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A FALÁCIA DO MULTICULTURALISMO

22 de nov. de 2019
2 min de leitura
primeira-missa

Como mitificação do selvagem e do rústico, o multiculturalismo foi uma pequena onda que começou a erguer-se no século XVIII e hoje, facilitado pela diminuição eletrônica das distâncias mundiais, é dona quase absoluta das ciências humanas. Nem a teologia católica escapou do cerco de Jericó do multiculturalismo, como se pôde ver no recente Sínodo sobre a Amazônia. Rousseau é o padrinho dessa tendência, que partiu do romantismo, adquiriu vigor novo nas vanguardas “primitivistas” do século XX e hoje domina a mentalidade acadêmica.

Obras como Estruturas da mente: a teoria das inteligências múltiplas, de Howard Gardner, que ofereceu a presumível base neuropsicológica ao multiculturalismo e ajudou a justificar a infame “progressão automática” das escolas públicas brasileiras, são importantes contribuições do presente àquele diabólico plano da nova esquerda, que se disfarça de democracia e igualitarismo para melhor construir os grilhões do novo totalitarismo que, segundo algumas prospecções, não será doloroso, mas prazeroso: a humanidade aprenderá a amar as coisas que irão destruí-la.

Diz-se, com frequência, em ambientes politicamente corretos, que os conquistadores europeus foram intolerantes com os nativos americanos, quinhentos anos atrás. “Vocês comem a carne do seu Deus? Nós comemos a nós mesmos”, disse o asteca Montezuma, em 1519, ao conquistador espanhol Hernán Cortez, depois de tomar conhecimento do sacramento católico da eucaristia.

Tudo indica que a gastronomia ibérica seja superior à asteca: o povo que se alimentava de Deus conseguiu escrever um Don Quijote de La Mancha; e o que se alimentava de gente — que mal gosto! — não avançou além da literatura oral.

Hernán Cortez fez muito bem em levar outra religião àquele pessoal que nada entendia de culinária. Por mais que a civilização cristã tenha cometido asneiras e pilhagens, pois sempre houve asnos e lobos no rebanho cristão, ela foi fundada por Alguém que veio condenar o sacrifício do homem pelo homem. As religiões modelam as civilizações. Pessoas que colocam fatos reais acima de fantasias ideológicas, jamais gostariam de pertencer à religião do índio Montezuma.

Os índios amazônicos continuam necessitando de catequese cristã — e de civilização cristã. E os ecoteólogos católicos também.

 
 
 

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