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- Nada mais glorioso, nobre e honroso poder pertencer à Igreja Una, Católica, Apostólica e Romana
Pois nada mais glorioso, nada mais nobre, nada certamente mais honroso pode ser imaginado do que pertencer à Igreja Una, Católica, Apostólica e Romana - Papa Pio XII, Encíclica Mystici Corporis Christi, n. 91 Fontes: Catholic Sat
- Nada grita o Vaticano II como a Catedral de Tóquio
Nada grita o Vaticano II como a Catedral de Tóquio, projetada pela Alemanha, que substituiu o original gótico destruído por ataques aéreos durante a Segunda Guerra Mundial. Fontes: Catholic Sat
- É permitido aos fiéis encostar no Ostensório?
O que a Igreja nos ensina sobre tocar na Hóstia ou no Ostensório durante a adoração ao Santíssimo Sacramento? Durante o momento de Adoração ao Santíssimo Sacramento, os fiéis não devem tocar o Ostensório.” Chegam às nossas Paróquias inúmeros questionamentos, como os que transcrevemos abaixo. “Quando Jesus era vivo, as pessoas tentavam ser curadas apenas tocando nas vestes dele. Não podemos fazer isso hoje? Aquele que tem muita fé, não poderia ser curado?” A pergunta responde por ela mesma. No tempo em que Jesus estava na terra (porque Jesus ainda está vivo), uma mulher (cf. Lc 8, 43) ficou curada não porque tocou em Jesus, mas porque tinha fé. De igual modo, não precisamos tocar em Jesus, mas crer Nele. Nosso Senhor nunca disse que deveríamos tocá-lo para ficarmos curados, mas sim, que se crermos Nele, jamais morreremos (cf. Jo 11, 26). Nós poderíamos citar diversas teologias e regras litúrgicas que mostrassem que não é certo tocar no Santíssimo. Porém, vemos aqui que a questão é outra. Quem tem muita fé, confia em Deus e Nele espera. Se nós cremos que ficaremos curados de nossos males porque tocamos no ostensório ou nas vestes do Papa ou fomos até Jerusalém, a nossa fé é vã. A nossa fé só não é vã se cremos que Cristo ressuscitou (cf. 1Cor 15, 14). Leia também: AS TERRÍVEIS CONSEQUÊNCIAS DA COMUNHÃO NA MÃO Podemos tocar na Hóstia ou no Ostensório durante a adoração ao Santíssimo Sacramento? Começo lembrando que em boa hora temos documentos importantes corrigindo certas posturas equivocadas em relação à Eucaristia. São muitos estes documentos. Dois deles tão recentes que ainda não chegaram a muitas comunidades. São eles a Instrução Geral para o Missal Romano e a Encíclica do Papa João Paulo II sobre o Sacramento da Eucaristia (Ecclesia de Eucharistia, 17/4/2003). Nossas equipes de liturgia precisam mergulhar nesses documentos para entenderem e ajudarem o povo a entender a riqueza do Sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor. A pergunta sobre poder ou não tocar na hóstia consagrada durante as bênçãos do Santíssimo Sacramento tem endereço certo, e se refere ao que se vê em determinadas celebrações mostradas para todo o Brasil via televisão. O Santíssimo Sacramento passa pelo meio do povo e as pessoas tocam no ostensório. Embora não se negue a fé destas pessoas, é preciso dizer que não é litúrgica esta “manipulação” da hóstia consagrada. Ela peca contra a sacralidade do Sacramento. Nós tomamos o Cristo Eucarístico nas mãos e o colocamos na boca, nós o tomamos e comemos como o Cristo mandou. Nós adoramos o Cristo no Sacrário, porque cremos na Sua presença. Nós acolhemos a bênção que a Igreja nos dá com o Santíssimo Sacramento, porque é o próprio Cristo presente no Sacramento, o Autor da bênção. Leia também: Cardeal Sarah: “A Igreja Católica sofre porque muitos padres perderam o sentido do sagrado “ E chega! Fora disto qualquer manipulação, qualquer aproximação indevida se torna desrespeito ao dom mais precioso que o Cristo fez de si mesmo a nós. Isto para não dizer que determinadas atitudes acabando não passando de um devocionismo vazio. Diante da grandeza do Mistério Eucarístico acolher as instruções da Igreja é o melhor caminho para se evitarem exageros, imprecisões e erros. In Iustitia Christi Mons. Inácio José Schuster, Vigário Geral Via Aleteia | A Fé Explicada #Adoração #JesusSacramentado #SantíssimoSacramento
- É permitido aos fiéis encostar no Ostensório?
O que a Igreja nos ensina sobre tocar na Hóstia ou no Ostensório durante a adoração ao Santíssimo Sacramento? Durante o momento de Adoração ao Santíssimo Sacramento, os fiéis não devem tocar o Ostensório.” Chegam às nossas Paróquias inúmeros questionamentos, como os que transcrevemos abaixo. “Quando Jesus era vivo, as pessoas tentavam ser curadas apenas tocando nas vestes dele. Não podemos fazer isso hoje? Aquele que tem muita fé, não poderia ser curado?” A pergunta responde por ela mesma. No tempo em que Jesus estava na terra (porque Jesus ainda está vivo), uma mulher (cf. Lc 8, 43) ficou curada não porque tocou em Jesus, mas porque tinha fé. De igual modo, não precisamos tocar em Jesus, mas crer Nele. Nosso Senhor nunca disse que deveríamos tocá-lo para ficarmos curados, mas sim, que se crermos Nele, jamais morreremos (cf. Jo 11, 26). Nós poderíamos citar diversas teologias e regras litúrgicas que mostrassem que não é certo tocar no Santíssimo. Porém, vemos aqui que a questão é outra. Quem tem muita fé, confia em Deus e Nele espera. Se nós cremos que ficaremos curados de nossos males porque tocamos no ostensório ou nas vestes do Papa ou fomos até Jerusalém, a nossa fé é vã. A nossa fé só não é vã se cremos que Cristo ressuscitou (cf. 1Cor 15, 14). Leia também: AS TERRÍVEIS CONSEQUÊNCIAS DA COMUNHÃO NA MÃO Podemos tocar na Hóstia ou no Ostensório durante a adoração ao Santíssimo Sacramento? Começo lembrando que em boa hora temos documentos importantes corrigindo certas posturas equivocadas em relação à Eucaristia. São muitos estes documentos. Dois deles tão recentes que ainda não chegaram a muitas comunidades. São eles a Instrução Geral para o Missal Romano e a Encíclica do Papa João Paulo II sobre o Sacramento da Eucaristia (Ecclesia de Eucharistia, 17/4/2003). Nossas equipes de liturgia precisam mergulhar nesses documentos para entenderem e ajudarem o povo a entender a riqueza do Sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor. A pergunta sobre poder ou não tocar na hóstia consagrada durante as bênçãos do Santíssimo Sacramento tem endereço certo, e se refere ao que se vê em determinadas celebrações mostradas para todo o Brasil via televisão. O Santíssimo Sacramento passa pelo meio do povo e as pessoas tocam no ostensório. Embora não se negue a fé destas pessoas, é preciso dizer que não é litúrgica esta “manipulação” da hóstia consagrada. Ela peca contra a sacralidade do Sacramento. Nós tomamos o Cristo Eucarístico nas mãos e o colocamos na boca, nós o tomamos e comemos como o Cristo mandou. Nós adoramos o Cristo no Sacrário, porque cremos na Sua presença. Nós acolhemos a bênção que a Igreja nos dá com o Santíssimo Sacramento, porque é o próprio Cristo presente no Sacramento, o Autor da bênção. Leia também: Cardeal Sarah: “A Igreja Católica sofre porque muitos padres perderam o sentido do sagrado “ E chega! Fora disto qualquer manipulação, qualquer aproximação indevida se torna desrespeito ao dom mais precioso que o Cristo fez de si mesmo a nós. Isto para não dizer que determinadas atitudes acabando não passando de um devocionismo vazio. Diante da grandeza do Mistério Eucarístico acolher as instruções da Igreja é o melhor caminho para se evitarem exageros, imprecisões e erros. In Iustitia Christi Mons. Inácio José Schuster, Vigário Geral Via Aleteia | A Fé Explicada #Adoração #JesusSacramentado #SantíssimoSacramento
- A IDEOLOGIA GLOBALISTA… DA REDE GLOBO
O peruano Alberto Chong, economista do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e a italiana Eliana La Ferrara, pesquisadora da Universidade Bocconi de Milão, fizeram duas pesquisas entre 2008 e 2009, a serviço do Departamento de Pesquisa do mesmo BID, sobre a influência da Rede Globo na população brasileira. O primeiro trabalho, “Telenovelas e fertilidade: evidências brasileiras” (“Soap Operas and Fertility: Evidence from Brazil”, com a colaboração de Suzanne Duryea, também do BID), procurava conhecer os efeitos das onipresentes telenovelas — vistas no Brasil por todas as classes sociais — “na fertilidade das mulheres”; em palavras mais simples, sobre o encolhimento da família brasileira. Ficou bem claro, aos pesquisadores, que o momento da chegada do sinal da Globo marcava, naquele lugar, o início do declínio demográfico. No segundo trabalho, “Televisão e divórcio: evidências nas telenovelas brasileiras” (“Television and divorce: evidence from brazilian novelas”), os autores mostravam como o contato com o estilo de vida moderno, propiciado sobretudo pelas telenovelas (mulheres emancipadas em ação, crítica aos valores tradicionais), fizeram aumentar o número de mulheres separadas e divorciadas no Brasil. O período coberto pelas pesquisas ia das décadas de 70 a 90, em que a Globo monopolizava a produção de novelas no Brasil. Enfim, onde quer que a janelinha da Globo fosse aberta nas salas e quartos do Brasil, aumentava o número de mulheres separadas ou divorciadas, enquanto diminuía o nascimento de crianças, as quais, significativamente, eram nomeadas segundo os personagens mais importantes das telenovelas, revelando o quanto essas interferiam nas escolhas individuais dos brasileiros. Os pesquisadores insistem que essas influências não provêm genericamente da simples presença da televisão nas áreas estudadas, mas das realidades particulares retratadas pelas telenovelas. Considerando a situação do Brasil, em especial as regiões mais pobres, com o baixo índice de alfabetização, pesquisa enfatiza o “papel crucial” desempenhado pela televisão, particularmente as telenovelas, como veículo de circulação de ideias e ferramenta de política pública (que podemos traduzir livremente por “instrumento de mudança de comportamento”), com a grande vantagem de atingir multidões a baixo custo. Nada mais adequado aos “formuladores de políticas de desenvolvimento”, para “a transmissão de importantes mensagens sociais e econômicas (por exemplo, sobre prevenção AIDS, educação infantil, direitos das minorias, etc.)”. Apoiados em pesquisas anteriores — e mesmo reconhecendo que o divórcio possa, a longo prazo, ter efeitos negativos para os filhos —, os autores estão convencidos de que a separação fortalece as mulheres na guerra conjugal, sobretudo o facilitado divórcio unilateral (sem necessidade de consenso pelo casal). Elas conquistam maior “igualdade de gênero” no casamento, o que significaria mais justa distribuição do trabalho, doméstico ou fora de casa, fazendo também diminuir a violência doméstica, o homicídio conjugal e o suicídio. Os economistas, que fizeram essas duas pesquisas para o BID, cantaram vitória diante do número elevado de dissoluções conjugais provocado pelas novelas da Globo. Nós, porém, que vivemos aqui embaixo, no mundo real, onde as pessoas se dão em casamento e depois se separam, sabemos onde estão as feridas do divórcio e como atingem concretamente as pessoas.
- O REINO DO FILHO – Scott Hahn medita sobre a Solenidade de Cristo Rei
Semana após semana, a Liturgia nos veio preparando para a revelação a ser feita hoje, no último domingo do ano eclesial. Jesus, como nos foi mostrado nos domingos anteriores, é verdadeiramente o Eleito, o Messias de Deus, o Rei dos Judeus. Ironicamente, no evangelho de hoje, ouvimos esses nomes dos lábios dos que não acreditavam Nele: governantes de Israel, soldados e um criminoso que morria a Seu lado. Estes só conseguiam enxergar o escândalo de uma figura ensanguentada, presa a uma cruz. Desprezaram-No com palavras e gestos já preditos nas Escrituras de Israel (Salmo 22, 7–9; 69, 21–22; Sabedoria 2, 18–20). “Se é verdadeiramente Rei, Deus O salvará”, escarneciam. Mas Ele não veio para salvar a Si mesmo, mas para salvar a eles e a nós. O bom ladrão nos indica como devemos aceitar a salvação que Ele nos oferece: confessa seus pecados, reconhecendo que merece morrer por eles. E invoca o nome de Jesus, buscando Sua misericórdia e perdão. Pela sua fé, foi salvo. Jesus “se lembra” dele — como Deus sempre se lembrou de Seu povo, visitando-o com Suas obras redentoras, contando-o entre os Seus herdeiros escolhidos (Salmo 106, 4-5). É pelo sangue de Sua cruz que Jesus revela o Seu reinado. Não procurou salvar a Sua vida, mas a ofereceu pela nossa salvação. Com isto, o Pai nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu Filho amado, como nos diz a Epístola de hoje. O Reino de Cristo é a Igreja, a nova Jerusalém e a Casa de Davi que cantamos no Salmo de hoje. Pela aliança com Davi, conforme a Primeira Leitura, as tribos de Israel transformaram-se nos mesmos ossos e na mesma carne do seu rei. Pela nova aliança, feita com Seu sangue, Cristo se torna uma só carne com o povo de Seu Reino: Ele é a cabeça de Seu corpo, que é a Igreja (Efésios 5, 23–32). Celebramos e renovamos essa aliança em toda Eucaristia, dando graças pela nossa redenção, aguardando o dia em que também estaremos com Ele no Paraíso. https://stpaulcenter.com/audio/sunday-bible-reflections/kingdom-of-the-son-scott-hahn-reflects-on-the-solemnity-of-christ-the-king/
- O INVESTIMENTO INTERNACIONAL PARA O CRESCIMENTO DAS SEITAS
O INVESTIMENTO INTERNACIONAL PARA O CRESCIMENTO DAS SEITAS Por muitas vezes já ouvimos a frase “parece obra de igreja”, que era uma analogia com obras públicas ou particulares que ficavam se arrastando por muito tempo. Isso está relacionado às obras da Igreja Católica, pois sempre eram obras que demoravam duas, três ou mais gerações pra ficarem prontas. Está analogia nunca está relacionada com seitas protestantes, pois veremos que existe uma ingerência internacional que dá amplo suporte à essas igrejas, serão feitos vários artigos sobre o tema, vamos avaliar uma por uma, começaremos com os adventistas do sétimo dia, veremos que à questão passa pelo cunho religioso, mas a meta é política e econômica. Este é o primeiro artigo de muitos outros que irei demonstrar á articulação por detrás do empenho de mudar o cenário religioso no país, mas um detalhe não é coincidência, todos são dos EUA, irei abordar até movimentos religiosos progressistas católicos vindo dos EUA. “Acho difícil conceber uma estrutura organizacional melhor que a nossa. Noto que muitas pessoas a quem visito, altos executivos, homens de negócios e industriais, mesmo chefes de Estado – ficam maravilhados pela eficiência da estrutura de nossa Igreja.” A revelação é do pastor Neal C. Wilson, presidente, desde 1978, da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia, sediada em Washington, em recente avaliação das atividades de quase 6 milhões de adventistas existentes cm 190 países, que ajunta ao seu entusiasmo: “Também fico impressionado com o número de adventistas que ocupam lugares de influência nacional e internacional ao redor do mundo. Quando eu era jovem, a Igreja não possuía muitos amigos nos altos postos e os adventistas eram quase desconhecidos no mundo dos negócios, das profissões e da política. Hoje, tudo mudou. Deus tem feito prosperar muitos dos nossos irmãos, dando-lhes habilidade de liderança, força espiritual, uma variedade de talentos e êxito financeiro. Por isso, eles têm contribuído generosamente em todas essas áreas, permitindo que nossa Igreja seja vista sob nova luz.” A igreja Adventista do Sétimo Dia , na verdade, é uma empresa religiosa moderna e extremamente eficiente, onde quer que tenha presença. Certamente a mais dinâmica de todas. No Brasil. São aproximadamente 600 mil crentes, apoiados por uma corpo, que compreende cerca de 7 mil pessoas, entre pastores, missionários, e obreiros, desenvolvem um trabalho, notadamente no campo social, que está longe de ser seguido ou imitado por qualquer outra seita Protestante. O que vemos e chama atenção é uma gama de atividades desproporcionais em relação inclusive, ao número de fieis ou tamanho daquela igreja entre nós, envolvendo um elenco de ações só passiveis de controle mesmo por mecanismos de uma organização de feições multinacionais. É no mínimo curiosa a desenvoltura que caracteriza a participação da igreja Adventista do Sétimo Dia na Educação e da Saúde enfrentados pelos diversos países é impressionante e misteriosa. Parece que os números esclarecem com suficiente clareza essa contribuição: 5.500 unidades educacionais primárias, secundárias e superiores, com mais de 30 mil professores ministrando ensinamentos a cerca de 1 milhão de estudantes. Opera, por outro lado, um complexo internacional integrado por 166 hospitais, 234 clínicas e dispensários e 54 lanchas e aviões, a serviço do que chama evangelho da Saúde. Um verdadeiro exército – 47 mil pessoas se ocupa dessa imensa rede beneficente nos variados lugares do mundo. Mantém, ainda, 51 casas editoras espalhadas em diversos países, incumbidas de publicações em 175 idiomas, onde se incluem jornais, revistas e livros, com enormes tiragens, sobre fumo, álcool, droga, alimentação e hábitos de Vida. A obstinação dos adventistas em promover a Educação e cuidar da Saúde mereceu, a prepósito curiosa observação da revista “US Catholic”, em artigo escrito por William J . Whiler, respeitado catedrático de História da Universidade Católica de Purdue, que diz que podemos esperar que uma igreja que aguarda o fim do mundo a qualquer momento concentre sua atuação exclusivamente em assuntos religiosos. Mas que estranhamente não são assim os adventistas. Sua crença na Segunda Vinda não esfriou seu empenho em favor da Educação, do cuidado médico ou do serviço em prol dos outros e que nenhuma denominação Protestante pode apresentar mais impressionante relatório de serviço médico do que a adventista do sétimo dia, levando-se em conta o número total de seus adeptos, que não é compatível com o aparelhamento hospitalar, eu mesmo pude conhecer o hospital silvestre no alto da boa vista, um hospital que contava com equipamentos de última geração, bons salários, em uma época em que o Estado nem sonhava em ter aqueles equipamentos, e pouquíssimos hospitais tinham esse nível. São tradicionais suas campanhas contra o fumo, o álcool e o tóxico, sempre orquestradas com farta publicação de doutrinação contra esses vícios. A apologia da Saúde incorporada ao proselitismo religioso contou sempre com o reforço dos ensinamentos dos seus ideólogos. Como a senhora Ellen G. White, são da linha puritana, aos moldes da Revolução Puritana e da República de Cromwell, onde os revolucionários se percebiam como agentes de Deus na terra. Apóstolos com a missão de virar o mundo de ponta cabeça. O rei era visto como um representante da ordem que deveria ser invertida. Nesse sentido era percebido como um agente do mal na terra. Nessa revoluções podemos verificar que A Bíblia serviu como texto orientador para os revolucionários puritanos, e os revolucionários viam a si próprios como agentes de Deus na terra, uma semelhança com o pensamento das seitas modernas surgidas nas últimas décadas. O adventismo é uma religião forjada e retocada ao modelo de Vida da classe média americana, tipicamente conservadora e Puritana. Nascido nos Estados Unidos no começo do século passado, é um movimento de dissidentes da Igreja Batista, então insatisfeittos com alguns dogmas de fé do protestantismo histórico. Prega obstinadamente a Segunda Vinda do Salvador, quando os justos falecidos ressuscitarão e, juntamente com os justos que estiverem vivos, serão glorificados e revestidos de imortalidade, enquanto os pecadores, os ímpios, só o farão mil anos mais tarde, para serem destruídos para sempre. É a teoria do milenarismo. O adventista é proibido de usar estimulantes, como álcool, fumo e café, devendo trajar-se sobriamente e abster-se de passatempos mundanos, tais como cinema, baile e jogos. William Miller (1782-1849), de Pittsfield, Massachusetts, agricultor de origem humilde, depois militar, interpretando as Escrituras e as visões de Daniel e Apocalipse, conseguiu, a partir de 1812, empolgar alguns setores da comunidade batista para as suas conclusões em torno da Segunda Vinda. Nesses estudos, previa o evento para 1843. Corrigiu-as, depois, apontando o outono de 1844, mais exatamente o dia 22 de outubro, como a grande data. Mas nada de extraordinário aconteceu naquele dia, senão uma grande frustração dos crentes reunidos em orações em Battle Creek, Michigan. Em meio as suplicas, exaltação e choro, o dia clareou e a Segunda Vinda não se concretizou. Consequência foi um enorme racha no adventismo, com os fieis, desapontados, voltando às igrejas de origem. Poucos líderes do movimento suportaram a execração plública, a gozação, e mantiveram-se leais à causa, tentando uma recomposição do que sobrou do adventismo apos a debandada. Entre os reorganizadores e reestruturadores do desarticulado movimento está Ellen G. Harmon, depois Ellen G. White (18271915), de Portland, no Maine, uma ex-metodista que veio a desempenhar papel importante no adventismo durante 70 anos. Liderou várias iniciativas, sobressaindo-se como teorica e ideologa das doutrinas da seita, com 53 livros e 4.500 artigos publicados, abrangendo vários aspectos da fé adventista. Os adventistas mantém em funcionamento permanente, no Brasil, 11 hospitais, sendo 2 em São Paulo, 2 no Rio de Janeiro, 1 em Belo Horizonte, Campo Grande, Manaus, Belém, Vitoria, Londrina e Salvador; tem instituições para ministrar cursos de culinária, corte e costura, e princípios de enfermagem; 8 grandes clinicas múltiplas; 18 lanchas-ambulatorio equipadas com todos os recursos médicos e odontológicos, percorrendo os grandes rios da Amazonia, Mato Grosso e Pará; 1 avião médico-missionário; várias creches, patronatos, orfanatos, asilos de velhos e clinicas médicas-móveis. Também na érea de Saúde, opera várias lojas de produtos naturais, restaurantes vegetarianos e centros de tratamento de alcoolismo. É conveniente esclarecer, a propósito, que a Igreja Adventista não é dona ou sócia da “ Golden Cross”, poderosa multinacional da área de saúde, apenas administra alguns hospitais da empresa, pois seu dono Milton Soldando Afonso é adventista. INGERENCIA DE FORA A ajuda externa, justamente, representa um dos pontos delicados de qualquer estudo com o propósito de redesenhar o panorama religioso brasileiro nas últimas décadas. Com efeito, não tem escapado ao observador mais avisado evidências seguras da interferência de estranhos mecanismos na sustentação do novo quadro que vai se delineando a partir do extraordinário impulso que ganharam os movimentos ou seitas modemas surgidas no Pais. Esse crescimento repentino não pode ser explicado somente pelo resultado da força de doutrinação proselitista dos novos pregadores ou pelo preenchimento dos anseios dos desiludidos com suas crenças originais. Razões puramente subjetivas podem até justificar grande parte das conversões ou substituições de valores espirituais. Mas não podem, evidentemente. ser subestimadas a velocidade e as características peculiares com que se operam as súbitas transformações em causa. Nao há dúvida quanto a ingeréncia de um fator acelerador em todo o processo. Pelo menos, a se dar crédito aos números de adesões aquelas religiões anunciadas pelos porta-vozes dos interessados. Vista a questão dessa perspectiva de suspeita, é natural, entéo, que se ponham as indagagoes cabiveis no caso, ou seja, qual a procedência dessa ajuda e quem sao os beneficiários da mesma? qual o seu montante e como se processa? quais os objetivos de quem a promove? Seria ingénuo, para nao dizer absurdo, raciocinar com a hipótese da existência de um plano ordenado com objetivos politicos para conseguir uma modificagao imediata no quadro religioso brasileiro. Uma trama desse tipo não se enquadraria na temporalidade das coisas. As ideologias nao parecem interessadas em coordenadas de sedimentação tão futura que requeira séculos para apresentar resultados práticos. Mas não desprezam as oportunidades oferecidas pelos rumos naturais que assumem os movimentos sociais ou religiosos, nem deixam de aproveitar as brechas ocasionais que se abrem nas estruturas para inflltrar as mesmas ideologias. É cômodo e facil. O comprometimento é minimo. Os investimentos sao relativamente baixos nesses casos e os frutos compensadores a curto prazo. Uma visão com esse enfoque da paisagem religiosa da América Latina, particularmente do Brasil, mostra exatamente a ocorréncia do fenômeno favorecendo a capitalização de dividendos políticos para aquela ação oportunista. A proliferação de seitas novas, aliciando crentes com relativa facilidade, sobretudo nas camadas mais pobres das populações urbana e rural, vai alargando os flancos a consolidação de ideias defendidas pela situação dominante. Manter é menos complicado do que mudar. E os movimentos religiosos de grande apelo popular ajustam-se sob medida a essa estratégia, porque, na sofreguidão de engrossar as suas fipleiras de adeptos, preocupam-se exclusivamente com o transcendental. deixando o temporal como sempre esteve. Conquanto a fé ostente uma pujança expressiva, competitiva mesmo, dados os termos em que foi colocada a disputa de crentes, o que conta nessa corrida é, pois, o número de ovelhas conquistadas e a forja em detrimento de novo sistema econômico e político liberal. Jancso, Istvan. A construção dos estados nacionais na América latina, MONTEIRO DE LIMA, Delcio, os demônios descem do Norte. #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Apologética #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric
- A FALÁCIA DO MULTICULTURALISMO
Como mitificação do selvagem e do rústico, o multiculturalismo foi uma pequena onda que começou a erguer-se no século XVIII e hoje, facilitado pela diminuição eletrônica das distâncias mundiais, é dona quase absoluta das ciências humanas. Nem a teologia católica escapou do cerco de Jericó do multiculturalismo, como se pôde ver no recente Sínodo sobre a Amazônia. Rousseau é o padrinho dessa tendência, que partiu do romantismo, adquiriu vigor novo nas vanguardas “primitivistas” do século XX e hoje domina a mentalidade acadêmica. Obras como Estruturas da mente: a teoria das inteligências múltiplas, de Howard Gardner, que ofereceu a presumível base neuropsicológica ao multiculturalismo e ajudou a justificar a infame “progressão automática” das escolas públicas brasileiras, são importantes contribuições do presente àquele diabólico plano da nova esquerda, que se disfarça de democracia e igualitarismo para melhor construir os grilhões do novo totalitarismo que, segundo algumas prospecções, não será doloroso, mas prazeroso: a humanidade aprenderá a amar as coisas que irão destruí-la. Diz-se, com frequência, em ambientes politicamente corretos, que os conquistadores europeus foram intolerantes com os nativos americanos, quinhentos anos atrás. “Vocês comem a carne do seu Deus? Nós comemos a nós mesmos”, disse o asteca Montezuma, em 1519, ao conquistador espanhol Hernán Cortez, depois de tomar conhecimento do sacramento católico da eucaristia. Tudo indica que a gastronomia ibérica seja superior à asteca: o povo que se alimentava de Deus conseguiu escrever um Don Quijote de La Mancha; e o que se alimentava de gente — que mal gosto! — não avançou além da literatura oral. Hernán Cortez fez muito bem em levar outra religião àquele pessoal que nada entendia de culinária. Por mais que a civilização cristã tenha cometido asneiras e pilhagens, pois sempre houve asnos e lobos no rebanho cristão, ela foi fundada por Alguém que veio condenar o sacrifício do homem pelo homem. As religiões modelam as civilizações. Pessoas que colocam fatos reais acima de fantasias ideológicas, jamais gostariam de pertencer à religião do índio Montezuma. Os índios amazônicos continuam necessitando de catequese cristã — e de civilização cristã. E os ecoteólogos católicos também.
- Padre constrói menino Jesus gigante para altar e assusta fiéis
A estátua mede quase 7 metros de altura e mais de 900 kg. A igreja La Epifanía del Señor , no México, ergueu uma estátua gigantesca do menino Jesus que impressionou muitos fiéis nas redes sociais. De acordo com o New York Post , a estátua de quase sete metros de altura e mais de 900 kg foi executada pelo escultor Roman Salvador a pedido da igreja. Porém, o próprio responsável pelo local, o padre Humberto Rodriguez, se espantou com o tamanho da obra, e contou que eles “nunca quiseram ter a maior estátua do menino Jesus do mundo”. Virou “moda” tirar os crucifixos do altar O padre Juvan Celestino da Silva criticou as igrejas católicas que abandonaram o crucifixo, o que aparentemente é um “modismo”, onde a opção é apenas pela imagem de Cristo. Ele foi categórico ao afirmar que “uma Igreja sem Cruz é uma Igreja herética, uma Igreja “protestantizada”. Devemos reconhecer com pesar que vivemos uma verdadeira crise na teologia da Cruz. Para o padre, a imagem do “Cristo voador”, presente em algumas Igrejas é um Cristo “lavado e sem sangue, um Cristo enxuto, uma imagem sem graça, sem gosto, ou melhor, de mau gosto, porque está no lugar errado e na hora errada. Pois sabemos que a Igreja militante, é a Igreja da Cruz, do combate… da luta. A Igreja gloriosa nos espera para além deste mundo”. Embora os argumentos favoráveis a essa opção é mostrar que trata-se de Jesus ressuscitado, Juvan não se conforma. Esse Cristo está “suspenso no ar, sem cruz sem razão de ser. Na verdade por mais que queiram representar o Cristo ressuscitado, a imagem foge totalmente da verdadeira experiência do cristão. Pois sem a Cruz na há salvação e como diz a carta aos hebreus 9,22”. Ele acredita que trata-se essencialmente de uma questão teológica. “É algo ridículo, um passo a mais para se eliminar o símbolo da Cruz das Nossas Igrejas e das nossas vidas, pois das escolas e ambiente públicos aos poucos já estão tirando. O modismo do Cristo voador é um perigo para a fé… Pintar um Cristo voador e querer compará-lo ao Cristo ressuscitado é no mínimo fantasioso, para não dizer folclórico. Embora alguns querem associá-lo à ascensão”, sentencia. Por que sempre há um crucifixo nos altares? Uma pergunta que todo católico precisa saber responder No centro da ação litúrgica da Igreja, está Cristo e seu mistério pascal. Portanto, a celebração litúrgica deve tornar evidente esta verdade teológica. E, desde quase sempre, o símbolo escolhido pela Igreja para a orientação do coração e da mente do cristão durante a missa ou a liturgia é a representação de Jesus crucificado. O crucifixo é o principal elemento sobre o altar, porque a missa é o santo sacrifício, memorial da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Antigamente, a liturgia prescrevia o costume de que tanto o sacerdote quanto os fiéis se posicionassem na direção do crucifixo durante a missa. O crucifixo era colocado no centro do altar (que naquela época ficava ligado à parede). Isso nos dá a entender a centralidade do crucifixo na celebração do culto divino, e era muito mais destacado no passado. De fato, a presença da cruz na celebração da missa está certificada desde o século V. O crucifixo fica sobre o altar para recordar à assembleia e ao ministro celebrante que a vítima que se oferece sobre o altar é a mesma que se ofereceu na cruz. Portanto, nunca podemos perder de vista que a missa é um sacrifício – aspecto este que pode se perder quando a celebração se converte em uma festa que só leva em consideração a ressurreição do Senhor, esquecendo-se do seu sacrifício expiatório. Não podemos nos esquecer de que não há ressurreição sem cruz. O crucifixo no centro do altar nos indica que o sacerdote celebra a missa frente a Deus, e não como um protagonista diante do povo. A cruz tira o protagonismo do padre e o dá a Cristo; assim, tanto fiéis como sacerdotes vivem a missa olhando para Deus. A liturgia não é um diálogo entre sacerdote e assembleia. Sacerdote e povo não dirigem um ao outro sua oração, senão que, juntos, a dirigem ao único Senhor. Olhar para o crucifixo é uma oportunidade para caminhar com o olhar dirigido a Jesus. O crucifixo sempre deve estar sobre o altar, salvo duas exceções: quando o Santíssimo Sacramento é exposto na custódia e quando a crucificação é a imagem central da pintura ou retábulo atrás do altar. Alguns poderiam dizer que a cruz no centro do altar não deve ser permitida, pois impede a visão dos fiéis. Mas, na verdade, a cruz sobre o altar não é um obstáculo, e sim um ponto de referência comum.
- Padre constrói menino Jesus gigante para altar e assusta fiéis
A estátua mede quase 7 metros de altura e mais de 900 kg. A igreja La Epifanía del Señor , no México, ergueu uma estátua gigantesca do menino Jesus que impressionou muitos fiéis nas redes sociais. De acordo com o New York Post , a estátua de quase sete metros de altura e mais de 900 kg foi executada pelo escultor Roman Salvador a pedido da igreja. Porém, o próprio responsável pelo local, o padre Humberto Rodriguez, se espantou com o tamanho da obra, e contou que eles “nunca quiseram ter a maior estátua do menino Jesus do mundo”. Virou “moda” tirar os crucifixos do altar O padre Juvan Celestino da Silva criticou as igrejas católicas que abandonaram o crucifixo, o que aparentemente é um “modismo”, onde a opção é apenas pela imagem de Cristo. Ele foi categórico ao afirmar que “uma Igreja sem Cruz é uma Igreja herética, uma Igreja “protestantizada”. Devemos reconhecer com pesar que vivemos uma verdadeira crise na teologia da Cruz. Para o padre, a imagem do “Cristo voador”, presente em algumas Igrejas é um Cristo “lavado e sem sangue, um Cristo enxuto, uma imagem sem graça, sem gosto, ou melhor, de mau gosto, porque está no lugar errado e na hora errada. Pois sabemos que a Igreja militante, é a Igreja da Cruz, do combate… da luta. A Igreja gloriosa nos espera para além deste mundo”. Embora os argumentos favoráveis a essa opção é mostrar que trata-se de Jesus ressuscitado, Juvan não se conforma. Esse Cristo está “suspenso no ar, sem cruz sem razão de ser. Na verdade por mais que queiram representar o Cristo ressuscitado, a imagem foge totalmente da verdadeira experiência do cristão. Pois sem a Cruz na há salvação e como diz a carta aos hebreus 9,22”. Ele acredita que trata-se essencialmente de uma questão teológica. “É algo ridículo, um passo a mais para se eliminar o símbolo da Cruz das Nossas Igrejas e das nossas vidas, pois das escolas e ambiente públicos aos poucos já estão tirando. O modismo do Cristo voador é um perigo para a fé… Pintar um Cristo voador e querer compará-lo ao Cristo ressuscitado é no mínimo fantasioso, para não dizer folclórico. Embora alguns querem associá-lo à ascensão”, sentencia. Por que sempre há um crucifixo nos altares? Uma pergunta que todo católico precisa saber responder No centro da ação litúrgica da Igreja, está Cristo e seu mistério pascal. Portanto, a celebração litúrgica deve tornar evidente esta verdade teológica. E, desde quase sempre, o símbolo escolhido pela Igreja para a orientação do coração e da mente do cristão durante a missa ou a liturgia é a representação de Jesus crucificado. O crucifixo é o principal elemento sobre o altar, porque a missa é o santo sacrifício, memorial da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Antigamente, a liturgia prescrevia o costume de que tanto o sacerdote quanto os fiéis se posicionassem na direção do crucifixo durante a missa. O crucifixo era colocado no centro do altar (que naquela época ficava ligado à parede). Isso nos dá a entender a centralidade do crucifixo na celebração do culto divino, e era muito mais destacado no passado. De fato, a presença da cruz na celebração da missa está certificada desde o século V. O crucifixo fica sobre o altar para recordar à assembleia e ao ministro celebrante que a vítima que se oferece sobre o altar é a mesma que se ofereceu na cruz. Portanto, nunca podemos perder de vista que a missa é um sacrifício – aspecto este que pode se perder quando a celebração se converte em uma festa que só leva em consideração a ressurreição do Senhor, esquecendo-se do seu sacrifício expiatório. Não podemos nos esquecer de que não há ressurreição sem cruz. O crucifixo no centro do altar nos indica que o sacerdote celebra a missa frente a Deus, e não como um protagonista diante do povo. A cruz tira o protagonismo do padre e o dá a Cristo; assim, tanto fiéis como sacerdotes vivem a missa olhando para Deus. A liturgia não é um diálogo entre sacerdote e assembleia. Sacerdote e povo não dirigem um ao outro sua oração, senão que, juntos, a dirigem ao único Senhor. Olhar para o crucifixo é uma oportunidade para caminhar com o olhar dirigido a Jesus. O crucifixo sempre deve estar sobre o altar, salvo duas exceções: quando o Santíssimo Sacramento é exposto na custódia e quando a crucificação é a imagem central da pintura ou retábulo atrás do altar. Alguns poderiam dizer que a cruz no centro do altar não deve ser permitida, pois impede a visão dos fiéis. Mas, na verdade, a cruz sobre o altar não é um obstáculo, e sim um ponto de referência comum.
- POR QUE NÃO ADMITIR O DIVÓRCIO EXCEÇÃO? – Padre Leonel Franca, SJ
A: Por que não admitir o divórcio como exceção justificada? Por que não mitigar a lei inflexível da indissolubilidade em favor de alguns casos singularmente lastimosos? B: A esta altura dos nossos estudos já é possível dar uma resposta geral à questão proposta. De todos os argumentos em favor do divórcio — que, a seu tempo, submeteremos a uma análise minuciosa — é o único que merece alguma consideração. E não são poucos os espíritos generosos que por ele se deixam profundamente impressionar. A: Bem está que a indissolubilidade constitua a lei geral da família. É inegavelmente o ideal. Mas, olhos fitos no ideal, não percamos de vista as tristes contingências da realidade. Com ou sem culpa própria, muitos cônjuges chegam às profundidades incuráveis de uma desinteligência radical. A vida comum torna-se um martírio. As discórdias íntimas, a explodirem frequentemente em cenas escandalosas, comprometem a educação dos filhos. O lar está irremediavelmente arruinado na sua existência e no exercício normal de suas funções. Os casados chegaram a um ponto morto. Nestes e em outros casos análogos, todos os bens da indissolubilidade, preconizados anteriormente, são inatingíveis; em concreto, não passam de uma utopia. Por que, pois, em vantagem dos cônjuges e em benefício da prole, não partir estes laços ingratos e outorgar aos libertados do cárcere odioso a faculdade de tentarem a felicidade em condições de êxito mais provável? Nestes termos e restrito a estes casos, enquanto a indissolubilidade seria a norma da família humana, o divórcio representaria o remédio supremo às lastimosas e inevitáveis misérias conjugais. Nas relações domésticas seria como a cirurgia que só intervém com o horror dos seus ferros quando a saúde do organismo é condicionada pelas amputações dolorosas. B: E no entretanto a indissolubilidade não pode admitir exceções. Não é inflexibilidade de uma dureza sem coração, é a própria felicidade da família que assim o exige. Toda a ilusão dos divorcistas está em crer que o remédio por eles apregoado não se aplica senão à particularidade dos casos lastimáveis. Engano. O divórcio dissolve, sim, os lares mal construídos, mas, por um choque em retorno, vai ferir toda a instituição da família. A cirurgia só presta os seus serviços quando uma verdadeira necessidade os reclama. Apesar dos grandes progressos da assepsia e da segurança das operações, ninguém descuida todas as precauções possíveis para conservar hígidos os seus órgãos. O divórcio, pelo contrário, não limita a sua intervenção aos feridos, vai levar a doença aos membros sadios. Não é um remédio, é um agente propagador do mal. Já o desenvolvemos amplamente sublinhando os círculos viciosos que ele introduz no funcionamento regular da vida de família. A simples previsão normal do divórcio tende a esterilizar os lares, diminui a força de resistência dos cônjuges às dificuldades da vida, não educa as paixões, nem purifica o amor, estimula a anarquia e instabilidade dos instintos sexuais com o triste cortejo de suas consequências funestíssimas à família e à sociedade, insinua em toda a convivência conjugal um fermento ativo de desinteligência, desordens e perturbações profundas. Antes mesmo de entrar na faina de sua atividade separadora, a simples possibilidade do divórcio começa a desagregar o que se achava unido. A ideia do divórcio cria a matéria divorciável. Não são só as pedras desarticuladas de um lar em ruínas que ele separa; é todo o edifício da sociedade doméstica que abala com a generalidade de um movimento sísmico. Numa palavra, para a existência e o funcionamento regular da família, a ideia da indissolubilidade é de uma eficácia dinamogênica insubstituível. E o divórcio destrói esta ideia. No seio dos lares introduz não sei que de precário, provisório e hipotético que impede a família de realizar as suas finalidades fisiológicas, psíquicas e morais. O mal que produz é, pois, imenso: interessa a instituição conjugal em sua generalidade, e, por ela, o organismo social inteiro. “Plantada no limiar das núpcias ou no seio da família,” disse um exímio jurisconsulto italiano, “a ideia do divórcio é um veneno perene para o matrimónio, uma suspeita contínua para os cônjuges, uma ameaça para os filhos”. A: Por que não admitir exceções? B: Por um dever de justiça e de caridade. Entre o mal de muitos e o mal de poucos, entre a felicidade da família e a felicidade de uma ou outra família, a lei não pode hesitar. A sua razão de ser é tutelar e promover o bem geral. “Nesta dolorosa contingência,” escreveu o Dr. Esmeraldino Bandeira, “força é preferir os naufrágios solitários de cônjuges infelizes ao naufrágio maior e coletivo da. família”. A: E os cônjuges infelizes? Serão sacrificados? B: Seria essa a primeira ou a única vez, que uma lei impõe renúncias árduas? Sacrifício doloroso, mas necessário; é o menor sacrifício. Suprimir a dor é o programa do impossível. Infelicidades conjugais, enquanto houver imperfeições humanas, nenhuma lei as evitará. O divórcio tende a multiplicá-las; a indissolubilidade a restringi-las. Entre os dois males, o menor. Toda a lei, mirando o bem geral, impõe necessariamente privações particulares. Vede as leis higiénicas. Quantos prejuízos materiais ou sofrimentos morais não exigem as quarentenas e os isolamentos! Sacrificar-se-á, em consideração aos indivíduos lesados, o bem da saúde pública? Vede as leis da propriedade. Que soma de misérias e privações prolongadas não impõem aos deserdados da fortuna! Por estes sofrimentos individuais riscaremos amanhã o furto do código penal? Vede as próprias leis físico-sociais que condicionam a vida da nossa civilização. Contai por exemplo, os desastres ferroviários de cada ano. Quantas vítimas! Que de mutilações e mortes. Que rios de sangue e de lágrimas! Por estas infelicidades particulares privar-se-á a sociedade das inúmeras e superiores vantagens que a rapidez e facilidade das comunicações proporcionam ao progresso material e espiritual dos povos? Eis, pois, a razão de ser e o benefício imenso da lei: assegurar o bem comum contra a estreiteza dos egoísmos individuais que tenderiam a sacrificá-lo aos próprios interesses. Sintoma de inteligência apaixonada e, portanto, diminuída no seu valor, é limitar-se à consideração de um ou outro caso, sem envergadura para elevar-se às vistas panorâmicas que, num relance sintético, abraçam todas as consequências funestas do princípio invocado para uma solução particular. Não é possível abrir uma exceção à lei da indissolubilidade porque o princípio da exceção arruinaria o bem geral que a lei deve defender. A mesma razão, pois, que impõe a norma da indissolubilidade — existência, conservação e felicidade da família — interdiz a exceção do divórcio. (Padre Leonel Franca. O divórcio. 7ª ed. Rio, Agir, 1952, p. 60-4)
- Papa Francisco doa aos pobres um prédio de luxo a poucos metros do vaticano
Ter um amigo pobre o ajudará a chegar ao céu, diz o papa O Palazzo Migliori é um daqueles prédios de luxo, como muitos que foram construídos no século XIX, para abrigar famílias da nobreza romana. Para aumentar o valor do palácio, também ajuda a localização, a poucos passos da Basílica do Vaticano, ao lado da igreja dos Holandeses, na via di Borgo Santo Spirito. Dos quatro andares, distribuídos em um total de dois mil metros, a vista da Praça de São Pedro é estupenda. Um patrimônio de arte e arquitetura que leva o nome da família que o habitou até a década de 1930 e depois o doou à Santa Sé (era administrado pela APSA), no qual mais de um empresário estava de olho. De fato, teria sido transformado em um hotel cinco estrelas na zona do Vaticano, se o Papa não tivesse decidido torná-lo um Centro de acolhimento diurno e noturno para os muitos sem-teto e pobres que circulam por São Pedro e arredores. Desocupado há alguns meses por uma congregação religiosa feminina, o Pontífice argentino decidiu dar esse presente – mais um – ao exército de sem-teto que, todas as noites, encontram refúgio do frio e da chuva sob as arcadas da via della Conciliação ou ao abrigo de lojas e portões, embrulhados em cobertores de lã ou caixas de papelão arrumadas como cabanas. Bergoglio confiou a administração e o cuidado da estrutura à Esmolaria Apostólica e à Comunidade de Santo Egídio. A Esmolaria, o “braço da caridade” do Papa, liderado pelo cardeal polonês Konrad Krajewski, acompanhou todo a obra de reestruturação – realizada por um grupo de sem-teto junto com empresas especializadas – e a financiou através das ofertas provenientes da distribuição dos pergaminhos com a Bênção Apostólica e generosas contribuições privadas. O próprio Papa foi, na última sexta-feira, 14 de novembro, sem se importar com o dilúvio que desabava sobre Roma, inaugurar o centro e ver com seus próprios olhos o sucesso da obra. Recebido pelo esmoleiro Krajewski, pelo presidente da APSA, Nunzio Galantino, e por Andrea Riccardi e Marco Impagliazzo, respectivamente fundador e presidente da Santo Egídio, Francisco ficou para jantar no refeitório montado no segundo andar com alguns dos hóspedes presentes: na maioria idosos e pessoas com deficiência, mas também antigos sem-teto que agora encontraram trabalho e uma moradia estável e decidiram se dedicar como voluntários na estrutura. Ao lado deles, no trabalho diário do Centro, estarão diáconos permanentes da diocese de Roma e membros da Santo Egídio que oferecerão a todos os hóspedes uma refeição quente todas à noite, estendendo uma obra que já vem sendo realizada nas principais estações ferroviárias da cidade, Termini, Tiburtina e Ostiense, onde há anos são oferecidas refeições aos desabrigados. De acordo com as previsões da própria Esmolaria, os panelões dispostos na cozinha prepararão uma média de cerca de 250/300 refeições por dia entre jantares e cafés da manhã. A cozinha está bem equipada e os diáconos-cozinheiros já estão trabalhando. As salas para o descanso noturno ocupam o terceiro e o quarto andar do edifício e podem acomodar homens e mulheres, para um total de 50 pessoas. Esse número poderá aumentar durante o período mais frio. Além do descanso físico, também se pensou no bem-estar espiritual e, para isso, no primeiro andar há uma grande capela dedicada a São Jorge, reservada para a oração pessoal e comunitária dos voluntários e dos hóspedes. O primeiro e o segundo andar também se destinam a um serviço diurno, gerenciado e sempre animado por voluntários, com salas para a escuta e conversa, para o uso de computadores, para a leitura e a recreação e outras atividades educativas e culturais. O prédio também está equipado com um elevador que permite o acesso de idosos e pessoas com deficiência. Em suma, tentou-se garantir que para essas pessoas, que sofrem diariamente uma vida de privações e são vítimas dessa “cultura do descarte”, sempre estigmatizada pelo Papa Francisco, nada falte. Mesmo durante o jantar no refeitório do Centro, depois de ouvir as histórias dos voluntários e as dificuldades da vida nas ruas, o Pontífice voltou a condenar essa atitude de indiferença pelos mais fracos, exortando a recuperar um senso de responsabilidade para com os pobres e “educar os jovens para a compaixão”. #papafrancisco
- Papa Francisco doa aos pobres um prédio de luxo a poucos metros do vaticano
Ter um amigo pobre o ajudará a chegar ao céu, diz o papa O Palazzo Migliori é um daqueles prédios de luxo, como muitos que foram construídos no século XIX, para abrigar famílias da nobreza romana. Para aumentar o valor do palácio, também ajuda a localização, a poucos passos da Basílica do Vaticano, ao lado da igreja dos Holandeses, na via di Borgo Santo Spirito. Dos quatro andares, distribuídos em um total de dois mil metros, a vista da Praça de São Pedro é estupenda. Um patrimônio de arte e arquitetura que leva o nome da família que o habitou até a década de 1930 e depois o doou à Santa Sé (era administrado pela APSA), no qual mais de um empresário estava de olho. De fato, teria sido transformado em um hotel cinco estrelas na zona do Vaticano, se o Papa não tivesse decidido torná-lo um Centro de acolhimento diurno e noturno para os muitos sem-teto e pobres que circulam por São Pedro e arredores. Desocupado há alguns meses por uma congregação religiosa feminina, o Pontífice argentino decidiu dar esse presente – mais um – ao exército de sem-teto que, todas as noites, encontram refúgio do frio e da chuva sob as arcadas da via della Conciliação ou ao abrigo de lojas e portões, embrulhados em cobertores de lã ou caixas de papelão arrumadas como cabanas. Bergoglio confiou a administração e o cuidado da estrutura à Esmolaria Apostólica e à Comunidade de Santo Egídio. A Esmolaria, o “braço da caridade” do Papa, liderado pelo cardeal polonês Konrad Krajewski, acompanhou todo a obra de reestruturação – realizada por um grupo de sem-teto junto com empresas especializadas – e a financiou através das ofertas provenientes da distribuição dos pergaminhos com a Bênção Apostólica e generosas contribuições privadas. O próprio Papa foi, na última sexta-feira, 14 de novembro, sem se importar com o dilúvio que desabava sobre Roma, inaugurar o centro e ver com seus próprios olhos o sucesso da obra. Recebido pelo esmoleiro Krajewski, pelo presidente da APSA, Nunzio Galantino, e por Andrea Riccardi e Marco Impagliazzo, respectivamente fundador e presidente da Santo Egídio, Francisco ficou para jantar no refeitório montado no segundo andar com alguns dos hóspedes presentes: na maioria idosos e pessoas com deficiência, mas também antigos sem-teto que agora encontraram trabalho e uma moradia estável e decidiram se dedicar como voluntários na estrutura. Ao lado deles, no trabalho diário do Centro, estarão diáconos permanentes da diocese de Roma e membros da Santo Egídio que oferecerão a todos os hóspedes uma refeição quente todas à noite, estendendo uma obra que já vem sendo realizada nas principais estações ferroviárias da cidade, Termini, Tiburtina e Ostiense, onde há anos são oferecidas refeições aos desabrigados. De acordo com as previsões da própria Esmolaria, os panelões dispostos na cozinha prepararão uma média de cerca de 250/300 refeições por dia entre jantares e cafés da manhã. A cozinha está bem equipada e os diáconos-cozinheiros já estão trabalhando. As salas para o descanso noturno ocupam o terceiro e o quarto andar do edifício e podem acomodar homens e mulheres, para um total de 50 pessoas. Esse número poderá aumentar durante o período mais frio. Além do descanso físico, também se pensou no bem-estar espiritual e, para isso, no primeiro andar há uma grande capela dedicada a São Jorge, reservada para a oração pessoal e comunitária dos voluntários e dos hóspedes. O primeiro e o segundo andar também se destinam a um serviço diurno, gerenciado e sempre animado por voluntários, com salas para a escuta e conversa, para o uso de computadores, para a leitura e a recreação e outras atividades educativas e culturais. O prédio também está equipado com um elevador que permite o acesso de idosos e pessoas com deficiência. Em suma, tentou-se garantir que para essas pessoas, que sofrem diariamente uma vida de privações e são vítimas dessa “cultura do descarte”, sempre estigmatizada pelo Papa Francisco, nada falte. Mesmo durante o jantar no refeitório do Centro, depois de ouvir as histórias dos voluntários e as dificuldades da vida nas ruas, o Pontífice voltou a condenar essa atitude de indiferença pelos mais fracos, exortando a recuperar um senso de responsabilidade para com os pobres e “educar os jovens para a compaixão”. #papafrancisco
- Católicos agredidos em Missa “Afro” divulgam vídeo divulgando versão oficial dos fatos
Os católicos agredidos que estão sendo atacado pela grande mídia como “racistas” e “fascistas” divulgaram um vídeo contendo imagens imagens do que realmente aconteceu e a versão oficial dos fatos ocorridos na Missa “Afro” no Rio de Janeiro nesta quarta-feira(20). Assista ao vídeo: Fiéis fazem ato de desagravo por profanações em “Missa Afro” e são agredidos Católicos foram xingados, caluniados e até agredidos após missa “afro” no dia de ontem. Qual o crime deles? Rezar silenciosamente em desagravo ao Sagrado Coração de Jesus no meio dos atabaques e de danças não compatíveis com a liturgia. No dia da Consciência Negra, dia conhecido por comemorações voltadas ao movimento Negro, tornaram-se frequentes a realização das chamadas “Missas Afro” que buscam, através de simbolismos dentro da Santa Missa, dar destaque às lutas e vitórias do movimento negro durante a história. Infelizmente uma das formas que padres e fiéis utilizam para demonstrar esse protagonismo negro é através do sincretismo religioso, ou seja, o incremento de símbolos e rituais de religiões africanas dentro do rito da Santa Missa. Neste contexto um grupo de fiéis católicos do Rio de Janeiro se mobilizou para tentar convencer o pároco da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, na Glória, Zona Sul do Rio, a realizar a missa sem modificações no rito da Santa Missa, ou seja, sem a inclusão de momentos e símbolos de outras religiões. Entretanto o sacerdote não deu ouvidos aos fiéis que tentaram alertá-lo da grave ofensa à Deus e seguiu com a missa com liturgia adulterada como programado. Como já é de conhecimento dos padres católicos, o rito da Santa Missa não permite inclusões ou modificações , por mais simples que sejam, configurando abuso litúrgico grave , entretanto mesmo assim há diversos padres que não respeitam essa norma da Igreja e permitem que alterações sejam feitas na estrutura do rito católico. Leia também: A Santa Missa e os abusos litúrgicos que ofuscam sua grandeza e seu mistério O que torna essa a situação ainda mais grave é que, além da modificação e inclusão de momentos, os padres simpáticos às “Missas Afro” (que de africanas não tem nada, pois historicamente os padres africanos são mais obedientes à Igreja e respeitam a liturgia) permitem a inclusão de momentos, e até mesmo a participação de pessoas que fazem parte de religiões de matriz africana. Entre os abusos frequentes neste tipo de missa é possível identificar a entrada “solene” de pessoas com vestes e turbantes, característicos de religiões africanas, fazendo danças, portando faixas em louvor a “Zumbi dos Palmares”, procissão de oferendas tipicamente de outras religiões, a ornamentação da igreja e às vezes até mesmo do próprio padre com cores fortes “não litúrgicas” além de músicas que destoam da cultura católica, com tambores e ritmos dançantes. Leia também: Padre e pastor recebem oração de Mãe de Santo durante “Missa Afro” Repercussão na mídia Jornais da grande mídia como O Globo repercutiram o acontecido como um ato racista, de pessoas que tentaram censurar a liberdade expressão de culturas africanas, mas o que de fato aconteceu foi bem diferente do que foi noticiado. De acordo com relatos dos próprios fiéis, o grupo compareceu à Igreja com a intenção de fazer um ato de desagravo aos abusos e profanações que ocorreriam no decorrer da Santa Missa. Eles entraram na Igreja, e rezaram o terço ajoelhados, silenciosamente, em protesto ao que estava por ocorrer. Alguns fiéis tentaram conversar com o padre lembrando-o de que a inclusão de momentos sincréticos no rito católico era, além de um abuso litúrgico gravíssimo, uma grave profanação, entretanto o Padre virou as costas e não deu ouvidos à recomendação dos fiéis, dando prosseguimento à missa como programado. Leia também: “ A Igreja Católica sofre porque muitos padres perderam o sentido do sagrado” – Cardeal Sarah Ao final da Missa o grupo cercado por pessoas que participaram da missa que proferiram xingamentos, calúnias e até mesmo agressões contra os fiéis que faziam o ato de desagravo.
- Católicos agredidos em Missa “Afro” divulgam vídeo divulgando versão oficial dos fatos
Os católicos agredidos que estão sendo atacado pela grande mídia como “racistas” e “fascistas” divulgaram um vídeo contendo imagens imagens do que realmente aconteceu e a versão oficial dos fatos ocorridos na Missa “Afro” no Rio de Janeiro nesta quarta-feira(20). Assista ao vídeo: Fiéis fazem ato de desagravo por profanações em “Missa Afro” e são agredidos Católicos foram xingados, caluniados e até agredidos após missa “afro” no dia de ontem. Qual o crime deles? Rezar silenciosamente em desagravo ao Sagrado Coração de Jesus no meio dos atabaques e de danças não compatíveis com a liturgia. No dia da Consciência Negra, dia conhecido por comemorações voltadas ao movimento Negro, tornaram-se frequentes a realização das chamadas “Missas Afro” que buscam, através de simbolismos dentro da Santa Missa, dar destaque às lutas e vitórias do movimento negro durante a história. Infelizmente uma das formas que padres e fiéis utilizam para demonstrar esse protagonismo negro é através do sincretismo religioso, ou seja, o incremento de símbolos e rituais de religiões africanas dentro do rito da Santa Missa. Neste contexto um grupo de fiéis católicos do Rio de Janeiro se mobilizou para tentar convencer o pároco da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, na Glória, Zona Sul do Rio, a realizar a missa sem modificações no rito da Santa Missa, ou seja, sem a inclusão de momentos e símbolos de outras religiões. Entretanto o sacerdote não deu ouvidos aos fiéis que tentaram alertá-lo da grave ofensa à Deus e seguiu com a missa com liturgia adulterada como programado. Como já é de conhecimento dos padres católicos, o rito da Santa Missa não permite inclusões ou modificações , por mais simples que sejam, configurando abuso litúrgico grave , entretanto mesmo assim há diversos padres que não respeitam essa norma da Igreja e permitem que alterações sejam feitas na estrutura do rito católico. Leia também: A Santa Missa e os abusos litúrgicos que ofuscam sua grandeza e seu mistério O que torna essa a situação ainda mais grave é que, além da modificação e inclusão de momentos, os padres simpáticos às “Missas Afro” (que de africanas não tem nada, pois historicamente os padres africanos são mais obedientes à Igreja e respeitam a liturgia) permitem a inclusão de momentos, e até mesmo a participação de pessoas que fazem parte de religiões de matriz africana. Entre os abusos frequentes neste tipo de missa é possível identificar a entrada “solene” de pessoas com vestes e turbantes, característicos de religiões africanas, fazendo danças, portando faixas em louvor a “Zumbi dos Palmares”, procissão de oferendas tipicamente de outras religiões, a ornamentação da igreja e às vezes até mesmo do próprio padre com cores fortes “não litúrgicas” além de músicas que destoam da cultura católica, com tambores e ritmos dançantes. Leia também: Padre e pastor recebem oração de Mãe de Santo durante “Missa Afro” Repercussão na mídia Jornais da grande mídia como O Globo repercutiram o acontecido como um ato racista, de pessoas que tentaram censurar a liberdade expressão de culturas africanas, mas o que de fato aconteceu foi bem diferente do que foi noticiado. De acordo com relatos dos próprios fiéis, o grupo compareceu à Igreja com a intenção de fazer um ato de desagravo aos abusos e profanações que ocorreriam no decorrer da Santa Missa. Eles entraram na Igreja, e rezaram o terço ajoelhados, silenciosamente, em protesto ao que estava por ocorrer. Alguns fiéis tentaram conversar com o padre lembrando-o de que a inclusão de momentos sincréticos no rito católico era, além de um abuso litúrgico gravíssimo, uma grave profanação, entretanto o Padre virou as costas e não deu ouvidos à recomendação dos fiéis, dando prosseguimento à missa como programado. Leia também: “ A Igreja Católica sofre porque muitos padres perderam o sentido do sagrado” – Cardeal Sarah Ao final da Missa o grupo cercado por pessoas que participaram da missa que proferiram xingamentos, calúnias e até mesmo agressões contra os fiéis que faziam o ato de desagravo.
- Urgente: Fiéis fazem ato de desagravo por profanações em “Missa Afro” e são agredidos
Católicos foram xingados, caluniados e até agredidos após missa “afro” no dia de ontem. Qual o crime deles? Rezar silenciosamente em desagravo ao Sagrado Coração de Jesus no meio dos atabaques e de danças não compatíveis com a liturgia. No dia da Consciência Negra, dia conhecido por comemorações voltadas ao movimento Negro, tornaram-se frequentes a realização das chamadas “Missas Afro” que buscam, através de simbolismos dentro da Santa Missa, dar destaque às lutas e vitórias do movimento negro durante a história. Infelizmente uma das formas que padres e fiéis utilizam para demonstrar esse protagonismo negro é através do sincretismo religioso, ou seja, o incremento de símbolos e rituais de religiões africanas dentro do rito da Santa Missa. Neste contexto um grupo de fiéis católicos do Rio de Janeiro se mobilizou para tentar convencer o pároco da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, na Glória, Zona Sul do Rio, a realizar a missa sem modificações no rito da Santa Missa, ou seja, sem a inclusão de momentos e símbolos de outras religiões. Entretanto o sacerdote não deu ouvidos aos fiéis que tentaram alertá-lo da grave ofensa à Deus e seguiu com a missa com liturgia adulterada como programado. Como já é de conhecimento dos padres católicos, o rito da Santa Missa não permite inclusões ou modificações , por mais simples que sejam, configurando abuso litúrgico grave , entretanto mesmo assim há diversos padres que não respeitam essa norma da Igreja e permitem que alterações sejam feitas na estrutura do rito católico. Leia também: A Santa Missa e os abusos litúrgicos que ofuscam sua grandeza e seu mistério O que torna essa a situação ainda mais grave é que, além da modificação e inclusão de momentos, os padres simpáticos às “Missas Afro” (que de africanas não tem nada, pois historicamente os padres africanos são mais obedientes à Igreja e respeitam a liturgia) permitem a inclusão de momentos, e até mesmo a participação de pessoas que fazem parte de religiões de matriz africana. Entre os abusos frequentes neste tipo de missa é possível identificar a entrada “solene” de pessoas com vestes e turbantes, característicos de religiões africanas, fazendo danças, portando faixas em louvor a “Zumbi dos Palmares”, procissão de oferendas tipicamente de outras religiões, a ornamentação da igreja e às vezes até mesmo do próprio padre com cores fortes “não litúrgicas” além de músicas que destoam da cultura católica, com tambores e ritmos dançantes. Leia também: Padre e pastor recebem oração de Mãe de Santo durante “Missa Afro” O que realmente aconteceu? Assista imagens gravadas durante a Santa Missa, inclusive imagens da agressão contra os jovens católicos que faziam o ato em desagravo Repercussão na mídia Jornais da grande mídia como O Globo repercutiram o acontecido como um ato racista, de pessoas que tentaram censurar a liberdade expressão de culturas africanas, mas o que de fato aconteceu foi bem diferente do que foi noticiado. De acordo com relatos dos próprios fiéis, o grupo compareceu à Igreja com a intenção de fazer um ato de desagravo aos abusos e profanações que ocorreriam no decorrer da Santa Missa. Eles entraram na Igreja, e rezaram o terço ajoelhados, silenciosamente, em protesto ao que estava por ocorrer. Alguns fiéis tentaram conversar com o padre lembrando-o de que a inclusão de momentos sincréticos no rito católico era, além de um abuso litúrgico gravíssimo, uma grave profanação, entretanto o Padre virou as costas e não deu ouvidos à recomendação dos fiéis, dando prosseguimento à missa como programado. Leia também: “ A Igreja Católica sofre porque muitos padres perderam o sentido do sagrado” – Cardeal Sarah Ao final da Missa o grupo cercado por pessoas que participaram da missa que proferiram xingamentos, calúnias e até mesmo agressões contra os fiéis que faziam o ato de desagravo. Assista a reportagem da Globo com a narrativa distorcida do episódio: Assista também o momento em que um dos militantes de esquerda, simpatizante da missa “afro”, faz um discurso contra os jovens católicos:
- Urgente: Fiéis fazem ato de desagravo por profanações em “Missa Afro” e são agredidos
Católicos foram xingados, caluniados e até agredidos após missa “afro” no dia de ontem. Qual o crime deles? Rezar silenciosamente em desagravo ao Sagrado Coração de Jesus no meio dos atabaques e de danças não compatíveis com a liturgia. No dia da Consciência Negra, dia conhecido por comemorações voltadas ao movimento Negro, tornaram-se frequentes a realização das chamadas “Missas Afro” que buscam, através de simbolismos dentro da Santa Missa, dar destaque às lutas e vitórias do movimento negro durante a história. Infelizmente uma das formas que padres e fiéis utilizam para demonstrar esse protagonismo negro é através do sincretismo religioso, ou seja, o incremento de símbolos e rituais de religiões africanas dentro do rito da Santa Missa. Neste contexto um grupo de fiéis católicos do Rio de Janeiro se mobilizou para tentar convencer o pároco da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, na Glória, Zona Sul do Rio, a realizar a missa sem modificações no rito da Santa Missa, ou seja, sem a inclusão de momentos e símbolos de outras religiões. Entretanto o sacerdote não deu ouvidos aos fiéis que tentaram alertá-lo da grave ofensa à Deus e seguiu com a missa com liturgia adulterada como programado. Como já é de conhecimento dos padres católicos, o rito da Santa Missa não permite inclusões ou modificações , por mais simples que sejam, configurando abuso litúrgico grave , entretanto mesmo assim há diversos padres que não respeitam essa norma da Igreja e permitem que alterações sejam feitas na estrutura do rito católico. Leia também: A Santa Missa e os abusos litúrgicos que ofuscam sua grandeza e seu mistério O que torna essa a situação ainda mais grave é que, além da modificação e inclusão de momentos, os padres simpáticos às “Missas Afro” (que de africanas não tem nada, pois historicamente os padres africanos são mais obedientes à Igreja e respeitam a liturgia) permitem a inclusão de momentos, e até mesmo a participação de pessoas que fazem parte de religiões de matriz africana. Entre os abusos frequentes neste tipo de missa é possível identificar a entrada “solene” de pessoas com vestes e turbantes, característicos de religiões africanas, fazendo danças, portando faixas em louvor a “Zumbi dos Palmares”, procissão de oferendas tipicamente de outras religiões, a ornamentação da igreja e às vezes até mesmo do próprio padre com cores fortes “não litúrgicas” além de músicas que destoam da cultura católica, com tambores e ritmos dançantes. Leia também: Padre e pastor recebem oração de Mãe de Santo durante “Missa Afro” O que realmente aconteceu? Assista imagens gravadas durante a Santa Missa, inclusive imagens da agressão contra os jovens católicos que faziam o ato em desagravo Repercussão na mídia Jornais da grande mídia como O Globo repercutiram o acontecido como um ato racista, de pessoas que tentaram censurar a liberdade expressão de culturas africanas, mas o que de fato aconteceu foi bem diferente do que foi noticiado. De acordo com relatos dos próprios fiéis, o grupo compareceu à Igreja com a intenção de fazer um ato de desagravo aos abusos e profanações que ocorreriam no decorrer da Santa Missa. Eles entraram na Igreja, e rezaram o terço ajoelhados, silenciosamente, em protesto ao que estava por ocorrer. Alguns fiéis tentaram conversar com o padre lembrando-o de que a inclusão de momentos sincréticos no rito católico era, além de um abuso litúrgico gravíssimo, uma grave profanação, entretanto o Padre virou as costas e não deu ouvidos à recomendação dos fiéis, dando prosseguimento à missa como programado. Leia também: “ A Igreja Católica sofre porque muitos padres perderam o sentido do sagrado” – Cardeal Sarah Ao final da Missa o grupo cercado por pessoas que participaram da missa que proferiram xingamentos, calúnias e até mesmo agressões contra os fiéis que faziam o ato de desagravo. Assista a reportagem da Globo com a narrativa distorcida do episódio: Assista também o momento em que um dos militantes de esquerda, simpatizante da missa “afro”, faz um discurso contra os jovens católicos:
- Pastor da Assembleia de Deus se “converte” ao catolicismo e leva fiéis junto
Joshua Mangels afirmou que estava “frustrado com os vaivéns da doutrina e a comercialização da igreja”. Um pastor pentecostal, acompanhado de sua família e um grupo de fiéis desligaram-se da Igreja Assembleia de Deus de Tucson, no Arizona, Estados Unidos, e se converteram ao catolicismo, passando a seguir o rito bizantino. Fontes: Gospel Prime
- CRIANÇAS SACRIFICADAS À DEUSA PACHAMAMA
A polonesa Dagmara Socha é bioarqueóloga do Centro de Estudos Andinos da Universidade de Varsóvia, em Cusco (CEAC), uma instituição de pesquisa científica criada por uma parceria entre a Universidade Nacional de San Antonio Abad de Cusco (Peru) e a Universidade de Varsóvia (Polônia). Junto com Rudi Chavez Perea, da Universidade Católica de Santa Maria, em Arequipa (Peru), estudaram ossadas de crianças encontradas em topos de vulcões no Peru, sacrificadas aos deuses incas, e chegaram a conclusões espantosas. A pesquisa, levada a cabo em 2019, se concentrou em dois vulcões andinos: o Ampato, com 6288 metros de altura, e o Picchu Picchu, com 5665 metros de altura. Usavam-se crianças nos sacrifícios, como mediadoras entre os deuses e a humanidade, por serem puras e imaculadas. Eram, por isso, cuidadosamente selecionadas. Estudando os dentes, os cientistas descobriram os requintes de sadismo que envolviam a prática dos índios: certa garota sacrificada teria passado fome por um certo tempo, ou sofrido um trauma grave aos três anos de idade (que pode ter sido causado pela separação dos pais). Há ossos com marcas de queimaduras. Segundo Dra. Socha, os incas tinham plataformas de sacrifício em lugares expostos a raios, os quais, na cosmologia deles, representavam os vínculos entre os vários mundos divinos e o mundo humano. Há grande evidência de que essas plataformas, cheias de crianças, foram atingidas repetidamente por raios (para os incas, ser atingido por um raio era uma graça divina). É poético? É tragicamente poético. Um dia, porém, chegaram os opressores espanhóis e puseram fim a toda essa poesia macabra… O curioso é que, entre os deuses beneficiários de tantas e inocentes vítimas, estava a famigerada Pachamama (cujo sentido verdadeiro é “mãe do mundo”), a mesma divindade andina que tanto sucesso andou fazendo recentemente no Vaticano, e tanta vênia recebeu. http://scienceinpoland.pap.pl/en/news/news%2C78687%2Cscientists-inca-child-sacrifice-victims-came-all-over-empire.html https://eponymousflower.blogspot.com/2019/11/the-incas-sacrificed-beautiful-children.html?m=1&fbclid=IwAR0zczgc88K3BE4qgg6eydRJunVg28t2V9O_c65lzqVf5EXSPrj0snKazKI
- DO COMUNISMO À LIBERDADE – Entrevista com o economista polonês Leszek Balcerowicz
[Em 1989, Leszek Balcerowicz foi o homem-chave das reformas na Polônia, o primeiro país que passou diretamente do comunismo para o livre mercado.] Trinta anos após as revoluções de veludo da Europa Oriental, em 18 de novembro, o think tank Instituto Bruno Leoni concedeu seu “prêmio à liberdade” ao economista polonês Leszek Balcerowicz. Esse nome é certamente menos lembrado do que o de outros protagonistas da época, como Vaclav Havel, por exemplo, ou seu compatriota Lech Walesa. No entanto, Balcerowicz é o homem-chave nas reformas da Polônia. Ele foi vice-primeiro ministro e ministro das Finanças do governo Mazowiecki, o primeiro liderado por não-comunistas, que tirou seu país da miséria do socialismo real, adotando um novo sistema. No Ocidente, sua rápida reforma econômica foi renomeada como “terapia de choque” e ainda é objeto de um forte debate, no qual muitas vezes prevalece a opinião de seus adversários. A “terapia de choque”, ou reforma rápida, consiste em passar em pouco tempo de um sistema planejado no qual tudo, desde a propriedade dos meios de produção até o cálculo dos preços, é dirigido pelo Estado, a um sistema de mercado no qual a produção de bens, o retorno dos serviços às mãos privadas e os preços emergem espontaneamente, fruto do encontro entre oferta e demanda. Apesar das críticas, os resultados da reforma na Polônia estão aí: depois de ter vivido a mais deplorável miséria, sob o regime comunista, foi o país com as maiores taxas de crescimento de todo o antigo bloco soviético. Atualmente, mesmo vivendo dos frutos dessa temporada de reformas, a Polônia é o terceiro país da UE em termos de crescimento do PIB, depois da Irlanda e de Malta. Leszek Balcerowicz foi posteriormente vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças do governo de Buzek (1997-2000) e, em seguida, presidente do Banco Central da Polônia (2001-2007). Atualmente, ele preside o think tank For (Fórum de Desenvolvimento Civil), que fundou em 2007 para estudar e promover a liberdade (com foco na liberdade econômica). “A Polônia foi o primeiro país não governado por comunistas na Europa Oriental – explica Balcerowicz a La Nuova Bussola Quotidiana. – O executivo nasceu no início de setembro de 1989 e imediatamente começamos a introduzir um pacote de reformas para passar a um novo sistema. Elas entraram em vigor já em dezembro de 1989. As reformas foram baseadas em dois pilares: o primeiro era a estabilização, lutando contra a grande inflação que herdamos do antigo regime; o segundo, a transição de uma economia socialista falida para uma economia de livre mercado “. (Stefano Magni) Stefano Magni: Leszek Balcerowicz, os oponentes de suas reformas o acusam de ter criado um novo sistema muito rapidamente, sem fundamento. Leszek Balcerowicz: É uma crítica irracional à luz dos resultados. A Polônia registrou o crescimento mais rápido, após essas reformas, entre todos os países do antigo bloco soviético. Trouxemos a inflação para menos de 2%. Até agora, somos o melhor exemplo de transição de um sistema socialista para um sistema de mercado. Todos os países que tentaram introduzir reformas mais lenta e gradualmente, parte por parte, não obtiveram resultados igualmente satisfatórios. A acusação, no entanto, é de ter criado um sistema no qual as desigualdades aumentaram. E o que eles queriam alcançar em seus objetivos? Igualdade de renda total? As desigualdades que temos na Polônia não são maiores que as da Europa Ocidental. Isso também é, portanto, uma crítica sem fundamento. A Polônia, ao contrário de outros países ex-comunistas, nunca testemunhou o nascimento de uma classe de oligarcas. Por quê? Como nossa transição foi muito rápida, avançamos muito rapidamente na conclusão do processo de liberalização da economia, possibilitamos uma maior concorrência e, portanto, tornou-se muito mais difícil criar posições de renda suspeitas. Além disso, tomamos muito cuidado para não possibilitar cumplicidade entre empresas públicas e privadas, e o conseguimos. Impedimos o crescimento de empresários politicamente protegidos, aqueles que comumente chamamos de “oligarcas”. O que sugeriria a um país socialista que quisesse adotar um sistema de livre mercado? As reformas devem ser maciças e devem ser introduzidas rapidamente. O sistema socialista é o mais distorcido modelo de economia dominado pelo estado. Se você o reformar lentamente, está destinado ao fracasso. Devemos prosseguir imediatamente com a estabilização contra a inflação, e com uma liberalização massiva, que consiste em remover todo o controle do Estado, permitindo o nascimento de empresas privadas. A privatização é o nascimento de um novo setor privado, e nem mesmo a privatização dos setores estaduais deve ser adiada, porque esta poderia envenenar toda a economia. O que fazer, no entanto, se não se encontram pessoas capazes de gerenciar empresas privadas? Isso nunca acontece. Nunca. Se não se encontram empreendedores, nunca é por falta de pessoas capazes de empreender, mas porque a liberdade econômica foi suprimida. O que você acha do atual governo conservador polonês? Que não é conservador. Na realidade, é um governo de extrema esquerda, porque está nacionalizando empresas, e os gastos públicos estão aumentando. Mantém uma retórica direitista, conservadora. Mas em suas políticas é, na prática, um governo de extrema esquerda. https://lanuovabq.it/it/dal-comunismo-alla-liberta-la-lezione-di-balcerowicz
- Arcebispo de São Francisco celebra Missa no Rito Extraordinário e não contém suas lágrimas.
O Arcebispo de São Francisco, nos Estados Unidos, Mons Salvatore Cordileone celebrou em 16 de novembro a Missa Pontifical Extraordinária anual, segundo o Rito Extraordinário na Basílica da Imaculada Conceição, em Washington-DC. Com a grande Igreja cheia, Cordileone disse que a beleza alimenta a alma e sugeriu que a atual falta de beleza “explica o mal estar espiritual em que nos encontramos.” Até o final da Missa quando se cantou o Salve Regina, Cordileone se comoveu tanto que começou a lacrimejar. Leia também: Proibida: A história não contada da ‘morte’ da Missa Tradicional Um coro cantou a “Missa de América” composta por Frank Lá Rocca. Assista abaixo a Santa Missa completa: Leia também: Missa Tridentina: o ápice da beleza da Liturgia e da Teologia Fiéis viajam grandes distâncias em busca da Missa Tridentina No Brasil, são muitos os católicos que desejam frequentar a missa tridentina, mas são privados deste tesouro da Igreja. Grupo de 50 fiéis viajam da Paraíba à Recife em busca da Missa Tridentina A Missa na forma Extraordinária do Rito Romano (Rito de São Pio V) ou Missa Tridentina, como é popularmente conhecida, é a liturgia da missa celebrada durante muitos séculos, desde 1570, que serviu como meio de santificação para os grandes santos da Igreja. Assim como a forma Ordinária do Rito Romano (rito de São Paulo VI) ela é a celebração do Sacrifício de Jesus na Cruz, ou seja, é a mesma missa que estamos acostumados, entretanto com algumas diferenças no ritual. Ela é comumente celebrada em Latim e, nas capelas onde são celebradas, o sacerdote fica na posição Ad Orientem durante a maior parte do rito, ou seja, o sacerdote fica de frente para o altar (de costas para o povo), mantendo-se deste modo de frente para a Cruz central da igreja e o Sacrário que geralmente fica no centro do altar. Essas missas são conhecidas por manterem uma sobriedade maior do que se observa em grande parte das missas celebradas nas paróquias cujo rito celebrado é o ordinário. Os fiéis que frequentam a missa tradicional são orientados a manterem-se em silêncio, o que proporciona um aspecto de sacralidade mais elevado e facilita que os presentes mantenham-se em oração e tenham uma experiência diferenciada. Todos buscam se vestir com modéstia, as mulheres usam véu e lindos vestidos, e os homens usam vestes mais elegantes. Tudo isso se une ao canto gregoriano acompanhado do órgão polifônico para tornar cada santa missa uma experiência sobrenatural inesquecível! Além do latim, do silêncio e do canto gregoriano, outro aspecto muito importante, responsável por atrair muitos fiéis para missas no rito extraordinário, é a ausência de abusos litúrgicos, uma vez que este rito é bem específico na atuação do celebrante e nos componentes que são permitidos durante a liturgia, o que praticamente impossibilita que hajam abusos ou exageros, como é comum na maioria das paróquias que celebram o rito ordinário. Conheça mais sobre a Missa Tridentina: Primeira vez na Missa Tridentina, o que fazer? Fiéis em busca da Missa Tridentina Em quase todas as dioceses no Brasil têm surgido fiéis, na maioria jovens, que desejam frequentar a missa na forma extraordinária do rito romano. Grande parte deles nunca teve a chance de participar de uma, e desejam ao menos conhecê-la, assim como há muitos que já participaram e se enamoraram deste rito. Entretanto, mesmo com a proliferação de fiéis que desejam viver o que muitos santos viveram, ainda são muitas as dioceses que não oferecem este tesouro litúrgico aos seus fiéis. Em muitas delas, onde a teologia da libertação e o progressismo predominam, há relatos de féis que são duramente criticados por se apegarem ao que membros progressistas do clero chamam de “costumes ultrapassados”. Em seu pontificado o Papa Bento XVI publicou o Motu Proprio sobre o uso da liturgia romana anterior à reforma de 1970, reafirmando o fato de que o rito extraordinário nunca foi abolido da Igreja e que não há necessidade de “permissão especial” para que qualquer sacerdote celebre este rito, na intenção de popularizar esta forma do rito romano e também como contraponto aos abusos litúrgicos que se tornaram cada vez mais frequentes. Entretanto, mesmo com a orientação do Santo Padre, ainda há muitos bispos que proíbem seus padres de celebrarem a missa no rito de São Pio V, privando, deste modo, os fiéis de terem acesso a esta liturgia a qual a foi celebrada durante muitos séculos. Não é incomum encontrar dioceses nas quais sacerdotes que insistem em celebrar a missa no rito extraordinário sejam punidos e até mesmo marginalizados, por seguirem a orientação da igreja ao invés de aceitar as restrições de seus bispos. Além de bispos, existe também uma forte atuação de padres de linha progressista que, por uma má formação, se opõem a esta forma do rito, e utilizam-se de sua posição de destaque para criticá-lo publicamente aos fiéis, assim como também fazem duras críticas aos leigos e comunidades que utilizam o latim em orações, ou que fazem o uso do véu, ou que simplesmente desejem receber a eucaristia de maneira mais respeitosa, de joelhos e na boca. Como não são poucas as dioceses onde essas práticas acontecem, cada vez mais fiéis têm se organizado para buscar a Missa em Latim em paróquias distantes de suas casas e até mesmo em outras dioceses. Saiba mais: A Santa Missa e os abusos litúrgicos que ofuscam sua grandeza e seu mistério Renovação do Clero O pontificado de Bento XVI foi responsável por fazer grande movimento na Igreja para a recuperação da liturgia, seja através da conscientização da aplicação correta do rito ordinário, como também na popularização do rito extraordinário através do Motu Proprio e do incentivo ao surgimento de institutos de vida consagrada que valorizassem a tradição e a liturgia bem celebrada. Além do grande esforço do papa, outro aspecto que ajudou muitos padres, seminaristas, e vocacionados a recuperarem a noção da importância de uma liturgia bem celebrada foi o surgimento da tecnologia (internet/celulares/etc) que facilitou o acesso à informação e formações de qualidade por parte dos membros do clero. O mesmo aconteceu também com os leigos que, por sua vez, começaram a cobrar seus párocos a correção de possíveis abusos. Sabemos que ainda estamos longe de alcançar um nível de qualidade aceitável para a liturgia, pois a maioria dos seminários, paróquias e dioceses não coadunam com as orientações da Igreja, e em muitos casos até incentivam abusos litúrgicos, e para piorar não oferecem uma catequese adequada dos fiéis. Contudo, o surgimento recente de seminaristas e padres piedosos, alinhados ao ensinamento da igreja e que incentivam a tradição, ascendeu a chama da esperança de que, apesar da CNBB não tomar atitudes concretas quanto aos abusos litúrgicos e abusos de autoridade por parte de alguns membros do clero, possa haver, de médio a longo prazo, a renovação do clero e, com isso, a renovação dos costumes nas paróquias que frequentamos. Sabemos que essa missão (quase impossível) só pode ter sucesso com intervenção divina, por isso cabe a nós clamar à Santíssima Virgem e a São Miguel que passem à frente neste importante momento, e ajudem a recuperar o respeito e o amor ao sagrado, afastando deste modo, todo relativismo e dessacralização que cada vez mais tem invadido a Santa Igreja. Texto: Equipe Templário de Maria Alguns alertas importantes: É importante observar que tanto o rito ordinário, quanto o rito extraordinário , são ritos válidos pela Igreja, assim como existem outras dezenas de outros ritos permitidos pela Igreja. Mesmo que muitas paróquias sofram com abusos litúrgicos, a santa missa no rito ordinário continua sendo válida, portanto, o fiel que deixa de participar da missa dominical pelo fato de não haver Missa Tridentina acessível, estará em pecado grave. Qualquer padre católico apostólico romano pode celebrar a forma extraordinária do rito romano, infelizmente isso não ocorre pois o rito é mais complicado que o rito ordinário, e exige que o sacerdote tenha conhecimento do latim. (peça para seu padre aprender a celebrar! ? Sacrilégios contra a Santíssima Eucaristia Convidamos aos que visitaram este artigo a assistir este vídeo mostrando uma realidade muito grave acerca da Santíssima Eucaristia e que acontece diariamente em milhares de paróquias. Clique aqui para assistir:
- Arcebispo de São Francisco celebra Missa no Rito Extraordinário e não contém suas lágrimas.
O Arcebispo de São Francisco, nos Estados Unidos, Mons Salvatore Cordileone celebrou em 16 de novembro a Missa Pontifical Extraordinária anual, segundo o Rito Extraordinário na Basílica da Imaculada Conceição, em Washington-DC. Com a grande Igreja cheia, Cordileone disse que a beleza alimenta a alma e sugeriu que a atual falta de beleza “explica o mal estar espiritual em que nos encontramos.” Até o final da Missa quando se cantou o Salve Regina, Cordileone se comoveu tanto que começou a lacrimejar. Leia também: Proibida: A história não contada da ‘morte’ da Missa Tradicional Um coro cantou a “Missa de América” composta por Frank Lá Rocca. Assista abaixo a Santa Missa completa: Leia também: Missa Tridentina: o ápice da beleza da Liturgia e da Teologia Fiéis viajam grandes distâncias em busca da Missa Tridentina No Brasil, são muitos os católicos que desejam frequentar a missa tridentina, mas são privados deste tesouro da Igreja. Grupo de 50 fiéis viajam da Paraíba à Recife em busca da Missa Tridentina A Missa na forma Extraordinária do Rito Romano (Rito de São Pio V) ou Missa Tridentina, como é popularmente conhecida, é a liturgia da missa celebrada durante muitos séculos, desde 1570, que serviu como meio de santificação para os grandes santos da Igreja. Assim como a forma Ordinária do Rito Romano (rito de São Paulo VI) ela é a celebração do Sacrifício de Jesus na Cruz, ou seja, é a mesma missa que estamos acostumados, entretanto com algumas diferenças no ritual. Ela é comumente celebrada em Latim e, nas capelas onde são celebradas, o sacerdote fica na posição Ad Orientem durante a maior parte do rito, ou seja, o sacerdote fica de frente para o altar (de costas para o povo), mantendo-se deste modo de frente para a Cruz central da igreja e o Sacrário que geralmente fica no centro do altar. Essas missas são conhecidas por manterem uma sobriedade maior do que se observa em grande parte das missas celebradas nas paróquias cujo rito celebrado é o ordinário. Os fiéis que frequentam a missa tradicional são orientados a manterem-se em silêncio, o que proporciona um aspecto de sacralidade mais elevado e facilita que os presentes mantenham-se em oração e tenham uma experiência diferenciada. Todos buscam se vestir com modéstia, as mulheres usam véu e lindos vestidos, e os homens usam vestes mais elegantes. Tudo isso se une ao canto gregoriano acompanhado do órgão polifônico para tornar cada santa missa uma experiência sobrenatural inesquecível! Além do latim, do silêncio e do canto gregoriano, outro aspecto muito importante, responsável por atrair muitos fiéis para missas no rito extraordinário, é a ausência de abusos litúrgicos, uma vez que este rito é bem específico na atuação do celebrante e nos componentes que são permitidos durante a liturgia, o que praticamente impossibilita que hajam abusos ou exageros, como é comum na maioria das paróquias que celebram o rito ordinário. Conheça mais sobre a Missa Tridentina: Primeira vez na Missa Tridentina, o que fazer? Fiéis em busca da Missa Tridentina Em quase todas as dioceses no Brasil têm surgido fiéis, na maioria jovens, que desejam frequentar a missa na forma extraordinária do rito romano. Grande parte deles nunca teve a chance de participar de uma, e desejam ao menos conhecê-la, assim como há muitos que já participaram e se enamoraram deste rito. Entretanto, mesmo com a proliferação de fiéis que desejam viver o que muitos santos viveram, ainda são muitas as dioceses que não oferecem este tesouro litúrgico aos seus fiéis. Em muitas delas, onde a teologia da libertação e o progressismo predominam, há relatos de féis que são duramente criticados por se apegarem ao que membros progressistas do clero chamam de “costumes ultrapassados”. Em seu pontificado o Papa Bento XVI publicou o Motu Proprio sobre o uso da liturgia romana anterior à reforma de 1970, reafirmando o fato de que o rito extraordinário nunca foi abolido da Igreja e que não há necessidade de “permissão especial” para que qualquer sacerdote celebre este rito, na intenção de popularizar esta forma do rito romano e também como contraponto aos abusos litúrgicos que se tornaram cada vez mais frequentes. Entretanto, mesmo com a orientação do Santo Padre, ainda há muitos bispos que proíbem seus padres de celebrarem a missa no rito de São Pio V, privando, deste modo, os fiéis de terem acesso a esta liturgia a qual a foi celebrada durante muitos séculos. Não é incomum encontrar dioceses nas quais sacerdotes que insistem em celebrar a missa no rito extraordinário sejam punidos e até mesmo marginalizados, por seguirem a orientação da igreja ao invés de aceitar as restrições de seus bispos. Além de bispos, existe também uma forte atuação de padres de linha progressista que, por uma má formação, se opõem a esta forma do rito, e utilizam-se de sua posição de destaque para criticá-lo publicamente aos fiéis, assim como também fazem duras críticas aos leigos e comunidades que utilizam o latim em orações, ou que fazem o uso do véu, ou que simplesmente desejem receber a eucaristia de maneira mais respeitosa, de joelhos e na boca. Como não são poucas as dioceses onde essas práticas acontecem, cada vez mais fiéis têm se organizado para buscar a Missa em Latim em paróquias distantes de suas casas e até mesmo em outras dioceses. Saiba mais: A Santa Missa e os abusos litúrgicos que ofuscam sua grandeza e seu mistério Renovação do Clero O pontificado de Bento XVI foi responsável por fazer grande movimento na Igreja para a recuperação da liturgia, seja através da conscientização da aplicação correta do rito ordinário, como também na popularização do rito extraordinário através do Motu Proprio e do incentivo ao surgimento de institutos de vida consagrada que valorizassem a tradição e a liturgia bem celebrada. Além do grande esforço do papa, outro aspecto que ajudou muitos padres, seminaristas, e vocacionados a recuperarem a noção da importância de uma liturgia bem celebrada foi o surgimento da tecnologia (internet/celulares/etc) que facilitou o acesso à informação e formações de qualidade por parte dos membros do clero. O mesmo aconteceu também com os leigos que, por sua vez, começaram a cobrar seus párocos a correção de possíveis abusos. Sabemos que ainda estamos longe de alcançar um nível de qualidade aceitável para a liturgia, pois a maioria dos seminários, paróquias e dioceses não coadunam com as orientações da Igreja, e em muitos casos até incentivam abusos litúrgicos, e para piorar não oferecem uma catequese adequada dos fiéis. Contudo, o surgimento recente de seminaristas e padres piedosos, alinhados ao ensinamento da igreja e que incentivam a tradição, ascendeu a chama da esperança de que, apesar da CNBB não tomar atitudes concretas quanto aos abusos litúrgicos e abusos de autoridade por parte de alguns membros do clero, possa haver, de médio a longo prazo, a renovação do clero e, com isso, a renovação dos costumes nas paróquias que frequentamos. Sabemos que essa missão (quase impossível) só pode ter sucesso com intervenção divina, por isso cabe a nós clamar à Santíssima Virgem e a São Miguel que passem à frente neste importante momento, e ajudem a recuperar o respeito e o amor ao sagrado, afastando deste modo, todo relativismo e dessacralização que cada vez mais tem invadido a Santa Igreja. Texto: Equipe Templário de Maria Alguns alertas importantes: É importante observar que tanto o rito ordinário, quanto o rito extraordinário , são ritos válidos pela Igreja, assim como existem outras dezenas de outros ritos permitidos pela Igreja. Mesmo que muitas paróquias sofram com abusos litúrgicos, a santa missa no rito ordinário continua sendo válida, portanto, o fiel que deixa de participar da missa dominical pelo fato de não haver Missa Tridentina acessível, estará em pecado grave. Qualquer padre católico apostólico romano pode celebrar a forma extraordinária do rito romano, infelizmente isso não ocorre pois o rito é mais complicado que o rito ordinário, e exige que o sacerdote tenha conhecimento do latim. (peça para seu padre aprender a celebrar! ? Sacrilégios contra a Santíssima Eucaristia Convidamos aos que visitaram este artigo a assistir este vídeo mostrando uma realidade muito grave acerca da Santíssima Eucaristia e que acontece diariamente em milhares de paróquias. Clique aqui para assistir:
- Padre e pastor recebem oração de Mãe de Santo durante “Missa Afro”
Fato ocorreu neste final de semana na paróquia São Joaquim e Sant’Ana na arquidiocese de Campinas – SP. Fiéis relatam que as missas “afro” tornaram-se frequentes . Eles contam que essas missas contam com músicas típicas acompanhadas por tambores, roupas típicas e danças. A missa realizada neste domingo contou com a participação especial dos membros do terreiro de Umbanda Ilê Omonibu Axé Beje-Ero , além de uma Mãe de Santo e um Pastor. Através das redes sociais a organização umbandista divulgou fotos onde é possível perceber a participação de pessoas com vestes características e turbantes. O padre também não ficou de fora e estava caracterizado vestindo uma túnica e estola com cores fortes. Também é possível observar que houve a entrada de uma faixa com a foto de Zumbi dos Palmares, além de uma procissão com “oferendas” que foram colocadas diante do altar, e danças. Em uma das fotos da publicação é possível ver o Padre e, provavelmente, o pastor ajoelhados diante do altar recebendo orações da Mãe de Santo. Leia também: Casamento umbandista acontece dentro de mosteiro católico em Indaiatuba A publicação é acompanhada do seguinte comentário: “Manhã de bençãos… Não é novidade que a nossa comunidade combate a intolerância com a união das crenças, pois acreditamos que todas são de fundamental importância para a evolução espiritual e humana. Assim participamos da celebração da missa afro juntamente com nossos sempre parceiros da Pastoral Afro, Padre Paulinho, pessoas amigas e queridas na paroquia São Joaquim e Santana. Hoje em especial, presenciamos um padre, uma mãe de santo e um pastor juntos em nome da união e da paz. Seguimos acreditando que um mundo melhor e pra todos existe. E vamos continuar celebrando esse mês da Consciência Negra! “ Leia também A Santa Missa e os abusos litúrgicos que ofuscam sua grandeza e seu mistério Leia também : Santa Missa: “A Liturgia não é show, nem espetáculo” – Papa Bento XVI #AbusosLitúrgicos
- Padre e pastor recebem oração de Mãe de Santo durante “Missa Afro”
Fato ocorreu neste final de semana na paróquia São Joaquim e Sant’Ana na arquidiocese de Campinas – SP. Fiéis relatam que as missas “afro” tornaram-se frequentes . Eles contam que essas missas contam com músicas típicas acompanhadas por tambores, roupas típicas e danças. A missa realizada neste domingo contou com a participação especial dos membros do terreiro de Umbanda Ilê Omonibu Axé Beje-Ero , além de uma Mãe de Santo e um Pastor. Através das redes sociais a organização umbandista divulgou fotos onde é possível perceber a participação de pessoas com vestes características e turbantes. O padre também não ficou de fora e estava caracterizado vestindo uma túnica e estola com cores fortes. Também é possível observar que houve a entrada de uma faixa com a foto de Zumbi dos Palmares, além de uma procissão com “oferendas” que foram colocadas diante do altar, e danças. Em uma das fotos da publicação é possível ver o Padre e, provavelmente, o pastor ajoelhados diante do altar recebendo orações da Mãe de Santo. Leia também: Casamento umbandista acontece dentro de mosteiro católico em Indaiatuba A publicação é acompanhada do seguinte comentário: “Manhã de bençãos… Não é novidade que a nossa comunidade combate a intolerância com a união das crenças, pois acreditamos que todas são de fundamental importância para a evolução espiritual e humana. Assim participamos da celebração da missa afro juntamente com nossos sempre parceiros da Pastoral Afro, Padre Paulinho, pessoas amigas e queridas na paroquia São Joaquim e Santana. Hoje em especial, presenciamos um padre, uma mãe de santo e um pastor juntos em nome da união e da paz. Seguimos acreditando que um mundo melhor e pra todos existe. E vamos continuar celebrando esse mês da Consciência Negra! “ Leia também A Santa Missa e os abusos litúrgicos que ofuscam sua grandeza e seu mistério Leia também : Santa Missa: “A Liturgia não é show, nem espetáculo” – Papa Bento XVI #AbusosLitúrgicos
- POR QUE NÃO A EXCELÊNCIA? – Randall Smith
Está à procura de uma boa catequese para um amigo? “Oh não. Onde é que o podemos mandar sem que perca a fé?” Preparação para o matrimônio? “Epa, vão ter de aguentar, mas não liguem pra grande parte das coisas que vão ouvir.” E acontece o mesmo aos bispos que querem mandar seminaristas para formação. “Oh não, onde é que os podemos mandar que não sejam corrompidos e fiquem com a fé minada?” Por que é que estamos constantemente neste estado absurdo de procurar a opção menos má? Por que é que as instituições de educação católicas não são as melhores do país? E até do mundo? Tenho uma amiga que trabalha com seminaristas. Ano após ano ela lida com candidatos ao sacerdócio que não sabem escrever e nem leem. Queixa-se ao responsável pelos estudos. “Sim”, diz ele, abanando a cabeça, “temos de fazer melhor”. Mas nunca fazem. Não se preocupam o suficiente para fazer a diferença. Vemos o mesmo acontecendo na educação a toda hora. Este tipo de “preocupação” é um mero sentimento, não uma intenção viva de fazer algo de concreto. Mais tempo fora da sala de aula. Mais tutoria. Mais esforço dedicado a assuntos difíceis. Em vez disso levamos constantemente com “reorganizações” em que nada de substancial acontece. Acabamos por ver repetições do mesmo, com diferentes categorias e pessoas mudadas de um lado para o outro, com novos títulos. Depois os responsáveis dizem: “Temos uma nova e importante iniciativa”, mas de novo e importante não tem nada. Esta “importante nova iniciativa” é, de facto, praticamente igual na sua falta de profundidade às últimas cinco “novas iniciativas importantes” que não resolveram os problemas. E para dizer a verdade, ninguém se preocupou o suficiente, depois desses anúncios, para garantir que estavam resolvendo os problemas. Foram anunciados. Isso deixou-nos satisfeitos. O novo programa, disseram-nos, resultou de horas e horas de “trabalho árduo” – o que significa reuniões sem fim com diferentes “grupos de interesse” que era preciso apaziguar. O resultado é que concordavam no denominador comum mais baixo. Não o melhor, nem o pior, apenas o menos mau. A minha amiga que faz tutoria a seminaristas tem de ler os seus trabalhos de “Homilética Avançada”. Um terço deles são claramente plagiados. Ela informa o seminário. Nada acontece. Já pensou porque é que as homilias são tão fracas? É porque temos seminaristas que não leem e não sabem escrever, e raramente são obrigados a fazer uma coisa ou outra. Como é que podemos esperar que um seminarista que nunca leu e que não sabe escrever construa uma homilia sensata e entusiasmante? Que mais podemos esperar de homens tão mal treinados, além de platitudes piedosas ou frases feitas ideológicas? Futuros padres são apanhados a fazer trapaça numa cadeira de homilética avançada e os seus superiores limitam-se a olhar para o lado? Por quê? A resposta: “Precisamos de padres!” Mas não, do que precisamos é de bons padres. E não os teremos, não os conseguiremos desenvolver, se não deixarmos de aceitar a mediocridade e a opção menos má, insistindo antes na excelência. Um seminarista foi ter com a minha amiga no final do ano letivo e disse-lhe que precisava de ler mais. Queria saber o que é que devia ler. Ela recomendou as Confissões de Santo Agostinho. Quando regressou, no final do Verão, tinha lido esse e todo o Kristin Lavransdatter, de Sigrid Undset (mil páginas). Disse que lhe tinha mudado a vida. Se aguentam com Rowling, aguentam com Agostinho Estou neste momento escrevendo um manual de introdução à teologia moral. Toda a gente me pergunta a que nível é que me dirijo. Respondo que estou me dirigindo a alunos de final de colegial e universitários. “Escrevi ao mesmo nível dos meus artigos do ‘Catholic Thing’, mas cada capítulo tem umas vinte páginas”. Abanam logo a cabeça. “Não vais conseguir que jovens leiam tanto, nem a um nível tão avançado. Não são capazes. Não podes esperar que leiam mais do que cinco a dez páginas de prosa simples.” É sério? Estamos falando de jovens que leram os sete volumes da série Harry Potter e toda a trilogia do Senhor dos Anéis, memorizando parágrafos inteiros, e não podemos esperar que leiam vinte páginas do nível de escrita do “Catholic Thing” porque é “demasiado difícil” e “complicado”? Acho isso insultuoso. Recuso-me a acreditar. Por que é que temos de ser sempre arrastados por este peso da mediocridade? Porque é que não estamos constantemente a desafiá-los a ir mais longe, a procurar a excelência? Os atletas olímpicos treinam incansavelmente, como bem nos diz São Paulo. Tenho jovens na minha sala que treinam tanto, que mal conseguem subir um lance de escadas. Mas estamos aterrorizados de os assustar, tão envergonhados pela nossa fé, que não nos atrevemos a pedir-lhes que leiam vinte ou trinta páginas que lhes possam mudar a vida? Esperamos qualidade de excelência olímpica no esporte, mas quando chega à teologia damos-lhes papinhas de bebê? É desprezível. E acreditem no que vos digo, com isso só aprendem a desprezar-nos. Eu converti-me em adulto e lembro-me bem de me terem tentado impingir essas mesmas papinhas quando tinha a idade deles. Não me interessei pelo Cristianismo até ler as Confissões de Agostinho e o “Tratado da Lei” de São Tomás de Aquino na universidade. “Caramba”, pensei, “estes tipos são de outro nível. A religião afinal não é um conjunto de pieguices. Há aqui substância. Agora sim, estou interessado”. Não fiquei totalmente convencido, mas tinham conseguido a minha atenção. Nada do que normalmente se destinava “aos adolescentes” tinha merecido o meu respeito ou conseguido grande parte da minha atenção. “Voltem quando tiverem algo de interessante para me dizer”, pensei – qualquer coisa séria como as pessoas que fundaram empresas, ou foram à guerra, ou amararam um jato sem motores no Rio Hudson. Os jovens adultos gostam de se divertir, mas quando vão a uma conferência ou a uma aula querem algo sério e com substância, ou então sentem que estamos desperdiçando o seu tempo. Já os seminaristas, se não os conseguimos convencer a levar a sério a sua vocação ao ponto de ler livros e não fazer trapaça, então não devemos deixar que desperdicem o tempo dos outros. Publicado originalmente aqui: https://www.thecatholicthing.org/2019/11/12/why-not-the-best/ Tradução portuguesa aqui: http://actualidadereligiosa.blogspot.com/
- Casamento umbandista acontece dentro de mosteiro católico em Indaiatuba
A cerimônia aconteceu no Mosteiro Vila Kostka, dos padres jesuítas, onde a assembleia geral da CNBB se realizava há 33 anos, em Indaiatuba . No último dia 15 de novembro de 2019, foi realizado no Mosteiro de Indaiatuba, local onde acontecem assembleias gerais dos bispos da CNBB o primeiro casamento umbandista em solo católico. Contaram com a presença de um pastor evangélico e um padre do próprio Mosteiro. As palavras do sacerdote umbandista Cristiano Costa proferidas durante a celebração dentro do mosteiro: “O casamento é o maior símbolo de união e nada mais justo do que mostrar a população que a religião nunca deve nos separar e sim no unir, este foi o maior intuito de convidar um pastor e um padre para a cerimônia religiosa de casamento do nosso terreiro.”, disse o Sacerdote de Umbanda . “Com a permissão dos noivos, foi aberto um espaço para que todos pudessem dar a benção ao casal. Foi um momento único e mágico, um momento que realmente mostra o símbolo de união e amor entre as pessoas. Vivemos hoje um momento religioso que se não tomarmos cuidado o Brasil poderá entrar em uma guerra santa. As pessoas não aceitam outra religião, criticam, menosprezam, agridem verbal e fisicamente, pessoas de outras religiões. Nós adeptos das religiões de matrizes africanas, sofremos muitas represálias. A intolerância religiosa está em evidência. Temos muitos casos em nosso município e não queremos que isso tome grandes proporções, por isso, ações e mensagens como esta devem ser constantes em nossa cidade. Não queremos ser tolerados queremos ser respeitados!”, exclama o Sacerdote de Umbanda Cristiano Costa. Posição Católica perante a Umbanda Por Frei Boaventura | ano: 1957 | Editora: Vozes Segundo uma publicação oficial da Confederação Espírita Umbandista, existem na área do Distrito Federal e do Estado do Rio, “cerca de trinta mil tendas, centros e terreiros” (Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1951, p. 152). Cremos haver exagero na estimativa. É porem, inegável a proliferação verdadeiramente espantosa desses centros de superstição, leviandade, depravação, degradação moral e loucura, em que se misturam práticas fetichistas e ritos católicos, deuses africanos e santos nossos, doutrinas espíritas e ensinamentos católicos, num sincretismo bárbaro de necromancia, magia, politeísmo, demonolatria e heresia. O comissário Rui A. Tenório, chefe da secção de Tóxicos e Mistificações da Delegacia de Costumes e Diversões do Rio de Janeiro, declarou no dia 8 de Abril de 1953 à Tribuna da Imprensa que aquela seção já registrara até aquela data umas sete mil tendas espíritas. Acentuamos: trata-se de 7.000 tendas registradas e apenas na maravilhosa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro! É certo que existem também muitos terreiros não registrados, mas funcionando publicamente e outros muitos clandestinos. As cidades fluminenses de Caxias, São João de Meriti, Nova Iguaçu e outros subúrbios do Rio, possuem cada uma, como sabemos por informações pessoais, não dezenas, mas centenas de centros de Umbanda. E não só no Rio. Estivemos no Sul, em Porto Alegre, Pelotas, Rio Grande e outras cidades, onde o problema é exatamente o mesmo e em quase idênticas proporções. Coisa igual se poderá dizer do Norte, de Pernambuco, da Baia e de outros Estados da Federação. E não julguemos que se trata de um movimento apenas entre a gente de cor. A absoluta maioria dos “chefes de terreiros” são brancos e as tendas também são frequentadas por pessoas que vão até lá em carros de luxo ou com chapa branca. Poderia se pensar que, sendo o fetichismo uma religião própria da classe inculta ou ignorante, haveria de diminuir na proporção em que crescesse o índice de alfabetização. Mas não é o que acontece. Pois vemos entre os frequentadores até gente de destacada posição social. Ministros, Generais, Senadores e Deputados são vistos em cabanas e terreiros. O próprio Governo parece fomentar esse movimento como espetáculo de valor turístico. A Câmara Municipal do Rio de Janeiro, no orçamento para esse ano de 1954, prometeu as seguintes subvenções: Ao Centro Cabana Itanagé, ao Centro Espírita Cabana do Mar, ao Centro Espírita Caboclo Corre Campo e a 89 outros Centros Espiritas, R$ 2.181.000,00; a Cabana Pai Joaquim de Loanda e a oito outras cabanas de diversos Pais, Cr$ 195.000,00; ao Culto Religioso Cabana Santa Teresinha, R$ 60.000,00; ao Templo Espiritualista São Sebastião, R$ 20.000,00; ao Terreiro Ogum Rompe Mato, R$ 30.000,00; a diversas Associações, Círculos, Confederados, Congregações, Grupos, Fraternidades, lrmandades, Núcleos, Obras, Ordens, Postos, Sociedades e Uniões, definidos, todos eles, pelo adjetivo Espirita, R$ 1. 981.000,00; a contribuição total de entidades umbandistas do Rio: R$ 7.202.000,00… Se são milhares os centros de Umbanda, milhões sendo seus frequentadores. Mais de 90% dos brasileiros, oficialmente perguntados sobre sua religião, responderam em 1950 que são católicos. Não será injurioso supor que muitos desses “católicos” vão aos Terreiros, às Cabanas e às Tendas. Supomos que o fazem por ignorância, por falta de esclarecimento. Não sabem o que é a Umbanda. Raras vezes ou talvez nunca receberam orientação a esse respeito. Os próprios Padres não podem informar, porque desconhecem a Umbanda. Estivemos em paróquias onde há centenas desses centros e onde o seu pastor imediato, o vigário, perguntado por nós, confessou não saber sequer o que é a Umbanda. Não conhecemos um único livro da parte católica sobre o assunto. Eis a razão por que julgamos necessário e oportuno apresentar esta “posição católica perante a Umbanda”. CONFUSÃO NA UMBANDA Há muitos livros sobre a Umbanda. Temos diante de nos mais de vinte, além de revistas e jornais. Emanuel Zespo (pseudônimo de Paulo Menezes), Oliveira Magno, Lourenço Braga, Jayme Madruga, Aluízio Fontenelle e Heraldo Menezes são os autores principais. Mas quem ler estes livros todos para, afinal, saber o que é a Umbanda, ficará decepcionado. Não há unanimidade nem clareza. Cada um escreve por conta própria, persuadido de ter assistência especial de algum “guia” do além, O mais autorizado entre eles confessa: “Até hoje, nada de claro ao público, em matéria literária sobre Umbanda”(Emanuel Zespo, Codificação da Lei de Umbanda, Parte Científica, Rio 1g 51, p.16). Outro se lamenta: “Um autor contradiz o outro e vire-se em terrível confusão”, depois precisa: “Os autores de Umbanda se contradizem asi próprios e não apenas a seus colegas”,(Samuel Pônze, Lições de Umbanda, Rio Ig 54, p. 35). Não somente cada autor, cada chefe de terreiro proclama: “A Umbanda que aqui se pratica, é muito diferente dessa Umbanda que se pratica por aí afora”. Pois: “lnúmeras são as contradições existentes , entre os próprios praticantes da Umbanda” (Aluízio Fontenelle, O Espiritismo no Conceito das Religiões e a Lei de Umbanda, Rio, p. 69). “Cada um procura fazer uma Umbanda a seu modo, e dentro do conceito que ele próprio imagina, de acordo com a sua instrução, com a sua capacidade de imaginação, com os seus conhecimentos e, quase nunca, com a orientação dada pelos seus próprios guias” (A. Fontenelle, Exu, Rio 1952, p. 60). “99% dos livros sobre Umbanda, a venda nas livrarias, não passam de fantasia, frutos da imaginação hábil de seus autores, que mais não visam senão uma falsa gloria ou dinheiro” (Yonori, Umbanda Industrie Rendosa, Rio 1954, p. 70). Alguns, não obstante, conseguiram reunir grupos maiores. Formaram-se assim a Confederação Espirita Umbandista (dirigida por Byron Torres de Freitas e Tancredo da Silva Pinto), a União Espiritista de Umbanda (sob as ordens de Jayme Madruga), a Fraternidade Eclética Espiritualista Universal (chefiada pelo Sr. Oceatto de Sá, autor do Evangelho de Umbanda, que se convenceu de ser o João Batista reencarnado, pelo que se denomina “Afestre Yokaanam”) e a União dos Espiritistas de Umbanda (comandada talvez por Lourenço Braga ou Manuel L. Barbosa). Mas todos eles lutam entre si. Uns querem voltar ao mais puro africanismo; outros rejeitam energicamente todos os elementos africanos; outros propunham um sincretismo religioso absoluto e indefinível; mais outros pretendem ter encontrado a mais pura Umbanda nas religiões da Índia; nem falta quem declare que “o livro fundamental de Umbanda é a Bíblia, com o antigo e o novo Testamento, tal como estão escritos, não se admitindo interpretações simbólicas: aceitar ou recusar in totum o que está escrito, eis a pedra de toque do cristão umbandista”. O umbandista Samuel Ponze escreve em Lições de Umbanda (Rio 1954): “Logo de inicio foram fundadas no Rio de Janeiro quatro federações e transformaram-se em organizações rivais que se enfraqueciam empenhando-se em lutas estéreis umas contra as outras” (p. 24); “reina a anarquia, a incompreensão, a vaidade, a inveja, a mistificação, a pouca cultura entre a maioria dos Umbandistas’’ (p. 26); cada qual quer ser o maior. Cada chefete de terreiro acha que acima de seu guia ou de seus guias, só Deus!” (p. 27). E por que toda essa confusão, essa falta de clareza, de unanimidade e de união? Os melhores e mais entendidos entre os umbandistas são suficientemente francos para confessa-lo. Eis ai algumas declarações que convém registrar: — “Qualquer cidadão, bem ou mal intencionado, bem ou mal preparado, funda centros de Umbanda. Basta organizar uma diretoria, fazer uns estatutos e usar e abusar do artigo 141 da Constituição Brasileira;… uma vez registrado o centro, ele funciona com o beneplácito da polícia, e comete o bem ou o mal, segundo as boas intenções ou a burrice de seus dirigentes” (S. Ponze, obra citada, p. 25). — ‘‘Todos os dias nascem novos terreiros de Umbanda que são chefiados por pessoas de parcos conhecimentos espiritualistas. No geral são membros de outros terreiros mais antigos que se rebelam contra os caciques e saem para a aventura do espiritualismo prático, sem armas de defesa, sem uma formação sólida, sem uma longa experiência” (E. Zespo, Codificação da Lei de Umbanda, Parte Pratica, Rio 1953, p. 97) ‘‘Como então se fundam terreiros e mais terreiros de Umbanda por este Brasil, sem outras exigências que as da elaboração de um estatuto social quase profano e licença das autoridades para funcionar como funciona qualquer sociedade bailante e recreativa?” (ib. p. 98). No meio de tanta confusão é evidente a dificuldade em dar uma orientação definitiva sobre a Umbanda e que satisfaça todos os umbandistas. Faremos, entretanto, o possível para não sermos injustos ou injuriosos. Não nos propomos propriamente um estudo de Etnografia. Queremos mostrar apenas aos irmãos na fé católica o que é este movimento religioso que atualmente se alastra pelo Brasil afora com o estranho nome de Espiritismo de Umbanda, ou Lei de Umbanda ou simplesmente Umbanda. Não é, por conseguinte, intenção nossa fazer um ensaio sobre o Africanismo no Brasil. Não investigamos o passado: procuramos conhecer o presente. Como organização, o movimento umbandista é bastante recente. Seus dirigentes procuram açambarcar, sob a bandeira de Umbanda, os movimentos populares do Batuque (no Sul), da Macumba (no Rio) e do Candomblé (na Bahia). Não estudaremos nenhuma dessas três denominações particularmente: o que veremos é a sua conjunção, uma espécie de superestrutura que, procurando coordenar os elementos do Batuque, da Macumba e do Candomblé, pretende oferecer-lhes uma fachada mais atraente e aceitável também para o civilizado e o cristão. A isso dão a exótica denominação de Umbanda. A PALAVRA “UMBANDA” A confusão já se manifesta na explicação da origem e do significado da própria palavra “Umbanda”. No fascículo de Junho de 1954 o Jornal de Umbanda (Rio, p. 2) ainda lemos: “Há mil e uma interpretações sobre a palavra Umbanda. Essa palavra é um constante e permanente desafio aos estudiosos do assunto. Uns dizem que é Luz lrradiante, outros dizem que é Banda de Deus, há os que dizem que é Corrente Espiritualista e vai por aí afora, porém tudo vago e indefinido, sem haver, entretanto, uma explicação cabal e convincente”. A tendência geral era de não admitir que seja de origem africana. O primeiro Congresso de Espiritismo de Umbanda, realizado no Rio de Janeiro em Outubro de 1941, tinha a manifesta preocupação de mostrar que a Umbanda é de origem antiguíssima, vem dos hindus, contemporânea dos Vedas, que depois passou a África, donde veio para o Brasil, Eis o teor das primeiras duas conclusões unanimemente aceitas pelo dito Congresso: “1) O Espiritismo de Umbanda é uma das maiores correntes do pensamento humano existentes na terra há mais de cem séculos, cuja raiz provém das antigas religiões e filosofias da índia, fonte de inspiração de todas as demais doutrinas filosóficas do Ocidente”. “2) Umbanda é palavra sânscrita, cuja significação em nosso idioma pode ser dada por qualquer dos seguintes conceitos: Princípio Divino, Luz lrradiante, Fonte Permanente de Vida, Evolução Constante”. Aluísio Fontenelle, todavia, resolve que a palavra em questão vem da Bíblia, que originariamente teria sido escrita em língua “palli”, donde teria sido vertida para o hebraico. E naquela língua a palavra “Umbanda” significa: “Na Luz de Deus”, ou Luz Divina (cf. A Umbanda através dos séculos, Rio 1953, p. 17). Mas o autor do Evangelho de Umbanda (“Mestre Yokaanam”) dirimiu a questão sem maiores complicações: “Umbanda vem de Um e Banda”. E depois esclarece: “Um significa Deus, em linguagem simplificada oriental, para não entrar em detalhes esotéricos;e Banda significa Legião, exército”; logo Umbanda quer dizer “Legionário de Deus” (p. 44). Seria interessante saber qual é essa misteriosa “linguagem simplificada oriental”… Tudo isso, entretanto, não passa de devaneios e fantasias. O Dr. Artur Ramos já conhece a palavra, que é de origem africaníssima, designando o grão-sacerdote do culto bantu ou o evocador dos espíritos (cf. O Negro Brasileiro, I vol. Etnografia Religiosa, 3ª ed. p. 107 e 102). Por isso também o recente Catecismo de Umbanda (Rio 1054) concede despretensiosamente: “Umbanda é uma palavra africana, significando ora o sacerdote, ora o local onde se praticava o culto” (p. 7). UMBANDA É ESPIRITISMO Existe grande desavença entre os adeptos do Espiritismo Kardecista (que aceita a doutrina codificada por Allan Kardec) e os do Espiritismo Umbandista. Uns e outros fazem questão de dizer que são “espiritas”. Mas os primeiros declaram que foi Allan Kardec quem criou e fixou o termo para designar especificamente o movimento espiritualista por ele iniciado e que, por conseguinte, outros não podem usurpar a mesma designação para um movimento essencialmente diferente. É a razão por que reclamam o termo “espírita” para si exclusivamente. Nem por isso os umbandistas deixam de chamar-se “espíritas”. Podem alegar em seu favor que a Umbanda de fato não é essencialmente diferente do Kardecismo, Em vista disso a Federação Espírita Brasileira, que lidera entre nós o movimento kardecista, declarou oficialmente: “Baseados em Kardec, nos é licito dizer: Todo aquele que crê nas manifestações dos Espíritos é espirita; ora, o umbandista nelas crê, logo o umbandista é espirita… Assim, todo umbandista é espirita, porque aceita a manifestação dos Espíritos, mas nem todo espírita é umbandista, porque nem todo espirita aceita as praticas de Umbanda” {Reformador, órgão oficial da Federação Espírita Brasileira, Julho de 1953, p. 149). Entretanto, muitos kardecistas não se conformaram com tão “intempestiva declaração” e — apesar de alardearem ilimitada tolerância — persistem em combater com estranha intransigência o movimento umbandista. Poderíamos, aliás, acrescentar mais uma razão que, a nosso ver, justificaria plenamente a aspiração dos umbandistas quando teimam em chamar-se “espíritas”: é que eles não apenas creem nas manifestações dos Espíritos (coisa que nós católicos também admitimos como possível), mas, além disso, praticam sua evolução e provocam suas manifestações (prática, que nós católicos reputamos ilícita e pecaminosa porque, como veremos, rigorosamente vedada por Deus). E já que os nossos kardecistas não sentem dificuldades em qualificar como espíritas semelhantes movimentos que, na Inglaterra e América do Norte, se dedicam a evocação provocada dos espíritos, muito embora não admitam a codificação kardeciana, nem mesmo a reencarnação, pela mesma razão deveriam eles reconhecer também como verdadeiros irmãos espíritas os adeptos da Umbanda. IDENTIDADE SUBSTANCIAL ENTRE UMBANDA E ALLAN KARDEC Mas existe ainda outra razão muito mais decisiva que nos permite identificar a Umbanda com o Espiritismo. Pois todos os umbandistas aceitam a doutrina ou filosofia kardecista da reencarnação. Como este ponto será de importância fundamental para uma tomada de posição católica perante a Umbanda, é necessário demonstrar nossa afirmativa. Apresentamos os seguintes documentos: 1) O já citado Catecismo de Umbanda (Rio 1954) declara em seu prefácio querer expor apenas “o que é aceito pela maioria dos umbandistas” (p, 5). Na p. 66 damos com a seguinte pergunta: “Há alguma diferença entre Umbanda e Kardecismo?” A resposta é inequívoca: “Doutrinariamente, não há diferença. A doutrina de Umbanda é a mesma que a de Allan Kardec. A sua base é a evolução, o progresso espiritual, através do sofrimento, no decorrer das reencarnações, sendo necessária a prática da caridade para apressar-se esse desenvolvimento”. 2) Numa obra que se declara “aprovada e adotada oficialmente pela Confederação Espírita Umbandista”, editada no Rio em 1951 sob o titulo Doutrina e Ritual de Umbanda, lemos a p. 68: “O umbandista acredita na lei das reencarnações, na lei da evolução das almas, aceita a revelação de Jesus Cristo. Dois pontos distinguem o umbandista do kardecista: a) a prática da comunicação com os espíritos elementais; b) o ritual, muito complexo na lei de Umbanda, que é uma religião de culto externo”, 3) Emanuel Zespo (pseudônimo de Paulo Menezes), já considerado em alguns meios “o codificador de Umbanda”, ensina também que “o Espiritismo de Umbanda aceita integralmente a revelação kardeciana” (O que é a Umbanda, Rio 1949, p. 47) e, na p. 51 do mesmo livro, o autor esclarece: “Dos diversos tipos de espiritualistas existentes no mundo, o umbandista é dos que praticam a mediunidade espiritualista, e, como os espiritas, o umbandista comunica-se com os desencarnados, aceita a lei das reencarnações, aceita a doutrina do Evangelho, e procura praticar a caridade como a entendeu Kardec. Ora, dois pontos apenas, distanciam a Umbanda de Kardec: 1) a prática da comunicação com os elementais, os espíritos da natureza; 2) a sua ritualística. … A Umbanda aceitou a comunicação com os desencarnados, a terceira revelação kardeciana, absorvendo do Espiritismo todos os seus ensinamentos”. 4) Em vista de tudo isso se compreende que o Primeiro Congresso de Umbanda tenha aprovado com unanimidade esta quarta conclusão: “Sua doutrina (de Umbanda) baseia-se no princípio da reencarnação do Espírito em vidas sucessivas na terra, como etapas necessárias a sua evolução planetária”. Destes documentos todos inferimos com razão que existe identidade substancial entre a doutrina kardecista e a umbandista. Verificamos no ponto anterior que também na prática da evocação provocada dos espíritos há igualdade essencial entre os dois. Não diferem, por conseguinte, em sua essência, estes movimentos: baseados ambos substancialmente na mesma prática, procuram orientar seus adeptos com uma doutrina essencialmente idêntica. Daí já se vê que a posição dos católicos perante a Umbanda não será muito distinta da já conhecida atitude frente ao Espiritismo kardecista. Todavia, devemos assinalar duas diferenças. UMBANDA, A QUARTA REVELAÇÃO Aceitando embora “integralmente a revelação kardeciana, a Umbanda pretende, no entanto, aperfeiçoá-la e ultrapassá-la. Para os umbandistas Kardec é grande, mas Umbanda é maior. Moisés trouxe a primeira revelação, Cristo veio com a segunda revelação, Kardec declarou o Espiritismo portador da terceira revelação, mas a Umbanda seria a última, a Quarta Revelação. Assim como Cristo retificou e superou Moisés, como Kardec corrigiu e suplantou Cristo, assim a Umbanda julga purificar e vencer Kardec, Cristo e Moisés. É que eles, os umbandistas, tiveram a dita de entrar em relações com espíritos superiores aos daqueles que ditaram suas mensagens para Allan Kardec, espíritos “que possuem mais vasta concepção do universo e reconhecem a existência de outra ordem de espíritos (não humanos) cujas relações entre os mesmos e os humanos não devem ser apenas de mero intercâmbio e sim de cultuação, o que exige (e mesmo para que o contato seja estabelecido) uma verdadeira ritualística” (E. Zespo, Codificação da Lei de Umbanda, Parte Científica, Rio 1951, p. 28). São, por conseguinte, dois os pontos em que os umbandistas julgam corrigir e superar a codificação kardeciana: 1) Segundo Kardec todos os espíritos do além são almas “desencarnadas”, não existindo outra ordem de seres espirituais (pelo que nega a existência de anjos e demônios, no sentido da tradicional doutrina crista); mas a Umbanda admite três tipos diferentes de espíritos no além: a) os orixás (espécie de divindades, que estudaremos mais adiante), b) os exus (espíritos ruins e perversos, denominados por eles de “elementais”), c) os eguns, que seriam os desencarnados. Os kardecistas, por não reconhecerem outro tipo de espíritos, só evocam os eguns, ou os desencarnados. Originariamente os africanos só evocam orixás e exus e “não queriam trabalho com eguns”. Influenciados pelo Espiritismo, os umbandistas de hoje (que, aliás, em outros muitíssimos pontos se afastaram da primitiva religião africana, mormente na parte doutrinaria) evocam também os desencarnados, principalmente sob as formas de Pretos Velhos e Caboclos. 2) Os kardecistas são moderados e sóbrios no rito evocativo e desconhecem um cerimonial de culto; os umbandistas, pelo contrário, apresentam uma exterioridade e um ritualismo exuberante, exótico e complicado para a evocação e incorporarão dos vários tipos de espíritos, como, sobretudo, também, para a sua veneração e culto que, como adiante se verá, degenerou num verdadeiro politeísmo e mesmo em demonolatria. Se bem que estas diferenças entre Kardec e Umbanda não atinjam a essência do Espiritismo como tal, em sua doutrina e em sua filosofia, não deixam contudo de modificar sensivelmente o aspecto e o aparato externo (que, por isso mesmo, é sempre acidental). É esta a razão por que a Umbanda se julga superior e a mais acabada forma de religião, a Quarta Revelação: “Tanto quanto Kardec não quis destruir o Evangelho e apenas “esclarecer” a obra de Jesus, nós não queremos inutilizar a obra de Kardec e sim acrescentar mais uns capítulos, outrora não escritos, ao Livro dos Espíritos e ao Livro dos Médiuns (de Allan Kardec). Ao observador superficial parecerá que Umbanda é a retrogradação do Espiritismo; mas ao espírita verdadeiramente kardecista, e estudioso consciente, a razão e a lógica afirmarão que, se a obra do grande druida foi a Terceira Revelação, esta é então, e por justiça, a Quarta Revelação!” (E. Zespo, Codificação da Lei da Umbanda, Parte Científica, Rio 1951, p, 34). E não é pouco. Os umbandistas não são modestos: “A Umbanda é a única religião que sobre a face da terra tem a autoridade suficiente para falar e tratar das coisas divinas” (A. Fontenelle, A Umbanda através dos séculos, Rio 1953, p. 15). Pois: “Tanto quanto o Budismo aproveitou quase tudo do Bramanismo, o Cristianismo conservou o melhor do Mosaísmo, assim a Umbanda aproveita, conserva e guarda o que de bom e aproveitável pode haver em todas as religiões do passado. A Umbanda não é apenas uma corrente religiosa: ela é o sincretismo de todas as correntes religiosas, ela guarda os fundamentos de todas as teogonias e resume as bases de todas as filosofias” (E. Zespo, obra citada, p. 8). Semelhante jactância sem medida é muito frequente entre eles. Escrevem e falam como se fossem os homens mais cultos deste mundo. Assim, por exemplo, podemos ler num dos livros do já citado Emanuel Zespo: “Li o Damapada, o Bagavad-Gita; li a Bíblia, li o Evangelho, li Platão, Schopenhauer, Nietsche, Kant, Comte, Hegel, Agostinho, Aquino, Montefeltre; li Lao-Tsen, Vivekanda, Ramacharaka, Levi, Blavatsky, Besant, Leadbeater, Jinaraja- dasa, Max Heindel e mil outros, de todos os tempos, de todos os séculos… Enfronhei-me nas demonstrações do invisivel, com Gerard Encause, Hermes, Saint-lves d Alvidre, Nostradamus, Camaisar, BullverLytton, Oicott, os kabalistas, os esotéricos, os teósofos, os ocultistas, os magos; os fetichistas, os feiticeiros… Visitei, graças à criptologia, as civilizaçõeslêmures, atlantas, turânias, assírio-babilônia, medopersa, hindu, fenícia, greco-Iatina, ibero-celta, galo-druídica, teuto-scândia, siro-Árabe, mosaico-cristã, asteca, tolteca, maia, incaica… Andei nos mitos; cultuei Baal, Wotan, Zeus, Adonai; os 7 Sephirot: Osiris, Isis, Amon; orei na Porta do sol de Ouro; cantei as glorias do divino Lotus; reconheci que Marte era Changô; Afrodite ouVênus era Iemanjá ou Iára; Wotan era Tupã; Brahma, Orixalá; Jeová, Oxalá; a Trimurti, Trin-magé… Sonhei com fadas, silfos, nereidas, gnomos, salamandras, ninfas, musas e ondinas, e encontrei ochúns, ochus, echus, dadás… Subi à Montanha do Sermão; desci ao lago da ilusão; li as tabuas de Jeová e ouvi as propostas de Belsebú, senti o êxtase de Sakia-Muni e vivi as perdições de Mara…” (O que e a Umbanda, Rio 1949, p. 83). UMBANDA É MAGIA Todos os autores umbandistas que temos em mão, quando definem este atual movimento denominado Umbanda, concordam em confessar que “é magia’’. Um exemplo: “Umbanda é fazer magia por intermédio das forças invisíveis, baseada nas forças astrais, com rituais, preceitos, sinais cabalísticos, cânticos e outros elementos, como a água, o fogo, a fumaça, as bebidas, as comidas, os animais, apetrechos apropriados, etc.” (cf. a revista Umbanda, Rio, Agosto de 1948, p. II; também Lourenço Braga, Umbanda e Quimbanda, 89 ed. p. 12, traz idêntica definição). O mesmo autor que dá esta definição, compara os umbandistas com os “alquimistas, feiticeiros, adivinhos, profetas e pitonisas do passado”. O Espiritismo Kardecista evoca os espíritos para deles ter notícias, obter comunicações doutrinárias, ou ainda, quando se trata de espíritos atrasados, para instruí-los; mas não os explora com o fim de fazer certos “trabalhos” a favor ou contra determinadas pessoas. Os kardecistas, por conseguinte, se limitam ao que antigamente era conhecido sob o nome de “necromancia”. A Umbanda, porém, vai bem mais longe: veremos adiante, quando tratarmos do culto ao Exus, considerados “os agentes mágicos universais”, que estes espíritos são evocados por meio de ritos, sinais cabalísticos (“pontos riscados”), versos evocativos (“pontos cantados”) e objetos (galos pretos, charutos, cachaça, velas, etc.) que lhe são oferecidos (“presentes”, “despachos”), para conseguir que se ponham ao serviço do homem e façam ou desmanchem determinados “trabalhos”. E isso é magia no sentido mais estrito da palavra. Ora, tanto a necromancia dos kardecistas, como a magia dos umbandistas, foi rigorosamente interdita por Deus. A magia, porém, foi proibida com particular severidade. Deus ameaçou punir a magia com os mais tremendos castigos. Diz-nos a Sagrada Escritura que povos inteiros foram exterminados porque praticavam a magia. Eis alguns exemplos: Em Lev 20, 6 diz o Senhor: “A pessoa que se dirigir a magos ou adivinhos e tiver comunicação com eles, eu porei o meu rosto contra ela e a exterminarei do seu povo”. E outra vez recebemos a ordem terminante: “Não vos dirijais aos magos, nem interrogueis os adivinhos, para que vos não contamineis por meio deles. Eu sou o Senhor vosso Deus” (Lev 19, 31). E temos, sobretudo, esta grave admoestação: “Não se ache entre vos quem consulte adivinhos ou observe sonhos e agouros, nem quem use malefícios (despachos!), nem quem seja encantador, nem quem consulte pitões ou adivinhos, ou indague dos mortos a verdade. Porque o Senhor abomina todas estas coisas, e por tais maldades exterminará estes povos à tua entrada. Serás perfeito e sem mancha como o Senhor teu Deus. Estes povos, cujo país tu possuirás, ouvem os agoureiros e os adivinhos; tu, porém, foste instruído doutro modo pelo Senhor teu Deus” (Deut 18, 12-14). Também no Novo Testamento damos com idênticas proibições. Temos ai o exemplo de um certo Simão “que praticava a magia e iludia o povo”: “Toda a gente Ihe dava ouvidos, desde o menor até ao maior, dizendo: Este é a virtude de Deus, que se chama grande. Aderiram-lhe, porque os fascinara, por largo tempo, com as suas artes mágicas” (At 8, 9-11). De quantos babalaô e “pai de santo” dos nossos terreiros umbandistas se poderiam dizer ainda hoje o mesmo! Mais adiante, ainda nos Atos dos Apóstolos, encontramos São Paulo diante dum certo Elimas, que era mago e feiticeiro; mas Paulo encarou-o firmemente e disse: “Ó filho do demônio, cheio de toda a falsidade e malícia, inimigo de toda a justiça, não cessas de perverter os caminhos retos do Senhor? Eis que vem sobre ti a mão do Senhor; serás cego e não verás o sol por certo tempo” (At 13, 10). Em Éfeso o grande Apóstolo das gentes, além de muitas conversões, conseguiu ainda o seguinte resultado: “Outros muitos que tinham praticado artes mágicas, trouxeram os seus livros e os queimaram aos olhos de todos; calculou-se o valor deles em cinquenta mil dracmas de prata” (At 19, 19). UMBANDA E QUIMBANDA Querem alguns distinguir entre Umbanda e Quimbanda, dizendo que ambos praticam a magia, sim, mas com a diferença de que em Umbanda ela é feita apenas para o bem (e seria a Magia Branca) e em Quimbanda os trabalhos seriam exclusivamente maus (Magia Negra). A este respeito, contudo, o Sr. Aluísio Fontenelle, que se diz “sacerdote dos diversos cultos de Umbanda”, garantindo ser “conhecedor real de todas as práticas que se exercem, nos diversos terreiros”, considerando-se por isso “catedrático no assunto” (cf. Exu, Rio 1952, p. 94), escreve o seguinte: “Na sua essência última, a Quimbanda é em quase tudo idêntica ao que se cultua na Umbanda, uma vez que daquela surgiu esta última. Digo que a Umbanda é uma parte da Quimbanda, pelo fato de que a sua composição, suas atividades, suas divindades, suas lendas, seu ritual (em grande parte), seu protocolo, enfim: as suas crenças estão perfeitamente irmanadas dentro do mesmo sentido, divergindo apenas no que diz respeito à indumentária e certas práticas na comunhão dos seus trabalhos espirituais. A Quimbanda continua no firme proposito de manter as antigas tradições dos seus ascendentes africanos, ao passo que a Umbanda procura, pelo contrário, afastar completamente esse sentido incivilizado das suas práticas, devendo-se a influência do homem branco, cujo grau de instrução, já não as admite” (A. Fontenelle, O Espiritismo no Conceito das Religiões e a Lei de Umbanda, Rio, p. 81). E ainda que, teoricamente, digam alguns umbandistas que eles querem apenas a Magia Branca, (que, aliás, também é proibida por Deus!), a realidade dos terreiros, todavia, afirma bastas vezes o contrario. O Sr. Oliveira Magno, em Prática de Umbanda, Rio 1952, p, 70, conhece umbandistas “que fazem, nos fundos da suas tendas ou terreiros, ou então, em suas residências, os mesmos trabalhos”, isto é: Fazem trabalhos “para obrigar o namorado ou amante a voltar e se casar; para amarrar o homem com a mulher; para que o marido se conforme com a mulher ter o seu amante; para uma mulher tirar o homem de outra; para que o homem só tenha potência para uma mulher; para se saber em sonho com quem vai casar-se; para amarrar a vida e negócio dos outros e os arruinar; para obrigar os outros a fazer o que não é justo; para castigar os inimigos, pô-los doentes ou então os matar, etc.”. Também outro autor reconhece a existência de muitos umbandistas “que ainda procedem assim, aumentando a cegueira e ignorância desses infelizes irmãos, e pior ainda, fazendo despachos com fins malévolos, projetando falanges atrasadas contra irmãos encarnados desprevenidos e incrédulos, que na maioria das vezes sofrem o efeito sem compreenderem a origem do mal que estão padecendo, por desconhecerem a Umbanda e a Quimbanda” (Florisbela M. Sousa Franco, Umbanda, Rio 1954, p. 131). Reconhecemos, todavia, a existência de terreiros de Umbanda que “só querem fazer o bem”, que fazem uso da magia e recorrem aos serviços dos exus “apenas para obter bons efeitos”, ou para “desmanchar” os malefícios da Quimbanda. É, porem, inegável que também nestes meios, onde não negamos haver boa fé e excelente vontade, existe tremenda confusão religiosa, é praticada a evocação dos espíritos, é oferecido um verdadeiro culto aos exus, é pregada a heresia da reencarnação e são identificados os Santos Cristãos com deuses pagãos, como adiante se verá. O PANTEÍSMO DOS UMBANDISTAS No Primeiro Congresso de Umbanda foi aprovada a quinta conclusão, formulada nestes termos: “Sua filosofia consiste no reconhecimento do ser humano como partícula da divindade, dela emanada límpida e pura, e nela finalmente reintegrada ao fim do necessário ciclo evolutivo, no mesmo estado de limpidez e pureza, conquistado pelo seu próprio esforço e vontade”. Afirma-se, pois, que nós (o “ser humano”) somos “partículas da divindade”, que “emanamos” de Deus. Tais expressões são comuns na literatura umbandista: “A alma humana é de essência divina”, ensina o livro oficial da Confederação Espírita Umbandista, Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1051, p. 70. Nesta mesma obra lemos expressões ainda mais fortes: “Deus é o Todo e eu Sua parte”; “Deus dorme no mineral, sonha no vegetal, desperta no animal, é consciente no homem, que, deste modo, pode atingir a perfeição”; “o fim da evolução é, para o homem, a completa realização de sua divindade, a identificação de seu próprio ser com a Realidade única” (p. 40). Essa identificação da criatura com o Criador evidentemente despersonaliza Deus. O Deus panteísta de Umbanda já não é o Deus Pessoal e Consciente dos cristãos. O Deus umbandista do qual “emanam” todos os seres, não é o Deus cristão que “no princípio criou o céu e a terra” (Gen 1, 1). O Deus umbandista, identificado com o Universo, não é o Deus cristão anterior a toda criatura, independente do mundo, infinitamente superior ao universo limitado e mutável, Senhor absoluto e Criador de todas as coisas existentes fora d’Ele, o Deus pessoal, individual e singular, de que nos falam as Escrituras. O homem umbandista, “partícula da divindade”, jánão é o homem cristão “que Deus criou do nada” (2 Macab 7, 28). Mas o Deus dos cristãos não é apenas um Ser Infinito, anterior ao mundo e dele essencialmente distinto, Ele é também um Ser subsistente em Três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. É o augusto mistério da Santíssima Trindade. E a fé cristã ainda nos ensina que Jesus Cristo é verdadeiramente Deus igual ao Pai e ao Espírito Santo: a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Ora, tudo isso não é concebível num sistema de filosofia panteísta, qual o de Umbanda. Razão pela qual os umbandistas apoiam os kardecistas na negação da Santíssima Trindade e na contestação da Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. A respeito da natureza de Cristo transcrevemos aqui uma passagem do umbandista Lourenço Braga, Umbanda e Quimbanda, 8ª ed., que é entre todas as obras sobre Umbanda a mais difundida e serve como manual em numerosos terreiros. O trecho que transcrevemos pode ser encontrado na p. 45 s. Ei-lo: “Devemos nos lembrar de que naquela época existia na Terra um homem sábio, inteligente e virtuoso, que se chamava José de Arimatéia. Esse homem era o chefe de uma Seita de Cabala (Ciências ocultas, Maçonaria, Esoterismo, Magia). Seita esta que possuía muitos discípulos com vários graus de adiantamento moral, espiritual e intelectual, destacando-se dentre eles João Batista, o mais evoluído. José de Arimatéia, vendo em Jesus, aos 12 anos, um espírito adiantado, quero dizer, espiritualmente evoluído e reconhecendo ser ele um predestinado, tratou de educá-lo carinhosamente, desenvolvendo nele os dons mediúnicos que ele possuía, em estado latente, e ensinando-lhe os mistérios da Cabala e toda a filosofia da seita, da qual era o supremo chefe. Esse aprendizado durou quase 18 anos, época em que Jesus, afinal, atingiu a casa dos 30 anos de idade. Espírito missionário animando um corpo carnal, inteligência privilegiada, alma boníssima, evoluído bastante pelas inúmeras encarnações por que passou e tendo recebido de José de Arimatéia sábios ensinamentos científicos e filosóficos e tendo também desenvolvido os dons mediúnicos de vidência, clarividência, audição, clariaudição e transporte, entrou em contato com os seres do plano astral superior e do plano sideral, por meio das quais aumentou o seu cabedal de conhecimentos, adquiriu convicção forte, fé inabalável, etc., podendo fazer, destarte, o que fez, sem se deixar arrastar pelas paixões do mundo, sem se abater, sem se orgulhar; curando, ensinando a sua doutrina, pregando por parábolas, doutrinando os povos dos lugares por onde passava, fazendo enfim verdadeiros trabalhos de Magia mental e astral…” Teríamos, portanto, um Jesus que não é Deus, mas um espírito “evoluído bastante pelas inúmeras encarnações por que passou” e que foi estudar Ciências ocultas, Maçonaria, Esoterismo e Magia na Escola de José de Arimatéia… FATAIS CONSEQUÊNCIAS DA DOUTRINA REENCARNACIONISTA “A Umbanda, como o Espiritismo, aceita a lei das reencarnações e outros pontos doutrinários expostos pelo Espiritismo” (Samuel Ponze, Lições de Umbanda, Rio 1954, p. 10). Quando mostramos a identidade substancial entre Umbanda e Kardec, já citamos outras declarações autorizadas dos meios umbandistas, inclusive a quarta conclusão do Congresso de Umbanda, constando assim que, embora haja muita divergência entre eles, neste ponto fundamental e doutrinário, todavia, todos eles concordam com voz uníssona: O homem não vive uma só vez sobre a terra; já viveu muitas vidas no passado e por outras muitas deverá passar, não apenas neste planeta terra, mas através de numerosas estrelas mais perfeitas, até alcançar a perfeição final, quando, então, tornará a reintegrar-se na divindade, no mesmo estado de limpidez e pureza em que dela emanou. E esta perfeição final, ensina a quinta conclusão do Congresso de Umbanda, o homem a conquistará “pelo seu próprioesforço e vontade”. Se analisarmos bem a filosofia reencarnacionista de Kardec, integralmente homologada pelos umbandistas, verificaremos que ela se resume nestes quatro postulados: 1) pluralidade das existências terrestres, 2) progresso contínuo depois da morte, 3) expiação própria e evolução por méritos rigorosamente pessoais, 4) sempre novos corpos e, afinal, vida puramente espiritual, sem corpo material. Ora, não é preciso ser grande teólogo, para saber que Cristo, contra o princípio reencarnacionista da pluralidade das existências, ensina a unicidade da vida terrestre; contra o princípio reencarnacionista do progresso continuo depois da morte, ensina a existência e a eternidade de um estado e lugar de condenação sem fim chamado inferno; contra o princípio reencarnacionista de expiação própria e do aperfeiçoamento por méritos rigorosamente pessoais, ensina a nossa redenção por Sua sagrada paixão e morte; contra o princípio reencarnacionista de uma vida definitiva e puramente espiritual, ensina a ressurreição final de todos os homens. São quatro ensinamentos de Nosso Senhor, que se encontram não apenas em um ou outro texto esporádico ou de significação duvidosa, mas que perfazem, por assim dizer, o cerne da mensagem cristã. Mas os espíritas, precisamente por causa da filosofia reencarnacionista que adotam, se viram forçados a riscar grande parte do Evangelho, chegando por isso a negar a própria Bíblia. Endossando a teoria da reencarnação, os umbandistas devem logicamente acompanhar os kardecistas na triste negação de tantas verdades evangélicas e cristãs. Mas com isso mesmo os umbandistas se colocam fora do Cristianismo. UMBANDA É A NEGAÇÃO DO CRISTIANISMO Já vimos que a Umbanda, em sua prática da evocação dos espíritos e em seus trabalhos de magia (branca ou negra, tanto faz) desobedece a Deus, revoltando-se contra uma ordem clara e repetida do Criador, determinação que se encontra no Antigo e no Novo Testamento. Verificamos que a Umbanda, em sua doutrina panteísta, contesta e deve contestar toda uma longa série de verdades cristãs a respeito de Deus: nega o augusto mistério da Santíssima Trindade; nega a existência de um Deus pessoal e distinto do mundo; nega a doutrina cristã a respeito da origem e a criação do universo; nega a criação da alma humana; nega a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo; nega, consequentemente, a Maternidade Divina de Maria Santíssima; etc. Apuramos também que a Umbanda, endossando o princípio kardecista da reencarnação, deve contestar e de fato contesta mais outra sequência de verdades claramente ensinadas por Cristo, nosso Mestre Divino: nega a nossa redenção por Cristo; nega consequentemente a graça e toda a doutrina cristã do sobrenatural; nega, por isso mesmo, a doutrina cristã acerca dos Sacramentos; nega a unicidade da vida terrestre; nega o juízo particular depois da morte; nega a ressurreição final de todos os homens; nega a existência do inferno; etc. Tudo isso, em outras palavras, é a negação total da Doutrina cristã e por isso do Cristianismo. Em alguns meios umbandistas se professa até mesmo uma manifesta tendência de retorno ao paganismo. Assim declara, por exemplo, a obra oficial da Confederação Espírita Umbandista: “Cumprindo uma ordem de Xangô-Agaju fundou-se a Confederação Espírita Umbandista, com a finalidade de restabelecer a tradição antiga, em toda a sua foça e pureza primitiva” (Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1951, p. 152). Heraldo Menezes, em sua obra Caboclos na Umbanda (Rio), depois de ponderar que “o Universo e um conjunto de deuses em permanente harmonia”, levanta a seguinte acusação: “Qual rolo compressor, o cristianismo, avassaladoramente, destruiu o politeísmo grego e o romano, o persa e o egípcio, cognominando-os de cultos pagãos”. Em seguida se dirige mais especialmente contra a Igreja e escreve: “A igreja romana, fundada por Pedro, no afã evangelizador, penetrando por ínvios continentes, substituindo os fetiches dos selvícolas por imagens católicas, criou o sincretismo religioso (sic!). Mas, a igreja romana, um tanto distante da filosofia de Cristo, também não possui as suas lendas? A canonização dos homens não fomenta a idolatria? Logo, em sã consciência, podemos afirmar que, se os símbolos nos conduzem a Suprema Ascensão, os povos primitivos, apesar de sua decantada ausência de civilização, adorando todas as forças vivas da Natureza, estavam certos” (p. 3-4). Mais adiante preconiza abertamente: “O homem terá que voltar ao primitivismo” (p. 35)… Entretanto, esses mesmos umbandistas, que praticam a necromancia e a magia, apesar de proibidas por Deus sob a cominação dos mais tremendos castigos, revoltando-se assim centra Deus; esses mesmos umbandistas, que contestam e ridicularizam as verdades centrais da mensagem cristã, rebelando-se desta maneira contra Cristo; esses mesmos umbandistas, que apregoam a necessidade de retornara o paganismo dos povos primitivos, procurando difundir nos meios católicos do Brasil, como adiante se verá,não apenas a necromancia e a magia, mas também o politeísmo e até mesmo a demonolatria, insurgindo-se deste modo contra a Igreja; esses mesmos umbandistas, para melhor encobrir suas práticas, suas doutrinas e seus propósitos, apesar de estarem manifestamente fora do Cristianismo e contra ele, não perdem, todavia, ocasião para proclamar que são e querem ser cristãos. A já mencionada Doutrina e Ritual de Umbanda, que pretende reintroduzir o africanismo puro (p. 152), não titubeia em afirmar, também, a título de engodo, que a Umbanda “aceita a revelação de Jesus Cristo” (p. 68). Igualmente o Primeiro Congresso de Umbanda, depois de professar a reencarnação (4ª conclusão), o panteísmo (5ª conclusão), a auto redenção (5ª conclusão) e o liberalismo religioso (6ª conclusão) — princípios que levam a uma interminável série de conclusões tão contrárias a Doutrina Crista, que do Cristianismo nada sobrará — tem, todavia, a insolência de formular a 7ª conclusão nestes termos: “O reconhecimento de Jesus Cristo como Chefe Supremo do Espiritismo de Umbanda, a cujo serviço se encontram entidades altamente evoluídas, desempenhando funções de guias, instrutores e trabalhadores invisíveis, sob a forma de caboclos e pretos velhos”. Eis mais algumas declarações semelhantes para a nossa documentação; “A Umbanda, tal como se apresenta hoje no Brasil, é uma religião cristã” (Samuel Ponze, Lições de Umbanda, Rio 1954, p. 12). “A Umbanda no Brasil e do Brasil é francamente cristã” (Emanuel Zespo, Codificação da Lei de Umbanda, Parte Prática, Rio 1953, p. 80). O mesmo autor, em O que é a Umbanda, Rio 1941, p. 51, não enrubesce ao escrever que a Umbanda “aceita a doutrina do Evangelho”. “Nós nos encarregaremos de mostrar aonde esta a verdade de Jesus Cristo, a verdadeira fé cristã, que conduzirá os povos à suprema gloria de servir a Deus” (A. Fontenelle, A Umbanda através dos séculos, Rio 1953, p. 74); “estou certo que a Umbanda verdadeira, a Umbanda que Jesus Cristo pregou sobre a face da terra, surgirá límpida e pura, em toda a sua finalidade redentora” (ib p. 83). São palavras apenas; palavras impugnadas eloquentemente pela prática da necromancia e da magia em todas as tendas e terreiros de Umbanda e contraditadas pela doutrina da reencarnação, do panteísmo e do mais crasso paganismo em todos os livros de Umbanda e Quimbanda. POSIÇÃO CATÓLICA PERANTE A UMBANDA Já, a esta altura, é fácil compreender e precisar a posição católica perante a Umbanda. Para sermos claros, procuraremos sintetizar esta posição nos seguintes pontos: 1) A primeira e máxima obrigação do homem é amar a Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de toda a sua mente e com todas as suas formas (Mt 23, 37-38). Entretanto, disse Cristo, “se me amais, guardai os meus mandamentos” (jó 14, 14); “quem guarda os meus mandamentos e os observa, esse é que me ama” (Jó 14, 21); “vós sois meus amigos, se fizerdes o que vos mando” (Jó 15, 14); “a caridade consiste em vivermos segundo os mandamentos de Deus” (cf. 2 Jó6). Ora, Deus mandou que não evocássemos os espíritos, ordenou que não praticássemos a magia. Já vimos os textos, que são insofismavelmente claros. Mas é manifesto que todo o movimento umbandista se apoia na evocação dos espíritos e na prática da magia, sendo, portanto um movimento de declarada desobediência e revolta contra Deus. É impossível ao homem, neste estado, cumprir sua máxima obrigação: amar a Deus sobre todas as coisas. É por isso que o católico de maneira nenhuma pode aderir à Umbanda. 2) Sendo o exercício da evocação dos mortos e da magia pecado grave de desobediência, e também vedado fomentar as práticas de Umbanda ou assistir a elas. Donde se infere que é pecado mortal assistir às sessões espíritas e às práticas da magia nas tendas ou nos terreiros de Umbanda. 3) Já foi demonstrada a oposição frontal entre a Doutrina Cristã e a Doutrina Umbandista. Nega a Umbanda o que o Cristianismo afirma. São dois polos opostos. Segue daí que é impossível ser ao mesmo tempo umbandista e católico. Todo aquele, portanto, que aderir às praticas e às doutrinas de Umbanda, sai da Igreja, exclui-se a si mesmo da comunidade dos fiéis de Cristo, deixa de ser católico e renuncia ao direito de receber seus meios de santificação. Em outras palavras: o umbandista já fez tudo para desligar-se da Igreja e as autoridades eclesiásticas são apenas consequentes com aquilo que ele mesmo voluntariamente escolheu, quando o considera de fato desligado, isto é: excomungado. Com isso o umbandista perdeu o direito de assistir à santa Missa (mas não é necessário expulsá-lo, quando entrar na igreja: apenas não pode reclamar para si o direito de assistir); perdeu o direito de receber os santos Sacramentos: na Confissão não pode receber a Absolvição, na mesa da Comunhão não pode receber a Eucaristia, etc.; perdeu o direito de tomar parte nas indulgências, nos sufrágios e nas orações públicas da Igreja. 4) Verificamos e provamos que a Umbanda se identifica substancialmente com o Espiritismo: é a razão pela qual vale para os umbandistas o que os Bispos do Brasil declararam recentemente a respeito dos espíritas: são e devem ser tratados como hereges. Por isso devem-se aplicar também aos umbandistas as seguintes determinações: — não podem ser admitidos à recepção dos Sacramentos, ainda que os peçam de boa fé, sem que abjurem a Umbanda e renovem a profissão de fé católica; — não podem mandar batizar na Igreja seus filhos menores, a não ser que estejam em iminente perigo de morte ou ofereçam garantias suficientes de que receberão uma educação católica; — não podem ser convidados ou admitidos como padrinhos ou madrinhas de Batismo ou de Crisma. — quando falecerem, sem dar sinal de arrependimento, ficam privados da encomendação e da celebração de Missa pública por sua alma. 5) Visto que a Umbanda não é apenas desobediente em suas práticas e herético em suas doutrinas, mas quer também constituir uma religião particular, com hierarquia, ritos e cultos próprios, seus adeptos devem ser considerados como membros duma seita religiosa acatólica e existe, por conseguinte, impedimento matrimonial entre umbandistas e católicos. 6) Já que os livros umbandistas propunham a heresia e ensinam ou recomendam a superstição, o sortilégio, a adivinhação, a evocação e a magia, sua leitura é interdita aos católicos sob pena de pecado mortal e sob a censura de excomunhão. A HIERARQUIA EM UMBANDA É impossível dar ao leitor informações mais ou menos precisas a respeito do ritualismo umbandista. “Temos visitado inúmeros terreiros no Brasil — escreve Emanuel Zespo e não encontramos a uniformização de ritual tão desejada por alguns. Verificamos que cada terreiro, cada centro, segue, no geral, a orientação dada pelos seus próprios guias e caciques” (Codificação da Lei de Umbanda, Parte Prática, Rio 1953, p. 44). Apenas para a orientação dos leitores, daremos no final, em apêndice, um exemplo do ritual umbandista. A extrema complexidade dos ritos para a evocação mágica dos orixás, exus e êguns, ou para outros “trabalhos espirituais de caridade”, reclama numeroso pessoal, suficientemente instruído e habilitado. Para conseguirmos a necessária orientação sobre Umbanda, é conveniente tomar conhecimento dos nomes (pois em Umbanda se usa uma terminologia particular) e das atribuições dos vários graus da hierarquia umbandista: 1) O chefe principal, ou o chamado chefe do terreiro, é denominado geralmente “Pai de Santo” (tradução literal de babalorixá: baba=pai, orixá—santo) ou babaiaô, babaloxá, babaluê, ou ainda: cacique, príncipe de Umbanda, senhor de Olorum, chefe de rebanho; quando for mulher, é “Mãe de Santo”, ou simplesmente babá. O Catecismo de Umbanda, Rio, p. 69 s, resume as funções de babalorixá nos seguintes pontos: 1) Incorporar o espírito do Dono do terreiro, isto é, do espírito sob cuja proteção se fazem os trabalhos do terreiro, constantemente; 2) Identificar os espíritos que se manifestam; 3) Executar todas as práticas mágicas necessárias à consagração dos otás, isto é, das imagens dos orixás que baixam no terreiro; . 4) Riscar o ponto, no início de trabalhos; 5) Explicar a doutrina, fazendo prédicas, em sessões que sejam dedicadas a trabalhos de demanda; 6) Dar passes, nas sessões de caridade; 7) Diagnosticar as doenças, empregando as ervas no seu tratamento; 8) Evitar disputas, brigas e inimizades entre os sócios de um terreiro; 9) Fiscalizar os trabalhos dos médiuns e dos auxiliares do terreiro; 10)Conhecer a arte de adivinhação por meio dos búzios, saber cartomancia e leitura das mãos. 2) A seguir vem os ogans, homens que auxiliam diretamente o babalaô, tratam do cerimonial, dirigem os trabalhos de incorporação dos médiuns, entoam os pontos cantados e zelam pela perfeita ordem do terreiro; conhecem a força das ervas, os segredos e os efeitos dos pontos riscados, a comida dos Santos e sabem manejar a faca para sacrificar os animais (Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1951, p. 100). Quando mulheres, tem o nome de jabonan, jibonan ou “Mãe pequena”, que são encarregadas também de dirigir as danças e devem ocupar-se com as mulheres. 3) Vem então os cambones, cambonos ou cambandos e as sambas. Todos são “Filhos ou Filhas de Santo”. São auxiliares, competindo-lhes abrir o terreiro, receber qualquer babaiaô, enxugar o rosto dos médiuns, evitar que se machuquem, socorrê-los quando em transe, ajudar nas danças e cantar para as grandes cerimônias. Os cambones prestam assistência aos homens, às sambas às mulheres. 4) Seguem, afinal, os médiuns, julgados em condições de incorporar ou receber os Orixás Menores. Na Umbanda esses médiuns, quando incorporados, são chamados também cavalos, aparelhos, moleques, etc. A respeito da expressão cavalo, o Sr. Samuel Ponze, Lições de Umbanda, Rio 1954, p. 21, tem a seguinte explicação: “CavaIo é uma expressão aparentemente brutal, porém bem judiciosa. O médium é realmente o cavalo de que se serve o cavaleiro (o guia, espirito ou orixá) para percorrer o caminho dessa nova espécie de apostolado: ensinar aos filhos de Umbanda a vereda da luz. Todo o cavalo, depois de domado, tem o seu cavaleiro; assim todo o cavalo de Umbanda, depois de desenvolvido, tem seu guia, seu cavaleiro de Aruanda”. Muito embora não haja ainda, como vimos, unidade no rito, ele obedece, contudo a certas regras, que o Catecismo de Umbanda, Rio 1954, p. 39 s. resumiu nos seguintes traços: “Numa sessão pública, a assistência fica separada do terreiro, por uma grade com duas entradas, uma para entrada, outra para saída. Os médiuns do sexo masculino dispõem-se numa fila, os do sexo feminino, em outra fila. Todos os médiuns vestidos de branco, descalços, no caso do terreiro ser assoalhado, ou calçados com sapatos de Iona. Os cambonos, vestidos de branco e com sapatos de Iona, defumam o ambiente. O presidente faz a prece de abertura. O chefe do terreiro, enquanto se cantam os pontos, risca o ponto de segurança ou porteira (contra os exus), derramando depois marafo (cachaça) nos quatro cantos do terreiro, do lado de fora. O chefe do terreiro volta ao centro do terreiro, iniciando-se então o canto dos pontos das falanges ou Linhas que tem de baixar. Incorporados os guias (espíritos), o público é atendido para os passes de descarga, resposta às consultas, conselhos, etc. O encerramento das sessões públicas é feito com o canto dos pontos de despedida dos espíritos, prece final dita pelo presidente”. INSTRUMENTOS DA MAGIA UMBANDISTA Esta em uso uma infinita variedade de instrumentos na Umbanda, para a prática da Magia: Vestimentas as mais variadas, tambores, chocalhos, pembas de todas as cores, ponteiros (punhais de aço), coités (invólucro de coco babaçu, cortado ao meio e polido), moringues de barro, velas de cera, fitas de seda, barbante (linha crua), otás (pedras dos rios ou seixos rolados), conchas marinhas, estrelas do mar, defumadores de todas as espécies, bodoques, flechas, capacetes de penas (cocares), guias (colares de contas), plantas e raízes, charutos e cachimbos, fumo de rolo, pombos pretos, galos vermelhos ou pretos, sangue de boi, farofa de farinha de mandioca, bebidas, cervejas, varias espécies de vinhos, marafa (cachaga), azeite de dendê, mel de abelha, pólvora, carvão, enxofre em pedra ou pó, perfumes e essências, etc. Existem casas, especialistas em vender ‘’ervas medicinais, defumadores, raízes, rasuras, resinas, cascas, folhas, flores, frutas, óleos, sucos, etc.”, onde se podem comprar ídolos, símbolos de Santos, punhais para riscar os pontos, pembas em diversas cores, orações fortes e toda a sorte de defumadores. Assim, por exemplo, lemos num jornal de hoje mesmo (22-8-1954), do Rio, O Dia, p. 11, um anúncio da “Casa de Umbanda”, que vende “Estatuetas de caboclos, Índios e pretos velhos; ferramentas e material para terreiro; imagens e artigos religiosos; artigos da Baia, bonecos e colares; livros especializados; artigos indígenas, velas e artigos de cera; especialidades para as cerimonias de Umbanda; depósito do defumador Caboclo; fantasias, cerâmica, artigos de barro e variedades; defumadores em todas as qualidades”. A casa está no Largo da Lapa. Na mesma página deste jornal damos com outro anuncio que apregoa o Defumador Sete Flechas: “Seja mais um entre os milhares de consumidores preferindo a proteção do Sete Flechas de Umbanda para seu progresso e proteção. O Defumador Sete Flechas é usado e recomendado pela Confederação Espírita de Umbanda”. Em outro jornal lemos o anúncio do Sabonete de Defesa Pai Jacó, que “foi depois de longos estudos na prática e nos trabalhos espirituais, selecionado com o extrato de 9 espécies de ervas atrativas: Arruda, Guine, Alecrim, Fumo, Comigo-ninguém-pode, Abre-caminho, Desmancha-tudo, Palma benta e Bem-com-Deus. Este sabonete foi lançado ao público, com o fim de substituir os banhos de plantas tão antiquados e incômodos de preparar; pois era necessário ferver as plantas e depois de haverem tomado o banho precisavam jogar as ervas utilizadas em água corrente, fato este que nem todos poderiam fazer”. Demos a palavra aos umbandistas, para que nos elucidam a razão de ser de alguns destes instrumentos de magia, a fim de podermos conhecer melhor sua mentalidade e suas curiosas práticas, algumas das quais já muito difundidas até mesmo nos meios que se dizem católicos. 1) O defumador ocupa lugar de destaque no ritualismo umbandista. O Catecismo de Umbanda, Rio 1954, p. 43, entende assim sua finalidade: “O defumador serve para dois fins. O primeiro é que a essência do defumador, desfazendo-se no ambiente, isto é, misturando-se com o éter atmosférico, vai ser sentida pelos espíritos. A outra utilidade do defumador é que o seu perfume desperta alguns centros nervosos dos médiuns, fazendo esses centros vibrarem de acordo com as irradiações fluídicas do Protetor”. Lourenço Braga ainda conhece uma terceira finalidade: “Admite-se o defumador pelo aroma que desprendem as ervas químicas, cujo cheiro exerce grande ação sobre os sentidos das pessoas” (Umbanda e Quimbanda, 8ª ed. p. 31). Os charutos e o cachimbo, produzindo fumaça, tem o mesmo efeito (cf. E. Zespo, O que é a Umbanda, p. 62). O Sr. Oliveira Magno, em Prática de Umbanda, Rio 1952, nas páginas 21 até 42, apregoa neste sentido numerosas fórmulas ou receitas: Defumador de descarga de casas e de pessoas presentes, Defumador de descarga Agum-Mege, Defumador de descarga Caboclo, Defumador para atrair prosperidade, Defumador de Cosme e Damião, Defumador para atrair prosperidade para casas comerciais, Defumador para descarregar uma pessoa, Defumador Santa Luzia, Defumador de lixo do mar, etc. Para amostra segue a fórmula “de descarga de casas e de pessoas presentes’’: Aloés, escama de peixe, fígado de peixe seco. A defumação se faz dos fundos para a porta da rua, com um copo com água na mão esquerda e o defumador na mão direita. Mas antes disso énecessário acender três velas e fazer três preces, sendo uma ao Anjo Governante do dia e outra a entidade que executa o dito trabalho e a terceira a Deus Nosso Senhor, pedindo licença. Em seguida se canta o ponto seguinte: Mestre Luís chegou oi Mestre Luís baixo, Mestre Luís chegou pra levar todos males de sua “zefio” com sua gongá para o fundo do mar, é, é. (Bis) Ao terminar a defumação, a água do copo deve ser jogada pela porta fora dizendo: “Vai-te para o fundo do mar ou para o lugar que Deus te destinar para que mal não possas mais causar”. O defumador deve ser posto atrás da porta da rua ate se apagar, e depois embrulhar seus restos num papel branco, e em seguida deve ser despachado no mar dizendo: “Dá licença!” E atirando o embrulho no mar, dizer: “Povo do mar, tomai conta do meu mal (ou do nosso, quando se trata de mais de uma pessoa) e dai- me (ou dai-nos) paz e prosperidade”. É bom também levar sete rosas brancas, um sabonete branco, uma caixa de pó de arroz branco para a Rainha do mar e, jogando estas três coisas no mar, dizer: “Eu vos ofereço, Rainha do mar, para que me deis paz, saúde e felicidade e realize o meu ideal. Estou confiante”. Nota: Alguns umbandistas (p. ex., E. Zespo, O que é a Umbanda? Rio 1941, p. 60) querem identificar o defumador com o incenso que os padres usam na igreja durante algumas cerimonias solenes. Convém, todavia, observar que na Igreja o incenso tem apenas um sentido estritamente simbólico: assim como o aroma do incenso se levanta da terra para o céu, do mesmo modo subam as nossas orações, “como um odor agradável”, a Deus. A Igreja não emprega o incenso para afugentar os maus espíritos. 2) A pólvora é outro elemento de muito uso. Lourenço Braga, Umbanda e Quimbanda, 8ª ed., p. 32 s justifica seu uso com as seguintes palavras: “Eu explico a grande utilidade dela (da pólvora) para a descarga de ambientes ou deslocamentos de camadas fluídicas, densas, pesadas, em volta de uma criatura, dentro de uma casa, em uma localidade qualquer. Nós, espíritos reencarnados, somos imperfeitos, pecamos diariamente por obras, por palavras e por pensamentos; os nossos maus pensamentos formam camadas que se condensam com os fluídos dos espíritos inferiores, livres da matéria, que são atraídos por nós mesmos e, dessa forma, tornam muitas vezes uma pessoa, uma família, ou uma população de uma cidade, vítimas de várias coisas, tais como sejam: moléstias, brigas, desastres, loucura, paralisias, etc. Para a descarga, deslocamento ou desagregação dessas camadas pesadas de fluídos condensados, é muitas vezes necessário, para se livrar rapidamente do mal que eles nos causam, o uso da pólvora, cuja ação é rápida; porém tais práticas são sempre auxiliadas por falanges de espíritos bem intencionados, que acodem a nossa chamada pelos cânticos (pontos cantados) e pelos pontos riscados no chão, com a pemba branca”. 3) É curioso anotar como o Sr. Oliveira Magno, Prática de Umbanda, Rio 1952, p. 42 s, esclarece o uso do galo preto: “De todos os galos, os pretos são os últimos a cantar, isto é, os que só cantam próximo ao raiar do dia. Eis o motivo de algumas lendas dizerem que o canto do galo dissipa as trevas da noite e afugenta os demônios… A influência do galo preto é de grande importância em alguns trabalhos de magia”. 4) Mas o instrumento mais usado é talvez a pemba, já diversas vezes mencionada. Trata-se de simples giz e com ele são riscados os sinais evocativos dos espíritos. Segundo os umbandistas cada espírito possui seu próprio sinal cabalístico, denominado ponto riscado. Temos em mão um exemplar da pemba branca, “legítima africana, exportada diretamente da África por Ali-Bem-Itah, descendente legítimo de Li-U-Thab, da tribo de Umbanda”, que foi feita “por moças virgens em completo jejum, presididas pelo Sacerdote, que durante a fabricação não pode tomar alimento de espécie alguma nem beber água, apenas fumando o seu cachimbo que é considerado sagrado. Durante três dias e três noites e às vezes mais, é trabalhada a Pemba, acompanhada por música do Congo, as virgens cantam sem cessar preces a virgem Pemba, para que esta transmita todas as suas virtudes a que estão fabricando…” Lourenço Braga nos elucida seu funcionamento: “A pemba branca serve para firmar no chão os pontos das diferentes falanges, utilizadas em qualquer trabalho; tais desenhos ferem o nosso pensamento neles, estabelecendo uma corrente fluídica magnética, por meio da qual, eles, os espíritos, fazem os trabalhos que desejarem, projeção, descarga ou afastamento de obsessores” (Umbanda e Quimbanda, 8ª ed. p. 32). A DIAGNOSE EM UMBANDA Persuadiram-se os umbandistas — e, aliás, todos os espíritas vivem nesta convicção — de que a causa mais comum de todas as doenças está nos espíritos do além. Isso exige naturalmente um processo de cura apropriado. Riem- se por isso dos métodos da “medicina legal”. Procuremos conhecer também neste ponto a mentalidade dos umbandistas. Pois estamos aqui diante do fator de maior atração popular que a propaganda espírita e umbandista apresentam. Muitos vão ao Espiritismo e a Umbanda por esta causa. Vejamos primeiramente como explicam eles as doenças. 1) A atuação dos espíritos maus ou sofredores: “Os espíritos malfazejos atuam primeiramente sobre o períspirito de qualquer criatura e em seguida sobre o sistema nervoso. Depois de provocar o descontrole desse, passam a ter maior influência sobre a vítima, sendo-lhes assim mais fácil dirigir a projeção fluídica sobre determinado órgão do corpo humano, provocando nele a moléstia que desejarem, ou então se valem de um espírito ainda sofredor, o qual eles, os malfazejos conscientes, obrigam a ficar encostado ao paciente provocando no mesmo as moléstias de que era portador quando ainda em vida, na Terra. A ação dos fluídos de um espírito sofredor ou trevoso sobre o organismo humano é idêntico à ação que produzem os raios solares, através de uma lente, sobre a nossa epiderme; eles, pela atuação constante, destroem os tecidos mais delicados do nosso organismo, provocando moléstias diversas. Embora sejam eles retirados de junto das vítimas, ficam essas em estado tal, que só com um tratamento médico espiritual, prolongado, poderão recobrar a saúde” (Lourenço Braga, Umbanda e Quimbanda, 8ª ed. p. 42 s). “Os espíritos obsessores atuam de diferentes modos. Antes de atuarem, eles fazem pelo astral um exame da aura da pessoa e se utilizam de qualquer ponto fraco da aura, para por aí exercerem a sua influência. Os vícios permitem o assalto dos obsessores, principalmente o álcool, os excessos sexuais. o jogo. Também quando a pessoa tem faltas a pagar, isso possibilita o ataque do obsessor, que começa sugerindo uma ideia, na aparência inocente ou simples. Se o desejo for satisfeito, ele aumenta a intensidade dos seus fluídos, tornando-se o desejo num impulso irresistível. O álcool favorece as obsessões. Quando a obsessão aumenta, é sinal de que o obsessor já tomou conta do indivíduo, que se torna um autômato e que só se livrara da tirania do obsessor, recorrendo à intervenção das Falanges de Umbanda… Os espíritos sofredores também podem pela sua aproximação provocar doenças, não porque queiram, porque esses espíritos sofredores não são maus. Mas o seu sofrimento se irradia sob a forma de maus fluídos, que envenenam e enfraquecem a aura das criaturas” (Catecismo de Umbanda, Rio 1954, p. 60 s). 2) O espirito “encostado”. A ideia popular mais comum é a de um espírito sofredor que está “encostado” na pessoa doente e que precisa ser retirado por meios mágicos. Os textos citados já aludem a estes espíritos encostadores. Para maior elucidação, leiamos mais este passo: “Certos espíritos arregimentam espíritos sofredores, desconhecedores do estado espiritual em que se encontram, para colocá-los junto da pessoa ou grupo de pessoas a quem desejam fazer mal, provocando assim, no paciente, moléstias diversas, pelo contato fluídico desses espíritos com o períspiritos da vítima. Geralmente verifica-se que o espírito atuante transmite às vitimas as moléstias de que era portador, quando ainda preso à matéria, na Terra” (Lourenço Braga, obra citada, p. 25). 3) O quebranto ou o mau olhado é outra explicação muito popular e tipicamente umbandista para interpretar uma série de doenças. Eis como justificam seu modo de ver: “Todo ser humano é possuidor de fluídos magnéticos que agem segundo o pensamento, sentimento, desejo e vontade de cada indivíduo. Se o homem tem bons sentimentos, os seus fluídos são bons, mas se o dito homem tem maus sentimentos ou más intenções, seus fluídos são maus; assim se explica a inveja, o quebranto e o mau olhado. Se uma pessoa nos olha com bons sentimentos nos desejando saúde e felicidade, está nos fazendo bem, mas se a dita pessoa nos olha com maus sentimentos, inveja, ódio e raiva nos desejando mal, está nos fazendo mal, pois as chispas que essa pessoa projeta sobre nós nos atacam segundo o seu pensamento, sentimento ou desejo” (Oliveira Magno, Umbanda e Ocultismo, Rio 1953, p. 47 s). 4) O castigo. A mentalidade reencarnacionista é mais um fator que explica outra série de doenças: segundo eles, já vivemos muitas existências terrestres e nelas pecamos e cometemos crimes; e como cada um deve expiar e reparar por seus próprios esforços e sofrimentos os pecados cometidos (pois negam a nossa redenção por Cristo!), ele está sujeito a sofrer os castigos na próxima encarnação. Isso, segundo eles, é fatal e inevitável e nem Deus pode intervir, uma vez que a justiça divina não pode perdoar o pecado sem que preceda rigorosa expiação feita pelo próprio pecador. Mesmo certos desastres, acidentes ou outras ocorrências imprevistas devem ser justificados pela “lei do Carma”, que funciona de modo inexorável, como as demais leis físicas. A TERAPÊUTICA UMBANDISTA Portanto, segundo o modo de ver dos umbandistas, a doença pode ter sua origem nas seguintes causas: 1) Ou há por aí algum espírito maléfico e trevoso agindo no doente ou sobre o doente, e este mau espírito veio ou atraído por malefícios de outrem (quimbandeiro, feiticeiro, batuqueiro, macumbeiro, etc.), ou por más disposições anteriores do próprio enfermo; 2) ou imiscuiu-se na vida do doente algum espírito sofredor, nele encostado, e que lhe transmite a mesma doença, espírito que ai se encostou ou porque tem afinidade imediata com a pessoa em questão, ou porque foi trazido por outros espíritos maus; 3) ou a pessoa é vítima dos maus pensamentos ou do mau olhado de outro indivíduo humano, que assim faz ou por inveja ou por real ou suposta inimizade; 4) ou então ela sofre um justo castigo por crimes cometidos em vidas anteriores. Neste último caso não há cura, nem remédio. Nos outros, o remédio depende do diagnóstico do médium ou do babalaô. “Os médiuns videntes, de Umbanda, podem ver qual é a causa da moléstia, se há espírito maléfico ou algum sofredor, produzindo a doença, se se trata de uma prova, o que é que o doente deve fazer para livrar-se do mal”(Catecismo de Umbanda, Rio 1954, p. 62). Também os babalaôs dispõem de meios mágicos para diagnosticar. Se for espírito mau, um bom defumador poderá, talvez, afastá-Io; se for o resultado dum malefício, é preciso “desmanchar o trabalho”, neutralizando a ação do espírito pela intervenção de outros espíritos, recorrendo eventualmente à pólvora; se for espírito sofredor encostado, às vezes pode recorrer- se à surra, mas também certos defumadores e banhos “desencostam” o espírito; se for por inveja ou mau olhado, é preciso por em ação a “lei do retorno”, para o que existem fórmulas especiais nos manuais da medicina mágica… Passes, água fluída ou fluídica, rezas fortes e sobretudo banhos podem constituir excelentes remédios. Em certos casos o rito da “troca de cabeça” produzirá efeitos extraordinários… De qualquer modo, é preciso recorrer ao babalaô, que encontrará um jeito. Em última análise, se não houver possibilidade de cura, paciência: será um castigo de pecados cometidos em vidas anteriores: é a “lei do Carma” que está a exigir justiça… “Só um babalorixá, um Chefe de terreiro, um médium, competentes, perfeitos conhecedores dos segredos de Umbanda, verdadeiramente caridosos, sem ambição e com apreciáveis qualidades morais, podem dispor de meios que ajudem a cura de uma doença qualquer” (Catecismo de Umbanda, Rio 1954, p. 64). “Quando uma doença está no começo, é possível o tratamento por meio de chás de ervas medicinais ou de homeopatia… Quando se tratar de um mal- estar produzido por um espírito sofredor, como neurastenia, um enfraquecimento, o babalorixá, segundo o caso, tratará primeiramente de purificar a aura do doente, receitando banhos de ervas, indicando os chás necessários e os fortificantes, recomendando que dê esmolas aos necessitados, além do tratamento psíquico, com os passes, nas sessões de caridade, os despachos e presentes aos espíritos, as preces” (ib. p. 62). Sobre os despachos e presentes teremos que falar mais adiante, quando tratarmos dos exits. Faltam ainda breves esclarecimentos sobre a famosa água fluídica, o ritual da “troca de cabeça” e os célebres banhos em Umbanda. 1) A água fluídica. “Os espíritos adiantados podem, pela ação fluídica, aumentar o efeito medicamentoso de qualquer remédio. Podem mais ainda, pelos seus fluídos combinados no fluído universal e com os fluídos de um médium de efeitos físicos ou curador, tornar a simples água em ótimo medicamento” (L. Braga, Umbanda e Quimbanda, 8ª ed. p. 43). Pela simples concentração irradiam certos médiuns ou babalaôs seus fluídos curadores, combinados com os intensos desejos do paciente, para um recipiente de água pura e ela se transformara, sem mais, em miraculoso remédio… 2) O ritual da troca de cabeça. É um processo muito usado na medicina mágica. Procura-se transferir a doença de uma pessoa para outra. “Consiste em concentrar por meio de encantamentos, em qualquer objeto ou roupa do doente, os males que o atormentam, encerra-lo numa embalagem atraente, e abandoná-lo em qualquer ponto frequentado, para despertar a atenção dos transeuntes. Se um destes tocá-lo, por curiosidade ou inadvertência, atrairá para si os males que simbolicamente ali se encontram, e o verdadeiro dono ficará livre deles” (A. Alcântara, Umbanda em Julgamento, Rio 1949, p. 141). Outras vezes procuram transferir a doença para algum animal. Eis como se faz: “No quarto do enfermo acham-se o babalaô, com seus auxiliares, todos vestidos com os trajes do ritual. O animal que vai servir para a troca está presente. O animal é coberto por um pano preto, passando-se-lhe antes epô (azei- te de dendê). Riscam-se os pontos de Omulu e acende-se parte de vela de cera virgem e parte de vela de cebo ou espermacete, cumprindo-se os preceitos necessários, Tira-se a roupa do doente e cantam-se os pontos próprios de vumbi; passa-se-lhe a muginga de pipoca (o preparo de pipoca feita em areia, em panela de barro nova, constitui outro cerimonial). Passa-se depois o azeite de dendê pelo corpo do doente, cantando-se os pontos adequados. A roupa e os cabelos do dente são entregues a Iroco (orixá ou deus das árvores). Abre-se uma fenda em uma árvore determinada, ou em sua raiz, colocam-se aqueles objetos, depois se fecha a mesma. Isso é feito para que Iroco dê saúde ao doente, enquanto a árvore tiver vida. A vida do doente dependerá da vida da árvore. Juntamente com o resto dos objetos do doente, faz-se o enterro do animal, com as cerimonias do vumbi. O doente fica escondido até que, no prazo de 7 dias, se complete o ritual do vambi (Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1951, p. 123). 3) Também os banhos são importantíssimos, não só para a terapêutica, como também para todo o ritual de Umbanda e outros efeitos mágicos. Há banhos para tudo. Há banhos de mar, banhos de cachoeira, banhos de rio e, sobretudo banhos com as mais variadas espécies de ervas e outros ingredientes, às vezes incríveis. “Os banhos de mar e de cachoeira são usados como descarga de fluídos que se acharem impregnados nas criaturas; servem também para fortalecer as guias, colares e rosários. Os banhos de ervas é sabido que tem ação terapêutica, sendo que o arruda, o guiné, o sal grosso e o fumo, além disso, exercem ação de simpregnatizante sobre o paciente” (L. Braga, Umbanda e Quimbanda, 8ª ed. p. 31). E com toda a seriedade prescrevem por vezes banhos simplesmente repugnantes. Eis aí, por exemplo, um tipo de banho “para tirar qualquer praga ou maldição”: “Procurar uma mulher que esteja para ter um filho e pedir que assim que ela tenha a criança, guardar a primeira defecação da criança, o chamado ferrão. Tirar o primeiro leite numa xícara, antes de a criança mamar e assim que a criança defecar o ferrão, pegar todo o conteúdo e passar na cabeça, no rosto e assim descendo pelo corpo, passando em todas as partes do corpo e pedindo que sejam retiradas todas as pragas e maus desejos, por mais fortes que sejam, desde o tempo que esteve no ventre da mãe até o momento presente. Em seguida, esperar um pouco e, logo em seguida, tomar um banho sem sabão, até limpar todo o corpo. Enxugar muito bem o corpo com uma toalha limpa e em seguida passar em todo o corpo o primeiro leite que a mãe da criança tirou do seio e colocou numa xícara antes da criança mamar. Em seguida vestir roupa limpa. Lavar o pano ou fralda em que veio o ferrão e guardar” (transcrito do livro Jesus, a Chave de Umbanda, Rio 1953, p. 289). A titulo de amostra, apresentamos mais outro exemplo, tirado do mesmo livro, a p. 286. Trata-se de um tipo de banho de descarga: “Pegar as fezes de um boi completamente preto, botar dentro de um pano e amarrar as bordas do pano, de modo que as fezes não saiam para fora. Botar uma lata com agua no fogo e quando a água estiver fervendo, colocar no interior o saco e deixar dar uma boa fervura. Quando a água estiver morna tomar o banho e depois esperar um pouco e, logo a seguir, tomar o banho com água e sabão, usando toalha limpa e mudando de roupa limpa. Em seguida, põe o que puder apanhar da água do banho juntamente com o pano com as fezes do Boi Preto, dentro da lata que cozinhou, deixando a mesma na encruzilhada; pedir ao Exu do Boi Preto que leve todas as cargas de feitiçaria, maus olhados (maus olhos), pragas, etc, etc.”. O JOGO DOS BÚZIOS Muitos vão ao terreiro pedir ao “Pai de Santo” que “bote os búzios”, isto é, que interrogue os espíritos sobre de- terminado problema, sobre a natureza de alguma aflição ou doença, sobre o êxito de certos negócios, inclusive para resolver problemas políticos. “Búzios” ou “buzos” são peque- nas conchas marinhas, por meio das quais os babalaôs se comunicam com os espíritos. “Os búzios, depois de apanhados nas praias, recebem um batismo… Os búzios assim consagrados, são guardados dentro do altar. Normalmente o número dos búzios é 12, mas este número pode aumentar até 16 ou 20. Os búzios recebem cada um o nome de um Orixá” {Catecismo de Umbanda, Rio 1954, p. 72). Entre os umbandistas “o jogo dos búzios é uma decisão espiritual semelhante ao julgamento de um tribunal livre” (Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1951, p. 139). A comunicação é feita do seguinte modo: “Doze búzios são convenientemente preparados pelo babalorixá; para se saber de alguma coisa, fecham-se os búzios na mão direita e depois, abrindo esta, como quem está jogando dados, atiram-se os búzios sobre a mesa. Os búzios formam então várias figuras, que são interpretadas pelo babalorixá. Quando o babaiorixáestá jogando os búzios, há sempre espírito junto dele e do consulente. Esses espíritos auxiliam o babalorixá a interpretar as figuras muito complicadas. Antes de iniciar a adivinhação, o babaiorixá dirige uma pequena prece ao seu Guia e ao Guia do consulente”(Catecismo de Umbanda, Rio 1954, p. 70 s). Estas consultas devem ser pagas e aí lá muita exploração. Por isso aconselha E. Zespo o seguinte: “Aos que, desejando consultar um batuqueiro, não queiram ser explorados, ensinamos proceder assim: Na véspera do dia da consulta, quando se vai dormir, colocam-se debaixo do Travesseiro 3 moedas de um cruzeiro, as quais servirão para pagar a consulta. No dia seguinte, em presença do batuqueiro, quando este já arrumou a toalha, as guias e empunhou os búzios, põe-se (sem dizer palavra alguma) as três moedas dentro do circulo de guias. A consulta esta paga; e, mesmo que a quantia não a grade ao batuqueiro, por ser pouco o aché (valor), este nada mais redamará na hora, se for realmente um babalaô ou filho de santo e não um mistificador ou impostor” (E. Zespo, Codificação da Lei de Umbanda, Parte Científica, Rio 1951, p. 46). A este respeito diz ainda Doutrina e Ritual da Umbanda, Rio 1951, p. 139: “Quando se trata de um consulente estranho, e que necessitando do socorro espiritual, faça qualquer donativo espontâneo, o babalaô é obrigado a jogar os búziose traduzir fielmente as respostas recebidas. Porque se o babalaô não usar de sinceridade, estará tentando enganar não o cliente, porém o seu anjo da guarda. Esse procedimento acarretara graves prejuízos ao babalaô”. A interpretação dos búzios jogados é uma das grandes mirongas (segredos) da Umbanda, “e o seu completo conhecimento não está ao alcance mesmo de umbandistas iniciados” (ib. p. 137). ORIXÁS DE UMBANDA E SANTOS CATÓLICOS No Espiritismo de Umbanda encontramos uma particularidade que precisa ser denunciada e desmascarada com toda a energia. É isso comum a todos os espíritas do Brasil apresentar uma fachada cristã. Poderia se pensar que o Espiritismo de Umbanda, que, como vimos, pretende reintroduzir no Brasil um verdadeiro politeísmo pagão, não encontraria jeito de encobrir seus intentos “sob pele de ovelha”. Mas como, infelizmente, por falta de suficiente instrução religiosa (que, por sua vez, tem sua causa na absoluta escassez de padres, graças às perniciosas atividades da Maçonaria no século passado), o nosso povo geralmente não está compenetrado do verdadeiro espírito da mensagem cristã e conhece do Catolicismo apenas suas manifestações externas, ou a fachada, cultivando ainda uma devoção quase supersticiosa aos Santos, no que, por vezes, e em certos Santuários, ou outras manifestações populares, ainda é corroborado por Irmandades e mesmo por alguns padres, por isso os dirigentes de Umbanda encontraram um meio fácil de dissimular seu politeísmo pagão sob a fachada popular do Catolicismo. As nossas festas mais populares (do Senhor do Bonfim, de Nossa Senhora, de São Jorge, São Cosme e São Damiao, Santo Antônio, São Sebastiao, etc.), são oportunidades extraordinárias, exploradas pelo Espiritismo de Umbanda, para apresentar sua fachada católica e propagar seu politeísmo pagão, com todo o cortejo de magias e superstições. Na última festa de São Jorge pudemos observar uma procissão de Umbanda, com estátua de São Jorge, acompanhada pela banda militar e que, para a gente menos instruída, apresentava as características das manifestações populares católicas. Os terreiros, as tendas e os centros de Umbanda têm quase sempre nomes católicos: “Centro Santa Bárbara”, “Tenda São Jerônimo”, “Terreiro Francisco de Assis”, “Centro Santo Expedito”, “Tenda Santa Rita de Cássia”, etc., para não mencionar os infinitos centres dedicados a São Jorge. Na sala do centre há verdadeiros altares, com grande variedade de crucifixos, estátuas e imagens de Santos nossos. É a confusão. E confusão intencionalmente, pensadamente, acintosamente, mantida, favorecida e explorada pelos dirigentes de Umbanda. É o grande meio para atrair o povo. E o povo vai. Vai para a Tenda São Jorge, como vai para a igreja de São Jorge; leva seus filhos para serem “batizados” no terreiro, como os apresenta ao primeiro vigário que encontrar e que também os batiza, sem maiores indagações, na doce ilusão de que todo brasileiro é católico; comemora a festa de São Cosme e São Damiao em alguma igreja católica, para ir depois ao terreiro pagão; vai praticar a magia na Umbanda e vai confessar na igreja… Pois a Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1951, p. 148, escreve: “Os umbandistas, em sua maioria também católicos, vão (durante a Semana Santa) às igrejas, confessando-se e pedindo perdão dos seus pecados”; e na p. 127 prescreve: “As crianças, vestidas de azul e rosa, vão assistir, no templo católico, a missa de São Cosme e São Damiao. De volta, inicia-se a cerimonia no ritual africano…” É preciso abrir os olhos dos católicos. Urge desmascarar a Umbanda e mostrar que atrás de toda essa fachada católica não há nem vestígio de Cristianismo. “Mas por dentro são lobos — não, ledes — vorazes!” Atrás de cada Santo (cristão) está um deus pagão. Os dirigentes de Umbanda apresentam o Senhor do Bonfim, na realidade, porém, querem prestar um culto a Oxalá ou Obatalá, “Chefe Supremo da Corte Celestial”; aparentam venerar a Virgem Nossa Senhora (da Conceição, do Rosário, dos Navegantes, da Glória, etc., conforme a devoção de cada localidade), mas na verdade intencionam oferecer sacrifícios a Iemanjá, deusa da água e do mar; simulam o culto a São Jorge, entretanto pensam em Ogum, deus da guerra; fingem venerar São Cosme e São Damiao, quando de fato cultuam Ibeji, deus protetor das crianças; etc. Se os umbandistas se apresentassem como são — magos e politeístas — poucos seriam seus sequazes. Bem o sabem eles. Por isso ocultam a magia sob o manto cristão da caridade e disfarçam o politeísmo com a devoção cristã aos Santos, para então gritar a plenos pulmões pelo Brasil afora: “Nós também somos cristãos!” E milhões de brasileiros, inclusive gente branca e chic, vão para lá. Note-se, porém, que não há unidade no disfarce. Ogum e São Jorge no Sul, e Santo Antôniona Bahia, e São Paulo em Recife (e éSão Pedro em Cuba, único pais do mundo em que, fora do Brasil, existe a mesma confusão); Oxóssi éSão Sebastiao no Sul, e São Jorge na Bahia (e Santo Alberto em Cuba); Omulu éSãoLázaro no Sul e São Bento (“Santo da cobra”) na Bahia; Xangô e São Miguel no Sul, São Jerônimo na Bahia e Santo Antônio em Recife; e assim por diante. Cada um desses deuses (ou orixás maiores) tem o seu fetiche, suas insígnias (“pontos riscados”, sinais cabalísticos), sua comida predileta (que eles chamam de amalá), suas vestes especiais, seus dias preferidos e seus gritos característicos. Eis aí uma lista, colhida em várias obras: Oxalá (ou Obatalá, Orixalá, Zambi)-. Chefe Supremo da Corte Celestial. Para evocá-lo usam dos seguintes fetiches: anel de ouro, chumbo; insígnias (ou “pontos riscados”): bastão de pastor com pequenos sinos ou cruz com argolas nas pontas; como amalá (comida) oferecem-lhe: carne de cabra e pombos, ou também canjica (munguzá); vestes para o culto: de cor branca, com pulseiras (guias) de contas brancas; dia preferido para sua evocação: Sexta-feira; grito: gemido tremulo. É dissimulado sob a figura de Jesus Cristo, Senhor do Bonfim. Xangô (ou Xangô-Agodô ou Bêri): deus do relâmpago, rei da cachoeira, chefe das quedas d’agua e das pedras. Fetiche: meteorito; insígnias: lança e machadinha; comida: galo, tartaruga, bode, caruru, rabada de boi com agrião; vestes: vermelha, com pulseiras verdes ou encarnadas, feitas de ferro ou latão; dia: Quarta-Feira; grito: ei-i-i. Santo correspondente, sob o qual é dissimulado: São Jerônimo (ou Santa Bárbara) na Bahia, São Miguel no Sul e Santo Antônio em Recife. Ogum (ou Ogun-Megê, Ogun Rompe-Mato): deus da guerra, chefe das demandas espirituais. Fetiche: pá, foice, lança, bigorna, malho, enxada; insígnias: lança e espada; comida: carne de bode, cabeça de boi, galinhola (galinha de angola), galo vermelho; vestes: encarnada, com pulseiras verdes e brancas, de estanho ou bronze; dia: Terça-feira; Santos: São Jorge no Sul, Santo Antônio na Bahia, São Paulo em Recife. Oxôssi (ou Oxôce): deus da caça, rei e senhor da floresta. Fetiche: arco e flecha, frigideira de barro; insígnias: flecha; comida: carne de carneiro, galo, milho verde e amendoim; veste: verde; dia: Quinta-Feira; grito: latido como de cachorro. Santo: São Sebastiao no Sul, São Jorge na Bahia. Omulu (ou Omulum, Xapanã, Ototó): deus da peste, principalmente da varíola. Fetiche: caveira, piaçava com búzios, enxada; insígnias: lança; comida: bode, galo preto, acaçá, farofa com azeite de dendê, pipoca, orobó; veste: amarela e preta, com pulseiras de contas pretas, de chumbo; dia: Segunda-Feira; grito: hã. Santos: São Lázaro no Sul, São Bento na Bahia. Iemanjá (ou Iamanjá): deusa do mar, sereia do mar, mãe d’água. Fetiche: conchas e estrelas do mar; insígnias: leque, espada; comida: pombo, milho verde, galo, bode castrado; veste: branca, azul, cor de rosa, com pulseiras “pingo d’agua’’, de prata ou alumínio; dia: Sábado; grito: hin-hi-ye-min. Santo: Nossa Senhora, sob diversos títulos. lansan: deusa do vento, da tempestade, deusa da vingança. Fetiche: meteorito; insígnias: espada e raio; comida: bode, galinha; veste: vermelha, verde, com pulseiras vermelhas, de cobre ou latão; dia: Quarta-Feira; grito: ei-i-i (“mais suave do que o de Xangô”). Santa: Santa Bárbara. Oxun (ou Osum, Axum): deus dos raios e da água fresca. Fetiche: pedrinhas raladas; insígnias: leque, pequeno sino, espelho; comida: tainha, cabra, galinha, feijão fradinho; veste: azul e branca, com pulseiras da mesma cor, de prata; dia: Sábado; grito: hmm-hmm. Santa: Nossa Senhora da Conceição no Rio, dos Prazeres no Recife, de Lourdes na Bahia (e em alguns centros da Bahia tambémSant’Ana). Ibeji (ou Dô-ú, Dois-Dois, Beijinho): deus protetor das crianças. Fetiche: três garotos; comida: bombons, balas e doces; vestes: rosa e branca, com pulseiras de varias cores; dia: Domingo. Santo: São Cosme e São Damiao (em alguns terreiros da Bahia tambémSão Crispim e São Crispiniano). O MOTIVO DE TANTA CONFUSÃO Por que tão vergonhoso disfarce? Por que toda essa fachada católica? Por que Santos cristãos nos terreiros pagãos de Umbanda? Por que a imitação de nossos altares, com quadros e estátuas de Santos catoliquíssimos? A este respeito um umbandista mais sincero, que se ocultou sob o pseudônimo de “Yonori”, conhecendo de perto a Umbanda e certas intenções menos corretas de seus colegas propagandistas, as denunciou vigorosamente nos seguintes termos: “Da desmedida ambição desses indivíduos nasceu uma ideia diabólica que veio modificar, da noite para o dia, o curso do Espiritismo no Brasil, fazendo com que o número de seus adeptos se tornasse com o tempo maior que o de fieis do Catolicismo. Sim, o Católico jamais entraria num Terreiro de Umbanda para pedir o auxilio de Ogum, nem daria dinheiro para a ornamentação de um Terreiro de Oxosse, mesmo porque os padres não perdem vasa em apontá-los de chantagistas, combatendo-os. Porém qualquer católico tem fé em São Jorge, ou faz donativos em dinheiro ou outros valores, para a instituição de uma casa religiosa, cujo padroeiro seja São Sebastião, não deixando os padres de incentivá-los a isso. Pela mesma razão não podem condenar um católico que vá fazer um pedido a um Santo, ou rezar aos pés de uma das imagens que ornam as igrejas, pois estaria, ipso facto, negando aquilo mesmo que eles pregam… O insidioso golpe dos sabidões foi além de sua própria expectativa. Indiscutivelmente venceram materialmente- te e, hoje, 60% dos católicos frequentam Centros Espíritas,Terreiros de Umbanda, etc., pois neles os Santos são os mesmos, e mesmas são as imagens. A exploração é, também, exatamente a mesma, o lema teatral sofreu, apenas, uma modificação de indumentária e rituais, ou seja, de vestuário e de cenário, adaptado ao meio. Ganharam, então, os Orixás das Linhas de Umbanda mais um nome, ficando, na parte material, metade Africano e metade Católico, numa confusão que ninguém podia entender.Habilidosamente juntaram os sabidões, conforme suas atribuições segundo a concepção africana, o nome de um Santo de maior evidência no Catolicismo, ao do Orixá, que chefiava uma determinada Linha de Umbanda” (Umbanda, Indústria Rendosa, Rio 1954, p. 90 s). Mais adiante o mesmo autor insiste: “Sendo o povo brasileiro fundamentalmente católico, ambiente que encontra desde o berço, sua fé nos Santos que decoram na Igreja torna-se quase indestrutível e, por isso mesmo, o lado mais fraco pelo qual os exploradores iniciam o seu ataque, tendo quase assegurado o mais completo êxito. Este é um dos principais motivos pelo qual eles procuram imitar a ornamentação das igrejas Católicas, enchendo seus Pegis, Congas, etc. de santos e santas, cópias reduzidas dos que se encontram nas igrejas, pois sabem que assim atrairão os católicos e também todos os que possuírem alguma fé naquelas entidades. Ora, adotando as figuras decorativas do Catolicismo, os espertalhões nada mais fazem que manter a fé que os seus adeptos têm nos santos, dentro de um círculo material católico. Daí, os verdadeiros ensinamentos que nos foram trazidos pelos africanos terão de ser adaptados e obedecerem a certos princípios da Igreja Católica, pelo menos em parte, porém só na aparência, não só para não caírem em contradições, como ainda, o melhor escudo que usam para sua própria defesa, forçando a Igreja a constituir-se em advogado de seus próprios santos, defesa que ela faz gratuitamente… Sendo a adoção dos santos uma inovação assentada sobre uma base falsa, logicamente, mais falsos serão os ensinamentos dai decorrentes, uma vez que, tendo que justificá-los para os que não aceitam o Catolicismo, professando o Espiritismo, embora desconheçam as bases em que ambos repousam, os espertalhões formam dentro dos falsos princípios católicos, outros falsos princípios espiritas, causando uma tremenda confusão para os adeptos e para os estudiosos” (ib. p. 119 s). Um outro senhor que se diz membro da União Espiritista de Umbanda, começa por confessar singelamente o seguinte: “Em verdade, temos nos nossos altares as venerandas imagens de Nosso Senhor Jesus Cristo, de Nossa Senhora da Conceição, dos Santos Jerônimo, Jorge, Sebastião, Benedito, Antônio, Miguel, Cosme e Damião, das Santas Catarina e Bárbara, sendo mesmo as nossas Tendas registradas no Registro de Títulos e Documentos com os nomes dos Santos Católicos” (jornal de Umbanda, Junho de 1954, Rio, p. 1).Esta, porém, alarmado com a seguinte ideia: que “a Igreja de Roma poderá lembrar-se de mover contra nós uma ação (tal como fez com bispo de Maura), com o objetivo de nos privar, pelo menos por algum tempo, da prática do nosso culto, obtendo da Justiça a proibição de exibirmos nos nossos altares os santos por ela consagrados, e dos quais pensa ser senhora absoluta. Diante do fato consumado, grandes seriam os nossos prejuízos, não só de ordem espiritual, como material, pois, obrigados a acatar qualquer decisão judicial, pelo menos enquanto se discutisse, teríamos que nos privar, por algum tempo, da presença dos nossos altares, das figuras que representam as máximas entidades que presidem os destinos da Umbanda”.Para evitar tão desastroso acontecimento e para prevenir tão inaudita perseguição, o mesmo autor propõe “uma modificação na apresentação dessas imagens”, conservando, todavia, a identificação com os Santos mencionados. E assim a confusão continuaria do mesmo modo. Não seria solução nenhuma. O que os umbandistas precisam fazer, se quiserem fugir a justiça, é proclamar com toda lealdade e sinceridade de propósitos: Nós umbandistas consideramos a Doutrina Cristã falsa e condenável e queremos, por isso, reintroduzir o antigo paganismo politeísta; quem quiser aderir ao nosso movimento, não pode continuar católico nem admitir as doutrinas ensinadas por Jesus, pois somos contra Cristo, sua Igreja e seus Santos. Mas, bem o sabem eles, tão manifesta lealdade seria a ruina de Umbanda. Seria o lobo sem a pele de ovelhas… Continuemos, porém, nossas elucidações sobre a verdadeira face de Umbanda e penetremos no que ela tem de mais tenebroso. Passemos a examinar a posição que os Exus ocupam na doutrina e na prática de Umbanda. Pois deles diz ainda o mesmo autor do já citado Jornal de Umbanda: “Ainda há os Exus, que representam o maior mistério de Umbanda, que são os maravilhosos auxiliares que emprestam sua força e o seu poder para a realização da grande obra de caridade da magia. Porque, antes de tudo, a Umbanda é magia”. OS EXUS DE UMBANDA E O CULTO AO DEMÔNIO Toda e qualquer reunião de Umbanda inicia com um presente oferecido ao Exu, “o agente mágico universal, per cujo intermédio o mundo dos vivos se comunica com o mundo espiritual, em seus diversos planos” (Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1951, p. 117), pois “este planeta, no qual habitamos, pertence aos Exus” (Oliveira Magno, Umbanda e Ocultismo, Rio 1953, p. 25).É o Exu (em outros lugares também denominado Zumbi, Cariapemba, Leba, o homem das encruzilhadas) o espírito mais invocado e a ele são oferecidos o maior número de presentes (“despachos”). É por isso necessário que também os católicos conheçam semelhantes práticas que, principalmente nos subúrbios, se realizam em incrível quantidade. E não se diga que o culto ao Exu é exclusivo da Quimbanda, da Macumba, do Candomblé ou do Batuque. “Na Umbanda os Exus são constantemente invocados e trabalho algum é começado sem que sejam salvadas (isto é: reverenciadas) essas entidades” (A. Fontenelle, O Espiritismo e a Lei de Umbanda, Rio, p. 12); “nenhum trabalho de Umbanda pode fazer-se sem antes ser riscado o ponto de segurança, chamado porteira, puxando-se um ponto (canto) adequado, dando-se algumas vezes um presente a Exu, quando se trata de um trabalho importante” (Catecismo de Umbanda, Rio 1954, p. 30). “Os espíritos umbandistas utilizam, conforme dissemos, os quimbandeiros para a prática do bem, e determinam aos encarnados que desejam alguma ajuda para o bom êxito deste ou daquele negócio, que tratem desses espíritos, presenteando-os com o que eles mais apreciam. Os Exus são ainda muito materializados. Para fazerem um benefício querem paga, e exigem às vezes obrigações penosas, como acender velas nas encruzilhadas, com marafo e fumo de rolo, cachimbo, fósforos, carne crua na porta do cemitério, e mais uma infinidade de bugigangas. A despeito disto, todo terreiro de Umbanda tem de utilizar os Exus; estes, entretanto, quando chamados, já estão suficientemente preparados e após as primeiras comunicações chegam mais calmos, menos barulhentos. É preciso notar que os Exus atrasados mesmo aparecem aos videntes até em formas de bichos hediondos, cujas formas mentalizam para atemorizar os encarnados” (Florisbela M. Sousa Franco, Umbanda, Rio 1954, p. 33 s). O Sr. Aluísio Fontenelle, em uma obra de 272 paginas, com o título de Exu (Rio, 1952) diz de si mesmo: “Orientado em grande parte pelos meus Guias Espirituais, pelos próprios Exus e ainda: aliado ao profundo conhecimento sobre Magia, como sacerdote que sou dos diversos cultos de Umbanda; além de conhecedor real de todas as práticas que se exercem nos diversos terreiros onde se praticam os Batuques, Candomblés, Cangerês, etc., posso perfeitamente como catedrático no assunto, mostrar-lhes o que é verdadeiramente um Exu” (p. 94). Pois bem, este autor, como, aliás, também outros doutrinadores de Umbanda, identifica sem mais os exus com o que nos católicos denominamos “demônios” (p. 93, 103-116:onde descreve a história da revolta dos anjos, chefiados por Lúcifer: estes anjos revoltados, diz ele, são os exus). “Podem os Exus dar-nos forças suficientes para com o mal prejudicarmos os nossos semelhantes… Eles atuam da maneira mais variada possível. Mostram-se mansos como cordeiros, porém o seu íntimo é uma gargalhada demoníaca de gozo. Poderemos usá-los também como armas contra os malefícios que nos fizeram, pois, interesseiros como são, tanto se lhes dá seja nossa ou de outrem, a alma ou o espírito que pretendem arrastar” (p. 97).”O Exu é em via de regra interesseiro, e, se lhe damos um presente (despacho), fatalmente ele irá cumprir o que pedimos, pouco se importando que o resultado bom ou mau possa repercutir no Mundo Terreno, pois que só lhe apraz fazer o que está errado e é para isso que eles existem” (p. 101).“Sendo o Exu o dono principal das Ruas e Encruzilhadas, é a ele quem primeiro devemos salvar, pois é somente com a sua licença que podemos dirigir um trabalho de Magia, pelo fato de ser ainda ele o elemento mágico universal” (p. 100). Pensam os umbandistas que Deus é bom e não faz nem pode fazer mal. Ele é o Pai bondoso de todos e tem obrigação de cuidar de seus filhos.Não precisamos por isso de estar pedindo favores a Deus. Pedir a Deus seria até um sinal de desconfiança. Mas o Exu é ruim, sempre pronto a fazer das suas, a nos prejudicar e fazer o mal. Todavia, querendo, o Exu também nos pode favorecer e servir para o bem. É por isso que precisamos esforçar-nos por estar bem com ele.Daía necessidade de cultuá-lo, de oferecer- lhe sacrifícios e presentes.Então ele se põe às nossas ordens e faz o bem (ou o mal) que lhe pedimos. Os Exus são numerosíssimos. Tem os nomes mais extravagantes: Exu Tranca Ruas, Exu Quebra Galho, Exu das 7 Poeiras, Exu das 7 Portas, Exu Tranca Tudo, Exu Cheiroso, Exu da Capa Preta, Exu Tiriri, Exu Calunga, Exu Morcego, etc. Cada um deles tem a seu serviço numerosos subalternos. Eles dividiram entre si o mundo, de que são os senhores imediatos, com liberdade sem restrições: uns mandam nos rios, outros nas matas, outros nas estradas, nas montanhas, nos cemitérios, nas soleiras das casas, etc. Vários deles (como Tranca Tudo e o Tranca Ruas) fazem qualquer “serviço”.Outros têm especialidades: alguns possuem qualidades especiais para transmitir doenças, outros para produzir desastres, outros para matar, outros para seduzir moças, separar casais, etc. “Enfim — escreve Oliveira Magno, Umbanda e Ocultismo, Rio 1953, p. 32 — há Exu para tudo, para todos os fins e atos da vida, por exemplo: Se o leitor quer enganar uma pessoa, pode se pegar com Exu Enganador; se quer seduzir uma moça, pode chamar por Exu Sedutor se uma mulher quer prender ou amarrar um homem, pode chamar pelo Exu Amarrador”.E há “comidas” prediletas, que lhes são oferecidas: uns gostam de porco, bode, galinha preta, outros de charutos, outros preferem cachaça (“marafo”), pipoca, pimenta, dinheiro, velas, etc. Geralmente querem várias iguarias ao mesmo tempo.E tudo isso deve ser preparado dentro dum bem determinado e complicado ritual mágico, acompanhado de “pontos riscados” (sinais cabalísticos), traçados com pemba branca e “pontos cantados” (espécie de hinos). Esses sacrifícios devem ser depois colocados em determinados lugares, de acordo com a finalidade e a qualidade do Exu: uns são levados à margem dum rio, outros ao cemitério, outros a entrada da casa onde mora a pessoa em favor ou contra a qual se faz o despacho, a maioria vai parar nas encruzilhadas, nos descampados, no alto de morros, em pedreiras… Tipo de um despacho a Exu Tranca Ruas: “Numa encruzilhada de quatro caminhos ou nas ruas, coloca-se uma toalha quadrada tendo um metro de cada lado, sendo essa toalha de cor vermelha, de preferencia Cetim. Devera ter a toalha, em toda a sua extensão, franjas de seda preta com cinco centímetros de largura. No centro da toalha deve ir bordado o ponto de Tranca Ruas, ponto esse riscado na irradiação do trabalho para a respectiva finalidade, possuindo ainda esse ponto 49 centímetros de circunferência. Estende-se a toalha de preferência no centro da encruzilhada, e sobre ela, em cada um dos cantos, duas velas cruzadas e amarradas com fitas de seda preta e vermelha. No centro da toalha coloca-se um alguidar de barro exclusivamente adquirido para esse fim, contendo: um galo preto recheado com farofa amarela e pimenta da Costa. Ao lado direito, em pé e aberta, uma garrafa de marafo (cachaça). Ao lado esquerdo, 7 charutos cruzados e amarrados com fitinhas de seda preta e vermelha, e 7 caixas de fósforos, estando às caixas semiabertas, mostrando as cabecinhas de sete palitos. Finalmente, em volta da toalha, em círculo (fora da toalha), quatorze velas de cebo, todas acesas” (A. Fontenelle, Exu, Rio 1952, p. 144). A LISTA MACABRA DOS EXUS Damos a seguir a relação de alguns Exus, sempre guiado pelo “catedrático no assunto”, o Sr. Fontenelle (a paginação se refere à obra intitulada Exu, Rio 1952). Exu-Rei ou Maioral: Identificado com Lúcifer (p. 103 e 118). O Catecismo de Umbanda, Rio 1954, p. 22, pergunta: “Quem é Exu Rei?” Resposta: “É o maioral dos Exus, considerado como Lúcifer ou Satanás do Cristianismo”.Prossegue Fontenelle: “Apresenta-se como figura de altos conhecimentos, tratando-nos com grande elevação de sociabilidade, prometendo-nos este mundo e outro, exigindo tão somente que por nós seja tratado por: Majestade. Raramente vem a um terreiro, preferindo apenas aproximar-se dos lugares onde se professem altos estudos de Magia Astral, para com os poderes de que é imbuído, e usando de uma estratégia toda especial, procurar abalar ou captar os que se julgam portadores da fé e que, não raramente, leva a melhor, pois pode produzir maravilhas de modo imediato” (p. 103). “É mais conhecido como possuidor de belíssima capa preta, forrada de vermelho tendo no alto da cabeça dois cornos; tem as feições finas e o seu gesto é de um perfeito cavaleiro” (p. 119). “Deve ser tratado como rei” (ib.) “Protege todos quantos buscam nos malefícios prejudicar os incautos que inconscientemente se atiram de mil formas nas práticas da Magia Negra” (p. 119). Exu Rei das 7 Encruzilhadas: Um dos mais invocados nos trabalhos da Magia. “É ele o Senhor absoluto de todas as estradas e caminhos que se cruzam” (p. 130). “Chefe supremo de todos os caminhos” (ib.). Seus despachos são por isso colocados nas encruzilhadas. “Todo aquele que inconscientemente ou não procurar desmanchar ou retirar os objetos depositados, como despachos nessas encruzilhadas, está incorrendo em uma falta gravíssima, pois ficará sujeito a uma perseguição tremenda da poderosa falange dessa grande entidade do mal” (p. 139 s). Exu Tranca Ruas (também Exu Eliô): Manda também nas ruas. Possui grande falange de auxiliares. “É o mais invocado pelos praticantes de Baixo Espiritismo e a ele são entregues a maioria dos despachos feitos nas encruzilhadas’’ (p. 144). Exu Veludo: tem o “poder de proteger ou castigar os inimigos daqueles que recorrem aos seus incalculáveis benefícios” (p. 149). Exu Tiriri: companheiro de Tranca Ruas. “É grandemente evocado na prática de trabalhos a serem despachados nas encruzilhadas, nos campos, nos rios, bem como nos cemitérios”. Exu Quebra Galho: manda principalmente nas matas. “Exerce ainda forte domínio sobre as mulheres e moças, incitando-as à perversão e ao abandono do lar (quando casadas). É grandemente evocado na prática da Magia Negra, para a separação e união ilícita de casais, e todos os trabalhos nos quais se amarram bonecos de madeira, etc., são entregues a essa poderosa entidade” (p. 158). Exu Pomba Gira: “Representa a maldade em figura de mulher”. “Encarrega-se da vingança, pactuando com as mulheres feiticeiras contra as suas inimigas. Todos os trabalhos inerentes a casos de amor, nos quais a mulher se sente prejudicada, ou então pretende realizar qualquer união, são entregues a Pomba Gira, e os seus resultados são de fato surpreendentes” (p. 159). Exu das 7 Cruzes: encarregado de zelar a entrada dos cemitérios. “A essa entidade é entregue todo o trabalho que se pretende fazer para que uma pessoa morra por acidente, assassinada, ou outra qualquer espécie de morte, desde que não seja natural” (p. 162). Exu Tronqueira: é o encarregado das tronqueiras ou entradas de portas. “A essa entidade é que devemos salvar (saudar, oferecendo despachos) quando se iniciam quaisquer trabalhos ou sessões de Umbanda, para que esses trabalhos logrem o seu devido êxito” (p. 163 s).“Ao penetrarmos em um terreiro de alta magia, bem como, em qualquer terreiro de Umbanda, depararemos na maioria das vezes, colocado à esquerda ou à direita de quem entra, com algo de estranho, que logo nos desperta a atenção. Trata-se do ponto de saudação ao Povo de Exu, o qual colocado muitas das vezes dentro de uma pequena casinhola traz as seguintes características: Duas velas cruzadas com as duas pontas queimadas e apagadas, dispostas em X, tendo no vértice inferior, uma Cuité (cuia) contendo marafo (cachaça) e ainda, no fundo, riscado no solo com pemba branca ou preta e que em geral está representado por um ponto, sendo esse ponto apresentado na forma de dois garfos tridentes, cruzados, e uma ou mais cruzes riscadas, que representam cabalisticamente a Linha das Almas. A isto é o que se denomina de Exo de Exu, ou ainda: a salva dessa entidade” (p. 99; cf. também Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1951, p. 117 s). Exu das 7 Portas (também chamado Exu das 7 chaves):”Facilita a todo aquele que o invoca, quando deseja abrir cofres, ou recipientes onde se encontre qualquer objeto de valor que esteja bem guardado” (p. 175 s). “Faz desaparecer objetos ou ajuda a descobrir objetos escondidos” (p. 117). Seus despachos devem ser colocados em lugares onde haja formigueiros, pois ele “gosta de formigas” (ib.). Exu das 7 Poeiras: “Seu trabalho é nas estradas e, tal como seu nome indica, vive a perseguir aqueles que trafegam justamente pelos caminhos ou picadas onde o bafejo do progresso ainda não conseguiu fazer ruas verdadeiramente calçadas” (p. 165). Exu Morcego: “Trabalha principalmente depois da meia-noite”. “Tem o poder de transmitir toda e qualquer espécie de moléstia”. É a ele que se fazem as rezas no gado atacado de bicheiras, vermes, etc., (p. 173). Exu Tranca Tudo: Seu despacho deve conter: “Galo preto, farinha misturada ao azeite de dendê, ovos cozidos e marafo”. Seja colocado de preferencia nas encruzilhadas; mas qualquer outro lugar também serve. Ele ajuda em tudo: Tranca Tudo! Exu da Pedra Negra: É muito poderoso. “Tem o poder sobre bens e riquezas, bem como com facilidade protege as pessoas que se encontram em situações financeiras abaladas. Ele pode fazer com que se descubram tesouros escondidos e geralmente é evocado para a obtenção e realização de grandes negócios comerciais” (p. 181).Seu despacho é colocado preferencialmente nas pedreiras onde exista abundância de água corrente; deve conter: vinho tinto, misturado com mel de abelha; gosta também de frutas, principalmente de jamelão. Exu de Capa Preta: “A finalidade dos seus trabalhos é postar-se em todos os caminhos como observador ou fiscal dos demais exus” (p. 182).“Pela sua aparência senhorial e imponente, costuma dedicar-se exclusivamente a informar tudo quanto é segredo e tem por especial predileção provocar desinteligências e arruaças entre os homens. É muito evocado com o fito de provocar a derrubada de Chefes de terreiros”. (p. 183). Exu Caveira: à serviço de Omulum, rei dos cemitérios. Gosta de bife cru ou de carne de porco, com farofa e azeite de dendê; é amigo também de marafo, vinagre e azeite doce. “Nunca se deve deixar de acender pelo menos 7 velas, quando o presente para Exu Caveira tem que ser entregue no cemitério” (p. 200). Os despachos devem ser feitos depois de meia-noite. Exu da Meia-noite: “Ensina a falar de um modo imediato qualquer língua e tem o poder de decifrar qualquer enigma” (p. 203).Foi ele quem deu a São Cipriano as famosas receitas de magia.”Em todos os centros ou terreiros onde se realizam sessões espíritas, costuma-se esperar pelos menos cinco minutos para que todos abandonem seus lugares e saiam à rua, caso os trabalhos se prolonguem até a meia-noite, isso devido a aguardar a passagem de ronda dessa poderosa entidade do mal, que pode trazer perturbações a quem desconhece suas atividades maléficas” (p. 204). Exu Pagão: “Seu trabalho se prende ao que comumente acontece entre casais que se separam, motivados pelo ciúme, pelo desejo de conseguir amores ilícitos, etc. A essa entidade do mal se costuma entregar todos os despachos que visam justamente os trabalhos que se destinam a concessões duvidosas, quando determinadas pessoas desejam juntar-se a outras por meios ilegais. Prima excepcionalmente pela prática do mal, pois sua finalidade é incutir o ódio, a incompreensão e tudo o que resulta na separação de casais que vivem em harmonia” (p. 215). Exu Ganga: “Seus trabalhos são feitos exclusivamente nos cemitérios”. A ele “é entregue todo e qualquer trabalho no qual se deseja a morte de pessoas, ou também a cura de enfermos completamente desenganados; pois ele tanto cura como mata qualquer indivíduo” (p. 225). Exu Quirimbá: “Suas atividades maléficas são de molde a prejudicar simplesmente as mocinhas, induzindo-as a praticarem atos indecorosos, induzindo-as ao caminho da prostituição” (p. 229). Despacho: marafo e sangue de galinha. Exu Brasa: “É o provocador dos incêndios e domina o reino do fogo, tendo a facilidade de conceder aos praticantes da Magia Negra o dom de caminhar entre chamas sem queimar-se” (p. 123 s). COMO FAZEM OS “DESPACHOS” “É muito comum hoje em dia, mesmo entre os elementos da alta sociedade, verem-se casos de larga procura aos Quimbandeiros, para que estes realizem trabalhos de macumbas, feitiçarias, despachos, etc., com a finalidade de conseguirem desmanches de casamentos, aproximações de amantes, enfim, uma série de trabalhos próprios dos Exus, num crescer constante de maldade, perversidade e falta de bom-senso” (A. Fontenelle, Exu, Rio 1952, p. 98).Em vista desta enorme difusão, mormente nas grandes cidades, deste recurso aos Exus, para melhor alertar os católicos e para dar-lhes oportunidade de conhecerem mais de perto esta perigosa e condenável prática da magia, transcrevemos do livro de Oliveira Magno, Prática de Umbanda, Rio 1952, mais algumas amostras e receitas. 1) Para soltar e desamarrar negócios: — “Em uma sexta-feira a meia-noite ir a uma encruzilhada, levando um galo preto vivo e amarrado com uma fita preta e outra vermelha; uma garrafa de cachaça; um charuto e uma caixa de fósforos. Chegando na encruzilhada, pedir licença; em seguida abrir a garrafa e salvar os quatro cantos da encruzilhada, um pouco de cachaça em cada um; porém que fique ainda bastante cachaça na garrafa, a qual deve ser posta no centro da mesma encruzilhada com a caixa de fósforos aberta e o charuto ao seu lado; depois disto feito cantar o ponto seguinte: Exu Tiriri, Trabalhador da encruzilhada, Toma conta e presta contas Ao romper da madrugada. (Bis) Terminando o ponto cantado, dizer: “Exu Tiriri! Eu vos ofereço para que os meus caminhos sejam abertos e desembaraçados e os meus desejos sejam realizados, e, assim como vou soltar e desamarrar este galo em vossa honra, assim sejam soltos e desamarrados os meus negócios e a minha vida”. E dito isto, desamarrar e soltar o galo na encruzilhada, cantando a seguir o ponto: Firma o ponto, Acerta o passo, Para Exu da encruzilhada Não há embaraço. (Bis) Depois disto, pedir licença para retirar e terminar dizendo: “Estou confiante”. 2) Trabalhos para diversos fins: — “Em uma sexta- feira da lua crescente e próximo à meia-noite, ir a uma encruzilhada fêmea (dois caminhos que fecham em forma de T) e levar: Uma farofa amarela dentro de um alguidarzinho de barro, uma garrafa de cachaça, um charuto e uma caixa de fósforos; pedir licença e cantar o ponto seguinte: Que bela noite, Que lindo luar, Exu Pomba-Gira Vem trabalhar. (Bis) Em seguida, por no centro da encruzilhada a farofa, a garrafa aberta, o charuto e a caixa de fósforos, também aberta, e dizer: “Eu vos ofereço para que meus caminhos sejam abertos e desembaraçados e os meus desejos sejam realizados”. E logo a seguir cantar este ponto: Salve tá lá Pomba-Gira Salve Exu mulher, Ela é na encruzilhada A que faz tudo o que quer. (Bis) E terminar dizendo: “Assim como na encruzilhada tu faz tudo o que queres, assim também seja feito o que eu quero. Estou confiante. — Nota: Se for mulher que deseja ser beneficiada, deve ir em companhia de um homem, pois os trabalhos de Exu Pomba-Gira obedecem à lei do sexo”. 3) Para resolver-se todos os casos: “Em uma noite de segunda-feira procurar sete encruzilhadas levando sete velas, sete charutos, sete caixas de fósforos, e acendendo uma das velas em cada encruzilhada e pondo a seu lado um dos charutos e uma das caixas de fósforos aberta e, na ultima encruzilhada por também uma garrafa de cachaça aberta, e dizer: “Eu vos ofereço, ó Grande Rei das encruzilhadas, para que os meus caminhos sejam iluminados, abertos e desembaraçados, para que tenha prosperidade e os meus desejos sejam realizados. Estou confiante”. 4) Para se livrar do desânimo: —“Quem estiver desanimado, triste, sem fé e esperança, é fazer o seguinte: Em uma quinta-feira, ir a uma mata levando uma vela, um vidro de mel e uma garrafa de cachaça; quando entrar na mata, pedir licença; em seguida salvar o Rei da mata e todo o seu povo, despejando a cachaça em todas as direções; depois acender a vela e espalhar o mel pedindo para que a vida lhe seja mais doce, mais favorável; depois disto, cantar o ponto seguinte: Vem, ó caboclo, Vem, pena branca, Vem trabalhar, Vem dar a esperança. (Bis) És o caboclo Da fé e esperança, Da luz vibrante. Da força branca. (Bis) E terminar dizendo: “Ó sublime caboclo, com a graça de Deus, dai-me animo, fé, esperança e alegria de viver. E que Deus Pai permita que assim seja”. 5) Para resolver um caso difícil: — “Primeiramente chamamos a atenção que qualquer trabalho ou oferta que se vai fazer no mato, mar, encruzilhadas, pedreiras, cachoeiras, rios, cemitérios, etc., a primeira coisa a fazer é salvar e pedir licença; principalmente nos cemitérios não se deve fazer nenhum trabalho sem primeiramente pedir licença ao dono do cemitério (Omulu) e acender três ou sete velas no cruzeiro em benefício das almas cujos corpos foram aí enterrados e rezar Pai-Nosso e Ave-Maria. Depois disto feito, então é que se pode fazer qualquer trabalho. Enfim, para que uma pessoa resolva qualquer caso difícil, há o seguinte: Sete velas, sete caixas de fósforos, sete charutos, uma garrafa de cachaça e em uma sexta-feira das 23 e meia às 24 horas percorrer sete encruzilhadas pondo em cada uma 1 vela acesa, 1 charuto e 1 caixa de fósforos aberta; e na última encruzilhada entregar também aberta a garrafa de cachaça dizendo o que quer conseguir. No sábado seguinte levar 7 velas em um cemitério e acender no cruzeiro rezando 7 Pai-Nossos e 7 Ave-Marias em benefício das almas cujos corpos foram ai enterrados para que se consiga o que se pretende. No domingo seguinte levar sete velas em sete igrejas (católicas) e acender uma em cada igreja rezando um Pai-Nosso e uma Ave-Maria para que termine se realizando o que deseja. Por exemplo: Queres ser vitorioso em uma demanda ou luta, que a última igreja seja a de São Jorge. Queres ser feliz no casamento, que a última igreja seja a de São José. Quem fizer este trabalho à risca, isto é, completo sem nada faltar, pode ter a certeza de realizar o que pretende, pois não só é a ação das forças como também da uma prova de fé, coragem e força de vontade” (este último exemplo foi tirado do livro do mesmo autor: Umbanda e Ocultismo, Rio 1953, p. 66 s). “OS DESPACHOS PEGAM MESMO?” Paremos um instante. Fechemos esses livros de necromancia, magia, politeísmo, demonolatria e heresia.Para desintoxicar-nos, tomemos os sagrados livros do Evangelho de Cristo.Reflitamos. Façamos algumas considerações críticas do ponto de vista cristão.Pois somos muitas vezes interrogado se o despacho ou o malefício tem os efeitos apregoados e garantidos pelos autores de Umbanda. Muita gente tem um pavor medonho dos despachos e malefícios. Nem querem passar por perto. E se amanhecem com um despacho destes à porta da casa, é uma calamidade. Os babalaôs e os chefes de Umbanda não raro imperam e se impõem com semelhantes ameaças. Encontramos pessoas que gostariam de desligar-se de Umbanda, mas temem e tremem diante dos poderes misteriosos da Magia. E contam casos reais de vinganças tremendas. Ficam assim presos nos laços do terrorismo umbandista. Quantas vezes já nos foi feita esta pergunta: “Os despachos pegam mesmo?” Pensamos sinceramente que a resposta não pode ser sem mais um sim ou não.A nossa vez existem verdadeiros casos de magia.Não nos foi possível contestar a realidade de certos efeitos examinados pessoalmente. Se Deus proibiu a prática da magia sob pena de morte, não o fez sem motivos. Mas para que se compreenda perfeitamente a posição cristã, é necessário recordar alguns ensinamentos da Sagrada Escritura a respeito da existência e das atividades dos “espíritos das trevas”. Abramos, pois, um parênteses necessário e muito útil. A EXISTÊNCIA E AS ATIVIDADES DO DEMÔNIO Para sermos conciso numa questão que, talvez, mereceria longa exposição, compendiaremos o ensino cristão relativo ao demônio nos seguintes pontos: 1) É doutrina revelada por Deus, e portanto verdade de fé, que existem espíritos maus.São seres espirituais, inteligentes e livres (portanto: pessoas), criaturas de Deus que se revoltaram contra o Criador e foram condenados ao inferno.Pouco importa seu nome: demônio, satanás, diabo ou exu. Jesus Cristo preferiu estas primeiras três denominações. Mas também o chamou de “pai da mentira” (Jo 8, 44), “príncipe deste mundo” (Jo 12, 31; 14, 30), “homicida desde o começo” (Jo 8, 44), “inimigo” (Mt 13, 39), “o forte” (Mt 12, 29), “espírito imundo”, “impuro” (Me 3, 30), etc. 2) Há entre eles certa ordem e hierarquia, sendo Lúcifer o chefe.Cristo fala do “demônio e seus anjos” (Mt 25, 41), referindo-se explicitamente ao “reino de satanás” que está unido (Mt 12, 26).Também o Apocalipse nos recorda o “dragão e seus anjos” (12, 7) e São Paulo lembra aos efésios “que temos que lutar contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade” (6, 12). 3) Em certo e limitado sentido podemos dizer que satanás é como que o rei deste mundo: já vimos a expressão de Cristo que o chama de “príncipe deste mundo” (Jd 14, 30).São Paulo declara que é o “príncipe no reino dos ares, que opera nos filhos da desobediência” (Ef 2, 2), até mesmo diz que é o “deus deste século” (2 Cor 4, 4).Os servos ou filhos de satanás e os súditos de seu reino são todos os pecadores, principalmente os que combatem a verdade (cf. Jo 8, 44; At 13, 10).São João escreveu: “Quem comete pecado é filho do demônio” (1Jo 3, 8). 4) O reino de Cristo não é deste mundo (Jo 18, 36). Mas Jesus frisa: “Eu sou rei” (Jo 18, 37). Não é simples rei entre outros, mas o “Rei dos reis é o Senhor dos senhores” (Apoc 19, 10), de tal modo que tudo lhe foi entregue: “Todo o poder me foi dado no céu e na terra” (Mt 28, 18).Ele é também o “príncipe dos reis da terra” (Apoc 1, 5). A Cristo e seu reino pertencem todos os que foram arrancados do poder das trevas pela Redenção (Col 1, 3 s). A missão de Cristo é a de “destruir as obras do demônio”’ (1Jo 3, 8) e que “todo o que nele crer não pereça mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 15). 5) Assim temos de fato, nesta terra de lutas e provocações, dois reinos opostos, inimigos um do outro.Satanás e seus anjos tentam com todo o empenho destruir o reino de Deus. Pertence ao plano da providência divina que o homem mostre sua virtude e constância na luta, nas adversidades e nas tentações. É esta a razão mais profunda por que Deus concedeu ao demônio certa liberdade de movimento: para provocar a luta, as adversidades e as tentações. 6) Mas “apareceu à benignidade e é amor humanitário de Deus, nosso Salvador” (Tito 3, 4): Cristo veio “a fim de aniquilar pela morte aquele que imperava pela morte, o demônio” (Hb 2, 14). E Cristo venceu e quebrou seu poder. Depois de Jesus, Satanás de fato já não é o senhor imediato e absoluto deste mundo. 7) Contudo, o demônio, mesmo depois de Cristo, continuou com relativa liberdade para hostilizar os homens, até o fim do mundo.Por isso admoesta São Pedro: “Irmãos, sede sóbrios e vigilantes, porque o demônio, vosso adversário, anda em derredor como um leão a rugir, procurando a quem devorar; resisti-lhe firmes na fé” (1 Ped 5, 8).Porém, e isso é muito importante: ele não pode agir à vontade! “Mau grado seu grande poder e obstinação — escreve o Catecismo Romano, ed. Vozes, p. 589 — e seu ódio mortal contra o gênero humano, o demônio não pode tentar-nos e importunar-nos, com a força ou pelo tempo que ele queira, pois toda a sua influência é regulada pela vontade e permissão de Deus. Disso temos em Jó o exemplo mais conhecido. Não tivesse Deus dito ao diabo a seu respeito: “Tudo quanto ele possui está em tuas mãos”, não poderia satanás tocar em nada que fosse dele. Todavia, se o Senhor não tivesse acrescentado: “Só não estendas tuas mãos contra a sua pessoa”, um único golpe do demônio o teria fulminado, juntamente com seus filhos e todos os cabedais. A tal ponto está ligado o poder dos demônios, que sem permissão de Deus não poderiam sequer entrar nos porcos, de que falam os Evangelistas”. 8) Insistimos: é relativa e limitada a liberdade do demônio em hostilizar os homens.Satanás não independe de Deus. Os espíritos maus nos podem tentar ou insidiar apenas dentro dos limites determinados por Deus para cada pessoa humana e de acordo com suas forças.O demônio nos hostiliza de duas maneiras: ou direta, imediata e sensivelmente, ou indireta, mediata e imperceptivelmente.O modo mais comum é o indireto, quando satanás, permanecendo ele mesmo escondido, se serve de outros meios (maus livros ou revistas, filmes pornográficos, bailes impudicos, homens perversos, etc.), para solicitar-nos ao mal. Pode-se dizer que é este o meio normal e ordinário.Extraordinariamente, todavia, o demônio pode importunar-nos também de um modo imediato, sendo diretamente perceptível sua intervenção. Parece, porém, que devemos dizer que neste caso satanás deve obter uma permissão especial de Deus. E o Criador pode dar esta licença ou para provar ou para castigar o homem. Garante-nos, todavia, a doutrina cristã que Deus jamais permite sejamos provados acima de nossas forças.Só cai no poder do demônio quem livre e espontaneamente a ele se entrega. Este, sim, é muitas vezes tentado além de suas forças; mas a culpa não é de Deus: é dele mesmo, que voluntariamente foi ao encontro do inimigo, brincou e pactuou com ele. 9) Como vencer o demônio? Responde o Catecismo Romano (p. 594): “O demônio, naturalmente, não é vencido por meio da vadiagem, da sonolência, da bebedeira, da glutonaria e da luxúria, mas tão somente pela oração, pelo trabalho, pela vigilância, pela abstinência, pelo domínio de si mesmo e pela castidade”.”Vigiai e orai, para não entrardes em tentação” (Mt 26, 41). “…e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal (ou maligno!)”. São estes os princípios que nos permitirão responder a pergunta “se os despachos pegam mesmo”. VOLTANDO AOS DESPACHOS E A MAGIA Em vista do que acabamos de expor, podemos agora assumir uma atitude cristã frente à doutrina e as práticas umbandistas e quimbandeiras em torno dos exus. Há algumas verdades, vários exageros e muitas falsidades e arbitrariedades que convêm assinalar: 1) É verdade que existem numerosos espíritos maus, que não foram assim criados por Deus, mas por própria e livre vontade se revoltaram contra o Criador; pouco importa o nome que lhes demos: demônio, satanás ou exu; e há entre eles certa organização ou hierarquia. 2) É verdade que estes espíritos maus receberam de Deus uma relativa liberdade de agir neste mundo e hostilizar os homens, 3) É verdade que o homem, abusando de seu livre arbítrio, pode pactuar com os espíritos maus e entregar-se a eles. 4) É verdade que Deus pode permitir ao demônio intervenha de um modo direto e sensível na vida do homem, aparecendo mesmo sob alguma forma visível. 5) Mas é um formidável exagero dos teóricos de Umbanda dizer que os espíritos maus são os senhores imediatos e absolutos deste mundo: Cristo venceu e quebrou o poder de satanás. 6) É outro grande exagero dizer que os espíritos maus aparecem é vontade do homem: só o podem fazer com permissão divina e Deus pode permiti-lo ou para provar os bons ou para castigar os maus e revoltosos. 7) É exagero e mesmo falso dizer que o demônio, independentemente de Deus, obedece aos caprichos e aos desejos de certos homens ou babalaôs. 8) É falso dizer que em certas coisas nos homens dependemos dos espíritos maus. 9) É falso dizer que é lícito ao homem chamar os espíritos maus: é sempre pecaminoso e revoltante qualquer tentativa de evocar os exus ou demônios, mesmo para “praticar o bem”. 10) É totalmente falso e arbitrário dizer que certos espíritos mandam nas encruzilhadas, nos cemitérios, nos rios, nos bosques, etc., pois não existe para isso absolutamente nenhuma base na Revelação Divina. 11) É falso e arbitrário dizer que os espíritos maus preferem trabalhar de noite ou em determinadas horas. 12) É falso e arbitrário dizer que são necessários determinados ritos ou objetos para chamar ou evocar os demônios. 13) É pura e condenável idolatria, ou melhor demonolatria, oferecer a satanás presentes e sacrifícios ou dirigir- lhe certas orações e petições. Suponhamos agora que algum babalaô, ou por iniciativa própria ou a pedido, faça, segundo todos os requisitos do ritualismo, um presente ou despacho contra Fulano, pedindo a Exu Velado que castigue Fulano com um desastre qualquer.O que acontecerá? Respondemos: Em si e como tal o despacho não terá efeito nenhum, pois, como vimos, o demônio (ou Exu) só pode imiscuir-se de modo direto e sensível na vida do homem com permissão especial de Deus.Pode, no entanto, ser que Fulano seja, também ele, amigo do demônio (ou vivendo habitualmente em estado de pecado mortal e, portanto, de inimizade com Deus, ou praticando também ele a demonolatria, a necromancia ou a magia, proibidas rigorosamente por Deus, sob a combinação dos mais graves castigos) e neste caso é possível que Deus, para castigar Fulano, aproveitando a oportunidade, permita ao demônio que faça de fato o que aqueles revoltosos amigos do demônio tão insistentemente querem e suplicam. E teríamos então, dentro deste conjunto de reservas, um caso em que o despacho “pega” mesmo. Suponhamos, todavia, que Fulano seja uma pessoa que se esforça por viver em estado de amizade com Deus (grata santificante), não brincando nem pactuando com os espíritos maus; neste caso o despacho certamente não teria efeito nenhum (a não ser, talvez, em casos raríssimos, não para castigar, mas para provar este servo de Deus; todavia, mesmo nesta hipótese a provação jamais seria acima das forças de Fulano). Tudo depende, por conseguinte, de dois fatores: da vontade de Deus que permite ao demônio uma atuação no caso, e do estado de alma (grata santificante ou pecado mortal) da pessoa visada. Observe-se, entretanto, que não queremos com isso dizer que todo despacho ou “trabalho” feito contra uma pessoa em estado de pecado mortal tenha sempre seus efeitos garantidos. Absolutamente! Sustentamos apenas que neste caso o efeito seria possível, não repugnaria, não seria nem contra a justiça, nem contra a providência paternal de Deus, sempre, porém, sob completa dependência do Criador.Pensamos sinceramente que também nesta suposição (isto é: quando o malefício é feito contra uma pessoa em estado de pecado mortal), a absoluta maioria dos despachos ficam sem efeito.Mas, como cristão e dentro da mentalidade cristã, não nos surpreendem certas histórias estranhas e extraordinárias, que se narram nos meios onde é praticada a magia e a demonolatria e onde os homens põem à disposição do demônio portas escancaradas e carta branca, oferecendo-lhe até presentes e verdadeiros sacrifícios, pedindo e suplicando que venha e “trabalhe”. Certos terreiros, quando em pleno funcionamento, apresentam todas as características da atuação direta de espíritos maus… Quando, por exemplo, os “filhos ou filhas de santo” entram em transe, inteiramente tornados por algum espírito, que os faz pronunciar palavras sem nexo e agitar-se em movimentos alucinados, parecendo os pés não mais tocar o solo e a cabeça balançando doidamente em todas as direções, sobre um pescoço desarticulado, chegando a executar danças rituais, rodopiando 48 horas sem parar, fumando cachimbos e charutos ou comendo os bichos mais nojentos… O umbandista Lourenço Braga escreve que viu “muitos espíritos violentos jogarem o médium no chão, darem socos na mesa, darem urros ou gritos fortes, furar o corpo com a ponta de punhal, pisar em brasas, mastigar vidro, estraçalhar uma galinha nos dentes para beber o sangue” e o médium a “gritar, sapatear, bater com as mãos na mesa ou ficar como se estivesse sufocado” (Umbanda e Quimbanda, 8ª ed. p. 37). O melhor e mais eficaz meio para nos tornarmos imunes contra toda a sorte de despachos e malefícios, é conservar-nos na amizade de Deus, na graça santificante.E esta vida sobrenatural da graça deve ser conservada, aumentada e alimentada pela frequente recepção do Pão Eucarístico, que é o “Pão dos fortes”: “Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue terá a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia… Quem come a minha carne e bebe o meu sangue fica em mim e eu nele… Quem come este pão viverá eternamente” (Jo 6, 53-58) SATANÁS E AS DOENÇAS Já que estamos a estudar as possíveis influências do demônio sobre o homem, será interessante salientar mais um ponto. Vimos que os espíritas e umbandistas atribuem muitas doenças a atuação dos espíritos atrasados e maus e, consequentemente, procuram a cura pelo afastamento destes agentes importunos. E parece que às vezes conseguem realmente efeitos extraordinários. É a razão por que muita gente vai ao Espiritismo e procura os terreiros de Umbanda. Qual e a posição cristã perante semelhantes teorias e prováveis fatos? Percorrendo as páginas do Evangelho, encontramos realmente casos em que o demônio parece ser a única causa de certas enfermidades e a cura é obtida pela simples expulsão do demônio. Vejamos esses casos: Em Mt 9, 32-33 lemos: “Apresentaram-lhe (a Jesus) um homem mudo, possesso do demônio. E, expulso o demônio, falou o mudo…” Em Mt 12, 22: “Então trouxeram-lhe um endemoninhado, cego e mudo e ele (Cristo) o curou, de sorte que falava e via”. Mt 17, 14-20: É o caso do menino epiléptico. “Jesus ameaçou o demônio, e este saiu do jovem, o qual desde aquele momento ficou curado” (v. 17). Lc13, 10-13: cura da mulher paralítica, “que estava possessa de um espírito que a tinha doente havia dezoito anos, e andava encurvada, e não podia absolutamente olhar para cima. Jesus, vendo-a, chamou-a a si e disse-lhe: Mulher estais livre de tua enfermidade. E impôs-lhe a mão e imediatamente ficou direita”. Mais adiante, em discussão com os fariseus, o próprio Jesus esclarece que “satanás a trazia presa já por dezoito anos” (v. 16). Façamos primeiramente algumas considerações sobre estes fatos narrados e garantidos pelos Evangelhos. Embora estas doenças (surdez, cegueira-mudez, epilepsia e paralisia parcial) tenham, segundo o texto sagrado, origem diabólica, o demônio, todavia, não parece dar outro sinal de sua presença, a não ser apenas a doença. E esta enfermidade é curada com a simples expulsão do demônio. Temos, portanto, que o próprio Evangelho, e em um caso Jesus pessoalmente, atribui certas doenças ao demônio e sua cura é obtida pela expulsão do mau espírito. Mas Jesus não atribui todas as doenças ao demônio. Temos no Evangelho inúmeros casos de doentes curados que nenhuma relação tinham com satanás. Por outro lado encontramos nas mesmas sagradas páginas casos em que a possessão não se manifestava por meio de doenças. Jesus, pois, distingue nitidamente entre doenças simplesmente, doenças causadas pelo demônio e possessão. No caso da mulher encurvada é o próprio Jesus quem chama a atenção para a atuação do demônio. E a expressão até é estranha: “Satanás a trazia presa já por dezoito anos”. Devemos, pois, dar razão aos espíritas e umbandistas quando dizem que certas enfermidades são causadas pelos espíritos maus. Talvez eles exagerem o numero dessas doenças. Pois em casos concretos será difícil saber se estamos ou não diante dum efeito causado diretamente pelo demônio, ou diante duma simples doença, uma vez que a manifestação externa é a mesma. Muitas vezes nem mesmo será possível sabe-Io. Pois a paralisia ou surdez tanto poderia ser simples doença, como também pura atuação do demônio. Há certos doentes que parecem totalmente incuráveis, apesar de repetidos esforços dos mais competentes médicos. Esta incurabilidade seria talvez um indício para concluir que se trata da atuação diabólica? Cristo mostra seu domínio sobre o demônio, expulsando-o. Temos numerosíssimos exemplos nos Evangelhos. Jesus conferiu também aos Apóstolos o poder de expulsar o espírito mau. Os Apóstolos por sua vez transmitiram este poder de exorcismo. Na Igreja sempre houve exorcistas. Ainda hoje todo sacerdote recebe este poder. E no Ritual da Igreja encontramos bênçãos sobre os enfermos que encerram verdadeiro exorcismo. Leia-se este exemplo: Oratio et benedictio super aegrotum. — Per tuam maximam misericordiam, per tuam summam bonitatem, per tuam amplissimam caritatem, per Domininostri lesu Christi passionem et crucem, per merita et intercessionem beatissimae Virginis et Omnium Sanctorum, in nomine lesu et sanctae Ecclesiae, ego, indignissimus servustuus, rogo te pro hoc famulo tuo infirmo, ut ipsipatientiam, constantiam et veram consolationem praebeas et augeas, et, si ad animae salutem prodest, restitue earn ad salutem. Si autem tu, nefande diabole hoc malum causas tivelauxisti, ego indignissimus servus Dei, impero tibi, ut recedasabhoc famulo Dei et tollas omne noxium, quod causas tiveiauxisti, et numquam redire audeas. Non nobis, Domine, non nobis, sed Nominituo da gloriam. Benedictio Dei Omnipotentis, Patrise tFilii et Spiritus Sancti descendat super te et maneat semper. Amen. Eis ai uma tradução nossa (não oficial!) desta oração: Oração e benção sobre um enfermo: — Ó Deus, por Vossa máxima misericórdia, por Vossa suma bondade, por Vosso amor sem limites, pela paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelos méritos e pela intercessão da beatíssima Virgem e de todos os Santos, em nome de Jesus e da Santa lgreja, eu indigno criado Vosso, Vos suplico e rogo em favor deste Vosso servo, para que lhe concedais e aumenteis a paciência, a constância e a verdadeira consolação e, se lhe for favorável para a salvação da alma, lhe restituais a saúde. Se, porém, tu, demônio perverso, causaste ou aumentaste este mal, eu, mui indigno servidor de Deus, te ordeno que abandones este servo de Deus e leves todo o mal que causaste ou aumentaste e jamais ouse a ele retornar. Não a nós, Senhor, não a nós a glória, mas glória seja ao Vosso Nome! E a Benção de Deus Onipotente, Pai, e Filho e Espírito Santo, desça sobre ti e permaneça para sempre. Assim seja. OS PSEUDO-MILAGRES DO DEMÔNIO Predisse Nosso Senhor que apareceriam falsos profetas, “que farão grandes prodígios, a ponto de enganar até os escolhidos, se fosse possível. Eis que vos ponho de sobreaviso” (Mt 24, 23-24). Também São Paulo fala de gente que virá “na virtude de Satanás, com toda sorte de portentos, sinais e prodígios falazes, procurando a todo transe levar à iniquidade os que se perdem por não abraçarem o amor à verdade. É por isso — continua o Apóstolo— que Deus lhes manda o poder da sedução, para darem fé à mentira e serem entregues ao juízo todos os que não deram crédito à verdade, mas antes se comprazeram na iniquidade” (2 Tess 2, 9 ss). Ora, verificamos que, segundo o Evangelho, em alguns casos, satanás é a causa exclusiva de certas enfermidades (vimos o exemplo da surdez, cegueira, mudez, epilepsia e paralisia; nada obsta a admitir também outras doenças) e a retirada do demônio significa a cura do doente.Não repugna nem é anticristão pensar que o diabo se retire por conta própria, quando lhe convier ou interessar, restabelecendo desta maneira a saúde do enfermo.Estaríamos assim diante dum pseudo-milagre operado pelo próprio demônio.Ele o faz, diz Nosso Senhor, “para enganar os escolhidos”, ou, na expressão de São Paulo, “para levar à iniquidade”, ou “para dar fé à mentira”.É um dos estratagemas do inimigo de nossas almas e de nossa salvação. Deus o permite para, deste modo, experimentar a nossa fé. É ainda o Apóstolo que o afirma: “Deus lhes manda (ou concede) o poder de sedução”. Não nos deixemos iludir por semelhantes prodígios! Foi seguramente por isso que Jesus acrescentou: “Eis que vos ponho de sobreaviso!” Se forem reais as mil histórias de curas maravilhosas que os espíritas e umbandistas nos contam, muito embora não acreditemos em todas elas e muitas delas possam ser explicadas perfeitamente por meios naturais (sugestão, hipnotismo, remédios verdadeiros — de homeopatia! — que eles também administram), não sentimos maiores dificuldades em admitir também curas incontestáveis por meios mágicos: trata-se, então, de pseudo-milagres do próprio demônio que desta maneira procura prestigiar a doutrina espírita (reencarnação, panteísmo, negação da Santíssima Trindade, da Divindade de Cristo, etc.), frontalmente contrária à doutrina cristã. A este respeito possuímos também interessantes declarações e testemunhos de santos escritores dos primeiros séculos. Assim, por exemplo, escreve São Cipriano, Bispo de Cartago, no terceiro século: “Esses espíritos ocultam-se em quadros e imagens sagradas; inspiram com o seu hálito o peito dos videntes; animam as vísceras dos animais sacrificados; orientam o voo das aves; possibilitam os oráculos; misturam a verdade com a mentira; causam a desordem na vida, perturbam o sono, oprimem o corpo. Tais espíritos atemorizam as almas, desconjuntam os membros do corpo, arruínam a saúde e provocam enfermidades, para obrigar os homens a os adorar; e, então, satisfeitos com o incenso dos altares e dos sacrifícios, concedem o que tinham prometido, aparentando a cura do mal” (De Idolorum Vanitate, n. 7). E diz ainda o virtuoso e heroico Bispo e mártir da fé: “Ele (o demônio), com seus perversos auxiliares, provocou essas heresias e cismas que tem abalado à fé, falsificado a verdade, destruído a unidade… Ele separa da Igreja os fiéis e enquanto imaginam estes se haverem aproximado da luz, envolve-os em densas trevas. E assim, embora abandonem o Evangelho e não cumpram os mandamentos, se dizem ainda cristãos; caminham na escuridão, julgando possuir a caridade, ao mesmo tempo em que o inimigo os lisonjeia e desorienta, pois que, como disse o Apóstolo, transforma-se ele em anjo da luz e veste, com a túnica dos servos da justiça, os seus ministros”. O notável orador romano Tertuliano, do segundo século, escreveu na sua Apologia, dirigida aos imperadores, que a obra dos demônios, que os pagãos adoravam, tinha como objetivo a destruição e o aniquilamento da humanidade. “Com esse intento, diz ele, causam moléstias e certas deformidades dolorosas do corpo, assim como os abalos súbitos e horrivelmente intensos da alma”.Tertuliano admite como ilusões certos processos empregados no tratamento das moléstias, “produzindo rápida, mas aparentemente a cura, uma vez que o domínio começa provocando a moléstia para depois, cessando a sua intervenção e pela aplicação de novos meios de cura, aparentar o milagre” (Apologeticum, cap. 22).Em sua obra De Anima (cap. 57) escreve o mesmo autor que essa fraude do espírito mau, oculto por trás dos mortos, se descobre muitas vezes pelo exorcismo quando o espírito diz ser o pai ou a mãe do possesso, ou outra pessoa qualquer. OS PERIGOS DA UMBANDA Daremos, afinal, a palavra aos próprios umbandistas, para que eles mesmos nos confessem as tristes consequências a que leva a prática da magia e do ritualismo de Umbanda.Nestas citações, como nas outras, respeitamos sempre a gramática deles… 1) O perigo de doença ou loucura. “Na Lei de Umbanda ou na Lei de Quimbanda, as manifestações de espíritos são, na maioria das vezes, totais, quero dizer, os espíritos apoderam-se totalmente dos médiuns. Nesse estado, vimos muitos espíritos violentos jogarem o médium no chão, darem socos nas mesas, darem urros ou gritos fortes, furar o corpo com ponta de punhal, pisar em brasas, mastigar vidro, estraçalhar uma galinha nos dentes para beber o sangue, etc…, dando-se muitas vezes, o caso do médium gritar, sapatear, bater com as mãos na mesa ou ficar como se estivesse sufocado” (Lourenço Braga, Umbanda e Quimbanda, 8ª ed. p. 37). _ “Sabeis o que pode produzir uma mediunidade mal orientada, mal dirigida? Isto: a obsessão, a alienação mental definitiva, a morte. Eis porque, apesar de ser espírita, jamais me ofendi quando ouvi os padres católicos dizerem que o espiritismo é uma fábrica de loucos. Eles têm, em grande parte, toda razão, Somos daqueles que acham que quem não quiser tomar a coisa a sério, no Espiritismo ou na Umbanda, quem não tiver desejo de estudar seriamente, quem não tiver coragem ou espírito de imparcialidade, que não venha ao Centro Espírita ou ao Terreiro de Umbanda” (Emanuel Zespo, Codificação da Lei de Umbanda, Parte Científica, Rio 1951, p. 68). “Casos há em que, havendo o complete domínio do espírito sobre a matéria, cujo subconsciente grandemente enfraquecido, quer pela moléstia ou outro qualquer fenômeno, deixa-se o indivíduo tomar facilmente pelo espírito obsessor, jamais retornará esse elemento ao seu próprio estado, tornando-se um elemento perigoso, que, tornado pela obsessão é quase sempre levado à loucura, com bem poucas probabilidades de cura…” (A. Fontenelle, O Espiritismo e a Lei de Umbanda, Rio, p. 24).Na p. 91 escreve o mesmo autor: “A Umbanda, por se tratar de uma religião puramente fetichista, encontra uma infinidade de adeptos, os quais, julgando que com facilidade podem tomar conhecimento daquilo que lhes pode acontecer no futuro, entregam-se completamente inconscientes, sem de leve perceberem que muitas vezes incorrem em um erro gravíssimo, devido ao seu espírito mal formado e portanto, sujeitos a uma série de perturbações que os levam invariavelmente à loucura ou à degradação moral”. 2) O perigo da imoralidade: “Nenhuma das religiões é mais propícia aos atos de leviandade e depravações como a Umbanda, pois se o médium não for controlado e não tiver a seu favor os princípios de bom caráter, ânimo forte e grande espírito de abnegação, ruirá por terra, e se arrastará tal qual um verme, na lama da inconsciência” (A. Fontenelle, O Espiritismo e a Lei da Umbanda, Rio, p. 91). ‘‘Podemos afirmar que, sob a capa de Espiritismo e Umbandismo, há muitos abusos.Casas de tolerância disfarçam os seus vícios com algumas imagens de Santos e cabeças coloridas de caboclos. Falsos médiuns fingem receber “tios” velhos e exploram os incautos. Mulheres bonitas, usando colares e “guias”, vivem nababescamente.Há terreiros só de granfinos, que ali deixam vultosas contribuições.Inescrupulosos e ilusores desencaminham gente de boa fé” (Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1051, p. 153). “Multiplicaram-se as macumbas, os batuques, os candomblés e marchou tudo para a derrocada moral inevitável. Homens e mulheres sem escrúpulos descambavam para a baixa magia, o bruxado, o são-ciprianismo, a magia do mal, e até mesmo prevaleciam-se de sua condição de “pais” ou “mães” para dormirem e coabitarem com os respectivos filhos ou filhas de santo.Conhecemos vários casos desta ordem e vimos, nas chamadas macumbas, coisas de aterrorizar” (Emanuel Zespo, Codificado da Lei de Umbanda, Parte Pratica, Rio 1953, p. 52). “Às vezes tudo vai bem num terreiro, e… repentinamente nasce uma paixão mórbida entre dois irmãos de Umbanda de sexos opostos e já comprometidos socialmente com outros laços carnais. Brota o amor da carne, nasce o ciúme, acende-se a fogueira do desejo, surge a discórdia, o ódio, a vingança…” (Ibidem, p. 65). “Nós, que temos estudado varias religiões e convivido com sacerdotes de diversas seitas, tomando parte ativa no seu culto, afirmamos; a bem da verdade, que a Umbanda é a religião que maiores perigos oferece quanto ao pecado da carne. Quando não se pratica uma Umbanda apenas de terreiro e sim se deseja a realização do culto levado ao ponto em que deve de ser: cultuação dos elementos da Natureza e na Natureza, cruzamentos reais, iniciações no mato, nas praias, nos montes, o que obriga a uma convivência mais ou menos prolongada entre iniciador e iniciando, o perigo de uma aproximação carnal é grande, quando os sexos gritam sob o impulso das tentações” (Ibidem, p. 104). 3. O perigo da exploração e mistificação. “Infelizmente pululam por aí aos montes determinados centros, onde, de Espiritismo só tem mesmo o nome, pois a pouca vergonha, o desmazelo pela saúde do próximo e a verdadeira caridade é posta à margem, para pensar-se unicamente na exploração e na indecência corruptiva e degradante” (A. Fontenelle, A Umbanda através dos Séculos, Rio 1953, p. 85). “… 99% dos dirigentes desses Centros não visam outra coisa a não ser a glória efêmera de serem adorados por outros cegos, iguais a eles próprios, ou aproveitarem-se da ignorância e da dor alheia, para extorquir-lhe o dinheiro” (Yonori, Umbanda, Indústria Rendosa, Rio 1954, p. 35). “… levamos a nossa ousadia ao cúmulo de declararmos que 99% dos Centros de Umbanda, que por aí se exibem, não passam de casas comerciais, ou teatros com péssimos atores; que 99% dos médiuns de incorporação, que formam esses centros, nunca deram incorporação a nenhum Espírito e que 99% dos livros sobre Umbanda, à venda nas livrarias, não passam de fantasia, frutos da imaginação hábil de seus autores, que mais não visam senão uma falsa glória ou dinheiro” (idem, p. 70). “Quanto às curas fantásticas, conhecem eles alguns rudimentos de medicina e receitam remédios caseiros ou da flora, acertando algumas vezes, falhando outras. Os fracassos são esquecidos, mas os êxitos são berrados aos quatro ventos, tornando-se os pontos de apoio sobre os quais construirão o seu cartaz, exagerando-as com mentirosas dificuldades, a fim de maior impressão causar aos seus incultos adeptos.Com o tempo e a prática, sendo bons observadores, chegam a conhecer grande número de doenças e o seu tratamento, pois a maioria delas se repete, isto é, são quase sempre as mesmas, o que lhes facilita os trabalhos” (idem, p. 126). PROTEÇÃO E EXPLORAÇÃO POLICIAL Pelo que vimos, não é preciso falar em nome de Deus, nem em nome de Cristo, nem em nome da Igreja ou mesmo da Religião, para condenar as práticas de Umbanda. Basta apelar para a razão e o bom senso do homem. Não obstante, o movimento cresce de modo extraordinário. E cresce, protegido e amparado pela polícia e pelos políticos.Para conseguir os votos do povo, os políticos prometem tudo: em nome da “liberdade de crença” garantem proteger e favorecer o funcionamento dos terreiros e declará-los “de utilidade pública”, a fim de isentá-los dos impostos.Mas o capítulo mais triste é o da polícia.Sabemos por informação pessoal, constatada in loco, que, no Estado do Rio, o sistema do protecionismo policial à Umbanda funciona da seguinte maneira: 1) O terreiro, por intermédio do delegado regional, precisa requerer licença de funcionamento à SSP (Secretaria de Segurança Pública) de Niterói, licença que deve ser renovada anualmente, custando sempre Cr$ 2.000,00. 2) As delegacias e subdelegacias locais, no entanto,não permitem o funcionamento do terreiro sem um alvará especial, requerido mensalmente, mediante o pagamento de Cr$ 100,00.Com este alvará, todavia, o terreiro ainda não tem licença de bater tambores (o que é essencial para muitos ritos de Umbanda). 3) Por ser contrário à ordem e ao sossego público, o delegado jamais pode conceder alvará para bater tambores até alta madrugada; permite-o, no entanto, verbalmente, mediante uma “gratificaçãozinha” (Cr$ 100,00 para cima), a ser dada para cada vez. 4) Por ocasião das grandes festas do terreiro, é preciso enviar ao delegado um convite especial, acompanhado de algum “presente” (Cr$ 200,00 até 500,00). 5) Há muito terreiro não registrado na SSP e isso com o conhecimento do delegado local, que então, mediante “entrada” particular, os registra na própria delegacia, passando a receber uma contribuição mensal, para dar licença verbal.“Soubemos — escreve um umbandista — por informação que nos parece fidedigna, que somente em um município perto do Distrito Federal, a coleta mensal das “licenças verbais” para funcionamento de terreiros é de Cr$ 58.000,00” (Freitas-Pinto, As Mirongas de Umbanda, Rio 1954, p. 78). Por aí se compreende o interesse da polícia em manter, proteger e aumentar os terreiros… NORMAS DE UMA ATITUDE PRÁTICA PERANTE A UMBANDA 1) Perante os umbandistas, isto é: perante as pessoas que trabalham na Umbanda, ou a ela aderiram frequentando suas sessões, consultando seus oráculos ou para ela contribuindo com mensalidades, a atitude do católico é de respeito cristão e de prudente discrição.Em vista do perigo de contágio, não convém ao católico procurar ou fomentar amizades ou intimidades naqueles meios.É aconselhável afastar a infância inexperiente e a juventude aventureira do contato habitual com estas pessoas.Geralmente é supérfluo e tempo perdido discutir com eles sobre questões religiosas. O melhor ato de caridade que podemos fazer em favor deles, é rezar, suplicando a Deus a graça da conversão, já que Deus deseja que roguemos e já que eles mesmos, convencidos como estão, não pedem para si tão grande favor divino.O católico deve socorrer e ajudar todo umbandista necessitado que lhe suplicar uma esmola ou outro auxílio qualquer; mas de maneira nenhuma pode ajudá-Io, nem material nem moralmente, na construção ou manutenção de suas obras, ainda que sejam sociais ou filantrópicas. 2) Perante a Umbanda como doutrina, a atitude do católico é de franca e total condenação.De modo nenhum pode o fiel seguidor de Cristo aprovar a teoria da reencarnação e a filosofia do panteísmo apregoadas pela Umbanda, doutrinas que se opõem frontalmente à Mensagem Cristã. 3) Perante a Umbanda como prática, a atitude do católico é de enérgica e declarada repulsa.É inconcebível que alguém ame verdadeiramente a Deus e ao mesmo tempo pratique a evocação dos espíritos, a magia, o politeísmo, a idolatria e a demonolatria. Jamais pode o católico ser sócio de quaisquer grupos, confederações, sociedades, uniões, fraternidades ou centros de Umbanda. Quem o fizer, não obstante, deve ser afastado da recepção dos Sacramentos. 4) Perante as sessões de Umbanda, a atitude do católico é de completa abstenção. Nem mesmo “apenas para ver” irá participar em atos de tão manifesta revolta contra as claras determinações de Deus que proibiu rigorosamente a necromancia, a magia, o politeísmo e a demonolatria. Assistir a uma sessão de Umbanda ou de Espiritismo, seria pecado grave de desobediência contra o Criador. Pior seria ainda este pecado, se o católico, ele mesmo, mandasse evocar um determinado espírito ou alma de pessoa falecida. 5) Perante os livros de Umbanda, a atitude do católico é de desaprovação e censura sem restrição.Livros que propunham tanta negação das doutrinas fundamentais de nossa santa fé cristã, livros que recomendam o politeísmo e a demonolatria, livros repletos de superstições e receitas magicas devem ir ao fogo.O católico que, sem a devida licença do Bispo, ler, guardar, vender ou propagar semelhante literatura, comete pecado grave e incorre sem mais na pena de excomunhão. 6) Perante a diagnose umbandista, a atitude do católico é de absoluta reserva. Quando doente, o católico não há de consultar pitonisas, babalaôs ou pais de santos, nem mandar jogar os búzios ou recorrer a outras artes divinatórias em uso na Umbanda (ou fora da Umbanda), como a cartomancia ou coisas afins. São práticas que, se não forem simples explorações e mistificações, incluem a evocação de espíritos. Comete pecado grave de conivência com a Umbanda e de desobediência contra Deus, quem recorrer a semelhantes meios. “Não se ache entre vós — diz o Senhor — quem consulte adivinhos ou observe os sonhos e agouros, nem quem use malefícios nem quem seja encantador, nem quem consulte pitões ou adivinhos, nem quem indague dos mortos a verdade. Porque o Senhor abomina todas estas coisas” (Deut 18, 12-13). 7) Perante a terapêutica umbandista, a atitude dos católicos é de repudio integral.Não usará nem defumadores, nem “desmanches”, nem fará uso da “lei do retorno”, nem de passes, nem de água fluídica, nem das “orações fortes” ou de coisas ou práticas análogas.Mas a chamada “homeopatia” pode ser usada, porque é apenas explorada pelos espíritas e umbandistas e nada tem de comum com a magia ou a necromancia.Vimos que algumas vezes as doenças podem ter sua origem numa atuação do demônio.Mesmo nestes casos, porém, o cristão não pode recorrer aos amigos do demônio, mas deve dirigir-se aqueles aos quais Cristo deu o poder de expulsar os demônios sem pactuar nem negociar com eles: aos sacerdotes da Nova Lei.Recorra, pois, o católico, com fé e confiança, às bênçãos e aos exorcismos da Igreja. 8) Perante o culto aos Orixás, a atitude do católico é de decidida reprovação. “Vede que sou Eu só e que não há outro Deus fora de mim” (Deut 32, 39). A idolatria é dos pecados mais graves que o homem pode cometer contra Deus. A fé cristã nos ensina que no céu existem anjos e santos, mas todos eles são criaturas de Deus como nós, inclusive Maria Santíssima. Eles merecem a nossa Veneração e Respeito, jamais, porém, nosso culto de adoração. O católico protestará sempre contra a identificação dos anjos e santos com os deuses pagãos. Podemos rezar aos santos, podemos recorrer a eles, podemos até fazer-lhes promessas, mas sempre dentro dos limites do culto de veneração indicados por Deus e determinados pela Igreja de Cristo. 9) Perante o culto aos exus, a atitude do católico é de santo horror e ele o repelirá sempre com apostólico vigor. O católico admite a existência do demônio e sua relativa liberdade para nos hostilizar.Porém jamais brincará ou pactuará com ele, nem muito menos lhe acenderá velas ou lhe oferecerá quaisquer presentes ou sacrifícios.Satanás será sempre nosso inimigo, mesmo quando se mostra “amigo”. Não é possível acender ao mesmo tempo uma vela a Deus e outra ao demônio. Seria querer servir a dois Senhores. Isso não pode ser. “Ninguém pode servir a dois Senhores” disse Cristo (Mt 6, 24). A Igreja de Cristo nos oferece meios suficientes para nos defender e proteger contra as insídias e os ataques de satanás: são os Sacramentos e os sacramentais. Absoluta e incondicional fidelidade a Deus!, eis o lema constante do verdadeiro católico, mesmo nas mais difíceis situações e provações da vida. 10) Perante os despachos, a atitude do católico é de soberano desdém. Vimos que em si e como tal o despacho não “pega”. Conservando-se na amizade de Deus e na graça divina, o católico não teme nem malefícios nem despachos ou práticas parecidas.Quando se encontra com despachos, mesmo diante da porta de sua casa, o católico mune-se com o sinal da Cruz (pois está diante dum objeto “consagrado” ao Inimigo), e remove-o tranquilamente, podendo servir-se sem escrúpulos das coisas úteis que porventura aí encontrar (galinha, cerveja, charutos, fósforos, dinheiro, alguidar, pratos, etc.) 11) Perante os demais meios supersticiosos de defesa contra a atuação dos maus espíritos, os amuletos, as figurinhas, a ferradura, a pemba, a arruda, o guiné, a espada de São Jorge, etc. etc., a atitude do católico é de simples desprezo.Não recorre a eles em hipótese nenhuma, nem deles se utiliza para fins de decoração ou enfeite, a fim de evitar possíveis escândalos ou maus exemplos. Ao católico verdadeiro e praticante basta Deus e os meios que Cristo, por sua Igreja, lhe oferece. APÊNDICE: RITUAL DE UMBANDA Não há unanimidade entre os umbandistas. já vimos isso. Nem muito menos há uniformidade no ritual. Geralmente cada chefe de terreiro faz o que e como bem entende. As várias tentativas de uniformização não deram resultado até hoje. O movimento umbandista melhor organizado e mais comedido é a União Espírita de Umbanda do Brasil, que possui um bom periódico mensal (Jornal de Umbanda, Rio), com a tiragem de 12.000 exemplares. O ritual desta União, embora muito incompleto ainda, é o mais claro e o menos fantástico. Mas evidencia bem o caráter religioso de Umbanda. A Umbanda pretende ser religião própria, a “religião do Brasil”. É necessário acentuar este ponto. Trata-se, evidentemente, de uma organização religiosa acatólica.Será por isso útil conhecer este Ritual. Reproduzimo- lo tal como foi publicado na p. 6 do fascículo de Agosto de 1954 do mencionado jornal: 1) Sessão de Caridade (pública): Abertura: 1) Cinco minutos pelo menos, antes da hora (20 ou 20:30 horas) do início dos trabalhos, os médiuns devem estar no terreiro, concentrados em silêncio. 2) Preparo do ambiente por intermédio do defumador, com ponto cantado, que deve ser um dos três constantes do anexo. 3) Prece (proferida pelo Diretor de Assistência Espiritual, ou por alguém credenciado para tal). 4) Continuação do preparo do ambiente, por meio de explanação, doutrinária, filosófica, sobre prática de Umbanda ou de moral. (Cerca de 15 minutos de duração). 5) Declaração de abertura dos trabalhos, em nome de Deus ou Zambi, de Oxalá ou Jesus, do Patrono da Casa, do Guia-chefe da Casa e de todos os Trabalhadores invisíveis de Umbanda. Parágrafo único. Em dias de festa de Santo, a abertura deve ser feita era nome de Zambi, de Oxalá, do Santo do dia, do Patrono da Casa, do Guia-chefe da Casa e de todos os Trabalhadores invisíveis da Umbanda. 6) Ponto de Oxalá (cantado) — (o Ponto deve ser um dos constantes do anexo). Os médiuns de joelhos ou deitados, conforme a organização da Casa. 7) Saudação ao Patrono da Casa (ponto-prece) como no n° 6. Paragrafo único. Em dias de festa de Santo, deve ser antes, saudado o Santo do dia. 8) Ponto (cantado) de chamada do Guia-chefe da Casa para sua incorporação ou não. Paragrafo único. Quando o Guia-chefe da Casa não incorporar, por qualquer motivo, deve ser tirado o ponto em seguida para o Guia-substituto. 9) Saudação ao Guia-chefe da Casa, de acordo com a organização de cada Tenda. 10) Ponto (cantado) de chamada dos Guias que vão trabalhar. 11) Início da parte espiritual propriamente dita, sessões de passes mediúnicos, correntes de descarga, doutrinação de obsessores, sessões de descarga, de trabalhos, etc. (na prática integral de Umbanda, a doutrinação dos obsessores é feita no espaço pelas entidades superiores). Encerramento 1) Ponto de subida dos Guias (menos o Guia-chefe) depois de serem atendidos os assistentes, ou terminados os trabalhos. 2) Saudação ao Guia-chefe da Casa, de acordo com a organização de cada Tenda. 3) Ponto de subida do Guia-chefe. 4) Ponto-prece de despedida que deve ser cantado com os médiuns ajoelhados ou deitados, conforme a praxe da Casa. 5) Prece de agradecimento (final). 6) Declaração de encerramento dos trabalhos (deve ser feita em nome de Deus (ou Zambi) de Jesus (ou Oxalá) do Padroeiro da Casa, do Guia-chefe da Casa e de todos os Trabalhadores invisíveis da Umbanda. Considerações sobre as Sessões de Caridade 1 — As Sessões de Caridade constarão de passes com objetivo de eliminação de fluídos que estejam perturbando os pacientes, de conselhos de caráter orientador para os que se acham em aflição, etc. 2 — Não será permitido o receituário de remédios, mezinhas ou indicações de ervas. Nas Tendas em que houver Consultório Médico, os doentes serão encaminhados a esse departamento. 3 — É permitido nessas Sessões o uso do fumo, água, flores, velas, e indicação de banhos de descarga. 4 — As bebidas, pelas quais serão responsáveis os médiuns, em qualquer descontrole, só serão permitidas em sessões de trabalhos com número predeterminado de assistentes ou em dias de Festividades grandes. 5 — A Pemba é objeto de ritual secreto e por isso não deve aparecer nas Sessões Púbicas. 6 — É aconselhável uma mesa de médiuns para segurança dos trabalhos e descarga de obsessores. 2) Sessões de desenvolvimento mediúnico (privativas): A Sessão de desenvolvimento mediúnico compreende: a) Instrução doutrinária, filosófica e moral; b) Desenvolvimento das diversas faculdades mediúnicas do indivíduo. Quanto à letra “A” 1 — O médium antes de começar o desenvolvimento deve comparecer às Sessões, sem tomar parte efetiva, a fim de receber a instrução doutrinária necessária. 2 — As aulas deverão levar pelo menos meia hora e se destinam aos principiantes e aos mais adiantados. 3 — Quando o iniciante começa a ter noção da sua função de médium deve ser submetido a testes de mediunidade, isto é, a experimentação que venha a determinar se é médium de incorporação ou de outras faculdades (audição, vidência, intuição, transporte, efeitos físicos, psicográficos, etc.). 4 — Do resultado dessa verificação será o aspirante desenvolvido dentro de sua especialidade. Quanto à letra “B” 1 — O médium antes de começar o desenvolvimento deve comparecer às Sessões, sem tomar parte efetiva, a fim de receber a instrução doutrinária. 2 — Devem ser orientados de modo a quando fizerem uso do fumo, da bebida, não cuspirem. O cuspir é material e o fumo e a bebida são elementos de precipitação fluídica e, portanto, são elementos espirituais. 3) Cerimonial de Firmeza das Sessões: Há vários sistemas de se fazer a firmeza dos trabalhos: a) É feito o ritual na “porteira” antes do início dos trabalhos, acendendo-se uma vela e fazendo-se oferenda de “marafo” ao Povo da Encruzilhada, sendo no final levantado o ponto. b) São cantados três pontos para Exu, logo depois da entrada dos médiuns no terreiro e decorrido o tempo determinado no n° 1 do ritual, seguindo-se então o “defumador” e o mais. No final, também são cantados três pontos de Exu. c) A firmeza é feita por mentalização, sem nenhum ritual externo. Há ainda os que adotam conjuntamente os sistemas preconizados nas letras a e b, sendo também comum cantarem somente um ponto em que são chamadas diversas entidades da encruzilhada. Nas sessões de descarga é também chamado o povo da encruzilhada para fazer a limpeza do terreiro, as descargas para que se tornem necessárias as eliminações de vibrações e o mais de que são encarregadas essas entidades, sempre dentro do princípio da prática do bem e da neutralização dos malefícios oriundos da magia negra. Essas sessões são realizadas no princípio ou no fim de cada mês e não devem ter assistência, devendo estar presentes somente os médiuns, os ogãs, os cambonos, os diretores, enfim, a corrente da Casa. Em todas as festividades, é comum a invocação desses trabalhadores, que vão assim se integrando dentro das correntes fraternais da Umbanda. Considerações Gerais 1 — Todos os médiuns, cambonos, ogãs, dirigentes e mais membros da corrente espiritual, devem apresentar-se com uniforme e sapatos de tênis brancos, de tecido de algodão, podendo variar de tenda para tenda, mas devendo sempre ser o mesmo para cada organização.Mesmo quando o Guia trabalhar descalço deve o médium entrar no terreiro de sapatos de tênis, tudo muito limpo, tanto o corpo como o uniforme de modo a ser dada a melhor impressão aos que assistem à sessão. 2 — É permitido o uso do fumo (cachimbo ou charuto) quando solicitados pelos Guias. 3 —São permitidas aos Guias as saudações recíprocas quando incorporados, de acordo com o estilo e hierarquia de cada um, segundo instruções do Guia-chefe da Casa. 4 — Uma vez incorporado o Guia-chefe da Casa a ele compete a direção espiritual dos trabalhos, disposição dos médiuns, cambonos, ogãs, etc., sendo igualmente sua, a responsabilidade pelo que ocorrer durante os trabalhos. 5 — O Guia-chefe será sempre o primeiro a incorporar e o último a subir, não podendo haver mais nenhuma incorporação no Terreiro após a sua subida. 6 — Em dias de festa no Terreiro, são permitidas as roupas de cores, segundo a organização de cada Tenda,não significando tal permissão que sejam permitidas fantasias de caboclo ou semelhantes. 7 — Não é permitida a cobrança por qualquer trabalho ou obrigação.É sempre aconselhável quando houver necessidade de material para qualquer espécie de trabalho que sejam os próprios interessados que comprem o que for determinado pelo Guia. 4) Sessões para as crianças: 1 — As crianças não devem ser admitidas nas sessões de trabalhos ou de magia. 2 — Nas sessões de caridade podem assistir e tomar passes. 3 — Também nas sessões de desenvolvimento podem assistir, principalmente à parte doutrinária. 4 — Ressalvamos entretanto que o desenvolvimento mediúnico somente deve ser iniciado na idade adulta. 5 — Aconselhamos, de preferência a criação de sessões especiais para as crianças, onde as mesmas tomem passe se recebem orientação religiosa. 6 — É de todo o interesse que comece da infância a orientação doutrinária daqueles que serão futuramente os umbandistas e que poderão assim seguir uma diretriz firme sem confusões nem influências estranhas adquiridas na frequência de aulas de outras religiões. 5) O Batismo e a Confirmação: a) do Batismo 1—O batismo na religião de Umbanda é o primeiro contato do recém-nascido com os Guias espirituais e por isso deve ser realizado dentro do primeiro mês do nascimento. 2—As tendas devem ter um dia marcado em cada mês para essa cerimônia, de preferência em dia em que não haja outra sessão, podendo ser escolhido o domingo à tarde, com a presença dos médiuns, cambonos e ogãs uniformizados, tendo feito o ritual comum das sessões ate o n° 10, quando então o Guia-chefe ou seu preposto faria a cerimônia do batismo que o faria com água da cachoeira e luz. 3 — O padrinho assistiria ao ato com uma vela acesa na mão direita e a madrinha ficaria com a criança no colo. 4 — O ritual de abertura poderá ser reduzido com a supressão do ponto 5, sendo que a prece e a parte doutrinária (pontos 3 e 4) devem ser feitas de acordo com o objetivo da reunião. 5 — Terminado o ato, se fará o encerramento, de acordo com a abertura, isto é, se naquela foi suprimido o n°5, neste se começará do número 2. b) da Confirmação 1 — A confirmação deve ser feita na idade de 7 anos, podendo ser aproveitada uma data de ida ao Rio ou à Cachoeira, devendo o banho ser de corpo inteiro. 2 — Os padrinhos, que podem ser os mesmos do batismo ou outros, levarão velas e flores, sendo oficiante o Guia-chefe ou seu preposto. 3 — Será seguido o mesmo ritual de abertura e encerramento da cerimônia do batismo, feita a adaptação necessária. 4 — A criança deverá estar vestida toda de branco e ser enxuta após a cerimônia com uma toalha branca nova. 5 — Tanto do batismo como da confirmação será feito registro na Tenda e fornecida uma certidão aos interessados e feita uma comunicação à União que criará o seu registro próprio. 6 — Nada será cobrado pelos atos, nem pelas certidões, devendo as despesas que porventura tenham de ser feitas ser custeadas diretamente pelos interessados. 6) O Casamento: 1 — O casamento é ato de suma importância pois em sua base é construído o lar e a família é constituída,por isso deve ser dado realce especial à cerimônia com altares iluminados e enfeitados de flores, e com a presença da corrente toda uniformizada, indo a noiva de vestido branco, véu e grinalda. 2 — O ritual preparatório será o de abertura, suprimido o ponto 5, sendo que a prece (3) e a parte doutrinária (4) devem ser feitas de acordo com o objetivo do ato. 3 — Será oficiante o Guia-chefe incorporado, ou no seu impedimento o Substituto. 4 — As alianças serão cruzadas pelo Guia, devendo os padrinhos e madrinhas tomar parte na cerimônia com uma vela acesa durante o tempo todo que durar o ato. 5 — Efetuado o casamento, se fará, suprindo o ponto 1, o ritual de encerramento. 6 — A diretoria da Tenda, dentro das possibilidades, poderá oferecer uma mesa de doces e refrigerantes, para dar maior realce ao ato. 7 — Antes da realização do ato será exigida a apresentação da certidão do ato civil. 8 — Do ato será fornecida certidão e comunicado à União, que criará os registros necessários. 9 — Nada será cobrado pelo ato, nem pela certidão, devendo as despesas que porventura tenham de ser feitas ser custeadas diretamente pelos noivos. 7) Considerações Gerais: Todos os membros da corrente (médiuns, cambonos, ogãs, dirigentes, etc.), deverão apresentar-se com uniforme branco de tecido de algodão. Os homens de calça e camisa, de macacão, ou de calça e dólmã fechado no ombro; as senhoras com vestido de saia godê, de saia rodada e blusa branca (baiana), avental fechado com calça comprida como de homem, sendo que nos dois primeiros casos deve ser usada uma calça com elástico na bainha, que deve ir até o tornozelo ou pelo menos até a metade da barriga da perna. É preciso notar que essas variações acabadas de ser indicadas, não são para que numa mesma tenda cada um use um uniforme dentre os apontados, mas pelo contrário deve haver em cada Casa uniformidade absoluta de modelo de uniforme. Os médiuns, mesmo aqueles cujos protetores trabalham descalços devem entrar no terreiro de sapato branco de tênis que serão tirados depois, devendo o uniforme e os sapatos estarem irrepreensivelmente limpos, pela má impressão que causará a assistência a falta de asseio, seja no corpo seja no vestuário. 8) O Oficio dos Desencarnados: 1 — A prece pelos espíritos desencarnados, sua elucidação e orientação sempre foi feita em sessões de caridade, o que pode continuar ser feito, entretanto, devem ser feitos ofícios especiais logo após seu desencarne, na semana seguinte.Para tal objetivo devem as tendas ter um dia por semana dedicado a esses ofícios de sétimo dia, podendo ser adotado o seguinte ritual: 2 — Será constituída uma mesa de segurança e de descarga, constituída por médiuns, sob a direção do diretor de Assistência Espiritual, ou por um doutrinador de sua confiança. 3 — A abertura será a do ritual comum às sessões de caridade, sendo que os pontos 3 e 4 (prece e doutrina) serão orientados de acordo com o objetivo da elucidação dos espíritos desencarnados. 4 — Na forma habitual, feita a abertura o Guia-chefe orientará os trabalhos. 5 — Findo o ofício ou ofícios, será feito o encerramento dentro do ritual comum, seguindo-se sempre na parte de prece o objetivo da sessão. 9) O Sinai da Cruz: O sinal da cruz, símbolo do cristianismo, será feito com as seguintes palavras: Ao tocar a mão direita à frente: Em nome de Deus (em nome do Pai) (em nome de Zambi). Ao tocar a mão direita no coração: Em nome de Jesus (em nome de Oxalá). A mão direita cruzando os ombros da esquerda para a direita: Em nome do Anjo da Guarda. Pode ser feito: Em nome de Deus (ou do pai), de Jesus e do Anjo da Guarda. Em nome de Zambi, de Oxalá e do Anjo da Guarda. VOCABULÁRIO UMBANDISTA Abacê: cozinheira que prepara as comidas de santo. Acassá: bolo de milho. Agô:licença. Agô-iê: dai-me licença. Alá: dossel no terreiro, debaixo do qual se servem as comidas de santo. Amalá: comida de santo. Aparelho: médium em função. Atabaque: tambor. Babalaô: chefe de terreiro, pai de santo. Babalorixá: o mesmo que babalaô. Batuque: sapateado africano. Burro:médium em transe, Búzio: concha marinha, caracol. Cacimba: vasilha. Calundo: espírito protetor das parturientes. Calunga:cemitério. Calunga grande: mar. Cambiá: amuleto para ser enterrado. Cambono: auxiliar nos trabalhos do terreiro. Cambonocolofé: auxiliar nas cerimônias de iniciação. Candomblé: reunião de médiuns e pessoas com apetrechos apropriados para fazerem canjerê. Canjerê:despacho ou trabalho resultante dos candomblés. Canjira: local de dança. Caral: comida de santo. Cavalo:médium em transe. Coité: vasilha, cuia. Curiar: comer, beber. Curimba:dança. Domanda:questão, luta. Dumba: mulher. Ebó: milho branco preparado com azeite. Egum: espírito de pessoa falecida. Embé:sacrifício de animal. Embanda: mensageiro, porta- voz. Epó: azeite. Exu: espirito mau, demônio. Filho de Santo:médium em que se incorpora um orixá. Ganga: chefe de terreiro. Gongá: altar, santuário, local de trabalho. Guia: pulseira. Iansan: orixá feminino do vento, mulher de Xangô, patrona das mulheres livres. Santa Barbara. Ibeji:orixásgêmeos. São Cosme e São Damião. Iemanjá:orixá feminino do mar. Nossa Senhora. Jabonan:mãe do terreiro, de segunda categoria. Kalunga: espelho. Karunga: mar Macumba: vara de ipê ou bambu, cheio de dentes, com laços de fita em uma das pontas, na qual um indivíduo, com duas varinhas finas e resistentes, faz o atrito sobre os dentes, tendo uma das pontas da vara encostada na barriga e outra encostada na parede. Marafa: aguardente, paratí. Miromga:mistério. Mucamba: mulher auxiliar do terreiro. . Muginga: pipoca preparada para o ritual da troca de cabeça. Nunanga: vestes cerimoniais. Obá: céu. Ogan: babalaô de segunda categoria. Ogum:orixá das demandas. São Jorge (no Rio) e SantoAntônio (na Bahia). Omulu:orixá da morte, das pestes. SãoLázaro. Orixá: divindade secundária, espirito da luz. Otá: fetiche, imagem de um orixá. Oti:bebida. Oxalá: chefe dos orixás. Cristo. Oxóssi: orixá das matas, da caça.São Sebastiao (no Rio), São Jorge (na Bahia). Oxun:orixá feminino dos rios.Nossa Senhora. Pegi: altar. Pemba: giz, para riscar os pontos. Ponteiro: punhal. Ponto cantado: hino, canto evocativo. Ponto riscado: sinal cabalístico evocativo. Samba: mulher auxiliar da mãe de santo. Sangue:vinho. Saravá:saudação, cumprimento, “salve!” Ubá: casca de árvore. Urubatão: “caboclo”, chefe de falange. Vumbi: cerimônia fúnebre, depois da morte de um pai de santo ou de um babalaô, a fim de afastar o seu espírito da sua casa. Xangô:orixá dos raios, das tempestades. São Jerônimo. Zambi: Deus. Zumbi: chefe, rei. PARA CITAR KLOPPENBURG, Frei Boaventura. POSIÇÃO CATÓLICA PERANTE A UMBANDA – Disponível em: < http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/apologetica/espiritismo/753-posicao-catolica-perante-a-umbanda >. Desde: 27/12/2014
- Casamento umbandista acontece dentro de mosteiro católico em Indaiatuba
A cerimônia aconteceu no Mosteiro Vila Kostka, dos padres jesuítas, onde a assembleia geral da CNBB se realizava há 33 anos, em Indaiatuba . No último dia 15 de novembro de 2019, foi realizado no Mosteiro de Indaiatuba, local onde acontecem assembleias gerais dos bispos da CNBB o primeiro casamento umbandista em solo católico. Contaram com a presença de um pastor evangélico e um padre do próprio Mosteiro. As palavras do sacerdote umbandista Cristiano Costa proferidas durante a celebração dentro do mosteiro: “O casamento é o maior símbolo de união e nada mais justo do que mostrar a população que a religião nunca deve nos separar e sim no unir, este foi o maior intuito de convidar um pastor e um padre para a cerimônia religiosa de casamento do nosso terreiro.”, disse o Sacerdote de Umbanda . “Com a permissão dos noivos, foi aberto um espaço para que todos pudessem dar a benção ao casal. Foi um momento único e mágico, um momento que realmente mostra o símbolo de união e amor entre as pessoas. Vivemos hoje um momento religioso que se não tomarmos cuidado o Brasil poderá entrar em uma guerra santa. As pessoas não aceitam outra religião, criticam, menosprezam, agridem verbal e fisicamente, pessoas de outras religiões. Nós adeptos das religiões de matrizes africanas, sofremos muitas represálias. A intolerância religiosa está em evidência. Temos muitos casos em nosso município e não queremos que isso tome grandes proporções, por isso, ações e mensagens como esta devem ser constantes em nossa cidade. Não queremos ser tolerados queremos ser respeitados!”, exclama o Sacerdote de Umbanda Cristiano Costa. Posição Católica perante a Umbanda Por Frei Boaventura | ano: 1957 | Editora: Vozes Segundo uma publicação oficial da Confederação Espírita Umbandista, existem na área do Distrito Federal e do Estado do Rio, “cerca de trinta mil tendas, centros e terreiros” (Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1951, p. 152). Cremos haver exagero na estimativa. É porem, inegável a proliferação verdadeiramente espantosa desses centros de superstição, leviandade, depravação, degradação moral e loucura, em que se misturam práticas fetichistas e ritos católicos, deuses africanos e santos nossos, doutrinas espíritas e ensinamentos católicos, num sincretismo bárbaro de necromancia, magia, politeísmo, demonolatria e heresia. O comissário Rui A. Tenório, chefe da secção de Tóxicos e Mistificações da Delegacia de Costumes e Diversões do Rio de Janeiro, declarou no dia 8 de Abril de 1953 à Tribuna da Imprensa que aquela seção já registrara até aquela data umas sete mil tendas espíritas. Acentuamos: trata-se de 7.000 tendas registradas e apenas na maravilhosa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro! É certo que existem também muitos terreiros não registrados, mas funcionando publicamente e outros muitos clandestinos. As cidades fluminenses de Caxias, São João de Meriti, Nova Iguaçu e outros subúrbios do Rio, possuem cada uma, como sabemos por informações pessoais, não dezenas, mas centenas de centros de Umbanda. E não só no Rio. Estivemos no Sul, em Porto Alegre, Pelotas, Rio Grande e outras cidades, onde o problema é exatamente o mesmo e em quase idênticas proporções. Coisa igual se poderá dizer do Norte, de Pernambuco, da Baia e de outros Estados da Federação. E não julguemos que se trata de um movimento apenas entre a gente de cor. A absoluta maioria dos “chefes de terreiros” são brancos e as tendas também são frequentadas por pessoas que vão até lá em carros de luxo ou com chapa branca. Poderia se pensar que, sendo o fetichismo uma religião própria da classe inculta ou ignorante, haveria de diminuir na proporção em que crescesse o índice de alfabetização. Mas não é o que acontece. Pois vemos entre os frequentadores até gente de destacada posição social. Ministros, Generais, Senadores e Deputados são vistos em cabanas e terreiros. O próprio Governo parece fomentar esse movimento como espetáculo de valor turístico. A Câmara Municipal do Rio de Janeiro, no orçamento para esse ano de 1954, prometeu as seguintes subvenções: Ao Centro Cabana Itanagé, ao Centro Espírita Cabana do Mar, ao Centro Espírita Caboclo Corre Campo e a 89 outros Centros Espiritas, R$ 2.181.000,00; a Cabana Pai Joaquim de Loanda e a oito outras cabanas de diversos Pais, Cr$ 195.000,00; ao Culto Religioso Cabana Santa Teresinha, R$ 60.000,00; ao Templo Espiritualista São Sebastião, R$ 20.000,00; ao Terreiro Ogum Rompe Mato, R$ 30.000,00; a diversas Associações, Círculos, Confederados, Congregações, Grupos, Fraternidades, lrmandades, Núcleos, Obras, Ordens, Postos, Sociedades e Uniões, definidos, todos eles, pelo adjetivo Espirita, R$ 1. 981.000,00; a contribuição total de entidades umbandistas do Rio: R$ 7.202.000,00… Se são milhares os centros de Umbanda, milhões sendo seus frequentadores. Mais de 90% dos brasileiros, oficialmente perguntados sobre sua religião, responderam em 1950 que são católicos. Não será injurioso supor que muitos desses “católicos” vão aos Terreiros, às Cabanas e às Tendas. Supomos que o fazem por ignorância, por falta de esclarecimento. Não sabem o que é a Umbanda. Raras vezes ou talvez nunca receberam orientação a esse respeito. Os próprios Padres não podem informar, porque desconhecem a Umbanda. Estivemos em paróquias onde há centenas desses centros e onde o seu pastor imediato, o vigário, perguntado por nós, confessou não saber sequer o que é a Umbanda. Não conhecemos um único livro da parte católica sobre o assunto. Eis a razão por que julgamos necessário e oportuno apresentar esta “posição católica perante a Umbanda”. CONFUSÃO NA UMBANDA Há muitos livros sobre a Umbanda. Temos diante de nos mais de vinte, além de revistas e jornais. Emanuel Zespo (pseudônimo de Paulo Menezes), Oliveira Magno, Lourenço Braga, Jayme Madruga, Aluízio Fontenelle e Heraldo Menezes são os autores principais. Mas quem ler estes livros todos para, afinal, saber o que é a Umbanda, ficará decepcionado. Não há unanimidade nem clareza. Cada um escreve por conta própria, persuadido de ter assistência especial de algum “guia” do além, O mais autorizado entre eles confessa: “Até hoje, nada de claro ao público, em matéria literária sobre Umbanda”(Emanuel Zespo, Codificação da Lei de Umbanda, Parte Científica, Rio 1g 51, p.16). Outro se lamenta: “Um autor contradiz o outro e vire-se em terrível confusão”, depois precisa: “Os autores de Umbanda se contradizem asi próprios e não apenas a seus colegas”,(Samuel Pônze, Lições de Umbanda, Rio Ig 54, p. 35). Não somente cada autor, cada chefe de terreiro proclama: “A Umbanda que aqui se pratica, é muito diferente dessa Umbanda que se pratica por aí afora”. Pois: “lnúmeras são as contradições existentes , entre os próprios praticantes da Umbanda” (Aluízio Fontenelle, O Espiritismo no Conceito das Religiões e a Lei de Umbanda, Rio, p. 69). “Cada um procura fazer uma Umbanda a seu modo, e dentro do conceito que ele próprio imagina, de acordo com a sua instrução, com a sua capacidade de imaginação, com os seus conhecimentos e, quase nunca, com a orientação dada pelos seus próprios guias” (A. Fontenelle, Exu, Rio 1952, p. 60). “99% dos livros sobre Umbanda, a venda nas livrarias, não passam de fantasia, frutos da imaginação hábil de seus autores, que mais não visam senão uma falsa gloria ou dinheiro” (Yonori, Umbanda Industrie Rendosa, Rio 1954, p. 70). Alguns, não obstante, conseguiram reunir grupos maiores. Formaram-se assim a Confederação Espirita Umbandista (dirigida por Byron Torres de Freitas e Tancredo da Silva Pinto), a União Espiritista de Umbanda (sob as ordens de Jayme Madruga), a Fraternidade Eclética Espiritualista Universal (chefiada pelo Sr. Oceatto de Sá, autor do Evangelho de Umbanda, que se convenceu de ser o João Batista reencarnado, pelo que se denomina “Afestre Yokaanam”) e a União dos Espiritistas de Umbanda (comandada talvez por Lourenço Braga ou Manuel L. Barbosa). Mas todos eles lutam entre si. Uns querem voltar ao mais puro africanismo; outros rejeitam energicamente todos os elementos africanos; outros propunham um sincretismo religioso absoluto e indefinível; mais outros pretendem ter encontrado a mais pura Umbanda nas religiões da Índia; nem falta quem declare que “o livro fundamental de Umbanda é a Bíblia, com o antigo e o novo Testamento, tal como estão escritos, não se admitindo interpretações simbólicas: aceitar ou recusar in totum o que está escrito, eis a pedra de toque do cristão umbandista”. O umbandista Samuel Ponze escreve em Lições de Umbanda (Rio 1954): “Logo de inicio foram fundadas no Rio de Janeiro quatro federações e transformaram-se em organizações rivais que se enfraqueciam empenhando-se em lutas estéreis umas contra as outras” (p. 24); “reina a anarquia, a incompreensão, a vaidade, a inveja, a mistificação, a pouca cultura entre a maioria dos Umbandistas’’ (p. 26); cada qual quer ser o maior. Cada chefete de terreiro acha que acima de seu guia ou de seus guias, só Deus!” (p. 27). E por que toda essa confusão, essa falta de clareza, de unanimidade e de união? Os melhores e mais entendidos entre os umbandistas são suficientemente francos para confessa-lo. Eis ai algumas declarações que convém registrar: — “Qualquer cidadão, bem ou mal intencionado, bem ou mal preparado, funda centros de Umbanda. Basta organizar uma diretoria, fazer uns estatutos e usar e abusar do artigo 141 da Constituição Brasileira;… uma vez registrado o centro, ele funciona com o beneplácito da polícia, e comete o bem ou o mal, segundo as boas intenções ou a burrice de seus dirigentes” (S. Ponze, obra citada, p. 25). — ‘‘Todos os dias nascem novos terreiros de Umbanda que são chefiados por pessoas de parcos conhecimentos espiritualistas. No geral são membros de outros terreiros mais antigos que se rebelam contra os caciques e saem para a aventura do espiritualismo prático, sem armas de defesa, sem uma formação sólida, sem uma longa experiência” (E. Zespo, Codificação da Lei de Umbanda, Parte Pratica, Rio 1953, p. 97) ‘‘Como então se fundam terreiros e mais terreiros de Umbanda por este Brasil, sem outras exigências que as da elaboração de um estatuto social quase profano e licença das autoridades para funcionar como funciona qualquer sociedade bailante e recreativa?” (ib. p. 98). No meio de tanta confusão é evidente a dificuldade em dar uma orientação definitiva sobre a Umbanda e que satisfaça todos os umbandistas. Faremos, entretanto, o possível para não sermos injustos ou injuriosos. Não nos propomos propriamente um estudo de Etnografia. Queremos mostrar apenas aos irmãos na fé católica o que é este movimento religioso que atualmente se alastra pelo Brasil afora com o estranho nome de Espiritismo de Umbanda, ou Lei de Umbanda ou simplesmente Umbanda. Não é, por conseguinte, intenção nossa fazer um ensaio sobre o Africanismo no Brasil. Não investigamos o passado: procuramos conhecer o presente. Como organização, o movimento umbandista é bastante recente. Seus dirigentes procuram açambarcar, sob a bandeira de Umbanda, os movimentos populares do Batuque (no Sul), da Macumba (no Rio) e do Candomblé (na Bahia). Não estudaremos nenhuma dessas três denominações particularmente: o que veremos é a sua conjunção, uma espécie de superestrutura que, procurando coordenar os elementos do Batuque, da Macumba e do Candomblé, pretende oferecer-lhes uma fachada mais atraente e aceitável também para o civilizado e o cristão. A isso dão a exótica denominação de Umbanda. A PALAVRA “UMBANDA” A confusão já se manifesta na explicação da origem e do significado da própria palavra “Umbanda”. No fascículo de Junho de 1954 o Jornal de Umbanda (Rio, p. 2) ainda lemos: “Há mil e uma interpretações sobre a palavra Umbanda. Essa palavra é um constante e permanente desafio aos estudiosos do assunto. Uns dizem que é Luz lrradiante, outros dizem que é Banda de Deus, há os que dizem que é Corrente Espiritualista e vai por aí afora, porém tudo vago e indefinido, sem haver, entretanto, uma explicação cabal e convincente”. A tendência geral era de não admitir que seja de origem africana. O primeiro Congresso de Espiritismo de Umbanda, realizado no Rio de Janeiro em Outubro de 1941, tinha a manifesta preocupação de mostrar que a Umbanda é de origem antiguíssima, vem dos hindus, contemporânea dos Vedas, que depois passou a África, donde veio para o Brasil, Eis o teor das primeiras duas conclusões unanimemente aceitas pelo dito Congresso: “1) O Espiritismo de Umbanda é uma das maiores correntes do pensamento humano existentes na terra há mais de cem séculos, cuja raiz provém das antigas religiões e filosofias da índia, fonte de inspiração de todas as demais doutrinas filosóficas do Ocidente”. “2) Umbanda é palavra sânscrita, cuja significação em nosso idioma pode ser dada por qualquer dos seguintes conceitos: Princípio Divino, Luz lrradiante, Fonte Permanente de Vida, Evolução Constante”. Aluísio Fontenelle, todavia, resolve que a palavra em questão vem da Bíblia, que originariamente teria sido escrita em língua “palli”, donde teria sido vertida para o hebraico. E naquela língua a palavra “Umbanda” significa: “Na Luz de Deus”, ou Luz Divina (cf. A Umbanda através dos séculos, Rio 1953, p. 17). Mas o autor do Evangelho de Umbanda (“Mestre Yokaanam”) dirimiu a questão sem maiores complicações: “Umbanda vem de Um e Banda”. E depois esclarece: “Um significa Deus, em linguagem simplificada oriental, para não entrar em detalhes esotéricos;e Banda significa Legião, exército”; logo Umbanda quer dizer “Legionário de Deus” (p. 44). Seria interessante saber qual é essa misteriosa “linguagem simplificada oriental”… Tudo isso, entretanto, não passa de devaneios e fantasias. O Dr. Artur Ramos já conhece a palavra, que é de origem africaníssima, designando o grão-sacerdote do culto bantu ou o evocador dos espíritos (cf. O Negro Brasileiro, I vol. Etnografia Religiosa, 3ª ed. p. 107 e 102). Por isso também o recente Catecismo de Umbanda (Rio 1054) concede despretensiosamente: “Umbanda é uma palavra africana, significando ora o sacerdote, ora o local onde se praticava o culto” (p. 7). UMBANDA É ESPIRITISMO Existe grande desavença entre os adeptos do Espiritismo Kardecista (que aceita a doutrina codificada por Allan Kardec) e os do Espiritismo Umbandista. Uns e outros fazem questão de dizer que são “espiritas”. Mas os primeiros declaram que foi Allan Kardec quem criou e fixou o termo para designar especificamente o movimento espiritualista por ele iniciado e que, por conseguinte, outros não podem usurpar a mesma designação para um movimento essencialmente diferente. É a razão por que reclamam o termo “espírita” para si exclusivamente. Nem por isso os umbandistas deixam de chamar-se “espíritas”. Podem alegar em seu favor que a Umbanda de fato não é essencialmente diferente do Kardecismo, Em vista disso a Federação Espírita Brasileira, que lidera entre nós o movimento kardecista, declarou oficialmente: “Baseados em Kardec, nos é licito dizer: Todo aquele que crê nas manifestações dos Espíritos é espirita; ora, o umbandista nelas crê, logo o umbandista é espirita… Assim, todo umbandista é espirita, porque aceita a manifestação dos Espíritos, mas nem todo espírita é umbandista, porque nem todo espirita aceita as praticas de Umbanda” {Reformador, órgão oficial da Federação Espírita Brasileira, Julho de 1953, p. 149). Entretanto, muitos kardecistas não se conformaram com tão “intempestiva declaração” e — apesar de alardearem ilimitada tolerância — persistem em combater com estranha intransigência o movimento umbandista. Poderíamos, aliás, acrescentar mais uma razão que, a nosso ver, justificaria plenamente a aspiração dos umbandistas quando teimam em chamar-se “espíritas”: é que eles não apenas creem nas manifestações dos Espíritos (coisa que nós católicos também admitimos como possível), mas, além disso, praticam sua evolução e provocam suas manifestações (prática, que nós católicos reputamos ilícita e pecaminosa porque, como veremos, rigorosamente vedada por Deus). E já que os nossos kardecistas não sentem dificuldades em qualificar como espíritas semelhantes movimentos que, na Inglaterra e América do Norte, se dedicam a evocação provocada dos espíritos, muito embora não admitam a codificação kardeciana, nem mesmo a reencarnação, pela mesma razão deveriam eles reconhecer também como verdadeiros irmãos espíritas os adeptos da Umbanda. IDENTIDADE SUBSTANCIAL ENTRE UMBANDA E ALLAN KARDEC Mas existe ainda outra razão muito mais decisiva que nos permite identificar a Umbanda com o Espiritismo. Pois todos os umbandistas aceitam a doutrina ou filosofia kardecista da reencarnação. Como este ponto será de importância fundamental para uma tomada de posição católica perante a Umbanda, é necessário demonstrar nossa afirmativa. Apresentamos os seguintes documentos: 1) O já citado Catecismo de Umbanda (Rio 1954) declara em seu prefácio querer expor apenas “o que é aceito pela maioria dos umbandistas” (p, 5). Na p. 66 damos com a seguinte pergunta: “Há alguma diferença entre Umbanda e Kardecismo?” A resposta é inequívoca: “Doutrinariamente, não há diferença. A doutrina de Umbanda é a mesma que a de Allan Kardec. A sua base é a evolução, o progresso espiritual, através do sofrimento, no decorrer das reencarnações, sendo necessária a prática da caridade para apressar-se esse desenvolvimento”. 2) Numa obra que se declara “aprovada e adotada oficialmente pela Confederação Espírita Umbandista”, editada no Rio em 1951 sob o titulo Doutrina e Ritual de Umbanda, lemos a p. 68: “O umbandista acredita na lei das reencarnações, na lei da evolução das almas, aceita a revelação de Jesus Cristo. Dois pontos distinguem o umbandista do kardecista: a) a prática da comunicação com os espíritos elementais; b) o ritual, muito complexo na lei de Umbanda, que é uma religião de culto externo”, 3) Emanuel Zespo (pseudônimo de Paulo Menezes), já considerado em alguns meios “o codificador de Umbanda”, ensina também que “o Espiritismo de Umbanda aceita integralmente a revelação kardeciana” (O que é a Umbanda, Rio 1949, p. 47) e, na p. 51 do mesmo livro, o autor esclarece: “Dos diversos tipos de espiritualistas existentes no mundo, o umbandista é dos que praticam a mediunidade espiritualista, e, como os espiritas, o umbandista comunica-se com os desencarnados, aceita a lei das reencarnações, aceita a doutrina do Evangelho, e procura praticar a caridade como a entendeu Kardec. Ora, dois pontos apenas, distanciam a Umbanda de Kardec: 1) a prática da comunicação com os elementais, os espíritos da natureza; 2) a sua ritualística. … A Umbanda aceitou a comunicação com os desencarnados, a terceira revelação kardeciana, absorvendo do Espiritismo todos os seus ensinamentos”. 4) Em vista de tudo isso se compreende que o Primeiro Congresso de Umbanda tenha aprovado com unanimidade esta quarta conclusão: “Sua doutrina (de Umbanda) baseia-se no princípio da reencarnação do Espírito em vidas sucessivas na terra, como etapas necessárias a sua evolução planetária”. Destes documentos todos inferimos com razão que existe identidade substancial entre a doutrina kardecista e a umbandista. Verificamos no ponto anterior que também na prática da evocação provocada dos espíritos há igualdade essencial entre os dois. Não diferem, por conseguinte, em sua essência, estes movimentos: baseados ambos substancialmente na mesma prática, procuram orientar seus adeptos com uma doutrina essencialmente idêntica. Daí já se vê que a posição dos católicos perante a Umbanda não será muito distinta da já conhecida atitude frente ao Espiritismo kardecista. Todavia, devemos assinalar duas diferenças. UMBANDA, A QUARTA REVELAÇÃO Aceitando embora “integralmente a revelação kardeciana, a Umbanda pretende, no entanto, aperfeiçoá-la e ultrapassá-la. Para os umbandistas Kardec é grande, mas Umbanda é maior. Moisés trouxe a primeira revelação, Cristo veio com a segunda revelação, Kardec declarou o Espiritismo portador da terceira revelação, mas a Umbanda seria a última, a Quarta Revelação. Assim como Cristo retificou e superou Moisés, como Kardec corrigiu e suplantou Cristo, assim a Umbanda julga purificar e vencer Kardec, Cristo e Moisés. É que eles, os umbandistas, tiveram a dita de entrar em relações com espíritos superiores aos daqueles que ditaram suas mensagens para Allan Kardec, espíritos “que possuem mais vasta concepção do universo e reconhecem a existência de outra ordem de espíritos (não humanos) cujas relações entre os mesmos e os humanos não devem ser apenas de mero intercâmbio e sim de cultuação, o que exige (e mesmo para que o contato seja estabelecido) uma verdadeira ritualística” (E. Zespo, Codificação da Lei de Umbanda, Parte Científica, Rio 1951, p. 28). São, por conseguinte, dois os pontos em que os umbandistas julgam corrigir e superar a codificação kardeciana: 1) Segundo Kardec todos os espíritos do além são almas “desencarnadas”, não existindo outra ordem de seres espirituais (pelo que nega a existência de anjos e demônios, no sentido da tradicional doutrina crista); mas a Umbanda admite três tipos diferentes de espíritos no além: a) os orixás (espécie de divindades, que estudaremos mais adiante), b) os exus (espíritos ruins e perversos, denominados por eles de “elementais”), c) os eguns, que seriam os desencarnados. Os kardecistas, por não reconhecerem outro tipo de espíritos, só evocam os eguns, ou os desencarnados. Originariamente os africanos só evocam orixás e exus e “não queriam trabalho com eguns”. Influenciados pelo Espiritismo, os umbandistas de hoje (que, aliás, em outros muitíssimos pontos se afastaram da primitiva religião africana, mormente na parte doutrinaria) evocam também os desencarnados, principalmente sob as formas de Pretos Velhos e Caboclos. 2) Os kardecistas são moderados e sóbrios no rito evocativo e desconhecem um cerimonial de culto; os umbandistas, pelo contrário, apresentam uma exterioridade e um ritualismo exuberante, exótico e complicado para a evocação e incorporarão dos vários tipos de espíritos, como, sobretudo, também, para a sua veneração e culto que, como adiante se verá, degenerou num verdadeiro politeísmo e mesmo em demonolatria. Se bem que estas diferenças entre Kardec e Umbanda não atinjam a essência do Espiritismo como tal, em sua doutrina e em sua filosofia, não deixam contudo de modificar sensivelmente o aspecto e o aparato externo (que, por isso mesmo, é sempre acidental). É esta a razão por que a Umbanda se julga superior e a mais acabada forma de religião, a Quarta Revelação: “Tanto quanto Kardec não quis destruir o Evangelho e apenas “esclarecer” a obra de Jesus, nós não queremos inutilizar a obra de Kardec e sim acrescentar mais uns capítulos, outrora não escritos, ao Livro dos Espíritos e ao Livro dos Médiuns (de Allan Kardec). Ao observador superficial parecerá que Umbanda é a retrogradação do Espiritismo; mas ao espírita verdadeiramente kardecista, e estudioso consciente, a razão e a lógica afirmarão que, se a obra do grande druida foi a Terceira Revelação, esta é então, e por justiça, a Quarta Revelação!” (E. Zespo, Codificação da Lei da Umbanda, Parte Científica, Rio 1951, p, 34). E não é pouco. Os umbandistas não são modestos: “A Umbanda é a única religião que sobre a face da terra tem a autoridade suficiente para falar e tratar das coisas divinas” (A. Fontenelle, A Umbanda através dos séculos, Rio 1953, p. 15). Pois: “Tanto quanto o Budismo aproveitou quase tudo do Bramanismo, o Cristianismo conservou o melhor do Mosaísmo, assim a Umbanda aproveita, conserva e guarda o que de bom e aproveitável pode haver em todas as religiões do passado. A Umbanda não é apenas uma corrente religiosa: ela é o sincretismo de todas as correntes religiosas, ela guarda os fundamentos de todas as teogonias e resume as bases de todas as filosofias” (E. Zespo, obra citada, p. 8). Semelhante jactância sem medida é muito frequente entre eles. Escrevem e falam como se fossem os homens mais cultos deste mundo. Assim, por exemplo, podemos ler num dos livros do já citado Emanuel Zespo: “Li o Damapada, o Bagavad-Gita; li a Bíblia, li o Evangelho, li Platão, Schopenhauer, Nietsche, Kant, Comte, Hegel, Agostinho, Aquino, Montefeltre; li Lao-Tsen, Vivekanda, Ramacharaka, Levi, Blavatsky, Besant, Leadbeater, Jinaraja- dasa, Max Heindel e mil outros, de todos os tempos, de todos os séculos… Enfronhei-me nas demonstrações do invisivel, com Gerard Encause, Hermes, Saint-lves d Alvidre, Nostradamus, Camaisar, BullverLytton, Oicott, os kabalistas, os esotéricos, os teósofos, os ocultistas, os magos; os fetichistas, os feiticeiros… Visitei, graças à criptologia, as civilizaçõeslêmures, atlantas, turânias, assírio-babilônia, medopersa, hindu, fenícia, greco-Iatina, ibero-celta, galo-druídica, teuto-scândia, siro-Árabe, mosaico-cristã, asteca, tolteca, maia, incaica… Andei nos mitos; cultuei Baal, Wotan, Zeus, Adonai; os 7 Sephirot: Osiris, Isis, Amon; orei na Porta do sol de Ouro; cantei as glorias do divino Lotus; reconheci que Marte era Changô; Afrodite ouVênus era Iemanjá ou Iára; Wotan era Tupã; Brahma, Orixalá; Jeová, Oxalá; a Trimurti, Trin-magé… Sonhei com fadas, silfos, nereidas, gnomos, salamandras, ninfas, musas e ondinas, e encontrei ochúns, ochus, echus, dadás… Subi à Montanha do Sermão; desci ao lago da ilusão; li as tabuas de Jeová e ouvi as propostas de Belsebú, senti o êxtase de Sakia-Muni e vivi as perdições de Mara…” (O que e a Umbanda, Rio 1949, p. 83). UMBANDA É MAGIA Todos os autores umbandistas que temos em mão, quando definem este atual movimento denominado Umbanda, concordam em confessar que “é magia’’. Um exemplo: “Umbanda é fazer magia por intermédio das forças invisíveis, baseada nas forças astrais, com rituais, preceitos, sinais cabalísticos, cânticos e outros elementos, como a água, o fogo, a fumaça, as bebidas, as comidas, os animais, apetrechos apropriados, etc.” (cf. a revista Umbanda, Rio, Agosto de 1948, p. II; também Lourenço Braga, Umbanda e Quimbanda, 89 ed. p. 12, traz idêntica definição). O mesmo autor que dá esta definição, compara os umbandistas com os “alquimistas, feiticeiros, adivinhos, profetas e pitonisas do passado”. O Espiritismo Kardecista evoca os espíritos para deles ter notícias, obter comunicações doutrinárias, ou ainda, quando se trata de espíritos atrasados, para instruí-los; mas não os explora com o fim de fazer certos “trabalhos” a favor ou contra determinadas pessoas. Os kardecistas, por conseguinte, se limitam ao que antigamente era conhecido sob o nome de “necromancia”. A Umbanda, porém, vai bem mais longe: veremos adiante, quando tratarmos do culto ao Exus, considerados “os agentes mágicos universais”, que estes espíritos são evocados por meio de ritos, sinais cabalísticos (“pontos riscados”), versos evocativos (“pontos cantados”) e objetos (galos pretos, charutos, cachaça, velas, etc.) que lhe são oferecidos (“presentes”, “despachos”), para conseguir que se ponham ao serviço do homem e façam ou desmanchem determinados “trabalhos”. E isso é magia no sentido mais estrito da palavra. Ora, tanto a necromancia dos kardecistas, como a magia dos umbandistas, foi rigorosamente interdita por Deus. A magia, porém, foi proibida com particular severidade. Deus ameaçou punir a magia com os mais tremendos castigos. Diz-nos a Sagrada Escritura que povos inteiros foram exterminados porque praticavam a magia. Eis alguns exemplos: Em Lev 20, 6 diz o Senhor: “A pessoa que se dirigir a magos ou adivinhos e tiver comunicação com eles, eu porei o meu rosto contra ela e a exterminarei do seu povo”. E outra vez recebemos a ordem terminante: “Não vos dirijais aos magos, nem interrogueis os adivinhos, para que vos não contamineis por meio deles. Eu sou o Senhor vosso Deus” (Lev 19, 31). E temos, sobretudo, esta grave admoestação: “Não se ache entre vos quem consulte adivinhos ou observe sonhos e agouros, nem quem use malefícios (despachos!), nem quem seja encantador, nem quem consulte pitões ou adivinhos, ou indague dos mortos a verdade. Porque o Senhor abomina todas estas coisas, e por tais maldades exterminará estes povos à tua entrada. Serás perfeito e sem mancha como o Senhor teu Deus. Estes povos, cujo país tu possuirás, ouvem os agoureiros e os adivinhos; tu, porém, foste instruído doutro modo pelo Senhor teu Deus” (Deut 18, 12-14). Também no Novo Testamento damos com idênticas proibições. Temos ai o exemplo de um certo Simão “que praticava a magia e iludia o povo”: “Toda a gente Ihe dava ouvidos, desde o menor até ao maior, dizendo: Este é a virtude de Deus, que se chama grande. Aderiram-lhe, porque os fascinara, por largo tempo, com as suas artes mágicas” (At 8, 9-11). De quantos babalaô e “pai de santo” dos nossos terreiros umbandistas se poderiam dizer ainda hoje o mesmo! Mais adiante, ainda nos Atos dos Apóstolos, encontramos São Paulo diante dum certo Elimas, que era mago e feiticeiro; mas Paulo encarou-o firmemente e disse: “Ó filho do demônio, cheio de toda a falsidade e malícia, inimigo de toda a justiça, não cessas de perverter os caminhos retos do Senhor? Eis que vem sobre ti a mão do Senhor; serás cego e não verás o sol por certo tempo” (At 13, 10). Em Éfeso o grande Apóstolo das gentes, além de muitas conversões, conseguiu ainda o seguinte resultado: “Outros muitos que tinham praticado artes mágicas, trouxeram os seus livros e os queimaram aos olhos de todos; calculou-se o valor deles em cinquenta mil dracmas de prata” (At 19, 19). UMBANDA E QUIMBANDA Querem alguns distinguir entre Umbanda e Quimbanda, dizendo que ambos praticam a magia, sim, mas com a diferença de que em Umbanda ela é feita apenas para o bem (e seria a Magia Branca) e em Quimbanda os trabalhos seriam exclusivamente maus (Magia Negra). A este respeito, contudo, o Sr. Aluísio Fontenelle, que se diz “sacerdote dos diversos cultos de Umbanda”, garantindo ser “conhecedor real de todas as práticas que se exercem, nos diversos terreiros”, considerando-se por isso “catedrático no assunto” (cf. Exu, Rio 1952, p. 94), escreve o seguinte: “Na sua essência última, a Quimbanda é em quase tudo idêntica ao que se cultua na Umbanda, uma vez que daquela surgiu esta última. Digo que a Umbanda é uma parte da Quimbanda, pelo fato de que a sua composição, suas atividades, suas divindades, suas lendas, seu ritual (em grande parte), seu protocolo, enfim: as suas crenças estão perfeitamente irmanadas dentro do mesmo sentido, divergindo apenas no que diz respeito à indumentária e certas práticas na comunhão dos seus trabalhos espirituais. A Quimbanda continua no firme proposito de manter as antigas tradições dos seus ascendentes africanos, ao passo que a Umbanda procura, pelo contrário, afastar completamente esse sentido incivilizado das suas práticas, devendo-se a influência do homem branco, cujo grau de instrução, já não as admite” (A. Fontenelle, O Espiritismo no Conceito das Religiões e a Lei de Umbanda, Rio, p. 81). E ainda que, teoricamente, digam alguns umbandistas que eles querem apenas a Magia Branca, (que, aliás, também é proibida por Deus!), a realidade dos terreiros, todavia, afirma bastas vezes o contrario. O Sr. Oliveira Magno, em Prática de Umbanda, Rio 1952, p, 70, conhece umbandistas “que fazem, nos fundos da suas tendas ou terreiros, ou então, em suas residências, os mesmos trabalhos”, isto é: Fazem trabalhos “para obrigar o namorado ou amante a voltar e se casar; para amarrar o homem com a mulher; para que o marido se conforme com a mulher ter o seu amante; para uma mulher tirar o homem de outra; para que o homem só tenha potência para uma mulher; para se saber em sonho com quem vai casar-se; para amarrar a vida e negócio dos outros e os arruinar; para obrigar os outros a fazer o que não é justo; para castigar os inimigos, pô-los doentes ou então os matar, etc.”. Também outro autor reconhece a existência de muitos umbandistas “que ainda procedem assim, aumentando a cegueira e ignorância desses infelizes irmãos, e pior ainda, fazendo despachos com fins malévolos, projetando falanges atrasadas contra irmãos encarnados desprevenidos e incrédulos, que na maioria das vezes sofrem o efeito sem compreenderem a origem do mal que estão padecendo, por desconhecerem a Umbanda e a Quimbanda” (Florisbela M. Sousa Franco, Umbanda, Rio 1954, p. 131). Reconhecemos, todavia, a existência de terreiros de Umbanda que “só querem fazer o bem”, que fazem uso da magia e recorrem aos serviços dos exus “apenas para obter bons efeitos”, ou para “desmanchar” os malefícios da Quimbanda. É, porem, inegável que também nestes meios, onde não negamos haver boa fé e excelente vontade, existe tremenda confusão religiosa, é praticada a evocação dos espíritos, é oferecido um verdadeiro culto aos exus, é pregada a heresia da reencarnação e são identificados os Santos Cristãos com deuses pagãos, como adiante se verá. O PANTEÍSMO DOS UMBANDISTAS No Primeiro Congresso de Umbanda foi aprovada a quinta conclusão, formulada nestes termos: “Sua filosofia consiste no reconhecimento do ser humano como partícula da divindade, dela emanada límpida e pura, e nela finalmente reintegrada ao fim do necessário ciclo evolutivo, no mesmo estado de limpidez e pureza, conquistado pelo seu próprio esforço e vontade”. Afirma-se, pois, que nós (o “ser humano”) somos “partículas da divindade”, que “emanamos” de Deus. Tais expressões são comuns na literatura umbandista: “A alma humana é de essência divina”, ensina o livro oficial da Confederação Espírita Umbandista, Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1051, p. 70. Nesta mesma obra lemos expressões ainda mais fortes: “Deus é o Todo e eu Sua parte”; “Deus dorme no mineral, sonha no vegetal, desperta no animal, é consciente no homem, que, deste modo, pode atingir a perfeição”; “o fim da evolução é, para o homem, a completa realização de sua divindade, a identificação de seu próprio ser com a Realidade única” (p. 40). Essa identificação da criatura com o Criador evidentemente despersonaliza Deus. O Deus panteísta de Umbanda já não é o Deus Pessoal e Consciente dos cristãos. O Deus umbandista do qual “emanam” todos os seres, não é o Deus cristão que “no princípio criou o céu e a terra” (Gen 1, 1). O Deus umbandista, identificado com o Universo, não é o Deus cristão anterior a toda criatura, independente do mundo, infinitamente superior ao universo limitado e mutável, Senhor absoluto e Criador de todas as coisas existentes fora d’Ele, o Deus pessoal, individual e singular, de que nos falam as Escrituras. O homem umbandista, “partícula da divindade”, jánão é o homem cristão “que Deus criou do nada” (2 Macab 7, 28). Mas o Deus dos cristãos não é apenas um Ser Infinito, anterior ao mundo e dele essencialmente distinto, Ele é também um Ser subsistente em Três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. É o augusto mistério da Santíssima Trindade. E a fé cristã ainda nos ensina que Jesus Cristo é verdadeiramente Deus igual ao Pai e ao Espírito Santo: a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Ora, tudo isso não é concebível num sistema de filosofia panteísta, qual o de Umbanda. Razão pela qual os umbandistas apoiam os kardecistas na negação da Santíssima Trindade e na contestação da Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. A respeito da natureza de Cristo transcrevemos aqui uma passagem do umbandista Lourenço Braga, Umbanda e Quimbanda, 8ª ed., que é entre todas as obras sobre Umbanda a mais difundida e serve como manual em numerosos terreiros. O trecho que transcrevemos pode ser encontrado na p. 45 s. Ei-lo: “Devemos nos lembrar de que naquela época existia na Terra um homem sábio, inteligente e virtuoso, que se chamava José de Arimatéia. Esse homem era o chefe de uma Seita de Cabala (Ciências ocultas, Maçonaria, Esoterismo, Magia). Seita esta que possuía muitos discípulos com vários graus de adiantamento moral, espiritual e intelectual, destacando-se dentre eles João Batista, o mais evoluído. José de Arimatéia, vendo em Jesus, aos 12 anos, um espírito adiantado, quero dizer, espiritualmente evoluído e reconhecendo ser ele um predestinado, tratou de educá-lo carinhosamente, desenvolvendo nele os dons mediúnicos que ele possuía, em estado latente, e ensinando-lhe os mistérios da Cabala e toda a filosofia da seita, da qual era o supremo chefe. Esse aprendizado durou quase 18 anos, época em que Jesus, afinal, atingiu a casa dos 30 anos de idade. Espírito missionário animando um corpo carnal, inteligência privilegiada, alma boníssima, evoluído bastante pelas inúmeras encarnações por que passou e tendo recebido de José de Arimatéia sábios ensinamentos científicos e filosóficos e tendo também desenvolvido os dons mediúnicos de vidência, clarividência, audição, clariaudição e transporte, entrou em contato com os seres do plano astral superior e do plano sideral, por meio das quais aumentou o seu cabedal de conhecimentos, adquiriu convicção forte, fé inabalável, etc., podendo fazer, destarte, o que fez, sem se deixar arrastar pelas paixões do mundo, sem se abater, sem se orgulhar; curando, ensinando a sua doutrina, pregando por parábolas, doutrinando os povos dos lugares por onde passava, fazendo enfim verdadeiros trabalhos de Magia mental e astral…” Teríamos, portanto, um Jesus que não é Deus, mas um espírito “evoluído bastante pelas inúmeras encarnações por que passou” e que foi estudar Ciências ocultas, Maçonaria, Esoterismo e Magia na Escola de José de Arimatéia… FATAIS CONSEQUÊNCIAS DA DOUTRINA REENCARNACIONISTA “A Umbanda, como o Espiritismo, aceita a lei das reencarnações e outros pontos doutrinários expostos pelo Espiritismo” (Samuel Ponze, Lições de Umbanda, Rio 1954, p. 10). Quando mostramos a identidade substancial entre Umbanda e Kardec, já citamos outras declarações autorizadas dos meios umbandistas, inclusive a quarta conclusão do Congresso de Umbanda, constando assim que, embora haja muita divergência entre eles, neste ponto fundamental e doutrinário, todavia, todos eles concordam com voz uníssona: O homem não vive uma só vez sobre a terra; já viveu muitas vidas no passado e por outras muitas deverá passar, não apenas neste planeta terra, mas através de numerosas estrelas mais perfeitas, até alcançar a perfeição final, quando, então, tornará a reintegrar-se na divindade, no mesmo estado de limpidez e pureza em que dela emanou. E esta perfeição final, ensina a quinta conclusão do Congresso de Umbanda, o homem a conquistará “pelo seu próprioesforço e vontade”. Se analisarmos bem a filosofia reencarnacionista de Kardec, integralmente homologada pelos umbandistas, verificaremos que ela se resume nestes quatro postulados: 1) pluralidade das existências terrestres, 2) progresso contínuo depois da morte, 3) expiação própria e evolução por méritos rigorosamente pessoais, 4) sempre novos corpos e, afinal, vida puramente espiritual, sem corpo material. Ora, não é preciso ser grande teólogo, para saber que Cristo, contra o princípio reencarnacionista da pluralidade das existências, ensina a unicidade da vida terrestre; contra o princípio reencarnacionista do progresso continuo depois da morte, ensina a existência e a eternidade de um estado e lugar de condenação sem fim chamado inferno; contra o princípio reencarnacionista de expiação própria e do aperfeiçoamento por méritos rigorosamente pessoais, ensina a nossa redenção por Sua sagrada paixão e morte; contra o princípio reencarnacionista de uma vida definitiva e puramente espiritual, ensina a ressurreição final de todos os homens. São quatro ensinamentos de Nosso Senhor, que se encontram não apenas em um ou outro texto esporádico ou de significação duvidosa, mas que perfazem, por assim dizer, o cerne da mensagem cristã. Mas os espíritas, precisamente por causa da filosofia reencarnacionista que adotam, se viram forçados a riscar grande parte do Evangelho, chegando por isso a negar a própria Bíblia. Endossando a teoria da reencarnação, os umbandistas devem logicamente acompanhar os kardecistas na triste negação de tantas verdades evangélicas e cristãs. Mas com isso mesmo os umbandistas se colocam fora do Cristianismo. UMBANDA É A NEGAÇÃO DO CRISTIANISMO Já vimos que a Umbanda, em sua prática da evocação dos espíritos e em seus trabalhos de magia (branca ou negra, tanto faz) desobedece a Deus, revoltando-se contra uma ordem clara e repetida do Criador, determinação que se encontra no Antigo e no Novo Testamento. Verificamos que a Umbanda, em sua doutrina panteísta, contesta e deve contestar toda uma longa série de verdades cristãs a respeito de Deus: nega o augusto mistério da Santíssima Trindade; nega a existência de um Deus pessoal e distinto do mundo; nega a doutrina cristã a respeito da origem e a criação do universo; nega a criação da alma humana; nega a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo; nega, consequentemente, a Maternidade Divina de Maria Santíssima; etc. Apuramos também que a Umbanda, endossando o princípio kardecista da reencarnação, deve contestar e de fato contesta mais outra sequência de verdades claramente ensinadas por Cristo, nosso Mestre Divino: nega a nossa redenção por Cristo; nega consequentemente a graça e toda a doutrina cristã do sobrenatural; nega, por isso mesmo, a doutrina cristã acerca dos Sacramentos; nega a unicidade da vida terrestre; nega o juízo particular depois da morte; nega a ressurreição final de todos os homens; nega a existência do inferno; etc. Tudo isso, em outras palavras, é a negação total da Doutrina cristã e por isso do Cristianismo. Em alguns meios umbandistas se professa até mesmo uma manifesta tendência de retorno ao paganismo. Assim declara, por exemplo, a obra oficial da Confederação Espírita Umbandista: “Cumprindo uma ordem de Xangô-Agaju fundou-se a Confederação Espírita Umbandista, com a finalidade de restabelecer a tradição antiga, em toda a sua foça e pureza primitiva” (Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1951, p. 152). Heraldo Menezes, em sua obra Caboclos na Umbanda (Rio), depois de ponderar que “o Universo e um conjunto de deuses em permanente harmonia”, levanta a seguinte acusação: “Qual rolo compressor, o cristianismo, avassaladoramente, destruiu o politeísmo grego e o romano, o persa e o egípcio, cognominando-os de cultos pagãos”. Em seguida se dirige mais especialmente contra a Igreja e escreve: “A igreja romana, fundada por Pedro, no afã evangelizador, penetrando por ínvios continentes, substituindo os fetiches dos selvícolas por imagens católicas, criou o sincretismo religioso (sic!). Mas, a igreja romana, um tanto distante da filosofia de Cristo, também não possui as suas lendas? A canonização dos homens não fomenta a idolatria? Logo, em sã consciência, podemos afirmar que, se os símbolos nos conduzem a Suprema Ascensão, os povos primitivos, apesar de sua decantada ausência de civilização, adorando todas as forças vivas da Natureza, estavam certos” (p. 3-4). Mais adiante preconiza abertamente: “O homem terá que voltar ao primitivismo” (p. 35)… Entretanto, esses mesmos umbandistas, que praticam a necromancia e a magia, apesar de proibidas por Deus sob a cominação dos mais tremendos castigos, revoltando-se assim centra Deus; esses mesmos umbandistas, que contestam e ridicularizam as verdades centrais da mensagem cristã, rebelando-se desta maneira contra Cristo; esses mesmos umbandistas, que apregoam a necessidade de retornara o paganismo dos povos primitivos, procurando difundir nos meios católicos do Brasil, como adiante se verá,não apenas a necromancia e a magia, mas também o politeísmo e até mesmo a demonolatria, insurgindo-se deste modo contra a Igreja; esses mesmos umbandistas, para melhor encobrir suas práticas, suas doutrinas e seus propósitos, apesar de estarem manifestamente fora do Cristianismo e contra ele, não perdem, todavia, ocasião para proclamar que são e querem ser cristãos. A já mencionada Doutrina e Ritual de Umbanda, que pretende reintroduzir o africanismo puro (p. 152), não titubeia em afirmar, também, a título de engodo, que a Umbanda “aceita a revelação de Jesus Cristo” (p. 68). Igualmente o Primeiro Congresso de Umbanda, depois de professar a reencarnação (4ª conclusão), o panteísmo (5ª conclusão), a auto redenção (5ª conclusão) e o liberalismo religioso (6ª conclusão) — princípios que levam a uma interminável série de conclusões tão contrárias a Doutrina Crista, que do Cristianismo nada sobrará — tem, todavia, a insolência de formular a 7ª conclusão nestes termos: “O reconhecimento de Jesus Cristo como Chefe Supremo do Espiritismo de Umbanda, a cujo serviço se encontram entidades altamente evoluídas, desempenhando funções de guias, instrutores e trabalhadores invisíveis, sob a forma de caboclos e pretos velhos”. Eis mais algumas declarações semelhantes para a nossa documentação; “A Umbanda, tal como se apresenta hoje no Brasil, é uma religião cristã” (Samuel Ponze, Lições de Umbanda, Rio 1954, p. 12). “A Umbanda no Brasil e do Brasil é francamente cristã” (Emanuel Zespo, Codificação da Lei de Umbanda, Parte Prática, Rio 1953, p. 80). O mesmo autor, em O que é a Umbanda, Rio 1941, p. 51, não enrubesce ao escrever que a Umbanda “aceita a doutrina do Evangelho”. “Nós nos encarregaremos de mostrar aonde esta a verdade de Jesus Cristo, a verdadeira fé cristã, que conduzirá os povos à suprema gloria de servir a Deus” (A. Fontenelle, A Umbanda através dos séculos, Rio 1953, p. 74); “estou certo que a Umbanda verdadeira, a Umbanda que Jesus Cristo pregou sobre a face da terra, surgirá límpida e pura, em toda a sua finalidade redentora” (ib p. 83). São palavras apenas; palavras impugnadas eloquentemente pela prática da necromancia e da magia em todas as tendas e terreiros de Umbanda e contraditadas pela doutrina da reencarnação, do panteísmo e do mais crasso paganismo em todos os livros de Umbanda e Quimbanda. POSIÇÃO CATÓLICA PERANTE A UMBANDA Já, a esta altura, é fácil compreender e precisar a posição católica perante a Umbanda. Para sermos claros, procuraremos sintetizar esta posição nos seguintes pontos: 1) A primeira e máxima obrigação do homem é amar a Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de toda a sua mente e com todas as suas formas (Mt 23, 37-38). Entretanto, disse Cristo, “se me amais, guardai os meus mandamentos” (jó 14, 14); “quem guarda os meus mandamentos e os observa, esse é que me ama” (Jó 14, 21); “vós sois meus amigos, se fizerdes o que vos mando” (Jó 15, 14); “a caridade consiste em vivermos segundo os mandamentos de Deus” (cf. 2 Jó6). Ora, Deus mandou que não evocássemos os espíritos, ordenou que não praticássemos a magia. Já vimos os textos, que são insofismavelmente claros. Mas é manifesto que todo o movimento umbandista se apoia na evocação dos espíritos e na prática da magia, sendo, portanto um movimento de declarada desobediência e revolta contra Deus. É impossível ao homem, neste estado, cumprir sua máxima obrigação: amar a Deus sobre todas as coisas. É por isso que o católico de maneira nenhuma pode aderir à Umbanda. 2) Sendo o exercício da evocação dos mortos e da magia pecado grave de desobediência, e também vedado fomentar as práticas de Umbanda ou assistir a elas. Donde se infere que é pecado mortal assistir às sessões espíritas e às práticas da magia nas tendas ou nos terreiros de Umbanda. 3) Já foi demonstrada a oposição frontal entre a Doutrina Cristã e a Doutrina Umbandista. Nega a Umbanda o que o Cristianismo afirma. São dois polos opostos. Segue daí que é impossível ser ao mesmo tempo umbandista e católico. Todo aquele, portanto, que aderir às praticas e às doutrinas de Umbanda, sai da Igreja, exclui-se a si mesmo da comunidade dos fiéis de Cristo, deixa de ser católico e renuncia ao direito de receber seus meios de santificação. Em outras palavras: o umbandista já fez tudo para desligar-se da Igreja e as autoridades eclesiásticas são apenas consequentes com aquilo que ele mesmo voluntariamente escolheu, quando o considera de fato desligado, isto é: excomungado. Com isso o umbandista perdeu o direito de assistir à santa Missa (mas não é necessário expulsá-lo, quando entrar na igreja: apenas não pode reclamar para si o direito de assistir); perdeu o direito de receber os santos Sacramentos: na Confissão não pode receber a Absolvição, na mesa da Comunhão não pode receber a Eucaristia, etc.; perdeu o direito de tomar parte nas indulgências, nos sufrágios e nas orações públicas da Igreja. 4) Verificamos e provamos que a Umbanda se identifica substancialmente com o Espiritismo: é a razão pela qual vale para os umbandistas o que os Bispos do Brasil declararam recentemente a respeito dos espíritas: são e devem ser tratados como hereges. Por isso devem-se aplicar também aos umbandistas as seguintes determinações: — não podem ser admitidos à recepção dos Sacramentos, ainda que os peçam de boa fé, sem que abjurem a Umbanda e renovem a profissão de fé católica; — não podem mandar batizar na Igreja seus filhos menores, a não ser que estejam em iminente perigo de morte ou ofereçam garantias suficientes de que receberão uma educação católica; — não podem ser convidados ou admitidos como padrinhos ou madrinhas de Batismo ou de Crisma. — quando falecerem, sem dar sinal de arrependimento, ficam privados da encomendação e da celebração de Missa pública por sua alma. 5) Visto que a Umbanda não é apenas desobediente em suas práticas e herético em suas doutrinas, mas quer também constituir uma religião particular, com hierarquia, ritos e cultos próprios, seus adeptos devem ser considerados como membros duma seita religiosa acatólica e existe, por conseguinte, impedimento matrimonial entre umbandistas e católicos. 6) Já que os livros umbandistas propunham a heresia e ensinam ou recomendam a superstição, o sortilégio, a adivinhação, a evocação e a magia, sua leitura é interdita aos católicos sob pena de pecado mortal e sob a censura de excomunhão. A HIERARQUIA EM UMBANDA É impossível dar ao leitor informações mais ou menos precisas a respeito do ritualismo umbandista. “Temos visitado inúmeros terreiros no Brasil — escreve Emanuel Zespo e não encontramos a uniformização de ritual tão desejada por alguns. Verificamos que cada terreiro, cada centro, segue, no geral, a orientação dada pelos seus próprios guias e caciques” (Codificação da Lei de Umbanda, Parte Prática, Rio 1953, p. 44). Apenas para a orientação dos leitores, daremos no final, em apêndice, um exemplo do ritual umbandista. A extrema complexidade dos ritos para a evocação mágica dos orixás, exus e êguns, ou para outros “trabalhos espirituais de caridade”, reclama numeroso pessoal, suficientemente instruído e habilitado. Para conseguirmos a necessária orientação sobre Umbanda, é conveniente tomar conhecimento dos nomes (pois em Umbanda se usa uma terminologia particular) e das atribuições dos vários graus da hierarquia umbandista: 1) O chefe principal, ou o chamado chefe do terreiro, é denominado geralmente “Pai de Santo” (tradução literal de babalorixá: baba=pai, orixá—santo) ou babaiaô, babaloxá, babaluê, ou ainda: cacique, príncipe de Umbanda, senhor de Olorum, chefe de rebanho; quando for mulher, é “Mãe de Santo”, ou simplesmente babá. O Catecismo de Umbanda, Rio, p. 69 s, resume as funções de babalorixá nos seguintes pontos: 1) Incorporar o espírito do Dono do terreiro, isto é, do espírito sob cuja proteção se fazem os trabalhos do terreiro, constantemente; 2) Identificar os espíritos que se manifestam; 3) Executar todas as práticas mágicas necessárias à consagração dos otás, isto é, das imagens dos orixás que baixam no terreiro; . 4) Riscar o ponto, no início de trabalhos; 5) Explicar a doutrina, fazendo prédicas, em sessões que sejam dedicadas a trabalhos de demanda; 6) Dar passes, nas sessões de caridade; 7) Diagnosticar as doenças, empregando as ervas no seu tratamento; 8) Evitar disputas, brigas e inimizades entre os sócios de um terreiro; 9) Fiscalizar os trabalhos dos médiuns e dos auxiliares do terreiro; 10)Conhecer a arte de adivinhação por meio dos búzios, saber cartomancia e leitura das mãos. 2) A seguir vem os ogans, homens que auxiliam diretamente o babalaô, tratam do cerimonial, dirigem os trabalhos de incorporação dos médiuns, entoam os pontos cantados e zelam pela perfeita ordem do terreiro; conhecem a força das ervas, os segredos e os efeitos dos pontos riscados, a comida dos Santos e sabem manejar a faca para sacrificar os animais (Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1951, p. 100). Quando mulheres, tem o nome de jabonan, jibonan ou “Mãe pequena”, que são encarregadas também de dirigir as danças e devem ocupar-se com as mulheres. 3) Vem então os cambones, cambonos ou cambandos e as sambas. Todos são “Filhos ou Filhas de Santo”. São auxiliares, competindo-lhes abrir o terreiro, receber qualquer babaiaô, enxugar o rosto dos médiuns, evitar que se machuquem, socorrê-los quando em transe, ajudar nas danças e cantar para as grandes cerimônias. Os cambones prestam assistência aos homens, às sambas às mulheres. 4) Seguem, afinal, os médiuns, julgados em condições de incorporar ou receber os Orixás Menores. Na Umbanda esses médiuns, quando incorporados, são chamados também cavalos, aparelhos, moleques, etc. A respeito da expressão cavalo, o Sr. Samuel Ponze, Lições de Umbanda, Rio 1954, p. 21, tem a seguinte explicação: “CavaIo é uma expressão aparentemente brutal, porém bem judiciosa. O médium é realmente o cavalo de que se serve o cavaleiro (o guia, espirito ou orixá) para percorrer o caminho dessa nova espécie de apostolado: ensinar aos filhos de Umbanda a vereda da luz. Todo o cavalo, depois de domado, tem o seu cavaleiro; assim todo o cavalo de Umbanda, depois de desenvolvido, tem seu guia, seu cavaleiro de Aruanda”. Muito embora não haja ainda, como vimos, unidade no rito, ele obedece, contudo a certas regras, que o Catecismo de Umbanda, Rio 1954, p. 39 s. resumiu nos seguintes traços: “Numa sessão pública, a assistência fica separada do terreiro, por uma grade com duas entradas, uma para entrada, outra para saída. Os médiuns do sexo masculino dispõem-se numa fila, os do sexo feminino, em outra fila. Todos os médiuns vestidos de branco, descalços, no caso do terreiro ser assoalhado, ou calçados com sapatos de Iona. Os cambonos, vestidos de branco e com sapatos de Iona, defumam o ambiente. O presidente faz a prece de abertura. O chefe do terreiro, enquanto se cantam os pontos, risca o ponto de segurança ou porteira (contra os exus), derramando depois marafo (cachaça) nos quatro cantos do terreiro, do lado de fora. O chefe do terreiro volta ao centro do terreiro, iniciando-se então o canto dos pontos das falanges ou Linhas que tem de baixar. Incorporados os guias (espíritos), o público é atendido para os passes de descarga, resposta às consultas, conselhos, etc. O encerramento das sessões públicas é feito com o canto dos pontos de despedida dos espíritos, prece final dita pelo presidente”. INSTRUMENTOS DA MAGIA UMBANDISTA Esta em uso uma infinita variedade de instrumentos na Umbanda, para a prática da Magia: Vestimentas as mais variadas, tambores, chocalhos, pembas de todas as cores, ponteiros (punhais de aço), coités (invólucro de coco babaçu, cortado ao meio e polido), moringues de barro, velas de cera, fitas de seda, barbante (linha crua), otás (pedras dos rios ou seixos rolados), conchas marinhas, estrelas do mar, defumadores de todas as espécies, bodoques, flechas, capacetes de penas (cocares), guias (colares de contas), plantas e raízes, charutos e cachimbos, fumo de rolo, pombos pretos, galos vermelhos ou pretos, sangue de boi, farofa de farinha de mandioca, bebidas, cervejas, varias espécies de vinhos, marafa (cachaga), azeite de dendê, mel de abelha, pólvora, carvão, enxofre em pedra ou pó, perfumes e essências, etc. Existem casas, especialistas em vender ‘’ervas medicinais, defumadores, raízes, rasuras, resinas, cascas, folhas, flores, frutas, óleos, sucos, etc.”, onde se podem comprar ídolos, símbolos de Santos, punhais para riscar os pontos, pembas em diversas cores, orações fortes e toda a sorte de defumadores. Assim, por exemplo, lemos num jornal de hoje mesmo (22-8-1954), do Rio, O Dia, p. 11, um anúncio da “Casa de Umbanda”, que vende “Estatuetas de caboclos, Índios e pretos velhos; ferramentas e material para terreiro; imagens e artigos religiosos; artigos da Baia, bonecos e colares; livros especializados; artigos indígenas, velas e artigos de cera; especialidades para as cerimonias de Umbanda; depósito do defumador Caboclo; fantasias, cerâmica, artigos de barro e variedades; defumadores em todas as qualidades”. A casa está no Largo da Lapa. Na mesma página deste jornal damos com outro anuncio que apregoa o Defumador Sete Flechas: “Seja mais um entre os milhares de consumidores preferindo a proteção do Sete Flechas de Umbanda para seu progresso e proteção. O Defumador Sete Flechas é usado e recomendado pela Confederação Espírita de Umbanda”. Em outro jornal lemos o anúncio do Sabonete de Defesa Pai Jacó, que “foi depois de longos estudos na prática e nos trabalhos espirituais, selecionado com o extrato de 9 espécies de ervas atrativas: Arruda, Guine, Alecrim, Fumo, Comigo-ninguém-pode, Abre-caminho, Desmancha-tudo, Palma benta e Bem-com-Deus. Este sabonete foi lançado ao público, com o fim de substituir os banhos de plantas tão antiquados e incômodos de preparar; pois era necessário ferver as plantas e depois de haverem tomado o banho precisavam jogar as ervas utilizadas em água corrente, fato este que nem todos poderiam fazer”. Demos a palavra aos umbandistas, para que nos elucidam a razão de ser de alguns destes instrumentos de magia, a fim de podermos conhecer melhor sua mentalidade e suas curiosas práticas, algumas das quais já muito difundidas até mesmo nos meios que se dizem católicos. 1) O defumador ocupa lugar de destaque no ritualismo umbandista. O Catecismo de Umbanda, Rio 1954, p. 43, entende assim sua finalidade: “O defumador serve para dois fins. O primeiro é que a essência do defumador, desfazendo-se no ambiente, isto é, misturando-se com o éter atmosférico, vai ser sentida pelos espíritos. A outra utilidade do defumador é que o seu perfume desperta alguns centros nervosos dos médiuns, fazendo esses centros vibrarem de acordo com as irradiações fluídicas do Protetor”. Lourenço Braga ainda conhece uma terceira finalidade: “Admite-se o defumador pelo aroma que desprendem as ervas químicas, cujo cheiro exerce grande ação sobre os sentidos das pessoas” (Umbanda e Quimbanda, 8ª ed. p. 31). Os charutos e o cachimbo, produzindo fumaça, tem o mesmo efeito (cf. E. Zespo, O que é a Umbanda, p. 62). O Sr. Oliveira Magno, em Prática de Umbanda, Rio 1952, nas páginas 21 até 42, apregoa neste sentido numerosas fórmulas ou receitas: Defumador de descarga de casas e de pessoas presentes, Defumador de descarga Agum-Mege, Defumador de descarga Caboclo, Defumador para atrair prosperidade, Defumador de Cosme e Damião, Defumador para atrair prosperidade para casas comerciais, Defumador para descarregar uma pessoa, Defumador Santa Luzia, Defumador de lixo do mar, etc. Para amostra segue a fórmula “de descarga de casas e de pessoas presentes’’: Aloés, escama de peixe, fígado de peixe seco. A defumação se faz dos fundos para a porta da rua, com um copo com água na mão esquerda e o defumador na mão direita. Mas antes disso énecessário acender três velas e fazer três preces, sendo uma ao Anjo Governante do dia e outra a entidade que executa o dito trabalho e a terceira a Deus Nosso Senhor, pedindo licença. Em seguida se canta o ponto seguinte: Mestre Luís chegou oi Mestre Luís baixo, Mestre Luís chegou pra levar todos males de sua “zefio” com sua gongá para o fundo do mar, é, é. (Bis) Ao terminar a defumação, a água do copo deve ser jogada pela porta fora dizendo: “Vai-te para o fundo do mar ou para o lugar que Deus te destinar para que mal não possas mais causar”. O defumador deve ser posto atrás da porta da rua ate se apagar, e depois embrulhar seus restos num papel branco, e em seguida deve ser despachado no mar dizendo: “Dá licença!” E atirando o embrulho no mar, dizer: “Povo do mar, tomai conta do meu mal (ou do nosso, quando se trata de mais de uma pessoa) e dai- me (ou dai-nos) paz e prosperidade”. É bom também levar sete rosas brancas, um sabonete branco, uma caixa de pó de arroz branco para a Rainha do mar e, jogando estas três coisas no mar, dizer: “Eu vos ofereço, Rainha do mar, para que me deis paz, saúde e felicidade e realize o meu ideal. Estou confiante”. Nota: Alguns umbandistas (p. ex., E. Zespo, O que é a Umbanda? Rio 1941, p. 60) querem identificar o defumador com o incenso que os padres usam na igreja durante algumas cerimonias solenes. Convém, todavia, observar que na Igreja o incenso tem apenas um sentido estritamente simbólico: assim como o aroma do incenso se levanta da terra para o céu, do mesmo modo subam as nossas orações, “como um odor agradável”, a Deus. A Igreja não emprega o incenso para afugentar os maus espíritos. 2) A pólvora é outro elemento de muito uso. Lourenço Braga, Umbanda e Quimbanda, 8ª ed., p. 32 s justifica seu uso com as seguintes palavras: “Eu explico a grande utilidade dela (da pólvora) para a descarga de ambientes ou deslocamentos de camadas fluídicas, densas, pesadas, em volta de uma criatura, dentro de uma casa, em uma localidade qualquer. Nós, espíritos reencarnados, somos imperfeitos, pecamos diariamente por obras, por palavras e por pensamentos; os nossos maus pensamentos formam camadas que se condensam com os fluídos dos espíritos inferiores, livres da matéria, que são atraídos por nós mesmos e, dessa forma, tornam muitas vezes uma pessoa, uma família, ou uma população de uma cidade, vítimas de várias coisas, tais como sejam: moléstias, brigas, desastres, loucura, paralisias, etc. Para a descarga, deslocamento ou desagregação dessas camadas pesadas de fluídos condensados, é muitas vezes necessário, para se livrar rapidamente do mal que eles nos causam, o uso da pólvora, cuja ação é rápida; porém tais práticas são sempre auxiliadas por falanges de espíritos bem intencionados, que acodem a nossa chamada pelos cânticos (pontos cantados) e pelos pontos riscados no chão, com a pemba branca”. 3) É curioso anotar como o Sr. Oliveira Magno, Prática de Umbanda, Rio 1952, p. 42 s, esclarece o uso do galo preto: “De todos os galos, os pretos são os últimos a cantar, isto é, os que só cantam próximo ao raiar do dia. Eis o motivo de algumas lendas dizerem que o canto do galo dissipa as trevas da noite e afugenta os demônios… A influência do galo preto é de grande importância em alguns trabalhos de magia”. 4) Mas o instrumento mais usado é talvez a pemba, já diversas vezes mencionada. Trata-se de simples giz e com ele são riscados os sinais evocativos dos espíritos. Segundo os umbandistas cada espírito possui seu próprio sinal cabalístico, denominado ponto riscado. Temos em mão um exemplar da pemba branca, “legítima africana, exportada diretamente da África por Ali-Bem-Itah, descendente legítimo de Li-U-Thab, da tribo de Umbanda”, que foi feita “por moças virgens em completo jejum, presididas pelo Sacerdote, que durante a fabricação não pode tomar alimento de espécie alguma nem beber água, apenas fumando o seu cachimbo que é considerado sagrado. Durante três dias e três noites e às vezes mais, é trabalhada a Pemba, acompanhada por música do Congo, as virgens cantam sem cessar preces a virgem Pemba, para que esta transmita todas as suas virtudes a que estão fabricando…” Lourenço Braga nos elucida seu funcionamento: “A pemba branca serve para firmar no chão os pontos das diferentes falanges, utilizadas em qualquer trabalho; tais desenhos ferem o nosso pensamento neles, estabelecendo uma corrente fluídica magnética, por meio da qual, eles, os espíritos, fazem os trabalhos que desejarem, projeção, descarga ou afastamento de obsessores” (Umbanda e Quimbanda, 8ª ed. p. 32). A DIAGNOSE EM UMBANDA Persuadiram-se os umbandistas — e, aliás, todos os espíritas vivem nesta convicção — de que a causa mais comum de todas as doenças está nos espíritos do além. Isso exige naturalmente um processo de cura apropriado. Riem- se por isso dos métodos da “medicina legal”. Procuremos conhecer também neste ponto a mentalidade dos umbandistas. Pois estamos aqui diante do fator de maior atração popular que a propaganda espírita e umbandista apresentam. Muitos vão ao Espiritismo e a Umbanda por esta causa. Vejamos primeiramente como explicam eles as doenças. 1) A atuação dos espíritos maus ou sofredores: “Os espíritos malfazejos atuam primeiramente sobre o períspirito de qualquer criatura e em seguida sobre o sistema nervoso. Depois de provocar o descontrole desse, passam a ter maior influência sobre a vítima, sendo-lhes assim mais fácil dirigir a projeção fluídica sobre determinado órgão do corpo humano, provocando nele a moléstia que desejarem, ou então se valem de um espírito ainda sofredor, o qual eles, os malfazejos conscientes, obrigam a ficar encostado ao paciente provocando no mesmo as moléstias de que era portador quando ainda em vida, na Terra. A ação dos fluídos de um espírito sofredor ou trevoso sobre o organismo humano é idêntico à ação que produzem os raios solares, através de uma lente, sobre a nossa epiderme; eles, pela atuação constante, destroem os tecidos mais delicados do nosso organismo, provocando moléstias diversas. Embora sejam eles retirados de junto das vítimas, ficam essas em estado tal, que só com um tratamento médico espiritual, prolongado, poderão recobrar a saúde” (Lourenço Braga, Umbanda e Quimbanda, 8ª ed. p. 42 s). “Os espíritos obsessores atuam de diferentes modos. Antes de atuarem, eles fazem pelo astral um exame da aura da pessoa e se utilizam de qualquer ponto fraco da aura, para por aí exercerem a sua influência. Os vícios permitem o assalto dos obsessores, principalmente o álcool, os excessos sexuais. o jogo. Também quando a pessoa tem faltas a pagar, isso possibilita o ataque do obsessor, que começa sugerindo uma ideia, na aparência inocente ou simples. Se o desejo for satisfeito, ele aumenta a intensidade dos seus fluídos, tornando-se o desejo num impulso irresistível. O álcool favorece as obsessões. Quando a obsessão aumenta, é sinal de que o obsessor já tomou conta do indivíduo, que se torna um autômato e que só se livrara da tirania do obsessor, recorrendo à intervenção das Falanges de Umbanda… Os espíritos sofredores também podem pela sua aproximação provocar doenças, não porque queiram, porque esses espíritos sofredores não são maus. Mas o seu sofrimento se irradia sob a forma de maus fluídos, que envenenam e enfraquecem a aura das criaturas” (Catecismo de Umbanda, Rio 1954, p. 60 s). 2) O espirito “encostado”. A ideia popular mais comum é a de um espírito sofredor que está “encostado” na pessoa doente e que precisa ser retirado por meios mágicos. Os textos citados já aludem a estes espíritos encostadores. Para maior elucidação, leiamos mais este passo: “Certos espíritos arregimentam espíritos sofredores, desconhecedores do estado espiritual em que se encontram, para colocá-los junto da pessoa ou grupo de pessoas a quem desejam fazer mal, provocando assim, no paciente, moléstias diversas, pelo contato fluídico desses espíritos com o períspiritos da vítima. Geralmente verifica-se que o espírito atuante transmite às vitimas as moléstias de que era portador, quando ainda preso à matéria, na Terra” (Lourenço Braga, obra citada, p. 25). 3) O quebranto ou o mau olhado é outra explicação muito popular e tipicamente umbandista para interpretar uma série de doenças. Eis como justificam seu modo de ver: “Todo ser humano é possuidor de fluídos magnéticos que agem segundo o pensamento, sentimento, desejo e vontade de cada indivíduo. Se o homem tem bons sentimentos, os seus fluídos são bons, mas se o dito homem tem maus sentimentos ou más intenções, seus fluídos são maus; assim se explica a inveja, o quebranto e o mau olhado. Se uma pessoa nos olha com bons sentimentos nos desejando saúde e felicidade, está nos fazendo bem, mas se a dita pessoa nos olha com maus sentimentos, inveja, ódio e raiva nos desejando mal, está nos fazendo mal, pois as chispas que essa pessoa projeta sobre nós nos atacam segundo o seu pensamento, sentimento ou desejo” (Oliveira Magno, Umbanda e Ocultismo, Rio 1953, p. 47 s). 4) O castigo. A mentalidade reencarnacionista é mais um fator que explica outra série de doenças: segundo eles, já vivemos muitas existências terrestres e nelas pecamos e cometemos crimes; e como cada um deve expiar e reparar por seus próprios esforços e sofrimentos os pecados cometidos (pois negam a nossa redenção por Cristo!), ele está sujeito a sofrer os castigos na próxima encarnação. Isso, segundo eles, é fatal e inevitável e nem Deus pode intervir, uma vez que a justiça divina não pode perdoar o pecado sem que preceda rigorosa expiação feita pelo próprio pecador. Mesmo certos desastres, acidentes ou outras ocorrências imprevistas devem ser justificados pela “lei do Carma”, que funciona de modo inexorável, como as demais leis físicas. A TERAPÊUTICA UMBANDISTA Portanto, segundo o modo de ver dos umbandistas, a doença pode ter sua origem nas seguintes causas: 1) Ou há por aí algum espírito maléfico e trevoso agindo no doente ou sobre o doente, e este mau espírito veio ou atraído por malefícios de outrem (quimbandeiro, feiticeiro, batuqueiro, macumbeiro, etc.), ou por más disposições anteriores do próprio enfermo; 2) ou imiscuiu-se na vida do doente algum espírito sofredor, nele encostado, e que lhe transmite a mesma doença, espírito que ai se encostou ou porque tem afinidade imediata com a pessoa em questão, ou porque foi trazido por outros espíritos maus; 3) ou a pessoa é vítima dos maus pensamentos ou do mau olhado de outro indivíduo humano, que assim faz ou por inveja ou por real ou suposta inimizade; 4) ou então ela sofre um justo castigo por crimes cometidos em vidas anteriores. Neste último caso não há cura, nem remédio. Nos outros, o remédio depende do diagnóstico do médium ou do babalaô. “Os médiuns videntes, de Umbanda, podem ver qual é a causa da moléstia, se há espírito maléfico ou algum sofredor, produzindo a doença, se se trata de uma prova, o que é que o doente deve fazer para livrar-se do mal”(Catecismo de Umbanda, Rio 1954, p. 62). Também os babalaôs dispõem de meios mágicos para diagnosticar. Se for espírito mau, um bom defumador poderá, talvez, afastá-Io; se for o resultado dum malefício, é preciso “desmanchar o trabalho”, neutralizando a ação do espírito pela intervenção de outros espíritos, recorrendo eventualmente à pólvora; se for espírito sofredor encostado, às vezes pode recorrer- se à surra, mas também certos defumadores e banhos “desencostam” o espírito; se for por inveja ou mau olhado, é preciso por em ação a “lei do retorno”, para o que existem fórmulas especiais nos manuais da medicina mágica… Passes, água fluída ou fluídica, rezas fortes e sobretudo banhos podem constituir excelentes remédios. Em certos casos o rito da “troca de cabeça” produzirá efeitos extraordinários… De qualquer modo, é preciso recorrer ao babalaô, que encontrará um jeito. Em última análise, se não houver possibilidade de cura, paciência: será um castigo de pecados cometidos em vidas anteriores: é a “lei do Carma” que está a exigir justiça… “Só um babalorixá, um Chefe de terreiro, um médium, competentes, perfeitos conhecedores dos segredos de Umbanda, verdadeiramente caridosos, sem ambição e com apreciáveis qualidades morais, podem dispor de meios que ajudem a cura de uma doença qualquer” (Catecismo de Umbanda, Rio 1954, p. 64). “Quando uma doença está no começo, é possível o tratamento por meio de chás de ervas medicinais ou de homeopatia… Quando se tratar de um mal- estar produzido por um espírito sofredor, como neurastenia, um enfraquecimento, o babalorixá, segundo o caso, tratará primeiramente de purificar a aura do doente, receitando banhos de ervas, indicando os chás necessários e os fortificantes, recomendando que dê esmolas aos necessitados, além do tratamento psíquico, com os passes, nas sessões de caridade, os despachos e presentes aos espíritos, as preces” (ib. p. 62). Sobre os despachos e presentes teremos que falar mais adiante, quando tratarmos dos exits. Faltam ainda breves esclarecimentos sobre a famosa água fluídica, o ritual da “troca de cabeça” e os célebres banhos em Umbanda. 1) A água fluídica. “Os espíritos adiantados podem, pela ação fluídica, aumentar o efeito medicamentoso de qualquer remédio. Podem mais ainda, pelos seus fluídos combinados no fluído universal e com os fluídos de um médium de efeitos físicos ou curador, tornar a simples água em ótimo medicamento” (L. Braga, Umbanda e Quimbanda, 8ª ed. p. 43). Pela simples concentração irradiam certos médiuns ou babalaôs seus fluídos curadores, combinados com os intensos desejos do paciente, para um recipiente de água pura e ela se transformara, sem mais, em miraculoso remédio… 2) O ritual da troca de cabeça. É um processo muito usado na medicina mágica. Procura-se transferir a doença de uma pessoa para outra. “Consiste em concentrar por meio de encantamentos, em qualquer objeto ou roupa do doente, os males que o atormentam, encerra-lo numa embalagem atraente, e abandoná-lo em qualquer ponto frequentado, para despertar a atenção dos transeuntes. Se um destes tocá-lo, por curiosidade ou inadvertência, atrairá para si os males que simbolicamente ali se encontram, e o verdadeiro dono ficará livre deles” (A. Alcântara, Umbanda em Julgamento, Rio 1949, p. 141). Outras vezes procuram transferir a doença para algum animal. Eis como se faz: “No quarto do enfermo acham-se o babalaô, com seus auxiliares, todos vestidos com os trajes do ritual. O animal que vai servir para a troca está presente. O animal é coberto por um pano preto, passando-se-lhe antes epô (azei- te de dendê). Riscam-se os pontos de Omulu e acende-se parte de vela de cera virgem e parte de vela de cebo ou espermacete, cumprindo-se os preceitos necessários, Tira-se a roupa do doente e cantam-se os pontos próprios de vumbi; passa-se-lhe a muginga de pipoca (o preparo de pipoca feita em areia, em panela de barro nova, constitui outro cerimonial). Passa-se depois o azeite de dendê pelo corpo do doente, cantando-se os pontos adequados. A roupa e os cabelos do dente são entregues a Iroco (orixá ou deus das árvores). Abre-se uma fenda em uma árvore determinada, ou em sua raiz, colocam-se aqueles objetos, depois se fecha a mesma. Isso é feito para que Iroco dê saúde ao doente, enquanto a árvore tiver vida. A vida do doente dependerá da vida da árvore. Juntamente com o resto dos objetos do doente, faz-se o enterro do animal, com as cerimonias do vumbi. O doente fica escondido até que, no prazo de 7 dias, se complete o ritual do vambi (Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1951, p. 123). 3) Também os banhos são importantíssimos, não só para a terapêutica, como também para todo o ritual de Umbanda e outros efeitos mágicos. Há banhos para tudo. Há banhos de mar, banhos de cachoeira, banhos de rio e, sobretudo banhos com as mais variadas espécies de ervas e outros ingredientes, às vezes incríveis. “Os banhos de mar e de cachoeira são usados como descarga de fluídos que se acharem impregnados nas criaturas; servem também para fortalecer as guias, colares e rosários. Os banhos de ervas é sabido que tem ação terapêutica, sendo que o arruda, o guiné, o sal grosso e o fumo, além disso, exercem ação de simpregnatizante sobre o paciente” (L. Braga, Umbanda e Quimbanda, 8ª ed. p. 31). E com toda a seriedade prescrevem por vezes banhos simplesmente repugnantes. Eis aí, por exemplo, um tipo de banho “para tirar qualquer praga ou maldição”: “Procurar uma mulher que esteja para ter um filho e pedir que assim que ela tenha a criança, guardar a primeira defecação da criança, o chamado ferrão. Tirar o primeiro leite numa xícara, antes de a criança mamar e assim que a criança defecar o ferrão, pegar todo o conteúdo e passar na cabeça, no rosto e assim descendo pelo corpo, passando em todas as partes do corpo e pedindo que sejam retiradas todas as pragas e maus desejos, por mais fortes que sejam, desde o tempo que esteve no ventre da mãe até o momento presente. Em seguida, esperar um pouco e, logo em seguida, tomar um banho sem sabão, até limpar todo o corpo. Enxugar muito bem o corpo com uma toalha limpa e em seguida passar em todo o corpo o primeiro leite que a mãe da criança tirou do seio e colocou numa xícara antes da criança mamar. Em seguida vestir roupa limpa. Lavar o pano ou fralda em que veio o ferrão e guardar” (transcrito do livro Jesus, a Chave de Umbanda, Rio 1953, p. 289). A titulo de amostra, apresentamos mais outro exemplo, tirado do mesmo livro, a p. 286. Trata-se de um tipo de banho de descarga: “Pegar as fezes de um boi completamente preto, botar dentro de um pano e amarrar as bordas do pano, de modo que as fezes não saiam para fora. Botar uma lata com agua no fogo e quando a água estiver fervendo, colocar no interior o saco e deixar dar uma boa fervura. Quando a água estiver morna tomar o banho e depois esperar um pouco e, logo a seguir, tomar o banho com água e sabão, usando toalha limpa e mudando de roupa limpa. Em seguida, põe o que puder apanhar da água do banho juntamente com o pano com as fezes do Boi Preto, dentro da lata que cozinhou, deixando a mesma na encruzilhada; pedir ao Exu do Boi Preto que leve todas as cargas de feitiçaria, maus olhados (maus olhos), pragas, etc, etc.”. O JOGO DOS BÚZIOS Muitos vão ao terreiro pedir ao “Pai de Santo” que “bote os búzios”, isto é, que interrogue os espíritos sobre de- terminado problema, sobre a natureza de alguma aflição ou doença, sobre o êxito de certos negócios, inclusive para resolver problemas políticos. “Búzios” ou “buzos” são peque- nas conchas marinhas, por meio das quais os babalaôs se comunicam com os espíritos. “Os búzios, depois de apanhados nas praias, recebem um batismo… Os búzios assim consagrados, são guardados dentro do altar. Normalmente o número dos búzios é 12, mas este número pode aumentar até 16 ou 20. Os búzios recebem cada um o nome de um Orixá” {Catecismo de Umbanda, Rio 1954, p. 72). Entre os umbandistas “o jogo dos búzios é uma decisão espiritual semelhante ao julgamento de um tribunal livre” (Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1951, p. 139). A comunicação é feita do seguinte modo: “Doze búzios são convenientemente preparados pelo babalorixá; para se saber de alguma coisa, fecham-se os búzios na mão direita e depois, abrindo esta, como quem está jogando dados, atiram-se os búzios sobre a mesa. Os búzios formam então várias figuras, que são interpretadas pelo babalorixá. Quando o babaiorixáestá jogando os búzios, há sempre espírito junto dele e do consulente. Esses espíritos auxiliam o babalorixá a interpretar as figuras muito complicadas. Antes de iniciar a adivinhação, o babaiorixá dirige uma pequena prece ao seu Guia e ao Guia do consulente”(Catecismo de Umbanda, Rio 1954, p. 70 s). Estas consultas devem ser pagas e aí lá muita exploração. Por isso aconselha E. Zespo o seguinte: “Aos que, desejando consultar um batuqueiro, não queiram ser explorados, ensinamos proceder assim: Na véspera do dia da consulta, quando se vai dormir, colocam-se debaixo do Travesseiro 3 moedas de um cruzeiro, as quais servirão para pagar a consulta. No dia seguinte, em presença do batuqueiro, quando este já arrumou a toalha, as guias e empunhou os búzios, põe-se (sem dizer palavra alguma) as três moedas dentro do circulo de guias. A consulta esta paga; e, mesmo que a quantia não a grade ao batuqueiro, por ser pouco o aché (valor), este nada mais redamará na hora, se for realmente um babalaô ou filho de santo e não um mistificador ou impostor” (E. Zespo, Codificação da Lei de Umbanda, Parte Científica, Rio 1951, p. 46). A este respeito diz ainda Doutrina e Ritual da Umbanda, Rio 1951, p. 139: “Quando se trata de um consulente estranho, e que necessitando do socorro espiritual, faça qualquer donativo espontâneo, o babalaô é obrigado a jogar os búziose traduzir fielmente as respostas recebidas. Porque se o babalaô não usar de sinceridade, estará tentando enganar não o cliente, porém o seu anjo da guarda. Esse procedimento acarretara graves prejuízos ao babalaô”. A interpretação dos búzios jogados é uma das grandes mirongas (segredos) da Umbanda, “e o seu completo conhecimento não está ao alcance mesmo de umbandistas iniciados” (ib. p. 137). ORIXÁS DE UMBANDA E SANTOS CATÓLICOS No Espiritismo de Umbanda encontramos uma particularidade que precisa ser denunciada e desmascarada com toda a energia. É isso comum a todos os espíritas do Brasil apresentar uma fachada cristã. Poderia se pensar que o Espiritismo de Umbanda, que, como vimos, pretende reintroduzir no Brasil um verdadeiro politeísmo pagão, não encontraria jeito de encobrir seus intentos “sob pele de ovelha”. Mas como, infelizmente, por falta de suficiente instrução religiosa (que, por sua vez, tem sua causa na absoluta escassez de padres, graças às perniciosas atividades da Maçonaria no século passado), o nosso povo geralmente não está compenetrado do verdadeiro espírito da mensagem cristã e conhece do Catolicismo apenas suas manifestações externas, ou a fachada, cultivando ainda uma devoção quase supersticiosa aos Santos, no que, por vezes, e em certos Santuários, ou outras manifestações populares, ainda é corroborado por Irmandades e mesmo por alguns padres, por isso os dirigentes de Umbanda encontraram um meio fácil de dissimular seu politeísmo pagão sob a fachada popular do Catolicismo. As nossas festas mais populares (do Senhor do Bonfim, de Nossa Senhora, de São Jorge, São Cosme e São Damiao, Santo Antônio, São Sebastiao, etc.), são oportunidades extraordinárias, exploradas pelo Espiritismo de Umbanda, para apresentar sua fachada católica e propagar seu politeísmo pagão, com todo o cortejo de magias e superstições. Na última festa de São Jorge pudemos observar uma procissão de Umbanda, com estátua de São Jorge, acompanhada pela banda militar e que, para a gente menos instruída, apresentava as características das manifestações populares católicas. Os terreiros, as tendas e os centros de Umbanda têm quase sempre nomes católicos: “Centro Santa Bárbara”, “Tenda São Jerônimo”, “Terreiro Francisco de Assis”, “Centro Santo Expedito”, “Tenda Santa Rita de Cássia”, etc., para não mencionar os infinitos centres dedicados a São Jorge. Na sala do centre há verdadeiros altares, com grande variedade de crucifixos, estátuas e imagens de Santos nossos. É a confusão. E confusão intencionalmente, pensadamente, acintosamente, mantida, favorecida e explorada pelos dirigentes de Umbanda. É o grande meio para atrair o povo. E o povo vai. Vai para a Tenda São Jorge, como vai para a igreja de São Jorge; leva seus filhos para serem “batizados” no terreiro, como os apresenta ao primeiro vigário que encontrar e que também os batiza, sem maiores indagações, na doce ilusão de que todo brasileiro é católico; comemora a festa de São Cosme e São Damiao em alguma igreja católica, para ir depois ao terreiro pagão; vai praticar a magia na Umbanda e vai confessar na igreja… Pois a Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1951, p. 148, escreve: “Os umbandistas, em sua maioria também católicos, vão (durante a Semana Santa) às igrejas, confessando-se e pedindo perdão dos seus pecados”; e na p. 127 prescreve: “As crianças, vestidas de azul e rosa, vão assistir, no templo católico, a missa de São Cosme e São Damiao. De volta, inicia-se a cerimonia no ritual africano…” É preciso abrir os olhos dos católicos. Urge desmascarar a Umbanda e mostrar que atrás de toda essa fachada católica não há nem vestígio de Cristianismo. “Mas por dentro são lobos — não, ledes — vorazes!” Atrás de cada Santo (cristão) está um deus pagão. Os dirigentes de Umbanda apresentam o Senhor do Bonfim, na realidade, porém, querem prestar um culto a Oxalá ou Obatalá, “Chefe Supremo da Corte Celestial”; aparentam venerar a Virgem Nossa Senhora (da Conceição, do Rosário, dos Navegantes, da Glória, etc., conforme a devoção de cada localidade), mas na verdade intencionam oferecer sacrifícios a Iemanjá, deusa da água e do mar; simulam o culto a São Jorge, entretanto pensam em Ogum, deus da guerra; fingem venerar São Cosme e São Damiao, quando de fato cultuam Ibeji, deus protetor das crianças; etc. Se os umbandistas se apresentassem como são — magos e politeístas — poucos seriam seus sequazes. Bem o sabem eles. Por isso ocultam a magia sob o manto cristão da caridade e disfarçam o politeísmo com a devoção cristã aos Santos, para então gritar a plenos pulmões pelo Brasil afora: “Nós também somos cristãos!” E milhões de brasileiros, inclusive gente branca e chic, vão para lá. Note-se, porém, que não há unidade no disfarce. Ogum e São Jorge no Sul, e Santo Antôniona Bahia, e São Paulo em Recife (e éSão Pedro em Cuba, único pais do mundo em que, fora do Brasil, existe a mesma confusão); Oxóssi éSão Sebastiao no Sul, e São Jorge na Bahia (e Santo Alberto em Cuba); Omulu éSãoLázaro no Sul e São Bento (“Santo da cobra”) na Bahia; Xangô e São Miguel no Sul, São Jerônimo na Bahia e Santo Antônio em Recife; e assim por diante. Cada um desses deuses (ou orixás maiores) tem o seu fetiche, suas insígnias (“pontos riscados”, sinais cabalísticos), sua comida predileta (que eles chamam de amalá), suas vestes especiais, seus dias preferidos e seus gritos característicos. Eis aí uma lista, colhida em várias obras: Oxalá (ou Obatalá, Orixalá, Zambi)-. Chefe Supremo da Corte Celestial. Para evocá-lo usam dos seguintes fetiches: anel de ouro, chumbo; insígnias (ou “pontos riscados”): bastão de pastor com pequenos sinos ou cruz com argolas nas pontas; como amalá (comida) oferecem-lhe: carne de cabra e pombos, ou também canjica (munguzá); vestes para o culto: de cor branca, com pulseiras (guias) de contas brancas; dia preferido para sua evocação: Sexta-feira; grito: gemido tremulo. É dissimulado sob a figura de Jesus Cristo, Senhor do Bonfim. Xangô (ou Xangô-Agodô ou Bêri): deus do relâmpago, rei da cachoeira, chefe das quedas d’agua e das pedras. Fetiche: meteorito; insígnias: lança e machadinha; comida: galo, tartaruga, bode, caruru, rabada de boi com agrião; vestes: vermelha, com pulseiras verdes ou encarnadas, feitas de ferro ou latão; dia: Quarta-Feira; grito: ei-i-i. Santo correspondente, sob o qual é dissimulado: São Jerônimo (ou Santa Bárbara) na Bahia, São Miguel no Sul e Santo Antônio em Recife. Ogum (ou Ogun-Megê, Ogun Rompe-Mato): deus da guerra, chefe das demandas espirituais. Fetiche: pá, foice, lança, bigorna, malho, enxada; insígnias: lança e espada; comida: carne de bode, cabeça de boi, galinhola (galinha de angola), galo vermelho; vestes: encarnada, com pulseiras verdes e brancas, de estanho ou bronze; dia: Terça-feira; Santos: São Jorge no Sul, Santo Antônio na Bahia, São Paulo em Recife. Oxôssi (ou Oxôce): deus da caça, rei e senhor da floresta. Fetiche: arco e flecha, frigideira de barro; insígnias: flecha; comida: carne de carneiro, galo, milho verde e amendoim; veste: verde; dia: Quinta-Feira; grito: latido como de cachorro. Santo: São Sebastiao no Sul, São Jorge na Bahia. Omulu (ou Omulum, Xapanã, Ototó): deus da peste, principalmente da varíola. Fetiche: caveira, piaçava com búzios, enxada; insígnias: lança; comida: bode, galo preto, acaçá, farofa com azeite de dendê, pipoca, orobó; veste: amarela e preta, com pulseiras de contas pretas, de chumbo; dia: Segunda-Feira; grito: hã. Santos: São Lázaro no Sul, São Bento na Bahia. Iemanjá (ou Iamanjá): deusa do mar, sereia do mar, mãe d’água. Fetiche: conchas e estrelas do mar; insígnias: leque, espada; comida: pombo, milho verde, galo, bode castrado; veste: branca, azul, cor de rosa, com pulseiras “pingo d’agua’’, de prata ou alumínio; dia: Sábado; grito: hin-hi-ye-min. Santo: Nossa Senhora, sob diversos títulos. lansan: deusa do vento, da tempestade, deusa da vingança. Fetiche: meteorito; insígnias: espada e raio; comida: bode, galinha; veste: vermelha, verde, com pulseiras vermelhas, de cobre ou latão; dia: Quarta-Feira; grito: ei-i-i (“mais suave do que o de Xangô”). Santa: Santa Bárbara. Oxun (ou Osum, Axum): deus dos raios e da água fresca. Fetiche: pedrinhas raladas; insígnias: leque, pequeno sino, espelho; comida: tainha, cabra, galinha, feijão fradinho; veste: azul e branca, com pulseiras da mesma cor, de prata; dia: Sábado; grito: hmm-hmm. Santa: Nossa Senhora da Conceição no Rio, dos Prazeres no Recife, de Lourdes na Bahia (e em alguns centros da Bahia tambémSant’Ana). Ibeji (ou Dô-ú, Dois-Dois, Beijinho): deus protetor das crianças. Fetiche: três garotos; comida: bombons, balas e doces; vestes: rosa e branca, com pulseiras de varias cores; dia: Domingo. Santo: São Cosme e São Damiao (em alguns terreiros da Bahia tambémSão Crispim e São Crispiniano). O MOTIVO DE TANTA CONFUSÃO Por que tão vergonhoso disfarce? Por que toda essa fachada católica? Por que Santos cristãos nos terreiros pagãos de Umbanda? Por que a imitação de nossos altares, com quadros e estátuas de Santos catoliquíssimos? A este respeito um umbandista mais sincero, que se ocultou sob o pseudônimo de “Yonori”, conhecendo de perto a Umbanda e certas intenções menos corretas de seus colegas propagandistas, as denunciou vigorosamente nos seguintes termos: “Da desmedida ambição desses indivíduos nasceu uma ideia diabólica que veio modificar, da noite para o dia, o curso do Espiritismo no Brasil, fazendo com que o número de seus adeptos se tornasse com o tempo maior que o de fieis do Catolicismo. Sim, o Católico jamais entraria num Terreiro de Umbanda para pedir o auxilio de Ogum, nem daria dinheiro para a ornamentação de um Terreiro de Oxosse, mesmo porque os padres não perdem vasa em apontá-los de chantagistas, combatendo-os. Porém qualquer católico tem fé em São Jorge, ou faz donativos em dinheiro ou outros valores, para a instituição de uma casa religiosa, cujo padroeiro seja São Sebastião, não deixando os padres de incentivá-los a isso. Pela mesma razão não podem condenar um católico que vá fazer um pedido a um Santo, ou rezar aos pés de uma das imagens que ornam as igrejas, pois estaria, ipso facto, negando aquilo mesmo que eles pregam… O insidioso golpe dos sabidões foi além de sua própria expectativa. Indiscutivelmente venceram materialmente- te e, hoje, 60% dos católicos frequentam Centros Espíritas,Terreiros de Umbanda, etc., pois neles os Santos são os mesmos, e mesmas são as imagens. A exploração é, também, exatamente a mesma, o lema teatral sofreu, apenas, uma modificação de indumentária e rituais, ou seja, de vestuário e de cenário, adaptado ao meio. Ganharam, então, os Orixás das Linhas de Umbanda mais um nome, ficando, na parte material, metade Africano e metade Católico, numa confusão que ninguém podia entender.Habilidosamente juntaram os sabidões, conforme suas atribuições segundo a concepção africana, o nome de um Santo de maior evidência no Catolicismo, ao do Orixá, que chefiava uma determinada Linha de Umbanda” (Umbanda, Indústria Rendosa, Rio 1954, p. 90 s). Mais adiante o mesmo autor insiste: “Sendo o povo brasileiro fundamentalmente católico, ambiente que encontra desde o berço, sua fé nos Santos que decoram na Igreja torna-se quase indestrutível e, por isso mesmo, o lado mais fraco pelo qual os exploradores iniciam o seu ataque, tendo quase assegurado o mais completo êxito. Este é um dos principais motivos pelo qual eles procuram imitar a ornamentação das igrejas Católicas, enchendo seus Pegis, Congas, etc. de santos e santas, cópias reduzidas dos que se encontram nas igrejas, pois sabem que assim atrairão os católicos e também todos os que possuírem alguma fé naquelas entidades. Ora, adotando as figuras decorativas do Catolicismo, os espertalhões nada mais fazem que manter a fé que os seus adeptos têm nos santos, dentro de um círculo material católico. Daí, os verdadeiros ensinamentos que nos foram trazidos pelos africanos terão de ser adaptados e obedecerem a certos princípios da Igreja Católica, pelo menos em parte, porém só na aparência, não só para não caírem em contradições, como ainda, o melhor escudo que usam para sua própria defesa, forçando a Igreja a constituir-se em advogado de seus próprios santos, defesa que ela faz gratuitamente… Sendo a adoção dos santos uma inovação assentada sobre uma base falsa, logicamente, mais falsos serão os ensinamentos dai decorrentes, uma vez que, tendo que justificá-los para os que não aceitam o Catolicismo, professando o Espiritismo, embora desconheçam as bases em que ambos repousam, os espertalhões formam dentro dos falsos princípios católicos, outros falsos princípios espiritas, causando uma tremenda confusão para os adeptos e para os estudiosos” (ib. p. 119 s). Um outro senhor que se diz membro da União Espiritista de Umbanda, começa por confessar singelamente o seguinte: “Em verdade, temos nos nossos altares as venerandas imagens de Nosso Senhor Jesus Cristo, de Nossa Senhora da Conceição, dos Santos Jerônimo, Jorge, Sebastião, Benedito, Antônio, Miguel, Cosme e Damião, das Santas Catarina e Bárbara, sendo mesmo as nossas Tendas registradas no Registro de Títulos e Documentos com os nomes dos Santos Católicos” (jornal de Umbanda, Junho de 1954, Rio, p. 1).Esta, porém, alarmado com a seguinte ideia: que “a Igreja de Roma poderá lembrar-se de mover contra nós uma ação (tal como fez com bispo de Maura), com o objetivo de nos privar, pelo menos por algum tempo, da prática do nosso culto, obtendo da Justiça a proibição de exibirmos nos nossos altares os santos por ela consagrados, e dos quais pensa ser senhora absoluta. Diante do fato consumado, grandes seriam os nossos prejuízos, não só de ordem espiritual, como material, pois, obrigados a acatar qualquer decisão judicial, pelo menos enquanto se discutisse, teríamos que nos privar, por algum tempo, da presença dos nossos altares, das figuras que representam as máximas entidades que presidem os destinos da Umbanda”.Para evitar tão desastroso acontecimento e para prevenir tão inaudita perseguição, o mesmo autor propõe “uma modificação na apresentação dessas imagens”, conservando, todavia, a identificação com os Santos mencionados. E assim a confusão continuaria do mesmo modo. Não seria solução nenhuma. O que os umbandistas precisam fazer, se quiserem fugir a justiça, é proclamar com toda lealdade e sinceridade de propósitos: Nós umbandistas consideramos a Doutrina Cristã falsa e condenável e queremos, por isso, reintroduzir o antigo paganismo politeísta; quem quiser aderir ao nosso movimento, não pode continuar católico nem admitir as doutrinas ensinadas por Jesus, pois somos contra Cristo, sua Igreja e seus Santos. Mas, bem o sabem eles, tão manifesta lealdade seria a ruina de Umbanda. Seria o lobo sem a pele de ovelhas… Continuemos, porém, nossas elucidações sobre a verdadeira face de Umbanda e penetremos no que ela tem de mais tenebroso. Passemos a examinar a posição que os Exus ocupam na doutrina e na prática de Umbanda. Pois deles diz ainda o mesmo autor do já citado Jornal de Umbanda: “Ainda há os Exus, que representam o maior mistério de Umbanda, que são os maravilhosos auxiliares que emprestam sua força e o seu poder para a realização da grande obra de caridade da magia. Porque, antes de tudo, a Umbanda é magia”. OS EXUS DE UMBANDA E O CULTO AO DEMÔNIO Toda e qualquer reunião de Umbanda inicia com um presente oferecido ao Exu, “o agente mágico universal, per cujo intermédio o mundo dos vivos se comunica com o mundo espiritual, em seus diversos planos” (Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1951, p. 117), pois “este planeta, no qual habitamos, pertence aos Exus” (Oliveira Magno, Umbanda e Ocultismo, Rio 1953, p. 25).É o Exu (em outros lugares também denominado Zumbi, Cariapemba, Leba, o homem das encruzilhadas) o espírito mais invocado e a ele são oferecidos o maior número de presentes (“despachos”). É por isso necessário que também os católicos conheçam semelhantes práticas que, principalmente nos subúrbios, se realizam em incrível quantidade. E não se diga que o culto ao Exu é exclusivo da Quimbanda, da Macumba, do Candomblé ou do Batuque. “Na Umbanda os Exus são constantemente invocados e trabalho algum é começado sem que sejam salvadas (isto é: reverenciadas) essas entidades” (A. Fontenelle, O Espiritismo e a Lei de Umbanda, Rio, p. 12); “nenhum trabalho de Umbanda pode fazer-se sem antes ser riscado o ponto de segurança, chamado porteira, puxando-se um ponto (canto) adequado, dando-se algumas vezes um presente a Exu, quando se trata de um trabalho importante” (Catecismo de Umbanda, Rio 1954, p. 30). “Os espíritos umbandistas utilizam, conforme dissemos, os quimbandeiros para a prática do bem, e determinam aos encarnados que desejam alguma ajuda para o bom êxito deste ou daquele negócio, que tratem desses espíritos, presenteando-os com o que eles mais apreciam. Os Exus são ainda muito materializados. Para fazerem um benefício querem paga, e exigem às vezes obrigações penosas, como acender velas nas encruzilhadas, com marafo e fumo de rolo, cachimbo, fósforos, carne crua na porta do cemitério, e mais uma infinidade de bugigangas. A despeito disto, todo terreiro de Umbanda tem de utilizar os Exus; estes, entretanto, quando chamados, já estão suficientemente preparados e após as primeiras comunicações chegam mais calmos, menos barulhentos. É preciso notar que os Exus atrasados mesmo aparecem aos videntes até em formas de bichos hediondos, cujas formas mentalizam para atemorizar os encarnados” (Florisbela M. Sousa Franco, Umbanda, Rio 1954, p. 33 s). O Sr. Aluísio Fontenelle, em uma obra de 272 paginas, com o título de Exu (Rio, 1952) diz de si mesmo: “Orientado em grande parte pelos meus Guias Espirituais, pelos próprios Exus e ainda: aliado ao profundo conhecimento sobre Magia, como sacerdote que sou dos diversos cultos de Umbanda; além de conhecedor real de todas as práticas que se exercem nos diversos terreiros onde se praticam os Batuques, Candomblés, Cangerês, etc., posso perfeitamente como catedrático no assunto, mostrar-lhes o que é verdadeiramente um Exu” (p. 94). Pois bem, este autor, como, aliás, também outros doutrinadores de Umbanda, identifica sem mais os exus com o que nos católicos denominamos “demônios” (p. 93, 103-116:onde descreve a história da revolta dos anjos, chefiados por Lúcifer: estes anjos revoltados, diz ele, são os exus). “Podem os Exus dar-nos forças suficientes para com o mal prejudicarmos os nossos semelhantes… Eles atuam da maneira mais variada possível. Mostram-se mansos como cordeiros, porém o seu íntimo é uma gargalhada demoníaca de gozo. Poderemos usá-los também como armas contra os malefícios que nos fizeram, pois, interesseiros como são, tanto se lhes dá seja nossa ou de outrem, a alma ou o espírito que pretendem arrastar” (p. 97).”O Exu é em via de regra interesseiro, e, se lhe damos um presente (despacho), fatalmente ele irá cumprir o que pedimos, pouco se importando que o resultado bom ou mau possa repercutir no Mundo Terreno, pois que só lhe apraz fazer o que está errado e é para isso que eles existem” (p. 101).“Sendo o Exu o dono principal das Ruas e Encruzilhadas, é a ele quem primeiro devemos salvar, pois é somente com a sua licença que podemos dirigir um trabalho de Magia, pelo fato de ser ainda ele o elemento mágico universal” (p. 100). Pensam os umbandistas que Deus é bom e não faz nem pode fazer mal. Ele é o Pai bondoso de todos e tem obrigação de cuidar de seus filhos.Não precisamos por isso de estar pedindo favores a Deus. Pedir a Deus seria até um sinal de desconfiança. Mas o Exu é ruim, sempre pronto a fazer das suas, a nos prejudicar e fazer o mal. Todavia, querendo, o Exu também nos pode favorecer e servir para o bem. É por isso que precisamos esforçar-nos por estar bem com ele.Daía necessidade de cultuá-lo, de oferecer- lhe sacrifícios e presentes.Então ele se põe às nossas ordens e faz o bem (ou o mal) que lhe pedimos. Os Exus são numerosíssimos. Tem os nomes mais extravagantes: Exu Tranca Ruas, Exu Quebra Galho, Exu das 7 Poeiras, Exu das 7 Portas, Exu Tranca Tudo, Exu Cheiroso, Exu da Capa Preta, Exu Tiriri, Exu Calunga, Exu Morcego, etc. Cada um deles tem a seu serviço numerosos subalternos. Eles dividiram entre si o mundo, de que são os senhores imediatos, com liberdade sem restrições: uns mandam nos rios, outros nas matas, outros nas estradas, nas montanhas, nos cemitérios, nas soleiras das casas, etc. Vários deles (como Tranca Tudo e o Tranca Ruas) fazem qualquer “serviço”.Outros têm especialidades: alguns possuem qualidades especiais para transmitir doenças, outros para produzir desastres, outros para matar, outros para seduzir moças, separar casais, etc. “Enfim — escreve Oliveira Magno, Umbanda e Ocultismo, Rio 1953, p. 32 — há Exu para tudo, para todos os fins e atos da vida, por exemplo: Se o leitor quer enganar uma pessoa, pode se pegar com Exu Enganador; se quer seduzir uma moça, pode chamar por Exu Sedutor se uma mulher quer prender ou amarrar um homem, pode chamar pelo Exu Amarrador”.E há “comidas” prediletas, que lhes são oferecidas: uns gostam de porco, bode, galinha preta, outros de charutos, outros preferem cachaça (“marafo”), pipoca, pimenta, dinheiro, velas, etc. Geralmente querem várias iguarias ao mesmo tempo.E tudo isso deve ser preparado dentro dum bem determinado e complicado ritual mágico, acompanhado de “pontos riscados” (sinais cabalísticos), traçados com pemba branca e “pontos cantados” (espécie de hinos). Esses sacrifícios devem ser depois colocados em determinados lugares, de acordo com a finalidade e a qualidade do Exu: uns são levados à margem dum rio, outros ao cemitério, outros a entrada da casa onde mora a pessoa em favor ou contra a qual se faz o despacho, a maioria vai parar nas encruzilhadas, nos descampados, no alto de morros, em pedreiras… Tipo de um despacho a Exu Tranca Ruas: “Numa encruzilhada de quatro caminhos ou nas ruas, coloca-se uma toalha quadrada tendo um metro de cada lado, sendo essa toalha de cor vermelha, de preferencia Cetim. Devera ter a toalha, em toda a sua extensão, franjas de seda preta com cinco centímetros de largura. No centro da toalha deve ir bordado o ponto de Tranca Ruas, ponto esse riscado na irradiação do trabalho para a respectiva finalidade, possuindo ainda esse ponto 49 centímetros de circunferência. Estende-se a toalha de preferência no centro da encruzilhada, e sobre ela, em cada um dos cantos, duas velas cruzadas e amarradas com fitas de seda preta e vermelha. No centro da toalha coloca-se um alguidar de barro exclusivamente adquirido para esse fim, contendo: um galo preto recheado com farofa amarela e pimenta da Costa. Ao lado direito, em pé e aberta, uma garrafa de marafo (cachaça). Ao lado esquerdo, 7 charutos cruzados e amarrados com fitinhas de seda preta e vermelha, e 7 caixas de fósforos, estando às caixas semiabertas, mostrando as cabecinhas de sete palitos. Finalmente, em volta da toalha, em círculo (fora da toalha), quatorze velas de cebo, todas acesas” (A. Fontenelle, Exu, Rio 1952, p. 144). A LISTA MACABRA DOS EXUS Damos a seguir a relação de alguns Exus, sempre guiado pelo “catedrático no assunto”, o Sr. Fontenelle (a paginação se refere à obra intitulada Exu, Rio 1952). Exu-Rei ou Maioral: Identificado com Lúcifer (p. 103 e 118). O Catecismo de Umbanda, Rio 1954, p. 22, pergunta: “Quem é Exu Rei?” Resposta: “É o maioral dos Exus, considerado como Lúcifer ou Satanás do Cristianismo”.Prossegue Fontenelle: “Apresenta-se como figura de altos conhecimentos, tratando-nos com grande elevação de sociabilidade, prometendo-nos este mundo e outro, exigindo tão somente que por nós seja tratado por: Majestade. Raramente vem a um terreiro, preferindo apenas aproximar-se dos lugares onde se professem altos estudos de Magia Astral, para com os poderes de que é imbuído, e usando de uma estratégia toda especial, procurar abalar ou captar os que se julgam portadores da fé e que, não raramente, leva a melhor, pois pode produzir maravilhas de modo imediato” (p. 103). “É mais conhecido como possuidor de belíssima capa preta, forrada de vermelho tendo no alto da cabeça dois cornos; tem as feições finas e o seu gesto é de um perfeito cavaleiro” (p. 119). “Deve ser tratado como rei” (ib.) “Protege todos quantos buscam nos malefícios prejudicar os incautos que inconscientemente se atiram de mil formas nas práticas da Magia Negra” (p. 119). Exu Rei das 7 Encruzilhadas: Um dos mais invocados nos trabalhos da Magia. “É ele o Senhor absoluto de todas as estradas e caminhos que se cruzam” (p. 130). “Chefe supremo de todos os caminhos” (ib.). Seus despachos são por isso colocados nas encruzilhadas. “Todo aquele que inconscientemente ou não procurar desmanchar ou retirar os objetos depositados, como despachos nessas encruzilhadas, está incorrendo em uma falta gravíssima, pois ficará sujeito a uma perseguição tremenda da poderosa falange dessa grande entidade do mal” (p. 139 s). Exu Tranca Ruas (também Exu Eliô): Manda também nas ruas. Possui grande falange de auxiliares. “É o mais invocado pelos praticantes de Baixo Espiritismo e a ele são entregues a maioria dos despachos feitos nas encruzilhadas’’ (p. 144). Exu Veludo: tem o “poder de proteger ou castigar os inimigos daqueles que recorrem aos seus incalculáveis benefícios” (p. 149). Exu Tiriri: companheiro de Tranca Ruas. “É grandemente evocado na prática de trabalhos a serem despachados nas encruzilhadas, nos campos, nos rios, bem como nos cemitérios”. Exu Quebra Galho: manda principalmente nas matas. “Exerce ainda forte domínio sobre as mulheres e moças, incitando-as à perversão e ao abandono do lar (quando casadas). É grandemente evocado na prática da Magia Negra, para a separação e união ilícita de casais, e todos os trabalhos nos quais se amarram bonecos de madeira, etc., são entregues a essa poderosa entidade” (p. 158). Exu Pomba Gira: “Representa a maldade em figura de mulher”. “Encarrega-se da vingança, pactuando com as mulheres feiticeiras contra as suas inimigas. Todos os trabalhos inerentes a casos de amor, nos quais a mulher se sente prejudicada, ou então pretende realizar qualquer união, são entregues a Pomba Gira, e os seus resultados são de fato surpreendentes” (p. 159). Exu das 7 Cruzes: encarregado de zelar a entrada dos cemitérios. “A essa entidade é entregue todo o trabalho que se pretende fazer para que uma pessoa morra por acidente, assassinada, ou outra qualquer espécie de morte, desde que não seja natural” (p. 162). Exu Tronqueira: é o encarregado das tronqueiras ou entradas de portas. “A essa entidade é que devemos salvar (saudar, oferecendo despachos) quando se iniciam quaisquer trabalhos ou sessões de Umbanda, para que esses trabalhos logrem o seu devido êxito” (p. 163 s).“Ao penetrarmos em um terreiro de alta magia, bem como, em qualquer terreiro de Umbanda, depararemos na maioria das vezes, colocado à esquerda ou à direita de quem entra, com algo de estranho, que logo nos desperta a atenção. Trata-se do ponto de saudação ao Povo de Exu, o qual colocado muitas das vezes dentro de uma pequena casinhola traz as seguintes características: Duas velas cruzadas com as duas pontas queimadas e apagadas, dispostas em X, tendo no vértice inferior, uma Cuité (cuia) contendo marafo (cachaça) e ainda, no fundo, riscado no solo com pemba branca ou preta e que em geral está representado por um ponto, sendo esse ponto apresentado na forma de dois garfos tridentes, cruzados, e uma ou mais cruzes riscadas, que representam cabalisticamente a Linha das Almas. A isto é o que se denomina de Exo de Exu, ou ainda: a salva dessa entidade” (p. 99; cf. também Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1951, p. 117 s). Exu das 7 Portas (também chamado Exu das 7 chaves):”Facilita a todo aquele que o invoca, quando deseja abrir cofres, ou recipientes onde se encontre qualquer objeto de valor que esteja bem guardado” (p. 175 s). “Faz desaparecer objetos ou ajuda a descobrir objetos escondidos” (p. 117). Seus despachos devem ser colocados em lugares onde haja formigueiros, pois ele “gosta de formigas” (ib.). Exu das 7 Poeiras: “Seu trabalho é nas estradas e, tal como seu nome indica, vive a perseguir aqueles que trafegam justamente pelos caminhos ou picadas onde o bafejo do progresso ainda não conseguiu fazer ruas verdadeiramente calçadas” (p. 165). Exu Morcego: “Trabalha principalmente depois da meia-noite”. “Tem o poder de transmitir toda e qualquer espécie de moléstia”. É a ele que se fazem as rezas no gado atacado de bicheiras, vermes, etc., (p. 173). Exu Tranca Tudo: Seu despacho deve conter: “Galo preto, farinha misturada ao azeite de dendê, ovos cozidos e marafo”. Seja colocado de preferencia nas encruzilhadas; mas qualquer outro lugar também serve. Ele ajuda em tudo: Tranca Tudo! Exu da Pedra Negra: É muito poderoso. “Tem o poder sobre bens e riquezas, bem como com facilidade protege as pessoas que se encontram em situações financeiras abaladas. Ele pode fazer com que se descubram tesouros escondidos e geralmente é evocado para a obtenção e realização de grandes negócios comerciais” (p. 181).Seu despacho é colocado preferencialmente nas pedreiras onde exista abundância de água corrente; deve conter: vinho tinto, misturado com mel de abelha; gosta também de frutas, principalmente de jamelão. Exu de Capa Preta: “A finalidade dos seus trabalhos é postar-se em todos os caminhos como observador ou fiscal dos demais exus” (p. 182).“Pela sua aparência senhorial e imponente, costuma dedicar-se exclusivamente a informar tudo quanto é segredo e tem por especial predileção provocar desinteligências e arruaças entre os homens. É muito evocado com o fito de provocar a derrubada de Chefes de terreiros”. (p. 183). Exu Caveira: à serviço de Omulum, rei dos cemitérios. Gosta de bife cru ou de carne de porco, com farofa e azeite de dendê; é amigo também de marafo, vinagre e azeite doce. “Nunca se deve deixar de acender pelo menos 7 velas, quando o presente para Exu Caveira tem que ser entregue no cemitério” (p. 200). Os despachos devem ser feitos depois de meia-noite. Exu da Meia-noite: “Ensina a falar de um modo imediato qualquer língua e tem o poder de decifrar qualquer enigma” (p. 203).Foi ele quem deu a São Cipriano as famosas receitas de magia.”Em todos os centros ou terreiros onde se realizam sessões espíritas, costuma-se esperar pelos menos cinco minutos para que todos abandonem seus lugares e saiam à rua, caso os trabalhos se prolonguem até a meia-noite, isso devido a aguardar a passagem de ronda dessa poderosa entidade do mal, que pode trazer perturbações a quem desconhece suas atividades maléficas” (p. 204). Exu Pagão: “Seu trabalho se prende ao que comumente acontece entre casais que se separam, motivados pelo ciúme, pelo desejo de conseguir amores ilícitos, etc. A essa entidade do mal se costuma entregar todos os despachos que visam justamente os trabalhos que se destinam a concessões duvidosas, quando determinadas pessoas desejam juntar-se a outras por meios ilegais. Prima excepcionalmente pela prática do mal, pois sua finalidade é incutir o ódio, a incompreensão e tudo o que resulta na separação de casais que vivem em harmonia” (p. 215). Exu Ganga: “Seus trabalhos são feitos exclusivamente nos cemitérios”. A ele “é entregue todo e qualquer trabalho no qual se deseja a morte de pessoas, ou também a cura de enfermos completamente desenganados; pois ele tanto cura como mata qualquer indivíduo” (p. 225). Exu Quirimbá: “Suas atividades maléficas são de molde a prejudicar simplesmente as mocinhas, induzindo-as a praticarem atos indecorosos, induzindo-as ao caminho da prostituição” (p. 229). Despacho: marafo e sangue de galinha. Exu Brasa: “É o provocador dos incêndios e domina o reino do fogo, tendo a facilidade de conceder aos praticantes da Magia Negra o dom de caminhar entre chamas sem queimar-se” (p. 123 s). COMO FAZEM OS “DESPACHOS” “É muito comum hoje em dia, mesmo entre os elementos da alta sociedade, verem-se casos de larga procura aos Quimbandeiros, para que estes realizem trabalhos de macumbas, feitiçarias, despachos, etc., com a finalidade de conseguirem desmanches de casamentos, aproximações de amantes, enfim, uma série de trabalhos próprios dos Exus, num crescer constante de maldade, perversidade e falta de bom-senso” (A. Fontenelle, Exu, Rio 1952, p. 98).Em vista desta enorme difusão, mormente nas grandes cidades, deste recurso aos Exus, para melhor alertar os católicos e para dar-lhes oportunidade de conhecerem mais de perto esta perigosa e condenável prática da magia, transcrevemos do livro de Oliveira Magno, Prática de Umbanda, Rio 1952, mais algumas amostras e receitas. 1) Para soltar e desamarrar negócios: — “Em uma sexta-feira a meia-noite ir a uma encruzilhada, levando um galo preto vivo e amarrado com uma fita preta e outra vermelha; uma garrafa de cachaça; um charuto e uma caixa de fósforos. Chegando na encruzilhada, pedir licença; em seguida abrir a garrafa e salvar os quatro cantos da encruzilhada, um pouco de cachaça em cada um; porém que fique ainda bastante cachaça na garrafa, a qual deve ser posta no centro da mesma encruzilhada com a caixa de fósforos aberta e o charuto ao seu lado; depois disto feito cantar o ponto seguinte: Exu Tiriri, Trabalhador da encruzilhada, Toma conta e presta contas Ao romper da madrugada. (Bis) Terminando o ponto cantado, dizer: “Exu Tiriri! Eu vos ofereço para que os meus caminhos sejam abertos e desembaraçados e os meus desejos sejam realizados, e, assim como vou soltar e desamarrar este galo em vossa honra, assim sejam soltos e desamarrados os meus negócios e a minha vida”. E dito isto, desamarrar e soltar o galo na encruzilhada, cantando a seguir o ponto: Firma o ponto, Acerta o passo, Para Exu da encruzilhada Não há embaraço. (Bis) Depois disto, pedir licença para retirar e terminar dizendo: “Estou confiante”. 2) Trabalhos para diversos fins: — “Em uma sexta- feira da lua crescente e próximo à meia-noite, ir a uma encruzilhada fêmea (dois caminhos que fecham em forma de T) e levar: Uma farofa amarela dentro de um alguidarzinho de barro, uma garrafa de cachaça, um charuto e uma caixa de fósforos; pedir licença e cantar o ponto seguinte: Que bela noite, Que lindo luar, Exu Pomba-Gira Vem trabalhar. (Bis) Em seguida, por no centro da encruzilhada a farofa, a garrafa aberta, o charuto e a caixa de fósforos, também aberta, e dizer: “Eu vos ofereço para que meus caminhos sejam abertos e desembaraçados e os meus desejos sejam realizados”. E logo a seguir cantar este ponto: Salve tá lá Pomba-Gira Salve Exu mulher, Ela é na encruzilhada A que faz tudo o que quer. (Bis) E terminar dizendo: “Assim como na encruzilhada tu faz tudo o que queres, assim também seja feito o que eu quero. Estou confiante. — Nota: Se for mulher que deseja ser beneficiada, deve ir em companhia de um homem, pois os trabalhos de Exu Pomba-Gira obedecem à lei do sexo”. 3) Para resolver-se todos os casos: “Em uma noite de segunda-feira procurar sete encruzilhadas levando sete velas, sete charutos, sete caixas de fósforos, e acendendo uma das velas em cada encruzilhada e pondo a seu lado um dos charutos e uma das caixas de fósforos aberta e, na ultima encruzilhada por também uma garrafa de cachaça aberta, e dizer: “Eu vos ofereço, ó Grande Rei das encruzilhadas, para que os meus caminhos sejam iluminados, abertos e desembaraçados, para que tenha prosperidade e os meus desejos sejam realizados. Estou confiante”. 4) Para se livrar do desânimo: —“Quem estiver desanimado, triste, sem fé e esperança, é fazer o seguinte: Em uma quinta-feira, ir a uma mata levando uma vela, um vidro de mel e uma garrafa de cachaça; quando entrar na mata, pedir licença; em seguida salvar o Rei da mata e todo o seu povo, despejando a cachaça em todas as direções; depois acender a vela e espalhar o mel pedindo para que a vida lhe seja mais doce, mais favorável; depois disto, cantar o ponto seguinte: Vem, ó caboclo, Vem, pena branca, Vem trabalhar, Vem dar a esperança. (Bis) És o caboclo Da fé e esperança, Da luz vibrante. Da força branca. (Bis) E terminar dizendo: “Ó sublime caboclo, com a graça de Deus, dai-me animo, fé, esperança e alegria de viver. E que Deus Pai permita que assim seja”. 5) Para resolver um caso difícil: — “Primeiramente chamamos a atenção que qualquer trabalho ou oferta que se vai fazer no mato, mar, encruzilhadas, pedreiras, cachoeiras, rios, cemitérios, etc., a primeira coisa a fazer é salvar e pedir licença; principalmente nos cemitérios não se deve fazer nenhum trabalho sem primeiramente pedir licença ao dono do cemitério (Omulu) e acender três ou sete velas no cruzeiro em benefício das almas cujos corpos foram aí enterrados e rezar Pai-Nosso e Ave-Maria. Depois disto feito, então é que se pode fazer qualquer trabalho. Enfim, para que uma pessoa resolva qualquer caso difícil, há o seguinte: Sete velas, sete caixas de fósforos, sete charutos, uma garrafa de cachaça e em uma sexta-feira das 23 e meia às 24 horas percorrer sete encruzilhadas pondo em cada uma 1 vela acesa, 1 charuto e 1 caixa de fósforos aberta; e na última encruzilhada entregar também aberta a garrafa de cachaça dizendo o que quer conseguir. No sábado seguinte levar 7 velas em um cemitério e acender no cruzeiro rezando 7 Pai-Nossos e 7 Ave-Marias em benefício das almas cujos corpos foram ai enterrados para que se consiga o que se pretende. No domingo seguinte levar sete velas em sete igrejas (católicas) e acender uma em cada igreja rezando um Pai-Nosso e uma Ave-Maria para que termine se realizando o que deseja. Por exemplo: Queres ser vitorioso em uma demanda ou luta, que a última igreja seja a de São Jorge. Queres ser feliz no casamento, que a última igreja seja a de São José. Quem fizer este trabalho à risca, isto é, completo sem nada faltar, pode ter a certeza de realizar o que pretende, pois não só é a ação das forças como também da uma prova de fé, coragem e força de vontade” (este último exemplo foi tirado do livro do mesmo autor: Umbanda e Ocultismo, Rio 1953, p. 66 s). “OS DESPACHOS PEGAM MESMO?” Paremos um instante. Fechemos esses livros de necromancia, magia, politeísmo, demonolatria e heresia.Para desintoxicar-nos, tomemos os sagrados livros do Evangelho de Cristo.Reflitamos. Façamos algumas considerações críticas do ponto de vista cristão.Pois somos muitas vezes interrogado se o despacho ou o malefício tem os efeitos apregoados e garantidos pelos autores de Umbanda. Muita gente tem um pavor medonho dos despachos e malefícios. Nem querem passar por perto. E se amanhecem com um despacho destes à porta da casa, é uma calamidade. Os babalaôs e os chefes de Umbanda não raro imperam e se impõem com semelhantes ameaças. Encontramos pessoas que gostariam de desligar-se de Umbanda, mas temem e tremem diante dos poderes misteriosos da Magia. E contam casos reais de vinganças tremendas. Ficam assim presos nos laços do terrorismo umbandista. Quantas vezes já nos foi feita esta pergunta: “Os despachos pegam mesmo?” Pensamos sinceramente que a resposta não pode ser sem mais um sim ou não.A nossa vez existem verdadeiros casos de magia.Não nos foi possível contestar a realidade de certos efeitos examinados pessoalmente. Se Deus proibiu a prática da magia sob pena de morte, não o fez sem motivos. Mas para que se compreenda perfeitamente a posição cristã, é necessário recordar alguns ensinamentos da Sagrada Escritura a respeito da existência e das atividades dos “espíritos das trevas”. Abramos, pois, um parênteses necessário e muito útil. A EXISTÊNCIA E AS ATIVIDADES DO DEMÔNIO Para sermos conciso numa questão que, talvez, mereceria longa exposição, compendiaremos o ensino cristão relativo ao demônio nos seguintes pontos: 1) É doutrina revelada por Deus, e portanto verdade de fé, que existem espíritos maus.São seres espirituais, inteligentes e livres (portanto: pessoas), criaturas de Deus que se revoltaram contra o Criador e foram condenados ao inferno.Pouco importa seu nome: demônio, satanás, diabo ou exu. Jesus Cristo preferiu estas primeiras três denominações. Mas também o chamou de “pai da mentira” (Jo 8, 44), “príncipe deste mundo” (Jo 12, 31; 14, 30), “homicida desde o começo” (Jo 8, 44), “inimigo” (Mt 13, 39), “o forte” (Mt 12, 29), “espírito imundo”, “impuro” (Me 3, 30), etc. 2) Há entre eles certa ordem e hierarquia, sendo Lúcifer o chefe.Cristo fala do “demônio e seus anjos” (Mt 25, 41), referindo-se explicitamente ao “reino de satanás” que está unido (Mt 12, 26).Também o Apocalipse nos recorda o “dragão e seus anjos” (12, 7) e São Paulo lembra aos efésios “que temos que lutar contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade” (6, 12). 3) Em certo e limitado sentido podemos dizer que satanás é como que o rei deste mundo: já vimos a expressão de Cristo que o chama de “príncipe deste mundo” (Jd 14, 30).São Paulo declara que é o “príncipe no reino dos ares, que opera nos filhos da desobediência” (Ef 2, 2), até mesmo diz que é o “deus deste século” (2 Cor 4, 4).Os servos ou filhos de satanás e os súditos de seu reino são todos os pecadores, principalmente os que combatem a verdade (cf. Jo 8, 44; At 13, 10).São João escreveu: “Quem comete pecado é filho do demônio” (1Jo 3, 8). 4) O reino de Cristo não é deste mundo (Jo 18, 36). Mas Jesus frisa: “Eu sou rei” (Jo 18, 37). Não é simples rei entre outros, mas o “Rei dos reis é o Senhor dos senhores” (Apoc 19, 10), de tal modo que tudo lhe foi entregue: “Todo o poder me foi dado no céu e na terra” (Mt 28, 18).Ele é também o “príncipe dos reis da terra” (Apoc 1, 5). A Cristo e seu reino pertencem todos os que foram arrancados do poder das trevas pela Redenção (Col 1, 3 s). A missão de Cristo é a de “destruir as obras do demônio”’ (1Jo 3, 8) e que “todo o que nele crer não pereça mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 15). 5) Assim temos de fato, nesta terra de lutas e provocações, dois reinos opostos, inimigos um do outro.Satanás e seus anjos tentam com todo o empenho destruir o reino de Deus. Pertence ao plano da providência divina que o homem mostre sua virtude e constância na luta, nas adversidades e nas tentações. É esta a razão mais profunda por que Deus concedeu ao demônio certa liberdade de movimento: para provocar a luta, as adversidades e as tentações. 6) Mas “apareceu à benignidade e é amor humanitário de Deus, nosso Salvador” (Tito 3, 4): Cristo veio “a fim de aniquilar pela morte aquele que imperava pela morte, o demônio” (Hb 2, 14). E Cristo venceu e quebrou seu poder. Depois de Jesus, Satanás de fato já não é o senhor imediato e absoluto deste mundo. 7) Contudo, o demônio, mesmo depois de Cristo, continuou com relativa liberdade para hostilizar os homens, até o fim do mundo.Por isso admoesta São Pedro: “Irmãos, sede sóbrios e vigilantes, porque o demônio, vosso adversário, anda em derredor como um leão a rugir, procurando a quem devorar; resisti-lhe firmes na fé” (1 Ped 5, 8).Porém, e isso é muito importante: ele não pode agir à vontade! “Mau grado seu grande poder e obstinação — escreve o Catecismo Romano, ed. Vozes, p. 589 — e seu ódio mortal contra o gênero humano, o demônio não pode tentar-nos e importunar-nos, com a força ou pelo tempo que ele queira, pois toda a sua influência é regulada pela vontade e permissão de Deus. Disso temos em Jó o exemplo mais conhecido. Não tivesse Deus dito ao diabo a seu respeito: “Tudo quanto ele possui está em tuas mãos”, não poderia satanás tocar em nada que fosse dele. Todavia, se o Senhor não tivesse acrescentado: “Só não estendas tuas mãos contra a sua pessoa”, um único golpe do demônio o teria fulminado, juntamente com seus filhos e todos os cabedais. A tal ponto está ligado o poder dos demônios, que sem permissão de Deus não poderiam sequer entrar nos porcos, de que falam os Evangelistas”. 8) Insistimos: é relativa e limitada a liberdade do demônio em hostilizar os homens.Satanás não independe de Deus. Os espíritos maus nos podem tentar ou insidiar apenas dentro dos limites determinados por Deus para cada pessoa humana e de acordo com suas forças.O demônio nos hostiliza de duas maneiras: ou direta, imediata e sensivelmente, ou indireta, mediata e imperceptivelmente.O modo mais comum é o indireto, quando satanás, permanecendo ele mesmo escondido, se serve de outros meios (maus livros ou revistas, filmes pornográficos, bailes impudicos, homens perversos, etc.), para solicitar-nos ao mal. Pode-se dizer que é este o meio normal e ordinário.Extraordinariamente, todavia, o demônio pode importunar-nos também de um modo imediato, sendo diretamente perceptível sua intervenção. Parece, porém, que devemos dizer que neste caso satanás deve obter uma permissão especial de Deus. E o Criador pode dar esta licença ou para provar ou para castigar o homem. Garante-nos, todavia, a doutrina cristã que Deus jamais permite sejamos provados acima de nossas forças.Só cai no poder do demônio quem livre e espontaneamente a ele se entrega. Este, sim, é muitas vezes tentado além de suas forças; mas a culpa não é de Deus: é dele mesmo, que voluntariamente foi ao encontro do inimigo, brincou e pactuou com ele. 9) Como vencer o demônio? Responde o Catecismo Romano (p. 594): “O demônio, naturalmente, não é vencido por meio da vadiagem, da sonolência, da bebedeira, da glutonaria e da luxúria, mas tão somente pela oração, pelo trabalho, pela vigilância, pela abstinência, pelo domínio de si mesmo e pela castidade”.”Vigiai e orai, para não entrardes em tentação” (Mt 26, 41). “…e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal (ou maligno!)”. São estes os princípios que nos permitirão responder a pergunta “se os despachos pegam mesmo”. VOLTANDO AOS DESPACHOS E A MAGIA Em vista do que acabamos de expor, podemos agora assumir uma atitude cristã frente à doutrina e as práticas umbandistas e quimbandeiras em torno dos exus. Há algumas verdades, vários exageros e muitas falsidades e arbitrariedades que convêm assinalar: 1) É verdade que existem numerosos espíritos maus, que não foram assim criados por Deus, mas por própria e livre vontade se revoltaram contra o Criador; pouco importa o nome que lhes demos: demônio, satanás ou exu; e há entre eles certa organização ou hierarquia. 2) É verdade que estes espíritos maus receberam de Deus uma relativa liberdade de agir neste mundo e hostilizar os homens, 3) É verdade que o homem, abusando de seu livre arbítrio, pode pactuar com os espíritos maus e entregar-se a eles. 4) É verdade que Deus pode permitir ao demônio intervenha de um modo direto e sensível na vida do homem, aparecendo mesmo sob alguma forma visível. 5) Mas é um formidável exagero dos teóricos de Umbanda dizer que os espíritos maus são os senhores imediatos e absolutos deste mundo: Cristo venceu e quebrou o poder de satanás. 6) É outro grande exagero dizer que os espíritos maus aparecem é vontade do homem: só o podem fazer com permissão divina e Deus pode permiti-lo ou para provar os bons ou para castigar os maus e revoltosos. 7) É exagero e mesmo falso dizer que o demônio, independentemente de Deus, obedece aos caprichos e aos desejos de certos homens ou babalaôs. 8) É falso dizer que em certas coisas nos homens dependemos dos espíritos maus. 9) É falso dizer que é lícito ao homem chamar os espíritos maus: é sempre pecaminoso e revoltante qualquer tentativa de evocar os exus ou demônios, mesmo para “praticar o bem”. 10) É totalmente falso e arbitrário dizer que certos espíritos mandam nas encruzilhadas, nos cemitérios, nos rios, nos bosques, etc., pois não existe para isso absolutamente nenhuma base na Revelação Divina. 11) É falso e arbitrário dizer que os espíritos maus preferem trabalhar de noite ou em determinadas horas. 12) É falso e arbitrário dizer que são necessários determinados ritos ou objetos para chamar ou evocar os demônios. 13) É pura e condenável idolatria, ou melhor demonolatria, oferecer a satanás presentes e sacrifícios ou dirigir- lhe certas orações e petições. Suponhamos agora que algum babalaô, ou por iniciativa própria ou a pedido, faça, segundo todos os requisitos do ritualismo, um presente ou despacho contra Fulano, pedindo a Exu Velado que castigue Fulano com um desastre qualquer.O que acontecerá? Respondemos: Em si e como tal o despacho não terá efeito nenhum, pois, como vimos, o demônio (ou Exu) só pode imiscuir-se de modo direto e sensível na vida do homem com permissão especial de Deus.Pode, no entanto, ser que Fulano seja, também ele, amigo do demônio (ou vivendo habitualmente em estado de pecado mortal e, portanto, de inimizade com Deus, ou praticando também ele a demonolatria, a necromancia ou a magia, proibidas rigorosamente por Deus, sob a combinação dos mais graves castigos) e neste caso é possível que Deus, para castigar Fulano, aproveitando a oportunidade, permita ao demônio que faça de fato o que aqueles revoltosos amigos do demônio tão insistentemente querem e suplicam. E teríamos então, dentro deste conjunto de reservas, um caso em que o despacho “pega” mesmo. Suponhamos, todavia, que Fulano seja uma pessoa que se esforça por viver em estado de amizade com Deus (grata santificante), não brincando nem pactuando com os espíritos maus; neste caso o despacho certamente não teria efeito nenhum (a não ser, talvez, em casos raríssimos, não para castigar, mas para provar este servo de Deus; todavia, mesmo nesta hipótese a provação jamais seria acima das forças de Fulano). Tudo depende, por conseguinte, de dois fatores: da vontade de Deus que permite ao demônio uma atuação no caso, e do estado de alma (grata santificante ou pecado mortal) da pessoa visada. Observe-se, entretanto, que não queremos com isso dizer que todo despacho ou “trabalho” feito contra uma pessoa em estado de pecado mortal tenha sempre seus efeitos garantidos. Absolutamente! Sustentamos apenas que neste caso o efeito seria possível, não repugnaria, não seria nem contra a justiça, nem contra a providência paternal de Deus, sempre, porém, sob completa dependência do Criador.Pensamos sinceramente que também nesta suposição (isto é: quando o malefício é feito contra uma pessoa em estado de pecado mortal), a absoluta maioria dos despachos ficam sem efeito.Mas, como cristão e dentro da mentalidade cristã, não nos surpreendem certas histórias estranhas e extraordinárias, que se narram nos meios onde é praticada a magia e a demonolatria e onde os homens põem à disposição do demônio portas escancaradas e carta branca, oferecendo-lhe até presentes e verdadeiros sacrifícios, pedindo e suplicando que venha e “trabalhe”. Certos terreiros, quando em pleno funcionamento, apresentam todas as características da atuação direta de espíritos maus… Quando, por exemplo, os “filhos ou filhas de santo” entram em transe, inteiramente tornados por algum espírito, que os faz pronunciar palavras sem nexo e agitar-se em movimentos alucinados, parecendo os pés não mais tocar o solo e a cabeça balançando doidamente em todas as direções, sobre um pescoço desarticulado, chegando a executar danças rituais, rodopiando 48 horas sem parar, fumando cachimbos e charutos ou comendo os bichos mais nojentos… O umbandista Lourenço Braga escreve que viu “muitos espíritos violentos jogarem o médium no chão, darem socos na mesa, darem urros ou gritos fortes, furar o corpo com a ponta de punhal, pisar em brasas, mastigar vidro, estraçalhar uma galinha nos dentes para beber o sangue” e o médium a “gritar, sapatear, bater com as mãos na mesa ou ficar como se estivesse sufocado” (Umbanda e Quimbanda, 8ª ed. p. 37). O melhor e mais eficaz meio para nos tornarmos imunes contra toda a sorte de despachos e malefícios, é conservar-nos na amizade de Deus, na graça santificante.E esta vida sobrenatural da graça deve ser conservada, aumentada e alimentada pela frequente recepção do Pão Eucarístico, que é o “Pão dos fortes”: “Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue terá a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia… Quem come a minha carne e bebe o meu sangue fica em mim e eu nele… Quem come este pão viverá eternamente” (Jo 6, 53-58) SATANÁS E AS DOENÇAS Já que estamos a estudar as possíveis influências do demônio sobre o homem, será interessante salientar mais um ponto. Vimos que os espíritas e umbandistas atribuem muitas doenças a atuação dos espíritos atrasados e maus e, consequentemente, procuram a cura pelo afastamento destes agentes importunos. E parece que às vezes conseguem realmente efeitos extraordinários. É a razão por que muita gente vai ao Espiritismo e procura os terreiros de Umbanda. Qual e a posição cristã perante semelhantes teorias e prováveis fatos? Percorrendo as páginas do Evangelho, encontramos realmente casos em que o demônio parece ser a única causa de certas enfermidades e a cura é obtida pela simples expulsão do demônio. Vejamos esses casos: Em Mt 9, 32-33 lemos: “Apresentaram-lhe (a Jesus) um homem mudo, possesso do demônio. E, expulso o demônio, falou o mudo…” Em Mt 12, 22: “Então trouxeram-lhe um endemoninhado, cego e mudo e ele (Cristo) o curou, de sorte que falava e via”. Mt 17, 14-20: É o caso do menino epiléptico. “Jesus ameaçou o demônio, e este saiu do jovem, o qual desde aquele momento ficou curado” (v. 17). Lc13, 10-13: cura da mulher paralítica, “que estava possessa de um espírito que a tinha doente havia dezoito anos, e andava encurvada, e não podia absolutamente olhar para cima. Jesus, vendo-a, chamou-a a si e disse-lhe: Mulher estais livre de tua enfermidade. E impôs-lhe a mão e imediatamente ficou direita”. Mais adiante, em discussão com os fariseus, o próprio Jesus esclarece que “satanás a trazia presa já por dezoito anos” (v. 16). Façamos primeiramente algumas considerações sobre estes fatos narrados e garantidos pelos Evangelhos. Embora estas doenças (surdez, cegueira-mudez, epilepsia e paralisia parcial) tenham, segundo o texto sagrado, origem diabólica, o demônio, todavia, não parece dar outro sinal de sua presença, a não ser apenas a doença. E esta enfermidade é curada com a simples expulsão do demônio. Temos, portanto, que o próprio Evangelho, e em um caso Jesus pessoalmente, atribui certas doenças ao demônio e sua cura é obtida pela expulsão do mau espírito. Mas Jesus não atribui todas as doenças ao demônio. Temos no Evangelho inúmeros casos de doentes curados que nenhuma relação tinham com satanás. Por outro lado encontramos nas mesmas sagradas páginas casos em que a possessão não se manifestava por meio de doenças. Jesus, pois, distingue nitidamente entre doenças simplesmente, doenças causadas pelo demônio e possessão. No caso da mulher encurvada é o próprio Jesus quem chama a atenção para a atuação do demônio. E a expressão até é estranha: “Satanás a trazia presa já por dezoito anos”. Devemos, pois, dar razão aos espíritas e umbandistas quando dizem que certas enfermidades são causadas pelos espíritos maus. Talvez eles exagerem o numero dessas doenças. Pois em casos concretos será difícil saber se estamos ou não diante dum efeito causado diretamente pelo demônio, ou diante duma simples doença, uma vez que a manifestação externa é a mesma. Muitas vezes nem mesmo será possível sabe-Io. Pois a paralisia ou surdez tanto poderia ser simples doença, como também pura atuação do demônio. Há certos doentes que parecem totalmente incuráveis, apesar de repetidos esforços dos mais competentes médicos. Esta incurabilidade seria talvez um indício para concluir que se trata da atuação diabólica? Cristo mostra seu domínio sobre o demônio, expulsando-o. Temos numerosíssimos exemplos nos Evangelhos. Jesus conferiu também aos Apóstolos o poder de expulsar o espírito mau. Os Apóstolos por sua vez transmitiram este poder de exorcismo. Na Igreja sempre houve exorcistas. Ainda hoje todo sacerdote recebe este poder. E no Ritual da Igreja encontramos bênçãos sobre os enfermos que encerram verdadeiro exorcismo. Leia-se este exemplo: Oratio et benedictio super aegrotum. — Per tuam maximam misericordiam, per tuam summam bonitatem, per tuam amplissimam caritatem, per Domininostri lesu Christi passionem et crucem, per merita et intercessionem beatissimae Virginis et Omnium Sanctorum, in nomine lesu et sanctae Ecclesiae, ego, indignissimus servustuus, rogo te pro hoc famulo tuo infirmo, ut ipsipatientiam, constantiam et veram consolationem praebeas et augeas, et, si ad animae salutem prodest, restitue earn ad salutem. Si autem tu, nefande diabole hoc malum causas tivelauxisti, ego indignissimus servus Dei, impero tibi, ut recedasabhoc famulo Dei et tollas omne noxium, quod causas tiveiauxisti, et numquam redire audeas. Non nobis, Domine, non nobis, sed Nominituo da gloriam. Benedictio Dei Omnipotentis, Patrise tFilii et Spiritus Sancti descendat super te et maneat semper. Amen. Eis ai uma tradução nossa (não oficial!) desta oração: Oração e benção sobre um enfermo: — Ó Deus, por Vossa máxima misericórdia, por Vossa suma bondade, por Vosso amor sem limites, pela paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelos méritos e pela intercessão da beatíssima Virgem e de todos os Santos, em nome de Jesus e da Santa lgreja, eu indigno criado Vosso, Vos suplico e rogo em favor deste Vosso servo, para que lhe concedais e aumenteis a paciência, a constância e a verdadeira consolação e, se lhe for favorável para a salvação da alma, lhe restituais a saúde. Se, porém, tu, demônio perverso, causaste ou aumentaste este mal, eu, mui indigno servidor de Deus, te ordeno que abandones este servo de Deus e leves todo o mal que causaste ou aumentaste e jamais ouse a ele retornar. Não a nós, Senhor, não a nós a glória, mas glória seja ao Vosso Nome! E a Benção de Deus Onipotente, Pai, e Filho e Espírito Santo, desça sobre ti e permaneça para sempre. Assim seja. OS PSEUDO-MILAGRES DO DEMÔNIO Predisse Nosso Senhor que apareceriam falsos profetas, “que farão grandes prodígios, a ponto de enganar até os escolhidos, se fosse possível. Eis que vos ponho de sobreaviso” (Mt 24, 23-24). Também São Paulo fala de gente que virá “na virtude de Satanás, com toda sorte de portentos, sinais e prodígios falazes, procurando a todo transe levar à iniquidade os que se perdem por não abraçarem o amor à verdade. É por isso — continua o Apóstolo— que Deus lhes manda o poder da sedução, para darem fé à mentira e serem entregues ao juízo todos os que não deram crédito à verdade, mas antes se comprazeram na iniquidade” (2 Tess 2, 9 ss). Ora, verificamos que, segundo o Evangelho, em alguns casos, satanás é a causa exclusiva de certas enfermidades (vimos o exemplo da surdez, cegueira, mudez, epilepsia e paralisia; nada obsta a admitir também outras doenças) e a retirada do demônio significa a cura do doente.Não repugna nem é anticristão pensar que o diabo se retire por conta própria, quando lhe convier ou interessar, restabelecendo desta maneira a saúde do enfermo.Estaríamos assim diante dum pseudo-milagre operado pelo próprio demônio.Ele o faz, diz Nosso Senhor, “para enganar os escolhidos”, ou, na expressão de São Paulo, “para levar à iniquidade”, ou “para dar fé à mentira”.É um dos estratagemas do inimigo de nossas almas e de nossa salvação. Deus o permite para, deste modo, experimentar a nossa fé. É ainda o Apóstolo que o afirma: “Deus lhes manda (ou concede) o poder de sedução”. Não nos deixemos iludir por semelhantes prodígios! Foi seguramente por isso que Jesus acrescentou: “Eis que vos ponho de sobreaviso!” Se forem reais as mil histórias de curas maravilhosas que os espíritas e umbandistas nos contam, muito embora não acreditemos em todas elas e muitas delas possam ser explicadas perfeitamente por meios naturais (sugestão, hipnotismo, remédios verdadeiros — de homeopatia! — que eles também administram), não sentimos maiores dificuldades em admitir também curas incontestáveis por meios mágicos: trata-se, então, de pseudo-milagres do próprio demônio que desta maneira procura prestigiar a doutrina espírita (reencarnação, panteísmo, negação da Santíssima Trindade, da Divindade de Cristo, etc.), frontalmente contrária à doutrina cristã. A este respeito possuímos também interessantes declarações e testemunhos de santos escritores dos primeiros séculos. Assim, por exemplo, escreve São Cipriano, Bispo de Cartago, no terceiro século: “Esses espíritos ocultam-se em quadros e imagens sagradas; inspiram com o seu hálito o peito dos videntes; animam as vísceras dos animais sacrificados; orientam o voo das aves; possibilitam os oráculos; misturam a verdade com a mentira; causam a desordem na vida, perturbam o sono, oprimem o corpo. Tais espíritos atemorizam as almas, desconjuntam os membros do corpo, arruínam a saúde e provocam enfermidades, para obrigar os homens a os adorar; e, então, satisfeitos com o incenso dos altares e dos sacrifícios, concedem o que tinham prometido, aparentando a cura do mal” (De Idolorum Vanitate, n. 7). E diz ainda o virtuoso e heroico Bispo e mártir da fé: “Ele (o demônio), com seus perversos auxiliares, provocou essas heresias e cismas que tem abalado à fé, falsificado a verdade, destruído a unidade… Ele separa da Igreja os fiéis e enquanto imaginam estes se haverem aproximado da luz, envolve-os em densas trevas. E assim, embora abandonem o Evangelho e não cumpram os mandamentos, se dizem ainda cristãos; caminham na escuridão, julgando possuir a caridade, ao mesmo tempo em que o inimigo os lisonjeia e desorienta, pois que, como disse o Apóstolo, transforma-se ele em anjo da luz e veste, com a túnica dos servos da justiça, os seus ministros”. O notável orador romano Tertuliano, do segundo século, escreveu na sua Apologia, dirigida aos imperadores, que a obra dos demônios, que os pagãos adoravam, tinha como objetivo a destruição e o aniquilamento da humanidade. “Com esse intento, diz ele, causam moléstias e certas deformidades dolorosas do corpo, assim como os abalos súbitos e horrivelmente intensos da alma”.Tertuliano admite como ilusões certos processos empregados no tratamento das moléstias, “produzindo rápida, mas aparentemente a cura, uma vez que o domínio começa provocando a moléstia para depois, cessando a sua intervenção e pela aplicação de novos meios de cura, aparentar o milagre” (Apologeticum, cap. 22).Em sua obra De Anima (cap. 57) escreve o mesmo autor que essa fraude do espírito mau, oculto por trás dos mortos, se descobre muitas vezes pelo exorcismo quando o espírito diz ser o pai ou a mãe do possesso, ou outra pessoa qualquer. OS PERIGOS DA UMBANDA Daremos, afinal, a palavra aos próprios umbandistas, para que eles mesmos nos confessem as tristes consequências a que leva a prática da magia e do ritualismo de Umbanda.Nestas citações, como nas outras, respeitamos sempre a gramática deles… 1) O perigo de doença ou loucura. “Na Lei de Umbanda ou na Lei de Quimbanda, as manifestações de espíritos são, na maioria das vezes, totais, quero dizer, os espíritos apoderam-se totalmente dos médiuns. Nesse estado, vimos muitos espíritos violentos jogarem o médium no chão, darem socos nas mesas, darem urros ou gritos fortes, furar o corpo com ponta de punhal, pisar em brasas, mastigar vidro, estraçalhar uma galinha nos dentes para beber o sangue, etc…, dando-se muitas vezes, o caso do médium gritar, sapatear, bater com as mãos na mesa ou ficar como se estivesse sufocado” (Lourenço Braga, Umbanda e Quimbanda, 8ª ed. p. 37). _ “Sabeis o que pode produzir uma mediunidade mal orientada, mal dirigida? Isto: a obsessão, a alienação mental definitiva, a morte. Eis porque, apesar de ser espírita, jamais me ofendi quando ouvi os padres católicos dizerem que o espiritismo é uma fábrica de loucos. Eles têm, em grande parte, toda razão, Somos daqueles que acham que quem não quiser tomar a coisa a sério, no Espiritismo ou na Umbanda, quem não tiver desejo de estudar seriamente, quem não tiver coragem ou espírito de imparcialidade, que não venha ao Centro Espírita ou ao Terreiro de Umbanda” (Emanuel Zespo, Codificação da Lei de Umbanda, Parte Científica, Rio 1951, p. 68). “Casos há em que, havendo o complete domínio do espírito sobre a matéria, cujo subconsciente grandemente enfraquecido, quer pela moléstia ou outro qualquer fenômeno, deixa-se o indivíduo tomar facilmente pelo espírito obsessor, jamais retornará esse elemento ao seu próprio estado, tornando-se um elemento perigoso, que, tornado pela obsessão é quase sempre levado à loucura, com bem poucas probabilidades de cura…” (A. Fontenelle, O Espiritismo e a Lei de Umbanda, Rio, p. 24).Na p. 91 escreve o mesmo autor: “A Umbanda, por se tratar de uma religião puramente fetichista, encontra uma infinidade de adeptos, os quais, julgando que com facilidade podem tomar conhecimento daquilo que lhes pode acontecer no futuro, entregam-se completamente inconscientes, sem de leve perceberem que muitas vezes incorrem em um erro gravíssimo, devido ao seu espírito mal formado e portanto, sujeitos a uma série de perturbações que os levam invariavelmente à loucura ou à degradação moral”. 2) O perigo da imoralidade: “Nenhuma das religiões é mais propícia aos atos de leviandade e depravações como a Umbanda, pois se o médium não for controlado e não tiver a seu favor os princípios de bom caráter, ânimo forte e grande espírito de abnegação, ruirá por terra, e se arrastará tal qual um verme, na lama da inconsciência” (A. Fontenelle, O Espiritismo e a Lei da Umbanda, Rio, p. 91). ‘‘Podemos afirmar que, sob a capa de Espiritismo e Umbandismo, há muitos abusos.Casas de tolerância disfarçam os seus vícios com algumas imagens de Santos e cabeças coloridas de caboclos. Falsos médiuns fingem receber “tios” velhos e exploram os incautos. Mulheres bonitas, usando colares e “guias”, vivem nababescamente.Há terreiros só de granfinos, que ali deixam vultosas contribuições.Inescrupulosos e ilusores desencaminham gente de boa fé” (Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio 1051, p. 153). “Multiplicaram-se as macumbas, os batuques, os candomblés e marchou tudo para a derrocada moral inevitável. Homens e mulheres sem escrúpulos descambavam para a baixa magia, o bruxado, o são-ciprianismo, a magia do mal, e até mesmo prevaleciam-se de sua condição de “pais” ou “mães” para dormirem e coabitarem com os respectivos filhos ou filhas de santo.Conhecemos vários casos desta ordem e vimos, nas chamadas macumbas, coisas de aterrorizar” (Emanuel Zespo, Codificado da Lei de Umbanda, Parte Pratica, Rio 1953, p. 52). “Às vezes tudo vai bem num terreiro, e… repentinamente nasce uma paixão mórbida entre dois irmãos de Umbanda de sexos opostos e já comprometidos socialmente com outros laços carnais. Brota o amor da carne, nasce o ciúme, acende-se a fogueira do desejo, surge a discórdia, o ódio, a vingança…” (Ibidem, p. 65). “Nós, que temos estudado varias religiões e convivido com sacerdotes de diversas seitas, tomando parte ativa no seu culto, afirmamos; a bem da verdade, que a Umbanda é a religião que maiores perigos oferece quanto ao pecado da carne. Quando não se pratica uma Umbanda apenas de terreiro e sim se deseja a realização do culto levado ao ponto em que deve de ser: cultuação dos elementos da Natureza e na Natureza, cruzamentos reais, iniciações no mato, nas praias, nos montes, o que obriga a uma convivência mais ou menos prolongada entre iniciador e iniciando, o perigo de uma aproximação carnal é grande, quando os sexos gritam sob o impulso das tentações” (Ibidem, p. 104). 3. O perigo da exploração e mistificação. “Infelizmente pululam por aí aos montes determinados centros, onde, de Espiritismo só tem mesmo o nome, pois a pouca vergonha, o desmazelo pela saúde do próximo e a verdadeira caridade é posta à margem, para pensar-se unicamente na exploração e na indecência corruptiva e degradante” (A. Fontenelle, A Umbanda através dos Séculos, Rio 1953, p. 85). “… 99% dos dirigentes desses Centros não visam outra coisa a não ser a glória efêmera de serem adorados por outros cegos, iguais a eles próprios, ou aproveitarem-se da ignorância e da dor alheia, para extorquir-lhe o dinheiro” (Yonori, Umbanda, Indústria Rendosa, Rio 1954, p. 35). “… levamos a nossa ousadia ao cúmulo de declararmos que 99% dos Centros de Umbanda, que por aí se exibem, não passam de casas comerciais, ou teatros com péssimos atores; que 99% dos médiuns de incorporação, que formam esses centros, nunca deram incorporação a nenhum Espírito e que 99% dos livros sobre Umbanda, à venda nas livrarias, não passam de fantasia, frutos da imaginação hábil de seus autores, que mais não visam senão uma falsa glória ou dinheiro” (idem, p. 70). “Quanto às curas fantásticas, conhecem eles alguns rudimentos de medicina e receitam remédios caseiros ou da flora, acertando algumas vezes, falhando outras. Os fracassos são esquecidos, mas os êxitos são berrados aos quatro ventos, tornando-se os pontos de apoio sobre os quais construirão o seu cartaz, exagerando-as com mentirosas dificuldades, a fim de maior impressão causar aos seus incultos adeptos.Com o tempo e a prática, sendo bons observadores, chegam a conhecer grande número de doenças e o seu tratamento, pois a maioria delas se repete, isto é, são quase sempre as mesmas, o que lhes facilita os trabalhos” (idem, p. 126). PROTEÇÃO E EXPLORAÇÃO POLICIAL Pelo que vimos, não é preciso falar em nome de Deus, nem em nome de Cristo, nem em nome da Igreja ou mesmo da Religião, para condenar as práticas de Umbanda. Basta apelar para a razão e o bom senso do homem. Não obstante, o movimento cresce de modo extraordinário. E cresce, protegido e amparado pela polícia e pelos políticos.Para conseguir os votos do povo, os políticos prometem tudo: em nome da “liberdade de crença” garantem proteger e favorecer o funcionamento dos terreiros e declará-los “de utilidade pública”, a fim de isentá-los dos impostos.Mas o capítulo mais triste é o da polícia.Sabemos por informação pessoal, constatada in loco, que, no Estado do Rio, o sistema do protecionismo policial à Umbanda funciona da seguinte maneira: 1) O terreiro, por intermédio do delegado regional, precisa requerer licença de funcionamento à SSP (Secretaria de Segurança Pública) de Niterói, licença que deve ser renovada anualmente, custando sempre Cr$ 2.000,00. 2) As delegacias e subdelegacias locais, no entanto,não permitem o funcionamento do terreiro sem um alvará especial, requerido mensalmente, mediante o pagamento de Cr$ 100,00.Com este alvará, todavia, o terreiro ainda não tem licença de bater tambores (o que é essencial para muitos ritos de Umbanda). 3) Por ser contrário à ordem e ao sossego público, o delegado jamais pode conceder alvará para bater tambores até alta madrugada; permite-o, no entanto, verbalmente, mediante uma “gratificaçãozinha” (Cr$ 100,00 para cima), a ser dada para cada vez. 4) Por ocasião das grandes festas do terreiro, é preciso enviar ao delegado um convite especial, acompanhado de algum “presente” (Cr$ 200,00 até 500,00). 5) Há muito terreiro não registrado na SSP e isso com o conhecimento do delegado local, que então, mediante “entrada” particular, os registra na própria delegacia, passando a receber uma contribuição mensal, para dar licença verbal.“Soubemos — escreve um umbandista — por informação que nos parece fidedigna, que somente em um município perto do Distrito Federal, a coleta mensal das “licenças verbais” para funcionamento de terreiros é de Cr$ 58.000,00” (Freitas-Pinto, As Mirongas de Umbanda, Rio 1954, p. 78). Por aí se compreende o interesse da polícia em manter, proteger e aumentar os terreiros… NORMAS DE UMA ATITUDE PRÁTICA PERANTE A UMBANDA 1) Perante os umbandistas, isto é: perante as pessoas que trabalham na Umbanda, ou a ela aderiram frequentando suas sessões, consultando seus oráculos ou para ela contribuindo com mensalidades, a atitude do católico é de respeito cristão e de prudente discrição.Em vista do perigo de contágio, não convém ao católico procurar ou fomentar amizades ou intimidades naqueles meios.É aconselhável afastar a infância inexperiente e a juventude aventureira do contato habitual com estas pessoas.Geralmente é supérfluo e tempo perdido discutir com eles sobre questões religiosas. O melhor ato de caridade que podemos fazer em favor deles, é rezar, suplicando a Deus a graça da conversão, já que Deus deseja que roguemos e já que eles mesmos, convencidos como estão, não pedem para si tão grande favor divino.O católico deve socorrer e ajudar todo umbandista necessitado que lhe suplicar uma esmola ou outro auxílio qualquer; mas de maneira nenhuma pode ajudá-Io, nem material nem moralmente, na construção ou manutenção de suas obras, ainda que sejam sociais ou filantrópicas. 2) Perante a Umbanda como doutrina, a atitude do católico é de franca e total condenação.De modo nenhum pode o fiel seguidor de Cristo aprovar a teoria da reencarnação e a filosofia do panteísmo apregoadas pela Umbanda, doutrinas que se opõem frontalmente à Mensagem Cristã. 3) Perante a Umbanda como prática, a atitude do católico é de enérgica e declarada repulsa.É inconcebível que alguém ame verdadeiramente a Deus e ao mesmo tempo pratique a evocação dos espíritos, a magia, o politeísmo, a idolatria e a demonolatria. Jamais pode o católico ser sócio de quaisquer grupos, confederações, sociedades, uniões, fraternidades ou centros de Umbanda. Quem o fizer, não obstante, deve ser afastado da recepção dos Sacramentos. 4) Perante as sessões de Umbanda, a atitude do católico é de completa abstenção. Nem mesmo “apenas para ver” irá participar em atos de tão manifesta revolta contra as claras determinações de Deus que proibiu rigorosamente a necromancia, a magia, o politeísmo e a demonolatria. Assistir a uma sessão de Umbanda ou de Espiritismo, seria pecado grave de desobediência contra o Criador. Pior seria ainda este pecado, se o católico, ele mesmo, mandasse evocar um determinado espírito ou alma de pessoa falecida. 5) Perante os livros de Umbanda, a atitude do católico é de desaprovação e censura sem restrição.Livros que propunham tanta negação das doutrinas fundamentais de nossa santa fé cristã, livros que recomendam o politeísmo e a demonolatria, livros repletos de superstições e receitas magicas devem ir ao fogo.O católico que, sem a devida licença do Bispo, ler, guardar, vender ou propagar semelhante literatura, comete pecado grave e incorre sem mais na pena de excomunhão. 6) Perante a diagnose umbandista, a atitude do católico é de absoluta reserva. Quando doente, o católico não há de consultar pitonisas, babalaôs ou pais de santos, nem mandar jogar os búzios ou recorrer a outras artes divinatórias em uso na Umbanda (ou fora da Umbanda), como a cartomancia ou coisas afins. São práticas que, se não forem simples explorações e mistificações, incluem a evocação de espíritos. Comete pecado grave de conivência com a Umbanda e de desobediência contra Deus, quem recorrer a semelhantes meios. “Não se ache entre vós — diz o Senhor — quem consulte adivinhos ou observe os sonhos e agouros, nem quem use malefícios nem quem seja encantador, nem quem consulte pitões ou adivinhos, nem quem indague dos mortos a verdade. Porque o Senhor abomina todas estas coisas” (Deut 18, 12-13). 7) Perante a terapêutica umbandista, a atitude dos católicos é de repudio integral.Não usará nem defumadores, nem “desmanches”, nem fará uso da “lei do retorno”, nem de passes, nem de água fluídica, nem das “orações fortes” ou de coisas ou práticas análogas.Mas a chamada “homeopatia” pode ser usada, porque é apenas explorada pelos espíritas e umbandistas e nada tem de comum com a magia ou a necromancia.Vimos que algumas vezes as doenças podem ter sua origem numa atuação do demônio.Mesmo nestes casos, porém, o cristão não pode recorrer aos amigos do demônio, mas deve dirigir-se aqueles aos quais Cristo deu o poder de expulsar os demônios sem pactuar nem negociar com eles: aos sacerdotes da Nova Lei.Recorra, pois, o católico, com fé e confiança, às bênçãos e aos exorcismos da Igreja. 8) Perante o culto aos Orixás, a atitude do católico é de decidida reprovação. “Vede que sou Eu só e que não há outro Deus fora de mim” (Deut 32, 39). A idolatria é dos pecados mais graves que o homem pode cometer contra Deus. A fé cristã nos ensina que no céu existem anjos e santos, mas todos eles são criaturas de Deus como nós, inclusive Maria Santíssima. Eles merecem a nossa Veneração e Respeito, jamais, porém, nosso culto de adoração. O católico protestará sempre contra a identificação dos anjos e santos com os deuses pagãos. Podemos rezar aos santos, podemos recorrer a eles, podemos até fazer-lhes promessas, mas sempre dentro dos limites do culto de veneração indicados por Deus e determinados pela Igreja de Cristo. 9) Perante o culto aos exus, a atitude do católico é de santo horror e ele o repelirá sempre com apostólico vigor. O católico admite a existência do demônio e sua relativa liberdade para nos hostilizar.Porém jamais brincará ou pactuará com ele, nem muito menos lhe acenderá velas ou lhe oferecerá quaisquer presentes ou sacrifícios.Satanás será sempre nosso inimigo, mesmo quando se mostra “amigo”. Não é possível acender ao mesmo tempo uma vela a Deus e outra ao demônio. Seria querer servir a dois Senhores. Isso não pode ser. “Ninguém pode servir a dois Senhores” disse Cristo (Mt 6, 24). A Igreja de Cristo nos oferece meios suficientes para nos defender e proteger contra as insídias e os ataques de satanás: são os Sacramentos e os sacramentais. Absoluta e incondicional fidelidade a Deus!, eis o lema constante do verdadeiro católico, mesmo nas mais difíceis situações e provações da vida. 10) Perante os despachos, a atitude do católico é de soberano desdém. Vimos que em si e como tal o despacho não “pega”. Conservando-se na amizade de Deus e na graça divina, o católico não teme nem malefícios nem despachos ou práticas parecidas.Quando se encontra com despachos, mesmo diante da porta de sua casa, o católico mune-se com o sinal da Cruz (pois está diante dum objeto “consagrado” ao Inimigo), e remove-o tranquilamente, podendo servir-se sem escrúpulos das coisas úteis que porventura aí encontrar (galinha, cerveja, charutos, fósforos, dinheiro, alguidar, pratos, etc.) 11) Perante os demais meios supersticiosos de defesa contra a atuação dos maus espíritos, os amuletos, as figurinhas, a ferradura, a pemba, a arruda, o guiné, a espada de São Jorge, etc. etc., a atitude do católico é de simples desprezo.Não recorre a eles em hipótese nenhuma, nem deles se utiliza para fins de decoração ou enfeite, a fim de evitar possíveis escândalos ou maus exemplos. Ao católico verdadeiro e praticante basta Deus e os meios que Cristo, por sua Igreja, lhe oferece. APÊNDICE: RITUAL DE UMBANDA Não há unanimidade entre os umbandistas. já vimos isso. Nem muito menos há uniformidade no ritual. Geralmente cada chefe de terreiro faz o que e como bem entende. As várias tentativas de uniformização não deram resultado até hoje. O movimento umbandista melhor organizado e mais comedido é a União Espírita de Umbanda do Brasil, que possui um bom periódico mensal (Jornal de Umbanda, Rio), com a tiragem de 12.000 exemplares. O ritual desta União, embora muito incompleto ainda, é o mais claro e o menos fantástico. Mas evidencia bem o caráter religioso de Umbanda. A Umbanda pretende ser religião própria, a “religião do Brasil”. É necessário acentuar este ponto. Trata-se, evidentemente, de uma organização religiosa acatólica.Será por isso útil conhecer este Ritual. Reproduzimo- lo tal como foi publicado na p. 6 do fascículo de Agosto de 1954 do mencionado jornal: 1) Sessão de Caridade (pública): Abertura: 1) Cinco minutos pelo menos, antes da hora (20 ou 20:30 horas) do início dos trabalhos, os médiuns devem estar no terreiro, concentrados em silêncio. 2) Preparo do ambiente por intermédio do defumador, com ponto cantado, que deve ser um dos três constantes do anexo. 3) Prece (proferida pelo Diretor de Assistência Espiritual, ou por alguém credenciado para tal). 4) Continuação do preparo do ambiente, por meio de explanação, doutrinária, filosófica, sobre prática de Umbanda ou de moral. (Cerca de 15 minutos de duração). 5) Declaração de abertura dos trabalhos, em nome de Deus ou Zambi, de Oxalá ou Jesus, do Patrono da Casa, do Guia-chefe da Casa e de todos os Trabalhadores invisíveis de Umbanda. Parágrafo único. Em dias de festa de Santo, a abertura deve ser feita era nome de Zambi, de Oxalá, do Santo do dia, do Patrono da Casa, do Guia-chefe da Casa e de todos os Trabalhadores invisíveis da Umbanda. 6) Ponto de Oxalá (cantado) — (o Ponto deve ser um dos constantes do anexo). Os médiuns de joelhos ou deitados, conforme a organização da Casa. 7) Saudação ao Patrono da Casa (ponto-prece) como no n° 6. Paragrafo único. Em dias de festa de Santo, deve ser antes, saudado o Santo do dia. 8) Ponto (cantado) de chamada do Guia-chefe da Casa para sua incorporação ou não. Paragrafo único. Quando o Guia-chefe da Casa não incorporar, por qualquer motivo, deve ser tirado o ponto em seguida para o Guia-substituto. 9) Saudação ao Guia-chefe da Casa, de acordo com a organização de cada Tenda. 10) Ponto (cantado) de chamada dos Guias que vão trabalhar. 11) Início da parte espiritual propriamente dita, sessões de passes mediúnicos, correntes de descarga, doutrinação de obsessores, sessões de descarga, de trabalhos, etc. (na prática integral de Umbanda, a doutrinação dos obsessores é feita no espaço pelas entidades superiores). Encerramento 1) Ponto de subida dos Guias (menos o Guia-chefe) depois de serem atendidos os assistentes, ou terminados os trabalhos. 2) Saudação ao Guia-chefe da Casa, de acordo com a organização de cada Tenda. 3) Ponto de subida do Guia-chefe. 4) Ponto-prece de despedida que deve ser cantado com os médiuns ajoelhados ou deitados, conforme a praxe da Casa. 5) Prece de agradecimento (final). 6) Declaração de encerramento dos trabalhos (deve ser feita em nome de Deus (ou Zambi) de Jesus (ou Oxalá) do Padroeiro da Casa, do Guia-chefe da Casa e de todos os Trabalhadores invisíveis da Umbanda. Considerações sobre as Sessões de Caridade 1 — As Sessões de Caridade constarão de passes com objetivo de eliminação de fluídos que estejam perturbando os pacientes, de conselhos de caráter orientador para os que se acham em aflição, etc. 2 — Não será permitido o receituário de remédios, mezinhas ou indicações de ervas. Nas Tendas em que houver Consultório Médico, os doentes serão encaminhados a esse departamento. 3 — É permitido nessas Sessões o uso do fumo, água, flores, velas, e indicação de banhos de descarga. 4 — As bebidas, pelas quais serão responsáveis os médiuns, em qualquer descontrole, só serão permitidas em sessões de trabalhos com número predeterminado de assistentes ou em dias de Festividades grandes. 5 — A Pemba é objeto de ritual secreto e por isso não deve aparecer nas Sessões Púbicas. 6 — É aconselhável uma mesa de médiuns para segurança dos trabalhos e descarga de obsessores. 2) Sessões de desenvolvimento mediúnico (privativas): A Sessão de desenvolvimento mediúnico compreende: a) Instrução doutrinária, filosófica e moral; b) Desenvolvimento das diversas faculdades mediúnicas do indivíduo. Quanto à letra “A” 1 — O médium antes de começar o desenvolvimento deve comparecer às Sessões, sem tomar parte efetiva, a fim de receber a instrução doutrinária necessária. 2 — As aulas deverão levar pelo menos meia hora e se destinam aos principiantes e aos mais adiantados. 3 — Quando o iniciante começa a ter noção da sua função de médium deve ser submetido a testes de mediunidade, isto é, a experimentação que venha a determinar se é médium de incorporação ou de outras faculdades (audição, vidência, intuição, transporte, efeitos físicos, psicográficos, etc.). 4 — Do resultado dessa verificação será o aspirante desenvolvido dentro de sua especialidade. Quanto à letra “B” 1 — O médium antes de começar o desenvolvimento deve comparecer às Sessões, sem tomar parte efetiva, a fim de receber a instrução doutrinária. 2 — Devem ser orientados de modo a quando fizerem uso do fumo, da bebida, não cuspirem. O cuspir é material e o fumo e a bebida são elementos de precipitação fluídica e, portanto, são elementos espirituais. 3) Cerimonial de Firmeza das Sessões: Há vários sistemas de se fazer a firmeza dos trabalhos: a) É feito o ritual na “porteira” antes do início dos trabalhos, acendendo-se uma vela e fazendo-se oferenda de “marafo” ao Povo da Encruzilhada, sendo no final levantado o ponto. b) São cantados três pontos para Exu, logo depois da entrada dos médiuns no terreiro e decorrido o tempo determinado no n° 1 do ritual, seguindo-se então o “defumador” e o mais. No final, também são cantados três pontos de Exu. c) A firmeza é feita por mentalização, sem nenhum ritual externo. Há ainda os que adotam conjuntamente os sistemas preconizados nas letras a e b, sendo também comum cantarem somente um ponto em que são chamadas diversas entidades da encruzilhada. Nas sessões de descarga é também chamado o povo da encruzilhada para fazer a limpeza do terreiro, as descargas para que se tornem necessárias as eliminações de vibrações e o mais de que são encarregadas essas entidades, sempre dentro do princípio da prática do bem e da neutralização dos malefícios oriundos da magia negra. Essas sessões são realizadas no princípio ou no fim de cada mês e não devem ter assistência, devendo estar presentes somente os médiuns, os ogãs, os cambonos, os diretores, enfim, a corrente da Casa. Em todas as festividades, é comum a invocação desses trabalhadores, que vão assim se integrando dentro das correntes fraternais da Umbanda. Considerações Gerais 1 — Todos os médiuns, cambonos, ogãs, dirigentes e mais membros da corrente espiritual, devem apresentar-se com uniforme e sapatos de tênis brancos, de tecido de algodão, podendo variar de tenda para tenda, mas devendo sempre ser o mesmo para cada organização.Mesmo quando o Guia trabalhar descalço deve o médium entrar no terreiro de sapatos de tênis, tudo muito limpo, tanto o corpo como o uniforme de modo a ser dada a melhor impressão aos que assistem à sessão. 2 — É permitido o uso do fumo (cachimbo ou charuto) quando solicitados pelos Guias. 3 —São permitidas aos Guias as saudações recíprocas quando incorporados, de acordo com o estilo e hierarquia de cada um, segundo instruções do Guia-chefe da Casa. 4 — Uma vez incorporado o Guia-chefe da Casa a ele compete a direção espiritual dos trabalhos, disposição dos médiuns, cambonos, ogãs, etc., sendo igualmente sua, a responsabilidade pelo que ocorrer durante os trabalhos. 5 — O Guia-chefe será sempre o primeiro a incorporar e o último a subir, não podendo haver mais nenhuma incorporação no Terreiro após a sua subida. 6 — Em dias de festa no Terreiro, são permitidas as roupas de cores, segundo a organização de cada Tenda,não significando tal permissão que sejam permitidas fantasias de caboclo ou semelhantes. 7 — Não é permitida a cobrança por qualquer trabalho ou obrigação.É sempre aconselhável quando houver necessidade de material para qualquer espécie de trabalho que sejam os próprios interessados que comprem o que for determinado pelo Guia. 4) Sessões para as crianças: 1 — As crianças não devem ser admitidas nas sessões de trabalhos ou de magia. 2 — Nas sessões de caridade podem assistir e tomar passes. 3 — Também nas sessões de desenvolvimento podem assistir, principalmente à parte doutrinária. 4 — Ressalvamos entretanto que o desenvolvimento mediúnico somente deve ser iniciado na idade adulta. 5 — Aconselhamos, de preferência a criação de sessões especiais para as crianças, onde as mesmas tomem passe se recebem orientação religiosa. 6 — É de todo o interesse que comece da infância a orientação doutrinária daqueles que serão futuramente os umbandistas e que poderão assim seguir uma diretriz firme sem confusões nem influências estranhas adquiridas na frequência de aulas de outras religiões. 5) O Batismo e a Confirmação: a) do Batismo 1—O batismo na religião de Umbanda é o primeiro contato do recém-nascido com os Guias espirituais e por isso deve ser realizado dentro do primeiro mês do nascimento. 2—As tendas devem ter um dia marcado em cada mês para essa cerimônia, de preferência em dia em que não haja outra sessão, podendo ser escolhido o domingo à tarde, com a presença dos médiuns, cambonos e ogãs uniformizados, tendo feito o ritual comum das sessões ate o n° 10, quando então o Guia-chefe ou seu preposto faria a cerimônia do batismo que o faria com água da cachoeira e luz. 3 — O padrinho assistiria ao ato com uma vela acesa na mão direita e a madrinha ficaria com a criança no colo. 4 — O ritual de abertura poderá ser reduzido com a supressão do ponto 5, sendo que a prece e a parte doutrinária (pontos 3 e 4) devem ser feitas de acordo com o objetivo da reunião. 5 — Terminado o ato, se fará o encerramento, de acordo com a abertura, isto é, se naquela foi suprimido o n°5, neste se começará do número 2. b) da Confirmação 1 — A confirmação deve ser feita na idade de 7 anos, podendo ser aproveitada uma data de ida ao Rio ou à Cachoeira, devendo o banho ser de corpo inteiro. 2 — Os padrinhos, que podem ser os mesmos do batismo ou outros, levarão velas e flores, sendo oficiante o Guia-chefe ou seu preposto. 3 — Será seguido o mesmo ritual de abertura e encerramento da cerimônia do batismo, feita a adaptação necessária. 4 — A criança deverá estar vestida toda de branco e ser enxuta após a cerimônia com uma toalha branca nova. 5 — Tanto do batismo como da confirmação será feito registro na Tenda e fornecida uma certidão aos interessados e feita uma comunicação à União que criará o seu registro próprio. 6 — Nada será cobrado pelos atos, nem pelas certidões, devendo as despesas que porventura tenham de ser feitas ser custeadas diretamente pelos interessados. 6) O Casamento: 1 — O casamento é ato de suma importância pois em sua base é construído o lar e a família é constituída,por isso deve ser dado realce especial à cerimônia com altares iluminados e enfeitados de flores, e com a presença da corrente toda uniformizada, indo a noiva de vestido branco, véu e grinalda. 2 — O ritual preparatório será o de abertura, suprimido o ponto 5, sendo que a prece (3) e a parte doutrinária (4) devem ser feitas de acordo com o objetivo do ato. 3 — Será oficiante o Guia-chefe incorporado, ou no seu impedimento o Substituto. 4 — As alianças serão cruzadas pelo Guia, devendo os padrinhos e madrinhas tomar parte na cerimônia com uma vela acesa durante o tempo todo que durar o ato. 5 — Efetuado o casamento, se fará, suprindo o ponto 1, o ritual de encerramento. 6 — A diretoria da Tenda, dentro das possibilidades, poderá oferecer uma mesa de doces e refrigerantes, para dar maior realce ao ato. 7 — Antes da realização do ato será exigida a apresentação da certidão do ato civil. 8 — Do ato será fornecida certidão e comunicado à União, que criará os registros necessários. 9 — Nada será cobrado pelo ato, nem pela certidão, devendo as despesas que porventura tenham de ser feitas ser custeadas diretamente pelos noivos. 7) Considerações Gerais: Todos os membros da corrente (médiuns, cambonos, ogãs, dirigentes, etc.), deverão apresentar-se com uniforme branco de tecido de algodão. Os homens de calça e camisa, de macacão, ou de calça e dólmã fechado no ombro; as senhoras com vestido de saia godê, de saia rodada e blusa branca (baiana), avental fechado com calça comprida como de homem, sendo que nos dois primeiros casos deve ser usada uma calça com elástico na bainha, que deve ir até o tornozelo ou pelo menos até a metade da barriga da perna. É preciso notar que essas variações acabadas de ser indicadas, não são para que numa mesma tenda cada um use um uniforme dentre os apontados, mas pelo contrário deve haver em cada Casa uniformidade absoluta de modelo de uniforme. Os médiuns, mesmo aqueles cujos protetores trabalham descalços devem entrar no terreiro de sapato branco de tênis que serão tirados depois, devendo o uniforme e os sapatos estarem irrepreensivelmente limpos, pela má impressão que causará a assistência a falta de asseio, seja no corpo seja no vestuário. 8) O Oficio dos Desencarnados: 1 — A prece pelos espíritos desencarnados, sua elucidação e orientação sempre foi feita em sessões de caridade, o que pode continuar ser feito, entretanto, devem ser feitos ofícios especiais logo após seu desencarne, na semana seguinte.Para tal objetivo devem as tendas ter um dia por semana dedicado a esses ofícios de sétimo dia, podendo ser adotado o seguinte ritual: 2 — Será constituída uma mesa de segurança e de descarga, constituída por médiuns, sob a direção do diretor de Assistência Espiritual, ou por um doutrinador de sua confiança. 3 — A abertura será a do ritual comum às sessões de caridade, sendo que os pontos 3 e 4 (prece e doutrina) serão orientados de acordo com o objetivo da elucidação dos espíritos desencarnados. 4 — Na forma habitual, feita a abertura o Guia-chefe orientará os trabalhos. 5 — Findo o ofício ou ofícios, será feito o encerramento dentro do ritual comum, seguindo-se sempre na parte de prece o objetivo da sessão. 9) O Sinai da Cruz: O sinal da cruz, símbolo do cristianismo, será feito com as seguintes palavras: Ao tocar a mão direita à frente: Em nome de Deus (em nome do Pai) (em nome de Zambi). Ao tocar a mão direita no coração: Em nome de Jesus (em nome de Oxalá). A mão direita cruzando os ombros da esquerda para a direita: Em nome do Anjo da Guarda. Pode ser feito: Em nome de Deus (ou do pai), de Jesus e do Anjo da Guarda. Em nome de Zambi, de Oxalá e do Anjo da Guarda. VOCABULÁRIO UMBANDISTA Abacê: cozinheira que prepara as comidas de santo. Acassá: bolo de milho. Agô:licença. Agô-iê: dai-me licença. Alá: dossel no terreiro, debaixo do qual se servem as comidas de santo. Amalá: comida de santo. Aparelho: médium em função. Atabaque: tambor. Babalaô: chefe de terreiro, pai de santo. Babalorixá: o mesmo que babalaô. Batuque: sapateado africano. Burro:médium em transe, Búzio: concha marinha, caracol. Cacimba: vasilha. Calundo: espírito protetor das parturientes. Calunga:cemitério. Calunga grande: mar. Cambiá: amuleto para ser enterrado. Cambono: auxiliar nos trabalhos do terreiro. Cambonocolofé: auxiliar nas cerimônias de iniciação. Candomblé: reunião de médiuns e pessoas com apetrechos apropriados para fazerem canjerê. Canjerê:despacho ou trabalho resultante dos candomblés. Canjira: local de dança. Caral: comida de santo. Cavalo:médium em transe. Coité: vasilha, cuia. Curiar: comer, beber. Curimba:dança. Domanda:questão, luta. Dumba: mulher. Ebó: milho branco preparado com azeite. Egum: espírito de pessoa falecida. Embé:sacrifício de animal. Embanda: mensageiro, porta- voz. Epó: azeite. Exu: espirito mau, demônio. Filho de Santo:médium em que se incorpora um orixá. Ganga: chefe de terreiro. Gongá: altar, santuário, local de trabalho. Guia: pulseira. Iansan: orixá feminino do vento, mulher de Xangô, patrona das mulheres livres. Santa Barbara. Ibeji:orixásgêmeos. São Cosme e São Damião. Iemanjá:orixá feminino do mar. Nossa Senhora. Jabonan:mãe do terreiro, de segunda categoria. Kalunga: espelho. Karunga: mar Macumba: vara de ipê ou bambu, cheio de dentes, com laços de fita em uma das pontas, na qual um indivíduo, com duas varinhas finas e resistentes, faz o atrito sobre os dentes, tendo uma das pontas da vara encostada na barriga e outra encostada na parede. Marafa: aguardente, paratí. Miromga:mistério. Mucamba: mulher auxiliar do terreiro. . Muginga: pipoca preparada para o ritual da troca de cabeça. Nunanga: vestes cerimoniais. Obá: céu. Ogan: babalaô de segunda categoria. Ogum:orixá das demandas. São Jorge (no Rio) e SantoAntônio (na Bahia). Omulu:orixá da morte, das pestes. SãoLázaro. Orixá: divindade secundária, espirito da luz. Otá: fetiche, imagem de um orixá. Oti:bebida. Oxalá: chefe dos orixás. Cristo. Oxóssi: orixá das matas, da caça.São Sebastiao (no Rio), São Jorge (na Bahia). Oxun:orixá feminino dos rios.Nossa Senhora. Pegi: altar. Pemba: giz, para riscar os pontos. Ponteiro: punhal. Ponto cantado: hino, canto evocativo. Ponto riscado: sinal cabalístico evocativo. Samba: mulher auxiliar da mãe de santo. Sangue:vinho. Saravá:saudação, cumprimento, “salve!” Ubá: casca de árvore. Urubatão: “caboclo”, chefe de falange. Vumbi: cerimônia fúnebre, depois da morte de um pai de santo ou de um babalaô, a fim de afastar o seu espírito da sua casa. Xangô:orixá dos raios, das tempestades. São Jerônimo. Zambi: Deus. Zumbi: chefe, rei. PARA CITAR KLOPPENBURG, Frei Boaventura. POSIÇÃO CATÓLICA PERANTE A UMBANDA – Disponível em: < http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/apologetica/espiritismo/753-posicao-catolica-perante-a-umbanda >. Desde: 27/12/2014
- Padre enfrenta autoridades que impediam celebração de missa na Nicarágua
Um padre nicaragüense denunciou a intimidação da polícia, que cercou sua paróquia na cidade de Masaya, cortou energia e água do prédio e impediu que familiares de presos políticos participassem de uma missa em sua homenagem. A missa foi celebrada em 14 de novembro, em Masaya, mas apenas um pequeno número de famílias pôde entrar na paróquia. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram o padre Edwing Roman tentando levar as famílias através das linhas policiais em frente à paróquia de St. Michael. “Queremos apenas celebrar a Eucaristia”, ele pode ser ouvido dizendo quando a polícia bloqueou seu caminho. Mais tarde, ele disse à imprensa das portas de sua paróquia: “Deixe o mundo ver e saber que não há liberdade de culto na Nicarágua”. Assista: Roman acrescentou então uma mensagem dirigida ao presidente Daniel Ortega e ao vice-presidente Rosario Murillo: “Eles estão mostrando sua fraqueza, que estão em uma posição instável e que um dia a Nicarágua os jogará na lixeira da história. . ” Os manifestantes se levantaram contra Ortega em abril de 2018, mas foram violentamente reprimidos quando ele se agarrou ao poder e os acusou de “golpe de golpe” e “terrorismo”. Grupos de direitos humanos e organizações internacionais estimam o número de mortos nos protestos em quase 300. A Anistia Internacional acusou a polícia e os paramilitares leais a Ortega de empregar uma política contra manifestantes de “atirar para matar”. Os bispos da Nicarágua pediram paz e promoveram um diálogo nacional, que foi interrompido por causa da “falta de consenso entre as partes”. Os padres também abriram paróquias para oferecer abrigo e assistência aos manifestantes feridos e acompanharam as famílias das vítimas. Os próprios bispos foram atacados e tentaram intimidar; O bispo auxiliar Silvio Jose Baez, de Manágua, um crítico franco do regime Ortega, foi chamado a Roma para sua própria segurança em abril. Baez twittou em 15 de novembro que havia conversado com Roman e a situação se acalmou, mas não depois que a polícia cortou energia e água para a paróquia. As famílias das vítimas que permaneceram dentro da igreja após a missa estavam realizando uma greve de fome, disse ele. Pelo menos 13 pessoas que tentavam levar suprimentos para os grevistas foram rejeitadas pela polícia e depois presas, segundo relatos da mídia. Roman ganhou destaque como padre atendendo às vítimas da repressão do governo, mas também sendo intimidado por seu trabalho. Via CruxNow
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- Bento XVI compõe uma nova oração: “Nossa Fé é ameaçada por mudanças, cujas modas mundanas querem sub
Por FratresInUnum.com, 18 de novembro de 2019 – Rompendo o seu silêncio, Bento XVI compôs uma oração para a Diocese austríaca de Burgenland Einsenstadt, fazendo referência ao desmantelamento da Igreja. Embora tenha sido composta em junho e divulgada agora, contém elementos significativos também em relação a episódios mais recentes, como o Sínodo da Amazônia, que na época já estava bem delineado. Leia também: Crise na Igreja é fruto da apostasia e o afastamento da fé reafirma Bento XVI Oração do Papa Bento XVI Senhor Jesus Cristo, São mais de dezenove séculos anos desde quando Vós, o Verbo eterno de Deus, entrastes no tempo e Vos fizestes carne – Vós vos fizestes homem. Não rejeitastes a Vossa natureza humana como um vestido depois de a ter assumido por pouco tempo. Não, até a Vossa morte sobre a cruz Vós a assumistes, Vós a tendes transpassada e sofrestes por ela, e permaneceis, depois de ressuscitado, homem para sempre. Na parábola, Vos comparastes com o grão de trigo que cai na terra e morre, mas não permanece isolado, antes, emerge de novo e produz constantemente fruto. Na Sagrada Eucaristia Vós sempre estais presente entre nós, Vos entregais em nossas mãos e aos nossos corações, a fim de que possa surgir uma nova humanidade. O Vosso fazer-Vos homem não é para nós uma experiência distante, ao contrário, toca a todos, chama-nos a todos. Ajudai-nos a compreender sempre mais. Ajudai-nos a viver e a morrer no segredo do grão de trigo e a contribuir com o surgimento de uma nova humanidade. Antes de deixardes este mundo e de voltardes ao Pai, para depois voltardes entre nós, Vós entregastes a alguns homens a missão de ir a todo o mundo e de batizar os povos em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. E o ser batizados nos faz ser uma nova comunidade, a Vossa Igreja. Como Vós anunciastes, este Vosso novo Corpo – que se estende por todo o mundo – se distingue pela Vossa proximidade, que anima o próprio corpo. Mas é também distinto pela nossa fragilidade, que se supera apenas lentamente. Neste momento da nossa história, agradecemo-Vos pela graça de ter-nos chamado a fazer parte da Vossa Igreja. Agradecemo-Vos pelas realidades belas e grandes que se tornam visíveis no mundo por meio dela. Pedimo-vos também que nos ajudeis a enfrentar a obscuridade que, de tempos em tempos, é sempre ameaçadoramente ativa dentro dela. (…) Leia também: Santa Missa: “A Liturgia não é show, nem espetáculo” – Papa Bento XVI A missão da Igreja é, portanto, também aquela de aglomerar as várias línguas e as histórias de cada parte em uma nova unidade. Nesta situação, pensamos antes de tudo nos inícios da Fé no interior da nossa pátria, à época em que Vós nos enviastes a grande figura de São Martinho, bispo de Tours. Martinho nasceu na nossa terra – a então província romana da Panônia – e as suas origens fazem que nos pertença para sempre de um modo especial. Seguindo a vontade do seu pai, ele se tornou um soldado romano e chegou à Gália, ao outro extremo do continente. Encontrou-vos a Vós, Senhor Jesus Cristo, na figura de um mendigo e, dividindo com ele o seu manto – a sua casa, poderíamos dizer –, Vos reconheceu no seu coração. Vós lhe concedestes um grande mestre, Hilário de Poitiers, que iluminou a sua inteligência e, de tal modo, protegeu-o das insídias do arianismo. Assim, ele foi preservado daquela falsa norma da Fé cristã, que transmitia aos povos recentemente convertidos uma imagem diminuída de Nosso Senhor e impedia, portanto, o acesso à verdadeira Fé. Seguindo as pegadas de Santo Hilário, São Martinho voltou ainda uma vez à sua terra, para, depois, retornar novamente à Gália, onde iniciou o grande ministério da sua vida. Também hoje a nossa Fé é ameaçada por mudanças reducionistas, cujas modas mudanas querem submetê-la para subtraí-la à sua grandeza. Ajudai-nos, Senhor, neste nosso tempo, a ser e a permanecer verdadeiramente católicos – a viver e a morrer na grandeza da Vossa verdade e na Vossa divindade. Dai-nos sempre bispos corajosos, que nos guiem à unidade da Fé, com os santos de todos os tempos, e nos mostrem como agir de modo adequado ao serviço da reconciliação, à qual o nosso episcopado é chamado de modo especial. Senhor Jesus Cristo, tende piedade de nós. Benedictus XVI. Mosteiro Mater Ecclesiæ, 8 de junho de 2019. Leia também: Porque muitos, mesmo dentro da Igreja, estão a caminho do inferno
- Bento XVI compõe uma nova oração: “Nossa Fé é ameaçada por mudanças, cujas modas mundanas querem sub
Por FratresInUnum.com, 18 de novembro de 2019 – Rompendo o seu silêncio, Bento XVI compôs uma oração para a Diocese austríaca de Burgenland Einsenstadt, fazendo referência ao desmantelamento da Igreja. Embora tenha sido composta em junho e divulgada agora, contém elementos significativos também em relação a episódios mais recentes, como o Sínodo da Amazônia, que na época já estava bem delineado. Leia também: Crise na Igreja é fruto da apostasia e o afastamento da fé reafirma Bento XVI Oração do Papa Bento XVI Senhor Jesus Cristo, São mais de dezenove séculos anos desde quando Vós, o Verbo eterno de Deus, entrastes no tempo e Vos fizestes carne – Vós vos fizestes homem. Não rejeitastes a Vossa natureza humana como um vestido depois de a ter assumido por pouco tempo. Não, até a Vossa morte sobre a cruz Vós a assumistes, Vós a tendes transpassada e sofrestes por ela, e permaneceis, depois de ressuscitado, homem para sempre. Na parábola, Vos comparastes com o grão de trigo que cai na terra e morre, mas não permanece isolado, antes, emerge de novo e produz constantemente fruto. Na Sagrada Eucaristia Vós sempre estais presente entre nós, Vos entregais em nossas mãos e aos nossos corações, a fim de que possa surgir uma nova humanidade. O Vosso fazer-Vos homem não é para nós uma experiência distante, ao contrário, toca a todos, chama-nos a todos. Ajudai-nos a compreender sempre mais. Ajudai-nos a viver e a morrer no segredo do grão de trigo e a contribuir com o surgimento de uma nova humanidade. Antes de deixardes este mundo e de voltardes ao Pai, para depois voltardes entre nós, Vós entregastes a alguns homens a missão de ir a todo o mundo e de batizar os povos em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. E o ser batizados nos faz ser uma nova comunidade, a Vossa Igreja. Como Vós anunciastes, este Vosso novo Corpo – que se estende por todo o mundo – se distingue pela Vossa proximidade, que anima o próprio corpo. Mas é também distinto pela nossa fragilidade, que se supera apenas lentamente. Neste momento da nossa história, agradecemo-Vos pela graça de ter-nos chamado a fazer parte da Vossa Igreja. Agradecemo-Vos pelas realidades belas e grandes que se tornam visíveis no mundo por meio dela. Pedimo-vos também que nos ajudeis a enfrentar a obscuridade que, de tempos em tempos, é sempre ameaçadoramente ativa dentro dela. (…) Leia também: Santa Missa: “A Liturgia não é show, nem espetáculo” – Papa Bento XVI A missão da Igreja é, portanto, também aquela de aglomerar as várias línguas e as histórias de cada parte em uma nova unidade. Nesta situação, pensamos antes de tudo nos inícios da Fé no interior da nossa pátria, à época em que Vós nos enviastes a grande figura de São Martinho, bispo de Tours. Martinho nasceu na nossa terra – a então província romana da Panônia – e as suas origens fazem que nos pertença para sempre de um modo especial. Seguindo a vontade do seu pai, ele se tornou um soldado romano e chegou à Gália, ao outro extremo do continente. Encontrou-vos a Vós, Senhor Jesus Cristo, na figura de um mendigo e, dividindo com ele o seu manto – a sua casa, poderíamos dizer –, Vos reconheceu no seu coração. Vós lhe concedestes um grande mestre, Hilário de Poitiers, que iluminou a sua inteligência e, de tal modo, protegeu-o das insídias do arianismo. Assim, ele foi preservado daquela falsa norma da Fé cristã, que transmitia aos povos recentemente convertidos uma imagem diminuída de Nosso Senhor e impedia, portanto, o acesso à verdadeira Fé. Seguindo as pegadas de Santo Hilário, São Martinho voltou ainda uma vez à sua terra, para, depois, retornar novamente à Gália, onde iniciou o grande ministério da sua vida. Também hoje a nossa Fé é ameaçada por mudanças reducionistas, cujas modas mudanas querem submetê-la para subtraí-la à sua grandeza. Ajudai-nos, Senhor, neste nosso tempo, a ser e a permanecer verdadeiramente católicos – a viver e a morrer na grandeza da Vossa verdade e na Vossa divindade. Dai-nos sempre bispos corajosos, que nos guiem à unidade da Fé, com os santos de todos os tempos, e nos mostrem como agir de modo adequado ao serviço da reconciliação, à qual o nosso episcopado é chamado de modo especial. Senhor Jesus Cristo, tende piedade de nós. Benedictus XVI. Mosteiro Mater Ecclesiæ, 8 de junho de 2019. Leia também: Porque muitos, mesmo dentro da Igreja, estão a caminho do inferno
- O CALVÁRIO E A MISSA – Bispo Fulton Scheen
Existem certas coisas na vida que são muito bonitas para serem esquecidas, como é o caso do amor materno. Por isso ele é guardado carinhosamente numa foto. O amor dos soldados que sacrificaram as próprias vidas pelo seu país da mesma forma é muito bonito para ser esquecido, por isso sua memória é reverenciada no Memorial Day. Mas, a maior bênção que já aconteceu aqui na terra foi a visitação do Filho de Deus em forma e vestes humanas. Sua vida, acima de todas as vidas, é bela demais para ser esquecida, por isso guardamos com carinho a divindade de Suas Palavras na Sagrada Escritura, e a caridade de Suas Ações em nossas ações cotidianas. Infelizmente, isto é tudo que algumas almas se recordam, propriamente Suas Palavras e Suas Ações; importante como são, elas não são a grande característica do Divino Salvador. O mais sublime ato na história de Cristo foi Sua Morte. Morte é sempre importante porque ela sela um destino. Todo homem morrendo é uma cena. Toda cena de morte é um lugar sagrado. É por isso que a grande literatura do passado, que abordou as emoções que acompanham a morte, nunca foi ultrapassada. Mas, de todas as mortes na lembrança do homem, nenhuma foi mais importante do que a Morte de Cristo. Todas as pessoas que nasceram neste mundo, nasceram para viver; nosso Senhor veio ao mundo para morrer. A morte foi uma pedra de tropeço na vida de Sócrates, mas ela foi a coroa da vida de Cristo. Ele mesmo nos disse que veio “para dar a sua vida em resgate de muitos”; que ninguém tiraria a sua vida; mas que ele a daria por Si mesmo. Se, então, a morte foi o supremo momento pelo qual Cristo viveu, ela foi, consequentemente, a realidade mais importante que Ele desejou que fosse lembrada. Ele não pediu para que os homens registrassem Suas Palavras numa Escritura; Ele não pediu para que a sua gentileza para com os pobres fosse gravada na História, mas ele pediu para que os homens fizessem memória de Sua Morte. E, a fim de que esta memória não tivesse nenhuma narrativa confusa por parte dos homens, Ele mesmo instituiu a maneira correta de recordá-la. O memorial foi instituído na noite anterior à Sua Morte, e desde então ficou conhecido como “A Última Ceia”. Tomando o pão em Suas Mãos, Ele disse: “Este é o meu corpo, que será entregue por vós”, isto é, entregue à morte. Depois, sobre o cálice de vinho, Ele disse: “Este é o meu sangue, do novo testamento, que será derramado por muitos para remissão dos pecados”. Desta forma, em um símbolo não sangrento de separar o Sangue do Corpo, separando a consagração do Pão e do Vinho, Cristo se comprometeu a morrer diante do olhar de Deus e dos homens, e representou Sua Morte que aconteceria no próximo dia, às três da tarde. Ele estava oferecendo a si mesmo como Vítima para ser imolada, e para que os homens nunca se esquecessem de que “não há maior amor do que dar a vida por seus amigos”, Ele deu o divino mandamento para a Igreja: “Fazei isto em minha memória”. No dia seguinte, Ele realizou em sua completude o que fora prefigurado e indicado no dia anterior, ao ser crucificado entre os dois ladrões e Seu Sangue se esvair de Seu Corpo para a redenção do mundo. A Igreja que Cristo fundou não somente preservou a Palavra que Ele falou, e as maravilhas que Ele operou; ela também O levou a sério quando Ele disse: “Fazei isto em memória de mim”. E a ação por meio da qual nós revivemos Sua Morte na Cruz é o sacrifício da Missa, no qual nós celebramos como que um memorial do que Ele fez na sua Última Ceia, para prefigurar a Sua Paixão. Por essa razão, a Missa é para nós o ápice do culto Cristão. Um púlpito no qual as palavras de nosso Senhor são repetidas não nos une a Ele; um coro no qual doces emoções são cantadas nos mantém tão distantes de Sua Cruz quanto de Suas Vestes. Um templo sem altar de sacrifício não existe entre os povos primitivos, e é sem sentido entre os cristãos. E, dessa forma, na Igreja Católica o altar, e não o púlpito ou o coro ou o órgão, é o centro da liturgia, pois nele é revivido o memorial de Sua Paixão. Seu valor não depende de quem o diz, ou de quem o ouve; seu valor depende Dele que é o único Sumo Sacerdote e Vítima, Jesus Cristo nosso Senhor. Com Ele nós estamos unidos, apesar de nosso nada; em um certo sentido, por um momento, nós perdemos a nossa individualidade; nós unimos nosso intelecto e nossa vontade, nosso coração e nossa alma, nosso corpo e nosso sangue, tão intimamente com Cristo, que o Pai Celeste não vê mais a nós por meio de nossas imperfeições, mas O vê em nós, o Filho Amado no qual Ele pôs Seu bem querer. A Missa é, por essa razão, o maior evento na história da humanidade; o único ato que protege o mundo pecaminoso da ira de Deus, porque sustenta a Cruz entre o céu e a terra, renovando, assim, o decisivo momento em que nossa triste e trágica humanidade, de forma inesperada, tomou o rumo da plenitude de uma vida sobrenatural. O que é importante, neste ponto, é que assumamos a adequada atitude mental diante da Missa, e nos lembremos deste importante fato, que o Sacrifício da Cruz não é algo que aconteceu há dezenove séculos. Ele ainda está acontecendo. Não é algo que aconteceu no passado como a assinatura da Declaração de Independência; é um drama permanente no qual a cortina ainda não foi abaixada. Não deixemos que se pense que tudo já aconteceu há muito tempo, e, dessa forma, não diz mais nada a nós a não ser como algo no passado. O Calvário pertence a todos os tempos e a todos os lugares. É por isso que, quando Nosso Senhor subiu às alturas do Calvário, foi oportunamente despojado de Suas vestes: Ele salvaria o mundo sem os ornamentos de um mundo passageiro. Suas vestes pertenciam ao tempo, porque elas O localizavam, e O fixavam como um habitante da Galileia. Agora que Ele foi despojado delas e completamente despojado de coisas terrestres, Ele não mais pertence à Galileia, nem a uma província romana, mas ao mundo. Ele se tornou o pobre universal do mundo inteiro, pertencendo não a um povo, mas a todos os homens. Para expressar melhor a universalidade da Redenção, a cruz foi levantada na encruzilhada da civilização, num ponto central entre as três grandes culturas de Jerusalém, Roma e Atenas, em nome das quais Ele foi crucificado. A cruz foi, dessa forma, afixada como um sinal diante dos olhos dos homens, para arrebatar o indolente, cativar o insensato e seduzir o mundano. Foi o único fato ineludível, ao qual as culturas e as civilizações do Seu tempo não puderam resistir. É também o único fato ineludível do nosso tempo, ao qual não podemos resistir. As personagens na Cruz são símbolos de todos os que crucificam. Nós estávamos lá em nossos representantes. O que nós fazemos agora para o Cristo Místico, eles fizeram em nossos nomes para o Cristo histórico. Se nós temos inveja dos bons, nós estávamos lá nos escribas e nos fariseus. Se temos medo de perder alguma vantagem temporal ao abraçarmos o Divino Amor e a Verdade, estivemos lá em Pilatos. Se confiamos nas forças materiais e buscamos conquistar por meio do mundo ao invés do espírito, estivemos lá em Herodes. E a história continua nos pecados comuns do mundo. Todos eles nos tornam cegos para o fato de que Ele é Deus. Existe, então, um tipo de certeza inevitável sobre a Crucifixão. Os homens que são livres para pecar são também livres para crucificar. Enquanto houver pecado no mundo a Crucifixão é uma realidade. Como o poeta colocou: “Eu vi o filho do homem passando, Coroado com uma coroa de espinhos. ‘Não estava terminado, Senhor’, disse eu, ‘E todo o sofrimento carregado?’ “Ele voltou para mim seu olhar tremendo: ‘Ainda não entendeste? Toda alma é um Calvário e todo pecado é um madeiro”. Nós estávamos lá durante a Crucifixão. O drama já foi completado no que concerne à visão de Cristo, mas ainda não foi desfraldado para todos os homens, de todos os lugares e em todos os tempos. Se o rolo de um filme, por exemplo, tivesse consciência de si mesmo, ele saberia o drama do início ao fim, mas os espectadores no cinema não saberiam até que tivessem visto o filme se desenrolar na tela. De maneira parecida, nosso Senhor na Cruz viu, em Sua mente eterna, o drama todo da história, a história de cada alma, e de como, mais tarde, ela reagiria à sua Crucifixão; mas embora Ele tenha visto tudo, nós não poderíamos saber como reagiríamos à Cruz até que nós fôssemos desenrolados na tela do tempo. Nós não tivemos consciência de estar presentes no Calvário naquele dia, mas Ele estava consciente da nossa presença. Hoje nós sabemos o papel que desempenhamos no drama do Calvário, apesar de que vivemos e atuamos agora no drama do século vinte. Por isso o Calvário é atual; porque a Cruz é Crise; porque em um certo sentido as chagas ainda estão abertas; porque a Dor ainda permanece deificada, e porque o sangue, como estrelas cadentes, está ainda gotejando sobre nossas almas. Não há escapatória da Cruz nem mesmo através de sua negação, como fizeram os fariseus; nem mesmo vendendo Cristo, como Judas fez; nem mesmo crucificando-O como fizeram os executores. Nós todos vemos isso, quer abraçando a cruz como salvação, quer fugindo dela até a desgraça. Mas, como isso se tornou visível? Onde acharemos o Calvário perpetuado? Nós acharemos o Calvário renovado, revivido, representando, assim como nós vemos, na Missa. O Calvário é um só com a Missa, a Missa é uma só com o Calvário, pois em ambos existe o mesmo Sacerdote e a mesma Vítima. Imagine então o Sumo Sacerdote Cristo deixando a sacristia do céu para o altar do Calvário. Ele já colocou a túnica da nossa natureza humana, o manípulo do nosso sofrimento, a estola do sacerdócio, a casula da Cruz. O Calvário é sua catedral; a rocha do Calvário é a pedra do altar; o sol avermelhado é a lâmpada do santuário; Maria e João são os altares laterais vivos; a Hóstia é seu Corpo; o vinho é Seu Sangue. Ele em pé é o Sacerdote, mas prostrado é a Vítima. Sua Missa está para começar. (Prólogo do livro Calvary and the Mass, do Bispo Fulton J. Sheen, traduzido pela equipe do site do Padre Paulo Ricardo)
- O DIA É HOJE – Scott Hahn medita sobre o 33º Domingo do Tempo Comum
Estamos no tempo entre a primeira e a última vinda de nosso Senhor. Vivemos no mundo novo iniciado por Sua vida, morte, Ressurreição e Ascensão, e pelo envio de Seu Espírito sobre a Igreja. Mas ainda aguardamos o dia em que Ele voltará em Sua glória. “Eis que virá o dia”, alerta Malaquias na Primeira Leitura de hoje. Os profetas ensinaram Israel a esperar pelo Dia do Senhor, quando Ele reunirá as nações para o julgamento (Sofonias 3, 8; Isaías 3, 9; 2 Pedro 3, 7). Jesus antecipa este dia no evangelho de hoje. Adverte para não sermos enganados por aqueles que afirmam que “a hora já chegou”. Esse engano também é o pano de fundo da Epístola de hoje (2 Tessalonicenses 2, 1–3). Os sinais que Jesus dá aos apóstolos parecem já ter acontecido no Novo Testamento. Nos Atos dos Apóstolos, nas Epístolas e no Apocalipse, lemos sobre fomes e terremotos, sobre a desolação do Templo. Lemos sobre as perseguições dos fiéis, que são presos e mortos, testemunhando com sabedoria a sua fé, através do Espírito. Esses “sinais” dão-nos o padrão de vida na Igreja, tanto no Novo Testamento quanto hoje. Nós também vivemos em um mundo de nações e reinos em guerra. E devemos tomar os apóstolos como nossos “modelos”, como aconselha a Epístola de hoje. Como eles, devemos perseverar na fé, diante de parentes e amigos incrédulos, e diante de forças e autoridades hostis a Deus. Como no Salmo de hoje, devemos cantar Seus louvores, proclamar alegremente Sua vinda como Senhor e Rei. O Dia do Senhor é sempre um dia que já chegou e um dia ainda por vir. É o “hoje” da nossa liturgia. Os apóstolos rezaram “marana tha”: “Vinde, Senhor!” (Coríntios 16, 22; Apocalipse 22, 20). Na Eucaristia, Ele responde, voltando novamente como o Senhor dos exércitos e o Sol da Justiça, com seus raios curativos. É um sinal poderoso; e uma promessa daquele dia que virá. https://stpaulcenter.com/audio/sunday-bible-reflections/today-is-the-day-scott-hahn-reflects-on-the-thirty-third-sunday-in-ordinary-time/
- Como um Brasileiro consegue se espantar com os abusos litúrgicos do Sínodo da Amazônia?
Sínodo da Amazônia é para os fracos… quero ver ser católico autêntico no Brasil… É difícil entender como um brasileiro ainda consegue se escandalizar com os abusos que aconteceram no Sínodo da Amazônia… No brasil é extremamente difícil encontrar paróquias que transmitam o catolicismo autêntico e uma liturgia sóbria e bem celebrada, assim como apenas 5% dos católicos frequentam a missa dominical, e menos de 1% busca viver uma vida de santidade com confissão frequente, vida de oração, etc. Tudo isso é reflexo da diluição e relativização do catolicismo nas paróquias. De fato, a grande maioria das paróquias brasileiras desenvolveram um propensão a celebrar um rito litúrgico à parte, muito diferente do que uma Santa Missa precisa ser. Grande parte deste desprezo litúrgico cresceu com a ascensão da Teologia da Libertação, e como reflexo disso notamos que em quase todas as dioceses, e na maioria das paróquias encontramos a Pastoral da Juventude e as CEBs, entre outros, que são braços bem estabelecidos dessa Teologia nefasta da Libertação que já foi inúmeras vezes condenada pela Santa Igreja. Aqueles que já presenciaram um encontro da pastoral da juventude ou das cebs, ou até mesmo celebrações cujos organizadores são formados por esses movimentos que desprezam a Sã Doutrina e a Sagrada Liturgia, sabem que tudo que aconteceu no Vaticano, aqui já acontece dez vezes pior. Durante o a reunião dos bispos em Roma, eram muitos os que diziam que “não há motivo para desespero”, ou temor por algo que poderá acontecer após o Sínodo da Amazônia. Realmente, não há o que temer, pois aqui no Brasil já estamos acostumados com coisas muito piores, portanto nada do que vier de lá poderá piorar o que já experimentamos aqui. Coisas muito mais graves, que nem foram discutidas no Sínodo já acontecem aqui há muito tempo e ninguém se preocupa! é extremamente raro encontrar numa missa sem abusos litúrgicos graves; é extremamente raro encontrar católicos que vivam a modéstia; é extremamente raro participar de uma missa cuja homilia tenha conteúdo católico relevante, que contribuam para crescimento da Fé dos fiéis; é extremamente raro encontrar um católico, clérigo ou leigo, que não relativize a doutrina católica; é extremamente raro encontrar padres que alertem os fiéis sobre os Pecados que condenam ao inferno; (leia mais sobre pecado mortal) é extremamente raro os padres alertarem os fiéis antes de entrarem na fila da comunhão, para que não cometam sacrilégio, principalmente aqueles que estão em pecado mortal, ou com roupas imodestas, ou que vivam práticas homossexuais, ou mesmo aqueles que vivem em casamentos de segunda união. Alguns até incentivam, dizendo que não há problema, e todos devem se aproximar da mesa da Eucaristia; é extremamente raro encontrar padres que incentivem e estejam dispostos a ouvir a confissão de seus fiéis a qualquer momento; etc. Com a conclusão do Sínodo, o resultado foi o que todos já prevíamos e esperávamos, por sinal, muito coerente com o conteúdo expresso no Instrumentum Laboris: “Diaconisas, Rito Amazônico e Padres Casados.”, e isso nos leva a perguntar: Diaconisas? Pra que? Na maioria das paróquias do Brasil, grande parte das comunidades realizam as “celebrações da palavra” em pleno domingos, sem se importarem com o preceito dominical da Santa Missa. Sem falar nos relatos de pessoas que participaram de encontro da CEBs em que, durante a missa, a proclamação do evangelho foi feita uma Pastora Protestante. Rito Amazônico? Pra quê? No Brasil em cada esquina encontramos as chamadas “missas de cura e libertação” com orações em língua, repouso no espirito, bandas de rock, etc… Para quê Rito Amazônico se, no Brasil já temos as famosas “missas sertanejas”, “missas afro”, “missas das crianças”, e tantas outras mais cuja liturgia celebrada contém todo tipo de abusos… Leia também: .:: Já ouviu falar em “JOELHOFOBIA”? .:: Dom Antonio Rossi Keller faz breve análise sobre liturgia nos dias atuais .:: Santa Missa: “A Liturgia não é show, nem espetáculo” – Papa Bento XVI Padres casados? Pra que? Se em muitos seminários é proibido ler livros assistir vídeos do Padre Paulo Ricardo. Há, inclusive, relatos de seminários onde este site tão rico em formações católicas é bloqueado diretamente no firewall, e aqueles que desejam assistir devem-no fazer às escondidas para não sofrer bullying ou perseguições, mas em contrapartida existem sessões de pornografia entre os seminaristas. Qual a necessidade de padres casados se existem padres que, pelo fato de usar roupas civis, que não o identificam como padre, ou seja, rejeitar o uso da batina, pode ir a qualquer lugar e ter relacionamentos com qualquer um e a qualquer momento. Leia também: A Santa Missa e os abusos litúrgicos que ofuscam sua grandeza e seu mistério Por estes e muitos outros motivos podemos repetir que Sínodo da Amazônia é para os fracos… quero ver ser católico autêntico no Brasil… Equipe Templário de Maria
- Como um Brasileiro consegue se espantar com os abusos litúrgicos do Sínodo da Amazônia?
Sínodo da Amazônia é para os fracos… quero ver ser católico autêntico no Brasil… É difícil entender como um brasileiro ainda consegue se escandalizar com os abusos que aconteceram no Sínodo da Amazônia… No brasil é extremamente difícil encontrar paróquias que transmitam o catolicismo autêntico e uma liturgia sóbria e bem celebrada, assim como apenas 5% dos católicos frequentam a missa dominical, e menos de 1% busca viver uma vida de santidade com confissão frequente, vida de oração, etc. Tudo isso é reflexo da diluição e relativização do catolicismo nas paróquias. De fato, a grande maioria das paróquias brasileiras desenvolveram um propensão a celebrar um rito litúrgico à parte, muito diferente do que uma Santa Missa precisa ser. Grande parte deste desprezo litúrgico cresceu com a ascensão da Teologia da Libertação, e como reflexo disso notamos que em quase todas as dioceses, e na maioria das paróquias encontramos a Pastoral da Juventude e as CEBs, entre outros, que são braços bem estabelecidos dessa Teologia nefasta da Libertação que já foi inúmeras vezes condenada pela Santa Igreja. Aqueles que já presenciaram um encontro da pastoral da juventude ou das cebs, ou até mesmo celebrações cujos organizadores são formados por esses movimentos que desprezam a Sã Doutrina e a Sagrada Liturgia, sabem que tudo que aconteceu no Vaticano, aqui já acontece dez vezes pior. Durante o a reunião dos bispos em Roma, eram muitos os que diziam que “não há motivo para desespero”, ou temor por algo que poderá acontecer após o Sínodo da Amazônia. Realmente, não há o que temer, pois aqui no Brasil já estamos acostumados com coisas muito piores, portanto nada do que vier de lá poderá piorar o que já experimentamos aqui. Coisas muito mais graves, que nem foram discutidas no Sínodo já acontecem aqui há muito tempo e ninguém se preocupa! é extremamente raro encontrar numa missa sem abusos litúrgicos graves; é extremamente raro encontrar católicos que vivam a modéstia; é extremamente raro participar de uma missa cuja homilia tenha conteúdo católico relevante, que contribuam para crescimento da Fé dos fiéis; é extremamente raro encontrar um católico, clérigo ou leigo, que não relativize a doutrina católica; é extremamente raro encontrar padres que alertem os fiéis sobre os Pecados que condenam ao inferno; (leia mais sobre pecado mortal) é extremamente raro os padres alertarem os fiéis antes de entrarem na fila da comunhão, para que não cometam sacrilégio, principalmente aqueles que estão em pecado mortal, ou com roupas imodestas, ou que vivam práticas homossexuais, ou mesmo aqueles que vivem em casamentos de segunda união. Alguns até incentivam, dizendo que não há problema, e todos devem se aproximar da mesa da Eucaristia; é extremamente raro encontrar padres que incentivem e estejam dispostos a ouvir a confissão de seus fiéis a qualquer momento; etc. Com a conclusão do Sínodo, o resultado foi o que todos já prevíamos e esperávamos, por sinal, muito coerente com o conteúdo expresso no Instrumentum Laboris: “Diaconisas, Rito Amazônico e Padres Casados.”, e isso nos leva a perguntar: Diaconisas? Pra que? Na maioria das paróquias do Brasil, grande parte das comunidades realizam as “celebrações da palavra” em pleno domingos, sem se importarem com o preceito dominical da Santa Missa. Sem falar nos relatos de pessoas que participaram de encontro da CEBs em que, durante a missa, a proclamação do evangelho foi feita uma Pastora Protestante. Rito Amazônico? Pra quê? No Brasil em cada esquina encontramos as chamadas “missas de cura e libertação” com orações em língua, repouso no espirito, bandas de rock, etc… Para quê Rito Amazônico se, no Brasil já temos as famosas “missas sertanejas”, “missas afro”, “missas das crianças”, e tantas outras mais cuja liturgia celebrada contém todo tipo de abusos… Leia também: .:: Já ouviu falar em “JOELHOFOBIA”? .:: Dom Antonio Rossi Keller faz breve análise sobre liturgia nos dias atuais .:: Santa Missa: “A Liturgia não é show, nem espetáculo” – Papa Bento XVI Padres casados? Pra que? Se em muitos seminários é proibido ler livros assistir vídeos do Padre Paulo Ricardo. Há, inclusive, relatos de seminários onde este site tão rico em formações católicas é bloqueado diretamente no firewall, e aqueles que desejam assistir devem-no fazer às escondidas para não sofrer bullying ou perseguições, mas em contrapartida existem sessões de pornografia entre os seminaristas. Qual a necessidade de padres casados se existem padres que, pelo fato de usar roupas civis, que não o identificam como padre, ou seja, rejeitar o uso da batina, pode ir a qualquer lugar e ter relacionamentos com qualquer um e a qualquer momento. Leia também: A Santa Missa e os abusos litúrgicos que ofuscam sua grandeza e seu mistério Por estes e muitos outros motivos podemos repetir que Sínodo da Amazônia é para os fracos… quero ver ser católico autêntico no Brasil… Equipe Templário de Maria
- Sacerdotes denunciam em Roma um provável sacrilégio contra as espécies sagradas eucarísticas
Semanas atrás, uma suposta “Missa e Mesa” que um padre argentino executou em uma casa de família (com Coca Cola e chips incluídos) foi viralizada em várias redes sociais . Cansados, talvez de tanto estrato e caos litúrgico , e seriamente fundamentados no direito canônico, um grande número de padres argentinos, de várias dioceses e comunidades, prepararam queixas criminais canônicas perante a Congregação para a Doutrina da Fé e a Congregação para a Adoração Divino, como também antes, o bispo do clero envolvido. Concordamos com um deles, talvez o melhor, e o oferecemos a nossos leitores, incluindo, como pano de fundo, como proceder em casos semelhantes, que, de fato, poderiam resultar na penalidade de excomunhão, na pior das hipóteses. Espero que prospere e acabe com esses abusos dolorosos, porque você não pode fazer o que vem à mente na liturgia, mas o que a Igreja exige. Como até o atual pontífice faz. Não seja informado … Padre Javier Olivera Ravasi, SE Sr. Promotor de Justiça da Congregação para a Doutrina da Fé Robert Joseph Geisinger, SI Palácio da Congregação para a Dottrina da Fede , Piazza del Santo Uffizio 11, 00193 Roma OBJECT Os presbíteros (editados os nomes dos vários sacerdotes de assinatura), no exercício do direito que os assiste ( Codex Iuris Canonici c. 1417 § 1), aparecem perante o Sr. Promotor de Justiça para denunciar a provável comissão de sacrilégio contra as espécies sagradas Eucarística ( CIC , c. 1367), um crime que teria ocorrido, em uma ou várias ocasiões, o presbítero Claudio Antonio Pulli e o diácono Juan José Lloveras , ambos da diocese de San Justo (Argentina). Paralelamente à alegada prática deste crime grave contra as espécies sagradas eucarísticas, numerosas transgressões, algumas graves, a outros preceitos canônicos, incluindo cc. 925, 929, 932 da CIC e muitos outros preceitos litúrgicos encontrados nos regulamentos litúrgicos (por exemplo, Congr. Culto Divino e Disc. Sacram., Instrução «Redemptionis Sacramentum» , n. 77, 94, 123, 125, 173) e nas rubricas dos próprios livros do rito romano, em qualquer uma de suas formas. Com graus variados de responsabilidade, eles também poderiam ter ocorrido o mesmo crime ou outros crimes [EDITADO] e outros fiéis leigos que não podem identificar esses reclamantes com seu próprio nome […]. Os abaixo-assinados também compareceram perante o Bispo diocesano correspondente ao local dos eventos e à Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos ( Constituição Apostólica “Pastor Bonus” , n. 63 e 66). Para fins processuais, os reclamantes estabeleceram domicílio em [EDITADO]. Concorrência Embora os queixosos censurem a transgressão a vários preceitos que seriam da competência do Ordinário local e de seus tribunais, e recentemente da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos ( Constituição Apostólica «Pastor Bonus» , n. 63 e 66) – diante de todos aqueles que também apresentaram a queixa correspondente -, a alegada prática do delito tipificada por c. 1367 da CIC constitui um delictum gravius de competência exclusiva desta Congregação, na qual o Sr. Promotor de Justiça exerce seu ofício ( Normae de delictis Congregationi pro Doctrina Fidei reservating your Standarde de delictis fidem necnon de gravioribus delictis [2010], art. 3), quem deve cuidar dessas ações e causas relacionadas ( CIC c. 1414). PROVA OFERECIDA Os reclamantes oferecem ao Sr. Promotor de Justiça as seguintes evidências: 1 – A gravação de vídeo digital apresenta o site https://www.youtube.com com o título “Quando você vir isso, ficará indignado”: 2 – Gravação de vídeo digital circulando na rede de comunicações do WhatsApp , contendo os mesmos trinta segundos relevantes do teste n ° 1 […]. 3 – Gravação de áudio atribuível ao pbro. Pulli , faça o upload para a rede de comunicação do WhatsApp e endereçado ao clero de San Justo, nos dias 25 ou 26 de outubro do corrente ano […] 4 – Transcrição, feita por esses autores da denúncia, de evidência 3 (Anexo 1). 5-6-7-8-9 E 10 – quadros [EDITADOS] reunidos em um único arquivo compactado, no seguinte link privado [EDITADO]. FUNDAMENTOS DE FATO O fato de que é o objeto dessa denúncia e cujo registro audiovisual é oferecido como prova teria ocorrido na quarta-feira, 23 de outubro do corrente ano, na casa de [EDITADO], cujo pastor é o pbro. Pulli, na cidade de La Tablada (diocese de San Justo, Argentina). Naquela casa em particular, à noite, um grupo de fiéis se reunia em volta da mesa com bebidas e bebidas (Teste 5, 6, 8), lideradas por seu pastor, o pbro. Pulli e com a presença de diac. Vai chover Nas palavras do mesmo pbro. Pulli, sua intenção era “celebrar e celebrar, fazer a missa e a mesa compartilhada” (Teste 3 [00: 54-00: 58], 4), com um grupo de catequistas da paróquia, por ocasião da recente celebração de Primeiras Comunhões (Teste 3 [00: 46-00: 51], 4). Se mantivermos as palavras de Pulli, no final da celebração da missa, o jantar teria acontecido naquela mesma mesa. A observação das imagens mostra a presença de pelo menos dois menores. Contrariamente às reivindicações do pbro. Pulli que excluiria o consumo de alimentos ou bebidas profanos durante o evento (Teste 3 [01: 00-01: 30], 4), afirma-se que alimentos profanos também circulavam entre os participantes: pelo menos uma garota é vista oferecendo, com todas naturalidade, batatas fritas de um pacote aberto para a pessoa que acabou de beber do cálice ( Teste 1 [01: 37-01: 45], 10); não se observa que ele tenha aberto o pacote de batatas naquele momento. Você também pode observar a existência, na mesa / altar, de garrafas de refrigerante parcialmente consumidas e copos cheios de bebidas (Teste 1 [01: 15-01: 22], 5), o que nos permite assumir um consumo de bebidas profanas antes ou durante a cena gravada pelas gravações de vídeo. Esta verdadeira, mas seriamente ilícita celebração da Eucaristia foi presidida pelo pbro. Pulli (Teste 1 [01: 16-01: 21], 6) e assistido por Deacon Lloveras (Teste 1 [01: 32-01: 45], 8, 9, 10), que se distingue pelos cabelos encaracolados e pelos roupas pretas, sem ornamentos litúrgicos. Embora o teste audiovisual reunido (Teste 1 e 2) permita apenas saber com certeza o que aconteceu durante breves trinta segundos dessa reunião – o que corresponderia ao Rito de Comunhão -, o Pbro é observado. Pulli preside sentado à cabeceira da mesa, alba e roubou, sem casuística (Teste 1 [01: 16-01: 21], 6), extraído de um livro que parece ser a Bíblia Sagrada ou talvez um Missal (Teste 6 ) e ao lado dele um vinagre metálico (Teste 6) que poderia conter vinho. Uma música é ouvida (Teste 1 e 2) chamada “Anjos de Deus”, de Martín Valverde, frequentemente usada – infelizmente – nas celebrações eucarísticas na Argentina. Observam-se também os fiéis passando de um para outro uma píxei (Teste 1 [01: 20-01: 29], 2) e comungando por si mesmos o que parecem ser hostes que poderiam ser assumidos pelo Corpo de Cristo (Teste 1 [01 : 27], 7); o mesmo com o cálice que pode ser temido para conter o Sangue de Cristo (Teste 1 [01: 30-01: 45], 9). Um purificador é usado com o cálice, que está às vezes nas mãos de Diácono Lloveras e às vezes nas de um fiel (Teste 1 [01: 30-01: 45], 6, 7, 8). As imagens parecem confirmar as palavras do pbro. Pulli: era uma verdadeira celebração eucarística, e não uma mera representação simbólica e catequética . Portanto, o que foi distribuído e que os fiéis consumiram foram verdadeiramente as Espécies sagradas do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. Isso também é confirmado por um participante e uma testemunha ocular que teria registrado a cena com a câmera em seu telefone celular, cujas declarações o abaixo assinado tinha conhecimento. Com um medo bem fundamentado, essa testemunha ocular se recusa a se identificar e depor publicamente. O pbro. Pulli afirma ter o hábito de “fazer missas além do templo: na rua, nas casas, na geriatria, na psiquiatria …” (Teste 3 [00: 54-00: 58], 4). Declarações de outros paroquianos do Pbro. Pulli que esses reclamantes puderam acessar, confirma a natureza usual dessas missas “além do templo”, mas afirma que elas são realizadas com mais frequência em casas particulares. Além da dúbia necessidade de fazê-lo regularmente em casas particulares (cf. CIC c. 932 § 1), isso causa medo de que os eventos relatados aqui tenham ocorrido várias vezes no passado. Deve-se notar também que, no download que foi posteriormente distribuído pela rede de comunicação do WhatsApp e oferecido aqui como evidência (3 e 4), o pbro. Pulli reconhece que os fatos podem causar escândalo e indignação (Teste 3 [00: 10-00: 17], 4), mas em nenhum momento admite ter agido errado, nem pede desculpas pelo que foi feito, além de reconhecer que “essas questões … Pessoalmente, eles me perturbam um pouco ”(Teste 3 [01: 45-01: 48], 4). Eu até parece entender que todo o problema estaria em uma difusão inconveniente nas redes sociais: “Mas, bem … eu sei que as redes são assim …”. O fato denunciado teve muita difusão nas redes de comunicação social (apenas nas visualizações do YouTube.com 1932; impossível quantificar sua difusão através da rede WhatsApp ), com o consequente escândalo dos fiéis, vários dos quais foram direcionados aos assinantes Com manifesta dor e preocupação . Nos comentários de alguns visitantes que se voltaram para o local da gravação do vídeo (https://youtu.be/7LY4STe49IU), pode-se verificar o dano e a confusão produzidos na consciência dos fiéis, uma vez que não há comentários elogiosos ou consternados das censuras. que eles também se expressam lá. DIREITOS DA LEI Em relação ao crime considerado objetivamente, ao descrever suas espécies de fato , o cânon 1367 da CIC se expressa nos seguintes termos: “As espécies consagradas de Qui abicgem automaticamente no sacrilegium finem abducit vel retinet”. A interpretação autêntica do verbo abicere , descritiva das espécies factuais , obriga a incluir nessa ação “quamlibet actionem Sacras Species voluntarie et graviter despicientem “, conforme determinado em 1999 pelo Pontifício Conselho para Textos Legislativos ( AAS , XCI [1999], pág. 918). Na nota em italiano que acompanhou a publicação deste pronunciamento, seu então presidente, o sr. Julián Herranz, destacou que «o verbo abicit não está apenas no sentido de obter via e nemmeno genericamente no sentido de profanar, principal significado amplo desprezo , spregiare , umiliare »(n. 5). Em relação à consideração subjetiva do crime, deve-se notar que no presbítero Claudio Pulli e no diácono Juan Lloveras, não é possível presumir uma ignorância irrepreensível da lei, em virtude de seu status como clérigos. Diferente pode ser a responsabilidade subjetiva da anfitriã, a Sra. [EDITADA] e os outros adultos participantes do ato reprovado, embora sua condição de catequista lhe permita assumir um conhecimento maior do que os fiéis cristãos comuns. Sem outro particular, eles o cumprimentam com estima fraterna em Jesus Cristo, nosso Senhor. [EDITADO: assinaturas dos padres denunciantes ] ANEXOS Anexo 1 – Transcrição do registro de áudio do teste 3 “Oi como estão? Espero que estejam bem. Bem Esse vídeo provavelmente chegou até você, isso … e, como nós somos, eu lhe digo. Porque, enquanto ele fala sobre, ele pode ficar chocado, então … ou indignado, talvez se alguém souber que isso provavelmente aconteceu com ele, bem, eu lhes envio esse áudio um pouco para esclarecer algumas coisas. Como você deve saber, eu faço massas além do templo: na rua, nas casas, na geriatria, na psiquiatria … Bem. E este vídeo é reproduzido brevemente … uma breve parte da missa que fiz na quarta-feira à noite com os catequistas do segundo ano, porque no sábado passado eles eram comunhões na paróquia. E então queríamos celebrar e celebrar: fazer a missa e a mesa compartilhada. Lá no vídeo, uma das coisas que ele diz é que, isto …, o padre celebrou a missa e comeu migalhas e bebeu refrigerante. Talvez o … o vídeo seja confuso, no sentido de que, ao celebrar a missa, havia refrigerantes na mesa. Mas a anfitriã colocou bebidas e refrigerantes sobre a mesa que usamos “depois” da missa: fizemos a missa, eles comungaram a missa sob as duas espécies e depois dividimos a mesa, jantamos. Bem, nada mais, para esclarecer um pouco essas questões que … pessoalmente me incomodam um pouco, mas … bem, eu sei que as redes são assim … Bem, aproveito a oportunidade para cumprimentá-lo e lhe dar um abraço. [ Anexo 2 a 7 – Estas são fotos que constituem evidências 5 a 10]
- Sacerdotes denunciam em Roma um provável sacrilégio contra as espécies sagradas eucarísticas
Semanas atrás, uma suposta “Missa e Mesa” que um padre argentino executou em uma casa de família (com Coca Cola e chips incluídos) foi viralizada em várias redes sociais . Cansados, talvez de tanto estrato e caos litúrgico , e seriamente fundamentados no direito canônico, um grande número de padres argentinos, de várias dioceses e comunidades, prepararam queixas criminais canônicas perante a Congregação para a Doutrina da Fé e a Congregação para a Adoração Divino, como também antes, o bispo do clero envolvido. Concordamos com um deles, talvez o melhor, e o oferecemos a nossos leitores, incluindo, como pano de fundo, como proceder em casos semelhantes, que, de fato, poderiam resultar na penalidade de excomunhão, na pior das hipóteses. Espero que prospere e acabe com esses abusos dolorosos, porque você não pode fazer o que vem à mente na liturgia, mas o que a Igreja exige. Como até o atual pontífice faz. Não seja informado … Padre Javier Olivera Ravasi, SE Sr. Promotor de Justiça da Congregação para a Doutrina da Fé Robert Joseph Geisinger, SI Palácio da Congregação para a Dottrina da Fede , Piazza del Santo Uffizio 11, 00193 Roma OBJECT Os presbíteros (editados os nomes dos vários sacerdotes de assinatura), no exercício do direito que os assiste ( Codex Iuris Canonici c. 1417 § 1), aparecem perante o Sr. Promotor de Justiça para denunciar a provável comissão de sacrilégio contra as espécies sagradas Eucarística ( CIC , c. 1367), um crime que teria ocorrido, em uma ou várias ocasiões, o presbítero Claudio Antonio Pulli e o diácono Juan José Lloveras , ambos da diocese de San Justo (Argentina). Paralelamente à alegada prática deste crime grave contra as espécies sagradas eucarísticas, numerosas transgressões, algumas graves, a outros preceitos canônicos, incluindo cc. 925, 929, 932 da CIC e muitos outros preceitos litúrgicos encontrados nos regulamentos litúrgicos (por exemplo, Congr. Culto Divino e Disc. Sacram., Instrução «Redemptionis Sacramentum» , n. 77, 94, 123, 125, 173) e nas rubricas dos próprios livros do rito romano, em qualquer uma de suas formas. Com graus variados de responsabilidade, eles também poderiam ter ocorrido o mesmo crime ou outros crimes [EDITADO] e outros fiéis leigos que não podem identificar esses reclamantes com seu próprio nome […]. Os abaixo-assinados também compareceram perante o Bispo diocesano correspondente ao local dos eventos e à Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos ( Constituição Apostólica “Pastor Bonus” , n. 63 e 66). Para fins processuais, os reclamantes estabeleceram domicílio em [EDITADO]. Concorrência Embora os queixosos censurem a transgressão a vários preceitos que seriam da competência do Ordinário local e de seus tribunais, e recentemente da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos ( Constituição Apostólica «Pastor Bonus» , n. 63 e 66) – diante de todos aqueles que também apresentaram a queixa correspondente -, a alegada prática do delito tipificada por c. 1367 da CIC constitui um delictum gravius de competência exclusiva desta Congregação, na qual o Sr. Promotor de Justiça exerce seu ofício ( Normae de delictis Congregationi pro Doctrina Fidei reservating your Standarde de delictis fidem necnon de gravioribus delictis [2010], art. 3), quem deve cuidar dessas ações e causas relacionadas ( CIC c. 1414). PROVA OFERECIDA Os reclamantes oferecem ao Sr. Promotor de Justiça as seguintes evidências: 1 – A gravação de vídeo digital apresenta o site https://www.youtube.com com o título “Quando você vir isso, ficará indignado”: 2 – Gravação de vídeo digital circulando na rede de comunicações do WhatsApp , contendo os mesmos trinta segundos relevantes do teste n ° 1 […]. 3 – Gravação de áudio atribuível ao pbro. Pulli , faça o upload para a rede de comunicação do WhatsApp e endereçado ao clero de San Justo, nos dias 25 ou 26 de outubro do corrente ano […] 4 – Transcrição, feita por esses autores da denúncia, de evidência 3 (Anexo 1). 5-6-7-8-9 E 10 – quadros [EDITADOS] reunidos em um único arquivo compactado, no seguinte link privado [EDITADO]. FUNDAMENTOS DE FATO O fato de que é o objeto dessa denúncia e cujo registro audiovisual é oferecido como prova teria ocorrido na quarta-feira, 23 de outubro do corrente ano, na casa de [EDITADO], cujo pastor é o pbro. Pulli, na cidade de La Tablada (diocese de San Justo, Argentina). Naquela casa em particular, à noite, um grupo de fiéis se reunia em volta da mesa com bebidas e bebidas (Teste 5, 6, 8), lideradas por seu pastor, o pbro. Pulli e com a presença de diac. Vai chover Nas palavras do mesmo pbro. Pulli, sua intenção era “celebrar e celebrar, fazer a missa e a mesa compartilhada” (Teste 3 [00: 54-00: 58], 4), com um grupo de catequistas da paróquia, por ocasião da recente celebração de Primeiras Comunhões (Teste 3 [00: 46-00: 51], 4). Se mantivermos as palavras de Pulli, no final da celebração da missa, o jantar teria acontecido naquela mesma mesa. A observação das imagens mostra a presença de pelo menos dois menores. Contrariamente às reivindicações do pbro. Pulli que excluiria o consumo de alimentos ou bebidas profanos durante o evento (Teste 3 [01: 00-01: 30], 4), afirma-se que alimentos profanos também circulavam entre os participantes: pelo menos uma garota é vista oferecendo, com todas naturalidade, batatas fritas de um pacote aberto para a pessoa que acabou de beber do cálice ( Teste 1 [01: 37-01: 45], 10); não se observa que ele tenha aberto o pacote de batatas naquele momento. Você também pode observar a existência, na mesa / altar, de garrafas de refrigerante parcialmente consumidas e copos cheios de bebidas (Teste 1 [01: 15-01: 22], 5), o que nos permite assumir um consumo de bebidas profanas antes ou durante a cena gravada pelas gravações de vídeo. Esta verdadeira, mas seriamente ilícita celebração da Eucaristia foi presidida pelo pbro. Pulli (Teste 1 [01: 16-01: 21], 6) e assistido por Deacon Lloveras (Teste 1 [01: 32-01: 45], 8, 9, 10), que se distingue pelos cabelos encaracolados e pelos roupas pretas, sem ornamentos litúrgicos. Embora o teste audiovisual reunido (Teste 1 e 2) permita apenas saber com certeza o que aconteceu durante breves trinta segundos dessa reunião – o que corresponderia ao Rito de Comunhão -, o Pbro é observado. Pulli preside sentado à cabeceira da mesa, alba e roubou, sem casuística (Teste 1 [01: 16-01: 21], 6), extraído de um livro que parece ser a Bíblia Sagrada ou talvez um Missal (Teste 6 ) e ao lado dele um vinagre metálico (Teste 6) que poderia conter vinho. Uma música é ouvida (Teste 1 e 2) chamada “Anjos de Deus”, de Martín Valverde, frequentemente usada – infelizmente – nas celebrações eucarísticas na Argentina. Observam-se também os fiéis passando de um para outro uma píxei (Teste 1 [01: 20-01: 29], 2) e comungando por si mesmos o que parecem ser hostes que poderiam ser assumidos pelo Corpo de Cristo (Teste 1 [01 : 27], 7); o mesmo com o cálice que pode ser temido para conter o Sangue de Cristo (Teste 1 [01: 30-01: 45], 9). Um purificador é usado com o cálice, que está às vezes nas mãos de Diácono Lloveras e às vezes nas de um fiel (Teste 1 [01: 30-01: 45], 6, 7, 8). As imagens parecem confirmar as palavras do pbro. Pulli: era uma verdadeira celebração eucarística, e não uma mera representação simbólica e catequética . Portanto, o que foi distribuído e que os fiéis consumiram foram verdadeiramente as Espécies sagradas do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. Isso também é confirmado por um participante e uma testemunha ocular que teria registrado a cena com a câmera em seu telefone celular, cujas declarações o abaixo assinado tinha conhecimento. Com um medo bem fundamentado, essa testemunha ocular se recusa a se identificar e depor publicamente. O pbro. Pulli afirma ter o hábito de “fazer missas além do templo: na rua, nas casas, na geriatria, na psiquiatria …” (Teste 3 [00: 54-00: 58], 4). Declarações de outros paroquianos do Pbro. Pulli que esses reclamantes puderam acessar, confirma a natureza usual dessas missas “além do templo”, mas afirma que elas são realizadas com mais frequência em casas particulares. Além da dúbia necessidade de fazê-lo regularmente em casas particulares (cf. CIC c. 932 § 1), isso causa medo de que os eventos relatados aqui tenham ocorrido várias vezes no passado. Deve-se notar também que, no download que foi posteriormente distribuído pela rede de comunicação do WhatsApp e oferecido aqui como evidência (3 e 4), o pbro. Pulli reconhece que os fatos podem causar escândalo e indignação (Teste 3 [00: 10-00: 17], 4), mas em nenhum momento admite ter agido errado, nem pede desculpas pelo que foi feito, além de reconhecer que “essas questões … Pessoalmente, eles me perturbam um pouco ”(Teste 3 [01: 45-01: 48], 4). Eu até parece entender que todo o problema estaria em uma difusão inconveniente nas redes sociais: “Mas, bem … eu sei que as redes são assim …”. O fato denunciado teve muita difusão nas redes de comunicação social (apenas nas visualizações do YouTube.com 1932; impossível quantificar sua difusão através da rede WhatsApp ), com o consequente escândalo dos fiéis, vários dos quais foram direcionados aos assinantes Com manifesta dor e preocupação . Nos comentários de alguns visitantes que se voltaram para o local da gravação do vídeo (https://youtu.be/7LY4STe49IU), pode-se verificar o dano e a confusão produzidos na consciência dos fiéis, uma vez que não há comentários elogiosos ou consternados das censuras. que eles também se expressam lá. DIREITOS DA LEI Em relação ao crime considerado objetivamente, ao descrever suas espécies de fato , o cânon 1367 da CIC se expressa nos seguintes termos: “As espécies consagradas de Qui abicgem automaticamente no sacrilegium finem abducit vel retinet”. A interpretação autêntica do verbo abicere , descritiva das espécies factuais , obriga a incluir nessa ação “quamlibet actionem Sacras Species voluntarie et graviter despicientem “, conforme determinado em 1999 pelo Pontifício Conselho para Textos Legislativos ( AAS , XCI [1999], pág. 918). Na nota em italiano que acompanhou a publicação deste pronunciamento, seu então presidente, o sr. Julián Herranz, destacou que «o verbo abicit não está apenas no sentido de obter via e nemmeno genericamente no sentido de profanar, principal significado amplo desprezo , spregiare , umiliare »(n. 5). Em relação à consideração subjetiva do crime, deve-se notar que no presbítero Claudio Pulli e no diácono Juan Lloveras, não é possível presumir uma ignorância irrepreensível da lei, em virtude de seu status como clérigos. Diferente pode ser a responsabilidade subjetiva da anfitriã, a Sra. [EDITADA] e os outros adultos participantes do ato reprovado, embora sua condição de catequista lhe permita assumir um conhecimento maior do que os fiéis cristãos comuns. Sem outro particular, eles o cumprimentam com estima fraterna em Jesus Cristo, nosso Senhor. [EDITADO: assinaturas dos padres denunciantes ] ANEXOS Anexo 1 – Transcrição do registro de áudio do teste 3 “Oi como estão? Espero que estejam bem. Bem Esse vídeo provavelmente chegou até você, isso … e, como nós somos, eu lhe digo. Porque, enquanto ele fala sobre, ele pode ficar chocado, então … ou indignado, talvez se alguém souber que isso provavelmente aconteceu com ele, bem, eu lhes envio esse áudio um pouco para esclarecer algumas coisas. Como você deve saber, eu faço massas além do templo: na rua, nas casas, na geriatria, na psiquiatria … Bem. E este vídeo é reproduzido brevemente … uma breve parte da missa que fiz na quarta-feira à noite com os catequistas do segundo ano, porque no sábado passado eles eram comunhões na paróquia. E então queríamos celebrar e celebrar: fazer a missa e a mesa compartilhada. Lá no vídeo, uma das coisas que ele diz é que, isto …, o padre celebrou a missa e comeu migalhas e bebeu refrigerante. Talvez o … o vídeo seja confuso, no sentido de que, ao celebrar a missa, havia refrigerantes na mesa. Mas a anfitriã colocou bebidas e refrigerantes sobre a mesa que usamos “depois” da missa: fizemos a missa, eles comungaram a missa sob as duas espécies e depois dividimos a mesa, jantamos. Bem, nada mais, para esclarecer um pouco essas questões que … pessoalmente me incomodam um pouco, mas … bem, eu sei que as redes são assim … Bem, aproveito a oportunidade para cumprimentá-lo e lhe dar um abraço. [ Anexo 2 a 7 – Estas são fotos que constituem evidências 5 a 10]
- SECULARISMO MILITANTE E REPRESSÃO RELIGIOSA NA AMÉRICA LATINA – Eric Patterson
Quando pensamos em locais do mundo onde a expressão de fé é restringida, não se costuma pensar no Hemisfério Ocidental. Os Estados Unidos têm uma população religiosamente ativa. A América Latina está adornada com a arte e a arquitetura do Catolicismo. Mas olhando mais de perto vemos tendências antirreligiosas – ou mesmo casos de perseguição aberta – em várias cidades da América Latina. Existem pelo menos dois tipos de perseguição religiosa. A primeira é levada a cabo por pessoas que reclamam uma justificação religiosa para fazer mal a outros, como no Iran. A segunda acontece em países como na China, onde indivíduos ou comunidades são perseguidos por causa da sua religião. O Estado Islâmico exemplifica o pior do pior: um cabal que assenta a sua autoridade em justificações explicitamente religiosas para poder praticar a violência, ao mesmo tempo que persegue comunidades com base na sua identidade religiosa. Felizmente a maior parte da América Latina não tem de lidar com conflitos ou perseguição religiosa como vemos noutras partes do mundo. Porém, olhando para a paisagem atual da América Latina, existem exemplos de perseguição explícita. Esta repressão é normalmente da responsabilidade dos velhos secularistas: autoritários movidos pelo dogma materialista, secular, anti-fé da esquerda dura do Século XX. Nalguns sítios, sobretudo em Cuba, existem restrições legais pesadas que foram desenhadas para colocar os crentes sempre em risco de violar a lei. Depois vemos esses cidadãos a serem perseguidos pela polícia, multados e detidos. Por exemplo, de acordo com o Departamento de Estado dos Estados Unidos o gabinete de Assuntos Religiosos do Partido Comunista Cubano e o Ministro da Justiça recorrem a “ameaças, restrições às viagens internacionais e internas, detenções e violência contra alguns líderes religiosos e seus seguidores, restringindo ainda os direitos dos reclusos de praticar livremente a sua religião. Os líderes religiosos e dos media dizem que o governo continua a assediar ou deter membros de grupos religiosos que lutam por mais liberdade política e religiosa.” É extremamente difícil registar uma igreja, arrendar propriedades, abrir uma nova igreja, renovar edifícios que já existem ou construir uma igreja nova em Cuba, seja protestante ou católica. Hugo Chavez e os seus sucessores têm sido muito críticos da Igreja Católica quando isso lhes convém. A Venezuela também tem assistido a um aumento grande de anti-semitismo, em larga medida devido a propaganda antijudaica e anti-Israel por parte do Governo. Tanto na Venezuela como na Nicarágua figuras religiosas, tanto clericais como leigas, têm sido investigadas, assediadas e nalguns casos acusadas e condenadas por tomarem posições públicas contra a corrupção. Hoje o México é um local religiosamente diverso e vibrante, mas também existem casos de perseguição. Alguma desta é um legado da revolução (1910-1920) e das políticas secularistas de partidos do Século XX, tal como o PRI, que governou o país anos e anos, e o PRD socialista. De acordo com pelo menos um relatório contemporâneo o México é o local mais perigoso do mundo para padres católicos e para leigos, sobretudo por se oporem aos cartéis de droga e à sua violência e corrupção. À parte disso, ainda existem no México sítios onde as autoridades locais punem – com espancamentos e prisão, entre outros – quem se converte do Catolicismo a outra fé. Infelizmente isto é um problema global: o uso de violência governamental para inibir ou punir o direito fundamental de tomar decisões religiosas, incluindo de mudar de religião, que sejam consistentes com as suas consciências. Mais a norte vemos perseguição menos violenta, mas há uma tendência para o secularismo violento que procura empurrar as pessoas, instituições e ideias religiosas para fora da praça pública. Normalmente isto é feito com expedientes jurídicos, usando como armas novas regulações de forma a retirar aos crentes o seu ganha pão e os seus direitos religiosos. No Canadá, por exemplo, o Quebec passou recentemente uma lei que impede os funcionários públicos de usar símbolos religiosos em serviço. Trata-se de uma clara violação da Constituição do Canadá, uma vez que impede um cristão de usar um pequeno crucifixo ao pescoço, um judeu de usar um quipá e uma muçulmana de cobrir o cabelo no local de trabalho. Nos Estados Unidos temos visto leis e processos semelhantes, forçando empresas privadas, organizações religiosas e instituições privadas de solidariedade social a violar as suas convicções mais profundas ao obrigá-las a pagar por contraceptivos ou sobre se os empregados têm ou não a obrigação de cumprir com os valores religiosos dos seus empregadores. Veremos a mesma coisa na América Latina num futuro próximo? Infelizmente, parece que sim. O primeiro sinal é o aumento do secularismo das populações urbanas e das elites. Segundo organizações como a Pew, e outras, há dados que apontam para níveis muito baixos de prática religiosa entre católicos, sobretudo em cidades influentes como Buenos Aires, Rio de Janeiro e La Paz. As sondagens mostram números cada vez maiores de pessoas que nem sequer fingem identificar-se culturalmente como católicas, preferindo o termo “secular”: Uruguai (42%), Cuba (25%), Chile (25%), Argentina (21%), e quase 10% no Haiti, Brasil, Venezuela, Equador e Suriname. Em segundo lugar, estamos a assistir uma campanha jurídica agressiva em muitas capitais, sobretudo no que diz respeito a questões de vida, casamento e orientação sexual/identidade de gênero. Só em 2018 o Uruguai e o Chile aprovaram leis que tornam mais fácil aos transgêneros mudar as suas identidades nos documentos oficiais; tribunais em Costa Rica e no Equador declaram inconstitucionais proibições de casamentos entre pessoas do mesmo sexo e um tribunal nas Bermudas declarou a inconstitucionalidade de uma lei que restringia o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Os media estão a desempenhar o seu papel: o melhor filme estrangeiros dos óscares o ano passado foi para um filme chileno sobre rejeição e triunfo de transgêneros que se tornou uma sensação na região. Num artigo em que documenta orgulhosamente todos estes avanços progressistas, o autor avisa que “estão a surgir sinais de uma contramaré conservadora. Liderada por evangélicos e católicos conservadores, os cidadãos estão a organizar-se para exigir o fim de políticas progressistas sobre diversidade de gênero, sexualidade e direitos reprodutivos”. O próximo passo será, logicamente, catalogar os ensinamentos religiosos sobre sexualidade como “discurso de ódio”. As primeiras tentativas já chegaram aos tribunais. Os defensores da liberdade religiosa apoiam o direito fundamental de todos os cidadãos, incluindo aqueles com quem alguns discordam, apresentarem argumentos inspirados na sua fé na praça pública. Isto devia estar acima de posições religiosas ou partidárias, sejam elas conservadoras ou progressistas. Contudo, os novos secularistas da América Latina, tal como os antigos, estão a tentar usar o poder coercivo do Governo para impor uma nova ideologia à população, uma que ameaça claramente uma visão de fé da vida, da família e das instituições fundamentais da sociedade. http://actualidadereligiosa.blogspot.com/2019/10/secularismo-militante-e-repressao.html#.XdCoI1dKjIU
- Pastor da Assembleia de Deus se “converte” ao catolicismo e leva fiéis junto
Um pastor pentecostal, acompanhado de sua família e um grupo de fiéis desligaram-se da Igreja Assembleia de Deus de Tucson, no Arizona, Estados Unidos, e se converteram ao catolicismo, passando a seguir o rito bizantino. As igrejas desse rito pertencem a um antigo ramo do catolicismo, embora sejam autônomas em relação ao rito e disciplina. De modo geral, estão igualmente submetidas ao papa e ao Vaticano. A revista National Catholic Register divulgou recentemente a história do pastor Joshua Mangels, que renunciou ao seu cargo na Assembleia de Deus no final do ano passado. Ao anunciar seu desligamento, afirmou que quem assim desejasse, poderia ir com ele. Surpreendentemente, vários membros tomaram essa decisão. Cerca de um mês depois do anúncio, foram batizados em uma igreja católica de Tucson. O pastor comentou que, embora o seu ministério na igreja pentecostal lhe desse prazer, nos últimos anos começou a se sentir “frustrado pelos vaivéns da doutrina, as modas e pressões da comercialização da igreja”. Ao voltar para casa depois de uma conferência de pastores sentia-se decepcionado e começou a escutar as homilias de um padre que um amigo lhe tinha indicado. O conteúdo das pregações, segundo Mangels, era impressionante. “Era como um gole de água fresca. Escutei durante horas”. Ele afirma que recebeu informações sobre os Padres de Igreja e parte de sua história que não conhecia. Decidiu fazer sua própria pesquisa. “Quando li os pais da Igreja, os sacramentos começaram a ter significado e comecei a ver como a Eucaristia era central para a Igreja primitiva. Se a Eucaristia foi ordenada por Cristo, quero receber isso do Senhor”, relata. Conta que ele e a esposa começaram a ler constantemente sobre a história do catolicismo e começou a ensinar os fiéis de sua igreja sobre tudo que aprendera. “Adorava pastorear, adorava pregar. Eu falava em reuniões de todo tipo, mas descobri que agora eu era católico no meu coração”, lembra Mangels. Quando ele conheceu o padre Bob Rankin, da Igreja Católica Bizantina de Tucson, começou a ouvir mais sobre a teologia dogmática e a eclesiologia católica, até que se convenceu que precisava tomar essa decisão, mesma sabendo que seria rejeitado pelos membros da sua igreja. Para sua surpresa, mais de uma dezena decidiu juntar-se a ele, enquanto a maioria continuou fazendo parte da Assembleia de Deus e procurou outro pastor para a congregação. Com informações ACI Prensa
- Brasil e mais 9 países saem de acordo pró-aborto da ONU
Tratado sobre controle populacional falava em “direitos sexuais e reprodutivos” Nesta quinta-feira (14), dez países se desligaram do acordo da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, que pede controle populacional. Uma das medidas do documento é a manutenção de “direitos sexuais e reprodutivos”, que permitiria o aborto.PUBLICIDADE Os Estados Unidos foram o primeiro país a se manifestar contra o tratado. – Não há um direito internacional ao aborto. Na verdade, as leis internacionais dizem, de forma clara, que todo mundo tem direito à vida – defendeu a representante dos Estados Unidos, Valeria Huber. As dez nações então assinaram um manifesto comum que rejeita “referências a documentos internacionais com termos e expressões ambíguas, tais como direitos sexuais e reprodutivos, que não têm um consenso internacional”. Conferência fala sobre medidas de controle populacional Foto: EFE/Edwin Álvarez Toro Os países são: Brasil, Estados Unidos, Hungria, Polônia, Belarus, Egito, Senegal, Uganda, Haiti e a ilha caribenha Santa Lúcia. Entre as críticas está a recusa em apoiar o que consideram “uma educação sexual que não consegue manter os pais envolvidos e promove o aborto como uma forma de planejamento familiar”. A Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento promove uma cúpula nesta semana em Nairóbi, no Quênia. Muitos temas abordados desde terça-feira causaram controvérsia com grupos ultraconservadores e religiosos. Eles envolvem a igualdade de gênero, o direito ao aborto, os direitos sexuais das pessoas com necessidades especiais, o planejamento familiar, a violência machista, entre outros. Fonte: PlenoNews *Com informações da Agência EFE #Aborto #Brasil
- Brasil e mais 9 países saem de acordo pró-aborto da ONU
Tratado sobre controle populacional falava em “direitos sexuais e reprodutivos” Nesta quinta-feira (14), dez países se desligaram do acordo da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, que pede controle populacional. Uma das medidas do documento é a manutenção de “direitos sexuais e reprodutivos”, que permitiria o aborto.PUBLICIDADE Os Estados Unidos foram o primeiro país a se manifestar contra o tratado. – Não há um direito internacional ao aborto. Na verdade, as leis internacionais dizem, de forma clara, que todo mundo tem direito à vida – defendeu a representante dos Estados Unidos, Valeria Huber. As dez nações então assinaram um manifesto comum que rejeita “referências a documentos internacionais com termos e expressões ambíguas, tais como direitos sexuais e reprodutivos, que não têm um consenso internacional”. Conferência fala sobre medidas de controle populacional Foto: EFE/Edwin Álvarez Toro Os países são: Brasil, Estados Unidos, Hungria, Polônia, Belarus, Egito, Senegal, Uganda, Haiti e a ilha caribenha Santa Lúcia. Entre as críticas está a recusa em apoiar o que consideram “uma educação sexual que não consegue manter os pais envolvidos e promove o aborto como uma forma de planejamento familiar”. A Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento promove uma cúpula nesta semana em Nairóbi, no Quênia. Muitos temas abordados desde terça-feira causaram controvérsia com grupos ultraconservadores e religiosos. Eles envolvem a igualdade de gênero, o direito ao aborto, os direitos sexuais das pessoas com necessidades especiais, o planejamento familiar, a violência machista, entre outros. Fonte: PlenoNews *Com informações da Agência EFE #Aborto #Brasil
- FAMÍLIA CRISTÃ E CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL
Para muita gente, por influência da mídia e das escolas, a Idade Média continua a ser uma época de trevas. Mas, para quem busca a verdade, as coisas são bem diferentes. Foi naquela “época de trevas”, por exemplo, sobretudo a partir do século X — quase um milênio depois da encarnação do Verbo —, que a Igreja Católica conseguia colher os frutos de sua educação moral sobre os povos europeus: começava, então, a definir-se aquilo que seria conhecido como Família Cristã. O cristianismo ocidental, através da Igreja, criou na Idade Média um padrão de família incomum, responsável por uma civilização absolutamente única na História. O novo padrão incluía o repúdio à poligamia, ao incesto, ao divórcio, além de desestimular os casamentos forçados e casamentos de mulheres muito jovens. O resultado foi uma sociedade muito especial: a ocidental, centrada no indivíduo, que com o passar do tempo se transformaria naquilo que o antropólogo Joseph Henrich, do Departamento de Biologia Evolutiva Humana da Universidade de Harvard, chamou de “psicologia OEIRD” (sigla composta das palavras “ocidental, educada, industrializada, rica e democrática”). Esta é a tese sustentada por ele, e seus três colaboradores, em recente e interessante artigo científico, publicado pela revista Science no dia 8 de novembro de 2019: “The Church, intensive kinship, and global psychological variation” (“A Igreja, parentesco intensivo e variação psicológica global”). Antes desse estudo, historiadores e apologistas já tinham repetido a mesma ideia (de que a civilização ocidental era fruto do cristianismo católico), mas a novidade, agora, é que o assunto recebe um tratamento mais formalmente científico, na confluência interdisciplinar da história, da psicologia e da antropologia. Embora esses novos padrões familiares criados pela Igreja já estejam bem documentados, poucos esforços foram feitos, segundo o pesquisador, para explicar de forma mais rigorosa as suas origens e suas consequências. Mais precisamente, a proposta da equipe chefiada por Joseph Henrich é que a Igreja Católica Ocidental, principalmente por sua influência na instituição do casamento durante a Idade Média, teve um papel decisivo na mudança de comportamento do homem europeu, sobretudo ao transformar as estruturas familiares de parentesco, especialmente a união matrimonial entre primos. À primeira vista, isto pareceria irrelevante aos leigos no assunto. No entanto, a verdade é que as pessoas, vivendo em sociedades com forte presença de instituições baseadas em relações de parentesco (como o já mencionado casamento entre primos), estavam mais sujeitas às exigências coletivistas. Dotadas de grande lealdade grupal, eram mais conformistas e obedientes, rendidas ao ponto de vista dos mais velhos. Como não confiavam em estranhos, nada era mais natural que a prática do nepotismo. Já nas sociedades menos sujeitas às “relações intensivas de parentesco”, como as que surgiram na Idade Média cristã — quando a Igreja não só proibiu casamento de parentes, próximos ou distantes, como incentivou o casamento por livre escolha e a residência independente dos recém casados —, desenvolveu-se nos indivíduos uma postura de maior independência, associada ao pensamento analítico e à imparcialidade no julgamento, maior confiança em pessoas estranhas, respeito a princípios morais universais. O estudo conclui que é marcante a diferença, do ponto de vista psicológico, entre as populações caracterizadas como ocidentais (educadas, industrializadas, ricas e democráticas) e o resto do mundo. O qual, como podemos facilmente constatar por nossa conta, procura participar dos benefícios produzidos por aquelas, sem contudo aderir aos princípios morais que estiveram na origem de seu desenvolvimento espiritual e material. É o caso da China e da Índia. Aliás, o próprio mundo ocidental, sem as bases cristãs que permitiram sua eclosão, será inevitavelmente desfigurado. Seus atributos diferenciadores (educação, industrialização, riqueza, democracia), desligados das fontes sobrenaturais que permitiram seu desenvolvimento mais ou menos coeso, facilmente se transformarão em ensino manipulador, progresso desumano, consumismo doentio, totalitarismo globalista.
- A IGREJA SOCIÓLOGA – Robert Sarah
Em vez de abordar a questão crucial de Deus, de fé e a missão fundamental da Igreja, que é a proclamação do Evangelho e o nome de Jesus Cristo, o único Salvador do mundo, passamos muito tempo falando sobre homossexualidade, acolhimento de migrantes, diálogo, meio ambiente , questões socioeconômicas e políticas, e toda uma estratégia de pressão é organizada para mudar os ensinamentos da Igreja sobre celibato e moral sexual. Não estou dizendo que essas questões importantes e urgentes devem ser minimizadas ou negligenciadas, porque a Igreja também deve enfrentá-las com sinceridade e à luz da revelação. No entanto, Deus é posto de lado. A crise espiritual que estamos enfrentando é quase global, mas tem sua origem na Europa. A rejeição de Deus está na consciência ocidental. Deus não apenas é rejeitado, mas Nietzsche, que poderia ser considerado o porta-voz do Ocidente, diz: “Deus está morto! Deus permanece morto. E nós o matamos… Nós somos os assassinos de Deus”. A esta morte de Deus no mundo dos homens, Nietzsche oporá a profecia do “super-homem”, que segundo ele tem tudo para substituir Deus. E eis que a profecia de Nietzsche se realiza com o transumanismo: o homem se torna Deus. https://lanuovabq.it/it/esigete-dai-pastori-la-fede-cattolica-e-digiunate-per-la-loro-codardia
- Dom Athanasius Schneider: Pachamama, ‘o novo bezerro de ouro’
Em carta aberta, Bispo Schneider condena a estátua da Pachamama como o “novo Bezerro de Ouro” O bispo Dom Athanasius Schneider lançou no último dia 26 de outubro uma carta aberta condenando fortemente o uso da estátua da Pachamama no Sínodo da Amazônia, que ocorreu entre os dias 7 e 27 de outubro, no Vaticano. Dom Athanasius conclama a todos os católicos – bispos, padres e leigos – a oferecerem atos de reparação, protesto e correção pelo uso das estátuas da Pachamama, que ele chama de “o novo Bezerro de Ouro“. Segue o texto completo da carta aberta de Dom Athanasius Schneider, que traduzimos diretamente do site católico canadense de notícias LifeSiteNews: 1. “Não terás outros deuses diante de Mim“, diz o Senhor Deus, no primeiro de Seus Mandamentos (Ex 20,3). Originalmente dado a Moisés e ao povo hebreu, este Mandamento permanece válido para todos os povos e para todos os tempos, do modo como Deus o especificou: “Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto” (Ex 20,4-5). Nosso Senhor Jesus Cristo guardou este mandamento de modo perfeito. Quando lhe foram oferecidos os reinos do mundo, desde que se prostrasse diante do diabo, Jesus respondeu: “Retira-te, Satanás! Pois está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e somente a Ele servirás‘” (Mt 4,10; Dt 6,13-14). O exemplo de Cristo, portanto, é da maior importância para todos os que desejam “o verdadeiro Deus e a vida eterna“; como exortou-nos o Apóstolo São João: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1Jo 5,20-21). Em nossos dias, esta mensagem adquire especial importância, pois o sincretismo e o paganismo são como venenos inoculados nas veias do Corpo Místico de Cristo, a Igreja. Como um sucessor dos Apóstolos, a quem foi confiado o cuidado do rebanho de Cristo, não posso permanecer em silêncio diante de tão gritantes violações da santíssima Vontade de Deus e das suas desastrosas consequências sobre as almas e sobre a Igreja como um todo e, sem dúvida, sobre toda a humanidade. É, portanto, com grande amor pelas almas de meus irmãos e irmãs que escrevo esta mensagem. 2. No dia 4 de outubro de 2019, véspera do Sínodo da Amazônia, uma cerimônia religiosa teve lugar nos jardins do Vaticano, na presença do Papa Francisco e de vários bispos e cardeais, cerimônia esta que foi conduzida, em parte, por xamãs e na qual alguns objetos simbólicos foram usados; mais especificamente, uma escultura de madeira de uma mulher grávida e nua. Estas representações são conhecidas e pertencem a rituais indígenas de tribos amazônicas, rituais de adoração à assim chamada Mãe Terra – a Pachamama. Nos dias que se seguiram, as estátuas de madeira da figura feminina nua foram também veneradas na Basílica de São Pedro, em frente ao Túmulo de São Pedro. O Papa Francisco também deu as boas vindas a dois bispos carregando em procissão, sobre seus ombros, o objeto denominado Pachamama e levando-o à sala do sínodo, onde foi colocado em lugar de honra. Estátuas da Pachamama foram também expostas na igreja de Santa Maria Transpontina. Em resposta aos protestos dos fieis católicos relativamente a esses ritos e ao uso dessas estátuas, o porta-voz do Vaticano e os membros dos comitês do Sínodo da Amazônia minimizaram ou negaram o caráter de evidente sincretismo religioso das estátuas. Suas respostas, no entanto, foram evasivas ou contraditórias – atos de malabarismo intelectual e de negação da mais óbvia evidência. A empresa norte-americana de mídia visual “Getty Images” fez uma fotografia oficial de imprensa deste ritual com a seguinte descrição: “Papa Francisco e Cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e presidente da Rede Eclesial Panamazônica (REPAM), de pé diante da estátua representando a Pachamama (Mãe Terra)“. O Pe. Paulo Suess, participante do Sínodo da Amazônia, não deixou dúvidas a respeito do caráter pagão das cerimônias com as imagens de madeira nos jardins do Vaticano e até mesmo atreveu-se a indulgenciar os ritos pagãos, dizendo: “Ainda que fosse um rito pagão, de todo modo é uma adoração pagã a Deus. Não se pode desprezar assim o paganismo, como se nada fosse” (entrevista ao site Vatican News alemão no dia 17 de outubro). Em declaração oficial, no dia 21 de outubro, a Rede Eclesial Panamazônica (REPAM) condenou o ato heróico do rapaz que jogou as estátuas de madeira no Rio Tibre como um ato de “intolerância religiosa”. Assim, foram desmascarados os truques e as mentiras com os quais negavam o caráter religioso das veneradas imagens de madeira. Os voluntários da paróquia carmelita de Santa Maria Transpontina, onde foram exibidas as estátuas de madeira, corroboraram a declaração: “A mãe [esculpida] que eu trouxe do Brasil (…) e que estava na procissão, bem, nós trouxemos do Brasil. A estátua foi esculpida por um artista indígena e nós encomendamos a ele uma peça artística que simbolizasse toda a conexão com a Mãe Terra, com a mulher, com o aspecto feminino de Deus, esse Deus que protege e nutre a vida“, declarou uma voluntária, chamando a estátua, simultaneamente, de símbolo da “Mãe Terra” e de “Pachamama”. Fontes independentes apontam que a Pachamama é um objeto de veneração, uma deusa para quem alguns indígenas bolivianos sacrificam lhamas, uma divindade da terra adorada por alguns indígenas peruanos e cujas origens remontam às crenças e práticas pagãs dos incas. 3. Católicos não podem aceitar nenhum tipo de adoração pagã ou qualquer espécie de sincretismo entre crenças e práticas pagãs e aquelas da Igreja Católica. Atos de adoração, tais como acender velas, inclinar-se, prostrar-se até o chão e dançar diante da estátua de uma mulher nua, que não representa Nossa Senhora ou qualquer santo canonizado da Igreja Católica, tudo isso viola o Primeiro Mandamento da Lei de Deus: “Não terás outros deuses diante de Mim” e a proibição explícita de Deus, que determina: “Quando levantares os olhos para o céu, e vires o sol, a lua, as estrelas e todo o exército dos céus, guarda-te de te prostrar diante deles e de render um culto a esses astros, que o Senhor, teu Deus, deu como partilha a todos os povos que vivem debaixo do céu” (Dt 4,19). E também: “Não fareis ídolos. Não levantareis estátuas nem estelas. Não poreis em vossa terra pedra alguma adornada de figuras, para vos prostrardes diante dela, porque eu sou o Senhor, vosso Deus” (Lv 26,1). Os Apóstolos proibiram até mesmo a menor alusão ou ambiguidade no que se refere aos atos de veneração dos ídolos: “Que compatibilidade pode haver entre Cristo e Belial? Ou que acordo entre o fiel e o infiel? Como conciliar o Templo de Deus e os ídolos?” (2Cor 6,15-16) e ainda: “Fugi da idolatria. Essas coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas aos demônios, não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com demônios. Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou queremos provocar a ira do Senhor? Acaso somos mais fortes do que Ele?” (1Cor 10,21-22). São Paulo, sem dúvida, repetiria estas palavras a todos aqueles que participaram ativamente nos atos de veneração das estátuas da Pachamama, que simbolizam coisas materiais ou criaturas: “Agora, porém, conhecendo a Deus, ou melhor, sendo conhecidos por Deus, como é que tornais aos elementos fracos e miseráveis, querendo de novo escravizar-vos a eles?” (Gal 4,9). Os pagãos, de fato, adoraram os elementos como se fossem coisas vivas. E observando o sincretismo dos atos religiosos praticados nos jardins do Vaticano, na Basílica de São Pedro e na igreja de Santa Maria Transpontina ou, pelo menos, a sua grande ambiguidade, São Paulo diria: “Eles adoraram e serviram às criaturas ao invés do Criador, que é bendito para sempre” (Rm 1,25). Todos os que são verdadeiramente católicos, que ainda guardam o espírito dos Apóstolos e dos mártires católicos, devem chorar e declarar, a respeito das cerimônias pagãs que tiveram lugar na Cidade Eterna, parafraseando o Salmo 79,1: “Ó Deus, os pagãos tomaram a vossa herança; profanaram a vossa cidade santa de Roma; e deixaram-na em ruínas“. 4. A tradição ininterrupta da Igreja preveniu que houvesse a mais tênue ambiguidade ou que ocorresse qualquer colaboração com atos idolátricos. As explicações dadas pelo porta-voz do Vaticano e por pessoas relacionadas com o Sínodo da Amazônia, com o objetivo de justificar a veneração religiosa da estátua de madeira de uma mulher grávida e nua, foram muito similares aos argumentos usados pelos pagãos no tempo dos Pais da Igreja, conforme o relato de Santo Atanásio. Este santo refutou os pseudo-argumentos dos pagãos e suas refutações podem ser aplicadas também às justificativas das autoridades do Vaticano. Disse Santo Atanásio: “Eles se vangloriam de adorar e servir não a paus e pedras e formas de homens e de pássaros irracionais e de criaturas rastejantes e de feras, mas o sol e a lua e tudo quanto existe no céu e também a terra, divinizando, portanto, a criação” (Contra Gentiles, 21, 1-3); e: “Eles combinam todas as coisas, como se constituíssem um só corpo, e dizem que esse todo é Deus” (Contra Gentiles, 28, 2). E ainda: “Ao invés do Deus real e verdadeiro, eles divinizaram as coisas que não são, servindo a criatura ao invés do Criador (cf. Rm 1,25) e envolvendo-se, pois, em loucura e impiedade” (Contra Gentiles, 47, 2). O apologista do século II, Atenágoras, disse, a respeito da veneração de elementos materiais pelos pagãos: “Eles divinizam os elementos e suas muitas partes, dando-lhes nomes diferentes em momentos diferentes. Eles dizem que Kronos é o tempo e que Réa é a terra e que ela ficou grávida de Kronos e deu à luz, sendo por isso considerada mãe de todos. Falharam em descobrir a grandeza de Deus, e não sendo capazes de elevar-se com sua razão (porque não tinham afinidade com as coisas celestiais), consumiram-se nas formas da matéria e, presos à terra, divinizaram as mudanças dos elementos” (Apol. 22). As seguintes palavras do Concílio de Niceia II são completamente aplicáveis a todos os clérigos que apoiaram os acima mencionados atos de sincretismo religioso em Roma: “Muitos pastores destruíram a minha vinha e profanaram a minha herança. Porque seguiram homens iníquos e, confiando em seus próprios delírios, caluniaram a Santa Igreja, que Jesus Cristo, nosso Deus, desposou, e falharam em distinguir o sagrado do profano, afirmando que os ícones do Senhor e de Seus santos não são diferentes das imagens de madeira dos ídolos satânicos“. Conforme ficou estabelecido pelo Concílio de Niceia II, a Igreja permite a veneração (com gestos exteriores de adoração, como prostrar-se, beijar e louvar) a nenhum outro símbolo, pintura ou estátua, mas somente “aos ícones de nosso Deus, Senhor e Salvador Jesus Cristo, aos ícones de Nossa Senhora Mãe de Deus, aos ícones dos veneráveis anjos e aos de todas as pessoas canonizadas. Sempre que essas representações forem contempladas, farão com que aquele que as contempla faça memória e ame ao seu protótipo“. 5. Aqueles que creem no Único e Verdadeiro Deus sempre lutaram por eliminar a adoração dos falsos deuses e por remover suas imagens do meio do povo santo de Deus. Quando os hebreus se prostraram diante da estátua do Bezerro de Ouro – encorajados e instigados pelo alto clero – Deus condenou tais atos. Seu servo Moisés também condenou esses atos de “boas-vindas e tolerância” quanto às divindades locais daqueles tempos e, derrubando a estátua [do Bezerro de Ouro], reduziu-a a pó, jogando-o na água (cf. Ex 32,20). Do mesmo modo, ordenou aos levitas que matassem todos, dentre os filhos de Israel, que haviam prestado culto ao Bezerro de Ouro (Ex 32,20-29). Ao longo dos séculos, os verdadeiros católicos sempre lutaram para derrubar os “poderes deste mundo tenebroso” (cf. Ef 6,12) e a veneração das imagens que os representam. Em meio à consternação e ao choque causado pela abominação perpetrada pelos atos religiosos sincréticos ocorridos no Vaticano, a Igreja inteira e o mundo testemunharam um ato altamente meritório, corajoso e louvável de alguns bravos rapazes católicos, que no dia 21 de outubro retiraram as estátuas idolátricas de madeira da igreja de Santa Maria Transpontina e jogaram-nas no Rio Tibre. Como novos “macabeus”, agiram no espírito da santa ira do Senhor, que expulsou os vendilhões do Templo de Jerusalém usando um chicote de cordas. O gesto desses rapazes cristãos será registrado nos anais da história da Igreja como um ato heroico que glorificou o nome dos cristãos, enquanto as ações da alta hierarquia da Igreja, daqueles que mancharam o nome dos cristãos em Roma, pelo contrário, passarão para a história como covardes e traiçoeiros atos de ambiguidade e de sincretismo. O Papa São Gregório Magno, em uma carta a Santo Etelberto, o primeiro rei cristão da Inglaterra, exorta-o a destruir as imagens dos ídolos: “Suprimi o culto dos ídolos; derrubai suas construções e santuários” (Bede, Ecclesiastical History, Livro I). São Bonifácio, apóstolo da Alemanha, derrubou com suas próprias mãos um carvalho dedicado ao ídolo Thor (ou Donar), que não era apenas um símbolo religioso, mas também de proteção dos soldados, da vegetação e até mesmo da fertilidade, na cultura originária das tribos germânicas. São Vladimir, o primeiro príncipe cristão de Kiev, foi ao local onde estavam os ídolos de madeira que ele mesmo havia erigido, derrubou-os e os fez em pedaços. Quanto à estátua de madeira do principal deus pagão, Perun, ele jogou-a no Rio Dnieper. O ato heroico desses rapazes cristãos que, no dia 21 de outubro, jogaram no Rio Tibre as estátuas de madeira da cultura indígena pagã das tribos amazônicas, faz lembrar também o que fez São Vladimir em seu tempo. Se os atos de Moisés, de Nosso Senhor Jesus Cristo ao expulsar violentamente os vendilhões do Templo, de São Bonifácio e de São Vladimir tivessem ocorrido em nossos tempos, os porta-vozes do Vaticano certamente os teriam condenado como atos de intolerância cultural e religiosa e como roubo. 6. A sentença do documento de Abu Dhabi, na qual se lê: “O pluralismo e a diversidade de religiões, cores, sexo, raça e língua são desejados por Deus em Sua Sabedoria“, encontra sua realização prática nas cerimônias, realizadas no Vaticano, de veneração das estátuas de madeira, as quais representam divindades pagãs ou símbolos de fertilidade da cultura indígena. É a consequência lógica e prática da declaração de Abu Dhabi. 7. Em vista do que requer o autêntico culto e adoração do Deus Único e Verdadeiro, da Santíssima Trindade e de nosso Salvador Jesus Cristo; em virtude da minha ordenação como bispo católico e sucessor dos Apóstolos; e em verdadeira fidelidade e amor pelo Romano Pontífice, o Sucessor de Pedro, e por sua missão de presidir sobre a “cátedra da verdade” (cathedra veritatis), eu condeno a veneração do símbolo pagão da Pachamama nos jardins do Vaticano, na Basílica de São Pedro e na igreja romana de Santa Maria Transpontina. Seria bom que todos os verdadeiros católicos, em primeiro lugar e principalmente os bispos, mas depois também os padres e os fieis leigos, formassem uma cadeia mundial de oração e atos de reparação pela abominação da veneração de ídolos de madeira, perpetrada em Roma durante o Sínodo da Amazônia. Em face de tão evidente escândalo, é impossível que um bispo católico permaneça em silêncio; seria indigno de um sucessor dos Apóstolos. O primeiro na Igreja que deveria condenar tais atos e fazer reparação é o Papa Francisco. A reação honesta e cristã à dança em volta da Pachamama, o novo Bezerro de Ouro, no Vaticano, deveria consistir em um protesto digno, em uma correção deste erro e, acima de tudo, em atos de reparação. Com lágrimas nos olhos e com sincera dor no coração, cada um deve oferecer a Deus orações de intercessão e reparação pela eterna salvação da alma do Papa Francisco, o Vigário de Cristo na terra, e pela salvação dos padres e dos fieis católicos que realizaram os mencionados atos de adoração, os quais são proibidos pela Revelação Divina. Propõe-se, para tanto, a seguinte oração: Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, recebei pela mãos da Imaculada Mãe de Deus e Sempre Virgem Maria, dos nossos corações contritos, um sincero ato de reparação pelos atos de adoração aos ídolos de madeira e símbolos, que ocorreram em Roma, a Cidade Eterna e o coração do mundo católico, durante o Sínodo para a Amazônia. Derramai no coração do nosso Santo Padre, o Papa Francisco, dos cardeais, dos bispos, dos padres e dos fieis leigos, o Vosso Espírito, que expulsará as trevas de suas mentes, a fim de que possam reconhecer a impiedade de tais atos, os quais ofenderam a Vossa Divina Majestade, e Vos ofereçam atos de reparação públicos e privados. Derramai sobre todos os membros da Igreja a luz da plenitude e da beleza da fé católica. Acendei neles um zelo ardente por levar a salvação de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, a todos os homens; em especial aos povos da região amazônica, que ainda estão escravizados no serviço de coisas frágeis e pereciveis, como são os ídolos mudos e surdos da “mãe terra”; para todos os povos e especialmente aos povos das tribos amazônicas, que não receberam a liberdade dos filhos de Deus e que não possuem a inexprimível felicidade de conhecer a Jesus Cristo e de ter, nEle, participação na vida de sua divina natureza. Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, Vós, que sois o Deus Único e Verdadeiro, fora de quem não há outro deus e não há salvação, tende piedade de Vossa Igreja. Olhai especialmente para as lágrimas e para os suspiros contritos e humildes dos pequenos na Igreja, olhai para as lágrimas e para as orações das crianças, dos adolescentes, dos jovens, dos pais e mães de família e também dos verdadeiros heróis católicos, que em seu zelo por Vossa glória e em seu amor pela Mãe Igreja jogaram na água os símbolos da abominação com que foi profanada. Tende piedade de nós! Poupai-nos, ó Senhor! Perdoai-nos, Senhor! Parce Domine! Tende piedade de nós! Kyrie eleison! Via Paraclitus | LifeSiteNews
- Dom Athanasius Schneider: Pachamama, ‘o novo bezerro de ouro’
Em carta aberta, Bispo Schneider condena a estátua da Pachamama como o “novo Bezerro de Ouro” O bispo Dom Athanasius Schneider lançou no último dia 26 de outubro uma carta aberta condenando fortemente o uso da estátua da Pachamama no Sínodo da Amazônia, que ocorreu entre os dias 7 e 27 de outubro, no Vaticano. Dom Athanasius conclama a todos os católicos – bispos, padres e leigos – a oferecerem atos de reparação, protesto e correção pelo uso das estátuas da Pachamama, que ele chama de “o novo Bezerro de Ouro“. Segue o texto completo da carta aberta de Dom Athanasius Schneider, que traduzimos diretamente do site católico canadense de notícias LifeSiteNews: 1. “Não terás outros deuses diante de Mim“, diz o Senhor Deus, no primeiro de Seus Mandamentos (Ex 20,3). Originalmente dado a Moisés e ao povo hebreu, este Mandamento permanece válido para todos os povos e para todos os tempos, do modo como Deus o especificou: “Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto” (Ex 20,4-5). Nosso Senhor Jesus Cristo guardou este mandamento de modo perfeito. Quando lhe foram oferecidos os reinos do mundo, desde que se prostrasse diante do diabo, Jesus respondeu: “Retira-te, Satanás! Pois está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e somente a Ele servirás‘” (Mt 4,10; Dt 6,13-14). O exemplo de Cristo, portanto, é da maior importância para todos os que desejam “o verdadeiro Deus e a vida eterna“; como exortou-nos o Apóstolo São João: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1Jo 5,20-21). Em nossos dias, esta mensagem adquire especial importância, pois o sincretismo e o paganismo são como venenos inoculados nas veias do Corpo Místico de Cristo, a Igreja. Como um sucessor dos Apóstolos, a quem foi confiado o cuidado do rebanho de Cristo, não posso permanecer em silêncio diante de tão gritantes violações da santíssima Vontade de Deus e das suas desastrosas consequências sobre as almas e sobre a Igreja como um todo e, sem dúvida, sobre toda a humanidade. É, portanto, com grande amor pelas almas de meus irmãos e irmãs que escrevo esta mensagem. 2. No dia 4 de outubro de 2019, véspera do Sínodo da Amazônia, uma cerimônia religiosa teve lugar nos jardins do Vaticano, na presença do Papa Francisco e de vários bispos e cardeais, cerimônia esta que foi conduzida, em parte, por xamãs e na qual alguns objetos simbólicos foram usados; mais especificamente, uma escultura de madeira de uma mulher grávida e nua. Estas representações são conhecidas e pertencem a rituais indígenas de tribos amazônicas, rituais de adoração à assim chamada Mãe Terra – a Pachamama. Nos dias que se seguiram, as estátuas de madeira da figura feminina nua foram também veneradas na Basílica de São Pedro, em frente ao Túmulo de São Pedro. O Papa Francisco também deu as boas vindas a dois bispos carregando em procissão, sobre seus ombros, o objeto denominado Pachamama e levando-o à sala do sínodo, onde foi colocado em lugar de honra. Estátuas da Pachamama foram também expostas na igreja de Santa Maria Transpontina. Em resposta aos protestos dos fieis católicos relativamente a esses ritos e ao uso dessas estátuas, o porta-voz do Vaticano e os membros dos comitês do Sínodo da Amazônia minimizaram ou negaram o caráter de evidente sincretismo religioso das estátuas. Suas respostas, no entanto, foram evasivas ou contraditórias – atos de malabarismo intelectual e de negação da mais óbvia evidência. A empresa norte-americana de mídia visual “Getty Images” fez uma fotografia oficial de imprensa deste ritual com a seguinte descrição: “Papa Francisco e Cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e presidente da Rede Eclesial Panamazônica (REPAM), de pé diante da estátua representando a Pachamama (Mãe Terra)“. O Pe. Paulo Suess, participante do Sínodo da Amazônia, não deixou dúvidas a respeito do caráter pagão das cerimônias com as imagens de madeira nos jardins do Vaticano e até mesmo atreveu-se a indulgenciar os ritos pagãos, dizendo: “Ainda que fosse um rito pagão, de todo modo é uma adoração pagã a Deus. Não se pode desprezar assim o paganismo, como se nada fosse” (entrevista ao site Vatican News alemão no dia 17 de outubro). Em declaração oficial, no dia 21 de outubro, a Rede Eclesial Panamazônica (REPAM) condenou o ato heróico do rapaz que jogou as estátuas de madeira no Rio Tibre como um ato de “intolerância religiosa”. Assim, foram desmascarados os truques e as mentiras com os quais negavam o caráter religioso das veneradas imagens de madeira. Os voluntários da paróquia carmelita de Santa Maria Transpontina, onde foram exibidas as estátuas de madeira, corroboraram a declaração: “A mãe [esculpida] que eu trouxe do Brasil (…) e que estava na procissão, bem, nós trouxemos do Brasil. A estátua foi esculpida por um artista indígena e nós encomendamos a ele uma peça artística que simbolizasse toda a conexão com a Mãe Terra, com a mulher, com o aspecto feminino de Deus, esse Deus que protege e nutre a vida“, declarou uma voluntária, chamando a estátua, simultaneamente, de símbolo da “Mãe Terra” e de “Pachamama”. Fontes independentes apontam que a Pachamama é um objeto de veneração, uma deusa para quem alguns indígenas bolivianos sacrificam lhamas, uma divindade da terra adorada por alguns indígenas peruanos e cujas origens remontam às crenças e práticas pagãs dos incas. 3. Católicos não podem aceitar nenhum tipo de adoração pagã ou qualquer espécie de sincretismo entre crenças e práticas pagãs e aquelas da Igreja Católica. Atos de adoração, tais como acender velas, inclinar-se, prostrar-se até o chão e dançar diante da estátua de uma mulher nua, que não representa Nossa Senhora ou qualquer santo canonizado da Igreja Católica, tudo isso viola o Primeiro Mandamento da Lei de Deus: “Não terás outros deuses diante de Mim” e a proibição explícita de Deus, que determina: “Quando levantares os olhos para o céu, e vires o sol, a lua, as estrelas e todo o exército dos céus, guarda-te de te prostrar diante deles e de render um culto a esses astros, que o Senhor, teu Deus, deu como partilha a todos os povos que vivem debaixo do céu” (Dt 4,19). E também: “Não fareis ídolos. Não levantareis estátuas nem estelas. Não poreis em vossa terra pedra alguma adornada de figuras, para vos prostrardes diante dela, porque eu sou o Senhor, vosso Deus” (Lv 26,1). Os Apóstolos proibiram até mesmo a menor alusão ou ambiguidade no que se refere aos atos de veneração dos ídolos: “Que compatibilidade pode haver entre Cristo e Belial? Ou que acordo entre o fiel e o infiel? Como conciliar o Templo de Deus e os ídolos?” (2Cor 6,15-16) e ainda: “Fugi da idolatria. Essas coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas aos demônios, não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com demônios. Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou queremos provocar a ira do Senhor? Acaso somos mais fortes do que Ele?” (1Cor 10,21-22). São Paulo, sem dúvida, repetiria estas palavras a todos aqueles que participaram ativamente nos atos de veneração das estátuas da Pachamama, que simbolizam coisas materiais ou criaturas: “Agora, porém, conhecendo a Deus, ou melhor, sendo conhecidos por Deus, como é que tornais aos elementos fracos e miseráveis, querendo de novo escravizar-vos a eles?” (Gal 4,9). Os pagãos, de fato, adoraram os elementos como se fossem coisas vivas. E observando o sincretismo dos atos religiosos praticados nos jardins do Vaticano, na Basílica de São Pedro e na igreja de Santa Maria Transpontina ou, pelo menos, a sua grande ambiguidade, São Paulo diria: “Eles adoraram e serviram às criaturas ao invés do Criador, que é bendito para sempre” (Rm 1,25). Todos os que são verdadeiramente católicos, que ainda guardam o espírito dos Apóstolos e dos mártires católicos, devem chorar e declarar, a respeito das cerimônias pagãs que tiveram lugar na Cidade Eterna, parafraseando o Salmo 79,1: “Ó Deus, os pagãos tomaram a vossa herança; profanaram a vossa cidade santa de Roma; e deixaram-na em ruínas“. 4. A tradição ininterrupta da Igreja preveniu que houvesse a mais tênue ambiguidade ou que ocorresse qualquer colaboração com atos idolátricos. As explicações dadas pelo porta-voz do Vaticano e por pessoas relacionadas com o Sínodo da Amazônia, com o objetivo de justificar a veneração religiosa da estátua de madeira de uma mulher grávida e nua, foram muito similares aos argumentos usados pelos pagãos no tempo dos Pais da Igreja, conforme o relato de Santo Atanásio. Este santo refutou os pseudo-argumentos dos pagãos e suas refutações podem ser aplicadas também às justificativas das autoridades do Vaticano. Disse Santo Atanásio: “Eles se vangloriam de adorar e servir não a paus e pedras e formas de homens e de pássaros irracionais e de criaturas rastejantes e de feras, mas o sol e a lua e tudo quanto existe no céu e também a terra, divinizando, portanto, a criação” (Contra Gentiles, 21, 1-3); e: “Eles combinam todas as coisas, como se constituíssem um só corpo, e dizem que esse todo é Deus” (Contra Gentiles, 28, 2). E ainda: “Ao invés do Deus real e verdadeiro, eles divinizaram as coisas que não são, servindo a criatura ao invés do Criador (cf. Rm 1,25) e envolvendo-se, pois, em loucura e impiedade” (Contra Gentiles, 47, 2). O apologista do século II, Atenágoras, disse, a respeito da veneração de elementos materiais pelos pagãos: “Eles divinizam os elementos e suas muitas partes, dando-lhes nomes diferentes em momentos diferentes. Eles dizem que Kronos é o tempo e que Réa é a terra e que ela ficou grávida de Kronos e deu à luz, sendo por isso considerada mãe de todos. Falharam em descobrir a grandeza de Deus, e não sendo capazes de elevar-se com sua razão (porque não tinham afinidade com as coisas celestiais), consumiram-se nas formas da matéria e, presos à terra, divinizaram as mudanças dos elementos” (Apol. 22). As seguintes palavras do Concílio de Niceia II são completamente aplicáveis a todos os clérigos que apoiaram os acima mencionados atos de sincretismo religioso em Roma: “Muitos pastores destruíram a minha vinha e profanaram a minha herança. Porque seguiram homens iníquos e, confiando em seus próprios delírios, caluniaram a Santa Igreja, que Jesus Cristo, nosso Deus, desposou, e falharam em distinguir o sagrado do profano, afirmando que os ícones do Senhor e de Seus santos não são diferentes das imagens de madeira dos ídolos satânicos“. Conforme ficou estabelecido pelo Concílio de Niceia II, a Igreja permite a veneração (com gestos exteriores de adoração, como prostrar-se, beijar e louvar) a nenhum outro símbolo, pintura ou estátua, mas somente “aos ícones de nosso Deus, Senhor e Salvador Jesus Cristo, aos ícones de Nossa Senhora Mãe de Deus, aos ícones dos veneráveis anjos e aos de todas as pessoas canonizadas. Sempre que essas representações forem contempladas, farão com que aquele que as contempla faça memória e ame ao seu protótipo“. 5. Aqueles que creem no Único e Verdadeiro Deus sempre lutaram por eliminar a adoração dos falsos deuses e por remover suas imagens do meio do povo santo de Deus. Quando os hebreus se prostraram diante da estátua do Bezerro de Ouro – encorajados e instigados pelo alto clero – Deus condenou tais atos. Seu servo Moisés também condenou esses atos de “boas-vindas e tolerância” quanto às divindades locais daqueles tempos e, derrubando a estátua [do Bezerro de Ouro], reduziu-a a pó, jogando-o na água (cf. Ex 32,20). Do mesmo modo, ordenou aos levitas que matassem todos, dentre os filhos de Israel, que haviam prestado culto ao Bezerro de Ouro (Ex 32,20-29). Ao longo dos séculos, os verdadeiros católicos sempre lutaram para derrubar os “poderes deste mundo tenebroso” (cf. Ef 6,12) e a veneração das imagens que os representam. Em meio à consternação e ao choque causado pela abominação perpetrada pelos atos religiosos sincréticos ocorridos no Vaticano, a Igreja inteira e o mundo testemunharam um ato altamente meritório, corajoso e louvável de alguns bravos rapazes católicos, que no dia 21 de outubro retiraram as estátuas idolátricas de madeira da igreja de Santa Maria Transpontina e jogaram-nas no Rio Tibre. Como novos “macabeus”, agiram no espírito da santa ira do Senhor, que expulsou os vendilhões do Templo de Jerusalém usando um chicote de cordas. O gesto desses rapazes cristãos será registrado nos anais da história da Igreja como um ato heroico que glorificou o nome dos cristãos, enquanto as ações da alta hierarquia da Igreja, daqueles que mancharam o nome dos cristãos em Roma, pelo contrário, passarão para a história como covardes e traiçoeiros atos de ambiguidade e de sincretismo. O Papa São Gregório Magno, em uma carta a Santo Etelberto, o primeiro rei cristão da Inglaterra, exorta-o a destruir as imagens dos ídolos: “Suprimi o culto dos ídolos; derrubai suas construções e santuários” (Bede, Ecclesiastical History, Livro I). São Bonifácio, apóstolo da Alemanha, derrubou com suas próprias mãos um carvalho dedicado ao ídolo Thor (ou Donar), que não era apenas um símbolo religioso, mas também de proteção dos soldados, da vegetação e até mesmo da fertilidade, na cultura originária das tribos germânicas. São Vladimir, o primeiro príncipe cristão de Kiev, foi ao local onde estavam os ídolos de madeira que ele mesmo havia erigido, derrubou-os e os fez em pedaços. Quanto à estátua de madeira do principal deus pagão, Perun, ele jogou-a no Rio Dnieper. O ato heroico desses rapazes cristãos que, no dia 21 de outubro, jogaram no Rio Tibre as estátuas de madeira da cultura indígena pagã das tribos amazônicas, faz lembrar também o que fez São Vladimir em seu tempo. Se os atos de Moisés, de Nosso Senhor Jesus Cristo ao expulsar violentamente os vendilhões do Templo, de São Bonifácio e de São Vladimir tivessem ocorrido em nossos tempos, os porta-vozes do Vaticano certamente os teriam condenado como atos de intolerância cultural e religiosa e como roubo. 6. A sentença do documento de Abu Dhabi, na qual se lê: “O pluralismo e a diversidade de religiões, cores, sexo, raça e língua são desejados por Deus em Sua Sabedoria“, encontra sua realização prática nas cerimônias, realizadas no Vaticano, de veneração das estátuas de madeira, as quais representam divindades pagãs ou símbolos de fertilidade da cultura indígena. É a consequência lógica e prática da declaração de Abu Dhabi. 7. Em vista do que requer o autêntico culto e adoração do Deus Único e Verdadeiro, da Santíssima Trindade e de nosso Salvador Jesus Cristo; em virtude da minha ordenação como bispo católico e sucessor dos Apóstolos; e em verdadeira fidelidade e amor pelo Romano Pontífice, o Sucessor de Pedro, e por sua missão de presidir sobre a “cátedra da verdade” (cathedra veritatis), eu condeno a veneração do símbolo pagão da Pachamama nos jardins do Vaticano, na Basílica de São Pedro e na igreja romana de Santa Maria Transpontina. Seria bom que todos os verdadeiros católicos, em primeiro lugar e principalmente os bispos, mas depois também os padres e os fieis leigos, formassem uma cadeia mundial de oração e atos de reparação pela abominação da veneração de ídolos de madeira, perpetrada em Roma durante o Sínodo da Amazônia. Em face de tão evidente escândalo, é impossível que um bispo católico permaneça em silêncio; seria indigno de um sucessor dos Apóstolos. O primeiro na Igreja que deveria condenar tais atos e fazer reparação é o Papa Francisco. A reação honesta e cristã à dança em volta da Pachamama, o novo Bezerro de Ouro, no Vaticano, deveria consistir em um protesto digno, em uma correção deste erro e, acima de tudo, em atos de reparação. Com lágrimas nos olhos e com sincera dor no coração, cada um deve oferecer a Deus orações de intercessão e reparação pela eterna salvação da alma do Papa Francisco, o Vigário de Cristo na terra, e pela salvação dos padres e dos fieis católicos que realizaram os mencionados atos de adoração, os quais são proibidos pela Revelação Divina. Propõe-se, para tanto, a seguinte oração: Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, recebei pela mãos da Imaculada Mãe de Deus e Sempre Virgem Maria, dos nossos corações contritos, um sincero ato de reparação pelos atos de adoração aos ídolos de madeira e símbolos, que ocorreram em Roma, a Cidade Eterna e o coração do mundo católico, durante o Sínodo para a Amazônia. Derramai no coração do nosso Santo Padre, o Papa Francisco, dos cardeais, dos bispos, dos padres e dos fieis leigos, o Vosso Espírito, que expulsará as trevas de suas mentes, a fim de que possam reconhecer a impiedade de tais atos, os quais ofenderam a Vossa Divina Majestade, e Vos ofereçam atos de reparação públicos e privados. Derramai sobre todos os membros da Igreja a luz da plenitude e da beleza da fé católica. Acendei neles um zelo ardente por levar a salvação de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, a todos os homens; em especial aos povos da região amazônica, que ainda estão escravizados no serviço de coisas frágeis e pereciveis, como são os ídolos mudos e surdos da “mãe terra”; para todos os povos e especialmente aos povos das tribos amazônicas, que não receberam a liberdade dos filhos de Deus e que não possuem a inexprimível felicidade de conhecer a Jesus Cristo e de ter, nEle, participação na vida de sua divina natureza. Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, Vós, que sois o Deus Único e Verdadeiro, fora de quem não há outro deus e não há salvação, tende piedade de Vossa Igreja. Olhai especialmente para as lágrimas e para os suspiros contritos e humildes dos pequenos na Igreja, olhai para as lágrimas e para as orações das crianças, dos adolescentes, dos jovens, dos pais e mães de família e também dos verdadeiros heróis católicos, que em seu zelo por Vossa glória e em seu amor pela Mãe Igreja jogaram na água os símbolos da abominação com que foi profanada. Tende piedade de nós! Poupai-nos, ó Senhor! Perdoai-nos, Senhor! Parce Domine! Tende piedade de nós! Kyrie eleison! Via Paraclitus | LifeSiteNews
- Aparições de Nossa Senhora em Akita, Japão
Onde aconteceu: No Japão. Quando: Em 1973. A quem apareceu: A Irmã Agnes Sasagawa Katsuko. Histórico. Akita é uma cidade situada a noroeste do Japão. Os acontecimentos se deram num pequeno convento de Irmãs chamado de: “Instituto das Servas da Eucaristia”. O instrumento que a Virgem Santíssima escolheu para transmitir Sua mensagem ao mundo, foi a Irmã Agnes Sasagawa Katsuko. Ela tinha um problema de ouvidos que por ocasião destes acontecimentos estava completamente surda. Na capela das Irmãs há uma estátua de madeira, em que fora talhada uma Cruz (aproximadamente um metro de altura) e, em frente à cruz foi esculpida a imagem da Virgem MARIA. No ano 1973 nos dias 12,13 e 14 de junho, a irmã Inês viu raios luminosos em roda do Sacrário. No dia 28 junho quinta-feira, uma ferida em forma de cruz apareceu na palma da mão esquerda, causando-lhe vivíssimas dores. A noite, a ferida estava seca, mas inchada; na sexta-feira de manhã, o sangue corria; no sábado o sangue parava e a chaga ficava seca. No dia 29 sexta-feira (Festa do S. Coração de Jesus), apareceram dois anjos em volta do altar, cantando: “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus da Glória!” Todas as religiosas viram os anjos e ouviram o canto. No dia 5 julho, a surda irmã Agnes, na capela, ouviu uma voz dulcíssima e melodiosa que vinha da imagem de madeira. Se preferir, antes de continuar a leitura, assista resumo neste vídeo: Leia também Urgente! Vidente de Akita, Japão, recebe nova revelação Primeira Mensagem (dia 6 de julho de 1973). “Minha filha, minha noviça, você tem me obedecido bem, abandonando tudo para me seguir. A doença em seus ouvidos é dolorosa? Sua surdez será curada, tenha certeza. A ferida em sua mão causa-lhe sofrimento? Reze em reparação pelos pecados dos homens. Cada pessoa nesta comunidade é minha filha insubstituível. Você reza direito a prece das Servas da Eucaristia? Então, vamos rezá-la juntas.” A oração: “Sacratíssimo Coração de Jesus, verdadeiramente presente na Sagrada Eucaristia, eu consagro meu corpo e minha alma para ser inteiramente um com Vosso Coração, sendo sacrificado a cada instante em todos os altares do mundo e dando louvor ao Pai implorando pela vinda do Seu Reino. Por favor receba este humilde oferecimento de mim mesma. Use-me como Vós desejais para a glória do Pai e a salvação das almas. Santíssima Mãe de Deus, nunca me deixe ficar separada de Vosso Divino Filho. Por favor defendei-me e protegei-me como Vossa Especial Filha. Amém.” Quando a prece acabou, a Voz Celeste disse: “Reze muito pelo Papa, Bispos, e Sacerdotes. Desde o seu Batismo você tem sempre rezado fielmente por eles. Continue a rezar muito… muito. Diga ao seu superior todo que se passou hoje e obedeça-o em tudo que ele lhe dirá. Ele pediu que você ore com fervor.” Os sinais: No dia 6 de julho, uma chaga (igual à da irmã) apareceu na mão direita da imagem de madeira e o sangue começou a escorrer. No dia 26 de julho, o sangue brotou da estátua (de Maria) e as dores da Irmã aumentaram, tornando-se quase insuportáveis. No dia 27 julho, um anjo disse à irmã: “As tuas dores terminarão hoje. O derramamento de sangue de MARIA (na imagem) é para obter a vossa conversão; para implorar a paz; para reparar as ingratidões e injúrias feitas a DEUS. Reza em reparação por todos os homens.” Segunda Mensagem (dia 3 agosto de 1973.) ”Minha filha, minha noviça, você ama o Senhor? Se você ama o Senhor, ouça o que eu tenho a lhe dizer. É muito importante… Você irá comunicar isso ao seu superior. Muitos homens neste mundo afligem o Senhor. Eu desejo almas para consolá-lo, para aliviar a ira do Divino Pai. Eu desejo, com meu Filho, almas que reparem através de seu sofrimento e sua pobreza pelos pecadores e ingratos. De modo a que o mundo possa conhecer Sua ira, o Pai Celeste está preparando para infligir um grande castigo em toda a humanidade. Com meu Filho eu tenho interferido tantas vezes para aplacar a ira do Pai. Eu tenho evitado a vinda de calamidades oferecendo a Ele os sofrimentos de meu Filho na Cruz, Seu Precioso Sangue, e almas amadas que O consolem formando uma corte de almas vítimas. Oração, penitência e sacrifícios corajosos podem aliviar a ira do Pai. Eu desejo isto também para a sua comunidade… que ela ame a pobreza, que ela se santifique e reze em reparação pelas ingratidões e ultrajes de tantos homens. Recitem a oração das Servas da Eucaristia com consciência do seu significado; coloquem-na em prática; ofereçam em reparação (o que quer que Deus envie) pelos pecados. Deixe cada uma esforçar-se, de acordo com sua capacidade e posição, para oferecer a si mesma ao Senhor. Mesmo em uma instituição secular a oração é necessária. Almas que desejam orar já estão a caminho de serem reunidas. Sem prender-se demasiadamente à forma, sejam fiéis e fervorosas na oração para consolar o Mestre. Após um silêncio: ”O que você está pensando em seu coração é verdade? Você está realmente decidida a tornar-se a pedra rejeitada? Minha noviça, você que deseja pertencer sem reserva ao Senhor, a tornar-se a esposa digna do Esposo, faça seus votos sabendo que você deve ser pregada à Cruz com três cravos. Estes três cravos são a pobreza, a castidade, e a obediência. Dos três, a obediência é o fundamento. Em total abandono, deixe-se guiar pelo seu superior. Ele vai saber entendê-la e dirigi-la.“ Os Sinais: As Lágrimas escorrem do rosto da imagem de Nossa Senhora de Akita no Japão. No dia 29 de setembro, a imagem irradiou raios luminosos. A chaga da irmã Agnes desapareceu totalmente. De noite, a imagem foi inundada de luz e o sangue jorrou dos seus pés; todas as religiosas foram testemunhas. Um anjo disse: “MARIA derrama sangue; Ela está muito triste.“ Depois, apareceu uma espécie de suor em todo o corpo da imagem e, ao mesmo tempo, a capela ficou cheia dum agradável perfume. Este perfume permaneceu durante os primeiros 15 dias do mês de outubro (mês do santo Rosário). Terceira Mensagem (dia 13 outubro de 1973) ”Minha querida filha, ouça bem ao que eu tenho a lhe dizer. Você irá informar seu superior.“ Após um curto silêncio: ”Como eu lhe disse, se os homens não se arrependerem e melhorarem, o Pai irá infligir uma terrível punição a toda a humanidade. Será uma punição maior do que o dilúvio, tal como nunca se viu antes. Fogo irá cair do céu e vai eliminar uma grande parte da humanidade; os bons assim como os maus, sem poupar nem sacerdotes nem fiéis. Os sobreviventes irão ver-se tão desolados que irão invejar os mortos. As únicas armas que irão restar para vocês serão o Rosário e o Sinal deixado pelo Meu Filho. Recitem todos os dias as orações do Rosário. Com o Rosário, rezem pelo Papa, os bispos e os sacerdotes. A obra do maligno vai infiltrar-se até mesmo dentro da Igreja de tal modo que se verão cardeais opondo-se a cardeais, bispos contra bispos. Os sacerdotes que me veneram serão desprezados e combatidos pelos seus confrades… igrejas e altares saqueados. A Igreja ficará cheia daqueles que aceitam compromissos, e o demônio, vai pressionar muitos sacerdotes e almas consagradas a deixarem o serviço do Senhor. O demônio vai ser especialmente implacável contra as almas consagradas a Deus. O pensamento da perda de tantas almas é a causa de minha tristeza. Se os pecados aumentarem em número e gravidade, não haverá mais perdão para eles. Com coragem, fale ao seu superior. Ele saberá como encorajar cada uma de vocês a rezar e fazer obras de reparação. É o Bispo Ito, que dirige a sua comunidade. E Ela sorriu e então disse: Você ainda tem algo a perguntar? Hoje é a última vez que eu vou falar com você em viva voz. De agora em diante você irá obedecer aquele que foi enviado para você e seu superior. Reze muito as orações do Rosário. Eu sozinha ainda sou capaz de salvar vocês das calamidades que se aproximam. Aqueles que colocarem sua confiança em mim serão salvos. A 13 outubro 1974, durante a Bênção do Santíssimo Sacramento, a irmã Agnes foi repentinamente curada da surdez. De noite, ela telefonou ao bispo responsável, Dom John Shojiro Ito, em Niigata (a 300 km) comunicando-lhe a notícia. Até 15 setembro 1981, portanto, durante 6 anos e 9 meses, a Santíssima Virgem chorou 101 vezes. O Bispo Dom John Shojiro Ito estabeleceu uma Comissão de Estudos. Amostras do “sangue”, do “suor” e das “lágrimas” foram examinadas nas Universidades de Akita e Gifu. Conclusão: são lágrimas humanas e o sangue pertence ao grupo sangüíneo ‘O’ . Em 1975, a Imprensa, Rádio e TV japonesas, fizeram ampla divulgação. ( Na vila japonesa de Akita, uma estátua da Mãe, de acordo com o testemunho de mais de 500 cristãos e não-cristãos, incluindo o prefeito da cidade, budista, exalou sangue, suor e lágrimas. Uma religiosa, Agnes Katsuko Sasagawa recebeu os estigmas e também recebeu mensagens de Nossa Senhora.) A Igreja aprovou as mensagens e as lacrimações da estátua como sobrenaturais. Abril de 1984: O Reverendíssimo John Shojiro Ito, Bispo de Niigata, Japão, após anos de investigações, após consulta com a Santa Sé de extensas investigações, declarou que os eventos de Akita, Japão são de origem sobrenatural, e autorizou para toda a diocese a veneração da Santíssima Mãe de Akita. Esta mensagem: pede muita oração; convida a uma urgente conversão; ensina que o pecado é uma realidade, é o grande mal; pede a Reza diária do Rosário; aumenta nossa fé, confiança e amor à querida Mãe do Céu, nossa grande protetora e intercessora. Junho de 1988, Cidade do Vaticano: Joseph Cardeal Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, proferiu julgamento definitivo sobre os eventos e mensagens de Akita como confiáveis e dignos de fé. A mensagem de Nossa Senhora revelada em Akita no Japão em 1973 a toda humanidade é forte, porém, vem mais uma vez recordar e atualizar o que Nosso Senhor nos diz no Evangelho: “Se não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo.” (Lc 13,5) Leia também Urgente! Vidente de Akita, Japão, recebe nova revelação Não nos esqueçamos, porém, de que a Virgem Santíssima promete especial proteção para os que confiarem na Sua poderosa intercessão, como nos garantiu em Fátima (Portugal, 1917): “Por fim, o Meu Imaculado Coração Triunfará”! #NossaSenhora
- Aparições de Nossa Senhora em Akita, Japão
Onde aconteceu: No Japão. Quando: Em 1973. A quem apareceu: A Irmã Agnes Sasagawa Katsuko. Histórico. Akita é uma cidade situada a noroeste do Japão. Os acontecimentos se deram num pequeno convento de Irmãs chamado de: “Instituto das Servas da Eucaristia”. O instrumento que a Virgem Santíssima escolheu para transmitir Sua mensagem ao mundo, foi a Irmã Agnes Sasagawa Katsuko. Ela tinha um problema de ouvidos que por ocasião destes acontecimentos estava completamente surda. Na capela das Irmãs há uma estátua de madeira, em que fora talhada uma Cruz (aproximadamente um metro de altura) e, em frente à cruz foi esculpida a imagem da Virgem MARIA. No ano 1973 nos dias 12,13 e 14 de junho, a irmã Inês viu raios luminosos em roda do Sacrário. No dia 28 junho quinta-feira, uma ferida em forma de cruz apareceu na palma da mão esquerda, causando-lhe vivíssimas dores. A noite, a ferida estava seca, mas inchada; na sexta-feira de manhã, o sangue corria; no sábado o sangue parava e a chaga ficava seca. No dia 29 sexta-feira (Festa do S. Coração de Jesus), apareceram dois anjos em volta do altar, cantando: “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus da Glória!” Todas as religiosas viram os anjos e ouviram o canto. No dia 5 julho, a surda irmã Agnes, na capela, ouviu uma voz dulcíssima e melodiosa que vinha da imagem de madeira. Se preferir, antes de continuar a leitura, assista resumo neste vídeo: Leia também Urgente! Vidente de Akita, Japão, recebe nova revelação Primeira Mensagem (dia 6 de julho de 1973). “Minha filha, minha noviça, você tem me obedecido bem, abandonando tudo para me seguir. A doença em seus ouvidos é dolorosa? Sua surdez será curada, tenha certeza. A ferida em sua mão causa-lhe sofrimento? Reze em reparação pelos pecados dos homens. Cada pessoa nesta comunidade é minha filha insubstituível. Você reza direito a prece das Servas da Eucaristia? Então, vamos rezá-la juntas.” A oração: “Sacratíssimo Coração de Jesus, verdadeiramente presente na Sagrada Eucaristia, eu consagro meu corpo e minha alma para ser inteiramente um com Vosso Coração, sendo sacrificado a cada instante em todos os altares do mundo e dando louvor ao Pai implorando pela vinda do Seu Reino. Por favor receba este humilde oferecimento de mim mesma. Use-me como Vós desejais para a glória do Pai e a salvação das almas. Santíssima Mãe de Deus, nunca me deixe ficar separada de Vosso Divino Filho. Por favor defendei-me e protegei-me como Vossa Especial Filha. Amém.” Quando a prece acabou, a Voz Celeste disse: “Reze muito pelo Papa, Bispos, e Sacerdotes. Desde o seu Batismo você tem sempre rezado fielmente por eles. Continue a rezar muito… muito. Diga ao seu superior todo que se passou hoje e obedeça-o em tudo que ele lhe dirá. Ele pediu que você ore com fervor.” Os sinais: No dia 6 de julho, uma chaga (igual à da irmã) apareceu na mão direita da imagem de madeira e o sangue começou a escorrer. No dia 26 de julho, o sangue brotou da estátua (de Maria) e as dores da Irmã aumentaram, tornando-se quase insuportáveis. No dia 27 julho, um anjo disse à irmã: “As tuas dores terminarão hoje. O derramamento de sangue de MARIA (na imagem) é para obter a vossa conversão; para implorar a paz; para reparar as ingratidões e injúrias feitas a DEUS. Reza em reparação por todos os homens.” Segunda Mensagem (dia 3 agosto de 1973.) ”Minha filha, minha noviça, você ama o Senhor? Se você ama o Senhor, ouça o que eu tenho a lhe dizer. É muito importante… Você irá comunicar isso ao seu superior. Muitos homens neste mundo afligem o Senhor. Eu desejo almas para consolá-lo, para aliviar a ira do Divino Pai. Eu desejo, com meu Filho, almas que reparem através de seu sofrimento e sua pobreza pelos pecadores e ingratos. De modo a que o mundo possa conhecer Sua ira, o Pai Celeste está preparando para infligir um grande castigo em toda a humanidade. Com meu Filho eu tenho interferido tantas vezes para aplacar a ira do Pai. Eu tenho evitado a vinda de calamidades oferecendo a Ele os sofrimentos de meu Filho na Cruz, Seu Precioso Sangue, e almas amadas que O consolem formando uma corte de almas vítimas. Oração, penitência e sacrifícios corajosos podem aliviar a ira do Pai. Eu desejo isto também para a sua comunidade… que ela ame a pobreza, que ela se santifique e reze em reparação pelas ingratidões e ultrajes de tantos homens. Recitem a oração das Servas da Eucaristia com consciência do seu significado; coloquem-na em prática; ofereçam em reparação (o que quer que Deus envie) pelos pecados. Deixe cada uma esforçar-se, de acordo com sua capacidade e posição, para oferecer a si mesma ao Senhor. Mesmo em uma instituição secular a oração é necessária. Almas que desejam orar já estão a caminho de serem reunidas. Sem prender-se demasiadamente à forma, sejam fiéis e fervorosas na oração para consolar o Mestre. Após um silêncio: ”O que você está pensando em seu coração é verdade? Você está realmente decidida a tornar-se a pedra rejeitada? Minha noviça, você que deseja pertencer sem reserva ao Senhor, a tornar-se a esposa digna do Esposo, faça seus votos sabendo que você deve ser pregada à Cruz com três cravos. Estes três cravos são a pobreza, a castidade, e a obediência. Dos três, a obediência é o fundamento. Em total abandono, deixe-se guiar pelo seu superior. Ele vai saber entendê-la e dirigi-la.“ Os Sinais: As Lágrimas escorrem do rosto da imagem de Nossa Senhora de Akita no Japão. No dia 29 de setembro, a imagem irradiou raios luminosos. A chaga da irmã Agnes desapareceu totalmente. De noite, a imagem foi inundada de luz e o sangue jorrou dos seus pés; todas as religiosas foram testemunhas. Um anjo disse: “MARIA derrama sangue; Ela está muito triste.“ Depois, apareceu uma espécie de suor em todo o corpo da imagem e, ao mesmo tempo, a capela ficou cheia dum agradável perfume. Este perfume permaneceu durante os primeiros 15 dias do mês de outubro (mês do santo Rosário). Terceira Mensagem (dia 13 outubro de 1973) ”Minha querida filha, ouça bem ao que eu tenho a lhe dizer. Você irá informar seu superior.“ Após um curto silêncio: ”Como eu lhe disse, se os homens não se arrependerem e melhorarem, o Pai irá infligir uma terrível punição a toda a humanidade. Será uma punição maior do que o dilúvio, tal como nunca se viu antes. Fogo irá cair do céu e vai eliminar uma grande parte da humanidade; os bons assim como os maus, sem poupar nem sacerdotes nem fiéis. Os sobreviventes irão ver-se tão desolados que irão invejar os mortos. As únicas armas que irão restar para vocês serão o Rosário e o Sinal deixado pelo Meu Filho. Recitem todos os dias as orações do Rosário. Com o Rosário, rezem pelo Papa, os bispos e os sacerdotes. A obra do maligno vai infiltrar-se até mesmo dentro da Igreja de tal modo que se verão cardeais opondo-se a cardeais, bispos contra bispos. Os sacerdotes que me veneram serão desprezados e combatidos pelos seus confrades… igrejas e altares saqueados. A Igreja ficará cheia daqueles que aceitam compromissos, e o demônio, vai pressionar muitos sacerdotes e almas consagradas a deixarem o serviço do Senhor. O demônio vai ser especialmente implacável contra as almas consagradas a Deus. O pensamento da perda de tantas almas é a causa de minha tristeza. Se os pecados aumentarem em número e gravidade, não haverá mais perdão para eles. Com coragem, fale ao seu superior. Ele saberá como encorajar cada uma de vocês a rezar e fazer obras de reparação. É o Bispo Ito, que dirige a sua comunidade. E Ela sorriu e então disse: Você ainda tem algo a perguntar? Hoje é a última vez que eu vou falar com você em viva voz. De agora em diante você irá obedecer aquele que foi enviado para você e seu superior. Reze muito as orações do Rosário. Eu sozinha ainda sou capaz de salvar vocês das calamidades que se aproximam. Aqueles que colocarem sua confiança em mim serão salvos. A 13 outubro 1974, durante a Bênção do Santíssimo Sacramento, a irmã Agnes foi repentinamente curada da surdez. De noite, ela telefonou ao bispo responsável, Dom John Shojiro Ito, em Niigata (a 300 km) comunicando-lhe a notícia. Até 15 setembro 1981, portanto, durante 6 anos e 9 meses, a Santíssima Virgem chorou 101 vezes. O Bispo Dom John Shojiro Ito estabeleceu uma Comissão de Estudos. Amostras do “sangue”, do “suor” e das “lágrimas” foram examinadas nas Universidades de Akita e Gifu. Conclusão: são lágrimas humanas e o sangue pertence ao grupo sangüíneo ‘O’ . Em 1975, a Imprensa, Rádio e TV japonesas, fizeram ampla divulgação. ( Na vila japonesa de Akita, uma estátua da Mãe, de acordo com o testemunho de mais de 500 cristãos e não-cristãos, incluindo o prefeito da cidade, budista, exalou sangue, suor e lágrimas. Uma religiosa, Agnes Katsuko Sasagawa recebeu os estigmas e também recebeu mensagens de Nossa Senhora.) A Igreja aprovou as mensagens e as lacrimações da estátua como sobrenaturais. Abril de 1984: O Reverendíssimo John Shojiro Ito, Bispo de Niigata, Japão, após anos de investigações, após consulta com a Santa Sé de extensas investigações, declarou que os eventos de Akita, Japão são de origem sobrenatural, e autorizou para toda a diocese a veneração da Santíssima Mãe de Akita. Esta mensagem: pede muita oração; convida a uma urgente conversão; ensina que o pecado é uma realidade, é o grande mal; pede a Reza diária do Rosário; aumenta nossa fé, confiança e amor à querida Mãe do Céu, nossa grande protetora e intercessora. Junho de 1988, Cidade do Vaticano: Joseph Cardeal Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, proferiu julgamento definitivo sobre os eventos e mensagens de Akita como confiáveis e dignos de fé. A mensagem de Nossa Senhora revelada em Akita no Japão em 1973 a toda humanidade é forte, porém, vem mais uma vez recordar e atualizar o que Nosso Senhor nos diz no Evangelho: “Se não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo.” (Lc 13,5) Leia também Urgente! Vidente de Akita, Japão, recebe nova revelação Não nos esqueçamos, porém, de que a Virgem Santíssima promete especial proteção para os que confiarem na Sua poderosa intercessão, como nos garantiu em Fátima (Portugal, 1917): “Por fim, o Meu Imaculado Coração Triunfará”! #NossaSenhora
- Urgente! Vidente de Akita, Japão, recebe nova revelação
Quarenta e seis anos depois da última mensagem recebida nas aparições de Nossa Senhora de Akita, Japão, ser reconhecida como autênticas por parte da Igreja, a vidente Irmã Agnes Sasagawa relatou ter recebido uma nova mensagem. No domingo, 6 de outubro de 2019, por volta das 3h30, um anjo se manifestou e mencionou uma instrução diretamente dirigida à religiosa. “É bom que diga a todos: cubram-se de cinzas e rezem o rosário penitente todos os dias. E você, deve converter-se em uma menina e oferecer sacrifícios todos os dias” , expressou o anjo na visão, difundida e traduzida para o inglês pela emissora católica WQPH de Massachusetts, Estados Unidos. A religiosa tem 88 anos de idade e sofre condições de saúde próprias de sua idade, tendo experimentado recentemente uma cura providencial de um tumor em seu pescoço. A vidente expressou que sentiu dúvidas de difundir a mensagem, mas ao assistir a Missa notou que a liturgia dois dias depois incluiu a profecia de Jonas, que pediu o arrependimento empregando os mesmos sinais pedidos pelo anjo. Ao sentir que a mensagem, apesar de ser uma revelação privada, não contradizia o que Deus mesmo comunicou reiteradamente, deu notícia do fato. Questionada sobre a fidelidade da história, a emissora manifestou em um comunicado oficial seu apoio à redação da notícia, assim como as fontes que a transmitiram ao meio de comunicação. “Particularmente, sabemos que a Irmã Agnes sofreu muito desde a última mensagem de Akita, e nos preocupa que esta nova mensagem, este simples chamado ao arrependimento, que obtivemos através de fontes próximas a ela, tenha começado novas tribulações para ela e para seus confidentes”, expressou o meio. “Não temos nenhuma razão para assumir os riscos associados com a publicação de uma história sensacionalista, como esta nova mensagem da Irmã Agnes Sasagawa, que não seja em nome das fontes, que são confiáveis e valentes, e que nos pediram que divulguemos diretamente sua mensagem”. “A nova mensagem pede a cada um de nós rezar um Rosário Penitente diariamente, e cobrir-nos de cinzas como o fizeram os residentes de Nínive ao escutar a profecia de Jonas”, concluiu o comunicado sobre o relatório. “Até que possamos obter mais informação de nossa fonte, pedimos a vocês, nossos irmãos e irmãs em Cristo, que distingam com Fé e razão a veracidade da história, e lhes agradecemos sua prudência e preocupação devota pela integridade do legado de Nossa Senhora de Akita e a reputação de seus mensageiros”. A data da nova revelação privada da religiosa, como foi notada em diversos meios de comunicação coincidiu com a abertura da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica na Cidade do Vaticano. (EPC) Via Gaudium Press Conheça mais sobre as aparições de Nossa Senhora em Akita, clique aqui. Observações sobre a mensagem Cobrir-se de Cinzas Cobrir-se de cinzas é uma expressão presente no antigo testamento que significa recolher-se em oração e penitência profundas, em sinal de arrependimento e conversão. De acordo com a mensagem, é o momento em que todos devemos intensificar nossas orações, rezando o terço diariamente com devoção, também buscando fazer adoração ao Santíssimo Sacramento com mais frequência, além de oferecer penitências e sacrifícios, inclusive fazendo práticas de caridade ao próximo e praticando as Obras de Misericórdia. Recomendamos inclusive que, aqueles que ainda não são Consagrados à Nossa Senhora de Fátima pelo método de São Luís Maria Grignion de Montfort, busquem se consagrar. Entenda o motivo, clique aqui. Essas são práticas que todos os cristãos já deveriam fazer com frequência, entretanto há muito tempo deixamos de exercitar essas práticas recomendadas pela Igreja. Há aproximadamente 100 anos, Nossa Senhora apareceu em Fátima pedindo aos fiéis que rezassem o rosário (terço) todos os dias, vivendo uma vida de oração e penitência. Portanto, este chamado de hoje é muito importante e devemos intensificar ainda mais nossa oração e penitência, demonstrando a Deus o arrependimento e conversão. Na Igreja católica existem videntes? A palavra vidente significa “alguém que teve uma visão”. Durante a história Nossa Senhora apareceu para algumas pessoas. Algumas dessas aparições são reconhecidas oficialmente pela Santa Igreja. Essas pessoas para as quais Nossa Senhora apareceu são chamadas Videntes. A vidente desta notícia é a vidente Irmã Agnes Sasagawa que recebeu as mensagens em Akita, que é uma aparição reconhecida oficialmente pela Santa Igreja. Conheça mais, clique aqui . #NossaSenhora
- Urgente! Vidente de Akita, Japão, recebe nova revelação
Quarenta e seis anos depois da última mensagem recebida nas aparições de Nossa Senhora de Akita, Japão, ser reconhecida como autênticas por parte da Igreja, a vidente Irmã Agnes Sasagawa relatou ter recebido uma nova mensagem. No domingo, 6 de outubro de 2019, por volta das 3h30, um anjo se manifestou e mencionou uma instrução diretamente dirigida à religiosa. “É bom que diga a todos: cubram-se de cinzas e rezem o rosário penitente todos os dias. E você, deve converter-se em uma menina e oferecer sacrifícios todos os dias” , expressou o anjo na visão, difundida e traduzida para o inglês pela emissora católica WQPH de Massachusetts, Estados Unidos. A religiosa tem 88 anos de idade e sofre condições de saúde próprias de sua idade, tendo experimentado recentemente uma cura providencial de um tumor em seu pescoço. A vidente expressou que sentiu dúvidas de difundir a mensagem, mas ao assistir a Missa notou que a liturgia dois dias depois incluiu a profecia de Jonas, que pediu o arrependimento empregando os mesmos sinais pedidos pelo anjo. Ao sentir que a mensagem, apesar de ser uma revelação privada, não contradizia o que Deus mesmo comunicou reiteradamente, deu notícia do fato. Questionada sobre a fidelidade da história, a emissora manifestou em um comunicado oficial seu apoio à redação da notícia, assim como as fontes que a transmitiram ao meio de comunicação. “Particularmente, sabemos que a Irmã Agnes sofreu muito desde a última mensagem de Akita, e nos preocupa que esta nova mensagem, este simples chamado ao arrependimento, que obtivemos através de fontes próximas a ela, tenha começado novas tribulações para ela e para seus confidentes”, expressou o meio. “Não temos nenhuma razão para assumir os riscos associados com a publicação de uma história sensacionalista, como esta nova mensagem da Irmã Agnes Sasagawa, que não seja em nome das fontes, que são confiáveis e valentes, e que nos pediram que divulguemos diretamente sua mensagem”. “A nova mensagem pede a cada um de nós rezar um Rosário Penitente diariamente, e cobrir-nos de cinzas como o fizeram os residentes de Nínive ao escutar a profecia de Jonas”, concluiu o comunicado sobre o relatório. “Até que possamos obter mais informação de nossa fonte, pedimos a vocês, nossos irmãos e irmãs em Cristo, que distingam com Fé e razão a veracidade da história, e lhes agradecemos sua prudência e preocupação devota pela integridade do legado de Nossa Senhora de Akita e a reputação de seus mensageiros”. A data da nova revelação privada da religiosa, como foi notada em diversos meios de comunicação coincidiu com a abertura da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica na Cidade do Vaticano. (EPC) Via Gaudium Press Conheça mais sobre as aparições de Nossa Senhora em Akita, clique aqui. Observações sobre a mensagem Cobrir-se de Cinzas Cobrir-se de cinzas é uma expressão presente no antigo testamento que significa recolher-se em oração e penitência profundas, em sinal de arrependimento e conversão. De acordo com a mensagem, é o momento em que todos devemos intensificar nossas orações, rezando o terço diariamente com devoção, também buscando fazer adoração ao Santíssimo Sacramento com mais frequência, além de oferecer penitências e sacrifícios, inclusive fazendo práticas de caridade ao próximo e praticando as Obras de Misericórdia. Recomendamos inclusive que, aqueles que ainda não são Consagrados à Nossa Senhora de Fátima pelo método de São Luís Maria Grignion de Montfort, busquem se consagrar. Entenda o motivo, clique aqui. Essas são práticas que todos os cristãos já deveriam fazer com frequência, entretanto há muito tempo deixamos de exercitar essas práticas recomendadas pela Igreja. Há aproximadamente 100 anos, Nossa Senhora apareceu em Fátima pedindo aos fiéis que rezassem o rosário (terço) todos os dias, vivendo uma vida de oração e penitência. Portanto, este chamado de hoje é muito importante e devemos intensificar ainda mais nossa oração e penitência, demonstrando a Deus o arrependimento e conversão. Na Igreja católica existem videntes? A palavra vidente significa “alguém que teve uma visão”. Durante a história Nossa Senhora apareceu para algumas pessoas. Algumas dessas aparições são reconhecidas oficialmente pela Santa Igreja. Essas pessoas para as quais Nossa Senhora apareceu são chamadas Videntes. A vidente desta notícia é a vidente Irmã Agnes Sasagawa que recebeu as mensagens em Akita, que é uma aparição reconhecida oficialmente pela Santa Igreja. Conheça mais, clique aqui . #NossaSenhora
- Bispo Schneider: A idolatria de Pachamama durante o Sínodo da Amazônia tem suas raízes no Concílio V
8 de novembro de 2019 ( LifeSiteNews ) – O Bispo Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana, Cazaquistão, concedeu recentemente uma entrevista a Michael Matt, editor do jornal católico The Remnant . Falando sobre a adoração idólatra das estátuas de Pachamama durante o Sínodo da Amazônia em Roma, o prelado diz: “Temos que condenar isso”. “A idolatria”, ele acrescenta, “é uma violação da Revelação Divina” e do Primeiro Mandamento. “Você não pode cometer atos de idolatria na Igreja Católica.” Ele ainda fala sobre um “mal” na Igreja que está a atingir “o seu ponto culminante”, mas tem vindo a desenvolver “nas últimas décadas.” Os atuais programas situação o quanto este “mal penetrou na Igreja.” “Infelizmente”, comenta Schneider, “o Papa Francisco defende a veneração desses ídolos de Pachamama, dizendo que não havia intenções idólatras em usá-los”. Aqui, o bispo Schneider objeta que “só podemos ver os atos exteriores”, não os “corações” do povo ”. E esses atos“ eram claramente atos de culto religioso – curvando-se, reverenciando e até orando em direção a uma estátua de madeira ”, que é“ até o papa disse que é Pachamama ”. E é isso, segundo Schneider , um “conceito de uma espécie de deusa” em “toda a cultura do povo indígena da América do Sul”. O mal, explica o Bispo Schneider, “quer sempre atingir seu ponto culminante”. O mal é negar que exista “uma verdade”, ele explica; e o relativismo é, portanto, “como um vírus”. “Quando você não resistir, com o tempo conquistará todo o corpo”, explica Schneider mais e depois remete ao Concílio Vaticano II. Esse “relativismo doutrinário, ambiguidade doutrinária”, afirma ele, já pode ser encontrado “parcialmente em algumas expressões do Concílio Vaticano II”. Aqui, o bispo Schneider se refere à alegação do Concílio de que “adoramos, juntamente com os muçulmanos, o Deus único”. Na Constituição Dogmática do Conselho Lumen Gentium (16), os Padres do Conselho declaram: “Mas o plano de salvação também inclui aqueles que reconhecem o Criador. Em primeiro lugar, entre esses, estão os muçulmanos que, professando manter a fé de Abraão, conosco adoram o Deus único e misericordioso, que no último dia julgará a humanidade. ” O Bispo Schneider também se refere à ideia de que “o homem é o centro e o ponto culminante de tudo o que existe na Terra”. Além disso, o Bispo Schneider também se refere aos ensinamentos do Concílio sobre a “liberdade de religião”, o “direito natural” implantado na natureza humana por Deus para escolher a própria religião. Embora seja verdade, ele acrescenta, que não se deve ser “forçado”, esse novo ensino também significa que se “tem a liberdade de escolher uma religião”. Aqui, Schneider aponta para as contradições nos textos conciliares. Em um lugar, em seu documento Dignitatis Humanae, o Conselho ensina que “toda pessoa tem a obrigação de buscar a verdade, e esta é a Igreja Católica”, diz Schneider, “mas depois, mais abaixo, diz que você tem a liberdade de religião enraizada na sua natureza. ”Este ensinamento“ não é claro ”, é“ ambíguo ”, como explica o prelado, e as consequências após o Concílio foram“ que quase todos os seminários católicos e faculdades teológicas e o episcopado e até a Santa Sé ”promoveram “O direito de cada pessoa de escolher sua própria religião.” Em Dignitatis Humanae , os Padres do Conselho declaram primeiro: “Primeiro, o conselho professa sua crença de que o próprio Deus deu a conhecer à humanidade a maneira pela qual os homens devem servi-Lo, e assim são salvos em Cristo e chegam à bênção. Acreditamos que esta única religião verdadeira subsiste na Igreja Católica e Apostólica, à qual o Senhor Jesus se comprometeu a espalhá-la no exterior entre todos os homens.” Mas então eles declaram: “Este Concílio Vaticano declara que a pessoa humana tem direito à liberdade religiosa. Essa liberdade significa que todos os homens devem ser imunes à coerção por parte de indivíduos ou grupos sociais e de qualquer poder humano, de tal maneira que ninguém seja forçado a agir de maneira contrária às suas próprias crenças, seja em particular ou publicamente, sozinho ou em associação com outras pessoas, dentro dos limites devidos. O conselho declara ainda que o direito à liberdade religiosa se baseia na própria dignidade da pessoa humana, pois essa dignidade é conhecida pela palavra revelada de Deus e pela própria razão. [….] Portanto, o direito à liberdade religiosa se baseia não na disposição subjetiva da pessoa, mas em sua própria natureza. Em consequência, No entanto, o bispo Schneider comenta nesta entrevista de 2 de novembro sobre esse ensino conciliar com estas palavras: “você não tem o direito de escolher a idolatria, não tem o direito de ofender a Deus”, através da “idolatria ou da blasfêmia”. “Isso já está enraizado aqui [no Concílio Vaticano]]”, afirma o bispo Schneider. “Se você tem o direito de Deus dado a você, por natureza, também poder escolher atos de idolatria – como a Pachamama – quando está enraizada na sua dignidade do homem, mesmo escolher uma religião de Pachamama: esta é a última consequência desta expressão do texto do Conselho ”, explica ele. A expressão do texto era “ambígua” e precisava ser “formulada de maneira diferente” para “evitar essas aplicações na vida da Igreja, que também tivemos na reunião de Assis do papa João Paulo II em 1986 e na outra reuniões, onde até religiões idólatras foram convidadas a orar à sua maneira – isto é, à sua maneira idólatra – pela paz.” Em 27 de outubro de 1986, o Papa João Paulo II realizou um Dia Mundial de Oração pela Paz em Assis, Itália, no qual orou junto com cristãos ortodoxos, protestantes, judeus, muçulmanos, hindus, budistas e representantes de muitas outras religiões. Ele dirigiu-se aos representantes das diferentes religiões com as palavras: “As religiões são muitas e variadas, e refletem o desejo de homens e mulheres através dos tempos de entrar em um relacionamento com o Ser Absoluto”. Voltemos às palavras do bispo Schneider. Ele diz que o que temos agora em Roma, a “realização formal de atos idólatras na Igreja Católica, no coração da Igreja Católica de São Pedro, é o triunfo do mal”. No início desta entrevista de 2 de novembro, o bispo Schneider falou sobre a influência dos modernistas na Igreja Católica e sua efetiva negação de “verdades imutáveis”, assim como os maçons negam essas verdades e insistem no naturalismo e no antropocentrismo e tentam minar a “singularidade”. de Jesus Cristo. ”O bispo cazaque afirma que o modo de pensar dos modernistas é“ semelhante ”aos pensamentos da Maçonaria – enquanto insiste que“ eu não diria que os modernistas são maçons ”. Ambos têm em comum o seu“ relativismo ”. “” Nós, seres humanos, somos os autores da verdade “” é um dos princípios principais da Maçonaria e, portanto, o homem “pode mudar essas [verdades] de acordo com seus desejos”. “É o cerne do modernismo”, continua Schneider, ” relativismo, naturalismo e antropocentrismo completo “. Ele também explica que a Maçonaria é intrinsecamente “anti-sobrenaturalismo”, “anti-Revelação”. Os modernistas foram “contaminados” por esse “modo de pensar”. “Desde então”, explica o bispo Schneider, “o movimento modernista na Igreja penetrou cada vez mais.” Eles “atingiram seu auge no Concílio Vaticano II, porque usaram essa assembléia da Igreja como uma ferramenta para promover cada vez mais seus relativistas, antropocentristas, teorias naturalistas na teologia, na liturgia, na vida [pastoral] da Igreja.” Depois do Concílio Vaticano II, de acordo com o Bispo Schneider, além dos Modernistas, havia também alguns “verdadeiros membros da Maçonaria” que obtiveram “altos cargos na Igreja”. Perguntado pelo Sr. Matt sobre Annibale Bugnini – o arquiteto da Missa Novus Ordo – Schneider responde: “Sim, e outros.” Ele menciona que alguns maçons podem estar entre os bispos, cardeais e “até núncios”. Eles “obviamente ajudaram o clero modernista”, mesmo que estes os clérigos não eram maçônicos e, portanto, “os promoveram para altos cargos da Igreja”. “É evidente que esta é uma estratégia”, conclui o bispo Schneider. E agora, sob o papa Francisco, testemunhamos como, “sem vergonha, hereges reais evidentes, negadores da verdade católica, estão sendo promovidos para altos cargos na Igreja; mas até recebem de alguma forma uma recompensa por sua traição a Cristo. ”


















































