano Sacrifício com presença real, é preciso que pelo menos vás lá com o coração, para a ele assistires espiritualmente. A qualquer hora da manhã vai pois em espírito à igreja, se não podes ir de outra forma; une a tua intenção à de todos os cristãos, e, no próprio lugar em que estás, procura fazer as ações interiores que farias, se estivesses realmente presente à Santa Missa em alguma igreja. 5. Mas para ouvir, realmente ou mentalmente, a santa Missa, como convém ouvi-la: I. Desde o princípio até que o sacerdote chegue ao altar, deves fazer com ele a preparação, que consiste em te pores na presença de Deus, reconhecer a tua indignidade, e pedir perdão das tuas faltas. II. Desde que o sacerdote sobe ao altar até ao Evangelho, considera a vinda e a vida de Nosso Senhor neste mundo, fazendo uma consideração simples e geral. III. Desde o Evangelho até depois do Credo, considera a pregação do Nosso Salvador, protesta querer viver e morrer na fé e na obediência a sua santa palavra e em união com a santa Igreja Católica. IV. Desde o Credo até ao Pai Nosso, concentra o teu coração nos mistérios da morte e Paixão do nosso Redentor, que são atual e essencialmente representados neste santo Sacrifício que, com o sacerdote e com o resto do povo, oferecerás a Deus Pai, em sua honra e para tua salvação. V. Desde o Pai Nosso até à Comunhão, esforça-te por despertar em teu coração muitos desejos, almejando ardentemente estar sempre junta e unida a Nosso Senhor com um amor eterno. VI. Desde a Comunhão até o fim, dá graças à sua divina Majestade pela sua Encarnação, vida, morte e Paixão, e pelo amor de que te dá provas neste santo Sacrifício, pedindo-lhe encarecidamente que por este te seja sempre propício, aos teus parentes, aos teus amigos, e à toda a Igreja. Humilhando-te de todo o coração, recebe devotamente a bênção divina, que Nosso Senhor te dá por meio do seu ministro. Mas, se queres durante a Missa fazer a tua meditação sobre os mistérios que vais seguindo dia-a-dia, não será preciso que te distraias a fazer estes atos particulares, mas bastará que, no princípio, formes a intenção de querer adorar e oferecer este santo sacrifício pelo exercício da tua meditação e oração, pois que em toda a meditação se encontram os referidos atos, ou expressamente, ou implícita e virtualmente. Fonte: ofielcatolico.com.br
- Peçamos a Deus o dom da humildade!
CARÍSSIMO LEITOR, insistirei, quantas vezes for necessário, para que realizemos uma verdadeira busca pela humildade. Sim, a humildade é essencial na luta contra o pecado, pois, ela é a mãe de todas as virtudes! Infelizmente, ainda hoje ecoa em nosso interior as palavras demoníacas: “E vós sereis como deuses” (Gn 3, 5). Ainda nos colocamos acima de tudo, acima de todos… acima de Deus! Por isso as ideologias reinam, a família é destruída e a vida não é mais tida como um dom gratuito de Deus, algo sagrado. Todos os pecados que reinam no mundo começaram com os pecados pessoais de cada homem ou mulher que permitiu que a soberba reinasse em sua vida. Todas as Guerras Mundiais foram a exteriorização da guerra interna que os homens travam contra a obediência aos Mandamentos de Deus e da Santa Igreja Católica. A solução? Aquilo que Cristo propõe: “Se alguém quer vir após Mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e me siga” (Lc 9, 23). Precisamos ser santos para agradar a Deus, que merece todo o nosso amor, e também para ordenar aquilo que está ao nosso alcance. Não cremos em uma utopia que afirma que todos os homens serão perfeitos e santos, porém, se você, que lê essas palavras, entender a sentença a seguir, ficarei satisfeito: “Sou homem e, por conseguinte, trago todos os demônios no meu coração.” (G. K. Chesterton) Precisamos de Deus. Nós, por nós mesmos, somos capazes apenas de destruir o que é bom, verdadeiro e belo, seja pela execução de más ações, seja pela execução de boas ações realizadas pelo motivo errado, pela finalidade errada. Peçamos humildade a Deus, Ele no-la concederá se realmente a quisermos. Esta é uma oração infalível! Ladainha da Humildade (Cardeal Merry del Val) Jesus, manso e humilde de coração, ouvi-me. Do desejo de ser estimado, livrai-me, ó Jesus. Do desejo de ser amado, livrai-me, ó Jesus. Do desejo de ser conhecido, livrai-me, ó Jesus. Do desejo de ser honrado, livrai-me, ó Jesus. Do desejo de ser louvado, livrai-me, ó Jesus. Do desejo de ser preferido, livrai-me, ó Jesus. Do desejo de ser consultado, livrai-me, ó Jesus. Do desejo de ser aprovado, livrai-me, ó Jesus. Do receio de ser humilhado, livrai-me, ó Jesus. Do receio de ser desprezado, livrai-me, ó Jesus. Do receio de sofrer repulsas, livrai-me, ó Jesus. Do receio de ser caluniado, livrai-me, ó Jesus. Do receio de ser esquecido, livrai-me, ó Jesus. Do receio de ser ridicularizado, livrai-me, ó Jesus. Do receio de ser infamado, livrai-me, ó Jesus. Do receio de ser objeto de suspeita, livrai-me, ó Jesus. Que os outros sejam amados mais do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo. Que os outros sejam estimados mais do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo. Que os outros possam elevar-se na opinião do mundo, e que eu possa ser diminuído, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo. Que os outros possam ser escolhidos e eu posto de lado, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo. Que os outros possam ser louvados e eu desprezado, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo. Que os outros possam ser preferidos a mim em todas as coisas, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo. Que os outros possam ser mais santos do que eu, embora me torne o mais santo quanto me for possível, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo. Por Felipe Marques – Fraternidade São Próspero Fonte:ofielcatolico.com.br
- Lack of Consideration – The Chief Source Of All Evils!
Consider those words of the prophet Jeremias,with desolation is the whole earth laid desolate,because there is no one who thinks in his heart,Jerem.xii.11. And reflect how true it is,that the want of consideration on the great truths of Christianity, is the chief source of all our evils. Alas!the greatest part of men seldom or never think, either of their first beginning or last end:they neither consider who brought them into the world,nor for what,nor reflect on that eternity into which they are just about to step. Hence all their pursuits are earthly and temporal,as if they were only made for this life,or were always to be here. Death,judgment,heaven and hell make but little impression upon them, because they do not give them leisure to sink deep in to their souls by the means of serious consideration. They run on with their eyes shut to the precipice of a miserable eternity,and only then begin to think, when they find themselves lodged in that place of woe, where their worms hall never die, and their fire shall never be quenched. Ah!my poor soul,take care that this be not thy case! Consider,that we cannot be saved without knowing God, and loving him above all things. Now we can neither know him or love him as we ought,without the help of consideration. It is this which discovers to us the infinite perfections of this sovereign being:his charming beauty;his eternal love for us,and all the benefits which he has bestowed upon us his most undeserving and ungrateful creatures. All which,alas!make no impression on us without serious consideration. All things that are about us, the heavens,the earth,and every creature there in, cease not to preach god unto us, and invite us to love him:but without consideration we are deaf to the voice of this whole creation;we are like those that have eyes,and see not;that have ears,and hear not. Ah!the great and dreadful mischiefs that follow from the want of that true knowledge of God, which is the fruit of daily consideration!Is it not upon this account that the whole world is overrun with wickedness;and that hell opens wide it’s jaws,devouring without end or number the unhappy children of Adam,because God is forgotten,because there is no knowledge of god upon earth? Osee iv.1 Consider,that to save our souls we must also know ourselves;we must know our misery and corruption, that we maybe humble,and diffuse in ourselves:we must know our irregular inclinations and,that we may fight against them and overcome them; we must study and watch the motions of our own hearts,that we may not be surprised by sin,and sleep in death. And how can this all necessary knowledge of ourselves,this science of the saints be acquired without the help of daily consideration,?Ah! How unhappy are they who know all thing else,and are strangers to themselves!Let us the daily pray with St. Augustin, noverim te, noverim me; Lord give me grace to know thee, Lord give me grace to know myself: and let us labor to acquire these two most necessary sciences by frequent consideration. (BP. CHALLONER, Think Well On’t)
- PALESTRINA E A CONTRARREFORMA NA MÚSICA – Otto Maria Carpeaux
Jesu Rex admirabilis, de Palestrina. Coro Montecastello Jesu, rex admirabilis et triumphator nobilis, dulcedo ineffabilis, totus desiderabilis, mane nobiscum, Domine, et nos illustra lumine, pulsa mentis caligine, mundum reple ducedine. (Jesus, rei admirável, Nobre triunfador, De inefável doçura, Desejado por todos, Ficai conosco, Senhor, Iluminai-nos com Vossa luz. Expulsai as trevas das almas, Enchei o mundo de doçura). O movimento caracterizado pela fundação da Companhia de Jesus e pelo Concílio de Trento só podia ser batizado com o nome de Contrarreforma por historiadores protestantes, que o consideravam como resistência da velha Igreja agonizante contra a Reforma vitoriosa. Os fatos históricos não confirmam essa falsa perspectiva. A Igreja de Roma não morreu. Ao contrário: no fim do século XVI já tinha reconquistado metade dos países ao norte dos Alpes, além de ficarem extintos os focos de heresia na Itália e Espanha. Deveu essas vitórias ao fato de que a chamada Contrarreforma foi uma verdadeira Reforma: dogmática (dentro dos limites da tradição imutável), administrativa e moral. Também se reformou o culto. Também se reformou a música do culto. Um dos instrumentos mais poderosos da propaganda jesuítica foi a liturgia romana à qual os protestantes não tinham o que opor senão o verbo bíblico, interpretado no sermão pelo ministro. Mas na Igreja Católica colaboraram as artes plásticas e a música para representar a verdade religiosa: de uma maneira que assombra os espíritos simples, eleva os de elite e confunde a todos. Quanto à música, trata-se de uma reforma não somente litúrgica, mas também musical. Para a verdade religiosa ficar representada, têm os fiéis de entender bem as palavras sacras que o coro canta. Essa exigência exclui inapelavelmente os L’homme armé, Malheur me bat, Se la face e outras melodias profanas que os mestres flamengos tomaram como bases temáticas de suas obras; depois, obriga a reduzir a abundância e suntuosidade de artes contrapontísticas, impedindo também o canto simultâneo de textos diferentes; enfim, essa simplificação da polifonia torna dispensável o apoio do coro em acompanhamento instrumental, de modo que até o órgão pode ficar calado ou então limitar-se a poucos acordes iniciais, à guisa de prelúdio. A música da Contrarreforma é rigorosamente desacompanhada, a capela. Só a voz da criatura humana é digna de louvar o Criador. Eis os elementos básicos do estilo chamado “de Palestrina”. Suas origens não se encontram na Itália, mas na Espanha: assim como a reforma da Igreja espanhola pela rainha Isabel e pelo cardeal Ximénez precedera à reforma da Igreja universal e romana pelo Concílio de Trento. O primeiro mestre daquele estilo é o espanhol Cristóbal MORALES (1512–1553), que foi membro do coro da Capela Sistina em Roma: ali ainda hoje se canta, ocasionalmente, seu motete Lamentabatur Jacob, que já tem todas as qualidades características do novo estilo. Outros motetes de Morales, como Emendemns in Melins, foram reimpressos e cantados no México. O mestre é precursor de Palestrina. Giovanni Perluigi da PALESTRINA (1525–1594) é o mais “clássico” dos compositores; naturalmente, não no sentido da música clássica vienense de Haydn, Mozart e Beethoven, mas no sentido de equilíbrio perfeito, latino, assim como são chamados clássicos os grandes escritores franceses da época de Luís XIV. Mas é preciso advertir contra comparações ilícitas. Chamar, por exemplo, Palestrina de “Bach católico” só pode significar que o latino ocupa dentro da música da Igreja romana a mesma posição de destaque que Bach ocupa dentro da música da Igreja luterana; mas para nós, numa época em que nem esta nem aquela Igreja dispõe de música viva, aquelas posições históricas não têm nenhuma importância ou significação: a comparação serve apenas para esconder ao menos informado as diferenças fundamentais: Bach não é “clássico’” em nenhum sentido estilístico da palavra, de modo que é capaz de exercer a mais profunda influência sobre a música moderna; enquanto Palestrina é “clássico” dentro de um estilo há séculos extinto e já por ninguém cultivado. É um grande fenômeno histórico. A vida de Palestrina foi mais agitada do que a serenidade imperturbável da sua arte deixa entrever. Foi, sucessivamente, regente da capela Giulia, cantor na capela papal, regente do coro de San Giovanni in Laterano, do coro de Santa Maria Maggiore, enfim de San Pietro in Vaticano; e mudou tanto porque houve muitos conflitos; porque o triunfo de sua música, sendo oficialmente reconhecida como a da Igreja romana, foi a fase final de uma grande luta. Uma lenda muito divulgada e até hoje repetida por certos historiadores concentra todas aquelas lutas num único momento histórico: no Concílio de Trento. Insatisfeitos com a polifonia dos mestres “flamengos”, com a incompreensibilidade das palavras sacras e a intervenção de textos profanos, os cardeais, bispos e doutores reunidos naquele concílio teriam pensado em proibir toda música polifônica, permitindo apenas o coral gregoriano; mas a audição da célebre Missa Papae Marcelli , de Palestrina, obra polifônica sem nenhuma daquelas ofensas à liturgia, teria feito mudar de opinião os prelados e teólogos. É uma lenda. Realmente, houve a intenção de proibir a polifonia na música litúrgica. Mas não foi aquela missa que impediu a catástrofe. No entanto, a lenda tem vida tenaz: ainda em nosso tempo forneceu o enredo para a notável ópera Palestrina, de Pfitzner, cuja música não tem, aliás, o menor ponto de contato com a palestriniana. Mas o público precisa, parece, de estímulos literários ou pseudoliterários para encontrar algo de “interessante” naquela música. A arte de Palestrina parece-nos a de um mundo alheio da nossa vida musical. Realmente, só existe para servir à liturgia. Palestrina não é um grande compositor que escreve música sacra; é um liturgista que sabe fazer grande música. É isto que lhe garantiu, enfim, a vitória; mas também é isto que o torna tão dificilmente acessível. Pois Palestrina é mais “moderno” do que se pensa. Seu objetivo foi este: tornar o texto sacro, na boca dos cantores, compreensível (o que não acontecera na música dos mestres “flamengos”), sem renunciar à polifonia. Para esse fim, reduziu as complicações contrapontísticas; traçou limites certos à independência melódica das muitas vozes, obrigando-as a coincidir em acordes que, pela consonância, focalizam a palavra. Declamando o texto sacro, confere-lhe a pronúncia certa por colunas de acordes que acentuam as sílabas importantes. Com isso, o princípio da polifonia linear, o da independência das vozes, está parcialmente abandonado: a música de Palestrina ainda é horizontal, melódica, mas também já é vertical, harmônica; e por isso é de eufonia nunca antes obtida. Palestrina escreve nesse estilo “declamatório” porque pretende, muito mais do que os mestres “flamengos”, exprimir musicalmente o sentido emocional dos textos: a tristeza neste vale de lágrimas e o júbilo dos santos. Sua música é, dentro de limites certos, expressiva. Para tanto não procura, na verdade, as modulações de uma tonalidade para outra, o cromatismo; mas não o evita quando parece indispensável. E quando não escreve diretamente para uso litúrgico, como nos madrigais sobre textos do Cântico dos Cânticos (1584) nem sequer evita a dissonância. Mas é preciso explicar e comentar ao ouvinte moderno esses traços de “modernidade” para ele percebê-los. Quem não estudou em profundidade o estilo palestriniano, achará que todas as obras do mestre são iguais; assim como nos museus de Florença e Roma, todos os quadros de Andréa Del Sarto parecem igualmente belos, até monotonamente belos. É uma ilusão produzida por aquele equilíbrio clássico entre a polifonia e a declamação, e mais por algumas outras qualidades características, sobretudo pela falta de movimento rítmico em nosso sentido: a notação dessa música não precisa de divisão em compassos. Daí a impressão de monotonia. Um crítico inglês disse, jocosamente, que na execução de uma missa de Palestrina se poderiam pular várias páginas sem que alguém percebesse. Há nessa observação irreverente um grão de verdade: mas o ouvinte logo perceberia a omissão se acompanhasse a música, na igreja, com o missal na mão. A música de Palestrina não deveria ser executada nas salas de concerto, embora as grandes associações corais não queiram desistir de ocasional execução da Missa Papae Marcelli ou do Stabat Mater. No recinto profano, essas obras estão tão deslocadas como os quadros de altar da Renascença nos grandes museus; cansam, em vez de edificar. O lugar das obras de Palestrina é na igreja. É uma arte antiga; mas não é uma arte morta. Pelo menos nas basílicas e em outras grandes igrejas da cidade de Roma, um certo número de missas de Palestrina pertence ao repertório permanente: as missas Alma Redemptoris, Beatus Laurentius, Ecce Johannes, Super voces, O admirabile commercium, O Magnum mysterium, Quem dicunt homines, Tu es Pastor, Tu Es Petrus, Viri Galilaei, a missa Hodie Christus natus est, para a noite de Natal, e a calma Missa pro defunctis. Durante a Semana Santa cantam-se na Capela Sistina os motetes Pueri hebraeorum e Frates ego enim, as famosas Lamentationes (1588) e os não menos famosos Improperia; e depois das cerimônias que iniciam a Páscoa, é executada a Missa Pape Marcelli. Esta missa, de 1567, não é a maior obra de Palestrina, mas é a mais famosa, de puríssima eufonia e de solenidade sóbria; o texto litúrgico é declamado, de propósito, com grande simplicidade, como para salientar a ortodoxia impecável da interpretação do texto. Em compensação, Palestrina dá brilhante amostra das suas artes contrapontísticas na missa L’Homme armé (1570) , a última que foi escrita à maneira dos mestres “flamengos”; e em mais outras missas sabe habilmente esconder as complicações polifônicas para impressionar os músicos sem desagradar aos teólogos. Sua obra-prima talvez seja a missa Assumpta est (1583), majestosa e no entanto profundamente sentida; menos jubilosa do que se poderia pensar, antes inspirada pela tristeza dos que, tendo assistido à Assunção, continuam, filhos de Eva, neste vale de lágrimas. Ao leigo que pretende iniciar-se na música palestriniana, serão mais acessíveis as obras curtas, os motetos. São muitos; e alguns continuam sendo cantados não só em Roma, mas em todas as maiores igrejas do mundo católico: Surge illuminare e O magnum mysterium; os Magnificats (sobretudo o no 4º tono); o Salve Regina (quatro vozes); o jubiloso e extático Dum complerentur (para o Domingo de Pentecostes); Tribularer si nescires; o melancólico Paucitas dierum, dizendo das atribulações de Jó; o Pange língua; Peccavimus; Viri Galilaei; Accepit Jesus calicem; e os salmos Super flumina e Sicut cervus. É, porém, muito característico o fato de que nenhuma obra de Palestrina conquistou fama tão universal como o pequeno Stabat Mater de 1591, que, já no século XVIII, o musicólogo inglês Burney popularizou: pois é a obra menos típica e mais “moderna” do mestre. Nela, as vozes já não têm independência melódica, a composição é uma sucessão de admiráveis acordes vocais de sabor místico, de “colunas” sonoras. É a transição: da música polifônica, horizontal, para a música vertical, harmônica. É possível definir exatamente as qualidades musicais do estilo palestriniano. É muito mais difícil coordená-lo com o estilo de outras artes da mesma época. Os musicólogos do século XIX compararam Palestrina a Rafaelo e Correggio, o que hoje nos parece pouco acertado; não considera bem a posição do compositor dentro do movimento contrarreformista; em comparação com ele, aqueles dois pintores são pagãos. Palestrina já não pertence à Renascença. Mas também não é possível defini-lo — como já se fez — como músico barroco; para tanto, não é bastante místico nem exaltado nem realista nem pomposo. A correspondência perfeita do seu estilo com a nova basílica de San Pietro in Vaticano antes faz pensar no maior arquiteto dela, em Miguel Ângelo, dos últimos anos da sua vida. De Palestrina e de Miguel Ângelo chega-se, na música e nas artes plásticas, ao maneirismo. (Em Otto Maria Carpeaux, Uma nova história da música) Missa Assumpta est Maria in caelum. Palestrina. The Tallis Scholars, Peter Phillips
- Papa Santo Eugênio I (654-57 D.C.)
Santo Eugênio I, Papa. Pontificado: 10 de agosto de 654 a 2 de junho de 657; d. Roma. Ele era de uma família romana aristocrática; ele era um homem de disposição conciliatória, notável por sua santidade. Ele aceitou a eleição do clero romano depois de ter resistido à pressão do imperador Constante II por mais de um ano para substituir Martinho I, que estava preso. Eugênio provavelmente percebeu que Martinho nunca seria restaurado e temia a possibilidade de um papa monotelista. Em uma carta de julho de 654, Martinho havia mencionado três eclesiásticas oficiais que eram seus adjuntos no governo da Igreja, mas em uma carta de setembro de 655 ele rezou especialmente “para aquele que agora está governando a Igreja”, uma declaração interpretada como aquiescência ou aprovação da eleição de Eugênio. Os arquivos romanos iniciam o reinado de Eugênio em 654, mas ele não pode ser considerado incontestavelmente papa até depois da morte de Martinho em 655. Eugênio enviou representantes para negociar o monotelismo com Constante, que imediatamente solicitou o reconhecimento de Eugênio a Pedro, recém-nomeado patriarca de Constantinopla. Através desses representantes, Pedro enviou uma carta sinodal a Eugênio, mas foi tão vago quanto às duas vontades em Cristo que o clero e o povo, reunidos para ouvi-lo ler em Santa Maria Maior, rejeitaram e proibiram a Eugênio para começar a missa até que ele também formalmente renunciasse a ele. Isso irritou tanto Constante que apenas uma nova ameaça árabe o impediu de prender Eugênio como ele tinha feito com Martinho. Eugênio foi enterrado em São Pedro. Foi provavelmente Eugênio quem Wilfredo de York se encontrou quando visitou Roma, 654. New Catholic Encyclopedia
- Geração Rivotril
Nossa sociedade está doente, isso não é segredo mais para ninguém, após anos levando a cabo ideologias que prometiam libertar o homem das suas amarradas religiosas, como Nietzsche, Freud, Karl Marx e seus seguidores se propuseram a fazer, atingimos o resultado desse nefasto e previsível atentado aos principais fundamentos da espiritualidade humana, adoecemos brutalmente! O escritor Russell Kirk advertia que esses ideólogos corrompiam os símbolos da transcendência, da salvação pela graça e da vida após a morte, com falsas promessas de uma vida plena e perfeita nesse reino terreno. O que a religião, especialmente a cristã oferecia na esfera metafísica, as ideologias ofereciam na esfera material, transformando sua própria doutrina numa “religião invertida”. Ao “matar Deus” o homem perdeu seu absoluto, a noção de transcendência que sempre esteve presente dentro de si, e passou a divinizar coisas materiais, como dinheiro, sexo e o trabalho. Não que essas coisas sejam ruins em si, mas como afirma o bispo Fulton Sheen: ” Uma vez perdido Deus, perdem os homens a finalidade da vida e quando se esquece a finalidade da vida, torna-se o universo sem significação. Tenta então o homem esquecer seu vazio pela intensidade da experiência do momento. “ [1] O mundo se tornou cada vez mais secular e materialista ao longo do tempo. O capitalismo melhorou a vida de milhões de pessoas, isso é fato. Após a revolução industrial, com a maior oferta de alimento a população, a taxa de natalidade aumentou e a vida começou aos poucos a melhorar. A crença no progresso foi inevitável. Com o passar dos séculos a vida melhorou consideravelmente, e hoje temos melhor qualidade de vida e acesso a coisas que nem os mais poderosos reis já tiveram. As dificuldades da vida diminuíram consideravelmente, fazendo o ser humano focar em se deleitar nos prazeres que a vida proporciona. Antes preocupava-se em qual seria sua próxima refeição, como a obteria, se teria um teto sobre sua cabeça. Hoje as preocupações são com coisas superficiais, se comparada as necessidades urgentes de tempos mais remotos. Isso me fez lembrar o provérbio bíblico: “não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume; Para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é o Senhor? ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e tome o nome de Deus em vão.” [2] A crença no progresso junto com as ideologias que daí surgiram foram afastando o homem de Deus, e ao se esvaziar da presença divina, o homem buscou se preencher com outras coisas na busca pela felicidade. Mas aquilo que não possui raízes, não se mantém de pé por muito tempo. Foi um erro fatal crer que o progresso andava ao lado da felicidade. Sempre foi um erro do ser humano atrelar seu conforto material com a felicidade e a paz da alma. Hoje, com apenas um “clique” pedimos todo tipo de comida, somos transportados de um lugar ao outro, nos comunicamos com o outro lado do mundo, aprendemos sobre qualquer coisa e etc. Nunca na história do mundo o tivemos um acesso tão fácil ao entretenimento, ao sexo, e a todo tipo de prazer e facilidade que o mundo pode oferecer. Mas nunca na história do mundo o homem se sentiu tão triste, vazio e incompleto. E isso tem gerado consequências drásticas na sociedade. Segundo dados da Anvisa, o consumo brasileiro do princípio ativo do Rivotril, o clonazepam, em 2007 era de 29 mil caixas por ano. Em 2015, este número atingiu os 23 milhões. Um estudo de 2015 da OMS (Organização Mundial da Saúde), estimou que mais de 300 milhões de pessoas no mundo tenham depressão, um aumento de 18% comparado ao estudo de 2005.[3] Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, o suicídio foi a 10ª principal causa de morte nos Estados Unidos em 2016, tirando a vida de quase 45.000 pessoas, sendo mais que o dobro do número de homicídios (19.362). Sendo os homens as maiores vítimas, com número 3 vezes maior que o das mulheres. E para cada suicídio realizado, há cerca de 25 tentativas.[4] Segundo a OMS, o suicídio é uma das três principais causas de morte entre pessoas de 15 a 44 anos em todo o mundo, e é a causa de quase um milhão de mortes a cada ano em pessoas de todas as idades.[5] No Brasil não é diferente, dados mostram que entre 2011 e 2016, ocorreram 62.804 mortes por suicídio, a maioria (62%) por enforcamento. Os homens concretizaram o ato mais do que as mulheres, correspondendo a 79% do total de óbitos registrados. Sendo o suicídio a quarta causa de morte entre os jovens.[6] Sendo que pode ser comum pensar que nos países mais pobres a taxa de suicídio é maior devido às dificuldades econômicas. Mas essa regra não se aplica. Derrubando o mito popular, dinheiro e felicidade não andam juntos. Em relatórios recentes, a Coréia do Sul, Bélgica e França possuem uma taxa de suicídio por 100 mil habitantes maior do que Serra Leoa, Laos e Camboja, países que se encontram entre os mais pobres do mundo.[7] Esses dados são assustadores e mostram que ao contrário da expectativa materialista, o progresso tecnológico e o aumento na qualidade de vida não trouxe a felicidade esperada. Nós temos vivido como se a civilização, a cultura e o bem-estar fossem produtos apenas de atividades econômicas, e não ao contrário. A economia, a civilização e a cultura precisam estar subordinadas a valores morais e espirituais sólidos, senão morrerá. Como nos apresenta em seu estudo o antropólogo britânico J.D. Unwin, ele estudou oitenta e seis culturas civilizadas e incivilizadas, abrangendo um período de cinco mil anos e encontrou que as culturas mais prósperas eram aquelas que mantinham uma forte ética matrimonial. [8] E o historiador Arnold Toynbee revela nas suas pesquisas que, das 21 civilizações que desapareceram, 16 se extinguiram em decadência da virtude interior.[9] Se analisarmos os dados e comparar com a sociedade de hoje, o que vemos? Que com certeza não iremos durar muito. O relativismo moral que o mundo moderno está mergulhando será uma experiência derradeira na história, poderá ser sua primeira e única tentativa. Todas essas taxas alarmantes de suicídio, depressão e consumo de remédios ansiolíticos são o grito desesperado de socorro de uma sociedade que está afundando em sua própria cegueira espiritual. Quem leu o livro Admirável mundo novo, do Aldous Huxley, lembra da droga SOMA que era consumida pelos personagens para que nunca ficassem tristes, e como eles eram constantemente incentivados a estar numa busca desenfreada por prazeres sem propósitos para preencher o grande vazio que eles sentiam. Não estamos longe disso. O afastamento de Deus foi um afastamento de si mesmo. Tudo que chamamos de história humana, é a terrível e longa tentativa do homem de descobrir a felicidade em outra coisa que não Deus. Impérios já surgiram, classes dominaram, revoluções aconteceram, guerras destruíram, acordos foram firmados, mas algo sempre deu errado. Por quê? Por que a tão sonhada felicidade não chegou se vivemos os “tempos áureos” do progresso e tecnologia? C.S Lewis faz uma interessante analogia: “A razão pela qual essa tentativa não pode ser bem-sucedida é a seguinte: Deus nos criou como um homem inventa uma máquina. Um carro é feito para ser movido a gasolina. Deus concebeu a máquina humana para ser movida por ele mesmo. O próprio Deus é o combustível que nosso espírito deve queimar, ou o alimento do qual deve se alimentar. Não existe outro combustível, outro alimento. Esse é o motivo pelo qual não podemos pedir que Deus nos faça felizes e ao mesmo tempo não dar a mínima para a religião. Deus não pode nos dar uma paz e uma felicidade distintas dele mesmo, porque fora dele elas não se encontram. Tal coisa não existe.”[10] A verdadeira felicidade só pode vir de algo absoluto, transcendente e fonte de todo bem, Deus. Como diz Santo Agostinho em suas Confissões: ” fizeste-nos para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousar em ti.”[11] O mundo que rejeita a Luz terminará no abismo das trevas. Deus como fonte de todo Bem, é fonte de toda felicidade. O mundo caminha a passos largos para sua própria destruição, mas aquele que entende que sua plenitude transcende esse mundo, e que o sentido da história só pode estar em quem a criou, sofrerá muito menos dessas mazelas. Deus é o princípio e o fim do proposito da existência humana, por Ele fomos criados e para Ele viveremos e somente Nele encontraremos descanso. ————————————————————- [1] Fulton Sheen, Angústia e Paz p.10 [2] Provérbios 30:8,9 [3] http://www.who.int/en/news-room/detail/30-03-2017–depression-let-s-talk-says-who-as-depression-tops-list-of-causes-of-ill-health [4] https://www.nimh.nih.gov/health/statistics/suicide.shtml [5] World Health Organization, The Global Burden of Disease: 2004 [6] portalms.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/29691-taxa-de-suicidio-e-maior-em-idosos-com-mais-de-70-anos [7] http://worldpopulationreview.com/countries/suicide-rate-by-country/ [8] Joseph Daniel Unwin, Sex and Culture (London: Oxford University Press, 1934). [9] Arnold J. Toynbee, A Study of History [10] C.S Lewis, Cristianismo Puro e Simples p.44 [11] Santo Agostinho, Confissões p. 18 Ramon Serrano Dias
- A Igreja Catolica e a Escravidão
• A IGREJA CATÓLICA E A ESCRAVIDÃO • A Igreja Católica desde o início, numa prova inconteste de que sempre promoveu a igualdade e a liberdade dos escravos onde chegou, tem o orgulho de já ter sido liderada por um ex-escravo, o Papa S. Calisto, do ano 217, liberto, muito antes da abolição da escravatura. Não confundir escravatura promovida por alguns maus portugueses no Brasil, com “escravatura promovida pela Igreja Católica”. A Igreja Católica sempre condenou essa prática junto aos imperadores. • Em uma Carta do Papa João VIII, datada de setembro de 873 e dirigida aos Príncipes da Sardenha, ele diz: • “Há uma coisa a respeito da qual desejamos admoestar-vos em tom paterno; se não vos emendardes, cometereis grande pecado, e, em vez do lucro que esperais, vereis multiplicadas as vossas desgraças. Com efeito; por instituição dos gregos, muitos homens feitos cativos pelos pagãos são vendidos nas vossas terras e comprados por vossos cidadãos, que os mantêm em servidão. Ora consta ser piedoso e santo, como convém a cristãos, que, uma vez comprados, esses escravos sejam postos em liberdade por amor a Cristo; a quem assim proceda, a recompensa será dada não pelos homens, mas pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isto exortamo-vos e com paterno amor vos mandamos que compreis dos pagãos alguns cativos e os deixeis partir para o bem de vossas almas” (Denzinger-Schönmetzer, Enquirídio dos Símbolos e Definições nº 668). • O Concílio de Nicéia (ano 325), o primeiro que a Igreja realizou, afirma que escravos haviam sido admitidos ao sacerdócio. • O Papa Pio II, em 7 de outubro de 1462, condenou o comércio de escravos como magnum scelus (grande crime). • O Papa Pio VII (1800-1823) enviou uma Carta ao Imperador Napoleão Bonaparte da França, em protesto contra os maus tratos a homens vendidos como animais, onde dizia: • “Proibimos a todo eclesiástico ou leigo apoiar como legítimo, sob qualquer pretexto, este comércio de negros ou pregar ou ensinar em público ou em particular, de qualquer forma, algo contrário a esta Carta Apostólica” (citado por L. Conti, “A Igreja Católica e o Tráfico Negreiro”, em ‘O Tráfico dos Escravos Negros nos séculos XV-XIX”. Lisboa 1979, p. 337). • O mesmo Sumo Pontífice se dirigiu a D. João VI de Portugal nos seguintes termos: • “Dirigimos este ofício paterno à Vossa Majestade, cuja boa vontade nos é plenamente conhecida, e de coração a exortamos e solicitamos no Senhor, para que, conforme o conselho de sua prudência, não poupe esforços para que… o vergonhoso comércio de negros seja extirpado para o bem da religião e do gênero humano”. • Pio VII também muito se empenhou para que no Congresso Internacional de Viena (1814-15) a instituição da escravatura fosse condenada e abolida. • O famoso bispo de Chiapa, na América, Frei Bartolomeu de las Casas (1474-1566), levantou-se em defesa dos índios contra sua escravidão. No início do século XVI o dominicano Domingos de Minaja viajou da América Espanhola a Roma, a fim de relatar ao Papa Paulo III (1534-1549) os abusos ocorrentes com relação aos índios. Em conseqüência, o Pontífice escreveu a“Veritas Ipsa” (1537), onde condena Bula a escravidão: • “O comum inimigo do gênero humano, que sempre se opõe as boas obras para que pereçam, inventou um modo, nunca dantes ouvido, para estorvar que a Palavra de Deus não se pregasse as gentes, nem elas se salvassem. Para isso moveu alguns ministros seus que, desejosos de satisfazer as suas cobiças, presumem afirmar a cada passo que os índios das partes ocidentais e meridionais e as mais gentes que nestes nossos tempos tem chegado à nossa notícia, hão de ser tratados e reduzidos a nosso serviço como animais brutos, a título de que são inábeis para a Fé católica, e, com pretexto de que são incapazes de recebê-la, os põem em dura servidão em que têm suas bestas, apenas é tão grande como aquela com que afligem a esta gente. Pelo teor das presentes determinamos e declaramos que os ditos índios a todas as mais gentes que aqui em diante vierem a noticia dos cristãos, ainda que estejam fora da fé cristã, não estão privados, nem devem sê-lo, de sua liberdade, nem do domínio de seus bens, e não devem ser reduzidos a servidão”. • Neste texto, merece atenção especial a menção de índios e “das mais gentes”, que são os africanos. A uns e outros Paulo III quer defender. Por isto acrescenta: • “Pelo teor das presentes determinamos e declaramos que os ditos índios e todas as mais gentes que daqui em diante vierem à notícia dos cristãos, ainda que estejam fora da fé cristã, não estão privados, nem devem sê-lo, de sua liberdade, nem do domínio de seus bens, e não devem ser reduzidos à servidão”. • Essa Bula de Paulo III teve grande efeito, tanto assim que a 30 de julho de 1609 El-Rey promulgou lei que abolia por completo a escravidão indígena: “Declaro todos os gentios daquelas partes do Brasil por livres, conforme o direito e seu nascimento natural, assim os que já foram batizados e reduzidos a nossa Santa fé católica, como os que ainda servirem como gentios, conforme a pessoas livres como são”. • O famoso bispo de Chiapa, na América, Frei Bartolomeu de las Casas (1474-1566), levantou-se em defesa dos índios contra sua escravidão. No início do século XVI o dominicano Domingos de Minaja viajou da América Espanhola a Roma, a fim de relatar ao Papa Paulo III (1534-1549) os abusos ocorrentes com relação aos índios. Em conseqüência, o Pontífice escreveu a“Veritas Ipsa” (1537), onde condena Bula a escravidão: • “O comum inimigo do gênero humano, que sempre se opõe as boas obras para que pereçam, inventou um modo, nunca dantes ouvido, para estorvar que a Palavra de Deus não se pregasse as gentes, nem elas se salvassem. Para isso moveu alguns ministros seus que, desejosos de satisfazer as suas cobiças, presumem afirmar a cada passo que os índios das partes ocidentais e meridionais e as mais gentes que nestes nossos tempos tem chegado à nossa notícia, hão de ser tratados e reduzidos a nosso serviço como animais brutos, a título de que são inábeis para a Fé católica, e, com pretexto de que são incapazes de recebê-la, os põem em dura servidão em que têm suas bestas, apenas é tão grande como aquela com que afligem a esta gente. Pelo teor das presentes determinamos e declaramos que os ditos índios a todas as mais gentes que aqui em diante vierem a noticia dos cristãos, ainda que estejam fora da fé cristã, não estão privados, nem devem sê-lo, de sua liberdade, nem do domínio de seus bens, e não devem ser reduzidos a servidão”. • Neste texto, merece atenção especial a menção de índios e “das mais gentes”, que são os africanos. A uns e outros Paulo III quer defender. Por isto acrescenta: • “Pelo teor das presentes determinamos e declaramos que os ditos índios e todas as mais gentes que daqui em diante vierem à notícia dos cristãos, ainda que estejam fora da fé cristã, não estão privados, nem devem sê-lo, de sua liberdade, nem do domínio de seus bens, e não devem ser reduzidos à servidão”. • Essa Bula de Paulo III teve grande efeito, tanto assim que a 30 de julho de 1609 El-Rey promulgou lei que abolia por completo a escravidão indígena: “Declaro todos os gentios daquelas partes do Brasil por livres, conforme o direito e seu nascimento natural, assim os que já foram batizados e reduzidos a nossa Santa fé católica, como os que ainda servirem como gentios, conforme a pessoas livres como são”. • Aos 24.4.1639 o Papa Urbano VIII (1623-1644) publicou o Breve “Commissum Nobis”, incutindo a liberdade dos índios da América. No seu Breve, o Papa ordenava, sob pena de excomunhão reservada ao Pontífice, que ninguém prendesse, vendesse, trocasse, doasse ou tratasse como cativos os índios da terra. Dispunha ainda que a ninguém seria lícito ensinar ou apregoar o aprisionamento dos mesmos. Por causa disso, revoltaram-se os colonos no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Santos e no Maranhão. Os Jesuítas foram perseguidos, sendo expulsos de São Paulo, Santos e do Maranhão, para onde só puderam voltar tempos depois. • Por outro lado, o segundo bispo do Brasil, D. Pedro Leitão (1559-1573), assinou aos 30.7.1566 na Bahia, com o Governador Mem de Sá e o Ouvidor Dr. Brás Fragoso, uma junta em defesa dos índios; defendia-os contra os abusos dos brancos e dava maior apoio aos aldeamentos instaurados pelos jesuítas. • O famoso Pe. Antônio Vieira (1608-1697), por vezes considerado por maus intencionados como aliado dos senhores da terra contra os escravos, na verdade assumiu posição de censura aberta aos patrões. Disse ele: • “Saibam os pretos, e não duvidem, que a mesma Mãe de Deus é Mãe sua… porque num mesmo Espírito fomos batizados todos nós para sermos um mesmo corpo, ou sejamos judeus ou gentios, ou servos ou livres” (Sermão XIV). • “Nas outras terras, do que aram os homens e do que fiam e tecem mulheres se fazem os comércios: naquela (na África) o que geram os pais e o que criam a seus peitos as mães, é o que se vende e compra. Oh! trato desumano, em que a mercancia são homens! Oh! mercancia diabólica, em que os interesses se tiram das almas alheias e as riscos são das próprias! “ (Sermão XXVII). • “Os senhores poucos, e os escravos muitos, os senhores rompendo galas, os escravos despidos e nus; os senhores banqueteando, os escravos perecendo à fome, os senhores nadando em ouro e prata, os escravos carregados de ferros, os senhores tratando-os como brutos, os escravos adorando-os e temendo-os como deuses. /…/ Estes homens não são filhos do mesmo Adão e da mesma Eva? Estas almas não foram resgatadas com o sangue do mesmo Cristo? Estes corpos não nascem e morrem como os nossos? Não respiram com a mesmo ar? Não os cobre o mesmo. céu? Não os aquenta o mesmo sol? Que estrela é logo aquela que as domina, tão cruel?”. (Sermão XXVII sobre o Rosário, in Sermões, vol 12, Porto, 1951, p.333-371) • Na Bula “Immensa Pastorum”, de 1741, o Papa Bento XIV (1740-1758) condenou a escravidão. • O Papa Gregório XVI (1831-1846) em 3.12.1839 disse: “Admoestamos os fiéis para que se abstenham do desumano tráfico dos negros ou de quaisquer outros homens que sejam “. • O Papa Leão XIII (1878-1903), disse na Carta “In Plurimis”, em 5.5.1888 aos bispos do Brasil: • “E profundamente deplorável a miséria da escravidão a que desde muitos séculos está sujeita uma parte tão pequena da família humana”. • josé de Anchieta O religioso cuidava não apenas de educar e catequizar os indígenas, como também de defendê-los dos abusos dos colonizadores portugueses que queriam não raro escravizá-los e tomar-lhes as mulheres e filhos. Esteve em Itanhaém e Peruíbe, no litoral sul de São Paulo, na quaresma que antecedeu a sua ida à aldeia de Iperoig, juntamente com o padre Manuel da Nóbrega, em missão de preparo para o Armistício com os Tupinambás de Ubatuba (Armistício de Iperoig). Nesse período, em 1563, intermediou as negociações entre os portugueses e os indígenas reunidos na Confederação dos Tamoios, oferecendo-se Anchieta como refém dos tamoios em Iperoig, enquanto o padre Manuel da Nóbrega retornou a São Vicente juntamente com Cunhambebe (filho) para ultimar as negociações de paz entre os indígenas e os portugueses. Entre os índios batizados por Anchieta destaca o cacique Tibiriçá.[10] • A Igreja Católica desde o início, numa prova inconteste de que sempre promoveu a igualdade e a liberdade dos escravos onde chegou, tem o orgulho de já ter sido liderada por um ex-escravo, o Papa S. Calisto, do ano 217, liberto, muito antes da abolição da escravatura. Não confundir escravatura promovida por alguns maus portugueses no Brasil, com “escravatura promovida pela Igreja Católica”. A Igreja Católica sempre condenou essa prática junto aos imperadores. • Como poderia a Igreja, como mentem os enganadores, menosprezar os negros, se entre tantos santos negros, que enriquecem sua hagiografia desde os primeiros séculos, estão os santos negros: S. Maurício, Sta. Mônica, Sta. Efigênia, S. Antônio de Cartageró, S. Elesbão, S. Benedito, S. Serapião, S. Fulgêncio, Sta. Pérpétua e Sta. Felicidade, S. Adriano, S. Moses, S. Menas do Egito, S. Atanásio, S. Marcelino de Cartago, S. Nicolau, Sta. Bakita, S. Frumencio, S. Pacômio, S. Eugenio de Cartago, S. Antão, S. Cipriano, S. Martinho de Lima (“mestiço”), S. Pedro Claver, Sta. Sara Kali, Sta. Maria-Clémentine Blessed Anuarite Nengapeta, S. Timóteo, Sta. Maura, S. Daudi Okelo, S. Jildo Irwa, S. Metódio Domenico?
- A VIRGEM AO MEIO-DIA – Paul Claudel
Vejo a igreja aberta e entro. Mas não é para rezar, ó Mãe, que estou aqui dentro. Não tenho nada a pedir, nada para te dar. Venho somente, Mãe, para te olhar… Olhar-te, chorar de alegria, sabendo apenas isto: Eu sou teu filho e tu estás aqui, Mãe de Jesus Cristo! Ao menos por um momento, enquanto tudo pára, Quero estar neste lugar em que estás, Maria. Nada dizer, olhar simplesmente teu rosto, E deixar o coração cantar a seu gosto. Nada dizer, somente cantar, Porque o coração está transbordando… Porque és bela, porque és imaculada, A mulher na Graça enfim restituída, A criatura na sua hora primeira e em seu desabrochar final, Como saiu das mãos de Deus na manhã de seu esplendor original. Inefavelmente intacta, porque és a Mãe de Jesus Cristo, Que é a verdade em teus braços, E a única esperança e o único fruto. Porque é meio-dia, porque estás aí, Simplesmente porque és Maria, Simplesmente porque existes. (Tradução livre de Dom Marcos Barbosa)
- A Questão Canônica
I. A Questão do Cânon. Como cristãos, como é que sabemos que somos salvos pela morte e ressurreição do Filho de Deus encarnado? Para os que foram educados como cristãos, a resposta da canção dominical “porque a Bíblia assim me diz” pode vir à mente, e isso resume bem o ensinamento protestante sobre a comunicação da verdade salvadora. A Confissão Belga, uma expressão histórica da fé reformada amplamente usada em denominações holandesas, afirma que conhecemos a Deus pela beleza da criação, e “mais abertamente pela sua santa e divina Palavra.” 1 A Confissão de Fé de Westminster, amplamente adotada por Denominações presbiterianas com origens tradicionalmente escocesas contêm um ensinamento comparável: enquanto a “luz da natureza e as obras da criação e da providência até agora manifestam a bondade, sabedoria e poder de Deus, de modo a deixar os homens inescusáveis, ainda precisamos a possuir pela verdade revelada o “conhecimento de Deus e de Sua vontade, que é necessário para a salvação”. 2 Com relação a essa revelação, a Confissão de Westminster afirma que Deus escolheu ”fazer o mesmo totalmente por escrito”. 3 Uma porção do Hexapla Mas esta resposta, que sabemos a verdade salvífica da Bíblia, empurra a questão de volta. O que é a Bíblia? Nossos dois artigos anteriores, Hermenêutica e a Autoridade da Escritura e Solo Scriptura, Sola Scriptura, e a Questão da Autoridade Interpretativa, exploraram aspectos dessa questão, incluindo o que acreditamos sobre a Bíblia e nossa noção da Bíblia como verdade inerrante. Neste artigo, pretendo explorar outro aspecto da questão “O que é a Bíblia?”, E a isso me referirei como a Pergunta do Cânon: “Por qual critério sabemos quais textos compõem a Bíblia?” Essa é uma questão essencial. todos os cristãos devem ser capazes de responder, mas, na minha experiência em discutir isso com outros crentes, é para muitos um assunto estrangeiro. Sem entender por que acreditamos que o Evangelho de Marcos, ou a Epístola de Tiago, ou o livro de Ester esteja entre os escritos inspirados pelo Espírito Santo, não podemos dar uma razão de princípio para acreditarmos que esses livros sejam Escritura. Sem qualquer razão de princípio por acreditarmos que estes livros sejam Escritura, não temos razão ou base de princípios para saber qual é o depósito da fé, e assim não podemos dar uma resposta a ‘todos que nos pedem para dar uma razão para a esperança que temos .4 Neste artigo, argumento que a teologia reformada é intrinsecamente incapaz de responder à questão da Canon. A resposta confessional e clássica reformada à Questão Canôn, que será considerada em profundidade na seção II. A., baseia-se no testemunho interior do Espírito Santo no coração de cada crente para garantir a canonicidade de um texto. Argumentarei que, uma vez que quaisquer dois cristãos cheios do Espírito que são novos nas Escrituras podem não concordar que qualquer texto dado é canônico, este teste é de confiabilidade duvidosa e, portanto, não pode ser nossa medida final das Escrituras. A subjetividade inerente dessa clássica base reformada para o cânon levou a uma variedade de respostas diferentes para a Questão Canônica, cada uma buscando uma base mais objetiva para identificar os textos inspirados por Deus. Esses vários esforços para articular um teste objetivo para o cânon não são mutuamente exclusivos. Eles podem ser resumidos da seguinte forma: o cânon do Antigo Testamento é aquele conjunto de textos hebraicos que foram canonizados pelos líderes judeus de Jerusalém por volta da época de Cristo; o cânon do Novo Testamento é definido como aqueles livros que são imediata ou mediamente de autoria Apostólica; e finalmente, o cânon é definido como aqueles livros que receberam ampla aceitação na Igreja primitiva (até certo ponto no tempo). Eu explorarei esses tópicos, assim como a visão de Martinho Lutero de que o cânon consiste propriamente nos livros do Velho e Novo Testamentos que “pregam a Cristo”, no restante da seção II. Ali, argumentarei que, dada a suposição reformada de que tudo o que autoritariamente testemunha a canonicidade da Escritura deve ser mais autoritativo do que a Escritura, cada um deles necessariamente coloca evidência extra-bíblica acima da Escritura em seu esforço de identificar objetivamente o cânon. Isso coloca algo fora das Escrituras acima das Escrituras e, portanto, viola a doutrina protestante da sola scriptura. Na Seção III, argumento que o próprio processo de responder à Questão do Cânon viola a sola scriptura. Isto porque responder à questão deve envolver um julgamento humano extra-bíblico. Este julgamento é colocado sobre as Escrituras porque define o cânon. Ao colocar esse julgamento acima da única autoridade infalível permitida, o processo de responder à pergunta viola a sola scriptura. Como vou concluir, o problema fundamental para a posição da sola scriptura é que ela não tem como determinar o cânon que é fiel ao seu próprio conceito de autoridade. II. DIVERSIDADE DE TEORIAS. Ao longo dos séculos, desde a Reforma Protestante, surgiu uma variedade de teorias que tentam articular um teste objetivo para determinar a canonicidade de um texto. As respostas à quetsão do cânon que descrevo aqui são abrangentes das posições protestantes, embora não sejam exaustivas. Variantes periféricas sobre essas teorias são abundantes, mas as principais teorias em uso pelos estudiosos reformados e evangélicos são incluídas abaixo.5 Essas teorias principais compartilham as características de pretender chegar à sua conclusão objetivamente, e (embora sendo testes diferentes) de alcançar a mesma conclusão dos 66 livros. O falecido professor do Covenant Seminary R. Laird Harris, acreditava que há espaço dentro dos estudos protestantes para múltiplos, e talvez até mesmo concorrentes, princípios para determinar o mesmo cânon: Várias visões divergentes sobre o princípio da determinação do cânon – visões não necessariamente exclusivas – foram realizadas ao longo dos séculos, e há espaço para algumas diferenças de opinião sobre este ponto. . . . É livremente reconhecido que os pontos de vista sobre a canonicidade aqui expressos não são os únicos pontos de vista defendidos pelos estudiosos bíblicos conservadores. Para Harris, ter uma variedade de teorias canônicas dentro da academia protestante é tolerável, desde que cada uma produza o cânon protestante de 66 livros. Mas, como o Dr. Flesseman-van Leer observou com razão, aqueles que aceitam o cânon tradicional da Escritura hoje não podem legitimamente defendê-lo com argumentos que não desempenharam parte de sua formação original.7 A racionalização post hoc de um ponto tão crítico como a formação do canon seria como pintar um alvo em torno da flecha que já está embutida na parede. Se uma regra que levou alguns ao cânone de 66 livros se mostrar falsa, ou falhar em ser verdadeiramente objetiva, o remédio não é encontrar uma nova regra que nos permita chegar à mesma conclusão. Em vez disso, para sermos intelectualmente honestos, precisamos encontrar a regra que é, em última análise, correta e verdadeira, e aceitar onde ela nos conduz, onde quer que ela nos leve. Além daqueles teólogos protestantes que toleram teorias canônicas concorrentes, mas que só avançam um critério de canonicidade, outros teólogos estão dispostos a usar simultaneamente uma pluralidade de critérios para chegar à mesma conclusão. Por exemplo, Harris determina a extensão do cânon do Antigo Testamento seguindo “[duas linhas de abordagem],“ uma histórico e o outro um apelo à autoridade ”.8 Ele escreve:“ Por ambos os métodos podem ser visto que estes livros apócrifos não podem ser propriamente incluídos no cânon sagrado. ”9 Ou seja, Harris está disposto a usar uma pluralidade de teorias, as quais ele vê como complementares, para chegar à sua conclusão sobre o cânon das Escrituras.10 Um critério para acumular evidências em favor da inclusão de um texto no cânon seria apropriado na medida em que cada critério é válido e consistente com o paradigma geral das escrituras, seria impróprio na medida em que qualquer critério de um componente não fosse. Isto é, para os protestantes, uma teoria que se prova incompatível com a sola scriptura não pode ser salva meramente ligando-a a uma teoria mais defensável. Tendo em mente que cada teoria protestante deve ser internamente consistente com a sola scriptura, vou agora levá-las por sua vez. A. AUTO-ATTESTAÇÃO E TESTEMUNHO DO ESPÍRITO SANTO: A visão reformada clássica: A clássica e confessional resposta Reformada à Questão do Canon enfatiza que o Espírito Santo é nossa garantia imediata da verdade do cânon, e também observa que a confiabilidade da Escritura aparece dentro da própria Escritura. Esta resposta varia um pouco da fonte à fonte em sua ênfase particular, mas a certeza do Espírito Santo é um tema comum claro. No decorrer da Reforma, Calvino foi um dos primeiros defensores dessa posição, que mais tarde tornou-se solenizada pelos padrões confessionais reformados.11 Ele ensinou que, para o leitor que desfruta do testemunho interior do Espírito Santo, a Escritura é auto-atestável (isto é, diz por si mesmo para este leitor que é Escritura): Aquele a quem o Espírito Santo tem ensinado interiormente realmente repousa sobre a Escritura, e que a Escritura de fato é auto-autenticada; portanto, não é correto submetê-la a provas e raciocínios. E a certeza que concede conosco é alcançada pelo testemunho do Espírito. Pois mesmo que ganhe reverência por si mesma por sua própria majestade, nos afeta seriamente somente quando é selado em nossos corações através do Espírito. Portanto, iluminado por seu poder, não acreditamos nem por nós mesmos nem pelo julgamento de ninguém que as Escrituras são de Deus; mas acima do julgamento humano afirmamos com absoluta certeza (como se estivéssemos contemplando a majestade do próprio Deus) que nos fluiu da própria boca de Deus pelo ministério dos homens. Não procuramos provas nem marcas de genuinidade nas quais nosso julgamento possa se inclinar; mas submetemos nosso julgamento e nossa sagacidade a algo muito além de qualquer adivinhação! Calvino também compara a pergunta do católico, “como podemos ter certeza de que [as Escrituras] brotaram de Deus sem recorrer ao decreto da igreja?”, Perguntando “de onde aprenderemos a distinguir a luz das trevas, branco do negro, doce para amargo? ”13 Para João Calvino, é tão aparente quanto o preto é do branco quais livros devem ser incluídos no cânon:“ De fato, a Escritura exibe evidência tão clara de sua própria verdade quanto as coisas brancas e pretas cor, ou coisas doces e amargas fazem do seu gosto ”.14 Sua resposta, então, é que podemos ter certeza de que a Escritura é de Deus simplesmente olhando para ela, assim como podemos distinguir o preto do branco simplesmente olhando para ele. As tradicionais confissões reformadas também não deixaram de responder à pergunta do Cânon.15 De acordo com a Confissão Belga, devemos receber os livros do cânon protestante, e todos ensinados dentro deles, “Não tanto porque a igreja recebe e aprova-os como tal mas acima de tudo porque o Espírito Santo testifica em nossos corações que eles são de Deus e também porque eles provam-se ser de Deus. Pois até mesmo os cegos são capazes de ver que as coisas previstas neles acontece. ”16 Da mesma forma, nas palavras da Confissão de Westminster, Nossa total persuasão e certeza da verdade infalível e autoridade divina [da Escritura], é da obra interior do Espírito Santo, dando testemunho por e com a Palavra em nossos corações. ”17 O que torna esta posição clássica e confessional atraente, da perspectiva reformada, é a sua confiança imediata em Deus para conduzir os cristãos à Sua verdade revelada. Nós não temos que aceitar os textos canônicos “tanto porque a igreja os recebe e aprova”, mas porque estamos convencidos imediatamente pelo Espírito Santo. Não há intermediários para enlamear as águas. Ao fazer isso, as confissões reformadas significam evitar a subordinação das Escrituras infalíveis a uma autoridade humana falível e mediata. Isso é essencial para o sistema Reformado porque, se as Escrituras estivessem subordinadas à autoridade humana falível, seu conteúdo poderia ser errôneo, tornando assim as Escrituras não confiáveis. E se a Escritura não fosse confiável, ela não poderia agir como nossa única autoridade infalível sobre todos os assuntos da fé. No entanto, uma vez que quaisquer dois cristãos podem não concordar que qualquer livro dado é (ou não) canônico, mesmo quando refletem cuidadosamente no testemunho do Espírito Santo à medida que se aproximam, este teste carece de objetividade e confiabilidade. Deveríamos ser capazes de verificar a confiabilidade deste critério canônico Reformado clássico da seguinte maneira. Se o critério clássico do cânon reformado fosse verdadeiro e estabelecêssemos vários textos candidatos, como livros ou passagens do Novo Testamento, obras apócrifas ou escritos reverenciados dos primeiros Padres da Igreja, na frente de novos cristãos que têm o Espírito, mas nunca leram o Bíblia, todos escolheriam os mesmos livros ou passagens como canônicos. Se a afirmação de preto-de-branco de Calvino é verdadeira, nossos hipotéticos novos cristãos tentando discernir livros canônicos de não-canônicos chegariam a uma conclusão. Se pudéssemos executar esse teste hipotético e obtivéssemos um resultado que obtivesse sucesso em menos de 100% do tempo, ou até menos que a grande maioria do tempo, ao identificar o único verdadeiro cânon, isso mostraria que esse teste não é um teste confiável para determinar o cânon das Escrituras. Algo próximo a este teste hipotético já foi executado. Nos primeiros séculos da história cristã, os muitos cristãos fiéis, em íntima comunhão com o Espírito Santo, e que ainda não tinham um cânon determinado para a Bíblia, não concluíram que o cânone protestante de 66 livros está correto. Temos evidências de que muitas figuras da Igreja primitiva, incluindo o próprio Santo Agostinho, apoiaram a inclusão dos textos deuterocanônicos no cânon. Nenhuma única fonte desse período articula o cânon protestante.18 Após a Reforma, antes que a primeira geração de reformadores tivesse morrido, a suposta clareza entre o preto e o branco, a respeito de quais livros pertencem ao cânon, também não produziu acordo universal.19 Casos da história são evidência de que a resposta Reformada à Questão Canon não fornece um método confiável para determinar o cânon. Isso é profundamente problemático, já que a garantia no cânon é a base do paradigma da sola scriptura. Parte integrante da visão de Calvino de que o Espírito Santo testifica em nossos corações a veracidade do cânon, Calvino rejeita o papel essencial da Igreja na identificação do cânon. Em suas Institutas, ele começa com a proposição de que a Escritura obtém sua autoridade diretamente de Deus, e não da Igreja: ”Mas um erro muito pernicioso prevalece amplamente que a Escritura tem tanto peso quanto é concedido a ela pelo consentimento da igreja. . . . Pois eles zombam do Espírito Santo quando perguntam: Quem pode nos convencer de que esses escritos vieram de Deus? . . . . Quem pode nos persuadir a receber um livro em reverência, mas excluir outro, a menos que a igreja prescreva uma regra segura para todos esses assuntos?” Como assunto inicial, Calvino deturpa a posição católica afirmando que, de acordo com a Igreja Católica, a Escritura tem seu peso autoritário concedido pela Igreja. Em vez disso, a posição católica é que a Escritura tem autoridade divina porque é inspirada por Deus, o Espírito Santo inspirou os autores dos textos. Isto é, a Escritura tem autoridade divina por causa de seu autor divino, não por causa do papel da Igreja de Deus em produzi-la. Como a Igreja Católica decretou durante o Primeiro Concílio do Vaticano: ”Esses [23] livros que a Igreja considera sagrados e canônicos não porque ela os aprovou posteriormente por sua autoridade depois de terem sido compostos por habilidade humana sem ajuda, nem simplesmente porque eles contêm revelação sem erro, mas porque, sendo escritos sob a inspiração de o Espírito Santo, eles têm Deus como seu autor e estavam comprometidos com a Igreja”21. Esta crença reflete-se também na obra dogmática Dei Verbum, escrita pelo Papa Paulo VI em 1965: ”As realidades divinamente reveladas que estão contidas e apresentadas na Sagrada Escritura foram dedicadas a escrever sob a inspiração do Espírito Santo. Pois a Santa Madre Igreja, baseando-se na crença dos Apóstolos (ver João 20:31; 2 Timóteo 3:16; 2 Pedro 1: 19-20, 3: 15-16), sustenta que os livros do Antigo e do Novo Testamento na sua totalidade, com todas as suas partes, é sagrado e canônico porque, escritos sob a inspiração do Espírito Santo, eles têm Deus como seu autor e foram entregues como tal à própria Igreja.”22 Esses textos provam que a Igreja Católica não sustenta que as Escrituras têm tanto peso quanto lhes é concedido pela Igreja Católica. Pelo contrário, como a Igreja Católica explica, a autoridade das Escrituras deriva da sua escrita sob a inspiração do Espírito Santo, com Deus como seu autor. Além disso, com relação à visão de Calvino sobre a relação entre a Igreja e as Escrituras, ele simplesmente afirma, mas não demonstra, que a posição da Igreja Católica zombaria do Espírito Santo. Ele afirma encontrar tal zombaria na crença de que não se pode ser persuadido a receber um livro e excluir outro sem que a Igreja prescreva uma regra segura. Por que a Igreja prescrevendo uma “regra certa” para conhecer as Escrituras seria uma zombaria do Espírito Santo? Porque para Calvino, nossa obtenção de garantias da Igreja excluiria necessariamente a obtenção de garantias do Espírito Santo. Isso porque, como mostrado na citação de Calvino citada acima, ele criou uma falsa dicotomia entre a Igreja e o Espírito Santo. Para ele, essas duas fontes de segurança não podem funcionar de maneira confluente. Por razões óbvias, uma vez aceita essa dicotomia, a pessoa vem favorecer a opção do Espírito Santo, tornando a opção de ver a Igreja como uma fonte de segurança uma zombaria. A pergunta retórica de Calvino: “Quem pode nos persuadir a receber um livro em reverência, mas excluir outro, a menos que a igreja prescreva uma regra segura para todos esses assuntos?” Também deturpa o ensinamento católico. A Igreja Católica não afirma que uma pessoa não pode ser persuadida a receber ou excluir um livro sem que a Igreja prescreva uma regra segura. Pode-se aceitar ou rejeitar um livro sem o benefício de uma “regra certa” da Igreja, como ocorreu em toda a Igreja primitiva. Antes, além da orientação magisterial referente ao cânon, seria extremamente difícil, se não impossível, que todos os crentes, independentemente, chegassem a um acordo completo sobre o cânon, sem que cada crente recebesse a iluminação milagrosa do Espírito Santo. Cristo deu autoridade ao Magistério de tal maneira que a graça se baseia na natureza. Ou seja, o governo visível da Igreja, sendo guiado pelo Espírito Santo, não anula, mas cumpre, nossa necessidade natural de governo visível na sociedade sobrenatural que é a Igreja. Mas a Igreja e o Espírito Santo trabalham juntos para nos assegurar do cânon das escrituras. Como Santo Agostinho disse: “Eu não teria acreditado no evangelho, a menos que a autoridade da Igreja tivesse me induzido”. Calvino em seguida argumenta que a própria Igreja está fundamentada nas Escrituras, e não o contrário: Mas tais argumentadores são nitidamente refutados por apenas uma palavra do apóstolo. Ele testifica que a igreja é “edificada sobre o fundamento dos profetas e apóstolos”. Se o ensino dos profetas e apóstolos é o fundamento, isso deve ter autoridade antes de a igreja começar a existir.24 Observe o significado da adição de Calvino da palavra “ensino” à sua reafirmação de Efésios. Mas São Paulo realmente diz que a Igreja é construída sobre o fundamento dos profetas e dos próprios apóstolos. Para Calvino, um ensinamento tem autoridade, não o professor. Ele trata a declaração de Paulo de que a Igreja é “edificada sobre o fundamento dos profetas e apóstolos” como se referindo a um conjunto de ensinamentos, não a qualquer pessoa. Toda a doutrina das Escrituras de Calvino gira em torno desta inserção da palavra “ensinar” na declaração de São Paulo aos Efésios, e ao ver o professor como tendo autoridade derivada do ensinamento apenas na medida em que ele se apega a esse ensinamento. Mas são os próprios profetas e apóstolos que receberam autoridade divina. Considere Mateus 7:29, em que nos é dito que Jesus “os ensinou como alguém que tem autoridade, e não como os escribas”. Jesus ensinou como alguém “com autoridade”, não como alguém “com palavras com autoridade”. Palavras da Lei ão têm autoridade isoladamente de sua fonte, mas são autoritativos por causa de seu relacionamento com sua fonte. Por exemplo, a Constituição dos EUA não tem autoridade além de sua fonte, mas representa a autoridade do povo que a promulgou. Da mesma forma, as palavras da Bíblia são autorizadas por causa de sua relação com seus autores, especialmente seu Autor divino. A Igreja não é fundada sobre essas palavras, os ensinamentos de profetas e apóstolos, mas sobre os próprios profetas e apóstolos baseados em sua autoridade divina. Por causa da autorização divina dos profetas e apóstolos, podemos conhecer o ensinamento que eles transmitiram para ser de origem divina. Refinamento adicional do auto-atestamento: Em seu trabalho, a História da Redenção e as Escrituras do Novo Testamento, o teólogo Herman Ridderbos fornece uma articulação reformada moderna da visão confessional. De acordo com Calvino, ele argumenta que os textos canônicos são auto-atestados (ou testemunhados) ao leitor que é auxiliado pela fé do Espírito Santo a ver a Escritura pelo que ela é.25 Ridderbos também emite uma crítica digna de nota das várias Critérios Protestantes propostos de canonicidade diferente da posição Reformada clássica. Ele vê isso como pouco ou nada melhor do que a visão católica, que, diz ele, efetivamente coloca a Igreja sobre as Escrituras, porque elas também colocam algo sobre as Escrituras. Ele explica: ”Pois nenhum escrito do Novo Testamento há um certificado emitido por Cristo ou pelos apóstolos que garanta sua canonicidade, e nós não sabemos nada de uma revelação ou voz especial do céu que deu aprovação divina à coleção dos vinte e sete livros em questão. Toda tentativa de encontrar um elemento a posteriori para justificar o cânon, seja na autoridade doutrinal ou no consenso da igreja que se desenvolve gradualmente, vai além do próprio cânone, postula um cânon acima do cânon e, portanto, entra em conflito com a ordem do história redentora e a própria natureza do cânon.”26 Neste contexto, Ridderbos usa a priori para significar conhecimento que não tem nada além do cânon como seu ponto de partida. Sua alegação, então, é que se qualquer parte de um teste de cânone depender de algo fora do cânon (o que ele chama de elementos “a posteriori”) – por exemplo, no consenso da Igreja – essa explicação colocou algumas palavras extra-bíblicas. autoridade “acima” do cânone. No quadro da sola scriptura, esta é uma observação lógica recomendável. Se a Escritura é a única autoridade infalível da fé, e tudo o mais está subordinado em autoridade às Escrituras, então a base para determinar o cânon não pode ser qualquer autoridade senão a Escritura. O princípio de funcionamento aqui é que uma autoridade é tão autoritária quanto aquela sobre a qual ela é fundada. Cada um dos critérios listados abaixo dentro do restante da seção II, a maioria dos quais a Ridderbos assume com particularidade, é vítima dessa alegação. Lições da história, usadas pelos judeus de língua hebraica da época de Cristo, autoridade profética e apostólica e coisas semelhantes – cada uma delas envolve critérios pelos quais um texto é considerado canônico, que é extra-canônico, então vai além do cânon em si, e, portanto, postula um cânon acima do cânon. Aqui está o enigma de Ridderbos, que ele acredita que a visão de Calvino resolveu: como podemos determinar o cânon, que não cai do céu, sem depender de evidências extra-canônicas? Riddberos vê a necessidade de evitar o uso de evidências extra-canônicas, porque isso, sob a suposição calvinista, colocaria a evidência confirmadora sobre o cânon, o que violaria a sola scriptura. Dada a suposição de Calvino, a Ridderbos precisa encontrar evidências para o conteúdo do cânon que está localizado ou é derivado do próprio cânon. Ridderbos vê a resposta Reformada tanto para o enigma que ele apresenta quanto para a Questão do Cânon: ”Os teólogos reformados não justificam a aceitação do cânon apelando para um “cânon dentro do cânon”. Também não apelam para o seu reconhecimento pela igreja ou pela a experiência da fé ou para uma compreensão atual e recorrente da Palavra de Deus como cânone. . . . . . . Calvino apelou não apenas para o testemunho do Espírito Santo nos corações dos crentes, mas acima de tudo para a auto-atestação das Escrituras. O caráter divino da própria Bíblia lhe dá autoridade Esse caráter divino é tão evidente que qualquer um que tenha olhos para ver está diretamente convencido e não precisa da mediação da igreja. . . . [Como] Karl Barth escreveu: “A Bíblia se faz canônica”. Correspondendo a este princípio objetivo da auto-atestação da Escritura, desde o início a teologia reformada distinguiu expressamente o princípio subjetivo do testimonium Spiritus Sancti. . . . Ela abre os olhos cegos para a luz divina que brilha nas Escrituras. Mais tarde, a teologia reformada enfatizou corretamente o fato de que o testemunho interno do Espírito não é a base, mas o meio pelo qual o cânon da Escritura é reconhecido e aceito como a indubitável Palavra de Deus.27” A partir disso, vemos que sua visão consiste em dois elementos: (1) que a Escritura é auto-atestante, (2) através do Espírito Santo levando o leitor a reconhecê-lo como canônica.28 O primeiro elemento, se tomado isoladamente, iria certamente responder ao enigma de Ridderbos. Se alguma qualidade das Escrituras lhe permite atestar sua própria canonicidade, então não há necessidade de recorrer a evidências externas às Escrituras para definir as Escrituras.29 Assim, nada é colocado “acima” do cânon, deixando a Escritura como nossa autoridade final. O segundo elemento também desempenha um papel vital; isso explica por que não é o caso de que o mundo inteiro reconheça as próprias atestações das Escrituras, porque o mundo não vê o preto do branco. Nos próprios termos de Ridderbos, o primeiro elemento do teste de canonicidade é objetivo e o segundo elemento é subjetivo. Mas antes de Calvino, a Igreja nunca usou esse método para reconhecer um livro como pertencente ao cânon. A Igreja reconheceu os livros como canônicos com base no fato de terem sido inspirados pelo Espírito Santo.30 Em seu processo de identificar quais livros possuíam essa qualidade, a Igreja nunca empregou meios privados e individualistas. Em vez disso, baseou-se nos concílios da Igreja confirmados pelo bispo de Roma.31 Novamente, como não se pode legitimamente defender o cânon com argumentos que não desempenharam parte de sua formação original, os elementos novos de Calvino não podem explicar como a Igreja alcançou seu cânon presente.32 Além disso, o aspecto subjetivo da teoria de Ridderbos torna todo o teste subjetivo demais para ser confiável. Isso ocorre porque a qualidade objetiva de cada texto, auto-atestação, é apenas evidente para um observador na medida em que ele subjetivamente experimenta o testemunho interior do Espírito Santo. Assim como um edifício não pode ser mais robusto do que seu alicerce, a resposta reformada à questão do Cânon não é mais objetiva do que sua parte mais subjetiva. Aqui, a qualidade objetiva não é meramente apoiada ou aprimorada pelo subjetivo, mas depende inteiramente dela. Usando o quadro Reformado, se duas pessoas discordam em sua visão de quais textos são (objetivamente) auto-atestados como Escritura, eles somente podem resolver o seu desacordo colocando em questão o grau em que (subjetivamente) o Espírito Santo está testificando em seus corações. Assim, a teoria reformada clássica é muito subjetiva para ser uma base confiável para assegurar aos crentes quais textos pertencem à Bíblia. Que o teste Reformado é muito subjetivo para ser confiável, porque os novos cristãos que consideram os textos candidatos não chegariam à mesma conclusão ao aplicá-lo, já foi discutido acima. Isso também aparece a partir das visões do próprio Lutero. Lembre-se que, segundo Ridderbos, o elemento objetivo do “caráter divino da Bíblia [é] tão evidente que qualquer um que tenha olhos para ver está diretamente convencido e não precisa da mediação da igreja” .33 Mas a interpretação subjetiva de Lutero do testemunho interior do Espírito Santo a respeito das Escrituras levou-o, pelo menos às vezes em sua vida, a algumas conclusões diferentes de Calvino sobre alguns dos nossos livros do Novo Testamento.34 Nem Lutero estava sozinho em seus dias em duvidar da canonicidade de certas obras do Novo Testamento. Calvino conhecia e abordava conclusões conflitantes sobre o cânon nas introduções aos seus comentários sobre Hebreus, Tiago, 2 Pedro e Judas. Em um exemplo, Calvino questionou qual espírito estava trabalhando no coração dos duvidosos. Em seu argumento para a inclusão do livro de Hebreus no cânon, Calvino diz: “Eu, de fato, sem hesitação, classifico [Hebreus] entre os escritos apostólicos; nem duvido, que foi através da arte de Satanás que alguém foi levado a disputar sua autoridade. ”35 Calvino está explicando que Satanás está indubitavelmente envolvido em um caso em que alguns estão negando o que ele considera canônico. Vemos que sob o ponto de vista clássico reformado, em um caso de disputa, um fracasso das reuniões das mentes sobre o que é auto-atestado é explicado no nível subjetivo. E quanto à resposta de que, uma vez que todos os protestantes concordam com o cânon, esta é uma evidência de que esses 66 livros compreendem adequadamente o cânon, alcançado objetivamente? Primeiro, a premissa de que todos os protestantes concordam com o cânon é falsa. A posição clássica luterana não concorda com a visão reformada do cânon, na medida em que o luteranismo cria um cânone dentro de um cânone, relegando alguns livros a um lugar secundário. Esta posição distingue um homologouna de um antilegomena, ou seja, livros nunca disputados de livros disputados, como Judas e Apocalipse. Ao contrário do cânon reformado, que é uma fonte apropriada para a formação do dogma em sua totalidade, somente os livros nunca disputados podem ser usados para a definição de dogma dentro de uma visão luterana clássica.36 Além disso, na medida em que os protestantes se vêem como descendentes lineares dos protoprotestantes pré-reformados, não se pode dizer que os “protestantes” concordaram com o cânon ao longo da história da Igreja. Como eu discuto em outro lugar, muitos textos bíblicos foram rejeitados em um momento ou outro por vários Padres da Igreja. Finalmente, um acordo generalizado entre os protestantes de hoje não desmente a qualidade canônica objetiva dos livros deuterocanônicos, já que a grande maioria dos protestantes nunca os leu. O protestante médio de hoje não estuda por que ele tem o livro protestante de 66 livros e não decide de forma independente se a Bíblia entregue a ele está correta. Em vez disso, ele aceita como um a priori de sua fé protestante que o cânon de 66 livros está correto. A crença de que o cânon de 66 livros está correto é parte integrante do pequeno grupo de crenças evangélicas protestantes unificadoras. Como é um princípio unificador para a maioria dos protestantes, dificilmente esperaríamos ver algo além de concordância universal; Assim, não podemos tirar lições sobre o cânon a partir deste acordo generalizado. Com a resposta de Ridderbos à pergunta Canon, não temos como saber se o Espírito Santo está permitindo que um leitor reconheça um texto como canônico, ou esteja simplesmente permitindo que um leitor o perceba falsamente como Escritura. Não podemos dizer, uma vez que necessariamente teríamos que apelar para o elemento subjetivo de Ridderbos a fim de saber qual dessas ações o Espírito Santo está engajado quando, por exemplo, Ele permite que os católicos reconheçam os textos deuterocanônicos como Divinos. Se o Espírito Santo está simplesmente permitindo que os católicos os percebam falsamente como Escrituras, como os protestantes devem manter, então os protestantes não têm critérios objetivos para distinguir este ato do Espírito Santo dos casos em que Ele está permitindo aos leitores reconhecer um texto como canônico. . E tal teste é certamente uma espécie de oportunismo ad hoc no qual se afirma que o Espírito Santo está fazendo o que quer que eu esteja fazendo, mesmo que muitos outros estejam fazendo muitas coisas contrárias ao que estou fazendo. Para resolver as disputas que persistiram apesar de seu teste supostamente objetivo, Calvino empregou uma miscelânea de argumentos para reforçar seus ensinamentos de que o Espírito Santo permite que um leitor perceba diretamente o que pertence ao cânon das Escrituras. De acordo com Ridderbos, Calvino distinguia a Escritura daquilo que não pertencia à Escritura, “não simplesmente apelando para o testemunho do Espírito Santo como algum infalível, árbitro interno, mas ele apelou para o fato de que a autoridade daqueles livros foi reconhecida do início da igreja, que eles não contêm nada indigno de um apóstolo de Cristo, e que a majestade do Espírito de Cristo está em toda parte aparente neles ”.37 Assim, ele utiliza quatro fatores diferentes, selecionados da razão e não da revelação, para resolver as disputas. a favor de suas conclusões “objetivas” .38 Calvino não está sozinho em encontrar a necessidade de argumentos suplementares para apoiar o critério supostamente objetivo, auto-atestador, preto-de-branco para determinar o cânon. O renomado teólogo reformado do século 20, F. F. Bruce, ao empregar seus próprios argumentos suplementares, disse que ”É improvável. . . que o testemunho do Espírito capacitaria um leitor a discernir que o Eclesiastes é a palavra de Deus, enquanto que o Eclesiástico não é. ”39 Esse “apelo aos fatos externos” revela algo sobre o desconforto dos pensadores reformados em confiar excessivamente no método de autostestação supostamente objetivo de discernir o cânon. Esse “apelo aos fatos externos” também está em tensão com a posição de Calvino e Ridderbos, que vê a evidência fora das Escrituras para determinar a Escritura como efetivamente colocando essa evidência sobre a Escritura, e o uso de argumentos potpourri de fall-back de Calvino.40 Calvino, usando a razão e a prova histórica para determinar o cânon (por exemplo, apelando para “aqueles livros” que foram “reconhecidos [como canônicos] desde o início da igreja”), está contradizendo seu princípio de que nenhuma evidência fora das Escrituras pode determinar o cânon, ou está refinando seu princípio de maneira ad hoc. Mas sem o apelo externo, a posição de Calvino é deixada apenas com os dois elementos mencionados acima: auto-atestação e o testemunho interior do Espírito Santo. No entanto, como vimos, o elemento de auto-atestamento efetivamente entra em colapso no elemento subjetivo – o testemunho interior do Espírito Santo – quando confrontado com discordâncias sobre o cânon. Porque o que resta, então, é um teste muito subjetivo para produzir um único cânon se posto diante de um hipotético grupo de teste de novos cristãos cheios de fé, não pode nos ligar a um único conjunto de textos, como certamente pertencentes à Bíblia. B. O ANTIGO TESTAMENTO HEBRAICO ORIGINAL: Outra resposta protestante à pergunta Canon, usada como critério independente de canonicidade ou como suplemento a outros critérios, sustenta que o cânon do Antigo Testamento é aquele que originalmente estava em uso pelos judeus de língua hebraica. O cronograma desse canon “original” hipotético retornará até onde a evidência histórica apoiará a idéia de um cânon hebraico fechado. O Dr. Harris, notável estudioso reformado do Antigo Testamento, apresentou esse ponto de vista em um extenso tratamento da história do Antigo Testamento em seu livro Inspiração e Canonicidade das Escrituras.41 Começando com uma discussão sobre os manuscritos hebraicos em uso entre os eruditos bíblicos modernos, Harris afirma: “Nosso Antigo Testamento inglês depende em grande parte dos manuscritos hebraicos medievais de aproximadamente 900 dC e seguintes. Esses manuscritos hebraicos contêm nossos conhecidos livros do Antigo Testamento. ”42 Ele então tenta voltar à história, o mais cedo possível, para determinar o cânon hebraico original. O Talmude Babilônico lista os livros hebraicos aceitos em cerca de 200 d.C., o tempo de sua redação. Estes alinham-se com os 39 livros protestantes do Antigo Testamento.43 Harris também apresenta uma ladainha de escritores cristãos primitivos que discutiram cânones hebraicos bastante semelhantes ao Antigo Testamento protestante de 39 livros44. Um teste de canonicidade que se baseia em evidências extra-bíblicas como o que os judeus de 200 dC (ou qualquer outro tempo) aceitaram como canônico cai sob a crítica de Ridderbos, mencionada acima.45 Sem autorização bíblica para elaborar tal teste, permanece extra-bíblico. Portanto, sua aplicação seria um cânon acima do cânon e, portanto, violaria a sola scriptura de acordo com os critérios de Ridderbos. Um grande problema com essa teoria canônica é que ela concede aos líderes judeus dos dias de Jesus uma autoridade que, afirma, se possuída pela Igreja, minaria a autoridade das Escrituras. Mas seria ad hoc permitir que uma autoridade magistral judaica determinasse o cânon, alegando que a determinação do cânon por meio de autoridade magistral católica prejudicaria a autoridade das Escrituras. O cânon “original hebraico”: Deixando de lado a sua extra-bíblicalidade e focando na sua aplicação, a resposta “Cânon Hebráico Original” à Questão Canônica leva a problemas adicionais. Primeiro, não há base histórica para concluir que qualquer grupo judeu tivesse autoridade para pronunciar e fechar o cânone para outros grupos judaicos, ou que qualquer um deles pudesse concluir o cânon do cristianismo. Enquanto havia um corpo de escribas sentado “na cátedra de Moisés”, que pode ter tido a autoridade de decidir sobre o conteúdo do cânon do Antigo Testamento e, eventualmente, de fechar, o fato é que grupos diferentes de judeus no tempo da fundação do cristianismo aceitou diferentes cânones.46 Harris admite que os essênios provavelmente aceitaram por seu cânon, além dos textos geralmente aceitos, “outros livros escritos por membros de sua própria seita” .47 Enquanto Harris e Bruce rejeitam as reivindicações do meio acadêmico que os saduceus só aceitaram o Pentateuco como canônico, 48 Bruce continua explicando que os samaritanos sustentavam exatamente essa crença: “Quanto aos samaritanos, a Bíblia deles estava restrita ao Pentateuco49”. Os judeus da diáspora, por outro lado, usavam a Septuaginta grega, que incluía os textos deuterocanônicos, bem como alguns textos apócrifos.50 Harris rejeita esse problema negando que a história possa provar que o cânon usado pelos judeus da diáspora (o que Harris chama de o cânone alexandrino) incluía os textos deuterocanônicos: ”Que nossos atuais exemplares da Septuaginta tenham um cânon variante não prova nada sobre o Cânon Alexandrino de 50 dC muito menos do cânon alexandrino de cerca de 200 aC, quando a Septuaginta foi traduzida, pois naqueles séculos vitais havia três fatores principais que certamente afetavam tais questões. 51 O que se segue é a explicação de Harris de como poderia ter acontecido que a Septuaginta moderna não combina com o cânon Septuagintal anterior, que presumivelmente teria correspondido ao “cânon hebraico original” que Harris está buscando. Em primeiro lugar, diz Harris, o templo foi destruído em 70 dC, mas até então “o cânon seria naturalmente definido em Jerusalém para todo o mundo judaico” .52 Em outras palavras, enquanto os pontos de vista dos judeus dispersos não são autoritários na determinação do Antigo cânon do Testamento por causa de sua distância do centro de gravidade judaico, para Harris, os pontos de vista daqueles judeus na Cidade Santa são obrigatórios. Harris não expande sua afirmação além de opinar que o cânon “naturalmente” teria vindo de Jerusalém. Harris não mostra que os líderes judeus em Jerusalém decidiram algo sobre os textos deuterocanônicos anteriores a 90 dC Ele não mostra que eles formalmente fizeram uma conclusão a respeito do cânon que era obrigatório para todos os judeus. Nenhuma autoridade dentro das Escrituras, e nenhum argumento da razão, requer que os cristãos respeitem as conclusões especulativas dos líderes farisaicos do primeiro século de Jerusalém, alguns dos que mataram a Cristo. A razão definitiva pela qual a Septuaginta foi aceita pela Igreja é porque foi aceita pelos apóstolos. Mesmo que os judeus não cristãos de 40 d.C. tivessem decidido contra a Septuaginta, isso não mudaria de forma alguma sua aceitação pela Igreja. Afinal, a autoridade para a Igreja flui de Cristo para Seus apóstolos, não para as determinações dos líderes judeus não cristãos. Em segundo lugar, Harris argumenta, no início, “os cristãos em todo o Império Romano usavam naturalmente o grego, como a linguagem do Novo Testamento evidencia. Eles, portanto, naturalmente apelaram para o Antigo Testamento grego, enquanto os judeus em autodefesa argumentaram que algumas das passagens messiânicas foram mal traduzidas. 53 Os “judeus se retiraram para o hebraico enquanto os cristãos tomaram a Septuaginta”. Na mesma linha, Bruce observa o desdém judaico pela completa apropriação da Septuaginta por parte dos cristãos: “os judeus ficaram cada vez mais desencantados com ela. Chegou a hora em que um rabino comparou “o maldito dia em que os setenta anciãos escreveram a Lei em grego para o rei” até o dia em que Israel fez o bezerro de ouro “. Por que, então, como Harris sugere, a opinião dos judeus não convertidos é mais confiável do que a opinião daqueles que se converteram a Cristo e usaram amplamente a Septuaginta grega? Para Harris, a resposta é porque “os cristãos não tiveram o efeito regulador da história antiga para ajudá-los a manter uma visão adequada do cânon.” Com isso, ele quer dizer que os primeiros cristãos perderam sua base na tradição hebraica e, portanto, perderam. os benefícios que essa tradição teria proporcionado. Aqui temos uma declaração impressionante de Harris. Ele deve acreditar que o “efeito regulador da história antiga” (isto é, tradição) poderia manter os judeus não-cristãos em verdade sobre o cânon, enquanto o “efeito regulador” do Espírito Santo não preservou a Igreja do grave erro de canonizar textos espúrios. Existem pressuposições importantes implícitas na posição de Harris. Ele vê a Igreja do primeiro século com o olho de um deísta eclesial, o que significa que ele não vê Deus protegendo ativamente a Igreja do erro.57 É como se, para Harris, os apóstolos não tivessem autoridade para determinar para a Igreja o que é seu cânon do Antigo Testamento, ou os cristãos do primeiro século já tinham partido do que os Apóstolos declararam ser o cânone autoritativo do Antigo Testamento. Por alguma razão, Harris acredita que os primeiros cristãos não eram guiados pela tradição, enquanto os não-cristãos eram. A maneira rápida e onipresente como os cristãos fizeram uso da Septuaginta é mais uma razão, não menos, para confiar em seu conteúdo. O uso da Septuaginta por esses cristãos indica sua convicção de que era autenticamente divina e, portanto, autoritária. Ausentes das dúvidas do deísmo eclesial, o uso difundido da Septuaginta pelos cristãos do primeiro século revela não apenas que este era o Antigo Testamento da Igreja primitiva, mas também que, portanto, permanece autoritativo hoje. O terceiro ponto de Harris sobre o cânon Septuagintal é que, com o advento do códice (isto é, livro encadernado) substituindo o pergaminho, os primeiros cristãos acharam a necessidade de preencher as pontuações de páginas vazias de papel valioso em suas Bíblias encadernadas. Para fazer isso, Harris argumenta, eles “[n] aturalmente” iria “preenchê-lo com material devocional útil”. 58 Isso, ele conclui, levou a uma fusão de livros úteis com livros apavorados. A extensão da evidência histórica de Harris para sua opinião é que ela parece ser a única explicação plausível para a sobrevivência desses textos, apesar da falta de apoio dos primeiros Padres da Igreja. Primeiro, Harris está errado sobre a ausência de apoio da Igreja primitiva em favor da Septuaginta. Ele afirma que “de considerável testemunho dos primeiros quatro séculos”, os “livros apócrifos não foram então recebidos no cânon da igreja cristã”. Depois de repetir os pontos de vista de Orígenes e Melitão em favor da tradução judaica do cânon do Antigo Testamento , ele chega a ponto de dizer que “a única voz da antiguidade em favor dos Apócrifos é a de Agostinho e os Concílios de Hipona (393 dC) e Cartago (397)” .59 Mas Harris acabara de afirmar que houve alguns usos de Baruque pelos pais e algumas outras exclusões de Ester.60 Além disso, o próprio cânone de Orígenes não era o mesmo que o cânon protestante, como Harris também admite. Orígenes argumenta longamente contra o Africano sobre a validade de Susanna, e ele também confirma Tobias e Judite: Onde você obtém o seu “perdido e ganho em jogo, e jogado fora sem enterro nas ruas”, eu não sei, a menos que seja de Tobias; e Tobias (como também Judite), devemos notar, os judeus não usam. Eles nem são encontrados nos livros apócrifos hebreus, como aprendi com os próprios judeus. No entanto, uma vez que as igrejas usam Tobias, você deve saber que, mesmo no cativeiro, alguns dos cativos eram ricos e bem para fazer. Vemos do apoio de Orígenes a Tobias, bem como dos pais que apoiaram a inclusão de Baruque, que Agostinho e os Concílios de Hipona e Cartago não estavam sozinhos na antiguidade em favor da inclusão de textos deuterocanônicos. Também é improvável que dois concílios da igreja primitiva – Hipona e Cartago, respectivamente 393 e 397 – entrassem em sua lista de livros sagrados, o que, até então, havia sido universalmente rejeitado. Se até a maioria dos líderes da Igreja tivesse rejeitado esses livros, sua inclusão no cânon por Santo Agostinho (n. 354) e os concílios norte-africanos teriam criado um alvoroço. Mas a história não registra tal reação. Por essa razão, a alegação de Harris de que “com uma só voz”, “todas as testemunhas importantes da igreja primitiva até cerca de 400 d.C. . . insistiam que o cânon judeu estrito é o único a ser recebido com total crédito ”62 é falso, como Bruce concorda. Bruce vê que os Concílios de Hipona e Cartago “não impuseram nenhuma inovação às igrejas; eles simplesmente endossaram o que havia se tornado o consenso geral das igrejas do Ocidente e da maior parte do Oriente. ”63 Assim amplamente aceita a crença nos livros deuterocanônicos, que Bruce escreve:“ Em 405 o papa Inocêncio I incorporou uma lista de livros canônicos em uma carta endereçada a Exsuperio, bispo de Toulouse; também incluia os Apócrifos. ”64 Segundo, mesmo que houvesse falta de apoio da Igreja primitiva em favor dos textos Septuagintais, como afirma Harris, Harris não dá qualquer razão para descartar a possibilidade de que o Espírito Santo preservou esses textos e guiou a Igreja para incluí-los. Harris pressupõe implicitamente que o Espírito Santo não agiu assim na Igreja primitiva, e oferece a especulação de que esses livros existem porque eles estavam preenchendo páginas vazias. Essa especulação ou hipótese não tem mais apoio do que a suposição deisitica da não-intervenção do Espírito Santo sobre a qual ela se baseia. Pelo contrário, a aparição precoce dos textos Septuagintais na Igreja, a aceitação sem oposição e a propagação generalizada pelos cristãos levam à conclusão de que esses livros muito judaicos estavam em uso pelos judeus alexandrinos. As evidências que forneci aqui indicam que, na época de Cristo, os judeus samaritano, essênio e alexandrinos usavam um cânon diferente do cânon protestante de 39 livros. Até mesmo os rabinos de Jamnia, que celebremente debateram no ano 90 dC sobre o que os livros eram proféticos, deram a opinião de que Ezequiel deveria ser “retirado”. Como mostrei, a alegação de Harris de que havia uma ausência de apoio da Igreja primitiva é baseada em uma hipótese fraca e não leva em conta evidências contrárias. Sua alegação histórica de que não havia nada além de uma única voz da antiguidade que favorecesse a inclusão dos textos deuterocanônicos é comprovadamente incorreta. Seus argumentos para explicar a eventual inclusão de textos deuterocanônicos no uso cristão – que preencheram o espaço vazio em pergaminhos bíblicos; que a Septuaginta grega que os sustentava não tinha o efeito regulador da tradição judaica; e que a Septuaginta original de antes da destruição do templo teria correspondido ao que os líderes farisaicos do século I de Jerusalém usaram – são baseados em especulações não confiáveis e dão uma consideração indevida à tradição judaica. Resta que um grande problema para a teoria do “cânon hebraico original” é a falta de base histórica para concluir que qualquer grupo judeu tinha autoridade para pronunciar e fechar o cânone para outros grupos judaicos, ou que qualquer um deles pudesse fechar o cânon para o cristianismo. A segunda razão pela qual a teoria do “cânon hebraico original” falha em responder à questão do Canon é que ela simplesmente empurra a questão para trás. Por qual critério o cânon hebraico original foi determinado? A menos que a resposta a essa questão mais profunda possa objetivamente produzir uma lista completa de livros pertencentes ao cânon do Antigo Testamento, a teoria do “cânon hebraico original” não pode ser nosso critério para determinar o cânon do Antigo Testamento. Uma teoria que Harris considera é que os judeus aceitaram como canônicos aqueles textos que foram escritos pelos Profetas.66 No entanto, como ele observa, seis livros no Antigo Testamento são de autoria desconhecida: Juízes, Rute, Esdras, Neemias, Ester e Jó. Ele consola que “não somente é verdade que não se pode mostrar que esses livros não foram escritos por profetas, há alguma evidência de que eles eram”. 67 Mas se o teste de canonicidade que os judeus aplicaram foi ‘origem profética, ‘então esses livros eram conhecidos por serem proféticos, ou foram prematuramente canonizados, uma vez que sua autoria era desconhecida. Harris mais tarde afirma que os livros de Crônicas, Esdras, Neemias e Ester são mais problemáticos do que Jó. . . . Não podemos provar que Esdras, Neemias e o autor de Ester (Mordecai) eram profetas ”. 68 Harris acredita, e penso razoavelmente, que os livros deviam ser conhecidos como proféticos quando tratados como Escritura, mesmo se as identidades dos autores não nos são conhecidas hoje. Mas se esta é nossa defesa do cânon, ficamos mais uma vez contando com a tradição judaica na formação do cânon. E se estamos confiando na tradição judaica, então não temos razão para não aceitar a tradição dos judeus alexandrinos que aceitaram os textos deuterocanônicos. Porque procurar as “obras escritas pelos profetas” não produz objetivamente uma lista de escrituras do Antigo Testamento, não responde à Questão sobre o Canon. A respeito de se os livros deuterocanônicos passa no teste ‘escrito por profetas’, Harris os rejeita primeiro com base em um fundamento histórico: todos eles foram compostos após o período em que a profecia foi reconhecida como tendo partido de Israel.69 Mas ele não declara por a quem a profecia foi “reconhecida por ter partido de Israel”. Não há autoridade não-cristã que possa estabelecer essa reivindicação para os cristãos e a Igreja. Há apenas reivindicações concorrentes de um período incerto e distante da história. Mesmo que seja possível que, como uma questão de história, os judeus no tempo de Cristo acreditassem que o cânon foi fechado antes que os textos deuterocanônicos fossem escritos, não há evidência de que os judeus tenham feito tal determinação antes da época de Cristo, ou mesmo antes de Jamnia. Nem a maioria, nem os fariseus, nem os de Jerusalém, nem algum outro grupo tinha autoridade para fazê-lo pelos cristãos. Se eles tivessem feito uma conclusão sobre o cânon, não seria mais obrigatório para o cristão do que a crença de que Jesus de Nazaré não é o Cristo. Finalmente, a teoria do “cânon hebraico original” deve ser rejeitada porque nenhum dos primeiros Padres da Igreja que eram a favor do uso do texto hebraico existente certamente apontado para o Antigo Testamento protestante de 39 livros. Entre os primeiros Padres da Igreja usados por Harris para apoiar sua teoria de que a Igreja primitiva buscava o “hebraico original” para determinar o cânone apropriado, estão Jerônimo e Orígenes. Jerônimo, como é bem conhecido, fez algumas observações nos prefácios de suas traduções de certos textos deuterocanônicos, indicando sua opinião de que os judeus os rejeitavam como não-canônicos. Mas mesmo concedendo a autoridade amplamente reconhecida de São Jerônimo, suas preocupações sobre os livros deuterocanônicos não indicam que a Igreja de sua época aceitasse apenas os 39 livros do Antigo Testamento protestante. Em última análise, Jerônimo declarou explicitamente sua aceitação do Antigo Testamento da Igreja sobre e contra a opinião dos estudiosos hebreus sobre quem ele havia estudado. Por exemplo, em seu prefácio a Tobias, ele diz: ”Pois os estudiosos dos hebreus nos repreendem e encontram defeitos em nós, por traduzir isso para os ouvidos dos latinos contrários ao seu cânon. Mas é melhor julgar a opinião dos fariseus desagradados e estar sujeito aos comandos dos bispos.” Sua clara convicção é estar sujeita à decisão de um bispo católico, em oposição às conclusões dos estudiosos hebreus judeus. Essa mesma convicção aparece no prolouge de Jerome para Judite. Lá ele afirma: ”Entre os hebreus, o Livro de Judite é encontrado entre os Hagiógrafos, cuja autoridade para confirmar aqueles que entraram em disputa é julgada menos apropriada. No entanto, tendo sido escrito em palavras caldéias, é contado entre as histórias. Mas como este livro foi encontrado pelo Concílioo de Nicéia como contado entre o número das Escrituras Sagradas, aceitei seu pedido, de fato, exigência’71. Mais claro ainda é o trabalho de Jerônimo Contra Rufino. Nele ele escreve: ” Que pecado cometi se seguisse o julgamento das igrejas? Mas aquele que faz acusações contra mim por relacionar as objeções que os hebreus costumam levantar contra a história de Susana, o Filho dos Três Filhos e a história de Bel e o Dragão, que não são encontrados no volume hebraico, prova que ele é apenas um sicofanta tolo. Pois eu não estava relatando minhas opiniões pessoais, mas sim as observações que eles [os judeus] costumam fazer contra nós ”. A partir disso, vemos claramente que Jerônimo, apesar de todos os seus estudos com eruditos hebreus, não adotou um cânon de 39 livros do Antigo Testamento que se encaixa no cânon protestante. Em cada um dos três exemplos que dei, vemos o verdadeiro teste de canonicidade de Jerônimo: o que correspondia à determinação da Igreja do cânon. A forte dependência que Harris tem de Jerônimo para apoiar a teoria do “cânon hebraico original”, portanto, é muito equivocada. Orígenes, sobre quem Harris também confia, embora aparentemente um defensor dos textos “hebraicos verdadeiros”, não ensinou o que é agora o cânon do Antigo Testamento protestante.73 Orígenes exclui os doze profetas menores de sua própria lista. Harris explica esse conflito com sua teoria canônica, especulando que a omissão era meramente um equívoco de Orígenes.74 Mas mesmo que fosse um erro acadêmico deixar de fora os Profetas Menores ao listar o cânon dos hebreus como Orígenes o compreendia, Orígenes incluiu em seu livro listando a Carta de Jeremias, um texto da Septuaginta que não faz parte do cânon hebraico-palestino.75 Bruce similarmente explica essa inconsistência com o Antigo Testamento protestante, especulando que a inclusão de Orígenes era por equívoco. Este uso das conclusões pré-existentes para determinar o que deve ser “equívoco” e o que deve ser um estudo preciso é o tipo de racionalização post hoc a que me referi anteriormente. Somente pintando o alvo em torno de uma flecha, em vez de fazer julgamentos de uma maneira baseada em princípios, pode-se usar Jerônimo e Orígenes em defesa do cânone do Antigo Testamento protestante. Harris examina em seguida as obras de Melitão, um bispo do segundo século que viajou para a Palestina para registrar o cânon hebraico.76 No entanto, ele também não registra um cânon hebraico alinhado com o cânon protestante de 39 livros. Especificamente, Melitão omite o livro de Ester.77 De fato, com relação às fortes afirmações de Harris de uso universal pelos antigos Padres da Igreja do Antigo Testamento hebraico-agora-protestante, há uma abundância de evidências contrárias. Atanásio inclui Baruque e os acréscimos deuterocanônicos a Daniel.78 Cirilo inclui Baruque e a Carta de Jeremias e exclui Ester.79 Gregório de Nazianzo omite Ester.80 Anfilóquias observa que seus colegas estudiosos só “alguns incluem Ester”. 81 Epifânio inclui Sabedoria de Salomão e Sirac. 82 Teodoro de Mopsuéstia nega a inspiração divina de Provérbios e Eclesiastes, 83 assim como Jó, Cântico dos Cânticos e Esdras4. Tertuliano, que aceitou “todo o instrumento da literatura judaica”, e que dá a impressão de que sabe exatamente o que contém, usa um Antigo Testamento que é “evidentemente coextensivo com a Septuaginta (incluindo o ‘Septuagintal plus’)”. 85 Ele aceitou a Sabedoria, a Carta de Jeremias e os “acréscimos” Gregos a Daniel como autênticos.86 Ester é um caso particularmente difícil para o defensor da teoria do “cânon hebraico original”, a partir da história. De todos os livros do Antigo Testamento que os Padres da Igreja diferentemente excluíram das listas de livros do Antigo Testamento, Ester é o livro mais comumente omitido. Além disso, todos os livros do Antigo Testamento, ou fragmentos deles, foram encontrados nos manuscritos do Mar Morto, exceto Ester.87 Porções cheias ou fragmentadas de Tobias, Jubileus e Enoque também foram encontradas entre os rolos do Mar Morto.88 A teoria de Harris, segundo a qual o cânon hebraico combinava com o Antigo Testamento protestante de 39 livros e era usado pela Igreja até que Agostinho aparecesse, não se ajusta à evidência histórica. De fato, embora não houvesse consenso universal entre os primeiros Padres da Igreja sobre a lista completa de livros hebraicos divinamente inspirados, havia um consenso entre eles de que determinados textos Septuagintais (grego) deuterocanônicos deviam necessariamente ser incluídos. Tão amplamente foi isso, escreve Bruce, que: ”A dependência de Jerônimo em relação aos instrutores judaicos aumentou a suspeita de alguns de seus críticos cristãos que foram deixados de lado em qualquer caso por uma inovação como a tradução dos escritos sagrados do hebraico (que foi implicada como depreciação da Septuaginta divinamente inspirada)”. A tradução de antigos textos bíblicos em hebraico era desconfiada, enquanto a Septuaginta grega era vista como divinamente inspirada. Como já vimos, a Septuaginta continha textos deuterocanônicos, bem como os 39 livros do Antigo Testamento protestante. Portanto, Harris não está certo em ambos os pontos, a saber, que o cânon hebraico na época de Cristo correspondia ao Antigo Testamento protestante e que o cânon hebraico era o cânon do Antigo Testamento usado pela Igreja até o tempo de Agostinho. Aceito pelo Novo Testamento: Finalmente, diz Harris, podemos usar o próprio Novo Testamento como evidência histórica de quais textos deveriam estar no cânon do Antigo Testamento.90 Ele argumenta que os livros do Antigo Testamento foram referenciados no Novo por Cristo e os apóstolos, e assim nós pode estar certo de sua canonicidade: “Cristo e os apóstolos autenticaram para nós os trinta e nove livros do Velho Testamento e estritamente evitavam os sete livros apócrifos.” 91 Harris apóia esta afirmação observando que o Novo Testamento “cita quase todo os livros do Antigo Testamento, muitas vezes pelo nome. Um problema com essa afirmação é que o Novo Testamento também cita “escritura” cujo referente não podemos identificar. Para dar um exemplo, “[não] temos idéia de qual é ‘a escritura’ que diz, de acordo com Tiago 4: 5: ‘Ele anseia ciosamente pelo espírito que ele criou para habitar em nós’”. O critério do cânon do Antigo Testamento é “aquilo que o Novo Testamento trata como Escritura”, então temos aqui um grave problema, pois nesse caso nosso cânon do Antigo Testamento é incompleto. Além disso, o Novo Testamento é cheio de temas e até fraseologia direta dos deuterocanônicos. Embora haja dúzias desses usos, aqui estão dois breves exemplos.94 A menção em Apocalipse 1: 4 dos sete anjos que pedem diante do Trono no Céu é uma referência a Tobias 12:15: “Eu sou Rafael, um dos sete anjos que entram e servem diante da Glória do Senhor ”. Da mesma forma, a referência de Jesus às“ portas do inferno ”em Mateus 16:18 pode ser uma referência à Sabedoria 16:13:“ Porque tens domínio sobre a vida e a morte; você leva até os portões do mundo inferior, e leva de volta. ”Um exame cuidadoso da Septuaginta mostra que Cristo e os Apóstolos não“ estritamente evitam ”os sete livros deuterocanônicos. Além da citação do Novo Testamento da “escritura” que agora está perdida, e das muitas referências do Novo Testamento aos textos deuterocanônicos, o critério canônico “adotado pelo Novo Testamento” enfrenta uma outra grande falha. Juízes, Rute, Ester, Eclesiastes e o Cântico dos Cânticos não são citados no Novo Testamento e, portanto, deixariam de satisfazer esse critério de canonicidade e abandonariam nosso cânon. Harris afirma que eles provavelmente são omitidos do Novo Testamento “por causa de sua brevidade” .95 Mas isso não é garantia da propriedade de incluir esses cinco livros, e nenhuma garantia da propriedade de excluir do Novo Testamento outros textos breves circulados em Hebraico antes ou no tempo de Cristo. Se desenvolvermos a partir da razão que o cânon governa que o uso de textos do Antigo Testamento no Novo Testamento os canoniza, então poderíamos similarmente desenvolver uma regra canonizando esses textos da mesma forma na qual Cristo e os apóstolos os usaram. Isto é, se a aceitação do Novo Testamento dos textos do Antigo Testamento nos instrui sobre quais textos devemos incluir no cânon do Antigo Testamento, então certamente seu uso da Septuaginta deve ser instrutivo em relação à autenticidade e autoridade da Septuaginta, aos olhos da Igreja primitiva. De acordo com os católicos Unidos pela Fé, 86% das citações do Novo Testamento do Antigo Testamento são da Septuaginta grega.96 Se os Apóstolos acreditavam que a Septuaginta continha textos não inspirados, parece que os Apóstolos não a teriam usado como sua fonte da Escritura na composição dos textos do Novo Testamento. Mas os apóstolos usaram a Septuaginta em seu ensino e escrita. Portanto, os apóstolos acreditavam que a coleção Septuaginal era a fonte autorizada da Escritura da Antiga Aliança. É ad hoc reconhecer que Jesus e os Apóstolos trataram a Septuaginta como a palavra escrita de Deus, mas depois negar a tutela da canonicidade dos livros incluídos na Septuaginta. Podemos imaginar que, se Cristo vivesse em um tempo e lugar onde a Bíblia King James estivesse disponível, Seu uso seria tomado hoje pelos protestantes ingleses como um selo divino em seu cânon. Bruce chega a uma conclusão sem suporte para contornar este problema: ”Quando pensamos em Jesus e seus apóstolos palestinos, podemos estar confiantes que eles concordaram com os líderes contemporâneos em Israel sobre o conteúdo do cânon. Não podemos dizer com confiança que eles aceitaram Ester, Eclesiastes ou o Cântico dos Cânticos como escritura, porque a evidência não está disponível.97” Mas não há indícios da história de que os líderes judeus de Israel na época tivessem rejeitado os textos deuterocanônicos. Como dito acima, sabemos que os autores do Novo Testamento – que, antes do estabelecimento da Nova Aliança, teriam sido obedientes aos líderes judeus – usaram amplamente a Septuaginta quando citaram o Antigo Testamento. E, como também foi dito, a Septuaginta continha o deuterocanonio, assim como outros textos além dos 39 livros do Antigo Testamento protestante. Não há evidência de que houve uma mudança imediata no momento da morte e ressurreição de Cristo entre os Apóstolos no uso da Septuaginta. Se eles o usaram amplamente ao citar o Antigo Testamento, então sem uma mudança tão imediata, parece que eles devem tê-lo usado amplamente antes da morte e ressurreição de Cristo. Portanto, não temos motivos para acreditar que os líderes judeus em Jerusalém tivessem, na época de Cristo, governado contra a Septuaginta ou os textos deuterocanônicos. Caso contrário, a deliberação dos rabinos em Jamnia em 90 d.C. sobre se os livros deuterocanônicos eram canônicos teria sido desnecessária. Se Jesus e Seus apóstolos concordassem com os líderes judaicos contemporâneos em Israel em relação ao cânon judaico, então é provável que esses líderes ou aceitassem textos deuterocanônicos ou não tivessem chegado a nenhuma conclusão a respeito deles. Nesta seção, vimos uma série de razões pelas quais a teoria do “cânon hebraico original” falha em fornecer uma lista objetiva das escrituras do Antigo Testamento que vinculam os cristãos, e, portanto, falha em responder à Questão do Canon. Não há base histórica para concluir que qualquer grupo judeu tivesse autoridade para pronunciar e fechar o cânone para outros grupos judaicos, ou que qualquer um deles pudesse concluir o cânone para o cristianismo. Não encontramos nenhum dos primeiros Padres da Igreja adotando um cânon de 39 livros do Antigo Testamento. Além disso, a identificação do Novo Testamento do Antigo Testamento não pode ser a base para o cânon protestante do Antigo Testamento, porque se revela muito e pouco. O Novo Testamento tem muitos textos que provavelmente são referências ao deuterocanonio, e também identifica como “escritura” uma linha de texto cuja fonte ainda é completamente desconhecida. O Novo Testamento não identifica cinco livros que os protestantes tratam como canônicos. A evidência histórica também indica que os textos deuterocanônicos ainda eram aceitos na época de Cristo. Não temos evidências de que houvesse um “cânon hebraico original” compatível com o cânon protestante de 39 livros. C. AUTORIA APOSTÓLICA DO NOVO TESTAMENTO: Outro teste canônico proposto, este adaptado para os textos do Novo Testamento, sustenta que o teste apropriado para canonizar o Novo Testamento é a autoria apostólica, ou pelo menos a origem apostólica. Por exemplo, William A. Sanderson e Carl Cassel concluíram que “o teste de canonicidade aplicado pela igreja primitiva era a autoria apostólica”. 98 Segundo Ridderbos: ”Para a comunicação e transmissão do que foi visto e ouvido na plenitude dos tempos, Cristo estabeleceu uma estrutura de autoridade formal para ser a fonte e o padrão para toda a futura pregação do evangelho.” Nesse ponto, o católico concordará cordialmente. E Ridderbos reconhece que Jesus nomeou um apostolado para esse propósito.100 Ele prossegue afirmando: ”Podemos estabelecer que o papel dos apóstolos na história da redenção foi único e irrepetível. Porque eles não só receberam revelação, mas também foram os portadores e órgãos da revelação, sua tarefa principal e mais importante era a de funcionar como o fundamento da igreja. Para essa revelação, Cristo liga Sua igreja a todos os tempos; sobre ele Ele funda e constrói sua igreja.” Com algo disso, os católicos concordarão. Os apóstolos, de acordo com a sua comissão de Cristo, deveriam ser o fundamento da Igreja. Então eles eram, em um sentido, únicos e irrepetíveis. Mas para Ridderbos, os Apóstolos deviam apenas “funcionar como o fundamento da Igreja”. Os próprios Apóstolos não são o fundamento da Igreja; eles são meros receptáculos de uma mensagem que é a base. Isso é semelhante ao erro cometido por Calvino, que mencionei acima na Seção II.A., em que ele viu o “ensino” dos profetas e apóstolos como a fundação da Igreja. Para Ridderbos, então, a mensagem divina recebida pelos apóstolos é a única coisa que eles deveriam passar para a Igreja. Para os católicos e ortodoxos, em contraste, Cristo também deu aos apóstolos autoridade para pregar e ensinar em Seu nome e com Sua autoridade, como Seus representantes. E essa autoridade missional e magisterial pode ser, e é, passada através da imposição de mãos pelos Apóstolos ou por aqueles que eles ordenaram. Para Ridderbos, Cristo fundou Sua Igreja sobre a revelação, em vez de sobre os próprios apóstolos. A posição de Ridderbos implica que a autoridade dentro da Igreja estava restrita apenas à mensagem divina transmitida por Cristo, onde quer que essa mensagem fosse comunicada. Relevante atualmente é a implicação que essa visão tem sobre o teste de canonicidade. Se a revelação qua revelação era nossa autoridade, e os apóstolos eram (historicamente) simplesmente seus “portadores e órgãos”, então a autoridade dentro da Igreja passou com a revelação comunicada, não deixando nenhuma autoridade com os bispos sucessores que os Apóstolos puseram em prática. Isso sugere a seguinte resposta à pergunta Canon: os livros que contêm a revelação autorizada dada aos apóstolos pertencem ao cânon. Alguns se esforçaram ao máximo para provar que o corpus do Novo Testamento é dos apóstolos diretamente ou através de um amanuense.102 Mas Ridderbos rejeita essa resposta à Questão do Cânon, “porque não podemos mais estabelecer com certeza histórica o que em um sentido redencional-histórico é apostólico e o que não é. ”103 A natureza da apostolicidade não se limitou aos doze Apóstolos, e não temos certeza do número ou da identidade das pessoas que, de alguma maneira, foram ou não ‘apostólicas’. Segundo Ridderbos, “Julgamentos históricos não podem ser o fundamento final e único para a igreja aceitar o Novo Testamento como canônico”, esse método não fará.104 Mas Harris e Bruce argumentam que a autoria apostólica é um critério necessário para a canonicidade do Novo Testamento.105 Harris declara: “O Senhor Jesus não nos deu, em profecia, uma lista de vinte e sete livros do Novo Testamento. Ele nos deu, no entanto, uma lista dos autores inspirados. Sobre eles a igreja de Cristo é fundada, e por eles a Palavra foi escrita ”. 106 Mas essa posição enfrenta dois problemas insuperáveis. Primeiro, sua premissa principal é incorreta. Cristo não nos deu uma lista de autores inspirados, como afirma Harris. Harris pode ter em mente as listas dos “doze apóstolos” dos Evangelhos sinópticos, mas essas listas, obviamente, não incluem o apóstolo Paulo. Além disso, os sinópticos não identificam os Apóstolos como “autores inspirados” .107 Se eles o fizeram, ou se devemos assumir este atributo da apostolicidade da razão, então parece que todos os escritos dos Apóstolos foram inspirados, não apenas alguns de seus escritos. Se fosse esse o caso, então já teríamos perdido um pouco da Escritura, já que podemos ter certeza de que havia outros escritos apostólicos além daqueles que foram canonizados. Por exemplo, Paulo escreveu uma carta para a Igreja em Laodicéia, que não é mais existente.108 Como não existe uma lista de “autores inspirados” dada por Deus, assim como não há uma lista dada por Deus dos livros do Novo Testamento, o protestante pode só chegamos à conclusão de que os doze apóstolos foram autores inspirados através do uso da razão ou de fontes extra-bíblicas. Em segundo lugar, esta posição, que Cristo deu uma lista de autores inspirados que escreveram a Palavra, deve ser capaz de provar a apostolicidade real de Paulo, a fim de defender suas epístolas como tendo autoria apostólica. Mas a apostolicidade de Paulo não pode ser resolvida sem recorrer à Tradição. Esta posição também deve defender a origem apostólica final de Marcos, Lucas, Atos, Hebreus, Tiago e Judas, livros cuja autoria apostólica é conhecida apenas pela Tradição. Por uma questão de brevidade, darei um exemplo de uma defesa reformada de apenas um desses livros. Harris observa que muitos estudiosos duvidam da autoria petrina de 2 Pedro, que “tem menos evidências externas a seu favor do que qualquer um dos outros livros”. No entanto, ele observa, “não há evidência de que não seja por Pedro, exceto questões discutíveis de estilo e, eventualmente, a antiga igreja estava convencida de sua autoria ”. Mas a partir da ausência de evidência de que 2 Pedro não foi escrito por Pedro, não podemos chegar à conclusão de que 2 Pedro foi escrito por Pedro, a menos que recorramos à confiança na Tradição. Se Harris pretende confiar na Tradição, como as suas palavras sobre a eventual convicção da antiga Igreja implicam, então, sem ser ad hoc, ele também precisaria aceitar os livros deuterocanônicos. Isso porque a antiga Igreja chegou à convicção de que os livros deuterocanônicos eram canônicos, como mostram as determinações dos Concílios de Hipona e Cartago, já discutidos acima. Também, e digno de nota, Orígenes, sobre quem Harris atribui grande peso ao concluir que a versão protestante do cânon do Antigo Testamento está correta, observa grandes dúvidas em seu tempo sobre a autoria petrina de Pedro 2.111 Harris está ad hoc usando Orígenes quando isso combina com ele e rejeita Orígenes quando isso não acontece. Esta grande dúvida sobre a autoria de 2 Pedro é em si “evidência de que 2 Pedro não foi de Pedro”, evidência que Harris nega que existe (“não há evidência de que não seja por Pedro, exceto questões discutíveis de estilo”). Além disso, como Orígenes escreveu na primeira metade do século III d.C., podemos ver até que ponto a “eventual convicção” de que Harris se apóia estava chegando. É surpreendente que Harris olhasse para a eventual convicção da antiga Igreja. Se a Igreja antiga não tivesse uma convicção sobre a canonicidade de 2 Pedro no ponto no tempo mais próximo da composição daquela epístola, suas conclusões posteriores só se tornariam menos confiáveis com a passagem do tempo. Memórias de autoria real teriam desaparecido e as oportunidades para a inclusão da “lenda urbana” teriam se expandido exponencialmente. Ou seja, as Tradições da Igreja teriam se tornado menos confiáveis, a menos que o Espírito Santo desse uma graça especial à Igreja para ser preservada do erro. Mas se esta é a posição de Harris, é novamente um recurso para o ad hoc, porque como um teólogo reformado ele negaria que o Espírito Santo preservou a Igreja do erro em qualquer outra área. Como observa Ridderbos, a posição de que a Igreja primitiva aceitou o que era de origem apostólica “não explica por que a Epístola aos Hebreus foi (novamente) finalmente aceita no Ocidente, apesar do fato de que sua autoria paulina ser mais fortemente questionada por aqueles que foram mais instrumentais em ganhar sua aceitação, isto é, por Jerônimo e Agostinho. ”112 Isto é, Ridderbos admite que durante o processo original da formação do cânon do Novo Testamento, o critério de origem Apostólica não estava sendo aplicado. Ele também observa que este critério não pode explicar a rejeição da Didaqué, que foi amplamente aceita na igreja primitiva e reivindicou origens apostólicas por si mesma.113 Finalmente, a falsa carta de Paulo aos laodiceanos “teve um lugar em muitos manuscritos no Ocidente e, aparentemente, por volta de 600 dC ainda era aceita como paulina pelo papa Gregório. ”114 Por estas razões, esse teste de canonicidade não pode ser empregado objetivamente sem recorrer a“ juízos históricos ”discutíveis como“ o fundamento final e único para a aceitação da igreja do Novo Testamento como canônico. ”115 Como vimos nesta seção, a “origem apostólica” como um critério de canonicidade para o Novo Testamento falha em fornecer uma resposta adequada à Questão Canônica. Requer o uso de evidências históricas extra-bíblicas na determinação do cânon, porque a Escritura não lista quais ‘apóstolos’ escreveram livros canônicos, não lista Paulo com a lista de outros Apóstolos, e não garante a autoria apostólica de um número de Livros do Novo Testamento. Esta resposta à questão canônica não é o que Jerônimo e Agostinho aplicam quando eles simultaneamente aceitaram a canonicidade de Hebreus e negaram sua autoria paulina. Os apóstolos, e não apenas a mensagem depositada junto a eles, foram a base da Igreja. Mas o critério canónico da “origem apostólica” pressupõe que os livros que contêm a mensagem apostólica são o fundamento da Igreja e, como tal, pertencem ao cânon. A menos que dependamos da tradição e dos julgamentos históricos falíveis para definir o cânon, não podemos provar com certeza quais livros são de origem apostólica, ou quais pessoas possuíam a natureza da apostolicidade de modo que seus escritos fossem canonizados. Por estas razões, esta resposta à Questão Canon não é confiável e, dada a suposição reformada de que tudo o que autoritariamente testemunha a canonicidade da Escritura deva ser mais autoritário que a Escritura, coloca a Escritura “sob” evidência extra-bíblica falível. D. GENERALIZADA ACEITAÇÃO PELA IGREJA PRIMITIVA: Um quarto critério usado nos escritos reformados e evangélicos sobre o cânon é que a recepção difundida de um texto pela Igreja primitiva infalivelmente estabelece sua canonicidade.116 Essa recepção ou aceitação, afirmam esses estudiosos, é evidência de que o Espírito Santo dirigiu a Igreja de maneira especial e infalível. para aceitar um texto como canônico.117 Segundo Harris, Bruce diria até mesmo que o cânon do Novo Testamento foi primeiro estabelecido por um consentimento geral de toda a Igreja, e o reconhecimento da inspiração dos textos das escrituras só veio mais tarde como “ Corolário ”da canonicidade.118 Ridderbos aborda a aceitação da Igreja do cânon assim: ” Dentro da história do dogma protestante também, certas declarações foram feitas que parecem implicar infalibilidade eclesiástica com respeito à aceitação do cânon. Foi argumentado. . . que a igreja recebeu um dom especial do Espírito Santo para capacitá-lo a estabelecer o cânon, distinguindo infalivelmente os escritos inspirados e não inspirados.” . . . . ” Outro ponto de vista protestante é que o consenso da igreja sobre o cânon surgiu de si mesmo e assim é a prova mais clara de que, ao estabelecer o cânon, a igreja foi guiada pela providência especial; a própria história, por assim dizer, oferece a evidência para a canonicidade do Novo Testamento. Esse consenso da igreja, ou melhor, aquela autoridade absoluta adquirida pelos escritos do Novo Testamento em toda parte e sem disputa, é então pensada para garantir a canonicidade destes escritos [do Novo Testamento].” Seria ad hoc alegar que a “igreja” infalivelmente estabeleceu o cânon através da aceitação generalizada, sem poder chegar a quaisquer conclusões infalíveis, sem uma base de princípios para afirmar a infalibilidade em um caso e negá-lo em todos os outros. Se a Igreja não foi infalivelmente preservada do erro em seus primeiros ensinamentos sobre eclesiologia, iconografia, justificação etc., não há razão para acreditar que ela foi tão preservada do erro quando seu cânon entrou em ampla aceitação. Manter de outra forma seria um caso clássico de defesa especial. O próprio Ridderbos rejeita esta resposta à pergunta Canon, escrevendo: ”Do ponto de vista da Reforma. . . a referência à infalibilidade da igreja claramente nunca foi entendida como uma base para a canonicidade do Novo Testamento. O próprio fato de que tal infalibilidade ou inspiração é aceita unicamente com relação ao estabelecimento do cânon e deve, portanto, ser qualificada como inspiração ou infalibilidade ad hoc, prova que a ordem real aqui é exatamente o oposto.” Isto é, de acordo com Ridderbos, alegar que a “igreja” poderia infalivelmente estabelecer o cânon pela aceitação generalizada nega o entendimento tradicional da Reforma de que o cânon é a base para qualquer infalibilidade desfrutada pela Igreja. Se a visão tradicional reformada de que a Igreja é infalível apenas na medida em que ensina as Escrituras é verdadeira, então a Igreja não pode declarar infalivelmente (por ampla aceitação ou não) o que é a Escritura. Ou a Igreja tem autoridade para chegar a conclusões doutrinárias vinculantes, como a extensão do cânon, ou não tem essa autoridade em toda parte, e, portanto, não pode fazer nenhuma determinação obrigatória no cânon. Além deste erro lógico, existem outros problemas dentro de uma estrutura de sola scriptura com a alegação como critério para canonicidade que aceitamos aqueles textos que receberam ampla aceitação pela Igreja primitiva. Mesmo se ampla aceitação e uso litúrgico pela Igreja primitiva indicaria canonicidade de um texto, de acordo com Ridderbos, considerações de aceitação histórica não foram usadas no processo original de formar o canon.121 Ele retorna a partir desta afirmação a sua premissa de que os livros eram aceito porque a Igreja estava certa de que esses “livros particulares haviam sido recebidos das mãos do próprio Senhor”. 122 Ele diz em outro lugar: ”No entanto, é absolutamente incorreto historicamente imaginar que o processo de selecionar certos escritos e de rejeitar outros tenha ocorrido automaticamente sem discussão e debate e, assim, ostenta visivelmente a marca de uma obra divina. É um fato inegável, por exemplo, que Tiago, hebreus, e 2 Pedro não poderia adquirir reconhecimento geral até o quarto século, que até o século VI a igreja síria rejeitou Apocalipse e das Epístolas católicas aceitou somente Tiago, 1 Pedro e 1 João, ao mesmo tempo dando uma terceira epístola apócrifa aos coríntios um lugar fixo no cânon eclesiástico. [Et cetera.] 123 Simplesmente não havia um único corpus de textos universalmente aceitos pelos cristãos da Igreja primitiva. O famoso cânon Vicentiano, “aquele que tem sido acreditado em todos os lugares, sempre e por todos,” não pode ser de proveito para os protestantes na definição do cânone, porque antes ou depois da Reforma nunca houve aceitação universal do cânon protestante. Bruce, em sua seção “Testes na Era Apostólica”, de seu capítulo “Critério de Canonicidade”, 124 resume o que parece ser, em última análise, sua resposta à Questão do Canôn: ”Por um ato de fé o leitor cristão hoje podem identificar o Novo Testamento, como tem sido recebido, com toda a ‘tradição de Cristo.’ Mas a confiança em tal ato de fé será fortalecida se a mesma fé provar ter sido exercida pelos cristãos em outros lugares e em outras épocas – se estiver de acordo com os tradicionais “critérios de canonicidade”. E não há razão para excluir o uso de outras linhas de evidência em qualquer posição que seja aceita pela fé.” Ou seja, como Ridderbos, Bruce acredita que o cânon protestante, tal como está, deve ser aceito como a priori. Mas ele também está disposto a fazer uso de qualquer outra evidência que apóie o ato de fé pelo qual inicialmente se reconhece os livros protestantes como pertencentes ao cânon. O pré-requisito para o uso de um critério canônico suplementar, incluindo o que foi acreditado por “cristãos em outros lugares e em outros tempos”, parece ser o resultado da conclusão de que o cânon, tal como está na Bíblia protestante, está correto. A medida da aceitação universal (ou pelo menos generalizada) não nos diz quais cristãos, e a partir de que horas, obtiveram um voto nesta eleição que é usada como “evidência” para sustentar a confiança no cânone protestante. Não pode explicar por que os pontos de vista de Jerônimo ou Orígenes devem contar para um “amplo reconhecimento”, ao passo que os pontos de vista de Agostinho, ou os concílios de Hipona e Cartago não deveriam. Ele não pode explicar sem recorrer a estipulação ad hoc por que a aceitação generalizada pelo quarto século (ou algum outro período inicial) é autoritária, enquanto o consenso dos 1,5 bilhão de cristãos católicos e ortodoxos de hoje em relação ao deuterocânon não é. E. O QUE PREGA CRISTO: UM CANON DENTRO DE UM CANON: Por fim, considerarei a resposta de Lutero à questão da Cânon, assim como outras permutas luteranas anteriores. Lutero responde à Questão do Canon, examinando internamente os ensinamentos dos próprios livros candidatos. “’O que prega e insta a Cristo’ era para Lutero o critério de apostolicidade e canonicidade.” Isto é, Lutero começou com Cristo, o coração do Evangelho (ou seu próprio entendimento Dele) e depois refletiu sobre vários textos para determinar se ou não pregavam e instigavam a Cristo. Se assim fosse, eles eram canônicos. Mas o critério canônico de Lutero também tem problemas. Aplicado objetivamente, este teste parece permitir que a arte cristã antiga seja “canônica”, desde que exorta a Cristo. Contudo, para dar uma forma mais familiar ao resultado deste teste, Lutero confia no movimento do Espírito Santo em seu coração para perceber o que está ‘pregando a Cristo’. Desta forma, a visão de Lutero é similar à teoria na seção II.A, abordada acima. Mas se o teste de canonicidade de Lutero é uma versão da visão reformada apresentada na seção II.A., a aplicação de Lutero, como mostrarei agora, deve ser especialmente perturbadora para os proponentes da visão de Calvino. Lutero falou corajosamente contra o valor e até a confiabilidade de certos livros que todos os protestantes tratam como canônicos. No Antigo Testamento, Lutero encontrou Cristo pregado com especial clareza em Gênesis, Salmos e Isaías.127 Contudo, de acordo com Bruce, quando desafiado pela passagem em 2 Macabeus apoiando orações pelos mortos, “para que eles pudessem ser libertos de seus pecados. ”128 Lutero“ encontrou uma resposta pronta na decisão de Jerônimo de que 2 Macabeus não pertencia aos livros a serem usados ‘para estabelecer a autoridade dos dogmas eclesiásticos ”129. Bruce continua citando Lutero assim: “Eu odeio tanto Ester e 2 Macabeus que gostaria que eles não existissem; eles contêm muito judaísmo e nenhum pequeno vício pagão. ”130 Observe o animo especial de Lutero em relação a Ester; se o movimento do Espírito em seu coração para ver a pregação de Cristo é a medida da canonicidade, não haveria nenhuma base de princípio para aceitar Ester e rejeitar os Segundo Macabeus. Note também que Jerônimo, embora excluindo 2 Macabeus, aceitou Ester como apropriado para estabelecer doutrina. Então, se Lutero “encontrou uma resposta pronta” de Jerônimo, foi apenas de maneira ad hoc. Vale a pena recordar aqui que Calvino acreditava que “as Escrituras exibem evidência tão clara de sua própria verdade quanto as brancas e negras fazem de sua cor, ou coisas doces e amargas fazem seu gosto.” 131 Para explicar o animo de Lutero em direção a Ester, entre Em outros livros, Calvino ou teria que negar que o Espírito Santo estava ajudando Lutero a ver preto de branco, ou teria que admitir que a canonicidade de pelo menos alguns textos não é tão clara quanto o preto é branco ou doce é amargo. Se a percepção de Lutero do testemunho interno do Espírito Santo sobre alguns textos do Novo Testamento fosse a medida da canonicidade, o Novo Testamento também teria que ser alterado. Ele disse do Apocalipse que “falta tudo que eu considero apostólico ou profético”. 132 Além disso, ele disse sobre Apocalipse: “Para mim, acho que se aproxima do Quarto Livro de Esdras; Eu não posso de forma alguma detectar que o Espírito Santo o produziu ”. Os leitores podem estar familiarizados com a descrição de Tiago de“ uma epístola de palha ”. 133 Porque em algum momento de sua vida, Lutero não viu o caráter Divino de vários livros incluídos. no cânon do Novo Testamento, se sua percepção do testemunho interno do Espírito Santo fosse a medida da canonicidade, vários livros foram erroneamente incluídos no Novo Testamento. Seus prefácios alemães do Novo Testamento também destacam Hebreus e Judas como livros menores, pois ele “não reconheceu neles a alta qualidade dos ‘certos livros de direito certos’”. 134 Essa visão de uma coleção que fica no coração do Evangelho e livros menores que não resultam, naturalmente, em um “cânon dentro do cânon.” 135 Para Lutero, como para os luteranos de hoje, “o ‘cânon interior’ é um cânon paulino”, junto com os Evangelhos.136 Esse teste, acoplado com a opinião de Lutero contra certos livros, levanta uma dificuldade para a posição canon-dentro-de-cânon. Não existe um padrão baseado em princípios para determinar quando uma disputa sobre um livro que está chegando ao coração do Evangelho, ou quando o faz de maneira menor ou disputada, coloca um texto fora do cânone interno. Mesmo se houvesse tal padrão, seria extra-bíblico e, do ponto de vista da sola scriptura, efetivamente superior ao cânon. Isso porque esse mecanismo processual tem o poder, por meio de sua estreiteza ou abrangência, de controlar o que vai e o que não estará no cânon. O teólogo luterano W. G. Kümmel segue a abordagem de Lutero. Para ele, os livros do Novo Testamento são canônicos apenas na medida em que cada um está de acordo com a norma da fé cristã, que é a “proclamação central” do Novo Testamento.137 Essa posição dá origem a um problema de circularidade: o cânon é definido pelo que prega a Cristo e conhecemos a Cristo através do cânon da Escritura. Para que essa teoria funcione, primeiro precisamos conhecer a Cristo de alguma outra fonte além das Escrituras, a fim de determinar o cânon. Daí vem a necessidade de uma revelação especial do Espírito Santo no coração do indivíduo, considerando se um dado texto prega a Cristo. Como diz Ridderbos sobre a visão canon-dentro-de-canon: ”A decisão final sobre o que a igreja julga ser santo e irrepreensível não reside no próprio cânon bíblico. O julgamento humano sobre o que é essencial e central para a fé cristã é o tribunal final de apelação.” Isto é, baseando o cânon em uma determinação humana do que é “santo e inatacável”, a determinação humana é colocada acima da Bíblia. As escrituras são relegadas a uma posição secundária ao julgamento humano. Esta característica da resposta de Lutero à questão canônica é indistinguível da suposta posição da Igreja Católica, que depende dos julgamentos da Igreja para determinar o cânon. Por essa razão, “aquilo que prega a Cristo” como um critério de canonicidade também falha em fornecer uma resposta objetiva à Questão do Canon. III AUTORIDADE PARA RESPONDER À PERGUNTA Em nossa busca para determinar como nós sabemos quais textos são divinamente revelados, nós não encontramos nenhuma resposta para a Questão Canônica que não viola a sola scriptura usando algum critério externo às Escrituras para estabelecer quais livros pertencem às Escrituras. Mas mesmo se um dos critérios considerados pudesse objetivamente produzir um cânon sem recorrer a evidências extra-bíblicas, a posição protestante sofre uma deficiência mais profunda. Como argumentarei, o defensor da sola scriptura, pelos termos de sua própria doutrina, não tem autoridade nem para dar uma resposta à pergunta do Canon. A doutrina da sola scriptura sustenta que a Bíblia deve ser a única autoridade infalível do cristão. O sine qua non (“sem o qual”) da Reforma é que nenhuma Igreja ou outro julgamento humano pode ser colocado sobre as Escrituras. Poder sobre o cânon é poder sobre a própria Escritura, porque é o poder de erradicar uma parte necessária do cânon ou de adicionar uma parte espúria às Escrituras. Assim, a posição Reformada não é mais compatível com a Igreja ou outro julgamento humano sendo colocado sobre o cânon do que é compatível com sua colocação sobre a própria Escritura. Mas o próprio ato de responder à Questão do Cânon inerentemente envolve um julgamento humano falível extra-bíblico, a menos que alguém seja preservado do erro pelo Espírito Santo. Esse julgamento humano falível, ao definir o critério do cânon, exerce poder sobre o próprio cânon. E como acabei de notar, poder sobre o cânon é poder sobre as Escrituras. Portanto, se o Espírito Santo não estiver preservando o erro, responder à Questão do Cânon é exercer poder sobre as Escrituras e colocar o julgamento sobre as Escrituras. Portanto, responder à pergunta do Cânon é violar a doutrina da sola scriptura colocando algo sobre a única autoridade infalível do cristão. Se os protestantes vêem a Igreja Católica como se colocando “sobre” a Escritura simplesmente articulando o cânon da Escritura, eles também devem ver as respostas à Questão Canônica extraídas da razão humana ou evidência extra-bíblica como sendo “sobre” a Escritura. Uma vez que os protestantes veem o primeiro como violador da sola scriptura, não há razão de princípio para não ver o último como uma violação da sola scriptura. Se eu propuser um teste para determinar o cânon das Escrituras, devo ter alguma base para a afirmação de que meu teste é objetivamente verdadeiro. Analogamente, os cristãos do primeiro século não podiam abordar a questão “Jesus é o Messias?” Sem primeiro saber como, ou por que medida, o Messias seria reconhecido. E essa medida tinha que ter algum fundamento antes que pudesse ser aceita. De fato, esse fundamento para medir se uma pessoa era realmente o Messias foi estabelecido por meio da revelação dos profetas, que tiveram que ser testados quanto à confiabilidade e exatidão.139 Da mesma forma, o teste que determinada comunidade cristã usa para definir seu cânon da Escritura deve ter uma base confiável. O cristão católico ou ortodoxo apontará para o trabalho do Espírito Santo na Igreja visível como a base para sua articulação do cânon, cujo trabalho é visto na tradição sagrada.140 Mas porque o sistema protestante rejeita basear o cânon da Escritura na tradição ou qualquer outra autoridade, e rejeita que o Espírito Santo trabalhe infalivelmente através da Igreja visível, deve encontrar alguma outra base para qualquer teste ou critério que conduza ao cânon de 66 livros. Se a base para a articulação protestante de um teste canônico é o raciocínio do homem, então o cânon produzido não é mais confiável do que o raciocínio falível que está em sua base. R. C. Sproul reconheceu esse raciocínio. Ele notoriamente afirmou que a posição protestante clássica não vê a Igreja como tendo infalivelmente definido o cânon. De acordo com Sproul, diferentemente da posição católica, que sustenta que temos uma coleção infalível de livros infalíveis e, ao contrário da posição dos críticos modernos, que afirma que temos uma coleção falível de livros falíveis, na verdade temos “uma coleção falível de livros infalíveis”. Ele argumenta que, como a Igreja é falível, “é possível que livros errados tenham sido selecionados”, mas ele não “acredita por um minuto que esse é o caso”. A confiança pessoal de Sproul, cuja fonte ele não articula, não resolve o problema fundamental que sua compreensão da “posição protestante histórica” apresenta aos descendentes espirituais da Reforma Protestante. Se é possível que livros errados tenham sido incluídos no cânon, então também é possível que livros corretos possam ter sido omitidos. Nesse ambiente teológico, nossa confiança e nossa obrigação de nos submeter a qualquer texto escriturístico se estende apenas até onde nossa confiança na propriedade da inclusão do texto no cânon, em primeiro lugar. Em outras palavras, não podemos ter mais confiança na infalibilidade do conteúdo incluído do que temos no processo pelo qual foi incluído. Mas no esquema protestante, porque o processo que produziu o cânon é falível, o protestantismo não pode ter total confiança no conteúdo de seu cânon. Uma coleção falível de livros infalíveis não pode funcionar como uma autoridade vinculante, pois “o que pode ser mais absurdo do que uma provável infalibilidade, ou uma certeza baseada na dúvida?” 143 Eu me lembro da minha recente compra de uma televisão pixel de “1080”. Eu aprendi que meu antigo DVD player envia algo como 480 pixels. Assim como meu reprodutor de DVD de 480 pixels não pode render uma imagem de 1080 pixels na minha TV, também minha falível coleção de livros da Bíblia não pode fornecer garantia infalível. Novamente, o texto das Escrituras não pode ser mais vinculativo do que a nossa conclusão de quais textos devem ser incluídos. A ironia é que a Reforma Protestante foi originalmente baseada na exigência final da Escritura por submissão, cuja submissão deveria levar à certeza e à ortodoxia.144 Como Sproul, Ridderbos rejeita a visão católica de que a Igreja tem autoridade para definir o cânon. Ele tenta manter a falibilidade da Igreja sem admitir a falibilidade do cânon como Sproul fez. Primeiro, Ridderbos admite que “a teologia católica distingue explicitamente a autoridade do canon quoad se (“ quanto a si mesmo ”) e quoad nos (“ quanto a nós mesmos ”), isto é, a autoridade das Escrituras em si não depende daquelas da Igreja; apenas a nossa aceitação dessa autoridade, incluindo o reconhecimento do cânon, é. ”145 A Igreja Católica não aceita apenas textos piedosos e os converte a textos divinos autoritários, mas determina, de uma maneira que é obrigatória para os fiéis, o que já é de origem divina e, como tal, autoritária. Ao reconhecer a distinção quoad se / quoad nos no início, Ridderbos responde justamente para evitar a falsa alegação de que a Igreja Católica acredita que a autoridade da Escritura é dependente e subsidiária da autoridade da Igreja. Mas o que ele admite com uma mão, ele parece levar embora com a outra. Sua objeção à teologia católica é que “a igreja excede sua competência colocando-se ao lado, se não acima, do cânon”. Ele nos diz que se tomarmos a famosa citação de Agostinho: “Eu não teria acreditado no evangelho, a menos que a autoridade da Igreja me induzir ”, para dizer“ que o reconhecimento do cânon pelos crentes repousa sobre a autoridade da igreja, então a igreja, na verdade, usurpa o lugar que pertence propriamente ao cânon sozinho, assim, pelo menos, igualando sua autoridade com a do cânon. ”147 Mas a confiança de um crente no cânon baseado na autoridade da Igreja não coloca a Igreja ao lado ou acima do cânon mais do que a confiança de um crente repousando em sua reflexão subjetiva sobre o testemunho interior do Espírito Santo em seu coração coloca seu coração ao lado, se não acima, do cânon. Portanto, se a crítica de Ridderbos ao relacionamento da Igreja Católica com as escrituras é precisa, então sua própria visão do canôn estaria sujeita à mesma crítica.148 A Igreja, com sua autoridade, leva os crentes a aceitar a Bíblia, e isso de modo algum coloca a autoridade da Igreja “acima” da autoridade do cânon. Se uma mãe explica a um filho que ele deve obedecer a seu pai como chefe da família, a mãe não o usurpou. Se um capitão de soldados instrui seus homens a obedecer a uma ordem particular de seu General, ele não equiparou sua autoridade à autoridade do General. Da mesma forma, se acreditarmos na autoridade das Escrituras com base na autoridade da Igreja, a Igreja não igualou sua autoridade à autoridade divina da Bíblia. Retornando agora à solução que o Protestante deve buscar, ele deve apresentar um critério canônico objetivo com uma autoridade acima do homem como sua base. O problema da teologia reformada ao aceitar que o reconhecimento do cânon repousa sobre a autoridade da Igreja flui da rejeição precedente da sucessão apostólica. Como diz Ridderbos: ”A idéia católica romana é realmente que a autoridade apostólica foi transmitida para a igreja e que a igreja é autorizada por sua cabeça a fazer pronunciamentos sobre o cânon, bem como a tradição, que são elas próprias pronunciamentos apostólicos e canônicos. Essa noção nós afirmamos estar novamente em oposição direta à história da redenção, na qual o poder apostólico é de caráter único e não é capaz de repetição ou sucessão.” Mas essa afirmação de que o poder apostólico é incapaz de repetição não é substanciada. Os apóstolos originais compartilhavam as características de terem sido instruídos por Cristo pessoalmente e terem sido enviados ou comissionados por Cristo. É verdade que o grupo de pessoas que pessoalmente foram instruídas por Cristo não pode aumentar em tamanho hoje. Nesse sentido, os apóstolos originais eram um grupo único, incapaz de sucessão como “apóstolos originais”. Mas se isso explica a conclusão de Ridderbos, que “o poder apostólico é inteiramente único em caráter e não é capaz de repetição ou sucessão”, então ele descreveu a distinção entre ser um ‘apóstolo original’ e possuir ‘poder apostólico’. A autoridade que flui de ser enviada por Cristo é uma autoridade capaz de repetição ou sucessão, e pode ser concedida àqueles que não eram discípulos imediatos de Cristo. Que esse poder apostólico distinto possa ser transmitido é completamente apoiado pela Escritura e pelos escritos dos primeiros Padres da Igreja, como será discutido aqui em grande detalhe nos artigos subseqüentes. O cânone não caiu do céu como uma coleção, é claro. Como argumentei na seção II, sob sola scriptura, o cânon não poderia ser o produto de critérios que dependem de evidências externas às Escrituras, pois tais evidências seriam colocadas sobre o cânon. E mesmo que o sistema Reformado pudesse articular um critério canônico que não dependesse de evidências extra-bíblicas, o próprio processo de articular um critério canônico violaria a Sola Scriptura subordinando as Escrituras a um critério extra-bíblico. O problema fundamental, então, para a posição da sola scriptura é que ela é deixada sem qualquer maneira de determinar o cânon que é fiel ao seu próprio paradigma de autoridade. IV. CONCLUSÃO Antes que os cristãos possam pedir ao mundo que aceite a Bíblia como perfeita revelação da verdade de Deus, devemos ser capazes de responder à pergunta do Cânon: “Por que critério sabemos o que compreende a Bíblia?” Mas, como argumentei, a teologia reformada é intrinsecamente incapaz de responder a essa pergunta. Apesar de depender parcialmente de um elemento supostamente objetivo – a qualidade de auto-atestação da verdadeira Escritura – a clássica resposta Reformada à Questão Canônica finalmente depende do testemunho interior do Espírito Santo no coração de cada crente para resolver disputas onde o objetivo medida não produz acordo. Por esta razão, dada a clássica resposta Reformada à Questão Canônica, é o testemunho interior subjetivo do Espírito Santo que deve, em última análise, garantir a canonicidade de um texto. Mas como quaisquer dois cristãos que desfrutam do testemunho interior do Espírito Santo, e que são novos nas Escrituras, podem não concordar que um dado texto é canônico, este teste é subjetivo demais para ser confiável. E porque o critério de testemunho interno das Escrituras não é confiável, não pode ser nosso guia final para determinar o cânon da Escritura. Neste artigo, considerei uma variedade de propostas para reformular a posição reformada clássica para ser mais objetiva. Mas, seja medindo a Escritura pelo cânon hebraico “original”, pelos livros que são de origem apostólica, ou pelos livros que receberam ampla aceitação na Igreja primitiva, o critério dependeria necessariamente de evidências extra-escriturísticas. Eu também aqui examinei a visão de Lutero de que a Escritura pode ser identificada como aquela que prega a Cristo; esse critério também depende, necessariamente, de evidências extra-escriturais, a saber, a determinação individual do que prega a Cristo. A crítica protestante da visão da Igreja Católica sobre sua relação com as Escrituras é que a Igreja Católica efetivamente se coloca “sobre” a Escritura por ter o poder de definir o cânon. Mas essa crítica se aplicaria com igual força a qualquer critério que medisse a Escritura por meios extra-bíblicos. Os meios seriam colocados “sobre” as Escrituras, e assim violariam a doutrina da sola scriptura, que não permite nenhuma outra autoridade infalível além da própria Escritura. Finalmente, o próprio processo de responder à Quetão do Cânon viola a sola scriptura. Essa doutrina não permite nenhuma autoridade infalível na vida cristã, exceto as Escrituras. Mas uma pessoa que responda à Questão Canônica deve empregar um julgamento humano falível para elaborar a regra pela qual o conteúdo da Escritura deve ser selecionado. Este julgamento é extra-bíblico, e é colocado sobre as Escrituras porque define o cânon. Ao colocar esse julgamento acima da única autoridade infalível permitida, o processo de responder à pergunta viola a sola scriptura. Um critério canônico que julgue o cânon com base nos atributos internos das Escrituras será sempre de confiabilidade duvidosa, porque depende do julgamento humano subjetivo. Um critério canônico que julga o cânon com base em evidências externas à Escritura viola a sola scriptura, ou a suposição reformada que necessariamente acompanha a sola scriptura de que tudo o que autoriza atestar a canonicidade da Escritura deve ser mais autoritativo do que a Escritura, colocando evidências extra-bíblicas efetivamente acima a Bíblia, que é a única autoridade infalível do crente. Portanto, todo critério disponível para a teologia reformada para responder à Questão do Cânon será de confiabilidade duvidosa ou em violação da sola scriptura (e, portanto, não está disponível para a teologia reformada). O problema fundamental, então, para a posição da sola scriptura é que ela é deixada sem qualquer maneira de determinar o cânon que é fiel ao seu próprio paradigma de autoridade. Termino com um desafio, e um que ofereço com um coração desejoso pela unidade dos cristãos. Aproxime-se de seu pastor, ou do professor ou teólogo reformado mais conhecedor que você conheça, e pergunte-lhe como ele está certo de que o cânon protestante está correto. Pergunte-lhe qual resposta à pergunta Canon ele segue e por que ele escolheu essa teoria sobre as outras. Lute junto com ele até que você tenha encontrado uma resposta que produza o cânon protestante de 66 livros, e não se baseie em critérios canônicos subjetivos ou extra-bíblicos. Oremos ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, do fundo de nossos corações para a unidade dos cristãos. Belgic Confession of Faith, art. 2, available here. [↩] Westminster Confession of Faith [hereinafter WCF], ch. I, sec. 1. [↩] Id. [↩] See 1 Peter 3:15. [↩] Examples of some other variants are given in Ridderbos, p. 1. E.g., Johann Salomo Semler, author of Abhandlung von freier Untersuchung des Kanons (1771-1775), determined from his studies that what is canonical is “the list of books that might be read [by the early church] in public worship, the books that the bishops thought were the most suitable and in the best interests of good order.” Hermann Diem taught that the test of canonicity is that which “permits itself to be preached.” Ridderbos, p. 6. Ernst Käsemann sees the New Testament texts as contradictory and not the Word of God until such time as the Holy Spirit uses them to lead believers, “in an always new and contemporaneous way,” to gospel truth. Id. quoting Käsemann, Begründet der neutestamentliche Kanon die Einheit der Kirche? (1951-1952), p. 21. [↩] Harris, pref. [↩] Cited in F. F. Bruce, The Canon of Scripture (1988) [hereinafter Bruce], p. 275. [↩] Harris, p. 178. [↩] Id. [↩] As another example of using a plurality of criteria of canonicity, Bruce uses the “subsidiary criteria” of antiquity and orthodoxy to measure what he views as the original criterion of canonicity–apostolicity. Bruce, p. 255-256, 259. Since apostolicity as a criterion of canonicity is not testable in the present day, because we cannot decisively conclude of which texts the apostles approved, Bruce needs both “subsidiary criteria” to identify the canon. This leaves Bruce in the same place as Harris, i.e., determining the canon by following ‘two lines of approach.’ [↩] Belgic Confession, art. 5; WCF ch. I, sec. 5. [↩] John Calvin, Institutes of the Christian Religion [hereiafter Institutes], book I, ch. 7, sec. 5. [↩] Institutes, book I, ch. 7, sec. 2. [↩] Id. [↩] However, the question is infrequently taken up elsewhere. As Harris noted, “It is rather strange that more attention has not been given in theological studies to questions of canonicity.” R. Laird Harris, Inspiration and Canonicity of the Scriptures (A Press, 1995) [hereinafter Harris], p. 123. [↩] Belgic Confession of Faith, art. 5. [↩] Westminster Confession, I.V. [↩] See Section III.D. below. [↩] See Section III.D (discussing the lack of universal agreement in the early church), and III.E (noting Martin Luther’s inability to detect the influence of the Holy Spirit in the book of Revelation). [↩] John Calvin, Institutes of the Christian Religion, book I, ch. 7, sec. 1. [↩] First Vatican Council, Sess. 3, Ch. 2, Para. 7. [↩] Dei Verbum, ch. 3, para. 11. [↩] St. Augustine, Contra Ep. Fund., V, 6. [↩] John Calvin, Institutes of the Christian Religion, book I, ch. 7, sec. 2, quoting Ephesians 2:20 (emphasis added). [↩] Herman N. Ridderbos, Redemptive History and the New Testament Scriptures (Presbyterian & Reformed Publishing, 1988), intro ix. [↩] Ridderbos, p. 35, emphasis added. [↩] Ridderbos, p. 9. [↩] Cf. Belgic Confession, art. 5. [↩] Although, were it so simple, this position would seem strikingly similar to the canon falling from Heaven. [↩] See Dei Verbum, art. 11; St. Clement of Rome, Letter to the Corinthians, ch. 45; St. Irenaeus, Adv. Her., bk. 2, ch. 28; St. Ambrose, On the Holy Spirit, bk. 3, ch. 16. [↩] Fr. Henry G. Graham, Where We Got the Bible? Our Debt to the Catholic Church (Tan, 2004), p. 38-39. [↩] See Ellen Flesseman-van Leer, cited in F. F. Bruce, The Canon of Scripture, p. 275. [↩] Ridderbos, p. 9. [↩] See section III.D. below for more on Luther’s view. [↩] John Calvin, The Epistle to the Hebrews, the Argument. [↩] See Christian Cyclopedia, Canon, Bible (Concordia Publishing House, 2000), available here. [↩] Ridderbos, p. 10. [↩] Ridderbos here admits that “Calvin’s reasoning may be open to criticism.” Id. [↩] Bruce, pp. 281-282. [↩] Ridderbos, p. 35. [↩] (A Press, 1995.) [↩] Harris, p. 130. [↩] Id. [↩] Harris, pp. 130-133. [↩] See supra, part III.A. [↩] For a discussion of the Jewish authority that likely existed to rule on the canon in the early days of Christianity, see the Catholic Encyclopedia article, Canon of the Old Testament, available here. [↩] Harris, p. 182, quoting William H. Green, General Introduction to the Old Testament, the Canon (New York, Scribner, 1899), p. 124. [↩] Harris, p. 182; Bruce, p. 40. [↩] Bruce, p. 41. [↩] The deuterocanon is that collection of canonical Old Testament writings in the Catholic Bible which Protestant writers commonly refer to as the “apocrypha.” By “apocryphal” here, I mean texts which both Protestants and Catholics would agree are outside the canon. As no original manuscript of the Septuagint exists, scholars have the burden of reconstructing its original contents through later manuscripts, most importantly the Codex Vaticanus (See here), Codex Alexandrinus (See here), and Codex Sinaiticus (See here). [↩] Harris, p. 182-183. [↩] Harris, p. 183. [↩] Id. [↩] Id. [↩] Bruce, p. 50. [↩] Harris, p. 183. [↩] Cf. Bryan Cross, Ecclesial Deism, Called to Communion. “Ecclesial deism is the notion that Christ founded His Church, but then withdrew, not protecting His Church’s Magisterium (i.e., the Apostles and/or their successors) from falling into heresy or apostasy. Ecclesial deism is not the belief that individual members of the Magisterium could fall into heresy or apostasy. It is the belief that the Magisterium of the Church could lose or corrupt some essential of the deposit of faith, or add something to the deposit of faith.” [↩] Harris, p. 184. [↩] Harris, p. 186. [↩] Harris, p. 185. [↩] Origen, Letter to Africanus, available here. [↩] Harris, p. 187. [↩] Bruce, p. 97. [↩] Id. [↩] Bruce, p. 35. That is, “withdrawn, probably, from the synagogue calendar of public readings,” which could not be done to true divine prophecy. Id. [↩] Harris, p. 154, ff. [↩] Harris, p. 171. [↩] Harris, p. 173. [↩] Harris, p. 178. [↩] The Vulgate prologues are available here. [↩] Id. [↩] Against Rufinus II.33 [A.D. 402]. [↩] Cf. Harris, p. 131. [↩] Id. [↩] Bruce, p. 75. [↩] Id. [↩] Bruce, p. 71. [↩] Bruce, p. 79. [↩] Bruce, p. 81. [↩] Id. [↩] Id. [↩] Id. Peculiarly, he includes these with his New Testament books! [↩] Id. [↩] Theodore of Mosuestia, Catholic Encyclopedia. [↩] Bruce, p.84. This ‘Septuagintal plus’ is Bruce’s term for the Greek writings that are not part of the Palestinians’ Hebrew text. [↩] Id. [↩] Harris, p. 139; Bruce, p. 39. [↩] Bruce, p. 39. [↩] Bruce, p. 89. [↩] Harris, p. 136. [↩] Harris, p. 288. [↩] Harris, p. 136. [↩] Bruce, p. 52. [↩] Further examples are available here. [↩] Harris, p. 136. [↩] Available; here. [↩] Bruce, p. 41. His preceding paragraphs discuss the views of the Essenes and Samaritans on the Jewish canon, so the “then” seems misplaced. [↩] Harris, pref. [↩] Ridderbos, p. 13. [↩] Id. [↩] Id., emphasis added. [↩] E.g., Harris, p. 260, ff. [↩] Ridderbos, p. 31. [↩] Ridderbos, p. 32-33. [↩] Harris, p. 233, ff.; Bruce, p. 256, ff. [↩] Harris, p. 247. [↩] Matthew 10:1-4; Mark 3:13-19; Luke 6:12-16. [↩] Colossians 4:16. [↩] Harris, p. 240. [↩] Id. [↩] Harris, p. 270. [↩] Ridderbos, p. 45. [↩] Id. [↩] Id. [↩] See Ridderbos, p. 32-33. [↩] E.g., Keith Mathison, The Shape of Sola Scriptura (Canon Press, 2001), p. 319. [↩] Id. [↩] Harris, p. 124. [↩] Ridderbos, p. 34, emphasis added. [↩] Ridderbos, p. 34. [↩] Ridderbos, p. 43. [↩] Id. [↩] Ridderbos, p. 35. [↩] Bruce, p. 255. Note the plurality of tests in these titles. [↩] Bruce, p. 283. [↩] Ridderbos, p. 3. See also Bruce, p. 102; Paul Althaus, The Theology of Martin Luther (Fortress Press, 1966), p. 83. [↩] Bruce, p. 102. [↩] 2 Maccabees 12:45 ff. [↩] Bruce, p. 101, citations omitted. [↩] Id. [↩] Institutes, book I, ch. 7, sec. 2. [↩] Quoted in Bruce, p. 244. [↩] R. Laird Harris, pp. 57-58. This was said in the preface to his 1522 edition of the New Testament. Luther, comparing James to the ‘main’ books of the New Testament, said it was “really an espistle of straw, for it has nothing of the nature of the gospel in it.” Ridderbos, p. 3. [↩] Bruce, p. 243. Here Luther shows a favor for the what-preaches-Christ criterion of canonicity over the ‘widespread acceptance’ criterion, since he does not set off 2 Peter or 2 and 3 John in the same way. Bruce, p. 244. [↩] See Ridderbos, p. 4. [↩] Bruce, p. 244. [↩] Ridderbos, p. 5, quoting W. G. Kümmel, Notwendigkeit und Grenze des neutestamentlichen Kanons (ZTK, 1950), p. 312. [↩] Ridderbos, p. 7. [↩] Cf. Deuteronomy 18:21-22: “If you say to yourselves, ‘How can we recognize an oracle which the Lord has spoken?,’ know that, even though a prophet speaks in the name of the Lord, if his oracle is not fulfilled or verified, it is an oracle which the Lord did not speak. The prophet has spoken it presumptuously, and you shall have no fear of him.” [↩] Cf. Catechism of the Catholic Church, para. 1117. [↩] R. C. Sproul, Now That’s a Good Question! (Nelson, 1996), p. 81-82. [↩] Id. [↩] John Henry Cardinal Newman, An Essay on the Development of Christian Doctrine (U. of Notre Dame Press, 1989), p. 80. As if responding directly to R. C. Sproul’s qualifying statement that he doesn’t “believe for a minute that” wrong books were selected, Cardinal Newman went on rhetorically: “I believe, because I am sure; and I am sure, because I think.” [↩] Here the words of Catholic convert Peter Burnett, California’s first governor, are worth noting: But it did seem to me that those who reject Tradition, under the idea of attaining greater certainty, did, indeed, increase the uncertainty; not only by destroying a part of the law itself, but by attacking the credibility of the only proper and reliable witness to the inspiration and authenticity of the entire canon of Scripture. Peter Hardeman Burnett, The Path Which Led a Protestant Lawyer to the Catholic Church, p. 36. Ridderbos, p. 33. [↩] Id. [↩] Id. [↩] See also Neal Judisch, Calvin on ‘Self-Authentification’, Called to Communion. [↩] Ridderbos, p. 33-34, internal citations omitted. [↩] Tradução:http://www.calledtocommunion.com/2010/01/the-canon-question/
- O PASTOR QUE SE DÁ COMO ALIMENTO A SUAS OVELHAS – 17º Domingo do Tempo Comum
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “O Pastor dá de comer a suas ovelhas”, clicar AQUI. O Evangelho hoje narra o milagre da multiplicação dos pães. Trata-se do primeiro trecho do capítulo 6 do Evangelho de São João, em cujo texto Jesus é apresentado como o pastor do Salmo 22, que não deixará faltar nada a suas ovelhas. A partir dessa chave de leitura, Padre Paulo Ricardo conduz esta meditação para reconhecermos a Cristo como o Salvador que, diante de nossos “cinco pães e dois peixes”, faz a sua graça multiplicar-se e completa a nossa obra imperfeita. PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (2Reis 4, 42-44) Comerão e ainda sobrará Naqueles dias, veio também um homem de Baal-Salisa, trazendo em seu alforje para Eliseu, o homem de Deus, pães dos primeiros frutos da terra: eram vinte pães de cevada e trigo novo. E Eliseu disse: “Dá ao povo para que coma”. Mas o seu servo respondeu: “Como vou distribuir tão pouco para cem pessoas?” Eliseu disse outra vez: “Dá ao povo para que coma; pois assim diz o Senhor: ‘Comerão e ainda sobrará’”. O homem distribuiu e ainda sobrou, conforme a palavra do Senhor. SALMO 144 O único Pão que sacia (Antífona): Saciai os vossos filhos, ó Senhor! Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino/ e saibam proclamar vosso poder! Todos os olhos, ó Senhor, em vós esperam e vós lhes dais no tempo certo o alimento; vós abris a vossa mão prodigamente e saciais todo ser vivo com fartura. É justo o Senhor em seus caminhos, é santo em toda obra que ele faz. Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca lealmente. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Efésios 4 ,1-6) Igreja: um só corpo com o Senhor Irmãos: Eu, prisioneiro no Senhor, vos exorto a caminhardes de acordo com a vocação que recebestes; com toda a humildade e mansidão, suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor. Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança à qual fostes chamados. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos. EVANGELHO (São João 6, 1-15) O Pastor que Se dá como alimento a suas ovelhas Naquele tempo, Jesus foi para o outro lado do mar da Galileia, também chamado de Tiberíades. Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes. Jesus subiu ao monte e sentou-se aí, com os seus discípulos. Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. Levantando os olhos e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: “Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?” Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. Filipe respondeu: “Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um”. Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: “Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?” Jesus disse: “Fazei sentar as pessoas”. Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens. Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes. Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca!” Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: “Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo”. Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte. O PÃO QUE SOBROU (Comentário de Scott Hahn) A liturgia de hoje apresenta várias referências às quais o Antigo Testamento aludia para revelar Jesus como o Messias e Rei, como o Senhor que vem para alimentar o seu povo. Observemos o paralelismo que existe entre o evangelho de hoje e a primeira leitura. Jesus, como Eliseu, está diante de um grupo de pessoas famintas, com apenas alguns pães de cevada; é evidente a impossibilidade de satisfazer tantas pessoas com tão pouco. Além disso, nas duas leituras, a multiplicação do pão não apenas satisfaz as pessoas, mas também deixa sobras. Por sua vez, a história de Eliseu nos faz lembrar de Moisés, o profeta que deu de comer ao povo de Deus no deserto (v. Ex 16). Moisés profetizou que Deus iria enviar um profeta como ele (v. Dt 18, 15-19). A multidão, que testemunha no evangelho de hoje a multiplicação dos pães, identifica Jesus como aquele profeta anunciado. O Evangelho deste domingo nos mostra Jesus como Senhor, o Bom Pastor que faz o seu povo repousar nas verdes pastagens, preparando para ele um banquete (v. S 23, 1.5). O milagre de alimentar a multidão é um sinal de que Deus começou a cumprir sua promessa, algo do qual também fala o Salmo de hoje, quando diz: “e vós lhes dais no tempo certo o alimento” (S 144, 15; v. S 81, 17). No entanto, Jesus chama nossa atenção para o cumprimento definitivo dessa promessa na Eucaristia. Faz os mesmos gestos que fez na Última Ceia: toma os pães, pronuncia uma bênção de ação de graças (o significado literal da palavra grega eucaristia é ação de graças) e dá o pão para o povo (v. Mt 26, 26). Note-se que, no final, sobram doze cestos de pão: um para cada apóstolo. Estes sinais devem nos levar à Eucaristia, pela qual a Igreja, fundada sobre os apóstolos, continua a nutrir-nos com o pão vivo do seu Corpo. Na Eucaristia, nos tornamos um só corpo com o Senhor, como ouvimos na epístola de hoje. Disponhamo-nos, portanto, a levar uma vida de acordo com tão digna vocação. https://stpaulcenter.com/el-pan-que-sobro-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-17o-domingo-de-tiempo-ordinario/ https://stpaulcenter.com/bread-left-over-scott-hahn-reflects-on-the-seventeenth-sunday-in-ordinary-time/
- União Hipostatica, encarnação do verbo e a dificuldade protestante com a analogia Entis.
A dificuldade com a encarnação de Cristo e a analogia entis estão no cerne da heresia protestante. Resenha sobre tese teológica desenvolvida pelo Padre Paulo Ricardo. O famoso teólogo protestante reformado Karl Barth, autor do famoso comentário da carta aos Romanos de São Paulo, após longa e aprofundada reflexão teológica declarou: “Por isso sustento que a Analogia Entis é uma invenção do Anti-Cristo e penso que justamente por causa dela não é possível tornar-se catolico, quero acrescentar ainda que todas as outras razões que se podem aduzir para não se tornar catolico parecem-me pueris e sem importância.” Eis portanto a questão posta de maneira simples e direta. Refletindo sobre a tese colocada por Barth, Padre Paulo conclui que não só o protestantismo crê nesta enunciação como a leva as últimas consequências, mesmo que por vezes de maneira inconsciente. A repelência a analogia divina pelas coisas criadas, teologia natural e tudo o que é carnal, que na visão protestante estão totalmente corrompidas pelo pecado original, é tal que acaba-se por menosprezar até a encarnação do próprio Cristo e muitas das decorrências e efeitos desta. É como uma reedição do Nestorianismo onde apenas a palavra divina , desvinculada da carne, ou seja, apenas as proclamações do verbo tivessem valor, e não a própria humanidade divina. Em resumo: Protestantes não adoram Cristo na carne!!! Ao contrário do que reza a Fé Católica de sempre: §l015 “Caro salutis est cardo” (A carne é o eixo da salvação). Cremos em Deus, que é o criador da carne; cremos no Verbo feito carne para redimir a carne; cremos na ressurreição da carne, consumação da criação e da redenção da carne. Dai a dificuldade em aceitar as conclusões e decorrências dos concílios de Éfeso, Calcedônia e do segundo concílio de Niceia por exemplo. É justamente pelo fato de Deus ter se encarnado e ressuscitado na carne que proclamamos que Ele, Jesus, é verdadeiro Homem e verdadeiro Deus(união hipostática), e por consequência, Maria como Teotokos, pois é dela, e só dela por Graça divina, que provem o divino corpo de Jesus Cristo, é por ter se encarnado e ganhado forma visível e corpo divino que podemos e devemos prestar culto a ícones e relíquias que remetam a Deus filho, Deus agora tem rosto, mãe, amigos, discípulos, é por isso que consideramos crucial a imitação da vida encarnada de Jesus Cristo, etc, etc, etc. O fato é que toda moral, liturgia, preceitos, dogmas, sacramentos e tradições do catolicismo se apoiam e são extensões da encarnação de Cristo por consequência todas as dificuldades e objeções do protestantismo vão contra esta mesma direção. Sendo assim, ao contrário do que muitos defensores do ecumenismo pensam, nem mesmo no núcleo da Fé Cristã, Jesus, há consenso entre Católicos e Protestantes. É por isso, dentre outras razões, que não é possível tornar-se protestante. Verbum caro factum est”, “o Verbo se fez carne”, diz o evangelista São João! Salve Maria!!! Link com aula completa sobre o assunto https://padrepauloricardo.org/episodios/por-que-nao-sou-protestante
- O NIILISMO DO POETA MANOEL DE BARROS
Um poeta que viveu à procura dos defeitos de Deus: foi o caso do mato-grossense Manuel de Barros, muito querido em nossos meios acadêmicos. Manoel de Barros começou, na juventude, negando a ordem burguesa, para terminar mais tarde, depois do desencanto com o Partido Comunista, negando a própria ordem da realidade, através de uma arte que é, por excelência, criadora de realidades: a poesia. Segundo ele, “há várias maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.” Ou seja, a poesia é o veículo mais autorizado para dizer coisas sérias sobre… nada. Talvez esteja aqui a chave para descobrir o encanto que os seus textos provocam em alunos e professores de literatura: a profunda sedução que, em nossa época, tem exercido o Nada e o caminho mais curto para atingi-lo: a negação como método e como fim. Ninguém pode duvidar de sua habilidade verbal, apesar de nenhum domínio sobre a versificação tradicional (que era, também, a limitação de outros poetas brasileiros novecentistas, como Oswald de Andrade, Murilo Mendes, Augusto F. Schmidt, para citar os mais conhecidos). Manoel de Barros conseguiu traduzir em linguagem poética o clima mental da nossa época, muitas vezes com imagens interessantes e até divertidas. Por isso, o veneram os simpatizantes dos desconstrucionismos pós-modernos, dos relativismos, dos multiculturalismos de toda a espécie. Sua defesa do ócio como condição da arte, e da arte como fim em si mesmo, é radicalizada ao ponto de transformar a poesia em expressão da mais convicta anulação do mundo real. Não se trata da usual superação da realidade aparente, em nome da intuição de uma supra-realidade poeticamente organizada. Trata-se de um poeta que pulveriza as coisas com o único objetivo de colocar em seu lugar alguns trocadilhos interessantes. É quase um Mallarmé regionalista e meio populista, sem a refinada arte fin-de-siècle do grande niilista francês. No caso do nosso Manoel, o que parecia ser mais uma brincadeira sobre coisa nenhuma, era na verdade uma enfática reafirmação da velha tese gnóstica e maniqueísta — que surgiu nos últimos séculos da Antiguidade e espraiou-se silenciosamente pelo Ocidente cristão, ajudando criar a Modernidade —, segundo a qual este mundo, construído pelo impiedoso demiurgo, não serve para nada, ou, no dialeto poético do autor mato-grossense, serve exatamente para brincar de Nada. Essa poesia da Coisa Nenhuma esconde em si, sob as aparências de um discurso lúdico e brincalhão, uma sombria e desencantada visão de mundo, uma indisfarçável recusa da forma em que a própria realidade se ordena; sem nenhum trejeito revolucionário, trata-se no entanto de uma obra poética altamente comprometida com o projeto niilista, visando esvaziar de sentido as palavras da tribo e as velhas coisas do mundo, aquelas mesmas que Deus, depois de as criar, viu que eram boas. O poeta de Mato-Grosso deixou o Partidão, nos anos trinta, para transformar-se num revolucionário ainda mais radical que o estalinista Luís Carlos Prestes. O que emperra a máquina da poesia de Manoel de Barros é essa obstinada pregação niilista: obstrui a maior parte dos seus livros, como um “entulho” escondendo o que, nos textos, poderia ser mágica revelação da realidade. A realidade, e não o Nada, é o que ainda aparece em sua obras, apesar do esforço contrário de Manoel de Barros em negá-la; aparece timidamente, apesar da nuvem aborrecida e entediante — caudatária do existencialismo ateu — com que procurou esconder a vivacidade do verdadeiro Pantanal mato-grossense, em que viveu a maior parte da sua vida.
- Some Calumnies Against The Catholic Church
Fifty years ago there was not a more common or catching heading on all non – Catholic pamphlets, sermons and religious journals than the celebrated motto: “If ever the liberties of the United States be destroyed it will be by Romish priests.—WordsofLafayette.” Lafayette had promised his Catholic wife on her deathbed that he would give more attention to religion. He had received the last rites of his Church, and he had been laid to rest in a Catholic cemetery, with Catholic hymn and prayer, two years before the scandalous words ascribed to him had risen to the surface of religious bigotry. But, being a revolutionist by profession,on the one hand,this saying ascribed to him was just possible,and being most dear to the American people on account of his gallant deeds,on the other, there was enormous weight attached to the mere possibility of such an utterance. The improbability of the saying had to be proved, the testimony of lying witnesses had to be dissected and confuted, the character of the great general had to be discussed ,and all his speeches and writings diligently scanned. And,while this work took up the time of church men, ,the motto went bravely on doing its deadly work of destruction. Yet when all the evidence was in, it was convincingly shown that just the contrary were the sentiments of our country’s defender. He had argued in the French chamber in opposition to the bill for the expulsion of the Irish trappists, that if the Jesuits of Georgetown were not dangerous to the United States, much less would these refugees from Ireland be dangerous to France. Thus the lie was nailed by documentary evidence, but the prejudice it had engendered remained. Again,what more common attack against the Jesuit Fathers’ and by inference against the Catholic Church,than that they teach that “the end justifies the means” in the sense that a good intention can sanctify actions which are intrinsically bad? Every child can understand that there is the closest relation between the means and the end to be attained by them. If the end is natural,natural likewise are the means;if the end is supernatural, supernatural must be the means to attain it. A walk, a drive,a talk, things indifferent in themselves, maybe made good or bad according to the end in view. It is evident that an act of heroic charity may be destroyed by a bad intention. Hence in particular cases it is true that the end does determine the morality of an act, and, in the writings of the Jesuit father’s, such doctrine,with well defined limitations,maybe found, but no where the general maxim that “the end justifies the means.” On the contrary, all Jesuit moralists have taken care to teach that the end does not justify the means,and that,no matter how good the intention, it cannot make good what is intrinsically bad. In the year 1852,in Frankfort,a Jesuit father read a declaration, that, if any witness could produce a Jesuit author who had uttered the maxim “ the end justifies the means,either literally or in equivalent terms, he would pay him a thousand florins. Ten years elapsed and only one applicant appeared, and the “Protestant university of Heidelberg,to which was left the decision, would not allow that his garbled extracts from Jesuit author proved this claim. A few years ago the former pastor of this church offered a thousand dollars to anyone who could produce,from a catholic author,the equivalent saying, “Evil can be done that good may come.” But he uttered it in vain; there was no applicant. Yet with all this the Protestant Bishop of New York had the effrontery, in the year 1888, to produce some mutilated texts and claim the money on a similar challenge. He added, however, naively, that he did not expect to get it. Who will ever remove from the minds of Protestants this silly prejudice?It has been embalmed in the Encyclopedia Brittannica by another Protestant clergyman, and there it will remain forever — a monument of bad faith. – Rev. James C. Bryne, Refutations of Some Calumnies Against the Catholic Church.
- Papa Severino (28 de Maio a 2 de Agosto de 640)
Pontificado: 28 de maio a 2 de agosto de 640; b. desconhecido; d. Agosto de 640. Muito pouco se sabe sobre ele. Ele era romano e o filho de um homem chamado Avieno, mas não há outras informações relacionadas ao início de sua vida. Também a curta duração de seu reinado torna virtualmente impossível avaliar seu pontificado. É claro, no entanto, que ele era de uma idade avançada quando foi eleito para a cátedra de Pedro e que sua consagração como papa foi prejudicada por sua recusa em assinar uma declaração de fé monotelita chamadao Ekthesis. Após os necessários três dias se passarem após a morte de Honório I, Severino foi eleito papa em meados de outubro 638. No entanto, ele teve que esperar quase 20 meses para a sua consagração, porque o Imperador Heráclio exigiu que o papa eleito devesse aderir ao Ekthesis. Como Severino talvez estivesse mais bem informado do que seu antecessor sobre as objeções orientais ao monotelismo, ele se recusou a assinar o documento. Desde Isaac, o exarca de Ravena, recusou-se a permitir sua consagração, enviados papais foram enviados a Constantinopla, onde começaram negociações prolongadas para a confirmação de Severino. Enquanto os enviados papais estavam sendo detidos pelo imperador, Severino resistiu a uma série de ataques que podem ter sido destinados a forçar sua adesão ao Ekthesis. A violência começou quando o militar de Isaac, Maurício, incitou uma multidão de soldados raivosos a atacar o Palácio Laterano. Aparentemente, os soldados não tinham sido pagos há algum tempo e Maurício aproveitou-se da situação convencendo-os de que seus pagamentos em atraso estavam retidos nos tesouros papais. O rumor teve seu efeito e, embora o próprio Severino não estivesse ferido, as tropas descontentes cercaram o palácio por três dias. A situação não melhorou com a chegada de Isaac. Ostensivamente, sua presença era para aliviar a situação, mas ao ter acesso ao Palácio de Latrão, ele roubou os tesouros papais e os dividiu entre seus soldados, seus oficiais e o imperador Heráclio. Os enviados papais em Constantinopla obtiveram confirmação para Severino em junho, mas chegou tarde demais, pois o papa idoso viveria apenas por mais dois meses. Não está claro se Severino encontrou tempo para condenar oficialmente a Ekthesis e relatos dizem que se tivesse feito, deveria fazer com cautela. Aparentemente, Severino se opunha às políticas pró-monásticas de Gregório I, e ele considerava o clero secular em alta consideração. No Liber pontificalis Severino é descrito como ” santo, gentil a todos os homens, um amante dos pobres, generoso e o mais suave dos homens. ” Severino foi enterrado em São Pedro, a abside da qual ele é creditado com tendo reconstruído. New Catholic Encyclopedia
- O DIA DA IRA (DIES IRAE) – Tomás de Celano
O dia da ira, aquele dia Em que os séculos se desfarão em cinzas, Testemunham David e Sibila. Quanto terror lá no futuro, Quando o Juiz vier Para julgar a todos sem exceção! A trompa espalha o poderoso som Pela região dos sepulcros, Convocando todos ante o Trono. A morte e a natureza se aterrorizam Ao ressuscitar a criatura Para responder ao Juiz. O Livro escrito aparecerá, Em que tudo há E em que o mundo será julgado. Quando o Juiz se assentar O oculto se revelará, E nada haverá sem castigo. Que direi eu, pobre miserável? A que Paráclito rogarei, Quando só os justos estão seguros? Ó Rei, tremenda Majestade, Que, ao salvar, salva pela Graça, Salvai-me, fonte Piedosa! Recordai-vos, piedoso Jesus, De que sou a causa do Vosso Caminho; Não me percais nesse dia. Resgatando-me, vos afadigastes, Me redimistes sofrendo a Cruz; Que tanto trabalho não seja em vão. Juiz Justo da Vingança Divina, Dai-me a remissão dos meus pecados, Antes do Dia Final. Clamo como condenado; A culpa enrubesce meu semblante; Suplico a Vós, meu Deus! Vós que perdoastes a Madalena, E ouvistes a súplica do ladrão, Dai-me esperança também. Minha oração é indigna, Mas, como agis pela Vossa Bondade, Não me deixeis arder no Fogo Eterno. Colocai-me com as ovelhas, Separai-me dos cabritos, Ponde-me à Vossa direita; Condenai os malditos, Lançai-os às famintas chamas, Chamai-me aos benditos. Oro-Vos, rogo-Vos de joelhos, Com o coração contrito em cinzas: Cuidai do meu fim!
- Papa Sabiniano (604-6 D.C)
A data de seu nascimento é desconhecida, mas ele foi consagrado Papa provavelmente 13 de setembro de 604, e morreu 22 de fevereiro de 606. O filho de Bono, ele nasceu em Blera (Bieda) perto de Viterbo. Em 593 ele foi enviado por São Gregório I como apocrisiário ou núncio apostólico em Constantinopla; mas, em alguns aspectos, sua administração do ofício não correspondia às expectativas de Gregório. Ele não foi astuto o suficiente para os governantes de Bizâncio. Ele retornou a Roma em 597 e foi escolhido para suceder Gregório logo após a morte daquele grande pontífice; mas como a confirmação imperial de sua eleição não chegou por alguns meses, ele não foi consagrado até setembro. As dificuldades de seu pontificado foram causadas pelo medo dos lombardos e pela fome. Quando o perigo Lombardo havia passado, Sabiniano abriu os celeiros da Igreja e vendeu milho para o povo em um solidus (doze xelins) por trinta bicos. Como ele era incapaz ou não estava disposto a permitir que as pessoas tivessem o milho por pouco ou nada, cresceu em tempos posteriores um número de lendas inativas em que seu antecessor foi representado punindo-o pela avareza. Ele tem a reputação de ter restaurado os postos seculares do clero que São Gregório tinha preenchido com monges. Ele foi enterrado em São Pedro. Charles G. Harbermann, Enciclopédia Católica
- Papa Sérgio IV (1009-1012 D.C.)
Data de nascimento desconhecida; consagrado em 31 de julho de 1009; d. 12 de maio de 1012. Pedro fucinho de porco (Bucca Porci) era filho de Pedro, o sapateiro, da nona região de Roma (Pina), e antes de se tornar Sérgio IV havia sido bispo de Albano (1004-9). Ele controlou o poder do Patricio, João Crescêncio, que dominou Roma, fortalecendo o partido em favor dos alemães. Pouco se sabe sobre os feitos de Sérgio, exceto que, por meio de concessões de privilégios, os originais em papiro de alguns dos quais ainda existem, ele isentou vários mosteiros da jurisdição episcopal. Embora seu próprio poder temporal fosse pequeno, vários nobres colocaram suas terras sob sua proteção. Ele se mostrou um grande amigo dos pobres em uma época de fome e foi enterrado na Basílica de Latrão. Charles G. Harbermann, Enciclopédia Católica
- Papa Sérgio III (904-911 D.C.)
Data de nascimento desconhecida; consagrado 29 de janeiro de 904; d. 14 de abril de 911. Ele era um romano de nascimento nobre e filho de Bento. Ele se tornou um forte defensor do partido oposto ao papa Formoso; como esse partido não foi bem-sucedido, os escritos de seus apoiadores, se é que existiram, pereceram. Por isso, infelizmente, a maior parte do nosso conhecimento de Sérgio é derivado de seus oponentes. Assim é por um inimigo que nos é dito que Sérgio foi feito bispo de Caere por Formoso para que ele nunca pudesse se tornar bispo de Roma. No entanto, ele parece ter deixado de atuar como bispo após a morte de Formoso, e foi apresentado como candidato ao papado em 898. Ao não conseguir a eleição, ele se retirou, aparentemente para Alberico, conde de Spoleto. Aborrecido com a violenta usurpação do trono papal por parte de Cristovão, os romanos o jogaram na prisão e convidaram Sérgio a tomar o seu lugar. Sérgio declarou imediatamente as ordenações conferidas por Formoso nulas; mas que ele matou seus dois antecessores, e por relações ilícitas com Marozia teve um filho, que foi depois João XI, deve ser considerado como altamente duvidoso. Essas afirmações são feitas apenas por adversários amargos ou mal informados, e são inconsistentes com o que é dito sobre ele por contemporâneos respeitáveis. Ele protegeu o arcebispo João de Ravena contra o conde de Istria e confirmou o estabelecimento de uma série de novas sedes na Inglaterra. Por se opor aos erros dos gregos, eles retiraram nome dos dípticos, mas ele mostrou seu bom senso ao declarar válido o quarto casamento do imperador grego, Leão VI. Sérgio restaurou completamente a Basílica de Latrão, mas foi enterrado em São Pedro. Charles G. Harbermann, Enciclopédia Católica
- Papa Sérgio II (844-47 D.C.)
Data de nascimento desconhecida; consagrado em 844, aparentemente em janeiro; d. 27 de janeiro de 847. Ele era de nascimento nobre e pertencia a uma família que deu outros dois papas à Igreja. Educado na schola cantorum, ele foi patrocinado por vários papas e foi ordenado cardeal-sacerdote da Igreja dos Santos Martinho e Silvestre, por Pascoal. Sob Gregório IV, a quem ele sucedeu, ele se tornou arcipreste. Em uma reunião preliminar para designar um sucessor a Gregório, o nome de Sérgio foi aceito pela maioria; mas uma multidão se esforçou pela força para colocar um diácono, João, no trono pontifício. Ele foi, no entanto, calado em um mosteiro, e Sérgio foi devidamente consagrado. De uma edição obviamente muito parcial do “Liber Pontificalis”, parece que Sérgio, devido à devoção aos prazeres da mesa, não tinha gosto por negócios, e confiou a administração dos negócios a seu irmão Bento; e que, devido a ataques de gota, ele estava desamparado no corpo e irritável em mente. Seu irmão usurpou todo o poder e fez da obtenção de dinheiro sua única preocupação. Como tudo isso está em nítido contraste com o caráter dado a Sérgio pelas outras edições do “Liber Pontificalis”, não pode haver dúvida sobre seu exagero grosseiro. Como Sérgio foi, após uma disputada eleição, consagrado sem qualquer referência ao Imperador Lotário, este último ficou indignado e enviou seu filho Luís com um exército para examinar a validade da eleição. Mas Sérgio conseguiu pacificar Luís, a quem ele coroou rei, mas para quem ele não faria um juramento de fidelidade. Ele também fez o conselheiro do rei, Drogo, bispo de Metz, seu legado para a França e a Alemanha (844). Antes de morrer, ele testemunhou uma terrível invasão dos sarracenos no território romano (846), que quase resultou na captura da cidade. Apesar da resistência dos scholae dos estrangeiros em Roma, os piratas saquearam as basílicas de São Pedro e São Paulo, e só foram impedidos pelos seus fortes muros de saquear a própria Roma. Igrejas, aquedutos e a Basílica de Latrão foram melhoradas por Sérgio, que, em sua morte, foi enterrado em São Pedro. Charles G. Herbermann, Enciclopédia Católica
- Papa São Sérgio I (687-701)
(Reinado 687–701), data de nascimento desconhecida; consagrado provavelmente em 15 de dezembro de 687; d. 8 de setembro de 701. Enquanto o Papa Conon estava morrendo, o arcediácono Pascoal ofereceu ao exarca uma grande quantia para realizar sua eleição como seu sucessor. Através da influência do exarca, o arcediácono foi eleito por um certo número de pessoas; mais ou menos na mesma época, outra facção elegeu o arcipreste Teodoro. A massa de clérigos e pessoas, no entanto, separou os dois e escolheu Sérgio, que foi devidamente consagrado. Sérgio, filho de Tibério, era natural de Antioquia; ele foi educado na Sicília e ordenado por [São] Leão II. O novo papa tinha numerosas relações com a Inglaterra e os ingleses. Ele recebeu [São] Ceduala, rei dos saxões do oeste, e o batizou (689); e, como ele morreu em Roma, fez com que ele fosse enterrado em São Pedro. Ele ordenou que São Wilfredo fosse restaurado para sua sé, favoreceu muito Santo Adelmo, Abade de Malmesbury, e é creditado com o esforço de garantir o Venerável Beda como seu conselheiro. Finalmente, ele consagrou o bispo inglês [São] Vilibrordo e enviou-o para pregar o cristianismo aos frísios. O cruel imperador Justiniano queria que ele assinasse os decretos do chamado Concílio Trullano ou Quinsexto de 692, no qual os gregos permitiam que padres e diáconos guardassem as esposas com quem se casaram antes de sua ordenação, e que pretendiam colocar o Patriarca de Constantinopla em um nível com o Papa de Roma. Quando Sérgio se recusou a reconhecer este sínodo, o imperador enviou um oficial para levá-lo a Constantinopla. Mas o povo protegeu o papa e o próprio Justiniano logo foi deposto (695). Sérgio conseguiu extinguir os últimos remanescentes do Cisma dos Três Capítulos em Aquileia. Ele consertou e adornou muitas basílicas, acrescentou o Agnus Dei à missa e instituiu procissões para várias igrejas. Charles G. Herbermann, Enciclopédia Católica.
- Maria, A Mulher, mãe do Salvador, mãe da Igreja e nossa, e seu papel na Salvação dos filhos de Deus.
Deus onipotente resolveu livremente resgatar a humanidade de seu estado caído e finalizar seu processo pedagógico e salvífico pessoalmente “em carne e osso”. Para isso, vir ao mundo, não precisou de nenhum homem mas escolheu submeter-se e fazê-lo por uma mulher! Maria, a preferida entre todos os mortais. Já vemos prefigurado este desígnio desde o antigo testamento nas escrituras “12.De tua beleza se encantará o rei; ele é teu senhor, rende-lhe homenagens. 13.Habitantes de Tiro virão com seus presentes, próceres do povo implorarão teu favor. 14.Toda formosa, entra a filha do rei, com vestes bordadas de ouro. 15.Em roupagens multicores apresenta-se ao rei, após ela vos são apresentadas as virgens, suas companheiras. 16.Levadas entre alegrias e júbilos, ingressam no palácio real. 17.Tomarão os vossos filhos o lugar de vossos pais, vós os estabelecereis príncipes sobre toda a terra. 18.Celebrarei vosso nome através das gerações. E os povos vos louvarão eternamente.” Salmo 44/45 Maria, A MULHER escolhida por Deus desde sempre! Gênesis 3 “15 Porei ódio entre ti e a MULHER, entre a tua descendência e a dela.” João 2 “Respondeu-lhe Jesus: , MULHER isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou.” João 19 26 Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: MULHER, eis aí teu filho” Apocalipse 12 ” 1 Apareceu em seguida um grande sinal no céu: umaMULHER revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas.” Aprouve a Deus que não só o Salvador mas também toda restauração da relação entre Deus e seu povo nascesse e passasse por Maria. Assim como caímos pelo não de uma mulher a Deus diante de um anjo, fomos resgatados através do sim de uma Mulher diante de outro anjo. Lucas 1 “38 Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.” Maria é a mãe do Cristo e também é a intercessora, aquela que trouxe de volta a fonte de alegria ao casamento de Deus com os homens. O primeiro milagre, “João 2 3 Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: Eles já não têm vinho. 4 Respondeu-lhe Jesus: MULHER, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou. 5 Disse, então, sua mãe aos serventes: Fazei o que ele vos disser.” de Cristo tem um significado muito importante, pode parecer que transformar água em vinho em uma festa de casamento seja uma ação despretenciosa de Cristo, um milagre de pouca importância mas não é à toa que é justamente esse milagre que divide a relação entre Deus e a humanidade em antes e depois com o início da vida pública de Jesus. A Igreja é a noiva de Deus, e nesse casamento “já não tem mais vinho”, já não há alegria, amor, o legalismo tomou conta dos judeus, a noiva já pouco se lembra do Noivo e quando lembra é por obrigação legal. O significado deste milagre é justamente esse, Cristo vem trazer de volta a alegria, o amor, “o vinho” ao casamento entre o povo de Deus e o Criador, o Noivo. Coube a Maria portanto mais esse privilégio, mais esse protagonismo como aquela que intercede junto ao Salvador e inicia a renovação do casamento, trás de volta o vinho as bodas do Cordeiro! Nossa Senhora, mãe do Salvador, a nova Eva, a inimiga da serpente, aquela que intercede por nós, a nossa mãe, a mulher do apocalipse, mãe do Rei, a Rainha dos céus! Rogai por nos!!!”
- Breve História das Eleições Papais
Breve história das eleições papais A liderança suprema da Igreja é, como vimos, anexada ao ofício de bispo romano. O papa torna-se pastor-chefe porque ele é bispo de Roma: ele não se torna bispo de Roma porque foi escolhido para ser o chefe da Igreja universal. Assim, uma eleição para o papado é, propriamente falando, primariamente uma eleição para o bispado local. O direito de eleger seu bispo sempre pertenceu aos membros da Igreja Romana. Eles possuem a prerrogativa de dar à Igreja universal seu pastor principal; eles não recebem seu bispo em virtude de sua eleição pela Igreja universal. Isso não quer dizer que a eleição deva ser pelo voto popular dos romanos. Nos assuntos eclesiásticos, é sempre para a hierarquia guiar as decisões do rebanho. A escolha de um bispo pertence ao clero: pode ser confinada aos principais membros do clero. É assim na Igreja Romana no presente. O colégio eleitoral de cardeais exerce seu ofício porque eles são o chefe do clero romano. Se o colégio de cardeais fosse extinto, o dever de escolher um pastor supremo não cairia nos bispos reunidos em concílio, mas no clero romano remanescente. Na época do Concílio de Trento Pio IV, achando possível que, em caso de sua morte, o concílio pudesse reivindicar um direito, insistiu nesse ponto em uma alocação consistente. É assim claro que um papa não pode nomear seu sucessor. A história nos fala de um papa – Bento II (530) – que meditou adotando este curso. Mas ele reconheceu que seria um passo falso e queimou o documento que ele havia elaborado para o propósito. Por outro lado, a lei canônica da Igreja (10 d. 79) supõe que o papa possa prever as necessidades da Igreja, sugerindo aos cardeais alguém que ele considera adequado para o ofício: e sabemos que Gregório VII garantiu assim a eleição de Vitor III. Tal passo, no entanto, não impede de modo algum a ação dos cardeais. O papa pode, além disso, legislar sobre o modo pelo qual a eleição subseqüente será realizada, determinando a composição do colégio eleitoral e as condições necessárias para uma escolha definitiva. O método atualmente seguido é o resultado de uma série de decretos sobre este assunto. Uma breve revisão histórica mostrará como o princípio da eleição da Igreja Romana foi mantido através de todas as vicissitudes das eleições papais. São Cipriano nos diz a respeito da eleição do Papa São Cornélio (251) que os bispos provinciais, o clero e o povo participaram: “Ele foi feito bispo pelo decreto de Deus e de Sua Igreja, pelo testemunho de quase todo o clero, do colégio de bispos anciãos [sacerdotum] e de homens bons ”(Ep. Iv ad Anton., n. 8). E um argumento precisamente similar é alegado pelos padres romanos em sua carta ao imperador Honório sobre a validade da eleição de Bonifácio I (A. D. 418; P. L., XX, 750). Antes da queda do Império do Ocidente, a interferência do poder civil parece ter sido insignificante. Constâncio, é verdade, esforçou-se por estabelecer um antipapa, Felix II (355), mas o ato era universalmente considerado herético. Honório, por ocasião da disputada eleição de 418, decretou que, quando a eleição era duvidosa, nenhum partido deveria deter o papado, mas que uma nova eleição deveria acontecer. Este método foi aplicado nas eleições de Cónon (686) e Sérgio I (687). A lei é encontrada no código da Igreja (c. 8, d. LXXIX), embora Graciano declare nulo de força como tendo emanado da autoridade civil e não eclesiástica (d. XCVI, proem .; d. XCVII, proem.). Após a conquista bárbara da Itália, os direitos da Igreja foram menos cuidadosamente observados. Basilío, o prefeito de Odoacro, reivindicou o direito de supervisionar a eleição de 483 em nome de seu mestre, alegando que o próprio papa Simplício o havia solicitado a fazê-lo (Hard, II, 977). Os distúrbios que ocorreram na disputada eleição de Símaco (498) levaram esse papa a realizar um concílio e a decretar as mais severas penalidades contra todos os que deveriam ser culpados de pedir ou subornar para obter o pontificado. Além disso, decidiu-se que a maioria dos votos deveria decidir a eleição. Teodorico o ostrogodo, que nesse período governou a Itália, tornou-se em seus últimos anos um perseguidor da Igreja. Chegou mesmo a nomear Felix III (IV) em 526 como sucessor do papa João I, cuja morte se devia ao encarceramento a que o rei o havia condenado. Felix, no entanto, era pessoalmente digno do cargo, e a nomeação foi confirmada por uma eleição subsequente. O precedente de interferência estabelecido por Teodorico foi fecundo para a Igreja. Após a destruição da monarquia gótica (537), os imperadores bizantinos foram ainda mais longe do que os hereges ostrogodos em invadir os direitos eclesiásticos. Virgílio (540) e Pelagio I (553) foram forçados à Igreja sob decreto imperial. No caso deste último parece não ter havido eleição: seu título foi validado somente através de seu reconhecimento como bispo pelo clero e pelo povo. As formalidades da eleição neste momento eram as seguintes (Lib. Diurnus Rom. Pont., 2, em P. L., CV, 27). Após a morte do papa, o arcipreste, o arcediácono e o primicério dos notários enviaram uma notificação oficial ao exarca em Ravenna. No terceiro dia após o falecimento o novo papa era eleito, sendo invariavelmente escolhido entre os presbíteros ou diáconos da Igreja Romana (cf. op. Cit., 2, tit. 2, 3 5), e uma embaixada era enviada para Constantinopla para solicitar a confirmação oficial da eleição. Não até que isso tenha sido recebido, a consagração acontecia. A Igreja adquiriu maior liberdade após a invasão lombarda de 568 ter destruído o prestígio do poder bizantino na Itália. Pelágio II (578) e Gregório I (590) foram a escolha espontânea dos eleitores. E em 684, devido aos longos atrasos envolvidos na viagem a Constantinopla, Constantino IV (Pogonatus) acedeu ao pedido de Bento II de que no futuro não fosse necessário esperar pela confirmação, mas que bastaria uma mera notificação da eleição. O 1088 do exarcado e a heresia iconoclasta da corte bizantina completaram a separação entre Roma e o Império do Oriente, e o papa Zacarias (741) dispensou completamente o aviso costumeiro a Constantinopla. Em 769, um concílio realizado sob Estêvão III para corrigir a confusão causada pela intrusão do antipapa Constantino. Este usurpador foi um leigo apressadamente levantado às ordens do sacerdote para tornar possível a sua nomeação para o pontificado. Para fazer uma repetição do escândalo impossível, foi decretado que apenas os membros do colégio sagrado eram elegíveis para a eleição. A parte dos leigos foi, além disso, reduzida a um mero direito de aclamação. Sob Carlos Magno e Luís, o Piedoso, a Igreja manteve sua liberdade. Lotário, no entanto, reivindicou mais direitos amplos para o poder civil. Em 824 ele exigiu um juramento dos romanos de que ninguém deveria ser consagrado papa sem a permissão e a presença de seus embaixadores. Isso foi, de fato, feito na maioria das eleições durante o século IX, e em 898 os tumultos que se seguiram à morte do papa Estêvão V levaram João IX a conceder sanção eclesiástica a esse sistema de controle imperial. Em um concílio realizado em Roma naquele ano, ele decretou que a eleição deveria ser feita por bispos (cardeais) e clero, considerando-se a vontade do povo, mas que nenhuma consagração deveria acontecer, exceto na presença do legado imperial. (Mansi XVIII, 225). As formalidades devidas, pelo menos de eleição, parecem ter sido observadas através das desordens selvagens que se seguiram ao colapso do Império Carolíngio: e o mesmo é verdade com relação aos tempos de Otão o Grande e seu filho. Sob o império restaurado, no entanto, os eleitores não desfrutavam de liberdade de escolha. Otão I até obrigou os romanos a jurar que nunca elegeriam ou ordenariam um papa sem o consentimento de seu filho (963; cf. Liutprand, “Hist. Ott.”, Viii). Em 1046, os escândalos das eleições anteriores, em que o pontificado supremo se tornara um prêmio para facções rivais inteiramente independente do significado que empregavam, levaram o clero e as pessoas a deixar a nomeação para Henrique III. Três papas foram escolhidos dessa maneira. Mas Leão IX insistiu que a Igreja era livre na escolha de seus pastores e, até que ele fosse devidamente eleito em Roma, se recusou a assumir qualquer estado de seu cargo. O partido da reforma, do qual Hildebrando era o espírito em movimento, estava ansioso por alguma medida que deveria restaurar uma escolha independente para a Igreja. Isso foi realizado por Nicolau II. Em 1059, ele realizou um concílio no Laterano e emitiu o decreto “Em Nomine”. Este documento é encontrado em duas recensões, uma papal e uma imperial, ambos de data inicial. Há, no entanto, pouca dúvida de que a recensão papal incorporada no “Decretum Gratiani” (c. 1. d. XXIII) é genuína e que a outra foi alterada no interesse do antipapa Guiberto. O direito de eleição se limita aos cardeais, sendo a escolha efetiva colocada nas mãos dos cardeais bispos: o clero e o povo só têm direito de aclamação. O direito de confirmação é concedido ao Imperador Henrique IV e a seus sucessores, como deveria pessoalmente solicitar e receber o privilégio. O papa não precisa necessariamente ser retirado do número de cardeais, embora esse seja o caso, se possível. Este decreto formou a base da atual legislação sobre a eleição papal, embora o sistema tenha passado por considerável desenvolvimento. A primeira modificação importante foi a Constituição “Licet de Vitanda” [c. vi, X, “De elect.” (I, 6)] de Alexandre III, o primeiro dos decretos aprovados pelo Terceiro Concílio Ecumênico de Latrão (1179). Para evitar os males de uma eleição disputada, foi estabelecido por essa lei que ninguém deveria ser eleito até que dois terços dos cardeais tivessem dado seus votos para ele. Neste decreto, não se faz distinção entre os direitos dos cardeais bispos e os do resto do Sacro Colégio. O privilégio imperial de confirmar a eleição já havia se tornado obsoleto devido à ruptura entre a Igreja e o Império sob Henrique IV e Frederico I. Entre a morte de Clemente IV (1268) e a coroação de Gregório X (1272) um interregno de quase três anos interveio. Para evitar a repetição de tão grande desgraça, o papa no Concílio de Lyon (1179) publicou o Decreto “Ubi periculum” [c. iii, “De elect.”, em 60 (I, 6)], pelo qual foi ordenado que, durante a eleição de um pontífice, os cardeais fossem retirados do mundo sob regulamentos extremamente estritos e que o isolamento continuasse até que cumprissem seu dever de fornecer à Igreja um pastor supremo. A esta sessão eleitoral foi dado o nome do Conclave. Este sistema prevalece nos dias atuais. G. H. Joyce. Charles G. Herbermann, Enciclopédia Católica
- CLEMENTE DE ALEXANDRIA SOBRE AS ARTES HUMANAS EM O Stromata (livro I)
CLEMENTE DE ALEXANDRIA SOBRE AS ARTES HUMANAS EM O Stromata (livro I) Capítulo 4. Artes Humanas e Conhecimento Divino Proceda de Deus Homer chama um artífice sábio; e de Margites, se esse é o seu trabalho, ele escreve assim: Ele, então, os Deuses não fizeram nem um explorador nem um lavrador, Nem em qualquer outro aspecto sábio; mas ele sentia falta de toda arte. Hesíodo disse ainda que o músico Linus era habilidoso em todos os tipos de sabedoria; e não hesita em chamar um marinheiro sábio, vendo que ele escreve: Não tendo sabedoria na navegação. Disse o profeta Daniel : O mistério que o rei pede, isto é, não é do poder dos sábios, dos magos, dos adivinhadores , dos gazaenos, que falem ao rei. mas é Deus no céu quem revela isso. Daniel 2: 27-28 Aqui ele classifica os sábios babilônios . E que as Escrituras chamam toda ciência ou arte secular pelo nome único de sabedoria (existem outras artes e ciências inventadas além da razão humana), e que a invenção artística e hábil é de Deus , ficará claro se acrescentarmos a seguinte declaração: E o Senhor falou a Moisés : Eis que chamei Bezaleel, filho de Uri, filho de Or, da tribo de Judá ; e enchi-o com o divino espírito de sabedoria, e entendimento e conhecimento , para conceber e executar em todo tipo de trabalho, para trabalhar ouro, e prata, e bronze, e azul, e púrpura, e escarlate, e em trabalho de pedra de trabalho, e na arte de trabalhar madeira, e até mesmo para todas as obras. Êxodo 31: 2-5 E então Ele acrescenta a razão geral, E para todo coração compreensivo dei entendimento. Clemente de Alexandria , em Estromates, V, II, 72, 2-3 “Moisés, em sua interpretação alegórica da sabedoria, tem (a cruz) chamado a árvore da vida plantada no Paraíso, que o Paraíso pode ser o mundo no qual tudo que pertence à criação. É também neste mundo que a Palavra floresceu e deu fruto, tendo se tornado carne, e que vivificou aqueles que provaram sua doçura, pois sem madeira é impossível para nós alcançarmos a gnose. nossa vida foi suspensa por nossa fé. E Salomão disse: Ele é uma árvore da imortalidade para aqueles que a apreendem. ” 198 dC – São Clemente de Alexandria -“ E os nossos selos sejam uma pomba ou um peixe, ou um navio deslizando antes o vento, ou uma lira musical, que Polycrates usou, ou a âncora de um navio, que Seleuco foi gravada como um dispositivo; e se houver uma pesca, ele se lembrará do apóstolo e as crianças serão retiradas da água. ”(O Livro do Instrutor III Capítulo 11) Irineu de Lyon assim como Clemente de Alexandria começou distinguir entre ídolon e ikonon .eidwlon, eikwn. No qual o primeiro representava uma ideia pagã, feita pela mão do homem; o segundo, no entanto, representava a imagem de Deus. De fato, a imagem de Deus é sua Palavra; e uma imagem da Palavra é a mente do homem, o homem verdadeiro, o gnous , que é um ser racional criado à imagem e semelhança de Deus. Refere-se a duas passagens da Sagrada Escritura: 1 Co 4.4 Cristo é a imagem do Deus vivo. e Gen 1:26 O homem é criado de acordo com a imagem e semelhança de Deus: Kai eikona Qeou-kaq omoiwsin .. #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #imagenssacraseídolos #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Igreja
- A CRISE DA LITERATURA CATOLICA É TAMBÉM UMA CRISE DE FÉ – Dana Gioia
Dana Gioia, poeta, crítico e professor Muitas pessoas julgam uma religião por sua arte; e por que não deveriam fazê-lo? (Elizabeth Jennings) Na esfera literária, os católicos americanos agora vivem uma situação mais próxima à de 1900 que à de 1950. Trata-se de uma identidade cultural e religiosa que subsiste, na maioria das vezes, numa subcultura marginalizada; ou permanece desarticulada e encoberta numa cultura geral que dela escarnece ou repudia. Entre as “pessoas respeitáveis” mencionadas por Hilary Mantel, o catolicismo é algo retrógrado, marginal, desonroso. Não espanta, pois, que os escritores católicos mantenham-se numa atitude tão discreta em relação à sua fé. Afinal de contas, o que é que eles podem ganhar, hoje em dia, ao se identificarem como católicos? Quase não recebem apoio de sua comunidade, e nem mesmo o apoio espiritual de uma tradição artística ativa. A cultura intelectual e acadêmica em geral permanece, ao menos tacitamente, anticatólica. A situação traz à mente o queixume espirituoso de Teresa d’Ávila a Jesus: “Se essa é a maneira como Tu tratas teus amigos, não espanta que tenhas tão poucos.” Se for necessária uma imagem ou metáfora para descrever nossa atual cultura literária católica, eu diria que ela se assemelha ao estado presente dos velhos bairros urbanos de imigrantes, onde viviam nossos avós. Eles ainda conseguem preservar um pouco da cor local, em meio à sua infraestrutura decadente, mas já são, na maioria das vezes, lugares atraentes, dos quais fogem as pessoas que querem subir na vida; economicamente mortos, oferecem poucas oportunidades de empregos. Já quase não possuem poder social ou cultural. Para imaginar as artes católicas nos EUA de hoje, não pense em Florença ou Roma. Pense em Newark, New Jersey… Outros poderiam resumir essa situação de forma um pouco diferente, mas duvido que qualquer observador honesto, diante da cultura literária dos nossos dias, pudesse refutar essa triste síntese que fiz das letras católicas. Apesar do multiculturalismo e do tão propalado respeito à diversidade, é preciso admitir que as letras americanas contemporâneas deixam pouco espaço ao catolicismo; e os católicos, nas atuais circunstâncias, têm recuado diante da cultura dominante. Estou seguro de que disse algo deprimente, que irá enfurecer ou desagradar os leitores deste ensaio. Também me deprimo com tudo isto, mas não tenho como me desculpar: é a realidade. Mas, se esbocei em termos tão negativos a situação cultural dos escritores americanos de hoje, garanto que não foi por desespero, nem por cinismo. Estou convicto de que, para resolver um problema, é preciso primeiro encará-lo honestamente, sem minimizar ou recusar as dificuldades que apresenta. Para revitalizar algum aspecto da vida cultural, é obrigatório compreender as hipóteses e forças que o governam. O colapso da vida literária católica reflete a grande crise de fé dentro da própria Igreja, que afeta, em todos os aspectos, a vida religiosa, cultural e intelectual. Além do mais, o que eu escrevi até agora também tem a ver, em termos gerais, com todos os cristãos americanos. Qualquer que seja a sua denominação, eles têm se distanciado cada vez mais do mundo das artes. Com efeito, entregaram as artes à sociedade secular. É desnecessário dizer que, para o catolicismo, esse retraimento cultural — ou melhor, essa quase rendição — representa um abandono definitivo do papel tradicional da Igreja como mentora e benfeitora das artes. Em apenas cinquenta anos, a benfeitora é agora uma pária. Em https://www.firstthings.com/article/2013/12/the-catholic-writer-today
- DEVE A VIRGEM MARIA RECEBER O TÍTULO DE MÃE DE DEUS? RESPOSTA: SIM
DEVE A VIRGEM MARIA RECEBER O TÍTULO DE MÃE DE DEUS? RESPOSTA: SIM Pois biblicamente é o Espírito Santo que dá-lo pela boca de Isabel (quando o Espírito Santo fala). Em Lucas 1,43 mostra Isabel cheia do o Espírito Santo e chama Maria “Mãe do meu Senhor ” e o nome Senhor no grego se traduz Kurios e essa tradução grega vinda do hebraico se chama Adonai. E Espírito Santo está chamando Maria “Mãe de Adonai” que é mãe de Deus . NOTA:Isso não significa que Maria criou Deus , ele quer dizer que Maria carregou em seu ventre a carne (carne encarnado) a segunda pessoa da Trindade. POR ISSO : Já no século III Orígenes a chamava de Theotokos (Mãe de DEUS em grego) RESUMINDO: JESUS como DEUS é incriado, mas é Encarnado no ventre de uma mulher, portanto Maria é a Mãe terrena de DEUS . Alguns dizem que Maria é a única mãe de Jesus? Na teologia falamos da “união hipostática” o que significa que em Jesus Cristo não pode-se separar a natureza humana do Divino, como eles estão intrinsecamente ligados (doutrina comum em todas as Igrejas cristãs). Dizer que Maria é a mãe de Jesus é apenas cair na heresia chamada “monarquianismo dinâmico” ou outra chamada “adocionismo”, ambas do século IV e condenada pelos concílios. Em seguida, depois de existir em JESUS a união “hipostática” que é , de ser incapaz de separar as duas naturezas de Jesus, Maria deu à luz o lado humano de Jesus , mas toda a Segunda Pessoa da Trindade chamado a partir de agora ” O filho”. #Maria #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Bíblia #Cristologia #Igreja

















































