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Na terça-feira que precede a Quarta-feira de Cinzas, nós recordamos a devoção à Sagrada Face de Nosso Senhor Jesus Cristo. Trata-se de uma devoção instituída exatamente no período que precede a Quarta-feira de Cinzas, o chamado Carnaval, na “terça-feira gorda”, momento para reparar as ofensas feitas a Nosso Senhor Jesus Cristo e à sua Sagrada Face durante o tempo de “festas”.

Essa devoção, que não está no calendário litúrgico universal, foi acolhida pelos bispos do Brasil muitos anos atrás, que pediram licença à Santa Sé para celebrá-la aqui, exatamente pelo fato de o Carnaval ser tão forte no Brasil

Como Surgiu?

Esta santa devoção teve origem com a impressão milagrosa do Rosto de Cristo no lenço de Verônica, uma tradição muito respeitada na Igreja. O Papa Bento XVI fez questão de venerar o Véu de Verônica na cidade de Manoppello na Itália, em setembro de 2006. Durante sua visita ao santuário, Bento XVI foi o primeiro Papa a poder novamente venerar a relíquia, meio milênio após seu desaparecimento da Basílica de São Pedro.

Esta devoção cresceu muito também por causa da importância que a Divina Face teve na vida de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face. Outro fato que fortaleceu a devoção foram os surpreendentes estudos da figura de JESUS no santo Sudário de Turim; além das revelações à Irmã M. Pierina de Micheli (†1945), a mensageira da Sagrada Face dos últimos tempos.

Em maio de 1938, a Virgem Santíssima mostrou (em visão mística) à Irmã Pierina, um escapulário formado de dois paninhos. Num ela viu a Face de JESUS com as palavras ao redor: “Ilumina, Domine, vultum tuum super nos” (“Senhor, fazei resplandecer a Vossa Face sobre nós”). No outro estavam escritas em volta de uma hóstia as palavras: “Mane nobiscum, domine” (Senhor ficai conosco). Lentamente Nossa Senhora se aproximou e disse:

“Escuta bem e transmite ao teu confessor que este escapulário é uma arma de defesa, escudo de fortaleza e penhor de misericórdia que JESUS quer dar ao mundo nestes tempos de sensualidade e de ódio contra DEUS e a Igreja. São poucos os verdadeiros apóstolos. É necessário um remédio divino e este remédio é a FACE de meu Filho.

Todos aqueles que usarem o escapulário, e sendo lhes possível, cada terça feira visitar o Santíssimo Sacramento fazendo “Uma Hora Santa”, para reparar os ultrajes que recebeu e continua recebendo meu Filho, cada dia, no Sacramento Eucarístico, serão fortificados na Fé, estarão prontos para defendê-la e hão de suportar todas as dificuldades internas e externas. Além disso morrerão serenamente sob o olhar de meu Filho”.

Semanas mais tarde JESUS apareceu também e disse:

“Quero que Minha FACE seja honrada com uma festa própria na Terça-feira da Quinquagésima (terça-feira de carnaval) e que esta festa seja preparada por uma novena durante a qual todos os fiéis façam Comigo reparação”.

Em vez de fazer escapulários a Irmã Pierina mandou cunhar medalhas. Preocupada por isso recorreu à Nossa Senhora que novamente lhe apareceu dizendo:

“Minha filha, não se preocupe, pois, o escapulário é substituído pela medalha com todas as promessas e favores. Só resta difundi-la mais ainda. Ora, interessa-me muito a festa da Sagrada FACE de meu Filho. Diga ao Papa que esta festa muito me interessa”.

Irmã M. Pierina falou três vezes ao Papa e o Sumo Pontífice, ciente do pedido do Céu, não se fez esperar. No dia 15 de março de 1957, havendo já aprovado a propagação da medalha, facultou a celebração da festa, isto é, aos Beneditinos Sivestrinos de Roma. Em 10 de janeiro de 1959 o Papa João XXIII concedeu a mesma licença, a todos os Bispos do Brasil.

Para merecer as graças prometidas é necessário:

Usar a medalha, contemplar com amor, muitas vezes a Sagrada FACE, zelar pela devoção, fazendo a Hora Santa, nas Terças-feiras, promover anualmente a novena em preparação à festa na terça-feira de carnaval, e seguindo o exemplo dos grandes devotos da Sagrada FACE, ler e meditar diariamente o Novo Testamento. Todos os dias rezar:

5 Pai Nossos; 5 Ave Marias; 5 Glórias; em honra das cinco chagas de Nosso Senhor JESUS CRISTO, rezando também a oração composta por Pio IX, e a aspiração que a segue:

“Ó meu JESUS, lançai sobre nós um olhar de misericórdia! Volvei Vossa Face para cada um de nós, como fizestes à Verônica, não para que A vejamos com os olhos corporais, pois não o merecemos. Mas volvei-A para os nossos corações, a fim de que, amparados sempre em Vós, possamos haurir nesta fonte inesgotável, as forças necessárias para nos entregarmos ao combate que temos que sustentar. Amém.

Senhor, mostrai-nos a Vossa Face e seremos salvos!”

Prof. Felipe Aquino


A devoção à Sagrada Face de Cristo

Seja através do véu de Verônica, seja pelo rosto do Santo Sudário, a devoção à face desfigurada de Cristo é uma excelente forma de meditar a Paixão, reparar as ofensas cometidas contra Nosso Senhor e ingressar na Quaresma.

Nesta aula, vamos nos preparar para o Carnaval de uma forma bem diferente daquela com a qual o mundo está habituado. Vamos nos preparar espiritualmente para reparar as ofensas que, infelizmente, todos os anos são cometidas contra Nosso Senhor Jesus Cristo, na véspera da Quarta-feira de Cinzas.

Como o nosso país é considerado a terra do Carnaval, o Papa João XXIII, em 1959, concedeu exclusivamente ao Brasil a possibilidade de celebrar a Festa da Sagrada Face de Nosso Senhor Jesus Cristo com especial solenidade. Essa festa foi instituída pelo Papa Pio XII, em 1958, e teve sua origem a partir das revelações privadas recebidas pela Beata Irmã Maria Pierina de Micheli, a quem Jesus pedia que fosse feita uma reparação pelas ofensas cometidas contra Ele. Essas revelações iniciaram numa Sexta-feira Santa — quando irmã Pierina tinha ainda 12 anos de idade —, durante o tradicional beijo ao Cristo Crucificado. Nessa ocasião, ela ouviu a inspiração interior de Jesus que lhe dizia: “Todos Me beijam as chagas, mas ninguém beija o Meu rosto para reparar o beijo de Judas”.

Por que reparar as ofensas contra Jesus. — O sentido da reparação é desenvolver em nós uma atitude mínima de reconhecimento e de amor, mesmo que Deus, por sua própria natureza perfeita, dela não necessite. Quando ofendemos a Deus e não nos colocamos à disposição para reparar minimamente tal ofensa, estamos agindo como ingratos que soberbamente se colocam acima de Deus.

Para que isso não ocorra, devemos nos portar como a pecadora arrependida que, chorando aos pés de Jesus, muito amou porque muito lhe foi perdoado. Essa é a atitude amorosa de quem quer reparar as faltas cometidas. E Jesus permitiu que ela fizesse isso, assim como permite a cada um de nós, justamente porque os atos de reparação são, para nós, uma fonte de crescimento espiritual.

Além do sentido da reparação, precisamos compreender que o rosto é a nossa identidade, aquilo que nos distingue dos demais. Podemos dizer que a Beata Maria Pierina viveu numa época agraciada em que já se tinha acesso às imagens do rosto de Jesus no Santo Sudário — através do negativo de uma foto tirada pelo fotógrafo Secondo Pia, em 1898 — e, assim, era possível contemplar de forma mais concreta a própria pessoa do Cristo Crucificado.

A essência da devoção à Sagrada Face é fazer aquilo que Santa Teresa tantas vezes queria fazer, ao meditar o sofrimento de Jesus no horto das Oliveiras: enxugar o sangue de seu rosto e consolá-lo. Essa também é a essência da história de Santa Verônica [1], cujo gesto amoroso consolou Nosso Senhor enquanto Ele estava sendo massacrado por seus algozes. Embora o gesto de Verônica pareça tão simples e insignificante, é marcado por um amor que, teológica e divinamente, é maior do que o ódio dos seus algozes, pois provém da graça de Deus.

A devoção à Sagrada Face e o Brasil. — Cem anos antes das revelações de Jesus à Beata Maria Pierina, a irmã carmelita Maria de São Pedro também recebera — em Tours, na França — revelações privadas acerca da devoção à Sagrada Face, às quais teve acesso o venerável leigo Léon Papin Dupont, que passou a divulgá-las. Após muita perseguição, esse leigo conseguiu, em 1876, a aprovação eclesiástica da devoção à Sagrada Face de Jesus, e criou as confrarias para divulgá-la. Estas, por sua vez, receberam o reconhecimento pontifício em 1885. E foi justo destas confrarias que participaram todos os membros da família de Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, cujo nome de religiosa já expressa sua vinculação à devoção [2].

Para o Brasil, a Festa da Sagrada Face ganha uma conotação ainda mais solene, porque “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5, 20). Considerando que, no nosso país, ofende-se a Deus com maior intensidade por meio dos pecados cometidos no carnaval, devemos também com maior solenidade celebrar a Festa da Sagrada Face, a fim de reparar tais ofensas.

Enquanto católicos, não precisamos acreditar nas “revelações privadas” que fundamentam essa devoção [3]. Porém, é necessário aderirmos à verdade teológica irrefutável segundo a qual Nosso Senhor Jesus Cristo sofreu na Cruz por amor a nós, e precisamos retribuir-lhe esse amor, amando-o de volta e reparando as ofensas cometidas contra Ele.

Por exemplo, ao observarmos, no rito de Paulo VI, os textos da Missa da Festa da Sagrada Face, constataremos que eles estão diretamente relacionados à Paixão do Senhor [4]. Vejamos, por exemplo, na primeira leitura, do livro do profeta Isaías, capítulo 50, o cântico do Servo Sofredor: “Ofereci o queixo aos que queriam arrancar a barba, não desviei o rosto de bofetões e cusparadas, mas o Senhor é o meu aliado, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra”. O Salmo Responsorial, que diz: “Mostrai-nos a Vossa face, ó Senhor” (Sl 30), narra a Paixão de Jesus afirmando: “Tornei-me o opróbrio dos inimigos […], objeto de pavor para os amigos”, e clamando pelo auxílio de Deus.

Já no Evangelho de São Lucas, capítulo 22, é narrada a Paixão de Jesus a partir da negação de Pedro. Aqui, é interessante observarmos que as duas irmãs que receberam revelações de Jesus — a Venerável Maria de São Pedro e a Beata Maria Pierina — possuem, em seus nomes, referência ao Apóstolo Pedro, e ambas falavam que a contemplação do rosto de Jesus converte os pecadores, exatamente como ocorreu com São Pedro, quando negou a Cristo. O olhar de Pedro se encontra com o de Jesus, de modo que ele se encontra com a Sagrada Face, com Jesus esbofeteado, escarrado, cuspido, já com o rosto todo inchado e desfigurado; então, Jesus olha para Pedro e, desse olhar, vem a conversão. Esse mesmo olhar Jesus dirigiu a Judas, porém sem o mesmo resultado. Vemos assim a extraordinária riqueza dos textos bíblicos da Festa da Sagrada Face, na Missa de Paulo VI.

O objetivo precípuo deste programa é levar-nos a amar Jesus na sua Paixão, no seu rosto santíssimo, repetindo o gesto de Verônica, que pode ser o gesto de uma santa histórica, cujo nome não sabemos, ou simplesmente o gesto de todo cristão que, como Santa Teresa d’Ávila, quer consolar Nosso Senhor na sua Paixão. É isso que realmente importa, e é isso que recordamos liturgicamente na terça-feira de carnaval e que podemos realizar em nossas vidas todos os dias.

As formas de devoção à Sagrada Face. — Olhando para o modo como essa devoção se desenvolveu historicamente, observamos algumas particularidades relevantes. Nas revelações privadas da Venerável Maria de São Pedro, em Tours, na França, vemos que a devoção à Sagrada Face está relacionada ao véu de Verônica. Por outro lado, a devoção cultivada pela Beata Maria Pierina baseia sua devoção no Santo Sudário. Seja como for, as duas coisas confluem na mesma realidade: a Paixão de Nosso Senhor.

A devoção de Santa Teresinha à Sagrada Face — por ser influenciada pelas confrarias fundadas a partir das revelações da Venerável Maria de São Pedro — também está relacionada ao véu de Verônica, e aborda aspectos bastante significativos, como a realidade da consolação a Jesus e da conversão dos pecadores ao verem o rosto desfigurado de Nosso Senhor. Em sua Poesia 20, intitulada Meu céu na terra!, Santa Teresinha descreve como a face de Jesus nos remete à Pátria Celeste:

Tua face é a minha única Pátria, Ela é o meu Reino de amor, É a minha alegre Campina, Meu doce Sol de cada dia. Ela é o Lírio do vale Cujo perfume misterioso, Consola minha alma exilada E a faz gozar da paz dos Céus [5].

Na sequência da mesma poesia, a carmelita de Lisieux pede a Cristo que lhe conceda a graça de esconder-se dentro da sua Sagrada Face, a fim de assemelhar-se ainda mais a Ele, cuja glória foi humildemente escondida sob o véu do sofrimento:

Tua Face é a minha única riqueza E não peço nada mais. Nela, escondendo-me sem cessar, A ti, Jesus, hei de assemelhar [6].

Essa necessidade de sermos semelhantes a Cristo é uma das razões de buscarmos a comunhão com a Paixão de Cristo, de modo que, assim, nossa vida seja transformada por Ele.

Essa é, em suma, a história dos últimos duzentos anos da devoção à Sagrada Face de Jesus [7]. Diante de tudo que foi exposto, precisamos ter clara a ideia básica e fundamental de que a devoção à Sagrada Face consiste em uma devoção ao amor de Jesus por nós na Paixão. E como o rosto remete ao conceito de “pessoa”, essa devoção pode ser definida como hipostática, no sentido de que está ligada à identidade, ao rosto de Cristo que, mesmo escondido e desfigurado pelo sofrimento da Paixão, poderá ser visto por nós face a face no Céu.

Para isso, precisamos oferecer reparações à Sagrada Face, que foi ofendida pelo beijo de Judas e hoje continua a ser atingida por nossas faltas. Vivamos, pois, intensamente estes dias preparando-nos para a Quaresma e pedindo a Deus pelos pecadores, a fim de que, pelo encontro com a Face de Jesus, eles se convertam, configurando suas vidas à Paixão de Nosso Senhor.

 
 
 

SANTO DO DIA – 02 DE FEVEREIRO – APRESENTAÇÃO DO SENHOR

A data de hoje lembra o cumprimento, por Maria e José, de um preceito hebraico. Quarenta dias após dar à luz, a mãe deveria passar por um ritual de ‘purificação’ e apresentar o filho ao Senhor, no templo. Desde o século quatro essa festa era chamada de ‘Purificação de Maria’.

Com a reforma litúrgica de 1960, passou-se a valorizar o sentido da ‘apresentação’, oferta de Jesus ao Pai, para que seu destino se cumprisse, marcando em consequência a aceitação por parte de Maria do que o Pai preparara para o fruto de sua gestação. A data passou a ser lembrada então como a da ‘Apresentação do Senhor’.

No templo, a família foi recebida pelo profeta Simeão e pela profetiza Ana, num encontro descrito por São Lucas no seu evangelho, da seguinte maneira:

‘Assim que se completaram os dias da purificação conforme a Lei de Moisés, levaram o Menino a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor, segundo está escrito na Lei do Senhor, que ‘todo varão primogênito será consagrado ao Senhor’ e para oferecerem em sacrifício, segundo o que está prescrito na Lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos.

Havia em Jerusalém um homem justo chamado Simeão, muito piedoso, que esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. Pelo Espírito Santo foi-lhe revelado que não veria a morte antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, veio ele ao templo e, ao entrarem os pais com o Menino Jesus, também ele tomou-o em seus braços, bendizendo a Deus, e disse: ‘Agora, Senhor, já podes deixar teu servo morrer em paz segundo a tua palavra, porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste ante a face de todos os povos, luz para iluminação das gentes e para a glória do teu povo, Israel’. José e Maria estavam maravilhados com as coisas que se diziam de Jesus. Simeão os abençoou e disse a Maria, sua Mãe: ‘Este Menino será um sinal de contradição, para ruína e salvação de muitos em Israel; e uma espada atravessará a tua alma para que se descubram os pensamentos de muitos corações’. (Lc 2,22-35).

Ambos, Simeão e Ana, reconheceram em Jesus o esperado Messias e profetizaram o sofrimento e a glória que viriam para Ele e a família. É na tradição dessa profecia que se baseia também a outra festa comemorada nesta data, a de Nossa Senhora da Candelária, ou da Luz, ou ainda dos Navegantes.

Aprenda mais sobre a Festa da Purificação de Maria e da Apresentação de Jesus

Postquam impleti sunt dies purgationis eius… tulerunt illum in Ierusalem, ut sisterent eum Domino – “Tendo-se preenchido os dias da purificação de Maria… levaram-no a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor” (Lc 2, 22)

Sumário. Imaginemos ver a Santíssima Virgem, que, chegado o tempo de sua purificação, leva consigo o santo Menino, e acompanhada de São José, vai ao templo para oferecê-Lo em nome de todo o gênero humano. Entre todos os sacrifícios que até então tinham sido oferecidos, foi este o que mais agradou a Deus. Mas se Jesus oferece sua vida ao Pai por nosso amor, é de justiça que nós nos consagremos a Ele. A fim de que a nossa oferta seja mais agradável a Deus, façamo-la pelas mãos de Maria.

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I. Tendo chegado o tempo em que Maria Santíssima, segundo a lei, devia ir ao templo para sua purificação e para apresentar seu Filho Jesus ao Pai divino, se põe logo a caminho em companhia de São José. José toma as duas rolas para a oferta, e Maria toma seu querido Filho; toma o Cordeirinho divino para o oferecer a Deus, prelúdio do grande sacrifício que esse Filho devia realizar um dia sobre a cruz.

Contempla como a Virgenzinha entra no templo; faz em nome de todo o gênero humano a oblação de seu Filho e diz: Eis aqui, ó Eterno Pai, o vosso amado Unigênito que é vosso e também meu Filho; eu Vo-lo ofereço para vítima da vossa divina justiça, a fim de Vos reconciliar com os pecadores. Aceitai-O, ó Deus de misericórdia e apiedai-Vos das nossas misérias; pelo amor deste Cordeiro imaculado recebei os homens na vossa graça.

A oferta de Maria uniu-se também a do próprio Jesus. Eis-me aqui, diz por sua vez o santo Menino, eis-me aqui, ó meu Pai; consagro-Vos toda a minha vida. Vós me enviastes ao mundo para o remir com o meu sangue; eis aqui o meu sangue e todo o meu ser: ofereço-me todo inteiro a Vós pela salvação do mundo. — Tradidit semetipsum hostiam et oblationem Deo (1) — “Ele se entregou a si mesmo em oblação e como hóstia para Deus” — Nunca sacrifício algum foi tão agradável a Deus, como o que então Lhe fez seu querido Filho, desde menino já vítima e sacerdote. Se todos os homens e todos os anjos tivessem sacrificado a vida, a sua oferta certamente não seria tão agradável a Deus, como o foi a de Jesus Cristo, porquanto naquela única oferta o Pai Eterno recebeu uma glória infinita e uma infinita satisfação.

II. Se Jesus Cristo ofereceu por nosso amor a vida a seu Pai, é de justiça que nós Lhe ofereçamos também a nossa vida e todo o nosso ser. É o que Jesus de nós deseja, conforme à indicação feita à Bem-aventurada Angela de Foligno, quando lhe disse:

“Eu me ofereci a mim mesmo por ti, a fim de que tu te ofereças toda a mim.”

— Para que a nossa oferta Lhe seja agradável, roguemos ao Senhor com a santa Igreja que, “como seu Unigênito foi neste dia apresentado no templo na substância da nossa carne, assim nos faça dignos de Lhe sermos apresentados com o coração purificado” (2).

Ó Eterno Pai, eu, miserável pecador, réu de mil infernos, apresento-me hoje diante de Vós, o Deus de majestade infinita, e Vos ofereço o meu pobre coração. Mas, meu Deus, qual é o coração que Vos ofereço? Um coração que Vos não soube amar e Vos tem ofendido tantas vezes. Mas Vo-lo ofereço arrependido e resolvido a amar-Vos, custe o que custar. Perdoai-me e atraí-me todo ao vosso amor. Não mereço ser atendido, mas merece-o vosso Filho que no templo se Vos ofereceu em sacrifício pela minha salvação. É esse Filho e esse sacrifício que Vos ofereço, e neles ponho todas as minhas esperanças. Graças Vos dou, meu Pai, por haverdes enviado vosso Filho à terra para se sacrificar por mim.

Graças também Vos dou, ó Verbo incarnado, Cordeiro divino, que Vos oferecestes para morrer por minha alma. Amo-Vos, meu amado Redentor, e só a Vós quero amar, porque sacrificastes a vida somente por minha salvação. Lamento que como tantos outros Vos tenho sido ingrato, e que o tenho sido somente para convosco; mas Vós não quereis a minha morte, senão que me converta e viva. Sim, meu Jesus, volto a Vós e pesa-me de todo o coração de Vos ter ofendido. Vós me dais a vida, e a minha vida será amar-Vos, ó Bem supremo; fazei que Vos ame, e não Vos peço mais nada. — Maria, minha Mãe, vós oferecestes vosso Filho no templo também por mim; oferecei-o novamente e rogai ao Padre Eterno, que pelo amor de Jesus Cristo me aceite como sua propriedade. E vós, minha Rainha, aceitai-me também por vosso servo perpétuo. Se for servo vosso, serei também servo de vosso Filho.

1. Ef 5,2 2. Or. Festi.

Meditações para todos os dias e festas do ano – Tomo I – Santo Afonso

 
 
 

Duas figuras máximas se encontram: o Precursor e o Messias. Quem foi o Batista e por que quis Jesus ser batizado?

Com o Batismo do Senhor é concluído o tempo do Natal e a Igreja nos convida a olhar a humildade de Jesus que se converte em uma epifania (manifestação) da Santíssima Trindade.

Grande comoção em Israel

O Batismo do Senhor foi, sem dúvida, o mais simbólico de toda a história.

Havia cerca de 400 anos que nenhum profeta fazia ouvir sua voz em Israel.

Nada mais explicável, pois, do que o alvoroço causado por São João Batista. De todos os lados afluíam multidões para ouvi-lo. Vendo-as diante de si, ele as admoestava, e suas palavras calavam fundo nas almas, levando muitas ao arrependimento: “Dizia ele: Fazei penitência porque está próximo o Reino dos céus”.(Mt 3, 2).

Símbolo da purificação da consciência, necessária para receber esse “reino dos céus” que estava “próximo”, o batismo conferido por São João confirmava as boas disposições de seus ouvintes. “Confessavam seus pecados e eram batizados por ele nas águas do Jordão”, conta São Mateus (3, 6).

Inexorável para com os hipócritas e os soberbos, o profeta mostrava-se doce com os sinceros e os humildes. “Preparai-vos!” repetia incansavelmente, “abri a via do Senhor!”

Apareceram-lhe discípulos, que o assistiam em seu ministério, e que passaram a constituir um modelo de piedade mais fervorosa. Enfim, sua pregação produzia um grande movimento popular rumo à virtude, como nunca se vira na história de Israel.

Encontro com o Messias e Batismo do Senhor

A missão do Precursor era preparar os caminhos do Messias. Vivia, portanto, na expectativa do encontro com Ele. Não esperou muito tempo. Certo dia, notou a presença de Jesus no meio dos peregrinos. Tomado de sobrenatural emoção, inclinou-se para o recém-chegado, esquivando-se de Lhe dar o batismo: “Eu devo ser batizado por ti e tu vens a mim!” Respondeu-lhe, porém, Jesus: “Deixa por agora, pois convém cumpramos a justiça completa”. Obediente, São João O imergiu no Jordão.

Logo que saiu da água, Jesus se pôs a orar. Então o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Ele na forma de uma pomba. “E ouviu-se dos céus uma voz: Tu és o meu Filho muito amado; em ti ponho minha afeição”.

Por que Jesus quis ser batizado?

O batismo conferido por São João não era da mesma natureza que o Batismo sacramental, instituído posteriormente por Nosso Senhor Jesus Cristo. Provinha verdadeiramente de Deus, mas não tinha o poder de conferir a graça santificante. O próprio Batista pôs em realce a diferença: “Eu vos batizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo.” (Lc 3, 16).

O efeito do batismo de João consistia num incentivo ao arrependimento dos pecados, explica São Tomás de Aquino. Ora, em Jesus não havia sequer sombra de pecado, nem poderia haver, uma vez que Ele era o Homem-Deus. Não tinha, portanto, matéria para arrependimento e penitência. Mas, então, por que o batizado?


batismo do senhor

Sujeitar-se à condição humana

Várias são as razões dadas pelos Padres e Doutores da Igreja.

Eis uma delas: quando o Verbo se fez Homem, Ele quis se sujeitar às leis que regem a vida humana. Por exemplo, obedeceu às leis que estavam em vigor entre os judeus, sendo apresentado no Templo após seu nascimento, sofrendo a circuncisão, e cumprindo os ritos da Páscoa judaica. Assim, quis também receber o batismo penitencial de João.

Perdido no meio da multidão, Jesus — inocente — submeteu-se a um rito destinado ao pecador: “Convém cumpramos a justiça completa”, justificou-se Ele perante o profeta.

Comentando essas palavras, Santo Agostinho diz que Nosso Senhor “quis fazer o que ordenou que todos fizessem”. E Santo Ambrósio acrescenta: “A justiça exige que comecemos por fazer o que queremos que os outros façam, e exortemos os outros a nos imitarem pelo nosso exemplo”.

Purificar as águas

Entre as dez razões enumeradas na Suma Teológica para o batismo de Jesus, São Tomás de Aquino coloca em destaque o objetivo da purificação das águas.

Citando Santo Ambrósio, diz o Doutor Angélico que “o Senhor foi batizado, não por querer purificar-se, mas para purificar as águas”. Desse modo, continua ele, as águas “purificadas pelo contato com o corpo de Jesus Cristo, que não conheceu o pecado, tivessem a virtude de batizar”. E conclui citando o mesmo argumento, de São João Crisóstomo, de que Jesus “deixou as águas santificadas para os que, depois, deveriam ser batizados”.

Temos aqui um interessante problema teológico-metafísico: por que razão Deus escolheu a água como matéria para o Batismo?

A água é um elemento rico em simbolismo. Por exemplo, é uma imagem da exuberância de Deus. Basta considerar que três quartas partes da superfície da Terra são constituídas por água.

Também é símbolo de vida. É elemento essencial para a manutenção de todos os seres vivos. Quanto mais abunda a água numa região, maior é a quantidade de plantas e animais que ali se desenvolvem. Além disso, ela é o elemento preponderante da matéria viva, de modo tal que o próprio corpo humano é composto, na sua maior parte, de água.

Podemos considerá-la também um símbolo da bondade, do carinho e da magnanimidade de Deus para com a humanidade. Agrada ao ser humano vê-la cair, em forma de chuva, cristalina, refrescante, tornando fértil o solo, favorecendo as plantações, limpando o ar.

Nada mais conveniente, portanto, do que a água ser a matéria do Batismo. E nada mais adequado que Deus encarnado ter querido purificá-la pelo contato de seu sacratíssimo corpo.

Incentivo ao Batismo

A recepção do Batismo é necessária para a salvação, como demonstram as palavras de Jesus a Nicodemos: “Quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus”(Jo 3, 5). Pelo tom categórico da afirmação, avalia-se a importância desse Sacramento.

O batismo de João levava ao arrependimento dos pecados, mas não tinha o poder de perdoá-los. O Batismo sacramental, instituído por Jesus Cristo, tem efeitos infinitamente maiores.

Adão transmitiu a todos os seus descendentes a culpa original. O Sacramento do Batismo limpa a alma da mancha desse pecado, confere a graça santificante, eleva o homem à condição de filho de Deus e abre-lhe as portas do Céu. Ele é a chave de todos os outros Sacramentos, indispensáveis para o homem cumprir com fidelidade a Lei de Deus.

Tal é a grandeza e a eficácia do Sacramento do Batismo.

(Revista Arautos do Evangelho, Janeiro/2003, n. 13, p. 7 à 11)

Assista a Homilia:


“João batiza e Jesus se aproxima; talvez para santificar igualmente aquele que o batiza e, sem dúvida, para sepultar nas águas o velho Adão. Antes de nós, e por nossa causa, ele que é Espírito e carne santificou as águas do Jordão, para assim nos iniciar nos sacramentos mediante o Espírito e a água”, manifestou São Gregório Nazianzeno em um de seus sermões.

“O Espírito, acorrendo àquele que lhe é igual, dá testemunho da sua divindade. Vem do céu uma voz, pois também vinha do céu aquele de quem se dava testemunho”, acrescentou o santo.

Evangelho: Mt 3,13-17

Naquele tempo,13Jesus veio da Galileia para o rio Jordão, a fim de se encontrar com João e ser batizado por ele. 14Mas João protestou, dizendo: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?”

15Jesus, porém, respondeu-lhe: “Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!” E João concordou. 16Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água. Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre ele.

17E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado”.

 
 
 
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