top of page

TODOS OS PRODUTOS

Eventos futuros

Santo do Dia – 24 de Fevereiro – Nossa Senhora da Confiança

Quando a palavra confiança era pronunciada por Nosso Senhor Jesus Cristo, operava nos corações uma profunda e maravilhosa transformação, diz um sábio escritor. A aridez das suas almas era umedecida por um orvalho celestial, as trevas de seus espíritos se transformavam em luz, a angústia era substituída por uma calma serenidade.

O mesmo convite que Nosso Senhor fazia outrora aos seus ouvintes, repete hoje a nós. Confiança! Como essa virtude é necessária nos dias de hoje! Como estão equivocadas as almas que, sentindo suas deficiências e misérias, mal ousam aproximar-se do Divino Salvador, com receio de que um Deus tão puro, tão excelso não se inclinaria para elas, não perdoaria suas faltas! Deus é Misericórdia, e desde que desejemos sinceramente converter-nos, Ele tem pena de nossa miséria, e de nós se aproxima para salvar-nos, para nos colocar junto ao seu Sagrado Coração.

Mais ainda: quis nos dar um meio de experimentarmos a bondade do modo mais eloquente possível em termos humanos, que é o carinho materno. Do alto da Cruz, no momento mesmo de entregar sua alma ao Pai, deu-nos sua própria Mãe para ser também nossa Mãe. .Mulher, eis aí o teu filho. (…) Filho, eis aí a tua Mãe!. (Jo 19, 26- 27). Como explica a Igreja desde seus primeiros séculos, em São João estava representada toda a humanidade.


Esse dom inenarrável de sermos, também, filhos da Mãe do Céu, nos facilita igualmente a prática da virtude da confiança Essas reflexões nos trazem à lembrança uma belíssima pintura de Nossa Senhora da Confiança a Madonna della Fiducia. venerada na Cidade Eterna, na capela do Pontifício Seminário Romano, vizinho à famosa Basílica de São João de Latrão.

A devoção a Nossa Senhora da Confiança surgiu na Itália há quase três séculos e está vinculada à venerável Irmã Clara Isabella Fornari, monja clarissa falecida em 1744, cujo processo de beatificação está em andamento. Ela foi privilegiada por Deus com graças místicas, entre as quais a de receber em seus membros os estigmas da Paixão.

Nutrindo uma devoção muito particular à Mãe de Deus, portava sempre consigo um milagroso quadro que a representa com o Menino Jesus nos braços. A essa pintura foram atribuídas graças e curas numerosas, e já no século XVIII começaram a circular pela Itália cópias dela, dando origem à devoção a Santíssima Virgem sob o título de Mãe da Confiança.

Uma das cópias acabou por se tornar mais célebre que a original, sendo levada para o Seminário Maior de Roma, o principal do mundo, por ser o seminário do Santo Padre, de onde ela se tornou padroeira. Todos os anos é venerada pelo próprio Pontífice, que vai visitá-la na festa da Madonna della Fiducia [em português: Nossa Senhora da Confiança], em 24 de fevereiro.

Desde cedo, Nossa Senhora mostrou aos seminaristas que – sempre que recorressem a Ela sob a invocação de Nossa Senhora da Confiança, podiam contar com seu poderosos auxílio nas piores situações. Nesse sentido, entre os fatos prodigiosos mais insignes contam-se as duas vezes (1837 e 1867) em que uma epidemia de cólera atingiu a Cidade Eterna, mas o Seminário Romano foi milagrosamente poupado pela poderosa intercessão de sua Padroeira. Além disso, na Primeira Guerra Mundial, cerca de cem seminaristas foram enviados à frente de batalha e se colocaram sob a especial proteção da Madonna della Fiducia. Todos retornaram vivos, graça que atribuíram à proteção da Santíssima Virgem. Em agradecimento, entronizaram o venerável quadro numa nova capela de mármore e prata.

Quando o famoso quadro do Seminário Romano ali chegou, vinha acompanhado de um antigo pergaminho, conservado intacto até nossos dias, o qual traz consoladoras palavras da Irmã Clara Isabel: “A divina Senhora dignou-Se conceder-me que toda alma que com confiança se apresentar ante este quadro, experimentará uma verdadeira contrição dos seus pecados, com verdadeira dor e arrependimento, e obterá de seu diviníssimo Filho o perdão geral de todos os pecados. Ademais, essa minha divina Senhora, com amor de verdadeira Mãe, se comprouve em assegurar-me que a toda alma que contemplar esta sua imagem, concederá uma particular ternura e devoção para com Ela”.

A devoção a Madonna della Fiducia mostra-se particularmente benéfica quando se reza a jaculatória: minha Mãe, minha confiança!

Muitos são aqueles que se fortalecem na confiança, ou a recuperam, apenas por contemplar essa bela pintura, sentindo-se inundados pelo olhar maternal, sereno, carinhoso, encorajador da Rainha do Céu.

E o Divino Menino, também fitando o fiel, aponta decididamente o dedo indicador para a Santíssima Virgem, como a dizer:

Coloque-se sob a proteção dela, recorra a Ela, seja inteiramente d’Ela, e você conseguirá chegar até Mim.

No dia 5 de fevereiro de 2005, o Papa João Paulo II, falando aos seminaristas a respeito do gesto de Jesus presente no ícone de Nossa Senhora da Confiança disse que ao indicar a Mãe, parece que o menino Jesus, antecipa aquilo que falaria na cruz ao discípulo João: “eis a tua mãe”. Também eu hoje vos repito: eis a vossa Mãe, que deve ser amada e imitada com confiança total.”

TERÇO DE NOSSA SENHORA DA CONFIANÇA

Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

Nas contas do Pai Nosso: Ó Maria, em vossas mãos eu ponho esta súplica. Abençoai-a e depois apresentai-a a Jesus. Fazei valer o vosso amor de Mãe e o vosso poder de Rainha.

Nas contas da Ave Maria: Ó Maria, eu conto com vosso auxílio, cofio em vosso poder.

No final de cada mistério: Entrego-me à vossa vontade, tenho confiança em vossa misericórdia.  Ó Mãe de Deus e minha Mãe, rogai por mim.

No final do terço: Ó Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, vós sois o nosso perpétuo socorro. Valei-nos; nós confiamos em vós. Ó Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, vós sois a consoladora dos aflitos. Valei-nos; nós confiamos em vós. Ó Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, vós sois o auxílio dos cristãos. Valei-nos; nós confiamos em vós.

Oração à Nossa Senhora da Confiança

Minha Mãe, uni-me cada vez mais a Vós, e uni-Vos cada vez mais a mim. Eu Vos agradeço a graça da confiança, mas Vos peço que a torneis cada vez mais intensa diante de cada fraqueza que eu sinta. Nossa Senhora da Confiança, dai-me forças!

Peço-Vos, ó Mãe, que do alto do Céu desçam sobre vossos filhos, transpondo suave e vitoriosamente camadas espessas de poluição e de pecado, vossas bênçãos maternais. Como os discípulos de Emaús ao Divino Redentor, nós Vos pedimos que essas bênçãos fiquem conosco, porque se faz noite sobre o mundo. A cada instante, a cada angústia, a cada necessidade, ajudem-nos elas a manter a mais inteira e filial confiança em Vós. Nossa Senhora, rogai por nós.

Amém!

 
 
 

SANTO DO DIA – 11 DE FEVEREIRO – NOSSA SENHORA DE LOURDES Aparições: 1858

Com grande alegria, celebramos hoje a memória da aparição da Virgem SS. em Lourdes, na França. O bem-aventurado Papa Pio IX tinha acabado de proclamar a Imaculada Conceição, e os Céus, confirmando o dogma, mandaram a própria Mãe de Deus aparecer em uma pobre gruta a uma pobre pastorinha: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

A mensagem de Lourdes é muito simples. Enquanto as outras aparições de Nossa Senhora trazem mensagens mais difíceis de interpretar ou, por assim assim, um pouco inalcançáveis para as pessoas, a de Lourdes é um acontecimento para os humildes:

Nossa Senhora aparece à pequena Bernadette Soubirous e diz: “Eu não te prometo felicidade aqui na Terra, mas irei te dar a felicidade no céu”.

Conheça essa maravilhosa aparição de Nossa Senhora na matéria especial de hoje!

Nossa Senhora de Lourdes

Tamara Victório Penin

Lourdes! Onde encontraremos os termos que alcancem exprimir tudo quanto esse nome significa para a piedade católica no mundo inteiro? Quem poderá traduzir em palavras o ambiente de paz que envolve a gruta sagrada na qual, há exatos 152 anos, a Santíssima Virgem apareceu à humilde Bernadette e inaugurou, de modo definitivo, um novo vínculo com a humanidade sedenta de refrigério e paz? Por desígnio da Divina Providência, a esse lugar associou-se uma ação intensa da graça, especialmente capaz de transmitir aos milhares de peregrinos, vindos de longe, a certeza interior de serem suas preces benignamente ouvidas, seus dramas apaziguados, e suas esperanças fortalecidas.

Com efeito, ao longo deste século e meio, as ásperas rochas de Massabielle tornaram-se palco das mais espetaculares conversões e curas, legando à Santa Igreja Católica um tesouro espiritual de valor incalculável.

Em Lourdes fatos se revestem de uma grandiosidade peculiar, diante da qual nossa língua emudece. Ali está, diante de nós, a sublimidade do milagre. Entretanto, não se pode falar de Lourdes sem nos lembrarmos com veneração da personagem ligada de modo indissociável a essa história de bênçãos e misericórdias.

A modesta pastorinha a quem Nossa Senhora apareceu é o primeiro e maior prodígio de Lourdes: ela simboliza a íntegra fidelidade aos apelos de conversão e penitência, que naqueles dias foram lançados pela Rainha dos Céus, os quais haveriam de chegar aos mais longínquos recantos da Terra.

Assista uma homilia breve sobre a a festa de Nossa Senhora de Lourdes:


Aos que desejarem podem assistir uma aula completa sobre Nossa Senhora de Lourdes no final da matéria.

Infância marcada pela Fé

Bernadette nasceu num século de profundas transformações. Animada, de um lado, pelo surto de devoção mariana que o pontificado do Beato Pio IX estava suscitando, a segunda metade do século XIX presenciava o avanço insolente do ateísmo e do materialismo.

Os espíritos estavam divididos e, a fim de agir precisamente nessa encruzilhada da História, Maria Santíssima quis servir-se da filha primogênita do casal Soubirous.

Quão distantes, porém, desta sorte de considerações, estavam François e Louise, em 7 de janeiro de 1844! Nascia-lhes a filha Bernadette, no Moinho Bolly, nas cercanias de Lourdes, durante os dias felizes de fartura ali transcorridos. A menina foi batizada, recebendo o nome de sua madrinha Bernard, ao qual se acrescentou o da Senhora que haveria de lhe aparecer. Marie- Bernard, eis como se chamava Bernadette, sem escapar do diminutivo carinhoso que a acompanharia para o resto da vida.

No Moinho Bolly transcorreu sua primeira infância, marcada por uma religiosidade autêntica e sincera. Além da freqüência aos Sacramentos, a oração em conjunto aos pés do crucifixo e uma exímia prática dos princípios cristãos correspondiam a um dever moral para aquele casal de camponeses. Bernadette cresceu, por assim dizer, respirando a santa Fé Católica do mesmo modo que respirava o puro ar da montanhosa região dos Pirineus.

A miséria visitou o lar dos Soubirous

A época era difícil e os negócios de François Soubirous iam mal. Quando Bernadette tinha 8 anos, mudaramse para um moinho mais simples, e ao cabo de três anos alugaram uma cabana à beira da estrada. Já crescida, ela acompanhava os progressivos insucessos dos pais e enfrentava, com admirável resignação, a situação de indigência a que se viram reduzidos em 1856, a ponto de terem de mudar para o antigo cárcere da rua Petits- Fosées: um cubículo úmido e pestilento, que as autoridades locais haviam julgado inadequado até mesmo para os presos.

A pobreza era ali completa. O cômodo media menos de 20 m² e a família não possuía absolutamente nada, além da mobília mais indispensável e das roupas. A luz do Sol nunca penetrava no recinto, marcado pela grade da janela e pelo ferrolho da pesada porta – reminiscências do antigo calabouço. Ali vivia o casal Soubirous e as quatro crianças, constantemente atormentados pela fome. Quando conseguia comprar pão, a mãe o dividia entre os pequenos, que ainda assim se sentiam insaciados. Bernadette, não raras vezes, privava-se de sua pequena porção em favor dos mais novos, sem nunca demonstrar o menor descontentamento por isso.

À noite, sem conseguir dormir, atormentada pela asma, Bernadette chorava. A causa principal daquele desafogo, porém, não eram a doença ou as duras privações materiais.

O único desejo da angelical menina era fazer a Primeira Comunhão, mas a necessidade de cuidar dos irmãos e da casa a impedia de freqüentar o catecismo, de aprender a ler e escrever e até de falar francês. De fato, quando a Santíssima Virgem lhe dirigiu a palavra, o fez em patois, o dialeto da região de Lourdes. Se Bernadette desejou algo para si, nos dias de sua infância, foi apenas receber o Santíssimo Sacramento, o Senhor ofendido pelos pecados dos homens, que ela aprendera tão cedo a consolar.

Dias de pastoreio em Bartrès

As poucas vezes que Bernadette freqüentou as aulas de catecismo em Lourdes foram malogradas, porque não conseguia acompanhar as demais crianças, bem mais novas e adiantadas que ela. Louise Soubirous preocupava-se com a filha, de treze anos, que ainda não fizera a Primeira Comunhão, e resolveu pedir à amiga Marie Lagües que a recebesse em Bartrès – vilarejo não muito distante de Lourdes – a fim de que Bernadette lá pudesse freqüentar as aulas de catecismo.

Por consideração e amizade, Marie Lagües a recebeu em sua casa, mas não foi tão fiel à promessa quanto seria de se esperar. Logo ocupou Bernadette nos serviços da casa e no cuidado das crianças. E seu marido encontrou nela a pastora ideal para seu rebanho de cordeiros. Foi nesse períodoque Bernadette solidificouse na oração, durante as longas horas transcorridas no mais completo silêncio em meio ao privilegiado panorama pirenaico. Contemplativa, ela montava um pequeno altar em honra da Santíssima Virgem e aí passava horas de grande fervor recitando o Rosário, a única oração que conhecia.

Um fato passado com Bernadette por essa época demonstra a pureza cristalina de seu coração. Certo dia, quando François Soubirous foi visitar a filha, encontrou-a triste e cabisbaixa. Perguntou-lhe o que a afligia.

– Todos os meus cordeiros têm as costas verdes – respondeu ela.

O pai, percebendo tratar-se da marca posta por um negociante, fez um ameno gracejo: – Eles têm as costas verdes porque comeram muita erva.

– E podem morrer? – perguntou assustada Bernadette.

– Talvez…

Penalizada, ela começou a chorar no mesmo instante. O pai, então, contou-lhe a verdade: – Vamos, não chores. Foi o negociante que os marcou assim.

Mais tarde, quando a chamaram de boba por ter acreditado em semelhante brincadeira, sua resposta constituiu uma demonstração involuntária de sua elevada virtude: – Eu nunca menti; não podia supor que aquilo que o meu pai me dizia não era verdade.

Os dias se escoavam lentamente na pequena aldeia, havendo completado sete meses que Bernadette lá chegara. Quanta esperança de aproximar- se da Mesa Eucarística trazia na chegada, e que decepção experimentava agora, após poucas aulas de insignificante instrução! Aquela espera interminável a afligia, mas, como tudo na vida do homem, foi permitida por Nosso Senhor.

“Sofre as demoras de Deus; dedicate a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça” (Eclo 2, 3). Essas palavras, desconhecidas para Bernadette, significam exatamente o modo como Deus procedeu a seu respeito. Ao mesmo tempo que a graça inspirava em sua alma um ardente desejo das coisas do alto, estas pareciam ser-lhe tiradas. Com isso, seu anseio se robustecia, e tudo o que era terreno ia se afigurando como pouca coisa aos seus olhos, cada vez mais aptos para compreender as realidades sobrenaturais.

Como costuma ocorrer com as almas que Deus prova por meio de longas esperas, estavam-lhe reservadas grandes graças.

Conheça mais sobre a festa de Nossa Senhora de Lourdes


Celestial surpresa

De volta à casa paterna, Bernadette retomou os antigos afazeres. Na manhã inolvidável de 11 de fevereiro de 1858, saiu com a irmã Toinette e a amiga Jeanne Abadie para o bosque, a fim de recolherem gravetos para a lareira e ossos para vender a fim de comprarem algum alimento. Andaram bastante até chegarem à gruta de Massabielle, onde Bernadette nunca havia estado. Enquanto as vivazes meninas atravessavam a água gelada do rio Gave, Bernadette se preparava para fazer o mesmo.

Eis sua própria narração do que então sucedeu: “Escutei um barulho, como se fosse um rumor. Então, virei a cabeça para o lado do prado; vi que as árvores absolutamente não se mexiam. Continuei a descalçar-me. Escutei de novo o mesmo barulho. Levantei a cabeça, olhando para a gruta. Avistei uma Senhora toda de branco, com um vestido branco, um cinto azul e uma rosa amarela sobre cada pé, da cor da corrente do seu terço: as contas do terço eram brancas” 1.

Era a Santíssima Virgem sorrindolhe, e chamando-a para se aproximar d’Ela. Temerosa, Bernadette não se adiantou, mas puxou o terço e começou a rezar. O mesmo fez a “linda Senhora”, a qual embora sem mover os lábios, a acompanhava com seu próprio terço. Após o término do Rosário, Ela desapareceu.

A impressão causada por essa primeira aparição em Bernadette foi profunda. Sem reconhecer nEla a Mãe celeste, a menina sentia-se irresistivelmente atraída por figura tão amável e admirável, na qual não podia parar e pensar. Quando uma freira lhe perguntou, anos mais tarde, na enfermaria do convento, se a Senhora era bela, ela respondeu: – Sim! Tão bela que, quando se vê uma vez, deseja-se a morte só para tornar a vê-la!

Dezoito encontros em Massabielle

Por mais que Bernadette tivesse pedido segredo às suas duas companheiras, às quais contou o que vira, elas não se mantiveram caladas por muito tempo. Logo, dezenas de pessoas comentavam na vizinhança o sobrenatural acontecimento. E era apenas o começo: a impressionante popularidade das aparições assumiram proporções tais, que no dia 4 de março, estavam junto a Bernadette nada menos que vinte mil peregrinos.

Antes de cada visita de Nossa Senhora, Bernadette sentia irresistível desejo de ir a Massabielle. Assim aconteceu nos dias 14 e 18 de fevereiro, quando um pressentimento interior a conduziu até a gruta. Na segunda aparição, a Virgem Santíssima permaneceu novamente em silêncio; disse algo apenas no dia 18, conforme no-lo narra a obediente menina: “A Senhora só me falou na terceira vez. Ela perguntou-me se eu queria ir lá durante quinze dias. Eu respondi que sim, depois que pedisse licença a meus pais” 2.

A quinzena de aparições, que se deu entre 18 de fevereiro e 4 de março, com exceção dos dias 22 e 26, constituiu o cerne da mensagem confiada a Bernadette. A cada dia multiplicava- se o número dos assistentes que empreendiam penosas viagens, atraídos pelos celestiais colóquios. Embora mais ninguém além de Bernadette visse a “Senhora”, todos sentiam Sua presença e se comoviam com os êxtases da camponesa.

Ela não parecia ser deste mundo – disse uma testemunha.

As palavras de Nossa Senhora não foram muitas, mas de expressivo significado. Disse a Bernadette no mesmo dia 18: “Não prometo fazer-te feliz neste mundo, mas sim no outro”. E nas outras vezes: “Eu quero que venha aqui muita gente”. “Pede a Deus pelos pecadores! Beije a terra pelos pecadores!”. “Penitência, penitência, penitência!” “Vá e diga aos padres que construam aqui uma capela. Quero que todos venham em procissão”.

Ainda durante a quinzena, a Rainha dos Céus confiou três segredos e ensinou uma oração a Bernadette, a qual ela recitou com insuperável fervor todos os dias de sua vida. Após um longo silêncio a respeito de sua identidade, a Senhora revelou seu nome a Bernadette na 16ª aparição, em 25 de março de 1858: “Eu sou a Imaculada Conceição”. Era uma solene confirmação do dogma proclamado pelo Beato Pio IX, quatro anos antes; a pureza da doutrina seria coroada, daqui por diante, pela beleza dos milagres.

Transformada por Nossa Senhora

Um dos critérios de prudência adotados pela Santa Igreja para verificar a autenticidade de revelações como as que recebeu Bernadette, consiste em observar atentamente a conduta dos videntes. Neles, se reflete invariavelmente a veracidade e o teor do que dizem ver: seu testemunho pessoal é decisivo.

No caso de Lourdes, tal como depois sucedeu com os pastorinhos de Fátima, a mudança operada em Bernadette pode ser considerada um milagre da graça. Seus gestos, modos, palavras e, sobretudo sua piedade adquiririam indescritível brilho pelo contato com a Rainha dos Céus: “Na sua atitude, nos seus traços fisionômicos, via-se que a sua alma estava arrebatada. Que paz profunda! Que serenidade! Que elevada contemplação! O olhar da criança para a aparição não era menos maravilhoso que o seu sorriso. Era impossível imaginar algo tão puro, tão suave, tão amável…” 3.

Após os êxtases, ela mantinha a clave de sublimidade que a pervadira: o modo como fazia o sinal-dacruz, sua compostura durante a oração e sua fineza de trato, aliados à simplicidade, eram mais distintos que os de qualquer dama que tivesse passado a vida inteira exercitando-se na arte do “savoir-plaire”.

“Não escapa aos pais que se operou nela uma transformação no decorrer deste último mês. Não foram vãs para ela a contemplação e as lições celestes. […] Tendo visto chorar a Senhora de Massabielle pelo pecado e pelos pecadores, esta criança analfabeta compreendeu o grande dever da penitência e da oração” 4.

Até mesmo o Pe. Peyramale, o pároco de Lourdes, célebre pela desconfiança em realção a todos os fatos ocorridos com Bernadette, confessou: “tudo nela evolui de maneira impressionante” 5.

Respondendo aos magistrados

Os espíritos céticos estavam à espreita dos acontecimentos. Sumamente irritados pela afluência multitudinária à gruta, diziam: “É incrível quererem fazer-nos crer em aparições em pleno século XIX”. Tais homens colocavam suas esperanças mais em seus “modernos” inventos que na onipotência de Deus: “É estupidez e obscurantismo admitir a possibilidade de aparições e milagres na época do telégrafo elétrico e da máquina a vapor” 6.

Foi diante de autoridades com essa mentalidade que Bernadette teve de depor três vezes no curto período de uma semana, ainda durante a quinzena das aparições. Durante os intermináveis inquéritos em que a crivaram de perguntas capciosas, Bernadette ouviu coisas brutais: “Vamos prenderte! O que é que vais procurar à gruta? Por que fazes correr tanta gente? Vamos meter-te na prisão! Matar-te-emos na prisão!” 7. Chamaram-na de mentirosa, visionária, louca. A tudo isso ela apenas respondia com a verdade, suportando esses sofrimentos com humildade e doçura. Suas respostas acertadas confundiram os magistrados, que nunca tiveram qualquer motivo legal para prendê-la.

A opinião final que formaram a respeito de Bernadette, e que enviaram ao Ministro da Justiça de então, foi esta: “Segundo o reduzido número daqueles que pretendem ter a seu lado o bom senso, a razão e a ciência, Bernadette Soubirous é portadora de uma enfermidade mental conhecida: está sendo vítima de alucinações, apenas isto!” 8. Teriam eles, como pretendiam, a razão do seu lado? A resposta não demorou a se tornar clara.

A fonte milagrosa e o chamado à expiação

Na aparição de 25 de fevereiro, a Santíssima Virgem disse a Bernadette: “Vai beber à fonte”. Bernadette foi ao rio Gave e bebeu. Contudo, não era ao rio que Ela se referia, mas sim a um canto da gruta onde havia apenas água suja. A menina cavou e bebeu.

Daquela nascente obscura brotou discretamente a água milagrosa, que dali a alguns dias borbulhava em abundância para maravilhamento de todos.Os doentes não demoraram em servir-se dela e as curas inexplicáveis se iniciaram em 1º de março. Enfermos desenganados “pela razão e pela ciência” viam seus males desaparecer num instante, e os argumentos de inúmeros corações reticentes se transformavam em cânticos de fé.

Mas, quando Bernadette, mais tarde, serviu- se da água para suas penosas doenças, ela não lhe foi eficaz. Perguntaram, então: – Essa água cura os outros doentes: por que não te cura a ti? – Talvez a Santíssima Virgem queira que eu sofra – foi a sua resposta. De fato, a sua vocação era sofrer e expiar pela conversão dos pecadores. A água da fonte não era para ela.

Essa filha predileta de Maria compreendeu com profundidade sua singular missão. Tudo quanto haveria de padecer física e moralmente dali em diante – o que não foi pouco – ela desejava unir aos méritos infinitos do Redentor crucificado, para que fosse pleno o efeito das graças derramadas na gruta. Nunca um murmúrio, uma queixa ou um ato de impaciência se desprendeu de seus resignados lábios, afeitos de modo heróico ao silêncio e à imolação.

No Asilo e em Nevers

Após o ciclo das aparições, todos queriam ver Bernadette e tocá-la. Pediam-lhe bênçãos, roubavam relíquias… Homens ilustres empreendiam longas viagens para conhecê-la e altas figuras eclesiásticas não escondiam sua admiração diante dela.

Todavia, quanto a faziam sofrer por causa disso! Em sua acrisolada humildade, Bernadette sentia-se incomodada perante tantas manifestações de deferência. Seu maior desejo era ser esquecida, queria que apenas a Virgem Santíssima fosse objeto de enlevo e amor.

Em Lourdes, ela viveu ainda nove anos no Asilo, administrado pelas Irmãs de Caridade e da Instrução Cristã, de Nevers. Ajudava no atendimento aos doentes, nos serviços da cozinha, na atenção às crianças. Aos 23 anos partiu para a Casa-Mãe da Congregação, em Nevers, desejando avidamente a vida de recolhimento e oração: – Vim aqui para esconder-me – disse ela.

Seus treze anos de vida religiosa foram vincados pela prática de todas as virtudes. De modo especial, o desprendimento de si mesma e o amor ao sofrimento. Desse período, passou nove anos de ininterruptas enfermidades: a asma inclemente, um doloroso tumor no joelho, que evoluiu até uma terrível cárie dos ossos. No dia 16 de abril de 1879, aos 35 anos de idade, ela entregou sua alma ao Criador.

“Encontrar-me-eis junto ao rochedo”

Seus restos mortais incorruptos constituem um dos mais belos vestígios da felicidade eterna que Deus tenha outorgado aos pobres mortais neste Vale de Lágrimas. Intocado, puro, angélico é o corpo de Bernadette, diante do qual o peregrino sente-se atraído a passar horas seguidas em oração, levantando-se depois com a doce impressão de ter penetrado na felicidade eterna de que goza a vidente de Massabielle.

Ali estão, cerrados, mas eloqüentes, os olhos que outrora contemplaram a Santíssima Virgem, a nos ensinar que os únicos a serem exaltados são os mansos e humildes de coração; a nos lembrar que, para realizar Suas grandes obras, Deus não precisa das forças humanas, mas sim da fidelidade à voz de Sua graça.

Sabemos que a missão de Bernadette não terminou. A ação benfazeja de sua intercessão se faz sentir junto à gruta, conforme ela mesma predisse: “Encontrar-me-eis junto ao rochedo que tanto amo”. Que ela nos obtenha, neste ano do jubileu das aparições, uma confiança inquebrantável no poder dAquela que disse: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

Aos que desejarem se aprofundar, podem assistir a aula do Padre Paulo Ricardo abaixo:


 
 
 

Neste dia, a Igreja recorda ao menos dez títulos dedicados à Mãe de Deus e Nossa.


Por Luciana Gianesini em A12

O dia 02 de fevereiro, depois das festas e solenidades de 08 de setembro (Natividade de Nossa Senhora), 08 de dezembro (Imaculada Conceição) e 01 de janeiro (Maria, Mãe de Deus), talvez seja um dos dias em que a espiritualidade mariana se mostra de maneira mais intensa para nós, católicos.

Isto porque, neste dia, a Igreja recorda ao menos dez títulos dedicados à Mãe de Deus e Nossa.

Conheça alguns desses títulos:

1. Nossa Senhora da Luz

Origem: Portugal

Sua história vem da ocasião em que um humilde cidadão português foi tomado como prisioneiro pelos mouros.

Pedindo a intercessão de Nossa Senhora, o prisioneiro sonhou por 30 dias seguidos com Ela, até que, na última noite, Maria lhe pediu que construísse uma ermida em um local que seria indicado sob uma grande luz.

Na manhã seguinte, o prisioneiro acordou livre, em sua terra natal. Correu prontamente em direção à luz e lá encontrou uma imagem de Nossa Senhora. Tal notícia se espalhou rapidamente entre o povo, onde Nossa Senhora ficou conhecida sob o título de Nossa Senhora da Luz.

2. Nossa Senhora das Candeias (Nossa Senhora da Purificação)

Origem: Itália

Este título remonta aos primórdios do cristianismo. Segundo o preceito da lei mosaica, todo filho varão (homem) deveria ser apresentado no Templo, quarenta dias após seu nascimento. A mãe, considerada impura após o parto, deveria ser purificada em uma cerimônia especial. Nossa Senhora, submetendo-se a esta determinação, apresentou-se com o Menino Jesus no recinto sagrado dos judeus.

A procissão dos luzeiros provém de um antigo costume romano, tão arraigado que continuou mesmo entre os convertidos ao cristianismo. Como aquela festa sempre caia no dia 2 de fevereiro, data em que os cristãos celebravam a Purificação de Maria, o papa Gelásio (492-496) resolveu instituir um solene cortejo noturno em homenagem à Maria Santíssima, convidando o povo a comparecer com círios e velas acesas e cantar hinos em louvor de Nossa Senhora. 

3. Nossa Senhora da Candelária

Origem: Portugal e Espanha

“Contam que, por volta de 1400, dois pastores guardavam seus animais perto de uma caverna na ilha de Tenerife, nas Canárias, e observaram, certo dia, que o gado se recusava a entrar na lapa, apesar de todos os seus esforços.

Penetraram, então, na gruta e descobriram a imagem de uma Senhora com o filho ao colo. Estranhando o ocorrido, foram notificar o seu povo.

Acudindo a população, inclusive o rei do país, ao local, observaram maravilhados a existência de numerosas candeias (velas) sustentadas por seres invisíveis, que com seus cânticos ‘ensinavam a maneira de render culto a Deus e à Virgem Maria.

Começaram os nativos a honrar Aquela que amavam sem conhecer, até que um cristão espanhol casualmente ali desembarcou, nos fins do século XV, e explicou-lhes o mistério”.

4. Nossa Senhora do Bom Sucesso

Origem: Bélgica e Equador

O título é compartilhado por diversas imagens de Nossa Senhora ao redor do mundo. Uma das mais conhecidas e venerada até os dias de hoje se encontra na Bélgica e tem uma história um tanto quanto complexa.

A imagem de Nossa Senhora carregando o Menino Jesus com seu braço direito, foi feita no estilo flamenco e data do final do século XV. Com a sua mão esquerda, Maria empunha um cetro de prata.

Em Quito, no Equador, “Nossa Senhora do Bom Sucesso” apareceu a Mariana de Jesús Torres, no Convento Concepcionista no ano de 1584. A Mãe de Deus pediu à monja que uma estátua fosse feita retratando-a, e advertiu sobre uma severa crise da Igreja e da sociedade nos séculos XIX e XX.

No dia 2 de Fevereiro de 1611, a imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus em seu braço direito foi oficialmente abençoada pelo Bispo e colocada acima da cadeira da Abadessa do Convento, e é conhecida como “Maria do Bom Sucesso da Purificação”.

É reconhecida como a padroeira dos marinheiros, e de uma morte tranquila e pacífica, assim como do bem-estar e da segurança. Clique aqui para saber mais sobre Nossa Senhora do Bom Sucesso

5. Nossa Senhora dos Navegantes

Origem: Portugal e Espanha

Nossa Senhora dos Navegantes passa a receber muitos pedidos de intercessão na Idade Média, na época das Cruzadas, quando os portugueses e espanhóis cruzavam o mar Mediterrâneo rumo à Palestina, para protegerem os lugares sagrados dos infiéis.

Nesta devoção, Maria é chamada também de Estrela do Mar, aquela que protege os navegantes mostrando-lhes sempre o melhor caminho e um porto seguro para a chegada.

Antes das travessias, os navegantes participavam da Santa Missa pedindo proteção a Nossa Senhora dos Navegantes, para poderem ter mais coragem de enfrentar o mar e suas tempestades com aqueles pequenos barcos.

Dependendo do costume do lugar, outros títulos de Maria são celebrados no dia 02 de fevereiro, talvez por associação de que a Virgem é aquela que trouxe a Luz do Mundo, deu à luz o Salvador e também é Aquela que ilumina o caminho que nos leva a Jesus. Clique aqui para saber mais sobre Nossa Senhora dos Navegantes

Nossa Senhora da Luz

Localização: Algarve (Portugal)

Pedro Martins, português de origem humilde, nascido em Carnide, possuía no Algarve algumas terras herdadas por sua mulher, senhora de alguns haveres. Certa vez, quando para lá se dirigia a fim de cuidar de sua propriedade, foi aprisionado pelos mouros numa das incursões feitas pelos infiéis em território cristão, e levado para o norte da África.

Naquela ocasião, por volta de 1453, sobre a fonte do Machado, em Carnide, começou a aparecer uma luz misteriosa, cuja origem ninguém conseguia descobrir. Andava o povo alarmado e, de Lisboa e dos arredores, chegava muita gente para ver o fenômeno, começando o lugar a ser chamado: “A Luz”.

Pedro Martins, no seu cativeiro, desanimado da intercessão dos homens para libertá-lo, recorreu Àquela que é o Socorro dos Aflitos e a Esperança dos Desesperados. Suas orações foram ouvidas pela Virgem Maria, que lhe apareceu trinta noites seguidas em sonho, procurando consolá-lo. Na ultima noite, Ela prometeu-lhe que, ao acordar, se encontraria em Carnide, mas que aí deveria procurar uma imagem sua escondida perto da fonte do Machado, em sítio que lhe seria indicado por estranha luz. Quando a encontrasse, deveria erguer no local uma ermida em sua homenagem.

No dia seguinte, como a Virgem Maria lhe havia anunciado, Pedro Martins amanheceu em sua querida cidade natal. Em agradecimento por tão milagrosa libertação, o ex-cativo procurou logo realizar o desejo da Mãe Santíssima. Em companhia de um parente, saiu certa noite à procura da imagem. A luz cintilava sobre a fonte. Caminharam por entre o arvoredo e notaram que ela ia se deslocando até que, em determinado momento, parou. Limparam o local e, ao removerem algumas pedras, encontraram a efígie da Rainha do Céu.

Assim que se espalhou a notícia do feliz achado, grande foi a afluência do povo ao lugar, e a Virgem Maria aí começou a ser invocada com o título de Nossa Senhora da Luz.

Logo que pôde, Pedro Martins iniciou a construção da ermida com a permissão do bispo de Lisboa, que se prontificou a lançar a primeira pedra em solene cerimônia religiosa. Mais tarde, esta capela foi substituída por suntuoso templo, inaugurado em 1596.

A festa de Nossa Senhora da Luz começou a ser celebrada todos os anos e as casas nobres portuguesas disputavam entre si a honra de se encarregarem das despesas. Este grandioso santuário, entretanto, foi quase totalmente destruído pelo terremoto que assolou Lisboa em 1755, catástrofe que, segundo piedosa lenda, deu origem à construção de Nossa Senhora da Luz de Diamantina.

A Devoção no Brasil

Contam que a distinta dama D. Teresa de Jesus Corte Real, durante a imensa tragédia que destruiu Lisboa, suplicou a proteção da Senhora da Luz e conseguiu refugiar-se com seu esposo e empregados domésticos em uma capela dedicada à Mãe de Deus. Seu marido havia sido designado para o posto de funcionário do ‘Contrato de Diamantes’ em Minas Gerais e ela prometeu então que, se conseguisse chegar ao Brasil sã e salva, faria erigir na colônia uma capela à Virgem da Luz.

Aqui chegando, fixou residência no Arraial do Tejuco e, alguns anos depois, mandou construir nos arredores da vila uma pequena igreja. Diz a tradição que ao lado do templo, em cumprimento a outra promessa feita por seu pai à Senhora da Luz durante o terrível terremoto, fez erguer um recolhimento para a educação de órfãs, preparando-as para a vida. Cada moça que se casava, após esmerada educação, recebia um faqueiro de prata e três mil cruzados, quantia que dava para construir uma boa casa.

D. Teresa Corte Real faleceu em 1826 e seu corpo foi sepultado debaixo do coro da igreja que fundara, na qual também foi colocado um seu retrato a óleo feito pelo pintor Manuel Pereira.

Nos fins do século passado, a igrejinha estava prestes a ruir, porém o seu vigário conseguiu angariar fundos para reconstruí-la. No dia 20 de maio de 1900, ela foi solenemente reaberta aos fiéis e a imagem da Padroeira recolocada em seu antigo altar após solene procissão, acompanhada de uma chuva de flores atiradas das sacadas pela senhoras de Diamantina. Todas as ruas estavam profusamente ornamentadas e iluminadas para homenagear aquela que, tendo gerado a Luz do Mundo, bem mereceu o título de Nossa Senhora da Luz.

A Igreja mais antiga do Brasil

Contudo, esta devoção em terras brasileiras não nasceu em Minas Gerais, pois a mais antiga igreja dedicada a Senhora da Luz em nosso pais foi a de São Paulo, fundada primeiramente no Ipiranga, por volta de 1580, e depois transferida para o atual bairro da Luz, em 1603. Foi na primeira capela, citada pelo Padre Anchieta em uma de suas cartas, que um frade franciscano, capelão da armada de Diogo Flores Valdez, foi assassinado por um soldado ao pedir esmolas para os pobres.

O segundo templo da Virgem da Luz acompanhou toda a história da cidade de São Paulo, tendo sido instalado ao lado da Capela o famoso Recolhimento da Luz fundado por um grupo de religiosas. Atualmente, depois de reformados, tanto o templo como o convento deram lugar ao Museu de Arte Sacra da capital paulista, onde se encontram preciosidades históricas e artísticas do Estado bandeirante.

A expansão da devoção

O culto a Nossa Senhora da Luz, difundido pelos jesuítas e beneditinos, deu origem a diversos santuários no Rio de Janeiro e nos Estados do Sul do Brasil, principalmente Paraná e Rio Grande do Sul.

A cidade de Curitiba se iniciou em torno de uma capela onde a Mãe da Luz era venerada pelos seus inúmeros milagres. Sobre a sua fundação existe uma interessante lenda, que passaremos a narrar:

Na segunda metade do século XVII, Gabriel de Lara, seguindo os faiscadores de ouro, cruzou a serra do Mar e encontrou uma pequena povoação no sítio dos Pinhais, onde em 1659 seria fundada a vila de Nossa Senhora da Luz. Dizem que seus primeiros habitantes foram membros da bandeira de Antônio Domingues, que em 1648 se dirigia ao sul do país. No entanto, segundo a lenda, os bandeirantes se haviam estabelecido um pouco além, nas margens do rio Atuba, onde ergueram uma ermida à Senhora da Luz.

Com o andar do tempo, os rudes penetradores do sertão notaram que a imagem da Virgem tinha sempre os olhos voltados para os campos aos quais os índios denominavam Curitiba (Pinhais). Aquela região era dominada pelos ferozes cainguangues, ciosos de seus bosques de pinheiros. Contudo, Nossa Senhora insistia em mirá-la, pois todas as manhãs aparecia com os olhos luminosos voltados para o poente.

Tal foi a insistência da Virgem, que os sertanejos resolveram sondar a possibilidade da conquista do sítio indicado pela Padroeira. Com seus aprestos de guerra, seguiram para a esplanada dominada pelos bárbaros caingangues, prontos para o combate.

Em vez da luta prevista como certa, o que ocorreu foi a acolhida generosa e cordial. Do chefe indígena para o chefe branco partiu apenas um aceno acolhedor. Os arcos foram jogados no chão em sinal de paz e a cuia de mate, símbolo da hospitalidade, foi oferecida ao chefe índio, rodando depois pelos guerreiros brancos.

Na Cidade de Luz, no Oeste de Minas Gerais, iniciada em 1790 em torno de uma capelinha dedicada a Nossa Senhora da Luz e, desde 1918, sede da Diocese, recebeu no dia 2 de fevereiro de 1995 preciosa escultura de sua Padroeira, que lhe foi doada pela Câmara Municipal de Lisboa. Esta imagem, abençoada no Santuário de Carnide, em Portugal, construído junto à fonte do Machado, onde em 1453 humilde Pedro Martins obteve da Mãe Santíssima um estupendo milagre, é toda em mármore branco e foi recebida com grandes festejos populares e comemorações cívicas na progressista cidade mineira e entronizada na bonita catedral.

Existe ainda na Cidade de Luz interessante monumento erguido em 1993, para comemorar o 75º aniversário da criação do Bispado, no qual foi colocada uma efígie de bronze de Nossa Senhora da Luz, cópia daquela trazida pelos portugueses em 1503, que se encontra em exposição no Museu de Arte Sacra de São Paulo.

A invocação de Nossa Senhora da Luz é bastante difundida no Brasil, pois existem 21 paróquias a Ela dedicadas. Sua festa litúrgica é celebrada em 2 de fevereiro.

Oração à Nossa Senhora da Luz

Ó Senhora da Luz, dona de todas as graças, cobre-nos com o teu manto resplandecente, pois tu és a luz que nos guia pelas trevas e, pela tua imensa misericórdia, nos dás força e alento para seguir o nosso rumo, que nos leva até a ti, ó Cheia de Graça. Nossa Senhora, pelo Espírito Santo iluminada, Mãe de Nosso Senhor, nossa fonte de luz, tu és a nossa força e o nosso caminho e nos proteges por entre montanhas e vales, pelos desertos e ilhas, no sofrimento e na tortura, nas perseguições que sofremos. Ó Nossa Senhora da Luz, nossa Mãe, cobre-nos com a tua interminável glória e continue a iluminar o nosso caminho com a tua interminável e Divina Luz, que outra coisa não queremos ver, senão as maravilhas da tua presença. Ó Nossa Senhora da Luz, Mãe de Deus, ajuda-nos, com a tua bondade infinita, a enfrentar todos os perigos e tentações, para que com a tua preciosa ajuda, sigamos nosso caminho com a tua luz e longe da escuridão das trevas. Amém!

Nossa Senhora das Candeias

Padroeiro de: Alfaiates e Costureiras | Localização: Portugal

A invocação de Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora da Purificação remonta aos primórdios do cristianismo. Segundo o preceito da lei mosaica, todo filho varão deveria ser apresentado no Templo quarenta dias após seu nascimento. A mãe, considerada impura após o parto, deveria ser purificada em uma cerimônia especial. Nossa Senhora, submetendo-se a esta determinação, apresentou-se com o Menino Jesus no recinto sagrado dos judeus.

Esta festividade dos luzeiros foi denominada “das candeias”, porque comemorava-se o trajeto de Maria ao templo, com uma procissão, na qual acompanhantes levavam na mão velas acesas.

A procissão dos luzeiros provém de um antigo costume romano, pelo qual o povo recordava a angústia da deusa Ceres, quando sua filha Prosérpina foi raptada por Plutão, deus dos infernos, para tomá-la como companheira do Império dos Mortos. Esta tradição estava tão arraigada, que continuou mesmo entre os convertidos ao cristianismo. Os primeiros padres da Igreja tentaram eliminá-la, mas não conseguiram. Como aquela festa sempre caia no dia 2 de fevereiro, data em que os cristãos celebravam a Purificação de Maria, o papa Gelásio (492-496) resolveu instituir um solene cortejo noturno, em homenagem à Maria Santíssima, convidando o povo a comparecer com círios e velas acesas e cantar hinos em louvor de Nossa Senhora.

Esta celebração propagou-se por toda a Igreja Romana e, em 542, Justiniano I instituiu-a no Império do Oriente, após ter cessado uma peste. Na liturgia atual a solenidade denomina-se “Apresentação do Senhor”, mantendo-se antes da missa a tradicional bênção de velas com procissão.

Em Portugal, a devoção à Virgem das Candeias ou da Purificação já existe desde o século XIII, quando uma imagem era venerada em Lisboa, na paróquia de São Julião. De lá veio para o Brasil, onde são inúmeras as igrejas dedicadas a esta invocação, merecendo destaque as da Bahia.

Na ilha Madre de Deus, situada na Bahia de Todos os Santos, existe um templo lendário, cuja imagem foi encontrada por pescadores num rochedo junto ao mar. No dia 2 de fevereiro, grande multidão proveniente da capital baiana e das ilhas circunvizinhas acorre para assistir à festa das Candeias. Desde o amanhecer o mar se cobre de canoas, que cortam as águas da Baía e trazem milhares de devotos para as cerimônias da Purificação de Maria.

O culto de Nossa Senhora das Candeias é muito desenvolvido na Bahia devido a sua sincretização com os cultos afro-brasileiros. Uma das festividades mais concorridas acontece na cidade de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, que já era celebrada em 1720.

Nossa Senhora das Candeias é a padroeira dos alfaiates e costureiras. Na Sé de Lisboa, no altar da Senhora das Candeias, esteve também a do alfaiate São Bom Homem, modelo da classe.

Em Ouro Preto, na Capela dos Terceiros de São Francisco, existe também uma imagem desse santo, com o nome de Santo Homobono. Além da localidade “Senhora das Candeias”, no oeste de Minas, tem essa invocação uma imagem e um altar no arraial de São Bartolomeu, próximo de Ouro Preto.

 Nossa Senhora das Candeias, Rogai por nós que recorremos a vós!

Oração à Nossa Senhora das Candeias

Virgem Santíssima das Candeias, vós que pelos merecimentos de vosso Filho Onipotente, tudo alcançais em benefício dos pecadores de quem sois igualmente Senhora e Mãe. Vós que não desprezais as súplicas humanas e nem a elas fechais o vosso coração compassivo e misericordioso. Iluminai-me, eu vos peço, na estrada da vida, encorajai-me e encaminhai os meus passos e as minhas orações para o verdadeiro bem. Livrai-me de todos os perigos a que está exposta à minha fraqueza. Defendei-me de meus inimigos, como defendeste o vosso amado Filho das perseguições que sofreu sendo menino. Não consintais que eu seja atingido por ferro, fogo e nem por peste alguma, e depois de todos estes benefícios de vossa clemência nesta vida, conduzi a minha alma para a morada dos anjos, onde com Jesus Cristo, vosso Filho e Nosso Senhor, viveis e reinais, pelos séculos. Que assim seja.

Nossa Senhora da Candelária

Padroeiro de: Ilhas Canárias | Localização: Portugal e Espanha

“Contam que, por volta de 1400, dois pastores guardavam seus animais perto de uma caverna na ilha de Tenerife, nas Canárias, e observaram, certo dia, que o gado se recusava a entrar na lapa, apesar de todos os seus esforços. Penetraram, então, na gruta e descobriram a imagem de uma Senhora com o filho ao colo. Estranhando o ocorrido, foram notificar o seu povo.

Acudindo a população, inclusive o rei do país, ao local, observaram maravilhados a existência de numerosas candeias (velas) sustentadas por seres invisíveis, que com seus cânticos ‘ensinavam a maneira de render culto a Deus e à Virgem Maria. Começaram os nativos a honrar Aquela que amavam sem conhecer, até que um cristão espanhol casualmente ali desembarcou, nos fins do século XV, e explicou-lhes o mistério”.

A imagem original desapareceu no dia 17 de novembro de 1826, devido a uma inundação provocada por uma forte chuva que carregou um barranco que circundava o Santuário. Era entalhada em madeira dourada e policromada. Sua altura era de um metro. O Menino se encontrava em seu braço direito e o esquerdo trazia uma candeia de cor verde.

Várias representações em quadros permitem conhecer suas formas antes de seu desaparecimento. É provável que a imagem tenha chegado à Ilha na metade do século XV, trazida por missionários franciscanos. A imagem atualmente venerada é obra do artista Fernando Estevez, que a esculpiu em 1827.

O primeiro Santuário, cuja construção foi concluída em 1672, foi atendido pela Ordem Dominicana. Possuía um belo retábulo, infelizmente destruído por um incêndio em fevereiro de 1789. Na metade do século XIX, tiveram início as obras do atual templo, que se deram de forma muito lenta. Recebem um novo impulso em 1930, com o projeto de Eladio Laredo, que foi sucedido pelo arquiteto Marrero Regalado.

Hoje, contempla-se uma bela igreja de planta clássica com três naves, um cruzeiro e um campanário.

A festa de Nossa Senhora da Candelária é celebrada anualmente no dia 15 de agosto. Nesse dia acorrem ao santuário peregrinos do todas as ilhas, que vêm prestar homenagem à sua padroeira. Em 1867, a pedido do bispo das Canárias, Lluch y Garriga, o papa Pio IX declarou Nossa Senhora da Candelária como padroeira de todo o arquipélago.

A coroação da Virgem e seu Filho ocorreu no dia 13 de outubro de 1889, pelo bispo Dom Ramón Torrijos Gómez, privilégio concedido pelo papa Leão XIII através de decreto assinado no dia 14 de julho de 1889. A imagem de Nossa Senhora da Candelária é igual à de Nossa Senhora das Candeias, da qual é variante.

A imagem de Nossa Senhora da Candelária tornou-se célebre por causa de seus milagres.

Nossa Senhora da Candelária, Rogai por nós que recorremos a vós!

Nossa Senhora da Boa Sorte ou do Bom Sucesso

Padroeiro de: Marinheiros |Localização: Bélgica

O título é compartilhado por diversas imagens de Nossa Senhora ao redor do mundo. Uma das mais conhecidas e venerada até os dias de hoje se encontra na Bélgica e tem uma história um tanto quanto complexa.

Em 1625 a imagem foi colocada aos cuidados do regente espanhol dos Países Baixos, que, por sua vez a enviou à Igreja Agostiniana de Bruxelas em 1626. Quando expulsos da Igreja no ano de 1814, os agostinianos levaram a imagem para uma capela especial, construída em 1852 na igreja paroquial de Finisterre, na Bélgica.

Outros relatos localizam a imagem em Bruxelas já no ano de 1436, desaparecendo por um lapso de tempo até o século XVII, quando trouxe a vitória ao exército belga-espanhol contra os protestantes holandeses no ano de 1631. Nesse mesmo ano a imagem teria chegado à Bélgica vinda de barco da Escócia.

A imagem de Nossa Senhora, carregando o Menino Jesus com seu braço direito, foi feita no estilo flamenco e data do final do século XV. Com a sua mão esquerda Maria empunha um cetro de prata. Outros nomes da imagem são: “Our Lady of Good Success”; “Notre Dame du Bon Succès”; “Our Lady of Aberdeen”; “Our Lady of Good Succor”; “Our Lady of Good Events”; “Virgen de la Buena Suerte”; “Our Lady of Good Luck” e “Virgen del Buen Suceso”. É comemorada todos os anos no dia 9 de julho. É reconhecida como a padroeira dos marinheiros, e de uma morte tranquila e pacífica, assim como do bem-estar e da segurança.

Em Quito, no Equador, “Nossa Senhora do Bom Sucesso” apareceu a Mariana de Jesús Torres no Convento Concepcionista no dia de 1584. A Mãe de Deus pediu à monja que uma estátua fosse feita retratando-a e advertiu sobre uma severa crise da Igreja e da sociedade nos séculos XIX e XX.

No dia 2 de Fevereiro de 1611 a imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus em seu braço direito foi oficialmente abençoada pelo Bispo e colocada acima da cadeira da Abadessa do Convento, e é conhecida como “Maria do Bom Sucesso da Purificação”.

Mariana morreu no dia 16 de janeiro de 1635. Em 1906, quando se empreendeu uma obra de remodelação do Convento, o túmulo da madre Mariana foi aberto. Seu corpo e seu hábito foram encontrados incorruptos. O Bispo Ribera de Quito consagrou a imagem de Nossa Senhora no dia 2 de fevereiro de 1610. Essa data permaneceu, desde esse momento, como o dia oficial da sua festa.

O título de “Nossa Senhora do Bom Sucesso” também foi muito importante na fundação e expansão do apostolado dos irmãos obregones (Mínima Congregação dos Irmãos Enfermeiros Pobres), fundados por Bernardino de Obregón no ano de 1568 e aprovados pelo Núncio Papal Cardeal Décio Carafa no ano de 1569.

Oração a Nossa Senhora do Bom Sucesso

Nossa Mãe e Senhora, vede como o mal invade tudo: corações, famílias, sociedade, nosso país. As crianças não caminham mais pelo caminho da inocência. Os jovens são cativados por passatempos mundanos, não se aproximam mais do Altar para pedir vossos auxílios de Mãe; ou as luzes que dissolvam as sombras da dúvida que o mundo semeia incessantemente. As mães esquecem que o lar é a primeira escola na qual o bem é ensinado, e que elas são as primeiras mestras. A vida familiar se encontra deteriorada, e a chamada para a oração é rara vez escutada. Nas escolas não há oração, nem os louvores são cantados. Nas casas poucos ainda acreditam na Divina Providência, que tem contados todos os cabelos da nossa cabeça e os sofrimentos dos nossos corações, e são pouquíssimos os que acodem ao misericordioso auxílio do vosso coração maternal. Nessas horas, nosso país é como o Samaritano do Evangelho, que caiu nas mãos dos ladrões, ferido de morte, sem o alívio da humana esperança. Doce Mãe, cuida das crianças abandonadas, que estão perdidas porque não têm nada na vida. Protegei os jovens para que não sejam absorvidos pelo veneno do vício. Ensina às mães o divino dom de serem mães e do seu dever de modelar os corações dos seus filhos à custa de qualquer sacrifício, salvando-os com a misteriosa súplica das suas lágrimas. Se Vós não vindes com a vossa assistência a esse país agonizante, os remanescentes de vida cristã que ainda nos restam desaparecerão. Vosso coração é um abismo de inefável ternura. Deixai que uma gota de bálsamo caia sobre as nossas feridas e viveremos… Amém.

Nossa Senhora dos Navegantes: A estrela do mar

Padroeiro de: Navegantes e dos viajantes

Nossa Senhora dos Navegantes passa a receber muitos pedidos de intercessão na Idade Média, na época das Cruzadas, quando os portugueses e espanhóis cruzavam o mar Mediterrâneo rumo à Palestina para protegerem os lugares sagrados dos infiéis.

Nesta devoção, Maria é chamada também de Estrela do Mar, aquela que protege os navegantes mostrando-lhes sempre o melhor caminho e um porto seguro para a chegada. Antes das travessias, os navegantes participavam da Santa Missa pedindo proteção a Nossa Senhora dos Navegantes, para poderem ter mais coragem de enfrentar o mar e suas tempestades com aqueles pequenos barcos. É a padroeira dos navegantes e dos viajantes.

As grandes navegações

Quando os portugueses e espanhóis deram início às grandes navegações, aos descobrimentos de novas rotas e novas terras pelo mundo, a devoção a Senhora dos Navegantes, Estrela do Mar, começou a ser difundida e nunca mais parou.

As invocações a Nossa Senhora eram gravadas no próprio casco dos barcos. Quase todos os barcos traziam uma imagem de Nossa Senhora dos Navegantes entalhada na proa dos barcos, com uma lâmpada de fogo, que os marujos nunca deixavam se apagar.

Nossa Senhora dos Navegantes no Brasil

Quando os primeiros colonizadores portugueses chegaram ao Brasil, com eles também desembarcou a devoção a Nossa Senhora dos Mares, da Boa Viagem, a Estrela do Mar, a Nossa Senhora dos Navegantes. Pescadores simples e valentes, sempre faziam as orações a Nossa Senhora dos Navegantes antes de irem para o mar buscar o sustento para a família e o trabalho para sobreviverem.

Prova disso é que a grande maioria das Igrejas e Capelas dedicadas a Nossa Senhora dos Navegantes estão situadas no litoral do Brasil. Em Fortaleza, Ceará, Penedo em Alagoas, Porto Alegre no Rio Grande do Sul, em Santos e Cananéia no litoral de São Paulo.

Em Santa Catarina, são várias cidades que mantêm a devoção com Igrejas ou capelas dedicadas à Senhora dos Navegantes, como no Balneário Arroio do Silva, Balneário Barra do Sul, as cidades de Laguna, Mondai, Bombinhas e a principal, a cidade de Navegantes. Esta já tinha uma capela dedicada à Santa em 1896.

No ano de 1996, o então Bispo Auxiliar de Florianópolis, Dom Murilo S. R. Krieger, scj, fez a dedicação do altar da Igreja. Por isso, ela foi elevada a Santuário Arquidiocesano, sob a invocação de Santuário de Nossa Senhora dos Navegantes.

Em todos esses lugares, a festa de Nossa Senhora dos Navegantes é celebrada no começo do fevereiro, com missas e grandes procissões de barcos, no mar ou nos rios. A imagem de Nossa Senhora dos Navegantes é representada por Maria em pé, dentro de um barco, segurando o Menino Jesus no colo.

Oração a Nossa Senhora dos Navegantes

Ó Nossa Senhora dos Navegantes, Santíssima filha de Deus, criador do céu, da terra, dos rios, lagos e mares; protegei-me em todas as minhas viagens. Que ventos, tempestades, raios ou ressacas não perturbem a minha embarcação, e que nenhuma criatura, nem incidentes imprevistos causem alteração e atraso na minha viagem, ou me desviem da rota traçada. Virgem Maria, Senhora dos Navegantes, minha vida é a travessia de um mar furioso. As tentações, os fracassos e as desilusões são ondas impetuosas que ameaçam afundar minha frágil embarcação n o abismo do desânimo e do desespero. Nossa Senhora dos Navegantes, nas horas de perigo eu penso em vós e o medo desaparece; o ânimo e a disposição de lutar e de vencer, torna a me fortalecer. Com vossa proteção e a benção de vosso Filho Jesus, a embarcação da minha vida, há de ancorar segura e tranquila no porto da eternidade. Amém. Nossa Senhora dos Navegantes, rogai por nós.

 
 
 
CONTATO
Avalie-nosRuimNão muito bomBomMuito bomÓtimoAvalie-nos

Agradecemos pelo envio !

© 2019 - 2023. INTERVENÇÃO DIVINA - Criado por Divino Design.

Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

bottom of page
ConveyThis