top of page

TODOS OS PRODUTOS

Eventos futuros

Desde quando os católicos rezam pelas almas do purgatório? Essa realidade é uma mera invenção da Idade Média ou faz parte da fé recebida dos apóstolos? Assista a este vídeo e descubra, além disso, por que os protestantes não acreditam no purgatório.

Clique aqui para assistir a resposta católica:


O purgatório é uma invenção da Idade Média? Infelizmente, muitos pregadores católicos e professores de teologia têm repetido essa afirmação absurda, ignorando que o purgatório é um dogma – estabelecido pelos Concílios Ecumênicos de Florença e de Trento – e que, portanto, está enraizado na própria fé dos apóstolos. Se é verdade que a existência do purgatório não está explicitamente consignada na Bíblia, é preciso recordar que esta não é a única fonte de fé da Igreja. Não é necessário, portanto, que todos os dogmas estejam claramente nas Escrituras, mas sim na fé apostólica, que é o fundamento da própria Bíblia.

De fato, de muito cedo vem o costume de rezar pelos falecidos. Atesta-o o Segundo Livro dos Macabeus, que indica como os judeus piedosamente suplicavam por seus entes queridos [2]. Atestam-no as catacumbas dos primeiros cristãos, cheias de inscrições com orações pelas almas dos mortos. Atesta-o, enfim, o testemunho de todos os fiéis, de todos os séculos e de todos os lugares (quod semper, quod ubique, quod ab omnibus). Como afirma Santo Tomás de Aquino, é inútil rezar tanto pelas almas que estão no Céu, tanto pelas que estão no inferno, já que ambas estão em seu destino definitivo. Se a Igreja sempre rezou pelas almas dos mortos, então, é porque sempre creu que, após a morte, nem todas as pessoas salvas estão prontas para contemplar Deus face a face.

Foi Martinho Lutero, no século XVI, quem, não querendo aceitar o purgatório, chegou a rejeitar os próprios Livros dos Macabeus do Cânon das Escrituras. É que o purgatório não cabe na religião protestante, cuja doutrina não aceita a santidade humana. Para eles, todos os homens são profundamente pecadores e irão entrar no Céu ainda profundamente pecadores, com Deus olhando tão somente para a sua fé. Com isso, o protestantismo “sacramentou” teologicamente a dificuldade piscológica de Lutero, um homem que, atormentado por seus escrúpulos, não conseguia viver a santidade.

Na Igreja Católica, porém, existem numerosos exemplos de santos que, mesmo convertidos e livres dos pecados mortais, continuavam a fazer penitência, pois sabiam que precisavam purificar-se dos “resquícios” dos pecados cometidos (reliquie peccati) que ainda ficavam em sua alma. Para detectar isso, basta olhar para dentro de si mesmo e perceber que aí existe uma desordem. O que a Igreja diz – e que é bastante lógico – é que essa desordem não pode entrar no Céu.

O fato de a reflexão teológica a respeito do purgatório se ter desenvolvido plenamente na Idade Média não quer dizer que o purgatório foi inventado nessa época. Se a palavra própria para designar o estado de purificação das almas depois da morte só veio em tempos medievais, isso não significa que só na Idade Média os cristãos começaram a crer nessa realidade. Assim como nós já existíamos, antes mesmos de os nossos pais nos darem um nome.

Fonte: padrepauloticardo.org

 
 
 

As realidades acerca do sobrenatural são, ao mesmo tempo, muito simples e muito complexas. Como que se a genialidade da criação de Deus fosse algo tão óbvia, mas que incompreensível até que nos seja revelado.

É através da obra da redenção que percebemos a magnitude do amor de Deus pela humanidade, e seu esforço para que todos nos salvemos, oferecendo a nós todas as oportunidades possíveis para que cheguemos ao Céu.

Observando por este ponto de vista, parece-nos até difícil que alguém seja condenado ao inferno, uma vez que é necessário rejeitar por muitas vezes as investidas de Deus em busca da nossa Salvação. Mas quão diferente é a realidade que se nos apresenta quando os santos relatam que muitas almas vão para o inferno todos os dias, como “gotas num dia de chuva”.

O Purgatório é uma dessas realidades que vem selar, como que uma carta na manga de Deus, para que possamos alcançar ao Céu, ainda que não totalmente purificados em vida.

Assista essas duas homilias do Padre José Eduardo no qual ele nos apresenta essa realidade através da perspectiva de duas místicas católicas, a Serva de Deus Maria Simma e Fulla Horak.

É importante lembrar que as revelações particulares não são dogmas da Igreja, ou seja, não somos obrigados a acreditar, entretanto, quando não há erros doutrinários, a Igreja permite que sejam divulgados uma vez que ajudam na conversão de muitas pessoas.

Fulla Horak:


Maria Simma:


Como é realmente o purgatório?

Neste artigo, compartilhamos duas surpreendentes revelações privadas que lançam uma tremenda luz sobre a natureza da vida após a morte, especialmente o Purgatório. Ambas as revelações, após exaustivas investigações das autoridades eclesiásticas, foram aprovadas para publicação e receberam declarações de autoridades eclesiásticas de que “nada contrário à Fé pode ser encontrado nelas”.

Maria Simma

Maria Simma é uma mulher simples, de 82 anos, da Austrália e que, aos 25 anos, teve o extraordinário carisma de ser visitada por almas no purgatório. As pessoas começaram a reconhecer suas experiências sobrenaturais como autênticas quando as almas pediram que ela contasse a suas famílias detalhes íntimos sobre elas que ninguém, exceto as famílias preocupadas, sabia. Por exemplo, algumas almas pediam-lhe que dissesse às suas famílias que devolvam bens que tinham sido adquiridos de forma desonesta, para que fossem libertados do purgatório, Maria teria todos os detalhes – a quantidade exata de dinheiro, ou a propriedade em questão – para grande surpresa das famílias. A história de Maria Simma encontra-se no livro “O Incrível Segredo das Almas no Purgatório” Sr. Emmanuel de Medjugorje.

O manuscrito inédito sobre o purgatório

No século 19, uma certa freira conhecida como Irmã M. de L.C. teve um relacionamento extraordinário com uma Irmã M.G., uma freira do mesmo convento que já havia morrido. A irmã M.G., revelou que estava no purgatório, e que o plano de Deus era que a irmã M. de L.C., por seus sofrimentos e orações, aliviasse e, finalmente, livrasse a irmã M.G. daquele lugar de expiação. De 1874 a 1890, a irmã M.G. conversou regularmente com a irmã M. de L.C. os detalhes de suas conversas foram narrados pela própria irmã M. de L.C. no livro “Unpublished Manuscript on Purgatory”. O Manuscrito traz um Nihil Obstat do Rev. Dom Carroll E. Satterfield, S.T.D., e o Imprimatur de Sua Eminência, Lawrence Cardinal Shehan, Arcebispo de Baltimore.

Abaixo estão as respostas para perguntas comuns sobre o purgatório nas palavras de Maria Simma e da irmã M.G.:

O que acontece no momento da morte?

Irmã M.G.: Quando a alma deixa o corpo é como se estivesse perdida ou, se assim posso dizer, cercada por Deus. Encontra-se numa luz tão desconcertante que, num piscar de olhos, vê toda a sua vida espalhada e, a esta vista, vê o que merece, e essa mesma luz pronuncia a sua frase. A alma não vê Deus, mas é aniquilada em sua presença. Se a alma é culpada como eu fui e, portanto, merece ir para o purgatório, ela é tão esmagada pelo peso das faltas que ainda restam a serem apagadas, que se lança no purgatório.

Maria Simma: Cada um tem conhecimento de sua vida e também dos sofrimentos que virão; mas não é igual para todos. A intensidade da revelação do Senhor depende da vida de cada um.

Existe um tempo no momento da morte em que a alma ainda tem a chance de se voltar para Deus, mesmo depois de uma vida pecaminosa – um tempo, se quisermos, entre a morte aparente e a morte real?

Maria Simma: Sim, sim, o Senhor dá vários minutos a cada um, para se arrepender dos seus pecados e decidir: aceito ou não aceito ir ver a Deus. Lá, vemos filmes de nossas vidas.

Por que há necessidade do Purgatório?

Irmã M.G.:… Quando há almas como a minha – e isso é quase todas cujas vidas foram tão vazias e que prestaram pouca ou nenhuma atenção à sua salvação – então toda a sua vida tem que ser reiniciada neste lugar de expiação. A alma tem que se aperfeiçoar novamente, e amar e desejar a Ele, a quem não amou suficientemente na terra.

Você tem uma compreensão melhor de Deus do que nós na Terra?

Irmã M.G.: Enquanto na Terra realmente não se pode imaginar o que Deus realmente é, mas nós (no Purgatório) O conhecemos e O entendemos pelo que Ele é, porque nossas almas estão libertas de todos os laços que as prenderam e as impediram de perceber a santidade e majestade de Deus, e Sua grande misericórdia… Uma força irresistível nos atrai para Deus, que é nosso centro, mas ao mesmo tempo outra força nos empurra de volta ao nosso lugar de expiação. Estamos no estado de sermos incapazes de satisfazer nossos anseios. Oh que sofrimento é esse, mas nós o desejamos e não há murmúrio contra Deus aqui.

O próprio Jesus visita o purgatório?

Maria Simma: Nunca nenhuma alma me disse isso. É a Mãe de Deus que vem.

Irmã M.G.: Não vemos Deus no Purgatório. Isso faria com que fosse o Céu.

Os sofrimentos do Purgatório são mais dolorosos do que os sofrimentos mais dolorosos da Terra?

Irmã Simma: Sim, mas de uma forma simbólica, dói mais na alma.

Irmã M.G.: Eu sofro muito, mas meu maior tormento é não ver a Deus. É um martírio contínuo. Faz-me sofrer mais do que o fogo do Purgatório… Infelizmente! Se você soubesse qual é o calor do Purgatório comparado ao seu! Uma pequena oração nos faz muito bem. É como um copo de água dado a uma pessoa com sede… Ah, se ao menos nos permitissem voltar à Terra, depois de sabermos o que Deus realmente é, que diferente como nós levaríamos!

Existem diferentes níveis no purgatório?

Irmã M.G.: Posso falar sobre os diferentes graus do purgatório porque passei por eles. No purgatório existem várias etapas. No mais baixo e doloroso, como um inferno temporário, estão os pecadores que cometeram crimes terríveis durante a vida e cuja morte os surpreendeu nesse estado. Foi quase um milagre que eles foram salvos, e muitas vezes pelas orações de pais de santo ou outras pessoas piedosas. Às vezes eles nem tinham tempo de confessar seus pecados e o mundo os achava perdidos, mas Deus, cuja misericórdia é infinita, deu-lhes no momento da morte a contrição necessária para sua salvação por conta de uma ou mais boas ações que eles realizaram durante a vida. Para tais almas, o Purgatório é terrível. É um verdadeiro inferno com essa diferença que no inferno eles amaldiçoam a Deus, enquanto nós O abençoamos e agradecemos por nos ter salvo.

No segundo Purgatório estão as almas daqueles que morreram com pecados veniais não totalmente expiados, antes da morte, ou com pecados mortais que foram perdoados, mas pelos quais não satisfizeram inteiramente a Justiça Divina. Nesta parte do Purgatório, também há diferentes graus de acordo com os méritos de cada alma. Assim, o Purgatório das almas consagradas ou daqueles que receberam graças mais abundantes, é mais longo e muito mais doloroso do que o das pessoas comuns do mundo.

Por fim, há o Purgatório do desejo, que é chamado de Umbral. Pouquíssimos escapam disso. Para evitá-lo completamente, é preciso desejar ardentemente o Céu e a visão de Deus… A privação da visão de nosso Jesus vivo aumenta o intenso sofrimento.

Maria Simma: Sim, há uma grande diferença de grau de sofrimento moral. Cada alma tem um sofrimento único, particular a ela; há muitos graus.

Qual o papel de Nossa Senhora com as almas do purgatório?

Maria Simma: [Nossa Senhora] vem muitas vezes consolá-los e dizer-lhes que fizeram muitas coisas boas. Ela os incentiva.

Irmã M.G.: Estou no segundo purgatório desde a festa da Anunciação. Naquele dia vi a Santíssima Virgem pela primeira vez. Na primeira etapa, nunca a vimos. A visão dela nos anima e esta amada Mãe nos fala do Céu. Ao mesmo tempo em que a vemos, nossos sofrimentos também diminuem muito… Ela vem ao Purgatório em suas festas e volta para o Céu com muitas almas… São Miguel a acompanha.

Qual é o meio mais eficaz para ajudar a libertar as almas do purgatório?

Maria Simma: O meio mais eficiente é a missa… porque é Cristo que se oferece por amor a nós… A eficácia da Missa para os falecidos é ainda maior para aqueles que deram grande valor à Missa durante suas vidas. Outro meio eficaz é a Estação da Cruz. E também o Rosário.

Irmã M.G.: Ao lado da missa, a Via Sacra é a melhor oração.

Qual é o tempo que uma alma média passa no purgatório?

Irmã M.G.: Todos os dias milhares de almas chegam ao Purgatório e a maioria delas permanece de trinta a quarenta anos, algumas por períodos mais longos, outras por períodos mais curtos. Digo-vos isto em termos de cálculos terrenos, porque aqui é bem diferente.

O Dia de Finados traz grande alegria ao Purgatório?

Irmã M.G.: No Dia de Finados, muitas almas deixam o lugar da expiação e vão para o Céu. Além disso, por uma graça especial de Deus somente nesse dia, todas as almas sofredoras, sem exceção, participam das orações públicas da Igreja, mesmo aquelas que estão no grande Purgatório. Ainda assim, o alívio de cada alma é proporcional aos seus méritos… Muitas das almas sofredoras recebem esta ajuda apenas em todos os longos anos que passam aqui… Pouquíssimas almas recebem orações, a maioria está totalmente abandonada e nenhum pensamento ou oração lhes é dada na terra.

Sobre a época do nosso lançamento, não sabemos nada. Se soubéssemos quando chegaria o fim dos nossos sofrimentos seria um alívio intenso, uma alegria para nós, mas não, não é assim. Sabemos bem que nossos sofrimentos diminuem e nossa união com Deus se torna mais próxima, mas que dia (isto é segundo os cálculos terrenos, porque aqui não há dias) estaremos unidos a Deus, disso nada sabemos; é segredo.

Leia também sobre a santa que escreveu um tratado sobre o Purgatório

Para narrar os tormentos do Purgatório, Santa Catarina de Gênova partiu não de uma revelação particular, mas de sua própria experiência de conversão. Conheça nesta catequese um pouco de sua vida e obra.

Por Papa Bento XVI

Prezados irmãos e irmãs!

Hoje gostaria de vos falar de Catarina de Gênova, conhecida sobretudo pela sua visão sobre o Purgatório. O texto que descreve a sua vida e o seu pensamento foi publicado na região italiana da Ligúria, em 1551, e é dividido em três partes: a Vida propriamente dita, a Demonstração e declaração do Purgatório — mais conhecida como Tratado — e o Diálogo entre a alma e o corpo [1]. O redator final foi o confessor de Catarina, o sacerdote Cattaneo Marabotto.

Catarina nasceu em Gênova, em 1447; última de cinco filhos, ficou órfã do pai, Giacomo Fieschi, ainda em tenra idade. A mãe, Francesca di Negro, dispensou uma válida educação cristã, a tal ponto que a maior das duas filhas se tornou religiosa. Com 16 anos, Catarina foi concedida como esposa a Giuliano Adorno, um homem que, depois de várias experiências comerciais e militares no Oriente Médio, tinha regressado a Gênova para casar.

Primeira conversão

A vida matrimonial não foi fácil, também devido à índole do marido, apaixonado pelo jogo de azar. Inicialmente, a própria Catarina foi induzida a levar um tipo de vida mundana em que, contudo, não conseguia encontrar a serenidade. Depois de dez anos, no seu coração havia um profundo sentido de vazio e de amargura.

Gravura retratando Santa Catarina de Gênova.

A conversão teve início em 20 de março de 1473, graças a uma experiência singular. Tendo ido à igreja de São Bento e ao mosteiro de Nossa Senhora das Graças para se confessar, ajoelhou-se diante do sacerdote e “recebeu — como ela mesma escreve — uma chaga no coração, de um imenso amor de Deus”, com uma visão tão clarividente das suas misérias e dos seus defeitos e, ao mesmo tempo, da bondade de Deus, que quase desmaiou. Foi tocada no coração por este conhecimento de si mesma, da vida vazia que ela levava e da bondade de Deus. Desta experiência derivou a decisão que orientou toda a sua vida, expressa com estas palavras: “Basta com o mundo e com os pecados” [2].

Então Catarina fugiu, suspendendo a Confissão. Voltou para casa, entrou no quarto mais escondido e chorou prolongadamente. Naquele momento, foi instruída interiormente sobre a oração e adquiriu a consciência do imenso amor de Deus por ela, pecadora, uma experiência espiritual que não conseguia expressar com palavras [3]. Foi nessa ocasião que lhe apareceu Jesus sofredor que carregava a cruz, como é frequentemente representado na iconografia da santa. Poucos dias depois, foi ter com o sacerdote para finalmente realizar uma boa Confissão. Aqui teve início aquela “vida de purificação” que, durante muito tempo, lhe fez sentir uma dor constante pelos pecados cometidos e que a impeliu a impor-se penitências e sacrifícios para demonstrar o seu amor a Deus.

Neste caminho, Catarina foi-se aproximando cada vez mais do Senhor, até entrar naquela que é denominada “vida unitiva”, ou seja, uma relação de profunda união com Deus. Na Vida está escrito que a sua alma era orientada e ensinada interiormente só pelo dócil amor de Deus, que lhe concedia tudo aquilo que ela precisava. Catarina abandonou-se de modo tão total nas mãos do Senhor que chegou a viver, durante cerca de vinte e cinco anos — como ela escreve — “sem o intermédio de qualquer criatura, instruída e governada unicamente por Deus” [4], alimentada sobretudo pela oração constante e pela Sagrada Comunhão recebida todos os dias, o que não era comum na sua época. Só muitos anos mais tarde o Senhor lhe concedeu um sacerdote que cuidasse da sua alma.

Uma vida de apostolado

Catarina hesitava sempre em confiar e manifestar a sua experiência de comunhão mística com Deus, sobretudo pela profunda humildade que sentia diante das graças do Senhor. Foi só a perspectiva de dar glória a Ele e de poder favorecer o caminho espiritual de outros que a levou a narrar aquilo que se verificava nela, a partir do momento da sua conversão, que é a sua experiência originária e fundamental.

Quanto mais amarmos a Deus e formos constantes na oração, tanto mais conseguiremos amar verdadeiramente quem está perto de nós.

O lugar da sua ascensão aos vértices místicos foi o hospital de Pammatone, a maior estrutura hospitalar genovesa, da qual foi diretora e animadora. Portanto, não obstante esta profundidade da sua vida interior, Catarina vive uma existência totalmente ativa. Em Pammatone foi-se formando ao seu redor um grupo de seguidores, discípulos e colaboradores, fascinados pela sua vida de fé e pela sua caridade. O próprio marido, Giuliano Adorno, foi conquistado por ela, a ponto de abandonar a sua vida desregrada, de se tornar terciário franciscano e de se transferir para o hospital, para oferecer a sua ajuda à esposa. O compromisso de Catarina no cuidado dos doentes continuou até ao fim do seu caminho terreno, em 15 de setembro de 1510.

Desde a conversão até à morte, não houve acontecimentos extraordinários, mas dois elementos caracterizaram toda a sua existência: por um lado a experiência mística, ou seja, a profunda união com Deus, sentida como uma união esponsal e, por outro, a assistência aos enfermos, a organização do hospital e o serviço ao próximo, especialmente aos mais necessitados e abandonados. Estes dois pólos — Deus e o próximo — preencheram totalmente a sua vida, transcorrida praticamente entre as paredes do hospital.

Estimados amigos, nunca devemos esquecer que quanto mais amarmos a Deus e formos constantes na oração, tanto mais conseguiremos amar verdadeiramente quantos estão ao nosso redor, quem está perto de nós, porque seremos capazes de ver em cada pessoa o Rosto do Senhor, que ama sem limites nem distinções. A mística não cria distâncias em relação ao outro, não cria uma vida abstrata, mas sobretudo aproxima do outro, porque se começa a ver e a agir com os olhos, com o Coração de Deus.

Seu pensamento sobre o Purgatório

O pensamento de Catarina sobre o Purgatório, pelo qual ela é particularmente conhecida, está condensado nas últimas duas partes do livro citado no início: o Tratado sobre o Purgatório e o Diálogo entre a alma e o corpo.

É importante observar que, na sua experiência mística, Catarina jamais tem revelações específicas sobre o Purgatório ou sobre as almas que ali estão a purificar-se. Todavia, nos escritos inspirados pela nossa santa, é um elemento central, e o modo de o descrever tem características originais em relação à sua época.

O primeiro traço original diz respeito ao “lugar” da purificação das almas. No seu tempo, ele era representado principalmente com o recurso a imagens ligadas ao espaço: pensava-se num certo espaço, onde se encontraria o Purgatório. Em Catarina, ao contrário, o Purgatório não é apresentado como um elemento da paisagem das vísceras da terra: é um fogo não exterior, mas interior. Este é o Purgatório, um fogo interior.

Deus é tão puro e santo que a alma com as manchas do pecado não pode encontrar-se na presença da majestade divina.

A santa fala do caminho de purificação da alma, rumo à plena comunhão com Deus, a partir da própria experiência de profunda dor pelos pecados cometidos, em relação ao amor infinito de Deus [5]. Ouvimos sobre o momento da conversão, quando Catarina sente repentinamente a bondade de Deus, a distância infinita da própria vida desta bondade e um fogo ardente no interior de si mesma. E este é o fogo que purifica, é o fogo interior do Purgatório.

Também aqui há um traço original em relação ao pensamento do tempo. Com efeito, não se começa a partir do além para narrar os tormentos do Purgatório — como era habitual naquela época e talvez ainda hoje — e depois indicar o caminho para a purificação ou a conversão, mas a nossa santa começa a partir da própria experiência interior da sua vida a caminho da eternidade. A alma — diz Catarina — apresenta-se a Deus ainda vinculada aos desejos e à pena que derivam do pecado, e isto torna-lhe impossível regozijar com a visão beatífica de Deus.

Catarina afirma que Deus é tão puro e santo que a alma com as manchas do pecado não pode encontrar-se na presença da majestade divina [6]. E também nós sentimos como estamos distantes, como estamos repletos de tantas coisas, a ponto de não podermos ver Deus. A alma está consciente do imenso amor e da justiça perfeita de Deus e, por conseguinte, sofre por não ter correspondido de modo correto e perfeito a tal amor, e precisamente o amor a Deus torna-se chama, é o próprio amor que a purifica das suas escórias de pecado.


Em Catarina entrevê-se a presença de fontes teológicas e místicas das quais era normal haurir na sua época. Em particular, encontra-se uma imagem típica de Dionísio, o Areopagita, ou seja, aquela do fio de ouro que liga o coração humano ao próprio Deus. Quando Deus purifica o homem, liga-o com um fio de ouro extremamente fino, que é o seu amor, e atrai-o a si com um afeto tão forte, que o homem permanece como que “superado, vencido e totalmente fora de si”. Assim, o coração do homem é invadido pelo amor de Deus, que se torna o único guia, o único motor da sua existência [7]. Esta situação de elevação a Deus e de abandono à sua vontade, expressa na imagem do fio, é utilizada por Catarina para manifestar a obra da luz divina nas almas do Purgatório, luz que as purifica e eleva aos esplendores dos raios fúlgidos de Deus [8].

Queridos amigos, na sua experiência de união com Deus os santos alcançam um “saber” tão profundo dos mistérios divinos, no qual o amor e o conhecimento se compenetram, a ponto de ajudarem os próprios teólogos no seu compromisso de estudo, de intelligentia fidei, de intelligentia dos mistérios da fé, de aprofundamento real dos mistérios, por exemplo daquilo que é o Purgatório.

Com a sua vida, Santa Catarina ensina-nos que quanto mais amamos a Deus e entramos em intimidade com Ele na oração, tanto mais Ele se faz conhecer e acende o nosso coração com o seu amor. Escrevendo acerca do Purgatório, a santa recorda-nos uma verdade fundamental da fé, que se torna para nós um convite a rezar pelos defuntos, a fim de que eles possam chegar à visão beatífica de Deus na comunhão dos santos [9].

Além disso, o serviço humilde, fiel e generoso, que a santa prestou durante toda a sua vida no hospital de Pammatone, é um exemplo luminoso de caridade para todos e um encorajamento especialmente para as mulheres que oferecem uma contribuição fundamental para a sociedade e a Igreja com a sua obra preciosa, enriquecida pela sua sensibilidade e pela atenção aos mais pobres e necessitados. Obrigado!

 
 
 

PURGATÓRIO

Se alguém morre na Graça de Deus, mas tem dívidas de expiação pelos pecados cometidos e defeitos ainda dos quais se livrar para entrar puros no Paraíso, vai para o Purgatório a fim de livrar-se destas dívidas e defeitos. Por isso existe o Purgatório. É um reino temporal além tumba.

Todos os que morrem na amizade com Deus, mas ainda não são puros e dignos do Paraíso, vão àquele lugar de dolorosa purificação por todo o tempo necessário para purificar-se. Por isso se fazem as funções e se reza pelos defuntos que se acham no Purgatório a fim de que seja apressada a passagem deles daquele lugar de pena ao Reino do Eterno Paraíso.

O purgatório não é um lugar, mas sim, um estado de purificação em que as almas dos justos, que não se santificaram suficientemente neste mundo, hão de completar a sua purificação, “por intervenção do fogo”, para serem admitidas no Céu, “onde nada de impuro entrará” (Apocalipse 21,27).

É, pois, o lugar em que as almas dos que morrem na amizade de Deus (estado de graça), mas com alguma dívida, por culpas leves, ou por culpas graves já perdoadas, mas não suficientemente expiadas, se purificam inteiramente para entrar no Céu, a visão e posse de Deus. Ali gozarão para sempre da sua perfeita felicidade na glória celeste. Agora, só a alma. E depois da ressurreição da carne, unida ao próprio corpo.

Purgatório não se confunde, portanto com um terceiro caminho, como algumas pessoas erroneamente interpretam.

Se sofre terrivelmente

No Purgatório se sofre as penas da purificação segundo a necessidade de cada um. Tem quem tem mais dívidas e defeitos que outros. A intensidade e duração são sob medida. Mas a qualidade do sofrimento é terrível. Pena de sentido e pena de dano constituem um sofrimento tal que na Terra não se pode pensar igual.

Santo Tomás ensina: “A menor pena do Purgatório supera as maiores penas da Terra, pois o mesmo fogo que atormenta os danados do Inferno, atormenta os justos do Purgatório”. Lá entenderemos qual coisa tremenda é a ofensa a Deus e qual reparação exige a Sua Justiça. Por isso os santos estavam tão atentos em descontar na Terra com a mínima falta, até nas palavras ociosas (Mt 12,36).

Santa Mônica, no leito de morte, disse àqueles que circundavam seu leito: “Rogai por mim. Não tomais conta do meu corpo, somente da minha alma!”

Não lágrimas, mas Santas Missas

Os defuntos não precisam das nossas lágrimas, mas das nossas Santas Missas. Nem precisam de coroas de flores e procissões para o funeral.

Quanta bobagem em certos cristãos! Preocupam-se e gastam sem economia para a solenidade externa do funeral e não se curam ou não querem gastar dinheiro para mandar celebrar uma Santa Missa!

Se pudéssemos ver os sofrimentos das almas purgantes, com qual cuidado as ajudaríamos, fazendo antes de mais nada, celebrar as Santas Missas, fazendo a Comunhão, recitando Rosários, praticando penitências.

Uma noite, São Nicolau de Tolentino viu a alma de um frade defunto, frade Pelegrino de Ósimo que lhe pediu para celebrar logo uma Santa Missa por ele e pelas almas purgantes. Mas o Santo respondeu que não podia porque tinha que celebrar a Santa Missa do turno. Então o defunto conduziu-o ao Purgatório. À vista das penas terríveis que sofrem aquelas almas, São Nicolau se assustou e foi logo ao Superior e o rogou de fazer-lhe celebrar Santas Missas pelo frade Pelegrino e pelas almas. Obtida a licença, a celebração das Santas Missas foi a função mais poderosa e salutar para aquelas queridas almas.

Também ao Pe. Pio pediu um frade uma lembrança ao Pai defunto, durante a Missa. Pe. Pio quis aplicar a Santa Missa pela alma do pai daquele irmão e lhe disse: “Esta manhã teu pai entrou no Paraíso”! O irmão ficou admirado e feliz, mas não pôde deixar de exclamar: “Mas meu pai morreu há 30 anos!” “É, meu filho, na frente de Deus tudo se paga!” Respondeu em tom grave Pe. Pio.

Maria livra do Purgatório

São Bernardino chamou Nossa Senhora ‘Plenipotenciária’ do Purgatório, pois em suas mãos há poderes e graças para livrar quem quiser do Purgatório. Ser devoto de Maria e a Ela recorrer para obter o alívio e a libertação das almas purgantes: é isto o que devemos fazer com todo o coração se quisermos oferecer eficazes orações e Santas Missas.

Maria mesma revelou ao Beato Alano: “Eu sou a Mãe das almas do Purgatório e a cada hora, pelas minhas orações, são aliviadas as penas dos meus devotos.”

O Santo Rosário é de especial eficácia!

Santo Afonso Maria de Ligório ensina que “se queremos ajudar as almas do purgatório recitamos por elas o Rosário que lhes arrecada grande alívio.”

Um santo consolou muitas almas purgantes com o Santo Rosário. São Pompílio Pirrotti teve o dom de recitar o Rosário com as almas do Purgatório, que respondiam em voz alta as Ave-Marias, mostrando-se serenas e felizes durante a oração.

A Bíblia fala deste lugar de purificação? Sim:

A Sagrada Escritura nos fala, desde as primeiras páginas, do uso dos hebreus de rezar pelos mortos. Este uso exprime necessariamente a existência das almas defuntas em um lugar que não seja o Inferno nem o Paraíso, porque nem os danados, nem os Bem-aventurados precisam das nossas orações.

1) Na 1ª Epístola de São Paulo aos Coríntios cap.3, vers. 11-15, fala de um fogo que salva: “O fogo provará o trabalho de cada um (…) Se queimar, sofrerá ele os danos. Mas será salvo por intervenção do fogo”.( 1 Cor 3,11-15)

2) Fala de um perdão na outra vida – O próprio Jesus Cristo afirmou, no Evangelho de São Mateus cap.12 vers.32: “A todo o que disser uma palavra contra o Filho do Homem ser-lhe-á perdoada; ao que disser, porém, contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem nesse mundo, nem no outro”. (Mt 12,32)

Jesus Cristo ensina, portanto, que há pecados que serão perdoados também no outro mundo, isto é, após a morte.

3) Fala de uma Prisão temporária – Jesus cristo, em S. Mateus, exorta a reconciliação com os irmãos nesta vida para que “não suceda que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro, e sejas posto em prisão”. Em verdade te digo: não sairás de lá antes de ter pago o último centavo”. (Mt 5,25-26)

É evidente que esta prisão temporária, lugar de perdão na outra vida, através de um fogo que purifica e salva, não pode ser o céu, “onde nada de impuro entrará” (Apocalipse 21-27), nem inferno, “onde não há redenção” e o fogo é eterno (Mateus 25,41).

Purgatório, conforme a mente da escritura, é sinônimo de “prisão” passageira, cadeia ou de travessia de um “fogo” purificador (1 Coríntios 3,15). Não é punição nem castigo de Deus, mas uma exigência purificadora do próprio amor da criatura imperfeita, diante do amor perfeito de Deus (Isaías 33,14). É uma questão de justiça… “Esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (2 Pedro 3,13); (I Pedro 1,7).

Pela graça de Deus, o purgatório não é inferno em miniatura, mas um estado de aperfeiçoamento final, rumo ao céu. Nele a pessoa se purifica do “… pecado que não é para a morte” (1 João 5,17) ou dos estragos do pecado perdoado, passando, então definitivamente, para a feliz eternidade da glória: “Porque não entrará nela (na Jerusalém Celeste) nada de imperfeição” (Apocalipse 21,27).

Só resta que esses textos se refiram a um lugar intermediário, transitório e de expiação, que a Igreja, com toda a propriedade, chama de Purgatório, embora esta palavra não esteja na Bíblia. Esta é sua realidade.

Temos que admitir, portanto, com a Bíblia, a existência desse lugar de purificação que a sabedoria de Deus, em sua ínfima bondade, inventou para conciliar as exigências da sua justiça divina com as da sua misericórdia. Estão, pois, em erro os que só admitem a existência do Céu e do Inferno, e por isso não rezam pelos mortos.

Podemos e devemos, pois, fazer orações e sacrifícios também pelos mortos em geral. Devemos rezar por todas as almas, porque não sabemos com certeza, quais estejam realmente precisando, e em condições de receber o mérito impetratório das nossas orações e sacrifícios oferecidos a Deus por elas. Estes, e sobretudo as Santas Missas que fizermos celebrar, não ficarão sem efeito. Pois Deus saberá aplicá-los às almas que mais estiverem precisando, além de ser para nós, ocasião de prestarmos a Deus as homenagens que Lhe devemos.

Embora o Purgatório não seja mencionado com este nome na Escritura (A Santíssima Trindade também não é e todos os Cristãos a professam como verdade Revelada). A sua realidade é incontestável.

PORQUE OS CATÓLICOS REZAM PELOS MORTOS

Porque a Bíblia ensina que é santo e salutar o pensamento de rezar pelos mortos

No 2º livro dos Macabeus, capítulo 12, versículos 43 a 46: “(Judas Macabeu) Tendo feito uma coleta mandou duas mil dracmas de prata a Jerusalém para se oferecer um sacrifício pelo pecado. Obra bela e santa, inspirada pela crença na ressurreição, porque se ele não esperasse que os mortos haviam de ressuscitar, seria coisa supérflua e vã orar pelos defuntos. Ele considerava que aos falecidos na piedade está reservada uma grandíssima recompensa. SANTO E SALUTAR ESSE PENSAMENTO DE ORAR PELOS MORTOS, para que sejam livres dos seus pecados”.

Por isso, São Paulo, na 2ª Epístola a Timóteo, cap.1, vers.18, assim ora a Deus pelo amigo Onesíforo: “Que o Senhor lhe conceda a graça de obter misericórdia do Senhor naquele dia”.(2 Tm 1,18)

Nota: Comparando os vers. 15 a 18 do cap. 1º, com o vers.19 do cap.4º desta mesma Epístola, vê-se que Onesífero já era morto, porque nestes textos, S. Paulo se refere nominalmente a outras pessoas, e quando seria o caso de nomear Onesíforo, seu grande amigo e benfeitor, ele não o faz, mas só se refere “à casa” e “à família de Onesíforo”. Daí se conclui que ele não era mais do número dos vivos. E S. Paulo reza por ele, pedindo que o Senhor tenha dele misericórdia.

Mais uma oração pelos mortos: “Quando tu oravas com lágrimas e enterravas os mortos, quando deixavas a tua refeição e ias ocultar os mortos em tua casa durante o dia, para sepulta-los quando viesse a noite, eu apresentava as tuas orações ao Senhor”. (Tobias 12,12)

Lendo o livro de (Jó 1,18-20) podemos ver que seus filhos foram purificados pelo sacrifício oferecido pelo seu pai. Como duvidaremos de que nossas oferendas pelos mortos lhes proporcionem alívio? Portanto demos nossos sufrágios àqueles que já se foram e por eles ofereçamos nossas preces.

Ler ainda na Bíblia: (1 João 5,16-17) (Eclesiástico 38,16-24) (Tobias 4,18)

Portanto, os católicos rezam pelos mortos, porque, com a Bíblia e toda a tradição, desde os tempos apostólicos, crêem na existência do Purgatório.

Se os mortos não interessam pelos vivos, como se explica que aquele rico nos tormentos do inferno suplicasse a Abraão que enviasse Lázaro a seus cinco irmãos ainda vivos, para convencê-los a mudar de vida e evitar de virem, por sua vez, àquele local de tormento? (Lucas 16,27). Como podia Abraão ignorar o que se passava aqui na terra, visto que sabia terem os vivos Moisés e os profetas, isto é, seus livros, e que seguindo-se escapariam aos tormentos do inferno? Não sabia ele que o rico tinha vivido em delícias e que Lázaro, o pobre, vivera na penúria e sofrimento? Com efeito, disse: “- Filho, lembra-te de que recebestes teus bens em vida, e Lázaro por sua vez os males” (Lucas 16,25). Abraão estava pois a par dos fatos concernentes aos vivos, não aos mortos. Pode ser que estes fatos ele não podia os ter conhecido no momento em que ocorreram, mas após o falecimento dos dois, e sob as indicações do próprio Lázaro.

Condições do relacionamento entre os mortos e os vivos:

Convenhamos pois que os mortos ignoram os acontecimentos daqui da terra, pelo menos no momento mesmo em que eles se realizam. Podem vir a conhecê-los mais tarde, por aqueles que vão ao seu encontro, uma vez mortos. Por certo, não ficam conhecendo tudo, mas somente aquilo que lhes for autorizado de ser revelado e que eles tem necessidade de conhecer.

Os anjos, que velam sobre as coisas desse mundo, podem também lhes revelar alguns pontos julgados convenientes a cada um por aquele que tudo governa. Pois se os anjos não tivessem o poder de estarem presentes na morada dos vivos como na dos mortos, o senhor Jesus não teria dito: “Aconteceu que o pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão.” (Lucas 16,22). Eles estão ora na terra ora no céu, visto que foi da terra que levaram aquele homem que Deus quis lhes confiar.

As almas dos mortos podem ainda conhecer, por revelações do Espírito Santo alguns acontecimentos aqui da terra, cujo conhecimento lhes é necessário. Não somente fatos passados ou presentes, mas até futuros. É assim que os homens – não todos – conheceram durante a sua vida mortal, não a totalidade das coisas, mas aquelas que a providencia divina julgava bom lhes revelar.

A sagrada escritura atesta que alguns mortos foram enviados a certas pessoas vivas; e reciprocamente, algumas pessoas foram até a morada dos mortos, assim Paulo foi arrebatado ao paraíso (1 Coríntios 12,2). E o profeta Samuel, após sua morte, apareceu a Saul ainda vivo e lhe predisse o futuro (1 Samuel 28,15-19). É verdade que alguns negam que tenha sido Samuel que apareceu, pois sua alma era refratária a tais procedimentos mágicos, como dizem. Foi conforme julgam, outro espírito, suscetível a essa arte maléfica que se revestiu de imagem semelhante a ele. Ora, o livro do Eclesiástico, atribuído a Jesus ben sirac ( que por causa de certas semelhanças de estilo podia ser mesmo de Salomão), relata-nos em elogio dos patriarcas que “Samuel profetizou mesmo depois de morrer” (Eclesiástico 46,23). O que não pode visar senão essa aparição de Samuel, defunto, a Saul. Poderia ser discutida a autoridade desse livro sob o pretexto que não se encontra no Cânon dos Hebreus?

Mas há outro texto que convida a admitir esse envio de mortos aos vivos: a passagem das aparições de Moisés, cujo Deuteronômio nos certifica da morte (Deuteronômio 34,5) e que apareceu vivo, como lemos no evangelho, com Elias que não morreu. (Mateus 17,3).

Como não sabemos exatamente o que acontece depois dessa vida, oramos pelos que morreram confiando na misericórdia do Deus que é Pai dos vivos e dos mortos. Não achamos perda de tempo, como alguns evangélicos dizem, nem inutilidade orar por um falecido porque cremos na comunhão dos santos e sabemos que Deus está em tudo e em todos, inclusive naqueles que já morreram. Nisso discordamos de outras igrejas que não acham necessário orar pelos mortos – ler (Apocalipse 6,9-11)

4Há algumas pessoas que dizem que no céu está Jesus Cristo, mais ninguém, pois ele disse: “ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu, o filho do homem”. Nossa resposta simples é: mas é claro, antes de Jesus as portas do céu estavam fechadas realmente. Ao morrer, desceu à mansão dos mortos e levou para o céu todos os justos. Foi ele mesmo que disse ao bom ladrão: “hoje mesmo estarás comigo no paraíso”. Portanto, se ao subir ao céu, o Senhor levou o bom ladrão, já não está não mais sozinho. Todos daí para frente participam da glória reservada aos que fazem a vontade de Deus. (Mateus 27, 51-53) fala que neste dia muitos mortos ressuscitaram.

Para que flores e velas nos cemitérios?

As flores nada mais são do que a manifestação de que não permanecemos insensíveis, frios, rudes como pedras, diante da pessoa que parte.

Quem é inteligente saberá, realmente, tirar lições belíssimas das velas e das flores colocadas nas sepulturas, como diz a Bíblia: “o homem nascido da mulher é de bem poucos anos e cheio de inquietação. Sai como a flor e depois morre; desaparece como a sombra” (Jó 14,1-2) “A árvore seca, as flores caem, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente”(Isaías 40,8). “E o rico nas suas preocupações passará como a flor da erva” (Tiago 1,10). “Porque toda a carne é como erva, e toda glória do homem como flor do campo. Seca a planta e caí a sua flor” (1 Pedro 1-24-25).

Desta forma, velas acesas, no cemitério, e flores, embelezando as sepulturas, nos querem lembrar, por um lado, a alegria do céu, e por outro lado, o carinho e a saudade sentidos pela pessoa falecida, além da própria realidade passageira de nossa existência terrena.

Texto gentilmente cedido por Jaime Francisco de Moura

 
 
 
CONTATO
Avalie-nosRuimNão muito bomBomMuito bomÓtimoAvalie-nos

Agradecemos pelo envio !

© 2019 - 2023. INTERVENÇÃO DIVINA - Criado por Divino Design.

Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

bottom of page
ConveyThis