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Um vício cada vez mais presente: excesso de mídias sociais. As pessoas estão quase que 100% do tempo “livre” conectadas na internet e desconectadas das pessoas reais. Crianças, cada vez mais jovens, padecendo do mesmo mal. Menos telas, mais presença!

Não chegamos a esse ponto “do nada”. Não foi do dia para a noite que nos tornamos um “zumbis” aficionados em telas. Quando começamos essa relação com as novas tecnologias, eramos livres e levávamos uma vida normal…

Com o passar do tempo, porém, foi isto mesmo o que aconteceu: nos aprisionamos e, para completar, jogamos fora a chave dessa prisão que nos enfiamos.

Mas — e é isto que o Padre Paulo Ricardo quer lhe explicar na formação de hoje — ainda é possível recuperar a chave e, com ela, a sua liberdade.

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Comunicação instantânea à distância, acesso fácil e rápido à informação, possibilidade de assistir às pregações do Padre Paulo Ricardo e às aulas da nossa plataforma: é possível citar uma gama de utilidades, inegáveis, para as novas tecnologias…

Mas os efeitos colaterais de seu uso desordenado, especialmente por crianças e adolescentes, já se fazem sentir: presos ao mundo digital, temos nos tornado cada vez mais “antissociais”, inaptos e despreparados para enfrentar os desafios da vida real.

O que está acontecendo conosco? É o que vamos procurar entender neste curso, cientes de que o primeiro passo para remediar um problema dessa gravidade é saber em que ele consiste. Pois não se pode combater o que, antes, não se conhece.

Para tanto, Padre Paulo Ricardo partirá de uma abordagem integral do homem, enquanto ser dotado de “corpo, alma e espírito”, aliando às recentes descobertas no campo da neurociência uma reflexão filosófica e teológica profunda.

Afinal de contas, de nada adianta “deixar” os prazeres virtuais se não for para “abraçar” algo que realmente valha o investimento do nosso tempo e da nossa vida. É este, na verdade, o grande diferencial do conteúdo que você tem em mãos.

 
 
 

Neste próximo final de semana, dia da Solenidade da Epifania do Senhor, há um costume católico antigo de marcar com giz a porta de entrada das casas dos fiéis.

Trata-se de consagrar a casa ao Senhor Jesus. Este ano fica assim: 20☩C☩M☩B☩24. O “20” inicial representa o milênio e o século, as letras C, M e B são as iniciais dos reis magos Caspar, Melchior e Baltazar e o “24” no final representa a década e o ano (2024, no caso).

As inscrições são mantidas na porta até o dia de Pentecostes. Assista o vídeo explicativo e procure o padre da sua paróquia.

Assista ao vídeo:

Bênção da casa na Epifania

É um costume antiquíssimo que as casas – religiosas ou de famílias – sejam abençoadas por ocasião da Solenidade da Epifania. Há até uma bênção própria para a Epifania, que consta no Rituale Romanum pré-conciliar. No atual Rituale, usa-se a bênção comum das casas mesmo, mas é possível acrescentar as cerimônias antigas. Em 2014, pelo calendário moderno, a Epifania cai em 5 de janeiro.

1. A SOLENIDADE DA MANIFESTAÇÃO DO SENHOR (EPIFANIA) NO DIA 6 DE JANEIRO

O Tempo do Natal poderia ser comparado a uma elipse cujos pontos centrais são a solenidade do Natal, a 25 de dezembro, e a solenidade da Epifania, a 6 de janeiro. Devido a nossa vida moderna e ao mundo do trabalho, a solenidade da Epifania, em muitos países e regiões, não é mais celebrada no dia 6 de janeiro, mas transferida para o domingo que ocorre entre 2 e 8 de janeiro. Em nossa Ordem, esta solenidade foi mantida, em princípio, na data tradicional, deixando-se a cada mosteiro, conforme seu país, a possibilidade de decidir quando celebrá-la

1.1 – Sobre a origem e a história da festa

Originariamente, a festa do Natal era celebrada, no Ocidente, a 25 e dezembro, e no Oriente, a 6 de janeiro. Como por osmose, o Ocidente e o Oriente absorveram as duas festas em fins do século IV. Devido a sua origem e conteúdo teológico, ambas celebram o Natal, mas com acentos diferentes. A história da Epifania é, de fato, complicada e suas raízes próprias permanecem obscuras até os nossos dias. Como indica o nome grego “Epifania” (Manifestação) ou “Teofania” (Manifestação de Deus), a festa provém do Oriente e foi introduzida no Ocidente no século IV. O título da festa – “Epifania” – significa também que o dia 6 de janeiro já era algo mais que a popular “festa dos Reis”. A Epifania é a revelação de Jesus Cristo, Filho de Deus, para o mundo inteiro. Na Grécia e na Rússia, os cristãos chamam esse dia: “Solenidade da santa Teofania de nosso Senhor Jesus Cristo”.

Seguramente, como ocorre no Natal, a data da Epifania remonta também ao culto pagão, ou seja, está relacionada com a festa do solstício de inverno que, no Egito, provavelmente ocorria entre 5 e 6 de janeiro. No dia 25 de dezembro ou no dia 6 de janeiro celebrava-se o aniversário de nascimento do deus-sol invencível, transformado pelos cristãos no aniversário natalício de Jesus Cristo, “verdadeira luz do mundo” (cf. Jo, 8, 12; 1, 9). Através de uma fonte antiga, sabe-se que a seita gnóstica dos basilianos, em Alexandria, no começo do século III, celebrava no dia 6 de janeiro a festa do Batismo de Cristo, mediante o qual, pela descida do Espírito Santo, aconteciam a geração e o nascimento do Filho de Deus. O Batismo de Cristo deveria, em seguida, se tornar a temática própria da festa da Epifania, no Ocidente. De acordo com outras informações, no dia 6 de janeiro, os egípcios iam ao rio buscar água. Talvez esteja aqui um dos fundamentos da bênção da água na Epifania. Do Egito, a festa de 6 de janeiro parece ter-se também estendido tanto para o Ocidente quanto para o Oriente, na segunda metade do século IV. Nas Igrejas do Ocidente, a festa da Epifania foi estabelecida primeiramente na Gália, na Espanha, no norte da Itália e em Ravena, embora os seus temas tenham sido ampliados.

Na Epifania, além da Encarnação e do Batismo de Cristo, meditava-se ainda na Adoração dos Magos, nas Bodas de Caná e na Multiplicação dos pães. O conteúdo desta festa é, por exemplo, condensado no magnífico hino da Epifania, de autoria de Santo AMBRÓSIO DE MILÃO († 397): “Illuminans Altissimus”, adotado por nossos Pais de Cister em sua liturgia (cf. Breviário dito “de Santo Estêvão”, do ano 1132). Em Roma, as Homilias do Papa São LEÃO MAGNO († 416) constituem o testemunho mais seguro da celebração da festa da Epifania.

1.2 – Conteúdo da festa

Quando o Oriente (à exceção da Armênia) adotou, em fins do século IV, a celebração do Natal no dia 25 de dezembro, oriunda da liturgia romana, o dia 6 de janeiro tornou-se primitivamente a festa oriental da Encarnação do Senhor, transformando-se depois na festa do Batismo de Cristo. Na liturgia romana, pelo menos na liturgia da Missa, o dia 6 de janeiro passou a ser a festa da Adoração dos Magos (cf. Mt 2, 1-12) ou festa dos três Santos Reis, enquanto a Liturgia das Horas romana incorporava progressivamente os temas suplementares do Batismo de Cristo, das Bodas de Caná e da Multiplicação dos pães, provenientes das regiões gaulesa, espanhola e norte-italiana. As influências recíprocas da Liturgia da Igreja Oriental e da Igreja Ocidental são ainda hoje perceptíveis nos textos litúrgicos da festa da Epifania. A antífona “Hodie cœlesti Sponso” (no Breviário cisterciense, é a antífona do Benedictus) exprime muito bem, em seu conjunto, a celebração da festa: “Hoje, a Igreja se une a seu celeste Esposo: Cristo, no Jordão, a purifica de seus pecados; os Magos trazem seus presentes para as núpcias reais; a água se transforma em vinho para alegria dos convivas. Aleluia.” Exatamente esse texto, bem como a célebre antífona do Magnificat, “Tria miracula” (“Três milagres”), mostram de maneira significativa que o conteúdo teológico da festa da Epifania ultrapassa de muito uma simples festa dos três Reis. Com efeito, a Epifania concentra os acontecimentos mais importantes dos primeiros anos de Jesus de Nazaré e os celebra como revelações e manifestações de sua divindade. Igualmente na Liturgia romana a Epifania foi outrora considerada uma festa da maior importância, celebrada com vigília e oitava, e os domingos que se lhe seguiam eram chamados “domingos depois da Epifania”.

A transladação das presumíveis relíquias dos três Santos Reis para Colônia, em 23 de julho de 1164, onde ainda são conservadas no célebre relicário da Catedral, favoreceu enormemente a propagação do culto dos três Reis, no Ocidente, além de contribuir de modo essencial para o caráter popular de sua festa, no dia 6 de janeiro. Aliás, foi ORÍGENES († 253/254), antigo escritor cristão, que explicitou, pela primeira vez, serem três os Magos (o texto fala simplesmente de “magos” ou “astrólogos vindos do Oriente”), talvez por causa dos presentes também em número de três. Posteriormente, desde São CESÁRIO DE ARLES († 542), os três Magos se tornaram Reis (o texto bíblico não diz nada disso) e, a partir dos séculos VIII ou IX, acreditava-se mesmo saber os seus nomes: BALTASAR, MELQUIOR (o “Mouro”, o Negro) e GASPAR.

1.3 – Tradições da festa

Em cada região, foram se desenvolvendo diferentes costumes em torno da festa da Epifania; dentre eles, gostaria de fazer referência a três. O mais conhecido nas regiões de língua alemã é, sem dúvida, o da consagração da água (“água dos três Reis”), atestado desde os séculos XI e XII e que tem suas raízes na tradição oriental (egípcia). No Oriente, onde se celebra na Epifania o Batismo de Cristo, o dia 6 de janeiro era uma data muito considerada. As Igrejas orientais tinham, além de outros, na noite da Epifania uma solene consagração da água que, segundo as possibilidades, era realizada em um rio ou no mar, mergulhando-se uma cruz nas águas. Este costume tem sua origem na bênção do Jordão em memória do Batismo de Jesus (“consagração do Jordão”). São JOÃO CRISÓSTOMO († 407) conta que “nesta solenidade, por volta da meia-noite, as pessoas vão buscar água que colocam num recipiente em suas casas, guardando-a durante o ano inteiro em memória deste dia no qual as águas foram santificadas”. Atrás disso está a convicção, difundida no Oriente, de que Jesus santificou a água quando, por ocasião de seu Batismo, desceu ao rio Jordão. A crença popular atribuía uma força especial à “água benta dos três Reis”.

Ao lado da tradicional Bênção das Casas, na Epifania, desenvolveu-se, sobretudo nos países de língua alemã, uma forma própria: todos os lugares da casa são abençoados com água benta e incenso; e, com um giz bento, se escreve acima das portas a fórmula de bênção: 20+C+M+B+07: Christus Mansionem Benedicat” que uma interpretação popular interpreta como sendo as iniciais dos nomes dos três Reis: Caspar, Melquior, Baltasar. Supõe-se que por trás dessa prática esteja um velho costume germânico. Ainda nas regiões de língua alemã, em alguns lugares, são os “Sternsinger”, personagens vestidas como os três Reis Magos, que se antecipam a esta bênção. A bênção das casas na Epifania pretende, sobretudo, trazer a certeza de que a Encarnação de Jesus, pela qual ele veio morar entre nós (Jo 1, 14), atua em nosso íntimo na vida de cada dia. Nos lugares onde semelhante costume é prática corrente, seria bem significativo que o Abade (o Prior) ou a Abadessa (a Superiora ou o Capelão do mosteiro) abençoe na Epifania os lugares regulares do mosteiro, se possível em presença da comunidade ou, pelo menos, de alguns irmãos ou irmãs. O texto correspondente desta bênção pode ser encontrado no “Benedictionale” editado pelas Conferências Episcopais de cada região lingüística.

Desde a antiguidade, a data da próxima festa da Páscoa e as datas das festas móveis que dela decorrem são anunciadas durante a Missa da Epifania, após a leitura do Evangelho. Com efeito, nos tempos antigos, era nesta festividade que se tornava pública a “Carta Pascal” informando à cristandade a data da Páscoa. Este dia foi escolhido para o referido anúncio porque nele Cristo, o novo Sol, se levantou para o Oriente na Epifania. Semelhante costume de anunciar as festas móveis, que provém da liturgia das catedrais e ainda consta no novo “Missale Romanum”, nunca foi oficialmente reconhecido em nossa Ordem.

O normal é que o pároco ou seu vigário faça a bênção. Todavia, nem sempre é possível encontrar um sacerdote disposto a perpetuar costumes antigos, e o ritual atual prevê que o pai de família possa recitar a bênção.

Aqui em casa, temos por costume chamar sacerdotes para que a abençoem, mas não exatamente na Epifania, e sim quando temos a graça de uma visita de padre. Na Epifania, pelas circunstâncias que temos, faremos a bênção sem o sacerdote, e eu, como “sacerdote da Igreja doméstica”, conduzirei a celebração familiar. É uma celebração que a Igreja muito valoriza, pela santidade do lar “em cujas portas são desenhadas a cruz do Senhor, a data do ano que apenas começou, as letras iniciais dos tradicionais nomes dos santos Magos (…) escritas com giz bento.” (Diretório sobre Piedade Popular e Liturgia, nº 118)

Proponho a seguinte ordem para a celebração, baseada nos ritos da Igreja. Todos se reúnem na porta de casa, pelo lado de dentro. Cantam um hino, como o sugerido abaixo:

Cristãos, vinde todos, com alegres cantos. Oh! Vinde, oh! Vinde até Belém. Vede nascido, vosso rei eterno.

Oh! Vinde adoremos, Oh! Vinde adoremos, Oh! Vinde adoremos o salvador!

Humildes pastores deixam seu rebanho e alegres acorrem ao Rei do Céu. Nós, igualmente, cheios de alegria.

O Deus invisível de eterna grandeza, sob véus de humildade, podemos ver. Deus pequenino, Deus envolto em faixas!

Nasceu em pobreza, repousando em palhas. O nosso afeto lhe vamos dar. Tanto amou-nos! Quem não há de amá-lo?

Recitam, então, o Salmo Responsorial da Missa do dia (Salmo 71), com o pai ou a mãe lendo os versículos e todos respondendo o responsório:

As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!

R/. As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!

Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus,/ vossa justiça ao descendente da realeza!/ Com justiça ele governe o vosso povo,/ com equidade ele julgue os vossos pobres. Nos seus dias a justiça florirá/ e grande paz, até que a lua perca o brilho!/ De mar a mar estenderá o seu domínio,/ e desde o rio até os confins de toda a terra!

Os reis de Társis e das ilhas hão de vir/ e oferecer-lhe seus presentes e seus dons;/ e também os reis de Seba e de Sabá/ hão de trazer-lhe oferendas e tributos./ Os reis de toda a terra hão de adorá-lo,/ e todas as nações hão de servi-lo.

Libertará o indigente que suplica,/ e o pobre ao qual ninguém quer ajudar./ Terá pena do indigente e do infeliz,/ e a vida dos humildes salvará.

Após, todos acendem as velas que carregam nas mãos, e recitam juntos:

R/. Uma criança é nascida em Belém, aleluia! Com plena alegria canta Jerusalém, aleluia, aleluia. Do Oriente viram a estrela, aleluia, e os santos reis vêm de longe, aleluia, aleluia.

Em seguida, o pai lê a perícope da Missa da Epifania: Mt 2,1-12: V/. O Senhor esteja convosco.

R/. Ele está no meio de nós.

V/. PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo São Mateus.

R/. Glória a vós, Senhor.

Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.

Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado assim como toda a cidade de Jerusalém.

Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”.

Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”.

Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino.

Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande.

Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra.

Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.

V/. Palavra da Salvação.

R/. Glória a vós, Senhor.

Recitam todos a antífona:

R/. Do Oriente vieram os Magos a Belém para adorar o Senhor, e abrindo os seus tesouros ofereceram presentes caros: ouro para o Grande Rei, incenso para o verdadeiro Deus, e mirra em símbolo de seu enterro, aleluia!

O pai, então, asperge todos os cômodos da casa, enquanto todos cantam ou recitam o Magnificat:

Magnificat * anima mea Dominum, et exultavit spiritus meus * in Deo salvatore meo, quia respexit humilitatem ancillæ suæ. * Ecce enim ex hoc beatam me dicent omnes generationes. Quia fecit mihi magna, qui potens est, * et sanctum nomen eius, et misericordia eius in progenies et progenies * timentibus eum. Fecit potentiam in brachio suo, * dispersit superbos mente cordis sui; deposuit potentes de sede * et exaltavit humiles; esurientes implevit bonis * et divites dimisit inanes. Suscepit Israel puerum suum, * recordatus misericordiæ, sicut locutus est ad patres nostros, * Abraham et semini eius in sæcula. Gloria Patri, et Filio, * et Spiritui Sancto. Sicut erat in principio, et nunc, et semper, * et in saecula saeculorum. Amen.

Ou, em português:

A minha alma engrandece ao Senhor * e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador, pois ele viu a pequenez de sua serva, * desde agora as gerações hão de chamar-me de bendita. O Poderoso fez por mim maravilhas * e Santo é o seu nome! Seu amor, de geração em geração, * chega a todos que o respeitam. Demonstrou o poder de seu braço, * dispersou os orgulhosos. Derrubou os poderosos de seus tronos * e os humildes exaltou. De bens saciou os famintos, * e despediu, sem nada, os ricos. Acolheu Israel, seu servidor, * fiel ao seu amor, como havia prometido aos nossos pais, * em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. * Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

R/. Do Oriente vieram os Magos a Belém para adorar o Senhor, e abrindo os seus tesouros ofereceram presentes caros: ouro para o Grande Rei, incenso para o verdadeiro Deus, e mirra em símbolo de seu enterro, aleluia!

O pai, então, voltando para a porta da casa recita a bênção sobre o giz:

V/. Adjutorium nostrum in nomine Domini.

R/. Qui fecit caelum et terram.

V/. Dominus vobiscum.

R/. Et cum spiritu tuo.

Bene + dic, Domine Deus, creaturam istam cretae: ut sit salutaris humano generi; et praesta per invocationem nominis tui sanctissimi, ut, quicumque ex ea sumpserint, vel in ea in domus suae portis scripserint nomina sanctorum tuorum Gasparis, Melchioris et Baltassar, per eorum intercessionem et merita, corporis sanitatem, et animae tutelam percipiant. Per Christum Dominum nostrum. R/. Amen.

Por cima da porta de casa, do lado exterior, o pai escreve com giz o seguinte: 20+C+M+B+14. O 20 e o 14 representam 2014, o ano em que nos encontramos. O C M B representam Christus Mansionem Benedicat – Cristo Abençoe esta Casa, e cada letra é intercalada com uma cruz.

A sigla CMB tamém era entendida como representando os três reis magos (sendo que Gaspar pode ser escrito Caspar) e interpretado como uma forma de receber os magos em nossa casa. Se for usado incenso, o pai pega o turíbulo e incensa a porta com três ductos de um só icto.

Enfim, o pai recita a seguinte oração e depois asperge a porta:

Oremos. Senhor Deus do Céu e da Terra, que revelastes o vosso Filho Unigênito a todas as nações com o sinal de uma estrela: Abençoai esta casa e todos os que nela habitam. Enchei-os com a luz de Cristo, e que o nosso amor pelos outros reflita o vosso amor. Pelo mesmo Cristo nosso Senhor. R/. Amém.

Abençoada a porta, o pai recita a oração:

V/. O nosso auxílio está no nome do Senhor.

R/. Que fez o céu e a terra.

V/. O Senhor esteja convosco.

R/. E com teu espírito.

Oremos. Ó Deus, que hoje revelastes o vosso Filho às nações, guiando-as pela estrela, concedei aos vossos servos, que já vos conhecem pela fé, contemplar-vos um dia face a face no céu.. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

R/. Amém.

Cantam um hino, como o sugerido abaixo:

Vinde Cristãos, vinde à porfia Hinos cantemos de louvor Hinos de Paz e de alegria, Hinos de anjos do Senhor

Glória a Deus nas alturas Glória a Deus nas alturas

Vinde juntar-vos aos pastores Vinde com eles a Belém Vinde correndo pressurosos, o Salvador que enfim nos vem

Foi nesta noite Venturosa do nascimento do Senhor Que anjos de voz harmoniosa deram a Deus o seu louvor

Fonte: domesticaecclesia.com

 
 
 

Nosso Senhor Jesus Cristo deve vir em primeiro lugar também na vida pública: é a única forma de manter a saúde mental dos povos, a única forma de evitar que, em última instância, os poderes deste mundo se erijam em deuses.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Quando o Papa Pio XI instituiu a festa em honra a Cristo Rei, em 1925, ele a quis no final do ano litúrgico, como coroação de todos os mistérios da vida de Jesus.

Ao contrário da festa que consta no atual calendário litúrgico, porém, a intenção original de Pio XI, expressa em sua encíclica Quas primas, era homenagear Cristo Rei no último domingo de outubro. Isto a fim de que, antes de celebrar a glória de todos os santos, em 1.º de novembro, a Igreja celebrasse e exaltasse a glória daquele que triunfa em todos os santos.

A festa de Cristo Rei foi pensada como uma reação vigorosa da Igreja ao ódio a Deus.

Mas não era só isso. Desde o princípio, a instituição dessa festa representou, por parte da Igreja, uma verdadeira “declaração de guerra” contra o mundo moderno: primeiro contra o erro do laicismo, que queria tirar Deus da vida pública, mas também contra alguns Estados que, ao ameaçar os justos direitos de Deus e da Igreja, espezinhavam direitos básicos de seus cidadãos.

Era o caso — só para dar dois exemplos — do México e da União Soviética, que desde 1917 começaram a perseguir de modo ferrenho os cristãos. No primeiro caso, a resistência católica ao anticlericalismo deu origem à Cristiada, um verdadeiro exercício de legítima defesa da Igreja. No segundo caso, pilhas e pilhas de cadáveres foram amontoadas em nome de um “mundo melhor” que até hoje não chegou — seja na própria Rússia, seja nos países comunistas onde seus erros foram principalmente disseminados.

Ou seja, a festa de Cristo Rei foi pensada como uma reação vigorosa da Igreja ao ódio a Deus, que transbordava das legiões de espíritos maus para as almas dos que nos governam; e, deles, para toda a sociedade.

Infelizmente, o tom social dessa celebração foi em grande parte atenuado no Novus Ordo de Paulo VI. No documento com o qual se instituiu o novo calendário litúrgico, é possível ler, inclusive, que a festa antiga não foi apenas transferida de outubro para o fim do ano litúrgico; o que se deu foi uma verdadeira substituição [1]. Mudou-se o nome da festa; mudaram-se os textos litúrgicos; e, se é evidente que nem por isso a doutrina da Igreja mudou, as mentes dos sacerdotes e dos fiéis foram, pouco a pouco, perdendo consciência do que é a realeza social de Cristo, devido à quase total falta de menção a ela, seja nas salas de aula de teologia, seja nos templos e na divina liturgia. 

Mas não é só a omissão dessa verdade doutrinal que nos fez chegar ao estado em que nos encontramos hoje. O laicismo já muito antes do Concílio Vaticano II se encontrava suficientemente difundido, e praticamente sem resistência de nenhum gênero. A separação entre Estado e Igreja tal como a encontramos hoje nas sociedades civis provocou uma cisão no homem moderno, separando-lhe o corpo e a alma e criando em sua mente uma espécie de esquizofrenia.

De fato, ele leu no Evangelho: Reddite quae sunt Caesaris Caesari, et quae sunt Dei Deo, “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21), e entendeu o quê? Que César é tão “deus” das coisas terrenas quanto Deus, com d maiúsculo, o é das espirituais. Assim como Deus tudo criou, e tudo funciona de acordo com suas disposições, cada nação tem o seu próprio “deus” — ou, no caso, seu próprio ídolo. No mundo ocidental, isso fica evidente nas leis cada vez mais injustas que são promulgadas pelas autoridades civis. Elas se acham onipotentes e, à base de simples canetadas, definem quem pode viver e morrer, o que é família e o que não é, o que os filhos dos outros devem aprender ou não. De fato, em quantas nações do mundo o aborto já não foi legalizado? Em quantas já não é preciso mais ser homem e mulher para celebrar um casamento civil [2]? Em quantas outras, enfim, a “teoria” de gênero — no fundo, uma ideologia — já não se transformou em política de Estado?

“Mas as nações não são livres para aprovar as leis que entenderem mais oportunas para seus cidadãos?” Sim, as pessoas, melhor dizendo, são livres para votar e aprovar as normas que acharem mais convenientes para seus respectivos territórios, mas essa liberdade não é absoluta. Ela deve levar em conta a realidade das coisas, tais como foram criadas por Deus, e não instaurar uma nova ordem das coisas, uma “realidade paralela”, por assim dizer. Se um tiranete instituísse uma lei “abolindo” a gravidade, todos ririam dele e diriam, com razão, que ele perdeu o juízo. Todavia, diante de parlamentos, tribunais e conselhos que hoje proclamam (às vezes em uníssono) que um homem pode ser mulher e uma mulher, homem, todos os meios de comunicação já estão devidamente coordenados para impor uma “espiral do silêncio” e patrulhar quem quer que ouse manifestar-se contra César!


Em outra ocasião, porém, Jesus disse: Nemo potest duobus dominis servire, “Ninguém pode servir a dois senhores” (Mt 6, 24). Ou seja, é preciso dar a César o que é de César, sim, mas só Deus é Senhor em absoluto; só Ele é Senhor dos senhores; a Ele inclusive os césares desse mundo devem estar sujeitos. E não porque nós, católicos, sejamos teocratas, no sentido de que os Estados nacionais deveriam ser “fagocitados” pela Igreja em todo o mundo; mas somos, sim, teocêntricos, e acreditamos que é preciso pôr Deus em primeiro lugar, também na vida pública, pois esta é a única forma de manter a saúde mental dos povos, a única forma de evitar que, em última instância, os poderes deste mundo se erijam em deuses — e inclusive ordenem a seus súditos que lhes prestem culto.

É o que já está acontecendo na China, onde os cristãos estão sendo obrigados a substituir, em suas casas, representações de Cristo por quadros e ditos do ditador da vez: Xi Jinping.

É preciso dar a César o que é de César, sim, mas só Deus é Senhor em absoluto.

A notícia assusta, mas é este o fim inevitável para o qual caminham todos os que perdem a fé em Jesus Cristo. Pois Ele, Deus feito homem, é o único refúgio e proteção dos pobres contra os poderosos deste mundo: sem o Deus que se fez homem, os homens se fazem deuses, e agem efetivamente como tais. Sem os limites da lei de Cristo, as leis dos homens não têm limite algum. Sem o justo temor do juízo divino, todos os juízes não só podem falhar, como realmente falham; não só podem condenar inocentes, como realmente condenam; não só podem fazer vista grossa aos maus, como realmente fazem. Daí o aborto legalizado em tantos lugares; pais pressionados a submeter os filhos ao “novo normal” da moralidade pública, nas escolas, com teoria de gênero, sexualização precoce, preconceitos contra a Igreja etc.

Ao bom católico, diante de tudo isso, não resta outra alternativa senão, com o máximo de suas forças, resistir. A menos que ele queira tornar-se mais um em meio à multidão que condenou Jesus à morte, clamando, quase dois mil anos atrás: Non habemus regem nisi Caesarem, “Não temos outro rei, senão César” (Jo 19, 15).

Não, a fé em Jesus, Nosso Senhor, não tolera compromissos fáceis com o mundo, conluios criminosos com a mentalidade dominante. O caminho de quem procura acomodar o Evangelho às modas e novidades deste mundo; o caminho de quem, na prática, serve a dois senhores é evoluir rapidamente para a apostasia, para a traição de Cristo, para o abandono da Verdade: aut enim unum odio habebit et alterum diliget, aut unum sustinebit et alterum contemnet, “porque ou odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro” (Mt 6, 24).

A juíza norte-americana Amy Coney Barrett, católica e mãe de 7 filhos.

Se nos permitem a comparação, todo católico deveria procurar merecer, com sua vida, o elogio que há alguns anos recebeu a juíza Amy Coney Barrett, recém-nomeada ministra da Suprema Corte norte-americana (sob protestos, evidentemente, da mídia e de políticos anticristãos). Constatando as firmes posições da magistrada católica em matérias que dizem respeito à lei natural, uma senadora do Partido Democrata lhe dirigiu, em 2017, durante uma sabatina, as seguintes palavras: The dogma lives loudly within you — que poderíamos traduzir como: O dogma vive fortemente dentro de você, ou: O dogma fala alto dentro de você, ou ainda: O dogma está entranhado em você.

A parlamentar em questão usou a palavra dogma num sentido lato e, com a sua afirmação, ela pretendia não elogiar a juíza, mas denegrir-lhe a imagem. O que ela receava, porém, ao ver o nome de Amy avançar nas mais altas cortes da Justiça dos Estados Unidos?

O temor dela era que, num conflito entre César e Deus, a balança da juíza pendesse mais para Deus, como São Pedro adverte que os cristãos devem agir: Oboedire oportet Deo magis quam hominibus, “Convém obedecer antes a Deus que aos homens” (At 5, 29). O temor dela — e de todos os seus companheiros de partido — era ter diante de si um outro Thomas More, o santo que morreu como the king’s faithful servant, but God’s first, isto é, “fiel servidor do rei, mas servo de Deus em primeiro lugar”. O temor dela — e de todo o mundo descrente — é que ainda haja cristãos dispostos a testemunhar a própria fé, cristãos prontos a dar a vida por aquilo em que acreditam, como fizeram os mártires.

É uma pena que mulheres como esta sejam figuras raras em nossas repartições públicas. Porque a expectativa que todo o mundo deveria ter de um cristão autêntico na vida política é justamente esta: que, entre Deus e César, ele não hesitasse jamais em obedecer ao primeiro.

Os discípulos de Jesus não devem vender-se nunca à opinião pública, buscar os aplausos do mundo, se isso significa trair o seu Deus.

Os discípulos de Jesus não devem vender-se nunca à opinião pública, buscar os aplausos do mundo, se isso significa trair o seu Deus.

O nosso problema hoje é que, infelizmente, já não podem dizer a nosso respeito: “O dogma está entranhado em você”. Muito pelo contrário: o afã de agradar o mundo, as preocupações mundanas, os apegos desta vida, tudo isso pode muito bem ter feito morrer, já há muito tempo, a chama da fé em nossos corações.

Esta é, pois, a grande tragédia: o dogma já não habita mais nos corações de tantos de nós, católicos. Já não nos preocupamos mais em dar testemunho da lei de Cristo; não só a fé já não é mais importante para nós, mas a própria realidade das coisas, como foram criadas por Deus, não nos interessa mais. Preferimos manter uma aparência aos olhos dos outros a assumir a verdade com todas as suas consequências. Preferimos ceder ao aborto, à revolução sexual e à ideologia de gênero, a defender com unhas e dentes a lei de Deus inscrita no mais profundo do coração humano.

A Virgem de Fátima prometeu, no entanto, que ao menos em Portugal se conservaria sempre o dogma da fé. Por essa razão em especial, nós, lusófonos, devemos combater com muito mais empenho esse divórcio entre vida religiosa e vida pública, a que a Gaudium et spes chamou, com razão, um dos mais graves erros do nosso tempo (cf. n. 43).

Não devemos nos contentar, de fato, com o “cumprimento dos atos de culto e de certos deveres morais” (id.), pois ser cristão é muito mais do que isso: é confessar o reinado social de Cristo sobre todos os povos; é confessar que, acima de todos os césares deste mundo louco, há um Deus que tudo governa com sabedoria; é viver, enfim — e buscar que as pessoas ao nosso redor vivam — de acordo com as leis que essa Inteligência suprema ditou, desde toda a eternidade, para a nossa felicidade e eterna salvação.

Notas

  1. “No último domingo per annum celebra-se a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do universo, no lugar [loco] da festa instituída pelo Papa Pio XI em 1925, fixada para o último domingo de outubro. Deste modo, põe-se sob melhor luz a importância também escatológica deste domingo” (Calendarium Romanum, p. 63, trad. nossa).

  2. Malgrado a orientação cristalina da Igreja, emitida há alguns anos pela Congregação para a Doutrina da Fé, a respeito do reconhecimento civil das uniões homossexuais.

 
 
 
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